GRUNDFOS SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO

Manual de Engenharia

Biblioteca Nacional - Catalogação na Publicação Manual de Engenharia Sistemas de Pressurização ISBN: 972 - 99554 - 0 - 9

Depósito Legal n.º 223570/05

Copyright © 2005 - Bombas Grundfos Portugal / Margarida Ruas / Raul Vital / Paulo Ramísio / Eduardo Nunes / Carlos Medeiros / Ana Amélia Santos / José Beltrão / Pedro Farinha / Luís Olival

Todos os direitos reservados.

Nenhuma parte deste livro poderá ser reproduzida, de qualquer forma ou meio, sem a autorização prévia do editor. Edição de: Bombas Grundfos Portugal, S.A.

Impresso em papel ecológico, isento de cloro por: Expresso Gráfico - Lisboa
BGP - 03/2005

PREFÁCIO
Actualmente, as sociedades desenvolvidas, na sequência da melhoria da qualidade de vida, têm como expectativa não apenas o acesso fácil ao recurso água mas também elevados padrões de qualidade no seu abastecimento. Esta exigência arrasta consigo a garantia do fornecimento contínuo, a sua qualidade intrínseca e as características adequadas ao seu uso, inerentes à quantidade e à pressão. Estes critérios de qualidade a que todos nós, de forma crescente, nos fomos habituando, são aplicáveis, principalmente, ao consumo humano, mas são também extensíveis aos sectores económicos da sociedade, cujo desenvolvimento está na dependência da água. Para atingir os desejados padrões de qualidade é fundamental o cumprimento da legislação vigente e a aplicação das tecnologias mais avançadas, factores que se revelam da maior importância para a optimização dos custos de exploração, dos quais o consumo energético é um factor determinante, se tomarmos em conta que aproximadamente 20% do consumo mundial de energia eléctrica se destina a grupos electrobomba. O reconhecimento de que uma das componentes do custo da água reside na sua movimentação, desde a captação à sua utilização, implica que a selecção dos sistemas de pressurização deverão ser cada vez mais eficientes e económicos. A responsabilidade social e o desenvolvimento sustentado que a Grundfos assume nos seus valores, sensibiliza-a para a importância da reflexão e do diálogo sobre o tema da água como bem fundamental e escasso. Foi com este espírito presente que o Manual de Engenharia sobre o tema "Sistemas de Pressurização" foi abraçado por um conjunto de docentes universitários e especialistas, em vários sectores da utilização da água, tendo como objectivo a optimização da eficiência e da fiabilidade da movimentação da água. O conteúdo deste Manual foi estruturado com informação técnica actualizada, desde a legislação às soluções tecnologicamente mais avançadas, complementado com ferramentas e técnicas para a melhoria do Custo do Ciclo de Vida dos sistemas públicos, prediais, industriais e na rega. O conceito de variação de velocidade utilizado nos sistemas hidráulicos, é adaptado em concepções diversificadas, em função das características das aplicações, como processo para optimização do consumo energético. É aqui inserido um documento de referência, que descreve a evolução histórica do abastecimento de água à cidade de Lisboa e regiões limítrofes, desde a ocupação Romana à actualidade, relatando os acontecimentos históricos que foram influenciados por essa evolução. É referida a importância da água para o consumo humano, para a rega e para a higiene pública. É ainda abordada a problemática do seu tratamento e as suas propriedades terapêuticas para a cura de diversas doenças. Evoca ainda a importância da água no desenvolvimento da cidade de Lisboa, assim como transmite os detalhes da evolução tecnológica nos meios utilizados para o abastecimento da água, desde as nascentes aos consumidores públicos e industriais, até ao abastecimento domiciliário com água canalizada. Este Manual é uma colectânea dos contributos da Grundfos e de todos aqueles que participaram na realização deste projecto, e teve como orientação estratégica a gestão racional da água e a sustentabilidade ambiental. Destina-se à sociedade em geral e em particular aos consultores, projectistas, empresários, empresas municipais e multimunicipais, técnicos, docentes e alunos de universidades e institutos cuja actividade está, directa ou indirectamente, dependente do estudo e da utilização da água. António Miranda Administrador Delegado Bombas Grundfos Portugal

1

2

a forma mais antiga e mais adequada. E diz-nos a experiência que do natural conflito entre norma e uso. geológica). Importa apenas acrescentar que o substantivo bombagem também respeita as regras de formação de palavras. aparelho com que se transvasam ou esgotam fluidos (líquidos ou gases)". não colide com a morfologia do nosso idioma. estado". são tão legítimas e frequentes as dúvidas como as certezas. As línguas maternas reflectem os conceitos vigentes na sociedade. e devem responder às necessidades de todos e de cada um dos falantes. Serve esta pequena introdução para explicar que. No primeiro caso. Pelo menos é esta a opinião dos mais reputados estudiosos da língua portuguesa. conotativos outros. Bombeamento formou-se juntando ao verbo (bombear) o sufixo nominal -mento. E é empregado na linguagem corrente. atribuindo-lhe o sentido de "acção ou resultado da acção. em matéria linguística. Do velho Morais ao novo Houaiss.Bombeamento ou bombagem Os idiomas não são instrumentos neutros nem modelos estáticos. Embora também haja quem empregue a forma bombagem como sinónimo de bombeamento (o Dicionário da Academia. denotativos uns. interessa apenas o significado de "máquina para aspirar e elevar líquidos. As línguas. passando pelos "Vocabulários" de Gonçalves Viana e José Pedro Machado. ou seja. o verbo bombear e o substantivo bombeamento. A dúvida que suscitou estas reflexões é esta: "bombar ou bombear" e "bombagem ou bombeamento"? O substantivo feminino bomba (no caso. há certas palavras e formas de dizer que caem em desuso (morrem. a palavra primitiva) tem diferentes sentidos. é o uso que sai vencedor e se impõe à generalidade dos utentes. inclui os dois verbetes). de tal modo que o que é incorrecto num dado momento pode ser considerado correcto noutro. designadamente. As palavras não são unívocas e só o contexto pode indicar o sentido exacto de cada termo. mais tarde ou mais cedo. Para o caso. Edite Estrela 3 . mas também em linguagens específicas (física. todavia. bombeamento é. As palavras são polissémicas e podem significar uma "coisa" e o seu contrário. Do substantivo bomba derivaram outras palavras. Assim. ressuscitar) e outras que emergem (nascem) para designarem novos objectos ou conceitos. aliás. militar. mais tarde. mudam com o tempo e as vontades. bombeamento pode designar "a extracção de um líquido ou de um gás por meio de bomba". podendo. Quer o verbo bombear quer o substantivo bombeamento são as formas a que os mais prestigiados dicionaristas dão acolhimento. Por isso. Bombear significa "extrair um líquido ou um gás por meio de bomba". todos registam bombear e bombeamento e excluem as outras hipóteses. juntando a bomba o sufixo verbal -ear (tal como de guerra+ear se formou guerrear e de cabeça+ear derivou cabecear) que encerra um sentido frequentativo (repetição de uma ideia). em cada momento. como qualquer organismo vivo.

4 .

. . .5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96 Aplicação a sistemas existentes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Dispositivos de protecção . . . . . . . . .6 4. . . . . . . . .1 6.3. . . . . . . .15 1. . . . . . . .4. . . . . . .5 1. .6 5. . . . . . .1 2. . . de velocidade fixa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Tejo ou Zêzere . . Determinação do caudal máximo . . . Equação da continuidade . . .3. Introdução . . . . . Dimensionamento económico de condutas . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . Sistemas de pressurização com grupos electrobomba . . . . . . . 93 Razões para a utilização do CCV . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 4. . . . . . . .3 2.9 4. . . . . . . . . . . . .2 1. . . . . . . . . . . . Caso prático . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . 3.9. . . . . . . Duarte Pacheco e o contrato de 31 de Dezembro de 1932 . Curva característica da bomba . . . . . . .5 3. . . . . . . . . . . . As duas opções em confronto . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 2. . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .12 2. Válvulas motorizadas . . . . . . . . . . Referências bibliográficas .2. . . . . . . . . . . . .11 2. . . . . . . .2.11 1. . . .16 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 2. . Teorema de Bernoulli . . . . . . . . . . . . . . . 6. . . . . Os antigos chafarizes de Lisboa .5. Volantes de inércia . . . . . . . . . Sistemas de pressurização com grupos electrobomba de velocidade variável . . . . . . . . . . . . Reservatórios unidireccionais . . . . Companhia das Águas e o começo do abastecimento domiciliário . . .6. . . . . . . Compressibilidade . . 5. . . . .1 5. . . Constituição e princípio de funcionamento . . . .12 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . Introdução .9 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Conceitos fundamentais de hidráulica. . . . . . . . . . . . . . Cavitação e NPSH . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .14 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Conceitos fundamentais de hidrocinemática . . Determinação da pressão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 94 Implementação da metodologia . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Dimensionamento e selecção . . . . . . . . . . . . . . . . . . Critérios de selecção e análise de sistemas simples em regime transitório .Índice Índice 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A EPAL e o Castelo de Bode . . . . . . . . . . Propostas para a reconstrução do aqueduto romano . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . Válvulas de retenção . . . .2 3. . . . . . . .2 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . Princípios da mecânica dos fluidos . . . . . . . . . . . . . As municipalizações do abastecimento de água e a sobrevivência da Companhia . . Redes hidráulicas . 97 Exemplos de aplicação do Custo do Ciclo de Vida .1 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Arrancadores suaves . . . . . .1 3. . . . . . . . Constituição . . . . . . . . . . . . . . .2 6. . Dispositivos de manutenção das pressões transitórias . . . .2 6. . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . .1 4. . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . . . Perdas de carga localizadas . . . . . . . . . . . . . .10 2. . . . .2. .5. . Cálculo hidráulico . . Conceitos básicos . . . . . . . . Escoamentos laminares e escoamentos turbulentos . . . . . . . . . . . .2 2. . . . . . . . . .8 1. Os problemas da qualidade das águas . . . . . . . . . . . . Condições de fronteira . . . . 93 Determinação do Custo do Ciclo de Vida . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Bombas centrífugas . . . . . . . . . . . . . . . A 1ª. . . . . . . . . . . . . .10. . .6 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Tensão de saturação do vapor de água . . . . . . . . . . . .4 2. . . . . . . . .6. . . . . .5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 2. . . . Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Introdução . .2 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 Constituição e princípio de funcionamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Exemplos de situações-tipo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 Sistemas de pressurização Grundfos . . . . . . . . Referências bibliográficas .1 Reservatórios de membrana . . . . .6 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 3. . . . . . Classificação dos escoamentos . . . . Teste de sistemas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .8 4. . . . . . . . . . . . . . . 7 11 11 12 12 13 17 17 18 21 21 22 24 25 26 26 28 3. . . . . . . . . . . .9 1. . . . . . . . . . .1 5. . . . . . . . . . . . . . .10. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . Circuito de desvio . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 3. . . . . . . . . . . . 3. . . . . . . . . .3 5. . . . . . . . . Sistema Hydro 2000 E . . . . . 96 Na fase de projecto .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistema Hydro Solo E . . . . . . . . . . . . . . . . .2 2. . . . . .1 2. . . . . . . . . . . . . Sistema Hydro 2000 F . . . . . . . . . . .2 4. . . Sistema Hydro 2000 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2.5 4. . . . . . . . . .2 4. . . . . . . . .3 6. . . . . . . . . . . .10 4. . . . . . . . . 3. . . . . . . . Definição . . . . . . . . . . . . . . . . . .6 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 98 Sistema de bombeamento existente com uma válvula de controlo de caudal . . . . . .2 Escolha do sistema de pressurização na fase de projecto . . . . .2 3. . . . . . . Viscosidade . . . . . . . . . .6. . . . . . . Evolução histórica dos sistemas de abastecimento de água a Lisboa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 5. . . . . .2 2. Escoamentos sob pressão em regime uniforme e permanente . . . . . . . Critérios de cálculo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .10 1. .6 2. .3 4. . . . . . . .3 Centrais hidropneumáticas . . .13 3.5. . . . . . . . . . .5 2. . . . . . . . . . . . 3. . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . O Aqueduto das Águas Livres . . . . . . . . . . . . . . . .3. .3 6. . . . . . . . . . . .1 2. . . . . . . . Perdas de carga contínuas . . . . .7 2. . . Reservatórios de ar comprimido . . . . . . . . . . . .2. . . . . . .3 3. . . . . . . . . . . . . . . .3 2. . . . . . . . .4 1. . . . . . . . . . . . e hidrodinâmica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 6. . . . . . . . . .3. Reservatórios hidropneumáticos . 91 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Ponto de funcionamento de uma bomba centrífuga . . . . . . . Curva característica da instalação . . 61 62 64 65 65 65 66 66 72 72 74 75 76 31 35 35 35 35 35 36 36 36 36 36 37 37 38 38 38 40 40 40 40 40 41 41 42 42 42 42 45 47 48 49 77 79 80 82 83 83 83 84 84 86 86 87 88 88 88 88 89 90 O Custo do Ciclo de Vida como factor de economia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Características das centrais hidropneumáticas . . . .1 2.3. . . . . . .4 3. . . . . .2 Grupos electrobomba . . . . . . . . . . . 99 5. .2 6. . . . . . .3. . . Das origens ao aqueduto romano de Olisipo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 2. . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51 55 55 55 55 56 5 .7 4. . . . .5. . . Expansão do abastecimento . . . . . . 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 Tipos de sistema de elevação de pressão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A 2ª. O projecto de 1908 para captação de água no Tejo . . . . .3. . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 2. . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . .1 Introdução . . . . . 4. . Sistemas com bombas de velocidade variável . Chaminés de equilíbrio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 4. . . . . . . . . . .3 3. bombas centrífugas e redes hidráulicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93 O que é o Custo do Ciclo de Vida? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . 103 105 105 105 106 107 109 109 110 112 113 Sistemas de pressurização com velocidade fixa e velocidade variável . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 102 6. . . . . . . . . . . .3 2. .7 1. Os projectos de Pezerat face à falta de água no século XIX .5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 1. . . . . . . . . . . . . . . . Reservatório parcialmente bidireccional . . . . . . . . Classificação das redes hidráulicas . Bombas de velocidade fixa .9. . . . . . . . . Propriedades da água . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . Regulação das pressões de arranque e paragem . . . . . Sistema Hydro 100 . . . . . . Regime uniforme e permanente . . . . . . . . . . . . .3 4. . . . .7 Referências bibliográficas . .11 4. . . . . . . . . . .4. . . . Leis de semelhança . . . . . .13 1. . . . . . . . . Modelo de cálculo . . . .4 2. . . . . . . . . . . . . 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistema Hydro 1000 . . .12 5.5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 5. . . .5 3. . . . . . . . . . . . . . . . Teorema da quantidade de movimento ou de Euler . . . . . . . . . . . . . . Sistemas por bombeamento directo . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . 1. Companhia das Águas e o Alviela . . . . .1 2. . . . . . . . 98 5. . . . . . . . . . . . . .8 2. . . . . . . .

. . . . . . .4. . .2. . . . . . . . . . . . . . . . .2 7. . . Introdução . . . . . . . . . . polivalência e economia . . . . . . . .1 8. . . . . . . . . . . . . . .1 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Concepção global dos sistemas de distribuição em Lisboa . Necessidades de ventilação . . . . . Elementos de dimensionamento . . . . . . Qualidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . Necessidade de comunicação . . . . . . . .2 8. . Aspectos gerais . .4. .4. . .8. . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . .3 10. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 7. . . . . . .3 9. . . . . . . . . . . .3. . . 10. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . Eficiência de rega e sua classificação . . .4. . . . . . . . Aspectos gerais . Elementos dos sistemas . . . . . . . . . . .7. . . . . . . . . . . . Segurança . . . . . . Manutenção . . . . . . . . . . 149 150 150 150 151 152 153 157 157 157 157 163 163 164 164 175 175 176 177 125 127 127 127 127 127 128 128 128 129 129 129 130 131 135 135 135 135 136 136 136 137 137 137 137 138 141 141 141 141 141 143 145 145 145 145 146 147 147 147 148 148 148 148 148 179 183 183 183 184 186 186 187 193 193 193 193 194 194 194 194 194 195 196 197 198 201 205 205 205 205 205 206 206 206 207 211 6 . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . Concepção global dos sistemas prediais em Lisboa . . .5 11. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 9. . . . . . . . . . . . . . . . .6. . . . . . . . . .1 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 7. . . . . Entrada em serviço dos sistemas . . .2. . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . Concepção dos sistemas . . . . . . . .8. . . .4. . . . . . . . . . Aspectos gerais . . . . . . . . .1 7. . . . . .2 7. . . . . . . . . . . . . . Torneiras e fluxómetros . . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . Controlo por pressão . . . . . . . . . . . . Introdução . .4. . .2 9. . . . . . . . . . .4. . .3. . . . . . . . . . . . . . . Dimensionamento dos sistemas prediais . . . . .2 8. . . . . . Eficiência de aplicação . . . . Sistemas prediais de distribuição de água quente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 10. . . . . .1 8.3 12. . . Monitorização e gestão de sistemas mistos .5. . . . . . . Sistemas de distribuição de água quente com recirculação Traçado .2 9. . . . . . . .3 9. . . . Manutenção aos sistemas de monitorização e controlo . . . . . . . . . .Índice 7. . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Classificação dos sistemas . . . . . .6. . . . . . . . . . . . . . Sistemas de rega sob pressão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 9. . .6 11. . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . Aplicação de sistemas de pressurização em processos industriais . . . Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . Resultados práticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Introdução . . . . . . . . . . . . . . . Execução das redes prediais .2 10.2. . . . . . . . . . . . Reserva predial de água para abastecimento doméstico . Valores médios e técnicas de maximização da eficiência de rega . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Exemplos de aplicação industrial . . . .1 11. . . . . . . . . . . . . Sistemas de rega sob pressão: eficiência. . .7. . . . . . . . Circuitos térmicos . . . .3. Válvulas . . . . . . Comunicação entre sistemas de bombeamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 9. .1 9. . . .1 12. . . . . . . . . . . . .4. . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 10. . . . . . . comunicação e gestão . . . . . . . . . . Instalação e manutenção de bombas e sistemas de bombeamento . . . .2 9. . . . . . . . . . . . . . . . . .5 9.9 10. .3 12.2 8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 10. . . . Eficiência total de rega . . . .3. . . . . . .1 11. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Introdução . . . . . . . . . . . . . .2 10. .4 9. . . . . . . . Dimensionamento dos reservatórios hidropneumáticos .3 8.2. . . . . . . . . . . . . . Vantagens de um sistema integrado .8 9. . . . .2 9. . . . . . . . . . . . . . . Controlo de sistemas de bombeamento . . . . . . . . . . . .2 9.1 11. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 8. . . . . . . Instalação de sistemas de bombeamento . . . .2 12. . . .1 12. . . . . . .4 7. . . . . .6. . . . . . . . . . . . . . . .2 7.1 9. . . . . . . . . . . . Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Saúde ocupacional . .2 12. . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . Critérios de selecção de equipamento de processo . . . . . . . . .2 11. . . . . . . . . .3 11. . . . . . .1 9. .1 12. . . Aspiração negativa . . . . . . . . . . .2 9. . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 9. . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Instalações elevatórias e sobrepressoras . . . . . . . . . . desinfecção e funcionamento hidráulico . . . . .5. . . . .4. . . . .1 11. . . .2.6 11. . . . . . . . . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . . . .2 11. . . . . . . . . . . .2 9. . . . . . 11. . . . Sistema de abastecimento público . . . . .4 9. . . . . . . . . . . .3. . . . .5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 10. . . . . . . . . Eficiência de uso de água . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . .3. . . . . Estrutura do Manual de Redes Prediais . . . . .2.3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Introdução . . . . . . . . . . . Aspectos gerais . . . . . . . . . . .4 9. Sistemas de rega por gravidade . . . . . . Sistemas prediais de distribuição de água fria . . .7 9. . . . . . . . . . . . . . . .2 11. . . Verificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Aparelhos produtores de água quente . . . Manutenção aos equipamentos de bombeamento . Consumo anual de energia para instalações de rega sob pressão . . Elementos e parâmetros de rega a utilizar no cálculo do consumo de energia . . . . . . Sistemas de abastecimento público e predial em Lisboa . . . . . . . . . . . . . .3 8. . . . . . . . . . Filtração por Osmose Inversa . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 11. . . .4 10. . . . . . . . . . .3 11. . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3.3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Aspectos gerais . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . .6 9. . . Aspiração de cisterna elevada . . . . . . . . . . . . .5 11. . . . . . . . . . . . . . . . . . referência ao coeficiente de uniformidade de distribuição de água de christiansen . . .3 9. . . . . . Referências bibliográficas . . . .4 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .8. . . . . . . . . .3 9. . . . . .2. . . . . Sistema de abastecimento predial de água . . . . . . . .4 12. . . . . . . . Ambiente . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . Gestão integrada entre sistemas de bombeamento .3 7. . . . . . .5 9. . . . Águas convencionais . . . . . . . Polivalência dos sistemas de rega . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . .3 10. . . . . Outros tipos de controlo .5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 8. . . . . . . . . . . . . .1 7. . . . . . . . Sistemas de abastecimento público e predial no Porto .4. . . . . . . . . Localização do equipamento de bombeamento . . . . . . Requisitos para instalação . . .5. . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . .3. . . . . . . . . . . . .2 9. . . . . . . . . . . . . . . Controlo por caudal . . . . . . . . . .2 11. . 117 119 119 119 119 119 120 120 120 120 121 121 122 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7. .1 10. . . . Aspectos gerais . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . Isolamento das canalizações . . . . . . . . . Eficiência de rega e consumo de energia nos sistemas de rega sob pressão . . .3 9. . . . . . . . . . . . . . Dimensionamento hidráulico . . . Controlo por nível . . . . . . . . . . . . . . . . . . Caracterização da rede de Lisboa . Classificação dos sistemas de rega . Aspectos gerais . . . . .5 11. . . . . . . . . . . . . . .3 11. . . . Eficiência de distribuição. . . . . . . . . . . . . .5. .2 Sistemas de controlo. 9.4 10. . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . 8. . . . .2. . . . . . . . . . . .2 11. . . . . . . Referências bibliográficas . . .3 8. . . . . . . . . . . . . . Eficiência de armazenamento . . . . . . .5 9. . . . . . . . . . . .1 8. . . . . . . . . . . . . . . . . . Prova de funcionamento hidráulico . . . . . .1 7. . . . . . . . . . . . . . . . .3 9. . . . .4 7. Comunicação entre sistemas de controlo da mesma rede . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Desinfecção dos sistemas . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Verificação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 11. . . . . . . .7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Aspiração de uma rede sob pressão . . . . . . . . .4 Contadores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Necessidades de água quente e escolha dos aparelhos de produção . . . . . . . . . . . . . . . . . Eficiência de transporte . . . . . . . . . . . . . Conclusões . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Enquadramento legislativo . . . . 12. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 11. . . . Utilização de reservatórios de membrana . . . . .3. . .2 12. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Outras publicações complementares . . .1 9. . . . . . . Elementos acessórios da rede . . . . . . .1 8. . .5 9. Ramais de ligação . . Descrição dos capítulos estruturantes do Manual .7 12. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . Águas não convencionais . . . . . . . . . . . . . . . . . Elementos de instrução dos processos de projectos . . . . . . . . . . . . .

Responsável pelo Arquivo Histórico do Museu da Água 7 .Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1. EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS SISTEMAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA A LISBOA Autores: Margarida Ruas Gil Costa Directora do Museu da Água Raul Fontes Vital Historiador e Arquivista.

8 .

A identidade desempenha um papel fundamental na configuração do mundo e na construção do eu do ser humano. os reservatórios da Mãe d'Água. Patriarcal e a Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos. ajudando-os a combater o medo que nos retira o direito de viver. de sentir prazer e de não envelhecer. estudantes e especialistas. Os prémios Internacionais legitimam e celebram o sucesso do Museu. Este conjunto de monumentos e edifícios. e de tudo o que ela representa no acumular de conhecimento científico e tecnológico. polarizadores de cidadania (o seu ethos na dupla perspectiva filosófica e prática). Os museus são lugares de criatividade onde se aprende sempre mais. a Sala de Exposições Temporárias e o Arquivo Histórico. alertando para o ambiente. tudo é passado.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa O Museu da Água da EPAL O Museu da Água da EPAL. encontram-se indissociavelmente ligados à história do abastecimento de Água. Existimos numa cadeia una. do nosso conhecimento e do pensamento. de pensar livremente. Este prémio destaca todo o museu que contribua para o entendimento e conhecimento da herança cultural europeia. da EPAL e também de Portugal. preservados e organizados museologicamente. abrange 4 núcleos: o Aqueduto das Águas Livres. a Sala de Exposições Permanentes. todo ele. Os Museus são cada vez mais complementos e auxiliares das escolas. códigos de comportamento numa perspectiva sincrética que junta o mundo todo no principio da reciprocidade (tudo o que fazemos é importante e atinge o meio em que vivemos e por sua vez nos atingirá). futuro e a Grundfos consubstancia este manifesto. As percepções espirituais. e de capacidade criativa do génio humano. As exposições que organizamos são discursos abertos e imprevistos que densificam a dimensão artística. afecta o todo que somos nós. dando oportunidade aos mais novos e intensificando o prestígio dos mais conhecidos cumprindo a educação permanente. inaugurado no dia 1 de Outubro de 1987. o Equilíbrio Perfeito. O Museu constitui. que provocam a mudança de mentalidades. estimulando a investigação. construídos entre o século XVIII e XIX. Mas para além desse sucesso evidente para a opinião pública nacional e internacional o maior sucesso é fazer a diferença na vida de muitas crianças e de adultos a quem provocamos na sua criatividade. Recebemos visitantes nacionais e internacionais. A identidade do Museu junta-se à identidade da EPAL e de Portugal constituindo-se como parte da nossa cultura e como mensageiro desse espírito. O Mundo. presente. que fazem acontecer e que contribuem para a sedimentação das identidades que cumprem a diversidade do País e dos diferentes povos que aí vivem. 9 . Tudo é património. local de criatividade e de encontro de culturas. Este último integra a sala das Máquinas a Vapor. A estratégia de comunicação do Museu da Água é provocadora na forma como chega às escolas. é um Património Precioso. É dever dos povos construir a eternidade partilhando o conhecimento e preservando a vida e o património. É uma dádiva viver no respeito e na reciprocidade do que nos rodeia. O Museu da Água é o único em Portugal com o Prémio do Museu do Ano do Conselho da Europa (1990). os outros e o próprio Mundo. racionais e sensoriais completam a construção do Eu cumprindo a observação cabal do Todo. Existimos fisicamente no mundo. quando um elo se quebra. dispomos de um serviço educativo para as escolas. de rir. universidades. das famílias consideradas como reguladoras sociais capazes de reunir pessoas à volta de necessidades comuns. onde o cenário de fundo nos é dado através desta luta de séculos travada pelo homem pela conquista da água. de um Arquivo Histórico que ajuda a entender a Inteligenzia portuguesa e que é consultado por académicos. o mais alto galardão atribuído por esta entidade. na cidade de Lisboa e oferecemos um conjunto de quatro monumentos que constituem o Museu da Água. em Portugal. a Harmonia Absoluta. acima de tudo. indissociável que. bem como para a consciencialização da sua identidade e problemas comuns. a preservação e animação do património.

10 .

não se deram por satisfeitos com estas águas. logo à partida. não é possível atingir uma compreensão global do seu desenvolvimento. às suas características e qualidade. ou. sociológico. as águas abundantes das nascentes ribeirinhas eram suficientes para as suas necessidades. a região de Lisboa é cortada por um conjunto de vales que a envolvem. os defensores de ambas as teses. por outro. primeiro a vapor e.000 m³. Porém. pelo Massachussets Institut of Technology – MIT. a partir desta. Sendo muito embora o sítio de Lisboa banhado pelas águas do rio. É este o caminho que iremos percorrer a seguir. para captar. adução e distribuição. cujas ruínas ainda hoje são visíveis. aduzir. sem utilização de meios mecânicos. A tecnologia surge como resposta às necessidades do homem. e de camadas de grés e arenitos. pois. continuando na direcção da serra de Sintra. onde um grande número de nascentes provenientes. não oferecia condições de captação nessa época face à ausência de tecnologias adequadas. um campo de estudo pluridisciplinar. que seria talvez a maior da Península. incluindo as ciências sociais. à captação de águas em poços profundos. tratar e distribuir este elemento básico e indispensável à vida. até por razões de estratégia defensiva. neste capítulo. sobretudo se tivermos em atenção que o seu desenvolvimento sob a forma de utilização de técnicas mais complexas não pode ser desligado do fenómeno urbano. e. 1. debitavam água para as ribeiras. novas condições de vida e novos desenvolvimentos não pré-determinados. desde o conhecimento científico e tecnológico. Os Romanos. em 1994. A esta barragem. cuja evolução abordaremos. mas também aos materiais utilizados nas condutas. De norte para leste. ao longo dos tempos. no estuário. 11 . alternadamente. e com uma elevada produção susceptível de proporcionar um abastecimento a um número cada vez maior de consumidores. Aí. Por um lado.1 Introdução Does Technology drive History? Esta é a pergunta formulada por Merrit Roe Smith num conjunto de trabalhos publicado. entre margens alcantiladas. A ocidente. um local privilegiado para o cruzamento de povos e culturas diversos. e foram procurá-la em zonas mais distantes. Trata-se de um porto natural. convergem uma diversidade de factores. toda a bacia hidrográfica que. desde as origens até aos nossos dias. ou é ela que determina o sentido da sua evolução? Poder-se-á dizer que. até mesmo. portanto. só disponíveis nos tempos modernos. na colina do castelo. constitui um laboratório excelente para este debate. construíram os Romanos uma barragem de contrafortes no século II ou III da era de Cristo. a própria tecnologia gera. para o caso de Lisboa. para o seu armazenamento e para a sua distribuição. e a outros diferentes ramos do conhecimento. que secavam na estiagem. procurar ver de que outros recursos dispunham as populações que aí se fixaram. temos que ter em consideração. A indústria da água é. cuja utilização virá a ser equacionada no século XX. Os primeiros mananciais a serem utilizados foram os da zona ribeirinha. já que as cotas a que estas ribeiras correm permitia a construção de sistemas de abastecimento que conduzissem daqui a água para Lisboa. no homem. apesar de outros existirem em zonas circundantes. É a complexificação das formas de agrupamento dos homens que gera a consequente complexificação das técnicas empregues para a utilização do elemento água. chegando à colina do castelo. sem a análise do fenómeno político. onde encontramos a bacia do Trancão. também a ribeira de Alcântara não possibilitava a utilização das suas águas para consumo. às técnicas administrativas e financeiras que possibilitam o desenvolvimento desta actividade. quando dominaram a Península Ibérica.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1. mais tarde. Há que.2 Das origens ao aqueduto romano de Olisipo Ao analisarmos o caso de Lisboa. à geologia das suas origens. a sua situação. eléctricas. inviabiliza a sua utilização como fonte de abastecimento de água em virtude de as águas do rio se misturarem com as do mar. constituía o palco ideal para o aproveitamento das águas. Assim. à sua captação em rios e em barragens. o homem desenvolve a tecnologia em busca de soluções para melhorar o seu bem-estar. dado que. distantes da cidade. procuraremos. Efectivamente. aos equipamentos concebidos para a sua elevação. a vasta depressão que se estende desde Odivelas a Sacavém. a barragem de Olisipo. conhecimento não apenas relativo à água. nascentes estas perenes. abordar. na base da colina do castelo. uma rota natural de migrações. provavelmente às portas de Santo André. e dado que os primeiros habitantes do sítio de Lisboa se terão fixado. corta o andar de Belas. o que foi o abastecimento de água a Lisboa desde as suas origens nos abastecimentos locais. junto à foz do Tejo. de camadas calcárias. Nesta indústria. um aqueduto que transportava a água para a cidade. ideológico. e. todos têm razão. agora com complexos sistemas de tratamento. A indústria da água. ainda que de forma sucinta. num conceito lato que possa abranger todas as formas desenvolvidas pelo homem. o enquadramento geográfico do sítio. e de onde seria de esperar a obtenção de águas susceptíveis de serem utilizadas. no vale de Carenque. foi atribuída uma capacidade da ordem dos 125. onde as diversas ciências têm lugar. à condução da água graviticamente até à cidade. onde diversos autores debatem a dialéctica entre o construtivismo e o determinismo tecnológico. à utilização de máquinas. Contudo. às possíveis formas para a sua condução.

. como o humanista português Francisco de Olanda que. que irão surgir. ou dos Cavalos. eram um povo de avançada civilização. que serão designadas por águas altas. João III em 1531. e em Roma o abastecimento era feito por um conjunto de aquedutos ainda em funcionamento nos tempos modernos. no concelho da Amadora . por outro. durante a sua ocupação. devido a tal facto. . Também os estabelecimentos termais merecem referência. incluídas no Aquilégio Medicinal. virá a propor a sua reconstrução.Ruínas da barragem romana de Olisipo A evidência do aqueduto romano chega-nos não pelos seus vestígios materiais.para além do que resta da barragem.3 Os antigos chafarizes de Lisboa Destruídas que foram muitas das obras dos Romanos pelos povos bárbaros. o tanque das lavadeiras de Alfama ou a Bica do Sapato. muito superior à temperatura das águas existentes nas nascentes do termo de Lisboa.a palavra chafariz tem mesmo origem árabe . chafarizes destinados ao abastecimento das populações. desconhecendo-se a data concreta da sua construção. as diversas nascentes da zona oriental. mas também aqui em Lisboa e em muitas outras cidades do Império. deve o seu nome às grandes obras que aí se realizaram no reinado de D.para a recolha das águas. 2 . 1 .Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa De facto. Em Portugal há que referir. entre as quais o aqueduto que abastecia Lisboa. 1. Já os Árabes. certamente satisfeitos com os recursos locais. aos diferentes hábitos de consumo dos invasores. o Chafariz dos Paus. e que proporcionariam uma capitação largamente superior a 500 litros/dia/habitante. pelas suas características físico-químicas eram estas águas reputadas como possuindo propriedades terapêuticas para a cura de diversas doenças. Além da sua temperatura elevada. Fig. invasores do Império. São bem conhecidas as suas termas.Chafariz d'El Rei 1. aliás. Dinis. e o próprio nome de Alfama dado ao local é reminiscência das nascentes de água termais que aí se encontram. Os Romanos. em Évora. Posteriormente outros foram edificados na mesma zona. porque distantes da cidade. em particular. publicada em 1726. construído por Quinto Sertório em 75 a. cedo arrastou consigo a falta de água. ao longo dos séculos. designadas normalmente por águas orientais. por um lado. com uma grande tradição de utilização da água. ou os banhos do Batista ou os da D. apenas se conhecem pequenos vestígios de aqueduto no sítio do Almarjão. e.mas pelo testemunho que dele dão vários autores a partir do século XVI. como as Alcaçarias do Duque. quer nas nascentes de Monsanto. da ordem dos 22 a 24°. caso das águas dos basaltos. o aqueduto romano da Água da Prata. obra da autoria de Francisco da Fonseca Henriques. o Chafariz d'El-Rei. ou que vieram a abastecer o chafariz do Rossio. ao decréscimo da população. menos abundantes. apresentam uma temperatura elevada. como as que. em 1572. ou das outras águas então conhecidas e que cedo vieram a ser exploradas. esta já mais a leste do bairro. O chafariz mais antigo da cidade. estas só mais tarde analisadas. não apenas em Roma. Clara. estando. e reedificado pelo rei D. aqueduto cujo regimento servirá de modelo para o que se virá a construir em Lisboa no século XVIII. também as necessidades de água diminuíram face.C.4 Propostas para a reconstrução do aqueduto romano O aumento da população da cidade. 12 . É no sítio das nascentes da zona ribeirinha. nos mananciais das camadas profundas do Terciário da colina do castelo. aí terão construído dispositivos . como o Chafariz de Dentro. em oposição às águas do futuro sistema das Águas Livres. o Chafariz da Praia. apareciam no Arsenal da Marinha. designadamente pelo efeito da expansão marítima. mais a ocidente. Fig.

Era o coroar de toda uma política de grandeza e protecção às artes. refere. que "el quarto y ultimo camino. de alguma forma. por conseguinte. p. a da Água Livre. ficariam entupidos pelos sedimentos arrastados por esta. em prejuízo do projecto do novo palácio real. examinou a barragem romana e as nascentes vizinhas. projectos no papel. quando da sua entrada em Lisboa. imposto pago nos géneros de primeira necessidade. Manuel da Maia contrapõe que os canos de repucho não suportariam a pressão da água. que era Filipe II em Portugal. Havia que chegar rapidamente com água a Lisboa. a San Roche. que era mesmo a mais abundante. rebentando e deixando a cidade sem água. 13 . dando assim prioridade à obra pública.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa À semelhança daquilo que se fazia um pouco por todo o lado onde a influência dos Romanos se fizera sentir. das críticas que lhe são feitas pelo português Manuel da Maia numa série de considerandos técnicos dirigidos ao Rei. E tudo apontava para a reconstrução do aqueduto romano. Manuel da Maia e Canevari divergiam também na forma de medição da produção das nascentes. João V encomenda ao arquitecto italiano Filipe Juvarra. 1. em canalizações fechadas. vieram a ser gastos nas festas que a cidade organizou em honra do rei Filipe III de Espanha. também Francisco de Olanda. Em 15 de Janeiro de 1717 D. na época designados por "canos de repucho". tendo o Senado de Lisboa arrecadado mais de seiscentos mil cruzados. na zona da actual Estrela. os quais. entre os vários caminhos possíveis para a condução da água livre a Lisboa. Manuel da Maia abandona as várias frentes de trabalho abertas por Canevari. O projecto acabou por não se concretizar devido à restauração da independência de Portugal em 1640 e ao longo período de guerra com a Espanha. na esperança de vir a assumir a direcção das obras. em 12 de Maio de 1731. Cláudio Gorgel do Amaral. cada uma com o seu bispo e os seus órgãos 1 Veloso de Andrade. como dio antigamente. em Agosto de 1732. arquitecto que acompanhou o rei e que com ele. onde se situava o Paço da Ribeira. já que Leonardo Torreano. posteriormente os caudais do Aqueduto seriam aumentados com a água de outras nascentes. encontrando o italiano valores inferiores aos do português. propõe a reconstrução da barragem romana de Olisipo e do seu aqueduto. enterradas. sobretudo de Itália. e aí. do arquitecto Tinoco. Contudo. y sobre la puerta de Santo Andres. há muita correspondência trocada entre Madrid e Lisboa. o Alvará onde mandava dar início à obra do aqueduto. Face a todos estes ataques. esta cidade nova continuaria a depender da cidade antiga e dos seus chafarizes no que respeita ao abastecimento de água. suficientes para a concretização do projecto. Assim. numa direcção conjunta com o arquitecto Silva Pais e o engenheiro Azevedo Fortes. No entanto. e acusa mesmo Canevari de não estar a medir correctamente os nivelamentos dos terrenos. na sua obra Da fábrica que falece à cidade de Lisboa. uma nova Roma cheia de palácios e monumentos. pequenas obras pontuais que não solucionavam as dificuldades da cidade. na zona da barragem romana. 273. a obra ia realizar-se. viria a ser construído um novo palácio real e uma nova basílica patriarcal. e por todo um saber trazido de outros países. el qual por ir mas alto dies palmos que el de la estrada puede dar Agoa a ambas partes de la Ciudad. durante o qual não havia condições para se desviar recursos financeiros para uma obra desta envergadura. no dia em que visitaram Sintra. Lisboa Oriental e Lisboa Ocidental. dirigido pelo arquitecto italiano António Canevari. a obra mal feita. No entanto. Sebastião. Memória sobre Chafarizes Fontes e Bicas. seria a cidade do poder. transmitido por um grande número de arquitectos que em Mafra desenvolveram as suas escolas. de governação. és por el aqueducto antigo de los Romanos.5 O Aqueduto das Águas Livres Apenas no reinado de D. porém. João V se veio a resolver o problema da falta de água em Lisboa com a construção do Aqueduto das Águas Livres. possibilitada pela afluência do ouro do Brasil à metrópole. já constatados como insuficientes para as necessidades. conhecimento patente no Roteiro das águas de Montemor e Caneças. pues abra quantidad bastante pera ella"1. de assumir a condução dos trabalhos. A cidade ocidental. em tudo semelhantes aos actuais sifões. no dia 29 de Junho de 1619. ficando. aqueduto que. Do século XVII somente tinham ficado intenções. e muda-se para uma outra nascente. terá seguido de perto o traçado do antigo aqueduto romano. já que os mananciais disponíveis eram os da zona oriental. Os incêndios que a seguir ao Terramoto de 1755 destruíram o Paço da Ribeira não nos permitem conhecer o projecto inicial. Canevari regressa a Itália e Manuel da Maia é encarregado. podemos concluir com bastante segurança que Canevari pretenderia conduzir as águas até Lisboa sob pressão. o rei veio a publicar. e que denotavam a consciência clara da necessidade de aproveitar a água de diversas nascentes. muito embora se tivesse aprofundado o conhecimento relativo às nascentes que alimentavam a bacia hidrográfica dos vales de Carenque e da Quintã. sinal de que havia uma intenção clara de se solucionar o problema da falta de água. aplicando o princípio dos vasos comunicantes. pois após a estadia do rei na cidade. projecto que D. Para custear a obra foi lançado mais tarde o real d'água. e por insistência do Procurador da cidade ocidental. João V dividiu a cidade de Lisboa em duas cidades independentes. publicada em 1572 e dirigida ao rei D.

Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa

sozinho na direcção face à partida para o Brasil de Silva Pais, e à frequente ausência de Azevedo Fortes, engenheiro-mor do reino. Por outro havia divergências de opiniões acerca do local para a travessia do Vale de Alcântara. Manuel da Maia, certamente, construiria um aqueduto menos monumental, atravessando o vale numa zona menos profunda, provavelmente por Palhavã, para atingir S. Pedro de Alcântara, às portas do Bairro Alto, onde entretanto haviam começado as obras para a construção do reservatório de chegada das águas. Em cena estava um outro arquitecto, Custódio Vieira, que já vinha acompanhando os trabalhos desde o início, pois participara em reuniões e medições diversas, e que tinha uma solução diferente, a construção de uma série monumental de arcos a atravessar o vale na sua parte mais profunda. Era um projecto mais arrojado, mais ao gosto do rei, e que apontava para uma zona mais alta, para onde a cidade estava a crescer.

Fig. 3 - Mãe d'Água Velha - Nascente da Água Livre. Local onde Manuel da Maia iniciou os seus trabalhos.

Muito embora Manuel da Maia conhecesse o princípio dos vasos comunicantes, vai construir um aqueduto através do qual a água vai chegar a Lisboa apenas movida pela gravidade, deslizando em caleiras de pedra abertas. Maia opta pela construção de duas caleiras, separadas por um passeio central, pois que, para uma boa manutenção do Aqueduto, tornar-se-ia necessário limpar frequentemente as caleiras, e assim, com duas, a condução da água não seria interrompida.

Fig. 5 - Arcaria do Vale de Alcântara

Fig. 4 - Caleiras separadas pelo passeio central

Relativamente aos materiais a utilizar nas canalizações, rejeita o chumbo, que dava más características à água, tal como rejeita o ferro, que, na época, ainda não apresentava uma qualidade suficiente para esta finalidade, e todos os outros materiais à excepção da pedra calcária, abundante em toda a região onde se vai desenvolver a construção do Aqueduto. Em 1736 já se trabalhava no Aqueduto em Monsanto, no sítio das Três Cruzes, caindo então a obra num impasse. Por um lado, Manuel da Maia encontrava-se praticamente

A transferência da direcção das obras para este novo arquitecto é determinante para a evolução da cidade. Abandona-se a obra de S. Pedro de Alcântara e escolhe-se a confluência do Rato, próximo da qual novos pólos urbanos se vinham desenvolvendo junto aos conventos, para a nova localização do reservatório. Aliás, podemos constatar hoje, pelos desenvolvimentos ulteriores do sistema, das vantagens desta nova localização do reservatório e desta nova inflexão do Aqueduto, que possibilitou a extensão dos seus ramais de distribuição para a Boa Morte, em Alcântara, zona próxima da qual surgirá o palácio das Necessidades, e para o Campo de Santana e Intendente, quase a tocar a colina do Castelo, onde outrora o aqueduto romano terá chegado. Vieira não chega a ver a água entrar em Lisboa, ela só chegará em 3 de Outubro de 1744, já após a sua morte, estando a obra a ser dirigida interinamente pelo capitão Rodrigues Franco. A entrada de Carlos Mardel na direcção das obras do Aqueduto terá lugar logo de seguida, devendo-se a este

14

Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa

arquitecto, de origem húngara, o desenvolvimento da distribuição da água na cidade, a partir do reservatório da Mãe d'Água das Amoreiras, cujo projecto se lhe deve, bem como o de diversos chafarizes e dos arcos monumentais da Rua das Amoreiras, que celebra a obra, e da Rua de S. Bento, este desmontado para alargamento da entrada na praça fronteira ao palácio, e mais tarde reconstruído na Praça de Espanha.

faziam a manutenção do sistema e geriam os caudais do Aqueduto, e um exército de cerca de 3000 aguadeiros que, organizados em companhias, vendiam água ao domicílio e igualmente combatiam os incêndios que devastavam a cidade. A gestão dos caudais no Aqueduto apresenta alguns aspectos que devem aqui merecer a nossa atenção, e à luz dos quais também temos que fazer uma leitura das soluções técnicas e arquitectónicas adoptadas para o efeito. Já foi atrás referida a diversidade das águas no que respeita às suas características físico-químicas. Umas, fortemente calcárias, como as da nascente da Água Livre, na Mãe d'Água Velha, provocavam, pela precipitação do calcário, incrustações que era necessário remover periodicamente, raspando as caleiras. De outras nascentes, situadas em camadas de grés e arenitos, a água arrastava sedimentos que a turvavam. Aqui era necessário proceder à sua decantação, pelo que, em diversas clarabóias, encontramos bacias redondas onde a água perde velocidade, depositando-se os sedimentos no fundo. Também junto de cada janela, agora mais rasgadas face a uma maior necessidade de laboração, bacias rectangulares desempenhavam idênticas funções, bem como as de quebrar a velocidade da água.

Fig. 6 - Reservatório da Mãe d´Água das Amoreiras

O sistema do Aqueduto das Águas Livres, onde, num aqueduto com cerca de 14 quilómetros de extensão, entroncam aquedutos que reúnem águas de sessenta nascentes, num total de aproximadamente 58 quilómetros de aquedutos, incluindo os de distribuição na cidade, foi dado por concluído em 1799, quando foi dissolvida a última sociedade de mestres pedreiros, empreiteiros da obra. Dada a tecnologia utilizada de condução da água em caleira aberta, o Aqueduto condicionou a forma de abastecimento a uma rede de chafarizes que se foram construindo até quase meados do século XIX, rede esta que, por sua vez, condiciona o próprio crescimento da cidade. Lisboa estende-se então, dos Barbadinhos, onde na zona ribeirinha corriam as águas orientais, até Alcântara, onde vemos o chafariz da Praça da Armada, e, para norte, seguindo as encostas do Vale de Alcântara, os chafarizes das Necessidades e do Arco do Carvalhão, este já a chegar ao alto de Campolide, lhe delimitavam o perímetro. Ainda nos limites norte da cidade, mais para leste, encontramos os chafarizes de S. Sebastião da Pedreira, Cruz do Tabuado, Campo de Santana e Intendente. Dentro deste perímetro, os chafarizes que se construíram (Rato, Carmo, Loreto e outros) eram, além de fontes de abastecimento, elementos de ordenamento urbano que tornavam as praças onde eram colocados em pontos de encontro, locais de convívio. Em pleno século XIX, a "indústria da água", aplicando aqui, num período de proto-industrialização, um conceito contemporâneo, empregava uma equipa de 60 homens que

Fig. 7 - Bacia de decantação redonda

Normalmente, nos vértices, as bacias apresentam dimensões superiores, o que permite evitar que a água transborde. Regra geral, no Aqueduto não há galerias em curva, antes uma sucessão de segmentos de recta. Nos poucos locais onde a solução adoptada pelo arquitecto foi a de construir aqueduto em curva, aí o passeio central sobe, afundando, consequentemente, as caleiras. Na cidade iam-se generalizando os abastecimentos privados. De um lado, os proprietários de águas nas zonas atravessadas pelo Aqueduto que, para receberem água no seu palácio ou convento, em Lisboa, construíam, à sua custa,

15

Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa

aquedutos ligando as suas nascentes a um dos aquedutos do sistema. Depois, em Lisboa, de um aqueduto de distribuição, partia uma canalização, agora fechada, aferida para três quartos de um débito diário calculado como sendo a sua produção, valor obtido a partir da medição da produção das suas nascentes ao longo de vários meses do ano. De outro lado havia os estabelecimentos públicos que passaram a receber directamente água do Aqueduto, bem como outros particulares ou ordens religiosas, beneficiários de concessões de água, quer traduzidas em caudais determinados, quer em sobejos dos chafarizes. Entre estas entidades, são de notar as indústrias que despontavam, como o caso da Real Fábrica das Sedas, cuja localização próxima do Aqueduto é determinante para o desenvolvimento do bairro das Amoreiras. Havia ainda os jardins públicos, agora tornados possíveis, que recebiam água directamente do Aqueduto, como o Passeio Público e o Passeio da Estrela, este com um aqueduto que, saído do Aqueduto das Janelas Verdes, aí conduzia a água, o outro recebendo-a a partir da mesma galeria que abastecia o chafariz da Cotovia. Para a gestão de todo este sistema vemos, nos aquedutos de distribuição, não apenas caleiras abertas, mas também canalizações fechadas, com algumas pedras amovíveis para se poder limpar o seu interior, colocadas frequentemente em paralelo com as caleiras abertas, a fim de, a partir de bacias intermédias, como a pia do Penalva, no cruzamento da Rua Formosa (hoje Rua do Século), ou a pia do Teotónio, próximo do Arco das Amoreiras, a água ser conduzida com pressão, aplicando-se o princípio dos vasos comunicantes, por forma a possibilitar a sua chegada a pontos mais elevados. Exemplos disso são as colunas ascensionais que permitiam a subida da água às bicas dos chafarizes.
Fig. 9 - Chafariz do Carmo

Do grande reservatório da Mãe d'Água das Amoreiras apenas saía água para os chafarizes abastecidos pelo Aqueduto da Esperança e para o chafariz do Rato. Para os chafarizes da linha do Loreto a água descia mais atrás, por um pilar de um dos últimos arcos, seguindo em canalização fechada, sob pressão. Se assim não fosse, e de acordo com Veloso de Andrade, "se deste Depósito corresse para os dez Chafarizes acima mencionados, só a água que ele contém, ficaria despejado em seis dias"2. Para controlar todo este sistema havia que possuir um exacto conhecimento das dotações atribuídas aos diversos consumidores privilegiados, proprietários de água ou não, da água que corria para os chafarizes e da que era produzida pelas nascentes. Em média chegavam a Lisboa 3500 m³ de água por dia, baixando os caudais a cerca de metade desse valor durante a estiagem. Porém, nos meses de abundância, a produção das nascentes era largamente superior à capacidade de vazão do Aqueduto. Assim, tornava-se necessário regular os caudais, devolvendo a água às ribeiras em desaguadouros estrategicamente colocados ao longo dos diversos aquedutos, diminuindo ou eliminando o caudal das caleiras, para que a água de outra nascente pudesse entrar no circuito num entroncamento situado a jusante. Havia também que eliminar, através destes desaguadouros, águas turvas a seguir a fortes chuvadas, ou que se soubesse ou houvesse suspeitas de estarem contaminadas. Daqui resultava a manutenção equilibrada dos cursos de água naturais, naquilo a que hoje se aplica a designação de desenvolvimento sustentável.

Fig. 8 - Coluna ascensional do chafariz do Carmo

2

Veloso de Andrade, o. cit., p. 330.

16

Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa

1.6 Os projectos de Pezerat face à falta de água no século XIX
A situação em Lisboa, nos meados do século XIX, tornou-se dramática, não atingindo, na estiagem, a água aduzida pelo Aqueduto, em que haviam sido dispendidos, até 1799, mais de cinco mil e duzentos contos de reis, uma capitação superior a 6 ou 7 litros/dia/habitante, para uma população que rondaria os 300.000 habitantes. Em 1852 o Engenheiro Pezerat, da Câmara Municipal de Lisboa, apresentou diversos planos no sentido de se aumentar os volumes de águas disponíveis. No que se refere às águas orientais, poder-se-ia evitar a sua perda para o Tejo represando-as na zona ribeirinha e elevando-as aí, com máquinas a vapor, para um reservatório a edificar em Santa Luzia. Pezerat estima em 790 m³ diários a quantidade de água que assim se poderia aproveitar, prevendo, para esta obra, um custo de 111:573$000 reis. Relativamente às águas altas, projecta a construção de uma grande reserva de água no vale da Quintã, com uma capacidade prevista de 1 300 000 m³, destinada a armazenar, no Inverno, água que poderia ser utilizada na estiagem, reduzindo desta forma a sua carência na cidade. Desta albufeira, onde os lodos se depositariam, a água passaria por um sistema de filtros de areia para outra, construída mais abaixo, no vale de Carenque, próximo da Mãe d'Água Velha. Esta água, purificada, e por um processo de sifonagem, entraria no Aqueduto, chegando desta forma à cidade. Para este sistema de barragens prevê Pezerat um orçamento de 88:689$940 reis.

1.7 A 1ª. Companhia das Águas (1856) e o começo do abastecimento domiciliário
Em 20 de Julho de 1855 foi o Governo autorizado a contratar em concurso público o fornecimento das águas precisas para o abastecimento de Lisboa, na sequência de idênticas diligências que tiveram lugar anteriormente, mas que não haviam conduzido a nenhuma solução. Em 1855, e antes do referido concurso, uma empresa constituída pelos ingleses Duarte Meddlicot e Thomas Rumball efectua um contrato provisório com o Governo, contrato este que não podia, no entanto, ser ratificado sem o respectivo concurso público. Quem veio a ganhar efectivamente o concurso foi a outra empresa concorrente, que tinha como directores Alberto Carlos Cerqueira de Faria, Filipe Folque e Bento Coelho da Fonseca, estabelecendo-se em 1856 e firmando o contrato com o Governo em 29 de Setembro de 1858, tomando-se como base para as condições do contrato a população da cidade em 220.000 habitantes. Nascia, assim, a Companhia da Empresa das Águas de Lisboa (1ª. Companhia). A Companhia vai recorrer aos serviços do engenheiro francês Mary, de Paris, que organiza diversos planos no sentido de aumentar a capacidade de produção do sistema do Aqueduto e desenvolve projectos para o início do abastecimento domiciliário na cidade. Contudo, e apesar de a utilização de máquinas a vapor já ser corrente um pouco por toda a Europa, utilizando-se já as "pompes à feu" em Paris no século XVII para elevação da água, Mary não vai utilizar máquinas em Lisboa, vai antes aplicar unicamente o princípio dos vasos comunicantes, agora, porém, com a utilização de sifões de ferro fundido. No que diz respeito à captação de águas, Mary vai construir um novo aqueduto subsidiário do Aqueduto das Águas Livres, o Aqueduto da Mata, que traz ao principal as águas de Belas, do Brouco, Vale de Lobos e Vale de Figueira. Por outro lado, são nessa época continuados os trabalhos no Aqueduto das Francesas, para se trazerem a Lisboa as águas da Serra de Carnaxide. Nesta matéria a Companhia despreza a opinião do geólogo General Carlos Ribeiro, favorável à captação de água no Tejo, a montante de Santarém. Relativamente à distribuição, Mary divide a cidade em três zonas altimétricas, baixa, média e alta, e estabelece uma rede de reservatórios para regularizar a distribuição de forma a ter pressões constantes e suportáveis pelas canalizações. Assim, na parte ocidental da cidade, para a zona alta, no alto de Campolide, constrói o reservatório do Pombal, a zona média virá a ser abastecida pelo reservatório do Arco, situado um pouco acima do Arco das Amoreiras, e para a zona baixa será construído o reservatório da Patriarcal, no subsolo da Praça do Príncipe Real. A parte oriental da cidade será abastecida por duas cisternas, uma na igreja da Penha de França e outra na Graça, na cerca de S. Vicente.

Fig. 10 - Projecto de Pezerat para as reservas de águas nos vales da Quintã e Carenque

Os projectos de Pezerat acabaram por não ser concretizados dados os perigos que as reservas projectadas, a céu aberto, poderiam representar para a saúde pública. Por outro lado, em breve outras soluções iriam aparecer, com a constituição da 1ª. Companhia das Águas de Lisboa.

17

1. porém. Entretanto. Já no final da sua curta existência. Para Carlos Ribeiro. O projecto inicialmente delineado previa a condução das águas desde os Olhos de Água até um reservatório a construir numa zona alta fora da cidade. a Companhia avançava com a hipótese de captar água no Tejo. no Ministério das Obras Públicas. dado o "salto epistemológico" para um novo paradigma tecnológico. Companhia das Águas o Governo. conseguia trazer água sob pressão ao reservatório do Pombal. era proposta pelo General Carlos Ribeiro e que a Companhia rejeitara. apesar da adopção do princípio dos vasos comunicantes e do início do abastecimento domiciliário. foi 18 . pôs fim à Companhia. não reconheceu às águas do Tejo qualidade suficiente para serem introduzidas no abastecimento. Para isto. havendo que construir uma estação elevatória na zona das nascentes. a Companhia pensava estabelecer uma rede de distribuição de água de qualidade superior para consumo humano. a partir daí. O General Carlos Ribeiro não fora favorável à opção pelo Alviela. e dar suporte à derradeira alternativa que a Companhia afinal possuía. que não chega a estudar exaustivamente a questão mas que entende que a água. de cota suficientemente elevada na Porcalhota. contudo. Tal. hipótese que. e da Penha de França descia à Graça. portanto. irá desenvolver o projecto do Alviela. de recorrer aos rios que as banhavam. procedimentos administrativos. porém. provavelmente no Arco do Cego. poderia ser filtrada pelas camadas naturais do leito do rio e poderia. através de uma galeria. políticos.Interior do reservatório da Patriarcal. Após várias diligências e negociações. de que Pinto Coelho será o Director. que. Carlos Zeferino Pinto Coelho. introduzindo processos de depuração das águas que a tecnologia já possibilitava. À semelhança do que se praticava em Paris. O reservatório da Patriarcal era alimentado por um sifão colocado no Aqueduto do Loreto. captada acima de Santarém. estando todo o sistema interligado por meio de sifões. e perante as dificuldades da Câmara em satisfazer as necessidades da cidade. nos prazos estipulados. coadjuvado pelo Engenheiro Joaquim Pires de Sousa Gomes. colocados.. e estando esta acima da entrada das águas do Aqueduto. A captação de água na quantidade necessária para o abastecimento de Lisboa acarretaria graves prejuízos para a agricultura daquela região. e não conseguiu fornecer à cidade. Companhia das Águas e o Alviela No interregno entre a 1ª. utilizando aqui o conceito desenvolvido por Thommas Hugges e que consiste na definição de cada tempo e cada sistema tecnológico como uma matriz cujos elementos componentes são o conhecimento científico e as técnicas. Porém foi a opção do Governo face à apreciação feita das águas do Tejo. não se tendo. defende junto do Governo a solução da constituição de uma nova companhia. sempre que possível. não terem viabilidade. homem que pertencera à 1ª. num outro estádio de desenvolvimento científico e tecnológico. O desenvolvimento científico e tecnológico não havia ainda atingido um estádio que permitisse fundamentar e levar à prática as opiniões de Carlos Ribeiro. como a das nascentes da serra de Sintra. a solução a adoptar seria semelhante àquela que outras grandes cidades haviam adoptado. Na zona média. vendo-se ao fundo a galeria que o liga ao Aqueduto do Loreto Estes reservatórios recebiam água do Aqueduto. o reservatório do Arco recebia directamente a água do Aqueduto.8 A 2ª. O momentum tecnológico.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa O Governo. Companhia não conseguiu vencer as dificuldades que se lhe depararam. a gravidade para as fazer chegar a todos os pontos da cidade. e dado outras possíveis opções. e solicitando novo prorrogamento de prazo ao Governo. e outra de qualidade inferior para regas e lavagens. A 1ª. Mary projectou um sifão instalado dentro do Aqueduto das Águas Livres que. era necessário dar elevação à água por meio de máquinas. mas também os aspectos sociais. Tal opinião veio a acelerar a rescisão unilateral do contrato por parte do Governo. matriz essa que tem raízes no momentum precedente. dentro das galerias dos aquedutos do sistema das Águas Livres. o contrato entre o Governo e a nova companhia. Toda a acção da Companhia insere-se no mesmo paradigma anterior. esgotou o seu capital nas obras. aliás. e pela mão do Engenheiro Joaquim Nunes de Aguiar. Um século mais tarde. mas que prolonga os seus efeito em momenta subsequentes. resolver por largos anos o problema da sua falta na cidade. advogado e deputado conservador. Companhia. Do Pombal saía água para a cisterna da Penha de França através de um sifão colocado no Aqueduto do Campo de Santana. e a 2ª. Para abastecimento da zona alta. económicos. etc. funcionando. que o delimita a sul. já que o contrato estipulava que todas as novas águas a serem aproveitadas não deveriam ser de qualidade inferior às do Aqueduto das Águas Livres. 11 . nunca entre nós veio a ser posto em prática. continua a ser o do Aqueduto. o Tejo virá a ser a grande solução para o problema da falta de água em Lisboa. por Decreto de 23 de Junho de 1864. a quantidade de água a que se obrigara pelo contrato. Fig. Uma das propostas da Companhia incluídas no seu contrato era a da dupla canalização.

de 75 quilogrâmetros. e consumiam. inclusive. vindo a Companhia a ser declarada oficialmente constituída por Decreto de 2 de Abril de 1868. trazendo consigo os projectos já iniciados. arrastando-se. na zona ribeirinha oriental. correspondendo cada uma a uma superfície de aquecimento de 60 m². para elevar para a Verónica. contemplado no contrato. era a concretização do projecto do Alviela. por alguns anos. e vai possibilitar. Assim.Entrada das águas no canal Alviela no recinto dos Olhos d'Água Embora o canal fosse mais extenso. computando-se. Na análise desta fase de industrialização do abastecimento de água. ideia já anteriormente defendida por Pezerat.000 habitantes. e havermos entrado no caminho da normalização das peças e acessórios utilizados no abastecimento. haver já um comércio internacional de produtos industriais desenvolvido.9 kg de carvão por hora e por força de cavalo-vapor.Máquina a vapor da Estação Elevatória da Praia Para esta estação a Companhia irá adquirir à casa Windsor & Fils. a Companhia alterou o projecto inicial. Fig. 12 . fornecendo à cidade um volume de água correspondente a uma capitação de 100 litros/dia/habitante. acabou por 19 . e aqui construir a estação que as elevava para as diferentes zonas a abastecer. Cada uma destas máquinas tinha uma capacidade de elevação de 1. denominada CAL . num aqueduto até Lisboa. não podemos deixar de ter em consideração o facto de. só em 1852 havia sido posto em vigor. Porém. Cada máquina podia produzir uma força de cerca de 23 cavalos-vapor de água elevada. uma expansão significativa do abastecimento domiciliário. já que era necessário dar uma elevação de 54 m acima das nascentes para que a água conseguisse atingir a cidade no ponto pretendido. as canalizações nas habitações. O objectivo principal da constituição da Companhia. A construção do sistema não se deu sem sobressaltos. não só no que se referia à deslocação das peças das máquinas. ou seja 30 cavalos-vapor sobre a árvore do volante. as águas orientais que se perdiam para o Tejo. essa expansão será inferior ao pretendido enquanto a Companhia não dispuser de um instrumento importante. A primeira iniciativa da Companhia. incluindo a perda de carga. o sistema decimal para as medidas lineares. na Normandia. mas sobretudo face às eventuais avarias e consequentes necessidades de reparação das mesmas. à sua custa. Havia que construir uma estação elevatória a cerca de 100 km de Lisboa.o regulamento dos encanamentos particulares . Aliás. de imediato.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa celebrado em 27 de Abril de 1867. de expansão variável e de condensação. no fim. em Portugal. As máquinas eram alimentadas por três caldeiras de sistema vulgar. o que diminuía os custos do projecto. Fig. o que era algo de bastante complicado para a época. as vantagens deste novo projecto eram evidentes. A introdução da máquina a vapor no abastecimento de água em Lisboa representava um passo importante na evolução desta indústria. ditas do sistema Woolf. O local escolhido para o reservatório de chegada e para a estação elevatória foi a cerca do convento dos Barbadinhos italianos. no máximo. O rigor e a universalidade necessários à industrialização demoraram bastante tempo a alcançar. havendo. duas máquinas verticais de efeito duplo com dois cilindros. logo em 1868.900 m³ diários de água a uma altitude de 73 m acima do nível do poço de alimentação das bombas. mas em que à Companhia. a construir. a sua extensão às outras medidas.obrigando os proprietários dos prédios acima de um determinado nível de rendimento. que leve os particulares a contratar o fornecimento de água . questões de natureza política que dificilmente foram ultrapassadas. a população a abastecer em cerca de 200. 13 . engenheiros mecânicos estabelecidos em Ruão. pela gravidade. De imediato os engenheiros Aguiar e Sousa Gomes ingressaram nos quadros da Companhia. Quanto ao Alviela.Companhia das Águas de Lisboa. na periferia da cidade. na Graça. foi a da construção de um reservatório e de uma estação elevatória no sítio do antigo chafariz da Praia. 1. a Companhia decidiu trazer as águas livremente. agora. menor necessidade de construção de obras de arte. no início da exploração.

