GRUNDFOS SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO

Manual de Engenharia

Biblioteca Nacional - Catalogação na Publicação Manual de Engenharia Sistemas de Pressurização ISBN: 972 - 99554 - 0 - 9

Depósito Legal n.º 223570/05

Copyright © 2005 - Bombas Grundfos Portugal / Margarida Ruas / Raul Vital / Paulo Ramísio / Eduardo Nunes / Carlos Medeiros / Ana Amélia Santos / José Beltrão / Pedro Farinha / Luís Olival

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Impresso em papel ecológico, isento de cloro por: Expresso Gráfico - Lisboa
BGP - 03/2005

PREFÁCIO
Actualmente, as sociedades desenvolvidas, na sequência da melhoria da qualidade de vida, têm como expectativa não apenas o acesso fácil ao recurso água mas também elevados padrões de qualidade no seu abastecimento. Esta exigência arrasta consigo a garantia do fornecimento contínuo, a sua qualidade intrínseca e as características adequadas ao seu uso, inerentes à quantidade e à pressão. Estes critérios de qualidade a que todos nós, de forma crescente, nos fomos habituando, são aplicáveis, principalmente, ao consumo humano, mas são também extensíveis aos sectores económicos da sociedade, cujo desenvolvimento está na dependência da água. Para atingir os desejados padrões de qualidade é fundamental o cumprimento da legislação vigente e a aplicação das tecnologias mais avançadas, factores que se revelam da maior importância para a optimização dos custos de exploração, dos quais o consumo energético é um factor determinante, se tomarmos em conta que aproximadamente 20% do consumo mundial de energia eléctrica se destina a grupos electrobomba. O reconhecimento de que uma das componentes do custo da água reside na sua movimentação, desde a captação à sua utilização, implica que a selecção dos sistemas de pressurização deverão ser cada vez mais eficientes e económicos. A responsabilidade social e o desenvolvimento sustentado que a Grundfos assume nos seus valores, sensibiliza-a para a importância da reflexão e do diálogo sobre o tema da água como bem fundamental e escasso. Foi com este espírito presente que o Manual de Engenharia sobre o tema "Sistemas de Pressurização" foi abraçado por um conjunto de docentes universitários e especialistas, em vários sectores da utilização da água, tendo como objectivo a optimização da eficiência e da fiabilidade da movimentação da água. O conteúdo deste Manual foi estruturado com informação técnica actualizada, desde a legislação às soluções tecnologicamente mais avançadas, complementado com ferramentas e técnicas para a melhoria do Custo do Ciclo de Vida dos sistemas públicos, prediais, industriais e na rega. O conceito de variação de velocidade utilizado nos sistemas hidráulicos, é adaptado em concepções diversificadas, em função das características das aplicações, como processo para optimização do consumo energético. É aqui inserido um documento de referência, que descreve a evolução histórica do abastecimento de água à cidade de Lisboa e regiões limítrofes, desde a ocupação Romana à actualidade, relatando os acontecimentos históricos que foram influenciados por essa evolução. É referida a importância da água para o consumo humano, para a rega e para a higiene pública. É ainda abordada a problemática do seu tratamento e as suas propriedades terapêuticas para a cura de diversas doenças. Evoca ainda a importância da água no desenvolvimento da cidade de Lisboa, assim como transmite os detalhes da evolução tecnológica nos meios utilizados para o abastecimento da água, desde as nascentes aos consumidores públicos e industriais, até ao abastecimento domiciliário com água canalizada. Este Manual é uma colectânea dos contributos da Grundfos e de todos aqueles que participaram na realização deste projecto, e teve como orientação estratégica a gestão racional da água e a sustentabilidade ambiental. Destina-se à sociedade em geral e em particular aos consultores, projectistas, empresários, empresas municipais e multimunicipais, técnicos, docentes e alunos de universidades e institutos cuja actividade está, directa ou indirectamente, dependente do estudo e da utilização da água. António Miranda Administrador Delegado Bombas Grundfos Portugal

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As palavras são polissémicas e podem significar uma "coisa" e o seu contrário. de tal modo que o que é incorrecto num dado momento pode ser considerado correcto noutro. Embora também haja quem empregue a forma bombagem como sinónimo de bombeamento (o Dicionário da Academia. ou seja. o verbo bombear e o substantivo bombeamento. há certas palavras e formas de dizer que caem em desuso (morrem. em cada momento. juntando a bomba o sufixo verbal -ear (tal como de guerra+ear se formou guerrear e de cabeça+ear derivou cabecear) que encerra um sentido frequentativo (repetição de uma ideia). Para o caso. Importa apenas acrescentar que o substantivo bombagem também respeita as regras de formação de palavras. mas também em linguagens específicas (física. As línguas maternas reflectem os conceitos vigentes na sociedade. mais tarde. E é empregado na linguagem corrente. mais tarde ou mais cedo.Bombeamento ou bombagem Os idiomas não são instrumentos neutros nem modelos estáticos. inclui os dois verbetes). militar. todos registam bombear e bombeamento e excluem as outras hipóteses. aparelho com que se transvasam ou esgotam fluidos (líquidos ou gases)". Serve esta pequena introdução para explicar que. é o uso que sai vencedor e se impõe à generalidade dos utentes. como qualquer organismo vivo. Assim. a palavra primitiva) tem diferentes sentidos. podendo. denotativos uns. bombeamento pode designar "a extracção de um líquido ou de um gás por meio de bomba". estado". As línguas. são tão legítimas e frequentes as dúvidas como as certezas. em matéria linguística. a forma mais antiga e mais adequada. e devem responder às necessidades de todos e de cada um dos falantes. interessa apenas o significado de "máquina para aspirar e elevar líquidos. bombeamento é. atribuindo-lhe o sentido de "acção ou resultado da acção. A dúvida que suscitou estas reflexões é esta: "bombar ou bombear" e "bombagem ou bombeamento"? O substantivo feminino bomba (no caso. Edite Estrela 3 . mudam com o tempo e as vontades. Pelo menos é esta a opinião dos mais reputados estudiosos da língua portuguesa. conotativos outros. No primeiro caso. aliás. E diz-nos a experiência que do natural conflito entre norma e uso. ressuscitar) e outras que emergem (nascem) para designarem novos objectos ou conceitos. Do velho Morais ao novo Houaiss. Por isso. As palavras não são unívocas e só o contexto pode indicar o sentido exacto de cada termo. não colide com a morfologia do nosso idioma. Bombeamento formou-se juntando ao verbo (bombear) o sufixo nominal -mento. passando pelos "Vocabulários" de Gonçalves Viana e José Pedro Machado. geológica). Bombear significa "extrair um líquido ou um gás por meio de bomba". Do substantivo bomba derivaram outras palavras. designadamente. Quer o verbo bombear quer o substantivo bombeamento são as formas a que os mais prestigiados dicionaristas dão acolhimento. todavia.

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. . . 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 6. . . .6. . . . . . . . Cavitação e NPSH .6 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3. . . . . . . . .9 2. . . . . . . . . . . . . . Válvulas motorizadas . . . . . A 1ª. . . . . . . . . . . . . .2 2. . . . . . . .3. . . . . . . . . . Sistemas de pressurização com grupos electrobomba de velocidade variável . . Os projectos de Pezerat face à falta de água no século XIX . .1 Constituição e princípio de funcionamento . . . . .1 2. . . . . . . . . . . .5 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 1. . . . Introdução . . . . . . . . . . Conceitos fundamentais de hidrocinemática . . .6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 2. . . . . . . . . . . .8 2.3 6. . . . . . . . . . . . . . . .1 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . O projecto de 1908 para captação de água no Tejo . . . . . . . . .3. .5 2. . . . . . . . Companhia das Águas e o Alviela . . . . . . . . . . .16 2. . . Circuito de desvio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Condições de fronteira . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 4. . . . . . . . . . . Ponto de funcionamento de uma bomba centrífuga . . . . e hidrodinâmica . .2 4. . . . . . . . . . Expansão do abastecimento . . . . .4. . .3 Centrais hidropneumáticas . .1 5. . . . . . . . Definição . . . . .2. . . . . . . . . . . Modelo de cálculo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .11 4. . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . .10. Sistemas por bombeamento directo . . . . .5 1. . . .3 2. . . . . 98 Sistema de bombeamento existente com uma válvula de controlo de caudal . . . . . . . . . . .3 3. . . . . . . . . . . . . . . . .2 1. . . Cálculo hidráulico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 4. . . . . . . . .6 4. . . . . . . . . . .1 4. . . .5. . . . 93 Determinação do Custo do Ciclo de Vida . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 97 Exemplos de aplicação do Custo do Ciclo de Vida . .2. . . . Classificação das redes hidráulicas . . . .3 6. . . . . . . .3. . . . . . . . Curva característica da bomba . Sistema Hydro 2000 . . . . . . . . . . . Propriedades da água . . . . . . Sistema Hydro 2000 F . . . . . . . . . . .11 1. . . 98 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .7 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Dispositivos de manutenção das pressões transitórias . . . . . . . . Perdas de carga contínuas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .13 3. . . . . . . . . . . . . Perdas de carga localizadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . .3 2. . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Reservatório parcialmente bidireccional . . . . . . . Das origens ao aqueduto romano de Olisipo . . . . . . . . . . . Teorema da quantidade de movimento ou de Euler . . .4 2. .1 Reservatórios de membrana . . . . . 61 62 64 65 65 65 66 66 72 72 74 75 76 31 35 35 35 35 35 36 36 36 36 36 37 37 38 38 38 40 40 40 40 40 41 41 42 42 42 42 45 47 48 49 77 79 80 82 83 83 83 84 84 86 86 87 88 88 88 88 89 90 O Custo do Ciclo de Vida como factor de economia . . . . . . . . . . . .1 1. . . . . . . 102 6. . . . . . . . . . . Dimensionamento e selecção . . A EPAL e o Castelo de Bode . .12 2. . . . . . . . . .2 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Caso prático . . . . .6 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Válvulas de retenção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 5. . . .5 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .15 1. . . . . . .Índice Índice 1.2 6. . . . . . . . . . .1 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 3. . . . .10 4. . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . . . . . . . . . .1 2. . . . .1 4. . . . bombas centrífugas e redes hidráulicas . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . .3. .7 4. . . . . . . . . . . . .1 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51 55 55 55 55 56 5 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 2.4. . . . . . .9 1. 3. .1 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 3. . . . Regime uniforme e permanente . . . . Leis de semelhança . . . . . . . . . . . .1 4. . .3. . . . . . .3 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9 4. . . . . .2 Tipos de sistema de elevação de pressão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Características das centrais hidropneumáticas . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . Determinação da pressão . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . Teste de sistemas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 Grupos electrobomba . . .2 5. . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Reservatórios de ar comprimido . .2. . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . Conceitos fundamentais de hidráulica. . . Bombas centrífugas . . . . . . Bombas de velocidade fixa . . . . 93 Razões para a utilização do CCV . Reservatórios hidropneumáticos . . . . . . . . . .7 2. . . . . . . . .1 2. . . .2 4. . . . . . . .5 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistema Hydro 2000 E . . . . . . . .3 2. . . . .5 5. . . . . . . . . . . . Sistemas com bombas de velocidade variável . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 3. . . . . 7 11 11 12 12 13 17 17 18 21 21 22 24 25 26 26 28 3. . . . . . . . . . .3. . . Escoamentos laminares e escoamentos turbulentos . . . .3 1. .2.4 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .7 Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96 Aplicação a sistemas existentes . . . . . . . . . . 94 Implementação da metodologia . . .1 5. . . . Sistema Hydro Solo E . . . . . . . . . .6 1. . . . . .14 1. 6. . . Companhia das Águas e o começo do abastecimento domiciliário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .11 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . As duas opções em confronto . . . Princípios da mecânica dos fluidos . . .2 2. . . . . . . . . . . . . Exemplos de situações-tipo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9. . . . . . . . As municipalizações do abastecimento de água e a sobrevivência da Companhia . Os problemas da qualidade das águas . . . 103 105 105 105 106 107 109 109 110 112 113 Sistemas de pressurização com velocidade fixa e velocidade variável . . . . . . . . . . . . . . . Curva característica da instalação . Introdução . . . . . .9. . . . . . . . . . . . . .1 3. . . . . 4. . . . 1. . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . Referências bibliográficas . . . . . Sistemas de pressurização com grupos electrobomba . . . . . . . . .1 2. . . . . . . . . . Sistema Hydro 1000 . . . . . . . . . . . . .1 2. . . . . . . . . . . . Compressibilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 2. 99 5. . . . .10 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5. .Tejo ou Zêzere . . . . . . Viscosidade . . . . . . . . Introdução . . . . . . . . . . . . Tensão de saturação do vapor de água . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . Volantes de inércia . . . . . . . . . . . . . . . Redes hidráulicas . . . . . . . . . . .4 Sistemas de pressurização Grundfos . . . . . . .3 5.1 Introdução . . . . . . . . .4 3. . . . . . .2 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Evolução histórica dos sistemas de abastecimento de água a Lisboa . . . . . Classificação dos escoamentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Propostas para a reconstrução do aqueduto romano . . . Arrancadores suaves . . . . . .12 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . Dispositivos de protecção . . Critérios de cálculo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6 5. .8 1. Constituição e princípio de funcionamento . . . . de velocidade fixa .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistema Hydro 100 . Conceitos básicos . . . . . . . . . . Critérios de selecção e análise de sistemas simples em regime transitório . . . . . . Referências bibliográficas . . . . O Aqueduto das Águas Livres . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .10. . . . . . . . . . . . . 3. . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . Duarte Pacheco e o contrato de 31 de Dezembro de 1932 . . . . . . Introdução . . . . . . . . . Reservatórios unidireccionais . . . . .3 4. . . . . . . . . . . . . . . . . .1 6. . . . . . . . . . . . . 93 O que é o Custo do Ciclo de Vida? . . . . 91 Introdução .5. . . . . . .12 5. . . . . . . . . . . .5. . . . . . . .5. . . . 3. .6. . . . . . .9. . . . . . . . .6 2. . . . . . . . . . . . . . . . . 5. . . . . . . . . . .10 1. . . .8 4. . .1 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Chaminés de equilíbrio . . . . . . . . . . . . . . . . . . Constituição .4. . . .2 Escolha do sistema de pressurização na fase de projecto . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . .2 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 6. . . . . . . . . Equação da continuidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 2. . . . . . . . . . A 2ª. . .4 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4. . . Regulação das pressões de arranque e paragem . . . . . . . . . . .3 3. . . . . Escoamentos sob pressão em regime uniforme e permanente . . . . Os antigos chafarizes de Lisboa . Dimensionamento económico de condutas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96 Na fase de projecto . . . . . . . . . . . . . . . . . Teorema de Bernoulli . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 3.13 1. . . . . .5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3. . Determinação do caudal máximo . . . . . . . .

. . . . . .4 10. . . . . . . . . . . . . . . . . Dimensionamento hidráulico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Desinfecção dos sistemas .4 10. . . . .2. . . . . . . . . . . .6. .2. . . . . . . . . Sistemas prediais de distribuição de água fria . Segurança . . . Conclusões . . . . .5 9. .5 9. . . Dimensionamento dos sistemas prediais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Localização do equipamento de bombeamento . . . . . . . . . . .4. . . . . . . .7 9. . . . . . . . . . . . 117 119 119 119 119 119 120 120 120 120 121 121 122 9. . . . . . . . . .2 9. . . . . . . . . . . . . . . .4. . Aspiração de cisterna elevada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 10. .4. . . . . . . . . .1 9. . . . . Resultados práticos . . . . . . . . . . . . . . .2 12. . . . . . . . . . . . . .3. . .2 10. . . . . . Sistemas prediais de distribuição de água quente . . . . .2 7. . . . .2 11. . . . .4 9. . . . . . . . . Descrição dos capítulos estruturantes do Manual . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Elementos acessórios da rede . .6 11. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 8. . . . . . .2. . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 8. . . . . . . .3 9. . . . . . . .3 12. . . . . . . . Requisitos para instalação . . . . . . . .3. . . .5 11. . . Enquadramento legislativo . . . . . . . . . . . . . . Aplicação de sistemas de pressurização em processos industriais . Sistemas de rega por gravidade . . . . . . . . . . . . .1 8. . . .1 7. . Aspectos gerais . . . . Introdução . . . . . . . .3 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 9. . . . . . . Válvulas . . .3. . . . . . . . .5 11. . . . . . . . . Manutenção . . . . . . . . . . . . . . . Isolamento das canalizações . . . . . . . .3. . Necessidades de água quente e escolha dos aparelhos de produção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . .2 12.2 8. . . . . . . . . . . . . . Classificação dos sistemas de rega . .3. Prova de funcionamento hidráulico . . . . . .3. . . . .1 8. . . . . . . . . . . . . . .1 12. . . . . . . . . . . . . . . . . .4. . . .2 9. . . . . . . .1 10. Aspectos gerais . Aspectos gerais . . . . . . . . . . . . .2 10. .2. .2. . . . Instalação e manutenção de bombas e sistemas de bombeamento . . . . . . . . . . . . .2 9. . . . . Ramais de ligação . . .2 8. . . . . . . . . . . . . . . . . . 7. . . . .7. .5.3 7. . .3 10.2 10. . . . . . . . . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . .3 12. . . . . . Elementos e parâmetros de rega a utilizar no cálculo do consumo de energia . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . Controlo por nível . . . . . . . . . . .2 9. . . . Outros tipos de controlo . .2 12. . . . . . . . . . . . .1 11. . . . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . . .2 9. .2 11. . . . . . . . Outras publicações complementares . . . . . . . . . . . . . . . . . . Eficiência de rega e consumo de energia nos sistemas de rega sob pressão . . . . . . . . . . . .1 11. . . . . Exemplos de aplicação industrial .2 7. . . . . . . . Necessidade de comunicação . . . . . . .4 7. . . . . . . .1 9. . . . Valores médios e técnicas de maximização da eficiência de rega . . . Verificação. .5 10. . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Estrutura do Manual de Redes Prediais . . . .4. . . . .3 9. . . .Índice 7. . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . Controlo por caudal . . . . . . . . . . . . Utilização de reservatórios de membrana . . . . . . . . . .2. . . . .3 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . Qualidade . . . . . . Concepção global dos sistemas prediais em Lisboa . . . . . . . .4. . . .4 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . .5 11. . . . . . . Saúde ocupacional . . . . . . . . . .3 9. . . . .1 12. . . . . 8.8 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . Instalações elevatórias e sobrepressoras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 7. . . . . . . . .3. . . . . . . . .2 7. . . . . . . . . . Eficiência de armazenamento . . . . . .5. . . . . . . Manutenção aos sistemas de monitorização e controlo . . . . . . . . . . . . . . . . . Execução das redes prediais . . . . . . . . . . . . Reserva predial de água para abastecimento doméstico . Instalação de sistemas de bombeamento . . . . . . . . . . Concepção global dos sistemas de distribuição em Lisboa . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Classificação dos sistemas . . .7 12. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 12. . . . . . . Aspectos gerais . . .1 10. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . .2. . . .2. . . Introdução . . . . . . . . 10. . . . . . . Eficiência de aplicação . .4 9. .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistema de abastecimento predial de água . .8. . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . Comunicação entre sistemas de controlo da mesma rede . . . . . . Filtração por Osmose Inversa . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . Eficiência de distribuição. . . . . . . . . . . . . . . . .4 8. . . . .2 9. . . .2 11. . Aspectos gerais . . . . . . . . . . . 149 150 150 150 151 152 153 157 157 157 157 163 163 164 164 175 175 176 177 125 127 127 127 127 127 128 128 128 129 129 129 130 131 135 135 135 135 136 136 136 137 137 137 137 138 141 141 141 141 141 143 145 145 145 145 146 147 147 147 148 148 148 148 148 179 183 183 183 184 186 186 187 193 193 193 193 194 194 194 194 194 195 196 197 198 201 205 205 205 205 205 206 206 206 207 211 6 . . . . Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Torneiras e fluxómetros . . . . . . . . . . . 12. . . . . . . . . . .2 11. . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 9. . . . . . . . . . . .1 11. . . . . . . . . . . . . . . . . . .6 11. . Elementos de dimensionamento . .1 10. . . . . . . . . . .1 7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 11. . .2 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Concepção dos sistemas . . . . . . . . . . . .3. . . . . .5 9. . . . . . . . Dimensionamento dos reservatórios hidropneumáticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . . . . . 9. . Introdução . . . . . . . . . . . . Entrada em serviço dos sistemas . . . . . . . . . . .7. . . . . . . . .3 11. . . . . . . . . . . . Vantagens de um sistema integrado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Necessidades de ventilação . . . . . . .1 8. . . .2 8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Comunicação entre sistemas de bombeamento . . . . 11. . .3. .4. . . . .2 8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . .3. . . . . . . . . . . .4 Contadores . .8. . Aspectos gerais . . . . . . .2 11. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .8. . . . . . . . . . . . . . . . Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 11. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Aspectos gerais .5. . . . . .3 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Polivalência dos sistemas de rega . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . Controlo de sistemas de bombeamento . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . Ambiente . . . . . . . . . . Eficiência de rega e sua classificação . . . .1 7. . . . . . .6. .3 8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistemas de abastecimento público e predial em Lisboa . . . . . . . .4. . . Sistema de abastecimento público . . . . . . . . . . .3 9. .2 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . Introdução . . . . .3 11. . . . . . . . . . . . . Gestão integrada entre sistemas de bombeamento . . . . Elementos de instrução dos processos de projectos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4. . . . . . .3. . . . . . . . . . Eficiência total de rega . . . . . . . . . . . . . . . . Controlo por pressão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 9. . . . . . . . . . . . .1 9. . . . . . . . . . . . . . . . Circuitos térmicos . . Sistemas de rega sob pressão: eficiência.2. . . . . . . . . . . . . . . . . Verificação . . .4.1 11. . . Consumo anual de energia para instalações de rega sob pressão . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Monitorização e gestão de sistemas mistos . . . . . .3 11. . . . . . . . . . Aparelhos produtores de água quente . . . . . . . . . . . . Critérios de selecção de equipamento de processo . . . . . . .5 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Elementos dos sistemas . . . . . . Sistemas de abastecimento público e predial no Porto . . . . . . Águas convencionais . . . . . . . . . . . . . . . . .9 10. . . . . . . . . . referência ao coeficiente de uniformidade de distribuição de água de christiansen . . . . . . . . . . . . . . .4. Aspiração de uma rede sob pressão . . .1 7. . . . . . . . . comunicação e gestão . . .3. . . . .1 9. .5. . . Eficiência de uso de água . . . .3. . . . Aspiração negativa . . . . Eficiência de transporte . . . . . . . . . . . . . . . .4 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . Manutenção aos equipamentos de bombeamento . . . . .6. . . . . . . . . . . . . . . .4 9. . . . . . . .6 9. . . . . . . . . . . . . . . . .4 7. Águas não convencionais . . . . . . . .1 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistemas de rega sob pressão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . .1 9. . . . . .2 Sistemas de controlo. . . . . . . . . . . . . . . . . .4 11. . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Caracterização da rede de Lisboa . . . . . polivalência e economia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 12. . . .3 8. . . . . . . . . . . Sistemas de distribuição de água quente com recirculação Traçado . . . . desinfecção e funcionamento hidráulico . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1. EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS SISTEMAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA A LISBOA Autores: Margarida Ruas Gil Costa Directora do Museu da Água Raul Fontes Vital Historiador e Arquivista. Responsável pelo Arquivo Histórico do Museu da Água 7 .

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códigos de comportamento numa perspectiva sincrética que junta o mundo todo no principio da reciprocidade (tudo o que fazemos é importante e atinge o meio em que vivemos e por sua vez nos atingirá). onde o cenário de fundo nos é dado através desta luta de séculos travada pelo homem pela conquista da água. é um Património Precioso. abrange 4 núcleos: o Aqueduto das Águas Livres. polarizadores de cidadania (o seu ethos na dupla perspectiva filosófica e prática). a Sala de Exposições Permanentes. encontram-se indissociavelmente ligados à história do abastecimento de Água. estudantes e especialistas. acima de tudo. Os prémios Internacionais legitimam e celebram o sucesso do Museu. dispomos de um serviço educativo para as escolas. Recebemos visitantes nacionais e internacionais. O Museu constitui. os reservatórios da Mãe d'Água. A estratégia de comunicação do Museu da Água é provocadora na forma como chega às escolas. bem como para a consciencialização da sua identidade e problemas comuns. As exposições que organizamos são discursos abertos e imprevistos que densificam a dimensão artística. que fazem acontecer e que contribuem para a sedimentação das identidades que cumprem a diversidade do País e dos diferentes povos que aí vivem. a Harmonia Absoluta. a preservação e animação do património. ajudando-os a combater o medo que nos retira o direito de viver. e de tudo o que ela representa no acumular de conhecimento científico e tecnológico. O Museu da Água é o único em Portugal com o Prémio do Museu do Ano do Conselho da Europa (1990). das famílias consideradas como reguladoras sociais capazes de reunir pessoas à volta de necessidades comuns. Existimos fisicamente no mundo. em Portugal. A identidade desempenha um papel fundamental na configuração do mundo e na construção do eu do ser humano. do nosso conhecimento e do pensamento. Mas para além desse sucesso evidente para a opinião pública nacional e internacional o maior sucesso é fazer a diferença na vida de muitas crianças e de adultos a quem provocamos na sua criatividade. racionais e sensoriais completam a construção do Eu cumprindo a observação cabal do Todo. As percepções espirituais. inaugurado no dia 1 de Outubro de 1987. que provocam a mudança de mentalidades. de pensar livremente. Patriarcal e a Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos. Existimos numa cadeia una. A identidade do Museu junta-se à identidade da EPAL e de Portugal constituindo-se como parte da nossa cultura e como mensageiro desse espírito. 9 . de rir. Os Museus são cada vez mais complementos e auxiliares das escolas. É dever dos povos construir a eternidade partilhando o conhecimento e preservando a vida e o património. e de capacidade criativa do génio humano. É uma dádiva viver no respeito e na reciprocidade do que nos rodeia. a Sala de Exposições Temporárias e o Arquivo Histórico. da EPAL e também de Portugal. indissociável que. o mais alto galardão atribuído por esta entidade. tudo é passado. afecta o todo que somos nós. construídos entre o século XVIII e XIX. os outros e o próprio Mundo. O Mundo. Este último integra a sala das Máquinas a Vapor. de um Arquivo Histórico que ajuda a entender a Inteligenzia portuguesa e que é consultado por académicos. todo ele. quando um elo se quebra. alertando para o ambiente. de sentir prazer e de não envelhecer. Tudo é património. Os museus são lugares de criatividade onde se aprende sempre mais. Este conjunto de monumentos e edifícios. futuro e a Grundfos consubstancia este manifesto. preservados e organizados museologicamente. o Equilíbrio Perfeito. dando oportunidade aos mais novos e intensificando o prestígio dos mais conhecidos cumprindo a educação permanente. na cidade de Lisboa e oferecemos um conjunto de quatro monumentos que constituem o Museu da Água. presente. universidades. estimulando a investigação. local de criatividade e de encontro de culturas. Este prémio destaca todo o museu que contribua para o entendimento e conhecimento da herança cultural europeia.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa O Museu da Água da EPAL O Museu da Água da EPAL.

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eléctricas. apesar de outros existirem em zonas circundantes. constitui um laboratório excelente para este debate. Assim. de camadas calcárias. ainda que de forma sucinta. incluindo as ciências sociais. Os primeiros mananciais a serem utilizados foram os da zona ribeirinha. o enquadramento geográfico do sítio. e foram procurá-la em zonas mais distantes. a barragem de Olisipo. construíram os Romanos uma barragem de contrafortes no século II ou III da era de Cristo. ideológico. ou é ela que determina o sentido da sua evolução? Poder-se-á dizer que. ao longo dos tempos. sem utilização de meios mecânicos. a vasta depressão que se estende desde Odivelas a Sacavém. quando dominaram a Península Ibérica. na colina do castelo. as águas abundantes das nascentes ribeirinhas eram suficientes para as suas necessidades. A ocidente. às suas características e qualidade. e.2 Das origens ao aqueduto romano de Olisipo Ao analisarmos o caso de Lisboa. um campo de estudo pluridisciplinar. e de onde seria de esperar a obtenção de águas susceptíveis de serem utilizadas. temos que ter em consideração. até mesmo. primeiro a vapor e. Porém. não se deram por satisfeitos com estas águas. à geologia das suas origens. o homem desenvolve a tecnologia em busca de soluções para melhorar o seu bem-estar. convergem uma diversidade de factores. alternadamente. A esta barragem. onde um grande número de nascentes provenientes. nascentes estas perenes. o que foi o abastecimento de água a Lisboa desde as suas origens nos abastecimentos locais. onde encontramos a bacia do Trancão. um local privilegiado para o cruzamento de povos e culturas diversos. no vale de Carenque. conhecimento não apenas relativo à água. onde as diversas ciências têm lugar. cuja evolução abordaremos. Sendo muito embora o sítio de Lisboa banhado pelas águas do rio. inviabiliza a sua utilização como fonte de abastecimento de água em virtude de as águas do rio se misturarem com as do mar. chegando à colina do castelo. até por razões de estratégia defensiva. 1. ou. desde as origens até aos nossos dias. e de camadas de grés e arenitos. adução e distribuição. uma rota natural de migrações. Nesta indústria. constituía o palco ideal para o aproveitamento das águas. a região de Lisboa é cortada por um conjunto de vales que a envolvem. mais tarde. É este o caminho que iremos percorrer a seguir. Efectivamente. só disponíveis nos tempos modernos. De norte para leste. às possíveis formas para a sua condução. desde o conhecimento científico e tecnológico. sociológico. aduzir. na base da colina do castelo. em 1994.000 m³. É a complexificação das formas de agrupamento dos homens que gera a consequente complexificação das técnicas empregues para a utilização do elemento água. pois. debitavam água para as ribeiras. pelo Massachussets Institut of Technology – MIT. aos equipamentos concebidos para a sua elevação. logo à partida. procuraremos. cujas ruínas ainda hoje são visíveis. entre margens alcantiladas. já que as cotas a que estas ribeiras correm permitia a construção de sistemas de abastecimento que conduzissem daqui a água para Lisboa. Há que. que seria talvez a maior da Península. no estuário. a sua situação. junto à foz do Tejo. sobretudo se tivermos em atenção que o seu desenvolvimento sob a forma de utilização de técnicas mais complexas não pode ser desligado do fenómeno urbano. para o seu armazenamento e para a sua distribuição. portanto. à utilização de máquinas. foi atribuída uma capacidade da ordem dos 125. à sua captação em rios e em barragens. toda a bacia hidrográfica que. sem a análise do fenómeno político. continuando na direcção da serra de Sintra. e a outros diferentes ramos do conhecimento. a própria tecnologia gera. não é possível atingir uma compreensão global do seu desenvolvimento. 11 . para o caso de Lisboa. à condução da água graviticamente até à cidade. mas também aos materiais utilizados nas condutas. às técnicas administrativas e financeiras que possibilitam o desenvolvimento desta actividade. dado que. e com uma elevada produção susceptível de proporcionar um abastecimento a um número cada vez maior de consumidores.1 Introdução Does Technology drive History? Esta é a pergunta formulada por Merrit Roe Smith num conjunto de trabalhos publicado. no homem. tratar e distribuir este elemento básico e indispensável à vida.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1. distantes da cidade. também a ribeira de Alcântara não possibilitava a utilização das suas águas para consumo. que secavam na estiagem. todos têm razão. neste capítulo. num conceito lato que possa abranger todas as formas desenvolvidas pelo homem. provavelmente às portas de Santo André. corta o andar de Belas. por outro. onde diversos autores debatem a dialéctica entre o construtivismo e o determinismo tecnológico. para captar. cuja utilização virá a ser equacionada no século XX. Trata-se de um porto natural. e. e dado que os primeiros habitantes do sítio de Lisboa se terão fixado. Os Romanos. não oferecia condições de captação nessa época face à ausência de tecnologias adequadas. A indústria da água. novas condições de vida e novos desenvolvimentos não pré-determinados. um aqueduto que transportava a água para a cidade. abordar. os defensores de ambas as teses. Aí. Por um lado. A indústria da água é. procurar ver de que outros recursos dispunham as populações que aí se fixaram. A tecnologia surge como resposta às necessidades do homem. Contudo. agora com complexos sistemas de tratamento. à captação de águas em poços profundos. a partir desta.

o tanque das lavadeiras de Alfama ou a Bica do Sapato. estas só mais tarde analisadas. da ordem dos 22 a 24°. porque distantes da cidade. como as Alcaçarias do Duque. 1 . ao decréscimo da população. entre as quais o aqueduto que abastecia Lisboa. em oposição às águas do futuro sistema das Águas Livres. 2 . em Évora. devido a tal facto. designadamente pelo efeito da expansão marítima. durante a sua ocupação. no concelho da Amadora . e o próprio nome de Alfama dado ao local é reminiscência das nascentes de água termais que aí se encontram. com uma grande tradição de utilização da água. como o Chafariz de Dentro. o Chafariz dos Paus. 1. ou das outras águas então conhecidas e que cedo vieram a ser exploradas. quer nas nascentes de Monsanto. É no sítio das nascentes da zona ribeirinha. .para além do que resta da barragem. mais a ocidente. virá a propor a sua reconstrução.mas pelo testemunho que dele dão vários autores a partir do século XVI. que irão surgir.a palavra chafariz tem mesmo origem árabe . mas também aqui em Lisboa e em muitas outras cidades do Império. e. e em Roma o abastecimento era feito por um conjunto de aquedutos ainda em funcionamento nos tempos modernos.Ruínas da barragem romana de Olisipo A evidência do aqueduto romano chega-nos não pelos seus vestígios materiais. Fig. publicada em 1726. aqueduto cujo regimento servirá de modelo para o que se virá a construir em Lisboa no século XVIII. por outro. aliás. o Chafariz d'El-Rei. nos mananciais das camadas profundas do Terciário da colina do castelo. Já os Árabes. incluídas no Aquilégio Medicinal. obra da autoria de Francisco da Fonseca Henriques. que serão designadas por águas altas. Os Romanos. invasores do Império.. Fig. Além da sua temperatura elevada. esta já mais a leste do bairro. ou os banhos do Batista ou os da D. apareciam no Arsenal da Marinha. como o humanista português Francisco de Olanda que. o Chafariz da Praia. cedo arrastou consigo a falta de água. apresentam uma temperatura elevada. aí terão construído dispositivos .4 Propostas para a reconstrução do aqueduto romano O aumento da população da cidade. Dinis. ou que vieram a abastecer o chafariz do Rossio. apenas se conhecem pequenos vestígios de aqueduto no sítio do Almarjão. também as necessidades de água diminuíram face. chafarizes destinados ao abastecimento das populações. eram um povo de avançada civilização. O chafariz mais antigo da cidade. as diversas nascentes da zona oriental.para a recolha das águas. não apenas em Roma. João III em 1531. por um lado. aos diferentes hábitos de consumo dos invasores. São bem conhecidas as suas termas. o aqueduto romano da Água da Prata. e reedificado pelo rei D. Também os estabelecimentos termais merecem referência.Chafariz d'El Rei 1. em 1572. caso das águas dos basaltos.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa De facto. ou dos Cavalos. ao longo dos séculos. deve o seu nome às grandes obras que aí se realizaram no reinado de D. desconhecendo-se a data concreta da sua construção. muito superior à temperatura das águas existentes nas nascentes do termo de Lisboa. como as que. em particular. menos abundantes. 12 . certamente satisfeitos com os recursos locais.3 Os antigos chafarizes de Lisboa Destruídas que foram muitas das obras dos Romanos pelos povos bárbaros. e que proporcionariam uma capitação largamente superior a 500 litros/dia/habitante. Posteriormente outros foram edificados na mesma zona. Em Portugal há que referir. pelas suas características físico-químicas eram estas águas reputadas como possuindo propriedades terapêuticas para a cura de diversas doenças. designadas normalmente por águas orientais. estando. construído por Quinto Sertório em 75 a. Clara.C.

muito embora se tivesse aprofundado o conhecimento relativo às nascentes que alimentavam a bacia hidrográfica dos vales de Carenque e da Quintã. e por insistência do Procurador da cidade ocidental. entre os vários caminhos possíveis para a condução da água livre a Lisboa. Para custear a obra foi lançado mais tarde o real d'água. sinal de que havia uma intenção clara de se solucionar o problema da falta de água. Cláudio Gorgel do Amaral. a San Roche. Memória sobre Chafarizes Fontes e Bicas. p. dando assim prioridade à obra pública. Os incêndios que a seguir ao Terramoto de 1755 destruíram o Paço da Ribeira não nos permitem conhecer o projecto inicial. sobretudo de Itália. imposto pago nos géneros de primeira necessidade. és por el aqueducto antigo de los Romanos. 13 . como dio antigamente. aqueduto que. o Alvará onde mandava dar início à obra do aqueduto. por conseguinte. Em 15 de Janeiro de 1717 D. que "el quarto y ultimo camino. Do século XVII somente tinham ficado intenções. encontrando o italiano valores inferiores aos do português. pequenas obras pontuais que não solucionavam as dificuldades da cidade. E tudo apontava para a reconstrução do aqueduto romano. porém. e muda-se para uma outra nascente. pues abra quantidad bastante pera ella"1. aplicando o princípio dos vasos comunicantes. João V se veio a resolver o problema da falta de água em Lisboa com a construção do Aqueduto das Águas Livres. que era mesmo a mais abundante.5 O Aqueduto das Águas Livres Apenas no reinado de D. vieram a ser gastos nas festas que a cidade organizou em honra do rei Filipe III de Espanha. viria a ser construído um novo palácio real e uma nova basílica patriarcal. a obra mal feita. Havia que chegar rapidamente com água a Lisboa. Lisboa Oriental e Lisboa Ocidental. 273. O projecto acabou por não se concretizar devido à restauração da independência de Portugal em 1640 e ao longo período de guerra com a Espanha. propõe a reconstrução da barragem romana de Olisipo e do seu aqueduto. há muita correspondência trocada entre Madrid e Lisboa. Canevari regressa a Itália e Manuel da Maia é encarregado. Manuel da Maia e Canevari divergiam também na forma de medição da produção das nascentes. das críticas que lhe são feitas pelo português Manuel da Maia numa série de considerandos técnicos dirigidos ao Rei.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa À semelhança daquilo que se fazia um pouco por todo o lado onde a influência dos Romanos se fizera sentir. na zona da barragem romana. e que denotavam a consciência clara da necessidade de aproveitar a água de diversas nascentes. publicada em 1572 e dirigida ao rei D. de governação. suficientes para a concretização do projecto. já que os mananciais disponíveis eram os da zona oriental. em 12 de Maio de 1731. conhecimento patente no Roteiro das águas de Montemor e Caneças. projectos no papel. na sua obra Da fábrica que falece à cidade de Lisboa. 1. o rei veio a publicar. no dia em que visitaram Sintra. durante o qual não havia condições para se desviar recursos financeiros para uma obra desta envergadura. rebentando e deixando a cidade sem água. na época designados por "canos de repucho". de assumir a condução dos trabalhos. na zona da actual Estrela. No entanto. quando da sua entrada em Lisboa. No entanto. posteriormente os caudais do Aqueduto seriam aumentados com a água de outras nascentes. Contudo. no dia 29 de Junho de 1619. examinou a barragem romana e as nascentes vizinhas. possibilitada pela afluência do ouro do Brasil à metrópole. em prejuízo do projecto do novo palácio real. arquitecto que acompanhou o rei e que com ele. uma nova Roma cheia de palácios e monumentos. já constatados como insuficientes para as necessidades. e aí. Sebastião. Face a todos estes ataques. numa direcção conjunta com o arquitecto Silva Pais e o engenheiro Azevedo Fortes. enterradas. projecto que D. e por todo um saber trazido de outros países. transmitido por um grande número de arquitectos que em Mafra desenvolveram as suas escolas. cada uma com o seu bispo e os seus órgãos 1 Veloso de Andrade. os quais. e acusa mesmo Canevari de não estar a medir correctamente os nivelamentos dos terrenos. seria a cidade do poder. podemos concluir com bastante segurança que Canevari pretenderia conduzir as águas até Lisboa sob pressão. de alguma forma. Assim. a obra ia realizar-se. el qual por ir mas alto dies palmos que el de la estrada puede dar Agoa a ambas partes de la Ciudad. A cidade ocidental. Manuel da Maia contrapõe que os canos de repucho não suportariam a pressão da água. dirigido pelo arquitecto italiano António Canevari. que era Filipe II em Portugal. Manuel da Maia abandona as várias frentes de trabalho abertas por Canevari. em Agosto de 1732. esta cidade nova continuaria a depender da cidade antiga e dos seus chafarizes no que respeita ao abastecimento de água. refere. do arquitecto Tinoco. Era o coroar de toda uma política de grandeza e protecção às artes. pois após a estadia do rei na cidade. João V dividiu a cidade de Lisboa em duas cidades independentes. já que Leonardo Torreano. tendo o Senado de Lisboa arrecadado mais de seiscentos mil cruzados. terá seguido de perto o traçado do antigo aqueduto romano. ficando. João V encomenda ao arquitecto italiano Filipe Juvarra. em canalizações fechadas. onde se situava o Paço da Ribeira. y sobre la puerta de Santo Andres. ficariam entupidos pelos sedimentos arrastados por esta. também Francisco de Olanda. na esperança de vir a assumir a direcção das obras. a da Água Livre. em tudo semelhantes aos actuais sifões.

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sozinho na direcção face à partida para o Brasil de Silva Pais, e à frequente ausência de Azevedo Fortes, engenheiro-mor do reino. Por outro havia divergências de opiniões acerca do local para a travessia do Vale de Alcântara. Manuel da Maia, certamente, construiria um aqueduto menos monumental, atravessando o vale numa zona menos profunda, provavelmente por Palhavã, para atingir S. Pedro de Alcântara, às portas do Bairro Alto, onde entretanto haviam começado as obras para a construção do reservatório de chegada das águas. Em cena estava um outro arquitecto, Custódio Vieira, que já vinha acompanhando os trabalhos desde o início, pois participara em reuniões e medições diversas, e que tinha uma solução diferente, a construção de uma série monumental de arcos a atravessar o vale na sua parte mais profunda. Era um projecto mais arrojado, mais ao gosto do rei, e que apontava para uma zona mais alta, para onde a cidade estava a crescer.

Fig. 3 - Mãe d'Água Velha - Nascente da Água Livre. Local onde Manuel da Maia iniciou os seus trabalhos.

Muito embora Manuel da Maia conhecesse o princípio dos vasos comunicantes, vai construir um aqueduto através do qual a água vai chegar a Lisboa apenas movida pela gravidade, deslizando em caleiras de pedra abertas. Maia opta pela construção de duas caleiras, separadas por um passeio central, pois que, para uma boa manutenção do Aqueduto, tornar-se-ia necessário limpar frequentemente as caleiras, e assim, com duas, a condução da água não seria interrompida.

Fig. 5 - Arcaria do Vale de Alcântara

Fig. 4 - Caleiras separadas pelo passeio central

Relativamente aos materiais a utilizar nas canalizações, rejeita o chumbo, que dava más características à água, tal como rejeita o ferro, que, na época, ainda não apresentava uma qualidade suficiente para esta finalidade, e todos os outros materiais à excepção da pedra calcária, abundante em toda a região onde se vai desenvolver a construção do Aqueduto. Em 1736 já se trabalhava no Aqueduto em Monsanto, no sítio das Três Cruzes, caindo então a obra num impasse. Por um lado, Manuel da Maia encontrava-se praticamente

A transferência da direcção das obras para este novo arquitecto é determinante para a evolução da cidade. Abandona-se a obra de S. Pedro de Alcântara e escolhe-se a confluência do Rato, próximo da qual novos pólos urbanos se vinham desenvolvendo junto aos conventos, para a nova localização do reservatório. Aliás, podemos constatar hoje, pelos desenvolvimentos ulteriores do sistema, das vantagens desta nova localização do reservatório e desta nova inflexão do Aqueduto, que possibilitou a extensão dos seus ramais de distribuição para a Boa Morte, em Alcântara, zona próxima da qual surgirá o palácio das Necessidades, e para o Campo de Santana e Intendente, quase a tocar a colina do Castelo, onde outrora o aqueduto romano terá chegado. Vieira não chega a ver a água entrar em Lisboa, ela só chegará em 3 de Outubro de 1744, já após a sua morte, estando a obra a ser dirigida interinamente pelo capitão Rodrigues Franco. A entrada de Carlos Mardel na direcção das obras do Aqueduto terá lugar logo de seguida, devendo-se a este

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arquitecto, de origem húngara, o desenvolvimento da distribuição da água na cidade, a partir do reservatório da Mãe d'Água das Amoreiras, cujo projecto se lhe deve, bem como o de diversos chafarizes e dos arcos monumentais da Rua das Amoreiras, que celebra a obra, e da Rua de S. Bento, este desmontado para alargamento da entrada na praça fronteira ao palácio, e mais tarde reconstruído na Praça de Espanha.

faziam a manutenção do sistema e geriam os caudais do Aqueduto, e um exército de cerca de 3000 aguadeiros que, organizados em companhias, vendiam água ao domicílio e igualmente combatiam os incêndios que devastavam a cidade. A gestão dos caudais no Aqueduto apresenta alguns aspectos que devem aqui merecer a nossa atenção, e à luz dos quais também temos que fazer uma leitura das soluções técnicas e arquitectónicas adoptadas para o efeito. Já foi atrás referida a diversidade das águas no que respeita às suas características físico-químicas. Umas, fortemente calcárias, como as da nascente da Água Livre, na Mãe d'Água Velha, provocavam, pela precipitação do calcário, incrustações que era necessário remover periodicamente, raspando as caleiras. De outras nascentes, situadas em camadas de grés e arenitos, a água arrastava sedimentos que a turvavam. Aqui era necessário proceder à sua decantação, pelo que, em diversas clarabóias, encontramos bacias redondas onde a água perde velocidade, depositando-se os sedimentos no fundo. Também junto de cada janela, agora mais rasgadas face a uma maior necessidade de laboração, bacias rectangulares desempenhavam idênticas funções, bem como as de quebrar a velocidade da água.

Fig. 6 - Reservatório da Mãe d´Água das Amoreiras

O sistema do Aqueduto das Águas Livres, onde, num aqueduto com cerca de 14 quilómetros de extensão, entroncam aquedutos que reúnem águas de sessenta nascentes, num total de aproximadamente 58 quilómetros de aquedutos, incluindo os de distribuição na cidade, foi dado por concluído em 1799, quando foi dissolvida a última sociedade de mestres pedreiros, empreiteiros da obra. Dada a tecnologia utilizada de condução da água em caleira aberta, o Aqueduto condicionou a forma de abastecimento a uma rede de chafarizes que se foram construindo até quase meados do século XIX, rede esta que, por sua vez, condiciona o próprio crescimento da cidade. Lisboa estende-se então, dos Barbadinhos, onde na zona ribeirinha corriam as águas orientais, até Alcântara, onde vemos o chafariz da Praça da Armada, e, para norte, seguindo as encostas do Vale de Alcântara, os chafarizes das Necessidades e do Arco do Carvalhão, este já a chegar ao alto de Campolide, lhe delimitavam o perímetro. Ainda nos limites norte da cidade, mais para leste, encontramos os chafarizes de S. Sebastião da Pedreira, Cruz do Tabuado, Campo de Santana e Intendente. Dentro deste perímetro, os chafarizes que se construíram (Rato, Carmo, Loreto e outros) eram, além de fontes de abastecimento, elementos de ordenamento urbano que tornavam as praças onde eram colocados em pontos de encontro, locais de convívio. Em pleno século XIX, a "indústria da água", aplicando aqui, num período de proto-industrialização, um conceito contemporâneo, empregava uma equipa de 60 homens que

Fig. 7 - Bacia de decantação redonda

Normalmente, nos vértices, as bacias apresentam dimensões superiores, o que permite evitar que a água transborde. Regra geral, no Aqueduto não há galerias em curva, antes uma sucessão de segmentos de recta. Nos poucos locais onde a solução adoptada pelo arquitecto foi a de construir aqueduto em curva, aí o passeio central sobe, afundando, consequentemente, as caleiras. Na cidade iam-se generalizando os abastecimentos privados. De um lado, os proprietários de águas nas zonas atravessadas pelo Aqueduto que, para receberem água no seu palácio ou convento, em Lisboa, construíam, à sua custa,

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aquedutos ligando as suas nascentes a um dos aquedutos do sistema. Depois, em Lisboa, de um aqueduto de distribuição, partia uma canalização, agora fechada, aferida para três quartos de um débito diário calculado como sendo a sua produção, valor obtido a partir da medição da produção das suas nascentes ao longo de vários meses do ano. De outro lado havia os estabelecimentos públicos que passaram a receber directamente água do Aqueduto, bem como outros particulares ou ordens religiosas, beneficiários de concessões de água, quer traduzidas em caudais determinados, quer em sobejos dos chafarizes. Entre estas entidades, são de notar as indústrias que despontavam, como o caso da Real Fábrica das Sedas, cuja localização próxima do Aqueduto é determinante para o desenvolvimento do bairro das Amoreiras. Havia ainda os jardins públicos, agora tornados possíveis, que recebiam água directamente do Aqueduto, como o Passeio Público e o Passeio da Estrela, este com um aqueduto que, saído do Aqueduto das Janelas Verdes, aí conduzia a água, o outro recebendo-a a partir da mesma galeria que abastecia o chafariz da Cotovia. Para a gestão de todo este sistema vemos, nos aquedutos de distribuição, não apenas caleiras abertas, mas também canalizações fechadas, com algumas pedras amovíveis para se poder limpar o seu interior, colocadas frequentemente em paralelo com as caleiras abertas, a fim de, a partir de bacias intermédias, como a pia do Penalva, no cruzamento da Rua Formosa (hoje Rua do Século), ou a pia do Teotónio, próximo do Arco das Amoreiras, a água ser conduzida com pressão, aplicando-se o princípio dos vasos comunicantes, por forma a possibilitar a sua chegada a pontos mais elevados. Exemplos disso são as colunas ascensionais que permitiam a subida da água às bicas dos chafarizes.
Fig. 9 - Chafariz do Carmo

Do grande reservatório da Mãe d'Água das Amoreiras apenas saía água para os chafarizes abastecidos pelo Aqueduto da Esperança e para o chafariz do Rato. Para os chafarizes da linha do Loreto a água descia mais atrás, por um pilar de um dos últimos arcos, seguindo em canalização fechada, sob pressão. Se assim não fosse, e de acordo com Veloso de Andrade, "se deste Depósito corresse para os dez Chafarizes acima mencionados, só a água que ele contém, ficaria despejado em seis dias"2. Para controlar todo este sistema havia que possuir um exacto conhecimento das dotações atribuídas aos diversos consumidores privilegiados, proprietários de água ou não, da água que corria para os chafarizes e da que era produzida pelas nascentes. Em média chegavam a Lisboa 3500 m³ de água por dia, baixando os caudais a cerca de metade desse valor durante a estiagem. Porém, nos meses de abundância, a produção das nascentes era largamente superior à capacidade de vazão do Aqueduto. Assim, tornava-se necessário regular os caudais, devolvendo a água às ribeiras em desaguadouros estrategicamente colocados ao longo dos diversos aquedutos, diminuindo ou eliminando o caudal das caleiras, para que a água de outra nascente pudesse entrar no circuito num entroncamento situado a jusante. Havia também que eliminar, através destes desaguadouros, águas turvas a seguir a fortes chuvadas, ou que se soubesse ou houvesse suspeitas de estarem contaminadas. Daqui resultava a manutenção equilibrada dos cursos de água naturais, naquilo a que hoje se aplica a designação de desenvolvimento sustentável.

Fig. 8 - Coluna ascensional do chafariz do Carmo

2

Veloso de Andrade, o. cit., p. 330.

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1.6 Os projectos de Pezerat face à falta de água no século XIX
A situação em Lisboa, nos meados do século XIX, tornou-se dramática, não atingindo, na estiagem, a água aduzida pelo Aqueduto, em que haviam sido dispendidos, até 1799, mais de cinco mil e duzentos contos de reis, uma capitação superior a 6 ou 7 litros/dia/habitante, para uma população que rondaria os 300.000 habitantes. Em 1852 o Engenheiro Pezerat, da Câmara Municipal de Lisboa, apresentou diversos planos no sentido de se aumentar os volumes de águas disponíveis. No que se refere às águas orientais, poder-se-ia evitar a sua perda para o Tejo represando-as na zona ribeirinha e elevando-as aí, com máquinas a vapor, para um reservatório a edificar em Santa Luzia. Pezerat estima em 790 m³ diários a quantidade de água que assim se poderia aproveitar, prevendo, para esta obra, um custo de 111:573$000 reis. Relativamente às águas altas, projecta a construção de uma grande reserva de água no vale da Quintã, com uma capacidade prevista de 1 300 000 m³, destinada a armazenar, no Inverno, água que poderia ser utilizada na estiagem, reduzindo desta forma a sua carência na cidade. Desta albufeira, onde os lodos se depositariam, a água passaria por um sistema de filtros de areia para outra, construída mais abaixo, no vale de Carenque, próximo da Mãe d'Água Velha. Esta água, purificada, e por um processo de sifonagem, entraria no Aqueduto, chegando desta forma à cidade. Para este sistema de barragens prevê Pezerat um orçamento de 88:689$940 reis.

1.7 A 1ª. Companhia das Águas (1856) e o começo do abastecimento domiciliário
Em 20 de Julho de 1855 foi o Governo autorizado a contratar em concurso público o fornecimento das águas precisas para o abastecimento de Lisboa, na sequência de idênticas diligências que tiveram lugar anteriormente, mas que não haviam conduzido a nenhuma solução. Em 1855, e antes do referido concurso, uma empresa constituída pelos ingleses Duarte Meddlicot e Thomas Rumball efectua um contrato provisório com o Governo, contrato este que não podia, no entanto, ser ratificado sem o respectivo concurso público. Quem veio a ganhar efectivamente o concurso foi a outra empresa concorrente, que tinha como directores Alberto Carlos Cerqueira de Faria, Filipe Folque e Bento Coelho da Fonseca, estabelecendo-se em 1856 e firmando o contrato com o Governo em 29 de Setembro de 1858, tomando-se como base para as condições do contrato a população da cidade em 220.000 habitantes. Nascia, assim, a Companhia da Empresa das Águas de Lisboa (1ª. Companhia). A Companhia vai recorrer aos serviços do engenheiro francês Mary, de Paris, que organiza diversos planos no sentido de aumentar a capacidade de produção do sistema do Aqueduto e desenvolve projectos para o início do abastecimento domiciliário na cidade. Contudo, e apesar de a utilização de máquinas a vapor já ser corrente um pouco por toda a Europa, utilizando-se já as "pompes à feu" em Paris no século XVII para elevação da água, Mary não vai utilizar máquinas em Lisboa, vai antes aplicar unicamente o princípio dos vasos comunicantes, agora, porém, com a utilização de sifões de ferro fundido. No que diz respeito à captação de águas, Mary vai construir um novo aqueduto subsidiário do Aqueduto das Águas Livres, o Aqueduto da Mata, que traz ao principal as águas de Belas, do Brouco, Vale de Lobos e Vale de Figueira. Por outro lado, são nessa época continuados os trabalhos no Aqueduto das Francesas, para se trazerem a Lisboa as águas da Serra de Carnaxide. Nesta matéria a Companhia despreza a opinião do geólogo General Carlos Ribeiro, favorável à captação de água no Tejo, a montante de Santarém. Relativamente à distribuição, Mary divide a cidade em três zonas altimétricas, baixa, média e alta, e estabelece uma rede de reservatórios para regularizar a distribuição de forma a ter pressões constantes e suportáveis pelas canalizações. Assim, na parte ocidental da cidade, para a zona alta, no alto de Campolide, constrói o reservatório do Pombal, a zona média virá a ser abastecida pelo reservatório do Arco, situado um pouco acima do Arco das Amoreiras, e para a zona baixa será construído o reservatório da Patriarcal, no subsolo da Praça do Príncipe Real. A parte oriental da cidade será abastecida por duas cisternas, uma na igreja da Penha de França e outra na Graça, na cerca de S. Vicente.

Fig. 10 - Projecto de Pezerat para as reservas de águas nos vales da Quintã e Carenque

Os projectos de Pezerat acabaram por não ser concretizados dados os perigos que as reservas projectadas, a céu aberto, poderiam representar para a saúde pública. Por outro lado, em breve outras soluções iriam aparecer, com a constituição da 1ª. Companhia das Águas de Lisboa.

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a Companhia pensava estabelecer uma rede de distribuição de água de qualidade superior para consumo humano. O momentum tecnológico. e da Penha de França descia à Graça. estando todo o sistema interligado por meio de sifões. Após várias diligências e negociações. e não conseguiu fornecer à cidade. O General Carlos Ribeiro não fora favorável à opção pelo Alviela. matriz essa que tem raízes no momentum precedente. resolver por largos anos o problema da sua falta na cidade. esgotou o seu capital nas obras. o Tejo virá a ser a grande solução para o problema da falta de água em Lisboa. nunca entre nós veio a ser posto em prática. porém. Tal. portanto. hipótese que. O reservatório da Patriarcal era alimentado por um sifão colocado no Aqueduto do Loreto. através de uma galeria. não reconheceu às águas do Tejo qualidade suficiente para serem introduzidas no abastecimento. o contrato entre o Governo e a nova companhia. a Companhia avançava com a hipótese de captar água no Tejo. O desenvolvimento científico e tecnológico não havia ainda atingido um estádio que permitisse fundamentar e levar à prática as opiniões de Carlos Ribeiro. havendo que construir uma estação elevatória na zona das nascentes. Companhia. de cota suficientemente elevada na Porcalhota. utilizando aqui o conceito desenvolvido por Thommas Hugges e que consiste na definição de cada tempo e cada sistema tecnológico como uma matriz cujos elementos componentes são o conhecimento científico e as técnicas. e pela mão do Engenheiro Joaquim Nunes de Aguiar. que não chega a estudar exaustivamente a questão mas que entende que a água. nos prazos estipulados. Fig. que. não se tendo. pôs fim à Companhia. captada acima de Santarém. Entretanto. não terem viabilidade. advogado e deputado conservador. dentro das galerias dos aquedutos do sistema das Águas Livres.. a partir daí. e solicitando novo prorrogamento de prazo ao Governo. Para abastecimento da zona alta.Interior do reservatório da Patriarcal. Companhia não conseguiu vencer as dificuldades que se lhe depararam. foi 18 . coadjuvado pelo Engenheiro Joaquim Pires de Sousa Gomes. continua a ser o do Aqueduto. económicos. dado o "salto epistemológico" para um novo paradigma tecnológico. 11 . contudo. Uma das propostas da Companhia incluídas no seu contrato era a da dupla canalização. funcionando. irá desenvolver o projecto do Alviela. À semelhança do que se praticava em Paris. Para isto. Do Pombal saía água para a cisterna da Penha de França através de um sifão colocado no Aqueduto do Campo de Santana. políticos. defende junto do Governo a solução da constituição de uma nova companhia. Mary projectou um sifão instalado dentro do Aqueduto das Águas Livres que. como a das nascentes da serra de Sintra. A captação de água na quantidade necessária para o abastecimento de Lisboa acarretaria graves prejuízos para a agricultura daquela região. conseguia trazer água sob pressão ao reservatório do Pombal. e dar suporte à derradeira alternativa que a Companhia afinal possuía. e perante as dificuldades da Câmara em satisfazer as necessidades da cidade. O projecto inicialmente delineado previa a condução das águas desde os Olhos de Água até um reservatório a construir numa zona alta fora da cidade. poderia ser filtrada pelas camadas naturais do leito do rio e poderia. o reservatório do Arco recebia directamente a água do Aqueduto. procedimentos administrativos. no Ministério das Obras Públicas. de recorrer aos rios que as banhavam. num outro estádio de desenvolvimento científico e tecnológico. introduzindo processos de depuração das águas que a tecnologia já possibilitava. mas também os aspectos sociais. 1.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa O Governo. Companhia das Águas o Governo. porém. de que Pinto Coelho será o Director. a gravidade para as fazer chegar a todos os pontos da cidade. e outra de qualidade inferior para regas e lavagens. e dado outras possíveis opções. A 1ª.8 A 2ª. a solução a adoptar seria semelhante àquela que outras grandes cidades haviam adoptado. Porém foi a opção do Governo face à apreciação feita das águas do Tejo. mas que prolonga os seus efeito em momenta subsequentes. que o delimita a sul. Já no final da sua curta existência. e estando esta acima da entrada das águas do Aqueduto. Carlos Zeferino Pinto Coelho. etc. era necessário dar elevação à água por meio de máquinas. provavelmente no Arco do Cego. já que o contrato estipulava que todas as novas águas a serem aproveitadas não deveriam ser de qualidade inferior às do Aqueduto das Águas Livres. Para Carlos Ribeiro. a quantidade de água a que se obrigara pelo contrato. homem que pertencera à 1ª. era proposta pelo General Carlos Ribeiro e que a Companhia rejeitara. Um século mais tarde. sempre que possível. Na zona média. Toda a acção da Companhia insere-se no mesmo paradigma anterior. apesar da adopção do princípio dos vasos comunicantes e do início do abastecimento domiciliário. Companhia das Águas e o Alviela No interregno entre a 1ª. e a 2ª. vendo-se ao fundo a galeria que o liga ao Aqueduto do Loreto Estes reservatórios recebiam água do Aqueduto. aliás. por Decreto de 23 de Junho de 1864. Tal opinião veio a acelerar a rescisão unilateral do contrato por parte do Governo. colocados.

inclusive. Na análise desta fase de industrialização do abastecimento de água. Havia que construir uma estação elevatória a cerca de 100 km de Lisboa. só em 1852 havia sido posto em vigor. correspondendo cada uma a uma superfície de aquecimento de 60 m².Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa celebrado em 27 de Abril de 1867. Aliás. Fig. 13 . Cada uma destas máquinas tinha uma capacidade de elevação de 1. num aqueduto até Lisboa. e aqui construir a estação que as elevava para as diferentes zonas a abastecer. Assim. haver já um comércio internacional de produtos industriais desenvolvido. ideia já anteriormente defendida por Pezerat. Porém. arrastando-se. acabou por 19 .900 m³ diários de água a uma altitude de 73 m acima do nível do poço de alimentação das bombas. foi a da construção de um reservatório e de uma estação elevatória no sítio do antigo chafariz da Praia. incluindo a perda de carga. a Companhia decidiu trazer as águas livremente. no máximo. à sua custa. e vai possibilitar. menor necessidade de construção de obras de arte. A primeira iniciativa da Companhia. para elevar para a Verónica. pela gravidade. Cada máquina podia produzir uma força de cerca de 23 cavalos-vapor de água elevada. A introdução da máquina a vapor no abastecimento de água em Lisboa representava um passo importante na evolução desta indústria. 1. De imediato os engenheiros Aguiar e Sousa Gomes ingressaram nos quadros da Companhia. havendo. a população a abastecer em cerca de 200. fornecendo à cidade um volume de água correspondente a uma capitação de 100 litros/dia/habitante. As máquinas eram alimentadas por três caldeiras de sistema vulgar. trazendo consigo os projectos já iniciados. as canalizações nas habitações. ou seja 30 cavalos-vapor sobre a árvore do volante. duas máquinas verticais de efeito duplo com dois cilindros. em Portugal. de expansão variável e de condensação. na zona ribeirinha oriental. o que diminuía os custos do projecto. no início da exploração. era a concretização do projecto do Alviela. denominada CAL .Máquina a vapor da Estação Elevatória da Praia Para esta estação a Companhia irá adquirir à casa Windsor & Fils. já que era necessário dar uma elevação de 54 m acima das nascentes para que a água conseguisse atingir a cidade no ponto pretendido. na Normandia.obrigando os proprietários dos prédios acima de um determinado nível de rendimento. por alguns anos. mas em que à Companhia. que leve os particulares a contratar o fornecimento de água .000 habitantes. a sua extensão às outras medidas. mas sobretudo face às eventuais avarias e consequentes necessidades de reparação das mesmas. no fim. de imediato. a Companhia alterou o projecto inicial. logo em 1868.o regulamento dos encanamentos particulares . O objectivo principal da constituição da Companhia. na Graça.Entrada das águas no canal Alviela no recinto dos Olhos d'Água Embora o canal fosse mais extenso. vindo a Companhia a ser declarada oficialmente constituída por Decreto de 2 de Abril de 1868. 12 . questões de natureza política que dificilmente foram ultrapassadas. essa expansão será inferior ao pretendido enquanto a Companhia não dispuser de um instrumento importante. de 75 quilogrâmetros. na periferia da cidade. O local escolhido para o reservatório de chegada e para a estação elevatória foi a cerca do convento dos Barbadinhos italianos. uma expansão significativa do abastecimento domiciliário. as vantagens deste novo projecto eram evidentes.Companhia das Águas de Lisboa. a construir. não só no que se referia à deslocação das peças das máquinas. computando-se. não podemos deixar de ter em consideração o facto de. engenheiros mecânicos estabelecidos em Ruão. ditas do sistema Woolf. Fig. e consumiam. as águas orientais que se perdiam para o Tejo. contemplado no contrato. A construção do sistema não se deu sem sobressaltos. e havermos entrado no caminho da normalização das peças e acessórios utilizados no abastecimento. O rigor e a universalidade necessários à industrialização demoraram bastante tempo a alcançar. agora.9 kg de carvão por hora e por força de cavalo-vapor. o sistema decimal para as medidas lineares. Quanto ao Alviela. o que era algo de bastante complicado para a época.

foram adquiridas à casa Windsor & Fils.Máquina a vapor da Estação dos Barbadinhos Cada máquina accionava. Ao fim de dois anos de batalhas judiciais. mais tarde. um de tríplice expansão. para o reservatório da Verónica. A estação elevatória foi inaugurada com três máquinas apenas. Aqui. que abastecia a zona baixa. colocadas simetricamente em relação ao eixo do balanceiro. quando veio a ter garantias de publicação do regulamento. havia diversos tipos de carvão de acordo com o tamanho.350 m³ por dia a 26 m de altura.000 m³ diários de água.000 m³. Companhia. 45% de carvão graúdo3.000 m³ em 24h a uma altura de 47 m. Cada uma das três máquinas deveria corresponder a uma força efectiva sobre a árvore do volante de 120 cavalos-vapor de 75 quilogrâmetros. A primeira máquina destinava-se a elevar um volume de água de 10. a uma altura de 77 m. misturando-se com as águas altas do Aqueduto das Águas Livres. de Ruão. com dois cilindros. sistema Worthington. instrumento previsto no contrato. com geradores de vapor cilíndricos. do sistema Woolf.000 m³ em 24 h. que viria ser colocada em 1889. Para a alimentação das máquinas foram adquiridas cinco caldeiras a vapor. Tratavam-se de máquinas verticais. retomou as obras. para além das águas altas e das águas orientais. e uma menor superfície de aquecimento. No que se refere à elevação da água.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa ser dada plena razão. através do sifão construído pela 1ª. ficando o espaço para uma quarta máquina. 15 . cada um. com dois grupos elevatórios. Fig. A oposição da sociedade fez-se sentir contra um regulamento deste tipo. A segunda e terceira máquinas deveriam elevar em conjunto um volume de 12. ou seja. em contexto semelhante. à semelhança do que iria acontecer. pelo menos. e vindo. na zona média. 14 . de um volume de 30. e havia que dispor de um instrumento legal que permitisse dar expansão ao desenvolvimento das infra-estruturas do abastecimento. dado que a Companhia havia já procedido às obras estipuladas no contrato de 1868. elevando 5. para conseguir a aprovação do regulamento. no Porto alguns anos mais tarde. A quarta máquina veio a ser colocada na sequência de um novo contrato celebrado em 29 de Outubro de 1888. acabando por ficarem sem efeito as sanções aplicadas à Companhia. Tratava-se da aprovação do regulamento das canalizações particulares. aproximadamente 83 litros de água por segundo cada máquina. a ser prorrogado o prazo de concessão pelo tempo de paragem das obras. vindo o sistema do Alviela a ser inaugurado em 3 de Outubro de 1880. passando a data do fim da concessão para 30 de Outubro de 1974. correspondendo. de efeito duplo. a uma superfície de aquecimento de 90 m². Estas máquinas eram alimentadas com o vapor produzido por duas caldeiras aqui-tubulares do tipo De Nayer. de balanceiro. de onde a água ia por sifão ao reservatório do Arco. directamente através do balanceiro. tendo que enfrentar processos em tribunal. 3 No comércio. Fig. acabou por parar as obras do Alviela em 1873.Fachada da Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos As máquinas. e de expansão variável. ou seja. e o outro de simples expansão. duas bombas verticais. Os construtores garantiam que o consumo de combustível não ultrapassaria 1. para a cisterna do Monte. para que ela chegasse à zona alta tornou-se necessário construir uma estação elevatória junto do reservatório do Arco. também do Pombal atingia a Penha de França. incluindo a perda de carga. na Graça. Um carvão mais miúdo teria. incluindo a perda de carga. pois tal imposição representava um atentado contra as liberdades constitucionais. aproximadamente 139 litros de água por segundo. em Lisboa. e sem o qual a Companhia não conseguiria garantir a sua sobrevivência económica. com. elevando 10. Dado que a água do Alviela agora chegava ao Arco e ao Pombal.200 kg de carvão por hora e por cavalo-vapor de 75 quilogrâmetros. a Companhia. Lisboa dispunha agora. de boa qualidade. por exemplo. certamente uma combustão mais rápida. 20 . à semelhança do que acontecera na estação da Praia. O carvão a utilizar deveria ser carvão inglês.

