GRUNDFOS SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO

Manual de Engenharia

Biblioteca Nacional - Catalogação na Publicação Manual de Engenharia Sistemas de Pressurização ISBN: 972 - 99554 - 0 - 9

Depósito Legal n.º 223570/05

Copyright © 2005 - Bombas Grundfos Portugal / Margarida Ruas / Raul Vital / Paulo Ramísio / Eduardo Nunes / Carlos Medeiros / Ana Amélia Santos / José Beltrão / Pedro Farinha / Luís Olival

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Impresso em papel ecológico, isento de cloro por: Expresso Gráfico - Lisboa
BGP - 03/2005

PREFÁCIO
Actualmente, as sociedades desenvolvidas, na sequência da melhoria da qualidade de vida, têm como expectativa não apenas o acesso fácil ao recurso água mas também elevados padrões de qualidade no seu abastecimento. Esta exigência arrasta consigo a garantia do fornecimento contínuo, a sua qualidade intrínseca e as características adequadas ao seu uso, inerentes à quantidade e à pressão. Estes critérios de qualidade a que todos nós, de forma crescente, nos fomos habituando, são aplicáveis, principalmente, ao consumo humano, mas são também extensíveis aos sectores económicos da sociedade, cujo desenvolvimento está na dependência da água. Para atingir os desejados padrões de qualidade é fundamental o cumprimento da legislação vigente e a aplicação das tecnologias mais avançadas, factores que se revelam da maior importância para a optimização dos custos de exploração, dos quais o consumo energético é um factor determinante, se tomarmos em conta que aproximadamente 20% do consumo mundial de energia eléctrica se destina a grupos electrobomba. O reconhecimento de que uma das componentes do custo da água reside na sua movimentação, desde a captação à sua utilização, implica que a selecção dos sistemas de pressurização deverão ser cada vez mais eficientes e económicos. A responsabilidade social e o desenvolvimento sustentado que a Grundfos assume nos seus valores, sensibiliza-a para a importância da reflexão e do diálogo sobre o tema da água como bem fundamental e escasso. Foi com este espírito presente que o Manual de Engenharia sobre o tema "Sistemas de Pressurização" foi abraçado por um conjunto de docentes universitários e especialistas, em vários sectores da utilização da água, tendo como objectivo a optimização da eficiência e da fiabilidade da movimentação da água. O conteúdo deste Manual foi estruturado com informação técnica actualizada, desde a legislação às soluções tecnologicamente mais avançadas, complementado com ferramentas e técnicas para a melhoria do Custo do Ciclo de Vida dos sistemas públicos, prediais, industriais e na rega. O conceito de variação de velocidade utilizado nos sistemas hidráulicos, é adaptado em concepções diversificadas, em função das características das aplicações, como processo para optimização do consumo energético. É aqui inserido um documento de referência, que descreve a evolução histórica do abastecimento de água à cidade de Lisboa e regiões limítrofes, desde a ocupação Romana à actualidade, relatando os acontecimentos históricos que foram influenciados por essa evolução. É referida a importância da água para o consumo humano, para a rega e para a higiene pública. É ainda abordada a problemática do seu tratamento e as suas propriedades terapêuticas para a cura de diversas doenças. Evoca ainda a importância da água no desenvolvimento da cidade de Lisboa, assim como transmite os detalhes da evolução tecnológica nos meios utilizados para o abastecimento da água, desde as nascentes aos consumidores públicos e industriais, até ao abastecimento domiciliário com água canalizada. Este Manual é uma colectânea dos contributos da Grundfos e de todos aqueles que participaram na realização deste projecto, e teve como orientação estratégica a gestão racional da água e a sustentabilidade ambiental. Destina-se à sociedade em geral e em particular aos consultores, projectistas, empresários, empresas municipais e multimunicipais, técnicos, docentes e alunos de universidades e institutos cuja actividade está, directa ou indirectamente, dependente do estudo e da utilização da água. António Miranda Administrador Delegado Bombas Grundfos Portugal

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Bombear significa "extrair um líquido ou um gás por meio de bomba". ou seja. atribuindo-lhe o sentido de "acção ou resultado da acção. E é empregado na linguagem corrente. A dúvida que suscitou estas reflexões é esta: "bombar ou bombear" e "bombagem ou bombeamento"? O substantivo feminino bomba (no caso. Para o caso. juntando a bomba o sufixo verbal -ear (tal como de guerra+ear se formou guerrear e de cabeça+ear derivou cabecear) que encerra um sentido frequentativo (repetição de uma ideia). Quer o verbo bombear quer o substantivo bombeamento são as formas a que os mais prestigiados dicionaristas dão acolhimento. designadamente. As palavras são polissémicas e podem significar uma "coisa" e o seu contrário. No primeiro caso. passando pelos "Vocabulários" de Gonçalves Viana e José Pedro Machado. de tal modo que o que é incorrecto num dado momento pode ser considerado correcto noutro. ressuscitar) e outras que emergem (nascem) para designarem novos objectos ou conceitos. Serve esta pequena introdução para explicar que. podendo. bombeamento pode designar "a extracção de um líquido ou de um gás por meio de bomba". Edite Estrela 3 . como qualquer organismo vivo. conotativos outros. são tão legítimas e frequentes as dúvidas como as certezas. há certas palavras e formas de dizer que caem em desuso (morrem. em matéria linguística. Por isso. aparelho com que se transvasam ou esgotam fluidos (líquidos ou gases)". inclui os dois verbetes). em cada momento. mais tarde ou mais cedo. Do substantivo bomba derivaram outras palavras. o verbo bombear e o substantivo bombeamento. As línguas. a forma mais antiga e mais adequada. mais tarde. mudam com o tempo e as vontades. a palavra primitiva) tem diferentes sentidos. Bombeamento formou-se juntando ao verbo (bombear) o sufixo nominal -mento. estado". interessa apenas o significado de "máquina para aspirar e elevar líquidos. E diz-nos a experiência que do natural conflito entre norma e uso. Assim.Bombeamento ou bombagem Os idiomas não são instrumentos neutros nem modelos estáticos. não colide com a morfologia do nosso idioma. e devem responder às necessidades de todos e de cada um dos falantes. aliás. Pelo menos é esta a opinião dos mais reputados estudiosos da língua portuguesa. Embora também haja quem empregue a forma bombagem como sinónimo de bombeamento (o Dicionário da Academia. As línguas maternas reflectem os conceitos vigentes na sociedade. bombeamento é. As palavras não são unívocas e só o contexto pode indicar o sentido exacto de cada termo. denotativos uns. geológica). Importa apenas acrescentar que o substantivo bombagem também respeita as regras de formação de palavras. militar. todos registam bombear e bombeamento e excluem as outras hipóteses. Do velho Morais ao novo Houaiss. é o uso que sai vencedor e se impõe à generalidade dos utentes. mas também em linguagens específicas (física. todavia.

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. .3 2. . .Índice Índice 1. .1 2. . . Sistemas de pressurização com grupos electrobomba . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. .6 1. . . . . Cálculo hidráulico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 97 Exemplos de aplicação do Custo do Ciclo de Vida . . . . . . . . . . . . . . . .4 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistema Hydro 2000 . . . . . . . . . . . de velocidade fixa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistema Hydro Solo E . . Cavitação e NPSH . . . . . . . . . . . . . . . . .5 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .12 1. . . 93 Determinação do Custo do Ciclo de Vida . . . . . . . . . As duas opções em confronto . Arrancadores suaves .5 3. . . . . . . . . . . . . . . . Curva característica da instalação .1 Constituição e princípio de funcionamento . . . . .15 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1. . . . . . . . . . . . . Os antigos chafarizes de Lisboa . . Leis de semelhança . . . . . . . . . . . . Reservatórios hidropneumáticos . . . . . . . . . Redes hidráulicas . .3 1. .10. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 4. Propriedades da água .1 2. . . . Viscosidade . . . .11 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . O Aqueduto das Águas Livres . . . . . O projecto de 1908 para captação de água no Tejo .5 1. . . . . . . . . . . . . . 3. . . . . . . . . . . . . . Constituição e princípio de funcionamento . . . . . . . Sistema Hydro 100 . . . . . .2 2. . . . . . . Companhia das Águas e o começo do abastecimento domiciliário . . . . Sistemas de pressurização com grupos electrobomba de velocidade variável . . . . . . . . . . . . . . A 2ª. . . . . .1 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9 1. . . . . . . . . . . . . Companhia das Águas e o Alviela . . . . . . . . . . Válvulas motorizadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6. . . . . . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . 93 Razões para a utilização do CCV . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6 5. . .7 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . .2 2.2. . . . . .1 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 4. . . . . A 1ª. . . . . . . . . . Expansão do abastecimento . . . . . . Sistemas com bombas de velocidade variável . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9. . . . . . . . . . . . . . Volantes de inércia . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .8 4. Conceitos fundamentais de hidrocinemática . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 Sistemas de pressurização Grundfos . . . . . . . . . . . 93 O que é o Custo do Ciclo de Vida? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9 4. . . . 103 105 105 105 106 107 109 109 110 112 113 Sistemas de pressurização com velocidade fixa e velocidade variável . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Conceitos fundamentais de hidráulica. . . . . . . . . . .2 2. . . . . . . . . . . Teste de sistemas . . . . Curva característica da bomba . . . . .5. . . . . .11 1. . .1 2. . . . . .5. . . . . . . . . . . . . 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 2. . . . . . . . . . . . 96 Aplicação a sistemas existentes . . . . . . 3.2 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 3. . .1 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .7 4. . . . Os projectos de Pezerat face à falta de água no século XIX . . . . . . . . . . Conceitos básicos . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . .2 6. . . Determinação da pressão . . . . e hidrodinâmica . . . . Escoamentos sob pressão em regime uniforme e permanente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . .10. . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . . . . . Características das centrais hidropneumáticas . . . . . . . . . . . . . . . . .7 Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6 4. . . . . .1 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Modelo de cálculo .1 6. . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . .10 4. . . . . 6. . . . . .5 4. . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4. . 3. . . Equação da continuidade . . . . . . . . Classificação das redes hidráulicas . . .8 2. . . . .2 Escolha do sistema de pressurização na fase de projecto . . . . . . . . . . .3. . . . Perdas de carga contínuas . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 4. . . . . . .2 1. . . Escoamentos laminares e escoamentos turbulentos . . . . . .1 6. . . . . . . . . Critérios de selecção e análise de sistemas simples em regime transitório . . . . . . . . . . . . 96 Na fase de projecto . .1 4. . . . . Bombas centrífugas . . . Princípios da mecânica dos fluidos . . . . . . .2 2. . . .3. . . . . . . . . . .9. . . .3 6. . .3 5. . . . . . . . . . . . .6. . .4 5. . . . . . . . . . . . . . bombas centrífugas e redes hidráulicas . . . . . . . . .4 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . Válvulas de retenção . . . . . As municipalizações do abastecimento de água e a sobrevivência da Companhia . . . . Chaminés de equilíbrio . . Constituição . . . . . . . . . . 51 55 55 55 55 56 5 . . .3. . . . . . . . . .3 4. . . . . .9 2. Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 5. . . . . . . . . . . . .3. . . . .1 6. Circuito de desvio . . . . . . . . .5. . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4. . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . .3 6. .1 5. . . .1 5. . . . Reservatórios de ar comprimido . . . . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . . Reservatório parcialmente bidireccional . . . . . . . . . .1 4. . .2 3. . . . . . . . 102 6. Classificação dos escoamentos . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . .6 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .10 2. . . . . . . . .4. . . . . . . . Duarte Pacheco e o contrato de 31 de Dezembro de 1932 . . . . . .5. . . . . . . . . .2.8 1.12 5. . . . . . Compressibilidade . . . . . . . . . . . . . . . . .2 Grupos electrobomba .1 Introdução . . . .6 2. . 61 62 64 65 65 65 66 66 72 72 74 75 76 31 35 35 35 35 35 36 36 36 36 36 37 37 38 38 38 40 40 40 40 40 41 41 42 42 42 42 45 47 48 49 77 79 80 82 83 83 83 84 84 86 86 87 88 88 88 88 89 90 O Custo do Ciclo de Vida como factor de economia . . . . . . . . . Perdas de carga localizadas . . . . . . . . . . . . . . Sistema Hydro 2000 F . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 3. . . . . . . . . . . . . . . .1 4. . . . . . . .6 3. . . . . . . . Dimensionamento económico de condutas .16 2. .1 1. . . Definição . . . . . . . . A EPAL e o Castelo de Bode . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .14 1. . . . . . .2. . . .2 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3. . . . . . .4 2. . . . . . . . . . . . . . . .2 4. . . . . . . . . . . . . . . . Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 98 5. . . . . . Evolução histórica dos sistemas de abastecimento de água a Lisboa . . . . Tensão de saturação do vapor de água . . . . . .3 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .7 2. . . . Regime uniforme e permanente . . . . . .3. Regulação das pressões de arranque e paragem . . . . . . . . . .4 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . Determinação do caudal máximo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4. Sistema Hydro 2000 E . . . . . . . . . . Teorema de Bernoulli . . . . . . . Sistema Hydro 1000 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 1. . Das origens ao aqueduto romano de Olisipo . . . . . . . . . . . . . .1 Reservatórios de membrana . . .2 2. . . . .2 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Critérios de cálculo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .12 2. . . . . . . . . . .3 2. .5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Dispositivos de protecção . . . . . . . . . . 98 Sistema de bombeamento existente com uma válvula de controlo de caudal . . . .9. . Caso prático . . . . . Teorema da quantidade de movimento ou de Euler . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 Centrais hidropneumáticas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Introdução . . . . .2. . . . . . . . Propostas para a reconstrução do aqueduto romano . . . . . . .3 2. . 99 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Dimensionamento e selecção . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 2. . Exemplos de situações-tipo . . Introdução .2. . . . . . . . . Dispositivos de manutenção das pressões transitórias . Referências bibliográficas . . . . . . .13 3. . . . Ponto de funcionamento de uma bomba centrífuga . . . . . . . . . . . . . 94 Implementação da metodologia . . . . . . . . . . . . . . . . Sistemas por bombeamento directo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . .2 Tipos de sistema de elevação de pressão . . . . .6. . . . . . . . . . .13 1. . . . . . . . . . . . . .Tejo ou Zêzere . .2 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . Bombas de velocidade fixa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Condições de fronteira . . . . . Reservatórios unidireccionais . 7 11 11 12 12 13 17 17 18 21 21 22 24 25 26 26 28 3. . . . . . . Os problemas da qualidade das águas . . . . .2 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . . . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .10 1. . .3 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 2. . . . . . . . .11 2. 5. . . . . . .3 3. . . . . . .

. . . . . . Águas não convencionais . .1 10. . . . . . . Eficiência total de rega . . . Introdução . . . . . . . . .2 10. .5. . . . . . . Eficiência de rega e sua classificação .8 9. . . . . . . . . . .4 9. . . . .4 10. . . . .2. . . . . .8. . . . . . . . . . Controlo de sistemas de bombeamento . . .2 8. . . . . . . . . . Sistemas de rega sob pressão . . .5. . . . . . . . . . Eficiência de armazenamento . . . . . . . . . . . . . Aparelhos produtores de água quente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Controlo por nível . . . . . . . . . . . .2 8. . . . Manutenção aos equipamentos de bombeamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Conclusões . . . . Introdução . .4 7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Referências bibliográficas . .7. . . . . . . 149 150 150 150 151 152 153 157 157 157 157 163 163 164 164 175 175 176 177 125 127 127 127 127 127 128 128 128 129 129 129 130 131 135 135 135 135 136 136 136 137 137 137 137 138 141 141 141 141 141 143 145 145 145 145 146 147 147 147 148 148 148 148 148 179 183 183 183 184 186 186 187 193 193 193 193 194 194 194 194 194 195 196 197 198 201 205 205 205 205 205 206 206 206 207 211 6 . .3 9. . . . Eficiência de rega e consumo de energia nos sistemas de rega sob pressão . . Prova de funcionamento hidráulico . . . . .3 11. . . .2 9. . . . . . .5. . . . . . . . .3. . . . Verificação.2 9. . . .3. . . . . . . .5 9.5 9. . Aspectos gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 7.1 8. Descrição dos capítulos estruturantes do Manual .3.3 8. . . . . . .2 11. . . . . . . . Qualidade . . . . . . . . . . . . . . . . . Necessidade de comunicação . . . .1 9. . . . . . . . . Sistemas de abastecimento público e predial no Porto . . . . . . . . . . . Sistemas prediais de distribuição de água fria . . . . . . . . . . .2 Sistemas de controlo. . . . . . . Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . Outros tipos de controlo . . . . . . . .4. . . . . . . . Utilização de reservatórios de membrana . .8. . Enquadramento legislativo . Sistemas de distribuição de água quente com recirculação Traçado . . Sistemas prediais de distribuição de água quente . . . . . . . .9 10. . . . . . . .1 10. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 10. . . . . . . . . .3 9. . . . . . . . . . . . . . Resultados práticos . . . . . . . . Isolamento das canalizações . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 9. . . . . . . . . Filtração por Osmose Inversa . .1 7. . . . . . . . . . . . . . . Válvulas . . . . . . . . . Águas convencionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6. . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 11. . . . . . .3 8. . . . . . . . . . . . Aspiração de cisterna elevada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 7. . . . . . . . . . . polivalência e economia . .2. . . . . . .3. . . . . . . . 11. .5 9. . . . . .1 9. . . Desinfecção dos sistemas . . . . . . . . . . . Eficiência de uso de água . . . Torneiras e fluxómetros .6. . . . . . . . Aspectos gerais . . . . Elementos acessórios da rede . . . . . . . . . . .1 9. . . . . Exemplos de aplicação industrial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistema de abastecimento público . . . . . . . .2 8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 11. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Necessidades de ventilação . . . . . . . . . . . Manutenção aos sistemas de monitorização e controlo . . . . . . . .4 9. . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 8. . . .2 11. . . . .3 9. .6 11. . . .1 7. . . . .1 12. . . . . .1 9. .2 11. . . . . . .3. . . . . . . . . . Execução das redes prediais . . . . . . . . .3 7.5. 12. . . . . Circuitos térmicos .2. . . . . . . .2 7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . Comunicação entre sistemas de controlo da mesma rede . . . . . . . . . . . . . . Instalação e manutenção de bombas e sistemas de bombeamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .7. Ramais de ligação .1 7. . . 8. .4 Contadores . . . . . . . . . Instalações elevatórias e sobrepressoras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6. . . . . . . Concepção global dos sistemas prediais em Lisboa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . Sistemas de rega sob pressão: eficiência. . . . . . . . . .2 12. . . . Segurança . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . . .3.3. . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Outras publicações complementares . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . . .6 11. . . . . . . . . . . Eficiência de distribuição. . . . . . . . . . . . Necessidades de água quente e escolha dos aparelhos de produção . . . . . . . . . . . . . . .2 12. . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . .5 11. . .5 11. . . . . .2 9. . . . . . . .4 9. . . . . . Controlo por pressão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9. . . . comunicação e gestão . . . . Controlo por caudal .4 7. . .4 9. . . . . . . . . .1 8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . .1 11. . . . . . . . . . Eficiência de aplicação .4. . . . . . . . . . . . . . . . .5 9. .3. . . . . . . . .1 11. . . 7. . . . . . . . . . . . . . . .1 9. . . . . . . . . . . . . . . . .5 11. . . . . . . . . . . . . .3. . . . . .2 7. . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . Aspectos gerais . Aspiração negativa . . . . . .4 9. . . . .4. . .3 12. . . . . . . .5. . . 10. . . . . . . . .2. . .2 12. . . . . . . . . . . .3 8. 117 119 119 119 119 119 120 120 120 120 121 121 122 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 11. . . . . . . . . . . . . . Entrada em serviço dos sistemas . . . . .3 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . .3. . . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . referência ao coeficiente de uniformidade de distribuição de água de christiansen . . . . . .1 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Critérios de selecção de equipamento de processo . . . . . . . . . . . . . .2 9. . . . . Sistema de abastecimento predial de água . . . . . . . . . . . . . . . . . Introdução . . . . . . . . . . . . . Monitorização e gestão de sistemas mistos . . . . . . . . . . . . . . . .4 12. . . . . . . . . . . . . . . . . . Valores médios e técnicas de maximização da eficiência de rega . . . .Índice 7. .3. . .2. . .5. . . . . . Introdução . . . . . . . . .4. . . Referências bibliográficas . .1 8. . . . . . . . . . . .4. .1 7. . . . . . . . . . . Classificação dos sistemas de rega . . . . . . . . . Introdução . . . . . Dimensionamento dos reservatórios hidropneumáticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Polivalência dos sistemas de rega . . . . . . . .2 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 9. . . . . . . . . . . . . Consumo anual de energia para instalações de rega sob pressão . . . . . . .3 9. . . . . . . . . . .3 12. . . . . . . . . . . . . . .4 11. . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . .1 9. Aspectos gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . .7 12. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Elementos dos sistemas . . . . . . . . .7 9. . . . . . . . . . . .8.4. . . . . . . . . . . . . . . . Aspectos gerais . . . . . . . . . . . . . . . .3 10. . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Eficiência de transporte . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 12. . Dimensionamento hidráulico . . . . . . Localização do equipamento de bombeamento . . . . .3 9. . . . . . . . .4. . . . . . .4 10. . . . . . . . . . Vantagens de um sistema integrado . . .2. . . . . . . Gestão integrada entre sistemas de bombeamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Comunicação entre sistemas de bombeamento . . . . . . . . . .5 10. . . . . . . . . . . . . . . Concepção global dos sistemas de distribuição em Lisboa . . . . . . .7. . . . . .2. . . . . . . . . . . Sistemas de abastecimento público e predial em Lisboa . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . .2. .3 9. . . . . . . . . . . . . . . . .2 9. . . . . . . . . . . . . Reserva predial de água para abastecimento doméstico . . . . . . . Classificação dos sistemas . . . . . . . . . . . . .2 9. . . . desinfecção e funcionamento hidráulico . . . . . . . Caracterização da rede de Lisboa . . . . . . . . . . . . . . . . . . Aspiração de uma rede sob pressão . .1 11. . . .2 10. . . . . . Manutenção . . . . . . . . . . . . . .3 11. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Elementos e parâmetros de rega a utilizar no cálculo do consumo de energia . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . .4. . Requisitos para instalação . . . . . . .4 11. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 11. Concepção dos sistemas . . . . .1 9. . . . . . . . . . . . . . . . . .1 12. . . . . . . . . . . . . Verificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . Aplicação de sistemas de pressurização em processos industriais . . .2. . . . . . . . . . Instalação de sistemas de bombeamento . . . . . . .4. .1 10. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 10. . . .2. . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . Ambiente . . . . . . . . . . . . Estrutura do Manual de Redes Prediais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Saúde ocupacional . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistemas de rega por gravidade . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Elementos de instrução dos processos de projectos . . . . .4 8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Dimensionamento dos sistemas prediais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 8. . . . . . Aspectos gerais . . . . . . . . . . .1 11. . . . . . . . . Aspectos gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Elementos de dimensionamento . . . . . . . .

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS SISTEMAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA A LISBOA Autores: Margarida Ruas Gil Costa Directora do Museu da Água Raul Fontes Vital Historiador e Arquivista.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1. Responsável pelo Arquivo Histórico do Museu da Água 7 .

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Existimos fisicamente no mundo. que provocam a mudança de mentalidades. bem como para a consciencialização da sua identidade e problemas comuns. Este último integra a sala das Máquinas a Vapor. o mais alto galardão atribuído por esta entidade. alertando para o ambiente. a Harmonia Absoluta. Os museus são lugares de criatividade onde se aprende sempre mais. ajudando-os a combater o medo que nos retira o direito de viver. A estratégia de comunicação do Museu da Água é provocadora na forma como chega às escolas. Este prémio destaca todo o museu que contribua para o entendimento e conhecimento da herança cultural europeia. em Portugal.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa O Museu da Água da EPAL O Museu da Água da EPAL. a preservação e animação do património. presente. A identidade desempenha um papel fundamental na configuração do mundo e na construção do eu do ser humano. dando oportunidade aos mais novos e intensificando o prestígio dos mais conhecidos cumprindo a educação permanente. inaugurado no dia 1 de Outubro de 1987. de rir. racionais e sensoriais completam a construção do Eu cumprindo a observação cabal do Todo. quando um elo se quebra. dispomos de um serviço educativo para as escolas. As exposições que organizamos são discursos abertos e imprevistos que densificam a dimensão artística. É dever dos povos construir a eternidade partilhando o conhecimento e preservando a vida e o património. abrange 4 núcleos: o Aqueduto das Águas Livres. códigos de comportamento numa perspectiva sincrética que junta o mundo todo no principio da reciprocidade (tudo o que fazemos é importante e atinge o meio em que vivemos e por sua vez nos atingirá). e de capacidade criativa do génio humano. da EPAL e também de Portugal. do nosso conhecimento e do pensamento. de um Arquivo Histórico que ajuda a entender a Inteligenzia portuguesa e que é consultado por académicos. polarizadores de cidadania (o seu ethos na dupla perspectiva filosófica e prática). o Equilíbrio Perfeito. de pensar livremente. encontram-se indissociavelmente ligados à história do abastecimento de Água. estimulando a investigação. onde o cenário de fundo nos é dado através desta luta de séculos travada pelo homem pela conquista da água. acima de tudo. de sentir prazer e de não envelhecer. Existimos numa cadeia una. É uma dádiva viver no respeito e na reciprocidade do que nos rodeia. todo ele. O Mundo. Os prémios Internacionais legitimam e celebram o sucesso do Museu. é um Património Precioso. universidades. Os Museus são cada vez mais complementos e auxiliares das escolas. O Museu da Água é o único em Portugal com o Prémio do Museu do Ano do Conselho da Europa (1990). local de criatividade e de encontro de culturas. tudo é passado. Mas para além desse sucesso evidente para a opinião pública nacional e internacional o maior sucesso é fazer a diferença na vida de muitas crianças e de adultos a quem provocamos na sua criatividade. As percepções espirituais. e de tudo o que ela representa no acumular de conhecimento científico e tecnológico. Tudo é património. das famílias consideradas como reguladoras sociais capazes de reunir pessoas à volta de necessidades comuns. A identidade do Museu junta-se à identidade da EPAL e de Portugal constituindo-se como parte da nossa cultura e como mensageiro desse espírito. os reservatórios da Mãe d'Água. Patriarcal e a Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos. 9 . construídos entre o século XVIII e XIX. os outros e o próprio Mundo. estudantes e especialistas. Recebemos visitantes nacionais e internacionais. futuro e a Grundfos consubstancia este manifesto. preservados e organizados museologicamente. afecta o todo que somos nós. que fazem acontecer e que contribuem para a sedimentação das identidades que cumprem a diversidade do País e dos diferentes povos que aí vivem. a Sala de Exposições Temporárias e o Arquivo Histórico. indissociável que. O Museu constitui. a Sala de Exposições Permanentes. Este conjunto de monumentos e edifícios. na cidade de Lisboa e oferecemos um conjunto de quatro monumentos que constituem o Museu da Água.

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não é possível atingir uma compreensão global do seu desenvolvimento. pelo Massachussets Institut of Technology – MIT. adução e distribuição. novas condições de vida e novos desenvolvimentos não pré-determinados. tratar e distribuir este elemento básico e indispensável à vida. que seria talvez a maior da Península. construíram os Romanos uma barragem de contrafortes no século II ou III da era de Cristo.000 m³. o homem desenvolve a tecnologia em busca de soluções para melhorar o seu bem-estar. É a complexificação das formas de agrupamento dos homens que gera a consequente complexificação das técnicas empregues para a utilização do elemento água. ou é ela que determina o sentido da sua evolução? Poder-se-á dizer que. A ocidente. desde o conhecimento científico e tecnológico. inviabiliza a sua utilização como fonte de abastecimento de água em virtude de as águas do rio se misturarem com as do mar. procuraremos. Os primeiros mananciais a serem utilizados foram os da zona ribeirinha. provavelmente às portas de Santo André. Contudo. distantes da cidade. em 1994. desde as origens até aos nossos dias. no homem. Trata-se de um porto natural. conhecimento não apenas relativo à água. A esta barragem. ao longo dos tempos. sobretudo se tivermos em atenção que o seu desenvolvimento sob a forma de utilização de técnicas mais complexas não pode ser desligado do fenómeno urbano. cuja utilização virá a ser equacionada no século XX. sem a análise do fenómeno político. um aqueduto que transportava a água para a cidade. toda a bacia hidrográfica que. pois. no estuário. junto à foz do Tejo. Por um lado. também a ribeira de Alcântara não possibilitava a utilização das suas águas para consumo. temos que ter em consideração. e dado que os primeiros habitantes do sítio de Lisboa se terão fixado. por outro.2 Das origens ao aqueduto romano de Olisipo Ao analisarmos o caso de Lisboa. à condução da água graviticamente até à cidade. na colina do castelo. A indústria da água é. cuja evolução abordaremos. ideológico. as águas abundantes das nascentes ribeirinhas eram suficientes para as suas necessidades. mas também aos materiais utilizados nas condutas. sem utilização de meios mecânicos. nascentes estas perenes. às suas características e qualidade. até mesmo. que secavam na estiagem. à geologia das suas origens. agora com complexos sistemas de tratamento. entre margens alcantiladas. dado que. chegando à colina do castelo. no vale de Carenque. onde encontramos a bacia do Trancão. mais tarde. alternadamente. apesar de outros existirem em zonas circundantes. para o caso de Lisboa. corta o andar de Belas. Os Romanos. todos têm razão. às possíveis formas para a sua condução. e de onde seria de esperar a obtenção de águas susceptíveis de serem utilizadas. Efectivamente. Porém. Sendo muito embora o sítio de Lisboa banhado pelas águas do rio. debitavam água para as ribeiras. Aí. a partir desta. ainda que de forma sucinta. onde diversos autores debatem a dialéctica entre o construtivismo e o determinismo tecnológico. aos equipamentos concebidos para a sua elevação. constituía o palco ideal para o aproveitamento das águas. sociológico. uma rota natural de migrações. primeiro a vapor e. ou. A tecnologia surge como resposta às necessidades do homem. quando dominaram a Península Ibérica. Assim. à sua captação em rios e em barragens. convergem uma diversidade de factores. e a outros diferentes ramos do conhecimento. a própria tecnologia gera. de camadas calcárias. a sua situação. onde as diversas ciências têm lugar. e foram procurá-la em zonas mais distantes. o que foi o abastecimento de água a Lisboa desde as suas origens nos abastecimentos locais.1 Introdução Does Technology drive History? Esta é a pergunta formulada por Merrit Roe Smith num conjunto de trabalhos publicado. e. à captação de águas em poços profundos. não se deram por satisfeitos com estas águas. os defensores de ambas as teses. um campo de estudo pluridisciplinar. constitui um laboratório excelente para este debate. à utilização de máquinas. incluindo as ciências sociais. e com uma elevada produção susceptível de proporcionar um abastecimento a um número cada vez maior de consumidores. a barragem de Olisipo. 11 . É este o caminho que iremos percorrer a seguir. De norte para leste. cujas ruínas ainda hoje são visíveis. neste capítulo. abordar. portanto. às técnicas administrativas e financeiras que possibilitam o desenvolvimento desta actividade. logo à partida. foi atribuída uma capacidade da ordem dos 125. a região de Lisboa é cortada por um conjunto de vales que a envolvem. onde um grande número de nascentes provenientes. aduzir.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1. eléctricas. Nesta indústria. e. A indústria da água. para o seu armazenamento e para a sua distribuição. até por razões de estratégia defensiva. só disponíveis nos tempos modernos. procurar ver de que outros recursos dispunham as populações que aí se fixaram. um local privilegiado para o cruzamento de povos e culturas diversos. a vasta depressão que se estende desde Odivelas a Sacavém. na base da colina do castelo. Há que. continuando na direcção da serra de Sintra. para captar. não oferecia condições de captação nessa época face à ausência de tecnologias adequadas. o enquadramento geográfico do sítio. num conceito lato que possa abranger todas as formas desenvolvidas pelo homem. já que as cotas a que estas ribeiras correm permitia a construção de sistemas de abastecimento que conduzissem daqui a água para Lisboa. e de camadas de grés e arenitos. 1.

estas só mais tarde analisadas. 1. ou dos Cavalos. estando. que irão surgir.mas pelo testemunho que dele dão vários autores a partir do século XVI. Dinis. mais a ocidente. e. Já os Árabes. Clara. Além da sua temperatura elevada. cedo arrastou consigo a falta de água. aos diferentes hábitos de consumo dos invasores.para a recolha das águas. e em Roma o abastecimento era feito por um conjunto de aquedutos ainda em funcionamento nos tempos modernos. no concelho da Amadora . da ordem dos 22 a 24°. porque distantes da cidade. nos mananciais das camadas profundas do Terciário da colina do castelo. aliás. eram um povo de avançada civilização. O chafariz mais antigo da cidade.Chafariz d'El Rei 1. 2 . apenas se conhecem pequenos vestígios de aqueduto no sítio do Almarjão. como as que.. designadamente pelo efeito da expansão marítima. É no sítio das nascentes da zona ribeirinha. por um lado. menos abundantes. publicada em 1726. também as necessidades de água diminuíram face. o aqueduto romano da Água da Prata. aqueduto cujo regimento servirá de modelo para o que se virá a construir em Lisboa no século XVIII. apareciam no Arsenal da Marinha. São bem conhecidas as suas termas. por outro. ao decréscimo da população. Em Portugal há que referir. em oposição às águas do futuro sistema das Águas Livres. . deve o seu nome às grandes obras que aí se realizaram no reinado de D. construído por Quinto Sertório em 75 a. esta já mais a leste do bairro. e reedificado pelo rei D. aí terão construído dispositivos .C. devido a tal facto. em Évora. o Chafariz da Praia.3 Os antigos chafarizes de Lisboa Destruídas que foram muitas das obras dos Romanos pelos povos bárbaros. ou que vieram a abastecer o chafariz do Rossio. Também os estabelecimentos termais merecem referência. virá a propor a sua reconstrução. caso das águas dos basaltos. Os Romanos. ou os banhos do Batista ou os da D. entre as quais o aqueduto que abastecia Lisboa. certamente satisfeitos com os recursos locais. Fig. pelas suas características físico-químicas eram estas águas reputadas como possuindo propriedades terapêuticas para a cura de diversas doenças. 1 . quer nas nascentes de Monsanto. em 1572. desconhecendo-se a data concreta da sua construção. muito superior à temperatura das águas existentes nas nascentes do termo de Lisboa.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa De facto. chafarizes destinados ao abastecimento das populações.para além do que resta da barragem. ou das outras águas então conhecidas e que cedo vieram a ser exploradas. mas também aqui em Lisboa e em muitas outras cidades do Império. incluídas no Aquilégio Medicinal. o tanque das lavadeiras de Alfama ou a Bica do Sapato. as diversas nascentes da zona oriental. como o humanista português Francisco de Olanda que. o Chafariz dos Paus. como o Chafariz de Dentro.4 Propostas para a reconstrução do aqueduto romano O aumento da população da cidade. João III em 1531. durante a sua ocupação. apresentam uma temperatura elevada. como as Alcaçarias do Duque. e que proporcionariam uma capitação largamente superior a 500 litros/dia/habitante. não apenas em Roma. que serão designadas por águas altas. invasores do Império. obra da autoria de Francisco da Fonseca Henriques. Posteriormente outros foram edificados na mesma zona. o Chafariz d'El-Rei. em particular. designadas normalmente por águas orientais. com uma grande tradição de utilização da água. Fig. ao longo dos séculos.a palavra chafariz tem mesmo origem árabe . e o próprio nome de Alfama dado ao local é reminiscência das nascentes de água termais que aí se encontram. 12 .Ruínas da barragem romana de Olisipo A evidência do aqueduto romano chega-nos não pelos seus vestígios materiais.

na esperança de vir a assumir a direcção das obras. O projecto acabou por não se concretizar devido à restauração da independência de Portugal em 1640 e ao longo período de guerra com a Espanha. os quais. és por el aqueducto antigo de los Romanos. Manuel da Maia contrapõe que os canos de repucho não suportariam a pressão da água. tendo o Senado de Lisboa arrecadado mais de seiscentos mil cruzados. suficientes para a concretização do projecto. 1. que era mesmo a mais abundante. E tudo apontava para a reconstrução do aqueduto romano. Manuel da Maia abandona as várias frentes de trabalho abertas por Canevari. já que Leonardo Torreano. Era o coroar de toda uma política de grandeza e protecção às artes. projecto que D. Havia que chegar rapidamente com água a Lisboa. na sua obra Da fábrica que falece à cidade de Lisboa. das críticas que lhe são feitas pelo português Manuel da Maia numa série de considerandos técnicos dirigidos ao Rei. na zona da barragem romana. arquitecto que acompanhou o rei e que com ele. em canalizações fechadas. de assumir a condução dos trabalhos. a obra mal feita. a San Roche. na zona da actual Estrela. quando da sua entrada em Lisboa. e que denotavam a consciência clara da necessidade de aproveitar a água de diversas nascentes. cada uma com o seu bispo e os seus órgãos 1 Veloso de Andrade. pois após a estadia do rei na cidade. Contudo. a obra ia realizar-se. na época designados por "canos de repucho". que "el quarto y ultimo camino. imposto pago nos géneros de primeira necessidade. 13 . sinal de que havia uma intenção clara de se solucionar o problema da falta de água. como dio antigamente. ficando. dando assim prioridade à obra pública. No entanto. e muda-se para uma outra nascente. Os incêndios que a seguir ao Terramoto de 1755 destruíram o Paço da Ribeira não nos permitem conhecer o projecto inicial. Manuel da Maia e Canevari divergiam também na forma de medição da produção das nascentes. onde se situava o Paço da Ribeira. por conseguinte. aqueduto que. enterradas. conhecimento patente no Roteiro das águas de Montemor e Caneças. propõe a reconstrução da barragem romana de Olisipo e do seu aqueduto. João V dividiu a cidade de Lisboa em duas cidades independentes. publicada em 1572 e dirigida ao rei D. no dia em que visitaram Sintra. refere. Face a todos estes ataques. Lisboa Oriental e Lisboa Ocidental. em 12 de Maio de 1731. Para custear a obra foi lançado mais tarde o real d'água. o Alvará onde mandava dar início à obra do aqueduto. João V encomenda ao arquitecto italiano Filipe Juvarra. muito embora se tivesse aprofundado o conhecimento relativo às nascentes que alimentavam a bacia hidrográfica dos vales de Carenque e da Quintã. João V se veio a resolver o problema da falta de água em Lisboa com a construção do Aqueduto das Águas Livres. durante o qual não havia condições para se desviar recursos financeiros para uma obra desta envergadura. há muita correspondência trocada entre Madrid e Lisboa. rebentando e deixando a cidade sem água. esta cidade nova continuaria a depender da cidade antiga e dos seus chafarizes no que respeita ao abastecimento de água. A cidade ocidental. Sebastião.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa À semelhança daquilo que se fazia um pouco por todo o lado onde a influência dos Romanos se fizera sentir. em tudo semelhantes aos actuais sifões. Cláudio Gorgel do Amaral. no dia 29 de Junho de 1619. de governação. sobretudo de Itália. já constatados como insuficientes para as necessidades. projectos no papel. a da Água Livre. do arquitecto Tinoco. porém. e acusa mesmo Canevari de não estar a medir correctamente os nivelamentos dos terrenos. em Agosto de 1732. Do século XVII somente tinham ficado intenções. Memória sobre Chafarizes Fontes e Bicas. e por todo um saber trazido de outros países. terá seguido de perto o traçado do antigo aqueduto romano. p. examinou a barragem romana e as nascentes vizinhas. pequenas obras pontuais que não solucionavam as dificuldades da cidade. ficariam entupidos pelos sedimentos arrastados por esta. em prejuízo do projecto do novo palácio real. pues abra quantidad bastante pera ella"1. numa direcção conjunta com o arquitecto Silva Pais e o engenheiro Azevedo Fortes. Assim. posteriormente os caudais do Aqueduto seriam aumentados com a água de outras nascentes. possibilitada pela afluência do ouro do Brasil à metrópole. o rei veio a publicar. e por insistência do Procurador da cidade ocidental. dirigido pelo arquitecto italiano António Canevari. Em 15 de Janeiro de 1717 D. Canevari regressa a Itália e Manuel da Maia é encarregado. No entanto. que era Filipe II em Portugal. transmitido por um grande número de arquitectos que em Mafra desenvolveram as suas escolas.5 O Aqueduto das Águas Livres Apenas no reinado de D. de alguma forma. 273. y sobre la puerta de Santo Andres. já que os mananciais disponíveis eram os da zona oriental. aplicando o princípio dos vasos comunicantes. podemos concluir com bastante segurança que Canevari pretenderia conduzir as águas até Lisboa sob pressão. e aí. encontrando o italiano valores inferiores aos do português. viria a ser construído um novo palácio real e uma nova basílica patriarcal. vieram a ser gastos nas festas que a cidade organizou em honra do rei Filipe III de Espanha. uma nova Roma cheia de palácios e monumentos. entre os vários caminhos possíveis para a condução da água livre a Lisboa. el qual por ir mas alto dies palmos que el de la estrada puede dar Agoa a ambas partes de la Ciudad. seria a cidade do poder. também Francisco de Olanda.

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sozinho na direcção face à partida para o Brasil de Silva Pais, e à frequente ausência de Azevedo Fortes, engenheiro-mor do reino. Por outro havia divergências de opiniões acerca do local para a travessia do Vale de Alcântara. Manuel da Maia, certamente, construiria um aqueduto menos monumental, atravessando o vale numa zona menos profunda, provavelmente por Palhavã, para atingir S. Pedro de Alcântara, às portas do Bairro Alto, onde entretanto haviam começado as obras para a construção do reservatório de chegada das águas. Em cena estava um outro arquitecto, Custódio Vieira, que já vinha acompanhando os trabalhos desde o início, pois participara em reuniões e medições diversas, e que tinha uma solução diferente, a construção de uma série monumental de arcos a atravessar o vale na sua parte mais profunda. Era um projecto mais arrojado, mais ao gosto do rei, e que apontava para uma zona mais alta, para onde a cidade estava a crescer.

Fig. 3 - Mãe d'Água Velha - Nascente da Água Livre. Local onde Manuel da Maia iniciou os seus trabalhos.

Muito embora Manuel da Maia conhecesse o princípio dos vasos comunicantes, vai construir um aqueduto através do qual a água vai chegar a Lisboa apenas movida pela gravidade, deslizando em caleiras de pedra abertas. Maia opta pela construção de duas caleiras, separadas por um passeio central, pois que, para uma boa manutenção do Aqueduto, tornar-se-ia necessário limpar frequentemente as caleiras, e assim, com duas, a condução da água não seria interrompida.

Fig. 5 - Arcaria do Vale de Alcântara

Fig. 4 - Caleiras separadas pelo passeio central

Relativamente aos materiais a utilizar nas canalizações, rejeita o chumbo, que dava más características à água, tal como rejeita o ferro, que, na época, ainda não apresentava uma qualidade suficiente para esta finalidade, e todos os outros materiais à excepção da pedra calcária, abundante em toda a região onde se vai desenvolver a construção do Aqueduto. Em 1736 já se trabalhava no Aqueduto em Monsanto, no sítio das Três Cruzes, caindo então a obra num impasse. Por um lado, Manuel da Maia encontrava-se praticamente

A transferência da direcção das obras para este novo arquitecto é determinante para a evolução da cidade. Abandona-se a obra de S. Pedro de Alcântara e escolhe-se a confluência do Rato, próximo da qual novos pólos urbanos se vinham desenvolvendo junto aos conventos, para a nova localização do reservatório. Aliás, podemos constatar hoje, pelos desenvolvimentos ulteriores do sistema, das vantagens desta nova localização do reservatório e desta nova inflexão do Aqueduto, que possibilitou a extensão dos seus ramais de distribuição para a Boa Morte, em Alcântara, zona próxima da qual surgirá o palácio das Necessidades, e para o Campo de Santana e Intendente, quase a tocar a colina do Castelo, onde outrora o aqueduto romano terá chegado. Vieira não chega a ver a água entrar em Lisboa, ela só chegará em 3 de Outubro de 1744, já após a sua morte, estando a obra a ser dirigida interinamente pelo capitão Rodrigues Franco. A entrada de Carlos Mardel na direcção das obras do Aqueduto terá lugar logo de seguida, devendo-se a este

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arquitecto, de origem húngara, o desenvolvimento da distribuição da água na cidade, a partir do reservatório da Mãe d'Água das Amoreiras, cujo projecto se lhe deve, bem como o de diversos chafarizes e dos arcos monumentais da Rua das Amoreiras, que celebra a obra, e da Rua de S. Bento, este desmontado para alargamento da entrada na praça fronteira ao palácio, e mais tarde reconstruído na Praça de Espanha.

faziam a manutenção do sistema e geriam os caudais do Aqueduto, e um exército de cerca de 3000 aguadeiros que, organizados em companhias, vendiam água ao domicílio e igualmente combatiam os incêndios que devastavam a cidade. A gestão dos caudais no Aqueduto apresenta alguns aspectos que devem aqui merecer a nossa atenção, e à luz dos quais também temos que fazer uma leitura das soluções técnicas e arquitectónicas adoptadas para o efeito. Já foi atrás referida a diversidade das águas no que respeita às suas características físico-químicas. Umas, fortemente calcárias, como as da nascente da Água Livre, na Mãe d'Água Velha, provocavam, pela precipitação do calcário, incrustações que era necessário remover periodicamente, raspando as caleiras. De outras nascentes, situadas em camadas de grés e arenitos, a água arrastava sedimentos que a turvavam. Aqui era necessário proceder à sua decantação, pelo que, em diversas clarabóias, encontramos bacias redondas onde a água perde velocidade, depositando-se os sedimentos no fundo. Também junto de cada janela, agora mais rasgadas face a uma maior necessidade de laboração, bacias rectangulares desempenhavam idênticas funções, bem como as de quebrar a velocidade da água.

Fig. 6 - Reservatório da Mãe d´Água das Amoreiras

O sistema do Aqueduto das Águas Livres, onde, num aqueduto com cerca de 14 quilómetros de extensão, entroncam aquedutos que reúnem águas de sessenta nascentes, num total de aproximadamente 58 quilómetros de aquedutos, incluindo os de distribuição na cidade, foi dado por concluído em 1799, quando foi dissolvida a última sociedade de mestres pedreiros, empreiteiros da obra. Dada a tecnologia utilizada de condução da água em caleira aberta, o Aqueduto condicionou a forma de abastecimento a uma rede de chafarizes que se foram construindo até quase meados do século XIX, rede esta que, por sua vez, condiciona o próprio crescimento da cidade. Lisboa estende-se então, dos Barbadinhos, onde na zona ribeirinha corriam as águas orientais, até Alcântara, onde vemos o chafariz da Praça da Armada, e, para norte, seguindo as encostas do Vale de Alcântara, os chafarizes das Necessidades e do Arco do Carvalhão, este já a chegar ao alto de Campolide, lhe delimitavam o perímetro. Ainda nos limites norte da cidade, mais para leste, encontramos os chafarizes de S. Sebastião da Pedreira, Cruz do Tabuado, Campo de Santana e Intendente. Dentro deste perímetro, os chafarizes que se construíram (Rato, Carmo, Loreto e outros) eram, além de fontes de abastecimento, elementos de ordenamento urbano que tornavam as praças onde eram colocados em pontos de encontro, locais de convívio. Em pleno século XIX, a "indústria da água", aplicando aqui, num período de proto-industrialização, um conceito contemporâneo, empregava uma equipa de 60 homens que

Fig. 7 - Bacia de decantação redonda

Normalmente, nos vértices, as bacias apresentam dimensões superiores, o que permite evitar que a água transborde. Regra geral, no Aqueduto não há galerias em curva, antes uma sucessão de segmentos de recta. Nos poucos locais onde a solução adoptada pelo arquitecto foi a de construir aqueduto em curva, aí o passeio central sobe, afundando, consequentemente, as caleiras. Na cidade iam-se generalizando os abastecimentos privados. De um lado, os proprietários de águas nas zonas atravessadas pelo Aqueduto que, para receberem água no seu palácio ou convento, em Lisboa, construíam, à sua custa,

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aquedutos ligando as suas nascentes a um dos aquedutos do sistema. Depois, em Lisboa, de um aqueduto de distribuição, partia uma canalização, agora fechada, aferida para três quartos de um débito diário calculado como sendo a sua produção, valor obtido a partir da medição da produção das suas nascentes ao longo de vários meses do ano. De outro lado havia os estabelecimentos públicos que passaram a receber directamente água do Aqueduto, bem como outros particulares ou ordens religiosas, beneficiários de concessões de água, quer traduzidas em caudais determinados, quer em sobejos dos chafarizes. Entre estas entidades, são de notar as indústrias que despontavam, como o caso da Real Fábrica das Sedas, cuja localização próxima do Aqueduto é determinante para o desenvolvimento do bairro das Amoreiras. Havia ainda os jardins públicos, agora tornados possíveis, que recebiam água directamente do Aqueduto, como o Passeio Público e o Passeio da Estrela, este com um aqueduto que, saído do Aqueduto das Janelas Verdes, aí conduzia a água, o outro recebendo-a a partir da mesma galeria que abastecia o chafariz da Cotovia. Para a gestão de todo este sistema vemos, nos aquedutos de distribuição, não apenas caleiras abertas, mas também canalizações fechadas, com algumas pedras amovíveis para se poder limpar o seu interior, colocadas frequentemente em paralelo com as caleiras abertas, a fim de, a partir de bacias intermédias, como a pia do Penalva, no cruzamento da Rua Formosa (hoje Rua do Século), ou a pia do Teotónio, próximo do Arco das Amoreiras, a água ser conduzida com pressão, aplicando-se o princípio dos vasos comunicantes, por forma a possibilitar a sua chegada a pontos mais elevados. Exemplos disso são as colunas ascensionais que permitiam a subida da água às bicas dos chafarizes.
Fig. 9 - Chafariz do Carmo

Do grande reservatório da Mãe d'Água das Amoreiras apenas saía água para os chafarizes abastecidos pelo Aqueduto da Esperança e para o chafariz do Rato. Para os chafarizes da linha do Loreto a água descia mais atrás, por um pilar de um dos últimos arcos, seguindo em canalização fechada, sob pressão. Se assim não fosse, e de acordo com Veloso de Andrade, "se deste Depósito corresse para os dez Chafarizes acima mencionados, só a água que ele contém, ficaria despejado em seis dias"2. Para controlar todo este sistema havia que possuir um exacto conhecimento das dotações atribuídas aos diversos consumidores privilegiados, proprietários de água ou não, da água que corria para os chafarizes e da que era produzida pelas nascentes. Em média chegavam a Lisboa 3500 m³ de água por dia, baixando os caudais a cerca de metade desse valor durante a estiagem. Porém, nos meses de abundância, a produção das nascentes era largamente superior à capacidade de vazão do Aqueduto. Assim, tornava-se necessário regular os caudais, devolvendo a água às ribeiras em desaguadouros estrategicamente colocados ao longo dos diversos aquedutos, diminuindo ou eliminando o caudal das caleiras, para que a água de outra nascente pudesse entrar no circuito num entroncamento situado a jusante. Havia também que eliminar, através destes desaguadouros, águas turvas a seguir a fortes chuvadas, ou que se soubesse ou houvesse suspeitas de estarem contaminadas. Daqui resultava a manutenção equilibrada dos cursos de água naturais, naquilo a que hoje se aplica a designação de desenvolvimento sustentável.

Fig. 8 - Coluna ascensional do chafariz do Carmo

2

Veloso de Andrade, o. cit., p. 330.

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1.6 Os projectos de Pezerat face à falta de água no século XIX
A situação em Lisboa, nos meados do século XIX, tornou-se dramática, não atingindo, na estiagem, a água aduzida pelo Aqueduto, em que haviam sido dispendidos, até 1799, mais de cinco mil e duzentos contos de reis, uma capitação superior a 6 ou 7 litros/dia/habitante, para uma população que rondaria os 300.000 habitantes. Em 1852 o Engenheiro Pezerat, da Câmara Municipal de Lisboa, apresentou diversos planos no sentido de se aumentar os volumes de águas disponíveis. No que se refere às águas orientais, poder-se-ia evitar a sua perda para o Tejo represando-as na zona ribeirinha e elevando-as aí, com máquinas a vapor, para um reservatório a edificar em Santa Luzia. Pezerat estima em 790 m³ diários a quantidade de água que assim se poderia aproveitar, prevendo, para esta obra, um custo de 111:573$000 reis. Relativamente às águas altas, projecta a construção de uma grande reserva de água no vale da Quintã, com uma capacidade prevista de 1 300 000 m³, destinada a armazenar, no Inverno, água que poderia ser utilizada na estiagem, reduzindo desta forma a sua carência na cidade. Desta albufeira, onde os lodos se depositariam, a água passaria por um sistema de filtros de areia para outra, construída mais abaixo, no vale de Carenque, próximo da Mãe d'Água Velha. Esta água, purificada, e por um processo de sifonagem, entraria no Aqueduto, chegando desta forma à cidade. Para este sistema de barragens prevê Pezerat um orçamento de 88:689$940 reis.

1.7 A 1ª. Companhia das Águas (1856) e o começo do abastecimento domiciliário
Em 20 de Julho de 1855 foi o Governo autorizado a contratar em concurso público o fornecimento das águas precisas para o abastecimento de Lisboa, na sequência de idênticas diligências que tiveram lugar anteriormente, mas que não haviam conduzido a nenhuma solução. Em 1855, e antes do referido concurso, uma empresa constituída pelos ingleses Duarte Meddlicot e Thomas Rumball efectua um contrato provisório com o Governo, contrato este que não podia, no entanto, ser ratificado sem o respectivo concurso público. Quem veio a ganhar efectivamente o concurso foi a outra empresa concorrente, que tinha como directores Alberto Carlos Cerqueira de Faria, Filipe Folque e Bento Coelho da Fonseca, estabelecendo-se em 1856 e firmando o contrato com o Governo em 29 de Setembro de 1858, tomando-se como base para as condições do contrato a população da cidade em 220.000 habitantes. Nascia, assim, a Companhia da Empresa das Águas de Lisboa (1ª. Companhia). A Companhia vai recorrer aos serviços do engenheiro francês Mary, de Paris, que organiza diversos planos no sentido de aumentar a capacidade de produção do sistema do Aqueduto e desenvolve projectos para o início do abastecimento domiciliário na cidade. Contudo, e apesar de a utilização de máquinas a vapor já ser corrente um pouco por toda a Europa, utilizando-se já as "pompes à feu" em Paris no século XVII para elevação da água, Mary não vai utilizar máquinas em Lisboa, vai antes aplicar unicamente o princípio dos vasos comunicantes, agora, porém, com a utilização de sifões de ferro fundido. No que diz respeito à captação de águas, Mary vai construir um novo aqueduto subsidiário do Aqueduto das Águas Livres, o Aqueduto da Mata, que traz ao principal as águas de Belas, do Brouco, Vale de Lobos e Vale de Figueira. Por outro lado, são nessa época continuados os trabalhos no Aqueduto das Francesas, para se trazerem a Lisboa as águas da Serra de Carnaxide. Nesta matéria a Companhia despreza a opinião do geólogo General Carlos Ribeiro, favorável à captação de água no Tejo, a montante de Santarém. Relativamente à distribuição, Mary divide a cidade em três zonas altimétricas, baixa, média e alta, e estabelece uma rede de reservatórios para regularizar a distribuição de forma a ter pressões constantes e suportáveis pelas canalizações. Assim, na parte ocidental da cidade, para a zona alta, no alto de Campolide, constrói o reservatório do Pombal, a zona média virá a ser abastecida pelo reservatório do Arco, situado um pouco acima do Arco das Amoreiras, e para a zona baixa será construído o reservatório da Patriarcal, no subsolo da Praça do Príncipe Real. A parte oriental da cidade será abastecida por duas cisternas, uma na igreja da Penha de França e outra na Graça, na cerca de S. Vicente.

Fig. 10 - Projecto de Pezerat para as reservas de águas nos vales da Quintã e Carenque

Os projectos de Pezerat acabaram por não ser concretizados dados os perigos que as reservas projectadas, a céu aberto, poderiam representar para a saúde pública. Por outro lado, em breve outras soluções iriam aparecer, com a constituição da 1ª. Companhia das Águas de Lisboa.

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era necessário dar elevação à água por meio de máquinas. e a 2ª. o contrato entre o Governo e a nova companhia.Interior do reservatório da Patriarcal. O projecto inicialmente delineado previa a condução das águas desde os Olhos de Água até um reservatório a construir numa zona alta fora da cidade. Um século mais tarde. 11 . Para abastecimento da zona alta. À semelhança do que se praticava em Paris. Do Pombal saía água para a cisterna da Penha de França através de um sifão colocado no Aqueduto do Campo de Santana. Porém foi a opção do Governo face à apreciação feita das águas do Tejo. Tal opinião veio a acelerar a rescisão unilateral do contrato por parte do Governo. Companhia das Águas e o Alviela No interregno entre a 1ª. que o delimita a sul. a gravidade para as fazer chegar a todos os pontos da cidade. Tal. poderia ser filtrada pelas camadas naturais do leito do rio e poderia. Após várias diligências e negociações. já que o contrato estipulava que todas as novas águas a serem aproveitadas não deveriam ser de qualidade inferior às do Aqueduto das Águas Livres. Carlos Zeferino Pinto Coelho. Entretanto. dado o "salto epistemológico" para um novo paradigma tecnológico. a Companhia avançava com a hipótese de captar água no Tejo. no Ministério das Obras Públicas. Companhia. Mary projectou um sifão instalado dentro do Aqueduto das Águas Livres que. O desenvolvimento científico e tecnológico não havia ainda atingido um estádio que permitisse fundamentar e levar à prática as opiniões de Carlos Ribeiro. O General Carlos Ribeiro não fora favorável à opção pelo Alviela. a quantidade de água a que se obrigara pelo contrato. a partir daí. porém. e da Penha de França descia à Graça. Já no final da sua curta existência.. como a das nascentes da serra de Sintra. não terem viabilidade. hipótese que. que. resolver por largos anos o problema da sua falta na cidade. Para Carlos Ribeiro. mas que prolonga os seus efeito em momenta subsequentes. O reservatório da Patriarcal era alimentado por um sifão colocado no Aqueduto do Loreto. a solução a adoptar seria semelhante àquela que outras grandes cidades haviam adoptado. e pela mão do Engenheiro Joaquim Nunes de Aguiar. e perante as dificuldades da Câmara em satisfazer as necessidades da cidade. continua a ser o do Aqueduto. Companhia não conseguiu vencer as dificuldades que se lhe depararam. conseguia trazer água sob pressão ao reservatório do Pombal. de que Pinto Coelho será o Director. por Decreto de 23 de Junho de 1864. captada acima de Santarém. num outro estádio de desenvolvimento científico e tecnológico. Na zona média. e dar suporte à derradeira alternativa que a Companhia afinal possuía.8 A 2ª. e solicitando novo prorrogamento de prazo ao Governo. não se tendo. aliás. portanto.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa O Governo. 1. dentro das galerias dos aquedutos do sistema das Águas Livres. e estando esta acima da entrada das águas do Aqueduto. Fig. Companhia das Águas o Governo. Toda a acção da Companhia insere-se no mesmo paradigma anterior. esgotou o seu capital nas obras. havendo que construir uma estação elevatória na zona das nascentes. O momentum tecnológico. irá desenvolver o projecto do Alviela. e dado outras possíveis opções. funcionando. a Companhia pensava estabelecer uma rede de distribuição de água de qualidade superior para consumo humano. A captação de água na quantidade necessária para o abastecimento de Lisboa acarretaria graves prejuízos para a agricultura daquela região. e outra de qualidade inferior para regas e lavagens. nos prazos estipulados. contudo. porém. através de uma galeria. pôs fim à Companhia. que não chega a estudar exaustivamente a questão mas que entende que a água. e não conseguiu fornecer à cidade. políticos. vendo-se ao fundo a galeria que o liga ao Aqueduto do Loreto Estes reservatórios recebiam água do Aqueduto. etc. introduzindo processos de depuração das águas que a tecnologia já possibilitava. o Tejo virá a ser a grande solução para o problema da falta de água em Lisboa. nunca entre nós veio a ser posto em prática. económicos. homem que pertencera à 1ª. apesar da adopção do princípio dos vasos comunicantes e do início do abastecimento domiciliário. utilizando aqui o conceito desenvolvido por Thommas Hugges e que consiste na definição de cada tempo e cada sistema tecnológico como uma matriz cujos elementos componentes são o conhecimento científico e as técnicas. colocados. defende junto do Governo a solução da constituição de uma nova companhia. era proposta pelo General Carlos Ribeiro e que a Companhia rejeitara. matriz essa que tem raízes no momentum precedente. Uma das propostas da Companhia incluídas no seu contrato era a da dupla canalização. procedimentos administrativos. provavelmente no Arco do Cego. não reconheceu às águas do Tejo qualidade suficiente para serem introduzidas no abastecimento. estando todo o sistema interligado por meio de sifões. A 1ª. de recorrer aos rios que as banhavam. foi 18 . Para isto. coadjuvado pelo Engenheiro Joaquim Pires de Sousa Gomes. de cota suficientemente elevada na Porcalhota. advogado e deputado conservador. mas também os aspectos sociais. o reservatório do Arco recebia directamente a água do Aqueduto. sempre que possível.

as águas orientais que se perdiam para o Tejo. as vantagens deste novo projecto eram evidentes. haver já um comércio internacional de produtos industriais desenvolvido. as canalizações nas habitações. mas sobretudo face às eventuais avarias e consequentes necessidades de reparação das mesmas. mas em que à Companhia. computando-se. uma expansão significativa do abastecimento domiciliário. essa expansão será inferior ao pretendido enquanto a Companhia não dispuser de um instrumento importante. na Normandia. O local escolhido para o reservatório de chegada e para a estação elevatória foi a cerca do convento dos Barbadinhos italianos. vindo a Companhia a ser declarada oficialmente constituída por Decreto de 2 de Abril de 1868. correspondendo cada uma a uma superfície de aquecimento de 60 m². na periferia da cidade.Máquina a vapor da Estação Elevatória da Praia Para esta estação a Companhia irá adquirir à casa Windsor & Fils. A primeira iniciativa da Companhia. arrastando-se. A introdução da máquina a vapor no abastecimento de água em Lisboa representava um passo importante na evolução desta indústria. na zona ribeirinha oriental. Na análise desta fase de industrialização do abastecimento de água. 1.Companhia das Águas de Lisboa. logo em 1868. Fig. Quanto ao Alviela.Entrada das águas no canal Alviela no recinto dos Olhos d'Água Embora o canal fosse mais extenso. questões de natureza política que dificilmente foram ultrapassadas. no início da exploração. para elevar para a Verónica. não podemos deixar de ter em consideração o facto de. Aliás. havendo. a população a abastecer em cerca de 200. 13 . denominada CAL . foi a da construção de um reservatório e de uma estação elevatória no sítio do antigo chafariz da Praia. o que diminuía os custos do projecto. agora. era a concretização do projecto do Alviela. Cada uma destas máquinas tinha uma capacidade de elevação de 1. ditas do sistema Woolf. Fig. de imediato. ideia já anteriormente defendida por Pezerat. na Graça. duas máquinas verticais de efeito duplo com dois cilindros. só em 1852 havia sido posto em vigor. a construir. fornecendo à cidade um volume de água correspondente a uma capitação de 100 litros/dia/habitante. As máquinas eram alimentadas por três caldeiras de sistema vulgar. e vai possibilitar. em Portugal. incluindo a perda de carga. Cada máquina podia produzir uma força de cerca de 23 cavalos-vapor de água elevada. contemplado no contrato.o regulamento dos encanamentos particulares . o que era algo de bastante complicado para a época. inclusive. a sua extensão às outras medidas. no fim. a Companhia alterou o projecto inicial. num aqueduto até Lisboa. Porém.000 habitantes. que leve os particulares a contratar o fornecimento de água . a Companhia decidiu trazer as águas livremente. o sistema decimal para as medidas lineares. não só no que se referia à deslocação das peças das máquinas. De imediato os engenheiros Aguiar e Sousa Gomes ingressaram nos quadros da Companhia.obrigando os proprietários dos prédios acima de um determinado nível de rendimento. O rigor e a universalidade necessários à industrialização demoraram bastante tempo a alcançar. engenheiros mecânicos estabelecidos em Ruão. e havermos entrado no caminho da normalização das peças e acessórios utilizados no abastecimento.9 kg de carvão por hora e por força de cavalo-vapor. ou seja 30 cavalos-vapor sobre a árvore do volante. acabou por 19 . A construção do sistema não se deu sem sobressaltos. à sua custa. por alguns anos. de expansão variável e de condensação. e aqui construir a estação que as elevava para as diferentes zonas a abastecer. Assim. trazendo consigo os projectos já iniciados. O objectivo principal da constituição da Companhia.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa celebrado em 27 de Abril de 1867. 12 . Havia que construir uma estação elevatória a cerca de 100 km de Lisboa. de 75 quilogrâmetros. no máximo. menor necessidade de construção de obras de arte. já que era necessário dar uma elevação de 54 m acima das nascentes para que a água conseguisse atingir a cidade no ponto pretendido. e consumiam.900 m³ diários de água a uma altitude de 73 m acima do nível do poço de alimentação das bombas. pela gravidade.

através do sifão construído pela 1ª. do sistema Woolf. na Graça. aproximadamente 83 litros de água por segundo cada máquina. por exemplo. de balanceiro.000 m³ em 24 h. Tratava-se da aprovação do regulamento das canalizações particulares. e o outro de simples expansão. Cada uma das três máquinas deveria corresponder a uma força efectiva sobre a árvore do volante de 120 cavalos-vapor de 75 quilogrâmetros. sistema Worthington.Fachada da Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos As máquinas. que abastecia a zona baixa. para além das águas altas e das águas orientais. mais tarde. correspondendo. incluindo a perda de carga. e uma menor superfície de aquecimento. 14 . pelo menos. colocadas simetricamente em relação ao eixo do balanceiro. a uma superfície de aquecimento de 90 m². 45% de carvão graúdo3. Um carvão mais miúdo teria. Para a alimentação das máquinas foram adquiridas cinco caldeiras a vapor. passando a data do fim da concessão para 30 de Outubro de 1974. ou seja. tendo que enfrentar processos em tribunal. A primeira máquina destinava-se a elevar um volume de água de 10. acabou por parar as obras do Alviela em 1873. a ser prorrogado o prazo de concessão pelo tempo de paragem das obras. acabando por ficarem sem efeito as sanções aplicadas à Companhia. na zona média. que viria ser colocada em 1889. No que se refere à elevação da água. para o reservatório da Verónica. com dois cilindros. Fig. de boa qualidade. Companhia. quando veio a ter garantias de publicação do regulamento. de Ruão. Ao fim de dois anos de batalhas judiciais.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa ser dada plena razão. certamente uma combustão mais rápida. havia diversos tipos de carvão de acordo com o tamanho. também do Pombal atingia a Penha de França. Dado que a água do Alviela agora chegava ao Arco e ao Pombal. em contexto semelhante. elevando 5.000 m³. com. aproximadamente 139 litros de água por segundo. para a cisterna do Monte. 20 .000 m³ diários de água.000 m³ em 24h a uma altura de 47 m. foram adquiridas à casa Windsor & Fils. no Porto alguns anos mais tarde. Tratavam-se de máquinas verticais. vindo o sistema do Alviela a ser inaugurado em 3 de Outubro de 1880. elevando 10. 3 No comércio. e de expansão variável. retomou as obras. A quarta máquina veio a ser colocada na sequência de um novo contrato celebrado em 29 de Outubro de 1888.Máquina a vapor da Estação dos Barbadinhos Cada máquina accionava. e havia que dispor de um instrumento legal que permitisse dar expansão ao desenvolvimento das infra-estruturas do abastecimento. A estação elevatória foi inaugurada com três máquinas apenas. e vindo. Os construtores garantiam que o consumo de combustível não ultrapassaria 1. misturando-se com as águas altas do Aqueduto das Águas Livres. Estas máquinas eram alimentadas com o vapor produzido por duas caldeiras aqui-tubulares do tipo De Nayer. à semelhança do que iria acontecer. O carvão a utilizar deveria ser carvão inglês. pois tal imposição representava um atentado contra as liberdades constitucionais. Aqui. a Companhia. incluindo a perda de carga. directamente através do balanceiro. para que ela chegasse à zona alta tornou-se necessário construir uma estação elevatória junto do reservatório do Arco. cada um.200 kg de carvão por hora e por cavalo-vapor de 75 quilogrâmetros. de efeito duplo. em Lisboa. com geradores de vapor cilíndricos. ou seja. A oposição da sociedade fez-se sentir contra um regulamento deste tipo. Fig. Lisboa dispunha agora. 15 . de onde a água ia por sifão ao reservatório do Arco. para conseguir a aprovação do regulamento. e sem o qual a Companhia não conseguiria garantir a sua sobrevivência económica. A segunda e terceira máquinas deveriam elevar em conjunto um volume de 12. duas bombas verticais. ficando o espaço para uma quarta máquina. a uma altura de 77 m. com dois grupos elevatórios. um de tríplice expansão. de um volume de 30. dado que a Companhia havia já procedido às obras estipuladas no contrato de 1868. à semelhança do que acontecera na estação da Praia. instrumento previsto no contrato.350 m³ por dia a 26 m de altura.

