GRUNDFOS SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO

Manual de Engenharia

Biblioteca Nacional - Catalogação na Publicação Manual de Engenharia Sistemas de Pressurização ISBN: 972 - 99554 - 0 - 9

Depósito Legal n.º 223570/05

Copyright © 2005 - Bombas Grundfos Portugal / Margarida Ruas / Raul Vital / Paulo Ramísio / Eduardo Nunes / Carlos Medeiros / Ana Amélia Santos / José Beltrão / Pedro Farinha / Luís Olival

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Nenhuma parte deste livro poderá ser reproduzida, de qualquer forma ou meio, sem a autorização prévia do editor. Edição de: Bombas Grundfos Portugal, S.A.

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BGP - 03/2005

PREFÁCIO
Actualmente, as sociedades desenvolvidas, na sequência da melhoria da qualidade de vida, têm como expectativa não apenas o acesso fácil ao recurso água mas também elevados padrões de qualidade no seu abastecimento. Esta exigência arrasta consigo a garantia do fornecimento contínuo, a sua qualidade intrínseca e as características adequadas ao seu uso, inerentes à quantidade e à pressão. Estes critérios de qualidade a que todos nós, de forma crescente, nos fomos habituando, são aplicáveis, principalmente, ao consumo humano, mas são também extensíveis aos sectores económicos da sociedade, cujo desenvolvimento está na dependência da água. Para atingir os desejados padrões de qualidade é fundamental o cumprimento da legislação vigente e a aplicação das tecnologias mais avançadas, factores que se revelam da maior importância para a optimização dos custos de exploração, dos quais o consumo energético é um factor determinante, se tomarmos em conta que aproximadamente 20% do consumo mundial de energia eléctrica se destina a grupos electrobomba. O reconhecimento de que uma das componentes do custo da água reside na sua movimentação, desde a captação à sua utilização, implica que a selecção dos sistemas de pressurização deverão ser cada vez mais eficientes e económicos. A responsabilidade social e o desenvolvimento sustentado que a Grundfos assume nos seus valores, sensibiliza-a para a importância da reflexão e do diálogo sobre o tema da água como bem fundamental e escasso. Foi com este espírito presente que o Manual de Engenharia sobre o tema "Sistemas de Pressurização" foi abraçado por um conjunto de docentes universitários e especialistas, em vários sectores da utilização da água, tendo como objectivo a optimização da eficiência e da fiabilidade da movimentação da água. O conteúdo deste Manual foi estruturado com informação técnica actualizada, desde a legislação às soluções tecnologicamente mais avançadas, complementado com ferramentas e técnicas para a melhoria do Custo do Ciclo de Vida dos sistemas públicos, prediais, industriais e na rega. O conceito de variação de velocidade utilizado nos sistemas hidráulicos, é adaptado em concepções diversificadas, em função das características das aplicações, como processo para optimização do consumo energético. É aqui inserido um documento de referência, que descreve a evolução histórica do abastecimento de água à cidade de Lisboa e regiões limítrofes, desde a ocupação Romana à actualidade, relatando os acontecimentos históricos que foram influenciados por essa evolução. É referida a importância da água para o consumo humano, para a rega e para a higiene pública. É ainda abordada a problemática do seu tratamento e as suas propriedades terapêuticas para a cura de diversas doenças. Evoca ainda a importância da água no desenvolvimento da cidade de Lisboa, assim como transmite os detalhes da evolução tecnológica nos meios utilizados para o abastecimento da água, desde as nascentes aos consumidores públicos e industriais, até ao abastecimento domiciliário com água canalizada. Este Manual é uma colectânea dos contributos da Grundfos e de todos aqueles que participaram na realização deste projecto, e teve como orientação estratégica a gestão racional da água e a sustentabilidade ambiental. Destina-se à sociedade em geral e em particular aos consultores, projectistas, empresários, empresas municipais e multimunicipais, técnicos, docentes e alunos de universidades e institutos cuja actividade está, directa ou indirectamente, dependente do estudo e da utilização da água. António Miranda Administrador Delegado Bombas Grundfos Portugal

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em cada momento. todos registam bombear e bombeamento e excluem as outras hipóteses. Para o caso. ressuscitar) e outras que emergem (nascem) para designarem novos objectos ou conceitos. E diz-nos a experiência que do natural conflito entre norma e uso. geológica). são tão legítimas e frequentes as dúvidas como as certezas. As línguas maternas reflectem os conceitos vigentes na sociedade. todavia. a forma mais antiga e mais adequada. há certas palavras e formas de dizer que caem em desuso (morrem. não colide com a morfologia do nosso idioma. mas também em linguagens específicas (física. interessa apenas o significado de "máquina para aspirar e elevar líquidos. Quer o verbo bombear quer o substantivo bombeamento são as formas a que os mais prestigiados dicionaristas dão acolhimento. Edite Estrela 3 . militar. é o uso que sai vencedor e se impõe à generalidade dos utentes. podendo. em matéria linguística. conotativos outros. Por isso. Embora também haja quem empregue a forma bombagem como sinónimo de bombeamento (o Dicionário da Academia. bombeamento é. Assim. Serve esta pequena introdução para explicar que.Bombeamento ou bombagem Os idiomas não são instrumentos neutros nem modelos estáticos. a palavra primitiva) tem diferentes sentidos. e devem responder às necessidades de todos e de cada um dos falantes. aliás. bombeamento pode designar "a extracção de um líquido ou de um gás por meio de bomba". inclui os dois verbetes). de tal modo que o que é incorrecto num dado momento pode ser considerado correcto noutro. designadamente. mais tarde. mais tarde ou mais cedo. Bombeamento formou-se juntando ao verbo (bombear) o sufixo nominal -mento. E é empregado na linguagem corrente. o verbo bombear e o substantivo bombeamento. ou seja. denotativos uns. como qualquer organismo vivo. atribuindo-lhe o sentido de "acção ou resultado da acção. A dúvida que suscitou estas reflexões é esta: "bombar ou bombear" e "bombagem ou bombeamento"? O substantivo feminino bomba (no caso. Bombear significa "extrair um líquido ou um gás por meio de bomba". No primeiro caso. passando pelos "Vocabulários" de Gonçalves Viana e José Pedro Machado. juntando a bomba o sufixo verbal -ear (tal como de guerra+ear se formou guerrear e de cabeça+ear derivou cabecear) que encerra um sentido frequentativo (repetição de uma ideia). Do substantivo bomba derivaram outras palavras. As línguas. mudam com o tempo e as vontades. Pelo menos é esta a opinião dos mais reputados estudiosos da língua portuguesa. Importa apenas acrescentar que o substantivo bombagem também respeita as regras de formação de palavras. estado". As palavras não são unívocas e só o contexto pode indicar o sentido exacto de cada termo. aparelho com que se transvasam ou esgotam fluidos (líquidos ou gases)". As palavras são polissémicas e podem significar uma "coisa" e o seu contrário. Do velho Morais ao novo Houaiss.

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. . . . . . . . . . . . 91 Introdução . . . . . . . . .1 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Bombas centrífugas . . . . Viscosidade . . 4. . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . .1 6. . . . . . . . . Determinação da pressão . . . . . . . . .1 Constituição e princípio de funcionamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . . . . .6 4. . . . . . . . . . . Escoamentos sob pressão em regime uniforme e permanente . . . . . . . . . . . . Evolução histórica dos sistemas de abastecimento de água a Lisboa . . . . . . . . . . . . . . . .13 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .14 1. . . . . . . . . . 93 Razões para a utilização do CCV . Reservatórios unidireccionais . . . . . . . .6 3. . . Ponto de funcionamento de uma bomba centrífuga . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 2. . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . Conceitos básicos . Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . Conceitos fundamentais de hidrocinemática . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 4. . . . . .8 4. . . . . Bombas de velocidade fixa . . . . . . . .1 Reservatórios de membrana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 3. . . . . . . . .3 3. . . . . . . . . . Dimensionamento e selecção . . .4. . . . . Arrancadores suaves . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 4. . .1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . Constituição . . . . . . . . . . . . . . . . .4 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 2.11 1. . . . . . . . . . . . . . . .4 2.5. . . . . . . . .1 5. . . . . . . 94 Implementação da metodologia . . 102 6. . . .5 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Volantes de inércia . . . .5 5. A 2ª. . .1 4. . . . . . . . . . . . . .6. . . . Curva característica da instalação . .3. . . . . . . . . . . . . . . Introdução . . Chaminés de equilíbrio . . .9 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 6.12 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 97 Exemplos de aplicação do Custo do Ciclo de Vida . . . . . . . Duarte Pacheco e o contrato de 31 de Dezembro de 1932 . . . . . Sistemas de pressurização com grupos electrobomba . . . Sistema Hydro 1000 . . . . . . . . . . . . . .9. . . . . .5. . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . Os problemas da qualidade das águas .3. . . . . . . Cavitação e NPSH . . . . . . . . . . . . . . . .12 2.1 1. . . . . . . 1. . .2 2. . . . . . . . . .10 4. . . . . . . . . .3 6. . . . . 98 Sistema de bombeamento existente com uma válvula de controlo de caudal . . . . . . . .2 6. . . . . . Sistema Hydro 2000 F . . .8 1. . . Companhia das Águas e o começo do abastecimento domiciliário . . . . . . . . . . . . . Sistemas de pressurização com grupos electrobomba de velocidade variável . . . . Os antigos chafarizes de Lisboa . . .2 2. . . . . . . . . . . . . . . Propriedades da água . . . . . . . . . . . . . .4. Sistema Hydro 2000 E . .3 6. . . . . . . . . . . . . . . Dimensionamento económico de condutas . . . . A EPAL e o Castelo de Bode . . . . . . 103 105 105 105 106 107 109 109 110 112 113 Sistemas de pressurização com velocidade fixa e velocidade variável .4. . .5 3. . . . e hidrodinâmica . Teorema da quantidade de movimento ou de Euler . . . . . . . . . . . .2 2. .9 4. . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . . . . . .6 1. . . .11 2. 96 Na fase de projecto . . . . . . . . . . . . . . . O Aqueduto das Águas Livres . . . . . . . . . .6 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61 62 64 65 65 65 66 66 72 72 74 75 76 31 35 35 35 35 35 36 36 36 36 36 37 37 38 38 38 40 40 40 40 40 41 41 42 42 42 42 45 47 48 49 77 79 80 82 83 83 83 84 84 86 86 87 88 88 88 88 89 90 O Custo do Ciclo de Vida como factor de economia . . . . . . . .5. . . . Características das centrais hidropneumáticas . . . . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . .1 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 3. . Condições de fronteira . . . . . . . A 1ª. Critérios de cálculo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 Tipos de sistema de elevação de pressão . . . . . . . . . . . . . . . . .4 4. . . . . . . . . . . .2 1. . . . . .1 4. . . .3 4. . . . . . Introdução . . Válvulas motorizadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . .3 5. . . . . . . . . . .5 1. . . . . . .6 2. . . .2 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Reservatório parcialmente bidireccional . . .1 2. . . . . . Exemplos de situações-tipo . . . . . . Caso prático . . . . . . . . . . . . . . . . .2 5. .6. . . . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . .4 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5.13 3. . . . . . . . . . . . Teste de sistemas . . . . .1 5. . . . . . . . .11 4. Sistemas com bombas de velocidade variável . . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .7 Referências bibliográficas . . . . Regime uniforme e permanente . . . . . . . . . . . . . . . . . . .7 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Curva característica da bomba . . .3. . . . . . . . . . . 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 2. . . . Sistema Hydro Solo E . . . . . . . . . . 3. . . . . . . . . . . .8 2. . . . . . . . .4 3. . . . .3 4. . . . . Reservatórios hidropneumáticos . . . . . . . . . . . . 3. . . . . . . Sistemas por bombeamento directo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Modelo de cálculo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Equação da continuidade . . . . . . . Compressibilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 2. . . Companhia das Águas e o Alviela . . .10 2. . . . . . . . . . .3. .7 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3. . . . . .9. Referências bibliográficas . . . . . . .4 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Critérios de selecção e análise de sistemas simples em regime transitório . . . . . . . . . . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . 51 55 55 55 55 56 5 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 Grupos electrobomba . . 93 Determinação do Custo do Ciclo de Vida . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Leis de semelhança . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Classificação dos escoamentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Reservatórios de ar comprimido . .3 2. . . As municipalizações do abastecimento de água e a sobrevivência da Companhia .1 2. .3. . . . . . . . . . . . . . .3 3.2.6 4. . . . . . . . . . . .3. .6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . Os projectos de Pezerat face à falta de água no século XIX . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Introdução . . . . . . . . . . . . Propostas para a reconstrução do aqueduto romano . . . . . . . . . . . . . . .1 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . .1 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Das origens ao aqueduto romano de Olisipo . . . . . . .4 3. . . 98 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Cálculo hidráulico . . . . . 93 O que é o Custo do Ciclo de Vida? . . . . . . Constituição e princípio de funcionamento . . . . . . . . Válvulas de retenção . . . . . . .3 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . .Índice Índice 1. . . . . . . . . . de velocidade fixa . . . .1 3. . . . . . Definição . . .1 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Escoamentos laminares e escoamentos turbulentos . . .5 2. . . . . . . . .Tejo ou Zêzere . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Regulação das pressões de arranque e paragem . . . . . . .10 1. . . Classificação das redes hidráulicas . . . Princípios da mecânica dos fluidos . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 5. Perdas de carga localizadas . . . . . . . . . . . . . . .1 2. .2. . . . . . . . . . . . . . . . Redes hidráulicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Dispositivos de manutenção das pressões transitórias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . As duas opções em confronto . . .3 2.3. . . . . . . . .10. . . . . . . . . . . . . . . . . Sistema Hydro 2000 . . . . . . . Perdas de carga contínuas . . . . . . . Sistema Hydro 100 . . . .1 3. . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 Escolha do sistema de pressurização na fase de projecto . . . . . . . . .2 4. . . . . . . . . . . . . . . . 6. . . . . . . .1 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .7 2.3 Centrais hidropneumáticas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. Tensão de saturação do vapor de água . . . . . . . .2 6. . . . Circuito de desvio . . bombas centrífugas e redes hidráulicas . . . . .10. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . O projecto de 1908 para captação de água no Tejo . . . . . . . . . Dispositivos de protecção . . . . . . . . . . . . . .2 6. . . . . . . . 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3. . . . 96 Aplicação a sistemas existentes . .4 Sistemas de pressurização Grundfos . . . Conceitos fundamentais de hidráulica. . . . . . . . .2 3. . .9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .15 1. . . . 99 5. . . 5. . . Expansão do abastecimento .5 4. . Determinação do caudal máximo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 11 11 12 12 13 17 17 18 21 21 22 24 25 26 26 28 3. . . . .16 2. . . . . . . . . .12 1. . . . . . Teorema de Bernoulli . . . . . . . .

. . . . . . . . . . . .1 11. . . . .2. . . . . . .2 8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Aplicação de sistemas de pressurização em processos industriais . . . . .3 9.3 9. Aspiração de uma rede sob pressão . . . . . . . . . 12. . . . . . . . . .4 8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 11. . . . . . . . . . . Reserva predial de água para abastecimento doméstico . . . .1 8. . . Eficiência de distribuição. . .2 8. . . . . . .1 9.5 11. . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . Resultados práticos . .2 7. . . . . . . . . . . . . .9 10. . . . . . . Introdução . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 9. . . . . . . . . . . . . . . 9. . . .3.4. . . .8. . . . . . . . . . . . . . . Sistemas de rega sob pressão .3. . . . . . . . . . . . . . . . Vantagens de um sistema integrado . . . . . . .2 10. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 10. . . . . . . . . . . . . . . . .5. . .1 9. . . . Aspectos gerais . . . .3 9. . . . . . . . . . . . . .3 12. . . . . . . . . . . . . . . .6 11. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Aspectos gerais . . . .2. . . . . Outras publicações complementares . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Aspectos gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 12. . . . . . . . . . . . Aparelhos produtores de água quente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Eficiência de rega e consumo de energia nos sistemas de rega sob pressão . . . . . . . . . . . Concepção dos sistemas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistema de abastecimento público . . . . . . . . . .2 8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . .2 9. . . . . . . . . .4 10. . .1 7. . . . . . . .2 11. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 12.2 9.3. . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Manutenção aos equipamentos de bombeamento . . . . . . Aspectos gerais . . .5. . . . . . . . . . 11. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 9. . . . polivalência e economia . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistemas de rega por gravidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 12. . . . . . . . . . . . . . . . Utilização de reservatórios de membrana . .4. . Sistemas prediais de distribuição de água quente . . . . . . Controlo por pressão . . . . . Torneiras e fluxómetros . . . Introdução . . .8 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Águas convencionais . . Eficiência total de rega . . . . . . . . . . . . .8. . . . .4. . . . . .5 11. . . . . . . . . .8. . . . . . . . .2 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Requisitos para instalação . . . . . . .1 7. Estrutura do Manual de Redes Prediais . . . . Manutenção aos sistemas de monitorização e controlo .1 11. . . . . . . . . . . . . . . . . Ambiente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 12. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 12. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10. . .1 11. . . . . . . . . .5. . . .4.4 7. . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 10. . . . . . . . . . . . .4 7. . . . . . . . . . . . . . Valores médios e técnicas de maximização da eficiência de rega . . . . . . . . . . . .1 8. . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . . . .1 8. . . . Descrição dos capítulos estruturantes do Manual . . Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . .2. . Necessidades de água quente e escolha dos aparelhos de produção . . . . Eficiência de rega e sua classificação . . . . . . . . . . Qualidade . . . . . . . . Aspiração de cisterna elevada . . . . . . . .2. .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . Eficiência de uso de água .3. . .2. . .3. . . . . . . . . . .2 Sistemas de controlo. . . . Dimensionamento hidráulico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Instalação e manutenção de bombas e sistemas de bombeamento . . . . . . . .3. . .3. . . .3 8. . . . . . . Saúde ocupacional . . . . . . . . . . . . . . desinfecção e funcionamento hidráulico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 11. . . . . . .7. .3. .1 10. . . . . . . . . . .6. . . . . . . . . . . . . . . . . .4. . . . Sistemas de abastecimento público e predial no Porto . . Dimensionamento dos reservatórios hidropneumáticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 12. . Aspectos gerais .7 12. . . . . . . . . . . . . .5. Válvulas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Elementos dos sistemas . . . Localização do equipamento de bombeamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Elementos de instrução dos processos de projectos . . . . . . . .2 7. . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 149 150 150 150 151 152 153 157 157 157 157 163 163 164 164 175 175 176 177 125 127 127 127 127 127 128 128 128 129 129 129 130 131 135 135 135 135 136 136 136 137 137 137 137 138 141 141 141 141 141 143 145 145 145 145 146 147 147 147 148 148 148 148 148 179 183 183 183 184 186 186 187 193 193 193 193 194 194 194 194 194 195 196 197 198 201 205 205 205 205 205 206 206 206 207 211 6 . . . . . . . . . .4 9. . . . . . . . . .2. .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . Isolamento das canalizações . . Consumo anual de energia para instalações de rega sob pressão . . . . . . . . . .2 11. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 11.1 9.3. . . . . . . . . . . Instalações elevatórias e sobrepressoras . . . . . .1 11. . . Referências bibliográficas . . . . . .3 9. . . . . . . . . . . . . Classificação dos sistemas . . . . .4 11. . .3 12. . . . . . . . . . . . .3 9. . . . . . . .4. . .2. . . . .3 9. . . Aspiração negativa . . . . Aspectos gerais . . Necessidade de comunicação . Exemplos de aplicação industrial . . . . . . . . . . .2 7. . .2. . Dimensionamento dos sistemas prediais . . Manutenção . . . . . . . . . .1 7. . .3 11. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . Eficiência de armazenamento . . . . . . . . . . Entrada em serviço dos sistemas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Concepção global dos sistemas de distribuição em Lisboa . .1 8. . . . . . . .3 9.3 8. . . . . . . . .4. 8. . . . . . . . . . .2 10. . . Filtração por Osmose Inversa . . . . . . . . . . . . . Referências bibliográficas . . Verificação . .2 12. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . comunicação e gestão . . . . . . . . . . .7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . .2. . . . .4. . . . . .3 10. . Aspectos gerais . . . . . . . . .4 9. . Sistemas de rega sob pressão: eficiência. . . . . . . . Eficiência de aplicação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . Outros tipos de controlo . . . . . . . . . .2 9. . . . . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . Conclusões . . . . . . .6 9. . . . . .4 9. . . .5 10.5. . . . . .2 8. . . . . . . .2 11. . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117 119 119 119 119 119 120 120 120 120 121 121 122 9. . . Circuitos térmicos . . . Classificação dos sistemas de rega . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Águas não convencionais . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . .6 11. . . . . Sistema de abastecimento predial de água . . 7. . . . . . . . . Monitorização e gestão de sistemas mistos . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . .3 11. . . . . . . . . . . . . . . Instalação de sistemas de bombeamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Segurança . . . . . . . . . . . .6. . . . . . . . . . Sistemas prediais de distribuição de água fria . . . .1 9.2. Comunicação entre sistemas de bombeamento . . . . . . . .1 11. . . . . . . . . .2. . . . .1 10. . . . Elementos e parâmetros de rega a utilizar no cálculo do consumo de energia . . . . . . . . .1 9. . . . . . . . . . . . . . . .3.1 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . .2 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. Controlo de sistemas de bombeamento . . . Comunicação entre sistemas de controlo da mesma rede . . Enquadramento legislativo .5 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 11. . .4 Contadores . . . . . . . . . . . . . . . . referência ao coeficiente de uniformidade de distribuição de água de christiansen . . . . . . .2 9. . . . . . . . . . . . . . . . Introdução . . . . . . Polivalência dos sistemas de rega . . . Elementos acessórios da rede . . . . . . Introdução . . . Eficiência de transporte . . . . . . . . . . . Necessidades de ventilação . . . . . . . . . . . . . . . Controlo por caudal . . . . . . . . Gestão integrada entre sistemas de bombeamento . . .5 11. . . . . . . . . . Sistemas de abastecimento público e predial em Lisboa . . . . . . . . . . . . . . .3 10. . . . . . . . . . . . . . . . . .3 8. . .3 7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Concepção global dos sistemas prediais em Lisboa . . Execução das redes prediais . . . . . . . Caracterização da rede de Lisboa . . . . . .5 9. . . . . . . . . . . .1 7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Índice 7. . . . . . . . . . . . . . .1 9. . . . . . . . . Desinfecção dos sistemas . . . . . . .5.7 9. . . . . . . . . . . . . .6. . . Sistemas de distribuição de água quente com recirculação Traçado . . . . . . . Prova de funcionamento hidráulico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 9. . . .7. . . . Verificação. . . . . . . . .3 7. . . . .2. . . . . . . . .5 9. . . . . . . . .4 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . Ramais de ligação . . . . . . . . . . . Controlo por nível . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 9. . . . . . . . . . . . .2 9. . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . Elementos de dimensionamento . . . . . . . .1 9. . . .1 10. . . . Critérios de selecção de equipamento de processo . . . . . . .

Responsável pelo Arquivo Histórico do Museu da Água 7 .Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1. EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS SISTEMAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA A LISBOA Autores: Margarida Ruas Gil Costa Directora do Museu da Água Raul Fontes Vital Historiador e Arquivista.

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o mais alto galardão atribuído por esta entidade. encontram-se indissociavelmente ligados à história do abastecimento de Água. a Sala de Exposições Temporárias e o Arquivo Histórico. e de tudo o que ela representa no acumular de conhecimento científico e tecnológico. o Equilíbrio Perfeito. do nosso conhecimento e do pensamento. dando oportunidade aos mais novos e intensificando o prestígio dos mais conhecidos cumprindo a educação permanente. em Portugal. é um Património Precioso. na cidade de Lisboa e oferecemos um conjunto de quatro monumentos que constituem o Museu da Água.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa O Museu da Água da EPAL O Museu da Água da EPAL. racionais e sensoriais completam a construção do Eu cumprindo a observação cabal do Todo. alertando para o ambiente. A estratégia de comunicação do Museu da Água é provocadora na forma como chega às escolas. estudantes e especialistas. a preservação e animação do património. estimulando a investigação. de sentir prazer e de não envelhecer. A identidade desempenha um papel fundamental na configuração do mundo e na construção do eu do ser humano. É dever dos povos construir a eternidade partilhando o conhecimento e preservando a vida e o património. acima de tudo. Este último integra a sala das Máquinas a Vapor. Mas para além desse sucesso evidente para a opinião pública nacional e internacional o maior sucesso é fazer a diferença na vida de muitas crianças e de adultos a quem provocamos na sua criatividade. que fazem acontecer e que contribuem para a sedimentação das identidades que cumprem a diversidade do País e dos diferentes povos que aí vivem. universidades. O Museu da Água é o único em Portugal com o Prémio do Museu do Ano do Conselho da Europa (1990). Tudo é património. futuro e a Grundfos consubstancia este manifesto. O Museu constitui. 9 . os outros e o próprio Mundo. dispomos de um serviço educativo para as escolas. Patriarcal e a Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos. Os museus são lugares de criatividade onde se aprende sempre mais. e de capacidade criativa do génio humano. bem como para a consciencialização da sua identidade e problemas comuns. Existimos numa cadeia una. local de criatividade e de encontro de culturas. códigos de comportamento numa perspectiva sincrética que junta o mundo todo no principio da reciprocidade (tudo o que fazemos é importante e atinge o meio em que vivemos e por sua vez nos atingirá). abrange 4 núcleos: o Aqueduto das Águas Livres. quando um elo se quebra. As percepções espirituais. os reservatórios da Mãe d'Água. de um Arquivo Histórico que ajuda a entender a Inteligenzia portuguesa e que é consultado por académicos. a Sala de Exposições Permanentes. Recebemos visitantes nacionais e internacionais. preservados e organizados museologicamente. das famílias consideradas como reguladoras sociais capazes de reunir pessoas à volta de necessidades comuns. todo ele. indissociável que. ajudando-os a combater o medo que nos retira o direito de viver. As exposições que organizamos são discursos abertos e imprevistos que densificam a dimensão artística. construídos entre o século XVIII e XIX. Este conjunto de monumentos e edifícios. onde o cenário de fundo nos é dado através desta luta de séculos travada pelo homem pela conquista da água. tudo é passado. Os prémios Internacionais legitimam e celebram o sucesso do Museu. polarizadores de cidadania (o seu ethos na dupla perspectiva filosófica e prática). É uma dádiva viver no respeito e na reciprocidade do que nos rodeia. Os Museus são cada vez mais complementos e auxiliares das escolas. de pensar livremente. O Mundo. Existimos fisicamente no mundo. que provocam a mudança de mentalidades. Este prémio destaca todo o museu que contribua para o entendimento e conhecimento da herança cultural europeia. da EPAL e também de Portugal. presente. afecta o todo que somos nós. A identidade do Museu junta-se à identidade da EPAL e de Portugal constituindo-se como parte da nossa cultura e como mensageiro desse espírito. de rir. a Harmonia Absoluta. inaugurado no dia 1 de Outubro de 1987.

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à sua captação em rios e em barragens. A ocidente. as águas abundantes das nascentes ribeirinhas eram suficientes para as suas necessidades. neste capítulo. 11 . Assim. e de camadas de grés e arenitos. não é possível atingir uma compreensão global do seu desenvolvimento. à utilização de máquinas. o homem desenvolve a tecnologia em busca de soluções para melhorar o seu bem-estar. entre margens alcantiladas. também a ribeira de Alcântara não possibilitava a utilização das suas águas para consumo. a partir desta. um aqueduto que transportava a água para a cidade. a barragem de Olisipo. no estuário. não se deram por satisfeitos com estas águas. até mesmo. portanto. pois. às possíveis formas para a sua condução. sem utilização de meios mecânicos. abordar. a região de Lisboa é cortada por um conjunto de vales que a envolvem. 1.000 m³. não oferecia condições de captação nessa época face à ausência de tecnologias adequadas. em 1994. e com uma elevada produção susceptível de proporcionar um abastecimento a um número cada vez maior de consumidores. e. provavelmente às portas de Santo André. constituía o palco ideal para o aproveitamento das águas. Os primeiros mananciais a serem utilizados foram os da zona ribeirinha. ou. chegando à colina do castelo. temos que ter em consideração.2 Das origens ao aqueduto romano de Olisipo Ao analisarmos o caso de Lisboa. o enquadramento geográfico do sítio. à captação de águas em poços profundos. apesar de outros existirem em zonas circundantes. ideológico. aos equipamentos concebidos para a sua elevação. na base da colina do castelo. continuando na direcção da serra de Sintra. onde um grande número de nascentes provenientes. sociológico. Por um lado. Sendo muito embora o sítio de Lisboa banhado pelas águas do rio. Nesta indústria. para captar. É a complexificação das formas de agrupamento dos homens que gera a consequente complexificação das técnicas empregues para a utilização do elemento água. à geologia das suas origens. A indústria da água é. por outro. no homem. constitui um laboratório excelente para este debate. o que foi o abastecimento de água a Lisboa desde as suas origens nos abastecimentos locais. junto à foz do Tejo. os defensores de ambas as teses. foi atribuída uma capacidade da ordem dos 125. A indústria da água. e dado que os primeiros habitantes do sítio de Lisboa se terão fixado. uma rota natural de migrações. toda a bacia hidrográfica que. nascentes estas perenes. no vale de Carenque. só disponíveis nos tempos modernos. A esta barragem. e. um local privilegiado para o cruzamento de povos e culturas diversos. Efectivamente.1 Introdução Does Technology drive History? Esta é a pergunta formulada por Merrit Roe Smith num conjunto de trabalhos publicado. mas também aos materiais utilizados nas condutas. É este o caminho que iremos percorrer a seguir. onde encontramos a bacia do Trancão. ainda que de forma sucinta. desde as origens até aos nossos dias. e de onde seria de esperar a obtenção de águas susceptíveis de serem utilizadas. corta o andar de Belas. na colina do castelo. de camadas calcárias. até por razões de estratégia defensiva. já que as cotas a que estas ribeiras correm permitia a construção de sistemas de abastecimento que conduzissem daqui a água para Lisboa. sobretudo se tivermos em atenção que o seu desenvolvimento sob a forma de utilização de técnicas mais complexas não pode ser desligado do fenómeno urbano. inviabiliza a sua utilização como fonte de abastecimento de água em virtude de as águas do rio se misturarem com as do mar. adução e distribuição. novas condições de vida e novos desenvolvimentos não pré-determinados. ou é ela que determina o sentido da sua evolução? Poder-se-á dizer que. às suas características e qualidade. e foram procurá-la em zonas mais distantes. cuja utilização virá a ser equacionada no século XX. dado que. distantes da cidade. tratar e distribuir este elemento básico e indispensável à vida. um campo de estudo pluridisciplinar. incluindo as ciências sociais.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1. Há que. procurar ver de que outros recursos dispunham as populações que aí se fixaram. primeiro a vapor e. Porém. quando dominaram a Península Ibérica. Aí. num conceito lato que possa abranger todas as formas desenvolvidas pelo homem. ao longo dos tempos. procuraremos. sem a análise do fenómeno político. Os Romanos. eléctricas. onde diversos autores debatem a dialéctica entre o construtivismo e o determinismo tecnológico. a sua situação. Contudo. pelo Massachussets Institut of Technology – MIT. Trata-se de um porto natural. construíram os Romanos uma barragem de contrafortes no século II ou III da era de Cristo. e a outros diferentes ramos do conhecimento. cuja evolução abordaremos. a própria tecnologia gera. agora com complexos sistemas de tratamento. à condução da água graviticamente até à cidade. às técnicas administrativas e financeiras que possibilitam o desenvolvimento desta actividade. que secavam na estiagem. a vasta depressão que se estende desde Odivelas a Sacavém. debitavam água para as ribeiras. para o caso de Lisboa. conhecimento não apenas relativo à água. De norte para leste. A tecnologia surge como resposta às necessidades do homem. desde o conhecimento científico e tecnológico. para o seu armazenamento e para a sua distribuição. mais tarde. todos têm razão. que seria talvez a maior da Península. logo à partida. cujas ruínas ainda hoje são visíveis. aduzir. convergem uma diversidade de factores. onde as diversas ciências têm lugar. alternadamente.

nos mananciais das camadas profundas do Terciário da colina do castelo. por um lado. o aqueduto romano da Água da Prata. . em oposição às águas do futuro sistema das Águas Livres. estas só mais tarde analisadas.Chafariz d'El Rei 1. designadamente pelo efeito da expansão marítima. menos abundantes. como as que. Além da sua temperatura elevada. Os Romanos. 12 . Dinis. Já os Árabes. com uma grande tradição de utilização da água. deve o seu nome às grandes obras que aí se realizaram no reinado de D.3 Os antigos chafarizes de Lisboa Destruídas que foram muitas das obras dos Romanos pelos povos bárbaros. É no sítio das nascentes da zona ribeirinha. e o próprio nome de Alfama dado ao local é reminiscência das nascentes de água termais que aí se encontram. apresentam uma temperatura elevada. esta já mais a leste do bairro. São bem conhecidas as suas termas. como o humanista português Francisco de Olanda que. aí terão construído dispositivos . ou os banhos do Batista ou os da D. 1. ou das outras águas então conhecidas e que cedo vieram a ser exploradas. aos diferentes hábitos de consumo dos invasores. por outro. e em Roma o abastecimento era feito por um conjunto de aquedutos ainda em funcionamento nos tempos modernos. ao decréscimo da população. durante a sua ocupação. no concelho da Amadora . o tanque das lavadeiras de Alfama ou a Bica do Sapato. apareciam no Arsenal da Marinha.C. não apenas em Roma. como as Alcaçarias do Duque. as diversas nascentes da zona oriental.mas pelo testemunho que dele dão vários autores a partir do século XVI. pelas suas características físico-químicas eram estas águas reputadas como possuindo propriedades terapêuticas para a cura de diversas doenças. aqueduto cujo regimento servirá de modelo para o que se virá a construir em Lisboa no século XVIII.para além do que resta da barragem. invasores do Império. estando. 1 . apenas se conhecem pequenos vestígios de aqueduto no sítio do Almarjão. e que proporcionariam uma capitação largamente superior a 500 litros/dia/habitante. mais a ocidente. incluídas no Aquilégio Medicinal. cedo arrastou consigo a falta de água. obra da autoria de Francisco da Fonseca Henriques. quer nas nascentes de Monsanto.a palavra chafariz tem mesmo origem árabe . o Chafariz da Praia. desconhecendo-se a data concreta da sua construção. Em Portugal há que referir. e reedificado pelo rei D.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa De facto. caso das águas dos basaltos. Fig. virá a propor a sua reconstrução. chafarizes destinados ao abastecimento das populações. O chafariz mais antigo da cidade. construído por Quinto Sertório em 75 a.para a recolha das águas. em Évora. em 1572. como o Chafariz de Dentro. eram um povo de avançada civilização. também as necessidades de água diminuíram face. designadas normalmente por águas orientais. Também os estabelecimentos termais merecem referência. da ordem dos 22 a 24°. o Chafariz d'El-Rei.Ruínas da barragem romana de Olisipo A evidência do aqueduto romano chega-nos não pelos seus vestígios materiais. ao longo dos séculos. 2 . João III em 1531. entre as quais o aqueduto que abastecia Lisboa. em particular..4 Propostas para a reconstrução do aqueduto romano O aumento da população da cidade. muito superior à temperatura das águas existentes nas nascentes do termo de Lisboa. Clara. que serão designadas por águas altas. ou que vieram a abastecer o chafariz do Rossio. Posteriormente outros foram edificados na mesma zona. devido a tal facto. o Chafariz dos Paus. mas também aqui em Lisboa e em muitas outras cidades do Império. aliás. que irão surgir. certamente satisfeitos com os recursos locais. ou dos Cavalos. porque distantes da cidade. Fig. publicada em 1726. e.

aplicando o princípio dos vasos comunicantes. em tudo semelhantes aos actuais sifões. 13 . porém. encontrando o italiano valores inferiores aos do português. Era o coroar de toda uma política de grandeza e protecção às artes. Para custear a obra foi lançado mais tarde o real d'água. 1. João V se veio a resolver o problema da falta de água em Lisboa com a construção do Aqueduto das Águas Livres. do arquitecto Tinoco. terá seguido de perto o traçado do antigo aqueduto romano. pequenas obras pontuais que não solucionavam as dificuldades da cidade. p. sobretudo de Itália. já que os mananciais disponíveis eram os da zona oriental. a San Roche. e muda-se para uma outra nascente. em 12 de Maio de 1731. dando assim prioridade à obra pública. No entanto. 273. transmitido por um grande número de arquitectos que em Mafra desenvolveram as suas escolas. Sebastião. já constatados como insuficientes para as necessidades. pois após a estadia do rei na cidade. E tudo apontava para a reconstrução do aqueduto romano. já que Leonardo Torreano. és por el aqueducto antigo de los Romanos. el qual por ir mas alto dies palmos que el de la estrada puede dar Agoa a ambas partes de la Ciudad. Os incêndios que a seguir ao Terramoto de 1755 destruíram o Paço da Ribeira não nos permitem conhecer o projecto inicial. ficando. Face a todos estes ataques. rebentando e deixando a cidade sem água. publicada em 1572 e dirigida ao rei D. Lisboa Oriental e Lisboa Ocidental. Do século XVII somente tinham ficado intenções. de governação. Manuel da Maia e Canevari divergiam também na forma de medição da produção das nascentes. Havia que chegar rapidamente com água a Lisboa. muito embora se tivesse aprofundado o conhecimento relativo às nascentes que alimentavam a bacia hidrográfica dos vales de Carenque e da Quintã. João V encomenda ao arquitecto italiano Filipe Juvarra. numa direcção conjunta com o arquitecto Silva Pais e o engenheiro Azevedo Fortes. há muita correspondência trocada entre Madrid e Lisboa. o Alvará onde mandava dar início à obra do aqueduto. Manuel da Maia abandona as várias frentes de trabalho abertas por Canevari. e acusa mesmo Canevari de não estar a medir correctamente os nivelamentos dos terrenos. aqueduto que. durante o qual não havia condições para se desviar recursos financeiros para uma obra desta envergadura. de alguma forma. viria a ser construído um novo palácio real e uma nova basílica patriarcal. também Francisco de Olanda. arquitecto que acompanhou o rei e que com ele.5 O Aqueduto das Águas Livres Apenas no reinado de D. podemos concluir com bastante segurança que Canevari pretenderia conduzir as águas até Lisboa sob pressão. no dia 29 de Junho de 1619. na sua obra Da fábrica que falece à cidade de Lisboa. possibilitada pela afluência do ouro do Brasil à metrópole. sinal de que havia uma intenção clara de se solucionar o problema da falta de água. e aí. na zona da actual Estrela. esta cidade nova continuaria a depender da cidade antiga e dos seus chafarizes no que respeita ao abastecimento de água. que era Filipe II em Portugal. a da Água Livre. o rei veio a publicar. por conseguinte. ficariam entupidos pelos sedimentos arrastados por esta. Cláudio Gorgel do Amaral. tendo o Senado de Lisboa arrecadado mais de seiscentos mil cruzados. e que denotavam a consciência clara da necessidade de aproveitar a água de diversas nascentes. uma nova Roma cheia de palácios e monumentos. na esperança de vir a assumir a direcção das obras. no dia em que visitaram Sintra. na zona da barragem romana. projecto que D. posteriormente os caudais do Aqueduto seriam aumentados com a água de outras nascentes. vieram a ser gastos nas festas que a cidade organizou em honra do rei Filipe III de Espanha. que era mesmo a mais abundante. e por insistência do Procurador da cidade ocidental. Manuel da Maia contrapõe que os canos de repucho não suportariam a pressão da água. na época designados por "canos de repucho". entre os vários caminhos possíveis para a condução da água livre a Lisboa. em prejuízo do projecto do novo palácio real. suficientes para a concretização do projecto. de assumir a condução dos trabalhos. quando da sua entrada em Lisboa. os quais. Assim. No entanto. enterradas. e por todo um saber trazido de outros países. Em 15 de Janeiro de 1717 D. onde se situava o Paço da Ribeira. projectos no papel. Memória sobre Chafarizes Fontes e Bicas. das críticas que lhe são feitas pelo português Manuel da Maia numa série de considerandos técnicos dirigidos ao Rei. examinou a barragem romana e as nascentes vizinhas. imposto pago nos géneros de primeira necessidade. pues abra quantidad bastante pera ella"1. cada uma com o seu bispo e os seus órgãos 1 Veloso de Andrade. João V dividiu a cidade de Lisboa em duas cidades independentes. seria a cidade do poder. como dio antigamente. a obra ia realizar-se. A cidade ocidental. Contudo. refere. Canevari regressa a Itália e Manuel da Maia é encarregado. dirigido pelo arquitecto italiano António Canevari. a obra mal feita. propõe a reconstrução da barragem romana de Olisipo e do seu aqueduto. conhecimento patente no Roteiro das águas de Montemor e Caneças. em Agosto de 1732.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa À semelhança daquilo que se fazia um pouco por todo o lado onde a influência dos Romanos se fizera sentir. O projecto acabou por não se concretizar devido à restauração da independência de Portugal em 1640 e ao longo período de guerra com a Espanha. em canalizações fechadas. y sobre la puerta de Santo Andres. que "el quarto y ultimo camino.

Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa

sozinho na direcção face à partida para o Brasil de Silva Pais, e à frequente ausência de Azevedo Fortes, engenheiro-mor do reino. Por outro havia divergências de opiniões acerca do local para a travessia do Vale de Alcântara. Manuel da Maia, certamente, construiria um aqueduto menos monumental, atravessando o vale numa zona menos profunda, provavelmente por Palhavã, para atingir S. Pedro de Alcântara, às portas do Bairro Alto, onde entretanto haviam começado as obras para a construção do reservatório de chegada das águas. Em cena estava um outro arquitecto, Custódio Vieira, que já vinha acompanhando os trabalhos desde o início, pois participara em reuniões e medições diversas, e que tinha uma solução diferente, a construção de uma série monumental de arcos a atravessar o vale na sua parte mais profunda. Era um projecto mais arrojado, mais ao gosto do rei, e que apontava para uma zona mais alta, para onde a cidade estava a crescer.

Fig. 3 - Mãe d'Água Velha - Nascente da Água Livre. Local onde Manuel da Maia iniciou os seus trabalhos.

Muito embora Manuel da Maia conhecesse o princípio dos vasos comunicantes, vai construir um aqueduto através do qual a água vai chegar a Lisboa apenas movida pela gravidade, deslizando em caleiras de pedra abertas. Maia opta pela construção de duas caleiras, separadas por um passeio central, pois que, para uma boa manutenção do Aqueduto, tornar-se-ia necessário limpar frequentemente as caleiras, e assim, com duas, a condução da água não seria interrompida.

Fig. 5 - Arcaria do Vale de Alcântara

Fig. 4 - Caleiras separadas pelo passeio central

Relativamente aos materiais a utilizar nas canalizações, rejeita o chumbo, que dava más características à água, tal como rejeita o ferro, que, na época, ainda não apresentava uma qualidade suficiente para esta finalidade, e todos os outros materiais à excepção da pedra calcária, abundante em toda a região onde se vai desenvolver a construção do Aqueduto. Em 1736 já se trabalhava no Aqueduto em Monsanto, no sítio das Três Cruzes, caindo então a obra num impasse. Por um lado, Manuel da Maia encontrava-se praticamente

A transferência da direcção das obras para este novo arquitecto é determinante para a evolução da cidade. Abandona-se a obra de S. Pedro de Alcântara e escolhe-se a confluência do Rato, próximo da qual novos pólos urbanos se vinham desenvolvendo junto aos conventos, para a nova localização do reservatório. Aliás, podemos constatar hoje, pelos desenvolvimentos ulteriores do sistema, das vantagens desta nova localização do reservatório e desta nova inflexão do Aqueduto, que possibilitou a extensão dos seus ramais de distribuição para a Boa Morte, em Alcântara, zona próxima da qual surgirá o palácio das Necessidades, e para o Campo de Santana e Intendente, quase a tocar a colina do Castelo, onde outrora o aqueduto romano terá chegado. Vieira não chega a ver a água entrar em Lisboa, ela só chegará em 3 de Outubro de 1744, já após a sua morte, estando a obra a ser dirigida interinamente pelo capitão Rodrigues Franco. A entrada de Carlos Mardel na direcção das obras do Aqueduto terá lugar logo de seguida, devendo-se a este

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arquitecto, de origem húngara, o desenvolvimento da distribuição da água na cidade, a partir do reservatório da Mãe d'Água das Amoreiras, cujo projecto se lhe deve, bem como o de diversos chafarizes e dos arcos monumentais da Rua das Amoreiras, que celebra a obra, e da Rua de S. Bento, este desmontado para alargamento da entrada na praça fronteira ao palácio, e mais tarde reconstruído na Praça de Espanha.

faziam a manutenção do sistema e geriam os caudais do Aqueduto, e um exército de cerca de 3000 aguadeiros que, organizados em companhias, vendiam água ao domicílio e igualmente combatiam os incêndios que devastavam a cidade. A gestão dos caudais no Aqueduto apresenta alguns aspectos que devem aqui merecer a nossa atenção, e à luz dos quais também temos que fazer uma leitura das soluções técnicas e arquitectónicas adoptadas para o efeito. Já foi atrás referida a diversidade das águas no que respeita às suas características físico-químicas. Umas, fortemente calcárias, como as da nascente da Água Livre, na Mãe d'Água Velha, provocavam, pela precipitação do calcário, incrustações que era necessário remover periodicamente, raspando as caleiras. De outras nascentes, situadas em camadas de grés e arenitos, a água arrastava sedimentos que a turvavam. Aqui era necessário proceder à sua decantação, pelo que, em diversas clarabóias, encontramos bacias redondas onde a água perde velocidade, depositando-se os sedimentos no fundo. Também junto de cada janela, agora mais rasgadas face a uma maior necessidade de laboração, bacias rectangulares desempenhavam idênticas funções, bem como as de quebrar a velocidade da água.

Fig. 6 - Reservatório da Mãe d´Água das Amoreiras

O sistema do Aqueduto das Águas Livres, onde, num aqueduto com cerca de 14 quilómetros de extensão, entroncam aquedutos que reúnem águas de sessenta nascentes, num total de aproximadamente 58 quilómetros de aquedutos, incluindo os de distribuição na cidade, foi dado por concluído em 1799, quando foi dissolvida a última sociedade de mestres pedreiros, empreiteiros da obra. Dada a tecnologia utilizada de condução da água em caleira aberta, o Aqueduto condicionou a forma de abastecimento a uma rede de chafarizes que se foram construindo até quase meados do século XIX, rede esta que, por sua vez, condiciona o próprio crescimento da cidade. Lisboa estende-se então, dos Barbadinhos, onde na zona ribeirinha corriam as águas orientais, até Alcântara, onde vemos o chafariz da Praça da Armada, e, para norte, seguindo as encostas do Vale de Alcântara, os chafarizes das Necessidades e do Arco do Carvalhão, este já a chegar ao alto de Campolide, lhe delimitavam o perímetro. Ainda nos limites norte da cidade, mais para leste, encontramos os chafarizes de S. Sebastião da Pedreira, Cruz do Tabuado, Campo de Santana e Intendente. Dentro deste perímetro, os chafarizes que se construíram (Rato, Carmo, Loreto e outros) eram, além de fontes de abastecimento, elementos de ordenamento urbano que tornavam as praças onde eram colocados em pontos de encontro, locais de convívio. Em pleno século XIX, a "indústria da água", aplicando aqui, num período de proto-industrialização, um conceito contemporâneo, empregava uma equipa de 60 homens que

Fig. 7 - Bacia de decantação redonda

Normalmente, nos vértices, as bacias apresentam dimensões superiores, o que permite evitar que a água transborde. Regra geral, no Aqueduto não há galerias em curva, antes uma sucessão de segmentos de recta. Nos poucos locais onde a solução adoptada pelo arquitecto foi a de construir aqueduto em curva, aí o passeio central sobe, afundando, consequentemente, as caleiras. Na cidade iam-se generalizando os abastecimentos privados. De um lado, os proprietários de águas nas zonas atravessadas pelo Aqueduto que, para receberem água no seu palácio ou convento, em Lisboa, construíam, à sua custa,

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aquedutos ligando as suas nascentes a um dos aquedutos do sistema. Depois, em Lisboa, de um aqueduto de distribuição, partia uma canalização, agora fechada, aferida para três quartos de um débito diário calculado como sendo a sua produção, valor obtido a partir da medição da produção das suas nascentes ao longo de vários meses do ano. De outro lado havia os estabelecimentos públicos que passaram a receber directamente água do Aqueduto, bem como outros particulares ou ordens religiosas, beneficiários de concessões de água, quer traduzidas em caudais determinados, quer em sobejos dos chafarizes. Entre estas entidades, são de notar as indústrias que despontavam, como o caso da Real Fábrica das Sedas, cuja localização próxima do Aqueduto é determinante para o desenvolvimento do bairro das Amoreiras. Havia ainda os jardins públicos, agora tornados possíveis, que recebiam água directamente do Aqueduto, como o Passeio Público e o Passeio da Estrela, este com um aqueduto que, saído do Aqueduto das Janelas Verdes, aí conduzia a água, o outro recebendo-a a partir da mesma galeria que abastecia o chafariz da Cotovia. Para a gestão de todo este sistema vemos, nos aquedutos de distribuição, não apenas caleiras abertas, mas também canalizações fechadas, com algumas pedras amovíveis para se poder limpar o seu interior, colocadas frequentemente em paralelo com as caleiras abertas, a fim de, a partir de bacias intermédias, como a pia do Penalva, no cruzamento da Rua Formosa (hoje Rua do Século), ou a pia do Teotónio, próximo do Arco das Amoreiras, a água ser conduzida com pressão, aplicando-se o princípio dos vasos comunicantes, por forma a possibilitar a sua chegada a pontos mais elevados. Exemplos disso são as colunas ascensionais que permitiam a subida da água às bicas dos chafarizes.
Fig. 9 - Chafariz do Carmo

Do grande reservatório da Mãe d'Água das Amoreiras apenas saía água para os chafarizes abastecidos pelo Aqueduto da Esperança e para o chafariz do Rato. Para os chafarizes da linha do Loreto a água descia mais atrás, por um pilar de um dos últimos arcos, seguindo em canalização fechada, sob pressão. Se assim não fosse, e de acordo com Veloso de Andrade, "se deste Depósito corresse para os dez Chafarizes acima mencionados, só a água que ele contém, ficaria despejado em seis dias"2. Para controlar todo este sistema havia que possuir um exacto conhecimento das dotações atribuídas aos diversos consumidores privilegiados, proprietários de água ou não, da água que corria para os chafarizes e da que era produzida pelas nascentes. Em média chegavam a Lisboa 3500 m³ de água por dia, baixando os caudais a cerca de metade desse valor durante a estiagem. Porém, nos meses de abundância, a produção das nascentes era largamente superior à capacidade de vazão do Aqueduto. Assim, tornava-se necessário regular os caudais, devolvendo a água às ribeiras em desaguadouros estrategicamente colocados ao longo dos diversos aquedutos, diminuindo ou eliminando o caudal das caleiras, para que a água de outra nascente pudesse entrar no circuito num entroncamento situado a jusante. Havia também que eliminar, através destes desaguadouros, águas turvas a seguir a fortes chuvadas, ou que se soubesse ou houvesse suspeitas de estarem contaminadas. Daqui resultava a manutenção equilibrada dos cursos de água naturais, naquilo a que hoje se aplica a designação de desenvolvimento sustentável.

Fig. 8 - Coluna ascensional do chafariz do Carmo

2

Veloso de Andrade, o. cit., p. 330.

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1.6 Os projectos de Pezerat face à falta de água no século XIX
A situação em Lisboa, nos meados do século XIX, tornou-se dramática, não atingindo, na estiagem, a água aduzida pelo Aqueduto, em que haviam sido dispendidos, até 1799, mais de cinco mil e duzentos contos de reis, uma capitação superior a 6 ou 7 litros/dia/habitante, para uma população que rondaria os 300.000 habitantes. Em 1852 o Engenheiro Pezerat, da Câmara Municipal de Lisboa, apresentou diversos planos no sentido de se aumentar os volumes de águas disponíveis. No que se refere às águas orientais, poder-se-ia evitar a sua perda para o Tejo represando-as na zona ribeirinha e elevando-as aí, com máquinas a vapor, para um reservatório a edificar em Santa Luzia. Pezerat estima em 790 m³ diários a quantidade de água que assim se poderia aproveitar, prevendo, para esta obra, um custo de 111:573$000 reis. Relativamente às águas altas, projecta a construção de uma grande reserva de água no vale da Quintã, com uma capacidade prevista de 1 300 000 m³, destinada a armazenar, no Inverno, água que poderia ser utilizada na estiagem, reduzindo desta forma a sua carência na cidade. Desta albufeira, onde os lodos se depositariam, a água passaria por um sistema de filtros de areia para outra, construída mais abaixo, no vale de Carenque, próximo da Mãe d'Água Velha. Esta água, purificada, e por um processo de sifonagem, entraria no Aqueduto, chegando desta forma à cidade. Para este sistema de barragens prevê Pezerat um orçamento de 88:689$940 reis.

1.7 A 1ª. Companhia das Águas (1856) e o começo do abastecimento domiciliário
Em 20 de Julho de 1855 foi o Governo autorizado a contratar em concurso público o fornecimento das águas precisas para o abastecimento de Lisboa, na sequência de idênticas diligências que tiveram lugar anteriormente, mas que não haviam conduzido a nenhuma solução. Em 1855, e antes do referido concurso, uma empresa constituída pelos ingleses Duarte Meddlicot e Thomas Rumball efectua um contrato provisório com o Governo, contrato este que não podia, no entanto, ser ratificado sem o respectivo concurso público. Quem veio a ganhar efectivamente o concurso foi a outra empresa concorrente, que tinha como directores Alberto Carlos Cerqueira de Faria, Filipe Folque e Bento Coelho da Fonseca, estabelecendo-se em 1856 e firmando o contrato com o Governo em 29 de Setembro de 1858, tomando-se como base para as condições do contrato a população da cidade em 220.000 habitantes. Nascia, assim, a Companhia da Empresa das Águas de Lisboa (1ª. Companhia). A Companhia vai recorrer aos serviços do engenheiro francês Mary, de Paris, que organiza diversos planos no sentido de aumentar a capacidade de produção do sistema do Aqueduto e desenvolve projectos para o início do abastecimento domiciliário na cidade. Contudo, e apesar de a utilização de máquinas a vapor já ser corrente um pouco por toda a Europa, utilizando-se já as "pompes à feu" em Paris no século XVII para elevação da água, Mary não vai utilizar máquinas em Lisboa, vai antes aplicar unicamente o princípio dos vasos comunicantes, agora, porém, com a utilização de sifões de ferro fundido. No que diz respeito à captação de águas, Mary vai construir um novo aqueduto subsidiário do Aqueduto das Águas Livres, o Aqueduto da Mata, que traz ao principal as águas de Belas, do Brouco, Vale de Lobos e Vale de Figueira. Por outro lado, são nessa época continuados os trabalhos no Aqueduto das Francesas, para se trazerem a Lisboa as águas da Serra de Carnaxide. Nesta matéria a Companhia despreza a opinião do geólogo General Carlos Ribeiro, favorável à captação de água no Tejo, a montante de Santarém. Relativamente à distribuição, Mary divide a cidade em três zonas altimétricas, baixa, média e alta, e estabelece uma rede de reservatórios para regularizar a distribuição de forma a ter pressões constantes e suportáveis pelas canalizações. Assim, na parte ocidental da cidade, para a zona alta, no alto de Campolide, constrói o reservatório do Pombal, a zona média virá a ser abastecida pelo reservatório do Arco, situado um pouco acima do Arco das Amoreiras, e para a zona baixa será construído o reservatório da Patriarcal, no subsolo da Praça do Príncipe Real. A parte oriental da cidade será abastecida por duas cisternas, uma na igreja da Penha de França e outra na Graça, na cerca de S. Vicente.

Fig. 10 - Projecto de Pezerat para as reservas de águas nos vales da Quintã e Carenque

Os projectos de Pezerat acabaram por não ser concretizados dados os perigos que as reservas projectadas, a céu aberto, poderiam representar para a saúde pública. Por outro lado, em breve outras soluções iriam aparecer, com a constituição da 1ª. Companhia das Águas de Lisboa.

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a partir daí. nunca entre nós veio a ser posto em prática. etc.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa O Governo. coadjuvado pelo Engenheiro Joaquim Pires de Sousa Gomes. de recorrer aos rios que as banhavam. era necessário dar elevação à água por meio de máquinas. continua a ser o do Aqueduto. através de uma galeria. porém. Já no final da sua curta existência. Para abastecimento da zona alta. defende junto do Governo a solução da constituição de uma nova companhia. O reservatório da Patriarcal era alimentado por um sifão colocado no Aqueduto do Loreto. homem que pertencera à 1ª. utilizando aqui o conceito desenvolvido por Thommas Hugges e que consiste na definição de cada tempo e cada sistema tecnológico como uma matriz cujos elementos componentes são o conhecimento científico e as técnicas. o reservatório do Arco recebia directamente a água do Aqueduto. introduzindo processos de depuração das águas que a tecnologia já possibilitava. aliás.. políticos. Carlos Zeferino Pinto Coelho. económicos. advogado e deputado conservador. Tal. e não conseguiu fornecer à cidade. e outra de qualidade inferior para regas e lavagens. que o delimita a sul. conseguia trazer água sob pressão ao reservatório do Pombal. a quantidade de água a que se obrigara pelo contrato. Uma das propostas da Companhia incluídas no seu contrato era a da dupla canalização. dado o "salto epistemológico" para um novo paradigma tecnológico. o contrato entre o Governo e a nova companhia. vendo-se ao fundo a galeria que o liga ao Aqueduto do Loreto Estes reservatórios recebiam água do Aqueduto. Tal opinião veio a acelerar a rescisão unilateral do contrato por parte do Governo. e a 2ª. Após várias diligências e negociações. Toda a acção da Companhia insere-se no mesmo paradigma anterior. nos prazos estipulados. e solicitando novo prorrogamento de prazo ao Governo. havendo que construir uma estação elevatória na zona das nascentes. porém. não terem viabilidade. não reconheceu às águas do Tejo qualidade suficiente para serem introduzidas no abastecimento. A 1ª. matriz essa que tem raízes no momentum precedente. contudo. que não chega a estudar exaustivamente a questão mas que entende que a água. foi 18 . de que Pinto Coelho será o Director. mas também os aspectos sociais. 11 . Companhia das Águas o Governo. Um século mais tarde. no Ministério das Obras Públicas. de cota suficientemente elevada na Porcalhota. Mary projectou um sifão instalado dentro do Aqueduto das Águas Livres que. já que o contrato estipulava que todas as novas águas a serem aproveitadas não deveriam ser de qualidade inferior às do Aqueduto das Águas Livres. o Tejo virá a ser a grande solução para o problema da falta de água em Lisboa. procedimentos administrativos. O momentum tecnológico. a Companhia pensava estabelecer uma rede de distribuição de água de qualidade superior para consumo humano. poderia ser filtrada pelas camadas naturais do leito do rio e poderia. resolver por largos anos o problema da sua falta na cidade. Na zona média. num outro estádio de desenvolvimento científico e tecnológico. que.8 A 2ª. irá desenvolver o projecto do Alviela. sempre que possível. a Companhia avançava com a hipótese de captar água no Tejo. colocados. e pela mão do Engenheiro Joaquim Nunes de Aguiar. por Decreto de 23 de Junho de 1864. e dar suporte à derradeira alternativa que a Companhia afinal possuía.Interior do reservatório da Patriarcal. apesar da adopção do princípio dos vasos comunicantes e do início do abastecimento domiciliário. e dado outras possíveis opções. não se tendo. A captação de água na quantidade necessária para o abastecimento de Lisboa acarretaria graves prejuízos para a agricultura daquela região. Companhia não conseguiu vencer as dificuldades que se lhe depararam. Companhia das Águas e o Alviela No interregno entre a 1ª. a gravidade para as fazer chegar a todos os pontos da cidade. Fig. portanto. captada acima de Santarém. pôs fim à Companhia. funcionando. O desenvolvimento científico e tecnológico não havia ainda atingido um estádio que permitisse fundamentar e levar à prática as opiniões de Carlos Ribeiro. mas que prolonga os seus efeito em momenta subsequentes. e estando esta acima da entrada das águas do Aqueduto. provavelmente no Arco do Cego. como a das nascentes da serra de Sintra. hipótese que. estando todo o sistema interligado por meio de sifões. Do Pombal saía água para a cisterna da Penha de França através de um sifão colocado no Aqueduto do Campo de Santana. e da Penha de França descia à Graça. era proposta pelo General Carlos Ribeiro e que a Companhia rejeitara. O projecto inicialmente delineado previa a condução das águas desde os Olhos de Água até um reservatório a construir numa zona alta fora da cidade. À semelhança do que se praticava em Paris. esgotou o seu capital nas obras. Para isto. Para Carlos Ribeiro. O General Carlos Ribeiro não fora favorável à opção pelo Alviela. a solução a adoptar seria semelhante àquela que outras grandes cidades haviam adoptado. Companhia. Entretanto. Porém foi a opção do Governo face à apreciação feita das águas do Tejo. 1. dentro das galerias dos aquedutos do sistema das Águas Livres. e perante as dificuldades da Câmara em satisfazer as necessidades da cidade.

000 habitantes. as águas orientais que se perdiam para o Tejo. no máximo.Entrada das águas no canal Alviela no recinto dos Olhos d'Água Embora o canal fosse mais extenso. mas sobretudo face às eventuais avarias e consequentes necessidades de reparação das mesmas. Cada uma destas máquinas tinha uma capacidade de elevação de 1. a Companhia decidiu trazer as águas livremente. na Normandia. menor necessidade de construção de obras de arte. o que diminuía os custos do projecto. na zona ribeirinha oriental. e consumiam. Assim. o sistema decimal para as medidas lineares.o regulamento dos encanamentos particulares . as canalizações nas habitações. por alguns anos. logo em 1868. e aqui construir a estação que as elevava para as diferentes zonas a abastecer. só em 1852 havia sido posto em vigor. de expansão variável e de condensação. e vai possibilitar. na periferia da cidade. no início da exploração. havendo. Cada máquina podia produzir uma força de cerca de 23 cavalos-vapor de água elevada. acabou por 19 . Fig. ou seja 30 cavalos-vapor sobre a árvore do volante. Aliás. a Companhia alterou o projecto inicial.9 kg de carvão por hora e por força de cavalo-vapor. foi a da construção de um reservatório e de uma estação elevatória no sítio do antigo chafariz da Praia. a sua extensão às outras medidas. de 75 quilogrâmetros. as vantagens deste novo projecto eram evidentes. arrastando-se. agora.obrigando os proprietários dos prédios acima de um determinado nível de rendimento.900 m³ diários de água a uma altitude de 73 m acima do nível do poço de alimentação das bombas. 12 . 13 . pela gravidade. A primeira iniciativa da Companhia. essa expansão será inferior ao pretendido enquanto a Companhia não dispuser de um instrumento importante. vindo a Companhia a ser declarada oficialmente constituída por Decreto de 2 de Abril de 1868. incluindo a perda de carga. questões de natureza política que dificilmente foram ultrapassadas. 1. uma expansão significativa do abastecimento domiciliário. o que era algo de bastante complicado para a época.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa celebrado em 27 de Abril de 1867. Havia que construir uma estação elevatória a cerca de 100 km de Lisboa. ditas do sistema Woolf. que leve os particulares a contratar o fornecimento de água . Quanto ao Alviela. O local escolhido para o reservatório de chegada e para a estação elevatória foi a cerca do convento dos Barbadinhos italianos. não só no que se referia à deslocação das peças das máquinas. contemplado no contrato. haver já um comércio internacional de produtos industriais desenvolvido. não podemos deixar de ter em consideração o facto de. de imediato. Na análise desta fase de industrialização do abastecimento de água. O objectivo principal da constituição da Companhia. De imediato os engenheiros Aguiar e Sousa Gomes ingressaram nos quadros da Companhia.Máquina a vapor da Estação Elevatória da Praia Para esta estação a Companhia irá adquirir à casa Windsor & Fils. a construir. duas máquinas verticais de efeito duplo com dois cilindros. correspondendo cada uma a uma superfície de aquecimento de 60 m². ideia já anteriormente defendida por Pezerat. inclusive. e havermos entrado no caminho da normalização das peças e acessórios utilizados no abastecimento. no fim. As máquinas eram alimentadas por três caldeiras de sistema vulgar. Porém.Companhia das Águas de Lisboa. fornecendo à cidade um volume de água correspondente a uma capitação de 100 litros/dia/habitante. mas em que à Companhia. num aqueduto até Lisboa. era a concretização do projecto do Alviela. trazendo consigo os projectos já iniciados. em Portugal. à sua custa. engenheiros mecânicos estabelecidos em Ruão. a população a abastecer em cerca de 200. O rigor e a universalidade necessários à industrialização demoraram bastante tempo a alcançar. A introdução da máquina a vapor no abastecimento de água em Lisboa representava um passo importante na evolução desta indústria. já que era necessário dar uma elevação de 54 m acima das nascentes para que a água conseguisse atingir a cidade no ponto pretendido. Fig. denominada CAL . na Graça. computando-se. A construção do sistema não se deu sem sobressaltos. para elevar para a Verónica.

Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa ser dada plena razão. de Ruão. A primeira máquina destinava-se a elevar um volume de água de 10. Companhia. um de tríplice expansão.000 m³. de balanceiro. na zona média. Ao fim de dois anos de batalhas judiciais. para além das águas altas e das águas orientais. incluindo a perda de carga. elevando 10. Os construtores garantiam que o consumo de combustível não ultrapassaria 1. através do sifão construído pela 1ª. Lisboa dispunha agora. para que ela chegasse à zona alta tornou-se necessário construir uma estação elevatória junto do reservatório do Arco. à semelhança do que acontecera na estação da Praia. sistema Worthington. com dois grupos elevatórios. em Lisboa.000 m³ diários de água. do sistema Woolf.200 kg de carvão por hora e por cavalo-vapor de 75 quilogrâmetros. para a cisterna do Monte. duas bombas verticais. A segunda e terceira máquinas deveriam elevar em conjunto um volume de 12. e o outro de simples expansão. 3 No comércio. para o reservatório da Verónica. 14 . de um volume de 30. e vindo. colocadas simetricamente em relação ao eixo do balanceiro. pelo menos. a uma superfície de aquecimento de 90 m². vindo o sistema do Alviela a ser inaugurado em 3 de Outubro de 1880. A estação elevatória foi inaugurada com três máquinas apenas.Máquina a vapor da Estação dos Barbadinhos Cada máquina accionava. quando veio a ter garantias de publicação do regulamento. com dois cilindros. Fig. também do Pombal atingia a Penha de França. A quarta máquina veio a ser colocada na sequência de um novo contrato celebrado em 29 de Outubro de 1888. de efeito duplo.Fachada da Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos As máquinas.000 m³ em 24h a uma altura de 47 m. pois tal imposição representava um atentado contra as liberdades constitucionais. no Porto alguns anos mais tarde. por exemplo. Para a alimentação das máquinas foram adquiridas cinco caldeiras a vapor. elevando 5. de boa qualidade. misturando-se com as águas altas do Aqueduto das Águas Livres. mais tarde. com geradores de vapor cilíndricos. A oposição da sociedade fez-se sentir contra um regulamento deste tipo. 45% de carvão graúdo3. Estas máquinas eram alimentadas com o vapor produzido por duas caldeiras aqui-tubulares do tipo De Nayer. instrumento previsto no contrato. em contexto semelhante. Tratavam-se de máquinas verticais. certamente uma combustão mais rápida. aproximadamente 83 litros de água por segundo cada máquina. e de expansão variável. 20 .000 m³ em 24 h. havia diversos tipos de carvão de acordo com o tamanho. à semelhança do que iria acontecer. a Companhia. cada um. ou seja. incluindo a perda de carga. a ser prorrogado o prazo de concessão pelo tempo de paragem das obras. com. Um carvão mais miúdo teria. ficando o espaço para uma quarta máquina. aproximadamente 139 litros de água por segundo. No que se refere à elevação da água. Cada uma das três máquinas deveria corresponder a uma força efectiva sobre a árvore do volante de 120 cavalos-vapor de 75 quilogrâmetros. na Graça. passando a data do fim da concessão para 30 de Outubro de 1974. Dado que a água do Alviela agora chegava ao Arco e ao Pombal. que abastecia a zona baixa. ou seja. foram adquiridas à casa Windsor & Fils. tendo que enfrentar processos em tribunal. O carvão a utilizar deveria ser carvão inglês. dado que a Companhia havia já procedido às obras estipuladas no contrato de 1868. retomou as obras. Aqui. acabou por parar as obras do Alviela em 1873. 15 . de onde a água ia por sifão ao reservatório do Arco. e uma menor superfície de aquecimento. e sem o qual a Companhia não conseguiria garantir a sua sobrevivência económica. que viria ser colocada em 1889. directamente através do balanceiro. acabando por ficarem sem efeito as sanções aplicadas à Companhia. para conseguir a aprovação do regulamento. a uma altura de 77 m. Tratava-se da aprovação do regulamento das canalizações particulares. e havia que dispor de um instrumento legal que permitisse dar expansão ao desenvolvimento das infra-estruturas do abastecimento. Fig.350 m³ por dia a 26 m de altura. correspondendo.

Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa A expansão do abastecimento domiciliário tornou-se uma realidade. com a capacidade prevista para o de Santo Amaro. vindo o da Ajuda a ser construído em S.009. as dificuldades crescentes levam ao fim destas companhias. com a 1ª. baixava para níveis que punham em risco o abastecimento. a construção de mais um compartimento no do Pombal. construção de um novo reservatório na Ajuda. dando elevados prejuízos. colocação da quarta máquina nos Barbadinhos. Por essa mesma altura. não correspondeu às expectativas. no entanto. com a construção da Avenida da Liberdade e das Avenidas Novas. O País atravessava um período de grande instabilidade política e económica. pelo contrato. e no Ministério das Obras Públicas. no final desse ano o seu número passara a 260. que vivamente desaconselhou tal hipótese. a cerca de 3 km da confluência do Alviela.500 m³. aliás. Num novo contrato celebrado em 18 de Julho de 1898. próximo de Sacavém. como a do Porto. proposta que foi rejeitada por carência de viabilidade técnica e económica. aliás. ano em que. a Companhia obrigava-se a construir um reservatório em Santo Amaro. com capacidade de 120. que durou até 1921. tinham-se.000 m³. de estrangeiros. estudo este que veio a ser realizado pelo Professor Ernest Fleury. no Verão.032. em 1900. o Engenheiro Jesus Palácio Ramillo apresentou à Companhia uma proposta que consistia na construção de uma albufeira no Rio Trancão. A expansão da cidade não apenas pela anexação dos antigos concelhos. para abastecimento de água. num movimento de municipalização. a água era fortemente mineralizada. Neste contrato. Se antes de 1868 apenas 143 consumidores tinham água canalizada. A falta de água era uma realidade que se agravava de ano para ano. na zona de Bucelas. 4 1. A nível nacional. a Companhia. em 1880 a 16. teses que vêm a ver a sua concretização em 1927. em 1870 a 4. Dado que. conseguiu. com sucessivas quedas do Governo. no Regueirão dos Anjos.10 As municipalizações do abastecimento de água e a sobrevivência da Companhia Após a constituição da Companhia. já num período em que se começam a sentir grandes dificuldades no abastecimento. e. mas também pelo seu crescimento para norte. Restava o caso de Lisboa. defendido teses no sentido da organização de serviços municipalizados de abastecimento de água. com a municipalização do abastecimento de água do Porto. junto a Lisboa. com a anexação a Lisboa dos concelhos dos Olivais e de Belém. o Conselho dos Melhoramentos Sanitários.540. Era necessário. com capacidade de 1. ideia que era defendida. a instabilidade continuou a fazer-se sentir. reservava para si o direito de elevar água no Tejo. e. a custo. ampliação da capacidade de elevação da estação do Arco para 7. Com o excesso de água que tinha. pela mão do seu Director-Delegado Carlos Pereira. mesmo após a implantação da República. Em 1915 foi encomendado ao Professor Choffat um estudo no sentido de se alterar o regime do Alviela nas nascentes. a cidade ficou com uma população de 311.000 m³. onde a Câmara desferia fortes ataques à Companhia. a abastecer toda a cidade agora aumentada. em 1875 a 11. levantavam-se objecções técnicas ao projecto. e em 1883. Jerónimo.000 m³ diários. surgiram diversas empresas privadas de abastecimento de água um pouco por todo o País. ligação dos reservatórios da Verónica e da Patriarcal por um sifão. pois o caudal do Rio Tejo. já tínhamos 27. procurando resgatar a concessão.167 consumidores. foi sempre. Porém. Em 1885. os engenheiros João Severo da Cunha e João Augusto Veiga da Cunha elaboram um projecto que visava a captação de água no Tejo. que dava à Companhia a exclusividade do abastecimento de água. no sítio da Boa Vista. a Companhia decidiu proceder à montagem de uma moderna lavandaria industrial. O reservatório de Campo de Ourique veio a ficar concluído em 1900. do projecto de Ressano Garcia. trouxe novamente situações de carência. No Congresso Nacional Municipalista. sem poderes efectivos de regulação do sector. duplicando a sua capacidade para 12. água essa que seria depurada em filtros rápidos no sítio da Nora Alta. fora criado. iniciativa que. Para além disso. e. 1. de 4. se fecha este ciclo na indústria da água4.000 m³. Este Conselho. não havia condições para a Companhia avançar com este projecto. três anos após a inauguração do Alviela. no entanto a dívida da Câmara pelo excesso de água consumida para além da dotação gratuita era elevada. um conjunto de obras que permitissem expandir o abastecimento. Guerra Mundial de 1914-18 e a consequente subida dos preços. gás e electricidade. caso da Compagnie Générale des Eaux pour l'Étranger. e da negociação do novo contrato de 1888 constaram a construção do reservatório de Campo de Ourique. estando a Companhia obrigada. o Governo. por outro lado. desde sociedades anónimas a sociedades em comandita ou em nome individual.9 O projecto de 1908 para captação de água no Tejo Em 1908. de 1922. assentamento das canalizações necessárias para ligar os novos reservatórios. pelo General Augusto Pinto de Miranda Montenegro. sendo algumas. 21 . durante a Ditadura. apenas um órgão consultivo. não se tendo vindo a construir este último. levar de vencida a contenda. para lavagens e para os esgotos da cidade. portanto. fiscal do Governo junto da Companhia.471 habitantes. sem que houvesse lugar para a concretização efectiva de uma obra de grande envergadura que resolvesse definitivamente o problema.

Com o novo contrato de concessão. a 82 m. tendo uma potência de. Dada a sua cota de soleira ser mais elevada que o reservatório do Pombal. com a capacidade elevatória unitária de 15. 260 e 215 CV. baixava a níveis bastante reduzidos. A nova estação albergava seis grupos elevatórios com bombas da fábrica francesa Rateau accionadas por motores suíços Brown Boveri. de bombas centrífugas e unicelulares. em 1917. através da Penha de França regularizar também a zona alta ocidental.11 Duarte Pacheco e o contrato de 31 de Dezembro de 1932 O grande salto em frente. possuíam uma potência unitária efectiva de 160 CV. o do Arco e o de Campo de Ourique.Construção do reservatório da Penha de França 1. e cujos motores possuíam uma potência de 215 CV cada. na estiagem. Em Novembro de 1943 a Comissão passou a designar-se por Comissão de Fiscalização das Águas de Lisboa. 22181.000 m³ diários. já que a produção das nascentes. a Companhia lançou mão de novos recursos. para a Verónica. A produção da estação. Finalmente. deixando de ser aproveitada a partir de Julho de 1938 por impotabilidade da água. resolvendo o diferendo com a Câmara através de mecanismos financeiros Fig. movida por um motor de 95 CV de potência efectiva. com a capacidade de elevação de 12. com a imposição pelo Governo. foi criada a Comissão de Fiscalização das Obras de Abastecimento de Água à Cidade de Lisboa. variando com o movimento das marés. Outros dois grupos. e a sua substituição por uma estação eléctrica. de 3 de Fevereiro de 1933. movidas por motores Diesel pesados. na sequência do qual. não veio a acontecer. com uma potência efectiva de 90 CV cada. contudo. por um dos grupos da zona alta. Para a estação a vapor elaboraram-se mais tarde projectos para a sua adaptação a um conjunto de grupos elevatórios movidos por motores Diesel. através do Ministro das Obras Públicas. que lhe permitiam aumentar o caudal do Alviela em 8. para abastecimento da zona alta oriental. Engenheiro Duarte Pacheco. duas máquinas da fábrica suíça Sulzer. e para obviar às carências que se faziam sentir. com 600 m³ de capacidade. para o Pombal.000 m³ cada. não excedia os 2. podendo elevar um volume de 11.000 m³ diários. elevando para a zona baixa. Um grupo com a capacidade de 12. pelo Decreto nº. bem como a construção de uma estação elevatória equipada com dois grupos. de um novo contrato de concessão à Companhia. Para este novo reservatório a água era elevada a partir dos Barbadinhos. os dois últimos grupos. as nascentes das margens da ribeira da Ota. Estes trabalhos realizaram-se no decorrer do ano de 1925.900 m³ diários cada uma. respectivamente. Em 1928 terá lugar a desactivação da estação elevatória a vapor dos Barbadinhos.500 m³ diários. a 49 m de altura. elevavam a água para os reservatórios da zona média. movidas por motores da também suíça fábrica Oerlikon. na realidade. que fazia a fiscalização técnica e administrativa da CAL. com a potência efectiva de 90 CV cada. elevavam para a zona alta. que não vieram a ser concretizados. pensava a Companhia.000 m³ cada. verdadeira mudança de paradigma tecnológico.Estação Elevatória dos Barbadinhos . vai-se dar a partir de 31 de Dezembro de 1932. Fig.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa Entretanto. valor médio. Nesta época já as máquinas eléctricas haviam dado entrada na distribuição. pois na estação do Arco. 16 .600 m³. Duarte Pacheco vai criar condições de sobrevivência à Companhia. com uma capacidade elevatória de 15. Em 1932 tem lugar a construção do reservatório elevado da Penha de França.000 m³ diários e outro de 9. tinham sido colocadas em substituição das anteriores. 17 .Sala das Máquinas 22 .320 m³ diários a 73 m de altura. A altura da elevação era de 98 m. Em 1931 foi a vez da substituição das máquinas a vapor da estação elevatória da Praia por uma bomba horizontal GANZ. com uma capacidade de elevação de 4. o que. comissão pertencente ao Ministério das Obras Públicas.

além de onerosas.Construção de uma conduta forçada no Canal Tejo Fig. que construir uma segunda linha de sifões. e última fase consistia na ampliação da capacidade de produção em mais 50. Ainda em 1933 surgiu uma proposta da International Water Company para a captação de 20 a 25. Estas obras deveriam estar concluídas em Junho de 1933. na região do Carregado. mais 55.000 m³ nas camadas do Belaziano. Por essa altura já o velho sifão de ferro sobre o Rio Trancão. agora não só de Lisboa. com a abertura de mais três poços em 1949 embora apenas dois em regime normal de exploração. Embora na parte livre o canal tivesse uma capacidade de vazão da ordem dos 70. após depuração mecânica. uma estação elevatória que veio a ser equipada com dois grupos electro-bombas com a capacidade de elevação de 11. no sítio da Nora Alta. Para além disso vai dar condições à Companhia para construir um novo grande sistema tecnológico. por meio de cinco furos de 350 m de profundidade. para o efeito. já no projecto de 1908 estava prevista a filtragem das águas. em Sacavém. Era possível captar apreciáveis caudais de água nas aluviões do Tejo. seriam trazidos do Zêzere.230 m³ cada. Havia. fase. devendo-se os projectos aos Engenheiros João Severo da Cunha. A 4ª. Na 1ª. não ofereciam garantias efectivas quanto aos caudais indicados. Esta fase deveria ficar concluída até ao fim de 1936.000 m³ diários de água captada no Zêzere e introduzida no Canal Tejo. O programa de obras constantes do contrato estava dividido em quatro fases. a executar quando o consumo particular atingisse 24 milhões de m³. correspondentes a quatro momentos de ampliação do abastecimento. e. e Luís Veiga da Cunha. pois a firma Layne & Co. a uma altura de 28 m. A 2ª.000 m³. a executar quando o consumo particular atingisse 16 milhões de m³. com uma albufeira com a capacidade de 30 milhões de m³. havia sido substituído por um sifão passando por debaixo do leito do rio. fase. construindo-se. havendo que criar formas de indemnização pelos prejuízos causados. e introduzidos no Canal Tejo. próximo de Alcanhões. obra que foi executada logo em 1933. armazenadas acima da confluência do Nabão. As águas do Tejo seriam beneficiadas com as águas do Zêzere. autor do projecto de 1908. que vai ser recebida com entusiasmo pelo Engenheiro Duarte Pacheco. A captação de Alenquer veio mais tarde a ser ampliada. mas também das zonas atravessadas pelos canais e das zonas suburbanas. Depois de uma missão técnica dos engenheiros da Companhia a vários países estrangeiros. em funcionamento a partir de 1960. em Lisboa. contudo as suas propostas. seria construído um dique. seriam feitas as obras necessárias para a elevação das águas do Tejo na Boa Vista e a sua introdução. afastando de vez o fantasma da municipalização. em Sacavém. e uma potência de 70 CV.000 m³. 18 . e com uma nova estação elevatória. o facto de. Fig. utilizando-se toda a capacidade de vazão do canal. em canal próprio. Quinta do Campo e na Lezíria. aliás.000 m³ diários. Em 1933 o caudal do Canal Alviela foi reforçado com as águas de Alenquer. diários. que poderia ser também utilizado para a produção de energia eléctrica.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa para a liquidação das dívidas desta pelo excesso de consumo. no Alviela. 23 . A construção do Canal Tejo começou por um primeiro troço entre Sacavém e o Carregado. para o efeito. tendo dado lugar a um grande número de reclamações dos proprietários locais.000 m³ de água diários. Em Sacavém. A mesma companhia propunha-se igualmente captar água nos vales de Belas e Queluz. o do Canal Tejo. A obra foi entregue ao empreiteiro Waldemar Jara d'Orey. 19 . possuir uma única linha de sifões. Espadanal. A ideia inicial de captar água na Boa Vista acabou por ser adiada. portanto. fase compreendia as obras necessárias para aumentar a produção em mais 80. apresentou uma proposta interessante ao Governo. a capacidade efectiva de transporte era da ordem dos 30. Uma questão que houve que resolver de imediato foi a do aumento da capacidade de vazão do Canal Alviela. nas passagens dos vales. a opção pela captação em poços de grandes profundidades torna-se uma realidade. Na 3ª.Antigo sifão do Alviela sobre o Rio Trancão. A captação das águas de Alenquer provocou o abaixamento do nível das águas nos poços.

Fig. Fig. Iniciando-se em barracões provisórios. Estes problemas vieram a ser ultrapassados com o aperfeiçoamento de um aparelho doseador do cloro na água. W. a inauguração das suas instalações definitivas veio a ter lugar em 31 de Maio de 1948. pois da reacção do cloro com o alcatrão que revestia o interior dos tubos resultava a formação de clorofenóis que davam à água um sabor a fénico. por ocasião de febres. nela vemos a intervenção de Jorge Barradas.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa A adjudicação da construção dos poços acabou por ser feita à firma alemã Johann Keller. Os equipamentos das diversas estações elevatórias dos poços apresentam características diferentes dos das outras estações. Por outro lado. Olivais.12 Os problemas da qualidade das águas Em breve houve que proceder ao tratamento das águas. estas águas deixavam sedimentos de ferro e manganés nas condutas. tubos estes com dispositivos de filtragem nas suas paredes internas. iniciativa da Comissão de Fiscalização das Águas de Lisboa. próximo de Vila Nova da Rainha. foi objecto de um processo contínuo. face a uma série de epidemias de febres tifóides. pois. como Rebelo de Andrade. mas de uma forma sistemática e preventiva. dos quadros da CAL. da Alameda de D. sendo os grupos elevatórios de eixo vertical. 20 . havia sido construída a estação elevatória. com sucessivas actualizações. em 1897. tem o seu nome ligado à Fonte Monumental. tiveram lugar na cidade americana de Maidstone. Além desta firma. sendo em França utilizada uma solução de cloro. Professor Ricardo Jorge. Herbard da construção experimental de um poço na Quinta do Campo. 22 . Os primeiros ensaios sistemáticos de cloragem das águas. A partir daí o processo de desinfecção das águas foi-se expandindo. chegou mesmo a defender em meios internacionais. ao contrário do que inicialmente se observara. em 1913. fachada principal 24 . a água de Javel. que continua ainda no presente. da ordem dos 250. ligados aos tubos de aspiração das águas. dadas as suas dimensões. aparelho que havia sido concebido por Bunau-Varilla e modificado pelo técnico Bernardino Gomes de Pinho. celebra a chegada das águas do Tejo à cidade. Afonso Henriques.Estação Elevatória dos Olivais. e a necessidade de assegurar a sua potabilidade.000 m³ diários. temos a adjudicação à firma americana R. O higienista português. dados os conhecimentos entretanto adquiridos sobre as suas características. Um estudo de 1939 havia determinado já a capacidade elevatória exigida à estação.Quadro eléctrico de comando e controlo da Estação Elevatória dos Olivais Fig. Projecto do Arquitecto Carlos Rebelo de Andrade. 1. em número de doze. a própria colocação dos grupos elevatórios. monumento que. tornava-se necessário proceder à desinfecção das águas. na Quinta da Ché. a cloragem das águas não apenas em caso de epidemias.Grupo moto-bomba dum poço Entretanto em Lisboa. e. junto ao reservatório de chegada das águas do Canal Tejo.Captação de água . que apresentava condições mais vantajosas. escultor que também. 21 . A utilização do cloro levantou graves problemas.

menos mineralizadas. A estação de tratamento de Vale da Pedra. com uma capacidade diária de 100. e que corrigiriam a excessiva mineralização das águas do Tejo.000 m³ diários. onde as águas do mar já não fazem sentir os seus efeitos. A água é elevada para uma estação de tratamento. iniciativa do Engenheiro José Frederico Ulrich. A determinada altura tornava-se necessária uma solução para o problema da falta de água. construída pela firma Degrémont. com a barragem cheia. muito embora tivesse uma produção reduzida. começou por meio de uma estação piloto. já em 1963 estava em funcionamento. que veio a ser inaugurada em 8 de Junho de 1965 com três grupos elevatórios. Caso isso não tivesse sido feito. 24 . em períodos de carência. desafectar por completo do abastecimento o Aqueduto das Águas Livres. aspecto ainda mais agravado com a expansão do abastecimento para os concelhos limítrofes. Na sequência de todo este progresso tecnológico. uma vez que o abastecimento e a melhoria substancial das condições de salubridade arrastara um aumento significativo da população a abastecer.13 As duas opções em confronto . como constatam o químico Hugo Mastbaum e o geólogo Paul Choffat. águas cujo aproveitamento foi por diversas vezes defendido pelo Engenheiro Veiga da Cunha. pois este continuava a ser parte dos sistemas de abastecimento de Lisboa. uma na Amadora e outra na Buraca.Construção da torre de captação de água na Barragem de Castelo de Bode Na década de 40 tornou-se necessário projectar duas estações de tratamento para as águas do Aqueduto das Águas Livres. em Vale da Pedra. fornecendo água de boa qualidade a Lisboa. Porém. No entanto. a captação das águas das aluviões do Tejo veio a alterar profundamente os projectos de desenvolvimento do abastecimento de água. 25 . o passeio central do Aqueduto chegou a ser utilizado também como caleira. e que funcionou durante um ano. e finalmente desinfectada por meio de cloro.000 m³. Com o tratamento. Algumas das suas nascentes já estavam inquinadas no século XIX. e porque os custos de tratamento fossem bastante elevados face à pouca quantidade de água. com correcção posterior em postos de cloragem dispersos pela rede de distribuição. A captação de água no Tejo. filtrada e sujeita ao processo da floculação por meio de reagentes. construída em 1958. e. com uma capacidade de produção de 240. Fig. tal obra seria de muito mais difícil. execução. a CAL decidiu. 1. onde a água é decantada. A opção clara da Companhia foi pelo Tejo. 23 . lá estava a torre de captação de água. captadas na Boa Vista. Como também foi referido. a água das nascentes já não precisava de ser deitada fora através dos descarregadores. dos projectos de obras fazia parte uma clara opção pelas águas do Zêzere. em 1967. construída durante as obras de construção da barragem. Em 1959 arrancou o projecto para a estação definitiva.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa Fig.Laboratório Bacteriológico da Companhia das Águas de Lisboa Fig. a primeira opção do contrato de 1932 era pelas águas do Tejo. no dique de Valada.Tejo ou Zêzere Como já atrás ficou dito. mais tarde.ETA de Vale da Pedra 25 . ou até mesmo impossível. na barragem do Castelo do Bode. em 1949.

poderia. respectivamente. 26 . e 95 m . definitivamente. Com esta divisão garantia-se uma altura piezométrica mínima de 30 m. e um adutor que conduz a água a uma central elevatória construída em Vila Franca de Xira. sendo-lhe dado especial relevo no Plano Geral de Abastecimento de Água à Região de Lisboa. será criada a zona limite. pois a água não é elemento vital apenas para o consumo humano. Não foram. Os estudos relativos ao aproveitamento das águas do Zêzere não haviam. Também em Lisboa o crescimento urbano se fez sentir. de Janeiro de 1950. alta e superior. Acima dos 120 m. no século XIX. pois.000 m³ diários. inicialmente. vai ter que se virar. em Lisboa. afirmava: "Lá está no Zêzere a torre de tomada de água. O Zêzere. 40 m . que a Companhia abastece em alta. dar meio milhão de m³ diários. de onde a água é elevada para Telheiras. abandonadas as águas do Zêzere.15 A EPAL e o Castelo do Bode Como já atrás foi referido. e a serem conduzidas a Lisboa em adutor próprio. sido abandonados. da Química. a EPAL. Em 1959 a CAL. a captação na albufeira não seria viável por impossibilidade de construção das fundações da torre. (Quem sabe agora qual o aproveitamento que a torre pode vir a ter um dia?). ainda em 1970. a dividira. com pleno desenvolvimento das técnicas possibilitadas pelo conhecimento da Física. publicado em Junho de 1962. Fig. agora completa. mas também motor de desenvolvimento económico e industrial. e a cidade tem agora quatro andares. ano em que termina a concessão da Companhia das Águas de Lisboa".Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1. pois. às zonas baixa. Mary. pois os exemplos bem conhecidos estão por toda a parte e o assunto foi já largamente debatido para não se discutir a necessidade da sua filtração". e para a captação nas albufeiras do Cabril e da Ponte da Bouçã. para permitir o início da sua realização por volta de 1970 e a sua entrada em serviço quando ficar saturada a capacidade de transporte do Canal do Tejo. com esta 2ª. vendendo depois estas a água aos consumidores particulares através dos seus Serviços Municipalizados. O progresso verificado acelerou a consequente expansão urbana e industrial em toda a região de Lisboa. à semelhança do que sucedera no Estudo Prévio para Ampliação do Abastecimento de Água à Cidade de Lisboa. O parecer do Conselho Superior de Obras Públicas exarado no projecto da captação Tejo de Valada apontava mesmo para o Castelo do Bode. Em 1986 foi o subsistema inaugurado com uma capacidade de produção de 375.14 Expansão do abastecimento Com o sistema Tejo completo. inviável no curto prazo. na albufeira do Castelo do Bode.000 m³ por dia. agora com a componente "tratamento de água" a contribuir para a função "abastecimento de água". fase. uma central elevatória situada a jusante da barragem. São eles delimitados pelas curvas de nível de 0 m . como a execução de mais poços nos mouchões do Tejo. Mas ir ao Zêzere são mais 50 quilómetros e não se julgue que a água da albufeira não necessitaria tratamento. sucedendo-se os contratos com as Câmaras limítrofes. 26 . Para tal projecto havia-se procedido em 1972 à actualização do Plano Geral publicado dez anos antes.Barragem do Castelo de Bode 1.40 m.120 m. mais tarde. em vez dos três em que. média. no projecto que elaborara para a construção da captação de água do Tejo em Valada. uma estação de tratamento na Asseiceira. a braços com nova crise de falta de água. mais tarde.95 m. correspondentes. que o ministro José Frederico Ulrich mandou fazer. com a opção Tejo. o que se deve verificar em 1974. dando esta companhia lugar a uma empresa pública. correspondente à captação de Valada-Tejo. sendo composto pela torre de captação. conforme os estudos mencionados referem. o projecto veio a ser concretizado apenas a partir de 1975. feito em tempo útil. a CAL encarasse outras hipóteses no curto prazo. 62 m . que. muito embora. da Geologia.62 m. Objecto de estudos posteriores. a concessão da CAL terminou em 30 de Outubro de 1974. para o Zêzere. a CAL vai poder abastecer uma área muito mais vasta. já então elevada para 400. projecto a ser "objecto de um estudo profundo.

AdP. 26 . de água a um total de 26 municípios correspondentes a cerca de um quarto da população do País. a Águas de Portugal.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa Fig. da nossa memória colectiva. e onde se encontra espelhado todo um conhecimento científico e tecnológico que é parte importante da nossa identidade. abastece de água a quase totalidade do País. com um conjunto de empresas multi-municipais.ETA da Asseiceira A partir de 1993 procedeu-se à ampliação do subsistema para uma capacidade de tratamento e adução de 500.000 m³ diários através de um conjunto de obras que ficaram concluídas em 1996. que. e cujos testemunhos urge a todo o custo preservar como património histórico. o que possibilita hoje o abastecimento.Barragem do Castelo de Bode Fig. 27 . de capitais exclusivamente públicos. 27 . A EPAL é hoje uma sociedade anónima. e encontra-se integrada num grupo mais vasto. pela EPAL.

1990 (texto policopiado). CAL. Lisboa. Março-Abril.[ Anteriormente a 1943. Projecto de reservatório elevado a construir na Penha de França e respectiva conduta de elevação. As águas de Lisboa. Notícia sobre o abastecimento de Lisboa com águas de nascentes e águas do rio: estudos e obras dos últimos cem anos. 1963/64. Lisboa. Lisboa. Separata da Revista da Ordem dos Engenheiros. Separata do Boletim da CFOAACL. CAL.XXX. 8. e PENA. Luís Veiga da. Relatórios da Direcção. Relatório da Comissão encarregada de estudar as novas captações para o abastecimento de águas a Lisboa e arredores. Boletim da CFAL. Joaquim Ângelo Caldeira e FRAGOSO. 1940. 13 . RODRIGUES. Lisboa.. Congresso Nacional Municipalista de 1922. CHOFFAT. Raul. Junho de 1962. CFAL. XIX e XX. Resumo das condições hidrogeológicas da cidade de Lisboa. CUNHA. A. Ministério das Obras Públicas. Março de 1959. CUNHA. fascículo II. Boletim dos Serviços Sanitários . Memória sobre os reservatórios de Lisboa. Eloy do. 1956. In Boletim dos Serviços Técnicos.107. Separata da Revista da Ordem dos Engenheiros. nº. Plano geral de abastecimento de água à região de Lisboa. Fevereiro de 1950. Projecto de captação de água no rio Tejo. CAL. VITAL. Lisboa. CAL. CAL. Câmara Municipal de Lisboa. Lisboa capital das águas. s. 1955. 16. Companhia da Empreza das Águas de Lisboa. 53 . sexto ano. CAL. Lisboa. AMARAL. Amaro de. Abril de 1958. ALMEIDA. G. Inauguração da obra de captação de água no rio Tejo. Relatório sobre o tratamento das águas de Lisboa elaborado pela Comissão nomeada pela Portaria de 12 de Novembro de 1938. José Joaquim. ps. Les eaux d'alimentation de Lisbonne. Janeiro de 1933. CAL. Memórias e outras histórias do Aqueduto das Águas Livres. Relatório. Carlos.ª. Abastecimento de água à cidade de Lisboa. CAL. Estudo para o abastecimento de Lisboa com água do Tejo. Lisboa. Separata do Boletim da CFAL. Estudo prévio para ampliação do abastecimento de águas à cidade de Lisboa. Evolução das estações elevatórias da Companhia desde a fundação à actualidade. Situação actual do abastecimento. 8 de Junho de 1965. 1944.d. 49 e 50 da Revista Municipal. O Rio Tejo deve contribuir para o abastecimento de água de Lisboa e zona sub-urbana [Palestra do Engenheiro-Chefe. Obras consultadas ALVES. tomo III. 28 . CAL. 1908. Considerações sobre zonas de distribuição . Paul. EPAL. Rapport entre leur origine géologique et leur composition chimique. CAL. Separata dos nº. Fase). Junho de 1970. 1958. 1898. Boletim dos Serviços Técnicos. em Valada. CAL. 36. A iniciativa privada no abastecimento de água em Portugal . Relatórios da Direcção. Lisboa. Raul Fontes. nº. ps. CAL.202. ps.95. 1952. o Ministro das Obras Públicas de 29 de Outubro de 1948. 85 . CAL. Lisboa. com a designação Boletim da CFOAACL].Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1. 1938. CAL.Tratamento de água. CAL. Lisboa. Projecto de toma de água do Tejo na Boavista. 1940. Contratos de concessão [diversos anos]. nº. 1998. Ex. Projecto de introdução de água do Tejo no Canal do Alviela (1ª. CAL. MACHADO. Projecto de uma nova estação elevatória nos Barbadinhos. ano I. In Boletim dos Serviços Técnicos. CAL. anos XXIX . CAL. CHOFFAT. João Carlos. Perspectivas para os próximos dez anos. BRANCO.16 Referências bibliográficas Arquivo Histórico da EPAL CAL. 1895. Lisboa. Projecto de abastecimento de água à cidade de Lisboa. Luís Veiga da Cunha. CASEIRO. ano XXIV. ps.o caso de Lisboa. Julho de 1933. O abastecimento da capital pela água dos poços do Carregado. RODRIGUES. Separata das Comunicações da Direcção dos Trabalhos Geológicos. Março de 1929. 1923. EPAL. ano XXII.séc. José Manuel. Lisboa. por despacho de S. Abril de 1926. Américo.19. CAL . In Boletim dos Serviços Técnicos. nº. Academia das Ciências. 117 . Luís Veiga da. A nova instalação de cloragem das águas do grupo do Alviela. VITAL. Rede geral de distribuição. 1. Paul. Julho de 1938. Soares. In Boletim da Direcção Geral de Agricultura. Imprensa Nacional. Lisboa. Joaquim Ângelo Caldeira.Serviços Sanitários. durante a visita ministerial à estação piloto de Valada].

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30 .

Conceitos Fundamentais de Hidráulica. 31 . Hidráulica e Ambiente. BOMBAS CENTRÍFUGAS E REDES HIDRÁULICAS Autor: Paulo Ramísio Engenheiro Civil (FEUP) Mestre em Engenharia do Ambiente (FEUP) Assistente do Departamento de Engenharia Civil da Universidade do Minho Sócio da SBS – Engenharia Civil. Lda. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2. CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE HIDRÁULICA.

32 .

hidrologia.Engenharia Civil. o Mestrado em Engenharia Municipal. A SBS é uma empresa de consultoria em engenharia. Desenvolve. Sistemas Elevatórios. fundada a 28 de Fevereiro de 1996. Estações de Tratamento de Água. • Infra-estruturas Hidráulicas e Energia (Aproveitamentos Hídricos e Hidroeléctricos. Materiais de Construção. Lda. O Departamento de Engenharia Civil (DEC) da Escola de Engenharia tem a seu cargo o Curso de Licenciatura de Engenharia Civil. Sistemas de apoio à decisão para o desenvolvimento sustentado da gestão dos recursos hídricos e desenvolver técnicas de modelação em laboratoriais e modelos computacionais. • Águas Pluviais. Regularização Fluvial). engenharia sanitária e gestão dos recursos hídricos e contribuir para o aumento do conhecimento científico nas seguintes áreas preferenciais: Processos de transporte e mistura em ambientes naturais e sistemas de engenharia. • Infra-estruturas Prediais (Projecto e coordenação de todas as especialidades de engenharia. Tem desenvolvido a sua actividade na execução de estudos. Sistemas de Adução. consultoria. ainda. Planeamento e Arquitectura e Vias de Comunicação. 33 . • Estudos Ambientais (Estudos de Impacte Ambiental. Estruturas. Residuais e Industriais (Redes de Drenagem. Hidráulica. o Mestrado em Engenharia Civil e disciplinas do Mestrado em Tecnologia do Ambiente. O Sub-grupo de Hidráulica tem como missão formar cientistas e engenheiros através de um estimulante e diversificado programa na área da mecânica dos fluidos. SBS . acompanhamento de obra e Fiscalização).Conceitos Fundamentais de Hidráulica. Sistemas Elevatórios. projectos. actividade de investigação nos domínios de Construções e Processos. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Universidade do Minho A Universidade do Minho é uma universidade pública com autonomia administrativa e financeira. Conta como principais áreas de actuação: • Abastecimento de Água (Captações. acompanhamento técnico e apoio à decisão em obras de engenharia com especial destaque para as obras de hidráulica e ambiente. A investigação é orientada de modo a não só contribuir para o aumento dos conhecimentos numa determinada área científica mas também contribuir para a extrapolação dos resultados obtidos em estudos e obras no domínio da engenharia civil. Hidráulica e Ambiente. Estações de Tratamento de Águas Residuais). Geotecnia. Interceptores e Emissários. Acompanhamento de Obras). Reservatórios e Redes de Distribuição). Auditorias Ambientais. Comemora actualmente o XXXI aniversário.

34 .

Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

O dimensionamento de um sistema de pressurização depende de uma grande parte do conhecimento dos fenómenos hidráulicos envolvidos. Neste capítulo serão analisados alguns princípios fundamentais da mecânica dos fluidos e a sua utilização na caracterização da curva característica da instalação e da curva característica de uma bomba centrífuga, conceitos essenciais para um bom desempenho de um sistema de pressurização.

2.1 Introdução

Logo, em termos de tensão unitária:

τ=

∆F ∆v =µ S ∆n

(2)

onde µ é o coeficiente de viscosidade dinâmica. A viscosidade dinâmica (µ) para um determinado fluido é determinada recorrendo a tabelas ou a gráficos enquanto que a viscosidade cinemática (ν) é expressa da seguinte maneira: (3) ν = µ /ρ onde ρ é a massa volúmica do fluido. A viscosidade cinemática nos líquidos varia apreciavelmente com a temperatura, sendo desprezável a influência da pressão. Sendo a viscosidade uma propriedade física que determina a resistência ao escoamento uniforme de um fluido, ela afecta a distribuição do esforço de corte destes. Analisando o comportamento dos fluidos em função do esforço e a velocidade de corte, podemos classificá-los da seguinte maneira: • Fluido Ideal - apresenta resistência nula à deformação; • Fluido Newtoniano - o esforço de corte é proporcional à velocidade de corte, sendo τ o declive da recta; • Fluido não Newtoniano - deforma-se de tal maneira que o esforço de corte não é proporcional à velocidade de corte; • Plástico Ideal - o fluido sustém, inicialmente, um esforço sem qualquer deformação, deformando-se posteriormente de forma proporcional ao esforço de corte; • Sólido Ideal - não ocorre deformação para qualquer valor de tensão. Os Fluidos Newtonianos são praticamente todos os líquidos orgânicos e inorgânicos enquanto que os Fluidos não Newtonianos podem ser classificados em pseudoplásticos, dilatantes, Bingham, etc.. Como exemplos de Fluidos não Newtonianos podem-se destacar a pasta de celulose, algumas tintas, borracha, etc…

2.2 Princípios da mecânica dos fluidos
2.2.1 Propriedades da água
2.2.1.1 Massa volúmica e peso volúmico
Massa volúmica e peso volúmico de uma substância são, respectivamente, a massa e o peso da unidade de volume dessa substância. Para os líquidos estas grandezas variam com a pressão e a temperatura. A água tem o valor máximo de massa volúmica à temperatura de 4°C, que à pressão atmosférica normal toma o valor de 1000 kg/m3. Considerando a aceleração da gravidade igual a 9,8 ms-2, o peso volúmico, à mesma temperatura será 9800 Nm3.

2.2.2 Viscosidade
A viscosidade dos fluidos traduz-se pela resistência que estes oferecem à deformação. Assim, no seu escoamento desenvolvem-se forças resistentes, que dão parte à dissipação de parte da energia mecânica possuída pelo fluido em movimento. Ao pretender modificar-se a forma de uma massa de fluido, observa-se que as camadas do mesmo se deslocam umas em relação às outras, até que se alcance uma nova forma. Durante este processo ocorrem tensões tangenciais (esforços de corte) que dependem da viscosidade e da velocidade do fluido. O comportamento de um fluido sob a acção de um esforço de corte é importante na medida em que determinará a forma como ele se movimentará. A fim de que se possa introduzir a noção de esforço de corte (tensão tangencial), torna-se necessário analisar as forças exteriores que actuam numa determinada massa de fluido sujeita à acção da aceleração da gravidade. Num fluido em repouso não existem tensões tangenciais e de acordo com a lei de Pascal a pressão num ponto é igual em todas as direcções. Nos fluidos em movimento, em que se manifeste a acção da viscosidade desenvolvem-se tensões tangenciais ou esforços de corte. A viscosidade é assim uma propriedade física que é definida como sendo a resistência de um fluido ao seu escoamento uniforme. Considere-se duas placas paralelas de fluido, S, que se movem a uma distância, ∆n, a uma velocidade relativa ∆v, a força necessária para o deslocamento será:

2.2.3 Compressibilidade
A compressibilidade dos fluidos traduz-se pela diminuição do volume ocupado por uma determinada massa de líquido quando aumenta a pressão a que esta está sujeita. De acordo com o seu comportamento sob a acção de uma pressão aplicada exteriormente os fluidos podem ser classificados da seguinte forma: • Incompressíveis - Se o volume de um elemento de fluido é independente da sua pressão e temperatura. Nos líquidos, devido às pequenas variações de pressão, podem-se considerar incompressíveis para a maior parte dos fenómenos.

∆F = µ S

∆v ∆n

(1)

35

Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

• Compressíveis - Se o volume de um elemento de fluido varia com a sua pressão e temperatura, como acontece nos gases. Note-se contudo que nenhum dos fluidos reais é completamente incompressível. No entanto, os líquidos podem ser encarados como tal para efeitos de estudo de grande parte das aplicações práticas. É no entanto importante realçar que em alguns fenómenos, como por exemplo na análise do choque hidráulico, deve ser considerada a compressibilidade do fluido.

2.3.2 Classificação dos escoamentos
2.3.2.1 Variados, permanentes e uniformes
O escoamento é variável se, numa dada secção transversal, a velocidade média e o caudal variarem com o tempo. O escoamento é permanente se, em qualquer secção transversal, a área da secção líquida e a velocidade média (e, portanto o caudal) forem invariáveis com o tempo. Num escoamento permanente a velocidade pode variar de ponto para ponto, mas, em cada ponto, mantém-se constante ao longo do tempo. Um escoamento uniforme é um movimento permanente em que a velocidade é constante ao longo de uma mesma trajectória (em módulo, direcção e sentido). Pode então dizer-se que o escoamento é uniforme se as trajectórias forem rectilíneas e paralelas e se a área da secção líquida, S, a velocidade média, V, forem invariáveis com o tempo e a secção transversal considerada. O movimento uniforme só é possível em condutas e canais de eixo rectilíneo e de secção constante. Escoamentos transitórios são escoamentos que se estabelecem na transição entre duas situações de escoamentos permanentes.

2.2.4 Tensão de saturação do vapor de água
Quando a pressão num ponto de um líquido desce até à respectiva tensão de saturação de vapor, o líquido entra em ebulição. A tensão de saturação do vapor de um líquido, tv, varia em função da temperatura. A tensão de saturação de vapor para a água à temperatura de 20°C é de 2330 N/m2, e à temperatura de 100°C iguala a pressão atmosférica normal. No escoamento de líquidos aparecem, em certas condições, zonas em que a pressão desce até à tensão de saturação de vapor, formando bolhas de ar, indicadoras da ocorrência do fenómeno de cavitação.

2.3.3 Equação da continuidade
A equação da continuidade estabelece o princípio da conservação da massa. Assim entre duas secções transversais, num escoamento permanente de um fluido incompressível sob pressão, mantém-se constante ao longo do tempo o volume do líquido entre as duas secções. Considerando uma tubagem com vários troços de diâmetros diferentes, verifica-se que o caudal de fluido é sempre constante em toda a tubagem. Define-se então caudal mássico (Qm) como a massa de fluido transportada (m) por unidade de tempo (t) e será igual a:

2.3 Conceitos fundamentais de hidrocinemática e hidrodinâmica
2.3.1 Conceitos básicos
Define-se trajectória de uma partícula como o lugar geométrico dos pontos ocupados pela partícula ao longo do tempo, enquanto que linha de corrente num determinado instante será a linha que goza da propriedade de, em qualquer dos seus pontos, a tangente respectiva coincidir com o vector velocidade no mesmo ponto e nesse instante. O caudal, será o volume que, na unidade de tempo, atravessa uma secção efectuada num escoamento por uma superfície, se esta for normal em todos os seus pontos à velocidade do escoamento. Assim, o caudal, Q, será:

Q × v1 = Q × v2 = Q × v3

; v1 xAi1 = v2 × Ai 2 = v3 × Ai 3 = v ×(5)

A expressão (5) é designada por equação da continuidade. O termo continuidade deriva do facto de o caudal em todos os troços ser constante. Em termos de caudal mássico (Qm = cont.), Qm1 = Qm2 = Qm3 = Qm ⇔ ρ.v1.Ai1 = ρ.v2.Ai2 = ρ.v3.Ai3 = ρ.v.Ai (6)
D2 D1 D3

Q = ∫ v ds

(4)

Velocidade média, V, (numa secção normal em todos os pontos à velocidade do escoamento) velocidade de um escoamento que, com velocidade uniforme na secção, transporta um caudal igual através da mesma secção.

L1
Fig. 1 - Condutas em série

L2

L3

36

Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

Nestas circunstâncias, facilmente se depreende que o caudal escoado é o mesmo em cada troço de conduta com características distintas, e que a perda de carga total é dada pela adição de todas as perdas de carga parcelares: Q = U1 x S1 = U2 x S2 = ... = Un x Sn
∆H = ∑ ∆H i = ∑ J i × Li
i =1 i =1 n n

(7) (8)

O teorema de Bernoulli representa uma equação de balanço de energia pois iguala a variação da energia mecânica total entre duas secções de um tubo de corrente ao trabalho realizado pelas forças locais de inércia (nulas em regime permanente) e de resistência ∆H. Na prática, pode-se considerar: * β1 = β2 = 1,0 → Coeficiente de distribuição de pressão (campo de pressões do tipo hidrostático condutas de pequeno e médio diâmetro). * α1 = α2 = 1,0 → Coeficiente de energia cinética ou de Coriollis, distribuição de velocidades - consideração de velocidades médias (1,00 ≤ α ≤ 1,15). A parcela ∆B corresponde a troca de energia com o exterior: +∆B ⇒ cedência de energia (turbina) -∆B ⇒ ganho de energia (bomba). A parcela ∆H representa o trabalho das forças resistentes por unidade sendo a soma das seguintes parcelas:

2.3.4 Teorema de Bernoulli
Considerando um regime estacionário (as variáveis do processo, como por exemplo, pressão, temperatura, volume, etc. permanecem constantes ao longo do tempo), num fluido Newtoniano e incompressível, a energia específica total duma partícula é igual à energia mecânica total da partícula por unidade de peso e apresenta três componentes:

p v2 E = z+ + γ 2g

(Trinómio de Bernoulli)

(9)

Dimensionalmente cada parcela corresponde a um comprimento pelo que é assimilável a uma soma de "alturas":

[E ]= [F ]× [L] = [L] [F ]
O significado físico de cada parcela será o seguinte:

∆H = ∆H p + ∑ ∆H L
com,

(11)

∆H → Forças resistentes totais por unidade de peso (perdas de carga totais) ∆Hp → Perda de carga uniforme (contínua ou principal)

z

= cota da partícula em relação a um plano de referência (energia potencial de posição da partícula por unidade de peso)

∑ ∆H

L

p = altura piezométrica: energia potencial de pressão por γ unidade de peso da partícula; v2 = altura cinética: energia cinética por unidade de peso 2 g da partícula com velocidade v.
Assim, define-se Linha Piezométrica como o lugar geométrico dos pontos em que a sua cota é a soma da cota topográfica e da altura ( z + (ou Energia) será o lugar geométrico dos pontos cuja cota será a soma da cota topográfica, a altura piezométrica e a altura cinética ( z +
p v2 + ). γ 2g
p ). Analogamente, a Linha de Carga γ

→ Somatório de perdas de carga localizadas (concentradas acidentais)

Estes parâmetros serão analisados em detalhe em pontos seguintes.

2.3.5 Teorema da quantidade de movimento ou de Euler
O teorema de Euler ou da quantidade de movimento (TQM) é na Mecânica dos Fluidos e, portanto, na Hidráulica o correspondente ao teorema da quantidade de movimento da Mecânica e pode enunciar-se da seguinte maneira: Para um volume determinado no interior de um fluido, é nulo em cada instante o sistema das seguintes forças: peso, resultante das forças de contacto que o meio exterior exerce sobre o fluido contido no volume, através da superfície de fronteira, resultante das forças de inércia e resultante das quantidades de movimento entradas para o volume considerado e dele saídas na unidade de tempo. O TQM ou de Euler tem um duplo interesse prático: 1º) Calcular esforços sobre as tubagens e/ou paredes (caso dos jactos).

O teorema de Bernoulli refere que no caso de um fluido incompressível em regime permanente, em que se possam desprezar as forças de atrito e, consequentemente as perdas de energia, mantêm a carga total de uma partícula ao longo de uma trajectória. O Teorema de Bernouli aplicado a fluidos pesados e incompreensíveis, em regime permanente, toma a seguinte forma:
( z1 + β 1 p1 U p U + α 1 ) s1 − ( z 2 + β 2 2 + α 2 ) = ∆H ± ∆B 2g 2 g s2 γ γ
2 1 2 2

(10)

37

Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

2º) Calcular perdas de carga localizadas em troços curtos (curvas, derivações, mudanças de secção) onde se conhecem as condições nas secções de entrada e de saída. Particularizando a aplicação do Teorema de Euler a movimentos permanentes de fluidos pesados e incompressíveis em tubos de corrente e as tensões tangenciais são desprezáveis, a acção do líquido sobre a superfície de contorno será uma força, dada pela seguinte expressão vectorial: r r r r R = - ( ρ × Q × U + p × S ) n - ( ρ × Q × U + p × S ) n + γ (12)
1 1 1 1 2 2 21 2

2.4.2 Perdas de carga contínuas
No regime uniforme, as trajectórias das partículas são paralelas às geratrizes do contorno. Se considerarmos condutas de comprimento L elevado (L >100 x D, em que D é o diâmetro da conduta) e características geométricas (direcção, rugosidade, forma e dimensão da secção transversal) constantes, poder-se-á considerar que : i ) a distribuição de pressões numa secção transversal é do tipo hidrostático (β=1). ii ) o coeficiente de Coriollis é constante ao longo da conduta (α=1) . iii ) a perda de carga (∆H) entre duas secções é proporcional à distância (L) entre elas, sendo constante o coeficiente de perda de carga (ou perda de carga unitária) ao longo da conduta, J. Sabendo que a perda de carga contínua (ou principal) depende ainda das características físicas do fluido, teremos: J = ƒ(ρ, U, D, ν, το,Ke) em que: J - perda de carga contínua por unidade de comprimento; ρ - massa volúmica do fluido; U - velocidade média na conduta; D - diâmetro da conduta; ν - coeficiente de viscosidade cinemático do fluido; το - tensão junto à parede da conduta; Ke - rugosidade equivalente da conduta, em termos da perda de carga provocada pelas várias rugosidades do material da conduta. Recorrendo à Análise Dimensional é possível estabelecer uma relação entre aquelas grandezas, chegando-se (escolhendo ρ,U,D para unidades fundamentais) à expressão geral das perdas de carga contínuas (ou fórmula universal) em condutas circulares: (14)

em que: r r n1 e n2- são os versores da direcção normal às secções de entrada e saída (S1 e S2), com o sentido positivo dirigido sempre para o exterior do volume em estudo. r γ - peso do volume de fluido em estudo.
U 1 , U 2, p1 , p2 - Velocidades médias e pressões nas secções 1 e 2.

2.4 Escoamentos sob pressão em regime uniforme e permanente
2.4.1 Escoamentos laminares e escoamentos turbulentos
Existem dois regimes de escoamento de fluidos: laminar e turbulento. O regime laminar é caracterizado por trajectórias regulares das partículas, não se cruzando trajectórias de partículas vizinhas. No escoamento turbulento, a velocidade num dado ponto varia constantemente em grandeza e direcção, sem regularidade. As trajectórias são extremamente irregulares. A relação entre as forças de inércia e a força de viscosidade sobre a partícula pode ser expressa pelo número de Reynolds através da seguinte expressão:

V ×D (13) ν O número de Reynolds define as condições de semelhança quando a natureza das forças intervenientes se limitam às indicadas (caso de escoamento de líquidos no interior de condutas em pressão). Re =
Para valores de Reynolds superiores a 2500 o escoamento é geralmente turbulento e para valores inferiores a 2000 o escoamento é normalmente laminar. A quase totalidade das aplicações de sistemas de pressurização encontra-se em regime turbulento.

J=

λ U2 × D 2g

(15)

em que : λ - coeficiente de resistência (adimensional); g - aceleração da gravidade; D - diâmetro da conduta; U - velocidade média na conduta.

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7 λ Re× λ (17) Para aplicação dos estudos em laboratório (baseados numa rugosidade teórica artificial . Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2. sendo: λ = 64 / Re → Fórmula de Poiseuille (16) A grande maioria dos escoamentos de fluidos.1 Determinação do coeficiente de resistência Os valores do coeficiente de resistência (λ) podem ser obtidos através das equações de Prandtl e Von Karmann . IV) com leis de variação distintos: • O intervalo I corresponde ao Regime laminar (Re < 2000 a 2500) onde se verifica uma variação linear de λ e Re. onde D é o diâmetro interno da tubagem em mm e k é a rugosidade equivalente da superfície em mm. por via gráfica O emprego da fórmula universal foi bastante simplificada com o aparecimento de diagramas como o de "Moody". conduz os mesmos valores que foram obtidos experimentalmente com ε. III. sem depender da rugosidade da conduta. Nikuradze ao variar o factor de resistência com o número de Reynolds. quatro intervalos (I. Fig.Diagrama de Moody para a determinação do coeficiente de resistência 39 . 2 . em regime turbulento rugoso. ZONA DE TRANSIÇÃO FACTOR DE ATRITO λ TUBAGEM LISA CAUDAL LAMICAUDAL TURBULENTO NAR RUGOSIDADE RELATIVA DA SUPERFÍCIE K/d NÚMERO DE REYNOLD Diagrama de Moody para estabelecer o factor de atrito λ.teoria da turbulência .2. que através da representação gráfica daquelas funções implícitas. a) Determinação de l.ε) às condutas comerciais. II. uma rugosidade equivalente (ke).51 ε /D = −2 log( + ) 3. nas aplicações práticas de engenharia encontram-se neste domínio e o coeficiente de resistência pode ser estimado pela seguinte equação: 1 2. Nikuradze considerou uma rugosidade teórica (ε) correspondente à dos grãos de areia (calibrada) colados às paredes de tubos lisos. turbulento de transição e turbulento rugoso.e comprovados através das experiências de Nikuradze. corresponde a um parâmetro adimensional . define-se para essas condutas. O valor de λ é obtido através da utilização do número de Reynold e do valor de rugosidade relativa k/D como parâmetros.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. que substituída na expressão de cálculo de λ. concluiu que o primeiro depende do segundo e de outros parâmetros (adimensionais) que caracterizam as asperezas das paredes do tubo. • Os intervalos II. A variação de λ com Re apresenta.4. para cada valor de (ε/D).rugosidade relativa (ε/D). que dividida por D. III e IV correspondem aos regimes turbulento liso. A determinação do coeficiente de resistência pode ser obtido pela representação gráfica das experiências de Nikuradse ou por via analítica. com suficiente rigor. permite a determinação expedita dos valores de λ.

Conceitos Fundamentais de Hidráulica. através de fórmulas práticas (expressões empíricas. material das paredes do contorno sólido. Chama-se nó ao ponto de intersecção de três ou mais condutas e malha a todo o circuito fechado constituído por três ou mais condutas ligadas em série. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas É importante relembrar que a determinação do coeficiente de resistência. conhecendo-se os caudais e os diâmetros é possível de imediato o cálculo das perdas de carga. quer sob a forma analítica. válvulas. λ.6.1 Regime uniforme e permanente Em regime uniforme e permanente. em trechos pequenos da conduta em que se quebra a sua uniformidade. Chama-se caudal unitário de percurso (q) ao parâmetro que traduz a variação média do caudal ao longo da conduta: 2. EMALHADA só com malhas só com condutas em série com condutas em série e com malhas 2.7 λ Re× λ Em que: Estes sistemas aparecem normalmente nas redes de abastecimento de água municipais ou industriais e nas redes de combate a incêndios. Diz-se que uma conduta tem distribuição de percurso quando sofre uma variação de caudal ao longo do seu percurso (escoamento em regime permanente variado). as perdas de carga são contabilizadas considerando que o escoamento se faz em regime permanente variado.5. por considerar por exemplo os consumos domésticos. b) Determinação de l. q= Qm − Qj ⇔ Qm = Qj + q × L L (20) 40 . ke . podemos considerar os seguintes tipos de redes: QUADRO 1 . mudanças de direcção. …) encontra-se bem documentada em inúmeras publicações de hidráulica.rugosidade equivalente (m): D .6 Cálculo hidráulico 2. Nas redes emalhadas o conhecimento do valor e sentido dos caudais. A determinação dos coeficientes de perda de carga em diferentes singularidades (estreitamentos e alargamentos suaves.TIPOS DE REDES TIPO DESCRIÇÃO DISTRIBUIÇÃO DE PERCURSO sem com sem com sem com REGIME DO ESCOAMENTO PERMANENTE uniforme variado uniforme variado uniforme variado λ . ∆H L = K L × U2 2g (19) em que KL é o coeficiente de perda de carga localizada.1 Classificação das redes hidráulicas As redes de condutas consideram-se sistemas complexos porque são constituídas por tubagens ligadas em série e/ou paralelo.4. Estas perdas de carga dependem de diversos factores relacionados fundamentalmente com as características do escoamento a montante e a jusante da singularidade. são obtidos após o equilíbrio da malha através da Lei da Continuidade (em cada nó os caudais afluentes devem igualar os caudais efluentes) e Lei das Malhas (numa malha a soma algébrica das perdas de carga em todas as condutas deve ser nula). etc.5 Redes hidráulicas 2. quer sob a forma de ábacos ou tabelas apenas são válidas dentro das condições particulares em que foram definidas. . o caudal é constante logo. formando feixes ou malhas de condutas. Quanto à sua constituição. como por exemplo pela Fórmula de Colebrook-White: k /D 1 2. ou seja. válidas apenas em certas circunstâncias . que permitem chegar a uma expressão geral para este tipo de perdas de carga. Logo. λ. temperatura. algumas das quais serviram de base ao presente texto e que se encontram referenciadas nas referências bibliográficas. etc. Em regime variado há uma variação de caudal ao longo do percurso. deve ser realizado por via analítica por equações de reconhecida validade.). A determinação analítica destas perdas de carga localizadas (∆HL) baseia-se na aplicação dos Teoremas da Quantidade de Movimento e de Bernoulli. sendo determinado experimentalmente para cada tipo de singularidade.. 2. em cada troço.número de Reynolds (adimensional)..diâmetro da conduta (m).fluido. secção transversal. seleccionando o diâmetro pode-se de seguida calcular a velocidade e perda de carga.3 Perdas de carga localizadas As perdas de carga localizadas ocorrem em singularidades das condutas. Re . por via analítica Para cálculos mais exactos o cálculo do coeficiente de resistência.51 K (18) = −2 log( + ee ) 3. exprimindo-as como percentagem da altura cinética (U2/2g): RAMIFICADA MISTA Nas redes ramificadas a direcção do escoamento é única e portanto conhecida.coeficiente de resistência (adimensional).

Os passos fundamentais a seguir nos cálculos a efectuar são: . a altura de elevação necessária para esta instalação.Curva característica da instalação Fig. em movimento uniforme e para um dado diâmetro.5 m/s) e de critérios de velocidade mínima e máxima. 4 . Qj .8 Curva característica da instalação A curva característica da instalação será a curva que traduz.comprimento da conduta.6 a 1. apresentando a curva característica da instalação a forma apresentada na figura 4.Adição dos custos anteriores para os diversos diâmetros seleccionados e verificação de que o conjunto de diâmetros seleccionados contém o diâmetro (comercialmente disponível) mais económico. .Cálculo dos custos de investimento em função dos diâmetros seleccionados. H = f (Q ) → H man = H geo + ∑ J i × Li + ∑ ki × U 2g 2 2 (22) Altura Perdas de carga Perdas de carga   V2  ∑ K i i + ∑ J i × Li    2g   Altura geométrica Caudal Fig. que se traduz numa variação parabólica da linha de energia. .Selecção de um conjunto de diâmetros (comercialmente disponíveis) a partir de velocidades médias (0. uma vez que a perda de carga aumenta de forma quadrática com a velocidade e esta aumenta igualmente de forma quadrática com o diâmetro. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Em que: q . Qm . Os custos de investimento são directamente proporcionais ao diâmetro instalado e os consumos de energia inversamente proporcionais ao mesmo valor. Com esta simplificação o cálculo hidráulico de regime permanente variado é transformado. em regime uniforme e permanente.7 Dimensionamento económico de condutas Apresentam-se neste ponto os passos fundamentais para o desenvolvimento dos cálculos que permitem seleccionar os diâmetros económicos das condutas. As perdas de carga têm variação quadrática com o caudal. conduz ao mesmo valor da perda de carga que a verificada em regime permanente variado. para efeito do cálculo das perdas de carga.Variação dos custos de investimento e energia com o diâmetro de condutas. 41 . 2.55 × q × L (21) Trata-se de um caudal fictício que. 3 . 3.Cálculo dos custos de energia do período de vida da obra.Conceitos Fundamentais de Hidráulica.caudal no extremo de jusante.Selecção do diâmetro mais económico. L . . considerando os caudais que realmente circulam na rede. Para tal acontecer os custos associados aos diâmetros extremos seleccionados deverão ser superiores a pelo menos um dos custos associados a um dos diâmetros intermédios. (actualizados ao ano 0) . Tal facto dificulta o cálculo das perdas de carga em cada trecho da conduta. O processo de dimensionamento consiste em determinar o diâmetro que minimize a soma dos custos de investimento com os de energia (não se consideram outros custos de exploração). há uma variação do coeficiente de perda de carga. para cada caudal. 2.caudal no extremo de montante. Será em cada ponto a soma da altura geométrica com todas as perdas no sistema para esse caudal. Havendo uma variação da velocidade ao longo da trajectória. conforme se representa na Fig.caudal unitário de percurso. Bresse ultrapassou esta dificuldade considerando um caudal equivalente ( Qe ): Qe = Qj + 0. Especialmente nos diâmetros mais pequenos a alteração de um diâmetro para o da série comercial imediatamente inferior poderá representar alterações significativas em alguns parâmetros de controlo.

a descarga de uma bomba dum estágio é injectada na admissão de uma bomba de um segundo estágio. a bomba é constituída por um rotor que gira no interior de uma carcaça. • Motor eléctrico.2 Constituição Na sua forma mais simples. Nesta situação. Fig. o que permite transmitir a energia ao líquido para este adquirir o aumento de pressão desejado. Normalmente o propulsor é considerado o coração da bomba. A Figura 3 ilustra uma alheta de um impulsor e os respectivos vectores de velocidade. usa-se uma bomba multiestágio. 2. onde se preserva a pressão do primeiro.9. c) Eixo inclinado. As bombas multiestágio podem ser consideradas como bombas com vários estágios simples. Fig. b) Eixo vertical. • Veios condutores. • Sistema de lubrificação.Corte numa bomba multicelular Muito resumidamente.9. O fluido depois de entrar no segundo estágio terá um aumento de energia sob forma de aumento de pressão e assim sucessivamente. Quanto à posição do eixo: a) Eixo horizontal. Quanto ao sentido de rotação: a) De sentido directo: se o eixo da bomba roda no sentido anti-horário.Conceitos Fundamentais de Hidráulica.3 Curva característica da bomba A equação básica da bomba é utilizada para calcular e desenhar formas geométricas e dimensões.1 Definição Uma bomba é denominada centrífuga quando a direcção de escoamento do fluido é perpendicular à do eixo de rotação da hélice e podem ser classificadas da seguinte forma: Quanto ao n.Forma típica do corpo uma bomba centrífuga 2. melhorando a eficiência da bomba. 5 . Esta energia cinética é convertida em pressão quando o fluido sai do impulsor e entra na voluta ou difusor. assim como para deduzir a curva Q/H da bomba centrífuga. Uma bomba centrífuga com um só rotor é uma bomba de um único estágio (ou andar).º de impulsores: a) De um só andar: quando têm um só impulsor. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2.9 Bombas centrífugas 2. Quando se deseja ter uma combinação de pressão total e capacidade que não se enquadra numa bomba de um só estágio. O fluido entra na bomba nas vizinhanças do eixo do rotor propulsor e é lançado para a periferia pela acção centrífuga. as principais peças constituintes de uma bomba centrífuga. • Propulsor ou rotor. sendo constituída por um disco que roda a alta velocidade. Veios condutores fixos no corpo da bomba podem ajudar a dirigir o fluido.9. 42 . 6 . • Sistema de refrigeração. b) De sentido retrógrado: se o eixo da bomba roda no sentido horário. b) De andares múltiplos: quando existem vários impulsores. são as seguintes: • Corpo da bomba. A energia cinética do fluido aumenta do centro do rotor para a ponta das palhetas propulsoras. montadas sobre o mesmo eixo e com descargas em série.

vm = componente radial da velocidade absoluta. onde: v = velocidade absoluta do líquido. Assim sendo. Ht = As bombas centrífugas são normalmente concebidas com α1 = 90°. Fig. Velocidade absoluta do líquido v. vu1 = v1 cos α1 e vu2 = v2 cos α2 Partindo do princípio que o caudal não tem perdas e que o número de alhetas é infinito (∞). a equação básica da bomba é simplificada para: uv H t = kη h 2 u 2 (25) g A altura manométrica ideal obtida pela equação de Euler é independente do caudal Q. a equação de Euler para uma bomba real tem o seguinte aspecto: ηh (ku2vu 2 − u1vu1 ) (24) g É possível mostrar que ηh e k são menores que a unidade. Para além disso. velocidade periférica da alheta u. 43 . Com estas modificações. é possível derivar a familiar teoria da equação básica da bomba utilizando as leis da mecânica. Ht∞. w = velocidade relativa à alheta. A velocidade relativa é paralela à alheta em qualquer ponto. 7 . Se a curva Q/Ht∞ for traçada. Esta relação é conhecida como equação de Euler e é expressa do seguinte modo: Numa bomba real. visto que existem sempre perdas por atrito e o número finito de alhetas não direccionará o caudal completamente na direcção da alheta. é indicado por uma linha recta. u = velocidade periférica da alheta. são representados os vectores velocidade nos bordos de ataque e fuga. vu = componente tangencial da velocidade absoluta. componente tangencial da velocidade absoluta do líquido vu e componente radial vm . rencia o princípio do número infinito de alhetas que garante o direccionamento completo do líquido. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Alheta de impulsor de bomba com os vértices de velocidade nos bordos de ataque e fuga. A redução de pressão causada por perdas no escoamento é tomada em consideração pelo rendimento hidráulico e a redução devido ao desvio do caudal de uma ângulo ideal β2 é contabilizado por um coeficiente de alheta k.Representação dos vectores velocidade na alheta do impulsor Na figura 7. não é possível satisfazer nenhum destes princípios. velocidade relativa w. A curva real Q/H é derivada desta curva através da subtracção dos efeitos do Ht∞ = 1 (u2vu 2 − u1vu1 ) g (23) onde o índice t referencia um caudal sem perdas e ∞ refe. logoνu1 = 0.Conceitos Fundamentais de Hidráulica.