Neste contrato. ligação dos reservatórios da Verónica e da Patriarcal por um sifão. ano em que. e. sem poderes efectivos de regulação do sector. para abastecimento de água. Jerónimo. gás e electricidade. pois o caudal do Rio Tejo. com a construção da Avenida da Liberdade e das Avenidas Novas. e em 1883. e. Em 1885. por outro lado. Era necessário.000 m³.167 consumidores. as dificuldades crescentes levam ao fim destas companhias. duplicando a sua capacidade para 12. com a capacidade prevista para o de Santo Amaro. pelo contrato.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa A expansão do abastecimento domiciliário tornou-se uma realidade. vindo o da Ajuda a ser construído em S. portanto. dando elevados prejuízos. já tínhamos 27. Por essa mesma altura. onde a Câmara desferia fortes ataques à Companhia. baixava para níveis que punham em risco o abastecimento. com capacidade de 120.000 m³ diários. os engenheiros João Severo da Cunha e João Augusto Veiga da Cunha elaboram um projecto que visava a captação de água no Tejo. no sítio da Boa Vista. e da negociação do novo contrato de 1888 constaram a construção do reservatório de Campo de Ourique. do projecto de Ressano Garcia. sem que houvesse lugar para a concretização efectiva de uma obra de grande envergadura que resolvesse definitivamente o problema. para lavagens e para os esgotos da cidade. ideia que era defendida. de 4. na zona de Bucelas. aliás. com capacidade de 1. e no Ministério das Obras Públicas. proposta que foi rejeitada por carência de viabilidade técnica e económica. e. construção de um novo reservatório na Ajuda. Se antes de 1868 apenas 143 consumidores tinham água canalizada. 4 1. em 1900. um conjunto de obras que permitissem expandir o abastecimento. durante a Ditadura. em 1875 a 11. mas também pelo seu crescimento para norte. Este Conselho. Em 1915 foi encomendado ao Professor Choffat um estudo no sentido de se alterar o regime do Alviela nas nascentes. com a anexação a Lisboa dos concelhos dos Olivais e de Belém. defendido teses no sentido da organização de serviços municipalizados de abastecimento de água. A falta de água era uma realidade que se agravava de ano para ano. o Governo. com a municipalização do abastecimento de água do Porto. no entanto. aliás. Com o excesso de água que tinha.000 m³. a Companhia. água essa que seria depurada em filtros rápidos no sítio da Nora Alta.032. no final desse ano o seu número passara a 260. A expansão da cidade não apenas pela anexação dos antigos concelhos. caso da Compagnie Générale des Eaux pour l'Étranger. fiscal do Governo junto da Companhia. não se tendo vindo a construir este último.000 m³. três anos após a inauguração do Alviela. 1. O reservatório de Campo de Ourique veio a ficar concluído em 1900. procurando resgatar a concessão. 21 . se fecha este ciclo na indústria da água4. sendo algumas. estudo este que veio a ser realizado pelo Professor Ernest Fleury. trouxe novamente situações de carência. Restava o caso de Lisboa. de 1922. a água era fortemente mineralizada. a cidade ficou com uma população de 311. que durou até 1921. O País atravessava um período de grande instabilidade política e económica.540. num movimento de municipalização. como a do Porto. Guerra Mundial de 1914-18 e a consequente subida dos preços. pelo General Augusto Pinto de Miranda Montenegro. Porém. junto a Lisboa. reservava para si o direito de elevar água no Tejo. a construção de mais um compartimento no do Pombal. o Engenheiro Jesus Palácio Ramillo apresentou à Companhia uma proposta que consistia na construção de uma albufeira no Rio Trancão. estando a Companhia obrigada. fora criado. a Companhia decidiu proceder à montagem de uma moderna lavandaria industrial. não correspondeu às expectativas.10 As municipalizações do abastecimento de água e a sobrevivência da Companhia Após a constituição da Companhia. assentamento das canalizações necessárias para ligar os novos reservatórios. com sucessivas quedas do Governo. tinham-se. já num período em que se começam a sentir grandes dificuldades no abastecimento. que vivamente desaconselhou tal hipótese. o Conselho dos Melhoramentos Sanitários. teses que vêm a ver a sua concretização em 1927. a cerca de 3 km da confluência do Alviela. Num novo contrato celebrado em 18 de Julho de 1898. que dava à Companhia a exclusividade do abastecimento de água. a instabilidade continuou a fazer-se sentir. Dado que. apenas um órgão consultivo.009. foi sempre. levar de vencida a contenda.500 m³. no Verão. a custo. iniciativa que. conseguiu. em 1880 a 16. a Companhia obrigava-se a construir um reservatório em Santo Amaro. desde sociedades anónimas a sociedades em comandita ou em nome individual. não havia condições para a Companhia avançar com este projecto. a abastecer toda a cidade agora aumentada.471 habitantes. próximo de Sacavém. em 1870 a 4. ampliação da capacidade de elevação da estação do Arco para 7. levantavam-se objecções técnicas ao projecto. surgiram diversas empresas privadas de abastecimento de água um pouco por todo o País.9 O projecto de 1908 para captação de água no Tejo Em 1908. com a 1ª. No Congresso Nacional Municipalista. de estrangeiros. A nível nacional. Para além disso. mesmo após a implantação da República. no entanto a dívida da Câmara pelo excesso de água consumida para além da dotação gratuita era elevada. colocação da quarta máquina nos Barbadinhos. no Regueirão dos Anjos. pela mão do seu Director-Delegado Carlos Pereira.

Fig. Com o novo contrato de concessão. Em 1928 terá lugar a desactivação da estação elevatória a vapor dos Barbadinhos. que não vieram a ser concretizados. que fazia a fiscalização técnica e administrativa da CAL. na realidade. pensava a Companhia.Construção do reservatório da Penha de França 1. Dada a sua cota de soleira ser mais elevada que o reservatório do Pombal. 22181. com uma capacidade de elevação de 4. Em Novembro de 1943 a Comissão passou a designar-se por Comissão de Fiscalização das Águas de Lisboa. 260 e 215 CV. deixando de ser aproveitada a partir de Julho de 1938 por impotabilidade da água.500 m³ diários. Para este novo reservatório a água era elevada a partir dos Barbadinhos.11 Duarte Pacheco e o contrato de 31 de Dezembro de 1932 O grande salto em frente. Outros dois grupos. Estes trabalhos realizaram-se no decorrer do ano de 1925. os dois últimos grupos.000 m³ cada. movida por um motor de 95 CV de potência efectiva. através do Ministro das Obras Públicas. baixava a níveis bastante reduzidos. duas máquinas da fábrica suíça Sulzer. com uma potência efectiva de 90 CV cada. tinham sido colocadas em substituição das anteriores. resolvendo o diferendo com a Câmara através de mecanismos financeiros Fig. Nesta época já as máquinas eléctricas haviam dado entrada na distribuição. elevavam para a zona alta. para o Pombal. foi criada a Comissão de Fiscalização das Obras de Abastecimento de Água à Cidade de Lisboa. elevavam a água para os reservatórios da zona média.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa Entretanto. com a potência efectiva de 90 CV cada. tendo uma potência de. através da Penha de França regularizar também a zona alta ocidental. Engenheiro Duarte Pacheco. contudo. não veio a acontecer. Em 1932 tem lugar a construção do reservatório elevado da Penha de França. movidas por motores da também suíça fábrica Oerlikon.000 m³ diários e outro de 9. e para obviar às carências que se faziam sentir. A altura da elevação era de 98 m.000 m³ diários. por um dos grupos da zona alta. a 49 m de altura. para a Verónica. para abastecimento da zona alta oriental. as nascentes das margens da ribeira da Ota. bem como a construção de uma estação elevatória equipada com dois grupos. pelo Decreto nº.320 m³ diários a 73 m de altura. elevando para a zona baixa. com a capacidade elevatória unitária de 15. Em 1931 foi a vez da substituição das máquinas a vapor da estação elevatória da Praia por uma bomba horizontal GANZ. valor médio. na sequência do qual. em 1917. 16 . A nova estação albergava seis grupos elevatórios com bombas da fábrica francesa Rateau accionadas por motores suíços Brown Boveri. a 82 m.Estação Elevatória dos Barbadinhos . já que a produção das nascentes. respectivamente. A produção da estação. possuíam uma potência unitária efectiva de 160 CV. Finalmente. Para a estação a vapor elaboraram-se mais tarde projectos para a sua adaptação a um conjunto de grupos elevatórios movidos por motores Diesel. não excedia os 2. e a sua substituição por uma estação eléctrica. o que. de um novo contrato de concessão à Companhia.000 m³ diários. de 3 de Fevereiro de 1933. com a imposição pelo Governo. com 600 m³ de capacidade. Duarte Pacheco vai criar condições de sobrevivência à Companhia.000 m³ cada. a Companhia lançou mão de novos recursos. com uma capacidade elevatória de 15. variando com o movimento das marés. vai-se dar a partir de 31 de Dezembro de 1932. comissão pertencente ao Ministério das Obras Públicas. que lhe permitiam aumentar o caudal do Alviela em 8. 17 .900 m³ diários cada uma. e cujos motores possuíam uma potência de 215 CV cada.600 m³. verdadeira mudança de paradigma tecnológico. Um grupo com a capacidade de 12. na estiagem. pois na estação do Arco. com a capacidade de elevação de 12. de bombas centrífugas e unicelulares. o do Arco e o de Campo de Ourique.Sala das Máquinas 22 . movidas por motores Diesel pesados. podendo elevar um volume de 11.

A 2ª. fase. obra que foi executada logo em 1933. diários. Fig. Uma questão que houve que resolver de imediato foi a do aumento da capacidade de vazão do Canal Alviela. em Lisboa. para o efeito. o facto de. e com uma nova estação elevatória. o do Canal Tejo.000 m³. além de onerosas. Esta fase deveria ficar concluída até ao fim de 1936. Havia. próximo de Alcanhões.000 m³ nas camadas do Belaziano. em canal próprio. 23 . A ideia inicial de captar água na Boa Vista acabou por ser adiada.230 m³ cada. em Sacavém. A construção do Canal Tejo começou por um primeiro troço entre Sacavém e o Carregado. nas passagens dos vales. que construir uma segunda linha de sifões. possuir uma única linha de sifões. As águas do Tejo seriam beneficiadas com as águas do Zêzere. Por essa altura já o velho sifão de ferro sobre o Rio Trancão. já no projecto de 1908 estava prevista a filtragem das águas. havia sido substituído por um sifão passando por debaixo do leito do rio. afastando de vez o fantasma da municipalização. a capacidade efectiva de transporte era da ordem dos 30. seriam feitas as obras necessárias para a elevação das águas do Tejo na Boa Vista e a sua introdução. por meio de cinco furos de 350 m de profundidade.000 m³ diários. Na 3ª. uma estação elevatória que veio a ser equipada com dois grupos electro-bombas com a capacidade de elevação de 11.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa para a liquidação das dívidas desta pelo excesso de consumo. O programa de obras constantes do contrato estava dividido em quatro fases. A mesma companhia propunha-se igualmente captar água nos vales de Belas e Queluz. a executar quando o consumo particular atingisse 16 milhões de m³. com uma albufeira com a capacidade de 30 milhões de m³. a opção pela captação em poços de grandes profundidades torna-se uma realidade. Ainda em 1933 surgiu uma proposta da International Water Company para a captação de 20 a 25. Em Sacavém. A captação das águas de Alenquer provocou o abaixamento do nível das águas nos poços. armazenadas acima da confluência do Nabão. Depois de uma missão técnica dos engenheiros da Companhia a vários países estrangeiros. seria construído um dique. A 4ª.000 m³. e. Para além disso vai dar condições à Companhia para construir um novo grande sistema tecnológico. Era possível captar apreciáveis caudais de água nas aluviões do Tejo. a uma altura de 28 m. após depuração mecânica. no sítio da Nora Alta. construindo-se. com a abertura de mais três poços em 1949 embora apenas dois em regime normal de exploração. mas também das zonas atravessadas pelos canais e das zonas suburbanas.000 m³ de água diários. contudo as suas propostas. utilizando-se toda a capacidade de vazão do canal. não ofereciam garantias efectivas quanto aos caudais indicados. na região do Carregado. agora não só de Lisboa. havendo que criar formas de indemnização pelos prejuízos causados.000 m³ diários de água captada no Zêzere e introduzida no Canal Tejo. que vai ser recebida com entusiasmo pelo Engenheiro Duarte Pacheco. Em 1933 o caudal do Canal Alviela foi reforçado com as águas de Alenquer. autor do projecto de 1908. aliás.Antigo sifão do Alviela sobre o Rio Trancão. e uma potência de 70 CV. mais 55. no Alviela. e introduzidos no Canal Tejo. para o efeito. devendo-se os projectos aos Engenheiros João Severo da Cunha. Na 1ª. correspondentes a quatro momentos de ampliação do abastecimento. portanto. Espadanal. A captação de Alenquer veio mais tarde a ser ampliada. Estas obras deveriam estar concluídas em Junho de 1933. 19 . em funcionamento a partir de 1960. Quinta do Campo e na Lezíria. Embora na parte livre o canal tivesse uma capacidade de vazão da ordem dos 70. tendo dado lugar a um grande número de reclamações dos proprietários locais. fase. seriam trazidos do Zêzere. 18 . em Sacavém. fase compreendia as obras necessárias para aumentar a produção em mais 80. A obra foi entregue ao empreiteiro Waldemar Jara d'Orey.Construção de uma conduta forçada no Canal Tejo Fig. e Luís Veiga da Cunha. e última fase consistia na ampliação da capacidade de produção em mais 50. a executar quando o consumo particular atingisse 24 milhões de m³. apresentou uma proposta interessante ao Governo. pois a firma Layne & Co. que poderia ser também utilizado para a produção de energia eléctrica.

dos quadros da CAL. havia sido construída a estação elevatória. e. ao contrário do que inicialmente se observara. foi objecto de um processo contínuo. Herbard da construção experimental de um poço na Quinta do Campo. junto ao reservatório de chegada das águas do Canal Tejo.Quadro eléctrico de comando e controlo da Estação Elevatória dos Olivais Fig. Professor Ricardo Jorge. com sucessivas actualizações. a cloragem das águas não apenas em caso de epidemias. estas águas deixavam sedimentos de ferro e manganés nas condutas. em número de doze. pois da reacção do cloro com o alcatrão que revestia o interior dos tubos resultava a formação de clorofenóis que davam à água um sabor a fénico.000 m³ diários. que continua ainda no presente. face a uma série de epidemias de febres tifóides. 1. como Rebelo de Andrade. e a necessidade de assegurar a sua potabilidade. Iniciando-se em barracões provisórios.Captação de água . fachada principal 24 . nela vemos a intervenção de Jorge Barradas. sendo os grupos elevatórios de eixo vertical. A utilização do cloro levantou graves problemas. 22 . em 1897. Os equipamentos das diversas estações elevatórias dos poços apresentam características diferentes dos das outras estações. tornava-se necessário proceder à desinfecção das águas. na Quinta da Ché. W. O higienista português. 20 .Estação Elevatória dos Olivais. Fig. ligados aos tubos de aspiração das águas. Estes problemas vieram a ser ultrapassados com o aperfeiçoamento de um aparelho doseador do cloro na água. Um estudo de 1939 havia determinado já a capacidade elevatória exigida à estação. escultor que também. Os primeiros ensaios sistemáticos de cloragem das águas. a inauguração das suas instalações definitivas veio a ter lugar em 31 de Maio de 1948. tubos estes com dispositivos de filtragem nas suas paredes internas.12 Os problemas da qualidade das águas Em breve houve que proceder ao tratamento das águas. a própria colocação dos grupos elevatórios. Fig. A partir daí o processo de desinfecção das águas foi-se expandindo. tiveram lugar na cidade americana de Maidstone. da ordem dos 250. por ocasião de febres. em 1913. sendo em França utilizada uma solução de cloro. dados os conhecimentos entretanto adquiridos sobre as suas características. iniciativa da Comissão de Fiscalização das Águas de Lisboa. Olivais. celebra a chegada das águas do Tejo à cidade. pois.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa A adjudicação da construção dos poços acabou por ser feita à firma alemã Johann Keller. que apresentava condições mais vantajosas. monumento que. a água de Javel. 21 . temos a adjudicação à firma americana R. Projecto do Arquitecto Carlos Rebelo de Andrade. próximo de Vila Nova da Rainha. dadas as suas dimensões. Afonso Henriques. tem o seu nome ligado à Fonte Monumental. aparelho que havia sido concebido por Bunau-Varilla e modificado pelo técnico Bernardino Gomes de Pinho. Além desta firma. chegou mesmo a defender em meios internacionais. Por outro lado. mas de uma forma sistemática e preventiva. da Alameda de D.Grupo moto-bomba dum poço Entretanto em Lisboa.

Caso isso não tivesse sido feito. Como também foi referido. 1. 23 . e porque os custos de tratamento fossem bastante elevados face à pouca quantidade de água.000 m³. 25 . Com o tratamento. o passeio central do Aqueduto chegou a ser utilizado também como caleira. começou por meio de uma estação piloto.ETA de Vale da Pedra 25 . Na sequência de todo este progresso tecnológico. A água é elevada para uma estação de tratamento. em períodos de carência. construída durante as obras de construção da barragem. muito embora tivesse uma produção reduzida. a água das nascentes já não precisava de ser deitada fora através dos descarregadores. construída pela firma Degrémont.Laboratório Bacteriológico da Companhia das Águas de Lisboa Fig. que veio a ser inaugurada em 8 de Junho de 1965 com três grupos elevatórios. mais tarde. onde as águas do mar já não fazem sentir os seus efeitos. desafectar por completo do abastecimento o Aqueduto das Águas Livres. iniciativa do Engenheiro José Frederico Ulrich. com uma capacidade diária de 100. A captação de água no Tejo. fornecendo água de boa qualidade a Lisboa. lá estava a torre de captação de água. e. A estação de tratamento de Vale da Pedra. em Vale da Pedra. ou até mesmo impossível. e que corrigiriam a excessiva mineralização das águas do Tejo. menos mineralizadas. e que funcionou durante um ano. dos projectos de obras fazia parte uma clara opção pelas águas do Zêzere.Construção da torre de captação de água na Barragem de Castelo de Bode Na década de 40 tornou-se necessário projectar duas estações de tratamento para as águas do Aqueduto das Águas Livres. Porém. com correcção posterior em postos de cloragem dispersos pela rede de distribuição. filtrada e sujeita ao processo da floculação por meio de reagentes. construída em 1958. uma na Amadora e outra na Buraca. A determinada altura tornava-se necessária uma solução para o problema da falta de água. aspecto ainda mais agravado com a expansão do abastecimento para os concelhos limítrofes.000 m³ diários.Tejo ou Zêzere Como já atrás ficou dito. a CAL decidiu. onde a água é decantada. já em 1963 estava em funcionamento. a captação das águas das aluviões do Tejo veio a alterar profundamente os projectos de desenvolvimento do abastecimento de água. A opção clara da Companhia foi pelo Tejo. 24 . Fig.13 As duas opções em confronto . como constatam o químico Hugo Mastbaum e o geólogo Paul Choffat. em 1949.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa Fig. com a barragem cheia. Em 1959 arrancou o projecto para a estação definitiva. tal obra seria de muito mais difícil. águas cujo aproveitamento foi por diversas vezes defendido pelo Engenheiro Veiga da Cunha. a primeira opção do contrato de 1932 era pelas águas do Tejo. pois este continuava a ser parte dos sistemas de abastecimento de Lisboa. em 1967. captadas na Boa Vista. Algumas das suas nascentes já estavam inquinadas no século XIX. no dique de Valada. na barragem do Castelo do Bode. No entanto. uma vez que o abastecimento e a melhoria substancial das condições de salubridade arrastara um aumento significativo da população a abastecer. com uma capacidade de produção de 240. execução. e finalmente desinfectada por meio de cloro.

para permitir o início da sua realização por volta de 1970 e a sua entrada em serviço quando ficar saturada a capacidade de transporte do Canal do Tejo. a concessão da CAL terminou em 30 de Outubro de 1974. Mas ir ao Zêzere são mais 50 quilómetros e não se julgue que a água da albufeira não necessitaria tratamento. mais tarde. em vez dos três em que. e a serem conduzidas a Lisboa em adutor próprio. na albufeira do Castelo do Bode. que. pois a água não é elemento vital apenas para o consumo humano. Objecto de estudos posteriores. que a Companhia abastece em alta. feito em tempo útil. O parecer do Conselho Superior de Obras Públicas exarado no projecto da captação Tejo de Valada apontava mesmo para o Castelo do Bode. dar meio milhão de m³ diários. Também em Lisboa o crescimento urbano se fez sentir. O progresso verificado acelerou a consequente expansão urbana e industrial em toda a região de Lisboa. respectivamente. a braços com nova crise de falta de água. Não foram. agora com a componente "tratamento de água" a contribuir para a função "abastecimento de água".62 m. já então elevada para 400.000 m³ por dia. para o Zêzere. Mary. O Zêzere. correspondente à captação de Valada-Tejo. de Janeiro de 1950. inviável no curto prazo. a CAL encarasse outras hipóteses no curto prazo.40 m. fase. vai ter que se virar. sido abandonados. Com esta divisão garantia-se uma altura piezométrica mínima de 30 m. mas também motor de desenvolvimento económico e industrial. com pleno desenvolvimento das técnicas possibilitadas pelo conhecimento da Física. o projecto veio a ser concretizado apenas a partir de 1975. pois. inicialmente. Os estudos relativos ao aproveitamento das águas do Zêzere não haviam. no século XIX. e 95 m . São eles delimitados pelas curvas de nível de 0 m . no projecto que elaborara para a construção da captação de água do Tejo em Valada. à semelhança do que sucedera no Estudo Prévio para Ampliação do Abastecimento de Água à Cidade de Lisboa. de onde a água é elevada para Telheiras.95 m. muito embora. o que se deve verificar em 1974. publicado em Junho de 1962.000 m³ diários. 26 . a CAL vai poder abastecer uma área muito mais vasta. a dividira. a captação na albufeira não seria viável por impossibilidade de construção das fundações da torre.14 Expansão do abastecimento Com o sistema Tejo completo. Em 1986 foi o subsistema inaugurado com uma capacidade de produção de 375. sendo composto pela torre de captação. uma central elevatória situada a jusante da barragem. e um adutor que conduz a água a uma central elevatória construída em Vila Franca de Xira. 62 m . definitivamente.Barragem do Castelo de Bode 1. poderia. que o ministro José Frederico Ulrich mandou fazer. com a opção Tejo. da Geologia. às zonas baixa.15 A EPAL e o Castelo do Bode Como já atrás foi referido. conforme os estudos mencionados referem. vendendo depois estas a água aos consumidores particulares através dos seus Serviços Municipalizados. dando esta companhia lugar a uma empresa pública. afirmava: "Lá está no Zêzere a torre de tomada de água. 26 . projecto a ser "objecto de um estudo profundo. Em 1959 a CAL.120 m. uma estação de tratamento na Asseiceira. ainda em 1970. pois os exemplos bem conhecidos estão por toda a parte e o assunto foi já largamente debatido para não se discutir a necessidade da sua filtração". correspondentes. a EPAL. Acima dos 120 m. e para a captação nas albufeiras do Cabril e da Ponte da Bouçã. agora completa. como a execução de mais poços nos mouchões do Tejo. da Química. média. com esta 2ª. mais tarde.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1. Fig. pois. alta e superior. sendo-lhe dado especial relevo no Plano Geral de Abastecimento de Água à Região de Lisboa. ano em que termina a concessão da Companhia das Águas de Lisboa". e a cidade tem agora quatro andares. 40 m . abandonadas as águas do Zêzere. sucedendo-se os contratos com as Câmaras limítrofes. Para tal projecto havia-se procedido em 1972 à actualização do Plano Geral publicado dez anos antes. será criada a zona limite. (Quem sabe agora qual o aproveitamento que a torre pode vir a ter um dia?). em Lisboa.

abastece de água a quase totalidade do País.000 m³ diários através de um conjunto de obras que ficaram concluídas em 1996. 27 . A EPAL é hoje uma sociedade anónima. de água a um total de 26 municípios correspondentes a cerca de um quarto da população do País. 27 . de capitais exclusivamente públicos. e cujos testemunhos urge a todo o custo preservar como património histórico. da nossa memória colectiva.ETA da Asseiceira A partir de 1993 procedeu-se à ampliação do subsistema para uma capacidade de tratamento e adução de 500. que. com um conjunto de empresas multi-municipais. a Águas de Portugal. pela EPAL. e onde se encontra espelhado todo um conhecimento científico e tecnológico que é parte importante da nossa identidade. AdP. e encontra-se integrada num grupo mais vasto.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa Fig. o que possibilita hoje o abastecimento.Barragem do Castelo de Bode Fig. 26 .

Contratos de concessão [diversos anos].16 Referências bibliográficas Arquivo Histórico da EPAL CAL. sexto ano. 1963/64. e PENA.o caso de Lisboa. 1895. ps. Raul Fontes. ALMEIDA. Março-Abril. CAL. Projecto de captação de água no rio Tejo. XIX e XX. In Boletim da Direcção Geral de Agricultura.Tratamento de água.. nº.d. 53 . Obras consultadas ALVES. 1908. Relatório sobre o tratamento das águas de Lisboa elaborado pela Comissão nomeada pela Portaria de 12 de Novembro de 1938. nº. Janeiro de 1933. Considerações sobre zonas de distribuição . CAL. José Manuel. In Boletim dos Serviços Técnicos. ano XXIV. Boletim dos Serviços Sanitários . 1. 8. Plano geral de abastecimento de água à região de Lisboa. Separata das Comunicações da Direcção dos Trabalhos Geológicos. Junho de 1970. com a designação Boletim da CFOAACL]. Projecto de toma de água do Tejo na Boavista.95. Rede geral de distribuição. Abril de 1926. 117 . tomo III. Luís Veiga da Cunha. CHOFFAT. CAL. fascículo II. Relatórios da Direcção. Lisboa. Junho de 1962. CUNHA.[ Anteriormente a 1943. o Ministro das Obras Públicas de 29 de Outubro de 1948. por despacho de S. Separata da Revista da Ordem dos Engenheiros. Lisboa capital das águas. nº. Lisboa. Relatório. O abastecimento da capital pela água dos poços do Carregado. Lisboa. A nova instalação de cloragem das águas do grupo do Alviela. Projecto de reservatório elevado a construir na Penha de França e respectiva conduta de elevação. A iniciativa privada no abastecimento de água em Portugal . 8 de Junho de 1965. Paul. Estudo prévio para ampliação do abastecimento de águas à cidade de Lisboa. Câmara Municipal de Lisboa. A. CAL. Boletim da CFAL. AMARAL. anos XXIX . Lisboa. Abastecimento de água à cidade de Lisboa. Resumo das condições hidrogeológicas da cidade de Lisboa. Separata do Boletim da CFOAACL. As águas de Lisboa. CAL. José Joaquim. EPAL. Julho de 1938. VITAL.107. 28 . CAL. Evolução das estações elevatórias da Companhia desde a fundação à actualidade.séc. 1956. Lisboa. Les eaux d'alimentation de Lisbonne. Projecto de uma nova estação elevatória nos Barbadinhos. nº. CAL. MACHADO. 1944. EPAL. ps. Fevereiro de 1950.202. ps. s. Amaro de. 49 e 50 da Revista Municipal. Abril de 1958. CASEIRO. In Boletim dos Serviços Técnicos. ano I. Paul. Memória sobre os reservatórios de Lisboa. Julho de 1933. Lisboa. CHOFFAT. ps. Estudo para o abastecimento de Lisboa com água do Tejo. CAL. VITAL. Eloy do. 1952. em Valada. CAL. 1998. CAL. Lisboa. Luís Veiga da. Separata dos nº. Lisboa. Fase). Joaquim Ângelo Caldeira e FRAGOSO. 1940. 1938. CUNHA. 1958.XXX. CAL. Projecto de abastecimento de água à cidade de Lisboa.19. Situação actual do abastecimento. CAL. Separata da Revista da Ordem dos Engenheiros. CFAL. ano XXII. Luís Veiga da. Joaquim Ângelo Caldeira. durante a visita ministerial à estação piloto de Valada]. Perspectivas para os próximos dez anos. Lisboa. Raul. 13 .ª. G. Inauguração da obra de captação de água no rio Tejo. Março de 1929. Rapport entre leur origine géologique et leur composition chimique. Ministério das Obras Públicas. Companhia da Empreza das Águas de Lisboa. Lisboa. Ex. 1990 (texto policopiado). CAL. Lisboa. 85 . 1940. Notícia sobre o abastecimento de Lisboa com águas de nascentes e águas do rio: estudos e obras dos últimos cem anos. RODRIGUES. João Carlos. Academia das Ciências. Carlos. Memórias e outras histórias do Aqueduto das Águas Livres. RODRIGUES. CAL. Américo. 1923. CAL. CAL. Boletim dos Serviços Técnicos. Março de 1959. BRANCO. Lisboa. Congresso Nacional Municipalista de 1922. In Boletim dos Serviços Técnicos. 16. Projecto de introdução de água do Tejo no Canal do Alviela (1ª. 1955. Soares. Imprensa Nacional. Lisboa. 1898. 36. Relatórios da Direcção. Relatório da Comissão encarregada de estudar as novas captações para o abastecimento de águas a Lisboa e arredores.Serviços Sanitários.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1. CAL. CAL . CAL. Separata do Boletim da CFAL. O Rio Tejo deve contribuir para o abastecimento de água de Lisboa e zona sub-urbana [Palestra do Engenheiro-Chefe.

Separata de Notícias Farmacêuticas. Lisboa. Belém. nº. Massachussets. considerado tudo à luz das boas práticas e doutrinas. PINTO. 1. VITAL. 29 . ROSSA. 1942. Memória sobre o abastecimento das águas de Lisboa. oferecida à Exmª. Raul Fontes. Memória sobre o abastecimento de Lisboa com água de nascente e água de rio. 1989. Raul Fontes. Lisboa e as águas (Da Lisboa Ribeirinha às águas altas e ao Tejo e seus afluentes . ps. Bernard. Da solução para a falta de água ao impasse tecnológico. MONTENEGRO. MOITA. nº. Museu da Água da EPAL. e o que devem ser. 51-82. VITAL.175. e muitos lugares do termo. APAI. Câmara Municipal de Lisboa.. Ponta Delgada. Academia das Ciências. E. Ed. 1905. Além da Baixa: indícios de planeamento urbano na Lisboa setecentista. 2000. Notes et formules de l'ingénieur. Massachussets. Lisboa. O Aqueduto das Águas Livres. HUGHES. Raul Fontes. MIT. Memória sobre chafarizes. VITAL. Comunicação apresentada ao XVII Encontro da Associação Portuguesa de História Económica e Social. Comunicações. SMITH. Lisboa. 23. Imprensa Silviana. Luís Leite. Leo (eds. Paris. 1 e 2 de Outubro de 1999. In Arqueologia & Indústria. In BELOT. o que foram ou são. 1990.). Raul Fontes. Lisboa. Merritt Roe.54. 1853. 1853. In Boletim da Direcção Geral de Agricultura.). Raul Fontes. 51 . Memória sobre as águas de Lisboa. D. 1998. Ch. 1945. The social construction of technological systems. e organiz. Actas das Sessões. João V e o abastecimento de água a Lisboa. Robert. Ministério da Cultura. ps. EPAL. Câmara Municipal de Lisboa. Université Technologie de Belfort-Montbéliard et Berg International Éditeurs. 1.. 1895. 27 . Bernardino de.a dinâmica do abastecimento de água numa cidade em constante expansão). O esgoto. O desenvolvimento económico e as empresas de abastecimento de água em Portugal. Augusto Pinto de Miranda. II Colóquio Temático "Lisboa Ribeirinha". 2ª. in BIJKER. The evolution of large technological systems. Carlos. 1871. Walter. VIGREUX. MIT. RIBEIRO. VITAL. José Sérgio. (dir. Wiebe.. 1989. COTTE. MARX. Raul Fontes. In 1º. A cloragem das águas de abastecimento. Imprensa Silviana.a preservação do património museológico e dos arquivos. Reconhecimento geológico e hidrológico dos terrenos das vizinhanças de Lisboa com relação ao abastecimento das águas desta cidade. 1994. Carlos. Trevor (eds. Hugo. Encontro Internacional sobre Património Industrial e sua Museologia. a limpeza e o abastecimento das águas em Lisboa. Luís Veiga da. Academia das Ciências.). 1997.). VITAL. L'approvisionnement en eau à Lisbonne au XIXème siècle. Irisalva (dir. VITAL. 1998 (texto policopiado). GOMES. Lisboa. HUGHES. Thomas P. bicas. 71 . Pierre (dir. New directions in the Sociology and the History of Technology. Academia das Ciências. Imprensa Nacional. ano III. Comunicação apresentada ao XVIII Encontro da Associação Portuguesa de História Económica e Social. 21 . Separata da Revista da Ordem dos Engenheiros. 145 . RIBEIRO. Lisboa. Bernardino António. La Technologie au risque de l'histoire. Lisboa. MASTBAUM. PINHO. 2000. Lisboa. Câmara Municipal de Lisboa.29 de Novembro de 1997 (texto policopiado). pp.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa CUNHA. Lisboa.). História do abastecimento de água à região de Lisboa. Uma experiência na defesa do património. 1857.152. INCM/EPAL. Universidade dos Açores. Lisboa. Lisboa Julho de 1998. Michel et LAMARD. Estudo de uma estação de filtração de água potável.74. Lisboa. IPPAR. 1895. ps. sexto ano. Representações dirigidas a Sua Magestade a Rainha e ao Corpo Legislativo pela Câmara Municipal de Lisboa sobre o abastecimento de águas na Capital por meio de empresa. Paris. Thomas P. O Museu da Água da EPAL. PINCH. fontes e poços públicos de Lisboa. Novembro. nº. 1867. Os novos núcleos do Museu da Água . ps. Imprensa Nacional. Does Technology drive History? The dilemma of Technological Determinism. Lisboa. VELLOSO D'ANDRADE.

30 .

31 . Lda. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. Hidráulica e Ambiente. CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE HIDRÁULICA. BOMBAS CENTRÍFUGAS E REDES HIDRÁULICAS Autor: Paulo Ramísio Engenheiro Civil (FEUP) Mestre em Engenharia do Ambiente (FEUP) Assistente do Departamento de Engenharia Civil da Universidade do Minho Sócio da SBS – Engenharia Civil.

32 .

Sistemas Elevatórios. acompanhamento técnico e apoio à decisão em obras de engenharia com especial destaque para as obras de hidráulica e ambiente. projectos. consultoria. Hidráulica. SBS . Interceptores e Emissários. Residuais e Industriais (Redes de Drenagem.Engenharia Civil. Lda. Hidráulica e Ambiente. A investigação é orientada de modo a não só contribuir para o aumento dos conhecimentos numa determinada área científica mas também contribuir para a extrapolação dos resultados obtidos em estudos e obras no domínio da engenharia civil. 33 . Sistemas de Adução. • Infra-estruturas Hidráulicas e Energia (Aproveitamentos Hídricos e Hidroeléctricos. Desenvolve. Estruturas. Estações de Tratamento de Água. Geotecnia. • Infra-estruturas Prediais (Projecto e coordenação de todas as especialidades de engenharia. fundada a 28 de Fevereiro de 1996. Conta como principais áreas de actuação: • Abastecimento de Água (Captações. ainda. O Sub-grupo de Hidráulica tem como missão formar cientistas e engenheiros através de um estimulante e diversificado programa na área da mecânica dos fluidos. O Departamento de Engenharia Civil (DEC) da Escola de Engenharia tem a seu cargo o Curso de Licenciatura de Engenharia Civil. actividade de investigação nos domínios de Construções e Processos. • Águas Pluviais. Sistemas de apoio à decisão para o desenvolvimento sustentado da gestão dos recursos hídricos e desenvolver técnicas de modelação em laboratoriais e modelos computacionais. • Estudos Ambientais (Estudos de Impacte Ambiental. Materiais de Construção. o Mestrado em Engenharia Civil e disciplinas do Mestrado em Tecnologia do Ambiente. hidrologia. A SBS é uma empresa de consultoria em engenharia. Sistemas Elevatórios. engenharia sanitária e gestão dos recursos hídricos e contribuir para o aumento do conhecimento científico nas seguintes áreas preferenciais: Processos de transporte e mistura em ambientes naturais e sistemas de engenharia. Comemora actualmente o XXXI aniversário. Acompanhamento de Obras). Regularização Fluvial).Conceitos Fundamentais de Hidráulica. acompanhamento de obra e Fiscalização). Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Universidade do Minho A Universidade do Minho é uma universidade pública com autonomia administrativa e financeira. Planeamento e Arquitectura e Vias de Comunicação. Reservatórios e Redes de Distribuição). o Mestrado em Engenharia Municipal. Auditorias Ambientais. Tem desenvolvido a sua actividade na execução de estudos. Estações de Tratamento de Águas Residuais).

34 .

Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

O dimensionamento de um sistema de pressurização depende de uma grande parte do conhecimento dos fenómenos hidráulicos envolvidos. Neste capítulo serão analisados alguns princípios fundamentais da mecânica dos fluidos e a sua utilização na caracterização da curva característica da instalação e da curva característica de uma bomba centrífuga, conceitos essenciais para um bom desempenho de um sistema de pressurização.

2.1 Introdução

Logo, em termos de tensão unitária:

τ=

∆F ∆v =µ S ∆n

(2)

onde µ é o coeficiente de viscosidade dinâmica. A viscosidade dinâmica (µ) para um determinado fluido é determinada recorrendo a tabelas ou a gráficos enquanto que a viscosidade cinemática (ν) é expressa da seguinte maneira: (3) ν = µ /ρ onde ρ é a massa volúmica do fluido. A viscosidade cinemática nos líquidos varia apreciavelmente com a temperatura, sendo desprezável a influência da pressão. Sendo a viscosidade uma propriedade física que determina a resistência ao escoamento uniforme de um fluido, ela afecta a distribuição do esforço de corte destes. Analisando o comportamento dos fluidos em função do esforço e a velocidade de corte, podemos classificá-los da seguinte maneira: • Fluido Ideal - apresenta resistência nula à deformação; • Fluido Newtoniano - o esforço de corte é proporcional à velocidade de corte, sendo τ o declive da recta; • Fluido não Newtoniano - deforma-se de tal maneira que o esforço de corte não é proporcional à velocidade de corte; • Plástico Ideal - o fluido sustém, inicialmente, um esforço sem qualquer deformação, deformando-se posteriormente de forma proporcional ao esforço de corte; • Sólido Ideal - não ocorre deformação para qualquer valor de tensão. Os Fluidos Newtonianos são praticamente todos os líquidos orgânicos e inorgânicos enquanto que os Fluidos não Newtonianos podem ser classificados em pseudoplásticos, dilatantes, Bingham, etc.. Como exemplos de Fluidos não Newtonianos podem-se destacar a pasta de celulose, algumas tintas, borracha, etc…

2.2 Princípios da mecânica dos fluidos
2.2.1 Propriedades da água
2.2.1.1 Massa volúmica e peso volúmico
Massa volúmica e peso volúmico de uma substância são, respectivamente, a massa e o peso da unidade de volume dessa substância. Para os líquidos estas grandezas variam com a pressão e a temperatura. A água tem o valor máximo de massa volúmica à temperatura de 4°C, que à pressão atmosférica normal toma o valor de 1000 kg/m3. Considerando a aceleração da gravidade igual a 9,8 ms-2, o peso volúmico, à mesma temperatura será 9800 Nm3.

2.2.2 Viscosidade
A viscosidade dos fluidos traduz-se pela resistência que estes oferecem à deformação. Assim, no seu escoamento desenvolvem-se forças resistentes, que dão parte à dissipação de parte da energia mecânica possuída pelo fluido em movimento. Ao pretender modificar-se a forma de uma massa de fluido, observa-se que as camadas do mesmo se deslocam umas em relação às outras, até que se alcance uma nova forma. Durante este processo ocorrem tensões tangenciais (esforços de corte) que dependem da viscosidade e da velocidade do fluido. O comportamento de um fluido sob a acção de um esforço de corte é importante na medida em que determinará a forma como ele se movimentará. A fim de que se possa introduzir a noção de esforço de corte (tensão tangencial), torna-se necessário analisar as forças exteriores que actuam numa determinada massa de fluido sujeita à acção da aceleração da gravidade. Num fluido em repouso não existem tensões tangenciais e de acordo com a lei de Pascal a pressão num ponto é igual em todas as direcções. Nos fluidos em movimento, em que se manifeste a acção da viscosidade desenvolvem-se tensões tangenciais ou esforços de corte. A viscosidade é assim uma propriedade física que é definida como sendo a resistência de um fluido ao seu escoamento uniforme. Considere-se duas placas paralelas de fluido, S, que se movem a uma distância, ∆n, a uma velocidade relativa ∆v, a força necessária para o deslocamento será:

2.2.3 Compressibilidade
A compressibilidade dos fluidos traduz-se pela diminuição do volume ocupado por uma determinada massa de líquido quando aumenta a pressão a que esta está sujeita. De acordo com o seu comportamento sob a acção de uma pressão aplicada exteriormente os fluidos podem ser classificados da seguinte forma: • Incompressíveis - Se o volume de um elemento de fluido é independente da sua pressão e temperatura. Nos líquidos, devido às pequenas variações de pressão, podem-se considerar incompressíveis para a maior parte dos fenómenos.

∆F = µ S

∆v ∆n

(1)

35

Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

• Compressíveis - Se o volume de um elemento de fluido varia com a sua pressão e temperatura, como acontece nos gases. Note-se contudo que nenhum dos fluidos reais é completamente incompressível. No entanto, os líquidos podem ser encarados como tal para efeitos de estudo de grande parte das aplicações práticas. É no entanto importante realçar que em alguns fenómenos, como por exemplo na análise do choque hidráulico, deve ser considerada a compressibilidade do fluido.

2.3.2 Classificação dos escoamentos
2.3.2.1 Variados, permanentes e uniformes
O escoamento é variável se, numa dada secção transversal, a velocidade média e o caudal variarem com o tempo. O escoamento é permanente se, em qualquer secção transversal, a área da secção líquida e a velocidade média (e, portanto o caudal) forem invariáveis com o tempo. Num escoamento permanente a velocidade pode variar de ponto para ponto, mas, em cada ponto, mantém-se constante ao longo do tempo. Um escoamento uniforme é um movimento permanente em que a velocidade é constante ao longo de uma mesma trajectória (em módulo, direcção e sentido). Pode então dizer-se que o escoamento é uniforme se as trajectórias forem rectilíneas e paralelas e se a área da secção líquida, S, a velocidade média, V, forem invariáveis com o tempo e a secção transversal considerada. O movimento uniforme só é possível em condutas e canais de eixo rectilíneo e de secção constante. Escoamentos transitórios são escoamentos que se estabelecem na transição entre duas situações de escoamentos permanentes.

2.2.4 Tensão de saturação do vapor de água
Quando a pressão num ponto de um líquido desce até à respectiva tensão de saturação de vapor, o líquido entra em ebulição. A tensão de saturação do vapor de um líquido, tv, varia em função da temperatura. A tensão de saturação de vapor para a água à temperatura de 20°C é de 2330 N/m2, e à temperatura de 100°C iguala a pressão atmosférica normal. No escoamento de líquidos aparecem, em certas condições, zonas em que a pressão desce até à tensão de saturação de vapor, formando bolhas de ar, indicadoras da ocorrência do fenómeno de cavitação.

2.3.3 Equação da continuidade
A equação da continuidade estabelece o princípio da conservação da massa. Assim entre duas secções transversais, num escoamento permanente de um fluido incompressível sob pressão, mantém-se constante ao longo do tempo o volume do líquido entre as duas secções. Considerando uma tubagem com vários troços de diâmetros diferentes, verifica-se que o caudal de fluido é sempre constante em toda a tubagem. Define-se então caudal mássico (Qm) como a massa de fluido transportada (m) por unidade de tempo (t) e será igual a:

2.3 Conceitos fundamentais de hidrocinemática e hidrodinâmica
2.3.1 Conceitos básicos
Define-se trajectória de uma partícula como o lugar geométrico dos pontos ocupados pela partícula ao longo do tempo, enquanto que linha de corrente num determinado instante será a linha que goza da propriedade de, em qualquer dos seus pontos, a tangente respectiva coincidir com o vector velocidade no mesmo ponto e nesse instante. O caudal, será o volume que, na unidade de tempo, atravessa uma secção efectuada num escoamento por uma superfície, se esta for normal em todos os seus pontos à velocidade do escoamento. Assim, o caudal, Q, será:

Q × v1 = Q × v2 = Q × v3

; v1 xAi1 = v2 × Ai 2 = v3 × Ai 3 = v ×(5)

A expressão (5) é designada por equação da continuidade. O termo continuidade deriva do facto de o caudal em todos os troços ser constante. Em termos de caudal mássico (Qm = cont.), Qm1 = Qm2 = Qm3 = Qm ⇔ ρ.v1.Ai1 = ρ.v2.Ai2 = ρ.v3.Ai3 = ρ.v.Ai (6)
D2 D1 D3

Q = ∫ v ds

(4)

Velocidade média, V, (numa secção normal em todos os pontos à velocidade do escoamento) velocidade de um escoamento que, com velocidade uniforme na secção, transporta um caudal igual através da mesma secção.

L1
Fig. 1 - Condutas em série

L2

L3

36

Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

Nestas circunstâncias, facilmente se depreende que o caudal escoado é o mesmo em cada troço de conduta com características distintas, e que a perda de carga total é dada pela adição de todas as perdas de carga parcelares: Q = U1 x S1 = U2 x S2 = ... = Un x Sn
∆H = ∑ ∆H i = ∑ J i × Li
i =1 i =1 n n

(7) (8)

O teorema de Bernoulli representa uma equação de balanço de energia pois iguala a variação da energia mecânica total entre duas secções de um tubo de corrente ao trabalho realizado pelas forças locais de inércia (nulas em regime permanente) e de resistência ∆H. Na prática, pode-se considerar: * β1 = β2 = 1,0 → Coeficiente de distribuição de pressão (campo de pressões do tipo hidrostático condutas de pequeno e médio diâmetro). * α1 = α2 = 1,0 → Coeficiente de energia cinética ou de Coriollis, distribuição de velocidades - consideração de velocidades médias (1,00 ≤ α ≤ 1,15). A parcela ∆B corresponde a troca de energia com o exterior: +∆B ⇒ cedência de energia (turbina) -∆B ⇒ ganho de energia (bomba). A parcela ∆H representa o trabalho das forças resistentes por unidade sendo a soma das seguintes parcelas:

2.3.4 Teorema de Bernoulli
Considerando um regime estacionário (as variáveis do processo, como por exemplo, pressão, temperatura, volume, etc. permanecem constantes ao longo do tempo), num fluido Newtoniano e incompressível, a energia específica total duma partícula é igual à energia mecânica total da partícula por unidade de peso e apresenta três componentes:

p v2 E = z+ + γ 2g

(Trinómio de Bernoulli)

(9)

Dimensionalmente cada parcela corresponde a um comprimento pelo que é assimilável a uma soma de "alturas":

[E ]= [F ]× [L] = [L] [F ]
O significado físico de cada parcela será o seguinte:

∆H = ∆H p + ∑ ∆H L
com,

(11)

∆H → Forças resistentes totais por unidade de peso (perdas de carga totais) ∆Hp → Perda de carga uniforme (contínua ou principal)

z

= cota da partícula em relação a um plano de referência (energia potencial de posição da partícula por unidade de peso)

∑ ∆H

L

p = altura piezométrica: energia potencial de pressão por γ unidade de peso da partícula; v2 = altura cinética: energia cinética por unidade de peso 2 g da partícula com velocidade v.
Assim, define-se Linha Piezométrica como o lugar geométrico dos pontos em que a sua cota é a soma da cota topográfica e da altura ( z + (ou Energia) será o lugar geométrico dos pontos cuja cota será a soma da cota topográfica, a altura piezométrica e a altura cinética ( z +
p v2 + ). γ 2g
p ). Analogamente, a Linha de Carga γ

→ Somatório de perdas de carga localizadas (concentradas acidentais)

Estes parâmetros serão analisados em detalhe em pontos seguintes.

2.3.5 Teorema da quantidade de movimento ou de Euler
O teorema de Euler ou da quantidade de movimento (TQM) é na Mecânica dos Fluidos e, portanto, na Hidráulica o correspondente ao teorema da quantidade de movimento da Mecânica e pode enunciar-se da seguinte maneira: Para um volume determinado no interior de um fluido, é nulo em cada instante o sistema das seguintes forças: peso, resultante das forças de contacto que o meio exterior exerce sobre o fluido contido no volume, através da superfície de fronteira, resultante das forças de inércia e resultante das quantidades de movimento entradas para o volume considerado e dele saídas na unidade de tempo. O TQM ou de Euler tem um duplo interesse prático: 1º) Calcular esforços sobre as tubagens e/ou paredes (caso dos jactos).

O teorema de Bernoulli refere que no caso de um fluido incompressível em regime permanente, em que se possam desprezar as forças de atrito e, consequentemente as perdas de energia, mantêm a carga total de uma partícula ao longo de uma trajectória. O Teorema de Bernouli aplicado a fluidos pesados e incompreensíveis, em regime permanente, toma a seguinte forma:
( z1 + β 1 p1 U p U + α 1 ) s1 − ( z 2 + β 2 2 + α 2 ) = ∆H ± ∆B 2g 2 g s2 γ γ
2 1 2 2

(10)

37

Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

2º) Calcular perdas de carga localizadas em troços curtos (curvas, derivações, mudanças de secção) onde se conhecem as condições nas secções de entrada e de saída. Particularizando a aplicação do Teorema de Euler a movimentos permanentes de fluidos pesados e incompressíveis em tubos de corrente e as tensões tangenciais são desprezáveis, a acção do líquido sobre a superfície de contorno será uma força, dada pela seguinte expressão vectorial: r r r r R = - ( ρ × Q × U + p × S ) n - ( ρ × Q × U + p × S ) n + γ (12)
1 1 1 1 2 2 21 2

2.4.2 Perdas de carga contínuas
No regime uniforme, as trajectórias das partículas são paralelas às geratrizes do contorno. Se considerarmos condutas de comprimento L elevado (L >100 x D, em que D é o diâmetro da conduta) e características geométricas (direcção, rugosidade, forma e dimensão da secção transversal) constantes, poder-se-á considerar que : i ) a distribuição de pressões numa secção transversal é do tipo hidrostático (β=1). ii ) o coeficiente de Coriollis é constante ao longo da conduta (α=1) . iii ) a perda de carga (∆H) entre duas secções é proporcional à distância (L) entre elas, sendo constante o coeficiente de perda de carga (ou perda de carga unitária) ao longo da conduta, J. Sabendo que a perda de carga contínua (ou principal) depende ainda das características físicas do fluido, teremos: J = ƒ(ρ, U, D, ν, το,Ke) em que: J - perda de carga contínua por unidade de comprimento; ρ - massa volúmica do fluido; U - velocidade média na conduta; D - diâmetro da conduta; ν - coeficiente de viscosidade cinemático do fluido; το - tensão junto à parede da conduta; Ke - rugosidade equivalente da conduta, em termos da perda de carga provocada pelas várias rugosidades do material da conduta. Recorrendo à Análise Dimensional é possível estabelecer uma relação entre aquelas grandezas, chegando-se (escolhendo ρ,U,D para unidades fundamentais) à expressão geral das perdas de carga contínuas (ou fórmula universal) em condutas circulares: (14)

em que: r r n1 e n2- são os versores da direcção normal às secções de entrada e saída (S1 e S2), com o sentido positivo dirigido sempre para o exterior do volume em estudo. r γ - peso do volume de fluido em estudo.
U 1 , U 2, p1 , p2 - Velocidades médias e pressões nas secções 1 e 2.

2.4 Escoamentos sob pressão em regime uniforme e permanente
2.4.1 Escoamentos laminares e escoamentos turbulentos
Existem dois regimes de escoamento de fluidos: laminar e turbulento. O regime laminar é caracterizado por trajectórias regulares das partículas, não se cruzando trajectórias de partículas vizinhas. No escoamento turbulento, a velocidade num dado ponto varia constantemente em grandeza e direcção, sem regularidade. As trajectórias são extremamente irregulares. A relação entre as forças de inércia e a força de viscosidade sobre a partícula pode ser expressa pelo número de Reynolds através da seguinte expressão:

V ×D (13) ν O número de Reynolds define as condições de semelhança quando a natureza das forças intervenientes se limitam às indicadas (caso de escoamento de líquidos no interior de condutas em pressão). Re =
Para valores de Reynolds superiores a 2500 o escoamento é geralmente turbulento e para valores inferiores a 2000 o escoamento é normalmente laminar. A quase totalidade das aplicações de sistemas de pressurização encontra-se em regime turbulento.

J=

λ U2 × D 2g

(15)

em que : λ - coeficiente de resistência (adimensional); g - aceleração da gravidade; D - diâmetro da conduta; U - velocidade média na conduta.

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4. define-se para essas condutas.7 λ Re× λ (17) Para aplicação dos estudos em laboratório (baseados numa rugosidade teórica artificial .Conceitos Fundamentais de Hidráulica. nas aplicações práticas de engenharia encontram-se neste domínio e o coeficiente de resistência pode ser estimado pela seguinte equação: 1 2. sem depender da rugosidade da conduta. para cada valor de (ε/D). com suficiente rigor. Nikuradze considerou uma rugosidade teórica (ε) correspondente à dos grãos de areia (calibrada) colados às paredes de tubos lisos. conduz os mesmos valores que foram obtidos experimentalmente com ε.51 ε /D = −2 log( + ) 3. corresponde a um parâmetro adimensional . III. por via gráfica O emprego da fórmula universal foi bastante simplificada com o aparecimento de diagramas como o de "Moody". Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2. uma rugosidade equivalente (ke). a) Determinação de l. turbulento de transição e turbulento rugoso. que substituída na expressão de cálculo de λ. 2 . concluiu que o primeiro depende do segundo e de outros parâmetros (adimensionais) que caracterizam as asperezas das paredes do tubo. III e IV correspondem aos regimes turbulento liso. A determinação do coeficiente de resistência pode ser obtido pela representação gráfica das experiências de Nikuradse ou por via analítica.1 Determinação do coeficiente de resistência Os valores do coeficiente de resistência (λ) podem ser obtidos através das equações de Prandtl e Von Karmann .ε) às condutas comerciais.rugosidade relativa (ε/D). Fig. O valor de λ é obtido através da utilização do número de Reynold e do valor de rugosidade relativa k/D como parâmetros. que através da representação gráfica daquelas funções implícitas. A variação de λ com Re apresenta.e comprovados através das experiências de Nikuradze. • Os intervalos II. permite a determinação expedita dos valores de λ. onde D é o diâmetro interno da tubagem em mm e k é a rugosidade equivalente da superfície em mm. IV) com leis de variação distintos: • O intervalo I corresponde ao Regime laminar (Re < 2000 a 2500) onde se verifica uma variação linear de λ e Re. que dividida por D.2. Nikuradze ao variar o factor de resistência com o número de Reynolds. quatro intervalos (I.teoria da turbulência .Diagrama de Moody para a determinação do coeficiente de resistência 39 . sendo: λ = 64 / Re → Fórmula de Poiseuille (16) A grande maioria dos escoamentos de fluidos. II. ZONA DE TRANSIÇÃO FACTOR DE ATRITO λ TUBAGEM LISA CAUDAL LAMICAUDAL TURBULENTO NAR RUGOSIDADE RELATIVA DA SUPERFÍCIE K/d NÚMERO DE REYNOLD Diagrama de Moody para estabelecer o factor de atrito λ. em regime turbulento rugoso.

em trechos pequenos da conduta em que se quebra a sua uniformidade. que permitem chegar a uma expressão geral para este tipo de perdas de carga. conhecendo-se os caudais e os diâmetros é possível de imediato o cálculo das perdas de carga.5 Redes hidráulicas 2. …) encontra-se bem documentada em inúmeras publicações de hidráulica.diâmetro da conduta (m). como por exemplo pela Fórmula de Colebrook-White: k /D 1 2. mudanças de direcção. λ. λ. EMALHADA só com malhas só com condutas em série com condutas em série e com malhas 2. 2. Re . Em regime variado há uma variação de caudal ao longo do percurso. através de fórmulas práticas (expressões empíricas.. etc. podemos considerar os seguintes tipos de redes: QUADRO 1 . formando feixes ou malhas de condutas.número de Reynolds (adimensional). por via analítica Para cálculos mais exactos o cálculo do coeficiente de resistência.4. . b) Determinação de l. válvulas. deve ser realizado por via analítica por equações de reconhecida validade. Diz-se que uma conduta tem distribuição de percurso quando sofre uma variação de caudal ao longo do seu percurso (escoamento em regime permanente variado). ke . quer sob a forma de ábacos ou tabelas apenas são válidas dentro das condições particulares em que foram definidas. Quanto à sua constituição. em cada troço. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas É importante relembrar que a determinação do coeficiente de resistência.)..6. Nas redes emalhadas o conhecimento do valor e sentido dos caudais. válidas apenas em certas circunstâncias .1 Regime uniforme e permanente Em regime uniforme e permanente.coeficiente de resistência (adimensional). Chama-se caudal unitário de percurso (q) ao parâmetro que traduz a variação média do caudal ao longo da conduta: 2.3 Perdas de carga localizadas As perdas de carga localizadas ocorrem em singularidades das condutas. A determinação dos coeficientes de perda de carga em diferentes singularidades (estreitamentos e alargamentos suaves. seleccionando o diâmetro pode-se de seguida calcular a velocidade e perda de carga.6 Cálculo hidráulico 2.5. ou seja.1 Classificação das redes hidráulicas As redes de condutas consideram-se sistemas complexos porque são constituídas por tubagens ligadas em série e/ou paralelo. por considerar por exemplo os consumos domésticos. secção transversal. são obtidos após o equilíbrio da malha através da Lei da Continuidade (em cada nó os caudais afluentes devem igualar os caudais efluentes) e Lei das Malhas (numa malha a soma algébrica das perdas de carga em todas as condutas deve ser nula). q= Qm − Qj ⇔ Qm = Qj + q × L L (20) 40 . sendo determinado experimentalmente para cada tipo de singularidade. as perdas de carga são contabilizadas considerando que o escoamento se faz em regime permanente variado. quer sob a forma analítica.51 K (18) = −2 log( + ee ) 3. temperatura.7 λ Re× λ Em que: Estes sistemas aparecem normalmente nas redes de abastecimento de água municipais ou industriais e nas redes de combate a incêndios. material das paredes do contorno sólido. A determinação analítica destas perdas de carga localizadas (∆HL) baseia-se na aplicação dos Teoremas da Quantidade de Movimento e de Bernoulli.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. etc. ∆H L = K L × U2 2g (19) em que KL é o coeficiente de perda de carga localizada.fluido. algumas das quais serviram de base ao presente texto e que se encontram referenciadas nas referências bibliográficas.TIPOS DE REDES TIPO DESCRIÇÃO DISTRIBUIÇÃO DE PERCURSO sem com sem com sem com REGIME DO ESCOAMENTO PERMANENTE uniforme variado uniforme variado uniforme variado λ . o caudal é constante logo. Logo.rugosidade equivalente (m): D . exprimindo-as como percentagem da altura cinética (U2/2g): RAMIFICADA MISTA Nas redes ramificadas a direcção do escoamento é única e portanto conhecida. Chama-se nó ao ponto de intersecção de três ou mais condutas e malha a todo o circuito fechado constituído por três ou mais condutas ligadas em série. Estas perdas de carga dependem de diversos factores relacionados fundamentalmente com as características do escoamento a montante e a jusante da singularidade.