Se antes de 1868 apenas 143 consumidores tinham água canalizada. num movimento de municipalização. com a capacidade prevista para o de Santo Amaro. que vivamente desaconselhou tal hipótese. gás e electricidade. que durou até 1921. O reservatório de Campo de Ourique veio a ficar concluído em 1900. A falta de água era uma realidade que se agravava de ano para ano. com sucessivas quedas do Governo. ideia que era defendida. sendo algumas. vindo o da Ajuda a ser construído em S.167 consumidores. de 4. a instabilidade continuou a fazer-se sentir. pois o caudal do Rio Tejo.500 m³.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa A expansão do abastecimento domiciliário tornou-se uma realidade. no final desse ano o seu número passara a 260. um conjunto de obras que permitissem expandir o abastecimento. no entanto.540. Este Conselho. duplicando a sua capacidade para 12.000 m³. já tínhamos 27.000 m³ diários. ampliação da capacidade de elevação da estação do Arco para 7. na zona de Bucelas. próximo de Sacavém. e da negociação do novo contrato de 1888 constaram a construção do reservatório de Campo de Ourique. trouxe novamente situações de carência. não correspondeu às expectativas. caso da Compagnie Générale des Eaux pour l'Étranger. e. No Congresso Nacional Municipalista. A expansão da cidade não apenas pela anexação dos antigos concelhos. com capacidade de 1. ligação dos reservatórios da Verónica e da Patriarcal por um sifão. Em 1915 foi encomendado ao Professor Choffat um estudo no sentido de se alterar o regime do Alviela nas nascentes. a custo. estando a Companhia obrigada. de estrangeiros. construção de um novo reservatório na Ajuda. com capacidade de 120. a Companhia. se fecha este ciclo na indústria da água4. tinham-se. com a construção da Avenida da Liberdade e das Avenidas Novas. mas também pelo seu crescimento para norte. no sítio da Boa Vista. a abastecer toda a cidade agora aumentada. conseguiu. levantavam-se objecções técnicas ao projecto. Num novo contrato celebrado em 18 de Julho de 1898. no entanto a dívida da Câmara pelo excesso de água consumida para além da dotação gratuita era elevada.000 m³. aliás. com a anexação a Lisboa dos concelhos dos Olivais e de Belém. no Verão. que dava à Companhia a exclusividade do abastecimento de água. fora criado. não se tendo vindo a construir este último. aliás. 1. a cidade ficou com uma população de 311. a cerca de 3 km da confluência do Alviela. os engenheiros João Severo da Cunha e João Augusto Veiga da Cunha elaboram um projecto que visava a captação de água no Tejo. como a do Porto. fiscal do Governo junto da Companhia. portanto. Restava o caso de Lisboa. Guerra Mundial de 1914-18 e a consequente subida dos preços. com a municipalização do abastecimento de água do Porto. o Conselho dos Melhoramentos Sanitários.009. Para além disso. O País atravessava um período de grande instabilidade política e económica. colocação da quarta máquina nos Barbadinhos. sem poderes efectivos de regulação do sector. Dado que. com a 1ª. proposta que foi rejeitada por carência de viabilidade técnica e económica. por outro lado. em 1900. ano em que. junto a Lisboa. o Engenheiro Jesus Palácio Ramillo apresentou à Companhia uma proposta que consistia na construção de uma albufeira no Rio Trancão. Em 1885. e. levar de vencida a contenda. e. em 1875 a 11. assentamento das canalizações necessárias para ligar os novos reservatórios. a construção de mais um compartimento no do Pombal. a Companhia obrigava-se a construir um reservatório em Santo Amaro. já num período em que se começam a sentir grandes dificuldades no abastecimento. para lavagens e para os esgotos da cidade. e no Ministério das Obras Públicas. Com o excesso de água que tinha. três anos após a inauguração do Alviela. pelo contrato. no Regueirão dos Anjos. água essa que seria depurada em filtros rápidos no sítio da Nora Alta. Jerónimo. Porém. A nível nacional. procurando resgatar a concessão.9 O projecto de 1908 para captação de água no Tejo Em 1908. em 1880 a 16. não havia condições para a Companhia avançar com este projecto. reservava para si o direito de elevar água no Tejo. 4 1. Por essa mesma altura. iniciativa que. surgiram diversas empresas privadas de abastecimento de água um pouco por todo o País. Neste contrato. de 1922. defendido teses no sentido da organização de serviços municipalizados de abastecimento de água. teses que vêm a ver a sua concretização em 1927. durante a Ditadura. e em 1883. apenas um órgão consultivo. estudo este que veio a ser realizado pelo Professor Ernest Fleury. a água era fortemente mineralizada. em 1870 a 4. do projecto de Ressano Garcia. desde sociedades anónimas a sociedades em comandita ou em nome individual.10 As municipalizações do abastecimento de água e a sobrevivência da Companhia Após a constituição da Companhia. pelo General Augusto Pinto de Miranda Montenegro. as dificuldades crescentes levam ao fim destas companhias. Era necessário. sem que houvesse lugar para a concretização efectiva de uma obra de grande envergadura que resolvesse definitivamente o problema. dando elevados prejuízos.471 habitantes.000 m³. foi sempre. onde a Câmara desferia fortes ataques à Companhia. baixava para níveis que punham em risco o abastecimento. o Governo. mesmo após a implantação da República.032. a Companhia decidiu proceder à montagem de uma moderna lavandaria industrial. 21 . pela mão do seu Director-Delegado Carlos Pereira. para abastecimento de água.

Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa Entretanto. em 1917. com uma capacidade de elevação de 4. a Companhia lançou mão de novos recursos. movidas por motores Diesel pesados. comissão pertencente ao Ministério das Obras Públicas. pensava a Companhia. o do Arco e o de Campo de Ourique. com a imposição pelo Governo.320 m³ diários a 73 m de altura. valor médio. movidas por motores da também suíça fábrica Oerlikon. Estes trabalhos realizaram-se no decorrer do ano de 1925. podendo elevar um volume de 11. contudo.Sala das Máquinas 22 . com 600 m³ de capacidade. pois na estação do Arco. de 3 de Fevereiro de 1933.000 m³ diários e outro de 9. 17 . de bombas centrífugas e unicelulares.000 m³ diários. e para obviar às carências que se faziam sentir. Em Novembro de 1943 a Comissão passou a designar-se por Comissão de Fiscalização das Águas de Lisboa. através do Ministro das Obras Públicas. foi criada a Comissão de Fiscalização das Obras de Abastecimento de Água à Cidade de Lisboa. não excedia os 2. Com o novo contrato de concessão. bem como a construção de uma estação elevatória equipada com dois grupos. Outros dois grupos. pelo Decreto nº. baixava a níveis bastante reduzidos. que não vieram a ser concretizados.000 m³ cada. Finalmente. duas máquinas da fábrica suíça Sulzer.500 m³ diários. movida por um motor de 95 CV de potência efectiva. para o Pombal. a 82 m. Engenheiro Duarte Pacheco. Fig. deixando de ser aproveitada a partir de Julho de 1938 por impotabilidade da água. 22181. as nascentes das margens da ribeira da Ota. e cujos motores possuíam uma potência de 215 CV cada. Nesta época já as máquinas eléctricas haviam dado entrada na distribuição.000 m³ cada. com a potência efectiva de 90 CV cada. o que.Construção do reservatório da Penha de França 1. A altura da elevação era de 98 m. verdadeira mudança de paradigma tecnológico. na estiagem. Para este novo reservatório a água era elevada a partir dos Barbadinhos. Em 1928 terá lugar a desactivação da estação elevatória a vapor dos Barbadinhos. já que a produção das nascentes. por um dos grupos da zona alta. Para a estação a vapor elaboraram-se mais tarde projectos para a sua adaptação a um conjunto de grupos elevatórios movidos por motores Diesel. 16 . respectivamente. A produção da estação. possuíam uma potência unitária efectiva de 160 CV. de um novo contrato de concessão à Companhia. a 49 m de altura. elevavam para a zona alta. na sequência do qual. Duarte Pacheco vai criar condições de sobrevivência à Companhia. na realidade. para a Verónica. resolvendo o diferendo com a Câmara através de mecanismos financeiros Fig. com uma potência efectiva de 90 CV cada. A nova estação albergava seis grupos elevatórios com bombas da fábrica francesa Rateau accionadas por motores suíços Brown Boveri. não veio a acontecer. elevavam a água para os reservatórios da zona média. elevando para a zona baixa.900 m³ diários cada uma. variando com o movimento das marés. Em 1932 tem lugar a construção do reservatório elevado da Penha de França.11 Duarte Pacheco e o contrato de 31 de Dezembro de 1932 O grande salto em frente. e a sua substituição por uma estação eléctrica. através da Penha de França regularizar também a zona alta ocidental. que fazia a fiscalização técnica e administrativa da CAL.600 m³. com a capacidade de elevação de 12.000 m³ diários. com uma capacidade elevatória de 15. tinham sido colocadas em substituição das anteriores. 260 e 215 CV. vai-se dar a partir de 31 de Dezembro de 1932. Em 1931 foi a vez da substituição das máquinas a vapor da estação elevatória da Praia por uma bomba horizontal GANZ.Estação Elevatória dos Barbadinhos . Dada a sua cota de soleira ser mais elevada que o reservatório do Pombal. que lhe permitiam aumentar o caudal do Alviela em 8. para abastecimento da zona alta oriental. os dois últimos grupos. Um grupo com a capacidade de 12. tendo uma potência de. com a capacidade elevatória unitária de 15.

Construção de uma conduta forçada no Canal Tejo Fig. o facto de. mais 55. havendo que criar formas de indemnização pelos prejuízos causados. a executar quando o consumo particular atingisse 24 milhões de m³. para o efeito. havia sido substituído por um sifão passando por debaixo do leito do rio. Uma questão que houve que resolver de imediato foi a do aumento da capacidade de vazão do Canal Alviela. em Lisboa. além de onerosas. Para além disso vai dar condições à Companhia para construir um novo grande sistema tecnológico. tendo dado lugar a um grande número de reclamações dos proprietários locais. utilizando-se toda a capacidade de vazão do canal. armazenadas acima da confluência do Nabão. afastando de vez o fantasma da municipalização. correspondentes a quatro momentos de ampliação do abastecimento. após depuração mecânica. A 2ª. O programa de obras constantes do contrato estava dividido em quatro fases.000 m³ nas camadas do Belaziano. a executar quando o consumo particular atingisse 16 milhões de m³. fase compreendia as obras necessárias para aumentar a produção em mais 80. A captação das águas de Alenquer provocou o abaixamento do nível das águas nos poços. possuir uma única linha de sifões. na região do Carregado. Na 3ª. que construir uma segunda linha de sifões. 23 . apresentou uma proposta interessante ao Governo. já no projecto de 1908 estava prevista a filtragem das águas. Na 1ª. para o efeito.000 m³ diários de água captada no Zêzere e introduzida no Canal Tejo. com uma albufeira com a capacidade de 30 milhões de m³. aliás. Era possível captar apreciáveis caudais de água nas aluviões do Tejo. próximo de Alcanhões. e Luís Veiga da Cunha.Antigo sifão do Alviela sobre o Rio Trancão. uma estação elevatória que veio a ser equipada com dois grupos electro-bombas com a capacidade de elevação de 11. que poderia ser também utilizado para a produção de energia eléctrica. a uma altura de 28 m. não ofereciam garantias efectivas quanto aos caudais indicados. contudo as suas propostas. Quinta do Campo e na Lezíria. e uma potência de 70 CV. pois a firma Layne & Co. mas também das zonas atravessadas pelos canais e das zonas suburbanas. Fig. com a abertura de mais três poços em 1949 embora apenas dois em regime normal de exploração. fase. 18 . em Sacavém. A captação de Alenquer veio mais tarde a ser ampliada. Estas obras deveriam estar concluídas em Junho de 1933. seriam feitas as obras necessárias para a elevação das águas do Tejo na Boa Vista e a sua introdução. construindo-se. Depois de uma missão técnica dos engenheiros da Companhia a vários países estrangeiros. nas passagens dos vales. Em Sacavém.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa para a liquidação das dívidas desta pelo excesso de consumo. Havia. seria construído um dique. e com uma nova estação elevatória. A mesma companhia propunha-se igualmente captar água nos vales de Belas e Queluz. e introduzidos no Canal Tejo. A ideia inicial de captar água na Boa Vista acabou por ser adiada. por meio de cinco furos de 350 m de profundidade. autor do projecto de 1908. fase. portanto. a capacidade efectiva de transporte era da ordem dos 30.230 m³ cada. Esta fase deveria ficar concluída até ao fim de 1936. em Sacavém. devendo-se os projectos aos Engenheiros João Severo da Cunha.000 m³ diários. diários. o do Canal Tejo. Em 1933 o caudal do Canal Alviela foi reforçado com as águas de Alenquer. A construção do Canal Tejo começou por um primeiro troço entre Sacavém e o Carregado. e última fase consistia na ampliação da capacidade de produção em mais 50.000 m³. A 4ª. seriam trazidos do Zêzere. 19 . agora não só de Lisboa.000 m³ de água diários. em funcionamento a partir de 1960. Por essa altura já o velho sifão de ferro sobre o Rio Trancão. e.000 m³. em canal próprio. no sítio da Nora Alta. obra que foi executada logo em 1933. no Alviela. Espadanal. Ainda em 1933 surgiu uma proposta da International Water Company para a captação de 20 a 25. A obra foi entregue ao empreiteiro Waldemar Jara d'Orey. As águas do Tejo seriam beneficiadas com as águas do Zêzere. Embora na parte livre o canal tivesse uma capacidade de vazão da ordem dos 70. a opção pela captação em poços de grandes profundidades torna-se uma realidade. que vai ser recebida com entusiasmo pelo Engenheiro Duarte Pacheco.

na Quinta da Ché. a água de Javel. por ocasião de febres. a inauguração das suas instalações definitivas veio a ter lugar em 31 de Maio de 1948. Projecto do Arquitecto Carlos Rebelo de Andrade. tubos estes com dispositivos de filtragem nas suas paredes internas.Captação de água . que continua ainda no presente. Além desta firma. em número de doze. da ordem dos 250. Os equipamentos das diversas estações elevatórias dos poços apresentam características diferentes dos das outras estações. aparelho que havia sido concebido por Bunau-Varilla e modificado pelo técnico Bernardino Gomes de Pinho. chegou mesmo a defender em meios internacionais. sendo os grupos elevatórios de eixo vertical. A partir daí o processo de desinfecção das águas foi-se expandindo. junto ao reservatório de chegada das águas do Canal Tejo. fachada principal 24 .000 m³ diários. Afonso Henriques. havia sido construída a estação elevatória. 22 . 20 . Olivais. estas águas deixavam sedimentos de ferro e manganés nas condutas. iniciativa da Comissão de Fiscalização das Águas de Lisboa. nela vemos a intervenção de Jorge Barradas. da Alameda de D. e a necessidade de assegurar a sua potabilidade. em 1913. 21 . que apresentava condições mais vantajosas. tem o seu nome ligado à Fonte Monumental. a própria colocação dos grupos elevatórios. tiveram lugar na cidade americana de Maidstone. Por outro lado. e. pois da reacção do cloro com o alcatrão que revestia o interior dos tubos resultava a formação de clorofenóis que davam à água um sabor a fénico. face a uma série de epidemias de febres tifóides. ao contrário do que inicialmente se observara. em 1897. mas de uma forma sistemática e preventiva. sendo em França utilizada uma solução de cloro. a cloragem das águas não apenas em caso de epidemias.Quadro eléctrico de comando e controlo da Estação Elevatória dos Olivais Fig. escultor que também. A utilização do cloro levantou graves problemas.12 Os problemas da qualidade das águas Em breve houve que proceder ao tratamento das águas. tornava-se necessário proceder à desinfecção das águas.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa A adjudicação da construção dos poços acabou por ser feita à firma alemã Johann Keller. Fig. Iniciando-se em barracões provisórios. pois.Grupo moto-bomba dum poço Entretanto em Lisboa.Estação Elevatória dos Olivais. Os primeiros ensaios sistemáticos de cloragem das águas. 1. dos quadros da CAL. celebra a chegada das águas do Tejo à cidade. Professor Ricardo Jorge. dadas as suas dimensões. Um estudo de 1939 havia determinado já a capacidade elevatória exigida à estação. com sucessivas actualizações. Estes problemas vieram a ser ultrapassados com o aperfeiçoamento de um aparelho doseador do cloro na água. dados os conhecimentos entretanto adquiridos sobre as suas características. ligados aos tubos de aspiração das águas. como Rebelo de Andrade. Herbard da construção experimental de um poço na Quinta do Campo. O higienista português. monumento que. temos a adjudicação à firma americana R. W. Fig. foi objecto de um processo contínuo. próximo de Vila Nova da Rainha.

com correcção posterior em postos de cloragem dispersos pela rede de distribuição. começou por meio de uma estação piloto. uma vez que o abastecimento e a melhoria substancial das condições de salubridade arrastara um aumento significativo da população a abastecer.Tejo ou Zêzere Como já atrás ficou dito. e finalmente desinfectada por meio de cloro. que veio a ser inaugurada em 8 de Junho de 1965 com três grupos elevatórios. filtrada e sujeita ao processo da floculação por meio de reagentes. iniciativa do Engenheiro José Frederico Ulrich. como constatam o químico Hugo Mastbaum e o geólogo Paul Choffat. já em 1963 estava em funcionamento. a água das nascentes já não precisava de ser deitada fora através dos descarregadores. com uma capacidade diária de 100. aspecto ainda mais agravado com a expansão do abastecimento para os concelhos limítrofes. a CAL decidiu. A captação de água no Tejo. ou até mesmo impossível. o passeio central do Aqueduto chegou a ser utilizado também como caleira. e porque os custos de tratamento fossem bastante elevados face à pouca quantidade de água.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa Fig. A estação de tratamento de Vale da Pedra.13 As duas opções em confronto . construída durante as obras de construção da barragem. Em 1959 arrancou o projecto para a estação definitiva. Porém. em períodos de carência.Construção da torre de captação de água na Barragem de Castelo de Bode Na década de 40 tornou-se necessário projectar duas estações de tratamento para as águas do Aqueduto das Águas Livres. 1. em 1967.Laboratório Bacteriológico da Companhia das Águas de Lisboa Fig. com a barragem cheia. a captação das águas das aluviões do Tejo veio a alterar profundamente os projectos de desenvolvimento do abastecimento de água. e que corrigiriam a excessiva mineralização das águas do Tejo. A opção clara da Companhia foi pelo Tejo. lá estava a torre de captação de água. Fig. 23 . e que funcionou durante um ano. construída pela firma Degrémont. em Vale da Pedra. onde as águas do mar já não fazem sentir os seus efeitos. 24 . execução. a primeira opção do contrato de 1932 era pelas águas do Tejo. fornecendo água de boa qualidade a Lisboa. pois este continuava a ser parte dos sistemas de abastecimento de Lisboa. Com o tratamento. tal obra seria de muito mais difícil.000 m³. Como também foi referido. Na sequência de todo este progresso tecnológico. com uma capacidade de produção de 240. uma na Amadora e outra na Buraca. 25 . A água é elevada para uma estação de tratamento. mais tarde. A determinada altura tornava-se necessária uma solução para o problema da falta de água.ETA de Vale da Pedra 25 .000 m³ diários. No entanto. desafectar por completo do abastecimento o Aqueduto das Águas Livres. em 1949. captadas na Boa Vista. muito embora tivesse uma produção reduzida. dos projectos de obras fazia parte uma clara opção pelas águas do Zêzere. construída em 1958. no dique de Valada. menos mineralizadas. águas cujo aproveitamento foi por diversas vezes defendido pelo Engenheiro Veiga da Cunha. Algumas das suas nascentes já estavam inquinadas no século XIX. onde a água é decantada. na barragem do Castelo do Bode. Caso isso não tivesse sido feito. e.

uma estação de tratamento na Asseiceira. a braços com nova crise de falta de água. 26 . Em 1959 a CAL.000 m³ por dia. conforme os estudos mencionados referem. e a cidade tem agora quatro andares. ainda em 1970. em Lisboa. no projecto que elaborara para a construção da captação de água do Tejo em Valada. 62 m . vai ter que se virar. dar meio milhão de m³ diários. Acima dos 120 m. vendendo depois estas a água aos consumidores particulares através dos seus Serviços Municipalizados.15 A EPAL e o Castelo do Bode Como já atrás foi referido. Mary. de Janeiro de 1950.95 m. Os estudos relativos ao aproveitamento das águas do Zêzere não haviam. publicado em Junho de 1962. agora com a componente "tratamento de água" a contribuir para a função "abastecimento de água". Também em Lisboa o crescimento urbano se fez sentir. Não foram. para permitir o início da sua realização por volta de 1970 e a sua entrada em serviço quando ficar saturada a capacidade de transporte do Canal do Tejo. fase. ano em que termina a concessão da Companhia das Águas de Lisboa". na albufeira do Castelo do Bode. Em 1986 foi o subsistema inaugurado com uma capacidade de produção de 375. sido abandonados. que a Companhia abastece em alta. a CAL encarasse outras hipóteses no curto prazo. correspondente à captação de Valada-Tejo.62 m. Mas ir ao Zêzere são mais 50 quilómetros e não se julgue que a água da albufeira não necessitaria tratamento. pois a água não é elemento vital apenas para o consumo humano. que o ministro José Frederico Ulrich mandou fazer. (Quem sabe agora qual o aproveitamento que a torre pode vir a ter um dia?). Para tal projecto havia-se procedido em 1972 à actualização do Plano Geral publicado dez anos antes.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1. São eles delimitados pelas curvas de nível de 0 m . pois. O Zêzere.14 Expansão do abastecimento Com o sistema Tejo completo. com pleno desenvolvimento das técnicas possibilitadas pelo conhecimento da Física. Com esta divisão garantia-se uma altura piezométrica mínima de 30 m. e 95 m . sucedendo-se os contratos com as Câmaras limítrofes. o projecto veio a ser concretizado apenas a partir de 1975. e para a captação nas albufeiras do Cabril e da Ponte da Bouçã. definitivamente. com esta 2ª. a CAL vai poder abastecer uma área muito mais vasta. mais tarde. feito em tempo útil. com a opção Tejo. pois. dando esta companhia lugar a uma empresa pública.Barragem do Castelo de Bode 1. correspondentes. a dividira. sendo composto pela torre de captação. poderia. e um adutor que conduz a água a uma central elevatória construída em Vila Franca de Xira. no século XIX. sendo-lhe dado especial relevo no Plano Geral de Abastecimento de Água à Região de Lisboa. alta e superior. mais tarde. projecto a ser "objecto de um estudo profundo.000 m³ diários. inicialmente. abandonadas as águas do Zêzere. Objecto de estudos posteriores. às zonas baixa. O progresso verificado acelerou a consequente expansão urbana e industrial em toda a região de Lisboa. o que se deve verificar em 1974. a captação na albufeira não seria viável por impossibilidade de construção das fundações da torre. inviável no curto prazo. média. em vez dos três em que. afirmava: "Lá está no Zêzere a torre de tomada de água. respectivamente. da Geologia. a EPAL. mas também motor de desenvolvimento económico e industrial. já então elevada para 400. será criada a zona limite. muito embora.40 m. uma central elevatória situada a jusante da barragem.120 m. à semelhança do que sucedera no Estudo Prévio para Ampliação do Abastecimento de Água à Cidade de Lisboa. pois os exemplos bem conhecidos estão por toda a parte e o assunto foi já largamente debatido para não se discutir a necessidade da sua filtração". Fig. como a execução de mais poços nos mouchões do Tejo. a concessão da CAL terminou em 30 de Outubro de 1974. da Química. 26 . agora completa. que. de onde a água é elevada para Telheiras. 40 m . para o Zêzere. e a serem conduzidas a Lisboa em adutor próprio. O parecer do Conselho Superior de Obras Públicas exarado no projecto da captação Tejo de Valada apontava mesmo para o Castelo do Bode.

Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa Fig.Barragem do Castelo de Bode Fig. de capitais exclusivamente públicos. de água a um total de 26 municípios correspondentes a cerca de um quarto da população do País. e encontra-se integrada num grupo mais vasto. abastece de água a quase totalidade do País. 26 . que. com um conjunto de empresas multi-municipais.000 m³ diários através de um conjunto de obras que ficaram concluídas em 1996. AdP. e cujos testemunhos urge a todo o custo preservar como património histórico. pela EPAL. 27 . 27 . o que possibilita hoje o abastecimento. a Águas de Portugal. da nossa memória colectiva.ETA da Asseiceira A partir de 1993 procedeu-se à ampliação do subsistema para uma capacidade de tratamento e adução de 500. e onde se encontra espelhado todo um conhecimento científico e tecnológico que é parte importante da nossa identidade. A EPAL é hoje uma sociedade anónima.

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30 .

BOMBAS CENTRÍFUGAS E REDES HIDRÁULICAS Autor: Paulo Ramísio Engenheiro Civil (FEUP) Mestre em Engenharia do Ambiente (FEUP) Assistente do Departamento de Engenharia Civil da Universidade do Minho Sócio da SBS – Engenharia Civil. CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE HIDRÁULICA.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. Lda. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2. 31 . Hidráulica e Ambiente.

32 .

Tem desenvolvido a sua actividade na execução de estudos. SBS . • Infra-estruturas Prediais (Projecto e coordenação de todas as especialidades de engenharia. Regularização Fluvial). Desenvolve. Materiais de Construção. A investigação é orientada de modo a não só contribuir para o aumento dos conhecimentos numa determinada área científica mas também contribuir para a extrapolação dos resultados obtidos em estudos e obras no domínio da engenharia civil. Reservatórios e Redes de Distribuição). ainda. o Mestrado em Engenharia Municipal. projectos. • Infra-estruturas Hidráulicas e Energia (Aproveitamentos Hídricos e Hidroeléctricos. • Estudos Ambientais (Estudos de Impacte Ambiental. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Universidade do Minho A Universidade do Minho é uma universidade pública com autonomia administrativa e financeira. Sistemas de apoio à decisão para o desenvolvimento sustentado da gestão dos recursos hídricos e desenvolver técnicas de modelação em laboratoriais e modelos computacionais. 33 . Lda. Conta como principais áreas de actuação: • Abastecimento de Água (Captações. Estações de Tratamento de Água. fundada a 28 de Fevereiro de 1996. o Mestrado em Engenharia Civil e disciplinas do Mestrado em Tecnologia do Ambiente. acompanhamento técnico e apoio à decisão em obras de engenharia com especial destaque para as obras de hidráulica e ambiente. Comemora actualmente o XXXI aniversário. acompanhamento de obra e Fiscalização). Residuais e Industriais (Redes de Drenagem. Sistemas Elevatórios.Engenharia Civil. Interceptores e Emissários. Hidráulica. Estruturas. hidrologia. Hidráulica e Ambiente. • Águas Pluviais. Auditorias Ambientais. Acompanhamento de Obras). Geotecnia. Planeamento e Arquitectura e Vias de Comunicação. A SBS é uma empresa de consultoria em engenharia. Estações de Tratamento de Águas Residuais).Conceitos Fundamentais de Hidráulica. Sistemas Elevatórios. engenharia sanitária e gestão dos recursos hídricos e contribuir para o aumento do conhecimento científico nas seguintes áreas preferenciais: Processos de transporte e mistura em ambientes naturais e sistemas de engenharia. actividade de investigação nos domínios de Construções e Processos. consultoria. Sistemas de Adução. O Departamento de Engenharia Civil (DEC) da Escola de Engenharia tem a seu cargo o Curso de Licenciatura de Engenharia Civil. O Sub-grupo de Hidráulica tem como missão formar cientistas e engenheiros através de um estimulante e diversificado programa na área da mecânica dos fluidos.

34 .

Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

O dimensionamento de um sistema de pressurização depende de uma grande parte do conhecimento dos fenómenos hidráulicos envolvidos. Neste capítulo serão analisados alguns princípios fundamentais da mecânica dos fluidos e a sua utilização na caracterização da curva característica da instalação e da curva característica de uma bomba centrífuga, conceitos essenciais para um bom desempenho de um sistema de pressurização.

2.1 Introdução

Logo, em termos de tensão unitária:

τ=

∆F ∆v =µ S ∆n

(2)

onde µ é o coeficiente de viscosidade dinâmica. A viscosidade dinâmica (µ) para um determinado fluido é determinada recorrendo a tabelas ou a gráficos enquanto que a viscosidade cinemática (ν) é expressa da seguinte maneira: (3) ν = µ /ρ onde ρ é a massa volúmica do fluido. A viscosidade cinemática nos líquidos varia apreciavelmente com a temperatura, sendo desprezável a influência da pressão. Sendo a viscosidade uma propriedade física que determina a resistência ao escoamento uniforme de um fluido, ela afecta a distribuição do esforço de corte destes. Analisando o comportamento dos fluidos em função do esforço e a velocidade de corte, podemos classificá-los da seguinte maneira: • Fluido Ideal - apresenta resistência nula à deformação; • Fluido Newtoniano - o esforço de corte é proporcional à velocidade de corte, sendo τ o declive da recta; • Fluido não Newtoniano - deforma-se de tal maneira que o esforço de corte não é proporcional à velocidade de corte; • Plástico Ideal - o fluido sustém, inicialmente, um esforço sem qualquer deformação, deformando-se posteriormente de forma proporcional ao esforço de corte; • Sólido Ideal - não ocorre deformação para qualquer valor de tensão. Os Fluidos Newtonianos são praticamente todos os líquidos orgânicos e inorgânicos enquanto que os Fluidos não Newtonianos podem ser classificados em pseudoplásticos, dilatantes, Bingham, etc.. Como exemplos de Fluidos não Newtonianos podem-se destacar a pasta de celulose, algumas tintas, borracha, etc…

2.2 Princípios da mecânica dos fluidos
2.2.1 Propriedades da água
2.2.1.1 Massa volúmica e peso volúmico
Massa volúmica e peso volúmico de uma substância são, respectivamente, a massa e o peso da unidade de volume dessa substância. Para os líquidos estas grandezas variam com a pressão e a temperatura. A água tem o valor máximo de massa volúmica à temperatura de 4°C, que à pressão atmosférica normal toma o valor de 1000 kg/m3. Considerando a aceleração da gravidade igual a 9,8 ms-2, o peso volúmico, à mesma temperatura será 9800 Nm3.

2.2.2 Viscosidade
A viscosidade dos fluidos traduz-se pela resistência que estes oferecem à deformação. Assim, no seu escoamento desenvolvem-se forças resistentes, que dão parte à dissipação de parte da energia mecânica possuída pelo fluido em movimento. Ao pretender modificar-se a forma de uma massa de fluido, observa-se que as camadas do mesmo se deslocam umas em relação às outras, até que se alcance uma nova forma. Durante este processo ocorrem tensões tangenciais (esforços de corte) que dependem da viscosidade e da velocidade do fluido. O comportamento de um fluido sob a acção de um esforço de corte é importante na medida em que determinará a forma como ele se movimentará. A fim de que se possa introduzir a noção de esforço de corte (tensão tangencial), torna-se necessário analisar as forças exteriores que actuam numa determinada massa de fluido sujeita à acção da aceleração da gravidade. Num fluido em repouso não existem tensões tangenciais e de acordo com a lei de Pascal a pressão num ponto é igual em todas as direcções. Nos fluidos em movimento, em que se manifeste a acção da viscosidade desenvolvem-se tensões tangenciais ou esforços de corte. A viscosidade é assim uma propriedade física que é definida como sendo a resistência de um fluido ao seu escoamento uniforme. Considere-se duas placas paralelas de fluido, S, que se movem a uma distância, ∆n, a uma velocidade relativa ∆v, a força necessária para o deslocamento será:

2.2.3 Compressibilidade
A compressibilidade dos fluidos traduz-se pela diminuição do volume ocupado por uma determinada massa de líquido quando aumenta a pressão a que esta está sujeita. De acordo com o seu comportamento sob a acção de uma pressão aplicada exteriormente os fluidos podem ser classificados da seguinte forma: • Incompressíveis - Se o volume de um elemento de fluido é independente da sua pressão e temperatura. Nos líquidos, devido às pequenas variações de pressão, podem-se considerar incompressíveis para a maior parte dos fenómenos.

∆F = µ S

∆v ∆n

(1)

35

Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

• Compressíveis - Se o volume de um elemento de fluido varia com a sua pressão e temperatura, como acontece nos gases. Note-se contudo que nenhum dos fluidos reais é completamente incompressível. No entanto, os líquidos podem ser encarados como tal para efeitos de estudo de grande parte das aplicações práticas. É no entanto importante realçar que em alguns fenómenos, como por exemplo na análise do choque hidráulico, deve ser considerada a compressibilidade do fluido.

2.3.2 Classificação dos escoamentos
2.3.2.1 Variados, permanentes e uniformes
O escoamento é variável se, numa dada secção transversal, a velocidade média e o caudal variarem com o tempo. O escoamento é permanente se, em qualquer secção transversal, a área da secção líquida e a velocidade média (e, portanto o caudal) forem invariáveis com o tempo. Num escoamento permanente a velocidade pode variar de ponto para ponto, mas, em cada ponto, mantém-se constante ao longo do tempo. Um escoamento uniforme é um movimento permanente em que a velocidade é constante ao longo de uma mesma trajectória (em módulo, direcção e sentido). Pode então dizer-se que o escoamento é uniforme se as trajectórias forem rectilíneas e paralelas e se a área da secção líquida, S, a velocidade média, V, forem invariáveis com o tempo e a secção transversal considerada. O movimento uniforme só é possível em condutas e canais de eixo rectilíneo e de secção constante. Escoamentos transitórios são escoamentos que se estabelecem na transição entre duas situações de escoamentos permanentes.

2.2.4 Tensão de saturação do vapor de água
Quando a pressão num ponto de um líquido desce até à respectiva tensão de saturação de vapor, o líquido entra em ebulição. A tensão de saturação do vapor de um líquido, tv, varia em função da temperatura. A tensão de saturação de vapor para a água à temperatura de 20°C é de 2330 N/m2, e à temperatura de 100°C iguala a pressão atmosférica normal. No escoamento de líquidos aparecem, em certas condições, zonas em que a pressão desce até à tensão de saturação de vapor, formando bolhas de ar, indicadoras da ocorrência do fenómeno de cavitação.

2.3.3 Equação da continuidade
A equação da continuidade estabelece o princípio da conservação da massa. Assim entre duas secções transversais, num escoamento permanente de um fluido incompressível sob pressão, mantém-se constante ao longo do tempo o volume do líquido entre as duas secções. Considerando uma tubagem com vários troços de diâmetros diferentes, verifica-se que o caudal de fluido é sempre constante em toda a tubagem. Define-se então caudal mássico (Qm) como a massa de fluido transportada (m) por unidade de tempo (t) e será igual a:

2.3 Conceitos fundamentais de hidrocinemática e hidrodinâmica
2.3.1 Conceitos básicos
Define-se trajectória de uma partícula como o lugar geométrico dos pontos ocupados pela partícula ao longo do tempo, enquanto que linha de corrente num determinado instante será a linha que goza da propriedade de, em qualquer dos seus pontos, a tangente respectiva coincidir com o vector velocidade no mesmo ponto e nesse instante. O caudal, será o volume que, na unidade de tempo, atravessa uma secção efectuada num escoamento por uma superfície, se esta for normal em todos os seus pontos à velocidade do escoamento. Assim, o caudal, Q, será:

Q × v1 = Q × v2 = Q × v3

; v1 xAi1 = v2 × Ai 2 = v3 × Ai 3 = v ×(5)

A expressão (5) é designada por equação da continuidade. O termo continuidade deriva do facto de o caudal em todos os troços ser constante. Em termos de caudal mássico (Qm = cont.), Qm1 = Qm2 = Qm3 = Qm ⇔ ρ.v1.Ai1 = ρ.v2.Ai2 = ρ.v3.Ai3 = ρ.v.Ai (6)
D2 D1 D3

Q = ∫ v ds

(4)

Velocidade média, V, (numa secção normal em todos os pontos à velocidade do escoamento) velocidade de um escoamento que, com velocidade uniforme na secção, transporta um caudal igual através da mesma secção.

L1
Fig. 1 - Condutas em série

L2

L3

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Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

Nestas circunstâncias, facilmente se depreende que o caudal escoado é o mesmo em cada troço de conduta com características distintas, e que a perda de carga total é dada pela adição de todas as perdas de carga parcelares: Q = U1 x S1 = U2 x S2 = ... = Un x Sn
∆H = ∑ ∆H i = ∑ J i × Li
i =1 i =1 n n

(7) (8)

O teorema de Bernoulli representa uma equação de balanço de energia pois iguala a variação da energia mecânica total entre duas secções de um tubo de corrente ao trabalho realizado pelas forças locais de inércia (nulas em regime permanente) e de resistência ∆H. Na prática, pode-se considerar: * β1 = β2 = 1,0 → Coeficiente de distribuição de pressão (campo de pressões do tipo hidrostático condutas de pequeno e médio diâmetro). * α1 = α2 = 1,0 → Coeficiente de energia cinética ou de Coriollis, distribuição de velocidades - consideração de velocidades médias (1,00 ≤ α ≤ 1,15). A parcela ∆B corresponde a troca de energia com o exterior: +∆B ⇒ cedência de energia (turbina) -∆B ⇒ ganho de energia (bomba). A parcela ∆H representa o trabalho das forças resistentes por unidade sendo a soma das seguintes parcelas:

2.3.4 Teorema de Bernoulli
Considerando um regime estacionário (as variáveis do processo, como por exemplo, pressão, temperatura, volume, etc. permanecem constantes ao longo do tempo), num fluido Newtoniano e incompressível, a energia específica total duma partícula é igual à energia mecânica total da partícula por unidade de peso e apresenta três componentes:

p v2 E = z+ + γ 2g

(Trinómio de Bernoulli)

(9)

Dimensionalmente cada parcela corresponde a um comprimento pelo que é assimilável a uma soma de "alturas":

[E ]= [F ]× [L] = [L] [F ]
O significado físico de cada parcela será o seguinte:

∆H = ∆H p + ∑ ∆H L
com,

(11)

∆H → Forças resistentes totais por unidade de peso (perdas de carga totais) ∆Hp → Perda de carga uniforme (contínua ou principal)

z

= cota da partícula em relação a um plano de referência (energia potencial de posição da partícula por unidade de peso)

∑ ∆H

L

p = altura piezométrica: energia potencial de pressão por γ unidade de peso da partícula; v2 = altura cinética: energia cinética por unidade de peso 2 g da partícula com velocidade v.
Assim, define-se Linha Piezométrica como o lugar geométrico dos pontos em que a sua cota é a soma da cota topográfica e da altura ( z + (ou Energia) será o lugar geométrico dos pontos cuja cota será a soma da cota topográfica, a altura piezométrica e a altura cinética ( z +
p v2 + ). γ 2g
p ). Analogamente, a Linha de Carga γ

→ Somatório de perdas de carga localizadas (concentradas acidentais)

Estes parâmetros serão analisados em detalhe em pontos seguintes.

2.3.5 Teorema da quantidade de movimento ou de Euler
O teorema de Euler ou da quantidade de movimento (TQM) é na Mecânica dos Fluidos e, portanto, na Hidráulica o correspondente ao teorema da quantidade de movimento da Mecânica e pode enunciar-se da seguinte maneira: Para um volume determinado no interior de um fluido, é nulo em cada instante o sistema das seguintes forças: peso, resultante das forças de contacto que o meio exterior exerce sobre o fluido contido no volume, através da superfície de fronteira, resultante das forças de inércia e resultante das quantidades de movimento entradas para o volume considerado e dele saídas na unidade de tempo. O TQM ou de Euler tem um duplo interesse prático: 1º) Calcular esforços sobre as tubagens e/ou paredes (caso dos jactos).

O teorema de Bernoulli refere que no caso de um fluido incompressível em regime permanente, em que se possam desprezar as forças de atrito e, consequentemente as perdas de energia, mantêm a carga total de uma partícula ao longo de uma trajectória. O Teorema de Bernouli aplicado a fluidos pesados e incompreensíveis, em regime permanente, toma a seguinte forma:
( z1 + β 1 p1 U p U + α 1 ) s1 − ( z 2 + β 2 2 + α 2 ) = ∆H ± ∆B 2g 2 g s2 γ γ
2 1 2 2

(10)

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Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

2º) Calcular perdas de carga localizadas em troços curtos (curvas, derivações, mudanças de secção) onde se conhecem as condições nas secções de entrada e de saída. Particularizando a aplicação do Teorema de Euler a movimentos permanentes de fluidos pesados e incompressíveis em tubos de corrente e as tensões tangenciais são desprezáveis, a acção do líquido sobre a superfície de contorno será uma força, dada pela seguinte expressão vectorial: r r r r R = - ( ρ × Q × U + p × S ) n - ( ρ × Q × U + p × S ) n + γ (12)
1 1 1 1 2 2 21 2

2.4.2 Perdas de carga contínuas
No regime uniforme, as trajectórias das partículas são paralelas às geratrizes do contorno. Se considerarmos condutas de comprimento L elevado (L >100 x D, em que D é o diâmetro da conduta) e características geométricas (direcção, rugosidade, forma e dimensão da secção transversal) constantes, poder-se-á considerar que : i ) a distribuição de pressões numa secção transversal é do tipo hidrostático (β=1). ii ) o coeficiente de Coriollis é constante ao longo da conduta (α=1) . iii ) a perda de carga (∆H) entre duas secções é proporcional à distância (L) entre elas, sendo constante o coeficiente de perda de carga (ou perda de carga unitária) ao longo da conduta, J. Sabendo que a perda de carga contínua (ou principal) depende ainda das características físicas do fluido, teremos: J = ƒ(ρ, U, D, ν, το,Ke) em que: J - perda de carga contínua por unidade de comprimento; ρ - massa volúmica do fluido; U - velocidade média na conduta; D - diâmetro da conduta; ν - coeficiente de viscosidade cinemático do fluido; το - tensão junto à parede da conduta; Ke - rugosidade equivalente da conduta, em termos da perda de carga provocada pelas várias rugosidades do material da conduta. Recorrendo à Análise Dimensional é possível estabelecer uma relação entre aquelas grandezas, chegando-se (escolhendo ρ,U,D para unidades fundamentais) à expressão geral das perdas de carga contínuas (ou fórmula universal) em condutas circulares: (14)

em que: r r n1 e n2- são os versores da direcção normal às secções de entrada e saída (S1 e S2), com o sentido positivo dirigido sempre para o exterior do volume em estudo. r γ - peso do volume de fluido em estudo.
U 1 , U 2, p1 , p2 - Velocidades médias e pressões nas secções 1 e 2.

2.4 Escoamentos sob pressão em regime uniforme e permanente
2.4.1 Escoamentos laminares e escoamentos turbulentos
Existem dois regimes de escoamento de fluidos: laminar e turbulento. O regime laminar é caracterizado por trajectórias regulares das partículas, não se cruzando trajectórias de partículas vizinhas. No escoamento turbulento, a velocidade num dado ponto varia constantemente em grandeza e direcção, sem regularidade. As trajectórias são extremamente irregulares. A relação entre as forças de inércia e a força de viscosidade sobre a partícula pode ser expressa pelo número de Reynolds através da seguinte expressão:

V ×D (13) ν O número de Reynolds define as condições de semelhança quando a natureza das forças intervenientes se limitam às indicadas (caso de escoamento de líquidos no interior de condutas em pressão). Re =
Para valores de Reynolds superiores a 2500 o escoamento é geralmente turbulento e para valores inferiores a 2000 o escoamento é normalmente laminar. A quase totalidade das aplicações de sistemas de pressurização encontra-se em regime turbulento.

J=

λ U2 × D 2g

(15)

em que : λ - coeficiente de resistência (adimensional); g - aceleração da gravidade; D - diâmetro da conduta; U - velocidade média na conduta.

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que através da representação gráfica daquelas funções implícitas.4. conduz os mesmos valores que foram obtidos experimentalmente com ε. que dividida por D. para cada valor de (ε/D).ε) às condutas comerciais. quatro intervalos (I. ZONA DE TRANSIÇÃO FACTOR DE ATRITO λ TUBAGEM LISA CAUDAL LAMICAUDAL TURBULENTO NAR RUGOSIDADE RELATIVA DA SUPERFÍCIE K/d NÚMERO DE REYNOLD Diagrama de Moody para estabelecer o factor de atrito λ. nas aplicações práticas de engenharia encontram-se neste domínio e o coeficiente de resistência pode ser estimado pela seguinte equação: 1 2. em regime turbulento rugoso. por via gráfica O emprego da fórmula universal foi bastante simplificada com o aparecimento de diagramas como o de "Moody".Conceitos Fundamentais de Hidráulica.51 ε /D = −2 log( + ) 3. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2. Fig.7 λ Re× λ (17) Para aplicação dos estudos em laboratório (baseados numa rugosidade teórica artificial . uma rugosidade equivalente (ke). II. corresponde a um parâmetro adimensional .1 Determinação do coeficiente de resistência Os valores do coeficiente de resistência (λ) podem ser obtidos através das equações de Prandtl e Von Karmann . A variação de λ com Re apresenta. 2 . sendo: λ = 64 / Re → Fórmula de Poiseuille (16) A grande maioria dos escoamentos de fluidos. III e IV correspondem aos regimes turbulento liso. onde D é o diâmetro interno da tubagem em mm e k é a rugosidade equivalente da superfície em mm.e comprovados através das experiências de Nikuradze. O valor de λ é obtido através da utilização do número de Reynold e do valor de rugosidade relativa k/D como parâmetros. A determinação do coeficiente de resistência pode ser obtido pela representação gráfica das experiências de Nikuradse ou por via analítica. define-se para essas condutas. turbulento de transição e turbulento rugoso.2. • Os intervalos II. com suficiente rigor. sem depender da rugosidade da conduta.teoria da turbulência .Diagrama de Moody para a determinação do coeficiente de resistência 39 . permite a determinação expedita dos valores de λ. Nikuradze considerou uma rugosidade teórica (ε) correspondente à dos grãos de areia (calibrada) colados às paredes de tubos lisos. IV) com leis de variação distintos: • O intervalo I corresponde ao Regime laminar (Re < 2000 a 2500) onde se verifica uma variação linear de λ e Re. que substituída na expressão de cálculo de λ.rugosidade relativa (ε/D). III. a) Determinação de l. Nikuradze ao variar o factor de resistência com o número de Reynolds. concluiu que o primeiro depende do segundo e de outros parâmetros (adimensionais) que caracterizam as asperezas das paredes do tubo.

diâmetro da conduta (m).número de Reynolds (adimensional).1 Classificação das redes hidráulicas As redes de condutas consideram-se sistemas complexos porque são constituídas por tubagens ligadas em série e/ou paralelo.7 λ Re× λ Em que: Estes sistemas aparecem normalmente nas redes de abastecimento de água municipais ou industriais e nas redes de combate a incêndios. . em trechos pequenos da conduta em que se quebra a sua uniformidade. como por exemplo pela Fórmula de Colebrook-White: k /D 1 2. conhecendo-se os caudais e os diâmetros é possível de imediato o cálculo das perdas de carga. b) Determinação de l. válvulas. por via analítica Para cálculos mais exactos o cálculo do coeficiente de resistência. Diz-se que uma conduta tem distribuição de percurso quando sofre uma variação de caudal ao longo do seu percurso (escoamento em regime permanente variado). podemos considerar os seguintes tipos de redes: QUADRO 1 . secção transversal. q= Qm − Qj ⇔ Qm = Qj + q × L L (20) 40 . sendo determinado experimentalmente para cada tipo de singularidade. ou seja. ke . 2. Em regime variado há uma variação de caudal ao longo do percurso. formando feixes ou malhas de condutas. Quanto à sua constituição. algumas das quais serviram de base ao presente texto e que se encontram referenciadas nas referências bibliográficas.TIPOS DE REDES TIPO DESCRIÇÃO DISTRIBUIÇÃO DE PERCURSO sem com sem com sem com REGIME DO ESCOAMENTO PERMANENTE uniforme variado uniforme variado uniforme variado λ .fluido. que permitem chegar a uma expressão geral para este tipo de perdas de carga.). Chama-se caudal unitário de percurso (q) ao parâmetro que traduz a variação média do caudal ao longo da conduta: 2..5. ∆H L = K L × U2 2g (19) em que KL é o coeficiente de perda de carga localizada.3 Perdas de carga localizadas As perdas de carga localizadas ocorrem em singularidades das condutas. λ. deve ser realizado por via analítica por equações de reconhecida validade. quer sob a forma analítica.. são obtidos após o equilíbrio da malha através da Lei da Continuidade (em cada nó os caudais afluentes devem igualar os caudais efluentes) e Lei das Malhas (numa malha a soma algébrica das perdas de carga em todas as condutas deve ser nula). as perdas de carga são contabilizadas considerando que o escoamento se faz em regime permanente variado. material das paredes do contorno sólido.Conceitos Fundamentais de Hidráulica.coeficiente de resistência (adimensional). o caudal é constante logo. EMALHADA só com malhas só com condutas em série com condutas em série e com malhas 2. Estas perdas de carga dependem de diversos factores relacionados fundamentalmente com as características do escoamento a montante e a jusante da singularidade.51 K (18) = −2 log( + ee ) 3.6 Cálculo hidráulico 2. A determinação dos coeficientes de perda de carga em diferentes singularidades (estreitamentos e alargamentos suaves. A determinação analítica destas perdas de carga localizadas (∆HL) baseia-se na aplicação dos Teoremas da Quantidade de Movimento e de Bernoulli.6. etc. Chama-se nó ao ponto de intersecção de três ou mais condutas e malha a todo o circuito fechado constituído por três ou mais condutas ligadas em série. seleccionando o diâmetro pode-se de seguida calcular a velocidade e perda de carga. temperatura.4. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas É importante relembrar que a determinação do coeficiente de resistência. λ. através de fórmulas práticas (expressões empíricas. mudanças de direcção. quer sob a forma de ábacos ou tabelas apenas são válidas dentro das condições particulares em que foram definidas.rugosidade equivalente (m): D . Re . …) encontra-se bem documentada em inúmeras publicações de hidráulica.1 Regime uniforme e permanente Em regime uniforme e permanente. Logo. exprimindo-as como percentagem da altura cinética (U2/2g): RAMIFICADA MISTA Nas redes ramificadas a direcção do escoamento é única e portanto conhecida. em cada troço. Nas redes emalhadas o conhecimento do valor e sentido dos caudais.5 Redes hidráulicas 2. válidas apenas em certas circunstâncias . etc. por considerar por exemplo os consumos domésticos.

O processo de dimensionamento consiste em determinar o diâmetro que minimize a soma dos custos de investimento com os de energia (não se consideram outros custos de exploração). em regime uniforme e permanente.caudal no extremo de jusante.55 × q × L (21) Trata-se de um caudal fictício que.Conceitos Fundamentais de Hidráulica.7 Dimensionamento económico de condutas Apresentam-se neste ponto os passos fundamentais para o desenvolvimento dos cálculos que permitem seleccionar os diâmetros económicos das condutas. para efeito do cálculo das perdas de carga. 41 . uma vez que a perda de carga aumenta de forma quadrática com a velocidade e esta aumenta igualmente de forma quadrática com o diâmetro. que se traduz numa variação parabólica da linha de energia. .caudal unitário de percurso. H = f (Q ) → H man = H geo + ∑ J i × Li + ∑ ki × U 2g 2 2 (22) Altura Perdas de carga Perdas de carga   V2  ∑ K i i + ∑ J i × Li    2g   Altura geométrica Caudal Fig. em movimento uniforme e para um dado diâmetro.Curva característica da instalação Fig.Variação dos custos de investimento e energia com o diâmetro de condutas.5 m/s) e de critérios de velocidade mínima e máxima.Cálculo dos custos de energia do período de vida da obra. (actualizados ao ano 0) . apresentando a curva característica da instalação a forma apresentada na figura 4. . considerando os caudais que realmente circulam na rede. Para tal acontecer os custos associados aos diâmetros extremos seleccionados deverão ser superiores a pelo menos um dos custos associados a um dos diâmetros intermédios. Qm .6 a 1. para cada caudal. 2.caudal no extremo de montante. Especialmente nos diâmetros mais pequenos a alteração de um diâmetro para o da série comercial imediatamente inferior poderá representar alterações significativas em alguns parâmetros de controlo. Qj .Cálculo dos custos de investimento em função dos diâmetros seleccionados. Com esta simplificação o cálculo hidráulico de regime permanente variado é transformado. L . Tal facto dificulta o cálculo das perdas de carga em cada trecho da conduta.comprimento da conduta. Havendo uma variação da velocidade ao longo da trajectória. conduz ao mesmo valor da perda de carga que a verificada em regime permanente variado.Selecção de um conjunto de diâmetros (comercialmente disponíveis) a partir de velocidades médias (0. Bresse ultrapassou esta dificuldade considerando um caudal equivalente ( Qe ): Qe = Qj + 0. 2.Adição dos custos anteriores para os diversos diâmetros seleccionados e verificação de que o conjunto de diâmetros seleccionados contém o diâmetro (comercialmente disponível) mais económico. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Em que: q . há uma variação do coeficiente de perda de carga.8 Curva característica da instalação A curva característica da instalação será a curva que traduz. Será em cada ponto a soma da altura geométrica com todas as perdas no sistema para esse caudal. Os custos de investimento são directamente proporcionais ao diâmetro instalado e os consumos de energia inversamente proporcionais ao mesmo valor. 3 . 4 .Selecção do diâmetro mais económico. As perdas de carga têm variação quadrática com o caudal. 3. Os passos fundamentais a seguir nos cálculos a efectuar são: . a altura de elevação necessária para esta instalação. conforme se representa na Fig. .

Conceitos Fundamentais de Hidráulica. 5 .Forma típica do corpo uma bomba centrífuga 2. • Motor eléctrico. melhorando a eficiência da bomba. A energia cinética do fluido aumenta do centro do rotor para a ponta das palhetas propulsoras. 2. O fluido entra na bomba nas vizinhanças do eixo do rotor propulsor e é lançado para a periferia pela acção centrífuga. • Propulsor ou rotor. Veios condutores fixos no corpo da bomba podem ajudar a dirigir o fluido. Nesta situação. Esta energia cinética é convertida em pressão quando o fluido sai do impulsor e entra na voluta ou difusor.1 Definição Uma bomba é denominada centrífuga quando a direcção de escoamento do fluido é perpendicular à do eixo de rotação da hélice e podem ser classificadas da seguinte forma: Quanto ao n. Uma bomba centrífuga com um só rotor é uma bomba de um único estágio (ou andar). Fig. Quanto à posição do eixo: a) Eixo horizontal.3 Curva característica da bomba A equação básica da bomba é utilizada para calcular e desenhar formas geométricas e dimensões. 6 . a bomba é constituída por um rotor que gira no interior de uma carcaça. Fig. • Sistema de refrigeração. onde se preserva a pressão do primeiro. c) Eixo inclinado. As bombas multiestágio podem ser consideradas como bombas com vários estágios simples. O fluido depois de entrar no segundo estágio terá um aumento de energia sob forma de aumento de pressão e assim sucessivamente. • Sistema de lubrificação. o que permite transmitir a energia ao líquido para este adquirir o aumento de pressão desejado.2 Constituição Na sua forma mais simples. montadas sobre o mesmo eixo e com descargas em série. 42 . Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2.º de impulsores: a) De um só andar: quando têm um só impulsor. as principais peças constituintes de uma bomba centrífuga. b) Eixo vertical. usa-se uma bomba multiestágio. assim como para deduzir a curva Q/H da bomba centrífuga.Corte numa bomba multicelular Muito resumidamente. Quando se deseja ter uma combinação de pressão total e capacidade que não se enquadra numa bomba de um só estágio. são as seguintes: • Corpo da bomba. • Veios condutores.9 Bombas centrífugas 2. b) De andares múltiplos: quando existem vários impulsores.9. Quanto ao sentido de rotação: a) De sentido directo: se o eixo da bomba roda no sentido anti-horário.9. Normalmente o propulsor é considerado o coração da bomba. b) De sentido retrógrado: se o eixo da bomba roda no sentido horário. a descarga de uma bomba dum estágio é injectada na admissão de uma bomba de um segundo estágio.9. sendo constituída por um disco que roda a alta velocidade. A Figura 3 ilustra uma alheta de um impulsor e os respectivos vectores de velocidade.

u = velocidade periférica da alheta. logoνu1 = 0. onde: v = velocidade absoluta do líquido. são representados os vectores velocidade nos bordos de ataque e fuga. Esta relação é conhecida como equação de Euler e é expressa do seguinte modo: Numa bomba real. Para além disso. Assim sendo. velocidade relativa w.Representação dos vectores velocidade na alheta do impulsor Na figura 7. visto que existem sempre perdas por atrito e o número finito de alhetas não direccionará o caudal completamente na direcção da alheta. vu1 = v1 cos α1 e vu2 = v2 cos α2 Partindo do princípio que o caudal não tem perdas e que o número de alhetas é infinito (∞). 43 . é indicado por uma linha recta. Se a curva Q/Ht∞ for traçada. rencia o princípio do número infinito de alhetas que garante o direccionamento completo do líquido. w = velocidade relativa à alheta. componente tangencial da velocidade absoluta do líquido vu e componente radial vm . A curva real Q/H é derivada desta curva através da subtracção dos efeitos do Ht∞ = 1 (u2vu 2 − u1vu1 ) g (23) onde o índice t referencia um caudal sem perdas e ∞ refe. velocidade periférica da alheta u. não é possível satisfazer nenhum destes princípios. Ht∞. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Alheta de impulsor de bomba com os vértices de velocidade nos bordos de ataque e fuga. vu = componente tangencial da velocidade absoluta. a equação de Euler para uma bomba real tem o seguinte aspecto: ηh (ku2vu 2 − u1vu1 ) (24) g É possível mostrar que ηh e k são menores que a unidade. a equação básica da bomba é simplificada para: uv H t = kη h 2 u 2 (25) g A altura manométrica ideal obtida pela equação de Euler é independente do caudal Q.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. vm = componente radial da velocidade absoluta. Velocidade absoluta do líquido v. Com estas modificações. A redução de pressão causada por perdas no escoamento é tomada em consideração pelo rendimento hidráulico e a redução devido ao desvio do caudal de uma ângulo ideal β2 é contabilizado por um coeficiente de alheta k. Ht = As bombas centrífugas são normalmente concebidas com α1 = 90°. 7 . Fig. é possível derivar a familiar teoria da equação básica da bomba utilizando as leis da mecânica. A velocidade relativa é paralela à alheta em qualquer ponto.