• perdas por atrito no empanque da transmissão. As perdas mínimas ocorrem com o caudal nominal da bomba. o caudal através do impulsor é ligeiramente maior do que o caudal de saída da voluta da bomba. a diferença é a perda por fuga Hv. Perdas Redução do caudal Q causada por perdas por fuga Hv Efeito do número finito de alhetas Ht Perdas por atrito Hr Perdas por descontinuidade Hs Velocidades (w) e perdas relativas do bordo de ataque da alheta com várias velocidades de caudal. • perdas por atrito na chumaceira. cujo aumento é proporcional ao aumento de diferença entre o caudal real e o caudal nominal. As perdas mínimas ocorrem com o caudal nominal da bomba. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas número finito de alhetas e de várias outras perdas que ocorrem no interior da bomba. Esta perda aumenta à medida que a bomba vai sendo desgastada. Fig. Por muito pequena que seja a folga. Poderemos escrever que: H t = kH t∞ (26) Ht não é perfeitamente linear. • Na voluta da bomba. O seu aumento é proporcional ao quadrado do caudal. Este efeito é ilustrado na Figura 9. quando o caudal na voluta é diferente do caudal no perímetro do impulsor. 44 . para Ht não é causada por perdas de caudal mas sim pelo desvio do líquido dos ângulos ideais devido ao número finito de alhetas. onde o líquido atinge a ponta da alheta. poderemos obter a altura teórica Ht. Estas perdas incluem: • perdas por atrito nas superfícies exteriores do impulsor. O efeito da perda por fuga está ilustrado na Figura 8. quando o ângulo de ataque do líquido é igual ao ângulo β 1 do bordo de ataque da alheta. Perdas por Atrito Hf As perdas por atrito ocorrem à medida que o líquido flui pelas passagens do impulsor e da voluta da bomba.Velocidades e perdas no bordo de ataque da alheta com várias velocidades. um pequeno retorno de caudal passa da área de elevada pressão junto da borda do impulsor para a área de baixa pressão do aro de junta do impulsor. A redução de altura de Ht∞.Redução (H) da curva verdadeira da bomba Q/H relativa à altura teórica da bomba Ht∞.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. 9 . As diferenças de velocidade causam turbulência que originam perdas. Perdas por Descontinuidade Hs As perdas por descontinuidade são geradas nas seguintes áreas: • No bordo de ataque da alheta. onde o líquido entra em contacto com a alheta no ângulo β1. Por este motivo. Se tomarmos este factor em consideração. Fig. Outras Perdas Existem outras perdas numa bomba centrífuga que não afectam a curva Q/H mas que aumentam o consumo de energia da transmissão do motor. A perda é mais pequena no ponto de concepção da bomba. As perdas aumentam com o aumento do desvio do ângulo de contacto do ângulo da alheta β 1. quando o ângulo de ataque do líquido é igual ao ângulo β1 do bordo de ataque da alheta. com velocidades de caudal diferentes do valor nominal. porque o coeficiente de alheta é ligeiramente dependente do caudal Q. conforme se pode constatar na figura seguinte. pelo que a cabeça da bomba encontra um caudal reduzido. a existência de um número finito de alhetas diminui a altura manométrica pelo factor de alheta k. 8 . O seu aumento é proporcional ao quadrado do caudal Q. ocorrem perdas devido aos redemoinhos causados por esta. • No bordo de fuga da alheta. O Efeito do Número Finito de Alhetas Conforme indicado anteriormente. conforme se pode ver na Figura seguinte. Perdas por fuga Hv As perdas por fuga ocorrem na folga entre o impulsor e a voluta da bomba.

Uma bomba com cavitação emite um ruído de crepitação característico. Se a pressão cair abaixo da pressão do vapor. na instalação de qualquer bomba. 10 . Normalmente. com líquidos quentes e voláteis. a pressão do choque irá eventualmente originar a erosão do material dessa superfície. tal como se estivesse a bombear areia. Se estas se moverem no fluido para uma zona de pressão superior.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. tação. Se o líquido for bombeado de modo a atingir o bordo de ataque da alheta a um ângulo diferente do da alheta. formam-se bolhas de vapor. As picagens podem ter vários milímetros de profundidade. conforme representado na figura seguinte. tendo como consequência mais gravosa a deterioração mecânica precoce da bomba. as marcas de desgaste causadas pela cavitação ocorrem localmente e consistem em picagens profundas com bordos afiados. • A bomba torna-se muito menos eficiente porque passa a bombear uma mistura de líquido e vapor. A implosão causa uma onda de choque local transitória e extremamente alta no líquido.Influência do ângulo no bordo de ataque da alheta Logo. Se a implosão ocorrer perto de uma superfície e ocorrer repetidamente. As bolhas de vapor são formadas quando a pressão estática local de um líquido em movimento diminui até atingir um valor igual ou inferior ao da pressão do vapor desse líquido para uma dada temperatura. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2. particularmente. hA = diferença de altura entre o plano de referência e a ponta do bordo de ataque da alheta. A cavitação numa bomba apresenta duas desvantagens: • A criação e colapso das bolhas de vapor podem danificar a bomba. irão eventualmente implodir. o fenómeno da cavitação nas bombas centrífugas ocorre numa localização perto do bordo de ataque da alheta do impulsor. formam-se redemoinhos e zonas de baixa pressão do outro lado da alheta. O impacto de alta pressão resultante poderá originar picagem e a erosão da estrutura adjacente. com uma densidade muito mais baixa. Quando a bolha se desloca com o fluido para uma área de pressão superior. Não existe nenhum material que suporte totalmente a cavi- 45 . o seu colapso ocorrerá rapidamente. Definição de NPSH NPSH é o acrónimo do termo inglês Net Positive Suction Head e representa a diferença entre a pressão estática absoluta e a tensão de vapor do líquido (normalmente expressa em metros).10 Cavitação e NPSH A cavitação é o fenómeno hidráulico associado à formação e colapso de bolhas de vapor num líquido. é necessário que no dimensionamento desta seja acautelado a ocorrência de cavitação. O cálculo do NPSH é baseado nos seguintes parâmetros: ht = altura geométrica de entrada. pelo que deverão ser tomados os devidos cuidados se as condições de funcionamento da bomba apresentarem o risco de ocorrência de cavitação. Fig. Implosão de bolhas de vapor Fig. 11 . Habitualmente.Impulsor demonstrando estragos motivados por cavitação Bolhas de vapor A formação e desaparecimento das bolhas de vapor é designada por fenómeno de CAVITAÇÃO.

Conceitos Fundamentais de Hidráulica. na bomba e na tubagem de pressão. Pb = pressão ambiente ao nível do líquido. Nas bombas verticais. 12. ou Pmin > pv A Figura 13 ilustra o princípio da distribuição da pressão estática do líquido na tubagem de entrada.Variação típica do NPSH requerido com o caudal. Trata-se do plano horizontal que atravessa o ponto central do círculo descrito pela ponta do bordo de Fig. 13 . a pressão estática mínima na bomba (Pmin) tem de ser maior do que a pressão do vapor do líquido. Pressão estática do líquido O NPSH da bomba é independente da temperatura e do tipo do líquido que está a ser bombeado. NPSH Requerido O NPSH requerido é obtido a partir da seguinte equação: NPSH requerido = hA + vo 2 2g + ∆h BOMBA HORIZONTAL BOMBA VERTICAL Este valor também é conhecido como valor de NPSH da bomba. Fig. NPSH NPSHF (Sem cavitação) NPSH início do ruído Pressão mais baixa na bomba Pressão do vapor Pressão 0 absoluta NPSH início da perda material NPSH0 (0% de perda de altura manométrica) NPSH3 (3% de perda de altura manométrica) Variação de pressão numa instalação de bomba em seco. Distribuição da pressão estática do líquido na tubagem de entrada. 12 . qualquer bomba terá valores de NPSH diferentes dependendo da definição da ocorrência. ∆h = quebra de pressão local no bordo de ataque da alheta.Dimensões e pressões de referência para o cálculo do NPSH Para evitar a cavitação.Curvas de NPSH 46 . Pressão Mínima NPSH requerido Plano de Referência NPSH requerido Fig. Pmin= pressão estática mínima na bomba. O fabricante da bomba é obrigado a indicar o NPSH como um valor numérico ou uma curva. Vo2/2g= quebra de pressão causada pela velocidade de entrada. conforme demonstrado na Figura 14. Na realidade. Pv = pressão do vapor do líquido à temperatura dominante. 14 . Fig. o plano de referência coincide com a linha central da transmissão. Este valor pode ser apresentado como uma função do caudal. ataque da alheta. Nas bombas horizontais. 15 . As alturas de pressão são apresentadas na Fig.Dimensões e pressões de referência na aspiração da bomba Plano de Referência O plano de referência é o plano no qual os cálculos do NPSH são efectuados. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Hrt = perdas de caudal na tubagem de entrada. como pode ser visto na Figura 15. a localização do plano de referência é indicada pelo fabricante. na bomba e na tubagem de pressão de uma instalação de uma bomba em seco.

é possível determinar essa mesma curva a uma velocidade de rotação diferente. isto é. 2. A alteração destes dois parâmetros provoca alterações nas curvas características. Carga Hidrostática H2  N2   = H 1  N1    P2  N 2   = P  N1  1   2 3 Potência Carga efectiva positiva de sucção H2  N2   = H 1  N1    2 47 . ou com valores de NPSH maiores do que NPSH3 (Figura 15). Por este motivo. Este procedimento é muito frequente. onde D1 é o diâmetro da abertura de maiores dimensões. existem muitas bombas centrífugas com velocidade de rotação variável. em muitas situações. REFERENCE GUIDE"(1997). é possível determinar curvas características de bombas a partir de uma conhecida.5 m é suficiente. desde que seja utilizada uma curva cónica antes da entrada da bomba. pois é necessário. O problema é que não existe nenhum modo exacto de testar e estabelecer este valor de NPSH. Para bombas instaladas verticalmente.5 m. As perdas de carga na tubagem de aspiração podem ser incorrectamente calculadas e o ponto de funcionamento real da bomba pode diferir do teórico devido a variações na curva Q/H e a cálculos incorrectos da resistência da tubagem de aspiração. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas De acordo com os padrões de teste utilizados pelos fabricantes de bombas. Isto aplica-se especialmente às bombas de águas residuais. carga a desenvolver pela bomba (H). cuja metodologia foi seguida no presente trabalho. que têm um número reduzido de alhetas do impulsor. O NPSH requerido também poderá ser afectado pela forma da tubagem de entrada. NPSH Disponível O NPSH disponível indica a pressão disponível para a aspiração da bomba sob as condições dominantes. O termo ht é positivo quando o plano de referência se encontra acima da superfície do líquido e negativo quando este se encontra abaixo da superfície. Na prática. conhecendo a curva característica de uma bomba a uma determinada velocidade de rotação do rotor. Através das leis de semelhança entre bombas centrífugas. as suas margens de segurança e métodos de medição. A cavitação ligeira pode ser inofensiva para a bomba se as bolhas de vapor não implodirem perto das suas partes estruturais. o NPSHr é definido como a situação onde a altura manométrica da bomba sofre uma diminuição de 3% devido à cavitação. potência (P) e carga efectiva positiva de sucção (H) com a velocidade do rotor (N) ou com o diâmetro do rotor (D). uma curva de NPSHr baseada na regra de 3% do padrão é uma base insuficiente para a avaliação do risco de cavitação em bombas com poucas alhetas. A cavitação prejudicial poderá ocorrer mais cedo do que o esperado.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. tais como a alheta do impulsor. O raio de curvatura da linha central da curva não deve ser inferior a D1 + 100 mm. Estas leis são relações entre: caudal (Q). Este valor é definido como NPSH3. O NPSH. O NPSH disponível é determinado pelo projectista da instalação. Este valor pode ser denominado o NPSH da instalação sobrepressora. que permite alterar a velocidade de rotação do seu impulsor. encontrar o caudal desejado ou os parâmetros de dimensionamento adequados. Por exemplo. A margem de segurança do NPSH deve ser suficientemente grande para suportar variações numa situação onde as condições reais podem ser diferentes das calculadas teoricamente. possuem um mecanismo do tipo variador de frequências. As variações técnicas de fabrico do formato do bordo de ataque da alheta podem afectar o comportamento da cavitação. Assim sendo. a curva de NPSHr publicada pelo fabricante deve garantir que a bomba não será danificada se for utilizada acima dessa curva.11 Leis de semelhança O traçado das curvas características depende do raio do rotor (impulsor) e da velocidade de rotação deste. Em princípio. Efeito da variação da velocidade do rotor com o diâmetro constante: Caudal Q2 N 2 = Q1 N1 NPSH disponivel = Pb pv − H rt − ht − ρg ρg (27) Margem de Segurança do NPSH NPSHdisponível >NPSHrequerido + Margem de segurança . Para bombas instaladas horizontalmente com tubagens de sucção rectilíneas. A diferença entre os vários valores de NPSH é maior nas bombas equipadas com impulsores com menos alhetas. encontram-se detalhadamente descritos na publicação do EUROPUMP "NPSH FOR ROTODYNAMIC PUMPS. uma margem de segurança de 1 a 1. os impulsores monocanal registam as maiores diferenças nos valores de NPSH devido à quebra da curva do NPSH3 e os seus testes apresentam resultados demasiado favoráveis. a margem de segurança deve ser definida entre 2 e 2.

12 Ponto de funcionamento de uma bomba centrífuga O ponto de funcionamento de uma bomba corresponde à intercepção da curva característica da bomba (H/Q). com a curva característica da instalação. Com esse ponto.H. (≤ N.).Ponto de funcionamento de uma bomba 48 .S. Fig.P. a potência absorvida. temos o caudal que pode ser bombeado naquela instalação.Conceitos Fundamentais de Hidráulica.dis.H. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Efeito da variação do diâmetro do rotor com velocidade de rotação do rotor constante: Q2 D2 = Q1 D1 Caudal Carga Hidrostática H 2  D2   = H 1  D1    P2  D2   = P  D1  1   2 3 Potência Carga efectiva positiva de sucção H 2  D2 = H 1  D1      2 2. o rendimento e o N.S.P.req. 16 .

(1988) BOMBAS E INSTALAÇÕES DE BOMBEAMENTO GRUNDFOS (1996) MANUAL DE ENGENHARIA .PORTO EDITORA MACINTYRE. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2.ESTAÇÕES ELEVATÓRIAS DE ÁGUAS RESIDUAIS 49 .Conceitos Fundamentais de Hidráulica. REFERENCE GUIDE QUINTELA. (1981) HIDRÁULICA . (1986) MECÂNICA DOS FLUIDOS E HIDRÁULICA GERAL .FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN NOVAIS-BARBOSA. ARCHIBALD J. J. ANTÓNIO C.13 Referências bibliográficas EUROPUMP (1997) NPSH FOR ROTODYNAMIC PUMPS.

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ª Mecânica (DEM) do ISEL 51 . de Eng.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO COM VELOCIDADE FIXA E VELOCIDADE VARIÁVEL Autor: Eduardo Nunes Director de Projectos da Profluidos Professor Adjunto Equiparado do Dept.

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caracterizada pela qualidade. integrado no Instituto Politécnico de Lisboa. pelo Decreto-Lei 389/88 passa a fazer parte da rede de estabelecimentos de Ensino Superior Politécnico. tendo como objectivo último. O ISEL conta actualmente com cerca de 6000 alunos. garante a qualidade técnica dos projectos.Gabinete de Projectos de Instalações Especiais. rapidez de resposta e segurança de actuação. por Decreto-Lei 830/74 de 31 de Dezembro. Com ampla experiência nacional e internacional. por Decreto Régio de D. O ISEL O Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL) é a mais antiga escola de engenharia em Portugal. a satisfação dos seus clientes. eficiência. na procura de um produto final de qualidade. Formada por um Quadro Técnico Qualificado de especialistas que possuem uma longa experiência nos diferentes domínios de intervenção. Este Instituto passou a ter estatuto de ensino superior com a denominação de Instituto Superior de Engenharia de Lisboa. tendo em atenção parâmetros que considera de capital importância.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A Profluidos A Profluidos . sempre devidamente adaptados às necessidades e assegura a indispensável assistência técnica. especializada nas suas áreas de actuação. Consultadoria e Assistência Técnica. Maria II. Em 25 de Outubro de 1988. 53 . foi fundada em 1986 e intervenciona nas áreas de Elaboração de Estudos e Projectos de Engenharia. sendo especializada nas áreas das Instalações Especiais e do Saneamento Básico. Lda. dispõe ainda de uma vasta equipa de consultores externos com formação técnica e pedagógica devidamente actualizada. a Profluidos. que criou o Instituto Industrial de Lisboa. É uma empresa multidisciplinar. Teve a sua génese em 30 de Dezembro de 1852. 500 docentes e 130 funcionários não docentes.

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quer sob o ponto de vista funcional. os requisitos principais relativos à sua instalação e custos de exploração associados.Um conjunto de bombeamento para os reservatórios. Tratam-se de sistemas sem o recurso a reservatórios hidropneumáticos. Fig.Um dispositivo para compensar o ar dissolvido na água (no caso de reservatórios sem membrana).Válvula de controlo de pressão em série com as bombas 3. . torna-se necessário recorrer a dispositivos de elevação de pressão apropriados. instalação e manutenção reveste-se da maior importância. para garantir de modo satisfatório as exigências de caudal e pressão dos diversos aparelhos de consumo prediais. 2 . A primeira solução. embora os mesmos princípios sejam extensivos a todas as demais aplicações. em função do caudal ou pressão. cada vez mais corrente no mercado. Nos sistemas por bombeamento directo podem considerar-se duas soluções alternativas. em parte ou na totalidade dos pisos de um edifício. adequam a velocidade de rotação às exigências de caudal que é solicitado em cada instante pela rede. quer sob o ponto de vista económico.Um ou mais reservatórios fechados. Fig. consiste em utilizar bombas de velocidade variável. que automaticamente. Nestes sistemas existe obrigatoriamente um ou mais reservatórios metálicos onde a água é mantida sob pressão. 4 . . .1 Constituição e princípio de funcionamento Os principais órgãos de uma central hidropneumática são: . Fig. As aplicações cobertas por este tema são muito vastas e destinam-se principalmente aos sistemas prediais. 3 . 3.3 Centrais hidropneumáticas 3. Face à vastidão dos seus campos de aplicação optámos por exemplificar os sistemas de pressurização com velocidade fixa e velocidade variável aplicados aos sistemas prediais abastecidos pela rede pública. apresentar a metodologia de dimensionamento dos seus componentes.Bomba de velocidade variável A segunda solução consiste na utilização de duas ou mais bombas de velocidade fixa instaladas em paralelo. tem vindo a divulgar-se a utilização de sistemas por bombeamento directo. sob a acção de transdutores e circuitos electrónicos.1 Introdução O presente capítulo deste manual tem por objectivo descrever e caracterizar os tipos de sistemas de elevação existentes. com arranque e paragem automáticas.Pressóstatos ou sensores de pressão. Na actualidade.2 Tipos de sistema de elevação de pressão Uma situação corrente tem sido a utilização de sistemas hidropneumáticos. em série ou em paralelo com as bombas.3.Válvula de controle de pressão em paralelo com as bombas HOTEL Fig. 1 . abastecimento público e indústria. ao mesmo tempo que é operada também de uma forma automática uma válvula de controlo de pressão. tubagens e dos aparelhos de consumo. com ou sem membrana. O seu correcto dimensionamento.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. Quando a pressão que está disponível na rede pública de distribuição de água potável é insuficiente para garantir o funcionamento dos aparelhos de consumo. nomeadamente os custos de instalação e exploração e finalmente da manutenção com influência na duração dos equipamentos. rega.Instalação típica de centrais hidropneumáticas em edifícios de grande altura 55 .

No segundo caso as duas zonas não se recobrem. 7 .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável . ou ainda.Manómetros. enchendo-se o reservatório. Uma bomba não pode funcionar sem inconvenientes. Em instalações de pequeno porte poderá ser utilizado com reservatórios ou carregador de ar ou reservatórios com membrana a separar a fase líquida da fase gasosa. Fig. Noutras. se for entretanto atingido um nível superior préfixado será accionado o compressor de ar.Zona útil da curva característica de uma bomba Grundfos As curvas características das bombas podem ter diferentes configurações: Algumas caracterizam-se por apresentar um traçado de tangente praticamente horizontal. Para melhor precisar estas noções.3. A pressão correspondente a essa descarga é a altura manométrica da instalação. >> 0) pelo que uma pequena variação de caudal é acompanhada por uma grande variação da altura de elevação e por consequência da pressão (curva típica de bombas multicelulares). pelo contrário.2.3. ela deverá funcionar assim numa zona de bom rendimento. ela é limitada pelos caudais mínimo qm e máximo QM. Esta zona é em geral definida pelo fabricante. 6). Quando a água atinge o nível máximo a bomba é desligada.2 Grupos electrobomba 3. 5 . O caudal de dimensionamento das bombas deve ser 15 % a 25 % superior ao caudal máximo do consumo previsto para o edifício. considera-se a zona de variação de caudal correspondente à parte útil da curva característica das bombas (fig. 6 . a zona útil de variação de caudal das duas bombas recobre parcialmente a zona útil de uma única bomba (fig.Selecção das bombas 56 .Definição das curvas características das bombas No primeiro caso. pressóstato. quando duas bombas funcionam em paralelo. À medida que o nível da água se eleva no reservatório. um sensor. Fig. dá partida à bomba. Distinguem-se os casos: Característica pouco inclinada quando qm < 1/2 QM. Característica inclinada em que qm ≥ 1/2 QM. Fig. 6). o que quer dizer que a uma grande variação de caudal corresponde uma pequena variação da altura de elevação da bomba e correspondentemente da pressão (curva típica das bombas monocelulares). protecção e controle das bombas e compressores. a curvatura é acentuada (tangente 3. com caudais muito superiores ou muito inferiores ao caudal correspondente ao ponto de maior rendimento. um interruptor de flutuador. .Eléctrodos ou interruptores de nível. medidores de caudal e todos os sensores e equipamento necessário ao comando. aumenta a pressão no seu interior e a almofada de ar comprime-se armazenando energia potencial (elástica).1 Selecção das bombas A zona útil da curva característica de uma bomba é definida por critérios técnico económicos. Instalações de grande e médio porte exigem a aplicação de um ou mais reservatórios de membrana ou uma central de ar comprimido. O seu princípio de funcionamento é o seguinte: sempre que o nível da água atinge o ponto mais baixo no interior do reservatório hidrofórico.

e realiza-se como se segue: Se o consumo da rede aumenta quando se encontra a funcionar apenas uma das bombas do sistema.Quando o caudal solicitado pela rede for inferior a Qa0. mas a pressão de descarga da bomba diminuirá. tais como as zonas entre Qa3 e Qb2 e também entre Qb5 e Qc4. sendo o caudal debitado pelas bombas desajustado às necessidades. Qp .2. O caudal médio de uma bomba determina-se pela expressão: Qm = em que: 2 Q2 2 ( a + Qa − Q p + Q p ) × 3 Qa + Q p Fig. para C5 e por fim C4. Também se pode empregar a fórmula simplificada: Qm = Qa + Q p 2 3. Com o arranque da segunda bomba. Em A3 é atingida a pressão mínima. que permitem.Determinadas gamas de caudais não são abrangidas. até A1. Nesta situação. do respectivo caudal e da pressão. é posta em marcha a terceira bomba. conforme está representado na figura 8.3. bombas multicelulares.Paragem da terceira bomba 3P e passagem para um funcionamento com duas bombas. etc. 3. passando por todas as fases intermédias. . 57 .Em cada arranque e paragem de uma das bombas. .caudal de paragem Verifica-se o mesmo procedimento quando as necessidades de água diminuem: .2 Comando das bombas Nas centrais de pressurização com bombas de velocidade fixa. Os órgãos que asseguram o arranque e a paragem das bombas são os pressóstatos. . se o caudal requerido cair e permanecer no interior destas zonas.caudal de arranque. a sua curva de funcionamento evoluirá de R1 para R6.1 Regulação manométrica A regulação manométrica é a mais utilizada. o arranque e a paragem das bombas são efectuados automaticamente. designada regulação manométrica.2. o ponto de funcionamento desloca-se progressivamente de A1 para A2 e A3. ou seja. evolui-se progressivamente de B3 para B4 e seguidamente.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A experiência mostra que quanto maior é a diferença de pressão entre o arranque e a paragem das bombas mais reduzido resulta o volume do reservatório. Destacam-se alguns inconvenientes relacionados com este tipo de funcionamento: .2. o ponto de operação do sistema passa de C4 para B4. o caudal debitado pela bomba aumentará para satisfazer o consumo. o funcionamento também será irregular com paragens e arranques frequentes.Paragem da segunda bomba. . 9).3. designada regulação debitométrica.Através do diferencial de pressão. o que faz arrancar a segunda bomba do sistema e a curva funcional passa a ser a curva 2P (duas bombas em funcionamento).Evolução de A2. correspondente à pressão máxima de funcionamento com três grupos electrobomba. Nesta evolução.Evolução progressiva de C6. . e operação com a curva 1P em que o ponto de funcionamento passa de B2 para A2. para B5. a selecção dos grupos electrobomba deve ser a favor dos que se caracterizam por curvas características com inclinação acentuada. ocorre uma variação brusca do ponto de funcionamento e consequentemente. correspondente à curva 2P. ocorre um salto brusco de A3 para B3. o funcionamento é instável com arranques e paragens frequentes da bomba. 8 Qa . Para se evitarem os inconvenientes descritos. que são accionados mecanicamente pela pressão da água. deve instalar-se um depósito hidropneumático ligado ao colector de descarga comum das bombas (fig. através do circuito de comando a abertura e fecho dos contactores de potência.Através do diferencial de caudal. Se o consumo de água continua a aumentar. com passagem do ponto de operação de B5 para C5 seguida de uma evolução progressiva de C5 para C6 e assim por diante. Assim. São dispositivos providos de contactos eléctricos biestáveis. . através de uma das duas opções: .

enquanto que o caudal fornecido à instalação (consumo) permanece praticamente inalterado.Sobreposição com a zona de caudais debitados por n+1 bombas Fig. Fig. à medida que o depósito se esvazia para atingir a No exemplo ilustrado pela figura 12. 9 O ar sob pressão. 11 . a presença do depósito hidropneumático altera ligeiramente os pontos de funcionamento do sistema. A maior parte dos depósitos são. é comprimido e expandido em função da pressão de funcionamento das bombas. O caudal Q' poderá ser garantido com n bombas (ponto A') ou n+1 bombas (B') em funcionamento contínuo. consumido pelo edifício e da respectiva pressão de operação. Como se pode observar na fig. aprisionado na parte superior do depósito. Fig. o excesso de caudal debitado pelas bombas alimenta o depósito enquanto não se atingir a pressão do ponto de funcionamento. Verifica-se então um funcionamento intermitente entre n bombas e n+1 bombas. Um caudal compreendido entre Qa1 e Qa2 pode ser fornecido com n+1 bombas em funcionamento contínuo. impedindo a dissolução do ar na água. o funcionamento do sistema altera-se bruscamente do ponto C para D' e a partir de D' progressivamente para D. A ligeira variação entre A e B' deve-se às perdas de carga no ramal de ligação do depósito. Paragem da 2ª bomba: Na paragem. depois progressivamente.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável pressão do ponto de funcionamento D. verifica-se que há uma sobreposição das gamas de caudal entre n bombas e n+1 bombas em funcionamento porque Qb1 é inferior a Qb2. equipados com membranas que impedem o contacto do ar com a água. Ou seja a passagem de A para B' implica um aumento brusco do caudal de funcionamento das bombas. A característica da curva de funcionamento do sistema varia continuamente em função do caudal solicitado pelos consumidores. Fig. porque o caudal Qa2 é inferior a Qb1. O somatório dos caudais individuais corresponde ao caudal global de valor aleatório. o ponto de funcionamento evolui rapidamente de A para B' e. 10. É nesta situação de não sobreposição dos campos de caudais que o depósito se torna indispensável. No exemplo ilustrado na figura 11. Um caudal compreendido entre Qa1 e Qb1 não poderá ser obtido com um funcionamento contínuo. que estará compreendido entre 0 e Qmax. esta diferença vai alimentar o depósito. 12 . ao contrário da água que é praticamente incompressível. 10 Modo de funcionamento: Arranque da 2ª bomba: No arranque.Gama de caudal coberta por n bombas Gama de caudal coberta por n+1 bombas 58 . O dimensionamento de uma instalação tem como objectivo a satisfação do caudal de ponta. entretanto.Gama de caudais garantidos por n bombas . não temos qualquer sobreposição das zonas de funcionamento. de B' para B. Um caudal compreendido entre Qb1 e Qb2 poderá ser fornecido com n+1 bombas em funcionamento contínuo. actualmente. reduzindo os problemas de corrosão e evita a introdução de dispositivos de compensação de ar. A diferença de pressão entre C e D' deve-se também às perdas da carga da ligação ao depósito.

portanto. Esta diferença é absorvida pelo depósito. . . cujo valor diminui à medida que a potência dos grupos aumenta. 13 . . Fig. 13 apresenta o tempo de duração de um ciclo em função do caudal.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. 14 . nas zonas em que o caudal não é garantido pelas bombas.Diminuição da reserva de água disponível (volume útil) no depósito devido à redução do diferencial de pressões.2 Períodos de funcionamento A duração de um ciclo completo conforme foi descrito anteriormente deverá ser tanto mais importante quanto mais elevada for a potência dos motores. Por outras palavras.1. Deverá efectuar-se um compromisso entre os três parâmetros. (fig. . conduzindo a uma maior frequência de arranques e paragens. um caudal de enchimento e esvaziamento mais elevado. Assegurar a manutenção de pressão na instalação quando todas as bombas se encontram paradas. Absorver as flutuações bruscas de pressão e de caudal durante a abertura e o fecho dos equipamentos de consumo (trata-se contudo de uma função secundária que não justifica por si só a presença do Depósito). Sendo assim. sendo o esvaziamento e enchimento mais rápidos. Podemos considerar que o caudal médio corresponde a metade da gama de caudais abrangida.Cobertura dos caudais em funcionamento contínuo Q = Caudal Médio 59 . Resultando um aumento do diferencial médio entre o caudal consumido e o caudal bombeado.1. O caudal crítico Qc.1 Função do depósito hidropneumático O depósito hidropneumático tem uma função tripla: Servir de reserva. 3. Para se garantir uma pressão de utilização praticamente constante. Contudo. corresponde ao ciclo de duração mínima e. cujos efeitos serão: .2.Redução da gama de caudais coberta pelas bombas e. obtém-se uma reserva de água no interior do depósito menor.Tempo de duração de um ciclo em função do caudal A curva 3 da fig. o período de um ciclo é tanto mais curto quanto: . por conseguinte ao número máximo de arranques. absorvendo o excesso de caudal (Qconsumo < Qbombeado) ou complementado a insuficiência do caudal bombeado (Qconsumo > Qbombeado).3. é indispensável manter-se um diferencial mínimo entre as pressões Pmáx e Pmin. É importante assegurar-se que não é ultrapassada a frequência horária de arranques admissíveis.2. . que não se podem optimizar simultaneamente os seguintes parâmetros: .2.a reserva de água for reduzida (um volume total do depósito reduzido ou um pequeno diferencial entre as pressões Pmin e Pmáx). Conclui-se.o caudal absorvido ou fornecido pelo depósito for elevado (gama vasta de caudais não abrangidos pelo funcionamento das bombas). um reduzido diferencial de pressões Pmin/Pmáx. Qc = Qn + Qn +1 2 Fig.Flutuação da pressão.Número de arranques do motor.2. 14) apresenta três consequências.Aumento da gama de caudais não coberta pelas bombas em funcionamento contínuo. mais probabilidades de ocorrerem situações de funcionamento intermitente.3. .Maior frequência de arranques.Volume de reserva de água.

que impõe um tempo de ciclo mínimo Tmin. 19). fora deles. Uma estrutura deste tipo é frequentemente utilizada em instalações de grande dimensão ou em estações elevatórias.Três bombas principais de 20m3/h e uma bomba auxiliar de 10m3/h Fig. é possível obter-se uma melhor cobertura da gama da caudais (fig.Tempo de ciclo Para se obter uma variação de pressões extremamente reduzida entre o arranque e a paragem. não tem qualquer influência (fig. (sendo a cobertura de caudais mais favorável). É uma solução "parcial" na medida em que esta temporização permite que o ponto de funcionamento ultrapasse os limites da gama de pressão estabelecida (ou seja. A temporização. 15 . o que vai ao encontro de objectivo inicialmente pretendido.Influência das temporizações no deslocamento do ponto de funcionamento É importante que a altura manométrica total Hmt das bombas.Quatro bombas de 20 m3/h Fig. Fig. 60 . sem ter de se enfrentar o problema de um número elevado de arranques. O custo de investimento não pode ser comparado ao de uma solução convencional em que já não se fala de pressurização mas de "distribuição". será necessário dispor-se de um grande volume útil. utilizando bombas de velocidade fixa. esta opção implica uma automatização da operação mais sofisticada e há que tomar em consideração a frequência de arranques da unidade de apoio. 16). No entanto. O reservatório de água representado na figura 17 é o exemplo de um reservatório de grande volume. maiores variações de pressão). 18 e fig. 16 . só se encontra activa durante os ciclos mais curtos. 18 .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Podem ser instalados temporizadores com a finalidade de retardarem a paragem ou o arranque de cada bomba (fig. Fig. 15). Três bombas principais dimensionadas para um caudal de 20 m3/h à pressão de 5 bar mais uma bomba de apoio de 10m3/h a 5 bar oferecem uma maior flexibilidade do que quatro bombas de 20m3/h. 19 . correspondente ao funcionamento com caudal nulo não seja demasiado elevada em relação à Pmáx. Fig. 17 Através do agrupamento de bombas com diferentes capacidades.

pode ser mantida em funcionamento permanente. 3.3. Esta bomba Jockey.1.3. dispendioso. A sua função está limitada a satisfazer as necessidades dos períodos de consumo reduzidos. ou imobilizada.1 Introdução Os reservatórios de membrana.3 Número máximo de arranques dos grupos electrobomba A frequência máxima de arranques dos grupos electrobomba deve estar limitada de acordo com a tabela abaixo.2. mais dispendiosa do que uma regulação manométrica. bem como os arranques frequentes das unidades principais. Observa-se que o arranque da primeira bomba é efectuado obrigatoriamente por pressão. por conseguinte. ficando reduzida ao mínimo a margem de flutuação de pressão em todo o campo de operação. que são tanto mais importantes quanto menor for o número de bombas em funcionamento (curvas mais inclinadas). além de que a respectiva instalação no local é bastante mais delicada.Regulação debitométrica p p − pa p p + pt 61 . Quanto maior o número de bombas em funcionamento paralelo. em geral. tal como nos reservatórios tradicionais. quanto mais potente for o motor menor deverá ser a frequência de arranques. entre dois períodos de funcionamento consecutivos. 3. utilizados em pequenas e médias instalações.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3.3 Reservatórios de membrana 3.3. tais como os devidos às fugas de caudal da instalação. utilizada para assegurar a manutenção da pressão da rede em sistemas de pressurização de grande dimensão. que são prejudiciais às canalizações.3. é de notar a persistência das flutuações de pressão. No entanto. * Atendendo a que os factores limitativos são os componentes de controlo eléctrico e restantes componentes mecânicos. Deste modo. Em determinadas redes de combate a incêndios ou rega.2.3. utiliza-se este tipo de controlo nas instalações de maior importância. evita-se a utilização de um depósito de grande capacidade. Contudo. a partir do momento em que a primeira bomba entra em operação. futebol ou hipódromos. quando as bombas principais estão paradas (fig.2.3. também correntemente denominados depósitos de membrana. Deste modo. Podemos. 20).3. 20 .3 Bomba auxiliar (Jockey) Trata-se de uma pequena bomba. oferecem a vantagem de não necessitarem de dispositivos de compensação do ar perdido. podem-se adoptar valores maiores que os anteriormente indicados*. 3.Grupo de três bombas + Bomba Jockey 3. Uma regulação debitométrica é.2. evitam-se as flutuações bruscas e acentuadas de pressão devido ao escape de ar nos aspersores e ventosas. mais atenuadas são as flutuações de pressão. a manutenção da pressão é assegurada pela bomba Jockey evitando a entrada de ar nas tubagens. uma operação contínua dos grupos. de tal forma que acompanham o consumo.3. tais como de campos de golfe. de acordo com a tabela 1 para bombas e motores especialmente dimensionados. 21). assim. 21 . o volume de água descarregado pelo reservatório com bombas paradas) resulta da aplicação da Lei de Boyle Mariotte para a expansão de gases: C = Vt Fig.2 Regulação debitométrica Neste tipo de regulação o controlo dos arranques e paragens das bombas é efectuada através de caudais de referência (fig.5 15 40 30 18 25 20 20 60” 90” 120” 144” 180” Fig.2. devido à emulsão entre o ar em contacto directo com a água sobre pressão. Por este motivo. Como regra geral. TABELA 1 Número máximo de arranques por hora de grupos electrobomba Potência do motor ( kW ) Número máximo de arranques ( horário) Duração do ciclo (segundos) 4 60 7. escolher valores adequados para se obter uma sequência ininterrupta do campo de funcionamento e.2 Dimensionamento O cálculo da capacidade útil real de um reservatório (isto é. O dimensionamento destes órgãos tem por objectivo a determinação da sua capacidade e o número de unidades a aplicar.

Va .Pressão manométrica de paragem da bomba (bar).Duração de um ciclo em segundos.Pressão de arranque (bar) Pb . que se pode enunciar como: "À mesma temperatura. com a finalidade de representarem as diversas grandezas em jogo.2 Vt. é o volume de segurança que está compreendido entre o nível de água correspondente à pressão Pa e o fundo do reservatório.Capacidade útil necessária. Vr = 0.Pressão barométrica (bar) Para calcular a capacidade útil necessária recorre-se à expressão: Cu = T A(Q − A) × 60 Q em que: T .Volume residual. h2 = 2. 22 apresenta-se esquematicamente um reservatório hidropneumático. Este volume deve ser da ordem de 20% do volume total. Vu = Va × (p p + 1)− (pa + 1) Pp + 1 [ ]= V × (p a p − pa ) Pp + 1 62 . durante o período em que a pressão do ar no seu interior aumenta de Pa até Pp.Volume total do reservatório (M3) Vr . Q .Pressão manométrica de arranque da bomba (bar). Vp .Número de arranques por hora da bomba. Aplicando a Lei de Boyle Mariotte à expansão do volume de ar entre Pa e Pp vem: (Pp+1)×Vp = (Pa+1)×Va = (Pa+1)×(Vp+Vu) De onde resulta.Volume de ar correspondente à pressão de arranque Pa.5 vezes o diâmetro da canalização. Funciona como reserva sempre que houver consumo com as bombas fora de serviço. Esta altura. deve ser igual a 2. compreendido entre os níveis de arranque (Pa) e paragem (Pp). por minuto.3. P V =P V =C 1 1 2 2 te Na fig. Pa .5d. Vt . Cu . é o limite de segurança de utilização de água do reservatório. em litros.Reservatório hidropneumático Grandezas a considerar: Z . Como a frequência máxima de arranques de uma bomba se verifica quando o consumo é igual a 50% do caudal bombeado. 22 . por minuto.3.Pressão de paragem (bar) Pa .1 Dimensionamento O principio de funcionamento dos reservatórios hidropneumáticos. tem como objectivo evitar a introdução de ar nas canalizações.Volume total do reservatório (litros) Pp .4. h2 . explicitando a equação para Vu: Ct = T ×Q 240 O número total de reservatórios necessários é de: N= Ct C 3. o volume ocupado por um gás varia na razão inversa da pressão a que se encontra submetido".Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável C .Volume de ar correspondente à pressão de paragem Pp.Caudal consumido pela instalação em litros. É o volume de água que é introduzido no reservatório.Capacidade útil real (litros) Vt . Pp . ou seja. Vu . isto é. entre o arranque e a paragem da bomba.Caudal bombeado. a capacidade total necessária é de: Fig.Altura correspondente a Vr. A . também se baseia na Lei de Boyle Mariotte.4 Reservatórios hidropneumáticos 3.Volume útil de água no reservatório.

8 × Vt × (p p − pa ) Pp + 1 Exemplo: Q = 2.descarga correspondente ao consumo máximo da rede.4 0.4 0. 23 .5 2 2.9 m³ TABELA 2 Pressão de paragem (bar) (máx.08 0. Pc = Pressão de ar no depósito de membrana. Fig.33 0.23 O cálculo do volume total do reservatório é feito através da aplicação de fórmulas empíricas.4 0. deduzidas por diversos autores como resultado de estudos teórico-experimentais. Indicam-se seguidamente algumas das mais utilizadas: a ) Fórmula proposta por Harold Nickels Vt = 10×Qmáx.26 0.2 0.24 0. 23. em litros por minuto.5 l/s = 9m³/h Z = 8 arranques hora Pp = 4 bar (pressão relativa) Pa =2 bar (pressão relativa) Entretanto. Pc = Pmin-0.32 0.34 0.+1) x (Pmáx+1) S ∆P Pc+1 Vtotal = volume total do depósito em litros S = número máximo de arranques por hora.13 0.29 0.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Considerando que o volume morto é igual a 20 % do volume total Va=0.5 d) Fórmula proposta pela norma brasileira NB-92 A norma brasileira utiliza um ábaco reproduzido na fig. obtém-se: Q/Vt =10 ∴ Vt = 9/10 = 0. Em que: Vt = Volume total em litros Qmáx = Consumo máximo provável do edifício expresso em litros/minuto.5 4 0.Volume total do reservatório hidropneumático (Vt) em função do caudal (Q) e) Fórmula de Valibouse V0 = T ×k HM − Hm 4 × H M + H b Qm (litros ) 63 . com estes valores no gráfico. Z .8 Vt. c) Pela fórmula da Grundfos Vtotal = 16.) Pp 2 3 4 5 6 1 Pressão de arranque (bar) Pa 1.1 0. determina-se na tabela 2 a relação entre o volume útil Vu e o total Vt em função das pressões de arranque e paragem.Pmin. vem: Vu = 0.3 0.5 3 3.13 0.Número máximo admissível de arranques horários.16 0.4 0.2 0.25 x Qm x (Pmín. b ) Fórmula deduzida por Ângelo Gallizio A expressão é aplicável a instalações com compressor Vt = 30 × Q pp +1 × z p p − pa Q . entrando com o número de arranque por hora e com os valores das pressões relativas de arranque e paragem obtém-se a relação entre o caudal da bomba m3/h e o volume total do reservatório Vt. dependente da potência e fabricante do motor eléctrico Qm = caudal médio de uma bomba em l (min) Pmáx = pressão de paragem Pmín = pressão de arranque ∆P = Pmáx .27 0.

Há todo o interesse em pré-comprimir o reservatório a uma pressão vizinha da pressão de arranque Pa e adoptar um diferencial de pressão Pp-Pa tão alto quanto possível.Tempo mínimo entre dois arranques consecutivos da mesma bomba. é uma disposição em que se aproveita também a pressão da rede.Bomba a aspirar do tanque de armazenamento Pi . HM .Pressão atmosférica T . Ha .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável T .Bomba a aspirar da rede com reservatório de compensação Na figura 25. Hm . e a garantia de uma reserva de água durante as interrupções do consumo.Pressão máxima de paragem em bar.3.Tempo mínimo entre dois arranques da mesma bomba K . mostra-se um reservatório intercalado entre a rede exterior e os grupos de bombeamento. 24.Tempo de duração de um ciclo (minutos). às exigências (quantitativas e qualitativas) dos diversos consumidores e aos condicionalismos próprios da instalação e da rede exterior. Qm .Bomba a aspirar directamente da rede Na fig.Pressão inicial de pré-compressão (bar). 26 tem como principais vantagens uma separação hidráulica entre a rede exterior e a do edifício. apresenta-se um esquema com bomba a aspirar directamente da rede. 27 . 3.Instalação doméstica rural A fig. é uma solução utilizada sempre que a pressão disponível na rede exterior é apreciável. 27 representa uma instalação doméstica típica em meios rurais com utilização de captação própria.5 Exemplos de situações-tipo A concepção de um sistema de elevação de pressão deve ajustar-se em cada caso. O exame da fórmula diz-nos que o volume Vt do reservatório é proporcional às pressões de arranque e paragem. Por se considerar do maior interesse prático e sem a preocupação de ser exaustivo. 25 .Coeficiente de segurança (K=1. Fig.Pressão mínima de arranque em bar.2 em geral).Caudal médio (litros/minuto) f ) Cálculo considerado uma pré-compressão arbitrária Fig. T . 24 . 64 . Fig.25 × T × Qm 4 Vt = Vu × (p a + 1)× (p p + 1) (pi + 1)× (p p − p a ) Fig. caracterizam-se algumas situações-tipo documentadas com figuras. com a vantagem de não se provocar uma descida apreciável da pressão de aspiração durante o arranque das bombas. O arranjo da fig. Vu = 1. 26 .

Na fig. Esta não é a curva real fixada pelas características das canalizações e aparelhos de consumo. uma curva "ideal" que se pretende satisfazer.4 Sistemas por bombeamento directo 3. Suponha-se que o consumo se estabiliza no valor q correspondente ao ponto M de funcionamento da bomba (q. sendo a descarga directa à rede.Simplicidade de operação e manutenção. mas sim. essa variação é normalmente apreciável. representam-se as curvas características de uma rede e de uma bomba. . 28 . • garantia de funcionamento nos períodos de caudal reduzido. No estudo de um sistema por bombeamento directo deve começar por traçar a curva característica da rede. . correspondente à variação de consumo ao longo do dia. • minimização da potência perdida para economia de energia. A curva é traçada em função de um ponto de referência R.1 Constituição e princípio de funcionamento Os sistemas por bombeamento directo caracterizam-se pela existência de uma ou mais bombas a operarem em paralelo. Fig. 29 . funcionando a instalação apenas nos períodos em que a piezométrica não é suficiente para alimentar todos os pisos em perfeitas condições. 3. h).Ocupação de um espaço reduzido.Flexibilidade para acréscimo da capacidade resultante de um aumento de consumo. . 3.Instalação em "by-pass" A instalação da fig. 65 . arbitrado de tal modo que para qualquer valor de caudal.Custos iniciais reduzidos comparados com outros sistemas. Observa-se que a bomba debita o caudal q a uma pressão mais elevada dissipando em perdas uma potência que pode ser considerável e cujo valor relativo é apresentado pela razão dos segmentos MB/MA Fig. • conforto de utilização com uma pressão de utilização praticamente constante.4.Ponto de referência R Nem sempre a zona de melhor rendimento da bomba corresponde a um bom rendimento da instalação. como se sabe. se assegura uma pressão compatível com o bom funcionamento de toda a rede do edifício.6 Características das centrais hidropneumáticas As instalações hidropneumáticas apresentam as seguintes características: . Normalmente a curva característica das redes dos edifícios têm um andamento parabólico.3. 29.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Na concepção e dimensionamento destes sistemas põe-se com particular acuidade os aspectos que a seguir se referem e cujas razões justificativas decorrem do texto que se segue: • segurança em serviço. a aspirarem directamente da rede exterior ou de um reservatório. 28 aplica-se em edifícios situados em locais em que a pressão da rede exterior sofre grandes variações diárias. O ponto de funcionamento é descrito pela curva C2.

4. do tempo de funcionamento e das anomalias. • A altura mínima H2 relativa ao consumo mínimo da rede com a pressão máxima da aspiração.2.Curva de potência Na fig.4. é necessário dotar a instalação quer de válvulas reguladas para evitar que a pressão ultrapasse valores indesejáveis na rede. rpm rpm rpm rpm rpm rpm 3. como se pode observar.Potência perdida devido ao rendimento do motor e das bombas. PQ .3 Selecção das bombas Com as curvas características extremas da rede e os valores do consumo máximo e mínimo (fig. 3.Ponto de funcionamento da bomba instalada.4.1 Modo de funcionamento Nos sistemas com bombas de velocidade variável. 30 o rendimento da dissipação é dado por RS/PS Resulta assim que.3.4. As variações da pressão de descarga das bombas provocadas quer por alteração da pressão de aspiração. Na figura 31. RS. o rendimento praticamente não varia com a velocidade. 31 . para os menores consumos correspondentes às horas mortas.2 Bombas de velocidade fixa 3.3 Sistemas com bombas de velocidade variável 3.2 Variação das curvas características O andamento da curva característica de uma bomba varia com a sua velocidade de rotação de acordo com as expressões: Q2 N2 = Q1 N 1 e H2  N2 = H1  N 1      2 N P ∴ 2 = 2 P1  N1      3 Fig. 30 .3. com a finalidade de se poupar energia nestes períodos. Po . para uma pressão constante de 7. mostram-se várias curvas características de uma bomba com diferentes velocidades de rotação. QR . Por outro lado.5 bar e uma variação de caudal entre 500 e 1000 m3/h corresponde uma variação do rendimento máximo compreendido entre 70 e 80 %. 66 . Em certas centrais uma das bombas é dimensionada para as horas de menor consumo. através da activação e paragem das bombas em consonância com as necessidades do consumo. por exemplo. independentemente do consumo da rede.4.Potência teórica necessária para fornecer o caudal q.4. Esta bomba tem geralmente 50% da capacidade das bombas principais.1 Modo de funcionamento Nos sistemas de velocidade fixa a pressão de descarga nas redes é mantida aproximadamente constante. a pressão é mantida constante. sempre que uma estação eleva directamente para a rede é importante minimizar a potência perdida o que pode ser conseguido adequando quer o número de bombas quer a sua velocidade. Estas centrais fazem a alternância automática do funcionamento das bombas. são detectadas por um sensor que actua no variador de velocidade de forma a manter a pressão de bombeamento constante.32) determinam-se as alturas manométricas máxima e mínima das bombas: • A altura máxima H1 relativa ao consumo máximo da rede com a pressão mínima da aspiração.Potência dissipada inutilmente. em função do caudal.3.Curvas características de uma bomba a diferentes velocidades 3.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. quer com um pequeno reservatório hidropneumático. rpm Fig. P .Curva de potência teórica necessária para garantir no ponto R o caudal Q à pressão H0. quer por variação do consumo.

a bomba deverá recalcar o caudal Qmin à pressão H2 (ponto F). proporcional à pressão medida. o que pode traduzir-se no seguinte: . 32) são os pontos críticos de operação das bombas. . o ponto de funcionamento com o caudal máximo de cada bomba (Qmáx) e altura manométrica máxima (H1) deverá situar-se à direita da zona de maior rendimento (fig. 34 O transdutor de pressão emite um sinal de 0-20mA.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A pressão a ser mantida na conduta de compressão é assim: Pdescarga= H1+H aspiração mínima = H2 +H asp.Se Pmedida = Pserviço a velocidade mantém-se constante.As bombas com velocidade variável têm um limite mínimo de velocidade abaixo da qual não produzem caudal à pressão pretendida. 33 .Com apenas uma bomba em operação à pressão mínima. 34). a instalação funciona de modo a manter a pressão constante. Nestes casos.Zona de funcionamento das bombas 67 . rodando sempre sincronizadamente. Existe um controlador que compara o sinal medido. Os pontos C e F (fig. a manutenção da pressão da descarga traduz-se por rectas horizontais por C e por E e uma infinidade de. Como as bombas operam a maior parte do tempo com valores médios de caudal e pressão de aspiração. . que foi pré-programado. 33). outras compreendidas entre essas.3. Fig. Controlador Controlador Fig.Determinação das alturas manométricas máximas e mínimas Na fig. por sua vez. com o valor ajustado. as bombas deverão debitar o caudal Qmáx à pressão H1 (ponto C).Se Pmedido < Pajustado é emitida ordem de aceleração. este irá controlar o variador de frequência da seguinte maneira: . usa-se um transdutor de pressão para efectuar a medição analógica da pressão em substituição dos pressóstatos (fig.Se Pmedido > Pajustado é emitida ordem de desaceleração. . 35). para situações intermédias. 4-20mA ou 0-10V. 32 . . onde as pressões H1 e H2 são diferenciais.Conjugar várias bombas de velocidade fixa com uma ou duas de velocidade variável que servirão para ajustar o ponto de funcionamento da instalação às exigências de caudal e pressão da rede. já não se verificam as limitações relacionadas com os diferenciais entre a pressão mínima e máxima como na regulação por pressóstato A regulação manométrica é efectuada em permanência quaisquer que sejam as aberturas e fechos de válvulas.Instalar todas as bombas com velocidade variável.4 Regulação manométrica Neste caso. 3. Fig. Independentemente do caudal requerido. A pressão de serviço pode ser materializada no controlador por uma recta horizontal ao longo da qual se desloca o ponto de funcionamento da instalação (fig.Com todas as bombas em funcionamento na rotação máxima. . máxima pois a Pdiferencial = Pdescarga Haspiração Para o efeito. 32. diversas situações são praticáveis tais como: .4.

Arranque da bomba 2 de velocidade fixa A velocidade da bomba 1 diminui e ajusta-se até Pmedida = Pajustada Bomba 1 VV + Bomba 2 VF Pmedida = Pajustada Considerando que a reacção do sistema é rápida. 36 Fig.Regulação manométrica. as torneiras fecham-se. Na prática. Se o consumo aumentar (fig. a curva da rede R altera-se para R' e o ponto de funcionamento evolui de M passa para M1.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Bomba 1 Variação de velocidade Aumento do consumo Aceleração da bomba 1 Bomba 1 à velocidade máxima Pmedida < Pajustada Fig. O que se descreveu pode representar-se no esquema ao lado. 37 Se a velocidade da bomba em variação atingir o valor mínimo ou máximo. se a bomba de velocidade variável for alimentada a 50 Hz no máximo. Fig. independentemente do número de bombas em funcionamento: Qmáx n Bombas = Qmin n+1 bombas 68 . logo: PM1 > Pajustada significa desaceleração até que Pmedida = Pajustada A velocidade de rotação da bomba diminui e a curva de funcionamento das bombas passa a ser P' e o ponto M1 desloca-se para M2. 35 . obter-se-á. princípio de deslocamento do ponto de funcionamento No instante t. Com efeito. a que corresponde um ligeiro aumento de caudal. acelera-se a bomba de velocidade variável até se verificar um ligeiro excesso de velocidade da ordem de 52 a 55 Hz. arranca ou pára uma das bombas de velocidade fixa. O ponto de funcionamento altera-se de M para M1. 37). o consumo diminui e a característica da instalação vai de R para R'. 36). o ponto de funcionamento desloca-se numa linha horizontal (pressão ajustada para serviço (fig.

o depósito hidropneumático poderá ser de dimensões reduzidas. Se alimentarmos a Bomba de Velocidade Variável. a sua inserção tem como vantagens. na variação de velocidade controlamos ambos. assegurar a manutenção da pressão na instalação quando todas as bombas se encontram paradas e absorver as variações de pressão gerada em regime transitório. Enquanto que. • Pressão constante. as centrais hidropneumáticas de velocidade variável encontram-se frequentemente equipadas com um depósito de volume reduzido. independentemente do caudal. o que oferece uma solução adequada para os seguintes problemas: • Cobertura constante de todos os caudais. o valor admissível para Q1 = Caudal máximo de 1 bomba com Velocidade Variável Q'1 = Caudal mínimo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável + 1 com Velocidade Fixa) Q2 = Caudal máximo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável + 1 com Velocidade Fixa) Q'2 = Caudal mínimo com 3 bombas (1 com Velocidade Variável + 2 com Velocidade Fixa) Fig. enquanto não se verificarem alterações de caudal. Evita-se o funcionamento contínuo com uma bomba à velocidade mínima. Na realidade. As principais vantagens relacionadas com a utilização da variação de velocidade em sistemas de pressurização são: . para evitar uma sobrecarga no motor.Sendo assegurada a cobertura de todos os caudais. • Número de arranques dos motores das bombas. acontece o arranque ou a paragem de uma bomba de velocidade fixa. representa cerca de 33% de potência suplementar. com acréscimo de rotação Qmáx n > Qmin n+1 69 .Campo de variação de caudal com 3 bombas Qmáx n = Q min n+1 Se o caudal consumido variar ligeiramente em torno de Q1 ou de Q2. e daí o risco do número máximo de arranques ser excedido. • Volume do depósito hidropneumático reduzido. 10 % de velocidade em excesso.Esta regulação garante uma pressão perfeitamente constante. com uma instalação de velocidade fixa. Se optarmos por esta solução em que se admite um acréscimo da velocidade da bomba. .Campo de variação de caudal só com 3 bombas. 39 . 38 . Observa-se que se a instalação compreender bombas de grandes dimensões e for necessário garantir-se um caudal mínimo sem vibrações dos grupos. • Economia energética. não sendo necessário manter-se o seu funcionamento prolongado em condições pouco próprias. deve calcular-se a potência absorvida ao seu veio. através da variação da velocidade de uma das bombas. com uma frequência de 53 ou 54 Hz. correspondente à manobra dos órgãos da rede e assegurar os consumos reduzidos. dentro do tempo de funcionamento admissível. em cada transposição destes valores. assim como um funcionamento contínuo. verifica-se: Qmáx n Bombas > Qmin n+1 bombas Q’ = Caudal máximo de 1 bomba com Velocidade Variável (55Hz) Q1 = Caudal mínimo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável + 1 com Velocidade Fixa) Q'2 = Caudal máximo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável 1 com Velocidade Fixa 55Hz) Q2 = Caudal mínimo com 3 bombas (1 com Velocidade Variável + 2 com Velocidade Fixa) Q3 = Caudal máximo de 3 bombas (1 com Velocidade Variável + 2 com Velocidade Fixa 55Hz) Fig. embora este acessório seja dispensável. controlaríamos apenas um parâmetro a pressão ou o caudal. sem arranques ou paragens.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Poderá ser obtido um caudal compreendido entre Q1 e Q'1 quer com uma ou duas bombas em funcionamento. .Pode satisfazer-se um consumo aleatório. por exemplo. associada ao número de bombas. para se garantir a pressão do sistema. compreendido entre 0 e Qmáx. quando o consumo tende para zero. introduzindo um sistema de paragem debitométrica da bomba de velocidade variável.

onde são instalados captores de pressão nos pontos mais nevrálgicos da rede. cujo valor varia com o quadrado do caudal. A pressão em B.4. assegurar aos utilizadores uma pressão constante no ponto de consumo. 41 Soluções a considerar: i) Deslocamento do transdutor de pressão 3.43). Fig. 70 . PROBLEMA Com uma regulação manométrica clássica. é igual à pressão em A menos as perdas de carga (PA-∆h) (fig. devido às perdas de carga no troço compreendido entre A e B. reside no transporte do sinal. consequentemente dispendioso. O respeito da igualdade "Pmedida = Pajustada" assegura uma pressão constante no ponto de consumo. 40 . através de um sistema de controlo complexo e. ­ Passagem do cabo.20mA Pode encontrar-se esta solução. serve para o dimensionamento do volume útil do depósito. As perdas de carga são integradas no algoritmo de controlo a fim de se obter uma pressão constante no utilizador mais desfavorável. é igual a PA . Deve-se considerar o desnível geométrico.3. Este tipo de regulação não permite. devido ao: ­ Custo do cabo. É o princípio da regulação manométrica compensada. 42 Esta solução é interessante mas comporta determinados limites técnicos e económicos.∆hAB (figura 40). Apenas uma pressão de controlo ajustada à curva de perda de carga. tem como objectivo compensar o efeito das perdas de carga na rede de distribuição. mas sim no local de consumo (fig. apesar de existir um sistema de variação de velocidade.5 Regulação manométrica compensada Este tipo de regulação. A dificuldade da solução. será efectuada. em certas redes urbanas de distribuição de água. A pressão já não é medida à saída do grupo sobrepressor. a pressão é mantida constante no local A independentemente do caudal. denominada "pressão disponível". ­ Transmissão de um sinal de 4 .Perdas de carga antes da distribuição A pressão em B. mas este tem um valor constante e é independente do caudal. 42). Para o efeito considera-se como caudal crítico: Q c = Q mínimo reduzido 2 Fig. também apelidado de manodebitométrico. Tem de se considerar o desnível geométrico entre A e B. (curva parabólica) permite obter uma pressão no utilizador perfeitamente constante.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável uma bomba à velocidade mínima Nmin determina-se facilmente. ii) Compensação das perdas de cargas Fig. com base no caudal mínimo admissível à velocidade nominal N pela expressão: Q mínimo reduzido = Q min x N mínimo Nnominal Este caudal mínimo reduzido. mas para tal. a regulação manométrica. a pressão em A não é igual em B.

correcta ou insuficiente.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A . Fig. • Se compensarmos as perdas de carga na coluna AB. É portanto. uma dada pressão de serviço poderá ser considerada excessiva. Fig. necessário haver medição do caudal (fig. 46). estes pisos sofrem um acréscimo de pressão de modo a compensar as perdas de carga entre A e B.A pressão de serviço P = f (Q) A pressão de serviço já não é um valor constante. independentemente do caudal. A medição do caudal será efectuada por um caudalímetro electromagnético. é necessário garantir a mesma pressão em cada tubeira e. num edifício onde existem perdas de carga importantes na coluna de distribuição. para tal. Somos igualmente confrontados com este problema nos repuxos de água das fontes públicas. mas.A medição da pressão é insuficiente Com efeito. 44 B. ou segundo uma equação matemática correspondente. é dispendiosa. sendo contudo ideal uma compensação parabólica. conclui-se que um dispositivo de regulação. 44). 45 71 . em contrapartida. Por conseguinte. No entanto. Medição do caudal Determinação da pressão de ajuste em função do caudal Valor do ajuste de pressão Medição da pressão Desvio da medição com o valor ajustado Comando Fig. por mais sofisticado que seja. em que ocorrem perdas de carga elevadas. o que constitui uma abordagem interessante. poderão surgir os seguintes problemas: • Se a pressão for mantida constante em A. este operará em associação com o reservatório hidropneumático. Em que nas horas em que o consumo é elevado. ponto por ponto. deverão ser desprezáveis. Em função do equipamento disponível. de acordo com o caudal de consumo. não permite manter uma pressão constante em todos os pontos de uma rede. 43 Pode recorrer-se a uma compensação dita linear. Por exemplo. a pressão de serviço ou é programada. que é dispendioso. as perdas de carga nas condutas de alimentação. nos pisos superiores (em B) os utilizadores irão sofrer flutuações de pressão devido às variações das perdas de carga. mas sim variável em função do caudal. no caso em que ocorrem perdas de carga na aspiração. 43). não oferece qualquer solução para os problemas colocados pelas perdas de carga na tubagem de distribuição. pode eventualmente assegurar-se uma pressão constante em B. entre A e B (fig. que forneça uma pressão de serviço perfeitamente coincidente com a curva de perdas de carga (fig. Esta solução que engloba um controlador sofisticado e um caudalímetro. O controlador apropriado é. 45). sofisticado (fig. assegura uma pressão constante nos utilizadores. mas o mesmo não se verificará nos pisos inferiores. 46 Fig. É importante ter presente as limitações de cada sistema a fim de se evitarem erros e desilusões. Para se obterem jactos com a mesma altura.