Selecção do diâmetro mais económico. As perdas de carga têm variação quadrática com o caudal. conforme se representa na Fig. Qm . O processo de dimensionamento consiste em determinar o diâmetro que minimize a soma dos custos de investimento com os de energia (não se consideram outros custos de exploração). Os custos de investimento são directamente proporcionais ao diâmetro instalado e os consumos de energia inversamente proporcionais ao mesmo valor. 2. . para efeito do cálculo das perdas de carga. L .6 a 1. Será em cada ponto a soma da altura geométrica com todas as perdas no sistema para esse caudal. Para tal acontecer os custos associados aos diâmetros extremos seleccionados deverão ser superiores a pelo menos um dos custos associados a um dos diâmetros intermédios. a altura de elevação necessária para esta instalação. Tal facto dificulta o cálculo das perdas de carga em cada trecho da conduta.7 Dimensionamento económico de condutas Apresentam-se neste ponto os passos fundamentais para o desenvolvimento dos cálculos que permitem seleccionar os diâmetros económicos das condutas. . Especialmente nos diâmetros mais pequenos a alteração de um diâmetro para o da série comercial imediatamente inferior poderá representar alterações significativas em alguns parâmetros de controlo. para cada caudal.Adição dos custos anteriores para os diversos diâmetros seleccionados e verificação de que o conjunto de diâmetros seleccionados contém o diâmetro (comercialmente disponível) mais económico. em regime uniforme e permanente. apresentando a curva característica da instalação a forma apresentada na figura 4.caudal no extremo de montante.Curva característica da instalação Fig. H = f (Q ) → H man = H geo + ∑ J i × Li + ∑ ki × U 2g 2 2 (22) Altura Perdas de carga Perdas de carga   V2  ∑ K i i + ∑ J i × Li    2g   Altura geométrica Caudal Fig.5 m/s) e de critérios de velocidade mínima e máxima. . 4 . 2. 3.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. 41 .Variação dos custos de investimento e energia com o diâmetro de condutas.8 Curva característica da instalação A curva característica da instalação será a curva que traduz.Selecção de um conjunto de diâmetros (comercialmente disponíveis) a partir de velocidades médias (0.caudal no extremo de jusante. em movimento uniforme e para um dado diâmetro. há uma variação do coeficiente de perda de carga. (actualizados ao ano 0) .caudal unitário de percurso.Cálculo dos custos de investimento em função dos diâmetros seleccionados.55 × q × L (21) Trata-se de um caudal fictício que.Cálculo dos custos de energia do período de vida da obra. Havendo uma variação da velocidade ao longo da trajectória. Com esta simplificação o cálculo hidráulico de regime permanente variado é transformado.comprimento da conduta. Os passos fundamentais a seguir nos cálculos a efectuar são: . Bresse ultrapassou esta dificuldade considerando um caudal equivalente ( Qe ): Qe = Qj + 0. Qj . Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Em que: q . conduz ao mesmo valor da perda de carga que a verificada em regime permanente variado. que se traduz numa variação parabólica da linha de energia. 3 . uma vez que a perda de carga aumenta de forma quadrática com a velocidade e esta aumenta igualmente de forma quadrática com o diâmetro. considerando os caudais que realmente circulam na rede.

• Sistema de refrigeração. 5 . Quanto à posição do eixo: a) Eixo horizontal. A energia cinética do fluido aumenta do centro do rotor para a ponta das palhetas propulsoras. • Sistema de lubrificação. Fig.3 Curva característica da bomba A equação básica da bomba é utilizada para calcular e desenhar formas geométricas e dimensões. Quando se deseja ter uma combinação de pressão total e capacidade que não se enquadra numa bomba de um só estágio. assim como para deduzir a curva Q/H da bomba centrífuga.Corte numa bomba multicelular Muito resumidamente. • Motor eléctrico. b) De andares múltiplos: quando existem vários impulsores. • Veios condutores. o que permite transmitir a energia ao líquido para este adquirir o aumento de pressão desejado. b) De sentido retrógrado: se o eixo da bomba roda no sentido horário. As bombas multiestágio podem ser consideradas como bombas com vários estágios simples. 2. montadas sobre o mesmo eixo e com descargas em série. melhorando a eficiência da bomba. usa-se uma bomba multiestágio. a descarga de uma bomba dum estágio é injectada na admissão de uma bomba de um segundo estágio. Esta energia cinética é convertida em pressão quando o fluido sai do impulsor e entra na voluta ou difusor. Normalmente o propulsor é considerado o coração da bomba. Uma bomba centrífuga com um só rotor é uma bomba de um único estágio (ou andar). O fluido entra na bomba nas vizinhanças do eixo do rotor propulsor e é lançado para a periferia pela acção centrífuga. Nesta situação. são as seguintes: • Corpo da bomba. a bomba é constituída por um rotor que gira no interior de uma carcaça.9. as principais peças constituintes de uma bomba centrífuga. Quanto ao sentido de rotação: a) De sentido directo: se o eixo da bomba roda no sentido anti-horário. • Propulsor ou rotor. onde se preserva a pressão do primeiro. Veios condutores fixos no corpo da bomba podem ajudar a dirigir o fluido.Forma típica do corpo uma bomba centrífuga 2. sendo constituída por um disco que roda a alta velocidade. b) Eixo vertical.º de impulsores: a) De um só andar: quando têm um só impulsor.9 Bombas centrífugas 2. c) Eixo inclinado. 42 . A Figura 3 ilustra uma alheta de um impulsor e os respectivos vectores de velocidade. Fig.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. 6 . O fluido depois de entrar no segundo estágio terá um aumento de energia sob forma de aumento de pressão e assim sucessivamente.2 Constituição Na sua forma mais simples.9.9.1 Definição Uma bomba é denominada centrífuga quando a direcção de escoamento do fluido é perpendicular à do eixo de rotação da hélice e podem ser classificadas da seguinte forma: Quanto ao n. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2.

componente tangencial da velocidade absoluta do líquido vu e componente radial vm . Se a curva Q/Ht∞ for traçada. w = velocidade relativa à alheta. vu1 = v1 cos α1 e vu2 = v2 cos α2 Partindo do princípio que o caudal não tem perdas e que o número de alhetas é infinito (∞). são representados os vectores velocidade nos bordos de ataque e fuga. Ht∞. Para além disso. Fig. a equação de Euler para uma bomba real tem o seguinte aspecto: ηh (ku2vu 2 − u1vu1 ) (24) g É possível mostrar que ηh e k são menores que a unidade. rencia o princípio do número infinito de alhetas que garante o direccionamento completo do líquido. 7 . onde: v = velocidade absoluta do líquido. logoνu1 = 0. vu = componente tangencial da velocidade absoluta.Representação dos vectores velocidade na alheta do impulsor Na figura 7. Assim sendo. Velocidade absoluta do líquido v. visto que existem sempre perdas por atrito e o número finito de alhetas não direccionará o caudal completamente na direcção da alheta. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Alheta de impulsor de bomba com os vértices de velocidade nos bordos de ataque e fuga. Esta relação é conhecida como equação de Euler e é expressa do seguinte modo: Numa bomba real. vm = componente radial da velocidade absoluta. velocidade periférica da alheta u. a equação básica da bomba é simplificada para: uv H t = kη h 2 u 2 (25) g A altura manométrica ideal obtida pela equação de Euler é independente do caudal Q. A redução de pressão causada por perdas no escoamento é tomada em consideração pelo rendimento hidráulico e a redução devido ao desvio do caudal de uma ângulo ideal β2 é contabilizado por um coeficiente de alheta k. u = velocidade periférica da alheta. Com estas modificações. é indicado por uma linha recta. A velocidade relativa é paralela à alheta em qualquer ponto. 43 .Conceitos Fundamentais de Hidráulica. velocidade relativa w. Ht = As bombas centrífugas são normalmente concebidas com α1 = 90°. é possível derivar a familiar teoria da equação básica da bomba utilizando as leis da mecânica. A curva real Q/H é derivada desta curva através da subtracção dos efeitos do Ht∞ = 1 (u2vu 2 − u1vu1 ) g (23) onde o índice t referencia um caudal sem perdas e ∞ refe. não é possível satisfazer nenhum destes princípios.

Perdas por Descontinuidade Hs As perdas por descontinuidade são geradas nas seguintes áreas: • No bordo de ataque da alheta. As perdas mínimas ocorrem com o caudal nominal da bomba. Esta perda aumenta à medida que a bomba vai sendo desgastada. 44 . a existência de um número finito de alhetas diminui a altura manométrica pelo factor de alheta k. • Na voluta da bomba.Redução (H) da curva verdadeira da bomba Q/H relativa à altura teórica da bomba Ht∞. quando o ângulo de ataque do líquido é igual ao ângulo β1 do bordo de ataque da alheta. poderemos obter a altura teórica Ht. O seu aumento é proporcional ao quadrado do caudal. Por este motivo. porque o coeficiente de alheta é ligeiramente dependente do caudal Q. Estas perdas incluem: • perdas por atrito nas superfícies exteriores do impulsor. Perdas Redução do caudal Q causada por perdas por fuga Hv Efeito do número finito de alhetas Ht Perdas por atrito Hr Perdas por descontinuidade Hs Velocidades (w) e perdas relativas do bordo de ataque da alheta com várias velocidades de caudal. Poderemos escrever que: H t = kH t∞ (26) Ht não é perfeitamente linear. Outras Perdas Existem outras perdas numa bomba centrífuga que não afectam a curva Q/H mas que aumentam o consumo de energia da transmissão do motor. onde o líquido atinge a ponta da alheta. para Ht não é causada por perdas de caudal mas sim pelo desvio do líquido dos ângulos ideais devido ao número finito de alhetas. Por muito pequena que seja a folga.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. quando o caudal na voluta é diferente do caudal no perímetro do impulsor. 9 . Este efeito é ilustrado na Figura 9. As perdas aumentam com o aumento do desvio do ângulo de contacto do ângulo da alheta β 1. As perdas mínimas ocorrem com o caudal nominal da bomba. As diferenças de velocidade causam turbulência que originam perdas. o caudal através do impulsor é ligeiramente maior do que o caudal de saída da voluta da bomba. pelo que a cabeça da bomba encontra um caudal reduzido. Fig. • perdas por atrito no empanque da transmissão. quando o ângulo de ataque do líquido é igual ao ângulo β 1 do bordo de ataque da alheta. com velocidades de caudal diferentes do valor nominal. O efeito da perda por fuga está ilustrado na Figura 8. Se tomarmos este factor em consideração. 8 . A redução de altura de Ht∞.Velocidades e perdas no bordo de ataque da alheta com várias velocidades. Fig. O seu aumento é proporcional ao quadrado do caudal Q. Perdas por fuga Hv As perdas por fuga ocorrem na folga entre o impulsor e a voluta da bomba. • perdas por atrito na chumaceira. a diferença é a perda por fuga Hv. Perdas por Atrito Hf As perdas por atrito ocorrem à medida que o líquido flui pelas passagens do impulsor e da voluta da bomba. O Efeito do Número Finito de Alhetas Conforme indicado anteriormente. conforme se pode constatar na figura seguinte. ocorrem perdas devido aos redemoinhos causados por esta. A perda é mais pequena no ponto de concepção da bomba. conforme se pode ver na Figura seguinte. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas número finito de alhetas e de várias outras perdas que ocorrem no interior da bomba. cujo aumento é proporcional ao aumento de diferença entre o caudal real e o caudal nominal. • No bordo de fuga da alheta. um pequeno retorno de caudal passa da área de elevada pressão junto da borda do impulsor para a área de baixa pressão do aro de junta do impulsor. onde o líquido entra em contacto com a alheta no ângulo β1.

com líquidos quentes e voláteis. 10 . irão eventualmente implodir. 11 . A cavitação numa bomba apresenta duas desvantagens: • A criação e colapso das bolhas de vapor podem danificar a bomba. com uma densidade muito mais baixa. a pressão do choque irá eventualmente originar a erosão do material dessa superfície. tendo como consequência mais gravosa a deterioração mecânica precoce da bomba. particularmente. pelo que deverão ser tomados os devidos cuidados se as condições de funcionamento da bomba apresentarem o risco de ocorrência de cavitação. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2.10 Cavitação e NPSH A cavitação é o fenómeno hidráulico associado à formação e colapso de bolhas de vapor num líquido. Uma bomba com cavitação emite um ruído de crepitação característico. Definição de NPSH NPSH é o acrónimo do termo inglês Net Positive Suction Head e representa a diferença entre a pressão estática absoluta e a tensão de vapor do líquido (normalmente expressa em metros). As picagens podem ter vários milímetros de profundidade. O cálculo do NPSH é baseado nos seguintes parâmetros: ht = altura geométrica de entrada. Normalmente. Se a pressão cair abaixo da pressão do vapor. Não existe nenhum material que suporte totalmente a cavi- 45 . conforme representado na figura seguinte. as marcas de desgaste causadas pela cavitação ocorrem localmente e consistem em picagens profundas com bordos afiados. As bolhas de vapor são formadas quando a pressão estática local de um líquido em movimento diminui até atingir um valor igual ou inferior ao da pressão do vapor desse líquido para uma dada temperatura. Se estas se moverem no fluido para uma zona de pressão superior. Se a implosão ocorrer perto de uma superfície e ocorrer repetidamente. Implosão de bolhas de vapor Fig.Influência do ângulo no bordo de ataque da alheta Logo. hA = diferença de altura entre o plano de referência e a ponta do bordo de ataque da alheta. O impacto de alta pressão resultante poderá originar picagem e a erosão da estrutura adjacente.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. é necessário que no dimensionamento desta seja acautelado a ocorrência de cavitação. na instalação de qualquer bomba. formam-se bolhas de vapor. Habitualmente. o fenómeno da cavitação nas bombas centrífugas ocorre numa localização perto do bordo de ataque da alheta do impulsor. tação. formam-se redemoinhos e zonas de baixa pressão do outro lado da alheta. tal como se estivesse a bombear areia. Se o líquido for bombeado de modo a atingir o bordo de ataque da alheta a um ângulo diferente do da alheta. • A bomba torna-se muito menos eficiente porque passa a bombear uma mistura de líquido e vapor.Impulsor demonstrando estragos motivados por cavitação Bolhas de vapor A formação e desaparecimento das bolhas de vapor é designada por fenómeno de CAVITAÇÃO. o seu colapso ocorrerá rapidamente. Quando a bolha se desloca com o fluido para uma área de pressão superior. A implosão causa uma onda de choque local transitória e extremamente alta no líquido. Fig.

conforme demonstrado na Figura 14.Curvas de NPSH 46 . 15 .Variação típica do NPSH requerido com o caudal. Pmin= pressão estática mínima na bomba. Pv = pressão do vapor do líquido à temperatura dominante.Dimensões e pressões de referência na aspiração da bomba Plano de Referência O plano de referência é o plano no qual os cálculos do NPSH são efectuados. 12 . Pressão estática do líquido O NPSH da bomba é independente da temperatura e do tipo do líquido que está a ser bombeado.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. Fig. na bomba e na tubagem de pressão de uma instalação de uma bomba em seco. Trata-se do plano horizontal que atravessa o ponto central do círculo descrito pela ponta do bordo de Fig. Pressão Mínima NPSH requerido Plano de Referência NPSH requerido Fig. Vo2/2g= quebra de pressão causada pela velocidade de entrada. 12. qualquer bomba terá valores de NPSH diferentes dependendo da definição da ocorrência. como pode ser visto na Figura 15. o plano de referência coincide com a linha central da transmissão. ou Pmin > pv A Figura 13 ilustra o princípio da distribuição da pressão estática do líquido na tubagem de entrada. Fig. ∆h = quebra de pressão local no bordo de ataque da alheta. 13 . na bomba e na tubagem de pressão. Nas bombas horizontais. Na realidade. NPSH NPSHF (Sem cavitação) NPSH início do ruído Pressão mais baixa na bomba Pressão do vapor Pressão 0 absoluta NPSH início da perda material NPSH0 (0% de perda de altura manométrica) NPSH3 (3% de perda de altura manométrica) Variação de pressão numa instalação de bomba em seco. O fabricante da bomba é obrigado a indicar o NPSH como um valor numérico ou uma curva. Distribuição da pressão estática do líquido na tubagem de entrada.Dimensões e pressões de referência para o cálculo do NPSH Para evitar a cavitação. NPSH Requerido O NPSH requerido é obtido a partir da seguinte equação: NPSH requerido = hA + vo 2 2g + ∆h BOMBA HORIZONTAL BOMBA VERTICAL Este valor também é conhecido como valor de NPSH da bomba. Este valor pode ser apresentado como uma função do caudal. Pb = pressão ambiente ao nível do líquido. As alturas de pressão são apresentadas na Fig. ataque da alheta. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Hrt = perdas de caudal na tubagem de entrada. Nas bombas verticais. a localização do plano de referência é indicada pelo fabricante. a pressão estática mínima na bomba (Pmin) tem de ser maior do que a pressão do vapor do líquido. 14 .

Este valor é definido como NPSH3.5 m. O NPSH requerido também poderá ser afectado pela forma da tubagem de entrada. a margem de segurança deve ser definida entre 2 e 2. A alteração destes dois parâmetros provoca alterações nas curvas características. Este valor pode ser denominado o NPSH da instalação sobrepressora. uma curva de NPSHr baseada na regra de 3% do padrão é uma base insuficiente para a avaliação do risco de cavitação em bombas com poucas alhetas. conhecendo a curva característica de uma bomba a uma determinada velocidade de rotação do rotor. A diferença entre os vários valores de NPSH é maior nas bombas equipadas com impulsores com menos alhetas. As variações técnicas de fabrico do formato do bordo de ataque da alheta podem afectar o comportamento da cavitação. a curva de NPSHr publicada pelo fabricante deve garantir que a bomba não será danificada se for utilizada acima dessa curva. cuja metodologia foi seguida no presente trabalho. existem muitas bombas centrífugas com velocidade de rotação variável. Este procedimento é muito frequente. 2. pois é necessário. As perdas de carga na tubagem de aspiração podem ser incorrectamente calculadas e o ponto de funcionamento real da bomba pode diferir do teórico devido a variações na curva Q/H e a cálculos incorrectos da resistência da tubagem de aspiração. uma margem de segurança de 1 a 1. REFERENCE GUIDE"(1997). possuem um mecanismo do tipo variador de frequências. desde que seja utilizada uma curva cónica antes da entrada da bomba. Por exemplo. Em princípio. A margem de segurança do NPSH deve ser suficientemente grande para suportar variações numa situação onde as condições reais podem ser diferentes das calculadas teoricamente. NPSH Disponível O NPSH disponível indica a pressão disponível para a aspiração da bomba sob as condições dominantes.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. que permite alterar a velocidade de rotação do seu impulsor. é possível determinar curvas características de bombas a partir de uma conhecida. O termo ht é positivo quando o plano de referência se encontra acima da superfície do líquido e negativo quando este se encontra abaixo da superfície. ou com valores de NPSH maiores do que NPSH3 (Figura 15). encontrar o caudal desejado ou os parâmetros de dimensionamento adequados. O raio de curvatura da linha central da curva não deve ser inferior a D1 + 100 mm. Para bombas instaladas verticalmente. isto é. Na prática. A cavitação prejudicial poderá ocorrer mais cedo do que o esperado. Carga Hidrostática H2  N2   = H 1  N1    P2  N 2   = P  N1  1   2 3 Potência Carga efectiva positiva de sucção H2  N2   = H 1  N1    2 47 .11 Leis de semelhança O traçado das curvas características depende do raio do rotor (impulsor) e da velocidade de rotação deste. Isto aplica-se especialmente às bombas de águas residuais. Para bombas instaladas horizontalmente com tubagens de sucção rectilíneas. é possível determinar essa mesma curva a uma velocidade de rotação diferente. os impulsores monocanal registam as maiores diferenças nos valores de NPSH devido à quebra da curva do NPSH3 e os seus testes apresentam resultados demasiado favoráveis. Estas leis são relações entre: caudal (Q). encontram-se detalhadamente descritos na publicação do EUROPUMP "NPSH FOR ROTODYNAMIC PUMPS. carga a desenvolver pela bomba (H). o NPSHr é definido como a situação onde a altura manométrica da bomba sofre uma diminuição de 3% devido à cavitação. O NPSH disponível é determinado pelo projectista da instalação. que têm um número reduzido de alhetas do impulsor. O NPSH. potência (P) e carga efectiva positiva de sucção (H) com a velocidade do rotor (N) ou com o diâmetro do rotor (D). onde D1 é o diâmetro da abertura de maiores dimensões. Através das leis de semelhança entre bombas centrífugas. A cavitação ligeira pode ser inofensiva para a bomba se as bolhas de vapor não implodirem perto das suas partes estruturais. em muitas situações.5 m é suficiente. Por este motivo. Efeito da variação da velocidade do rotor com o diâmetro constante: Caudal Q2 N 2 = Q1 N1 NPSH disponivel = Pb pv − H rt − ht − ρg ρg (27) Margem de Segurança do NPSH NPSHdisponível >NPSHrequerido + Margem de segurança . tais como a alheta do impulsor. O problema é que não existe nenhum modo exacto de testar e estabelecer este valor de NPSH. Assim sendo. as suas margens de segurança e métodos de medição. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas De acordo com os padrões de teste utilizados pelos fabricantes de bombas.

a potência absorvida. (≤ N. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Efeito da variação do diâmetro do rotor com velocidade de rotação do rotor constante: Q2 D2 = Q1 D1 Caudal Carga Hidrostática H 2  D2   = H 1  D1    P2  D2   = P  D1  1   2 3 Potência Carga efectiva positiva de sucção H 2  D2 = H 1  D1      2 2. Fig.dis.S. com a curva característica da instalação. o rendimento e o N. 16 .S.H.Conceitos Fundamentais de Hidráulica.P.Ponto de funcionamento de uma bomba 48 .req.).H.P. Com esse ponto. temos o caudal que pode ser bombeado naquela instalação.12 Ponto de funcionamento de uma bomba centrífuga O ponto de funcionamento de uma bomba corresponde à intercepção da curva característica da bomba (H/Q).

(1986) MECÂNICA DOS FLUIDOS E HIDRÁULICA GERAL .Conceitos Fundamentais de Hidráulica.ESTAÇÕES ELEVATÓRIAS DE ÁGUAS RESIDUAIS 49 .PORTO EDITORA MACINTYRE. REFERENCE GUIDE QUINTELA.FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN NOVAIS-BARBOSA. (1988) BOMBAS E INSTALAÇÕES DE BOMBEAMENTO GRUNDFOS (1996) MANUAL DE ENGENHARIA .13 Referências bibliográficas EUROPUMP (1997) NPSH FOR ROTODYNAMIC PUMPS. ANTÓNIO C. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2. (1981) HIDRÁULICA . J. ARCHIBALD J.

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SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO COM VELOCIDADE FIXA E VELOCIDADE VARIÁVEL Autor: Eduardo Nunes Director de Projectos da Profluidos Professor Adjunto Equiparado do Dept. de Eng.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3.ª Mecânica (DEM) do ISEL 51 .

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especializada nas suas áreas de actuação. Maria II. foi fundada em 1986 e intervenciona nas áreas de Elaboração de Estudos e Projectos de Engenharia. É uma empresa multidisciplinar. O ISEL conta actualmente com cerca de 6000 alunos. sempre devidamente adaptados às necessidades e assegura a indispensável assistência técnica. Consultadoria e Assistência Técnica. na procura de um produto final de qualidade. integrado no Instituto Politécnico de Lisboa. Formada por um Quadro Técnico Qualificado de especialistas que possuem uma longa experiência nos diferentes domínios de intervenção.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A Profluidos A Profluidos . dispõe ainda de uma vasta equipa de consultores externos com formação técnica e pedagógica devidamente actualizada. Lda. a Profluidos. caracterizada pela qualidade. Em 25 de Outubro de 1988. Este Instituto passou a ter estatuto de ensino superior com a denominação de Instituto Superior de Engenharia de Lisboa. Com ampla experiência nacional e internacional.Gabinete de Projectos de Instalações Especiais. 53 . que criou o Instituto Industrial de Lisboa. eficiência. 500 docentes e 130 funcionários não docentes. sendo especializada nas áreas das Instalações Especiais e do Saneamento Básico. a satisfação dos seus clientes. pelo Decreto-Lei 389/88 passa a fazer parte da rede de estabelecimentos de Ensino Superior Politécnico. garante a qualidade técnica dos projectos. O ISEL O Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL) é a mais antiga escola de engenharia em Portugal. tendo em atenção parâmetros que considera de capital importância. Teve a sua génese em 30 de Dezembro de 1852. rapidez de resposta e segurança de actuação. por Decreto-Lei 830/74 de 31 de Dezembro. por Decreto Régio de D. tendo como objectivo último.

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A primeira solução. em função do caudal ou pressão. para garantir de modo satisfatório as exigências de caudal e pressão dos diversos aparelhos de consumo prediais. consiste em utilizar bombas de velocidade variável. As aplicações cobertas por este tema são muito vastas e destinam-se principalmente aos sistemas prediais. Na actualidade. cada vez mais corrente no mercado. apresentar a metodologia de dimensionamento dos seus componentes. 4 . com arranque e paragem automáticas.Um ou mais reservatórios fechados. sob a acção de transdutores e circuitos electrónicos. Fig. embora os mesmos princípios sejam extensivos a todas as demais aplicações. abastecimento público e indústria. torna-se necessário recorrer a dispositivos de elevação de pressão apropriados. O seu correcto dimensionamento. quer sob o ponto de vista económico. adequam a velocidade de rotação às exigências de caudal que é solicitado em cada instante pela rede. 3. Fig.2 Tipos de sistema de elevação de pressão Uma situação corrente tem sido a utilização de sistemas hidropneumáticos. Quando a pressão que está disponível na rede pública de distribuição de água potável é insuficiente para garantir o funcionamento dos aparelhos de consumo. que automaticamente.Um conjunto de bombeamento para os reservatórios.3 Centrais hidropneumáticas 3.Pressóstatos ou sensores de pressão.1 Introdução O presente capítulo deste manual tem por objectivo descrever e caracterizar os tipos de sistemas de elevação existentes. 1 . . 3 . tubagens e dos aparelhos de consumo. 2 . Nestes sistemas existe obrigatoriamente um ou mais reservatórios metálicos onde a água é mantida sob pressão. instalação e manutenção reveste-se da maior importância. nomeadamente os custos de instalação e exploração e finalmente da manutenção com influência na duração dos equipamentos. Tratam-se de sistemas sem o recurso a reservatórios hidropneumáticos.1 Constituição e princípio de funcionamento Os principais órgãos de uma central hidropneumática são: .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. ao mesmo tempo que é operada também de uma forma automática uma válvula de controlo de pressão.3.Válvula de controle de pressão em paralelo com as bombas HOTEL Fig. em parte ou na totalidade dos pisos de um edifício. rega. . os requisitos principais relativos à sua instalação e custos de exploração associados. tem vindo a divulgar-se a utilização de sistemas por bombeamento directo. .Um dispositivo para compensar o ar dissolvido na água (no caso de reservatórios sem membrana).Instalação típica de centrais hidropneumáticas em edifícios de grande altura 55 .Válvula de controlo de pressão em série com as bombas 3.Bomba de velocidade variável A segunda solução consiste na utilização de duas ou mais bombas de velocidade fixa instaladas em paralelo. em série ou em paralelo com as bombas. com ou sem membrana. Nos sistemas por bombeamento directo podem considerar-se duas soluções alternativas. Face à vastidão dos seus campos de aplicação optámos por exemplificar os sistemas de pressurização com velocidade fixa e velocidade variável aplicados aos sistemas prediais abastecidos pela rede pública. Fig. quer sob o ponto de vista funcional.

6). ou ainda. Uma bomba não pode funcionar sem inconvenientes.3.1 Selecção das bombas A zona útil da curva característica de uma bomba é definida por critérios técnico económicos. se for entretanto atingido um nível superior préfixado será accionado o compressor de ar. Noutras. pelo contrário.Definição das curvas características das bombas No primeiro caso.Zona útil da curva característica de uma bomba Grundfos As curvas características das bombas podem ter diferentes configurações: Algumas caracterizam-se por apresentar um traçado de tangente praticamente horizontal.Manómetros. Característica inclinada em que qm ≥ 1/2 QM. com caudais muito superiores ou muito inferiores ao caudal correspondente ao ponto de maior rendimento. um interruptor de flutuador.Selecção das bombas 56 . medidores de caudal e todos os sensores e equipamento necessário ao comando. ela deverá funcionar assim numa zona de bom rendimento. 6).3. Quando a água atinge o nível máximo a bomba é desligada. . protecção e controle das bombas e compressores.2 Grupos electrobomba 3. >> 0) pelo que uma pequena variação de caudal é acompanhada por uma grande variação da altura de elevação e por consequência da pressão (curva típica de bombas multicelulares). quando duas bombas funcionam em paralelo. pressóstato. Distinguem-se os casos: Característica pouco inclinada quando qm < 1/2 QM. 7 . O seu princípio de funcionamento é o seguinte: sempre que o nível da água atinge o ponto mais baixo no interior do reservatório hidrofórico. dá partida à bomba. aumenta a pressão no seu interior e a almofada de ar comprime-se armazenando energia potencial (elástica). ela é limitada pelos caudais mínimo qm e máximo QM.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável . Fig.Eléctrodos ou interruptores de nível. A pressão correspondente a essa descarga é a altura manométrica da instalação. Fig. À medida que o nível da água se eleva no reservatório. a zona útil de variação de caudal das duas bombas recobre parcialmente a zona útil de uma única bomba (fig. O caudal de dimensionamento das bombas deve ser 15 % a 25 % superior ao caudal máximo do consumo previsto para o edifício. Fig. Para melhor precisar estas noções. Instalações de grande e médio porte exigem a aplicação de um ou mais reservatórios de membrana ou uma central de ar comprimido. considera-se a zona de variação de caudal correspondente à parte útil da curva característica das bombas (fig. 6 .2. um sensor. Em instalações de pequeno porte poderá ser utilizado com reservatórios ou carregador de ar ou reservatórios com membrana a separar a fase líquida da fase gasosa. Esta zona é em geral definida pelo fabricante. enchendo-se o reservatório. a curvatura é acentuada (tangente 3. 5 . No segundo caso as duas zonas não se recobrem. o que quer dizer que a uma grande variação de caudal corresponde uma pequena variação da altura de elevação da bomba e correspondentemente da pressão (curva típica das bombas monocelulares).

evolui-se progressivamente de B3 para B4 e seguidamente.1 Regulação manométrica A regulação manométrica é a mais utilizada.2.Paragem da segunda bomba.2. o ponto de funcionamento desloca-se progressivamente de A1 para A2 e A3. Os órgãos que asseguram o arranque e a paragem das bombas são os pressóstatos. Também se pode empregar a fórmula simplificada: Qm = Qa + Q p 2 3. Qp .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A experiência mostra que quanto maior é a diferença de pressão entre o arranque e a paragem das bombas mais reduzido resulta o volume do reservatório. correspondente à pressão máxima de funcionamento com três grupos electrobomba.Através do diferencial de caudal. a sua curva de funcionamento evoluirá de R1 para R6. sendo o caudal debitado pelas bombas desajustado às necessidades. .Paragem da terceira bomba 3P e passagem para um funcionamento com duas bombas. através de uma das duas opções: . São dispositivos providos de contactos eléctricos biestáveis. Nesta situação. . Com o arranque da segunda bomba. designada regulação debitométrica. Se o consumo de água continua a aumentar. o caudal debitado pela bomba aumentará para satisfazer o consumo. deve instalar-se um depósito hidropneumático ligado ao colector de descarga comum das bombas (fig.3. que são accionados mecanicamente pela pressão da água. O caudal médio de uma bomba determina-se pela expressão: Qm = em que: 2 Q2 2 ( a + Qa − Q p + Q p ) × 3 Qa + Q p Fig.2 Comando das bombas Nas centrais de pressurização com bombas de velocidade fixa.Determinadas gamas de caudais não são abrangidas. Para se evitarem os inconvenientes descritos. passando por todas as fases intermédias. o funcionamento também será irregular com paragens e arranques frequentes. Em A3 é atingida a pressão mínima.caudal de arranque. através do circuito de comando a abertura e fecho dos contactores de potência. o funcionamento é instável com arranques e paragens frequentes da bomba.Em cada arranque e paragem de uma das bombas.Evolução progressiva de C6. e operação com a curva 1P em que o ponto de funcionamento passa de B2 para A2. Nesta evolução.caudal de paragem Verifica-se o mesmo procedimento quando as necessidades de água diminuem: . se o caudal requerido cair e permanecer no interior destas zonas. . tais como as zonas entre Qa3 e Qb2 e também entre Qb5 e Qc4. o que faz arrancar a segunda bomba do sistema e a curva funcional passa a ser a curva 2P (duas bombas em funcionamento).3. 57 . 9). o ponto de operação do sistema passa de C4 para B4. para B5. correspondente à curva 2P. .Evolução de A2. ocorre uma variação brusca do ponto de funcionamento e consequentemente. 3. Destacam-se alguns inconvenientes relacionados com este tipo de funcionamento: . mas a pressão de descarga da bomba diminuirá.Através do diferencial de pressão. para C5 e por fim C4. que permitem. do respectivo caudal e da pressão.2. Assim. conforme está representado na figura 8. com passagem do ponto de operação de B5 para C5 seguida de uma evolução progressiva de C5 para C6 e assim por diante. ou seja. . ocorre um salto brusco de A3 para B3. . até A1. a selecção dos grupos electrobomba deve ser a favor dos que se caracterizam por curvas características com inclinação acentuada. bombas multicelulares. designada regulação manométrica.Quando o caudal solicitado pela rede for inferior a Qa0. e realiza-se como se segue: Se o consumo da rede aumenta quando se encontra a funcionar apenas uma das bombas do sistema. 8 Qa . o arranque e a paragem das bombas são efectuados automaticamente. etc. é posta em marcha a terceira bomba.

o excesso de caudal debitado pelas bombas alimenta o depósito enquanto não se atingir a pressão do ponto de funcionamento. É nesta situação de não sobreposição dos campos de caudais que o depósito se torna indispensável. Fig. não temos qualquer sobreposição das zonas de funcionamento. Um caudal compreendido entre Qa1 e Qa2 pode ser fornecido com n+1 bombas em funcionamento contínuo. ao contrário da água que é praticamente incompressível. Fig. o funcionamento do sistema altera-se bruscamente do ponto C para D' e a partir de D' progressivamente para D. Um caudal compreendido entre Qb1 e Qb2 poderá ser fornecido com n+1 bombas em funcionamento contínuo. que estará compreendido entre 0 e Qmax. No exemplo ilustrado na figura 11. 12 . A maior parte dos depósitos são. aprisionado na parte superior do depósito. impedindo a dissolução do ar na água.Gama de caudais garantidos por n bombas . O somatório dos caudais individuais corresponde ao caudal global de valor aleatório. O dimensionamento de uma instalação tem como objectivo a satisfação do caudal de ponta. A ligeira variação entre A e B' deve-se às perdas de carga no ramal de ligação do depósito. porque o caudal Qa2 é inferior a Qb1. de B' para B. Paragem da 2ª bomba: Na paragem. à medida que o depósito se esvazia para atingir a No exemplo ilustrado pela figura 12. o ponto de funcionamento evolui rapidamente de A para B' e. Como se pode observar na fig. A característica da curva de funcionamento do sistema varia continuamente em função do caudal solicitado pelos consumidores. 10. depois progressivamente. entretanto. 9 O ar sob pressão. a presença do depósito hidropneumático altera ligeiramente os pontos de funcionamento do sistema. O caudal Q' poderá ser garantido com n bombas (ponto A') ou n+1 bombas (B') em funcionamento contínuo. consumido pelo edifício e da respectiva pressão de operação. actualmente. reduzindo os problemas de corrosão e evita a introdução de dispositivos de compensação de ar. enquanto que o caudal fornecido à instalação (consumo) permanece praticamente inalterado.Sobreposição com a zona de caudais debitados por n+1 bombas Fig. verifica-se que há uma sobreposição das gamas de caudal entre n bombas e n+1 bombas em funcionamento porque Qb1 é inferior a Qb2.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável pressão do ponto de funcionamento D. é comprimido e expandido em função da pressão de funcionamento das bombas. Verifica-se então um funcionamento intermitente entre n bombas e n+1 bombas. Ou seja a passagem de A para B' implica um aumento brusco do caudal de funcionamento das bombas. 11 . equipados com membranas que impedem o contacto do ar com a água. Um caudal compreendido entre Qa1 e Qb1 não poderá ser obtido com um funcionamento contínuo. 10 Modo de funcionamento: Arranque da 2ª bomba: No arranque. esta diferença vai alimentar o depósito. Fig.Gama de caudal coberta por n bombas Gama de caudal coberta por n+1 bombas 58 . A diferença de pressão entre C e D' deve-se também às perdas da carga da ligação ao depósito.

um caudal de enchimento e esvaziamento mais elevado. (fig. Absorver as flutuações bruscas de pressão e de caudal durante a abertura e o fecho dos equipamentos de consumo (trata-se contudo de uma função secundária que não justifica por si só a presença do Depósito). conduzindo a uma maior frequência de arranques e paragens.Cobertura dos caudais em funcionamento contínuo Q = Caudal Médio 59 .1.1. . 3. Fig. nas zonas em que o caudal não é garantido pelas bombas. Conclui-se. Contudo.2.3. . portanto. corresponde ao ciclo de duração mínima e. É importante assegurar-se que não é ultrapassada a frequência horária de arranques admissíveis. . um reduzido diferencial de pressões Pmin/Pmáx. Podemos considerar que o caudal médio corresponde a metade da gama de caudais abrangida.2. Resultando um aumento do diferencial médio entre o caudal consumido e o caudal bombeado. 14) apresenta três consequências.1 Função do depósito hidropneumático O depósito hidropneumático tem uma função tripla: Servir de reserva. Esta diferença é absorvida pelo depósito.Maior frequência de arranques. .Aumento da gama de caudais não coberta pelas bombas em funcionamento contínuo. Assegurar a manutenção de pressão na instalação quando todas as bombas se encontram paradas.2. 14 . . Por outras palavras.Volume de reserva de água. cujos efeitos serão: . Para se garantir uma pressão de utilização praticamente constante. absorvendo o excesso de caudal (Qconsumo < Qbombeado) ou complementado a insuficiência do caudal bombeado (Qconsumo > Qbombeado). obtém-se uma reserva de água no interior do depósito menor. por conseguinte ao número máximo de arranques.Flutuação da pressão.Redução da gama de caudais coberta pelas bombas e.3.Diminuição da reserva de água disponível (volume útil) no depósito devido à redução do diferencial de pressões. que não se podem optimizar simultaneamente os seguintes parâmetros: . O caudal crítico Qc. Qc = Qn + Qn +1 2 Fig.Número de arranques do motor. . é indispensável manter-se um diferencial mínimo entre as pressões Pmáx e Pmin. 13 apresenta o tempo de duração de um ciclo em função do caudal. 13 . cujo valor diminui à medida que a potência dos grupos aumenta. Sendo assim.2.o caudal absorvido ou fornecido pelo depósito for elevado (gama vasta de caudais não abrangidos pelo funcionamento das bombas).2 Períodos de funcionamento A duração de um ciclo completo conforme foi descrito anteriormente deverá ser tanto mais importante quanto mais elevada for a potência dos motores.Tempo de duração de um ciclo em função do caudal A curva 3 da fig. Deverá efectuar-se um compromisso entre os três parâmetros. o período de um ciclo é tanto mais curto quanto: .a reserva de água for reduzida (um volume total do depósito reduzido ou um pequeno diferencial entre as pressões Pmin e Pmáx). mais probabilidades de ocorrerem situações de funcionamento intermitente. sendo o esvaziamento e enchimento mais rápidos.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3.

Influência das temporizações no deslocamento do ponto de funcionamento É importante que a altura manométrica total Hmt das bombas. É uma solução "parcial" na medida em que esta temporização permite que o ponto de funcionamento ultrapasse os limites da gama de pressão estabelecida (ou seja. utilizando bombas de velocidade fixa. (sendo a cobertura de caudais mais favorável). que impõe um tempo de ciclo mínimo Tmin. 16 . 17 Através do agrupamento de bombas com diferentes capacidades. 18 . não tem qualquer influência (fig. 15). maiores variações de pressão). 15 . sem ter de se enfrentar o problema de um número elevado de arranques.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Podem ser instalados temporizadores com a finalidade de retardarem a paragem ou o arranque de cada bomba (fig. Uma estrutura deste tipo é frequentemente utilizada em instalações de grande dimensão ou em estações elevatórias. O reservatório de água representado na figura 17 é o exemplo de um reservatório de grande volume.Três bombas principais de 20m3/h e uma bomba auxiliar de 10m3/h Fig. Três bombas principais dimensionadas para um caudal de 20 m3/h à pressão de 5 bar mais uma bomba de apoio de 10m3/h a 5 bar oferecem uma maior flexibilidade do que quatro bombas de 20m3/h. Fig. 19). o que vai ao encontro de objectivo inicialmente pretendido. só se encontra activa durante os ciclos mais curtos. fora deles. O custo de investimento não pode ser comparado ao de uma solução convencional em que já não se fala de pressurização mas de "distribuição". Fig. Fig. No entanto. 18 e fig. 19 .Tempo de ciclo Para se obter uma variação de pressões extremamente reduzida entre o arranque e a paragem.Quatro bombas de 20 m3/h Fig. é possível obter-se uma melhor cobertura da gama da caudais (fig. será necessário dispor-se de um grande volume útil. 60 . 16). correspondente ao funcionamento com caudal nulo não seja demasiado elevada em relação à Pmáx. A temporização. esta opção implica uma automatização da operação mais sofisticada e há que tomar em consideração a frequência de arranques da unidade de apoio.

utilizados em pequenas e médias instalações.2. em geral.3.5 15 40 30 18 25 20 20 60” 90” 120” 144” 180” Fig.3. além de que a respectiva instalação no local é bastante mais delicada. Quanto maior o número de bombas em funcionamento paralelo. Contudo. mais atenuadas são as flutuações de pressão. Podemos. 3.1 Introdução Os reservatórios de membrana. Uma regulação debitométrica é.3. a manutenção da pressão é assegurada pela bomba Jockey evitando a entrada de ar nas tubagens.3. tais como de campos de golfe. 20 . tais como os devidos às fugas de caudal da instalação. 3. utilizada para assegurar a manutenção da pressão da rede em sistemas de pressurização de grande dimensão.2 Dimensionamento O cálculo da capacidade útil real de um reservatório (isto é. Como regra geral.2.3. por conseguinte. evita-se a utilização de um depósito de grande capacidade.3. 20).Grupo de três bombas + Bomba Jockey 3. 21). devido à emulsão entre o ar em contacto directo com a água sobre pressão. que são tanto mais importantes quanto menor for o número de bombas em funcionamento (curvas mais inclinadas). No entanto.3 Bomba auxiliar (Jockey) Trata-se de uma pequena bomba.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. de tal forma que acompanham o consumo. assim. quando as bombas principais estão paradas (fig. A sua função está limitada a satisfazer as necessidades dos períodos de consumo reduzidos. dispendioso. Deste modo. TABELA 1 Número máximo de arranques por hora de grupos electrobomba Potência do motor ( kW ) Número máximo de arranques ( horário) Duração do ciclo (segundos) 4 60 7. evitam-se as flutuações bruscas e acentuadas de pressão devido ao escape de ar nos aspersores e ventosas. Por este motivo. ou imobilizada.3 Reservatórios de membrana 3.2 Regulação debitométrica Neste tipo de regulação o controlo dos arranques e paragens das bombas é efectuada através de caudais de referência (fig. utiliza-se este tipo de controlo nas instalações de maior importância. futebol ou hipódromos. mais dispendiosa do que uma regulação manométrica. ficando reduzida ao mínimo a margem de flutuação de pressão em todo o campo de operação.3 Número máximo de arranques dos grupos electrobomba A frequência máxima de arranques dos grupos electrobomba deve estar limitada de acordo com a tabela abaixo. quanto mais potente for o motor menor deverá ser a frequência de arranques. de acordo com a tabela 1 para bombas e motores especialmente dimensionados. a partir do momento em que a primeira bomba entra em operação. O dimensionamento destes órgãos tem por objectivo a determinação da sua capacidade e o número de unidades a aplicar. podem-se adoptar valores maiores que os anteriormente indicados*.Regulação debitométrica p p − pa p p + pt 61 . 21 . é de notar a persistência das flutuações de pressão.2. * Atendendo a que os factores limitativos são os componentes de controlo eléctrico e restantes componentes mecânicos. Observa-se que o arranque da primeira bomba é efectuado obrigatoriamente por pressão. bem como os arranques frequentes das unidades principais. uma operação contínua dos grupos.3. o volume de água descarregado pelo reservatório com bombas paradas) resulta da aplicação da Lei de Boyle Mariotte para a expansão de gases: C = Vt Fig. entre dois períodos de funcionamento consecutivos. escolher valores adequados para se obter uma sequência ininterrupta do campo de funcionamento e. Em determinadas redes de combate a incêndios ou rega.2.2. pode ser mantida em funcionamento permanente. também correntemente denominados depósitos de membrana. Deste modo.3. 3. que são prejudiciais às canalizações.1. tal como nos reservatórios tradicionais. oferecem a vantagem de não necessitarem de dispositivos de compensação do ar perdido. Esta bomba Jockey.

isto é. a capacidade total necessária é de: Fig. com a finalidade de representarem as diversas grandezas em jogo. ou seja.Altura correspondente a Vr. Pa . A .Volume de ar correspondente à pressão de paragem Pp. compreendido entre os níveis de arranque (Pa) e paragem (Pp). h2 = 2. é o volume de segurança que está compreendido entre o nível de água correspondente à pressão Pa e o fundo do reservatório. entre o arranque e a paragem da bomba. que se pode enunciar como: "À mesma temperatura.Pressão manométrica de paragem da bomba (bar). Va .Caudal consumido pela instalação em litros.Pressão manométrica de arranque da bomba (bar). Vr = 0.Pressão de paragem (bar) Pa . h2 . P V =P V =C 1 1 2 2 te Na fig.Pressão de arranque (bar) Pb . Funciona como reserva sempre que houver consumo com as bombas fora de serviço. Como a frequência máxima de arranques de uma bomba se verifica quando o consumo é igual a 50% do caudal bombeado. Cu . Aplicando a Lei de Boyle Mariotte à expansão do volume de ar entre Pa e Pp vem: (Pp+1)×Vp = (Pa+1)×Va = (Pa+1)×(Vp+Vu) De onde resulta. Vt .Caudal bombeado.Capacidade útil necessária. Esta altura.Volume total do reservatório (M3) Vr . Este volume deve ser da ordem de 20% do volume total.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável C . Pp .Número de arranques por hora da bomba. o volume ocupado por um gás varia na razão inversa da pressão a que se encontra submetido".Pressão barométrica (bar) Para calcular a capacidade útil necessária recorre-se à expressão: Cu = T A(Q − A) × 60 Q em que: T .5d.1 Dimensionamento O principio de funcionamento dos reservatórios hidropneumáticos.Volume útil de água no reservatório. deve ser igual a 2.Volume total do reservatório (litros) Pp . por minuto. é o limite de segurança de utilização de água do reservatório.Capacidade útil real (litros) Vt . É o volume de água que é introduzido no reservatório. Q . também se baseia na Lei de Boyle Mariotte. Vu . por minuto.Volume residual. tem como objectivo evitar a introdução de ar nas canalizações.3.4. Vu = Va × (p p + 1)− (pa + 1) Pp + 1 [ ]= V × (p a p − pa ) Pp + 1 62 . durante o período em que a pressão do ar no seu interior aumenta de Pa até Pp. explicitando a equação para Vu: Ct = T ×Q 240 O número total de reservatórios necessários é de: N= Ct C 3.4 Reservatórios hidropneumáticos 3. 22 .5 vezes o diâmetro da canalização.2 Vt.3.Reservatório hidropneumático Grandezas a considerar: Z . em litros. Vp . 22 apresenta-se esquematicamente um reservatório hidropneumático.Duração de um ciclo em segundos.Volume de ar correspondente à pressão de arranque Pa.

obtém-se: Q/Vt =10 ∴ Vt = 9/10 = 0.Pmin.29 0. deduzidas por diversos autores como resultado de estudos teórico-experimentais. determina-se na tabela 2 a relação entre o volume útil Vu e o total Vt em função das pressões de arranque e paragem. entrando com o número de arranque por hora e com os valores das pressões relativas de arranque e paragem obtém-se a relação entre o caudal da bomba m3/h e o volume total do reservatório Vt.5 l/s = 9m³/h Z = 8 arranques hora Pp = 4 bar (pressão relativa) Pa =2 bar (pressão relativa) Entretanto.5 4 0.1 0.Número máximo admissível de arranques horários. em litros por minuto.32 0.25 x Qm x (Pmín.24 0. 23.3 0.9 m³ TABELA 2 Pressão de paragem (bar) (máx.5 2 2.Volume total do reservatório hidropneumático (Vt) em função do caudal (Q) e) Fórmula de Valibouse V0 = T ×k HM − Hm 4 × H M + H b Qm (litros ) 63 .4 0.2 0.4 0.5 3 3.8 Vt. Pc = Pressão de ar no depósito de membrana.) Pp 2 3 4 5 6 1 Pressão de arranque (bar) Pa 1. vem: Vu = 0.34 0. dependente da potência e fabricante do motor eléctrico Qm = caudal médio de uma bomba em l (min) Pmáx = pressão de paragem Pmín = pressão de arranque ∆P = Pmáx .08 0. Indicam-se seguidamente algumas das mais utilizadas: a ) Fórmula proposta por Harold Nickels Vt = 10×Qmáx.2 0.8 × Vt × (p p − pa ) Pp + 1 Exemplo: Q = 2. Pc = Pmin-0. com estes valores no gráfico.descarga correspondente ao consumo máximo da rede.13 0. Em que: Vt = Volume total em litros Qmáx = Consumo máximo provável do edifício expresso em litros/minuto.27 0. c) Pela fórmula da Grundfos Vtotal = 16.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Considerando que o volume morto é igual a 20 % do volume total Va=0.4 0.26 0. b ) Fórmula deduzida por Ângelo Gallizio A expressão é aplicável a instalações com compressor Vt = 30 × Q pp +1 × z p p − pa Q . Z .13 0.23 O cálculo do volume total do reservatório é feito através da aplicação de fórmulas empíricas. Fig.33 0.5 d) Fórmula proposta pela norma brasileira NB-92 A norma brasileira utiliza um ábaco reproduzido na fig.16 0.4 0. 23 .+1) x (Pmáx+1) S ∆P Pc+1 Vtotal = volume total do depósito em litros S = número máximo de arranques por hora.

apresenta-se um esquema com bomba a aspirar directamente da rede.Pressão inicial de pré-compressão (bar). HM .Tempo mínimo entre dois arranques da mesma bomba K .Bomba a aspirar directamente da rede Na fig.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável T . T . Vu = 1.Tempo mínimo entre dois arranques consecutivos da mesma bomba. é uma disposição em que se aproveita também a pressão da rede. Ha . 27 . Qm . Fig. 27 representa uma instalação doméstica típica em meios rurais com utilização de captação própria. 3. O exame da fórmula diz-nos que o volume Vt do reservatório é proporcional às pressões de arranque e paragem. Por se considerar do maior interesse prático e sem a preocupação de ser exaustivo. 64 . é uma solução utilizada sempre que a pressão disponível na rede exterior é apreciável.2 em geral).5 Exemplos de situações-tipo A concepção de um sistema de elevação de pressão deve ajustar-se em cada caso. com a vantagem de não se provocar uma descida apreciável da pressão de aspiração durante o arranque das bombas. O arranjo da fig. 26 tem como principais vantagens uma separação hidráulica entre a rede exterior e a do edifício. às exigências (quantitativas e qualitativas) dos diversos consumidores e aos condicionalismos próprios da instalação e da rede exterior. caracterizam-se algumas situações-tipo documentadas com figuras. Hm . Fig. 24. 25 .3.25 × T × Qm 4 Vt = Vu × (p a + 1)× (p p + 1) (pi + 1)× (p p − p a ) Fig. mostra-se um reservatório intercalado entre a rede exterior e os grupos de bombeamento.Pressão máxima de paragem em bar. Há todo o interesse em pré-comprimir o reservatório a uma pressão vizinha da pressão de arranque Pa e adoptar um diferencial de pressão Pp-Pa tão alto quanto possível. e a garantia de uma reserva de água durante as interrupções do consumo.Caudal médio (litros/minuto) f ) Cálculo considerado uma pré-compressão arbitrária Fig.Bomba a aspirar da rede com reservatório de compensação Na figura 25. 24 .Tempo de duração de um ciclo (minutos). 26 .Pressão atmosférica T .Bomba a aspirar do tanque de armazenamento Pi .Pressão mínima de arranque em bar.Coeficiente de segurança (K=1.Instalação doméstica rural A fig.

. mas sim.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Na concepção e dimensionamento destes sistemas põe-se com particular acuidade os aspectos que a seguir se referem e cujas razões justificativas decorrem do texto que se segue: • segurança em serviço.Simplicidade de operação e manutenção.4 Sistemas por bombeamento directo 3. 65 . 28 . O ponto de funcionamento é descrito pela curva C2.3. . No estudo de um sistema por bombeamento directo deve começar por traçar a curva característica da rede. essa variação é normalmente apreciável. . • minimização da potência perdida para economia de energia.Ponto de referência R Nem sempre a zona de melhor rendimento da bomba corresponde a um bom rendimento da instalação. Na fig. 28 aplica-se em edifícios situados em locais em que a pressão da rede exterior sofre grandes variações diárias.4.Custos iniciais reduzidos comparados com outros sistemas. 3. • garantia de funcionamento nos períodos de caudal reduzido. a aspirarem directamente da rede exterior ou de um reservatório. 29. representam-se as curvas características de uma rede e de uma bomba.Ocupação de um espaço reduzido. funcionando a instalação apenas nos períodos em que a piezométrica não é suficiente para alimentar todos os pisos em perfeitas condições.Instalação em "by-pass" A instalação da fig. Fig. sendo a descarga directa à rede. se assegura uma pressão compatível com o bom funcionamento de toda a rede do edifício.Flexibilidade para acréscimo da capacidade resultante de um aumento de consumo. 3. arbitrado de tal modo que para qualquer valor de caudal. como se sabe.6 Características das centrais hidropneumáticas As instalações hidropneumáticas apresentam as seguintes características: . Suponha-se que o consumo se estabiliza no valor q correspondente ao ponto M de funcionamento da bomba (q. h). 29 . correspondente à variação de consumo ao longo do dia. • conforto de utilização com uma pressão de utilização praticamente constante. uma curva "ideal" que se pretende satisfazer. Observa-se que a bomba debita o caudal q a uma pressão mais elevada dissipando em perdas uma potência que pode ser considerável e cujo valor relativo é apresentado pela razão dos segmentos MB/MA Fig. Esta não é a curva real fixada pelas características das canalizações e aparelhos de consumo.1 Constituição e princípio de funcionamento Os sistemas por bombeamento directo caracterizam-se pela existência de uma ou mais bombas a operarem em paralelo. A curva é traçada em função de um ponto de referência R. Normalmente a curva característica das redes dos edifícios têm um andamento parabólico.

Curva de potência teórica necessária para garantir no ponto R o caudal Q à pressão H0. rpm Fig. RS. em função do caudal.4. sempre que uma estação eleva directamente para a rede é importante minimizar a potência perdida o que pode ser conseguido adequando quer o número de bombas quer a sua velocidade. Em certas centrais uma das bombas é dimensionada para as horas de menor consumo. Esta bomba tem geralmente 50% da capacidade das bombas principais. As variações da pressão de descarga das bombas provocadas quer por alteração da pressão de aspiração.3. são detectadas por um sensor que actua no variador de velocidade de forma a manter a pressão de bombeamento constante. para os menores consumos correspondentes às horas mortas. P .3 Sistemas com bombas de velocidade variável 3. 66 . mostram-se várias curvas características de uma bomba com diferentes velocidades de rotação.4.3. rpm rpm rpm rpm rpm rpm 3.Curvas características de uma bomba a diferentes velocidades 3. independentemente do consumo da rede.Ponto de funcionamento da bomba instalada. por exemplo.3 Selecção das bombas Com as curvas características extremas da rede e os valores do consumo máximo e mínimo (fig. como se pode observar.2. QR . 3.4. Na figura 31.3.5 bar e uma variação de caudal entre 500 e 1000 m3/h corresponde uma variação do rendimento máximo compreendido entre 70 e 80 %.1 Modo de funcionamento Nos sistemas com bombas de velocidade variável. 30 . com a finalidade de se poupar energia nestes períodos. é necessário dotar a instalação quer de válvulas reguladas para evitar que a pressão ultrapasse valores indesejáveis na rede.Curva de potência Na fig. quer por variação do consumo. Por outro lado. • A altura mínima H2 relativa ao consumo mínimo da rede com a pressão máxima da aspiração. PQ .32) determinam-se as alturas manométricas máxima e mínima das bombas: • A altura máxima H1 relativa ao consumo máximo da rede com a pressão mínima da aspiração. através da activação e paragem das bombas em consonância com as necessidades do consumo.4. a pressão é mantida constante. Estas centrais fazem a alternância automática do funcionamento das bombas.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3.4.2 Variação das curvas características O andamento da curva característica de uma bomba varia com a sua velocidade de rotação de acordo com as expressões: Q2 N2 = Q1 N 1 e H2  N2 = H1  N 1      2 N P ∴ 2 = 2 P1  N1      3 Fig. quer com um pequeno reservatório hidropneumático. o rendimento praticamente não varia com a velocidade.4. 30 o rendimento da dissipação é dado por RS/PS Resulta assim que.Potência teórica necessária para fornecer o caudal q. Po .2 Bombas de velocidade fixa 3.1 Modo de funcionamento Nos sistemas de velocidade fixa a pressão de descarga nas redes é mantida aproximadamente constante. 31 .Potência dissipada inutilmente. para uma pressão constante de 7. do tempo de funcionamento e das anomalias.Potência perdida devido ao rendimento do motor e das bombas.

3.Se Pmedido > Pajustado é emitida ordem de desaceleração. 32) são os pontos críticos de operação das bombas. com o valor ajustado. 32 . Nestes casos.Determinação das alturas manométricas máximas e mínimas Na fig.Instalar todas as bombas com velocidade variável. que foi pré-programado.As bombas com velocidade variável têm um limite mínimo de velocidade abaixo da qual não produzem caudal à pressão pretendida. o que pode traduzir-se no seguinte: .Se Pmedida = Pserviço a velocidade mantém-se constante. diversas situações são praticáveis tais como: . rodando sempre sincronizadamente. . para situações intermédias. Fig. já não se verificam as limitações relacionadas com os diferenciais entre a pressão mínima e máxima como na regulação por pressóstato A regulação manométrica é efectuada em permanência quaisquer que sejam as aberturas e fechos de válvulas. 33 . A pressão de serviço pode ser materializada no controlador por uma recta horizontal ao longo da qual se desloca o ponto de funcionamento da instalação (fig. por sua vez. outras compreendidas entre essas. 33). usa-se um transdutor de pressão para efectuar a medição analógica da pressão em substituição dos pressóstatos (fig. Existe um controlador que compara o sinal medido. 4-20mA ou 0-10V. a instalação funciona de modo a manter a pressão constante. 3. o ponto de funcionamento com o caudal máximo de cada bomba (Qmáx) e altura manométrica máxima (H1) deverá situar-se à direita da zona de maior rendimento (fig. 34). 35). máxima pois a Pdiferencial = Pdescarga Haspiração Para o efeito. Controlador Controlador Fig. onde as pressões H1 e H2 são diferenciais. . proporcional à pressão medida. Como as bombas operam a maior parte do tempo com valores médios de caudal e pressão de aspiração. as bombas deverão debitar o caudal Qmáx à pressão H1 (ponto C). .Zona de funcionamento das bombas 67 .Conjugar várias bombas de velocidade fixa com uma ou duas de velocidade variável que servirão para ajustar o ponto de funcionamento da instalação às exigências de caudal e pressão da rede. este irá controlar o variador de frequência da seguinte maneira: . Os pontos C e F (fig.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A pressão a ser mantida na conduta de compressão é assim: Pdescarga= H1+H aspiração mínima = H2 +H asp. . 32.4 Regulação manométrica Neste caso.4.Com apenas uma bomba em operação à pressão mínima. a manutenção da pressão da descarga traduz-se por rectas horizontais por C e por E e uma infinidade de. .Com todas as bombas em funcionamento na rotação máxima. Fig. Independentemente do caudal requerido. a bomba deverá recalcar o caudal Qmin à pressão H2 (ponto F).Se Pmedido < Pajustado é emitida ordem de aceleração. 34 O transdutor de pressão emite um sinal de 0-20mA.

Com efeito. 35 . independentemente do número de bombas em funcionamento: Qmáx n Bombas = Qmin n+1 bombas 68 . princípio de deslocamento do ponto de funcionamento No instante t. a que corresponde um ligeiro aumento de caudal. arranca ou pára uma das bombas de velocidade fixa. se a bomba de velocidade variável for alimentada a 50 Hz no máximo. Se o consumo aumentar (fig. Na prática. o ponto de funcionamento desloca-se numa linha horizontal (pressão ajustada para serviço (fig. o consumo diminui e a característica da instalação vai de R para R'. acelera-se a bomba de velocidade variável até se verificar um ligeiro excesso de velocidade da ordem de 52 a 55 Hz. obter-se-á. 36 Fig. logo: PM1 > Pajustada significa desaceleração até que Pmedida = Pajustada A velocidade de rotação da bomba diminui e a curva de funcionamento das bombas passa a ser P' e o ponto M1 desloca-se para M2. 37).Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Bomba 1 Variação de velocidade Aumento do consumo Aceleração da bomba 1 Bomba 1 à velocidade máxima Pmedida < Pajustada Fig. a curva da rede R altera-se para R' e o ponto de funcionamento evolui de M passa para M1. as torneiras fecham-se. 36). 37 Se a velocidade da bomba em variação atingir o valor mínimo ou máximo. O ponto de funcionamento altera-se de M para M1. Fig. Arranque da bomba 2 de velocidade fixa A velocidade da bomba 1 diminui e ajusta-se até Pmedida = Pajustada Bomba 1 VV + Bomba 2 VF Pmedida = Pajustada Considerando que a reacção do sistema é rápida. O que se descreveu pode representar-se no esquema ao lado.Regulação manométrica.

com uma instalação de velocidade fixa.Campo de variação de caudal só com 3 bombas. para evitar uma sobrecarga no motor. Se alimentarmos a Bomba de Velocidade Variável. 38 . enquanto não se verificarem alterações de caudal. representa cerca de 33% de potência suplementar. assim como um funcionamento contínuo. dentro do tempo de funcionamento admissível. deve calcular-se a potência absorvida ao seu veio. sem arranques ou paragens. As principais vantagens relacionadas com a utilização da variação de velocidade em sistemas de pressurização são: . correspondente à manobra dos órgãos da rede e assegurar os consumos reduzidos. por exemplo. independentemente do caudal.Sendo assegurada a cobertura de todos os caudais. na variação de velocidade controlamos ambos. Na realidade. o depósito hidropneumático poderá ser de dimensões reduzidas. embora este acessório seja dispensável. com uma frequência de 53 ou 54 Hz. não sendo necessário manter-se o seu funcionamento prolongado em condições pouco próprias. o valor admissível para Q1 = Caudal máximo de 1 bomba com Velocidade Variável Q'1 = Caudal mínimo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável + 1 com Velocidade Fixa) Q2 = Caudal máximo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável + 1 com Velocidade Fixa) Q'2 = Caudal mínimo com 3 bombas (1 com Velocidade Variável + 2 com Velocidade Fixa) Fig. a sua inserção tem como vantagens. introduzindo um sistema de paragem debitométrica da bomba de velocidade variável. com acréscimo de rotação Qmáx n > Qmin n+1 69 . . através da variação da velocidade de uma das bombas. acontece o arranque ou a paragem de uma bomba de velocidade fixa. o que oferece uma solução adequada para os seguintes problemas: • Cobertura constante de todos os caudais. Enquanto que. Evita-se o funcionamento contínuo com uma bomba à velocidade mínima. compreendido entre 0 e Qmáx. associada ao número de bombas. 39 . quando o consumo tende para zero. . • Volume do depósito hidropneumático reduzido. controlaríamos apenas um parâmetro a pressão ou o caudal. para se garantir a pressão do sistema. as centrais hidropneumáticas de velocidade variável encontram-se frequentemente equipadas com um depósito de volume reduzido. e daí o risco do número máximo de arranques ser excedido. • Economia energética. verifica-se: Qmáx n Bombas > Qmin n+1 bombas Q’ = Caudal máximo de 1 bomba com Velocidade Variável (55Hz) Q1 = Caudal mínimo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável + 1 com Velocidade Fixa) Q'2 = Caudal máximo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável 1 com Velocidade Fixa 55Hz) Q2 = Caudal mínimo com 3 bombas (1 com Velocidade Variável + 2 com Velocidade Fixa) Q3 = Caudal máximo de 3 bombas (1 com Velocidade Variável + 2 com Velocidade Fixa 55Hz) Fig. • Pressão constante. • Número de arranques dos motores das bombas. 10 % de velocidade em excesso.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Poderá ser obtido um caudal compreendido entre Q1 e Q'1 quer com uma ou duas bombas em funcionamento. Se optarmos por esta solução em que se admite um acréscimo da velocidade da bomba. Observa-se que se a instalação compreender bombas de grandes dimensões e for necessário garantir-se um caudal mínimo sem vibrações dos grupos.Campo de variação de caudal com 3 bombas Qmáx n = Q min n+1 Se o caudal consumido variar ligeiramente em torno de Q1 ou de Q2. em cada transposição destes valores. assegurar a manutenção da pressão na instalação quando todas as bombas se encontram paradas e absorver as variações de pressão gerada em regime transitório.Esta regulação garante uma pressão perfeitamente constante.Pode satisfazer-se um consumo aleatório.

denominada "pressão disponível". com base no caudal mínimo admissível à velocidade nominal N pela expressão: Q mínimo reduzido = Q min x N mínimo Nnominal Este caudal mínimo reduzido. será efectuada. É o princípio da regulação manométrica compensada.4. consequentemente dispendioso. assegurar aos utilizadores uma pressão constante no ponto de consumo.5 Regulação manométrica compensada Este tipo de regulação. através de um sistema de controlo complexo e. Para o efeito considera-se como caudal crítico: Q c = Q mínimo reduzido 2 Fig. a pressão é mantida constante no local A independentemente do caudal.Perdas de carga antes da distribuição A pressão em B. A pressão já não é medida à saída do grupo sobrepressor. é igual à pressão em A menos as perdas de carga (PA-∆h) (fig. ­ Passagem do cabo. mas para tal. serve para o dimensionamento do volume útil do depósito.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável uma bomba à velocidade mínima Nmin determina-se facilmente.∆hAB (figura 40). onde são instalados captores de pressão nos pontos mais nevrálgicos da rede. mas sim no local de consumo (fig.20mA Pode encontrar-se esta solução. Tem de se considerar o desnível geométrico entre A e B. 42 Esta solução é interessante mas comporta determinados limites técnicos e económicos. a pressão em A não é igual em B. reside no transporte do sinal. As perdas de carga são integradas no algoritmo de controlo a fim de se obter uma pressão constante no utilizador mais desfavorável. 40 . devido ao: ­ Custo do cabo. Apenas uma pressão de controlo ajustada à curva de perda de carga. 70 . 41 Soluções a considerar: i) Deslocamento do transdutor de pressão 3. (curva parabólica) permite obter uma pressão no utilizador perfeitamente constante. mas este tem um valor constante e é independente do caudal. PROBLEMA Com uma regulação manométrica clássica. tem como objectivo compensar o efeito das perdas de carga na rede de distribuição. Este tipo de regulação não permite.43). a regulação manométrica.3. 42). apesar de existir um sistema de variação de velocidade. A pressão em B. O respeito da igualdade "Pmedida = Pajustada" assegura uma pressão constante no ponto de consumo. Deve-se considerar o desnível geométrico. cujo valor varia com o quadrado do caudal. A dificuldade da solução. devido às perdas de carga no troço compreendido entre A e B. ii) Compensação das perdas de cargas Fig. Fig. em certas redes urbanas de distribuição de água. ­ Transmissão de um sinal de 4 . também apelidado de manodebitométrico. é igual a PA .

mas sim variável em função do caudal. é necessário garantir a mesma pressão em cada tubeira e. conclui-se que um dispositivo de regulação. • Se compensarmos as perdas de carga na coluna AB. Para se obterem jactos com a mesma altura. não oferece qualquer solução para os problemas colocados pelas perdas de carga na tubagem de distribuição. deverão ser desprezáveis. por mais sofisticado que seja. independentemente do caudal. Por exemplo. Somos igualmente confrontados com este problema nos repuxos de água das fontes públicas. a pressão de serviço ou é programada. que é dispendioso. de acordo com o caudal de consumo. Fig. num edifício onde existem perdas de carga importantes na coluna de distribuição. 44). é dispendiosa. 45). pode eventualmente assegurar-se uma pressão constante em B. que forneça uma pressão de serviço perfeitamente coincidente com a curva de perdas de carga (fig. 43 Pode recorrer-se a uma compensação dita linear.A pressão de serviço P = f (Q) A pressão de serviço já não é um valor constante. 45 71 . É importante ter presente as limitações de cada sistema a fim de se evitarem erros e desilusões. 44 B. entre A e B (fig. ou segundo uma equação matemática correspondente. Em que nas horas em que o consumo é elevado. este operará em associação com o reservatório hidropneumático. Esta solução que engloba um controlador sofisticado e um caudalímetro. para tal. Por conseguinte. poderão surgir os seguintes problemas: • Se a pressão for mantida constante em A. estes pisos sofrem um acréscimo de pressão de modo a compensar as perdas de carga entre A e B. em que ocorrem perdas de carga elevadas. 43). no caso em que ocorrem perdas de carga na aspiração. A medição do caudal será efectuada por um caudalímetro electromagnético. O controlador apropriado é. assegura uma pressão constante nos utilizadores. necessário haver medição do caudal (fig. em contrapartida. Fig.A medição da pressão é insuficiente Com efeito. não permite manter uma pressão constante em todos os pontos de uma rede. sofisticado (fig. sendo contudo ideal uma compensação parabólica. as perdas de carga nas condutas de alimentação. nos pisos superiores (em B) os utilizadores irão sofrer flutuações de pressão devido às variações das perdas de carga. Em função do equipamento disponível.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A . No entanto. 46). É portanto. ponto por ponto. o que constitui uma abordagem interessante. mas o mesmo não se verificará nos pisos inferiores. 46 Fig. Medição do caudal Determinação da pressão de ajuste em função do caudal Valor do ajuste de pressão Medição da pressão Desvio da medição com o valor ajustado Comando Fig. mas. uma dada pressão de serviço poderá ser considerada excessiva. correcta ou insuficiente.