O seu aumento é proporcional ao quadrado do caudal Q. Se tomarmos este factor em consideração. Poderemos escrever que: H t = kH t∞ (26) Ht não é perfeitamente linear. A perda é mais pequena no ponto de concepção da bomba. • No bordo de fuga da alheta.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. • perdas por atrito no empanque da transmissão. quando o ângulo de ataque do líquido é igual ao ângulo β 1 do bordo de ataque da alheta. 9 . conforme se pode constatar na figura seguinte. onde o líquido atinge a ponta da alheta. A redução de altura de Ht∞. quando o ângulo de ataque do líquido é igual ao ângulo β1 do bordo de ataque da alheta. onde o líquido entra em contacto com a alheta no ângulo β1. As perdas mínimas ocorrem com o caudal nominal da bomba. a existência de um número finito de alhetas diminui a altura manométrica pelo factor de alheta k. conforme se pode ver na Figura seguinte. Perdas por fuga Hv As perdas por fuga ocorrem na folga entre o impulsor e a voluta da bomba. ocorrem perdas devido aos redemoinhos causados por esta.Redução (H) da curva verdadeira da bomba Q/H relativa à altura teórica da bomba Ht∞. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas número finito de alhetas e de várias outras perdas que ocorrem no interior da bomba. O efeito da perda por fuga está ilustrado na Figura 8. Esta perda aumenta à medida que a bomba vai sendo desgastada. cujo aumento é proporcional ao aumento de diferença entre o caudal real e o caudal nominal. As perdas aumentam com o aumento do desvio do ângulo de contacto do ângulo da alheta β 1. 8 . As perdas mínimas ocorrem com o caudal nominal da bomba. com velocidades de caudal diferentes do valor nominal. • perdas por atrito na chumaceira. O Efeito do Número Finito de Alhetas Conforme indicado anteriormente. Estas perdas incluem: • perdas por atrito nas superfícies exteriores do impulsor. 44 . poderemos obter a altura teórica Ht. Perdas por Atrito Hf As perdas por atrito ocorrem à medida que o líquido flui pelas passagens do impulsor e da voluta da bomba. Perdas Redução do caudal Q causada por perdas por fuga Hv Efeito do número finito de alhetas Ht Perdas por atrito Hr Perdas por descontinuidade Hs Velocidades (w) e perdas relativas do bordo de ataque da alheta com várias velocidades de caudal. o caudal através do impulsor é ligeiramente maior do que o caudal de saída da voluta da bomba. • Na voluta da bomba. Fig. Este efeito é ilustrado na Figura 9.Velocidades e perdas no bordo de ataque da alheta com várias velocidades. para Ht não é causada por perdas de caudal mas sim pelo desvio do líquido dos ângulos ideais devido ao número finito de alhetas. Outras Perdas Existem outras perdas numa bomba centrífuga que não afectam a curva Q/H mas que aumentam o consumo de energia da transmissão do motor. Fig. Por muito pequena que seja a folga. quando o caudal na voluta é diferente do caudal no perímetro do impulsor. Por este motivo. pelo que a cabeça da bomba encontra um caudal reduzido. porque o coeficiente de alheta é ligeiramente dependente do caudal Q. um pequeno retorno de caudal passa da área de elevada pressão junto da borda do impulsor para a área de baixa pressão do aro de junta do impulsor. a diferença é a perda por fuga Hv. Perdas por Descontinuidade Hs As perdas por descontinuidade são geradas nas seguintes áreas: • No bordo de ataque da alheta. As diferenças de velocidade causam turbulência que originam perdas. O seu aumento é proporcional ao quadrado do caudal.

A implosão causa uma onda de choque local transitória e extremamente alta no líquido. particularmente. Implosão de bolhas de vapor Fig. Se estas se moverem no fluido para uma zona de pressão superior. O cálculo do NPSH é baseado nos seguintes parâmetros: ht = altura geométrica de entrada. com uma densidade muito mais baixa. pelo que deverão ser tomados os devidos cuidados se as condições de funcionamento da bomba apresentarem o risco de ocorrência de cavitação. irão eventualmente implodir.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. formam-se bolhas de vapor. na instalação de qualquer bomba. A cavitação numa bomba apresenta duas desvantagens: • A criação e colapso das bolhas de vapor podem danificar a bomba. com líquidos quentes e voláteis. Se a pressão cair abaixo da pressão do vapor. Não existe nenhum material que suporte totalmente a cavi- 45 . tal como se estivesse a bombear areia. Uma bomba com cavitação emite um ruído de crepitação característico. As picagens podem ter vários milímetros de profundidade.10 Cavitação e NPSH A cavitação é o fenómeno hidráulico associado à formação e colapso de bolhas de vapor num líquido. O impacto de alta pressão resultante poderá originar picagem e a erosão da estrutura adjacente. hA = diferença de altura entre o plano de referência e a ponta do bordo de ataque da alheta. Habitualmente. Definição de NPSH NPSH é o acrónimo do termo inglês Net Positive Suction Head e representa a diferença entre a pressão estática absoluta e a tensão de vapor do líquido (normalmente expressa em metros). • A bomba torna-se muito menos eficiente porque passa a bombear uma mistura de líquido e vapor. 11 . Fig. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2.Impulsor demonstrando estragos motivados por cavitação Bolhas de vapor A formação e desaparecimento das bolhas de vapor é designada por fenómeno de CAVITAÇÃO. tendo como consequência mais gravosa a deterioração mecânica precoce da bomba. Se a implosão ocorrer perto de uma superfície e ocorrer repetidamente. 10 . Se o líquido for bombeado de modo a atingir o bordo de ataque da alheta a um ângulo diferente do da alheta. Quando a bolha se desloca com o fluido para uma área de pressão superior. conforme representado na figura seguinte. tação. é necessário que no dimensionamento desta seja acautelado a ocorrência de cavitação.Influência do ângulo no bordo de ataque da alheta Logo. o seu colapso ocorrerá rapidamente. Normalmente. a pressão do choque irá eventualmente originar a erosão do material dessa superfície. As bolhas de vapor são formadas quando a pressão estática local de um líquido em movimento diminui até atingir um valor igual ou inferior ao da pressão do vapor desse líquido para uma dada temperatura. formam-se redemoinhos e zonas de baixa pressão do outro lado da alheta. o fenómeno da cavitação nas bombas centrífugas ocorre numa localização perto do bordo de ataque da alheta do impulsor. as marcas de desgaste causadas pela cavitação ocorrem localmente e consistem em picagens profundas com bordos afiados.

qualquer bomba terá valores de NPSH diferentes dependendo da definição da ocorrência. Pressão Mínima NPSH requerido Plano de Referência NPSH requerido Fig. Fig. Este valor pode ser apresentado como uma função do caudal. na bomba e na tubagem de pressão. na bomba e na tubagem de pressão de uma instalação de uma bomba em seco. Pmin= pressão estática mínima na bomba. ou Pmin > pv A Figura 13 ilustra o princípio da distribuição da pressão estática do líquido na tubagem de entrada. Nas bombas verticais. Vo2/2g= quebra de pressão causada pela velocidade de entrada. 15 .Dimensões e pressões de referência na aspiração da bomba Plano de Referência O plano de referência é o plano no qual os cálculos do NPSH são efectuados. Pv = pressão do vapor do líquido à temperatura dominante.Variação típica do NPSH requerido com o caudal. 12 .Curvas de NPSH 46 . a localização do plano de referência é indicada pelo fabricante. As alturas de pressão são apresentadas na Fig. 14 . Nas bombas horizontais. como pode ser visto na Figura 15. Distribuição da pressão estática do líquido na tubagem de entrada. NPSH Requerido O NPSH requerido é obtido a partir da seguinte equação: NPSH requerido = hA + vo 2 2g + ∆h BOMBA HORIZONTAL BOMBA VERTICAL Este valor também é conhecido como valor de NPSH da bomba. ataque da alheta. o plano de referência coincide com a linha central da transmissão. conforme demonstrado na Figura 14. 13 . Pressão estática do líquido O NPSH da bomba é independente da temperatura e do tipo do líquido que está a ser bombeado. NPSH NPSHF (Sem cavitação) NPSH início do ruído Pressão mais baixa na bomba Pressão do vapor Pressão 0 absoluta NPSH início da perda material NPSH0 (0% de perda de altura manométrica) NPSH3 (3% de perda de altura manométrica) Variação de pressão numa instalação de bomba em seco. Trata-se do plano horizontal que atravessa o ponto central do círculo descrito pela ponta do bordo de Fig. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Hrt = perdas de caudal na tubagem de entrada. Na realidade.Dimensões e pressões de referência para o cálculo do NPSH Para evitar a cavitação. 12.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. ∆h = quebra de pressão local no bordo de ataque da alheta. Fig. a pressão estática mínima na bomba (Pmin) tem de ser maior do que a pressão do vapor do líquido. O fabricante da bomba é obrigado a indicar o NPSH como um valor numérico ou uma curva. Pb = pressão ambiente ao nível do líquido.

que permite alterar a velocidade de rotação do seu impulsor. Por exemplo. O termo ht é positivo quando o plano de referência se encontra acima da superfície do líquido e negativo quando este se encontra abaixo da superfície. ou com valores de NPSH maiores do que NPSH3 (Figura 15). A cavitação prejudicial poderá ocorrer mais cedo do que o esperado. desde que seja utilizada uma curva cónica antes da entrada da bomba. pois é necessário. tais como a alheta do impulsor. O problema é que não existe nenhum modo exacto de testar e estabelecer este valor de NPSH. Carga Hidrostática H2  N2   = H 1  N1    P2  N 2   = P  N1  1   2 3 Potência Carga efectiva positiva de sucção H2  N2   = H 1  N1    2 47 . Através das leis de semelhança entre bombas centrífugas. A alteração destes dois parâmetros provoca alterações nas curvas características. as suas margens de segurança e métodos de medição. As variações técnicas de fabrico do formato do bordo de ataque da alheta podem afectar o comportamento da cavitação. existem muitas bombas centrífugas com velocidade de rotação variável. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas De acordo com os padrões de teste utilizados pelos fabricantes de bombas. o NPSHr é definido como a situação onde a altura manométrica da bomba sofre uma diminuição de 3% devido à cavitação. Este procedimento é muito frequente. Isto aplica-se especialmente às bombas de águas residuais. Na prática. Efeito da variação da velocidade do rotor com o diâmetro constante: Caudal Q2 N 2 = Q1 N1 NPSH disponivel = Pb pv − H rt − ht − ρg ρg (27) Margem de Segurança do NPSH NPSHdisponível >NPSHrequerido + Margem de segurança . O NPSH requerido também poderá ser afectado pela forma da tubagem de entrada.5 m. que têm um número reduzido de alhetas do impulsor. encontrar o caudal desejado ou os parâmetros de dimensionamento adequados. a curva de NPSHr publicada pelo fabricante deve garantir que a bomba não será danificada se for utilizada acima dessa curva. O raio de curvatura da linha central da curva não deve ser inferior a D1 + 100 mm. onde D1 é o diâmetro da abertura de maiores dimensões. Este valor pode ser denominado o NPSH da instalação sobrepressora. NPSH Disponível O NPSH disponível indica a pressão disponível para a aspiração da bomba sob as condições dominantes. possuem um mecanismo do tipo variador de frequências. isto é. As perdas de carga na tubagem de aspiração podem ser incorrectamente calculadas e o ponto de funcionamento real da bomba pode diferir do teórico devido a variações na curva Q/H e a cálculos incorrectos da resistência da tubagem de aspiração. A cavitação ligeira pode ser inofensiva para a bomba se as bolhas de vapor não implodirem perto das suas partes estruturais. uma curva de NPSHr baseada na regra de 3% do padrão é uma base insuficiente para a avaliação do risco de cavitação em bombas com poucas alhetas. Este valor é definido como NPSH3. Para bombas instaladas horizontalmente com tubagens de sucção rectilíneas. uma margem de segurança de 1 a 1. potência (P) e carga efectiva positiva de sucção (H) com a velocidade do rotor (N) ou com o diâmetro do rotor (D). Estas leis são relações entre: caudal (Q). Assim sendo. conhecendo a curva característica de uma bomba a uma determinada velocidade de rotação do rotor. 2. A margem de segurança do NPSH deve ser suficientemente grande para suportar variações numa situação onde as condições reais podem ser diferentes das calculadas teoricamente. Por este motivo. a margem de segurança deve ser definida entre 2 e 2. cuja metodologia foi seguida no presente trabalho. em muitas situações.11 Leis de semelhança O traçado das curvas características depende do raio do rotor (impulsor) e da velocidade de rotação deste.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. Para bombas instaladas verticalmente. A diferença entre os vários valores de NPSH é maior nas bombas equipadas com impulsores com menos alhetas. O NPSH. é possível determinar essa mesma curva a uma velocidade de rotação diferente.5 m é suficiente. REFERENCE GUIDE"(1997). é possível determinar curvas características de bombas a partir de uma conhecida. encontram-se detalhadamente descritos na publicação do EUROPUMP "NPSH FOR ROTODYNAMIC PUMPS. Em princípio. os impulsores monocanal registam as maiores diferenças nos valores de NPSH devido à quebra da curva do NPSH3 e os seus testes apresentam resultados demasiado favoráveis. carga a desenvolver pela bomba (H). O NPSH disponível é determinado pelo projectista da instalação.

H. (≤ N.S. Com esse ponto. Fig.).dis.Ponto de funcionamento de uma bomba 48 . Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Efeito da variação do diâmetro do rotor com velocidade de rotação do rotor constante: Q2 D2 = Q1 D1 Caudal Carga Hidrostática H 2  D2   = H 1  D1    P2  D2   = P  D1  1   2 3 Potência Carga efectiva positiva de sucção H 2  D2 = H 1  D1      2 2. temos o caudal que pode ser bombeado naquela instalação. o rendimento e o N. a potência absorvida.12 Ponto de funcionamento de uma bomba centrífuga O ponto de funcionamento de uma bomba corresponde à intercepção da curva característica da bomba (H/Q). com a curva característica da instalação.Conceitos Fundamentais de Hidráulica.S.req.P.P.H. 16 .

REFERENCE GUIDE QUINTELA.Conceitos Fundamentais de Hidráulica.PORTO EDITORA MACINTYRE. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2. ANTÓNIO C.FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN NOVAIS-BARBOSA.13 Referências bibliográficas EUROPUMP (1997) NPSH FOR ROTODYNAMIC PUMPS. (1981) HIDRÁULICA . J.ESTAÇÕES ELEVATÓRIAS DE ÁGUAS RESIDUAIS 49 . (1986) MECÂNICA DOS FLUIDOS E HIDRÁULICA GERAL . (1988) BOMBAS E INSTALAÇÕES DE BOMBEAMENTO GRUNDFOS (1996) MANUAL DE ENGENHARIA . ARCHIBALD J.

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SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO COM VELOCIDADE FIXA E VELOCIDADE VARIÁVEL Autor: Eduardo Nunes Director de Projectos da Profluidos Professor Adjunto Equiparado do Dept.ª Mecânica (DEM) do ISEL 51 . de Eng.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3.

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a satisfação dos seus clientes. rapidez de resposta e segurança de actuação.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A Profluidos A Profluidos . Em 25 de Outubro de 1988. integrado no Instituto Politécnico de Lisboa. caracterizada pela qualidade. por Decreto Régio de D. O ISEL O Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL) é a mais antiga escola de engenharia em Portugal. O ISEL conta actualmente com cerca de 6000 alunos. sempre devidamente adaptados às necessidades e assegura a indispensável assistência técnica. É uma empresa multidisciplinar. Formada por um Quadro Técnico Qualificado de especialistas que possuem uma longa experiência nos diferentes domínios de intervenção. Lda. pelo Decreto-Lei 389/88 passa a fazer parte da rede de estabelecimentos de Ensino Superior Politécnico. eficiência. tendo em atenção parâmetros que considera de capital importância. Este Instituto passou a ter estatuto de ensino superior com a denominação de Instituto Superior de Engenharia de Lisboa. por Decreto-Lei 830/74 de 31 de Dezembro. sendo especializada nas áreas das Instalações Especiais e do Saneamento Básico. garante a qualidade técnica dos projectos. a Profluidos. 53 . na procura de um produto final de qualidade. Maria II. Consultadoria e Assistência Técnica. Teve a sua génese em 30 de Dezembro de 1852. que criou o Instituto Industrial de Lisboa. especializada nas suas áreas de actuação. dispõe ainda de uma vasta equipa de consultores externos com formação técnica e pedagógica devidamente actualizada. 500 docentes e 130 funcionários não docentes. Com ampla experiência nacional e internacional. tendo como objectivo último. foi fundada em 1986 e intervenciona nas áreas de Elaboração de Estudos e Projectos de Engenharia.Gabinete de Projectos de Instalações Especiais.

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Nos sistemas por bombeamento directo podem considerar-se duas soluções alternativas. Fig. 2 . As aplicações cobertas por este tema são muito vastas e destinam-se principalmente aos sistemas prediais. em série ou em paralelo com as bombas.1 Introdução O presente capítulo deste manual tem por objectivo descrever e caracterizar os tipos de sistemas de elevação existentes. em função do caudal ou pressão. ao mesmo tempo que é operada também de uma forma automática uma válvula de controlo de pressão. O seu correcto dimensionamento.Instalação típica de centrais hidropneumáticas em edifícios de grande altura 55 .Válvula de controle de pressão em paralelo com as bombas HOTEL Fig. cada vez mais corrente no mercado. consiste em utilizar bombas de velocidade variável.2 Tipos de sistema de elevação de pressão Uma situação corrente tem sido a utilização de sistemas hidropneumáticos.3 Centrais hidropneumáticas 3.Um conjunto de bombeamento para os reservatórios. 1 . Na actualidade. abastecimento público e indústria. instalação e manutenção reveste-se da maior importância. Fig. que automaticamente. para garantir de modo satisfatório as exigências de caudal e pressão dos diversos aparelhos de consumo prediais. com ou sem membrana.Pressóstatos ou sensores de pressão.3. rega. com arranque e paragem automáticas. . adequam a velocidade de rotação às exigências de caudal que é solicitado em cada instante pela rede. apresentar a metodologia de dimensionamento dos seus componentes. em parte ou na totalidade dos pisos de um edifício. embora os mesmos princípios sejam extensivos a todas as demais aplicações. . 4 . tubagens e dos aparelhos de consumo.Um dispositivo para compensar o ar dissolvido na água (no caso de reservatórios sem membrana).1 Constituição e princípio de funcionamento Os principais órgãos de uma central hidropneumática são: .Bomba de velocidade variável A segunda solução consiste na utilização de duas ou mais bombas de velocidade fixa instaladas em paralelo. . nomeadamente os custos de instalação e exploração e finalmente da manutenção com influência na duração dos equipamentos.Um ou mais reservatórios fechados.Válvula de controlo de pressão em série com as bombas 3. A primeira solução.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. Tratam-se de sistemas sem o recurso a reservatórios hidropneumáticos. Quando a pressão que está disponível na rede pública de distribuição de água potável é insuficiente para garantir o funcionamento dos aparelhos de consumo. quer sob o ponto de vista económico. sob a acção de transdutores e circuitos electrónicos. tem vindo a divulgar-se a utilização de sistemas por bombeamento directo. 3. Face à vastidão dos seus campos de aplicação optámos por exemplificar os sistemas de pressurização com velocidade fixa e velocidade variável aplicados aos sistemas prediais abastecidos pela rede pública. 3 . Fig. torna-se necessário recorrer a dispositivos de elevação de pressão apropriados. Nestes sistemas existe obrigatoriamente um ou mais reservatórios metálicos onde a água é mantida sob pressão. quer sob o ponto de vista funcional. os requisitos principais relativos à sua instalação e custos de exploração associados.

>> 0) pelo que uma pequena variação de caudal é acompanhada por uma grande variação da altura de elevação e por consequência da pressão (curva típica de bombas multicelulares).1 Selecção das bombas A zona útil da curva característica de uma bomba é definida por critérios técnico económicos. Uma bomba não pode funcionar sem inconvenientes. O caudal de dimensionamento das bombas deve ser 15 % a 25 % superior ao caudal máximo do consumo previsto para o edifício.Selecção das bombas 56 . um sensor.Definição das curvas características das bombas No primeiro caso. Noutras. Esta zona é em geral definida pelo fabricante. quando duas bombas funcionam em paralelo.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável . No segundo caso as duas zonas não se recobrem. Característica inclinada em que qm ≥ 1/2 QM.Eléctrodos ou interruptores de nível. dá partida à bomba. ela deverá funcionar assim numa zona de bom rendimento. considera-se a zona de variação de caudal correspondente à parte útil da curva característica das bombas (fig. Para melhor precisar estas noções. Quando a água atinge o nível máximo a bomba é desligada. enchendo-se o reservatório. se for entretanto atingido um nível superior préfixado será accionado o compressor de ar. A pressão correspondente a essa descarga é a altura manométrica da instalação. ela é limitada pelos caudais mínimo qm e máximo QM. Em instalações de pequeno porte poderá ser utilizado com reservatórios ou carregador de ar ou reservatórios com membrana a separar a fase líquida da fase gasosa. um interruptor de flutuador. ou ainda. com caudais muito superiores ou muito inferiores ao caudal correspondente ao ponto de maior rendimento. 7 . 6).3. aumenta a pressão no seu interior e a almofada de ar comprime-se armazenando energia potencial (elástica). . 5 .Zona útil da curva característica de uma bomba Grundfos As curvas características das bombas podem ter diferentes configurações: Algumas caracterizam-se por apresentar um traçado de tangente praticamente horizontal. pelo contrário. Fig. a curvatura é acentuada (tangente 3. o que quer dizer que a uma grande variação de caudal corresponde uma pequena variação da altura de elevação da bomba e correspondentemente da pressão (curva típica das bombas monocelulares).Manómetros. pressóstato. Fig.2 Grupos electrobomba 3. 6 . Instalações de grande e médio porte exigem a aplicação de um ou mais reservatórios de membrana ou uma central de ar comprimido.3. protecção e controle das bombas e compressores. 6). a zona útil de variação de caudal das duas bombas recobre parcialmente a zona útil de uma única bomba (fig. O seu princípio de funcionamento é o seguinte: sempre que o nível da água atinge o ponto mais baixo no interior do reservatório hidrofórico. medidores de caudal e todos os sensores e equipamento necessário ao comando.2. Fig. Distinguem-se os casos: Característica pouco inclinada quando qm < 1/2 QM. À medida que o nível da água se eleva no reservatório.

Os órgãos que asseguram o arranque e a paragem das bombas são os pressóstatos.3. para C5 e por fim C4. Para se evitarem os inconvenientes descritos. para B5. O caudal médio de uma bomba determina-se pela expressão: Qm = em que: 2 Q2 2 ( a + Qa − Q p + Q p ) × 3 Qa + Q p Fig. Também se pode empregar a fórmula simplificada: Qm = Qa + Q p 2 3. Assim. . com passagem do ponto de operação de B5 para C5 seguida de uma evolução progressiva de C5 para C6 e assim por diante. ou seja. e operação com a curva 1P em que o ponto de funcionamento passa de B2 para A2.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A experiência mostra que quanto maior é a diferença de pressão entre o arranque e a paragem das bombas mais reduzido resulta o volume do reservatório. conforme está representado na figura 8. 3. São dispositivos providos de contactos eléctricos biestáveis. que permitem. Em A3 é atingida a pressão mínima. evolui-se progressivamente de B3 para B4 e seguidamente.1 Regulação manométrica A regulação manométrica é a mais utilizada. o arranque e a paragem das bombas são efectuados automaticamente. Nesta situação. . ocorre um salto brusco de A3 para B3. designada regulação manométrica.Paragem da terceira bomba 3P e passagem para um funcionamento com duas bombas. Qp .2. até A1. 8 Qa .3.Paragem da segunda bomba.Em cada arranque e paragem de uma das bombas. ocorre uma variação brusca do ponto de funcionamento e consequentemente. correspondente à curva 2P.2.caudal de paragem Verifica-se o mesmo procedimento quando as necessidades de água diminuem: . é posta em marcha a terceira bomba. o funcionamento também será irregular com paragens e arranques frequentes. a sua curva de funcionamento evoluirá de R1 para R6. Destacam-se alguns inconvenientes relacionados com este tipo de funcionamento: . do respectivo caudal e da pressão. bombas multicelulares. o funcionamento é instável com arranques e paragens frequentes da bomba. o ponto de funcionamento desloca-se progressivamente de A1 para A2 e A3.caudal de arranque.Quando o caudal solicitado pela rede for inferior a Qa0. o ponto de operação do sistema passa de C4 para B4. etc.2 Comando das bombas Nas centrais de pressurização com bombas de velocidade fixa. e realiza-se como se segue: Se o consumo da rede aumenta quando se encontra a funcionar apenas uma das bombas do sistema.Determinadas gamas de caudais não são abrangidas. através do circuito de comando a abertura e fecho dos contactores de potência. sendo o caudal debitado pelas bombas desajustado às necessidades.Evolução de A2. designada regulação debitométrica. . Se o consumo de água continua a aumentar. que são accionados mecanicamente pela pressão da água. se o caudal requerido cair e permanecer no interior destas zonas. 9).Evolução progressiva de C6. . o caudal debitado pela bomba aumentará para satisfazer o consumo. passando por todas as fases intermédias.Através do diferencial de caudal. .2. através de uma das duas opções: . 57 . deve instalar-se um depósito hidropneumático ligado ao colector de descarga comum das bombas (fig. correspondente à pressão máxima de funcionamento com três grupos electrobomba. Nesta evolução. Com o arranque da segunda bomba. tais como as zonas entre Qa3 e Qb2 e também entre Qb5 e Qc4. mas a pressão de descarga da bomba diminuirá.Através do diferencial de pressão. o que faz arrancar a segunda bomba do sistema e a curva funcional passa a ser a curva 2P (duas bombas em funcionamento). . a selecção dos grupos electrobomba deve ser a favor dos que se caracterizam por curvas características com inclinação acentuada.

Sobreposição com a zona de caudais debitados por n+1 bombas Fig. O somatório dos caudais individuais corresponde ao caudal global de valor aleatório. Um caudal compreendido entre Qa1 e Qb1 não poderá ser obtido com um funcionamento contínuo. 10. O dimensionamento de uma instalação tem como objectivo a satisfação do caudal de ponta. entretanto. É nesta situação de não sobreposição dos campos de caudais que o depósito se torna indispensável.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável pressão do ponto de funcionamento D. o excesso de caudal debitado pelas bombas alimenta o depósito enquanto não se atingir a pressão do ponto de funcionamento. de B' para B. é comprimido e expandido em função da pressão de funcionamento das bombas. A característica da curva de funcionamento do sistema varia continuamente em função do caudal solicitado pelos consumidores. 10 Modo de funcionamento: Arranque da 2ª bomba: No arranque. enquanto que o caudal fornecido à instalação (consumo) permanece praticamente inalterado. equipados com membranas que impedem o contacto do ar com a água. o funcionamento do sistema altera-se bruscamente do ponto C para D' e a partir de D' progressivamente para D. Fig. porque o caudal Qa2 é inferior a Qb1. esta diferença vai alimentar o depósito. A diferença de pressão entre C e D' deve-se também às perdas da carga da ligação ao depósito. O caudal Q' poderá ser garantido com n bombas (ponto A') ou n+1 bombas (B') em funcionamento contínuo. 11 . 9 O ar sob pressão. Um caudal compreendido entre Qb1 e Qb2 poderá ser fornecido com n+1 bombas em funcionamento contínuo. que estará compreendido entre 0 e Qmax. aprisionado na parte superior do depósito. No exemplo ilustrado na figura 11. depois progressivamente. A maior parte dos depósitos são. Fig. Ou seja a passagem de A para B' implica um aumento brusco do caudal de funcionamento das bombas. reduzindo os problemas de corrosão e evita a introdução de dispositivos de compensação de ar. Como se pode observar na fig. 12 . o ponto de funcionamento evolui rapidamente de A para B' e. verifica-se que há uma sobreposição das gamas de caudal entre n bombas e n+1 bombas em funcionamento porque Qb1 é inferior a Qb2. a presença do depósito hidropneumático altera ligeiramente os pontos de funcionamento do sistema. actualmente. A ligeira variação entre A e B' deve-se às perdas de carga no ramal de ligação do depósito. Fig. não temos qualquer sobreposição das zonas de funcionamento. ao contrário da água que é praticamente incompressível. Paragem da 2ª bomba: Na paragem.Gama de caudal coberta por n bombas Gama de caudal coberta por n+1 bombas 58 .Gama de caudais garantidos por n bombas . Um caudal compreendido entre Qa1 e Qa2 pode ser fornecido com n+1 bombas em funcionamento contínuo. Verifica-se então um funcionamento intermitente entre n bombas e n+1 bombas. impedindo a dissolução do ar na água. consumido pelo edifício e da respectiva pressão de operação. à medida que o depósito se esvazia para atingir a No exemplo ilustrado pela figura 12.

o período de um ciclo é tanto mais curto quanto: . Qc = Qn + Qn +1 2 Fig. Resultando um aumento do diferencial médio entre o caudal consumido e o caudal bombeado. Absorver as flutuações bruscas de pressão e de caudal durante a abertura e o fecho dos equipamentos de consumo (trata-se contudo de uma função secundária que não justifica por si só a presença do Depósito).3. Para se garantir uma pressão de utilização praticamente constante.1 Função do depósito hidropneumático O depósito hidropneumático tem uma função tripla: Servir de reserva. É importante assegurar-se que não é ultrapassada a frequência horária de arranques admissíveis.Redução da gama de caudais coberta pelas bombas e.o caudal absorvido ou fornecido pelo depósito for elevado (gama vasta de caudais não abrangidos pelo funcionamento das bombas). Esta diferença é absorvida pelo depósito.Flutuação da pressão.2. .Cobertura dos caudais em funcionamento contínuo Q = Caudal Médio 59 .a reserva de água for reduzida (um volume total do depósito reduzido ou um pequeno diferencial entre as pressões Pmin e Pmáx). mais probabilidades de ocorrerem situações de funcionamento intermitente. Sendo assim. 13 apresenta o tempo de duração de um ciclo em função do caudal.1. portanto. (fig. . 14) apresenta três consequências. .Tempo de duração de um ciclo em função do caudal A curva 3 da fig. .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. Conclui-se. que não se podem optimizar simultaneamente os seguintes parâmetros: . Contudo.Aumento da gama de caudais não coberta pelas bombas em funcionamento contínuo. 3.3. por conseguinte ao número máximo de arranques. obtém-se uma reserva de água no interior do depósito menor. é indispensável manter-se um diferencial mínimo entre as pressões Pmáx e Pmin.2. um caudal de enchimento e esvaziamento mais elevado.2. O caudal crítico Qc.Número de arranques do motor. 14 . absorvendo o excesso de caudal (Qconsumo < Qbombeado) ou complementado a insuficiência do caudal bombeado (Qconsumo > Qbombeado).2. Por outras palavras. Podemos considerar que o caudal médio corresponde a metade da gama de caudais abrangida.Maior frequência de arranques. . nas zonas em que o caudal não é garantido pelas bombas.1.Diminuição da reserva de água disponível (volume útil) no depósito devido à redução do diferencial de pressões.Volume de reserva de água. cujos efeitos serão: . conduzindo a uma maior frequência de arranques e paragens. um reduzido diferencial de pressões Pmin/Pmáx. corresponde ao ciclo de duração mínima e. Deverá efectuar-se um compromisso entre os três parâmetros.2 Períodos de funcionamento A duração de um ciclo completo conforme foi descrito anteriormente deverá ser tanto mais importante quanto mais elevada for a potência dos motores. Assegurar a manutenção de pressão na instalação quando todas as bombas se encontram paradas. 13 . . Fig. sendo o esvaziamento e enchimento mais rápidos. cujo valor diminui à medida que a potência dos grupos aumenta.

É uma solução "parcial" na medida em que esta temporização permite que o ponto de funcionamento ultrapasse os limites da gama de pressão estabelecida (ou seja. 16 . 17 Através do agrupamento de bombas com diferentes capacidades. será necessário dispor-se de um grande volume útil. fora deles. A temporização. No entanto. o que vai ao encontro de objectivo inicialmente pretendido. 15 . correspondente ao funcionamento com caudal nulo não seja demasiado elevada em relação à Pmáx. O reservatório de água representado na figura 17 é o exemplo de um reservatório de grande volume. Uma estrutura deste tipo é frequentemente utilizada em instalações de grande dimensão ou em estações elevatórias. (sendo a cobertura de caudais mais favorável). 18 . Três bombas principais dimensionadas para um caudal de 20 m3/h à pressão de 5 bar mais uma bomba de apoio de 10m3/h a 5 bar oferecem uma maior flexibilidade do que quatro bombas de 20m3/h. Fig. Fig. esta opção implica uma automatização da operação mais sofisticada e há que tomar em consideração a frequência de arranques da unidade de apoio.Quatro bombas de 20 m3/h Fig. sem ter de se enfrentar o problema de um número elevado de arranques. 15).Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Podem ser instalados temporizadores com a finalidade de retardarem a paragem ou o arranque de cada bomba (fig. que impõe um tempo de ciclo mínimo Tmin. utilizando bombas de velocidade fixa. só se encontra activa durante os ciclos mais curtos. 19). não tem qualquer influência (fig.Três bombas principais de 20m3/h e uma bomba auxiliar de 10m3/h Fig. maiores variações de pressão). 16). O custo de investimento não pode ser comparado ao de uma solução convencional em que já não se fala de pressurização mas de "distribuição". 18 e fig. é possível obter-se uma melhor cobertura da gama da caudais (fig.Influência das temporizações no deslocamento do ponto de funcionamento É importante que a altura manométrica total Hmt das bombas. 60 .Tempo de ciclo Para se obter uma variação de pressões extremamente reduzida entre o arranque e a paragem. 19 . Fig.

2. Contudo. tais como os devidos às fugas de caudal da instalação.3.1. 3. Observa-se que o arranque da primeira bomba é efectuado obrigatoriamente por pressão.3. devido à emulsão entre o ar em contacto directo com a água sobre pressão. Por este motivo. é de notar a persistência das flutuações de pressão.1 Introdução Os reservatórios de membrana. 21 . Deste modo. mais atenuadas são as flutuações de pressão. * Atendendo a que os factores limitativos são os componentes de controlo eléctrico e restantes componentes mecânicos.2. tais como de campos de golfe. utiliza-se este tipo de controlo nas instalações de maior importância. 21).3.2 Dimensionamento O cálculo da capacidade útil real de um reservatório (isto é. futebol ou hipódromos. oferecem a vantagem de não necessitarem de dispositivos de compensação do ar perdido. 20 . 3. Como regra geral. O dimensionamento destes órgãos tem por objectivo a determinação da sua capacidade e o número de unidades a aplicar. quanto mais potente for o motor menor deverá ser a frequência de arranques. de tal forma que acompanham o consumo. No entanto. A sua função está limitada a satisfazer as necessidades dos períodos de consumo reduzidos.3 Número máximo de arranques dos grupos electrobomba A frequência máxima de arranques dos grupos electrobomba deve estar limitada de acordo com a tabela abaixo. escolher valores adequados para se obter uma sequência ininterrupta do campo de funcionamento e. em geral.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3.2. a manutenção da pressão é assegurada pela bomba Jockey evitando a entrada de ar nas tubagens. a partir do momento em que a primeira bomba entra em operação. de acordo com a tabela 1 para bombas e motores especialmente dimensionados.3.3. que são tanto mais importantes quanto menor for o número de bombas em funcionamento (curvas mais inclinadas). também correntemente denominados depósitos de membrana.2. TABELA 1 Número máximo de arranques por hora de grupos electrobomba Potência do motor ( kW ) Número máximo de arranques ( horário) Duração do ciclo (segundos) 4 60 7. quando as bombas principais estão paradas (fig. Esta bomba Jockey. utilizados em pequenas e médias instalações.2.3. assim. o volume de água descarregado pelo reservatório com bombas paradas) resulta da aplicação da Lei de Boyle Mariotte para a expansão de gases: C = Vt Fig. Quanto maior o número de bombas em funcionamento paralelo. uma operação contínua dos grupos.Grupo de três bombas + Bomba Jockey 3. Uma regulação debitométrica é. utilizada para assegurar a manutenção da pressão da rede em sistemas de pressurização de grande dimensão. 3.5 15 40 30 18 25 20 20 60” 90” 120” 144” 180” Fig. evitam-se as flutuações bruscas e acentuadas de pressão devido ao escape de ar nos aspersores e ventosas. Podemos. ficando reduzida ao mínimo a margem de flutuação de pressão em todo o campo de operação. por conseguinte. tal como nos reservatórios tradicionais.3. bem como os arranques frequentes das unidades principais. Em determinadas redes de combate a incêndios ou rega. Deste modo.2 Regulação debitométrica Neste tipo de regulação o controlo dos arranques e paragens das bombas é efectuada através de caudais de referência (fig. dispendioso.3 Reservatórios de membrana 3. 20). pode ser mantida em funcionamento permanente. além de que a respectiva instalação no local é bastante mais delicada.3 Bomba auxiliar (Jockey) Trata-se de uma pequena bomba. evita-se a utilização de um depósito de grande capacidade.3. que são prejudiciais às canalizações. mais dispendiosa do que uma regulação manométrica. entre dois períodos de funcionamento consecutivos. ou imobilizada.Regulação debitométrica p p − pa p p + pt 61 . podem-se adoptar valores maiores que os anteriormente indicados*.

A . h2 .2 Vt.Capacidade útil necessária. Como a frequência máxima de arranques de uma bomba se verifica quando o consumo é igual a 50% do caudal bombeado. Vu .Volume total do reservatório (M3) Vr .Pressão barométrica (bar) Para calcular a capacidade útil necessária recorre-se à expressão: Cu = T A(Q − A) × 60 Q em que: T . Vu = Va × (p p + 1)− (pa + 1) Pp + 1 [ ]= V × (p a p − pa ) Pp + 1 62 .Caudal consumido pela instalação em litros. Cu .4. ou seja. 22 apresenta-se esquematicamente um reservatório hidropneumático.Capacidade útil real (litros) Vt .Volume de ar correspondente à pressão de arranque Pa. Vr = 0. Aplicando a Lei de Boyle Mariotte à expansão do volume de ar entre Pa e Pp vem: (Pp+1)×Vp = (Pa+1)×Va = (Pa+1)×(Vp+Vu) De onde resulta. é o limite de segurança de utilização de água do reservatório.Volume útil de água no reservatório. em litros. por minuto. Pa . com a finalidade de representarem as diversas grandezas em jogo.5d.Altura correspondente a Vr. também se baseia na Lei de Boyle Mariotte.Pressão de paragem (bar) Pa .Volume de ar correspondente à pressão de paragem Pp. Este volume deve ser da ordem de 20% do volume total.Volume residual.3. que se pode enunciar como: "À mesma temperatura. É o volume de água que é introduzido no reservatório.Pressão manométrica de arranque da bomba (bar).Número de arranques por hora da bomba.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável C .Caudal bombeado. Pp . Va . deve ser igual a 2.1 Dimensionamento O principio de funcionamento dos reservatórios hidropneumáticos. Q . h2 = 2.Duração de um ciclo em segundos.Pressão manométrica de paragem da bomba (bar). o volume ocupado por um gás varia na razão inversa da pressão a que se encontra submetido". Vt . tem como objectivo evitar a introdução de ar nas canalizações. Funciona como reserva sempre que houver consumo com as bombas fora de serviço.Pressão de arranque (bar) Pb . Esta altura. isto é.4 Reservatórios hidropneumáticos 3.5 vezes o diâmetro da canalização.Reservatório hidropneumático Grandezas a considerar: Z . entre o arranque e a paragem da bomba. a capacidade total necessária é de: Fig. compreendido entre os níveis de arranque (Pa) e paragem (Pp).3.Volume total do reservatório (litros) Pp . 22 . por minuto. Vp . durante o período em que a pressão do ar no seu interior aumenta de Pa até Pp. P V =P V =C 1 1 2 2 te Na fig. explicitando a equação para Vu: Ct = T ×Q 240 O número total de reservatórios necessários é de: N= Ct C 3. é o volume de segurança que está compreendido entre o nível de água correspondente à pressão Pa e o fundo do reservatório.

4 0. com estes valores no gráfico.32 0. Em que: Vt = Volume total em litros Qmáx = Consumo máximo provável do edifício expresso em litros/minuto. deduzidas por diversos autores como resultado de estudos teórico-experimentais.25 x Qm x (Pmín.2 0.16 0.33 0. b ) Fórmula deduzida por Ângelo Gallizio A expressão é aplicável a instalações com compressor Vt = 30 × Q pp +1 × z p p − pa Q . Indicam-se seguidamente algumas das mais utilizadas: a ) Fórmula proposta por Harold Nickels Vt = 10×Qmáx.4 0.8 Vt.4 0.27 0.2 0.13 0.5 d) Fórmula proposta pela norma brasileira NB-92 A norma brasileira utiliza um ábaco reproduzido na fig.) Pp 2 3 4 5 6 1 Pressão de arranque (bar) Pa 1.13 0. c) Pela fórmula da Grundfos Vtotal = 16.1 0. vem: Vu = 0. entrando com o número de arranque por hora e com os valores das pressões relativas de arranque e paragem obtém-se a relação entre o caudal da bomba m3/h e o volume total do reservatório Vt. 23.descarga correspondente ao consumo máximo da rede.9 m³ TABELA 2 Pressão de paragem (bar) (máx.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Considerando que o volume morto é igual a 20 % do volume total Va=0.26 0.+1) x (Pmáx+1) S ∆P Pc+1 Vtotal = volume total do depósito em litros S = número máximo de arranques por hora.4 0. obtém-se: Q/Vt =10 ∴ Vt = 9/10 = 0.08 0.3 0. em litros por minuto. 23 .5 l/s = 9m³/h Z = 8 arranques hora Pp = 4 bar (pressão relativa) Pa =2 bar (pressão relativa) Entretanto.29 0. Pc = Pressão de ar no depósito de membrana.Número máximo admissível de arranques horários. Fig.5 3 3.Volume total do reservatório hidropneumático (Vt) em função do caudal (Q) e) Fórmula de Valibouse V0 = T ×k HM − Hm 4 × H M + H b Qm (litros ) 63 . Z .Pmin. dependente da potência e fabricante do motor eléctrico Qm = caudal médio de uma bomba em l (min) Pmáx = pressão de paragem Pmín = pressão de arranque ∆P = Pmáx .5 2 2.34 0.8 × Vt × (p p − pa ) Pp + 1 Exemplo: Q = 2. Pc = Pmin-0.23 O cálculo do volume total do reservatório é feito através da aplicação de fórmulas empíricas. determina-se na tabela 2 a relação entre o volume útil Vu e o total Vt em função das pressões de arranque e paragem.24 0.5 4 0.

Pressão atmosférica T . 3. às exigências (quantitativas e qualitativas) dos diversos consumidores e aos condicionalismos próprios da instalação e da rede exterior. Há todo o interesse em pré-comprimir o reservatório a uma pressão vizinha da pressão de arranque Pa e adoptar um diferencial de pressão Pp-Pa tão alto quanto possível.Tempo de duração de um ciclo (minutos). 24. apresenta-se um esquema com bomba a aspirar directamente da rede. O arranjo da fig.Pressão máxima de paragem em bar. é uma disposição em que se aproveita também a pressão da rede.Tempo mínimo entre dois arranques consecutivos da mesma bomba. mostra-se um reservatório intercalado entre a rede exterior e os grupos de bombeamento.3. Vu = 1. HM . Hm . T .25 × T × Qm 4 Vt = Vu × (p a + 1)× (p p + 1) (pi + 1)× (p p − p a ) Fig.5 Exemplos de situações-tipo A concepção de um sistema de elevação de pressão deve ajustar-se em cada caso. O exame da fórmula diz-nos que o volume Vt do reservatório é proporcional às pressões de arranque e paragem.Coeficiente de segurança (K=1. é uma solução utilizada sempre que a pressão disponível na rede exterior é apreciável. 27 representa uma instalação doméstica típica em meios rurais com utilização de captação própria. Fig.Caudal médio (litros/minuto) f ) Cálculo considerado uma pré-compressão arbitrária Fig.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável T .Tempo mínimo entre dois arranques da mesma bomba K . com a vantagem de não se provocar uma descida apreciável da pressão de aspiração durante o arranque das bombas. 64 . e a garantia de uma reserva de água durante as interrupções do consumo.Bomba a aspirar da rede com reservatório de compensação Na figura 25.Pressão mínima de arranque em bar. Fig.Bomba a aspirar do tanque de armazenamento Pi .Instalação doméstica rural A fig. Qm . 26 . 26 tem como principais vantagens uma separação hidráulica entre a rede exterior e a do edifício. 25 .Bomba a aspirar directamente da rede Na fig. Ha .Pressão inicial de pré-compressão (bar). 27 . Por se considerar do maior interesse prático e sem a preocupação de ser exaustivo. 24 .2 em geral). caracterizam-se algumas situações-tipo documentadas com figuras.

.4. No estudo de um sistema por bombeamento directo deve começar por traçar a curva característica da rede. Observa-se que a bomba debita o caudal q a uma pressão mais elevada dissipando em perdas uma potência que pode ser considerável e cujo valor relativo é apresentado pela razão dos segmentos MB/MA Fig. 3.6 Características das centrais hidropneumáticas As instalações hidropneumáticas apresentam as seguintes características: . h). . Na fig.3. uma curva "ideal" que se pretende satisfazer. 29 . sendo a descarga directa à rede. 29. 28 aplica-se em edifícios situados em locais em que a pressão da rede exterior sofre grandes variações diárias. se assegura uma pressão compatível com o bom funcionamento de toda a rede do edifício. representam-se as curvas características de uma rede e de uma bomba. funcionando a instalação apenas nos períodos em que a piezométrica não é suficiente para alimentar todos os pisos em perfeitas condições. • conforto de utilização com uma pressão de utilização praticamente constante. a aspirarem directamente da rede exterior ou de um reservatório. Esta não é a curva real fixada pelas características das canalizações e aparelhos de consumo. mas sim.Instalação em "by-pass" A instalação da fig.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Na concepção e dimensionamento destes sistemas põe-se com particular acuidade os aspectos que a seguir se referem e cujas razões justificativas decorrem do texto que se segue: • segurança em serviço. como se sabe. 65 . 28 .Simplicidade de operação e manutenção.Custos iniciais reduzidos comparados com outros sistemas.Ocupação de um espaço reduzido. Suponha-se que o consumo se estabiliza no valor q correspondente ao ponto M de funcionamento da bomba (q. O ponto de funcionamento é descrito pela curva C2.1 Constituição e princípio de funcionamento Os sistemas por bombeamento directo caracterizam-se pela existência de uma ou mais bombas a operarem em paralelo. essa variação é normalmente apreciável.Flexibilidade para acréscimo da capacidade resultante de um aumento de consumo. Fig. correspondente à variação de consumo ao longo do dia. • minimização da potência perdida para economia de energia. .Ponto de referência R Nem sempre a zona de melhor rendimento da bomba corresponde a um bom rendimento da instalação. • garantia de funcionamento nos períodos de caudal reduzido. A curva é traçada em função de um ponto de referência R. Normalmente a curva característica das redes dos edifícios têm um andamento parabólico. 3. arbitrado de tal modo que para qualquer valor de caudal.4 Sistemas por bombeamento directo 3.

sempre que uma estação eleva directamente para a rede é importante minimizar a potência perdida o que pode ser conseguido adequando quer o número de bombas quer a sua velocidade. Po . do tempo de funcionamento e das anomalias.3 Selecção das bombas Com as curvas características extremas da rede e os valores do consumo máximo e mínimo (fig. • A altura mínima H2 relativa ao consumo mínimo da rede com a pressão máxima da aspiração. mostram-se várias curvas características de uma bomba com diferentes velocidades de rotação.3.4. 30 .Ponto de funcionamento da bomba instalada.4. quer por variação do consumo. a pressão é mantida constante. Em certas centrais uma das bombas é dimensionada para as horas de menor consumo. é necessário dotar a instalação quer de válvulas reguladas para evitar que a pressão ultrapasse valores indesejáveis na rede. RS.3. 3.1 Modo de funcionamento Nos sistemas de velocidade fixa a pressão de descarga nas redes é mantida aproximadamente constante.Potência teórica necessária para fornecer o caudal q. 30 o rendimento da dissipação é dado por RS/PS Resulta assim que. com a finalidade de se poupar energia nestes períodos. rpm Fig. Na figura 31.4.3. como se pode observar. independentemente do consumo da rede.32) determinam-se as alturas manométricas máxima e mínima das bombas: • A altura máxima H1 relativa ao consumo máximo da rede com a pressão mínima da aspiração.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3.Curvas características de uma bomba a diferentes velocidades 3. 66 .2 Bombas de velocidade fixa 3.3 Sistemas com bombas de velocidade variável 3. para os menores consumos correspondentes às horas mortas. por exemplo. o rendimento praticamente não varia com a velocidade.Potência perdida devido ao rendimento do motor e das bombas.Curva de potência Na fig. através da activação e paragem das bombas em consonância com as necessidades do consumo. Estas centrais fazem a alternância automática do funcionamento das bombas. quer com um pequeno reservatório hidropneumático.1 Modo de funcionamento Nos sistemas com bombas de velocidade variável.Potência dissipada inutilmente. Esta bomba tem geralmente 50% da capacidade das bombas principais. em função do caudal.Curva de potência teórica necessária para garantir no ponto R o caudal Q à pressão H0.2. para uma pressão constante de 7. QR . As variações da pressão de descarga das bombas provocadas quer por alteração da pressão de aspiração. rpm rpm rpm rpm rpm rpm 3. Por outro lado.4.5 bar e uma variação de caudal entre 500 e 1000 m3/h corresponde uma variação do rendimento máximo compreendido entre 70 e 80 %. são detectadas por um sensor que actua no variador de velocidade de forma a manter a pressão de bombeamento constante.4.2 Variação das curvas características O andamento da curva característica de uma bomba varia com a sua velocidade de rotação de acordo com as expressões: Q2 N2 = Q1 N 1 e H2  N2 = H1  N 1      2 N P ∴ 2 = 2 P1  N1      3 Fig. P . PQ . 31 .4.

por sua vez. o que pode traduzir-se no seguinte: . . usa-se um transdutor de pressão para efectuar a medição analógica da pressão em substituição dos pressóstatos (fig. 3. 33).Se Pmedido < Pajustado é emitida ordem de aceleração. proporcional à pressão medida. a instalação funciona de modo a manter a pressão constante. Independentemente do caudal requerido. 32. Nestes casos. Como as bombas operam a maior parte do tempo com valores médios de caudal e pressão de aspiração.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A pressão a ser mantida na conduta de compressão é assim: Pdescarga= H1+H aspiração mínima = H2 +H asp. diversas situações são praticáveis tais como: . a bomba deverá recalcar o caudal Qmin à pressão H2 (ponto F).Se Pmedida = Pserviço a velocidade mantém-se constante.Determinação das alturas manométricas máximas e mínimas Na fig. 33 . 34 O transdutor de pressão emite um sinal de 0-20mA.Zona de funcionamento das bombas 67 .4 Regulação manométrica Neste caso. . 32 . 35). A pressão de serviço pode ser materializada no controlador por uma recta horizontal ao longo da qual se desloca o ponto de funcionamento da instalação (fig. rodando sempre sincronizadamente. a manutenção da pressão da descarga traduz-se por rectas horizontais por C e por E e uma infinidade de. para situações intermédias. outras compreendidas entre essas.4. com o valor ajustado. Fig. . 32) são os pontos críticos de operação das bombas.3. Os pontos C e F (fig. 34). .As bombas com velocidade variável têm um limite mínimo de velocidade abaixo da qual não produzem caudal à pressão pretendida.Se Pmedido > Pajustado é emitida ordem de desaceleração. que foi pré-programado.Com apenas uma bomba em operação à pressão mínima. já não se verificam as limitações relacionadas com os diferenciais entre a pressão mínima e máxima como na regulação por pressóstato A regulação manométrica é efectuada em permanência quaisquer que sejam as aberturas e fechos de válvulas. onde as pressões H1 e H2 são diferenciais. .Instalar todas as bombas com velocidade variável. Existe um controlador que compara o sinal medido. 4-20mA ou 0-10V. Fig. o ponto de funcionamento com o caudal máximo de cada bomba (Qmáx) e altura manométrica máxima (H1) deverá situar-se à direita da zona de maior rendimento (fig.Com todas as bombas em funcionamento na rotação máxima. máxima pois a Pdiferencial = Pdescarga Haspiração Para o efeito. este irá controlar o variador de frequência da seguinte maneira: . as bombas deverão debitar o caudal Qmáx à pressão H1 (ponto C).Conjugar várias bombas de velocidade fixa com uma ou duas de velocidade variável que servirão para ajustar o ponto de funcionamento da instalação às exigências de caudal e pressão da rede. Controlador Controlador Fig.

o ponto de funcionamento desloca-se numa linha horizontal (pressão ajustada para serviço (fig. acelera-se a bomba de velocidade variável até se verificar um ligeiro excesso de velocidade da ordem de 52 a 55 Hz. Se o consumo aumentar (fig. O que se descreveu pode representar-se no esquema ao lado.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Bomba 1 Variação de velocidade Aumento do consumo Aceleração da bomba 1 Bomba 1 à velocidade máxima Pmedida < Pajustada Fig.Regulação manométrica. arranca ou pára uma das bombas de velocidade fixa. logo: PM1 > Pajustada significa desaceleração até que Pmedida = Pajustada A velocidade de rotação da bomba diminui e a curva de funcionamento das bombas passa a ser P' e o ponto M1 desloca-se para M2. Fig. 36). obter-se-á. as torneiras fecham-se. 37 Se a velocidade da bomba em variação atingir o valor mínimo ou máximo. a curva da rede R altera-se para R' e o ponto de funcionamento evolui de M passa para M1. 36 Fig. Na prática. 37). o consumo diminui e a característica da instalação vai de R para R'. independentemente do número de bombas em funcionamento: Qmáx n Bombas = Qmin n+1 bombas 68 . Arranque da bomba 2 de velocidade fixa A velocidade da bomba 1 diminui e ajusta-se até Pmedida = Pajustada Bomba 1 VV + Bomba 2 VF Pmedida = Pajustada Considerando que a reacção do sistema é rápida. Com efeito. se a bomba de velocidade variável for alimentada a 50 Hz no máximo. princípio de deslocamento do ponto de funcionamento No instante t. O ponto de funcionamento altera-se de M para M1. a que corresponde um ligeiro aumento de caudal. 35 .

.Campo de variação de caudal com 3 bombas Qmáx n = Q min n+1 Se o caudal consumido variar ligeiramente em torno de Q1 ou de Q2. por exemplo. embora este acessório seja dispensável. a sua inserção tem como vantagens. 38 .Campo de variação de caudal só com 3 bombas. enquanto não se verificarem alterações de caudal. correspondente à manobra dos órgãos da rede e assegurar os consumos reduzidos. o valor admissível para Q1 = Caudal máximo de 1 bomba com Velocidade Variável Q'1 = Caudal mínimo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável + 1 com Velocidade Fixa) Q2 = Caudal máximo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável + 1 com Velocidade Fixa) Q'2 = Caudal mínimo com 3 bombas (1 com Velocidade Variável + 2 com Velocidade Fixa) Fig. com uma instalação de velocidade fixa. independentemente do caudal. deve calcular-se a potência absorvida ao seu veio. • Número de arranques dos motores das bombas. associada ao número de bombas. o que oferece uma solução adequada para os seguintes problemas: • Cobertura constante de todos os caudais.Pode satisfazer-se um consumo aleatório. não sendo necessário manter-se o seu funcionamento prolongado em condições pouco próprias. • Pressão constante. para evitar uma sobrecarga no motor. 10 % de velocidade em excesso. • Volume do depósito hidropneumático reduzido.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Poderá ser obtido um caudal compreendido entre Q1 e Q'1 quer com uma ou duas bombas em funcionamento.Sendo assegurada a cobertura de todos os caudais. Observa-se que se a instalação compreender bombas de grandes dimensões e for necessário garantir-se um caudal mínimo sem vibrações dos grupos. Enquanto que. para se garantir a pressão do sistema.Esta regulação garante uma pressão perfeitamente constante. assegurar a manutenção da pressão na instalação quando todas as bombas se encontram paradas e absorver as variações de pressão gerada em regime transitório. o depósito hidropneumático poderá ser de dimensões reduzidas. na variação de velocidade controlamos ambos. Se optarmos por esta solução em que se admite um acréscimo da velocidade da bomba. controlaríamos apenas um parâmetro a pressão ou o caudal. dentro do tempo de funcionamento admissível. verifica-se: Qmáx n Bombas > Qmin n+1 bombas Q’ = Caudal máximo de 1 bomba com Velocidade Variável (55Hz) Q1 = Caudal mínimo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável + 1 com Velocidade Fixa) Q'2 = Caudal máximo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável 1 com Velocidade Fixa 55Hz) Q2 = Caudal mínimo com 3 bombas (1 com Velocidade Variável + 2 com Velocidade Fixa) Q3 = Caudal máximo de 3 bombas (1 com Velocidade Variável + 2 com Velocidade Fixa 55Hz) Fig. 39 . Na realidade. Evita-se o funcionamento contínuo com uma bomba à velocidade mínima. através da variação da velocidade de uma das bombas. compreendido entre 0 e Qmáx. com acréscimo de rotação Qmáx n > Qmin n+1 69 . quando o consumo tende para zero. sem arranques ou paragens. As principais vantagens relacionadas com a utilização da variação de velocidade em sistemas de pressurização são: . introduzindo um sistema de paragem debitométrica da bomba de velocidade variável. acontece o arranque ou a paragem de uma bomba de velocidade fixa. . em cada transposição destes valores. Se alimentarmos a Bomba de Velocidade Variável. com uma frequência de 53 ou 54 Hz. representa cerca de 33% de potência suplementar. assim como um funcionamento contínuo. as centrais hidropneumáticas de velocidade variável encontram-se frequentemente equipadas com um depósito de volume reduzido. • Economia energética. e daí o risco do número máximo de arranques ser excedido.

42). Tem de se considerar o desnível geométrico entre A e B.43). assegurar aos utilizadores uma pressão constante no ponto de consumo. É o princípio da regulação manométrica compensada. ii) Compensação das perdas de cargas Fig. mas este tem um valor constante e é independente do caudal. O respeito da igualdade "Pmedida = Pajustada" assegura uma pressão constante no ponto de consumo. também apelidado de manodebitométrico.3. ­ Transmissão de um sinal de 4 . Fig. Apenas uma pressão de controlo ajustada à curva de perda de carga. 40 . Para o efeito considera-se como caudal crítico: Q c = Q mínimo reduzido 2 Fig. a regulação manométrica. é igual à pressão em A menos as perdas de carga (PA-∆h) (fig. 70 . mas sim no local de consumo (fig. devido ao: ­ Custo do cabo. 42 Esta solução é interessante mas comporta determinados limites técnicos e económicos.∆hAB (figura 40).Perdas de carga antes da distribuição A pressão em B. A dificuldade da solução. Deve-se considerar o desnível geométrico. será efectuada. através de um sistema de controlo complexo e. As perdas de carga são integradas no algoritmo de controlo a fim de se obter uma pressão constante no utilizador mais desfavorável. é igual a PA . com base no caudal mínimo admissível à velocidade nominal N pela expressão: Q mínimo reduzido = Q min x N mínimo Nnominal Este caudal mínimo reduzido. tem como objectivo compensar o efeito das perdas de carga na rede de distribuição. a pressão em A não é igual em B. apesar de existir um sistema de variação de velocidade. ­ Passagem do cabo. devido às perdas de carga no troço compreendido entre A e B. denominada "pressão disponível". cujo valor varia com o quadrado do caudal. (curva parabólica) permite obter uma pressão no utilizador perfeitamente constante.20mA Pode encontrar-se esta solução. onde são instalados captores de pressão nos pontos mais nevrálgicos da rede. a pressão é mantida constante no local A independentemente do caudal. serve para o dimensionamento do volume útil do depósito. 41 Soluções a considerar: i) Deslocamento do transdutor de pressão 3. reside no transporte do sinal. PROBLEMA Com uma regulação manométrica clássica. A pressão em B. mas para tal.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável uma bomba à velocidade mínima Nmin determina-se facilmente.4. em certas redes urbanas de distribuição de água. Este tipo de regulação não permite.5 Regulação manométrica compensada Este tipo de regulação. A pressão já não é medida à saída do grupo sobrepressor. consequentemente dispendioso.

É importante ter presente as limitações de cada sistema a fim de se evitarem erros e desilusões. Esta solução que engloba um controlador sofisticado e um caudalímetro. conclui-se que um dispositivo de regulação. que forneça uma pressão de serviço perfeitamente coincidente com a curva de perdas de carga (fig. correcta ou insuficiente. mas o mesmo não se verificará nos pisos inferiores. Somos igualmente confrontados com este problema nos repuxos de água das fontes públicas. sendo contudo ideal uma compensação parabólica. 45). poderão surgir os seguintes problemas: • Se a pressão for mantida constante em A. estes pisos sofrem um acréscimo de pressão de modo a compensar as perdas de carga entre A e B. Medição do caudal Determinação da pressão de ajuste em função do caudal Valor do ajuste de pressão Medição da pressão Desvio da medição com o valor ajustado Comando Fig. 44).A medição da pressão é insuficiente Com efeito. ou segundo uma equação matemática correspondente. Em função do equipamento disponível. não oferece qualquer solução para os problemas colocados pelas perdas de carga na tubagem de distribuição. entre A e B (fig. No entanto. para tal. ponto por ponto. é necessário garantir a mesma pressão em cada tubeira e. Por exemplo. 43). é dispendiosa. por mais sofisticado que seja. deverão ser desprezáveis.A pressão de serviço P = f (Q) A pressão de serviço já não é um valor constante. 45 71 . 44 B. Fig. nos pisos superiores (em B) os utilizadores irão sofrer flutuações de pressão devido às variações das perdas de carga. Para se obterem jactos com a mesma altura. sofisticado (fig. assegura uma pressão constante nos utilizadores. as perdas de carga nas condutas de alimentação. este operará em associação com o reservatório hidropneumático. 43 Pode recorrer-se a uma compensação dita linear. 46). Por conseguinte. o que constitui uma abordagem interessante. mas. em que ocorrem perdas de carga elevadas. Fig. no caso em que ocorrem perdas de carga na aspiração. É portanto. num edifício onde existem perdas de carga importantes na coluna de distribuição. não permite manter uma pressão constante em todos os pontos de uma rede. uma dada pressão de serviço poderá ser considerada excessiva. O controlador apropriado é. independentemente do caudal. mas sim variável em função do caudal. • Se compensarmos as perdas de carga na coluna AB. Em que nas horas em que o consumo é elevado. que é dispendioso. a pressão de serviço ou é programada. necessário haver medição do caudal (fig. pode eventualmente assegurar-se uma pressão constante em B. 46 Fig. de acordo com o caudal de consumo. em contrapartida. A medição do caudal será efectuada por um caudalímetro electromagnético.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A .

bastante aproximados à realidade.200 0. desenvolvem métodos de dimensionamento que em geral são sensivelmente iguais entre si.Mede-se o caudal e a pressão no próprio local.350 0. industrial e de distribuição pública.5. Este processo utiliza-se no desenvolvimento de um projecto para uma nova instalação. 48). o caudal máximo da instalação.100 0.1 Cálculo do caudal a partir de diagramas Este método é utilizado sempre que os dados relativos ao projecto são bastante limitados. interior.5 Dimensionamento e selecção À semelhança da selecção de uma bomba.250 0.1. 48 3.700 Fig. O seu grau de precisão poderá ser considerado satisfatório.1. Os fabricantes de centrais hidropneumáticas. 3. Par tal. Os caudais indicados no diagrama são valores máximos (fig. Sabe-se que as perdas de carga quer sejam lineares ou singulares. os n pontos de consumo de água de um edifício nunca serão utilizados ao mesmo tempo.5. a experiência tem demonstrado que eles fornecem resultados satisfatórios. 3. de uma forma rigorosa.Calculam-se as perdas de carga correspondentes a um dado caudal.100 1. Ao caudal total assim obtido aplica-se um coeficiente de simultaneidade. São vários os métodos disponíveis para a sua quantificação. no caso de uma instalação já existente.Determinação do ponto de ajuste A determinação da relação perda de carga/caudal não é um processo complicado de se obter.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável C . são proporcionais ao quadrado do caudal: ∆h = K x Q2 Assim. e aplicam-se a qualquer tipo de redes. 47 3.250 0. deve considerar-se o caudal consumido em cada ponto de utilização.2 Cálculo do caudal em função do número de pontos de consumo Se o número de pontos de consumo for conhecido.350 0.500 0. é possível determinar.100 0. Fig.1 Determinação do caudal máximo Não é muito fácil determinar o caudal exacto de uma instalação. rega.005 0. Tabela de Caudais normais das utilizações segundo NFP41-204 Designação Lava-louça Lavatório Lavatório colectivo (por jacto) Bidé Banheira com serviço de água quente Banheira com cilindro de água quente Caudal normal l/s 0.050 0. porque os consumos de água flutuam em função da hora do dia e do tipo de ocupação do edifício em questão. o caudal e a altura manométrica. a selecção de uma central hidropneumática assenta em duas grandezas fundamentais. Banheira com esquentador Chuveiro (água fria ou misturada) Sanita com autoclismo Sanita com válvula de descarga Urinol com autoclismo automático. para se calcularem as perdas de cargas procede-se de uma das seguintes formas: . visto que.100 0. no local Urinol com torneira individual Boca de rega de 20 mm 72 . com a ajuda de ábacos ou de tabelas. nas informações técnicas que publicam.5. .