No que se refere à elevação da água. à semelhança do que acontecera na estação da Praia. à semelhança do que iria acontecer.Máquina a vapor da Estação dos Barbadinhos Cada máquina accionava. Fig. para conseguir a aprovação do regulamento. ou seja. na zona média. sistema Worthington. foram adquiridas à casa Windsor & Fils. 20 . de Ruão. O carvão a utilizar deveria ser carvão inglês. duas bombas verticais. de balanceiro. ou seja. um de tríplice expansão. para a cisterna do Monte. acabando por ficarem sem efeito as sanções aplicadas à Companhia.000 m³ em 24h a uma altura de 47 m. na Graça. elevando 10. misturando-se com as águas altas do Aqueduto das Águas Livres. Companhia. A quarta máquina veio a ser colocada na sequência de um novo contrato celebrado em 29 de Outubro de 1888. aproximadamente 139 litros de água por segundo. no Porto alguns anos mais tarde. pelo menos. que abastecia a zona baixa.000 m³ em 24 h. cada um. vindo o sistema do Alviela a ser inaugurado em 3 de Outubro de 1880. Dado que a água do Alviela agora chegava ao Arco e ao Pombal. com dois cilindros. e havia que dispor de um instrumento legal que permitisse dar expansão ao desenvolvimento das infra-estruturas do abastecimento. mais tarde. a uma altura de 77 m. por exemplo.350 m³ por dia a 26 m de altura. a ser prorrogado o prazo de concessão pelo tempo de paragem das obras. A primeira máquina destinava-se a elevar um volume de água de 10. de efeito duplo.200 kg de carvão por hora e por cavalo-vapor de 75 quilogrâmetros. incluindo a perda de carga. a uma superfície de aquecimento de 90 m². também do Pombal atingia a Penha de França.000 m³ diários de água.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa ser dada plena razão. e sem o qual a Companhia não conseguiria garantir a sua sobrevivência económica. de boa qualidade. A oposição da sociedade fez-se sentir contra um regulamento deste tipo. do sistema Woolf. tendo que enfrentar processos em tribunal. passando a data do fim da concessão para 30 de Outubro de 1974. dado que a Companhia havia já procedido às obras estipuladas no contrato de 1868. quando veio a ter garantias de publicação do regulamento. havia diversos tipos de carvão de acordo com o tamanho. 14 . a Companhia. colocadas simetricamente em relação ao eixo do balanceiro. que viria ser colocada em 1889. 45% de carvão graúdo3. Cada uma das três máquinas deveria corresponder a uma força efectiva sobre a árvore do volante de 120 cavalos-vapor de 75 quilogrâmetros. correspondendo. Lisboa dispunha agora. pois tal imposição representava um atentado contra as liberdades constitucionais. e vindo. em Lisboa. aproximadamente 83 litros de água por segundo cada máquina. Tratava-se da aprovação do regulamento das canalizações particulares. e uma menor superfície de aquecimento. e de expansão variável. para além das águas altas e das águas orientais. 3 No comércio. Ao fim de dois anos de batalhas judiciais. com geradores de vapor cilíndricos. e o outro de simples expansão. de um volume de 30. certamente uma combustão mais rápida. em contexto semelhante. com dois grupos elevatórios. Aqui. A estação elevatória foi inaugurada com três máquinas apenas. instrumento previsto no contrato. com. Tratavam-se de máquinas verticais. A segunda e terceira máquinas deveriam elevar em conjunto um volume de 12. 15 . através do sifão construído pela 1ª. Para a alimentação das máquinas foram adquiridas cinco caldeiras a vapor. retomou as obras. Os construtores garantiam que o consumo de combustível não ultrapassaria 1. incluindo a perda de carga. Um carvão mais miúdo teria. Estas máquinas eram alimentadas com o vapor produzido por duas caldeiras aqui-tubulares do tipo De Nayer. Fig. para o reservatório da Verónica. ficando o espaço para uma quarta máquina.Fachada da Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos As máquinas. para que ela chegasse à zona alta tornou-se necessário construir uma estação elevatória junto do reservatório do Arco. elevando 5.000 m³. directamente através do balanceiro. de onde a água ia por sifão ao reservatório do Arco. acabou por parar as obras do Alviela em 1873.

e da negociação do novo contrato de 1888 constaram a construção do reservatório de Campo de Ourique. 1.167 consumidores. um conjunto de obras que permitissem expandir o abastecimento. surgiram diversas empresas privadas de abastecimento de água um pouco por todo o País. O País atravessava um período de grande instabilidade política e económica. dando elevados prejuízos. no entanto a dívida da Câmara pelo excesso de água consumida para além da dotação gratuita era elevada. que dava à Companhia a exclusividade do abastecimento de água. colocação da quarta máquina nos Barbadinhos. estudo este que veio a ser realizado pelo Professor Ernest Fleury.10 As municipalizações do abastecimento de água e a sobrevivência da Companhia Após a constituição da Companhia.000 m³ diários. Guerra Mundial de 1914-18 e a consequente subida dos preços. estando a Companhia obrigada. trouxe novamente situações de carência. Restava o caso de Lisboa. O reservatório de Campo de Ourique veio a ficar concluído em 1900. Em 1915 foi encomendado ao Professor Choffat um estudo no sentido de se alterar o regime do Alviela nas nascentes. Se antes de 1868 apenas 143 consumidores tinham água canalizada. e. Porém. e no Ministério das Obras Públicas.000 m³. pois o caudal do Rio Tejo. vindo o da Ajuda a ser construído em S.000 m³. a água era fortemente mineralizada. com capacidade de 1. o Conselho dos Melhoramentos Sanitários. os engenheiros João Severo da Cunha e João Augusto Veiga da Cunha elaboram um projecto que visava a captação de água no Tejo. iniciativa que. já tínhamos 27.471 habitantes. ano em que. no final desse ano o seu número passara a 260. sendo algumas. não havia condições para a Companhia avançar com este projecto. Num novo contrato celebrado em 18 de Julho de 1898. reservava para si o direito de elevar água no Tejo. 21 .9 O projecto de 1908 para captação de água no Tejo Em 1908.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa A expansão do abastecimento domiciliário tornou-se uma realidade. que durou até 1921. e em 1883. em 1900.009. a Companhia. gás e electricidade. pelo contrato.500 m³.000 m³. Para além disso. sem poderes efectivos de regulação do sector. caso da Compagnie Générale des Eaux pour l'Étranger. num movimento de municipalização. três anos após a inauguração do Alviela. onde a Câmara desferia fortes ataques à Companhia. no entanto. ideia que era defendida. o Engenheiro Jesus Palácio Ramillo apresentou à Companhia uma proposta que consistia na construção de uma albufeira no Rio Trancão. a cidade ficou com uma população de 311. água essa que seria depurada em filtros rápidos no sítio da Nora Alta. aliás. fiscal do Governo junto da Companhia. a abastecer toda a cidade agora aumentada. No Congresso Nacional Municipalista. o Governo. para abastecimento de água. não correspondeu às expectativas. do projecto de Ressano Garcia. Por essa mesma altura. junto a Lisboa. se fecha este ciclo na indústria da água4. e. Dado que. próximo de Sacavém. fora criado. foi sempre. sem que houvesse lugar para a concretização efectiva de uma obra de grande envergadura que resolvesse definitivamente o problema. pela mão do seu Director-Delegado Carlos Pereira. A falta de água era uma realidade que se agravava de ano para ano. na zona de Bucelas.032. com a municipalização do abastecimento de água do Porto. teses que vêm a ver a sua concretização em 1927. duplicando a sua capacidade para 12.540. no Regueirão dos Anjos. pelo General Augusto Pinto de Miranda Montenegro. 4 1. mesmo após a implantação da República. desde sociedades anónimas a sociedades em comandita ou em nome individual. e. de 1922. A nível nacional. levantavam-se objecções técnicas ao projecto. com capacidade de 120. apenas um órgão consultivo. com sucessivas quedas do Governo. com a 1ª. mas também pelo seu crescimento para norte. Em 1885. defendido teses no sentido da organização de serviços municipalizados de abastecimento de água. ampliação da capacidade de elevação da estação do Arco para 7. não se tendo vindo a construir este último. portanto. assentamento das canalizações necessárias para ligar os novos reservatórios. por outro lado. as dificuldades crescentes levam ao fim destas companhias. já num período em que se começam a sentir grandes dificuldades no abastecimento. baixava para níveis que punham em risco o abastecimento. em 1870 a 4. de 4. ligação dos reservatórios da Verónica e da Patriarcal por um sifão. em 1875 a 11. A expansão da cidade não apenas pela anexação dos antigos concelhos. a custo. a cerca de 3 km da confluência do Alviela. Jerónimo. com a anexação a Lisboa dos concelhos dos Olivais e de Belém. com a construção da Avenida da Liberdade e das Avenidas Novas. construção de um novo reservatório na Ajuda. de estrangeiros. levar de vencida a contenda. a construção de mais um compartimento no do Pombal. Era necessário. no sítio da Boa Vista. no Verão. durante a Ditadura. Neste contrato. para lavagens e para os esgotos da cidade. com a capacidade prevista para o de Santo Amaro. a Companhia obrigava-se a construir um reservatório em Santo Amaro. conseguiu. Este Conselho. aliás. Com o excesso de água que tinha. a instabilidade continuou a fazer-se sentir. tinham-se. como a do Porto. que vivamente desaconselhou tal hipótese. a Companhia decidiu proceder à montagem de uma moderna lavandaria industrial. procurando resgatar a concessão. em 1880 a 16. proposta que foi rejeitada por carência de viabilidade técnica e económica.

320 m³ diários a 73 m de altura. já que a produção das nascentes. a 49 m de altura. as nascentes das margens da ribeira da Ota. 16 . A produção da estação. na estiagem. com uma potência efectiva de 90 CV cada. o do Arco e o de Campo de Ourique. vai-se dar a partir de 31 de Dezembro de 1932.500 m³ diários.Sala das Máquinas 22 . e para obviar às carências que se faziam sentir. através do Ministro das Obras Públicas. com uma capacidade elevatória de 15.600 m³.900 m³ diários cada uma. para a Verónica. baixava a níveis bastante reduzidos. Nesta época já as máquinas eléctricas haviam dado entrada na distribuição. Finalmente. 22181. Estes trabalhos realizaram-se no decorrer do ano de 1925. com a imposição pelo Governo. foi criada a Comissão de Fiscalização das Obras de Abastecimento de Água à Cidade de Lisboa. Engenheiro Duarte Pacheco.11 Duarte Pacheco e o contrato de 31 de Dezembro de 1932 O grande salto em frente. e a sua substituição por uma estação eléctrica. na sequência do qual. para abastecimento da zona alta oriental.000 m³ diários. na realidade. de 3 de Fevereiro de 1933. a 82 m. que não vieram a ser concretizados. A altura da elevação era de 98 m. Para este novo reservatório a água era elevada a partir dos Barbadinhos. de um novo contrato de concessão à Companhia. bem como a construção de uma estação elevatória equipada com dois grupos. podendo elevar um volume de 11. Dada a sua cota de soleira ser mais elevada que o reservatório do Pombal. elevavam a água para os reservatórios da zona média. resolvendo o diferendo com a Câmara através de mecanismos financeiros Fig. pelo Decreto nº. Um grupo com a capacidade de 12. que fazia a fiscalização técnica e administrativa da CAL. os dois últimos grupos. respectivamente.000 m³ diários.Estação Elevatória dos Barbadinhos . movidas por motores Diesel pesados. deixando de ser aproveitada a partir de Julho de 1938 por impotabilidade da água. verdadeira mudança de paradigma tecnológico. através da Penha de França regularizar também a zona alta ocidental. elevando para a zona baixa. comissão pertencente ao Ministério das Obras Públicas.000 m³ diários e outro de 9. em 1917. movidas por motores da também suíça fábrica Oerlikon.000 m³ cada. com a capacidade elevatória unitária de 15. Duarte Pacheco vai criar condições de sobrevivência à Companhia. e cujos motores possuíam uma potência de 215 CV cada. Em 1931 foi a vez da substituição das máquinas a vapor da estação elevatória da Praia por uma bomba horizontal GANZ. A nova estação albergava seis grupos elevatórios com bombas da fábrica francesa Rateau accionadas por motores suíços Brown Boveri. tendo uma potência de. 260 e 215 CV. por um dos grupos da zona alta. de bombas centrífugas e unicelulares. pensava a Companhia.Construção do reservatório da Penha de França 1.000 m³ cada. Em 1932 tem lugar a construção do reservatório elevado da Penha de França. com a capacidade de elevação de 12. para o Pombal. Em Novembro de 1943 a Comissão passou a designar-se por Comissão de Fiscalização das Águas de Lisboa. Para a estação a vapor elaboraram-se mais tarde projectos para a sua adaptação a um conjunto de grupos elevatórios movidos por motores Diesel. pois na estação do Arco. Outros dois grupos. movida por um motor de 95 CV de potência efectiva. com uma capacidade de elevação de 4.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa Entretanto. Com o novo contrato de concessão. que lhe permitiam aumentar o caudal do Alviela em 8. Fig. não veio a acontecer. com a potência efectiva de 90 CV cada. duas máquinas da fábrica suíça Sulzer. não excedia os 2. o que. contudo. a Companhia lançou mão de novos recursos. Em 1928 terá lugar a desactivação da estação elevatória a vapor dos Barbadinhos. valor médio. variando com o movimento das marés. 17 . com 600 m³ de capacidade. tinham sido colocadas em substituição das anteriores. possuíam uma potência unitária efectiva de 160 CV. elevavam para a zona alta.

devendo-se os projectos aos Engenheiros João Severo da Cunha. A captação de Alenquer veio mais tarde a ser ampliada. a uma altura de 28 m. que construir uma segunda linha de sifões. havendo que criar formas de indemnização pelos prejuízos causados. com a abertura de mais três poços em 1949 embora apenas dois em regime normal de exploração.000 m³ nas camadas do Belaziano. em Lisboa. Em Sacavém. nas passagens dos vales. em Sacavém. Em 1933 o caudal do Canal Alviela foi reforçado com as águas de Alenquer. aliás. obra que foi executada logo em 1933.000 m³ diários. Uma questão que houve que resolver de imediato foi a do aumento da capacidade de vazão do Canal Alviela. Espadanal. mas também das zonas atravessadas pelos canais e das zonas suburbanas. Havia. não ofereciam garantias efectivas quanto aos caudais indicados.000 m³ de água diários.000 m³. a opção pela captação em poços de grandes profundidades torna-se uma realidade. no Alviela. utilizando-se toda a capacidade de vazão do canal. havia sido substituído por um sifão passando por debaixo do leito do rio. Por essa altura já o velho sifão de ferro sobre o Rio Trancão. Na 3ª. para o efeito. em Sacavém.000 m³. o do Canal Tejo. na região do Carregado. Na 1ª. Para além disso vai dar condições à Companhia para construir um novo grande sistema tecnológico. com uma albufeira com a capacidade de 30 milhões de m³. e última fase consistia na ampliação da capacidade de produção em mais 50. armazenadas acima da confluência do Nabão.Construção de uma conduta forçada no Canal Tejo Fig. uma estação elevatória que veio a ser equipada com dois grupos electro-bombas com a capacidade de elevação de 11. no sítio da Nora Alta. em canal próprio. fase. diários. A obra foi entregue ao empreiteiro Waldemar Jara d'Orey. Quinta do Campo e na Lezíria. Depois de uma missão técnica dos engenheiros da Companhia a vários países estrangeiros. a executar quando o consumo particular atingisse 16 milhões de m³. afastando de vez o fantasma da municipalização. Embora na parte livre o canal tivesse uma capacidade de vazão da ordem dos 70. a capacidade efectiva de transporte era da ordem dos 30. após depuração mecânica. em funcionamento a partir de 1960. próximo de Alcanhões.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa para a liquidação das dívidas desta pelo excesso de consumo. além de onerosas. contudo as suas propostas. tendo dado lugar a um grande número de reclamações dos proprietários locais. 18 . mais 55. agora não só de Lisboa. para o efeito.230 m³ cada. portanto. O programa de obras constantes do contrato estava dividido em quatro fases. e. seriam trazidos do Zêzere. A captação das águas de Alenquer provocou o abaixamento do nível das águas nos poços. As águas do Tejo seriam beneficiadas com as águas do Zêzere. e com uma nova estação elevatória. A 4ª. fase. Fig. Esta fase deveria ficar concluída até ao fim de 1936. Ainda em 1933 surgiu uma proposta da International Water Company para a captação de 20 a 25. a executar quando o consumo particular atingisse 24 milhões de m³. e introduzidos no Canal Tejo. pois a firma Layne & Co. que vai ser recebida com entusiasmo pelo Engenheiro Duarte Pacheco. por meio de cinco furos de 350 m de profundidade. possuir uma única linha de sifões. A construção do Canal Tejo começou por um primeiro troço entre Sacavém e o Carregado. seria construído um dique. construindo-se.000 m³ diários de água captada no Zêzere e introduzida no Canal Tejo. 23 . o facto de. fase compreendia as obras necessárias para aumentar a produção em mais 80. A ideia inicial de captar água na Boa Vista acabou por ser adiada. autor do projecto de 1908. já no projecto de 1908 estava prevista a filtragem das águas.Antigo sifão do Alviela sobre o Rio Trancão. A mesma companhia propunha-se igualmente captar água nos vales de Belas e Queluz. A 2ª. seriam feitas as obras necessárias para a elevação das águas do Tejo na Boa Vista e a sua introdução. correspondentes a quatro momentos de ampliação do abastecimento. Era possível captar apreciáveis caudais de água nas aluviões do Tejo. e Luís Veiga da Cunha. 19 . apresentou uma proposta interessante ao Governo. que poderia ser também utilizado para a produção de energia eléctrica. e uma potência de 70 CV. Estas obras deveriam estar concluídas em Junho de 1933.

ligados aos tubos de aspiração das águas. tornava-se necessário proceder à desinfecção das águas. Por outro lado. em 1897. Professor Ricardo Jorge. a própria colocação dos grupos elevatórios. Os equipamentos das diversas estações elevatórias dos poços apresentam características diferentes dos das outras estações. sendo os grupos elevatórios de eixo vertical. 20 . que continua ainda no presente. Herbard da construção experimental de um poço na Quinta do Campo. dos quadros da CAL. temos a adjudicação à firma americana R. 1. e. com sucessivas actualizações. Afonso Henriques. escultor que também. da ordem dos 250. estas águas deixavam sedimentos de ferro e manganés nas condutas. da Alameda de D. 21 .Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa A adjudicação da construção dos poços acabou por ser feita à firma alemã Johann Keller. foi objecto de um processo contínuo. por ocasião de febres. face a uma série de epidemias de febres tifóides. iniciativa da Comissão de Fiscalização das Águas de Lisboa. monumento que. na Quinta da Ché. aparelho que havia sido concebido por Bunau-Varilla e modificado pelo técnico Bernardino Gomes de Pinho. celebra a chegada das águas do Tejo à cidade. havia sido construída a estação elevatória. Fig. tem o seu nome ligado à Fonte Monumental. junto ao reservatório de chegada das águas do Canal Tejo. pois. sendo em França utilizada uma solução de cloro.Estação Elevatória dos Olivais. a cloragem das águas não apenas em caso de epidemias. como Rebelo de Andrade. chegou mesmo a defender em meios internacionais. ao contrário do que inicialmente se observara.000 m³ diários. tiveram lugar na cidade americana de Maidstone. em número de doze.Captação de água . Fig. tubos estes com dispositivos de filtragem nas suas paredes internas. Estes problemas vieram a ser ultrapassados com o aperfeiçoamento de um aparelho doseador do cloro na água. em 1913.12 Os problemas da qualidade das águas Em breve houve que proceder ao tratamento das águas. A utilização do cloro levantou graves problemas. A partir daí o processo de desinfecção das águas foi-se expandindo. O higienista português. Um estudo de 1939 havia determinado já a capacidade elevatória exigida à estação. mas de uma forma sistemática e preventiva. próximo de Vila Nova da Rainha. Além desta firma. que apresentava condições mais vantajosas. e a necessidade de assegurar a sua potabilidade. W. dadas as suas dimensões. Olivais.Quadro eléctrico de comando e controlo da Estação Elevatória dos Olivais Fig. a água de Javel. a inauguração das suas instalações definitivas veio a ter lugar em 31 de Maio de 1948. Iniciando-se em barracões provisórios.Grupo moto-bomba dum poço Entretanto em Lisboa. Os primeiros ensaios sistemáticos de cloragem das águas. 22 . Projecto do Arquitecto Carlos Rebelo de Andrade. dados os conhecimentos entretanto adquiridos sobre as suas características. nela vemos a intervenção de Jorge Barradas. pois da reacção do cloro com o alcatrão que revestia o interior dos tubos resultava a formação de clorofenóis que davam à água um sabor a fénico. fachada principal 24 .

fornecendo água de boa qualidade a Lisboa. A determinada altura tornava-se necessária uma solução para o problema da falta de água. pois este continuava a ser parte dos sistemas de abastecimento de Lisboa. a água das nascentes já não precisava de ser deitada fora através dos descarregadores. com uma capacidade de produção de 240. em períodos de carência. o passeio central do Aqueduto chegou a ser utilizado também como caleira. como constatam o químico Hugo Mastbaum e o geólogo Paul Choffat. Com o tratamento. desafectar por completo do abastecimento o Aqueduto das Águas Livres. mais tarde.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa Fig. e porque os custos de tratamento fossem bastante elevados face à pouca quantidade de água. Porém. lá estava a torre de captação de água. e que funcionou durante um ano. ou até mesmo impossível. Caso isso não tivesse sido feito. com correcção posterior em postos de cloragem dispersos pela rede de distribuição. Fig.ETA de Vale da Pedra 25 . construída durante as obras de construção da barragem. 24 . A captação de água no Tejo. com a barragem cheia. em 1967. A opção clara da Companhia foi pelo Tejo. que veio a ser inaugurada em 8 de Junho de 1965 com três grupos elevatórios. tal obra seria de muito mais difícil.Construção da torre de captação de água na Barragem de Castelo de Bode Na década de 40 tornou-se necessário projectar duas estações de tratamento para as águas do Aqueduto das Águas Livres. muito embora tivesse uma produção reduzida. uma na Amadora e outra na Buraca. no dique de Valada.000 m³ diários. menos mineralizadas. 25 . construída em 1958. No entanto. na barragem do Castelo do Bode. uma vez que o abastecimento e a melhoria substancial das condições de salubridade arrastara um aumento significativo da população a abastecer. A estação de tratamento de Vale da Pedra. a captação das águas das aluviões do Tejo veio a alterar profundamente os projectos de desenvolvimento do abastecimento de água. onde as águas do mar já não fazem sentir os seus efeitos. em 1949. captadas na Boa Vista. onde a água é decantada. filtrada e sujeita ao processo da floculação por meio de reagentes. aspecto ainda mais agravado com a expansão do abastecimento para os concelhos limítrofes. Como também foi referido. já em 1963 estava em funcionamento. execução. construída pela firma Degrémont. a CAL decidiu. 23 . Na sequência de todo este progresso tecnológico. águas cujo aproveitamento foi por diversas vezes defendido pelo Engenheiro Veiga da Cunha. dos projectos de obras fazia parte uma clara opção pelas águas do Zêzere. e. Em 1959 arrancou o projecto para a estação definitiva.Laboratório Bacteriológico da Companhia das Águas de Lisboa Fig.13 As duas opções em confronto . A água é elevada para uma estação de tratamento. Algumas das suas nascentes já estavam inquinadas no século XIX.Tejo ou Zêzere Como já atrás ficou dito.000 m³. 1. a primeira opção do contrato de 1932 era pelas águas do Tejo. e finalmente desinfectada por meio de cloro. começou por meio de uma estação piloto. iniciativa do Engenheiro José Frederico Ulrich. e que corrigiriam a excessiva mineralização das águas do Tejo. com uma capacidade diária de 100. em Vale da Pedra.

a captação na albufeira não seria viável por impossibilidade de construção das fundações da torre. média. feito em tempo útil. ainda em 1970. definitivamente. uma central elevatória situada a jusante da barragem. Fig. o projecto veio a ser concretizado apenas a partir de 1975. com esta 2ª. e um adutor que conduz a água a uma central elevatória construída em Vila Franca de Xira. da Geologia. sendo-lhe dado especial relevo no Plano Geral de Abastecimento de Água à Região de Lisboa. uma estação de tratamento na Asseiceira. correspondente à captação de Valada-Tejo. Em 1986 foi o subsistema inaugurado com uma capacidade de produção de 375. às zonas baixa. O Zêzere. a CAL vai poder abastecer uma área muito mais vasta. pois a água não é elemento vital apenas para o consumo humano. a concessão da CAL terminou em 30 de Outubro de 1974. Em 1959 a CAL.000 m³ por dia. que. abandonadas as águas do Zêzere.Barragem do Castelo de Bode 1. 26 . de onde a água é elevada para Telheiras. 26 . em vez dos três em que. agora completa. projecto a ser "objecto de um estudo profundo. sido abandonados. no século XIX.120 m. correspondentes. e para a captação nas albufeiras do Cabril e da Ponte da Bouçã. vai ter que se virar. São eles delimitados pelas curvas de nível de 0 m . a dividira. afirmava: "Lá está no Zêzere a torre de tomada de água. com pleno desenvolvimento das técnicas possibilitadas pelo conhecimento da Física. a CAL encarasse outras hipóteses no curto prazo.14 Expansão do abastecimento Com o sistema Tejo completo. da Química.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1. Com esta divisão garantia-se uma altura piezométrica mínima de 30 m. e a cidade tem agora quatro andares. publicado em Junho de 1962. na albufeira do Castelo do Bode. que a Companhia abastece em alta. conforme os estudos mencionados referem. e 95 m . como a execução de mais poços nos mouchões do Tejo. respectivamente. Objecto de estudos posteriores. agora com a componente "tratamento de água" a contribuir para a função "abastecimento de água". dar meio milhão de m³ diários. 40 m . inicialmente. muito embora. pois. O parecer do Conselho Superior de Obras Públicas exarado no projecto da captação Tejo de Valada apontava mesmo para o Castelo do Bode. Mas ir ao Zêzere são mais 50 quilómetros e não se julgue que a água da albufeira não necessitaria tratamento. poderia. O progresso verificado acelerou a consequente expansão urbana e industrial em toda a região de Lisboa. dando esta companhia lugar a uma empresa pública. no projecto que elaborara para a construção da captação de água do Tejo em Valada. será criada a zona limite. sucedendo-se os contratos com as Câmaras limítrofes. à semelhança do que sucedera no Estudo Prévio para Ampliação do Abastecimento de Água à Cidade de Lisboa.95 m. já então elevada para 400.62 m. Mary. a braços com nova crise de falta de água. alta e superior. mais tarde. inviável no curto prazo. Acima dos 120 m. para o Zêzere. pois os exemplos bem conhecidos estão por toda a parte e o assunto foi já largamente debatido para não se discutir a necessidade da sua filtração".40 m. pois. ano em que termina a concessão da Companhia das Águas de Lisboa". Para tal projecto havia-se procedido em 1972 à actualização do Plano Geral publicado dez anos antes. 62 m . vendendo depois estas a água aos consumidores particulares através dos seus Serviços Municipalizados. Os estudos relativos ao aproveitamento das águas do Zêzere não haviam. para permitir o início da sua realização por volta de 1970 e a sua entrada em serviço quando ficar saturada a capacidade de transporte do Canal do Tejo. mas também motor de desenvolvimento económico e industrial. mais tarde. e a serem conduzidas a Lisboa em adutor próprio. a EPAL.000 m³ diários. em Lisboa. Não foram.15 A EPAL e o Castelo do Bode Como já atrás foi referido. (Quem sabe agora qual o aproveitamento que a torre pode vir a ter um dia?). fase. Também em Lisboa o crescimento urbano se fez sentir. com a opção Tejo. o que se deve verificar em 1974. que o ministro José Frederico Ulrich mandou fazer. sendo composto pela torre de captação. de Janeiro de 1950.

Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa Fig. de água a um total de 26 municípios correspondentes a cerca de um quarto da população do País. e encontra-se integrada num grupo mais vasto. com um conjunto de empresas multi-municipais. e onde se encontra espelhado todo um conhecimento científico e tecnológico que é parte importante da nossa identidade. AdP. 27 .000 m³ diários através de um conjunto de obras que ficaram concluídas em 1996. pela EPAL.Barragem do Castelo de Bode Fig. o que possibilita hoje o abastecimento. e cujos testemunhos urge a todo o custo preservar como património histórico. 27 . A EPAL é hoje uma sociedade anónima. da nossa memória colectiva. 26 . que. a Águas de Portugal.ETA da Asseiceira A partir de 1993 procedeu-se à ampliação do subsistema para uma capacidade de tratamento e adução de 500. de capitais exclusivamente públicos. abastece de água a quase totalidade do País.

Lisboa. anos XXIX . ano XXII. Projecto de captação de água no rio Tejo. Lisboa. Projecto de toma de água do Tejo na Boavista. CAL. RODRIGUES. G. 85 . Relatórios da Direcção. por despacho de S. Câmara Municipal de Lisboa. durante a visita ministerial à estação piloto de Valada]. Lisboa. Obras consultadas ALVES. 117 .95. AMARAL. 1923. Lisboa. ps. Junho de 1970. fascículo II. sexto ano. Março de 1959. ALMEIDA. Luís Veiga da. Ministério das Obras Públicas. Lisboa. 1938. Boletim da CFAL. ps. EPAL. A nova instalação de cloragem das águas do grupo do Alviela. 8. tomo III. CHOFFAT. Perspectivas para os próximos dez anos. nº. CAL. RODRIGUES. CFAL. Lisboa. Luís Veiga da. O Rio Tejo deve contribuir para o abastecimento de água de Lisboa e zona sub-urbana [Palestra do Engenheiro-Chefe. Separata do Boletim da CFAL. Abastecimento de água à cidade de Lisboa. 1956. Estudo prévio para ampliação do abastecimento de águas à cidade de Lisboa. 1940. com a designação Boletim da CFOAACL]. Congresso Nacional Municipalista de 1922. CAL. O abastecimento da capital pela água dos poços do Carregado. 1908. Abril de 1958. In Boletim dos Serviços Técnicos. ano XXIV.16 Referências bibliográficas Arquivo Histórico da EPAL CAL. Joaquim Ângelo Caldeira e FRAGOSO. Imprensa Nacional. CAL. Raul. CAL. 16. Raul Fontes. Memória sobre os reservatórios de Lisboa. Separata dos nº. 1963/64. CAL. Fevereiro de 1950. CUNHA. 1952.[ Anteriormente a 1943. Ex. Estudo para o abastecimento de Lisboa com água do Tejo. Joaquim Ângelo Caldeira.. Relatório. 1898. ano I.107. Lisboa.XXX. Boletim dos Serviços Técnicos. Soares. BRANCO. Projecto de introdução de água do Tejo no Canal do Alviela (1ª. Lisboa. 1895. In Boletim da Direcção Geral de Agricultura. 1990 (texto policopiado). CAL. CAL. Rapport entre leur origine géologique et leur composition chimique. Separata da Revista da Ordem dos Engenheiros. ps. Lisboa. XIX e XX.Serviços Sanitários. Paul. CAL. Março-Abril. s. Relatório sobre o tratamento das águas de Lisboa elaborado pela Comissão nomeada pela Portaria de 12 de Novembro de 1938. Abril de 1926. 1940.ª. Lisboa capital das águas. 1958. nº. o Ministro das Obras Públicas de 29 de Outubro de 1948. José Manuel. Américo. Lisboa. Plano geral de abastecimento de água à região de Lisboa. Boletim dos Serviços Sanitários . A. MACHADO. Rede geral de distribuição. ps.o caso de Lisboa. Les eaux d'alimentation de Lisbonne. Considerações sobre zonas de distribuição . Julho de 1933. Lisboa. CAL. Separata das Comunicações da Direcção dos Trabalhos Geológicos. CAL .d. CHOFFAT. As águas de Lisboa. CAL. Separata da Revista da Ordem dos Engenheiros. Janeiro de 1933. 49 e 50 da Revista Municipal. CAL.séc.202. 36. 1955. e PENA. em Valada. Companhia da Empreza das Águas de Lisboa. CAL. Março de 1929. CASEIRO. CAL. Fase). Carlos. Relatório da Comissão encarregada de estudar as novas captações para o abastecimento de águas a Lisboa e arredores. Lisboa. Projecto de uma nova estação elevatória nos Barbadinhos. CAL. CUNHA. 28 . Situação actual do abastecimento. Julho de 1938. Inauguração da obra de captação de água no rio Tejo. Academia das Ciências. A iniciativa privada no abastecimento de água em Portugal .Tratamento de água. In Boletim dos Serviços Técnicos. VITAL. José Joaquim.19. Notícia sobre o abastecimento de Lisboa com águas de nascentes e águas do rio: estudos e obras dos últimos cem anos. 8 de Junho de 1965. Resumo das condições hidrogeológicas da cidade de Lisboa. Junho de 1962. Relatórios da Direcção. CAL. João Carlos. Contratos de concessão [diversos anos]. CAL. Memórias e outras histórias do Aqueduto das Águas Livres. In Boletim dos Serviços Técnicos. Projecto de abastecimento de água à cidade de Lisboa. 53 . nº. Amaro de. Projecto de reservatório elevado a construir na Penha de França e respectiva conduta de elevação. VITAL. Luís Veiga da Cunha. EPAL.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1. 1998. 13 . Separata do Boletim da CFOAACL. CAL. Eloy do. 1. Evolução das estações elevatórias da Companhia desde a fundação à actualidade. Lisboa. 1944. nº. Paul.

Leo (eds. PINTO.. Thomas P. e organiz. MASTBAUM. Irisalva (dir. In Arqueologia & Indústria. 51 . Ponta Delgada. Paris. MARX. La Technologie au risque de l'histoire. Estudo de uma estação de filtração de água potável. VITAL. MIT.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa CUNHA. Wiebe. VELLOSO D'ANDRADE. II Colóquio Temático "Lisboa Ribeirinha". Lisboa. Lisboa Julho de 1998. MOITA. COTTE. a limpeza e o abastecimento das águas em Lisboa. História do abastecimento de água à região de Lisboa. 27 . VITAL. fontes e poços públicos de Lisboa. VITAL. 1853. GOMES. Lisboa e as águas (Da Lisboa Ribeirinha às águas altas e ao Tejo e seus afluentes . Raul Fontes. 1905. Lisboa. Reconhecimento geológico e hidrológico dos terrenos das vizinhanças de Lisboa com relação ao abastecimento das águas desta cidade. Memória sobre chafarizes. D. Lisboa. 1998 (texto policopiado). Pierre (dir. Robert. pp. sexto ano.). PINCH. The social construction of technological systems. (dir. 23. Raul Fontes. 51-82. Uma experiência na defesa do património. The evolution of large technological systems. Encontro Internacional sobre Património Industrial e sua Museologia. Raul Fontes. Carlos. Raul Fontes. Luís Leite. 2ª. Além da Baixa: indícios de planeamento urbano na Lisboa setecentista. 1 e 2 de Outubro de 1999. Academia das Ciências.). Comunicação apresentada ao XVII Encontro da Associação Portuguesa de História Económica e Social. Separata da Revista da Ordem dos Engenheiros. Lisboa.). Hugo. nº. Ed. INCM/EPAL. VITAL. ps. Imprensa Silviana. e muitos lugares do termo. L'approvisionnement en eau à Lisbonne au XIXème siècle. 1895. João V e o abastecimento de água a Lisboa.a preservação do património museológico e dos arquivos. ps. Does Technology drive History? The dilemma of Technological Determinism.152. Imprensa Nacional. Paris. O desenvolvimento económico e as empresas de abastecimento de água em Portugal. Memória sobre o abastecimento de Lisboa com água de nascente e água de rio. ano III. Bernardino de. Lisboa. In 1º. 1. 1942.).175.. 1867. Belém. PINHO. 1. Massachussets.). Ministério da Cultura. Lisboa. 1945. Novembro. 29 . SMITH. 1853. Memória sobre as águas de Lisboa. Trevor (eds. Comunicação apresentada ao XVIII Encontro da Associação Portuguesa de História Económica e Social. Notes et formules de l'ingénieur. 1857. Lisboa. Luís Veiga da. Actas das Sessões. 1895. In BELOT. oferecida à Exmª. Lisboa. 1994. MIT. e o que devem ser.29 de Novembro de 1997 (texto policopiado). 145 . Câmara Municipal de Lisboa. Câmara Municipal de Lisboa. EPAL. IPPAR. ps. Michel et LAMARD. RIBEIRO. 2000.. O Aqueduto das Águas Livres. 1997. Lisboa. 1990. HUGHES. José Sérgio. Da solução para a falta de água ao impasse tecnológico. Academia das Ciências.54. Universidade dos Açores. In Boletim da Direcção Geral de Agricultura. APAI. nº. Imprensa Silviana. MONTENEGRO.a dinâmica do abastecimento de água numa cidade em constante expansão). Ch. Separata de Notícias Farmacêuticas. Museu da Água da EPAL. O Museu da Água da EPAL. Lisboa. nº. VITAL. Comunicações. Câmara Municipal de Lisboa. Representações dirigidas a Sua Magestade a Rainha e ao Corpo Legislativo pela Câmara Municipal de Lisboa sobre o abastecimento de águas na Capital por meio de empresa. RIBEIRO. Thomas P. Raul Fontes. Academia das Ciências. New directions in the Sociology and the History of Technology. ps. HUGHES. VITAL. Bernard. Massachussets. Memória sobre o abastecimento das águas de Lisboa. 1989. Os novos núcleos do Museu da Água . Imprensa Nacional.74. o que foram ou são. A cloragem das águas de abastecimento. 71 . O esgoto. Raul Fontes. 1989. ROSSA. 1871. E. Merritt Roe. Lisboa. Walter. in BIJKER. Augusto Pinto de Miranda. 2000. Carlos. 1998. Bernardino António. Université Technologie de Belfort-Montbéliard et Berg International Éditeurs. considerado tudo à luz das boas práticas e doutrinas. 21 . VIGREUX. bicas. Lisboa.

30 .

Lda. BOMBAS CENTRÍFUGAS E REDES HIDRÁULICAS Autor: Paulo Ramísio Engenheiro Civil (FEUP) Mestre em Engenharia do Ambiente (FEUP) Assistente do Departamento de Engenharia Civil da Universidade do Minho Sócio da SBS – Engenharia Civil. CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE HIDRÁULICA. 31 . Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2. Hidráulica e Ambiente.Conceitos Fundamentais de Hidráulica.

32 .

Hidráulica e Ambiente. Sistemas de Adução. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Universidade do Minho A Universidade do Minho é uma universidade pública com autonomia administrativa e financeira. Desenvolve. Acompanhamento de Obras). • Infra-estruturas Prediais (Projecto e coordenação de todas as especialidades de engenharia. Reservatórios e Redes de Distribuição). hidrologia. O Sub-grupo de Hidráulica tem como missão formar cientistas e engenheiros através de um estimulante e diversificado programa na área da mecânica dos fluidos. Estações de Tratamento de Água. acompanhamento técnico e apoio à decisão em obras de engenharia com especial destaque para as obras de hidráulica e ambiente. ainda. • Águas Pluviais. Conta como principais áreas de actuação: • Abastecimento de Água (Captações. Sistemas Elevatórios. Comemora actualmente o XXXI aniversário. • Infra-estruturas Hidráulicas e Energia (Aproveitamentos Hídricos e Hidroeléctricos. 33 . Geotecnia. projectos.Engenharia Civil. SBS . O Departamento de Engenharia Civil (DEC) da Escola de Engenharia tem a seu cargo o Curso de Licenciatura de Engenharia Civil. acompanhamento de obra e Fiscalização). fundada a 28 de Fevereiro de 1996. Auditorias Ambientais. o Mestrado em Engenharia Civil e disciplinas do Mestrado em Tecnologia do Ambiente. actividade de investigação nos domínios de Construções e Processos. o Mestrado em Engenharia Municipal. Sistemas Elevatórios. Tem desenvolvido a sua actividade na execução de estudos. engenharia sanitária e gestão dos recursos hídricos e contribuir para o aumento do conhecimento científico nas seguintes áreas preferenciais: Processos de transporte e mistura em ambientes naturais e sistemas de engenharia. Regularização Fluvial). Planeamento e Arquitectura e Vias de Comunicação. A investigação é orientada de modo a não só contribuir para o aumento dos conhecimentos numa determinada área científica mas também contribuir para a extrapolação dos resultados obtidos em estudos e obras no domínio da engenharia civil. Lda.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. Interceptores e Emissários. Materiais de Construção. A SBS é uma empresa de consultoria em engenharia. Residuais e Industriais (Redes de Drenagem. Sistemas de apoio à decisão para o desenvolvimento sustentado da gestão dos recursos hídricos e desenvolver técnicas de modelação em laboratoriais e modelos computacionais. consultoria. Estações de Tratamento de Águas Residuais). • Estudos Ambientais (Estudos de Impacte Ambiental. Hidráulica. Estruturas.

34 .

Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

O dimensionamento de um sistema de pressurização depende de uma grande parte do conhecimento dos fenómenos hidráulicos envolvidos. Neste capítulo serão analisados alguns princípios fundamentais da mecânica dos fluidos e a sua utilização na caracterização da curva característica da instalação e da curva característica de uma bomba centrífuga, conceitos essenciais para um bom desempenho de um sistema de pressurização.

2.1 Introdução

Logo, em termos de tensão unitária:

τ=

∆F ∆v =µ S ∆n

(2)

onde µ é o coeficiente de viscosidade dinâmica. A viscosidade dinâmica (µ) para um determinado fluido é determinada recorrendo a tabelas ou a gráficos enquanto que a viscosidade cinemática (ν) é expressa da seguinte maneira: (3) ν = µ /ρ onde ρ é a massa volúmica do fluido. A viscosidade cinemática nos líquidos varia apreciavelmente com a temperatura, sendo desprezável a influência da pressão. Sendo a viscosidade uma propriedade física que determina a resistência ao escoamento uniforme de um fluido, ela afecta a distribuição do esforço de corte destes. Analisando o comportamento dos fluidos em função do esforço e a velocidade de corte, podemos classificá-los da seguinte maneira: • Fluido Ideal - apresenta resistência nula à deformação; • Fluido Newtoniano - o esforço de corte é proporcional à velocidade de corte, sendo τ o declive da recta; • Fluido não Newtoniano - deforma-se de tal maneira que o esforço de corte não é proporcional à velocidade de corte; • Plástico Ideal - o fluido sustém, inicialmente, um esforço sem qualquer deformação, deformando-se posteriormente de forma proporcional ao esforço de corte; • Sólido Ideal - não ocorre deformação para qualquer valor de tensão. Os Fluidos Newtonianos são praticamente todos os líquidos orgânicos e inorgânicos enquanto que os Fluidos não Newtonianos podem ser classificados em pseudoplásticos, dilatantes, Bingham, etc.. Como exemplos de Fluidos não Newtonianos podem-se destacar a pasta de celulose, algumas tintas, borracha, etc…

2.2 Princípios da mecânica dos fluidos
2.2.1 Propriedades da água
2.2.1.1 Massa volúmica e peso volúmico
Massa volúmica e peso volúmico de uma substância são, respectivamente, a massa e o peso da unidade de volume dessa substância. Para os líquidos estas grandezas variam com a pressão e a temperatura. A água tem o valor máximo de massa volúmica à temperatura de 4°C, que à pressão atmosférica normal toma o valor de 1000 kg/m3. Considerando a aceleração da gravidade igual a 9,8 ms-2, o peso volúmico, à mesma temperatura será 9800 Nm3.

2.2.2 Viscosidade
A viscosidade dos fluidos traduz-se pela resistência que estes oferecem à deformação. Assim, no seu escoamento desenvolvem-se forças resistentes, que dão parte à dissipação de parte da energia mecânica possuída pelo fluido em movimento. Ao pretender modificar-se a forma de uma massa de fluido, observa-se que as camadas do mesmo se deslocam umas em relação às outras, até que se alcance uma nova forma. Durante este processo ocorrem tensões tangenciais (esforços de corte) que dependem da viscosidade e da velocidade do fluido. O comportamento de um fluido sob a acção de um esforço de corte é importante na medida em que determinará a forma como ele se movimentará. A fim de que se possa introduzir a noção de esforço de corte (tensão tangencial), torna-se necessário analisar as forças exteriores que actuam numa determinada massa de fluido sujeita à acção da aceleração da gravidade. Num fluido em repouso não existem tensões tangenciais e de acordo com a lei de Pascal a pressão num ponto é igual em todas as direcções. Nos fluidos em movimento, em que se manifeste a acção da viscosidade desenvolvem-se tensões tangenciais ou esforços de corte. A viscosidade é assim uma propriedade física que é definida como sendo a resistência de um fluido ao seu escoamento uniforme. Considere-se duas placas paralelas de fluido, S, que se movem a uma distância, ∆n, a uma velocidade relativa ∆v, a força necessária para o deslocamento será:

2.2.3 Compressibilidade
A compressibilidade dos fluidos traduz-se pela diminuição do volume ocupado por uma determinada massa de líquido quando aumenta a pressão a que esta está sujeita. De acordo com o seu comportamento sob a acção de uma pressão aplicada exteriormente os fluidos podem ser classificados da seguinte forma: • Incompressíveis - Se o volume de um elemento de fluido é independente da sua pressão e temperatura. Nos líquidos, devido às pequenas variações de pressão, podem-se considerar incompressíveis para a maior parte dos fenómenos.

∆F = µ S

∆v ∆n

(1)

35

Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

• Compressíveis - Se o volume de um elemento de fluido varia com a sua pressão e temperatura, como acontece nos gases. Note-se contudo que nenhum dos fluidos reais é completamente incompressível. No entanto, os líquidos podem ser encarados como tal para efeitos de estudo de grande parte das aplicações práticas. É no entanto importante realçar que em alguns fenómenos, como por exemplo na análise do choque hidráulico, deve ser considerada a compressibilidade do fluido.

2.3.2 Classificação dos escoamentos
2.3.2.1 Variados, permanentes e uniformes
O escoamento é variável se, numa dada secção transversal, a velocidade média e o caudal variarem com o tempo. O escoamento é permanente se, em qualquer secção transversal, a área da secção líquida e a velocidade média (e, portanto o caudal) forem invariáveis com o tempo. Num escoamento permanente a velocidade pode variar de ponto para ponto, mas, em cada ponto, mantém-se constante ao longo do tempo. Um escoamento uniforme é um movimento permanente em que a velocidade é constante ao longo de uma mesma trajectória (em módulo, direcção e sentido). Pode então dizer-se que o escoamento é uniforme se as trajectórias forem rectilíneas e paralelas e se a área da secção líquida, S, a velocidade média, V, forem invariáveis com o tempo e a secção transversal considerada. O movimento uniforme só é possível em condutas e canais de eixo rectilíneo e de secção constante. Escoamentos transitórios são escoamentos que se estabelecem na transição entre duas situações de escoamentos permanentes.

2.2.4 Tensão de saturação do vapor de água
Quando a pressão num ponto de um líquido desce até à respectiva tensão de saturação de vapor, o líquido entra em ebulição. A tensão de saturação do vapor de um líquido, tv, varia em função da temperatura. A tensão de saturação de vapor para a água à temperatura de 20°C é de 2330 N/m2, e à temperatura de 100°C iguala a pressão atmosférica normal. No escoamento de líquidos aparecem, em certas condições, zonas em que a pressão desce até à tensão de saturação de vapor, formando bolhas de ar, indicadoras da ocorrência do fenómeno de cavitação.

2.3.3 Equação da continuidade
A equação da continuidade estabelece o princípio da conservação da massa. Assim entre duas secções transversais, num escoamento permanente de um fluido incompressível sob pressão, mantém-se constante ao longo do tempo o volume do líquido entre as duas secções. Considerando uma tubagem com vários troços de diâmetros diferentes, verifica-se que o caudal de fluido é sempre constante em toda a tubagem. Define-se então caudal mássico (Qm) como a massa de fluido transportada (m) por unidade de tempo (t) e será igual a:

2.3 Conceitos fundamentais de hidrocinemática e hidrodinâmica
2.3.1 Conceitos básicos
Define-se trajectória de uma partícula como o lugar geométrico dos pontos ocupados pela partícula ao longo do tempo, enquanto que linha de corrente num determinado instante será a linha que goza da propriedade de, em qualquer dos seus pontos, a tangente respectiva coincidir com o vector velocidade no mesmo ponto e nesse instante. O caudal, será o volume que, na unidade de tempo, atravessa uma secção efectuada num escoamento por uma superfície, se esta for normal em todos os seus pontos à velocidade do escoamento. Assim, o caudal, Q, será:

Q × v1 = Q × v2 = Q × v3

; v1 xAi1 = v2 × Ai 2 = v3 × Ai 3 = v ×(5)

A expressão (5) é designada por equação da continuidade. O termo continuidade deriva do facto de o caudal em todos os troços ser constante. Em termos de caudal mássico (Qm = cont.), Qm1 = Qm2 = Qm3 = Qm ⇔ ρ.v1.Ai1 = ρ.v2.Ai2 = ρ.v3.Ai3 = ρ.v.Ai (6)
D2 D1 D3

Q = ∫ v ds

(4)

Velocidade média, V, (numa secção normal em todos os pontos à velocidade do escoamento) velocidade de um escoamento que, com velocidade uniforme na secção, transporta um caudal igual através da mesma secção.

L1
Fig. 1 - Condutas em série

L2

L3

36

Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

Nestas circunstâncias, facilmente se depreende que o caudal escoado é o mesmo em cada troço de conduta com características distintas, e que a perda de carga total é dada pela adição de todas as perdas de carga parcelares: Q = U1 x S1 = U2 x S2 = ... = Un x Sn
∆H = ∑ ∆H i = ∑ J i × Li
i =1 i =1 n n

(7) (8)

O teorema de Bernoulli representa uma equação de balanço de energia pois iguala a variação da energia mecânica total entre duas secções de um tubo de corrente ao trabalho realizado pelas forças locais de inércia (nulas em regime permanente) e de resistência ∆H. Na prática, pode-se considerar: * β1 = β2 = 1,0 → Coeficiente de distribuição de pressão (campo de pressões do tipo hidrostático condutas de pequeno e médio diâmetro). * α1 = α2 = 1,0 → Coeficiente de energia cinética ou de Coriollis, distribuição de velocidades - consideração de velocidades médias (1,00 ≤ α ≤ 1,15). A parcela ∆B corresponde a troca de energia com o exterior: +∆B ⇒ cedência de energia (turbina) -∆B ⇒ ganho de energia (bomba). A parcela ∆H representa o trabalho das forças resistentes por unidade sendo a soma das seguintes parcelas:

2.3.4 Teorema de Bernoulli
Considerando um regime estacionário (as variáveis do processo, como por exemplo, pressão, temperatura, volume, etc. permanecem constantes ao longo do tempo), num fluido Newtoniano e incompressível, a energia específica total duma partícula é igual à energia mecânica total da partícula por unidade de peso e apresenta três componentes:

p v2 E = z+ + γ 2g

(Trinómio de Bernoulli)

(9)

Dimensionalmente cada parcela corresponde a um comprimento pelo que é assimilável a uma soma de "alturas":

[E ]= [F ]× [L] = [L] [F ]
O significado físico de cada parcela será o seguinte:

∆H = ∆H p + ∑ ∆H L
com,

(11)

∆H → Forças resistentes totais por unidade de peso (perdas de carga totais) ∆Hp → Perda de carga uniforme (contínua ou principal)

z

= cota da partícula em relação a um plano de referência (energia potencial de posição da partícula por unidade de peso)

∑ ∆H

L

p = altura piezométrica: energia potencial de pressão por γ unidade de peso da partícula; v2 = altura cinética: energia cinética por unidade de peso 2 g da partícula com velocidade v.
Assim, define-se Linha Piezométrica como o lugar geométrico dos pontos em que a sua cota é a soma da cota topográfica e da altura ( z + (ou Energia) será o lugar geométrico dos pontos cuja cota será a soma da cota topográfica, a altura piezométrica e a altura cinética ( z +
p v2 + ). γ 2g
p ). Analogamente, a Linha de Carga γ

→ Somatório de perdas de carga localizadas (concentradas acidentais)

Estes parâmetros serão analisados em detalhe em pontos seguintes.

2.3.5 Teorema da quantidade de movimento ou de Euler
O teorema de Euler ou da quantidade de movimento (TQM) é na Mecânica dos Fluidos e, portanto, na Hidráulica o correspondente ao teorema da quantidade de movimento da Mecânica e pode enunciar-se da seguinte maneira: Para um volume determinado no interior de um fluido, é nulo em cada instante o sistema das seguintes forças: peso, resultante das forças de contacto que o meio exterior exerce sobre o fluido contido no volume, através da superfície de fronteira, resultante das forças de inércia e resultante das quantidades de movimento entradas para o volume considerado e dele saídas na unidade de tempo. O TQM ou de Euler tem um duplo interesse prático: 1º) Calcular esforços sobre as tubagens e/ou paredes (caso dos jactos).

O teorema de Bernoulli refere que no caso de um fluido incompressível em regime permanente, em que se possam desprezar as forças de atrito e, consequentemente as perdas de energia, mantêm a carga total de uma partícula ao longo de uma trajectória. O Teorema de Bernouli aplicado a fluidos pesados e incompreensíveis, em regime permanente, toma a seguinte forma:
( z1 + β 1 p1 U p U + α 1 ) s1 − ( z 2 + β 2 2 + α 2 ) = ∆H ± ∆B 2g 2 g s2 γ γ
2 1 2 2

(10)

37

Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

2º) Calcular perdas de carga localizadas em troços curtos (curvas, derivações, mudanças de secção) onde se conhecem as condições nas secções de entrada e de saída. Particularizando a aplicação do Teorema de Euler a movimentos permanentes de fluidos pesados e incompressíveis em tubos de corrente e as tensões tangenciais são desprezáveis, a acção do líquido sobre a superfície de contorno será uma força, dada pela seguinte expressão vectorial: r r r r R = - ( ρ × Q × U + p × S ) n - ( ρ × Q × U + p × S ) n + γ (12)
1 1 1 1 2 2 21 2

2.4.2 Perdas de carga contínuas
No regime uniforme, as trajectórias das partículas são paralelas às geratrizes do contorno. Se considerarmos condutas de comprimento L elevado (L >100 x D, em que D é o diâmetro da conduta) e características geométricas (direcção, rugosidade, forma e dimensão da secção transversal) constantes, poder-se-á considerar que : i ) a distribuição de pressões numa secção transversal é do tipo hidrostático (β=1). ii ) o coeficiente de Coriollis é constante ao longo da conduta (α=1) . iii ) a perda de carga (∆H) entre duas secções é proporcional à distância (L) entre elas, sendo constante o coeficiente de perda de carga (ou perda de carga unitária) ao longo da conduta, J. Sabendo que a perda de carga contínua (ou principal) depende ainda das características físicas do fluido, teremos: J = ƒ(ρ, U, D, ν, το,Ke) em que: J - perda de carga contínua por unidade de comprimento; ρ - massa volúmica do fluido; U - velocidade média na conduta; D - diâmetro da conduta; ν - coeficiente de viscosidade cinemático do fluido; το - tensão junto à parede da conduta; Ke - rugosidade equivalente da conduta, em termos da perda de carga provocada pelas várias rugosidades do material da conduta. Recorrendo à Análise Dimensional é possível estabelecer uma relação entre aquelas grandezas, chegando-se (escolhendo ρ,U,D para unidades fundamentais) à expressão geral das perdas de carga contínuas (ou fórmula universal) em condutas circulares: (14)

em que: r r n1 e n2- são os versores da direcção normal às secções de entrada e saída (S1 e S2), com o sentido positivo dirigido sempre para o exterior do volume em estudo. r γ - peso do volume de fluido em estudo.
U 1 , U 2, p1 , p2 - Velocidades médias e pressões nas secções 1 e 2.

2.4 Escoamentos sob pressão em regime uniforme e permanente
2.4.1 Escoamentos laminares e escoamentos turbulentos
Existem dois regimes de escoamento de fluidos: laminar e turbulento. O regime laminar é caracterizado por trajectórias regulares das partículas, não se cruzando trajectórias de partículas vizinhas. No escoamento turbulento, a velocidade num dado ponto varia constantemente em grandeza e direcção, sem regularidade. As trajectórias são extremamente irregulares. A relação entre as forças de inércia e a força de viscosidade sobre a partícula pode ser expressa pelo número de Reynolds através da seguinte expressão:

V ×D (13) ν O número de Reynolds define as condições de semelhança quando a natureza das forças intervenientes se limitam às indicadas (caso de escoamento de líquidos no interior de condutas em pressão). Re =
Para valores de Reynolds superiores a 2500 o escoamento é geralmente turbulento e para valores inferiores a 2000 o escoamento é normalmente laminar. A quase totalidade das aplicações de sistemas de pressurização encontra-se em regime turbulento.

J=

λ U2 × D 2g

(15)

em que : λ - coeficiente de resistência (adimensional); g - aceleração da gravidade; D - diâmetro da conduta; U - velocidade média na conduta.

38

por via gráfica O emprego da fórmula universal foi bastante simplificada com o aparecimento de diagramas como o de "Moody".Diagrama de Moody para a determinação do coeficiente de resistência 39 . que dividida por D. a) Determinação de l.rugosidade relativa (ε/D). IV) com leis de variação distintos: • O intervalo I corresponde ao Regime laminar (Re < 2000 a 2500) onde se verifica uma variação linear de λ e Re. permite a determinação expedita dos valores de λ. III.e comprovados através das experiências de Nikuradze. 2 .7 λ Re× λ (17) Para aplicação dos estudos em laboratório (baseados numa rugosidade teórica artificial . que através da representação gráfica daquelas funções implícitas. conduz os mesmos valores que foram obtidos experimentalmente com ε. II. sem depender da rugosidade da conduta. Fig. uma rugosidade equivalente (ke). Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2. III e IV correspondem aos regimes turbulento liso. Nikuradze ao variar o factor de resistência com o número de Reynolds.1 Determinação do coeficiente de resistência Os valores do coeficiente de resistência (λ) podem ser obtidos através das equações de Prandtl e Von Karmann .51 ε /D = −2 log( + ) 3. Nikuradze considerou uma rugosidade teórica (ε) correspondente à dos grãos de areia (calibrada) colados às paredes de tubos lisos. nas aplicações práticas de engenharia encontram-se neste domínio e o coeficiente de resistência pode ser estimado pela seguinte equação: 1 2.4. ZONA DE TRANSIÇÃO FACTOR DE ATRITO λ TUBAGEM LISA CAUDAL LAMICAUDAL TURBULENTO NAR RUGOSIDADE RELATIVA DA SUPERFÍCIE K/d NÚMERO DE REYNOLD Diagrama de Moody para estabelecer o factor de atrito λ. com suficiente rigor.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. corresponde a um parâmetro adimensional . em regime turbulento rugoso. para cada valor de (ε/D). sendo: λ = 64 / Re → Fórmula de Poiseuille (16) A grande maioria dos escoamentos de fluidos. • Os intervalos II. onde D é o diâmetro interno da tubagem em mm e k é a rugosidade equivalente da superfície em mm.2. O valor de λ é obtido através da utilização do número de Reynold e do valor de rugosidade relativa k/D como parâmetros. que substituída na expressão de cálculo de λ. A variação de λ com Re apresenta. A determinação do coeficiente de resistência pode ser obtido pela representação gráfica das experiências de Nikuradse ou por via analítica. quatro intervalos (I. turbulento de transição e turbulento rugoso. concluiu que o primeiro depende do segundo e de outros parâmetros (adimensionais) que caracterizam as asperezas das paredes do tubo. define-se para essas condutas.teoria da turbulência .ε) às condutas comerciais.

Nas redes emalhadas o conhecimento do valor e sentido dos caudais.5. etc.1 Regime uniforme e permanente Em regime uniforme e permanente. quer sob a forma de ábacos ou tabelas apenas são válidas dentro das condições particulares em que foram definidas. válidas apenas em certas circunstâncias . …) encontra-se bem documentada em inúmeras publicações de hidráulica. podemos considerar os seguintes tipos de redes: QUADRO 1 . secção transversal. seleccionando o diâmetro pode-se de seguida calcular a velocidade e perda de carga.coeficiente de resistência (adimensional). as perdas de carga são contabilizadas considerando que o escoamento se faz em regime permanente variado. material das paredes do contorno sólido. o caudal é constante logo.4. EMALHADA só com malhas só com condutas em série com condutas em série e com malhas 2. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas É importante relembrar que a determinação do coeficiente de resistência. 2. através de fórmulas práticas (expressões empíricas. λ. conhecendo-se os caudais e os diâmetros é possível de imediato o cálculo das perdas de carga. são obtidos após o equilíbrio da malha através da Lei da Continuidade (em cada nó os caudais afluentes devem igualar os caudais efluentes) e Lei das Malhas (numa malha a soma algébrica das perdas de carga em todas as condutas deve ser nula). ∆H L = K L × U2 2g (19) em que KL é o coeficiente de perda de carga localizada.diâmetro da conduta (m).6 Cálculo hidráulico 2. Em regime variado há uma variação de caudal ao longo do percurso.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. algumas das quais serviram de base ao presente texto e que se encontram referenciadas nas referências bibliográficas.). em cada troço. Quanto à sua constituição.5 Redes hidráulicas 2. deve ser realizado por via analítica por equações de reconhecida validade. exprimindo-as como percentagem da altura cinética (U2/2g): RAMIFICADA MISTA Nas redes ramificadas a direcção do escoamento é única e portanto conhecida. Logo. . sendo determinado experimentalmente para cada tipo de singularidade. λ. Chama-se caudal unitário de percurso (q) ao parâmetro que traduz a variação média do caudal ao longo da conduta: 2. em trechos pequenos da conduta em que se quebra a sua uniformidade. etc. quer sob a forma analítica. A determinação analítica destas perdas de carga localizadas (∆HL) baseia-se na aplicação dos Teoremas da Quantidade de Movimento e de Bernoulli.51 K (18) = −2 log( + ee ) 3. Re . q= Qm − Qj ⇔ Qm = Qj + q × L L (20) 40 ..número de Reynolds (adimensional). que permitem chegar a uma expressão geral para este tipo de perdas de carga.fluido.6.1 Classificação das redes hidráulicas As redes de condutas consideram-se sistemas complexos porque são constituídas por tubagens ligadas em série e/ou paralelo. válvulas.rugosidade equivalente (m): D . temperatura. mudanças de direcção.3 Perdas de carga localizadas As perdas de carga localizadas ocorrem em singularidades das condutas. ou seja. A determinação dos coeficientes de perda de carga em diferentes singularidades (estreitamentos e alargamentos suaves. por considerar por exemplo os consumos domésticos. por via analítica Para cálculos mais exactos o cálculo do coeficiente de resistência. como por exemplo pela Fórmula de Colebrook-White: k /D 1 2. ke . Chama-se nó ao ponto de intersecção de três ou mais condutas e malha a todo o circuito fechado constituído por três ou mais condutas ligadas em série.. formando feixes ou malhas de condutas. Diz-se que uma conduta tem distribuição de percurso quando sofre uma variação de caudal ao longo do seu percurso (escoamento em regime permanente variado). Estas perdas de carga dependem de diversos factores relacionados fundamentalmente com as características do escoamento a montante e a jusante da singularidade.TIPOS DE REDES TIPO DESCRIÇÃO DISTRIBUIÇÃO DE PERCURSO sem com sem com sem com REGIME DO ESCOAMENTO PERMANENTE uniforme variado uniforme variado uniforme variado λ .7 λ Re× λ Em que: Estes sistemas aparecem normalmente nas redes de abastecimento de água municipais ou industriais e nas redes de combate a incêndios. b) Determinação de l.

conforme se representa na Fig. que se traduz numa variação parabólica da linha de energia.caudal no extremo de montante. conduz ao mesmo valor da perda de carga que a verificada em regime permanente variado. Qj .Adição dos custos anteriores para os diversos diâmetros seleccionados e verificação de que o conjunto de diâmetros seleccionados contém o diâmetro (comercialmente disponível) mais económico.55 × q × L (21) Trata-se de um caudal fictício que. Os custos de investimento são directamente proporcionais ao diâmetro instalado e os consumos de energia inversamente proporcionais ao mesmo valor.6 a 1. apresentando a curva característica da instalação a forma apresentada na figura 4.Selecção de um conjunto de diâmetros (comercialmente disponíveis) a partir de velocidades médias (0. 3.caudal no extremo de jusante. Havendo uma variação da velocidade ao longo da trajectória. para cada caudal. O processo de dimensionamento consiste em determinar o diâmetro que minimize a soma dos custos de investimento com os de energia (não se consideram outros custos de exploração).8 Curva característica da instalação A curva característica da instalação será a curva que traduz.Selecção do diâmetro mais económico.5 m/s) e de critérios de velocidade mínima e máxima. Tal facto dificulta o cálculo das perdas de carga em cada trecho da conduta.comprimento da conduta. Especialmente nos diâmetros mais pequenos a alteração de um diâmetro para o da série comercial imediatamente inferior poderá representar alterações significativas em alguns parâmetros de controlo.Curva característica da instalação Fig. Os passos fundamentais a seguir nos cálculos a efectuar são: .Cálculo dos custos de energia do período de vida da obra. em movimento uniforme e para um dado diâmetro. As perdas de carga têm variação quadrática com o caudal.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. 3 . Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Em que: q . 4 . .Variação dos custos de investimento e energia com o diâmetro de condutas. H = f (Q ) → H man = H geo + ∑ J i × Li + ∑ ki × U 2g 2 2 (22) Altura Perdas de carga Perdas de carga   V2  ∑ K i i + ∑ J i × Li    2g   Altura geométrica Caudal Fig. L . 2. há uma variação do coeficiente de perda de carga. para efeito do cálculo das perdas de carga. em regime uniforme e permanente. . 2. Com esta simplificação o cálculo hidráulico de regime permanente variado é transformado. 41 . Qm . .caudal unitário de percurso. Será em cada ponto a soma da altura geométrica com todas as perdas no sistema para esse caudal. Para tal acontecer os custos associados aos diâmetros extremos seleccionados deverão ser superiores a pelo menos um dos custos associados a um dos diâmetros intermédios.Cálculo dos custos de investimento em função dos diâmetros seleccionados. uma vez que a perda de carga aumenta de forma quadrática com a velocidade e esta aumenta igualmente de forma quadrática com o diâmetro. considerando os caudais que realmente circulam na rede. a altura de elevação necessária para esta instalação.7 Dimensionamento económico de condutas Apresentam-se neste ponto os passos fundamentais para o desenvolvimento dos cálculos que permitem seleccionar os diâmetros económicos das condutas. Bresse ultrapassou esta dificuldade considerando um caudal equivalente ( Qe ): Qe = Qj + 0. (actualizados ao ano 0) .