Banheira com esquentador Chuveiro (água fria ou misturada) Sanita com autoclismo Sanita com válvula de descarga Urinol com autoclismo automático.5 Dimensionamento e selecção À semelhança da selecção de uma bomba.1 Determinação do caudal máximo Não é muito fácil determinar o caudal exacto de uma instalação.1.Mede-se o caudal e a pressão no próprio local. bastante aproximados à realidade. 47 3. industrial e de distribuição pública. a experiência tem demonstrado que eles fornecem resultados satisfatórios. é possível determinar. e aplicam-se a qualquer tipo de redes.100 0. o caudal máximo da instalação. rega. 3. interior.350 0. nas informações técnicas que publicam. de uma forma rigorosa. São vários os métodos disponíveis para a sua quantificação.5. Os caudais indicados no diagrama são valores máximos (fig. deve considerar-se o caudal consumido em cada ponto de utilização.100 0.500 0. . no caso de uma instalação já existente.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável C .1.050 0. com a ajuda de ábacos ou de tabelas.Calculam-se as perdas de carga correspondentes a um dado caudal.250 0.1 Cálculo do caudal a partir de diagramas Este método é utilizado sempre que os dados relativos ao projecto são bastante limitados. são proporcionais ao quadrado do caudal: ∆h = K x Q2 Assim. Par tal.200 0. para se calcularem as perdas de cargas procede-se de uma das seguintes formas: .100 0. desenvolvem métodos de dimensionamento que em geral são sensivelmente iguais entre si. Fig.350 0. 3. no local Urinol com torneira individual Boca de rega de 20 mm 72 . 48 3. Ao caudal total assim obtido aplica-se um coeficiente de simultaneidade. a selecção de uma central hidropneumática assenta em duas grandezas fundamentais.5.2 Cálculo do caudal em função do número de pontos de consumo Se o número de pontos de consumo for conhecido.250 0. o caudal e a altura manométrica.005 0.100 1. Tabela de Caudais normais das utilizações segundo NFP41-204 Designação Lava-louça Lavatório Lavatório colectivo (por jacto) Bidé Banheira com serviço de água quente Banheira com cilindro de água quente Caudal normal l/s 0. Este processo utiliza-se no desenvolvimento de um projecto para uma nova instalação. Sabe-se que as perdas de carga quer sejam lineares ou singulares.700 Fig.Determinação do ponto de ajuste A determinação da relação perda de carga/caudal não é um processo complicado de se obter. visto que.5. 48). porque os consumos de água flutuam em função da hora do dia e do tipo de ocupação do edifício em questão. O seu grau de precisão poderá ser considerado satisfatório. Os fabricantes de centrais hidropneumáticas. os n pontos de consumo de água de um edifício nunca serão utilizados ao mesmo tempo.

. .15 0. . . não funcionam em simultaneidade com os outros aparelhos (ver tabela). . . .30 0. .10 0. .10 0. 140 x 0. centros férias. . . Não existe uma regra universal e cada projectista basear-se-á na sua própria experiência. As torneiras de descarga funcionam apenas durante segundos. impõe-se um estudo para cada instalação específica. . . . . . . . É de notar.15 0. . .5 bar Para válvulas de descarga de urinol . . . . . . . 140 x 0. .15 0. . deveremos tomar em consideração a utilização simultânea de todos os chuveiros. . . . .50 0. podemos adoptar como base de cálculo 300 litros por dia e por quarto. . .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Torneiras a descarregar nas habitações Número de torneiras instaladas 1a3 3 a 10 11 a 20 21 a 50 mais de 50 Em funcionamento simultâneo 1 2 3 4 5 1º método Leitura directa do ábaco 70 habitações ⇒ 18m3/h 2º método Considerando o número de pontos de consumo de água 70 banheiras x 2 torneiras . para um hotel. . repartidos por 3 horas de consumo (ou seja 100l/h de caudal instantâneo por quarto). . . . . Nos centros de férias. . .20 0. . . . .20 0. . .15 0. . . . . . Por exemplo. . estas deverão ser calculadas à parte. 140 x 0. . . hotéis. . ginásios.03987 = 4. . . .15 0. . . .5 0. . . . mas normalmente. 1. em que K. Exemplo Edifício de grandes dimensões com 70 habitações. . . . .10 l/s = 14 l/s Pressão disponível necessária à entrada das torneiras de descarga .20 l/s = 28l/s 70 torneiras . . . . . .35 l/s = 49 l/s 70 lavatórios x 2 . . . . . . . Total . . 1. . .10 0. . . . . . Apresenta-se abaixo o quadro para estabelecimento dos caudais instantâneos segundo o decreto lei nº 23/95 Caudais Instantâneos Dispositivos de utilização Lavatório individual Lavatório colectivo (por bica) Bidé Banheira Chuveiro individual Pia de despejo com torneira de ∅ 15 mm Autoclismo de bacia de retrete Urinol com torneira individual Pia lava-louça Bebedouro Máquina de lavar louça Máquina de lavar roupa Tanque de lavar roupa Bacia de retrete com fluxómetro Urinol com fluxómetro Boca de rega ou lavagem de ∅ 15 mm Boca de rega ou lavagem de ∅ 20 mm Caudais mínimos (l/s) 0. . compreendendo cada uma: I 1 banheira 1 lavatório 1 bidé 1 lava-louças 1 sanita com autoclismo torneiras I I I I I Em conformidade com as Máquinas industriais e outros aparelhos instruções do fabricante 73 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70 x 0. . quartéis. . . . escolas. . . . o respectivo coeficiente de simultaneidade é diferente. . . .0 bar Sabe-se que o caudal instantâneo.03987 K= 1 n −1 QD= 112 x 0. . . 140 x 0. . . . . k = 1 Caudal de dimensionamento do edifício é: 630 − 1 = 0. . .25 0. . .46 l/s = 16 m3/h No caso de habitações equipadas com válvulas de descarga. . .10 l/s = 14l/s 70 lava-louças x 2 . . . .10 0. . . . é o coeficiente de simultaneidade obtido: 70 bidés x 2 . . . . . . . que a fórmula apresentada para a determinação do coeficiente de simultaneidade só é válida para habitações. . . . . . . . . . . No caso de hospitais.45 sendo n o número de torneiras. ginásios ou parques de campismo.20 0. . . é dado por: Qreal instantâneo = Qcalculado x K.10l/s = 7 l/s 630 torneiras 112 l/s Coeficiente de simultaneidade . . . . . . . . . . .

ou ábacos de perdas de carga. ou seja.∆hasp .2 Perda de carga Como valor expedito.5. 50 .2 Determinação da pressão A altura manométrica total determina-se por: (Hmt=PDesc .5. Fig.Perda da carga entre a rede de abastecimento municipal e a boca de entrada das bombas 74 . deverão ser adicionadas as perdas nas singularidades tais como curvas. 51 .2.8 bar 3. Para a sua determinação rigorosa.5.1. será necessário prever uma pressão de descarga de: Pdesc = 30 + 15 + 3 = 48 mca = 4. etc. ∆hasp . a altura média de cada andar nos edifícios recentes. a) Ligação à rede de abastecimento municipal (figura 51) 3. deverá ser realizado o cálculo das perdas de carga nos diferentes troços da coluna com base em equações apropriadas.5.5 bar em locais de habitação.1. deve ser determinada a sua dimensão exacta. À perda de carga contínua.Pasp) 3. No caso de prédios muito altos ou de edifícios antigos. Exemplo prático Tomando como exemplo.1. Um valor utilizado na prática é de 3 m por piso a vencer.2.É mantida uma pressão mínima de funcionamento dos aparelhos de 15 mca na torneira mais desfavorável sob o ponto de vista de elevação. pode considerar-se cerca de 10 % da altura geométrica.Ligação à rede de abastecimento municipal Pasp = Prede .2. 49 . teríamos: Hg = 30 m (10x3 m) Pd = 15 mca ∆h = 3 mca ( 10 % de Hg) Logo.Caudais de cálculo em função dos caudais acumulados Quadro .5.5.2. Deve ser da ordem de 1. válvulas.1 Altura geométrica Desnível geométrico entre o nível da bomba e do ponto de consumo mais elevado.4 Pressão de aspiração Depende do tipo de ligação existente.3 Pressão disponível É a pressão mínima que deverá estar disponível no dispositivo mais elevado ou no ponto mais desfavorável. um edifício de 10 andares. 3.2.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3.1.Número de fluxómetros em utilização simultânea Número de fluxómetros Instalados 4 a 12 13 a 24 + de 24 Em utilização simultânea 2 3 4 3.Hasp Fig.1 Pressão de descarga Serve para: ­ Vencer a altura geométrica de descarga Hg ­ Compensar as perdas de carga na rede ∆h ­ Assegurar a pressão de funcionamento dos aparelhos de consumo (pressão de utilização ou pressão disponível) Pd Pdesc = Hg + ∆h + Pd Hg Fig.

Pressão mínima na rede de abastecimento de água Hasp .1 = 18 mca subtraindo à pressão de descarga calculada. No caso de bombas com curvas planas não deverá ser ultrapassado 0.Pasp= 48 . calculado previamente) Caso 1. Pasp = -1.Central em carga (Aspiração Positiva) No caso da central funcionar com aspiração negativa. Hmt = Pdesc.3 Regulação das pressões de arranque e paragem A diferença entre a pressão máxima (pressão de paragem da bomba) e a pressão mínima (pressão de arranque) é em geral regulada com um valor compreendido entre 0.1 .Desnível geométrico da bomba em relação à rede (sinal +.2 mca.5 = 46.no caso contrário) Constata-se frequentemente que a pressão de aspiração é da mesma ordem de grandeza da pressão na rede. cada bomba deverá possuir a sua própria tubagem de aspiração. Aspiração em carga (positiva) ∆Hasp = + 2 mca. temos: Hmt = 48 . Pasp = 2-0.5 = .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Prede. conforme descrito anteriormente. porque é difícil de estabelecer um ∆P de 1 bar entre a pressão mínima (Pmin) e a pressão máxima (Pmáx) numa curva QH muito plana.( .18 = 30 mca.0.1. Conclui-se que a central hidropneumática deverá vencer uma altura manométrica Hmt de 30 mca 3. se a bomba estiver instalada abaixo da rede de abastecimento. Hmt = Pdesc . 52 . Aspiração negativa ∆Hasp = -1.5 =1.5 mca Caso 2.3 bar. sinal . No caso das bombas de velocidade variável este problema não se coloca devido ao seu tipo de controlo.5 m ∆hasp = 0.5 mca.5 mca. b) Ligação através de tanque Fig.3 a 1 bar. excepto se a instalação estiver equipada com um colector de aspiração especialmente estudado para o efeito. Hasp = 1 m (bomba instalada 1 m acima do nível da rede). ∆hasp = 0. Por exemplo: Prede = 2 bar. ∆hasp = 1 mca.2 )= 50 mca. Exemplo (com Pdesc = 48 mca.Pasp = 48 .5 mca. Logo.5.5 . Pasp = 20 . 75 .

Association Génerale des Hygiénistes et Techniques.6 Referências bibliográficas AGHTM . The Hydraulic Design of pumps sumps and Intakes MACINTYRE.La Surpression . Bombas e Instalações de Bombeamento MACINTYRE. Instalações Hidráulicas Office International de l'Eau. J. Applications. Prossen.Principe. Dimensionnement. Les Cahiers Techniques Nr. 1995 76 . Archibald Joseph. 17 .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. Les Stations de Pompage d'Eau M. Archibald Joseph.

ª Mecânica (DEM) do ISEL 77 .Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. CRITÉRIOS DE SELECÇÃO E ANÁLISE DE SISTEMAS SIMPLES EM REGIME TRANSITÓRIO Autor: Eduardo Nunes Director de Projectos da Profluidos Professor Adjunto Equiparado do Dept. de Eng.

78 .

a velocidade de escoamento. com determinação das pressões extremas ao longo da conduta até se encontrarem valores aceitáveis e seguros. Calculam-se as depressões e sobrepressões que ocorrerão em regime transitório. tempos de paragem de grupos electrobomba. grupos electrobomba e dispositivos de protecção em regime transitório. – Diâmetro das condutas e respectivo material. o valor da pressão. Com base nas condições de funcionamento do sistema e das falhas esperadas.Fluxograma de cálculo Observa-se que o sistema deverá ser testado depois de implementado. Isto permite-nos seleccionar os métodos de protecção mais adequados e assumir dimensões para início de cálculo. níveis de água. – Limites de funcionamento admissíveis. variações de velocidade de escoamento. pode ser analisado por cálculo automático utilizando o método das características. que como não podem deixar de ser. etc. O cálculo é realizado por tentativas. durante manobras de válvulas. Fig. 1 . identificar os pontos críticos e os locais apropriados para instalação dos equipamentos de protecção. superiores à pressão admissível para o material das condutas. obriga a que se disponha da seguinte informação: – Perfil do sistema de condutas.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4.1 Introdução O comportamento das condutas elevatórias. comportamento das condutas durante a paragem e arranque dos grupos electrobomba com arrancadores suaves. – Caudal e pressão de funcionamento. volumes aspirados e descarregados de reservatórios. fecho de válvulas. O perfil da conduta elevatória permite-nos visualizar o seu desenvolvimento. O programa de cálculo do regime transitório em condutas complexas para bombas CR. – Outras particularidades do sistema em análise. paragem e arranque de grupos electrobomba. calcula para pequenos intervalos de tempo e num grande número de pontos ao longo do sistema. uma vez que os cálculos se baseiam em modelos matemáticos. e traçam-se as respectivas envolventes no perfil da conduta de forma a determinarem-se os pontos em que ocorrem pressões inferiores à pressão de vapor. com consequente separação das colunas de líquido ou pressões excessivas. de forma a determinar-se facilmente a pressão de operação em cada ponto da conduta. 79 . etc. A aplicação do método. As linhas piezométricas de funcionamento em condições estacionárias poderão ser representadas. têm sempre um grau de hipóteses simplificativas. – Integração noutros sistemas.

velocidade de propagação das ondas de pressão (celeridade) Os índices caracterizam as variáveis independentes das derivadas parciais.D Equação da continuidade L2: Ht + a2 g x vx = 0 (2) vv = 0 (1) Com: H . o cálculo das perdas de carga é feito com base na equação de Colbrook-White aplicada em regime estacionário. • O elemento convectivo da equação da quantidade de movimento é desprezado. • Mesmo durante o regime transitório. ∑ Forças = massa x aceleração O método das características consiste na transformação destas duas equações diferenciais parciais em duas equações diferenciais comuns equivalentes que podem ser integradas numericamente ao longo de determinadas curvas no plano x. A equação do movimento deduz-se da segunda lei de Newton. assim como a inserção das condições de fronteira. As duas equações são: Equação do movimento L1: g. • O comportamento do material das paredes da conduta e do fluido é linear e elástico. por exemplo: (1) . A propagação das ondas de pressão é descrita por duas equações de derivada parcial: A equação do movimento e a equação da continuidade.velocidade de escoamento λ . aplicada a um pequeno volume de controlo tal como o representado na figura 2.aceleração da gravidade a .diâmetro interior do tubo g .Linha piezométrica (2) .Hx + Vt + λ 2. sendo x (ao longo do eixo da conduta) e t (no tempo). válvulas. nós de condutas.altura manométrica v . As equações têm como base as seguintes considerações: • O escoamento é unidimensional e desta forma a velocidade e a pressão são constantes em cada secção transversal da conduta.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4.2 Modelo de cálculo O modelo de cálculo desenvolvido pelo método das características. etc. designadas como curvas de equações características ou simplesmente curvas características.Forças actuantes num volume elementar de fluido. reservatórios. mudanças de características de condutas.coeficiente de atrito da conduta D . 80 . trata-se de um modelo matemático. 2 . Os componentes do sistema representam as condições de fronteira necessárias para a resolução das equações diferenciais.Nível de referência Hx = ∂H ∂x Fig. Passamos a apresentar as equações diferenciais e a sua transformação em equações de diferença finita apropriadas para cálculo numérico. A equação da continuidade diz que a diferença entre o volume de líquido que sai e entra no volume de controlo é igual à variação do volume de controlo e do fluido devida à alteração da sua densidade. tais como bombas. t. suficientemente simplificado para ser adaptado em cálculo computacional e é constituído por duas partes fundamentais: – A descrição da propagação de ondas de pressão no interior de uma conduta – A modelação dos diferentes componentes de um sistema.

a equação (12) representa uma linha diagonal de uma grelha com um gradiente positivo (i.L2 = 0. dt dt dH dx = Hx. é suficiente uma aproximação do primeiro grau para a determinação do último termo (exceptuam-se os casos em que o termo do atrito é dominante tal como no caso de escoamento de óleos muito viscosos). No intervalo de tempo ∆t = ∆x/a.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Para este propósito as equações (1) e (2) são combinadas numa equação linear L1 + µ. a propagação de perturbações (ondas de pressão) ao longo do plano x. Se a equação (11) for multiplicada por a.e. Para uma escolha adequada dos valores de µ. em que inicialmente o valor do factor µ é escolhido arbitrariamente assim resulta: g a2 λ x v x|v| µ(Hx x + Ht) + (vx x µ + vt) + =0 (3) µ g 2xD Para dois valores reais de µ. BP). Para a resolução numérica das equações (11) e (14) divide-se a conduta em N partes iguais de comprimento ∆x (figura 3). H (12) –g x dH + dv + λ x v x|v| = 0 (13) a dt dt 2xD dx = –a (14) dt } } H ∫ dH + A P a x gxA Q P Q A ∫ dQ + λ 2xgxDxA 2 X X ∫ Qx|Q| x dx = 0 A P (15) c+ Em geral. dt / g = dx / g e se a velocidade v é substituída pelo quociente entre o caudal Q e a secção recta da conduta A obtém-se uma equação com uma forma adequada para integração ao longo da característica C+. t.dx + Ht.HA + x (QP . no caso particular da celeridade ser considerada constante. 3 . t. Estas curvas características.Curvas características representadas no plano x. as equações (11) e (13). sendo cada uma somente válida ao longo da curva característica. a equação (3) resulta em outras duas equações que são equivalentes às equações originais (1) e (2). é possível simplificar a equação 3.e.QA) + x QA x |QA| = 0 (16) gxA 2 x g x D x A2 c- 81 . v = v(x. determinadas pelas equações (12) e (14). no plano x.dt Dividindo ambas as equações por dt resulta: dx dv + vt = vx. (6) (7) Os termos entre parêntesis da equação (3) comparam-se com os termos à direita das equações (6) e (7) pelo que teremos: dx g dx µ.t) e H = H(x.t) são funções de duas variáveis independentes x e t cujas derivadas totais podem ser apresentadas da seguinte forma: dv = vx. diferentes e aleatórios. + Ht dt dt (4) (5) Com a escolha adequada do factor µ as duas equações diferenciais de derivada parcial (1) e (2) são transformadas em duas equações diferenciais ordinárias totalmente equivalentes (11) e (13). transformam-se em linhas rectas de gradiente +a e -a.a2 = e = (8) dt µ dt g A equação (3) pode ser escrita como uma equação diferencial ordinária: dH dv λ x v x|v| µ + + =0 (9) dt dt 2xD A equação (8) dá-nos os dois valores necessários para µ: g (10) µ=+ a Para cada valor µ da equação (10) obtém-se a partir das equações (9) e (8) uma equação diferencial ordinária (chamada equação da compatibilidade) e a respectiva equação da curva característica ao longo da qual ela poderá ser integrada: g dH dv λ x v x|v| x + + = 0 (11) a dt dt 2xD dx =+a dt Fig. AP) e a equação (14) também representa uma linha diagonal da mesma grelha mas com um gradiente negativo (i. Resolvendo a equação (15) resulta: a λ x ∆x Hp .dt dH = Hx. As curvas representam fisicamente.dx + vt. t. podem ser integradas entre os pontos A e P e B e P respectivamente e desta forma obtêm-se duas equações para a determinação das duas incógnitas v e H no ponto P. Se os valores de v e H forem conhecidos nos nodos A e B da grelha.

No cálculo do sistema durante o regime transitório. – Ou introduzindo uma relação funcional Q = f(H) a qual permite em conjunto com a equação da compatibilidade aplicada a essa fronteira determinar Qp e Hp (i. que não é razoável ocorrerem acidentalmente. tendo a compatibilização entre os intervalos de tempo nos diferentes troços de conduta. – O comportamento reológico da água e do material das condutas é elástico e linear. – Os termos convectivos das equações da continuidade e da dinâmica são desprezáveis. obedecem à condição de estabilidade do método de cálculo (número de Courant Cr = aδt/δx <1).e. causada por uma falta generalizada de energia. dentro de um critério de probabilidade significativa. que substituído na equação de compatibilidade válida para esta fronteira permite calcular o outro valor (i. Com base nos últimos valores de Q e H calculam-se novos valores para o instante t = 2 x ∆t e assim sucessivamente.e. quer seja pela mudança dos dados iniciais (i. tais como: Fig. Embora seja possível considerar manobras capazes de produzir flutuações de pressão mais elevadas. a cota de descarga num tanque colocado na extremidade de jusante da conduta Hp = Cte permite determinar o valor de QP pela equação 16). representam as vantagens mais importantes do método das características.QB) – 2 x QB x |QB| = 0 (17) gxA 2xgxDxA Com ajuda das equações (16) e (17) as duas incógnitas Hp e Qp podem ser facilmente determinadas. estas teriam de ser constituídas por uma sucessão de paragens e arranques de parte dos grupos de bombeamento. Na modelação do comportamento das condutas. pelo que permite a optimização da dimensão dos dispositivos utilizados. consiste na paragem simultânea de todos os grupos electrobomba. em instantes determinados. 4. 82 . no início da conduta aplica-se a equação (17) e no fim a equação (16) de acordo com a figura 3. permite a sua fácil modificação ou substituição (introdução de um dispositivo de protecção). é muito mais fácil e poderosa do que a que se realiza pelo método gráfico aproximado desenvolvido por SCHNYDER/BERGERON. 4 . porque em cada extremidade da conduta apenas se tem uma única condição de compatibilidade. – A distribuição da velocidade e de pressão.3 Critérios de cálculo Admitiu-se que a situação mais desfavorável para o sistema. sido efectuada com recurso à interpolação entre as condições do escoamento em secções de cálculo consecutivas. pode ser associado a técnicas de interpolação. pela sobreposição de efeitos. Esta forma de se dimensionarem os dispositivos de protecção. é uniforme nas secções transversais da conduta. – A altura cinética do escoamento na conduta é desprezável face à altura piezométrica.e. ver figura 4 para cálculo dos valores aí desconhecidos QP e Hp. Este procedimento aplica-se apenas para a determinação dos pontos interiores da grelha. Os valores de todos os pontos no interior da grelha (P) são determinados no instante seguinte t = 1 x ∆t pela resolução simultânea das equações (16) e (17). – As perdas de carga unitárias são iguais às de um escoamento uniforme com a mesma velocidade média. O método das características. – O eixo das condutas é imóvel e desprezam-se as forças de inércia do invólucro. Os intervalos de tempo e os comprimentos dos trechos de cálculo considerados.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório De maneira semelhante obtém-se uma segunda equação pela integração da equação (13) HP – HB – a λ x ∆x x (QP . os valores iniciais nos nodos da grelha são os valores de Q e H em regime estacionário quando t = 0. e desta forma ser aplicado para o cálculo de sistemas complexos constituídos por várias condutas e várias condições de fronteira. permanecendo o resto do programa inalterável. admitindo-se que este se mantém puramente turbulento. a equação da curva característica de um ou vários grupos electrobomba em conjunto com a equação (17) permite calcular os valores Qp e Hp) A precisão e o tratamento explícito das condições de fronteira (isto significa um tratamento independente dos pontos interiores). alteração do volume de ar num RAC) quer por substituição do seu modelo matemático (mudança de subrotina de cálculo).Características nas fronteiras Desta forma é necessário dispor-se de uma condição de fronteira em cada extremidade. admitiram-se como válidas as hipóteses significativas habitualmente consideradas. O tratamento explícito das condições de fronteira. Isto poderá ser realizado por: – Atribuir um dos dois valores de fronteira.

considerou-se a equação: PV1. O rendimento das bombas é considerado variável em função da velocidade de rotação e do caudal e dado por: h 4. Se a redução do débito da bomba tiver lugar num período suficientemente longo. de válvulas (válvula de nível em reservatórios. Na modelação da variação do volume de ar no interior dos RAC. etc. reservatórios de ar comprimido (RAC). O método das características.) do comportamento das ondas de pressão que se pretendem limitar (depressões ou sobrepressões). considerando apenas as zonas de bombeamento normal ou de turbinagem por abaixamento da pressão a jusante. OUTRAS CONDIÇÕES DE FRONTEIRA Todas as restantes condições de fronteira. a modelação das condições de funcionamento das bombas. de regulação. devido à sua simplicidade e ao poder de aplicação. Admitiu-se a verificação em cada instante da equação da continuidade na derivação para os RAC e da igualdade das cotas piezométricas no interior do RAC e no ponto de derivação da conduta. de forma a que o seu binário de arranque seja adequado para que a colocação em marcha da bomba tenha lugar num período de tempo aceitável. A escolha do dispositivo a utilizar em cada caso depende das características do sistema. do seu perfil.5 Dispositivos de protecção Os dispositivos de protecção são órgãos que se introduzem nos sistemas de transporte de líquidos. deverão ser as constantes nas curvas características dos fabricantes. tais como do comprimento das condutas.2 = Cte Sendo P a pressão absoluta no interior e V o volume de ar. poderá utilizar-se um único. E e F determinados de forma semelhante aos anteriores. à das bombas. com a finalidade de limitar as ondas de pressão transitórias e valores aceitáveis. do líquido transportado (composição química. A aplicação de volantes de inércia poderá obrigar ao sobredimensionamento dos motores. a bomba irá bombear. quando os motores forem eléctricos. B e C são coeficientes determinados a partir da respectiva curva característica à velocidade nominal. Há um limite de aplicação dos volantes de inércia devido à sua resistência mecânica. reservatórios unidireccionais (RUD).5. conteúdo de sedimentos. Para certos casos particulares. maior será o tempo de anulação do débito e maior será a atenuação das ondas de pressão transitórias. condutas de aspiração paralela. com o objectivo de aumentar a sua inércia e desta forma a ampliar o tempo de paragem do grupo e consequentemente a diminuição do caudal debitado pela bomba será mais suave. desde que se consiga estabelecer o respectivo modelo matemático. RESERVATÓRIOS DE AR COMPRIMIDO A principal função dos RAC consiste em evitar a ocorrência de depressões na conduta. este meio será adequado para controlar as pressões transitórias. ou quando apenas se verificam sobrepressões em regime transitório. Q o caudal bombeado e A.4 Condições de fronteira GRUPOS ELECTROBOMBA As características funcionais dos grupos electrobomba. Para proteger um sistema. sem necessidade de se recorrer a volantes de dimensões excessivas. válvulas de retenção intercaladas na conduta. = Q X Ht DN2Q + ENQ2 + FN3 Com os coeficientes D. é efectuada.CQ2 em que N é a velocidade de rotação. atenuar-se-á o valor da onda de pressão. chaminés de equilíbrio. foram modeladas através da consideração da equação da continuidade e da constância das cotas piezométricas. e às características eléctricas. dos motores. viscosidade. válvulas de controlo. do tipo de grupos elevatórios. Obviamente quanto maior for o momento de inércia do volante. Se o tempo em que ocorrer a anulação do caudal bombeado for superior ao período da conduta elevatória 2L/a.). Esta modelação é efectuada admitindo que a altura total de elevação das bombas Ht. concebem-se dispositivos de protecção que poderão ser simulados por cálculo computacional. válvulas de alívio. dotado de um conjunto de dispositivos associados para sua protecção.1 Volantes de inércia Os volantes de inércia consistem em massas girantes que são intercaladas nos veios de grupos electrobomba (figura 5) ou motobomba. temperatura. Sempre que o termo AN2 da curva funcional da bomba for superior à altura estática de elevação. Entre os dispositivos mais utilizados contam-se os volantes de inércia. etc. ou uma combinação de vários dispositivos de protecção.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. etc. VÁLVULAS DE ALÍVIO As válvulas de alívio destinam-se a limitar as sobrepressões nas condutas a valores previamente regulados e são aplicadas em complemento aos RAC. pode ser determinada em cada instante pela equação: Ht = AN2 + BNQ . Atendendo a que as bombas se encontram munidas de válvulas de retenção de acordo com as Normas Portuguesas. dependendo do grau de complexidade da rede a proteger. etc. 4. tais como alterações das características da conduta e da descarga no reservatório. permite de uma maneira fácil analisar o comportamento de um sistema simples ou complexo. 83 . sendo as sobrepressões consequentes automaticamente atenuadas.

Para esta situação o cálculo é efectuado como se se tratasse de uma transição com vp1 > 0. Na fase de depressão o volume do ar aumenta. armazenando consequentemente energia potencial elástica. Para se restabelecer o equilíbrio. 6 . é o de se intercalarem válvulas de retenção ao longo da conduta.Alteração da envolvente das pressões máximas numa conduta protegida com válvula de retenção. em que o tempo de anulação de caudal durante a paragem da bomba é suficientemente longo. durante a fase da onda de pressão positiva. com períodos curtos. Fig. deixará de estar em equilíbrio com o da conduta. no interior do qual se encontra aprisionada uma dada massa de um gás. A sua aplicação está em geral limitada a condutas com uma extensão até 2000 m. basta aumentar a inércia do conjunto de bombeamento e recalcular o comportamento do sistema.2 Válvulas de retenção Se o perfil de uma conduta elevatória tiver uma altimetria tal que esta apenas fique sujeita a sobrepressões durante o regime transitório correspondente a uma manobra das bombas. para que as ondas de pressão transitórias sejam mantidas dentro de limites aceitáveis. à custa da energia cinética de escoamento. um método possível para a proteger. Quando se inicia um regime transitório. Fig. atenuando desta forma a amplitude da onda de pressão transitória. haverá uma variação de pressão da almofada de ar. 5 . a massa de líquido do interior do reservatório. Em regime estacionário (permanente). em geral o ar e uma dada massa do líquido transportado pela conduta. As válvulas de retenção apenas permitem o escoamento em direcção ao reservatório.Grupo electrobomba equipado com volante de inércia 4. o líquido armazenado no seu interior e submetido à acção do gás.5. Paralelamente com a variação de pressão na conduta. está sujeita à pressão de funcionamento da conduta na secção de ligação e está em equilíbrio com o ar. RAC. o líquido passará a abandonar o reservatório no caso de um abaixamento da pressão na conduta. ou a afluir ao reservatório no caso contrário.5. transformando-se a energia potencial armazenada no gás em energia cinética de escoamento. de forma a fazer a sua subdivisão em trechos de pequena extensão. O dimensionamento de um volante de inércia é simples.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Outras razões que limitam a aplicação de volantes de inércia são económicas e dimensionais. Quando ocorre a inversão do fluxo. São vasos metálicos fechados. sendo hp1 e hp2 determinados por (18) e (19) respectivamente: hP1 = hR – CR (vP1 – vR) – CR x 2fRvR |vR| ∆t g g dr CS (vP2 – vS) – CS x 2fSvS |vS| ∆t g g ds (18) hP2 = hS – (19) 84 . são dispositivos de protecção de condutas que actuam por diminuição da taxa de variação de caudal. O gás e o líquido podem estar em comunicação ou separados por uma membrana elástica. a válvula não permite tal e vp1 = vp2 = 0. que fica por sua vez submetido à pressão da conduta. No caso da sobrepressão a massa de gás diminui de volume. 4. que origina uma variação de pressão na conduta junto à secção de ligação do reservatório.3 Reservatórios de ar comprimido Os reservatórios de ar comprimido. aumentando a sua pressão e consequentemente a respectiva energia potencial elástica.

2 recomenda-se a utilização para o expoente politrópico n o valor de 1. Com estes valores determina-se o volume de água admitido ou expulso do reservatório durante o intervalo de tempo ∆t e consequentemente a variação de nível do líquido no interior do reservatório. assim como a energia potencial na secção de ligação do reservatório à conduta. Como desvantagens pode-se referir a necessidade de haver um controlo apertado da massa de gás. Encontram-se disponíveis correntemente no mercado reservatórios de membrana com capacidades até 2 m3. e 1. consiste na combinação de uma análise em regime quase estacionário do funcionamento do reservatório. Considerando pela equação da continuidade: A1 vp1 + A2 vp2 dht ∆t A1 vp1 = At + A2 vp2 ∴ ∆ht = dt At ( ) em que At é a área transversal do RAC. Uma técnica analítica de cálculo. No início do cálculo.2. facilidade de aplicação e controle. mas ela é praticamente atenuada e o seu valor é trivial. a altura do líquido no interior do tanque terá de ser conhecida.altura do reservatório dt . A altura do líquido no interior do reservatório no final do intervalo de tempo ∆t é dada por. Com hgas2 determinado.Esquema de princípio de um RAC Substituindo o valor de hp nas equações características + C. 8 It .Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Estes dispositivos muito divulgados. têm como principais vantagens a sua simplicidade.altura da base do reservatório zt . hgas2 = –h ( ll – h ) t t1 t t2 n x hgas1 (22) O expoente da transformação politrópica do ar no interior do reservatório poderá variar entre 1 correspondente aos processos isotérmicos. ht2 = ht1 + ∆ht (21) em que ht1 é a altura do líquido no início do intervalo de tempo ∆t e ht2 no fim. Como em geral o volume de cálculo do reservatório varia 10% quando se varia o expoente entre 1 e 1. o custo em geral elevado. a possibilidade de fecho violento das válvulas de retenção dos grupos de bombeamento. com um tratamento em regime transitório do sistema de condutas.(16) e C (17) calculam-se facilmente os valores de vp1 e vp2. At = π 4 d2t. 7 . calcula-se hp por hp = hgas2 + zt + hb + ht2 (23) Fig. 85 . hgási = hi – zt – hb – hti (20) Uma vez que a pressão absoluta na secção de ligação é hi (hi = hp no instante anterior). principalmente dos reservatórios de grande capacidade e a exigência de manutenção. Por encomenda podem obter-se reservatórios com capacidades superiores e reservatórios sem membrana de qualquer capacidade. A passagem da onda de pressão transitória através do reservatório. a pressão do ar no interior do reservatório passa a ter o valor de. hgasi representa a pressão absoluta do gás. o que exige a aplicação de compressores isentos de óleo (compressores hospitalares) no caso de grandes reservatórios e de dispositivos de controlo automático. Estes valores são designados por hti e hpi respectivamente.diâmetro interior hb . não é considerada no modelo de cálculo. fiabilidade e disponibilidade no mercado. A pressão do gás no interior do reservatório é estabelecida em termos de uma coluna de líquido equivalente hgás.cota de inserção do RAC na conduta Fig. Aplicando a equação PVn = Cte correspondente aos processos politrópicos aplicados a um gás perfeito.4 nos processos adiabáticos.

A parte superior da chaminé encontra-se aberta à atmosfera. durante as horas de máximo consumo. o dia da semana ou mesmo a hora do dia. aplicam-se as equações. a altura do líquido na chaminé poderá ser considerada constante sem grande erro. se a pressão cair a um valor inferior ao do ramo de aspiração.Esquema de um circuito de desvio a um conjunto de bombeamento (perda de energia na válvula) VP1 = Q A1 VP2 = Q A2 Noutros casos em que o caudal transportado é variável. quando o volume de água que é necessário transportar for reduzido. 9 . Estas equações reduzem-se a uma equação quadrática em Q. de forma a que o caudal debitado esteja de acordo com as necessidades. a altura de elevação das bombas é repartida pelas diferentes estações. Quando ocorre uma paragem da bomba. limitando-se desta forma o abaixamento de pressão. enquanto a bomba se encontrar a funcionar em regime estacionário as condições de operação são as representadas. resultando em equipamentos mais económicos e com menor potência instalada por unidade. permanecendo outras em funcionamento. Durante o curto intervalo de tempo ∆t associado à discretização das equações. o erro introduzido por esta simplificação é desprezável. permitindo por exemplo diminuir a classe de pressão dos tubos. haverá uma queda de pressão no ramo de compressão. a válvula de retenção impedirá o escoamento da compressão para a aspiração. A estação poderá não estar sempre em funcionamento e o escoamento dar-se-á através do circuito de desvio. Nas estações imobilizadas o escoamento far-se-á através dos circuitos de desvio. Quando os desníveis geométricos. algumas das estações poderão ser retiradas de serviço. evitando as depressões no ramo de compressão. dotadas de várias estações de bombeamento em linha. Também poderá ser aumentada a capacidade de transporte. como por exemplo em condutas de transporte de água potável para abastecimento domiciliário e industrial. Na modelação.7 Chaminés de equilíbrio Numa conduta equipada com bomba e chaminé de equilíbrio como se mostra na figura 10. equipado com uma válvula de retenção conforme se mostra no esquema da figura 9. g (hP1 – hR) + CR aR g – g aS (v P1 – vR) + 2 fR VR VR ∆T =0 dR (24) (h P2 – hS) + (vP” – vS) + v2P1 2g 2 fS VS VS ∆T =0 dS (25) hP1 – hP2 = k Fig. as duas equações características são resolvidas para se determinar o caudal e a pressão. No segundo trecho compreendido entre o dispositivo e um reservatório ou outro dispositivo semelhante. turbina ou válvula e a chaminé. 4. Para diminuição da amplitude do líquido no interior da chaminé.6 Circuito de desvio Em certas situações pode estabelecer-se um circuito de desvio aos grupos electrobomba. O tratamento destes dispositivos é semelhante ao apresentado para os RAC. O circuito de desvio poderá desempenhar um papel de protecção da conduta. ocorre em geral uma oscilação em massa. Assim. por vezes dota-se a ligação chaminé-conduta de um dispositivo destinado à geração de perda de carga. ou as perdas de carga em linha forem apreciáveis.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. Durante o regime variável este dispositivo divide em geral a conduta em dois troços que se comportam de forma diferente. durante a paragem de uma bomba deverá verificar-se se a pressão de jusante se mantém superior à de montante. em que o volume de água a transportar varia com a estação do ano. Como em geral o caudal é reduzido. substitui-se a condição de fronteira correspondente à bomba por uma simples junção. Esta aproximação despreza o escoamento que tem lugar através da bomba durante a sua paragem. durante os períodos em que o escoamento for realizado pela acção da gravidade. 86 . É uma aplicação típica em condutas forçadas longas. a válvula de retenção abre-se e passará a haver escoamento de montante para jusante. neste troço é mobilizada a energia elástica do fluido e da conduta. de uma conduta com funcionamento por acção da gravidade pela intercalação de estações elevadoras de pressão (booster). sendo actualizada em cada instante. Quando as bombas estiverem em operação. deverá incluir-se um termo separado para quantificar a perda de pressão (energia) na válvula de retenção. Quando tal não se verificar. Ou seja. O valor da pressão mínima será assim superior ao que teria lugar se o circuito de desvio não existisse. O trecho compreendido entre a bomba. colocadas em linha e equipadas com circuito de desvio. sem que a equação que modela a bomba esteja presente. Na análise do comportamento do sistema.

8 Reservatórios unidireccionais Os reservatórios unidireccionais são dispositivos de protecção especialmente vocacionados para atenuarem as ondas de pressão negativas. Conforme se poderá observar na fig. 10 . Considerando pela equação da continuidade: ap1 vp1 = Ach dhch dt Ach é a área transversal da chaminé Ach = π 4 A altura do líquido no interior da chaminé no final do intervalo de tempo ∆t é dada por: H2 = H1 + ∆Hch em que H1 é a altura do líquido no início do intervalo de tempo ∆t e H2 no fim.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Substituindo o valor de hP nas equações características C. 11 (a p1 vp1 + ap2 vp2 Ach d ch 2 ) ∆t 4. Em alternativa poderá ser armazenado água proveniente de uma fonte externa. – Cálculo de secção transversal e de um eventual estrangulamento. A ligação entre o reservatório e a conduta é dotada de uma válvula unidireccional (válvula de retenção). para atenuação das amplitudes extremas de oscilação do plano de água.e C+ calculam-se facilmente os valores de vP1 e vP2. – Impacto da estrutura no ambiente. Salvo casos especiais. e ha representa a pressão atmosférica. H = hP1 – ha Uma vez que a pressão absoluta na secção de ligação é hp1. – Cálculo estrutural. em que a velocidade do líquido no seu interior é lenta. as chaminés são em geral constituídas por um tubo metálico. de betão armado ou escavado na própria rocha. Na escolha do local para a sua instalação deverá atender-se aos seguintes aspectos: – Características topográficas do terreno. 12 . que permite o escoamento no sentido RUD conduta e impede-o no sentido oposto. Com estes valores determina-se o volume de água admitido ou expulso da chaminé durante o intervalo de tempo ∆t e consequentemente a variação de nível do líquido no interior da chaminé. Para estes casos o modelo matemático da condição de fronteira é semelhante ao utilizado para o RAC. – Amplitude das ondas de pressão. estes dispositivos consistem num tanque onde é armazenado o líquido transportado pela conduta. 13. com a superfície livre em contacto com a atmosfera. 87 . Fig. Antes de continuar o cálculo deverá verificar-se se a altura do líquido no interior da chaminé é positiva.Esquema de uma chaminé de equilíbrio O dimensionamento de uma chaminé de equilíbrio compreende: – O estudo do perfil da conduta para escolha do local mais adequado para a sua instalação.Chaminé de equilíbrio desenho tipo da SABESP Fig. Com H2 determinado calcula-se hp por hP = H2 + ha + Ap2 vp2 ∴ ∆hch = Fig.

Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório O reservatório parcialmente bidireccional. É constituído por um reservatório construído em polietileno de alta densidade e dotado de uma válvula de retenção. O tipo de paragem dos grupos. durante a paragem e arranque dos grupos electrobomba poderiam ser utilizadas válvulas motorizadas ou arrancadores suaves. sendo o seu efeito semelhante ao dos volantes de inércia. são excelentes órgãos para a atenuação das variações da pressão ao longo das condutas. para proteger uma conduta elevatória destinada a transportar águas residuais. devendo os tempos de manobra ser determinados por cálculo. admite o refluxo parcial de líquido ao tanque. A partir do instante em que as alturas se igualem a análise passa a ser semelhante à de uma chaminé de equilíbrio. é a do líquido armazenado para protecção.2 Arrancadores suaves Os arrancadores suaves quando procedem também a paragens suaves. o cálculo em regime transitório na secção de ligação é idêntico ao de uma simples transição. o qual poderemos designar por reservatório parcialmente bidireccional. Em geral para se evitar tempos de manobra longos. o tempo de anulação de caudal é aumentado. Em regime permanente. assim como os períodos a decorrer entre paragens sucessivas. de vários grupos podem ser devidamente determinados com a introdução de subrotinas de cálculo apropriadas.10 Dispositivos de manutenção das pressões transitórias Para atenuação dos efeitos do choque hidráulico. é semelhante à da chaminé de equilíbrio. 4. 4. o líquido armazenado no RUD e o que se encontra em escoamento na conduta. a análise é semelhante à de uma simples junção. conforme representada na figura 14. 4. o RUD permite a alimentação da conduta aquando a cota piezométrica for inferior à da superfície livre do líquido. é a de se dispensar o ramal de enchimento. é especialmente vocacionado para ser instalado em pontos altos. sempre que a cota piezométrica no interior do dispositivo. Fig. Devido à concepção do RUD. de condutas destinadas a transportar águas residuais. conclui-se que o RUD só entra em funcionamento quando a altura piezométrica na conduta for inferior à da superfície livre e que não há escoamento no sentido conduta RUD.1 Válvulas motorizadas As válvulas motorizadas deverão possuir meios de fecho adequados. não ficar em contacto com a atmosfera. A grande vantagem.10. que apresentava um ponto alto num local isolado. Este dispositivo. assim. 4. a altura piezométrica na conduta não está em equilíbrio com a massa de água armazenada. Caso contrário. o que não acontece no RUD. permitindo desta forma actuar também sobre as sobrepressões. isto porque a actuação das válvulas sobre o escoamento não é linear. Estes dispositivos não podem ser considerados dispositivos de protecção uma vez que não actuam em caso de falha de energia eléctrica da rede de alimentação. apresentada por este dispositivo.9 Reservatório parcialmente bidireccional O autor deste trabalho. procede-se a um primeiro período de fecho rápido e a manobra final mais longa.Reservatório parcialmente bidireccional 88 . Para proteger esse local. a altura piezométrica na zona de ligação é regulada pela cota da sua superfície livre. Devido às desvantagens referidas em relação ao RUD. no caso de água tratada e a propagação de cheiros no caso de águas contaminadas. estão separados pela válvula de retenção que se encontra fechada. 14 . uma vez que o período de imobilização dos grupos electrobomba é prolongado. Enquanto a altura piezométrica na conduta for superior à da superfície livre do RUD. 13 . Pelo descrito. A análise deste dispositivo. for inferior à cota da válvula de retenção. Fig.Reservatório unidireccional Devido à sua concepção. como a conduta continuará a ser alimentada. Outra vantagem.10. durante as operações normais de arranque e principalmente paragem. não era possível nesse caso a sua adopção. necessitou projectar um dispositivo. Evita-se dessa forma a inquinação. foi adoptada uma variante.

a.c.m-2 Diâmetro do impulsor D = 400 mm Coeficientes da curva característica A = 1.7 7. de pequena inércia comparada com a energia transferida ao fluido a elevar e por consequência com um reduzido tempo de anulação de caudal.0 x 1010 kgf m-2 Módulo de compressibilidade da água E = 2. concluindo-se que era necessário proteger a conduta com dispositivos adequados. Resultados de cálculo final Volume de ar m3 RAC Inicial 5.37 x 103 Os grupos electrobomba instalados em número de três nesta primeira fase.86 kgf.56 x 10-1 C = 5.11 Caso prático Os dados de cálculo inicial. verificou-se que ocorre uma zona de depressão extensa (gráfico 1) e que a sobrepressão subsequente tem um valor muito elevado. Se não se realizar esta associação. Comprimento da conduta elevatória L = 2808 m Diâmetro Ø = 500 mm Espessura da parede e = 7.375 m3/s Cota de descarga no reservatório 373. 390 1 89 .Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4.m-2 PD2 do motor 92.00 kgf.3 m Grupos electrobomba em funcionamento n = 2 (paralelo) Velocidade de rotação N = 1400 rpm PD2 da bomba 5.92 x 10-4 B = 6. o volume RAC seria exagerado. dimensionados conforme o gráfico 1. Análise dos resultados de cálculo O cálculo inicial foi realizado considerando que os dois grupos bombeiam através da conduta sem qualquer protecção. são do tipo multicelular.1 Máximo Adoptado 6. Dos resultados do cálculo efectuado. com funcionamento de um número máximo de dois em paralelo. e após várias hipóteses de cálculo para os dispositivos de protecção. Cálculo final Em face do comportamento descrito para o sistema em regime transitório.300 Pressão de abertura m. foi seleccionado um RAC associado a uma válvula de alívio.0 Condições de descarga Caudal m3/h 1.1 x 108 kgf m-2 Caudal em regime estacionário Q = 0.0 VÁLVULA DE ALÍVIO Mínimo 4. foram os que se passam a indicar nos itens seguintes.3 mm Rugosidade absoluta equivalente k = 0.1 Material Ferro Fundido Dúctil Módulo de elasticidade da conduta E = 1.

Golpo d’ariete in condotte elevatorie. C. Réservoir anti-bélier à régulation d’air automatique. Fluid Transients Mc Graw-Hill 1978 90 . Le coup de bélier dans les canalizations de refoulement: Calcul et préparation La Technique de L’eau IDEL’CIK. 1981 Martins. Paris.E. Water hammer and surge Pipeline design for water engineers. L. H. E. M.º 242. Transitórios hidráulicos. Étude du functionement et du dimensionement des ballons d’air anti-belier Bulletin Technique de Génie Rural. A. New York. R. Prentice Hall.12 Referências bibliográficas Almeida. A. ASCE. O. M. n. Détermination des Dimensions caractéristiques d´un reservoir d’air sur ume installation élévatoire. Vol 88. J.. Golpes de aríete em condutas. Fluid transients in hydro-electric engineering pratice. Hydraulic analysis of unsteady llow in pipe networks. Mémento des partes de charge. C. A. 1978 Fox. 1977 Rosich.A. Protection des refoulements d’eaux usées. Applied Hydrulic Transients Van Nostrand 1979 Meunier. 1979. Dover. F. B. G. J.. Eyrolles. N. Waterhammer analysis. Lisboa. M. Parecer sobre o dimensionamento de condutas metálicas sujeitas a sub pressões Universidade de Lisboa CEMUL Dupont. Mac Millan. 1969 Rosich. Chiari. M. Lisboa LNEC. E. 1973 Nichile. J. Julho 1963 Wylie. Developments in Water Science.º 8. C. Wilson. M.L’Eau. A. London. Instituti Idraulici. D. B. Caldinhas A. n. Blackie. Manual de protecção contra o golpe de aríete em condutas elevatórias.º 6. V. Hydraulique urbaine. Glasgow and London.. Ch.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. La Houille Blanche. A. Parmakian. A. C. J. Guéneau. Le coup de bélier dans les pompages: Son calcul simplifié La Technique de L’eau Funel. Puech. Sousa. M. Sul calculo del PD2 negli impiante di sollevamento L’Energia electtrica n. 1962 Timoshenk Resistência dos materiais Ao Livro Técnico S.º 6. 1955 Reis A. Attenuazione mediante volanti Universitá de Napoli. Streeter. 1963 Dubin. LNEC. R. Mechanics of Pipe flow following column separation Journal of the Engineering Mechanics Division. Exemplo de cálculo de choque hidráulico com volante de inércia pelo método gráfico de Bergeron. TSM ..º 124 CTGREF. M. 1971 Livingston.. n. n. H. Discharge tanks for suppressing water hammer in pumping lines International conference on pressure surges Jaeger. C. Napoli. I.. Tome II Paris. D. 1977 Stephenson. 1978 De Martino. 1974 Roche. W. Elsevier 1976 Li. Abril. Synopsis of surge control equipment Water and Water Engineering.. Seminário 238. E. Válvulas anti-golpe de aríete desenvolvimento Brasileiro Revista DAE Duarte. 1955 e New York. Eyrolles Paris. E. 1960 Stephenson. Protecção de instalações de recalque através de tanque hidropneumático Revista DAE Chaudhry.

O CUSTO DO CICLO DE VIDA COMO FACTOR DE ECONOMIA Autor: Paulo Ramísio Engenheiro Civil (FEUP) Mestre em Engenharia do Ambiente (FEUP) Assistente do Departamento de Engenharia Civil da Universidade do Minho Sócio da SBS – Engenharia Civil.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5. Lda. 91 . Hidráulica e Ambiente.

92 .

age como porta-voz dos 15 principais fabricantes de bombas e representa mais de 400 fabricantes. o processo de cálculo do CCV indicará. prevenção da poluição e tecnologias para aplicações industriais. acessórios e os decorrentes da exploração) devem obedecer a considerações de eficácia e economia. • O Departamento de Energia dos Estados Unidos. a escolha dos elementos que constituem o sistema (construção civil.2 O que é o Custo do Ciclo de Vida? O Custo do Ciclo de Vida (CCV) é uma ferramenta de gestão que pode ajudar a minimizar os desperdícios e a maximizar o rendimento para variados tipos de sistemas.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5. promove parcerias com indústrias e grupos de comércio. 1 . de forma isenta. Enquanto algumas partes do sistema apresentam praticamente todo o seu custo durante a construção.). ao longo da sua vida útil. 93 . A identificação de todas as parcelas envolvidas apresenta-se como uma etapa fundamental nesta metodologia. manutenção (preventiva e correctiva). nos equipamentos electromecânicos o custo de aquisição poderá representar apenas 10% dos custos globais associados a esses equipamentos. a solução que apresenta menor custo global. ambientais. pode ser realizado por várias metodologias. mas também servir para comparar soluções de fabricantes diferentes. Adicionalmente todos os componentes do sistema deverão ser cuidadosamente seleccionados para combinarem entre si e manter no global um conjunto fiável assegurando os mais baixos custos energéticos e de manutenção.3 Razões para a utilização do CCV Os sistemas de pressurização são compostos por um conjunto de obras de construção civil. estabelecido em 1960. nas suas mais variadas aplicações (abastecimento público e predial de água potável. energéticos. assim como uma longa durabilidade. instalações de rega. Uma visão global é descrita no artigo "Pump Life Cycle Costs" desenvolvido pelo Hydraulic Institute e Europump de modo a facilitar a aplicação da metodologia do CCV a sistemas de bombeamento. Consumo mundial de energia eléctrica Outras Aplicações (80%) Ou • O Europump. A minimização dos custos globais nem sempre é uma tarefa fácil. com base nas informações disponíveis. fundado em 1917. A correcta escolha de todos os componentes de um sistema de bombeamento apresenta-se assim como uma oportunidade para uma redução nos custos globais da instalação. energias renováveis. sendo principalmente onerosos em grande parte dos sistemas industriais. No presente documento optou-se por seguir a metodologia proposta pelas seguintes entidades: • O Instituto Hidráulico (HI). Estabelece padrões e organiza fóruns para a troca de informações técnicas há mais de 80 anos. operação. 2000). equipamento eléctrico e electromecânico. principalmente numa altura em que a questão energética assume um importante papel na economia nacional. consomem cerca de 20% da energia eléctrica global (Europump. industrial. transporte e tratamento de águas residuais. tubagens e acessórios. Como exemplo. O investimento inicial é geralmente uma pequena parte do Custo do Ciclo de Vida para sistemas de pressurização. mas também mundial. 5. A avaliação dos custos do sistema ao longo da sua vida útil. desmontagem e desmantelação do equipamento. é a maior associação de produtores e de fornecedores da América do Norte. não só para optar entre diferentes soluções do mesmo fabricante. Representa os custos de aquisição. Um dos grandes objectivos duma metodologia desta natureza deverá ser o rigor e a isenção. equipamentos. Estima-se que o elevado número de sistemas de bombeamento existentes a nível mundial.Consumo mundial de energia eléctrica Trata-se portanto de um consumo significativo. os grupos electrobomba embora sejam geralmente adquiridos como componentes individuais. Como qualquer investimento. incluindo sistemas de bombeamento. ensaios. instalação. da instalação e do modo como o sistema irá operar. para a implementação de sistemas de elevada eficiência de energia. etc. Quando o CCV é utilizado como uma ferramenta de comparação entre diferentes alternativas. 5. eles são parte integrante de um sistema indissociável entre si. O Custo do Ciclo de Vida de qualquer sistema de pressurização é assim o custo total durante o seu período de vida útil. Sistemas de Bombeamento (20%) Fig. A energia consumida e os materiais utilizados por um sistema dependem das características da bomba.1 Introdução Os sistemas de pressurização representam por vezes custos não desprezáveis no mercado da construção para habitação. colecta. pois só assim poderá ser utilizada. O Europump serve e promove a indústria europeia das bombas hidráulicas. paragens.

como sendo a soma das seguintes parcelas: Fig. serviços de apoio. Em alguns casos os custos de indisponibilidade podem ser mais significantes que os custos energéticos ou de manutenção. Sistemas de bombeamento . sendo de difícil quantificação. Alguns estudos mostram que 30% a 50% da energia consumida pelos actuais sistemas de bombeamento podem ser poupados através da alteração dos controlos dos sistemas (Europump. CCV = Cci + Cin + Ce + Co + C m + C pp + Ca + Cd onde: (1) Cci Cin Ce Co Cm C pp Ca Cd Custos iniciais (custos de construção civil. Considerações adicionais deverão ser tomadas em relação às perdas de produtividade devido aos tempos de paragem. Com base nos estudos efectuados em problemas deste tipo. Adicionalmente às razões económicas para justificar a utilização da metodologia do CCV. factores determinantes no Custo do Ciclo de Vida (CCV) da instalação. A crescente competitividade dos mercados nacionais e internacionais obriga a um esforço contínuo de modo a aumentar a competitividade. de exploração e de manutenção. continua a merecer uma particular atenção como fonte de poupança de custos. a metodologia proposta apresenta os custos do ciclo de vida. originando sistemas que apresentam grandes custos de manutenção e exploração. etc. o escalonamento esperado nos anos vindouros. especialmente pela via da minimização dos consumos energéticos e dos tempos de paragem da produção. em segundo lugar porque muitos dos sistemas em operação possuem bombas ou controlos que não estão ajustados às necessidades actuais.4 Determinação do Custo do Ciclo de Vida O processo do CCV é um método que permite a comparação de soluções alternativas. O processo em si é basicamente matemático.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia Uma maior compreensão de todos estes pormenores constituirá uma oportunidade para a redução dramática dos custos energéticos. talvez motivado pela grande evolução tecnológica verificada nos últimos anos. A escolha destes equipamentos deve ser efectuada com base em cálculos onde os detalhes do projecto do sistema devem ser tidos em conta. Os sistemas de bombeamento têm muitas das vezes um período esperado de operação de 15 a 20 anos. As empresas devem procurar soluções que visem a redução dos custos globais e o aumento dos rendimentos operacionais. Deste modo a comparação deve ser efectuada entre diferentes tipos de sistema ou de controlo. O exercício deve ser objectivo na análise e âmbito podendo no entanto ser lato nas alternativas analisadas. principalmente no sector fabril. Custos de Manutenção ( 10% ) Custos do Investimento ( 5% ) 5. 2000). desmontagem e desmantelação final do equipamento e os de origem ambiental.Repartição média dos custos globais em sistemas de bombeamento Muitos sistemas são concebidos considerando apenas o investimento inicial. tubagens. podem muitas das vezes ser estimados com base em dados históricos.) Custo de instalação e ensaios (arranque e formação do pessoal) Custos energéticos (operação do sistema incluindo controlos e quaisquer serviços auxiliares) Custos de operação (mão de obra e supervisão normal do sistema) Custos de manutenção e reparação (reparações previstas e de rotina) Custos de paragens (perda de produção) Custos ambientais Custo de desmontagem e desmantelação (incluindo a restauração ambiental do local e serviços de destruição do equipamento) 94 . acessórios. Para a maioria de empreendimentos os custos energéticos e/ou de manutenção dominarão os Custos do Ciclo de Vida. mas extremamente dependente da informação disponível. em termos de custos. É portanto de extrema importância a forma precisa de determinar os custos energéticos actuais. assim como os custos de mão-de-obra e dos materiais ao longo do ciclo de vida do equipamento. Os sistemas existentes podem contribuir com uma maior fatia na redução da energia consumida através da utilização da metodologia do cálculo do CCV por duas razões: A primeira porque existem pelo menos 20 vezes mais sistemas em operação do que os colocados anualmente em operação e. 2 . quer em novos empreendimentos quer em remodelações requer sempre uma avaliação de sistemas alternativos. bombas. e consideram o rendimento energético como uma via contribuinte para a redução de emissões de gases e deste modo preservar os recursos naturais.Custos globais Custos de Exploração ( 85% ) A análise do CCV. muitas empresas começam a estar cada vez mais sensíveis ao impacto ambiental nos seus negócios. A operação. logo os resultados do processo apresentam certamente um grau de fiabilidade similar ao dos dados de base. Outros custos como por exemplo os de paragens. A redução e o desperdício energético representam ainda um papel importante em benefícios ambientais.