. . . . . 70 x 0. É de notar. . .10 0. Total .03987 K= 1 n −1 QD= 112 x 0. .35 l/s = 49 l/s 70 lavatórios x 2 . . . . . . ginásios. . . . . . . . . . para um hotel. . . . . . .10 l/s = 14l/s 70 lava-louças x 2 . . . . .20 0. . .10l/s = 7 l/s 630 torneiras 112 l/s Coeficiente de simultaneidade . . Por exemplo.15 0. . As torneiras de descarga funcionam apenas durante segundos. . . 140 x 0. 140 x 0. . .15 0. . . em que K. . Nos centros de férias. . . .10 0. . . . . . . . . . . . . . . repartidos por 3 horas de consumo (ou seja 100l/h de caudal instantâneo por quarto). 1. . . . que a fórmula apresentada para a determinação do coeficiente de simultaneidade só é válida para habitações. .03987 = 4. . . . . . . impõe-se um estudo para cada instalação específica. Não existe uma regra universal e cada projectista basear-se-á na sua própria experiência.50 0. . . .20 l/s = 28l/s 70 torneiras . No caso de hospitais. . .10 l/s = 14 l/s Pressão disponível necessária à entrada das torneiras de descarga . Exemplo Edifício de grandes dimensões com 70 habitações.5 bar Para válvulas de descarga de urinol . . . . .10 0. . . . é dado por: Qreal instantâneo = Qcalculado x K. . . . . . . . compreendendo cada uma: I 1 banheira 1 lavatório 1 bidé 1 lava-louças 1 sanita com autoclismo torneiras I I I I I Em conformidade com as Máquinas industriais e outros aparelhos instruções do fabricante 73 . . . ginásios ou parques de campismo. o respectivo coeficiente de simultaneidade é diferente. . . . . . . . 1. . . estas deverão ser calculadas à parte. . . . . . . . . . .10 0. . é o coeficiente de simultaneidade obtido: 70 bidés x 2 . . . . . .0 bar Sabe-se que o caudal instantâneo. .15 0. . . . Apresenta-se abaixo o quadro para estabelecimento dos caudais instantâneos segundo o decreto lei nº 23/95 Caudais Instantâneos Dispositivos de utilização Lavatório individual Lavatório colectivo (por bica) Bidé Banheira Chuveiro individual Pia de despejo com torneira de ∅ 15 mm Autoclismo de bacia de retrete Urinol com torneira individual Pia lava-louça Bebedouro Máquina de lavar louça Máquina de lavar roupa Tanque de lavar roupa Bacia de retrete com fluxómetro Urinol com fluxómetro Boca de rega ou lavagem de ∅ 15 mm Boca de rega ou lavagem de ∅ 20 mm Caudais mínimos (l/s) 0. . .15 0. .45 sendo n o número de torneiras. . . . . podemos adoptar como base de cálculo 300 litros por dia e por quarto. . . . . . deveremos tomar em consideração a utilização simultânea de todos os chuveiros.20 0. . . . . não funcionam em simultaneidade com os outros aparelhos (ver tabela). . . . . . hotéis. . . .30 0.46 l/s = 16 m3/h No caso de habitações equipadas com válvulas de descarga.15 0. .20 0. mas normalmente. . . . 140 x 0. . . k = 1 Caudal de dimensionamento do edifício é: 630 − 1 = 0. . . . . . centros férias. . . quartéis.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Torneiras a descarregar nas habitações Número de torneiras instaladas 1a3 3 a 10 11 a 20 21 a 50 mais de 50 Em funcionamento simultâneo 1 2 3 4 5 1º método Leitura directa do ábaco 70 habitações ⇒ 18m3/h 2º método Considerando o número de pontos de consumo de água 70 banheiras x 2 torneiras . . 140 x 0.5 0. escolas. . . . . .25 0.

49 .1. No caso de prédios muito altos ou de edifícios antigos. a altura média de cada andar nos edifícios recentes. ∆hasp .5. Para a sua determinação rigorosa.5. 3.1.2.1. um edifício de 10 andares.1.2. pode considerar-se cerca de 10 % da altura geométrica.2. 51 .8 bar 3. ou ábacos de perdas de carga. deverão ser adicionadas as perdas nas singularidades tais como curvas. Deve ser da ordem de 1.Ligação à rede de abastecimento municipal Pasp = Prede .5.2 Perda de carga Como valor expedito. Um valor utilizado na prática é de 3 m por piso a vencer.Hasp Fig.2. ou seja.Número de fluxómetros em utilização simultânea Número de fluxómetros Instalados 4 a 12 13 a 24 + de 24 Em utilização simultânea 2 3 4 3. teríamos: Hg = 30 m (10x3 m) Pd = 15 mca ∆h = 3 mca ( 10 % de Hg) Logo.Pasp) 3. a) Ligação à rede de abastecimento municipal (figura 51) 3.5.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. À perda de carga contínua.∆hasp . válvulas.Caudais de cálculo em função dos caudais acumulados Quadro . Exemplo prático Tomando como exemplo.3 Pressão disponível É a pressão mínima que deverá estar disponível no dispositivo mais elevado ou no ponto mais desfavorável. deverá ser realizado o cálculo das perdas de carga nos diferentes troços da coluna com base em equações apropriadas.2 Determinação da pressão A altura manométrica total determina-se por: (Hmt=PDesc .É mantida uma pressão mínima de funcionamento dos aparelhos de 15 mca na torneira mais desfavorável sob o ponto de vista de elevação.5. deve ser determinada a sua dimensão exacta.2.Perda da carga entre a rede de abastecimento municipal e a boca de entrada das bombas 74 . será necessário prever uma pressão de descarga de: Pdesc = 30 + 15 + 3 = 48 mca = 4.5.1 Altura geométrica Desnível geométrico entre o nível da bomba e do ponto de consumo mais elevado.5 bar em locais de habitação. 50 .4 Pressão de aspiração Depende do tipo de ligação existente. Fig. etc.1 Pressão de descarga Serve para: ­ Vencer a altura geométrica de descarga Hg ­ Compensar as perdas de carga na rede ∆h ­ Assegurar a pressão de funcionamento dos aparelhos de consumo (pressão de utilização ou pressão disponível) Pd Pdesc = Hg + ∆h + Pd Hg Fig.

5 mca Caso 2. 52 . Hmt = Pdesc .1.Pasp= 48 .1 .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Prede.5 mca.Pressão mínima na rede de abastecimento de água Hasp .2 )= 50 mca. Conclui-se que a central hidropneumática deverá vencer uma altura manométrica Hmt de 30 mca 3. excepto se a instalação estiver equipada com um colector de aspiração especialmente estudado para o efeito. conforme descrito anteriormente. ∆hasp = 1 mca.5 .1 = 18 mca subtraindo à pressão de descarga calculada. porque é difícil de estabelecer um ∆P de 1 bar entre a pressão mínima (Pmin) e a pressão máxima (Pmáx) numa curva QH muito plana.3 bar.Desnível geométrico da bomba em relação à rede (sinal +.5. No caso de bombas com curvas planas não deverá ser ultrapassado 0.no caso contrário) Constata-se frequentemente que a pressão de aspiração é da mesma ordem de grandeza da pressão na rede. Pasp = -1. Aspiração em carga (positiva) ∆Hasp = + 2 mca. cada bomba deverá possuir a sua própria tubagem de aspiração.2 mca. Exemplo (com Pdesc = 48 mca. Por exemplo: Prede = 2 bar. Pasp = 2-0. sinal . Hmt = Pdesc.3 Regulação das pressões de arranque e paragem A diferença entre a pressão máxima (pressão de paragem da bomba) e a pressão mínima (pressão de arranque) é em geral regulada com um valor compreendido entre 0. Aspiração negativa ∆Hasp = -1. se a bomba estiver instalada abaixo da rede de abastecimento.Central em carga (Aspiração Positiva) No caso da central funcionar com aspiração negativa. b) Ligação através de tanque Fig. Logo.5 = .5 mca.3 a 1 bar.5 mca.5 =1. Pasp = 20 .18 = 30 mca. No caso das bombas de velocidade variável este problema não se coloca devido ao seu tipo de controlo. temos: Hmt = 48 . ∆hasp = 0.0. 75 .Pasp = 48 . calculado previamente) Caso 1.5 = 46. Hasp = 1 m (bomba instalada 1 m acima do nível da rede).5 m ∆hasp = 0.( .

Applications. The Hydraulic Design of pumps sumps and Intakes MACINTYRE.Principe. 17 .6 Referências bibliográficas AGHTM . Bombas e Instalações de Bombeamento MACINTYRE.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. J.Association Génerale des Hygiénistes et Techniques. Prossen. Archibald Joseph. Archibald Joseph. Dimensionnement.La Surpression . Les Stations de Pompage d'Eau M. Les Cahiers Techniques Nr. 1995 76 . Instalações Hidráulicas Office International de l'Eau.

CRITÉRIOS DE SELECÇÃO E ANÁLISE DE SISTEMAS SIMPLES EM REGIME TRANSITÓRIO Autor: Eduardo Nunes Director de Projectos da Profluidos Professor Adjunto Equiparado do Dept. de Eng.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4.ª Mecânica (DEM) do ISEL 77 .

78 .

Fluxograma de cálculo Observa-se que o sistema deverá ser testado depois de implementado. com consequente separação das colunas de líquido ou pressões excessivas. As linhas piezométricas de funcionamento em condições estacionárias poderão ser representadas. e traçam-se as respectivas envolventes no perfil da conduta de forma a determinarem-se os pontos em que ocorrem pressões inferiores à pressão de vapor. grupos electrobomba e dispositivos de protecção em regime transitório.1 Introdução O comportamento das condutas elevatórias. a velocidade de escoamento. etc. – Caudal e pressão de funcionamento. durante manobras de válvulas. 79 . – Limites de funcionamento admissíveis. níveis de água. variações de velocidade de escoamento. fecho de válvulas.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. – Diâmetro das condutas e respectivo material. O programa de cálculo do regime transitório em condutas complexas para bombas CR. uma vez que os cálculos se baseiam em modelos matemáticos. Com base nas condições de funcionamento do sistema e das falhas esperadas. calcula para pequenos intervalos de tempo e num grande número de pontos ao longo do sistema. – Integração noutros sistemas. A aplicação do método. obriga a que se disponha da seguinte informação: – Perfil do sistema de condutas. Fig. – Outras particularidades do sistema em análise. que como não podem deixar de ser. de forma a determinar-se facilmente a pressão de operação em cada ponto da conduta. tempos de paragem de grupos electrobomba. superiores à pressão admissível para o material das condutas. volumes aspirados e descarregados de reservatórios. têm sempre um grau de hipóteses simplificativas. Calculam-se as depressões e sobrepressões que ocorrerão em regime transitório. 1 . O perfil da conduta elevatória permite-nos visualizar o seu desenvolvimento. com determinação das pressões extremas ao longo da conduta até se encontrarem valores aceitáveis e seguros. identificar os pontos críticos e os locais apropriados para instalação dos equipamentos de protecção. Isto permite-nos seleccionar os métodos de protecção mais adequados e assumir dimensões para início de cálculo. etc. pode ser analisado por cálculo automático utilizando o método das características. O cálculo é realizado por tentativas. paragem e arranque de grupos electrobomba. comportamento das condutas durante a paragem e arranque dos grupos electrobomba com arrancadores suaves. o valor da pressão.

reservatórios. t.coeficiente de atrito da conduta D .D Equação da continuidade L2: Ht + a2 g x vx = 0 (2) vv = 0 (1) Com: H . As duas equações são: Equação do movimento L1: g. • O elemento convectivo da equação da quantidade de movimento é desprezado. por exemplo: (1) .Hx + Vt + λ 2. 80 . sendo x (ao longo do eixo da conduta) e t (no tempo). etc.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4.diâmetro interior do tubo g . A equação do movimento deduz-se da segunda lei de Newton. • Mesmo durante o regime transitório. 2 . aplicada a um pequeno volume de controlo tal como o representado na figura 2.Forças actuantes num volume elementar de fluido. As equações têm como base as seguintes considerações: • O escoamento é unidimensional e desta forma a velocidade e a pressão são constantes em cada secção transversal da conduta. tais como bombas. mudanças de características de condutas. suficientemente simplificado para ser adaptado em cálculo computacional e é constituído por duas partes fundamentais: – A descrição da propagação de ondas de pressão no interior de uma conduta – A modelação dos diferentes componentes de um sistema.Nível de referência Hx = ∂H ∂x Fig.2 Modelo de cálculo O modelo de cálculo desenvolvido pelo método das características.Linha piezométrica (2) . nós de condutas. válvulas. A equação da continuidade diz que a diferença entre o volume de líquido que sai e entra no volume de controlo é igual à variação do volume de controlo e do fluido devida à alteração da sua densidade. • O comportamento do material das paredes da conduta e do fluido é linear e elástico. o cálculo das perdas de carga é feito com base na equação de Colbrook-White aplicada em regime estacionário. ∑ Forças = massa x aceleração O método das características consiste na transformação destas duas equações diferenciais parciais em duas equações diferenciais comuns equivalentes que podem ser integradas numericamente ao longo de determinadas curvas no plano x.altura manométrica v . Passamos a apresentar as equações diferenciais e a sua transformação em equações de diferença finita apropriadas para cálculo numérico.velocidade de escoamento λ . assim como a inserção das condições de fronteira. trata-se de um modelo matemático. Os componentes do sistema representam as condições de fronteira necessárias para a resolução das equações diferenciais. A propagação das ondas de pressão é descrita por duas equações de derivada parcial: A equação do movimento e a equação da continuidade. designadas como curvas de equações características ou simplesmente curvas características.velocidade de propagação das ondas de pressão (celeridade) Os índices caracterizam as variáveis independentes das derivadas parciais.aceleração da gravidade a .

t) e H = H(x.dt dH = Hx. 3 . a equação (3) resulta em outras duas equações que são equivalentes às equações originais (1) e (2). Para uma escolha adequada dos valores de µ. Se a equação (11) for multiplicada por a. é suficiente uma aproximação do primeiro grau para a determinação do último termo (exceptuam-se os casos em que o termo do atrito é dominante tal como no caso de escoamento de óleos muito viscosos).dt Dividindo ambas as equações por dt resulta: dx dv + vt = vx.e. é possível simplificar a equação 3. (6) (7) Os termos entre parêntesis da equação (3) comparam-se com os termos à direita das equações (6) e (7) pelo que teremos: dx g dx µ.QA) + x QA x |QA| = 0 (16) gxA 2 x g x D x A2 c- 81 .dx + vt. dt dt dH dx = Hx. t. no plano x. Estas curvas características.t) são funções de duas variáveis independentes x e t cujas derivadas totais podem ser apresentadas da seguinte forma: dv = vx. As curvas representam fisicamente.e. podem ser integradas entre os pontos A e P e B e P respectivamente e desta forma obtêm-se duas equações para a determinação das duas incógnitas v e H no ponto P. Se os valores de v e H forem conhecidos nos nodos A e B da grelha. a propagação de perturbações (ondas de pressão) ao longo do plano x.a2 = e = (8) dt µ dt g A equação (3) pode ser escrita como uma equação diferencial ordinária: dH dv λ x v x|v| µ + + =0 (9) dt dt 2xD A equação (8) dá-nos os dois valores necessários para µ: g (10) µ=+ a Para cada valor µ da equação (10) obtém-se a partir das equações (9) e (8) uma equação diferencial ordinária (chamada equação da compatibilidade) e a respectiva equação da curva característica ao longo da qual ela poderá ser integrada: g dH dv λ x v x|v| x + + = 0 (11) a dt dt 2xD dx =+a dt Fig. Resolvendo a equação (15) resulta: a λ x ∆x Hp . H (12) –g x dH + dv + λ x v x|v| = 0 (13) a dt dt 2xD dx = –a (14) dt } } H ∫ dH + A P a x gxA Q P Q A ∫ dQ + λ 2xgxDxA 2 X X ∫ Qx|Q| x dx = 0 A P (15) c+ Em geral. no caso particular da celeridade ser considerada constante. as equações (11) e (13). No intervalo de tempo ∆t = ∆x/a.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Para este propósito as equações (1) e (2) são combinadas numa equação linear L1 + µ. a equação (12) representa uma linha diagonal de uma grelha com um gradiente positivo (i. em que inicialmente o valor do factor µ é escolhido arbitrariamente assim resulta: g a2 λ x v x|v| µ(Hx x + Ht) + (vx x µ + vt) + =0 (3) µ g 2xD Para dois valores reais de µ. dt / g = dx / g e se a velocidade v é substituída pelo quociente entre o caudal Q e a secção recta da conduta A obtém-se uma equação com uma forma adequada para integração ao longo da característica C+.HA + x (QP . AP) e a equação (14) também representa uma linha diagonal da mesma grelha mas com um gradiente negativo (i. sendo cada uma somente válida ao longo da curva característica. v = v(x. determinadas pelas equações (12) e (14). transformam-se em linhas rectas de gradiente +a e -a.L2 = 0.Curvas características representadas no plano x. t. diferentes e aleatórios. t. BP). Para a resolução numérica das equações (11) e (14) divide-se a conduta em N partes iguais de comprimento ∆x (figura 3). + Ht dt dt (4) (5) Com a escolha adequada do factor µ as duas equações diferenciais de derivada parcial (1) e (2) são transformadas em duas equações diferenciais ordinárias totalmente equivalentes (11) e (13).dx + Ht.

permanecendo o resto do programa inalterável. estas teriam de ser constituídas por uma sucessão de paragens e arranques de parte dos grupos de bombeamento. Isto poderá ser realizado por: – Atribuir um dos dois valores de fronteira.QB) – 2 x QB x |QB| = 0 (17) gxA 2xgxDxA Com ajuda das equações (16) e (17) as duas incógnitas Hp e Qp podem ser facilmente determinadas.e. 82 . dentro de um critério de probabilidade significativa. os valores iniciais nos nodos da grelha são os valores de Q e H em regime estacionário quando t = 0. que substituído na equação de compatibilidade válida para esta fronteira permite calcular o outro valor (i.Características nas fronteiras Desta forma é necessário dispor-se de uma condição de fronteira em cada extremidade. alteração do volume de ar num RAC) quer por substituição do seu modelo matemático (mudança de subrotina de cálculo). admitiram-se como válidas as hipóteses significativas habitualmente consideradas. Embora seja possível considerar manobras capazes de produzir flutuações de pressão mais elevadas. tendo a compatibilização entre os intervalos de tempo nos diferentes troços de conduta. é uniforme nas secções transversais da conduta. obedecem à condição de estabilidade do método de cálculo (número de Courant Cr = aδt/δx <1). pela sobreposição de efeitos.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório De maneira semelhante obtém-se uma segunda equação pela integração da equação (13) HP – HB – a λ x ∆x x (QP . No cálculo do sistema durante o regime transitório. a equação da curva característica de um ou vários grupos electrobomba em conjunto com a equação (17) permite calcular os valores Qp e Hp) A precisão e o tratamento explícito das condições de fronteira (isto significa um tratamento independente dos pontos interiores). em instantes determinados. que não é razoável ocorrerem acidentalmente. 4. O tratamento explícito das condições de fronteira. causada por uma falta generalizada de energia. – Ou introduzindo uma relação funcional Q = f(H) a qual permite em conjunto com a equação da compatibilidade aplicada a essa fronteira determinar Qp e Hp (i. Este procedimento aplica-se apenas para a determinação dos pontos interiores da grelha. – O comportamento reológico da água e do material das condutas é elástico e linear. quer seja pela mudança dos dados iniciais (i. – Os termos convectivos das equações da continuidade e da dinâmica são desprezáveis. ver figura 4 para cálculo dos valores aí desconhecidos QP e Hp. consiste na paragem simultânea de todos os grupos electrobomba. Os valores de todos os pontos no interior da grelha (P) são determinados no instante seguinte t = 1 x ∆t pela resolução simultânea das equações (16) e (17). Os intervalos de tempo e os comprimentos dos trechos de cálculo considerados. porque em cada extremidade da conduta apenas se tem uma única condição de compatibilidade. – As perdas de carga unitárias são iguais às de um escoamento uniforme com a mesma velocidade média. permite a sua fácil modificação ou substituição (introdução de um dispositivo de protecção). a cota de descarga num tanque colocado na extremidade de jusante da conduta Hp = Cte permite determinar o valor de QP pela equação 16). admitindo-se que este se mantém puramente turbulento. e desta forma ser aplicado para o cálculo de sistemas complexos constituídos por várias condutas e várias condições de fronteira. no início da conduta aplica-se a equação (17) e no fim a equação (16) de acordo com a figura 3. Com base nos últimos valores de Q e H calculam-se novos valores para o instante t = 2 x ∆t e assim sucessivamente. O método das características. pelo que permite a optimização da dimensão dos dispositivos utilizados. é muito mais fácil e poderosa do que a que se realiza pelo método gráfico aproximado desenvolvido por SCHNYDER/BERGERON. representam as vantagens mais importantes do método das características. – A altura cinética do escoamento na conduta é desprezável face à altura piezométrica. 4 .e. – A distribuição da velocidade e de pressão. – O eixo das condutas é imóvel e desprezam-se as forças de inércia do invólucro. sido efectuada com recurso à interpolação entre as condições do escoamento em secções de cálculo consecutivas. Esta forma de se dimensionarem os dispositivos de protecção.3 Critérios de cálculo Admitiu-se que a situação mais desfavorável para o sistema. tais como: Fig. pode ser associado a técnicas de interpolação. Na modelação do comportamento das condutas.e.

devido à sua simplicidade e ao poder de aplicação. = Q X Ht DN2Q + ENQ2 + FN3 Com os coeficientes D. tais como do comprimento das condutas. à das bombas. O rendimento das bombas é considerado variável em função da velocidade de rotação e do caudal e dado por: h 4. pode ser determinada em cada instante pela equação: Ht = AN2 + BNQ . E e F determinados de forma semelhante aos anteriores. Esta modelação é efectuada admitindo que a altura total de elevação das bombas Ht. de regulação.) do comportamento das ondas de pressão que se pretendem limitar (depressões ou sobrepressões). reservatórios unidireccionais (RUD). quando os motores forem eléctricos. do seu perfil.1 Volantes de inércia Os volantes de inércia consistem em massas girantes que são intercaladas nos veios de grupos electrobomba (figura 5) ou motobomba. este meio será adequado para controlar as pressões transitórias.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. Atendendo a que as bombas se encontram munidas de válvulas de retenção de acordo com as Normas Portuguesas. VÁLVULAS DE ALÍVIO As válvulas de alívio destinam-se a limitar as sobrepressões nas condutas a valores previamente regulados e são aplicadas em complemento aos RAC. Entre os dispositivos mais utilizados contam-se os volantes de inércia. condutas de aspiração paralela. ou quando apenas se verificam sobrepressões em regime transitório. válvulas de alívio. válvulas de controlo. dos motores. 83 .CQ2 em que N é a velocidade de rotação. temperatura. é efectuada. desde que se consiga estabelecer o respectivo modelo matemático. conteúdo de sedimentos. chaminés de equilíbrio. etc. etc. Se o tempo em que ocorrer a anulação do caudal bombeado for superior ao período da conduta elevatória 2L/a. Na modelação da variação do volume de ar no interior dos RAC. Sempre que o termo AN2 da curva funcional da bomba for superior à altura estática de elevação. dependendo do grau de complexidade da rede a proteger. sendo as sobrepressões consequentes automaticamente atenuadas. Obviamente quanto maior for o momento de inércia do volante.). do líquido transportado (composição química. A aplicação de volantes de inércia poderá obrigar ao sobredimensionamento dos motores. 4.4 Condições de fronteira GRUPOS ELECTROBOMBA As características funcionais dos grupos electrobomba. deverão ser as constantes nas curvas características dos fabricantes. a modelação das condições de funcionamento das bombas. e às características eléctricas. OUTRAS CONDIÇÕES DE FRONTEIRA Todas as restantes condições de fronteira. Admitiu-se a verificação em cada instante da equação da continuidade na derivação para os RAC e da igualdade das cotas piezométricas no interior do RAC e no ponto de derivação da conduta. Há um limite de aplicação dos volantes de inércia devido à sua resistência mecânica. atenuar-se-á o valor da onda de pressão. A escolha do dispositivo a utilizar em cada caso depende das características do sistema. maior será o tempo de anulação do débito e maior será a atenuação das ondas de pressão transitórias. a bomba irá bombear. Se a redução do débito da bomba tiver lugar num período suficientemente longo. ou uma combinação de vários dispositivos de protecção. considerou-se a equação: PV1.2 = Cte Sendo P a pressão absoluta no interior e V o volume de ar. RESERVATÓRIOS DE AR COMPRIMIDO A principal função dos RAC consiste em evitar a ocorrência de depressões na conduta. com a finalidade de limitar as ondas de pressão transitórias e valores aceitáveis. O método das características. viscosidade. Para certos casos particulares. concebem-se dispositivos de protecção que poderão ser simulados por cálculo computacional. poderá utilizar-se um único. etc. de válvulas (válvula de nível em reservatórios. tais como alterações das características da conduta e da descarga no reservatório. Para proteger um sistema. B e C são coeficientes determinados a partir da respectiva curva característica à velocidade nominal. considerando apenas as zonas de bombeamento normal ou de turbinagem por abaixamento da pressão a jusante. etc. de forma a que o seu binário de arranque seja adequado para que a colocação em marcha da bomba tenha lugar num período de tempo aceitável. permite de uma maneira fácil analisar o comportamento de um sistema simples ou complexo. Q o caudal bombeado e A. reservatórios de ar comprimido (RAC). dotado de um conjunto de dispositivos associados para sua protecção. válvulas de retenção intercaladas na conduta.5. do tipo de grupos elevatórios. sem necessidade de se recorrer a volantes de dimensões excessivas.5 Dispositivos de protecção Os dispositivos de protecção são órgãos que se introduzem nos sistemas de transporte de líquidos. foram modeladas através da consideração da equação da continuidade e da constância das cotas piezométricas. com o objectivo de aumentar a sua inércia e desta forma a ampliar o tempo de paragem do grupo e consequentemente a diminuição do caudal debitado pela bomba será mais suave.

um método possível para a proteger. deixará de estar em equilíbrio com o da conduta. transformando-se a energia potencial armazenada no gás em energia cinética de escoamento.5. no interior do qual se encontra aprisionada uma dada massa de um gás. armazenando consequentemente energia potencial elástica. 4. durante a fase da onda de pressão positiva. sendo hp1 e hp2 determinados por (18) e (19) respectivamente: hP1 = hR – CR (vP1 – vR) – CR x 2fRvR |vR| ∆t g g dr CS (vP2 – vS) – CS x 2fSvS |vS| ∆t g g ds (18) hP2 = hS – (19) 84 . está sujeita à pressão de funcionamento da conduta na secção de ligação e está em equilíbrio com o ar. ou a afluir ao reservatório no caso contrário. As válvulas de retenção apenas permitem o escoamento em direcção ao reservatório. Fig. São vasos metálicos fechados. Fig. em geral o ar e uma dada massa do líquido transportado pela conduta. A sua aplicação está em geral limitada a condutas com uma extensão até 2000 m. de forma a fazer a sua subdivisão em trechos de pequena extensão. O dimensionamento de um volante de inércia é simples. No caso da sobrepressão a massa de gás diminui de volume. o líquido passará a abandonar o reservatório no caso de um abaixamento da pressão na conduta. 6 . que fica por sua vez submetido à pressão da conduta. Quando ocorre a inversão do fluxo. Paralelamente com a variação de pressão na conduta.Alteração da envolvente das pressões máximas numa conduta protegida com válvula de retenção.5. atenuando desta forma a amplitude da onda de pressão transitória. a válvula não permite tal e vp1 = vp2 = 0. Para se restabelecer o equilíbrio. à custa da energia cinética de escoamento. aumentando a sua pressão e consequentemente a respectiva energia potencial elástica.Grupo electrobomba equipado com volante de inércia 4.3 Reservatórios de ar comprimido Os reservatórios de ar comprimido. com períodos curtos. para que as ondas de pressão transitórias sejam mantidas dentro de limites aceitáveis. O gás e o líquido podem estar em comunicação ou separados por uma membrana elástica. 5 .2 Válvulas de retenção Se o perfil de uma conduta elevatória tiver uma altimetria tal que esta apenas fique sujeita a sobrepressões durante o regime transitório correspondente a uma manobra das bombas. Na fase de depressão o volume do ar aumenta. basta aumentar a inércia do conjunto de bombeamento e recalcular o comportamento do sistema. que origina uma variação de pressão na conduta junto à secção de ligação do reservatório. Em regime estacionário (permanente). são dispositivos de protecção de condutas que actuam por diminuição da taxa de variação de caudal. haverá uma variação de pressão da almofada de ar. em que o tempo de anulação de caudal durante a paragem da bomba é suficientemente longo. Quando se inicia um regime transitório. o líquido armazenado no seu interior e submetido à acção do gás. a massa de líquido do interior do reservatório. Para esta situação o cálculo é efectuado como se se tratasse de uma transição com vp1 > 0.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Outras razões que limitam a aplicação de volantes de inércia são económicas e dimensionais. RAC. é o de se intercalarem válvulas de retenção ao longo da conduta.

Com hgas2 determinado. a possibilidade de fecho violento das válvulas de retenção dos grupos de bombeamento. e 1. At = π 4 d2t. Como em geral o volume de cálculo do reservatório varia 10% quando se varia o expoente entre 1 e 1.Esquema de princípio de um RAC Substituindo o valor de hp nas equações características + C. hgasi representa a pressão absoluta do gás. Estes valores são designados por hti e hpi respectivamente. Considerando pela equação da continuidade: A1 vp1 + A2 vp2 dht ∆t A1 vp1 = At + A2 vp2 ∴ ∆ht = dt At ( ) em que At é a área transversal do RAC. o que exige a aplicação de compressores isentos de óleo (compressores hospitalares) no caso de grandes reservatórios e de dispositivos de controlo automático. No início do cálculo. têm como principais vantagens a sua simplicidade. a altura do líquido no interior do tanque terá de ser conhecida. A passagem da onda de pressão transitória através do reservatório.(16) e C (17) calculam-se facilmente os valores de vp1 e vp2. assim como a energia potencial na secção de ligação do reservatório à conduta. ht2 = ht1 + ∆ht (21) em que ht1 é a altura do líquido no início do intervalo de tempo ∆t e ht2 no fim. consiste na combinação de uma análise em regime quase estacionário do funcionamento do reservatório. mas ela é praticamente atenuada e o seu valor é trivial. Aplicando a equação PVn = Cte correspondente aos processos politrópicos aplicados a um gás perfeito.diâmetro interior hb . 7 . a pressão do ar no interior do reservatório passa a ter o valor de.altura do reservatório dt . com um tratamento em regime transitório do sistema de condutas. hgas2 = –h ( ll – h ) t t1 t t2 n x hgas1 (22) O expoente da transformação politrópica do ar no interior do reservatório poderá variar entre 1 correspondente aos processos isotérmicos.cota de inserção do RAC na conduta Fig.2 recomenda-se a utilização para o expoente politrópico n o valor de 1. calcula-se hp por hp = hgas2 + zt + hb + ht2 (23) Fig. Como desvantagens pode-se referir a necessidade de haver um controlo apertado da massa de gás. fiabilidade e disponibilidade no mercado.4 nos processos adiabáticos. Uma técnica analítica de cálculo. 85 . Por encomenda podem obter-se reservatórios com capacidades superiores e reservatórios sem membrana de qualquer capacidade.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Estes dispositivos muito divulgados. o custo em geral elevado. não é considerada no modelo de cálculo.altura da base do reservatório zt . A altura do líquido no interior do reservatório no final do intervalo de tempo ∆t é dada por. Encontram-se disponíveis correntemente no mercado reservatórios de membrana com capacidades até 2 m3. principalmente dos reservatórios de grande capacidade e a exigência de manutenção.2. hgási = hi – zt – hb – hti (20) Uma vez que a pressão absoluta na secção de ligação é hi (hi = hp no instante anterior). A pressão do gás no interior do reservatório é estabelecida em termos de uma coluna de líquido equivalente hgás. facilidade de aplicação e controle. 8 It . Com estes valores determina-se o volume de água admitido ou expulso do reservatório durante o intervalo de tempo ∆t e consequentemente a variação de nível do líquido no interior do reservatório.

Durante o regime variável este dispositivo divide em geral a conduta em dois troços que se comportam de forma diferente. Quando tal não se verificar. Como em geral o caudal é reduzido. o erro introduzido por esta simplificação é desprezável. limitando-se desta forma o abaixamento de pressão. Quando ocorre uma paragem da bomba. o dia da semana ou mesmo a hora do dia. as duas equações características são resolvidas para se determinar o caudal e a pressão. permanecendo outras em funcionamento. resultando em equipamentos mais económicos e com menor potência instalada por unidade. quando o volume de água que é necessário transportar for reduzido. Durante o curto intervalo de tempo ∆t associado à discretização das equações. a altura do líquido na chaminé poderá ser considerada constante sem grande erro. No segundo trecho compreendido entre o dispositivo e um reservatório ou outro dispositivo semelhante. A estação poderá não estar sempre em funcionamento e o escoamento dar-se-á através do circuito de desvio. aplicam-se as equações. algumas das estações poderão ser retiradas de serviço. É uma aplicação típica em condutas forçadas longas. a válvula de retenção impedirá o escoamento da compressão para a aspiração. em que o volume de água a transportar varia com a estação do ano. Na análise do comportamento do sistema. de forma a que o caudal debitado esteja de acordo com as necessidades. turbina ou válvula e a chaminé. Assim. enquanto a bomba se encontrar a funcionar em regime estacionário as condições de operação são as representadas. 86 . O valor da pressão mínima será assim superior ao que teria lugar se o circuito de desvio não existisse. ocorre em geral uma oscilação em massa. durante os períodos em que o escoamento for realizado pela acção da gravidade. 4. Ou seja. substitui-se a condição de fronteira correspondente à bomba por uma simples junção. 9 . permitindo por exemplo diminuir a classe de pressão dos tubos. como por exemplo em condutas de transporte de água potável para abastecimento domiciliário e industrial. A parte superior da chaminé encontra-se aberta à atmosfera. colocadas em linha e equipadas com circuito de desvio. Na modelação. Para diminuição da amplitude do líquido no interior da chaminé. Nas estações imobilizadas o escoamento far-se-á através dos circuitos de desvio. Também poderá ser aumentada a capacidade de transporte.6 Circuito de desvio Em certas situações pode estabelecer-se um circuito de desvio aos grupos electrobomba. por vezes dota-se a ligação chaminé-conduta de um dispositivo destinado à geração de perda de carga. O circuito de desvio poderá desempenhar um papel de protecção da conduta. ou as perdas de carga em linha forem apreciáveis.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. O trecho compreendido entre a bomba. haverá uma queda de pressão no ramo de compressão.Esquema de um circuito de desvio a um conjunto de bombeamento (perda de energia na válvula) VP1 = Q A1 VP2 = Q A2 Noutros casos em que o caudal transportado é variável.7 Chaminés de equilíbrio Numa conduta equipada com bomba e chaminé de equilíbrio como se mostra na figura 10. Estas equações reduzem-se a uma equação quadrática em Q. de uma conduta com funcionamento por acção da gravidade pela intercalação de estações elevadoras de pressão (booster). evitando as depressões no ramo de compressão. se a pressão cair a um valor inferior ao do ramo de aspiração. a altura de elevação das bombas é repartida pelas diferentes estações. equipado com uma válvula de retenção conforme se mostra no esquema da figura 9. durante as horas de máximo consumo. O tratamento destes dispositivos é semelhante ao apresentado para os RAC. sem que a equação que modela a bomba esteja presente. a válvula de retenção abre-se e passará a haver escoamento de montante para jusante. neste troço é mobilizada a energia elástica do fluido e da conduta. durante a paragem de uma bomba deverá verificar-se se a pressão de jusante se mantém superior à de montante. Quando as bombas estiverem em operação. Esta aproximação despreza o escoamento que tem lugar através da bomba durante a sua paragem. deverá incluir-se um termo separado para quantificar a perda de pressão (energia) na válvula de retenção. sendo actualizada em cada instante. g (hP1 – hR) + CR aR g – g aS (v P1 – vR) + 2 fR VR VR ∆T =0 dR (24) (h P2 – hS) + (vP” – vS) + v2P1 2g 2 fS VS VS ∆T =0 dS (25) hP1 – hP2 = k Fig. dotadas de várias estações de bombeamento em linha. Quando os desníveis geométricos.

Considerando pela equação da continuidade: ap1 vp1 = Ach dhch dt Ach é a área transversal da chaminé Ach = π 4 A altura do líquido no interior da chaminé no final do intervalo de tempo ∆t é dada por: H2 = H1 + ∆Hch em que H1 é a altura do líquido no início do intervalo de tempo ∆t e H2 no fim. de betão armado ou escavado na própria rocha.e C+ calculam-se facilmente os valores de vP1 e vP2.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Substituindo o valor de hP nas equações características C. Em alternativa poderá ser armazenado água proveniente de uma fonte externa. Na escolha do local para a sua instalação deverá atender-se aos seguintes aspectos: – Características topográficas do terreno. – Amplitude das ondas de pressão. Fig. Com estes valores determina-se o volume de água admitido ou expulso da chaminé durante o intervalo de tempo ∆t e consequentemente a variação de nível do líquido no interior da chaminé. Para estes casos o modelo matemático da condição de fronteira é semelhante ao utilizado para o RAC. 87 . H = hP1 – ha Uma vez que a pressão absoluta na secção de ligação é hp1. 12 . Antes de continuar o cálculo deverá verificar-se se a altura do líquido no interior da chaminé é positiva.Esquema de uma chaminé de equilíbrio O dimensionamento de uma chaminé de equilíbrio compreende: – O estudo do perfil da conduta para escolha do local mais adequado para a sua instalação. estes dispositivos consistem num tanque onde é armazenado o líquido transportado pela conduta. Salvo casos especiais. em que a velocidade do líquido no seu interior é lenta. 10 . com a superfície livre em contacto com a atmosfera. A ligação entre o reservatório e a conduta é dotada de uma válvula unidireccional (válvula de retenção). – Impacto da estrutura no ambiente.Chaminé de equilíbrio desenho tipo da SABESP Fig. para atenuação das amplitudes extremas de oscilação do plano de água. Com H2 determinado calcula-se hp por hP = H2 + ha + Ap2 vp2 ∴ ∆hch = Fig.8 Reservatórios unidireccionais Os reservatórios unidireccionais são dispositivos de protecção especialmente vocacionados para atenuarem as ondas de pressão negativas. – Cálculo de secção transversal e de um eventual estrangulamento. 11 (a p1 vp1 + ap2 vp2 Ach d ch 2 ) ∆t 4. que permite o escoamento no sentido RUD conduta e impede-o no sentido oposto. – Cálculo estrutural. 13. e ha representa a pressão atmosférica. Conforme se poderá observar na fig. as chaminés são em geral constituídas por um tubo metálico.

O tipo de paragem dos grupos. procede-se a um primeiro período de fecho rápido e a manobra final mais longa. no caso de água tratada e a propagação de cheiros no caso de águas contaminadas. Fig. é a de se dispensar o ramal de enchimento. uma vez que o período de imobilização dos grupos electrobomba é prolongado. 4. conclui-se que o RUD só entra em funcionamento quando a altura piezométrica na conduta for inferior à da superfície livre e que não há escoamento no sentido conduta RUD. o qual poderemos designar por reservatório parcialmente bidireccional. é especialmente vocacionado para ser instalado em pontos altos. sendo o seu efeito semelhante ao dos volantes de inércia.Reservatório parcialmente bidireccional 88 . A grande vantagem. 14 . A partir do instante em que as alturas se igualem a análise passa a ser semelhante à de uma chaminé de equilíbrio. de condutas destinadas a transportar águas residuais. estão separados pela válvula de retenção que se encontra fechada. foi adoptada uma variante. admite o refluxo parcial de líquido ao tanque. 4. o que não acontece no RUD. 13 . o RUD permite a alimentação da conduta aquando a cota piezométrica for inferior à da superfície livre do líquido. são excelentes órgãos para a atenuação das variações da pressão ao longo das condutas. Caso contrário. como a conduta continuará a ser alimentada. permitindo desta forma actuar também sobre as sobrepressões. for inferior à cota da válvula de retenção. Para proteger esse local. o líquido armazenado no RUD e o que se encontra em escoamento na conduta. Devido às desvantagens referidas em relação ao RUD. Estes dispositivos não podem ser considerados dispositivos de protecção uma vez que não actuam em caso de falha de energia eléctrica da rede de alimentação. sempre que a cota piezométrica no interior do dispositivo. a análise é semelhante à de uma simples junção. o tempo de anulação de caudal é aumentado. assim como os períodos a decorrer entre paragens sucessivas. necessitou projectar um dispositivo. a altura piezométrica na conduta não está em equilíbrio com a massa de água armazenada.9 Reservatório parcialmente bidireccional O autor deste trabalho. o cálculo em regime transitório na secção de ligação é idêntico ao de uma simples transição. 4. para proteger uma conduta elevatória destinada a transportar águas residuais. Em regime permanente. É constituído por um reservatório construído em polietileno de alta densidade e dotado de uma válvula de retenção. assim. é semelhante à da chaminé de equilíbrio. é a do líquido armazenado para protecção. Este dispositivo. não era possível nesse caso a sua adopção. Em geral para se evitar tempos de manobra longos.10 Dispositivos de manutenção das pressões transitórias Para atenuação dos efeitos do choque hidráulico.2 Arrancadores suaves Os arrancadores suaves quando procedem também a paragens suaves.10. Evita-se dessa forma a inquinação. A análise deste dispositivo. 4. Pelo descrito.1 Válvulas motorizadas As válvulas motorizadas deverão possuir meios de fecho adequados.Reservatório unidireccional Devido à sua concepção. durante a paragem e arranque dos grupos electrobomba poderiam ser utilizadas válvulas motorizadas ou arrancadores suaves. a altura piezométrica na zona de ligação é regulada pela cota da sua superfície livre. Fig. Enquanto a altura piezométrica na conduta for superior à da superfície livre do RUD. durante as operações normais de arranque e principalmente paragem. conforme representada na figura 14.10. isto porque a actuação das válvulas sobre o escoamento não é linear. que apresentava um ponto alto num local isolado. não ficar em contacto com a atmosfera. de vários grupos podem ser devidamente determinados com a introdução de subrotinas de cálculo apropriadas. Outra vantagem. devendo os tempos de manobra ser determinados por cálculo. Devido à concepção do RUD. apresentada por este dispositivo.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório O reservatório parcialmente bidireccional.

300 Pressão de abertura m. Se não se realizar esta associação.m-2 Diâmetro do impulsor D = 400 mm Coeficientes da curva característica A = 1. são do tipo multicelular.56 x 10-1 C = 5. concluindo-se que era necessário proteger a conduta com dispositivos adequados.0 x 1010 kgf m-2 Módulo de compressibilidade da água E = 2.a.m-2 PD2 do motor 92. Cálculo final Em face do comportamento descrito para o sistema em regime transitório.0 VÁLVULA DE ALÍVIO Mínimo 4. Dos resultados do cálculo efectuado. de pequena inércia comparada com a energia transferida ao fluido a elevar e por consequência com um reduzido tempo de anulação de caudal.375 m3/s Cota de descarga no reservatório 373. o volume RAC seria exagerado. e após várias hipóteses de cálculo para os dispositivos de protecção.3 m Grupos electrobomba em funcionamento n = 2 (paralelo) Velocidade de rotação N = 1400 rpm PD2 da bomba 5.1 Máximo Adoptado 6. foi seleccionado um RAC associado a uma válvula de alívio.1 Material Ferro Fundido Dúctil Módulo de elasticidade da conduta E = 1. 390 1 89 .0 Condições de descarga Caudal m3/h 1.c.37 x 103 Os grupos electrobomba instalados em número de três nesta primeira fase. Comprimento da conduta elevatória L = 2808 m Diâmetro Ø = 500 mm Espessura da parede e = 7.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4.7 7.92 x 10-4 B = 6.11 Caso prático Os dados de cálculo inicial. com funcionamento de um número máximo de dois em paralelo.3 mm Rugosidade absoluta equivalente k = 0.86 kgf. foram os que se passam a indicar nos itens seguintes.1 x 108 kgf m-2 Caudal em regime estacionário Q = 0. verificou-se que ocorre uma zona de depressão extensa (gráfico 1) e que a sobrepressão subsequente tem um valor muito elevado.00 kgf. dimensionados conforme o gráfico 1. Análise dos resultados de cálculo O cálculo inicial foi realizado considerando que os dois grupos bombeiam através da conduta sem qualquer protecção. Resultados de cálculo final Volume de ar m3 RAC Inicial 5.

L’Eau. R. 1969 Rosich. B. Tome II Paris. 1973 Nichile. TSM . M. Puech. Golpo d’ariete in condotte elevatorie. Elsevier 1976 Li. R. M. J. J. F. Le coup de bélier dans les canalizations de refoulement: Calcul et préparation La Technique de L’eau IDEL’CIK. D. Caldinhas A. Fluid transients in hydro-electric engineering pratice. Ch... 1977 Rosich. n. Lisboa. Mechanics of Pipe flow following column separation Journal of the Engineering Mechanics Division. Napoli. C. I. Blackie.. O. 1974 Roche. Sul calculo del PD2 negli impiante di sollevamento L’Energia electtrica n. Détermination des Dimensions caractéristiques d´un reservoir d’air sur ume installation élévatoire. Exemplo de cálculo de choque hidráulico com volante de inércia pelo método gráfico de Bergeron. Developments in Water Science. Lisboa LNEC. n.E. Prentice Hall. Fluid Transients Mc Graw-Hill 1978 90 . A. Sousa. Applied Hydrulic Transients Van Nostrand 1979 Meunier. ASCE. Parmakian. A.. Water hammer and surge Pipeline design for water engineers. Válvulas anti-golpe de aríete desenvolvimento Brasileiro Revista DAE Duarte. New York. Golpes de aríete em condutas. H. 1960 Stephenson.. Hydraulique urbaine. Étude du functionement et du dimensionement des ballons d’air anti-belier Bulletin Technique de Génie Rural. Guéneau. B.º 8. Attenuazione mediante volanti Universitá de Napoli.. H. Seminário 238. 1963 Dubin. J. Transitórios hidráulicos. 1977 Stephenson. A. Eyrolles. A. Paris.A. E. C. Hydraulic analysis of unsteady llow in pipe networks. M. Réservoir anti-bélier à régulation d’air automatique.12 Referências bibliográficas Almeida. A. 1981 Martins. LNEC. W. Abril. Manual de protecção contra o golpe de aríete em condutas elevatórias.º 242. 1978 Fox. M. La Houille Blanche. London.. Mac Millan. M. Chiari. E. Julho 1963 Wylie. 1962 Timoshenk Resistência dos materiais Ao Livro Técnico S. A. Mémento des partes de charge. Glasgow and London. Streeter. Le coup de bélier dans les pompages: Son calcul simplifié La Technique de L’eau Funel. J.º 6. 1971 Livingston.º 6. 1979. Instituti Idraulici. Waterhammer analysis. 1955 Reis A. Protecção de instalações de recalque através de tanque hidropneumático Revista DAE Chaudhry. L. N.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. C. Wilson. Protection des refoulements d’eaux usées. C. 1955 e New York. Vol 88. n. C.º 124 CTGREF. E. n. Parecer sobre o dimensionamento de condutas metálicas sujeitas a sub pressões Universidade de Lisboa CEMUL Dupont. Discharge tanks for suppressing water hammer in pumping lines International conference on pressure surges Jaeger. E. Eyrolles Paris. G. D. Dover. M. Synopsis of surge control equipment Water and Water Engineering. 1978 De Martino. M. V.

Lda. Hidráulica e Ambiente.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5. O CUSTO DO CICLO DE VIDA COMO FACTOR DE ECONOMIA Autor: Paulo Ramísio Engenheiro Civil (FEUP) Mestre em Engenharia do Ambiente (FEUP) Assistente do Departamento de Engenharia Civil da Universidade do Minho Sócio da SBS – Engenharia Civil. 91 .

92 .

3 Razões para a utilização do CCV Os sistemas de pressurização são compostos por um conjunto de obras de construção civil. Um dos grandes objectivos duma metodologia desta natureza deverá ser o rigor e a isenção.Consumo mundial de energia eléctrica Trata-se portanto de um consumo significativo. eles são parte integrante de um sistema indissociável entre si. da instalação e do modo como o sistema irá operar. • O Departamento de Energia dos Estados Unidos. A energia consumida e os materiais utilizados por um sistema dependem das características da bomba.). age como porta-voz dos 15 principais fabricantes de bombas e representa mais de 400 fabricantes. incluindo sistemas de bombeamento. O Europump serve e promove a indústria europeia das bombas hidráulicas. para a implementação de sistemas de elevada eficiência de energia. Enquanto algumas partes do sistema apresentam praticamente todo o seu custo durante a construção. instalação. Como exemplo. O investimento inicial é geralmente uma pequena parte do Custo do Ciclo de Vida para sistemas de pressurização. tubagens e acessórios. 5. colecta. paragens. com base nas informações disponíveis. Sistemas de Bombeamento (20%) Fig. A correcta escolha de todos os componentes de um sistema de bombeamento apresenta-se assim como uma oportunidade para uma redução nos custos globais da instalação. equipamentos. transporte e tratamento de águas residuais. 5. Como qualquer investimento. 93 . Consumo mundial de energia eléctrica Outras Aplicações (80%) Ou • O Europump. pode ser realizado por várias metodologias. desmontagem e desmantelação do equipamento. nos equipamentos electromecânicos o custo de aquisição poderá representar apenas 10% dos custos globais associados a esses equipamentos. assim como uma longa durabilidade. fundado em 1917. Estabelece padrões e organiza fóruns para a troca de informações técnicas há mais de 80 anos. etc. ao longo da sua vida útil. instalações de rega.2 O que é o Custo do Ciclo de Vida? O Custo do Ciclo de Vida (CCV) é uma ferramenta de gestão que pode ajudar a minimizar os desperdícios e a maximizar o rendimento para variados tipos de sistemas. ambientais. é a maior associação de produtores e de fornecedores da América do Norte.1 Introdução Os sistemas de pressurização representam por vezes custos não desprezáveis no mercado da construção para habitação. prevenção da poluição e tecnologias para aplicações industriais. Estima-se que o elevado número de sistemas de bombeamento existentes a nível mundial. consomem cerca de 20% da energia eléctrica global (Europump. de forma isenta. equipamento eléctrico e electromecânico. estabelecido em 1960. nas suas mais variadas aplicações (abastecimento público e predial de água potável. Representa os custos de aquisição. A identificação de todas as parcelas envolvidas apresenta-se como uma etapa fundamental nesta metodologia. ensaios. A minimização dos custos globais nem sempre é uma tarefa fácil. Quando o CCV é utilizado como uma ferramenta de comparação entre diferentes alternativas. No presente documento optou-se por seguir a metodologia proposta pelas seguintes entidades: • O Instituto Hidráulico (HI). A avaliação dos custos do sistema ao longo da sua vida útil.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5. O Custo do Ciclo de Vida de qualquer sistema de pressurização é assim o custo total durante o seu período de vida útil. promove parcerias com indústrias e grupos de comércio. pois só assim poderá ser utilizada. a escolha dos elementos que constituem o sistema (construção civil. os grupos electrobomba embora sejam geralmente adquiridos como componentes individuais. principalmente numa altura em que a questão energética assume um importante papel na economia nacional. manutenção (preventiva e correctiva). mas também mundial. energias renováveis. mas também servir para comparar soluções de fabricantes diferentes. o processo de cálculo do CCV indicará. Uma visão global é descrita no artigo "Pump Life Cycle Costs" desenvolvido pelo Hydraulic Institute e Europump de modo a facilitar a aplicação da metodologia do CCV a sistemas de bombeamento. energéticos. sendo principalmente onerosos em grande parte dos sistemas industriais. não só para optar entre diferentes soluções do mesmo fabricante. acessórios e os decorrentes da exploração) devem obedecer a considerações de eficácia e economia. industrial. operação. a solução que apresenta menor custo global. 2000). Adicionalmente todos os componentes do sistema deverão ser cuidadosamente seleccionados para combinarem entre si e manter no global um conjunto fiável assegurando os mais baixos custos energéticos e de manutenção. 1 .

como sendo a soma das seguintes parcelas: Fig. Em alguns casos os custos de indisponibilidade podem ser mais significantes que os custos energéticos ou de manutenção. mas extremamente dependente da informação disponível. talvez motivado pela grande evolução tecnológica verificada nos últimos anos. Para a maioria de empreendimentos os custos energéticos e/ou de manutenção dominarão os Custos do Ciclo de Vida. Considerações adicionais deverão ser tomadas em relação às perdas de produtividade devido aos tempos de paragem. podem muitas das vezes ser estimados com base em dados históricos. O exercício deve ser objectivo na análise e âmbito podendo no entanto ser lato nas alternativas analisadas. acessórios. serviços de apoio. Alguns estudos mostram que 30% a 50% da energia consumida pelos actuais sistemas de bombeamento podem ser poupados através da alteração dos controlos dos sistemas (Europump. em segundo lugar porque muitos dos sistemas em operação possuem bombas ou controlos que não estão ajustados às necessidades actuais. tubagens. Os sistemas existentes podem contribuir com uma maior fatia na redução da energia consumida através da utilização da metodologia do cálculo do CCV por duas razões: A primeira porque existem pelo menos 20 vezes mais sistemas em operação do que os colocados anualmente em operação e. A crescente competitividade dos mercados nacionais e internacionais obriga a um esforço contínuo de modo a aumentar a competitividade. assim como os custos de mão-de-obra e dos materiais ao longo do ciclo de vida do equipamento. desmontagem e desmantelação final do equipamento e os de origem ambiental. quer em novos empreendimentos quer em remodelações requer sempre uma avaliação de sistemas alternativos. A redução e o desperdício energético representam ainda um papel importante em benefícios ambientais. bombas.Custos globais Custos de Exploração ( 85% ) A análise do CCV. Deste modo a comparação deve ser efectuada entre diferentes tipos de sistema ou de controlo. logo os resultados do processo apresentam certamente um grau de fiabilidade similar ao dos dados de base. principalmente no sector fabril. Os sistemas de bombeamento têm muitas das vezes um período esperado de operação de 15 a 20 anos. continua a merecer uma particular atenção como fonte de poupança de custos. originando sistemas que apresentam grandes custos de manutenção e exploração. É portanto de extrema importância a forma precisa de determinar os custos energéticos actuais. A escolha destes equipamentos deve ser efectuada com base em cálculos onde os detalhes do projecto do sistema devem ser tidos em conta. Com base nos estudos efectuados em problemas deste tipo.4 Determinação do Custo do Ciclo de Vida O processo do CCV é um método que permite a comparação de soluções alternativas.Repartição média dos custos globais em sistemas de bombeamento Muitos sistemas são concebidos considerando apenas o investimento inicial. etc. factores determinantes no Custo do Ciclo de Vida (CCV) da instalação. o escalonamento esperado nos anos vindouros. muitas empresas começam a estar cada vez mais sensíveis ao impacto ambiental nos seus negócios. a metodologia proposta apresenta os custos do ciclo de vida. especialmente pela via da minimização dos consumos energéticos e dos tempos de paragem da produção.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia Uma maior compreensão de todos estes pormenores constituirá uma oportunidade para a redução dramática dos custos energéticos.) Custo de instalação e ensaios (arranque e formação do pessoal) Custos energéticos (operação do sistema incluindo controlos e quaisquer serviços auxiliares) Custos de operação (mão de obra e supervisão normal do sistema) Custos de manutenção e reparação (reparações previstas e de rotina) Custos de paragens (perda de produção) Custos ambientais Custo de desmontagem e desmantelação (incluindo a restauração ambiental do local e serviços de destruição do equipamento) 94 . Sistemas de bombeamento . Custos de Manutenção ( 10% ) Custos do Investimento ( 5% ) 5. 2000). de exploração e de manutenção. em termos de custos. CCV = Cci + Cin + Ce + Co + C m + C pp + Ca + Cd onde: (1) Cci Cin Ce Co Cm C pp Ca Cd Custos iniciais (custos de construção civil. O processo em si é basicamente matemático. Outros custos como por exemplo os de paragens. A operação. sendo de difícil quantificação. e consideram o rendimento energético como uma via contribuinte para a redução de emissões de gases e deste modo preservar os recursos naturais. As empresas devem procurar soluções que visem a redução dos custos globais e o aumento dos rendimentos operacionais. Adicionalmente às razões económicas para justificar a utilização da metodologia do CCV. 2 .

etc. A situação torna-se mais complexa com bombas em funcionamento paralelo ou se a bomba for utilizada com um conversor de frequência. então dever-se-á utilizar um registo horário das necessidades para se efectuar o respectivo cálculo. • Formação. especialmente quando o tempo de operação das bombas ultrapassa as 2000 horas de operação / ano. • Avaliações e regulações no arranque. • Ligações eléctricas e de instrumentação. a qualidade e fiabilidade do sistema seleccionado. Uma bomba com conversor de frequência tem um número infinito de pontos de funcionamento.c. Este facto pode originar a que seja menosprezada a sua importância final nos custos globais. • Ligações a sistemas auxiliares. a energia será: E (kWh ) = ∫ γ × Q(t )× H (t ) dt ηc ×ηm to ηc(t) x ηm(t) t1 (3) • Os custos energéticos de serviços auxiliares também devem ser incluídos. Custos energéticos • O consumo energético é frequentemente uma das parcelas com maiores custos e geralmente domina o valor final do CCV. • É determinante para estes custos o diâmetro das tubagens e acessórios. Dever-se-á ter em atenção que este cálculo não inclui a análise a custos de segunda ordem como por exemplo as matérias-primas consumidas no fabrico de produtos. neste o seu valor relativo pode vir diluído com o valor da construção civil. • Ligações de tubagens de processo. aproximando em seguida os volumes bombeados ou horas de funcionamento relativos a cada um destes. preparação. Custos de operação • Os custos de operação são os associados à mão-de-obra relacionados com a operação do sistema. os empanques instalados. o cálculo é simples. Se as solicitações são muito variáveis no tempo. 95 . o seu comportamento com o fluido bombeado. necessárias ao arranque do sistema. desenhos. No funcionamento paralelo. • Inspecção e testes. Custos de instalação e ensaios • Os custos de instalação e ensaios (arranque) incluem os seguintes itens: • Fundações (projecto. Outro factor de incerteza para o cálculo do consumo de energia de bombas com conversor de frequência é o facto do rendimento geral do sistema ser difícil de calcular com exactidão.). Nestes casos devem ser incluídos os custos do fluido. • Equipamentos auxiliares para sistemas de vedação ou arrefecimento. deverão ser efectuados cálculos separados para os vários pontos de funcionamento. • Os ensaios requerem uma especial atenção às instruções do fabricante para a execução do arranque e operação. • Peças de reserva. Se as solicitações ao sistema são constantes. Estes podem variar muito dependendo da complexidade e função do sistema. • Construção civil. Deverá ser seguida a lista de verificações proposta pelo fabricante de modo a assegurar que os equipamentos e o sistema possam operar dentro de parâmetros específicos. especificações etc. os controlos integrados. Enquanto que nas restantes parcelas os custos associados a equipamentos electromecânicos são dominantes. betão etc. • Os métodos de cálculo da energia são relativamente simples quando a bomba é utilizada num único ponto de funcionamento.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia Os parágrafos seguintes examinam cada uma das parcelas e levantam sugestões para a determinação de cada parâmetro. O consumo energético é calculado através dos dados colhidos no projecto do sistema. Estes custos podem ser referentes a circuitos de aquecimento ou arrefecimento de fluidos de processo. Por exemplo uma bomba instalada em ambientes corrosivos pode requerer verificações diárias. Detalhando: Custos iniciais • Este tipo de custos refere-se aos custos necessários para a compra e instalação de equipamentos e obras de construção civil.). • Processo de aquisição. podem originar custos iniciais mais elevados mas reduzirem o CCV de uma forma considerável. A fórmula do cálculo da potência requerida é a seguinte: P (kW ) = em que: γ ×Q× H η c ×η m (2) P − Potência (kW ) γ − Peso específico do líquido (kN/m3 ) Q − Caudal (m 3 /s) H − Altura manométrica (m. entre outros. circulação e/ou dissipação de calor etc.a) η c − Rendimento da bomba η m − Rendimento do motor Logo. • Uma instalação completa dos equipamentos electromecânicos envolve requisitos de operação e manutenção que serão assegurados por pessoal com formação para operar o sistema. Estes detalhes. projecto. os materiais utilizados. filtragem. • Os custos iniciais incluem geralmente os seguintes itens: • Serviços de Engenharia (estudos.