São vários os métodos disponíveis para a sua quantificação.700 Fig.350 0.050 0. a selecção de uma central hidropneumática assenta em duas grandezas fundamentais. para se calcularem as perdas de cargas procede-se de uma das seguintes formas: . Fig. interior. no caso de uma instalação já existente.5.Calculam-se as perdas de carga correspondentes a um dado caudal. porque os consumos de água flutuam em função da hora do dia e do tipo de ocupação do edifício em questão. no local Urinol com torneira individual Boca de rega de 20 mm 72 .Determinação do ponto de ajuste A determinação da relação perda de carga/caudal não é um processo complicado de se obter.5.350 0. Os caudais indicados no diagrama são valores máximos (fig. desenvolvem métodos de dimensionamento que em geral são sensivelmente iguais entre si.005 0.1 Cálculo do caudal a partir de diagramas Este método é utilizado sempre que os dados relativos ao projecto são bastante limitados. industrial e de distribuição pública.1.1. . 3.100 0. Os fabricantes de centrais hidropneumáticas.1 Determinação do caudal máximo Não é muito fácil determinar o caudal exacto de uma instalação.5 Dimensionamento e selecção À semelhança da selecção de uma bomba. Par tal. Este processo utiliza-se no desenvolvimento de um projecto para uma nova instalação.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável C . Sabe-se que as perdas de carga quer sejam lineares ou singulares. o caudal e a altura manométrica. 48 3. com a ajuda de ábacos ou de tabelas. de uma forma rigorosa. o caudal máximo da instalação. são proporcionais ao quadrado do caudal: ∆h = K x Q2 Assim.250 0. bastante aproximados à realidade. 47 3.100 0.250 0. a experiência tem demonstrado que eles fornecem resultados satisfatórios. Tabela de Caudais normais das utilizações segundo NFP41-204 Designação Lava-louça Lavatório Lavatório colectivo (por jacto) Bidé Banheira com serviço de água quente Banheira com cilindro de água quente Caudal normal l/s 0. Ao caudal total assim obtido aplica-se um coeficiente de simultaneidade. e aplicam-se a qualquer tipo de redes. deve considerar-se o caudal consumido em cada ponto de utilização. é possível determinar. 48). Banheira com esquentador Chuveiro (água fria ou misturada) Sanita com autoclismo Sanita com válvula de descarga Urinol com autoclismo automático.Mede-se o caudal e a pressão no próprio local.500 0. os n pontos de consumo de água de um edifício nunca serão utilizados ao mesmo tempo. O seu grau de precisão poderá ser considerado satisfatório.5. visto que. 3.100 0. nas informações técnicas que publicam.100 1.2 Cálculo do caudal em função do número de pontos de consumo Se o número de pontos de consumo for conhecido. rega.200 0.

. .10 l/s = 14l/s 70 lava-louças x 2 .15 0.20 0. . . não funcionam em simultaneidade com os outros aparelhos (ver tabela). . . .10l/s = 7 l/s 630 torneiras 112 l/s Coeficiente de simultaneidade . . é o coeficiente de simultaneidade obtido: 70 bidés x 2 . . . . . . . . . . escolas. .5 bar Para válvulas de descarga de urinol . . hotéis. quartéis. . . 70 x 0.35 l/s = 49 l/s 70 lavatórios x 2 . k = 1 Caudal de dimensionamento do edifício é: 630 − 1 = 0. . podemos adoptar como base de cálculo 300 litros por dia e por quarto. . . .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Torneiras a descarregar nas habitações Número de torneiras instaladas 1a3 3 a 10 11 a 20 21 a 50 mais de 50 Em funcionamento simultâneo 1 2 3 4 5 1º método Leitura directa do ábaco 70 habitações ⇒ 18m3/h 2º método Considerando o número de pontos de consumo de água 70 banheiras x 2 torneiras . . ginásios ou parques de campismo. . .25 0. . . 140 x 0. . Apresenta-se abaixo o quadro para estabelecimento dos caudais instantâneos segundo o decreto lei nº 23/95 Caudais Instantâneos Dispositivos de utilização Lavatório individual Lavatório colectivo (por bica) Bidé Banheira Chuveiro individual Pia de despejo com torneira de ∅ 15 mm Autoclismo de bacia de retrete Urinol com torneira individual Pia lava-louça Bebedouro Máquina de lavar louça Máquina de lavar roupa Tanque de lavar roupa Bacia de retrete com fluxómetro Urinol com fluxómetro Boca de rega ou lavagem de ∅ 15 mm Boca de rega ou lavagem de ∅ 20 mm Caudais mínimos (l/s) 0. .10 0. . . . . . . . . . . .10 l/s = 14 l/s Pressão disponível necessária à entrada das torneiras de descarga . . . ginásios. 1. . . . . . . . . . . . . . . É de notar. Exemplo Edifício de grandes dimensões com 70 habitações. . . . Por exemplo. . No caso de hospitais. .46 l/s = 16 m3/h No caso de habitações equipadas com válvulas de descarga. . . . . . . . . . .20 0. para um hotel.03987 K= 1 n −1 QD= 112 x 0.10 0. . . . que a fórmula apresentada para a determinação do coeficiente de simultaneidade só é válida para habitações. . . . . . . .15 0. . . . . .50 0.03987 = 4. . 1. compreendendo cada uma: I 1 banheira 1 lavatório 1 bidé 1 lava-louças 1 sanita com autoclismo torneiras I I I I I Em conformidade com as Máquinas industriais e outros aparelhos instruções do fabricante 73 . . . As torneiras de descarga funcionam apenas durante segundos.5 0. . . . . 140 x 0. . . . . . . em que K. . mas normalmente. . . . . . . . . . o respectivo coeficiente de simultaneidade é diferente. Total .45 sendo n o número de torneiras.30 0. . . . .15 0. . . . estas deverão ser calculadas à parte. . . . . . . . . .10 0. centros férias. Nos centros de férias.0 bar Sabe-se que o caudal instantâneo. . . . . . é dado por: Qreal instantâneo = Qcalculado x K. . . repartidos por 3 horas de consumo (ou seja 100l/h de caudal instantâneo por quarto). . . .15 0. 140 x 0. . . . impõe-se um estudo para cada instalação específica. . deveremos tomar em consideração a utilização simultânea de todos os chuveiros.20 l/s = 28l/s 70 torneiras . . . . . .20 0. . . . . . . . . . Não existe uma regra universal e cada projectista basear-se-á na sua própria experiência. 140 x 0. . . .10 0. . . . .15 0.

deverá ser realizado o cálculo das perdas de carga nos diferentes troços da coluna com base em equações apropriadas.Perda da carga entre a rede de abastecimento municipal e a boca de entrada das bombas 74 .1.2. pode considerar-se cerca de 10 % da altura geométrica. será necessário prever uma pressão de descarga de: Pdesc = 30 + 15 + 3 = 48 mca = 4. 49 . À perda de carga contínua.5.4 Pressão de aspiração Depende do tipo de ligação existente.Pasp) 3. Fig. etc.5 bar em locais de habitação.1 Altura geométrica Desnível geométrico entre o nível da bomba e do ponto de consumo mais elevado. a) Ligação à rede de abastecimento municipal (figura 51) 3.Hasp Fig. um edifício de 10 andares. deve ser determinada a sua dimensão exacta.1.1.Caudais de cálculo em função dos caudais acumulados Quadro . ou seja.5.Número de fluxómetros em utilização simultânea Número de fluxómetros Instalados 4 a 12 13 a 24 + de 24 Em utilização simultânea 2 3 4 3. teríamos: Hg = 30 m (10x3 m) Pd = 15 mca ∆h = 3 mca ( 10 % de Hg) Logo.5.2 Determinação da pressão A altura manométrica total determina-se por: (Hmt=PDesc . Exemplo prático Tomando como exemplo.2.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. No caso de prédios muito altos ou de edifícios antigos. a altura média de cada andar nos edifícios recentes.5.2 Perda de carga Como valor expedito.2. válvulas.2.5. 3.1. deverão ser adicionadas as perdas nas singularidades tais como curvas.8 bar 3. 51 .É mantida uma pressão mínima de funcionamento dos aparelhos de 15 mca na torneira mais desfavorável sob o ponto de vista de elevação.Ligação à rede de abastecimento municipal Pasp = Prede . 50 .∆hasp .2.5.1 Pressão de descarga Serve para: ­ Vencer a altura geométrica de descarga Hg ­ Compensar as perdas de carga na rede ∆h ­ Assegurar a pressão de funcionamento dos aparelhos de consumo (pressão de utilização ou pressão disponível) Pd Pdesc = Hg + ∆h + Pd Hg Fig. ou ábacos de perdas de carga. ∆hasp . Deve ser da ordem de 1. Um valor utilizado na prática é de 3 m por piso a vencer.3 Pressão disponível É a pressão mínima que deverá estar disponível no dispositivo mais elevado ou no ponto mais desfavorável. Para a sua determinação rigorosa.

5 mca.5 m ∆hasp = 0. Aspiração em carga (positiva) ∆Hasp = + 2 mca. sinal . Exemplo (com Pdesc = 48 mca. 52 .18 = 30 mca. temos: Hmt = 48 . Aspiração negativa ∆Hasp = -1.5 mca.5 mca.Desnível geométrico da bomba em relação à rede (sinal +. No caso das bombas de velocidade variável este problema não se coloca devido ao seu tipo de controlo. calculado previamente) Caso 1. Por exemplo: Prede = 2 bar.Pasp = 48 . Logo. se a bomba estiver instalada abaixo da rede de abastecimento.5 = 46. b) Ligação através de tanque Fig. ∆hasp = 1 mca. Hmt = Pdesc .2 mca. cada bomba deverá possuir a sua própria tubagem de aspiração.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Prede. 75 .( . Hmt = Pdesc. conforme descrito anteriormente.0. excepto se a instalação estiver equipada com um colector de aspiração especialmente estudado para o efeito. porque é difícil de estabelecer um ∆P de 1 bar entre a pressão mínima (Pmin) e a pressão máxima (Pmáx) numa curva QH muito plana.Pressão mínima na rede de abastecimento de água Hasp .5 =1. Hasp = 1 m (bomba instalada 1 m acima do nível da rede).no caso contrário) Constata-se frequentemente que a pressão de aspiração é da mesma ordem de grandeza da pressão na rede.1 = 18 mca subtraindo à pressão de descarga calculada.1 .5 mca Caso 2.3 bar.5 = . Pasp = 2-0.Pasp= 48 .2 )= 50 mca.1.5.5 . ∆hasp = 0. Pasp = -1.3 Regulação das pressões de arranque e paragem A diferença entre a pressão máxima (pressão de paragem da bomba) e a pressão mínima (pressão de arranque) é em geral regulada com um valor compreendido entre 0. Pasp = 20 . No caso de bombas com curvas planas não deverá ser ultrapassado 0.3 a 1 bar.Central em carga (Aspiração Positiva) No caso da central funcionar com aspiração negativa. Conclui-se que a central hidropneumática deverá vencer uma altura manométrica Hmt de 30 mca 3.

Bombas e Instalações de Bombeamento MACINTYRE.Association Génerale des Hygiénistes et Techniques.La Surpression .6 Referências bibliográficas AGHTM .Principe.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. Les Cahiers Techniques Nr. Archibald Joseph. Applications. Instalações Hidráulicas Office International de l'Eau. Prossen. Dimensionnement. The Hydraulic Design of pumps sumps and Intakes MACINTYRE. 17 . Archibald Joseph. 1995 76 . Les Stations de Pompage d'Eau M. J.

ª Mecânica (DEM) do ISEL 77 . CRITÉRIOS DE SELECÇÃO E ANÁLISE DE SISTEMAS SIMPLES EM REGIME TRANSITÓRIO Autor: Eduardo Nunes Director de Projectos da Profluidos Professor Adjunto Equiparado do Dept.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. de Eng.

78 .

que como não podem deixar de ser. O perfil da conduta elevatória permite-nos visualizar o seu desenvolvimento. durante manobras de válvulas. Calculam-se as depressões e sobrepressões que ocorrerão em regime transitório.1 Introdução O comportamento das condutas elevatórias. com consequente separação das colunas de líquido ou pressões excessivas. As linhas piezométricas de funcionamento em condições estacionárias poderão ser representadas. 1 . a velocidade de escoamento. comportamento das condutas durante a paragem e arranque dos grupos electrobomba com arrancadores suaves.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. uma vez que os cálculos se baseiam em modelos matemáticos. O cálculo é realizado por tentativas. com determinação das pressões extremas ao longo da conduta até se encontrarem valores aceitáveis e seguros. paragem e arranque de grupos electrobomba. e traçam-se as respectivas envolventes no perfil da conduta de forma a determinarem-se os pontos em que ocorrem pressões inferiores à pressão de vapor. têm sempre um grau de hipóteses simplificativas. etc. – Diâmetro das condutas e respectivo material. Fig. de forma a determinar-se facilmente a pressão de operação em cada ponto da conduta. o valor da pressão. grupos electrobomba e dispositivos de protecção em regime transitório. – Caudal e pressão de funcionamento. identificar os pontos críticos e os locais apropriados para instalação dos equipamentos de protecção. superiores à pressão admissível para o material das condutas. – Outras particularidades do sistema em análise. 79 . O programa de cálculo do regime transitório em condutas complexas para bombas CR. – Limites de funcionamento admissíveis. volumes aspirados e descarregados de reservatórios. – Integração noutros sistemas. A aplicação do método. Com base nas condições de funcionamento do sistema e das falhas esperadas. variações de velocidade de escoamento. calcula para pequenos intervalos de tempo e num grande número de pontos ao longo do sistema. Isto permite-nos seleccionar os métodos de protecção mais adequados e assumir dimensões para início de cálculo. fecho de válvulas.Fluxograma de cálculo Observa-se que o sistema deverá ser testado depois de implementado. etc. tempos de paragem de grupos electrobomba. obriga a que se disponha da seguinte informação: – Perfil do sistema de condutas. pode ser analisado por cálculo automático utilizando o método das características. níveis de água.

aplicada a um pequeno volume de controlo tal como o representado na figura 2. mudanças de características de condutas. por exemplo: (1) .Nível de referência Hx = ∂H ∂x Fig. trata-se de um modelo matemático. ∑ Forças = massa x aceleração O método das características consiste na transformação destas duas equações diferenciais parciais em duas equações diferenciais comuns equivalentes que podem ser integradas numericamente ao longo de determinadas curvas no plano x. A equação da continuidade diz que a diferença entre o volume de líquido que sai e entra no volume de controlo é igual à variação do volume de controlo e do fluido devida à alteração da sua densidade. válvulas. A equação do movimento deduz-se da segunda lei de Newton.velocidade de escoamento λ . nós de condutas.velocidade de propagação das ondas de pressão (celeridade) Os índices caracterizam as variáveis independentes das derivadas parciais. A propagação das ondas de pressão é descrita por duas equações de derivada parcial: A equação do movimento e a equação da continuidade. reservatórios. Passamos a apresentar as equações diferenciais e a sua transformação em equações de diferença finita apropriadas para cálculo numérico. Os componentes do sistema representam as condições de fronteira necessárias para a resolução das equações diferenciais. As equações têm como base as seguintes considerações: • O escoamento é unidimensional e desta forma a velocidade e a pressão são constantes em cada secção transversal da conduta.2 Modelo de cálculo O modelo de cálculo desenvolvido pelo método das características.Linha piezométrica (2) .Forças actuantes num volume elementar de fluido.altura manométrica v . • O elemento convectivo da equação da quantidade de movimento é desprezado.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. assim como a inserção das condições de fronteira.D Equação da continuidade L2: Ht + a2 g x vx = 0 (2) vv = 0 (1) Com: H . tais como bombas. • Mesmo durante o regime transitório.aceleração da gravidade a . etc. As duas equações são: Equação do movimento L1: g.diâmetro interior do tubo g . • O comportamento do material das paredes da conduta e do fluido é linear e elástico. sendo x (ao longo do eixo da conduta) e t (no tempo). t. suficientemente simplificado para ser adaptado em cálculo computacional e é constituído por duas partes fundamentais: – A descrição da propagação de ondas de pressão no interior de uma conduta – A modelação dos diferentes componentes de um sistema. 2 .Hx + Vt + λ 2. 80 . designadas como curvas de equações características ou simplesmente curvas características.coeficiente de atrito da conduta D . o cálculo das perdas de carga é feito com base na equação de Colbrook-White aplicada em regime estacionário.

QA) + x QA x |QA| = 0 (16) gxA 2 x g x D x A2 c- 81 . transformam-se em linhas rectas de gradiente +a e -a.dt Dividindo ambas as equações por dt resulta: dx dv + vt = vx. + Ht dt dt (4) (5) Com a escolha adequada do factor µ as duas equações diferenciais de derivada parcial (1) e (2) são transformadas em duas equações diferenciais ordinárias totalmente equivalentes (11) e (13). Se a equação (11) for multiplicada por a. 3 .HA + x (QP .dx + Ht. Para a resolução numérica das equações (11) e (14) divide-se a conduta em N partes iguais de comprimento ∆x (figura 3). BP). a equação (3) resulta em outras duas equações que são equivalentes às equações originais (1) e (2). (6) (7) Os termos entre parêntesis da equação (3) comparam-se com os termos à direita das equações (6) e (7) pelo que teremos: dx g dx µ. diferentes e aleatórios. é suficiente uma aproximação do primeiro grau para a determinação do último termo (exceptuam-se os casos em que o termo do atrito é dominante tal como no caso de escoamento de óleos muito viscosos). Para uma escolha adequada dos valores de µ. dt / g = dx / g e se a velocidade v é substituída pelo quociente entre o caudal Q e a secção recta da conduta A obtém-se uma equação com uma forma adequada para integração ao longo da característica C+. Resolvendo a equação (15) resulta: a λ x ∆x Hp .e. v = v(x.dt dH = Hx. sendo cada uma somente válida ao longo da curva característica. Estas curvas características. As curvas representam fisicamente. a propagação de perturbações (ondas de pressão) ao longo do plano x.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Para este propósito as equações (1) e (2) são combinadas numa equação linear L1 + µ. dt dt dH dx = Hx. determinadas pelas equações (12) e (14). t. no caso particular da celeridade ser considerada constante.a2 = e = (8) dt µ dt g A equação (3) pode ser escrita como uma equação diferencial ordinária: dH dv λ x v x|v| µ + + =0 (9) dt dt 2xD A equação (8) dá-nos os dois valores necessários para µ: g (10) µ=+ a Para cada valor µ da equação (10) obtém-se a partir das equações (9) e (8) uma equação diferencial ordinária (chamada equação da compatibilidade) e a respectiva equação da curva característica ao longo da qual ela poderá ser integrada: g dH dv λ x v x|v| x + + = 0 (11) a dt dt 2xD dx =+a dt Fig. podem ser integradas entre os pontos A e P e B e P respectivamente e desta forma obtêm-se duas equações para a determinação das duas incógnitas v e H no ponto P.t) e H = H(x. H (12) –g x dH + dv + λ x v x|v| = 0 (13) a dt dt 2xD dx = –a (14) dt } } H ∫ dH + A P a x gxA Q P Q A ∫ dQ + λ 2xgxDxA 2 X X ∫ Qx|Q| x dx = 0 A P (15) c+ Em geral.e. No intervalo de tempo ∆t = ∆x/a.Curvas características representadas no plano x.t) são funções de duas variáveis independentes x e t cujas derivadas totais podem ser apresentadas da seguinte forma: dv = vx. AP) e a equação (14) também representa uma linha diagonal da mesma grelha mas com um gradiente negativo (i.dx + vt. em que inicialmente o valor do factor µ é escolhido arbitrariamente assim resulta: g a2 λ x v x|v| µ(Hx x + Ht) + (vx x µ + vt) + =0 (3) µ g 2xD Para dois valores reais de µ.L2 = 0. é possível simplificar a equação 3. no plano x. t. as equações (11) e (13). a equação (12) representa uma linha diagonal de uma grelha com um gradiente positivo (i. t. Se os valores de v e H forem conhecidos nos nodos A e B da grelha.

82 .Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório De maneira semelhante obtém-se uma segunda equação pela integração da equação (13) HP – HB – a λ x ∆x x (QP . admitiram-se como válidas as hipóteses significativas habitualmente consideradas. Este procedimento aplica-se apenas para a determinação dos pontos interiores da grelha. 4. pelo que permite a optimização da dimensão dos dispositivos utilizados. porque em cada extremidade da conduta apenas se tem uma única condição de compatibilidade. dentro de um critério de probabilidade significativa.e. é muito mais fácil e poderosa do que a que se realiza pelo método gráfico aproximado desenvolvido por SCHNYDER/BERGERON. – A distribuição da velocidade e de pressão. é uniforme nas secções transversais da conduta.e. ver figura 4 para cálculo dos valores aí desconhecidos QP e Hp. admitindo-se que este se mantém puramente turbulento. permite a sua fácil modificação ou substituição (introdução de um dispositivo de protecção). Isto poderá ser realizado por: – Atribuir um dos dois valores de fronteira. – As perdas de carga unitárias são iguais às de um escoamento uniforme com a mesma velocidade média. – A altura cinética do escoamento na conduta é desprezável face à altura piezométrica. em instantes determinados. Com base nos últimos valores de Q e H calculam-se novos valores para o instante t = 2 x ∆t e assim sucessivamente. os valores iniciais nos nodos da grelha são os valores de Q e H em regime estacionário quando t = 0. causada por uma falta generalizada de energia.3 Critérios de cálculo Admitiu-se que a situação mais desfavorável para o sistema. O método das características. Os intervalos de tempo e os comprimentos dos trechos de cálculo considerados. – O eixo das condutas é imóvel e desprezam-se as forças de inércia do invólucro. representam as vantagens mais importantes do método das características. e desta forma ser aplicado para o cálculo de sistemas complexos constituídos por várias condutas e várias condições de fronteira. – Ou introduzindo uma relação funcional Q = f(H) a qual permite em conjunto com a equação da compatibilidade aplicada a essa fronteira determinar Qp e Hp (i. pela sobreposição de efeitos. Na modelação do comportamento das condutas. que não é razoável ocorrerem acidentalmente. – O comportamento reológico da água e do material das condutas é elástico e linear. Embora seja possível considerar manobras capazes de produzir flutuações de pressão mais elevadas. alteração do volume de ar num RAC) quer por substituição do seu modelo matemático (mudança de subrotina de cálculo). no início da conduta aplica-se a equação (17) e no fim a equação (16) de acordo com a figura 3. pode ser associado a técnicas de interpolação. a cota de descarga num tanque colocado na extremidade de jusante da conduta Hp = Cte permite determinar o valor de QP pela equação 16). permanecendo o resto do programa inalterável. consiste na paragem simultânea de todos os grupos electrobomba. – Os termos convectivos das equações da continuidade e da dinâmica são desprezáveis.e. estas teriam de ser constituídas por uma sucessão de paragens e arranques de parte dos grupos de bombeamento. obedecem à condição de estabilidade do método de cálculo (número de Courant Cr = aδt/δx <1). Esta forma de se dimensionarem os dispositivos de protecção. a equação da curva característica de um ou vários grupos electrobomba em conjunto com a equação (17) permite calcular os valores Qp e Hp) A precisão e o tratamento explícito das condições de fronteira (isto significa um tratamento independente dos pontos interiores).Características nas fronteiras Desta forma é necessário dispor-se de uma condição de fronteira em cada extremidade. tendo a compatibilização entre os intervalos de tempo nos diferentes troços de conduta. quer seja pela mudança dos dados iniciais (i. sido efectuada com recurso à interpolação entre as condições do escoamento em secções de cálculo consecutivas. Os valores de todos os pontos no interior da grelha (P) são determinados no instante seguinte t = 1 x ∆t pela resolução simultânea das equações (16) e (17). No cálculo do sistema durante o regime transitório.QB) – 2 x QB x |QB| = 0 (17) gxA 2xgxDxA Com ajuda das equações (16) e (17) as duas incógnitas Hp e Qp podem ser facilmente determinadas. que substituído na equação de compatibilidade válida para esta fronteira permite calcular o outro valor (i. 4 . tais como: Fig. O tratamento explícito das condições de fronteira.

etc. dos motores. RESERVATÓRIOS DE AR COMPRIMIDO A principal função dos RAC consiste em evitar a ocorrência de depressões na conduta. de válvulas (válvula de nível em reservatórios. válvulas de retenção intercaladas na conduta. Admitiu-se a verificação em cada instante da equação da continuidade na derivação para os RAC e da igualdade das cotas piezométricas no interior do RAC e no ponto de derivação da conduta.5 Dispositivos de protecção Os dispositivos de protecção são órgãos que se introduzem nos sistemas de transporte de líquidos. a bomba irá bombear. este meio será adequado para controlar as pressões transitórias. poderá utilizar-se um único.4 Condições de fronteira GRUPOS ELECTROBOMBA As características funcionais dos grupos electrobomba. Sempre que o termo AN2 da curva funcional da bomba for superior à altura estática de elevação. 83 . A escolha do dispositivo a utilizar em cada caso depende das características do sistema. A aplicação de volantes de inércia poderá obrigar ao sobredimensionamento dos motores. válvulas de controlo. sem necessidade de se recorrer a volantes de dimensões excessivas. Na modelação da variação do volume de ar no interior dos RAC.CQ2 em que N é a velocidade de rotação. temperatura. B e C são coeficientes determinados a partir da respectiva curva característica à velocidade nominal. 4. quando os motores forem eléctricos. OUTRAS CONDIÇÕES DE FRONTEIRA Todas as restantes condições de fronteira. reservatórios de ar comprimido (RAC). considerou-se a equação: PV1. reservatórios unidireccionais (RUD). com o objectivo de aumentar a sua inércia e desta forma a ampliar o tempo de paragem do grupo e consequentemente a diminuição do caudal debitado pela bomba será mais suave. E e F determinados de forma semelhante aos anteriores. ou uma combinação de vários dispositivos de protecção. dependendo do grau de complexidade da rede a proteger. dotado de um conjunto de dispositivos associados para sua protecção. válvulas de alívio. tais como alterações das características da conduta e da descarga no reservatório. condutas de aspiração paralela. Há um limite de aplicação dos volantes de inércia devido à sua resistência mecânica. sendo as sobrepressões consequentes automaticamente atenuadas. Se a redução do débito da bomba tiver lugar num período suficientemente longo. ou quando apenas se verificam sobrepressões em regime transitório. considerando apenas as zonas de bombeamento normal ou de turbinagem por abaixamento da pressão a jusante. tais como do comprimento das condutas. VÁLVULAS DE ALÍVIO As válvulas de alívio destinam-se a limitar as sobrepressões nas condutas a valores previamente regulados e são aplicadas em complemento aos RAC.5. chaminés de equilíbrio. e às características eléctricas.). concebem-se dispositivos de protecção que poderão ser simulados por cálculo computacional. Para proteger um sistema. Q o caudal bombeado e A. O método das características. com a finalidade de limitar as ondas de pressão transitórias e valores aceitáveis. do tipo de grupos elevatórios. foram modeladas através da consideração da equação da continuidade e da constância das cotas piezométricas. do líquido transportado (composição química. é efectuada. etc. Entre os dispositivos mais utilizados contam-se os volantes de inércia. atenuar-se-á o valor da onda de pressão. etc. Esta modelação é efectuada admitindo que a altura total de elevação das bombas Ht. do seu perfil.2 = Cte Sendo P a pressão absoluta no interior e V o volume de ar. de regulação.) do comportamento das ondas de pressão que se pretendem limitar (depressões ou sobrepressões). Para certos casos particulares. etc.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. à das bombas. viscosidade. permite de uma maneira fácil analisar o comportamento de um sistema simples ou complexo. deverão ser as constantes nas curvas características dos fabricantes. de forma a que o seu binário de arranque seja adequado para que a colocação em marcha da bomba tenha lugar num período de tempo aceitável. desde que se consiga estabelecer o respectivo modelo matemático. Obviamente quanto maior for o momento de inércia do volante. Atendendo a que as bombas se encontram munidas de válvulas de retenção de acordo com as Normas Portuguesas. conteúdo de sedimentos. maior será o tempo de anulação do débito e maior será a atenuação das ondas de pressão transitórias. O rendimento das bombas é considerado variável em função da velocidade de rotação e do caudal e dado por: h 4. Se o tempo em que ocorrer a anulação do caudal bombeado for superior ao período da conduta elevatória 2L/a. = Q X Ht DN2Q + ENQ2 + FN3 Com os coeficientes D. devido à sua simplicidade e ao poder de aplicação. pode ser determinada em cada instante pela equação: Ht = AN2 + BNQ .1 Volantes de inércia Os volantes de inércia consistem em massas girantes que são intercaladas nos veios de grupos electrobomba (figura 5) ou motobomba. a modelação das condições de funcionamento das bombas.

Quando se inicia um regime transitório. com períodos curtos. O dimensionamento de um volante de inércia é simples. em geral o ar e uma dada massa do líquido transportado pela conduta. Para esta situação o cálculo é efectuado como se se tratasse de uma transição com vp1 > 0. O gás e o líquido podem estar em comunicação ou separados por uma membrana elástica. de forma a fazer a sua subdivisão em trechos de pequena extensão. durante a fase da onda de pressão positiva. aumentando a sua pressão e consequentemente a respectiva energia potencial elástica.2 Válvulas de retenção Se o perfil de uma conduta elevatória tiver uma altimetria tal que esta apenas fique sujeita a sobrepressões durante o regime transitório correspondente a uma manobra das bombas. transformando-se a energia potencial armazenada no gás em energia cinética de escoamento. é o de se intercalarem válvulas de retenção ao longo da conduta. 6 . em que o tempo de anulação de caudal durante a paragem da bomba é suficientemente longo. armazenando consequentemente energia potencial elástica. sendo hp1 e hp2 determinados por (18) e (19) respectivamente: hP1 = hR – CR (vP1 – vR) – CR x 2fRvR |vR| ∆t g g dr CS (vP2 – vS) – CS x 2fSvS |vS| ∆t g g ds (18) hP2 = hS – (19) 84 . Fig. o líquido armazenado no seu interior e submetido à acção do gás. 5 . A sua aplicação está em geral limitada a condutas com uma extensão até 2000 m. Em regime estacionário (permanente). Na fase de depressão o volume do ar aumenta. que fica por sua vez submetido à pressão da conduta. basta aumentar a inércia do conjunto de bombeamento e recalcular o comportamento do sistema. a válvula não permite tal e vp1 = vp2 = 0. o líquido passará a abandonar o reservatório no caso de um abaixamento da pressão na conduta. ou a afluir ao reservatório no caso contrário. são dispositivos de protecção de condutas que actuam por diminuição da taxa de variação de caudal. a massa de líquido do interior do reservatório. que origina uma variação de pressão na conduta junto à secção de ligação do reservatório. Para se restabelecer o equilíbrio.Grupo electrobomba equipado com volante de inércia 4. Quando ocorre a inversão do fluxo.5. haverá uma variação de pressão da almofada de ar. para que as ondas de pressão transitórias sejam mantidas dentro de limites aceitáveis.5. Fig.3 Reservatórios de ar comprimido Os reservatórios de ar comprimido. No caso da sobrepressão a massa de gás diminui de volume. 4. São vasos metálicos fechados. à custa da energia cinética de escoamento. no interior do qual se encontra aprisionada uma dada massa de um gás. RAC.Alteração da envolvente das pressões máximas numa conduta protegida com válvula de retenção. atenuando desta forma a amplitude da onda de pressão transitória.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Outras razões que limitam a aplicação de volantes de inércia são económicas e dimensionais. Paralelamente com a variação de pressão na conduta. deixará de estar em equilíbrio com o da conduta. está sujeita à pressão de funcionamento da conduta na secção de ligação e está em equilíbrio com o ar. As válvulas de retenção apenas permitem o escoamento em direcção ao reservatório. um método possível para a proteger.

com um tratamento em regime transitório do sistema de condutas. Com hgas2 determinado. não é considerada no modelo de cálculo. consiste na combinação de uma análise em regime quase estacionário do funcionamento do reservatório. Por encomenda podem obter-se reservatórios com capacidades superiores e reservatórios sem membrana de qualquer capacidade. 85 .2. assim como a energia potencial na secção de ligação do reservatório à conduta. hgási = hi – zt – hb – hti (20) Uma vez que a pressão absoluta na secção de ligação é hi (hi = hp no instante anterior). fiabilidade e disponibilidade no mercado. 7 . principalmente dos reservatórios de grande capacidade e a exigência de manutenção. ht2 = ht1 + ∆ht (21) em que ht1 é a altura do líquido no início do intervalo de tempo ∆t e ht2 no fim. A passagem da onda de pressão transitória através do reservatório.(16) e C (17) calculam-se facilmente os valores de vp1 e vp2.altura do reservatório dt . mas ela é praticamente atenuada e o seu valor é trivial. o que exige a aplicação de compressores isentos de óleo (compressores hospitalares) no caso de grandes reservatórios e de dispositivos de controlo automático. Com estes valores determina-se o volume de água admitido ou expulso do reservatório durante o intervalo de tempo ∆t e consequentemente a variação de nível do líquido no interior do reservatório. Encontram-se disponíveis correntemente no mercado reservatórios de membrana com capacidades até 2 m3. calcula-se hp por hp = hgas2 + zt + hb + ht2 (23) Fig. Uma técnica analítica de cálculo. a altura do líquido no interior do tanque terá de ser conhecida. facilidade de aplicação e controle.2 recomenda-se a utilização para o expoente politrópico n o valor de 1. hgasi representa a pressão absoluta do gás.Esquema de princípio de um RAC Substituindo o valor de hp nas equações características + C. Como em geral o volume de cálculo do reservatório varia 10% quando se varia o expoente entre 1 e 1. o custo em geral elevado.cota de inserção do RAC na conduta Fig. hgas2 = –h ( ll – h ) t t1 t t2 n x hgas1 (22) O expoente da transformação politrópica do ar no interior do reservatório poderá variar entre 1 correspondente aos processos isotérmicos. Como desvantagens pode-se referir a necessidade de haver um controlo apertado da massa de gás. No início do cálculo. A altura do líquido no interior do reservatório no final do intervalo de tempo ∆t é dada por. Considerando pela equação da continuidade: A1 vp1 + A2 vp2 dht ∆t A1 vp1 = At + A2 vp2 ∴ ∆ht = dt At ( ) em que At é a área transversal do RAC. têm como principais vantagens a sua simplicidade. a possibilidade de fecho violento das válvulas de retenção dos grupos de bombeamento.4 nos processos adiabáticos. At = π 4 d2t. 8 It .Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Estes dispositivos muito divulgados. Estes valores são designados por hti e hpi respectivamente.altura da base do reservatório zt . e 1.diâmetro interior hb . a pressão do ar no interior do reservatório passa a ter o valor de. A pressão do gás no interior do reservatório é estabelecida em termos de uma coluna de líquido equivalente hgás. Aplicando a equação PVn = Cte correspondente aos processos politrópicos aplicados a um gás perfeito.

se a pressão cair a um valor inferior ao do ramo de aspiração.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. Quando ocorre uma paragem da bomba. turbina ou válvula e a chaminé. durante os períodos em que o escoamento for realizado pela acção da gravidade. O tratamento destes dispositivos é semelhante ao apresentado para os RAC. Para diminuição da amplitude do líquido no interior da chaminé. Durante o curto intervalo de tempo ∆t associado à discretização das equações. No segundo trecho compreendido entre o dispositivo e um reservatório ou outro dispositivo semelhante. Estas equações reduzem-se a uma equação quadrática em Q. Durante o regime variável este dispositivo divide em geral a conduta em dois troços que se comportam de forma diferente. resultando em equipamentos mais económicos e com menor potência instalada por unidade. evitando as depressões no ramo de compressão. É uma aplicação típica em condutas forçadas longas. dotadas de várias estações de bombeamento em linha. ocorre em geral uma oscilação em massa. Quando os desníveis geométricos. Quando tal não se verificar. a válvula de retenção impedirá o escoamento da compressão para a aspiração. limitando-se desta forma o abaixamento de pressão.7 Chaminés de equilíbrio Numa conduta equipada com bomba e chaminé de equilíbrio como se mostra na figura 10. aplicam-se as equações. como por exemplo em condutas de transporte de água potável para abastecimento domiciliário e industrial. O trecho compreendido entre a bomba. durante as horas de máximo consumo. sem que a equação que modela a bomba esteja presente. de uma conduta com funcionamento por acção da gravidade pela intercalação de estações elevadoras de pressão (booster). Também poderá ser aumentada a capacidade de transporte. quando o volume de água que é necessário transportar for reduzido. deverá incluir-se um termo separado para quantificar a perda de pressão (energia) na válvula de retenção. Quando as bombas estiverem em operação. a altura do líquido na chaminé poderá ser considerada constante sem grande erro.Esquema de um circuito de desvio a um conjunto de bombeamento (perda de energia na válvula) VP1 = Q A1 VP2 = Q A2 Noutros casos em que o caudal transportado é variável. O circuito de desvio poderá desempenhar um papel de protecção da conduta. em que o volume de água a transportar varia com a estação do ano. Ou seja. colocadas em linha e equipadas com circuito de desvio. a válvula de retenção abre-se e passará a haver escoamento de montante para jusante. g (hP1 – hR) + CR aR g – g aS (v P1 – vR) + 2 fR VR VR ∆T =0 dR (24) (h P2 – hS) + (vP” – vS) + v2P1 2g 2 fS VS VS ∆T =0 dS (25) hP1 – hP2 = k Fig. A parte superior da chaminé encontra-se aberta à atmosfera. Como em geral o caudal é reduzido. o dia da semana ou mesmo a hora do dia.6 Circuito de desvio Em certas situações pode estabelecer-se um circuito de desvio aos grupos electrobomba. A estação poderá não estar sempre em funcionamento e o escoamento dar-se-á através do circuito de desvio. Nas estações imobilizadas o escoamento far-se-á através dos circuitos de desvio. enquanto a bomba se encontrar a funcionar em regime estacionário as condições de operação são as representadas. Assim. 86 . 9 . de forma a que o caudal debitado esteja de acordo com as necessidades. O valor da pressão mínima será assim superior ao que teria lugar se o circuito de desvio não existisse. equipado com uma válvula de retenção conforme se mostra no esquema da figura 9. ou as perdas de carga em linha forem apreciáveis. 4. as duas equações características são resolvidas para se determinar o caudal e a pressão. substitui-se a condição de fronteira correspondente à bomba por uma simples junção. algumas das estações poderão ser retiradas de serviço. Na modelação. Na análise do comportamento do sistema. neste troço é mobilizada a energia elástica do fluido e da conduta. haverá uma queda de pressão no ramo de compressão. Esta aproximação despreza o escoamento que tem lugar através da bomba durante a sua paragem. permitindo por exemplo diminuir a classe de pressão dos tubos. durante a paragem de uma bomba deverá verificar-se se a pressão de jusante se mantém superior à de montante. o erro introduzido por esta simplificação é desprezável. por vezes dota-se a ligação chaminé-conduta de um dispositivo destinado à geração de perda de carga. permanecendo outras em funcionamento. a altura de elevação das bombas é repartida pelas diferentes estações. sendo actualizada em cada instante.

10 . Com H2 determinado calcula-se hp por hP = H2 + ha + Ap2 vp2 ∴ ∆hch = Fig. para atenuação das amplitudes extremas de oscilação do plano de água. 13.Esquema de uma chaminé de equilíbrio O dimensionamento de uma chaminé de equilíbrio compreende: – O estudo do perfil da conduta para escolha do local mais adequado para a sua instalação. Com estes valores determina-se o volume de água admitido ou expulso da chaminé durante o intervalo de tempo ∆t e consequentemente a variação de nível do líquido no interior da chaminé. – Cálculo de secção transversal e de um eventual estrangulamento. Em alternativa poderá ser armazenado água proveniente de uma fonte externa. Fig. 87 . Para estes casos o modelo matemático da condição de fronteira é semelhante ao utilizado para o RAC. com a superfície livre em contacto com a atmosfera. Salvo casos especiais. – Amplitude das ondas de pressão.e C+ calculam-se facilmente os valores de vP1 e vP2. – Cálculo estrutural. A ligação entre o reservatório e a conduta é dotada de uma válvula unidireccional (válvula de retenção). 12 .Chaminé de equilíbrio desenho tipo da SABESP Fig. 11 (a p1 vp1 + ap2 vp2 Ach d ch 2 ) ∆t 4. Na escolha do local para a sua instalação deverá atender-se aos seguintes aspectos: – Características topográficas do terreno. Conforme se poderá observar na fig. em que a velocidade do líquido no seu interior é lenta.8 Reservatórios unidireccionais Os reservatórios unidireccionais são dispositivos de protecção especialmente vocacionados para atenuarem as ondas de pressão negativas. que permite o escoamento no sentido RUD conduta e impede-o no sentido oposto. estes dispositivos consistem num tanque onde é armazenado o líquido transportado pela conduta. e ha representa a pressão atmosférica. – Impacto da estrutura no ambiente. as chaminés são em geral constituídas por um tubo metálico.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Substituindo o valor de hP nas equações características C. Considerando pela equação da continuidade: ap1 vp1 = Ach dhch dt Ach é a área transversal da chaminé Ach = π 4 A altura do líquido no interior da chaminé no final do intervalo de tempo ∆t é dada por: H2 = H1 + ∆Hch em que H1 é a altura do líquido no início do intervalo de tempo ∆t e H2 no fim. de betão armado ou escavado na própria rocha. H = hP1 – ha Uma vez que a pressão absoluta na secção de ligação é hp1. Antes de continuar o cálculo deverá verificar-se se a altura do líquido no interior da chaminé é positiva.

não ficar em contacto com a atmosfera. 14 . o tempo de anulação de caudal é aumentado. 4. A análise deste dispositivo. uma vez que o período de imobilização dos grupos electrobomba é prolongado.1 Válvulas motorizadas As válvulas motorizadas deverão possuir meios de fecho adequados. Outra vantagem. como a conduta continuará a ser alimentada. o cálculo em regime transitório na secção de ligação é idêntico ao de uma simples transição. conclui-se que o RUD só entra em funcionamento quando a altura piezométrica na conduta for inferior à da superfície livre e que não há escoamento no sentido conduta RUD. foi adoptada uma variante. a análise é semelhante à de uma simples junção. A partir do instante em que as alturas se igualem a análise passa a ser semelhante à de uma chaminé de equilíbrio. admite o refluxo parcial de líquido ao tanque. Este dispositivo. o líquido armazenado no RUD e o que se encontra em escoamento na conduta. Caso contrário. a altura piezométrica na conduta não está em equilíbrio com a massa de água armazenada. procede-se a um primeiro período de fecho rápido e a manobra final mais longa. é a do líquido armazenado para protecção. É constituído por um reservatório construído em polietileno de alta densidade e dotado de uma válvula de retenção. sendo o seu efeito semelhante ao dos volantes de inércia. é semelhante à da chaminé de equilíbrio. apresentada por este dispositivo. é especialmente vocacionado para ser instalado em pontos altos. Pelo descrito. no caso de água tratada e a propagação de cheiros no caso de águas contaminadas. durante as operações normais de arranque e principalmente paragem. Devido à concepção do RUD. de vários grupos podem ser devidamente determinados com a introdução de subrotinas de cálculo apropriadas. necessitou projectar um dispositivo.2 Arrancadores suaves Os arrancadores suaves quando procedem também a paragens suaves. 4. Em regime permanente.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório O reservatório parcialmente bidireccional. Devido às desvantagens referidas em relação ao RUD.10 Dispositivos de manutenção das pressões transitórias Para atenuação dos efeitos do choque hidráulico. não era possível nesse caso a sua adopção. Em geral para se evitar tempos de manobra longos. Evita-se dessa forma a inquinação. isto porque a actuação das válvulas sobre o escoamento não é linear. Fig. Fig.9 Reservatório parcialmente bidireccional O autor deste trabalho. durante a paragem e arranque dos grupos electrobomba poderiam ser utilizadas válvulas motorizadas ou arrancadores suaves. assim como os períodos a decorrer entre paragens sucessivas. o RUD permite a alimentação da conduta aquando a cota piezométrica for inferior à da superfície livre do líquido.Reservatório unidireccional Devido à sua concepção.10. é a de se dispensar o ramal de enchimento. 13 . de condutas destinadas a transportar águas residuais. sempre que a cota piezométrica no interior do dispositivo. o que não acontece no RUD. a altura piezométrica na zona de ligação é regulada pela cota da sua superfície livre. devendo os tempos de manobra ser determinados por cálculo. for inferior à cota da válvula de retenção. Estes dispositivos não podem ser considerados dispositivos de protecção uma vez que não actuam em caso de falha de energia eléctrica da rede de alimentação. A grande vantagem. Para proteger esse local. 4. Enquanto a altura piezométrica na conduta for superior à da superfície livre do RUD. assim.Reservatório parcialmente bidireccional 88 . estão separados pela válvula de retenção que se encontra fechada. o qual poderemos designar por reservatório parcialmente bidireccional. são excelentes órgãos para a atenuação das variações da pressão ao longo das condutas. permitindo desta forma actuar também sobre as sobrepressões. 4. conforme representada na figura 14. O tipo de paragem dos grupos.10. para proteger uma conduta elevatória destinada a transportar águas residuais. que apresentava um ponto alto num local isolado.

86 kgf. Resultados de cálculo final Volume de ar m3 RAC Inicial 5.3 mm Rugosidade absoluta equivalente k = 0. Se não se realizar esta associação.a.0 VÁLVULA DE ALÍVIO Mínimo 4. dimensionados conforme o gráfico 1.00 kgf. Análise dos resultados de cálculo O cálculo inicial foi realizado considerando que os dois grupos bombeiam através da conduta sem qualquer protecção.300 Pressão de abertura m. verificou-se que ocorre uma zona de depressão extensa (gráfico 1) e que a sobrepressão subsequente tem um valor muito elevado.1 Material Ferro Fundido Dúctil Módulo de elasticidade da conduta E = 1. 390 1 89 .3 m Grupos electrobomba em funcionamento n = 2 (paralelo) Velocidade de rotação N = 1400 rpm PD2 da bomba 5.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. concluindo-se que era necessário proteger a conduta com dispositivos adequados.56 x 10-1 C = 5.m-2 Diâmetro do impulsor D = 400 mm Coeficientes da curva característica A = 1.c.11 Caso prático Os dados de cálculo inicial.0 Condições de descarga Caudal m3/h 1.92 x 10-4 B = 6. são do tipo multicelular. foi seleccionado um RAC associado a uma válvula de alívio. o volume RAC seria exagerado.375 m3/s Cota de descarga no reservatório 373. foram os que se passam a indicar nos itens seguintes. Comprimento da conduta elevatória L = 2808 m Diâmetro Ø = 500 mm Espessura da parede e = 7. com funcionamento de um número máximo de dois em paralelo. de pequena inércia comparada com a energia transferida ao fluido a elevar e por consequência com um reduzido tempo de anulação de caudal. Dos resultados do cálculo efectuado.0 x 1010 kgf m-2 Módulo de compressibilidade da água E = 2. e após várias hipóteses de cálculo para os dispositivos de protecção.1 x 108 kgf m-2 Caudal em regime estacionário Q = 0.37 x 103 Os grupos electrobomba instalados em número de três nesta primeira fase. Cálculo final Em face do comportamento descrito para o sistema em regime transitório.7 7.1 Máximo Adoptado 6.m-2 PD2 do motor 92.

Glasgow and London. 1962 Timoshenk Resistência dos materiais Ao Livro Técnico S. 1955 Reis A. Seminário 238.º 124 CTGREF. D. 1978 De Martino. M. E. LNEC.A. Sul calculo del PD2 negli impiante di sollevamento L’Energia electtrica n. Puech. Le coup de bélier dans les pompages: Son calcul simplifié La Technique de L’eau Funel. Hydraulique urbaine. B. Dover.12 Referências bibliográficas Almeida. Réservoir anti-bélier à régulation d’air automatique. Fluid transients in hydro-electric engineering pratice. Vol 88. D. Mac Millan. Protection des refoulements d’eaux usées. 1977 Rosich. I. Protecção de instalações de recalque através de tanque hidropneumático Revista DAE Chaudhry. Ch. E. R. Abril. V. Parmakian. A.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4.. 1973 Nichile. Sousa. C. Paris. 1978 Fox. La Houille Blanche. Julho 1963 Wylie. 1971 Livingston.L’Eau. Developments in Water Science. Fluid Transients Mc Graw-Hill 1978 90 . W. A.. Hydraulic analysis of unsteady llow in pipe networks. n. Water hammer and surge Pipeline design for water engineers. Lisboa LNEC. J. n. Étude du functionement et du dimensionement des ballons d’air anti-belier Bulletin Technique de Génie Rural.. N. R. E. M. Synopsis of surge control equipment Water and Water Engineering. TSM . O. Eyrolles Paris. M. London. 1977 Stephenson. J. ASCE. Prentice Hall. J. 1974 Roche.º 8. Válvulas anti-golpe de aríete desenvolvimento Brasileiro Revista DAE Duarte. Discharge tanks for suppressing water hammer in pumping lines International conference on pressure surges Jaeger. M. 1979.E. n. Détermination des Dimensions caractéristiques d´un reservoir d’air sur ume installation élévatoire.. 1960 Stephenson... New York. G. E. Wilson. A. Exemplo de cálculo de choque hidráulico com volante de inércia pelo método gráfico de Bergeron. J. Blackie. C. Golpo d’ariete in condotte elevatorie. 1963 Dubin. Applied Hydrulic Transients Van Nostrand 1979 Meunier. M.º 6. M. Chiari. C. Le coup de bélier dans les canalizations de refoulement: Calcul et préparation La Technique de L’eau IDEL’CIK.º 242. Tome II Paris. Golpes de aríete em condutas. 1981 Martins. Elsevier 1976 Li. A. Parecer sobre o dimensionamento de condutas metálicas sujeitas a sub pressões Universidade de Lisboa CEMUL Dupont. C. Streeter. F. L. Eyrolles. Mémento des partes de charge. Attenuazione mediante volanti Universitá de Napoli. A. Instituti Idraulici. Mechanics of Pipe flow following column separation Journal of the Engineering Mechanics Division. n. C. M. Napoli. H. Guéneau. Waterhammer analysis. 1955 e New York. Transitórios hidráulicos. Manual de protecção contra o golpe de aríete em condutas elevatórias. A.º 6. 1969 Rosich. H. Caldinhas A.. Lisboa. B.

O CUSTO DO CICLO DE VIDA COMO FACTOR DE ECONOMIA Autor: Paulo Ramísio Engenheiro Civil (FEUP) Mestre em Engenharia do Ambiente (FEUP) Assistente do Departamento de Engenharia Civil da Universidade do Minho Sócio da SBS – Engenharia Civil. Lda. 91 . Hidráulica e Ambiente.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5.

92 .

não só para optar entre diferentes soluções do mesmo fabricante. estabelecido em 1960. etc. ao longo da sua vida útil. promove parcerias com indústrias e grupos de comércio. os grupos electrobomba embora sejam geralmente adquiridos como componentes individuais. nos equipamentos electromecânicos o custo de aquisição poderá representar apenas 10% dos custos globais associados a esses equipamentos. da instalação e do modo como o sistema irá operar. O Custo do Ciclo de Vida de qualquer sistema de pressurização é assim o custo total durante o seu período de vida útil. para a implementação de sistemas de elevada eficiência de energia. mas também servir para comparar soluções de fabricantes diferentes. manutenção (preventiva e correctiva). Estabelece padrões e organiza fóruns para a troca de informações técnicas há mais de 80 anos. A identificação de todas as parcelas envolvidas apresenta-se como uma etapa fundamental nesta metodologia. acessórios e os decorrentes da exploração) devem obedecer a considerações de eficácia e economia. principalmente numa altura em que a questão energética assume um importante papel na economia nacional.2 O que é o Custo do Ciclo de Vida? O Custo do Ciclo de Vida (CCV) é uma ferramenta de gestão que pode ajudar a minimizar os desperdícios e a maximizar o rendimento para variados tipos de sistemas. Estima-se que o elevado número de sistemas de bombeamento existentes a nível mundial. eles são parte integrante de um sistema indissociável entre si. colecta. 5. pois só assim poderá ser utilizada. equipamento eléctrico e electromecânico. instalação.). A correcta escolha de todos os componentes de um sistema de bombeamento apresenta-se assim como uma oportunidade para uma redução nos custos globais da instalação.1 Introdução Os sistemas de pressurização representam por vezes custos não desprezáveis no mercado da construção para habitação.3 Razões para a utilização do CCV Os sistemas de pressurização são compostos por um conjunto de obras de construção civil. Uma visão global é descrita no artigo "Pump Life Cycle Costs" desenvolvido pelo Hydraulic Institute e Europump de modo a facilitar a aplicação da metodologia do CCV a sistemas de bombeamento. A avaliação dos custos do sistema ao longo da sua vida útil. consomem cerca de 20% da energia eléctrica global (Europump. O Europump serve e promove a indústria europeia das bombas hidráulicas. 1 . Adicionalmente todos os componentes do sistema deverão ser cuidadosamente seleccionados para combinarem entre si e manter no global um conjunto fiável assegurando os mais baixos custos energéticos e de manutenção. fundado em 1917. paragens. 5. O investimento inicial é geralmente uma pequena parte do Custo do Ciclo de Vida para sistemas de pressurização. sendo principalmente onerosos em grande parte dos sistemas industriais. industrial. energias renováveis. mas também mundial. equipamentos.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5. A energia consumida e os materiais utilizados por um sistema dependem das características da bomba. nas suas mais variadas aplicações (abastecimento público e predial de água potável. Representa os custos de aquisição. • O Departamento de Energia dos Estados Unidos. Quando o CCV é utilizado como uma ferramenta de comparação entre diferentes alternativas. assim como uma longa durabilidade. tubagens e acessórios. desmontagem e desmantelação do equipamento. 2000). ensaios. de forma isenta. incluindo sistemas de bombeamento.Consumo mundial de energia eléctrica Trata-se portanto de um consumo significativo. Sistemas de Bombeamento (20%) Fig. Como qualquer investimento. ambientais. Um dos grandes objectivos duma metodologia desta natureza deverá ser o rigor e a isenção. com base nas informações disponíveis. operação. energéticos. é a maior associação de produtores e de fornecedores da América do Norte. o processo de cálculo do CCV indicará. a solução que apresenta menor custo global. No presente documento optou-se por seguir a metodologia proposta pelas seguintes entidades: • O Instituto Hidráulico (HI). A minimização dos custos globais nem sempre é uma tarefa fácil. 93 . prevenção da poluição e tecnologias para aplicações industriais. Enquanto algumas partes do sistema apresentam praticamente todo o seu custo durante a construção. instalações de rega. Como exemplo. a escolha dos elementos que constituem o sistema (construção civil. Consumo mundial de energia eléctrica Outras Aplicações (80%) Ou • O Europump. age como porta-voz dos 15 principais fabricantes de bombas e representa mais de 400 fabricantes. pode ser realizado por várias metodologias. transporte e tratamento de águas residuais.

como sendo a soma das seguintes parcelas: Fig. muitas empresas começam a estar cada vez mais sensíveis ao impacto ambiental nos seus negócios. etc. É portanto de extrema importância a forma precisa de determinar os custos energéticos actuais. Custos de Manutenção ( 10% ) Custos do Investimento ( 5% ) 5. Sistemas de bombeamento . As empresas devem procurar soluções que visem a redução dos custos globais e o aumento dos rendimentos operacionais. factores determinantes no Custo do Ciclo de Vida (CCV) da instalação. Deste modo a comparação deve ser efectuada entre diferentes tipos de sistema ou de controlo. A escolha destes equipamentos deve ser efectuada com base em cálculos onde os detalhes do projecto do sistema devem ser tidos em conta. o escalonamento esperado nos anos vindouros. CCV = Cci + Cin + Ce + Co + C m + C pp + Ca + Cd onde: (1) Cci Cin Ce Co Cm C pp Ca Cd Custos iniciais (custos de construção civil. O processo em si é basicamente matemático.) Custo de instalação e ensaios (arranque e formação do pessoal) Custos energéticos (operação do sistema incluindo controlos e quaisquer serviços auxiliares) Custos de operação (mão de obra e supervisão normal do sistema) Custos de manutenção e reparação (reparações previstas e de rotina) Custos de paragens (perda de produção) Custos ambientais Custo de desmontagem e desmantelação (incluindo a restauração ambiental do local e serviços de destruição do equipamento) 94 . sendo de difícil quantificação. Alguns estudos mostram que 30% a 50% da energia consumida pelos actuais sistemas de bombeamento podem ser poupados através da alteração dos controlos dos sistemas (Europump. talvez motivado pela grande evolução tecnológica verificada nos últimos anos. Em alguns casos os custos de indisponibilidade podem ser mais significantes que os custos energéticos ou de manutenção. bombas. a metodologia proposta apresenta os custos do ciclo de vida. Para a maioria de empreendimentos os custos energéticos e/ou de manutenção dominarão os Custos do Ciclo de Vida.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia Uma maior compreensão de todos estes pormenores constituirá uma oportunidade para a redução dramática dos custos energéticos. Com base nos estudos efectuados em problemas deste tipo. em termos de custos. podem muitas das vezes ser estimados com base em dados históricos. tubagens. quer em novos empreendimentos quer em remodelações requer sempre uma avaliação de sistemas alternativos. serviços de apoio. A redução e o desperdício energético representam ainda um papel importante em benefícios ambientais. desmontagem e desmantelação final do equipamento e os de origem ambiental. Considerações adicionais deverão ser tomadas em relação às perdas de produtividade devido aos tempos de paragem.Repartição média dos custos globais em sistemas de bombeamento Muitos sistemas são concebidos considerando apenas o investimento inicial. A crescente competitividade dos mercados nacionais e internacionais obriga a um esforço contínuo de modo a aumentar a competitividade. e consideram o rendimento energético como uma via contribuinte para a redução de emissões de gases e deste modo preservar os recursos naturais. A operação.4 Determinação do Custo do Ciclo de Vida O processo do CCV é um método que permite a comparação de soluções alternativas. principalmente no sector fabril. acessórios. continua a merecer uma particular atenção como fonte de poupança de custos. O exercício deve ser objectivo na análise e âmbito podendo no entanto ser lato nas alternativas analisadas. mas extremamente dependente da informação disponível. 2000).Custos globais Custos de Exploração ( 85% ) A análise do CCV. 2 . de exploração e de manutenção. Adicionalmente às razões económicas para justificar a utilização da metodologia do CCV. assim como os custos de mão-de-obra e dos materiais ao longo do ciclo de vida do equipamento. Outros custos como por exemplo os de paragens. Os sistemas existentes podem contribuir com uma maior fatia na redução da energia consumida através da utilização da metodologia do cálculo do CCV por duas razões: A primeira porque existem pelo menos 20 vezes mais sistemas em operação do que os colocados anualmente em operação e. Os sistemas de bombeamento têm muitas das vezes um período esperado de operação de 15 a 20 anos. em segundo lugar porque muitos dos sistemas em operação possuem bombas ou controlos que não estão ajustados às necessidades actuais. originando sistemas que apresentam grandes custos de manutenção e exploração. especialmente pela via da minimização dos consumos energéticos e dos tempos de paragem da produção. logo os resultados do processo apresentam certamente um grau de fiabilidade similar ao dos dados de base.

então dever-se-á utilizar um registo horário das necessidades para se efectuar o respectivo cálculo. projecto. Nestes casos devem ser incluídos os custos do fluido.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia Os parágrafos seguintes examinam cada uma das parcelas e levantam sugestões para a determinação de cada parâmetro. • Os ensaios requerem uma especial atenção às instruções do fabricante para a execução do arranque e operação. betão etc. Por exemplo uma bomba instalada em ambientes corrosivos pode requerer verificações diárias. podem originar custos iniciais mais elevados mas reduzirem o CCV de uma forma considerável. Se as solicitações são muito variáveis no tempo. • Ligações eléctricas e de instrumentação. • Uma instalação completa dos equipamentos electromecânicos envolve requisitos de operação e manutenção que serão assegurados por pessoal com formação para operar o sistema. Custos de operação • Os custos de operação são os associados à mão-de-obra relacionados com a operação do sistema. os controlos integrados. o seu comportamento com o fluido bombeado. • Processo de aquisição. Estes podem variar muito dependendo da complexidade e função do sistema. No funcionamento paralelo. especificações etc. desenhos. 95 . Estes detalhes. circulação e/ou dissipação de calor etc. Uma bomba com conversor de frequência tem um número infinito de pontos de funcionamento.a) η c − Rendimento da bomba η m − Rendimento do motor Logo. neste o seu valor relativo pode vir diluído com o valor da construção civil. Custos energéticos • O consumo energético é frequentemente uma das parcelas com maiores custos e geralmente domina o valor final do CCV. os empanques instalados. etc. Custos de instalação e ensaios • Os custos de instalação e ensaios (arranque) incluem os seguintes itens: • Fundações (projecto. Outro factor de incerteza para o cálculo do consumo de energia de bombas com conversor de frequência é o facto do rendimento geral do sistema ser difícil de calcular com exactidão. Este facto pode originar a que seja menosprezada a sua importância final nos custos globais. entre outros. • Os métodos de cálculo da energia são relativamente simples quando a bomba é utilizada num único ponto de funcionamento. os materiais utilizados. a qualidade e fiabilidade do sistema seleccionado. preparação. Dever-se-á ter em atenção que este cálculo não inclui a análise a custos de segunda ordem como por exemplo as matérias-primas consumidas no fabrico de produtos.c. • Ligações a sistemas auxiliares. Detalhando: Custos iniciais • Este tipo de custos refere-se aos custos necessários para a compra e instalação de equipamentos e obras de construção civil. aproximando em seguida os volumes bombeados ou horas de funcionamento relativos a cada um destes. • Os custos iniciais incluem geralmente os seguintes itens: • Serviços de Engenharia (estudos. • Avaliações e regulações no arranque. • Inspecção e testes. • Construção civil. filtragem. especialmente quando o tempo de operação das bombas ultrapassa as 2000 horas de operação / ano. • Equipamentos auxiliares para sistemas de vedação ou arrefecimento. necessárias ao arranque do sistema.). • É determinante para estes custos o diâmetro das tubagens e acessórios. Se as solicitações ao sistema são constantes. deverão ser efectuados cálculos separados para os vários pontos de funcionamento. Estes custos podem ser referentes a circuitos de aquecimento ou arrefecimento de fluidos de processo. A fórmula do cálculo da potência requerida é a seguinte: P (kW ) = em que: γ ×Q× H η c ×η m (2) P − Potência (kW ) γ − Peso específico do líquido (kN/m3 ) Q − Caudal (m 3 /s) H − Altura manométrica (m. • Ligações de tubagens de processo.). A situação torna-se mais complexa com bombas em funcionamento paralelo ou se a bomba for utilizada com um conversor de frequência. o cálculo é simples. a energia será: E (kWh ) = ∫ γ × Q(t )× H (t ) dt ηc ×ηm to ηc(t) x ηm(t) t1 (3) • Os custos energéticos de serviços auxiliares também devem ser incluídos. • Formação. • Peças de reserva. O consumo energético é calculado através dos dados colhidos no projecto do sistema. Enquanto que nas restantes parcelas os custos associados a equipamentos electromecânicos são dominantes. Deverá ser seguida a lista de verificações proposta pelo fabricante de modo a assegurar que os equipamentos e o sistema possam operar dentro de parâmetros específicos.

paragens. • Vida útil esperada para o equipamento. o CCV torna-se particularmente sensível à vida útil do equipamento.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia enquanto um sistema semelhante com outro fluido pode apenas necessitar de supervisões limitadas. As características da tubagem do sistema devem ser calculadas a fim determinar o desempenho requerido da bomba. da sua capitação ou mesmo da taxa de ligação ao longo do tempo. o custo inicial será mais elevado mas os custos de manutenção não programada incluirão apenas os custos da reparação. Custos de manutenção e reparação • O alcance da longevidade esperada para uma bomba. Custo de desmontagem e desmantelação • Na maioria dos casos. uso de peças contaminadas etc. As maiores actividades requerem frequentemente a remoção da bomba do local de instalação para as oficinas. Quando a destruição tem um custo demasiado elevado. Por exemplo. radioactivos ou qualquer outro tipo agressivo. mas também às verificadas em singularidades. O fabricante aconselhará a frequência e a natureza da manutenção periódica. Custos totais do ciclo de vida • Os custos estimados para as várias parcelas depois de somadas permitem uma comparação das diferentes soluções analisadas. Os custos dependem do tempo e da frequência do serviço. Se for utilizado um equipamento de reserva. bombeamento de produtos corrosivos. Os indicadores de desempenho incluem alterações em vibrações. o custo da desmantelação de um sistema de bombeamento tem pequenas variações em relação a diferentes concepções. O projecto deve considerar a interacção entre a bomba e o resto do sistema e o cálculo do ponto de operação do sistema. Isto aplica-se quer a sistemas simples quer a sistemas mais complexos. • Embora as avarias não possam ser previstas. pressão etc. nos sistemas de distribuição de água doméstica existe a incerteza do crescimento populacional. • Existem também factores financeiros a serem tomados em consideração no desenvolvimento do CCV. Existem procedimentos legais e regulamentares para líquidos tóxicos. Na maior parte das vezes os custos de paragem são inaceitáveis por representarem custos superiores à instalação de um equipamento de substituição ou reserva. O projecto pode influenciar estes custos por indicação específica de alguns materiais. podem ser estimadas estatisticamente pelo cálculo do tempo médio entre avarias. sob o risco de representarem externalidades. Durante esse tempo a unidade está indisponível podendo haver perda total na produção ou um custo de substituição temporária. • Taxa de inflação. gamas de caudais. ruído. Custos de paragens e perdas de produção • O custo de paragens imprevisíveis e de perdas de produção podem ser uma parcela muito significativa no valor CCV e pode rivalizar com os custos energéticos ou com os custos de peças de substituição. Será importante analisar a sensibilidade ou adaptabilidade do sistema escolhido a situações diferentes das previstas no projecto. Estes incluem: • Preços actuais da energia. mas também dos custos dos materiais. ambiental. estando directamente dependentes do diâmetro da tubagem e dos restantes componentes do sistema. tais como a manutenção. • O programa de manutenção pode ser cumprido com menor frequência mas com maior atenção aos detalhes ou com maior frequência mas com intervenções mais simples. 96 .5. 5. requer uma manutenção regular e eficiente. • Taxa de juros. Os custos de aquisição e os custos operacionais totalizam o custo total de uma instalação durante sua vida. • Actualização do valor anual da energia.5 Implementação da metodologia 5. Custos ambientais • O custo da destruição de fluidos contaminantes durante o tempo de vida de um sistema de bombeamento varia bastante dependendo da natureza do produto bombeado. Um sistema mais flexível na exploração pode apresentar uma mais valia acrescida. Adicionalmente o utilizador deve decidir quais os custos a incluir. temperaturas. • O custo de perda de produção ou de indisponibilidade podem ser considerados dependente do tempo de paragem e devem ser analisados para cada caso específico. Exemplos de contaminação ambiental podem incluir: destruição da caixa do empanque. destruição e outros custos importantes. consumo energético. Uma análise periódica das condições de funcionamento do sistema pode alertar os operadores para eventuais perdas de desempenho do sistema. Estes custos podem ser minimizados por uma programação cuidada e atempada da paragem. Uma quantidade considerável das perdas da energia no sistema são devidas às perdas de carga contínua. Os custos de infracção ambiental deverão ser incluídos.1 Na fase de projecto A concepção e o projecto do sistema serão sempre o elemento mais importante na minimização do CCV. selecção dos componentes e mesmo da facilidade de acesso aos componentes a serem intervencionados. • O custo total da manutenção de rotina é o resultado do produto dos custos por intervenção pelo número de intervenções esperadas durante o ciclo de vida da bomba.