• Equipamentos auxiliares para sistemas de vedação ou arrefecimento. Nestes casos devem ser incluídos os custos do fluido. a energia será: E (kWh ) = ∫ γ × Q(t )× H (t ) dt ηc ×ηm to ηc(t) x ηm(t) t1 (3) • Os custos energéticos de serviços auxiliares também devem ser incluídos. • Avaliações e regulações no arranque. preparação. Este facto pode originar a que seja menosprezada a sua importância final nos custos globais. Custos de instalação e ensaios • Os custos de instalação e ensaios (arranque) incluem os seguintes itens: • Fundações (projecto. o seu comportamento com o fluido bombeado. • Os métodos de cálculo da energia são relativamente simples quando a bomba é utilizada num único ponto de funcionamento. • Inspecção e testes. • Processo de aquisição. projecto. filtragem.). Custos de operação • Os custos de operação são os associados à mão-de-obra relacionados com a operação do sistema. O consumo energético é calculado através dos dados colhidos no projecto do sistema.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia Os parágrafos seguintes examinam cada uma das parcelas e levantam sugestões para a determinação de cada parâmetro. Se as solicitações são muito variáveis no tempo.). Dever-se-á ter em atenção que este cálculo não inclui a análise a custos de segunda ordem como por exemplo as matérias-primas consumidas no fabrico de produtos. Enquanto que nas restantes parcelas os custos associados a equipamentos electromecânicos são dominantes. entre outros. desenhos. • Formação. os empanques instalados. Custos energéticos • O consumo energético é frequentemente uma das parcelas com maiores custos e geralmente domina o valor final do CCV. Estes podem variar muito dependendo da complexidade e função do sistema. • Ligações a sistemas auxiliares.c. a qualidade e fiabilidade do sistema seleccionado. podem originar custos iniciais mais elevados mas reduzirem o CCV de uma forma considerável. aproximando em seguida os volumes bombeados ou horas de funcionamento relativos a cada um destes. etc. betão etc. os controlos integrados. necessárias ao arranque do sistema. os materiais utilizados. A situação torna-se mais complexa com bombas em funcionamento paralelo ou se a bomba for utilizada com um conversor de frequência. • Ligações de tubagens de processo. o cálculo é simples. A fórmula do cálculo da potência requerida é a seguinte: P (kW ) = em que: γ ×Q× H η c ×η m (2) P − Potência (kW ) γ − Peso específico do líquido (kN/m3 ) Q − Caudal (m 3 /s) H − Altura manométrica (m.a) η c − Rendimento da bomba η m − Rendimento do motor Logo. Deverá ser seguida a lista de verificações proposta pelo fabricante de modo a assegurar que os equipamentos e o sistema possam operar dentro de parâmetros específicos. neste o seu valor relativo pode vir diluído com o valor da construção civil. Uma bomba com conversor de frequência tem um número infinito de pontos de funcionamento. • Uma instalação completa dos equipamentos electromecânicos envolve requisitos de operação e manutenção que serão assegurados por pessoal com formação para operar o sistema. Estes detalhes. • É determinante para estes custos o diâmetro das tubagens e acessórios. • Os custos iniciais incluem geralmente os seguintes itens: • Serviços de Engenharia (estudos. • Peças de reserva. Detalhando: Custos iniciais • Este tipo de custos refere-se aos custos necessários para a compra e instalação de equipamentos e obras de construção civil. então dever-se-á utilizar um registo horário das necessidades para se efectuar o respectivo cálculo. especialmente quando o tempo de operação das bombas ultrapassa as 2000 horas de operação / ano. especificações etc. deverão ser efectuados cálculos separados para os vários pontos de funcionamento. No funcionamento paralelo. Se as solicitações ao sistema são constantes. 95 . • Ligações eléctricas e de instrumentação. Por exemplo uma bomba instalada em ambientes corrosivos pode requerer verificações diárias. Estes custos podem ser referentes a circuitos de aquecimento ou arrefecimento de fluidos de processo. • Os ensaios requerem uma especial atenção às instruções do fabricante para a execução do arranque e operação. Outro factor de incerteza para o cálculo do consumo de energia de bombas com conversor de frequência é o facto do rendimento geral do sistema ser difícil de calcular com exactidão. • Construção civil. circulação e/ou dissipação de calor etc.

Existem procedimentos legais e regulamentares para líquidos tóxicos. requer uma manutenção regular e eficiente. O projecto deve considerar a interacção entre a bomba e o resto do sistema e o cálculo do ponto de operação do sistema. mas também às verificadas em singularidades. Uma análise periódica das condições de funcionamento do sistema pode alertar os operadores para eventuais perdas de desempenho do sistema. o custo inicial será mais elevado mas os custos de manutenção não programada incluirão apenas os custos da reparação. destruição e outros custos importantes. ruído. o CCV torna-se particularmente sensível à vida útil do equipamento. Os custos dependem do tempo e da frequência do serviço. Os indicadores de desempenho incluem alterações em vibrações. sob o risco de representarem externalidades. nos sistemas de distribuição de água doméstica existe a incerteza do crescimento populacional. Na maior parte das vezes os custos de paragem são inaceitáveis por representarem custos superiores à instalação de um equipamento de substituição ou reserva. Os custos de aquisição e os custos operacionais totalizam o custo total de uma instalação durante sua vida. Se for utilizado um equipamento de reserva. • O programa de manutenção pode ser cumprido com menor frequência mas com maior atenção aos detalhes ou com maior frequência mas com intervenções mais simples.5. da sua capitação ou mesmo da taxa de ligação ao longo do tempo. Será importante analisar a sensibilidade ou adaptabilidade do sistema escolhido a situações diferentes das previstas no projecto. O fabricante aconselhará a frequência e a natureza da manutenção periódica. 96 . Um sistema mais flexível na exploração pode apresentar uma mais valia acrescida. Custo de desmontagem e desmantelação • Na maioria dos casos. Custos de paragens e perdas de produção • O custo de paragens imprevisíveis e de perdas de produção podem ser uma parcela muito significativa no valor CCV e pode rivalizar com os custos energéticos ou com os custos de peças de substituição. Isto aplica-se quer a sistemas simples quer a sistemas mais complexos. podem ser estimadas estatisticamente pelo cálculo do tempo médio entre avarias. paragens. uso de peças contaminadas etc. Estes incluem: • Preços actuais da energia. As maiores actividades requerem frequentemente a remoção da bomba do local de instalação para as oficinas. pressão etc. • Embora as avarias não possam ser previstas. estando directamente dependentes do diâmetro da tubagem e dos restantes componentes do sistema. tais como a manutenção. selecção dos componentes e mesmo da facilidade de acesso aos componentes a serem intervencionados. Durante esse tempo a unidade está indisponível podendo haver perda total na produção ou um custo de substituição temporária. Custos totais do ciclo de vida • Os custos estimados para as várias parcelas depois de somadas permitem uma comparação das diferentes soluções analisadas. Os custos de infracção ambiental deverão ser incluídos. Por exemplo. Custos de manutenção e reparação • O alcance da longevidade esperada para uma bomba. radioactivos ou qualquer outro tipo agressivo. Uma quantidade considerável das perdas da energia no sistema são devidas às perdas de carga contínua. Quando a destruição tem um custo demasiado elevado. Custos ambientais • O custo da destruição de fluidos contaminantes durante o tempo de vida de um sistema de bombeamento varia bastante dependendo da natureza do produto bombeado. Adicionalmente o utilizador deve decidir quais os custos a incluir. consumo energético. • Vida útil esperada para o equipamento.1 Na fase de projecto A concepção e o projecto do sistema serão sempre o elemento mais importante na minimização do CCV. bombeamento de produtos corrosivos.5 Implementação da metodologia 5. O projecto pode influenciar estes custos por indicação específica de alguns materiais. Estes custos podem ser minimizados por uma programação cuidada e atempada da paragem. As características da tubagem do sistema devem ser calculadas a fim determinar o desempenho requerido da bomba. • Actualização do valor anual da energia. • Taxa de juros. ambiental.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia enquanto um sistema semelhante com outro fluido pode apenas necessitar de supervisões limitadas. o custo da desmantelação de um sistema de bombeamento tem pequenas variações em relação a diferentes concepções. gamas de caudais. • O custo de perda de produção ou de indisponibilidade podem ser considerados dependente do tempo de paragem e devem ser analisados para cada caso específico. • Taxa de inflação. temperaturas. • O custo total da manutenção de rotina é o resultado do produto dos custos por intervenção pelo número de intervenções esperadas durante o ciclo de vida da bomba. • Existem também factores financeiros a serem tomados em consideração no desenvolvimento do CCV. 5. Exemplos de contaminação ambiental podem incluir: destruição da caixa do empanque. mas também dos custos dos materiais.

2 Aplicação a sistemas existentes As seguintes etapas indicam algumas tarefas que podem identificar pontos onde poderá ser possível melhorar um sistema de bombeamento existente: • Realizar um inventário completo do sistema de bombeamento. • Combinar o equipamento às necessidades do sistema para o máximo rendimento. Fig. • Seguir as normas do fabricante. mas as exigências operacionais do sistema limitam o âmbito da experimentação. • Avaliar a eficácia do sistema. pressões diferenciais.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia O diâmetro da tubagem deve então ser seleccionado com base nos seguintes factores: • Economia da instalação (bombas e sistemas). • Monitorizar a bomba e o sistema. graças à capacidade de processamento. 3 . • Escolher bombas e sistemas novos usando considerações do CCV. • aumentam os custos de operação em consequência do maior consumo energético devido ao aumento de perdas por atrito. • Optimizar a manutenção preventiva. resultando a necessidade de motores com maior potência. • Considerar diâmetros padrão da tubagem em instalações semelhantes. Deve ser considerado com atenção a duração prevista para os diferentes pontos de funcionamento de modo a seleccionar correctamente o número de bombas a instalar e o comando e controlo. • Utilização de velocidades económicas. • Optimizar o custo total considerando custos operacionais e custos de aquisição. ser substituídos por programas informáticos. • Combinar o tipo da bomba à solicitação pretendida. Diminuir o diâmetro das tubagens tem os seguintes efeitos: • diminuem os custos de aquisição de tubagens e acessórios da instalação. o objectivo é ficar com uma ideia exacta de como as várias partes do sistema operam e identificar onde as melhorias podem ser feitas e o sistema optimizado. Observar o sistema permite ver como o sistema se comporta. • Efectuar mudanças à bomba para minimizar a carga no sistema. e caudais). O primeiro método confia em observações efectuadas no sistema (pressões. Analogamente.5. O primeiro consiste em observar as condições de operação do sistema "in-situ". • Identificar bombas com custo de manutenção elevado. Desenvolvendo um modelo do sistema. Os longos e fastidiosos cálculos associados ao cálculo das perdas de carga podem hoje. A seguinte lista de verificações fornece alguns tópicos úteis para reduzir o Custo do Ciclo de Vida de um sistema de bombeamento existente: • Considerar todos os itens com custos relevantes no Custo do Ciclo de Vida. mas completam-se. • Considerar um diâmetro interno mínimo quando se transportam líquidos com sólidos. • Especificar motores de elevada eficiência. Dois métodos podem ser usados na análise de sistemas de bombeamento existentes. alguns custos aumentam com tamanho crescente da tubagem como por exemplo os de aquisição. • Avaliar as perdas de carga no sistema. Os dois modelos não são incompatíveis. • Determinar os fluxos requeridos para cada carga no sistema. facilitando significativamente o processo de cálculo. tão exacto quanto possível do sistema e depois simulam-se as pressões e os caudais dentro do modelo. enquanto que no segundo cria-se um modelo matemático. • Equilibrar o sistema para encontrar os diferentes fluxos e cargas requeridas. • Não sobredimensionar a bomba. • aumentam os custos de energia eléctrica. 5. As tubagens devem assim ser dimensionadas por critérios de minimização dos custos globais. • Considerar a energia desperdiçada em válvulas de controlo. • aumentam os custos da instalação da bomba e de operação em consequência do aumento de perdas de carga. mas outros diminuirão. • Considerar a duração dos diferentes pontos de funcionamento da bomba. Não obstante o método usado. e o segundo consiste em executar cálculos usando as equações da mecânica dos fluidos. um dos quais determinará a escolha da bomba.Ponto de funcionamento de um sistema Um sistema pode necessitar de operar em diversos pontos de funcionamento. O ponto de funcionamento de um sistema é determinado pela intersecção da curva da instalação e da curva característica do equipamento de pressurização como mostrado em Figura 3. podem-se facilmente simular várias alternativas do sistema. 97 . • Considerar uma velocidade máxima de modo a minimizar a erosão na tubagem e acessórios. mas antes o modelo deve ser validado para assegurar que representa exactamente o sistema que se está a estudar.

Pontos de funcionamento de cada alternativa estudada. e uma válvula de controlo regula o caudal no tanque pressurizado a 80 m3/h.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5. a carga total da bomba é reduzida a 42. um circuito de bombeamento transporta um líquido contendo alguns sólidos de um tanque de armazenamento para um tanque pressurizado. Antes da troca da válvula de controlo. e remover a válvula de controlo. Parece que a válvula não se encontra correctamente adaptada à instalação. Está a ser considerada a substituição da válvula existente por outra que possa resistir à cavitação.08 €/kWh e a eficiência do motor de 90%. d) Manter o sistema actual.6 Exemplos de aplicação do Custo do Ciclo de Vida 5. • Este projecto tem uma vida de 8 anos. Verificou-se que a válvula de controlo opera actualmente com uma abertura de 15 . demonstrando que a válvula instalada não é apropriada para este processo. Fig. • O processo é operado em 80 m3/h em 6. Bomba Alterando o diâmetro do impulsor para 375 milímetros. • Considerou-se o custo anual de manutenção periódica de um variador de frequência de 500 €/ano. • O custo anual para a manutenção periódica das bombas é de 500 € por ano. Reservatório Reservatório Pressurizado Válvula de Controlo Permutador de Calor Fig. acrescidos de 1 500 Euros adicionais para a instalação e 500 € anuais para manutenção. aproximando a válvula do ponto para que foi projectada.20% e com um considerável ruído de cavitação. admitindo uma reparação anual da válvula.6. 98 . Mantendo o sistema inalterado resultará num custo anual de 4 000 € para reparação da válvula. Na análise do CCV efectuada utilizaram-se os seguintes critérios e suposições: • O preço de energia actual é actualmente 0.000 horas/ano. Um permutador de calor aquece o líquido. valor que inclui o custo de desmontar e remontar a bomba. Um variador de frequência de 30 kW tem um custo de 20 000 €.1 Sistema de bombeamento existente com uma válvula de controlo de caudal Neste exemplo. b) Alterar o impulsor da bomba para reduzir a altura manométrica. Na figura seguinte apresenta-se um esquema simplificado do sistema. A válvula tem apresentado avarias a cada 10 a 12 meses com um custo médio de 4 000 EUROS por reparação. c) Instalar um Variador de Frequência (VF). De modo a equacionar várias alternativas analisou-se o actual funcionamento do sistema. aos quais deve ser acrescentado 2 250 € para alterar o impulsor. 4 . A substituição da válvula de controlo apresenta um custo de aquisição e instalação de 5000€. Espera-se que não seja necessário nenhuma reparação nos 8 anos seguintes. foram consideradas outras opções e executada uma análise de custo do ciclo de vida às soluções alternativas. Após a revisão dos cálculos do projecto. Os cálculos do Custo do Ciclo de Vida para cada uma das quatro opções são resumidos no Quadro 1. descobriu-se que a bomba instalada estava sobredimensionada (110 m3/h em vez de 80 m3/h previstos). a válvula apresenta danos de cavitação em intervalos regulares.0 m e 80 m3/h. Na figura 5 são apresentados os pontos de funcionamento associados a cada uma das soluções. com um custo da reparação de 2 500 € cada segundo ano.Sistema de bombeamento estudado O sistema apresenta problemas na válvula de controlo (VC) que falha devido à erosão causada pela cavitação. O custo de energia anual com o impulsor menor é 6 720 € por o ano. Esta perda de pressão reduz a pressão diferencial através da válvula de controle em 10 m. 5 . • A taxa de juro foi de 8% e uma taxa de actualização de 4% é esperado. • Não há nenhum custo de eliminação ambiental associada. As seguintes opções foram estudadas: a) Substituir a válvula de controlo de modo a suportar o grande diferencial de pressão. originando uma maior perda de pressão através da válvula de controlo do que inicialmente estimado. Em consequência do grande diferencial de pressão.

500 8 8 4 91. a) Elevar a água para um reservatório superior Nesta opção.1 6. Existe portanto um único ponto de funcionamento como é demonstrado na figura seguinte: 5. Para este sistema optou-se pela instalação de duas bombas do tipo "CR 15-5".6 6.000 0. 99 .000 11.08 23. com base nos pressupostos apresentados.2 Escolha do sistema de pressurização na fase de projecto Neste exemplo será analisado o Custo do Ciclo de Vida para diferentes sistemas de pressurização a um edifício de habitação.08 14. Altura Manométrica Caudal Fig. c) Instalar uma central hidropneumática de velocidade variável.500 4. semanal ou mensal) o volume de água elevado será igual ao volume de água consumido.08 23. tem o Custo do Ciclo de Vida mais baixo e apresenta-se como a solução economicamente mais favorável.000 6.000 5.0 6.250 0. alterar o impulsor.1 6.CUSTOS DE CICLO DE VIDA (CCV) DAS VÁRIAS SOLUÇÕES ESTUDADAS Alternativa A Investimento inicial (€) Custo da energia (€/kWh) Potência média absorvida (kW) Horas por ano Custo de energia (€) Custos de manutenção (€) Custos de reparação (cada 2 anos) (€) Outros custos anuais (€) Custos ambientais (€) Custos de desmantelação (€) Vida útil (anos) Taxa de juro (%) Taxa de actualização (%) Valor de CCV (€) 5.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia QUADRO 1 .088 500 2. 6 O funcionamento do sistema de pressurização funcionará.000 8 8 4 113.930 A opção B.827 Alternativa B 2.313 Alternativa D 0 0. cujas parcelas do CCV são apresentadas no quadro 3.568 1 000 2. com um caudal de ponta de 18.481 Alternativa C 21. Para garantir a pressão residual mínima.6. no aparelho mais desfavorável. o qual abastecerá graviticamente toda a rede doméstica.08 11. De modo a simplificar a análise considera-se que o sistema de pressurização será alimentado directamente de um reservatório com nível constante onde a água é mantida à pressão atmosférica.720 500 2. deverá ser instalado um reservatório superior a uma cota que permita uma pressão residual. por ciclos.500 8 8 4 74.0 Bar.500 8 8 4 59. No final de um ciclo (diário.000 11. b) Instalar uma central hidropneumática de velocidade fixa.088 500 2.6 m3/h. Foram comparadas as seguintes soluções: a) Elevar a água para um reservatório superior.500 0. em função do volume do reservatório superior. a altura manométrica deverá ser de 5.

Curvas características Fig. É assim possível responder a uma grande variabilidade de situações. há variação do termo independente do caudal (a altura geométrica). a velocidade de rotação da bomba pode variar.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia b) Instalar uma central hidropneumática de velocidade fixa. 8 . embora de funcionamento mais simples.PERFIL DE CARGA CONSIDERADO 1 Caudal (%Qp) Pressão (%Pmáx) Tempo (h) 100 100 150 2 75 100 300 3 55 100 450 4 35 100 900 5 12 100 1500 Nas figuras seguintes são apresentadas as possíveis alterações às curvas características da bomba e da instalação. Em primeiro lugar. 7 c) Instalar uma central hidropneumática com variador de frequência. conforme é apresentado na figura 7. Na figura 8d é apresentado a gama de pontos de funcionamento admitida por este sistema. Nesta solução. Fig. a análise do sistema é mais complexa uma vez que o bombeamento será directamente efectuado para a rede de distribuição. b) Fig. Assim. acompanhando portanto as flutuações de caudais verificados nesta. Optou-se pela instalação de uma central hidropneumática de velocidade fixa do tipo "Hydro 1000" composta por três bombas "CR 10-7". Na análise de custos considerou-se o seguinte perfil de carga: QUADRO 2 . No presente exemplo foi estimado o mesmo perfil de carga definido para o sistema anterior. a curva característica da instalação variará por aumento do caudal (Fig 8a). entre a pressão máxima e mínima (estabelecida em função do caudal provável e a pressão residual no aparelho mais desfavorável). 9 100 . Trata-se de uma simplificação conservativa uma vez que em muitas situações o consumo de energia será inferior ao simulado. Por outro lado. existe uma variação nos caudais bombeados. dentro dos limites impostos pelo equipamento electromecânico e pela instalação. logo a curva característica da bomba toma as formas apresentadas na figura 8c. Os valores do CCV são resumidos no quadro 3. existindo por vezes desfasamento entre os consumos dos aparelhos de diferentes pisos. para a mesma altura geométrica. Neste sistema existe um conjunto de pontos de funcionamento. ao longo da curva característica da bomba. relativamente às situações anteriores. junto ao reservatório inferior Neste sistema. Trata-se portanto de um sistema com grande flexibilidade. Os gastos de energia são mais difíceis de estimar porque a variabilidade real dos caudais também o é. Consequentemente o caudal na rede variará entre os valores estabelecidos para arranque e paragem dos grupos. a pressurização será realizada por ciclos. logo a curva característica da instalação varia conforme é demonstrado na figura 8b. Há ainda a considerar que num sistema desta natureza. O sistema de pressurização consegue assim satisfazer um grande número de solicitações ou leis de consumo. Os ciclos de funcionamento estão muito dependentes do consumo dos caudais na rede.

154 492.066 654. os gastos de energia representa 24%.CUSTOS DO CICLO DE VIDA (CCV) DAS VÁRIAS SOLUÇÕES ESTUDADAS Alternativa A(*) Investimento inicial (*)(€) Custo da energia (€/kWh) Consumo de energia (kWh/ano) Custo de energia (€/ano) Custos de manutenção (€/ano) Custo médio de reparação (€/ano) Outros custos anuais (€) Custos ambientais (€) Custos de desmantelação (€) Vida útil (anos) Taxa de juro (%) Taxa de actualização (%) Valor de CCV (€) (*) .806 Alternativa C(***) 9.5 37.038 (***) . uma vez que assume valores entre a mesma ordem de grandeza do investimento inicial (alternativa C) e o dobro do investimento inicial (alternativa B). B e C. Situação inversa é verificada na alternativa B.4 500 500 20 3.5 38.08 6. • Foi desprezado o custo da energia a diferentes horas do dia. • O custo anual para reparação das bombas é de 500 € por ano."2xCR 15-5". 101 .08 8. QUADRO 3 .900 0.696 5. Pode-se ainda verificar que a parcela energia não é desprezável no valor final do CCV.32 400 500 20 3.5 3. com base nos dados e pressupostos utilizados.990 + 2. • Não foram considerados os custos associados à construção do reservatório superior.655 452.850 0.000 0.08 €/kWh. 33% e 26% para as alternativas A. • A taxa de juro e a taxa de actualização foram consideradas iguais a 3."Hydro 2000 ME 3xCR 10-6" Nesta análise pode-se contactar que. (**) -"Hydro 1000 C/S 3xCR 10-7". Alternativa B(**) 5.5 3. respectivamente. Os cálculos do Custo do Ciclo de Vida para cada uma das quatro opções são resumidos no quadro 3.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia Na análise do CCV efectuada utilizaram-se os seguintes critérios e suposições: • Os custos dos equipamentos electromecânicos são valores médios de mercado.5 37.3 500 500 20 3. a alternativa C apresenta os maiores custos de primeiro investimento mas os menores em energia e manutenção. • O preço de energia actual é 0.5 3. Relativamente aos valores do CCV. Os custos anuais de manutenção para as alternativas A e B são de 500 € e 400 € para a alternativa C. a alternativa A pode apresentar problemas associados à exequibilidade da construção do reservatório à cota pretendida.08 5. • Não há nenhum custo de eliminação ambiental associada. • Este projecto tem uma vida de 20 anos. Embora não tenha sido considerado no presente cálculo. de salubridade e de sobrecarga na estrutura do edifício.5%.

Petersen. Fuller. "Study on improving the energy efficiency of pumps". 1995 102 . J. "Theoretically attainable efficiency of centrifugal pumps"..7 Referências bibliográficas Europump. Federal Energy Management Program. 1994. 2001.SAVE.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5. Stephen R. Hydraulic Institute. B. US Department of Energy. "Study on improving the efficiency of pumps". Stoffel. VDMA project . "Life-cycle costing manual". 2000. Sieglinde K.Final report. "Pump life cycle costs: A guide to LCC analysis for pumping systems'.. Technical University of Darmstadt. (ISBN 1-880952-58-0) European Commission. February 2001 European Commission . and Lauer.

Sistemas de Pressurização Grundfos 6. SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO GRUNDFOS Autor: Florindo Maia Director de Apoio a Projectistas Bombas Grundfos Portugal 103 .

104 .

incluindo válvula de retenção.1. de potência e hidráulicos que permitem o seu funcionamento integral. depósito de membrana.1 Sistema Hydro 100 HP Constituição É constituído por um grupo electrobomba montado numa base. acessório de intersecção e depósito de membrana. tendo uma válvula de seccionamento e retenção por grupo electrobomba.2 Sistemas de pressurização com grupos electrobomba de velocidade fixa 6. Havendo necessidade de consumo. nas versões de velocidade fixa e velocidade variável.2 Sistema Hydro 100 HM Constituição Este sistema hidropneumático é constituído por 2 ou mais grupos electrobomba montados numa base comum. obtendo-se diferentes níveis de eficiência e fiabilidade de exploração. com variação de velocidade integrada. Diagrama de princípio Diagrama de princípio Depósito de Membrana Pressóstato Manómetro Contactor Grupo electrobomba Válvula de Retenção Válvula de Seccionamento Simbologia VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO COLECTOR PRESSÓSTATO MANÓMETRO CABOS ELÉCTRICOS QUADRO ELÉCTRICO Limite de fornecimento Válvula de pesca DEPÓSITO TUBAGEM 105 . pressóstatos (um por grupo electrobomba). quadro eléctrico. constituem um conjunto compacto e caracterizam-se por incorporar electrobombas e todos os componentes de controlo.Sistemas de Pressurização Grundfos 6. será a reserva de água existente no depósito sob pressão que fornecerá esta até à pressão de arranque do grupo electrobomba.1 Sistema Hydro 100 6. e consequentemente o sistema está sobre pressão.2.1 Introdução Neste capítulo apresentamos as várias soluções práticas com que os sistemas de pressurização são comercializados pela Grundfos. Nos exemplos apresentados são sempre referidas as electrobombas multicelulares verticais CR ou CRE.2. O grupo electrobomba funcionará para que o depósito seja novamente enchido até atingir a pressão de paragem pré-regulada.1.2. integrando uma ou mais electrobombas. manómetro. Não existindo consumo de água. Modo de funcionamento No acto da instalação deve-se proceder à regulação do pressóstato em função da pressão de arranque e paragem pretendida. podendo como opcional ser equipado o quadro eléctrico e respectivo suporte de fixação. podendo porém ser utilizados outros tipos de electrobombas de superfície ou submersíveis. o grupo electrobomba não funciona dado que o depósito está com uma reserva de água. colector de compressão comum. Código de identificação Hydro100 Gama Grupo hidropneumático Tipo grupo electrobomba Capacidade do depósito HP CR5-8 80 6. manómetro. Os controlos diferenciam os vários sistemas de pressurização permitindo ajustá-los às exigências da instalação. Os sistemas de pressurização. 6. pressóstato.

Ao reduzir o consumo de água. parando assim que atinja a pressão pretendida. tendo uma válvula de seccionamento. mais grupos electrobomba arrancam em cascata até conseguirem fornecer o caudal necessário para manter a pressão dentro do intervalo regulado. Modo de funcionamento Este sistema efectua o sistema de arranque e paragem por intermédio da regulação dos pressóstatos em sistema de cascata. manómetro. O compressor arranca quando solicitado. o primeiro grupo electrobomba entra em funcionamento. VÁLVULA DE RETENÇÃO MANÓMETRO PRESSÓSTATO PORTA ELÉCTRODO VISOR DE NÍVEL CABOS ELÉCTRICOS QUADRO ELÉCTRICO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO VÁLVULA DE SEGURANÇA GRUPO ELECTROBOMBA RESERVATÓRIO VÁLVULA DE RETENÇÃO DE AR COMPRESSOR TUBAGEM COLECTOR 106 . assim que atingem as respectivas pressões de paragem.2 Sistema Hydro 1000 6. se o consumo de água continuar a aumentar.Sistemas de Pressurização Grundfos Modo de funcionamento O depósito de membrana fornece água a consumir desde que os grupos electrobomba estejam parados. quadro eléctrico.2. reservatório de água sem membrana equipado com sistema de controlo de nível. pressóstatos (um por grupo electrobomba e compressor de ar). a pressão na descarga aumentará e o controlador após receber esta informação do pressóstato.2. Quando o consumo de água diminuir. Simbologia Para além dos grupos electrobomba principais. colector de compressão comum. Código de identificação Hydro100 HM Gama Central com depósito N. montados numa base comum.2. o primeiro abastecimento é efectuado pelo reservatório.º de grupos electrobomba Tipo de grupo electrobomba Capacidade reservatório CR32-5 1500 Diagrama de princípio 6. Quando a pressão baixa até ao ponto de regulação. manómetros. Assim que haja consumo de água. dará ordem de paragem dos grupos electrobomba.1.2. quadro eléctrico completo com unidade electrónica CS 1000 e depósito de membrana. colector de compressão comum. a pressão de descarga sobe e os grupos electrobomba são desligados em sequência inversa. e de retenção por grupo electrobomba. os restantes grupos electrobomba entram em funcionamento. pressóstatos. montados em paralelo sobre uma base comum. Hydro100 HS 2 Gama Central com reservatório N. apenas quando um dos grupos electrobomba começar a funcionar e seja detectado nível mínimo no reservatório.3 Sistema Hydro 100 HS Constituição Este sistema hidropneumático é constituído por 2 ou mais grupos electrobomba. também poderá funcionar com uma electrobomba de baixo caudal com um grupo electrobomba auxiliar ( jockey). Após a pressão descer abaixo do valor mínimo. Se o consumo de água continuar a aumentar.1 Sistema Hydro 1000 CS Constituição É constituído por dois a quatro grupos electrobomba verticais CR. um dos grupos electrobomba arranca. em sequência (um a um).º de grupos electrobomba Tipo do grupo electrobomba Capacidade do depósito 2 CR5-10 80 Código de identificação 6. tendo uma válvula de seccionamento e retenção por grupo electrobomba.

3. 6.Sistemas de Pressurização Grundfos Diagrama de princípio Três grupos electrobomba em funcionamento. GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO 107 .3 Sistema Hydro 2000 6. A central Grundfos Hydro 1000 mantém a pressão praticamente constante através da activação ou desactivação de grupos electrobomba.2.1 Sistema Hydro 2000 MS Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 é constituído por 2 a 6 grupos electrobomba CR em paralelo montados numa base comum. Desta forma o tempo de funcionamento é distribuído entre os grupos electrobomba. GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Código de identificação HYDRO 1000 Tipo Controlo arranque/paragem Número de grupos electrobomba Tipo de grupos electrobomba Capacidade depósito CS 3 CR10-6 300 Modo de funcionamento Quatro grupos electrobomba iguais controlados através de pressóstatos e um depósito de membrana. dependendo das necessidades. O controlador CS 1000 altera a ordem de arranque após a paragem dos grupos electrobomba.2. Diagrama de princípio Um grupo electrobomba em funcionamento. providos com todos os acessórios necessários e quadro eléctrico de comando com Controlo 2000.

108 . depósito de membrana. pelo facto de ser determinada automaticamente. três grupos electrobomba principais idênticos. Diagrama de princípio GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Um grupo electrobomba em funcionamento. com controlo por arranque-paragem através dos contactores-arrancadores.Sistemas de Pressurização Grundfos Modo de funcionamento Quatro grupos electrobomba idênticos com controlo por arranque/paragem. sendo um grupo electrobomba auxiliar com 50% de capacidade dos grupos principais. Três grupos electrobomba em funcionamento. conforme as necessidades.2 Hydro 2000 MSH Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 MSH é constituído por 2 a 6 grupos electrobomba. através do comando. em funcionamento. Um grupo electrobomba principal e um grupo electrobomba auxiliar com 50% da capacidade do grupo electrobomba em funcionamento. Um grupo electrobomba com 50% da capacidade do grupo electrobomba principal. A alternância de funcionamento dos grupos electrobomba é automática. e depende da carga. 6.2. A pressão de paragem (Hstop) não pode ser configurada. através dos contactores-arrancadores e depósito de membrana. período de tempo ou de avaria. Modo de funcionamento Um grupo electrobomba auxiliar com 50% da capacidade de um grupo electrobomba principal. ligando ou desligando os grupos electrobomba. A central supressora Hydro 2000 MS mantém uma pressão quase constante.3.

transdutor de pressão. pelo facto de ser determinada automaticamente. período de tempo ou de uma avaria. A alternância entre os grupos electrobomba principais é automática e depende da carga.3. A pressão de paragem (Hstop) não pode ser configurada. manómetro. interruptor de corte geral.3 Sistemas de pressurização com grupos electrobomba de velocidade variável 6. dependendo das necessidades.1 Sistema Hydro Solo E Constituição É constituído por um único grupo electrobomba da gama CRE. válvula de retenção e seccionamento na compressão e depósito de membrana assente sobre uma base de inox. O grupo electrobomba auxiliar arranca sempre em primeiro lugar e pára quando um grupo electrobomba principal entra em funcionamento. Diagrama de princípio GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE ISOLAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO 109 . com sistema de variação de velocidade incorporado na caixa de controlo integrada no motor.MSH Número de grupos electrobomba principais Tipo de grupo electrobomba principal Número de grupos electrobomba auxiliares Tipo de grupo electrobomba auxiliar Painel de controlo do Controlo 2000: PMU: PMU 2000 PFU: PFU 2000 Depósito de membrana / Capacidade 6. através do comando ligando ou desligando o grupo electrobomba auxiliar dos grupos electrobomba principais.Sistemas de Pressurização Grundfos A central supressora Hydro 2000 MSH. mantém uma pressão quase constante. Código de identificação Hydro 2000 MSH 2 CR 20-6 + CR 10-12 PMU 80 L Tipo de central Subgrupo: MS .

5 ∆H abaixo do setpoint.) será o depósito de membrana que suprirá estas necessidades evitando arranques. o grupo electrobomba irá adaptar a sua velocidade ao consumo de água requerido. Código de identificação Exemplo Hydro Solo-E CRE 5-8 1 x 200-240 V Gama Subgrupo Tipo de grupo electrobomba Tensão Um grupo electrobomba em funcionamento.5 ∆H acima. GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Modo de funcionamento .Hydro 2000 ME Três grupos electrobomba idênticos com motores MGE e depósito de membrana. Quando o transdutor de pressão detecta um valor abaixo do requerido (setpoint) a velocidade do grupo electrobomba aumenta até ao valor pretendido fazendo variar a pressão num valor de 0. fugas. Para pequenos consumos (caudais reduzidos. mantendo uma pressão constante. etc.3. providos com todos os acessórios necessários e quadro eléctrico de comando com controlo 2000. parando de seguida. a electrobomba arranca satisfazendo o consumo.2 Sistema Hydro 2000 E Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 E consiste em 2 a 6 grupos electrobomba CRE/CR em paralelo. Três grupos electrobomba em funcionamento. Para um valor 0.Sistemas de Pressurização Grundfos Modo de funcionamento Diagrama de princípio PRESSÃO DE PARAGEM ∆H PRESSÃO DE ARRANQUE Definida a pressão de ajuste na caixa de controlo. 110 . aumentando assim o rendimento do sistema. O valor ∆H é cerca de 10% do setpoint. montados em base comum. 6.

A central supressora Hydro 2000 MEH. . O grupo electrobomba auxiliar com motor MGE é sempre o primeiro a arrancar. 111 . . do tempo e de avarias. conforme as necessidades. O funcionamento do sistema é regulado de acordo com as necessidades. Um grupo electrobomba com motor MGE e depósito de membrana em funcionamento. do período de tempo e de avarias. através do ligar/desligar dos grupos electrobomba e do controlo paralelo dos grupos electrobomba em funcionamento. período de tempo e de avarias. Um grupo electrobomba auxiliar de 50% da capacidade com motor MGE em funcionamento. A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga.A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga. alcançando deste modo um desempenho correspondente ao consumo. enquanto o grupo electrobomba principal é controlado através de arranque/paragem.Hydro 2000 MEH Dois grupos electrobomba com motores MGE. A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga.Hydro 2000 MES Um grupo electrobomba com motor MGE. com 50% da capacidade do grupo electrobomba principal.Sistemas de Pressurização Grundfos A central supressora Hydro 2000 ME mantém uma pressão constante através da variação de velocidade dos grupos electrobomba ligados. Um grupo electrobomba com motor MGE e dois grupos electrobomba controlados por arranque/paragem em funcionamento. dois ou três grupos electrobomba principais com controlo arranque/ /paragem e depósito de membrana. A central supressora Hydro 2000 MES mantém uma pressão constante através da variação de velocidade com motor MGE. um ou dois grupos electrobomba principais com controlo arranque/ /paragem e depósito de membrana. . Um grupo electrobomba auxiliar com motor MGE e grupo electrobomba principal em funcionamento.O grupo electrobomba auxiliar com motor MGE arranca sempre em primeiro. . mantém uma pressão constante através da variação de velocidade dos dois grupos electrobomba auxiliares com motores MGE. enquanto os restantes grupos electrobomba são controlados por arranque/paragem.

3 Sistema Hydro 2000 F Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 F é constituído por 2 a 6 grupos electrobomba CR em paralelo. montados em base comum.MES Número de grupos electrobomba principais Tipo de grupo electrobomba principal Número de grupos electrobomba auxiliares Tipo de grupo electrobomba auxiliar Painel de controlo do Controlo 2000: PMU: PMU 2000 PFU: PFU 2000 Depósito de membrana / Capacidade 6. 112 . Diagrama de princípio Um grupo electrobomba em funcionamento através do conversor de frequência. Modo de funcionamento .Sistemas de Pressurização Grundfos Código de identificação Hydro 2000 MEH 2 CR 45-2 + 2 CRE 32-2 PMU 300 L Tipo de central Subgrupo: ME . GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Um grupo electrobomba em funcionamento através do conversor de frequência e dois grupos electrobomba que funcionam através da rede eléctrica (arranque/paragem).3.Hydro 2000 MF Quatro grupos electrobomba idênticos e depósito de membrana: um dos grupos electrobomba é controlado através do conversor de frequência e os restantes por arranque/paragem por meio de contactores. providos com todos os acessórios e quadro eléctrico com controlo 2000 e conversor de frequência.MEH .

4 Teste de sistemas Para mais fácil compreensão das características dos sistemas de pressurização com velocidade variável e velocidade fixa. 113 . período de tempo ou de uma avaria. A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga. Um grupo electrobomba com 50% da capacidade em funcionamento através do conversor de frequência. A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga.Hydro 2000 MFH Dois grupos electrobomba auxiliares com 50% da capacidade de um grupo electrobomba principal. no respeitante à evolução da pressão e da potência consumida na gama de caudais cobertos pelos sistemas. Todos os grupos electrobomba são alternadamente controlados através do conversor de frequência.MFH Número de grupos electrobomba principais Tipo de grupo electrobomba principal Número de grupos electrobomba auxiliares Tipo de grupo electrobomba auxiliar Painel de controlo do Controlo 2000: PMU: PMU 2000 PFU: PFU 2000 Depósito de membrana / Capacidade 6. O grupo electrobomba auxiliar. e um ou dois grupos electrobomba principais. poder-se-á apreciar nas folhas de teste anexas os diferentes comportamentos registados. controlado através do conversor de frequência. Os restantes grupos electrobomba arrancam ou param dependendo das necessidades. é sempre o primeiro a arrancar. Os dois grupos electrobomba auxiliares são alternadamente controlados através do conversor de frequência e os dois grupos electrobombas principais por comando arranque/paragem. Um grupo electrobomba auxiliar a 50% da capacidade em funcionamento através do conversor de frequência e um grupo electrobomba principal que funciona através da rede eléctrica (arranque/paragem). . A central hidropressora Hydro 2000 MFH mantém uma pressão constante através da variação contínua de velocidade de um grupo electrobomba de 50% da capacidade e os restantes grupos electrobomba são através do comando ligado / desligado conforme as necessidades. O grupo electrobomba controlado pelo conversor de frequência arranca sempre em primeiro lugar. mantém uma pressão constante através da variação contínua de um dos dois grupos electrobomba. período de tempo ou de uma avaria.Sistemas de Pressurização Grundfos A central hidropressora Hydro 2000 MF. Código de identificação Hydro 2000 MFH 2 CR 45-2 + 2 CRE 32-2 PMU 300 L Tipo de central Subgrupo: MF .

1 6 9. 1 7 9. 96 0. 1 36. 9 399. 3 4. 4 397. 1 8 3. 97 398. 25. 5 38. 9 24. 5 399. 7 397. 4 37.2005-1 00: : : : 114 P1( ) kW H( ) m . 8 32. 0 50. 8 396. ºde Fases Fr equenci a Tensão Pot ênci a Vel oc. 8 400. ºC 1 5 2. 8 4. 8 396. 1 1 0 5. 0 50. 3 34. 44. 0 35. 1 9 9. 0 50. 5 m m 3/h Hz V kW 1 i /m n. 3 6. 1 26. 4 38. 8 98. 8 399. 4 38. 5 398. 9 1 1 3. 1 397. 90 0. 7 398. 2 397. 0 398. 4 4. 5 398. 2 2. 0 50. 0 1 4 26. 6 32. 2 36. 0 50. 3 1 9 4. 0 200 40 1 80 1 60 1 40 30 1 20 1 00 20 80 60 1 0 40 20 0 0 25 50 75 1 00 1 25 1 50 1 75 0 Q ( 3/h) m Cur da Bom ba va D ata O perador Bancada de Ensai o Testem unho Cur de Pot va ênci a 030: 01 : 03. 97 0. 26. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 1 0 1 1 1 2 1 3 81 0000023 H 2000 M E 3 CRE45. 4 38. 1 6. 1 32. 6 35. 5 34. 0 1 1 8. 9 399. 1 398. 6 23. ti i º Clent i e Encom enda Clent i e Encom enda Fabr ca i Ti de Bom ba/Cent al po r Codi Bom ba/Cent al go r ºSer e Bom ba/Cent al i r N. 0 36. 25. 6 34. odut M ot ºPr o or N º. 0 50. 4 397. 1 0 34. 1 398. 215 . 6 399. 1 5 68. 4 6. 7 3x45 3 50 400 3x7. 96 0. 5 38. 7 399. 0 0. 5 1 2 5. 38. 0 50.Sistemas de Pressurização Grundfos Fol de Test de Centr s ha e ai Cer f cado N . 0 396. 96 0. 3 399. 93 0. 1 2 62. 22. 1 398. 2 36. ºC P1 ( ) kW Q ( 3/h) m H ( ) m F ( z) H cos phi UU ( V) UV ( V) I R ( A) I S ( A) I T ( A) 0. 8 50. 1 1 7. 8 396.Rot ação Tem per ur Am bi e at a ent Tem per ur da Água at a UW ( V) 38. 5 76. Ti de M ot po or N . 7 399. 0 50. 6 4. 96 0. 8 29.c/Depósi o de 300L 2 t 91 43D 064 1 48/0507VJ 01 Al ur nom i t a nal Caudalnom i nal N. 7 400. 96 0. 0 9.

3 67. 86 0. 5 397. 6 4. 86 0. 6 396. 5 396. 6 397. 87 0. 6 1 2 5. 0 399. 0 50. 3 70. 86 0. 0 50. 0 396. 0 397. 4 69. 87 0. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 1 0 1 1 81 0000024 H1 000 3 CR1 1 com Depósi o de 200L 0. 6 1 0 3. 1 00 22 21 90 20 1 9 80 1 8 1 7 1 6 70 1 5 1 4 60 1 3 1 2 50 1 1 1 0 40 9 8 30 7 6 5 20 4 3 1 0 2 1 0 0 5 1 0 1 5 20 25 30 35 40 0 Q ( 3/h) m Cur da Bom ba va D ata ador O per Bancada de Ensai o Testem unho Cur de Pot va ênci a 031 08: : 03. 1 7 4. 0. 4 396. 3 398. 0 50. 3 398. 1 3 4. 0 1 2 5. 86 0. 0 50. 5 77. ºC ºC P1 ( ) kW Q ( 3/h) m H ( ) m F ( z) H cos phi UU ( V) UW ( V) I R ( A) I S ( A) I T ( A) 0. 5 398.Sistemas de Pressurização Grundfos Fol de Test de Cent ai ha e r s Cer i i t f cado N . ºde Fases Fr equenci a Tensão Potênci a Vel oc. 215 . 9 27. 0 397. 1 0 5. 7 396. odut M otor N º. 2 28. 7 68. 0 50. 7 400. 8 397. 2 7. 1 6 4. 2 80. 7 398. 2 4. 70. 1 4 3. 0. 22. 213 . 1 1 5. 0 399. 1 8 4. 5 719 . 9 8. 1 9 4. ºSer e Bom ba/Cent al i r Ti de M otor po ºPr o N . 4 4. 8 8. 2 399. 7 25. 7 397. 1 2 5. 1 5 3. º Clente i Encom enda Clent i e Encom enda Fabr ca i Ti de Bom ba/Cent al po r Codi Bom ba/Cent al go r N. 3 7. 0 396. 3 69.Rot ação Tem per ur Am bi at a ente at a Tem per ur da Água UV ( V) 816 . 1 4 4. 1 2 4. 1 8 2. 9 399. 4 7. 7 397. 0 50. 87 0. 22. 0 1 1 2. 3 396. 9 0. 9 8. 8 84. 0 50. 5 396. 1 6 3. 1 8. 8 50. 6 8. 3x1 0 3 50 400 3x4 1 8 4. 1 397. 3 399. 86 398.0 t 91 43A287 1 0053/0504EG Al a nom i tur nal Caudalnom i nal N. 6 8. 0 50.2005-1 : 08 : : : P1( ) kW H( ) m 115 . 4 22. 0 398. 9 8. 86 0. 0 50. 40 0. 5 397. 1 8 4. 5 1 8 4. 0 7. 1 24. 0 218 . 1 8 4. 2 64. 87 0. 6 7. 8 7. 1 399. 7 397. 9 396. 1 2 5. 4 398. 1 0. 8 7. m m 3/h Hz V kW 1 i /m n. 4 36. 0 50. 23. 0 0.

116 .

Comunicação e Gestão 7. COMUNICAÇÃO E GESTÃO Autor: José Dias Director de Serviço Pós-Venda Bombas Grundfos Portugal 117 .Sistemas de Controlo. SISTEMAS DE CONTROLO.

118 .

deve ser usado de acordo com a instalação e de acordo com a selecção dos outros equipamentos de bombeamento. 7. 7. cisternas. tanto para a instalação como para os diversos componentes presentes neste processo. disponibilizando para tal. válvulas.3 Controlo por pressão Tradicionalmente o controlo por pressão pode ser efectuado por recurso a um sistema de pressóstatos e vaso de expansão. devem as sondas e sensores ser instalados com a redundância necessária a fim de assegurar o controlo e a garantir a maior segurança e operacionalidade com o mínimo risco de avaria ou falha. 7. Esse sistema pode estar inserido num quadro eléctrico de controlo. ou um controlo interno próprio que desempenhe as mesmas funções de uma forma eficaz (controlo electrónico integrado). com o auxílio de conversores de frequência por si desenvolvidos.2. tanto de uma forma automática como de uma forma manual. possibilitando assim assegurar o correcto abastecimento da instalação. em termos energéticos e de serviço. entre outros. a operacionalidade dos mesmos. O controlo por nível deve ser desenvolvido de acordo com a aplicação específica. Pode elaborar mapas de controlo automáticos.1 Controlo por nível O sistema de controlo por nível requer a utilização de equipamentos eléctricos ou mecânicos. ou recorrendo ao sistema de controlo por transdutor de pressão integrando os processadores Grundfos desenhados e desenvolvidos para o efeito. bem como registo de avarias ou acontecimentos importantes para optimizar o funcionamento dos equipamentos de bombeamento (bombas. deve efectuar a sua função de modo aceitável para a sua aplicação. custos de manutenção. As bombas necessitam por isso sempre de um sistema de controlo. Este deve operar as bombas de acordo com a potência instalada e de acordo com os objectivos do projecto. de modo a efectuarem correctamente as funções para as quais foram seleccionadas e projectadas. tendo para tal desenvolvido o respectivo software de controlo adequado a cada tipo de electrobomba com variação de velocidade.2 Controlo de sistemas de bombeamento Cada bomba ou conjunto de bombas. 7. onde a necessidade do nível não carece de ser controlada com elevado rigor mas visa essencialmente.2. onde a melhor eficiência para cada tipo de instalação é facilmente ajustável.2 Controlo por caudal Visando essencialmente manter o caudal desejado para a instalação. a selecção e instalação das sondas ou eléctrodos deve ser cuidadosa. permite racionalizar o funcionamento das centrais de bombeamento de uma forma harmoniosa e eficaz oferecendo uma elevada performance nas aplicações onde é utilizada. Garante-se assim um valor de pressão constante na rede de abastecimento independente da variação dos consumos. aparelhagem de medida e controlo). • A gestão cumpre o processo pelo qual é possível contabilizar os diversos parâmetros. A Grundfos. instalados nos tanques. Permite ou não efectuar relatórios por forma a ajudar ao melhor aproveitamento das variáveis necessárias ao processo de funcionamento. mantendo sempre em atenção os requisitos de segurança atrás referidos.Sistemas de Controlo. Este tipo de controlo visa o controlo rigoroso do caudal. Daí que cada sistema de bombeamento necessita sempre de um conjunto de equipamentos externos às bombas. aplicados em diferentes pontos da instalação. Os quadros de controlo da Grundfos (QES) estão preparados para instalação de sensores de nível de uma forma selectiva e ordenada permitindo desempenhar com maior eficiência. de forma a assegurar a operacionalidade das bombas de acordo com a metodologia recomendada. tendo em atenção a localização da instalação. poços ou outros locais. entre outros. possui sistemas de controlo adequados a cada tipo de aplicação. Este tipo de controlo visa efectuar o enchimento constante de um tanque ou cisterna. de modo a operar os equipamentos de bombeamento de uma forma criteriosa e segura. Comunicação e Gestão 7. um elevado número de parâmetros que permitem rentabilizar a eficiência das bombas. controlo e rentabilização de exploração. Neste sentido. a sua manutenção e eficiência. para a indicação ou medida. • O sistema de comunicação cumpre o processo pelo qual a mensagem é transmitida de modo seguro entre o sistema de controlo e o equipamento accionado.2. Este rigor é tanto mais preciso quanto melhor for o equipamento de medida e o controlo das bombas. servindo a necessidade dos utilizadores. custos de exploração. segurança e operação da instalação.1 Introdução Definições: • O sistema de controlo cumpre o processo que permite operar de forma automática o funcionamento das bombas de um modo seguro e eficaz. A fim de assegurar uma correcta operacionalidade dos sistemas de controlo. 119 . ou outros que se entenderem beneficiar a instalação. manter a reserva de água com níveis aproximados de modo a serem utilizados na medida das necessidades. Nesta área a Grundfos tem aperfeiçoado e desenvolvido o mais moderno software e aplicando-o aos seus processadores para utilização nos quadros H2000 onde. cumprindo as normas eléctricas nacionais de segurança.

as unidades de controlo modernas são capazes de utilizar a totalidade do espaço da mensagem SMS. 1 . Caso um sistema deste tipo crie relatórios automáticos e proceda à sua transferência semanal para o responsável. Um sistema deste tipo proporciona um enorme aumento na fiabilidade operacional com um investimento moderado.2. 7.4. Fig.Sistemas de Controlo. 7.3 Comunicação entre sistemas de bombeamento 7. no entanto estes devem ser efectuados de acordo com as necessidades de cada instalação. 7. 7.2. será possível evitar grande parte das habituais visitas às estações de bombeamento. por diferença de pressão. Caso seja preferido um simples sistema de transferência automática de alarmes.3.2. visando a protecção dos equipamentos.4 Outros tipos de controlo Existem muitos tipos de controlo possíveis de aplicar.1 Diferentes níveis de controlo remoto As modernas unidades de controlo de bombas permitem que o sistema de controlo e monitorização seja personalizado de acordo com as funções requeridas pelo projecto. 7. a transmissão de dados é crucial ao funcionamento dos sistemas de controlo remoto. adicionando as informações registadas e analisadas mais importantes à mensagem de alarme. Comunicação e Gestão 7.2. Caso seja introduzido um sistema de controlo remoto e monitorização ao nível da rede. Por outro lado. caudal ou pressão. a unidade de controlo pode ser equipada com um modem GSM. dos quais abordamos apenas alguns. isto é. Por exemplo.1 Controlos mistos Quando se trata de projectar uma instalação tendo vários tipos de controlo a ela ligados. Para isso podem utilizar-se vários processos de comunicação conforme as necessidades e aplicação. consumo de energia. visto que não existe nenhum centro de controlo. mesmo que não ocorram quaisquer situações de alarme.2 Comunicação entre sistemas de controlo da mesma rede 7. referimo-nos a controlos mistos.1 Necessidade de comunicação Com o objectivo de controlar o funcionamento dos equipamentos à distância é necessário dotar as instalações de meios pelos quais cada unidade possa observar o comportamento da outra e actuar automaticamente operando de modo a avisar o operador ou a desenvolver rotinas automáticas para corrigir qualquer anomalia ou processo alternativo necessário. número de arranques. conforme descrito nas secções seguintes.Comunicação directa ou individual 120 . mas muitas mais existem. Como exemplo podemos referir o controlo do nível do tanque ou cisterna a abastecer simplesmente uma rede sobre pressão. integrados na mesma rede com o objectivo de controlar automática e/ou manualmente. Entre eles destacamos outros.3. sob a forma de uma mensagem SMS. etc. das instalações e dos sistemas de exploração.2. em que se necessite de conjugar várias grandezas.3. por diferença de caudais ou sistemas em que se actue de acordo com as necessidades de nível. Pretendemos assim apenas referir-se algumas das variantes possíveis.2 Transmissão de dados Apesar das unidades de controlo das bombas terem um funcionamento totalmente independente. de acordo com os recursos disponíveis para investimento.2 Controlos integrados Sistemas de controlo diversos. toda a instalação. estas informações poderão consistir no tempo de funcionamento das bombas. existem vários modos de implementar a ligação de comunicações entre as estações exteriores e o centro de controlo. O tempo necessário para a transferência de dados pode ser diminuído se a unidade de controlo das bombas efectuar localmente a totalidade da análise dos dados e armazenar os resultados na respectiva memória. que procederá à transferência dos alarmes gerados pela unidade de controlo para o telefone do responsável. pressão. como: controlo por diferença de nível. É possível integrar este tipo de controlos com os controlos Grundfos.4.3.

O software de administração em execução no computador do centro de controlo efectua a categorização automática dos alarmes. esta mensagem poderá incluir informações mais detalhadas sobre o estado da estação de bombeamento (em funcionamento/parada/falha).1 Controlo e monitorização de estações de bombeamento Todas as estações de bombeamento. com os circuitos de controlo entre os depósitos de água potável e as estações de captação. devem ser controladas fiavelmente de modo a proporcionarem um funcionamento seguro e eficiente. Comunicação e Gestão Assim sendo. A tecnologia GSM constitui frequentemente a melhor alternativa para adaptação de instalações já existentes.2. Esta é uma característica importante. para a pessoa certa no momento exacto (caso o alarme esteja categorizado para transferência). Isto também permite que as unidades de controlo das bombas funcionem independentemente. os custos da transmissão de dados e as características requeridas e proporcionadas por cada método.4 Gestão integrada entre sistemas de bombeamento Fig. outros alarmes activos (configurados para não serem transferidos). em cuja base de dados são armazenados todos os alarmes recebidos. bem como o agendamento das tarefas do pessoal técnico de serviço. Normalmente. uma vez que a instalação de linhas de acesso de PSTN é dispendiosa e a sua disponibilidade poderá estar limitada. O computador do centro de controlo cria o texto do relatório de alarme. tais como fornecedores de equipamentos e empresas de serviços. mas este método é raramente utilizado nos últimos tempos devido ao aumento dos custos e da fiabilidade incerta. normalmente uma semana.4. o computador do centro de controlo também está equipado com uma impressora separada para os alarmes. Também é possível utilizar linhas dedicadas. modems GSM ou qualquer combinação destes. os alarmes são transferidos para o telefone GSM do técnico de serviço sob a forma de uma mensagem SMS (de texto). tal como acontece. o que lhe permite transferir o alarme 121 . a acederem a uma estação elevatória com objectivos específicos.1 Monitorização e gestão de sistemas mistos 7. Os alarmes também podem ser transferidos por pager. as estações de bombeamento e a estação de controlo central podem estar situadas a uma grande distância praticamente ilimitada uma da outra.4. A moderna tecnologia de telecomunicações GSM constitui uma solução apelativa para o controlo e monitorização remotos de estações exteriores localizadas a grandes distâncias do centro de controlo. Se estiverem ligadas através da rede telefónica pública.3. caso existam interrupções indefinidas na ligação de comunicações. só será necessário transferir os resultados calculados para o centro de controlo. em vez de todos os dados registados. Os resultados também podem ser armazenados na estação exterior durante algum tempo. A transmissão de dados é sempre configurada de acordo com as necessidades individuais.Painel de supervisão de gestão integrada 7. A ligação das comunicações tem de ser flexível e permite normalmente a utilização da rede telefónica pública. por exemplo. composta por várias estações de bombeamento. A escolha de um método de transferência tem de ser da responsabilidade do utilizador. Ocasionalmente. o volume de bombeamento durante o dia. destinados a reduzir os custos de funcionamento a longo 7. tomando em consideração os custos de instalação. Tipicamente. o tempo de funcionamento das bombas. cuja função é imprimir todos os alarmes para análise posterior. A actual tecnologia de controlo electrónico permite conceber e projectar sistemas de controlo e monitorização versáteis. De uma maneira geral. antes de serem automaticamente enviados em conjunto. 7. os modems de rádio e as linhas dedicadas são utilizados quando as distâncias são curtas e quando existe a necessidade de comunicação contínua.3 Transferência de alarmes Os alarmes provenientes de uma estação exterior são transferidos para o centro de controlo. a mensagem contém informações codificadas sobre a identidade da estação e o tipo de alarme emitido. contacta o operador do pager e envia a mensagem que será apresentada no pager. Todas as tendências indicam que as comunicações por modem GSM irão tornar-se cada vez mais populares no futuro.Sistemas de Controlo. Ambas as extremidades da ligação de comunicações necessitam de um modem para modular os dados para transferência.1. quer trabalhem individualmente quer façam parte de uma rede de abastecimento ou de rega. A rede telefónica pública também permite autorizar outras entidades. sem necessitarem de estar permanentemente ligadas ao centro de controlo. de modems de rádio. 2 . Para além do texto do alarme. etc. dependendo apenas do número de informações requeridas.

tal como um sistema de controlo da estação de tratamento ou um sistema de controlo integrado da empresa responsável pela rede de abastecimento público de água. a sequência de controlo da bomba é bastante simples. As estações de bombeamento não fiáveis representam um risco ecológico e financeiro.4. essas bombas poderão ser iniciadas simultaneamente ao mesmo nível. dispositivos ultra-sónicos. Este tipo de unidade de controlo utiliza sempre um transdutor ou um sensor de modo a efectuar um controlo em contínuo. 7.2. sob a forma da descarga de águas para o ambiente ou para as caves de edifícios. o nível de arranque e a pressão de controlo.Sistemas de Controlo. para assegurar uma distribuição igual da utilização e do desgaste entre as bombas. de manutenção e exploração. quando a variável atinge o nível de paragem. Por este motivo. é agora possível um sistema de monitorização ao nível de rede e as possibilidades futuras de combinação da internet e da tecnologia WAP. bem como a defesa do meio ambiente e o conforto do utilizador. Todas as bombas em funcionamento são paradas. Os sistemas de controlo e monitorização através da Internet/WAP permitem igualmente que a monitorização remota seja proposta aos serviços públicos ou entidades 122 . Recorrendo a diversos tipos de sensores. gestores. As bombas de serviço arrancam quando a variável requerida é insuficiente.1. A bomba de reserva arranca quando uma das principais estiver em avaria.2 Integração do sistema Um sistema de controlo e monitorização de estações de bombeamento pode ser integrado com outro sistema de controlo. independentemente da localização. Para possibilitar esta integração. Se o técnico de serviço tivesse a possibilidade de controlar o sistema e alterar alguns parâmetros cruciais a partir do respectivo telemóvel quando estivesse em viagem. este factor torna os cálculos de monitorização das bombas mais complicados e menos fiáveis. parando quando esta estiver acima do valor requerido. Por exemplo. em cada sistema. possibilitando a utilização das informações sempre que tal seja necessário. Comunicação e Gestão prazo e a aumentar a sua fiabilidade. os sistemas devem ser concebidos utilizando procedimentos padrão. os níveis de funcionamento pré-definidos são o nível de paragem. é medir a pressão de abastecimento. a intervalos ajustáveis ou a níveis diferentes. Numa aplicação normal no modo serviço/ /reserva. engenheiros do sistema de abastecimento. Através dos controladores H1000 e H2000 é possível usufruir. As mais recentes inovações nas técnicas de controlo e monitorização remotos envolvem a utilização da Internet e da tecnologia WAP para ultrapassar as limitações dos sistemas de monitorização tradicionais anteriormente descritos. às aplicações mais diversas. desenvolveu softwares próprios e processos electrónicos para a perfeita adaptação das electrobombas que fabrica. 7. particulares de abastecimento de água. Se estiver instalada mais do que uma bomba de reserva. Esta solução poderia permitir utilizar software comum para a transferência e comunicação de alarmes. A integração de sistemas é normalmente útil para seleccionar o melhor sistema para cada aplicação e para os combinar a um nível adequado. Normalmente. Fig. tais como sistemas operativos de PC e protocolos padrão de transmissão de dados e entrada e saída de sinais. que monitorizam as estações de bombeamento.3 Controlo e monitorização remotos baseados na Internet e WAP As mensagens de alarme transferidas para os técnicos de serviço sob a forma de mensagens SMS são exclusivamente informações unidireccionais. tais como transdutor de pressão. depois de introduzirem a respectiva identificação. numa situação em que todas as restantes estejam em utilização. do seu melhor desempenho. tendo sempre em atenção os custos energéticos. Em algumas instalações é possível que todas as bombas tenham níveis de arranque e paragem diferentes. etc. A integração não significa que todos os sistemas serão executados no mesmo computador com o mesmo software. caudalímetros.Vários sistemas integrados 7. As bombas alternam em cada ciclo.2 Vantagens de um sistema integrado 7. técnicos de serviço. A Grundfos estudou e desenvolveu diversos tipos de controlos para diferentes aplicações. poderia alcançar-se a flexibilidade total proporcionada por um centro de controlo móvel. O sistema de controlo e monitorização baseado na Internet permite consultar e criar relatórios dos dados históricos das estações de bombeamento a partir de múltiplas localizações.. poderão consultar os dados históricos detalhados das estações exteriores a partir dos computadores instalados no próprio local de trabalho. etc.4.4. esta opção pode ser efectuada por relógio ou por indicação externa. tendo como preocupação fundamental a fiabilidade das instalações e dos equipamentos de bombeamento. a fiabilidade é a principal preocupação relacionada com a concepção de uma unidade de controlo para uma estação de bombeamento. Estão disponíveis vários tipos de sensores. Também a nível do controlo.1 Funções de controlo O parâmetro mais comum de uma estação de bombeamento H2000.4. simultaneamente ou a intervalos ajustáveis. os operadores. No entanto. bem como inibe os utilizadores de usufruírem do bem de que necessitam. 3 .1.