• Motor eléctrico. montadas sobre o mesmo eixo e com descargas em série. são as seguintes: • Corpo da bomba. o que permite transmitir a energia ao líquido para este adquirir o aumento de pressão desejado. Normalmente o propulsor é considerado o coração da bomba. A Figura 3 ilustra uma alheta de um impulsor e os respectivos vectores de velocidade. O fluido depois de entrar no segundo estágio terá um aumento de energia sob forma de aumento de pressão e assim sucessivamente. sendo constituída por um disco que roda a alta velocidade. Esta energia cinética é convertida em pressão quando o fluido sai do impulsor e entra na voluta ou difusor. Quanto à posição do eixo: a) Eixo horizontal. usa-se uma bomba multiestágio. a bomba é constituída por um rotor que gira no interior de uma carcaça. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2. • Veios condutores. Veios condutores fixos no corpo da bomba podem ajudar a dirigir o fluido. c) Eixo inclinado. 2. Quando se deseja ter uma combinação de pressão total e capacidade que não se enquadra numa bomba de um só estágio. Fig.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. • Sistema de refrigeração.9 Bombas centrífugas 2. b) De andares múltiplos: quando existem vários impulsores.2 Constituição Na sua forma mais simples. as principais peças constituintes de uma bomba centrífuga. • Sistema de lubrificação. a descarga de uma bomba dum estágio é injectada na admissão de uma bomba de um segundo estágio. 5 . A energia cinética do fluido aumenta do centro do rotor para a ponta das palhetas propulsoras. Nesta situação. b) De sentido retrógrado: se o eixo da bomba roda no sentido horário.1 Definição Uma bomba é denominada centrífuga quando a direcção de escoamento do fluido é perpendicular à do eixo de rotação da hélice e podem ser classificadas da seguinte forma: Quanto ao n. assim como para deduzir a curva Q/H da bomba centrífuga. b) Eixo vertical.9.3 Curva característica da bomba A equação básica da bomba é utilizada para calcular e desenhar formas geométricas e dimensões. As bombas multiestágio podem ser consideradas como bombas com vários estágios simples.Forma típica do corpo uma bomba centrífuga 2. Quanto ao sentido de rotação: a) De sentido directo: se o eixo da bomba roda no sentido anti-horário.9. • Propulsor ou rotor. 6 .9.Corte numa bomba multicelular Muito resumidamente. melhorando a eficiência da bomba. Fig. Uma bomba centrífuga com um só rotor é uma bomba de um único estágio (ou andar). 42 . O fluido entra na bomba nas vizinhanças do eixo do rotor propulsor e é lançado para a periferia pela acção centrífuga. onde se preserva a pressão do primeiro.º de impulsores: a) De um só andar: quando têm um só impulsor.

Assim sendo. velocidade relativa w.Representação dos vectores velocidade na alheta do impulsor Na figura 7. Velocidade absoluta do líquido v. Ht∞. Com estas modificações. é indicado por uma linha recta.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. onde: v = velocidade absoluta do líquido. é possível derivar a familiar teoria da equação básica da bomba utilizando as leis da mecânica. a equação básica da bomba é simplificada para: uv H t = kη h 2 u 2 (25) g A altura manométrica ideal obtida pela equação de Euler é independente do caudal Q. A curva real Q/H é derivada desta curva através da subtracção dos efeitos do Ht∞ = 1 (u2vu 2 − u1vu1 ) g (23) onde o índice t referencia um caudal sem perdas e ∞ refe. vu = componente tangencial da velocidade absoluta. componente tangencial da velocidade absoluta do líquido vu e componente radial vm . Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Alheta de impulsor de bomba com os vértices de velocidade nos bordos de ataque e fuga. Para além disso. são representados os vectores velocidade nos bordos de ataque e fuga. logoνu1 = 0. não é possível satisfazer nenhum destes princípios. velocidade periférica da alheta u. u = velocidade periférica da alheta. visto que existem sempre perdas por atrito e o número finito de alhetas não direccionará o caudal completamente na direcção da alheta. a equação de Euler para uma bomba real tem o seguinte aspecto: ηh (ku2vu 2 − u1vu1 ) (24) g É possível mostrar que ηh e k são menores que a unidade. A velocidade relativa é paralela à alheta em qualquer ponto. A redução de pressão causada por perdas no escoamento é tomada em consideração pelo rendimento hidráulico e a redução devido ao desvio do caudal de uma ângulo ideal β2 é contabilizado por um coeficiente de alheta k. Se a curva Q/Ht∞ for traçada. Ht = As bombas centrífugas são normalmente concebidas com α1 = 90°. Fig. Esta relação é conhecida como equação de Euler e é expressa do seguinte modo: Numa bomba real. vm = componente radial da velocidade absoluta. vu1 = v1 cos α1 e vu2 = v2 cos α2 Partindo do princípio que o caudal não tem perdas e que o número de alhetas é infinito (∞). 7 . 43 . w = velocidade relativa à alheta. rencia o princípio do número infinito de alhetas que garante o direccionamento completo do líquido.

quando o ângulo de ataque do líquido é igual ao ângulo β1 do bordo de ataque da alheta. • No bordo de fuga da alheta. a existência de um número finito de alhetas diminui a altura manométrica pelo factor de alheta k. com velocidades de caudal diferentes do valor nominal. Perdas Redução do caudal Q causada por perdas por fuga Hv Efeito do número finito de alhetas Ht Perdas por atrito Hr Perdas por descontinuidade Hs Velocidades (w) e perdas relativas do bordo de ataque da alheta com várias velocidades de caudal. Esta perda aumenta à medida que a bomba vai sendo desgastada.Velocidades e perdas no bordo de ataque da alheta com várias velocidades. Perdas por Descontinuidade Hs As perdas por descontinuidade são geradas nas seguintes áreas: • No bordo de ataque da alheta. O efeito da perda por fuga está ilustrado na Figura 8. Por este motivo. cujo aumento é proporcional ao aumento de diferença entre o caudal real e o caudal nominal.Redução (H) da curva verdadeira da bomba Q/H relativa à altura teórica da bomba Ht∞. Perdas por Atrito Hf As perdas por atrito ocorrem à medida que o líquido flui pelas passagens do impulsor e da voluta da bomba. • perdas por atrito na chumaceira. onde o líquido entra em contacto com a alheta no ângulo β1. Estas perdas incluem: • perdas por atrito nas superfícies exteriores do impulsor. • Na voluta da bomba. As diferenças de velocidade causam turbulência que originam perdas. As perdas mínimas ocorrem com o caudal nominal da bomba. 9 . 8 . Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas número finito de alhetas e de várias outras perdas que ocorrem no interior da bomba. As perdas aumentam com o aumento do desvio do ângulo de contacto do ângulo da alheta β 1. onde o líquido atinge a ponta da alheta. 44 . conforme se pode constatar na figura seguinte. Poderemos escrever que: H t = kH t∞ (26) Ht não é perfeitamente linear. quando o caudal na voluta é diferente do caudal no perímetro do impulsor. O seu aumento é proporcional ao quadrado do caudal. Se tomarmos este factor em consideração. conforme se pode ver na Figura seguinte. poderemos obter a altura teórica Ht. Por muito pequena que seja a folga. Perdas por fuga Hv As perdas por fuga ocorrem na folga entre o impulsor e a voluta da bomba. quando o ângulo de ataque do líquido é igual ao ângulo β 1 do bordo de ataque da alheta. As perdas mínimas ocorrem com o caudal nominal da bomba. A redução de altura de Ht∞. • perdas por atrito no empanque da transmissão. o caudal através do impulsor é ligeiramente maior do que o caudal de saída da voluta da bomba. ocorrem perdas devido aos redemoinhos causados por esta. para Ht não é causada por perdas de caudal mas sim pelo desvio do líquido dos ângulos ideais devido ao número finito de alhetas. Fig. Outras Perdas Existem outras perdas numa bomba centrífuga que não afectam a curva Q/H mas que aumentam o consumo de energia da transmissão do motor. A perda é mais pequena no ponto de concepção da bomba. um pequeno retorno de caudal passa da área de elevada pressão junto da borda do impulsor para a área de baixa pressão do aro de junta do impulsor. O seu aumento é proporcional ao quadrado do caudal Q. O Efeito do Número Finito de Alhetas Conforme indicado anteriormente. a diferença é a perda por fuga Hv. porque o coeficiente de alheta é ligeiramente dependente do caudal Q.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. Fig. Este efeito é ilustrado na Figura 9. pelo que a cabeça da bomba encontra um caudal reduzido.

Fig. particularmente. é necessário que no dimensionamento desta seja acautelado a ocorrência de cavitação. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2. As bolhas de vapor são formadas quando a pressão estática local de um líquido em movimento diminui até atingir um valor igual ou inferior ao da pressão do vapor desse líquido para uma dada temperatura. Se a pressão cair abaixo da pressão do vapor. a pressão do choque irá eventualmente originar a erosão do material dessa superfície. tação. com uma densidade muito mais baixa. as marcas de desgaste causadas pela cavitação ocorrem localmente e consistem em picagens profundas com bordos afiados. na instalação de qualquer bomba. hA = diferença de altura entre o plano de referência e a ponta do bordo de ataque da alheta. Se a implosão ocorrer perto de uma superfície e ocorrer repetidamente. tendo como consequência mais gravosa a deterioração mecânica precoce da bomba. Implosão de bolhas de vapor Fig. 10 . A cavitação numa bomba apresenta duas desvantagens: • A criação e colapso das bolhas de vapor podem danificar a bomba. tal como se estivesse a bombear areia.Influência do ângulo no bordo de ataque da alheta Logo. o seu colapso ocorrerá rapidamente. O impacto de alta pressão resultante poderá originar picagem e a erosão da estrutura adjacente. O cálculo do NPSH é baseado nos seguintes parâmetros: ht = altura geométrica de entrada. Não existe nenhum material que suporte totalmente a cavi- 45 . o fenómeno da cavitação nas bombas centrífugas ocorre numa localização perto do bordo de ataque da alheta do impulsor. Quando a bolha se desloca com o fluido para uma área de pressão superior. Normalmente. • A bomba torna-se muito menos eficiente porque passa a bombear uma mistura de líquido e vapor. Se estas se moverem no fluido para uma zona de pressão superior. Definição de NPSH NPSH é o acrónimo do termo inglês Net Positive Suction Head e representa a diferença entre a pressão estática absoluta e a tensão de vapor do líquido (normalmente expressa em metros). A implosão causa uma onda de choque local transitória e extremamente alta no líquido. As picagens podem ter vários milímetros de profundidade.10 Cavitação e NPSH A cavitação é o fenómeno hidráulico associado à formação e colapso de bolhas de vapor num líquido.Impulsor demonstrando estragos motivados por cavitação Bolhas de vapor A formação e desaparecimento das bolhas de vapor é designada por fenómeno de CAVITAÇÃO. Uma bomba com cavitação emite um ruído de crepitação característico. pelo que deverão ser tomados os devidos cuidados se as condições de funcionamento da bomba apresentarem o risco de ocorrência de cavitação. Habitualmente. formam-se bolhas de vapor. com líquidos quentes e voláteis. 11 .Conceitos Fundamentais de Hidráulica. formam-se redemoinhos e zonas de baixa pressão do outro lado da alheta. irão eventualmente implodir. Se o líquido for bombeado de modo a atingir o bordo de ataque da alheta a um ângulo diferente do da alheta. conforme representado na figura seguinte.

ataque da alheta. Fig. na bomba e na tubagem de pressão de uma instalação de uma bomba em seco. Na realidade. 14 . As alturas de pressão são apresentadas na Fig. como pode ser visto na Figura 15. qualquer bomba terá valores de NPSH diferentes dependendo da definição da ocorrência. ou Pmin > pv A Figura 13 ilustra o princípio da distribuição da pressão estática do líquido na tubagem de entrada. 12. Nas bombas verticais. Pmin= pressão estática mínima na bomba.Variação típica do NPSH requerido com o caudal.Dimensões e pressões de referência para o cálculo do NPSH Para evitar a cavitação. NPSH Requerido O NPSH requerido é obtido a partir da seguinte equação: NPSH requerido = hA + vo 2 2g + ∆h BOMBA HORIZONTAL BOMBA VERTICAL Este valor também é conhecido como valor de NPSH da bomba. ∆h = quebra de pressão local no bordo de ataque da alheta. Pressão Mínima NPSH requerido Plano de Referência NPSH requerido Fig. 12 . a localização do plano de referência é indicada pelo fabricante. Pressão estática do líquido O NPSH da bomba é independente da temperatura e do tipo do líquido que está a ser bombeado. Pv = pressão do vapor do líquido à temperatura dominante.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. conforme demonstrado na Figura 14. NPSH NPSHF (Sem cavitação) NPSH início do ruído Pressão mais baixa na bomba Pressão do vapor Pressão 0 absoluta NPSH início da perda material NPSH0 (0% de perda de altura manométrica) NPSH3 (3% de perda de altura manométrica) Variação de pressão numa instalação de bomba em seco. O fabricante da bomba é obrigado a indicar o NPSH como um valor numérico ou uma curva. Pb = pressão ambiente ao nível do líquido. a pressão estática mínima na bomba (Pmin) tem de ser maior do que a pressão do vapor do líquido. Este valor pode ser apresentado como uma função do caudal. Nas bombas horizontais. Trata-se do plano horizontal que atravessa o ponto central do círculo descrito pela ponta do bordo de Fig. Vo2/2g= quebra de pressão causada pela velocidade de entrada. 15 . Distribuição da pressão estática do líquido na tubagem de entrada. na bomba e na tubagem de pressão.Dimensões e pressões de referência na aspiração da bomba Plano de Referência O plano de referência é o plano no qual os cálculos do NPSH são efectuados. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Hrt = perdas de caudal na tubagem de entrada.Curvas de NPSH 46 . o plano de referência coincide com a linha central da transmissão. 13 . Fig.

O NPSH requerido também poderá ser afectado pela forma da tubagem de entrada. uma curva de NPSHr baseada na regra de 3% do padrão é uma base insuficiente para a avaliação do risco de cavitação em bombas com poucas alhetas. A margem de segurança do NPSH deve ser suficientemente grande para suportar variações numa situação onde as condições reais podem ser diferentes das calculadas teoricamente. Na prática. Por este motivo. possuem um mecanismo do tipo variador de frequências. desde que seja utilizada uma curva cónica antes da entrada da bomba.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. encontram-se detalhadamente descritos na publicação do EUROPUMP "NPSH FOR ROTODYNAMIC PUMPS.5 m é suficiente. é possível determinar essa mesma curva a uma velocidade de rotação diferente. O problema é que não existe nenhum modo exacto de testar e estabelecer este valor de NPSH. os impulsores monocanal registam as maiores diferenças nos valores de NPSH devido à quebra da curva do NPSH3 e os seus testes apresentam resultados demasiado favoráveis. O NPSH disponível é determinado pelo projectista da instalação. que têm um número reduzido de alhetas do impulsor. cuja metodologia foi seguida no presente trabalho. As variações técnicas de fabrico do formato do bordo de ataque da alheta podem afectar o comportamento da cavitação. As perdas de carga na tubagem de aspiração podem ser incorrectamente calculadas e o ponto de funcionamento real da bomba pode diferir do teórico devido a variações na curva Q/H e a cálculos incorrectos da resistência da tubagem de aspiração. Este procedimento é muito frequente. A cavitação prejudicial poderá ocorrer mais cedo do que o esperado. que permite alterar a velocidade de rotação do seu impulsor. A cavitação ligeira pode ser inofensiva para a bomba se as bolhas de vapor não implodirem perto das suas partes estruturais. Para bombas instaladas verticalmente. carga a desenvolver pela bomba (H). o NPSHr é definido como a situação onde a altura manométrica da bomba sofre uma diminuição de 3% devido à cavitação. NPSH Disponível O NPSH disponível indica a pressão disponível para a aspiração da bomba sob as condições dominantes. pois é necessário. as suas margens de segurança e métodos de medição. existem muitas bombas centrífugas com velocidade de rotação variável. Este valor pode ser denominado o NPSH da instalação sobrepressora. Por exemplo. Assim sendo. REFERENCE GUIDE"(1997). O termo ht é positivo quando o plano de referência se encontra acima da superfície do líquido e negativo quando este se encontra abaixo da superfície. conhecendo a curva característica de uma bomba a uma determinada velocidade de rotação do rotor. é possível determinar curvas características de bombas a partir de uma conhecida.11 Leis de semelhança O traçado das curvas características depende do raio do rotor (impulsor) e da velocidade de rotação deste. Através das leis de semelhança entre bombas centrífugas. A diferença entre os vários valores de NPSH é maior nas bombas equipadas com impulsores com menos alhetas. O NPSH. encontrar o caudal desejado ou os parâmetros de dimensionamento adequados. a margem de segurança deve ser definida entre 2 e 2. tais como a alheta do impulsor. A alteração destes dois parâmetros provoca alterações nas curvas características. ou com valores de NPSH maiores do que NPSH3 (Figura 15). Carga Hidrostática H2  N2   = H 1  N1    P2  N 2   = P  N1  1   2 3 Potência Carga efectiva positiva de sucção H2  N2   = H 1  N1    2 47 . Estas leis são relações entre: caudal (Q). 2. isto é. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas De acordo com os padrões de teste utilizados pelos fabricantes de bombas. Para bombas instaladas horizontalmente com tubagens de sucção rectilíneas.5 m. Isto aplica-se especialmente às bombas de águas residuais. uma margem de segurança de 1 a 1. Efeito da variação da velocidade do rotor com o diâmetro constante: Caudal Q2 N 2 = Q1 N1 NPSH disponivel = Pb pv − H rt − ht − ρg ρg (27) Margem de Segurança do NPSH NPSHdisponível >NPSHrequerido + Margem de segurança . Este valor é definido como NPSH3. onde D1 é o diâmetro da abertura de maiores dimensões. potência (P) e carga efectiva positiva de sucção (H) com a velocidade do rotor (N) ou com o diâmetro do rotor (D). Em princípio. O raio de curvatura da linha central da curva não deve ser inferior a D1 + 100 mm. em muitas situações. a curva de NPSHr publicada pelo fabricante deve garantir que a bomba não será danificada se for utilizada acima dessa curva.

Conceitos Fundamentais de Hidráulica. 16 .P. o rendimento e o N.dis. a potência absorvida.H.H. temos o caudal que pode ser bombeado naquela instalação. Fig.req.S.Ponto de funcionamento de uma bomba 48 . (≤ N.P. Com esse ponto. com a curva característica da instalação.12 Ponto de funcionamento de uma bomba centrífuga O ponto de funcionamento de uma bomba corresponde à intercepção da curva característica da bomba (H/Q).S.). Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Efeito da variação do diâmetro do rotor com velocidade de rotação do rotor constante: Q2 D2 = Q1 D1 Caudal Carga Hidrostática H 2  D2   = H 1  D1    P2  D2   = P  D1  1   2 3 Potência Carga efectiva positiva de sucção H 2  D2 = H 1  D1      2 2.

(1986) MECÂNICA DOS FLUIDOS E HIDRÁULICA GERAL . ANTÓNIO C.ESTAÇÕES ELEVATÓRIAS DE ÁGUAS RESIDUAIS 49 . (1981) HIDRÁULICA . REFERENCE GUIDE QUINTELA. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2. (1988) BOMBAS E INSTALAÇÕES DE BOMBEAMENTO GRUNDFOS (1996) MANUAL DE ENGENHARIA .Conceitos Fundamentais de Hidráulica. J.PORTO EDITORA MACINTYRE.13 Referências bibliográficas EUROPUMP (1997) NPSH FOR ROTODYNAMIC PUMPS. ARCHIBALD J.FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN NOVAIS-BARBOSA.

50 .

ª Mecânica (DEM) do ISEL 51 .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO COM VELOCIDADE FIXA E VELOCIDADE VARIÁVEL Autor: Eduardo Nunes Director de Projectos da Profluidos Professor Adjunto Equiparado do Dept. de Eng.

52 .

especializada nas suas áreas de actuação.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A Profluidos A Profluidos . na procura de um produto final de qualidade. que criou o Instituto Industrial de Lisboa. garante a qualidade técnica dos projectos. sendo especializada nas áreas das Instalações Especiais e do Saneamento Básico.Gabinete de Projectos de Instalações Especiais. Consultadoria e Assistência Técnica. a Profluidos. caracterizada pela qualidade. O ISEL O Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL) é a mais antiga escola de engenharia em Portugal. por Decreto-Lei 830/74 de 31 de Dezembro. tendo em atenção parâmetros que considera de capital importância. É uma empresa multidisciplinar. a satisfação dos seus clientes. Formada por um Quadro Técnico Qualificado de especialistas que possuem uma longa experiência nos diferentes domínios de intervenção. Maria II. eficiência. Teve a sua génese em 30 de Dezembro de 1852. Lda. pelo Decreto-Lei 389/88 passa a fazer parte da rede de estabelecimentos de Ensino Superior Politécnico. 53 . Em 25 de Outubro de 1988. sempre devidamente adaptados às necessidades e assegura a indispensável assistência técnica. por Decreto Régio de D. foi fundada em 1986 e intervenciona nas áreas de Elaboração de Estudos e Projectos de Engenharia. tendo como objectivo último. Este Instituto passou a ter estatuto de ensino superior com a denominação de Instituto Superior de Engenharia de Lisboa. Com ampla experiência nacional e internacional. O ISEL conta actualmente com cerca de 6000 alunos. rapidez de resposta e segurança de actuação. integrado no Instituto Politécnico de Lisboa. dispõe ainda de uma vasta equipa de consultores externos com formação técnica e pedagógica devidamente actualizada. 500 docentes e 130 funcionários não docentes.

54 .

Tratam-se de sistemas sem o recurso a reservatórios hidropneumáticos. sob a acção de transdutores e circuitos electrónicos. rega. O seu correcto dimensionamento. quer sob o ponto de vista económico. em parte ou na totalidade dos pisos de um edifício.1 Introdução O presente capítulo deste manual tem por objectivo descrever e caracterizar os tipos de sistemas de elevação existentes.3 Centrais hidropneumáticas 3. tubagens e dos aparelhos de consumo. . que automaticamente.3. com arranque e paragem automáticas. 3 . As aplicações cobertas por este tema são muito vastas e destinam-se principalmente aos sistemas prediais. Fig. os requisitos principais relativos à sua instalação e custos de exploração associados. 2 . instalação e manutenção reveste-se da maior importância. Face à vastidão dos seus campos de aplicação optámos por exemplificar os sistemas de pressurização com velocidade fixa e velocidade variável aplicados aos sistemas prediais abastecidos pela rede pública. Nestes sistemas existe obrigatoriamente um ou mais reservatórios metálicos onde a água é mantida sob pressão. 4 . adequam a velocidade de rotação às exigências de caudal que é solicitado em cada instante pela rede. abastecimento público e indústria. nomeadamente os custos de instalação e exploração e finalmente da manutenção com influência na duração dos equipamentos. embora os mesmos princípios sejam extensivos a todas as demais aplicações.Bomba de velocidade variável A segunda solução consiste na utilização de duas ou mais bombas de velocidade fixa instaladas em paralelo. consiste em utilizar bombas de velocidade variável. apresentar a metodologia de dimensionamento dos seus componentes. com ou sem membrana. cada vez mais corrente no mercado. Fig. . A primeira solução.Um conjunto de bombeamento para os reservatórios.Instalação típica de centrais hidropneumáticas em edifícios de grande altura 55 . 1 .Válvula de controlo de pressão em série com as bombas 3. Quando a pressão que está disponível na rede pública de distribuição de água potável é insuficiente para garantir o funcionamento dos aparelhos de consumo. tem vindo a divulgar-se a utilização de sistemas por bombeamento directo.Um ou mais reservatórios fechados. quer sob o ponto de vista funcional.Um dispositivo para compensar o ar dissolvido na água (no caso de reservatórios sem membrana).2 Tipos de sistema de elevação de pressão Uma situação corrente tem sido a utilização de sistemas hidropneumáticos. em função do caudal ou pressão. torna-se necessário recorrer a dispositivos de elevação de pressão apropriados. ao mesmo tempo que é operada também de uma forma automática uma válvula de controlo de pressão.Válvula de controle de pressão em paralelo com as bombas HOTEL Fig. Na actualidade.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3.1 Constituição e princípio de funcionamento Os principais órgãos de uma central hidropneumática são: . Fig. Nos sistemas por bombeamento directo podem considerar-se duas soluções alternativas. para garantir de modo satisfatório as exigências de caudal e pressão dos diversos aparelhos de consumo prediais. 3. .Pressóstatos ou sensores de pressão. em série ou em paralelo com as bombas.

o que quer dizer que a uma grande variação de caudal corresponde uma pequena variação da altura de elevação da bomba e correspondentemente da pressão (curva típica das bombas monocelulares). 6 . pressóstato. enchendo-se o reservatório. No segundo caso as duas zonas não se recobrem. Fig. Em instalações de pequeno porte poderá ser utilizado com reservatórios ou carregador de ar ou reservatórios com membrana a separar a fase líquida da fase gasosa. Fig.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável . >> 0) pelo que uma pequena variação de caudal é acompanhada por uma grande variação da altura de elevação e por consequência da pressão (curva típica de bombas multicelulares). Distinguem-se os casos: Característica pouco inclinada quando qm < 1/2 QM.Selecção das bombas 56 . Esta zona é em geral definida pelo fabricante. O caudal de dimensionamento das bombas deve ser 15 % a 25 % superior ao caudal máximo do consumo previsto para o edifício. um interruptor de flutuador. Noutras. 6). ela deverá funcionar assim numa zona de bom rendimento.1 Selecção das bombas A zona útil da curva característica de uma bomba é definida por critérios técnico económicos. a curvatura é acentuada (tangente 3. Fig. A pressão correspondente a essa descarga é a altura manométrica da instalação. 7 .2. Quando a água atinge o nível máximo a bomba é desligada. aumenta a pressão no seu interior e a almofada de ar comprime-se armazenando energia potencial (elástica). ou ainda.2 Grupos electrobomba 3. Instalações de grande e médio porte exigem a aplicação de um ou mais reservatórios de membrana ou uma central de ar comprimido. com caudais muito superiores ou muito inferiores ao caudal correspondente ao ponto de maior rendimento. considera-se a zona de variação de caudal correspondente à parte útil da curva característica das bombas (fig.Zona útil da curva característica de uma bomba Grundfos As curvas características das bombas podem ter diferentes configurações: Algumas caracterizam-se por apresentar um traçado de tangente praticamente horizontal. dá partida à bomba. Para melhor precisar estas noções. medidores de caudal e todos os sensores e equipamento necessário ao comando. Uma bomba não pode funcionar sem inconvenientes. pelo contrário. 5 . um sensor. .3. Característica inclinada em que qm ≥ 1/2 QM.3. O seu princípio de funcionamento é o seguinte: sempre que o nível da água atinge o ponto mais baixo no interior do reservatório hidrofórico. À medida que o nível da água se eleva no reservatório. protecção e controle das bombas e compressores. se for entretanto atingido um nível superior préfixado será accionado o compressor de ar. ela é limitada pelos caudais mínimo qm e máximo QM. a zona útil de variação de caudal das duas bombas recobre parcialmente a zona útil de uma única bomba (fig. 6). quando duas bombas funcionam em paralelo.Eléctrodos ou interruptores de nível.Definição das curvas características das bombas No primeiro caso.Manómetros.

57 . designada regulação manométrica. o caudal debitado pela bomba aumentará para satisfazer o consumo. Assim.Paragem da segunda bomba. São dispositivos providos de contactos eléctricos biestáveis.caudal de paragem Verifica-se o mesmo procedimento quando as necessidades de água diminuem: . Em A3 é atingida a pressão mínima. o arranque e a paragem das bombas são efectuados automaticamente.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A experiência mostra que quanto maior é a diferença de pressão entre o arranque e a paragem das bombas mais reduzido resulta o volume do reservatório. para C5 e por fim C4. a selecção dos grupos electrobomba deve ser a favor dos que se caracterizam por curvas características com inclinação acentuada. Qp . Nesta situação. através do circuito de comando a abertura e fecho dos contactores de potência. Com o arranque da segunda bomba.2. .2.3. o funcionamento é instável com arranques e paragens frequentes da bomba.2 Comando das bombas Nas centrais de pressurização com bombas de velocidade fixa. o ponto de funcionamento desloca-se progressivamente de A1 para A2 e A3.Paragem da terceira bomba 3P e passagem para um funcionamento com duas bombas.Quando o caudal solicitado pela rede for inferior a Qa0. o funcionamento também será irregular com paragens e arranques frequentes. passando por todas as fases intermédias.1 Regulação manométrica A regulação manométrica é a mais utilizada. . é posta em marcha a terceira bomba.Através do diferencial de caudal. ou seja. sendo o caudal debitado pelas bombas desajustado às necessidades. e realiza-se como se segue: Se o consumo da rede aumenta quando se encontra a funcionar apenas uma das bombas do sistema.Através do diferencial de pressão. O caudal médio de uma bomba determina-se pela expressão: Qm = em que: 2 Q2 2 ( a + Qa − Q p + Q p ) × 3 Qa + Q p Fig. Também se pode empregar a fórmula simplificada: Qm = Qa + Q p 2 3. ocorre um salto brusco de A3 para B3.Evolução de A2. etc. se o caudal requerido cair e permanecer no interior destas zonas. designada regulação debitométrica. Para se evitarem os inconvenientes descritos. ocorre uma variação brusca do ponto de funcionamento e consequentemente. 8 Qa . Destacam-se alguns inconvenientes relacionados com este tipo de funcionamento: . mas a pressão de descarga da bomba diminuirá. correspondente à curva 2P. até A1.Em cada arranque e paragem de uma das bombas. . 9). o ponto de operação do sistema passa de C4 para B4. do respectivo caudal e da pressão. tais como as zonas entre Qa3 e Qb2 e também entre Qb5 e Qc4. Os órgãos que asseguram o arranque e a paragem das bombas são os pressóstatos. Se o consumo de água continua a aumentar.caudal de arranque. .Evolução progressiva de C6. Nesta evolução. . deve instalar-se um depósito hidropneumático ligado ao colector de descarga comum das bombas (fig. o que faz arrancar a segunda bomba do sistema e a curva funcional passa a ser a curva 2P (duas bombas em funcionamento).2. através de uma das duas opções: .3. com passagem do ponto de operação de B5 para C5 seguida de uma evolução progressiva de C5 para C6 e assim por diante. correspondente à pressão máxima de funcionamento com três grupos electrobomba. bombas multicelulares. . que são accionados mecanicamente pela pressão da água.Determinadas gamas de caudais não são abrangidas. a sua curva de funcionamento evoluirá de R1 para R6. 3. e operação com a curva 1P em que o ponto de funcionamento passa de B2 para A2. evolui-se progressivamente de B3 para B4 e seguidamente. para B5. conforme está representado na figura 8. que permitem.

10. Fig. Verifica-se então um funcionamento intermitente entre n bombas e n+1 bombas.Sobreposição com a zona de caudais debitados por n+1 bombas Fig. o funcionamento do sistema altera-se bruscamente do ponto C para D' e a partir de D' progressivamente para D. 11 . impedindo a dissolução do ar na água. Como se pode observar na fig. É nesta situação de não sobreposição dos campos de caudais que o depósito se torna indispensável. No exemplo ilustrado na figura 11. de B' para B. 12 . o excesso de caudal debitado pelas bombas alimenta o depósito enquanto não se atingir a pressão do ponto de funcionamento.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável pressão do ponto de funcionamento D. consumido pelo edifício e da respectiva pressão de operação. O caudal Q' poderá ser garantido com n bombas (ponto A') ou n+1 bombas (B') em funcionamento contínuo. reduzindo os problemas de corrosão e evita a introdução de dispositivos de compensação de ar. não temos qualquer sobreposição das zonas de funcionamento. aprisionado na parte superior do depósito. A característica da curva de funcionamento do sistema varia continuamente em função do caudal solicitado pelos consumidores. ao contrário da água que é praticamente incompressível. a presença do depósito hidropneumático altera ligeiramente os pontos de funcionamento do sistema. enquanto que o caudal fornecido à instalação (consumo) permanece praticamente inalterado.Gama de caudais garantidos por n bombas . esta diferença vai alimentar o depósito. que estará compreendido entre 0 e Qmax. Um caudal compreendido entre Qa1 e Qb1 não poderá ser obtido com um funcionamento contínuo. Um caudal compreendido entre Qa1 e Qa2 pode ser fornecido com n+1 bombas em funcionamento contínuo. equipados com membranas que impedem o contacto do ar com a água. actualmente. A diferença de pressão entre C e D' deve-se também às perdas da carga da ligação ao depósito. Fig. Um caudal compreendido entre Qb1 e Qb2 poderá ser fornecido com n+1 bombas em funcionamento contínuo. o ponto de funcionamento evolui rapidamente de A para B' e. A ligeira variação entre A e B' deve-se às perdas de carga no ramal de ligação do depósito. O dimensionamento de uma instalação tem como objectivo a satisfação do caudal de ponta. verifica-se que há uma sobreposição das gamas de caudal entre n bombas e n+1 bombas em funcionamento porque Qb1 é inferior a Qb2. Paragem da 2ª bomba: Na paragem. à medida que o depósito se esvazia para atingir a No exemplo ilustrado pela figura 12. O somatório dos caudais individuais corresponde ao caudal global de valor aleatório. Ou seja a passagem de A para B' implica um aumento brusco do caudal de funcionamento das bombas. 10 Modo de funcionamento: Arranque da 2ª bomba: No arranque. depois progressivamente.Gama de caudal coberta por n bombas Gama de caudal coberta por n+1 bombas 58 . porque o caudal Qa2 é inferior a Qb1. é comprimido e expandido em função da pressão de funcionamento das bombas. A maior parte dos depósitos são. 9 O ar sob pressão. Fig. entretanto.

3. Absorver as flutuações bruscas de pressão e de caudal durante a abertura e o fecho dos equipamentos de consumo (trata-se contudo de uma função secundária que não justifica por si só a presença do Depósito).3.Tempo de duração de um ciclo em função do caudal A curva 3 da fig.Redução da gama de caudais coberta pelas bombas e. Resultando um aumento do diferencial médio entre o caudal consumido e o caudal bombeado. um reduzido diferencial de pressões Pmin/Pmáx. sendo o esvaziamento e enchimento mais rápidos.Diminuição da reserva de água disponível (volume útil) no depósito devido à redução do diferencial de pressões. . mais probabilidades de ocorrerem situações de funcionamento intermitente.Volume de reserva de água.1. nas zonas em que o caudal não é garantido pelas bombas. . por conseguinte ao número máximo de arranques.Flutuação da pressão. absorvendo o excesso de caudal (Qconsumo < Qbombeado) ou complementado a insuficiência do caudal bombeado (Qconsumo > Qbombeado). 14 . 13 apresenta o tempo de duração de um ciclo em função do caudal. Qc = Qn + Qn +1 2 Fig. cujos efeitos serão: . .Número de arranques do motor. Assegurar a manutenção de pressão na instalação quando todas as bombas se encontram paradas.1. cujo valor diminui à medida que a potência dos grupos aumenta. Deverá efectuar-se um compromisso entre os três parâmetros.1 Função do depósito hidropneumático O depósito hidropneumático tem uma função tripla: Servir de reserva. .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3.2. obtém-se uma reserva de água no interior do depósito menor. Conclui-se. é indispensável manter-se um diferencial mínimo entre as pressões Pmáx e Pmin. O caudal crítico Qc.2 Períodos de funcionamento A duração de um ciclo completo conforme foi descrito anteriormente deverá ser tanto mais importante quanto mais elevada for a potência dos motores. o período de um ciclo é tanto mais curto quanto: .a reserva de água for reduzida (um volume total do depósito reduzido ou um pequeno diferencial entre as pressões Pmin e Pmáx).Cobertura dos caudais em funcionamento contínuo Q = Caudal Médio 59 . 13 . . 3. Para se garantir uma pressão de utilização praticamente constante. Sendo assim. Por outras palavras.2. corresponde ao ciclo de duração mínima e.2.Aumento da gama de caudais não coberta pelas bombas em funcionamento contínuo. 14) apresenta três consequências. Esta diferença é absorvida pelo depósito. . Podemos considerar que o caudal médio corresponde a metade da gama de caudais abrangida. que não se podem optimizar simultaneamente os seguintes parâmetros: . conduzindo a uma maior frequência de arranques e paragens. Fig.2. (fig.o caudal absorvido ou fornecido pelo depósito for elevado (gama vasta de caudais não abrangidos pelo funcionamento das bombas). É importante assegurar-se que não é ultrapassada a frequência horária de arranques admissíveis. portanto. um caudal de enchimento e esvaziamento mais elevado. Contudo.Maior frequência de arranques.

O custo de investimento não pode ser comparado ao de uma solução convencional em que já não se fala de pressurização mas de "distribuição".Tempo de ciclo Para se obter uma variação de pressões extremamente reduzida entre o arranque e a paragem. 60 .Quatro bombas de 20 m3/h Fig. 16 . A temporização. 15 . Fig. 18 e fig. é possível obter-se uma melhor cobertura da gama da caudais (fig. 16). fora deles. o que vai ao encontro de objectivo inicialmente pretendido. 19 . sem ter de se enfrentar o problema de um número elevado de arranques. só se encontra activa durante os ciclos mais curtos.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Podem ser instalados temporizadores com a finalidade de retardarem a paragem ou o arranque de cada bomba (fig. Uma estrutura deste tipo é frequentemente utilizada em instalações de grande dimensão ou em estações elevatórias. 18 . 19). 17 Através do agrupamento de bombas com diferentes capacidades. Fig. correspondente ao funcionamento com caudal nulo não seja demasiado elevada em relação à Pmáx. maiores variações de pressão). O reservatório de água representado na figura 17 é o exemplo de um reservatório de grande volume. esta opção implica uma automatização da operação mais sofisticada e há que tomar em consideração a frequência de arranques da unidade de apoio. É uma solução "parcial" na medida em que esta temporização permite que o ponto de funcionamento ultrapasse os limites da gama de pressão estabelecida (ou seja.Influência das temporizações no deslocamento do ponto de funcionamento É importante que a altura manométrica total Hmt das bombas. Três bombas principais dimensionadas para um caudal de 20 m3/h à pressão de 5 bar mais uma bomba de apoio de 10m3/h a 5 bar oferecem uma maior flexibilidade do que quatro bombas de 20m3/h. Fig. No entanto. será necessário dispor-se de um grande volume útil.Três bombas principais de 20m3/h e uma bomba auxiliar de 10m3/h Fig. (sendo a cobertura de caudais mais favorável). que impõe um tempo de ciclo mínimo Tmin. não tem qualquer influência (fig. utilizando bombas de velocidade fixa. 15).

2. utilizados em pequenas e médias instalações. Como regra geral. de acordo com a tabela 1 para bombas e motores especialmente dimensionados.3. O dimensionamento destes órgãos tem por objectivo a determinação da sua capacidade e o número de unidades a aplicar. A sua função está limitada a satisfazer as necessidades dos períodos de consumo reduzidos. mais dispendiosa do que uma regulação manométrica.2 Regulação debitométrica Neste tipo de regulação o controlo dos arranques e paragens das bombas é efectuada através de caudais de referência (fig. 21 . * Atendendo a que os factores limitativos são os componentes de controlo eléctrico e restantes componentes mecânicos.3. pode ser mantida em funcionamento permanente.3.3. além de que a respectiva instalação no local é bastante mais delicada.2. que são prejudiciais às canalizações. evitam-se as flutuações bruscas e acentuadas de pressão devido ao escape de ar nos aspersores e ventosas. oferecem a vantagem de não necessitarem de dispositivos de compensação do ar perdido. mais atenuadas são as flutuações de pressão. bem como os arranques frequentes das unidades principais. 21). dispendioso. Deste modo. 3. assim. 3. que são tanto mais importantes quanto menor for o número de bombas em funcionamento (curvas mais inclinadas). tais como os devidos às fugas de caudal da instalação.3. ou imobilizada. Observa-se que o arranque da primeira bomba é efectuado obrigatoriamente por pressão. o volume de água descarregado pelo reservatório com bombas paradas) resulta da aplicação da Lei de Boyle Mariotte para a expansão de gases: C = Vt Fig.3 Número máximo de arranques dos grupos electrobomba A frequência máxima de arranques dos grupos electrobomba deve estar limitada de acordo com a tabela abaixo. Contudo. Por este motivo. ficando reduzida ao mínimo a margem de flutuação de pressão em todo o campo de operação. TABELA 1 Número máximo de arranques por hora de grupos electrobomba Potência do motor ( kW ) Número máximo de arranques ( horário) Duração do ciclo (segundos) 4 60 7. uma operação contínua dos grupos. tais como de campos de golfe. Quanto maior o número de bombas em funcionamento paralelo.Grupo de três bombas + Bomba Jockey 3. a partir do momento em que a primeira bomba entra em operação.1 Introdução Os reservatórios de membrana. futebol ou hipódromos. devido à emulsão entre o ar em contacto directo com a água sobre pressão.2. Uma regulação debitométrica é. podem-se adoptar valores maiores que os anteriormente indicados*. quanto mais potente for o motor menor deverá ser a frequência de arranques. escolher valores adequados para se obter uma sequência ininterrupta do campo de funcionamento e. também correntemente denominados depósitos de membrana.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. Deste modo. entre dois períodos de funcionamento consecutivos. por conseguinte. Esta bomba Jockey.3. em geral. é de notar a persistência das flutuações de pressão.2. utiliza-se este tipo de controlo nas instalações de maior importância.3. 20).5 15 40 30 18 25 20 20 60” 90” 120” 144” 180” Fig.2. Podemos.Regulação debitométrica p p − pa p p + pt 61 .3. utilizada para assegurar a manutenção da pressão da rede em sistemas de pressurização de grande dimensão.3 Bomba auxiliar (Jockey) Trata-se de uma pequena bomba. 3. a manutenção da pressão é assegurada pela bomba Jockey evitando a entrada de ar nas tubagens.1. 20 .3 Reservatórios de membrana 3. quando as bombas principais estão paradas (fig.2 Dimensionamento O cálculo da capacidade útil real de um reservatório (isto é. tal como nos reservatórios tradicionais. Em determinadas redes de combate a incêndios ou rega. No entanto. de tal forma que acompanham o consumo. evita-se a utilização de um depósito de grande capacidade.

1 Dimensionamento O principio de funcionamento dos reservatórios hidropneumáticos. Esta altura. Pp .Pressão manométrica de paragem da bomba (bar).Altura correspondente a Vr. Como a frequência máxima de arranques de uma bomba se verifica quando o consumo é igual a 50% do caudal bombeado.4.Pressão manométrica de arranque da bomba (bar). Aplicando a Lei de Boyle Mariotte à expansão do volume de ar entre Pa e Pp vem: (Pp+1)×Vp = (Pa+1)×Va = (Pa+1)×(Vp+Vu) De onde resulta.Volume residual. Vr = 0. por minuto.Volume útil de água no reservatório. É o volume de água que é introduzido no reservatório.Capacidade útil necessária. também se baseia na Lei de Boyle Mariotte.4 Reservatórios hidropneumáticos 3. Pa .Volume total do reservatório (M3) Vr .3.Duração de um ciclo em segundos. P V =P V =C 1 1 2 2 te Na fig. Vu = Va × (p p + 1)− (pa + 1) Pp + 1 [ ]= V × (p a p − pa ) Pp + 1 62 .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável C .Caudal bombeado. compreendido entre os níveis de arranque (Pa) e paragem (Pp).Reservatório hidropneumático Grandezas a considerar: Z . entre o arranque e a paragem da bomba. é o limite de segurança de utilização de água do reservatório. Este volume deve ser da ordem de 20% do volume total. a capacidade total necessária é de: Fig.3. Cu . h2 . Vp .Pressão de paragem (bar) Pa .5 vezes o diâmetro da canalização. o volume ocupado por um gás varia na razão inversa da pressão a que se encontra submetido".Volume de ar correspondente à pressão de paragem Pp. explicitando a equação para Vu: Ct = T ×Q 240 O número total de reservatórios necessários é de: N= Ct C 3. 22 apresenta-se esquematicamente um reservatório hidropneumático. isto é.Volume de ar correspondente à pressão de arranque Pa.Caudal consumido pela instalação em litros.5d. A . Q . com a finalidade de representarem as diversas grandezas em jogo.Número de arranques por hora da bomba. Vt . tem como objectivo evitar a introdução de ar nas canalizações. que se pode enunciar como: "À mesma temperatura. ou seja. durante o período em que a pressão do ar no seu interior aumenta de Pa até Pp.Pressão de arranque (bar) Pb . Va .2 Vt.Volume total do reservatório (litros) Pp .Pressão barométrica (bar) Para calcular a capacidade útil necessária recorre-se à expressão: Cu = T A(Q − A) × 60 Q em que: T . por minuto. deve ser igual a 2. em litros. Vu . Funciona como reserva sempre que houver consumo com as bombas fora de serviço. h2 = 2. 22 .Capacidade útil real (litros) Vt . é o volume de segurança que está compreendido entre o nível de água correspondente à pressão Pa e o fundo do reservatório.

entrando com o número de arranque por hora e com os valores das pressões relativas de arranque e paragem obtém-se a relação entre o caudal da bomba m3/h e o volume total do reservatório Vt.3 0.13 0.32 0. Fig. obtém-se: Q/Vt =10 ∴ Vt = 9/10 = 0.) Pp 2 3 4 5 6 1 Pressão de arranque (bar) Pa 1.5 2 2.Número máximo admissível de arranques horários.33 0.4 0.2 0.+1) x (Pmáx+1) S ∆P Pc+1 Vtotal = volume total do depósito em litros S = número máximo de arranques por hora.26 0. Pc = Pressão de ar no depósito de membrana.27 0. Indicam-se seguidamente algumas das mais utilizadas: a ) Fórmula proposta por Harold Nickels Vt = 10×Qmáx.Pmin.08 0.8 × Vt × (p p − pa ) Pp + 1 Exemplo: Q = 2. com estes valores no gráfico. dependente da potência e fabricante do motor eléctrico Qm = caudal médio de uma bomba em l (min) Pmáx = pressão de paragem Pmín = pressão de arranque ∆P = Pmáx .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Considerando que o volume morto é igual a 20 % do volume total Va=0.16 0.1 0.24 0. c) Pela fórmula da Grundfos Vtotal = 16.descarga correspondente ao consumo máximo da rede.4 0. Pc = Pmin-0.13 0.5 d) Fórmula proposta pela norma brasileira NB-92 A norma brasileira utiliza um ábaco reproduzido na fig.34 0.5 3 3. vem: Vu = 0.2 0.25 x Qm x (Pmín. Z .5 l/s = 9m³/h Z = 8 arranques hora Pp = 4 bar (pressão relativa) Pa =2 bar (pressão relativa) Entretanto.Volume total do reservatório hidropneumático (Vt) em função do caudal (Q) e) Fórmula de Valibouse V0 = T ×k HM − Hm 4 × H M + H b Qm (litros ) 63 .5 4 0. 23 . determina-se na tabela 2 a relação entre o volume útil Vu e o total Vt em função das pressões de arranque e paragem. deduzidas por diversos autores como resultado de estudos teórico-experimentais. Em que: Vt = Volume total em litros Qmáx = Consumo máximo provável do edifício expresso em litros/minuto. b ) Fórmula deduzida por Ângelo Gallizio A expressão é aplicável a instalações com compressor Vt = 30 × Q pp +1 × z p p − pa Q . em litros por minuto.4 0.9 m³ TABELA 2 Pressão de paragem (bar) (máx.4 0.8 Vt.23 O cálculo do volume total do reservatório é feito através da aplicação de fórmulas empíricas. 23.29 0.

5 Exemplos de situações-tipo A concepção de um sistema de elevação de pressão deve ajustar-se em cada caso.3. com a vantagem de não se provocar uma descida apreciável da pressão de aspiração durante o arranque das bombas. 3.Tempo mínimo entre dois arranques consecutivos da mesma bomba. 24.Pressão mínima de arranque em bar. caracterizam-se algumas situações-tipo documentadas com figuras.Bomba a aspirar da rede com reservatório de compensação Na figura 25. 26 .Tempo mínimo entre dois arranques da mesma bomba K .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável T . é uma disposição em que se aproveita também a pressão da rede.Pressão atmosférica T . 27 .Coeficiente de segurança (K=1. 27 representa uma instalação doméstica típica em meios rurais com utilização de captação própria.Bomba a aspirar directamente da rede Na fig. Ha . 64 . Hm . Qm . T . Fig. 25 . às exigências (quantitativas e qualitativas) dos diversos consumidores e aos condicionalismos próprios da instalação e da rede exterior.Instalação doméstica rural A fig. apresenta-se um esquema com bomba a aspirar directamente da rede. O exame da fórmula diz-nos que o volume Vt do reservatório é proporcional às pressões de arranque e paragem. HM .25 × T × Qm 4 Vt = Vu × (p a + 1)× (p p + 1) (pi + 1)× (p p − p a ) Fig.Pressão inicial de pré-compressão (bar). Vu = 1.Caudal médio (litros/minuto) f ) Cálculo considerado uma pré-compressão arbitrária Fig. mostra-se um reservatório intercalado entre a rede exterior e os grupos de bombeamento. O arranjo da fig.Tempo de duração de um ciclo (minutos). Por se considerar do maior interesse prático e sem a preocupação de ser exaustivo. Há todo o interesse em pré-comprimir o reservatório a uma pressão vizinha da pressão de arranque Pa e adoptar um diferencial de pressão Pp-Pa tão alto quanto possível.2 em geral). é uma solução utilizada sempre que a pressão disponível na rede exterior é apreciável. 26 tem como principais vantagens uma separação hidráulica entre a rede exterior e a do edifício. 24 .Bomba a aspirar do tanque de armazenamento Pi . e a garantia de uma reserva de água durante as interrupções do consumo. Fig.Pressão máxima de paragem em bar.

funcionando a instalação apenas nos períodos em que a piezométrica não é suficiente para alimentar todos os pisos em perfeitas condições.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Na concepção e dimensionamento destes sistemas põe-se com particular acuidade os aspectos que a seguir se referem e cujas razões justificativas decorrem do texto que se segue: • segurança em serviço. uma curva "ideal" que se pretende satisfazer. 29. 65 . mas sim. Normalmente a curva característica das redes dos edifícios têm um andamento parabólico. Suponha-se que o consumo se estabiliza no valor q correspondente ao ponto M de funcionamento da bomba (q.Ocupação de um espaço reduzido. a aspirarem directamente da rede exterior ou de um reservatório. essa variação é normalmente apreciável. 29 .1 Constituição e princípio de funcionamento Os sistemas por bombeamento directo caracterizam-se pela existência de uma ou mais bombas a operarem em paralelo. como se sabe. • conforto de utilização com uma pressão de utilização praticamente constante. correspondente à variação de consumo ao longo do dia. .4 Sistemas por bombeamento directo 3. 3.4. se assegura uma pressão compatível com o bom funcionamento de toda a rede do edifício. .6 Características das centrais hidropneumáticas As instalações hidropneumáticas apresentam as seguintes características: . A curva é traçada em função de um ponto de referência R.Simplicidade de operação e manutenção. h). • minimização da potência perdida para economia de energia.Custos iniciais reduzidos comparados com outros sistemas. . • garantia de funcionamento nos períodos de caudal reduzido.Instalação em "by-pass" A instalação da fig. Esta não é a curva real fixada pelas características das canalizações e aparelhos de consumo. Fig.Flexibilidade para acréscimo da capacidade resultante de um aumento de consumo. arbitrado de tal modo que para qualquer valor de caudal. Observa-se que a bomba debita o caudal q a uma pressão mais elevada dissipando em perdas uma potência que pode ser considerável e cujo valor relativo é apresentado pela razão dos segmentos MB/MA Fig.3. O ponto de funcionamento é descrito pela curva C2. representam-se as curvas características de uma rede e de uma bomba. 28 .Ponto de referência R Nem sempre a zona de melhor rendimento da bomba corresponde a um bom rendimento da instalação. 28 aplica-se em edifícios situados em locais em que a pressão da rede exterior sofre grandes variações diárias. 3. sendo a descarga directa à rede. Na fig. No estudo de um sistema por bombeamento directo deve começar por traçar a curva característica da rede.

P . em função do caudal.Potência dissipada inutilmente. com a finalidade de se poupar energia nestes períodos. independentemente do consumo da rede. rpm rpm rpm rpm rpm rpm 3. a pressão é mantida constante. QR . como se pode observar. Na figura 31. através da activação e paragem das bombas em consonância com as necessidades do consumo. Em certas centrais uma das bombas é dimensionada para as horas de menor consumo. o rendimento praticamente não varia com a velocidade. quer por variação do consumo.1 Modo de funcionamento Nos sistemas de velocidade fixa a pressão de descarga nas redes é mantida aproximadamente constante. RS.5 bar e uma variação de caudal entre 500 e 1000 m3/h corresponde uma variação do rendimento máximo compreendido entre 70 e 80 %.1 Modo de funcionamento Nos sistemas com bombas de velocidade variável.Curva de potência teórica necessária para garantir no ponto R o caudal Q à pressão H0.2. são detectadas por um sensor que actua no variador de velocidade de forma a manter a pressão de bombeamento constante. para os menores consumos correspondentes às horas mortas.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3.3 Sistemas com bombas de velocidade variável 3. 31 . quer com um pequeno reservatório hidropneumático.4.Potência perdida devido ao rendimento do motor e das bombas. As variações da pressão de descarga das bombas provocadas quer por alteração da pressão de aspiração. 30 .Ponto de funcionamento da bomba instalada.4. 66 .32) determinam-se as alturas manométricas máxima e mínima das bombas: • A altura máxima H1 relativa ao consumo máximo da rede com a pressão mínima da aspiração.3. PQ .2 Variação das curvas características O andamento da curva característica de uma bomba varia com a sua velocidade de rotação de acordo com as expressões: Q2 N2 = Q1 N 1 e H2  N2 = H1  N 1      2 N P ∴ 2 = 2 P1  N1      3 Fig. 3. para uma pressão constante de 7.Curva de potência Na fig.Curvas características de uma bomba a diferentes velocidades 3. do tempo de funcionamento e das anomalias.3. é necessário dotar a instalação quer de válvulas reguladas para evitar que a pressão ultrapasse valores indesejáveis na rede. por exemplo.4.Potência teórica necessária para fornecer o caudal q. Po . 30 o rendimento da dissipação é dado por RS/PS Resulta assim que.4.4. sempre que uma estação eleva directamente para a rede é importante minimizar a potência perdida o que pode ser conseguido adequando quer o número de bombas quer a sua velocidade.2 Bombas de velocidade fixa 3. Estas centrais fazem a alternância automática do funcionamento das bombas. Por outro lado.3.4. mostram-se várias curvas características de uma bomba com diferentes velocidades de rotação. • A altura mínima H2 relativa ao consumo mínimo da rede com a pressão máxima da aspiração. Esta bomba tem geralmente 50% da capacidade das bombas principais.3 Selecção das bombas Com as curvas características extremas da rede e os valores do consumo máximo e mínimo (fig. rpm Fig.

Controlador Controlador Fig. a manutenção da pressão da descarga traduz-se por rectas horizontais por C e por E e uma infinidade de.Se Pmedida = Pserviço a velocidade mantém-se constante. 32 .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A pressão a ser mantida na conduta de compressão é assim: Pdescarga= H1+H aspiração mínima = H2 +H asp. A pressão de serviço pode ser materializada no controlador por uma recta horizontal ao longo da qual se desloca o ponto de funcionamento da instalação (fig. o ponto de funcionamento com o caudal máximo de cada bomba (Qmáx) e altura manométrica máxima (H1) deverá situar-se à direita da zona de maior rendimento (fig.Conjugar várias bombas de velocidade fixa com uma ou duas de velocidade variável que servirão para ajustar o ponto de funcionamento da instalação às exigências de caudal e pressão da rede. . Os pontos C e F (fig.3. máxima pois a Pdiferencial = Pdescarga Haspiração Para o efeito. Nestes casos. 35). Fig. com o valor ajustado. 3. já não se verificam as limitações relacionadas com os diferenciais entre a pressão mínima e máxima como na regulação por pressóstato A regulação manométrica é efectuada em permanência quaisquer que sejam as aberturas e fechos de válvulas.Zona de funcionamento das bombas 67 .4 Regulação manométrica Neste caso. . para situações intermédias. . . 34 O transdutor de pressão emite um sinal de 0-20mA. este irá controlar o variador de frequência da seguinte maneira: . 32) são os pontos críticos de operação das bombas. diversas situações são praticáveis tais como: .Se Pmedido < Pajustado é emitida ordem de aceleração. Fig. onde as pressões H1 e H2 são diferenciais. rodando sempre sincronizadamente.Instalar todas as bombas com velocidade variável. Como as bombas operam a maior parte do tempo com valores médios de caudal e pressão de aspiração. o que pode traduzir-se no seguinte: . 33 . Independentemente do caudal requerido. que foi pré-programado. a instalação funciona de modo a manter a pressão constante. Existe um controlador que compara o sinal medido. 34). as bombas deverão debitar o caudal Qmáx à pressão H1 (ponto C).4. proporcional à pressão medida.Com todas as bombas em funcionamento na rotação máxima. . 4-20mA ou 0-10V.Se Pmedido > Pajustado é emitida ordem de desaceleração. 32. outras compreendidas entre essas. 33). usa-se um transdutor de pressão para efectuar a medição analógica da pressão em substituição dos pressóstatos (fig. a bomba deverá recalcar o caudal Qmin à pressão H2 (ponto F).Determinação das alturas manométricas máximas e mínimas Na fig.Com apenas uma bomba em operação à pressão mínima. por sua vez.As bombas com velocidade variável têm um limite mínimo de velocidade abaixo da qual não produzem caudal à pressão pretendida.

acelera-se a bomba de velocidade variável até se verificar um ligeiro excesso de velocidade da ordem de 52 a 55 Hz. O ponto de funcionamento altera-se de M para M1. logo: PM1 > Pajustada significa desaceleração até que Pmedida = Pajustada A velocidade de rotação da bomba diminui e a curva de funcionamento das bombas passa a ser P' e o ponto M1 desloca-se para M2.Regulação manométrica. 36). Fig. se a bomba de velocidade variável for alimentada a 50 Hz no máximo. 36 Fig. 37 Se a velocidade da bomba em variação atingir o valor mínimo ou máximo. independentemente do número de bombas em funcionamento: Qmáx n Bombas = Qmin n+1 bombas 68 . O que se descreveu pode representar-se no esquema ao lado. Arranque da bomba 2 de velocidade fixa A velocidade da bomba 1 diminui e ajusta-se até Pmedida = Pajustada Bomba 1 VV + Bomba 2 VF Pmedida = Pajustada Considerando que a reacção do sistema é rápida. o consumo diminui e a característica da instalação vai de R para R'. as torneiras fecham-se. Se o consumo aumentar (fig. a que corresponde um ligeiro aumento de caudal. 37). a curva da rede R altera-se para R' e o ponto de funcionamento evolui de M passa para M1. 35 . obter-se-á.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Bomba 1 Variação de velocidade Aumento do consumo Aceleração da bomba 1 Bomba 1 à velocidade máxima Pmedida < Pajustada Fig. Na prática. o ponto de funcionamento desloca-se numa linha horizontal (pressão ajustada para serviço (fig. arranca ou pára uma das bombas de velocidade fixa. princípio de deslocamento do ponto de funcionamento No instante t. Com efeito.

o que oferece uma solução adequada para os seguintes problemas: • Cobertura constante de todos os caudais.Campo de variação de caudal só com 3 bombas. Enquanto que. com acréscimo de rotação Qmáx n > Qmin n+1 69 . • Volume do depósito hidropneumático reduzido. independentemente do caudal. compreendido entre 0 e Qmáx.Pode satisfazer-se um consumo aleatório. acontece o arranque ou a paragem de uma bomba de velocidade fixa. na variação de velocidade controlamos ambos. por exemplo. para se garantir a pressão do sistema. Se optarmos por esta solução em que se admite um acréscimo da velocidade da bomba. com uma frequência de 53 ou 54 Hz. com uma instalação de velocidade fixa. o valor admissível para Q1 = Caudal máximo de 1 bomba com Velocidade Variável Q'1 = Caudal mínimo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável + 1 com Velocidade Fixa) Q2 = Caudal máximo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável + 1 com Velocidade Fixa) Q'2 = Caudal mínimo com 3 bombas (1 com Velocidade Variável + 2 com Velocidade Fixa) Fig. e daí o risco do número máximo de arranques ser excedido. • Pressão constante. . assim como um funcionamento contínuo. embora este acessório seja dispensável. Observa-se que se a instalação compreender bombas de grandes dimensões e for necessário garantir-se um caudal mínimo sem vibrações dos grupos. associada ao número de bombas. 38 . não sendo necessário manter-se o seu funcionamento prolongado em condições pouco próprias. através da variação da velocidade de uma das bombas.Campo de variação de caudal com 3 bombas Qmáx n = Q min n+1 Se o caudal consumido variar ligeiramente em torno de Q1 ou de Q2. • Economia energética. Evita-se o funcionamento contínuo com uma bomba à velocidade mínima. as centrais hidropneumáticas de velocidade variável encontram-se frequentemente equipadas com um depósito de volume reduzido. representa cerca de 33% de potência suplementar. Na realidade.Esta regulação garante uma pressão perfeitamente constante. o depósito hidropneumático poderá ser de dimensões reduzidas. para evitar uma sobrecarga no motor. sem arranques ou paragens. . • Número de arranques dos motores das bombas. dentro do tempo de funcionamento admissível.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Poderá ser obtido um caudal compreendido entre Q1 e Q'1 quer com uma ou duas bombas em funcionamento. verifica-se: Qmáx n Bombas > Qmin n+1 bombas Q’ = Caudal máximo de 1 bomba com Velocidade Variável (55Hz) Q1 = Caudal mínimo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável + 1 com Velocidade Fixa) Q'2 = Caudal máximo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável 1 com Velocidade Fixa 55Hz) Q2 = Caudal mínimo com 3 bombas (1 com Velocidade Variável + 2 com Velocidade Fixa) Q3 = Caudal máximo de 3 bombas (1 com Velocidade Variável + 2 com Velocidade Fixa 55Hz) Fig. correspondente à manobra dos órgãos da rede e assegurar os consumos reduzidos.Sendo assegurada a cobertura de todos os caudais. As principais vantagens relacionadas com a utilização da variação de velocidade em sistemas de pressurização são: . deve calcular-se a potência absorvida ao seu veio. a sua inserção tem como vantagens. introduzindo um sistema de paragem debitométrica da bomba de velocidade variável. controlaríamos apenas um parâmetro a pressão ou o caudal. 10 % de velocidade em excesso. enquanto não se verificarem alterações de caudal. em cada transposição destes valores. assegurar a manutenção da pressão na instalação quando todas as bombas se encontram paradas e absorver as variações de pressão gerada em regime transitório. 39 . Se alimentarmos a Bomba de Velocidade Variável. quando o consumo tende para zero.

O respeito da igualdade "Pmedida = Pajustada" assegura uma pressão constante no ponto de consumo. Tem de se considerar o desnível geométrico entre A e B. 40 . ii) Compensação das perdas de cargas Fig. é igual a PA .43). É o princípio da regulação manométrica compensada. Apenas uma pressão de controlo ajustada à curva de perda de carga.20mA Pode encontrar-se esta solução. 41 Soluções a considerar: i) Deslocamento do transdutor de pressão 3. com base no caudal mínimo admissível à velocidade nominal N pela expressão: Q mínimo reduzido = Q min x N mínimo Nnominal Este caudal mínimo reduzido. ­ Transmissão de um sinal de 4 . 42 Esta solução é interessante mas comporta determinados limites técnicos e económicos. reside no transporte do sinal. a pressão é mantida constante no local A independentemente do caudal. Para o efeito considera-se como caudal crítico: Q c = Q mínimo reduzido 2 Fig. apesar de existir um sistema de variação de velocidade. mas este tem um valor constante e é independente do caudal. A pressão em B.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável uma bomba à velocidade mínima Nmin determina-se facilmente. 70 . 42). A pressão já não é medida à saída do grupo sobrepressor. A dificuldade da solução.5 Regulação manométrica compensada Este tipo de regulação. As perdas de carga são integradas no algoritmo de controlo a fim de se obter uma pressão constante no utilizador mais desfavorável. Fig.4. onde são instalados captores de pressão nos pontos mais nevrálgicos da rede. a pressão em A não é igual em B. mas sim no local de consumo (fig. em certas redes urbanas de distribuição de água. também apelidado de manodebitométrico. será efectuada.3. através de um sistema de controlo complexo e. consequentemente dispendioso.Perdas de carga antes da distribuição A pressão em B. tem como objectivo compensar o efeito das perdas de carga na rede de distribuição. Deve-se considerar o desnível geométrico. serve para o dimensionamento do volume útil do depósito. PROBLEMA Com uma regulação manométrica clássica. denominada "pressão disponível". Este tipo de regulação não permite. devido às perdas de carga no troço compreendido entre A e B. (curva parabólica) permite obter uma pressão no utilizador perfeitamente constante. cujo valor varia com o quadrado do caudal. mas para tal. é igual à pressão em A menos as perdas de carga (PA-∆h) (fig. devido ao: ­ Custo do cabo. assegurar aos utilizadores uma pressão constante no ponto de consumo.∆hAB (figura 40). a regulação manométrica. ­ Passagem do cabo.

poderão surgir os seguintes problemas: • Se a pressão for mantida constante em A. conclui-se que um dispositivo de regulação. estes pisos sofrem um acréscimo de pressão de modo a compensar as perdas de carga entre A e B. que forneça uma pressão de serviço perfeitamente coincidente com a curva de perdas de carga (fig. 45 71 . correcta ou insuficiente. No entanto. deverão ser desprezáveis. em que ocorrem perdas de carga elevadas. Em função do equipamento disponível. Em que nas horas em que o consumo é elevado. para tal. Por conseguinte. • Se compensarmos as perdas de carga na coluna AB. necessário haver medição do caudal (fig. É importante ter presente as limitações de cada sistema a fim de se evitarem erros e desilusões. em contrapartida. é necessário garantir a mesma pressão em cada tubeira e. este operará em associação com o reservatório hidropneumático. que é dispendioso. as perdas de carga nas condutas de alimentação. entre A e B (fig. A medição do caudal será efectuada por um caudalímetro electromagnético. sendo contudo ideal uma compensação parabólica. 46). O controlador apropriado é. Para se obterem jactos com a mesma altura. 43). 44 B. Fig. sofisticado (fig. 45).A medição da pressão é insuficiente Com efeito. Medição do caudal Determinação da pressão de ajuste em função do caudal Valor do ajuste de pressão Medição da pressão Desvio da medição com o valor ajustado Comando Fig. 43 Pode recorrer-se a uma compensação dita linear.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A . independentemente do caudal. Somos igualmente confrontados com este problema nos repuxos de água das fontes públicas. o que constitui uma abordagem interessante. não permite manter uma pressão constante em todos os pontos de uma rede. por mais sofisticado que seja. não oferece qualquer solução para os problemas colocados pelas perdas de carga na tubagem de distribuição. Esta solução que engloba um controlador sofisticado e um caudalímetro. a pressão de serviço ou é programada. mas o mesmo não se verificará nos pisos inferiores. mas. 44). pode eventualmente assegurar-se uma pressão constante em B. É portanto. 46 Fig. de acordo com o caudal de consumo.A pressão de serviço P = f (Q) A pressão de serviço já não é um valor constante. assegura uma pressão constante nos utilizadores. ou segundo uma equação matemática correspondente. num edifício onde existem perdas de carga importantes na coluna de distribuição. Fig. mas sim variável em função do caudal. uma dada pressão de serviço poderá ser considerada excessiva. no caso em que ocorrem perdas de carga na aspiração. ponto por ponto. Por exemplo. nos pisos superiores (em B) os utilizadores irão sofrer flutuações de pressão devido às variações das perdas de carga. é dispendiosa.