• Seguir as normas do fabricante. Os dois modelos não são incompatíveis. • Combinar o equipamento às necessidades do sistema para o máximo rendimento. • Considerar uma velocidade máxima de modo a minimizar a erosão na tubagem e acessórios. A seguinte lista de verificações fornece alguns tópicos úteis para reduzir o Custo do Ciclo de Vida de um sistema de bombeamento existente: • Considerar todos os itens com custos relevantes no Custo do Ciclo de Vida. podem-se facilmente simular várias alternativas do sistema. • Determinar os fluxos requeridos para cada carga no sistema. Os longos e fastidiosos cálculos associados ao cálculo das perdas de carga podem hoje. o objectivo é ficar com uma ideia exacta de como as várias partes do sistema operam e identificar onde as melhorias podem ser feitas e o sistema optimizado.5. • Considerar a energia desperdiçada em válvulas de controlo. • Optimizar a manutenção preventiva. mas completam-se. resultando a necessidade de motores com maior potência. tão exacto quanto possível do sistema e depois simulam-se as pressões e os caudais dentro do modelo. • Utilização de velocidades económicas. • Considerar diâmetros padrão da tubagem em instalações semelhantes. • Considerar a duração dos diferentes pontos de funcionamento da bomba. e caudais).Ponto de funcionamento de um sistema Um sistema pode necessitar de operar em diversos pontos de funcionamento. • Considerar um diâmetro interno mínimo quando se transportam líquidos com sólidos. O primeiro consiste em observar as condições de operação do sistema "in-situ". • Equilibrar o sistema para encontrar os diferentes fluxos e cargas requeridas. O primeiro método confia em observações efectuadas no sistema (pressões. • Monitorizar a bomba e o sistema. facilitando significativamente o processo de cálculo. enquanto que no segundo cria-se um modelo matemático. • Escolher bombas e sistemas novos usando considerações do CCV. graças à capacidade de processamento. • Optimizar o custo total considerando custos operacionais e custos de aquisição.2 Aplicação a sistemas existentes As seguintes etapas indicam algumas tarefas que podem identificar pontos onde poderá ser possível melhorar um sistema de bombeamento existente: • Realizar um inventário completo do sistema de bombeamento. • Avaliar as perdas de carga no sistema. 3 . Analogamente. • aumentam os custos de energia eléctrica. O ponto de funcionamento de um sistema é determinado pela intersecção da curva da instalação e da curva característica do equipamento de pressurização como mostrado em Figura 3. • Não sobredimensionar a bomba. Observar o sistema permite ver como o sistema se comporta. alguns custos aumentam com tamanho crescente da tubagem como por exemplo os de aquisição. mas antes o modelo deve ser validado para assegurar que representa exactamente o sistema que se está a estudar. Não obstante o método usado. Dois métodos podem ser usados na análise de sistemas de bombeamento existentes. • aumentam os custos da instalação da bomba e de operação em consequência do aumento de perdas de carga. mas as exigências operacionais do sistema limitam o âmbito da experimentação. 97 . Fig. • Efectuar mudanças à bomba para minimizar a carga no sistema. Deve ser considerado com atenção a duração prevista para os diferentes pontos de funcionamento de modo a seleccionar correctamente o número de bombas a instalar e o comando e controlo. 5. pressões diferenciais. Desenvolvendo um modelo do sistema.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia O diâmetro da tubagem deve então ser seleccionado com base nos seguintes factores: • Economia da instalação (bombas e sistemas). As tubagens devem assim ser dimensionadas por critérios de minimização dos custos globais. • aumentam os custos de operação em consequência do maior consumo energético devido ao aumento de perdas por atrito. • Especificar motores de elevada eficiência. e o segundo consiste em executar cálculos usando as equações da mecânica dos fluidos. • Combinar o tipo da bomba à solicitação pretendida. um dos quais determinará a escolha da bomba. mas outros diminuirão. Diminuir o diâmetro das tubagens tem os seguintes efeitos: • diminuem os custos de aquisição de tubagens e acessórios da instalação. ser substituídos por programas informáticos. • Avaliar a eficácia do sistema. • Identificar bombas com custo de manutenção elevado.

O custo de energia anual com o impulsor menor é 6 720 € por o ano. Bomba Alterando o diâmetro do impulsor para 375 milímetros. d) Manter o sistema actual.08 €/kWh e a eficiência do motor de 90%. Esta perda de pressão reduz a pressão diferencial através da válvula de controle em 10 m. Um variador de frequência de 30 kW tem um custo de 20 000 €. 5 . valor que inclui o custo de desmontar e remontar a bomba. a válvula apresenta danos de cavitação em intervalos regulares. c) Instalar um Variador de Frequência (VF).20% e com um considerável ruído de cavitação. Em consequência do grande diferencial de pressão. um circuito de bombeamento transporta um líquido contendo alguns sólidos de um tanque de armazenamento para um tanque pressurizado. e uma válvula de controlo regula o caudal no tanque pressurizado a 80 m3/h. 4 . • Não há nenhum custo de eliminação ambiental associada. descobriu-se que a bomba instalada estava sobredimensionada (110 m3/h em vez de 80 m3/h previstos).000 horas/ano. aproximando a válvula do ponto para que foi projectada.Pontos de funcionamento de cada alternativa estudada. Na figura 5 são apresentados os pontos de funcionamento associados a cada uma das soluções. A válvula tem apresentado avarias a cada 10 a 12 meses com um custo médio de 4 000 EUROS por reparação. Na figura seguinte apresenta-se um esquema simplificado do sistema. De modo a equacionar várias alternativas analisou-se o actual funcionamento do sistema.0 m e 80 m3/h. Na análise do CCV efectuada utilizaram-se os seguintes critérios e suposições: • O preço de energia actual é actualmente 0.1 Sistema de bombeamento existente com uma válvula de controlo de caudal Neste exemplo.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5. Está a ser considerada a substituição da válvula existente por outra que possa resistir à cavitação. • O custo anual para a manutenção periódica das bombas é de 500 € por ano. As seguintes opções foram estudadas: a) Substituir a válvula de controlo de modo a suportar o grande diferencial de pressão. a carga total da bomba é reduzida a 42. • O processo é operado em 80 m3/h em 6. admitindo uma reparação anual da válvula. • Considerou-se o custo anual de manutenção periódica de um variador de frequência de 500 €/ano. Verificou-se que a válvula de controlo opera actualmente com uma abertura de 15 . Fig. Antes da troca da válvula de controlo.Sistema de bombeamento estudado O sistema apresenta problemas na válvula de controlo (VC) que falha devido à erosão causada pela cavitação. com um custo da reparação de 2 500 € cada segundo ano. Reservatório Reservatório Pressurizado Válvula de Controlo Permutador de Calor Fig. acrescidos de 1 500 Euros adicionais para a instalação e 500 € anuais para manutenção.6 Exemplos de aplicação do Custo do Ciclo de Vida 5. 98 . A substituição da válvula de controlo apresenta um custo de aquisição e instalação de 5000€. • Este projecto tem uma vida de 8 anos. Os cálculos do Custo do Ciclo de Vida para cada uma das quatro opções são resumidos no Quadro 1.6. Parece que a válvula não se encontra correctamente adaptada à instalação. e remover a válvula de controlo. originando uma maior perda de pressão através da válvula de controlo do que inicialmente estimado. b) Alterar o impulsor da bomba para reduzir a altura manométrica. Espera-se que não seja necessário nenhuma reparação nos 8 anos seguintes. foram consideradas outras opções e executada uma análise de custo do ciclo de vida às soluções alternativas. Após a revisão dos cálculos do projecto. Um permutador de calor aquece o líquido. Mantendo o sistema inalterado resultará num custo anual de 4 000 € para reparação da válvula. demonstrando que a válvula instalada não é apropriada para este processo. aos quais deve ser acrescentado 2 250 € para alterar o impulsor. • A taxa de juro foi de 8% e uma taxa de actualização de 4% é esperado.

500 8 8 4 59. No final de um ciclo (diário.CUSTOS DE CICLO DE VIDA (CCV) DAS VÁRIAS SOLUÇÕES ESTUDADAS Alternativa A Investimento inicial (€) Custo da energia (€/kWh) Potência média absorvida (kW) Horas por ano Custo de energia (€) Custos de manutenção (€) Custos de reparação (cada 2 anos) (€) Outros custos anuais (€) Custos ambientais (€) Custos de desmantelação (€) Vida útil (anos) Taxa de juro (%) Taxa de actualização (%) Valor de CCV (€) 5. em função do volume do reservatório superior.500 8 8 4 91.0 6.000 8 8 4 113. 99 .088 500 2.500 8 8 4 74.827 Alternativa B 2.568 1 000 2.000 11. Altura Manométrica Caudal Fig. por ciclos. cujas parcelas do CCV são apresentadas no quadro 3. semanal ou mensal) o volume de água elevado será igual ao volume de água consumido. Foram comparadas as seguintes soluções: a) Elevar a água para um reservatório superior.000 11. c) Instalar uma central hidropneumática de velocidade variável.08 11.08 23. 6 O funcionamento do sistema de pressurização funcionará. deverá ser instalado um reservatório superior a uma cota que permita uma pressão residual.6 6. b) Instalar uma central hidropneumática de velocidade fixa.313 Alternativa D 0 0.1 6.000 6.500 4.6 m3/h.000 5.000 0.08 14. no aparelho mais desfavorável.500 0. com base nos pressupostos apresentados.481 Alternativa C 21.720 500 2. Existe portanto um único ponto de funcionamento como é demonstrado na figura seguinte: 5.930 A opção B.1 6. o qual abastecerá graviticamente toda a rede doméstica. com um caudal de ponta de 18. De modo a simplificar a análise considera-se que o sistema de pressurização será alimentado directamente de um reservatório com nível constante onde a água é mantida à pressão atmosférica. Para este sistema optou-se pela instalação de duas bombas do tipo "CR 15-5".088 500 2.250 0. a altura manométrica deverá ser de 5. tem o Custo do Ciclo de Vida mais baixo e apresenta-se como a solução economicamente mais favorável.2 Escolha do sistema de pressurização na fase de projecto Neste exemplo será analisado o Custo do Ciclo de Vida para diferentes sistemas de pressurização a um edifício de habitação. Para garantir a pressão residual mínima.0 Bar.6. alterar o impulsor.08 23. a) Elevar a água para um reservatório superior Nesta opção.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia QUADRO 1 .

Na análise de custos considerou-se o seguinte perfil de carga: QUADRO 2 . O sistema de pressurização consegue assim satisfazer um grande número de solicitações ou leis de consumo. conforme é apresentado na figura 7. É assim possível responder a uma grande variabilidade de situações. embora de funcionamento mais simples.Curvas características Fig. logo a curva característica da bomba toma as formas apresentadas na figura 8c. Em primeiro lugar. Há ainda a considerar que num sistema desta natureza. No presente exemplo foi estimado o mesmo perfil de carga definido para o sistema anterior. Trata-se de uma simplificação conservativa uma vez que em muitas situações o consumo de energia será inferior ao simulado. existe uma variação nos caudais bombeados. Fig. b) Fig. a velocidade de rotação da bomba pode variar. entre a pressão máxima e mínima (estabelecida em função do caudal provável e a pressão residual no aparelho mais desfavorável). logo a curva característica da instalação varia conforme é demonstrado na figura 8b. acompanhando portanto as flutuações de caudais verificados nesta.PERFIL DE CARGA CONSIDERADO 1 Caudal (%Qp) Pressão (%Pmáx) Tempo (h) 100 100 150 2 75 100 300 3 55 100 450 4 35 100 900 5 12 100 1500 Nas figuras seguintes são apresentadas as possíveis alterações às curvas características da bomba e da instalação. Assim. há variação do termo independente do caudal (a altura geométrica). dentro dos limites impostos pelo equipamento electromecânico e pela instalação. Na figura 8d é apresentado a gama de pontos de funcionamento admitida por este sistema. Os ciclos de funcionamento estão muito dependentes do consumo dos caudais na rede. Optou-se pela instalação de uma central hidropneumática de velocidade fixa do tipo "Hydro 1000" composta por três bombas "CR 10-7". ao longo da curva característica da bomba. Neste sistema existe um conjunto de pontos de funcionamento. Os gastos de energia são mais difíceis de estimar porque a variabilidade real dos caudais também o é. para a mesma altura geométrica. existindo por vezes desfasamento entre os consumos dos aparelhos de diferentes pisos. Consequentemente o caudal na rede variará entre os valores estabelecidos para arranque e paragem dos grupos. Os valores do CCV são resumidos no quadro 3. Nesta solução. a pressurização será realizada por ciclos. junto ao reservatório inferior Neste sistema. 9 100 . Por outro lado. a curva característica da instalação variará por aumento do caudal (Fig 8a). 7 c) Instalar uma central hidropneumática com variador de frequência. relativamente às situações anteriores. Trata-se portanto de um sistema com grande flexibilidade. a análise do sistema é mais complexa uma vez que o bombeamento será directamente efectuado para a rede de distribuição.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia b) Instalar uma central hidropneumática de velocidade fixa. 8 .

Situação inversa é verificada na alternativa B.08 5.066 654. uma vez que assume valores entre a mesma ordem de grandeza do investimento inicial (alternativa C) e o dobro do investimento inicial (alternativa B).5%. 101 . B e C. respectivamente.08 6.000 0.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia Na análise do CCV efectuada utilizaram-se os seguintes critérios e suposições: • Os custos dos equipamentos electromecânicos são valores médios de mercado."Hydro 2000 ME 3xCR 10-6" Nesta análise pode-se contactar que.3 500 500 20 3. a alternativa A pode apresentar problemas associados à exequibilidade da construção do reservatório à cota pretendida.08 8.5 3. Pode-se ainda verificar que a parcela energia não é desprezável no valor final do CCV. a alternativa C apresenta os maiores custos de primeiro investimento mas os menores em energia e manutenção.5 38.4 500 500 20 3.5 37.806 Alternativa C(***) 9. Relativamente aos valores do CCV. • A taxa de juro e a taxa de actualização foram consideradas iguais a 3. Os cálculos do Custo do Ciclo de Vida para cada uma das quatro opções são resumidos no quadro 3. de salubridade e de sobrecarga na estrutura do edifício. Os custos anuais de manutenção para as alternativas A e B são de 500 € e 400 € para a alternativa C.990 + 2. • Não foram considerados os custos associados à construção do reservatório superior. Embora não tenha sido considerado no presente cálculo. Alternativa B(**) 5. os gastos de energia representa 24%. com base nos dados e pressupostos utilizados.5 37.154 492.655 452. • O preço de energia actual é 0. • O custo anual para reparação das bombas é de 500 € por ano.850 0.08 €/kWh.5 3.038 (***) . 33% e 26% para as alternativas A.900 0.5 3. (**) -"Hydro 1000 C/S 3xCR 10-7"."2xCR 15-5". QUADRO 3 .32 400 500 20 3. • Foi desprezado o custo da energia a diferentes horas do dia. • Não há nenhum custo de eliminação ambiental associada.696 5.CUSTOS DO CICLO DE VIDA (CCV) DAS VÁRIAS SOLUÇÕES ESTUDADAS Alternativa A(*) Investimento inicial (*)(€) Custo da energia (€/kWh) Consumo de energia (kWh/ano) Custo de energia (€/ano) Custos de manutenção (€/ano) Custo médio de reparação (€/ano) Outros custos anuais (€) Custos ambientais (€) Custos de desmantelação (€) Vida útil (anos) Taxa de juro (%) Taxa de actualização (%) Valor de CCV (€) (*) . • Este projecto tem uma vida de 20 anos.

SAVE. US Department of Energy. 2001. February 2001 European Commission . J.. Stephen R. 1994.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5. Federal Energy Management Program. "Theoretically attainable efficiency of centrifugal pumps".7 Referências bibliográficas Europump.. 1995 102 . "Study on improving the efficiency of pumps". 2000. and Lauer. Technical University of Darmstadt. "Life-cycle costing manual". (ISBN 1-880952-58-0) European Commission. Sieglinde K. Fuller. B. "Study on improving the energy efficiency of pumps". "Pump life cycle costs: A guide to LCC analysis for pumping systems'. Stoffel. Petersen. Hydraulic Institute. VDMA project .Final report.

SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO GRUNDFOS Autor: Florindo Maia Director de Apoio a Projectistas Bombas Grundfos Portugal 103 .Sistemas de Pressurização Grundfos 6.

104 .

manómetro.2 Sistemas de pressurização com grupos electrobomba de velocidade fixa 6. Nos exemplos apresentados são sempre referidas as electrobombas multicelulares verticais CR ou CRE.2. Os sistemas de pressurização. podendo como opcional ser equipado o quadro eléctrico e respectivo suporte de fixação. pressóstato. Os controlos diferenciam os vários sistemas de pressurização permitindo ajustá-los às exigências da instalação. tendo uma válvula de seccionamento e retenção por grupo electrobomba.1. pressóstatos (um por grupo electrobomba). quadro eléctrico. integrando uma ou mais electrobombas.2. Não existindo consumo de água. o grupo electrobomba não funciona dado que o depósito está com uma reserva de água.2. Havendo necessidade de consumo. constituem um conjunto compacto e caracterizam-se por incorporar electrobombas e todos os componentes de controlo. 6. Modo de funcionamento No acto da instalação deve-se proceder à regulação do pressóstato em função da pressão de arranque e paragem pretendida. de potência e hidráulicos que permitem o seu funcionamento integral. O grupo electrobomba funcionará para que o depósito seja novamente enchido até atingir a pressão de paragem pré-regulada. manómetro. depósito de membrana. com variação de velocidade integrada.1 Sistema Hydro 100 HP Constituição É constituído por um grupo electrobomba montado numa base.Sistemas de Pressurização Grundfos 6. incluindo válvula de retenção.1. e consequentemente o sistema está sobre pressão. podendo porém ser utilizados outros tipos de electrobombas de superfície ou submersíveis. nas versões de velocidade fixa e velocidade variável. obtendo-se diferentes níveis de eficiência e fiabilidade de exploração. Código de identificação Hydro100 Gama Grupo hidropneumático Tipo grupo electrobomba Capacidade do depósito HP CR5-8 80 6.2 Sistema Hydro 100 HM Constituição Este sistema hidropneumático é constituído por 2 ou mais grupos electrobomba montados numa base comum. colector de compressão comum. Diagrama de princípio Diagrama de princípio Depósito de Membrana Pressóstato Manómetro Contactor Grupo electrobomba Válvula de Retenção Válvula de Seccionamento Simbologia VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO COLECTOR PRESSÓSTATO MANÓMETRO CABOS ELÉCTRICOS QUADRO ELÉCTRICO Limite de fornecimento Válvula de pesca DEPÓSITO TUBAGEM 105 .1 Introdução Neste capítulo apresentamos as várias soluções práticas com que os sistemas de pressurização são comercializados pela Grundfos. será a reserva de água existente no depósito sob pressão que fornecerá esta até à pressão de arranque do grupo electrobomba. acessório de intersecção e depósito de membrana.1 Sistema Hydro 100 6.

2. Simbologia Para além dos grupos electrobomba principais. dará ordem de paragem dos grupos electrobomba. Hydro100 HS 2 Gama Central com reservatório N. Modo de funcionamento Este sistema efectua o sistema de arranque e paragem por intermédio da regulação dos pressóstatos em sistema de cascata. tendo uma válvula de seccionamento e retenção por grupo electrobomba.2 Sistema Hydro 1000 6. Se o consumo de água continuar a aumentar. Quando o consumo de água diminuir. apenas quando um dos grupos electrobomba começar a funcionar e seja detectado nível mínimo no reservatório.1 Sistema Hydro 1000 CS Constituição É constituído por dois a quatro grupos electrobomba verticais CR. também poderá funcionar com uma electrobomba de baixo caudal com um grupo electrobomba auxiliar ( jockey). mais grupos electrobomba arrancam em cascata até conseguirem fornecer o caudal necessário para manter a pressão dentro do intervalo regulado. um dos grupos electrobomba arranca.º de grupos electrobomba Tipo de grupo electrobomba Capacidade reservatório CR32-5 1500 Diagrama de princípio 6.º de grupos electrobomba Tipo do grupo electrobomba Capacidade do depósito 2 CR5-10 80 Código de identificação 6. a pressão na descarga aumentará e o controlador após receber esta informação do pressóstato. montados em paralelo sobre uma base comum. manómetro.1.3 Sistema Hydro 100 HS Constituição Este sistema hidropneumático é constituído por 2 ou mais grupos electrobomba. assim que atingem as respectivas pressões de paragem. Após a pressão descer abaixo do valor mínimo. Ao reduzir o consumo de água. quadro eléctrico completo com unidade electrónica CS 1000 e depósito de membrana. e de retenção por grupo electrobomba. se o consumo de água continuar a aumentar. VÁLVULA DE RETENÇÃO MANÓMETRO PRESSÓSTATO PORTA ELÉCTRODO VISOR DE NÍVEL CABOS ELÉCTRICOS QUADRO ELÉCTRICO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO VÁLVULA DE SEGURANÇA GRUPO ELECTROBOMBA RESERVATÓRIO VÁLVULA DE RETENÇÃO DE AR COMPRESSOR TUBAGEM COLECTOR 106 . tendo uma válvula de seccionamento. reservatório de água sem membrana equipado com sistema de controlo de nível. colector de compressão comum. quadro eléctrico.2. colector de compressão comum. montados numa base comum. pressóstatos (um por grupo electrobomba e compressor de ar).2. o primeiro abastecimento é efectuado pelo reservatório. Código de identificação Hydro100 HM Gama Central com depósito N. manómetros.Sistemas de Pressurização Grundfos Modo de funcionamento O depósito de membrana fornece água a consumir desde que os grupos electrobomba estejam parados. Assim que haja consumo de água. pressóstatos. os restantes grupos electrobomba entram em funcionamento. o primeiro grupo electrobomba entra em funcionamento. a pressão de descarga sobe e os grupos electrobomba são desligados em sequência inversa. Quando a pressão baixa até ao ponto de regulação. O compressor arranca quando solicitado.2. parando assim que atinja a pressão pretendida. em sequência (um a um).

dependendo das necessidades.3 Sistema Hydro 2000 6.Sistemas de Pressurização Grundfos Diagrama de princípio Três grupos electrobomba em funcionamento. Diagrama de princípio Um grupo electrobomba em funcionamento. GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Código de identificação HYDRO 1000 Tipo Controlo arranque/paragem Número de grupos electrobomba Tipo de grupos electrobomba Capacidade depósito CS 3 CR10-6 300 Modo de funcionamento Quatro grupos electrobomba iguais controlados através de pressóstatos e um depósito de membrana.2.2. providos com todos os acessórios necessários e quadro eléctrico de comando com Controlo 2000. A central Grundfos Hydro 1000 mantém a pressão praticamente constante através da activação ou desactivação de grupos electrobomba. 6. Desta forma o tempo de funcionamento é distribuído entre os grupos electrobomba.1 Sistema Hydro 2000 MS Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 é constituído por 2 a 6 grupos electrobomba CR em paralelo montados numa base comum.3. GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO 107 . O controlador CS 1000 altera a ordem de arranque após a paragem dos grupos electrobomba.

Um grupo electrobomba principal e um grupo electrobomba auxiliar com 50% da capacidade do grupo electrobomba em funcionamento. 6. sendo um grupo electrobomba auxiliar com 50% de capacidade dos grupos principais. Três grupos electrobomba em funcionamento.Sistemas de Pressurização Grundfos Modo de funcionamento Quatro grupos electrobomba idênticos com controlo por arranque/paragem. Diagrama de princípio GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Um grupo electrobomba em funcionamento. pelo facto de ser determinada automaticamente. três grupos electrobomba principais idênticos. conforme as necessidades. depósito de membrana. ligando ou desligando os grupos electrobomba. 108 . Modo de funcionamento Um grupo electrobomba auxiliar com 50% da capacidade de um grupo electrobomba principal. Um grupo electrobomba com 50% da capacidade do grupo electrobomba principal. e depende da carga. através dos contactores-arrancadores e depósito de membrana. A alternância de funcionamento dos grupos electrobomba é automática. período de tempo ou de avaria. A pressão de paragem (Hstop) não pode ser configurada.2. através do comando.2 Hydro 2000 MSH Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 MSH é constituído por 2 a 6 grupos electrobomba. em funcionamento.3. com controlo por arranque-paragem através dos contactores-arrancadores. A central supressora Hydro 2000 MS mantém uma pressão quase constante.

pelo facto de ser determinada automaticamente. A alternância entre os grupos electrobomba principais é automática e depende da carga. interruptor de corte geral. mantém uma pressão quase constante. através do comando ligando ou desligando o grupo electrobomba auxiliar dos grupos electrobomba principais.MSH Número de grupos electrobomba principais Tipo de grupo electrobomba principal Número de grupos electrobomba auxiliares Tipo de grupo electrobomba auxiliar Painel de controlo do Controlo 2000: PMU: PMU 2000 PFU: PFU 2000 Depósito de membrana / Capacidade 6. dependendo das necessidades. O grupo electrobomba auxiliar arranca sempre em primeiro lugar e pára quando um grupo electrobomba principal entra em funcionamento. Código de identificação Hydro 2000 MSH 2 CR 20-6 + CR 10-12 PMU 80 L Tipo de central Subgrupo: MS .1 Sistema Hydro Solo E Constituição É constituído por um único grupo electrobomba da gama CRE.3. válvula de retenção e seccionamento na compressão e depósito de membrana assente sobre uma base de inox. A pressão de paragem (Hstop) não pode ser configurada.3 Sistemas de pressurização com grupos electrobomba de velocidade variável 6. transdutor de pressão. Diagrama de princípio GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE ISOLAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO 109 . manómetro. com sistema de variação de velocidade incorporado na caixa de controlo integrada no motor.Sistemas de Pressurização Grundfos A central supressora Hydro 2000 MSH. período de tempo ou de uma avaria.

a electrobomba arranca satisfazendo o consumo.3. Para pequenos consumos (caudais reduzidos. Quando o transdutor de pressão detecta um valor abaixo do requerido (setpoint) a velocidade do grupo electrobomba aumenta até ao valor pretendido fazendo variar a pressão num valor de 0.5 ∆H acima.2 Sistema Hydro 2000 E Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 E consiste em 2 a 6 grupos electrobomba CRE/CR em paralelo. etc.) será o depósito de membrana que suprirá estas necessidades evitando arranques. o grupo electrobomba irá adaptar a sua velocidade ao consumo de água requerido.Sistemas de Pressurização Grundfos Modo de funcionamento Diagrama de princípio PRESSÃO DE PARAGEM ∆H PRESSÃO DE ARRANQUE Definida a pressão de ajuste na caixa de controlo. fugas. montados em base comum. Código de identificação Exemplo Hydro Solo-E CRE 5-8 1 x 200-240 V Gama Subgrupo Tipo de grupo electrobomba Tensão Um grupo electrobomba em funcionamento. providos com todos os acessórios necessários e quadro eléctrico de comando com controlo 2000. parando de seguida.Hydro 2000 ME Três grupos electrobomba idênticos com motores MGE e depósito de membrana. aumentando assim o rendimento do sistema.5 ∆H abaixo do setpoint. 110 . Para um valor 0. mantendo uma pressão constante. GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Modo de funcionamento . Três grupos electrobomba em funcionamento. O valor ∆H é cerca de 10% do setpoint. 6.

Um grupo electrobomba auxiliar de 50% da capacidade com motor MGE em funcionamento. período de tempo e de avarias. Um grupo electrobomba com motor MGE e dois grupos electrobomba controlados por arranque/paragem em funcionamento. conforme as necessidades. A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga. um ou dois grupos electrobomba principais com controlo arranque/ /paragem e depósito de membrana.A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga. enquanto os restantes grupos electrobomba são controlados por arranque/paragem. Um grupo electrobomba com motor MGE e depósito de membrana em funcionamento. do período de tempo e de avarias. A central supressora Hydro 2000 MES mantém uma pressão constante através da variação de velocidade com motor MGE. .Sistemas de Pressurização Grundfos A central supressora Hydro 2000 ME mantém uma pressão constante através da variação de velocidade dos grupos electrobomba ligados. O funcionamento do sistema é regulado de acordo com as necessidades. . alcançando deste modo um desempenho correspondente ao consumo.Hydro 2000 MEH Dois grupos electrobomba com motores MGE.Hydro 2000 MES Um grupo electrobomba com motor MGE. através do ligar/desligar dos grupos electrobomba e do controlo paralelo dos grupos electrobomba em funcionamento. O grupo electrobomba auxiliar com motor MGE é sempre o primeiro a arrancar. 111 . com 50% da capacidade do grupo electrobomba principal. enquanto o grupo electrobomba principal é controlado através de arranque/paragem. mantém uma pressão constante através da variação de velocidade dos dois grupos electrobomba auxiliares com motores MGE. Um grupo electrobomba auxiliar com motor MGE e grupo electrobomba principal em funcionamento. do tempo e de avarias.O grupo electrobomba auxiliar com motor MGE arranca sempre em primeiro. . A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga. . A central supressora Hydro 2000 MEH. dois ou três grupos electrobomba principais com controlo arranque/ /paragem e depósito de membrana.

112 . GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Um grupo electrobomba em funcionamento através do conversor de frequência e dois grupos electrobomba que funcionam através da rede eléctrica (arranque/paragem).Hydro 2000 MF Quatro grupos electrobomba idênticos e depósito de membrana: um dos grupos electrobomba é controlado através do conversor de frequência e os restantes por arranque/paragem por meio de contactores. Diagrama de princípio Um grupo electrobomba em funcionamento através do conversor de frequência. montados em base comum. Modo de funcionamento .3.MEH . providos com todos os acessórios e quadro eléctrico com controlo 2000 e conversor de frequência.Sistemas de Pressurização Grundfos Código de identificação Hydro 2000 MEH 2 CR 45-2 + 2 CRE 32-2 PMU 300 L Tipo de central Subgrupo: ME .MES Número de grupos electrobomba principais Tipo de grupo electrobomba principal Número de grupos electrobomba auxiliares Tipo de grupo electrobomba auxiliar Painel de controlo do Controlo 2000: PMU: PMU 2000 PFU: PFU 2000 Depósito de membrana / Capacidade 6.3 Sistema Hydro 2000 F Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 F é constituído por 2 a 6 grupos electrobomba CR em paralelo.

Os dois grupos electrobomba auxiliares são alternadamente controlados através do conversor de frequência e os dois grupos electrobombas principais por comando arranque/paragem. A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga. Um grupo electrobomba auxiliar a 50% da capacidade em funcionamento através do conversor de frequência e um grupo electrobomba principal que funciona através da rede eléctrica (arranque/paragem). Um grupo electrobomba com 50% da capacidade em funcionamento através do conversor de frequência. O grupo electrobomba controlado pelo conversor de frequência arranca sempre em primeiro lugar.MFH Número de grupos electrobomba principais Tipo de grupo electrobomba principal Número de grupos electrobomba auxiliares Tipo de grupo electrobomba auxiliar Painel de controlo do Controlo 2000: PMU: PMU 2000 PFU: PFU 2000 Depósito de membrana / Capacidade 6. mantém uma pressão constante através da variação contínua de um dos dois grupos electrobomba. Os restantes grupos electrobomba arrancam ou param dependendo das necessidades. A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga.Hydro 2000 MFH Dois grupos electrobomba auxiliares com 50% da capacidade de um grupo electrobomba principal. período de tempo ou de uma avaria. controlado através do conversor de frequência. e um ou dois grupos electrobomba principais. no respeitante à evolução da pressão e da potência consumida na gama de caudais cobertos pelos sistemas.Sistemas de Pressurização Grundfos A central hidropressora Hydro 2000 MF. A central hidropressora Hydro 2000 MFH mantém uma pressão constante através da variação contínua de velocidade de um grupo electrobomba de 50% da capacidade e os restantes grupos electrobomba são através do comando ligado / desligado conforme as necessidades. poder-se-á apreciar nas folhas de teste anexas os diferentes comportamentos registados. . Todos os grupos electrobomba são alternadamente controlados através do conversor de frequência. período de tempo ou de uma avaria. O grupo electrobomba auxiliar. Código de identificação Hydro 2000 MFH 2 CR 45-2 + 2 CRE 32-2 PMU 300 L Tipo de central Subgrupo: MF . 113 . é sempre o primeiro a arrancar.4 Teste de sistemas Para mais fácil compreensão das características dos sistemas de pressurização com velocidade variável e velocidade fixa.

ti i º Clent i e Encom enda Clent i e Encom enda Fabr ca i Ti de Bom ba/Cent al po r Codi Bom ba/Cent al go r ºSer e Bom ba/Cent al i r N. 0 50. 8 98. 1 1 0 5. 9 399. 1 1 7. 3 1 9 4. 1 6. 0 50. 25. 5 34.Rot ação Tem per ur Am bi e at a ent Tem per ur da Água at a UW ( V) 38. 7 398. 3 399. 2 36. 6 32. 3 4. 2 36. 0 200 40 1 80 1 60 1 40 30 1 20 1 00 20 80 60 1 0 40 20 0 0 25 50 75 1 00 1 25 1 50 1 75 0 Q ( 3/h) m Cur da Bom ba va D ata O perador Bancada de Ensai o Testem unho Cur de Pot va ênci a 030: 01 : 03. ºC P1 ( ) kW Q ( 3/h) m H ( ) m F ( z) H cos phi UU ( V) UV ( V) I R ( A) I S ( A) I T ( A) 0. 97 398. 4 38. 97 0. 4 38. 2 397. 44. 1 5 68. 96 0. 96 0. 7 3x45 3 50 400 3x7. 8 400. 5 398. 3 34. 0 35. 5 76. 0 9. 4 397. ºde Fases Fr equenci a Tensão Pot ênci a Vel oc. 7 397. 6 4. 5 399. 5 m m 3/h Hz V kW 1 i /m n. 8 50.2005-1 00: : : : 114 P1( ) kW H( ) m . 26. odut M ot ºPr o or N º. 6 399.Sistemas de Pressurização Grundfos Fol de Test de Centr s ha e ai Cer f cado N . 0 0. 1 398. 4 38. 8 4. 25. 5 38. 0 1 1 8. 0 36. 6 23. 1 26. 1 9 9. 5 1 2 5. 9 399. 38. 1 7 9. 1 32. 1 2 62. 1 36. 8 396. 4 4. 0 50. 4 397. 7 400. 1 398. 4 37. 96 0. 96 0. 1 0 34. 6 35. 1 6 9. 9 24. 0 398. 93 0. 0 1 4 26. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 1 0 1 1 1 2 1 3 81 0000023 H 2000 M E 3 CRE45. Ti de M ot po or N . 0 50. ºC 1 5 2. 6 34. 90 0. 0 396. 4 6. 1 398. 8 29. 9 1 1 3. 5 38. 7 399. 8 396. 7 399. 0 50. 1 397. 8 396. 8 32.c/Depósi o de 300L 2 t 91 43D 064 1 48/0507VJ 01 Al ur nom i t a nal Caudalnom i nal N. 0 50. 8 399. 22. 96 0. 215 . 3 6. 2 2. 0 50. 0 50. 1 8 3. 5 398.

7 398. 0 7. 2 28. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 1 0 1 1 81 0000024 H1 000 3 CR1 1 com Depósi o de 200L 0. 4 4. 7 400. 1 6 4. 4 396. 1 6 3. 0 398. 1 8 4. ºSer e Bom ba/Cent al i r Ti de M otor po ºPr o N . 0 396. 1 0. 6 4. 1 1 5. 0 50. 86 398. 6 1 0 3. 0 50. 5 397. 0 50. 6 396. 86 0. 4 69. 0 399. 87 0. 3 398. 0 50. 4 7. 23. 0 1 1 2. 0 397. 0 50. 9 0. 3 399. 1 2 5. 0 50.2005-1 : 08 : : : P1( ) kW H( ) m 115 . 1 3 4. 3 396. 1 2 5. ºde Fases Fr equenci a Tensão Potênci a Vel oc. 213 . 2 64. 0 0. 4 36.Rot ação Tem per ur Am bi at a ente at a Tem per ur da Água UV ( V) 816 . 3 7. 86 0. 1 4 3. 2 80. 3 69. 2 399. 7 25. 87 0. 6 397. 0 50. 8 84. 7 397. 7 397. odut M otor N º. 7 68. 9 8. 1 8 4. 6 7. 86 0. 0 50. 8 50. 9 396. 9 8. 3x1 0 3 50 400 3x4 1 8 4. 1 399. 6 8. 0 50. 3 67. 3 70. m m 3/h Hz V kW 1 i /m n. 1 397. 0 399. 0. 8 8. 8 7. º Clente i Encom enda Clent i e Encom enda Fabr ca i Ti de Bom ba/Cent al po r Codi Bom ba/Cent al go r N. 22. 9 399.0 t 91 43A287 1 0053/0504EG Al a nom i tur nal Caudalnom i nal N. 0 218 . 0 396. 1 5 3. 3 398. 6 8. ºC ºC P1 ( ) kW Q ( 3/h) m H ( ) m F ( z) H cos phi UU ( V) UW ( V) I R ( A) I S ( A) I T ( A) 0. 5 397. 1 2 4. 1 8 4. 5 396. 87 0. 0. 70. 5 398. 1 8 2. 215 . 0 1 2 5. 5 396. 4 398. 0 397. 1 0 5. 9 8. 9 27. 2 4. 1 4 4. 1 7 4. 7 397. 87 0. 1 24. 7 396. 40 0. 86 0. 5 719 . 2 7. 5 1 8 4. 6 1 2 5. 0 50. 1 00 22 21 90 20 1 9 80 1 8 1 7 1 6 70 1 5 1 4 60 1 3 1 2 50 1 1 1 0 40 9 8 30 7 6 5 20 4 3 1 0 2 1 0 0 5 1 0 1 5 20 25 30 35 40 0 Q ( 3/h) m Cur da Bom ba va D ata ador O per Bancada de Ensai o Testem unho Cur de Pot va ênci a 031 08: : 03. 1 8. 5 77. 4 22. 86 0.Sistemas de Pressurização Grundfos Fol de Test de Cent ai ha e r s Cer i i t f cado N . 22. 8 397. 1 9 4. 8 7.

116 .

Comunicação e Gestão 7. COMUNICAÇÃO E GESTÃO Autor: José Dias Director de Serviço Pós-Venda Bombas Grundfos Portugal 117 .Sistemas de Controlo. SISTEMAS DE CONTROLO.

118 .

tanto para a instalação como para os diversos componentes presentes neste processo. para a indicação ou medida. ou recorrendo ao sistema de controlo por transdutor de pressão integrando os processadores Grundfos desenhados e desenvolvidos para o efeito.2. de modo a operar os equipamentos de bombeamento de uma forma criteriosa e segura.1 Controlo por nível O sistema de controlo por nível requer a utilização de equipamentos eléctricos ou mecânicos.2. As bombas necessitam por isso sempre de um sistema de controlo. ou um controlo interno próprio que desempenhe as mesmas funções de uma forma eficaz (controlo electrónico integrado). tanto de uma forma automática como de uma forma manual. segurança e operação da instalação. disponibilizando para tal. tendo em atenção a localização da instalação. aparelhagem de medida e controlo).2 Controlo de sistemas de bombeamento Cada bomba ou conjunto de bombas. Daí que cada sistema de bombeamento necessita sempre de um conjunto de equipamentos externos às bombas.1 Introdução Definições: • O sistema de controlo cumpre o processo que permite operar de forma automática o funcionamento das bombas de um modo seguro e eficaz. Comunicação e Gestão 7.2.Sistemas de Controlo. instalados nos tanques. servindo a necessidade dos utilizadores. tendo para tal desenvolvido o respectivo software de controlo adequado a cada tipo de electrobomba com variação de velocidade. possui sistemas de controlo adequados a cada tipo de aplicação. Pode elaborar mapas de controlo automáticos. ou outros que se entenderem beneficiar a instalação. A fim de assegurar uma correcta operacionalidade dos sistemas de controlo. onde a necessidade do nível não carece de ser controlada com elevado rigor mas visa essencialmente. poços ou outros locais. Permite ou não efectuar relatórios por forma a ajudar ao melhor aproveitamento das variáveis necessárias ao processo de funcionamento. a selecção e instalação das sondas ou eléctrodos deve ser cuidadosa. mantendo sempre em atenção os requisitos de segurança atrás referidos. 7. cumprindo as normas eléctricas nacionais de segurança. custos de manutenção. 7. entre outros. Este rigor é tanto mais preciso quanto melhor for o equipamento de medida e o controlo das bombas. entre outros. O controlo por nível deve ser desenvolvido de acordo com a aplicação específica. permite racionalizar o funcionamento das centrais de bombeamento de uma forma harmoniosa e eficaz oferecendo uma elevada performance nas aplicações onde é utilizada. 7. • O sistema de comunicação cumpre o processo pelo qual a mensagem é transmitida de modo seguro entre o sistema de controlo e o equipamento accionado. onde a melhor eficiência para cada tipo de instalação é facilmente ajustável. a sua manutenção e eficiência. cisternas. de forma a assegurar a operacionalidade das bombas de acordo com a metodologia recomendada. bem como registo de avarias ou acontecimentos importantes para optimizar o funcionamento dos equipamentos de bombeamento (bombas. em termos energéticos e de serviço. Garante-se assim um valor de pressão constante na rede de abastecimento independente da variação dos consumos. Este tipo de controlo visa o controlo rigoroso do caudal. a operacionalidade dos mesmos. 119 .3 Controlo por pressão Tradicionalmente o controlo por pressão pode ser efectuado por recurso a um sistema de pressóstatos e vaso de expansão. manter a reserva de água com níveis aproximados de modo a serem utilizados na medida das necessidades. devem as sondas e sensores ser instalados com a redundância necessária a fim de assegurar o controlo e a garantir a maior segurança e operacionalidade com o mínimo risco de avaria ou falha. • A gestão cumpre o processo pelo qual é possível contabilizar os diversos parâmetros. de modo a efectuarem correctamente as funções para as quais foram seleccionadas e projectadas. controlo e rentabilização de exploração. 7. um elevado número de parâmetros que permitem rentabilizar a eficiência das bombas. deve efectuar a sua função de modo aceitável para a sua aplicação. válvulas. Esse sistema pode estar inserido num quadro eléctrico de controlo. possibilitando assim assegurar o correcto abastecimento da instalação. aplicados em diferentes pontos da instalação. custos de exploração. Neste sentido. Nesta área a Grundfos tem aperfeiçoado e desenvolvido o mais moderno software e aplicando-o aos seus processadores para utilização nos quadros H2000 onde. A Grundfos. Este tipo de controlo visa efectuar o enchimento constante de um tanque ou cisterna. Este deve operar as bombas de acordo com a potência instalada e de acordo com os objectivos do projecto. deve ser usado de acordo com a instalação e de acordo com a selecção dos outros equipamentos de bombeamento. com o auxílio de conversores de frequência por si desenvolvidos. Os quadros de controlo da Grundfos (QES) estão preparados para instalação de sensores de nível de uma forma selectiva e ordenada permitindo desempenhar com maior eficiência.2 Controlo por caudal Visando essencialmente manter o caudal desejado para a instalação.

1 . por diferença de caudais ou sistemas em que se actue de acordo com as necessidades de nível. toda a instalação.2 Comunicação entre sistemas de controlo da mesma rede 7.3. Caso seja introduzido um sistema de controlo remoto e monitorização ao nível da rede.Sistemas de Controlo. Entre eles destacamos outros.2.4 Outros tipos de controlo Existem muitos tipos de controlo possíveis de aplicar. a unidade de controlo pode ser equipada com um modem GSM.3 Comunicação entre sistemas de bombeamento 7.2. que procederá à transferência dos alarmes gerados pela unidade de controlo para o telefone do responsável. O tempo necessário para a transferência de dados pode ser diminuído se a unidade de controlo das bombas efectuar localmente a totalidade da análise dos dados e armazenar os resultados na respectiva memória. etc. conforme descrito nas secções seguintes. visando a protecção dos equipamentos. 7. mas muitas mais existem. pressão. 7.1 Diferentes níveis de controlo remoto As modernas unidades de controlo de bombas permitem que o sistema de controlo e monitorização seja personalizado de acordo com as funções requeridas pelo projecto. no entanto estes devem ser efectuados de acordo com as necessidades de cada instalação. isto é. É possível integrar este tipo de controlos com os controlos Grundfos.2 Controlos integrados Sistemas de controlo diversos.1 Necessidade de comunicação Com o objectivo de controlar o funcionamento dos equipamentos à distância é necessário dotar as instalações de meios pelos quais cada unidade possa observar o comportamento da outra e actuar automaticamente operando de modo a avisar o operador ou a desenvolver rotinas automáticas para corrigir qualquer anomalia ou processo alternativo necessário. será possível evitar grande parte das habituais visitas às estações de bombeamento. mesmo que não ocorram quaisquer situações de alarme.3. Caso um sistema deste tipo crie relatórios automáticos e proceda à sua transferência semanal para o responsável.2 Transmissão de dados Apesar das unidades de controlo das bombas terem um funcionamento totalmente independente.3.1 Controlos mistos Quando se trata de projectar uma instalação tendo vários tipos de controlo a ela ligados. as unidades de controlo modernas são capazes de utilizar a totalidade do espaço da mensagem SMS. Por exemplo.3. referimo-nos a controlos mistos. em que se necessite de conjugar várias grandezas. adicionando as informações registadas e analisadas mais importantes à mensagem de alarme. sob a forma de uma mensagem SMS. 7. consumo de energia. Para isso podem utilizar-se vários processos de comunicação conforme as necessidades e aplicação. Caso seja preferido um simples sistema de transferência automática de alarmes. a transmissão de dados é crucial ao funcionamento dos sistemas de controlo remoto. como: controlo por diferença de nível.2. existem vários modos de implementar a ligação de comunicações entre as estações exteriores e o centro de controlo. Fig. das instalações e dos sistemas de exploração.Comunicação directa ou individual 120 . 7.4. número de arranques. visto que não existe nenhum centro de controlo. Como exemplo podemos referir o controlo do nível do tanque ou cisterna a abastecer simplesmente uma rede sobre pressão. Por outro lado.2. caudal ou pressão.2. 7. estas informações poderão consistir no tempo de funcionamento das bombas. por diferença de pressão. de acordo com os recursos disponíveis para investimento. integrados na mesma rede com o objectivo de controlar automática e/ou manualmente. Um sistema deste tipo proporciona um enorme aumento na fiabilidade operacional com um investimento moderado. Comunicação e Gestão 7.4. Pretendemos assim apenas referir-se algumas das variantes possíveis. dos quais abordamos apenas alguns.

uma vez que a instalação de linhas de acesso de PSTN é dispendiosa e a sua disponibilidade poderá estar limitada.Sistemas de Controlo.1. Isto também permite que as unidades de controlo das bombas funcionem independentemente. com os circuitos de controlo entre os depósitos de água potável e as estações de captação.1 Monitorização e gestão de sistemas mistos 7. O computador do centro de controlo cria o texto do relatório de alarme. normalmente uma semana. Os resultados também podem ser armazenados na estação exterior durante algum tempo. as estações de bombeamento e a estação de controlo central podem estar situadas a uma grande distância praticamente ilimitada uma da outra. Ocasionalmente. Também é possível utilizar linhas dedicadas. o computador do centro de controlo também está equipado com uma impressora separada para os alarmes.Painel de supervisão de gestão integrada 7. em vez de todos os dados registados. o tempo de funcionamento das bombas.1 Controlo e monitorização de estações de bombeamento Todas as estações de bombeamento. modems GSM ou qualquer combinação destes. Tipicamente. de modems de rádio. tais como fornecedores de equipamentos e empresas de serviços. bem como o agendamento das tarefas do pessoal técnico de serviço.2. A transmissão de dados é sempre configurada de acordo com as necessidades individuais. sem necessitarem de estar permanentemente ligadas ao centro de controlo. caso existam interrupções indefinidas na ligação de comunicações. mas este método é raramente utilizado nos últimos tempos devido ao aumento dos custos e da fiabilidade incerta. dependendo apenas do número de informações requeridas.3. esta mensagem poderá incluir informações mais detalhadas sobre o estado da estação de bombeamento (em funcionamento/parada/falha). Ambas as extremidades da ligação de comunicações necessitam de um modem para modular os dados para transferência. 2 . tal como acontece. Normalmente. De uma maneira geral. os alarmes são transferidos para o telefone GSM do técnico de serviço sob a forma de uma mensagem SMS (de texto). em cuja base de dados são armazenados todos os alarmes recebidos. os modems de rádio e as linhas dedicadas são utilizados quando as distâncias são curtas e quando existe a necessidade de comunicação contínua. cuja função é imprimir todos os alarmes para análise posterior. só será necessário transferir os resultados calculados para o centro de controlo. etc. Se estiverem ligadas através da rede telefónica pública. Os alarmes também podem ser transferidos por pager. Todas as tendências indicam que as comunicações por modem GSM irão tornar-se cada vez mais populares no futuro. devem ser controladas fiavelmente de modo a proporcionarem um funcionamento seguro e eficiente. a acederem a uma estação elevatória com objectivos específicos. contacta o operador do pager e envia a mensagem que será apresentada no pager. outros alarmes activos (configurados para não serem transferidos). a mensagem contém informações codificadas sobre a identidade da estação e o tipo de alarme emitido. A rede telefónica pública também permite autorizar outras entidades. A actual tecnologia de controlo electrónico permite conceber e projectar sistemas de controlo e monitorização versáteis. destinados a reduzir os custos de funcionamento a longo 7. o que lhe permite transferir o alarme 121 . por exemplo. A escolha de um método de transferência tem de ser da responsabilidade do utilizador.4. quer trabalhem individualmente quer façam parte de uma rede de abastecimento ou de rega. A moderna tecnologia de telecomunicações GSM constitui uma solução apelativa para o controlo e monitorização remotos de estações exteriores localizadas a grandes distâncias do centro de controlo. tomando em consideração os custos de instalação. O software de administração em execução no computador do centro de controlo efectua a categorização automática dos alarmes.4 Gestão integrada entre sistemas de bombeamento Fig. 7. Comunicação e Gestão Assim sendo. o volume de bombeamento durante o dia. os custos da transmissão de dados e as características requeridas e proporcionadas por cada método.3 Transferência de alarmes Os alarmes provenientes de uma estação exterior são transferidos para o centro de controlo. Para além do texto do alarme. antes de serem automaticamente enviados em conjunto. A tecnologia GSM constitui frequentemente a melhor alternativa para adaptação de instalações já existentes. para a pessoa certa no momento exacto (caso o alarme esteja categorizado para transferência).4. composta por várias estações de bombeamento. A ligação das comunicações tem de ser flexível e permite normalmente a utilização da rede telefónica pública. Esta é uma característica importante.

No entanto. parando quando esta estiver acima do valor requerido. engenheiros do sistema de abastecimento. O sistema de controlo e monitorização baseado na Internet permite consultar e criar relatórios dos dados históricos das estações de bombeamento a partir de múltiplas localizações.Sistemas de Controlo. para assegurar uma distribuição igual da utilização e do desgaste entre as bombas. Por exemplo. do seu melhor desempenho.4. a sequência de controlo da bomba é bastante simples.1. A bomba de reserva arranca quando uma das principais estiver em avaria. tais como transdutor de pressão. os sistemas devem ser concebidos utilizando procedimentos padrão. o nível de arranque e a pressão de controlo. Todas as bombas em funcionamento são paradas. A Grundfos estudou e desenvolveu diversos tipos de controlos para diferentes aplicações. às aplicações mais diversas. tendo sempre em atenção os custos energéticos. Normalmente. essas bombas poderão ser iniciadas simultaneamente ao mesmo nível. desenvolveu softwares próprios e processos electrónicos para a perfeita adaptação das electrobombas que fabrica. os níveis de funcionamento pré-definidos são o nível de paragem. é agora possível um sistema de monitorização ao nível de rede e as possibilidades futuras de combinação da internet e da tecnologia WAP. em cada sistema. esta opção pode ser efectuada por relógio ou por indicação externa. poderão consultar os dados históricos detalhados das estações exteriores a partir dos computadores instalados no próprio local de trabalho.4. a intervalos ajustáveis ou a níveis diferentes.4. tal como um sistema de controlo da estação de tratamento ou um sistema de controlo integrado da empresa responsável pela rede de abastecimento público de água. de manutenção e exploração. possibilitando a utilização das informações sempre que tal seja necessário. Em algumas instalações é possível que todas as bombas tenham níveis de arranque e paragem diferentes. bem como inibe os utilizadores de usufruírem do bem de que necessitam. Também a nível do controlo.4. etc. dispositivos ultra-sónicos. Esta solução poderia permitir utilizar software comum para a transferência e comunicação de alarmes. este factor torna os cálculos de monitorização das bombas mais complicados e menos fiáveis. Se estiver instalada mais do que uma bomba de reserva. 3 . é medir a pressão de abastecimento.Vários sistemas integrados 7. Os sistemas de controlo e monitorização através da Internet/WAP permitem igualmente que a monitorização remota seja proposta aos serviços públicos ou entidades 122 . depois de introduzirem a respectiva identificação. Por este motivo. Estão disponíveis vários tipos de sensores. Se o técnico de serviço tivesse a possibilidade de controlar o sistema e alterar alguns parâmetros cruciais a partir do respectivo telemóvel quando estivesse em viagem. simultaneamente ou a intervalos ajustáveis. bem como a defesa do meio ambiente e o conforto do utilizador. etc.. tais como sistemas operativos de PC e protocolos padrão de transmissão de dados e entrada e saída de sinais. caudalímetros. As mais recentes inovações nas técnicas de controlo e monitorização remotos envolvem a utilização da Internet e da tecnologia WAP para ultrapassar as limitações dos sistemas de monitorização tradicionais anteriormente descritos. 7. As bombas de serviço arrancam quando a variável requerida é insuficiente. quando a variável atinge o nível de paragem. poderia alcançar-se a flexibilidade total proporcionada por um centro de controlo móvel. Através dos controladores H1000 e H2000 é possível usufruir. Comunicação e Gestão prazo e a aumentar a sua fiabilidade. independentemente da localização. Para possibilitar esta integração. que monitorizam as estações de bombeamento. Fig. técnicos de serviço. Numa aplicação normal no modo serviço/ /reserva. sob a forma da descarga de águas para o ambiente ou para as caves de edifícios. os operadores. 7. tendo como preocupação fundamental a fiabilidade das instalações e dos equipamentos de bombeamento.3 Controlo e monitorização remotos baseados na Internet e WAP As mensagens de alarme transferidas para os técnicos de serviço sob a forma de mensagens SMS são exclusivamente informações unidireccionais. numa situação em que todas as restantes estejam em utilização. gestores. particulares de abastecimento de água. a fiabilidade é a principal preocupação relacionada com a concepção de uma unidade de controlo para uma estação de bombeamento.1 Funções de controlo O parâmetro mais comum de uma estação de bombeamento H2000.2 Integração do sistema Um sistema de controlo e monitorização de estações de bombeamento pode ser integrado com outro sistema de controlo. Este tipo de unidade de controlo utiliza sempre um transdutor ou um sensor de modo a efectuar um controlo em contínuo.2. A integração de sistemas é normalmente útil para seleccionar o melhor sistema para cada aplicação e para os combinar a um nível adequado. As estações de bombeamento não fiáveis representam um risco ecológico e financeiro. Recorrendo a diversos tipos de sensores. A integração não significa que todos os sistemas serão executados no mesmo computador com o mesmo software.2 Vantagens de um sistema integrado 7. As bombas alternam em cada ciclo.1.

o número de arranques das bombas e os incidentes relacionados com problemas de corrente no 123 .2 Funções de monitorização A unidade de controlo das bombas efectua a monitorização automática das bombas com base nos parâmetros registados e analisados.4 Registo e análise de dados 7. para que o operador possa evitar possíveis danos. do grupo de bombeamento tem capacidade de memória suficiente para registar os dados ao longo de um determinado período de tempo. etc.4. Estas informações são igualmente importantes para verificar o desempenho operacional da estação de bombeamento e para a determinação das acções de manutenção. Fig. Em conjunto com os relés térmicos ou os dispositivos electrónicos de protecção existentes no arrancador do motor da bomba. Quando a pressão de entrada e a duração da sobrecarga são conhecidos. os contadores de horas de funcionamento e os relés de sequenciamento. fornecidos pelos circuitos de comando. tais como alarmes de nível elevado. para tratar de caudais maiores. este não deve ser considerado como dado de controlo mas sempre como de protecção. é activada a segurança da instalação automaticamente. pelo menos. esta unidade constitui uma valiosa protecção para o motor. Para efeitos de calibragem.2. o tempo de funcionamento. 7. Modbus. Todas as funções acima descritas estão disponíveis na unidade de controlo e monitorização C2000 da Grundfos e podem ser lidas a partir do visor da interface PMU. Os parâmetros são introduzidos na unidade com base nas dimensões reais da estação e em unidades recolhidas no projecto ou medidas no local da instalação. os níveis baixo e alto de alarme e os níveis de sobrecarga.). é possível utilizar dimensões reais ou percentagens dos valores de referência.4. Os outros parâmetros habitualmente requeridos são as dimensões do poço e os valores nominais da corrente de entrada e da capacidade das bombas. dado que o "Reset" do MGE se efectua automaticamente. Uma corrente de entrada anormalmente baixa indica que a bomba não está a bombear normalmente. São necessários vários sinais para que o controlo das bombas funcione conforme planeado. Comunicação e Gestão Em alguns casos. Isto permite simplificar o painel de controlo do motor. A medição da corrente do motor da bomba é necessária para protecção e monitorização. este sinais correspondem a medições da temperatura dos enrolamentos e dos rolamentos do motor da bomba.3 Parâmetros e sinais A unidade de controlo da bomba necessita de vários parâmetros para poder funcionar conforme necessário. Os sinais digitais de saída são necessários para o arranque e paragem das bombas. o sistema deve ser capaz de adaptar a variável correctamente e sem ambiguidades. o que pode ser devido ao desgaste do impulsor ou à acumulação de ar. Estes sinais podem ser digitais ou analógicos. Nestas circunstâncias. Caso ocorra a sobrecarga de uma estações de bombeamento. Os sinais digitais são sinais de entrada ou saída e indicam um estado ON ou OFF. Todos estes valores podem ser enviados para o sistema de gestão através de uma porta de conversão de protocolo G100 (Profibus. são utilizados para medidas contínuas. através de limites ajustáveis de sub e sobrecorrente no caso dos motores MGE da Grundfos. quando presentes. provenientes de sensores adicionais. informações sobre a condição do óleo do empanque da bomba. bem como uma versão especial da aplicação de software. 7. A unidade tem de registar. Intebus.Registo de dados A unidade de controlo e comunicação G100. esta é automaticamente parada. tais como os níveis de arranque e paragem das bombas. situação em que o sobreaquecimento do motor se torna um risco devido à possibilidade de falha.2. Os sinais de entrada digitais necessários são a indicação de funcionamento ou reserva da bomba. isto permite que os trabalhos de manutenção e controlo das bombas passem gradualmente da reparação de falhas para a manutenção preventiva e até mesmo para a manutenção preditiva. dados provenientes de um medidor de caudal ou conversor de frequência adicional. Caso a corrente de entrada suba acima do limite de sobrecorrente. que se encontram nas folhas de características destas. A corrente do motor da bomba é também uma informação necessária para o planeamento das operações de manutenção da bomba. A unidade é configurada para proteger o motor da bomba em situações anormais.4. A unidade de controlo da bomba também está programada para indicar todas as falhas de funcionamento da estação até um máximo de 10.2. A utilização destes sinais pode requerer uma placa de expansão adicional. bem como os sinais dos contactos isentos de potencial fornecidos pelo relé de presença de tensão e pelo contador de energia. nível baixo. Em última análise. 4 . Os sinais analógicos de entrada.Sistemas de Controlo. protegendo ainda a bomba em caso de falta de água e onde não é usada a protecção adicional recomendada. é possível instalar uma ou mais bombas de reforço com características diferentes. etc. Os valores a introduzir são normalmente níveis de funcionamento que correspondem a um determinado nível de água no poço. removendo deste as características que estão incorporadas no PFU tais como os amperímetros. Por exemplo. falha de alimentação da bomba e outros alarmes baseados nas definições dos limites dos parâmetros.

no mínimo. Os dados registados podem ser agrupados e analisados mais detalhadamente através da sua transferência. Dado que a mesma se encontrará interligada com um sistema de gestão instalado num PC. através de um sistema automático de controlo remoto. O utilizador tem de ser capaz de introduzir todos os parâmetros necessários e de ler os dados registados e calculados utilizando o teclado. Para esta situação a Grundfos dispõe de uma unidade PMU para o efeito. tais como a função de varrimento automático. Habitualmente. São utilizados indicadores luminosos separados para a indicação de alarmes e do estado de funcionamento das bombas.Sistemas de Controlo. para um computador portátil com software adequado. necessitará de dispor de capacidade de memória suficiente para armazenar os dados registados e analisados durante vários dias. o utilizador necessita de um interface para trabalhar com a unidade de controlo das bombas. ou continuamente. Isto deve-se ao facto da perda de dados cruciais não ser aceitável. estes dados serão convertidos para esta base onde deverão ser tratados. Mesmo que a unidade de controlo das bombas funcione como uma estação exterior de um sistema de controlo e monitorização ao nível da rede. 7. por um pequeno visor LCD e um teclado. Este interface tem de ser composto. Comunicação e Gestão motor da bomba. nem mesmo durante possíveis quebras de comunicação entre a estação exterior e o centro de controlo. a intervalos específicos. 124 . A utilização de um interface deste tipo tem de ser simples e lógico.5 Interface do utilizador Para aceder aos dados e introduzir parâmetros.4. facilitam e aceleram a leitura rotineira dos dados.2. algumas funções úteis.

INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE BOMBAS E SISTEMAS DE BOMBEAMENTO Autor: José Dias Director de Serviço Pós-Venda Bombas Grundfos Portugal 125 .Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8.

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que as centrais de bombeamento sejam instaladas tendo em atenção estas características por possuírem estes componentes e consequentemente necessitarem de condições de verificação adequadas. O manual de instalação de cada tipo de bomba alerta para estas condições. Os equipamentos eléctricos. Deste modo alertamos para a necessidade de ventilação. 127 . permitindo alargar os períodos de manutenção. que são: 1 . CAPACIDADES MÍNIMAS RECOMENDADAS Capacidade do depósito de membrana [litros] Modelo da bomba CR(E) 3 CR(E) 5 CR(E) 10 CR(E) 15 CR(E) 20 CR(E) 32 CR(E) 45 CR(E) 64 CR(E) 90 Velocidade fixa MS 60 80 200 200 200 300 300 500 500 MSH 100 100 200 200 300 500 500 MF 60 80 80 200 200 200 200 200 200 MFH 200 200 200 200 500 Velocidade variável ME 60 60 80 80 80 200 200 200 200 MEH 60 80 200 200 200 200 200 MES 60 60 80 80 200 200 200 200 500 NOTA: Sempre que os sistemas não refiram capacidades de depósitos é por estes não serem normalmente utilizáveis. motores equipamentos electrónicos. de modo a garantir-se o seu correcto funcionamento e duração de vida e de acordo com os manuais de instalação e operação respectivos. 3 . A Grundfos recomenda reservatórios cuja capacidade mínima é a abaixo mencionada. Valores apresentados nas tabelas que em alguns casos varia a capacidade do depósito também em função do número de bombas. as quais devem ser cuidadosamente respeitadas. permitindo a compensação de fugas e pequenos consumos.2 Requisitos para instalação 8. 8. 2 . os quadros eléctricos de controlo e restantes equipamentos de medida e controlo. bem como a sua localização. tem a ver com as condições ambientais de funcionamento. espaço livre de passagem e ausência de humidade que os equipamentos necessitam para o seu correcto funcionamento e longevidade. A sua localização deve ainda respeitar e considerar a necessidade de manutenção e intervenção local bem como condições de remoção do local. devem ser instalados de acordo com as suas características físicas e de protecção.2.2. e outros equipamentos de comando e regulação alimentados por corrente eléctrica. numa central de abastecimento? Existem três razões essenciais para montar um depósito de membrana numa central.Permite proteger a instalação contra os regimes transitórios . tais como temperatura e humidade.1 Introdução Para a correcta instalação das bombas e restantes equipamentos de bombeamento devem ser consideradas algumas regras de acordo com os diversos equipamentos que compõem a instalação.3. para além destas ainda devem ser consideradas as condições relativas aos quadros eléctricos de controlo e protecção.Para compensação da pressão no sistema durante os períodos de paragem da bomba. também denominado depósito de membrana. 8. 8.2.golpes de aríete (consultar capítulo 4). Os equipamentos de bombeamento. eléctricas e físicas. possuem características especiais que devem ser respeitadas quando instaladas em ambientes em que as condições de temperatura sejam adversas.Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8.1 Localização do equipamento de bombeamento Os equipamentos de bombeamento devem ser instalados de acordo com as especificações dos manuais de instalação respectivos tendo em atenção as características ambientais. É recomendado por isso. Utilização de reservatórios de membrana Porquê utilizar um reservatório de membrana.Reduzir o número de arranques e paragens das electrobombas no tempo.2 Necessidades de ventilação Uma das mais importantes características de bom funcionamento dos equipamentos eléctricos e electrónicos.

bem como acústico nos casos em que tal se justifique. daí que as centrais devam ser instaladas como se de bombas individuais se tratassem e os elementos de protecção individuais devem de igual modo respeitar esta regra.Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8. Para as bombas com variação de velocidade CRE. Os quadros eléctricos de controlo devem dispor de protecções de modo a garantir a protecção e o bom funcionamento da instalação e das bombas individualmente. as regras referentes à instalação eléctrica e ainda às regras de boa prática de montagem mecânica. após várias tentativas. à instalação ou às pessoas. a protecção contra sobreaquecimento do motor e outras protecções eléctricas. mas também a segurança.3 Instalação de sistemas de bombeamento Na instalação de um grupo ou de uma central de bombeamento é necessário sempre respeitar as regras de instalações hidráulicas. em que é requerido a aspiração de água de um nível mais baixo que o nível em que estão instaladas as bombas. o uso de equipamento auxiliar como sensores de nível. Nesse sentido é necessário prover a instalação dos adequados sistemas de protecção por forma a evitar que os mesmos ocorram. • Uso de filtros sem a manutenção adequada. eléctrodos ou transdutores são outros dispositivos de segurança que devem ser consideradas como medidas de protecção. a altura de aspiração demasiado elevada e ainda a desferragem das bombas. no entanto a fim de evitar o funcionamento indevido das bombas sem água. Fig.3. Nesse sentido em cada sistema de bombeamento.2 Aspiração de cisterna elevada Neste tipo de abastecimento. 128 . Se a avaria persistir.1 Aspiração negativa As centrais de bombeamento instaladas com este tipo de instalação. bem como a temperatura dos motores e dos empanques das bombas. O uso de válvulas de retenção eficazes e com reduzidas perdas de carga. poderemos apontar: • Percursos muito longos • Tubagens subdimensionadas • Demasiados acessórios na tubagem de aspiração da bomba. 1 . Nesse sentido os equipamentos devem ser protegidos a nível mecânico. Como exemplo de instalações susceptíveis de provocar avarias. hidráulico e eléctrico. caso falhe o sistema de protecção existente contra falta de água. A segurança dos equipamentos e das pessoas deve ser sempre respeitada. 2 . variável. Fig. é necessário que as mesmas estejam devidamente protegidas contra essa possibilidade ou outras que possam provocar danos às bombas. não existe o risco dos casos mencionados anteriormente. Entre as protecções existentes internamente nos motores MGE da Grundfos. o qual permite a fiabilidade das bombas sempre que se verifiquem roturas no abastecimento de água.Central de bombeamento tipo com aspiração negativa 8. isto é. que permite a maior duração dos empanques e casquilhos. denominado LiqTec. em que o nível da água está a um nível superior ao das bombas. em que se recorre à ligação do grupo ou da central de bombeamento. se uma destas avarias ocorrer. No funcionamento normal. Os maiores problemas susceptíveis de ocorrer nestas instalações relacionados com as bombas são os provocados pelo funcionamento sem água. deve ser efectuado tendo sempre em atenção ao valor da curva de NPSH para esse mesmo ponto. a bomba pára e só após algum tempo. a cavitação. O cálculo do ponto de funcionamento da bomba. de modo a prevenir possíveis avarias e danos às bombas e à instalação.3. A Grundfos disponibiliza um sistema de protecção electrónico contra a falta de água.Sistema de protecção LiqTecTM 8. os mesmos devem estar preparados com os cuidados devidos de modo a evitar danos. devem ser considerados cuidados específicos e regras de segurança de modo a que respeitem as condições de aspiração próprias das bombas CR. boiadores. a uma cisterna com pressão positiva. a bomba pára. destacamos. etc. por um conjunto de instrumentos que respeitem o seu funcionamento de uma maneira geral. protecção contra falta de água. volta a funcionar. de modo a garantir o seu funcionamento para além das protecções existentes. estas estão preparadas para com sistemas de protecção suplementar interna.

devem estar relacionados sempre com o equipamento respectivo e deve para o efeito ser consultado o manual técnico de instalação e operação das bombas. contra sobrecarga. com aspiração de cisterna elevada • Anéis de desgaste e casquilhos. não só contra falta de água. Como qualquer outro equipamento.3 Aspiração de uma rede sob pressão Nas redes sob pressão há que ter em conta também um eficaz sistema de protecção. como ainda para um possível aumento de pressão. Estas bombas e os quadros que as controlam.Central de bombeamento com aspiração positiva Normalmente são equipamentos externos às bombas e que complementam a sua segurança. 5 . o já referido funcionamento em seco. Fig. podem provocar avarias na instalação ou nas bombas. que adicionado à pressão de funcionamento das bombas. como por exemplo o funcionamento em situações de perdas de carga variável. Relativamente a bombas com variação de velocidade Grundfos. não devendo ser entendida como característica de operação. falta de fase. 129 . São exemplo disso. Nestas redes os grupos ou as centrais de bombeamento devem estar protegidas contra funcionamento acima da pressão de rotura da instalação ou acima da pressão das próprias bombas. Mas nestas bombas existem ainda outras protecções complementares que evitam as protecções externas atrás mencionadas.4 Manutenção 8.Central de bombeamento tipo com aspiração de uma rede 8. possam necessitar de maior intervenção. tendo como objectivo sempre. quando existirem • Empanques e retentores Fig. são aqueles que sujeitos a maior esforço físico ou desgaste por fricção. a protecção contra falta de água é uma das suas características internas como protecção ao equipamento. protecção contra sobreaquecimento do motor. Dentro destes poderemos considerar: • Rolamentos dos motores e das bombas. Neste tipo de aplicação pode ocorrer excesso de pressão na aspiração. caso não sejam tomadas em consideração as pressões de funcionamento.4. 3 . a poupança de energia e a preservação das condições de segurança dos equipamentos e da instalação.1 Manutenção aos equipamentos de bombeamento Os aspectos a ter em conta para efeitos de manutenção específicos.Central de bombeamento tipo. 4 . têm de se adaptar à instalação e às diversas situações.Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8.3. a mesma deve ser sempre considerada apenas como redundância a uma falha do sistema de controlo. etc. Genericamente os materiais de maior necessidade de intervenção quando se trata de bombas CR. Fig.

o tempo de operação das bombas. com a periodicidade acordada inicialmente. Quando a estes estiverem ligados equipamentos sujeitos a movimento mecânico (ex: contactores. deve de imediato ser alertado o fornecedor de modo a diagnosticar possíveis falhas. por outros programas com necessidades de acessos via internet ou outros susceptíveis de os contaminarem com vírus informáticos que possam interferir com o seu bom desempenho. a eles ligados. de acordo com as especificações de funcionamento previamente estabelecidas.Manutenção de um quadro eléctrico de controlo 130 . a qualidade da água.Empanques No entanto no plano de manutenção a estabelecer deve ser sempre considerado. deve ser efectuada uma inspecção regular.Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento nicos. bem como as condições de ventilação da sala onde a central ou as bombas estão instaladas. Devem no entanto acompanhar-se e seguir-se a evolução do bom desempenho do mesmo e evitar-se a utilização dos PC's onde estão instalados ou dos outros equipamentos electró- Fig. 6 . a temperatura da água e a temperatura ambiente. 8.4. Sempre que se notar um funcionamento irregular ou fora do normal. Fig. relés ou outros).2 Manutenção aos sistemas de monitorização e controlo Para um sistema de monitorização e controlo não é normalmente necessário qualquer manutenção especial. 7 . Também devem ser respeitadas as condições de temperatura de funcionamento e as regras de bom funcionamento e ventilação.

Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. SISTEMAS DE ABASTECIMENTO PÚBLICO E PREDIAL NO PORTO Autor: Carlos Medeiros Engenheiro Civil dos SMAS do Porto Professor Auxiliar da FEUP e da FAUP 131 .

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até ao século XIX. De acordo com o documento dirigido ao Rei pela Câmara Municipal do Porto. os problemas de assistência e higiene pública. Aumento de reservas. se destacaram de entre os principais pólos abastecedores de água à Cidade. o qual é aprovado por Carta de Lei. conhecida a causa indicado estava o remédio. O sistema mostrou-se extremamente vulnerável em regime de cheias dos Rios Douro e Sousa. sistema posteriormente alargado aos Concelhos de Gaia. Há anos já que esta Municipalidade.. no areal de Zebreiros (1937). as doenças transmitidas. pôs a concurso o projecto e execução das obras necessárias para o saneamento da Cidade. em 11 de Agosto de 1899 refere-se: "São graves. em profundidade. Sebastião (meados do séc. empreendeu obras que lhe permitissem melhorá-las e organizou Repartições de Estudo que a orientassem sobre a gravidade dos males e meios de os remediar. para uma população de 370. Cem anos volvidos. revelador do facto de. então. 133 . ainda é vulgar designar-se a água do Porto como "água da Companhia". S. os SMAS. há mais de seis séculos. procederam à captação. altura em que. transporte e distribuição.000 habitantes e a água tida como a melhor da Europa. e à criação dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento em 1 de Abril desse ano. a ser adquirida pelos SMAS à empresa Águas do Douro e Paiva. iniciou-se a construção dos mananciais de Paranhos e Salgueiros que.. já sendo sentida desde algum tempo antes. A água de abastecimento público passou. No entanto. conhecidíssima pelas obras congéneres executadas em diversas Cidades estrangeiras e exploradora do Sistema Shöne para a elevação de esgotos. Em 1983. novas captações. elevação. e para isso esta Municipalidade. surgem várias companhias candidatas ao projecto e execução de obras de captação. A rede de drenagem de Águas Residuais Domésticas.. expansão das redes de distribuição e transporte são passos importantes de uma nova fase. A sua necessidade vinha. por 3. o Porto já possuir fontes e chafarizes. A partir de 1855. mas só em 1 de Janeiro de 1887 é que o abastecimento é regularizado. No reinado de D. de 122.XVI)." Actualmente. começando a Câmara a exercer fortes pressões junto da Companhia que conduziram ao resgate da concessão em 28 de Março de 1927. então. a evolução dos cuidados com a saúde e ainda as exigências quanto à qualidade de vida impunham uma transformação radical do sistema. justamente preocupada com as condições higiénicas da Cidade. encontra-se a mesma estabelecida desde 1907. Os trabalhos são concluídos em 1886. O contrato com a Compagnie Générale era válido por 99 anos e foi estendido a Matosinhos no princípio do século. vem perante Vossa Majestade solicitar a atenção do seu governo. É para um dos múltiplos aspectos de um destes problemas que a Câmara Municipal do Porto. tratamento e adução em alta e em baixa até finais de 2000. Inicia-se aqui o terceiro ciclo de vida do abastecimento de água à Cidade do Porto. em 27 de Julho do mesmo ano. Maia e Valongo. Teve isto lugar em 1896. E como causa principal deste lastimoso estado não se pode apontar outra que não seja a falta quase completa de uma rede de canalização para os esgotos da Cidade. nasce uma nova fase na história dos SMAS com as captações em profundidade em Lever.500 contos. passou o Município do Porto a integrar o Sistema Multimunicipal de Abastecimento de Água à Área Sul do Grande Porto. contudo. embora sem condições de higiene.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Serviços Municipalizados de Água e Saneamento do Porto Reporta-se a 1392 o mais remoto registo histórico de que há notícia. No que respeita à água para consumo público. para uso público. Gondomar.000 habitantes equivalentes. com a captação no Rio Sousa. a rede instalada possui uma extensão de 550 Km e capacidade de tratamento integralmente assegurada em duas ETAR's (Freixo e Sobreiras).A. Concorreu a acreditada firma Hughes And Lancaster. sendo em 22 de Março de 1882 assinado o contrato com a "Compagnie Générale des Eaux pour l'Étranger". a inquinação dessas águas. A população da Cidade era.

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Em todas as intervenções urbanas. cabendo ao Batalhão de Sapadores Bombeiros da Câmara Municipal do Porto. tanto a nível técnico como de legislação de soluções de abastecimento directo ou de abastecimento com recurso a sistemas elevatórios que garantam um abastecimento em quantidade e qualidade adequadas ao uso.1 Introdução Nesta apresentação são abordados os principais aspectos relacionados com os sistemas de abastecimento públicos e. Consideram-se consumos assimiláveis aos industriais os correspondentes.1 Aspectos gerais Nos arruamentos públicos existentes compete aos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto a elaboração de estudos e projectos dos sistemas públicos. militares. ensino.º 23º). hoteleiras. 9. e submete-los à aprovação dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto (Art. prediais de água fria e quente.Porto. Os Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto prestarão todas as informações de interesse. à escala 1:500 (Art. uso industrial. profundidades.2. é obrigatória a elaboração dos estudos e projectos. entre outros. Conclui-se a exposição referindo aspectos importantes referentes ao traçado. será importante observar as condições de disponibilidade de abastecimento garantidas pela rede pública. qualquer que seja o horizonte de projecto. são apresentados os principais tipos de sistemas prediais de abastecimento de água. acessórios e instalações complementares. a definição do grau de risco e do caudal instantâneo a garantir (Art. Uma apresentação breve das condições a considerar na instalação de abastecimento público preencherá a primeira parte desta exposição.º 250º). Seguidamente. materiais e tipos de junta das condutas. com o fim de se garantir o abastecimento para outras finalidades. podem geralmente considerar-se incorporados nos valores médios de capitação global.2 Elementos de dimensionamento As capitações a considerar na distribuição exclusivamente doméstica não deve. bebedouros.2. os reservatórios. 9. prisionais. com as condições que determinam a sua aplicabilidade. os sistemas elevatórios e as câmaras de manobras para instalação de equipamentos elevatórios. lavagem de pavimentos. caso a caso. Em zonas com actividade comercial intensa pode admitir-se uma capitação da ordem dos 50 l (habitante / dia) ou considerarem-se consumos localizados. que impliquem a alteração ou ampliação dos sistemas públicos existentes ou a implementação de novas infra-estruturas. Para os obter. fornecendo os elementos seguintes. a) A localização em planta das condutas. Os consumos industriais face a sua grande aleatoriedade. variando entre 5 e 20 l (habitante / dia). acompanhado de Planta de Localização da obra a levar a efeito. às unidades turísticas. tais como de fontanários. será necessário requere-los ao Director Delegado dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. lavagem de arruamentos. entre outros. Na escolha do sistema a ser utilizado. fornecida pela Câmara Municipal. serão especificadas as principais etapas que constituem o dimensionamento dos sistemas prediais de abastecimento de água fria e quente. nomeadamente às necessidades de água para o consumo e o combate a incêndios. ressaltando as recomendações contidas no Regulamento dos Sistemas Públicos e Prediais de Abastecimento de Água e Drenagem de Águas Residuais (Decreto Regulamentar 23/95. que devem ser avaliados de acordo com as suas características. nomeadamente. estabelecimentos de saúde. Os consumos públicos.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. nomeadamente no que respeita à caracterização e localização das redes públicas de abastecimento de água. assim como as necessidades prediais. fundamentalmente. de 23 de Agosto) e a sua adaptação efectuada pelos pelo Regulamento dos SMAS . devem ser avaliados caso a caso e adicionados aos consumos domésticos. 135 .º 18). tais como combate a incêndio. sobre carta topográfica à escala 1:500. bem como o abastecimento predial de água feita a partir de captação particular (nascentes e furos). Por fim. elementos acessórios da rede e as verificações necessárias à prévia utilização dos sistemas prediais. pelo promotor. bombeiros e instalações desportivas. b) As secções. as condições de ligação. ser inferior a 250 l (habitante / dia).2 Sistema de abastecimento público 9. A concepção dos sistemas de distribuição pública de água no Porto deve passar pela análise prévia das previsões do planeamento urbanístico (planos urbanísticos ou operações de urbanização em que se insiram) e das características específicas da área urbana em que se insiram.º 251º). Os volumes de água para combate a incêndios são determinados em função do risco da sua ocorrência e propagação na zona. rega de zonas verdes e limpeza de colectores. É da responsabilidade do autor dos estudos e projectos a recolha dos elementos de base. O diâmetro nominal mínimo das condutas de distribuição é de Ø100mm (Art.

d) Número.2.º 32º). acrescidos de duas cópias para os elementos referidos nas alíneas b) a g). 136 .grau 4. de ampliação ou remodelação. • Perfis .º 35º). Os estabelecimentos comerciais e industriais devem ter ramais de ligação privativos. a descrição da concepção dos sistemas.º 264º). subscrito pelo promotor.º 267º). obedecendo às escalas a saber: • Plantas . g) Peças desenhadas dos traçados e instalações complementares. c) Planta de Localização fornecida pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento d) Memória descritiva e justificativa.3 Ramais de ligação Os ramais de ligação asseguram o abastecimento predial de água. O diâmetro nominal mínimo admitido em ramais de ligação é de 25mm (Art. a natureza. dos aspectos de saúde pública e de protecção do ambiente.5 Entrada em serviço dos sistemas A entrada em serviço dos sistemas deve ser precedida da verificação.2. pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. Os diâmetros de saída são fixados em 45mm para as bocas de incêndio e em 60mm para duas saídas e 90mm para os marcos de água. é obrigatória a instalação de coluna piezométrica com desenvolvimento a definir pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto (Art.º 55º). os diâmetros nominais mínimos das condutas são determinados em função do risco da zona e devem ser: a) 100mm . das obras a executar. qualificação e assinatura do autor do projecto. f) Mapas de medição e orçamento a preços correntes. escalas e data da sua elaboração.4 Elementos de instrução dos processos de projectos O pedido de aprovação de projectos deve ser instruído com os seguintes elementos (Art. desde a rede pública até ao limite da propriedade a servir. os materiais e acessórios e as instalações complementares. com formatos e dobragem concordantes com o estipulado nas Normas Portuguesas NP48 e NP49. o tipo da obra.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Quando o serviço de combate a incêndios tenha de ser assegurado pela mesma rede pública. competindo aos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto promover a sua instalação (Art. Nenhum sistema de distribuição de água pode entrar em funcionamento sem que tenha sido feita a desinfecção e a vistoria final de todo o sistema (Art. designação e local da obra. pode uma mesma edificação dispor de mais de um ramal de ligação para abastecimento doméstico ou de serviços. a solicitar a aprovação do projecto. onde conste a identificação do proprietário. e) Cálculo hidráulico onde conste os critérios de dimensionamento adoptados e o dimensionamento das redes. Quando se justifique. As peças desenhadas devem ser apresentadas. Cabe aos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento a definição da localização das bocas de incêndio e dos hidrantes.º 56º). respeitando a Norma Portuguesa NP204 e contendo. descrição do desenho. no original. Quando se tenha de assegurar simultaneamente o serviço de combate a incêndios sem reservatório de regularização. indicando se se trata de obra nova.grau 5. não excedendo as dimensões do formato A0. c) Nome. • Pormenores . O diâmetro nominal mínimo das bocas de rega e lavagem e respectivos ramais de alimentação é de 25mm (Art. As peças escritas devem ser apresentadas dactilografadas ou impressas em folhas de formato A4.2. Os diâmetros nominais mínimos dos ramais de alimentação dos hidrantes são de 45mm para as bocas de incêndio e de 90mm para os marcos de água (Art.º 252º): a) Requerimento dirigido ao Director Delegado dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. e) Especificação quando se trata de projecto de alteração ou aditamento. em boas condições de caudal e pressão. pelo técnico responsável pelo projecto. equipamentos e instalações complementares previstas.1:500. Nos ramais de ligação de abastecimento a reservas de água e piscinas que se encontrem instaladas a uma cota não superior a 10 m relativamente ao arruamento de onde se faz a ligação. Os ramais de ligação consideraram-se tecnicamente como partes integrantes das redes públicas de distribuição e de drenagem. no mínimo. 9. 9. a seguinte informação: a) Designação e local da obra.º 53º). após parecer do Batalhão de Sapadores Bombeiro (Art. paginadas e todas elas assinadas. Os caracteres alfanuméricos devem obedecer à Norma Portuguesa NP89.grau 1 a 3. f) Legenda específica das redes representadas. com indicação dos materiais das canalizações e acessórios utilizados.à escala conveniente que esclareça inequivocamente o pretendido. b) 125mm .1:500 em extensão e 1:50 em altimetria. o diâmetro não deve ser inferior a 45mm. em tela plástica. b) Termo de responsabilidade do técnico autor do projecto. Os elementos descritos serão apresentados em original. b) Identificação do proprietário. Todos os desenhos devem possuir legenda no canto inferior direito. c) 150mm (a definir caso a caso) . 9.

Assim. sempre que necessário. Os sistemas prediais de abastecimento de água devem garantir que a mesma chegue a todos os dispositivos de utilização.2 Elementos dos sistemas Para que não venham a ocorrer utilizações indevidas das diversas redes prediais impõe-se que: "As canalizações instaladas à vista ou visitáveis devem ser identificadas consoante a natureza da água transportada e de acordo com o sistema de normalização vigente." (Art.As tubagens e acessórios que constituem as redes interiores podem. Também. combate a incêndios e fins industriais não alimentares. devem apresentar boas condições de resistência à corrosão. 9..º 77º). A rede predial a projectar e executar deve ainda oferecer a garantia de que a água a fornecer aos sistemas prediais deverá ter em consideração aspectos.º 75º). ser de cobre. As redes prediais a instalar.. 2." (Art. aço galvanizado ou PVC rígido.º 73º). deve ser sujeito a verificação de conformidade pelo LNEC Laboratório Nacional de Engenharia Civil e a fazer presente junto dos SMAS Porto. Numa primeira fase de abordagem a concepção de um sistema de abastecimento predial devem colocar-se as seguintes questões fundamentais: 137 .3 Sistema de abastecimento predial de água 9. devem ser isentos de defeitos e. peças acessórias e dispositivos de utilização. Todos os materiais a aplicar em sistemas de distribuição. independentemente da existência ou não das redes públicas no local (Art.Nas redes exteriores de água fria." e "O fornecimento de água potável aos aparelhos sanitários deve ser efectuado sem pôr em risco a sua potabilidade. Assim. A terminologia e a simbologia a utilizar e as unidades em que são expressas as diversas grandezas devem respeitar as directivas estabelecidas neste domínio. Deste modo.3 Concepção dos sistemas A rede de distribuição de água parte de um ponto da rede pública. rega. mesmo que nos locais onde não existam redes públicas deverão ser executadas de modo a permitir.Porto. preservando-se a segurança. quer por contacto. as tubagens e acessórios podem ser de ferro fundido. entre outros.. A localização desta conduta exterior bem como a posição prevista para o contador são a "ponta da meada" a partir da qual se faz o desenvolvimento da rede interior. nomeadamente poços ou furos.3. os instaladores (picheleiros) devem proceder a sua inscrição nos SMAS para que possam assumir a responsabilidade de execução de instalações prediais. remodelados ou ampliados deverão prever redes prediais de abastecimento de água. nomeadamente poços ou furos privados. III. este último no caso de canalizações de água fria não afectas a sistemas de combate a incêndios. "Não é permitida a ligação entre a rede predial de distribuição de água e as redes prediais de drenagem de águas residuais. no futuro. quer de qualidade quer de defesa da saúde pública.º 76º). quando existam ou venham a ser instaladas. os sistemas prediais alimentados pela rede pública devem ser independentes de qualquer sistema de distribuição de água com outra origem. sendo obrigatória a ligação às redes públicas de abastecimento de água e de drenagem de águas residuais domésticas.. II. impedindo a sua contaminação." (Art. Os materiais a utilizar nas tubagens e peças acessórias dos sistemas de distribuição devem ser aqueles cuja aplicação seja admitida pelos SMAS . a salubridade e o conforto nos edifícios. pela própria natureza ou por protecção adequada. ".º 90º). como responsável pelo abastecimento e distribuição pública de água. de acordo com as seguintes cores: azul para água destinada ao consumo humano. como dispõem que: "Os sistemas prediais alimentados pela rede pública devem ser independentes de qualquer sistema de distribuição de água com outra origem. e aos esforços a que vão ficar sujeitos. quer por aspiração de água residual em caso de depressão. VIII e XI ao Regulamento.1 Aspectos gerais Todos os edifícios novos. aço inoxidável.As redes de água não potável e respectivos dispositivos de utilização devem ser sinalizados. Assim a terminologia e a simbologia a adoptar serão as indicadas nos anexos I. A aplicação de novos materiais ou processos de construção para os quais não existam especificações oficialmente adoptadas nem suficiente prática de utilização." (Art. as canalizações instaladas à vista devem ser identificadas consoante a natureza da água transportada.3. Também no sentido de garantir adequada qualidade e o respeito da saúde pública impõem a necessidade de cuidados na escolha dos materiais.a utilização de água não potável exclusivamente para lavagem de pavimentos. a rede de distribuição predial de água deve assegurar o seu bom funcionamento.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. polietileno ou PVC rígido" (Art. interna e externa. 9.º 4º).3. encarnado para água de combate a incêndios. "1.. em quantidade e qualidade adequadas ao uso. 2 . a sua fácil ligação àquelas redes.

(Art. poderemos ter sistemas com abastecimento directo ou indirecto. Precisa de equipamento elevatório de bombeamento? Atravancamento e acessibilidade à câmara de manobras? 8. É necessária rede de combate a incêndio? De que tipo? 9. coordenada com a arquitectura. ao consagrar que: "e) A pressão de serviço em qualquer dispositivo de utilização predial para o caudal de ponta não deve ser.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 1.º 78º). O abastecimento directo será garantido sempre que as condições de abastecimento público apresentem pressão e/ou caudal que permitam nas condições de conforto definidas no projecto o abastecimento em permanência.As pressões de serviço nos dispositivos de utilização devem situar-se entre os 50 Kpa e 400 Kpa. Na remodelação ou ampliação de sistemas existentes com aumento de caudal de ponta? Comprova-se a suficiência da capacidade hidráulica de transporte das canalizações e das eventuais instalações complementares a montante.. inferior a 100Kpa o que. corresponde aproximadamente a H=100+40n "Onde H é a pressão mínima (Kpa) e n o número de pisos acima do solo. "2 . com reservatório inferior sempre que a pressão não seja de molde a garantir a reposição da reserva durante o período diário de 24 horas ao nível mais elevado do edifício. na rede pública e ao nível do arruamento. sem prejuízo das condições de funcionamento do sistema na sua globalidade? Por fim. Previsão do fornecimento de água quente: a que zonas e de que modo? 10. SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO 9. 138 .º 21 º). sempre será de realçar que a concepção de sistemas prediais de distribuição de água deve ter como objectivo a resolução de problemas numa perspectiva global. Qual o tipo de ocupação? 6. ou seja.. falta de pressão ou falta de caudal deverá optar-se por sistemas de abastecimento indirecto com reservatório elevado quando a pressão disponível possibilita em certos períodos diários a reposição da reserva necessária e por sistema elevatório. sendo recomendável." (Art. Neste sentido. Secção e pressões disponíveis? 3. Dentro desse contexto. Há escassez de água ou interrupções de fornecimento com frequência? 4.4 Classificação dos sistemas Ao colocarmos correctamente as questões acima enunciadas somos muitas vezes levados a constatar que nem sempre os sistemas públicos permitem que o abastecimento se efectue directamente da rede geral de distribuição em condições de pressão e caudal necessários a garantir uma utilização com a qualidade e quantidade adequadas. em regra. Torna-se necessário prever reservatórios? Os serviços locais permitem? Em que condições? Sua capacidade e localização? Formas de drenagem de perdas e esvaziamento? 7. Existe rede pública? Onde? 2. técnica e económica. o regulamento apresenta condicionantes que podem permitir efectuar uma primeira abordagem ao tipo de sistema de alimentação predial. que se mantenha entre 150 Kpa e 300 Kpa. Caso contrário.3." . a estrutura e as restantes instalações especiais da edificação. incluindo o piso térreo. por razões de conforto e durabilidade dos materiais. Que dimensão tem o edifício? Existem caves? 5.

dando também resposta a algumas das questões já referidas deve obter-se junto dos SMAS Porto a informação sobre as condições de abastecimento da rede pública no local onde se pretende executar a edificação.º 83º). Para que se possa efectuar esta verificação preliminar do sistema mais adequado de abastecimento predial.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Na escolha do sistema há que atender: a) À pressão disponível na rede geral de alimentação e à necessidade nos dispositivos de utilização. d) À minimização de tempos de retenção da água nas canalizações. 139 . Sempre que a rede pública não puder assegurar as pressões necessárias deverá ser prevista uma instalação sobrepressora com tanque de compensação." (Art. c) Ao grau de conforto pretendido. "… os valores das pressões máxima e mínima na rede pública no ponto de inserção naquela. ou seja. b) Ao tipo e número de dispositivos de utilização.

Deverá atender ao Regulamento dos Sistemas Públicos e Prediais de Distribuição de Água e Drenagem de Águas Residuais Domésticas dos Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento da Câmara Municipal do Porto.T.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Pedido de informação das condições de ligação às redes públicas LIGAÇÕES ÀS REDES PÚBLICAS Planta Topográfica P. à profundidade de m.. REDE PREDIAL DE DRENAGEM DE ÁGUAS RESIDUAIS DOMÉSTICAS A câmara de ramal de ligação deverá situar-se no local assinalado na P. n. ao Decreto-Regulamentar 23/95.PRESSÕES Pressão dinâmica MPa MPa REDES DE INCÊNDIO As redes de combate a incêndio deverão ser dimensionadas e representadas em projecto. º Local da obra: Rua / 2005 Freguesia: Requerente: REDES PREDIAIS DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA Pressão estática REDE PÚBLICA . O Chefe de Divisão 140 . Porto. Agosto e ainda à legislação específica relacionável com os projectos em causa.T.

Para efeitos de cálculo da rede predial devem ser obtidos e são fornecidos. os caudais de cálculo dos fluxómetros. restaurantes. no caso em que a rede pública não garanta eficazmente os consumos e pressões prediais requeridas.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. Nos ramais de alimentação de fluxómetros para bacias de retrete devem ter-se em atenção as pressões mínimas de serviço a cujos valores correspondem os diâmetros constantes do quadro seguinte: Pressão (kPa) 200 80 50 Diâmetro (mm) 25 32 40 9. os constantes do quadro anexo ao Regulamento. b) As velocidades de escoamento.) deve ser o coeficiente de simultaneidade determinado por recurso a informações existentes ou a bibliografia específica. quando existem fluxómetros. O coeficiente de simultaneidade é a relação entre o caudal simultâneo máximo (caudal de cálculo) e o caudal acumulado (somatório dos caudais instantâneos) de todos os dispositivos de utilização alimentados por essa secção.3 Reserva predial de água para abastecimento doméstico O armazenamento de água para o consumo humano em edifícios é normalmente autorizado pelos SMAS Porto. Os caudais instantâneos a atribuir aos dispositivos de utilização devem estar de acordo com o fim específico a que se destinam. bem como os aparelhos alimentados.4. em função dos caudais acumulados. considera-se na determinação do caudal de cálculo. Número de fluxómetros instalados 1 2 a 10 11 a 20 21 a 50 Superior a 50 Em utilização simultânea 1 2 3 4 5 141 . Contudo. exceder o valor correspondente ao volume médio diário do mês de maior consumo.4. os valores das pressões máximas e mínimas na rede pública no ponto de inserção daquela. Os caudais instantâneos a atribuir a máquinas industriais e outros aparelhos são especificados no quadro anexo ao Regulamento e devem ser estabelecidos em conformidade com as indicações dos fabricantes.1 Aspectos gerais A rede predial de água fria deve assegurar a sua distribuição a todos os dispositivos instalados em boas condições. Os reservatórios de água para consumo humano devem também ser sujeitos a operações de inspecção e limpeza periódica. Os caudais de cálculo na rede predial de água fria baseiam-se nos caudais instantâneos atribuídos aos dispositivos de utilização e nos coeficientes de simultaneidade. fornece os caudais de cálculo. considerando os respectivos caudais instantâneos e a simultaneidade constante do quadro seguinte: 9. excepto em casos devidamente justificados.5 Dimensionamento dos sistemas prediais Nos projectos relativos à distribuição predial de água devem indicar-se nas peças desenhadas os tipos e localização dos dispositivos de utilização. que pode ser utilizada para os casos correntes de habitação sem fluxómetros. Prevendo-se a instalação de reservatórios estes são condicionados. os caudais de cálculo devem ser obtidos somando aos caudais obtidos para os restantes aparelhos. Para outro tipo de conforto ou de utilização (estabelecimentos. sendo os valores mínimos a considerar. 9.0m/s.3. tendo em conta os coeficientes de simultaneidade.4. Face à possibilidade do funcionamento não simultâneo da totalidade dos dispositivos de utilização. através da curva referida acima.2 Dimensionamento hidráulico No dimensionamento hidráulico da rede predial de água fria deve ter-se em atenção: a) Os caudais de cálculo. para um nível de conforto médio. para a ocupação previsível.5 e 2. escolas. por razões de defesa de saúde pública dos utentes. c) A rugosidade do material. No anexo do Regulamento apresenta-se uma curva que. o coeficiente de simultaneidade mais adequado numa dada secção. à renovação na sua totalidade com periodicidade de pelo menos uma vez por dia. etc. como acima já se referiu.4 Sistemas prediais de distribuição de água fria 9. ou seja. que devem situar-se entre 0. o cálculo do volume útil dos reservatórios destinados ao consumo humano não deve.

no mínimo. dimensionados para um caudal não inferior ao máximo de alimentação do reservatório. Cada reservatório ou célula de reservatório deve dispor de: a) Entrada de água localizada. Fig. Alarme/detecção de fugas de água. Quando o armazenamento da água se destina a consumo humano.Esquema tipo de um reservatório 142 . ≥2 células para manutenção ou reparação. no mínimo. 9. preparadas para funcionar separadamente mas que. de material não corrosivo.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto O armazenamento de água para combate a incêndios é feito em reservatórios próprios e independentes e não pode por princípio ser utilizado para outros fins. Localização em zona técnica acessível. 13. Protecção de aberturas com rede mosquiteiro. Descargas de fundo com válvula. tipo mosquiteiro. 14. 20. 18. aço ou outros materiais que se mostrem adequados a manter a qualidade da água armazenada e os materiais e revestimentos usados na sua construção não devem alterar a qualidade da água afectando a saúde pública.0 m3 devem ser constituídos. Descarga de superfície. a conservação dos elementos resistentes e a manutenção da qualidade da água. no mínimo a 50 mm acima do nível máximo da superfície livre do reservatório em descarga. 15. Condições de acesso e de inspecção. Entrada e saída da água em pontos opostos. Caleira nas proximidades. a 150 mm do fundo. equipada com uma válvula de funcionamento automático. a fim de facilitar o esvaziamento. 1 . 7. e) Acesso ao interior com dispositivo de fecho que impeça a entrada de resíduos sólidos ou escorrências. sistema de ventilação. as arestas interiores devem ser boleadas e a soleira ter a inclinação mínima de 1% para a caixa de limpeza. d) Descarga de fundo implantada na soleira. associada a caixa de limpeza. 3. tipo mosquiteiro. c) Descarregador de superfície colocado. a soleira e as superfícies interiores das paredes devem ser tratadas com revestimentos adequados que permitam uma limpeza eficaz. Soleira com pendente de igual superior a 1%. a 50 mm do nível máximo de armazenamento e conduta de descarga de queda livre e visível. 12. Limpeza interior/evitar ângulos apertados. 4. que deve impedir a entrada de luz directa e assegurar a renovação frequente do ar em contacto com a água. 19. 8. nos reservatórios com água destinada a consumo humano e com capacidade útil igual ou superior a 2. Independência da restante estrutura. A localização dos reservatórios deve permitir a sua fácil inspecção e conservação. protegida com rede de malha fina. em funcionamento normal. 16. Reserva para 24 horas. Equipamento /acesso e atravancamento. convenientemente protegido com rede de malha fina. pelo menos. Aberturas para ventilação. RESERVATÓRIOS DE ÁGUA POTÁVEL ESQUEMA-TIPO DE UM RESERVATÓRIO Regras principais: 1. a entrada e saída da água nos reservatórios devem estar posicionadas de modo a facilitar a circulação de toda a massa de água armazenada e o fundo e a cobertura dos reservatórios não devem ser comuns aos elementos estruturais do edifício. Tampa sobre a válvula de bóia. nem as paredes comuns a paredes de edificações vizinhas. Pintura interior de protecção. por duas células. com válvula adequada. 5. Os reservatórios podem ser de betão. 10. 2. Como condições construtivas a ter em consideração realça-se que: os reservatórios devem ser impermeáveis e dotados de dispositivos de fecho estanques e resistentes. protegidas com ralo e colocadas. se intercomuniquem. Envolvente protegida contra escorrimentos e infiltrações. 11. Rebaixo para retenção de areias. 6. destinada a interromper a alimentação quando o nível máximo de armazenamento for atingido. os reservatórios devem ter protecção térmica e estar afastados de locais sujeitos a temperaturas extremas. 17. Isolamento térmico quando necessário. alvenaria de tijolo ou de blocos de cimento. b) Saídas para distribuição.

Abastecimento de água em condições de pequeno débito e elevada pressão.Após esta operação o depósito/cisterna está pronto a receber a água que é distribuída. nos lugares ocupados. O funcionamento dos órgãos electromecânicos deve determinar. normalmente destinados a funcionar como reserva activa mútua e excepcionalmente em conjunto para reforço da capacidade elevatória. Edição nº1. circulação e transferência de água. serviços industriais. esvaziamento de reservatórios e piscinas. Circulação de líquidos em circuitos de aquecimento abertos ou fechados. etc.Junte hipoclorito de sódio a 14% (à venda em drogarias). ruído de nível sonoro médio não superior a 30 dB(A). etc. transferência de líquidos. circulação e pressurização. etc. etc. instalações especiais. ." [1] Fonte: "Documento Auxiliar de Procedimentos". Abastecimento de água.Porto. Abastecimento de água. agricultura. pelo que os SMAS Porto apresentam instruções de actuação para a execução dessas operações. 9. irrigação. c) A altura manométrica. resultantes da ocorrência de choque hidráulico.4. o fundo e a abertura. captação de águas subterrâneas. no mínimo. Lave-o pelo menos uma vez por ano da seguinte forma: . etc. Os grupos electrobomba devem ser de funcionamento automático e possuir características que não alterem a qualidade da água.Encha completamente e mantenha em repouso. . . retirando todos os detritos e lodo que eventualmente contenha.1 Aspectos gerais No quadro seguinte apresentam-se os tipos de bombas correntes no mercado e suas principais aplicações. 20ml do referido hipoclorito.4. etc. Drenagem de águas residuais. Submersíveis De drenagem (submersíveis) Jockey 143 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Também a manutenção periódica dos reservatórios é aspecto importante a ter em consideração. serviços industriais.Escove cuidadosamente as paredes. pressurização. .4.Nunca o deixe sem tampa adequada ou devidamente protegido. . serviços industriais. rebaixamento de aquíferos. pressurização e circulação de água. Os dispositivos de protecção devem ser definidos em função das envolventes de pressão máxima e mínima. SMAS . limpo e arejado. assim como protecção contra o choque hidráulico. As canalizações e acessórios utilizados devem ser de materiais de resistência adequada às pressões de serviço e às vibrações. . . Revisão nº0.4 Instalações elevatórias e sobrepressoras 9. tenha os seguintes cuidados: . adicione por cada m3 de água. As instalações elevatórias ou sobrepressoras devem ser localizadas em zonas comuns e ventiladas.Enxagúe todo o interior e esvazie-o de novo. "Instruções para desinfecção de cisternas/depósitos"[1] Se na sua casa houver depósito/cisterna. de segurança e de alarme. durante pelo menos meia hora.Esvazie-o totalmente. Tipos de bombas Monocelulares horizontais Monocelulares verticais Multicelulares horizontais Multicelulares verticais Circuladoras Aplicações Abastecimento de água. e circuitos de arrefecimento e de ar condicionado. irrigação e circulação de água em sistemas.Volte a esvaziar. Abastecimento de água. pressurização. que permitam uma fácil inspecção e manutenção e ser equipadas com grupos electrobomba e dotadas de dispositivos de comando. sem consumir. e) A instalação. a sua limpeza e desinfecção. nomeadamente.Proceda à desinfestação do depósito/cisterna: . sistemas de rega. e de acessórios indispensáveis ao seu funcionamento e manutenção. escovas só para esse fim. Atendendo à capacidade do depósito/cisterna.Deixe entrar água limpa até cerca de metade da sua altura. agricultura. . d) O número máximo admissível de arranques por hora para o equipamento a instalar. Laboratório de Análises. utilizando preferencialmente. para o efeito deverão ser utilizados apoios isolados e ligações elásticas às tubagens para atenuação da propagação do ruído. No dimensionamento das instalações elevatórias devem ter-se em atenção: a) O caudal de cálculo. Elevação. transferência de líquidos. agricultura.Instale-o sempre em local de fácil acesso. Página 1 de 1. de dois grupos electrobomba idênticos. rebaixamento de aquíferos. b) A pressão disponível a montante. abrindo todas as torneiras de serviço e enxagúe para eliminar completamente o hipoclorito.

Rendimento da bomba (entre 60% a 70%). o qual irá ser representado por HTOTAL e será designado por altura manométrica.4.Peso volúmico. a. Ja.3 Altura manométrica 9.4.3.) fs corresponde a perdas de carga na tubagem de aspiração (m. hs é a altura estática de aspiração (em metros) igual à distância entre o nível do líquido no reservatório de aspiração e o eixo da bomba. Assim.). No que se refere à altura equivalente de tensão de vapor (pv/γ). fd corresponde a perdas de carga na tubagem de descarga (m. Nota: Este valor é positivo ou negativo consoante a bomba funcione em aspiração ou com a aspiração em carga.a. quer as imprecisões na determinação das perdas de carga no troço de tubagem de aspiração.Peso volúmico (N ).4. a altura máxima de aspiração de uma bomba será calculada de acordo com a expressão: HMA = Patm/γ.Capacidade de aspiração (m).a.Potência.Potência (W).a. η.4. Patm/γ. H.83 10.2 Altura manométrica total A altura total desenvolvida pela bomba pode ser expressa por uma das seguintes equações: Bomba funcionando em aspiração: Htotal = hd + hs + fd + fs + (υ2/2g) ou Bomba funcionando em carga: Htotal = hd .4. por η o rendimento da bomba.4. sendo assim a potência absorvida pela bomba expressa por: P= γQHTOTAL / η P. NSPH. teremos que a altura equivalente à pressão atmosférica será igual a 10. esta varia com a temperatura do líquido. Temos então que a diferença entre Hs e Hc que corresponderá ao ganho de pressão que o líquido sofrerá na sua passagem pela bomba. a qual traduz o trabalho exterior fornecido por um motor.2 Potência absorvida pela bomba A determinação da potência absorvida pela bomba que garanta o abastecimento solicitado é dada por: P = γQH P. o qual traduz a relação entre a potência ganha e a do motor e assume sempre valores inferiores à unidade.[NSPH + Ja + Pv/γ + a] HMA.c.hs + fd + fs + (υ2/2g) em que: 9. no quadro indicam-se alguns valor Hatm = Patm/γ.4. devido às perdas nas transformações de energia em presença.13 0.c. 144 .33 O factor de segurança "a" da expressão procura superar. quer as variações de pressão. γ. a que corresponde um peso volúmico de 9.1 Altura máxima de aspiração A altura de aspiração representa o ganho de pressão que o líquido sofre na sua passagem. 9. por Hs a carga à saída da bomba. Q.a. HTOTAL. m-3 TENSÃO DE VAPOR DE ÁGUA FUNÇÃO DA TEMPERATURA Temperatura (°C) Altura equivalente da tensão de vapor (m) 10 20 30 50 80 100 0. em função das temperaturas indicadas.013x102kPA.3. Pv/γ.Altura equivalente da tensão de vapor do líquido (m).Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9.Perda de carga no troço de tensão de vapor do líquido (m).c.24 0.Caudal bombeado (m3s-1). Htotal é a altura vencida pela bomba funcionando com o caudal de projecto (m.8x103 N/m3. para a água.43 1. Sendo a pressão atmosférica normal é igual a 1.) Nota: Geralmente as perdas de carga na saída (υ2/2g) representam uma pequena percentagem do valor da altura manométrica total e são geralmente negligenciáveis.Factor de segurança (m). hd é a altura estática de descarga (em metros) igual à distância medida na vertical entre o eixo da bomba e o nível do líquido no reservatório de descarga. a qual traduz o ganho energético do líquido na sua passagem pela bomba.Altura máxima de aspiração (m). γ.Altura de elevação.Altura equivalente à pressão atmosférica (m). Q . pela bomba.4. Designando por Hc a carga à entrada na bomba. A potência absorvida pela bomba tem de ser superior à que esta cede ao escoamento.33m.26 4.Altura manométrica (m) = Haspiração + Hcompressão. considerando que o fluido bombeado é água.c.) u 2 2g corresponde ao valor das perdas de carga na saída (m.Caudal.

9. de serviços. Fig. recorrendo. Os caudais de cálculo da rede predial de água quente devem ser obtidos de acordo com o disposto para a água fria. Pmáx.2 Aparelhos produtores de água quente É importante que o sistema de aquecimento de água seja definido já na fase de projecto.25Qp (Pmáx + 10)} / {4N(Pmáx . 9.c. a qual refere que o volume ocupado por uma dada massa de gás. se necessário. No dimensionamento hidráulico da rede predial de água quente deve seguir-se o disposto para a água fria mas ter em consideração um coeficiente de rugosidade menor. Vtotal = {1.4.Reservatório hidropenumático Vtotal = {Vágua (Pmáx + 1)} / {0.c. industriais e similares (unidades hoteleiras.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. e que é expressa por: P1V1 = P2V2= c em que P1 e P2 representam as pressões de sujeição.pressão manométrica mínima (m. Nos edifícios de habitação é sempre obrigatória a existência de sistemas de produção e distribuição de água quente a cozinhas e instalações sanitárias. à circulação forçada ou retorno. como alternativa aos reservatórios hidopneumáticos.).Pmin)} O objectivo dos depósitos hidropneumáticos é o de limitar o número horário de arranques dos grupos de sobrepressão.1 Aspectos gerais Far-se-á. V1 e V2 os correspondentes volumes ocupados e c é uma constante (constante dos gases perfeitos). permitir que em utilização normal os sistemas elevatórios não funcionem em períodos nocturnos de pequenos consumos evitando os ruídos e vibrações que tanto incomodam e são objecto de justas reclamações pelos habitantes dos respectivos edifícios. Em situações de edifícios de habitação. de seguida. Estes sistemas visam garantir o fornecimento de água quente nas condições de temperatura. Qp. quantidade e qualidade adequadas ao uso sanitário. Pmin. Vamin o volume de ar a que corresponde a pressão mínima.8 (Pmáx .5.5 Dimensionamento dos reservatórios hidropneumáticos Os reservatórios hidropneumáticos são dimensionados tomando por base a "Lei de Boyle-Mariotte". uma vez que sua instalação adequada exige certos cuidados que interferem directamente no desenho do projecto.Pmin)} Vtotal = {Qp Pmáx } / {4N Pmáx . unidades de saúde. Importante é considerar as condições técnicas que determinam a sua utilização. N. Vágua o volume de água a introduzir no reservatório e Vr o volume de reserva ou segurança. que proporcionem economias numa relação de poupança energética/eficiência do sistema. A rede predial de água quente visa assegurar a distribuição em boas condições de água quente sanitária. logo menor perda de carga. 145 . uma abordagem dos sistemas prediais de abastecimento de água quente sanitária. Considerando o reservatório representado na figura.número de arranques por hora. tendo em atenção o caudal de bombeamento e os limites de pressão pré-estabelecidos.). centros comerciais.volume do depósito (m3). tendo em conta os factores já mencionados.pressão manométrica máxima (m. pois ao limitarem o número de arranques por hora podem.(Pmin-2)} Vtotal. varia na razão inversa das pressões que suporta. 2 .caudal bombeado (m3/h). Os sistemas de produção e distribuição de água quente devem garantir as temperaturas mínimas de utilização necessárias nos dispositivos de utilização em função do grau de conforto e economia desejados. Vamax o volume de ar a que corresponde a pressão máxima.a.5. As fórmulas empíricas permitem a determinação dos volumes totais dos depósitos respectivamente para os depósitos sem membrana e com membrana. hidráulicas e de ventilação.) justificam-se soluções de instalação de sistemas elevatórios de velocidade e caudal variável.a. onde Pmáx representa o nível máximo de água a que corresponde a pressão de paragem do elemento de bombeamento. mantendo constante a temperatura. etc. Pmin representa o nível mínimo a que corresponde a pressão de arranque do elemento de bombeamento. se adequadamente dimensionados. incluindo a questão da recirculação e isolamento térmico. Os reservatórios hidropneumáticos são importantes em edifícios de habitação. tal como nas instalações eléctricas.5 Sistemas prediais de distribuição de água quente 9.

2 100 litros (horas) 100/33. temos a situação referida no quadro seguinte. A escolha do sistema depende do tipo de energia a ser utilizado para aquecer a água: eléctrico.2=5.3000w. Tipo de Aquecimento termoacululador lento Potência (Kcal/h) ∆T=60°C-15°C 864 45°C Aquecimento normal 1512 45°C Aquecimento rápido 2592 45°C Caudal aquecido 864/45=19. As caldeiras murais são muitas vezes sistemas mistos que combinam a produção de água quente para aquecimento do ambiente (circuitos fechados) com a produção instantânea de água quente sanitária. 13 e 16 l/min. normal e rápido. Aquecimento rápido . através de um circuito primário de aquecimento. afectado de um coeficiente de utilização simultânea. sendo esta última característica a que determina a designação vulgar de termoacumuladores de aquecimento lento. os valores encontrados são os indicados no quadro. em que a água aquecida fica armazenada em acumuladores. Aqui. Os termoacumuladores eléctricos correntes no mercado com capacidade de 100 litros e apresentam uma das seguintes potências: Aquecimento lento . à medida em que passa pelo aparelho. 3 .Esquema tipo de ligação a termoacumuladores Os termoacumuladores a gás possuem potências térmicas mais elevadas do que os eléctricos. 9. b) De passagem.1000w.6=1.6=3.2 l/min As potências dos termoacumuladores eléctricos são variáveis consoante as suas capacidades e os tempos de aquecimento.3 Necessidades de água quente e escolha dos aparelhos de produção As necessidades instantâneas de água quente devem ser estimadas a partir do somatório dos caudais instantâneos a atribuir aos dispositivos de utilização servidos por água quente. A partir daí.6 em 1 hora (litros) Tempo de aquecimento de 100/19.6 2592/45=57. 146 . A produção de água quente para distribuição aos dispositivos de utilização pode fazer-se. nos ensaios de qualidade e na sua localização e instalação e é obrigatória a instalação de válvula de segurança no ramal de alimentação de termoacumuladores. através de aparelhos de produção instantânea (esquentadores) ou de aparelhos de acumulação (termoacumuladores eléctricos ou a gás e depósitos de água quente com circuito primário de aquecimento) ou ainda pela combinação de ambos. Se a temperatura da água fria for de 15°C à entrada no esquentador e que se pretende água quente a 40°C. considerando que 1KW = 0. sendo as mais usuais de 250.2 1512/45=33. 320 e 380 Kcal/min. consoante as características do edifício de habitação. Aquecimento normal . em que a água é aquecida gradualmente. Sendo a temperatura normal de acumulação de 60°C e para uma mesma temperatura de 15°C de água fria.864 Kcal. a gás ou solar.7 Fig. Por razões de segurança é interdita a instalação de aparelhos produtores de água quente a gás nas instalações sanitárias ou em locais que se não situem junto da envolvente exterior do edifício. Os esquentadores apresentam-se no mercado com diferentes potências. o que leva as designações comerciais correntes dos esquentadores em 10. o que pressupõe o conhecimento das características térmicas dos aparelhos atrás referidos. promover a acumulação de água quente em depósitos de água.0 100/57.Q. A escolha do sistema a instalar deve ser efectuada em função das necessidades instantâneas e horárias de água quente e da análise técnico económica das várias alternativas que se nos oferecem. tais como o aquecimento central ou a climatização. comportam-se como vulgares esquentadores ou podem. Potência Térmica (kcal/min) Débito de A.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto A segurança dos aparelhos produtores de água quente deve ser garantida na sua construção. o que permite aquecer o mesmo volume de água em menos tempo ou reduzir a capacidade do depósito de acumulação. é definido o sistema de alimentação dos equipamentos: a) Por acumulação.1750w. Deve ter-se ainda em atenção a necessidade de água quente para outros fins (que não os sanitários).5.8 l/min 380 380/25= 15. a 40°C ∆t=40°-15°=25°C 250 250/25= 10 l/min 320 320/25= 12.