Uma análise periódica das condições de funcionamento do sistema pode alertar os operadores para eventuais perdas de desempenho do sistema. Isto aplica-se quer a sistemas simples quer a sistemas mais complexos. Estes custos podem ser minimizados por uma programação cuidada e atempada da paragem. mas também dos custos dos materiais. • Embora as avarias não possam ser previstas. Exemplos de contaminação ambiental podem incluir: destruição da caixa do empanque. Se for utilizado um equipamento de reserva. Estes incluem: • Preços actuais da energia. As características da tubagem do sistema devem ser calculadas a fim determinar o desempenho requerido da bomba. selecção dos componentes e mesmo da facilidade de acesso aos componentes a serem intervencionados. destruição e outros custos importantes. pressão etc. Os custos dependem do tempo e da frequência do serviço. Durante esse tempo a unidade está indisponível podendo haver perda total na produção ou um custo de substituição temporária. o custo inicial será mais elevado mas os custos de manutenção não programada incluirão apenas os custos da reparação. Custos de manutenção e reparação • O alcance da longevidade esperada para uma bomba. nos sistemas de distribuição de água doméstica existe a incerteza do crescimento populacional. • Existem também factores financeiros a serem tomados em consideração no desenvolvimento do CCV. Custos de paragens e perdas de produção • O custo de paragens imprevisíveis e de perdas de produção podem ser uma parcela muito significativa no valor CCV e pode rivalizar com os custos energéticos ou com os custos de peças de substituição. Custos ambientais • O custo da destruição de fluidos contaminantes durante o tempo de vida de um sistema de bombeamento varia bastante dependendo da natureza do produto bombeado. O fabricante aconselhará a frequência e a natureza da manutenção periódica. • Taxa de juros.5 Implementação da metodologia 5. Os custos de aquisição e os custos operacionais totalizam o custo total de uma instalação durante sua vida. uso de peças contaminadas etc. paragens. requer uma manutenção regular e eficiente. 5. ambiental. Existem procedimentos legais e regulamentares para líquidos tóxicos. podem ser estimadas estatisticamente pelo cálculo do tempo médio entre avarias. • O programa de manutenção pode ser cumprido com menor frequência mas com maior atenção aos detalhes ou com maior frequência mas com intervenções mais simples. Será importante analisar a sensibilidade ou adaptabilidade do sistema escolhido a situações diferentes das previstas no projecto. radioactivos ou qualquer outro tipo agressivo. Um sistema mais flexível na exploração pode apresentar uma mais valia acrescida. mas também às verificadas em singularidades. Os custos de infracção ambiental deverão ser incluídos. o custo da desmantelação de um sistema de bombeamento tem pequenas variações em relação a diferentes concepções. 96 . Custos totais do ciclo de vida • Os custos estimados para as várias parcelas depois de somadas permitem uma comparação das diferentes soluções analisadas. estando directamente dependentes do diâmetro da tubagem e dos restantes componentes do sistema. Quando a destruição tem um custo demasiado elevado. • Vida útil esperada para o equipamento. • Taxa de inflação. Uma quantidade considerável das perdas da energia no sistema são devidas às perdas de carga contínua. • O custo total da manutenção de rotina é o resultado do produto dos custos por intervenção pelo número de intervenções esperadas durante o ciclo de vida da bomba. o CCV torna-se particularmente sensível à vida útil do equipamento. Os indicadores de desempenho incluem alterações em vibrações. ruído. gamas de caudais. As maiores actividades requerem frequentemente a remoção da bomba do local de instalação para as oficinas. Custo de desmontagem e desmantelação • Na maioria dos casos. consumo energético. • Actualização do valor anual da energia. temperaturas.5. O projecto pode influenciar estes custos por indicação específica de alguns materiais. Adicionalmente o utilizador deve decidir quais os custos a incluir. sob o risco de representarem externalidades. O projecto deve considerar a interacção entre a bomba e o resto do sistema e o cálculo do ponto de operação do sistema. • O custo de perda de produção ou de indisponibilidade podem ser considerados dependente do tempo de paragem e devem ser analisados para cada caso específico. Por exemplo. Na maior parte das vezes os custos de paragem são inaceitáveis por representarem custos superiores à instalação de um equipamento de substituição ou reserva. tais como a manutenção. bombeamento de produtos corrosivos.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia enquanto um sistema semelhante com outro fluido pode apenas necessitar de supervisões limitadas.1 Na fase de projecto A concepção e o projecto do sistema serão sempre o elemento mais importante na minimização do CCV. da sua capitação ou mesmo da taxa de ligação ao longo do tempo.

alguns custos aumentam com tamanho crescente da tubagem como por exemplo os de aquisição. mas completam-se. • Considerar diâmetros padrão da tubagem em instalações semelhantes. • Especificar motores de elevada eficiência.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia O diâmetro da tubagem deve então ser seleccionado com base nos seguintes factores: • Economia da instalação (bombas e sistemas). facilitando significativamente o processo de cálculo. e o segundo consiste em executar cálculos usando as equações da mecânica dos fluidos.Ponto de funcionamento de um sistema Um sistema pode necessitar de operar em diversos pontos de funcionamento. • Determinar os fluxos requeridos para cada carga no sistema. • Identificar bombas com custo de manutenção elevado. • Avaliar as perdas de carga no sistema. Dois métodos podem ser usados na análise de sistemas de bombeamento existentes. O primeiro consiste em observar as condições de operação do sistema "in-situ". • Equilibrar o sistema para encontrar os diferentes fluxos e cargas requeridas. um dos quais determinará a escolha da bomba. Fig. • Monitorizar a bomba e o sistema. • Utilização de velocidades económicas. Diminuir o diâmetro das tubagens tem os seguintes efeitos: • diminuem os custos de aquisição de tubagens e acessórios da instalação. 97 . Deve ser considerado com atenção a duração prevista para os diferentes pontos de funcionamento de modo a seleccionar correctamente o número de bombas a instalar e o comando e controlo. • Considerar um diâmetro interno mínimo quando se transportam líquidos com sólidos. tão exacto quanto possível do sistema e depois simulam-se as pressões e os caudais dentro do modelo. mas outros diminuirão. resultando a necessidade de motores com maior potência. Desenvolvendo um modelo do sistema. 3 . • Escolher bombas e sistemas novos usando considerações do CCV. ser substituídos por programas informáticos. enquanto que no segundo cria-se um modelo matemático.5. Observar o sistema permite ver como o sistema se comporta. • Optimizar o custo total considerando custos operacionais e custos de aquisição. • Efectuar mudanças à bomba para minimizar a carga no sistema. • Optimizar a manutenção preventiva. • Considerar a duração dos diferentes pontos de funcionamento da bomba. O primeiro método confia em observações efectuadas no sistema (pressões. A seguinte lista de verificações fornece alguns tópicos úteis para reduzir o Custo do Ciclo de Vida de um sistema de bombeamento existente: • Considerar todos os itens com custos relevantes no Custo do Ciclo de Vida. • Não sobredimensionar a bomba. • Combinar o tipo da bomba à solicitação pretendida.2 Aplicação a sistemas existentes As seguintes etapas indicam algumas tarefas que podem identificar pontos onde poderá ser possível melhorar um sistema de bombeamento existente: • Realizar um inventário completo do sistema de bombeamento. Os longos e fastidiosos cálculos associados ao cálculo das perdas de carga podem hoje. Analogamente. • Seguir as normas do fabricante. pressões diferenciais. • Combinar o equipamento às necessidades do sistema para o máximo rendimento. • aumentam os custos de operação em consequência do maior consumo energético devido ao aumento de perdas por atrito. o objectivo é ficar com uma ideia exacta de como as várias partes do sistema operam e identificar onde as melhorias podem ser feitas e o sistema optimizado. Os dois modelos não são incompatíveis. Não obstante o método usado. e caudais). • Considerar a energia desperdiçada em válvulas de controlo. • aumentam os custos de energia eléctrica. mas antes o modelo deve ser validado para assegurar que representa exactamente o sistema que se está a estudar. • Considerar uma velocidade máxima de modo a minimizar a erosão na tubagem e acessórios. 5. mas as exigências operacionais do sistema limitam o âmbito da experimentação. • aumentam os custos da instalação da bomba e de operação em consequência do aumento de perdas de carga. podem-se facilmente simular várias alternativas do sistema. graças à capacidade de processamento. O ponto de funcionamento de um sistema é determinado pela intersecção da curva da instalação e da curva característica do equipamento de pressurização como mostrado em Figura 3. • Avaliar a eficácia do sistema. As tubagens devem assim ser dimensionadas por critérios de minimização dos custos globais.

A substituição da válvula de controlo apresenta um custo de aquisição e instalação de 5000€. Os cálculos do Custo do Ciclo de Vida para cada uma das quatro opções são resumidos no Quadro 1. valor que inclui o custo de desmontar e remontar a bomba. aos quais deve ser acrescentado 2 250 € para alterar o impulsor.20% e com um considerável ruído de cavitação. com um custo da reparação de 2 500 € cada segundo ano. • Não há nenhum custo de eliminação ambiental associada. 5 .Sistema de bombeamento estudado O sistema apresenta problemas na válvula de controlo (VC) que falha devido à erosão causada pela cavitação. Espera-se que não seja necessário nenhuma reparação nos 8 anos seguintes.6. • Considerou-se o custo anual de manutenção periódica de um variador de frequência de 500 €/ano.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5. • A taxa de juro foi de 8% e uma taxa de actualização de 4% é esperado. Após a revisão dos cálculos do projecto. aproximando a válvula do ponto para que foi projectada. As seguintes opções foram estudadas: a) Substituir a válvula de controlo de modo a suportar o grande diferencial de pressão.000 horas/ano. Na figura 5 são apresentados os pontos de funcionamento associados a cada uma das soluções. • O custo anual para a manutenção periódica das bombas é de 500 € por ano. Verificou-se que a válvula de controlo opera actualmente com uma abertura de 15 . admitindo uma reparação anual da válvula. originando uma maior perda de pressão através da válvula de controlo do que inicialmente estimado.6 Exemplos de aplicação do Custo do Ciclo de Vida 5. c) Instalar um Variador de Frequência (VF). Esta perda de pressão reduz a pressão diferencial através da válvula de controle em 10 m. a carga total da bomba é reduzida a 42. A válvula tem apresentado avarias a cada 10 a 12 meses com um custo médio de 4 000 EUROS por reparação. De modo a equacionar várias alternativas analisou-se o actual funcionamento do sistema. Está a ser considerada a substituição da válvula existente por outra que possa resistir à cavitação. • Este projecto tem uma vida de 8 anos. • O processo é operado em 80 m3/h em 6. a válvula apresenta danos de cavitação em intervalos regulares. Reservatório Reservatório Pressurizado Válvula de Controlo Permutador de Calor Fig. acrescidos de 1 500 Euros adicionais para a instalação e 500 € anuais para manutenção. Parece que a válvula não se encontra correctamente adaptada à instalação.08 €/kWh e a eficiência do motor de 90%. b) Alterar o impulsor da bomba para reduzir a altura manométrica.1 Sistema de bombeamento existente com uma válvula de controlo de caudal Neste exemplo. e remover a válvula de controlo. um circuito de bombeamento transporta um líquido contendo alguns sólidos de um tanque de armazenamento para um tanque pressurizado. 4 . Na análise do CCV efectuada utilizaram-se os seguintes critérios e suposições: • O preço de energia actual é actualmente 0. Antes da troca da válvula de controlo.Pontos de funcionamento de cada alternativa estudada. Fig. 98 .0 m e 80 m3/h. O custo de energia anual com o impulsor menor é 6 720 € por o ano. Em consequência do grande diferencial de pressão. foram consideradas outras opções e executada uma análise de custo do ciclo de vida às soluções alternativas. Na figura seguinte apresenta-se um esquema simplificado do sistema. e uma válvula de controlo regula o caudal no tanque pressurizado a 80 m3/h. Um variador de frequência de 30 kW tem um custo de 20 000 €. Um permutador de calor aquece o líquido. demonstrando que a válvula instalada não é apropriada para este processo. Bomba Alterando o diâmetro do impulsor para 375 milímetros. d) Manter o sistema actual. descobriu-se que a bomba instalada estava sobredimensionada (110 m3/h em vez de 80 m3/h previstos). Mantendo o sistema inalterado resultará num custo anual de 4 000 € para reparação da válvula.

088 500 2. a) Elevar a água para um reservatório superior Nesta opção.08 23. o qual abastecerá graviticamente toda a rede doméstica. cujas parcelas do CCV são apresentadas no quadro 3. deverá ser instalado um reservatório superior a uma cota que permita uma pressão residual. semanal ou mensal) o volume de água elevado será igual ao volume de água consumido. No final de um ciclo (diário.250 0.000 6.000 0.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia QUADRO 1 .000 11.1 6. Para garantir a pressão residual mínima.500 8 8 4 74.0 6. por ciclos.500 8 8 4 59. alterar o impulsor. Foram comparadas as seguintes soluções: a) Elevar a água para um reservatório superior.720 500 2.6 6.1 6. b) Instalar uma central hidropneumática de velocidade fixa.6.08 11.08 14.0 Bar. com base nos pressupostos apresentados. a altura manométrica deverá ser de 5.313 Alternativa D 0 0.500 4.000 5. 99 . no aparelho mais desfavorável.CUSTOS DE CICLO DE VIDA (CCV) DAS VÁRIAS SOLUÇÕES ESTUDADAS Alternativa A Investimento inicial (€) Custo da energia (€/kWh) Potência média absorvida (kW) Horas por ano Custo de energia (€) Custos de manutenção (€) Custos de reparação (cada 2 anos) (€) Outros custos anuais (€) Custos ambientais (€) Custos de desmantelação (€) Vida útil (anos) Taxa de juro (%) Taxa de actualização (%) Valor de CCV (€) 5. De modo a simplificar a análise considera-se que o sistema de pressurização será alimentado directamente de um reservatório com nível constante onde a água é mantida à pressão atmosférica.568 1 000 2.827 Alternativa B 2.000 8 8 4 113. com um caudal de ponta de 18.500 8 8 4 91. tem o Custo do Ciclo de Vida mais baixo e apresenta-se como a solução economicamente mais favorável.2 Escolha do sistema de pressurização na fase de projecto Neste exemplo será analisado o Custo do Ciclo de Vida para diferentes sistemas de pressurização a um edifício de habitação. em função do volume do reservatório superior.088 500 2.08 23.481 Alternativa C 21.6 m3/h. 6 O funcionamento do sistema de pressurização funcionará. c) Instalar uma central hidropneumática de velocidade variável. Para este sistema optou-se pela instalação de duas bombas do tipo "CR 15-5". Altura Manométrica Caudal Fig.000 11. Existe portanto um único ponto de funcionamento como é demonstrado na figura seguinte: 5.500 0.930 A opção B.

PERFIL DE CARGA CONSIDERADO 1 Caudal (%Qp) Pressão (%Pmáx) Tempo (h) 100 100 150 2 75 100 300 3 55 100 450 4 35 100 900 5 12 100 1500 Nas figuras seguintes são apresentadas as possíveis alterações às curvas características da bomba e da instalação. Em primeiro lugar. Os valores do CCV são resumidos no quadro 3. Os ciclos de funcionamento estão muito dependentes do consumo dos caudais na rede. Há ainda a considerar que num sistema desta natureza. a curva característica da instalação variará por aumento do caudal (Fig 8a). Trata-se portanto de um sistema com grande flexibilidade. Trata-se de uma simplificação conservativa uma vez que em muitas situações o consumo de energia será inferior ao simulado. 9 100 . Consequentemente o caudal na rede variará entre os valores estabelecidos para arranque e paragem dos grupos. para a mesma altura geométrica. Na figura 8d é apresentado a gama de pontos de funcionamento admitida por este sistema. Na análise de custos considerou-se o seguinte perfil de carga: QUADRO 2 . a pressurização será realizada por ciclos. acompanhando portanto as flutuações de caudais verificados nesta. a análise do sistema é mais complexa uma vez que o bombeamento será directamente efectuado para a rede de distribuição. 8 . existe uma variação nos caudais bombeados. Neste sistema existe um conjunto de pontos de funcionamento. b) Fig. 7 c) Instalar uma central hidropneumática com variador de frequência. a velocidade de rotação da bomba pode variar.Curvas características Fig.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia b) Instalar uma central hidropneumática de velocidade fixa. No presente exemplo foi estimado o mesmo perfil de carga definido para o sistema anterior. O sistema de pressurização consegue assim satisfazer um grande número de solicitações ou leis de consumo. Assim. logo a curva característica da instalação varia conforme é demonstrado na figura 8b. relativamente às situações anteriores. ao longo da curva característica da bomba. conforme é apresentado na figura 7. Por outro lado. Os gastos de energia são mais difíceis de estimar porque a variabilidade real dos caudais também o é. Nesta solução. Fig. entre a pressão máxima e mínima (estabelecida em função do caudal provável e a pressão residual no aparelho mais desfavorável). junto ao reservatório inferior Neste sistema. há variação do termo independente do caudal (a altura geométrica). embora de funcionamento mais simples. É assim possível responder a uma grande variabilidade de situações. dentro dos limites impostos pelo equipamento electromecânico e pela instalação. logo a curva característica da bomba toma as formas apresentadas na figura 8c. existindo por vezes desfasamento entre os consumos dos aparelhos de diferentes pisos. Optou-se pela instalação de uma central hidropneumática de velocidade fixa do tipo "Hydro 1000" composta por três bombas "CR 10-7".

QUADRO 3 . 101 .08 5. • O preço de energia actual é 0.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia Na análise do CCV efectuada utilizaram-se os seguintes critérios e suposições: • Os custos dos equipamentos electromecânicos são valores médios de mercado. Os cálculos do Custo do Ciclo de Vida para cada uma das quatro opções são resumidos no quadro 3.5 38. 33% e 26% para as alternativas A. Situação inversa é verificada na alternativa B.696 5."Hydro 2000 ME 3xCR 10-6" Nesta análise pode-se contactar que. Embora não tenha sido considerado no presente cálculo. • Não há nenhum custo de eliminação ambiental associada. os gastos de energia representa 24%.5%.154 492. Relativamente aos valores do CCV.5 3. Alternativa B(**) 5.850 0.038 (***) . • Não foram considerados os custos associados à construção do reservatório superior.000 0.08 8.5 37."2xCR 15-5". B e C.990 + 2.08 €/kWh. (**) -"Hydro 1000 C/S 3xCR 10-7". uma vez que assume valores entre a mesma ordem de grandeza do investimento inicial (alternativa C) e o dobro do investimento inicial (alternativa B).5 3.5 3. de salubridade e de sobrecarga na estrutura do edifício.900 0.066 654. • A taxa de juro e a taxa de actualização foram consideradas iguais a 3. • Este projecto tem uma vida de 20 anos. • Foi desprezado o custo da energia a diferentes horas do dia.32 400 500 20 3. respectivamente. Os custos anuais de manutenção para as alternativas A e B são de 500 € e 400 € para a alternativa C.806 Alternativa C(***) 9.655 452.4 500 500 20 3. a alternativa A pode apresentar problemas associados à exequibilidade da construção do reservatório à cota pretendida.5 37. • O custo anual para reparação das bombas é de 500 € por ano.08 6. a alternativa C apresenta os maiores custos de primeiro investimento mas os menores em energia e manutenção. com base nos dados e pressupostos utilizados.CUSTOS DO CICLO DE VIDA (CCV) DAS VÁRIAS SOLUÇÕES ESTUDADAS Alternativa A(*) Investimento inicial (*)(€) Custo da energia (€/kWh) Consumo de energia (kWh/ano) Custo de energia (€/ano) Custos de manutenção (€/ano) Custo médio de reparação (€/ano) Outros custos anuais (€) Custos ambientais (€) Custos de desmantelação (€) Vida útil (anos) Taxa de juro (%) Taxa de actualização (%) Valor de CCV (€) (*) .3 500 500 20 3. Pode-se ainda verificar que a parcela energia não é desprezável no valor final do CCV.

(ISBN 1-880952-58-0) European Commission. Technical University of Darmstadt. Fuller.Final report. Federal Energy Management Program. J. 2000. Petersen. February 2001 European Commission . "Study on improving the efficiency of pumps". Stephen R. "Theoretically attainable efficiency of centrifugal pumps". 2001. Hydraulic Institute.7 Referências bibliográficas Europump..O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5. "Life-cycle costing manual". VDMA project .SAVE. "Study on improving the energy efficiency of pumps". US Department of Energy. and Lauer.. Stoffel. Sieglinde K. B. "Pump life cycle costs: A guide to LCC analysis for pumping systems'. 1994. 1995 102 .

Sistemas de Pressurização Grundfos 6. SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO GRUNDFOS Autor: Florindo Maia Director de Apoio a Projectistas Bombas Grundfos Portugal 103 .

104 .

de potência e hidráulicos que permitem o seu funcionamento integral. pressóstatos (um por grupo electrobomba). acessório de intersecção e depósito de membrana. obtendo-se diferentes níveis de eficiência e fiabilidade de exploração.1. integrando uma ou mais electrobombas.2. quadro eléctrico. Código de identificação Hydro100 Gama Grupo hidropneumático Tipo grupo electrobomba Capacidade do depósito HP CR5-8 80 6. O grupo electrobomba funcionará para que o depósito seja novamente enchido até atingir a pressão de paragem pré-regulada. podendo porém ser utilizados outros tipos de electrobombas de superfície ou submersíveis. tendo uma válvula de seccionamento e retenção por grupo electrobomba. manómetro. Os sistemas de pressurização. nas versões de velocidade fixa e velocidade variável.1. Não existindo consumo de água. depósito de membrana. com variação de velocidade integrada.2. 6. Nos exemplos apresentados são sempre referidas as electrobombas multicelulares verticais CR ou CRE.2. colector de compressão comum. Diagrama de princípio Diagrama de princípio Depósito de Membrana Pressóstato Manómetro Contactor Grupo electrobomba Válvula de Retenção Válvula de Seccionamento Simbologia VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO COLECTOR PRESSÓSTATO MANÓMETRO CABOS ELÉCTRICOS QUADRO ELÉCTRICO Limite de fornecimento Válvula de pesca DEPÓSITO TUBAGEM 105 .Sistemas de Pressurização Grundfos 6.1 Introdução Neste capítulo apresentamos as várias soluções práticas com que os sistemas de pressurização são comercializados pela Grundfos. Modo de funcionamento No acto da instalação deve-se proceder à regulação do pressóstato em função da pressão de arranque e paragem pretendida. podendo como opcional ser equipado o quadro eléctrico e respectivo suporte de fixação. Havendo necessidade de consumo. e consequentemente o sistema está sobre pressão.1 Sistema Hydro 100 6. manómetro.2 Sistema Hydro 100 HM Constituição Este sistema hidropneumático é constituído por 2 ou mais grupos electrobomba montados numa base comum. Os controlos diferenciam os vários sistemas de pressurização permitindo ajustá-los às exigências da instalação. o grupo electrobomba não funciona dado que o depósito está com uma reserva de água.2 Sistemas de pressurização com grupos electrobomba de velocidade fixa 6. pressóstato.1 Sistema Hydro 100 HP Constituição É constituído por um grupo electrobomba montado numa base. será a reserva de água existente no depósito sob pressão que fornecerá esta até à pressão de arranque do grupo electrobomba. constituem um conjunto compacto e caracterizam-se por incorporar electrobombas e todos os componentes de controlo. incluindo válvula de retenção.

um dos grupos electrobomba arranca. Modo de funcionamento Este sistema efectua o sistema de arranque e paragem por intermédio da regulação dos pressóstatos em sistema de cascata. se o consumo de água continuar a aumentar. Hydro100 HS 2 Gama Central com reservatório N. e de retenção por grupo electrobomba. também poderá funcionar com uma electrobomba de baixo caudal com um grupo electrobomba auxiliar ( jockey). tendo uma válvula de seccionamento e retenção por grupo electrobomba. Quando o consumo de água diminuir. Código de identificação Hydro100 HM Gama Central com depósito N. os restantes grupos electrobomba entram em funcionamento. Se o consumo de água continuar a aumentar.1. o primeiro grupo electrobomba entra em funcionamento. Quando a pressão baixa até ao ponto de regulação.2. dará ordem de paragem dos grupos electrobomba.º de grupos electrobomba Tipo do grupo electrobomba Capacidade do depósito 2 CR5-10 80 Código de identificação 6. mais grupos electrobomba arrancam em cascata até conseguirem fornecer o caudal necessário para manter a pressão dentro do intervalo regulado. apenas quando um dos grupos electrobomba começar a funcionar e seja detectado nível mínimo no reservatório. pressóstatos. o primeiro abastecimento é efectuado pelo reservatório. Assim que haja consumo de água. quadro eléctrico completo com unidade electrónica CS 1000 e depósito de membrana.1 Sistema Hydro 1000 CS Constituição É constituído por dois a quatro grupos electrobomba verticais CR.2 Sistema Hydro 1000 6. a pressão de descarga sobe e os grupos electrobomba são desligados em sequência inversa. reservatório de água sem membrana equipado com sistema de controlo de nível. assim que atingem as respectivas pressões de paragem. Ao reduzir o consumo de água. em sequência (um a um). montados em paralelo sobre uma base comum. tendo uma válvula de seccionamento.2. a pressão na descarga aumentará e o controlador após receber esta informação do pressóstato. parando assim que atinja a pressão pretendida. montados numa base comum.Sistemas de Pressurização Grundfos Modo de funcionamento O depósito de membrana fornece água a consumir desde que os grupos electrobomba estejam parados. colector de compressão comum.3 Sistema Hydro 100 HS Constituição Este sistema hidropneumático é constituído por 2 ou mais grupos electrobomba. pressóstatos (um por grupo electrobomba e compressor de ar).2.º de grupos electrobomba Tipo de grupo electrobomba Capacidade reservatório CR32-5 1500 Diagrama de princípio 6. manómetro. colector de compressão comum. VÁLVULA DE RETENÇÃO MANÓMETRO PRESSÓSTATO PORTA ELÉCTRODO VISOR DE NÍVEL CABOS ELÉCTRICOS QUADRO ELÉCTRICO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO VÁLVULA DE SEGURANÇA GRUPO ELECTROBOMBA RESERVATÓRIO VÁLVULA DE RETENÇÃO DE AR COMPRESSOR TUBAGEM COLECTOR 106 . Simbologia Para além dos grupos electrobomba principais.2. quadro eléctrico. Após a pressão descer abaixo do valor mínimo. O compressor arranca quando solicitado. manómetros.

O controlador CS 1000 altera a ordem de arranque após a paragem dos grupos electrobomba. A central Grundfos Hydro 1000 mantém a pressão praticamente constante através da activação ou desactivação de grupos electrobomba. dependendo das necessidades.2. Diagrama de princípio Um grupo electrobomba em funcionamento.Sistemas de Pressurização Grundfos Diagrama de princípio Três grupos electrobomba em funcionamento. GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO 107 . GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Código de identificação HYDRO 1000 Tipo Controlo arranque/paragem Número de grupos electrobomba Tipo de grupos electrobomba Capacidade depósito CS 3 CR10-6 300 Modo de funcionamento Quatro grupos electrobomba iguais controlados através de pressóstatos e um depósito de membrana.1 Sistema Hydro 2000 MS Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 é constituído por 2 a 6 grupos electrobomba CR em paralelo montados numa base comum. Desta forma o tempo de funcionamento é distribuído entre os grupos electrobomba.2. 6. providos com todos os acessórios necessários e quadro eléctrico de comando com Controlo 2000.3.3 Sistema Hydro 2000 6.

A central supressora Hydro 2000 MS mantém uma pressão quase constante. Modo de funcionamento Um grupo electrobomba auxiliar com 50% da capacidade de um grupo electrobomba principal. Um grupo electrobomba com 50% da capacidade do grupo electrobomba principal. através dos contactores-arrancadores e depósito de membrana. três grupos electrobomba principais idênticos. com controlo por arranque-paragem através dos contactores-arrancadores. sendo um grupo electrobomba auxiliar com 50% de capacidade dos grupos principais. conforme as necessidades.2. 6. através do comando. depósito de membrana.Sistemas de Pressurização Grundfos Modo de funcionamento Quatro grupos electrobomba idênticos com controlo por arranque/paragem. Um grupo electrobomba principal e um grupo electrobomba auxiliar com 50% da capacidade do grupo electrobomba em funcionamento. Diagrama de princípio GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Um grupo electrobomba em funcionamento. pelo facto de ser determinada automaticamente. 108 . A pressão de paragem (Hstop) não pode ser configurada. e depende da carga. ligando ou desligando os grupos electrobomba.3.2 Hydro 2000 MSH Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 MSH é constituído por 2 a 6 grupos electrobomba. Três grupos electrobomba em funcionamento. em funcionamento. A alternância de funcionamento dos grupos electrobomba é automática. período de tempo ou de avaria.

A alternância entre os grupos electrobomba principais é automática e depende da carga. A pressão de paragem (Hstop) não pode ser configurada. Diagrama de princípio GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE ISOLAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO 109 .3. dependendo das necessidades. O grupo electrobomba auxiliar arranca sempre em primeiro lugar e pára quando um grupo electrobomba principal entra em funcionamento. manómetro. período de tempo ou de uma avaria.Sistemas de Pressurização Grundfos A central supressora Hydro 2000 MSH. Código de identificação Hydro 2000 MSH 2 CR 20-6 + CR 10-12 PMU 80 L Tipo de central Subgrupo: MS .1 Sistema Hydro Solo E Constituição É constituído por um único grupo electrobomba da gama CRE.MSH Número de grupos electrobomba principais Tipo de grupo electrobomba principal Número de grupos electrobomba auxiliares Tipo de grupo electrobomba auxiliar Painel de controlo do Controlo 2000: PMU: PMU 2000 PFU: PFU 2000 Depósito de membrana / Capacidade 6. válvula de retenção e seccionamento na compressão e depósito de membrana assente sobre uma base de inox. transdutor de pressão. através do comando ligando ou desligando o grupo electrobomba auxiliar dos grupos electrobomba principais. pelo facto de ser determinada automaticamente. com sistema de variação de velocidade incorporado na caixa de controlo integrada no motor. mantém uma pressão quase constante.3 Sistemas de pressurização com grupos electrobomba de velocidade variável 6. interruptor de corte geral.

Para um valor 0. Para pequenos consumos (caudais reduzidos. etc. a electrobomba arranca satisfazendo o consumo. 6.5 ∆H abaixo do setpoint. mantendo uma pressão constante. 110 .3. Três grupos electrobomba em funcionamento. Código de identificação Exemplo Hydro Solo-E CRE 5-8 1 x 200-240 V Gama Subgrupo Tipo de grupo electrobomba Tensão Um grupo electrobomba em funcionamento.Sistemas de Pressurização Grundfos Modo de funcionamento Diagrama de princípio PRESSÃO DE PARAGEM ∆H PRESSÃO DE ARRANQUE Definida a pressão de ajuste na caixa de controlo.5 ∆H acima. O valor ∆H é cerca de 10% do setpoint. Quando o transdutor de pressão detecta um valor abaixo do requerido (setpoint) a velocidade do grupo electrobomba aumenta até ao valor pretendido fazendo variar a pressão num valor de 0. fugas.2 Sistema Hydro 2000 E Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 E consiste em 2 a 6 grupos electrobomba CRE/CR em paralelo. parando de seguida.) será o depósito de membrana que suprirá estas necessidades evitando arranques. providos com todos os acessórios necessários e quadro eléctrico de comando com controlo 2000. o grupo electrobomba irá adaptar a sua velocidade ao consumo de água requerido. aumentando assim o rendimento do sistema. GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Modo de funcionamento .Hydro 2000 ME Três grupos electrobomba idênticos com motores MGE e depósito de membrana. montados em base comum.

O grupo electrobomba auxiliar com motor MGE arranca sempre em primeiro. . mantém uma pressão constante através da variação de velocidade dos dois grupos electrobomba auxiliares com motores MGE. . Um grupo electrobomba auxiliar de 50% da capacidade com motor MGE em funcionamento. dois ou três grupos electrobomba principais com controlo arranque/ /paragem e depósito de membrana. O grupo electrobomba auxiliar com motor MGE é sempre o primeiro a arrancar.Hydro 2000 MEH Dois grupos electrobomba com motores MGE. com 50% da capacidade do grupo electrobomba principal. A central supressora Hydro 2000 MEH. do tempo e de avarias. . A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga. O funcionamento do sistema é regulado de acordo com as necessidades. Um grupo electrobomba auxiliar com motor MGE e grupo electrobomba principal em funcionamento. conforme as necessidades. enquanto os restantes grupos electrobomba são controlados por arranque/paragem. Um grupo electrobomba com motor MGE e depósito de membrana em funcionamento. alcançando deste modo um desempenho correspondente ao consumo. A central supressora Hydro 2000 MES mantém uma pressão constante através da variação de velocidade com motor MGE. . período de tempo e de avarias.Hydro 2000 MES Um grupo electrobomba com motor MGE.A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga. através do ligar/desligar dos grupos electrobomba e do controlo paralelo dos grupos electrobomba em funcionamento.Sistemas de Pressurização Grundfos A central supressora Hydro 2000 ME mantém uma pressão constante através da variação de velocidade dos grupos electrobomba ligados. do período de tempo e de avarias. enquanto o grupo electrobomba principal é controlado através de arranque/paragem. um ou dois grupos electrobomba principais com controlo arranque/ /paragem e depósito de membrana. Um grupo electrobomba com motor MGE e dois grupos electrobomba controlados por arranque/paragem em funcionamento. A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga. 111 .

providos com todos os acessórios e quadro eléctrico com controlo 2000 e conversor de frequência.Hydro 2000 MF Quatro grupos electrobomba idênticos e depósito de membrana: um dos grupos electrobomba é controlado através do conversor de frequência e os restantes por arranque/paragem por meio de contactores.MEH .3 Sistema Hydro 2000 F Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 F é constituído por 2 a 6 grupos electrobomba CR em paralelo.3.Sistemas de Pressurização Grundfos Código de identificação Hydro 2000 MEH 2 CR 45-2 + 2 CRE 32-2 PMU 300 L Tipo de central Subgrupo: ME . Diagrama de princípio Um grupo electrobomba em funcionamento através do conversor de frequência.MES Número de grupos electrobomba principais Tipo de grupo electrobomba principal Número de grupos electrobomba auxiliares Tipo de grupo electrobomba auxiliar Painel de controlo do Controlo 2000: PMU: PMU 2000 PFU: PFU 2000 Depósito de membrana / Capacidade 6. GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Um grupo electrobomba em funcionamento através do conversor de frequência e dois grupos electrobomba que funcionam através da rede eléctrica (arranque/paragem). 112 . montados em base comum. Modo de funcionamento .

Todos os grupos electrobomba são alternadamente controlados através do conversor de frequência. mantém uma pressão constante através da variação contínua de um dos dois grupos electrobomba. Os restantes grupos electrobomba arrancam ou param dependendo das necessidades. A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga. 113 . período de tempo ou de uma avaria. no respeitante à evolução da pressão e da potência consumida na gama de caudais cobertos pelos sistemas. controlado através do conversor de frequência. Código de identificação Hydro 2000 MFH 2 CR 45-2 + 2 CRE 32-2 PMU 300 L Tipo de central Subgrupo: MF . Um grupo electrobomba com 50% da capacidade em funcionamento através do conversor de frequência. . A central hidropressora Hydro 2000 MFH mantém uma pressão constante através da variação contínua de velocidade de um grupo electrobomba de 50% da capacidade e os restantes grupos electrobomba são através do comando ligado / desligado conforme as necessidades. e um ou dois grupos electrobomba principais. Um grupo electrobomba auxiliar a 50% da capacidade em funcionamento através do conversor de frequência e um grupo electrobomba principal que funciona através da rede eléctrica (arranque/paragem). período de tempo ou de uma avaria.4 Teste de sistemas Para mais fácil compreensão das características dos sistemas de pressurização com velocidade variável e velocidade fixa.Hydro 2000 MFH Dois grupos electrobomba auxiliares com 50% da capacidade de um grupo electrobomba principal. poder-se-á apreciar nas folhas de teste anexas os diferentes comportamentos registados. é sempre o primeiro a arrancar.Sistemas de Pressurização Grundfos A central hidropressora Hydro 2000 MF. O grupo electrobomba controlado pelo conversor de frequência arranca sempre em primeiro lugar. Os dois grupos electrobomba auxiliares são alternadamente controlados através do conversor de frequência e os dois grupos electrobombas principais por comando arranque/paragem. O grupo electrobomba auxiliar.MFH Número de grupos electrobomba principais Tipo de grupo electrobomba principal Número de grupos electrobomba auxiliares Tipo de grupo electrobomba auxiliar Painel de controlo do Controlo 2000: PMU: PMU 2000 PFU: PFU 2000 Depósito de membrana / Capacidade 6. A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga.

1 6. 4 37. 96 0. 0 200 40 1 80 1 60 1 40 30 1 20 1 00 20 80 60 1 0 40 20 0 0 25 50 75 1 00 1 25 1 50 1 75 0 Q ( 3/h) m Cur da Bom ba va D ata O perador Bancada de Ensai o Testem unho Cur de Pot va ênci a 030: 01 : 03. 25. 8 4. 8 400. ti i º Clent i e Encom enda Clent i e Encom enda Fabr ca i Ti de Bom ba/Cent al po r Codi Bom ba/Cent al go r ºSer e Bom ba/Cent al i r N. 0 50. 0 0. 4 38. 8 399. 1 1 7. 6 23. 4 6. 6 4. 1 398. ºde Fases Fr equenci a Tensão Pot ênci a Vel oc. 1 2 62. 5 398. 0 50. 1 6 9. 22. 96 0. 4 397. 6 32. 0 50. 96 0. 1 7 9. 38. 0 50. 5 m m 3/h Hz V kW 1 i /m n. 8 396. ºC 1 5 2. 2 36.2005-1 00: : : : 114 P1( ) kW H( ) m . 25. 4 397. 8 29. 7 397. 5 76. 4 38. 1 8 3. 5 398. 1 5 68. 97 398. 7 400. 93 0. 9 24. 90 0. 1 32. odut M ot ºPr o or N º. 9 1 1 3. 3 1 9 4. 3 6. 2 2. 0 50. 2 397. 0 1 1 8. 96 0. 0 398. 44. 3 4. 6 34. 0 50. 0 50. 7 398. 8 32. 8 98. 0 396. 9 399. 5 38. 1 397. 6 399. 5 34. 96 0. 1 9 9. 1 0 34. 26. 1 398. 0 35. 0 1 4 26.c/Depósi o de 300L 2 t 91 43D 064 1 48/0507VJ 01 Al ur nom i t a nal Caudalnom i nal N. 1 1 0 5. 7 399. ºC P1 ( ) kW Q ( 3/h) m H ( ) m F ( z) H cos phi UU ( V) UV ( V) I R ( A) I S ( A) I T ( A) 0. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 1 0 1 1 1 2 1 3 81 0000023 H 2000 M E 3 CRE45. 215 . 1 26. 4 38. 8 50. 9 399. 4 4. 5 399. 5 1 2 5. 7 3x45 3 50 400 3x7. 3 34. 1 398. 0 36. 8 396. 7 399. 2 36. 0 9. 0 50. 97 0. 3 399.Rot ação Tem per ur Am bi e at a ent Tem per ur da Água at a UW ( V) 38. 1 36. 8 396. 6 35. 5 38. Ti de M ot po or N .Sistemas de Pressurização Grundfos Fol de Test de Centr s ha e ai Cer f cado N .

23. 87 0. 3 67. 87 0. 1 6 4. 8 7. 2 64. 3 396. ºde Fases Fr equenci a Tensão Potênci a Vel oc. 1 5 3. 0 0. 6 8. 5 397. 86 0. 7 68. 4 4. 70. 6 4. 0 50. 1 9 4. 6 396. 0 50. 1 397. 3 70. 86 398. 5 397. 2 7. 0 1 1 2. 7 397. 3 398.0 t 91 43A287 1 0053/0504EG Al a nom i tur nal Caudalnom i nal N. 7 25. 22. 7 397. 1 1 5. 0 50. 0 397. 0 396. 1 00 22 21 90 20 1 9 80 1 8 1 7 1 6 70 1 5 1 4 60 1 3 1 2 50 1 1 1 0 40 9 8 30 7 6 5 20 4 3 1 0 2 1 0 0 5 1 0 1 5 20 25 30 35 40 0 Q ( 3/h) m Cur da Bom ba va D ata ador O per Bancada de Ensai o Testem unho Cur de Pot va ênci a 031 08: : 03. 1 4 4. 3x1 0 3 50 400 3x4 1 8 4. 8 50. 0 397. 2 399. 1 399. 7 396. m m 3/h Hz V kW 1 i /m n.Sistemas de Pressurização Grundfos Fol de Test de Cent ai ha e r s Cer i i t f cado N . ºSer e Bom ba/Cent al i r Ti de M otor po ºPr o N . 213 . 1 3 4. 3 399. 4 396. 0 218 . 4 398. 9 8. 0 1 2 5. 9 8. 5 398. 6 1 0 3. 9 8. 0 50. 5 396. 4 22. 9 27. 9 0. 0 50. 87 0. 7 398. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 1 0 1 1 81 0000024 H1 000 3 CR1 1 com Depósi o de 200L 0. 86 0. 4 69. 5 396. 4 36. 3 7. 8 84. 0 399. 1 2 4. 2 80. 1 2 5. 9 396. ºC ºC P1 ( ) kW Q ( 3/h) m H ( ) m F ( z) H cos phi UU ( V) UW ( V) I R ( A) I S ( A) I T ( A) 0. 1 8 4. 1 8 4. 8 7. 9 399. 0 50. 3 69. 1 0 5. 86 0. 22. 7 397. 6 1 2 5. 1 8 2. 2 4. 86 0. 0. 6 7. º Clente i Encom enda Clent i e Encom enda Fabr ca i Ti de Bom ba/Cent al po r Codi Bom ba/Cent al go r N. 1 24. 3 398. 0 396. 1 8 4. 0 50. 5 1 8 4. 215 . 0 50. 2 28. 0 50. 5 719 . odut M otor N º. 0. 86 0. 1 4 3. 6 397. 8 8.2005-1 : 08 : : : P1( ) kW H( ) m 115 . 87 0. 0 7. 7 400. 0 399. 1 6 3. 1 7 4. 0 50. 8 397. 6 8. 4 7. 5 77.Rot ação Tem per ur Am bi at a ente at a Tem per ur da Água UV ( V) 816 . 40 0. 1 0. 0 398. 1 2 5. 1 8.

116 .

SISTEMAS DE CONTROLO. COMUNICAÇÃO E GESTÃO Autor: José Dias Director de Serviço Pós-Venda Bombas Grundfos Portugal 117 .Sistemas de Controlo. Comunicação e Gestão 7.

118 .

permite racionalizar o funcionamento das centrais de bombeamento de uma forma harmoniosa e eficaz oferecendo uma elevada performance nas aplicações onde é utilizada. Pode elaborar mapas de controlo automáticos. Comunicação e Gestão 7. de modo a operar os equipamentos de bombeamento de uma forma criteriosa e segura. Esse sistema pode estar inserido num quadro eléctrico de controlo. a selecção e instalação das sondas ou eléctrodos deve ser cuidadosa.2 Controlo de sistemas de bombeamento Cada bomba ou conjunto de bombas. entre outros.Sistemas de Controlo. Nesta área a Grundfos tem aperfeiçoado e desenvolvido o mais moderno software e aplicando-o aos seus processadores para utilização nos quadros H2000 onde. Este tipo de controlo visa o controlo rigoroso do caudal.1 Controlo por nível O sistema de controlo por nível requer a utilização de equipamentos eléctricos ou mecânicos. A fim de assegurar uma correcta operacionalidade dos sistemas de controlo. segurança e operação da instalação. cisternas. entre outros. ou outros que se entenderem beneficiar a instalação. servindo a necessidade dos utilizadores. a sua manutenção e eficiência. possibilitando assim assegurar o correcto abastecimento da instalação. Este deve operar as bombas de acordo com a potência instalada e de acordo com os objectivos do projecto. mantendo sempre em atenção os requisitos de segurança atrás referidos. aplicados em diferentes pontos da instalação. em termos energéticos e de serviço. Os quadros de controlo da Grundfos (QES) estão preparados para instalação de sensores de nível de uma forma selectiva e ordenada permitindo desempenhar com maior eficiência. deve efectuar a sua função de modo aceitável para a sua aplicação. para a indicação ou medida. tanto de uma forma automática como de uma forma manual. ou um controlo interno próprio que desempenhe as mesmas funções de uma forma eficaz (controlo electrónico integrado).2. custos de exploração. possui sistemas de controlo adequados a cada tipo de aplicação. Permite ou não efectuar relatórios por forma a ajudar ao melhor aproveitamento das variáveis necessárias ao processo de funcionamento. tanto para a instalação como para os diversos componentes presentes neste processo. 7. 7. • O sistema de comunicação cumpre o processo pelo qual a mensagem é transmitida de modo seguro entre o sistema de controlo e o equipamento accionado. poços ou outros locais.2. cumprindo as normas eléctricas nacionais de segurança.2. • A gestão cumpre o processo pelo qual é possível contabilizar os diversos parâmetros. um elevado número de parâmetros que permitem rentabilizar a eficiência das bombas. válvulas. Garante-se assim um valor de pressão constante na rede de abastecimento independente da variação dos consumos. instalados nos tanques. custos de manutenção. de modo a efectuarem correctamente as funções para as quais foram seleccionadas e projectadas. aparelhagem de medida e controlo). 7. Este rigor é tanto mais preciso quanto melhor for o equipamento de medida e o controlo das bombas. ou recorrendo ao sistema de controlo por transdutor de pressão integrando os processadores Grundfos desenhados e desenvolvidos para o efeito. com o auxílio de conversores de frequência por si desenvolvidos. deve ser usado de acordo com a instalação e de acordo com a selecção dos outros equipamentos de bombeamento. tendo em atenção a localização da instalação. disponibilizando para tal. a operacionalidade dos mesmos. Este tipo de controlo visa efectuar o enchimento constante de um tanque ou cisterna. O controlo por nível deve ser desenvolvido de acordo com a aplicação específica.2 Controlo por caudal Visando essencialmente manter o caudal desejado para a instalação. de forma a assegurar a operacionalidade das bombas de acordo com a metodologia recomendada. Daí que cada sistema de bombeamento necessita sempre de um conjunto de equipamentos externos às bombas. onde a necessidade do nível não carece de ser controlada com elevado rigor mas visa essencialmente.1 Introdução Definições: • O sistema de controlo cumpre o processo que permite operar de forma automática o funcionamento das bombas de um modo seguro e eficaz. devem as sondas e sensores ser instalados com a redundância necessária a fim de assegurar o controlo e a garantir a maior segurança e operacionalidade com o mínimo risco de avaria ou falha.3 Controlo por pressão Tradicionalmente o controlo por pressão pode ser efectuado por recurso a um sistema de pressóstatos e vaso de expansão. manter a reserva de água com níveis aproximados de modo a serem utilizados na medida das necessidades. bem como registo de avarias ou acontecimentos importantes para optimizar o funcionamento dos equipamentos de bombeamento (bombas. onde a melhor eficiência para cada tipo de instalação é facilmente ajustável. A Grundfos. controlo e rentabilização de exploração. 7. As bombas necessitam por isso sempre de um sistema de controlo. tendo para tal desenvolvido o respectivo software de controlo adequado a cada tipo de electrobomba com variação de velocidade. 119 . Neste sentido.

Comunicação directa ou individual 120 . Caso um sistema deste tipo crie relatórios automáticos e proceda à sua transferência semanal para o responsável. como: controlo por diferença de nível. Fig. em que se necessite de conjugar várias grandezas. por diferença de pressão. será possível evitar grande parte das habituais visitas às estações de bombeamento. as unidades de controlo modernas são capazes de utilizar a totalidade do espaço da mensagem SMS. dos quais abordamos apenas alguns.2. Pretendemos assim apenas referir-se algumas das variantes possíveis. toda a instalação. pressão. que procederá à transferência dos alarmes gerados pela unidade de controlo para o telefone do responsável.2 Transmissão de dados Apesar das unidades de controlo das bombas terem um funcionamento totalmente independente. Caso seja preferido um simples sistema de transferência automática de alarmes. 7.2. Um sistema deste tipo proporciona um enorme aumento na fiabilidade operacional com um investimento moderado.1 Controlos mistos Quando se trata de projectar uma instalação tendo vários tipos de controlo a ela ligados. Entre eles destacamos outros. caudal ou pressão. Por outro lado. etc.3. mesmo que não ocorram quaisquer situações de alarme. sob a forma de uma mensagem SMS. no entanto estes devem ser efectuados de acordo com as necessidades de cada instalação. 7. por diferença de caudais ou sistemas em que se actue de acordo com as necessidades de nível. existem vários modos de implementar a ligação de comunicações entre as estações exteriores e o centro de controlo. integrados na mesma rede com o objectivo de controlar automática e/ou manualmente. 7. 1 .4 Outros tipos de controlo Existem muitos tipos de controlo possíveis de aplicar.Sistemas de Controlo. 7. estas informações poderão consistir no tempo de funcionamento das bombas. adicionando as informações registadas e analisadas mais importantes à mensagem de alarme.4.2. Comunicação e Gestão 7. O tempo necessário para a transferência de dados pode ser diminuído se a unidade de controlo das bombas efectuar localmente a totalidade da análise dos dados e armazenar os resultados na respectiva memória. isto é. referimo-nos a controlos mistos. conforme descrito nas secções seguintes. das instalações e dos sistemas de exploração. mas muitas mais existem.3. número de arranques.3 Comunicação entre sistemas de bombeamento 7.2 Controlos integrados Sistemas de controlo diversos. Como exemplo podemos referir o controlo do nível do tanque ou cisterna a abastecer simplesmente uma rede sobre pressão. É possível integrar este tipo de controlos com os controlos Grundfos.4. consumo de energia.1 Necessidade de comunicação Com o objectivo de controlar o funcionamento dos equipamentos à distância é necessário dotar as instalações de meios pelos quais cada unidade possa observar o comportamento da outra e actuar automaticamente operando de modo a avisar o operador ou a desenvolver rotinas automáticas para corrigir qualquer anomalia ou processo alternativo necessário.3. visando a protecção dos equipamentos.1 Diferentes níveis de controlo remoto As modernas unidades de controlo de bombas permitem que o sistema de controlo e monitorização seja personalizado de acordo com as funções requeridas pelo projecto.2. de acordo com os recursos disponíveis para investimento. Para isso podem utilizar-se vários processos de comunicação conforme as necessidades e aplicação. Caso seja introduzido um sistema de controlo remoto e monitorização ao nível da rede. 7.2 Comunicação entre sistemas de controlo da mesma rede 7. a unidade de controlo pode ser equipada com um modem GSM.2. visto que não existe nenhum centro de controlo.3. Por exemplo. a transmissão de dados é crucial ao funcionamento dos sistemas de controlo remoto.

o volume de bombeamento durante o dia. destinados a reduzir os custos de funcionamento a longo 7.1 Monitorização e gestão de sistemas mistos 7. O software de administração em execução no computador do centro de controlo efectua a categorização automática dos alarmes. sem necessitarem de estar permanentemente ligadas ao centro de controlo. as estações de bombeamento e a estação de controlo central podem estar situadas a uma grande distância praticamente ilimitada uma da outra. o tempo de funcionamento das bombas. A rede telefónica pública também permite autorizar outras entidades. Normalmente. A ligação das comunicações tem de ser flexível e permite normalmente a utilização da rede telefónica pública. tais como fornecedores de equipamentos e empresas de serviços. Também é possível utilizar linhas dedicadas. os alarmes são transferidos para o telefone GSM do técnico de serviço sob a forma de uma mensagem SMS (de texto). Tipicamente. para a pessoa certa no momento exacto (caso o alarme esteja categorizado para transferência). quer trabalhem individualmente quer façam parte de uma rede de abastecimento ou de rega. Os resultados também podem ser armazenados na estação exterior durante algum tempo.Sistemas de Controlo.4 Gestão integrada entre sistemas de bombeamento Fig. Isto também permite que as unidades de controlo das bombas funcionem independentemente. em cuja base de dados são armazenados todos os alarmes recebidos. só será necessário transferir os resultados calculados para o centro de controlo. outros alarmes activos (configurados para não serem transferidos). devem ser controladas fiavelmente de modo a proporcionarem um funcionamento seguro e eficiente. Os alarmes também podem ser transferidos por pager.2. Se estiverem ligadas através da rede telefónica pública.1.1 Controlo e monitorização de estações de bombeamento Todas as estações de bombeamento. o que lhe permite transferir o alarme 121 .4. antes de serem automaticamente enviados em conjunto. tal como acontece. Para além do texto do alarme. bem como o agendamento das tarefas do pessoal técnico de serviço. os modems de rádio e as linhas dedicadas são utilizados quando as distâncias são curtas e quando existe a necessidade de comunicação contínua. A tecnologia GSM constitui frequentemente a melhor alternativa para adaptação de instalações já existentes.4.Painel de supervisão de gestão integrada 7.3 Transferência de alarmes Os alarmes provenientes de uma estação exterior são transferidos para o centro de controlo. em vez de todos os dados registados. 2 . por exemplo. A transmissão de dados é sempre configurada de acordo com as necessidades individuais. De uma maneira geral. dependendo apenas do número de informações requeridas. etc. a acederem a uma estação elevatória com objectivos específicos. tomando em consideração os custos de instalação.3. contacta o operador do pager e envia a mensagem que será apresentada no pager. Ambas as extremidades da ligação de comunicações necessitam de um modem para modular os dados para transferência. O computador do centro de controlo cria o texto do relatório de alarme. mas este método é raramente utilizado nos últimos tempos devido ao aumento dos custos e da fiabilidade incerta. modems GSM ou qualquer combinação destes. 7. uma vez que a instalação de linhas de acesso de PSTN é dispendiosa e a sua disponibilidade poderá estar limitada. a mensagem contém informações codificadas sobre a identidade da estação e o tipo de alarme emitido. A actual tecnologia de controlo electrónico permite conceber e projectar sistemas de controlo e monitorização versáteis. cuja função é imprimir todos os alarmes para análise posterior. os custos da transmissão de dados e as características requeridas e proporcionadas por cada método. o computador do centro de controlo também está equipado com uma impressora separada para os alarmes. composta por várias estações de bombeamento. esta mensagem poderá incluir informações mais detalhadas sobre o estado da estação de bombeamento (em funcionamento/parada/falha). caso existam interrupções indefinidas na ligação de comunicações. Ocasionalmente. Esta é uma característica importante. Comunicação e Gestão Assim sendo. normalmente uma semana. A escolha de um método de transferência tem de ser da responsabilidade do utilizador. A moderna tecnologia de telecomunicações GSM constitui uma solução apelativa para o controlo e monitorização remotos de estações exteriores localizadas a grandes distâncias do centro de controlo. com os circuitos de controlo entre os depósitos de água potável e as estações de captação. de modems de rádio. Todas as tendências indicam que as comunicações por modem GSM irão tornar-se cada vez mais populares no futuro.

Comunicação e Gestão prazo e a aumentar a sua fiabilidade. As bombas de serviço arrancam quando a variável requerida é insuficiente.Sistemas de Controlo. é agora possível um sistema de monitorização ao nível de rede e as possibilidades futuras de combinação da internet e da tecnologia WAP.4.1. Numa aplicação normal no modo serviço/ /reserva. As bombas alternam em cada ciclo. Todas as bombas em funcionamento são paradas. Normalmente. depois de introduzirem a respectiva identificação. etc.2 Integração do sistema Um sistema de controlo e monitorização de estações de bombeamento pode ser integrado com outro sistema de controlo. os sistemas devem ser concebidos utilizando procedimentos padrão. poderão consultar os dados históricos detalhados das estações exteriores a partir dos computadores instalados no próprio local de trabalho. Também a nível do controlo. gestores. em cada sistema. que monitorizam as estações de bombeamento. técnicos de serviço. numa situação em que todas as restantes estejam em utilização. 7. 3 . Se o técnico de serviço tivesse a possibilidade de controlar o sistema e alterar alguns parâmetros cruciais a partir do respectivo telemóvel quando estivesse em viagem. do seu melhor desempenho. No entanto. este factor torna os cálculos de monitorização das bombas mais complicados e menos fiáveis.4. tendo como preocupação fundamental a fiabilidade das instalações e dos equipamentos de bombeamento. os níveis de funcionamento pré-definidos são o nível de paragem. 7. simultaneamente ou a intervalos ajustáveis. tais como transdutor de pressão. de manutenção e exploração. As estações de bombeamento não fiáveis representam um risco ecológico e financeiro. A Grundfos estudou e desenvolveu diversos tipos de controlos para diferentes aplicações. poderia alcançar-se a flexibilidade total proporcionada por um centro de controlo móvel. possibilitando a utilização das informações sempre que tal seja necessário. Este tipo de unidade de controlo utiliza sempre um transdutor ou um sensor de modo a efectuar um controlo em contínuo. a sequência de controlo da bomba é bastante simples. Se estiver instalada mais do que uma bomba de reserva. As mais recentes inovações nas técnicas de controlo e monitorização remotos envolvem a utilização da Internet e da tecnologia WAP para ultrapassar as limitações dos sistemas de monitorização tradicionais anteriormente descritos. caudalímetros. Por exemplo. os operadores. etc. Para possibilitar esta integração. desenvolveu softwares próprios e processos electrónicos para a perfeita adaptação das electrobombas que fabrica.. o nível de arranque e a pressão de controlo.3 Controlo e monitorização remotos baseados na Internet e WAP As mensagens de alarme transferidas para os técnicos de serviço sob a forma de mensagens SMS são exclusivamente informações unidireccionais. a intervalos ajustáveis ou a níveis diferentes.4. Através dos controladores H1000 e H2000 é possível usufruir. A bomba de reserva arranca quando uma das principais estiver em avaria. Os sistemas de controlo e monitorização através da Internet/WAP permitem igualmente que a monitorização remota seja proposta aos serviços públicos ou entidades 122 . parando quando esta estiver acima do valor requerido. tais como sistemas operativos de PC e protocolos padrão de transmissão de dados e entrada e saída de sinais. tendo sempre em atenção os custos energéticos.2 Vantagens de um sistema integrado 7. particulares de abastecimento de água. esta opção pode ser efectuada por relógio ou por indicação externa. bem como inibe os utilizadores de usufruírem do bem de que necessitam. a fiabilidade é a principal preocupação relacionada com a concepção de uma unidade de controlo para uma estação de bombeamento. sob a forma da descarga de águas para o ambiente ou para as caves de edifícios. bem como a defesa do meio ambiente e o conforto do utilizador.1 Funções de controlo O parâmetro mais comum de uma estação de bombeamento H2000. quando a variável atinge o nível de paragem. Recorrendo a diversos tipos de sensores. Por este motivo.Vários sistemas integrados 7. Estão disponíveis vários tipos de sensores. O sistema de controlo e monitorização baseado na Internet permite consultar e criar relatórios dos dados históricos das estações de bombeamento a partir de múltiplas localizações. Esta solução poderia permitir utilizar software comum para a transferência e comunicação de alarmes. Fig. A integração de sistemas é normalmente útil para seleccionar o melhor sistema para cada aplicação e para os combinar a um nível adequado. essas bombas poderão ser iniciadas simultaneamente ao mesmo nível. Em algumas instalações é possível que todas as bombas tenham níveis de arranque e paragem diferentes. às aplicações mais diversas.2. tal como um sistema de controlo da estação de tratamento ou um sistema de controlo integrado da empresa responsável pela rede de abastecimento público de água.1. engenheiros do sistema de abastecimento.4. para assegurar uma distribuição igual da utilização e do desgaste entre as bombas. independentemente da localização. dispositivos ultra-sónicos. A integração não significa que todos os sistemas serão executados no mesmo computador com o mesmo software. é medir a pressão de abastecimento.

Os outros parâmetros habitualmente requeridos são as dimensões do poço e os valores nominais da corrente de entrada e da capacidade das bombas. isto permite que os trabalhos de manutenção e controlo das bombas passem gradualmente da reparação de falhas para a manutenção preventiva e até mesmo para a manutenção preditiva. os níveis baixo e alto de alarme e os níveis de sobrecarga. nível baixo. Intebus. Fig. bem como os sinais dos contactos isentos de potencial fornecidos pelo relé de presença de tensão e pelo contador de energia. Os sinais de entrada digitais necessários são a indicação de funcionamento ou reserva da bomba.). etc. tais como alarmes de nível elevado. Para efeitos de calibragem. bem como uma versão especial da aplicação de software. Os valores a introduzir são normalmente níveis de funcionamento que correspondem a um determinado nível de água no poço. A unidade é configurada para proteger o motor da bomba em situações anormais. Comunicação e Gestão Em alguns casos. A medição da corrente do motor da bomba é necessária para protecção e monitorização. este não deve ser considerado como dado de controlo mas sempre como de protecção. o que pode ser devido ao desgaste do impulsor ou à acumulação de ar.2 Funções de monitorização A unidade de controlo das bombas efectua a monitorização automática das bombas com base nos parâmetros registados e analisados.4. falha de alimentação da bomba e outros alarmes baseados nas definições dos limites dos parâmetros. o sistema deve ser capaz de adaptar a variável correctamente e sem ambiguidades. dado que o "Reset" do MGE se efectua automaticamente. Nestas circunstâncias. A utilização destes sinais pode requerer uma placa de expansão adicional. Em última análise. Os sinais digitais são sinais de entrada ou saída e indicam um estado ON ou OFF. Todos estes valores podem ser enviados para o sistema de gestão através de uma porta de conversão de protocolo G100 (Profibus. o tempo de funcionamento. A unidade de controlo da bomba também está programada para indicar todas as falhas de funcionamento da estação até um máximo de 10. é possível instalar uma ou mais bombas de reforço com características diferentes. tais como os níveis de arranque e paragem das bombas. é possível utilizar dimensões reais ou percentagens dos valores de referência. esta é automaticamente parada. do grupo de bombeamento tem capacidade de memória suficiente para registar os dados ao longo de um determinado período de tempo. quando presentes. Os sinais analógicos de entrada. Os parâmetros são introduzidos na unidade com base nas dimensões reais da estação e em unidades recolhidas no projecto ou medidas no local da instalação.Registo de dados A unidade de controlo e comunicação G100. São necessários vários sinais para que o controlo das bombas funcione conforme planeado. esta unidade constitui uma valiosa protecção para o motor. Isto permite simplificar o painel de controlo do motor. para que o operador possa evitar possíveis danos. para tratar de caudais maiores. 4 .2. removendo deste as características que estão incorporadas no PFU tais como os amperímetros. Todas as funções acima descritas estão disponíveis na unidade de controlo e monitorização C2000 da Grundfos e podem ser lidas a partir do visor da interface PMU.Sistemas de Controlo. é activada a segurança da instalação automaticamente. 7.4 Registo e análise de dados 7. que se encontram nas folhas de características destas. fornecidos pelos circuitos de comando. provenientes de sensores adicionais. A unidade tem de registar. protegendo ainda a bomba em caso de falta de água e onde não é usada a protecção adicional recomendada. Caso ocorra a sobrecarga de uma estações de bombeamento. Caso a corrente de entrada suba acima do limite de sobrecorrente. através de limites ajustáveis de sub e sobrecorrente no caso dos motores MGE da Grundfos. este sinais correspondem a medições da temperatura dos enrolamentos e dos rolamentos do motor da bomba. o número de arranques das bombas e os incidentes relacionados com problemas de corrente no 123 . Estes sinais podem ser digitais ou analógicos. informações sobre a condição do óleo do empanque da bomba. Estas informações são igualmente importantes para verificar o desempenho operacional da estação de bombeamento e para a determinação das acções de manutenção.2. A corrente do motor da bomba é também uma informação necessária para o planeamento das operações de manutenção da bomba.4. etc. 7. Quando a pressão de entrada e a duração da sobrecarga são conhecidos. Os sinais digitais de saída são necessários para o arranque e paragem das bombas. os contadores de horas de funcionamento e os relés de sequenciamento.3 Parâmetros e sinais A unidade de controlo da bomba necessita de vários parâmetros para poder funcionar conforme necessário. Em conjunto com os relés térmicos ou os dispositivos electrónicos de protecção existentes no arrancador do motor da bomba.4. dados provenientes de um medidor de caudal ou conversor de frequência adicional. Uma corrente de entrada anormalmente baixa indica que a bomba não está a bombear normalmente. situação em que o sobreaquecimento do motor se torna um risco devido à possibilidade de falha. pelo menos. são utilizados para medidas contínuas. Por exemplo. Modbus.2.