5.350 0. no caso de uma instalação já existente.500 0. os n pontos de consumo de água de um edifício nunca serão utilizados ao mesmo tempo.5.700 Fig.5. 3. Este processo utiliza-se no desenvolvimento de um projecto para uma nova instalação. no local Urinol com torneira individual Boca de rega de 20 mm 72 .350 0. porque os consumos de água flutuam em função da hora do dia e do tipo de ocupação do edifício em questão. 47 3. deve considerar-se o caudal consumido em cada ponto de utilização.1. 3.250 0.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável C .005 0.Calculam-se as perdas de carga correspondentes a um dado caudal. bastante aproximados à realidade.200 0.100 1.100 0. 48). nas informações técnicas que publicam. e aplicam-se a qualquer tipo de redes. interior.Determinação do ponto de ajuste A determinação da relação perda de carga/caudal não é um processo complicado de se obter.250 0.050 0. 48 3. São vários os métodos disponíveis para a sua quantificação. com a ajuda de ábacos ou de tabelas.Mede-se o caudal e a pressão no próprio local. visto que. Ao caudal total assim obtido aplica-se um coeficiente de simultaneidade. . Os caudais indicados no diagrama são valores máximos (fig. Os fabricantes de centrais hidropneumáticas.5 Dimensionamento e selecção À semelhança da selecção de uma bomba.1. são proporcionais ao quadrado do caudal: ∆h = K x Q2 Assim. Par tal. é possível determinar.100 0. a selecção de uma central hidropneumática assenta em duas grandezas fundamentais. a experiência tem demonstrado que eles fornecem resultados satisfatórios. o caudal e a altura manométrica. Banheira com esquentador Chuveiro (água fria ou misturada) Sanita com autoclismo Sanita com válvula de descarga Urinol com autoclismo automático.2 Cálculo do caudal em função do número de pontos de consumo Se o número de pontos de consumo for conhecido. de uma forma rigorosa. para se calcularem as perdas de cargas procede-se de uma das seguintes formas: . O seu grau de precisão poderá ser considerado satisfatório. Sabe-se que as perdas de carga quer sejam lineares ou singulares. Fig. rega. industrial e de distribuição pública.1 Cálculo do caudal a partir de diagramas Este método é utilizado sempre que os dados relativos ao projecto são bastante limitados. o caudal máximo da instalação.100 0. desenvolvem métodos de dimensionamento que em geral são sensivelmente iguais entre si. Tabela de Caudais normais das utilizações segundo NFP41-204 Designação Lava-louça Lavatório Lavatório colectivo (por jacto) Bidé Banheira com serviço de água quente Banheira com cilindro de água quente Caudal normal l/s 0.1 Determinação do caudal máximo Não é muito fácil determinar o caudal exacto de uma instalação.

. . . . . .15 0. . . . 70 x 0. . . . compreendendo cada uma: I 1 banheira 1 lavatório 1 bidé 1 lava-louças 1 sanita com autoclismo torneiras I I I I I Em conformidade com as Máquinas industriais e outros aparelhos instruções do fabricante 73 . . . . . é dado por: Qreal instantâneo = Qcalculado x K. Apresenta-se abaixo o quadro para estabelecimento dos caudais instantâneos segundo o decreto lei nº 23/95 Caudais Instantâneos Dispositivos de utilização Lavatório individual Lavatório colectivo (por bica) Bidé Banheira Chuveiro individual Pia de despejo com torneira de ∅ 15 mm Autoclismo de bacia de retrete Urinol com torneira individual Pia lava-louça Bebedouro Máquina de lavar louça Máquina de lavar roupa Tanque de lavar roupa Bacia de retrete com fluxómetro Urinol com fluxómetro Boca de rega ou lavagem de ∅ 15 mm Boca de rega ou lavagem de ∅ 20 mm Caudais mínimos (l/s) 0.10 l/s = 14 l/s Pressão disponível necessária à entrada das torneiras de descarga . . . . . . . . 140 x 0. . . . . . .20 0. . . . . 1. . . . . . .15 0. . . . o respectivo coeficiente de simultaneidade é diferente. . . . . . . .15 0. k = 1 Caudal de dimensionamento do edifício é: 630 − 1 = 0. . mas normalmente. .10 0. . . . .10 0. . não funcionam em simultaneidade com os outros aparelhos (ver tabela). . . . .50 0. . . .35 l/s = 49 l/s 70 lavatórios x 2 . quartéis.10l/s = 7 l/s 630 torneiras 112 l/s Coeficiente de simultaneidade . .03987 = 4. .10 0. que a fórmula apresentada para a determinação do coeficiente de simultaneidade só é válida para habitações. . . . . para um hotel. . . . . . . . . . . .45 sendo n o número de torneiras.0 bar Sabe-se que o caudal instantâneo. . 140 x 0. . .15 0. . 1. Não existe uma regra universal e cada projectista basear-se-á na sua própria experiência. .46 l/s = 16 m3/h No caso de habitações equipadas com válvulas de descarga. . é o coeficiente de simultaneidade obtido: 70 bidés x 2 . . . .15 0. . .10 l/s = 14l/s 70 lava-louças x 2 . . Nos centros de férias. . Exemplo Edifício de grandes dimensões com 70 habitações. escolas. . .25 0. hotéis. . impõe-se um estudo para cada instalação específica. . 140 x 0. . .20 0. . . podemos adoptar como base de cálculo 300 litros por dia e por quarto. . .20 0. . . . . . . . . . . repartidos por 3 horas de consumo (ou seja 100l/h de caudal instantâneo por quarto).5 0. . . .03987 K= 1 n −1 QD= 112 x 0. . . . . . . ginásios ou parques de campismo. deveremos tomar em consideração a utilização simultânea de todos os chuveiros. . . . .10 0. . . . . . centros férias. . . . . . . . . em que K. . . estas deverão ser calculadas à parte. . É de notar. . . . . .20 l/s = 28l/s 70 torneiras . . ginásios. Total . . . No caso de hospitais.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Torneiras a descarregar nas habitações Número de torneiras instaladas 1a3 3 a 10 11 a 20 21 a 50 mais de 50 Em funcionamento simultâneo 1 2 3 4 5 1º método Leitura directa do ábaco 70 habitações ⇒ 18m3/h 2º método Considerando o número de pontos de consumo de água 70 banheiras x 2 torneiras . 140 x 0. . .30 0. . . As torneiras de descarga funcionam apenas durante segundos. . Por exemplo. . . . .5 bar Para válvulas de descarga de urinol . . . . .

Exemplo prático Tomando como exemplo. teríamos: Hg = 30 m (10x3 m) Pd = 15 mca ∆h = 3 mca ( 10 % de Hg) Logo.2.Perda da carga entre a rede de abastecimento municipal e a boca de entrada das bombas 74 . deverá ser realizado o cálculo das perdas de carga nos diferentes troços da coluna com base em equações apropriadas. válvulas.Ligação à rede de abastecimento municipal Pasp = Prede . 50 . será necessário prever uma pressão de descarga de: Pdesc = 30 + 15 + 3 = 48 mca = 4.1. À perda de carga contínua.5.2.8 bar 3. 49 .2 Perda de carga Como valor expedito. etc. um edifício de 10 andares.2.Caudais de cálculo em função dos caudais acumulados Quadro .5.∆hasp .4 Pressão de aspiração Depende do tipo de ligação existente. Um valor utilizado na prática é de 3 m por piso a vencer.2.1 Altura geométrica Desnível geométrico entre o nível da bomba e do ponto de consumo mais elevado.É mantida uma pressão mínima de funcionamento dos aparelhos de 15 mca na torneira mais desfavorável sob o ponto de vista de elevação.Pasp) 3. a altura média de cada andar nos edifícios recentes. deve ser determinada a sua dimensão exacta. pode considerar-se cerca de 10 % da altura geométrica.2 Determinação da pressão A altura manométrica total determina-se por: (Hmt=PDesc . Fig.5. 3.2.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. No caso de prédios muito altos ou de edifícios antigos. ∆hasp . ou ábacos de perdas de carga.5.5 bar em locais de habitação. 51 .5.Hasp Fig.3 Pressão disponível É a pressão mínima que deverá estar disponível no dispositivo mais elevado ou no ponto mais desfavorável.Número de fluxómetros em utilização simultânea Número de fluxómetros Instalados 4 a 12 13 a 24 + de 24 Em utilização simultânea 2 3 4 3.1.1.1. deverão ser adicionadas as perdas nas singularidades tais como curvas.5. ou seja.1 Pressão de descarga Serve para: ­ Vencer a altura geométrica de descarga Hg ­ Compensar as perdas de carga na rede ∆h ­ Assegurar a pressão de funcionamento dos aparelhos de consumo (pressão de utilização ou pressão disponível) Pd Pdesc = Hg + ∆h + Pd Hg Fig. Para a sua determinação rigorosa. Deve ser da ordem de 1. a) Ligação à rede de abastecimento municipal (figura 51) 3.

sinal .1 = 18 mca subtraindo à pressão de descarga calculada. b) Ligação através de tanque Fig.2 )= 50 mca.5 mca. Logo. Aspiração negativa ∆Hasp = -1. porque é difícil de estabelecer um ∆P de 1 bar entre a pressão mínima (Pmin) e a pressão máxima (Pmáx) numa curva QH muito plana. excepto se a instalação estiver equipada com um colector de aspiração especialmente estudado para o efeito. 75 .3 a 1 bar. conforme descrito anteriormente.5 m ∆hasp = 0.5 = 46.5 .5 mca Caso 2. Conclui-se que a central hidropneumática deverá vencer uma altura manométrica Hmt de 30 mca 3.18 = 30 mca.5 mca.Pressão mínima na rede de abastecimento de água Hasp . ∆hasp = 1 mca. 52 . cada bomba deverá possuir a sua própria tubagem de aspiração.5. Por exemplo: Prede = 2 bar.3 bar. temos: Hmt = 48 . ∆hasp = 0. Pasp = -1.3 Regulação das pressões de arranque e paragem A diferença entre a pressão máxima (pressão de paragem da bomba) e a pressão mínima (pressão de arranque) é em geral regulada com um valor compreendido entre 0. Exemplo (com Pdesc = 48 mca.no caso contrário) Constata-se frequentemente que a pressão de aspiração é da mesma ordem de grandeza da pressão na rede.5 = .5 mca.Pasp = 48 . Pasp = 2-0.Central em carga (Aspiração Positiva) No caso da central funcionar com aspiração negativa.5 =1. calculado previamente) Caso 1.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Prede.Pasp= 48 . Hasp = 1 m (bomba instalada 1 m acima do nível da rede). Hmt = Pdesc. Hmt = Pdesc .1 . No caso das bombas de velocidade variável este problema não se coloca devido ao seu tipo de controlo. Pasp = 20 .2 mca.1.0. No caso de bombas com curvas planas não deverá ser ultrapassado 0.Desnível geométrico da bomba em relação à rede (sinal +. Aspiração em carga (positiva) ∆Hasp = + 2 mca. se a bomba estiver instalada abaixo da rede de abastecimento.( .

1995 76 . Instalações Hidráulicas Office International de l'Eau.Association Génerale des Hygiénistes et Techniques.La Surpression . Applications. Les Cahiers Techniques Nr. The Hydraulic Design of pumps sumps and Intakes MACINTYRE.6 Referências bibliográficas AGHTM . Prossen. Archibald Joseph. Bombas e Instalações de Bombeamento MACINTYRE.Principe. Les Stations de Pompage d'Eau M.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. 17 . J. Dimensionnement. Archibald Joseph.

de Eng.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. CRITÉRIOS DE SELECÇÃO E ANÁLISE DE SISTEMAS SIMPLES EM REGIME TRANSITÓRIO Autor: Eduardo Nunes Director de Projectos da Profluidos Professor Adjunto Equiparado do Dept.ª Mecânica (DEM) do ISEL 77 .

78 .

1 . que como não podem deixar de ser. O programa de cálculo do regime transitório em condutas complexas para bombas CR. tempos de paragem de grupos electrobomba. comportamento das condutas durante a paragem e arranque dos grupos electrobomba com arrancadores suaves. Calculam-se as depressões e sobrepressões que ocorrerão em regime transitório.Fluxograma de cálculo Observa-se que o sistema deverá ser testado depois de implementado. de forma a determinar-se facilmente a pressão de operação em cada ponto da conduta. obriga a que se disponha da seguinte informação: – Perfil do sistema de condutas. com consequente separação das colunas de líquido ou pressões excessivas. Isto permite-nos seleccionar os métodos de protecção mais adequados e assumir dimensões para início de cálculo. A aplicação do método. identificar os pontos críticos e os locais apropriados para instalação dos equipamentos de protecção. a velocidade de escoamento. – Caudal e pressão de funcionamento. superiores à pressão admissível para o material das condutas.1 Introdução O comportamento das condutas elevatórias. – Outras particularidades do sistema em análise. O perfil da conduta elevatória permite-nos visualizar o seu desenvolvimento. Com base nas condições de funcionamento do sistema e das falhas esperadas. uma vez que os cálculos se baseiam em modelos matemáticos. calcula para pequenos intervalos de tempo e num grande número de pontos ao longo do sistema. paragem e arranque de grupos electrobomba. etc. As linhas piezométricas de funcionamento em condições estacionárias poderão ser representadas. – Limites de funcionamento admissíveis.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. têm sempre um grau de hipóteses simplificativas. Fig. pode ser analisado por cálculo automático utilizando o método das características. etc. grupos electrobomba e dispositivos de protecção em regime transitório. – Diâmetro das condutas e respectivo material. variações de velocidade de escoamento. volumes aspirados e descarregados de reservatórios. – Integração noutros sistemas. durante manobras de válvulas. o valor da pressão. com determinação das pressões extremas ao longo da conduta até se encontrarem valores aceitáveis e seguros. O cálculo é realizado por tentativas. e traçam-se as respectivas envolventes no perfil da conduta de forma a determinarem-se os pontos em que ocorrem pressões inferiores à pressão de vapor. fecho de válvulas. 79 . níveis de água.

Hx + Vt + λ 2. As equações têm como base as seguintes considerações: • O escoamento é unidimensional e desta forma a velocidade e a pressão são constantes em cada secção transversal da conduta.diâmetro interior do tubo g . ∑ Forças = massa x aceleração O método das características consiste na transformação destas duas equações diferenciais parciais em duas equações diferenciais comuns equivalentes que podem ser integradas numericamente ao longo de determinadas curvas no plano x. suficientemente simplificado para ser adaptado em cálculo computacional e é constituído por duas partes fundamentais: – A descrição da propagação de ondas de pressão no interior de uma conduta – A modelação dos diferentes componentes de um sistema.Forças actuantes num volume elementar de fluido. trata-se de um modelo matemático. As duas equações são: Equação do movimento L1: g. Os componentes do sistema representam as condições de fronteira necessárias para a resolução das equações diferenciais. A equação do movimento deduz-se da segunda lei de Newton. aplicada a um pequeno volume de controlo tal como o representado na figura 2.D Equação da continuidade L2: Ht + a2 g x vx = 0 (2) vv = 0 (1) Com: H . • O elemento convectivo da equação da quantidade de movimento é desprezado. designadas como curvas de equações características ou simplesmente curvas características.Nível de referência Hx = ∂H ∂x Fig.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4.altura manométrica v .aceleração da gravidade a . etc. 2 . A equação da continuidade diz que a diferença entre o volume de líquido que sai e entra no volume de controlo é igual à variação do volume de controlo e do fluido devida à alteração da sua densidade.coeficiente de atrito da conduta D . 80 . mudanças de características de condutas. assim como a inserção das condições de fronteira. válvulas.velocidade de escoamento λ . por exemplo: (1) . Passamos a apresentar as equações diferenciais e a sua transformação em equações de diferença finita apropriadas para cálculo numérico. reservatórios.2 Modelo de cálculo O modelo de cálculo desenvolvido pelo método das características. sendo x (ao longo do eixo da conduta) e t (no tempo). • O comportamento do material das paredes da conduta e do fluido é linear e elástico.velocidade de propagação das ondas de pressão (celeridade) Os índices caracterizam as variáveis independentes das derivadas parciais. t.Linha piezométrica (2) . • Mesmo durante o regime transitório. o cálculo das perdas de carga é feito com base na equação de Colbrook-White aplicada em regime estacionário. A propagação das ondas de pressão é descrita por duas equações de derivada parcial: A equação do movimento e a equação da continuidade. nós de condutas. tais como bombas.

é suficiente uma aproximação do primeiro grau para a determinação do último termo (exceptuam-se os casos em que o termo do atrito é dominante tal como no caso de escoamento de óleos muito viscosos). transformam-se em linhas rectas de gradiente +a e -a.Curvas características representadas no plano x. As curvas representam fisicamente.e.dt dH = Hx. Se a equação (11) for multiplicada por a.t) e H = H(x. em que inicialmente o valor do factor µ é escolhido arbitrariamente assim resulta: g a2 λ x v x|v| µ(Hx x + Ht) + (vx x µ + vt) + =0 (3) µ g 2xD Para dois valores reais de µ. a equação (12) representa uma linha diagonal de uma grelha com um gradiente positivo (i. AP) e a equação (14) também representa uma linha diagonal da mesma grelha mas com um gradiente negativo (i. sendo cada uma somente válida ao longo da curva característica. determinadas pelas equações (12) e (14).a2 = e = (8) dt µ dt g A equação (3) pode ser escrita como uma equação diferencial ordinária: dH dv λ x v x|v| µ + + =0 (9) dt dt 2xD A equação (8) dá-nos os dois valores necessários para µ: g (10) µ=+ a Para cada valor µ da equação (10) obtém-se a partir das equações (9) e (8) uma equação diferencial ordinária (chamada equação da compatibilidade) e a respectiva equação da curva característica ao longo da qual ela poderá ser integrada: g dH dv λ x v x|v| x + + = 0 (11) a dt dt 2xD dx =+a dt Fig. diferentes e aleatórios. t. podem ser integradas entre os pontos A e P e B e P respectivamente e desta forma obtêm-se duas equações para a determinação das duas incógnitas v e H no ponto P.L2 = 0.e. 3 . no caso particular da celeridade ser considerada constante.dt Dividindo ambas as equações por dt resulta: dx dv + vt = vx. dt dt dH dx = Hx.QA) + x QA x |QA| = 0 (16) gxA 2 x g x D x A2 c- 81 .Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Para este propósito as equações (1) e (2) são combinadas numa equação linear L1 + µ. + Ht dt dt (4) (5) Com a escolha adequada do factor µ as duas equações diferenciais de derivada parcial (1) e (2) são transformadas em duas equações diferenciais ordinárias totalmente equivalentes (11) e (13). No intervalo de tempo ∆t = ∆x/a. Para uma escolha adequada dos valores de µ. (6) (7) Os termos entre parêntesis da equação (3) comparam-se com os termos à direita das equações (6) e (7) pelo que teremos: dx g dx µ. t. t. é possível simplificar a equação 3.HA + x (QP . a equação (3) resulta em outras duas equações que são equivalentes às equações originais (1) e (2). H (12) –g x dH + dv + λ x v x|v| = 0 (13) a dt dt 2xD dx = –a (14) dt } } H ∫ dH + A P a x gxA Q P Q A ∫ dQ + λ 2xgxDxA 2 X X ∫ Qx|Q| x dx = 0 A P (15) c+ Em geral. dt / g = dx / g e se a velocidade v é substituída pelo quociente entre o caudal Q e a secção recta da conduta A obtém-se uma equação com uma forma adequada para integração ao longo da característica C+.dx + vt. Se os valores de v e H forem conhecidos nos nodos A e B da grelha. Estas curvas características.t) são funções de duas variáveis independentes x e t cujas derivadas totais podem ser apresentadas da seguinte forma: dv = vx. Resolvendo a equação (15) resulta: a λ x ∆x Hp .dx + Ht. v = v(x. BP). Para a resolução numérica das equações (11) e (14) divide-se a conduta em N partes iguais de comprimento ∆x (figura 3). no plano x. as equações (11) e (13). a propagação de perturbações (ondas de pressão) ao longo do plano x.

quer seja pela mudança dos dados iniciais (i. Os valores de todos os pontos no interior da grelha (P) são determinados no instante seguinte t = 1 x ∆t pela resolução simultânea das equações (16) e (17). no início da conduta aplica-se a equação (17) e no fim a equação (16) de acordo com a figura 3.Características nas fronteiras Desta forma é necessário dispor-se de uma condição de fronteira em cada extremidade.e. Esta forma de se dimensionarem os dispositivos de protecção. Com base nos últimos valores de Q e H calculam-se novos valores para o instante t = 2 x ∆t e assim sucessivamente. representam as vantagens mais importantes do método das características. No cálculo do sistema durante o regime transitório. – Os termos convectivos das equações da continuidade e da dinâmica são desprezáveis. consiste na paragem simultânea de todos os grupos electrobomba. dentro de um critério de probabilidade significativa. Isto poderá ser realizado por: – Atribuir um dos dois valores de fronteira. a cota de descarga num tanque colocado na extremidade de jusante da conduta Hp = Cte permite determinar o valor de QP pela equação 16). tendo a compatibilização entre os intervalos de tempo nos diferentes troços de conduta. – A distribuição da velocidade e de pressão. Na modelação do comportamento das condutas. que não é razoável ocorrerem acidentalmente. porque em cada extremidade da conduta apenas se tem uma única condição de compatibilidade. pelo que permite a optimização da dimensão dos dispositivos utilizados. admitiram-se como válidas as hipóteses significativas habitualmente consideradas. é uniforme nas secções transversais da conduta. 4. permite a sua fácil modificação ou substituição (introdução de um dispositivo de protecção). – O comportamento reológico da água e do material das condutas é elástico e linear. estas teriam de ser constituídas por uma sucessão de paragens e arranques de parte dos grupos de bombeamento. – As perdas de carga unitárias são iguais às de um escoamento uniforme com a mesma velocidade média. ver figura 4 para cálculo dos valores aí desconhecidos QP e Hp. Os intervalos de tempo e os comprimentos dos trechos de cálculo considerados. admitindo-se que este se mantém puramente turbulento. Este procedimento aplica-se apenas para a determinação dos pontos interiores da grelha. sido efectuada com recurso à interpolação entre as condições do escoamento em secções de cálculo consecutivas. obedecem à condição de estabilidade do método de cálculo (número de Courant Cr = aδt/δx <1).QB) – 2 x QB x |QB| = 0 (17) gxA 2xgxDxA Com ajuda das equações (16) e (17) as duas incógnitas Hp e Qp podem ser facilmente determinadas.e. pode ser associado a técnicas de interpolação. é muito mais fácil e poderosa do que a que se realiza pelo método gráfico aproximado desenvolvido por SCHNYDER/BERGERON. a equação da curva característica de um ou vários grupos electrobomba em conjunto com a equação (17) permite calcular os valores Qp e Hp) A precisão e o tratamento explícito das condições de fronteira (isto significa um tratamento independente dos pontos interiores). e desta forma ser aplicado para o cálculo de sistemas complexos constituídos por várias condutas e várias condições de fronteira. 4 . O tratamento explícito das condições de fronteira. alteração do volume de ar num RAC) quer por substituição do seu modelo matemático (mudança de subrotina de cálculo). tais como: Fig. permanecendo o resto do programa inalterável. em instantes determinados. os valores iniciais nos nodos da grelha são os valores de Q e H em regime estacionário quando t = 0. – A altura cinética do escoamento na conduta é desprezável face à altura piezométrica. que substituído na equação de compatibilidade válida para esta fronteira permite calcular o outro valor (i. pela sobreposição de efeitos. O método das características. – Ou introduzindo uma relação funcional Q = f(H) a qual permite em conjunto com a equação da compatibilidade aplicada a essa fronteira determinar Qp e Hp (i.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório De maneira semelhante obtém-se uma segunda equação pela integração da equação (13) HP – HB – a λ x ∆x x (QP .3 Critérios de cálculo Admitiu-se que a situação mais desfavorável para o sistema. causada por uma falta generalizada de energia.e. Embora seja possível considerar manobras capazes de produzir flutuações de pressão mais elevadas. – O eixo das condutas é imóvel e desprezam-se as forças de inércia do invólucro. 82 .

e às características eléctricas. B e C são coeficientes determinados a partir da respectiva curva característica à velocidade nominal. Obviamente quanto maior for o momento de inércia do volante. RESERVATÓRIOS DE AR COMPRIMIDO A principal função dos RAC consiste em evitar a ocorrência de depressões na conduta. tais como do comprimento das condutas.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. Há um limite de aplicação dos volantes de inércia devido à sua resistência mecânica.5. sem necessidade de se recorrer a volantes de dimensões excessivas. à das bombas. com a finalidade de limitar as ondas de pressão transitórias e valores aceitáveis. dotado de um conjunto de dispositivos associados para sua protecção. ou quando apenas se verificam sobrepressões em regime transitório. A aplicação de volantes de inércia poderá obrigar ao sobredimensionamento dos motores. a modelação das condições de funcionamento das bombas. de válvulas (válvula de nível em reservatórios. poderá utilizar-se um único. ou uma combinação de vários dispositivos de protecção. de forma a que o seu binário de arranque seja adequado para que a colocação em marcha da bomba tenha lugar num período de tempo aceitável. Se a redução do débito da bomba tiver lugar num período suficientemente longo. 83 . atenuar-se-á o valor da onda de pressão. Atendendo a que as bombas se encontram munidas de válvulas de retenção de acordo com as Normas Portuguesas. do seu perfil. Se o tempo em que ocorrer a anulação do caudal bombeado for superior ao período da conduta elevatória 2L/a. Entre os dispositivos mais utilizados contam-se os volantes de inércia. Para certos casos particulares. foram modeladas através da consideração da equação da continuidade e da constância das cotas piezométricas.1 Volantes de inércia Os volantes de inércia consistem em massas girantes que são intercaladas nos veios de grupos electrobomba (figura 5) ou motobomba. O rendimento das bombas é considerado variável em função da velocidade de rotação e do caudal e dado por: h 4. VÁLVULAS DE ALÍVIO As válvulas de alívio destinam-se a limitar as sobrepressões nas condutas a valores previamente regulados e são aplicadas em complemento aos RAC. etc. do tipo de grupos elevatórios. OUTRAS CONDIÇÕES DE FRONTEIRA Todas as restantes condições de fronteira. deverão ser as constantes nas curvas características dos fabricantes. etc. reservatórios de ar comprimido (RAC). válvulas de alívio. desde que se consiga estabelecer o respectivo modelo matemático. A escolha do dispositivo a utilizar em cada caso depende das características do sistema. Na modelação da variação do volume de ar no interior dos RAC. Sempre que o termo AN2 da curva funcional da bomba for superior à altura estática de elevação. considerou-se a equação: PV1. viscosidade. considerando apenas as zonas de bombeamento normal ou de turbinagem por abaixamento da pressão a jusante. válvulas de retenção intercaladas na conduta. Q o caudal bombeado e A. tais como alterações das características da conduta e da descarga no reservatório. válvulas de controlo. = Q X Ht DN2Q + ENQ2 + FN3 Com os coeficientes D. Esta modelação é efectuada admitindo que a altura total de elevação das bombas Ht. é efectuada.CQ2 em que N é a velocidade de rotação. concebem-se dispositivos de protecção que poderão ser simulados por cálculo computacional. quando os motores forem eléctricos. este meio será adequado para controlar as pressões transitórias. 4. do líquido transportado (composição química.4 Condições de fronteira GRUPOS ELECTROBOMBA As características funcionais dos grupos electrobomba. reservatórios unidireccionais (RUD). com o objectivo de aumentar a sua inércia e desta forma a ampliar o tempo de paragem do grupo e consequentemente a diminuição do caudal debitado pela bomba será mais suave. Admitiu-se a verificação em cada instante da equação da continuidade na derivação para os RAC e da igualdade das cotas piezométricas no interior do RAC e no ponto de derivação da conduta. sendo as sobrepressões consequentes automaticamente atenuadas. condutas de aspiração paralela. maior será o tempo de anulação do débito e maior será a atenuação das ondas de pressão transitórias.) do comportamento das ondas de pressão que se pretendem limitar (depressões ou sobrepressões). etc.).2 = Cte Sendo P a pressão absoluta no interior e V o volume de ar. etc. a bomba irá bombear. chaminés de equilíbrio.5 Dispositivos de protecção Os dispositivos de protecção são órgãos que se introduzem nos sistemas de transporte de líquidos. conteúdo de sedimentos. O método das características. E e F determinados de forma semelhante aos anteriores. temperatura. Para proteger um sistema. dependendo do grau de complexidade da rede a proteger. de regulação. permite de uma maneira fácil analisar o comportamento de um sistema simples ou complexo. pode ser determinada em cada instante pela equação: Ht = AN2 + BNQ . dos motores. devido à sua simplicidade e ao poder de aplicação.

são dispositivos de protecção de condutas que actuam por diminuição da taxa de variação de caudal. a massa de líquido do interior do reservatório. no interior do qual se encontra aprisionada uma dada massa de um gás.3 Reservatórios de ar comprimido Os reservatórios de ar comprimido. deixará de estar em equilíbrio com o da conduta. 4. a válvula não permite tal e vp1 = vp2 = 0. O dimensionamento de um volante de inércia é simples. haverá uma variação de pressão da almofada de ar. armazenando consequentemente energia potencial elástica. 5 . Fig. em geral o ar e uma dada massa do líquido transportado pela conduta. que fica por sua vez submetido à pressão da conduta. A sua aplicação está em geral limitada a condutas com uma extensão até 2000 m. São vasos metálicos fechados. está sujeita à pressão de funcionamento da conduta na secção de ligação e está em equilíbrio com o ar. à custa da energia cinética de escoamento. que origina uma variação de pressão na conduta junto à secção de ligação do reservatório.5. No caso da sobrepressão a massa de gás diminui de volume. Quando ocorre a inversão do fluxo. o líquido armazenado no seu interior e submetido à acção do gás. Quando se inicia um regime transitório. Fig. atenuando desta forma a amplitude da onda de pressão transitória. Paralelamente com a variação de pressão na conduta.Grupo electrobomba equipado com volante de inércia 4. Em regime estacionário (permanente). transformando-se a energia potencial armazenada no gás em energia cinética de escoamento. sendo hp1 e hp2 determinados por (18) e (19) respectivamente: hP1 = hR – CR (vP1 – vR) – CR x 2fRvR |vR| ∆t g g dr CS (vP2 – vS) – CS x 2fSvS |vS| ∆t g g ds (18) hP2 = hS – (19) 84 . aumentando a sua pressão e consequentemente a respectiva energia potencial elástica. é o de se intercalarem válvulas de retenção ao longo da conduta. O gás e o líquido podem estar em comunicação ou separados por uma membrana elástica. o líquido passará a abandonar o reservatório no caso de um abaixamento da pressão na conduta. Para se restabelecer o equilíbrio. 6 . um método possível para a proteger.Alteração da envolvente das pressões máximas numa conduta protegida com válvula de retenção.5. de forma a fazer a sua subdivisão em trechos de pequena extensão. durante a fase da onda de pressão positiva. Na fase de depressão o volume do ar aumenta. para que as ondas de pressão transitórias sejam mantidas dentro de limites aceitáveis. basta aumentar a inércia do conjunto de bombeamento e recalcular o comportamento do sistema. em que o tempo de anulação de caudal durante a paragem da bomba é suficientemente longo. com períodos curtos. ou a afluir ao reservatório no caso contrário.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Outras razões que limitam a aplicação de volantes de inércia são económicas e dimensionais. Para esta situação o cálculo é efectuado como se se tratasse de uma transição com vp1 > 0. As válvulas de retenção apenas permitem o escoamento em direcção ao reservatório. RAC.2 Válvulas de retenção Se o perfil de uma conduta elevatória tiver uma altimetria tal que esta apenas fique sujeita a sobrepressões durante o regime transitório correspondente a uma manobra das bombas.

Como desvantagens pode-se referir a necessidade de haver um controlo apertado da massa de gás. Aplicando a equação PVn = Cte correspondente aos processos politrópicos aplicados a um gás perfeito.4 nos processos adiabáticos. A passagem da onda de pressão transitória através do reservatório. hgási = hi – zt – hb – hti (20) Uma vez que a pressão absoluta na secção de ligação é hi (hi = hp no instante anterior). A altura do líquido no interior do reservatório no final do intervalo de tempo ∆t é dada por.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Estes dispositivos muito divulgados. A pressão do gás no interior do reservatório é estabelecida em termos de uma coluna de líquido equivalente hgás. Por encomenda podem obter-se reservatórios com capacidades superiores e reservatórios sem membrana de qualquer capacidade.cota de inserção do RAC na conduta Fig. não é considerada no modelo de cálculo. mas ela é praticamente atenuada e o seu valor é trivial. têm como principais vantagens a sua simplicidade. a altura do líquido no interior do tanque terá de ser conhecida. 7 . 8 It .altura do reservatório dt . No início do cálculo. Com estes valores determina-se o volume de água admitido ou expulso do reservatório durante o intervalo de tempo ∆t e consequentemente a variação de nível do líquido no interior do reservatório. 85 . Considerando pela equação da continuidade: A1 vp1 + A2 vp2 dht ∆t A1 vp1 = At + A2 vp2 ∴ ∆ht = dt At ( ) em que At é a área transversal do RAC. At = π 4 d2t. a possibilidade de fecho violento das válvulas de retenção dos grupos de bombeamento. e 1.Esquema de princípio de um RAC Substituindo o valor de hp nas equações características + C. Com hgas2 determinado. Como em geral o volume de cálculo do reservatório varia 10% quando se varia o expoente entre 1 e 1. consiste na combinação de uma análise em regime quase estacionário do funcionamento do reservatório. principalmente dos reservatórios de grande capacidade e a exigência de manutenção. assim como a energia potencial na secção de ligação do reservatório à conduta. a pressão do ar no interior do reservatório passa a ter o valor de. Estes valores são designados por hti e hpi respectivamente. Uma técnica analítica de cálculo.(16) e C (17) calculam-se facilmente os valores de vp1 e vp2.2. o que exige a aplicação de compressores isentos de óleo (compressores hospitalares) no caso de grandes reservatórios e de dispositivos de controlo automático. Encontram-se disponíveis correntemente no mercado reservatórios de membrana com capacidades até 2 m3.diâmetro interior hb . calcula-se hp por hp = hgas2 + zt + hb + ht2 (23) Fig.2 recomenda-se a utilização para o expoente politrópico n o valor de 1. hgasi representa a pressão absoluta do gás.altura da base do reservatório zt . facilidade de aplicação e controle. hgas2 = –h ( ll – h ) t t1 t t2 n x hgas1 (22) O expoente da transformação politrópica do ar no interior do reservatório poderá variar entre 1 correspondente aos processos isotérmicos. ht2 = ht1 + ∆ht (21) em que ht1 é a altura do líquido no início do intervalo de tempo ∆t e ht2 no fim. fiabilidade e disponibilidade no mercado. com um tratamento em regime transitório do sistema de condutas. o custo em geral elevado.

resultando em equipamentos mais económicos e com menor potência instalada por unidade. durante os períodos em que o escoamento for realizado pela acção da gravidade. enquanto a bomba se encontrar a funcionar em regime estacionário as condições de operação são as representadas. Na análise do comportamento do sistema. em que o volume de água a transportar varia com a estação do ano. A parte superior da chaminé encontra-se aberta à atmosfera. o erro introduzido por esta simplificação é desprezável. a válvula de retenção abre-se e passará a haver escoamento de montante para jusante. ou as perdas de carga em linha forem apreciáveis. quando o volume de água que é necessário transportar for reduzido. durante as horas de máximo consumo. durante a paragem de uma bomba deverá verificar-se se a pressão de jusante se mantém superior à de montante.7 Chaminés de equilíbrio Numa conduta equipada com bomba e chaminé de equilíbrio como se mostra na figura 10. o dia da semana ou mesmo a hora do dia. ocorre em geral uma oscilação em massa. Assim. 4. colocadas em linha e equipadas com circuito de desvio. as duas equações características são resolvidas para se determinar o caudal e a pressão. Nas estações imobilizadas o escoamento far-se-á através dos circuitos de desvio. se a pressão cair a um valor inferior ao do ramo de aspiração. sendo actualizada em cada instante. Esta aproximação despreza o escoamento que tem lugar através da bomba durante a sua paragem. g (hP1 – hR) + CR aR g – g aS (v P1 – vR) + 2 fR VR VR ∆T =0 dR (24) (h P2 – hS) + (vP” – vS) + v2P1 2g 2 fS VS VS ∆T =0 dS (25) hP1 – hP2 = k Fig. de uma conduta com funcionamento por acção da gravidade pela intercalação de estações elevadoras de pressão (booster). equipado com uma válvula de retenção conforme se mostra no esquema da figura 9. Como em geral o caudal é reduzido. 9 . 86 . haverá uma queda de pressão no ramo de compressão. como por exemplo em condutas de transporte de água potável para abastecimento domiciliário e industrial. Durante o regime variável este dispositivo divide em geral a conduta em dois troços que se comportam de forma diferente. Quando as bombas estiverem em operação.Esquema de um circuito de desvio a um conjunto de bombeamento (perda de energia na válvula) VP1 = Q A1 VP2 = Q A2 Noutros casos em que o caudal transportado é variável. algumas das estações poderão ser retiradas de serviço. evitando as depressões no ramo de compressão. deverá incluir-se um termo separado para quantificar a perda de pressão (energia) na válvula de retenção. É uma aplicação típica em condutas forçadas longas. O circuito de desvio poderá desempenhar um papel de protecção da conduta. turbina ou válvula e a chaminé. A estação poderá não estar sempre em funcionamento e o escoamento dar-se-á através do circuito de desvio. Estas equações reduzem-se a uma equação quadrática em Q. Também poderá ser aumentada a capacidade de transporte. Quando os desníveis geométricos. Durante o curto intervalo de tempo ∆t associado à discretização das equações. Quando tal não se verificar.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. a altura de elevação das bombas é repartida pelas diferentes estações. Para diminuição da amplitude do líquido no interior da chaminé. O valor da pressão mínima será assim superior ao que teria lugar se o circuito de desvio não existisse. O trecho compreendido entre a bomba. Ou seja. permanecendo outras em funcionamento. dotadas de várias estações de bombeamento em linha. a altura do líquido na chaminé poderá ser considerada constante sem grande erro. aplicam-se as equações. a válvula de retenção impedirá o escoamento da compressão para a aspiração. O tratamento destes dispositivos é semelhante ao apresentado para os RAC. substitui-se a condição de fronteira correspondente à bomba por uma simples junção.6 Circuito de desvio Em certas situações pode estabelecer-se um circuito de desvio aos grupos electrobomba. No segundo trecho compreendido entre o dispositivo e um reservatório ou outro dispositivo semelhante. por vezes dota-se a ligação chaminé-conduta de um dispositivo destinado à geração de perda de carga. limitando-se desta forma o abaixamento de pressão. Na modelação. neste troço é mobilizada a energia elástica do fluido e da conduta. Quando ocorre uma paragem da bomba. permitindo por exemplo diminuir a classe de pressão dos tubos. sem que a equação que modela a bomba esteja presente. de forma a que o caudal debitado esteja de acordo com as necessidades.

11 (a p1 vp1 + ap2 vp2 Ach d ch 2 ) ∆t 4.Chaminé de equilíbrio desenho tipo da SABESP Fig. H = hP1 – ha Uma vez que a pressão absoluta na secção de ligação é hp1. de betão armado ou escavado na própria rocha.8 Reservatórios unidireccionais Os reservatórios unidireccionais são dispositivos de protecção especialmente vocacionados para atenuarem as ondas de pressão negativas.Esquema de uma chaminé de equilíbrio O dimensionamento de uma chaminé de equilíbrio compreende: – O estudo do perfil da conduta para escolha do local mais adequado para a sua instalação.e C+ calculam-se facilmente os valores de vP1 e vP2. Antes de continuar o cálculo deverá verificar-se se a altura do líquido no interior da chaminé é positiva. Com H2 determinado calcula-se hp por hP = H2 + ha + Ap2 vp2 ∴ ∆hch = Fig. que permite o escoamento no sentido RUD conduta e impede-o no sentido oposto. Considerando pela equação da continuidade: ap1 vp1 = Ach dhch dt Ach é a área transversal da chaminé Ach = π 4 A altura do líquido no interior da chaminé no final do intervalo de tempo ∆t é dada por: H2 = H1 + ∆Hch em que H1 é a altura do líquido no início do intervalo de tempo ∆t e H2 no fim. Fig. 12 . com a superfície livre em contacto com a atmosfera. Conforme se poderá observar na fig. 10 . 87 . 13. Na escolha do local para a sua instalação deverá atender-se aos seguintes aspectos: – Características topográficas do terreno. as chaminés são em geral constituídas por um tubo metálico. e ha representa a pressão atmosférica. estes dispositivos consistem num tanque onde é armazenado o líquido transportado pela conduta. A ligação entre o reservatório e a conduta é dotada de uma válvula unidireccional (válvula de retenção). para atenuação das amplitudes extremas de oscilação do plano de água. Para estes casos o modelo matemático da condição de fronteira é semelhante ao utilizado para o RAC. – Cálculo estrutural. Com estes valores determina-se o volume de água admitido ou expulso da chaminé durante o intervalo de tempo ∆t e consequentemente a variação de nível do líquido no interior da chaminé. – Impacto da estrutura no ambiente. Salvo casos especiais. – Cálculo de secção transversal e de um eventual estrangulamento. Em alternativa poderá ser armazenado água proveniente de uma fonte externa. – Amplitude das ondas de pressão.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Substituindo o valor de hP nas equações características C. em que a velocidade do líquido no seu interior é lenta.

durante a paragem e arranque dos grupos electrobomba poderiam ser utilizadas válvulas motorizadas ou arrancadores suaves. Caso contrário. permitindo desta forma actuar também sobre as sobrepressões. sendo o seu efeito semelhante ao dos volantes de inércia. para proteger uma conduta elevatória destinada a transportar águas residuais. 4. 4. 14 .10. o líquido armazenado no RUD e o que se encontra em escoamento na conduta. é especialmente vocacionado para ser instalado em pontos altos. a análise é semelhante à de uma simples junção. A análise deste dispositivo. 13 . que apresentava um ponto alto num local isolado. sempre que a cota piezométrica no interior do dispositivo. são excelentes órgãos para a atenuação das variações da pressão ao longo das condutas.1 Válvulas motorizadas As válvulas motorizadas deverão possuir meios de fecho adequados. O tipo de paragem dos grupos. Evita-se dessa forma a inquinação. Em geral para se evitar tempos de manobra longos. é a de se dispensar o ramal de enchimento. necessitou projectar um dispositivo.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório O reservatório parcialmente bidireccional. É constituído por um reservatório construído em polietileno de alta densidade e dotado de uma válvula de retenção. 4. isto porque a actuação das válvulas sobre o escoamento não é linear. é a do líquido armazenado para protecção. Outra vantagem. assim.Reservatório unidireccional Devido à sua concepção. o cálculo em regime transitório na secção de ligação é idêntico ao de uma simples transição. Para proteger esse local. A grande vantagem. admite o refluxo parcial de líquido ao tanque. Devido à concepção do RUD. no caso de água tratada e a propagação de cheiros no caso de águas contaminadas. o RUD permite a alimentação da conduta aquando a cota piezométrica for inferior à da superfície livre do líquido. conclui-se que o RUD só entra em funcionamento quando a altura piezométrica na conduta for inferior à da superfície livre e que não há escoamento no sentido conduta RUD. Pelo descrito. Fig. a altura piezométrica na conduta não está em equilíbrio com a massa de água armazenada. Estes dispositivos não podem ser considerados dispositivos de protecção uma vez que não actuam em caso de falha de energia eléctrica da rede de alimentação. não ficar em contacto com a atmosfera. o que não acontece no RUD.Reservatório parcialmente bidireccional 88 . apresentada por este dispositivo. a altura piezométrica na zona de ligação é regulada pela cota da sua superfície livre. como a conduta continuará a ser alimentada. procede-se a um primeiro período de fecho rápido e a manobra final mais longa.2 Arrancadores suaves Os arrancadores suaves quando procedem também a paragens suaves. estão separados pela válvula de retenção que se encontra fechada. A partir do instante em que as alturas se igualem a análise passa a ser semelhante à de uma chaminé de equilíbrio. uma vez que o período de imobilização dos grupos electrobomba é prolongado. Devido às desvantagens referidas em relação ao RUD. assim como os períodos a decorrer entre paragens sucessivas. de vários grupos podem ser devidamente determinados com a introdução de subrotinas de cálculo apropriadas. conforme representada na figura 14.10 Dispositivos de manutenção das pressões transitórias Para atenuação dos efeitos do choque hidráulico. não era possível nesse caso a sua adopção. o qual poderemos designar por reservatório parcialmente bidireccional. Em regime permanente. o tempo de anulação de caudal é aumentado. for inferior à cota da válvula de retenção. durante as operações normais de arranque e principalmente paragem. é semelhante à da chaminé de equilíbrio. foi adoptada uma variante. Fig. devendo os tempos de manobra ser determinados por cálculo. Enquanto a altura piezométrica na conduta for superior à da superfície livre do RUD. 4.10.9 Reservatório parcialmente bidireccional O autor deste trabalho. Este dispositivo. de condutas destinadas a transportar águas residuais.

1 Material Ferro Fundido Dúctil Módulo de elasticidade da conduta E = 1. Comprimento da conduta elevatória L = 2808 m Diâmetro Ø = 500 mm Espessura da parede e = 7. são do tipo multicelular. Dos resultados do cálculo efectuado.00 kgf.92 x 10-4 B = 6.c.m-2 Diâmetro do impulsor D = 400 mm Coeficientes da curva característica A = 1. foram os que se passam a indicar nos itens seguintes. foi seleccionado um RAC associado a uma válvula de alívio. Cálculo final Em face do comportamento descrito para o sistema em regime transitório.37 x 103 Os grupos electrobomba instalados em número de três nesta primeira fase. de pequena inércia comparada com a energia transferida ao fluido a elevar e por consequência com um reduzido tempo de anulação de caudal.3 m Grupos electrobomba em funcionamento n = 2 (paralelo) Velocidade de rotação N = 1400 rpm PD2 da bomba 5. Análise dos resultados de cálculo O cálculo inicial foi realizado considerando que os dois grupos bombeiam através da conduta sem qualquer protecção.m-2 PD2 do motor 92. 390 1 89 .7 7. Se não se realizar esta associação. verificou-se que ocorre uma zona de depressão extensa (gráfico 1) e que a sobrepressão subsequente tem um valor muito elevado. o volume RAC seria exagerado.1 x 108 kgf m-2 Caudal em regime estacionário Q = 0. Resultados de cálculo final Volume de ar m3 RAC Inicial 5.375 m3/s Cota de descarga no reservatório 373. com funcionamento de um número máximo de dois em paralelo. concluindo-se que era necessário proteger a conduta com dispositivos adequados.56 x 10-1 C = 5.300 Pressão de abertura m. e após várias hipóteses de cálculo para os dispositivos de protecção.0 Condições de descarga Caudal m3/h 1.0 x 1010 kgf m-2 Módulo de compressibilidade da água E = 2.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4.86 kgf.11 Caso prático Os dados de cálculo inicial.0 VÁLVULA DE ALÍVIO Mínimo 4.1 Máximo Adoptado 6.3 mm Rugosidade absoluta equivalente k = 0.a. dimensionados conforme o gráfico 1.

Mémento des partes de charge. Le coup de bélier dans les canalizations de refoulement: Calcul et préparation La Technique de L’eau IDEL’CIK. 1955 Reis A. Hydraulique urbaine. 1973 Nichile. M.º 242. Napoli. V. J. Eyrolles. G. D. Protecção de instalações de recalque através de tanque hidropneumático Revista DAE Chaudhry. Parecer sobre o dimensionamento de condutas metálicas sujeitas a sub pressões Universidade de Lisboa CEMUL Dupont. C. Seminário 238. Mechanics of Pipe flow following column separation Journal of the Engineering Mechanics Division.º 8. M.12 Referências bibliográficas Almeida. 1979. W. C.L’Eau. Discharge tanks for suppressing water hammer in pumping lines International conference on pressure surges Jaeger. Manual de protecção contra o golpe de aríete em condutas elevatórias. 1978 De Martino. Réservoir anti-bélier à régulation d’air automatique. 1969 Rosich. Synopsis of surge control equipment Water and Water Engineering. n. Fluid transients in hydro-electric engineering pratice. Waterhammer analysis. LNEC. H. R. A. M. Protection des refoulements d’eaux usées. M. F. E. Instituti Idraulici. Blackie. Exemplo de cálculo de choque hidráulico com volante de inércia pelo método gráfico de Bergeron.. Le coup de bélier dans les pompages: Son calcul simplifié La Technique de L’eau Funel. 1955 e New York. Eyrolles Paris. TSM . N. J. Dover. ASCE.. Sousa. Glasgow and London. Golpo d’ariete in condotte elevatorie. n.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. C.. La Houille Blanche. C. E. M. Attenuazione mediante volanti Universitá de Napoli. 1960 Stephenson. n. Water hammer and surge Pipeline design for water engineers. A.E. L. 1977 Rosich. C.. Applied Hydrulic Transients Van Nostrand 1979 Meunier. 1978 Fox.. I. Ch.º 124 CTGREF. Détermination des Dimensions caractéristiques d´un reservoir d’air sur ume installation élévatoire. Wilson.. R. Fluid Transients Mc Graw-Hill 1978 90 . M. Guéneau. A. 1971 Livingston. Puech. B. New York. Vol 88. Golpes de aríete em condutas. Caldinhas A. Abril. Tome II Paris. n. 1962 Timoshenk Resistência dos materiais Ao Livro Técnico S. Hydraulic analysis of unsteady llow in pipe networks. 1981 Martins. A. Sul calculo del PD2 negli impiante di sollevamento L’Energia electtrica n.. London. J. O. Streeter. E. Étude du functionement et du dimensionement des ballons d’air anti-belier Bulletin Technique de Génie Rural.º 6. B. Parmakian. Developments in Water Science. Lisboa.A. A. J. 1977 Stephenson. Válvulas anti-golpe de aríete desenvolvimento Brasileiro Revista DAE Duarte. 1963 Dubin. M. Lisboa LNEC. H. A. D. Julho 1963 Wylie. 1974 Roche. Mac Millan. Elsevier 1976 Li. Paris. E. Transitórios hidráulicos. Chiari. Prentice Hall.º 6.

Lda. 91 . O CUSTO DO CICLO DE VIDA COMO FACTOR DE ECONOMIA Autor: Paulo Ramísio Engenheiro Civil (FEUP) Mestre em Engenharia do Ambiente (FEUP) Assistente do Departamento de Engenharia Civil da Universidade do Minho Sócio da SBS – Engenharia Civil.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5. Hidráulica e Ambiente.

92 .

Como exemplo. A identificação de todas as parcelas envolvidas apresenta-se como uma etapa fundamental nesta metodologia. A minimização dos custos globais nem sempre é uma tarefa fácil. principalmente numa altura em que a questão energética assume um importante papel na economia nacional.). Estima-se que o elevado número de sistemas de bombeamento existentes a nível mundial. nas suas mais variadas aplicações (abastecimento público e predial de água potável. sendo principalmente onerosos em grande parte dos sistemas industriais. age como porta-voz dos 15 principais fabricantes de bombas e representa mais de 400 fabricantes. O Europump serve e promove a indústria europeia das bombas hidráulicas. A avaliação dos custos do sistema ao longo da sua vida útil. para a implementação de sistemas de elevada eficiência de energia.1 Introdução Os sistemas de pressurização representam por vezes custos não desprezáveis no mercado da construção para habitação. 1 . acessórios e os decorrentes da exploração) devem obedecer a considerações de eficácia e economia.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5.2 O que é o Custo do Ciclo de Vida? O Custo do Ciclo de Vida (CCV) é uma ferramenta de gestão que pode ajudar a minimizar os desperdícios e a maximizar o rendimento para variados tipos de sistemas. Um dos grandes objectivos duma metodologia desta natureza deverá ser o rigor e a isenção. o processo de cálculo do CCV indicará. Quando o CCV é utilizado como uma ferramenta de comparação entre diferentes alternativas. etc. consomem cerca de 20% da energia eléctrica global (Europump. O Custo do Ciclo de Vida de qualquer sistema de pressurização é assim o custo total durante o seu período de vida útil. desmontagem e desmantelação do equipamento. O investimento inicial é geralmente uma pequena parte do Custo do Ciclo de Vida para sistemas de pressurização. pois só assim poderá ser utilizada. 5. industrial. • O Departamento de Energia dos Estados Unidos. A energia consumida e os materiais utilizados por um sistema dependem das características da bomba. Consumo mundial de energia eléctrica Outras Aplicações (80%) Ou • O Europump. equipamento eléctrico e electromecânico. promove parcerias com indústrias e grupos de comércio.3 Razões para a utilização do CCV Os sistemas de pressurização são compostos por um conjunto de obras de construção civil. 2000). operação. com base nas informações disponíveis. A correcta escolha de todos os componentes de um sistema de bombeamento apresenta-se assim como uma oportunidade para uma redução nos custos globais da instalação. estabelecido em 1960. Como qualquer investimento. Uma visão global é descrita no artigo "Pump Life Cycle Costs" desenvolvido pelo Hydraulic Institute e Europump de modo a facilitar a aplicação da metodologia do CCV a sistemas de bombeamento. mas também servir para comparar soluções de fabricantes diferentes. da instalação e do modo como o sistema irá operar. energéticos. energias renováveis. manutenção (preventiva e correctiva). transporte e tratamento de águas residuais. paragens. Representa os custos de aquisição. é a maior associação de produtores e de fornecedores da América do Norte. Sistemas de Bombeamento (20%) Fig. colecta. tubagens e acessórios. ensaios. incluindo sistemas de bombeamento. instalações de rega. Estabelece padrões e organiza fóruns para a troca de informações técnicas há mais de 80 anos. ao longo da sua vida útil. prevenção da poluição e tecnologias para aplicações industriais. de forma isenta. assim como uma longa durabilidade. 93 . não só para optar entre diferentes soluções do mesmo fabricante. mas também mundial. fundado em 1917. a escolha dos elementos que constituem o sistema (construção civil. os grupos electrobomba embora sejam geralmente adquiridos como componentes individuais. pode ser realizado por várias metodologias. a solução que apresenta menor custo global. Adicionalmente todos os componentes do sistema deverão ser cuidadosamente seleccionados para combinarem entre si e manter no global um conjunto fiável assegurando os mais baixos custos energéticos e de manutenção. ambientais. equipamentos. No presente documento optou-se por seguir a metodologia proposta pelas seguintes entidades: • O Instituto Hidráulico (HI). instalação. Enquanto algumas partes do sistema apresentam praticamente todo o seu custo durante a construção.Consumo mundial de energia eléctrica Trata-se portanto de um consumo significativo. eles são parte integrante de um sistema indissociável entre si. nos equipamentos electromecânicos o custo de aquisição poderá representar apenas 10% dos custos globais associados a esses equipamentos. 5.

logo os resultados do processo apresentam certamente um grau de fiabilidade similar ao dos dados de base. podem muitas das vezes ser estimados com base em dados históricos. em termos de custos. O exercício deve ser objectivo na análise e âmbito podendo no entanto ser lato nas alternativas analisadas. Alguns estudos mostram que 30% a 50% da energia consumida pelos actuais sistemas de bombeamento podem ser poupados através da alteração dos controlos dos sistemas (Europump. bombas. etc. Deste modo a comparação deve ser efectuada entre diferentes tipos de sistema ou de controlo. a metodologia proposta apresenta os custos do ciclo de vida. Custos de Manutenção ( 10% ) Custos do Investimento ( 5% ) 5. Considerações adicionais deverão ser tomadas em relação às perdas de produtividade devido aos tempos de paragem. O processo em si é basicamente matemático. A operação. É portanto de extrema importância a forma precisa de determinar os custos energéticos actuais. A crescente competitividade dos mercados nacionais e internacionais obriga a um esforço contínuo de modo a aumentar a competitividade. como sendo a soma das seguintes parcelas: Fig. quer em novos empreendimentos quer em remodelações requer sempre uma avaliação de sistemas alternativos. de exploração e de manutenção. Para a maioria de empreendimentos os custos energéticos e/ou de manutenção dominarão os Custos do Ciclo de Vida. CCV = Cci + Cin + Ce + Co + C m + C pp + Ca + Cd onde: (1) Cci Cin Ce Co Cm C pp Ca Cd Custos iniciais (custos de construção civil. especialmente pela via da minimização dos consumos energéticos e dos tempos de paragem da produção. Sistemas de bombeamento . continua a merecer uma particular atenção como fonte de poupança de custos. em segundo lugar porque muitos dos sistemas em operação possuem bombas ou controlos que não estão ajustados às necessidades actuais. o escalonamento esperado nos anos vindouros. originando sistemas que apresentam grandes custos de manutenção e exploração.4 Determinação do Custo do Ciclo de Vida O processo do CCV é um método que permite a comparação de soluções alternativas. desmontagem e desmantelação final do equipamento e os de origem ambiental. serviços de apoio.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia Uma maior compreensão de todos estes pormenores constituirá uma oportunidade para a redução dramática dos custos energéticos. assim como os custos de mão-de-obra e dos materiais ao longo do ciclo de vida do equipamento. Com base nos estudos efectuados em problemas deste tipo. acessórios. Outros custos como por exemplo os de paragens. A redução e o desperdício energético representam ainda um papel importante em benefícios ambientais. factores determinantes no Custo do Ciclo de Vida (CCV) da instalação. principalmente no sector fabril. Os sistemas existentes podem contribuir com uma maior fatia na redução da energia consumida através da utilização da metodologia do cálculo do CCV por duas razões: A primeira porque existem pelo menos 20 vezes mais sistemas em operação do que os colocados anualmente em operação e.Repartição média dos custos globais em sistemas de bombeamento Muitos sistemas são concebidos considerando apenas o investimento inicial. tubagens.) Custo de instalação e ensaios (arranque e formação do pessoal) Custos energéticos (operação do sistema incluindo controlos e quaisquer serviços auxiliares) Custos de operação (mão de obra e supervisão normal do sistema) Custos de manutenção e reparação (reparações previstas e de rotina) Custos de paragens (perda de produção) Custos ambientais Custo de desmontagem e desmantelação (incluindo a restauração ambiental do local e serviços de destruição do equipamento) 94 . e consideram o rendimento energético como uma via contribuinte para a redução de emissões de gases e deste modo preservar os recursos naturais. Os sistemas de bombeamento têm muitas das vezes um período esperado de operação de 15 a 20 anos. A escolha destes equipamentos deve ser efectuada com base em cálculos onde os detalhes do projecto do sistema devem ser tidos em conta. talvez motivado pela grande evolução tecnológica verificada nos últimos anos. muitas empresas começam a estar cada vez mais sensíveis ao impacto ambiental nos seus negócios. 2 . As empresas devem procurar soluções que visem a redução dos custos globais e o aumento dos rendimentos operacionais.Custos globais Custos de Exploração ( 85% ) A análise do CCV. Em alguns casos os custos de indisponibilidade podem ser mais significantes que os custos energéticos ou de manutenção. Adicionalmente às razões económicas para justificar a utilização da metodologia do CCV. sendo de difícil quantificação. 2000). mas extremamente dependente da informação disponível.

betão etc. • Os ensaios requerem uma especial atenção às instruções do fabricante para a execução do arranque e operação.a) η c − Rendimento da bomba η m − Rendimento do motor Logo. • Processo de aquisição. Custos de operação • Os custos de operação são os associados à mão-de-obra relacionados com a operação do sistema. projecto. Nestes casos devem ser incluídos os custos do fluido. Por exemplo uma bomba instalada em ambientes corrosivos pode requerer verificações diárias. • Ligações de tubagens de processo. a qualidade e fiabilidade do sistema seleccionado. • Formação. • Inspecção e testes. Enquanto que nas restantes parcelas os custos associados a equipamentos electromecânicos são dominantes. então dever-se-á utilizar um registo horário das necessidades para se efectuar o respectivo cálculo. Dever-se-á ter em atenção que este cálculo não inclui a análise a custos de segunda ordem como por exemplo as matérias-primas consumidas no fabrico de produtos. • Ligações eléctricas e de instrumentação. necessárias ao arranque do sistema. • Construção civil. • Equipamentos auxiliares para sistemas de vedação ou arrefecimento. o cálculo é simples. A fórmula do cálculo da potência requerida é a seguinte: P (kW ) = em que: γ ×Q× H η c ×η m (2) P − Potência (kW ) γ − Peso específico do líquido (kN/m3 ) Q − Caudal (m 3 /s) H − Altura manométrica (m. 95 . Estes podem variar muito dependendo da complexidade e função do sistema. especialmente quando o tempo de operação das bombas ultrapassa as 2000 horas de operação / ano. os materiais utilizados. preparação. podem originar custos iniciais mais elevados mas reduzirem o CCV de uma forma considerável.).O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia Os parágrafos seguintes examinam cada uma das parcelas e levantam sugestões para a determinação de cada parâmetro. • Uma instalação completa dos equipamentos electromecânicos envolve requisitos de operação e manutenção que serão assegurados por pessoal com formação para operar o sistema. Custos de instalação e ensaios • Os custos de instalação e ensaios (arranque) incluem os seguintes itens: • Fundações (projecto. O consumo energético é calculado através dos dados colhidos no projecto do sistema. Outro factor de incerteza para o cálculo do consumo de energia de bombas com conversor de frequência é o facto do rendimento geral do sistema ser difícil de calcular com exactidão.c. etc. • Os métodos de cálculo da energia são relativamente simples quando a bomba é utilizada num único ponto de funcionamento. Estes custos podem ser referentes a circuitos de aquecimento ou arrefecimento de fluidos de processo. desenhos.). • Avaliações e regulações no arranque. • É determinante para estes custos o diâmetro das tubagens e acessórios. entre outros. Se as solicitações ao sistema são constantes. o seu comportamento com o fluido bombeado. Detalhando: Custos iniciais • Este tipo de custos refere-se aos custos necessários para a compra e instalação de equipamentos e obras de construção civil. circulação e/ou dissipação de calor etc. os empanques instalados. a energia será: E (kWh ) = ∫ γ × Q(t )× H (t ) dt ηc ×ηm to ηc(t) x ηm(t) t1 (3) • Os custos energéticos de serviços auxiliares também devem ser incluídos. Uma bomba com conversor de frequência tem um número infinito de pontos de funcionamento. • Os custos iniciais incluem geralmente os seguintes itens: • Serviços de Engenharia (estudos. Este facto pode originar a que seja menosprezada a sua importância final nos custos globais. Se as solicitações são muito variáveis no tempo. Deverá ser seguida a lista de verificações proposta pelo fabricante de modo a assegurar que os equipamentos e o sistema possam operar dentro de parâmetros específicos. Custos energéticos • O consumo energético é frequentemente uma das parcelas com maiores custos e geralmente domina o valor final do CCV. A situação torna-se mais complexa com bombas em funcionamento paralelo ou se a bomba for utilizada com um conversor de frequência. No funcionamento paralelo. aproximando em seguida os volumes bombeados ou horas de funcionamento relativos a cada um destes. deverão ser efectuados cálculos separados para os vários pontos de funcionamento. os controlos integrados. filtragem. • Ligações a sistemas auxiliares. especificações etc. • Peças de reserva. Estes detalhes. neste o seu valor relativo pode vir diluído com o valor da construção civil.

pressão etc. Custos ambientais • O custo da destruição de fluidos contaminantes durante o tempo de vida de um sistema de bombeamento varia bastante dependendo da natureza do produto bombeado. As maiores actividades requerem frequentemente a remoção da bomba do local de instalação para as oficinas. consumo energético.5. O fabricante aconselhará a frequência e a natureza da manutenção periódica. Uma quantidade considerável das perdas da energia no sistema são devidas às perdas de carga contínua. Os custos dependem do tempo e da frequência do serviço. Os custos de infracção ambiental deverão ser incluídos. Se for utilizado um equipamento de reserva. Exemplos de contaminação ambiental podem incluir: destruição da caixa do empanque. Um sistema mais flexível na exploração pode apresentar uma mais valia acrescida. da sua capitação ou mesmo da taxa de ligação ao longo do tempo. Custos totais do ciclo de vida • Os custos estimados para as várias parcelas depois de somadas permitem uma comparação das diferentes soluções analisadas. radioactivos ou qualquer outro tipo agressivo. • Existem também factores financeiros a serem tomados em consideração no desenvolvimento do CCV.5 Implementação da metodologia 5. Existem procedimentos legais e regulamentares para líquidos tóxicos. mas também às verificadas em singularidades. sob o risco de representarem externalidades. Durante esse tempo a unidade está indisponível podendo haver perda total na produção ou um custo de substituição temporária. Custo de desmontagem e desmantelação • Na maioria dos casos. gamas de caudais. • O custo total da manutenção de rotina é o resultado do produto dos custos por intervenção pelo número de intervenções esperadas durante o ciclo de vida da bomba. • Embora as avarias não possam ser previstas. estando directamente dependentes do diâmetro da tubagem e dos restantes componentes do sistema. Na maior parte das vezes os custos de paragem são inaceitáveis por representarem custos superiores à instalação de um equipamento de substituição ou reserva. podem ser estimadas estatisticamente pelo cálculo do tempo médio entre avarias. 96 . uso de peças contaminadas etc. O projecto deve considerar a interacção entre a bomba e o resto do sistema e o cálculo do ponto de operação do sistema. temperaturas. ambiental. o custo inicial será mais elevado mas os custos de manutenção não programada incluirão apenas os custos da reparação. 5. destruição e outros custos importantes. • Vida útil esperada para o equipamento.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia enquanto um sistema semelhante com outro fluido pode apenas necessitar de supervisões limitadas. • Taxa de inflação. Os indicadores de desempenho incluem alterações em vibrações. tais como a manutenção. bombeamento de produtos corrosivos. o CCV torna-se particularmente sensível à vida útil do equipamento. • Taxa de juros. mas também dos custos dos materiais. Quando a destruição tem um custo demasiado elevado. As características da tubagem do sistema devem ser calculadas a fim determinar o desempenho requerido da bomba. Adicionalmente o utilizador deve decidir quais os custos a incluir. requer uma manutenção regular e eficiente.1 Na fase de projecto A concepção e o projecto do sistema serão sempre o elemento mais importante na minimização do CCV. Uma análise periódica das condições de funcionamento do sistema pode alertar os operadores para eventuais perdas de desempenho do sistema. Será importante analisar a sensibilidade ou adaptabilidade do sistema escolhido a situações diferentes das previstas no projecto. • O custo de perda de produção ou de indisponibilidade podem ser considerados dependente do tempo de paragem e devem ser analisados para cada caso específico. Estes incluem: • Preços actuais da energia. O projecto pode influenciar estes custos por indicação específica de alguns materiais. paragens. nos sistemas de distribuição de água doméstica existe a incerteza do crescimento populacional. • O programa de manutenção pode ser cumprido com menor frequência mas com maior atenção aos detalhes ou com maior frequência mas com intervenções mais simples. • Actualização do valor anual da energia. ruído. selecção dos componentes e mesmo da facilidade de acesso aos componentes a serem intervencionados. Por exemplo. Estes custos podem ser minimizados por uma programação cuidada e atempada da paragem. Custos de manutenção e reparação • O alcance da longevidade esperada para uma bomba. Os custos de aquisição e os custos operacionais totalizam o custo total de uma instalação durante sua vida. Isto aplica-se quer a sistemas simples quer a sistemas mais complexos. o custo da desmantelação de um sistema de bombeamento tem pequenas variações em relação a diferentes concepções. Custos de paragens e perdas de produção • O custo de paragens imprevisíveis e de perdas de produção podem ser uma parcela muito significativa no valor CCV e pode rivalizar com os custos energéticos ou com os custos de peças de substituição.