Fig. etc. para o dimensionamento das bombas de recirculação deve-se determinar a perda de carga total do circuito: às perdas de carga contínuas é necessário adicionar as perdas de carga acidentais (curvas. o que se traduz num consumo instantâneo menor de gás. caleiras ou tectos falsos.6. As canalizações interiores da rede predial de água fria ou quente podem ser instaladas à vista.100 kcal/h e considerando o diferencial térmico de 45°C entre a temperatura de água fria e de água quente acumulada. colocadas em paredes ou instaladas em caleiras. em galerias.Distribuição de água quente com recirculação 147 . Para tubos metálicos. horizontais e verticais. Deve-se ter em consideração que as perdas de calor na tubagem variam consoante o tipo de isolamento.5 9. A exigência de acessórios pode ser dispensada nos casos em que se utilizem canalizações flexíveis.1 Aspectos gerais O traçado das canalizações deve ser constituído por troços rectos. teremos por hora 313 l (14100kcal/h:45°C). ligados entre si por acessórios apropriados. Na instalação de canalizações de água quente assume particular importância as dilatações e contracções das tubagens. 5 .Distâncias máximas sem retorno DIÂMETRO E DISTÂNCIA MÁXIMA SEM RETORNO d (mm) 15 (1/2'') 20 (3/4'') 25 (1'') 32 (1¼'') 40 (1½'') l (m) 50 30 15 10 7. nomeadamente na instalação de juntas e no tipo de braçadeiras a utilizar. 4 . Como distâncias meramente indicativas para que se deva ponderar a hipótese de adoptar. Devem ser tidos em consideração os problemas de dilatação e contracção da tubagem. com vantagem económica e conforto.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Um termoacumulador a gás com a potência de 14. tês. o diâmetro do tubo. bem como a qualidade e conforto que se espera do sistema.6 Traçado 9. A potência deste termoacumulador é inferior à de um esquentador de 10 l/min (14100kcal/h=235kcal/min). válvulas. devendo os primeiros possuir ligeira inclinação para favorecer a saída do ar. Por outro lado. o circuito de recirculação ou retorno apresenta-se o quadro seguinte: 9. Diâmetro DN 15 DN 20 DN 25 Locais n/ aquecidos Tubos isolados 16 23 27 Locais aquecidos Tubos isolados 13 16 22 Fig. consideraram-se aceitáveis os valores seguintes para perdas de calor em kcsl/h por metro linear de tubagem. devendo ser sempre protegidas de acções mecânicas e isoladas termicamente quando necessário. A rede de distribuição deve ser dimensionada até à última derivação pelo método de dimensionamento definido pelo regulamento. com vista à sua selecção. o tipo de tubagem e a temperatura ambiente nos locais em que circulam.5.).5% como valor orientativo. a consulta e análise das curvas características das bombas é fundamental. Seguidamente.4 Sistemas de distribuição de água quente com recirculação A implementação em edifícios dos sistemas de distribuição com retorno de água aos aparelhos de produção exige alguma atenção pelas economias de água e energia que podem proporcionar. As canalizações não embutidas são fixas por braçadeiras espaçadas em conformidade com as características de material. As canalizações exteriores da rede predial de água fria ou quente podem ser enterradas em valas. embainhadas ou embutidas. recomendando-se 0.

com ou sem revestimento cromado.2 Válvulas As válvulas devem ser colocadas em locais acessíveis por forma a permitir a sua fácil manobra e manutenção. procedendo-se ao seu isolamento por juntas dieléctricas. 9. g) Ser evitado o assentamento de canalizações metálicas em materiais potencialmente agressivos. não embutidas. 9. cobre ou aço inoxidável ou outros adequados e aprovados. imputrescíveis. não corrosivos.7 Elementos acessórios da rede 9. Execução das redes prediais As canalizações de água quente devem ser colocadas. Valores de espessura de isolamento recomendados 9. sempre que possível. b) No caso de materiais diferentes. As torneiras e os fluxómetros podem ser de latão. ou de outros materiais que reunam as necessárias condições de utilização. b) Embutidas em elementos estruturais. por forma a permitir a sua fácil manobra e manutenção. preferencialmente.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. o material mais nobre ser instalado a jusante do menos nobre. d) O assentamento de canalizações não embutidas ser feito com suportes de material inerte. d) Em locais de difícil acesso.6. e) Em espaços pertencentes a chaminés e a sistemas de ventilação. incombustíveis e resistentes à humidade.Isolamento térmico de canalizações As canalizações e respectivos isolamentos devem ser protegidos sempre que haja risco de condensação de vapor de água. As tubagens e acessórios que constituem as redes interiores de água fria podem ser de aço galvanizado. quando de pequeno comprimento. devem ser sempre isoladas com produtos adequados.7. Devem ainda ser consideradas medidas destinadas a atenuar os fenómenos de corrosão. ferro fundido. h) As canalizações enterradas serem executadas. de preferência com o mesmo material. As torneiras e fluxómetros devem ser colocados em locais acessíveis.7. f) As canalizações metálicas serem colocadas. devendo para o efeito: a) As canalizações metálicas da rede serem executadas. sempre que possível. mas também em zonas de baixas temperaturas as de água fria. excepto quando flexíveis e embainhadas. do mesmo material. PVC rígido.6. ou de material de nobreza próxima inferior. com materiais não metálicos. 6 . de infiltrações ou de choques mecânicos. A distância mínima entre canalizações de água fria e de água quente é de 50 mm.2 Isolamento das canalizações As canalizações de água quente. 148 . Podem não ser isoladas as derivações para os dispositivos de utilização e respectivos ramais de retorno. c) O assentamento de canalizações metálicas de redes distintas ser feito sem pontos de contacto entre si ou com quaisquer elementos metálicos da construção.1 Torneiras e fluxómetros Fig. paralelamente às canalizações de água fria e acima destas. e) O atravessamento de paredes e pavimentos ser feito através de bainhas de material adequado de nobreza igual ou próxima inferior ao da canalização. As canalizações não devem ser instaladas nas seguintes condições: a) Sob elementos de fundação. c) Embutidas em pavimentos.3.

aço e PVC. podendo estes ser colocados isoladamente ou em conjunto. . . garantindo-se a medição de todos os consumos. parâmetros que determinam a definição do contador: a) As características físicas e químicas da água.De qualquer rede não destinada a fins alimentares e sanitários SEGURANÇA Manter a pressão Na alimentação de abaixo de determinado aparelhos produtores valor por efeito de .Nos edifícios com logradouros privados.M. 149 . O espaço destinado ao contador ou bateria de contadores e seus acessórios deve obedecer aos esquemas tipo apresentados pelos SMAS. no caso de um só consumidor. b) A pressão de serviço máxima admissível. PERDAS DE CARGA EM CONTADORES (VALORES APROXIMADOS EM METROS DE COLUNA DE ÁGUA .Equipamento produtor de água quente . Contadores É aos SMAS. o calibre e a classe metrológica do contador a instalar. 7 . deste modo.dos ramais de distribuição das instalações sanitárias e das cozinhas A montante: .Aparelhos produtores . os contadores devem localizar-se no seu interior. aquela que define o tipo. Fig.Acumuladores de descarga água quente Manter a pressão abaixo de determinado valor com a introdução de uma perda de carga Nos ramais de introdução sempre que a pressão seja superior a 600Kpa e ou as necessidades específicas do equipamento o exijam.dos ramais de introem qualquer dos dução individuais sentidos .Fluxómetros .Purgadores de água A montante e a jusante: .A.Perdas de carga em contadores REDUTORA DE PRESSÃO É obrigatório instalar um contador por cada consumidor.Contadores RETENÇÃO Impedir a passagem de A montante: água num dos sentidos . constituindo.Máquinas lavar louça . São.3. no caso de vários consumidores.C. ou outros e serem de material de nobreza igual ou tão próxima quanto possível do material das tubagens em que se inserem. na zona de entrada ou em zonas comuns consoante se trate de um ou de vários consumidores.) SECCIONAMENTO Impedir ou estabelecer À entrada: a passagem de água . contudo. os contadores devem localizar-se: a) No logradouro junto à zona de entrada contígua com a via pública. c) O caudal de cálculo previsto na rede de distribuição predial. b) No interior do edifício.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto TIPO DE VÁLVULA FINALIDADE É OBRIGATÓRIA A SUA INSTALAÇÃO: 9. uma bateria de contadores. bronze. em zonas comuns ou no logradouro junto à entrada contígua com a via pública.Máquinas lavar roupa . como entidade responsável pelo sistema de distribuição pública de água.Acumuladores de água quente . A localização dos contadores é a seguinte: REGULAÇÃO Permitir regulação do caudal As válvulas podem ser de latão. d) A perda de carga que provoca.Autoclismos .Nos edifícios confinantes com a via ou espaços públicos.7.

antes de entrarem em serviço. f) Recolha de amostras Recolher amostras para análise laboratorial confirmativa da qualidade da água. inclusive este. juntas e acessórios à vista. 150 . de forma a libertar todo o ar nelas contido e garantir uma pressão igual a uma vez e meia a pressão máxima de serviço. depois de equipados com os dispositivos de utilização e antes de entrarem em funcionamento.2 Desinfecção dos sistemas Os sistemas de distribuição predial de água para consumo humano. O processo de execução e interpretação do ensaio é o seguinte: a) Ligação da bomba de ensaio com manómetro. d) Esvaziamento do troço ensaiado. b) Enxaguamento prévio da rede Esvaziar a rede através das torneiras de purga existentes nos pontos mais baixos. introduzir a solução desinfectante sob pressão com um caudal regulado em função do caudal do escoamento fixado (1 parte da solução para 9 partes da água em escoamento). repetindo a operação durante cerca de 2 horas.8 Verificação. encher de novo e esvaziar. O volume da solução deve ser de 1/10 do volume da rede a desinfectar. e de forma que não seja possível qualquer refluxo para a rede pública da solução desinfectante. Quando a cor violácea aparecer na última torneira. e que se encontrem previamente desinfectados os órgãos situados desde o ponto de injecção até ao ramal de ligação. para assegurar uma limpeza eficaz. incluindo os respectivos reservatórios quando existirem. Fechá-la de seguida e passar à seguinte.Instalação de contadores 9. c) Leitura do manómetro da bomba. durante um período mínimo de 30 minutos. desinfecção e funcionamento hidráulico 9. localizada tão próximo quanto possível do ponto de menor cota do troço a ensaiar. d) Período de contacto Manter a rede isolada durante um período de 48 horas. isto é. fechá-la e parar a injecção da solução desinfectante. c) Introdução da solução desinfectante Fig. será suficiente para a lavagem final da rede. em princípio. a fim de o desinfectante poder actuar. A verificação da conformidade do sistema com o projecto aprovado e com as disposições legais em vigor deve ser feita com as canalizações e respectivos acessórios à vista. Através do ponto de injecção. Esta operação deve ser feita na véspera do dia de início da desinfecção. até conseguir uma solução o mais homogénea possível. 8 . com o mínimo de 900 kPa.8. ou para qualquer outra rede predial interior.8. convenientemente travados e com as extremidades obturadas e desprovidas de dispositivos de utilização. deixando sair a água durante cerca de 2 horas. e) Enxaguamento final Abrir as torneiras pela ordem inversa da adoptada no enchimento. devem ser sujeitas a verificação e ensaios com o objectivo de assegurar a qualidade da execução e o seu funcionamento hidráulico. A desinfecção da rede predial só deve ser feita depois de estabelecido e aprovado o ramal de ligação pela entidade responsável pelo sistema de distribuição pública de água.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. em caudal razoável. devem ser submetidos a uma operação de desinfecção com permanganato de potássio. de montante para jusante (do contador para as extremidades da rede) cada torneira até ao aparecimento da cor violácea. com a seguinte metodologia: a) Preparação da solução desinfectante Dissolver a quantidade de permanganato de potássio necessária (150 gramas por cada m3 de volume da rede a desinfectar) em água aquecida a uma temperatura entre 40°C e 45°C. b) Enchimento das canalizações por intermédio da bomba. período este que. que não deve acusar qualquer redução. Abrir. de jusante para montante. O ensaio de estanquidade deve ser conduzido com as canalizações.1 Verificação Todas as canalizações.

º 304º). dos órgãos acessórios e instalações complementares e dos respectivos pormenores que clarifiquem a obra projectada. respeitando a Norma Portuguesa NP204 e contendo. deve verificar-se o comportamento hidráulico do sistema por simples observação visual. j) Representação esquemática axonométrica da rede de distribuição de água. dos diâmetros e inclinações das tubagens. As peças desenhadas devem ser apresentadas com formatos e dobragem concordantes com o estipulado nas Normas Portuguesas NP48 e NP49. paginadas e todas elas subscritas pelo técnico responsável pelo projecto. f) Legenda específica das redes representadas. Edificações existentes no terreno. e) Especificação quando se trata de projecto de alteração. se as houver. solicitando a aprovação do projecto. quando for caso disso. descrição da concepção dos sistemas. c) Documento do Município comprovativo da aprovação do projecto de arquitectura. com indicação dos materiais e acessórios das canalizações. de ampliação ou remodelação. Conclusão A concluir deixa-se a indicação dos elementos que devem instruir o processo de aprovação do projecto de redes prediais (Art. f) Cálculo hidráulico onde conste os critérios de dimensionamento adoptados e o dimensionamento das redes. d) Documento donde conste as condições definidas pelo Batalhão Sapadores Bombeiros. materiais e acessórios. As peças escritas devem ser apresentadas dactilografadas ou impressas em folhas de formato A4. indicando se se trata de obra nova. Indicação do corpo ou corpos que constituem as obras. equipamentos e instalações complementares projectadas. onde conste identificação do proprietário. o pedido de aprovação deve ser instruída com os seguintes elementos: a) Requerimento subscrito pelo promotor. 151 . Todos os desenhos devem possuir legenda no canto inferior direito. dirigido ao Director Delegado dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. e instalações complementares projectadas. e) Memória descritiva e justificativa. não excedendo as dimensões do formato A0. a seguinte informação: a) Designação e local da obra. natureza. Representação dos ramais de introdução de água e de águas residuais domésticas e Representação simplificada do colector predial.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. b) Termo de responsabilidade do técnico autor do projecto. k) Os elementos acima referidos serão apresentados em original e duas cópias para o referido nas alíneas b) a j). descrição do desenho. h) Planta de localização fornecida pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto.8. Assim. i) Peças desenhadas dos traçados em plantas e cortes à escala mínima 1:100. no mínimo. da obra específica a executar. Os caracteres alfanuméricos devem obedecer à Norma Portuguesa NP89. designação e local da obra. escalas e data. g) Estimativa descriminada do custo. a preços correntes.3 Prova de funcionamento hidráulico Após os ensaios de estanquidade e a instalação dos dispositivos de utilização. b) Identificação do proprietário. qualificação e assinatura do autor do projecto. c) Nome. tipo da obra. d) Número. na qual conste: Delimitação do terreno.

2000 COELHO. 1997 CANHA DA PIEDADE. Edições Orion. 1998 MEDEIROS. Instalações de Edifícios. 2004 MEDEIROS. 1995 PEDROSO. Instalaciones. RODRIGUES. Regras de Dimensionamento das Redes Prediais de Distribuição de Água Residuais Domésticas e Pluviais. Porto. Ed. H. Editorial Faculdade de Arquitectura.. Porto. Amadora. Editorial FEUP. Angel Luis. Envolvente e Comportamento Térmico. Carlos. 1998 MEDEIROS. 2004 MACINTYRE. Porto. 1990 MIRANDA.. Grupo Editorial CEAC. Archibald J. Ramos. Segurança Contra Incêndios em Edifícios de Habitação. Victor M. LNEC. A.. Amadora. A..A. Instalações Hidráulicas e Sanitárias.9 Referências bibliográficas BACELLAR. Redes e Instalações em Edifícios. 1996 Regulamento Geral dos Sistemas Públicos e de Drenagem de Águas Residuais e Prediais de Distribuição de Água. Carlos. Editorial FEUP. António Leça. Regulamento dos Sistemas Públicos e Prediais de Distribuição de Água e de Drenagem de Águas Residuais (Anotado). e RORIZ. Carlos. Climatização em Edifícios. Moret. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil. Manual de Instalações Hidráulicas e Sanitárias. S.. Barcelona. Luís F.R. Edições Orion. Livros Técnicos e Científicos Editora Rio de Janeiro. 1995 152 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9.

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10.Empresa Portuguesa das Águas Livres. SISTEMAS DE ABASTECIMENTO PÚBLICO E PREDIAL EM LISBOA Autor: Ana Amélia Santos Engenheira Civil Responsável do Departamento de Novos Abastecimentos Área de Negócio de Distribuição EPAL . 153 . S.A.

154 .

Remineralização e correcção de agressividade. Pelo seu "know-how". Filtração. colocando as suas capacidades ao serviço do interesse nacional. Actualmente. O primeiro registo de resultados de análises bacteriológicas à água pela antiga Companhia das Águas de Lisboa (CAL). desde os recursos hídricos utilizados até ao ponto de entrega ao consumidor. Equilíbrio e ajuste do pH e Desinfecção final com cloro gasoso. dispondo para o efeito de técnicos especializados nas áreas de microbiologia. As preocupações da EPAL não se centram somente ao nível da quantidade de água fornecida. do concelho de Lisboa. Um dos objectivos primordiais da EPAL consiste na monitorização da qualidade da água em toda a extensão do seu sistema de abastecimento. SA é uma sociedade anónima de capitais integralmente públicos. A EPAL é responsável por um sistema de produção. cuja gestão é da responsabilidade de duas Áreas de Negócio distintas: • Área de Negócio de Produção e Transporte responsável por todas as Captações. qualidade dos serviços prestados e larga experiência. o Laboratório Central da EPAL orgulha-se de ser um dos melhores laboratórios de análises de água do país e da Europa. que garantem a produção e o transporte de água. afecta ao abastecimento domiciliário. quer individualmente quer integrada no Grupo AdP . de 26 concelhos da margem norte do rio Tejo. correspondendo a área total abastecida a 5 443 Km2. merecendo referência a sua participação em projectos de âmbito internacional. Origem e qualidade de água A EPAL abastece de água com qualidade cerca de 2. na sua área de influência e eventualmente noutras áreas limítrofes. Para assegurar a qualidade da água.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa EPAL . • Área de Negócio de Distribuição responsável pela gestão e manutenção da Rede Geral de Distribuição.Empresa Portuguesa das Águas Livres.Águas de Portugal. Esta preocupação é de facto histórica e está comprovada pelo estudo analítico mais antigo (1791) que se conhece sobre as águas do sistema de abastecimento de água à Cidade de Lisboa.Das origens à torneira do consumidor A EPAL . modernidade das tecnologias utilizadas. Estações de Tratamento e Adutores. remonta a 1897. esta é submetida a vários processos nas estações de tratamento: Pré-cloragem.6 milhões de pessoas. cuja missão é o abastecimento de água para consumo humano. onde assegura o abastecimento domiciliário. no concelho de Lisboa. detida a 100% pela AdP . 155 . mas principalmente ao nível da qualidade. Coagulação química e floculação/decantação. bem como de equipamentos analíticos de última geração. visando a prestação de um serviço de qualidade com respeito pelos aspectos essenciais de ordem social e ambiental. Mantém relações contratuais com cerca de 335 mil clientes directos.Águas de Portugal. transporte e distribuição que se desenvolve ao longo de mais de 1 900 km. desempenha um papel fundamental para o desenvolvimento do sector da água quer nacional quer internacional. química orgânica e química inorgânica.

156 .

• Enquadramento legislativo. A experiência da EPAL ilustra os benefícios da adopção e divulgação de regras técnicas no âmbito interno. 9 estações elevatórias. Palavras . Neste sistema. quer por suspensões provocadas por obras de expansão ou renovação da rede. pressão. A EPAL é responsável por todo um sistema de produção ("alta") e distribuição ("baixa") que se desenvolve por mais de 1900 Km. Acrescente-se ainda que nos últimos anos. Aqueduto Tejo. 260 000 m3 de água por dia. organização. satisfação do Cliente. zonas de distribuição. localizados na cidade de Lisboa e para os quais se 157 . é constituída por 15 reservatórios. Este sistema tem um interface com o sistema de gestão de clientes para identificar os clientes cujo abastecimento possa ser afectado. a qual se estende desde o nível do rio Tejo até cotas superiores a 170 m. além de permitir localizar todas as condutas e órgãos da rede. Oeiras. projectou-se a construção do Adutor de Circunvalação. abrangendo uma breve descrição do Manual da EPAL publicado em Fevereiro 2002. evidenciando como os resultados foram efectivamente melhorados. qualidade de serviço. Deste sistema depende cerca de 335 000 clientes com contrato. • A concepção global dos sistemas prediais em Lisboa. respectivamente. 35 mil m3/dia. Aqueduto Alviela. As regras da EPAL no que se refere à elaboração dos projectos de redes prediais.1 Aspectos gerais O Sistema de Distribuição de água à cidade de Lisboa é um sistema complexo quer pela sua extensão. Adutor Vila Franca-de-Xira/Telheiras e pelo Adutor de Circunvalação. atingindo 4 ou 5 m. manual de redes prediais.1 Introdução A presente comunicação pretende dar a conhecer: • A concepção global dos sistemas de distribuição em Lisboa.5 m ou mesmo superior. bem como divulgar os resultados alcançados com o estabelecimento dessas mesmas regras. Em certas situações especiais e nos casos de maiores diâmetros. e directamente parte dos concelhos limítrofes designadamente Loures. a fiscalização bem como a ligação à rede de distribuição de água de todos os sistemas prediais na cidade de Lisboa.0 m de profundidade. É abastecida pelo Aqueduto Alviela. 70 000m3/dia de água para uma capacidade máxima efectiva de 300 000 m3/dia. utiliza em média. Abril de 2001.chave: sistema de produção e transporte. quer por roturas casuais cuja reparação é assegurada por piquetes que actuam 24 horas por dia.2 Caracterização da rede de Lisboa Em Lisboa. como sendo. Tejo e Adutor V. processo de abastecimento. É também da responsabilidade da EPAL a aprovação. bem como no âmbito do serviço prestado ao requerente do processo de abastecimento. com cerca de 1 400 Km. aproximadamente. Em termos gerais.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. actualmente transitam pela rede de Lisboa com destino aos concelhos limítrofes. A partir da entrada em funcionamento deste último adutor. Odivelas e Amadora. ou seja. a Rede Geral de Distribuição. quer pela acentuada orografia da cidade. cerca de 11 mil válvulas com diâmetros nominais variáveis entre 150 e 1 000 mm e 93 mil ramais de ligação aos prédios.Xira/Telheiras. eficiência e produtividade. cerca de 1 400 km de rede com diâmetros que variam entre os 80 e os 1500 mm. 360 mil m3/dia. legislação. precioso auxiliar das equipas de manutenção. apesar de pouco significativo. 10. Esgotada a capacidade máxima de transporte entre Vila Franca de Xira e Lisboa através dos três adutores existentes. A rede de distribuição de Lisboa está digitalizada e reproduzida num sistema de informação geográfica. a profundidade das condutas é de 2. A maior parte das condutas encontra-se aproximadamente a 1. fiabilidade. a Rede de Distribuição passou a estar sobre dimensionada face às suas necessidades. obra planeada de forma a abastecer os concelhos adjacentes desviando caudais da cidade de Lisboa. segurança e qualidade do serviço. tratamento/qualidade de água. proporcionando o abastecimento domiciliário numa área de 83 km2 que alberga uma população de 564 mil habitantes residentes.F. elevação.2 Concepção global dos sistemas de distribuição em Lisboa 10. 240 mil m3/dia e 60 mil m3/dia. cujas capacidades de entrega a Lisboa são. pretende também divulgar os aspectos relevantes dum serviço de interesse público de relevante impacto social. Em complemento. reserva. melhoria contínua. tem-se verificado uma diminuição dos volumes utilizados dentro da cidade. designado Interáqua. cuja gestão é da responsabilidade de duas áreas de negócio distintas: Área de Negócio de Produção e Transporte e Área de Negócio de Distribuição.2. são registadas todas as intervenções possibilitando a criação de uma base de dados relacionados com a manutenção da rede. sistema de distribuição.2. 10.

• Garantir a qualidade da água ao longo da rede.Esquema em planta representativo da rede de distribuição na cidade de Lisboa 158 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa A EPAL tem em curso um programa de renovação da rede.sistema integrado de medição. e a informação processada pelo sistema de clientes que regista a água facturada. 10. A Rede de Distribuição na cidade de Lisboa abastece os clientes em patamares altimétricos. • Reserva de água que garanta estabilidade no fornecimento e segurança em caso de incidentes. Complementarmente tem-se em desenvolvimento um sistema de apoio à decisão . por zona de abastecimento. identificados por cores diferentes na figura seguinte: Reservatório Estação Elevatória Ponto de entrega 1 sentido Ponto de entrega 2 sentidos Fig. Este sistema de medição integrado tem como finalidade o acompanhamento da evolução de perdas de água. nomeadamente. com substituição da rede mais antiga. de modo a integrar e tratar a informação sobre volumes de água utilizada em determinada malha de rede.2.2. de 30 em 30 metros.1 Princípios hidráulicos da rede Os principais princípios a ter em conta na Rede de Distribuição são: • Estabilidade das pressões nos pontos de abastecimento garantindo uma pressão mínima na soleira dos edifícios de 300 kPa e máxima de 600 kPa. • Existência de alternativas de abastecimento. 1 . cujo investimento é na ordem dos 80 milhões de euros.

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Na figura anterior são também identificadas as estações elevatórias e reservatórios que fazem parte integrante da rede de distribuição. da respectiva zona altimétrica. Esta localização permite garantir uma pressão na soleira do ponto de abastecimento entre os 300 kPa e os 600 kPa. bem como todas as interligações ao sistema de produção e transporte (distribuição em Alta). St. Cruz Fig. O sistema de distribuição de água da EPAL na cidade de Lisboa possui características muito próprias.Diagrama altimétrico representativo da rede de distribuição na cidade de Lisboa 159 . Os reservatórios que garantem o abastecimento das zonas altimétricas funcionam como reservatórios de extremidade e localizam-se aproximadamente 30 metros acima dos pontos de abastecimento mais elevados. no qual a água é elevada directamente para a rede de distribuição. 2 .

44 25 . tendo no entanto. Em termos de exploração.ALTURAS DE ELEVAÇÃO NOMINAIS NAS ESTAÇÕES ELEVATÓRIAS DA REDE DE DISTRIBUIÇÃO DE LISBOA Estação elevatória Destinos de elevação(a) Alturas de elevação aproximadas (m. exceptuando alguns casos que pode ir até 12 bar.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. para a sua degradação.Reservatório da Amadora Reservatório do Alto de Carenque (a) ZB . localizada. • Roturas devidas a aumentos das cargas externas transmitidas pelo solo. ferro fundido dúctil. a melhoria da fiabilidade das reparações.Reservatórios do Contador-Mor E do Vale Escuro Rede (ZM) . súbita ou continuada no tempo. sendo os principais: o aço. vindo a aumentar a sua aplicação. fibrocimento. No quadro seguinte pode-se observar. ferro fundido cinzento.2.c. através de mecanismos vários.Zona Média.Zona Baixa. salvo o caso da estação elevatória do Restelo. No caso da EPAL e dado o projecto de renovação de rede em curso.Reservatório do Restelo Telheiras Rede (ZS) . cujo único destino é o reservatório de Monsanto.a) 10. betão pré-esforçado. as alturas de elevação aproximadas para os diversos destinos. tendo naturalmente ao longo da sua vida sido utilizados diversos materiais. correntes vagabundas.2. QUADRO 2 . A predominância do ferro fundido cinzento.VARIAÇÃO DO NÚMERO DE ROTURAS ENTRE OS ANOS DE 2003 E 2004 Roturas Condutas DN ≤ 400 mm Condutas DN > 400 mm Roturas Em ramais Ano 2003 715 84 Ano 2003 1460 Ano 2004 534 49 Ano 2004 947 Variação -25% -42% Variação -35% Restelo Rede (ZA) . 10.Reservatório do Vale Escuro e de S. ferro fundido dúctil e ferro galvanizado.2 Caracterização dos materiais da rede O sistema da EPAL existe há mais de cem anos. ZA .Reservatório de Telheiras Aqueduto do Alviela Reservatório de Monsanto 122 21 80 65 35 .30 125 . • Deterioração ao longo do tempo da tubagem e/ou das juntas e acessórios. acessórios e componentes utilizados na execução das uniões. no que se refere à diminuição de roturas: Barbadinhos Rede (ZB) . ZM .Zona Superior 160 . • Roturas devidas a movimentos dos solos. A má utilização em termos de paragens e arranques dos grupos.Reservatórios de Campo de Ourique e do Arco 92 38 59 96 32 80 45 61 QUADRO 1 . o ano de 2004 espelha já alguns resultados positivos.Reservatório do Pombal Campo de Ourique Rede (ZA) . ZS .130 S. • Corrosão generalizada. polietileno de alta densidade.Reservatório do Pombal Rede (ZS) . e do fibrocimento continua sensivelmente a representar um maior peso. Jerónimo Rede (ZA) .Zona Alta. para cada estação elevatória existente na rede de distribuição. galvânica. a entrada em funcionamento do Adutor da Circunvalação.2.4 Identificação dos factores agressivos Os tubos e acessórios estão naturalmente sujeitos a diversos tipos de factores agressivos que contribuem. o PEAD. • Redução da secção útil dos tubos devido a incrustações.Reservatório do Arco Rede (ZA) .Reservatório da Charneca Rede (ZA) .2. numa média de 60 km/ano. nos últimos anos (desde 2002). manobras de válvulas.Reservatório de Monsanto Reservatório da Amadora Olivais Rede (ZB) .2. Esses factores podem ser classificados da seguinte forma: • Condições hidráulicas da rede As pressões são um dos principais factores agressivos (pressões em regime hidráulico permanente e transitório).2. com a retirada de caudais em trânsito na rede de Lisboa para os concelhos limítrofes. principalmente na renovação da rede. • Qualidade deficiente ao nível dos tubos.3 bar.3 Identificação das patologias mais correntes As patologias mais correntes em tubagens e acessórios assumem em geral as seguintes formas: • Roturas por acções de choque mecânico. a tubagem e acessórios estão sujeitos a factores agressivos relativos às condições hidráulicas na rede que se traduzem em pressões máximas em regime permanente que não excedem em geral 8. Jerónimo Rede (ZM) . incorrecto dimensionamento/instalação dos grupos hidropressores poderão estar na origem de uma degradação mais rápida do sistema de abastecimento.

parâmetro que em geral é utilizado para caracterizar a corrosividade dos solos.Cloreto. separados por longos períodos de acalmia.máx Reservatórios V.3 • Características químicas e físicas dos solos e das suas águas intersticiais A humidade do solo e a presença de sais dissolvidos são os factores que mais contribuem para a resistividade do solo.máx Zona Superior V. . do contacto da água com tubagens e acessórios de diferentes materiais.7 8. A esta variabilidade há a acrescentar a que resulta QUADRO 3 .Correntes vagabundas.Movimentos permanentes do terreno. Os factores químicos da água transportada na rede. resultante das extensões axiais e das curvaturas.9 8.min V. enquanto noutras reflectem as misturas de aduções diferentes. quando atingem teores agressivos. sendo o parâmetro identificado como relevante a deformação da tubagem.máx Zona Alta V. e conforme já mencionado. . A cidade de Lisboa situa-se numa zona de sismicidade moderada. . por zona de distribuição: • Características químicas das águas transportadas na rede Conforme já mencionado.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Mais especificamente no que se refere à concepção da rede de distribuição. Da complexidade dos três subsistemas adutores a quatro zonas de distribuição resulta que em algumas zonas da cidade.min V.min V.Efeitos da propagação das ondas sísmicas nas tubagens.4 8. Daqui resulta uma variabilidade das características da água aduzida. a água aduzida à cidade de Lisboa provém de três subsistemas distintos .6 7.Contaminação orgânica. .máx Zona Média V.5 6.min V. .6 7. como os assentamentos dos solos e sua liquefacção. Tejo e Castelo do Bode (captações superficiais e subterrâneas).min V. . .9 8. 161 . o valor de pressão mínimo actualmente disponibilizado pela EPAL é de 300kPa. caracterizada pela ocorrência de sismos fortes. A título meramente informativo resumem-se os principais factores agressivos do solo para os tubos metálicos: . assim como o valor máximo.7 6. de modo a evitar a ocorrência de sobrepressões é de 600kPa. sísmicas e mecânicas Os factores relevantes que podem contribuir para que as tubagens enterradas possam sofrer danos são: . que estão directamente relacionadas com o trânsito rodoviário e ferroviário.CONCENTRAÇÃO HIDROGENIÓNICA DA ÁGUA DISTRIBUÍDA EM LISBOA Parâmetro Zona Baixa V. que estão directamente relacionados com as suas características geotécnicas. . as características da água distribuída são bastante semelhantes às da água aduzida.máx Concentração Hidrogeniónica (pH) 7.Alcalinidade.Sulfato. degradam a tubagem afectando a qualidade da água.Cargas rolantes sobre o terreno. • Condições geotécnicas.Concentração hidrogeniónica (pH). A título meramente informativo apresenta-se no quadro seguinte a concentração hidrogeniónica (pH) da água distribuída em Lisboa.7 8.Alviela. em que se registam sismos fracos.Resistividade.

44 ALTURA DE ÁGUA (m) 3.00 116.70 5.50 4. encontram-se caracterizados no quadro seguinte: QUADRO 4 .ZL Zona Baixa .00 VOLUME TOTAL (m³) 9 250 38 570 9 504 20 186 4 500 11 460 127 200 58 112 114 297 6 892 5 130 9 226 9 925 10 162 4 470 438 884 LEGENDA: Zona Limite .27 126.43 92.70 4.2.ZS N. 3 .ZA Zona Superior-ZS 162 . OURIQUE TELHEIRAS I TELHEIRAS II POMBAL 1.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.ZA ZA ZA.72 90.5 Reservas de água Os reservatórios existentes e em serviço no sistema da EPAL de abastecimento à cidade de Lisboa.Cenário sísmico de danos na cidade de Lisboa 10.ZM.00 74.00 12. JERÓNIMO ARCO C.38 122.ZB Zona Média .30 152.30 57. os quais funcionam também como reservas de água.90 2.25 2.00 68.ZS ZA.10 171.ZM ZM ZA BOMBEAMENTO ZB.30 5.CARACTERIZAÇÃO DOS RESERVATÓRIOS EXISTENTES NO SISTEMA DE ABASTECIMENTO A LISBOA DESIGNAÇÃO ZONAS DE DISTRIBUIÇÃO GRAVIDADE BARBADINHOS OLIVAIS CONTADOR-MOR VALE ESCURO S.ZM.66 17.2.62 2.00 6.90 5. 4 .ZM Zona Alta .Distribuição das intensidades na cidade de Lisboa Fig.00 2.46 116.90 4.2 POMBAL 3 RESTELO CHARNECA I CHARNECA II MONSANTO TOTAL ZS ZA ZS ZS ZL ZA ZB ZB ZB ZB.60 5.10 152.00 119.90 5.ZA ZB.º 2 2 2 2 2 2 2 4 2 2 1 2 2 1 2 CÉLULAS COTA DE SOLEIRA 27.

34 1. no mês de maior consumo. se não forem verificados determinados critérios de concepção. Assim e dentro desta opção metodológica foi sentida a necessidade de iniciar um processo normativo conducente ao estabelecimento de uma base de informação padronizada. No quadro seguinte. previstos para os anos de 1995 e 2020. . previamente estabelecidas e divulgadas. para Lisboa: QUADRO 5 . em particular combates a incêndios.19 TIPO DE CONSUMO CAPACIDADE TOTAL (m³) Verifica-se que a capacidade total excede as necessidades de água estimadas para esses anos. Esta preocupação prende-se com a possibilidade de deterioração da qualidade da água nos reservatórios.aumentos súbitos de pedidos na rede por razões de emergência. opção que motivou à elaboração de um Manual. actuações de emergência.54 1. técnicos responsáveis pela instalação das redes prediais de água e instaladores.19 2020 (1) / (3) 1. destinada 163 .3 Concepção global dos sistemas prediais em Lisboa 10.1 Aspectos gerais É também da responsabilidade da Empresa a aprovação e a fiscalização das redes prediais na cidade de Lisboa. dirigido a projectistas. Os procedimentos de exploração integram rotinas de inspecção e de manutenção. PREVISTOS PARA OS ANOS DE 1995 E 2020 NECESSIDADES DE ÁGUA (m³/dia) 1995 (1) MÉDIO ANUAL MÊS MAIOR CONSUMO SEMANA MAIOR CONSUMO DIA MAIOR CONSUMO 438884 (2) 284413 327074 341295 369736 2020 (3) 284239 326875 341087 369511 COEFICIENTES (-) 1995 (1) / (2) 1. potencialmente. . Para com maior rigor avaliar a conformidade técnica dos processos de abastecimento foi publicado o Manual de Redes Prediais da EPAL.ajustamento dos caudais de adução aos pedidos na rede.2. se determinadas medidas não fizerem parte das normas de exploração e. NA SEMANA DE MAIOR CONSUMO E NO DIA DE MAIOR CONSUMO. na semana de maior consumo e no dia de maior consumo. a reunir conceitos e regras. além de envolver. ainda. 10. também é fundamental que seja garantida a qualidade da mesma água.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa A capacidade de reserva foi calculada atendendo às seguintes ocorrências: .34 1. que permitissem uma capacidade de resposta mais oportuna e qualitativa.falhas de adução por interrupções subsequentes a avarias no sistema de abastecimento de água ou cortes na alimentação eléctrica.28 1.54 1. mas sim um projecto há muito planeado.RELAÇÃO ENTRE A CAPACIDADE TOTAL DOS RESERVATÓRIOS E OS CONSUMOS MÉDIO DIÁRIO ANUAL.3. o qual não é uma ideia recente. Manual de Redes Prediais da EPAL 10. NO MÊS DE MAIOR CONSUMO.29 1.2.6 Estratégia de manutenção da qualidade da água A par com a necessidade de garantir duma forma optimizada as reservas adequadas de água no sistema para uma distribuição compatível com os consumos. de modo assegurar o cumprimento das regras definidas. apresentam-se as relações entre capacidade total e os consumos médio diário anual.

embora numa opção técnica condicionada pela normalização nacional existente.1 Capítulo I .Elaboração e circuito dos processos de abastecimento Tem como objectivo definir as regras para a elaboração e constituição de um processo de abastecimento. evidencia todo o circuito de um processo de abastecimento no seu desenvolvimento mais longo. mas tem como objectivo transmitir as regras que esta Empresa considera pertinentes. Subsidiariamente poderá também constituir elemento de consulta para instaladores. Dimensionamento Anexos A Terminologia B Simbologia C Documentos e Elementos Técnicos Constantes dos Processos de Abastecimento D Esquemas de Instalação e Execução E Legislação e Normalização Aplicáveis F Referências Bibliográficas. Na assunção deste pressuposto recomenda-se que sejam respeitadas todas as indicações consignadas no documento. por serem aqueles que conferem aos projectos a sua verdadeira potencialidade em termos de "linguagem técnica". com entrega de alterações ao nível da análise e da fiscalização: 10. considerando-se o referido Manual como um complemento da documentação técnica já existente na EPAL. para emissão de parecer. sendo particularmente desenvolvidos os primeiros. 10. 10.3.Generalidades Abordagem de aspectos gerais tais como a Legislação e Normalização.3. pois procura apresentar uma visão global conducente à obtenção de soluções que contornem os problemas detectados nos projectos de redes prediais. este deve ser entregue. desde a sua entrega nos Serviços da EPAL. assim como a descrição do seu circuito. permite uma optimização dos recursos utilizados pela EPAL na fase de análise dos mesmos.3.2 Capítulo II . o que conduz a prazos de resposta mais reduzidos. 164 . deveres e responsabilidades das diversas partes intervenientes. Generalidades II. compatíveis com os conceitos vigentes na EPAL. permitindo aos interessados a apresentação de processos de abastecimento. permitindo assim um desenvolvimento mais célere dos processos de abastecimento. O conteúdo do documento não pretende ser exaustivo e de modo algum dispensa a consulta de toda a regulamentação em vigor.3.3.3 Descrição dos capítulos estruturantes do Manual 10. até à fase de celebração de contratos de fornecimento de água. ou seja. A consulta do fluxograma a seguir representado. Uma correcta elaboração dos processos de abastecimento. na EPAL. Elaboração e Circuito dos Processos de Abastecimento III. de acordo com o estabelecido no capítulo II. Após a constituição de um processo de abastecimento.3. Concepção de Projecto e Disposições Construtivas IV.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa No Manual de Redes Prediais são abordados aspectos de concepção e execução.2 Estrutura do Manual de Redes Prediais A estrutura do Manual é constituída pelos seguintes capítulos e anexos: I.

5 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.Fluxograma de um processo de abastecimento 165 .

Responsabilidades de manutenção 166 . Fig.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa O fluxograma anteriormente apresentado poderia ser muito simplificado se todo o processo não tivesse que passar por frequentes e diferentes análises do mesmo. no que respeita a alterações entregues. 6 . 7 Ramal de Ligação Canalização que liga a Rede Geral de Distribuição à rede predial. seja na fase de análise ou/e na fase de fiscalização. responsabilidades de manutenção e recomendações. órgãos e equipamentos instalados na via pública. para serviço de uma propriedade. 8 Torneira de Suspensão do Ramal Válvula que regula o fornecimento de água ao prédio. É recomendável ainda que sejam respeitadas todas as indicações consignadas no documento. nomeadamente no que respeita à caracterização dos deveres. ou a bocas de incêndio e marcos de água. 9 Rede Geral de Distribuição Sistema de canalizações. permitindo assim um desenvolvimento mais célere dos processos de abastecimento.Redes prediais.

Quando o valor mínimo não for garantido.3 Capítulo III .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. constituído por grupos de velocidade variável e tendo em conta o especificado no Manual. a EPAL assegura a qualidade da mesma na sua rede geral de abastecimento. a pressão da rede geral de fornecimento deve ser aproveitada. em que a pressão mínima disponibilizada no ramal de ligação é suficiente para garantir as boas condições de fornecimento a todos os locais do edifício a serem objecto de contratos de fornecimento: b) Através de equipamento de pressurização directa. A adopção desta solução pressupõe que embora se recorra à pressurização.Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema simples gravítico 167 . quer as boas condições do fornecimento no que concerne à pressão e caudal nos dispositivos de utilização. É ainda de interesse apresentar uma síntese das soluções de abastecimento predial permitidas pela EPAL: a) Fornecimento totalmente gravítico.Concepção de projecto e disposições construtivas O capítulo III tem como objectivo definir as linhas orientadoras a adoptar na concepção global dos sistemas prediais de abastecimento de água. Nos casos em que este valor seja ultrapassado deve ser instalada válvula redutora de pressão. Como entidade responsável pelo fornecimento de água para consumo humano. A concepção dos sistemas prediais deve assim garantir.3. deverá ser prevista a instalação de equipamento de pressurização. de forma a evitar a ocorrência de sobrepressões (>600kPa). quer a manutenção dessa mesma qualidade. disponibilizado pela EPAL. assim como o valor máximo. pelo menos dois andares de pressão (gravítico e pressurizado): Fig. levando a que existam sempre que possível. 8 . actualmente de 300kPa. 7 . Mais especificamente no que diz respeito às pressões deve ser tido em atenção o valor de pressão mínimo. assim como indicar quais as disposições construtivas preconizadas pela EPAL.Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema misto gravítico e pressurizado Fig. na rede geral de distribuição de água.3.

Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema misto gravítico e pressurizado e abastecimento directo à rede de incêndio e rede sprinklers Fig. 10 .Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema misto gravítico e pressurizado e abastecimento ao serviço de incêndio a partir de depósito 168 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa c) Fornecimento efectuado a partir de depósito dotado de equipamento de elevação. exclusivamente para o sistema de incêndio e situações especiais: Situação I Situação II Fig. 9 .

Listagem não exaustiva de documentação. onde se definiu o traçado das canalizações. a título meramente exemplificativo.Consiste na compilação dos termos instituídos pela EPAL mais utilizados neste Manual. os mesmos não são vinculativos. através da apresentação de ábacos. 10. No entanto.4 Capítulo IV . possibilitando o controlo dos parâmetros relativos aos níveis de conforto e desempenho dos sistemas. a escolha dos materiais a utilizar e a selecção dos órgãos e dos equipamentos. Fig. 11 .Inclui as referências do "Capítulo II . Os cálculos justificativos. sendo sempre obrigatória a sua apresentação. F Referências Bibliográficas. é necessário efectuar o dimensionamento das canalizações. consistem: A Terminologia . A fase de dimensionamento funciona ainda como prevenção e detecção de erros de concepção. etc. apresentam-se nas seguintes figuras. tabelas e referências bibliográficas. ou se os mesmos se encontrarem incompletos devem ser apresentados novos cálculos.Elaboração e Circuito dos Processos de Abastecimento". constantes no Manual. no entanto. O projectista Relativamente ainda ao Anexo D. tal como as minutas tipo.Apresentação dos símbolos a utilizar na elaboração das peças desenhadas dos projectos de redes prediais. valores de velocidades de escoamento e de pressão disponível nos dispositivos de utilização. são componentes fundamentais do projecto da rede predial.Compilação de diversas indicações de carácter normativo relativas a alguns aspectos construtivos das redes prediais.3. salvo se indicado. C Documentos e Elementos Técnicos Constantes dos Processos de Abastecimento . estando o projectista livre de apresentar outros métodos desde que devidamente fundamentados.3. relativos ao dimensionamento. E Legislação e Normalização Aplicáveis . se forem detectadas irregularidades. uma vez que se determinam entre outros. No capítulo IV são apresentados alguns métodos de dimensionamento para cada situação.5 Anexos Os anexos. algumas das principais disposições construtivas relativas às redes prediais. previsto na legislação) D Esquemas de Instalação e Execução .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Situação III é responsável pelos valores neles apresentados e sua validade. já anteriormente mencionados. nomeadamente no que concerne aos diâmetros das tubagens e determinação das características dos equipamentos electromecânicos. B Simbologia .3. 169 .. 10. quadros de apoio.3. encontrando-se organizada por ordem alfabética. O dimensionamento dos Sistemas Prediais de Abastecimento de Água é efectuado de forma faseada através de um processo iterativo.Diagrama de abastecimento às redes prediais e serviço de incêndio a partir de depósito contabilizado a montante (condição excepcional para Hotéis e Hospitais.Dimensionamento Após a fase de concepção do projecto da rede predial de água.

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.Instalação de contadores em bateria 170 . 12 .

Instalação de contadores em caixa enterrada até DN 40 171 . 13 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.

14 .Instalação de contadores em caixa enterrada a partir de DN 50 172 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.

Instalação de ponto de ligação flangeado 173 . 15 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.

16 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.Pontos de ligação roscados 174 .

relativamente ao tempo de resposta. Instaladores e Donos de Obra. bem como na execução de ramais de ligação e instalação de contadores. tendo em conta que a lei vigente obriga que as respostas sejam emitidas dentro de um período de 20 dias úteis.5. demonstrando o reconhecimento e interesse por parte de Projectistas. O objectivo que originou a elaboração e publicação do documento começa agora a dar mostras de estar a ser concretizado. quadro e figuras. 18 . de resultados do exercício da área de Novos Abastecimentos entre 2000 e 2004. principalmente através dos comentários construtivos. no entanto. Empreiteiros.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. todas as opiniões.17 .000 3. nos quais se reflecte de alguma forma o contributo do Manual. sendo eles: "Elaboração e circuito dos processos de abastecimento" e "Condições técnicas de instalação de contadores em bateria". sendo este um documento dinâmico. ou seja. 175 . serão de especial interesse para o enriquecimento técnico das futuras edições.2 Quantificação dos processos de abastecimento e dos resultados práticos A título informativo. é com satisfação que já se distribuíram mais de três centenas de exemplares. a seguir. são introduzidas acções correctivas. Estas publicações servem actualmente de apoio ao Manual. a quantificação do número de processos de abastecimento de 2004. No início de 2003 foram editados mais dois novos folhetos designadamente. não só da Cidade de Lisboa como de outras zonas do País. verificando-se em obra que o mesmo tem ajudado na implementação de algumas regras de construção. Também sempre que os colaboradores detectam erros sistemáticos.000 4. 65% < 5 dias entre 5 e 20 dias entre 20 e 40 dias mais que 40 dias 5% 5% 25% Fig. Na figura seguinte pode-se observar em percentagem.3.5 Resultados práticos 10. Através deste tipo de controlo.Gráfico comparativo da variação do número de processos em curso e pendentes na EPAL entre o ano de 2000 e o ano de 2004 No que se refere ao nível de serviço. tendo-se obtido um equilíbrio maior entre a análise e a fiscalização dos processos de abastecimento. feitas algumas sugestões de melhoria que têm sido apontadas e que serão devidamente estudadas no intuito de virem a surtir efeito em revisão com vista a uma futura emissão. consegue-se obter a percepção da evolução da qualidade do serviço e a identificação das áreas de melhoria do ponto de vista do mercado.000 5.3. a EPAL tinha uma perspectiva de distribuição entre os 90 e os 100 exemplares até ao final do ano. Internamente.3. durante o ano de 2004. no início de 2002.5. apresentam-se. por vezes. notando-se que os projectos registam algumas melhorias ao nível da sua concepção e apresentação. "Instalação de contadores em caixa" e "Contador de obra". foram desenvolvidos e implementados dois novos folhetos. passado dois anos e meio da sua publicação. também tem sido mais positiva. estes são analisados e adoptadas acções correctivas para impedir a sua repetição. Nº de Processos 6. sempre que os indicadores apresentam desvios. sendo.3. A imagem.4 Outras publicações complementares Paralelamente à edição do referido documento. Fig. No entanto. pelo que as mesmas serão sempre bem vindas. efectuou-se uma contabilização dos tempos de resposta dos processos de abastecimento.000 Mês/Ano Dez-00 Dez-01 Dez-02 Dez-03 Dez-00 Dez-01 Dez-02 Dez-03 Set-04 Situação 0 Set-04 Em curso Pendentes da EPAL Pendentes de Clientes 10. no exterior.000 1.Gráfico comparativo da variação relativamente ao tempo de resposta aos processos de abastecimento 10. facilitando os procedimentos de fiscalização e de execução da obra. a dinâmica dos diferentes serviços melhoraram.000 2.1 Divulgação da documentação Aquando da disponibilização do Manual de Redes Prediais em Fevereiro de 2002.

não é afectado pelo disposto no presente diploma".Regime Jurídico de Empreitadas de Obras Públicas.4 Enquadramento legislativo A EPAL possui um regulamento geral de abastecimento de água que foi posto em vigor pela portaria nº 10 716. pelos seus estatutos. Decreto-Lei nº64/90. é mencionado também o seguinte:" Sem prejuízo da aprovação de um novo regulamento aplicável à EPAL.A. de 23 de Agosto . S. relativo à Empresa Portuguesa de Águas Livres.". de 21 de Junho. Regulamento de Segurança e Acções para Estruturas de Edifícios e Pontes. os consumidores directos continuam a reger-se pelo disposto no regulamento aprovado pela portaria nº 10 716.A.Aprova o Regulamento Geral dos Sistemas Públicos e Prediais de Distribuição de Água e Drenagem de Águas Residuais. parágrafo 2. é mencionado que: "A EPAL. Pode-se concluir que. de 21 de Fevereiro . cuja aplicação decorra do objecto da sociedade. S. facilitando a implementação de regras instituídas na empresa e aumentando a interacção com o exterior. o que constitui uma contribuição positiva para a concretização do objectivo inicialmente pretendido com este projecto.. presentemente. No Decreto-Lei nº 230/91 de 21 de Junho. 10.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Esta atitude permite a melhoria sistemática dos processos e. Com efeito. beneficiam com a publicação deste documento. tanto a EPAL como os agentes externos da área. conclui-se assim que a EPAL se encontra numa situação de excepção. no entanto esta Empresa sempre fez questão de orientar-se pelos Regulamentos e Decretos-Leis vigentes: Decreto Regulamentar nº 23/95. Decreto-Lei 320/2001 e 272/2003 (segurança). parágrafo 2. rege-se pelo presente diploma. e no Artigo 8º. pelas normas de direito privado aplicáveis às sociedades anónimas e pelas normas especiais. no Artigo 1º. 176 . Pelo anteriormente exposto. (EPAL). com o qual os serviços se regem. assegura a conformidade do serviço fornecido ao Cliente. na sua redacção actual". como tal. face alguma da legislação actualmente aplicável a todo o país. o artigo nº 31 do Decreto-Lei nº 207/94 estabelece que: "O regime estabelecido no Decreto-Lei nº 230/91.Aprova o Regulamento de Segurança contra Incêndio em Edifícios de Habitação. Regulamento de estruturas de Betão Armado e Pré-esforço.A. Decreto-Lei nº59/99. 2 de Março . de 24 de Julho de 1944. S. do qual se espera no futuro vir a reflectir-se numa melhoria qualitativa e quantitativa. de 24 de Julho de 1944 e suas alterações entretanto publicadas.

" Manual de Redes Prediais".elaborado pela Empresa Aquasis para a EPAL. " Especificação de materiais para a rede de abastecimento da água da EPAL" .Relatório 254/99-NES. 2001. Setembro 1997 . 177 .5 Referências bibliográficas " Plano Geral da Rede de Distribuição de Água a Lisboa e do Abastecimento aos Concelhos limítrofes" . EPAL.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. elaborado pelo LNEC para a EPAL.Relatório Final.

178 .

SISTEMAS DE REGA SOB PRESSÃO: EFICIÊNCIA. POLIVALÊNCIA E ECONOMIA Autor: José Beltrão Professor Catedrático. Polivalência e Economia 11. Universidade do Algarve. Faro 179 . FERN.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.

180 .

hoje. Tecnologia e Saúde. com espaços ao ar livre e estufas. A Horto-fruticultura foi reestruturada e adoptou o nome de Engenharia Agronómica . as Unidades foram extintas e as Faculdades vieram substituir as anteriores estruturas. em 1993. A FERN é constituída hoje por mais de 50 docentes. criada pela Lei n. Ciências Humanas e Sociais. como não podia deixar de ser. Em 1998.especialidade de Marketing e Comercialização. de 26 de Dezembro. resultou da união das duas instituições previamente existentes: a Universidade do Algarve. Polivalência e Economia A Universidade do Algarve A Universidade do Algarve. Ciências do Mar e Ambiente. criado pelo decreto-lei n. cedo se alçou de instalações provisórias a espaços amplos. integra a Rede de Universidades Portuguesas de Ensino Agronómico . de ensino e investigação.especialidade de Marketing e Comercialização. Nas proximidades está localizado o Horto Experimental de Gambelas. Para além dos docentes integram a Faculdade mais de 25 funcionários e.º 513-T/79. com centros de investigação nacionais e internacionais. tal como existe neste momento. Gestão. Em 1991. Engenharia de Recursos Naturais. trabalho. após a criação da Universidade do Algarve. Por exemplo. e foram iniciadas as licenciaturas em Engenharia Biotecnológica. Um edifício recém inaugurado.Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais A Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais . Em 1992 integrou o 'grupo internacional' de oito universidades que lançou e coordenou o Mestrado em Hortofruticultura .RUPEA e tem numerosos e abrangentes protocolos de colaboração. Hotelaria e Turismo. foi constituído o Centro de Desenvolvimento de Ciências e Técnicas de Produção Vegetal . Inicialmente adoptou a designação de Unidade de Ciências e Tecnologias Agrárias .Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. e em Arquitectura Paisagista. As duas licenciaturas de Engenharia estão reconhecidas pela Ordem dos Engenheiros. cinco anos mais tarde.UCTA e assumiu a responsabilidade do ensino da licenciatura em Hortofruticultura.º 11/79 de 28 de Março e o Instituto Politécnico de Faro. por exemplo. Entre 1982 e 1998 a então UCTA foi crescendo e alargando os seus horizontes. É também uma Faculdade integrada no mundo global que a envolve. A FERN . e com empresas da região e do país. Engenharia Biotecnológica. situado no Campus de Gambelas.CDCTPV.ramo Hortofruticultura. mais de 700 estudantes.Penha e Gambelas . Recursos Hídricos. investigação e socialização aos cerca de 10 000 estudantes.Educação. Tendo nascido do sonho de poucos e da vontade de muitos. 700 docentes e 400 funcionários que gravitam no seu universo.e de dois Pólos . 181 . No ano de 2003 a Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais estava envolvida em mais de 30 projectos de investigação. esta Faculdade inclui 46 gabinetes. de dois Campus .Portimão e Vila Real de Santo António -. 33 laboratórios.FERN surgiu em 1982. maioritariamente com o Grau de Doutor que asseguram o funcionamento regular das licenciaturas e mestrados. Biotecnologia e Agricultura Sustentável). 16 dos quais liderados por docentes seus. dispondo. Arquitectura Paisagista e Agronomia) e de quatro mestrados (Horticultura . Possui cinco FACULDADES . e Ciências e Tecnologia e quatro ESCOLAS SUPERIORES .Economia. No ano de 2003 A FERN diplomou 59 licenciados (35 em Engenharia Agronómica e 24 em Engenharia Biotecnológica) e já em 2004 surgem os primeiros licenciados em Arquitectura Paisagista. com instituições universitárias portuguesas e estrangeiras. alunos e funcionários. que proporcionam excelentes condições de estudo.ramo Hortofruticultura. Actualmente a Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais tem a responsabilidade de quatro licenciaturas (Engenharia Agronómica . com a reestruturação de toda a Universidade do Algarve. e com uma estação meteorológica automática. 3 salas de informática e 4 salas de estudo propiciam as adequadas condições de trabalho para os docentes.

182 .

(1996) ∆S .Ac) + ∆S em que: R . É muito complexo classificar com rigor os sistemas de rega.Precipitação (mm) ETa .Infiltração Processos: Submersão permanente: Sulcos Rega subterrânea Regadeiras inclinadas Canteiros Planos inclinados Cavaletes Faixas Submersão Temporária: Caldeiras Simples Coroa circular 183 . 1980a. expressa através da dotação real de rega (mm) P . No que respeita a polivalência e a economia energética dos sistemas de rega. à planta (Taylor et al. teoricamente o método diz mais respeito ao fenómeno físico predominante enquanto os sistemas têm mais que ver com o material.Evapotranspiração de referência (mm) kc . ou de modelos dinâmicos de produção (Jones & Kiniry.Submersão Processos: Regadeiras de nível Processos: Método .Escorrimento Método .. Dado que a dimensão deste capítulo é limitada. 1998) e aos seus efeitos combinados nas necessidades hídricas das plantas obtidas pela equação do balanço hídrico na zona radicular. 1981). Estes outros parâmetros serão definidos através das componentes do sistema dinâmico SPAC (soil-plant-atmosphere-continuum). 1999): a) relacionadas com o solo . sendo neste caso utilizado um balanço hídrico específico (Vermeiren & Jobling. com algumas actualizações introduzidos principalmente por Oron & Beltrão (1993) e por Raposo (1996 b). além da rega de humedecimento. 1986). variando com a cultura e o seu estado fenológico.coeficiente cultural. do Instituto Superior de Agronomia.. com uma subdivisão em processos de rega. e b) relacionadas com a planta . através de fórmulas específicas (Doorenbos & Kassam.SISTEMAS DE REGA POR GRAVIDADE Método .2.Evapotranspiração real da cultura (mm) Dr . tipo de instalação e funcionamento. uma vez que neste caso o solo não é regado na sua totalidade.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. quer à gestão dos sistemas de rega. podendo ser obtido o seu valor directa ou indirectamente quando se verificam decréscimos da produção. tendo em vista. Uma das classificações adoptadas em Portugal é aqui apresentada no QUADRO 1 (Sistemas de rega por gravidade) e no QUADRO 2 (Sistemas de rega sob pressão). QUADRO 1 . poderíamos dividir os sistemas de rega em sistemas de rega por GRAVIDADE (escoamento ou infiltração em superfície livre) e por PRESSÃO (escoamento em pressão).Variação da água no solo na zona radicular (mm) ETa pode-se obter através da equação: ETa = ETo x kc Em que ETo .Água de rega. Contudo.Água de ascensão capilar (mm).1 Introdução Este capítulo incidirá somente sobre os sistemas de rega e a sua relação com a polivalência e a economia energética. 1979.2 Classificação dos sistemas de rega 11. não se incluem outros parâmetros necessários quer ao planeamento. mas também as várias utilizações dos sistemas de rega. 1979) e de funções de produção (Shalhevet e tal.como por exemplo diferenças de potencial de água no solo (tensão de água no solo) através de tensiómetros. por haver situações híbridas e combinadas. 1997). difíceis de definir. Para a caracterização deste complexo sistema será necessário o conhecimento de elementos de base e aplicados ao solo (Hillel. definida por: R + P = ETa + (Dr + Es . No que respeita à economia energética dos vários sistemas de rega. Esta equação do balanço hídrico (1) não é aplicável aos sistemas de rega de rega localizada (gota a gota e mini(2) (1) -aspersão). considerou-se não só a origem da água de rega (recursos convencionais e não convencionais). Polivalência e Economia 11. As relações entre as necessidades hídricas e os sistemas de rega foram estudados por Pereira (2004). O valor aproximado do coeficiente cultural está definido para as culturas regadas para a máxima produção. Contudo. 11. Universidade Técnica de Lisboa (Mayer. à atmosfera (Doorenbos & Kassam. 1945).1 Sistemas de rega por gravidade Há quem considere os métodos de rega como sinónimos de sistemas de rega. considera-se a eficiência de rega como a componente de maior importância.como por exemplo o potencial de turgescência ou o termómetro infravermelho.Água de escorrimento superficial (mm) Ac . 1983. Allen et al. indica-se nas referências bibliográficas os trabalhos que deverão ser consultados. blocos de gesso e outras.. Foi extraída da extinta disciplina de Hidráulica Geral e Agrícola.Água de drenagem (mm) Es . O estudo das necessidades hídricas poderá também ser efectuado recorrendo a outras técnicas (Dasberg & Or. outros tipos de utilização agro-ambiental. Ao falar-se de polivalência. 1980) . Beltrão et al. de acordo com Beltrão et al. 1980b). sondas TDR.

e por fim as instalações fixas caracterizam-se pelo facto de toda a tubagem ser completamente fixa. Este sistema é utilizado em culturas dispostas em linhas. em que se utiliza a infiltração como fenómeno físico predominante. 11. abertos entre as linhas das plantas.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. As instalações estacionárias são caracterizadas pelo facto de os aspersores ocuparem posições fixas no solo. as instalações móveis são aquelas em que não há qualquer parte da tubagem fixa. 6) geralmente maior produção. em zonas de maiores declives. Polivalência e Economia A classificação em escorrimento. tendo sido substituído nas explorações intensivas por sistemas de rega localizada.2. sendo a água de rega distribuída nos sulcos. respectivamente. a uniformidade e distribuição de água é mais elevada. 7) menores problemas de erosão do solo. 5) normalmente maior economia de mão-de-obra.1 Aspersão (instalações estacionárias e semoventes) Os sistemas de rega sob pressão são apresentados no QUADRO 2. 2002). 2 . 1). nas laranjeiras. a caldeira disposta em coroa circular. contudo. Os sistemas de rega por gravidade. 2) permite mais facilmente controlar a dotação de rega. Fig. Actualmente apenas tem interesse o sistema por rega por faixas pois é o único que permite a mecanização.2. As instalações de rega por aspersão podem ser divididas em instalações de rega estacionárias e semoventes. No caso dos sistemas de rega por escorrimento. o sistema de rega por regadeiras de nível. nas semi-fixas parte da tubagem é fixa e parte móvel (Fig. A rega por submersão pode ser permanente e temporária. Os canteiros são utilizados em Portugal principalmente nos arrozais. 1 . As principais vantagens e inconvenientes da rega por aspersão em relação à rega por gravidade são as seguintes: Vantagens: 1) não necessita a preparação do terreno (nivelamento e armação) necessária nos sistemas de rega por gravidade. as simples eram utilizadas antigamente para regar por submersão temporária as árvores de fruto. submersão e infiltração diz respeito ao fenómeno físico predominante observado durante a rega.Instalação de rega por aspersão estacionária completamente fixa num campo de golfe (Rosado. As caldeiras são de submersão temporária. a água escorre por todo o terreno a regar. 2). Contudo ainda se utiliza no norte de Portugal. Na rega subterrânea. incluem a rega por sulcos e a rega subterrânea. fertirrega mineral e orgânica. infiltrando-se no solo. 3) caso a velocidade do vento seja nula ou baixa (< 2 m s-1). Os fenómenos físicos predominantes são para a rega por aspersão e para a rega localizada. proveniente da toalha freática artificial ou através do controlo de uma toalha natural.Instalação de rega por aspersão estacionária semi . este sistema de caldeiras é apenas hoje utilizado em pequenas explorações. 8) maior polivalência das instalações (combate às geadas e altas temperaturas. humedecendo o solo por infiltração. sendo neste caso a submersão permanente. actualmente. 4) maior economia de água.fixa Fig. 184 . utiliza-se a ascensão capilar da água. mantendo-a a uma profundidade conveniente. rega qualitativa). a aspersão e a infiltração.2 Sistemas de rega sob pressão 11. Dentro dos sistemas de rega por gravidade é o dos sulcos o mais empregado em Portugal. embora a sua utilização em Portugal seja relativamente pequena. como prevenção contra a gomose basal. sem haver a necessidade de mudança de tubos (Fig.2.

A rega gota a gota pode ser subdividida em a) superficial e b) subterrânea.Estacionárias Fixas Semi-fixas Móveis Aspersão . 2) grande problema com velocidades do vento elevadas produzem distribuições de água muito irregulares. Raposo (1994) classifica as instalações semoventes em instalações com movimento de rotação (ex. devido à rega da parte aérea das plantas. por humedecimento da parte aérea das plantas. Gota a gota superficial subterrânea Miniaspersão dinâmica estática ou micro-aspersão Localizada Método . 6) altas perdas de água em climas muito ventosos ou áridos. 3) Não podem ser utilizadas em terrenos irregulares ou acidentados.Semoventes Rotação Translação Mistas As instalações semoventes incluem aquelas em que os aspersores (além do movimento e rotação própria) se deslocam ao longo da superfície do solo. enquanto a água é distribuída. No caso de grandes superfícies regadas por aspersão (áreas superiores a 50 ha). Assim. os sistemas de rega sob pressão seriam os que teriam maior interesse para aplicação nas regiões mais áridas durante o Verão. devido ao facto de apenas uma parte do solo ser regado (rega localizada). 4) desenvolvimento de doenças. com movimento de translação (ex. 2) Só poderão ser utilizadas em áreas elevadas. A rega por miniaspersão subdivide-se em a) miniaspersão dinâmica quando o miniaspersor possui movimento de rotação similar a um aspersor rotativo em miniatura. isto é.Infiltração Processos: Em relação aos sistemas de rega supracitados. 3) superfície do solo parcialmente humedecida (menor evaporação. com movimento de rotação e de translação (ex. utilização de máquinas nas entrelinhas mesmo quando a rega estiver a funcionar).Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.2. 6) maior eficiência da fertirrega e pestirrega. destinando-se ao Sul de Portugal.: Canhão automotor) e mistas. aplicam-se geralmente instalações semoventes center-pivot. 7) dificuldade (penoso para os operadores) para as mudanças de tubagens nas instalações móveis em solos de textura fina. 2) Mão-de-obra reduzida quando comparadas com as estacionárias móveis ou semi-fixas. através de tensiómetros). 4) manutenção da parte aérea das plantas seca.Aspersão Processos: Aspersão . 1985): Vantagens: 1) grande economia de água. 2) manutenção da tensão de agua dos solos (ou do seu teor em água) aos valores desejados pela planta. menor caudal e menor pressão de serviço.2. Polivalência e Economia Inconvenientes: 1) consumo de energia muito elevado. culturas industriais e culturas hortícolas ao ar livre) e a rega localizada (pomares. forragens. As principais vantagens e inconvenientes das instalações de rega gota a gota em relação às instalações de rega por aspersão são (Dasberg & Bresler. devido ao seu elevado consumo de energia (QUADRO 7). espaços verdes e campos de golfe. para pequenas superfícies utilizam-se as instalações estacionárias. 11. 3) custo das instalações elevado.: Rain-move). a escolha dos sistemas de rega de maior interesse para aplicação está dependente da região e da cultura a regar. região de clima árido durante o Verão os sistemas de rega mais interessantes seria a rega por aspersão (Milho-grão.: Center-pivot).superficial e subterrânea) A rega localizada pode ser dividida em rega gota a gota e por miniaspersão (Quadro 2). 7) utilização em solos marginais. QUADRO 2 . As principais vantagens e inconvenientes das instalações semoventes em relação às instalações estacionárias são: Vantagens: 1) Evitam as mudanças dos aspersores. sendo a subterrânea enterrada. 185 . 5) impossibilidade de aplicação de águas salinas em culturas não tolerantes à salinidade. menos infestantes. 5) custo de manutenção mais baixo (possibilidade de rega 24 horas por dia. não permitindo tão facilmente o desenvolvimento de doenças. As instalações semoventes tipo canhões auto-motrizes têm tendência para diminuir. Destes.SISTEMAS DE REGA SOB PRESSÃO Aspersão Método . Inconvenientes: 1) Consumos de energia mais elevados (funcionam a pressões de serviço muito mais elevadas). traduzindo-se em menor consumo de energia e menos material). alto controlo da aplicação de rega (que poderá ser feito por ex.2 Localizada (rega por miniaspersão e gota a gota . e culturas hortícolas principalmente em estufas). e em b) miniaspersão estática ou microaspersão em que os miniaspersores não possuem movimento de rotação. vinhas.

