GRUNDFOS SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO

Manual de Engenharia

Biblioteca Nacional - Catalogação na Publicação Manual de Engenharia Sistemas de Pressurização ISBN: 972 - 99554 - 0 - 9

Depósito Legal n.º 223570/05

Copyright © 2005 - Bombas Grundfos Portugal / Margarida Ruas / Raul Vital / Paulo Ramísio / Eduardo Nunes / Carlos Medeiros / Ana Amélia Santos / José Beltrão / Pedro Farinha / Luís Olival

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Nenhuma parte deste livro poderá ser reproduzida, de qualquer forma ou meio, sem a autorização prévia do editor. Edição de: Bombas Grundfos Portugal, S.A.

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BGP - 03/2005

PREFÁCIO
Actualmente, as sociedades desenvolvidas, na sequência da melhoria da qualidade de vida, têm como expectativa não apenas o acesso fácil ao recurso água mas também elevados padrões de qualidade no seu abastecimento. Esta exigência arrasta consigo a garantia do fornecimento contínuo, a sua qualidade intrínseca e as características adequadas ao seu uso, inerentes à quantidade e à pressão. Estes critérios de qualidade a que todos nós, de forma crescente, nos fomos habituando, são aplicáveis, principalmente, ao consumo humano, mas são também extensíveis aos sectores económicos da sociedade, cujo desenvolvimento está na dependência da água. Para atingir os desejados padrões de qualidade é fundamental o cumprimento da legislação vigente e a aplicação das tecnologias mais avançadas, factores que se revelam da maior importância para a optimização dos custos de exploração, dos quais o consumo energético é um factor determinante, se tomarmos em conta que aproximadamente 20% do consumo mundial de energia eléctrica se destina a grupos electrobomba. O reconhecimento de que uma das componentes do custo da água reside na sua movimentação, desde a captação à sua utilização, implica que a selecção dos sistemas de pressurização deverão ser cada vez mais eficientes e económicos. A responsabilidade social e o desenvolvimento sustentado que a Grundfos assume nos seus valores, sensibiliza-a para a importância da reflexão e do diálogo sobre o tema da água como bem fundamental e escasso. Foi com este espírito presente que o Manual de Engenharia sobre o tema "Sistemas de Pressurização" foi abraçado por um conjunto de docentes universitários e especialistas, em vários sectores da utilização da água, tendo como objectivo a optimização da eficiência e da fiabilidade da movimentação da água. O conteúdo deste Manual foi estruturado com informação técnica actualizada, desde a legislação às soluções tecnologicamente mais avançadas, complementado com ferramentas e técnicas para a melhoria do Custo do Ciclo de Vida dos sistemas públicos, prediais, industriais e na rega. O conceito de variação de velocidade utilizado nos sistemas hidráulicos, é adaptado em concepções diversificadas, em função das características das aplicações, como processo para optimização do consumo energético. É aqui inserido um documento de referência, que descreve a evolução histórica do abastecimento de água à cidade de Lisboa e regiões limítrofes, desde a ocupação Romana à actualidade, relatando os acontecimentos históricos que foram influenciados por essa evolução. É referida a importância da água para o consumo humano, para a rega e para a higiene pública. É ainda abordada a problemática do seu tratamento e as suas propriedades terapêuticas para a cura de diversas doenças. Evoca ainda a importância da água no desenvolvimento da cidade de Lisboa, assim como transmite os detalhes da evolução tecnológica nos meios utilizados para o abastecimento da água, desde as nascentes aos consumidores públicos e industriais, até ao abastecimento domiciliário com água canalizada. Este Manual é uma colectânea dos contributos da Grundfos e de todos aqueles que participaram na realização deste projecto, e teve como orientação estratégica a gestão racional da água e a sustentabilidade ambiental. Destina-se à sociedade em geral e em particular aos consultores, projectistas, empresários, empresas municipais e multimunicipais, técnicos, docentes e alunos de universidades e institutos cuja actividade está, directa ou indirectamente, dependente do estudo e da utilização da água. António Miranda Administrador Delegado Bombas Grundfos Portugal

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a forma mais antiga e mais adequada. ou seja. juntando a bomba o sufixo verbal -ear (tal como de guerra+ear se formou guerrear e de cabeça+ear derivou cabecear) que encerra um sentido frequentativo (repetição de uma ideia). Do velho Morais ao novo Houaiss. todavia. Assim. de tal modo que o que é incorrecto num dado momento pode ser considerado correcto noutro. As palavras são polissémicas e podem significar uma "coisa" e o seu contrário. em cada momento. conotativos outros. Bombeamento formou-se juntando ao verbo (bombear) o sufixo nominal -mento. o verbo bombear e o substantivo bombeamento. As línguas. interessa apenas o significado de "máquina para aspirar e elevar líquidos.Bombeamento ou bombagem Os idiomas não são instrumentos neutros nem modelos estáticos. designadamente. aliás. E é empregado na linguagem corrente. Quer o verbo bombear quer o substantivo bombeamento são as formas a que os mais prestigiados dicionaristas dão acolhimento. a palavra primitiva) tem diferentes sentidos. não colide com a morfologia do nosso idioma. e devem responder às necessidades de todos e de cada um dos falantes. militar. mudam com o tempo e as vontades. denotativos uns. passando pelos "Vocabulários" de Gonçalves Viana e José Pedro Machado. há certas palavras e formas de dizer que caem em desuso (morrem. bombeamento é. ressuscitar) e outras que emergem (nascem) para designarem novos objectos ou conceitos. Serve esta pequena introdução para explicar que. bombeamento pode designar "a extracção de um líquido ou de um gás por meio de bomba". são tão legítimas e frequentes as dúvidas como as certezas. No primeiro caso. E diz-nos a experiência que do natural conflito entre norma e uso. Edite Estrela 3 . estado". é o uso que sai vencedor e se impõe à generalidade dos utentes. As línguas maternas reflectem os conceitos vigentes na sociedade. como qualquer organismo vivo. mais tarde. Pelo menos é esta a opinião dos mais reputados estudiosos da língua portuguesa. inclui os dois verbetes). mas também em linguagens específicas (física. Do substantivo bomba derivaram outras palavras. As palavras não são unívocas e só o contexto pode indicar o sentido exacto de cada termo. em matéria linguística. todos registam bombear e bombeamento e excluem as outras hipóteses. Para o caso. Por isso. mais tarde ou mais cedo. Importa apenas acrescentar que o substantivo bombagem também respeita as regras de formação de palavras. podendo. aparelho com que se transvasam ou esgotam fluidos (líquidos ou gases)". Embora também haja quem empregue a forma bombagem como sinónimo de bombeamento (o Dicionário da Academia. A dúvida que suscitou estas reflexões é esta: "bombar ou bombear" e "bombagem ou bombeamento"? O substantivo feminino bomba (no caso. geológica). atribuindo-lhe o sentido de "acção ou resultado da acção. Bombear significa "extrair um líquido ou um gás por meio de bomba".

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. . . . . . . . .5. . . .3 2. . . . . . A 1ª. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Regime uniforme e permanente . . . . . . . . . . Sistema Hydro 1000 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Perdas de carga localizadas . . . .5. .5 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .13 3. .3 6. . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . Modelo de cálculo . . . . . . . .6. . . . . .6 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Conceitos fundamentais de hidráulica. . . . . . . . . . . . .12 2. . Propriedades da água . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Ponto de funcionamento de uma bomba centrífuga . . . . .5 4. . . . . . .1 Constituição e princípio de funcionamento . . . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . .2 2. . . . . . . . . . . .1 2. . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . 97 Exemplos de aplicação do Custo do Ciclo de Vida . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . O projecto de 1908 para captação de água no Tejo . . . . . . . .2. . . . . . . . . .4 2. . . .4 2.4. . . . .2 3. . . . . . . . . . . . . . .4 2. . . . . . . . . . . . . . Cálculo hidráulico . . . . . . . . . . . . . . . Reservatório parcialmente bidireccional . . . . . . . . . . . . . . .2 Grupos electrobomba . . . . . . . Referências bibliográficas .4. .1 2. . . .4 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . Companhia das Águas e o Alviela . . . . . . . . . 3. . . . Classificação das redes hidráulicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 6. Teorema de Bernoulli . . . . Bombas centrífugas . . . . . . .3. . . . . . . .3. 61 62 64 65 65 65 66 66 72 72 74 75 76 31 35 35 35 35 35 36 36 36 36 36 37 37 38 38 38 40 40 40 40 40 41 41 42 42 42 42 45 47 48 49 77 79 80 82 83 83 83 84 84 86 86 87 88 88 88 88 89 90 O Custo do Ciclo de Vida como factor de economia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistemas com bombas de velocidade variável . . .2 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 6.1 6. . . . . . . . . . . . . . .5 3. . . . . . .3 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 3. . . . . . . . . . . . . Equação da continuidade . .4 4. . . . . . Escoamentos laminares e escoamentos turbulentos . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . . . . Princípios da mecânica dos fluidos . . Referências bibliográficas . . .14 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistemas de pressurização com grupos electrobomba . . . . .10. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 2. . . . . . . . .2 2. . . . . . . . . 96 Aplicação a sistemas existentes . . .2 Tipos de sistema de elevação de pressão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Critérios de cálculo . . . . . . . . . . . . . . . .2 6. . . . . . 2. . . . . . Os projectos de Pezerat face à falta de água no século XIX . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 94 Implementação da metodologia . . . . . .2 5. . .3. . . . .3 2. . . . . . . . . . . . . Reservatórios hidropneumáticos . . . . . . . . . . . . . . 103 105 105 105 106 107 109 109 110 112 113 Sistemas de pressurização com velocidade fixa e velocidade variável .6 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistemas por bombeamento directo . . . . . . . . . . . . . Sistema Hydro 2000 E . . . 3. . . . . . e hidrodinâmica . . . . . . . . .2 2. .5 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .11 2. . .3 4. . . .1 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . Perdas de carga contínuas . . Determinação da pressão . . . . . . . . . Sistema Hydro Solo E . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . Sistema Hydro 100 . . . . . . . . . . 91 Introdução .1 Reservatórios de membrana . . . . . . . . . . . . . . . .1 Introdução . . . . . . 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Arrancadores suaves . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 102 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . 98 5. . . . . . . . . . . Características das centrais hidropneumáticas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 5. . Companhia das Águas e o começo do abastecimento domiciliário . . . Duarte Pacheco e o contrato de 31 de Dezembro de 1932 . . . . . . . . Propostas para a reconstrução do aqueduto romano .1 4. . . .3 1. . . . . . . . . . .2 4.3. . . . . .1 2. . . .3 6. . Sistema Hydro 2000 F . . . . .7 1. . . . . . . . . . . . .Índice Índice 1. . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 2. . . . . . . . . . . . . . .4 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Constituição e princípio de funcionamento . . . . . . . . .2 Escolha do sistema de pressurização na fase de projecto . . . . . . Chaminés de equilíbrio . . . . . . . 3. . .6 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .10 4. . . . . Introdução . . . . . . . . . . . .1 2. . . . . .5 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . O Aqueduto das Águas Livres . . . . . . . . . . . . . . . . Sistemas de pressurização com grupos electrobomba de velocidade variável . . . . . . . . . .2 3. . . . . . . . . . . . . . . . .10. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Dimensionamento e selecção . . . . . . . . . . . . . .2 4. . . . . . Teorema da quantidade de movimento ou de Euler . Dispositivos de protecção . . . . . . . . As municipalizações do abastecimento de água e a sobrevivência da Companhia . .3 3. . . . . . . . . . . . . . . . .3 4. . . . .6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . Viscosidade . Constituição . . . . Das origens ao aqueduto romano de Olisipo . . . . . . . .1 2.7 2. . . . . . . .6 4. . . . . . . . . . Conceitos básicos . Evolução histórica dos sistemas de abastecimento de água a Lisboa . . . . . Curva característica da instalação . . . . . . . . . .2 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Válvulas de retenção . . . . . . . . Curva característica da bomba . . . . . . . Introdução . . . . . . . . . Bombas de velocidade fixa . . . . . . . . . . . . . . . . . A EPAL e o Castelo de Bode . . . . . . . . . . . . . . . .3 2. .11 1. . .5. . . . . . . . . As duas opções em confronto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Redes hidráulicas .1 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9 1. 93 Determinação do Custo do Ciclo de Vida . . . . . . Exemplos de situações-tipo . . 96 Na fase de projecto . . 51 55 55 55 55 56 5 . . . . . . .4. . . A 2ª. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . .12 5. . . . Circuito de desvio . . . . .Tejo ou Zêzere . . . . . .1 4. . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . . . . . . . . . 93 Razões para a utilização do CCV . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 3. . . . . . . . . . . . . . . . Conceitos fundamentais de hidrocinemática . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . . .9 4. . . . Caso prático . . . . . . . . . . . . de velocidade fixa . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . . 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Teste de sistemas .16 2. . Cavitação e NPSH . . . . . . . . .4 3. . . . . . . 93 O que é o Custo do Ciclo de Vida? . . . . . . . . . . . . . . . . .1 2. . . . . . . . . . . . . . .13 1.3 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 6. . . . . . Condições de fronteira . . . . . . . . . . . . . . . .4 5. . 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Introdução . .3. . . . . . . . . . . . Tensão de saturação do vapor de água . . . . . . . . . . . . . . .6 5. . . . .2. .3 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .8 4. . . . . . . . . . . Determinação do caudal máximo . . . . . . . . . . . . . . . .10 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Volantes de inércia . . . . . . . . . . Compressibilidade . . .3. . . . . . . . . . . . . Reservatórios de ar comprimido . . . . . . . . . . . . . . . . . .8 1. . . . . . . . . . . . . . 4. . . . . 98 Sistema de bombeamento existente com uma válvula de controlo de caudal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4. . 99 5. . . . . .9 2. . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5. .7 4. . . . . . . Os antigos chafarizes de Lisboa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3. . . . . . . . . . . .2. Classificação dos escoamentos . . . . . . . . . . . . . .9. . .2 5. . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . .3 Centrais hidropneumáticas . . . . . . . . . . . . . .3 3. . . .4 Sistemas de pressurização Grundfos . Regulação das pressões de arranque e paragem . . . . . . . . . . . . . . . Sistema Hydro 2000 . . . . . . .11 4. . . . . . . . 7 11 11 12 12 13 17 17 18 21 21 22 24 25 26 26 28 3. . . . . . . . . . . . .5 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . Expansão do abastecimento . . . . . . . . . . . . . . . . .1 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Escoamentos sob pressão em regime uniforme e permanente . .3. .1 1. . . . .8 2.3. . . . . . . . . . . . Leis de semelhança . . . . . . . . . . Reservatórios unidireccionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . Os problemas da qualidade das águas . Critérios de selecção e análise de sistemas simples em regime transitório . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9. . . . . . Definição . . . . . . . . . . . . .15 1. . . . . . .9. . . . . . . . . . . . . . . . . . Válvulas motorizadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .10 2. . . . . . . . . . . . . . . .7 Referências bibliográficas . . . . . .12 1. . .6 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6. . . . . . . . . . . . . . . . bombas centrífugas e redes hidráulicas . . . . . Dimensionamento económico de condutas . . . .4. . . . . . . . . .3. . . . . . . . . .1 3. . . . . . Dispositivos de manutenção das pressões transitórias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . .5.3. .

. . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . .3.4 9. .5. . .2 12. .3.1 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . Classificação dos sistemas . Estrutura do Manual de Redes Prediais . . . . . . . . . . . . . Reserva predial de água para abastecimento doméstico . .1 11. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Aspectos gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4. . . . Filtração por Osmose Inversa . . .2. . . .3 12. . . . . . . . . . . . . . . . . . Introdução . . . . . . . . .2. . . . . .1 11. . . . . . . . . . . . . . Saúde ocupacional . . . . . . .3. . . . . . . . . Aspectos gerais . . . . . . . . . . . . . . . .3 11. . . . . . . . . . . . . .2 7. . .2 11. . . . . . . . . .1 7. . . . . . .1 8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117 119 119 119 119 119 120 120 120 120 121 121 122 9. . . . . . .2. . . . . . .3 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Controlo por nível . . . . .2. . Aspectos gerais .1 11. . . . . . . . Sistemas de rega sob pressão . . . . . . . . . .3 10. . . . . . . . . . . .1 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 9. . . Isolamento das canalizações .3. . . . . Elementos de instrução dos processos de projectos . . . polivalência e economia . . . Desinfecção dos sistemas . . . . . . . . Circuitos térmicos . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . Exemplos de aplicação industrial . . .2 9. . . . . . . . . . .4 12. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Eficiência de aplicação .3 12. . Referências bibliográficas . . . . . . . . .1 8. . . . . . . .4 8. . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . .2 10. . .3. .3. . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 8. . . . .2 8. . . . . . 9. . . . . . . . .4. . . . . .4. .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .7. . . Concepção dos sistemas . .2 9. . . . . . . . . . .1 8. . Requisitos para instalação . . . . . . . . Aspectos gerais . . . . . . Elementos dos sistemas . . . . . . . . . . . . . Caracterização da rede de Lisboa . . . . . . . . . . . . . .1 11. . . . . . . . . .2 9. . . . .4. . . . . . . . . . . . . .3 9. . . . . . . Verificação. . . Vantagens de um sistema integrado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Segurança . . . . . Resultados práticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Critérios de selecção de equipamento de processo . .1 7. . . . Eficiência de rega e sua classificação . . . . . . . . . Ramais de ligação . . . . . . . . . . . . . Aspectos gerais . . . . . . . Gestão integrada entre sistemas de bombeamento . . .1 10. . . . . . . Entrada em serviço dos sistemas . . Instalação e manutenção de bombas e sistemas de bombeamento .4. . .1 9. . . .3 8. . . . . . . .2 7. . .4. . . . . .1 7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Aspiração de uma rede sob pressão . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . . . . . .1 10. . . . . . . . . . .2 12. . .3 9. . . . . . . . . . . . . Classificação dos sistemas de rega . . . . . . . . . . . . Enquadramento legislativo . . . . . . . . . . . . . . . . Necessidades de água quente e escolha dos aparelhos de produção . . . . . . .3. . . . .4 7. . . . . . . . .7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12. . . . . . . . . . . . Sistemas de rega por gravidade . . . . . . . .3 8. . . . . . Ambiente . . . . . . . . . . . . . .8 9. . . . . . . . . . Concepção global dos sistemas prediais em Lisboa . . .2 12. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . .2 11. . . . . . . . . . . . 8. . . Elementos acessórios da rede . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . .6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 10. . . . . . . . . . . . . . Monitorização e gestão de sistemas mistos . . . . . . . . . . . . . . . . Elementos e parâmetros de rega a utilizar no cálculo do consumo de energia . Torneiras e fluxómetros . .1 9. . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 11.2 8. . . . . 10. . . . .6 9. . .2. . . Sistema de abastecimento predial de água . . . . . . . . . .6. . . . . . . . . . . .3. . .3. . . . . . . . . . . . . . .3 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 11. . .2. . . . . .5 9. Elementos de dimensionamento . Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6 11. . . . . .3 11. . . . . . . . . . . . . 11. . . . . . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . .5 11. . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . Concepção global dos sistemas de distribuição em Lisboa . . . . . . . . .2. . . . . . . Controlo por pressão . . . . . . . . . . .3. . 7. . . . .2 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . Dimensionamento dos sistemas prediais . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . .3. Aplicação de sistemas de pressurização em processos industriais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 9. . . .1 9. . . . . Dimensionamento dos reservatórios hidropneumáticos . . . . . . . . . . . . . . . . .2 9. .2 7. . .2 Sistemas de controlo. . . . . .3. . . .1 7. . . . . . . . . . . . . Introdução . Valores médios e técnicas de maximização da eficiência de rega . . . . . . . . . Instalação de sistemas de bombeamento . . Comunicação entre sistemas de bombeamento . . . . . . . . . . . . . . . . . Águas convencionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Aspiração de cisterna elevada . . . . . . . . Manutenção aos sistemas de monitorização e controlo . . . . . . .5 9. .8. . .8. . .5 9.2. . . . . . . Eficiência de distribuição. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Válvulas . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4. Controlo por caudal . Manutenção . .4. . . . . . . . . Execução das redes prediais . . . . .1 12. . . . . . . .9 10. . .4 10. . . . . . .Índice 7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Eficiência de uso de água . . . . . . . . . .3 8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .8.4 11. . Dimensionamento hidráulico . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 10. . . . . . . . . . . Eficiência de transporte . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 10. . . . . . . .7 12. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . comunicação e gestão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Utilização de reservatórios de membrana . . . . . . . . Manutenção aos equipamentos de bombeamento . . . . .1 12. . . .7 9. . . . . . . . . . . . .2 9. . . . . . . . . Aparelhos produtores de água quente . . . . . Introdução . . . . . . . .7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Instalações elevatórias e sobrepressoras . . . . . . . . . . . . . . . . Sistemas de distribuição de água quente com recirculação Traçado . . . . . . .3 9. . . . . . . . . . . . . . .3. . . . Introdução .4. . . . Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 7. .4. . . . . .5. . . . . . . . . . Sistemas prediais de distribuição de água fria . Comunicação entre sistemas de controlo da mesma rede . .4. . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . .2 8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Aspiração negativa . . . Prova de funcionamento hidráulico . . . . . . . . . . . .2 9. . .3 7. Sistemas de rega sob pressão: eficiência. . Aspectos gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistemas de abastecimento público e predial em Lisboa . . . . . . . . . . .2 11. . .4 Contadores . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . .4. . . . . . . . .4 11. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 9. . . . . . . . .3 10. . . . . . . .4 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Consumo anual de energia para instalações de rega sob pressão . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . .4 7. . . . . . . . . . . . . . . . 149 150 150 150 151 152 153 157 157 157 157 163 163 164 164 175 175 176 177 125 127 127 127 127 127 128 128 128 129 129 129 130 131 135 135 135 135 136 136 136 137 137 137 137 138 141 141 141 141 141 143 145 145 145 145 146 147 147 147 148 148 148 148 148 179 183 183 183 184 186 186 187 193 193 193 193 194 194 194 194 194 195 196 197 198 201 205 205 205 205 205 206 206 206 207 211 6 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 9. . . . .2 11. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 8. . . . . referência ao coeficiente de uniformidade de distribuição de água de christiansen . . . . . . . . . Sistemas de abastecimento público e predial no Porto . . . . . . Outros tipos de controlo . . . . . . Localização do equipamento de bombeamento . . . . .5 9.1 9. . . . . Verificação . . . . . . . . . . .5 10.6 11.3 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Necessidade de comunicação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Eficiência total de rega . . . . . .3 9. . . . . .5. . . . . . . . . Conclusões . . . . Sistema de abastecimento público . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . . . Qualidade . .2. . . . . . . . . . . . . . . Aspectos gerais . . .1 11. . . . . . . . . . . . . .2 11. . . . . . . . . . .3 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 9. . . . . . . . . .3 11. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 12. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Controlo de sistemas de bombeamento . . . . . . .2 9. Descrição dos capítulos estruturantes do Manual .2 10. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Águas não convencionais . . . . . . . . . . . Introdução . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . . . . . . . Necessidades de ventilação . Eficiência de rega e consumo de energia nos sistemas de rega sob pressão . . . . . . . . . . . Eficiência de armazenamento . . Polivalência dos sistemas de rega . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistemas prediais de distribuição de água quente . . . . Outras publicações complementares . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . desinfecção e funcionamento hidráulico . . .

Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1. Responsável pelo Arquivo Histórico do Museu da Água 7 . EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS SISTEMAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA A LISBOA Autores: Margarida Ruas Gil Costa Directora do Museu da Água Raul Fontes Vital Historiador e Arquivista.

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da EPAL e também de Portugal. Existimos fisicamente no mundo. que provocam a mudança de mentalidades. os outros e o próprio Mundo. quando um elo se quebra. o Equilíbrio Perfeito. de um Arquivo Histórico que ajuda a entender a Inteligenzia portuguesa e que é consultado por académicos. O Mundo. das famílias consideradas como reguladoras sociais capazes de reunir pessoas à volta de necessidades comuns. a Harmonia Absoluta. estudantes e especialistas. É uma dádiva viver no respeito e na reciprocidade do que nos rodeia. indissociável que.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa O Museu da Água da EPAL O Museu da Água da EPAL. preservados e organizados museologicamente. na cidade de Lisboa e oferecemos um conjunto de quatro monumentos que constituem o Museu da Água. O Museu da Água é o único em Portugal com o Prémio do Museu do Ano do Conselho da Europa (1990). 9 . inaugurado no dia 1 de Outubro de 1987. A identidade desempenha um papel fundamental na configuração do mundo e na construção do eu do ser humano. dando oportunidade aos mais novos e intensificando o prestígio dos mais conhecidos cumprindo a educação permanente. Este último integra a sala das Máquinas a Vapor. abrange 4 núcleos: o Aqueduto das Águas Livres. As percepções espirituais. universidades. afecta o todo que somos nós. e de capacidade criativa do génio humano. dispomos de um serviço educativo para as escolas. e de tudo o que ela representa no acumular de conhecimento científico e tecnológico. Este prémio destaca todo o museu que contribua para o entendimento e conhecimento da herança cultural europeia. encontram-se indissociavelmente ligados à história do abastecimento de Água. de pensar livremente. A identidade do Museu junta-se à identidade da EPAL e de Portugal constituindo-se como parte da nossa cultura e como mensageiro desse espírito. A estratégia de comunicação do Museu da Água é provocadora na forma como chega às escolas. Tudo é património. o mais alto galardão atribuído por esta entidade. todo ele. Patriarcal e a Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos. a preservação e animação do património. códigos de comportamento numa perspectiva sincrética que junta o mundo todo no principio da reciprocidade (tudo o que fazemos é importante e atinge o meio em que vivemos e por sua vez nos atingirá). racionais e sensoriais completam a construção do Eu cumprindo a observação cabal do Todo. presente. O Museu constitui. É dever dos povos construir a eternidade partilhando o conhecimento e preservando a vida e o património. local de criatividade e de encontro de culturas. ajudando-os a combater o medo que nos retira o direito de viver. Os museus são lugares de criatividade onde se aprende sempre mais. Existimos numa cadeia una. em Portugal. tudo é passado. futuro e a Grundfos consubstancia este manifesto. estimulando a investigação. Mas para além desse sucesso evidente para a opinião pública nacional e internacional o maior sucesso é fazer a diferença na vida de muitas crianças e de adultos a quem provocamos na sua criatividade. polarizadores de cidadania (o seu ethos na dupla perspectiva filosófica e prática). As exposições que organizamos são discursos abertos e imprevistos que densificam a dimensão artística. do nosso conhecimento e do pensamento. os reservatórios da Mãe d'Água. de sentir prazer e de não envelhecer. que fazem acontecer e que contribuem para a sedimentação das identidades que cumprem a diversidade do País e dos diferentes povos que aí vivem. Os Museus são cada vez mais complementos e auxiliares das escolas. Os prémios Internacionais legitimam e celebram o sucesso do Museu. alertando para o ambiente. a Sala de Exposições Permanentes. onde o cenário de fundo nos é dado através desta luta de séculos travada pelo homem pela conquista da água. acima de tudo. de rir. construídos entre o século XVIII e XIX. bem como para a consciencialização da sua identidade e problemas comuns. Este conjunto de monumentos e edifícios. a Sala de Exposições Temporárias e o Arquivo Histórico. é um Património Precioso. Recebemos visitantes nacionais e internacionais.