• Efectuar mudanças à bomba para minimizar a carga no sistema. graças à capacidade de processamento. • Combinar o tipo da bomba à solicitação pretendida. • Considerar uma velocidade máxima de modo a minimizar a erosão na tubagem e acessórios. • Combinar o equipamento às necessidades do sistema para o máximo rendimento. ser substituídos por programas informáticos.5. e o segundo consiste em executar cálculos usando as equações da mecânica dos fluidos. O primeiro consiste em observar as condições de operação do sistema "in-situ". mas completam-se. 3 . Diminuir o diâmetro das tubagens tem os seguintes efeitos: • diminuem os custos de aquisição de tubagens e acessórios da instalação. • Escolher bombas e sistemas novos usando considerações do CCV. Dois métodos podem ser usados na análise de sistemas de bombeamento existentes. Deve ser considerado com atenção a duração prevista para os diferentes pontos de funcionamento de modo a seleccionar correctamente o número de bombas a instalar e o comando e controlo. Os dois modelos não são incompatíveis. • aumentam os custos de energia eléctrica. • Considerar um diâmetro interno mínimo quando se transportam líquidos com sólidos.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia O diâmetro da tubagem deve então ser seleccionado com base nos seguintes factores: • Economia da instalação (bombas e sistemas). mas as exigências operacionais do sistema limitam o âmbito da experimentação. Fig. mas outros diminuirão. • Determinar os fluxos requeridos para cada carga no sistema. • aumentam os custos da instalação da bomba e de operação em consequência do aumento de perdas de carga. facilitando significativamente o processo de cálculo. • Avaliar a eficácia do sistema. Observar o sistema permite ver como o sistema se comporta. enquanto que no segundo cria-se um modelo matemático. • Seguir as normas do fabricante. pressões diferenciais. resultando a necessidade de motores com maior potência. Desenvolvendo um modelo do sistema. 97 . • Equilibrar o sistema para encontrar os diferentes fluxos e cargas requeridas. • Optimizar o custo total considerando custos operacionais e custos de aquisição. • aumentam os custos de operação em consequência do maior consumo energético devido ao aumento de perdas por atrito. • Especificar motores de elevada eficiência. podem-se facilmente simular várias alternativas do sistema. Os longos e fastidiosos cálculos associados ao cálculo das perdas de carga podem hoje. • Monitorizar a bomba e o sistema. • Utilização de velocidades económicas. O primeiro método confia em observações efectuadas no sistema (pressões. O ponto de funcionamento de um sistema é determinado pela intersecção da curva da instalação e da curva característica do equipamento de pressurização como mostrado em Figura 3. mas antes o modelo deve ser validado para assegurar que representa exactamente o sistema que se está a estudar. • Avaliar as perdas de carga no sistema. e caudais). • Optimizar a manutenção preventiva. • Não sobredimensionar a bomba. As tubagens devem assim ser dimensionadas por critérios de minimização dos custos globais. • Considerar diâmetros padrão da tubagem em instalações semelhantes. • Considerar a duração dos diferentes pontos de funcionamento da bomba. Analogamente. Não obstante o método usado. o objectivo é ficar com uma ideia exacta de como as várias partes do sistema operam e identificar onde as melhorias podem ser feitas e o sistema optimizado. tão exacto quanto possível do sistema e depois simulam-se as pressões e os caudais dentro do modelo. • Identificar bombas com custo de manutenção elevado.Ponto de funcionamento de um sistema Um sistema pode necessitar de operar em diversos pontos de funcionamento. A seguinte lista de verificações fornece alguns tópicos úteis para reduzir o Custo do Ciclo de Vida de um sistema de bombeamento existente: • Considerar todos os itens com custos relevantes no Custo do Ciclo de Vida. alguns custos aumentam com tamanho crescente da tubagem como por exemplo os de aquisição. 5.2 Aplicação a sistemas existentes As seguintes etapas indicam algumas tarefas que podem identificar pontos onde poderá ser possível melhorar um sistema de bombeamento existente: • Realizar um inventário completo do sistema de bombeamento. um dos quais determinará a escolha da bomba. • Considerar a energia desperdiçada em válvulas de controlo.

000 horas/ano. • Considerou-se o custo anual de manutenção periódica de um variador de frequência de 500 €/ano. originando uma maior perda de pressão através da válvula de controlo do que inicialmente estimado. demonstrando que a válvula instalada não é apropriada para este processo. 4 . • Não há nenhum custo de eliminação ambiental associada. Verificou-se que a válvula de controlo opera actualmente com uma abertura de 15 . e uma válvula de controlo regula o caudal no tanque pressurizado a 80 m3/h. • O custo anual para a manutenção periódica das bombas é de 500 € por ano. Após a revisão dos cálculos do projecto. Esta perda de pressão reduz a pressão diferencial através da válvula de controle em 10 m. Na figura 5 são apresentados os pontos de funcionamento associados a cada uma das soluções. aproximando a válvula do ponto para que foi projectada. foram consideradas outras opções e executada uma análise de custo do ciclo de vida às soluções alternativas. • Este projecto tem uma vida de 8 anos. 5 . • A taxa de juro foi de 8% e uma taxa de actualização de 4% é esperado. c) Instalar um Variador de Frequência (VF). valor que inclui o custo de desmontar e remontar a bomba.6 Exemplos de aplicação do Custo do Ciclo de Vida 5. Um variador de frequência de 30 kW tem um custo de 20 000 €. A válvula tem apresentado avarias a cada 10 a 12 meses com um custo médio de 4 000 EUROS por reparação. descobriu-se que a bomba instalada estava sobredimensionada (110 m3/h em vez de 80 m3/h previstos). As seguintes opções foram estudadas: a) Substituir a válvula de controlo de modo a suportar o grande diferencial de pressão. A substituição da válvula de controlo apresenta um custo de aquisição e instalação de 5000€. Está a ser considerada a substituição da válvula existente por outra que possa resistir à cavitação. Na análise do CCV efectuada utilizaram-se os seguintes critérios e suposições: • O preço de energia actual é actualmente 0. • O processo é operado em 80 m3/h em 6. O custo de energia anual com o impulsor menor é 6 720 € por o ano. Mantendo o sistema inalterado resultará num custo anual de 4 000 € para reparação da válvula. De modo a equacionar várias alternativas analisou-se o actual funcionamento do sistema. Na figura seguinte apresenta-se um esquema simplificado do sistema.08 €/kWh e a eficiência do motor de 90%. Os cálculos do Custo do Ciclo de Vida para cada uma das quatro opções são resumidos no Quadro 1.Sistema de bombeamento estudado O sistema apresenta problemas na válvula de controlo (VC) que falha devido à erosão causada pela cavitação. admitindo uma reparação anual da válvula. 98 .20% e com um considerável ruído de cavitação. Fig. Reservatório Reservatório Pressurizado Válvula de Controlo Permutador de Calor Fig. Antes da troca da válvula de controlo.6. e remover a válvula de controlo. b) Alterar o impulsor da bomba para reduzir a altura manométrica.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5. a válvula apresenta danos de cavitação em intervalos regulares. d) Manter o sistema actual. Um permutador de calor aquece o líquido. a carga total da bomba é reduzida a 42.1 Sistema de bombeamento existente com uma válvula de controlo de caudal Neste exemplo. um circuito de bombeamento transporta um líquido contendo alguns sólidos de um tanque de armazenamento para um tanque pressurizado. com um custo da reparação de 2 500 € cada segundo ano. Em consequência do grande diferencial de pressão. acrescidos de 1 500 Euros adicionais para a instalação e 500 € anuais para manutenção.0 m e 80 m3/h. Parece que a válvula não se encontra correctamente adaptada à instalação. aos quais deve ser acrescentado 2 250 € para alterar o impulsor.Pontos de funcionamento de cada alternativa estudada. Espera-se que não seja necessário nenhuma reparação nos 8 anos seguintes. Bomba Alterando o diâmetro do impulsor para 375 milímetros.

por ciclos.6. c) Instalar uma central hidropneumática de velocidade variável.481 Alternativa C 21.000 11.08 11. Altura Manométrica Caudal Fig.930 A opção B. o qual abastecerá graviticamente toda a rede doméstica.6 6.2 Escolha do sistema de pressurização na fase de projecto Neste exemplo será analisado o Custo do Ciclo de Vida para diferentes sistemas de pressurização a um edifício de habitação.000 5.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia QUADRO 1 .500 8 8 4 74.0 6.000 6.500 8 8 4 91.000 0.500 4.08 14.568 1 000 2.0 Bar.000 11. com um caudal de ponta de 18. Foram comparadas as seguintes soluções: a) Elevar a água para um reservatório superior.088 500 2.827 Alternativa B 2. Para garantir a pressão residual mínima. a) Elevar a água para um reservatório superior Nesta opção.720 500 2.08 23. cujas parcelas do CCV são apresentadas no quadro 3.CUSTOS DE CICLO DE VIDA (CCV) DAS VÁRIAS SOLUÇÕES ESTUDADAS Alternativa A Investimento inicial (€) Custo da energia (€/kWh) Potência média absorvida (kW) Horas por ano Custo de energia (€) Custos de manutenção (€) Custos de reparação (cada 2 anos) (€) Outros custos anuais (€) Custos ambientais (€) Custos de desmantelação (€) Vida útil (anos) Taxa de juro (%) Taxa de actualização (%) Valor de CCV (€) 5. deverá ser instalado um reservatório superior a uma cota que permita uma pressão residual.500 8 8 4 59.6 m3/h. em função do volume do reservatório superior. No final de um ciclo (diário. 99 . Para este sistema optou-se pela instalação de duas bombas do tipo "CR 15-5".250 0. a altura manométrica deverá ser de 5. tem o Custo do Ciclo de Vida mais baixo e apresenta-se como a solução economicamente mais favorável. Existe portanto um único ponto de funcionamento como é demonstrado na figura seguinte: 5. alterar o impulsor.1 6.000 8 8 4 113.08 23.1 6.313 Alternativa D 0 0. 6 O funcionamento do sistema de pressurização funcionará. semanal ou mensal) o volume de água elevado será igual ao volume de água consumido. no aparelho mais desfavorável.088 500 2. b) Instalar uma central hidropneumática de velocidade fixa.500 0. De modo a simplificar a análise considera-se que o sistema de pressurização será alimentado directamente de um reservatório com nível constante onde a água é mantida à pressão atmosférica. com base nos pressupostos apresentados.

9 100 . junto ao reservatório inferior Neste sistema. a curva característica da instalação variará por aumento do caudal (Fig 8a).Curvas características Fig. para a mesma altura geométrica. existe uma variação nos caudais bombeados. Na figura 8d é apresentado a gama de pontos de funcionamento admitida por este sistema. 7 c) Instalar uma central hidropneumática com variador de frequência. acompanhando portanto as flutuações de caudais verificados nesta. entre a pressão máxima e mínima (estabelecida em função do caudal provável e a pressão residual no aparelho mais desfavorável). logo a curva característica da bomba toma as formas apresentadas na figura 8c. Optou-se pela instalação de uma central hidropneumática de velocidade fixa do tipo "Hydro 1000" composta por três bombas "CR 10-7". logo a curva característica da instalação varia conforme é demonstrado na figura 8b.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia b) Instalar uma central hidropneumática de velocidade fixa. ao longo da curva característica da bomba. Consequentemente o caudal na rede variará entre os valores estabelecidos para arranque e paragem dos grupos. Nesta solução. Trata-se portanto de um sistema com grande flexibilidade. Na análise de custos considerou-se o seguinte perfil de carga: QUADRO 2 . existindo por vezes desfasamento entre os consumos dos aparelhos de diferentes pisos. b) Fig. Os gastos de energia são mais difíceis de estimar porque a variabilidade real dos caudais também o é. conforme é apresentado na figura 7. Por outro lado. Em primeiro lugar. a análise do sistema é mais complexa uma vez que o bombeamento será directamente efectuado para a rede de distribuição. É assim possível responder a uma grande variabilidade de situações.PERFIL DE CARGA CONSIDERADO 1 Caudal (%Qp) Pressão (%Pmáx) Tempo (h) 100 100 150 2 75 100 300 3 55 100 450 4 35 100 900 5 12 100 1500 Nas figuras seguintes são apresentadas as possíveis alterações às curvas características da bomba e da instalação. Trata-se de uma simplificação conservativa uma vez que em muitas situações o consumo de energia será inferior ao simulado. a pressurização será realizada por ciclos. No presente exemplo foi estimado o mesmo perfil de carga definido para o sistema anterior. embora de funcionamento mais simples. a velocidade de rotação da bomba pode variar. há variação do termo independente do caudal (a altura geométrica). Há ainda a considerar que num sistema desta natureza. Fig. Os valores do CCV são resumidos no quadro 3. Os ciclos de funcionamento estão muito dependentes do consumo dos caudais na rede. dentro dos limites impostos pelo equipamento electromecânico e pela instalação. Assim. O sistema de pressurização consegue assim satisfazer um grande número de solicitações ou leis de consumo. Neste sistema existe um conjunto de pontos de funcionamento. 8 . relativamente às situações anteriores.

Relativamente aos valores do CCV. a alternativa A pode apresentar problemas associados à exequibilidade da construção do reservatório à cota pretendida.066 654.4 500 500 20 3. Situação inversa é verificada na alternativa B.990 + 2.32 400 500 20 3. uma vez que assume valores entre a mesma ordem de grandeza do investimento inicial (alternativa C) e o dobro do investimento inicial (alternativa B). • Este projecto tem uma vida de 20 anos.038 (***) .900 0.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia Na análise do CCV efectuada utilizaram-se os seguintes critérios e suposições: • Os custos dos equipamentos electromecânicos são valores médios de mercado.806 Alternativa C(***) 9."Hydro 2000 ME 3xCR 10-6" Nesta análise pode-se contactar que. 101 . respectivamente. (**) -"Hydro 1000 C/S 3xCR 10-7".154 492. • O custo anual para reparação das bombas é de 500 € por ano.5 37. de salubridade e de sobrecarga na estrutura do edifício.000 0. • Não há nenhum custo de eliminação ambiental associada. B e C.5%.5 3.08 8.850 0. Pode-se ainda verificar que a parcela energia não é desprezável no valor final do CCV. Os cálculos do Custo do Ciclo de Vida para cada uma das quatro opções são resumidos no quadro 3. • Foi desprezado o custo da energia a diferentes horas do dia. a alternativa C apresenta os maiores custos de primeiro investimento mas os menores em energia e manutenção.08 €/kWh.655 452. os gastos de energia representa 24%.CUSTOS DO CICLO DE VIDA (CCV) DAS VÁRIAS SOLUÇÕES ESTUDADAS Alternativa A(*) Investimento inicial (*)(€) Custo da energia (€/kWh) Consumo de energia (kWh/ano) Custo de energia (€/ano) Custos de manutenção (€/ano) Custo médio de reparação (€/ano) Outros custos anuais (€) Custos ambientais (€) Custos de desmantelação (€) Vida útil (anos) Taxa de juro (%) Taxa de actualização (%) Valor de CCV (€) (*) .696 5.08 5. com base nos dados e pressupostos utilizados.5 3.5 3. Os custos anuais de manutenção para as alternativas A e B são de 500 € e 400 € para a alternativa C."2xCR 15-5".5 37. • O preço de energia actual é 0. QUADRO 3 .5 38.3 500 500 20 3. • Não foram considerados os custos associados à construção do reservatório superior.08 6. • A taxa de juro e a taxa de actualização foram consideradas iguais a 3. Alternativa B(**) 5. 33% e 26% para as alternativas A. Embora não tenha sido considerado no presente cálculo.

2000. February 2001 European Commission . 1995 102 . VDMA project . "Pump life cycle costs: A guide to LCC analysis for pumping systems'. Technical University of Darmstadt. B. Sieglinde K. Fuller. "Study on improving the energy efficiency of pumps". Hydraulic Institute.SAVE..Final report. 1994. 2001. Federal Energy Management Program. and Lauer. (ISBN 1-880952-58-0) European Commission. Stoffel.. "Life-cycle costing manual". J. "Theoretically attainable efficiency of centrifugal pumps".7 Referências bibliográficas Europump.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5. US Department of Energy. Petersen. Stephen R. "Study on improving the efficiency of pumps".

Sistemas de Pressurização Grundfos 6. SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO GRUNDFOS Autor: Florindo Maia Director de Apoio a Projectistas Bombas Grundfos Portugal 103 .

104 .

depósito de membrana.1 Introdução Neste capítulo apresentamos as várias soluções práticas com que os sistemas de pressurização são comercializados pela Grundfos. Os sistemas de pressurização.Sistemas de Pressurização Grundfos 6. Diagrama de princípio Diagrama de princípio Depósito de Membrana Pressóstato Manómetro Contactor Grupo electrobomba Válvula de Retenção Válvula de Seccionamento Simbologia VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO COLECTOR PRESSÓSTATO MANÓMETRO CABOS ELÉCTRICOS QUADRO ELÉCTRICO Limite de fornecimento Válvula de pesca DEPÓSITO TUBAGEM 105 . tendo uma válvula de seccionamento e retenção por grupo electrobomba. de potência e hidráulicos que permitem o seu funcionamento integral. Os controlos diferenciam os vários sistemas de pressurização permitindo ajustá-los às exigências da instalação. nas versões de velocidade fixa e velocidade variável. pressóstato.2. O grupo electrobomba funcionará para que o depósito seja novamente enchido até atingir a pressão de paragem pré-regulada. manómetro. manómetro.1. integrando uma ou mais electrobombas.2 Sistema Hydro 100 HM Constituição Este sistema hidropneumático é constituído por 2 ou mais grupos electrobomba montados numa base comum. constituem um conjunto compacto e caracterizam-se por incorporar electrobombas e todos os componentes de controlo. Não existindo consumo de água. incluindo válvula de retenção. Havendo necessidade de consumo. acessório de intersecção e depósito de membrana. e consequentemente o sistema está sobre pressão.2. será a reserva de água existente no depósito sob pressão que fornecerá esta até à pressão de arranque do grupo electrobomba. obtendo-se diferentes níveis de eficiência e fiabilidade de exploração. podendo porém ser utilizados outros tipos de electrobombas de superfície ou submersíveis. pressóstatos (um por grupo electrobomba). colector de compressão comum. Código de identificação Hydro100 Gama Grupo hidropneumático Tipo grupo electrobomba Capacidade do depósito HP CR5-8 80 6. Nos exemplos apresentados são sempre referidas as electrobombas multicelulares verticais CR ou CRE. podendo como opcional ser equipado o quadro eléctrico e respectivo suporte de fixação. o grupo electrobomba não funciona dado que o depósito está com uma reserva de água.2.2 Sistemas de pressurização com grupos electrobomba de velocidade fixa 6. 6.1. quadro eléctrico.1 Sistema Hydro 100 HP Constituição É constituído por um grupo electrobomba montado numa base. com variação de velocidade integrada.1 Sistema Hydro 100 6. Modo de funcionamento No acto da instalação deve-se proceder à regulação do pressóstato em função da pressão de arranque e paragem pretendida.

Quando a pressão baixa até ao ponto de regulação. pressóstatos. a pressão de descarga sobe e os grupos electrobomba são desligados em sequência inversa. colector de compressão comum. pressóstatos (um por grupo electrobomba e compressor de ar). apenas quando um dos grupos electrobomba começar a funcionar e seja detectado nível mínimo no reservatório.2. tendo uma válvula de seccionamento. Ao reduzir o consumo de água. VÁLVULA DE RETENÇÃO MANÓMETRO PRESSÓSTATO PORTA ELÉCTRODO VISOR DE NÍVEL CABOS ELÉCTRICOS QUADRO ELÉCTRICO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO VÁLVULA DE SEGURANÇA GRUPO ELECTROBOMBA RESERVATÓRIO VÁLVULA DE RETENÇÃO DE AR COMPRESSOR TUBAGEM COLECTOR 106 . os restantes grupos electrobomba entram em funcionamento. também poderá funcionar com uma electrobomba de baixo caudal com um grupo electrobomba auxiliar ( jockey). a pressão na descarga aumentará e o controlador após receber esta informação do pressóstato. Se o consumo de água continuar a aumentar.2 Sistema Hydro 1000 6.1 Sistema Hydro 1000 CS Constituição É constituído por dois a quatro grupos electrobomba verticais CR. o primeiro grupo electrobomba entra em funcionamento. montados em paralelo sobre uma base comum.2. Assim que haja consumo de água. manómetros. parando assim que atinja a pressão pretendida.2. Após a pressão descer abaixo do valor mínimo.1. Hydro100 HS 2 Gama Central com reservatório N. se o consumo de água continuar a aumentar. mais grupos electrobomba arrancam em cascata até conseguirem fornecer o caudal necessário para manter a pressão dentro do intervalo regulado.Sistemas de Pressurização Grundfos Modo de funcionamento O depósito de membrana fornece água a consumir desde que os grupos electrobomba estejam parados. assim que atingem as respectivas pressões de paragem. um dos grupos electrobomba arranca. colector de compressão comum. Simbologia Para além dos grupos electrobomba principais. manómetro. o primeiro abastecimento é efectuado pelo reservatório. em sequência (um a um). tendo uma válvula de seccionamento e retenção por grupo electrobomba. Código de identificação Hydro100 HM Gama Central com depósito N. montados numa base comum. O compressor arranca quando solicitado.3 Sistema Hydro 100 HS Constituição Este sistema hidropneumático é constituído por 2 ou mais grupos electrobomba.º de grupos electrobomba Tipo do grupo electrobomba Capacidade do depósito 2 CR5-10 80 Código de identificação 6.º de grupos electrobomba Tipo de grupo electrobomba Capacidade reservatório CR32-5 1500 Diagrama de princípio 6. e de retenção por grupo electrobomba. Quando o consumo de água diminuir. quadro eléctrico. quadro eléctrico completo com unidade electrónica CS 1000 e depósito de membrana. reservatório de água sem membrana equipado com sistema de controlo de nível. Modo de funcionamento Este sistema efectua o sistema de arranque e paragem por intermédio da regulação dos pressóstatos em sistema de cascata. dará ordem de paragem dos grupos electrobomba.2.

3. Diagrama de princípio Um grupo electrobomba em funcionamento. providos com todos os acessórios necessários e quadro eléctrico de comando com Controlo 2000. A central Grundfos Hydro 1000 mantém a pressão praticamente constante através da activação ou desactivação de grupos electrobomba.3 Sistema Hydro 2000 6.Sistemas de Pressurização Grundfos Diagrama de princípio Três grupos electrobomba em funcionamento. GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Código de identificação HYDRO 1000 Tipo Controlo arranque/paragem Número de grupos electrobomba Tipo de grupos electrobomba Capacidade depósito CS 3 CR10-6 300 Modo de funcionamento Quatro grupos electrobomba iguais controlados através de pressóstatos e um depósito de membrana.2. 6. O controlador CS 1000 altera a ordem de arranque após a paragem dos grupos electrobomba. dependendo das necessidades. GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO 107 . Desta forma o tempo de funcionamento é distribuído entre os grupos electrobomba.2.1 Sistema Hydro 2000 MS Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 é constituído por 2 a 6 grupos electrobomba CR em paralelo montados numa base comum.

Um grupo electrobomba com 50% da capacidade do grupo electrobomba principal.2 Hydro 2000 MSH Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 MSH é constituído por 2 a 6 grupos electrobomba. Três grupos electrobomba em funcionamento. Diagrama de princípio GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Um grupo electrobomba em funcionamento. Modo de funcionamento Um grupo electrobomba auxiliar com 50% da capacidade de um grupo electrobomba principal. três grupos electrobomba principais idênticos. 6. em funcionamento. ligando ou desligando os grupos electrobomba. com controlo por arranque-paragem através dos contactores-arrancadores. A central supressora Hydro 2000 MS mantém uma pressão quase constante. depósito de membrana. conforme as necessidades. Um grupo electrobomba principal e um grupo electrobomba auxiliar com 50% da capacidade do grupo electrobomba em funcionamento.3. através do comando. 108 . A alternância de funcionamento dos grupos electrobomba é automática. pelo facto de ser determinada automaticamente.2. A pressão de paragem (Hstop) não pode ser configurada. através dos contactores-arrancadores e depósito de membrana. e depende da carga.Sistemas de Pressurização Grundfos Modo de funcionamento Quatro grupos electrobomba idênticos com controlo por arranque/paragem. sendo um grupo electrobomba auxiliar com 50% de capacidade dos grupos principais. período de tempo ou de avaria.

com sistema de variação de velocidade incorporado na caixa de controlo integrada no motor. período de tempo ou de uma avaria. válvula de retenção e seccionamento na compressão e depósito de membrana assente sobre uma base de inox.3. dependendo das necessidades. manómetro.1 Sistema Hydro Solo E Constituição É constituído por um único grupo electrobomba da gama CRE. A alternância entre os grupos electrobomba principais é automática e depende da carga. O grupo electrobomba auxiliar arranca sempre em primeiro lugar e pára quando um grupo electrobomba principal entra em funcionamento. mantém uma pressão quase constante. através do comando ligando ou desligando o grupo electrobomba auxiliar dos grupos electrobomba principais. transdutor de pressão.MSH Número de grupos electrobomba principais Tipo de grupo electrobomba principal Número de grupos electrobomba auxiliares Tipo de grupo electrobomba auxiliar Painel de controlo do Controlo 2000: PMU: PMU 2000 PFU: PFU 2000 Depósito de membrana / Capacidade 6. Código de identificação Hydro 2000 MSH 2 CR 20-6 + CR 10-12 PMU 80 L Tipo de central Subgrupo: MS . A pressão de paragem (Hstop) não pode ser configurada. Diagrama de princípio GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE ISOLAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO 109 .Sistemas de Pressurização Grundfos A central supressora Hydro 2000 MSH. pelo facto de ser determinada automaticamente. interruptor de corte geral.3 Sistemas de pressurização com grupos electrobomba de velocidade variável 6.

O valor ∆H é cerca de 10% do setpoint.5 ∆H abaixo do setpoint. etc. fugas. mantendo uma pressão constante. 6. parando de seguida. Três grupos electrobomba em funcionamento. GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Modo de funcionamento .Hydro 2000 ME Três grupos electrobomba idênticos com motores MGE e depósito de membrana. a electrobomba arranca satisfazendo o consumo.) será o depósito de membrana que suprirá estas necessidades evitando arranques.2 Sistema Hydro 2000 E Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 E consiste em 2 a 6 grupos electrobomba CRE/CR em paralelo. Quando o transdutor de pressão detecta um valor abaixo do requerido (setpoint) a velocidade do grupo electrobomba aumenta até ao valor pretendido fazendo variar a pressão num valor de 0. 110 .5 ∆H acima. montados em base comum. Código de identificação Exemplo Hydro Solo-E CRE 5-8 1 x 200-240 V Gama Subgrupo Tipo de grupo electrobomba Tensão Um grupo electrobomba em funcionamento. Para um valor 0. providos com todos os acessórios necessários e quadro eléctrico de comando com controlo 2000.Sistemas de Pressurização Grundfos Modo de funcionamento Diagrama de princípio PRESSÃO DE PARAGEM ∆H PRESSÃO DE ARRANQUE Definida a pressão de ajuste na caixa de controlo. o grupo electrobomba irá adaptar a sua velocidade ao consumo de água requerido. aumentando assim o rendimento do sistema. Para pequenos consumos (caudais reduzidos.3.

. . Um grupo electrobomba com motor MGE e depósito de membrana em funcionamento. . do período de tempo e de avarias. A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga.Hydro 2000 MES Um grupo electrobomba com motor MGE. 111 . Um grupo electrobomba auxiliar de 50% da capacidade com motor MGE em funcionamento. Um grupo electrobomba com motor MGE e dois grupos electrobomba controlados por arranque/paragem em funcionamento. um ou dois grupos electrobomba principais com controlo arranque/ /paragem e depósito de membrana. conforme as necessidades. A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga. através do ligar/desligar dos grupos electrobomba e do controlo paralelo dos grupos electrobomba em funcionamento. mantém uma pressão constante através da variação de velocidade dos dois grupos electrobomba auxiliares com motores MGE.O grupo electrobomba auxiliar com motor MGE arranca sempre em primeiro. A central supressora Hydro 2000 MES mantém uma pressão constante através da variação de velocidade com motor MGE. Um grupo electrobomba auxiliar com motor MGE e grupo electrobomba principal em funcionamento.Sistemas de Pressurização Grundfos A central supressora Hydro 2000 ME mantém uma pressão constante através da variação de velocidade dos grupos electrobomba ligados.Hydro 2000 MEH Dois grupos electrobomba com motores MGE. O funcionamento do sistema é regulado de acordo com as necessidades. dois ou três grupos electrobomba principais com controlo arranque/ /paragem e depósito de membrana. alcançando deste modo um desempenho correspondente ao consumo. período de tempo e de avarias. do tempo e de avarias. enquanto o grupo electrobomba principal é controlado através de arranque/paragem. O grupo electrobomba auxiliar com motor MGE é sempre o primeiro a arrancar. . enquanto os restantes grupos electrobomba são controlados por arranque/paragem. A central supressora Hydro 2000 MEH.A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga. com 50% da capacidade do grupo electrobomba principal.

Diagrama de princípio Um grupo electrobomba em funcionamento através do conversor de frequência.3.MEH .Hydro 2000 MF Quatro grupos electrobomba idênticos e depósito de membrana: um dos grupos electrobomba é controlado através do conversor de frequência e os restantes por arranque/paragem por meio de contactores.Sistemas de Pressurização Grundfos Código de identificação Hydro 2000 MEH 2 CR 45-2 + 2 CRE 32-2 PMU 300 L Tipo de central Subgrupo: ME . Modo de funcionamento .MES Número de grupos electrobomba principais Tipo de grupo electrobomba principal Número de grupos electrobomba auxiliares Tipo de grupo electrobomba auxiliar Painel de controlo do Controlo 2000: PMU: PMU 2000 PFU: PFU 2000 Depósito de membrana / Capacidade 6. GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Um grupo electrobomba em funcionamento através do conversor de frequência e dois grupos electrobomba que funcionam através da rede eléctrica (arranque/paragem). providos com todos os acessórios e quadro eléctrico com controlo 2000 e conversor de frequência. 112 .3 Sistema Hydro 2000 F Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 F é constituído por 2 a 6 grupos electrobomba CR em paralelo. montados em base comum.

Todos os grupos electrobomba são alternadamente controlados através do conversor de frequência.4 Teste de sistemas Para mais fácil compreensão das características dos sistemas de pressurização com velocidade variável e velocidade fixa.MFH Número de grupos electrobomba principais Tipo de grupo electrobomba principal Número de grupos electrobomba auxiliares Tipo de grupo electrobomba auxiliar Painel de controlo do Controlo 2000: PMU: PMU 2000 PFU: PFU 2000 Depósito de membrana / Capacidade 6.Hydro 2000 MFH Dois grupos electrobomba auxiliares com 50% da capacidade de um grupo electrobomba principal. A central hidropressora Hydro 2000 MFH mantém uma pressão constante através da variação contínua de velocidade de um grupo electrobomba de 50% da capacidade e os restantes grupos electrobomba são através do comando ligado / desligado conforme as necessidades. Código de identificação Hydro 2000 MFH 2 CR 45-2 + 2 CRE 32-2 PMU 300 L Tipo de central Subgrupo: MF . 113 . A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga. . no respeitante à evolução da pressão e da potência consumida na gama de caudais cobertos pelos sistemas. O grupo electrobomba controlado pelo conversor de frequência arranca sempre em primeiro lugar. Um grupo electrobomba com 50% da capacidade em funcionamento através do conversor de frequência. Um grupo electrobomba auxiliar a 50% da capacidade em funcionamento através do conversor de frequência e um grupo electrobomba principal que funciona através da rede eléctrica (arranque/paragem). Os restantes grupos electrobomba arrancam ou param dependendo das necessidades. controlado através do conversor de frequência. período de tempo ou de uma avaria. período de tempo ou de uma avaria. Os dois grupos electrobomba auxiliares são alternadamente controlados através do conversor de frequência e os dois grupos electrobombas principais por comando arranque/paragem. é sempre o primeiro a arrancar. e um ou dois grupos electrobomba principais.Sistemas de Pressurização Grundfos A central hidropressora Hydro 2000 MF. O grupo electrobomba auxiliar. mantém uma pressão constante através da variação contínua de um dos dois grupos electrobomba. poder-se-á apreciar nas folhas de teste anexas os diferentes comportamentos registados. A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga.

26. 0 50. 4 6. 9 399. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 1 0 1 1 1 2 1 3 81 0000023 H 2000 M E 3 CRE45. 0 200 40 1 80 1 60 1 40 30 1 20 1 00 20 80 60 1 0 40 20 0 0 25 50 75 1 00 1 25 1 50 1 75 0 Q ( 3/h) m Cur da Bom ba va D ata O perador Bancada de Ensai o Testem unho Cur de Pot va ênci a 030: 01 : 03. 7 398. 1 398. 4 38. 0 50. 5 m m 3/h Hz V kW 1 i /m n. 3 399. 215 . ºC P1 ( ) kW Q ( 3/h) m H ( ) m F ( z) H cos phi UU ( V) UV ( V) I R ( A) I S ( A) I T ( A) 0. 0 36. 1 1 7. 8 98. 0 398. 9 24. 1 32. 3 34. 4 397. 0 50. 1 8 3. 7 399. 3 4. 1 1 0 5. 0 396. 38. 93 0. 97 0. 0 0. 5 38. 6 4. 1 36. 8 50. 5 76. ºC 1 5 2. Ti de M ot po or N . 0 35. 1 5 68. 1 6 9. 6 399. 6 35. 7 400.Rot ação Tem per ur Am bi e at a ent Tem per ur da Água at a UW ( V) 38. 1 398. 22. ºde Fases Fr equenci a Tensão Pot ênci a Vel oc. 6 23. 8 396. 96 0. 0 9. 8 399. 25. 5 399. 8 29. 8 32. 96 0. 6 34. 0 50. 3 6. 44. 96 0. 96 0. 0 1 1 8. 0 50. 1 398. 1 7 9. 5 398. 5 1 2 5. 8 396. 0 50. 5 34. 1 397.2005-1 00: : : : 114 P1( ) kW H( ) m . 5 38. 8 400. 1 9 9. 1 0 34. 4 38. 9 399. 0 50. 7 3x45 3 50 400 3x7. 1 6. ti i º Clent i e Encom enda Clent i e Encom enda Fabr ca i Ti de Bom ba/Cent al po r Codi Bom ba/Cent al go r ºSer e Bom ba/Cent al i r N. 4 4. 1 2 62. 7 397. 1 26. 5 398. 4 37. 0 1 4 26. 25.Sistemas de Pressurização Grundfos Fol de Test de Centr s ha e ai Cer f cado N . 6 32. 2 36. 8 4. 2 397. 4 397. 2 2. 96 0. 9 1 1 3. 0 50. odut M ot ºPr o or N º. 97 398. 2 36. 90 0. 3 1 9 4. 8 396. 7 399.c/Depósi o de 300L 2 t 91 43D 064 1 48/0507VJ 01 Al ur nom i t a nal Caudalnom i nal N. 4 38.

2 399. 1 6 3. 5 397. 1 1 5. 0 0. 8 7. 0 50. 3 398. 0 398. 215 . 2 28. 40 0. 86 0. 9 396. 7 400. 1 397. 5 1 8 4. 3 7. 1 0 5. 1 2 5. 7 397. 6 8. 2 7. 3 69. 5 77.Rot ação Tem per ur Am bi at a ente at a Tem per ur da Água UV ( V) 816 . 6 8. 9 0. 0 50.Sistemas de Pressurização Grundfos Fol de Test de Cent ai ha e r s Cer i i t f cado N . 1 8 4. 1 2 4. 0 50. 7 25. 0 50. 22. 2 80. 9 8. ºC ºC P1 ( ) kW Q ( 3/h) m H ( ) m F ( z) H cos phi UU ( V) UW ( V) I R ( A) I S ( A) I T ( A) 0. 1 00 22 21 90 20 1 9 80 1 8 1 7 1 6 70 1 5 1 4 60 1 3 1 2 50 1 1 1 0 40 9 8 30 7 6 5 20 4 3 1 0 2 1 0 0 5 1 0 1 5 20 25 30 35 40 0 Q ( 3/h) m Cur da Bom ba va D ata ador O per Bancada de Ensai o Testem unho Cur de Pot va ênci a 031 08: : 03. 4 7. 4 22. ºde Fases Fr equenci a Tensão Potênci a Vel oc. 0 397. odut M otor N º. 5 719 . 3 398. 3 67. 87 0. 0 50. 6 1 2 5. 22. 6 4. 1 2 5. 1 8 4. 86 0. 86 0. 5 397. 0 1 2 5. 1 8. 0 396. 0 50. 4 4. 1 4 3. 0 396. 6 1 0 3. 4 396. 0 50. 1 0. 213 .2005-1 : 08 : : : P1( ) kW H( ) m 115 . 3 70. 9 399. 1 8 4. 1 5 3. 1 24. 2 64. 7 396. 8 397. 70. 0 1 1 2. 0. 8 8. 0 50. 4 36. 0 50. 7 397. 5 398. 0 399. m m 3/h Hz V kW 1 i /m n. 1 4 4. 8 50. 5 396. 86 0. 6 7. 1 8 2. 0 397. 23. 9 8. 9 27. 87 0. 1 9 4. 0 7. 0 50. 9 8. 7 397. 8 84. 0 218 .0 t 91 43A287 1 0053/0504EG Al a nom i tur nal Caudalnom i nal N. 86 0. 3 399. 1 7 4. 86 398. 4 398. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 1 0 1 1 81 0000024 H1 000 3 CR1 1 com Depósi o de 200L 0. 1 399. 7 68. 5 396. 6 396. 8 7. 7 398. 2 4. 4 69. 87 0. 3 396. 87 0. 1 3 4. 0. 0 399. ºSer e Bom ba/Cent al i r Ti de M otor po ºPr o N . º Clente i Encom enda Clent i e Encom enda Fabr ca i Ti de Bom ba/Cent al po r Codi Bom ba/Cent al go r N. 6 397. 1 6 4. 3x1 0 3 50 400 3x4 1 8 4.

116 .

Comunicação e Gestão 7. SISTEMAS DE CONTROLO.Sistemas de Controlo. COMUNICAÇÃO E GESTÃO Autor: José Dias Director de Serviço Pós-Venda Bombas Grundfos Portugal 117 .

118 .

7. cisternas.2 Controlo de sistemas de bombeamento Cada bomba ou conjunto de bombas. cumprindo as normas eléctricas nacionais de segurança. tendo para tal desenvolvido o respectivo software de controlo adequado a cada tipo de electrobomba com variação de velocidade. onde a melhor eficiência para cada tipo de instalação é facilmente ajustável. tanto de uma forma automática como de uma forma manual. em termos energéticos e de serviço. onde a necessidade do nível não carece de ser controlada com elevado rigor mas visa essencialmente. tanto para a instalação como para os diversos componentes presentes neste processo. devem as sondas e sensores ser instalados com a redundância necessária a fim de assegurar o controlo e a garantir a maior segurança e operacionalidade com o mínimo risco de avaria ou falha. Daí que cada sistema de bombeamento necessita sempre de um conjunto de equipamentos externos às bombas. Comunicação e Gestão 7. disponibilizando para tal. A fim de assegurar uma correcta operacionalidade dos sistemas de controlo. de forma a assegurar a operacionalidade das bombas de acordo com a metodologia recomendada. ou recorrendo ao sistema de controlo por transdutor de pressão integrando os processadores Grundfos desenhados e desenvolvidos para o efeito. ou um controlo interno próprio que desempenhe as mesmas funções de uma forma eficaz (controlo electrónico integrado). Esse sistema pode estar inserido num quadro eléctrico de controlo. a operacionalidade dos mesmos. custos de manutenção. poços ou outros locais. Pode elaborar mapas de controlo automáticos. 7.2 Controlo por caudal Visando essencialmente manter o caudal desejado para a instalação. 7. de modo a efectuarem correctamente as funções para as quais foram seleccionadas e projectadas. Permite ou não efectuar relatórios por forma a ajudar ao melhor aproveitamento das variáveis necessárias ao processo de funcionamento. entre outros.2. O controlo por nível deve ser desenvolvido de acordo com a aplicação específica. entre outros. para a indicação ou medida.3 Controlo por pressão Tradicionalmente o controlo por pressão pode ser efectuado por recurso a um sistema de pressóstatos e vaso de expansão. Os quadros de controlo da Grundfos (QES) estão preparados para instalação de sensores de nível de uma forma selectiva e ordenada permitindo desempenhar com maior eficiência. ou outros que se entenderem beneficiar a instalação. deve efectuar a sua função de modo aceitável para a sua aplicação. manter a reserva de água com níveis aproximados de modo a serem utilizados na medida das necessidades. permite racionalizar o funcionamento das centrais de bombeamento de uma forma harmoniosa e eficaz oferecendo uma elevada performance nas aplicações onde é utilizada. bem como registo de avarias ou acontecimentos importantes para optimizar o funcionamento dos equipamentos de bombeamento (bombas. custos de exploração. Nesta área a Grundfos tem aperfeiçoado e desenvolvido o mais moderno software e aplicando-o aos seus processadores para utilização nos quadros H2000 onde. Este tipo de controlo visa o controlo rigoroso do caudal. A Grundfos. válvulas. segurança e operação da instalação. possibilitando assim assegurar o correcto abastecimento da instalação. servindo a necessidade dos utilizadores.1 Introdução Definições: • O sistema de controlo cumpre o processo que permite operar de forma automática o funcionamento das bombas de um modo seguro e eficaz. Neste sentido. 7. possui sistemas de controlo adequados a cada tipo de aplicação. • A gestão cumpre o processo pelo qual é possível contabilizar os diversos parâmetros. um elevado número de parâmetros que permitem rentabilizar a eficiência das bombas. com o auxílio de conversores de frequência por si desenvolvidos. aparelhagem de medida e controlo). As bombas necessitam por isso sempre de um sistema de controlo.1 Controlo por nível O sistema de controlo por nível requer a utilização de equipamentos eléctricos ou mecânicos.2. a selecção e instalação das sondas ou eléctrodos deve ser cuidadosa. controlo e rentabilização de exploração. Este rigor é tanto mais preciso quanto melhor for o equipamento de medida e o controlo das bombas. a sua manutenção e eficiência. instalados nos tanques. 119 . tendo em atenção a localização da instalação. aplicados em diferentes pontos da instalação. Este tipo de controlo visa efectuar o enchimento constante de um tanque ou cisterna. Garante-se assim um valor de pressão constante na rede de abastecimento independente da variação dos consumos. de modo a operar os equipamentos de bombeamento de uma forma criteriosa e segura. • O sistema de comunicação cumpre o processo pelo qual a mensagem é transmitida de modo seguro entre o sistema de controlo e o equipamento accionado. deve ser usado de acordo com a instalação e de acordo com a selecção dos outros equipamentos de bombeamento.Sistemas de Controlo.2. mantendo sempre em atenção os requisitos de segurança atrás referidos. Este deve operar as bombas de acordo com a potência instalada e de acordo com os objectivos do projecto.

adicionando as informações registadas e analisadas mais importantes à mensagem de alarme. pressão. 7. como: controlo por diferença de nível. Pretendemos assim apenas referir-se algumas das variantes possíveis. Entre eles destacamos outros. Um sistema deste tipo proporciona um enorme aumento na fiabilidade operacional com um investimento moderado.1 Necessidade de comunicação Com o objectivo de controlar o funcionamento dos equipamentos à distância é necessário dotar as instalações de meios pelos quais cada unidade possa observar o comportamento da outra e actuar automaticamente operando de modo a avisar o operador ou a desenvolver rotinas automáticas para corrigir qualquer anomalia ou processo alternativo necessário. 1 . Fig.3. Por outro lado. das instalações e dos sistemas de exploração. integrados na mesma rede com o objectivo de controlar automática e/ou manualmente. a unidade de controlo pode ser equipada com um modem GSM. mesmo que não ocorram quaisquer situações de alarme. etc. Por exemplo. toda a instalação. 7. 7. em que se necessite de conjugar várias grandezas. isto é. conforme descrito nas secções seguintes.3 Comunicação entre sistemas de bombeamento 7. de acordo com os recursos disponíveis para investimento. que procederá à transferência dos alarmes gerados pela unidade de controlo para o telefone do responsável.3. Caso seja preferido um simples sistema de transferência automática de alarmes. É possível integrar este tipo de controlos com os controlos Grundfos. Para isso podem utilizar-se vários processos de comunicação conforme as necessidades e aplicação. 7.2. Caso um sistema deste tipo crie relatórios automáticos e proceda à sua transferência semanal para o responsável.1 Diferentes níveis de controlo remoto As modernas unidades de controlo de bombas permitem que o sistema de controlo e monitorização seja personalizado de acordo com as funções requeridas pelo projecto. Como exemplo podemos referir o controlo do nível do tanque ou cisterna a abastecer simplesmente uma rede sobre pressão. visto que não existe nenhum centro de controlo. mas muitas mais existem. as unidades de controlo modernas são capazes de utilizar a totalidade do espaço da mensagem SMS. visando a protecção dos equipamentos.3. a transmissão de dados é crucial ao funcionamento dos sistemas de controlo remoto.Sistemas de Controlo.2 Comunicação entre sistemas de controlo da mesma rede 7.4. sob a forma de uma mensagem SMS. será possível evitar grande parte das habituais visitas às estações de bombeamento.4 Outros tipos de controlo Existem muitos tipos de controlo possíveis de aplicar.2 Controlos integrados Sistemas de controlo diversos. caudal ou pressão. por diferença de caudais ou sistemas em que se actue de acordo com as necessidades de nível.4.2. Comunicação e Gestão 7. número de arranques.2 Transmissão de dados Apesar das unidades de controlo das bombas terem um funcionamento totalmente independente.2. estas informações poderão consistir no tempo de funcionamento das bombas. 7. O tempo necessário para a transferência de dados pode ser diminuído se a unidade de controlo das bombas efectuar localmente a totalidade da análise dos dados e armazenar os resultados na respectiva memória. no entanto estes devem ser efectuados de acordo com as necessidades de cada instalação.1 Controlos mistos Quando se trata de projectar uma instalação tendo vários tipos de controlo a ela ligados.3. Caso seja introduzido um sistema de controlo remoto e monitorização ao nível da rede. por diferença de pressão.Comunicação directa ou individual 120 . existem vários modos de implementar a ligação de comunicações entre as estações exteriores e o centro de controlo.2. consumo de energia. referimo-nos a controlos mistos. dos quais abordamos apenas alguns.2.

Ocasionalmente. destinados a reduzir os custos de funcionamento a longo 7. modems GSM ou qualquer combinação destes. De uma maneira geral. Tipicamente. Esta é uma característica importante. por exemplo. mas este método é raramente utilizado nos últimos tempos devido ao aumento dos custos e da fiabilidade incerta. Ambas as extremidades da ligação de comunicações necessitam de um modem para modular os dados para transferência. devem ser controladas fiavelmente de modo a proporcionarem um funcionamento seguro e eficiente. cuja função é imprimir todos os alarmes para análise posterior. A actual tecnologia de controlo electrónico permite conceber e projectar sistemas de controlo e monitorização versáteis. Comunicação e Gestão Assim sendo. caso existam interrupções indefinidas na ligação de comunicações. 7. o tempo de funcionamento das bombas.4. os modems de rádio e as linhas dedicadas são utilizados quando as distâncias são curtas e quando existe a necessidade de comunicação contínua. contacta o operador do pager e envia a mensagem que será apresentada no pager. outros alarmes activos (configurados para não serem transferidos). a mensagem contém informações codificadas sobre a identidade da estação e o tipo de alarme emitido. O software de administração em execução no computador do centro de controlo efectua a categorização automática dos alarmes. de modems de rádio.4. o computador do centro de controlo também está equipado com uma impressora separada para os alarmes. bem como o agendamento das tarefas do pessoal técnico de serviço.4 Gestão integrada entre sistemas de bombeamento Fig. os alarmes são transferidos para o telefone GSM do técnico de serviço sob a forma de uma mensagem SMS (de texto).1. etc.2. A tecnologia GSM constitui frequentemente a melhor alternativa para adaptação de instalações já existentes. A moderna tecnologia de telecomunicações GSM constitui uma solução apelativa para o controlo e monitorização remotos de estações exteriores localizadas a grandes distâncias do centro de controlo.Painel de supervisão de gestão integrada 7. 2 . esta mensagem poderá incluir informações mais detalhadas sobre o estado da estação de bombeamento (em funcionamento/parada/falha). A transmissão de dados é sempre configurada de acordo com as necessidades individuais. o volume de bombeamento durante o dia.3.1 Monitorização e gestão de sistemas mistos 7.1 Controlo e monitorização de estações de bombeamento Todas as estações de bombeamento. os custos da transmissão de dados e as características requeridas e proporcionadas por cada método. Para além do texto do alarme. Todas as tendências indicam que as comunicações por modem GSM irão tornar-se cada vez mais populares no futuro. Os alarmes também podem ser transferidos por pager. as estações de bombeamento e a estação de controlo central podem estar situadas a uma grande distância praticamente ilimitada uma da outra. Os resultados também podem ser armazenados na estação exterior durante algum tempo. Normalmente. dependendo apenas do número de informações requeridas. a acederem a uma estação elevatória com objectivos específicos. A rede telefónica pública também permite autorizar outras entidades. uma vez que a instalação de linhas de acesso de PSTN é dispendiosa e a sua disponibilidade poderá estar limitada. com os circuitos de controlo entre os depósitos de água potável e as estações de captação. o que lhe permite transferir o alarme 121 . tal como acontece. tais como fornecedores de equipamentos e empresas de serviços. O computador do centro de controlo cria o texto do relatório de alarme. normalmente uma semana. sem necessitarem de estar permanentemente ligadas ao centro de controlo. em cuja base de dados são armazenados todos os alarmes recebidos. A ligação das comunicações tem de ser flexível e permite normalmente a utilização da rede telefónica pública. em vez de todos os dados registados. Isto também permite que as unidades de controlo das bombas funcionem independentemente. quer trabalhem individualmente quer façam parte de uma rede de abastecimento ou de rega.Sistemas de Controlo. composta por várias estações de bombeamento. A escolha de um método de transferência tem de ser da responsabilidade do utilizador. tomando em consideração os custos de instalação. antes de serem automaticamente enviados em conjunto. Também é possível utilizar linhas dedicadas. só será necessário transferir os resultados calculados para o centro de controlo. Se estiverem ligadas através da rede telefónica pública. para a pessoa certa no momento exacto (caso o alarme esteja categorizado para transferência).3 Transferência de alarmes Os alarmes provenientes de uma estação exterior são transferidos para o centro de controlo.

tal como um sistema de controlo da estação de tratamento ou um sistema de controlo integrado da empresa responsável pela rede de abastecimento público de água.3 Controlo e monitorização remotos baseados na Internet e WAP As mensagens de alarme transferidas para os técnicos de serviço sob a forma de mensagens SMS são exclusivamente informações unidireccionais. poderia alcançar-se a flexibilidade total proporcionada por um centro de controlo móvel. A integração não significa que todos os sistemas serão executados no mesmo computador com o mesmo software. a fiabilidade é a principal preocupação relacionada com a concepção de uma unidade de controlo para uma estação de bombeamento. bem como a defesa do meio ambiente e o conforto do utilizador.4. Os sistemas de controlo e monitorização através da Internet/WAP permitem igualmente que a monitorização remota seja proposta aos serviços públicos ou entidades 122 . Numa aplicação normal no modo serviço/ /reserva. sob a forma da descarga de águas para o ambiente ou para as caves de edifícios. As mais recentes inovações nas técnicas de controlo e monitorização remotos envolvem a utilização da Internet e da tecnologia WAP para ultrapassar as limitações dos sistemas de monitorização tradicionais anteriormente descritos. Por exemplo. simultaneamente ou a intervalos ajustáveis.1.2 Vantagens de um sistema integrado 7. 3 .1 Funções de controlo O parâmetro mais comum de uma estação de bombeamento H2000. do seu melhor desempenho. poderão consultar os dados históricos detalhados das estações exteriores a partir dos computadores instalados no próprio local de trabalho. Recorrendo a diversos tipos de sensores. gestores. os níveis de funcionamento pré-definidos são o nível de paragem. os sistemas devem ser concebidos utilizando procedimentos padrão.. Comunicação e Gestão prazo e a aumentar a sua fiabilidade. dispositivos ultra-sónicos. etc. Se estiver instalada mais do que uma bomba de reserva. possibilitando a utilização das informações sempre que tal seja necessário.4.4. os operadores. tais como sistemas operativos de PC e protocolos padrão de transmissão de dados e entrada e saída de sinais. esta opção pode ser efectuada por relógio ou por indicação externa. em cada sistema.Vários sistemas integrados 7. este factor torna os cálculos de monitorização das bombas mais complicados e menos fiáveis. numa situação em que todas as restantes estejam em utilização. As estações de bombeamento não fiáveis representam um risco ecológico e financeiro. A integração de sistemas é normalmente útil para seleccionar o melhor sistema para cada aplicação e para os combinar a um nível adequado. As bombas de serviço arrancam quando a variável requerida é insuficiente. tendo sempre em atenção os custos energéticos. Este tipo de unidade de controlo utiliza sempre um transdutor ou um sensor de modo a efectuar um controlo em contínuo. para assegurar uma distribuição igual da utilização e do desgaste entre as bombas. tendo como preocupação fundamental a fiabilidade das instalações e dos equipamentos de bombeamento. essas bombas poderão ser iniciadas simultaneamente ao mesmo nível. Por este motivo. O sistema de controlo e monitorização baseado na Internet permite consultar e criar relatórios dos dados históricos das estações de bombeamento a partir de múltiplas localizações. A bomba de reserva arranca quando uma das principais estiver em avaria. tais como transdutor de pressão. A Grundfos estudou e desenvolveu diversos tipos de controlos para diferentes aplicações. 7. Se o técnico de serviço tivesse a possibilidade de controlar o sistema e alterar alguns parâmetros cruciais a partir do respectivo telemóvel quando estivesse em viagem. caudalímetros. o nível de arranque e a pressão de controlo.4. engenheiros do sistema de abastecimento.2 Integração do sistema Um sistema de controlo e monitorização de estações de bombeamento pode ser integrado com outro sistema de controlo. 7. depois de introduzirem a respectiva identificação. parando quando esta estiver acima do valor requerido. quando a variável atinge o nível de paragem. Através dos controladores H1000 e H2000 é possível usufruir.2. de manutenção e exploração. Todas as bombas em funcionamento são paradas. é medir a pressão de abastecimento. desenvolveu softwares próprios e processos electrónicos para a perfeita adaptação das electrobombas que fabrica. particulares de abastecimento de água. bem como inibe os utilizadores de usufruírem do bem de que necessitam. técnicos de serviço. que monitorizam as estações de bombeamento. Também a nível do controlo. Esta solução poderia permitir utilizar software comum para a transferência e comunicação de alarmes.1. a intervalos ajustáveis ou a níveis diferentes. às aplicações mais diversas. Para possibilitar esta integração.Sistemas de Controlo. a sequência de controlo da bomba é bastante simples. Fig. independentemente da localização. Normalmente. No entanto. As bombas alternam em cada ciclo. etc. é agora possível um sistema de monitorização ao nível de rede e as possibilidades futuras de combinação da internet e da tecnologia WAP. Em algumas instalações é possível que todas as bombas tenham níveis de arranque e paragem diferentes. Estão disponíveis vários tipos de sensores.

é possível instalar uma ou mais bombas de reforço com características diferentes. dados provenientes de um medidor de caudal ou conversor de frequência adicional. etc. Estes sinais podem ser digitais ou analógicos. é activada a segurança da instalação automaticamente. esta é automaticamente parada. A unidade de controlo da bomba também está programada para indicar todas as falhas de funcionamento da estação até um máximo de 10. para que o operador possa evitar possíveis danos. tais como alarmes de nível elevado. Os parâmetros são introduzidos na unidade com base nas dimensões reais da estação e em unidades recolhidas no projecto ou medidas no local da instalação. através de limites ajustáveis de sub e sobrecorrente no caso dos motores MGE da Grundfos. os níveis baixo e alto de alarme e os níveis de sobrecarga. Os valores a introduzir são normalmente níveis de funcionamento que correspondem a um determinado nível de água no poço.Sistemas de Controlo. Isto permite simplificar o painel de controlo do motor.4. o sistema deve ser capaz de adaptar a variável correctamente e sem ambiguidades. nível baixo. tais como os níveis de arranque e paragem das bombas. situação em que o sobreaquecimento do motor se torna um risco devido à possibilidade de falha. removendo deste as características que estão incorporadas no PFU tais como os amperímetros. provenientes de sensores adicionais. Em última análise. para tratar de caudais maiores. Quando a pressão de entrada e a duração da sobrecarga são conhecidos. Em conjunto com os relés térmicos ou os dispositivos electrónicos de protecção existentes no arrancador do motor da bomba. protegendo ainda a bomba em caso de falta de água e onde não é usada a protecção adicional recomendada. que se encontram nas folhas de características destas. Caso a corrente de entrada suba acima do limite de sobrecorrente. Os outros parâmetros habitualmente requeridos são as dimensões do poço e os valores nominais da corrente de entrada e da capacidade das bombas. Nestas circunstâncias. este não deve ser considerado como dado de controlo mas sempre como de protecção. Por exemplo.2. Todas as funções acima descritas estão disponíveis na unidade de controlo e monitorização C2000 da Grundfos e podem ser lidas a partir do visor da interface PMU. Fig. é possível utilizar dimensões reais ou percentagens dos valores de referência. Para efeitos de calibragem. pelo menos. os contadores de horas de funcionamento e os relés de sequenciamento. Os sinais digitais são sinais de entrada ou saída e indicam um estado ON ou OFF. A corrente do motor da bomba é também uma informação necessária para o planeamento das operações de manutenção da bomba. A unidade é configurada para proteger o motor da bomba em situações anormais.3 Parâmetros e sinais A unidade de controlo da bomba necessita de vários parâmetros para poder funcionar conforme necessário. A unidade tem de registar.). o que pode ser devido ao desgaste do impulsor ou à acumulação de ar. Intebus. bem como os sinais dos contactos isentos de potencial fornecidos pelo relé de presença de tensão e pelo contador de energia. Todos estes valores podem ser enviados para o sistema de gestão através de uma porta de conversão de protocolo G100 (Profibus.2.2. isto permite que os trabalhos de manutenção e controlo das bombas passem gradualmente da reparação de falhas para a manutenção preventiva e até mesmo para a manutenção preditiva. A utilização destes sinais pode requerer uma placa de expansão adicional. dado que o "Reset" do MGE se efectua automaticamente. Uma corrente de entrada anormalmente baixa indica que a bomba não está a bombear normalmente. o número de arranques das bombas e os incidentes relacionados com problemas de corrente no 123 . Os sinais de entrada digitais necessários são a indicação de funcionamento ou reserva da bomba. Caso ocorra a sobrecarga de uma estações de bombeamento.4. bem como uma versão especial da aplicação de software. A medição da corrente do motor da bomba é necessária para protecção e monitorização. Comunicação e Gestão Em alguns casos. do grupo de bombeamento tem capacidade de memória suficiente para registar os dados ao longo de um determinado período de tempo. Os sinais analógicos de entrada.4. quando presentes.Registo de dados A unidade de controlo e comunicação G100. este sinais correspondem a medições da temperatura dos enrolamentos e dos rolamentos do motor da bomba. Estas informações são igualmente importantes para verificar o desempenho operacional da estação de bombeamento e para a determinação das acções de manutenção. Os sinais digitais de saída são necessários para o arranque e paragem das bombas. Modbus. 7. São necessários vários sinais para que o controlo das bombas funcione conforme planeado. fornecidos pelos circuitos de comando.2 Funções de monitorização A unidade de controlo das bombas efectua a monitorização automática das bombas com base nos parâmetros registados e analisados. informações sobre a condição do óleo do empanque da bomba. etc. o tempo de funcionamento.4 Registo e análise de dados 7. esta unidade constitui uma valiosa protecção para o motor. 4 . são utilizados para medidas contínuas. 7. falha de alimentação da bomba e outros alarmes baseados nas definições dos limites dos parâmetros.

a intervalos específicos. 124 . Comunicação e Gestão motor da bomba. Habitualmente. 7. São utilizados indicadores luminosos separados para a indicação de alarmes e do estado de funcionamento das bombas. estes dados serão convertidos para esta base onde deverão ser tratados. através de um sistema automático de controlo remoto. Este interface tem de ser composto. Os dados registados podem ser agrupados e analisados mais detalhadamente através da sua transferência. no mínimo. Para esta situação a Grundfos dispõe de uma unidade PMU para o efeito. O utilizador tem de ser capaz de introduzir todos os parâmetros necessários e de ler os dados registados e calculados utilizando o teclado. Isto deve-se ao facto da perda de dados cruciais não ser aceitável. o utilizador necessita de um interface para trabalhar com a unidade de controlo das bombas. nem mesmo durante possíveis quebras de comunicação entre a estação exterior e o centro de controlo. por um pequeno visor LCD e um teclado. facilitam e aceleram a leitura rotineira dos dados. A utilização de um interface deste tipo tem de ser simples e lógico.2.Sistemas de Controlo. algumas funções úteis. necessitará de dispor de capacidade de memória suficiente para armazenar os dados registados e analisados durante vários dias.4. para um computador portátil com software adequado. Dado que a mesma se encontrará interligada com um sistema de gestão instalado num PC. tais como a função de varrimento automático.5 Interface do utilizador Para aceder aos dados e introduzir parâmetros. ou continuamente. Mesmo que a unidade de controlo das bombas funcione como uma estação exterior de um sistema de controlo e monitorização ao nível da rede.

Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8. INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE BOMBAS E SISTEMAS DE BOMBEAMENTO Autor: José Dias Director de Serviço Pós-Venda Bombas Grundfos Portugal 125 .