São utilizados indicadores luminosos separados para a indicação de alarmes e do estado de funcionamento das bombas.5 Interface do utilizador Para aceder aos dados e introduzir parâmetros. algumas funções úteis. 124 .Sistemas de Controlo. Este interface tem de ser composto. Habitualmente. necessitará de dispor de capacidade de memória suficiente para armazenar os dados registados e analisados durante vários dias. 7. ou continuamente. Dado que a mesma se encontrará interligada com um sistema de gestão instalado num PC.2.4. tais como a função de varrimento automático. o utilizador necessita de um interface para trabalhar com a unidade de controlo das bombas. A utilização de um interface deste tipo tem de ser simples e lógico. Para esta situação a Grundfos dispõe de uma unidade PMU para o efeito. facilitam e aceleram a leitura rotineira dos dados. no mínimo. Mesmo que a unidade de controlo das bombas funcione como uma estação exterior de um sistema de controlo e monitorização ao nível da rede. estes dados serão convertidos para esta base onde deverão ser tratados. por um pequeno visor LCD e um teclado. nem mesmo durante possíveis quebras de comunicação entre a estação exterior e o centro de controlo. a intervalos específicos. Os dados registados podem ser agrupados e analisados mais detalhadamente através da sua transferência. através de um sistema automático de controlo remoto. para um computador portátil com software adequado. O utilizador tem de ser capaz de introduzir todos os parâmetros necessários e de ler os dados registados e calculados utilizando o teclado. Isto deve-se ao facto da perda de dados cruciais não ser aceitável. Comunicação e Gestão motor da bomba.

Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8. INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE BOMBAS E SISTEMAS DE BOMBEAMENTO Autor: José Dias Director de Serviço Pós-Venda Bombas Grundfos Portugal 125 .

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É recomendado por isso. O manual de instalação de cada tipo de bomba alerta para estas condições. permitindo a compensação de fugas e pequenos consumos. que as centrais de bombeamento sejam instaladas tendo em atenção estas características por possuírem estes componentes e consequentemente necessitarem de condições de verificação adequadas. 2 . eléctricas e físicas. Valores apresentados nas tabelas que em alguns casos varia a capacidade do depósito também em função do número de bombas.2 Requisitos para instalação 8.2 Necessidades de ventilação Uma das mais importantes características de bom funcionamento dos equipamentos eléctricos e electrónicos.1 Localização do equipamento de bombeamento Os equipamentos de bombeamento devem ser instalados de acordo com as especificações dos manuais de instalação respectivos tendo em atenção as características ambientais. tais como temperatura e humidade. espaço livre de passagem e ausência de humidade que os equipamentos necessitam para o seu correcto funcionamento e longevidade.golpes de aríete (consultar capítulo 4).Permite proteger a instalação contra os regimes transitórios .3. as quais devem ser cuidadosamente respeitadas. motores equipamentos electrónicos. Utilização de reservatórios de membrana Porquê utilizar um reservatório de membrana. também denominado depósito de membrana. 8. permitindo alargar os períodos de manutenção.1 Introdução Para a correcta instalação das bombas e restantes equipamentos de bombeamento devem ser consideradas algumas regras de acordo com os diversos equipamentos que compõem a instalação. 3 . 8. e outros equipamentos de comando e regulação alimentados por corrente eléctrica.Para compensação da pressão no sistema durante os períodos de paragem da bomba. 127 .Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8. Deste modo alertamos para a necessidade de ventilação. para além destas ainda devem ser consideradas as condições relativas aos quadros eléctricos de controlo e protecção. de modo a garantir-se o seu correcto funcionamento e duração de vida e de acordo com os manuais de instalação e operação respectivos. que são: 1 . CAPACIDADES MÍNIMAS RECOMENDADAS Capacidade do depósito de membrana [litros] Modelo da bomba CR(E) 3 CR(E) 5 CR(E) 10 CR(E) 15 CR(E) 20 CR(E) 32 CR(E) 45 CR(E) 64 CR(E) 90 Velocidade fixa MS 60 80 200 200 200 300 300 500 500 MSH 100 100 200 200 300 500 500 MF 60 80 80 200 200 200 200 200 200 MFH 200 200 200 200 500 Velocidade variável ME 60 60 80 80 80 200 200 200 200 MEH 60 80 200 200 200 200 200 MES 60 60 80 80 200 200 200 200 500 NOTA: Sempre que os sistemas não refiram capacidades de depósitos é por estes não serem normalmente utilizáveis. devem ser instalados de acordo com as suas características físicas e de protecção. 8.2. bem como a sua localização. possuem características especiais que devem ser respeitadas quando instaladas em ambientes em que as condições de temperatura sejam adversas. numa central de abastecimento? Existem três razões essenciais para montar um depósito de membrana numa central. A Grundfos recomenda reservatórios cuja capacidade mínima é a abaixo mencionada. tem a ver com as condições ambientais de funcionamento. A sua localização deve ainda respeitar e considerar a necessidade de manutenção e intervenção local bem como condições de remoção do local. Os equipamentos eléctricos. Os equipamentos de bombeamento.2.2. os quadros eléctricos de controlo e restantes equipamentos de medida e controlo.Reduzir o número de arranques e paragens das electrobombas no tempo.

hidráulico e eléctrico. bem como acústico nos casos em que tal se justifique. etc. • Uso de filtros sem a manutenção adequada. no entanto a fim de evitar o funcionamento indevido das bombas sem água. devem ser considerados cuidados específicos e regras de segurança de modo a que respeitem as condições de aspiração próprias das bombas CR. O cálculo do ponto de funcionamento da bomba. a altura de aspiração demasiado elevada e ainda a desferragem das bombas. à instalação ou às pessoas. No funcionamento normal. a bomba pára e só após algum tempo. A Grundfos disponibiliza um sistema de protecção electrónico contra a falta de água. A segurança dos equipamentos e das pessoas deve ser sempre respeitada. variável. Os maiores problemas susceptíveis de ocorrer nestas instalações relacionados com as bombas são os provocados pelo funcionamento sem água. mas também a segurança. em que é requerido a aspiração de água de um nível mais baixo que o nível em que estão instaladas as bombas. Como exemplo de instalações susceptíveis de provocar avarias. de modo a garantir o seu funcionamento para além das protecções existentes. protecção contra falta de água. caso falhe o sistema de protecção existente contra falta de água. deve ser efectuado tendo sempre em atenção ao valor da curva de NPSH para esse mesmo ponto. 2 . bem como a temperatura dos motores e dos empanques das bombas.3 Instalação de sistemas de bombeamento Na instalação de um grupo ou de uma central de bombeamento é necessário sempre respeitar as regras de instalações hidráulicas. é necessário que as mesmas estejam devidamente protegidas contra essa possibilidade ou outras que possam provocar danos às bombas. Para as bombas com variação de velocidade CRE. as regras referentes à instalação eléctrica e ainda às regras de boa prática de montagem mecânica. denominado LiqTec. após várias tentativas. poderemos apontar: • Percursos muito longos • Tubagens subdimensionadas • Demasiados acessórios na tubagem de aspiração da bomba. isto é. volta a funcionar. 128 . O uso de válvulas de retenção eficazes e com reduzidas perdas de carga. a uma cisterna com pressão positiva. Fig. em que se recorre à ligação do grupo ou da central de bombeamento. eléctrodos ou transdutores são outros dispositivos de segurança que devem ser consideradas como medidas de protecção. a bomba pára. destacamos. a cavitação. Se a avaria persistir. Nesse sentido em cada sistema de bombeamento.3. o uso de equipamento auxiliar como sensores de nível. daí que as centrais devam ser instaladas como se de bombas individuais se tratassem e os elementos de protecção individuais devem de igual modo respeitar esta regra.Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8. Os quadros eléctricos de controlo devem dispor de protecções de modo a garantir a protecção e o bom funcionamento da instalação e das bombas individualmente. 1 . o qual permite a fiabilidade das bombas sempre que se verifiquem roturas no abastecimento de água.3. Nesse sentido é necessário prover a instalação dos adequados sistemas de protecção por forma a evitar que os mesmos ocorram. Fig. boiadores. Nesse sentido os equipamentos devem ser protegidos a nível mecânico. a protecção contra sobreaquecimento do motor e outras protecções eléctricas. de modo a prevenir possíveis avarias e danos às bombas e à instalação. por um conjunto de instrumentos que respeitem o seu funcionamento de uma maneira geral. estas estão preparadas para com sistemas de protecção suplementar interna. se uma destas avarias ocorrer. Entre as protecções existentes internamente nos motores MGE da Grundfos. em que o nível da água está a um nível superior ao das bombas. os mesmos devem estar preparados com os cuidados devidos de modo a evitar danos. que permite a maior duração dos empanques e casquilhos. não existe o risco dos casos mencionados anteriormente.1 Aspiração negativa As centrais de bombeamento instaladas com este tipo de instalação.2 Aspiração de cisterna elevada Neste tipo de abastecimento.Sistema de protecção LiqTecTM 8.Central de bombeamento tipo com aspiração negativa 8.

podem provocar avarias na instalação ou nas bombas. como por exemplo o funcionamento em situações de perdas de carga variável. contra sobrecarga. devem estar relacionados sempre com o equipamento respectivo e deve para o efeito ser consultado o manual técnico de instalação e operação das bombas. Relativamente a bombas com variação de velocidade Grundfos. Genericamente os materiais de maior necessidade de intervenção quando se trata de bombas CR. Nestas redes os grupos ou as centrais de bombeamento devem estar protegidas contra funcionamento acima da pressão de rotura da instalação ou acima da pressão das próprias bombas. Como qualquer outro equipamento.4 Manutenção 8.3. 3 . Fig. etc. 129 . são aqueles que sujeitos a maior esforço físico ou desgaste por fricção. 5 . Fig. tendo como objectivo sempre. a mesma deve ser sempre considerada apenas como redundância a uma falha do sistema de controlo. como ainda para um possível aumento de pressão. o já referido funcionamento em seco. Dentro destes poderemos considerar: • Rolamentos dos motores e das bombas. Estas bombas e os quadros que as controlam.Central de bombeamento tipo com aspiração de uma rede 8. falta de fase.4. têm de se adaptar à instalação e às diversas situações. com aspiração de cisterna elevada • Anéis de desgaste e casquilhos. possam necessitar de maior intervenção. que adicionado à pressão de funcionamento das bombas. não só contra falta de água. Neste tipo de aplicação pode ocorrer excesso de pressão na aspiração. caso não sejam tomadas em consideração as pressões de funcionamento.Central de bombeamento tipo. 4 . protecção contra sobreaquecimento do motor.Central de bombeamento com aspiração positiva Normalmente são equipamentos externos às bombas e que complementam a sua segurança. a protecção contra falta de água é uma das suas características internas como protecção ao equipamento. quando existirem • Empanques e retentores Fig. a poupança de energia e a preservação das condições de segurança dos equipamentos e da instalação. não devendo ser entendida como característica de operação. São exemplo disso.1 Manutenção aos equipamentos de bombeamento Os aspectos a ter em conta para efeitos de manutenção específicos.Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8. Mas nestas bombas existem ainda outras protecções complementares que evitam as protecções externas atrás mencionadas.3 Aspiração de uma rede sob pressão Nas redes sob pressão há que ter em conta também um eficaz sistema de protecção.

Fig. deve de imediato ser alertado o fornecedor de modo a diagnosticar possíveis falhas. por outros programas com necessidades de acessos via internet ou outros susceptíveis de os contaminarem com vírus informáticos que possam interferir com o seu bom desempenho. deve ser efectuada uma inspecção regular. a qualidade da água. o tempo de operação das bombas. de acordo com as especificações de funcionamento previamente estabelecidas. 8.2 Manutenção aos sistemas de monitorização e controlo Para um sistema de monitorização e controlo não é normalmente necessário qualquer manutenção especial. bem como as condições de ventilação da sala onde a central ou as bombas estão instaladas.Manutenção de um quadro eléctrico de controlo 130 . Também devem ser respeitadas as condições de temperatura de funcionamento e as regras de bom funcionamento e ventilação.Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento nicos. relés ou outros).4.Empanques No entanto no plano de manutenção a estabelecer deve ser sempre considerado. a eles ligados. Sempre que se notar um funcionamento irregular ou fora do normal. a temperatura da água e a temperatura ambiente. Devem no entanto acompanhar-se e seguir-se a evolução do bom desempenho do mesmo e evitar-se a utilização dos PC's onde estão instalados ou dos outros equipamentos electró- Fig. Quando a estes estiverem ligados equipamentos sujeitos a movimento mecânico (ex: contactores. com a periodicidade acordada inicialmente. 6 . 7 .

Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. SISTEMAS DE ABASTECIMENTO PÚBLICO E PREDIAL NO PORTO Autor: Carlos Medeiros Engenheiro Civil dos SMAS do Porto Professor Auxiliar da FEUP e da FAUP 131 .

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sendo em 22 de Março de 1882 assinado o contrato com a "Compagnie Générale des Eaux pour l'Étranger". Teve isto lugar em 1896. pôs a concurso o projecto e execução das obras necessárias para o saneamento da Cidade.A. E como causa principal deste lastimoso estado não se pode apontar outra que não seja a falta quase completa de uma rede de canalização para os esgotos da Cidade. por 3. até ao século XIX. para uso público. passou o Município do Porto a integrar o Sistema Multimunicipal de Abastecimento de Água à Área Sul do Grande Porto. transporte e distribuição. a inquinação dessas águas.XVI). os problemas de assistência e higiene pública. se destacaram de entre os principais pólos abastecedores de água à Cidade. há mais de seis séculos. De acordo com o documento dirigido ao Rei pela Câmara Municipal do Porto. A rede de drenagem de Águas Residuais Domésticas. Cem anos volvidos. Sebastião (meados do séc. empreendeu obras que lhe permitissem melhorá-las e organizou Repartições de Estudo que a orientassem sobre a gravidade dos males e meios de os remediar. No entanto. Em 1983. o Porto já possuir fontes e chafarizes. e para isso esta Municipalidade. tratamento e adução em alta e em baixa até finais de 2000. encontra-se a mesma estabelecida desde 1907. É para um dos múltiplos aspectos de um destes problemas que a Câmara Municipal do Porto.000 habitantes equivalentes. então. então. já sendo sentida desde algum tempo antes.. Gondomar. as doenças transmitidas. No que respeita à água para consumo público.500 contos. A partir de 1855. iniciou-se a construção dos mananciais de Paranhos e Salgueiros que. revelador do facto de. O contrato com a Compagnie Générale era válido por 99 anos e foi estendido a Matosinhos no princípio do século. a evolução dos cuidados com a saúde e ainda as exigências quanto à qualidade de vida impunham uma transformação radical do sistema. expansão das redes de distribuição e transporte são passos importantes de uma nova fase. A população da Cidade era. Os trabalhos são concluídos em 1886. contudo. justamente preocupada com as condições higiénicas da Cidade. A sua necessidade vinha. Inicia-se aqui o terceiro ciclo de vida do abastecimento de água à Cidade do Porto. Concorreu a acreditada firma Hughes And Lancaster. nasce uma nova fase na história dos SMAS com as captações em profundidade em Lever. em profundidade. procederam à captação. mas só em 1 de Janeiro de 1887 é que o abastecimento é regularizado. sistema posteriormente alargado aos Concelhos de Gaia. conhecida a causa indicado estava o remédio. e à criação dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento em 1 de Abril desse ano. Há anos já que esta Municipalidade. em 11 de Agosto de 1899 refere-se: "São graves. os SMAS. A água de abastecimento público passou. para uma população de 370.000 habitantes e a água tida como a melhor da Europa. altura em que. surgem várias companhias candidatas ao projecto e execução de obras de captação. conhecidíssima pelas obras congéneres executadas em diversas Cidades estrangeiras e exploradora do Sistema Shöne para a elevação de esgotos.. começando a Câmara a exercer fortes pressões junto da Companhia que conduziram ao resgate da concessão em 28 de Março de 1927.. em 27 de Julho do mesmo ano. S. novas captações. a ser adquirida pelos SMAS à empresa Águas do Douro e Paiva. vem perante Vossa Majestade solicitar a atenção do seu governo.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Serviços Municipalizados de Água e Saneamento do Porto Reporta-se a 1392 o mais remoto registo histórico de que há notícia. 133 . o qual é aprovado por Carta de Lei. de 122. a rede instalada possui uma extensão de 550 Km e capacidade de tratamento integralmente assegurada em duas ETAR's (Freixo e Sobreiras). elevação. O sistema mostrou-se extremamente vulnerável em regime de cheias dos Rios Douro e Sousa. Maia e Valongo. Aumento de reservas. embora sem condições de higiene. No reinado de D. ainda é vulgar designar-se a água do Porto como "água da Companhia". com a captação no Rio Sousa. no areal de Zebreiros (1937)." Actualmente.

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bem como o abastecimento predial de água feita a partir de captação particular (nascentes e furos). 135 . assim como as necessidades prediais. Na escolha do sistema a ser utilizado. os sistemas elevatórios e as câmaras de manobras para instalação de equipamentos elevatórios.1 Aspectos gerais Nos arruamentos públicos existentes compete aos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto a elaboração de estudos e projectos dos sistemas públicos. acompanhado de Planta de Localização da obra a levar a efeito.º 23º). militares. uso industrial. cabendo ao Batalhão de Sapadores Bombeiros da Câmara Municipal do Porto. 9. com o fim de se garantir o abastecimento para outras finalidades. sobre carta topográfica à escala 1:500. entre outros. materiais e tipos de junta das condutas.2 Elementos de dimensionamento As capitações a considerar na distribuição exclusivamente doméstica não deve. prisionais. fornecendo os elementos seguintes. podem geralmente considerar-se incorporados nos valores médios de capitação global. são apresentados os principais tipos de sistemas prediais de abastecimento de água. ser inferior a 250 l (habitante / dia). tais como combate a incêndio. acessórios e instalações complementares.2. à escala 1:500 (Art. Por fim. tais como de fontanários. b) As secções. que devem ser avaliados de acordo com as suas características. Os consumos industriais face a sua grande aleatoriedade. os reservatórios. será necessário requere-los ao Director Delegado dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. devem ser avaliados caso a caso e adicionados aos consumos domésticos. Em todas as intervenções urbanas. estabelecimentos de saúde. profundidades. Seguidamente. fundamentalmente. elementos acessórios da rede e as verificações necessárias à prévia utilização dos sistemas prediais. fornecida pela Câmara Municipal.º 18).º 250º). É da responsabilidade do autor dos estudos e projectos a recolha dos elementos de base. será importante observar as condições de disponibilidade de abastecimento garantidas pela rede pública. 9. de 23 de Agosto) e a sua adaptação efectuada pelos pelo Regulamento dos SMAS . A concepção dos sistemas de distribuição pública de água no Porto deve passar pela análise prévia das previsões do planeamento urbanístico (planos urbanísticos ou operações de urbanização em que se insiram) e das características específicas da área urbana em que se insiram. a) A localização em planta das condutas. variando entre 5 e 20 l (habitante / dia). Os Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto prestarão todas as informações de interesse. ressaltando as recomendações contidas no Regulamento dos Sistemas Públicos e Prediais de Abastecimento de Água e Drenagem de Águas Residuais (Decreto Regulamentar 23/95. nomeadamente no que respeita à caracterização e localização das redes públicas de abastecimento de água. Para os obter. lavagem de arruamentos. tanto a nível técnico como de legislação de soluções de abastecimento directo ou de abastecimento com recurso a sistemas elevatórios que garantam um abastecimento em quantidade e qualidade adequadas ao uso. prediais de água fria e quente. ensino. com as condições que determinam a sua aplicabilidade. O diâmetro nominal mínimo das condutas de distribuição é de Ø100mm (Art. as condições de ligação. é obrigatória a elaboração dos estudos e projectos. e submete-los à aprovação dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto (Art. a definição do grau de risco e do caudal instantâneo a garantir (Art. qualquer que seja o horizonte de projecto. Os volumes de água para combate a incêndios são determinados em função do risco da sua ocorrência e propagação na zona. Uma apresentação breve das condições a considerar na instalação de abastecimento público preencherá a primeira parte desta exposição. Em zonas com actividade comercial intensa pode admitir-se uma capitação da ordem dos 50 l (habitante / dia) ou considerarem-se consumos localizados. Consideram-se consumos assimiláveis aos industriais os correspondentes. bebedouros. rega de zonas verdes e limpeza de colectores. nomeadamente às necessidades de água para o consumo e o combate a incêndios.2. que impliquem a alteração ou ampliação dos sistemas públicos existentes ou a implementação de novas infra-estruturas.Porto. hoteleiras. bombeiros e instalações desportivas.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. serão especificadas as principais etapas que constituem o dimensionamento dos sistemas prediais de abastecimento de água fria e quente. entre outros. lavagem de pavimentos. pelo promotor.1 Introdução Nesta apresentação são abordados os principais aspectos relacionados com os sistemas de abastecimento públicos e. Os consumos públicos. às unidades turísticas.º 251º). Conclui-se a exposição referindo aspectos importantes referentes ao traçado. nomeadamente. caso a caso.2 Sistema de abastecimento público 9.

no mínimo. 9. em boas condições de caudal e pressão. dos aspectos de saúde pública e de protecção do ambiente. acrescidos de duas cópias para os elementos referidos nas alíneas b) a g).1:500 em extensão e 1:50 em altimetria. após parecer do Batalhão de Sapadores Bombeiro (Art.2. Todos os desenhos devem possuir legenda no canto inferior direito. o tipo da obra. descrição do desenho. os materiais e acessórios e as instalações complementares.4 Elementos de instrução dos processos de projectos O pedido de aprovação de projectos deve ser instruído com os seguintes elementos (Art. As peças desenhadas devem ser apresentadas. 136 . As peças escritas devem ser apresentadas dactilografadas ou impressas em folhas de formato A4. e) Cálculo hidráulico onde conste os critérios de dimensionamento adoptados e o dimensionamento das redes. d) Número.º 252º): a) Requerimento dirigido ao Director Delegado dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. paginadas e todas elas assinadas. não excedendo as dimensões do formato A0.º 55º). b) Termo de responsabilidade do técnico autor do projecto. a natureza. respeitando a Norma Portuguesa NP204 e contendo. Cabe aos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento a definição da localização das bocas de incêndio e dos hidrantes. Os diâmetros nominais mínimos dos ramais de alimentação dos hidrantes são de 45mm para as bocas de incêndio e de 90mm para os marcos de água (Art. no original. de ampliação ou remodelação. com indicação dos materiais das canalizações e acessórios utilizados. desde a rede pública até ao limite da propriedade a servir.2. pelo técnico responsável pelo projecto. escalas e data da sua elaboração. • Perfis . pode uma mesma edificação dispor de mais de um ramal de ligação para abastecimento doméstico ou de serviços. O diâmetro nominal mínimo das bocas de rega e lavagem e respectivos ramais de alimentação é de 25mm (Art. competindo aos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto promover a sua instalação (Art. designação e local da obra. Quando se tenha de assegurar simultaneamente o serviço de combate a incêndios sem reservatório de regularização.º 56º). f) Mapas de medição e orçamento a preços correntes. onde conste a identificação do proprietário. c) Planta de Localização fornecida pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento d) Memória descritiva e justificativa.º 264º). indicando se se trata de obra nova. qualificação e assinatura do autor do projecto.1:500. 9. f) Legenda específica das redes representadas.º 267º). Nos ramais de ligação de abastecimento a reservas de água e piscinas que se encontrem instaladas a uma cota não superior a 10 m relativamente ao arruamento de onde se faz a ligação.grau 5. obedecendo às escalas a saber: • Plantas . das obras a executar. a seguinte informação: a) Designação e local da obra.º 53º).º 32º). em tela plástica. os diâmetros nominais mínimos das condutas são determinados em função do risco da zona e devem ser: a) 100mm . • Pormenores . c) Nome. e) Especificação quando se trata de projecto de alteração ou aditamento. c) 150mm (a definir caso a caso) .2. Os elementos descritos serão apresentados em original.5 Entrada em serviço dos sistemas A entrada em serviço dos sistemas deve ser precedida da verificação. Os caracteres alfanuméricos devem obedecer à Norma Portuguesa NP89. equipamentos e instalações complementares previstas. é obrigatória a instalação de coluna piezométrica com desenvolvimento a definir pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto (Art. subscrito pelo promotor. b) 125mm . Nenhum sistema de distribuição de água pode entrar em funcionamento sem que tenha sido feita a desinfecção e a vistoria final de todo o sistema (Art.à escala conveniente que esclareça inequivocamente o pretendido. com formatos e dobragem concordantes com o estipulado nas Normas Portuguesas NP48 e NP49. 9. O diâmetro nominal mínimo admitido em ramais de ligação é de 25mm (Art.º 35º).3 Ramais de ligação Os ramais de ligação asseguram o abastecimento predial de água. g) Peças desenhadas dos traçados e instalações complementares.grau 4. Os ramais de ligação consideraram-se tecnicamente como partes integrantes das redes públicas de distribuição e de drenagem. a solicitar a aprovação do projecto. o diâmetro não deve ser inferior a 45mm. pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto.grau 1 a 3.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Quando o serviço de combate a incêndios tenha de ser assegurado pela mesma rede pública. Os diâmetros de saída são fixados em 45mm para as bocas de incêndio e em 60mm para duas saídas e 90mm para os marcos de água. a descrição da concepção dos sistemas. Quando se justifique. b) Identificação do proprietário. Os estabelecimentos comerciais e industriais devem ter ramais de ligação privativos.

9. este último no caso de canalizações de água fria não afectas a sistemas de combate a incêndios. ser de cobre. Os sistemas prediais de abastecimento de água devem garantir que a mesma chegue a todos os dispositivos de utilização. Também. quer de qualidade quer de defesa da saúde pública. Deste modo.3 Concepção dos sistemas A rede de distribuição de água parte de um ponto da rede pública." (Art.º 73º).Porto. nomeadamente poços ou furos privados. sendo obrigatória a ligação às redes públicas de abastecimento de água e de drenagem de águas residuais domésticas.. ". os sistemas prediais alimentados pela rede pública devem ser independentes de qualquer sistema de distribuição de água com outra origem.º 90º).º 77º). remodelados ou ampliados deverão prever redes prediais de abastecimento de água. rega. Numa primeira fase de abordagem a concepção de um sistema de abastecimento predial devem colocar-se as seguintes questões fundamentais: 137 .. encarnado para água de combate a incêndios. peças acessórias e dispositivos de utilização. sempre que necessário.As tubagens e acessórios que constituem as redes interiores podem. devem ser isentos de defeitos e. quando existam ou venham a ser instaladas..3. As redes prediais a instalar.1 Aspectos gerais Todos os edifícios novos. "Não é permitida a ligação entre a rede predial de distribuição de água e as redes prediais de drenagem de águas residuais. "1. combate a incêndios e fins industriais não alimentares." (Art.º 75º). A aplicação de novos materiais ou processos de construção para os quais não existam especificações oficialmente adoptadas nem suficiente prática de utilização. 9.Nas redes exteriores de água fria. independentemente da existência ou não das redes públicas no local (Art. a rede de distribuição predial de água deve assegurar o seu bom funcionamento. e aos esforços a que vão ficar sujeitos. interna e externa. 2 ." e "O fornecimento de água potável aos aparelhos sanitários deve ser efectuado sem pôr em risco a sua potabilidade.2 Elementos dos sistemas Para que não venham a ocorrer utilizações indevidas das diversas redes prediais impõe-se que: "As canalizações instaladas à vista ou visitáveis devem ser identificadas consoante a natureza da água transportada e de acordo com o sistema de normalização vigente. a salubridade e o conforto nos edifícios. mesmo que nos locais onde não existam redes públicas deverão ser executadas de modo a permitir. pela própria natureza ou por protecção adequada. a sua fácil ligação àquelas redes. aço inoxidável. devem apresentar boas condições de resistência à corrosão.. em quantidade e qualidade adequadas ao uso." (Art. Assim. VIII e XI ao Regulamento.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. as tubagens e acessórios podem ser de ferro fundido. impedindo a sua contaminação. A terminologia e a simbologia a utilizar e as unidades em que são expressas as diversas grandezas devem respeitar as directivas estabelecidas neste domínio.3. Os materiais a utilizar nas tubagens e peças acessórias dos sistemas de distribuição devem ser aqueles cuja aplicação seja admitida pelos SMAS .a utilização de água não potável exclusivamente para lavagem de pavimentos. de acordo com as seguintes cores: azul para água destinada ao consumo humano.As redes de água não potável e respectivos dispositivos de utilização devem ser sinalizados. entre outros." (Art. A rede predial a projectar e executar deve ainda oferecer a garantia de que a água a fornecer aos sistemas prediais deverá ter em consideração aspectos.. como dispõem que: "Os sistemas prediais alimentados pela rede pública devem ser independentes de qualquer sistema de distribuição de água com outra origem. 2. II. aço galvanizado ou PVC rígido. como responsável pelo abastecimento e distribuição pública de água. as canalizações instaladas à vista devem ser identificadas consoante a natureza da água transportada.3 Sistema de abastecimento predial de água 9. os instaladores (picheleiros) devem proceder a sua inscrição nos SMAS para que possam assumir a responsabilidade de execução de instalações prediais. quer por aspiração de água residual em caso de depressão. Também no sentido de garantir adequada qualidade e o respeito da saúde pública impõem a necessidade de cuidados na escolha dos materiais. Assim. Todos os materiais a aplicar em sistemas de distribuição. no futuro.º 76º). nomeadamente poços ou furos. quer por contacto. A localização desta conduta exterior bem como a posição prevista para o contador são a "ponta da meada" a partir da qual se faz o desenvolvimento da rede interior. Assim a terminologia e a simbologia a adoptar serão as indicadas nos anexos I.º 4º). deve ser sujeito a verificação de conformidade pelo LNEC Laboratório Nacional de Engenharia Civil e a fazer presente junto dos SMAS Porto.3. polietileno ou PVC rígido" (Art. III. preservando-se a segurança.

Caso contrário. ou seja. Existe rede pública? Onde? 2. Previsão do fornecimento de água quente: a que zonas e de que modo? 10. Precisa de equipamento elevatório de bombeamento? Atravancamento e acessibilidade à câmara de manobras? 8. sempre será de realçar que a concepção de sistemas prediais de distribuição de água deve ter como objectivo a resolução de problemas numa perspectiva global. coordenada com a arquitectura. SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO 9. sem prejuízo das condições de funcionamento do sistema na sua globalidade? Por fim. Na remodelação ou ampliação de sistemas existentes com aumento de caudal de ponta? Comprova-se a suficiência da capacidade hidráulica de transporte das canalizações e das eventuais instalações complementares a montante. na rede pública e ao nível do arruamento.As pressões de serviço nos dispositivos de utilização devem situar-se entre os 50 Kpa e 400 Kpa. com reservatório inferior sempre que a pressão não seja de molde a garantir a reposição da reserva durante o período diário de 24 horas ao nível mais elevado do edifício. O abastecimento directo será garantido sempre que as condições de abastecimento público apresentem pressão e/ou caudal que permitam nas condições de conforto definidas no projecto o abastecimento em permanência.º 78º). em regra. falta de pressão ou falta de caudal deverá optar-se por sistemas de abastecimento indirecto com reservatório elevado quando a pressão disponível possibilita em certos períodos diários a reposição da reserva necessária e por sistema elevatório.. sendo recomendável. corresponde aproximadamente a H=100+40n "Onde H é a pressão mínima (Kpa) e n o número de pisos acima do solo. Dentro desse contexto.(Art. ao consagrar que: "e) A pressão de serviço em qualquer dispositivo de utilização predial para o caudal de ponta não deve ser.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 1. Torna-se necessário prever reservatórios? Os serviços locais permitem? Em que condições? Sua capacidade e localização? Formas de drenagem de perdas e esvaziamento? 7. incluindo o piso térreo. a estrutura e as restantes instalações especiais da edificação." .3.. inferior a 100Kpa o que. Que dimensão tem o edifício? Existem caves? 5. Qual o tipo de ocupação? 6.4 Classificação dos sistemas Ao colocarmos correctamente as questões acima enunciadas somos muitas vezes levados a constatar que nem sempre os sistemas públicos permitem que o abastecimento se efectue directamente da rede geral de distribuição em condições de pressão e caudal necessários a garantir uma utilização com a qualidade e quantidade adequadas." (Art. que se mantenha entre 150 Kpa e 300 Kpa.º 21 º). Secção e pressões disponíveis? 3. Há escassez de água ou interrupções de fornecimento com frequência? 4. "2 . Neste sentido. o regulamento apresenta condicionantes que podem permitir efectuar uma primeira abordagem ao tipo de sistema de alimentação predial. É necessária rede de combate a incêndio? De que tipo? 9. por razões de conforto e durabilidade dos materiais. 138 . poderemos ter sistemas com abastecimento directo ou indirecto. técnica e económica.

d) À minimização de tempos de retenção da água nas canalizações. Para que se possa efectuar esta verificação preliminar do sistema mais adequado de abastecimento predial. ou seja. Sempre que a rede pública não puder assegurar as pressões necessárias deverá ser prevista uma instalação sobrepressora com tanque de compensação.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Na escolha do sistema há que atender: a) À pressão disponível na rede geral de alimentação e à necessidade nos dispositivos de utilização. b) Ao tipo e número de dispositivos de utilização. 139 ." (Art. c) Ao grau de conforto pretendido.º 83º). "… os valores das pressões máxima e mínima na rede pública no ponto de inserção naquela. dando também resposta a algumas das questões já referidas deve obter-se junto dos SMAS Porto a informação sobre as condições de abastecimento da rede pública no local onde se pretende executar a edificação.

T. º Local da obra: Rua / 2005 Freguesia: Requerente: REDES PREDIAIS DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA Pressão estática REDE PÚBLICA . Deverá atender ao Regulamento dos Sistemas Públicos e Prediais de Distribuição de Água e Drenagem de Águas Residuais Domésticas dos Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento da Câmara Municipal do Porto.T. Agosto e ainda à legislação específica relacionável com os projectos em causa. n. à profundidade de m. O Chefe de Divisão 140 .. ao Decreto-Regulamentar 23/95. Porto.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Pedido de informação das condições de ligação às redes públicas LIGAÇÕES ÀS REDES PÚBLICAS Planta Topográfica P.PRESSÕES Pressão dinâmica MPa MPa REDES DE INCÊNDIO As redes de combate a incêndio deverão ser dimensionadas e representadas em projecto. REDE PREDIAL DE DRENAGEM DE ÁGUAS RESIDUAIS DOMÉSTICAS A câmara de ramal de ligação deverá situar-se no local assinalado na P.

9.3. em função dos caudais acumulados.4 Sistemas prediais de distribuição de água fria 9.4. Contudo. Para outro tipo de conforto ou de utilização (estabelecimentos. os constantes do quadro anexo ao Regulamento. bem como os aparelhos alimentados.4. os caudais de cálculo dos fluxómetros. os valores das pressões máximas e mínimas na rede pública no ponto de inserção daquela. exceder o valor correspondente ao volume médio diário do mês de maior consumo. através da curva referida acima. considera-se na determinação do caudal de cálculo. excepto em casos devidamente justificados. o cálculo do volume útil dos reservatórios destinados ao consumo humano não deve. considerando os respectivos caudais instantâneos e a simultaneidade constante do quadro seguinte: 9. para um nível de conforto médio. fornece os caudais de cálculo. no caso em que a rede pública não garanta eficazmente os consumos e pressões prediais requeridas. Nos ramais de alimentação de fluxómetros para bacias de retrete devem ter-se em atenção as pressões mínimas de serviço a cujos valores correspondem os diâmetros constantes do quadro seguinte: Pressão (kPa) 200 80 50 Diâmetro (mm) 25 32 40 9. tendo em conta os coeficientes de simultaneidade. restaurantes. para a ocupação previsível. o coeficiente de simultaneidade mais adequado numa dada secção. Os caudais instantâneos a atribuir aos dispositivos de utilização devem estar de acordo com o fim específico a que se destinam. Os reservatórios de água para consumo humano devem também ser sujeitos a operações de inspecção e limpeza periódica.0m/s.) deve ser o coeficiente de simultaneidade determinado por recurso a informações existentes ou a bibliografia específica. etc. O coeficiente de simultaneidade é a relação entre o caudal simultâneo máximo (caudal de cálculo) e o caudal acumulado (somatório dos caudais instantâneos) de todos os dispositivos de utilização alimentados por essa secção.2 Dimensionamento hidráulico No dimensionamento hidráulico da rede predial de água fria deve ter-se em atenção: a) Os caudais de cálculo. Para efeitos de cálculo da rede predial devem ser obtidos e são fornecidos. que devem situar-se entre 0. ou seja. os caudais de cálculo devem ser obtidos somando aos caudais obtidos para os restantes aparelhos. à renovação na sua totalidade com periodicidade de pelo menos uma vez por dia. c) A rugosidade do material. b) As velocidades de escoamento. Os caudais de cálculo na rede predial de água fria baseiam-se nos caudais instantâneos atribuídos aos dispositivos de utilização e nos coeficientes de simultaneidade. como acima já se referiu. Face à possibilidade do funcionamento não simultâneo da totalidade dos dispositivos de utilização.3 Reserva predial de água para abastecimento doméstico O armazenamento de água para o consumo humano em edifícios é normalmente autorizado pelos SMAS Porto.1 Aspectos gerais A rede predial de água fria deve assegurar a sua distribuição a todos os dispositivos instalados em boas condições. Os caudais instantâneos a atribuir a máquinas industriais e outros aparelhos são especificados no quadro anexo ao Regulamento e devem ser estabelecidos em conformidade com as indicações dos fabricantes. No anexo do Regulamento apresenta-se uma curva que.4.5 Dimensionamento dos sistemas prediais Nos projectos relativos à distribuição predial de água devem indicar-se nas peças desenhadas os tipos e localização dos dispositivos de utilização.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. que pode ser utilizada para os casos correntes de habitação sem fluxómetros. escolas. quando existem fluxómetros. por razões de defesa de saúde pública dos utentes. Número de fluxómetros instalados 1 2 a 10 11 a 20 21 a 50 Superior a 50 Em utilização simultânea 1 2 3 4 5 141 .5 e 2. Prevendo-se a instalação de reservatórios estes são condicionados. sendo os valores mínimos a considerar.

a 150 mm do fundo. Cada reservatório ou célula de reservatório deve dispor de: a) Entrada de água localizada. 5. no mínimo. Pintura interior de protecção. Tampa sobre a válvula de bóia. a 50 mm do nível máximo de armazenamento e conduta de descarga de queda livre e visível. protegida com rede de malha fina. 19. a entrada e saída da água nos reservatórios devem estar posicionadas de modo a facilitar a circulação de toda a massa de água armazenada e o fundo e a cobertura dos reservatórios não devem ser comuns aos elementos estruturais do edifício. Soleira com pendente de igual superior a 1%. alvenaria de tijolo ou de blocos de cimento. Os reservatórios podem ser de betão. equipada com uma válvula de funcionamento automático. pelo menos.Esquema tipo de um reservatório 142 . protegidas com ralo e colocadas. 2. nem as paredes comuns a paredes de edificações vizinhas. Protecção de aberturas com rede mosquiteiro. Descarga de superfície. 9.0 m3 devem ser constituídos. b) Saídas para distribuição. Aberturas para ventilação. em funcionamento normal. de material não corrosivo. no mínimo a 50 mm acima do nível máximo da superfície livre do reservatório em descarga. RESERVATÓRIOS DE ÁGUA POTÁVEL ESQUEMA-TIPO DE UM RESERVATÓRIO Regras principais: 1. por duas células. aço ou outros materiais que se mostrem adequados a manter a qualidade da água armazenada e os materiais e revestimentos usados na sua construção não devem alterar a qualidade da água afectando a saúde pública. Alarme/detecção de fugas de água. sistema de ventilação.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto O armazenamento de água para combate a incêndios é feito em reservatórios próprios e independentes e não pode por princípio ser utilizado para outros fins. 13. Independência da restante estrutura. Reserva para 24 horas. a soleira e as superfícies interiores das paredes devem ser tratadas com revestimentos adequados que permitam uma limpeza eficaz. Entrada e saída da água em pontos opostos. Descargas de fundo com válvula. a fim de facilitar o esvaziamento. os reservatórios devem ter protecção térmica e estar afastados de locais sujeitos a temperaturas extremas. Fig. Envolvente protegida contra escorrimentos e infiltrações. 1 . as arestas interiores devem ser boleadas e a soleira ter a inclinação mínima de 1% para a caixa de limpeza. tipo mosquiteiro. com válvula adequada. 15. tipo mosquiteiro. que deve impedir a entrada de luz directa e assegurar a renovação frequente do ar em contacto com a água. 8. nos reservatórios com água destinada a consumo humano e com capacidade útil igual ou superior a 2. Rebaixo para retenção de areias. destinada a interromper a alimentação quando o nível máximo de armazenamento for atingido. no mínimo. Como condições construtivas a ter em consideração realça-se que: os reservatórios devem ser impermeáveis e dotados de dispositivos de fecho estanques e resistentes. Equipamento /acesso e atravancamento. 12. convenientemente protegido com rede de malha fina. associada a caixa de limpeza. preparadas para funcionar separadamente mas que. a conservação dos elementos resistentes e a manutenção da qualidade da água. e) Acesso ao interior com dispositivo de fecho que impeça a entrada de resíduos sólidos ou escorrências. 4. Condições de acesso e de inspecção. se intercomuniquem. 10. Localização em zona técnica acessível. 11. Limpeza interior/evitar ângulos apertados. ≥2 células para manutenção ou reparação. A localização dos reservatórios deve permitir a sua fácil inspecção e conservação. dimensionados para um caudal não inferior ao máximo de alimentação do reservatório. 16. Isolamento térmico quando necessário. 3. 14. d) Descarga de fundo implantada na soleira. 17. c) Descarregador de superfície colocado. 18. 6. Quando o armazenamento da água se destina a consumo humano. 7. Caleira nas proximidades. 20.

irrigação e circulação de água em sistemas.Encha completamente e mantenha em repouso. sistemas de rega.4. Os dispositivos de protecção devem ser definidos em função das envolventes de pressão máxima e mínima. b) A pressão disponível a montante. pressurização. As instalações elevatórias ou sobrepressoras devem ser localizadas em zonas comuns e ventiladas. Tipos de bombas Monocelulares horizontais Monocelulares verticais Multicelulares horizontais Multicelulares verticais Circuladoras Aplicações Abastecimento de água.4 Instalações elevatórias e sobrepressoras 9. tenha os seguintes cuidados: . As canalizações e acessórios utilizados devem ser de materiais de resistência adequada às pressões de serviço e às vibrações. circulação e pressurização.Junte hipoclorito de sódio a 14% (à venda em drogarias). Abastecimento de água.Enxagúe todo o interior e esvazie-o de novo. 20ml do referido hipoclorito. Abastecimento de água. SMAS . circulação e transferência de água. utilizando preferencialmente. agricultura. pressurização e circulação de água. . captação de águas subterrâneas. . Laboratório de Análises. Abastecimento de água em condições de pequeno débito e elevada pressão. abrindo todas as torneiras de serviço e enxagúe para eliminar completamente o hipoclorito. resultantes da ocorrência de choque hidráulico. agricultura. de segurança e de alarme.Nunca o deixe sem tampa adequada ou devidamente protegido. sem consumir. serviços industriais. Abastecimento de água. Drenagem de águas residuais. que permitam uma fácil inspecção e manutenção e ser equipadas com grupos electrobomba e dotadas de dispositivos de comando. etc.Volte a esvaziar. a sua limpeza e desinfecção. e de acessórios indispensáveis ao seu funcionamento e manutenção. no mínimo.4. "Instruções para desinfecção de cisternas/depósitos"[1] Se na sua casa houver depósito/cisterna. Circulação de líquidos em circuitos de aquecimento abertos ou fechados. ruído de nível sonoro médio não superior a 30 dB(A). adicione por cada m3 de água. Atendendo à capacidade do depósito/cisterna. normalmente destinados a funcionar como reserva activa mútua e excepcionalmente em conjunto para reforço da capacidade elevatória.Deixe entrar água limpa até cerca de metade da sua altura. limpo e arejado. rebaixamento de aquíferos. assim como protecção contra o choque hidráulico. agricultura. irrigação. para o efeito deverão ser utilizados apoios isolados e ligações elásticas às tubagens para atenuação da propagação do ruído. instalações especiais. etc. etc. pressurização. rebaixamento de aquíferos. Submersíveis De drenagem (submersíveis) Jockey 143 . transferência de líquidos.1 Aspectos gerais No quadro seguinte apresentam-se os tipos de bombas correntes no mercado e suas principais aplicações. de dois grupos electrobomba idênticos.4. e) A instalação." [1] Fonte: "Documento Auxiliar de Procedimentos".Instale-o sempre em local de fácil acesso. nomeadamente. . . etc. retirando todos os detritos e lodo que eventualmente contenha. Elevação. 9. serviços industriais. e circuitos de arrefecimento e de ar condicionado. .Escove cuidadosamente as paredes. Edição nº1. Revisão nº0.Esvazie-o totalmente. No dimensionamento das instalações elevatórias devem ter-se em atenção: a) O caudal de cálculo. o fundo e a abertura. pelo que os SMAS Porto apresentam instruções de actuação para a execução dessas operações. d) O número máximo admissível de arranques por hora para o equipamento a instalar. transferência de líquidos. escovas só para esse fim. .Proceda à desinfestação do depósito/cisterna: . . Os grupos electrobomba devem ser de funcionamento automático e possuir características que não alterem a qualidade da água. Página 1 de 1. esvaziamento de reservatórios e piscinas. etc. nos lugares ocupados.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Também a manutenção periódica dos reservatórios é aspecto importante a ter em consideração. serviços industriais. c) A altura manométrica. Lave-o pelo menos uma vez por ano da seguinte forma: .Após esta operação o depósito/cisterna está pronto a receber a água que é distribuída. . etc.Porto. durante pelo menos meia hora. O funcionamento dos órgãos electromecânicos deve determinar.

HTOTAL. Ja. esta varia com a temperatura do líquido. Sendo a pressão atmosférica normal é igual a 1.) Nota: Geralmente as perdas de carga na saída (υ2/2g) representam uma pequena percentagem do valor da altura manométrica total e são geralmente negligenciáveis.83 10. pela bomba.3.2 Potência absorvida pela bomba A determinação da potência absorvida pela bomba que garanta o abastecimento solicitado é dada por: P = γQH P. considerando que o fluido bombeado é água.4. a altura máxima de aspiração de uma bomba será calculada de acordo com a expressão: HMA = Patm/γ. para a água. Temos então que a diferença entre Hs e Hc que corresponderá ao ganho de pressão que o líquido sofrerá na sua passagem pela bomba. NSPH.c. Nota: Este valor é positivo ou negativo consoante a bomba funcione em aspiração ou com a aspiração em carga. A potência absorvida pela bomba tem de ser superior à que esta cede ao escoamento. Htotal é a altura vencida pela bomba funcionando com o caudal de projecto (m. Q.a.Perda de carga no troço de tensão de vapor do líquido (m). a qual traduz o ganho energético do líquido na sua passagem pela bomba.13 0. H.Caudal. Pv/γ.4.). Assim.Peso volúmico.[NSPH + Ja + Pv/γ + a] HMA. 9. o qual traduz a relação entre a potência ganha e a do motor e assume sempre valores inferiores à unidade.Caudal bombeado (m3s-1).a.4.1 Altura máxima de aspiração A altura de aspiração representa o ganho de pressão que o líquido sofre na sua passagem. a que corresponde um peso volúmico de 9. a qual traduz o trabalho exterior fornecido por um motor.8x103 N/m3.43 1.33 O factor de segurança "a" da expressão procura superar.c.4. sendo assim a potência absorvida pela bomba expressa por: P= γQHTOTAL / η P.Peso volúmico (N ).26 4.2 Altura manométrica total A altura total desenvolvida pela bomba pode ser expressa por uma das seguintes equações: Bomba funcionando em aspiração: Htotal = hd + hs + fd + fs + (υ2/2g) ou Bomba funcionando em carga: Htotal = hd .Altura equivalente à pressão atmosférica (m).a. teremos que a altura equivalente à pressão atmosférica será igual a 10.c. quer as variações de pressão. a.Altura manométrica (m) = Haspiração + Hcompressão.Altura de elevação. por η o rendimento da bomba.) fs corresponde a perdas de carga na tubagem de aspiração (m.Altura máxima de aspiração (m). hs é a altura estática de aspiração (em metros) igual à distância entre o nível do líquido no reservatório de aspiração e o eixo da bomba.Capacidade de aspiração (m).4.) u 2 2g corresponde ao valor das perdas de carga na saída (m.4. 144 .3 Altura manométrica 9. devido às perdas nas transformações de energia em presença. m-3 TENSÃO DE VAPOR DE ÁGUA FUNÇÃO DA TEMPERATURA Temperatura (°C) Altura equivalente da tensão de vapor (m) 10 20 30 50 80 100 0.Rendimento da bomba (entre 60% a 70%). em função das temperaturas indicadas. No que se refere à altura equivalente de tensão de vapor (pv/γ).Factor de segurança (m). Patm/γ. o qual irá ser representado por HTOTAL e será designado por altura manométrica.24 0. por Hs a carga à saída da bomba.a.013x102kPA.hs + fd + fs + (υ2/2g) em que: 9.c.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9.3.Potência (W).Altura equivalente da tensão de vapor do líquido (m). Designando por Hc a carga à entrada na bomba. γ.4. fd corresponde a perdas de carga na tubagem de descarga (m. η. quer as imprecisões na determinação das perdas de carga no troço de tubagem de aspiração.33m.4. Q . no quadro indicam-se alguns valor Hatm = Patm/γ. hd é a altura estática de descarga (em metros) igual à distância medida na vertical entre o eixo da bomba e o nível do líquido no reservatório de descarga. γ.Potência.

c.pressão manométrica mínima (m.a.). Os caudais de cálculo da rede predial de água quente devem ser obtidos de acordo com o disposto para a água fria. à circulação forçada ou retorno. se adequadamente dimensionados. incluindo a questão da recirculação e isolamento térmico.Reservatório hidropenumático Vtotal = {Vágua (Pmáx + 1)} / {0. 145 . de seguida. e que é expressa por: P1V1 = P2V2= c em que P1 e P2 representam as pressões de sujeição. Considerando o reservatório representado na figura. tendo em conta os factores já mencionados. tal como nas instalações eléctricas. etc. uma abordagem dos sistemas prediais de abastecimento de água quente sanitária. N. se necessário.caudal bombeado (m3/h).) justificam-se soluções de instalação de sistemas elevatórios de velocidade e caudal variável.5.4. No dimensionamento hidráulico da rede predial de água quente deve seguir-se o disposto para a água fria mas ter em consideração um coeficiente de rugosidade menor.1 Aspectos gerais Far-se-á. 9. 9. Importante é considerar as condições técnicas que determinam a sua utilização. Vamin o volume de ar a que corresponde a pressão mínima. varia na razão inversa das pressões que suporta.a.(Pmin-2)} Vtotal. Em situações de edifícios de habitação. a qual refere que o volume ocupado por uma dada massa de gás.5 Sistemas prediais de distribuição de água quente 9. Qp. unidades de saúde. Pmin representa o nível mínimo a que corresponde a pressão de arranque do elemento de bombeamento. pois ao limitarem o número de arranques por hora podem.número de arranques por hora. Fig. Pmáx. industriais e similares (unidades hoteleiras. de serviços. quantidade e qualidade adequadas ao uso sanitário. Vágua o volume de água a introduzir no reservatório e Vr o volume de reserva ou segurança.5 Dimensionamento dos reservatórios hidropneumáticos Os reservatórios hidropneumáticos são dimensionados tomando por base a "Lei de Boyle-Mariotte".25Qp (Pmáx + 10)} / {4N(Pmáx . centros comerciais. Estes sistemas visam garantir o fornecimento de água quente nas condições de temperatura. recorrendo.2 Aparelhos produtores de água quente É importante que o sistema de aquecimento de água seja definido já na fase de projecto. que proporcionem economias numa relação de poupança energética/eficiência do sistema. Os reservatórios hidropneumáticos são importantes em edifícios de habitação.pressão manométrica máxima (m.Pmin)} Vtotal = {Qp Pmáx } / {4N Pmáx . 2 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. mantendo constante a temperatura. Vtotal = {1. onde Pmáx representa o nível máximo de água a que corresponde a pressão de paragem do elemento de bombeamento. como alternativa aos reservatórios hidopneumáticos.8 (Pmáx . uma vez que sua instalação adequada exige certos cuidados que interferem directamente no desenho do projecto. A rede predial de água quente visa assegurar a distribuição em boas condições de água quente sanitária. Os sistemas de produção e distribuição de água quente devem garantir as temperaturas mínimas de utilização necessárias nos dispositivos de utilização em função do grau de conforto e economia desejados. hidráulicas e de ventilação. Vamax o volume de ar a que corresponde a pressão máxima.). logo menor perda de carga. tendo em atenção o caudal de bombeamento e os limites de pressão pré-estabelecidos. As fórmulas empíricas permitem a determinação dos volumes totais dos depósitos respectivamente para os depósitos sem membrana e com membrana.volume do depósito (m3).5. V1 e V2 os correspondentes volumes ocupados e c é uma constante (constante dos gases perfeitos).Pmin)} O objectivo dos depósitos hidropneumáticos é o de limitar o número horário de arranques dos grupos de sobrepressão. permitir que em utilização normal os sistemas elevatórios não funcionem em períodos nocturnos de pequenos consumos evitando os ruídos e vibrações que tanto incomodam e são objecto de justas reclamações pelos habitantes dos respectivos edifícios.c. Nos edifícios de habitação é sempre obrigatória a existência de sistemas de produção e distribuição de água quente a cozinhas e instalações sanitárias. Pmin.

sendo as mais usuais de 250. temos a situação referida no quadro seguinte. 146 . 3 . Se a temperatura da água fria for de 15°C à entrada no esquentador e que se pretende água quente a 40°C. Aqui.Q. nos ensaios de qualidade e na sua localização e instalação e é obrigatória a instalação de válvula de segurança no ramal de alimentação de termoacumuladores.2 1512/45=33. afectado de um coeficiente de utilização simultânea. através de um circuito primário de aquecimento.0 100/57.2=5. Tipo de Aquecimento termoacululador lento Potência (Kcal/h) ∆T=60°C-15°C 864 45°C Aquecimento normal 1512 45°C Aquecimento rápido 2592 45°C Caudal aquecido 864/45=19. 9. em que a água é aquecida gradualmente.2 100 litros (horas) 100/33. o que permite aquecer o mesmo volume de água em menos tempo ou reduzir a capacidade do depósito de acumulação.1750w. à medida em que passa pelo aparelho. Potência Térmica (kcal/min) Débito de A.3 Necessidades de água quente e escolha dos aparelhos de produção As necessidades instantâneas de água quente devem ser estimadas a partir do somatório dos caudais instantâneos a atribuir aos dispositivos de utilização servidos por água quente.6=1. a gás ou solar.5. Aquecimento normal . Por razões de segurança é interdita a instalação de aparelhos produtores de água quente a gás nas instalações sanitárias ou em locais que se não situem junto da envolvente exterior do edifício. b) De passagem. A partir daí.6 2592/45=57. Deve ter-se ainda em atenção a necessidade de água quente para outros fins (que não os sanitários). Os termoacumuladores eléctricos correntes no mercado com capacidade de 100 litros e apresentam uma das seguintes potências: Aquecimento lento .2 l/min As potências dos termoacumuladores eléctricos são variáveis consoante as suas capacidades e os tempos de aquecimento. comportam-se como vulgares esquentadores ou podem. A escolha do sistema a instalar deve ser efectuada em função das necessidades instantâneas e horárias de água quente e da análise técnico económica das várias alternativas que se nos oferecem.8 l/min 380 380/25= 15. sendo esta última característica a que determina a designação vulgar de termoacumuladores de aquecimento lento. 320 e 380 Kcal/min. consoante as características do edifício de habitação. em que a água aquecida fica armazenada em acumuladores.6=3. 13 e 16 l/min.1000w. considerando que 1KW = 0.7 Fig.6 em 1 hora (litros) Tempo de aquecimento de 100/19. o que leva as designações comerciais correntes dos esquentadores em 10. é definido o sistema de alimentação dos equipamentos: a) Por acumulação. As caldeiras murais são muitas vezes sistemas mistos que combinam a produção de água quente para aquecimento do ambiente (circuitos fechados) com a produção instantânea de água quente sanitária. A produção de água quente para distribuição aos dispositivos de utilização pode fazer-se.3000w. promover a acumulação de água quente em depósitos de água.864 Kcal. normal e rápido.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto A segurança dos aparelhos produtores de água quente deve ser garantida na sua construção. através de aparelhos de produção instantânea (esquentadores) ou de aparelhos de acumulação (termoacumuladores eléctricos ou a gás e depósitos de água quente com circuito primário de aquecimento) ou ainda pela combinação de ambos. o que pressupõe o conhecimento das características térmicas dos aparelhos atrás referidos. A escolha do sistema depende do tipo de energia a ser utilizado para aquecer a água: eléctrico. a 40°C ∆t=40°-15°=25°C 250 250/25= 10 l/min 320 320/25= 12.Esquema tipo de ligação a termoacumuladores Os termoacumuladores a gás possuem potências térmicas mais elevadas do que os eléctricos. Aquecimento rápido . tais como o aquecimento central ou a climatização. os valores encontrados são os indicados no quadro. Os esquentadores apresentam-se no mercado com diferentes potências. Sendo a temperatura normal de acumulação de 60°C e para uma mesma temperatura de 15°C de água fria.