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distantes da cidade. na base da colina do castelo. pelo Massachussets Institut of Technology – MIT. em 1994. entre margens alcantiladas. os defensores de ambas as teses. A ocidente. no estuário. a partir desta. Porém. apesar de outros existirem em zonas circundantes. pois.000 m³. neste capítulo. A indústria da água. junto à foz do Tejo. cuja utilização virá a ser equacionada no século XX. inviabiliza a sua utilização como fonte de abastecimento de água em virtude de as águas do rio se misturarem com as do mar. à condução da água graviticamente até à cidade. desde o conhecimento científico e tecnológico. onde diversos autores debatem a dialéctica entre o construtivismo e o determinismo tecnológico. cuja evolução abordaremos. sociológico. onde as diversas ciências têm lugar. e de onde seria de esperar a obtenção de águas susceptíveis de serem utilizadas. eléctricas. Contudo. convergem uma diversidade de factores. às técnicas administrativas e financeiras que possibilitam o desenvolvimento desta actividade. para captar. 11 . para o caso de Lisboa. não oferecia condições de captação nessa época face à ausência de tecnologias adequadas. as águas abundantes das nascentes ribeirinhas eram suficientes para as suas necessidades. às possíveis formas para a sua condução. procurar ver de que outros recursos dispunham as populações que aí se fixaram. agora com complexos sistemas de tratamento. sem a análise do fenómeno político. É este o caminho que iremos percorrer a seguir.1 Introdução Does Technology drive History? Esta é a pergunta formulada por Merrit Roe Smith num conjunto de trabalhos publicado. Trata-se de um porto natural. incluindo as ciências sociais. Os primeiros mananciais a serem utilizados foram os da zona ribeirinha. e dado que os primeiros habitantes do sítio de Lisboa se terão fixado. que secavam na estiagem. sobretudo se tivermos em atenção que o seu desenvolvimento sob a forma de utilização de técnicas mais complexas não pode ser desligado do fenómeno urbano. e de camadas de grés e arenitos. A indústria da água é. abordar. portanto. foi atribuída uma capacidade da ordem dos 125. todos têm razão. debitavam água para as ribeiras. logo à partida. uma rota natural de migrações. o homem desenvolve a tecnologia em busca de soluções para melhorar o seu bem-estar. à captação de águas em poços profundos. novas condições de vida e novos desenvolvimentos não pré-determinados. chegando à colina do castelo. Os Romanos. também a ribeira de Alcântara não possibilitava a utilização das suas águas para consumo. à sua captação em rios e em barragens. a sua situação. aos equipamentos concebidos para a sua elevação. a própria tecnologia gera. 1. a região de Lisboa é cortada por um conjunto de vales que a envolvem. É a complexificação das formas de agrupamento dos homens que gera a consequente complexificação das técnicas empregues para a utilização do elemento água. na colina do castelo. só disponíveis nos tempos modernos. já que as cotas a que estas ribeiras correm permitia a construção de sistemas de abastecimento que conduzissem daqui a água para Lisboa. a barragem de Olisipo. tratar e distribuir este elemento básico e indispensável à vida. A tecnologia surge como resposta às necessidades do homem. continuando na direcção da serra de Sintra. e a outros diferentes ramos do conhecimento. e com uma elevada produção susceptível de proporcionar um abastecimento a um número cada vez maior de consumidores. procuraremos. provavelmente às portas de Santo André. no vale de Carenque. Por um lado. não se deram por satisfeitos com estas águas. constituía o palco ideal para o aproveitamento das águas. De norte para leste. no homem. quando dominaram a Península Ibérica. toda a bacia hidrográfica que. ou. não é possível atingir uma compreensão global do seu desenvolvimento. ideológico. constitui um laboratório excelente para este debate. aduzir. até mesmo. temos que ter em consideração. mas também aos materiais utilizados nas condutas. primeiro a vapor e.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1. onde um grande número de nascentes provenientes. um campo de estudo pluridisciplinar. à utilização de máquinas. mais tarde. ainda que de forma sucinta.2 Das origens ao aqueduto romano de Olisipo Ao analisarmos o caso de Lisboa. Efectivamente. que seria talvez a maior da Península. adução e distribuição. alternadamente. até por razões de estratégia defensiva. um local privilegiado para o cruzamento de povos e culturas diversos. desde as origens até aos nossos dias. Há que. o enquadramento geográfico do sítio. e. conhecimento não apenas relativo à água. construíram os Romanos uma barragem de contrafortes no século II ou III da era de Cristo. Assim. A esta barragem. Sendo muito embora o sítio de Lisboa banhado pelas águas do rio. nascentes estas perenes. onde encontramos a bacia do Trancão. às suas características e qualidade. um aqueduto que transportava a água para a cidade. ou é ela que determina o sentido da sua evolução? Poder-se-á dizer que. Nesta indústria. por outro. o que foi o abastecimento de água a Lisboa desde as suas origens nos abastecimentos locais. a vasta depressão que se estende desde Odivelas a Sacavém. ao longo dos tempos. para o seu armazenamento e para a sua distribuição. de camadas calcárias. e foram procurá-la em zonas mais distantes. e. Aí. dado que. sem utilização de meios mecânicos. num conceito lato que possa abranger todas as formas desenvolvidas pelo homem. à geologia das suas origens. corta o andar de Belas. cujas ruínas ainda hoje são visíveis.

por outro.C. que irão surgir. muito superior à temperatura das águas existentes nas nascentes do termo de Lisboa. em 1572. estas só mais tarde analisadas. como o Chafariz de Dentro. Já os Árabes.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa De facto. por um lado. entre as quais o aqueduto que abastecia Lisboa. Em Portugal há que referir. aqueduto cujo regimento servirá de modelo para o que se virá a construir em Lisboa no século XVIII. aliás. deve o seu nome às grandes obras que aí se realizaram no reinado de D. menos abundantes. Dinis. apresentam uma temperatura elevada. nos mananciais das camadas profundas do Terciário da colina do castelo. quer nas nascentes de Monsanto. o aqueduto romano da Água da Prata. caso das águas dos basaltos. virá a propor a sua reconstrução. 1. apenas se conhecem pequenos vestígios de aqueduto no sítio do Almarjão. cedo arrastou consigo a falta de água. aí terão construído dispositivos . ao decréscimo da população. em Évora. desconhecendo-se a data concreta da sua construção. incluídas no Aquilégio Medicinal. e que proporcionariam uma capitação largamente superior a 500 litros/dia/habitante. Os Romanos. É no sítio das nascentes da zona ribeirinha. esta já mais a leste do bairro. aos diferentes hábitos de consumo dos invasores. como as Alcaçarias do Duque. construído por Quinto Sertório em 75 a. 2 .Ruínas da barragem romana de Olisipo A evidência do aqueduto romano chega-nos não pelos seus vestígios materiais. certamente satisfeitos com os recursos locais. Além da sua temperatura elevada. e em Roma o abastecimento era feito por um conjunto de aquedutos ainda em funcionamento nos tempos modernos.. com uma grande tradição de utilização da água. São bem conhecidas as suas termas. em oposição às águas do futuro sistema das Águas Livres. obra da autoria de Francisco da Fonseca Henriques. O chafariz mais antigo da cidade. não apenas em Roma. apareciam no Arsenal da Marinha.Chafariz d'El Rei 1. o Chafariz da Praia. Clara. em particular. o Chafariz dos Paus. João III em 1531. e reedificado pelo rei D. designadamente pelo efeito da expansão marítima. chafarizes destinados ao abastecimento das populações. o tanque das lavadeiras de Alfama ou a Bica do Sapato. eram um povo de avançada civilização. também as necessidades de água diminuíram face.mas pelo testemunho que dele dão vários autores a partir do século XVI. no concelho da Amadora . as diversas nascentes da zona oriental. e. como o humanista português Francisco de Olanda que. que serão designadas por águas altas. invasores do Império.3 Os antigos chafarizes de Lisboa Destruídas que foram muitas das obras dos Romanos pelos povos bárbaros.4 Propostas para a reconstrução do aqueduto romano O aumento da população da cidade. pelas suas características físico-químicas eram estas águas reputadas como possuindo propriedades terapêuticas para a cura de diversas doenças. publicada em 1726.a palavra chafariz tem mesmo origem árabe . Também os estabelecimentos termais merecem referência. ou dos Cavalos.para a recolha das águas. o Chafariz d'El-Rei. ou que vieram a abastecer o chafariz do Rossio. 1 . estando. porque distantes da cidade. da ordem dos 22 a 24°. designadas normalmente por águas orientais. e o próprio nome de Alfama dado ao local é reminiscência das nascentes de água termais que aí se encontram. mas também aqui em Lisboa e em muitas outras cidades do Império. . Fig. Posteriormente outros foram edificados na mesma zona. Fig. ao longo dos séculos. mais a ocidente. como as que. durante a sua ocupação. ou das outras águas então conhecidas e que cedo vieram a ser exploradas. ou os banhos do Batista ou os da D.para além do que resta da barragem. devido a tal facto. 12 .

Manuel da Maia contrapõe que os canos de repucho não suportariam a pressão da água. pois após a estadia do rei na cidade. Manuel da Maia abandona as várias frentes de trabalho abertas por Canevari. Sebastião. há muita correspondência trocada entre Madrid e Lisboa. já constatados como insuficientes para as necessidades. dirigido pelo arquitecto italiano António Canevari. numa direcção conjunta com o arquitecto Silva Pais e o engenheiro Azevedo Fortes. rebentando e deixando a cidade sem água. enterradas. já que os mananciais disponíveis eram os da zona oriental. na esperança de vir a assumir a direcção das obras. porém. projecto que D. Memória sobre Chafarizes Fontes e Bicas. e que denotavam a consciência clara da necessidade de aproveitar a água de diversas nascentes. projectos no papel. encontrando o italiano valores inferiores aos do português. 273. a San Roche. conhecimento patente no Roteiro das águas de Montemor e Caneças. Para custear a obra foi lançado mais tarde o real d'água. durante o qual não havia condições para se desviar recursos financeiros para uma obra desta envergadura. por conseguinte. aqueduto que. No entanto.5 O Aqueduto das Águas Livres Apenas no reinado de D. aplicando o princípio dos vasos comunicantes. uma nova Roma cheia de palácios e monumentos. dando assim prioridade à obra pública. muito embora se tivesse aprofundado o conhecimento relativo às nascentes que alimentavam a bacia hidrográfica dos vales de Carenque e da Quintã. possibilitada pela afluência do ouro do Brasil à metrópole. das críticas que lhe são feitas pelo português Manuel da Maia numa série de considerandos técnicos dirigidos ao Rei. podemos concluir com bastante segurança que Canevari pretenderia conduzir as águas até Lisboa sob pressão. na zona da actual Estrela. que "el quarto y ultimo camino. és por el aqueducto antigo de los Romanos. refere. e por insistência do Procurador da cidade ocidental. que era mesmo a mais abundante. examinou a barragem romana e as nascentes vizinhas. no dia 29 de Junho de 1619. 1. transmitido por um grande número de arquitectos que em Mafra desenvolveram as suas escolas. Em 15 de Janeiro de 1717 D. A cidade ocidental. Canevari regressa a Itália e Manuel da Maia é encarregado. a da Água Livre. Manuel da Maia e Canevari divergiam também na forma de medição da produção das nascentes. arquitecto que acompanhou o rei e que com ele. publicada em 1572 e dirigida ao rei D. a obra mal feita. Do século XVII somente tinham ficado intenções. posteriormente os caudais do Aqueduto seriam aumentados com a água de outras nascentes. João V encomenda ao arquitecto italiano Filipe Juvarra. de governação. Assim. onde se situava o Paço da Ribeira. na sua obra Da fábrica que falece à cidade de Lisboa. Cláudio Gorgel do Amaral. pequenas obras pontuais que não solucionavam as dificuldades da cidade. cada uma com o seu bispo e os seus órgãos 1 Veloso de Andrade. y sobre la puerta de Santo Andres. Era o coroar de toda uma política de grandeza e protecção às artes. também Francisco de Olanda. já que Leonardo Torreano. E tudo apontava para a reconstrução do aqueduto romano. viria a ser construído um novo palácio real e uma nova basílica patriarcal. na zona da barragem romana. em prejuízo do projecto do novo palácio real. terá seguido de perto o traçado do antigo aqueduto romano. e aí.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa À semelhança daquilo que se fazia um pouco por todo o lado onde a influência dos Romanos se fizera sentir. ficariam entupidos pelos sedimentos arrastados por esta. de assumir a condução dos trabalhos. Face a todos estes ataques. tendo o Senado de Lisboa arrecadado mais de seiscentos mil cruzados. ficando. No entanto. em canalizações fechadas. sobretudo de Itália. Lisboa Oriental e Lisboa Ocidental. a obra ia realizar-se. do arquitecto Tinoco. os quais. 13 . em Agosto de 1732. propõe a reconstrução da barragem romana de Olisipo e do seu aqueduto. pues abra quantidad bastante pera ella"1. de alguma forma. João V dividiu a cidade de Lisboa em duas cidades independentes. el qual por ir mas alto dies palmos que el de la estrada puede dar Agoa a ambas partes de la Ciudad. João V se veio a resolver o problema da falta de água em Lisboa com a construção do Aqueduto das Águas Livres. em 12 de Maio de 1731. entre os vários caminhos possíveis para a condução da água livre a Lisboa. no dia em que visitaram Sintra. e muda-se para uma outra nascente. O projecto acabou por não se concretizar devido à restauração da independência de Portugal em 1640 e ao longo período de guerra com a Espanha. quando da sua entrada em Lisboa. o Alvará onde mandava dar início à obra do aqueduto. suficientes para a concretização do projecto. seria a cidade do poder. sinal de que havia uma intenção clara de se solucionar o problema da falta de água. na época designados por "canos de repucho". p. em tudo semelhantes aos actuais sifões. Contudo. e acusa mesmo Canevari de não estar a medir correctamente os nivelamentos dos terrenos. como dio antigamente. que era Filipe II em Portugal. esta cidade nova continuaria a depender da cidade antiga e dos seus chafarizes no que respeita ao abastecimento de água. imposto pago nos géneros de primeira necessidade. vieram a ser gastos nas festas que a cidade organizou em honra do rei Filipe III de Espanha. o rei veio a publicar. Os incêndios que a seguir ao Terramoto de 1755 destruíram o Paço da Ribeira não nos permitem conhecer o projecto inicial. Havia que chegar rapidamente com água a Lisboa. e por todo um saber trazido de outros países.

Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa

sozinho na direcção face à partida para o Brasil de Silva Pais, e à frequente ausência de Azevedo Fortes, engenheiro-mor do reino. Por outro havia divergências de opiniões acerca do local para a travessia do Vale de Alcântara. Manuel da Maia, certamente, construiria um aqueduto menos monumental, atravessando o vale numa zona menos profunda, provavelmente por Palhavã, para atingir S. Pedro de Alcântara, às portas do Bairro Alto, onde entretanto haviam começado as obras para a construção do reservatório de chegada das águas. Em cena estava um outro arquitecto, Custódio Vieira, que já vinha acompanhando os trabalhos desde o início, pois participara em reuniões e medições diversas, e que tinha uma solução diferente, a construção de uma série monumental de arcos a atravessar o vale na sua parte mais profunda. Era um projecto mais arrojado, mais ao gosto do rei, e que apontava para uma zona mais alta, para onde a cidade estava a crescer.

Fig. 3 - Mãe d'Água Velha - Nascente da Água Livre. Local onde Manuel da Maia iniciou os seus trabalhos.

Muito embora Manuel da Maia conhecesse o princípio dos vasos comunicantes, vai construir um aqueduto através do qual a água vai chegar a Lisboa apenas movida pela gravidade, deslizando em caleiras de pedra abertas. Maia opta pela construção de duas caleiras, separadas por um passeio central, pois que, para uma boa manutenção do Aqueduto, tornar-se-ia necessário limpar frequentemente as caleiras, e assim, com duas, a condução da água não seria interrompida.

Fig. 5 - Arcaria do Vale de Alcântara

Fig. 4 - Caleiras separadas pelo passeio central

Relativamente aos materiais a utilizar nas canalizações, rejeita o chumbo, que dava más características à água, tal como rejeita o ferro, que, na época, ainda não apresentava uma qualidade suficiente para esta finalidade, e todos os outros materiais à excepção da pedra calcária, abundante em toda a região onde se vai desenvolver a construção do Aqueduto. Em 1736 já se trabalhava no Aqueduto em Monsanto, no sítio das Três Cruzes, caindo então a obra num impasse. Por um lado, Manuel da Maia encontrava-se praticamente

A transferência da direcção das obras para este novo arquitecto é determinante para a evolução da cidade. Abandona-se a obra de S. Pedro de Alcântara e escolhe-se a confluência do Rato, próximo da qual novos pólos urbanos se vinham desenvolvendo junto aos conventos, para a nova localização do reservatório. Aliás, podemos constatar hoje, pelos desenvolvimentos ulteriores do sistema, das vantagens desta nova localização do reservatório e desta nova inflexão do Aqueduto, que possibilitou a extensão dos seus ramais de distribuição para a Boa Morte, em Alcântara, zona próxima da qual surgirá o palácio das Necessidades, e para o Campo de Santana e Intendente, quase a tocar a colina do Castelo, onde outrora o aqueduto romano terá chegado. Vieira não chega a ver a água entrar em Lisboa, ela só chegará em 3 de Outubro de 1744, já após a sua morte, estando a obra a ser dirigida interinamente pelo capitão Rodrigues Franco. A entrada de Carlos Mardel na direcção das obras do Aqueduto terá lugar logo de seguida, devendo-se a este

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arquitecto, de origem húngara, o desenvolvimento da distribuição da água na cidade, a partir do reservatório da Mãe d'Água das Amoreiras, cujo projecto se lhe deve, bem como o de diversos chafarizes e dos arcos monumentais da Rua das Amoreiras, que celebra a obra, e da Rua de S. Bento, este desmontado para alargamento da entrada na praça fronteira ao palácio, e mais tarde reconstruído na Praça de Espanha.

faziam a manutenção do sistema e geriam os caudais do Aqueduto, e um exército de cerca de 3000 aguadeiros que, organizados em companhias, vendiam água ao domicílio e igualmente combatiam os incêndios que devastavam a cidade. A gestão dos caudais no Aqueduto apresenta alguns aspectos que devem aqui merecer a nossa atenção, e à luz dos quais também temos que fazer uma leitura das soluções técnicas e arquitectónicas adoptadas para o efeito. Já foi atrás referida a diversidade das águas no que respeita às suas características físico-químicas. Umas, fortemente calcárias, como as da nascente da Água Livre, na Mãe d'Água Velha, provocavam, pela precipitação do calcário, incrustações que era necessário remover periodicamente, raspando as caleiras. De outras nascentes, situadas em camadas de grés e arenitos, a água arrastava sedimentos que a turvavam. Aqui era necessário proceder à sua decantação, pelo que, em diversas clarabóias, encontramos bacias redondas onde a água perde velocidade, depositando-se os sedimentos no fundo. Também junto de cada janela, agora mais rasgadas face a uma maior necessidade de laboração, bacias rectangulares desempenhavam idênticas funções, bem como as de quebrar a velocidade da água.

Fig. 6 - Reservatório da Mãe d´Água das Amoreiras

O sistema do Aqueduto das Águas Livres, onde, num aqueduto com cerca de 14 quilómetros de extensão, entroncam aquedutos que reúnem águas de sessenta nascentes, num total de aproximadamente 58 quilómetros de aquedutos, incluindo os de distribuição na cidade, foi dado por concluído em 1799, quando foi dissolvida a última sociedade de mestres pedreiros, empreiteiros da obra. Dada a tecnologia utilizada de condução da água em caleira aberta, o Aqueduto condicionou a forma de abastecimento a uma rede de chafarizes que se foram construindo até quase meados do século XIX, rede esta que, por sua vez, condiciona o próprio crescimento da cidade. Lisboa estende-se então, dos Barbadinhos, onde na zona ribeirinha corriam as águas orientais, até Alcântara, onde vemos o chafariz da Praça da Armada, e, para norte, seguindo as encostas do Vale de Alcântara, os chafarizes das Necessidades e do Arco do Carvalhão, este já a chegar ao alto de Campolide, lhe delimitavam o perímetro. Ainda nos limites norte da cidade, mais para leste, encontramos os chafarizes de S. Sebastião da Pedreira, Cruz do Tabuado, Campo de Santana e Intendente. Dentro deste perímetro, os chafarizes que se construíram (Rato, Carmo, Loreto e outros) eram, além de fontes de abastecimento, elementos de ordenamento urbano que tornavam as praças onde eram colocados em pontos de encontro, locais de convívio. Em pleno século XIX, a "indústria da água", aplicando aqui, num período de proto-industrialização, um conceito contemporâneo, empregava uma equipa de 60 homens que

Fig. 7 - Bacia de decantação redonda

Normalmente, nos vértices, as bacias apresentam dimensões superiores, o que permite evitar que a água transborde. Regra geral, no Aqueduto não há galerias em curva, antes uma sucessão de segmentos de recta. Nos poucos locais onde a solução adoptada pelo arquitecto foi a de construir aqueduto em curva, aí o passeio central sobe, afundando, consequentemente, as caleiras. Na cidade iam-se generalizando os abastecimentos privados. De um lado, os proprietários de águas nas zonas atravessadas pelo Aqueduto que, para receberem água no seu palácio ou convento, em Lisboa, construíam, à sua custa,

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aquedutos ligando as suas nascentes a um dos aquedutos do sistema. Depois, em Lisboa, de um aqueduto de distribuição, partia uma canalização, agora fechada, aferida para três quartos de um débito diário calculado como sendo a sua produção, valor obtido a partir da medição da produção das suas nascentes ao longo de vários meses do ano. De outro lado havia os estabelecimentos públicos que passaram a receber directamente água do Aqueduto, bem como outros particulares ou ordens religiosas, beneficiários de concessões de água, quer traduzidas em caudais determinados, quer em sobejos dos chafarizes. Entre estas entidades, são de notar as indústrias que despontavam, como o caso da Real Fábrica das Sedas, cuja localização próxima do Aqueduto é determinante para o desenvolvimento do bairro das Amoreiras. Havia ainda os jardins públicos, agora tornados possíveis, que recebiam água directamente do Aqueduto, como o Passeio Público e o Passeio da Estrela, este com um aqueduto que, saído do Aqueduto das Janelas Verdes, aí conduzia a água, o outro recebendo-a a partir da mesma galeria que abastecia o chafariz da Cotovia. Para a gestão de todo este sistema vemos, nos aquedutos de distribuição, não apenas caleiras abertas, mas também canalizações fechadas, com algumas pedras amovíveis para se poder limpar o seu interior, colocadas frequentemente em paralelo com as caleiras abertas, a fim de, a partir de bacias intermédias, como a pia do Penalva, no cruzamento da Rua Formosa (hoje Rua do Século), ou a pia do Teotónio, próximo do Arco das Amoreiras, a água ser conduzida com pressão, aplicando-se o princípio dos vasos comunicantes, por forma a possibilitar a sua chegada a pontos mais elevados. Exemplos disso são as colunas ascensionais que permitiam a subida da água às bicas dos chafarizes.
Fig. 9 - Chafariz do Carmo

Do grande reservatório da Mãe d'Água das Amoreiras apenas saía água para os chafarizes abastecidos pelo Aqueduto da Esperança e para o chafariz do Rato. Para os chafarizes da linha do Loreto a água descia mais atrás, por um pilar de um dos últimos arcos, seguindo em canalização fechada, sob pressão. Se assim não fosse, e de acordo com Veloso de Andrade, "se deste Depósito corresse para os dez Chafarizes acima mencionados, só a água que ele contém, ficaria despejado em seis dias"2. Para controlar todo este sistema havia que possuir um exacto conhecimento das dotações atribuídas aos diversos consumidores privilegiados, proprietários de água ou não, da água que corria para os chafarizes e da que era produzida pelas nascentes. Em média chegavam a Lisboa 3500 m³ de água por dia, baixando os caudais a cerca de metade desse valor durante a estiagem. Porém, nos meses de abundância, a produção das nascentes era largamente superior à capacidade de vazão do Aqueduto. Assim, tornava-se necessário regular os caudais, devolvendo a água às ribeiras em desaguadouros estrategicamente colocados ao longo dos diversos aquedutos, diminuindo ou eliminando o caudal das caleiras, para que a água de outra nascente pudesse entrar no circuito num entroncamento situado a jusante. Havia também que eliminar, através destes desaguadouros, águas turvas a seguir a fortes chuvadas, ou que se soubesse ou houvesse suspeitas de estarem contaminadas. Daqui resultava a manutenção equilibrada dos cursos de água naturais, naquilo a que hoje se aplica a designação de desenvolvimento sustentável.

Fig. 8 - Coluna ascensional do chafariz do Carmo

2

Veloso de Andrade, o. cit., p. 330.

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1.6 Os projectos de Pezerat face à falta de água no século XIX
A situação em Lisboa, nos meados do século XIX, tornou-se dramática, não atingindo, na estiagem, a água aduzida pelo Aqueduto, em que haviam sido dispendidos, até 1799, mais de cinco mil e duzentos contos de reis, uma capitação superior a 6 ou 7 litros/dia/habitante, para uma população que rondaria os 300.000 habitantes. Em 1852 o Engenheiro Pezerat, da Câmara Municipal de Lisboa, apresentou diversos planos no sentido de se aumentar os volumes de águas disponíveis. No que se refere às águas orientais, poder-se-ia evitar a sua perda para o Tejo represando-as na zona ribeirinha e elevando-as aí, com máquinas a vapor, para um reservatório a edificar em Santa Luzia. Pezerat estima em 790 m³ diários a quantidade de água que assim se poderia aproveitar, prevendo, para esta obra, um custo de 111:573$000 reis. Relativamente às águas altas, projecta a construção de uma grande reserva de água no vale da Quintã, com uma capacidade prevista de 1 300 000 m³, destinada a armazenar, no Inverno, água que poderia ser utilizada na estiagem, reduzindo desta forma a sua carência na cidade. Desta albufeira, onde os lodos se depositariam, a água passaria por um sistema de filtros de areia para outra, construída mais abaixo, no vale de Carenque, próximo da Mãe d'Água Velha. Esta água, purificada, e por um processo de sifonagem, entraria no Aqueduto, chegando desta forma à cidade. Para este sistema de barragens prevê Pezerat um orçamento de 88:689$940 reis.

1.7 A 1ª. Companhia das Águas (1856) e o começo do abastecimento domiciliário
Em 20 de Julho de 1855 foi o Governo autorizado a contratar em concurso público o fornecimento das águas precisas para o abastecimento de Lisboa, na sequência de idênticas diligências que tiveram lugar anteriormente, mas que não haviam conduzido a nenhuma solução. Em 1855, e antes do referido concurso, uma empresa constituída pelos ingleses Duarte Meddlicot e Thomas Rumball efectua um contrato provisório com o Governo, contrato este que não podia, no entanto, ser ratificado sem o respectivo concurso público. Quem veio a ganhar efectivamente o concurso foi a outra empresa concorrente, que tinha como directores Alberto Carlos Cerqueira de Faria, Filipe Folque e Bento Coelho da Fonseca, estabelecendo-se em 1856 e firmando o contrato com o Governo em 29 de Setembro de 1858, tomando-se como base para as condições do contrato a população da cidade em 220.000 habitantes. Nascia, assim, a Companhia da Empresa das Águas de Lisboa (1ª. Companhia). A Companhia vai recorrer aos serviços do engenheiro francês Mary, de Paris, que organiza diversos planos no sentido de aumentar a capacidade de produção do sistema do Aqueduto e desenvolve projectos para o início do abastecimento domiciliário na cidade. Contudo, e apesar de a utilização de máquinas a vapor já ser corrente um pouco por toda a Europa, utilizando-se já as "pompes à feu" em Paris no século XVII para elevação da água, Mary não vai utilizar máquinas em Lisboa, vai antes aplicar unicamente o princípio dos vasos comunicantes, agora, porém, com a utilização de sifões de ferro fundido. No que diz respeito à captação de águas, Mary vai construir um novo aqueduto subsidiário do Aqueduto das Águas Livres, o Aqueduto da Mata, que traz ao principal as águas de Belas, do Brouco, Vale de Lobos e Vale de Figueira. Por outro lado, são nessa época continuados os trabalhos no Aqueduto das Francesas, para se trazerem a Lisboa as águas da Serra de Carnaxide. Nesta matéria a Companhia despreza a opinião do geólogo General Carlos Ribeiro, favorável à captação de água no Tejo, a montante de Santarém. Relativamente à distribuição, Mary divide a cidade em três zonas altimétricas, baixa, média e alta, e estabelece uma rede de reservatórios para regularizar a distribuição de forma a ter pressões constantes e suportáveis pelas canalizações. Assim, na parte ocidental da cidade, para a zona alta, no alto de Campolide, constrói o reservatório do Pombal, a zona média virá a ser abastecida pelo reservatório do Arco, situado um pouco acima do Arco das Amoreiras, e para a zona baixa será construído o reservatório da Patriarcal, no subsolo da Praça do Príncipe Real. A parte oriental da cidade será abastecida por duas cisternas, uma na igreja da Penha de França e outra na Graça, na cerca de S. Vicente.