126 .

espaço livre de passagem e ausência de humidade que os equipamentos necessitam para o seu correcto funcionamento e longevidade.Reduzir o número de arranques e paragens das electrobombas no tempo. tem a ver com as condições ambientais de funcionamento. motores equipamentos electrónicos. 2 .Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8. O manual de instalação de cada tipo de bomba alerta para estas condições. que as centrais de bombeamento sejam instaladas tendo em atenção estas características por possuírem estes componentes e consequentemente necessitarem de condições de verificação adequadas. Os equipamentos de bombeamento. devem ser instalados de acordo com as suas características físicas e de protecção. que são: 1 . 8. CAPACIDADES MÍNIMAS RECOMENDADAS Capacidade do depósito de membrana [litros] Modelo da bomba CR(E) 3 CR(E) 5 CR(E) 10 CR(E) 15 CR(E) 20 CR(E) 32 CR(E) 45 CR(E) 64 CR(E) 90 Velocidade fixa MS 60 80 200 200 200 300 300 500 500 MSH 100 100 200 200 300 500 500 MF 60 80 80 200 200 200 200 200 200 MFH 200 200 200 200 500 Velocidade variável ME 60 60 80 80 80 200 200 200 200 MEH 60 80 200 200 200 200 200 MES 60 60 80 80 200 200 200 200 500 NOTA: Sempre que os sistemas não refiram capacidades de depósitos é por estes não serem normalmente utilizáveis. as quais devem ser cuidadosamente respeitadas. Os equipamentos eléctricos. 127 .2. eléctricas e físicas. permitindo alargar os períodos de manutenção.Para compensação da pressão no sistema durante os períodos de paragem da bomba. para além destas ainda devem ser consideradas as condições relativas aos quadros eléctricos de controlo e protecção. 8. Deste modo alertamos para a necessidade de ventilação.2. os quadros eléctricos de controlo e restantes equipamentos de medida e controlo. também denominado depósito de membrana. e outros equipamentos de comando e regulação alimentados por corrente eléctrica.golpes de aríete (consultar capítulo 4).2.3.2 Necessidades de ventilação Uma das mais importantes características de bom funcionamento dos equipamentos eléctricos e electrónicos. 8. permitindo a compensação de fugas e pequenos consumos. Valores apresentados nas tabelas que em alguns casos varia a capacidade do depósito também em função do número de bombas. possuem características especiais que devem ser respeitadas quando instaladas em ambientes em que as condições de temperatura sejam adversas. de modo a garantir-se o seu correcto funcionamento e duração de vida e de acordo com os manuais de instalação e operação respectivos. 3 . tais como temperatura e humidade. Utilização de reservatórios de membrana Porquê utilizar um reservatório de membrana.1 Localização do equipamento de bombeamento Os equipamentos de bombeamento devem ser instalados de acordo com as especificações dos manuais de instalação respectivos tendo em atenção as características ambientais. bem como a sua localização.1 Introdução Para a correcta instalação das bombas e restantes equipamentos de bombeamento devem ser consideradas algumas regras de acordo com os diversos equipamentos que compõem a instalação. A sua localização deve ainda respeitar e considerar a necessidade de manutenção e intervenção local bem como condições de remoção do local. numa central de abastecimento? Existem três razões essenciais para montar um depósito de membrana numa central.2 Requisitos para instalação 8.Permite proteger a instalação contra os regimes transitórios . É recomendado por isso. A Grundfos recomenda reservatórios cuja capacidade mínima é a abaixo mencionada.

não existe o risco dos casos mencionados anteriormente. Fig.2 Aspiração de cisterna elevada Neste tipo de abastecimento. mas também a segurança. Os maiores problemas susceptíveis de ocorrer nestas instalações relacionados com as bombas são os provocados pelo funcionamento sem água. a protecção contra sobreaquecimento do motor e outras protecções eléctricas.3 Instalação de sistemas de bombeamento Na instalação de um grupo ou de uma central de bombeamento é necessário sempre respeitar as regras de instalações hidráulicas.Central de bombeamento tipo com aspiração negativa 8. boiadores.3. em que se recorre à ligação do grupo ou da central de bombeamento.1 Aspiração negativa As centrais de bombeamento instaladas com este tipo de instalação. deve ser efectuado tendo sempre em atenção ao valor da curva de NPSH para esse mesmo ponto. O uso de válvulas de retenção eficazes e com reduzidas perdas de carga. a bomba pára. variável. o qual permite a fiabilidade das bombas sempre que se verifiquem roturas no abastecimento de água. Nesse sentido em cada sistema de bombeamento. etc. a altura de aspiração demasiado elevada e ainda a desferragem das bombas. destacamos. denominado LiqTec. Nesse sentido os equipamentos devem ser protegidos a nível mecânico. bem como a temperatura dos motores e dos empanques das bombas. Nesse sentido é necessário prover a instalação dos adequados sistemas de protecção por forma a evitar que os mesmos ocorram. após várias tentativas. as regras referentes à instalação eléctrica e ainda às regras de boa prática de montagem mecânica. à instalação ou às pessoas. por um conjunto de instrumentos que respeitem o seu funcionamento de uma maneira geral. estas estão preparadas para com sistemas de protecção suplementar interna. de modo a prevenir possíveis avarias e danos às bombas e à instalação. Fig. em que o nível da água está a um nível superior ao das bombas. a bomba pára e só após algum tempo. No funcionamento normal. caso falhe o sistema de protecção existente contra falta de água. hidráulico e eléctrico. de modo a garantir o seu funcionamento para além das protecções existentes. no entanto a fim de evitar o funcionamento indevido das bombas sem água. é necessário que as mesmas estejam devidamente protegidas contra essa possibilidade ou outras que possam provocar danos às bombas. poderemos apontar: • Percursos muito longos • Tubagens subdimensionadas • Demasiados acessórios na tubagem de aspiração da bomba. A segurança dos equipamentos e das pessoas deve ser sempre respeitada. 128 . daí que as centrais devam ser instaladas como se de bombas individuais se tratassem e os elementos de protecção individuais devem de igual modo respeitar esta regra. Como exemplo de instalações susceptíveis de provocar avarias. • Uso de filtros sem a manutenção adequada.Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8. se uma destas avarias ocorrer. Se a avaria persistir. Os quadros eléctricos de controlo devem dispor de protecções de modo a garantir a protecção e o bom funcionamento da instalação e das bombas individualmente. a cavitação. 2 . volta a funcionar. protecção contra falta de água. Para as bombas com variação de velocidade CRE. o uso de equipamento auxiliar como sensores de nível. que permite a maior duração dos empanques e casquilhos. A Grundfos disponibiliza um sistema de protecção electrónico contra a falta de água. isto é. 1 .Sistema de protecção LiqTecTM 8. bem como acústico nos casos em que tal se justifique. eléctrodos ou transdutores são outros dispositivos de segurança que devem ser consideradas como medidas de protecção. O cálculo do ponto de funcionamento da bomba. em que é requerido a aspiração de água de um nível mais baixo que o nível em que estão instaladas as bombas. devem ser considerados cuidados específicos e regras de segurança de modo a que respeitem as condições de aspiração próprias das bombas CR. a uma cisterna com pressão positiva.3. Entre as protecções existentes internamente nos motores MGE da Grundfos. os mesmos devem estar preparados com os cuidados devidos de modo a evitar danos.

4 Manutenção 8. Neste tipo de aplicação pode ocorrer excesso de pressão na aspiração.Central de bombeamento tipo. com aspiração de cisterna elevada • Anéis de desgaste e casquilhos. etc. o já referido funcionamento em seco. tendo como objectivo sempre.4. possam necessitar de maior intervenção. falta de fase. que adicionado à pressão de funcionamento das bombas. a poupança de energia e a preservação das condições de segurança dos equipamentos e da instalação. a mesma deve ser sempre considerada apenas como redundância a uma falha do sistema de controlo.Central de bombeamento tipo com aspiração de uma rede 8. Fig. como ainda para um possível aumento de pressão. contra sobrecarga. 4 . Dentro destes poderemos considerar: • Rolamentos dos motores e das bombas. quando existirem • Empanques e retentores Fig. Estas bombas e os quadros que as controlam. a protecção contra falta de água é uma das suas características internas como protecção ao equipamento. não só contra falta de água.Central de bombeamento com aspiração positiva Normalmente são equipamentos externos às bombas e que complementam a sua segurança.3 Aspiração de uma rede sob pressão Nas redes sob pressão há que ter em conta também um eficaz sistema de protecção. não devendo ser entendida como característica de operação. Mas nestas bombas existem ainda outras protecções complementares que evitam as protecções externas atrás mencionadas. têm de se adaptar à instalação e às diversas situações. Relativamente a bombas com variação de velocidade Grundfos. São exemplo disso. podem provocar avarias na instalação ou nas bombas. Genericamente os materiais de maior necessidade de intervenção quando se trata de bombas CR. 3 . Nestas redes os grupos ou as centrais de bombeamento devem estar protegidas contra funcionamento acima da pressão de rotura da instalação ou acima da pressão das próprias bombas. protecção contra sobreaquecimento do motor.Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8. Fig. 129 . caso não sejam tomadas em consideração as pressões de funcionamento. são aqueles que sujeitos a maior esforço físico ou desgaste por fricção.1 Manutenção aos equipamentos de bombeamento Os aspectos a ter em conta para efeitos de manutenção específicos. devem estar relacionados sempre com o equipamento respectivo e deve para o efeito ser consultado o manual técnico de instalação e operação das bombas. Como qualquer outro equipamento. como por exemplo o funcionamento em situações de perdas de carga variável.3. 5 .

2 Manutenção aos sistemas de monitorização e controlo Para um sistema de monitorização e controlo não é normalmente necessário qualquer manutenção especial. deve ser efectuada uma inspecção regular. o tempo de operação das bombas. Devem no entanto acompanhar-se e seguir-se a evolução do bom desempenho do mesmo e evitar-se a utilização dos PC's onde estão instalados ou dos outros equipamentos electró- Fig. de acordo com as especificações de funcionamento previamente estabelecidas. Sempre que se notar um funcionamento irregular ou fora do normal.Empanques No entanto no plano de manutenção a estabelecer deve ser sempre considerado. por outros programas com necessidades de acessos via internet ou outros susceptíveis de os contaminarem com vírus informáticos que possam interferir com o seu bom desempenho.Manutenção de um quadro eléctrico de controlo 130 . 7 . Também devem ser respeitadas as condições de temperatura de funcionamento e as regras de bom funcionamento e ventilação. relés ou outros). Fig. Quando a estes estiverem ligados equipamentos sujeitos a movimento mecânico (ex: contactores. a eles ligados.4. deve de imediato ser alertado o fornecedor de modo a diagnosticar possíveis falhas.Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento nicos. 8. 6 . com a periodicidade acordada inicialmente. a temperatura da água e a temperatura ambiente. a qualidade da água. bem como as condições de ventilação da sala onde a central ou as bombas estão instaladas.

SISTEMAS DE ABASTECIMENTO PÚBLICO E PREDIAL NO PORTO Autor: Carlos Medeiros Engenheiro Civil dos SMAS do Porto Professor Auxiliar da FEUP e da FAUP 131 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9.

132 .

" Actualmente. há mais de seis séculos. os SMAS. 133 . De acordo com o documento dirigido ao Rei pela Câmara Municipal do Porto. Inicia-se aqui o terceiro ciclo de vida do abastecimento de água à Cidade do Porto. No que respeita à água para consumo público. Cem anos volvidos. S. transporte e distribuição. O sistema mostrou-se extremamente vulnerável em regime de cheias dos Rios Douro e Sousa. novas captações. tratamento e adução em alta e em baixa até finais de 2000. nasce uma nova fase na história dos SMAS com as captações em profundidade em Lever. Concorreu a acreditada firma Hughes And Lancaster. pôs a concurso o projecto e execução das obras necessárias para o saneamento da Cidade. A água de abastecimento público passou.500 contos. expansão das redes de distribuição e transporte são passos importantes de uma nova fase. por 3. elevação. as doenças transmitidas. já sendo sentida desde algum tempo antes.. No reinado de D. mas só em 1 de Janeiro de 1887 é que o abastecimento é regularizado. encontra-se a mesma estabelecida desde 1907. Teve isto lugar em 1896. vem perante Vossa Majestade solicitar a atenção do seu governo. A rede de drenagem de Águas Residuais Domésticas. o qual é aprovado por Carta de Lei. no areal de Zebreiros (1937). o Porto já possuir fontes e chafarizes. A sua necessidade vinha. e para isso esta Municipalidade. os problemas de assistência e higiene pública. iniciou-se a construção dos mananciais de Paranhos e Salgueiros que. em 11 de Agosto de 1899 refere-se: "São graves. A população da Cidade era. com a captação no Rio Sousa. a ser adquirida pelos SMAS à empresa Águas do Douro e Paiva.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Serviços Municipalizados de Água e Saneamento do Porto Reporta-se a 1392 o mais remoto registo histórico de que há notícia. se destacaram de entre os principais pólos abastecedores de água à Cidade. a evolução dos cuidados com a saúde e ainda as exigências quanto à qualidade de vida impunham uma transformação radical do sistema. a inquinação dessas águas. conhecidíssima pelas obras congéneres executadas em diversas Cidades estrangeiras e exploradora do Sistema Shöne para a elevação de esgotos.000 habitantes e a água tida como a melhor da Europa. para uma população de 370. em 27 de Julho do mesmo ano. e à criação dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento em 1 de Abril desse ano..000 habitantes equivalentes. para uso público.. No entanto. revelador do facto de. procederam à captação.A. sendo em 22 de Março de 1882 assinado o contrato com a "Compagnie Générale des Eaux pour l'Étranger". contudo. de 122. então. Gondomar. passou o Município do Porto a integrar o Sistema Multimunicipal de Abastecimento de Água à Área Sul do Grande Porto. até ao século XIX. Em 1983. surgem várias companhias candidatas ao projecto e execução de obras de captação. altura em que. começando a Câmara a exercer fortes pressões junto da Companhia que conduziram ao resgate da concessão em 28 de Março de 1927. sistema posteriormente alargado aos Concelhos de Gaia. em profundidade. ainda é vulgar designar-se a água do Porto como "água da Companhia". embora sem condições de higiene. Os trabalhos são concluídos em 1886. Há anos já que esta Municipalidade. E como causa principal deste lastimoso estado não se pode apontar outra que não seja a falta quase completa de uma rede de canalização para os esgotos da Cidade. Maia e Valongo.XVI). conhecida a causa indicado estava o remédio. Sebastião (meados do séc. A partir de 1855. O contrato com a Compagnie Générale era válido por 99 anos e foi estendido a Matosinhos no princípio do século. É para um dos múltiplos aspectos de um destes problemas que a Câmara Municipal do Porto. então. a rede instalada possui uma extensão de 550 Km e capacidade de tratamento integralmente assegurada em duas ETAR's (Freixo e Sobreiras). Aumento de reservas. empreendeu obras que lhe permitissem melhorá-las e organizou Repartições de Estudo que a orientassem sobre a gravidade dos males e meios de os remediar. justamente preocupada com as condições higiénicas da Cidade.

134 .

prisionais. é obrigatória a elaboração dos estudos e projectos. prediais de água fria e quente. Os volumes de água para combate a incêndios são determinados em função do risco da sua ocorrência e propagação na zona. rega de zonas verdes e limpeza de colectores. Os consumos públicos. b) As secções. os reservatórios. as condições de ligação. Uma apresentação breve das condições a considerar na instalação de abastecimento público preencherá a primeira parte desta exposição.º 250º). nomeadamente às necessidades de água para o consumo e o combate a incêndios. caso a caso.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. lavagem de arruamentos.2 Elementos de dimensionamento As capitações a considerar na distribuição exclusivamente doméstica não deve. profundidades. A concepção dos sistemas de distribuição pública de água no Porto deve passar pela análise prévia das previsões do planeamento urbanístico (planos urbanísticos ou operações de urbanização em que se insiram) e das características específicas da área urbana em que se insiram. que impliquem a alteração ou ampliação dos sistemas públicos existentes ou a implementação de novas infra-estruturas. lavagem de pavimentos.2 Sistema de abastecimento público 9. Na escolha do sistema a ser utilizado.2. fornecida pela Câmara Municipal. podem geralmente considerar-se incorporados nos valores médios de capitação global. entre outros. uso industrial. a) A localização em planta das condutas.2. ressaltando as recomendações contidas no Regulamento dos Sistemas Públicos e Prediais de Abastecimento de Água e Drenagem de Águas Residuais (Decreto Regulamentar 23/95. fundamentalmente.Porto. É da responsabilidade do autor dos estudos e projectos a recolha dos elementos de base. serão especificadas as principais etapas que constituem o dimensionamento dos sistemas prediais de abastecimento de água fria e quente. nomeadamente. ser inferior a 250 l (habitante / dia). tanto a nível técnico como de legislação de soluções de abastecimento directo ou de abastecimento com recurso a sistemas elevatórios que garantam um abastecimento em quantidade e qualidade adequadas ao uso. tais como combate a incêndio. são apresentados os principais tipos de sistemas prediais de abastecimento de água. Seguidamente. entre outros. nomeadamente no que respeita à caracterização e localização das redes públicas de abastecimento de água. fornecendo os elementos seguintes. 9. Por fim. 9.º 23º).1 Introdução Nesta apresentação são abordados os principais aspectos relacionados com os sistemas de abastecimento públicos e. elementos acessórios da rede e as verificações necessárias à prévia utilização dos sistemas prediais. 135 . à escala 1:500 (Art. a definição do grau de risco e do caudal instantâneo a garantir (Art. qualquer que seja o horizonte de projecto. acompanhado de Planta de Localização da obra a levar a efeito. assim como as necessidades prediais. militares. que devem ser avaliados de acordo com as suas características. bem como o abastecimento predial de água feita a partir de captação particular (nascentes e furos). devem ser avaliados caso a caso e adicionados aos consumos domésticos. e submete-los à aprovação dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto (Art. pelo promotor. de 23 de Agosto) e a sua adaptação efectuada pelos pelo Regulamento dos SMAS . ensino. materiais e tipos de junta das condutas. Para os obter. tais como de fontanários.º 251º). com o fim de se garantir o abastecimento para outras finalidades. estabelecimentos de saúde. bombeiros e instalações desportivas. Os Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto prestarão todas as informações de interesse. os sistemas elevatórios e as câmaras de manobras para instalação de equipamentos elevatórios. Em zonas com actividade comercial intensa pode admitir-se uma capitação da ordem dos 50 l (habitante / dia) ou considerarem-se consumos localizados. Conclui-se a exposição referindo aspectos importantes referentes ao traçado. Os consumos industriais face a sua grande aleatoriedade. acessórios e instalações complementares.1 Aspectos gerais Nos arruamentos públicos existentes compete aos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto a elaboração de estudos e projectos dos sistemas públicos. Consideram-se consumos assimiláveis aos industriais os correspondentes. com as condições que determinam a sua aplicabilidade. será necessário requere-los ao Director Delegado dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. variando entre 5 e 20 l (habitante / dia). às unidades turísticas. será importante observar as condições de disponibilidade de abastecimento garantidas pela rede pública. hoteleiras. bebedouros. cabendo ao Batalhão de Sapadores Bombeiros da Câmara Municipal do Porto. Em todas as intervenções urbanas. O diâmetro nominal mínimo das condutas de distribuição é de Ø100mm (Art.º 18). sobre carta topográfica à escala 1:500.

grau 4. Os diâmetros de saída são fixados em 45mm para as bocas de incêndio e em 60mm para duas saídas e 90mm para os marcos de água. b) 125mm .4 Elementos de instrução dos processos de projectos O pedido de aprovação de projectos deve ser instruído com os seguintes elementos (Art. com formatos e dobragem concordantes com o estipulado nas Normas Portuguesas NP48 e NP49. qualificação e assinatura do autor do projecto. Os estabelecimentos comerciais e industriais devem ter ramais de ligação privativos.º 35º). respeitando a Norma Portuguesa NP204 e contendo. com indicação dos materiais das canalizações e acessórios utilizados. de ampliação ou remodelação.º 55º).º 264º). e) Especificação quando se trata de projecto de alteração ou aditamento. desde a rede pública até ao limite da propriedade a servir. a natureza.1:500. O diâmetro nominal mínimo das bocas de rega e lavagem e respectivos ramais de alimentação é de 25mm (Art. a descrição da concepção dos sistemas. o diâmetro não deve ser inferior a 45mm.º 32º). • Pormenores . g) Peças desenhadas dos traçados e instalações complementares. f) Legenda específica das redes representadas. dos aspectos de saúde pública e de protecção do ambiente.º 252º): a) Requerimento dirigido ao Director Delegado dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. Cabe aos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento a definição da localização das bocas de incêndio e dos hidrantes. e) Cálculo hidráulico onde conste os critérios de dimensionamento adoptados e o dimensionamento das redes. descrição do desenho. Os caracteres alfanuméricos devem obedecer à Norma Portuguesa NP89. Todos os desenhos devem possuir legenda no canto inferior direito. onde conste a identificação do proprietário. 9. é obrigatória a instalação de coluna piezométrica com desenvolvimento a definir pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto (Art. acrescidos de duas cópias para os elementos referidos nas alíneas b) a g). Os ramais de ligação consideraram-se tecnicamente como partes integrantes das redes públicas de distribuição e de drenagem. Quando se justifique.2. 9. designação e local da obra. f) Mapas de medição e orçamento a preços correntes.1:500 em extensão e 1:50 em altimetria. não excedendo as dimensões do formato A0. em boas condições de caudal e pressão. a seguinte informação: a) Designação e local da obra.º 56º). Nenhum sistema de distribuição de água pode entrar em funcionamento sem que tenha sido feita a desinfecção e a vistoria final de todo o sistema (Art. no mínimo. escalas e data da sua elaboração. Quando se tenha de assegurar simultaneamente o serviço de combate a incêndios sem reservatório de regularização. no original. a solicitar a aprovação do projecto. As peças desenhadas devem ser apresentadas.2.º 267º). os diâmetros nominais mínimos das condutas são determinados em função do risco da zona e devem ser: a) 100mm . após parecer do Batalhão de Sapadores Bombeiro (Art.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Quando o serviço de combate a incêndios tenha de ser assegurado pela mesma rede pública.grau 1 a 3. das obras a executar. Os diâmetros nominais mínimos dos ramais de alimentação dos hidrantes são de 45mm para as bocas de incêndio e de 90mm para os marcos de água (Art. os materiais e acessórios e as instalações complementares. pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. indicando se se trata de obra nova.2. 136 .à escala conveniente que esclareça inequivocamente o pretendido.º 53º). Os elementos descritos serão apresentados em original. em tela plástica. paginadas e todas elas assinadas. c) Planta de Localização fornecida pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento d) Memória descritiva e justificativa.grau 5. 9. obedecendo às escalas a saber: • Plantas . d) Número. subscrito pelo promotor.5 Entrada em serviço dos sistemas A entrada em serviço dos sistemas deve ser precedida da verificação. Nos ramais de ligação de abastecimento a reservas de água e piscinas que se encontrem instaladas a uma cota não superior a 10 m relativamente ao arruamento de onde se faz a ligação. pode uma mesma edificação dispor de mais de um ramal de ligação para abastecimento doméstico ou de serviços. competindo aos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto promover a sua instalação (Art. equipamentos e instalações complementares previstas. o tipo da obra. • Perfis . b) Termo de responsabilidade do técnico autor do projecto. c) Nome. c) 150mm (a definir caso a caso) . b) Identificação do proprietário. As peças escritas devem ser apresentadas dactilografadas ou impressas em folhas de formato A4. O diâmetro nominal mínimo admitido em ramais de ligação é de 25mm (Art. pelo técnico responsável pelo projecto.3 Ramais de ligação Os ramais de ligação asseguram o abastecimento predial de água.

polietileno ou PVC rígido" (Art.Nas redes exteriores de água fria. Assim.As tubagens e acessórios que constituem as redes interiores podem.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. devem apresentar boas condições de resistência à corrosão.º 75º).Porto. VIII e XI ao Regulamento. como dispõem que: "Os sistemas prediais alimentados pela rede pública devem ser independentes de qualquer sistema de distribuição de água com outra origem. sendo obrigatória a ligação às redes públicas de abastecimento de água e de drenagem de águas residuais domésticas. Todos os materiais a aplicar em sistemas de distribuição.º 73º). este último no caso de canalizações de água fria não afectas a sistemas de combate a incêndios. como responsável pelo abastecimento e distribuição pública de água. ser de cobre." e "O fornecimento de água potável aos aparelhos sanitários deve ser efectuado sem pôr em risco a sua potabilidade. quer de qualidade quer de defesa da saúde pública.2 Elementos dos sistemas Para que não venham a ocorrer utilizações indevidas das diversas redes prediais impõe-se que: "As canalizações instaladas à vista ou visitáveis devem ser identificadas consoante a natureza da água transportada e de acordo com o sistema de normalização vigente. III. e aos esforços a que vão ficar sujeitos.1 Aspectos gerais Todos os edifícios novos. As redes prediais a instalar. Também..º 90º). a sua fácil ligação àquelas redes.As redes de água não potável e respectivos dispositivos de utilização devem ser sinalizados." (Art. a salubridade e o conforto nos edifícios. independentemente da existência ou não das redes públicas no local (Art. devem ser isentos de defeitos e. Assim.. mesmo que nos locais onde não existam redes públicas deverão ser executadas de modo a permitir.3.a utilização de água não potável exclusivamente para lavagem de pavimentos. entre outros. A rede predial a projectar e executar deve ainda oferecer a garantia de que a água a fornecer aos sistemas prediais deverá ter em consideração aspectos." (Art. aço inoxidável. "Não é permitida a ligação entre a rede predial de distribuição de água e as redes prediais de drenagem de águas residuais.3 Concepção dos sistemas A rede de distribuição de água parte de um ponto da rede pública. 9. preservando-se a segurança. de acordo com as seguintes cores: azul para água destinada ao consumo humano.º 76º). peças acessórias e dispositivos de utilização. Também no sentido de garantir adequada qualidade e o respeito da saúde pública impõem a necessidade de cuidados na escolha dos materiais. interna e externa. 2. remodelados ou ampliados deverão prever redes prediais de abastecimento de água. quer por contacto. 9. Deste modo. Os sistemas prediais de abastecimento de água devem garantir que a mesma chegue a todos os dispositivos de utilização.º 77º).3. ".º 4º). "1. A terminologia e a simbologia a utilizar e as unidades em que são expressas as diversas grandezas devem respeitar as directivas estabelecidas neste domínio. quer por aspiração de água residual em caso de depressão. nomeadamente poços ou furos privados." (Art. Assim a terminologia e a simbologia a adoptar serão as indicadas nos anexos I... Numa primeira fase de abordagem a concepção de um sistema de abastecimento predial devem colocar-se as seguintes questões fundamentais: 137 .3. impedindo a sua contaminação. rega. os instaladores (picheleiros) devem proceder a sua inscrição nos SMAS para que possam assumir a responsabilidade de execução de instalações prediais. II. deve ser sujeito a verificação de conformidade pelo LNEC Laboratório Nacional de Engenharia Civil e a fazer presente junto dos SMAS Porto. em quantidade e qualidade adequadas ao uso. no futuro. A aplicação de novos materiais ou processos de construção para os quais não existam especificações oficialmente adoptadas nem suficiente prática de utilização. Os materiais a utilizar nas tubagens e peças acessórias dos sistemas de distribuição devem ser aqueles cuja aplicação seja admitida pelos SMAS . A localização desta conduta exterior bem como a posição prevista para o contador são a "ponta da meada" a partir da qual se faz o desenvolvimento da rede interior. nomeadamente poços ou furos. pela própria natureza ou por protecção adequada. as canalizações instaladas à vista devem ser identificadas consoante a natureza da água transportada. a rede de distribuição predial de água deve assegurar o seu bom funcionamento. as tubagens e acessórios podem ser de ferro fundido. os sistemas prediais alimentados pela rede pública devem ser independentes de qualquer sistema de distribuição de água com outra origem.. aço galvanizado ou PVC rígido. 2 . combate a incêndios e fins industriais não alimentares. sempre que necessário." (Art. encarnado para água de combate a incêndios.3 Sistema de abastecimento predial de água 9. quando existam ou venham a ser instaladas.

falta de pressão ou falta de caudal deverá optar-se por sistemas de abastecimento indirecto com reservatório elevado quando a pressão disponível possibilita em certos períodos diários a reposição da reserva necessária e por sistema elevatório. sendo recomendável.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 1. Qual o tipo de ocupação? 6. Precisa de equipamento elevatório de bombeamento? Atravancamento e acessibilidade à câmara de manobras? 8. Neste sentido. 138 . que se mantenha entre 150 Kpa e 300 Kpa..3. É necessária rede de combate a incêndio? De que tipo? 9.As pressões de serviço nos dispositivos de utilização devem situar-se entre os 50 Kpa e 400 Kpa. corresponde aproximadamente a H=100+40n "Onde H é a pressão mínima (Kpa) e n o número de pisos acima do solo. Torna-se necessário prever reservatórios? Os serviços locais permitem? Em que condições? Sua capacidade e localização? Formas de drenagem de perdas e esvaziamento? 7. coordenada com a arquitectura.. com reservatório inferior sempre que a pressão não seja de molde a garantir a reposição da reserva durante o período diário de 24 horas ao nível mais elevado do edifício.4 Classificação dos sistemas Ao colocarmos correctamente as questões acima enunciadas somos muitas vezes levados a constatar que nem sempre os sistemas públicos permitem que o abastecimento se efectue directamente da rede geral de distribuição em condições de pressão e caudal necessários a garantir uma utilização com a qualidade e quantidade adequadas. Existe rede pública? Onde? 2. poderemos ter sistemas com abastecimento directo ou indirecto." . Secção e pressões disponíveis? 3. incluindo o piso térreo. Há escassez de água ou interrupções de fornecimento com frequência? 4. SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO 9. na rede pública e ao nível do arruamento. por razões de conforto e durabilidade dos materiais. Que dimensão tem o edifício? Existem caves? 5. Na remodelação ou ampliação de sistemas existentes com aumento de caudal de ponta? Comprova-se a suficiência da capacidade hidráulica de transporte das canalizações e das eventuais instalações complementares a montante.º 21 º). o regulamento apresenta condicionantes que podem permitir efectuar uma primeira abordagem ao tipo de sistema de alimentação predial. Previsão do fornecimento de água quente: a que zonas e de que modo? 10. ou seja. Caso contrário." (Art. inferior a 100Kpa o que.(Art.º 78º). sempre será de realçar que a concepção de sistemas prediais de distribuição de água deve ter como objectivo a resolução de problemas numa perspectiva global. em regra. Dentro desse contexto. ao consagrar que: "e) A pressão de serviço em qualquer dispositivo de utilização predial para o caudal de ponta não deve ser. a estrutura e as restantes instalações especiais da edificação. O abastecimento directo será garantido sempre que as condições de abastecimento público apresentem pressão e/ou caudal que permitam nas condições de conforto definidas no projecto o abastecimento em permanência. sem prejuízo das condições de funcionamento do sistema na sua globalidade? Por fim. "2 . técnica e económica.

ou seja. dando também resposta a algumas das questões já referidas deve obter-se junto dos SMAS Porto a informação sobre as condições de abastecimento da rede pública no local onde se pretende executar a edificação.º 83º). d) À minimização de tempos de retenção da água nas canalizações.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Na escolha do sistema há que atender: a) À pressão disponível na rede geral de alimentação e à necessidade nos dispositivos de utilização. "… os valores das pressões máxima e mínima na rede pública no ponto de inserção naquela." (Art. Sempre que a rede pública não puder assegurar as pressões necessárias deverá ser prevista uma instalação sobrepressora com tanque de compensação. 139 . c) Ao grau de conforto pretendido. Para que se possa efectuar esta verificação preliminar do sistema mais adequado de abastecimento predial. b) Ao tipo e número de dispositivos de utilização.

REDE PREDIAL DE DRENAGEM DE ÁGUAS RESIDUAIS DOMÉSTICAS A câmara de ramal de ligação deverá situar-se no local assinalado na P. Agosto e ainda à legislação específica relacionável com os projectos em causa. Porto. ao Decreto-Regulamentar 23/95.T. n.PRESSÕES Pressão dinâmica MPa MPa REDES DE INCÊNDIO As redes de combate a incêndio deverão ser dimensionadas e representadas em projecto. º Local da obra: Rua / 2005 Freguesia: Requerente: REDES PREDIAIS DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA Pressão estática REDE PÚBLICA . à profundidade de m.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Pedido de informação das condições de ligação às redes públicas LIGAÇÕES ÀS REDES PÚBLICAS Planta Topográfica P. O Chefe de Divisão 140 .T. Deverá atender ao Regulamento dos Sistemas Públicos e Prediais de Distribuição de Água e Drenagem de Águas Residuais Domésticas dos Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento da Câmara Municipal do Porto..

os valores das pressões máximas e mínimas na rede pública no ponto de inserção daquela.3 Reserva predial de água para abastecimento doméstico O armazenamento de água para o consumo humano em edifícios é normalmente autorizado pelos SMAS Porto. à renovação na sua totalidade com periodicidade de pelo menos uma vez por dia. ou seja. em função dos caudais acumulados.3.5 e 2.2 Dimensionamento hidráulico No dimensionamento hidráulico da rede predial de água fria deve ter-se em atenção: a) Os caudais de cálculo. através da curva referida acima. escolas. Os caudais instantâneos a atribuir a máquinas industriais e outros aparelhos são especificados no quadro anexo ao Regulamento e devem ser estabelecidos em conformidade com as indicações dos fabricantes. considera-se na determinação do caudal de cálculo. no caso em que a rede pública não garanta eficazmente os consumos e pressões prediais requeridas. Nos ramais de alimentação de fluxómetros para bacias de retrete devem ter-se em atenção as pressões mínimas de serviço a cujos valores correspondem os diâmetros constantes do quadro seguinte: Pressão (kPa) 200 80 50 Diâmetro (mm) 25 32 40 9. etc. Prevendo-se a instalação de reservatórios estes são condicionados.4. considerando os respectivos caudais instantâneos e a simultaneidade constante do quadro seguinte: 9. restaurantes. bem como os aparelhos alimentados.4 Sistemas prediais de distribuição de água fria 9. Para outro tipo de conforto ou de utilização (estabelecimentos.4.) deve ser o coeficiente de simultaneidade determinado por recurso a informações existentes ou a bibliografia específica. excepto em casos devidamente justificados. quando existem fluxómetros. Os caudais de cálculo na rede predial de água fria baseiam-se nos caudais instantâneos atribuídos aos dispositivos de utilização e nos coeficientes de simultaneidade. para a ocupação previsível. como acima já se referiu.4. que pode ser utilizada para os casos correntes de habitação sem fluxómetros. os caudais de cálculo dos fluxómetros.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9.0m/s. O coeficiente de simultaneidade é a relação entre o caudal simultâneo máximo (caudal de cálculo) e o caudal acumulado (somatório dos caudais instantâneos) de todos os dispositivos de utilização alimentados por essa secção. c) A rugosidade do material. b) As velocidades de escoamento. 9. Número de fluxómetros instalados 1 2 a 10 11 a 20 21 a 50 Superior a 50 Em utilização simultânea 1 2 3 4 5 141 . fornece os caudais de cálculo. que devem situar-se entre 0. Para efeitos de cálculo da rede predial devem ser obtidos e são fornecidos.1 Aspectos gerais A rede predial de água fria deve assegurar a sua distribuição a todos os dispositivos instalados em boas condições. Os reservatórios de água para consumo humano devem também ser sujeitos a operações de inspecção e limpeza periódica.5 Dimensionamento dos sistemas prediais Nos projectos relativos à distribuição predial de água devem indicar-se nas peças desenhadas os tipos e localização dos dispositivos de utilização. por razões de defesa de saúde pública dos utentes. Contudo. tendo em conta os coeficientes de simultaneidade. exceder o valor correspondente ao volume médio diário do mês de maior consumo. Face à possibilidade do funcionamento não simultâneo da totalidade dos dispositivos de utilização. os caudais de cálculo devem ser obtidos somando aos caudais obtidos para os restantes aparelhos. sendo os valores mínimos a considerar. No anexo do Regulamento apresenta-se uma curva que. o cálculo do volume útil dos reservatórios destinados ao consumo humano não deve. o coeficiente de simultaneidade mais adequado numa dada secção. os constantes do quadro anexo ao Regulamento. para um nível de conforto médio. Os caudais instantâneos a atribuir aos dispositivos de utilização devem estar de acordo com o fim específico a que se destinam.

3. Rebaixo para retenção de areias. b) Saídas para distribuição. associada a caixa de limpeza. alvenaria de tijolo ou de blocos de cimento. RESERVATÓRIOS DE ÁGUA POTÁVEL ESQUEMA-TIPO DE UM RESERVATÓRIO Regras principais: 1. no mínimo. se intercomuniquem. e) Acesso ao interior com dispositivo de fecho que impeça a entrada de resíduos sólidos ou escorrências. nos reservatórios com água destinada a consumo humano e com capacidade útil igual ou superior a 2. tipo mosquiteiro. Condições de acesso e de inspecção. Pintura interior de protecção. 7. no mínimo a 50 mm acima do nível máximo da superfície livre do reservatório em descarga. sistema de ventilação. 14. 10. as arestas interiores devem ser boleadas e a soleira ter a inclinação mínima de 1% para a caixa de limpeza. Cada reservatório ou célula de reservatório deve dispor de: a) Entrada de água localizada. equipada com uma válvula de funcionamento automático. 11. convenientemente protegido com rede de malha fina. protegida com rede de malha fina. 4. 9. ≥2 células para manutenção ou reparação. 5. com válvula adequada. c) Descarregador de superfície colocado. Como condições construtivas a ter em consideração realça-se que: os reservatórios devem ser impermeáveis e dotados de dispositivos de fecho estanques e resistentes. a conservação dos elementos resistentes e a manutenção da qualidade da água. protegidas com ralo e colocadas.0 m3 devem ser constituídos. Entrada e saída da água em pontos opostos. a 150 mm do fundo. Fig. Reserva para 24 horas. destinada a interromper a alimentação quando o nível máximo de armazenamento for atingido. 6. Quando o armazenamento da água se destina a consumo humano. a soleira e as superfícies interiores das paredes devem ser tratadas com revestimentos adequados que permitam uma limpeza eficaz. 17. aço ou outros materiais que se mostrem adequados a manter a qualidade da água armazenada e os materiais e revestimentos usados na sua construção não devem alterar a qualidade da água afectando a saúde pública. 18. Descarga de superfície. os reservatórios devem ter protecção térmica e estar afastados de locais sujeitos a temperaturas extremas. Isolamento térmico quando necessário. Localização em zona técnica acessível. a fim de facilitar o esvaziamento. dimensionados para um caudal não inferior ao máximo de alimentação do reservatório. Independência da restante estrutura. d) Descarga de fundo implantada na soleira. de material não corrosivo. 8. 13. Soleira com pendente de igual superior a 1%. Protecção de aberturas com rede mosquiteiro.Esquema tipo de um reservatório 142 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto O armazenamento de água para combate a incêndios é feito em reservatórios próprios e independentes e não pode por princípio ser utilizado para outros fins. Tampa sobre a válvula de bóia. 19. Descargas de fundo com válvula. pelo menos. Aberturas para ventilação. 12. em funcionamento normal. 2. preparadas para funcionar separadamente mas que. no mínimo. tipo mosquiteiro. Caleira nas proximidades. Os reservatórios podem ser de betão. nem as paredes comuns a paredes de edificações vizinhas. a entrada e saída da água nos reservatórios devem estar posicionadas de modo a facilitar a circulação de toda a massa de água armazenada e o fundo e a cobertura dos reservatórios não devem ser comuns aos elementos estruturais do edifício. 1 . por duas células. Alarme/detecção de fugas de água. 16. A localização dos reservatórios deve permitir a sua fácil inspecção e conservação. Limpeza interior/evitar ângulos apertados. Envolvente protegida contra escorrimentos e infiltrações. a 50 mm do nível máximo de armazenamento e conduta de descarga de queda livre e visível. Equipamento /acesso e atravancamento. 15. 20. que deve impedir a entrada de luz directa e assegurar a renovação frequente do ar em contacto com a água.

adicione por cada m3 de água. Laboratório de Análises. Revisão nº0. durante pelo menos meia hora.4. Os dispositivos de protecção devem ser definidos em função das envolventes de pressão máxima e mínima. resultantes da ocorrência de choque hidráulico. escovas só para esse fim. agricultura. b) A pressão disponível a montante.4. utilizando preferencialmente. Drenagem de águas residuais. rebaixamento de aquíferos. . pressurização. c) A altura manométrica. que permitam uma fácil inspecção e manutenção e ser equipadas com grupos electrobomba e dotadas de dispositivos de comando. Tipos de bombas Monocelulares horizontais Monocelulares verticais Multicelulares horizontais Multicelulares verticais Circuladoras Aplicações Abastecimento de água.Instale-o sempre em local de fácil acesso. captação de águas subterrâneas. transferência de líquidos. etc.Volte a esvaziar. abrindo todas as torneiras de serviço e enxagúe para eliminar completamente o hipoclorito.Escove cuidadosamente as paredes. agricultura.Junte hipoclorito de sódio a 14% (à venda em drogarias). Lave-o pelo menos uma vez por ano da seguinte forma: .Deixe entrar água limpa até cerca de metade da sua altura. irrigação. nomeadamente. agricultura. serviços industriais. para o efeito deverão ser utilizados apoios isolados e ligações elásticas às tubagens para atenuação da propagação do ruído. serviços industriais. sem consumir. ruído de nível sonoro médio não superior a 30 dB(A). de segurança e de alarme. . Abastecimento de água. Abastecimento de água em condições de pequeno débito e elevada pressão. serviços industriais. tenha os seguintes cuidados: . transferência de líquidos. no mínimo. pressurização e circulação de água.4 Instalações elevatórias e sobrepressoras 9.1 Aspectos gerais No quadro seguinte apresentam-se os tipos de bombas correntes no mercado e suas principais aplicações. etc. assim como protecção contra o choque hidráulico. normalmente destinados a funcionar como reserva activa mútua e excepcionalmente em conjunto para reforço da capacidade elevatória.Proceda à desinfestação do depósito/cisterna: . circulação e transferência de água. Os grupos electrobomba devem ser de funcionamento automático e possuir características que não alterem a qualidade da água.4. limpo e arejado. . .Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Também a manutenção periódica dos reservatórios é aspecto importante a ter em consideração. No dimensionamento das instalações elevatórias devem ter-se em atenção: a) O caudal de cálculo. . 20ml do referido hipoclorito. sistemas de rega. e) A instalação. "Instruções para desinfecção de cisternas/depósitos"[1] Se na sua casa houver depósito/cisterna. irrigação e circulação de água em sistemas. Abastecimento de água. o fundo e a abertura.Após esta operação o depósito/cisterna está pronto a receber a água que é distribuída. e circuitos de arrefecimento e de ar condicionado. pelo que os SMAS Porto apresentam instruções de actuação para a execução dessas operações.Nunca o deixe sem tampa adequada ou devidamente protegido. d) O número máximo admissível de arranques por hora para o equipamento a instalar. Abastecimento de água. de dois grupos electrobomba idênticos. circulação e pressurização. SMAS . As instalações elevatórias ou sobrepressoras devem ser localizadas em zonas comuns e ventiladas. nos lugares ocupados." [1] Fonte: "Documento Auxiliar de Procedimentos". a sua limpeza e desinfecção. instalações especiais. etc. Edição nº1. 9. Elevação.Porto. . . Circulação de líquidos em circuitos de aquecimento abertos ou fechados. O funcionamento dos órgãos electromecânicos deve determinar. . e de acessórios indispensáveis ao seu funcionamento e manutenção. etc.Enxagúe todo o interior e esvazie-o de novo. retirando todos os detritos e lodo que eventualmente contenha. etc.Encha completamente e mantenha em repouso. As canalizações e acessórios utilizados devem ser de materiais de resistência adequada às pressões de serviço e às vibrações. Atendendo à capacidade do depósito/cisterna. rebaixamento de aquíferos. pressurização. Submersíveis De drenagem (submersíveis) Jockey 143 . esvaziamento de reservatórios e piscinas.Esvazie-o totalmente. Página 1 de 1. etc.

Rendimento da bomba (entre 60% a 70%). Q . γ.Potência (W). o qual traduz a relação entre a potência ganha e a do motor e assume sempre valores inferiores à unidade.1 Altura máxima de aspiração A altura de aspiração representa o ganho de pressão que o líquido sofre na sua passagem. NSPH.a.Peso volúmico.26 4.3 Altura manométrica 9. H.4. por Hs a carga à saída da bomba. sendo assim a potência absorvida pela bomba expressa por: P= γQHTOTAL / η P. teremos que a altura equivalente à pressão atmosférica será igual a 10.Peso volúmico (N ).Altura manométrica (m) = Haspiração + Hcompressão.hs + fd + fs + (υ2/2g) em que: 9. pela bomba. 9.[NSPH + Ja + Pv/γ + a] HMA.13 0. Designando por Hc a carga à entrada na bomba. γ.4.Altura equivalente à pressão atmosférica (m).c.Altura equivalente da tensão de vapor do líquido (m). Pv/γ.c. Nota: Este valor é positivo ou negativo consoante a bomba funcione em aspiração ou com a aspiração em carga. quer as variações de pressão.4.4. hd é a altura estática de descarga (em metros) igual à distância medida na vertical entre o eixo da bomba e o nível do líquido no reservatório de descarga.Altura de elevação. A potência absorvida pela bomba tem de ser superior à que esta cede ao escoamento.8x103 N/m3.83 10.) u 2 2g corresponde ao valor das perdas de carga na saída (m. em função das temperaturas indicadas.3. Sendo a pressão atmosférica normal é igual a 1. Ja.4. a que corresponde um peso volúmico de 9. HTOTAL.2 Potência absorvida pela bomba A determinação da potência absorvida pela bomba que garanta o abastecimento solicitado é dada por: P = γQH P.Factor de segurança (m).33m. considerando que o fluido bombeado é água. o qual irá ser representado por HTOTAL e será designado por altura manométrica. devido às perdas nas transformações de energia em presença.c.2 Altura manométrica total A altura total desenvolvida pela bomba pode ser expressa por uma das seguintes equações: Bomba funcionando em aspiração: Htotal = hd + hs + fd + fs + (υ2/2g) ou Bomba funcionando em carga: Htotal = hd . no quadro indicam-se alguns valor Hatm = Patm/γ. m-3 TENSÃO DE VAPOR DE ÁGUA FUNÇÃO DA TEMPERATURA Temperatura (°C) Altura equivalente da tensão de vapor (m) 10 20 30 50 80 100 0.4. Patm/γ.Caudal bombeado (m3s-1). 144 . Htotal é a altura vencida pela bomba funcionando com o caudal de projecto (m.33 O factor de segurança "a" da expressão procura superar. a qual traduz o trabalho exterior fornecido por um motor.a. por η o rendimento da bomba.a. para a água.4. hs é a altura estática de aspiração (em metros) igual à distância entre o nível do líquido no reservatório de aspiração e o eixo da bomba. No que se refere à altura equivalente de tensão de vapor (pv/γ).4.24 0.013x102kPA. fd corresponde a perdas de carga na tubagem de descarga (m. Temos então que a diferença entre Hs e Hc que corresponderá ao ganho de pressão que o líquido sofrerá na sua passagem pela bomba. η.Altura máxima de aspiração (m).) Nota: Geralmente as perdas de carga na saída (υ2/2g) representam uma pequena percentagem do valor da altura manométrica total e são geralmente negligenciáveis.Capacidade de aspiração (m).Perda de carga no troço de tensão de vapor do líquido (m). esta varia com a temperatura do líquido. a qual traduz o ganho energético do líquido na sua passagem pela bomba.). Q.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9.Caudal.c.a.Potência. a. quer as imprecisões na determinação das perdas de carga no troço de tubagem de aspiração.3. a altura máxima de aspiração de uma bomba será calculada de acordo com a expressão: HMA = Patm/γ. Assim.43 1.) fs corresponde a perdas de carga na tubagem de aspiração (m.

uma abordagem dos sistemas prediais de abastecimento de água quente sanitária.(Pmin-2)} Vtotal. N. Importante é considerar as condições técnicas que determinam a sua utilização. Os sistemas de produção e distribuição de água quente devem garantir as temperaturas mínimas de utilização necessárias nos dispositivos de utilização em função do grau de conforto e economia desejados. No dimensionamento hidráulico da rede predial de água quente deve seguir-se o disposto para a água fria mas ter em consideração um coeficiente de rugosidade menor. Pmáx. centros comerciais. V1 e V2 os correspondentes volumes ocupados e c é uma constante (constante dos gases perfeitos). A rede predial de água quente visa assegurar a distribuição em boas condições de água quente sanitária. tendo em atenção o caudal de bombeamento e os limites de pressão pré-estabelecidos. Pmin representa o nível mínimo a que corresponde a pressão de arranque do elemento de bombeamento.Pmin)} O objectivo dos depósitos hidropneumáticos é o de limitar o número horário de arranques dos grupos de sobrepressão. 9. Os caudais de cálculo da rede predial de água quente devem ser obtidos de acordo com o disposto para a água fria.8 (Pmáx .5 Sistemas prediais de distribuição de água quente 9.4. Qp. Pmin. 145 .volume do depósito (m3). Estes sistemas visam garantir o fornecimento de água quente nas condições de temperatura. e que é expressa por: P1V1 = P2V2= c em que P1 e P2 representam as pressões de sujeição.1 Aspectos gerais Far-se-á. a qual refere que o volume ocupado por uma dada massa de gás.c.a.a.número de arranques por hora. se necessário.2 Aparelhos produtores de água quente É importante que o sistema de aquecimento de água seja definido já na fase de projecto.5.) justificam-se soluções de instalação de sistemas elevatórios de velocidade e caudal variável.5. unidades de saúde. varia na razão inversa das pressões que suporta. industriais e similares (unidades hoteleiras. como alternativa aos reservatórios hidopneumáticos. quantidade e qualidade adequadas ao uso sanitário. Os reservatórios hidropneumáticos são importantes em edifícios de habitação.). logo menor perda de carga. onde Pmáx representa o nível máximo de água a que corresponde a pressão de paragem do elemento de bombeamento. se adequadamente dimensionados. tendo em conta os factores já mencionados. uma vez que sua instalação adequada exige certos cuidados que interferem directamente no desenho do projecto. hidráulicas e de ventilação. pois ao limitarem o número de arranques por hora podem. etc.5 Dimensionamento dos reservatórios hidropneumáticos Os reservatórios hidropneumáticos são dimensionados tomando por base a "Lei de Boyle-Mariotte". de seguida.pressão manométrica máxima (m.c. Vágua o volume de água a introduzir no reservatório e Vr o volume de reserva ou segurança. Vtotal = {1.caudal bombeado (m3/h). Vamax o volume de ar a que corresponde a pressão máxima. Nos edifícios de habitação é sempre obrigatória a existência de sistemas de produção e distribuição de água quente a cozinhas e instalações sanitárias. à circulação forçada ou retorno.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9.Pmin)} Vtotal = {Qp Pmáx } / {4N Pmáx .). Vamin o volume de ar a que corresponde a pressão mínima. de serviços. tal como nas instalações eléctricas.pressão manométrica mínima (m.Reservatório hidropenumático Vtotal = {Vágua (Pmáx + 1)} / {0.25Qp (Pmáx + 10)} / {4N(Pmáx . recorrendo. incluindo a questão da recirculação e isolamento térmico. permitir que em utilização normal os sistemas elevatórios não funcionem em períodos nocturnos de pequenos consumos evitando os ruídos e vibrações que tanto incomodam e são objecto de justas reclamações pelos habitantes dos respectivos edifícios. que proporcionem economias numa relação de poupança energética/eficiência do sistema. 2 . Em situações de edifícios de habitação. Considerando o reservatório representado na figura. mantendo constante a temperatura. Fig. As fórmulas empíricas permitem a determinação dos volumes totais dos depósitos respectivamente para os depósitos sem membrana e com membrana. 9.

5. 3 . Aquecimento rápido . promover a acumulação de água quente em depósitos de água. nos ensaios de qualidade e na sua localização e instalação e é obrigatória a instalação de válvula de segurança no ramal de alimentação de termoacumuladores.3000w.6=3. o que leva as designações comerciais correntes dos esquentadores em 10. afectado de um coeficiente de utilização simultânea. sendo as mais usuais de 250. Os esquentadores apresentam-se no mercado com diferentes potências.2=5. 9. 320 e 380 Kcal/min. em que a água é aquecida gradualmente. normal e rápido.1750w.7 Fig.Q. temos a situação referida no quadro seguinte. 13 e 16 l/min. A escolha do sistema depende do tipo de energia a ser utilizado para aquecer a água: eléctrico.1000w. 146 . à medida em que passa pelo aparelho.3 Necessidades de água quente e escolha dos aparelhos de produção As necessidades instantâneas de água quente devem ser estimadas a partir do somatório dos caudais instantâneos a atribuir aos dispositivos de utilização servidos por água quente.6=1. a gás ou solar. Potência Térmica (kcal/min) Débito de A. em que a água aquecida fica armazenada em acumuladores.2 l/min As potências dos termoacumuladores eléctricos são variáveis consoante as suas capacidades e os tempos de aquecimento. Os termoacumuladores eléctricos correntes no mercado com capacidade de 100 litros e apresentam uma das seguintes potências: Aquecimento lento . Aqui.2 1512/45=33. sendo esta última característica a que determina a designação vulgar de termoacumuladores de aquecimento lento. a 40°C ∆t=40°-15°=25°C 250 250/25= 10 l/min 320 320/25= 12. é definido o sistema de alimentação dos equipamentos: a) Por acumulação. Deve ter-se ainda em atenção a necessidade de água quente para outros fins (que não os sanitários). o que permite aquecer o mesmo volume de água em menos tempo ou reduzir a capacidade do depósito de acumulação. os valores encontrados são os indicados no quadro. através de aparelhos de produção instantânea (esquentadores) ou de aparelhos de acumulação (termoacumuladores eléctricos ou a gás e depósitos de água quente com circuito primário de aquecimento) ou ainda pela combinação de ambos. considerando que 1KW = 0. As caldeiras murais são muitas vezes sistemas mistos que combinam a produção de água quente para aquecimento do ambiente (circuitos fechados) com a produção instantânea de água quente sanitária. A partir daí.8 l/min 380 380/25= 15. Se a temperatura da água fria for de 15°C à entrada no esquentador e que se pretende água quente a 40°C. Sendo a temperatura normal de acumulação de 60°C e para uma mesma temperatura de 15°C de água fria. A produção de água quente para distribuição aos dispositivos de utilização pode fazer-se.864 Kcal. A escolha do sistema a instalar deve ser efectuada em função das necessidades instantâneas e horárias de água quente e da análise técnico económica das várias alternativas que se nos oferecem.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto A segurança dos aparelhos produtores de água quente deve ser garantida na sua construção.0 100/57. Por razões de segurança é interdita a instalação de aparelhos produtores de água quente a gás nas instalações sanitárias ou em locais que se não situem junto da envolvente exterior do edifício. através de um circuito primário de aquecimento.Esquema tipo de ligação a termoacumuladores Os termoacumuladores a gás possuem potências térmicas mais elevadas do que os eléctricos. b) De passagem.6 em 1 hora (litros) Tempo de aquecimento de 100/19. Aquecimento normal .2 100 litros (horas) 100/33. tais como o aquecimento central ou a climatização. consoante as características do edifício de habitação. o que pressupõe o conhecimento das características térmicas dos aparelhos atrás referidos.6 2592/45=57. Tipo de Aquecimento termoacululador lento Potência (Kcal/h) ∆T=60°C-15°C 864 45°C Aquecimento normal 1512 45°C Aquecimento rápido 2592 45°C Caudal aquecido 864/45=19. comportam-se como vulgares esquentadores ou podem.

Seguidamente. consideraram-se aceitáveis os valores seguintes para perdas de calor em kcsl/h por metro linear de tubagem. As canalizações não embutidas são fixas por braçadeiras espaçadas em conformidade com as características de material. A potência deste termoacumulador é inferior à de um esquentador de 10 l/min (14100kcal/h=235kcal/min). ligados entre si por acessórios apropriados. embainhadas ou embutidas. válvulas.6.Distribuição de água quente com recirculação 147 . Para tubos metálicos. devendo ser sempre protegidas de acções mecânicas e isoladas termicamente quando necessário. colocadas em paredes ou instaladas em caleiras. Por outro lado.Distâncias máximas sem retorno DIÂMETRO E DISTÂNCIA MÁXIMA SEM RETORNO d (mm) 15 (1/2'') 20 (3/4'') 25 (1'') 32 (1¼'') 40 (1½'') l (m) 50 30 15 10 7. nomeadamente na instalação de juntas e no tipo de braçadeiras a utilizar.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Um termoacumulador a gás com a potência de 14. horizontais e verticais.).100 kcal/h e considerando o diferencial térmico de 45°C entre a temperatura de água fria e de água quente acumulada. teremos por hora 313 l (14100kcal/h:45°C).5% como valor orientativo. recomendando-se 0. 4 . bem como a qualidade e conforto que se espera do sistema. o diâmetro do tubo. para o dimensionamento das bombas de recirculação deve-se determinar a perda de carga total do circuito: às perdas de carga contínuas é necessário adicionar as perdas de carga acidentais (curvas.6 Traçado 9. A exigência de acessórios pode ser dispensada nos casos em que se utilizem canalizações flexíveis. 5 . A rede de distribuição deve ser dimensionada até à última derivação pelo método de dimensionamento definido pelo regulamento. As canalizações exteriores da rede predial de água fria ou quente podem ser enterradas em valas. o tipo de tubagem e a temperatura ambiente nos locais em que circulam.1 Aspectos gerais O traçado das canalizações deve ser constituído por troços rectos. o circuito de recirculação ou retorno apresenta-se o quadro seguinte: 9. com vista à sua selecção.5 9. o que se traduz num consumo instantâneo menor de gás. As canalizações interiores da rede predial de água fria ou quente podem ser instaladas à vista. devendo os primeiros possuir ligeira inclinação para favorecer a saída do ar.5. tês. Como distâncias meramente indicativas para que se deva ponderar a hipótese de adoptar. caleiras ou tectos falsos. Na instalação de canalizações de água quente assume particular importância as dilatações e contracções das tubagens.4 Sistemas de distribuição de água quente com recirculação A implementação em edifícios dos sistemas de distribuição com retorno de água aos aparelhos de produção exige alguma atenção pelas economias de água e energia que podem proporcionar. com vantagem económica e conforto. etc. a consulta e análise das curvas características das bombas é fundamental. Deve-se ter em consideração que as perdas de calor na tubagem variam consoante o tipo de isolamento. Diâmetro DN 15 DN 20 DN 25 Locais n/ aquecidos Tubos isolados 16 23 27 Locais aquecidos Tubos isolados 13 16 22 Fig. Fig. Devem ser tidos em consideração os problemas de dilatação e contracção da tubagem. em galerias.

7. Valores de espessura de isolamento recomendados 9. d) Em locais de difícil acesso. As torneiras e os fluxómetros podem ser de latão. de preferência com o mesmo material. não embutidas. 148 . com ou sem revestimento cromado.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. procedendo-se ao seu isolamento por juntas dieléctricas. Execução das redes prediais As canalizações de água quente devem ser colocadas. excepto quando flexíveis e embainhadas. c) O assentamento de canalizações metálicas de redes distintas ser feito sem pontos de contacto entre si ou com quaisquer elementos metálicos da construção. 9. d) O assentamento de canalizações não embutidas ser feito com suportes de material inerte. Podem não ser isoladas as derivações para os dispositivos de utilização e respectivos ramais de retorno. c) Embutidas em pavimentos. As canalizações não devem ser instaladas nas seguintes condições: a) Sob elementos de fundação.7. não corrosivos. com materiais não metálicos. incombustíveis e resistentes à humidade. ou de outros materiais que reunam as necessárias condições de utilização.Isolamento térmico de canalizações As canalizações e respectivos isolamentos devem ser protegidos sempre que haja risco de condensação de vapor de água. cobre ou aço inoxidável ou outros adequados e aprovados. paralelamente às canalizações de água fria e acima destas. PVC rígido. A distância mínima entre canalizações de água fria e de água quente é de 50 mm.1 Torneiras e fluxómetros Fig. ferro fundido.2 Isolamento das canalizações As canalizações de água quente. b) Embutidas em elementos estruturais. de infiltrações ou de choques mecânicos. do mesmo material. por forma a permitir a sua fácil manobra e manutenção. b) No caso de materiais diferentes. mas também em zonas de baixas temperaturas as de água fria.7 Elementos acessórios da rede 9. sempre que possível. ou de material de nobreza próxima inferior. As tubagens e acessórios que constituem as redes interiores de água fria podem ser de aço galvanizado. 6 . h) As canalizações enterradas serem executadas. imputrescíveis. As torneiras e fluxómetros devem ser colocados em locais acessíveis. f) As canalizações metálicas serem colocadas. Devem ainda ser consideradas medidas destinadas a atenuar os fenómenos de corrosão. devem ser sempre isoladas com produtos adequados. o material mais nobre ser instalado a jusante do menos nobre. preferencialmente. e) O atravessamento de paredes e pavimentos ser feito através de bainhas de material adequado de nobreza igual ou próxima inferior ao da canalização. devendo para o efeito: a) As canalizações metálicas da rede serem executadas.6.2 Válvulas As válvulas devem ser colocadas em locais acessíveis por forma a permitir a sua fácil manobra e manutenção.6. 9.3. quando de pequeno comprimento. g) Ser evitado o assentamento de canalizações metálicas em materiais potencialmente agressivos. sempre que possível. e) Em espaços pertencentes a chaminés e a sistemas de ventilação.

dos ramais de introem qualquer dos dução individuais sentidos . uma bateria de contadores. Contadores É aos SMAS.De qualquer rede não destinada a fins alimentares e sanitários SEGURANÇA Manter a pressão Na alimentação de abaixo de determinado aparelhos produtores valor por efeito de . na zona de entrada ou em zonas comuns consoante se trate de um ou de vários consumidores. b) No interior do edifício. os contadores devem localizar-se: a) No logradouro junto à zona de entrada contígua com a via pública. ou outros e serem de material de nobreza igual ou tão próxima quanto possível do material das tubagens em que se inserem. O espaço destinado ao contador ou bateria de contadores e seus acessórios deve obedecer aos esquemas tipo apresentados pelos SMAS.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto TIPO DE VÁLVULA FINALIDADE É OBRIGATÓRIA A SUA INSTALAÇÃO: 9.Nos edifícios com logradouros privados.7.3. d) A perda de carga que provoca. Fig. deste modo.Aparelhos produtores .Máquinas lavar louça . contudo. no caso de vários consumidores. aço e PVC. . podendo estes ser colocados isoladamente ou em conjunto. no caso de um só consumidor.Equipamento produtor de água quente . b) A pressão de serviço máxima admissível. .Purgadores de água A montante e a jusante: . como entidade responsável pelo sistema de distribuição pública de água.Perdas de carga em contadores REDUTORA DE PRESSÃO É obrigatório instalar um contador por cada consumidor.Nos edifícios confinantes com a via ou espaços públicos.Contadores RETENÇÃO Impedir a passagem de A montante: água num dos sentidos . bronze.C. A localização dos contadores é a seguinte: REGULAÇÃO Permitir regulação do caudal As válvulas podem ser de latão.Autoclismos . PERDAS DE CARGA EM CONTADORES (VALORES APROXIMADOS EM METROS DE COLUNA DE ÁGUA . 7 .dos ramais de distribuição das instalações sanitárias e das cozinhas A montante: .Fluxómetros . aquela que define o tipo. o calibre e a classe metrológica do contador a instalar.) SECCIONAMENTO Impedir ou estabelecer À entrada: a passagem de água . c) O caudal de cálculo previsto na rede de distribuição predial.Máquinas lavar roupa . constituindo.A. São. em zonas comuns ou no logradouro junto à entrada contígua com a via pública.M. os contadores devem localizar-se no seu interior.Acumuladores de descarga água quente Manter a pressão abaixo de determinado valor com a introdução de uma perda de carga Nos ramais de introdução sempre que a pressão seja superior a 600Kpa e ou as necessidades específicas do equipamento o exijam. garantindo-se a medição de todos os consumos. 149 .Acumuladores de água quente . parâmetros que determinam a definição do contador: a) As características físicas e químicas da água.

com o mínimo de 900 kPa. 8 . O volume da solução deve ser de 1/10 do volume da rede a desinfectar. d) Período de contacto Manter a rede isolada durante um período de 48 horas. devem ser submetidos a uma operação de desinfecção com permanganato de potássio. A verificação da conformidade do sistema com o projecto aprovado e com as disposições legais em vigor deve ser feita com as canalizações e respectivos acessórios à vista. b) Enxaguamento prévio da rede Esvaziar a rede através das torneiras de purga existentes nos pontos mais baixos.2 Desinfecção dos sistemas Os sistemas de distribuição predial de água para consumo humano. c) Leitura do manómetro da bomba. será suficiente para a lavagem final da rede.1 Verificação Todas as canalizações. período este que.8 Verificação. de montante para jusante (do contador para as extremidades da rede) cada torneira até ao aparecimento da cor violácea. O ensaio de estanquidade deve ser conduzido com as canalizações. e de forma que não seja possível qualquer refluxo para a rede pública da solução desinfectante. desinfecção e funcionamento hidráulico 9. que não deve acusar qualquer redução. introduzir a solução desinfectante sob pressão com um caudal regulado em função do caudal do escoamento fixado (1 parte da solução para 9 partes da água em escoamento). isto é. localizada tão próximo quanto possível do ponto de menor cota do troço a ensaiar. f) Recolha de amostras Recolher amostras para análise laboratorial confirmativa da qualidade da água. antes de entrarem em serviço. Fechá-la de seguida e passar à seguinte. 150 .8. b) Enchimento das canalizações por intermédio da bomba. A desinfecção da rede predial só deve ser feita depois de estabelecido e aprovado o ramal de ligação pela entidade responsável pelo sistema de distribuição pública de água. fechá-la e parar a injecção da solução desinfectante.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. em caudal razoável.Instalação de contadores 9. a fim de o desinfectante poder actuar. encher de novo e esvaziar. e que se encontrem previamente desinfectados os órgãos situados desde o ponto de injecção até ao ramal de ligação. repetindo a operação durante cerca de 2 horas. inclusive este. Esta operação deve ser feita na véspera do dia de início da desinfecção. O processo de execução e interpretação do ensaio é o seguinte: a) Ligação da bomba de ensaio com manómetro.8. durante um período mínimo de 30 minutos. depois de equipados com os dispositivos de utilização e antes de entrarem em funcionamento. até conseguir uma solução o mais homogénea possível. de jusante para montante. convenientemente travados e com as extremidades obturadas e desprovidas de dispositivos de utilização. Abrir. em princípio. com a seguinte metodologia: a) Preparação da solução desinfectante Dissolver a quantidade de permanganato de potássio necessária (150 gramas por cada m3 de volume da rede a desinfectar) em água aquecida a uma temperatura entre 40°C e 45°C. e) Enxaguamento final Abrir as torneiras pela ordem inversa da adoptada no enchimento. Quando a cor violácea aparecer na última torneira. de forma a libertar todo o ar nelas contido e garantir uma pressão igual a uma vez e meia a pressão máxima de serviço. devem ser sujeitas a verificação e ensaios com o objectivo de assegurar a qualidade da execução e o seu funcionamento hidráulico. Através do ponto de injecção. incluindo os respectivos reservatórios quando existirem. ou para qualquer outra rede predial interior. d) Esvaziamento do troço ensaiado. para assegurar uma limpeza eficaz. juntas e acessórios à vista. deixando sair a água durante cerca de 2 horas. c) Introdução da solução desinfectante Fig.

não excedendo as dimensões do formato A0. g) Estimativa descriminada do custo. a seguinte informação: a) Designação e local da obra. materiais e acessórios. 151 . Assim. paginadas e todas elas subscritas pelo técnico responsável pelo projecto. quando for caso disso. dirigido ao Director Delegado dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto.8. solicitando a aprovação do projecto. As peças escritas devem ser apresentadas dactilografadas ou impressas em folhas de formato A4. e instalações complementares projectadas. c) Nome. designação e local da obra. Os caracteres alfanuméricos devem obedecer à Norma Portuguesa NP89. Todos os desenhos devem possuir legenda no canto inferior direito. Conclusão A concluir deixa-se a indicação dos elementos que devem instruir o processo de aprovação do projecto de redes prediais (Art. k) Os elementos acima referidos serão apresentados em original e duas cópias para o referido nas alíneas b) a j). dos diâmetros e inclinações das tubagens. onde conste identificação do proprietário. Indicação do corpo ou corpos que constituem as obras. As peças desenhadas devem ser apresentadas com formatos e dobragem concordantes com o estipulado nas Normas Portuguesas NP48 e NP49. escalas e data. da obra específica a executar. f) Legenda específica das redes representadas. b) Termo de responsabilidade do técnico autor do projecto.º 304º). Edificações existentes no terreno. na qual conste: Delimitação do terreno. o pedido de aprovação deve ser instruída com os seguintes elementos: a) Requerimento subscrito pelo promotor. d) Número. respeitando a Norma Portuguesa NP204 e contendo. a preços correntes. e) Memória descritiva e justificativa. d) Documento donde conste as condições definidas pelo Batalhão Sapadores Bombeiros. h) Planta de localização fornecida pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. f) Cálculo hidráulico onde conste os critérios de dimensionamento adoptados e o dimensionamento das redes. Representação dos ramais de introdução de água e de águas residuais domésticas e Representação simplificada do colector predial. i) Peças desenhadas dos traçados em plantas e cortes à escala mínima 1:100. com indicação dos materiais e acessórios das canalizações. c) Documento do Município comprovativo da aprovação do projecto de arquitectura. tipo da obra.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. deve verificar-se o comportamento hidráulico do sistema por simples observação visual. no mínimo. e) Especificação quando se trata de projecto de alteração. descrição da concepção dos sistemas. indicando se se trata de obra nova. de ampliação ou remodelação. b) Identificação do proprietário. j) Representação esquemática axonométrica da rede de distribuição de água. natureza. qualificação e assinatura do autor do projecto.3 Prova de funcionamento hidráulico Após os ensaios de estanquidade e a instalação dos dispositivos de utilização. descrição do desenho. equipamentos e instalações complementares projectadas. dos órgãos acessórios e instalações complementares e dos respectivos pormenores que clarifiquem a obra projectada. se as houver.