A unidade tem de registar. A corrente do motor da bomba é também uma informação necessária para o planeamento das operações de manutenção da bomba.4. removendo deste as características que estão incorporadas no PFU tais como os amperímetros. o sistema deve ser capaz de adaptar a variável correctamente e sem ambiguidades. falha de alimentação da bomba e outros alarmes baseados nas definições dos limites dos parâmetros. Todas as funções acima descritas estão disponíveis na unidade de controlo e monitorização C2000 da Grundfos e podem ser lidas a partir do visor da interface PMU.Registo de dados A unidade de controlo e comunicação G100. Isto permite simplificar o painel de controlo do motor. Fig. São necessários vários sinais para que o controlo das bombas funcione conforme planeado. Em última análise. tais como os níveis de arranque e paragem das bombas.2 Funções de monitorização A unidade de controlo das bombas efectua a monitorização automática das bombas com base nos parâmetros registados e analisados. provenientes de sensores adicionais. Caso a corrente de entrada suba acima do limite de sobrecorrente. 7. Por exemplo. 4 . Os valores a introduzir são normalmente níveis de funcionamento que correspondem a um determinado nível de água no poço. etc. Quando a pressão de entrada e a duração da sobrecarga são conhecidos. Intebus. etc. Modbus. Os sinais de entrada digitais necessários são a indicação de funcionamento ou reserva da bomba.4. Em conjunto com os relés térmicos ou os dispositivos electrónicos de protecção existentes no arrancador do motor da bomba. o que pode ser devido ao desgaste do impulsor ou à acumulação de ar. Os sinais digitais de saída são necessários para o arranque e paragem das bombas. Os sinais analógicos de entrada. para tratar de caudais maiores.4. nível baixo. Estes sinais podem ser digitais ou analógicos. Os parâmetros são introduzidos na unidade com base nas dimensões reais da estação e em unidades recolhidas no projecto ou medidas no local da instalação. os contadores de horas de funcionamento e os relés de sequenciamento. bem como uma versão especial da aplicação de software. é possível instalar uma ou mais bombas de reforço com características diferentes. Caso ocorra a sobrecarga de uma estações de bombeamento. quando presentes. através de limites ajustáveis de sub e sobrecorrente no caso dos motores MGE da Grundfos. bem como os sinais dos contactos isentos de potencial fornecidos pelo relé de presença de tensão e pelo contador de energia. são utilizados para medidas contínuas. 7. Os sinais digitais são sinais de entrada ou saída e indicam um estado ON ou OFF. para que o operador possa evitar possíveis danos.).Sistemas de Controlo. A utilização destes sinais pode requerer uma placa de expansão adicional. situação em que o sobreaquecimento do motor se torna um risco devido à possibilidade de falha. é possível utilizar dimensões reais ou percentagens dos valores de referência. tais como alarmes de nível elevado.2. dado que o "Reset" do MGE se efectua automaticamente. A unidade de controlo da bomba também está programada para indicar todas as falhas de funcionamento da estação até um máximo de 10. isto permite que os trabalhos de manutenção e controlo das bombas passem gradualmente da reparação de falhas para a manutenção preventiva e até mesmo para a manutenção preditiva. Comunicação e Gestão Em alguns casos. este não deve ser considerado como dado de controlo mas sempre como de protecção. A unidade é configurada para proteger o motor da bomba em situações anormais. Nestas circunstâncias.4 Registo e análise de dados 7. que se encontram nas folhas de características destas. Estas informações são igualmente importantes para verificar o desempenho operacional da estação de bombeamento e para a determinação das acções de manutenção. esta unidade constitui uma valiosa protecção para o motor. esta é automaticamente parada. dados provenientes de um medidor de caudal ou conversor de frequência adicional. protegendo ainda a bomba em caso de falta de água e onde não é usada a protecção adicional recomendada. pelo menos. informações sobre a condição do óleo do empanque da bomba. fornecidos pelos circuitos de comando.2. A medição da corrente do motor da bomba é necessária para protecção e monitorização. este sinais correspondem a medições da temperatura dos enrolamentos e dos rolamentos do motor da bomba. Todos estes valores podem ser enviados para o sistema de gestão através de uma porta de conversão de protocolo G100 (Profibus.2. do grupo de bombeamento tem capacidade de memória suficiente para registar os dados ao longo de um determinado período de tempo. é activada a segurança da instalação automaticamente. Uma corrente de entrada anormalmente baixa indica que a bomba não está a bombear normalmente. o número de arranques das bombas e os incidentes relacionados com problemas de corrente no 123 . os níveis baixo e alto de alarme e os níveis de sobrecarga. o tempo de funcionamento. Para efeitos de calibragem. Os outros parâmetros habitualmente requeridos são as dimensões do poço e os valores nominais da corrente de entrada e da capacidade das bombas.3 Parâmetros e sinais A unidade de controlo da bomba necessita de vários parâmetros para poder funcionar conforme necessário.

ou continuamente.4. Este interface tem de ser composto. o utilizador necessita de um interface para trabalhar com a unidade de controlo das bombas.5 Interface do utilizador Para aceder aos dados e introduzir parâmetros. por um pequeno visor LCD e um teclado. 7. 124 . no mínimo. Comunicação e Gestão motor da bomba. Habitualmente. algumas funções úteis. Mesmo que a unidade de controlo das bombas funcione como uma estação exterior de um sistema de controlo e monitorização ao nível da rede. Para esta situação a Grundfos dispõe de uma unidade PMU para o efeito. Dado que a mesma se encontrará interligada com um sistema de gestão instalado num PC. Os dados registados podem ser agrupados e analisados mais detalhadamente através da sua transferência. através de um sistema automático de controlo remoto. necessitará de dispor de capacidade de memória suficiente para armazenar os dados registados e analisados durante vários dias. para um computador portátil com software adequado. estes dados serão convertidos para esta base onde deverão ser tratados.Sistemas de Controlo. facilitam e aceleram a leitura rotineira dos dados. O utilizador tem de ser capaz de introduzir todos os parâmetros necessários e de ler os dados registados e calculados utilizando o teclado.2. São utilizados indicadores luminosos separados para a indicação de alarmes e do estado de funcionamento das bombas. A utilização de um interface deste tipo tem de ser simples e lógico. tais como a função de varrimento automático. a intervalos específicos. nem mesmo durante possíveis quebras de comunicação entre a estação exterior e o centro de controlo. Isto deve-se ao facto da perda de dados cruciais não ser aceitável.

INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE BOMBAS E SISTEMAS DE BOMBEAMENTO Autor: José Dias Director de Serviço Pós-Venda Bombas Grundfos Portugal 125 .Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8.

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tais como temperatura e humidade. tem a ver com as condições ambientais de funcionamento. Valores apresentados nas tabelas que em alguns casos varia a capacidade do depósito também em função do número de bombas. Os equipamentos de bombeamento. que são: 1 . e outros equipamentos de comando e regulação alimentados por corrente eléctrica.golpes de aríete (consultar capítulo 4).Permite proteger a instalação contra os regimes transitórios .Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8. permitindo a compensação de fugas e pequenos consumos.Reduzir o número de arranques e paragens das electrobombas no tempo. Os equipamentos eléctricos. CAPACIDADES MÍNIMAS RECOMENDADAS Capacidade do depósito de membrana [litros] Modelo da bomba CR(E) 3 CR(E) 5 CR(E) 10 CR(E) 15 CR(E) 20 CR(E) 32 CR(E) 45 CR(E) 64 CR(E) 90 Velocidade fixa MS 60 80 200 200 200 300 300 500 500 MSH 100 100 200 200 300 500 500 MF 60 80 80 200 200 200 200 200 200 MFH 200 200 200 200 500 Velocidade variável ME 60 60 80 80 80 200 200 200 200 MEH 60 80 200 200 200 200 200 MES 60 60 80 80 200 200 200 200 500 NOTA: Sempre que os sistemas não refiram capacidades de depósitos é por estes não serem normalmente utilizáveis.2. para além destas ainda devem ser consideradas as condições relativas aos quadros eléctricos de controlo e protecção. 8. que as centrais de bombeamento sejam instaladas tendo em atenção estas características por possuírem estes componentes e consequentemente necessitarem de condições de verificação adequadas. Utilização de reservatórios de membrana Porquê utilizar um reservatório de membrana. as quais devem ser cuidadosamente respeitadas. bem como a sua localização. espaço livre de passagem e ausência de humidade que os equipamentos necessitam para o seu correcto funcionamento e longevidade. 2 . eléctricas e físicas. possuem características especiais que devem ser respeitadas quando instaladas em ambientes em que as condições de temperatura sejam adversas. 8. A sua localização deve ainda respeitar e considerar a necessidade de manutenção e intervenção local bem como condições de remoção do local.1 Introdução Para a correcta instalação das bombas e restantes equipamentos de bombeamento devem ser consideradas algumas regras de acordo com os diversos equipamentos que compõem a instalação. motores equipamentos electrónicos. Deste modo alertamos para a necessidade de ventilação.2. 8. A Grundfos recomenda reservatórios cuja capacidade mínima é a abaixo mencionada. 127 .2 Necessidades de ventilação Uma das mais importantes características de bom funcionamento dos equipamentos eléctricos e electrónicos. de modo a garantir-se o seu correcto funcionamento e duração de vida e de acordo com os manuais de instalação e operação respectivos.3.1 Localização do equipamento de bombeamento Os equipamentos de bombeamento devem ser instalados de acordo com as especificações dos manuais de instalação respectivos tendo em atenção as características ambientais. numa central de abastecimento? Existem três razões essenciais para montar um depósito de membrana numa central. permitindo alargar os períodos de manutenção. O manual de instalação de cada tipo de bomba alerta para estas condições. também denominado depósito de membrana.2 Requisitos para instalação 8.2. É recomendado por isso. devem ser instalados de acordo com as suas características físicas e de protecção. 3 . os quadros eléctricos de controlo e restantes equipamentos de medida e controlo.Para compensação da pressão no sistema durante os períodos de paragem da bomba.

o uso de equipamento auxiliar como sensores de nível. deve ser efectuado tendo sempre em atenção ao valor da curva de NPSH para esse mesmo ponto.Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8.3 Instalação de sistemas de bombeamento Na instalação de um grupo ou de uma central de bombeamento é necessário sempre respeitar as regras de instalações hidráulicas. a altura de aspiração demasiado elevada e ainda a desferragem das bombas. poderemos apontar: • Percursos muito longos • Tubagens subdimensionadas • Demasiados acessórios na tubagem de aspiração da bomba. caso falhe o sistema de protecção existente contra falta de água. 1 . A Grundfos disponibiliza um sistema de protecção electrónico contra a falta de água. a bomba pára. isto é. em que se recorre à ligação do grupo ou da central de bombeamento. as regras referentes à instalação eléctrica e ainda às regras de boa prática de montagem mecânica.1 Aspiração negativa As centrais de bombeamento instaladas com este tipo de instalação. Fig. Entre as protecções existentes internamente nos motores MGE da Grundfos. 2 .Sistema de protecção LiqTecTM 8. de modo a prevenir possíveis avarias e danos às bombas e à instalação.3. Os quadros eléctricos de controlo devem dispor de protecções de modo a garantir a protecção e o bom funcionamento da instalação e das bombas individualmente. Os maiores problemas susceptíveis de ocorrer nestas instalações relacionados com as bombas são os provocados pelo funcionamento sem água.Central de bombeamento tipo com aspiração negativa 8.3. mas também a segurança. A segurança dos equipamentos e das pessoas deve ser sempre respeitada. O uso de válvulas de retenção eficazes e com reduzidas perdas de carga. eléctrodos ou transdutores são outros dispositivos de segurança que devem ser consideradas como medidas de protecção. a bomba pára e só após algum tempo. Fig. que permite a maior duração dos empanques e casquilhos. não existe o risco dos casos mencionados anteriormente. Para as bombas com variação de velocidade CRE. denominado LiqTec. é necessário que as mesmas estejam devidamente protegidas contra essa possibilidade ou outras que possam provocar danos às bombas. hidráulico e eléctrico. o qual permite a fiabilidade das bombas sempre que se verifiquem roturas no abastecimento de água. O cálculo do ponto de funcionamento da bomba. estas estão preparadas para com sistemas de protecção suplementar interna. por um conjunto de instrumentos que respeitem o seu funcionamento de uma maneira geral. Nesse sentido em cada sistema de bombeamento.2 Aspiração de cisterna elevada Neste tipo de abastecimento. Como exemplo de instalações susceptíveis de provocar avarias. a cavitação. Nesse sentido é necessário prover a instalação dos adequados sistemas de protecção por forma a evitar que os mesmos ocorram. bem como acústico nos casos em que tal se justifique. de modo a garantir o seu funcionamento para além das protecções existentes. à instalação ou às pessoas. a uma cisterna com pressão positiva. se uma destas avarias ocorrer. etc. em que é requerido a aspiração de água de um nível mais baixo que o nível em que estão instaladas as bombas. boiadores. em que o nível da água está a um nível superior ao das bombas. bem como a temperatura dos motores e dos empanques das bombas. a protecção contra sobreaquecimento do motor e outras protecções eléctricas. após várias tentativas. variável. no entanto a fim de evitar o funcionamento indevido das bombas sem água. • Uso de filtros sem a manutenção adequada. volta a funcionar. destacamos. 128 . devem ser considerados cuidados específicos e regras de segurança de modo a que respeitem as condições de aspiração próprias das bombas CR. os mesmos devem estar preparados com os cuidados devidos de modo a evitar danos. Nesse sentido os equipamentos devem ser protegidos a nível mecânico. Se a avaria persistir. No funcionamento normal. daí que as centrais devam ser instaladas como se de bombas individuais se tratassem e os elementos de protecção individuais devem de igual modo respeitar esta regra. protecção contra falta de água.

3 Aspiração de uma rede sob pressão Nas redes sob pressão há que ter em conta também um eficaz sistema de protecção.Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8.4 Manutenção 8. Nestas redes os grupos ou as centrais de bombeamento devem estar protegidas contra funcionamento acima da pressão de rotura da instalação ou acima da pressão das próprias bombas. Mas nestas bombas existem ainda outras protecções complementares que evitam as protecções externas atrás mencionadas. falta de fase. o já referido funcionamento em seco. 5 .Central de bombeamento tipo.Central de bombeamento com aspiração positiva Normalmente são equipamentos externos às bombas e que complementam a sua segurança. possam necessitar de maior intervenção. Como qualquer outro equipamento. a mesma deve ser sempre considerada apenas como redundância a uma falha do sistema de controlo. tendo como objectivo sempre. quando existirem • Empanques e retentores Fig. a poupança de energia e a preservação das condições de segurança dos equipamentos e da instalação. não devendo ser entendida como característica de operação. Relativamente a bombas com variação de velocidade Grundfos. etc.1 Manutenção aos equipamentos de bombeamento Os aspectos a ter em conta para efeitos de manutenção específicos. devem estar relacionados sempre com o equipamento respectivo e deve para o efeito ser consultado o manual técnico de instalação e operação das bombas. protecção contra sobreaquecimento do motor. Estas bombas e os quadros que as controlam. Dentro destes poderemos considerar: • Rolamentos dos motores e das bombas. Fig. 129 . caso não sejam tomadas em consideração as pressões de funcionamento. São exemplo disso. a protecção contra falta de água é uma das suas características internas como protecção ao equipamento. têm de se adaptar à instalação e às diversas situações. que adicionado à pressão de funcionamento das bombas. com aspiração de cisterna elevada • Anéis de desgaste e casquilhos. como ainda para um possível aumento de pressão. 3 . como por exemplo o funcionamento em situações de perdas de carga variável. podem provocar avarias na instalação ou nas bombas. Fig. são aqueles que sujeitos a maior esforço físico ou desgaste por fricção. Genericamente os materiais de maior necessidade de intervenção quando se trata de bombas CR. contra sobrecarga. não só contra falta de água.3. Neste tipo de aplicação pode ocorrer excesso de pressão na aspiração. 4 .4.Central de bombeamento tipo com aspiração de uma rede 8.

Manutenção de um quadro eléctrico de controlo 130 . Sempre que se notar um funcionamento irregular ou fora do normal. Fig. Quando a estes estiverem ligados equipamentos sujeitos a movimento mecânico (ex: contactores. 8. deve de imediato ser alertado o fornecedor de modo a diagnosticar possíveis falhas.Empanques No entanto no plano de manutenção a estabelecer deve ser sempre considerado. deve ser efectuada uma inspecção regular. a qualidade da água. a temperatura da água e a temperatura ambiente. 6 . a eles ligados. bem como as condições de ventilação da sala onde a central ou as bombas estão instaladas. Também devem ser respeitadas as condições de temperatura de funcionamento e as regras de bom funcionamento e ventilação.Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento nicos.4. relés ou outros). com a periodicidade acordada inicialmente. de acordo com as especificações de funcionamento previamente estabelecidas. o tempo de operação das bombas.2 Manutenção aos sistemas de monitorização e controlo Para um sistema de monitorização e controlo não é normalmente necessário qualquer manutenção especial. por outros programas com necessidades de acessos via internet ou outros susceptíveis de os contaminarem com vírus informáticos que possam interferir com o seu bom desempenho. Devem no entanto acompanhar-se e seguir-se a evolução do bom desempenho do mesmo e evitar-se a utilização dos PC's onde estão instalados ou dos outros equipamentos electró- Fig. 7 .

Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. SISTEMAS DE ABASTECIMENTO PÚBLICO E PREDIAL NO PORTO Autor: Carlos Medeiros Engenheiro Civil dos SMAS do Porto Professor Auxiliar da FEUP e da FAUP 131 .

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elevação. sistema posteriormente alargado aos Concelhos de Gaia. nasce uma nova fase na história dos SMAS com as captações em profundidade em Lever. passou o Município do Porto a integrar o Sistema Multimunicipal de Abastecimento de Água à Área Sul do Grande Porto. encontra-se a mesma estabelecida desde 1907. ainda é vulgar designar-se a água do Porto como "água da Companhia". O sistema mostrou-se extremamente vulnerável em regime de cheias dos Rios Douro e Sousa. revelador do facto de.. novas captações. no areal de Zebreiros (1937). já sendo sentida desde algum tempo antes. transporte e distribuição. A partir de 1855. contudo.XVI). S. de 122. a inquinação dessas águas. em 11 de Agosto de 1899 refere-se: "São graves. 133 . É para um dos múltiplos aspectos de um destes problemas que a Câmara Municipal do Porto.500 contos. Cem anos volvidos. pôs a concurso o projecto e execução das obras necessárias para o saneamento da Cidade. a rede instalada possui uma extensão de 550 Km e capacidade de tratamento integralmente assegurada em duas ETAR's (Freixo e Sobreiras). com a captação no Rio Sousa. Maia e Valongo. A água de abastecimento público passou. Concorreu a acreditada firma Hughes And Lancaster. em profundidade. procederam à captação. conhecida a causa indicado estava o remédio. Os trabalhos são concluídos em 1886. em 27 de Julho do mesmo ano.. para uso público. o Porto já possuir fontes e chafarizes. há mais de seis séculos. até ao século XIX. Aumento de reservas. o qual é aprovado por Carta de Lei. No entanto. Teve isto lugar em 1896. por 3.A. vem perante Vossa Majestade solicitar a atenção do seu governo. A sua necessidade vinha. De acordo com o documento dirigido ao Rei pela Câmara Municipal do Porto. justamente preocupada com as condições higiénicas da Cidade. e para isso esta Municipalidade.. expansão das redes de distribuição e transporte são passos importantes de uma nova fase. para uma população de 370. os SMAS. tratamento e adução em alta e em baixa até finais de 2000. E como causa principal deste lastimoso estado não se pode apontar outra que não seja a falta quase completa de uma rede de canalização para os esgotos da Cidade. então. surgem várias companhias candidatas ao projecto e execução de obras de captação. Há anos já que esta Municipalidade. os problemas de assistência e higiene pública.000 habitantes equivalentes. embora sem condições de higiene. empreendeu obras que lhe permitissem melhorá-las e organizou Repartições de Estudo que a orientassem sobre a gravidade dos males e meios de os remediar. então. a ser adquirida pelos SMAS à empresa Águas do Douro e Paiva. O contrato com a Compagnie Générale era válido por 99 anos e foi estendido a Matosinhos no princípio do século. sendo em 22 de Março de 1882 assinado o contrato com a "Compagnie Générale des Eaux pour l'Étranger". conhecidíssima pelas obras congéneres executadas em diversas Cidades estrangeiras e exploradora do Sistema Shöne para a elevação de esgotos. Em 1983.000 habitantes e a água tida como a melhor da Europa. A rede de drenagem de Águas Residuais Domésticas. No que respeita à água para consumo público. se destacaram de entre os principais pólos abastecedores de água à Cidade. No reinado de D. iniciou-se a construção dos mananciais de Paranhos e Salgueiros que. A população da Cidade era.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Serviços Municipalizados de Água e Saneamento do Porto Reporta-se a 1392 o mais remoto registo histórico de que há notícia. a evolução dos cuidados com a saúde e ainda as exigências quanto à qualidade de vida impunham uma transformação radical do sistema. altura em que. Inicia-se aqui o terceiro ciclo de vida do abastecimento de água à Cidade do Porto. e à criação dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento em 1 de Abril desse ano. começando a Câmara a exercer fortes pressões junto da Companhia que conduziram ao resgate da concessão em 28 de Março de 1927. mas só em 1 de Janeiro de 1887 é que o abastecimento é regularizado. Gondomar." Actualmente. Sebastião (meados do séc. as doenças transmitidas.

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rega de zonas verdes e limpeza de colectores. hoteleiras. 135 . às unidades turísticas.2.2 Elementos de dimensionamento As capitações a considerar na distribuição exclusivamente doméstica não deve. as condições de ligação. Uma apresentação breve das condições a considerar na instalação de abastecimento público preencherá a primeira parte desta exposição. variando entre 5 e 20 l (habitante / dia).1 Aspectos gerais Nos arruamentos públicos existentes compete aos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto a elaboração de estudos e projectos dos sistemas públicos. É da responsabilidade do autor dos estudos e projectos a recolha dos elementos de base.º 250º). lavagem de pavimentos.Porto. de 23 de Agosto) e a sua adaptação efectuada pelos pelo Regulamento dos SMAS . ser inferior a 250 l (habitante / dia). Os Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto prestarão todas as informações de interesse. a) A localização em planta das condutas. militares. profundidades.º 251º).Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. caso a caso. entre outros. tais como combate a incêndio. lavagem de arruamentos.2 Sistema de abastecimento público 9. Seguidamente. os sistemas elevatórios e as câmaras de manobras para instalação de equipamentos elevatórios. Conclui-se a exposição referindo aspectos importantes referentes ao traçado. b) As secções. devem ser avaliados caso a caso e adicionados aos consumos domésticos. prisionais. tais como de fontanários. os reservatórios. serão especificadas as principais etapas que constituem o dimensionamento dos sistemas prediais de abastecimento de água fria e quente. que devem ser avaliados de acordo com as suas características. com as condições que determinam a sua aplicabilidade.1 Introdução Nesta apresentação são abordados os principais aspectos relacionados com os sistemas de abastecimento públicos e. podem geralmente considerar-se incorporados nos valores médios de capitação global. tanto a nível técnico como de legislação de soluções de abastecimento directo ou de abastecimento com recurso a sistemas elevatórios que garantam um abastecimento em quantidade e qualidade adequadas ao uso.2. a definição do grau de risco e do caudal instantâneo a garantir (Art. pelo promotor. prediais de água fria e quente. O diâmetro nominal mínimo das condutas de distribuição é de Ø100mm (Art. bombeiros e instalações desportivas.º 18). Em zonas com actividade comercial intensa pode admitir-se uma capitação da ordem dos 50 l (habitante / dia) ou considerarem-se consumos localizados. acompanhado de Planta de Localização da obra a levar a efeito. que impliquem a alteração ou ampliação dos sistemas públicos existentes ou a implementação de novas infra-estruturas. são apresentados os principais tipos de sistemas prediais de abastecimento de água. Os volumes de água para combate a incêndios são determinados em função do risco da sua ocorrência e propagação na zona. ressaltando as recomendações contidas no Regulamento dos Sistemas Públicos e Prediais de Abastecimento de Água e Drenagem de Águas Residuais (Decreto Regulamentar 23/95. Consideram-se consumos assimiláveis aos industriais os correspondentes. nomeadamente às necessidades de água para o consumo e o combate a incêndios. é obrigatória a elaboração dos estudos e projectos. Em todas as intervenções urbanas. Os consumos públicos. fundamentalmente. Para os obter. ensino. elementos acessórios da rede e as verificações necessárias à prévia utilização dos sistemas prediais. bebedouros. e submete-los à aprovação dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto (Art. acessórios e instalações complementares. cabendo ao Batalhão de Sapadores Bombeiros da Câmara Municipal do Porto. fornecida pela Câmara Municipal. Na escolha do sistema a ser utilizado. assim como as necessidades prediais. bem como o abastecimento predial de água feita a partir de captação particular (nascentes e furos). com o fim de se garantir o abastecimento para outras finalidades. estabelecimentos de saúde.º 23º). será importante observar as condições de disponibilidade de abastecimento garantidas pela rede pública. será necessário requere-los ao Director Delegado dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. 9. entre outros. 9. materiais e tipos de junta das condutas. sobre carta topográfica à escala 1:500. qualquer que seja o horizonte de projecto. nomeadamente no que respeita à caracterização e localização das redes públicas de abastecimento de água. nomeadamente. Os consumos industriais face a sua grande aleatoriedade. uso industrial. fornecendo os elementos seguintes. à escala 1:500 (Art. Por fim. A concepção dos sistemas de distribuição pública de água no Porto deve passar pela análise prévia das previsões do planeamento urbanístico (planos urbanísticos ou operações de urbanização em que se insiram) e das características específicas da área urbana em que se insiram.

equipamentos e instalações complementares previstas. designação e local da obra. a solicitar a aprovação do projecto.1:500 em extensão e 1:50 em altimetria. • Pormenores . As peças desenhadas devem ser apresentadas. a natureza. c) 150mm (a definir caso a caso) . e) Especificação quando se trata de projecto de alteração ou aditamento.grau 5. Os diâmetros de saída são fixados em 45mm para as bocas de incêndio e em 60mm para duas saídas e 90mm para os marcos de água. 9. em tela plástica. descrição do desenho.1:500.2. obedecendo às escalas a saber: • Plantas . desde a rede pública até ao limite da propriedade a servir. b) Identificação do proprietário. pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. pode uma mesma edificação dispor de mais de um ramal de ligação para abastecimento doméstico ou de serviços. Cabe aos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento a definição da localização das bocas de incêndio e dos hidrantes.à escala conveniente que esclareça inequivocamente o pretendido. • Perfis . Todos os desenhos devem possuir legenda no canto inferior direito. respeitando a Norma Portuguesa NP204 e contendo. competindo aos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto promover a sua instalação (Art. das obras a executar. onde conste a identificação do proprietário. b) 125mm . paginadas e todas elas assinadas. b) Termo de responsabilidade do técnico autor do projecto. g) Peças desenhadas dos traçados e instalações complementares. Quando se tenha de assegurar simultaneamente o serviço de combate a incêndios sem reservatório de regularização. 136 . d) Número. escalas e data da sua elaboração. pelo técnico responsável pelo projecto.º 53º). 9. os materiais e acessórios e as instalações complementares. As peças escritas devem ser apresentadas dactilografadas ou impressas em folhas de formato A4.grau 1 a 3. em boas condições de caudal e pressão. indicando se se trata de obra nova. após parecer do Batalhão de Sapadores Bombeiro (Art. de ampliação ou remodelação.2. os diâmetros nominais mínimos das condutas são determinados em função do risco da zona e devem ser: a) 100mm . Os caracteres alfanuméricos devem obedecer à Norma Portuguesa NP89. no original. a seguinte informação: a) Designação e local da obra. é obrigatória a instalação de coluna piezométrica com desenvolvimento a definir pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto (Art. não excedendo as dimensões do formato A0. a descrição da concepção dos sistemas. Quando se justifique. Os ramais de ligação consideraram-se tecnicamente como partes integrantes das redes públicas de distribuição e de drenagem. Os estabelecimentos comerciais e industriais devem ter ramais de ligação privativos. subscrito pelo promotor. dos aspectos de saúde pública e de protecção do ambiente.º 264º).º 252º): a) Requerimento dirigido ao Director Delegado dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto.º 267º). no mínimo.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Quando o serviço de combate a incêndios tenha de ser assegurado pela mesma rede pública.3 Ramais de ligação Os ramais de ligação asseguram o abastecimento predial de água. acrescidos de duas cópias para os elementos referidos nas alíneas b) a g). c) Planta de Localização fornecida pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento d) Memória descritiva e justificativa. com formatos e dobragem concordantes com o estipulado nas Normas Portuguesas NP48 e NP49. O diâmetro nominal mínimo das bocas de rega e lavagem e respectivos ramais de alimentação é de 25mm (Art. 9. e) Cálculo hidráulico onde conste os critérios de dimensionamento adoptados e o dimensionamento das redes. Os diâmetros nominais mínimos dos ramais de alimentação dos hidrantes são de 45mm para as bocas de incêndio e de 90mm para os marcos de água (Art. f) Mapas de medição e orçamento a preços correntes. o diâmetro não deve ser inferior a 45mm. com indicação dos materiais das canalizações e acessórios utilizados. f) Legenda específica das redes representadas.º 55º).º 56º). Os elementos descritos serão apresentados em original. qualificação e assinatura do autor do projecto.2. Nenhum sistema de distribuição de água pode entrar em funcionamento sem que tenha sido feita a desinfecção e a vistoria final de todo o sistema (Art.º 32º). o tipo da obra. c) Nome.grau 4.5 Entrada em serviço dos sistemas A entrada em serviço dos sistemas deve ser precedida da verificação. Nos ramais de ligação de abastecimento a reservas de água e piscinas que se encontrem instaladas a uma cota não superior a 10 m relativamente ao arruamento de onde se faz a ligação.4 Elementos de instrução dos processos de projectos O pedido de aprovação de projectos deve ser instruído com os seguintes elementos (Art.º 35º). O diâmetro nominal mínimo admitido em ramais de ligação é de 25mm (Art.

sendo obrigatória a ligação às redes públicas de abastecimento de água e de drenagem de águas residuais domésticas. Deste modo.º 75º).Porto.a utilização de água não potável exclusivamente para lavagem de pavimentos. a salubridade e o conforto nos edifícios. A aplicação de novos materiais ou processos de construção para os quais não existam especificações oficialmente adoptadas nem suficiente prática de utilização. sempre que necessário. os sistemas prediais alimentados pela rede pública devem ser independentes de qualquer sistema de distribuição de água com outra origem. A terminologia e a simbologia a utilizar e as unidades em que são expressas as diversas grandezas devem respeitar as directivas estabelecidas neste domínio.2 Elementos dos sistemas Para que não venham a ocorrer utilizações indevidas das diversas redes prediais impõe-se que: "As canalizações instaladas à vista ou visitáveis devem ser identificadas consoante a natureza da água transportada e de acordo com o sistema de normalização vigente. remodelados ou ampliados deverão prever redes prediais de abastecimento de água.3. A localização desta conduta exterior bem como a posição prevista para o contador são a "ponta da meada" a partir da qual se faz o desenvolvimento da rede interior.º 90º)... aço galvanizado ou PVC rígido.." (Art. as tubagens e acessórios podem ser de ferro fundido. a sua fácil ligação àquelas redes. entre outros. A rede predial a projectar e executar deve ainda oferecer a garantia de que a água a fornecer aos sistemas prediais deverá ter em consideração aspectos. independentemente da existência ou não das redes públicas no local (Art." (Art.3. nomeadamente poços ou furos. rega. 9." (Art. Assim a terminologia e a simbologia a adoptar serão as indicadas nos anexos I.º 73º). devem apresentar boas condições de resistência à corrosão. polietileno ou PVC rígido" (Art. nomeadamente poços ou furos privados. Também no sentido de garantir adequada qualidade e o respeito da saúde pública impõem a necessidade de cuidados na escolha dos materiais. os instaladores (picheleiros) devem proceder a sua inscrição nos SMAS para que possam assumir a responsabilidade de execução de instalações prediais. VIII e XI ao Regulamento.º 76º). e aos esforços a que vão ficar sujeitos.º 4º). interna e externa. quando existam ou venham a ser instaladas. Numa primeira fase de abordagem a concepção de um sistema de abastecimento predial devem colocar-se as seguintes questões fundamentais: 137 . deve ser sujeito a verificação de conformidade pelo LNEC Laboratório Nacional de Engenharia Civil e a fazer presente junto dos SMAS Porto. peças acessórias e dispositivos de utilização. ser de cobre." (Art. aço inoxidável. Todos os materiais a aplicar em sistemas de distribuição. II. pela própria natureza ou por protecção adequada. em quantidade e qualidade adequadas ao uso. quer de qualidade quer de defesa da saúde pública. de acordo com as seguintes cores: azul para água destinada ao consumo humano. Também. "1. as canalizações instaladas à vista devem ser identificadas consoante a natureza da água transportada. combate a incêndios e fins industriais não alimentares.As tubagens e acessórios que constituem as redes interiores podem. no futuro. Os materiais a utilizar nas tubagens e peças acessórias dos sistemas de distribuição devem ser aqueles cuja aplicação seja admitida pelos SMAS .1 Aspectos gerais Todos os edifícios novos. como dispõem que: "Os sistemas prediais alimentados pela rede pública devem ser independentes de qualquer sistema de distribuição de água com outra origem. preservando-se a segurança. Os sistemas prediais de abastecimento de água devem garantir que a mesma chegue a todos os dispositivos de utilização." e "O fornecimento de água potável aos aparelhos sanitários deve ser efectuado sem pôr em risco a sua potabilidade. a rede de distribuição predial de água deve assegurar o seu bom funcionamento.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. "Não é permitida a ligação entre a rede predial de distribuição de água e as redes prediais de drenagem de águas residuais. encarnado para água de combate a incêndios. quer por contacto.. 9.. Assim.As redes de água não potável e respectivos dispositivos de utilização devem ser sinalizados.º 77º). impedindo a sua contaminação. este último no caso de canalizações de água fria não afectas a sistemas de combate a incêndios. As redes prediais a instalar.3 Concepção dos sistemas A rede de distribuição de água parte de um ponto da rede pública. devem ser isentos de defeitos e. como responsável pelo abastecimento e distribuição pública de água. III. 2 .3. Assim.3 Sistema de abastecimento predial de água 9. quer por aspiração de água residual em caso de depressão.Nas redes exteriores de água fria. ". 2. mesmo que nos locais onde não existam redes públicas deverão ser executadas de modo a permitir.

É necessária rede de combate a incêndio? De que tipo? 9. Precisa de equipamento elevatório de bombeamento? Atravancamento e acessibilidade à câmara de manobras? 8. o regulamento apresenta condicionantes que podem permitir efectuar uma primeira abordagem ao tipo de sistema de alimentação predial.3. na rede pública e ao nível do arruamento. sem prejuízo das condições de funcionamento do sistema na sua globalidade? Por fim." (Art.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 1.. ao consagrar que: "e) A pressão de serviço em qualquer dispositivo de utilização predial para o caudal de ponta não deve ser. que se mantenha entre 150 Kpa e 300 Kpa. Previsão do fornecimento de água quente: a que zonas e de que modo? 10. Dentro desse contexto. Secção e pressões disponíveis? 3. coordenada com a arquitectura.As pressões de serviço nos dispositivos de utilização devem situar-se entre os 50 Kpa e 400 Kpa. Torna-se necessário prever reservatórios? Os serviços locais permitem? Em que condições? Sua capacidade e localização? Formas de drenagem de perdas e esvaziamento? 7. técnica e económica. sempre será de realçar que a concepção de sistemas prediais de distribuição de água deve ter como objectivo a resolução de problemas numa perspectiva global. Existe rede pública? Onde? 2. inferior a 100Kpa o que. a estrutura e as restantes instalações especiais da edificação." . Que dimensão tem o edifício? Existem caves? 5. ou seja. com reservatório inferior sempre que a pressão não seja de molde a garantir a reposição da reserva durante o período diário de 24 horas ao nível mais elevado do edifício. incluindo o piso térreo. Qual o tipo de ocupação? 6. corresponde aproximadamente a H=100+40n "Onde H é a pressão mínima (Kpa) e n o número de pisos acima do solo. O abastecimento directo será garantido sempre que as condições de abastecimento público apresentem pressão e/ou caudal que permitam nas condições de conforto definidas no projecto o abastecimento em permanência.(Art. em regra.º 78º).º 21 º). "2 . Há escassez de água ou interrupções de fornecimento com frequência? 4.4 Classificação dos sistemas Ao colocarmos correctamente as questões acima enunciadas somos muitas vezes levados a constatar que nem sempre os sistemas públicos permitem que o abastecimento se efectue directamente da rede geral de distribuição em condições de pressão e caudal necessários a garantir uma utilização com a qualidade e quantidade adequadas. SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO 9.. Neste sentido. falta de pressão ou falta de caudal deverá optar-se por sistemas de abastecimento indirecto com reservatório elevado quando a pressão disponível possibilita em certos períodos diários a reposição da reserva necessária e por sistema elevatório. 138 . sendo recomendável. poderemos ter sistemas com abastecimento directo ou indirecto. por razões de conforto e durabilidade dos materiais. Na remodelação ou ampliação de sistemas existentes com aumento de caudal de ponta? Comprova-se a suficiência da capacidade hidráulica de transporte das canalizações e das eventuais instalações complementares a montante. Caso contrário.

Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Na escolha do sistema há que atender: a) À pressão disponível na rede geral de alimentação e à necessidade nos dispositivos de utilização. 139 . "… os valores das pressões máxima e mínima na rede pública no ponto de inserção naquela.º 83º). d) À minimização de tempos de retenção da água nas canalizações. dando também resposta a algumas das questões já referidas deve obter-se junto dos SMAS Porto a informação sobre as condições de abastecimento da rede pública no local onde se pretende executar a edificação. c) Ao grau de conforto pretendido. ou seja. Sempre que a rede pública não puder assegurar as pressões necessárias deverá ser prevista uma instalação sobrepressora com tanque de compensação. Para que se possa efectuar esta verificação preliminar do sistema mais adequado de abastecimento predial." (Art. b) Ao tipo e número de dispositivos de utilização.

PRESSÕES Pressão dinâmica MPa MPa REDES DE INCÊNDIO As redes de combate a incêndio deverão ser dimensionadas e representadas em projecto. Porto. n. º Local da obra: Rua / 2005 Freguesia: Requerente: REDES PREDIAIS DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA Pressão estática REDE PÚBLICA . Deverá atender ao Regulamento dos Sistemas Públicos e Prediais de Distribuição de Água e Drenagem de Águas Residuais Domésticas dos Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento da Câmara Municipal do Porto.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Pedido de informação das condições de ligação às redes públicas LIGAÇÕES ÀS REDES PÚBLICAS Planta Topográfica P. O Chefe de Divisão 140 . Agosto e ainda à legislação específica relacionável com os projectos em causa. REDE PREDIAL DE DRENAGEM DE ÁGUAS RESIDUAIS DOMÉSTICAS A câmara de ramal de ligação deverá situar-se no local assinalado na P.T. à profundidade de m.. ao Decreto-Regulamentar 23/95.T.

sendo os valores mínimos a considerar. no caso em que a rede pública não garanta eficazmente os consumos e pressões prediais requeridas.5 e 2. por razões de defesa de saúde pública dos utentes. o cálculo do volume útil dos reservatórios destinados ao consumo humano não deve. O coeficiente de simultaneidade é a relação entre o caudal simultâneo máximo (caudal de cálculo) e o caudal acumulado (somatório dos caudais instantâneos) de todos os dispositivos de utilização alimentados por essa secção. etc. considerando os respectivos caudais instantâneos e a simultaneidade constante do quadro seguinte: 9. que devem situar-se entre 0. fornece os caudais de cálculo.3 Reserva predial de água para abastecimento doméstico O armazenamento de água para o consumo humano em edifícios é normalmente autorizado pelos SMAS Porto. c) A rugosidade do material. restaurantes. considera-se na determinação do caudal de cálculo. Para outro tipo de conforto ou de utilização (estabelecimentos. à renovação na sua totalidade com periodicidade de pelo menos uma vez por dia. Número de fluxómetros instalados 1 2 a 10 11 a 20 21 a 50 Superior a 50 Em utilização simultânea 1 2 3 4 5 141 .2 Dimensionamento hidráulico No dimensionamento hidráulico da rede predial de água fria deve ter-se em atenção: a) Os caudais de cálculo. os valores das pressões máximas e mínimas na rede pública no ponto de inserção daquela. Nos ramais de alimentação de fluxómetros para bacias de retrete devem ter-se em atenção as pressões mínimas de serviço a cujos valores correspondem os diâmetros constantes do quadro seguinte: Pressão (kPa) 200 80 50 Diâmetro (mm) 25 32 40 9. para um nível de conforto médio. bem como os aparelhos alimentados. como acima já se referiu. Os caudais instantâneos a atribuir a máquinas industriais e outros aparelhos são especificados no quadro anexo ao Regulamento e devem ser estabelecidos em conformidade com as indicações dos fabricantes. 9. quando existem fluxómetros. escolas.5 Dimensionamento dos sistemas prediais Nos projectos relativos à distribuição predial de água devem indicar-se nas peças desenhadas os tipos e localização dos dispositivos de utilização.) deve ser o coeficiente de simultaneidade determinado por recurso a informações existentes ou a bibliografia específica.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. Para efeitos de cálculo da rede predial devem ser obtidos e são fornecidos. b) As velocidades de escoamento. os constantes do quadro anexo ao Regulamento. No anexo do Regulamento apresenta-se uma curva que.1 Aspectos gerais A rede predial de água fria deve assegurar a sua distribuição a todos os dispositivos instalados em boas condições. Os caudais de cálculo na rede predial de água fria baseiam-se nos caudais instantâneos atribuídos aos dispositivos de utilização e nos coeficientes de simultaneidade. Os reservatórios de água para consumo humano devem também ser sujeitos a operações de inspecção e limpeza periódica.4. o coeficiente de simultaneidade mais adequado numa dada secção. ou seja. Contudo. em função dos caudais acumulados.4. excepto em casos devidamente justificados. os caudais de cálculo devem ser obtidos somando aos caudais obtidos para os restantes aparelhos. Os caudais instantâneos a atribuir aos dispositivos de utilização devem estar de acordo com o fim específico a que se destinam. tendo em conta os coeficientes de simultaneidade. exceder o valor correspondente ao volume médio diário do mês de maior consumo. que pode ser utilizada para os casos correntes de habitação sem fluxómetros. os caudais de cálculo dos fluxómetros.0m/s. através da curva referida acima. Face à possibilidade do funcionamento não simultâneo da totalidade dos dispositivos de utilização. para a ocupação previsível. Prevendo-se a instalação de reservatórios estes são condicionados.4 Sistemas prediais de distribuição de água fria 9.4.3.

que deve impedir a entrada de luz directa e assegurar a renovação frequente do ar em contacto com a água. 3. 19. convenientemente protegido com rede de malha fina. Caleira nas proximidades. Entrada e saída da água em pontos opostos. associada a caixa de limpeza. Descarga de superfície. Como condições construtivas a ter em consideração realça-se que: os reservatórios devem ser impermeáveis e dotados de dispositivos de fecho estanques e resistentes. nos reservatórios com água destinada a consumo humano e com capacidade útil igual ou superior a 2. sistema de ventilação. Envolvente protegida contra escorrimentos e infiltrações. dimensionados para um caudal não inferior ao máximo de alimentação do reservatório. Equipamento /acesso e atravancamento. a conservação dos elementos resistentes e a manutenção da qualidade da água. RESERVATÓRIOS DE ÁGUA POTÁVEL ESQUEMA-TIPO DE UM RESERVATÓRIO Regras principais: 1. destinada a interromper a alimentação quando o nível máximo de armazenamento for atingido. 20. Isolamento térmico quando necessário. A localização dos reservatórios deve permitir a sua fácil inspecção e conservação. a 150 mm do fundo. b) Saídas para distribuição. Soleira com pendente de igual superior a 1%. a 50 mm do nível máximo de armazenamento e conduta de descarga de queda livre e visível. 17. nem as paredes comuns a paredes de edificações vizinhas. se intercomuniquem. d) Descarga de fundo implantada na soleira. tipo mosquiteiro. ≥2 células para manutenção ou reparação. preparadas para funcionar separadamente mas que. 1 . Aberturas para ventilação. Tampa sobre a válvula de bóia. de material não corrosivo. 11. 8. pelo menos. Reserva para 24 horas. 6. tipo mosquiteiro. e) Acesso ao interior com dispositivo de fecho que impeça a entrada de resíduos sólidos ou escorrências. no mínimo a 50 mm acima do nível máximo da superfície livre do reservatório em descarga. Rebaixo para retenção de areias. equipada com uma válvula de funcionamento automático. com válvula adequada. aço ou outros materiais que se mostrem adequados a manter a qualidade da água armazenada e os materiais e revestimentos usados na sua construção não devem alterar a qualidade da água afectando a saúde pública. por duas células. a entrada e saída da água nos reservatórios devem estar posicionadas de modo a facilitar a circulação de toda a massa de água armazenada e o fundo e a cobertura dos reservatórios não devem ser comuns aos elementos estruturais do edifício. alvenaria de tijolo ou de blocos de cimento. 4. Descargas de fundo com válvula. 7.Esquema tipo de um reservatório 142 . protegidas com ralo e colocadas. 9. Independência da restante estrutura. Localização em zona técnica acessível. Os reservatórios podem ser de betão. Alarme/detecção de fugas de água.0 m3 devem ser constituídos. Fig. 5. c) Descarregador de superfície colocado. Pintura interior de protecção. Protecção de aberturas com rede mosquiteiro. 13. Condições de acesso e de inspecção. 16. no mínimo.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto O armazenamento de água para combate a incêndios é feito em reservatórios próprios e independentes e não pode por princípio ser utilizado para outros fins. as arestas interiores devem ser boleadas e a soleira ter a inclinação mínima de 1% para a caixa de limpeza. a fim de facilitar o esvaziamento. os reservatórios devem ter protecção térmica e estar afastados de locais sujeitos a temperaturas extremas. 2. 18. 14. protegida com rede de malha fina. a soleira e as superfícies interiores das paredes devem ser tratadas com revestimentos adequados que permitam uma limpeza eficaz. em funcionamento normal. 10. Quando o armazenamento da água se destina a consumo humano. Limpeza interior/evitar ângulos apertados. Cada reservatório ou célula de reservatório deve dispor de: a) Entrada de água localizada. 15. 12. no mínimo.

agricultura. escovas só para esse fim. serviços industriais. pressurização. SMAS . transferência de líquidos. . d) O número máximo admissível de arranques por hora para o equipamento a instalar.4. sistemas de rega.Proceda à desinfestação do depósito/cisterna: . retirando todos os detritos e lodo que eventualmente contenha. transferência de líquidos. de dois grupos electrobomba idênticos. 20ml do referido hipoclorito. a sua limpeza e desinfecção. limpo e arejado. . circulação e transferência de água. no mínimo. captação de águas subterrâneas. b) A pressão disponível a montante. rebaixamento de aquíferos. e circuitos de arrefecimento e de ar condicionado. No dimensionamento das instalações elevatórias devem ter-se em atenção: a) O caudal de cálculo. Atendendo à capacidade do depósito/cisterna.Após esta operação o depósito/cisterna está pronto a receber a água que é distribuída. e) A instalação. Revisão nº0. Abastecimento de água em condições de pequeno débito e elevada pressão.Instale-o sempre em local de fácil acesso. As canalizações e acessórios utilizados devem ser de materiais de resistência adequada às pressões de serviço e às vibrações. pressurização. etc. Os dispositivos de protecção devem ser definidos em função das envolventes de pressão máxima e mínima.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Também a manutenção periódica dos reservatórios é aspecto importante a ter em consideração. nos lugares ocupados. c) A altura manométrica. . Página 1 de 1.Junte hipoclorito de sódio a 14% (à venda em drogarias). assim como protecção contra o choque hidráulico. Os grupos electrobomba devem ser de funcionamento automático e possuir características que não alterem a qualidade da água.Encha completamente e mantenha em repouso. Abastecimento de água.Porto.Nunca o deixe sem tampa adequada ou devidamente protegido. ruído de nível sonoro médio não superior a 30 dB(A). Abastecimento de água.Deixe entrar água limpa até cerca de metade da sua altura. serviços industriais. . etc. Submersíveis De drenagem (submersíveis) Jockey 143 .4 Instalações elevatórias e sobrepressoras 9.1 Aspectos gerais No quadro seguinte apresentam-se os tipos de bombas correntes no mercado e suas principais aplicações.4. abrindo todas as torneiras de serviço e enxagúe para eliminar completamente o hipoclorito. Lave-o pelo menos uma vez por ano da seguinte forma: . serviços industriais. As instalações elevatórias ou sobrepressoras devem ser localizadas em zonas comuns e ventiladas.Volte a esvaziar. . Laboratório de Análises. Tipos de bombas Monocelulares horizontais Monocelulares verticais Multicelulares horizontais Multicelulares verticais Circuladoras Aplicações Abastecimento de água. "Instruções para desinfecção de cisternas/depósitos"[1] Se na sua casa houver depósito/cisterna. utilizando preferencialmente.Esvazie-o totalmente. etc. 9. Elevação. sem consumir. etc. esvaziamento de reservatórios e piscinas. . de segurança e de alarme. rebaixamento de aquíferos." [1] Fonte: "Documento Auxiliar de Procedimentos". circulação e pressurização.Escove cuidadosamente as paredes. pressurização e circulação de água. durante pelo menos meia hora. Circulação de líquidos em circuitos de aquecimento abertos ou fechados. Abastecimento de água. agricultura.4. pelo que os SMAS Porto apresentam instruções de actuação para a execução dessas operações. . o fundo e a abertura. irrigação. Edição nº1. instalações especiais. resultantes da ocorrência de choque hidráulico. irrigação e circulação de água em sistemas. tenha os seguintes cuidados: .Enxagúe todo o interior e esvazie-o de novo. normalmente destinados a funcionar como reserva activa mútua e excepcionalmente em conjunto para reforço da capacidade elevatória. Drenagem de águas residuais. que permitam uma fácil inspecção e manutenção e ser equipadas com grupos electrobomba e dotadas de dispositivos de comando. . O funcionamento dos órgãos electromecânicos deve determinar. agricultura. adicione por cada m3 de água. etc. nomeadamente. e de acessórios indispensáveis ao seu funcionamento e manutenção. etc. para o efeito deverão ser utilizados apoios isolados e ligações elásticas às tubagens para atenuação da propagação do ruído.

fd corresponde a perdas de carga na tubagem de descarga (m. Q . o qual traduz a relação entre a potência ganha e a do motor e assume sempre valores inferiores à unidade. hd é a altura estática de descarga (em metros) igual à distância medida na vertical entre o eixo da bomba e o nível do líquido no reservatório de descarga. pela bomba. Assim.c.a. em função das temperaturas indicadas. a altura máxima de aspiração de uma bomba será calculada de acordo com a expressão: HMA = Patm/γ.2 Altura manométrica total A altura total desenvolvida pela bomba pode ser expressa por uma das seguintes equações: Bomba funcionando em aspiração: Htotal = hd + hs + fd + fs + (υ2/2g) ou Bomba funcionando em carga: Htotal = hd .Potência. esta varia com a temperatura do líquido. hs é a altura estática de aspiração (em metros) igual à distância entre o nível do líquido no reservatório de aspiração e o eixo da bomba. A potência absorvida pela bomba tem de ser superior à que esta cede ao escoamento. a que corresponde um peso volúmico de 9. considerando que o fluido bombeado é água.) fs corresponde a perdas de carga na tubagem de aspiração (m. por η o rendimento da bomba.Peso volúmico (N ).8x103 N/m3.Altura máxima de aspiração (m).c. Temos então que a diferença entre Hs e Hc que corresponderá ao ganho de pressão que o líquido sofrerá na sua passagem pela bomba.) u 2 2g corresponde ao valor das perdas de carga na saída (m. Ja.Perda de carga no troço de tensão de vapor do líquido (m).43 1. No que se refere à altura equivalente de tensão de vapor (pv/γ).[NSPH + Ja + Pv/γ + a] HMA.Potência (W).Altura equivalente da tensão de vapor do líquido (m). o qual irá ser representado por HTOTAL e será designado por altura manométrica.Rendimento da bomba (entre 60% a 70%). HTOTAL.33m.4.hs + fd + fs + (υ2/2g) em que: 9.Capacidade de aspiração (m).c.).83 10.3 Altura manométrica 9.Caudal. teremos que a altura equivalente à pressão atmosférica será igual a 10. Patm/γ.13 0.a. 144 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9.Altura de elevação.Peso volúmico.4. Nota: Este valor é positivo ou negativo consoante a bomba funcione em aspiração ou com a aspiração em carga. para a água.3.013x102kPA. γ. γ. no quadro indicam-se alguns valor Hatm = Patm/γ.Factor de segurança (m).a.a. a qual traduz o trabalho exterior fornecido por um motor. 9. por Hs a carga à saída da bomba.2 Potência absorvida pela bomba A determinação da potência absorvida pela bomba que garanta o abastecimento solicitado é dada por: P = γQH P. quer as variações de pressão. devido às perdas nas transformações de energia em presença.4. a.4. H. η.4. Htotal é a altura vencida pela bomba funcionando com o caudal de projecto (m. NSPH.26 4.4.3. Pv/γ.c.33 O factor de segurança "a" da expressão procura superar.Altura manométrica (m) = Haspiração + Hcompressão.) Nota: Geralmente as perdas de carga na saída (υ2/2g) representam uma pequena percentagem do valor da altura manométrica total e são geralmente negligenciáveis. Sendo a pressão atmosférica normal é igual a 1.Caudal bombeado (m3s-1).4.1 Altura máxima de aspiração A altura de aspiração representa o ganho de pressão que o líquido sofre na sua passagem. sendo assim a potência absorvida pela bomba expressa por: P= γQHTOTAL / η P. m-3 TENSÃO DE VAPOR DE ÁGUA FUNÇÃO DA TEMPERATURA Temperatura (°C) Altura equivalente da tensão de vapor (m) 10 20 30 50 80 100 0.4. Q.24 0.Altura equivalente à pressão atmosférica (m). a qual traduz o ganho energético do líquido na sua passagem pela bomba. quer as imprecisões na determinação das perdas de carga no troço de tubagem de aspiração. Designando por Hc a carga à entrada na bomba.

a qual refere que o volume ocupado por uma dada massa de gás.). se adequadamente dimensionados. Vágua o volume de água a introduzir no reservatório e Vr o volume de reserva ou segurança. hidráulicas e de ventilação. recorrendo. logo menor perda de carga. Pmin.4. uma vez que sua instalação adequada exige certos cuidados que interferem directamente no desenho do projecto.pressão manométrica máxima (m.5 Dimensionamento dos reservatórios hidropneumáticos Os reservatórios hidropneumáticos são dimensionados tomando por base a "Lei de Boyle-Mariotte". Nos edifícios de habitação é sempre obrigatória a existência de sistemas de produção e distribuição de água quente a cozinhas e instalações sanitárias. Fig. Vamin o volume de ar a que corresponde a pressão mínima. pois ao limitarem o número de arranques por hora podem. como alternativa aos reservatórios hidopneumáticos. de seguida. 9.25Qp (Pmáx + 10)} / {4N(Pmáx . que proporcionem economias numa relação de poupança energética/eficiência do sistema. No dimensionamento hidráulico da rede predial de água quente deve seguir-se o disposto para a água fria mas ter em consideração um coeficiente de rugosidade menor.Pmin)} O objectivo dos depósitos hidropneumáticos é o de limitar o número horário de arranques dos grupos de sobrepressão.5.Pmin)} Vtotal = {Qp Pmáx } / {4N Pmáx . uma abordagem dos sistemas prediais de abastecimento de água quente sanitária.(Pmin-2)} Vtotal. V1 e V2 os correspondentes volumes ocupados e c é uma constante (constante dos gases perfeitos). Os caudais de cálculo da rede predial de água quente devem ser obtidos de acordo com o disposto para a água fria.5 Sistemas prediais de distribuição de água quente 9. incluindo a questão da recirculação e isolamento térmico.a. tal como nas instalações eléctricas. A rede predial de água quente visa assegurar a distribuição em boas condições de água quente sanitária. 145 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9.1 Aspectos gerais Far-se-á. Os sistemas de produção e distribuição de água quente devem garantir as temperaturas mínimas de utilização necessárias nos dispositivos de utilização em função do grau de conforto e economia desejados. mantendo constante a temperatura. Os reservatórios hidropneumáticos são importantes em edifícios de habitação. Pmáx.caudal bombeado (m3/h). etc.pressão manométrica mínima (m.2 Aparelhos produtores de água quente É importante que o sistema de aquecimento de água seja definido já na fase de projecto. Considerando o reservatório representado na figura. industriais e similares (unidades hoteleiras. permitir que em utilização normal os sistemas elevatórios não funcionem em períodos nocturnos de pequenos consumos evitando os ruídos e vibrações que tanto incomodam e são objecto de justas reclamações pelos habitantes dos respectivos edifícios. tendo em conta os factores já mencionados. de serviços.). se necessário. varia na razão inversa das pressões que suporta. As fórmulas empíricas permitem a determinação dos volumes totais dos depósitos respectivamente para os depósitos sem membrana e com membrana. tendo em atenção o caudal de bombeamento e os limites de pressão pré-estabelecidos. Estes sistemas visam garantir o fornecimento de água quente nas condições de temperatura. N.número de arranques por hora. 2 .5. centros comerciais. quantidade e qualidade adequadas ao uso sanitário.Reservatório hidropenumático Vtotal = {Vágua (Pmáx + 1)} / {0.c. Pmin representa o nível mínimo a que corresponde a pressão de arranque do elemento de bombeamento. e que é expressa por: P1V1 = P2V2= c em que P1 e P2 representam as pressões de sujeição.) justificam-se soluções de instalação de sistemas elevatórios de velocidade e caudal variável. unidades de saúde. Vtotal = {1. Vamax o volume de ar a que corresponde a pressão máxima. 9.volume do depósito (m3).a. Em situações de edifícios de habitação. onde Pmáx representa o nível máximo de água a que corresponde a pressão de paragem do elemento de bombeamento.c. Qp. à circulação forçada ou retorno.8 (Pmáx . Importante é considerar as condições técnicas que determinam a sua utilização.

considerando que 1KW = 0.2 100 litros (horas) 100/33. em que a água é aquecida gradualmente. Aqui.3000w. o que permite aquecer o mesmo volume de água em menos tempo ou reduzir a capacidade do depósito de acumulação. promover a acumulação de água quente em depósitos de água. As caldeiras murais são muitas vezes sistemas mistos que combinam a produção de água quente para aquecimento do ambiente (circuitos fechados) com a produção instantânea de água quente sanitária.6 em 1 hora (litros) Tempo de aquecimento de 100/19.8 l/min 380 380/25= 15.3 Necessidades de água quente e escolha dos aparelhos de produção As necessidades instantâneas de água quente devem ser estimadas a partir do somatório dos caudais instantâneos a atribuir aos dispositivos de utilização servidos por água quente. 13 e 16 l/min. afectado de um coeficiente de utilização simultânea. Sendo a temperatura normal de acumulação de 60°C e para uma mesma temperatura de 15°C de água fria. 146 . em que a água aquecida fica armazenada em acumuladores. Potência Térmica (kcal/min) Débito de A. Aquecimento rápido . Deve ter-se ainda em atenção a necessidade de água quente para outros fins (que não os sanitários). Tipo de Aquecimento termoacululador lento Potência (Kcal/h) ∆T=60°C-15°C 864 45°C Aquecimento normal 1512 45°C Aquecimento rápido 2592 45°C Caudal aquecido 864/45=19. sendo esta última característica a que determina a designação vulgar de termoacumuladores de aquecimento lento. temos a situação referida no quadro seguinte.5. a 40°C ∆t=40°-15°=25°C 250 250/25= 10 l/min 320 320/25= 12.6=3. normal e rápido.Q. A produção de água quente para distribuição aos dispositivos de utilização pode fazer-se. Aquecimento normal .2 1512/45=33. Os termoacumuladores eléctricos correntes no mercado com capacidade de 100 litros e apresentam uma das seguintes potências: Aquecimento lento . 320 e 380 Kcal/min.6 2592/45=57. o que leva as designações comerciais correntes dos esquentadores em 10. Se a temperatura da água fria for de 15°C à entrada no esquentador e que se pretende água quente a 40°C. comportam-se como vulgares esquentadores ou podem. 9. sendo as mais usuais de 250.0 100/57. nos ensaios de qualidade e na sua localização e instalação e é obrigatória a instalação de válvula de segurança no ramal de alimentação de termoacumuladores. o que pressupõe o conhecimento das características térmicas dos aparelhos atrás referidos. b) De passagem. A escolha do sistema a instalar deve ser efectuada em função das necessidades instantâneas e horárias de água quente e da análise técnico económica das várias alternativas que se nos oferecem. 3 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto A segurança dos aparelhos produtores de água quente deve ser garantida na sua construção. os valores encontrados são os indicados no quadro.1000w.Esquema tipo de ligação a termoacumuladores Os termoacumuladores a gás possuem potências térmicas mais elevadas do que os eléctricos. Por razões de segurança é interdita a instalação de aparelhos produtores de água quente a gás nas instalações sanitárias ou em locais que se não situem junto da envolvente exterior do edifício. é definido o sistema de alimentação dos equipamentos: a) Por acumulação. Os esquentadores apresentam-se no mercado com diferentes potências.2=5.1750w.2 l/min As potências dos termoacumuladores eléctricos são variáveis consoante as suas capacidades e os tempos de aquecimento. através de aparelhos de produção instantânea (esquentadores) ou de aparelhos de acumulação (termoacumuladores eléctricos ou a gás e depósitos de água quente com circuito primário de aquecimento) ou ainda pela combinação de ambos.864 Kcal. através de um circuito primário de aquecimento. à medida em que passa pelo aparelho. consoante as características do edifício de habitação.7 Fig. A partir daí. A escolha do sistema depende do tipo de energia a ser utilizado para aquecer a água: eléctrico. tais como o aquecimento central ou a climatização. a gás ou solar.6=1.

para o dimensionamento das bombas de recirculação deve-se determinar a perda de carga total do circuito: às perdas de carga contínuas é necessário adicionar as perdas de carga acidentais (curvas.).5% como valor orientativo. o diâmetro do tubo. devendo os primeiros possuir ligeira inclinação para favorecer a saída do ar. As canalizações exteriores da rede predial de água fria ou quente podem ser enterradas em valas. Devem ser tidos em consideração os problemas de dilatação e contracção da tubagem. teremos por hora 313 l (14100kcal/h:45°C). colocadas em paredes ou instaladas em caleiras.5 9. Na instalação de canalizações de água quente assume particular importância as dilatações e contracções das tubagens. embainhadas ou embutidas.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Um termoacumulador a gás com a potência de 14. bem como a qualidade e conforto que se espera do sistema. tês. As canalizações não embutidas são fixas por braçadeiras espaçadas em conformidade com as características de material.6. caleiras ou tectos falsos. recomendando-se 0. o que se traduz num consumo instantâneo menor de gás. etc.4 Sistemas de distribuição de água quente com recirculação A implementação em edifícios dos sistemas de distribuição com retorno de água aos aparelhos de produção exige alguma atenção pelas economias de água e energia que podem proporcionar. o tipo de tubagem e a temperatura ambiente nos locais em que circulam.1 Aspectos gerais O traçado das canalizações deve ser constituído por troços rectos. Para tubos metálicos. 5 . Deve-se ter em consideração que as perdas de calor na tubagem variam consoante o tipo de isolamento. devendo ser sempre protegidas de acções mecânicas e isoladas termicamente quando necessário. A potência deste termoacumulador é inferior à de um esquentador de 10 l/min (14100kcal/h=235kcal/min). em galerias.6 Traçado 9.Distâncias máximas sem retorno DIÂMETRO E DISTÂNCIA MÁXIMA SEM RETORNO d (mm) 15 (1/2'') 20 (3/4'') 25 (1'') 32 (1¼'') 40 (1½'') l (m) 50 30 15 10 7. 4 . horizontais e verticais. As canalizações interiores da rede predial de água fria ou quente podem ser instaladas à vista. Diâmetro DN 15 DN 20 DN 25 Locais n/ aquecidos Tubos isolados 16 23 27 Locais aquecidos Tubos isolados 13 16 22 Fig.Distribuição de água quente com recirculação 147 .5.100 kcal/h e considerando o diferencial térmico de 45°C entre a temperatura de água fria e de água quente acumulada. Por outro lado. com vantagem económica e conforto. A rede de distribuição deve ser dimensionada até à última derivação pelo método de dimensionamento definido pelo regulamento. Seguidamente. nomeadamente na instalação de juntas e no tipo de braçadeiras a utilizar. ligados entre si por acessórios apropriados. Como distâncias meramente indicativas para que se deva ponderar a hipótese de adoptar. válvulas. a consulta e análise das curvas características das bombas é fundamental. consideraram-se aceitáveis os valores seguintes para perdas de calor em kcsl/h por metro linear de tubagem. A exigência de acessórios pode ser dispensada nos casos em que se utilizem canalizações flexíveis. Fig. o circuito de recirculação ou retorno apresenta-se o quadro seguinte: 9. com vista à sua selecção.

1 Torneiras e fluxómetros Fig. com materiais não metálicos.7.6. incombustíveis e resistentes à humidade. do mesmo material. d) O assentamento de canalizações não embutidas ser feito com suportes de material inerte.2 Isolamento das canalizações As canalizações de água quente. sempre que possível.7 Elementos acessórios da rede 9. devendo para o efeito: a) As canalizações metálicas da rede serem executadas. mas também em zonas de baixas temperaturas as de água fria. 9. preferencialmente. b) Embutidas em elementos estruturais. paralelamente às canalizações de água fria e acima destas.2 Válvulas As válvulas devem ser colocadas em locais acessíveis por forma a permitir a sua fácil manobra e manutenção. o material mais nobre ser instalado a jusante do menos nobre. sempre que possível. f) As canalizações metálicas serem colocadas.7. quando de pequeno comprimento. c) O assentamento de canalizações metálicas de redes distintas ser feito sem pontos de contacto entre si ou com quaisquer elementos metálicos da construção. imputrescíveis. A distância mínima entre canalizações de água fria e de água quente é de 50 mm.6. de preferência com o mesmo material. e) Em espaços pertencentes a chaminés e a sistemas de ventilação. 9. c) Embutidas em pavimentos. devem ser sempre isoladas com produtos adequados. e) O atravessamento de paredes e pavimentos ser feito através de bainhas de material adequado de nobreza igual ou próxima inferior ao da canalização. 148 . com ou sem revestimento cromado. ou de material de nobreza próxima inferior. procedendo-se ao seu isolamento por juntas dieléctricas. excepto quando flexíveis e embainhadas. Devem ainda ser consideradas medidas destinadas a atenuar os fenómenos de corrosão. 6 . As torneiras e fluxómetros devem ser colocados em locais acessíveis. não embutidas. d) Em locais de difícil acesso. ou de outros materiais que reunam as necessárias condições de utilização. cobre ou aço inoxidável ou outros adequados e aprovados. As tubagens e acessórios que constituem as redes interiores de água fria podem ser de aço galvanizado.Isolamento térmico de canalizações As canalizações e respectivos isolamentos devem ser protegidos sempre que haja risco de condensação de vapor de água. PVC rígido. As torneiras e os fluxómetros podem ser de latão. não corrosivos.3. Valores de espessura de isolamento recomendados 9. h) As canalizações enterradas serem executadas. Podem não ser isoladas as derivações para os dispositivos de utilização e respectivos ramais de retorno. por forma a permitir a sua fácil manobra e manutenção. Execução das redes prediais As canalizações de água quente devem ser colocadas. ferro fundido. As canalizações não devem ser instaladas nas seguintes condições: a) Sob elementos de fundação. g) Ser evitado o assentamento de canalizações metálicas em materiais potencialmente agressivos. b) No caso de materiais diferentes.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. de infiltrações ou de choques mecânicos.