Fig. 10 - Projecto de Pezerat para as reservas de águas nos vales da Quintã e Carenque

Os projectos de Pezerat acabaram por não ser concretizados dados os perigos que as reservas projectadas, a céu aberto, poderiam representar para a saúde pública. Por outro lado, em breve outras soluções iriam aparecer, com a constituição da 1ª. Companhia das Águas de Lisboa.

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portanto. e não conseguiu fornecer à cidade. dado o "salto epistemológico" para um novo paradigma tecnológico. conseguia trazer água sob pressão ao reservatório do Pombal. funcionando. a Companhia avançava com a hipótese de captar água no Tejo. 1. e pela mão do Engenheiro Joaquim Nunes de Aguiar. contudo. a partir daí. defende junto do Governo a solução da constituição de uma nova companhia. não reconheceu às águas do Tejo qualidade suficiente para serem introduzidas no abastecimento. hipótese que. 11 . a Companhia pensava estabelecer uma rede de distribuição de água de qualidade superior para consumo humano. que o delimita a sul. havendo que construir uma estação elevatória na zona das nascentes. A captação de água na quantidade necessária para o abastecimento de Lisboa acarretaria graves prejuízos para a agricultura daquela região. e dar suporte à derradeira alternativa que a Companhia afinal possuía. homem que pertencera à 1ª. esgotou o seu capital nas obras. e perante as dificuldades da Câmara em satisfazer as necessidades da cidade. provavelmente no Arco do Cego. Companhia não conseguiu vencer as dificuldades que se lhe depararam. captada acima de Santarém. Já no final da sua curta existência. Carlos Zeferino Pinto Coelho. coadjuvado pelo Engenheiro Joaquim Pires de Sousa Gomes. nunca entre nós veio a ser posto em prática. e estando esta acima da entrada das águas do Aqueduto. O momentum tecnológico. resolver por largos anos o problema da sua falta na cidade. mas que prolonga os seus efeito em momenta subsequentes. como a das nascentes da serra de Sintra. de recorrer aos rios que as banhavam. que não chega a estudar exaustivamente a questão mas que entende que a água. introduzindo processos de depuração das águas que a tecnologia já possibilitava. vendo-se ao fundo a galeria que o liga ao Aqueduto do Loreto Estes reservatórios recebiam água do Aqueduto.Interior do reservatório da Patriarcal. estando todo o sistema interligado por meio de sifões. dentro das galerias dos aquedutos do sistema das Águas Livres. Companhia das Águas o Governo. pôs fim à Companhia. Fig. Porém foi a opção do Governo face à apreciação feita das águas do Tejo. advogado e deputado conservador. À semelhança do que se praticava em Paris. e outra de qualidade inferior para regas e lavagens. Tal opinião veio a acelerar a rescisão unilateral do contrato por parte do Governo. políticos. Companhia das Águas e o Alviela No interregno entre a 1ª.. utilizando aqui o conceito desenvolvido por Thommas Hugges e que consiste na definição de cada tempo e cada sistema tecnológico como uma matriz cujos elementos componentes são o conhecimento científico e as técnicas. etc. foi 18 . no Ministério das Obras Públicas. Um século mais tarde. poderia ser filtrada pelas camadas naturais do leito do rio e poderia. A 1ª. e solicitando novo prorrogamento de prazo ao Governo. O projecto inicialmente delineado previa a condução das águas desde os Olhos de Água até um reservatório a construir numa zona alta fora da cidade. colocados. Mary projectou um sifão instalado dentro do Aqueduto das Águas Livres que. irá desenvolver o projecto do Alviela. não terem viabilidade. apesar da adopção do princípio dos vasos comunicantes e do início do abastecimento domiciliário. O reservatório da Patriarcal era alimentado por um sifão colocado no Aqueduto do Loreto. Entretanto. a solução a adoptar seria semelhante àquela que outras grandes cidades haviam adoptado. Do Pombal saía água para a cisterna da Penha de França através de um sifão colocado no Aqueduto do Campo de Santana. e dado outras possíveis opções. porém. económicos. e da Penha de França descia à Graça. Na zona média. através de uma galeria. Uma das propostas da Companhia incluídas no seu contrato era a da dupla canalização. O desenvolvimento científico e tecnológico não havia ainda atingido um estádio que permitisse fundamentar e levar à prática as opiniões de Carlos Ribeiro. Para abastecimento da zona alta. mas também os aspectos sociais. sempre que possível.8 A 2ª. por Decreto de 23 de Junho de 1864. O General Carlos Ribeiro não fora favorável à opção pelo Alviela. continua a ser o do Aqueduto. a quantidade de água a que se obrigara pelo contrato. era proposta pelo General Carlos Ribeiro e que a Companhia rejeitara. não se tendo. Toda a acção da Companhia insere-se no mesmo paradigma anterior. num outro estádio de desenvolvimento científico e tecnológico. matriz essa que tem raízes no momentum precedente. Após várias diligências e negociações. o Tejo virá a ser a grande solução para o problema da falta de água em Lisboa. que. Para Carlos Ribeiro. nos prazos estipulados.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa O Governo. aliás. Companhia. de cota suficientemente elevada na Porcalhota. Para isto. o reservatório do Arco recebia directamente a água do Aqueduto. Tal. procedimentos administrativos. já que o contrato estipulava que todas as novas águas a serem aproveitadas não deveriam ser de qualidade inferior às do Aqueduto das Águas Livres. o contrato entre o Governo e a nova companhia. a gravidade para as fazer chegar a todos os pontos da cidade. era necessário dar elevação à água por meio de máquinas. porém. e a 2ª. de que Pinto Coelho será o Director.

e havermos entrado no caminho da normalização das peças e acessórios utilizados no abastecimento. Na análise desta fase de industrialização do abastecimento de água.000 habitantes. à sua custa.Companhia das Águas de Lisboa. O rigor e a universalidade necessários à industrialização demoraram bastante tempo a alcançar. agora. questões de natureza política que dificilmente foram ultrapassadas. a Companhia alterou o projecto inicial. na zona ribeirinha oriental. não só no que se referia à deslocação das peças das máquinas. na Graça. e consumiam. no início da exploração. as canalizações nas habitações. 13 . em Portugal. o que era algo de bastante complicado para a época. mas sobretudo face às eventuais avarias e consequentes necessidades de reparação das mesmas. no máximo.9 kg de carvão por hora e por força de cavalo-vapor. vindo a Companhia a ser declarada oficialmente constituída por Decreto de 2 de Abril de 1868. trazendo consigo os projectos já iniciados. o sistema decimal para as medidas lineares. a sua extensão às outras medidas. havendo.900 m³ diários de água a uma altitude de 73 m acima do nível do poço de alimentação das bombas. acabou por 19 . fornecendo à cidade um volume de água correspondente a uma capitação de 100 litros/dia/habitante. a construir. engenheiros mecânicos estabelecidos em Ruão.Máquina a vapor da Estação Elevatória da Praia Para esta estação a Companhia irá adquirir à casa Windsor & Fils. não podemos deixar de ter em consideração o facto de. foi a da construção de um reservatório e de uma estação elevatória no sítio do antigo chafariz da Praia.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa celebrado em 27 de Abril de 1867.Entrada das águas no canal Alviela no recinto dos Olhos d'Água Embora o canal fosse mais extenso. Assim. contemplado no contrato. na Normandia. logo em 1868. Quanto ao Alviela. O local escolhido para o reservatório de chegada e para a estação elevatória foi a cerca do convento dos Barbadinhos italianos. Fig. A construção do sistema não se deu sem sobressaltos. as vantagens deste novo projecto eram evidentes. Cada máquina podia produzir uma força de cerca de 23 cavalos-vapor de água elevada. as águas orientais que se perdiam para o Tejo. denominada CAL . ideia já anteriormente defendida por Pezerat. a população a abastecer em cerca de 200. haver já um comércio internacional de produtos industriais desenvolvido. essa expansão será inferior ao pretendido enquanto a Companhia não dispuser de um instrumento importante. no fim. de imediato.obrigando os proprietários dos prédios acima de um determinado nível de rendimento. a Companhia decidiu trazer as águas livremente. que leve os particulares a contratar o fornecimento de água . Porém. e vai possibilitar. Havia que construir uma estação elevatória a cerca de 100 km de Lisboa. ditas do sistema Woolf. As máquinas eram alimentadas por três caldeiras de sistema vulgar. Aliás. A primeira iniciativa da Companhia. mas em que à Companhia. Cada uma destas máquinas tinha uma capacidade de elevação de 1. pela gravidade. para elevar para a Verónica.o regulamento dos encanamentos particulares . só em 1852 havia sido posto em vigor. já que era necessário dar uma elevação de 54 m acima das nascentes para que a água conseguisse atingir a cidade no ponto pretendido. num aqueduto até Lisboa. 12 . correspondendo cada uma a uma superfície de aquecimento de 60 m². inclusive. de expansão variável e de condensação. ou seja 30 cavalos-vapor sobre a árvore do volante. o que diminuía os custos do projecto. Fig. era a concretização do projecto do Alviela. A introdução da máquina a vapor no abastecimento de água em Lisboa representava um passo importante na evolução desta indústria. duas máquinas verticais de efeito duplo com dois cilindros. de 75 quilogrâmetros. arrastando-se. uma expansão significativa do abastecimento domiciliário. incluindo a perda de carga. por alguns anos. menor necessidade de construção de obras de arte. e aqui construir a estação que as elevava para as diferentes zonas a abastecer. O objectivo principal da constituição da Companhia. 1. De imediato os engenheiros Aguiar e Sousa Gomes ingressaram nos quadros da Companhia. na periferia da cidade. computando-se.

000 m³ em 24h a uma altura de 47 m. 45% de carvão graúdo3. de efeito duplo. e o outro de simples expansão. incluindo a perda de carga. de boa qualidade. Fig.000 m³ diários de água. para o reservatório da Verónica. Um carvão mais miúdo teria. Os construtores garantiam que o consumo de combustível não ultrapassaria 1. A primeira máquina destinava-se a elevar um volume de água de 10. também do Pombal atingia a Penha de França. pois tal imposição representava um atentado contra as liberdades constitucionais. na zona média. que viria ser colocada em 1889. um de tríplice expansão. Lisboa dispunha agora. e de expansão variável. tendo que enfrentar processos em tribunal. 3 No comércio. no Porto alguns anos mais tarde. em Lisboa. Ao fim de dois anos de batalhas judiciais. O carvão a utilizar deveria ser carvão inglês. elevando 10.Máquina a vapor da Estação dos Barbadinhos Cada máquina accionava. Estas máquinas eram alimentadas com o vapor produzido por duas caldeiras aqui-tubulares do tipo De Nayer. mais tarde. através do sifão construído pela 1ª. e sem o qual a Companhia não conseguiria garantir a sua sobrevivência económica. pelo menos. em contexto semelhante. com dois grupos elevatórios. para conseguir a aprovação do regulamento. vindo o sistema do Alviela a ser inaugurado em 3 de Outubro de 1880. Companhia. com dois cilindros. para além das águas altas e das águas orientais. sistema Worthington. A estação elevatória foi inaugurada com três máquinas apenas. colocadas simetricamente em relação ao eixo do balanceiro.000 m³. a ser prorrogado o prazo de concessão pelo tempo de paragem das obras.Fachada da Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos As máquinas.000 m³ em 24 h. Para a alimentação das máquinas foram adquiridas cinco caldeiras a vapor. Tratavam-se de máquinas verticais. Tratava-se da aprovação do regulamento das canalizações particulares. do sistema Woolf. duas bombas verticais. acabando por ficarem sem efeito as sanções aplicadas à Companhia. misturando-se com as águas altas do Aqueduto das Águas Livres. cada um. havia diversos tipos de carvão de acordo com o tamanho. à semelhança do que iria acontecer. dado que a Companhia havia já procedido às obras estipuladas no contrato de 1868. e vindo. a Companhia. e uma menor superfície de aquecimento. ficando o espaço para uma quarta máquina. a uma superfície de aquecimento de 90 m². directamente através do balanceiro. de um volume de 30. elevando 5. aproximadamente 139 litros de água por segundo. e havia que dispor de um instrumento legal que permitisse dar expansão ao desenvolvimento das infra-estruturas do abastecimento. à semelhança do que acontecera na estação da Praia. correspondendo. No que se refere à elevação da água. ou seja. de Ruão. A segunda e terceira máquinas deveriam elevar em conjunto um volume de 12.200 kg de carvão por hora e por cavalo-vapor de 75 quilogrâmetros. que abastecia a zona baixa. Fig. ou seja. Cada uma das três máquinas deveria corresponder a uma força efectiva sobre a árvore do volante de 120 cavalos-vapor de 75 quilogrâmetros. foram adquiridas à casa Windsor & Fils. de onde a água ia por sifão ao reservatório do Arco. na Graça. A oposição da sociedade fez-se sentir contra um regulamento deste tipo. 15 . certamente uma combustão mais rápida. por exemplo. Dado que a água do Alviela agora chegava ao Arco e ao Pombal. de balanceiro. passando a data do fim da concessão para 30 de Outubro de 1974. para que ela chegasse à zona alta tornou-se necessário construir uma estação elevatória junto do reservatório do Arco. incluindo a perda de carga.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa ser dada plena razão. acabou por parar as obras do Alviela em 1873. instrumento previsto no contrato. 14 . quando veio a ter garantias de publicação do regulamento.350 m³ por dia a 26 m de altura. a uma altura de 77 m. A quarta máquina veio a ser colocada na sequência de um novo contrato celebrado em 29 de Outubro de 1888. 20 . com geradores de vapor cilíndricos. com. para a cisterna do Monte. aproximadamente 83 litros de água por segundo cada máquina. Aqui. retomou as obras.

no entanto a dívida da Câmara pelo excesso de água consumida para além da dotação gratuita era elevada. não se tendo vindo a construir este último.471 habitantes.540. Guerra Mundial de 1914-18 e a consequente subida dos preços. água essa que seria depurada em filtros rápidos no sítio da Nora Alta. Num novo contrato celebrado em 18 de Julho de 1898. em 1880 a 16. já num período em que se começam a sentir grandes dificuldades no abastecimento. na zona de Bucelas. Em 1885. os engenheiros João Severo da Cunha e João Augusto Veiga da Cunha elaboram um projecto que visava a captação de água no Tejo. ideia que era defendida. Era necessário. no sítio da Boa Vista. caso da Compagnie Générale des Eaux pour l'Étranger. não correspondeu às expectativas. junto a Lisboa. em 1870 a 4. e. desde sociedades anónimas a sociedades em comandita ou em nome individual. por outro lado. trouxe novamente situações de carência. em 1875 a 11. as dificuldades crescentes levam ao fim destas companhias. a cidade ficou com uma população de 311. do projecto de Ressano Garcia. com a 1ª. a construção de mais um compartimento no do Pombal.167 consumidores. foi sempre. o Conselho dos Melhoramentos Sanitários. Em 1915 foi encomendado ao Professor Choffat um estudo no sentido de se alterar o regime do Alviela nas nascentes.000 m³. onde a Câmara desferia fortes ataques à Companhia. mas também pelo seu crescimento para norte. teses que vêm a ver a sua concretização em 1927. baixava para níveis que punham em risco o abastecimento. Jerónimo. sem que houvesse lugar para a concretização efectiva de uma obra de grande envergadura que resolvesse definitivamente o problema. o Governo. construção de um novo reservatório na Ajuda. três anos após a inauguração do Alviela. estando a Companhia obrigada. O País atravessava um período de grande instabilidade política e económica. o Engenheiro Jesus Palácio Ramillo apresentou à Companhia uma proposta que consistia na construção de uma albufeira no Rio Trancão. procurando resgatar a concessão. assentamento das canalizações necessárias para ligar os novos reservatórios. durante a Ditadura. com a capacidade prevista para o de Santo Amaro. próximo de Sacavém. A nível nacional. Neste contrato. Dado que. A falta de água era uma realidade que se agravava de ano para ano. mesmo após a implantação da República. A expansão da cidade não apenas pela anexação dos antigos concelhos. proposta que foi rejeitada por carência de viabilidade técnica e económica.000 m³. a instabilidade continuou a fazer-se sentir. num movimento de municipalização. no Regueirão dos Anjos. pois o caudal do Rio Tejo. e. no final desse ano o seu número passara a 260. que dava à Companhia a exclusividade do abastecimento de água. de 4. com sucessivas quedas do Governo. Se antes de 1868 apenas 143 consumidores tinham água canalizada. com capacidade de 120. portanto. aliás. 1. tinham-se. com capacidade de 1. Este Conselho. duplicando a sua capacidade para 12. e em 1883. Restava o caso de Lisboa. com a construção da Avenida da Liberdade e das Avenidas Novas.10 As municipalizações do abastecimento de água e a sobrevivência da Companhia Após a constituição da Companhia. sendo algumas.032. ano em que. 4 1. ampliação da capacidade de elevação da estação do Arco para 7. no Verão.500 m³.000 m³. a água era fortemente mineralizada. de estrangeiros. ligação dos reservatórios da Verónica e da Patriarcal por um sifão. iniciativa que. e no Ministério das Obras Públicas. apenas um órgão consultivo. já tínhamos 27. Para além disso. que durou até 1921. que vivamente desaconselhou tal hipótese. levar de vencida a contenda. Com o excesso de água que tinha. colocação da quarta máquina nos Barbadinhos. reservava para si o direito de elevar água no Tejo. Por essa mesma altura. estudo este que veio a ser realizado pelo Professor Ernest Fleury. levantavam-se objecções técnicas ao projecto. com a anexação a Lisboa dos concelhos dos Olivais e de Belém. e da negociação do novo contrato de 1888 constaram a construção do reservatório de Campo de Ourique. não havia condições para a Companhia avançar com este projecto. sem poderes efectivos de regulação do sector.009. conseguiu. dando elevados prejuízos. como a do Porto. vindo o da Ajuda a ser construído em S.000 m³ diários. gás e electricidade. defendido teses no sentido da organização de serviços municipalizados de abastecimento de água. fora criado. de 1922. Porém. pelo General Augusto Pinto de Miranda Montenegro. pelo contrato. a Companhia obrigava-se a construir um reservatório em Santo Amaro. surgiram diversas empresas privadas de abastecimento de água um pouco por todo o País. a cerca de 3 km da confluência do Alviela. um conjunto de obras que permitissem expandir o abastecimento. no entanto. a custo. se fecha este ciclo na indústria da água4. 21 . fiscal do Governo junto da Companhia. para lavagens e para os esgotos da cidade. No Congresso Nacional Municipalista. e. aliás. com a municipalização do abastecimento de água do Porto. para abastecimento de água. O reservatório de Campo de Ourique veio a ficar concluído em 1900. em 1900. a abastecer toda a cidade agora aumentada. pela mão do seu Director-Delegado Carlos Pereira.9 O projecto de 1908 para captação de água no Tejo Em 1908. a Companhia decidiu proceder à montagem de uma moderna lavandaria industrial. a Companhia.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa A expansão do abastecimento domiciliário tornou-se uma realidade.

por um dos grupos da zona alta. na realidade.000 m³ cada.000 m³ diários. valor médio. Dada a sua cota de soleira ser mais elevada que o reservatório do Pombal. e cujos motores possuíam uma potência de 215 CV cada. bem como a construção de uma estação elevatória equipada com dois grupos. os dois últimos grupos. Fig. para o Pombal. com 600 m³ de capacidade. que lhe permitiam aumentar o caudal do Alviela em 8. Um grupo com a capacidade de 12. baixava a níveis bastante reduzidos. Engenheiro Duarte Pacheco. na sequência do qual. duas máquinas da fábrica suíça Sulzer. com a capacidade de elevação de 12. de um novo contrato de concessão à Companhia. com a potência efectiva de 90 CV cada. comissão pertencente ao Ministério das Obras Públicas. Para este novo reservatório a água era elevada a partir dos Barbadinhos. com uma capacidade elevatória de 15. a Companhia lançou mão de novos recursos.000 m³ diários e outro de 9. Em 1932 tem lugar a construção do reservatório elevado da Penha de França. Outros dois grupos.Estação Elevatória dos Barbadinhos . a 49 m de altura. de 3 de Fevereiro de 1933. para abastecimento da zona alta oriental.600 m³. verdadeira mudança de paradigma tecnológico.11 Duarte Pacheco e o contrato de 31 de Dezembro de 1932 O grande salto em frente.500 m³ diários.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa Entretanto. as nascentes das margens da ribeira da Ota.000 m³ diários. podendo elevar um volume de 11. e a sua substituição por uma estação eléctrica. 22181. em 1917. na estiagem. deixando de ser aproveitada a partir de Julho de 1938 por impotabilidade da água. que não vieram a ser concretizados. possuíam uma potência unitária efectiva de 160 CV. pois na estação do Arco. Estes trabalhos realizaram-se no decorrer do ano de 1925. vai-se dar a partir de 31 de Dezembro de 1932. pelo Decreto nº. respectivamente. tinham sido colocadas em substituição das anteriores. com a imposição pelo Governo. Com o novo contrato de concessão. A nova estação albergava seis grupos elevatórios com bombas da fábrica francesa Rateau accionadas por motores suíços Brown Boveri. elevavam a água para os reservatórios da zona média. movidas por motores Diesel pesados. tendo uma potência de. Em 1928 terá lugar a desactivação da estação elevatória a vapor dos Barbadinhos. 17 . foi criada a Comissão de Fiscalização das Obras de Abastecimento de Água à Cidade de Lisboa. contudo. pensava a Companhia. A produção da estação.000 m³ cada. através da Penha de França regularizar também a zona alta ocidental. variando com o movimento das marés. 16 . elevavam para a zona alta. resolvendo o diferendo com a Câmara através de mecanismos financeiros Fig.Sala das Máquinas 22 . já que a produção das nascentes. que fazia a fiscalização técnica e administrativa da CAL. com a capacidade elevatória unitária de 15. de bombas centrífugas e unicelulares.320 m³ diários a 73 m de altura. com uma potência efectiva de 90 CV cada. Duarte Pacheco vai criar condições de sobrevivência à Companhia. Finalmente. para a Verónica.900 m³ diários cada uma. Em Novembro de 1943 a Comissão passou a designar-se por Comissão de Fiscalização das Águas de Lisboa. não veio a acontecer. com uma capacidade de elevação de 4. a 82 m. o que. Para a estação a vapor elaboraram-se mais tarde projectos para a sua adaptação a um conjunto de grupos elevatórios movidos por motores Diesel. Em 1931 foi a vez da substituição das máquinas a vapor da estação elevatória da Praia por uma bomba horizontal GANZ. através do Ministro das Obras Públicas. o do Arco e o de Campo de Ourique. A altura da elevação era de 98 m. não excedia os 2.Construção do reservatório da Penha de França 1. movidas por motores da também suíça fábrica Oerlikon. movida por um motor de 95 CV de potência efectiva. elevando para a zona baixa. e para obviar às carências que se faziam sentir. Nesta época já as máquinas eléctricas haviam dado entrada na distribuição. 260 e 215 CV.

Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa para a liquidação das dívidas desta pelo excesso de consumo. que construir uma segunda linha de sifões. o do Canal Tejo. Esta fase deveria ficar concluída até ao fim de 1936. A 2ª. próximo de Alcanhões. já no projecto de 1908 estava prevista a filtragem das águas. por meio de cinco furos de 350 m de profundidade. contudo as suas propostas. fase compreendia as obras necessárias para aumentar a produção em mais 80. diários. 23 . em Sacavém. Era possível captar apreciáveis caudais de água nas aluviões do Tejo. fase. e uma potência de 70 CV. uma estação elevatória que veio a ser equipada com dois grupos electro-bombas com a capacidade de elevação de 11. Em 1933 o caudal do Canal Alviela foi reforçado com as águas de Alenquer. na região do Carregado. em canal próprio.000 m³ diários de água captada no Zêzere e introduzida no Canal Tejo.Construção de uma conduta forçada no Canal Tejo Fig. havendo que criar formas de indemnização pelos prejuízos causados.230 m³ cada. autor do projecto de 1908. apresentou uma proposta interessante ao Governo. a uma altura de 28 m. a opção pela captação em poços de grandes profundidades torna-se uma realidade. e.000 m³ nas camadas do Belaziano. 19 . o facto de. que poderia ser também utilizado para a produção de energia eléctrica.000 m³.000 m³ de água diários.000 m³. Uma questão que houve que resolver de imediato foi a do aumento da capacidade de vazão do Canal Alviela. fase. agora não só de Lisboa. possuir uma única linha de sifões. seriam trazidos do Zêzere. a executar quando o consumo particular atingisse 16 milhões de m³. Para além disso vai dar condições à Companhia para construir um novo grande sistema tecnológico. Na 3ª. tendo dado lugar a um grande número de reclamações dos proprietários locais. afastando de vez o fantasma da municipalização. para o efeito. A mesma companhia propunha-se igualmente captar água nos vales de Belas e Queluz. Estas obras deveriam estar concluídas em Junho de 1933. Ainda em 1933 surgiu uma proposta da International Water Company para a captação de 20 a 25. devendo-se os projectos aos Engenheiros João Severo da Cunha. A obra foi entregue ao empreiteiro Waldemar Jara d'Orey. pois a firma Layne & Co. em Lisboa. em funcionamento a partir de 1960. portanto. Fig. Na 1ª. não ofereciam garantias efectivas quanto aos caudais indicados. e introduzidos no Canal Tejo. no sítio da Nora Alta. Havia. mas também das zonas atravessadas pelos canais e das zonas suburbanas. O programa de obras constantes do contrato estava dividido em quatro fases. no Alviela. As águas do Tejo seriam beneficiadas com as águas do Zêzere. e Luís Veiga da Cunha. seriam feitas as obras necessárias para a elevação das águas do Tejo na Boa Vista e a sua introdução. A 4ª. havia sido substituído por um sifão passando por debaixo do leito do rio. com a abertura de mais três poços em 1949 embora apenas dois em regime normal de exploração. mais 55. A captação de Alenquer veio mais tarde a ser ampliada. Em Sacavém. Quinta do Campo e na Lezíria. nas passagens dos vales. após depuração mecânica. e última fase consistia na ampliação da capacidade de produção em mais 50. e com uma nova estação elevatória. a capacidade efectiva de transporte era da ordem dos 30. com uma albufeira com a capacidade de 30 milhões de m³. em Sacavém. que vai ser recebida com entusiasmo pelo Engenheiro Duarte Pacheco. além de onerosas. Espadanal. Por essa altura já o velho sifão de ferro sobre o Rio Trancão. a executar quando o consumo particular atingisse 24 milhões de m³.000 m³ diários. obra que foi executada logo em 1933. A ideia inicial de captar água na Boa Vista acabou por ser adiada. A construção do Canal Tejo começou por um primeiro troço entre Sacavém e o Carregado. Depois de uma missão técnica dos engenheiros da Companhia a vários países estrangeiros. armazenadas acima da confluência do Nabão. correspondentes a quatro momentos de ampliação do abastecimento. 18 . A captação das águas de Alenquer provocou o abaixamento do nível das águas nos poços. para o efeito.Antigo sifão do Alviela sobre o Rio Trancão. Embora na parte livre o canal tivesse uma capacidade de vazão da ordem dos 70. utilizando-se toda a capacidade de vazão do canal. seria construído um dique. aliás. construindo-se.