Segurança Contra Incêndios em Edifícios de Habitação. Ed. Ramos.. LNEC. S. Carlos. Regras de Dimensionamento das Redes Prediais de Distribuição de Água Residuais Domésticas e Pluviais. Barcelona. Manual de Instalações Hidráulicas e Sanitárias. Instalaciones. 2004 MEDEIROS. Instalações Hidráulicas e Sanitárias. Editorial FEUP. Editorial Faculdade de Arquitectura. 2004 MACINTYRE. Carlos. Envolvente e Comportamento Térmico. 1997 CANHA DA PIEDADE. Victor M.. Moret.9 Referências bibliográficas BACELLAR. 1998 MEDEIROS. H. Grupo Editorial CEAC. Carlos. RODRIGUES. 1995 PEDROSO. Editorial FEUP. Livros Técnicos e Científicos Editora Rio de Janeiro. 1995 152 . A. Angel Luis.R. A. Climatização em Edifícios. 1996 Regulamento Geral dos Sistemas Públicos e de Drenagem de Águas Residuais e Prediais de Distribuição de Água. Amadora. Edições Orion.. Porto. António Leça.A. e RORIZ. Instalações de Edifícios. 1990 MIRANDA.. 2000 COELHO. Porto. Luís F. Amadora. Archibald J.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. Regulamento dos Sistemas Públicos e Prediais de Distribuição de Água e de Drenagem de Águas Residuais (Anotado).. Redes e Instalações em Edifícios. Porto. 1998 MEDEIROS. Edições Orion. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil.

153 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10.A.Empresa Portuguesa das Águas Livres. SISTEMAS DE ABASTECIMENTO PÚBLICO E PREDIAL EM LISBOA Autor: Ana Amélia Santos Engenheira Civil Responsável do Departamento de Novos Abastecimentos Área de Negócio de Distribuição EPAL . S.

154 .

bem como de equipamentos analíticos de última geração. • Área de Negócio de Distribuição responsável pela gestão e manutenção da Rede Geral de Distribuição. As preocupações da EPAL não se centram somente ao nível da quantidade de água fornecida. 155 . que garantem a produção e o transporte de água.Águas de Portugal. colocando as suas capacidades ao serviço do interesse nacional. Filtração. Para assegurar a qualidade da água.Das origens à torneira do consumidor A EPAL . transporte e distribuição que se desenvolve ao longo de mais de 1 900 km. quer individualmente quer integrada no Grupo AdP . detida a 100% pela AdP . Um dos objectivos primordiais da EPAL consiste na monitorização da qualidade da água em toda a extensão do seu sistema de abastecimento. cuja gestão é da responsabilidade de duas Áreas de Negócio distintas: • Área de Negócio de Produção e Transporte responsável por todas as Captações.6 milhões de pessoas. A EPAL é responsável por um sistema de produção. correspondendo a área total abastecida a 5 443 Km2. na sua área de influência e eventualmente noutras áreas limítrofes. visando a prestação de um serviço de qualidade com respeito pelos aspectos essenciais de ordem social e ambiental. no concelho de Lisboa.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa EPAL . O primeiro registo de resultados de análises bacteriológicas à água pela antiga Companhia das Águas de Lisboa (CAL). Coagulação química e floculação/decantação. modernidade das tecnologias utilizadas. Esta preocupação é de facto histórica e está comprovada pelo estudo analítico mais antigo (1791) que se conhece sobre as águas do sistema de abastecimento de água à Cidade de Lisboa. mas principalmente ao nível da qualidade. Estações de Tratamento e Adutores. SA é uma sociedade anónima de capitais integralmente públicos. qualidade dos serviços prestados e larga experiência. remonta a 1897. cuja missão é o abastecimento de água para consumo humano. afecta ao abastecimento domiciliário. química orgânica e química inorgânica. o Laboratório Central da EPAL orgulha-se de ser um dos melhores laboratórios de análises de água do país e da Europa. Remineralização e correcção de agressividade. dispondo para o efeito de técnicos especializados nas áreas de microbiologia. Equilíbrio e ajuste do pH e Desinfecção final com cloro gasoso. onde assegura o abastecimento domiciliário.Águas de Portugal. do concelho de Lisboa. desempenha um papel fundamental para o desenvolvimento do sector da água quer nacional quer internacional. Actualmente. merecendo referência a sua participação em projectos de âmbito internacional.Empresa Portuguesa das Águas Livres. esta é submetida a vários processos nas estações de tratamento: Pré-cloragem. de 26 concelhos da margem norte do rio Tejo. Origem e qualidade de água A EPAL abastece de água com qualidade cerca de 2. Pelo seu "know-how". Mantém relações contratuais com cerca de 335 mil clientes directos. desde os recursos hídricos utilizados até ao ponto de entrega ao consumidor.

156 .

além de permitir localizar todas as condutas e órgãos da rede. precioso auxiliar das equipas de manutenção.2 Concepção global dos sistemas de distribuição em Lisboa 10. designado Interáqua. segurança e qualidade do serviço. reserva. proporcionando o abastecimento domiciliário numa área de 83 km2 que alberga uma população de 564 mil habitantes residentes. 70 000m3/dia de água para uma capacidade máxima efectiva de 300 000 m3/dia. a fiscalização bem como a ligação à rede de distribuição de água de todos os sistemas prediais na cidade de Lisboa. manual de redes prediais. 360 mil m3/dia. atingindo 4 ou 5 m. Deste sistema depende cerca de 335 000 clientes com contrato. Aqueduto Alviela.F. bem como divulgar os resultados alcançados com o estabelecimento dessas mesmas regras. utiliza em média.2. processo de abastecimento. respectivamente. cuja gestão é da responsabilidade de duas áreas de negócio distintas: Área de Negócio de Produção e Transporte e Área de Negócio de Distribuição. localizados na cidade de Lisboa e para os quais se 157 . projectou-se a construção do Adutor de Circunvalação. Oeiras. a Rede de Distribuição passou a estar sobre dimensionada face às suas necessidades. Aqueduto Tejo. apesar de pouco significativo. cerca de 1 400 km de rede com diâmetros que variam entre os 80 e os 1500 mm. aproximadamente. ou seja. pretende também divulgar os aspectos relevantes dum serviço de interesse público de relevante impacto social. organização. satisfação do Cliente. Neste sistema. eficiência e produtividade. obra planeada de forma a abastecer os concelhos adjacentes desviando caudais da cidade de Lisboa. É abastecida pelo Aqueduto Alviela. 10.Xira/Telheiras. • Enquadramento legislativo. 35 mil m3/dia. Esgotada a capacidade máxima de transporte entre Vila Franca de Xira e Lisboa através dos três adutores existentes. Em complemento. a profundidade das condutas é de 2. É também da responsabilidade da EPAL a aprovação. elevação. quer pela acentuada orografia da cidade.2. 9 estações elevatórias.chave: sistema de produção e transporte. A partir da entrada em funcionamento deste último adutor. tem-se verificado uma diminuição dos volumes utilizados dentro da cidade. zonas de distribuição.5 m ou mesmo superior. • A concepção global dos sistemas prediais em Lisboa.1 Aspectos gerais O Sistema de Distribuição de água à cidade de Lisboa é um sistema complexo quer pela sua extensão. é constituída por 15 reservatórios. Em certas situações especiais e nos casos de maiores diâmetros. a Rede Geral de Distribuição. Palavras . 260 000 m3 de água por dia. As regras da EPAL no que se refere à elaboração dos projectos de redes prediais. Em termos gerais. Abril de 2001. legislação. abrangendo uma breve descrição do Manual da EPAL publicado em Fevereiro 2002. A rede de distribuição de Lisboa está digitalizada e reproduzida num sistema de informação geográfica. fiabilidade. são registadas todas as intervenções possibilitando a criação de uma base de dados relacionados com a manutenção da rede. 240 mil m3/dia e 60 mil m3/dia. Este sistema tem um interface com o sistema de gestão de clientes para identificar os clientes cujo abastecimento possa ser afectado. 10.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10.2 Caracterização da rede de Lisboa Em Lisboa. cerca de 11 mil válvulas com diâmetros nominais variáveis entre 150 e 1 000 mm e 93 mil ramais de ligação aos prédios.1 Introdução A presente comunicação pretende dar a conhecer: • A concepção global dos sistemas de distribuição em Lisboa. Tejo e Adutor V. tratamento/qualidade de água. a qual se estende desde o nível do rio Tejo até cotas superiores a 170 m. pressão. bem como no âmbito do serviço prestado ao requerente do processo de abastecimento. cujas capacidades de entrega a Lisboa são. como sendo. quer por roturas casuais cuja reparação é assegurada por piquetes que actuam 24 horas por dia. A maior parte das condutas encontra-se aproximadamente a 1. A EPAL é responsável por todo um sistema de produção ("alta") e distribuição ("baixa") que se desenvolve por mais de 1900 Km. com cerca de 1 400 Km. quer por suspensões provocadas por obras de expansão ou renovação da rede.0 m de profundidade. Odivelas e Amadora. actualmente transitam pela rede de Lisboa com destino aos concelhos limítrofes. melhoria contínua. e directamente parte dos concelhos limítrofes designadamente Loures. sistema de distribuição. Acrescente-se ainda que nos últimos anos. evidenciando como os resultados foram efectivamente melhorados. Adutor Vila Franca-de-Xira/Telheiras e pelo Adutor de Circunvalação. qualidade de serviço. A experiência da EPAL ilustra os benefícios da adopção e divulgação de regras técnicas no âmbito interno.

A Rede de Distribuição na cidade de Lisboa abastece os clientes em patamares altimétricos. e a informação processada pelo sistema de clientes que regista a água facturada. • Garantir a qualidade da água ao longo da rede. 1 .Esquema em planta representativo da rede de distribuição na cidade de Lisboa 158 . identificados por cores diferentes na figura seguinte: Reservatório Estação Elevatória Ponto de entrega 1 sentido Ponto de entrega 2 sentidos Fig. • Existência de alternativas de abastecimento.2. nomeadamente. Complementarmente tem-se em desenvolvimento um sistema de apoio à decisão . de 30 em 30 metros. 10. com substituição da rede mais antiga. • Reserva de água que garanta estabilidade no fornecimento e segurança em caso de incidentes.1 Princípios hidráulicos da rede Os principais princípios a ter em conta na Rede de Distribuição são: • Estabilidade das pressões nos pontos de abastecimento garantindo uma pressão mínima na soleira dos edifícios de 300 kPa e máxima de 600 kPa.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa A EPAL tem em curso um programa de renovação da rede. cujo investimento é na ordem dos 80 milhões de euros. Este sistema de medição integrado tem como finalidade o acompanhamento da evolução de perdas de água.sistema integrado de medição. de modo a integrar e tratar a informação sobre volumes de água utilizada em determinada malha de rede. por zona de abastecimento.2.

bem como todas as interligações ao sistema de produção e transporte (distribuição em Alta).Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Na figura anterior são também identificadas as estações elevatórias e reservatórios que fazem parte integrante da rede de distribuição. no qual a água é elevada directamente para a rede de distribuição. O sistema de distribuição de água da EPAL na cidade de Lisboa possui características muito próprias. da respectiva zona altimétrica. Esta localização permite garantir uma pressão na soleira do ponto de abastecimento entre os 300 kPa e os 600 kPa. St. Cruz Fig. Os reservatórios que garantem o abastecimento das zonas altimétricas funcionam como reservatórios de extremidade e localizam-se aproximadamente 30 metros acima dos pontos de abastecimento mais elevados.Diagrama altimétrico representativo da rede de distribuição na cidade de Lisboa 159 . 2 .

30 125 . No quadro seguinte pode-se observar. no que se refere à diminuição de roturas: Barbadinhos Rede (ZB) .Reservatório do Pombal Rede (ZS) . 10. Jerónimo Rede (ZA) . QUADRO 2 .Reservatório do Vale Escuro e de S.VARIAÇÃO DO NÚMERO DE ROTURAS ENTRE OS ANOS DE 2003 E 2004 Roturas Condutas DN ≤ 400 mm Condutas DN > 400 mm Roturas Em ramais Ano 2003 715 84 Ano 2003 1460 Ano 2004 534 49 Ano 2004 947 Variação -25% -42% Variação -35% Restelo Rede (ZA) .2. através de mecanismos vários. a melhoria da fiabilidade das reparações. • Qualidade deficiente ao nível dos tubos. • Roturas devidas a movimentos dos solos. a entrada em funcionamento do Adutor da Circunvalação. • Corrosão generalizada. vindo a aumentar a sua aplicação. principalmente na renovação da rede. galvânica. súbita ou continuada no tempo. manobras de válvulas.3 bar. acessórios e componentes utilizados na execução das uniões.Reservatórios do Contador-Mor E do Vale Escuro Rede (ZM) .2 Caracterização dos materiais da rede O sistema da EPAL existe há mais de cem anos. localizada. betão pré-esforçado. cujo único destino é o reservatório de Monsanto. Esses factores podem ser classificados da seguinte forma: • Condições hidráulicas da rede As pressões são um dos principais factores agressivos (pressões em regime hidráulico permanente e transitório). Jerónimo Rede (ZM) . ZA .Reservatórios de Campo de Ourique e do Arco 92 38 59 96 32 80 45 61 QUADRO 1 . sendo os principais: o aço.Reservatório do Arco Rede (ZA) .2. incorrecto dimensionamento/instalação dos grupos hidropressores poderão estar na origem de uma degradação mais rápida do sistema de abastecimento. • Deterioração ao longo do tempo da tubagem e/ou das juntas e acessórios. com a retirada de caudais em trânsito na rede de Lisboa para os concelhos limítrofes.Reservatório do Restelo Telheiras Rede (ZS) .ALTURAS DE ELEVAÇÃO NOMINAIS NAS ESTAÇÕES ELEVATÓRIAS DA REDE DE DISTRIBUIÇÃO DE LISBOA Estação elevatória Destinos de elevação(a) Alturas de elevação aproximadas (m. ferro fundido cinzento.2. tendo naturalmente ao longo da sua vida sido utilizados diversos materiais.2.3 Identificação das patologias mais correntes As patologias mais correntes em tubagens e acessórios assumem em geral as seguintes formas: • Roturas por acções de choque mecânico. • Roturas devidas a aumentos das cargas externas transmitidas pelo solo. ferro fundido dúctil e ferro galvanizado. nos últimos anos (desde 2002).Zona Baixa. correntes vagabundas. o PEAD. para cada estação elevatória existente na rede de distribuição.Reservatório da Charneca Rede (ZA) .2.44 25 . A má utilização em termos de paragens e arranques dos grupos. fibrocimento. ZS .Zona Alta.Reservatório de Telheiras Aqueduto do Alviela Reservatório de Monsanto 122 21 80 65 35 . as alturas de elevação aproximadas para os diversos destinos. tendo no entanto. No caso da EPAL e dado o projecto de renovação de rede em curso. o ano de 2004 espelha já alguns resultados positivos. exceptuando alguns casos que pode ir até 12 bar.Zona Média.c. • Redução da secção útil dos tubos devido a incrustações. ZM .2.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. e do fibrocimento continua sensivelmente a representar um maior peso. polietileno de alta densidade. salvo o caso da estação elevatória do Restelo.a) 10. numa média de 60 km/ano. para a sua degradação. Em termos de exploração.Reservatório da Amadora Reservatório do Alto de Carenque (a) ZB .4 Identificação dos factores agressivos Os tubos e acessórios estão naturalmente sujeitos a diversos tipos de factores agressivos que contribuem. a tubagem e acessórios estão sujeitos a factores agressivos relativos às condições hidráulicas na rede que se traduzem em pressões máximas em regime permanente que não excedem em geral 8.Reservatório de Monsanto Reservatório da Amadora Olivais Rede (ZB) .130 S.Reservatório do Pombal Campo de Ourique Rede (ZA) . ferro fundido dúctil. A predominância do ferro fundido cinzento.Zona Superior 160 .

.min V. A esta variabilidade há a acrescentar a que resulta QUADRO 3 .7 8. Tejo e Castelo do Bode (captações superficiais e subterrâneas). 161 .min V. o valor de pressão mínimo actualmente disponibilizado pela EPAL é de 300kPa.9 8. do contacto da água com tubagens e acessórios de diferentes materiais. .Movimentos permanentes do terreno. de modo a evitar a ocorrência de sobrepressões é de 600kPa. parâmetro que em geral é utilizado para caracterizar a corrosividade dos solos. resultante das extensões axiais e das curvaturas. que estão directamente relacionadas com o trânsito rodoviário e ferroviário.min V.6 7. A cidade de Lisboa situa-se numa zona de sismicidade moderada. a água aduzida à cidade de Lisboa provém de três subsistemas distintos . .4 8.Cloreto. em que se registam sismos fracos.Efeitos da propagação das ondas sísmicas nas tubagens. as características da água distribuída são bastante semelhantes às da água aduzida.5 6. A título meramente informativo resumem-se os principais factores agressivos do solo para os tubos metálicos: .Alviela. enquanto noutras reflectem as misturas de aduções diferentes.7 8.7 6.min V. Os factores químicos da água transportada na rede.máx Zona Superior V.min V. . .CONCENTRAÇÃO HIDROGENIÓNICA DA ÁGUA DISTRIBUÍDA EM LISBOA Parâmetro Zona Baixa V.Concentração hidrogeniónica (pH). e conforme já mencionado. Da complexidade dos três subsistemas adutores a quatro zonas de distribuição resulta que em algumas zonas da cidade. sísmicas e mecânicas Os factores relevantes que podem contribuir para que as tubagens enterradas possam sofrer danos são: . que estão directamente relacionados com as suas características geotécnicas. como os assentamentos dos solos e sua liquefacção. degradam a tubagem afectando a qualidade da água.máx Zona Média V.3 • Características químicas e físicas dos solos e das suas águas intersticiais A humidade do solo e a presença de sais dissolvidos são os factores que mais contribuem para a resistividade do solo. quando atingem teores agressivos.9 8. . • Condições geotécnicas. caracterizada pela ocorrência de sismos fortes. sendo o parâmetro identificado como relevante a deformação da tubagem.máx Concentração Hidrogeniónica (pH) 7.Resistividade.Correntes vagabundas. assim como o valor máximo. separados por longos períodos de acalmia. por zona de distribuição: • Características químicas das águas transportadas na rede Conforme já mencionado.Alcalinidade.máx Reservatórios V.Cargas rolantes sobre o terreno. Daqui resulta uma variabilidade das características da água aduzida.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Mais especificamente no que se refere à concepção da rede de distribuição.máx Zona Alta V. .Sulfato.Contaminação orgânica. . A título meramente informativo apresenta-se no quadro seguinte a concentração hidrogeniónica (pH) da água distribuída em Lisboa.6 7.

30 57. os quais funcionam também como reservas de água.Distribuição das intensidades na cidade de Lisboa Fig.CARACTERIZAÇÃO DOS RESERVATÓRIOS EXISTENTES NO SISTEMA DE ABASTECIMENTO A LISBOA DESIGNAÇÃO ZONAS DE DISTRIBUIÇÃO GRAVIDADE BARBADINHOS OLIVAIS CONTADOR-MOR VALE ESCURO S.25 2. encontram-se caracterizados no quadro seguinte: QUADRO 4 .60 5. OURIQUE TELHEIRAS I TELHEIRAS II POMBAL 1.10 152.44 ALTURA DE ÁGUA (m) 3.2 POMBAL 3 RESTELO CHARNECA I CHARNECA II MONSANTO TOTAL ZS ZA ZS ZS ZL ZA ZB ZB ZB ZB.ZA ZB.30 152.ZM ZM ZA BOMBEAMENTO ZB.ZA Zona Superior-ZS 162 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.00 12.62 2.ZM.ZL Zona Baixa .90 5.46 116.50 4. 4 .00 VOLUME TOTAL (m³) 9 250 38 570 9 504 20 186 4 500 11 460 127 200 58 112 114 297 6 892 5 130 9 226 9 925 10 162 4 470 438 884 LEGENDA: Zona Limite .00 119.00 74.90 2.ZA ZA ZA.90 5.70 5.90 4.66 17.00 2.00 6.30 5.ZS N.38 122.27 126.10 171.72 90.2.ZS ZA. 3 .2. JERÓNIMO ARCO C.00 116.43 92.5 Reservas de água Os reservatórios existentes e em serviço no sistema da EPAL de abastecimento à cidade de Lisboa.00 68.ZM Zona Alta .70 4.ZM.Cenário sísmico de danos na cidade de Lisboa 10.ZB Zona Média .º 2 2 2 2 2 2 2 4 2 2 1 2 2 1 2 CÉLULAS COTA DE SOLEIRA 27.

Esta preocupação prende-se com a possibilidade de deterioração da qualidade da água nos reservatórios.falhas de adução por interrupções subsequentes a avarias no sistema de abastecimento de água ou cortes na alimentação eléctrica. apresentam-se as relações entre capacidade total e os consumos médio diário anual.19 2020 (1) / (3) 1. previamente estabelecidas e divulgadas. PREVISTOS PARA OS ANOS DE 1995 E 2020 NECESSIDADES DE ÁGUA (m³/dia) 1995 (1) MÉDIO ANUAL MÊS MAIOR CONSUMO SEMANA MAIOR CONSUMO DIA MAIOR CONSUMO 438884 (2) 284413 327074 341295 369736 2020 (3) 284239 326875 341087 369511 COEFICIENTES (-) 1995 (1) / (2) 1. se determinadas medidas não fizerem parte das normas de exploração e.19 TIPO DE CONSUMO CAPACIDADE TOTAL (m³) Verifica-se que a capacidade total excede as necessidades de água estimadas para esses anos. o qual não é uma ideia recente. previstos para os anos de 1995 e 2020. além de envolver.ajustamento dos caudais de adução aos pedidos na rede. No quadro seguinte.54 1.2. .1 Aspectos gerais É também da responsabilidade da Empresa a aprovação e a fiscalização das redes prediais na cidade de Lisboa.2. ainda.34 1. a reunir conceitos e regras. para Lisboa: QUADRO 5 . no mês de maior consumo. Para com maior rigor avaliar a conformidade técnica dos processos de abastecimento foi publicado o Manual de Redes Prediais da EPAL. se não forem verificados determinados critérios de concepção. técnicos responsáveis pela instalação das redes prediais de água e instaladores.RELAÇÃO ENTRE A CAPACIDADE TOTAL DOS RESERVATÓRIOS E OS CONSUMOS MÉDIO DIÁRIO ANUAL. 10. destinada 163 .54 1.29 1. Assim e dentro desta opção metodológica foi sentida a necessidade de iniciar um processo normativo conducente ao estabelecimento de uma base de informação padronizada. opção que motivou à elaboração de um Manual. dirigido a projectistas. também é fundamental que seja garantida a qualidade da mesma água.aumentos súbitos de pedidos na rede por razões de emergência. . actuações de emergência. mas sim um projecto há muito planeado.28 1. potencialmente.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa A capacidade de reserva foi calculada atendendo às seguintes ocorrências: . NO MÊS DE MAIOR CONSUMO.3 Concepção global dos sistemas prediais em Lisboa 10.3. em particular combates a incêndios. Os procedimentos de exploração integram rotinas de inspecção e de manutenção. na semana de maior consumo e no dia de maior consumo.6 Estratégia de manutenção da qualidade da água A par com a necessidade de garantir duma forma optimizada as reservas adequadas de água no sistema para uma distribuição compatível com os consumos. Manual de Redes Prediais da EPAL 10. de modo assegurar o cumprimento das regras definidas.34 1. NA SEMANA DE MAIOR CONSUMO E NO DIA DE MAIOR CONSUMO. que permitissem uma capacidade de resposta mais oportuna e qualitativa.

mas tem como objectivo transmitir as regras que esta Empresa considera pertinentes. de acordo com o estabelecido no capítulo II. 10. Após a constituição de um processo de abastecimento. Elaboração e Circuito dos Processos de Abastecimento III. Subsidiariamente poderá também constituir elemento de consulta para instaladores. A consulta do fluxograma a seguir representado. O conteúdo do documento não pretende ser exaustivo e de modo algum dispensa a consulta de toda a regulamentação em vigor. deveres e responsabilidades das diversas partes intervenientes. pois procura apresentar uma visão global conducente à obtenção de soluções que contornem os problemas detectados nos projectos de redes prediais.1 Capítulo I . embora numa opção técnica condicionada pela normalização nacional existente. considerando-se o referido Manual como um complemento da documentação técnica já existente na EPAL.3.3 Descrição dos capítulos estruturantes do Manual 10.3. permitindo aos interessados a apresentação de processos de abastecimento.3. Generalidades II.3. evidencia todo o circuito de um processo de abastecimento no seu desenvolvimento mais longo. assim como a descrição do seu circuito. permitindo assim um desenvolvimento mais célere dos processos de abastecimento.2 Estrutura do Manual de Redes Prediais A estrutura do Manual é constituída pelos seguintes capítulos e anexos: I. ou seja. o que conduz a prazos de resposta mais reduzidos. Concepção de Projecto e Disposições Construtivas IV. desde a sua entrega nos Serviços da EPAL.3.3. 10. permite uma optimização dos recursos utilizados pela EPAL na fase de análise dos mesmos.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa No Manual de Redes Prediais são abordados aspectos de concepção e execução. Dimensionamento Anexos A Terminologia B Simbologia C Documentos e Elementos Técnicos Constantes dos Processos de Abastecimento D Esquemas de Instalação e Execução E Legislação e Normalização Aplicáveis F Referências Bibliográficas. Uma correcta elaboração dos processos de abastecimento.Elaboração e circuito dos processos de abastecimento Tem como objectivo definir as regras para a elaboração e constituição de um processo de abastecimento. 164 . até à fase de celebração de contratos de fornecimento de água. Na assunção deste pressuposto recomenda-se que sejam respeitadas todas as indicações consignadas no documento. na EPAL. este deve ser entregue.2 Capítulo II . para emissão de parecer.Generalidades Abordagem de aspectos gerais tais como a Legislação e Normalização. com entrega de alterações ao nível da análise e da fiscalização: 10. compatíveis com os conceitos vigentes na EPAL. por serem aqueles que conferem aos projectos a sua verdadeira potencialidade em termos de "linguagem técnica". sendo particularmente desenvolvidos os primeiros.

5 .Fluxograma de um processo de abastecimento 165 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.

6 . ou a bocas de incêndio e marcos de água. 7 Ramal de Ligação Canalização que liga a Rede Geral de Distribuição à rede predial.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa O fluxograma anteriormente apresentado poderia ser muito simplificado se todo o processo não tivesse que passar por frequentes e diferentes análises do mesmo. no que respeita a alterações entregues. 9 Rede Geral de Distribuição Sistema de canalizações. responsabilidades de manutenção e recomendações. É recomendável ainda que sejam respeitadas todas as indicações consignadas no documento. 8 Torneira de Suspensão do Ramal Válvula que regula o fornecimento de água ao prédio. para serviço de uma propriedade. permitindo assim um desenvolvimento mais célere dos processos de abastecimento.Redes prediais. seja na fase de análise ou/e na fase de fiscalização. Responsabilidades de manutenção 166 . nomeadamente no que respeita à caracterização dos deveres. órgãos e equipamentos instalados na via pública. Fig.

quer a manutenção dessa mesma qualidade. actualmente de 300kPa. É ainda de interesse apresentar uma síntese das soluções de abastecimento predial permitidas pela EPAL: a) Fornecimento totalmente gravítico.3 Capítulo III . pelo menos dois andares de pressão (gravítico e pressurizado): Fig. quer as boas condições do fornecimento no que concerne à pressão e caudal nos dispositivos de utilização. deverá ser prevista a instalação de equipamento de pressurização. 7 . A concepção dos sistemas prediais deve assim garantir. a pressão da rede geral de fornecimento deve ser aproveitada.Concepção de projecto e disposições construtivas O capítulo III tem como objectivo definir as linhas orientadoras a adoptar na concepção global dos sistemas prediais de abastecimento de água. assim como o valor máximo. em que a pressão mínima disponibilizada no ramal de ligação é suficiente para garantir as boas condições de fornecimento a todos os locais do edifício a serem objecto de contratos de fornecimento: b) Através de equipamento de pressurização directa. disponibilizado pela EPAL. Mais especificamente no que diz respeito às pressões deve ser tido em atenção o valor de pressão mínimo. na rede geral de distribuição de água.3. de forma a evitar a ocorrência de sobrepressões (>600kPa). A adopção desta solução pressupõe que embora se recorra à pressurização. levando a que existam sempre que possível.Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema simples gravítico 167 . constituído por grupos de velocidade variável e tendo em conta o especificado no Manual.Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema misto gravítico e pressurizado Fig.3.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. assim como indicar quais as disposições construtivas preconizadas pela EPAL. 8 . Nos casos em que este valor seja ultrapassado deve ser instalada válvula redutora de pressão. Quando o valor mínimo não for garantido. a EPAL assegura a qualidade da mesma na sua rede geral de abastecimento. Como entidade responsável pelo fornecimento de água para consumo humano.

9 . exclusivamente para o sistema de incêndio e situações especiais: Situação I Situação II Fig.Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema misto gravítico e pressurizado e abastecimento ao serviço de incêndio a partir de depósito 168 .Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema misto gravítico e pressurizado e abastecimento directo à rede de incêndio e rede sprinklers Fig. 10 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa c) Fornecimento efectuado a partir de depósito dotado de equipamento de elevação.

se forem detectadas irregularidades. 10. os mesmos não são vinculativos. 169 . onde se definiu o traçado das canalizações. nomeadamente no que concerne aos diâmetros das tubagens e determinação das características dos equipamentos electromecânicos.Diagrama de abastecimento às redes prediais e serviço de incêndio a partir de depósito contabilizado a montante (condição excepcional para Hotéis e Hospitais.3. é necessário efectuar o dimensionamento das canalizações. através da apresentação de ábacos. estando o projectista livre de apresentar outros métodos desde que devidamente fundamentados. 11 . No entanto. tal como as minutas tipo.Consiste na compilação dos termos instituídos pela EPAL mais utilizados neste Manual. quadros de apoio. Fig. sendo sempre obrigatória a sua apresentação.Compilação de diversas indicações de carácter normativo relativas a alguns aspectos construtivos das redes prediais.3. previsto na legislação) D Esquemas de Instalação e Execução . uma vez que se determinam entre outros. 10. salvo se indicado. constantes no Manual.. A fase de dimensionamento funciona ainda como prevenção e detecção de erros de concepção. relativos ao dimensionamento. consistem: A Terminologia .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Situação III é responsável pelos valores neles apresentados e sua validade. C Documentos e Elementos Técnicos Constantes dos Processos de Abastecimento .Dimensionamento Após a fase de concepção do projecto da rede predial de água. etc.3. valores de velocidades de escoamento e de pressão disponível nos dispositivos de utilização. tabelas e referências bibliográficas. possibilitando o controlo dos parâmetros relativos aos níveis de conforto e desempenho dos sistemas. já anteriormente mencionados. E Legislação e Normalização Aplicáveis . no entanto. a título meramente exemplificativo.4 Capítulo IV . No capítulo IV são apresentados alguns métodos de dimensionamento para cada situação. encontrando-se organizada por ordem alfabética.Elaboração e Circuito dos Processos de Abastecimento".5 Anexos Os anexos.Apresentação dos símbolos a utilizar na elaboração das peças desenhadas dos projectos de redes prediais. ou se os mesmos se encontrarem incompletos devem ser apresentados novos cálculos. apresentam-se nas seguintes figuras. são componentes fundamentais do projecto da rede predial.Listagem não exaustiva de documentação. O dimensionamento dos Sistemas Prediais de Abastecimento de Água é efectuado de forma faseada através de um processo iterativo. a escolha dos materiais a utilizar e a selecção dos órgãos e dos equipamentos. O projectista Relativamente ainda ao Anexo D. algumas das principais disposições construtivas relativas às redes prediais. Os cálculos justificativos.3. B Simbologia .Inclui as referências do "Capítulo II . F Referências Bibliográficas.

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.Instalação de contadores em bateria 170 . 12 .

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig. 13 .Instalação de contadores em caixa enterrada até DN 40 171 .

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig. 14 .Instalação de contadores em caixa enterrada a partir de DN 50 172 .

15 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.Instalação de ponto de ligação flangeado 173 .

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.Pontos de ligação roscados 174 . 16 .

é com satisfação que já se distribuíram mais de três centenas de exemplares.3.4 Outras publicações complementares Paralelamente à edição do referido documento. 175 .5 Resultados práticos 10. sendo este um documento dinâmico.Gráfico comparativo da variação relativamente ao tempo de resposta aos processos de abastecimento 10.000 2. passado dois anos e meio da sua publicação. de resultados do exercício da área de Novos Abastecimentos entre 2000 e 2004. Também sempre que os colaboradores detectam erros sistemáticos. por vezes. quadro e figuras.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. sempre que os indicadores apresentam desvios.17 . bem como na execução de ramais de ligação e instalação de contadores. durante o ano de 2004. Através deste tipo de controlo.3. sendo eles: "Elaboração e circuito dos processos de abastecimento" e "Condições técnicas de instalação de contadores em bateria". relativamente ao tempo de resposta. A imagem. estes são analisados e adoptadas acções correctivas para impedir a sua repetição.Gráfico comparativo da variação do número de processos em curso e pendentes na EPAL entre o ano de 2000 e o ano de 2004 No que se refere ao nível de serviço. facilitando os procedimentos de fiscalização e de execução da obra. apresentam-se. O objectivo que originou a elaboração e publicação do documento começa agora a dar mostras de estar a ser concretizado. Empreiteiros. no entanto.1 Divulgação da documentação Aquando da disponibilização do Manual de Redes Prediais em Fevereiro de 2002. serão de especial interesse para o enriquecimento técnico das futuras edições. notando-se que os projectos registam algumas melhorias ao nível da sua concepção e apresentação. no início de 2002. no exterior. verificando-se em obra que o mesmo tem ajudado na implementação de algumas regras de construção. a quantificação do número de processos de abastecimento de 2004. não só da Cidade de Lisboa como de outras zonas do País.3. a EPAL tinha uma perspectiva de distribuição entre os 90 e os 100 exemplares até ao final do ano. Na figura seguinte pode-se observar em percentagem.2 Quantificação dos processos de abastecimento e dos resultados práticos A título informativo. também tem sido mais positiva.000 4. todas as opiniões. 65% < 5 dias entre 5 e 20 dias entre 20 e 40 dias mais que 40 dias 5% 5% 25% Fig. Instaladores e Donos de Obra. Internamente. são introduzidas acções correctivas. efectuou-se uma contabilização dos tempos de resposta dos processos de abastecimento. principalmente através dos comentários construtivos. "Instalação de contadores em caixa" e "Contador de obra". demonstrando o reconhecimento e interesse por parte de Projectistas. a seguir. 18 .3. tendo em conta que a lei vigente obriga que as respostas sejam emitidas dentro de um período de 20 dias úteis.5. Estas publicações servem actualmente de apoio ao Manual. Fig. feitas algumas sugestões de melhoria que têm sido apontadas e que serão devidamente estudadas no intuito de virem a surtir efeito em revisão com vista a uma futura emissão. Nº de Processos 6. ou seja. No entanto. nos quais se reflecte de alguma forma o contributo do Manual. a dinâmica dos diferentes serviços melhoraram. sendo.000 Mês/Ano Dez-00 Dez-01 Dez-02 Dez-03 Dez-00 Dez-01 Dez-02 Dez-03 Set-04 Situação 0 Set-04 Em curso Pendentes da EPAL Pendentes de Clientes 10. pelo que as mesmas serão sempre bem vindas. tendo-se obtido um equilíbrio maior entre a análise e a fiscalização dos processos de abastecimento. No início de 2003 foram editados mais dois novos folhetos designadamente.000 1. foram desenvolvidos e implementados dois novos folhetos.000 3.000 5. consegue-se obter a percepção da evolução da qualidade do serviço e a identificação das áreas de melhoria do ponto de vista do mercado.5.

10. Regulamento de Segurança e Acções para Estruturas de Edifícios e Pontes. pelos seus estatutos. não é afectado pelo disposto no presente diploma". de 21 de Junho. S.A.4 Enquadramento legislativo A EPAL possui um regulamento geral de abastecimento de água que foi posto em vigor pela portaria nº 10 716. Regulamento de estruturas de Betão Armado e Pré-esforço.. assegura a conformidade do serviço fornecido ao Cliente. Decreto-Lei nº64/90. beneficiam com a publicação deste documento.Regime Jurídico de Empreitadas de Obras Públicas. de 24 de Julho de 1944 e suas alterações entretanto publicadas. Com efeito. No Decreto-Lei nº 230/91 de 21 de Junho.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Esta atitude permite a melhoria sistemática dos processos e.A. na sua redacção actual". S. com o qual os serviços se regem. (EPAL). parágrafo 2.A. os consumidores directos continuam a reger-se pelo disposto no regulamento aprovado pela portaria nº 10 716. relativo à Empresa Portuguesa de Águas Livres. conclui-se assim que a EPAL se encontra numa situação de excepção. rege-se pelo presente diploma. pelas normas de direito privado aplicáveis às sociedades anónimas e pelas normas especiais. é mencionado que: "A EPAL. Decreto-Lei nº59/99. S. 176 . Pelo anteriormente exposto. no Artigo 1º. e no Artigo 8º. tanto a EPAL como os agentes externos da área. de 21 de Fevereiro . o que constitui uma contribuição positiva para a concretização do objectivo inicialmente pretendido com este projecto. cuja aplicação decorra do objecto da sociedade. parágrafo 2.". facilitando a implementação de regras instituídas na empresa e aumentando a interacção com o exterior. como tal.Aprova o Regulamento Geral dos Sistemas Públicos e Prediais de Distribuição de Água e Drenagem de Águas Residuais. do qual se espera no futuro vir a reflectir-se numa melhoria qualitativa e quantitativa. no entanto esta Empresa sempre fez questão de orientar-se pelos Regulamentos e Decretos-Leis vigentes: Decreto Regulamentar nº 23/95. 2 de Março . de 23 de Agosto . Decreto-Lei 320/2001 e 272/2003 (segurança). face alguma da legislação actualmente aplicável a todo o país. o artigo nº 31 do Decreto-Lei nº 207/94 estabelece que: "O regime estabelecido no Decreto-Lei nº 230/91. de 24 de Julho de 1944.Aprova o Regulamento de Segurança contra Incêndio em Edifícios de Habitação. presentemente. Pode-se concluir que. é mencionado também o seguinte:" Sem prejuízo da aprovação de um novo regulamento aplicável à EPAL.

Setembro 1997 .5 Referências bibliográficas " Plano Geral da Rede de Distribuição de Água a Lisboa e do Abastecimento aos Concelhos limítrofes" . 2001.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. elaborado pelo LNEC para a EPAL.Relatório Final. " Manual de Redes Prediais". EPAL. " Especificação de materiais para a rede de abastecimento da água da EPAL" .elaborado pela Empresa Aquasis para a EPAL.Relatório 254/99-NES. 177 .

178 .

POLIVALÊNCIA E ECONOMIA Autor: José Beltrão Professor Catedrático.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. FERN. Polivalência e Economia 11. Universidade do Algarve. SISTEMAS DE REGA SOB PRESSÃO: EFICIÊNCIA. Faro 179 .

180 .

Arquitectura Paisagista e Agronomia) e de quatro mestrados (Horticultura . resultou da união das duas instituições previamente existentes: a Universidade do Algarve.UCTA e assumiu a responsabilidade do ensino da licenciatura em Hortofruticultura. No ano de 2003 a Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais estava envolvida em mais de 30 projectos de investigação. Engenharia de Recursos Naturais. de ensino e investigação. Actualmente a Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais tem a responsabilidade de quatro licenciaturas (Engenharia Agronómica . cedo se alçou de instalações provisórias a espaços amplos. Hotelaria e Turismo. com centros de investigação nacionais e internacionais. criado pelo decreto-lei n. trabalho. Nas proximidades está localizado o Horto Experimental de Gambelas. com a reestruturação de toda a Universidade do Algarve.º 11/79 de 28 de Março e o Instituto Politécnico de Faro. Ciências do Mar e Ambiente.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.RUPEA e tem numerosos e abrangentes protocolos de colaboração.Economia. com espaços ao ar livre e estufas. As duas licenciaturas de Engenharia estão reconhecidas pela Ordem dos Engenheiros. maioritariamente com o Grau de Doutor que asseguram o funcionamento regular das licenciaturas e mestrados. e em Arquitectura Paisagista.Portimão e Vila Real de Santo António -. Para além dos docentes integram a Faculdade mais de 25 funcionários e. dispondo. Tecnologia e Saúde. que proporcionam excelentes condições de estudo. Em 1998. cinco anos mais tarde.Educação. É também uma Faculdade integrada no mundo global que a envolve. com instituições universitárias portuguesas e estrangeiras. em 1993. Gestão. 16 dos quais liderados por docentes seus. esta Faculdade inclui 46 gabinetes. de dois Campus . Em 1991. como não podia deixar de ser. e com empresas da região e do país. 33 laboratórios. mais de 700 estudantes. situado no Campus de Gambelas. após a criação da Universidade do Algarve. investigação e socialização aos cerca de 10 000 estudantes. Um edifício recém inaugurado. A Horto-fruticultura foi reestruturada e adoptou o nome de Engenharia Agronómica . por exemplo. 181 . Ciências Humanas e Sociais. e com uma estação meteorológica automática.ramo Hortofruticultura. Entre 1982 e 1998 a então UCTA foi crescendo e alargando os seus horizontes. Biotecnologia e Agricultura Sustentável). Por exemplo. No ano de 2003 A FERN diplomou 59 licenciados (35 em Engenharia Agronómica e 24 em Engenharia Biotecnológica) e já em 2004 surgem os primeiros licenciados em Arquitectura Paisagista. as Unidades foram extintas e as Faculdades vieram substituir as anteriores estruturas. foi constituído o Centro de Desenvolvimento de Ciências e Técnicas de Produção Vegetal . e foram iniciadas as licenciaturas em Engenharia Biotecnológica. e Ciências e Tecnologia e quatro ESCOLAS SUPERIORES . criada pela Lei n.Penha e Gambelas . de 26 de Dezembro. A FERN é constituída hoje por mais de 50 docentes. integra a Rede de Universidades Portuguesas de Ensino Agronómico .CDCTPV. Possui cinco FACULDADES .º 513-T/79.especialidade de Marketing e Comercialização. A FERN .especialidade de Marketing e Comercialização. tal como existe neste momento.FERN surgiu em 1982. Engenharia Biotecnológica. Polivalência e Economia A Universidade do Algarve A Universidade do Algarve. alunos e funcionários.Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais A Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais .ramo Hortofruticultura. Inicialmente adoptou a designação de Unidade de Ciências e Tecnologias Agrárias . hoje. Tendo nascido do sonho de poucos e da vontade de muitos. 700 docentes e 400 funcionários que gravitam no seu universo. 3 salas de informática e 4 salas de estudo propiciam as adequadas condições de trabalho para os docentes.e de dois Pólos . Em 1992 integrou o 'grupo internacional' de oito universidades que lançou e coordenou o Mestrado em Hortofruticultura . Recursos Hídricos.

182 .

. não se incluem outros parâmetros necessários quer ao planeamento. 1945).Água de drenagem (mm) Es . Para a caracterização deste complexo sistema será necessário o conhecimento de elementos de base e aplicados ao solo (Hillel. 1979) e de funções de produção (Shalhevet e tal.1 Sistemas de rega por gravidade Há quem considere os métodos de rega como sinónimos de sistemas de rega. difíceis de definir. ou de modelos dinâmicos de produção (Jones & Kiniry. Universidade Técnica de Lisboa (Mayer.Evapotranspiração real da cultura (mm) Dr . tendo em vista. considerou-se não só a origem da água de rega (recursos convencionais e não convencionais). e b) relacionadas com a planta . 1980b). por haver situações híbridas e combinadas..(1996) ∆S . variando com a cultura e o seu estado fenológico.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. As relações entre as necessidades hídricas e os sistemas de rega foram estudados por Pereira (2004). Estes outros parâmetros serão definidos através das componentes do sistema dinâmico SPAC (soil-plant-atmosphere-continuum). Uma das classificações adoptadas em Portugal é aqui apresentada no QUADRO 1 (Sistemas de rega por gravidade) e no QUADRO 2 (Sistemas de rega sob pressão).SISTEMAS DE REGA POR GRAVIDADE Método . outros tipos de utilização agro-ambiental.como por exemplo o potencial de turgescência ou o termómetro infravermelho. Esta equação do balanço hídrico (1) não é aplicável aos sistemas de rega de rega localizada (gota a gota e mini(2) (1) -aspersão).Água de escorrimento superficial (mm) Ac .Precipitação (mm) ETa . com uma subdivisão em processos de rega. tipo de instalação e funcionamento. Polivalência e Economia 11. blocos de gesso e outras.Escorrimento Método . Foi extraída da extinta disciplina de Hidráulica Geral e Agrícola. do Instituto Superior de Agronomia.Água de ascensão capilar (mm). 1997). Contudo. podendo ser obtido o seu valor directa ou indirectamente quando se verificam decréscimos da produção. considera-se a eficiência de rega como a componente de maior importância.Infiltração Processos: Submersão permanente: Sulcos Rega subterrânea Regadeiras inclinadas Canteiros Planos inclinados Cavaletes Faixas Submersão Temporária: Caldeiras Simples Coroa circular 183 . 1983. O estudo das necessidades hídricas poderá também ser efectuado recorrendo a outras técnicas (Dasberg & Or.Ac) + ∆S em que: R . além da rega de humedecimento. indica-se nas referências bibliográficas os trabalhos que deverão ser consultados. à atmosfera (Doorenbos & Kassam. No que respeita a polivalência e a economia energética dos sistemas de rega. Ao falar-se de polivalência. 11. definida por: R + P = ETa + (Dr + Es . 1981). Allen et al. com algumas actualizações introduzidos principalmente por Oron & Beltrão (1993) e por Raposo (1996 b). poderíamos dividir os sistemas de rega em sistemas de rega por GRAVIDADE (escoamento ou infiltração em superfície livre) e por PRESSÃO (escoamento em pressão). 1979. 1998) e aos seus efeitos combinados nas necessidades hídricas das plantas obtidas pela equação do balanço hídrico na zona radicular. Beltrão et al. QUADRO 1 . 1980a.Variação da água no solo na zona radicular (mm) ETa pode-se obter através da equação: ETa = ETo x kc Em que ETo . Contudo. teoricamente o método diz mais respeito ao fenómeno físico predominante enquanto os sistemas têm mais que ver com o material.Evapotranspiração de referência (mm) kc . 1999): a) relacionadas com o solo .. à planta (Taylor et al. O valor aproximado do coeficiente cultural está definido para as culturas regadas para a máxima produção. quer à gestão dos sistemas de rega. através de fórmulas específicas (Doorenbos & Kassam. de acordo com Beltrão et al.Submersão Processos: Regadeiras de nível Processos: Método . No que respeita à economia energética dos vários sistemas de rega.coeficiente cultural. expressa através da dotação real de rega (mm) P . sondas TDR. 1980) . mas também as várias utilizações dos sistemas de rega.2 Classificação dos sistemas de rega 11. uma vez que neste caso o solo não é regado na sua totalidade. 1986).2. Dado que a dimensão deste capítulo é limitada.Água de rega.1 Introdução Este capítulo incidirá somente sobre os sistemas de rega e a sua relação com a polivalência e a economia energética.como por exemplo diferenças de potencial de água no solo (tensão de água no solo) através de tensiómetros. sendo neste caso utilizado um balanço hídrico específico (Vermeiren & Jobling. É muito complexo classificar com rigor os sistemas de rega.

2. como prevenção contra a gomose basal. 1). rega qualitativa). a caldeira disposta em coroa circular. incluem a rega por sulcos e a rega subterrânea. 4) maior economia de água. Fig. humedecendo o solo por infiltração.fixa Fig. As instalações estacionárias são caracterizadas pelo facto de os aspersores ocuparem posições fixas no solo. sem haver a necessidade de mudança de tubos (Fig. a aspersão e a infiltração.2. em que se utiliza a infiltração como fenómeno físico predominante. 2 . Os sistemas de rega por gravidade.Instalação de rega por aspersão estacionária completamente fixa num campo de golfe (Rosado.2. 6) geralmente maior produção. 1 . actualmente. 5) normalmente maior economia de mão-de-obra. respectivamente. utiliza-se a ascensão capilar da água. o sistema de rega por regadeiras de nível. nas laranjeiras. infiltrando-se no solo. Polivalência e Economia A classificação em escorrimento. 2002). submersão e infiltração diz respeito ao fenómeno físico predominante observado durante a rega. 3) caso a velocidade do vento seja nula ou baixa (< 2 m s-1). Os fenómenos físicos predominantes são para a rega por aspersão e para a rega localizada. mantendo-a a uma profundidade conveniente. 8) maior polivalência das instalações (combate às geadas e altas temperaturas. nas semi-fixas parte da tubagem é fixa e parte móvel (Fig. proveniente da toalha freática artificial ou através do controlo de uma toalha natural. As principais vantagens e inconvenientes da rega por aspersão em relação à rega por gravidade são as seguintes: Vantagens: 1) não necessita a preparação do terreno (nivelamento e armação) necessária nos sistemas de rega por gravidade. embora a sua utilização em Portugal seja relativamente pequena. 2) permite mais facilmente controlar a dotação de rega. em zonas de maiores declives. A rega por submersão pode ser permanente e temporária. Este sistema é utilizado em culturas dispostas em linhas. contudo.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. fertirrega mineral e orgânica. Os canteiros são utilizados em Portugal principalmente nos arrozais. sendo neste caso a submersão permanente. Actualmente apenas tem interesse o sistema por rega por faixas pois é o único que permite a mecanização. e por fim as instalações fixas caracterizam-se pelo facto de toda a tubagem ser completamente fixa. No caso dos sistemas de rega por escorrimento. este sistema de caldeiras é apenas hoje utilizado em pequenas explorações. a uniformidade e distribuição de água é mais elevada. tendo sido substituído nas explorações intensivas por sistemas de rega localizada. as simples eram utilizadas antigamente para regar por submersão temporária as árvores de fruto.2 Sistemas de rega sob pressão 11. as instalações móveis são aquelas em que não há qualquer parte da tubagem fixa. As caldeiras são de submersão temporária. Contudo ainda se utiliza no norte de Portugal. Dentro dos sistemas de rega por gravidade é o dos sulcos o mais empregado em Portugal. abertos entre as linhas das plantas. Na rega subterrânea.1 Aspersão (instalações estacionárias e semoventes) Os sistemas de rega sob pressão são apresentados no QUADRO 2. a água escorre por todo o terreno a regar. 184 . 2). As instalações de rega por aspersão podem ser divididas em instalações de rega estacionárias e semoventes. 11.Instalação de rega por aspersão estacionária semi . 7) menores problemas de erosão do solo. sendo a água de rega distribuída nos sulcos.

7) dificuldade (penoso para os operadores) para as mudanças de tubagens nas instalações móveis em solos de textura fina. 6) maior eficiência da fertirrega e pestirrega. culturas industriais e culturas hortícolas ao ar livre) e a rega localizada (pomares.Estacionárias Fixas Semi-fixas Móveis Aspersão . A rega por miniaspersão subdivide-se em a) miniaspersão dinâmica quando o miniaspersor possui movimento de rotação similar a um aspersor rotativo em miniatura. 7) utilização em solos marginais. com movimento de rotação e de translação (ex. e culturas hortícolas principalmente em estufas).: Canhão automotor) e mistas. espaços verdes e campos de golfe. 11. 4) desenvolvimento de doenças. a escolha dos sistemas de rega de maior interesse para aplicação está dependente da região e da cultura a regar.: Rain-move).: Center-pivot). Destes. Raposo (1994) classifica as instalações semoventes em instalações com movimento de rotação (ex. enquanto a água é distribuída. 3) custo das instalações elevado. 2) grande problema com velocidades do vento elevadas produzem distribuições de água muito irregulares. As principais vantagens e inconvenientes das instalações de rega gota a gota em relação às instalações de rega por aspersão são (Dasberg & Bresler.Infiltração Processos: Em relação aos sistemas de rega supracitados. os sistemas de rega sob pressão seriam os que teriam maior interesse para aplicação nas regiões mais áridas durante o Verão. vinhas. A rega gota a gota pode ser subdividida em a) superficial e b) subterrânea. 2) manutenção da tensão de agua dos solos (ou do seu teor em água) aos valores desejados pela planta. Inconvenientes: 1) Consumos de energia mais elevados (funcionam a pressões de serviço muito mais elevadas). sendo a subterrânea enterrada.2 Localizada (rega por miniaspersão e gota a gota . 6) altas perdas de água em climas muito ventosos ou áridos. 185 . 2) Mão-de-obra reduzida quando comparadas com as estacionárias móveis ou semi-fixas. utilização de máquinas nas entrelinhas mesmo quando a rega estiver a funcionar).2. As instalações semoventes tipo canhões auto-motrizes têm tendência para diminuir.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. e em b) miniaspersão estática ou microaspersão em que os miniaspersores não possuem movimento de rotação. isto é. devido à rega da parte aérea das plantas.Aspersão Processos: Aspersão . devido ao seu elevado consumo de energia (QUADRO 7). No caso de grandes superfícies regadas por aspersão (áreas superiores a 50 ha). traduzindo-se em menor consumo de energia e menos material). devido ao facto de apenas uma parte do solo ser regado (rega localizada). forragens. 3) Não podem ser utilizadas em terrenos irregulares ou acidentados. para pequenas superfícies utilizam-se as instalações estacionárias. não permitindo tão facilmente o desenvolvimento de doenças. 5) impossibilidade de aplicação de águas salinas em culturas não tolerantes à salinidade.SISTEMAS DE REGA SOB PRESSÃO Aspersão Método .Semoventes Rotação Translação Mistas As instalações semoventes incluem aquelas em que os aspersores (além do movimento e rotação própria) se deslocam ao longo da superfície do solo. através de tensiómetros). destinando-se ao Sul de Portugal. As principais vantagens e inconvenientes das instalações semoventes em relação às instalações estacionárias são: Vantagens: 1) Evitam as mudanças dos aspersores. aplicam-se geralmente instalações semoventes center-pivot. 5) custo de manutenção mais baixo (possibilidade de rega 24 horas por dia. alto controlo da aplicação de rega (que poderá ser feito por ex. com movimento de translação (ex. Gota a gota superficial subterrânea Miniaspersão dinâmica estática ou micro-aspersão Localizada Método . menor caudal e menor pressão de serviço. Assim. por humedecimento da parte aérea das plantas.2. 2) Só poderão ser utilizadas em áreas elevadas. QUADRO 2 . 3) superfície do solo parcialmente humedecida (menor evaporação. menos infestantes. Polivalência e Economia Inconvenientes: 1) consumo de energia muito elevado. 4) manutenção da parte aérea das plantas seca. 1985): Vantagens: 1) grande economia de água.superficial e subterrânea) A rega localizada pode ser dividida em rega gota a gota e por miniaspersão (Quadro 2). região de clima árido durante o Verão os sistemas de rega mais interessantes seria a rega por aspersão (Milho-grão.

em que a concentração da mistura adubo+água varia geralmente entre 5 x 10-4 e 2 x 10-2. Polivalência e Economia O maior inconveniente diz respeito a grandes problemas com entupimentos. momento e época da fertilização. em relação à água de rega. accionada hidráulica ou electricamente. Ao contrário do que se verifica com os sistemas convencionais de fertilização. No caso da rega localizada. são o fraccio- 186 . Há no mercado adubos líquidos para aplicação na fertirrega para várias diluições de macro e micronutrientes. Possui vantagens e inconvenientes intermédios entre a instalação-tipo anterior a que se segue.3. Outras vantagens da fertirrega. na fertirrega localizada. ou quando os elevados compassos e a / ou os movimentos laterais da água do solo a partir das rampas gota a gota sejam insuficientes para que o volume radicular fique convenientemente regado. Fig. 3 . contribuindo também para a desobstrução dos gotejadores. que hoje se inclui na água residual agrícola. que se poderá verificar principalmente quando se trata da rega gota a gota.Instalação de rega gota a gota em vinha (Pedras.1. 11. 2) depósito aplicado à saída da bomba. Relativamente aos macronientes aplicados. com válvula-parafuso de regulação da saída. 2003) Três instalações-tipo de fertirrega mineral poderão ser aplicadas nos sistemas de rega sob pressão: 1) simples depósito. não se deve utilizar o fósforo na fertirrega. embora mais frágil e de custo mais elevado que as instalações-tipo anteriores. o azoto pode ser aplicado em todos os casos sem quaisquer dificuldades técnicas . podendo-se usar o nitrato de potássio ou o sulfato de potássio. melhora a uniformidade de distribuição dos fertilizantes. quando se pratica a fertirrega mineral. em que se faz a mistura adubo+água. de forma localizada às raízes.usa-se muito a ureia. os elementos fertilizantes são conduzidos através da água.1 Águas convencionais 11. 4).1 Fertirrega A fertirrega propriamente dita inclui apenas o fertirrega mineral. A rega por miniaspersão é utilizada principalmente em pomares. Outras vantagens dizem respeito à economia de mão-de-obra. que se inclui no circuito de água. quando se procede à fertirrega. principalmente na rega gota a gota. antigamente incluía a fertirrega orgânica (chorumes). assegurando uma concentração constante até níveis muito baixos tal como 5 ppm. Com a rega gota a gota subterrânea consegue-se praticamente anular as perdas por evaporação. colocado após a instalação de bombeamento e sendo precedido um filtro de malha. o amónio. namento das fertilizações.3 Polivalência dos sistemas de rega 11. sempre que problemas com a filtração da água não permitirem a rega gota a gota. efectuada através do efeito de Venturi. por vezes também é utilizado o ácido nítrico (em concentrações muito baixas) que tem também a função de desobstruir os gotejadores. para se proceder à sua lavagem sempre que necessário. 3) bomba injectora de adubo (Fig. É necessário que. de acordo com as necessidades do estado fenológico da cultura e contribuindo para a diminuição da pressão osmótica do solo. mas o seu custo é mais elevado do que o custo dos adubos sólidos solúveis. Se a água é ácida não há qualquer problema na aplicação do fosfato mono ou biamónio. sendo a superior a longevidade da tubagem devido à diminuição de choques térmicos e mecânicos e não haver problemas com radiações ultra-violetas. os nitratos. e o inconveniente de mais difícil controlo das concentrações dos fertilizantes. sendo as mesmas altas e mal distribuídas. em que parte dos elementos nutritivos ficam fora da acção das raízes. este sistema tem a vantagem de ser de baixo custo. devendo-se determinar a condutividade do solo e o seu pH. é uma aparelhagem de grande rigor. evita o calcamento do solo e permite a adubação mais fácil das culturas de porte baixo. que seja assegurada uma drenagem perfeita do solo. para todos os sistemas de rega sob pressão.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. Caso as águas sejam alcalinas. há obrigatoriedade de se aplicar fertirrega. sendo no entanto o ácido ortofosfórico menos sujeito a problemas de entupimento e de insolubilização. sendo a saída da mistura para a tubagem de rega. sendo a água consumida apenas por transpiração. O potássio também pode ser utilizado sem dificuldade.3.

o coeficiente de emurchecimento não é uma constante de humidade do solo. através de aspersores e miniaspersores.2. através de suportes apropriados para que a rega seja efectuada por cima das copas. como ainda grande parte dos produtos não estarem homologados em Portugal.3.3. formação de uma atmosfera nebulosa.1 Águas salinas Segundo Beltrão e Ben Asher (1997a). geralmente a água pulverizada é recuperada e reutilizada. devendo-se neste último caso parar imediatamente o funcionamento da instalação caso haja vento.2 Águas não convencionais 11. conforme descrito para a fertirrega.3. Assim utiliza-se a rega por aspersão ou a miniaspersão durante essas horas com o intuito de diminuir a temperatura.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. transformação de energia cinética em energia térmica (impacto das gotas) e a temperatura positiva a que se encontra a própria água de rega.4 Combate às altas temperaturas Fig. maior será o teor e água do solo ao coeficiente de emurchecimento. há culturas em que a parte aérea é queimada pelo sol. normalmente de melhor qualidade do que nos meses quentes. em que é fixada certos pigmentos.1. nas horas de maior calor.2 Pestirrega A pestirrega está dividida em pestirrega propriamente dita (combate aos fungos e pragas) e em herbirrega (aplicação de herbicidas). A rega por aspersão e miniaspersão poderá ser aplicada no combate às altas temperaturas. 11. em instalações estacionárias totalmente fixas e semoventes center-pivot. quanto maior for a concentração de sal na solução do solo. 4 . É necessário ainda conhecer a qualidade da água nos meses frios. é usual utilizar este tipo de combate em alguns campos relvados. 11. É sobretudo utilizada. Contudo o sistema de rega por aspersão é o mais eficiente no combate à geada. A pestirrega é praticamente utilizada na rega localizada em alguns países estrangeiros. maior será o pressão osmótica. como o caso dos campos de golfe. Assim dois exemplos serão apresentados. devido ao desconhecimento do seu manuseamento e aplicação. aumento da humidade relativa do ar e da condutibilidade térmica do terreno. 11. As instalações-tipo utilizadas são do tipo bomba injectora.3. Segue-se-lhe a miniaspersão e por último a rega gota a gota.3.3. Isto significa que a cultura murcha a teores de água do solo mais elevados. e muito raramente no nosso país. quanto maior for a concentração salina da solução do solo. ou alternativamente. 11. mas é também afectado pela concentração de sal no solo. concorre para o combate à geada com a rega. 187 .1. e que equilibra as respectivas perdas de calor por radiação nocturna. Além desta vantagem.5 Rega qualitativa 11. como se segue: 1) É usual verem-se aspersores ou miniaspersores em funcionamento por cima das estufas em dias muito quentes com o objectivo de diminuir a temperatura no interior das estufas. será necessário que os microtubos de ligação dos miniaspersores à tubagem tenham comprimento suficiente para que os miniaspersores possam regar as culturas (geralmente árvores de fruto) nos períodos de formação de geada.3 Combate à geada O combate á geada através de sistemas de rega sob pressão é uma prática de custo elevado na rega por aspersão em virtude de exigir instalações totalmente fixas funcionando ainda todos os aspersores simultaneamente. e que permita a rega sem que as culturas (árvores) sejam danificadas. com diminuição dos teores de clorofila. Polivalência e Economia Para que se possa utilizar mais eficientemente a miniaspersão no combate à geada. para tornar mais saliente a coloração de certas plantas ornamentais e da fruta. A principal vantagem destes sistemas de rega no combate à geada deve-se ao facto da libertação de 80 calorias por grama de água fornecida (Raposo. e menor será a capacidade utilizável do solo para a água.Bomba injectora utilizada num sistema de fertirrega gota a gota em alface. que corresponde ao calor latente de solidificação da água. e assim combater os seus efeitos nocivos. A herbirrega tem interesse de utilização na rega gota a gota e na rega por aspersão. sem que haver o objectivo de humedecimento do solo.1.1. 1994). 2) No Verão.

as taxas volumétricas de água de rega e de drenagem (m3 d-1). A é a superfície de evaporação (m2).Sem lixiviação na zona radicular. Dois casos terão que ser considerados: CASO 1 .Qd) A em que ci cd são as concentrações de sal na água de rega e na água de drenagem. (5) tomará a seguinte forma θwp(Ψ0)1 = {[ci . Vs -1 -1 (5) (6) Fig. respectivamente ci e cd. 3 Sc .Iões absorvidos pela plantas 188 .quanto maior for a água transferida da planta e do solo para a atmosfera.Representação esquemática do sistema "solução do solo" (Beltrão. (5) tomará a seguinte forma θwp(Ψm + Ψ0)2 = (ci . [cd . ETa é a taxa da evapotranspiração real da cultura. Vs e Dr = Qi .Variação na quantidade de sais solúveis Si . O teor em água e iões varia dinamicamente na solução. θfc é o teor volumétrico da água do solo. dos quais salienta-se a: Evapotranspiração .Sal dissolvido proveniente da lavagem do solo ∆Sa . respectivamente (kg m-3). a eq. Vs é o volume de solo considerado (m ).Sais precipitados Qi e Q d são.Sal removido pela água de drenagem Sl . estão em equilíbrio. (cd ) -1 (8) (3) A componente-chave do sistema dinâmico SPAC (soil-plantatmosphere continuum) é a solução do solo (Fig. é o coeficiente de fluxo da drenagem (d-1). maior será a concentração de sais no solo.Com lixiviação na zona radicular. (4) sendo L = (Qi . respectivamente.A .(L .Sal fornecido pela água das chuvas Sd . θfc) .(L . Dr )] .Sal fornecido pela água de rega Sg . Polivalência e Economia Que as concentrações de sal na água de rega e na água de drenagem. 5 . 1993) e quando a fracção de lixiviação for considerada ETa = (Qi . e é afectado por um grande número de processos. que inclui todos os inputs. θfc} .Variação na quantidade de iões absorvidos ∆Ss .Sal dos fertilizantes Sp . é a taxa de lixiviação (kg sal d-1). Absorção de iões pela planta intensa absorção de minerais do solo é acompanhado pela redução da salinidade do solo.Sal fornecido pela toalha freática Sf . por transpiração e evaporação. m-3 soil). mais o aumento do teor de água ∆θwp(Ψ0) devido à salinidade. o teor de água do solo ao coeficiente de emurchecimento. outputs e os termos de acumulação para dentro e para fora da zona radicular é dado pela seguinte equação: INPUT = OUTPUT + ACUMULAÇÃO Sr + Si + Sg + Sl + Sf = Sd + Sp + Sc + ∆Sa + ∆Ss em que (9a) (9b) L Dr Sr . será obtido por: θwp(Ψm + Ψ0) = θwp(Ψm) + ∆θwp(Ψ0) em que θwp(Ψm + Ψ0) é a soma do teor de água do solo ao coeficiente de emurchecimento não salino θwp(Ψm). ETa) . Dr )] -1 -1 -1 CASO 2 .Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. à capacidade de campo (m3 água . cd . -1 (7) O balanço salino do solo para as culturas regadas. a eq. 5).