) SECCIONAMENTO Impedir ou estabelecer À entrada: a passagem de água .M. como entidade responsável pelo sistema de distribuição pública de água.Purgadores de água A montante e a jusante: .Máquinas lavar roupa . na zona de entrada ou em zonas comuns consoante se trate de um ou de vários consumidores. .Perdas de carga em contadores REDUTORA DE PRESSÃO É obrigatório instalar um contador por cada consumidor. os contadores devem localizar-se: a) No logradouro junto à zona de entrada contígua com a via pública. b) A pressão de serviço máxima admissível.dos ramais de distribuição das instalações sanitárias e das cozinhas A montante: .Acumuladores de água quente . parâmetros que determinam a definição do contador: a) As características físicas e químicas da água. O espaço destinado ao contador ou bateria de contadores e seus acessórios deve obedecer aos esquemas tipo apresentados pelos SMAS.Equipamento produtor de água quente .Autoclismos . ou outros e serem de material de nobreza igual ou tão próxima quanto possível do material das tubagens em que se inserem.De qualquer rede não destinada a fins alimentares e sanitários SEGURANÇA Manter a pressão Na alimentação de abaixo de determinado aparelhos produtores valor por efeito de .Contadores RETENÇÃO Impedir a passagem de A montante: água num dos sentidos .Aparelhos produtores . PERDAS DE CARGA EM CONTADORES (VALORES APROXIMADOS EM METROS DE COLUNA DE ÁGUA . . no caso de vários consumidores. A localização dos contadores é a seguinte: REGULAÇÃO Permitir regulação do caudal As válvulas podem ser de latão.7. Fig. no caso de um só consumidor. bronze. podendo estes ser colocados isoladamente ou em conjunto.Acumuladores de descarga água quente Manter a pressão abaixo de determinado valor com a introdução de uma perda de carga Nos ramais de introdução sempre que a pressão seja superior a 600Kpa e ou as necessidades específicas do equipamento o exijam. o calibre e a classe metrológica do contador a instalar.C. d) A perda de carga que provoca.Fluxómetros . uma bateria de contadores.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto TIPO DE VÁLVULA FINALIDADE É OBRIGATÓRIA A SUA INSTALAÇÃO: 9.Nos edifícios com logradouros privados. aço e PVC.Máquinas lavar louça . São. em zonas comuns ou no logradouro junto à entrada contígua com a via pública. contudo. Contadores É aos SMAS. garantindo-se a medição de todos os consumos. b) No interior do edifício. os contadores devem localizar-se no seu interior.Nos edifícios confinantes com a via ou espaços públicos. c) O caudal de cálculo previsto na rede de distribuição predial.A.3. 149 . deste modo.dos ramais de introem qualquer dos dução individuais sentidos . 7 . aquela que define o tipo. constituindo.

c) Leitura do manómetro da bomba. e) Enxaguamento final Abrir as torneiras pela ordem inversa da adoptada no enchimento. fechá-la e parar a injecção da solução desinfectante. de forma a libertar todo o ar nelas contido e garantir uma pressão igual a uma vez e meia a pressão máxima de serviço. 8 . de jusante para montante. repetindo a operação durante cerca de 2 horas. localizada tão próximo quanto possível do ponto de menor cota do troço a ensaiar. devem ser submetidos a uma operação de desinfecção com permanganato de potássio. antes de entrarem em serviço. para assegurar uma limpeza eficaz. até conseguir uma solução o mais homogénea possível. 150 . juntas e acessórios à vista. c) Introdução da solução desinfectante Fig.1 Verificação Todas as canalizações. f) Recolha de amostras Recolher amostras para análise laboratorial confirmativa da qualidade da água. d) Esvaziamento do troço ensaiado. convenientemente travados e com as extremidades obturadas e desprovidas de dispositivos de utilização. ou para qualquer outra rede predial interior. que não deve acusar qualquer redução.8. encher de novo e esvaziar. com a seguinte metodologia: a) Preparação da solução desinfectante Dissolver a quantidade de permanganato de potássio necessária (150 gramas por cada m3 de volume da rede a desinfectar) em água aquecida a uma temperatura entre 40°C e 45°C. O ensaio de estanquidade deve ser conduzido com as canalizações.8. b) Enxaguamento prévio da rede Esvaziar a rede através das torneiras de purga existentes nos pontos mais baixos. d) Período de contacto Manter a rede isolada durante um período de 48 horas.8 Verificação. período este que. em princípio. O processo de execução e interpretação do ensaio é o seguinte: a) Ligação da bomba de ensaio com manómetro. a fim de o desinfectante poder actuar. introduzir a solução desinfectante sob pressão com um caudal regulado em função do caudal do escoamento fixado (1 parte da solução para 9 partes da água em escoamento). Abrir. desinfecção e funcionamento hidráulico 9. b) Enchimento das canalizações por intermédio da bomba. deixando sair a água durante cerca de 2 horas. e de forma que não seja possível qualquer refluxo para a rede pública da solução desinfectante. Através do ponto de injecção. incluindo os respectivos reservatórios quando existirem.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. isto é. devem ser sujeitas a verificação e ensaios com o objectivo de assegurar a qualidade da execução e o seu funcionamento hidráulico. e que se encontrem previamente desinfectados os órgãos situados desde o ponto de injecção até ao ramal de ligação. O volume da solução deve ser de 1/10 do volume da rede a desinfectar. inclusive este. depois de equipados com os dispositivos de utilização e antes de entrarem em funcionamento. será suficiente para a lavagem final da rede. durante um período mínimo de 30 minutos.Instalação de contadores 9. A desinfecção da rede predial só deve ser feita depois de estabelecido e aprovado o ramal de ligação pela entidade responsável pelo sistema de distribuição pública de água. A verificação da conformidade do sistema com o projecto aprovado e com as disposições legais em vigor deve ser feita com as canalizações e respectivos acessórios à vista. Fechá-la de seguida e passar à seguinte. Quando a cor violácea aparecer na última torneira. em caudal razoável. com o mínimo de 900 kPa.2 Desinfecção dos sistemas Os sistemas de distribuição predial de água para consumo humano. de montante para jusante (do contador para as extremidades da rede) cada torneira até ao aparecimento da cor violácea. Esta operação deve ser feita na véspera do dia de início da desinfecção.

f) Cálculo hidráulico onde conste os critérios de dimensionamento adoptados e o dimensionamento das redes. As peças desenhadas devem ser apresentadas com formatos e dobragem concordantes com o estipulado nas Normas Portuguesas NP48 e NP49. b) Termo de responsabilidade do técnico autor do projecto. equipamentos e instalações complementares projectadas. Conclusão A concluir deixa-se a indicação dos elementos que devem instruir o processo de aprovação do projecto de redes prediais (Art. respeitando a Norma Portuguesa NP204 e contendo. g) Estimativa descriminada do custo. dirigido ao Director Delegado dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. dos diâmetros e inclinações das tubagens. h) Planta de localização fornecida pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. tipo da obra. k) Os elementos acima referidos serão apresentados em original e duas cópias para o referido nas alíneas b) a j). solicitando a aprovação do projecto. deve verificar-se o comportamento hidráulico do sistema por simples observação visual. 151 . Representação dos ramais de introdução de água e de águas residuais domésticas e Representação simplificada do colector predial. d) Documento donde conste as condições definidas pelo Batalhão Sapadores Bombeiros. na qual conste: Delimitação do terreno. no mínimo. o pedido de aprovação deve ser instruída com os seguintes elementos: a) Requerimento subscrito pelo promotor. Os caracteres alfanuméricos devem obedecer à Norma Portuguesa NP89. não excedendo as dimensões do formato A0. d) Número.3 Prova de funcionamento hidráulico Após os ensaios de estanquidade e a instalação dos dispositivos de utilização.º 304º). indicando se se trata de obra nova. da obra específica a executar. c) Documento do Município comprovativo da aprovação do projecto de arquitectura. paginadas e todas elas subscritas pelo técnico responsável pelo projecto. Todos os desenhos devem possuir legenda no canto inferior direito. e instalações complementares projectadas. Assim. e) Memória descritiva e justificativa. escalas e data. descrição do desenho.8. Indicação do corpo ou corpos que constituem as obras. descrição da concepção dos sistemas. c) Nome.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. quando for caso disso. qualificação e assinatura do autor do projecto. j) Representação esquemática axonométrica da rede de distribuição de água. onde conste identificação do proprietário. a seguinte informação: a) Designação e local da obra. f) Legenda específica das redes representadas. com indicação dos materiais e acessórios das canalizações. Edificações existentes no terreno. e) Especificação quando se trata de projecto de alteração. natureza. b) Identificação do proprietário. As peças escritas devem ser apresentadas dactilografadas ou impressas em folhas de formato A4. a preços correntes. i) Peças desenhadas dos traçados em plantas e cortes à escala mínima 1:100. designação e local da obra. de ampliação ou remodelação. se as houver. materiais e acessórios. dos órgãos acessórios e instalações complementares e dos respectivos pormenores que clarifiquem a obra projectada.

S. Editorial Faculdade de Arquitectura. Instalaciones. Edições Orion. 1995 152 . Moret. 2004 MACINTYRE. Victor M. Regulamento dos Sistemas Públicos e Prediais de Distribuição de Água e de Drenagem de Águas Residuais (Anotado). Editorial FEUP. RODRIGUES.. 1996 Regulamento Geral dos Sistemas Públicos e de Drenagem de Águas Residuais e Prediais de Distribuição de Água. Editorial FEUP.9 Referências bibliográficas BACELLAR.R.. H. 1997 CANHA DA PIEDADE. Archibald J. Porto.. Regras de Dimensionamento das Redes Prediais de Distribuição de Água Residuais Domésticas e Pluviais. LNEC. 2004 MEDEIROS. A. 1990 MIRANDA. 1995 PEDROSO. Segurança Contra Incêndios em Edifícios de Habitação. 2000 COELHO. Ramos.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. Instalações Hidráulicas e Sanitárias. Ed. 1998 MEDEIROS. Redes e Instalações em Edifícios. Porto. Manual de Instalações Hidráulicas e Sanitárias. Livros Técnicos e Científicos Editora Rio de Janeiro. Envolvente e Comportamento Térmico. Carlos. Amadora. Porto. e RORIZ. Climatização em Edifícios. Angel Luis. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil.. António Leça. Carlos. Instalações de Edifícios. 1998 MEDEIROS. Carlos.A. Barcelona. Luís F.. Amadora. A. Grupo Editorial CEAC. Edições Orion.

SISTEMAS DE ABASTECIMENTO PÚBLICO E PREDIAL EM LISBOA Autor: Ana Amélia Santos Engenheira Civil Responsável do Departamento de Novos Abastecimentos Área de Negócio de Distribuição EPAL . 153 .A.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. S.Empresa Portuguesa das Águas Livres.

154 .

Um dos objectivos primordiais da EPAL consiste na monitorização da qualidade da água em toda a extensão do seu sistema de abastecimento. detida a 100% pela AdP . SA é uma sociedade anónima de capitais integralmente públicos. visando a prestação de um serviço de qualidade com respeito pelos aspectos essenciais de ordem social e ambiental. afecta ao abastecimento domiciliário.Águas de Portugal. dispondo para o efeito de técnicos especializados nas áreas de microbiologia. de 26 concelhos da margem norte do rio Tejo. Para assegurar a qualidade da água. química orgânica e química inorgânica. • Área de Negócio de Distribuição responsável pela gestão e manutenção da Rede Geral de Distribuição.Das origens à torneira do consumidor A EPAL . Esta preocupação é de facto histórica e está comprovada pelo estudo analítico mais antigo (1791) que se conhece sobre as águas do sistema de abastecimento de água à Cidade de Lisboa.Águas de Portugal. bem como de equipamentos analíticos de última geração. o Laboratório Central da EPAL orgulha-se de ser um dos melhores laboratórios de análises de água do país e da Europa. Filtração. Actualmente. merecendo referência a sua participação em projectos de âmbito internacional. transporte e distribuição que se desenvolve ao longo de mais de 1 900 km. do concelho de Lisboa. colocando as suas capacidades ao serviço do interesse nacional. cuja gestão é da responsabilidade de duas Áreas de Negócio distintas: • Área de Negócio de Produção e Transporte responsável por todas as Captações. Pelo seu "know-how". esta é submetida a vários processos nas estações de tratamento: Pré-cloragem. correspondendo a área total abastecida a 5 443 Km2. Coagulação química e floculação/decantação. Remineralização e correcção de agressividade. no concelho de Lisboa. A EPAL é responsável por um sistema de produção. modernidade das tecnologias utilizadas. remonta a 1897.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa EPAL . Estações de Tratamento e Adutores. cuja missão é o abastecimento de água para consumo humano. na sua área de influência e eventualmente noutras áreas limítrofes. O primeiro registo de resultados de análises bacteriológicas à água pela antiga Companhia das Águas de Lisboa (CAL). 155 . que garantem a produção e o transporte de água. As preocupações da EPAL não se centram somente ao nível da quantidade de água fornecida. quer individualmente quer integrada no Grupo AdP . desde os recursos hídricos utilizados até ao ponto de entrega ao consumidor. mas principalmente ao nível da qualidade.6 milhões de pessoas. Origem e qualidade de água A EPAL abastece de água com qualidade cerca de 2. onde assegura o abastecimento domiciliário. qualidade dos serviços prestados e larga experiência. Mantém relações contratuais com cerca de 335 mil clientes directos.Empresa Portuguesa das Águas Livres. desempenha um papel fundamental para o desenvolvimento do sector da água quer nacional quer internacional. Equilíbrio e ajuste do pH e Desinfecção final com cloro gasoso.

156 .

cerca de 1 400 km de rede com diâmetros que variam entre os 80 e os 1500 mm. é constituída por 15 reservatórios.5 m ou mesmo superior. 9 estações elevatórias.2 Caracterização da rede de Lisboa Em Lisboa. designado Interáqua. Esgotada a capacidade máxima de transporte entre Vila Franca de Xira e Lisboa através dos três adutores existentes. quer por roturas casuais cuja reparação é assegurada por piquetes que actuam 24 horas por dia. quer por suspensões provocadas por obras de expansão ou renovação da rede. A experiência da EPAL ilustra os benefícios da adopção e divulgação de regras técnicas no âmbito interno. a fiscalização bem como a ligação à rede de distribuição de água de todos os sistemas prediais na cidade de Lisboa. reserva. aproximadamente.F. legislação. cujas capacidades de entrega a Lisboa são. ou seja. fiabilidade. localizados na cidade de Lisboa e para os quais se 157 . são registadas todas as intervenções possibilitando a criação de uma base de dados relacionados com a manutenção da rede. manual de redes prediais. Aqueduto Tejo. • Enquadramento legislativo. além de permitir localizar todas as condutas e órgãos da rede. Odivelas e Amadora. 35 mil m3/dia. É abastecida pelo Aqueduto Alviela. evidenciando como os resultados foram efectivamente melhorados. apesar de pouco significativo. tem-se verificado uma diminuição dos volumes utilizados dentro da cidade. a Rede Geral de Distribuição. e directamente parte dos concelhos limítrofes designadamente Loures. actualmente transitam pela rede de Lisboa com destino aos concelhos limítrofes. Adutor Vila Franca-de-Xira/Telheiras e pelo Adutor de Circunvalação. projectou-se a construção do Adutor de Circunvalação. com cerca de 1 400 Km. a qual se estende desde o nível do rio Tejo até cotas superiores a 170 m.1 Aspectos gerais O Sistema de Distribuição de água à cidade de Lisboa é um sistema complexo quer pela sua extensão. cuja gestão é da responsabilidade de duas áreas de negócio distintas: Área de Negócio de Produção e Transporte e Área de Negócio de Distribuição. Em certas situações especiais e nos casos de maiores diâmetros. eficiência e produtividade.chave: sistema de produção e transporte. Abril de 2001. a profundidade das condutas é de 2. 10. • A concepção global dos sistemas prediais em Lisboa.0 m de profundidade. abrangendo uma breve descrição do Manual da EPAL publicado em Fevereiro 2002. pressão. a Rede de Distribuição passou a estar sobre dimensionada face às suas necessidades. pretende também divulgar os aspectos relevantes dum serviço de interesse público de relevante impacto social. utiliza em média. As regras da EPAL no que se refere à elaboração dos projectos de redes prediais. elevação. sistema de distribuição. Palavras . Tejo e Adutor V. qualidade de serviço. 240 mil m3/dia e 60 mil m3/dia. quer pela acentuada orografia da cidade. respectivamente.2. É também da responsabilidade da EPAL a aprovação. Oeiras. A EPAL é responsável por todo um sistema de produção ("alta") e distribuição ("baixa") que se desenvolve por mais de 1900 Km. zonas de distribuição. Neste sistema.2 Concepção global dos sistemas de distribuição em Lisboa 10. satisfação do Cliente. processo de abastecimento. obra planeada de forma a abastecer os concelhos adjacentes desviando caudais da cidade de Lisboa. bem como divulgar os resultados alcançados com o estabelecimento dessas mesmas regras. atingindo 4 ou 5 m. segurança e qualidade do serviço. 360 mil m3/dia. melhoria contínua. Este sistema tem um interface com o sistema de gestão de clientes para identificar os clientes cujo abastecimento possa ser afectado. A maior parte das condutas encontra-se aproximadamente a 1. como sendo. Acrescente-se ainda que nos últimos anos. Em complemento. 260 000 m3 de água por dia. A partir da entrada em funcionamento deste último adutor.1 Introdução A presente comunicação pretende dar a conhecer: • A concepção global dos sistemas de distribuição em Lisboa. bem como no âmbito do serviço prestado ao requerente do processo de abastecimento. cerca de 11 mil válvulas com diâmetros nominais variáveis entre 150 e 1 000 mm e 93 mil ramais de ligação aos prédios.2. A rede de distribuição de Lisboa está digitalizada e reproduzida num sistema de informação geográfica. proporcionando o abastecimento domiciliário numa área de 83 km2 que alberga uma população de 564 mil habitantes residentes. Aqueduto Alviela. 10. organização. 70 000m3/dia de água para uma capacidade máxima efectiva de 300 000 m3/dia.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. Deste sistema depende cerca de 335 000 clientes com contrato. Em termos gerais.Xira/Telheiras. precioso auxiliar das equipas de manutenção. tratamento/qualidade de água.

e a informação processada pelo sistema de clientes que regista a água facturada.sistema integrado de medição. Este sistema de medição integrado tem como finalidade o acompanhamento da evolução de perdas de água.1 Princípios hidráulicos da rede Os principais princípios a ter em conta na Rede de Distribuição são: • Estabilidade das pressões nos pontos de abastecimento garantindo uma pressão mínima na soleira dos edifícios de 300 kPa e máxima de 600 kPa. Complementarmente tem-se em desenvolvimento um sistema de apoio à decisão . • Garantir a qualidade da água ao longo da rede. 1 . cujo investimento é na ordem dos 80 milhões de euros.2. • Reserva de água que garanta estabilidade no fornecimento e segurança em caso de incidentes.Esquema em planta representativo da rede de distribuição na cidade de Lisboa 158 . A Rede de Distribuição na cidade de Lisboa abastece os clientes em patamares altimétricos. • Existência de alternativas de abastecimento. com substituição da rede mais antiga. nomeadamente. 10.2. identificados por cores diferentes na figura seguinte: Reservatório Estação Elevatória Ponto de entrega 1 sentido Ponto de entrega 2 sentidos Fig. de modo a integrar e tratar a informação sobre volumes de água utilizada em determinada malha de rede. de 30 em 30 metros. por zona de abastecimento.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa A EPAL tem em curso um programa de renovação da rede.

Diagrama altimétrico representativo da rede de distribuição na cidade de Lisboa 159 . Cruz Fig. St. Os reservatórios que garantem o abastecimento das zonas altimétricas funcionam como reservatórios de extremidade e localizam-se aproximadamente 30 metros acima dos pontos de abastecimento mais elevados. bem como todas as interligações ao sistema de produção e transporte (distribuição em Alta). Esta localização permite garantir uma pressão na soleira do ponto de abastecimento entre os 300 kPa e os 600 kPa. no qual a água é elevada directamente para a rede de distribuição. da respectiva zona altimétrica. O sistema de distribuição de água da EPAL na cidade de Lisboa possui características muito próprias.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Na figura anterior são também identificadas as estações elevatórias e reservatórios que fazem parte integrante da rede de distribuição. 2 .

exceptuando alguns casos que pode ir até 12 bar.Reservatório do Pombal Rede (ZS) . nos últimos anos (desde 2002).2. galvânica. Em termos de exploração. Esses factores podem ser classificados da seguinte forma: • Condições hidráulicas da rede As pressões são um dos principais factores agressivos (pressões em regime hidráulico permanente e transitório). • Deterioração ao longo do tempo da tubagem e/ou das juntas e acessórios.Reservatórios do Contador-Mor E do Vale Escuro Rede (ZM) . ZS .Reservatório do Arco Rede (ZA) . tendo naturalmente ao longo da sua vida sido utilizados diversos materiais. ferro fundido dúctil e ferro galvanizado.Zona Baixa.2. e do fibrocimento continua sensivelmente a representar um maior peso. as alturas de elevação aproximadas para os diversos destinos.30 125 . ferro fundido cinzento.2 Caracterização dos materiais da rede O sistema da EPAL existe há mais de cem anos.2.Reservatório de Monsanto Reservatório da Amadora Olivais Rede (ZB) . betão pré-esforçado. principalmente na renovação da rede. No quadro seguinte pode-se observar. • Redução da secção útil dos tubos devido a incrustações.44 25 .3 bar. a entrada em funcionamento do Adutor da Circunvalação. para a sua degradação.2. tendo no entanto. cujo único destino é o reservatório de Monsanto. para cada estação elevatória existente na rede de distribuição.a) 10.4 Identificação dos factores agressivos Os tubos e acessórios estão naturalmente sujeitos a diversos tipos de factores agressivos que contribuem.Reservatório do Restelo Telheiras Rede (ZS) . A predominância do ferro fundido cinzento. no que se refere à diminuição de roturas: Barbadinhos Rede (ZB) .Reservatório de Telheiras Aqueduto do Alviela Reservatório de Monsanto 122 21 80 65 35 . salvo o caso da estação elevatória do Restelo. A má utilização em termos de paragens e arranques dos grupos.VARIAÇÃO DO NÚMERO DE ROTURAS ENTRE OS ANOS DE 2003 E 2004 Roturas Condutas DN ≤ 400 mm Condutas DN > 400 mm Roturas Em ramais Ano 2003 715 84 Ano 2003 1460 Ano 2004 534 49 Ano 2004 947 Variação -25% -42% Variação -35% Restelo Rede (ZA) . súbita ou continuada no tempo.Reservatório do Pombal Campo de Ourique Rede (ZA) . localizada. Jerónimo Rede (ZM) .3 Identificação das patologias mais correntes As patologias mais correntes em tubagens e acessórios assumem em geral as seguintes formas: • Roturas por acções de choque mecânico. através de mecanismos vários. com a retirada de caudais em trânsito na rede de Lisboa para os concelhos limítrofes. ferro fundido dúctil. acessórios e componentes utilizados na execução das uniões. sendo os principais: o aço. o ano de 2004 espelha já alguns resultados positivos. manobras de válvulas. ZA . • Roturas devidas a movimentos dos solos.2.Reservatório da Amadora Reservatório do Alto de Carenque (a) ZB . • Qualidade deficiente ao nível dos tubos. 10. polietileno de alta densidade. • Roturas devidas a aumentos das cargas externas transmitidas pelo solo. incorrecto dimensionamento/instalação dos grupos hidropressores poderão estar na origem de uma degradação mais rápida do sistema de abastecimento. numa média de 60 km/ano.Zona Alta.Zona Superior 160 .ALTURAS DE ELEVAÇÃO NOMINAIS NAS ESTAÇÕES ELEVATÓRIAS DA REDE DE DISTRIBUIÇÃO DE LISBOA Estação elevatória Destinos de elevação(a) Alturas de elevação aproximadas (m. • Corrosão generalizada.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10.2. fibrocimento. No caso da EPAL e dado o projecto de renovação de rede em curso. a tubagem e acessórios estão sujeitos a factores agressivos relativos às condições hidráulicas na rede que se traduzem em pressões máximas em regime permanente que não excedem em geral 8.Zona Média. ZM . Jerónimo Rede (ZA) . correntes vagabundas. vindo a aumentar a sua aplicação. o PEAD.c.Reservatório do Vale Escuro e de S.130 S. a melhoria da fiabilidade das reparações.Reservatório da Charneca Rede (ZA) .Reservatórios de Campo de Ourique e do Arco 92 38 59 96 32 80 45 61 QUADRO 1 . QUADRO 2 .

min V.Alcalinidade. degradam a tubagem afectando a qualidade da água.máx Zona Média V. de modo a evitar a ocorrência de sobrepressões é de 600kPa. em que se registam sismos fracos. do contacto da água com tubagens e acessórios de diferentes materiais. A cidade de Lisboa situa-se numa zona de sismicidade moderada. . 161 .9 8. quando atingem teores agressivos. assim como o valor máximo. Daqui resulta uma variabilidade das características da água aduzida. caracterizada pela ocorrência de sismos fortes. Os factores químicos da água transportada na rede.min V.6 7. que estão directamente relacionados com as suas características geotécnicas. resultante das extensões axiais e das curvaturas.máx Zona Alta V. as características da água distribuída são bastante semelhantes às da água aduzida.Resistividade.7 8.Efeitos da propagação das ondas sísmicas nas tubagens.min V.7 8.min V.9 8. .3 • Características químicas e físicas dos solos e das suas águas intersticiais A humidade do solo e a presença de sais dissolvidos são os factores que mais contribuem para a resistividade do solo. a água aduzida à cidade de Lisboa provém de três subsistemas distintos .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Mais especificamente no que se refere à concepção da rede de distribuição.Movimentos permanentes do terreno. o valor de pressão mínimo actualmente disponibilizado pela EPAL é de 300kPa.Concentração hidrogeniónica (pH).Cargas rolantes sobre o terreno. • Condições geotécnicas.7 6. que estão directamente relacionadas com o trânsito rodoviário e ferroviário. sendo o parâmetro identificado como relevante a deformação da tubagem. A título meramente informativo apresenta-se no quadro seguinte a concentração hidrogeniónica (pH) da água distribuída em Lisboa. .6 7.CONCENTRAÇÃO HIDROGENIÓNICA DA ÁGUA DISTRIBUÍDA EM LISBOA Parâmetro Zona Baixa V. A esta variabilidade há a acrescentar a que resulta QUADRO 3 . enquanto noutras reflectem as misturas de aduções diferentes. e conforme já mencionado. parâmetro que em geral é utilizado para caracterizar a corrosividade dos solos. separados por longos períodos de acalmia. . A título meramente informativo resumem-se os principais factores agressivos do solo para os tubos metálicos: . sísmicas e mecânicas Os factores relevantes que podem contribuir para que as tubagens enterradas possam sofrer danos são: . .Contaminação orgânica.Alviela. Tejo e Castelo do Bode (captações superficiais e subterrâneas). Da complexidade dos três subsistemas adutores a quatro zonas de distribuição resulta que em algumas zonas da cidade. como os assentamentos dos solos e sua liquefacção. . .máx Zona Superior V.min V.Cloreto.Sulfato.4 8.máx Concentração Hidrogeniónica (pH) 7. por zona de distribuição: • Características químicas das águas transportadas na rede Conforme já mencionado. .Correntes vagabundas.5 6.máx Reservatórios V.

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.00 VOLUME TOTAL (m³) 9 250 38 570 9 504 20 186 4 500 11 460 127 200 58 112 114 297 6 892 5 130 9 226 9 925 10 162 4 470 438 884 LEGENDA: Zona Limite .30 152.CARACTERIZAÇÃO DOS RESERVATÓRIOS EXISTENTES NO SISTEMA DE ABASTECIMENTO A LISBOA DESIGNAÇÃO ZONAS DE DISTRIBUIÇÃO GRAVIDADE BARBADINHOS OLIVAIS CONTADOR-MOR VALE ESCURO S.90 4.ZM ZM ZA BOMBEAMENTO ZB. encontram-se caracterizados no quadro seguinte: QUADRO 4 .90 2. JERÓNIMO ARCO C.ZS ZA.90 5.46 116.25 2.70 4.ZA ZB.ZS N.2.62 2. 3 .00 116.70 5.ZM Zona Alta .º 2 2 2 2 2 2 2 4 2 2 1 2 2 1 2 CÉLULAS COTA DE SOLEIRA 27.00 119.2 POMBAL 3 RESTELO CHARNECA I CHARNECA II MONSANTO TOTAL ZS ZA ZS ZS ZL ZA ZB ZB ZB ZB. OURIQUE TELHEIRAS I TELHEIRAS II POMBAL 1.00 12.27 126.38 122.2.ZM.72 90. 4 .60 5.ZA Zona Superior-ZS 162 .00 74.ZB Zona Média .10 152.90 5.30 57.5 Reservas de água Os reservatórios existentes e em serviço no sistema da EPAL de abastecimento à cidade de Lisboa.00 2.ZL Zona Baixa .10 171.44 ALTURA DE ÁGUA (m) 3.00 6.50 4.ZM.30 5.Distribuição das intensidades na cidade de Lisboa Fig.ZA ZA ZA. os quais funcionam também como reservas de água.66 17.Cenário sísmico de danos na cidade de Lisboa 10.43 92.00 68.

3. destinada 163 . Assim e dentro desta opção metodológica foi sentida a necessidade de iniciar um processo normativo conducente ao estabelecimento de uma base de informação padronizada. se determinadas medidas não fizerem parte das normas de exploração e.2.RELAÇÃO ENTRE A CAPACIDADE TOTAL DOS RESERVATÓRIOS E OS CONSUMOS MÉDIO DIÁRIO ANUAL. Manual de Redes Prediais da EPAL 10. previstos para os anos de 1995 e 2020.2.6 Estratégia de manutenção da qualidade da água A par com a necessidade de garantir duma forma optimizada as reservas adequadas de água no sistema para uma distribuição compatível com os consumos.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa A capacidade de reserva foi calculada atendendo às seguintes ocorrências: . PREVISTOS PARA OS ANOS DE 1995 E 2020 NECESSIDADES DE ÁGUA (m³/dia) 1995 (1) MÉDIO ANUAL MÊS MAIOR CONSUMO SEMANA MAIOR CONSUMO DIA MAIOR CONSUMO 438884 (2) 284413 327074 341295 369736 2020 (3) 284239 326875 341087 369511 COEFICIENTES (-) 1995 (1) / (2) 1. também é fundamental que seja garantida a qualidade da mesma água. técnicos responsáveis pela instalação das redes prediais de água e instaladores. 10. a reunir conceitos e regras.19 2020 (1) / (3) 1.34 1. . . apresentam-se as relações entre capacidade total e os consumos médio diário anual. se não forem verificados determinados critérios de concepção. de modo assegurar o cumprimento das regras definidas.falhas de adução por interrupções subsequentes a avarias no sistema de abastecimento de água ou cortes na alimentação eléctrica. para Lisboa: QUADRO 5 .54 1.19 TIPO DE CONSUMO CAPACIDADE TOTAL (m³) Verifica-se que a capacidade total excede as necessidades de água estimadas para esses anos.aumentos súbitos de pedidos na rede por razões de emergência. No quadro seguinte. além de envolver.1 Aspectos gerais É também da responsabilidade da Empresa a aprovação e a fiscalização das redes prediais na cidade de Lisboa.34 1. que permitissem uma capacidade de resposta mais oportuna e qualitativa. dirigido a projectistas.ajustamento dos caudais de adução aos pedidos na rede. mas sim um projecto há muito planeado. potencialmente. NA SEMANA DE MAIOR CONSUMO E NO DIA DE MAIOR CONSUMO.54 1. em particular combates a incêndios. NO MÊS DE MAIOR CONSUMO. Para com maior rigor avaliar a conformidade técnica dos processos de abastecimento foi publicado o Manual de Redes Prediais da EPAL.28 1. na semana de maior consumo e no dia de maior consumo.3 Concepção global dos sistemas prediais em Lisboa 10. opção que motivou à elaboração de um Manual. Esta preocupação prende-se com a possibilidade de deterioração da qualidade da água nos reservatórios. previamente estabelecidas e divulgadas. actuações de emergência. o qual não é uma ideia recente. ainda.29 1. no mês de maior consumo. Os procedimentos de exploração integram rotinas de inspecção e de manutenção.

10. considerando-se o referido Manual como um complemento da documentação técnica já existente na EPAL.Elaboração e circuito dos processos de abastecimento Tem como objectivo definir as regras para a elaboração e constituição de um processo de abastecimento. assim como a descrição do seu circuito. Após a constituição de um processo de abastecimento. permitindo assim um desenvolvimento mais célere dos processos de abastecimento.3. embora numa opção técnica condicionada pela normalização nacional existente. A consulta do fluxograma a seguir representado. para emissão de parecer. de acordo com o estabelecido no capítulo II. compatíveis com os conceitos vigentes na EPAL. este deve ser entregue. na EPAL. Dimensionamento Anexos A Terminologia B Simbologia C Documentos e Elementos Técnicos Constantes dos Processos de Abastecimento D Esquemas de Instalação e Execução E Legislação e Normalização Aplicáveis F Referências Bibliográficas. desde a sua entrega nos Serviços da EPAL.3.3 Descrição dos capítulos estruturantes do Manual 10.2 Estrutura do Manual de Redes Prediais A estrutura do Manual é constituída pelos seguintes capítulos e anexos: I. sendo particularmente desenvolvidos os primeiros. Elaboração e Circuito dos Processos de Abastecimento III. pois procura apresentar uma visão global conducente à obtenção de soluções que contornem os problemas detectados nos projectos de redes prediais. O conteúdo do documento não pretende ser exaustivo e de modo algum dispensa a consulta de toda a regulamentação em vigor. Generalidades II. ou seja. Concepção de Projecto e Disposições Construtivas IV. 164 .3.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa No Manual de Redes Prediais são abordados aspectos de concepção e execução. o que conduz a prazos de resposta mais reduzidos.3.3.3. até à fase de celebração de contratos de fornecimento de água. por serem aqueles que conferem aos projectos a sua verdadeira potencialidade em termos de "linguagem técnica". permite uma optimização dos recursos utilizados pela EPAL na fase de análise dos mesmos. 10. Uma correcta elaboração dos processos de abastecimento. evidencia todo o circuito de um processo de abastecimento no seu desenvolvimento mais longo. deveres e responsabilidades das diversas partes intervenientes. permitindo aos interessados a apresentação de processos de abastecimento.2 Capítulo II . Na assunção deste pressuposto recomenda-se que sejam respeitadas todas as indicações consignadas no documento. Subsidiariamente poderá também constituir elemento de consulta para instaladores.Generalidades Abordagem de aspectos gerais tais como a Legislação e Normalização. mas tem como objectivo transmitir as regras que esta Empresa considera pertinentes.1 Capítulo I . com entrega de alterações ao nível da análise e da fiscalização: 10.

Fluxograma de um processo de abastecimento 165 . 5 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.

seja na fase de análise ou/e na fase de fiscalização. no que respeita a alterações entregues. órgãos e equipamentos instalados na via pública.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa O fluxograma anteriormente apresentado poderia ser muito simplificado se todo o processo não tivesse que passar por frequentes e diferentes análises do mesmo. permitindo assim um desenvolvimento mais célere dos processos de abastecimento. 7 Ramal de Ligação Canalização que liga a Rede Geral de Distribuição à rede predial.Redes prediais. 8 Torneira de Suspensão do Ramal Válvula que regula o fornecimento de água ao prédio. 6 . responsabilidades de manutenção e recomendações. para serviço de uma propriedade. nomeadamente no que respeita à caracterização dos deveres. 9 Rede Geral de Distribuição Sistema de canalizações. Fig. É recomendável ainda que sejam respeitadas todas as indicações consignadas no documento. Responsabilidades de manutenção 166 . ou a bocas de incêndio e marcos de água.

Nos casos em que este valor seja ultrapassado deve ser instalada válvula redutora de pressão. Como entidade responsável pelo fornecimento de água para consumo humano. A adopção desta solução pressupõe que embora se recorra à pressurização. É ainda de interesse apresentar uma síntese das soluções de abastecimento predial permitidas pela EPAL: a) Fornecimento totalmente gravítico. assim como o valor máximo. deverá ser prevista a instalação de equipamento de pressurização.3. de forma a evitar a ocorrência de sobrepressões (>600kPa). na rede geral de distribuição de água. quer as boas condições do fornecimento no que concerne à pressão e caudal nos dispositivos de utilização.Concepção de projecto e disposições construtivas O capítulo III tem como objectivo definir as linhas orientadoras a adoptar na concepção global dos sistemas prediais de abastecimento de água. a pressão da rede geral de fornecimento deve ser aproveitada. A concepção dos sistemas prediais deve assim garantir. quer a manutenção dessa mesma qualidade. assim como indicar quais as disposições construtivas preconizadas pela EPAL.3 Capítulo III .Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema misto gravítico e pressurizado Fig. 7 . a EPAL assegura a qualidade da mesma na sua rede geral de abastecimento. constituído por grupos de velocidade variável e tendo em conta o especificado no Manual.Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema simples gravítico 167 . em que a pressão mínima disponibilizada no ramal de ligação é suficiente para garantir as boas condições de fornecimento a todos os locais do edifício a serem objecto de contratos de fornecimento: b) Através de equipamento de pressurização directa. Quando o valor mínimo não for garantido. levando a que existam sempre que possível.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. pelo menos dois andares de pressão (gravítico e pressurizado): Fig. disponibilizado pela EPAL. 8 .3. Mais especificamente no que diz respeito às pressões deve ser tido em atenção o valor de pressão mínimo. actualmente de 300kPa.

10 .Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema misto gravítico e pressurizado e abastecimento ao serviço de incêndio a partir de depósito 168 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa c) Fornecimento efectuado a partir de depósito dotado de equipamento de elevação. exclusivamente para o sistema de incêndio e situações especiais: Situação I Situação II Fig.Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema misto gravítico e pressurizado e abastecimento directo à rede de incêndio e rede sprinklers Fig. 9 .

constantes no Manual.Consiste na compilação dos termos instituídos pela EPAL mais utilizados neste Manual. O dimensionamento dos Sistemas Prediais de Abastecimento de Água é efectuado de forma faseada através de um processo iterativo.Dimensionamento Após a fase de concepção do projecto da rede predial de água. consistem: A Terminologia .5 Anexos Os anexos.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Situação III é responsável pelos valores neles apresentados e sua validade. Fig. quadros de apoio. se forem detectadas irregularidades.. a título meramente exemplificativo. já anteriormente mencionados. tal como as minutas tipo.3.Apresentação dos símbolos a utilizar na elaboração das peças desenhadas dos projectos de redes prediais.3. são componentes fundamentais do projecto da rede predial. tabelas e referências bibliográficas.Elaboração e Circuito dos Processos de Abastecimento". No capítulo IV são apresentados alguns métodos de dimensionamento para cada situação. O projectista Relativamente ainda ao Anexo D. etc. 10. nomeadamente no que concerne aos diâmetros das tubagens e determinação das características dos equipamentos electromecânicos. onde se definiu o traçado das canalizações. valores de velocidades de escoamento e de pressão disponível nos dispositivos de utilização.4 Capítulo IV .3. B Simbologia . estando o projectista livre de apresentar outros métodos desde que devidamente fundamentados.Compilação de diversas indicações de carácter normativo relativas a alguns aspectos construtivos das redes prediais. uma vez que se determinam entre outros. Os cálculos justificativos. C Documentos e Elementos Técnicos Constantes dos Processos de Abastecimento . A fase de dimensionamento funciona ainda como prevenção e detecção de erros de concepção. ou se os mesmos se encontrarem incompletos devem ser apresentados novos cálculos.Listagem não exaustiva de documentação. salvo se indicado. apresentam-se nas seguintes figuras. é necessário efectuar o dimensionamento das canalizações. através da apresentação de ábacos.Inclui as referências do "Capítulo II . E Legislação e Normalização Aplicáveis . algumas das principais disposições construtivas relativas às redes prediais. os mesmos não são vinculativos. sendo sempre obrigatória a sua apresentação. previsto na legislação) D Esquemas de Instalação e Execução . relativos ao dimensionamento. No entanto. 169 . a escolha dos materiais a utilizar e a selecção dos órgãos e dos equipamentos. F Referências Bibliográficas.Diagrama de abastecimento às redes prediais e serviço de incêndio a partir de depósito contabilizado a montante (condição excepcional para Hotéis e Hospitais. 11 .3. 10. no entanto. possibilitando o controlo dos parâmetros relativos aos níveis de conforto e desempenho dos sistemas. encontrando-se organizada por ordem alfabética.

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.Instalação de contadores em bateria 170 . 12 .

Instalação de contadores em caixa enterrada até DN 40 171 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig. 13 .

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig. 14 .Instalação de contadores em caixa enterrada a partir de DN 50 172 .

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.Instalação de ponto de ligação flangeado 173 . 15 .

Pontos de ligação roscados 174 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig. 16 .

3. tendo em conta que a lei vigente obriga que as respostas sejam emitidas dentro de um período de 20 dias úteis. Instaladores e Donos de Obra. Na figura seguinte pode-se observar em percentagem. a seguir.000 2. foram desenvolvidos e implementados dois novos folhetos.3. de resultados do exercício da área de Novos Abastecimentos entre 2000 e 2004. Fig. pelo que as mesmas serão sempre bem vindas.Gráfico comparativo da variação relativamente ao tempo de resposta aos processos de abastecimento 10. tendo-se obtido um equilíbrio maior entre a análise e a fiscalização dos processos de abastecimento. facilitando os procedimentos de fiscalização e de execução da obra. durante o ano de 2004. no entanto. Empreiteiros. no início de 2002.5. nos quais se reflecte de alguma forma o contributo do Manual. é com satisfação que já se distribuíram mais de três centenas de exemplares.000 3. No início de 2003 foram editados mais dois novos folhetos designadamente. notando-se que os projectos registam algumas melhorias ao nível da sua concepção e apresentação. todas as opiniões. "Instalação de contadores em caixa" e "Contador de obra". por vezes. a quantificação do número de processos de abastecimento de 2004.000 Mês/Ano Dez-00 Dez-01 Dez-02 Dez-03 Dez-00 Dez-01 Dez-02 Dez-03 Set-04 Situação 0 Set-04 Em curso Pendentes da EPAL Pendentes de Clientes 10.3. sendo. Também sempre que os colaboradores detectam erros sistemáticos. No entanto. quadro e figuras. Nº de Processos 6. principalmente através dos comentários construtivos. a dinâmica dos diferentes serviços melhoraram.5 Resultados práticos 10. efectuou-se uma contabilização dos tempos de resposta dos processos de abastecimento. também tem sido mais positiva. sendo eles: "Elaboração e circuito dos processos de abastecimento" e "Condições técnicas de instalação de contadores em bateria".000 5. ou seja. no exterior.1 Divulgação da documentação Aquando da disponibilização do Manual de Redes Prediais em Fevereiro de 2002.17 . sempre que os indicadores apresentam desvios.000 1. 18 . Estas publicações servem actualmente de apoio ao Manual. verificando-se em obra que o mesmo tem ajudado na implementação de algumas regras de construção. relativamente ao tempo de resposta. sendo este um documento dinâmico.3.000 4.2 Quantificação dos processos de abastecimento e dos resultados práticos A título informativo. demonstrando o reconhecimento e interesse por parte de Projectistas. 65% < 5 dias entre 5 e 20 dias entre 20 e 40 dias mais que 40 dias 5% 5% 25% Fig. consegue-se obter a percepção da evolução da qualidade do serviço e a identificação das áreas de melhoria do ponto de vista do mercado.Gráfico comparativo da variação do número de processos em curso e pendentes na EPAL entre o ano de 2000 e o ano de 2004 No que se refere ao nível de serviço. serão de especial interesse para o enriquecimento técnico das futuras edições. estes são analisados e adoptadas acções correctivas para impedir a sua repetição. feitas algumas sugestões de melhoria que têm sido apontadas e que serão devidamente estudadas no intuito de virem a surtir efeito em revisão com vista a uma futura emissão.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. passado dois anos e meio da sua publicação. são introduzidas acções correctivas. O objectivo que originou a elaboração e publicação do documento começa agora a dar mostras de estar a ser concretizado.4 Outras publicações complementares Paralelamente à edição do referido documento. Internamente. a EPAL tinha uma perspectiva de distribuição entre os 90 e os 100 exemplares até ao final do ano. não só da Cidade de Lisboa como de outras zonas do País. Através deste tipo de controlo. bem como na execução de ramais de ligação e instalação de contadores. apresentam-se. A imagem.5. 175 .

S. no entanto esta Empresa sempre fez questão de orientar-se pelos Regulamentos e Decretos-Leis vigentes: Decreto Regulamentar nº 23/95. parágrafo 2. No Decreto-Lei nº 230/91 de 21 de Junho.A.". de 21 de Fevereiro . de 24 de Julho de 1944. e no Artigo 8º. (EPAL). é mencionado também o seguinte:" Sem prejuízo da aprovação de um novo regulamento aplicável à EPAL. S. 2 de Março . é mencionado que: "A EPAL. pelas normas de direito privado aplicáveis às sociedades anónimas e pelas normas especiais. conclui-se assim que a EPAL se encontra numa situação de excepção. S. Com efeito.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Esta atitude permite a melhoria sistemática dos processos e. Decreto-Lei nº64/90. face alguma da legislação actualmente aplicável a todo o país. não é afectado pelo disposto no presente diploma". parágrafo 2.A. cuja aplicação decorra do objecto da sociedade. de 24 de Julho de 1944 e suas alterações entretanto publicadas. os consumidores directos continuam a reger-se pelo disposto no regulamento aprovado pela portaria nº 10 716. tanto a EPAL como os agentes externos da área. de 21 de Junho.. como tal. de 23 de Agosto . facilitando a implementação de regras instituídas na empresa e aumentando a interacção com o exterior.Regime Jurídico de Empreitadas de Obras Públicas. Pelo anteriormente exposto. rege-se pelo presente diploma. na sua redacção actual". beneficiam com a publicação deste documento. Decreto-Lei 320/2001 e 272/2003 (segurança). com o qual os serviços se regem.4 Enquadramento legislativo A EPAL possui um regulamento geral de abastecimento de água que foi posto em vigor pela portaria nº 10 716.A. Regulamento de Segurança e Acções para Estruturas de Edifícios e Pontes. presentemente. 10. relativo à Empresa Portuguesa de Águas Livres. Pode-se concluir que. do qual se espera no futuro vir a reflectir-se numa melhoria qualitativa e quantitativa. pelos seus estatutos. assegura a conformidade do serviço fornecido ao Cliente. 176 . Decreto-Lei nº59/99. o que constitui uma contribuição positiva para a concretização do objectivo inicialmente pretendido com este projecto. o artigo nº 31 do Decreto-Lei nº 207/94 estabelece que: "O regime estabelecido no Decreto-Lei nº 230/91. no Artigo 1º.Aprova o Regulamento Geral dos Sistemas Públicos e Prediais de Distribuição de Água e Drenagem de Águas Residuais.Aprova o Regulamento de Segurança contra Incêndio em Edifícios de Habitação. Regulamento de estruturas de Betão Armado e Pré-esforço.

Relatório Final. " Especificação de materiais para a rede de abastecimento da água da EPAL" . " Manual de Redes Prediais". 177 .5 Referências bibliográficas " Plano Geral da Rede de Distribuição de Água a Lisboa e do Abastecimento aos Concelhos limítrofes" .elaborado pela Empresa Aquasis para a EPAL. 2001. EPAL.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. elaborado pelo LNEC para a EPAL.Relatório 254/99-NES. Setembro 1997 .

178 .

POLIVALÊNCIA E ECONOMIA Autor: José Beltrão Professor Catedrático. Universidade do Algarve. Faro 179 .Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. Polivalência e Economia 11. FERN. SISTEMAS DE REGA SOB PRESSÃO: EFICIÊNCIA.

180 .

com centros de investigação nacionais e internacionais. hoje. Para além dos docentes integram a Faculdade mais de 25 funcionários e. Inicialmente adoptou a designação de Unidade de Ciências e Tecnologias Agrárias . Tendo nascido do sonho de poucos e da vontade de muitos. em 1993. por exemplo. No ano de 2003 a Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais estava envolvida em mais de 30 projectos de investigação.especialidade de Marketing e Comercialização. 3 salas de informática e 4 salas de estudo propiciam as adequadas condições de trabalho para os docentes. Engenharia de Recursos Naturais. e com empresas da região e do país. Um edifício recém inaugurado. Hotelaria e Turismo.UCTA e assumiu a responsabilidade do ensino da licenciatura em Hortofruticultura. A FERN é constituída hoje por mais de 50 docentes.Economia. de 26 de Dezembro. Ciências Humanas e Sociais. Nas proximidades está localizado o Horto Experimental de Gambelas. de dois Campus .Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. integra a Rede de Universidades Portuguesas de Ensino Agronómico . trabalho. Ciências do Mar e Ambiente. que proporcionam excelentes condições de estudo. Tecnologia e Saúde. e foram iniciadas as licenciaturas em Engenharia Biotecnológica. Biotecnologia e Agricultura Sustentável).Educação. Em 1998. Polivalência e Economia A Universidade do Algarve A Universidade do Algarve. como não podia deixar de ser.RUPEA e tem numerosos e abrangentes protocolos de colaboração. Por exemplo. 33 laboratórios. investigação e socialização aos cerca de 10 000 estudantes. A FERN . cedo se alçou de instalações provisórias a espaços amplos. com a reestruturação de toda a Universidade do Algarve. alunos e funcionários. após a criação da Universidade do Algarve. As duas licenciaturas de Engenharia estão reconhecidas pela Ordem dos Engenheiros. Recursos Hídricos. Entre 1982 e 1998 a então UCTA foi crescendo e alargando os seus horizontes. Em 1992 integrou o 'grupo internacional' de oito universidades que lançou e coordenou o Mestrado em Hortofruticultura . resultou da união das duas instituições previamente existentes: a Universidade do Algarve.e de dois Pólos .Portimão e Vila Real de Santo António -. 700 docentes e 400 funcionários que gravitam no seu universo. Engenharia Biotecnológica. foi constituído o Centro de Desenvolvimento de Ciências e Técnicas de Produção Vegetal . esta Faculdade inclui 46 gabinetes. mais de 700 estudantes. dispondo. com espaços ao ar livre e estufas.CDCTPV.especialidade de Marketing e Comercialização. tal como existe neste momento. cinco anos mais tarde. Gestão. Actualmente a Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais tem a responsabilidade de quatro licenciaturas (Engenharia Agronómica . No ano de 2003 A FERN diplomou 59 licenciados (35 em Engenharia Agronómica e 24 em Engenharia Biotecnológica) e já em 2004 surgem os primeiros licenciados em Arquitectura Paisagista.Penha e Gambelas . A Horto-fruticultura foi reestruturada e adoptou o nome de Engenharia Agronómica . situado no Campus de Gambelas. e Ciências e Tecnologia e quatro ESCOLAS SUPERIORES . Em 1991. de ensino e investigação. e com uma estação meteorológica automática. maioritariamente com o Grau de Doutor que asseguram o funcionamento regular das licenciaturas e mestrados.ramo Hortofruticultura. criado pelo decreto-lei n.Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais A Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais .ramo Hortofruticultura. 181 . com instituições universitárias portuguesas e estrangeiras. É também uma Faculdade integrada no mundo global que a envolve. 16 dos quais liderados por docentes seus.º 513-T/79. criada pela Lei n. Possui cinco FACULDADES .FERN surgiu em 1982.º 11/79 de 28 de Março e o Instituto Politécnico de Faro. e em Arquitectura Paisagista. as Unidades foram extintas e as Faculdades vieram substituir as anteriores estruturas. Arquitectura Paisagista e Agronomia) e de quatro mestrados (Horticultura .

182 .

No que respeita à economia energética dos vários sistemas de rega.Variação da água no solo na zona radicular (mm) ETa pode-se obter através da equação: ETa = ETo x kc Em que ETo . O valor aproximado do coeficiente cultural está definido para as culturas regadas para a máxima produção. considerou-se não só a origem da água de rega (recursos convencionais e não convencionais). considera-se a eficiência de rega como a componente de maior importância. 1997).como por exemplo o potencial de turgescência ou o termómetro infravermelho.Água de drenagem (mm) Es . através de fórmulas específicas (Doorenbos & Kassam. definida por: R + P = ETa + (Dr + Es . à atmosfera (Doorenbos & Kassam. além da rega de humedecimento. 1979. sendo neste caso utilizado um balanço hídrico específico (Vermeiren & Jobling.Água de rega. As relações entre as necessidades hídricas e os sistemas de rega foram estudados por Pereira (2004). mas também as várias utilizações dos sistemas de rega. 1980a.Evapotranspiração de referência (mm) kc . É muito complexo classificar com rigor os sistemas de rega.Infiltração Processos: Submersão permanente: Sulcos Rega subterrânea Regadeiras inclinadas Canteiros Planos inclinados Cavaletes Faixas Submersão Temporária: Caldeiras Simples Coroa circular 183 .1 Sistemas de rega por gravidade Há quem considere os métodos de rega como sinónimos de sistemas de rega. uma vez que neste caso o solo não é regado na sua totalidade.SISTEMAS DE REGA POR GRAVIDADE Método . blocos de gesso e outras. teoricamente o método diz mais respeito ao fenómeno físico predominante enquanto os sistemas têm mais que ver com o material. tipo de instalação e funcionamento.Ac) + ∆S em que: R .2. Universidade Técnica de Lisboa (Mayer. expressa através da dotação real de rega (mm) P . 1945). 1983. 1999): a) relacionadas com o solo . Esta equação do balanço hídrico (1) não é aplicável aos sistemas de rega de rega localizada (gota a gota e mini(2) (1) -aspersão). 1980) . 1986). QUADRO 1 . Polivalência e Economia 11. não se incluem outros parâmetros necessários quer ao planeamento. de acordo com Beltrão et al. sondas TDR. Contudo. O estudo das necessidades hídricas poderá também ser efectuado recorrendo a outras técnicas (Dasberg & Or. Allen et al.Evapotranspiração real da cultura (mm) Dr . Dado que a dimensão deste capítulo é limitada. com algumas actualizações introduzidos principalmente por Oron & Beltrão (1993) e por Raposo (1996 b). poderíamos dividir os sistemas de rega em sistemas de rega por GRAVIDADE (escoamento ou infiltração em superfície livre) e por PRESSÃO (escoamento em pressão). Uma das classificações adoptadas em Portugal é aqui apresentada no QUADRO 1 (Sistemas de rega por gravidade) e no QUADRO 2 (Sistemas de rega sob pressão).como por exemplo diferenças de potencial de água no solo (tensão de água no solo) através de tensiómetros. 1998) e aos seus efeitos combinados nas necessidades hídricas das plantas obtidas pela equação do balanço hídrico na zona radicular. outros tipos de utilização agro-ambiental. podendo ser obtido o seu valor directa ou indirectamente quando se verificam decréscimos da produção. Contudo. à planta (Taylor et al. variando com a cultura e o seu estado fenológico.Água de escorrimento superficial (mm) Ac ..2 Classificação dos sistemas de rega 11. e b) relacionadas com a planta .1 Introdução Este capítulo incidirá somente sobre os sistemas de rega e a sua relação com a polivalência e a economia energética. Foi extraída da extinta disciplina de Hidráulica Geral e Agrícola.coeficiente cultural. Para a caracterização deste complexo sistema será necessário o conhecimento de elementos de base e aplicados ao solo (Hillel.Água de ascensão capilar (mm). 1980b). tendo em vista. ou de modelos dinâmicos de produção (Jones & Kiniry. Ao falar-se de polivalência. indica-se nas referências bibliográficas os trabalhos que deverão ser consultados. No que respeita a polivalência e a economia energética dos sistemas de rega.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. 1979) e de funções de produção (Shalhevet e tal. Beltrão et al.. 1981). com uma subdivisão em processos de rega. por haver situações híbridas e combinadas.Submersão Processos: Regadeiras de nível Processos: Método . difíceis de definir.Escorrimento Método .(1996) ∆S . do Instituto Superior de Agronomia.Precipitação (mm) ETa . Estes outros parâmetros serão definidos através das componentes do sistema dinâmico SPAC (soil-plant-atmosphere-continuum).. quer à gestão dos sistemas de rega. 11.

11. 4) maior economia de água.2 Sistemas de rega sob pressão 11. embora a sua utilização em Portugal seja relativamente pequena. abertos entre as linhas das plantas.1 Aspersão (instalações estacionárias e semoventes) Os sistemas de rega sob pressão são apresentados no QUADRO 2. como prevenção contra a gomose basal. Dentro dos sistemas de rega por gravidade é o dos sulcos o mais empregado em Portugal. 2) permite mais facilmente controlar a dotação de rega. submersão e infiltração diz respeito ao fenómeno físico predominante observado durante a rega. contudo.Instalação de rega por aspersão estacionária completamente fixa num campo de golfe (Rosado. fertirrega mineral e orgânica. 2002). Os fenómenos físicos predominantes são para a rega por aspersão e para a rega localizada. Os canteiros são utilizados em Portugal principalmente nos arrozais.2. rega qualitativa). tendo sido substituído nas explorações intensivas por sistemas de rega localizada. 2). 184 . incluem a rega por sulcos e a rega subterrânea. 6) geralmente maior produção. nas laranjeiras. Contudo ainda se utiliza no norte de Portugal. Na rega subterrânea. As caldeiras são de submersão temporária. As instalações de rega por aspersão podem ser divididas em instalações de rega estacionárias e semoventes. 7) menores problemas de erosão do solo. a uniformidade e distribuição de água é mais elevada. Fig. Este sistema é utilizado em culturas dispostas em linhas. e por fim as instalações fixas caracterizam-se pelo facto de toda a tubagem ser completamente fixa. utiliza-se a ascensão capilar da água. as instalações móveis são aquelas em que não há qualquer parte da tubagem fixa. a caldeira disposta em coroa circular. em zonas de maiores declives. 5) normalmente maior economia de mão-de-obra. No caso dos sistemas de rega por escorrimento.2. 1 . este sistema de caldeiras é apenas hoje utilizado em pequenas explorações. actualmente. a água escorre por todo o terreno a regar. 8) maior polivalência das instalações (combate às geadas e altas temperaturas. a aspersão e a infiltração. o sistema de rega por regadeiras de nível. as simples eram utilizadas antigamente para regar por submersão temporária as árvores de fruto.Instalação de rega por aspersão estacionária semi . As principais vantagens e inconvenientes da rega por aspersão em relação à rega por gravidade são as seguintes: Vantagens: 1) não necessita a preparação do terreno (nivelamento e armação) necessária nos sistemas de rega por gravidade. respectivamente.2.fixa Fig. humedecendo o solo por infiltração. Polivalência e Economia A classificação em escorrimento. em que se utiliza a infiltração como fenómeno físico predominante. As instalações estacionárias são caracterizadas pelo facto de os aspersores ocuparem posições fixas no solo. infiltrando-se no solo. sendo a água de rega distribuída nos sulcos. proveniente da toalha freática artificial ou através do controlo de uma toalha natural. nas semi-fixas parte da tubagem é fixa e parte móvel (Fig. sem haver a necessidade de mudança de tubos (Fig. 1). mantendo-a a uma profundidade conveniente. Actualmente apenas tem interesse o sistema por rega por faixas pois é o único que permite a mecanização. 2 . Os sistemas de rega por gravidade. 3) caso a velocidade do vento seja nula ou baixa (< 2 m s-1).Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. sendo neste caso a submersão permanente. A rega por submersão pode ser permanente e temporária.