1. foi objecto de um processo contínuo.000 m³ diários.Captação de água . A utilização do cloro levantou graves problemas. a cloragem das águas não apenas em caso de epidemias. iniciativa da Comissão de Fiscalização das Águas de Lisboa. da ordem dos 250. como Rebelo de Andrade. Além desta firma. W. Por outro lado. em 1913. Afonso Henriques. celebra a chegada das águas do Tejo à cidade. pois da reacção do cloro com o alcatrão que revestia o interior dos tubos resultava a formação de clorofenóis que davam à água um sabor a fénico. chegou mesmo a defender em meios internacionais. estas águas deixavam sedimentos de ferro e manganés nas condutas. aparelho que havia sido concebido por Bunau-Varilla e modificado pelo técnico Bernardino Gomes de Pinho. ao contrário do que inicialmente se observara.12 Os problemas da qualidade das águas Em breve houve que proceder ao tratamento das águas. que continua ainda no presente. Professor Ricardo Jorge. Iniciando-se em barracões provisórios. pois. Estes problemas vieram a ser ultrapassados com o aperfeiçoamento de um aparelho doseador do cloro na água. O higienista português. tubos estes com dispositivos de filtragem nas suas paredes internas. sendo em França utilizada uma solução de cloro. mas de uma forma sistemática e preventiva. que apresentava condições mais vantajosas. fachada principal 24 . A partir daí o processo de desinfecção das águas foi-se expandindo. ligados aos tubos de aspiração das águas. Herbard da construção experimental de um poço na Quinta do Campo. 22 . com sucessivas actualizações. Os primeiros ensaios sistemáticos de cloragem das águas. dos quadros da CAL. Fig.Estação Elevatória dos Olivais. tem o seu nome ligado à Fonte Monumental. Olivais. escultor que também. na Quinta da Ché. Os equipamentos das diversas estações elevatórias dos poços apresentam características diferentes dos das outras estações. junto ao reservatório de chegada das águas do Canal Tejo. próximo de Vila Nova da Rainha.Grupo moto-bomba dum poço Entretanto em Lisboa. temos a adjudicação à firma americana R. 21 .Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa A adjudicação da construção dos poços acabou por ser feita à firma alemã Johann Keller. da Alameda de D. por ocasião de febres. tiveram lugar na cidade americana de Maidstone. Projecto do Arquitecto Carlos Rebelo de Andrade. dadas as suas dimensões. face a uma série de epidemias de febres tifóides. e. havia sido construída a estação elevatória. em 1897. e a necessidade de assegurar a sua potabilidade.Quadro eléctrico de comando e controlo da Estação Elevatória dos Olivais Fig. a inauguração das suas instalações definitivas veio a ter lugar em 31 de Maio de 1948. tornava-se necessário proceder à desinfecção das águas. 20 . em número de doze. Fig. a água de Javel. a própria colocação dos grupos elevatórios. nela vemos a intervenção de Jorge Barradas. dados os conhecimentos entretanto adquiridos sobre as suas características. monumento que. sendo os grupos elevatórios de eixo vertical. Um estudo de 1939 havia determinado já a capacidade elevatória exigida à estação.

a primeira opção do contrato de 1932 era pelas águas do Tejo. Algumas das suas nascentes já estavam inquinadas no século XIX. menos mineralizadas. A opção clara da Companhia foi pelo Tejo. que veio a ser inaugurada em 8 de Junho de 1965 com três grupos elevatórios. e que funcionou durante um ano. 23 .000 m³ diários.13 As duas opções em confronto . e. uma na Amadora e outra na Buraca. pois este continuava a ser parte dos sistemas de abastecimento de Lisboa. 24 . com correcção posterior em postos de cloragem dispersos pela rede de distribuição. onde a água é decantada. Caso isso não tivesse sido feito. Porém.000 m³. tal obra seria de muito mais difícil. o passeio central do Aqueduto chegou a ser utilizado também como caleira. na barragem do Castelo do Bode. iniciativa do Engenheiro José Frederico Ulrich.Construção da torre de captação de água na Barragem de Castelo de Bode Na década de 40 tornou-se necessário projectar duas estações de tratamento para as águas do Aqueduto das Águas Livres. como constatam o químico Hugo Mastbaum e o geólogo Paul Choffat. A determinada altura tornava-se necessária uma solução para o problema da falta de água. construída pela firma Degrémont.Tejo ou Zêzere Como já atrás ficou dito. muito embora tivesse uma produção reduzida. começou por meio de uma estação piloto. a captação das águas das aluviões do Tejo veio a alterar profundamente os projectos de desenvolvimento do abastecimento de água. em Vale da Pedra. e porque os custos de tratamento fossem bastante elevados face à pouca quantidade de água. e finalmente desinfectada por meio de cloro. com uma capacidade diária de 100.ETA de Vale da Pedra 25 . lá estava a torre de captação de água. já em 1963 estava em funcionamento. Em 1959 arrancou o projecto para a estação definitiva. em 1967.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa Fig. águas cujo aproveitamento foi por diversas vezes defendido pelo Engenheiro Veiga da Cunha. a CAL decidiu. com uma capacidade de produção de 240. a água das nascentes já não precisava de ser deitada fora através dos descarregadores. Fig. desafectar por completo do abastecimento o Aqueduto das Águas Livres. 25 . captadas na Boa Vista. em períodos de carência. no dique de Valada. mais tarde. Com o tratamento. execução. Na sequência de todo este progresso tecnológico. fornecendo água de boa qualidade a Lisboa. aspecto ainda mais agravado com a expansão do abastecimento para os concelhos limítrofes. 1. ou até mesmo impossível. e que corrigiriam a excessiva mineralização das águas do Tejo. construída durante as obras de construção da barragem. filtrada e sujeita ao processo da floculação por meio de reagentes. dos projectos de obras fazia parte uma clara opção pelas águas do Zêzere. A estação de tratamento de Vale da Pedra. com a barragem cheia.Laboratório Bacteriológico da Companhia das Águas de Lisboa Fig. onde as águas do mar já não fazem sentir os seus efeitos. A água é elevada para uma estação de tratamento. No entanto. Como também foi referido. A captação de água no Tejo. uma vez que o abastecimento e a melhoria substancial das condições de salubridade arrastara um aumento significativo da população a abastecer. em 1949. construída em 1958.

(Quem sabe agora qual o aproveitamento que a torre pode vir a ter um dia?). vendendo depois estas a água aos consumidores particulares através dos seus Serviços Municipalizados. já então elevada para 400. O Zêzere. definitivamente.000 m³ diários. conforme os estudos mencionados referem. com a opção Tejo. com esta 2ª. Acima dos 120 m. para o Zêzere. mais tarde.14 Expansão do abastecimento Com o sistema Tejo completo. agora completa. Mas ir ao Zêzere são mais 50 quilómetros e não se julgue que a água da albufeira não necessitaria tratamento. a captação na albufeira não seria viável por impossibilidade de construção das fundações da torre. na albufeira do Castelo do Bode. o que se deve verificar em 1974. Objecto de estudos posteriores. e a serem conduzidas a Lisboa em adutor próprio. a concessão da CAL terminou em 30 de Outubro de 1974. pois os exemplos bem conhecidos estão por toda a parte e o assunto foi já largamente debatido para não se discutir a necessidade da sua filtração". uma central elevatória situada a jusante da barragem. publicado em Junho de 1962. da Química.Barragem do Castelo de Bode 1. e 95 m . a braços com nova crise de falta de água. sendo-lhe dado especial relevo no Plano Geral de Abastecimento de Água à Região de Lisboa. feito em tempo útil. no século XIX. para permitir o início da sua realização por volta de 1970 e a sua entrada em serviço quando ficar saturada a capacidade de transporte do Canal do Tejo. Não foram. Mary. uma estação de tratamento na Asseiceira. mais tarde. dando esta companhia lugar a uma empresa pública. pois a água não é elemento vital apenas para o consumo humano. abandonadas as águas do Zêzere. a EPAL. 26 .15 A EPAL e o Castelo do Bode Como já atrás foi referido. à semelhança do que sucedera no Estudo Prévio para Ampliação do Abastecimento de Água à Cidade de Lisboa. e para a captação nas albufeiras do Cabril e da Ponte da Bouçã. da Geologia. Para tal projecto havia-se procedido em 1972 à actualização do Plano Geral publicado dez anos antes. 26 . e um adutor que conduz a água a uma central elevatória construída em Vila Franca de Xira. muito embora. de Janeiro de 1950. mas também motor de desenvolvimento económico e industrial. inviável no curto prazo. 62 m . Com esta divisão garantia-se uma altura piezométrica mínima de 30 m. correspondentes. Os estudos relativos ao aproveitamento das águas do Zêzere não haviam. a dividira. que a Companhia abastece em alta.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1. inicialmente. Também em Lisboa o crescimento urbano se fez sentir. O progresso verificado acelerou a consequente expansão urbana e industrial em toda a região de Lisboa. sucedendo-se os contratos com as Câmaras limítrofes.000 m³ por dia. será criada a zona limite. sido abandonados. O parecer do Conselho Superior de Obras Públicas exarado no projecto da captação Tejo de Valada apontava mesmo para o Castelo do Bode. de onde a água é elevada para Telheiras. Em 1959 a CAL. como a execução de mais poços nos mouchões do Tejo. ano em que termina a concessão da Companhia das Águas de Lisboa". Fig.95 m. respectivamente.120 m. projecto a ser "objecto de um estudo profundo. que. agora com a componente "tratamento de água" a contribuir para a função "abastecimento de água". poderia. dar meio milhão de m³ diários. em Lisboa. pois. ainda em 1970. com pleno desenvolvimento das técnicas possibilitadas pelo conhecimento da Física. pois. São eles delimitados pelas curvas de nível de 0 m . vai ter que se virar. sendo composto pela torre de captação. a CAL encarasse outras hipóteses no curto prazo. a CAL vai poder abastecer uma área muito mais vasta. às zonas baixa. fase. e a cidade tem agora quatro andares. correspondente à captação de Valada-Tejo.62 m. afirmava: "Lá está no Zêzere a torre de tomada de água. 40 m . que o ministro José Frederico Ulrich mandou fazer. alta e superior. o projecto veio a ser concretizado apenas a partir de 1975.40 m. Em 1986 foi o subsistema inaugurado com uma capacidade de produção de 375. em vez dos três em que. no projecto que elaborara para a construção da captação de água do Tejo em Valada. média.

o que possibilita hoje o abastecimento.000 m³ diários através de um conjunto de obras que ficaram concluídas em 1996. pela EPAL. da nossa memória colectiva. de água a um total de 26 municípios correspondentes a cerca de um quarto da população do País. 27 . e cujos testemunhos urge a todo o custo preservar como património histórico. que. AdP. abastece de água a quase totalidade do País. com um conjunto de empresas multi-municipais. A EPAL é hoje uma sociedade anónima. e onde se encontra espelhado todo um conhecimento científico e tecnológico que é parte importante da nossa identidade. e encontra-se integrada num grupo mais vasto.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa Fig. 26 .ETA da Asseiceira A partir de 1993 procedeu-se à ampliação do subsistema para uma capacidade de tratamento e adução de 500. de capitais exclusivamente públicos. a Águas de Portugal. 27 .Barragem do Castelo de Bode Fig.

Julho de 1933. 13 . Luís Veiga da. Raul. Situação actual do abastecimento. ps. Contratos de concessão [diversos anos].95. Projecto de abastecimento de água à cidade de Lisboa. CASEIRO. CUNHA. O Rio Tejo deve contribuir para o abastecimento de água de Lisboa e zona sub-urbana [Palestra do Engenheiro-Chefe. Joaquim Ângelo Caldeira. sexto ano.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1. A. em Valada. José Manuel. A iniciativa privada no abastecimento de água em Portugal . com a designação Boletim da CFOAACL]. CAL.Serviços Sanitários. Joaquim Ângelo Caldeira e FRAGOSO. Soares. CHOFFAT. Evolução das estações elevatórias da Companhia desde a fundação à actualidade. CAL. 1952. 1998. CAL. 1955. nº. CAL. Imprensa Nacional. ps. Estudo prévio para ampliação do abastecimento de águas à cidade de Lisboa. Luís Veiga da Cunha. AMARAL. Lisboa. Julho de 1938. CAL. 1990 (texto policopiado). 49 e 50 da Revista Municipal. Relatório sobre o tratamento das águas de Lisboa elaborado pela Comissão nomeada pela Portaria de 12 de Novembro de 1938. nº. CAL. Separata do Boletim da CFAL. O abastecimento da capital pela água dos poços do Carregado. 117 .16 Referências bibliográficas Arquivo Histórico da EPAL CAL. Plano geral de abastecimento de água à região de Lisboa. Projecto de uma nova estação elevatória nos Barbadinhos. Paul. As águas de Lisboa. 85 . Américo. fascículo II. 36. e PENA. EPAL. Considerações sobre zonas de distribuição . nº. Abastecimento de água à cidade de Lisboa. Academia das Ciências. Rapport entre leur origine géologique et leur composition chimique.séc.d. VITAL. Abril de 1958. 53 . Estudo para o abastecimento de Lisboa com água do Tejo. Eloy do. 1898. Notícia sobre o abastecimento de Lisboa com águas de nascentes e águas do rio: estudos e obras dos últimos cem anos. Câmara Municipal de Lisboa. Ministério das Obras Públicas. 8 de Junho de 1965. ano I. CAL. Lisboa. Amaro de. 1963/64. CAL. CHOFFAT. Projecto de toma de água do Tejo na Boavista. Separata da Revista da Ordem dos Engenheiros. Carlos. 28 . Luís Veiga da. 1923. Ex. In Boletim dos Serviços Técnicos. Lisboa. RODRIGUES.19. ps. 1938. XIX e XX. CAL.o caso de Lisboa. Lisboa. Projecto de introdução de água do Tejo no Canal do Alviela (1ª. Separata dos nº. Projecto de reservatório elevado a construir na Penha de França e respectiva conduta de elevação. João Carlos. nº. s. EPAL. Obras consultadas ALVES. ano XXII. Relatórios da Direcção. Lisboa. Lisboa. Fevereiro de 1950. G. Paul. o Ministro das Obras Públicas de 29 de Outubro de 1948. Boletim dos Serviços Técnicos. Relatório da Comissão encarregada de estudar as novas captações para o abastecimento de águas a Lisboa e arredores. anos XXIX . CAL. CAL. CFAL. Junho de 1970. Projecto de captação de água no rio Tejo. BRANCO. Janeiro de 1933.107. CAL.202. ps. Companhia da Empreza das Águas de Lisboa. durante a visita ministerial à estação piloto de Valada]. 1944. Lisboa. In Boletim dos Serviços Técnicos. CAL. ALMEIDA. CUNHA. por despacho de S. 1940.ª. Lisboa.. Março de 1929. CAL. Les eaux d'alimentation de Lisbonne. Perspectivas para os próximos dez anos. Lisboa capital das águas. 16. Fase). Inauguração da obra de captação de água no rio Tejo. Separata da Revista da Ordem dos Engenheiros. Lisboa. Boletim dos Serviços Sanitários . 1956. Lisboa. Congresso Nacional Municipalista de 1922. CAL. MACHADO. 1. ano XXIV. Junho de 1962. 1895. Lisboa. Março de 1959. 1940. Resumo das condições hidrogeológicas da cidade de Lisboa. CAL . Memórias e outras histórias do Aqueduto das Águas Livres.[ Anteriormente a 1943.XXX. Boletim da CFAL.Tratamento de água. Memória sobre os reservatórios de Lisboa. Rede geral de distribuição. A nova instalação de cloragem das águas do grupo do Alviela. Separata do Boletim da CFOAACL. 1958. Abril de 1926. VITAL. Março-Abril. CAL. Lisboa. Relatório. In Boletim da Direcção Geral de Agricultura. In Boletim dos Serviços Técnicos. Relatórios da Direcção. Lisboa. CAL. Raul Fontes. 1908. Separata das Comunicações da Direcção dos Trabalhos Geológicos. 8. RODRIGUES. tomo III. José Joaquim. CAL.

New directions in the Sociology and the History of Technology. fontes e poços públicos de Lisboa. PINTO. MIT. 21 . Academia das Ciências. Lisboa. 2000. RIBEIRO.). Université Technologie de Belfort-Montbéliard et Berg International Éditeurs. VITAL. 1990.a dinâmica do abastecimento de água numa cidade em constante expansão). PINHO. in BIJKER. In Arqueologia & Indústria. Academia das Ciências. oferecida à Exmª. Memória sobre o abastecimento das águas de Lisboa. Lisboa. Comunicações. Hugo. Bernard. O desenvolvimento económico e as empresas de abastecimento de água em Portugal.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa CUNHA. Memória sobre as águas de Lisboa. Memória sobre chafarizes. The social construction of technological systems.152. Massachussets. 27 . VITAL. Raul Fontes. 1989.. 71 . Michel et LAMARD. MIT. bicas. 1945. Ponta Delgada. Lisboa. Raul Fontes. Lisboa. nº. VITAL. 1. 1867. IPPAR. II Colóquio Temático "Lisboa Ribeirinha". 1905. 1997. MONTENEGRO. Lisboa. Lisboa. SMITH. APAI. 1853. a limpeza e o abastecimento das águas em Lisboa. Leo (eds. 23. Luís Veiga da. COTTE. Novembro. Trevor (eds. 1853. ps. Thomas P. 51-82. 1994.). pp. RIBEIRO. Lisboa.. nº. Robert. HUGHES. Raul Fontes. MARX. Memória sobre o abastecimento de Lisboa com água de nascente e água de rio. Lisboa. ROSSA. VITAL. Imprensa Silviana. Walter. João V e o abastecimento de água a Lisboa. José Sérgio. Imprensa Silviana. Luís Leite. Imprensa Nacional. 1989. A cloragem das águas de abastecimento. Museu da Água da EPAL. Carlos.).54. Comunicação apresentada ao XVIII Encontro da Associação Portuguesa de História Económica e Social. Uma experiência na defesa do património. nº. Ch. 1895. E. Does Technology drive History? The dilemma of Technological Determinism. The evolution of large technological systems. sexto ano. Lisboa. o que foram ou são.175. 145 . Belém. 1 e 2 de Outubro de 1999. Além da Baixa: indícios de planeamento urbano na Lisboa setecentista. Ed. Lisboa e as águas (Da Lisboa Ribeirinha às águas altas e ao Tejo e seus afluentes . Raul Fontes.29 de Novembro de 1997 (texto policopiado). D. Separata de Notícias Farmacêuticas. ano III. VITAL. História do abastecimento de água à região de Lisboa. 2000. L'approvisionnement en eau à Lisbonne au XIXème siècle. Actas das Sessões. Paris. Notes et formules de l'ingénieur. MASTBAUM. O Museu da Água da EPAL. Ministério da Cultura. ps. VIGREUX. PINCH. Thomas P. Imprensa Nacional. Lisboa. e muitos lugares do termo. ps. Pierre (dir. Representações dirigidas a Sua Magestade a Rainha e ao Corpo Legislativo pela Câmara Municipal de Lisboa sobre o abastecimento de águas na Capital por meio de empresa. Wiebe. Estudo de uma estação de filtração de água potável. MOITA. Encontro Internacional sobre Património Industrial e sua Museologia. Raul Fontes. O Aqueduto das Águas Livres. 1895.). 1942. Comunicação apresentada ao XVII Encontro da Associação Portuguesa de História Económica e Social.a preservação do património museológico e dos arquivos. Reconhecimento geológico e hidrológico dos terrenos das vizinhanças de Lisboa com relação ao abastecimento das águas desta cidade. 1998 (texto policopiado). VITAL. Academia das Ciências. Universidade dos Açores. (dir. INCM/EPAL.. Augusto Pinto de Miranda. 2ª. Irisalva (dir. GOMES. La Technologie au risque de l'histoire. 1. Paris. EPAL. Lisboa. e organiz. Câmara Municipal de Lisboa. Merritt Roe. ps. Bernardino António.). e o que devem ser. Massachussets. In Boletim da Direcção Geral de Agricultura. Câmara Municipal de Lisboa. Câmara Municipal de Lisboa. O esgoto. Separata da Revista da Ordem dos Engenheiros. Da solução para a falta de água ao impasse tecnológico. VELLOSO D'ANDRADE. Bernardino de. In 1º. Raul Fontes.74. 29 . 51 . considerado tudo à luz das boas práticas e doutrinas. 1998. In BELOT. Os novos núcleos do Museu da Água . 1871. HUGHES. Lisboa Julho de 1998. Carlos. 1857. Lisboa.

30 .

Conceitos Fundamentais de Hidráulica. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2. BOMBAS CENTRÍFUGAS E REDES HIDRÁULICAS Autor: Paulo Ramísio Engenheiro Civil (FEUP) Mestre em Engenharia do Ambiente (FEUP) Assistente do Departamento de Engenharia Civil da Universidade do Minho Sócio da SBS – Engenharia Civil. CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE HIDRÁULICA. Hidráulica e Ambiente. 31 . Lda.

32 .

actividade de investigação nos domínios de Construções e Processos. Estruturas. engenharia sanitária e gestão dos recursos hídricos e contribuir para o aumento do conhecimento científico nas seguintes áreas preferenciais: Processos de transporte e mistura em ambientes naturais e sistemas de engenharia. Sistemas de Adução. O Departamento de Engenharia Civil (DEC) da Escola de Engenharia tem a seu cargo o Curso de Licenciatura de Engenharia Civil. Planeamento e Arquitectura e Vias de Comunicação. Comemora actualmente o XXXI aniversário. Lda. • Infra-estruturas Hidráulicas e Energia (Aproveitamentos Hídricos e Hidroeléctricos.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. Sistemas Elevatórios. 33 . Geotecnia. A SBS é uma empresa de consultoria em engenharia. hidrologia.Engenharia Civil. Hidráulica e Ambiente. Estações de Tratamento de Águas Residuais). o Mestrado em Engenharia Civil e disciplinas do Mestrado em Tecnologia do Ambiente. acompanhamento técnico e apoio à decisão em obras de engenharia com especial destaque para as obras de hidráulica e ambiente. Sistemas de apoio à decisão para o desenvolvimento sustentado da gestão dos recursos hídricos e desenvolver técnicas de modelação em laboratoriais e modelos computacionais. o Mestrado em Engenharia Municipal. Materiais de Construção. • Infra-estruturas Prediais (Projecto e coordenação de todas as especialidades de engenharia. • Estudos Ambientais (Estudos de Impacte Ambiental. • Águas Pluviais. Desenvolve. Reservatórios e Redes de Distribuição). A investigação é orientada de modo a não só contribuir para o aumento dos conhecimentos numa determinada área científica mas também contribuir para a extrapolação dos resultados obtidos em estudos e obras no domínio da engenharia civil. Conta como principais áreas de actuação: • Abastecimento de Água (Captações. SBS . projectos. Residuais e Industriais (Redes de Drenagem. Auditorias Ambientais. Regularização Fluvial). Interceptores e Emissários. Acompanhamento de Obras). fundada a 28 de Fevereiro de 1996. ainda. Tem desenvolvido a sua actividade na execução de estudos. Sistemas Elevatórios. Hidráulica. acompanhamento de obra e Fiscalização). O Sub-grupo de Hidráulica tem como missão formar cientistas e engenheiros através de um estimulante e diversificado programa na área da mecânica dos fluidos. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Universidade do Minho A Universidade do Minho é uma universidade pública com autonomia administrativa e financeira. Estações de Tratamento de Água. consultoria.

34 .

Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

O dimensionamento de um sistema de pressurização depende de uma grande parte do conhecimento dos fenómenos hidráulicos envolvidos. Neste capítulo serão analisados alguns princípios fundamentais da mecânica dos fluidos e a sua utilização na caracterização da curva característica da instalação e da curva característica de uma bomba centrífuga, conceitos essenciais para um bom desempenho de um sistema de pressurização.

2.1 Introdução

Logo, em termos de tensão unitária:

τ=

∆F ∆v =µ S ∆n

(2)

onde µ é o coeficiente de viscosidade dinâmica. A viscosidade dinâmica (µ) para um determinado fluido é determinada recorrendo a tabelas ou a gráficos enquanto que a viscosidade cinemática (ν) é expressa da seguinte maneira: (3) ν = µ /ρ onde ρ é a massa volúmica do fluido. A viscosidade cinemática nos líquidos varia apreciavelmente com a temperatura, sendo desprezável a influência da pressão. Sendo a viscosidade uma propriedade física que determina a resistência ao escoamento uniforme de um fluido, ela afecta a distribuição do esforço de corte destes. Analisando o comportamento dos fluidos em função do esforço e a velocidade de corte, podemos classificá-los da seguinte maneira: • Fluido Ideal - apresenta resistência nula à deformação; • Fluido Newtoniano - o esforço de corte é proporcional à velocidade de corte, sendo τ o declive da recta; • Fluido não Newtoniano - deforma-se de tal maneira que o esforço de corte não é proporcional à velocidade de corte; • Plástico Ideal - o fluido sustém, inicialmente, um esforço sem qualquer deformação, deformando-se posteriormente de forma proporcional ao esforço de corte; • Sólido Ideal - não ocorre deformação para qualquer valor de tensão. Os Fluidos Newtonianos são praticamente todos os líquidos orgânicos e inorgânicos enquanto que os Fluidos não Newtonianos podem ser classificados em pseudoplásticos, dilatantes, Bingham, etc.. Como exemplos de Fluidos não Newtonianos podem-se destacar a pasta de celulose, algumas tintas, borracha, etc…

2.2 Princípios da mecânica dos fluidos
2.2.1 Propriedades da água
2.2.1.1 Massa volúmica e peso volúmico
Massa volúmica e peso volúmico de uma substância são, respectivamente, a massa e o peso da unidade de volume dessa substância. Para os líquidos estas grandezas variam com a pressão e a temperatura. A água tem o valor máximo de massa volúmica à temperatura de 4°C, que à pressão atmosférica normal toma o valor de 1000 kg/m3. Considerando a aceleração da gravidade igual a 9,8 ms-2, o peso volúmico, à mesma temperatura será 9800 Nm3.

2.2.2 Viscosidade
A viscosidade dos fluidos traduz-se pela resistência que estes oferecem à deformação. Assim, no seu escoamento desenvolvem-se forças resistentes, que dão parte à dissipação de parte da energia mecânica possuída pelo fluido em movimento. Ao pretender modificar-se a forma de uma massa de fluido, observa-se que as camadas do mesmo se deslocam umas em relação às outras, até que se alcance uma nova forma. Durante este processo ocorrem tensões tangenciais (esforços de corte) que dependem da viscosidade e da velocidade do fluido. O comportamento de um fluido sob a acção de um esforço de corte é importante na medida em que determinará a forma como ele se movimentará. A fim de que se possa introduzir a noção de esforço de corte (tensão tangencial), torna-se necessário analisar as forças exteriores que actuam numa determinada massa de fluido sujeita à acção da aceleração da gravidade. Num fluido em repouso não existem tensões tangenciais e de acordo com a lei de Pascal a pressão num ponto é igual em todas as direcções. Nos fluidos em movimento, em que se manifeste a acção da viscosidade desenvolvem-se tensões tangenciais ou esforços de corte. A viscosidade é assim uma propriedade física que é definida como sendo a resistência de um fluido ao seu escoamento uniforme. Considere-se duas placas paralelas de fluido, S, que se movem a uma distância, ∆n, a uma velocidade relativa ∆v, a força necessária para o deslocamento será:

2.2.3 Compressibilidade
A compressibilidade dos fluidos traduz-se pela diminuição do volume ocupado por uma determinada massa de líquido quando aumenta a pressão a que esta está sujeita. De acordo com o seu comportamento sob a acção de uma pressão aplicada exteriormente os fluidos podem ser classificados da seguinte forma: • Incompressíveis - Se o volume de um elemento de fluido é independente da sua pressão e temperatura. Nos líquidos, devido às pequenas variações de pressão, podem-se considerar incompressíveis para a maior parte dos fenómenos.