10. e cerca de 40 g de NaCl planta-1 para N1. pode haver contaminação dos aquíferos. que se pode expressar pela seguinte fórmula: Y = 100 . a produção relativa diminui de cerca de 5 % por cada aumento de 10 g de NaCl planta-1. 4) Culturas tolerantes à salinidade . 2) Uso de rega gota a gota subterrânea .Evapotranspiração real da cultura (m) Partindo de dados reais. 1993) à salinidade (contudo a sensibilidade à salinidade também aumenta). (2002a).Área da parcela (m2) ETa .Origem dos sais (sais locais e sais transportados) 2 . abvalor limiar de salinidade (dS.m-1). a sensibilidade (b). sendo de 10 % a redução para o nível N1. quando não existe horizonte impermeável. Por outro lado. expressa em condutividade eléctrica do extracto de saturação do solo ou da água (dS.Compactação do solo e formação de impermes . a que se chama tolerância. 3) O aumento da fertilização aumenta a tolerância (Beltrão et al.b (CE .grande economia de água. isto é. De acordo com a eq.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. portanto.Resposta da alface aos efeitos combinados da salinidade da água de rega com (N1 . percentagem de decréscimo de produção por unidade de acréscimo de salinidade. para maiores valores da tolerância. 11 mostra que a tolerância (a) para N0 é menor que para N1.sem lixiviação .Volume de água de rega. mas pode continuar a haver problemas da contaminação das águas subterrâneas. de acordo com o modelo de Maas e Hoffman (1977) e com Beltrão et al. a taxa de redução de produção relativa por aumento de unidade de salinidade.Elevação do nível da toalha freática . b = dY / dCE As técnicas convencionais de combate e controlo do processo de salinização pode ser caracterizado por quatro gerações: 1) Problema da contaminação da zona radicular pela lixiviação do solo (que pode ocorrer em duas situações quando há um horizonte impermeável.Ci)]. CEs . MAAS & HOFFMAN (1977) encontraram entre a salinidade do solo e a produção das culturas uma relação linear. Resposta da alface aos efeitos combinados da salinidade da água de rega com (N1 .15 g de NH4NO3 por planta) e sem fertilização azotada (N0). o que significa que a produção relativa (%) se mantém constante a 100 % até 20 g de NaCl planta-1 para N0. A. 6 .a) em que: Y.m-1) a partir do qual decresce a produção. Polivalência e Economia A necessidade de lixiviação do solo é definida pela eq. A . a que se chama sensibilidade. (2002).salinidade do solo ou da água.Acumulação no solo (causas naturais e actividades humanas) a) Causas naturais . e que é definida por (12) (11) (10) contaminação solo e das águas subterrâneas. 1997). satisfazendo simultaneamente o consumo de água da cultura e as necessidades e lixiviação (m3). os sais concentram-se acima deste horizonte.sem técnicas ambientalmente limpas . Eta Em que : Qil .esta técnica é muito útil para as plantas..Infiltração descendente (rega e linhas de água) Infiltração ascendente (toalha freática e água do mar) b) Vento 3) . é maior para NO do que para N1. 1992): 1 .Transporte (água e vento) a) Água . por outro lado. mas não resolve o problema da O processo de salinização do solo pode ser dividido nas seguintes fases (Beltrão.Rega imprópria (uso de água salina mal aplicada) 189 . e portanto menos sais dissolvidos serão adicionados. devido à precipitação natural ou à lixiviação artificial. mas a contaminação será aumentada devido aos fertilizantes adicionados (Beltrão et al.produção relativa da cultura (%).15 g de NH4NO3 por planta) e sem fertilização azotada (N0). de acordo com o modelo de Maas e Hoffman (1977) e com Beltrão et al.evaporação b) Actividades humanas . como se segue: Qil = [Cd / (Cd . Salinidade acumulada (g NaCl planta-1) Fig.

2001. 2. culturas industriais . 2) Uso de espécies tolerantes à sede.em folhas dos relvados . mostrando assim a capacidade de remoção de sal (ião Cl ) de diferentes cultivares de relvas.º 3 (Gamito. em virtude de a água nestas regiões ser limitada.Adegas e lagares AGRÍCOLAS .2. desvios padrão e resultados do teste Dunnett T3.agrostis. Podemos dividir os problemas ambientais que possam surgir em três tipos: microorganismos patogénicos (principalmente nas águas residuais urbanas). Polivalência e Economia Em Portugal. 2002). "kikuyugrass".Ligações e descargas clandestinas .Pecuária (chorumes) 2 1. A única maneira para controlar o processo de salinização e de manter a sustentabilidade dos espaços verdes e dos campos agrícolas é combater a salinização através de técnicas limpas e ambientalmente seguras.Percentagens médias. Cuartero et al. bermuda regada e bermuda de sequeiro (Costa. 3) Redução da aplicação de sal através de menores dotações de água residual.200 cfu / 100 ml. pomares e vinhas regados gota a gota e forragens . Em relação a estes problemas.200 cfu / 100 ml. 4) Reutilização de limite mínimo de dotação de água residual suficiente para obtenção de uma boa aparência visual dos espaços verdes (Costa et al.5 a a b b 0 Agrostis regada Kikuyugrass regada Bermuda regada Bermuda sequeiro Relvados Fig. bermuda regada e bermuda de sequeiro (Costa.Transformadoras de produtos alimentares . faltando-lhe todavia critérios mais específicos de qualidade microbiológica e também critérios em relação aos sistemas de rega utilizados e características dos solos a regar e salinidade. verificam-se maiores problemas de salinização nas zonas mais áridas (como o Alentejo e o Algarve) e costeiras. 2002). expressos em cfu (colony forming unit) / 100 ml de E.Cantinas INDUSTRIAIS . de Cl . tornando as águas subterrâneas mais salinas. "kikuyugrass".1000 cfu / 100 ml.Transformadoras de petróleo .Hospitais e laboratórios .em folhas dos relvados . Estas águas de pior qualidade têm repercussões negativas nas produções das culturas regadas (Ben Asher et al. campos de golfe e de outros desportos). fazem-se algumas recomendações relativamente a concentrações de microrganismos patogénicos.. jardins. 2003).1000 cfu / 100 ml.Fábricas .CLASSIFICAÇÃO DAS ÁGUAS RESIDUAIS DE ACORDO COM A SUA ORIGEM (Gamito. pomares e vinhas regados por aspersão .3.2 Águas residuais É habitual classificar as águas residuais de acordo com a sua origem. 190 Percentagem de Cl - . de Cl .Matadouros ÁGUAS RESIDUAIS .Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.Hidroculturas .. 2002). Este problema é intensificado devido à intrusão da água do mar que resulta da redução dos níveis freáticos dos aquíferos. quando a taxa de bombeamento excede a taxa de recarga. estufas. conforme é apresentado no QUADRO n. A Fig.. QUADRO 3 . Nessas condições. 1998) CLASSIFICAÇÃO ORIGEM . mostrando assim a capacidade de remoção de sal (ião Cl-) de diferentes cultivares de relvas.Restaurantes e comércios URBANAS .5 1 a 0. 7 .5 11.Habitações domésticas (higiene e cozinha) . salinidade (comum a todas as águas residuais) e metais pesados (principalmente nas águas residuais industriais).Infiltrações subterrâneas . como se segue: 1) Uso de espécies que removem o sal do solo (Beltrão et al. 1998).. a legislação portuguesa (QUADRO 4) admite a reutilização de águas residuais adequadamente tratadas para grande parte das culturas (Decreto-Lei nº 236/98). desvios padrão e resultados do teste Dunnett T3. de acordo com recomendações do 2º Seminário em Reutilização de Águas Residuais no Mediterrâneo (2001): Rega de espaços verdes (parques.Serviços . 7 mostra as percentagens médias.agrostis.coli. 2003). hidroponia e culturas hortícolas .

devendo a mesma ser identificada com sinais inerentes aos perigos em causa. Através da literatura disponível.00 m Como foi dito.50 3) Calma . para valores de profundidades da toalha freática superiores a 5. Polivalência e Economia Para o caso de problemas de salinidade. deverá essa região passar a ser classificada Zona Poluída. Contudo destas regiões. 191 . e à recarga de aquíferos.00 m: Espécies herbácias .5 m 2) Sistema de rega gota a gota enterrada ou miniaspersão . com crescente desenvolvimento a partir de 1987 através do programa PEDAP (Marecos do Monte.2. pomares e vinhas.1. campos de golfe e de outros desportos).5 m Estes valores poderão ser diminuídos de 20 %. nas respectivas bacias de recepção e/ou no equilíbrio ecológico do meio. lavagem do automóvel. combate a incêndios. sugerem-se que se verifiquem as seguintes medidas: a) Profundidade mínima da toalha freática (Beltrão et al.2 m 3) Sistema de rega por aspersão . a legislação portuguesa (QUADRO 4) admite a reutilização de águas residuais adequadamente tratadas para grande parte das culturas (Decreto-Lei nº 236/98). descargas na floresta). faltando-lhe todavia critérios mais específicos de qualidade microbiológica e também critérios em relação aos sistemas de rega utilizados e características dos solos a regar e salinidade. usos industriais (refrigeração). forragens e viveiros). com vista a evitar problemas de contaminação.3 m 4) Sistema de rega por gravidade .Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.50 m Floresta . 1976.2.200 m Rega por miniaspersão . usos urbanos (lavagem das ruas.500 m (Beltrão. culturas hortícolas e outras de consumo humano.00 m Árvores de fruto .20 m c) Identificação do local regado com águas residuais depuradas 1) Estes locais deverão estar identificados com a designação "Água não potável". Verifica-se que as regiões mais a sul de Portugal (Alentejo e Algarve) são as de maiores necessidades hídricas. jardim privado. fontes decorativas). usos florestais (combate a incêndios.1.1. 2) Sempre que haja problemas de poluição na região. para texturas e teores de água do solo (potencial mátrico do solo) mais favoráveis. por isso a reutilização de águas residuais já utilizada. devido ao elevado fluxo turístico que se verifica nesta época.sem vento durante a rega Rega por aspersão . 1993) Rega por miniaspersão 100 m 2) Velocidade do vento durante a rega inferior a 2m s-1 Rega por aspersão . 1996b): 1) Sistema de rega gota a gota superficial -1. culturas industriais. b) Distância mínima a zonas urbanas 1) Velocidade do vento durante a rega superior a 2 m s-1 Rega por aspersão . Oron & Beltrão. jardins. a reutilização das águas residuais tratadas poderia estender-se também a usos residenciais (sistemas de ar condicionado. os aspectos mais importantes referiram-se na alínea 11. Em Portugal a reutilização de águas residuais tem sido quase exclusivamente efectuada na rega de espaços verdes (parques. principalmente nos pomares e vinhas (rega gota a gota e miniaspersão) e nos campos de golf (rega por aspersão). é o Algarve que possui maiores necessidades hídricas mais elevadas durante o Verão. no local de recepção dos efluentes. Esta reutilização das águas residuais tratadas na rega será muito mais interessante nesta região. acrescido pelo elevado número existente de campos de golf e explorações hortofrutícolas. autoclismos).. 1996). Contudo. estufas. d) Profundidade de rega com água residual depurada.2. aonde já se nota a sua reutilização.100 m Rega por miniaspersão . sendo. máxima aconselhável.

8 10 ----0. 236/98 (1998) Qualidade das águas destinadas à rega VMR Alumínio Arsénio Bário Berílio Bicarbonatos Boro Cádmio Chumbo Cloretos Cobalto Cobre Crómio Estanho Ferro Flúor Lítio Manganésio Mercúrio Molibdénio Níquel Nitratos Nitritos Salinidade Selénio Sulfatos Vanádio Zinco pH Coliformes Fecais Ovos de parasitas Intestinais Al As Ba Be HCO3 B Cd Pb Cl Co Cu Cr Sn Fe F Li Mn Hg Mo Ni NO3 NO2 ECw Se SO4 V Zn ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm dS/m ppm ppm ppm ppm pH MPN/100ml Nº/l 5.0 Parâmetros Símbolos Unidades Os estudos a efectuar com a rega com águas residuais têm normalmente dois objectivos: O primeiro relaciona-se com os níveis de contaminação provocada por essas águas no solo. para aspectos de contaminação ambiental (Beltrão et al. nomeadamente membranas.5 ----0. recorrendo a modelos de simulação. com a aplicação das radiações ultravioletas e dos modernos filtros.05 20 ----10 5.10 2.01 5.0 0.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. que possuem agulhetas de maior diâmetro e em borracha para permitirem mais facilmente a passagem de matérias sólidas. estas últimas poderão ainda estar contaminadas por pesticidas.0 10. linhas de água receptoras e nas culturas com elas regadas para os diferentes sistemas de rega. sendo distribuídos no solo através de aspersores especiais.9. incluindo além da componente água (Asano. É evidente que os chorumes são IMPRÓPRIOS para utilização na rega localizada.30 0.0 ----0. Os problemas causados pelos sistemas de rega não convencional.05 0. que não é de prever a contaminação das relvas.02 575 0.2002).3 Águas de drenagem As características das águas de drenagem provenientes das zonas urbanas poderão aproximar-se mais das características das águas residuais. Dado o seu pobre teor em fósforo em relação aos restantes macronutrientes é usual fazer a sua correcção.10 1. 2002).0 0..5 .5 .20 ----0. a rega era efectuada apenas em viveiros de relva e em zonas vedadas aos golfistas.0 4.DECRETO-LEI NR.00 0. principalmente.4 100 ----VMA 20 10 ----1.0 5.75 0.0 6.3. Inicialmente.Valor Máximo Admissível 192 .0 ----1.10 2.2. em campos de golfe.. A rega por aspersão com águas residuais é aplicada principalmente no Algarve. O segundo objectivo relaciona-se com a resposta da produção e crescimento das culturas à rega com águas residuais.0 70 0.0 ----1. respectivamente.5 0. as provenientes da drenagem de explorações agrícolas aproximam-se mais das características das águas salinas. como prevenção à contaminação.0 2.05 ----1. VMR . o nível de concentração patogénica é de tal modo baixa. os chorumes são utilizados.5 5.Valor Máximo Recomendável VMA . 11.05 2. a componente fertilizante (Costa et al. Polivalência e Economia QUADRO 4 . (nomeadamente os relacionados com reutilização de águas residuais) poderão ser estudados.0 20 --------15 5. juntamente com os dejectos sólidos triturados das instalações pecuárias. 1998). com a adopção de tratamentos terciários adequados e.0 ---------0.005 0.20 0. Contudo. Em relação às águas residuais agrícolas.8. 2002 b) e para aspectos económicos (Penkova et al..0 1.

0 21.0 2.0 20.Campo experimental de batateira.0 20 3.0 4.0 7.5 40 12.0 10. com udómetros para a determinação da eficiência de distribuição Ed.5 5.5 33. regada por aspersão.0 30. 8 .5 24.5 13.4.média (sistemas de rega por gravidade .0 5.0 17.5 13.0 13.5 10.0 25.5 14.0 35. b) velocidade do vento e temperatura durante a rega.0 40. 1976). em função da velocidade do vento e temperatura para aspersores de alto grau de pulverização (Beltrão. características de funcionamento e qualidade dos aspersores e grau de pulverização (sistemas de rega por aspersão).0 22. (14) Temp.0 18.0 37.0 20.5 14.5 13.0 23.0 2. referência ao coeficiente de uniformidade de distribuição de água de christiansen (cuc) É frequente utilizar o coeficiente de uniformidade de distribuição de água Christiansen (CUC) como a eficiência de distribuição Ed Ed (CUC) = 100 {1 .5 9.0 9.0 30.água armazenada na zona radicular A eficiência Ed está relacionada principalmente: com a) características físicas do solo e declive (sistemas de rega por gravidade).0 35 8.5 7. estado de conservação das tubagens e dos grupos motor-bomba e sua eficiência.0 32.0 27.2 Eficiência de distribuição (ed).0 5.5 16. 8 mostra um campo experimental de batateira.5 6.0 34.0 31.0 7.0 3.0 10 2.0 6.0 36.0 16.0 0.0 17.0 30 6. A eficiência Ed está relacionada principalmente: com a) características físicas do solo e declive.0 2.0 31.desvio à média n . regada por aspersão onde foram recolhidas amostras dos udómetros para determinação da eficiência de distribuição.profundidade de rega.0 26. (° C) 0.0 6.0 7.0 18.0 21.5 25.0 16. problemas de entupimento e qualidade dos gotejadores ou miniaspersores (sistemas de rega localizada).0 Velocidade do vento (m s-1) 1.0 4.0 8.5 25 4. problemas de entupimento e qualidade dos gotejadores ou miniaspersores (sistemas de rega localizada).0 12.0 31.0 9.água proveniente da fonte de abastecimento Esta eficiência Et está muito relacionada com as fugas de água.0 16.0 21.0 20.0 30.0 11.0 12. PARA ASPERSORES DE ALTO GRAU DE PULVERIZAÇÃO PERDAS MÉDIAS DE ÁGUA DURANTE A REGA (%) (15) 11. só pressiona o volume de água ajustado às necessidades hídricas das culturas (Vide Capítulo 3). É de salientar a importância da pressurização a pressão constante (implicando naturalmente a integração da variação de velocidade nos motores eléctricos) garantindo a dispersão da água eficientemente com o mínimo consumo energético ou seja.0 13.4.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.0 12.4 Eficiência de rega e sua classificação 11.0 4.0 12.0 28.número de observações (amostras recolhidas de amostras) A Fig.0 45 15.0 25.0 18. b) velocidade do vento.5 10. características de funcionamento e qualidade dos aspersores e grau de pulverização (sistemas de rega por aspersão).0 19.5 15.0 9.0 5.0 10. sistema de rega sob pressão .0 21.[ ( Σ | X | ) / (m x n) ] } em que m .5 17.0 45.5 1. diagrama pluviométrico.0 3.0 33.0 22.1 Eficiência de transporte (et) Et = 100 (Wf /Wd) em que Wf .dotação de rega) X .0 6.0 4.5 8.5 25. (13) Fig. 11. QUADRO 5 .3 Eficiência de aplicação (ea) Ea = 100 (Ws / Wf) em que Ws .0 11. Wd .5 27.5 4.0 40.5 15.0 193 .5 5 1.0 15 3.5 9. de acordo com Achtnich (1966).0 35. Polivalência e Economia 11.4.0 3. O QUADRO 5 apresenta as perdas de água durante a rega.PERDAS MÉDIAS DE ÁGUA DURANTE A REGA EM FUNÇÃO DA TEMPERATURA E DA VELOCIDADE DO VENTO.5 8.água aplicada durante a rega na respectiva parcela.

00).rega localizada . RT . definido por (Achtnich.0).5).6).declive do solo 194 .85 .eficiência total Er específica para o caso da rega gota a gota. 1997).0.0.2 .70 . amendoeira (0.MAXIMIZANDO A TRANSPIRAÇÃO E A UNIFORMIDADE DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA E MINIMIZANDO A EVAPORAÇÃO DIRECTA.1966): CT = T / MS T .4.Produção.50). qualidade e características dos gotejadores e miniaspersores A transpiração. sendo neste caso T = ETa.5).6 Eficiência total de rega Segundo (Oliveira.30 . batata (0.4.água necessária na zona radicular (16) .80).9). gota a gota superficial (0.5 Eficiência de uso de água Eu = Y / ETa em que Y .3 . 1993).transpiração (m3 de água).características físicas do solo .0.90 . trigo (0. a evaporação directa não estar associada à produção. subterrânea (0. miniaspersão (0.0. a eficiência de rega Er total que deverá ser utilizada nos cálculos da dotação real de rega é: .relação de transpiração (22) (21) (20) 11. Assim este tipo de eficiência deverá ser apenas aplicado no caso da rega gota a gota superficial e subterrânea. qualidade e características dos aspersores. (17) 11.1.a nível da parcela de rega (Er) Er = Ea .40 .85).rega por aspersão .50). visto que das componentes da evapotranspiração.4 Eficiência de armazenamento Es = 100 (Ws / Wn) em que Wn .0. Maximiza-se a eficiência de rega .4). Ed sendo RT = 100 (T / Wf) em que Er (T) . ervilha (0. Ep (19) (18) 11. Polivalência e Economia 11.35 -0.90). luzerna (0. a eficiência total Er(T) seria dada pela expressão: Er(T) = RT . 1993).1 Valores médios e técnicas de maximização da eficiência de rega Os valores médios geralmente atribuídos à eficiência de rega Er a nível da parcela de rega são: gravidade (0. feijão (0.6 .matéria seca produzida (kg) Valores médios de CT : cana de açúcar (0.80).55).4. ETa .1. Nestas condições. e velocidade do vento . a radiação e o compasso (Beltrão & Ben Asher.Evapotranspiração real da cultura.0.0.0. utilizando-se geralmente para expressar as relações entre estes parâmetros o coeficiente de transpiração CT. Para o cálculo da eficiência total Er no caso da rega gota a gota. aspersão (0.. Parâmetros que condicionam a eficiência de rega .1997b. Ed . Ed . Keller e Karmeli (1975) consideram apenas a transpiração T e não a evapotranspiração real da cultura ETa. Beltrão et al. diagrama pluviométrico. milho (0.45 .7 .0.a nível do perímetro de rega (ERp) Erp = Ea . ao contrário do que se verifica com a transpiração.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.3 .temperatura durante a rega . porque o vapor de água e o CO2 passam através dos mesmos estomas.0.95). MS . Os principais parâmetros que condicionam a relação transpiração / evapotranspiração são o índice de área foliar IAF.problemas de entupimento. No caso especial da rega gota a gota subterrânea toda a água aplicada será consumida praticamente apenas por transpiração (Oron e Beltrão.grau de pulverização. a assimilação e a produção estão associadas.5 Eficiência de rega e consumo de energia nos sistemas de rega sob pressão 11. beterraba (0.0. gota a gota subterrânea (0.95 .5.4 .

4 . no que respeita à rega localizada.5. Polivalência e Economia 11.5 80 100 2. e são apresentados nos QUADROS 6 e 7.Sistemas pivot . e 70 a 90 % nas culturas hortícolas e ornamentais em estufa.diminuição da evapotranspiração da ordem dos 30 % QUADRO 6 .Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.Consumos dos grupos motor-bomba (kWh ou L de gasóleo) Os valores destes elementos foram obtidos a partir das condições seguintes (QUADROS 6 e 7): 1 .caudal de ponta ( m3 h ) .9 5. eléctricos (kW) ou térmicos (HP) .3 1. ar livre Hort. .número de dias úteis por semana. de acordo com o conceito de Keller e Karmeli (1975).0 4. isto é.Semi-fixas .duração útil diária de rega (h d ).7-4.6 1800-2800 2600-2900 1700-2000 90 20 7 40 1.Fixas Semoventes .7 1900-2800 85 70 20 16 7 5.4-6.Valores médios dos seguintes parâmetros de rega: .Volume anual de rega (m ) .3-8.5-2.eficiência de rega (%). sem incluir a eficiência e rega e a percentagem de solo humedecido).As dotações de rega diárias de ponta estão compreendidas entre 4 e 6 mm d-1 (40 a 60 m3 ha-1) e os volumes anuais de rega entre 3400 e 5100 m3 ha-1 (valores úteis teóricos.Móveis . por hectare regado.altura manométrica total (m).8 4500-6800 4900-7300 80 80 85 10 12 18 5. .ocupação ao longo do ano na ordem de 80 %.0-1. 2 . REGA LOCALIZADA Miniaspersão Gota a gota sup. .A percentagem de solo humedecido.Quanto às culturas em estufa: . e 50 a 70 % nas culturas hortícolas ao ar livre. estufas 92 92 95 20 20 20 7 7 7 40 35 35 1.0 2. 3 .6 1.5 5.1-1.não aproveitamento das águas pluviais. .9 4300-6400 4300-6400 4000-6000 195 . .ELEMENTOS E PARÂMETROS DE REGA A UTILIZAR NO CÁLCULO DO CONSUMO DE ENERGIA DAS INSTALAÇÕES DE REGA SOB PRESSÃO DURAÇÃO ÚTIL DAS REGAS Por dia (h) Por semana (d) NECESSIDADES HÍDRICAS débito de ponta (m3 h-1) volume anual (m3) TIPO DE INSTALAÇÃO EFICIÊNCIA DE REGA Er (%) ALTURA MANOMÉTRICA TOTAL (m) REGA POR ASPERSÃO Estacionárias .Canhões autom.2 Elementos e parâmetros de rega a utilizar no cálculo do consumo de energia Os elementos necessários a utilizar no cálculo do consumo de energia nas instalações de rega sob pressão em Portugal. orn. está compreendida entre 30 e 50 % nos pomares.1-2. e incluem os seguintes factores: .5 7 60 60 60 6.5-6. -1 3 -1 .6-3. seguem os conceitos adoptados por Raposo & Beltrão (1982). Pomares Hort.Potência dos grupos motor-bomba.rendimento total dos grupos motor-bomba (%).

Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência, Polivalência e Economia

11.5.3 Consumo anual de energia para instalações de rega sob pressão
Os valores médios do consumo de energia nas instalações de rega sob pressão em Portugal, por hectare regado, são apresentados no QUADRO 7.

QUADRO 7 - CONSUMO ANUAL DE ENERGIA PARA INSTALAÇÕES DE REGA SOB PRESSÃO
MOTOR ELÉCTRICO (µt = 75 %)* TIPO DE INSTALAÇÃO POTÊNCIA (kW) REGA POR ASPERSÃO Estacionárias - Móveis - Semi-fixas - Fixas Semoventes - Sistemas pivot - Canhões autom. REGA LOCALIZADA Miniaspersão Gota a gota sup. Pomares Hort. ar livre Hort. orn. estufas 0,16 - 0,24 0,19 - 0,29 0,13 - 0,20 280 - 420 350 - 520 240 - 360 0,27 - 0,40 0,33 - 0,49 0,22 - 0,34 110 - 160 140 - 200 90 - 140 0,17 - 0,25 290 - 430 0,28 - 0,41 120 - 170 0,6 - 0,9 1,7 - 2,5 1400 - 2100 2000 - 2800 1,3 - 2,0 2,8 - 4,2 540 - 810 720 - 1100 1,4 - 2,1 1,2 - 1,8 0,9 - 1,4 950 - 1500 950 - 1500 950 - 1400 2,3 - 3,5 2,0 - 3,0 1,0 - 1,5 380 - 570 380 - 570 380 - 560 CONSUMO ANUAL (kWh) POTÊNCIA (HP) CONSUMO ANUAL (L gasóleo) MOTOR DIESEL (µt = 60 %)*

* Rendimento total do grupo motor-bomba

Os valores dos elementos apresentados nos QUADROS 6 e 7 deverão ser utilizados com alguma reserva, uma vez que representam valores médios para condições médias. Os valores apresentados mostram uma grande diversidade de valores entre os vários sistemas de rega, tipos de instalação e modalidades respectivas de funcionamento. Mostram-se, principalmente, diferenças entre a rega por aspersão (e o que se verifica entre as instalações estacionárias e semoventes) e a rega localizada, nomeadamente no que diz respeito às potências dos grupos motor-bomba e ao consumo anual de energia (eléctrica ou térmica). Há ainda duas grandes vantagens que contribuem para diminuir o consumo de energia, a saber - a) o aumento do nível de automatização, quer para os sistemas de rega por gravidade (Serralheiro, 1986), quer para os sistemas de rega

sob pressão (Raposo, 1996a) que, além de contribuir para a diminuição da mão de obra, permite um controlo da rega muito maior, conseguindo-se obter consumos mais baixos; b) o aumento do rendimento do grupo motor-bomba e a pressurização a pressão constante, garantindo o bombeamento da água o mínimo consumo de energia. Nos QUADROS 8 e 9 apresentam-se valores representativos do custo do m3 de água em zonas áridas de Portugal (Algarve) e de Espanha (Baleares), de acordo com estudos efectuados, respectivamente por Raposo e Beltrão (1982) e Costa (2003) para o Algarve e Brissaud (2003) para as Ilhas Baleares. Nestes valores foram incluídos os custos dos materiais dos sistemas de rega sob pressão e os problemas económicos a que estão associados, como os prazos de amortização, longevidade e manutenção das instalações (Beltrão, 1986).

196

Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência, Polivalência e Economia

QUADRO 8 - CUSTO MÉDIO DA ÁGUA DE REGA NO ALGARVE, EM FUNÇÃO DA SUA ORIGEM (EURO/m3)
ORIGEM DA ÁGUA Subterrâneas Part. Superficiais Rede superficiais Residuais tratadas* Na parcela Energia aplicada Instalação TOTAL 0,04 --0.06 --0,05 0,05 0,01 0,05 0,15 0,15 0,15 0,15 24 20 22 20

1) eficiência de rega, incluindo a das utilizações polivalentes; 2) nível de automatização; 3) controlo da rega; 4) descontaminação ambiental (recursos hídricos não convencionais); 5) rendimento dos grupos motor-bomba;

*Sem tratamento adicional efectuado pelo agricultor.

QUADRO 9 - CUSTO MÉDIO DA ÁGUA DE REGA NAS I. BALEARES (Brissaud, 2003), EM FUNÇÃO DA SUA ORIGEM (EURO / m3).
ORIGEM DA ÁGUA Subterrâneas Part. Superficiais Rede superficiais Residuais tratadas Residuais tratadas c/ tratamento adicionais Total 0.27 0,23 0,25 0,12 0,12- -0,23

6) pressurização a pressão constante; 7) manutenção das instalações.

11.6 Conclusões
Como notas finais deste capítulo podemos salientar a importância da eficiência de rega no que respeita quer ao consumo de energia, quer aos custos do material dos respectivos sistemas de rega. Por outro lado, salienta-se a polivalência das instalações de rega sob pressão, através de outras aplicações adicionais à rega por humedecimento. A utilização das águas de fontes não convencionais deverá ser maior nas regiões mais áridas para suprir a falta de água potável e para aumentar a fertilidade do solo; contudo, tal prática deve ser efectuada com o maior cuidado dados os riscos ambientais e de saúde que envolve; para manter a sustentabilidade dos espaços verdes e dos campos agrícolas, o seu controlo deverá ser efectuado através de técnicas limpas e ambientalmente seguras. Em relação ao desenvolvimento dos regadios em Portugal, verifica-se que os sistemas de rega sob pressão começaram a substituir nos anos sessenta, através da rega por aspersão, os sistemas de gravidade convencionais; a partir dos anos oitenta, a rega gota a gota superficial e a miniaspersão começaram a desenvolver-se em culturas em linhas (hortofruticultura), tendo já surgido nestes últimos anos sistemas de rega gota a gota subterrânea, com evidente economia de água. Os custos elevados do consumo de energia e dos materiais dos sistemas de rega sob pressão e os problemas económicos e ambientais a que estão associados, levará no futuro a que os sistemas de rega sob pressão sejam melhor concebidos e projectados, além de uma manutenção feita em boas condições. Concorre para isso a maximização dos seguintes parâmetros e actividades:

197

Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência, Polivalência e Economia

11.7 Referências bibliográficas
Achtnich, W. 1966.Die boden physikalischen, klimalogischen und pflanzen physiologischen Grundlagen der Beregnung, Perrot-Handbuch der Beregnungstechnik: 7-29, Perrot-Regnerbau GmbH & Co. Calw/Wúrtt, Deutschland. Allen, R.G.; Pereira, L.S.; Raes, D.; & Smith, M. 1998. Crop evapotranspiration. Guidelines for computing crop water requirements. FAO Irrig. and Drain. Paper 56, FAO, Rome. Asano, T. (ed.). 1998. Wastewater reclmation and reuse. Water Quality Management Library, Technomic Publishing Company, INC., Lancaster, USA. Beltrão, J.1976.Distribuição de água em ensaios de rega por aspersão. Pedologia 11(1):135-156. Beltrão, J. 1986. Manutenção de instalações de rega sob pressão. Painel dos Recursos Hídricos do Algarve - Silves e Alvor. Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos. Faro. Beltrão, J.1993. A produção agrícola Algarvia e a salinidade da água de rega. Boletim Informativo da Associação dos Engenheiros Agrónomos e Silvicultores do Algarve. ASGARVE, 13:4-6. Beltrão, J. 1997. Aplicação da fertirrrega na experimentação de culturas regadas. Conferência Plenária. I Congresso Ibérico de Fertirrigação 97, Maio. Múrcia, Espanha. Resumenes, Ponencias y Conferencias. Actas de Horticultura 19(1): 15-27. Beltrão, J.; Ben Asher, J; & Magnusson, D. 1993. Sweet corn response to combined effects of saline water and nitrogen fertilization. Acta Horticulturae 335:53-58. Beltrão, J.; Silva, A.A.; & Ben Asher, J. 1996. Modeling the effect of capillary water rise in corn yield in Portugal. Irrigation and Drainage Systems 10:179-189. Beltrão, J.; & Ben Asher, J. 1997a. The effect of salinity on corn yield using CERES-Maize model. Irrigation and Drainage Systems 11:15-28. Beltrão, J. & Ben Asher, J. 1997b. Modelling plant transpiration decrease due to salinity of irrigation water. International Conference on "Water management, Salinity and Pollution Control towards Sustainable Irrigation in the Mediterranean Region" Bari, Italy. Vol. IV: 349-364. Beltrão, J.; Trindade, D.; Silva, C.; & Ben Asher, J. 1997. Modelando a influência da radiação absorvida fotossinteticamente activa na acumulação de biomassa no milho doce. II Congresso Iberoamericano de Ciências Hortícolas. 97, Março. Vilamoura, Algarve, Portugal. Actas de Horticultura, 16:458-464. Beltrão, J.; Jesus, S.B.; Trindade, D.; Miguel, M.G.; Neves, M.A.; Panagopoulus, T. & Ben Asher, J. 2002a). Combined effects of salts and nitrogen on the yield function of Lettuce. Acta Horticulturae 573:363-368.

Beltrão, J.; Oron, G.; Salgot, M.; Alexandrov, V.; Khaydarova, V.; Menzhulin, G.; Pak, E.; & Penkova, N. 2002b). Composite models for agricultural and recreational effluent reuse: decision under various conditions in different countries. Proceedings of the 5th Conference on Water resources Management in the ERA of Transition (September, 4 - 8, 2002). Athens, Greece. European Water Resources Association:396-403. Ben Asher, J.; Beltrão, J. Costa, M.; Anaç, S.; Cuartero, J.; & Soria, T. 2002. Modeling the effect of sea water intrusion on ground water salinity in agricultural areas in Israel, Portugal, Spain and Turkey. Acta Horticulturae 573:119-128. Brissaud, F. 2003. Water reuse planning in two European islands. International Seminar on Watewater Reclamation and Reuse (September 25-26, 2003). Izmir, Turkey: AGBAR Foundation: 3-4. Costa, M. 2003 - Utilização de agues residuais depuradas na rega e de lamas urbanas como fertilizante dos solos no Algarve. Tese de doutoramento, Universidade do Algarve, Faro. Costa, M.; Dionisio, L.; Brito, J.; Matos, L.; Rebelo, J.; Guerrero, C; Gamito, P.; & Beltrão, J. 2002. Response of fairway grasses of golf courses to potable irrigation as compared to wastewater irrigation. Acta Horticulturae 573:357-362. Cuartero, J.; Pulido, J. M.; Gomez-Guillaumon; M.L.; and Alvarez, M. 2002. Salt removal potential of Barley, alfalfa, Atriplex patula and A prostata. International Symposium on Techniques to Control Salination for Horticultural Productivity, Antalya Turkey. Acta Horticulturae 573:387391. Dasberg, S. & Bresler, E. 1985. Drip irrigation manual. International Irrigation Information Center, Bet Dagan, Israel. Dasberg, S. & Or, D. 1999. Drip irrigation. Applied Agriculture, Springer Verlag, , New York. Decreto-Lei nº 236/98. Diário da Republica (I série) 176 de 1/8/98: 3676-3722. Doorenbos, J; & Kassam, A.H. 1979. Yield response to water. FAO Irrig. and Drain. Paper 33, FAO, Rome. Gamito, P.J. 1998. Estudo de águas residuais urbanas Tratamentos e Reutilização na Rega. Relatório final. Licenciatura em Eng. Hortofrutícola, UCTA, Universidade do Algarve, Faro. Hillel, D. 1980a). Fundamentals of Soil Physics. Academic Press. New York. USA: Hillel, D. 1980b). Appications of Soil Physics. Academic Press. New York. USA: Jones, C.A.; & Kiniry, J.R. (eds.). 1986. Ceres-Maize: a simulation model of maize growth and development. Texas A. & M. University Press; College Station, Texas, USA. .

198

Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência, Polivalência e Economia

Keller, J. & Karmeli, D. 1975. Trickle irrigation design. Rain Bird Sprinkler Manufacturing Corporation, Glendora, Califórnia, USA. Luís, M.L. 2003. Resposta de seis cultivares de citrinos à rega gota a gota, com água residual. Relatório final, Licenciatura em Eng. Agronómica, FERN, Universidade do Algarve, Faro. Marecos do Monte, M.H.F. 1996. Contributo para a utilização de águas residuais tratadas par a irrigação em Portugal. Tese de doutoramento, IST, Universidade Técnica, Lisboa. Mayer, R. 1945. A técnica do regadio. Colecção "A Terra e o Homem", Lisboa, 1945. Oliveira, I. 1993. Técnicas de regadio. Instituto de Estruturas Agrárias e Desenvolvimento Rural, Lisboa. Oron, G.; & Beltrão, J. 1993. Complete environmental effluent disposal and reuse by drip irrigation. Developments in Plant and Soil Sciences 53: 153-156. Pedras, C. 2003. Sistemas de apoio à decisão para projecto e análise de funcionamento de sistemas de rega sob pressão (rega localizada). Tese de doutoramento, Universidade do Algarve, Faro. Penkova, N.; Beltrão, J.; Oron, G.; Salgot, M.; Alexandrov, V.; Khaydarova, V.; Menzhulin, & Pobereijsky, L. 2002. Secondary wastewater reuse as a component of integrated water resources management. Proceedings of the 5th Conference on Water resources Management in the ERA of Transition (September, 4 - 8, 2002). Athens, Greece. European Water Resources Association:366-374. Pereira, L. S. 2004. Necessidades de água e métodos de rega. Colecção Euroagro, Publicações Europa-América, Mem Martins, Portugal. Raposo, J. R. 1994. A rega por aspersão. Colecção Técnica Agrária 8. Livraria Clássica Editora, Lisboa. Raposo, J.R. 1996a. A rega localizada (gota a gota e miniaspersão). Edições Correio Agrícola, Lisboa. Raposo, J.R. 1996b. A rega dos primitivos regadios às modernas técnicas de rega. Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa. Raposo, J. R.; & Beltrão, J. 1982. Quelques éléments essentiels sur les installations d'irrigation sous pression au Portugal. 1ères Journées Luso-marocaines. Hommes, Terre et Eaux, 46:37-42. Rosado, V. 2002. Impacte ambental em campos de golfe (estudos preliminares). Relatório final. Licenciatura em Eng. Ambiente, FCMA, Universidade do Algarve. Seminar (2nd) on Water Reuse in the Mediterranean. 2001. Technical document. Rabat, Morocco. Serralheiro, R. 1986. Sistemas de rega por gravidade. Painel dos Recursos Hídricos do Algarve - Silves e Alvor. Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos. Faro.

Serralheiro, R. 1986. Sistemas de rega por gravidade. Painel dos Recursos Hídricos do Algarve - Silves e Alvor. Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos. Faro. Shalhevet, J. ; Mantell, A. ; Bielorai, H. ; & Shimshi, D. 1981. Irrigation of field and orchard crops under semi-arid conditions. International Irrigation Information Center, Bet Dagan, Israel. Taylor, H.M.; Jordan, W.A.; Sinclair, T.R. (eds.) 1983. Limitations to efficient water use in crop production. ASA, Madison, Wisconsin, USA.

199

200 .

Luís Olival Gestor de Projectos de Engenharia da Hovione FarmaCiência. S. 201 . APLICAÇÃO DE SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO EM PROCESSOS INDUSTRIAIS Autores: Pedro Farinha Responsável de Área de Engenharia da Hovione FarmaCiência.A.A. S.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12.

202 .

As duas fábricas da Hovione são inspeccionadas e aprovadas pela Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos. utilizados como anti-inflamatórios e anti-alérgicos na preparação de pomadas e aerossóis. a empresa desenvolveu a segunda vertente do negócio. 1 . que permitem a visualização das veias. em 1992. o Grupo Hovione investe cerca de 8% do seu volume de vendas em investigação e desenvolvimento. Fundada em 1959 por Ivan Villax. os agentes de diagnóstico radiológico. Com uma facturação anual de aproximadamente 68 milhões de Euros. anti-parasíticos e produtos utilizados em terapias oncológicas. artérias e órgãos nos exames radiográficos. Fig. clientes da empresa. nas quais emprega mais profissionais do que na produção. 6% em projectos ambientais. a Hovione desenvolve a sua actividade através de processos de síntese próprios. na qual investiu.1 milhões de Euros. sendo de destacar a aposta feita na área da qualidade e da pesquisa. Exemplo do compromisso que assumiu com as questões ambientais é o facto de ter subscrito o Responsible Care Program e utilizar tecnologias GreenCycleTM. atribuído pela Comissão Europeia e pelo Programa Ambiental das Nações Unidas. a Hovione tem duas unidades fabris. Na área dos produtos genéricos. o prémio de “Melhor Meio Ambiente na Indústria”. dos quais se destacam três grandes linhas de produtos: os antibióticos do grupo das tetraciclinas.Grupo Hovione A principal actividade da Hovione consiste na investigação e desenvolvimento de processos de síntese e na produção de substâncias activas farmacêuticas.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais A Hovione Hovione é uma empresa portuguesa dedicada à química farmacêutica. e um Centro de Transferência de Tecnologia em New Jersey. iniciando contratos de desenvolvimento de processos e fabricação de novos produtos para terceiros. A Hovione já desenvolveu mais de 100 processos de síntese química próprios e detém um número elevado de patentes a nível mundial. ambas são certificadas ISO9000. 5% em qualidade e 1% em formação. os corticosteróides. Investiga e produz com alta tecnologia e qualidade. Cerca de 660 profissionais. desde 1990. Durante a década de 90.exportados para mercados tão exigentes quanto os dos Estados Unidos. Estes produtos . usados na preparação de injectáveis. nos EUA. 14. e que lhe valeu. em Loures e em Macau. apresentando duas vertentes de negócio: os produtos genéricos e o “outsourcing” (produção em exclusivo para terceiros). trabalham na Hovione. 203 . de dez nacionalidades diferentes e com idade média de 37 anos. União Europeia e Austrália – constituem a base activa dos medicamentos formulados por laboratórios farmacêuticos. Outra área que tem merecido grande dedicação por parte da Hovione é a que diz respeito à protecção ambiental. substâncias activas farmacêuticas. incluindo anti-virais e terapias anti-SIDA. que são agentes anti-infecciosos usados na preparação de cápsulas e comprimidos. investigador químico. Japão. um negócio que neste momento representa 40% do seu volume de vendas.

204 .

e em caso de bombeamento de líquidos com elevado grau de perigosidade ou toxicidade devem ser utilizados empanques magnéticos. requer um elevado grau de exigência em termos de Qualidade. Essas emissões devem ser minimizadas nas fontes.2. É assim exigido ao fornecedor de equipamentos de processo suporte documental (quando aplicável) para: lista e certificado de materiais. os lubrificantes deverão ser de qualidade alimentar. Ambiente e Saúde Ocupacional. e quando se verifique uma explosão o equipamento deverá ter meios que permitam interromper imediatamente a deflagração e/ou limitar os seus efeitos. aos impulsores. ou ainda sistemas de distribuição e circulação de fluidos. de forma a evitar perdas para o exterior. • elastómeros (empanques. desenhos de construção mecânicos/eléctricos/ /funcionais. é referido no documento do IPPC a particular atenção que deve ser prestada à selagem. provenientes desses equipamentos. No caso das bombas centrífugas de processo. uma vez que tem que ser garantida a vedação permanente entre os elementos rotativos e estáticos. É requisito imprescindível a marcação CE de conformidade juntamente com toda a documentação definida na Directiva 94/9/CE. os equipamentos utilizados têm que estar preparados para funcionar em ambientes com potencial perigo de explosão. As zonas de fricção devem ser devidamente acauteladas de modo a minimizar o risco de libertação de partículas resultantes da erosão ou desintegração para o processo. No caso das bombas deve ser dada atenção aos empanques mecânicos. em grande quantidade. 12. através de soluções BAT (Best Available Techniques). é necessário fazer uma evidência documental do controle dos possíveis contaminantes externos. tenha superfícies não rugosas e isentas de fissuras.1 Qualidade O fabrico de produtos farmacêuticos de base é regido por uma elevada exigência de qualidade. É referido com BAT a utilização de empanques mecânicos simples ou duplos. desde a certificação dos componentes eléctricos como anti-deflagrantes para a classe de temperatura a que possam estar sujeitos. Esta directiva cobre os requisitos técnicos a serem considerados. 12. Em relação a equipamento de bombeamento centrífugo. que possam afectar a qualidade do produto. Esta certificação é resultante de uma avaliação dos riscos envolvidos. abrangendo também as indústrias de síntese química. nomeadamente metais pesados. sendo necessário um levantamento de todos os factores de risco que possam afectar a especificação do produto. • resíduos de aplicações anteriores.2 Critérios de selecção de equipamento de processo Os critérios de selecção de equipamento para ser utilizado no fabrico de produtos farmacêuticos de base. Materiais de construção devem ser seleccionados de modo a minimizar a corrosão química dos componentes metálicos. Segurança. podem degradar-se por acção química e/ou térmica.1 Introdução O equipamento utilizado na produção de Princípios Activos para a Indústria Farmacêutica. Quando admissíveis. Assim. Segurança. • erosão mecânica. relatórios dos testes em fábrica. por síntese química. etc. O desenho dos equipamentos deve ser tal que minimize as zonas mortas. substâncias inflamáveis. 205 . garantias e certificações.2. • produtos resultantes da corrosão. Ambiente e Saúde Ocupacional. manuais de operação/manutenção c/ recomendação de peças de reservas. As bombas centrífugas Grundfos são utilizadas em diferentes operações do processo de fabricação de Princípios Activos. abordadas no documento de referência do IPPC. A manutenção preventiva deverá recorrer a inspecções periódicas visuais de todas as zonas críticas. baseiam-se no elevado grau de exigência em termos de Qualidade. As emissões de COV's (Compostos Orgânicos Voláteis) localizadas e difusas.2 Segurança Uma vez que no fabrico de produtos farmacêuticos de base são utilizadas.) não adequados ao processo. de forma a projectar o equipamento e a sua instalação de modo a evitar a formação de atmosferas explosivas e fontes de ignição. bem como certificação que ateste a adequabilidade da solução ao processo e local onde se insere. 12. que vão desde a simples trasfega de solventes ou misturas reaccionais. 12. ou seja têm que ser construídos e instalados em conformidade com a Directiva ATEX 94/9/CE. em vigor desde 30 de Junho de 2003.2.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12.3 Ambiente A directiva Europeia IPPC (Integrated Pollution Prevention and Control) tem como objectivo a prevenção integrada e o controlo da poluição resultante da produção industrial. até sistemas sofisticados de filtração por Osmose Inversa. têm a obrigação legal de serem determinadas e manifestadas oficialmente. Facilidade de desmontagem e montagem com reduzido número de peças são factores também a considerar na escolha de uma bomba. para todos os equipamentos que contactem directamente com o produto. os contaminantes externos podem surgir de: • lubrificantes ou fluidos de selagem usados nos equipamentos de processo. às chumaceiras e às juntas. lista de lubrificantes. juntas.

Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais

12.2.4 Saúde ocupacional
De acordo com a Directiva 2003/10/CE de 6 de Fevereiro de 2003, relativa à prescrição mínima de segurança e de saúde em matéria de exposição dos trabalhadores aos riscos devidos aos agentes físicos (ruído), a selecção do equipamento adequado fica condicionada ao ruído máximo admissível para ocupação em permanência, tendo em conta o trabalho a efectuar. Assim o equipamento deverá produzir o mínimo de ruído, tendo em conta o progresso técnico e a disponibilidade de medidas de controlo dos riscos na fonte. O manuseamento dos intervenientes em síntese química devem ser adequados ao seu grau de perigosidade para a saúde humana. Deve-se analisar qual a concentração máxima admissível para cada contaminante na atmosfera da zona de trabalho e adequar o equipamento que garanta a contenção abaixo dos limites de exposição admissíveis OEL - Occupational Exposure Limits.

Fig. 2 - Osmose inversa de purificação de água

12.3 Exemplos de aplicação industrial
As bombas centrífugas Grundfos são utilizadas em diferentes operações do processo de fabricação de Princípios Activos, que vão desde a simples trasfega de solventes ou misturas reaccionais entre equipamentos, até sistemas sofisticados de filtração por Osmose Inversa, ou ainda sistemas de distriuição de fluidos térmicos que garantam uma optimização das condições operatórias. Adiante faz-se uma descrição pormenorizada destas duas últimas aplicações.

Outra aplicação de Osmose Inversa na Hovione, consiste em concentrar 20m3/h de uma solução de Princípio Activo, desde uma concentração de 60g/lit até uma concentração de 150g/lit. Retido 8 m3/h Alimentação 149 g/ lit. 20 m3/h Osmose Inversa 60 g/ lit. Membrana Permeado 12 m3/h 0.5 g/ lit.
Fig. 3 - Osmose Inversa - Diagrama de processo

As condições operatórias necessárias são: Numero de módulos em paralelo = 2 (Para aumentar a flexibilidade) Caudal de cada módulo = 10 m3/h Pressão de permuta = 40bar Bombas seleccionas por módulo = 2 x CRN16-160 em série. Nas figuras seguintes apresenta-se o diagrama da instalação e uma fotografia do sistema.

12.3.1 Filtração por Osmose Inversa
A filtração por Osmose Inversa é a filtração mais fina tecnicamente possível e consiste em reter partículas com dimensão um milhão de vezes inferior a 1 mm, numa membrana porosa geralmente feita em celulose. A Osmose Inversa é utilizada industrialmente para purificar água ou outros solventes, retirando as moléculas indesejáveis, ou concentrar soluções de produtos valiosos. O princípio de funcionamento da Osmose Inversa consiste em fazer passar através da membrana, o fluido que se pretende isento de moléculas grandes, chamado permeado. Para que se dê uma separação efectiva é necessário alimentar o fluido em condições de pressão e caudal adequados e consistentes. O fluido que não atravessa a membrana é chamado retido, por ser aquele que retém as moléculas grandes. A Hovione tem uma instalação de purificação de água com um caudal de 10m3/h para produzir água com uma condutividade de 0.3µS.cm-1 a partir de água de qualidade potável com 3000µS.cm-1.

Retido Permeado

Alimentação

Fig. 4 - Osmose Inversa - Diagrama de tubagem e instrumentação

206

Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais

Fig. 5 - Osmose inversa de concentração

Fig. 6 - Equipamento de síntese química

12.3.2 Circuitos térmicos
Para obter o Princípio Activo em quantidade e qualidade aceitáveis é necessário que as condições operatórias sejam optimizadas e reprodutíveis, sendo a temperatura do meio reaccional um dos parâmetros críticos da síntese química. Esta temperatura é controlada pela circulação de um fluido térmico através do equipamento, com um determinado caudal e a uma temperatura tal, que por contacto indirecto, promova a transferência térmica. A circulação faz-se através de dois sistemas interligados que são: • Circulação de fluido térmico através do equipamento a uma temperatura variável e a um caudal constante; • Produção e Distribuição do fluido térmico nas diferentes temperaturas constantes e a um caudal variável;

M ⋅ Cp  K − 1   Tin − T 1  ln   = q. ⋅ ρ ⋅ cp ⋅  K  ⋅ t  Tin − T 2   
Em que:

(1)

 U⋅A  K = exp    q ⋅ ρ ⋅ cp 
As variáveis das Equações 1 e 2 são:

(2)

Tin é a temperatura de entrada do fluido de circulação (°C); T1 é a temperatura inicial da mistura reaccional (°C); T2 é a temperatura da mistura reaccional ao fim do tempo t; M é a massa de mistura reaccional que se pretende aquecer ou arrefecer (kg); Cp é a capacidade calorifica média da mistura reaccional, no intervalo de temperaturas considerado (kcal / kg.°C);

12.3.2.1 Circulação de fluido térmico
12.3.2.1.1 Caudal A circulação do fluido térmico através do equipamento é feita através de uma bomba centrífuga que é dimensionada pelo caudal constante, cujo valor depende da capacidade térmica do equipamento e pela altura manométrica necessária para a sua circulação. O caudal de circulação do fluido térmico pode ser obtido iterativamente pela Equação 1, que determina a temperatura da mistura reaccional T2 ao fim do tempo t:

q é o caudal volumétrico do fluido térmico de circulação (m3/h);

q ⋅ ρ ⋅é a massa específica do fluido térmico (kg/m3) à temperatura da operação. cp é a capacidade calorífica média do fluido térmico, no intervalo de temperatura considerado (kcal / kg.°C). U é o coeficiente global de transferência de calor (kcal/ /h.m2.°C), que depende da condutividade térmica de todos os materiais envolvidos na transferência térmica e da turbulência do seu movimento. O valor de U pode ser estimado teoricamente ou determinado experimentalmente;

207

Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais

A é a área total (m2) através da qual se dá a transferência térmica, e depende da geometria do equipamento e da quantidade de mistura reaccional;
M (kg)

QUADRO I - PARÂMETROS
Aquecimento 4000 1.01 300 10 925 0.43 977 0.38 0.99 280 Arrefecimento

No ponto 12.3.2.1.2 é dado um exemplo ilustrativo da aplicação das expressões 1 e 2, para determinação do caudal da bomba de circulação, em condições de aquecimento e arrefecimento.

Cp (kcal / kg.°C) U (kcal / h.m2.°C) A (m2)
r

(kg / m3)

cp (kcal / kg.°C)
100 90 80
Temperatura (ºC)

70 60 50 40 30 20 10
5m3/h 10m3/h 15m3/h 20m3/h

Fig. 7 - Diagrama do Circuito Térmico

12.3.2.1.2 Exemplo de aplicação Selecção de uma bomba para um circuito térmico de um reactor de 4000lit. de capacidade, no qual se pretendem as seguintes condições operatórias: a) Aquecimento da mistura reaccional desde uma temperatura inicial T1=25°C até uma temperatura final de T2=100°C, com um fluido térmico a uma temperatura de entrada de Tin=120°C; b) Arrefecimento da mistura reaccional desde uma temperatura inicial T1 = 25°C até uma temperatura final de T2=0°C, com o mesmo fluido térmico a uma temperatura de entrada de Tin=-15°C. Considerar para perda de carga total do circuito o valor de 20m.c.a. Utilizando as Equações 1 e 2, de uma forma iterativa, e os parâmetros do sistema apresentados no Quadro I, obtém-se o gráfico de variação da temperatura da mistura reaccional no tempo, para diferentes caudais de circulação.

0 0.0 0.3 0.7 1.0 1.3 1.7 2.0 2.3 2.7 3.0 3.3 3.7 4.0 Tempo (h)

Fig. 8 - Gráfico da temperatura da mistura reaccional para diferentes caudais de circulação

Analisando o gráfico da fig. 8, verifica-se que deixa de haver uma diminuição significativa do tempo total de aquecimento e de arrefecimento quando se aumenta o caudal de circulação de 15m3/h para 20m3/h. Considerando o valor de caudal de 15m3/h e uma altura manométrica de 20m.c.a, uma bomba adequada para a circulação de fluido térmico através da camisa de um reactor de 4000lit. de capacidade seria uma CR16-30.

12.3.2.2 Sistema de distribuição de fluido térmico
12.3.2.2.1 Temperaturas O sistema geral de distribuição de fluido térmico é constituído pelos subsistemas independentes de produção, armazenagem e distribuição do fluido térmico a diferentes temperaturas.

208

Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais

Para realizar aquecimentos é necessário dispor de um fluido térmico a uma temperatura elevada, cujo valor depende da temperatura máxima exigível para o processo, nunca podendo ser superior à temperatura admissível para o equipamento. Geralmente a temperatura máxima utilizada nos processos de produção de Princípios Activos situa-se entre 120°C e 150°C. A produção do fluido nesta gama de temperaturas pode ser realizada por circulação através de permutadores de calor alimentados com vapor ou através de resistências eléctricas.

O factor de simultaneidade tem em conta que não é expectável que todos os equipamentos de uma instalação estejam a trabalhar na sua capacidade térmica máxima em simultâneo. Este factor pode ser obtido por estimativa baseada no grau de utilização dos equipamentos, ou utilizando equações estatísticas, como é o exemplo da equação 3.

f =

1 n −1

(3)

em que n é o número total de equipamentos.
HTFR

HTF

A utilização de modelos matemáticos requer uma análise cuidada do valor obtido, baseada na experiência de instalações similares e no bom senso. 12.3.2.2.3 Caudal A determinação do caudal necessário para um sistema de distribuição de fluido térmico é feita de forma idêntica à determinação da capacidade energética, descrita no ponto anterior, tendo em consideração o somatório de todos os caudais necessários de todos os equipamentos alimentados pelo circuito, e aplicando o factor de simultaneidade. Para obviar a variação das necessidades energéticas é conveniente que a distribuição de fluido térmico se faça a caudal variável, o que se consegue através da variação de velocidade das bombas de distribuição, em função da número de consumidores em funcionamento.

Fig. 9 - Diagrama do Circuito de Distribuição

Para efectuar o arrefecimento é necessário dispor de fluido térmico a uma temperatura reduzida, cujo valor depende da temperatura mínima exigida pelo processo e que não poderá ser inferior à temperatura mínima admissível para o equipamento. Geralmente a temperatura mínima utilizada nos processos de produção de Princípios Activos situa-se entre os -30°C e os -15°C, em casos especiais poderá haver necessidade de uma temperatura criogénica, na ordem dos -100°C. A produção do fluido térmico a -30°C faz-se normalmente por circulação através de uma máquina frigorifica, ou de um permutador. Geralmente para os sistemas térmicos de unidades de produção de Princípios Activos justifica-se economicamente a existência de um circuito térmico a uma temperatura intermédia. Este fluido tem como principal função efectuar o primeiro arrefecimento ou aquecimento, quando o equipamento está a temperaturas extremas. A escolha da temperatura mais adequada depende da utilização preferencial e do balanço económico e poderá ser cerca de 25°C, que se obtém fazendo circular o fluido por um permutador por onde circule água arrefecida em torres de refrigeração, ou cerca de +5°C a +10°C para o qual é necessário ter uma máquina frigorífica.

Fig. 10 - Sistema de distribuição

12.3.2.2.2 Capacidade energética A capacidade energética de um sistema de distribuição de fluidos térmicos depende do número e capacidade dos equipamentos que vão ser alimentados e também do factor de simultaneidade da instalação.

O ajuste do valor da velocidade é feito de forma a manter constante a pressão do circuito de alimentação. Assim, quando um consumidor entra em funcionamento a pressão do circuito de alimentação tende a baixar, o controlador fará aumentar a velocidade da bomba, para que a pressão se mantenha no valor de set-point seleccionado. Quando um consumidor deixa de estar em funcionamento o controlador reage de forma inversa. Com este sistema garante-se a alimentação uniforme aos equipamentos, em todas as condições de utilização da instalação.

209

por ter menor custo. Para o sistema de arrefecimento há a considerar que todos os reactores têm sistemas de condensação de Compostos Orgânicos Voláteis (COVs). para uma instalação composta por oito reactores com as capacidades indicadas no Quadro II.4 Exemplo de Aplicação Seleccionar os sistemas de bombeamento dos circuitos de distribuição de fluido térmico de Aquecimento e Arrefecimento. são indicadas as necessidades energéticas e o caudal de distribuição necessário para o fluido térmico a cada temperatura. No Quadro III.000. Para selecção dos sistemas de bombeamento do fluido térmico às diferentes temperaturas.200. que estará em funcionamento sempre que o reactor esteja a uma temperatura superior à ambiente.2.000 Caudal de circulação (m3/h) 15 30 180 16 14 12 10 8 6 4 2 0 0 15 30 45 60 75 90 105 120 Caudal (m 3/h) Opção I Opção II Opção III Aplicando a Equação 3 para oito reactores.3. tendo em consideração o número máximo de equipamentos em funcionamento simultâneo na capacidade máxima.SISTEMA DE BOMBEAMENTO CAUDAL TOTAL = 120M3/H.000 22 8.Gráfico da potência absorvida para as opções de bombeamento Pode concluir-se que a Opção I é a mais favorável.) 4. sendo ainda garantido 50% do caudal máximo em caso de avaria de uma bomba. H = 40M.250 Potência Instalada (kW) 22 I 210 . 1a4 5a8 S O gráfico da figura 11 mostra a variação da potência absorvida em função do caudal.2.000 10.000 3. ambos do mesmo modelo. tal como mostra o Quadro IV: QUADRO IV .C. Opção Quantidade de Bombas 2 Caudal (m3/h) 60 60 40 II 3 40 40 30 III 3 30 60 Tipo CR64-2 CR64-2 CR45-2 CR45-2 CR45-2 CR32-3 CR32-3 CR64-2 8.000 500.5 Custo Total (Euros) 7. QUADRO II .000 Capacidade Térmica (kcal/h) 300. para as três opções consideradas. 20 18 Potência (kW) Capacidade (lit. Assim deverão considerar-se cinco equipamentos em utilização simultânea.A. Verifica-se que não há variação significativa da potência absorvida.CIRCUITO DE DISTRIBUIÇÃO Capacidade Térmica (kcal/h) Fluido Térmico 2. QUADRO III . é possível considerar três opções diferentes. igual consumo energético.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12.CAPACIDADES Equip.600 22.000 56. menor número de equipamentos. 11 .000 Caudal de circulação (m3/h) 120 Fig. conclui-se que poderão estar quatro em funcionamento simultâneo.

Bulk Pharmaceutical Chemicals. Chemical Engineering. Guides for New Facilities . Predict Heating and Cooling Times Accurately. Process Heat Transfer. 1965. D.44 / 2003. Versão 7. New York..4 Referências bibliográficas Grundfos. Volume1.y Jornal Oficial das Comunidades Europeias .Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12. Novembro 1993. Tosun. WinCAPS. McGraw-Hill.Directiva 94/9/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 23 de Março de 1994. Jornal Oficial das Comunidades Europeias . Ilhan. 211 .Q.Directiva 2003/10/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 06 de Fevereiro de 2003. First Edition ISPE. Kern. Ismail and Aksahin. June 1996.February 2003. Integrated Pollution Prevention and Control (IPPC) Reference Document on Best Available Technics in LVOC Industries .

212 .

213 .

214 .

215 .

216 .

com BGP .273 Porto Tel.grundfos.A.153 Paço de Arcos Tel.: 21 440 76 00 • Fax: 21 440 76 90 Filial: Apartado 3035 • 4031. Sede: Apartado 1079 • 2771.Ser responsável é a nossa base Pensar mais além torna tudo possível A inovação é a essência de tudo o que fazemos Bombas GRUNDFOS Portugal.901 Paço de Arcos Rua Calvet de Magalhães. S.601 Porto Rua da Ranha. 320 e 334 • 4350 .: 22 542 05 20 • Fax: 22 542 05 38 www. 241 • 2770 .03/2005 .