). As canalizações não embutidas são fixas por braçadeiras espaçadas em conformidade com as características de material. em galerias. teremos por hora 313 l (14100kcal/h:45°C). Para tubos metálicos. tês.6 Traçado 9.1 Aspectos gerais O traçado das canalizações deve ser constituído por troços rectos. Por outro lado. Devem ser tidos em consideração os problemas de dilatação e contracção da tubagem. ligados entre si por acessórios apropriados.5% como valor orientativo.Distribuição de água quente com recirculação 147 . 4 . para o dimensionamento das bombas de recirculação deve-se determinar a perda de carga total do circuito: às perdas de carga contínuas é necessário adicionar as perdas de carga acidentais (curvas. bem como a qualidade e conforto que se espera do sistema. com vantagem económica e conforto. Como distâncias meramente indicativas para que se deva ponderar a hipótese de adoptar. o que se traduz num consumo instantâneo menor de gás. etc. A potência deste termoacumulador é inferior à de um esquentador de 10 l/min (14100kcal/h=235kcal/min). Deve-se ter em consideração que as perdas de calor na tubagem variam consoante o tipo de isolamento. devendo ser sempre protegidas de acções mecânicas e isoladas termicamente quando necessário. com vista à sua selecção. devendo os primeiros possuir ligeira inclinação para favorecer a saída do ar.Distâncias máximas sem retorno DIÂMETRO E DISTÂNCIA MÁXIMA SEM RETORNO d (mm) 15 (1/2'') 20 (3/4'') 25 (1'') 32 (1¼'') 40 (1½'') l (m) 50 30 15 10 7. horizontais e verticais.100 kcal/h e considerando o diferencial térmico de 45°C entre a temperatura de água fria e de água quente acumulada.5 9.4 Sistemas de distribuição de água quente com recirculação A implementação em edifícios dos sistemas de distribuição com retorno de água aos aparelhos de produção exige alguma atenção pelas economias de água e energia que podem proporcionar. As canalizações exteriores da rede predial de água fria ou quente podem ser enterradas em valas. válvulas. Diâmetro DN 15 DN 20 DN 25 Locais n/ aquecidos Tubos isolados 16 23 27 Locais aquecidos Tubos isolados 13 16 22 Fig. embainhadas ou embutidas. colocadas em paredes ou instaladas em caleiras. o tipo de tubagem e a temperatura ambiente nos locais em que circulam. A rede de distribuição deve ser dimensionada até à última derivação pelo método de dimensionamento definido pelo regulamento. Fig. a consulta e análise das curvas características das bombas é fundamental.5. caleiras ou tectos falsos. nomeadamente na instalação de juntas e no tipo de braçadeiras a utilizar. 5 . o circuito de recirculação ou retorno apresenta-se o quadro seguinte: 9. A exigência de acessórios pode ser dispensada nos casos em que se utilizem canalizações flexíveis.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Um termoacumulador a gás com a potência de 14. Na instalação de canalizações de água quente assume particular importância as dilatações e contracções das tubagens. recomendando-se 0. o diâmetro do tubo. consideraram-se aceitáveis os valores seguintes para perdas de calor em kcsl/h por metro linear de tubagem. As canalizações interiores da rede predial de água fria ou quente podem ser instaladas à vista.6. Seguidamente.

b) No caso de materiais diferentes. e) O atravessamento de paredes e pavimentos ser feito através de bainhas de material adequado de nobreza igual ou próxima inferior ao da canalização. do mesmo material. de preferência com o mesmo material. PVC rígido. não corrosivos.3. 9. com ou sem revestimento cromado. de infiltrações ou de choques mecânicos. cobre ou aço inoxidável ou outros adequados e aprovados. f) As canalizações metálicas serem colocadas.Isolamento térmico de canalizações As canalizações e respectivos isolamentos devem ser protegidos sempre que haja risco de condensação de vapor de água. 6 . ou de outros materiais que reunam as necessárias condições de utilização. Podem não ser isoladas as derivações para os dispositivos de utilização e respectivos ramais de retorno. e) Em espaços pertencentes a chaminés e a sistemas de ventilação. h) As canalizações enterradas serem executadas. quando de pequeno comprimento. incombustíveis e resistentes à humidade. o material mais nobre ser instalado a jusante do menos nobre.6. imputrescíveis. As torneiras e fluxómetros devem ser colocados em locais acessíveis.7 Elementos acessórios da rede 9. mas também em zonas de baixas temperaturas as de água fria. A distância mínima entre canalizações de água fria e de água quente é de 50 mm. preferencialmente.7. procedendo-se ao seu isolamento por juntas dieléctricas. d) Em locais de difícil acesso. ou de material de nobreza próxima inferior. paralelamente às canalizações de água fria e acima destas. sempre que possível.2 Válvulas As válvulas devem ser colocadas em locais acessíveis por forma a permitir a sua fácil manobra e manutenção. por forma a permitir a sua fácil manobra e manutenção.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. ferro fundido. Execução das redes prediais As canalizações de água quente devem ser colocadas. com materiais não metálicos. 9.7.1 Torneiras e fluxómetros Fig. As torneiras e os fluxómetros podem ser de latão.6. g) Ser evitado o assentamento de canalizações metálicas em materiais potencialmente agressivos. d) O assentamento de canalizações não embutidas ser feito com suportes de material inerte. b) Embutidas em elementos estruturais. Devem ainda ser consideradas medidas destinadas a atenuar os fenómenos de corrosão. c) Embutidas em pavimentos. Valores de espessura de isolamento recomendados 9. As tubagens e acessórios que constituem as redes interiores de água fria podem ser de aço galvanizado. sempre que possível. c) O assentamento de canalizações metálicas de redes distintas ser feito sem pontos de contacto entre si ou com quaisquer elementos metálicos da construção. devem ser sempre isoladas com produtos adequados. 148 . As canalizações não devem ser instaladas nas seguintes condições: a) Sob elementos de fundação. não embutidas. excepto quando flexíveis e embainhadas.2 Isolamento das canalizações As canalizações de água quente. devendo para o efeito: a) As canalizações metálicas da rede serem executadas.

bronze. Fig. parâmetros que determinam a definição do contador: a) As características físicas e químicas da água. garantindo-se a medição de todos os consumos. Contadores É aos SMAS.Máquinas lavar roupa .A. aquela que define o tipo.dos ramais de distribuição das instalações sanitárias e das cozinhas A montante: . c) O caudal de cálculo previsto na rede de distribuição predial. os contadores devem localizar-se: a) No logradouro junto à zona de entrada contígua com a via pública.dos ramais de introem qualquer dos dução individuais sentidos .C. o calibre e a classe metrológica do contador a instalar.Perdas de carga em contadores REDUTORA DE PRESSÃO É obrigatório instalar um contador por cada consumidor.Fluxómetros .Acumuladores de água quente . em zonas comuns ou no logradouro junto à entrada contígua com a via pública. no caso de vários consumidores.Contadores RETENÇÃO Impedir a passagem de A montante: água num dos sentidos . na zona de entrada ou em zonas comuns consoante se trate de um ou de vários consumidores.Nos edifícios confinantes com a via ou espaços públicos. 149 . b) No interior do edifício.Máquinas lavar louça . . 7 . ou outros e serem de material de nobreza igual ou tão próxima quanto possível do material das tubagens em que se inserem.Equipamento produtor de água quente . podendo estes ser colocados isoladamente ou em conjunto. contudo.Purgadores de água A montante e a jusante: .De qualquer rede não destinada a fins alimentares e sanitários SEGURANÇA Manter a pressão Na alimentação de abaixo de determinado aparelhos produtores valor por efeito de . no caso de um só consumidor. constituindo.Autoclismos . A localização dos contadores é a seguinte: REGULAÇÃO Permitir regulação do caudal As válvulas podem ser de latão.Nos edifícios com logradouros privados. como entidade responsável pelo sistema de distribuição pública de água.7.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto TIPO DE VÁLVULA FINALIDADE É OBRIGATÓRIA A SUA INSTALAÇÃO: 9. os contadores devem localizar-se no seu interior. b) A pressão de serviço máxima admissível.M. uma bateria de contadores. O espaço destinado ao contador ou bateria de contadores e seus acessórios deve obedecer aos esquemas tipo apresentados pelos SMAS. deste modo.Acumuladores de descarga água quente Manter a pressão abaixo de determinado valor com a introdução de uma perda de carga Nos ramais de introdução sempre que a pressão seja superior a 600Kpa e ou as necessidades específicas do equipamento o exijam. São. . d) A perda de carga que provoca. aço e PVC.3. PERDAS DE CARGA EM CONTADORES (VALORES APROXIMADOS EM METROS DE COLUNA DE ÁGUA .Aparelhos produtores .) SECCIONAMENTO Impedir ou estabelecer À entrada: a passagem de água .

c) Introdução da solução desinfectante Fig. d) Período de contacto Manter a rede isolada durante um período de 48 horas. c) Leitura do manómetro da bomba. O ensaio de estanquidade deve ser conduzido com as canalizações. O volume da solução deve ser de 1/10 do volume da rede a desinfectar. depois de equipados com os dispositivos de utilização e antes de entrarem em funcionamento. juntas e acessórios à vista. período este que. b) Enxaguamento prévio da rede Esvaziar a rede através das torneiras de purga existentes nos pontos mais baixos. isto é.2 Desinfecção dos sistemas Os sistemas de distribuição predial de água para consumo humano. localizada tão próximo quanto possível do ponto de menor cota do troço a ensaiar. de montante para jusante (do contador para as extremidades da rede) cada torneira até ao aparecimento da cor violácea. e de forma que não seja possível qualquer refluxo para a rede pública da solução desinfectante. de jusante para montante. Fechá-la de seguida e passar à seguinte. e) Enxaguamento final Abrir as torneiras pela ordem inversa da adoptada no enchimento. que não deve acusar qualquer redução.Instalação de contadores 9. repetindo a operação durante cerca de 2 horas. introduzir a solução desinfectante sob pressão com um caudal regulado em função do caudal do escoamento fixado (1 parte da solução para 9 partes da água em escoamento).Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. 150 . 8 . encher de novo e esvaziar. A verificação da conformidade do sistema com o projecto aprovado e com as disposições legais em vigor deve ser feita com as canalizações e respectivos acessórios à vista. em princípio. incluindo os respectivos reservatórios quando existirem. em caudal razoável. antes de entrarem em serviço. com o mínimo de 900 kPa. fechá-la e parar a injecção da solução desinfectante. para assegurar uma limpeza eficaz.1 Verificação Todas as canalizações. será suficiente para a lavagem final da rede. Abrir. deixando sair a água durante cerca de 2 horas. de forma a libertar todo o ar nelas contido e garantir uma pressão igual a uma vez e meia a pressão máxima de serviço. devem ser sujeitas a verificação e ensaios com o objectivo de assegurar a qualidade da execução e o seu funcionamento hidráulico. f) Recolha de amostras Recolher amostras para análise laboratorial confirmativa da qualidade da água. desinfecção e funcionamento hidráulico 9. inclusive este. b) Enchimento das canalizações por intermédio da bomba.8.8 Verificação. ou para qualquer outra rede predial interior. devem ser submetidos a uma operação de desinfecção com permanganato de potássio.8. d) Esvaziamento do troço ensaiado. com a seguinte metodologia: a) Preparação da solução desinfectante Dissolver a quantidade de permanganato de potássio necessária (150 gramas por cada m3 de volume da rede a desinfectar) em água aquecida a uma temperatura entre 40°C e 45°C. Quando a cor violácea aparecer na última torneira. a fim de o desinfectante poder actuar. O processo de execução e interpretação do ensaio é o seguinte: a) Ligação da bomba de ensaio com manómetro. A desinfecção da rede predial só deve ser feita depois de estabelecido e aprovado o ramal de ligação pela entidade responsável pelo sistema de distribuição pública de água. Esta operação deve ser feita na véspera do dia de início da desinfecção. durante um período mínimo de 30 minutos. e que se encontrem previamente desinfectados os órgãos situados desde o ponto de injecção até ao ramal de ligação. até conseguir uma solução o mais homogénea possível. convenientemente travados e com as extremidades obturadas e desprovidas de dispositivos de utilização. Através do ponto de injecção.

escalas e data. dirigido ao Director Delegado dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. com indicação dos materiais e acessórios das canalizações. f) Cálculo hidráulico onde conste os critérios de dimensionamento adoptados e o dimensionamento das redes. onde conste identificação do proprietário. f) Legenda específica das redes representadas. b) Termo de responsabilidade do técnico autor do projecto. qualificação e assinatura do autor do projecto. 151 . e instalações complementares projectadas. Conclusão A concluir deixa-se a indicação dos elementos que devem instruir o processo de aprovação do projecto de redes prediais (Art. indicando se se trata de obra nova. quando for caso disso. deve verificar-se o comportamento hidráulico do sistema por simples observação visual. se as houver. Assim. de ampliação ou remodelação. As peças desenhadas devem ser apresentadas com formatos e dobragem concordantes com o estipulado nas Normas Portuguesas NP48 e NP49. paginadas e todas elas subscritas pelo técnico responsável pelo projecto. não excedendo as dimensões do formato A0. d) Documento donde conste as condições definidas pelo Batalhão Sapadores Bombeiros. i) Peças desenhadas dos traçados em plantas e cortes à escala mínima 1:100. Os caracteres alfanuméricos devem obedecer à Norma Portuguesa NP89. descrição da concepção dos sistemas. b) Identificação do proprietário. dos órgãos acessórios e instalações complementares e dos respectivos pormenores que clarifiquem a obra projectada. tipo da obra. Edificações existentes no terreno. Representação dos ramais de introdução de água e de águas residuais domésticas e Representação simplificada do colector predial.8. a seguinte informação: a) Designação e local da obra. no mínimo. d) Número. a preços correntes. materiais e acessórios. da obra específica a executar. respeitando a Norma Portuguesa NP204 e contendo. descrição do desenho. e) Memória descritiva e justificativa.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. Indicação do corpo ou corpos que constituem as obras. c) Nome. c) Documento do Município comprovativo da aprovação do projecto de arquitectura. j) Representação esquemática axonométrica da rede de distribuição de água. Todos os desenhos devem possuir legenda no canto inferior direito.º 304º). designação e local da obra. e) Especificação quando se trata de projecto de alteração. dos diâmetros e inclinações das tubagens. As peças escritas devem ser apresentadas dactilografadas ou impressas em folhas de formato A4.3 Prova de funcionamento hidráulico Após os ensaios de estanquidade e a instalação dos dispositivos de utilização. na qual conste: Delimitação do terreno. h) Planta de localização fornecida pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. g) Estimativa descriminada do custo. solicitando a aprovação do projecto. k) Os elementos acima referidos serão apresentados em original e duas cópias para o referido nas alíneas b) a j). o pedido de aprovação deve ser instruída com os seguintes elementos: a) Requerimento subscrito pelo promotor. natureza. equipamentos e instalações complementares projectadas.

Editorial FEUP. Angel Luis. S. Edições Orion. Luís F.. Ramos. A.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9.. 1996 Regulamento Geral dos Sistemas Públicos e de Drenagem de Águas Residuais e Prediais de Distribuição de Água. Archibald J. Climatização em Edifícios. Amadora. António Leça. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil. Editorial FEUP. Porto.. 1997 CANHA DA PIEDADE. Envolvente e Comportamento Térmico. Regras de Dimensionamento das Redes Prediais de Distribuição de Água Residuais Domésticas e Pluviais. 2004 MACINTYRE. Victor M. Moret. e RORIZ. Porto. Carlos. Editorial Faculdade de Arquitectura. Livros Técnicos e Científicos Editora Rio de Janeiro. A.R. 1995 PEDROSO. 1998 MEDEIROS. Redes e Instalações em Edifícios. Carlos. Carlos.. Segurança Contra Incêndios em Edifícios de Habitação. 1998 MEDEIROS. Instalações de Edifícios. H. Ed.. Edições Orion. 2004 MEDEIROS. Amadora. 2000 COELHO. Regulamento dos Sistemas Públicos e Prediais de Distribuição de Água e de Drenagem de Águas Residuais (Anotado). Porto.A.9 Referências bibliográficas BACELLAR. 1995 152 . LNEC. Instalações Hidráulicas e Sanitárias. Instalaciones. RODRIGUES. Grupo Editorial CEAC. 1990 MIRANDA. Manual de Instalações Hidráulicas e Sanitárias. Barcelona.

A. S.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. 153 .Empresa Portuguesa das Águas Livres. SISTEMAS DE ABASTECIMENTO PÚBLICO E PREDIAL EM LISBOA Autor: Ana Amélia Santos Engenheira Civil Responsável do Departamento de Novos Abastecimentos Área de Negócio de Distribuição EPAL .

154 .

Esta preocupação é de facto histórica e está comprovada pelo estudo analítico mais antigo (1791) que se conhece sobre as águas do sistema de abastecimento de água à Cidade de Lisboa. qualidade dos serviços prestados e larga experiência. cuja missão é o abastecimento de água para consumo humano.Empresa Portuguesa das Águas Livres. Coagulação química e floculação/decantação. dispondo para o efeito de técnicos especializados nas áreas de microbiologia. colocando as suas capacidades ao serviço do interesse nacional. correspondendo a área total abastecida a 5 443 Km2. • Área de Negócio de Distribuição responsável pela gestão e manutenção da Rede Geral de Distribuição.Águas de Portugal.Das origens à torneira do consumidor A EPAL . cuja gestão é da responsabilidade de duas Áreas de Negócio distintas: • Área de Negócio de Produção e Transporte responsável por todas as Captações. quer individualmente quer integrada no Grupo AdP . de 26 concelhos da margem norte do rio Tejo. Pelo seu "know-how". detida a 100% pela AdP . Actualmente. na sua área de influência e eventualmente noutras áreas limítrofes. afecta ao abastecimento domiciliário. Equilíbrio e ajuste do pH e Desinfecção final com cloro gasoso. bem como de equipamentos analíticos de última geração. desde os recursos hídricos utilizados até ao ponto de entrega ao consumidor. Para assegurar a qualidade da água. química orgânica e química inorgânica. A EPAL é responsável por um sistema de produção. O primeiro registo de resultados de análises bacteriológicas à água pela antiga Companhia das Águas de Lisboa (CAL). merecendo referência a sua participação em projectos de âmbito internacional. mas principalmente ao nível da qualidade. remonta a 1897. Remineralização e correcção de agressividade. Origem e qualidade de água A EPAL abastece de água com qualidade cerca de 2. Mantém relações contratuais com cerca de 335 mil clientes directos. o Laboratório Central da EPAL orgulha-se de ser um dos melhores laboratórios de análises de água do país e da Europa. transporte e distribuição que se desenvolve ao longo de mais de 1 900 km.6 milhões de pessoas. do concelho de Lisboa. 155 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa EPAL . no concelho de Lisboa. visando a prestação de um serviço de qualidade com respeito pelos aspectos essenciais de ordem social e ambiental. Um dos objectivos primordiais da EPAL consiste na monitorização da qualidade da água em toda a extensão do seu sistema de abastecimento. esta é submetida a vários processos nas estações de tratamento: Pré-cloragem. que garantem a produção e o transporte de água. modernidade das tecnologias utilizadas. Estações de Tratamento e Adutores. Filtração.Águas de Portugal. As preocupações da EPAL não se centram somente ao nível da quantidade de água fornecida. desempenha um papel fundamental para o desenvolvimento do sector da água quer nacional quer internacional. SA é uma sociedade anónima de capitais integralmente públicos. onde assegura o abastecimento domiciliário.

156 .

2.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. bem como divulgar os resultados alcançados com o estabelecimento dessas mesmas regras. projectou-se a construção do Adutor de Circunvalação. abrangendo uma breve descrição do Manual da EPAL publicado em Fevereiro 2002. cerca de 1 400 km de rede com diâmetros que variam entre os 80 e os 1500 mm. A experiência da EPAL ilustra os benefícios da adopção e divulgação de regras técnicas no âmbito interno. a Rede de Distribuição passou a estar sobre dimensionada face às suas necessidades. zonas de distribuição. a profundidade das condutas é de 2.Xira/Telheiras. bem como no âmbito do serviço prestado ao requerente do processo de abastecimento. tratamento/qualidade de água. quer pela acentuada orografia da cidade. Abril de 2001. pressão. respectivamente. reserva.1 Aspectos gerais O Sistema de Distribuição de água à cidade de Lisboa é um sistema complexo quer pela sua extensão. localizados na cidade de Lisboa e para os quais se 157 . cujas capacidades de entrega a Lisboa são. designado Interáqua. melhoria contínua. É também da responsabilidade da EPAL a aprovação.F. Esgotada a capacidade máxima de transporte entre Vila Franca de Xira e Lisboa através dos três adutores existentes.2 Concepção global dos sistemas de distribuição em Lisboa 10. são registadas todas as intervenções possibilitando a criação de uma base de dados relacionados com a manutenção da rede. manual de redes prediais. Odivelas e Amadora. Deste sistema depende cerca de 335 000 clientes com contrato. Acrescente-se ainda que nos últimos anos. Em complemento. utiliza em média. além de permitir localizar todas as condutas e órgãos da rede. fiabilidade. eficiência e produtividade. Oeiras. • Enquadramento legislativo.2. Tejo e Adutor V. Adutor Vila Franca-de-Xira/Telheiras e pelo Adutor de Circunvalação. a fiscalização bem como a ligação à rede de distribuição de água de todos os sistemas prediais na cidade de Lisboa. 9 estações elevatórias.0 m de profundidade. Em termos gerais. A EPAL é responsável por todo um sistema de produção ("alta") e distribuição ("baixa") que se desenvolve por mais de 1900 Km. Aqueduto Tejo. precioso auxiliar das equipas de manutenção. a Rede Geral de Distribuição. e directamente parte dos concelhos limítrofes designadamente Loures. é constituída por 15 reservatórios. com cerca de 1 400 Km. Em certas situações especiais e nos casos de maiores diâmetros. É abastecida pelo Aqueduto Alviela. 240 mil m3/dia e 60 mil m3/dia.1 Introdução A presente comunicação pretende dar a conhecer: • A concepção global dos sistemas de distribuição em Lisboa. proporcionando o abastecimento domiciliário numa área de 83 km2 que alberga uma população de 564 mil habitantes residentes. evidenciando como os resultados foram efectivamente melhorados. actualmente transitam pela rede de Lisboa com destino aos concelhos limítrofes. 260 000 m3 de água por dia. • A concepção global dos sistemas prediais em Lisboa. a qual se estende desde o nível do rio Tejo até cotas superiores a 170 m. 10. cerca de 11 mil válvulas com diâmetros nominais variáveis entre 150 e 1 000 mm e 93 mil ramais de ligação aos prédios. obra planeada de forma a abastecer os concelhos adjacentes desviando caudais da cidade de Lisboa.5 m ou mesmo superior. 360 mil m3/dia.2 Caracterização da rede de Lisboa Em Lisboa. quer por roturas casuais cuja reparação é assegurada por piquetes que actuam 24 horas por dia. Neste sistema. 35 mil m3/dia. 10. apesar de pouco significativo. A partir da entrada em funcionamento deste último adutor. 70 000m3/dia de água para uma capacidade máxima efectiva de 300 000 m3/dia. aproximadamente. elevação. ou seja. satisfação do Cliente. processo de abastecimento. pretende também divulgar os aspectos relevantes dum serviço de interesse público de relevante impacto social. Este sistema tem um interface com o sistema de gestão de clientes para identificar os clientes cujo abastecimento possa ser afectado. legislação. A maior parte das condutas encontra-se aproximadamente a 1.chave: sistema de produção e transporte. quer por suspensões provocadas por obras de expansão ou renovação da rede. tem-se verificado uma diminuição dos volumes utilizados dentro da cidade. A rede de distribuição de Lisboa está digitalizada e reproduzida num sistema de informação geográfica. sistema de distribuição. As regras da EPAL no que se refere à elaboração dos projectos de redes prediais. como sendo. organização. Aqueduto Alviela. cuja gestão é da responsabilidade de duas áreas de negócio distintas: Área de Negócio de Produção e Transporte e Área de Negócio de Distribuição. Palavras . segurança e qualidade do serviço. qualidade de serviço. atingindo 4 ou 5 m.

com substituição da rede mais antiga. Este sistema de medição integrado tem como finalidade o acompanhamento da evolução de perdas de água. 10. de 30 em 30 metros. por zona de abastecimento. • Existência de alternativas de abastecimento. cujo investimento é na ordem dos 80 milhões de euros.sistema integrado de medição.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa A EPAL tem em curso um programa de renovação da rede.2. • Reserva de água que garanta estabilidade no fornecimento e segurança em caso de incidentes. Complementarmente tem-se em desenvolvimento um sistema de apoio à decisão . 1 .Esquema em planta representativo da rede de distribuição na cidade de Lisboa 158 . nomeadamente. • Garantir a qualidade da água ao longo da rede. A Rede de Distribuição na cidade de Lisboa abastece os clientes em patamares altimétricos. de modo a integrar e tratar a informação sobre volumes de água utilizada em determinada malha de rede.2. e a informação processada pelo sistema de clientes que regista a água facturada.1 Princípios hidráulicos da rede Os principais princípios a ter em conta na Rede de Distribuição são: • Estabilidade das pressões nos pontos de abastecimento garantindo uma pressão mínima na soleira dos edifícios de 300 kPa e máxima de 600 kPa. identificados por cores diferentes na figura seguinte: Reservatório Estação Elevatória Ponto de entrega 1 sentido Ponto de entrega 2 sentidos Fig.

Os reservatórios que garantem o abastecimento das zonas altimétricas funcionam como reservatórios de extremidade e localizam-se aproximadamente 30 metros acima dos pontos de abastecimento mais elevados. O sistema de distribuição de água da EPAL na cidade de Lisboa possui características muito próprias. da respectiva zona altimétrica. no qual a água é elevada directamente para a rede de distribuição. Cruz Fig.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Na figura anterior são também identificadas as estações elevatórias e reservatórios que fazem parte integrante da rede de distribuição. 2 . Esta localização permite garantir uma pressão na soleira do ponto de abastecimento entre os 300 kPa e os 600 kPa. St. bem como todas as interligações ao sistema de produção e transporte (distribuição em Alta).Diagrama altimétrico representativo da rede de distribuição na cidade de Lisboa 159 .

numa média de 60 km/ano.30 125 . Jerónimo Rede (ZM) . ferro fundido dúctil. localizada. betão pré-esforçado.c. através de mecanismos vários. correntes vagabundas.Reservatório da Amadora Reservatório do Alto de Carenque (a) ZB .Reservatório de Telheiras Aqueduto do Alviela Reservatório de Monsanto 122 21 80 65 35 . ZS . cujo único destino é o reservatório de Monsanto.130 S. manobras de válvulas. QUADRO 2 .2 Caracterização dos materiais da rede O sistema da EPAL existe há mais de cem anos.2.2.Reservatório do Arco Rede (ZA) .Reservatório da Charneca Rede (ZA) . para a sua degradação. ZM . a melhoria da fiabilidade das reparações.2. com a retirada de caudais em trânsito na rede de Lisboa para os concelhos limítrofes. ferro fundido dúctil e ferro galvanizado.Zona Baixa. No caso da EPAL e dado o projecto de renovação de rede em curso. • Redução da secção útil dos tubos devido a incrustações. Jerónimo Rede (ZA) . as alturas de elevação aproximadas para os diversos destinos. o ano de 2004 espelha já alguns resultados positivos.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. Esses factores podem ser classificados da seguinte forma: • Condições hidráulicas da rede As pressões são um dos principais factores agressivos (pressões em regime hidráulico permanente e transitório).4 Identificação dos factores agressivos Os tubos e acessórios estão naturalmente sujeitos a diversos tipos de factores agressivos que contribuem. e do fibrocimento continua sensivelmente a representar um maior peso. principalmente na renovação da rede. nos últimos anos (desde 2002).a) 10. salvo o caso da estação elevatória do Restelo.3 Identificação das patologias mais correntes As patologias mais correntes em tubagens e acessórios assumem em geral as seguintes formas: • Roturas por acções de choque mecânico.Reservatórios do Contador-Mor E do Vale Escuro Rede (ZM) . tendo naturalmente ao longo da sua vida sido utilizados diversos materiais. ZA . • Roturas devidas a aumentos das cargas externas transmitidas pelo solo. exceptuando alguns casos que pode ir até 12 bar. no que se refere à diminuição de roturas: Barbadinhos Rede (ZB) .2. galvânica. • Corrosão generalizada. súbita ou continuada no tempo. Em termos de exploração.Reservatório de Monsanto Reservatório da Amadora Olivais Rede (ZB) . a entrada em funcionamento do Adutor da Circunvalação.Reservatórios de Campo de Ourique e do Arco 92 38 59 96 32 80 45 61 QUADRO 1 .Zona Superior 160 . • Deterioração ao longo do tempo da tubagem e/ou das juntas e acessórios. para cada estação elevatória existente na rede de distribuição. polietileno de alta densidade. A predominância do ferro fundido cinzento. • Roturas devidas a movimentos dos solos.ALTURAS DE ELEVAÇÃO NOMINAIS NAS ESTAÇÕES ELEVATÓRIAS DA REDE DE DISTRIBUIÇÃO DE LISBOA Estação elevatória Destinos de elevação(a) Alturas de elevação aproximadas (m. sendo os principais: o aço. vindo a aumentar a sua aplicação. tendo no entanto. • Qualidade deficiente ao nível dos tubos.2. fibrocimento. o PEAD. a tubagem e acessórios estão sujeitos a factores agressivos relativos às condições hidráulicas na rede que se traduzem em pressões máximas em regime permanente que não excedem em geral 8.Reservatório do Restelo Telheiras Rede (ZS) . incorrecto dimensionamento/instalação dos grupos hidropressores poderão estar na origem de uma degradação mais rápida do sistema de abastecimento.2. 10.Reservatório do Pombal Rede (ZS) .Reservatório do Pombal Campo de Ourique Rede (ZA) . No quadro seguinte pode-se observar. acessórios e componentes utilizados na execução das uniões.44 25 . ferro fundido cinzento.VARIAÇÃO DO NÚMERO DE ROTURAS ENTRE OS ANOS DE 2003 E 2004 Roturas Condutas DN ≤ 400 mm Condutas DN > 400 mm Roturas Em ramais Ano 2003 715 84 Ano 2003 1460 Ano 2004 534 49 Ano 2004 947 Variação -25% -42% Variação -35% Restelo Rede (ZA) .Zona Alta.Reservatório do Vale Escuro e de S.3 bar. A má utilização em termos de paragens e arranques dos grupos.Zona Média.

Cloreto.min V. . separados por longos períodos de acalmia. .4 8. a água aduzida à cidade de Lisboa provém de três subsistemas distintos . quando atingem teores agressivos.Concentração hidrogeniónica (pH). A cidade de Lisboa situa-se numa zona de sismicidade moderada.Resistividade. por zona de distribuição: • Características químicas das águas transportadas na rede Conforme já mencionado.9 8. A título meramente informativo resumem-se os principais factores agressivos do solo para os tubos metálicos: .min V.Movimentos permanentes do terreno.Efeitos da propagação das ondas sísmicas nas tubagens.Cargas rolantes sobre o terreno. Da complexidade dos três subsistemas adutores a quatro zonas de distribuição resulta que em algumas zonas da cidade. as características da água distribuída são bastante semelhantes às da água aduzida. . Os factores químicos da água transportada na rede.máx Reservatórios V.6 7. que estão directamente relacionadas com o trânsito rodoviário e ferroviário.Alviela.máx Concentração Hidrogeniónica (pH) 7. caracterizada pela ocorrência de sismos fortes.CONCENTRAÇÃO HIDROGENIÓNICA DA ÁGUA DISTRIBUÍDA EM LISBOA Parâmetro Zona Baixa V. resultante das extensões axiais e das curvaturas. em que se registam sismos fracos.Sulfato.máx Zona Alta V.min V.min V. • Condições geotécnicas.9 8.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Mais especificamente no que se refere à concepção da rede de distribuição. do contacto da água com tubagens e acessórios de diferentes materiais.3 • Características químicas e físicas dos solos e das suas águas intersticiais A humidade do solo e a presença de sais dissolvidos são os factores que mais contribuem para a resistividade do solo. .6 7.7 8. . A esta variabilidade há a acrescentar a que resulta QUADRO 3 . e conforme já mencionado. como os assentamentos dos solos e sua liquefacção.máx Zona Média V. sísmicas e mecânicas Os factores relevantes que podem contribuir para que as tubagens enterradas possam sofrer danos são: . o valor de pressão mínimo actualmente disponibilizado pela EPAL é de 300kPa.min V. degradam a tubagem afectando a qualidade da água. de modo a evitar a ocorrência de sobrepressões é de 600kPa. assim como o valor máximo. .Alcalinidade.7 8. sendo o parâmetro identificado como relevante a deformação da tubagem. A título meramente informativo apresenta-se no quadro seguinte a concentração hidrogeniónica (pH) da água distribuída em Lisboa. .Contaminação orgânica. .7 6. 161 . parâmetro que em geral é utilizado para caracterizar a corrosividade dos solos. Daqui resulta uma variabilidade das características da água aduzida. enquanto noutras reflectem as misturas de aduções diferentes. que estão directamente relacionados com as suas características geotécnicas.máx Zona Superior V. Tejo e Castelo do Bode (captações superficiais e subterrâneas).Correntes vagabundas.5 6.

90 5.00 6.90 4.00 68.43 92.00 2.66 17.5 Reservas de água Os reservatórios existentes e em serviço no sistema da EPAL de abastecimento à cidade de Lisboa.46 116.90 2.00 74.ZM Zona Alta .90 5.10 171.ZA ZB. 3 .ZM.60 5.44 ALTURA DE ÁGUA (m) 3.00 12.00 116.CARACTERIZAÇÃO DOS RESERVATÓRIOS EXISTENTES NO SISTEMA DE ABASTECIMENTO A LISBOA DESIGNAÇÃO ZONAS DE DISTRIBUIÇÃO GRAVIDADE BARBADINHOS OLIVAIS CONTADOR-MOR VALE ESCURO S.00 119.ZB Zona Média .2 POMBAL 3 RESTELO CHARNECA I CHARNECA II MONSANTO TOTAL ZS ZA ZS ZS ZL ZA ZB ZB ZB ZB.2.º 2 2 2 2 2 2 2 4 2 2 1 2 2 1 2 CÉLULAS COTA DE SOLEIRA 27.50 4.70 5.25 2.30 5.ZL Zona Baixa .72 90.ZM ZM ZA BOMBEAMENTO ZB. os quais funcionam também como reservas de água.ZM.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.ZA ZA ZA.27 126.30 152.38 122.00 VOLUME TOTAL (m³) 9 250 38 570 9 504 20 186 4 500 11 460 127 200 58 112 114 297 6 892 5 130 9 226 9 925 10 162 4 470 438 884 LEGENDA: Zona Limite .10 152.30 57. JERÓNIMO ARCO C.70 4. OURIQUE TELHEIRAS I TELHEIRAS II POMBAL 1. encontram-se caracterizados no quadro seguinte: QUADRO 4 .2.ZA Zona Superior-ZS 162 .ZS ZA.ZS N.Distribuição das intensidades na cidade de Lisboa Fig.62 2.Cenário sísmico de danos na cidade de Lisboa 10. 4 .

em particular combates a incêndios. além de envolver. previamente estabelecidas e divulgadas. também é fundamental que seja garantida a qualidade da mesma água.19 2020 (1) / (3) 1. Assim e dentro desta opção metodológica foi sentida a necessidade de iniciar um processo normativo conducente ao estabelecimento de uma base de informação padronizada. ainda. potencialmente.3. na semana de maior consumo e no dia de maior consumo. destinada 163 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa A capacidade de reserva foi calculada atendendo às seguintes ocorrências: .54 1. PREVISTOS PARA OS ANOS DE 1995 E 2020 NECESSIDADES DE ÁGUA (m³/dia) 1995 (1) MÉDIO ANUAL MÊS MAIOR CONSUMO SEMANA MAIOR CONSUMO DIA MAIOR CONSUMO 438884 (2) 284413 327074 341295 369736 2020 (3) 284239 326875 341087 369511 COEFICIENTES (-) 1995 (1) / (2) 1. se determinadas medidas não fizerem parte das normas de exploração e. se não forem verificados determinados critérios de concepção.3 Concepção global dos sistemas prediais em Lisboa 10. previstos para os anos de 1995 e 2020. .6 Estratégia de manutenção da qualidade da água A par com a necessidade de garantir duma forma optimizada as reservas adequadas de água no sistema para uma distribuição compatível com os consumos. Os procedimentos de exploração integram rotinas de inspecção e de manutenção. NO MÊS DE MAIOR CONSUMO. no mês de maior consumo.aumentos súbitos de pedidos na rede por razões de emergência.2.RELAÇÃO ENTRE A CAPACIDADE TOTAL DOS RESERVATÓRIOS E OS CONSUMOS MÉDIO DIÁRIO ANUAL.34 1.28 1. técnicos responsáveis pela instalação das redes prediais de água e instaladores. de modo assegurar o cumprimento das regras definidas. . NA SEMANA DE MAIOR CONSUMO E NO DIA DE MAIOR CONSUMO. para Lisboa: QUADRO 5 .falhas de adução por interrupções subsequentes a avarias no sistema de abastecimento de água ou cortes na alimentação eléctrica.34 1. Manual de Redes Prediais da EPAL 10. 10. que permitissem uma capacidade de resposta mais oportuna e qualitativa. o qual não é uma ideia recente.1 Aspectos gerais É também da responsabilidade da Empresa a aprovação e a fiscalização das redes prediais na cidade de Lisboa. dirigido a projectistas.ajustamento dos caudais de adução aos pedidos na rede. mas sim um projecto há muito planeado. Esta preocupação prende-se com a possibilidade de deterioração da qualidade da água nos reservatórios. No quadro seguinte. actuações de emergência. a reunir conceitos e regras. opção que motivou à elaboração de um Manual.54 1.2.19 TIPO DE CONSUMO CAPACIDADE TOTAL (m³) Verifica-se que a capacidade total excede as necessidades de água estimadas para esses anos. apresentam-se as relações entre capacidade total e os consumos médio diário anual.29 1. Para com maior rigor avaliar a conformidade técnica dos processos de abastecimento foi publicado o Manual de Redes Prediais da EPAL.

A consulta do fluxograma a seguir representado. Subsidiariamente poderá também constituir elemento de consulta para instaladores. desde a sua entrega nos Serviços da EPAL. por serem aqueles que conferem aos projectos a sua verdadeira potencialidade em termos de "linguagem técnica".2 Estrutura do Manual de Redes Prediais A estrutura do Manual é constituída pelos seguintes capítulos e anexos: I. considerando-se o referido Manual como um complemento da documentação técnica já existente na EPAL.1 Capítulo I . 10.Generalidades Abordagem de aspectos gerais tais como a Legislação e Normalização. na EPAL. Após a constituição de um processo de abastecimento. ou seja. com entrega de alterações ao nível da análise e da fiscalização: 10. deveres e responsabilidades das diversas partes intervenientes. permitindo aos interessados a apresentação de processos de abastecimento. O conteúdo do documento não pretende ser exaustivo e de modo algum dispensa a consulta de toda a regulamentação em vigor.3.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa No Manual de Redes Prediais são abordados aspectos de concepção e execução. permite uma optimização dos recursos utilizados pela EPAL na fase de análise dos mesmos. 10.2 Capítulo II . sendo particularmente desenvolvidos os primeiros. Dimensionamento Anexos A Terminologia B Simbologia C Documentos e Elementos Técnicos Constantes dos Processos de Abastecimento D Esquemas de Instalação e Execução E Legislação e Normalização Aplicáveis F Referências Bibliográficas. até à fase de celebração de contratos de fornecimento de água. Na assunção deste pressuposto recomenda-se que sejam respeitadas todas as indicações consignadas no documento. de acordo com o estabelecido no capítulo II. embora numa opção técnica condicionada pela normalização nacional existente. evidencia todo o circuito de um processo de abastecimento no seu desenvolvimento mais longo.3 Descrição dos capítulos estruturantes do Manual 10. permitindo assim um desenvolvimento mais célere dos processos de abastecimento.3. assim como a descrição do seu circuito. Generalidades II. o que conduz a prazos de resposta mais reduzidos.3. pois procura apresentar uma visão global conducente à obtenção de soluções que contornem os problemas detectados nos projectos de redes prediais.3. Concepção de Projecto e Disposições Construtivas IV.3. Uma correcta elaboração dos processos de abastecimento. este deve ser entregue. mas tem como objectivo transmitir as regras que esta Empresa considera pertinentes. Elaboração e Circuito dos Processos de Abastecimento III.3. compatíveis com os conceitos vigentes na EPAL. 164 . para emissão de parecer.Elaboração e circuito dos processos de abastecimento Tem como objectivo definir as regras para a elaboração e constituição de um processo de abastecimento.

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig. 5 .Fluxograma de um processo de abastecimento 165 .

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa O fluxograma anteriormente apresentado poderia ser muito simplificado se todo o processo não tivesse que passar por frequentes e diferentes análises do mesmo. 9 Rede Geral de Distribuição Sistema de canalizações. 7 Ramal de Ligação Canalização que liga a Rede Geral de Distribuição à rede predial. seja na fase de análise ou/e na fase de fiscalização. responsabilidades de manutenção e recomendações. É recomendável ainda que sejam respeitadas todas as indicações consignadas no documento. Responsabilidades de manutenção 166 . no que respeita a alterações entregues. nomeadamente no que respeita à caracterização dos deveres.Redes prediais. permitindo assim um desenvolvimento mais célere dos processos de abastecimento. órgãos e equipamentos instalados na via pública. 8 Torneira de Suspensão do Ramal Válvula que regula o fornecimento de água ao prédio. ou a bocas de incêndio e marcos de água. 6 . Fig. para serviço de uma propriedade.

a EPAL assegura a qualidade da mesma na sua rede geral de abastecimento. assim como o valor máximo. quer a manutenção dessa mesma qualidade. deverá ser prevista a instalação de equipamento de pressurização. quer as boas condições do fornecimento no que concerne à pressão e caudal nos dispositivos de utilização. em que a pressão mínima disponibilizada no ramal de ligação é suficiente para garantir as boas condições de fornecimento a todos os locais do edifício a serem objecto de contratos de fornecimento: b) Através de equipamento de pressurização directa.3 Capítulo III .Concepção de projecto e disposições construtivas O capítulo III tem como objectivo definir as linhas orientadoras a adoptar na concepção global dos sistemas prediais de abastecimento de água. Quando o valor mínimo não for garantido. 8 . A adopção desta solução pressupõe que embora se recorra à pressurização.Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema simples gravítico 167 .Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema misto gravítico e pressurizado Fig. Como entidade responsável pelo fornecimento de água para consumo humano. A concepção dos sistemas prediais deve assim garantir. actualmente de 300kPa. assim como indicar quais as disposições construtivas preconizadas pela EPAL. de forma a evitar a ocorrência de sobrepressões (>600kPa). pelo menos dois andares de pressão (gravítico e pressurizado): Fig. na rede geral de distribuição de água.3. É ainda de interesse apresentar uma síntese das soluções de abastecimento predial permitidas pela EPAL: a) Fornecimento totalmente gravítico. disponibilizado pela EPAL.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. Mais especificamente no que diz respeito às pressões deve ser tido em atenção o valor de pressão mínimo. a pressão da rede geral de fornecimento deve ser aproveitada.3. constituído por grupos de velocidade variável e tendo em conta o especificado no Manual. 7 . levando a que existam sempre que possível. Nos casos em que este valor seja ultrapassado deve ser instalada válvula redutora de pressão.

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa c) Fornecimento efectuado a partir de depósito dotado de equipamento de elevação. 10 .Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema misto gravítico e pressurizado e abastecimento ao serviço de incêndio a partir de depósito 168 . 9 .Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema misto gravítico e pressurizado e abastecimento directo à rede de incêndio e rede sprinklers Fig. exclusivamente para o sistema de incêndio e situações especiais: Situação I Situação II Fig.

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Situação III é responsável pelos valores neles apresentados e sua validade. são componentes fundamentais do projecto da rede predial. apresentam-se nas seguintes figuras. A fase de dimensionamento funciona ainda como prevenção e detecção de erros de concepção. O dimensionamento dos Sistemas Prediais de Abastecimento de Água é efectuado de forma faseada através de um processo iterativo.Elaboração e Circuito dos Processos de Abastecimento". se forem detectadas irregularidades.Inclui as referências do "Capítulo II . E Legislação e Normalização Aplicáveis .Dimensionamento Após a fase de concepção do projecto da rede predial de água. 11 . onde se definiu o traçado das canalizações. possibilitando o controlo dos parâmetros relativos aos níveis de conforto e desempenho dos sistemas. ou se os mesmos se encontrarem incompletos devem ser apresentados novos cálculos. a título meramente exemplificativo.Diagrama de abastecimento às redes prediais e serviço de incêndio a partir de depósito contabilizado a montante (condição excepcional para Hotéis e Hospitais.3. relativos ao dimensionamento. valores de velocidades de escoamento e de pressão disponível nos dispositivos de utilização. tabelas e referências bibliográficas. No entanto. a escolha dos materiais a utilizar e a selecção dos órgãos e dos equipamentos. algumas das principais disposições construtivas relativas às redes prediais. previsto na legislação) D Esquemas de Instalação e Execução . Os cálculos justificativos. No capítulo IV são apresentados alguns métodos de dimensionamento para cada situação.3. consistem: A Terminologia . Fig.Listagem não exaustiva de documentação.. 10. B Simbologia . F Referências Bibliográficas. estando o projectista livre de apresentar outros métodos desde que devidamente fundamentados.3. C Documentos e Elementos Técnicos Constantes dos Processos de Abastecimento .5 Anexos Os anexos.Apresentação dos símbolos a utilizar na elaboração das peças desenhadas dos projectos de redes prediais.3. uma vez que se determinam entre outros. nomeadamente no que concerne aos diâmetros das tubagens e determinação das características dos equipamentos electromecânicos. é necessário efectuar o dimensionamento das canalizações. no entanto.Consiste na compilação dos termos instituídos pela EPAL mais utilizados neste Manual. O projectista Relativamente ainda ao Anexo D. através da apresentação de ábacos. sendo sempre obrigatória a sua apresentação. já anteriormente mencionados. tal como as minutas tipo. salvo se indicado. os mesmos não são vinculativos. encontrando-se organizada por ordem alfabética.4 Capítulo IV . etc. quadros de apoio.Compilação de diversas indicações de carácter normativo relativas a alguns aspectos construtivos das redes prediais. 169 . 10. constantes no Manual.

Instalação de contadores em bateria 170 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig. 12 .

Instalação de contadores em caixa enterrada até DN 40 171 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig. 13 .

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.Instalação de contadores em caixa enterrada a partir de DN 50 172 . 14 .

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.Instalação de ponto de ligação flangeado 173 . 15 .

Pontos de ligação roscados 174 . 16 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.

notando-se que os projectos registam algumas melhorias ao nível da sua concepção e apresentação. Através deste tipo de controlo. estes são analisados e adoptadas acções correctivas para impedir a sua repetição. relativamente ao tempo de resposta.2 Quantificação dos processos de abastecimento e dos resultados práticos A título informativo. são introduzidas acções correctivas. facilitando os procedimentos de fiscalização e de execução da obra. consegue-se obter a percepção da evolução da qualidade do serviço e a identificação das áreas de melhoria do ponto de vista do mercado.3. Também sempre que os colaboradores detectam erros sistemáticos. ou seja.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10.Gráfico comparativo da variação relativamente ao tempo de resposta aos processos de abastecimento 10. nos quais se reflecte de alguma forma o contributo do Manual.17 .5.000 4. tendo-se obtido um equilíbrio maior entre a análise e a fiscalização dos processos de abastecimento. efectuou-se uma contabilização dos tempos de resposta dos processos de abastecimento. no exterior. 65% < 5 dias entre 5 e 20 dias entre 20 e 40 dias mais que 40 dias 5% 5% 25% Fig. no entanto. sendo este um documento dinâmico. a quantificação do número de processos de abastecimento de 2004. no início de 2002. a EPAL tinha uma perspectiva de distribuição entre os 90 e os 100 exemplares até ao final do ano. Nº de Processos 6. No entanto. "Instalação de contadores em caixa" e "Contador de obra". foram desenvolvidos e implementados dois novos folhetos. apresentam-se. a dinâmica dos diferentes serviços melhoraram. 175 . Na figura seguinte pode-se observar em percentagem. Internamente. não só da Cidade de Lisboa como de outras zonas do País.5.3.5 Resultados práticos 10. No início de 2003 foram editados mais dois novos folhetos designadamente. durante o ano de 2004.000 3.000 2.3.3. todas as opiniões. Empreiteiros. pelo que as mesmas serão sempre bem vindas.1 Divulgação da documentação Aquando da disponibilização do Manual de Redes Prediais em Fevereiro de 2002. feitas algumas sugestões de melhoria que têm sido apontadas e que serão devidamente estudadas no intuito de virem a surtir efeito em revisão com vista a uma futura emissão. de resultados do exercício da área de Novos Abastecimentos entre 2000 e 2004. é com satisfação que já se distribuíram mais de três centenas de exemplares.000 5. verificando-se em obra que o mesmo tem ajudado na implementação de algumas regras de construção. principalmente através dos comentários construtivos. demonstrando o reconhecimento e interesse por parte de Projectistas. por vezes. passado dois anos e meio da sua publicação.4 Outras publicações complementares Paralelamente à edição do referido documento. também tem sido mais positiva. sempre que os indicadores apresentam desvios. Estas publicações servem actualmente de apoio ao Manual.000 1. Fig. a seguir. serão de especial interesse para o enriquecimento técnico das futuras edições. quadro e figuras. Instaladores e Donos de Obra.000 Mês/Ano Dez-00 Dez-01 Dez-02 Dez-03 Dez-00 Dez-01 Dez-02 Dez-03 Set-04 Situação 0 Set-04 Em curso Pendentes da EPAL Pendentes de Clientes 10. sendo.Gráfico comparativo da variação do número de processos em curso e pendentes na EPAL entre o ano de 2000 e o ano de 2004 No que se refere ao nível de serviço. sendo eles: "Elaboração e circuito dos processos de abastecimento" e "Condições técnicas de instalação de contadores em bateria". A imagem. bem como na execução de ramais de ligação e instalação de contadores. O objectivo que originou a elaboração e publicação do documento começa agora a dar mostras de estar a ser concretizado. 18 . tendo em conta que a lei vigente obriga que as respostas sejam emitidas dentro de um período de 20 dias úteis.

(EPAL).A. assegura a conformidade do serviço fornecido ao Cliente. Regulamento de Segurança e Acções para Estruturas de Edifícios e Pontes. No Decreto-Lei nº 230/91 de 21 de Junho. Pelo anteriormente exposto. de 24 de Julho de 1944.". Decreto-Lei nº59/99. parágrafo 2. presentemente.Aprova o Regulamento de Segurança contra Incêndio em Edifícios de Habitação.Aprova o Regulamento Geral dos Sistemas Públicos e Prediais de Distribuição de Água e Drenagem de Águas Residuais. rege-se pelo presente diploma. S. no Artigo 1º. 176 . relativo à Empresa Portuguesa de Águas Livres.A. cuja aplicação decorra do objecto da sociedade. de 21 de Junho. S. o artigo nº 31 do Decreto-Lei nº 207/94 estabelece que: "O regime estabelecido no Decreto-Lei nº 230/91. na sua redacção actual". pelas normas de direito privado aplicáveis às sociedades anónimas e pelas normas especiais.4 Enquadramento legislativo A EPAL possui um regulamento geral de abastecimento de água que foi posto em vigor pela portaria nº 10 716. 10. pelos seus estatutos.. é mencionado também o seguinte:" Sem prejuízo da aprovação de um novo regulamento aplicável à EPAL. 2 de Março . no entanto esta Empresa sempre fez questão de orientar-se pelos Regulamentos e Decretos-Leis vigentes: Decreto Regulamentar nº 23/95. do qual se espera no futuro vir a reflectir-se numa melhoria qualitativa e quantitativa. S.A.Regime Jurídico de Empreitadas de Obras Públicas. Com efeito. Decreto-Lei nº64/90. beneficiam com a publicação deste documento. o que constitui uma contribuição positiva para a concretização do objectivo inicialmente pretendido com este projecto. tanto a EPAL como os agentes externos da área. facilitando a implementação de regras instituídas na empresa e aumentando a interacção com o exterior. como tal. com o qual os serviços se regem. Regulamento de estruturas de Betão Armado e Pré-esforço. Decreto-Lei 320/2001 e 272/2003 (segurança). conclui-se assim que a EPAL se encontra numa situação de excepção. os consumidores directos continuam a reger-se pelo disposto no regulamento aprovado pela portaria nº 10 716. é mencionado que: "A EPAL. parágrafo 2. não é afectado pelo disposto no presente diploma". e no Artigo 8º. de 24 de Julho de 1944 e suas alterações entretanto publicadas. de 23 de Agosto . Pode-se concluir que.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Esta atitude permite a melhoria sistemática dos processos e. face alguma da legislação actualmente aplicável a todo o país. de 21 de Fevereiro .

Setembro 1997 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. " Especificação de materiais para a rede de abastecimento da água da EPAL" . 177 . " Manual de Redes Prediais".elaborado pela Empresa Aquasis para a EPAL. 2001. EPAL.Relatório Final.5 Referências bibliográficas " Plano Geral da Rede de Distribuição de Água a Lisboa e do Abastecimento aos Concelhos limítrofes" .Relatório 254/99-NES. elaborado pelo LNEC para a EPAL.

178 .

POLIVALÊNCIA E ECONOMIA Autor: José Beltrão Professor Catedrático. Polivalência e Economia 11.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. Universidade do Algarve. Faro 179 . SISTEMAS DE REGA SOB PRESSÃO: EFICIÊNCIA. FERN.

180 .

investigação e socialização aos cerca de 10 000 estudantes. Arquitectura Paisagista e Agronomia) e de quatro mestrados (Horticultura . após a criação da Universidade do Algarve. Recursos Hídricos.especialidade de Marketing e Comercialização.RUPEA e tem numerosos e abrangentes protocolos de colaboração. de ensino e investigação. alunos e funcionários.UCTA e assumiu a responsabilidade do ensino da licenciatura em Hortofruticultura. mais de 700 estudantes. Tecnologia e Saúde. A FERN . as Unidades foram extintas e as Faculdades vieram substituir as anteriores estruturas. com centros de investigação nacionais e internacionais. As duas licenciaturas de Engenharia estão reconhecidas pela Ordem dos Engenheiros. Ciências do Mar e Ambiente. resultou da união das duas instituições previamente existentes: a Universidade do Algarve. de 26 de Dezembro. Ciências Humanas e Sociais. A Horto-fruticultura foi reestruturada e adoptou o nome de Engenharia Agronómica . situado no Campus de Gambelas.Portimão e Vila Real de Santo António -. 3 salas de informática e 4 salas de estudo propiciam as adequadas condições de trabalho para os docentes. em 1993. e Ciências e Tecnologia e quatro ESCOLAS SUPERIORES . É também uma Faculdade integrada no mundo global que a envolve. Engenharia Biotecnológica. Por exemplo.Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais A Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais . de dois Campus . Entre 1982 e 1998 a então UCTA foi crescendo e alargando os seus horizontes. Engenharia de Recursos Naturais. 700 docentes e 400 funcionários que gravitam no seu universo.Penha e Gambelas . 16 dos quais liderados por docentes seus. Em 1991. com a reestruturação de toda a Universidade do Algarve. No ano de 2003 A FERN diplomou 59 licenciados (35 em Engenharia Agronómica e 24 em Engenharia Biotecnológica) e já em 2004 surgem os primeiros licenciados em Arquitectura Paisagista.Economia.º 513-T/79. e em Arquitectura Paisagista. hoje. Hotelaria e Turismo. Possui cinco FACULDADES . Nas proximidades está localizado o Horto Experimental de Gambelas. e foram iniciadas as licenciaturas em Engenharia Biotecnológica. cedo se alçou de instalações provisórias a espaços amplos. Em 1998. cinco anos mais tarde. Em 1992 integrou o 'grupo internacional' de oito universidades que lançou e coordenou o Mestrado em Hortofruticultura . No ano de 2003 a Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais estava envolvida em mais de 30 projectos de investigação. Actualmente a Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais tem a responsabilidade de quatro licenciaturas (Engenharia Agronómica . criada pela Lei n. integra a Rede de Universidades Portuguesas de Ensino Agronómico .CDCTPV. criado pelo decreto-lei n.º 11/79 de 28 de Março e o Instituto Politécnico de Faro. Gestão. por exemplo. como não podia deixar de ser. foi constituído o Centro de Desenvolvimento de Ciências e Técnicas de Produção Vegetal .e de dois Pólos . Inicialmente adoptou a designação de Unidade de Ciências e Tecnologias Agrárias .especialidade de Marketing e Comercialização. maioritariamente com o Grau de Doutor que asseguram o funcionamento regular das licenciaturas e mestrados. com espaços ao ar livre e estufas.Educação. esta Faculdade inclui 46 gabinetes.FERN surgiu em 1982. tal como existe neste momento. Biotecnologia e Agricultura Sustentável). Polivalência e Economia A Universidade do Algarve A Universidade do Algarve. com instituições universitárias portuguesas e estrangeiras. trabalho.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. Tendo nascido do sonho de poucos e da vontade de muitos. Para além dos docentes integram a Faculdade mais de 25 funcionários e. que proporcionam excelentes condições de estudo. e com empresas da região e do país. 33 laboratórios. e com uma estação meteorológica automática.ramo Hortofruticultura.ramo Hortofruticultura. A FERN é constituída hoje por mais de 50 docentes. 181 . dispondo. Um edifício recém inaugurado.

182 .

Infiltração Processos: Submersão permanente: Sulcos Rega subterrânea Regadeiras inclinadas Canteiros Planos inclinados Cavaletes Faixas Submersão Temporária: Caldeiras Simples Coroa circular 183 . teoricamente o método diz mais respeito ao fenómeno físico predominante enquanto os sistemas têm mais que ver com o material. Contudo.Evapotranspiração real da cultura (mm) Dr . O estudo das necessidades hídricas poderá também ser efectuado recorrendo a outras técnicas (Dasberg & Or. à planta (Taylor et al. de acordo com Beltrão et al. definida por: R + P = ETa + (Dr + Es . uma vez que neste caso o solo não é regado na sua totalidade. O valor aproximado do coeficiente cultural está definido para as culturas regadas para a máxima produção.Precipitação (mm) ETa . por haver situações híbridas e combinadas.Evapotranspiração de referência (mm) kc . à atmosfera (Doorenbos & Kassam. difíceis de definir. Beltrão et al. 1999): a) relacionadas com o solo . Polivalência e Economia 11.2. 1945). No que respeita à economia energética dos vários sistemas de rega. tendo em vista. 11. além da rega de humedecimento. Foi extraída da extinta disciplina de Hidráulica Geral e Agrícola.Variação da água no solo na zona radicular (mm) ETa pode-se obter através da equação: ETa = ETo x kc Em que ETo . com uma subdivisão em processos de rega. 1981). 1998) e aos seus efeitos combinados nas necessidades hídricas das plantas obtidas pela equação do balanço hídrico na zona radicular. tipo de instalação e funcionamento.como por exemplo diferenças de potencial de água no solo (tensão de água no solo) através de tensiómetros. não se incluem outros parâmetros necessários quer ao planeamento. É muito complexo classificar com rigor os sistemas de rega. com algumas actualizações introduzidos principalmente por Oron & Beltrão (1993) e por Raposo (1996 b).Água de rega. Estes outros parâmetros serão definidos através das componentes do sistema dinâmico SPAC (soil-plant-atmosphere-continuum)..coeficiente cultural. sondas TDR. No que respeita a polivalência e a economia energética dos sistemas de rega.1 Sistemas de rega por gravidade Há quem considere os métodos de rega como sinónimos de sistemas de rega. Uma das classificações adoptadas em Portugal é aqui apresentada no QUADRO 1 (Sistemas de rega por gravidade) e no QUADRO 2 (Sistemas de rega sob pressão). 1980) . indica-se nas referências bibliográficas os trabalhos que deverão ser consultados. 1979) e de funções de produção (Shalhevet e tal. QUADRO 1 .Submersão Processos: Regadeiras de nível Processos: Método .2 Classificação dos sistemas de rega 11. Allen et al. 1980a. Ao falar-se de polivalência.1 Introdução Este capítulo incidirá somente sobre os sistemas de rega e a sua relação com a polivalência e a economia energética.SISTEMAS DE REGA POR GRAVIDADE Método .Água de drenagem (mm) Es . 1997). do Instituto Superior de Agronomia. Contudo. através de fórmulas específicas (Doorenbos & Kassam. Para a caracterização deste complexo sistema será necessário o conhecimento de elementos de base e aplicados ao solo (Hillel. podendo ser obtido o seu valor directa ou indirectamente quando se verificam decréscimos da produção.. 1983. 1980b). Dado que a dimensão deste capítulo é limitada. expressa através da dotação real de rega (mm) P . 1986).como por exemplo o potencial de turgescência ou o termómetro infravermelho.. As relações entre as necessidades hídricas e os sistemas de rega foram estudados por Pereira (2004). variando com a cultura e o seu estado fenológico.Escorrimento Método .Água de ascensão capilar (mm). Universidade Técnica de Lisboa (Mayer.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. poderíamos dividir os sistemas de rega em sistemas de rega por GRAVIDADE (escoamento ou infiltração em superfície livre) e por PRESSÃO (escoamento em pressão).Ac) + ∆S em que: R . blocos de gesso e outras. Esta equação do balanço hídrico (1) não é aplicável aos sistemas de rega de rega localizada (gota a gota e mini(2) (1) -aspersão). quer à gestão dos sistemas de rega. considera-se a eficiência de rega como a componente de maior importância. 1979.Água de escorrimento superficial (mm) Ac . considerou-se não só a origem da água de rega (recursos convencionais e não convencionais). e b) relacionadas com a planta . mas também as várias utilizações dos sistemas de rega. ou de modelos dinâmicos de produção (Jones & Kiniry. outros tipos de utilização agro-ambiental. sendo neste caso utilizado um balanço hídrico específico (Vermeiren & Jobling.(1996) ∆S .