∆F = µ S

∆v ∆n

(1)

35

Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

• Compressíveis - Se o volume de um elemento de fluido varia com a sua pressão e temperatura, como acontece nos gases. Note-se contudo que nenhum dos fluidos reais é completamente incompressível. No entanto, os líquidos podem ser encarados como tal para efeitos de estudo de grande parte das aplicações práticas. É no entanto importante realçar que em alguns fenómenos, como por exemplo na análise do choque hidráulico, deve ser considerada a compressibilidade do fluido.

2.3.2 Classificação dos escoamentos
2.3.2.1 Variados, permanentes e uniformes
O escoamento é variável se, numa dada secção transversal, a velocidade média e o caudal variarem com o tempo. O escoamento é permanente se, em qualquer secção transversal, a área da secção líquida e a velocidade média (e, portanto o caudal) forem invariáveis com o tempo. Num escoamento permanente a velocidade pode variar de ponto para ponto, mas, em cada ponto, mantém-se constante ao longo do tempo. Um escoamento uniforme é um movimento permanente em que a velocidade é constante ao longo de uma mesma trajectória (em módulo, direcção e sentido). Pode então dizer-se que o escoamento é uniforme se as trajectórias forem rectilíneas e paralelas e se a área da secção líquida, S, a velocidade média, V, forem invariáveis com o tempo e a secção transversal considerada. O movimento uniforme só é possível em condutas e canais de eixo rectilíneo e de secção constante. Escoamentos transitórios são escoamentos que se estabelecem na transição entre duas situações de escoamentos permanentes.

2.2.4 Tensão de saturação do vapor de água
Quando a pressão num ponto de um líquido desce até à respectiva tensão de saturação de vapor, o líquido entra em ebulição. A tensão de saturação do vapor de um líquido, tv, varia em função da temperatura. A tensão de saturação de vapor para a água à temperatura de 20°C é de 2330 N/m2, e à temperatura de 100°C iguala a pressão atmosférica normal. No escoamento de líquidos aparecem, em certas condições, zonas em que a pressão desce até à tensão de saturação de vapor, formando bolhas de ar, indicadoras da ocorrência do fenómeno de cavitação.

2.3.3 Equação da continuidade
A equação da continuidade estabelece o princípio da conservação da massa. Assim entre duas secções transversais, num escoamento permanente de um fluido incompressível sob pressão, mantém-se constante ao longo do tempo o volume do líquido entre as duas secções. Considerando uma tubagem com vários troços de diâmetros diferentes, verifica-se que o caudal de fluido é sempre constante em toda a tubagem. Define-se então caudal mássico (Qm) como a massa de fluido transportada (m) por unidade de tempo (t) e será igual a:

2.3 Conceitos fundamentais de hidrocinemática e hidrodinâmica
2.3.1 Conceitos básicos
Define-se trajectória de uma partícula como o lugar geométrico dos pontos ocupados pela partícula ao longo do tempo, enquanto que linha de corrente num determinado instante será a linha que goza da propriedade de, em qualquer dos seus pontos, a tangente respectiva coincidir com o vector velocidade no mesmo ponto e nesse instante. O caudal, será o volume que, na unidade de tempo, atravessa uma secção efectuada num escoamento por uma superfície, se esta for normal em todos os seus pontos à velocidade do escoamento. Assim, o caudal, Q, será:

Q × v1 = Q × v2 = Q × v3

; v1 xAi1 = v2 × Ai 2 = v3 × Ai 3 = v ×(5)

A expressão (5) é designada por equação da continuidade. O termo continuidade deriva do facto de o caudal em todos os troços ser constante. Em termos de caudal mássico (Qm = cont.), Qm1 = Qm2 = Qm3 = Qm ⇔ ρ.v1.Ai1 = ρ.v2.Ai2 = ρ.v3.Ai3 = ρ.v.Ai (6)
D2 D1 D3

Q = ∫ v ds

(4)

Velocidade média, V, (numa secção normal em todos os pontos à velocidade do escoamento) velocidade de um escoamento que, com velocidade uniforme na secção, transporta um caudal igual através da mesma secção.

L1
Fig. 1 - Condutas em série

L2

L3

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Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

Nestas circunstâncias, facilmente se depreende que o caudal escoado é o mesmo em cada troço de conduta com características distintas, e que a perda de carga total é dada pela adição de todas as perdas de carga parcelares: Q = U1 x S1 = U2 x S2 = ... = Un x Sn
∆H = ∑ ∆H i = ∑ J i × Li
i =1 i =1 n n

(7) (8)

O teorema de Bernoulli representa uma equação de balanço de energia pois iguala a variação da energia mecânica total entre duas secções de um tubo de corrente ao trabalho realizado pelas forças locais de inércia (nulas em regime permanente) e de resistência ∆H. Na prática, pode-se considerar: * β1 = β2 = 1,0 → Coeficiente de distribuição de pressão (campo de pressões do tipo hidrostático condutas de pequeno e médio diâmetro). * α1 = α2 = 1,0 → Coeficiente de energia cinética ou de Coriollis, distribuição de velocidades - consideração de velocidades médias (1,00 ≤ α ≤ 1,15). A parcela ∆B corresponde a troca de energia com o exterior: +∆B ⇒ cedência de energia (turbina) -∆B ⇒ ganho de energia (bomba). A parcela ∆H representa o trabalho das forças resistentes por unidade sendo a soma das seguintes parcelas:

2.3.4 Teorema de Bernoulli
Considerando um regime estacionário (as variáveis do processo, como por exemplo, pressão, temperatura, volume, etc. permanecem constantes ao longo do tempo), num fluido Newtoniano e incompressível, a energia específica total duma partícula é igual à energia mecânica total da partícula por unidade de peso e apresenta três componentes:

p v2 E = z+ + γ 2g

(Trinómio de Bernoulli)

(9)

Dimensionalmente cada parcela corresponde a um comprimento pelo que é assimilável a uma soma de "alturas":

[E ]= [F ]× [L] = [L] [F ]
O significado físico de cada parcela será o seguinte:

∆H = ∆H p + ∑ ∆H L
com,

(11)

∆H → Forças resistentes totais por unidade de peso (perdas de carga totais) ∆Hp → Perda de carga uniforme (contínua ou principal)

z

= cota da partícula em relação a um plano de referência (energia potencial de posição da partícula por unidade de peso)

∑ ∆H

L

p = altura piezométrica: energia potencial de pressão por γ unidade de peso da partícula; v2 = altura cinética: energia cinética por unidade de peso 2 g da partícula com velocidade v.
Assim, define-se Linha Piezométrica como o lugar geométrico dos pontos em que a sua cota é a soma da cota topográfica e da altura ( z + (ou Energia) será o lugar geométrico dos pontos cuja cota será a soma da cota topográfica, a altura piezométrica e a altura cinética ( z +
p v2 + ). γ 2g
p ). Analogamente, a Linha de Carga γ

→ Somatório de perdas de carga localizadas (concentradas acidentais)

Estes parâmetros serão analisados em detalhe em pontos seguintes.

2.3.5 Teorema da quantidade de movimento ou de Euler
O teorema de Euler ou da quantidade de movimento (TQM) é na Mecânica dos Fluidos e, portanto, na Hidráulica o correspondente ao teorema da quantidade de movimento da Mecânica e pode enunciar-se da seguinte maneira: Para um volume determinado no interior de um fluido, é nulo em cada instante o sistema das seguintes forças: peso, resultante das forças de contacto que o meio exterior exerce sobre o fluido contido no volume, através da superfície de fronteira, resultante das forças de inércia e resultante das quantidades de movimento entradas para o volume considerado e dele saídas na unidade de tempo. O TQM ou de Euler tem um duplo interesse prático: 1º) Calcular esforços sobre as tubagens e/ou paredes (caso dos jactos).

O teorema de Bernoulli refere que no caso de um fluido incompressível em regime permanente, em que se possam desprezar as forças de atrito e, consequentemente as perdas de energia, mantêm a carga total de uma partícula ao longo de uma trajectória. O Teorema de Bernouli aplicado a fluidos pesados e incompreensíveis, em regime permanente, toma a seguinte forma:
( z1 + β 1 p1 U p U + α 1 ) s1 − ( z 2 + β 2 2 + α 2 ) = ∆H ± ∆B 2g 2 g s2 γ γ
2 1 2 2

(10)

37

Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

2º) Calcular perdas de carga localizadas em troços curtos (curvas, derivações, mudanças de secção) onde se conhecem as condições nas secções de entrada e de saída. Particularizando a aplicação do Teorema de Euler a movimentos permanentes de fluidos pesados e incompressíveis em tubos de corrente e as tensões tangenciais são desprezáveis, a acção do líquido sobre a superfície de contorno será uma força, dada pela seguinte expressão vectorial: r r r r R = - ( ρ × Q × U + p × S ) n - ( ρ × Q × U + p × S ) n + γ (12)
1 1 1 1 2 2 21 2

2.4.2 Perdas de carga contínuas
No regime uniforme, as trajectórias das partículas são paralelas às geratrizes do contorno. Se considerarmos condutas de comprimento L elevado (L >100 x D, em que D é o diâmetro da conduta) e características geométricas (direcção, rugosidade, forma e dimensão da secção transversal) constantes, poder-se-á considerar que : i ) a distribuição de pressões numa secção transversal é do tipo hidrostático (β=1). ii ) o coeficiente de Coriollis é constante ao longo da conduta (α=1) . iii ) a perda de carga (∆H) entre duas secções é proporcional à distância (L) entre elas, sendo constante o coeficiente de perda de carga (ou perda de carga unitária) ao longo da conduta, J. Sabendo que a perda de carga contínua (ou principal) depende ainda das características físicas do fluido, teremos: J = ƒ(ρ, U, D, ν, το,Ke) em que: J - perda de carga contínua por unidade de comprimento; ρ - massa volúmica do fluido; U - velocidade média na conduta; D - diâmetro da conduta; ν - coeficiente de viscosidade cinemático do fluido; το - tensão junto à parede da conduta; Ke - rugosidade equivalente da conduta, em termos da perda de carga provocada pelas várias rugosidades do material da conduta. Recorrendo à Análise Dimensional é possível estabelecer uma relação entre aquelas grandezas, chegando-se (escolhendo ρ,U,D para unidades fundamentais) à expressão geral das perdas de carga contínuas (ou fórmula universal) em condutas circulares: (14)

em que: r r n1 e n2- são os versores da direcção normal às secções de entrada e saída (S1 e S2), com o sentido positivo dirigido sempre para o exterior do volume em estudo. r γ - peso do volume de fluido em estudo.
U 1 , U 2, p1 , p2 - Velocidades médias e pressões nas secções 1 e 2.

2.4 Escoamentos sob pressão em regime uniforme e permanente
2.4.1 Escoamentos laminares e escoamentos turbulentos
Existem dois regimes de escoamento de fluidos: laminar e turbulento. O regime laminar é caracterizado por trajectórias regulares das partículas, não se cruzando trajectórias de partículas vizinhas. No escoamento turbulento, a velocidade num dado ponto varia constantemente em grandeza e direcção, sem regularidade. As trajectórias são extremamente irregulares. A relação entre as forças de inércia e a força de viscosidade sobre a partícula pode ser expressa pelo número de Reynolds através da seguinte expressão:

V ×D (13) ν O número de Reynolds define as condições de semelhança quando a natureza das forças intervenientes se limitam às indicadas (caso de escoamento de líquidos no interior de condutas em pressão). Re =
Para valores de Reynolds superiores a 2500 o escoamento é geralmente turbulento e para valores inferiores a 2000 o escoamento é normalmente laminar. A quase totalidade das aplicações de sistemas de pressurização encontra-se em regime turbulento.

J=

λ U2 × D 2g

(15)

em que : λ - coeficiente de resistência (adimensional); g - aceleração da gravidade; D - diâmetro da conduta; U - velocidade média na conduta.

38

Nikuradze ao variar o factor de resistência com o número de Reynolds. O valor de λ é obtido através da utilização do número de Reynold e do valor de rugosidade relativa k/D como parâmetros. • Os intervalos II. onde D é o diâmetro interno da tubagem em mm e k é a rugosidade equivalente da superfície em mm. que dividida por D. para cada valor de (ε/D). sendo: λ = 64 / Re → Fórmula de Poiseuille (16) A grande maioria dos escoamentos de fluidos. que substituída na expressão de cálculo de λ.rugosidade relativa (ε/D). quatro intervalos (I. corresponde a um parâmetro adimensional . turbulento de transição e turbulento rugoso. concluiu que o primeiro depende do segundo e de outros parâmetros (adimensionais) que caracterizam as asperezas das paredes do tubo. IV) com leis de variação distintos: • O intervalo I corresponde ao Regime laminar (Re < 2000 a 2500) onde se verifica uma variação linear de λ e Re.ε) às condutas comerciais. em regime turbulento rugoso.2. com suficiente rigor.4. III e IV correspondem aos regimes turbulento liso. por via gráfica O emprego da fórmula universal foi bastante simplificada com o aparecimento de diagramas como o de "Moody". A variação de λ com Re apresenta. define-se para essas condutas. III. Nikuradze considerou uma rugosidade teórica (ε) correspondente à dos grãos de areia (calibrada) colados às paredes de tubos lisos. ZONA DE TRANSIÇÃO FACTOR DE ATRITO λ TUBAGEM LISA CAUDAL LAMICAUDAL TURBULENTO NAR RUGOSIDADE RELATIVA DA SUPERFÍCIE K/d NÚMERO DE REYNOLD Diagrama de Moody para estabelecer o factor de atrito λ. sem depender da rugosidade da conduta. conduz os mesmos valores que foram obtidos experimentalmente com ε. nas aplicações práticas de engenharia encontram-se neste domínio e o coeficiente de resistência pode ser estimado pela seguinte equação: 1 2.1 Determinação do coeficiente de resistência Os valores do coeficiente de resistência (λ) podem ser obtidos através das equações de Prandtl e Von Karmann . 2 . Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2.Diagrama de Moody para a determinação do coeficiente de resistência 39 . que através da representação gráfica daquelas funções implícitas. Fig. uma rugosidade equivalente (ke).teoria da turbulência .7 λ Re× λ (17) Para aplicação dos estudos em laboratório (baseados numa rugosidade teórica artificial .51 ε /D = −2 log( + ) 3. a) Determinação de l.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. permite a determinação expedita dos valores de λ. A determinação do coeficiente de resistência pode ser obtido pela representação gráfica das experiências de Nikuradse ou por via analítica.e comprovados através das experiências de Nikuradze. II.

Chama-se caudal unitário de percurso (q) ao parâmetro que traduz a variação média do caudal ao longo da conduta: 2.1 Regime uniforme e permanente Em regime uniforme e permanente.4. ke . através de fórmulas práticas (expressões empíricas. q= Qm − Qj ⇔ Qm = Qj + q × L L (20) 40 .Conceitos Fundamentais de Hidráulica.número de Reynolds (adimensional). deve ser realizado por via analítica por equações de reconhecida validade. que permitem chegar a uma expressão geral para este tipo de perdas de carga. etc. Em regime variado há uma variação de caudal ao longo do percurso. quer sob a forma de ábacos ou tabelas apenas são válidas dentro das condições particulares em que foram definidas. λ. material das paredes do contorno sólido. válvulas. secção transversal. mudanças de direcção.. A determinação dos coeficientes de perda de carga em diferentes singularidades (estreitamentos e alargamentos suaves.coeficiente de resistência (adimensional).diâmetro da conduta (m). seleccionando o diâmetro pode-se de seguida calcular a velocidade e perda de carga.51 K (18) = −2 log( + ee ) 3.6 Cálculo hidráulico 2. sendo determinado experimentalmente para cada tipo de singularidade. exprimindo-as como percentagem da altura cinética (U2/2g): RAMIFICADA MISTA Nas redes ramificadas a direcção do escoamento é única e portanto conhecida.5 Redes hidráulicas 2. em cada troço. válidas apenas em certas circunstâncias . formando feixes ou malhas de condutas.TIPOS DE REDES TIPO DESCRIÇÃO DISTRIBUIÇÃO DE PERCURSO sem com sem com sem com REGIME DO ESCOAMENTO PERMANENTE uniforme variado uniforme variado uniforme variado λ . 2. por considerar por exemplo os consumos domésticos. Chama-se nó ao ponto de intersecção de três ou mais condutas e malha a todo o circuito fechado constituído por três ou mais condutas ligadas em série.5. λ. Quanto à sua constituição. são obtidos após o equilíbrio da malha através da Lei da Continuidade (em cada nó os caudais afluentes devem igualar os caudais efluentes) e Lei das Malhas (numa malha a soma algébrica das perdas de carga em todas as condutas deve ser nula).7 λ Re× λ Em que: Estes sistemas aparecem normalmente nas redes de abastecimento de água municipais ou industriais e nas redes de combate a incêndios. Nas redes emalhadas o conhecimento do valor e sentido dos caudais.3 Perdas de carga localizadas As perdas de carga localizadas ocorrem em singularidades das condutas. o caudal é constante logo. podemos considerar os seguintes tipos de redes: QUADRO 1 . …) encontra-se bem documentada em inúmeras publicações de hidráulica. por via analítica Para cálculos mais exactos o cálculo do coeficiente de resistência. Re . temperatura.. ∆H L = K L × U2 2g (19) em que KL é o coeficiente de perda de carga localizada. Estas perdas de carga dependem de diversos factores relacionados fundamentalmente com as características do escoamento a montante e a jusante da singularidade. Diz-se que uma conduta tem distribuição de percurso quando sofre uma variação de caudal ao longo do seu percurso (escoamento em regime permanente variado). A determinação analítica destas perdas de carga localizadas (∆HL) baseia-se na aplicação dos Teoremas da Quantidade de Movimento e de Bernoulli. as perdas de carga são contabilizadas considerando que o escoamento se faz em regime permanente variado. em trechos pequenos da conduta em que se quebra a sua uniformidade. . como por exemplo pela Fórmula de Colebrook-White: k /D 1 2. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas É importante relembrar que a determinação do coeficiente de resistência.1 Classificação das redes hidráulicas As redes de condutas consideram-se sistemas complexos porque são constituídas por tubagens ligadas em série e/ou paralelo. ou seja. b) Determinação de l.fluido. quer sob a forma analítica. algumas das quais serviram de base ao presente texto e que se encontram referenciadas nas referências bibliográficas.6. etc. EMALHADA só com malhas só com condutas em série com condutas em série e com malhas 2. conhecendo-se os caudais e os diâmetros é possível de imediato o cálculo das perdas de carga.).rugosidade equivalente (m): D . Logo.

Conceitos Fundamentais de Hidráulica. a altura de elevação necessária para esta instalação.caudal no extremo de montante. 4 .5 m/s) e de critérios de velocidade mínima e máxima. uma vez que a perda de carga aumenta de forma quadrática com a velocidade e esta aumenta igualmente de forma quadrática com o diâmetro.comprimento da conduta. Os passos fundamentais a seguir nos cálculos a efectuar são: . 2. considerando os caudais que realmente circulam na rede.Curva característica da instalação Fig. Qj . 3. Para tal acontecer os custos associados aos diâmetros extremos seleccionados deverão ser superiores a pelo menos um dos custos associados a um dos diâmetros intermédios. conduz ao mesmo valor da perda de carga que a verificada em regime permanente variado. Será em cada ponto a soma da altura geométrica com todas as perdas no sistema para esse caudal. para efeito do cálculo das perdas de carga. em movimento uniforme e para um dado diâmetro. Tal facto dificulta o cálculo das perdas de carga em cada trecho da conduta. O processo de dimensionamento consiste em determinar o diâmetro que minimize a soma dos custos de investimento com os de energia (não se consideram outros custos de exploração). L . que se traduz numa variação parabólica da linha de energia. Especialmente nos diâmetros mais pequenos a alteração de um diâmetro para o da série comercial imediatamente inferior poderá representar alterações significativas em alguns parâmetros de controlo. Qm .6 a 1.Adição dos custos anteriores para os diversos diâmetros seleccionados e verificação de que o conjunto de diâmetros seleccionados contém o diâmetro (comercialmente disponível) mais económico.Variação dos custos de investimento e energia com o diâmetro de condutas.Selecção do diâmetro mais económico.Selecção de um conjunto de diâmetros (comercialmente disponíveis) a partir de velocidades médias (0. . em regime uniforme e permanente. 2. para cada caudal. .8 Curva característica da instalação A curva característica da instalação será a curva que traduz.caudal no extremo de jusante. Com esta simplificação o cálculo hidráulico de regime permanente variado é transformado. As perdas de carga têm variação quadrática com o caudal.Cálculo dos custos de energia do período de vida da obra. 41 .caudal unitário de percurso.Cálculo dos custos de investimento em função dos diâmetros seleccionados. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Em que: q . 3 .55 × q × L (21) Trata-se de um caudal fictício que. conforme se representa na Fig. . Os custos de investimento são directamente proporcionais ao diâmetro instalado e os consumos de energia inversamente proporcionais ao mesmo valor. há uma variação do coeficiente de perda de carga. (actualizados ao ano 0) . Havendo uma variação da velocidade ao longo da trajectória.7 Dimensionamento económico de condutas Apresentam-se neste ponto os passos fundamentais para o desenvolvimento dos cálculos que permitem seleccionar os diâmetros económicos das condutas. Bresse ultrapassou esta dificuldade considerando um caudal equivalente ( Qe ): Qe = Qj + 0. apresentando a curva característica da instalação a forma apresentada na figura 4. H = f (Q ) → H man = H geo + ∑ J i × Li + ∑ ki × U 2g 2 2 (22) Altura Perdas de carga Perdas de carga   V2  ∑ K i i + ∑ J i × Li    2g   Altura geométrica Caudal Fig.

9. as principais peças constituintes de uma bomba centrífuga. • Veios condutores.9. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2. A Figura 3 ilustra uma alheta de um impulsor e os respectivos vectores de velocidade. • Motor eléctrico. Uma bomba centrífuga com um só rotor é uma bomba de um único estágio (ou andar). Fig. usa-se uma bomba multiestágio. Quando se deseja ter uma combinação de pressão total e capacidade que não se enquadra numa bomba de um só estágio.Forma típica do corpo uma bomba centrífuga 2. O fluido entra na bomba nas vizinhanças do eixo do rotor propulsor e é lançado para a periferia pela acção centrífuga. c) Eixo inclinado. Normalmente o propulsor é considerado o coração da bomba. 5 . • Propulsor ou rotor. a bomba é constituída por um rotor que gira no interior de uma carcaça. Fig. Esta energia cinética é convertida em pressão quando o fluido sai do impulsor e entra na voluta ou difusor. • Sistema de lubrificação. Quanto à posição do eixo: a) Eixo horizontal. a descarga de uma bomba dum estágio é injectada na admissão de uma bomba de um segundo estágio. Quanto ao sentido de rotação: a) De sentido directo: se o eixo da bomba roda no sentido anti-horário. são as seguintes: • Corpo da bomba. montadas sobre o mesmo eixo e com descargas em série. assim como para deduzir a curva Q/H da bomba centrífuga.3 Curva característica da bomba A equação básica da bomba é utilizada para calcular e desenhar formas geométricas e dimensões.9.1 Definição Uma bomba é denominada centrífuga quando a direcção de escoamento do fluido é perpendicular à do eixo de rotação da hélice e podem ser classificadas da seguinte forma: Quanto ao n. As bombas multiestágio podem ser consideradas como bombas com vários estágios simples.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. o que permite transmitir a energia ao líquido para este adquirir o aumento de pressão desejado. melhorando a eficiência da bomba.2 Constituição Na sua forma mais simples.Corte numa bomba multicelular Muito resumidamente.9 Bombas centrífugas 2. • Sistema de refrigeração. A energia cinética do fluido aumenta do centro do rotor para a ponta das palhetas propulsoras. Veios condutores fixos no corpo da bomba podem ajudar a dirigir o fluido. onde se preserva a pressão do primeiro. b) De andares múltiplos: quando existem vários impulsores. 6 . Nesta situação. 2. 42 .º de impulsores: a) De um só andar: quando têm um só impulsor. b) De sentido retrógrado: se o eixo da bomba roda no sentido horário. sendo constituída por um disco que roda a alta velocidade. b) Eixo vertical. O fluido depois de entrar no segundo estágio terá um aumento de energia sob forma de aumento de pressão e assim sucessivamente.

vm = componente radial da velocidade absoluta. visto que existem sempre perdas por atrito e o número finito de alhetas não direccionará o caudal completamente na direcção da alheta. é possível derivar a familiar teoria da equação básica da bomba utilizando as leis da mecânica. velocidade relativa w. logoνu1 = 0. vu1 = v1 cos α1 e vu2 = v2 cos α2 Partindo do princípio que o caudal não tem perdas e que o número de alhetas é infinito (∞). 7 . onde: v = velocidade absoluta do líquido.Representação dos vectores velocidade na alheta do impulsor Na figura 7. a equação de Euler para uma bomba real tem o seguinte aspecto: ηh (ku2vu 2 − u1vu1 ) (24) g É possível mostrar que ηh e k são menores que a unidade. componente tangencial da velocidade absoluta do líquido vu e componente radial vm . A curva real Q/H é derivada desta curva através da subtracção dos efeitos do Ht∞ = 1 (u2vu 2 − u1vu1 ) g (23) onde o índice t referencia um caudal sem perdas e ∞ refe. Assim sendo. não é possível satisfazer nenhum destes princípios. A velocidade relativa é paralela à alheta em qualquer ponto. são representados os vectores velocidade nos bordos de ataque e fuga. Fig. Ht∞. velocidade periférica da alheta u. a equação básica da bomba é simplificada para: uv H t = kη h 2 u 2 (25) g A altura manométrica ideal obtida pela equação de Euler é independente do caudal Q. é indicado por uma linha recta. Esta relação é conhecida como equação de Euler e é expressa do seguinte modo: Numa bomba real.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. 43 . Com estas modificações. rencia o princípio do número infinito de alhetas que garante o direccionamento completo do líquido. Se a curva Q/Ht∞ for traçada. w = velocidade relativa à alheta. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Alheta de impulsor de bomba com os vértices de velocidade nos bordos de ataque e fuga. vu = componente tangencial da velocidade absoluta. Velocidade absoluta do líquido v. Para além disso. u = velocidade periférica da alheta. Ht = As bombas centrífugas são normalmente concebidas com α1 = 90°. A redução de pressão causada por perdas no escoamento é tomada em consideração pelo rendimento hidráulico e a redução devido ao desvio do caudal de uma ângulo ideal β2 é contabilizado por um coeficiente de alheta k.