2 Localizada (rega por miniaspersão e gota a gota . enquanto a água é distribuída.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. com movimento de rotação e de translação (ex.: Center-pivot). os sistemas de rega sob pressão seriam os que teriam maior interesse para aplicação nas regiões mais áridas durante o Verão. 7) dificuldade (penoso para os operadores) para as mudanças de tubagens nas instalações móveis em solos de textura fina. 6) maior eficiência da fertirrega e pestirrega. forragens. As principais vantagens e inconvenientes das instalações semoventes em relação às instalações estacionárias são: Vantagens: 1) Evitam as mudanças dos aspersores. Destes. Inconvenientes: 1) Consumos de energia mais elevados (funcionam a pressões de serviço muito mais elevadas). Polivalência e Economia Inconvenientes: 1) consumo de energia muito elevado. culturas industriais e culturas hortícolas ao ar livre) e a rega localizada (pomares. 1985): Vantagens: 1) grande economia de água. menor caudal e menor pressão de serviço. espaços verdes e campos de golfe.: Canhão automotor) e mistas. devido ao seu elevado consumo de energia (QUADRO 7). menos infestantes.Semoventes Rotação Translação Mistas As instalações semoventes incluem aquelas em que os aspersores (além do movimento e rotação própria) se deslocam ao longo da superfície do solo. através de tensiómetros). 185 . a escolha dos sistemas de rega de maior interesse para aplicação está dependente da região e da cultura a regar.Aspersão Processos: Aspersão . por humedecimento da parte aérea das plantas. aplicam-se geralmente instalações semoventes center-pivot. não permitindo tão facilmente o desenvolvimento de doenças. região de clima árido durante o Verão os sistemas de rega mais interessantes seria a rega por aspersão (Milho-grão.Infiltração Processos: Em relação aos sistemas de rega supracitados. 3) custo das instalações elevado. QUADRO 2 . devido à rega da parte aérea das plantas.Estacionárias Fixas Semi-fixas Móveis Aspersão . A rega por miniaspersão subdivide-se em a) miniaspersão dinâmica quando o miniaspersor possui movimento de rotação similar a um aspersor rotativo em miniatura. Gota a gota superficial subterrânea Miniaspersão dinâmica estática ou micro-aspersão Localizada Método .2. devido ao facto de apenas uma parte do solo ser regado (rega localizada). 5) custo de manutenção mais baixo (possibilidade de rega 24 horas por dia. Raposo (1994) classifica as instalações semoventes em instalações com movimento de rotação (ex. 2) grande problema com velocidades do vento elevadas produzem distribuições de água muito irregulares. 11. As instalações semoventes tipo canhões auto-motrizes têm tendência para diminuir. 4) manutenção da parte aérea das plantas seca. para pequenas superfícies utilizam-se as instalações estacionárias. 7) utilização em solos marginais.SISTEMAS DE REGA SOB PRESSÃO Aspersão Método . e em b) miniaspersão estática ou microaspersão em que os miniaspersores não possuem movimento de rotação. 2) manutenção da tensão de agua dos solos (ou do seu teor em água) aos valores desejados pela planta.: Rain-move). 5) impossibilidade de aplicação de águas salinas em culturas não tolerantes à salinidade. e culturas hortícolas principalmente em estufas). 2) Mão-de-obra reduzida quando comparadas com as estacionárias móveis ou semi-fixas. As principais vantagens e inconvenientes das instalações de rega gota a gota em relação às instalações de rega por aspersão são (Dasberg & Bresler. isto é. 6) altas perdas de água em climas muito ventosos ou áridos. 3) superfície do solo parcialmente humedecida (menor evaporação. utilização de máquinas nas entrelinhas mesmo quando a rega estiver a funcionar). traduzindo-se em menor consumo de energia e menos material). 4) desenvolvimento de doenças.2. A rega gota a gota pode ser subdividida em a) superficial e b) subterrânea. vinhas.superficial e subterrânea) A rega localizada pode ser dividida em rega gota a gota e por miniaspersão (Quadro 2). com movimento de translação (ex. sendo a subterrânea enterrada. No caso de grandes superfícies regadas por aspersão (áreas superiores a 50 ha). 3) Não podem ser utilizadas em terrenos irregulares ou acidentados. alto controlo da aplicação de rega (que poderá ser feito por ex. Assim. 2) Só poderão ser utilizadas em áreas elevadas. destinando-se ao Sul de Portugal.

e o inconveniente de mais difícil controlo das concentrações dos fertilizantes. Possui vantagens e inconvenientes intermédios entre a instalação-tipo anterior a que se segue. 2003) Três instalações-tipo de fertirrega mineral poderão ser aplicadas nos sistemas de rega sob pressão: 1) simples depósito. accionada hidráulica ou electricamente.1. de acordo com as necessidades do estado fenológico da cultura e contribuindo para a diminuição da pressão osmótica do solo. sendo no entanto o ácido ortofosfórico menos sujeito a problemas de entupimento e de insolubilização.3. Com a rega gota a gota subterrânea consegue-se praticamente anular as perdas por evaporação. não se deve utilizar o fósforo na fertirrega. principalmente na rega gota a gota. No caso da rega localizada. Se a água é ácida não há qualquer problema na aplicação do fosfato mono ou biamónio.usa-se muito a ureia. contribuindo também para a desobstrução dos gotejadores. assegurando uma concentração constante até níveis muito baixos tal como 5 ppm. Outras vantagens dizem respeito à economia de mão-de-obra. efectuada através do efeito de Venturi. colocado após a instalação de bombeamento e sendo precedido um filtro de malha. ou quando os elevados compassos e a / ou os movimentos laterais da água do solo a partir das rampas gota a gota sejam insuficientes para que o volume radicular fique convenientemente regado. que se poderá verificar principalmente quando se trata da rega gota a gota. 11. Polivalência e Economia O maior inconveniente diz respeito a grandes problemas com entupimentos.3. que seja assegurada uma drenagem perfeita do solo. sempre que problemas com a filtração da água não permitirem a rega gota a gota. antigamente incluía a fertirrega orgânica (chorumes). devendo-se determinar a condutividade do solo e o seu pH. 3) bomba injectora de adubo (Fig. A rega por miniaspersão é utilizada principalmente em pomares. é uma aparelhagem de grande rigor. que hoje se inclui na água residual agrícola. evita o calcamento do solo e permite a adubação mais fácil das culturas de porte baixo. há obrigatoriedade de se aplicar fertirrega. Relativamente aos macronientes aplicados. 2) depósito aplicado à saída da bomba. quando se procede à fertirrega. É necessário que. em que a concentração da mistura adubo+água varia geralmente entre 5 x 10-4 e 2 x 10-2.1 Águas convencionais 11. são o fraccio- 186 . por vezes também é utilizado o ácido nítrico (em concentrações muito baixas) que tem também a função de desobstruir os gotejadores. momento e época da fertilização. Fig. Caso as águas sejam alcalinas. Outras vantagens da fertirrega. sendo a superior a longevidade da tubagem devido à diminuição de choques térmicos e mecânicos e não haver problemas com radiações ultra-violetas. com válvula-parafuso de regulação da saída. podendo-se usar o nitrato de potássio ou o sulfato de potássio. em que parte dos elementos nutritivos ficam fora da acção das raízes. em relação à água de rega. 3 . de forma localizada às raízes. Há no mercado adubos líquidos para aplicação na fertirrega para várias diluições de macro e micronutrientes. sendo a saída da mistura para a tubagem de rega. sendo a água consumida apenas por transpiração.3 Polivalência dos sistemas de rega 11. o amónio. O potássio também pode ser utilizado sem dificuldade. Ao contrário do que se verifica com os sistemas convencionais de fertilização. na fertirrega localizada. o azoto pode ser aplicado em todos os casos sem quaisquer dificuldades técnicas . embora mais frágil e de custo mais elevado que as instalações-tipo anteriores. para se proceder à sua lavagem sempre que necessário. namento das fertilizações. quando se pratica a fertirrega mineral. em que se faz a mistura adubo+água.Instalação de rega gota a gota em vinha (Pedras. sendo as mesmas altas e mal distribuídas. para todos os sistemas de rega sob pressão.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. os elementos fertilizantes são conduzidos através da água.1 Fertirrega A fertirrega propriamente dita inclui apenas o fertirrega mineral. 4). os nitratos. mas o seu custo é mais elevado do que o custo dos adubos sólidos solúveis. melhora a uniformidade de distribuição dos fertilizantes. este sistema tem a vantagem de ser de baixo custo. que se inclui no circuito de água.

quanto maior for a concentração de sal na solução do solo. devido ao desconhecimento do seu manuseamento e aplicação. 11. e que equilibra as respectivas perdas de calor por radiação nocturna. A principal vantagem destes sistemas de rega no combate à geada deve-se ao facto da libertação de 80 calorias por grama de água fornecida (Raposo. Assim dois exemplos serão apresentados. será necessário que os microtubos de ligação dos miniaspersores à tubagem tenham comprimento suficiente para que os miniaspersores possam regar as culturas (geralmente árvores de fruto) nos períodos de formação de geada. quanto maior for a concentração salina da solução do solo. e que permita a rega sem que as culturas (árvores) sejam danificadas. através de suportes apropriados para que a rega seja efectuada por cima das copas. e muito raramente no nosso país. Isto significa que a cultura murcha a teores de água do solo mais elevados.1.Bomba injectora utilizada num sistema de fertirrega gota a gota em alface. As instalações-tipo utilizadas são do tipo bomba injectora. Segue-se-lhe a miniaspersão e por último a rega gota a gota. aumento da humidade relativa do ar e da condutibilidade térmica do terreno. sem que haver o objectivo de humedecimento do solo. geralmente a água pulverizada é recuperada e reutilizada. nas horas de maior calor. concorre para o combate à geada com a rega. através de aspersores e miniaspersores. 2) No Verão.5 Rega qualitativa 11. normalmente de melhor qualidade do que nos meses quentes.1 Águas salinas Segundo Beltrão e Ben Asher (1997a).3 Combate à geada O combate á geada através de sistemas de rega sob pressão é uma prática de custo elevado na rega por aspersão em virtude de exigir instalações totalmente fixas funcionando ainda todos os aspersores simultaneamente. formação de uma atmosfera nebulosa. há culturas em que a parte aérea é queimada pelo sol. Contudo o sistema de rega por aspersão é o mais eficiente no combate à geada.1.2 Pestirrega A pestirrega está dividida em pestirrega propriamente dita (combate aos fungos e pragas) e em herbirrega (aplicação de herbicidas).1. 4 . maior será o pressão osmótica. 11. 1994). 11. A rega por aspersão e miniaspersão poderá ser aplicada no combate às altas temperaturas. em instalações estacionárias totalmente fixas e semoventes center-pivot. e menor será a capacidade utilizável do solo para a água. A pestirrega é praticamente utilizada na rega localizada em alguns países estrangeiros. Polivalência e Economia Para que se possa utilizar mais eficientemente a miniaspersão no combate à geada.3. que corresponde ao calor latente de solidificação da água. Além desta vantagem. maior será o teor e água do solo ao coeficiente de emurchecimento.3. e assim combater os seus efeitos nocivos. Assim utiliza-se a rega por aspersão ou a miniaspersão durante essas horas com o intuito de diminuir a temperatura. 11.3. em que é fixada certos pigmentos.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. para tornar mais saliente a coloração de certas plantas ornamentais e da fruta.2.3. ou alternativamente.3. com diminuição dos teores de clorofila. mas é também afectado pela concentração de sal no solo.4 Combate às altas temperaturas Fig. É necessário ainda conhecer a qualidade da água nos meses frios. conforme descrito para a fertirrega. como se segue: 1) É usual verem-se aspersores ou miniaspersores em funcionamento por cima das estufas em dias muito quentes com o objectivo de diminuir a temperatura no interior das estufas. como ainda grande parte dos produtos não estarem homologados em Portugal. devendo-se neste último caso parar imediatamente o funcionamento da instalação caso haja vento. transformação de energia cinética em energia térmica (impacto das gotas) e a temperatura positiva a que se encontra a própria água de rega. é usual utilizar este tipo de combate em alguns campos relvados. como o caso dos campos de golfe.3. É sobretudo utilizada.2 Águas não convencionais 11. o coeficiente de emurchecimento não é uma constante de humidade do solo.1. 187 . A herbirrega tem interesse de utilização na rega gota a gota e na rega por aspersão.

(5) tomará a seguinte forma θwp(Ψm + Ψ0)2 = (ci .Sal removido pela água de drenagem Sl . m-3 soil).Qd) A em que ci cd são as concentrações de sal na água de rega e na água de drenagem. 3 Sc .Sal fornecido pela água de rega Sg .Sal fornecido pela água das chuvas Sd . será obtido por: θwp(Ψm + Ψ0) = θwp(Ψm) + ∆θwp(Ψ0) em que θwp(Ψm + Ψ0) é a soma do teor de água do solo ao coeficiente de emurchecimento não salino θwp(Ψm). Vs é o volume de solo considerado (m ). por transpiração e evaporação. A é a superfície de evaporação (m2). Dois casos terão que ser considerados: CASO 1 .Sais precipitados Qi e Q d são. respectivamente (kg m-3). a eq. 5). é o coeficiente de fluxo da drenagem (d-1).Representação esquemática do sistema "solução do solo" (Beltrão. e é afectado por um grande número de processos. o teor de água do solo ao coeficiente de emurchecimento. Polivalência e Economia Que as concentrações de sal na água de rega e na água de drenagem.Variação na quantidade de iões absorvidos ∆Ss .quanto maior for a água transferida da planta e do solo para a atmosfera. (cd ) -1 (8) (3) A componente-chave do sistema dinâmico SPAC (soil-plantatmosphere continuum) é a solução do solo (Fig.Sal dos fertilizantes Sp . respectivamente ci e cd. à capacidade de campo (m3 água .(L .Sem lixiviação na zona radicular. Absorção de iões pela planta intensa absorção de minerais do solo é acompanhado pela redução da salinidade do solo. Dr )] . é a taxa de lixiviação (kg sal d-1). 1993) e quando a fracção de lixiviação for considerada ETa = (Qi .(L . (4) sendo L = (Qi . Vs e Dr = Qi . O teor em água e iões varia dinamicamente na solução. ETa é a taxa da evapotranspiração real da cultura. mais o aumento do teor de água ∆θwp(Ψ0) devido à salinidade.Variação na quantidade de sais solúveis Si . estão em equilíbrio.Sal dissolvido proveniente da lavagem do solo ∆Sa . ETa) . θfc) . dos quais salienta-se a: Evapotranspiração .Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. respectivamente. Vs -1 -1 (5) (6) Fig. a eq. 5 .Com lixiviação na zona radicular. maior será a concentração de sais no solo. Dr )] -1 -1 -1 CASO 2 . θfc} . que inclui todos os inputs. -1 (7) O balanço salino do solo para as culturas regadas. as taxas volumétricas de água de rega e de drenagem (m3 d-1). cd . θfc é o teor volumétrico da água do solo.Iões absorvidos pela plantas 188 . [cd .Sal fornecido pela toalha freática Sf . outputs e os termos de acumulação para dentro e para fora da zona radicular é dado pela seguinte equação: INPUT = OUTPUT + ACUMULAÇÃO Sr + Si + Sg + Sl + Sf = Sd + Sp + Sc + ∆Sa + ∆Ss em que (9a) (9b) L Dr Sr . (5) tomará a seguinte forma θwp(Ψ0)1 = {[ci .A .

Origem dos sais (sais locais e sais transportados) 2 . 1992): 1 . 2) Uso de rega gota a gota subterrânea . a que se chama tolerância.Compactação do solo e formação de impermes . CEs .15 g de NH4NO3 por planta) e sem fertilização azotada (N0). e que é definida por (12) (11) (10) contaminação solo e das águas subterrâneas.grande economia de água. e portanto menos sais dissolvidos serão adicionados. satisfazendo simultaneamente o consumo de água da cultura e as necessidades e lixiviação (m3). como se segue: Qil = [Cd / (Cd . 6 .m-1) a partir do qual decresce a produção.Volume de água de rega. A . 1997). Resposta da alface aos efeitos combinados da salinidade da água de rega com (N1 . devido à precipitação natural ou à lixiviação artificial. Polivalência e Economia A necessidade de lixiviação do solo é definida pela eq.sem lixiviação . Eta Em que : Qil . pode haver contaminação dos aquíferos.Infiltração descendente (rega e linhas de água) Infiltração ascendente (toalha freática e água do mar) b) Vento 3) .Transporte (água e vento) a) Água . mas a contaminação será aumentada devido aos fertilizantes adicionados (Beltrão et al. percentagem de decréscimo de produção por unidade de acréscimo de salinidade.esta técnica é muito útil para as plantas.sem técnicas ambientalmente limpas . 3) O aumento da fertilização aumenta a tolerância (Beltrão et al. para maiores valores da tolerância. (2002a).Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. portanto. 10.salinidade do solo ou da água.Rega imprópria (uso de água salina mal aplicada) 189 . 4) Culturas tolerantes à salinidade .produção relativa da cultura (%). os sais concentram-se acima deste horizonte. sendo de 10 % a redução para o nível N1. a produção relativa diminui de cerca de 5 % por cada aumento de 10 g de NaCl planta-1.m-1). 1993) à salinidade (contudo a sensibilidade à salinidade também aumenta). por outro lado. e cerca de 40 g de NaCl planta-1 para N1. de acordo com o modelo de Maas e Hoffman (1977) e com Beltrão et al. MAAS & HOFFMAN (1977) encontraram entre a salinidade do solo e a produção das culturas uma relação linear.Ci)]. mas pode continuar a haver problemas da contaminação das águas subterrâneas. b = dY / dCE As técnicas convencionais de combate e controlo do processo de salinização pode ser caracterizado por quatro gerações: 1) Problema da contaminação da zona radicular pela lixiviação do solo (que pode ocorrer em duas situações quando há um horizonte impermeável.Elevação do nível da toalha freática .a) em que: Y.evaporação b) Actividades humanas . Salinidade acumulada (g NaCl planta-1) Fig. isto é. a taxa de redução de produção relativa por aumento de unidade de salinidade.Área da parcela (m2) ETa .Acumulação no solo (causas naturais e actividades humanas) a) Causas naturais . o que significa que a produção relativa (%) se mantém constante a 100 % até 20 g de NaCl planta-1 para N0. que se pode expressar pela seguinte fórmula: Y = 100 . abvalor limiar de salinidade (dS. A. mas não resolve o problema da O processo de salinização do solo pode ser dividido nas seguintes fases (Beltrão.Resposta da alface aos efeitos combinados da salinidade da água de rega com (N1 . (2002).. expressa em condutividade eléctrica do extracto de saturação do solo ou da água (dS. Por outro lado. a que se chama sensibilidade.15 g de NH4NO3 por planta) e sem fertilização azotada (N0). De acordo com a eq.Evapotranspiração real da cultura (m) Partindo de dados reais. quando não existe horizonte impermeável.b (CE . a sensibilidade (b). é maior para NO do que para N1. 11 mostra que a tolerância (a) para N0 é menor que para N1. de acordo com o modelo de Maas e Hoffman (1977) e com Beltrão et al.

CLASSIFICAÇÃO DAS ÁGUAS RESIDUAIS DE ACORDO COM A SUA ORIGEM (Gamito.º 3 (Gamito.Hospitais e laboratórios . "kikuyugrass". Este problema é intensificado devido à intrusão da água do mar que resulta da redução dos níveis freáticos dos aquíferos.Percentagens médias. pomares e vinhas regados por aspersão . 2003).200 cfu / 100 ml.em folhas dos relvados . "kikuyugrass". hidroponia e culturas hortícolas .Fábricas .Adegas e lagares AGRÍCOLAS . fazem-se algumas recomendações relativamente a concentrações de microrganismos patogénicos. bermuda regada e bermuda de sequeiro (Costa. de Cl . em virtude de a água nestas regiões ser limitada. Em relação a estes problemas. 1998) CLASSIFICAÇÃO ORIGEM . mostrando assim a capacidade de remoção de sal (ião Cl-) de diferentes cultivares de relvas.Restaurantes e comércios URBANAS . jardins. campos de golfe e de outros desportos). 4) Reutilização de limite mínimo de dotação de água residual suficiente para obtenção de uma boa aparência visual dos espaços verdes (Costa et al.Transformadoras de petróleo .1000 cfu / 100 ml.em folhas dos relvados . faltando-lhe todavia critérios mais específicos de qualidade microbiológica e também critérios em relação aos sistemas de rega utilizados e características dos solos a regar e salinidade. QUADRO 3 . A Fig.. 7 mostra as percentagens médias.Pecuária (chorumes) 2 1.5 a a b b 0 Agrostis regada Kikuyugrass regada Bermuda regada Bermuda sequeiro Relvados Fig.3. Nessas condições.agrostis. 2001. desvios padrão e resultados do teste Dunnett T3. 7 . de acordo com recomendações do 2º Seminário em Reutilização de Águas Residuais no Mediterrâneo (2001): Rega de espaços verdes (parques.. mostrando assim a capacidade de remoção de sal (ião Cl ) de diferentes cultivares de relvas. tornando as águas subterrâneas mais salinas. de Cl . 2. 1998). pomares e vinhas regados gota a gota e forragens . Estas águas de pior qualidade têm repercussões negativas nas produções das culturas regadas (Ben Asher et al. como se segue: 1) Uso de espécies que removem o sal do solo (Beltrão et al.Transformadoras de produtos alimentares . Podemos dividir os problemas ambientais que possam surgir em três tipos: microorganismos patogénicos (principalmente nas águas residuais urbanas).2.5 11.Hidroculturas . 2002).Habitações domésticas (higiene e cozinha) .Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. 2002). 2) Uso de espécies tolerantes à sede.5 1 a 0. Cuartero et al.Cantinas INDUSTRIAIS . 2003). conforme é apresentado no QUADRO n.Matadouros ÁGUAS RESIDUAIS .Serviços .coli. A única maneira para controlar o processo de salinização e de manter a sustentabilidade dos espaços verdes e dos campos agrícolas é combater a salinização através de técnicas limpas e ambientalmente seguras. quando a taxa de bombeamento excede a taxa de recarga.Ligações e descargas clandestinas .2 Águas residuais É habitual classificar as águas residuais de acordo com a sua origem. desvios padrão e resultados do teste Dunnett T3.. 2002).Infiltrações subterrâneas . a legislação portuguesa (QUADRO 4) admite a reutilização de águas residuais adequadamente tratadas para grande parte das culturas (Decreto-Lei nº 236/98). 190 Percentagem de Cl - . expressos em cfu (colony forming unit) / 100 ml de E. culturas industriais . bermuda regada e bermuda de sequeiro (Costa. salinidade (comum a todas as águas residuais) e metais pesados (principalmente nas águas residuais industriais)..200 cfu / 100 ml. Polivalência e Economia Em Portugal.agrostis.1000 cfu / 100 ml. verificam-se maiores problemas de salinização nas zonas mais áridas (como o Alentejo e o Algarve) e costeiras. estufas. 3) Redução da aplicação de sal através de menores dotações de água residual.

Esta reutilização das águas residuais tratadas na rega será muito mais interessante nesta região.2. no local de recepção dos efluentes. 2) Sempre que haja problemas de poluição na região. com crescente desenvolvimento a partir de 1987 através do programa PEDAP (Marecos do Monte. jardim privado.2. devido ao elevado fluxo turístico que se verifica nesta época. deverá essa região passar a ser classificada Zona Poluída. combate a incêndios.50 m Floresta . d) Profundidade de rega com água residual depurada. para texturas e teores de água do solo (potencial mátrico do solo) mais favoráveis.00 m: Espécies herbácias . usos florestais (combate a incêndios. acrescido pelo elevado número existente de campos de golf e explorações hortofrutícolas. usos industriais (refrigeração). 1976.2 m 3) Sistema de rega por aspersão . por isso a reutilização de águas residuais já utilizada. sendo. Através da literatura disponível.50 3) Calma . e à recarga de aquíferos. b) Distância mínima a zonas urbanas 1) Velocidade do vento durante a rega superior a 2 m s-1 Rega por aspersão .1. Contudo.3 m 4) Sistema de rega por gravidade .5 m 2) Sistema de rega gota a gota enterrada ou miniaspersão .Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. jardins. principalmente nos pomares e vinhas (rega gota a gota e miniaspersão) e nos campos de golf (rega por aspersão). a legislação portuguesa (QUADRO 4) admite a reutilização de águas residuais adequadamente tratadas para grande parte das culturas (Decreto-Lei nº 236/98). faltando-lhe todavia critérios mais específicos de qualidade microbiológica e também critérios em relação aos sistemas de rega utilizados e características dos solos a regar e salinidade. descargas na floresta). Em Portugal a reutilização de águas residuais tem sido quase exclusivamente efectuada na rega de espaços verdes (parques. campos de golfe e de outros desportos).20 m c) Identificação do local regado com águas residuais depuradas 1) Estes locais deverão estar identificados com a designação "Água não potável". Polivalência e Economia Para o caso de problemas de salinidade. máxima aconselhável.100 m Rega por miniaspersão .5 m Estes valores poderão ser diminuídos de 20 %. os aspectos mais importantes referiram-se na alínea 11.sem vento durante a rega Rega por aspersão . 1993) Rega por miniaspersão 100 m 2) Velocidade do vento durante a rega inferior a 2m s-1 Rega por aspersão . 1996). forragens e viveiros).2. nas respectivas bacias de recepção e/ou no equilíbrio ecológico do meio. culturas industriais. lavagem do automóvel.200 m Rega por miniaspersão .1. estufas. aonde já se nota a sua reutilização. autoclismos). Contudo destas regiões.00 m Árvores de fruto . é o Algarve que possui maiores necessidades hídricas mais elevadas durante o Verão.500 m (Beltrão. com vista a evitar problemas de contaminação. Verifica-se que as regiões mais a sul de Portugal (Alentejo e Algarve) são as de maiores necessidades hídricas. Oron & Beltrão.00 m Como foi dito. pomares e vinhas. a reutilização das águas residuais tratadas poderia estender-se também a usos residenciais (sistemas de ar condicionado. culturas hortícolas e outras de consumo humano. usos urbanos (lavagem das ruas.1. para valores de profundidades da toalha freática superiores a 5. 1996b): 1) Sistema de rega gota a gota superficial -1.. fontes decorativas). 191 . sugerem-se que se verifiquem as seguintes medidas: a) Profundidade mínima da toalha freática (Beltrão et al. devendo a mesma ser identificada com sinais inerentes aos perigos em causa.

VMR .0 ---------0. Inicialmente.05 ----1.0 0.01 5. 11. 2002 b) e para aspectos económicos (Penkova et al.2. estas últimas poderão ainda estar contaminadas por pesticidas. que possuem agulhetas de maior diâmetro e em borracha para permitirem mais facilmente a passagem de matérias sólidas. (nomeadamente os relacionados com reutilização de águas residuais) poderão ser estudados. nomeadamente membranas.DECRETO-LEI NR.5 .0 70 0. 2002).Valor Máximo Admissível 192 . com a aplicação das radiações ultravioletas e dos modernos filtros. 1998).0 ----1.5 . linhas de água receptoras e nas culturas com elas regadas para os diferentes sistemas de rega. Polivalência e Economia QUADRO 4 . em campos de golfe.02 575 0. O segundo objectivo relaciona-se com a resposta da produção e crescimento das culturas à rega com águas residuais. incluindo além da componente água (Asano. sendo distribuídos no solo através de aspersores especiais. como prevenção à contaminação.10 1..9.0 4.30 0.2002).20 0.10 2.0 ----1.3 Águas de drenagem As características das águas de drenagem provenientes das zonas urbanas poderão aproximar-se mais das características das águas residuais. Em relação às águas residuais agrícolas.0 2. Dado o seu pobre teor em fósforo em relação aos restantes macronutrientes é usual fazer a sua correcção.20 ----0. 236/98 (1998) Qualidade das águas destinadas à rega VMR Alumínio Arsénio Bário Berílio Bicarbonatos Boro Cádmio Chumbo Cloretos Cobalto Cobre Crómio Estanho Ferro Flúor Lítio Manganésio Mercúrio Molibdénio Níquel Nitratos Nitritos Salinidade Selénio Sulfatos Vanádio Zinco pH Coliformes Fecais Ovos de parasitas Intestinais Al As Ba Be HCO3 B Cd Pb Cl Co Cu Cr Sn Fe F Li Mn Hg Mo Ni NO3 NO2 ECw Se SO4 V Zn ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm dS/m ppm ppm ppm ppm pH MPN/100ml Nº/l 5.4 100 ----VMA 20 10 ----1. com a adopção de tratamentos terciários adequados e. principalmente.3.0 1. Os problemas causados pelos sistemas de rega não convencional..05 2.8 10 ----0.5 5.. recorrendo a modelos de simulação.05 0. que não é de prever a contaminação das relvas.0 6. Contudo. para aspectos de contaminação ambiental (Beltrão et al. as provenientes da drenagem de explorações agrícolas aproximam-se mais das características das águas salinas.0 5.0 ----0.005 0.0 Parâmetros Símbolos Unidades Os estudos a efectuar com a rega com águas residuais têm normalmente dois objectivos: O primeiro relaciona-se com os níveis de contaminação provocada por essas águas no solo. a rega era efectuada apenas em viveiros de relva e em zonas vedadas aos golfistas.5 0. juntamente com os dejectos sólidos triturados das instalações pecuárias.75 0.10 2.0 20 --------15 5. respectivamente.0 10.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.Valor Máximo Recomendável VMA .05 20 ----10 5. a componente fertilizante (Costa et al.00 0.8. A rega por aspersão com águas residuais é aplicada principalmente no Algarve. É evidente que os chorumes são IMPRÓPRIOS para utilização na rega localizada. os chorumes são utilizados.0 0. o nível de concentração patogénica é de tal modo baixa.5 ----0.

em função da velocidade do vento e temperatura para aspersores de alto grau de pulverização (Beltrão.0 30.média (sistemas de rega por gravidade . A eficiência Ed está relacionada principalmente: com a) características físicas do solo e declive. b) velocidade do vento. (13) Fig.0 18.0 25.0 12.0 21.0 28. O QUADRO 5 apresenta as perdas de água durante a rega.0 34.5 5 1.5 10.0 6.0 45 15. com udómetros para a determinação da eficiência de distribuição Ed.0 9.5 27.0 40.0 16.5 14.5 9.0 12.0 20.0 35 8.dotação de rega) X .5 8.0 4.0 37. 1976). referência ao coeficiente de uniformidade de distribuição de água de christiansen (cuc) É frequente utilizar o coeficiente de uniformidade de distribuição de água Christiansen (CUC) como a eficiência de distribuição Ed Ed (CUC) = 100 {1 .0 21.5 13.4.5 13. características de funcionamento e qualidade dos aspersores e grau de pulverização (sistemas de rega por aspersão).0 36.5 25.0 40.0 30.0 7.0 7. 11.0 9.5 13.0 32.0 45.0 13.0 19.0 16.4. problemas de entupimento e qualidade dos gotejadores ou miniaspersores (sistemas de rega localizada).0 25. Polivalência e Economia 11.0 193 .5 1.desvio à média n . características de funcionamento e qualidade dos aspersores e grau de pulverização (sistemas de rega por aspersão).5 4.0 22.3 Eficiência de aplicação (ea) Ea = 100 (Ws / Wf) em que Ws .0 9.0 27.[ ( Σ | X | ) / (m x n) ] } em que m .água armazenada na zona radicular A eficiência Ed está relacionada principalmente: com a) características físicas do solo e declive (sistemas de rega por gravidade). de acordo com Achtnich (1966).0 18.0 31. regada por aspersão onde foram recolhidas amostras dos udómetros para determinação da eficiência de distribuição.5 14.0 4.5 15.0 10.0 18.0 8.0 16.0 3.5 40 12.5 9. PARA ASPERSORES DE ALTO GRAU DE PULVERIZAÇÃO PERDAS MÉDIAS DE ÁGUA DURANTE A REGA (%) (15) 11.0 20.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. problemas de entupimento e qualidade dos gotejadores ou miniaspersores (sistemas de rega localizada). É de salientar a importância da pressurização a pressão constante (implicando naturalmente a integração da variação de velocidade nos motores eléctricos) garantindo a dispersão da água eficientemente com o mínimo consumo energético ou seja.0 30.0 35.5 33.0 31.0 5.0 11.5 7.Campo experimental de batateira.0 3.0 31.profundidade de rega.0 2.2 Eficiência de distribuição (ed). QUADRO 5 .0 22.0 26.0 33.0 11.0 5. (14) Temp.PERDAS MÉDIAS DE ÁGUA DURANTE A REGA EM FUNÇÃO DA TEMPERATURA E DA VELOCIDADE DO VENTO.0 2.0 13.5 10.0 0.0 17. b) velocidade do vento e temperatura durante a rega.número de observações (amostras recolhidas de amostras) A Fig.água proveniente da fonte de abastecimento Esta eficiência Et está muito relacionada com as fugas de água.4 Eficiência de rega e sua classificação 11.5 6.0 4.0 5. Wd .0 21. só pressiona o volume de água ajustado às necessidades hídricas das culturas (Vide Capítulo 3).0 35.4.5 17. 8 . estado de conservação das tubagens e dos grupos motor-bomba e sua eficiência.0 2. diagrama pluviométrico.0 17. 8 mostra um campo experimental de batateira.água aplicada durante a rega na respectiva parcela.0 10 2.0 12.0 4.0 6.0 30 6.5 15.5 25 4.0 7.0 20 3.5 8.0 3.0 Velocidade do vento (m s-1) 1.0 20.0 23.5 24.5 5.0 12. sistema de rega sob pressão . (° C) 0.0 15 3. regada por aspersão.0 6.0 21.5 16.1 Eficiência de transporte (et) Et = 100 (Wf /Wd) em que Wf .0 10.5 25.

1993).relação de transpiração (22) (21) (20) 11.85).85 .0. a eficiência de rega Er total que deverá ser utilizada nos cálculos da dotação real de rega é: . qualidade e características dos aspersores.1966): CT = T / MS T . qualidade e características dos gotejadores e miniaspersores A transpiração.4. Polivalência e Economia 11. Beltrão et al. milho (0. Ep (19) (18) 11.temperatura durante a rega .6 Eficiência total de rega Segundo (Oliveira.4). Os principais parâmetros que condicionam a relação transpiração / evapotranspiração são o índice de área foliar IAF. ervilha (0. 1993).4 Eficiência de armazenamento Es = 100 (Ws / Wn) em que Wn .4 . a evaporação directa não estar associada à produção.6 . (17) 11. RT .2 .matéria seca produzida (kg) Valores médios de CT : cana de açúcar (0. Assim este tipo de eficiência deverá ser apenas aplicado no caso da rega gota a gota superficial e subterrânea. 1997). sendo neste caso T = ETa.Evapotranspiração real da cultura.rega por aspersão .9).MAXIMIZANDO A TRANSPIRAÇÃO E A UNIFORMIDADE DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA E MINIMIZANDO A EVAPORAÇÃO DIRECTA. a assimilação e a produção estão associadas.água necessária na zona radicular (16) .problemas de entupimento.grau de pulverização.50).0.5 Eficiência de uso de água Eu = Y / ETa em que Y . trigo (0.transpiração (m3 de água).5 Eficiência de rega e consumo de energia nos sistemas de rega sob pressão 11.0. miniaspersão (0. Ed sendo RT = 100 (T / Wf) em que Er (T) .7 . porque o vapor de água e o CO2 passam através dos mesmos estomas. Ed .55).0. batata (0.0.características físicas do solo .0.35 -0. Nestas condições..1997b.80). No caso especial da rega gota a gota subterrânea toda a água aplicada será consumida praticamente apenas por transpiração (Oron e Beltrão.70 . Para o cálculo da eficiência total Er no caso da rega gota a gota.90). Parâmetros que condicionam a eficiência de rega . subterrânea (0. ao contrário do que se verifica com a transpiração.30 .95 .4.4.1. luzerna (0.50). aspersão (0.5). utilizando-se geralmente para expressar as relações entre estes parâmetros o coeficiente de transpiração CT.0. Ed .a nível do perímetro de rega (ERp) Erp = Ea . diagrama pluviométrico.eficiência total Er específica para o caso da rega gota a gota. MS . gota a gota superficial (0.3 .5. a radiação e o compasso (Beltrão & Ben Asher. Maximiza-se a eficiência de rega . feijão (0. beterraba (0. e velocidade do vento . gota a gota subterrânea (0.6).45 .40 . visto que das componentes da evapotranspiração.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. amendoeira (0.3 .a nível da parcela de rega (Er) Er = Ea .5).0.00).0.0.rega localizada .80).0.1 Valores médios e técnicas de maximização da eficiência de rega Os valores médios geralmente atribuídos à eficiência de rega Er a nível da parcela de rega são: gravidade (0. a eficiência total Er(T) seria dada pela expressão: Er(T) = RT . Keller e Karmeli (1975) consideram apenas a transpiração T e não a evapotranspiração real da cultura ETa.0). ETa . definido por (Achtnich.95).Produção.1.90 .declive do solo 194 .

. -1 3 -1 .Móveis .rendimento total dos grupos motor-bomba (%).Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.Valores médios dos seguintes parâmetros de rega: .Canhões autom.1-1.5 80 100 2.3 1.Fixas Semoventes . 3 . REGA LOCALIZADA Miniaspersão Gota a gota sup.5-6. Polivalência e Economia 11.5 7 60 60 60 6.5 5.9 4300-6400 4300-6400 4000-6000 195 .0 2.duração útil diária de rega (h d ).Quanto às culturas em estufa: .1-2.caudal de ponta ( m3 h ) .não aproveitamento das águas pluviais.A percentagem de solo humedecido. .7-4.Consumos dos grupos motor-bomba (kWh ou L de gasóleo) Os valores destes elementos foram obtidos a partir das condições seguintes (QUADROS 6 e 7): 1 .número de dias úteis por semana. de acordo com o conceito de Keller e Karmeli (1975).5-2.5.0 4.Sistemas pivot . .6 1800-2800 2600-2900 1700-2000 90 20 7 40 1.Semi-fixas . 2 . 4 . .8 4500-6800 4900-7300 80 80 85 10 12 18 5. eléctricos (kW) ou térmicos (HP) . estufas 92 92 95 20 20 20 7 7 7 40 35 35 1.2 Elementos e parâmetros de rega a utilizar no cálculo do consumo de energia Os elementos necessários a utilizar no cálculo do consumo de energia nas instalações de rega sob pressão em Portugal.diminuição da evapotranspiração da ordem dos 30 % QUADRO 6 .ELEMENTOS E PARÂMETROS DE REGA A UTILIZAR NO CÁLCULO DO CONSUMO DE ENERGIA DAS INSTALAÇÕES DE REGA SOB PRESSÃO DURAÇÃO ÚTIL DAS REGAS Por dia (h) Por semana (d) NECESSIDADES HÍDRICAS débito de ponta (m3 h-1) volume anual (m3) TIPO DE INSTALAÇÃO EFICIÊNCIA DE REGA Er (%) ALTURA MANOMÉTRICA TOTAL (m) REGA POR ASPERSÃO Estacionárias . e são apresentados nos QUADROS 6 e 7. e incluem os seguintes factores: . e 50 a 70 % nas culturas hortícolas ao ar livre. seguem os conceitos adoptados por Raposo & Beltrão (1982).altura manométrica total (m).0-1. está compreendida entre 30 e 50 % nos pomares. Pomares Hort.6 1.6-3.ocupação ao longo do ano na ordem de 80 %. e 70 a 90 % nas culturas hortícolas e ornamentais em estufa. sem incluir a eficiência e rega e a percentagem de solo humedecido).7 1900-2800 85 70 20 16 7 5. isto é.As dotações de rega diárias de ponta estão compreendidas entre 4 e 6 mm d-1 (40 a 60 m3 ha-1) e os volumes anuais de rega entre 3400 e 5100 m3 ha-1 (valores úteis teóricos. no que respeita à rega localizada. ar livre Hort.Potência dos grupos motor-bomba.9 5.3-8. por hectare regado.eficiência de rega (%).4-6.Volume anual de rega (m ) . orn. .

Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência, Polivalência e Economia

11.5.3 Consumo anual de energia para instalações de rega sob pressão
Os valores médios do consumo de energia nas instalações de rega sob pressão em Portugal, por hectare regado, são apresentados no QUADRO 7.

QUADRO 7 - CONSUMO ANUAL DE ENERGIA PARA INSTALAÇÕES DE REGA SOB PRESSÃO
MOTOR ELÉCTRICO (µt = 75 %)* TIPO DE INSTALAÇÃO POTÊNCIA (kW) REGA POR ASPERSÃO Estacionárias - Móveis - Semi-fixas - Fixas Semoventes - Sistemas pivot - Canhões autom. REGA LOCALIZADA Miniaspersão Gota a gota sup. Pomares Hort. ar livre Hort. orn. estufas 0,16 - 0,24 0,19 - 0,29 0,13 - 0,20 280 - 420 350 - 520 240 - 360 0,27 - 0,40 0,33 - 0,49 0,22 - 0,34 110 - 160 140 - 200 90 - 140 0,17 - 0,25 290 - 430 0,28 - 0,41 120 - 170 0,6 - 0,9 1,7 - 2,5 1400 - 2100 2000 - 2800 1,3 - 2,0 2,8 - 4,2 540 - 810 720 - 1100 1,4 - 2,1 1,2 - 1,8 0,9 - 1,4 950 - 1500 950 - 1500 950 - 1400 2,3 - 3,5 2,0 - 3,0 1,0 - 1,5 380 - 570 380 - 570 380 - 560 CONSUMO ANUAL (kWh) POTÊNCIA (HP) CONSUMO ANUAL (L gasóleo) MOTOR DIESEL (µt = 60 %)*

* Rendimento total do grupo motor-bomba

Os valores dos elementos apresentados nos QUADROS 6 e 7 deverão ser utilizados com alguma reserva, uma vez que representam valores médios para condições médias. Os valores apresentados mostram uma grande diversidade de valores entre os vários sistemas de rega, tipos de instalação e modalidades respectivas de funcionamento. Mostram-se, principalmente, diferenças entre a rega por aspersão (e o que se verifica entre as instalações estacionárias e semoventes) e a rega localizada, nomeadamente no que diz respeito às potências dos grupos motor-bomba e ao consumo anual de energia (eléctrica ou térmica). Há ainda duas grandes vantagens que contribuem para diminuir o consumo de energia, a saber - a) o aumento do nível de automatização, quer para os sistemas de rega por gravidade (Serralheiro, 1986), quer para os sistemas de rega

sob pressão (Raposo, 1996a) que, além de contribuir para a diminuição da mão de obra, permite um controlo da rega muito maior, conseguindo-se obter consumos mais baixos; b) o aumento do rendimento do grupo motor-bomba e a pressurização a pressão constante, garantindo o bombeamento da água o mínimo consumo de energia. Nos QUADROS 8 e 9 apresentam-se valores representativos do custo do m3 de água em zonas áridas de Portugal (Algarve) e de Espanha (Baleares), de acordo com estudos efectuados, respectivamente por Raposo e Beltrão (1982) e Costa (2003) para o Algarve e Brissaud (2003) para as Ilhas Baleares. Nestes valores foram incluídos os custos dos materiais dos sistemas de rega sob pressão e os problemas económicos a que estão associados, como os prazos de amortização, longevidade e manutenção das instalações (Beltrão, 1986).

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Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência, Polivalência e Economia

QUADRO 8 - CUSTO MÉDIO DA ÁGUA DE REGA NO ALGARVE, EM FUNÇÃO DA SUA ORIGEM (EURO/m3)
ORIGEM DA ÁGUA Subterrâneas Part. Superficiais Rede superficiais Residuais tratadas* Na parcela Energia aplicada Instalação TOTAL 0,04 --0.06 --0,05 0,05 0,01 0,05 0,15 0,15 0,15 0,15 24 20 22 20

1) eficiência de rega, incluindo a das utilizações polivalentes; 2) nível de automatização; 3) controlo da rega; 4) descontaminação ambiental (recursos hídricos não convencionais); 5) rendimento dos grupos motor-bomba;

*Sem tratamento adicional efectuado pelo agricultor.

QUADRO 9 - CUSTO MÉDIO DA ÁGUA DE REGA NAS I. BALEARES (Brissaud, 2003), EM FUNÇÃO DA SUA ORIGEM (EURO / m3).
ORIGEM DA ÁGUA Subterrâneas Part. Superficiais Rede superficiais Residuais tratadas Residuais tratadas c/ tratamento adicionais Total 0.27 0,23 0,25 0,12 0,12- -0,23

6) pressurização a pressão constante; 7) manutenção das instalações.

11.6 Conclusões
Como notas finais deste capítulo podemos salientar a importância da eficiência de rega no que respeita quer ao consumo de energia, quer aos custos do material dos respectivos sistemas de rega. Por outro lado, salienta-se a polivalência das instalações de rega sob pressão, através de outras aplicações adicionais à rega por humedecimento. A utilização das águas de fontes não convencionais deverá ser maior nas regiões mais áridas para suprir a falta de água potável e para aumentar a fertilidade do solo; contudo, tal prática deve ser efectuada com o maior cuidado dados os riscos ambientais e de saúde que envolve; para manter a sustentabilidade dos espaços verdes e dos campos agrícolas, o seu controlo deverá ser efectuado através de técnicas limpas e ambientalmente seguras. Em relação ao desenvolvimento dos regadios em Portugal, verifica-se que os sistemas de rega sob pressão começaram a substituir nos anos sessenta, através da rega por aspersão, os sistemas de gravidade convencionais; a partir dos anos oitenta, a rega gota a gota superficial e a miniaspersão começaram a desenvolver-se em culturas em linhas (hortofruticultura), tendo já surgido nestes últimos anos sistemas de rega gota a gota subterrânea, com evidente economia de água. Os custos elevados do consumo de energia e dos materiais dos sistemas de rega sob pressão e os problemas económicos e ambientais a que estão associados, levará no futuro a que os sistemas de rega sob pressão sejam melhor concebidos e projectados, além de uma manutenção feita em boas condições. Concorre para isso a maximização dos seguintes parâmetros e actividades:

197

Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência, Polivalência e Economia

11.7 Referências bibliográficas
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200 .

S. S.A.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12.A. APLICAÇÃO DE SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO EM PROCESSOS INDUSTRIAIS Autores: Pedro Farinha Responsável de Área de Engenharia da Hovione FarmaCiência. 201 . Luís Olival Gestor de Projectos de Engenharia da Hovione FarmaCiência.

202 .

União Europeia e Austrália – constituem a base activa dos medicamentos formulados por laboratórios farmacêuticos. artérias e órgãos nos exames radiográficos.exportados para mercados tão exigentes quanto os dos Estados Unidos. a Hovione desenvolve a sua actividade através de processos de síntese próprios. os corticosteróides. Fig. sendo de destacar a aposta feita na área da qualidade e da pesquisa. 5% em qualidade e 1% em formação. os agentes de diagnóstico radiológico. o Grupo Hovione investe cerca de 8% do seu volume de vendas em investigação e desenvolvimento. e que lhe valeu. que permitem a visualização das veias. em 1992. usados na preparação de injectáveis. o prémio de “Melhor Meio Ambiente na Indústria”. ambas são certificadas ISO9000. um negócio que neste momento representa 40% do seu volume de vendas. na qual investiu. incluindo anti-virais e terapias anti-SIDA. A Hovione já desenvolveu mais de 100 processos de síntese química próprios e detém um número elevado de patentes a nível mundial. Com uma facturação anual de aproximadamente 68 milhões de Euros. atribuído pela Comissão Europeia e pelo Programa Ambiental das Nações Unidas. substâncias activas farmacêuticas. iniciando contratos de desenvolvimento de processos e fabricação de novos produtos para terceiros. Investiga e produz com alta tecnologia e qualidade. 1 . Estes produtos . clientes da empresa. 6% em projectos ambientais. que são agentes anti-infecciosos usados na preparação de cápsulas e comprimidos. apresentando duas vertentes de negócio: os produtos genéricos e o “outsourcing” (produção em exclusivo para terceiros).Grupo Hovione A principal actividade da Hovione consiste na investigação e desenvolvimento de processos de síntese e na produção de substâncias activas farmacêuticas. nos EUA. desde 1990. a Hovione tem duas unidades fabris. dos quais se destacam três grandes linhas de produtos: os antibióticos do grupo das tetraciclinas. Na área dos produtos genéricos. As duas fábricas da Hovione são inspeccionadas e aprovadas pela Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos. Outra área que tem merecido grande dedicação por parte da Hovione é a que diz respeito à protecção ambiental. em Loures e em Macau. trabalham na Hovione. a empresa desenvolveu a segunda vertente do negócio. e um Centro de Transferência de Tecnologia em New Jersey. 203 . utilizados como anti-inflamatórios e anti-alérgicos na preparação de pomadas e aerossóis.1 milhões de Euros. Japão. Cerca de 660 profissionais. nas quais emprega mais profissionais do que na produção.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais A Hovione Hovione é uma empresa portuguesa dedicada à química farmacêutica. de dez nacionalidades diferentes e com idade média de 37 anos. Fundada em 1959 por Ivan Villax. Exemplo do compromisso que assumiu com as questões ambientais é o facto de ter subscrito o Responsible Care Program e utilizar tecnologias GreenCycleTM. investigador químico. 14. Durante a década de 90. anti-parasíticos e produtos utilizados em terapias oncológicas.

204 .

As emissões de COV's (Compostos Orgânicos Voláteis) localizadas e difusas.1 Qualidade O fabrico de produtos farmacêuticos de base é regido por uma elevada exigência de qualidade. 12. e em caso de bombeamento de líquidos com elevado grau de perigosidade ou toxicidade devem ser utilizados empanques magnéticos. • erosão mecânica. Segurança. Em relação a equipamento de bombeamento centrífugo. lista de lubrificantes. O desenho dos equipamentos deve ser tal que minimize as zonas mortas. manuais de operação/manutenção c/ recomendação de peças de reservas. é referido no documento do IPPC a particular atenção que deve ser prestada à selagem. e quando se verifique uma explosão o equipamento deverá ter meios que permitam interromper imediatamente a deflagração e/ou limitar os seus efeitos. por síntese química. os equipamentos utilizados têm que estar preparados para funcionar em ambientes com potencial perigo de explosão. desenhos de construção mecânicos/eléctricos/ /funcionais. em grande quantidade. de forma a projectar o equipamento e a sua instalação de modo a evitar a formação de atmosferas explosivas e fontes de ignição. No caso das bombas centrífugas de processo. uma vez que tem que ser garantida a vedação permanente entre os elementos rotativos e estáticos. Quando admissíveis.2. 12. No caso das bombas deve ser dada atenção aos empanques mecânicos. requer um elevado grau de exigência em termos de Qualidade. É assim exigido ao fornecedor de equipamentos de processo suporte documental (quando aplicável) para: lista e certificado de materiais.2 Critérios de selecção de equipamento de processo Os critérios de selecção de equipamento para ser utilizado no fabrico de produtos farmacêuticos de base. que vão desde a simples trasfega de solventes ou misturas reaccionais.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12. Facilidade de desmontagem e montagem com reduzido número de peças são factores também a considerar na escolha de uma bomba. até sistemas sofisticados de filtração por Osmose Inversa. substâncias inflamáveis. garantias e certificações.2. através de soluções BAT (Best Available Techniques). baseiam-se no elevado grau de exigência em termos de Qualidade. 205 . As zonas de fricção devem ser devidamente acauteladas de modo a minimizar o risco de libertação de partículas resultantes da erosão ou desintegração para o processo. • elastómeros (empanques. abordadas no documento de referência do IPPC. têm a obrigação legal de serem determinadas e manifestadas oficialmente. os lubrificantes deverão ser de qualidade alimentar.2 Segurança Uma vez que no fabrico de produtos farmacêuticos de base são utilizadas. ou ainda sistemas de distribuição e circulação de fluidos. Essas emissões devem ser minimizadas nas fontes.1 Introdução O equipamento utilizado na produção de Princípios Activos para a Indústria Farmacêutica. os contaminantes externos podem surgir de: • lubrificantes ou fluidos de selagem usados nos equipamentos de processo. provenientes desses equipamentos. Ambiente e Saúde Ocupacional.) não adequados ao processo. em vigor desde 30 de Junho de 2003. 12. É requisito imprescindível a marcação CE de conformidade juntamente com toda a documentação definida na Directiva 94/9/CE. abrangendo também as indústrias de síntese química. para todos os equipamentos que contactem directamente com o produto. 12. As bombas centrífugas Grundfos são utilizadas em diferentes operações do processo de fabricação de Princípios Activos. Segurança. de forma a evitar perdas para o exterior. A manutenção preventiva deverá recorrer a inspecções periódicas visuais de todas as zonas críticas. Materiais de construção devem ser seleccionados de modo a minimizar a corrosão química dos componentes metálicos. É referido com BAT a utilização de empanques mecânicos simples ou duplos. juntas. Ambiente e Saúde Ocupacional. nomeadamente metais pesados. Esta certificação é resultante de uma avaliação dos riscos envolvidos. etc. bem como certificação que ateste a adequabilidade da solução ao processo e local onde se insere. aos impulsores.3 Ambiente A directiva Europeia IPPC (Integrated Pollution Prevention and Control) tem como objectivo a prevenção integrada e o controlo da poluição resultante da produção industrial. podem degradar-se por acção química e/ou térmica. tenha superfícies não rugosas e isentas de fissuras. que possam afectar a qualidade do produto. relatórios dos testes em fábrica. sendo necessário um levantamento de todos os factores de risco que possam afectar a especificação do produto. • produtos resultantes da corrosão.2. é necessário fazer uma evidência documental do controle dos possíveis contaminantes externos. ou seja têm que ser construídos e instalados em conformidade com a Directiva ATEX 94/9/CE. às chumaceiras e às juntas. Assim. Esta directiva cobre os requisitos técnicos a serem considerados. desde a certificação dos componentes eléctricos como anti-deflagrantes para a classe de temperatura a que possam estar sujeitos. • resíduos de aplicações anteriores.

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12.2.4 Saúde ocupacional
De acordo com a Directiva 2003/10/CE de 6 de Fevereiro de 2003, relativa à prescrição mínima de segurança e de saúde em matéria de exposição dos trabalhadores aos riscos devidos aos agentes físicos (ruído), a selecção do equipamento adequado fica condicionada ao ruído máximo admissível para ocupação em permanência, tendo em conta o trabalho a efectuar. Assim o equipamento deverá produzir o mínimo de ruído, tendo em conta o progresso técnico e a disponibilidade de medidas de controlo dos riscos na fonte. O manuseamento dos intervenientes em síntese química devem ser adequados ao seu grau de perigosidade para a saúde humana. Deve-se analisar qual a concentração máxima admissível para cada contaminante na atmosfera da zona de trabalho e adequar o equipamento que garanta a contenção abaixo dos limites de exposição admissíveis OEL - Occupational Exposure Limits.

Fig. 2 - Osmose inversa de purificação de água

12.3 Exemplos de aplicação industrial
As bombas centrífugas Grundfos são utilizadas em diferentes operações do processo de fabricação de Princípios Activos, que vão desde a simples trasfega de solventes ou misturas reaccionais entre equipamentos, até sistemas sofisticados de filtração por Osmose Inversa, ou ainda sistemas de distriuição de fluidos térmicos que garantam uma optimização das condições operatórias. Adiante faz-se uma descrição pormenorizada destas duas últimas aplicações.

Outra aplicação de Osmose Inversa na Hovione, consiste em concentrar 20m3/h de uma solução de Princípio Activo, desde uma concentração de 60g/lit até uma concentração de 150g/lit. Retido 8 m3/h Alimentação 149 g/ lit. 20 m3/h Osmose Inversa 60 g/ lit. Membrana Permeado 12 m3/h 0.5 g/ lit.
Fig. 3 - Osmose Inversa - Diagrama de processo

As condições operatórias necessárias são: Numero de módulos em paralelo = 2 (Para aumentar a flexibilidade) Caudal de cada módulo = 10 m3/h Pressão de permuta = 40bar Bombas seleccionas por módulo = 2 x CRN16-160 em série. Nas figuras seguintes apresenta-se o diagrama da instalação e uma fotografia do sistema.

12.3.1 Filtração por Osmose Inversa
A filtração por Osmose Inversa é a filtração mais fina tecnicamente possível e consiste em reter partículas com dimensão um milhão de vezes inferior a 1 mm, numa membrana porosa geralmente feita em celulose. A Osmose Inversa é utilizada industrialmente para purificar água ou outros solventes, retirando as moléculas indesejáveis, ou concentrar soluções de produtos valiosos. O princípio de funcionamento da Osmose Inversa consiste em fazer passar através da membrana, o fluido que se pretende isento de moléculas grandes, chamado permeado. Para que se dê uma separação efectiva é necessário alimentar o fluido em condições de pressão e caudal adequados e consistentes. O fluido que não atravessa a membrana é chamado retido, por ser aquele que retém as moléculas grandes. A Hovione tem uma instalação de purificação de água com um caudal de 10m3/h para produzir água com uma condutividade de 0.3µS.cm-1 a partir de água de qualidade potável com 3000µS.cm-1.

Retido Permeado

Alimentação

Fig. 4 - Osmose Inversa - Diagrama de tubagem e instrumentação

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Fig. 5 - Osmose inversa de concentração

Fig. 6 - Equipamento de síntese química

12.3.2 Circuitos térmicos
Para obter o Princípio Activo em quantidade e qualidade aceitáveis é necessário que as condições operatórias sejam optimizadas e reprodutíveis, sendo a temperatura do meio reaccional um dos parâmetros críticos da síntese química. Esta temperatura é controlada pela circulação de um fluido térmico através do equipamento, com um determinado caudal e a uma temperatura tal, que por contacto indirecto, promova a transferência térmica. A circulação faz-se através de dois sistemas interligados que são: • Circulação de fluido térmico através do equipamento a uma temperatura variável e a um caudal constante; • Produção e Distribuição do fluido térmico nas diferentes temperaturas constantes e a um caudal variável;

M ⋅ Cp  K − 1   Tin − T 1  ln   = q. ⋅ ρ ⋅ cp ⋅  K  ⋅ t  Tin − T 2   
Em que:

(1)

 U⋅A  K = exp    q ⋅ ρ ⋅ cp 
As variáveis das Equações 1 e 2 são:

(2)

Tin é a temperatura de entrada do fluido de circulação (°C); T1 é a temperatura inicial da mistura reaccional (°C); T2 é a temperatura da mistura reaccional ao fim do tempo t; M é a massa de mistura reaccional que se pretende aquecer ou arrefecer (kg); Cp é a capacidade calorifica média da mistura reaccional, no intervalo de temperaturas considerado (kcal / kg.°C);

12.3.2.1 Circulação de fluido térmico
12.3.2.1.1 Caudal A circulação do fluido térmico através do equipamento é feita através de uma bomba centrífuga que é dimensionada pelo caudal constante, cujo valor depende da capacidade térmica do equipamento e pela altura manométrica necessária para a sua circulação. O caudal de circulação do fluido térmico pode ser obtido iterativamente pela Equação 1, que determina a temperatura da mistura reaccional T2 ao fim do tempo t:

q é o caudal volumétrico do fluido térmico de circulação (m3/h);

q ⋅ ρ ⋅é a massa específica do fluido térmico (kg/m3) à temperatura da operação. cp é a capacidade calorífica média do fluido térmico, no intervalo de temperatura considerado (kcal / kg.°C). U é o coeficiente global de transferência de calor (kcal/ /h.m2.°C), que depende da condutividade térmica de todos os materiais envolvidos na transferência térmica e da turbulência do seu movimento. O valor de U pode ser estimado teoricamente ou determinado experimentalmente;

207

Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais

A é a área total (m2) através da qual se dá a transferência térmica, e depende da geometria do equipamento e da quantidade de mistura reaccional;
M (kg)

QUADRO I - PARÂMETROS
Aquecimento 4000 1.01 300 10 925 0.43 977 0.38 0.99 280 Arrefecimento

No ponto 12.3.2.1.2 é dado um exemplo ilustrativo da aplicação das expressões 1 e 2, para determinação do caudal da bomba de circulação, em condições de aquecimento e arrefecimento.

Cp (kcal / kg.°C) U (kcal / h.m2.°C) A (m2)
r

(kg / m3)

cp (kcal / kg.°C)
100 90 80
Temperatura (ºC)

70 60 50 40 30 20 10
5m3/h 10m3/h 15m3/h 20m3/h

Fig. 7 - Diagrama do Circuito Térmico

12.3.2.1.2 Exemplo de aplicação Selecção de uma bomba para um circuito térmico de um reactor de 4000lit. de capacidade, no qual se pretendem as seguintes condições operatórias: a) Aquecimento da mistura reaccional desde uma temperatura inicial T1=25°C até uma temperatura final de T2=100°C, com um fluido térmico a uma temperatura de entrada de Tin=120°C; b) Arrefecimento da mistura reaccional desde uma temperatura inicial T1 = 25°C até uma temperatura final de T2=0°C, com o mesmo fluido térmico a uma temperatura de entrada de Tin=-15°C. Considerar para perda de carga total do circuito o valor de 20m.c.a. Utilizando as Equações 1 e 2, de uma forma iterativa, e os parâmetros do sistema apresentados no Quadro I, obtém-se o gráfico de variação da temperatura da mistura reaccional no tempo, para diferentes caudais de circulação.

0 0.0 0.3 0.7 1.0 1.3 1.7 2.0 2.3 2.7 3.0 3.3 3.7 4.0 Tempo (h)

Fig. 8 - Gráfico da temperatura da mistura reaccional para diferentes caudais de circulação

Analisando o gráfico da fig. 8, verifica-se que deixa de haver uma diminuição significativa do tempo total de aquecimento e de arrefecimento quando se aumenta o caudal de circulação de 15m3/h para 20m3/h. Considerando o valor de caudal de 15m3/h e uma altura manométrica de 20m.c.a, uma bomba adequada para a circulação de fluido térmico através da camisa de um reactor de 4000lit. de capacidade seria uma CR16-30.

12.3.2.2 Sistema de distribuição de fluido térmico
12.3.2.2.1 Temperaturas O sistema geral de distribuição de fluido térmico é constituído pelos subsistemas independentes de produção, armazenagem e distribuição do fluido térmico a diferentes temperaturas.

208

Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais

Para realizar aquecimentos é necessário dispor de um fluido térmico a uma temperatura elevada, cujo valor depende da temperatura máxima exigível para o processo, nunca podendo ser superior à temperatura admissível para o equipamento. Geralmente a temperatura máxima utilizada nos processos de produção de Princípios Activos situa-se entre 120°C e 150°C. A produção do fluido nesta gama de temperaturas pode ser realizada por circulação através de permutadores de calor alimentados com vapor ou através de resistências eléctricas.

O factor de simultaneidade tem em conta que não é expectável que todos os equipamentos de uma instalação estejam a trabalhar na sua capacidade térmica máxima em simultâneo. Este factor pode ser obtido por estimativa baseada no grau de utilização dos equipamentos, ou utilizando equações estatísticas, como é o exemplo da equação 3.

f =

1 n −1

(3)

em que n é o número total de equipamentos.
HTFR

HTF

A utilização de modelos matemáticos requer uma análise cuidada do valor obtido, baseada na experiência de instalações similares e no bom senso. 12.3.2.2.3 Caudal A determinação do caudal necessário para um sistema de distribuição de fluido térmico é feita de forma idêntica à determinação da capacidade energética, descrita no ponto anterior, tendo em consideração o somatório de todos os caudais necessários de todos os equipamentos alimentados pelo circuito, e aplicando o factor de simultaneidade. Para obviar a variação das necessidades energéticas é conveniente que a distribuição de fluido térmico se faça a caudal variável, o que se consegue através da variação de velocidade das bombas de distribuição, em função da número de consumidores em funcionamento.

Fig. 9 - Diagrama do Circuito de Distribuição

Para efectuar o arrefecimento é necessário dispor de fluido térmico a uma temperatura reduzida, cujo valor depende da temperatura mínima exigida pelo processo e que não poderá ser inferior à temperatura mínima admissível para o equipamento. Geralmente a temperatura mínima utilizada nos processos de produção de Princípios Activos situa-se entre os -30°C e os -15°C, em casos especiais poderá haver necessidade de uma temperatura criogénica, na ordem dos -100°C. A produção do fluido térmico a -30°C faz-se normalmente por circulação através de uma máquina frigorifica, ou de um permutador. Geralmente para os sistemas térmicos de unidades de produção de Princípios Activos justifica-se economicamente a existência de um circuito térmico a uma temperatura intermédia. Este fluido tem como principal função efectuar o primeiro arrefecimento ou aquecimento, quando o equipamento está a temperaturas extremas. A escolha da temperatura mais adequada depende da utilização preferencial e do balanço económico e poderá ser cerca de 25°C, que se obtém fazendo circular o fluido por um permutador por onde circule água arrefecida em torres de refrigeração, ou cerca de +5°C a +10°C para o qual é necessário ter uma máquina frigorífica.

Fig. 10 - Sistema de distribuição

12.3.2.2.2 Capacidade energética A capacidade energética de um sistema de distribuição de fluidos térmicos depende do número e capacidade dos equipamentos que vão ser alimentados e também do factor de simultaneidade da instalação.

O ajuste do valor da velocidade é feito de forma a manter constante a pressão do circuito de alimentação. Assim, quando um consumidor entra em funcionamento a pressão do circuito de alimentação tende a baixar, o controlador fará aumentar a velocidade da bomba, para que a pressão se mantenha no valor de set-point seleccionado. Quando um consumidor deixa de estar em funcionamento o controlador reage de forma inversa. Com este sistema garante-se a alimentação uniforme aos equipamentos, em todas as condições de utilização da instalação.

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para as três opções consideradas. menor número de equipamentos.CAPACIDADES Equip.2.000 3.Gráfico da potência absorvida para as opções de bombeamento Pode concluir-se que a Opção I é a mais favorável.A.3.000 Caudal de circulação (m3/h) 15 30 180 16 14 12 10 8 6 4 2 0 0 15 30 45 60 75 90 105 120 Caudal (m 3/h) Opção I Opção II Opção III Aplicando a Equação 3 para oito reactores. Para o sistema de arrefecimento há a considerar que todos os reactores têm sistemas de condensação de Compostos Orgânicos Voláteis (COVs).2.CIRCUITO DE DISTRIBUIÇÃO Capacidade Térmica (kcal/h) Fluido Térmico 2.) 4.C. são indicadas as necessidades energéticas e o caudal de distribuição necessário para o fluido térmico a cada temperatura.000. H = 40M. ambos do mesmo modelo.5 Custo Total (Euros) 7. é possível considerar três opções diferentes. QUADRO II . tendo em consideração o número máximo de equipamentos em funcionamento simultâneo na capacidade máxima.000 500.000 56. para uma instalação composta por oito reactores com as capacidades indicadas no Quadro II. QUADRO III . que estará em funcionamento sempre que o reactor esteja a uma temperatura superior à ambiente.SISTEMA DE BOMBEAMENTO CAUDAL TOTAL = 120M3/H. Verifica-se que não há variação significativa da potência absorvida. tal como mostra o Quadro IV: QUADRO IV .250 Potência Instalada (kW) 22 I 210 .600 22.4 Exemplo de Aplicação Seleccionar os sistemas de bombeamento dos circuitos de distribuição de fluido térmico de Aquecimento e Arrefecimento. 20 18 Potência (kW) Capacidade (lit.000 Capacidade Térmica (kcal/h) 300. Assim deverão considerar-se cinco equipamentos em utilização simultânea.000 Caudal de circulação (m3/h) 120 Fig.000 22 8. por ter menor custo. conclui-se que poderão estar quatro em funcionamento simultâneo. No Quadro III.200. 1a4 5a8 S O gráfico da figura 11 mostra a variação da potência absorvida em função do caudal. Opção Quantidade de Bombas 2 Caudal (m3/h) 60 60 40 II 3 40 40 30 III 3 30 60 Tipo CR64-2 CR64-2 CR45-2 CR45-2 CR45-2 CR32-3 CR32-3 CR64-2 8. sendo ainda garantido 50% do caudal máximo em caso de avaria de uma bomba. igual consumo energético. 11 .Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12.000 10. Para selecção dos sistemas de bombeamento do fluido térmico às diferentes temperaturas.

WinCAPS. Kern. June 1996. Ilhan. Jornal Oficial das Comunidades Europeias . Volume1. Tosun. Integrated Pollution Prevention and Control (IPPC) Reference Document on Best Available Technics in LVOC Industries .Directiva 2003/10/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 06 de Fevereiro de 2003.Bulk Pharmaceutical Chemicals. First Edition ISPE.. 211 . Novembro 1993. 1965. Chemical Engineering.y Jornal Oficial das Comunidades Europeias . New York. McGraw-Hill.Q. D. Ismail and Aksahin. Process Heat Transfer. Versão 7. Predict Heating and Cooling Times Accurately.4 Referências bibliográficas Grundfos. Guides for New Facilities .44 / 2003.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12.Directiva 94/9/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 23 de Março de 1994.February 2003.

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grundfos.: 22 542 05 20 • Fax: 22 542 05 38 www.com BGP . 241 • 2770 .: 21 440 76 00 • Fax: 21 440 76 90 Filial: Apartado 3035 • 4031.03/2005 . S.601 Porto Rua da Ranha.A. Sede: Apartado 1079 • 2771.153 Paço de Arcos Tel.273 Porto Tel. 320 e 334 • 4350 .901 Paço de Arcos Rua Calvet de Magalhães.Ser responsável é a nossa base Pensar mais além torna tudo possível A inovação é a essência de tudo o que fazemos Bombas GRUNDFOS Portugal.

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