3.3. de forma localizada às raízes. Caso as águas sejam alcalinas. quando se pratica a fertirrega mineral. No caso da rega localizada. sendo no entanto o ácido ortofosfórico menos sujeito a problemas de entupimento e de insolubilização. mas o seu custo é mais elevado do que o custo dos adubos sólidos solúveis. Com a rega gota a gota subterrânea consegue-se praticamente anular as perdas por evaporação. que seja assegurada uma drenagem perfeita do solo. que se poderá verificar principalmente quando se trata da rega gota a gota.Instalação de rega gota a gota em vinha (Pedras. podendo-se usar o nitrato de potássio ou o sulfato de potássio.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. evita o calcamento do solo e permite a adubação mais fácil das culturas de porte baixo. em que se faz a mistura adubo+água. sempre que problemas com a filtração da água não permitirem a rega gota a gota. efectuada através do efeito de Venturi. que se inclui no circuito de água. para se proceder à sua lavagem sempre que necessário.usa-se muito a ureia. o amónio. Outras vantagens da fertirrega. 3 . é uma aparelhagem de grande rigor. colocado após a instalação de bombeamento e sendo precedido um filtro de malha. Relativamente aos macronientes aplicados. para todos os sistemas de rega sob pressão. devendo-se determinar a condutividade do solo e o seu pH. na fertirrega localizada. em que a concentração da mistura adubo+água varia geralmente entre 5 x 10-4 e 2 x 10-2. sendo as mesmas altas e mal distribuídas. Outras vantagens dizem respeito à economia de mão-de-obra.1 Águas convencionais 11. quando se procede à fertirrega. este sistema tem a vantagem de ser de baixo custo. contribuindo também para a desobstrução dos gotejadores. sendo a água consumida apenas por transpiração. Há no mercado adubos líquidos para aplicação na fertirrega para várias diluições de macro e micronutrientes. principalmente na rega gota a gota. accionada hidráulica ou electricamente. Se a água é ácida não há qualquer problema na aplicação do fosfato mono ou biamónio. de acordo com as necessidades do estado fenológico da cultura e contribuindo para a diminuição da pressão osmótica do solo. assegurando uma concentração constante até níveis muito baixos tal como 5 ppm. o azoto pode ser aplicado em todos os casos sem quaisquer dificuldades técnicas . os elementos fertilizantes são conduzidos através da água. melhora a uniformidade de distribuição dos fertilizantes. Possui vantagens e inconvenientes intermédios entre a instalação-tipo anterior a que se segue. namento das fertilizações.1. 2) depósito aplicado à saída da bomba. momento e época da fertilização.1 Fertirrega A fertirrega propriamente dita inclui apenas o fertirrega mineral. há obrigatoriedade de se aplicar fertirrega. 3) bomba injectora de adubo (Fig. Ao contrário do que se verifica com os sistemas convencionais de fertilização. Fig. 11.3 Polivalência dos sistemas de rega 11. 2003) Três instalações-tipo de fertirrega mineral poderão ser aplicadas nos sistemas de rega sob pressão: 1) simples depósito. os nitratos. são o fraccio- 186 . antigamente incluía a fertirrega orgânica (chorumes). não se deve utilizar o fósforo na fertirrega. O potássio também pode ser utilizado sem dificuldade. sendo a superior a longevidade da tubagem devido à diminuição de choques térmicos e mecânicos e não haver problemas com radiações ultra-violetas. A rega por miniaspersão é utilizada principalmente em pomares. que hoje se inclui na água residual agrícola. com válvula-parafuso de regulação da saída. É necessário que. sendo a saída da mistura para a tubagem de rega. embora mais frágil e de custo mais elevado que as instalações-tipo anteriores. 4). em relação à água de rega. e o inconveniente de mais difícil controlo das concentrações dos fertilizantes. em que parte dos elementos nutritivos ficam fora da acção das raízes. Polivalência e Economia O maior inconveniente diz respeito a grandes problemas com entupimentos. ou quando os elevados compassos e a / ou os movimentos laterais da água do solo a partir das rampas gota a gota sejam insuficientes para que o volume radicular fique convenientemente regado. por vezes também é utilizado o ácido nítrico (em concentrações muito baixas) que tem também a função de desobstruir os gotejadores.

através de aspersores e miniaspersores.2 Águas não convencionais 11.3. Além desta vantagem. 2) No Verão.1 Águas salinas Segundo Beltrão e Ben Asher (1997a).1. devendo-se neste último caso parar imediatamente o funcionamento da instalação caso haja vento. A rega por aspersão e miniaspersão poderá ser aplicada no combate às altas temperaturas. É necessário ainda conhecer a qualidade da água nos meses frios. como se segue: 1) É usual verem-se aspersores ou miniaspersores em funcionamento por cima das estufas em dias muito quentes com o objectivo de diminuir a temperatura no interior das estufas. através de suportes apropriados para que a rega seja efectuada por cima das copas. A herbirrega tem interesse de utilização na rega gota a gota e na rega por aspersão. geralmente a água pulverizada é recuperada e reutilizada. É sobretudo utilizada. formação de uma atmosfera nebulosa. quanto maior for a concentração salina da solução do solo.2 Pestirrega A pestirrega está dividida em pestirrega propriamente dita (combate aos fungos e pragas) e em herbirrega (aplicação de herbicidas). Segue-se-lhe a miniaspersão e por último a rega gota a gota. conforme descrito para a fertirrega. como o caso dos campos de golfe. para tornar mais saliente a coloração de certas plantas ornamentais e da fruta. Assim utiliza-se a rega por aspersão ou a miniaspersão durante essas horas com o intuito de diminuir a temperatura.3.4 Combate às altas temperaturas Fig. Isto significa que a cultura murcha a teores de água do solo mais elevados.2. devido ao desconhecimento do seu manuseamento e aplicação. A principal vantagem destes sistemas de rega no combate à geada deve-se ao facto da libertação de 80 calorias por grama de água fornecida (Raposo.3. nas horas de maior calor. ou alternativamente. 11. como ainda grande parte dos produtos não estarem homologados em Portugal. aumento da humidade relativa do ar e da condutibilidade térmica do terreno.5 Rega qualitativa 11.3. em instalações estacionárias totalmente fixas e semoventes center-pivot. é usual utilizar este tipo de combate em alguns campos relvados. e menor será a capacidade utilizável do solo para a água. As instalações-tipo utilizadas são do tipo bomba injectora. será necessário que os microtubos de ligação dos miniaspersores à tubagem tenham comprimento suficiente para que os miniaspersores possam regar as culturas (geralmente árvores de fruto) nos períodos de formação de geada. Assim dois exemplos serão apresentados.3 Combate à geada O combate á geada através de sistemas de rega sob pressão é uma prática de custo elevado na rega por aspersão em virtude de exigir instalações totalmente fixas funcionando ainda todos os aspersores simultaneamente. e que permita a rega sem que as culturas (árvores) sejam danificadas. Contudo o sistema de rega por aspersão é o mais eficiente no combate à geada. 4 . e muito raramente no nosso país. A pestirrega é praticamente utilizada na rega localizada em alguns países estrangeiros.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. concorre para o combate à geada com a rega. sem que haver o objectivo de humedecimento do solo. com diminuição dos teores de clorofila. normalmente de melhor qualidade do que nos meses quentes. 11. há culturas em que a parte aérea é queimada pelo sol. que corresponde ao calor latente de solidificação da água. e assim combater os seus efeitos nocivos. 187 . 11.1. em que é fixada certos pigmentos. 1994). transformação de energia cinética em energia térmica (impacto das gotas) e a temperatura positiva a que se encontra a própria água de rega.1.3.1. o coeficiente de emurchecimento não é uma constante de humidade do solo. maior será o pressão osmótica. quanto maior for a concentração de sal na solução do solo. 11.3.Bomba injectora utilizada num sistema de fertirrega gota a gota em alface. Polivalência e Economia Para que se possa utilizar mais eficientemente a miniaspersão no combate à geada. e que equilibra as respectivas perdas de calor por radiação nocturna. maior será o teor e água do solo ao coeficiente de emurchecimento. mas é também afectado pela concentração de sal no solo.

O teor em água e iões varia dinamicamente na solução.(L . outputs e os termos de acumulação para dentro e para fora da zona radicular é dado pela seguinte equação: INPUT = OUTPUT + ACUMULAÇÃO Sr + Si + Sg + Sl + Sf = Sd + Sp + Sc + ∆Sa + ∆Ss em que (9a) (9b) L Dr Sr .Qd) A em que ci cd são as concentrações de sal na água de rega e na água de drenagem.quanto maior for a água transferida da planta e do solo para a atmosfera. θfc) . (5) tomará a seguinte forma θwp(Ψm + Ψ0)2 = (ci . θfc} .Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.Sal fornecido pela água de rega Sg . 5).Sal removido pela água de drenagem Sl . 1993) e quando a fracção de lixiviação for considerada ETa = (Qi . maior será a concentração de sais no solo. que inclui todos os inputs.Sal fornecido pela toalha freática Sf . a eq. por transpiração e evaporação. 3 Sc . ETa é a taxa da evapotranspiração real da cultura. -1 (7) O balanço salino do solo para as culturas regadas. m-3 soil).Variação na quantidade de iões absorvidos ∆Ss . respectivamente.Iões absorvidos pela plantas 188 . Vs -1 -1 (5) (6) Fig. Absorção de iões pela planta intensa absorção de minerais do solo é acompanhado pela redução da salinidade do solo. estão em equilíbrio. respectivamente (kg m-3).Sem lixiviação na zona radicular.Com lixiviação na zona radicular. as taxas volumétricas de água de rega e de drenagem (m3 d-1). Vs é o volume de solo considerado (m ).Representação esquemática do sistema "solução do solo" (Beltrão. é o coeficiente de fluxo da drenagem (d-1).Sal dissolvido proveniente da lavagem do solo ∆Sa . (4) sendo L = (Qi . (cd ) -1 (8) (3) A componente-chave do sistema dinâmico SPAC (soil-plantatmosphere continuum) é a solução do solo (Fig.Sal fornecido pela água das chuvas Sd . 5 . θfc é o teor volumétrico da água do solo. cd .Sal dos fertilizantes Sp . A é a superfície de evaporação (m2). (5) tomará a seguinte forma θwp(Ψ0)1 = {[ci . Polivalência e Economia Que as concentrações de sal na água de rega e na água de drenagem. Vs e Dr = Qi . será obtido por: θwp(Ψm + Ψ0) = θwp(Ψm) + ∆θwp(Ψ0) em que θwp(Ψm + Ψ0) é a soma do teor de água do solo ao coeficiente de emurchecimento não salino θwp(Ψm). o teor de água do solo ao coeficiente de emurchecimento. é a taxa de lixiviação (kg sal d-1).Sais precipitados Qi e Q d são. respectivamente ci e cd. e é afectado por um grande número de processos.(L . Dois casos terão que ser considerados: CASO 1 . mais o aumento do teor de água ∆θwp(Ψ0) devido à salinidade. [cd . Dr )] . à capacidade de campo (m3 água .Variação na quantidade de sais solúveis Si .A . a eq. Dr )] -1 -1 -1 CASO 2 . ETa) . dos quais salienta-se a: Evapotranspiração .

. o que significa que a produção relativa (%) se mantém constante a 100 % até 20 g de NaCl planta-1 para N0. como se segue: Qil = [Cd / (Cd .Compactação do solo e formação de impermes . satisfazendo simultaneamente o consumo de água da cultura e as necessidades e lixiviação (m3).m-1). por outro lado. Polivalência e Economia A necessidade de lixiviação do solo é definida pela eq.Acumulação no solo (causas naturais e actividades humanas) a) Causas naturais . quando não existe horizonte impermeável. 1993) à salinidade (contudo a sensibilidade à salinidade também aumenta). de acordo com o modelo de Maas e Hoffman (1977) e com Beltrão et al. 4) Culturas tolerantes à salinidade . expressa em condutividade eléctrica do extracto de saturação do solo ou da água (dS. CEs .m-1) a partir do qual decresce a produção. a que se chama sensibilidade.sem lixiviação .b (CE . (2002). a que se chama tolerância. que se pode expressar pela seguinte fórmula: Y = 100 . Salinidade acumulada (g NaCl planta-1) Fig. mas a contaminação será aumentada devido aos fertilizantes adicionados (Beltrão et al.Infiltração descendente (rega e linhas de água) Infiltração ascendente (toalha freática e água do mar) b) Vento 3) .grande economia de água. MAAS & HOFFMAN (1977) encontraram entre a salinidade do solo e a produção das culturas uma relação linear. 1997). abvalor limiar de salinidade (dS.Área da parcela (m2) ETa .esta técnica é muito útil para as plantas. e portanto menos sais dissolvidos serão adicionados. mas não resolve o problema da O processo de salinização do solo pode ser dividido nas seguintes fases (Beltrão. percentagem de decréscimo de produção por unidade de acréscimo de salinidade.Rega imprópria (uso de água salina mal aplicada) 189 .Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. De acordo com a eq. a produção relativa diminui de cerca de 5 % por cada aumento de 10 g de NaCl planta-1.Resposta da alface aos efeitos combinados da salinidade da água de rega com (N1 . pode haver contaminação dos aquíferos.produção relativa da cultura (%). 10.Ci)]. devido à precipitação natural ou à lixiviação artificial.a) em que: Y. (2002a). sendo de 10 % a redução para o nível N1. portanto.sem técnicas ambientalmente limpas . mas pode continuar a haver problemas da contaminação das águas subterrâneas. os sais concentram-se acima deste horizonte. e que é definida por (12) (11) (10) contaminação solo e das águas subterrâneas.salinidade do solo ou da água. 6 . é maior para NO do que para N1. A. Resposta da alface aos efeitos combinados da salinidade da água de rega com (N1 .Volume de água de rega.evaporação b) Actividades humanas . 3) O aumento da fertilização aumenta a tolerância (Beltrão et al.Evapotranspiração real da cultura (m) Partindo de dados reais. e cerca de 40 g de NaCl planta-1 para N1. isto é.Transporte (água e vento) a) Água . para maiores valores da tolerância. Eta Em que : Qil .Elevação do nível da toalha freática .15 g de NH4NO3 por planta) e sem fertilização azotada (N0). 2) Uso de rega gota a gota subterrânea . Por outro lado. a sensibilidade (b).15 g de NH4NO3 por planta) e sem fertilização azotada (N0). 11 mostra que a tolerância (a) para N0 é menor que para N1. 1992): 1 . b = dY / dCE As técnicas convencionais de combate e controlo do processo de salinização pode ser caracterizado por quatro gerações: 1) Problema da contaminação da zona radicular pela lixiviação do solo (que pode ocorrer em duas situações quando há um horizonte impermeável.Origem dos sais (sais locais e sais transportados) 2 . de acordo com o modelo de Maas e Hoffman (1977) e com Beltrão et al. a taxa de redução de produção relativa por aumento de unidade de salinidade. A .

coli. quando a taxa de bombeamento excede a taxa de recarga.. 2002).Habitações domésticas (higiene e cozinha) . Cuartero et al.5 a a b b 0 Agrostis regada Kikuyugrass regada Bermuda regada Bermuda sequeiro Relvados Fig. expressos em cfu (colony forming unit) / 100 ml de E.1000 cfu / 100 ml. campos de golfe e de outros desportos). 1998) CLASSIFICAÇÃO ORIGEM . A Fig.. 1998). culturas industriais . 2002). estufas.agrostis.Hospitais e laboratórios . desvios padrão e resultados do teste Dunnett T3. 190 Percentagem de Cl - . "kikuyugrass". a legislação portuguesa (QUADRO 4) admite a reutilização de águas residuais adequadamente tratadas para grande parte das culturas (Decreto-Lei nº 236/98).5 11. QUADRO 3 .3. Estas águas de pior qualidade têm repercussões negativas nas produções das culturas regadas (Ben Asher et al. 2. mostrando assim a capacidade de remoção de sal (ião Cl ) de diferentes cultivares de relvas.5 1 a 0. Este problema é intensificado devido à intrusão da água do mar que resulta da redução dos níveis freáticos dos aquíferos. conforme é apresentado no QUADRO n.em folhas dos relvados . 2) Uso de espécies tolerantes à sede. Polivalência e Economia Em Portugal.Restaurantes e comércios URBANAS . de Cl . jardins. bermuda regada e bermuda de sequeiro (Costa. faltando-lhe todavia critérios mais específicos de qualidade microbiológica e também critérios em relação aos sistemas de rega utilizados e características dos solos a regar e salinidade.200 cfu / 100 ml. fazem-se algumas recomendações relativamente a concentrações de microrganismos patogénicos. verificam-se maiores problemas de salinização nas zonas mais áridas (como o Alentejo e o Algarve) e costeiras.Pecuária (chorumes) 2 1. pomares e vinhas regados por aspersão . de acordo com recomendações do 2º Seminário em Reutilização de Águas Residuais no Mediterrâneo (2001): Rega de espaços verdes (parques.Transformadoras de petróleo .Cantinas INDUSTRIAIS .1000 cfu / 100 ml. hidroponia e culturas hortícolas . 2003). 7 mostra as percentagens médias.CLASSIFICAÇÃO DAS ÁGUAS RESIDUAIS DE ACORDO COM A SUA ORIGEM (Gamito. mostrando assim a capacidade de remoção de sal (ião Cl-) de diferentes cultivares de relvas. Em relação a estes problemas. 7 .. tornando as águas subterrâneas mais salinas.2. bermuda regada e bermuda de sequeiro (Costa. 2002).agrostis. 2001.2 Águas residuais É habitual classificar as águas residuais de acordo com a sua origem. salinidade (comum a todas as águas residuais) e metais pesados (principalmente nas águas residuais industriais).º 3 (Gamito.200 cfu / 100 ml. 3) Redução da aplicação de sal através de menores dotações de água residual. em virtude de a água nestas regiões ser limitada. 2003).em folhas dos relvados . pomares e vinhas regados gota a gota e forragens . 4) Reutilização de limite mínimo de dotação de água residual suficiente para obtenção de uma boa aparência visual dos espaços verdes (Costa et al.. de Cl . "kikuyugrass".Serviços . desvios padrão e resultados do teste Dunnett T3. Nessas condições.Matadouros ÁGUAS RESIDUAIS .Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.Infiltrações subterrâneas . A única maneira para controlar o processo de salinização e de manter a sustentabilidade dos espaços verdes e dos campos agrícolas é combater a salinização através de técnicas limpas e ambientalmente seguras.Transformadoras de produtos alimentares .Fábricas .Percentagens médias. Podemos dividir os problemas ambientais que possam surgir em três tipos: microorganismos patogénicos (principalmente nas águas residuais urbanas).Ligações e descargas clandestinas .Adegas e lagares AGRÍCOLAS . como se segue: 1) Uso de espécies que removem o sal do solo (Beltrão et al.Hidroculturas .

descargas na floresta). principalmente nos pomares e vinhas (rega gota a gota e miniaspersão) e nos campos de golf (rega por aspersão). com vista a evitar problemas de contaminação. jardim privado. sendo.2. 2) Sempre que haja problemas de poluição na região. forragens e viveiros).00 m: Espécies herbácias .1.5 m 2) Sistema de rega gota a gota enterrada ou miniaspersão .00 m Árvores de fruto . pomares e vinhas. culturas hortícolas e outras de consumo humano.1. 1976. Esta reutilização das águas residuais tratadas na rega será muito mais interessante nesta região. no local de recepção dos efluentes. Polivalência e Economia Para o caso de problemas de salinidade. Através da literatura disponível. os aspectos mais importantes referiram-se na alínea 11. Em Portugal a reutilização de águas residuais tem sido quase exclusivamente efectuada na rega de espaços verdes (parques. b) Distância mínima a zonas urbanas 1) Velocidade do vento durante a rega superior a 2 m s-1 Rega por aspersão .5 m Estes valores poderão ser diminuídos de 20 %. nas respectivas bacias de recepção e/ou no equilíbrio ecológico do meio. usos industriais (refrigeração).3 m 4) Sistema de rega por gravidade . Verifica-se que as regiões mais a sul de Portugal (Alentejo e Algarve) são as de maiores necessidades hídricas.sem vento durante a rega Rega por aspersão .Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.20 m c) Identificação do local regado com águas residuais depuradas 1) Estes locais deverão estar identificados com a designação "Água não potável". para texturas e teores de água do solo (potencial mátrico do solo) mais favoráveis. e à recarga de aquíferos. lavagem do automóvel. jardins.50 3) Calma . é o Algarve que possui maiores necessidades hídricas mais elevadas durante o Verão. máxima aconselhável. faltando-lhe todavia critérios mais específicos de qualidade microbiológica e também critérios em relação aos sistemas de rega utilizados e características dos solos a regar e salinidade. combate a incêndios. Contudo destas regiões. usos urbanos (lavagem das ruas. usos florestais (combate a incêndios. com crescente desenvolvimento a partir de 1987 através do programa PEDAP (Marecos do Monte.200 m Rega por miniaspersão .500 m (Beltrão. a reutilização das águas residuais tratadas poderia estender-se também a usos residenciais (sistemas de ar condicionado. 191 . aonde já se nota a sua reutilização. campos de golfe e de outros desportos). Oron & Beltrão.50 m Floresta . 1996b): 1) Sistema de rega gota a gota superficial -1.2. 1993) Rega por miniaspersão 100 m 2) Velocidade do vento durante a rega inferior a 2m s-1 Rega por aspersão .100 m Rega por miniaspersão . d) Profundidade de rega com água residual depurada. devendo a mesma ser identificada com sinais inerentes aos perigos em causa.2 m 3) Sistema de rega por aspersão . devido ao elevado fluxo turístico que se verifica nesta época. sugerem-se que se verifiquem as seguintes medidas: a) Profundidade mínima da toalha freática (Beltrão et al.. autoclismos). estufas. culturas industriais. acrescido pelo elevado número existente de campos de golf e explorações hortofrutícolas.00 m Como foi dito.1. 1996). para valores de profundidades da toalha freática superiores a 5.2. fontes decorativas). deverá essa região passar a ser classificada Zona Poluída. por isso a reutilização de águas residuais já utilizada. Contudo. a legislação portuguesa (QUADRO 4) admite a reutilização de águas residuais adequadamente tratadas para grande parte das culturas (Decreto-Lei nº 236/98).

236/98 (1998) Qualidade das águas destinadas à rega VMR Alumínio Arsénio Bário Berílio Bicarbonatos Boro Cádmio Chumbo Cloretos Cobalto Cobre Crómio Estanho Ferro Flúor Lítio Manganésio Mercúrio Molibdénio Níquel Nitratos Nitritos Salinidade Selénio Sulfatos Vanádio Zinco pH Coliformes Fecais Ovos de parasitas Intestinais Al As Ba Be HCO3 B Cd Pb Cl Co Cu Cr Sn Fe F Li Mn Hg Mo Ni NO3 NO2 ECw Se SO4 V Zn ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm dS/m ppm ppm ppm ppm pH MPN/100ml Nº/l 5.0 0.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. linhas de água receptoras e nas culturas com elas regadas para os diferentes sistemas de rega..2002).0 5.0 70 0.02 575 0. respectivamente.2.10 2. Dado o seu pobre teor em fósforo em relação aos restantes macronutrientes é usual fazer a sua correcção.4 100 ----VMA 20 10 ----1. com a aplicação das radiações ultravioletas e dos modernos filtros. a rega era efectuada apenas em viveiros de relva e em zonas vedadas aos golfistas.. que possuem agulhetas de maior diâmetro e em borracha para permitirem mais facilmente a passagem de matérias sólidas. a componente fertilizante (Costa et al. Inicialmente. Em relação às águas residuais agrícolas. juntamente com os dejectos sólidos triturados das instalações pecuárias. É evidente que os chorumes são IMPRÓPRIOS para utilização na rega localizada..0 ----0. O segundo objectivo relaciona-se com a resposta da produção e crescimento das culturas à rega com águas residuais. 2002 b) e para aspectos económicos (Penkova et al. o nível de concentração patogénica é de tal modo baixa.Valor Máximo Admissível 192 .5 .DECRETO-LEI NR.0 0. com a adopção de tratamentos terciários adequados e.8.0 20 --------15 5. principalmente.0 6.9. 11.0 ---------0. VMR . que não é de prever a contaminação das relvas.Valor Máximo Recomendável VMA .20 0. para aspectos de contaminação ambiental (Beltrão et al. Contudo. 2002). estas últimas poderão ainda estar contaminadas por pesticidas. nomeadamente membranas. recorrendo a modelos de simulação.0 4.01 5. incluindo além da componente água (Asano.05 0.0 2.10 1. os chorumes são utilizados.005 0. em campos de golfe.0 ----1.5 5.3 Águas de drenagem As características das águas de drenagem provenientes das zonas urbanas poderão aproximar-se mais das características das águas residuais.75 0. A rega por aspersão com águas residuais é aplicada principalmente no Algarve.30 0.5 .10 2. como prevenção à contaminação.0 10. sendo distribuídos no solo através de aspersores especiais.5 ----0. Polivalência e Economia QUADRO 4 . 1998).05 20 ----10 5.5 0.05 2.8 10 ----0.3.0 1.00 0. as provenientes da drenagem de explorações agrícolas aproximam-se mais das características das águas salinas.0 Parâmetros Símbolos Unidades Os estudos a efectuar com a rega com águas residuais têm normalmente dois objectivos: O primeiro relaciona-se com os níveis de contaminação provocada por essas águas no solo. (nomeadamente os relacionados com reutilização de águas residuais) poderão ser estudados.05 ----1.0 ----1. Os problemas causados pelos sistemas de rega não convencional.20 ----0.

5 8.média (sistemas de rega por gravidade .0 9.0 13.0 2.0 6.0 11.0 45.2 Eficiência de distribuição (ed).0 36.0 11. É de salientar a importância da pressurização a pressão constante (implicando naturalmente a integração da variação de velocidade nos motores eléctricos) garantindo a dispersão da água eficientemente com o mínimo consumo energético ou seja.0 22.4. O QUADRO 5 apresenta as perdas de água durante a rega.0 7.5 40 12.5 13.0 8.5 10.0 23.0 Velocidade do vento (m s-1) 1.0 10 2.0 6.0 12.5 33.5 25.5 24. regada por aspersão.0 16.0 26.5 8.0 5.0 15 3.0 45 15.0 27.5 13.0 21.água proveniente da fonte de abastecimento Esta eficiência Et está muito relacionada com as fugas de água.5 9.desvio à média n .0 30.0 25.0 13.5 13.0 21.0 37.0 40. QUADRO 5 .0 0.1 Eficiência de transporte (et) Et = 100 (Wf /Wd) em que Wf .0 12.5 10.0 20.5 7.0 9.água aplicada durante a rega na respectiva parcela.5 16.0 10. (13) Fig.0 18.5 25.5 5 1.0 4.5 1.0 3.0 4. b) velocidade do vento. (° C) 0.Campo experimental de batateira.0 34. referência ao coeficiente de uniformidade de distribuição de água de christiansen (cuc) É frequente utilizar o coeficiente de uniformidade de distribuição de água Christiansen (CUC) como a eficiência de distribuição Ed Ed (CUC) = 100 {1 .0 16.dotação de rega) X .5 15.0 32.0 4.0 22.5 25 4.0 35 8.0 35.0 5.0 6.0 2.[ ( Σ | X | ) / (m x n) ] } em que m . sistema de rega sob pressão .0 17.4. (14) Temp.0 16. características de funcionamento e qualidade dos aspersores e grau de pulverização (sistemas de rega por aspersão).0 20. em função da velocidade do vento e temperatura para aspersores de alto grau de pulverização (Beltrão.0 31. características de funcionamento e qualidade dos aspersores e grau de pulverização (sistemas de rega por aspersão).0 9.0 21.água armazenada na zona radicular A eficiência Ed está relacionada principalmente: com a) características físicas do solo e declive (sistemas de rega por gravidade). só pressiona o volume de água ajustado às necessidades hídricas das culturas (Vide Capítulo 3).0 7.profundidade de rega.5 4.5 14.0 7. 8 . PARA ASPERSORES DE ALTO GRAU DE PULVERIZAÇÃO PERDAS MÉDIAS DE ÁGUA DURANTE A REGA (%) (15) 11. 1976).PERDAS MÉDIAS DE ÁGUA DURANTE A REGA EM FUNÇÃO DA TEMPERATURA E DA VELOCIDADE DO VENTO.0 28.0 4.0 2. estado de conservação das tubagens e dos grupos motor-bomba e sua eficiência.5 5.0 12.5 6.0 40.0 12.0 30.número de observações (amostras recolhidas de amostras) A Fig.0 30 6.5 9. com udómetros para a determinação da eficiência de distribuição Ed. b) velocidade do vento e temperatura durante a rega.0 3.0 17.5 17.0 20 3.4.0 20. Polivalência e Economia 11.0 10.0 18. 11.0 30.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. diagrama pluviométrico.0 31.0 25. 8 mostra um campo experimental de batateira.0 3.0 33.3 Eficiência de aplicação (ea) Ea = 100 (Ws / Wf) em que Ws .0 18.5 15.5 14.4 Eficiência de rega e sua classificação 11.0 35. problemas de entupimento e qualidade dos gotejadores ou miniaspersores (sistemas de rega localizada).0 5. Wd .0 31. de acordo com Achtnich (1966). A eficiência Ed está relacionada principalmente: com a) características físicas do solo e declive.0 19.0 21. regada por aspersão onde foram recolhidas amostras dos udómetros para determinação da eficiência de distribuição. problemas de entupimento e qualidade dos gotejadores ou miniaspersores (sistemas de rega localizada).0 193 .5 27.

feijão (0.6 Eficiência total de rega Segundo (Oliveira.rega localizada .2 .1. Os principais parâmetros que condicionam a relação transpiração / evapotranspiração são o índice de área foliar IAF.Evapotranspiração real da cultura. porque o vapor de água e o CO2 passam através dos mesmos estomas. MS .7 .50). (17) 11. 1993). Ep (19) (18) 11. miniaspersão (0. luzerna (0.95).4.30 .5 Eficiência de uso de água Eu = Y / ETa em que Y .0. a radiação e o compasso (Beltrão & Ben Asher. 1997). a eficiência de rega Er total que deverá ser utilizada nos cálculos da dotação real de rega é: .0. beterraba (0. a evaporação directa não estar associada à produção.90 .matéria seca produzida (kg) Valores médios de CT : cana de açúcar (0. Assim este tipo de eficiência deverá ser apenas aplicado no caso da rega gota a gota superficial e subterrânea.a nível do perímetro de rega (ERp) Erp = Ea . qualidade e características dos aspersores. ETa .35 -0.9).0. batata (0. utilizando-se geralmente para expressar as relações entre estes parâmetros o coeficiente de transpiração CT. ervilha (0. gota a gota subterrânea (0.5 Eficiência de rega e consumo de energia nos sistemas de rega sob pressão 11.4 .0. trigo (0. qualidade e características dos gotejadores e miniaspersores A transpiração. Nestas condições. visto que das componentes da evapotranspiração. a eficiência total Er(T) seria dada pela expressão: Er(T) = RT . Parâmetros que condicionam a eficiência de rega .rega por aspersão .MAXIMIZANDO A TRANSPIRAÇÃO E A UNIFORMIDADE DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA E MINIMIZANDO A EVAPORAÇÃO DIRECTA.. Polivalência e Economia 11.1 Valores médios e técnicas de maximização da eficiência de rega Os valores médios geralmente atribuídos à eficiência de rega Er a nível da parcela de rega são: gravidade (0. Keller e Karmeli (1975) consideram apenas a transpiração T e não a evapotranspiração real da cultura ETa.80).0.relação de transpiração (22) (21) (20) 11.6).Produção.declive do solo 194 .85). ao contrário do que se verifica com a transpiração. Maximiza-se a eficiência de rega .40 . milho (0.80).0.4. Ed .eficiência total Er específica para o caso da rega gota a gota. No caso especial da rega gota a gota subterrânea toda a água aplicada será consumida praticamente apenas por transpiração (Oron e Beltrão.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. Beltrão et al.1997b.70 .características físicas do solo .1.problemas de entupimento.85 .transpiração (m3 de água).4.0.5.45 .0.90).0).0. sendo neste caso T = ETa.0. Ed sendo RT = 100 (T / Wf) em que Er (T) . RT . definido por (Achtnich.3 .grau de pulverização. a assimilação e a produção estão associadas. amendoeira (0.1966): CT = T / MS T .6 .temperatura durante a rega .3 .4). subterrânea (0. 1993).00).água necessária na zona radicular (16) .55).95 . diagrama pluviométrico.0.5).a nível da parcela de rega (Er) Er = Ea .4 Eficiência de armazenamento Es = 100 (Ws / Wn) em que Wn .50).5). Para o cálculo da eficiência total Er no caso da rega gota a gota. e velocidade do vento . aspersão (0. gota a gota superficial (0. Ed .

ELEMENTOS E PARÂMETROS DE REGA A UTILIZAR NO CÁLCULO DO CONSUMO DE ENERGIA DAS INSTALAÇÕES DE REGA SOB PRESSÃO DURAÇÃO ÚTIL DAS REGAS Por dia (h) Por semana (d) NECESSIDADES HÍDRICAS débito de ponta (m3 h-1) volume anual (m3) TIPO DE INSTALAÇÃO EFICIÊNCIA DE REGA Er (%) ALTURA MANOMÉTRICA TOTAL (m) REGA POR ASPERSÃO Estacionárias .número de dias úteis por semana.8 4500-6800 4900-7300 80 80 85 10 12 18 5.5 7 60 60 60 6.6 1.9 5.eficiência de rega (%).Potência dos grupos motor-bomba.caudal de ponta ( m3 h ) .6 1800-2800 2600-2900 1700-2000 90 20 7 40 1. Pomares Hort.5.As dotações de rega diárias de ponta estão compreendidas entre 4 e 6 mm d-1 (40 a 60 m3 ha-1) e os volumes anuais de rega entre 3400 e 5100 m3 ha-1 (valores úteis teóricos. .Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. . REGA LOCALIZADA Miniaspersão Gota a gota sup.1-1.A percentagem de solo humedecido. -1 3 -1 .duração útil diária de rega (h d ).9 4300-6400 4300-6400 4000-6000 195 .5 80 100 2. de acordo com o conceito de Keller e Karmeli (1975).4-6. e 50 a 70 % nas culturas hortícolas ao ar livre. eléctricos (kW) ou térmicos (HP) .3-8.6-3.0-1.1-2.2 Elementos e parâmetros de rega a utilizar no cálculo do consumo de energia Os elementos necessários a utilizar no cálculo do consumo de energia nas instalações de rega sob pressão em Portugal.Móveis . no que respeita à rega localizada. . orn. estufas 92 92 95 20 20 20 7 7 7 40 35 35 1.5 5. e 70 a 90 % nas culturas hortícolas e ornamentais em estufa.5-6. 2 . ar livre Hort. Polivalência e Economia 11.não aproveitamento das águas pluviais. por hectare regado.Canhões autom.Valores médios dos seguintes parâmetros de rega: . está compreendida entre 30 e 50 % nos pomares.Volume anual de rega (m ) . 4 .0 4.Fixas Semoventes .altura manométrica total (m). seguem os conceitos adoptados por Raposo & Beltrão (1982).Sistemas pivot .rendimento total dos grupos motor-bomba (%).7 1900-2800 85 70 20 16 7 5. 3 .Consumos dos grupos motor-bomba (kWh ou L de gasóleo) Os valores destes elementos foram obtidos a partir das condições seguintes (QUADROS 6 e 7): 1 . . sem incluir a eficiência e rega e a percentagem de solo humedecido).7-4.5-2. e incluem os seguintes factores: .3 1.0 2.diminuição da evapotranspiração da ordem dos 30 % QUADRO 6 .ocupação ao longo do ano na ordem de 80 %. .Semi-fixas . e são apresentados nos QUADROS 6 e 7.Quanto às culturas em estufa: . isto é.

Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência, Polivalência e Economia

11.5.3 Consumo anual de energia para instalações de rega sob pressão
Os valores médios do consumo de energia nas instalações de rega sob pressão em Portugal, por hectare regado, são apresentados no QUADRO 7.

QUADRO 7 - CONSUMO ANUAL DE ENERGIA PARA INSTALAÇÕES DE REGA SOB PRESSÃO
MOTOR ELÉCTRICO (µt = 75 %)* TIPO DE INSTALAÇÃO POTÊNCIA (kW) REGA POR ASPERSÃO Estacionárias - Móveis - Semi-fixas - Fixas Semoventes - Sistemas pivot - Canhões autom. REGA LOCALIZADA Miniaspersão Gota a gota sup. Pomares Hort. ar livre Hort. orn. estufas 0,16 - 0,24 0,19 - 0,29 0,13 - 0,20 280 - 420 350 - 520 240 - 360 0,27 - 0,40 0,33 - 0,49 0,22 - 0,34 110 - 160 140 - 200 90 - 140 0,17 - 0,25 290 - 430 0,28 - 0,41 120 - 170 0,6 - 0,9 1,7 - 2,5 1400 - 2100 2000 - 2800 1,3 - 2,0 2,8 - 4,2 540 - 810 720 - 1100 1,4 - 2,1 1,2 - 1,8 0,9 - 1,4 950 - 1500 950 - 1500 950 - 1400 2,3 - 3,5 2,0 - 3,0 1,0 - 1,5 380 - 570 380 - 570 380 - 560 CONSUMO ANUAL (kWh) POTÊNCIA (HP) CONSUMO ANUAL (L gasóleo) MOTOR DIESEL (µt = 60 %)*

* Rendimento total do grupo motor-bomba

Os valores dos elementos apresentados nos QUADROS 6 e 7 deverão ser utilizados com alguma reserva, uma vez que representam valores médios para condições médias. Os valores apresentados mostram uma grande diversidade de valores entre os vários sistemas de rega, tipos de instalação e modalidades respectivas de funcionamento. Mostram-se, principalmente, diferenças entre a rega por aspersão (e o que se verifica entre as instalações estacionárias e semoventes) e a rega localizada, nomeadamente no que diz respeito às potências dos grupos motor-bomba e ao consumo anual de energia (eléctrica ou térmica). Há ainda duas grandes vantagens que contribuem para diminuir o consumo de energia, a saber - a) o aumento do nível de automatização, quer para os sistemas de rega por gravidade (Serralheiro, 1986), quer para os sistemas de rega

sob pressão (Raposo, 1996a) que, além de contribuir para a diminuição da mão de obra, permite um controlo da rega muito maior, conseguindo-se obter consumos mais baixos; b) o aumento do rendimento do grupo motor-bomba e a pressurização a pressão constante, garantindo o bombeamento da água o mínimo consumo de energia. Nos QUADROS 8 e 9 apresentam-se valores representativos do custo do m3 de água em zonas áridas de Portugal (Algarve) e de Espanha (Baleares), de acordo com estudos efectuados, respectivamente por Raposo e Beltrão (1982) e Costa (2003) para o Algarve e Brissaud (2003) para as Ilhas Baleares. Nestes valores foram incluídos os custos dos materiais dos sistemas de rega sob pressão e os problemas económicos a que estão associados, como os prazos de amortização, longevidade e manutenção das instalações (Beltrão, 1986).

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Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência, Polivalência e Economia

QUADRO 8 - CUSTO MÉDIO DA ÁGUA DE REGA NO ALGARVE, EM FUNÇÃO DA SUA ORIGEM (EURO/m3)
ORIGEM DA ÁGUA Subterrâneas Part. Superficiais Rede superficiais Residuais tratadas* Na parcela Energia aplicada Instalação TOTAL 0,04 --0.06 --0,05 0,05 0,01 0,05 0,15 0,15 0,15 0,15 24 20 22 20

1) eficiência de rega, incluindo a das utilizações polivalentes; 2) nível de automatização; 3) controlo da rega; 4) descontaminação ambiental (recursos hídricos não convencionais); 5) rendimento dos grupos motor-bomba;

*Sem tratamento adicional efectuado pelo agricultor.

QUADRO 9 - CUSTO MÉDIO DA ÁGUA DE REGA NAS I. BALEARES (Brissaud, 2003), EM FUNÇÃO DA SUA ORIGEM (EURO / m3).
ORIGEM DA ÁGUA Subterrâneas Part. Superficiais Rede superficiais Residuais tratadas Residuais tratadas c/ tratamento adicionais Total 0.27 0,23 0,25 0,12 0,12- -0,23

6) pressurização a pressão constante; 7) manutenção das instalações.

11.6 Conclusões
Como notas finais deste capítulo podemos salientar a importância da eficiência de rega no que respeita quer ao consumo de energia, quer aos custos do material dos respectivos sistemas de rega. Por outro lado, salienta-se a polivalência das instalações de rega sob pressão, através de outras aplicações adicionais à rega por humedecimento. A utilização das águas de fontes não convencionais deverá ser maior nas regiões mais áridas para suprir a falta de água potável e para aumentar a fertilidade do solo; contudo, tal prática deve ser efectuada com o maior cuidado dados os riscos ambientais e de saúde que envolve; para manter a sustentabilidade dos espaços verdes e dos campos agrícolas, o seu controlo deverá ser efectuado através de técnicas limpas e ambientalmente seguras. Em relação ao desenvolvimento dos regadios em Portugal, verifica-se que os sistemas de rega sob pressão começaram a substituir nos anos sessenta, através da rega por aspersão, os sistemas de gravidade convencionais; a partir dos anos oitenta, a rega gota a gota superficial e a miniaspersão começaram a desenvolver-se em culturas em linhas (hortofruticultura), tendo já surgido nestes últimos anos sistemas de rega gota a gota subterrânea, com evidente economia de água. Os custos elevados do consumo de energia e dos materiais dos sistemas de rega sob pressão e os problemas económicos e ambientais a que estão associados, levará no futuro a que os sistemas de rega sob pressão sejam melhor concebidos e projectados, além de uma manutenção feita em boas condições. Concorre para isso a maximização dos seguintes parâmetros e actividades:

197

Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência, Polivalência e Economia

11.7 Referências bibliográficas
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200 .

A. APLICAÇÃO DE SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO EM PROCESSOS INDUSTRIAIS Autores: Pedro Farinha Responsável de Área de Engenharia da Hovione FarmaCiência.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12. Luís Olival Gestor de Projectos de Engenharia da Hovione FarmaCiência. S.A. S. 201 .

202 .

apresentando duas vertentes de negócio: os produtos genéricos e o “outsourcing” (produção em exclusivo para terceiros). clientes da empresa. a Hovione tem duas unidades fabris. As duas fábricas da Hovione são inspeccionadas e aprovadas pela Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos. 14. desde 1990. 1 . 203 . dos quais se destacam três grandes linhas de produtos: os antibióticos do grupo das tetraciclinas. Cerca de 660 profissionais. Durante a década de 90. nas quais emprega mais profissionais do que na produção.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais A Hovione Hovione é uma empresa portuguesa dedicada à química farmacêutica. Outra área que tem merecido grande dedicação por parte da Hovione é a que diz respeito à protecção ambiental. Investiga e produz com alta tecnologia e qualidade. Fig. ambas são certificadas ISO9000. os agentes de diagnóstico radiológico. substâncias activas farmacêuticas. utilizados como anti-inflamatórios e anti-alérgicos na preparação de pomadas e aerossóis. Na área dos produtos genéricos. a empresa desenvolveu a segunda vertente do negócio. nos EUA. União Europeia e Austrália – constituem a base activa dos medicamentos formulados por laboratórios farmacêuticos. e um Centro de Transferência de Tecnologia em New Jersey. investigador químico. em 1992. e que lhe valeu.Grupo Hovione A principal actividade da Hovione consiste na investigação e desenvolvimento de processos de síntese e na produção de substâncias activas farmacêuticas.1 milhões de Euros. os corticosteróides. Estes produtos . A Hovione já desenvolveu mais de 100 processos de síntese química próprios e detém um número elevado de patentes a nível mundial. na qual investiu. que são agentes anti-infecciosos usados na preparação de cápsulas e comprimidos. em Loures e em Macau. de dez nacionalidades diferentes e com idade média de 37 anos. Com uma facturação anual de aproximadamente 68 milhões de Euros. o prémio de “Melhor Meio Ambiente na Indústria”. atribuído pela Comissão Europeia e pelo Programa Ambiental das Nações Unidas. artérias e órgãos nos exames radiográficos. usados na preparação de injectáveis. trabalham na Hovione. anti-parasíticos e produtos utilizados em terapias oncológicas. Japão. Exemplo do compromisso que assumiu com as questões ambientais é o facto de ter subscrito o Responsible Care Program e utilizar tecnologias GreenCycleTM. o Grupo Hovione investe cerca de 8% do seu volume de vendas em investigação e desenvolvimento. que permitem a visualização das veias. a Hovione desenvolve a sua actividade através de processos de síntese próprios. 6% em projectos ambientais.exportados para mercados tão exigentes quanto os dos Estados Unidos. iniciando contratos de desenvolvimento de processos e fabricação de novos produtos para terceiros. Fundada em 1959 por Ivan Villax. um negócio que neste momento representa 40% do seu volume de vendas. sendo de destacar a aposta feita na área da qualidade e da pesquisa. incluindo anti-virais e terapias anti-SIDA. 5% em qualidade e 1% em formação.

204 .

• produtos resultantes da corrosão. Segurança. As zonas de fricção devem ser devidamente acauteladas de modo a minimizar o risco de libertação de partículas resultantes da erosão ou desintegração para o processo. e quando se verifique uma explosão o equipamento deverá ter meios que permitam interromper imediatamente a deflagração e/ou limitar os seus efeitos. manuais de operação/manutenção c/ recomendação de peças de reservas. até sistemas sofisticados de filtração por Osmose Inversa. e em caso de bombeamento de líquidos com elevado grau de perigosidade ou toxicidade devem ser utilizados empanques magnéticos. 12. Materiais de construção devem ser seleccionados de modo a minimizar a corrosão química dos componentes metálicos. os contaminantes externos podem surgir de: • lubrificantes ou fluidos de selagem usados nos equipamentos de processo. nomeadamente metais pesados.2 Critérios de selecção de equipamento de processo Os critérios de selecção de equipamento para ser utilizado no fabrico de produtos farmacêuticos de base. sendo necessário um levantamento de todos os factores de risco que possam afectar a especificação do produto. A manutenção preventiva deverá recorrer a inspecções periódicas visuais de todas as zonas críticas. ou ainda sistemas de distribuição e circulação de fluidos. 12. relatórios dos testes em fábrica. As bombas centrífugas Grundfos são utilizadas em diferentes operações do processo de fabricação de Princípios Activos. 12. Facilidade de desmontagem e montagem com reduzido número de peças são factores também a considerar na escolha de uma bomba. • erosão mecânica. que possam afectar a qualidade do produto. garantias e certificações. que vão desde a simples trasfega de solventes ou misturas reaccionais. No caso das bombas deve ser dada atenção aos empanques mecânicos. Segurança. bem como certificação que ateste a adequabilidade da solução ao processo e local onde se insere. É referido com BAT a utilização de empanques mecânicos simples ou duplos. 12. desde a certificação dos componentes eléctricos como anti-deflagrantes para a classe de temperatura a que possam estar sujeitos. 205 . abrangendo também as indústrias de síntese química.2. abordadas no documento de referência do IPPC. Esta certificação é resultante de uma avaliação dos riscos envolvidos. É assim exigido ao fornecedor de equipamentos de processo suporte documental (quando aplicável) para: lista e certificado de materiais. aos impulsores. substâncias inflamáveis. O desenho dos equipamentos deve ser tal que minimize as zonas mortas. • resíduos de aplicações anteriores.1 Introdução O equipamento utilizado na produção de Princípios Activos para a Indústria Farmacêutica. Ambiente e Saúde Ocupacional. requer um elevado grau de exigência em termos de Qualidade.2 Segurança Uma vez que no fabrico de produtos farmacêuticos de base são utilizadas. • elastómeros (empanques. Assim. Essas emissões devem ser minimizadas nas fontes. tenha superfícies não rugosas e isentas de fissuras. os lubrificantes deverão ser de qualidade alimentar.3 Ambiente A directiva Europeia IPPC (Integrated Pollution Prevention and Control) tem como objectivo a prevenção integrada e o controlo da poluição resultante da produção industrial. provenientes desses equipamentos.2.1 Qualidade O fabrico de produtos farmacêuticos de base é regido por uma elevada exigência de qualidade. através de soluções BAT (Best Available Techniques). em vigor desde 30 de Junho de 2003. é necessário fazer uma evidência documental do controle dos possíveis contaminantes externos. de forma a projectar o equipamento e a sua instalação de modo a evitar a formação de atmosferas explosivas e fontes de ignição. As emissões de COV's (Compostos Orgânicos Voláteis) localizadas e difusas. em grande quantidade. lista de lubrificantes. os equipamentos utilizados têm que estar preparados para funcionar em ambientes com potencial perigo de explosão. etc. desenhos de construção mecânicos/eléctricos/ /funcionais.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12. Quando admissíveis. Esta directiva cobre os requisitos técnicos a serem considerados. de forma a evitar perdas para o exterior. têm a obrigação legal de serem determinadas e manifestadas oficialmente. é referido no documento do IPPC a particular atenção que deve ser prestada à selagem. baseiam-se no elevado grau de exigência em termos de Qualidade. podem degradar-se por acção química e/ou térmica. ou seja têm que ser construídos e instalados em conformidade com a Directiva ATEX 94/9/CE. juntas. uma vez que tem que ser garantida a vedação permanente entre os elementos rotativos e estáticos. por síntese química. às chumaceiras e às juntas. É requisito imprescindível a marcação CE de conformidade juntamente com toda a documentação definida na Directiva 94/9/CE. No caso das bombas centrífugas de processo. para todos os equipamentos que contactem directamente com o produto.2. Em relação a equipamento de bombeamento centrífugo.) não adequados ao processo. Ambiente e Saúde Ocupacional.

Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais

12.2.4 Saúde ocupacional
De acordo com a Directiva 2003/10/CE de 6 de Fevereiro de 2003, relativa à prescrição mínima de segurança e de saúde em matéria de exposição dos trabalhadores aos riscos devidos aos agentes físicos (ruído), a selecção do equipamento adequado fica condicionada ao ruído máximo admissível para ocupação em permanência, tendo em conta o trabalho a efectuar. Assim o equipamento deverá produzir o mínimo de ruído, tendo em conta o progresso técnico e a disponibilidade de medidas de controlo dos riscos na fonte. O manuseamento dos intervenientes em síntese química devem ser adequados ao seu grau de perigosidade para a saúde humana. Deve-se analisar qual a concentração máxima admissível para cada contaminante na atmosfera da zona de trabalho e adequar o equipamento que garanta a contenção abaixo dos limites de exposição admissíveis OEL - Occupational Exposure Limits.

Fig. 2 - Osmose inversa de purificação de água

12.3 Exemplos de aplicação industrial
As bombas centrífugas Grundfos são utilizadas em diferentes operações do processo de fabricação de Princípios Activos, que vão desde a simples trasfega de solventes ou misturas reaccionais entre equipamentos, até sistemas sofisticados de filtração por Osmose Inversa, ou ainda sistemas de distriuição de fluidos térmicos que garantam uma optimização das condições operatórias. Adiante faz-se uma descrição pormenorizada destas duas últimas aplicações.

Outra aplicação de Osmose Inversa na Hovione, consiste em concentrar 20m3/h de uma solução de Princípio Activo, desde uma concentração de 60g/lit até uma concentração de 150g/lit. Retido 8 m3/h Alimentação 149 g/ lit. 20 m3/h Osmose Inversa 60 g/ lit. Membrana Permeado 12 m3/h 0.5 g/ lit.
Fig. 3 - Osmose Inversa - Diagrama de processo

As condições operatórias necessárias são: Numero de módulos em paralelo = 2 (Para aumentar a flexibilidade) Caudal de cada módulo = 10 m3/h Pressão de permuta = 40bar Bombas seleccionas por módulo = 2 x CRN16-160 em série. Nas figuras seguintes apresenta-se o diagrama da instalação e uma fotografia do sistema.

12.3.1 Filtração por Osmose Inversa
A filtração por Osmose Inversa é a filtração mais fina tecnicamente possível e consiste em reter partículas com dimensão um milhão de vezes inferior a 1 mm, numa membrana porosa geralmente feita em celulose. A Osmose Inversa é utilizada industrialmente para purificar água ou outros solventes, retirando as moléculas indesejáveis, ou concentrar soluções de produtos valiosos. O princípio de funcionamento da Osmose Inversa consiste em fazer passar através da membrana, o fluido que se pretende isento de moléculas grandes, chamado permeado. Para que se dê uma separação efectiva é necessário alimentar o fluido em condições de pressão e caudal adequados e consistentes. O fluido que não atravessa a membrana é chamado retido, por ser aquele que retém as moléculas grandes. A Hovione tem uma instalação de purificação de água com um caudal de 10m3/h para produzir água com uma condutividade de 0.3µS.cm-1 a partir de água de qualidade potável com 3000µS.cm-1.

Retido Permeado

Alimentação

Fig. 4 - Osmose Inversa - Diagrama de tubagem e instrumentação

206

Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais

Fig. 5 - Osmose inversa de concentração

Fig. 6 - Equipamento de síntese química

12.3.2 Circuitos térmicos
Para obter o Princípio Activo em quantidade e qualidade aceitáveis é necessário que as condições operatórias sejam optimizadas e reprodutíveis, sendo a temperatura do meio reaccional um dos parâmetros críticos da síntese química. Esta temperatura é controlada pela circulação de um fluido térmico através do equipamento, com um determinado caudal e a uma temperatura tal, que por contacto indirecto, promova a transferência térmica. A circulação faz-se através de dois sistemas interligados que são: • Circulação de fluido térmico através do equipamento a uma temperatura variável e a um caudal constante; • Produção e Distribuição do fluido térmico nas diferentes temperaturas constantes e a um caudal variável;

M ⋅ Cp  K − 1   Tin − T 1  ln   = q. ⋅ ρ ⋅ cp ⋅  K  ⋅ t  Tin − T 2   
Em que:

(1)

 U⋅A  K = exp    q ⋅ ρ ⋅ cp 
As variáveis das Equações 1 e 2 são:

(2)

Tin é a temperatura de entrada do fluido de circulação (°C); T1 é a temperatura inicial da mistura reaccional (°C); T2 é a temperatura da mistura reaccional ao fim do tempo t; M é a massa de mistura reaccional que se pretende aquecer ou arrefecer (kg); Cp é a capacidade calorifica média da mistura reaccional, no intervalo de temperaturas considerado (kcal / kg.°C);

12.3.2.1 Circulação de fluido térmico
12.3.2.1.1 Caudal A circulação do fluido térmico através do equipamento é feita através de uma bomba centrífuga que é dimensionada pelo caudal constante, cujo valor depende da capacidade térmica do equipamento e pela altura manométrica necessária para a sua circulação. O caudal de circulação do fluido térmico pode ser obtido iterativamente pela Equação 1, que determina a temperatura da mistura reaccional T2 ao fim do tempo t:

q é o caudal volumétrico do fluido térmico de circulação (m3/h);

q ⋅ ρ ⋅é a massa específica do fluido térmico (kg/m3) à temperatura da operação. cp é a capacidade calorífica média do fluido térmico, no intervalo de temperatura considerado (kcal / kg.°C). U é o coeficiente global de transferência de calor (kcal/ /h.m2.°C), que depende da condutividade térmica de todos os materiais envolvidos na transferência térmica e da turbulência do seu movimento. O valor de U pode ser estimado teoricamente ou determinado experimentalmente;

207

Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais

A é a área total (m2) através da qual se dá a transferência térmica, e depende da geometria do equipamento e da quantidade de mistura reaccional;
M (kg)

QUADRO I - PARÂMETROS
Aquecimento 4000 1.01 300 10 925 0.43 977 0.38 0.99 280 Arrefecimento

No ponto 12.3.2.1.2 é dado um exemplo ilustrativo da aplicação das expressões 1 e 2, para determinação do caudal da bomba de circulação, em condições de aquecimento e arrefecimento.

Cp (kcal / kg.°C) U (kcal / h.m2.°C) A (m2)
r

(kg / m3)

cp (kcal / kg.°C)
100 90 80
Temperatura (ºC)

70 60 50 40 30 20 10
5m3/h 10m3/h 15m3/h 20m3/h

Fig. 7 - Diagrama do Circuito Térmico

12.3.2.1.2 Exemplo de aplicação Selecção de uma bomba para um circuito térmico de um reactor de 4000lit. de capacidade, no qual se pretendem as seguintes condições operatórias: a) Aquecimento da mistura reaccional desde uma temperatura inicial T1=25°C até uma temperatura final de T2=100°C, com um fluido térmico a uma temperatura de entrada de Tin=120°C; b) Arrefecimento da mistura reaccional desde uma temperatura inicial T1 = 25°C até uma temperatura final de T2=0°C, com o mesmo fluido térmico a uma temperatura de entrada de Tin=-15°C. Considerar para perda de carga total do circuito o valor de 20m.c.a. Utilizando as Equações 1 e 2, de uma forma iterativa, e os parâmetros do sistema apresentados no Quadro I, obtém-se o gráfico de variação da temperatura da mistura reaccional no tempo, para diferentes caudais de circulação.

0 0.0 0.3 0.7 1.0 1.3 1.7 2.0 2.3 2.7 3.0 3.3 3.7 4.0 Tempo (h)

Fig. 8 - Gráfico da temperatura da mistura reaccional para diferentes caudais de circulação

Analisando o gráfico da fig. 8, verifica-se que deixa de haver uma diminuição significativa do tempo total de aquecimento e de arrefecimento quando se aumenta o caudal de circulação de 15m3/h para 20m3/h. Considerando o valor de caudal de 15m3/h e uma altura manométrica de 20m.c.a, uma bomba adequada para a circulação de fluido térmico através da camisa de um reactor de 4000lit. de capacidade seria uma CR16-30.

12.3.2.2 Sistema de distribuição de fluido térmico
12.3.2.2.1 Temperaturas O sistema geral de distribuição de fluido térmico é constituído pelos subsistemas independentes de produção, armazenagem e distribuição do fluido térmico a diferentes temperaturas.

208

Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais

Para realizar aquecimentos é necessário dispor de um fluido térmico a uma temperatura elevada, cujo valor depende da temperatura máxima exigível para o processo, nunca podendo ser superior à temperatura admissível para o equipamento. Geralmente a temperatura máxima utilizada nos processos de produção de Princípios Activos situa-se entre 120°C e 150°C. A produção do fluido nesta gama de temperaturas pode ser realizada por circulação através de permutadores de calor alimentados com vapor ou através de resistências eléctricas.

O factor de simultaneidade tem em conta que não é expectável que todos os equipamentos de uma instalação estejam a trabalhar na sua capacidade térmica máxima em simultâneo. Este factor pode ser obtido por estimativa baseada no grau de utilização dos equipamentos, ou utilizando equações estatísticas, como é o exemplo da equação 3.

f =

1 n −1

(3)

em que n é o número total de equipamentos.
HTFR

HTF

A utilização de modelos matemáticos requer uma análise cuidada do valor obtido, baseada na experiência de instalações similares e no bom senso. 12.3.2.2.3 Caudal A determinação do caudal necessário para um sistema de distribuição de fluido térmico é feita de forma idêntica à determinação da capacidade energética, descrita no ponto anterior, tendo em consideração o somatório de todos os caudais necessários de todos os equipamentos alimentados pelo circuito, e aplicando o factor de simultaneidade. Para obviar a variação das necessidades energéticas é conveniente que a distribuição de fluido térmico se faça a caudal variável, o que se consegue através da variação de velocidade das bombas de distribuição, em função da número de consumidores em funcionamento.

Fig. 9 - Diagrama do Circuito de Distribuição

Para efectuar o arrefecimento é necessário dispor de fluido térmico a uma temperatura reduzida, cujo valor depende da temperatura mínima exigida pelo processo e que não poderá ser inferior à temperatura mínima admissível para o equipamento. Geralmente a temperatura mínima utilizada nos processos de produção de Princípios Activos situa-se entre os -30°C e os -15°C, em casos especiais poderá haver necessidade de uma temperatura criogénica, na ordem dos -100°C. A produção do fluido térmico a -30°C faz-se normalmente por circulação através de uma máquina frigorifica, ou de um permutador. Geralmente para os sistemas térmicos de unidades de produção de Princípios Activos justifica-se economicamente a existência de um circuito térmico a uma temperatura intermédia. Este fluido tem como principal função efectuar o primeiro arrefecimento ou aquecimento, quando o equipamento está a temperaturas extremas. A escolha da temperatura mais adequada depende da utilização preferencial e do balanço económico e poderá ser cerca de 25°C, que se obtém fazendo circular o fluido por um permutador por onde circule água arrefecida em torres de refrigeração, ou cerca de +5°C a +10°C para o qual é necessário ter uma máquina frigorífica.

Fig. 10 - Sistema de distribuição

12.3.2.2.2 Capacidade energética A capacidade energética de um sistema de distribuição de fluidos térmicos depende do número e capacidade dos equipamentos que vão ser alimentados e também do factor de simultaneidade da instalação.

O ajuste do valor da velocidade é feito de forma a manter constante a pressão do circuito de alimentação. Assim, quando um consumidor entra em funcionamento a pressão do circuito de alimentação tende a baixar, o controlador fará aumentar a velocidade da bomba, para que a pressão se mantenha no valor de set-point seleccionado. Quando um consumidor deixa de estar em funcionamento o controlador reage de forma inversa. Com este sistema garante-se a alimentação uniforme aos equipamentos, em todas as condições de utilização da instalação.

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4 Exemplo de Aplicação Seleccionar os sistemas de bombeamento dos circuitos de distribuição de fluido térmico de Aquecimento e Arrefecimento. sendo ainda garantido 50% do caudal máximo em caso de avaria de uma bomba. 1a4 5a8 S O gráfico da figura 11 mostra a variação da potência absorvida em função do caudal. 20 18 Potência (kW) Capacidade (lit. para as três opções consideradas.2.000 10. que estará em funcionamento sempre que o reactor esteja a uma temperatura superior à ambiente. Opção Quantidade de Bombas 2 Caudal (m3/h) 60 60 40 II 3 40 40 30 III 3 30 60 Tipo CR64-2 CR64-2 CR45-2 CR45-2 CR45-2 CR32-3 CR32-3 CR64-2 8.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12.CAPACIDADES Equip.000 22 8.000 500. 11 .3. é possível considerar três opções diferentes.000 Capacidade Térmica (kcal/h) 300.5 Custo Total (Euros) 7.C. Verifica-se que não há variação significativa da potência absorvida. No Quadro III. Para selecção dos sistemas de bombeamento do fluido térmico às diferentes temperaturas. são indicadas as necessidades energéticas e o caudal de distribuição necessário para o fluido térmico a cada temperatura. tal como mostra o Quadro IV: QUADRO IV . QUADRO III . H = 40M.2.000 Caudal de circulação (m3/h) 120 Fig. Para o sistema de arrefecimento há a considerar que todos os reactores têm sistemas de condensação de Compostos Orgânicos Voláteis (COVs).CIRCUITO DE DISTRIBUIÇÃO Capacidade Térmica (kcal/h) Fluido Térmico 2.) 4. tendo em consideração o número máximo de equipamentos em funcionamento simultâneo na capacidade máxima. por ter menor custo.200.250 Potência Instalada (kW) 22 I 210 . ambos do mesmo modelo. conclui-se que poderão estar quatro em funcionamento simultâneo.000 56. igual consumo energético.600 22.Gráfico da potência absorvida para as opções de bombeamento Pode concluir-se que a Opção I é a mais favorável.000.A. menor número de equipamentos.000 Caudal de circulação (m3/h) 15 30 180 16 14 12 10 8 6 4 2 0 0 15 30 45 60 75 90 105 120 Caudal (m 3/h) Opção I Opção II Opção III Aplicando a Equação 3 para oito reactores. Assim deverão considerar-se cinco equipamentos em utilização simultânea. para uma instalação composta por oito reactores com as capacidades indicadas no Quadro II.SISTEMA DE BOMBEAMENTO CAUDAL TOTAL = 120M3/H. QUADRO II .000 3.

Chemical Engineering. Jornal Oficial das Comunidades Europeias .4 Referências bibliográficas Grundfos. McGraw-Hill. Volume1. First Edition ISPE.44 / 2003. D.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12.. Ismail and Aksahin. Kern. Integrated Pollution Prevention and Control (IPPC) Reference Document on Best Available Technics in LVOC Industries . Versão 7.y Jornal Oficial das Comunidades Europeias .Bulk Pharmaceutical Chemicals. Process Heat Transfer. Tosun. Ilhan.Directiva 94/9/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 23 de Março de 1994. 211 . 1965. Guides for New Facilities . Predict Heating and Cooling Times Accurately. New York.Q.Directiva 2003/10/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 06 de Fevereiro de 2003. June 1996. Novembro 1993.February 2003. WinCAPS.

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com BGP . 320 e 334 • 4350 .: 22 542 05 20 • Fax: 22 542 05 38 www. Sede: Apartado 1079 • 2771. S.grundfos.901 Paço de Arcos Rua Calvet de Magalhães.273 Porto Tel.: 21 440 76 00 • Fax: 21 440 76 90 Filial: Apartado 3035 • 4031.A. 241 • 2770 .153 Paço de Arcos Tel.03/2005 .Ser responsável é a nossa base Pensar mais além torna tudo possível A inovação é a essência de tudo o que fazemos Bombas GRUNDFOS Portugal.601 Porto Rua da Ranha.