Estas perdas incluem: • perdas por atrito nas superfícies exteriores do impulsor. 8 . cujo aumento é proporcional ao aumento de diferença entre o caudal real e o caudal nominal. • No bordo de fuga da alheta. • perdas por atrito no empanque da transmissão. O seu aumento é proporcional ao quadrado do caudal Q. Por muito pequena que seja a folga. a diferença é a perda por fuga Hv. As perdas mínimas ocorrem com o caudal nominal da bomba. Poderemos escrever que: H t = kH t∞ (26) Ht não é perfeitamente linear. • Na voluta da bomba. Perdas por Descontinuidade Hs As perdas por descontinuidade são geradas nas seguintes áreas: • No bordo de ataque da alheta. quando o ângulo de ataque do líquido é igual ao ângulo β 1 do bordo de ataque da alheta. Outras Perdas Existem outras perdas numa bomba centrífuga que não afectam a curva Q/H mas que aumentam o consumo de energia da transmissão do motor. O efeito da perda por fuga está ilustrado na Figura 8. Perdas por Atrito Hf As perdas por atrito ocorrem à medida que o líquido flui pelas passagens do impulsor e da voluta da bomba. ocorrem perdas devido aos redemoinhos causados por esta. Perdas Redução do caudal Q causada por perdas por fuga Hv Efeito do número finito de alhetas Ht Perdas por atrito Hr Perdas por descontinuidade Hs Velocidades (w) e perdas relativas do bordo de ataque da alheta com várias velocidades de caudal. A perda é mais pequena no ponto de concepção da bomba. pelo que a cabeça da bomba encontra um caudal reduzido. onde o líquido atinge a ponta da alheta. conforme se pode ver na Figura seguinte.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. 44 . porque o coeficiente de alheta é ligeiramente dependente do caudal Q. As perdas mínimas ocorrem com o caudal nominal da bomba. quando o ângulo de ataque do líquido é igual ao ângulo β1 do bordo de ataque da alheta. 9 . conforme se pode constatar na figura seguinte. • perdas por atrito na chumaceira. A redução de altura de Ht∞. Se tomarmos este factor em consideração. quando o caudal na voluta é diferente do caudal no perímetro do impulsor. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas número finito de alhetas e de várias outras perdas que ocorrem no interior da bomba. para Ht não é causada por perdas de caudal mas sim pelo desvio do líquido dos ângulos ideais devido ao número finito de alhetas. Fig. As diferenças de velocidade causam turbulência que originam perdas. a existência de um número finito de alhetas diminui a altura manométrica pelo factor de alheta k. onde o líquido entra em contacto com a alheta no ângulo β1. um pequeno retorno de caudal passa da área de elevada pressão junto da borda do impulsor para a área de baixa pressão do aro de junta do impulsor.Redução (H) da curva verdadeira da bomba Q/H relativa à altura teórica da bomba Ht∞. Por este motivo. O Efeito do Número Finito de Alhetas Conforme indicado anteriormente. poderemos obter a altura teórica Ht. Fig. Este efeito é ilustrado na Figura 9.Velocidades e perdas no bordo de ataque da alheta com várias velocidades. As perdas aumentam com o aumento do desvio do ângulo de contacto do ângulo da alheta β 1. com velocidades de caudal diferentes do valor nominal. o caudal através do impulsor é ligeiramente maior do que o caudal de saída da voluta da bomba. Esta perda aumenta à medida que a bomba vai sendo desgastada. Perdas por fuga Hv As perdas por fuga ocorrem na folga entre o impulsor e a voluta da bomba. O seu aumento é proporcional ao quadrado do caudal.

A implosão causa uma onda de choque local transitória e extremamente alta no líquido. As picagens podem ter vários milímetros de profundidade.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. o fenómeno da cavitação nas bombas centrífugas ocorre numa localização perto do bordo de ataque da alheta do impulsor. Se estas se moverem no fluido para uma zona de pressão superior. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2. O cálculo do NPSH é baseado nos seguintes parâmetros: ht = altura geométrica de entrada. A cavitação numa bomba apresenta duas desvantagens: • A criação e colapso das bolhas de vapor podem danificar a bomba. 11 .Influência do ângulo no bordo de ataque da alheta Logo. Fig. formam-se bolhas de vapor. a pressão do choque irá eventualmente originar a erosão do material dessa superfície. conforme representado na figura seguinte. tação. Implosão de bolhas de vapor Fig. com líquidos quentes e voláteis. tal como se estivesse a bombear areia. Uma bomba com cavitação emite um ruído de crepitação característico. formam-se redemoinhos e zonas de baixa pressão do outro lado da alheta.Impulsor demonstrando estragos motivados por cavitação Bolhas de vapor A formação e desaparecimento das bolhas de vapor é designada por fenómeno de CAVITAÇÃO. tendo como consequência mais gravosa a deterioração mecânica precoce da bomba. 10 . as marcas de desgaste causadas pela cavitação ocorrem localmente e consistem em picagens profundas com bordos afiados. pelo que deverão ser tomados os devidos cuidados se as condições de funcionamento da bomba apresentarem o risco de ocorrência de cavitação. com uma densidade muito mais baixa. na instalação de qualquer bomba. particularmente. As bolhas de vapor são formadas quando a pressão estática local de um líquido em movimento diminui até atingir um valor igual ou inferior ao da pressão do vapor desse líquido para uma dada temperatura. Definição de NPSH NPSH é o acrónimo do termo inglês Net Positive Suction Head e representa a diferença entre a pressão estática absoluta e a tensão de vapor do líquido (normalmente expressa em metros). é necessário que no dimensionamento desta seja acautelado a ocorrência de cavitação. Habitualmente. Se o líquido for bombeado de modo a atingir o bordo de ataque da alheta a um ângulo diferente do da alheta. hA = diferença de altura entre o plano de referência e a ponta do bordo de ataque da alheta. • A bomba torna-se muito menos eficiente porque passa a bombear uma mistura de líquido e vapor. Quando a bolha se desloca com o fluido para uma área de pressão superior. irão eventualmente implodir.10 Cavitação e NPSH A cavitação é o fenómeno hidráulico associado à formação e colapso de bolhas de vapor num líquido. Não existe nenhum material que suporte totalmente a cavi- 45 . O impacto de alta pressão resultante poderá originar picagem e a erosão da estrutura adjacente. Se a pressão cair abaixo da pressão do vapor. o seu colapso ocorrerá rapidamente. Normalmente. Se a implosão ocorrer perto de uma superfície e ocorrer repetidamente.

As alturas de pressão são apresentadas na Fig. NPSH Requerido O NPSH requerido é obtido a partir da seguinte equação: NPSH requerido = hA + vo 2 2g + ∆h BOMBA HORIZONTAL BOMBA VERTICAL Este valor também é conhecido como valor de NPSH da bomba.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. ou Pmin > pv A Figura 13 ilustra o princípio da distribuição da pressão estática do líquido na tubagem de entrada.Variação típica do NPSH requerido com o caudal. Distribuição da pressão estática do líquido na tubagem de entrada. Pv = pressão do vapor do líquido à temperatura dominante.Dimensões e pressões de referência para o cálculo do NPSH Para evitar a cavitação. 15 . Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Hrt = perdas de caudal na tubagem de entrada. o plano de referência coincide com a linha central da transmissão. O fabricante da bomba é obrigado a indicar o NPSH como um valor numérico ou uma curva. na bomba e na tubagem de pressão de uma instalação de uma bomba em seco. 12 . ataque da alheta. qualquer bomba terá valores de NPSH diferentes dependendo da definição da ocorrência. a localização do plano de referência é indicada pelo fabricante. 14 . 13 . a pressão estática mínima na bomba (Pmin) tem de ser maior do que a pressão do vapor do líquido. Nas bombas verticais. Este valor pode ser apresentado como uma função do caudal. como pode ser visto na Figura 15. Nas bombas horizontais. Trata-se do plano horizontal que atravessa o ponto central do círculo descrito pela ponta do bordo de Fig. Pressão estática do líquido O NPSH da bomba é independente da temperatura e do tipo do líquido que está a ser bombeado.Dimensões e pressões de referência na aspiração da bomba Plano de Referência O plano de referência é o plano no qual os cálculos do NPSH são efectuados. Pmin= pressão estática mínima na bomba.Curvas de NPSH 46 . Fig. Pressão Mínima NPSH requerido Plano de Referência NPSH requerido Fig. Vo2/2g= quebra de pressão causada pela velocidade de entrada. ∆h = quebra de pressão local no bordo de ataque da alheta. NPSH NPSHF (Sem cavitação) NPSH início do ruído Pressão mais baixa na bomba Pressão do vapor Pressão 0 absoluta NPSH início da perda material NPSH0 (0% de perda de altura manométrica) NPSH3 (3% de perda de altura manométrica) Variação de pressão numa instalação de bomba em seco. 12. Na realidade. conforme demonstrado na Figura 14. Fig. na bomba e na tubagem de pressão. Pb = pressão ambiente ao nível do líquido.

onde D1 é o diâmetro da abertura de maiores dimensões. Isto aplica-se especialmente às bombas de águas residuais. REFERENCE GUIDE"(1997). cuja metodologia foi seguida no presente trabalho. Por este motivo. a curva de NPSHr publicada pelo fabricante deve garantir que a bomba não será danificada se for utilizada acima dessa curva. O termo ht é positivo quando o plano de referência se encontra acima da superfície do líquido e negativo quando este se encontra abaixo da superfície. O NPSH disponível é determinado pelo projectista da instalação. potência (P) e carga efectiva positiva de sucção (H) com a velocidade do rotor (N) ou com o diâmetro do rotor (D). encontrar o caudal desejado ou os parâmetros de dimensionamento adequados. o NPSHr é definido como a situação onde a altura manométrica da bomba sofre uma diminuição de 3% devido à cavitação. ou com valores de NPSH maiores do que NPSH3 (Figura 15).11 Leis de semelhança O traçado das curvas características depende do raio do rotor (impulsor) e da velocidade de rotação deste. O NPSH requerido também poderá ser afectado pela forma da tubagem de entrada. conhecendo a curva característica de uma bomba a uma determinada velocidade de rotação do rotor. que têm um número reduzido de alhetas do impulsor. é possível determinar essa mesma curva a uma velocidade de rotação diferente. Estas leis são relações entre: caudal (Q).5 m é suficiente. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas De acordo com os padrões de teste utilizados pelos fabricantes de bombas. os impulsores monocanal registam as maiores diferenças nos valores de NPSH devido à quebra da curva do NPSH3 e os seus testes apresentam resultados demasiado favoráveis. encontram-se detalhadamente descritos na publicação do EUROPUMP "NPSH FOR ROTODYNAMIC PUMPS. isto é. Assim sendo.5 m. desde que seja utilizada uma curva cónica antes da entrada da bomba. Carga Hidrostática H2  N2   = H 1  N1    P2  N 2   = P  N1  1   2 3 Potência Carga efectiva positiva de sucção H2  N2   = H 1  N1    2 47 . Em princípio. O raio de curvatura da linha central da curva não deve ser inferior a D1 + 100 mm. Para bombas instaladas horizontalmente com tubagens de sucção rectilíneas. A margem de segurança do NPSH deve ser suficientemente grande para suportar variações numa situação onde as condições reais podem ser diferentes das calculadas teoricamente. pois é necessário. carga a desenvolver pela bomba (H). Na prática. é possível determinar curvas características de bombas a partir de uma conhecida. NPSH Disponível O NPSH disponível indica a pressão disponível para a aspiração da bomba sob as condições dominantes.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. uma curva de NPSHr baseada na regra de 3% do padrão é uma base insuficiente para a avaliação do risco de cavitação em bombas com poucas alhetas. O NPSH. A cavitação prejudicial poderá ocorrer mais cedo do que o esperado. Este valor pode ser denominado o NPSH da instalação sobrepressora. O problema é que não existe nenhum modo exacto de testar e estabelecer este valor de NPSH. que permite alterar a velocidade de rotação do seu impulsor. Por exemplo. tais como a alheta do impulsor. possuem um mecanismo do tipo variador de frequências. uma margem de segurança de 1 a 1. Este valor é definido como NPSH3. Efeito da variação da velocidade do rotor com o diâmetro constante: Caudal Q2 N 2 = Q1 N1 NPSH disponivel = Pb pv − H rt − ht − ρg ρg (27) Margem de Segurança do NPSH NPSHdisponível >NPSHrequerido + Margem de segurança . a margem de segurança deve ser definida entre 2 e 2. Através das leis de semelhança entre bombas centrífugas. As variações técnicas de fabrico do formato do bordo de ataque da alheta podem afectar o comportamento da cavitação. existem muitas bombas centrífugas com velocidade de rotação variável. 2. Para bombas instaladas verticalmente. em muitas situações. A alteração destes dois parâmetros provoca alterações nas curvas características. Este procedimento é muito frequente. A cavitação ligeira pode ser inofensiva para a bomba se as bolhas de vapor não implodirem perto das suas partes estruturais. As perdas de carga na tubagem de aspiração podem ser incorrectamente calculadas e o ponto de funcionamento real da bomba pode diferir do teórico devido a variações na curva Q/H e a cálculos incorrectos da resistência da tubagem de aspiração. A diferença entre os vários valores de NPSH é maior nas bombas equipadas com impulsores com menos alhetas. as suas margens de segurança e métodos de medição.

o rendimento e o N. (≤ N.S.12 Ponto de funcionamento de uma bomba centrífuga O ponto de funcionamento de uma bomba corresponde à intercepção da curva característica da bomba (H/Q). a potência absorvida. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Efeito da variação do diâmetro do rotor com velocidade de rotação do rotor constante: Q2 D2 = Q1 D1 Caudal Carga Hidrostática H 2  D2   = H 1  D1    P2  D2   = P  D1  1   2 3 Potência Carga efectiva positiva de sucção H 2  D2 = H 1  D1      2 2. Com esse ponto.dis.Conceitos Fundamentais de Hidráulica.S. com a curva característica da instalação. 16 .req.P. Fig.H.H.Ponto de funcionamento de uma bomba 48 .P.). temos o caudal que pode ser bombeado naquela instalação.

PORTO EDITORA MACINTYRE.13 Referências bibliográficas EUROPUMP (1997) NPSH FOR ROTODYNAMIC PUMPS. ARCHIBALD J. REFERENCE GUIDE QUINTELA. (1986) MECÂNICA DOS FLUIDOS E HIDRÁULICA GERAL . (1988) BOMBAS E INSTALAÇÕES DE BOMBEAMENTO GRUNDFOS (1996) MANUAL DE ENGENHARIA .FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN NOVAIS-BARBOSA. J.ESTAÇÕES ELEVATÓRIAS DE ÁGUAS RESIDUAIS 49 . (1981) HIDRÁULICA . Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. ANTÓNIO C.

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ª Mecânica (DEM) do ISEL 51 . de Eng. SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO COM VELOCIDADE FIXA E VELOCIDADE VARIÁVEL Autor: Eduardo Nunes Director de Projectos da Profluidos Professor Adjunto Equiparado do Dept.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3.

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Formada por um Quadro Técnico Qualificado de especialistas que possuem uma longa experiência nos diferentes domínios de intervenção.Gabinete de Projectos de Instalações Especiais. sendo especializada nas áreas das Instalações Especiais e do Saneamento Básico. foi fundada em 1986 e intervenciona nas áreas de Elaboração de Estudos e Projectos de Engenharia. por Decreto-Lei 830/74 de 31 de Dezembro. É uma empresa multidisciplinar. Consultadoria e Assistência Técnica. 53 . tendo como objectivo último. caracterizada pela qualidade.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A Profluidos A Profluidos . garante a qualidade técnica dos projectos. Lda. que criou o Instituto Industrial de Lisboa. Maria II. Este Instituto passou a ter estatuto de ensino superior com a denominação de Instituto Superior de Engenharia de Lisboa. a Profluidos. O ISEL conta actualmente com cerca de 6000 alunos. tendo em atenção parâmetros que considera de capital importância. rapidez de resposta e segurança de actuação. pelo Decreto-Lei 389/88 passa a fazer parte da rede de estabelecimentos de Ensino Superior Politécnico. por Decreto Régio de D. na procura de um produto final de qualidade. Em 25 de Outubro de 1988. eficiência. O ISEL O Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL) é a mais antiga escola de engenharia em Portugal. dispõe ainda de uma vasta equipa de consultores externos com formação técnica e pedagógica devidamente actualizada. a satisfação dos seus clientes. 500 docentes e 130 funcionários não docentes. especializada nas suas áreas de actuação. Teve a sua génese em 30 de Dezembro de 1852. Com ampla experiência nacional e internacional. integrado no Instituto Politécnico de Lisboa. sempre devidamente adaptados às necessidades e assegura a indispensável assistência técnica.

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com arranque e paragem automáticas.Válvula de controlo de pressão em série com as bombas 3. Nestes sistemas existe obrigatoriamente um ou mais reservatórios metálicos onde a água é mantida sob pressão. . Nos sistemas por bombeamento directo podem considerar-se duas soluções alternativas.2 Tipos de sistema de elevação de pressão Uma situação corrente tem sido a utilização de sistemas hidropneumáticos. em função do caudal ou pressão. sob a acção de transdutores e circuitos electrónicos. . quer sob o ponto de vista económico. A primeira solução. adequam a velocidade de rotação às exigências de caudal que é solicitado em cada instante pela rede. para garantir de modo satisfatório as exigências de caudal e pressão dos diversos aparelhos de consumo prediais. tubagens e dos aparelhos de consumo. em parte ou na totalidade dos pisos de um edifício.Pressóstatos ou sensores de pressão. Fig. Na actualidade. 4 . embora os mesmos princípios sejam extensivos a todas as demais aplicações. 3. em série ou em paralelo com as bombas.Instalação típica de centrais hidropneumáticas em edifícios de grande altura 55 . com ou sem membrana. instalação e manutenção reveste-se da maior importância. 3 . tem vindo a divulgar-se a utilização de sistemas por bombeamento directo. consiste em utilizar bombas de velocidade variável.1 Constituição e princípio de funcionamento Os principais órgãos de uma central hidropneumática são: . quer sob o ponto de vista funcional. . que automaticamente. Quando a pressão que está disponível na rede pública de distribuição de água potável é insuficiente para garantir o funcionamento dos aparelhos de consumo.Um dispositivo para compensar o ar dissolvido na água (no caso de reservatórios sem membrana). Fig.3 Centrais hidropneumáticas 3. ao mesmo tempo que é operada também de uma forma automática uma válvula de controlo de pressão. Fig. rega. abastecimento público e indústria. torna-se necessário recorrer a dispositivos de elevação de pressão apropriados. 1 . Tratam-se de sistemas sem o recurso a reservatórios hidropneumáticos. 2 .3. nomeadamente os custos de instalação e exploração e finalmente da manutenção com influência na duração dos equipamentos.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3.Bomba de velocidade variável A segunda solução consiste na utilização de duas ou mais bombas de velocidade fixa instaladas em paralelo. O seu correcto dimensionamento.Um ou mais reservatórios fechados. cada vez mais corrente no mercado. As aplicações cobertas por este tema são muito vastas e destinam-se principalmente aos sistemas prediais. os requisitos principais relativos à sua instalação e custos de exploração associados. Face à vastidão dos seus campos de aplicação optámos por exemplificar os sistemas de pressurização com velocidade fixa e velocidade variável aplicados aos sistemas prediais abastecidos pela rede pública.Válvula de controle de pressão em paralelo com as bombas HOTEL Fig. apresentar a metodologia de dimensionamento dos seus componentes.1 Introdução O presente capítulo deste manual tem por objectivo descrever e caracterizar os tipos de sistemas de elevação existentes.Um conjunto de bombeamento para os reservatórios.

Noutras. o que quer dizer que a uma grande variação de caudal corresponde uma pequena variação da altura de elevação da bomba e correspondentemente da pressão (curva típica das bombas monocelulares). se for entretanto atingido um nível superior préfixado será accionado o compressor de ar. um sensor. pelo contrário. 6). Uma bomba não pode funcionar sem inconvenientes.Zona útil da curva característica de uma bomba Grundfos As curvas características das bombas podem ter diferentes configurações: Algumas caracterizam-se por apresentar um traçado de tangente praticamente horizontal. ela deverá funcionar assim numa zona de bom rendimento. 6 . com caudais muito superiores ou muito inferiores ao caudal correspondente ao ponto de maior rendimento. À medida que o nível da água se eleva no reservatório.3. O caudal de dimensionamento das bombas deve ser 15 % a 25 % superior ao caudal máximo do consumo previsto para o edifício. Para melhor precisar estas noções. 6).Selecção das bombas 56 . 7 . Fig. Instalações de grande e médio porte exigem a aplicação de um ou mais reservatórios de membrana ou uma central de ar comprimido. a curvatura é acentuada (tangente 3. medidores de caudal e todos os sensores e equipamento necessário ao comando. um interruptor de flutuador. ela é limitada pelos caudais mínimo qm e máximo QM. 5 .1 Selecção das bombas A zona útil da curva característica de uma bomba é definida por critérios técnico económicos. Em instalações de pequeno porte poderá ser utilizado com reservatórios ou carregador de ar ou reservatórios com membrana a separar a fase líquida da fase gasosa. Esta zona é em geral definida pelo fabricante. considera-se a zona de variação de caudal correspondente à parte útil da curva característica das bombas (fig. Distinguem-se os casos: Característica pouco inclinada quando qm < 1/2 QM. Quando a água atinge o nível máximo a bomba é desligada. O seu princípio de funcionamento é o seguinte: sempre que o nível da água atinge o ponto mais baixo no interior do reservatório hidrofórico. protecção e controle das bombas e compressores.Eléctrodos ou interruptores de nível. Característica inclinada em que qm ≥ 1/2 QM. aumenta a pressão no seu interior e a almofada de ar comprime-se armazenando energia potencial (elástica). >> 0) pelo que uma pequena variação de caudal é acompanhada por uma grande variação da altura de elevação e por consequência da pressão (curva típica de bombas multicelulares).Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável .Manómetros.3. a zona útil de variação de caudal das duas bombas recobre parcialmente a zona útil de uma única bomba (fig.2. A pressão correspondente a essa descarga é a altura manométrica da instalação.Definição das curvas características das bombas No primeiro caso.2 Grupos electrobomba 3. . quando duas bombas funcionam em paralelo. pressóstato. ou ainda. No segundo caso as duas zonas não se recobrem. Fig. Fig. enchendo-se o reservatório. dá partida à bomba.

3. que permitem. evolui-se progressivamente de B3 para B4 e seguidamente. o que faz arrancar a segunda bomba do sistema e a curva funcional passa a ser a curva 2P (duas bombas em funcionamento). até A1.Paragem da segunda bomba.caudal de arranque. com passagem do ponto de operação de B5 para C5 seguida de uma evolução progressiva de C5 para C6 e assim por diante. o arranque e a paragem das bombas são efectuados automaticamente. que são accionados mecanicamente pela pressão da água. através do circuito de comando a abertura e fecho dos contactores de potência. o funcionamento também será irregular com paragens e arranques frequentes.2.1 Regulação manométrica A regulação manométrica é a mais utilizada. Assim. ocorre um salto brusco de A3 para B3. Qp . Também se pode empregar a fórmula simplificada: Qm = Qa + Q p 2 3. Nesta evolução. 9).2 Comando das bombas Nas centrais de pressurização com bombas de velocidade fixa.Evolução progressiva de C6. designada regulação debitométrica. Os órgãos que asseguram o arranque e a paragem das bombas são os pressóstatos. Nesta situação.Paragem da terceira bomba 3P e passagem para um funcionamento com duas bombas. se o caudal requerido cair e permanecer no interior destas zonas. Destacam-se alguns inconvenientes relacionados com este tipo de funcionamento: .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A experiência mostra que quanto maior é a diferença de pressão entre o arranque e a paragem das bombas mais reduzido resulta o volume do reservatório. São dispositivos providos de contactos eléctricos biestáveis. e realiza-se como se segue: Se o consumo da rede aumenta quando se encontra a funcionar apenas uma das bombas do sistema.2.2. a sua curva de funcionamento evoluirá de R1 para R6. correspondente à curva 2P. Em A3 é atingida a pressão mínima. do respectivo caudal e da pressão. bombas multicelulares.Evolução de A2. e operação com a curva 1P em que o ponto de funcionamento passa de B2 para A2. mas a pressão de descarga da bomba diminuirá. através de uma das duas opções: . para C5 e por fim C4. Para se evitarem os inconvenientes descritos. tais como as zonas entre Qa3 e Qb2 e também entre Qb5 e Qc4. Com o arranque da segunda bomba. O caudal médio de uma bomba determina-se pela expressão: Qm = em que: 2 Q2 2 ( a + Qa − Q p + Q p ) × 3 Qa + Q p Fig.Através do diferencial de caudal. designada regulação manométrica. o ponto de operação do sistema passa de C4 para B4. Se o consumo de água continua a aumentar. para B5. 8 Qa . deve instalar-se um depósito hidropneumático ligado ao colector de descarga comum das bombas (fig.3.Em cada arranque e paragem de uma das bombas.3. ocorre uma variação brusca do ponto de funcionamento e consequentemente.Através do diferencial de pressão. . a selecção dos grupos electrobomba deve ser a favor dos que se caracterizam por curvas características com inclinação acentuada. o caudal debitado pela bomba aumentará para satisfazer o consumo. correspondente à pressão máxima de funcionamento com três grupos electrobomba. é posta em marcha a terceira bomba. 57 . . o funcionamento é instável com arranques e paragens frequentes da bomba. . etc. passando por todas as fases intermédias.caudal de paragem Verifica-se o mesmo procedimento quando as necessidades de água diminuem: . ou seja. . . . sendo o caudal debitado pelas bombas desajustado às necessidades.Determinadas gamas de caudais não são abrangidas. o ponto de funcionamento desloca-se progressivamente de A1 para A2 e A3.Quando o caudal solicitado pela rede for inferior a Qa0. conforme está representado na figura 8.

O somatório dos caudais individuais corresponde ao caudal global de valor aleatório. É nesta situação de não sobreposição dos campos de caudais que o depósito se torna indispensável. A diferença de pressão entre C e D' deve-se também às perdas da carga da ligação ao depósito. O caudal Q' poderá ser garantido com n bombas (ponto A') ou n+1 bombas (B') em funcionamento contínuo.Gama de caudais garantidos por n bombas . verifica-se que há uma sobreposição das gamas de caudal entre n bombas e n+1 bombas em funcionamento porque Qb1 é inferior a Qb2. A ligeira variação entre A e B' deve-se às perdas de carga no ramal de ligação do depósito. 10. Um caudal compreendido entre Qb1 e Qb2 poderá ser fornecido com n+1 bombas em funcionamento contínuo. esta diferença vai alimentar o depósito. Um caudal compreendido entre Qa1 e Qb1 não poderá ser obtido com um funcionamento contínuo.Gama de caudal coberta por n bombas Gama de caudal coberta por n+1 bombas 58 . Como se pode observar na fig. Fig. Verifica-se então um funcionamento intermitente entre n bombas e n+1 bombas. a presença do depósito hidropneumático altera ligeiramente os pontos de funcionamento do sistema. o excesso de caudal debitado pelas bombas alimenta o depósito enquanto não se atingir a pressão do ponto de funcionamento. No exemplo ilustrado na figura 11. Um caudal compreendido entre Qa1 e Qa2 pode ser fornecido com n+1 bombas em funcionamento contínuo. actualmente. o ponto de funcionamento evolui rapidamente de A para B' e. 12 . A maior parte dos depósitos são. A característica da curva de funcionamento do sistema varia continuamente em função do caudal solicitado pelos consumidores. é comprimido e expandido em função da pressão de funcionamento das bombas. porque o caudal Qa2 é inferior a Qb1. o funcionamento do sistema altera-se bruscamente do ponto C para D' e a partir de D' progressivamente para D. enquanto que o caudal fornecido à instalação (consumo) permanece praticamente inalterado.Sobreposição com a zona de caudais debitados por n+1 bombas Fig. ao contrário da água que é praticamente incompressível. O dimensionamento de uma instalação tem como objectivo a satisfação do caudal de ponta.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável pressão do ponto de funcionamento D. aprisionado na parte superior do depósito. 10 Modo de funcionamento: Arranque da 2ª bomba: No arranque. Ou seja a passagem de A para B' implica um aumento brusco do caudal de funcionamento das bombas. impedindo a dissolução do ar na água. à medida que o depósito se esvazia para atingir a No exemplo ilustrado pela figura 12. entretanto. Fig. consumido pelo edifício e da respectiva pressão de operação. não temos qualquer sobreposição das zonas de funcionamento. de B' para B. equipados com membranas que impedem o contacto do ar com a água. Fig. depois progressivamente. Paragem da 2ª bomba: Na paragem. 11 . que estará compreendido entre 0 e Qmax. 9 O ar sob pressão. reduzindo os problemas de corrosão e evita a introdução de dispositivos de compensação de ar.