As principais vantagens e inconvenientes da rega por aspersão em relação à rega por gravidade são as seguintes: Vantagens: 1) não necessita a preparação do terreno (nivelamento e armação) necessária nos sistemas de rega por gravidade. e por fim as instalações fixas caracterizam-se pelo facto de toda a tubagem ser completamente fixa. As instalações de rega por aspersão podem ser divididas em instalações de rega estacionárias e semoventes. a uniformidade e distribuição de água é mais elevada. humedecendo o solo por infiltração. A rega por submersão pode ser permanente e temporária. sendo a água de rega distribuída nos sulcos. sem haver a necessidade de mudança de tubos (Fig. Os fenómenos físicos predominantes são para a rega por aspersão e para a rega localizada. 6) geralmente maior produção. respectivamente. abertos entre as linhas das plantas. 184 . fertirrega mineral e orgânica.2 Sistemas de rega sob pressão 11. o sistema de rega por regadeiras de nível. Contudo ainda se utiliza no norte de Portugal. mantendo-a a uma profundidade conveniente. submersão e infiltração diz respeito ao fenómeno físico predominante observado durante a rega. Dentro dos sistemas de rega por gravidade é o dos sulcos o mais empregado em Portugal. 11.2. rega qualitativa). Este sistema é utilizado em culturas dispostas em linhas. 2 . infiltrando-se no solo. As instalações estacionárias são caracterizadas pelo facto de os aspersores ocuparem posições fixas no solo. nas laranjeiras. em que se utiliza a infiltração como fenómeno físico predominante. como prevenção contra a gomose basal. As caldeiras são de submersão temporária. 4) maior economia de água. incluem a rega por sulcos e a rega subterrânea. a água escorre por todo o terreno a regar. 7) menores problemas de erosão do solo. 2002). 1). 3) caso a velocidade do vento seja nula ou baixa (< 2 m s-1).Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. 1 .2.1 Aspersão (instalações estacionárias e semoventes) Os sistemas de rega sob pressão são apresentados no QUADRO 2. Fig. 8) maior polivalência das instalações (combate às geadas e altas temperaturas. Os canteiros são utilizados em Portugal principalmente nos arrozais. embora a sua utilização em Portugal seja relativamente pequena. actualmente. Os sistemas de rega por gravidade. 2).Instalação de rega por aspersão estacionária semi . nas semi-fixas parte da tubagem é fixa e parte móvel (Fig.Instalação de rega por aspersão estacionária completamente fixa num campo de golfe (Rosado. tendo sido substituído nas explorações intensivas por sistemas de rega localizada. este sistema de caldeiras é apenas hoje utilizado em pequenas explorações. Polivalência e Economia A classificação em escorrimento. as simples eram utilizadas antigamente para regar por submersão temporária as árvores de fruto. utiliza-se a ascensão capilar da água. Na rega subterrânea. 5) normalmente maior economia de mão-de-obra.2. a aspersão e a infiltração. as instalações móveis são aquelas em que não há qualquer parte da tubagem fixa. No caso dos sistemas de rega por escorrimento. 2) permite mais facilmente controlar a dotação de rega. contudo. a caldeira disposta em coroa circular.fixa Fig. Actualmente apenas tem interesse o sistema por rega por faixas pois é o único que permite a mecanização. proveniente da toalha freática artificial ou através do controlo de uma toalha natural. sendo neste caso a submersão permanente. em zonas de maiores declives.

devido ao seu elevado consumo de energia (QUADRO 7). com movimento de translação (ex.2. 2) manutenção da tensão de agua dos solos (ou do seu teor em água) aos valores desejados pela planta. 185 . por humedecimento da parte aérea das plantas. 7) dificuldade (penoso para os operadores) para as mudanças de tubagens nas instalações móveis em solos de textura fina. As instalações semoventes tipo canhões auto-motrizes têm tendência para diminuir. com movimento de rotação e de translação (ex. 2) Só poderão ser utilizadas em áreas elevadas. 6) maior eficiência da fertirrega e pestirrega. alto controlo da aplicação de rega (que poderá ser feito por ex. A rega por miniaspersão subdivide-se em a) miniaspersão dinâmica quando o miniaspersor possui movimento de rotação similar a um aspersor rotativo em miniatura. menos infestantes. No caso de grandes superfícies regadas por aspersão (áreas superiores a 50 ha). sendo a subterrânea enterrada. 3) Não podem ser utilizadas em terrenos irregulares ou acidentados. Polivalência e Economia Inconvenientes: 1) consumo de energia muito elevado. devido ao facto de apenas uma parte do solo ser regado (rega localizada). As principais vantagens e inconvenientes das instalações semoventes em relação às instalações estacionárias são: Vantagens: 1) Evitam as mudanças dos aspersores.: Canhão automotor) e mistas. isto é. 11. 5) impossibilidade de aplicação de águas salinas em culturas não tolerantes à salinidade. espaços verdes e campos de golfe. As principais vantagens e inconvenientes das instalações de rega gota a gota em relação às instalações de rega por aspersão são (Dasberg & Bresler. menor caudal e menor pressão de serviço. região de clima árido durante o Verão os sistemas de rega mais interessantes seria a rega por aspersão (Milho-grão. 3) superfície do solo parcialmente humedecida (menor evaporação.: Center-pivot). traduzindo-se em menor consumo de energia e menos material). a escolha dos sistemas de rega de maior interesse para aplicação está dependente da região e da cultura a regar. 2) grande problema com velocidades do vento elevadas produzem distribuições de água muito irregulares. e culturas hortícolas principalmente em estufas). devido à rega da parte aérea das plantas. forragens. não permitindo tão facilmente o desenvolvimento de doenças. aplicam-se geralmente instalações semoventes center-pivot. 1985): Vantagens: 1) grande economia de água. 4) desenvolvimento de doenças. Destes. 4) manutenção da parte aérea das plantas seca. utilização de máquinas nas entrelinhas mesmo quando a rega estiver a funcionar). e em b) miniaspersão estática ou microaspersão em que os miniaspersores não possuem movimento de rotação.superficial e subterrânea) A rega localizada pode ser dividida em rega gota a gota e por miniaspersão (Quadro 2).SISTEMAS DE REGA SOB PRESSÃO Aspersão Método . A rega gota a gota pode ser subdividida em a) superficial e b) subterrânea. enquanto a água é distribuída. os sistemas de rega sob pressão seriam os que teriam maior interesse para aplicação nas regiões mais áridas durante o Verão.: Rain-move). vinhas. 7) utilização em solos marginais. 3) custo das instalações elevado.2. Gota a gota superficial subterrânea Miniaspersão dinâmica estática ou micro-aspersão Localizada Método . para pequenas superfícies utilizam-se as instalações estacionárias. Inconvenientes: 1) Consumos de energia mais elevados (funcionam a pressões de serviço muito mais elevadas).2 Localizada (rega por miniaspersão e gota a gota . 5) custo de manutenção mais baixo (possibilidade de rega 24 horas por dia. Raposo (1994) classifica as instalações semoventes em instalações com movimento de rotação (ex. QUADRO 2 .Aspersão Processos: Aspersão . culturas industriais e culturas hortícolas ao ar livre) e a rega localizada (pomares.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. 2) Mão-de-obra reduzida quando comparadas com as estacionárias móveis ou semi-fixas.Semoventes Rotação Translação Mistas As instalações semoventes incluem aquelas em que os aspersores (além do movimento e rotação própria) se deslocam ao longo da superfície do solo. 6) altas perdas de água em climas muito ventosos ou áridos. através de tensiómetros).Infiltração Processos: Em relação aos sistemas de rega supracitados.Estacionárias Fixas Semi-fixas Móveis Aspersão . destinando-se ao Sul de Portugal. Assim.

mas o seu custo é mais elevado do que o custo dos adubos sólidos solúveis. melhora a uniformidade de distribuição dos fertilizantes. sempre que problemas com a filtração da água não permitirem a rega gota a gota. 11. Caso as águas sejam alcalinas. assegurando uma concentração constante até níveis muito baixos tal como 5 ppm. em que a concentração da mistura adubo+água varia geralmente entre 5 x 10-4 e 2 x 10-2. que se poderá verificar principalmente quando se trata da rega gota a gota. 2) depósito aplicado à saída da bomba. podendo-se usar o nitrato de potássio ou o sulfato de potássio. de forma localizada às raízes. contribuindo também para a desobstrução dos gotejadores.usa-se muito a ureia.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. quando se procede à fertirrega. os nitratos. os elementos fertilizantes são conduzidos através da água. Polivalência e Economia O maior inconveniente diz respeito a grandes problemas com entupimentos.3. O potássio também pode ser utilizado sem dificuldade. Possui vantagens e inconvenientes intermédios entre a instalação-tipo anterior a que se segue. Relativamente aos macronientes aplicados.1 Fertirrega A fertirrega propriamente dita inclui apenas o fertirrega mineral. para se proceder à sua lavagem sempre que necessário. este sistema tem a vantagem de ser de baixo custo. em que parte dos elementos nutritivos ficam fora da acção das raízes.1. de acordo com as necessidades do estado fenológico da cultura e contribuindo para a diminuição da pressão osmótica do solo. accionada hidráulica ou electricamente. para todos os sistemas de rega sob pressão. principalmente na rega gota a gota. por vezes também é utilizado o ácido nítrico (em concentrações muito baixas) que tem também a função de desobstruir os gotejadores. em que se faz a mistura adubo+água. não se deve utilizar o fósforo na fertirrega. e o inconveniente de mais difícil controlo das concentrações dos fertilizantes. que hoje se inclui na água residual agrícola. Há no mercado adubos líquidos para aplicação na fertirrega para várias diluições de macro e micronutrientes. Outras vantagens da fertirrega. quando se pratica a fertirrega mineral. colocado após a instalação de bombeamento e sendo precedido um filtro de malha. Com a rega gota a gota subterrânea consegue-se praticamente anular as perdas por evaporação. há obrigatoriedade de se aplicar fertirrega. É necessário que. Fig. que se inclui no circuito de água. Ao contrário do que se verifica com os sistemas convencionais de fertilização. com válvula-parafuso de regulação da saída. No caso da rega localizada. o amónio. efectuada através do efeito de Venturi.Instalação de rega gota a gota em vinha (Pedras. A rega por miniaspersão é utilizada principalmente em pomares. em relação à água de rega. são o fraccio- 186 . evita o calcamento do solo e permite a adubação mais fácil das culturas de porte baixo. namento das fertilizações. 2003) Três instalações-tipo de fertirrega mineral poderão ser aplicadas nos sistemas de rega sob pressão: 1) simples depósito. Outras vantagens dizem respeito à economia de mão-de-obra. devendo-se determinar a condutividade do solo e o seu pH.3 Polivalência dos sistemas de rega 11. o azoto pode ser aplicado em todos os casos sem quaisquer dificuldades técnicas . 3 . sendo a água consumida apenas por transpiração. antigamente incluía a fertirrega orgânica (chorumes). sendo a superior a longevidade da tubagem devido à diminuição de choques térmicos e mecânicos e não haver problemas com radiações ultra-violetas. momento e época da fertilização. sendo as mesmas altas e mal distribuídas. que seja assegurada uma drenagem perfeita do solo. Se a água é ácida não há qualquer problema na aplicação do fosfato mono ou biamónio. ou quando os elevados compassos e a / ou os movimentos laterais da água do solo a partir das rampas gota a gota sejam insuficientes para que o volume radicular fique convenientemente regado.3. embora mais frágil e de custo mais elevado que as instalações-tipo anteriores. na fertirrega localizada. sendo no entanto o ácido ortofosfórico menos sujeito a problemas de entupimento e de insolubilização. 3) bomba injectora de adubo (Fig. 4). é uma aparelhagem de grande rigor. sendo a saída da mistura para a tubagem de rega.1 Águas convencionais 11.

nas horas de maior calor.3. como ainda grande parte dos produtos não estarem homologados em Portugal. Contudo o sistema de rega por aspersão é o mais eficiente no combate à geada. através de aspersores e miniaspersores. devido ao desconhecimento do seu manuseamento e aplicação. e que equilibra as respectivas perdas de calor por radiação nocturna.1. e menor será a capacidade utilizável do solo para a água. As instalações-tipo utilizadas são do tipo bomba injectora.3. em instalações estacionárias totalmente fixas e semoventes center-pivot. que corresponde ao calor latente de solidificação da água. maior será o pressão osmótica. e muito raramente no nosso país. e que permita a rega sem que as culturas (árvores) sejam danificadas. quanto maior for a concentração salina da solução do solo. devendo-se neste último caso parar imediatamente o funcionamento da instalação caso haja vento.5 Rega qualitativa 11. maior será o teor e água do solo ao coeficiente de emurchecimento. 11.2 Pestirrega A pestirrega está dividida em pestirrega propriamente dita (combate aos fungos e pragas) e em herbirrega (aplicação de herbicidas). ou alternativamente. o coeficiente de emurchecimento não é uma constante de humidade do solo.Bomba injectora utilizada num sistema de fertirrega gota a gota em alface. 187 . 4 . conforme descrito para a fertirrega. para tornar mais saliente a coloração de certas plantas ornamentais e da fruta.2 Águas não convencionais 11. com diminuição dos teores de clorofila. 1994). geralmente a água pulverizada é recuperada e reutilizada. transformação de energia cinética em energia térmica (impacto das gotas) e a temperatura positiva a que se encontra a própria água de rega. será necessário que os microtubos de ligação dos miniaspersores à tubagem tenham comprimento suficiente para que os miniaspersores possam regar as culturas (geralmente árvores de fruto) nos períodos de formação de geada. Segue-se-lhe a miniaspersão e por último a rega gota a gota.1.4 Combate às altas temperaturas Fig. sem que haver o objectivo de humedecimento do solo. concorre para o combate à geada com a rega. é usual utilizar este tipo de combate em alguns campos relvados. 11. como se segue: 1) É usual verem-se aspersores ou miniaspersores em funcionamento por cima das estufas em dias muito quentes com o objectivo de diminuir a temperatura no interior das estufas. há culturas em que a parte aérea é queimada pelo sol.2. quanto maior for a concentração de sal na solução do solo.1.3. 11. normalmente de melhor qualidade do que nos meses quentes. Assim utiliza-se a rega por aspersão ou a miniaspersão durante essas horas com o intuito de diminuir a temperatura. A principal vantagem destes sistemas de rega no combate à geada deve-se ao facto da libertação de 80 calorias por grama de água fornecida (Raposo. Além desta vantagem.3. A pestirrega é praticamente utilizada na rega localizada em alguns países estrangeiros.3. através de suportes apropriados para que a rega seja efectuada por cima das copas. Isto significa que a cultura murcha a teores de água do solo mais elevados. 11. e assim combater os seus efeitos nocivos. A herbirrega tem interesse de utilização na rega gota a gota e na rega por aspersão.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. A rega por aspersão e miniaspersão poderá ser aplicada no combate às altas temperaturas. É necessário ainda conhecer a qualidade da água nos meses frios. em que é fixada certos pigmentos. formação de uma atmosfera nebulosa. mas é também afectado pela concentração de sal no solo. como o caso dos campos de golfe.1.1 Águas salinas Segundo Beltrão e Ben Asher (1997a). 2) No Verão. Polivalência e Economia Para que se possa utilizar mais eficientemente a miniaspersão no combate à geada.3 Combate à geada O combate á geada através de sistemas de rega sob pressão é uma prática de custo elevado na rega por aspersão em virtude de exigir instalações totalmente fixas funcionando ainda todos os aspersores simultaneamente.3. Assim dois exemplos serão apresentados. É sobretudo utilizada. aumento da humidade relativa do ar e da condutibilidade térmica do terreno.

por transpiração e evaporação. à capacidade de campo (m3 água . θfc é o teor volumétrico da água do solo. Dois casos terão que ser considerados: CASO 1 . 3 Sc .quanto maior for a água transferida da planta e do solo para a atmosfera.Sal fornecido pela toalha freática Sf .(L .Sais precipitados Qi e Q d são.Representação esquemática do sistema "solução do solo" (Beltrão. cd . ETa é a taxa da evapotranspiração real da cultura. Dr )] -1 -1 -1 CASO 2 . respectivamente.Sal removido pela água de drenagem Sl . dos quais salienta-se a: Evapotranspiração .Com lixiviação na zona radicular.A . estão em equilíbrio.(L .Iões absorvidos pela plantas 188 . (cd ) -1 (8) (3) A componente-chave do sistema dinâmico SPAC (soil-plantatmosphere continuum) é a solução do solo (Fig. o teor de água do solo ao coeficiente de emurchecimento. m-3 soil).Sal dissolvido proveniente da lavagem do solo ∆Sa . (4) sendo L = (Qi . as taxas volumétricas de água de rega e de drenagem (m3 d-1). 5). θfc) . e é afectado por um grande número de processos.Variação na quantidade de iões absorvidos ∆Ss . Dr )] .Variação na quantidade de sais solúveis Si . Polivalência e Economia Que as concentrações de sal na água de rega e na água de drenagem. é a taxa de lixiviação (kg sal d-1). é o coeficiente de fluxo da drenagem (d-1).Sem lixiviação na zona radicular. 5 .Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.Sal dos fertilizantes Sp . a eq. a eq. respectivamente ci e cd. será obtido por: θwp(Ψm + Ψ0) = θwp(Ψm) + ∆θwp(Ψ0) em que θwp(Ψm + Ψ0) é a soma do teor de água do solo ao coeficiente de emurchecimento não salino θwp(Ψm).Sal fornecido pela água de rega Sg . Vs e Dr = Qi . Vs -1 -1 (5) (6) Fig. A é a superfície de evaporação (m2). Vs é o volume de solo considerado (m ). (5) tomará a seguinte forma θwp(Ψ0)1 = {[ci . que inclui todos os inputs. O teor em água e iões varia dinamicamente na solução. -1 (7) O balanço salino do solo para as culturas regadas.Qd) A em que ci cd são as concentrações de sal na água de rega e na água de drenagem.Sal fornecido pela água das chuvas Sd . maior será a concentração de sais no solo. θfc} . 1993) e quando a fracção de lixiviação for considerada ETa = (Qi . [cd . ETa) . respectivamente (kg m-3). mais o aumento do teor de água ∆θwp(Ψ0) devido à salinidade. (5) tomará a seguinte forma θwp(Ψm + Ψ0)2 = (ci . Absorção de iões pela planta intensa absorção de minerais do solo é acompanhado pela redução da salinidade do solo. outputs e os termos de acumulação para dentro e para fora da zona radicular é dado pela seguinte equação: INPUT = OUTPUT + ACUMULAÇÃO Sr + Si + Sg + Sl + Sf = Sd + Sp + Sc + ∆Sa + ∆Ss em que (9a) (9b) L Dr Sr .

evaporação b) Actividades humanas .Resposta da alface aos efeitos combinados da salinidade da água de rega com (N1 . 4) Culturas tolerantes à salinidade .grande economia de água.produção relativa da cultura (%). 11 mostra que a tolerância (a) para N0 é menor que para N1.Acumulação no solo (causas naturais e actividades humanas) a) Causas naturais . os sais concentram-se acima deste horizonte. percentagem de decréscimo de produção por unidade de acréscimo de salinidade. e portanto menos sais dissolvidos serão adicionados. De acordo com a eq.Origem dos sais (sais locais e sais transportados) 2 . A . Resposta da alface aos efeitos combinados da salinidade da água de rega com (N1 . e cerca de 40 g de NaCl planta-1 para N1. a sensibilidade (b).15 g de NH4NO3 por planta) e sem fertilização azotada (N0)..Elevação do nível da toalha freática .sem lixiviação . por outro lado.Transporte (água e vento) a) Água . a que se chama tolerância.15 g de NH4NO3 por planta) e sem fertilização azotada (N0). (2002a).Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. MAAS & HOFFMAN (1977) encontraram entre a salinidade do solo e a produção das culturas uma relação linear. mas a contaminação será aumentada devido aos fertilizantes adicionados (Beltrão et al.salinidade do solo ou da água. 2) Uso de rega gota a gota subterrânea . a taxa de redução de produção relativa por aumento de unidade de salinidade. Por outro lado. que se pode expressar pela seguinte fórmula: Y = 100 .Volume de água de rega. expressa em condutividade eléctrica do extracto de saturação do solo ou da água (dS. Eta Em que : Qil . 1993) à salinidade (contudo a sensibilidade à salinidade também aumenta).esta técnica é muito útil para as plantas.Compactação do solo e formação de impermes . abvalor limiar de salinidade (dS. como se segue: Qil = [Cd / (Cd . b = dY / dCE As técnicas convencionais de combate e controlo do processo de salinização pode ser caracterizado por quatro gerações: 1) Problema da contaminação da zona radicular pela lixiviação do solo (que pode ocorrer em duas situações quando há um horizonte impermeável. sendo de 10 % a redução para o nível N1. e que é definida por (12) (11) (10) contaminação solo e das águas subterrâneas. devido à precipitação natural ou à lixiviação artificial. é maior para NO do que para N1. 1997).Infiltração descendente (rega e linhas de água) Infiltração ascendente (toalha freática e água do mar) b) Vento 3) . a que se chama sensibilidade. isto é. CEs .a) em que: Y. o que significa que a produção relativa (%) se mantém constante a 100 % até 20 g de NaCl planta-1 para N0. A. Salinidade acumulada (g NaCl planta-1) Fig.Área da parcela (m2) ETa . mas não resolve o problema da O processo de salinização do solo pode ser dividido nas seguintes fases (Beltrão.Evapotranspiração real da cultura (m) Partindo de dados reais. portanto. 1992): 1 . para maiores valores da tolerância. mas pode continuar a haver problemas da contaminação das águas subterrâneas.b (CE . Polivalência e Economia A necessidade de lixiviação do solo é definida pela eq. de acordo com o modelo de Maas e Hoffman (1977) e com Beltrão et al. pode haver contaminação dos aquíferos. (2002).Rega imprópria (uso de água salina mal aplicada) 189 .sem técnicas ambientalmente limpas .Ci)]. satisfazendo simultaneamente o consumo de água da cultura e as necessidades e lixiviação (m3). 6 . de acordo com o modelo de Maas e Hoffman (1977) e com Beltrão et al.m-1) a partir do qual decresce a produção. a produção relativa diminui de cerca de 5 % por cada aumento de 10 g de NaCl planta-1. 3) O aumento da fertilização aumenta a tolerância (Beltrão et al. 10.m-1). quando não existe horizonte impermeável.

Percentagens médias.5 a a b b 0 Agrostis regada Kikuyugrass regada Bermuda regada Bermuda sequeiro Relvados Fig.. A Fig. de acordo com recomendações do 2º Seminário em Reutilização de Águas Residuais no Mediterrâneo (2001): Rega de espaços verdes (parques.Restaurantes e comércios URBANAS . pomares e vinhas regados gota a gota e forragens . desvios padrão e resultados do teste Dunnett T3.Adegas e lagares AGRÍCOLAS .2. como se segue: 1) Uso de espécies que removem o sal do solo (Beltrão et al. Em relação a estes problemas.1000 cfu / 100 ml. conforme é apresentado no QUADRO n.Pecuária (chorumes) 2 1.Habitações domésticas (higiene e cozinha) . mostrando assim a capacidade de remoção de sal (ião Cl ) de diferentes cultivares de relvas.200 cfu / 100 ml.. Cuartero et al.Infiltrações subterrâneas . quando a taxa de bombeamento excede a taxa de recarga. 4) Reutilização de limite mínimo de dotação de água residual suficiente para obtenção de uma boa aparência visual dos espaços verdes (Costa et al. bermuda regada e bermuda de sequeiro (Costa. Este problema é intensificado devido à intrusão da água do mar que resulta da redução dos níveis freáticos dos aquíferos.5 11.3. mostrando assim a capacidade de remoção de sal (ião Cl-) de diferentes cultivares de relvas. Nessas condições.Transformadoras de produtos alimentares . 2001. QUADRO 3 .Ligações e descargas clandestinas . Estas águas de pior qualidade têm repercussões negativas nas produções das culturas regadas (Ben Asher et al. Polivalência e Economia Em Portugal. 7 . fazem-se algumas recomendações relativamente a concentrações de microrganismos patogénicos. 2002). de Cl .em folhas dos relvados . bermuda regada e bermuda de sequeiro (Costa. 2003)..Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.200 cfu / 100 ml. "kikuyugrass".agrostis. 1998). Podemos dividir os problemas ambientais que possam surgir em três tipos: microorganismos patogénicos (principalmente nas águas residuais urbanas).Transformadoras de petróleo . de Cl .agrostis. 2003). 7 mostra as percentagens médias.5 1 a 0. 1998) CLASSIFICAÇÃO ORIGEM .. 2) Uso de espécies tolerantes à sede.CLASSIFICAÇÃO DAS ÁGUAS RESIDUAIS DE ACORDO COM A SUA ORIGEM (Gamito. 2002). jardins.1000 cfu / 100 ml. "kikuyugrass".Hidroculturas .Cantinas INDUSTRIAIS .º 3 (Gamito. hidroponia e culturas hortícolas . a legislação portuguesa (QUADRO 4) admite a reutilização de águas residuais adequadamente tratadas para grande parte das culturas (Decreto-Lei nº 236/98). 190 Percentagem de Cl - . 3) Redução da aplicação de sal através de menores dotações de água residual. faltando-lhe todavia critérios mais específicos de qualidade microbiológica e também critérios em relação aos sistemas de rega utilizados e características dos solos a regar e salinidade.coli.Serviços .Hospitais e laboratórios . A única maneira para controlar o processo de salinização e de manter a sustentabilidade dos espaços verdes e dos campos agrícolas é combater a salinização através de técnicas limpas e ambientalmente seguras. tornando as águas subterrâneas mais salinas. culturas industriais . pomares e vinhas regados por aspersão . expressos em cfu (colony forming unit) / 100 ml de E. verificam-se maiores problemas de salinização nas zonas mais áridas (como o Alentejo e o Algarve) e costeiras. salinidade (comum a todas as águas residuais) e metais pesados (principalmente nas águas residuais industriais).Fábricas . estufas. em virtude de a água nestas regiões ser limitada. 2002). 2. desvios padrão e resultados do teste Dunnett T3.Matadouros ÁGUAS RESIDUAIS .em folhas dos relvados . campos de golfe e de outros desportos).2 Águas residuais É habitual classificar as águas residuais de acordo com a sua origem.

forragens e viveiros). usos urbanos (lavagem das ruas. pomares e vinhas.100 m Rega por miniaspersão . culturas hortícolas e outras de consumo humano. devendo a mesma ser identificada com sinais inerentes aos perigos em causa.1. usos industriais (refrigeração).2.1. jardins. Esta reutilização das águas residuais tratadas na rega será muito mais interessante nesta região. acrescido pelo elevado número existente de campos de golf e explorações hortofrutícolas. culturas industriais.2.3 m 4) Sistema de rega por gravidade . 2) Sempre que haja problemas de poluição na região. é o Algarve que possui maiores necessidades hídricas mais elevadas durante o Verão. faltando-lhe todavia critérios mais específicos de qualidade microbiológica e também critérios em relação aos sistemas de rega utilizados e características dos solos a regar e salinidade. para valores de profundidades da toalha freática superiores a 5. 1996). usos florestais (combate a incêndios.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. aonde já se nota a sua reutilização.20 m c) Identificação do local regado com águas residuais depuradas 1) Estes locais deverão estar identificados com a designação "Água não potável". Contudo destas regiões. sendo.. Verifica-se que as regiões mais a sul de Portugal (Alentejo e Algarve) são as de maiores necessidades hídricas. descargas na floresta).50 3) Calma . Em Portugal a reutilização de águas residuais tem sido quase exclusivamente efectuada na rega de espaços verdes (parques. 1976. b) Distância mínima a zonas urbanas 1) Velocidade do vento durante a rega superior a 2 m s-1 Rega por aspersão . jardim privado.sem vento durante a rega Rega por aspersão . fontes decorativas).5 m 2) Sistema de rega gota a gota enterrada ou miniaspersão . principalmente nos pomares e vinhas (rega gota a gota e miniaspersão) e nos campos de golf (rega por aspersão). sugerem-se que se verifiquem as seguintes medidas: a) Profundidade mínima da toalha freática (Beltrão et al. com crescente desenvolvimento a partir de 1987 através do programa PEDAP (Marecos do Monte. estufas. Oron & Beltrão. Através da literatura disponível.5 m Estes valores poderão ser diminuídos de 20 %. os aspectos mais importantes referiram-se na alínea 11.200 m Rega por miniaspersão . campos de golfe e de outros desportos). autoclismos).500 m (Beltrão. e à recarga de aquíferos.50 m Floresta .00 m Árvores de fruto . para texturas e teores de água do solo (potencial mátrico do solo) mais favoráveis. a legislação portuguesa (QUADRO 4) admite a reutilização de águas residuais adequadamente tratadas para grande parte das culturas (Decreto-Lei nº 236/98). no local de recepção dos efluentes. combate a incêndios. lavagem do automóvel. Contudo. 1996b): 1) Sistema de rega gota a gota superficial -1. 1993) Rega por miniaspersão 100 m 2) Velocidade do vento durante a rega inferior a 2m s-1 Rega por aspersão . nas respectivas bacias de recepção e/ou no equilíbrio ecológico do meio. d) Profundidade de rega com água residual depurada. máxima aconselhável.00 m: Espécies herbácias . 191 . deverá essa região passar a ser classificada Zona Poluída. por isso a reutilização de águas residuais já utilizada.2 m 3) Sistema de rega por aspersão . a reutilização das águas residuais tratadas poderia estender-se também a usos residenciais (sistemas de ar condicionado.2. com vista a evitar problemas de contaminação. devido ao elevado fluxo turístico que se verifica nesta época.1.00 m Como foi dito. Polivalência e Economia Para o caso de problemas de salinidade.

0 1.10 2. Polivalência e Economia QUADRO 4 . como prevenção à contaminação.2. com a aplicação das radiações ultravioletas e dos modernos filtros.5 ----0. que não é de prever a contaminação das relvas.05 0.75 0. as provenientes da drenagem de explorações agrícolas aproximam-se mais das características das águas salinas.01 5.2002). 1998). Dado o seu pobre teor em fósforo em relação aos restantes macronutrientes é usual fazer a sua correcção. principalmente. com a adopção de tratamentos terciários adequados e. É evidente que os chorumes são IMPRÓPRIOS para utilização na rega localizada. 2002 b) e para aspectos económicos (Penkova et al. que possuem agulhetas de maior diâmetro e em borracha para permitirem mais facilmente a passagem de matérias sólidas.20 ----0.0 5.20 0.0 2.9. O segundo objectivo relaciona-se com a resposta da produção e crescimento das culturas à rega com águas residuais.. juntamente com os dejectos sólidos triturados das instalações pecuárias. recorrendo a modelos de simulação. Os problemas causados pelos sistemas de rega não convencional.0 20 --------15 5. para aspectos de contaminação ambiental (Beltrão et al. Em relação às águas residuais agrícolas.05 2. 2002).Valor Máximo Admissível 192 .5 5.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.Valor Máximo Recomendável VMA .. VMR . Contudo.0 Parâmetros Símbolos Unidades Os estudos a efectuar com a rega com águas residuais têm normalmente dois objectivos: O primeiro relaciona-se com os níveis de contaminação provocada por essas águas no solo.0 0.0 4. em campos de golfe.0 6.0 0.3 Águas de drenagem As características das águas de drenagem provenientes das zonas urbanas poderão aproximar-se mais das características das águas residuais.5 .005 0.0 10.0 ----0. a componente fertilizante (Costa et al. 236/98 (1998) Qualidade das águas destinadas à rega VMR Alumínio Arsénio Bário Berílio Bicarbonatos Boro Cádmio Chumbo Cloretos Cobalto Cobre Crómio Estanho Ferro Flúor Lítio Manganésio Mercúrio Molibdénio Níquel Nitratos Nitritos Salinidade Selénio Sulfatos Vanádio Zinco pH Coliformes Fecais Ovos de parasitas Intestinais Al As Ba Be HCO3 B Cd Pb Cl Co Cu Cr Sn Fe F Li Mn Hg Mo Ni NO3 NO2 ECw Se SO4 V Zn ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm dS/m ppm ppm ppm ppm pH MPN/100ml Nº/l 5.02 575 0.05 ----1.. incluindo além da componente água (Asano.0 70 0.4 100 ----VMA 20 10 ----1.0 ----1.5 0. sendo distribuídos no solo através de aspersores especiais. respectivamente.8 10 ----0. estas últimas poderão ainda estar contaminadas por pesticidas. linhas de água receptoras e nas culturas com elas regadas para os diferentes sistemas de rega.05 20 ----10 5.30 0. o nível de concentração patogénica é de tal modo baixa.00 0.8.10 1.10 2. 11.5 . (nomeadamente os relacionados com reutilização de águas residuais) poderão ser estudados. os chorumes são utilizados. nomeadamente membranas. Inicialmente.0 ---------0.0 ----1. a rega era efectuada apenas em viveiros de relva e em zonas vedadas aos golfistas.DECRETO-LEI NR.3. A rega por aspersão com águas residuais é aplicada principalmente no Algarve.

0 26.0 10.0 18.5 17.0 22. regada por aspersão.0 3.0 22. b) velocidade do vento. (° C) 0. diagrama pluviométrico.média (sistemas de rega por gravidade .5 25. PARA ASPERSORES DE ALTO GRAU DE PULVERIZAÇÃO PERDAS MÉDIAS DE ÁGUA DURANTE A REGA (%) (15) 11.0 45 15. de acordo com Achtnich (1966).0 16.5 25 4.5 10.5 27.0 18. É de salientar a importância da pressurização a pressão constante (implicando naturalmente a integração da variação de velocidade nos motores eléctricos) garantindo a dispersão da água eficientemente com o mínimo consumo energético ou seja.0 2.0 3.0 16.0 13.0 11.0 6.0 4.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.0 12.[ ( Σ | X | ) / (m x n) ] } em que m . problemas de entupimento e qualidade dos gotejadores ou miniaspersores (sistemas de rega localizada).0 9.0 25.0 7.0 20. referência ao coeficiente de uniformidade de distribuição de água de christiansen (cuc) É frequente utilizar o coeficiente de uniformidade de distribuição de água Christiansen (CUC) como a eficiência de distribuição Ed Ed (CUC) = 100 {1 .0 9.0 5. com udómetros para a determinação da eficiência de distribuição Ed.0 21.5 8.0 193 . 1976).0 12.5 1. A eficiência Ed está relacionada principalmente: com a) características físicas do solo e declive.0 16. características de funcionamento e qualidade dos aspersores e grau de pulverização (sistemas de rega por aspersão).0 21. em função da velocidade do vento e temperatura para aspersores de alto grau de pulverização (Beltrão. 8 . Wd .0 20.5 15.0 37.0 13.0 25.5 14.água armazenada na zona radicular A eficiência Ed está relacionada principalmente: com a) características físicas do solo e declive (sistemas de rega por gravidade).5 33.5 6.0 34.0 8.0 40. 8 mostra um campo experimental de batateira.0 5.0 35.4.0 2.0 6. características de funcionamento e qualidade dos aspersores e grau de pulverização (sistemas de rega por aspersão).0 31.profundidade de rega.0 Velocidade do vento (m s-1) 1.0 31.0 27.0 4.5 9.0 21.0 30 6.5 16.0 23.0 10. b) velocidade do vento e temperatura durante a rega.5 25.0 36.5 8.5 5 1.5 15.5 9.5 5. QUADRO 5 . (13) Fig.0 12.0 40. estado de conservação das tubagens e dos grupos motor-bomba e sua eficiência.0 17. sistema de rega sob pressão . 11.0 4.0 33.2 Eficiência de distribuição (ed).Campo experimental de batateira. O QUADRO 5 apresenta as perdas de água durante a rega.0 5.0 3.dotação de rega) X .0 19.número de observações (amostras recolhidas de amostras) A Fig.0 30.5 24.0 35 8.5 14.5 40 12.5 13.0 15 3.água proveniente da fonte de abastecimento Esta eficiência Et está muito relacionada com as fugas de água.0 31. só pressiona o volume de água ajustado às necessidades hídricas das culturas (Vide Capítulo 3).0 30.0 18.0 30.5 4.0 12.0 45.5 10.5 7.0 32.4.0 7.0 6.0 21.0 0.0 7.0 10 2.PERDAS MÉDIAS DE ÁGUA DURANTE A REGA EM FUNÇÃO DA TEMPERATURA E DA VELOCIDADE DO VENTO.0 17.água aplicada durante a rega na respectiva parcela.0 4.1 Eficiência de transporte (et) Et = 100 (Wf /Wd) em que Wf . Polivalência e Economia 11. regada por aspersão onde foram recolhidas amostras dos udómetros para determinação da eficiência de distribuição.0 28.0 2.0 20.0 11.0 35. (14) Temp.4 Eficiência de rega e sua classificação 11.3 Eficiência de aplicação (ea) Ea = 100 (Ws / Wf) em que Ws .0 9. problemas de entupimento e qualidade dos gotejadores ou miniaspersores (sistemas de rega localizada).desvio à média n .5 13.0 20 3.4.5 13.

35 -0.grau de pulverização.6). 1993). diagrama pluviométrico. Ed . luzerna (0.7 . a eficiência de rega Er total que deverá ser utilizada nos cálculos da dotação real de rega é: .0.0.Evapotranspiração real da cultura.rega por aspersão . qualidade e características dos aspersores. utilizando-se geralmente para expressar as relações entre estes parâmetros o coeficiente de transpiração CT. 1993). No caso especial da rega gota a gota subterrânea toda a água aplicada será consumida praticamente apenas por transpiração (Oron e Beltrão. visto que das componentes da evapotranspiração. porque o vapor de água e o CO2 passam através dos mesmos estomas.2 .4 .0.1. Nestas condições.85 . feijão (0. Ed . definido por (Achtnich.95).6 Eficiência total de rega Segundo (Oliveira.0.50). a radiação e o compasso (Beltrão & Ben Asher. Maximiza-se a eficiência de rega .5 Eficiência de uso de água Eu = Y / ETa em que Y . subterrânea (0.90).95 .70 .MAXIMIZANDO A TRANSPIRAÇÃO E A UNIFORMIDADE DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA E MINIMIZANDO A EVAPORAÇÃO DIRECTA.características físicas do solo . Polivalência e Economia 11. beterraba (0. miniaspersão (0.0. gota a gota superficial (0. Ep (19) (18) 11.a nível da parcela de rega (Er) Er = Ea . Os principais parâmetros que condicionam a relação transpiração / evapotranspiração são o índice de área foliar IAF.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.45 . amendoeira (0.declive do solo 194 . Para o cálculo da eficiência total Er no caso da rega gota a gota. sendo neste caso T = ETa.transpiração (m3 de água).0.relação de transpiração (22) (21) (20) 11.55).30 .1. ETa .6 .5 Eficiência de rega e consumo de energia nos sistemas de rega sob pressão 11.0. qualidade e características dos gotejadores e miniaspersores A transpiração.90 .eficiência total Er específica para o caso da rega gota a gota. batata (0.1966): CT = T / MS T . Parâmetros que condicionam a eficiência de rega .0.3 .problemas de entupimento. RT .Produção.temperatura durante a rega . milho (0. Ed sendo RT = 100 (T / Wf) em que Er (T) .matéria seca produzida (kg) Valores médios de CT : cana de açúcar (0.água necessária na zona radicular (16) .3 .80). e velocidade do vento .4). ervilha (0.80). a assimilação e a produção estão associadas. (17) 11.9). gota a gota subterrânea (0.4.0.0).1997b.. a eficiência total Er(T) seria dada pela expressão: Er(T) = RT . MS . Assim este tipo de eficiência deverá ser apenas aplicado no caso da rega gota a gota superficial e subterrânea.5).00).4.5).4 Eficiência de armazenamento Es = 100 (Ws / Wn) em que Wn .1 Valores médios e técnicas de maximização da eficiência de rega Os valores médios geralmente atribuídos à eficiência de rega Er a nível da parcela de rega são: gravidade (0.0.4. aspersão (0. Beltrão et al. Keller e Karmeli (1975) consideram apenas a transpiração T e não a evapotranspiração real da cultura ETa.0. trigo (0. 1997).rega localizada .5.50).a nível do perímetro de rega (ERp) Erp = Ea .85).40 . a evaporação directa não estar associada à produção. ao contrário do que se verifica com a transpiração.

Quanto às culturas em estufa: .Semi-fixas . sem incluir a eficiência e rega e a percentagem de solo humedecido). . estufas 92 92 95 20 20 20 7 7 7 40 35 35 1.4-6.3 1.Potência dos grupos motor-bomba. eléctricos (kW) ou térmicos (HP) . e 70 a 90 % nas culturas hortícolas e ornamentais em estufa.8 4500-6800 4900-7300 80 80 85 10 12 18 5. está compreendida entre 30 e 50 % nos pomares.6 1.0 2. 3 . Polivalência e Economia 11. isto é.5-2.Consumos dos grupos motor-bomba (kWh ou L de gasóleo) Os valores destes elementos foram obtidos a partir das condições seguintes (QUADROS 6 e 7): 1 . Pomares Hort.ocupação ao longo do ano na ordem de 80 %.5. de acordo com o conceito de Keller e Karmeli (1975).5 5. . REGA LOCALIZADA Miniaspersão Gota a gota sup.1-1. .duração útil diária de rega (h d ).9 5.2 Elementos e parâmetros de rega a utilizar no cálculo do consumo de energia Os elementos necessários a utilizar no cálculo do consumo de energia nas instalações de rega sob pressão em Portugal. e 50 a 70 % nas culturas hortícolas ao ar livre. por hectare regado. ar livre Hort.ELEMENTOS E PARÂMETROS DE REGA A UTILIZAR NO CÁLCULO DO CONSUMO DE ENERGIA DAS INSTALAÇÕES DE REGA SOB PRESSÃO DURAÇÃO ÚTIL DAS REGAS Por dia (h) Por semana (d) NECESSIDADES HÍDRICAS débito de ponta (m3 h-1) volume anual (m3) TIPO DE INSTALAÇÃO EFICIÊNCIA DE REGA Er (%) ALTURA MANOMÉTRICA TOTAL (m) REGA POR ASPERSÃO Estacionárias .Volume anual de rega (m ) .diminuição da evapotranspiração da ordem dos 30 % QUADRO 6 .As dotações de rega diárias de ponta estão compreendidas entre 4 e 6 mm d-1 (40 a 60 m3 ha-1) e os volumes anuais de rega entre 3400 e 5100 m3 ha-1 (valores úteis teóricos.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.A percentagem de solo humedecido.7 1900-2800 85 70 20 16 7 5. 4 .5-6.número de dias úteis por semana.6-3.7-4.9 4300-6400 4300-6400 4000-6000 195 .Fixas Semoventes .3-8.5 7 60 60 60 6. e incluem os seguintes factores: .Canhões autom. seguem os conceitos adoptados por Raposo & Beltrão (1982).Móveis .altura manométrica total (m).Valores médios dos seguintes parâmetros de rega: .6 1800-2800 2600-2900 1700-2000 90 20 7 40 1. 2 .não aproveitamento das águas pluviais. e são apresentados nos QUADROS 6 e 7. no que respeita à rega localizada.rendimento total dos grupos motor-bomba (%).0-1.caudal de ponta ( m3 h ) .0 4. orn. .5 80 100 2.eficiência de rega (%). .Sistemas pivot .1-2. -1 3 -1 .

Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência, Polivalência e Economia

11.5.3 Consumo anual de energia para instalações de rega sob pressão
Os valores médios do consumo de energia nas instalações de rega sob pressão em Portugal, por hectare regado, são apresentados no QUADRO 7.

QUADRO 7 - CONSUMO ANUAL DE ENERGIA PARA INSTALAÇÕES DE REGA SOB PRESSÃO
MOTOR ELÉCTRICO (µt = 75 %)* TIPO DE INSTALAÇÃO POTÊNCIA (kW) REGA POR ASPERSÃO Estacionárias - Móveis - Semi-fixas - Fixas Semoventes - Sistemas pivot - Canhões autom. REGA LOCALIZADA Miniaspersão Gota a gota sup. Pomares Hort. ar livre Hort. orn. estufas 0,16 - 0,24 0,19 - 0,29 0,13 - 0,20 280 - 420 350 - 520 240 - 360 0,27 - 0,40 0,33 - 0,49 0,22 - 0,34 110 - 160 140 - 200 90 - 140 0,17 - 0,25 290 - 430 0,28 - 0,41 120 - 170 0,6 - 0,9 1,7 - 2,5 1400 - 2100 2000 - 2800 1,3 - 2,0 2,8 - 4,2 540 - 810 720 - 1100 1,4 - 2,1 1,2 - 1,8 0,9 - 1,4 950 - 1500 950 - 1500 950 - 1400 2,3 - 3,5 2,0 - 3,0 1,0 - 1,5 380 - 570 380 - 570 380 - 560 CONSUMO ANUAL (kWh) POTÊNCIA (HP) CONSUMO ANUAL (L gasóleo) MOTOR DIESEL (µt = 60 %)*

* Rendimento total do grupo motor-bomba

Os valores dos elementos apresentados nos QUADROS 6 e 7 deverão ser utilizados com alguma reserva, uma vez que representam valores médios para condições médias. Os valores apresentados mostram uma grande diversidade de valores entre os vários sistemas de rega, tipos de instalação e modalidades respectivas de funcionamento. Mostram-se, principalmente, diferenças entre a rega por aspersão (e o que se verifica entre as instalações estacionárias e semoventes) e a rega localizada, nomeadamente no que diz respeito às potências dos grupos motor-bomba e ao consumo anual de energia (eléctrica ou térmica). Há ainda duas grandes vantagens que contribuem para diminuir o consumo de energia, a saber - a) o aumento do nível de automatização, quer para os sistemas de rega por gravidade (Serralheiro, 1986), quer para os sistemas de rega

sob pressão (Raposo, 1996a) que, além de contribuir para a diminuição da mão de obra, permite um controlo da rega muito maior, conseguindo-se obter consumos mais baixos; b) o aumento do rendimento do grupo motor-bomba e a pressurização a pressão constante, garantindo o bombeamento da água o mínimo consumo de energia. Nos QUADROS 8 e 9 apresentam-se valores representativos do custo do m3 de água em zonas áridas de Portugal (Algarve) e de Espanha (Baleares), de acordo com estudos efectuados, respectivamente por Raposo e Beltrão (1982) e Costa (2003) para o Algarve e Brissaud (2003) para as Ilhas Baleares. Nestes valores foram incluídos os custos dos materiais dos sistemas de rega sob pressão e os problemas económicos a que estão associados, como os prazos de amortização, longevidade e manutenção das instalações (Beltrão, 1986).

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Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência, Polivalência e Economia

QUADRO 8 - CUSTO MÉDIO DA ÁGUA DE REGA NO ALGARVE, EM FUNÇÃO DA SUA ORIGEM (EURO/m3)
ORIGEM DA ÁGUA Subterrâneas Part. Superficiais Rede superficiais Residuais tratadas* Na parcela Energia aplicada Instalação TOTAL 0,04 --0.06 --0,05 0,05 0,01 0,05 0,15 0,15 0,15 0,15 24 20 22 20

1) eficiência de rega, incluindo a das utilizações polivalentes; 2) nível de automatização; 3) controlo da rega; 4) descontaminação ambiental (recursos hídricos não convencionais); 5) rendimento dos grupos motor-bomba;

*Sem tratamento adicional efectuado pelo agricultor.

QUADRO 9 - CUSTO MÉDIO DA ÁGUA DE REGA NAS I. BALEARES (Brissaud, 2003), EM FUNÇÃO DA SUA ORIGEM (EURO / m3).
ORIGEM DA ÁGUA Subterrâneas Part. Superficiais Rede superficiais Residuais tratadas Residuais tratadas c/ tratamento adicionais Total 0.27 0,23 0,25 0,12 0,12- -0,23

6) pressurização a pressão constante; 7) manutenção das instalações.

11.6 Conclusões
Como notas finais deste capítulo podemos salientar a importância da eficiência de rega no que respeita quer ao consumo de energia, quer aos custos do material dos respectivos sistemas de rega. Por outro lado, salienta-se a polivalência das instalações de rega sob pressão, através de outras aplicações adicionais à rega por humedecimento. A utilização das águas de fontes não convencionais deverá ser maior nas regiões mais áridas para suprir a falta de água potável e para aumentar a fertilidade do solo; contudo, tal prática deve ser efectuada com o maior cuidado dados os riscos ambientais e de saúde que envolve; para manter a sustentabilidade dos espaços verdes e dos campos agrícolas, o seu controlo deverá ser efectuado através de técnicas limpas e ambientalmente seguras. Em relação ao desenvolvimento dos regadios em Portugal, verifica-se que os sistemas de rega sob pressão começaram a substituir nos anos sessenta, através da rega por aspersão, os sistemas de gravidade convencionais; a partir dos anos oitenta, a rega gota a gota superficial e a miniaspersão começaram a desenvolver-se em culturas em linhas (hortofruticultura), tendo já surgido nestes últimos anos sistemas de rega gota a gota subterrânea, com evidente economia de água. Os custos elevados do consumo de energia e dos materiais dos sistemas de rega sob pressão e os problemas económicos e ambientais a que estão associados, levará no futuro a que os sistemas de rega sob pressão sejam melhor concebidos e projectados, além de uma manutenção feita em boas condições. Concorre para isso a maximização dos seguintes parâmetros e actividades:

197

Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência, Polivalência e Economia

11.7 Referências bibliográficas
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200 .

S.A.A. APLICAÇÃO DE SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO EM PROCESSOS INDUSTRIAIS Autores: Pedro Farinha Responsável de Área de Engenharia da Hovione FarmaCiência. S. 201 .Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12. Luís Olival Gestor de Projectos de Engenharia da Hovione FarmaCiência.

202 .

iniciando contratos de desenvolvimento de processos e fabricação de novos produtos para terceiros. nas quais emprega mais profissionais do que na produção. 14. que são agentes anti-infecciosos usados na preparação de cápsulas e comprimidos. 6% em projectos ambientais. ambas são certificadas ISO9000. As duas fábricas da Hovione são inspeccionadas e aprovadas pela Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos. Investiga e produz com alta tecnologia e qualidade. Exemplo do compromisso que assumiu com as questões ambientais é o facto de ter subscrito o Responsible Care Program e utilizar tecnologias GreenCycleTM. e um Centro de Transferência de Tecnologia em New Jersey.1 milhões de Euros. desde 1990.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais A Hovione Hovione é uma empresa portuguesa dedicada à química farmacêutica. e que lhe valeu. incluindo anti-virais e terapias anti-SIDA. que permitem a visualização das veias. Outra área que tem merecido grande dedicação por parte da Hovione é a que diz respeito à protecção ambiental. Japão. utilizados como anti-inflamatórios e anti-alérgicos na preparação de pomadas e aerossóis. usados na preparação de injectáveis. Estes produtos . investigador químico. trabalham na Hovione. substâncias activas farmacêuticas. os corticosteróides. de dez nacionalidades diferentes e com idade média de 37 anos. anti-parasíticos e produtos utilizados em terapias oncológicas. 1 . Durante a década de 90. atribuído pela Comissão Europeia e pelo Programa Ambiental das Nações Unidas. dos quais se destacam três grandes linhas de produtos: os antibióticos do grupo das tetraciclinas. os agentes de diagnóstico radiológico. A Hovione já desenvolveu mais de 100 processos de síntese química próprios e detém um número elevado de patentes a nível mundial. sendo de destacar a aposta feita na área da qualidade e da pesquisa. um negócio que neste momento representa 40% do seu volume de vendas. o Grupo Hovione investe cerca de 8% do seu volume de vendas em investigação e desenvolvimento. União Europeia e Austrália – constituem a base activa dos medicamentos formulados por laboratórios farmacêuticos. o prémio de “Melhor Meio Ambiente na Indústria”. a empresa desenvolveu a segunda vertente do negócio. Fundada em 1959 por Ivan Villax. em Loures e em Macau. nos EUA. Com uma facturação anual de aproximadamente 68 milhões de Euros. 5% em qualidade e 1% em formação. apresentando duas vertentes de negócio: os produtos genéricos e o “outsourcing” (produção em exclusivo para terceiros).Grupo Hovione A principal actividade da Hovione consiste na investigação e desenvolvimento de processos de síntese e na produção de substâncias activas farmacêuticas. a Hovione desenvolve a sua actividade através de processos de síntese próprios. Cerca de 660 profissionais. a Hovione tem duas unidades fabris. 203 . clientes da empresa. na qual investiu.exportados para mercados tão exigentes quanto os dos Estados Unidos. Fig. Na área dos produtos genéricos. em 1992. artérias e órgãos nos exames radiográficos.

204 .

12. • produtos resultantes da corrosão. ou ainda sistemas de distribuição e circulação de fluidos. para todos os equipamentos que contactem directamente com o produto. Materiais de construção devem ser seleccionados de modo a minimizar a corrosão química dos componentes metálicos. É referido com BAT a utilização de empanques mecânicos simples ou duplos. que vão desde a simples trasfega de solventes ou misturas reaccionais. ou seja têm que ser construídos e instalados em conformidade com a Directiva ATEX 94/9/CE. e em caso de bombeamento de líquidos com elevado grau de perigosidade ou toxicidade devem ser utilizados empanques magnéticos. provenientes desses equipamentos. As bombas centrífugas Grundfos são utilizadas em diferentes operações do processo de fabricação de Princípios Activos. às chumaceiras e às juntas. juntas. etc. • elastómeros (empanques. de forma a evitar perdas para o exterior. que possam afectar a qualidade do produto. É assim exigido ao fornecedor de equipamentos de processo suporte documental (quando aplicável) para: lista e certificado de materiais. Facilidade de desmontagem e montagem com reduzido número de peças são factores também a considerar na escolha de uma bomba. têm a obrigação legal de serem determinadas e manifestadas oficialmente.1 Qualidade O fabrico de produtos farmacêuticos de base é regido por uma elevada exigência de qualidade. As zonas de fricção devem ser devidamente acauteladas de modo a minimizar o risco de libertação de partículas resultantes da erosão ou desintegração para o processo.2. sendo necessário um levantamento de todos os factores de risco que possam afectar a especificação do produto. através de soluções BAT (Best Available Techniques). Essas emissões devem ser minimizadas nas fontes. por síntese química. os contaminantes externos podem surgir de: • lubrificantes ou fluidos de selagem usados nos equipamentos de processo. é referido no documento do IPPC a particular atenção que deve ser prestada à selagem. uma vez que tem que ser garantida a vedação permanente entre os elementos rotativos e estáticos. 205 .Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12. No caso das bombas centrífugas de processo. No caso das bombas deve ser dada atenção aos empanques mecânicos. os equipamentos utilizados têm que estar preparados para funcionar em ambientes com potencial perigo de explosão. em vigor desde 30 de Junho de 2003. Assim. e quando se verifique uma explosão o equipamento deverá ter meios que permitam interromper imediatamente a deflagração e/ou limitar os seus efeitos. Esta certificação é resultante de uma avaliação dos riscos envolvidos.2 Segurança Uma vez que no fabrico de produtos farmacêuticos de base são utilizadas. As emissões de COV's (Compostos Orgânicos Voláteis) localizadas e difusas. podem degradar-se por acção química e/ou térmica. substâncias inflamáveis. lista de lubrificantes. 12. baseiam-se no elevado grau de exigência em termos de Qualidade. abordadas no documento de referência do IPPC. os lubrificantes deverão ser de qualidade alimentar. tenha superfícies não rugosas e isentas de fissuras. abrangendo também as indústrias de síntese química. desenhos de construção mecânicos/eléctricos/ /funcionais. É requisito imprescindível a marcação CE de conformidade juntamente com toda a documentação definida na Directiva 94/9/CE. desde a certificação dos componentes eléctricos como anti-deflagrantes para a classe de temperatura a que possam estar sujeitos. Em relação a equipamento de bombeamento centrífugo. • resíduos de aplicações anteriores. 12. A manutenção preventiva deverá recorrer a inspecções periódicas visuais de todas as zonas críticas.2 Critérios de selecção de equipamento de processo Os critérios de selecção de equipamento para ser utilizado no fabrico de produtos farmacêuticos de base.2. garantias e certificações. nomeadamente metais pesados. aos impulsores. • erosão mecânica. Segurança. relatórios dos testes em fábrica. em grande quantidade. Ambiente e Saúde Ocupacional. é necessário fazer uma evidência documental do controle dos possíveis contaminantes externos. manuais de operação/manutenção c/ recomendação de peças de reservas.2.1 Introdução O equipamento utilizado na produção de Princípios Activos para a Indústria Farmacêutica.) não adequados ao processo. até sistemas sofisticados de filtração por Osmose Inversa. Quando admissíveis. bem como certificação que ateste a adequabilidade da solução ao processo e local onde se insere. requer um elevado grau de exigência em termos de Qualidade.3 Ambiente A directiva Europeia IPPC (Integrated Pollution Prevention and Control) tem como objectivo a prevenção integrada e o controlo da poluição resultante da produção industrial. Ambiente e Saúde Ocupacional. Esta directiva cobre os requisitos técnicos a serem considerados. Segurança. 12. O desenho dos equipamentos deve ser tal que minimize as zonas mortas. de forma a projectar o equipamento e a sua instalação de modo a evitar a formação de atmosferas explosivas e fontes de ignição.

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12.2.4 Saúde ocupacional
De acordo com a Directiva 2003/10/CE de 6 de Fevereiro de 2003, relativa à prescrição mínima de segurança e de saúde em matéria de exposição dos trabalhadores aos riscos devidos aos agentes físicos (ruído), a selecção do equipamento adequado fica condicionada ao ruído máximo admissível para ocupação em permanência, tendo em conta o trabalho a efectuar. Assim o equipamento deverá produzir o mínimo de ruído, tendo em conta o progresso técnico e a disponibilidade de medidas de controlo dos riscos na fonte. O manuseamento dos intervenientes em síntese química devem ser adequados ao seu grau de perigosidade para a saúde humana. Deve-se analisar qual a concentração máxima admissível para cada contaminante na atmosfera da zona de trabalho e adequar o equipamento que garanta a contenção abaixo dos limites de exposição admissíveis OEL - Occupational Exposure Limits.

Fig. 2 - Osmose inversa de purificação de água

12.3 Exemplos de aplicação industrial
As bombas centrífugas Grundfos são utilizadas em diferentes operações do processo de fabricação de Princípios Activos, que vão desde a simples trasfega de solventes ou misturas reaccionais entre equipamentos, até sistemas sofisticados de filtração por Osmose Inversa, ou ainda sistemas de distriuição de fluidos térmicos que garantam uma optimização das condições operatórias. Adiante faz-se uma descrição pormenorizada destas duas últimas aplicações.

Outra aplicação de Osmose Inversa na Hovione, consiste em concentrar 20m3/h de uma solução de Princípio Activo, desde uma concentração de 60g/lit até uma concentração de 150g/lit. Retido 8 m3/h Alimentação 149 g/ lit. 20 m3/h Osmose Inversa 60 g/ lit. Membrana Permeado 12 m3/h 0.5 g/ lit.
Fig. 3 - Osmose Inversa - Diagrama de processo

As condições operatórias necessárias são: Numero de módulos em paralelo = 2 (Para aumentar a flexibilidade) Caudal de cada módulo = 10 m3/h Pressão de permuta = 40bar Bombas seleccionas por módulo = 2 x CRN16-160 em série. Nas figuras seguintes apresenta-se o diagrama da instalação e uma fotografia do sistema.

12.3.1 Filtração por Osmose Inversa
A filtração por Osmose Inversa é a filtração mais fina tecnicamente possível e consiste em reter partículas com dimensão um milhão de vezes inferior a 1 mm, numa membrana porosa geralmente feita em celulose. A Osmose Inversa é utilizada industrialmente para purificar água ou outros solventes, retirando as moléculas indesejáveis, ou concentrar soluções de produtos valiosos. O princípio de funcionamento da Osmose Inversa consiste em fazer passar através da membrana, o fluido que se pretende isento de moléculas grandes, chamado permeado. Para que se dê uma separação efectiva é necessário alimentar o fluido em condições de pressão e caudal adequados e consistentes. O fluido que não atravessa a membrana é chamado retido, por ser aquele que retém as moléculas grandes. A Hovione tem uma instalação de purificação de água com um caudal de 10m3/h para produzir água com uma condutividade de 0.3µS.cm-1 a partir de água de qualidade potável com 3000µS.cm-1.

Retido Permeado

Alimentação

Fig. 4 - Osmose Inversa - Diagrama de tubagem e instrumentação

206

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Fig. 5 - Osmose inversa de concentração

Fig. 6 - Equipamento de síntese química

12.3.2 Circuitos térmicos
Para obter o Princípio Activo em quantidade e qualidade aceitáveis é necessário que as condições operatórias sejam optimizadas e reprodutíveis, sendo a temperatura do meio reaccional um dos parâmetros críticos da síntese química. Esta temperatura é controlada pela circulação de um fluido térmico através do equipamento, com um determinado caudal e a uma temperatura tal, que por contacto indirecto, promova a transferência térmica. A circulação faz-se através de dois sistemas interligados que são: • Circulação de fluido térmico através do equipamento a uma temperatura variável e a um caudal constante; • Produção e Distribuição do fluido térmico nas diferentes temperaturas constantes e a um caudal variável;

M ⋅ Cp  K − 1   Tin − T 1  ln   = q. ⋅ ρ ⋅ cp ⋅  K  ⋅ t  Tin − T 2   
Em que:

(1)

 U⋅A  K = exp    q ⋅ ρ ⋅ cp 
As variáveis das Equações 1 e 2 são:

(2)

Tin é a temperatura de entrada do fluido de circulação (°C); T1 é a temperatura inicial da mistura reaccional (°C); T2 é a temperatura da mistura reaccional ao fim do tempo t; M é a massa de mistura reaccional que se pretende aquecer ou arrefecer (kg); Cp é a capacidade calorifica média da mistura reaccional, no intervalo de temperaturas considerado (kcal / kg.°C);

12.3.2.1 Circulação de fluido térmico
12.3.2.1.1 Caudal A circulação do fluido térmico através do equipamento é feita através de uma bomba centrífuga que é dimensionada pelo caudal constante, cujo valor depende da capacidade térmica do equipamento e pela altura manométrica necessária para a sua circulação. O caudal de circulação do fluido térmico pode ser obtido iterativamente pela Equação 1, que determina a temperatura da mistura reaccional T2 ao fim do tempo t:

q é o caudal volumétrico do fluido térmico de circulação (m3/h);

q ⋅ ρ ⋅é a massa específica do fluido térmico (kg/m3) à temperatura da operação. cp é a capacidade calorífica média do fluido térmico, no intervalo de temperatura considerado (kcal / kg.°C). U é o coeficiente global de transferência de calor (kcal/ /h.m2.°C), que depende da condutividade térmica de todos os materiais envolvidos na transferência térmica e da turbulência do seu movimento. O valor de U pode ser estimado teoricamente ou determinado experimentalmente;

207

Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais

A é a área total (m2) através da qual se dá a transferência térmica, e depende da geometria do equipamento e da quantidade de mistura reaccional;
M (kg)

QUADRO I - PARÂMETROS
Aquecimento 4000 1.01 300 10 925 0.43 977 0.38 0.99 280 Arrefecimento

No ponto 12.3.2.1.2 é dado um exemplo ilustrativo da aplicação das expressões 1 e 2, para determinação do caudal da bomba de circulação, em condições de aquecimento e arrefecimento.

Cp (kcal / kg.°C) U (kcal / h.m2.°C) A (m2)
r

(kg / m3)

cp (kcal / kg.°C)
100 90 80
Temperatura (ºC)

70 60 50 40 30 20 10
5m3/h 10m3/h 15m3/h 20m3/h

Fig. 7 - Diagrama do Circuito Térmico

12.3.2.1.2 Exemplo de aplicação Selecção de uma bomba para um circuito térmico de um reactor de 4000lit. de capacidade, no qual se pretendem as seguintes condições operatórias: a) Aquecimento da mistura reaccional desde uma temperatura inicial T1=25°C até uma temperatura final de T2=100°C, com um fluido térmico a uma temperatura de entrada de Tin=120°C; b) Arrefecimento da mistura reaccional desde uma temperatura inicial T1 = 25°C até uma temperatura final de T2=0°C, com o mesmo fluido térmico a uma temperatura de entrada de Tin=-15°C. Considerar para perda de carga total do circuito o valor de 20m.c.a. Utilizando as Equações 1 e 2, de uma forma iterativa, e os parâmetros do sistema apresentados no Quadro I, obtém-se o gráfico de variação da temperatura da mistura reaccional no tempo, para diferentes caudais de circulação.

0 0.0 0.3 0.7 1.0 1.3 1.7 2.0 2.3 2.7 3.0 3.3 3.7 4.0 Tempo (h)

Fig. 8 - Gráfico da temperatura da mistura reaccional para diferentes caudais de circulação

Analisando o gráfico da fig. 8, verifica-se que deixa de haver uma diminuição significativa do tempo total de aquecimento e de arrefecimento quando se aumenta o caudal de circulação de 15m3/h para 20m3/h. Considerando o valor de caudal de 15m3/h e uma altura manométrica de 20m.c.a, uma bomba adequada para a circulação de fluido térmico através da camisa de um reactor de 4000lit. de capacidade seria uma CR16-30.

12.3.2.2 Sistema de distribuição de fluido térmico
12.3.2.2.1 Temperaturas O sistema geral de distribuição de fluido térmico é constituído pelos subsistemas independentes de produção, armazenagem e distribuição do fluido térmico a diferentes temperaturas.

208

Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais

Para realizar aquecimentos é necessário dispor de um fluido térmico a uma temperatura elevada, cujo valor depende da temperatura máxima exigível para o processo, nunca podendo ser superior à temperatura admissível para o equipamento. Geralmente a temperatura máxima utilizada nos processos de produção de Princípios Activos situa-se entre 120°C e 150°C. A produção do fluido nesta gama de temperaturas pode ser realizada por circulação através de permutadores de calor alimentados com vapor ou através de resistências eléctricas.

O factor de simultaneidade tem em conta que não é expectável que todos os equipamentos de uma instalação estejam a trabalhar na sua capacidade térmica máxima em simultâneo. Este factor pode ser obtido por estimativa baseada no grau de utilização dos equipamentos, ou utilizando equações estatísticas, como é o exemplo da equação 3.

f =

1 n −1

(3)

em que n é o número total de equipamentos.
HTFR

HTF

A utilização de modelos matemáticos requer uma análise cuidada do valor obtido, baseada na experiência de instalações similares e no bom senso. 12.3.2.2.3 Caudal A determinação do caudal necessário para um sistema de distribuição de fluido térmico é feita de forma idêntica à determinação da capacidade energética, descrita no ponto anterior, tendo em consideração o somatório de todos os caudais necessários de todos os equipamentos alimentados pelo circuito, e aplicando o factor de simultaneidade. Para obviar a variação das necessidades energéticas é conveniente que a distribuição de fluido térmico se faça a caudal variável, o que se consegue através da variação de velocidade das bombas de distribuição, em função da número de consumidores em funcionamento.

Fig. 9 - Diagrama do Circuito de Distribuição

Para efectuar o arrefecimento é necessário dispor de fluido térmico a uma temperatura reduzida, cujo valor depende da temperatura mínima exigida pelo processo e que não poderá ser inferior à temperatura mínima admissível para o equipamento. Geralmente a temperatura mínima utilizada nos processos de produção de Princípios Activos situa-se entre os -30°C e os -15°C, em casos especiais poderá haver necessidade de uma temperatura criogénica, na ordem dos -100°C. A produção do fluido térmico a -30°C faz-se normalmente por circulação através de uma máquina frigorifica, ou de um permutador. Geralmente para os sistemas térmicos de unidades de produção de Princípios Activos justifica-se economicamente a existência de um circuito térmico a uma temperatura intermédia. Este fluido tem como principal função efectuar o primeiro arrefecimento ou aquecimento, quando o equipamento está a temperaturas extremas. A escolha da temperatura mais adequada depende da utilização preferencial e do balanço económico e poderá ser cerca de 25°C, que se obtém fazendo circular o fluido por um permutador por onde circule água arrefecida em torres de refrigeração, ou cerca de +5°C a +10°C para o qual é necessário ter uma máquina frigorífica.

Fig. 10 - Sistema de distribuição

12.3.2.2.2 Capacidade energética A capacidade energética de um sistema de distribuição de fluidos térmicos depende do número e capacidade dos equipamentos que vão ser alimentados e também do factor de simultaneidade da instalação.

O ajuste do valor da velocidade é feito de forma a manter constante a pressão do circuito de alimentação. Assim, quando um consumidor entra em funcionamento a pressão do circuito de alimentação tende a baixar, o controlador fará aumentar a velocidade da bomba, para que a pressão se mantenha no valor de set-point seleccionado. Quando um consumidor deixa de estar em funcionamento o controlador reage de forma inversa. Com este sistema garante-se a alimentação uniforme aos equipamentos, em todas as condições de utilização da instalação.

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sendo ainda garantido 50% do caudal máximo em caso de avaria de uma bomba.000 500.000 Capacidade Térmica (kcal/h) 300. são indicadas as necessidades energéticas e o caudal de distribuição necessário para o fluido térmico a cada temperatura. 1a4 5a8 S O gráfico da figura 11 mostra a variação da potência absorvida em função do caudal. 11 .CAPACIDADES Equip. por ter menor custo. que estará em funcionamento sempre que o reactor esteja a uma temperatura superior à ambiente. H = 40M. igual consumo energético. Assim deverão considerar-se cinco equipamentos em utilização simultânea.C. Para selecção dos sistemas de bombeamento do fluido térmico às diferentes temperaturas. para as três opções consideradas.2.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12. Verifica-se que não há variação significativa da potência absorvida. menor número de equipamentos.200.5 Custo Total (Euros) 7.3. tal como mostra o Quadro IV: QUADRO IV .000 10.000 Caudal de circulação (m3/h) 120 Fig.2. QUADRO III .4 Exemplo de Aplicação Seleccionar os sistemas de bombeamento dos circuitos de distribuição de fluido térmico de Aquecimento e Arrefecimento.Gráfico da potência absorvida para as opções de bombeamento Pode concluir-se que a Opção I é a mais favorável. conclui-se que poderão estar quatro em funcionamento simultâneo.000 22 8.) 4.000. ambos do mesmo modelo.SISTEMA DE BOMBEAMENTO CAUDAL TOTAL = 120M3/H. No Quadro III.A. QUADRO II . é possível considerar três opções diferentes.600 22. Opção Quantidade de Bombas 2 Caudal (m3/h) 60 60 40 II 3 40 40 30 III 3 30 60 Tipo CR64-2 CR64-2 CR45-2 CR45-2 CR45-2 CR32-3 CR32-3 CR64-2 8. Para o sistema de arrefecimento há a considerar que todos os reactores têm sistemas de condensação de Compostos Orgânicos Voláteis (COVs).000 3. 20 18 Potência (kW) Capacidade (lit.000 Caudal de circulação (m3/h) 15 30 180 16 14 12 10 8 6 4 2 0 0 15 30 45 60 75 90 105 120 Caudal (m 3/h) Opção I Opção II Opção III Aplicando a Equação 3 para oito reactores. tendo em consideração o número máximo de equipamentos em funcionamento simultâneo na capacidade máxima. para uma instalação composta por oito reactores com as capacidades indicadas no Quadro II.250 Potência Instalada (kW) 22 I 210 .000 56.CIRCUITO DE DISTRIBUIÇÃO Capacidade Térmica (kcal/h) Fluido Térmico 2.

First Edition ISPE. McGraw-Hill. Ismail and Aksahin.4 Referências bibliográficas Grundfos.Bulk Pharmaceutical Chemicals. Integrated Pollution Prevention and Control (IPPC) Reference Document on Best Available Technics in LVOC Industries .Directiva 94/9/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 23 de Março de 1994. Novembro 1993.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12. D.y Jornal Oficial das Comunidades Europeias . 211 .February 2003. Versão 7. New York. Tosun. WinCAPS. Predict Heating and Cooling Times Accurately. Ilhan. Jornal Oficial das Comunidades Europeias . Guides for New Facilities ..Directiva 2003/10/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 06 de Fevereiro de 2003. Volume1. Chemical Engineering.44 / 2003. June 1996.Q. 1965. Kern. Process Heat Transfer.

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