. Para se garantir uma pressão de utilização praticamente constante.1.Tempo de duração de um ciclo em função do caudal A curva 3 da fig.Aumento da gama de caudais não coberta pelas bombas em funcionamento contínuo. Absorver as flutuações bruscas de pressão e de caudal durante a abertura e o fecho dos equipamentos de consumo (trata-se contudo de uma função secundária que não justifica por si só a presença do Depósito). um reduzido diferencial de pressões Pmin/Pmáx. Esta diferença é absorvida pelo depósito.Volume de reserva de água. Assegurar a manutenção de pressão na instalação quando todas as bombas se encontram paradas. que não se podem optimizar simultaneamente os seguintes parâmetros: .Cobertura dos caudais em funcionamento contínuo Q = Caudal Médio 59 . .2. um caudal de enchimento e esvaziamento mais elevado.2 Períodos de funcionamento A duração de um ciclo completo conforme foi descrito anteriormente deverá ser tanto mais importante quanto mais elevada for a potência dos motores. o período de um ciclo é tanto mais curto quanto: . sendo o esvaziamento e enchimento mais rápidos. (fig. cujo valor diminui à medida que a potência dos grupos aumenta. 13 apresenta o tempo de duração de um ciclo em função do caudal. .Maior frequência de arranques. conduzindo a uma maior frequência de arranques e paragens. obtém-se uma reserva de água no interior do depósito menor. Por outras palavras. Fig.1. 14) apresenta três consequências. é indispensável manter-se um diferencial mínimo entre as pressões Pmáx e Pmin. Contudo. Resultando um aumento do diferencial médio entre o caudal consumido e o caudal bombeado.3. 13 .2.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. nas zonas em que o caudal não é garantido pelas bombas. Podemos considerar que o caudal médio corresponde a metade da gama de caudais abrangida. Qc = Qn + Qn +1 2 Fig.1 Função do depósito hidropneumático O depósito hidropneumático tem uma função tripla: Servir de reserva.Redução da gama de caudais coberta pelas bombas e.a reserva de água for reduzida (um volume total do depósito reduzido ou um pequeno diferencial entre as pressões Pmin e Pmáx).3.Número de arranques do motor. portanto.2.Flutuação da pressão. 3. O caudal crítico Qc. corresponde ao ciclo de duração mínima e. mais probabilidades de ocorrerem situações de funcionamento intermitente. cujos efeitos serão: .2. . Conclui-se.o caudal absorvido ou fornecido pelo depósito for elevado (gama vasta de caudais não abrangidos pelo funcionamento das bombas). 14 .Diminuição da reserva de água disponível (volume útil) no depósito devido à redução do diferencial de pressões. Deverá efectuar-se um compromisso entre os três parâmetros. . absorvendo o excesso de caudal (Qconsumo < Qbombeado) ou complementado a insuficiência do caudal bombeado (Qconsumo > Qbombeado). É importante assegurar-se que não é ultrapassada a frequência horária de arranques admissíveis. Sendo assim. . por conseguinte ao número máximo de arranques.

utilizando bombas de velocidade fixa. 18 e fig.Quatro bombas de 20 m3/h Fig. Fig. esta opção implica uma automatização da operação mais sofisticada e há que tomar em consideração a frequência de arranques da unidade de apoio. Fig. 16). 17 Através do agrupamento de bombas com diferentes capacidades. que impõe um tempo de ciclo mínimo Tmin. (sendo a cobertura de caudais mais favorável). 16 . É uma solução "parcial" na medida em que esta temporização permite que o ponto de funcionamento ultrapasse os limites da gama de pressão estabelecida (ou seja. Três bombas principais dimensionadas para um caudal de 20 m3/h à pressão de 5 bar mais uma bomba de apoio de 10m3/h a 5 bar oferecem uma maior flexibilidade do que quatro bombas de 20m3/h. 18 . fora deles. 15 . 15). não tem qualquer influência (fig. é possível obter-se uma melhor cobertura da gama da caudais (fig. maiores variações de pressão).Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Podem ser instalados temporizadores com a finalidade de retardarem a paragem ou o arranque de cada bomba (fig. O reservatório de água representado na figura 17 é o exemplo de um reservatório de grande volume. o que vai ao encontro de objectivo inicialmente pretendido. 19). sem ter de se enfrentar o problema de um número elevado de arranques. será necessário dispor-se de um grande volume útil. No entanto. A temporização. correspondente ao funcionamento com caudal nulo não seja demasiado elevada em relação à Pmáx. Uma estrutura deste tipo é frequentemente utilizada em instalações de grande dimensão ou em estações elevatórias.Três bombas principais de 20m3/h e uma bomba auxiliar de 10m3/h Fig. 19 . só se encontra activa durante os ciclos mais curtos. Fig.Influência das temporizações no deslocamento do ponto de funcionamento É importante que a altura manométrica total Hmt das bombas.Tempo de ciclo Para se obter uma variação de pressões extremamente reduzida entre o arranque e a paragem. O custo de investimento não pode ser comparado ao de uma solução convencional em que já não se fala de pressurização mas de "distribuição". 60 .

é de notar a persistência das flutuações de pressão. Podemos. utilizados em pequenas e médias instalações.5 15 40 30 18 25 20 20 60” 90” 120” 144” 180” Fig. Por este motivo.1.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. Observa-se que o arranque da primeira bomba é efectuado obrigatoriamente por pressão. No entanto. dispendioso. utiliza-se este tipo de controlo nas instalações de maior importância. evitam-se as flutuações bruscas e acentuadas de pressão devido ao escape de ar nos aspersores e ventosas.3.3. 3. Uma regulação debitométrica é. tais como de campos de golfe. Em determinadas redes de combate a incêndios ou rega. mais dispendiosa do que uma regulação manométrica.3. bem como os arranques frequentes das unidades principais. de tal forma que acompanham o consumo. podem-se adoptar valores maiores que os anteriormente indicados*. escolher valores adequados para se obter uma sequência ininterrupta do campo de funcionamento e.2.3.3. Quanto maior o número de bombas em funcionamento paralelo. 21 .Grupo de três bombas + Bomba Jockey 3.2 Dimensionamento O cálculo da capacidade útil real de um reservatório (isto é. Esta bomba Jockey. 20 . oferecem a vantagem de não necessitarem de dispositivos de compensação do ar perdido. tal como nos reservatórios tradicionais. mais atenuadas são as flutuações de pressão.2.3 Reservatórios de membrana 3.2. em geral. também correntemente denominados depósitos de membrana. quanto mais potente for o motor menor deverá ser a frequência de arranques. O dimensionamento destes órgãos tem por objectivo a determinação da sua capacidade e o número de unidades a aplicar. futebol ou hipódromos.3. assim. a manutenção da pressão é assegurada pela bomba Jockey evitando a entrada de ar nas tubagens. que são prejudiciais às canalizações. A sua função está limitada a satisfazer as necessidades dos períodos de consumo reduzidos. * Atendendo a que os factores limitativos são os componentes de controlo eléctrico e restantes componentes mecânicos.3. que são tanto mais importantes quanto menor for o número de bombas em funcionamento (curvas mais inclinadas). 3. além de que a respectiva instalação no local é bastante mais delicada. Deste modo.1 Introdução Os reservatórios de membrana. entre dois períodos de funcionamento consecutivos. de acordo com a tabela 1 para bombas e motores especialmente dimensionados. Deste modo.3 Número máximo de arranques dos grupos electrobomba A frequência máxima de arranques dos grupos electrobomba deve estar limitada de acordo com a tabela abaixo.2. pode ser mantida em funcionamento permanente. ficando reduzida ao mínimo a margem de flutuação de pressão em todo o campo de operação. devido à emulsão entre o ar em contacto directo com a água sobre pressão. 3. Como regra geral.2. a partir do momento em que a primeira bomba entra em operação. quando as bombas principais estão paradas (fig.3 Bomba auxiliar (Jockey) Trata-se de uma pequena bomba. o volume de água descarregado pelo reservatório com bombas paradas) resulta da aplicação da Lei de Boyle Mariotte para a expansão de gases: C = Vt Fig. utilizada para assegurar a manutenção da pressão da rede em sistemas de pressurização de grande dimensão. ou imobilizada. evita-se a utilização de um depósito de grande capacidade. uma operação contínua dos grupos. 21). tais como os devidos às fugas de caudal da instalação. TABELA 1 Número máximo de arranques por hora de grupos electrobomba Potência do motor ( kW ) Número máximo de arranques ( horário) Duração do ciclo (segundos) 4 60 7. por conseguinte.3. 20).Regulação debitométrica p p − pa p p + pt 61 .2 Regulação debitométrica Neste tipo de regulação o controlo dos arranques e paragens das bombas é efectuada através de caudais de referência (fig. Contudo.

Pressão manométrica de arranque da bomba (bar). também se baseia na Lei de Boyle Mariotte. Vu = Va × (p p + 1)− (pa + 1) Pp + 1 [ ]= V × (p a p − pa ) Pp + 1 62 . Vu . entre o arranque e a paragem da bomba. durante o período em que a pressão do ar no seu interior aumenta de Pa até Pp. Como a frequência máxima de arranques de uma bomba se verifica quando o consumo é igual a 50% do caudal bombeado.3.Capacidade útil necessária. 22 . A . Aplicando a Lei de Boyle Mariotte à expansão do volume de ar entre Pa e Pp vem: (Pp+1)×Vp = (Pa+1)×Va = (Pa+1)×(Vp+Vu) De onde resulta.Altura correspondente a Vr. Vt .4. Cu . em litros. tem como objectivo evitar a introdução de ar nas canalizações.2 Vt.Caudal consumido pela instalação em litros.Volume de ar correspondente à pressão de arranque Pa.Caudal bombeado. é o volume de segurança que está compreendido entre o nível de água correspondente à pressão Pa e o fundo do reservatório.Volume residual.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável C .Pressão de arranque (bar) Pb . é o limite de segurança de utilização de água do reservatório. Pp .Volume total do reservatório (M3) Vr . o volume ocupado por um gás varia na razão inversa da pressão a que se encontra submetido". Pa .Pressão barométrica (bar) Para calcular a capacidade útil necessária recorre-se à expressão: Cu = T A(Q − A) × 60 Q em que: T . com a finalidade de representarem as diversas grandezas em jogo. Funciona como reserva sempre que houver consumo com as bombas fora de serviço. Este volume deve ser da ordem de 20% do volume total. h2 .4 Reservatórios hidropneumáticos 3.Volume útil de água no reservatório.Pressão manométrica de paragem da bomba (bar). P V =P V =C 1 1 2 2 te Na fig.3. por minuto. a capacidade total necessária é de: Fig.Pressão de paragem (bar) Pa . ou seja. que se pode enunciar como: "À mesma temperatura.5 vezes o diâmetro da canalização. isto é. por minuto.Capacidade útil real (litros) Vt .1 Dimensionamento O principio de funcionamento dos reservatórios hidropneumáticos. h2 = 2.Duração de um ciclo em segundos. É o volume de água que é introduzido no reservatório. Esta altura. Vr = 0. compreendido entre os níveis de arranque (Pa) e paragem (Pp).Volume total do reservatório (litros) Pp . Q . deve ser igual a 2.Reservatório hidropneumático Grandezas a considerar: Z .Número de arranques por hora da bomba.5d. Va . 22 apresenta-se esquematicamente um reservatório hidropneumático.Volume de ar correspondente à pressão de paragem Pp. explicitando a equação para Vu: Ct = T ×Q 240 O número total de reservatórios necessários é de: N= Ct C 3. Vp .

8 Vt. obtém-se: Q/Vt =10 ∴ Vt = 9/10 = 0. dependente da potência e fabricante do motor eléctrico Qm = caudal médio de uma bomba em l (min) Pmáx = pressão de paragem Pmín = pressão de arranque ∆P = Pmáx .34 0.2 0.13 0.Número máximo admissível de arranques horários.5 3 3. Pc = Pmin-0.08 0.5 2 2.descarga correspondente ao consumo máximo da rede.4 0.3 0. com estes valores no gráfico.+1) x (Pmáx+1) S ∆P Pc+1 Vtotal = volume total do depósito em litros S = número máximo de arranques por hora. Em que: Vt = Volume total em litros Qmáx = Consumo máximo provável do edifício expresso em litros/minuto.4 0.27 0.9 m³ TABELA 2 Pressão de paragem (bar) (máx.4 0. determina-se na tabela 2 a relação entre o volume útil Vu e o total Vt em função das pressões de arranque e paragem. deduzidas por diversos autores como resultado de estudos teórico-experimentais. entrando com o número de arranque por hora e com os valores das pressões relativas de arranque e paragem obtém-se a relação entre o caudal da bomba m3/h e o volume total do reservatório Vt.5 l/s = 9m³/h Z = 8 arranques hora Pp = 4 bar (pressão relativa) Pa =2 bar (pressão relativa) Entretanto.23 O cálculo do volume total do reservatório é feito através da aplicação de fórmulas empíricas.2 0. Fig.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Considerando que o volume morto é igual a 20 % do volume total Va=0.33 0.24 0. Z .5 d) Fórmula proposta pela norma brasileira NB-92 A norma brasileira utiliza um ábaco reproduzido na fig. em litros por minuto. 23.) Pp 2 3 4 5 6 1 Pressão de arranque (bar) Pa 1. c) Pela fórmula da Grundfos Vtotal = 16. vem: Vu = 0.5 4 0.16 0.25 x Qm x (Pmín.13 0.Volume total do reservatório hidropneumático (Vt) em função do caudal (Q) e) Fórmula de Valibouse V0 = T ×k HM − Hm 4 × H M + H b Qm (litros ) 63 . Pc = Pressão de ar no depósito de membrana.1 0.32 0.8 × Vt × (p p − pa ) Pp + 1 Exemplo: Q = 2. Indicam-se seguidamente algumas das mais utilizadas: a ) Fórmula proposta por Harold Nickels Vt = 10×Qmáx. b ) Fórmula deduzida por Ângelo Gallizio A expressão é aplicável a instalações com compressor Vt = 30 × Q pp +1 × z p p − pa Q .Pmin.29 0.26 0.4 0. 23 .

26 .Instalação doméstica rural A fig.Coeficiente de segurança (K=1. 27 representa uma instalação doméstica típica em meios rurais com utilização de captação própria. 27 . é uma disposição em que se aproveita também a pressão da rede.Bomba a aspirar do tanque de armazenamento Pi . O arranjo da fig.3. T .Tempo de duração de um ciclo (minutos).Tempo mínimo entre dois arranques da mesma bomba K . Hm . Há todo o interesse em pré-comprimir o reservatório a uma pressão vizinha da pressão de arranque Pa e adoptar um diferencial de pressão Pp-Pa tão alto quanto possível. caracterizam-se algumas situações-tipo documentadas com figuras.Pressão máxima de paragem em bar.5 Exemplos de situações-tipo A concepção de um sistema de elevação de pressão deve ajustar-se em cada caso. é uma solução utilizada sempre que a pressão disponível na rede exterior é apreciável. Fig. Por se considerar do maior interesse prático e sem a preocupação de ser exaustivo. Ha . 64 . com a vantagem de não se provocar uma descida apreciável da pressão de aspiração durante o arranque das bombas. mostra-se um reservatório intercalado entre a rede exterior e os grupos de bombeamento.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável T . O exame da fórmula diz-nos que o volume Vt do reservatório é proporcional às pressões de arranque e paragem. 24 . e a garantia de uma reserva de água durante as interrupções do consumo. 25 .25 × T × Qm 4 Vt = Vu × (p a + 1)× (p p + 1) (pi + 1)× (p p − p a ) Fig.Pressão atmosférica T . Qm .2 em geral). Fig.Bomba a aspirar da rede com reservatório de compensação Na figura 25.Pressão mínima de arranque em bar. 3. Vu = 1.Bomba a aspirar directamente da rede Na fig. 26 tem como principais vantagens uma separação hidráulica entre a rede exterior e a do edifício.Caudal médio (litros/minuto) f ) Cálculo considerado uma pré-compressão arbitrária Fig.Tempo mínimo entre dois arranques consecutivos da mesma bomba. 24. HM . às exigências (quantitativas e qualitativas) dos diversos consumidores e aos condicionalismos próprios da instalação e da rede exterior. apresenta-se um esquema com bomba a aspirar directamente da rede.Pressão inicial de pré-compressão (bar).

Suponha-se que o consumo se estabiliza no valor q correspondente ao ponto M de funcionamento da bomba (q.Instalação em "by-pass" A instalação da fig.Ponto de referência R Nem sempre a zona de melhor rendimento da bomba corresponde a um bom rendimento da instalação.Custos iniciais reduzidos comparados com outros sistemas. essa variação é normalmente apreciável.4.Simplicidade de operação e manutenção. • garantia de funcionamento nos períodos de caudal reduzido. No estudo de um sistema por bombeamento directo deve começar por traçar a curva característica da rede. funcionando a instalação apenas nos períodos em que a piezométrica não é suficiente para alimentar todos os pisos em perfeitas condições. . representam-se as curvas características de uma rede e de uma bomba. Na fig. 3. a aspirarem directamente da rede exterior ou de um reservatório. Observa-se que a bomba debita o caudal q a uma pressão mais elevada dissipando em perdas uma potência que pode ser considerável e cujo valor relativo é apresentado pela razão dos segmentos MB/MA Fig. mas sim. arbitrado de tal modo que para qualquer valor de caudal. 29 . 65 .Flexibilidade para acréscimo da capacidade resultante de um aumento de consumo. 28 aplica-se em edifícios situados em locais em que a pressão da rede exterior sofre grandes variações diárias. como se sabe. 29.Ocupação de um espaço reduzido. h). se assegura uma pressão compatível com o bom funcionamento de toda a rede do edifício. 28 . Fig.1 Constituição e princípio de funcionamento Os sistemas por bombeamento directo caracterizam-se pela existência de uma ou mais bombas a operarem em paralelo. • minimização da potência perdida para economia de energia.4 Sistemas por bombeamento directo 3. Esta não é a curva real fixada pelas características das canalizações e aparelhos de consumo. 3. A curva é traçada em função de um ponto de referência R. correspondente à variação de consumo ao longo do dia. Normalmente a curva característica das redes dos edifícios têm um andamento parabólico.6 Características das centrais hidropneumáticas As instalações hidropneumáticas apresentam as seguintes características: .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Na concepção e dimensionamento destes sistemas põe-se com particular acuidade os aspectos que a seguir se referem e cujas razões justificativas decorrem do texto que se segue: • segurança em serviço. O ponto de funcionamento é descrito pela curva C2.3. . • conforto de utilização com uma pressão de utilização praticamente constante. uma curva "ideal" que se pretende satisfazer. sendo a descarga directa à rede. .

Em certas centrais uma das bombas é dimensionada para as horas de menor consumo. Esta bomba tem geralmente 50% da capacidade das bombas principais.2 Variação das curvas características O andamento da curva característica de uma bomba varia com a sua velocidade de rotação de acordo com as expressões: Q2 N2 = Q1 N 1 e H2  N2 = H1  N 1      2 N P ∴ 2 = 2 P1  N1      3 Fig.Potência perdida devido ao rendimento do motor e das bombas.4. a pressão é mantida constante. em função do caudal. 3.3. 31 .Curva de potência teórica necessária para garantir no ponto R o caudal Q à pressão H0. por exemplo. do tempo de funcionamento e das anomalias. P .3.5 bar e uma variação de caudal entre 500 e 1000 m3/h corresponde uma variação do rendimento máximo compreendido entre 70 e 80 %.3.Curva de potência Na fig.Potência teórica necessária para fornecer o caudal q.3 Sistemas com bombas de velocidade variável 3.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. Estas centrais fazem a alternância automática do funcionamento das bombas. PQ . 30 o rendimento da dissipação é dado por RS/PS Resulta assim que. RS. para uma pressão constante de 7.4.3 Selecção das bombas Com as curvas características extremas da rede e os valores do consumo máximo e mínimo (fig. mostram-se várias curvas características de uma bomba com diferentes velocidades de rotação.2 Bombas de velocidade fixa 3.4. através da activação e paragem das bombas em consonância com as necessidades do consumo.4. são detectadas por um sensor que actua no variador de velocidade de forma a manter a pressão de bombeamento constante.Curvas características de uma bomba a diferentes velocidades 3. Por outro lado. é necessário dotar a instalação quer de válvulas reguladas para evitar que a pressão ultrapasse valores indesejáveis na rede. 66 .4.Ponto de funcionamento da bomba instalada. As variações da pressão de descarga das bombas provocadas quer por alteração da pressão de aspiração.32) determinam-se as alturas manométricas máxima e mínima das bombas: • A altura máxima H1 relativa ao consumo máximo da rede com a pressão mínima da aspiração.Potência dissipada inutilmente.1 Modo de funcionamento Nos sistemas com bombas de velocidade variável. quer por variação do consumo. o rendimento praticamente não varia com a velocidade.1 Modo de funcionamento Nos sistemas de velocidade fixa a pressão de descarga nas redes é mantida aproximadamente constante. independentemente do consumo da rede. sempre que uma estação eleva directamente para a rede é importante minimizar a potência perdida o que pode ser conseguido adequando quer o número de bombas quer a sua velocidade. com a finalidade de se poupar energia nestes períodos. • A altura mínima H2 relativa ao consumo mínimo da rede com a pressão máxima da aspiração. para os menores consumos correspondentes às horas mortas.4. Po . Na figura 31. como se pode observar. quer com um pequeno reservatório hidropneumático.2. rpm rpm rpm rpm rpm rpm 3. rpm Fig. 30 . QR .

Com todas as bombas em funcionamento na rotação máxima. A pressão de serviço pode ser materializada no controlador por uma recta horizontal ao longo da qual se desloca o ponto de funcionamento da instalação (fig. 35). já não se verificam as limitações relacionadas com os diferenciais entre a pressão mínima e máxima como na regulação por pressóstato A regulação manométrica é efectuada em permanência quaisquer que sejam as aberturas e fechos de válvulas. Existe um controlador que compara o sinal medido.3. a bomba deverá recalcar o caudal Qmin à pressão H2 (ponto F). a manutenção da pressão da descarga traduz-se por rectas horizontais por C e por E e uma infinidade de. usa-se um transdutor de pressão para efectuar a medição analógica da pressão em substituição dos pressóstatos (fig. 34 O transdutor de pressão emite um sinal de 0-20mA.Determinação das alturas manométricas máximas e mínimas Na fig. por sua vez. 33 . Fig. onde as pressões H1 e H2 são diferenciais.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A pressão a ser mantida na conduta de compressão é assim: Pdescarga= H1+H aspiração mínima = H2 +H asp. Os pontos C e F (fig. máxima pois a Pdiferencial = Pdescarga Haspiração Para o efeito. a instalação funciona de modo a manter a pressão constante.Com apenas uma bomba em operação à pressão mínima. as bombas deverão debitar o caudal Qmáx à pressão H1 (ponto C).4. 32. Como as bombas operam a maior parte do tempo com valores médios de caudal e pressão de aspiração. diversas situações são praticáveis tais como: . . 33).Zona de funcionamento das bombas 67 . rodando sempre sincronizadamente. . Fig.Se Pmedida = Pserviço a velocidade mantém-se constante. o ponto de funcionamento com o caudal máximo de cada bomba (Qmáx) e altura manométrica máxima (H1) deverá situar-se à direita da zona de maior rendimento (fig. . para situações intermédias.4 Regulação manométrica Neste caso. o que pode traduzir-se no seguinte: . 3. . 32 .As bombas com velocidade variável têm um limite mínimo de velocidade abaixo da qual não produzem caudal à pressão pretendida. Nestes casos. outras compreendidas entre essas.Se Pmedido > Pajustado é emitida ordem de desaceleração. Independentemente do caudal requerido. Controlador Controlador Fig.Conjugar várias bombas de velocidade fixa com uma ou duas de velocidade variável que servirão para ajustar o ponto de funcionamento da instalação às exigências de caudal e pressão da rede. que foi pré-programado. com o valor ajustado.Instalar todas as bombas com velocidade variável. 34). . 32) são os pontos críticos de operação das bombas. este irá controlar o variador de frequência da seguinte maneira: . 4-20mA ou 0-10V.Se Pmedido < Pajustado é emitida ordem de aceleração. proporcional à pressão medida.

35 .Regulação manométrica. 36 Fig. a que corresponde um ligeiro aumento de caudal. O que se descreveu pode representar-se no esquema ao lado. 37 Se a velocidade da bomba em variação atingir o valor mínimo ou máximo. se a bomba de velocidade variável for alimentada a 50 Hz no máximo. arranca ou pára uma das bombas de velocidade fixa. 36). acelera-se a bomba de velocidade variável até se verificar um ligeiro excesso de velocidade da ordem de 52 a 55 Hz. Se o consumo aumentar (fig. obter-se-á. o consumo diminui e a característica da instalação vai de R para R'. Na prática. O ponto de funcionamento altera-se de M para M1. logo: PM1 > Pajustada significa desaceleração até que Pmedida = Pajustada A velocidade de rotação da bomba diminui e a curva de funcionamento das bombas passa a ser P' e o ponto M1 desloca-se para M2. independentemente do número de bombas em funcionamento: Qmáx n Bombas = Qmin n+1 bombas 68 . princípio de deslocamento do ponto de funcionamento No instante t.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Bomba 1 Variação de velocidade Aumento do consumo Aceleração da bomba 1 Bomba 1 à velocidade máxima Pmedida < Pajustada Fig. Arranque da bomba 2 de velocidade fixa A velocidade da bomba 1 diminui e ajusta-se até Pmedida = Pajustada Bomba 1 VV + Bomba 2 VF Pmedida = Pajustada Considerando que a reacção do sistema é rápida. as torneiras fecham-se. o ponto de funcionamento desloca-se numa linha horizontal (pressão ajustada para serviço (fig. 37). Fig. a curva da rede R altera-se para R' e o ponto de funcionamento evolui de M passa para M1. Com efeito.

acontece o arranque ou a paragem de uma bomba de velocidade fixa.Sendo assegurada a cobertura de todos os caudais. 39 . na variação de velocidade controlamos ambos.Esta regulação garante uma pressão perfeitamente constante. para se garantir a pressão do sistema.Campo de variação de caudal só com 3 bombas. Se alimentarmos a Bomba de Velocidade Variável.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Poderá ser obtido um caudal compreendido entre Q1 e Q'1 quer com uma ou duas bombas em funcionamento. dentro do tempo de funcionamento admissível. controlaríamos apenas um parâmetro a pressão ou o caudal. Enquanto que. • Economia energética. . introduzindo um sistema de paragem debitométrica da bomba de velocidade variável. com uma frequência de 53 ou 54 Hz. . embora este acessório seja dispensável. com uma instalação de velocidade fixa. Evita-se o funcionamento contínuo com uma bomba à velocidade mínima. 10 % de velocidade em excesso. assegurar a manutenção da pressão na instalação quando todas as bombas se encontram paradas e absorver as variações de pressão gerada em regime transitório. as centrais hidropneumáticas de velocidade variável encontram-se frequentemente equipadas com um depósito de volume reduzido. • Pressão constante. com acréscimo de rotação Qmáx n > Qmin n+1 69 . • Número de arranques dos motores das bombas. em cada transposição destes valores. o depósito hidropneumático poderá ser de dimensões reduzidas. correspondente à manobra dos órgãos da rede e assegurar os consumos reduzidos. associada ao número de bombas. deve calcular-se a potência absorvida ao seu veio. representa cerca de 33% de potência suplementar. por exemplo. sem arranques ou paragens. assim como um funcionamento contínuo. não sendo necessário manter-se o seu funcionamento prolongado em condições pouco próprias. verifica-se: Qmáx n Bombas > Qmin n+1 bombas Q’ = Caudal máximo de 1 bomba com Velocidade Variável (55Hz) Q1 = Caudal mínimo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável + 1 com Velocidade Fixa) Q'2 = Caudal máximo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável 1 com Velocidade Fixa 55Hz) Q2 = Caudal mínimo com 3 bombas (1 com Velocidade Variável + 2 com Velocidade Fixa) Q3 = Caudal máximo de 3 bombas (1 com Velocidade Variável + 2 com Velocidade Fixa 55Hz) Fig. enquanto não se verificarem alterações de caudal. Observa-se que se a instalação compreender bombas de grandes dimensões e for necessário garantir-se um caudal mínimo sem vibrações dos grupos. Na realidade. através da variação da velocidade de uma das bombas. para evitar uma sobrecarga no motor. o valor admissível para Q1 = Caudal máximo de 1 bomba com Velocidade Variável Q'1 = Caudal mínimo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável + 1 com Velocidade Fixa) Q2 = Caudal máximo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável + 1 com Velocidade Fixa) Q'2 = Caudal mínimo com 3 bombas (1 com Velocidade Variável + 2 com Velocidade Fixa) Fig. quando o consumo tende para zero. 38 . Se optarmos por esta solução em que se admite um acréscimo da velocidade da bomba.Campo de variação de caudal com 3 bombas Qmáx n = Q min n+1 Se o caudal consumido variar ligeiramente em torno de Q1 ou de Q2. compreendido entre 0 e Qmáx. o que oferece uma solução adequada para os seguintes problemas: • Cobertura constante de todos os caudais. • Volume do depósito hidropneumático reduzido. e daí o risco do número máximo de arranques ser excedido.Pode satisfazer-se um consumo aleatório. As principais vantagens relacionadas com a utilização da variação de velocidade em sistemas de pressurização são: . a sua inserção tem como vantagens. independentemente do caudal.

ii) Compensação das perdas de cargas Fig. a regulação manométrica. a pressão em A não é igual em B.43). mas sim no local de consumo (fig. onde são instalados captores de pressão nos pontos mais nevrálgicos da rede. 42 Esta solução é interessante mas comporta determinados limites técnicos e económicos. (curva parabólica) permite obter uma pressão no utilizador perfeitamente constante. devido às perdas de carga no troço compreendido entre A e B. apesar de existir um sistema de variação de velocidade. Fig. a pressão é mantida constante no local A independentemente do caudal. também apelidado de manodebitométrico. Deve-se considerar o desnível geométrico. assegurar aos utilizadores uma pressão constante no ponto de consumo. Para o efeito considera-se como caudal crítico: Q c = Q mínimo reduzido 2 Fig. devido ao: ­ Custo do cabo. em certas redes urbanas de distribuição de água. ­ Passagem do cabo. será efectuada.5 Regulação manométrica compensada Este tipo de regulação. PROBLEMA Com uma regulação manométrica clássica. Este tipo de regulação não permite. consequentemente dispendioso.∆hAB (figura 40). O respeito da igualdade "Pmedida = Pajustada" assegura uma pressão constante no ponto de consumo. 41 Soluções a considerar: i) Deslocamento do transdutor de pressão 3. serve para o dimensionamento do volume útil do depósito.Perdas de carga antes da distribuição A pressão em B. As perdas de carga são integradas no algoritmo de controlo a fim de se obter uma pressão constante no utilizador mais desfavorável. tem como objectivo compensar o efeito das perdas de carga na rede de distribuição. 40 .4.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável uma bomba à velocidade mínima Nmin determina-se facilmente. A pressão em B. é igual à pressão em A menos as perdas de carga (PA-∆h) (fig. 70 . A dificuldade da solução. cujo valor varia com o quadrado do caudal. com base no caudal mínimo admissível à velocidade nominal N pela expressão: Q mínimo reduzido = Q min x N mínimo Nnominal Este caudal mínimo reduzido. Tem de se considerar o desnível geométrico entre A e B.20mA Pode encontrar-se esta solução. Apenas uma pressão de controlo ajustada à curva de perda de carga. A pressão já não é medida à saída do grupo sobrepressor. mas para tal. é igual a PA . reside no transporte do sinal. ­ Transmissão de um sinal de 4 . 42).3. É o princípio da regulação manométrica compensada. mas este tem um valor constante e é independente do caudal. denominada "pressão disponível". através de um sistema de controlo complexo e.

sendo contudo ideal uma compensação parabólica. que forneça uma pressão de serviço perfeitamente coincidente com a curva de perdas de carga (fig. entre A e B (fig. que é dispendioso. no caso em que ocorrem perdas de carga na aspiração. num edifício onde existem perdas de carga importantes na coluna de distribuição. No entanto. conclui-se que um dispositivo de regulação. uma dada pressão de serviço poderá ser considerada excessiva. Fig. para tal. as perdas de carga nas condutas de alimentação. este operará em associação com o reservatório hidropneumático. não oferece qualquer solução para os problemas colocados pelas perdas de carga na tubagem de distribuição. deverão ser desprezáveis. • Se compensarmos as perdas de carga na coluna AB. O controlador apropriado é.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A . é dispendiosa.A pressão de serviço P = f (Q) A pressão de serviço já não é um valor constante. 46). Para se obterem jactos com a mesma altura.A medição da pressão é insuficiente Com efeito. 43). Em que nas horas em que o consumo é elevado. Por exemplo. mas sim variável em função do caudal. de acordo com o caudal de consumo. mas o mesmo não se verificará nos pisos inferiores. ponto por ponto. 44 B. a pressão de serviço ou é programada. 43 Pode recorrer-se a uma compensação dita linear. estes pisos sofrem um acréscimo de pressão de modo a compensar as perdas de carga entre A e B. 46 Fig. Somos igualmente confrontados com este problema nos repuxos de água das fontes públicas. Por conseguinte. assegura uma pressão constante nos utilizadores. mas. ou segundo uma equação matemática correspondente. em que ocorrem perdas de carga elevadas. é necessário garantir a mesma pressão em cada tubeira e. Fig. nos pisos superiores (em B) os utilizadores irão sofrer flutuações de pressão devido às variações das perdas de carga. É importante ter presente as limitações de cada sistema a fim de se evitarem erros e desilusões. A medição do caudal será efectuada por um caudalímetro electromagnético. independentemente do caudal. Em função do equipamento disponível. correcta ou insuficiente. 44). É portanto. 45 71 . em contrapartida. necessário haver medição do caudal (fig. pode eventualmente assegurar-se uma pressão constante em B. sofisticado (fig. não permite manter uma pressão constante em todos os pontos de uma rede. o que constitui uma abordagem interessante. Esta solução que engloba um controlador sofisticado e um caudalímetro. 45). por mais sofisticado que seja. poderão surgir os seguintes problemas: • Se a pressão for mantida constante em A. Medição do caudal Determinação da pressão de ajuste em função do caudal Valor do ajuste de pressão Medição da pressão Desvio da medição com o valor ajustado Comando Fig.

industrial e de distribuição pública. é possível determinar.350 0.250 0. 3. bastante aproximados à realidade. Este processo utiliza-se no desenvolvimento de um projecto para uma nova instalação.100 0.500 0. 48). visto que. São vários os métodos disponíveis para a sua quantificação.1. porque os consumos de água flutuam em função da hora do dia e do tipo de ocupação do edifício em questão. o caudal e a altura manométrica. no caso de uma instalação já existente.100 0. . Os caudais indicados no diagrama são valores máximos (fig. Fig. rega.1 Cálculo do caudal a partir de diagramas Este método é utilizado sempre que os dados relativos ao projecto são bastante limitados.Calculam-se as perdas de carga correspondentes a um dado caudal. para se calcularem as perdas de cargas procede-se de uma das seguintes formas: . desenvolvem métodos de dimensionamento que em geral são sensivelmente iguais entre si. 3. Sabe-se que as perdas de carga quer sejam lineares ou singulares. a selecção de uma central hidropneumática assenta em duas grandezas fundamentais. o caudal máximo da instalação. O seu grau de precisão poderá ser considerado satisfatório.1. de uma forma rigorosa. interior.1 Determinação do caudal máximo Não é muito fácil determinar o caudal exacto de uma instalação.100 0.005 0. com a ajuda de ábacos ou de tabelas. são proporcionais ao quadrado do caudal: ∆h = K x Q2 Assim. a experiência tem demonstrado que eles fornecem resultados satisfatórios. 47 3. 48 3.050 0. Ao caudal total assim obtido aplica-se um coeficiente de simultaneidade.5.350 0. Par tal.Determinação do ponto de ajuste A determinação da relação perda de carga/caudal não é um processo complicado de se obter. nas informações técnicas que publicam.100 1. Tabela de Caudais normais das utilizações segundo NFP41-204 Designação Lava-louça Lavatório Lavatório colectivo (por jacto) Bidé Banheira com serviço de água quente Banheira com cilindro de água quente Caudal normal l/s 0. Os fabricantes de centrais hidropneumáticas.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável C . no local Urinol com torneira individual Boca de rega de 20 mm 72 .Mede-se o caudal e a pressão no próprio local.5.5 Dimensionamento e selecção À semelhança da selecção de uma bomba.250 0. Banheira com esquentador Chuveiro (água fria ou misturada) Sanita com autoclismo Sanita com válvula de descarga Urinol com autoclismo automático.700 Fig.2 Cálculo do caudal em função do número de pontos de consumo Se o número de pontos de consumo for conhecido.5. os n pontos de consumo de água de um edifício nunca serão utilizados ao mesmo tempo. deve considerar-se o caudal consumido em cada ponto de utilização.200 0. e aplicam-se a qualquer tipo de redes.

30 0. . . . . .10 0. . . .15 0. não funcionam em simultaneidade com os outros aparelhos (ver tabela). . . . . .15 0. . . . . . . 140 x 0. . . 140 x 0. . . . . . .50 0.15 0. . . repartidos por 3 horas de consumo (ou seja 100l/h de caudal instantâneo por quarto). . . . . . . . Exemplo Edifício de grandes dimensões com 70 habitações. quartéis. Apresenta-se abaixo o quadro para estabelecimento dos caudais instantâneos segundo o decreto lei nº 23/95 Caudais Instantâneos Dispositivos de utilização Lavatório individual Lavatório colectivo (por bica) Bidé Banheira Chuveiro individual Pia de despejo com torneira de ∅ 15 mm Autoclismo de bacia de retrete Urinol com torneira individual Pia lava-louça Bebedouro Máquina de lavar louça Máquina de lavar roupa Tanque de lavar roupa Bacia de retrete com fluxómetro Urinol com fluxómetro Boca de rega ou lavagem de ∅ 15 mm Boca de rega ou lavagem de ∅ 20 mm Caudais mínimos (l/s) 0. 140 x 0. . . . . . . .5 bar Para válvulas de descarga de urinol . . em que K. . . . . k = 1 Caudal de dimensionamento do edifício é: 630 − 1 = 0. . . . que a fórmula apresentada para a determinação do coeficiente de simultaneidade só é válida para habitações. . 1. é dado por: Qreal instantâneo = Qcalculado x K. . . .46 l/s = 16 m3/h No caso de habitações equipadas com válvulas de descarga. . . . . . Nos centros de férias.10 0. . . . . . . . . centros férias. 140 x 0. . escolas. . . para um hotel. . o respectivo coeficiente de simultaneidade é diferente.10l/s = 7 l/s 630 torneiras 112 l/s Coeficiente de simultaneidade . .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Torneiras a descarregar nas habitações Número de torneiras instaladas 1a3 3 a 10 11 a 20 21 a 50 mais de 50 Em funcionamento simultâneo 1 2 3 4 5 1º método Leitura directa do ábaco 70 habitações ⇒ 18m3/h 2º método Considerando o número de pontos de consumo de água 70 banheiras x 2 torneiras . .25 0. .10 0. Por exemplo.20 l/s = 28l/s 70 torneiras . . . . . Total . . . . . . . . é o coeficiente de simultaneidade obtido: 70 bidés x 2 . . 70 x 0. . impõe-se um estudo para cada instalação específica. compreendendo cada uma: I 1 banheira 1 lavatório 1 bidé 1 lava-louças 1 sanita com autoclismo torneiras I I I I I Em conformidade com as Máquinas industriais e outros aparelhos instruções do fabricante 73 . . . . . .35 l/s = 49 l/s 70 lavatórios x 2 . . estas deverão ser calculadas à parte. .20 0. .15 0. . . ginásios ou parques de campismo. hotéis. . .20 0. . . . . . . .20 0. É de notar. . ginásios. deveremos tomar em consideração a utilização simultânea de todos os chuveiros. . . . . . . . . . . . . . mas normalmente. .10 0. . . .15 0. . . . . .0 bar Sabe-se que o caudal instantâneo. podemos adoptar como base de cálculo 300 litros por dia e por quarto. . . . . . . . . . . . . Não existe uma regra universal e cada projectista basear-se-á na sua própria experiência. 1. . . . .45 sendo n o número de torneiras. . .03987 = 4. .10 l/s = 14 l/s Pressão disponível necessária à entrada das torneiras de descarga . . As torneiras de descarga funcionam apenas durante segundos. . . . . .5 0. .10 l/s = 14l/s 70 lava-louças x 2 .03987 K= 1 n −1 QD= 112 x 0. No caso de hospitais. . . . . . . .

3.Perda da carga entre a rede de abastecimento municipal e a boca de entrada das bombas 74 .2.5. Para a sua determinação rigorosa. será necessário prever uma pressão de descarga de: Pdesc = 30 + 15 + 3 = 48 mca = 4.Ligação à rede de abastecimento municipal Pasp = Prede .Número de fluxómetros em utilização simultânea Número de fluxómetros Instalados 4 a 12 13 a 24 + de 24 Em utilização simultânea 2 3 4 3. Deve ser da ordem de 1. teríamos: Hg = 30 m (10x3 m) Pd = 15 mca ∆h = 3 mca ( 10 % de Hg) Logo.2 Determinação da pressão A altura manométrica total determina-se por: (Hmt=PDesc .5.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. 51 .1. 49 .Caudais de cálculo em função dos caudais acumulados Quadro . ∆hasp . ou ábacos de perdas de carga. a altura média de cada andar nos edifícios recentes.2.Hasp Fig.5.2. a) Ligação à rede de abastecimento municipal (figura 51) 3.Pasp) 3. À perda de carga contínua. No caso de prédios muito altos ou de edifícios antigos.5.8 bar 3. Fig. etc.1. deve ser determinada a sua dimensão exacta. ou seja.3 Pressão disponível É a pressão mínima que deverá estar disponível no dispositivo mais elevado ou no ponto mais desfavorável. pode considerar-se cerca de 10 % da altura geométrica. 50 .2 Perda de carga Como valor expedito.1.4 Pressão de aspiração Depende do tipo de ligação existente.1 Pressão de descarga Serve para: ­ Vencer a altura geométrica de descarga Hg ­ Compensar as perdas de carga na rede ∆h ­ Assegurar a pressão de funcionamento dos aparelhos de consumo (pressão de utilização ou pressão disponível) Pd Pdesc = Hg + ∆h + Pd Hg Fig. Um valor utilizado na prática é de 3 m por piso a vencer. Exemplo prático Tomando como exemplo.5 bar em locais de habitação.2. válvulas.5.∆hasp .2. deverão ser adicionadas as perdas nas singularidades tais como curvas.É mantida uma pressão mínima de funcionamento dos aparelhos de 15 mca na torneira mais desfavorável sob o ponto de vista de elevação.1. deverá ser realizado o cálculo das perdas de carga nos diferentes troços da coluna com base em equações apropriadas.1 Altura geométrica Desnível geométrico entre o nível da bomba e do ponto de consumo mais elevado. um edifício de 10 andares.5.

Pressão mínima na rede de abastecimento de água Hasp . porque é difícil de estabelecer um ∆P de 1 bar entre a pressão mínima (Pmin) e a pressão máxima (Pmáx) numa curva QH muito plana.2 mca.Desnível geométrico da bomba em relação à rede (sinal +. Pasp = -1. Hmt = Pdesc.5 m ∆hasp = 0. excepto se a instalação estiver equipada com um colector de aspiração especialmente estudado para o efeito. se a bomba estiver instalada abaixo da rede de abastecimento.5. Conclui-se que a central hidropneumática deverá vencer uma altura manométrica Hmt de 30 mca 3.1.5 mca. Aspiração em carga (positiva) ∆Hasp = + 2 mca. No caso de bombas com curvas planas não deverá ser ultrapassado 0.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Prede. conforme descrito anteriormente. Por exemplo: Prede = 2 bar.Central em carga (Aspiração Positiva) No caso da central funcionar com aspiração negativa. No caso das bombas de velocidade variável este problema não se coloca devido ao seu tipo de controlo.no caso contrário) Constata-se frequentemente que a pressão de aspiração é da mesma ordem de grandeza da pressão na rede.5 mca.Pasp= 48 . Pasp = 20 .5 = . sinal . calculado previamente) Caso 1. Aspiração negativa ∆Hasp = -1.18 = 30 mca. ∆hasp = 1 mca.1 . 75 .5 mca Caso 2.2 )= 50 mca. 52 . Pasp = 2-0.5 =1.5 . temos: Hmt = 48 .( .5 mca. cada bomba deverá possuir a sua própria tubagem de aspiração.1 = 18 mca subtraindo à pressão de descarga calculada. Exemplo (com Pdesc = 48 mca. Hmt = Pdesc . Logo.3 a 1 bar.5 = 46.3 bar.3 Regulação das pressões de arranque e paragem A diferença entre a pressão máxima (pressão de paragem da bomba) e a pressão mínima (pressão de arranque) é em geral regulada com um valor compreendido entre 0. b) Ligação através de tanque Fig.0. Hasp = 1 m (bomba instalada 1 m acima do nível da rede). ∆hasp = 0.Pasp = 48 .

J. Archibald Joseph. Instalações Hidráulicas Office International de l'Eau. 17 .La Surpression . Prossen.Principe. The Hydraulic Design of pumps sumps and Intakes MACINTYRE.Association Génerale des Hygiénistes et Techniques. Archibald Joseph. Les Cahiers Techniques Nr.6 Referências bibliográficas AGHTM .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. 1995 76 . Bombas e Instalações de Bombeamento MACINTYRE. Les Stations de Pompage d'Eau M. Dimensionnement. Applications.

Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. CRITÉRIOS DE SELECÇÃO E ANÁLISE DE SISTEMAS SIMPLES EM REGIME TRANSITÓRIO Autor: Eduardo Nunes Director de Projectos da Profluidos Professor Adjunto Equiparado do Dept.ª Mecânica (DEM) do ISEL 77 . de Eng.

78 .

Com base nas condições de funcionamento do sistema e das falhas esperadas. O programa de cálculo do regime transitório em condutas complexas para bombas CR. têm sempre um grau de hipóteses simplificativas. O cálculo é realizado por tentativas. variações de velocidade de escoamento. volumes aspirados e descarregados de reservatórios. durante manobras de válvulas. – Outras particularidades do sistema em análise. Isto permite-nos seleccionar os métodos de protecção mais adequados e assumir dimensões para início de cálculo. – Limites de funcionamento admissíveis. tempos de paragem de grupos electrobomba. pode ser analisado por cálculo automático utilizando o método das características. a velocidade de escoamento. paragem e arranque de grupos electrobomba. uma vez que os cálculos se baseiam em modelos matemáticos. de forma a determinar-se facilmente a pressão de operação em cada ponto da conduta.Fluxograma de cálculo Observa-se que o sistema deverá ser testado depois de implementado. O perfil da conduta elevatória permite-nos visualizar o seu desenvolvimento. 1 . níveis de água. calcula para pequenos intervalos de tempo e num grande número de pontos ao longo do sistema.1 Introdução O comportamento das condutas elevatórias. etc. As linhas piezométricas de funcionamento em condições estacionárias poderão ser representadas. que como não podem deixar de ser. – Diâmetro das condutas e respectivo material. – Caudal e pressão de funcionamento. – Integração noutros sistemas. A aplicação do método. fecho de válvulas. Fig. superiores à pressão admissível para o material das condutas. obriga a que se disponha da seguinte informação: – Perfil do sistema de condutas. com determinação das pressões extremas ao longo da conduta até se encontrarem valores aceitáveis e seguros. comportamento das condutas durante a paragem e arranque dos grupos electrobomba com arrancadores suaves. 79 . Calculam-se as depressões e sobrepressões que ocorrerão em regime transitório. grupos electrobomba e dispositivos de protecção em regime transitório. etc. o valor da pressão.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. e traçam-se as respectivas envolventes no perfil da conduta de forma a determinarem-se os pontos em que ocorrem pressões inferiores à pressão de vapor. identificar os pontos críticos e os locais apropriados para instalação dos equipamentos de protecção. com consequente separação das colunas de líquido ou pressões excessivas.

Hx + Vt + λ 2. As equações têm como base as seguintes considerações: • O escoamento é unidimensional e desta forma a velocidade e a pressão são constantes em cada secção transversal da conduta. nós de condutas.Linha piezométrica (2) . reservatórios. válvulas.2 Modelo de cálculo O modelo de cálculo desenvolvido pelo método das características. tais como bombas.D Equação da continuidade L2: Ht + a2 g x vx = 0 (2) vv = 0 (1) Com: H . A equação da continuidade diz que a diferença entre o volume de líquido que sai e entra no volume de controlo é igual à variação do volume de controlo e do fluido devida à alteração da sua densidade. t.aceleração da gravidade a .Forças actuantes num volume elementar de fluido.altura manométrica v .Nível de referência Hx = ∂H ∂x Fig. assim como a inserção das condições de fronteira.coeficiente de atrito da conduta D . designadas como curvas de equações características ou simplesmente curvas características. • O elemento convectivo da equação da quantidade de movimento é desprezado. Passamos a apresentar as equações diferenciais e a sua transformação em equações de diferença finita apropriadas para cálculo numérico. Os componentes do sistema representam as condições de fronteira necessárias para a resolução das equações diferenciais. mudanças de características de condutas.velocidade de escoamento λ . trata-se de um modelo matemático. As duas equações são: Equação do movimento L1: g. 2 . por exemplo: (1) .Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. sendo x (ao longo do eixo da conduta) e t (no tempo).diâmetro interior do tubo g . aplicada a um pequeno volume de controlo tal como o representado na figura 2. A equação do movimento deduz-se da segunda lei de Newton. ∑ Forças = massa x aceleração O método das características consiste na transformação destas duas equações diferenciais parciais em duas equações diferenciais comuns equivalentes que podem ser integradas numericamente ao longo de determinadas curvas no plano x. 80 . suficientemente simplificado para ser adaptado em cálculo computacional e é constituído por duas partes fundamentais: – A descrição da propagação de ondas de pressão no interior de uma conduta – A modelação dos diferentes componentes de um sistema. etc. • O comportamento do material das paredes da conduta e do fluido é linear e elástico. o cálculo das perdas de carga é feito com base na equação de Colbrook-White aplicada em regime estacionário. A propagação das ondas de pressão é descrita por duas equações de derivada parcial: A equação do movimento e a equação da continuidade. • Mesmo durante o regime transitório.velocidade de propagação das ondas de pressão (celeridade) Os índices caracterizam as variáveis independentes das derivadas parciais.

AP) e a equação (14) também representa uma linha diagonal da mesma grelha mas com um gradiente negativo (i. dt / g = dx / g e se a velocidade v é substituída pelo quociente entre o caudal Q e a secção recta da conduta A obtém-se uma equação com uma forma adequada para integração ao longo da característica C+. dt dt dH dx = Hx. diferentes e aleatórios. Resolvendo a equação (15) resulta: a λ x ∆x Hp . Estas curvas características.t) e H = H(x. No intervalo de tempo ∆t = ∆x/a. sendo cada uma somente válida ao longo da curva característica. BP).L2 = 0.dx + vt.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Para este propósito as equações (1) e (2) são combinadas numa equação linear L1 + µ. transformam-se em linhas rectas de gradiente +a e -a.t) são funções de duas variáveis independentes x e t cujas derivadas totais podem ser apresentadas da seguinte forma: dv = vx.dt dH = Hx.dx + Ht. + Ht dt dt (4) (5) Com a escolha adequada do factor µ as duas equações diferenciais de derivada parcial (1) e (2) são transformadas em duas equações diferenciais ordinárias totalmente equivalentes (11) e (13). Para uma escolha adequada dos valores de µ. no caso particular da celeridade ser considerada constante. as equações (11) e (13). Se os valores de v e H forem conhecidos nos nodos A e B da grelha.QA) + x QA x |QA| = 0 (16) gxA 2 x g x D x A2 c- 81 . Se a equação (11) for multiplicada por a. t. H (12) –g x dH + dv + λ x v x|v| = 0 (13) a dt dt 2xD dx = –a (14) dt } } H ∫ dH + A P a x gxA Q P Q A ∫ dQ + λ 2xgxDxA 2 X X ∫ Qx|Q| x dx = 0 A P (15) c+ Em geral. no plano x.e.e. a equação (12) representa uma linha diagonal de uma grelha com um gradiente positivo (i. t. 3 .HA + x (QP . a propagação de perturbações (ondas de pressão) ao longo do plano x. As curvas representam fisicamente. a equação (3) resulta em outras duas equações que são equivalentes às equações originais (1) e (2).Curvas características representadas no plano x. é suficiente uma aproximação do primeiro grau para a determinação do último termo (exceptuam-se os casos em que o termo do atrito é dominante tal como no caso de escoamento de óleos muito viscosos).a2 = e = (8) dt µ dt g A equação (3) pode ser escrita como uma equação diferencial ordinária: dH dv λ x v x|v| µ + + =0 (9) dt dt 2xD A equação (8) dá-nos os dois valores necessários para µ: g (10) µ=+ a Para cada valor µ da equação (10) obtém-se a partir das equações (9) e (8) uma equação diferencial ordinária (chamada equação da compatibilidade) e a respectiva equação da curva característica ao longo da qual ela poderá ser integrada: g dH dv λ x v x|v| x + + = 0 (11) a dt dt 2xD dx =+a dt Fig. (6) (7) Os termos entre parêntesis da equação (3) comparam-se com os termos à direita das equações (6) e (7) pelo que teremos: dx g dx µ. Para a resolução numérica das equações (11) e (14) divide-se a conduta em N partes iguais de comprimento ∆x (figura 3). podem ser integradas entre os pontos A e P e B e P respectivamente e desta forma obtêm-se duas equações para a determinação das duas incógnitas v e H no ponto P. t.dt Dividindo ambas as equações por dt resulta: dx dv + vt = vx. v = v(x. é possível simplificar a equação 3. em que inicialmente o valor do factor µ é escolhido arbitrariamente assim resulta: g a2 λ x v x|v| µ(Hx x + Ht) + (vx x µ + vt) + =0 (3) µ g 2xD Para dois valores reais de µ. determinadas pelas equações (12) e (14).

permite a sua fácil modificação ou substituição (introdução de um dispositivo de protecção). é muito mais fácil e poderosa do que a que se realiza pelo método gráfico aproximado desenvolvido por SCHNYDER/BERGERON. representam as vantagens mais importantes do método das características.e. Este procedimento aplica-se apenas para a determinação dos pontos interiores da grelha. O tratamento explícito das condições de fronteira. Na modelação do comportamento das condutas. Com base nos últimos valores de Q e H calculam-se novos valores para o instante t = 2 x ∆t e assim sucessivamente. obedecem à condição de estabilidade do método de cálculo (número de Courant Cr = aδt/δx <1).3 Critérios de cálculo Admitiu-se que a situação mais desfavorável para o sistema. O método das características. porque em cada extremidade da conduta apenas se tem uma única condição de compatibilidade. consiste na paragem simultânea de todos os grupos electrobomba. – A distribuição da velocidade e de pressão. no início da conduta aplica-se a equação (17) e no fim a equação (16) de acordo com a figura 3. a cota de descarga num tanque colocado na extremidade de jusante da conduta Hp = Cte permite determinar o valor de QP pela equação 16). Os valores de todos os pontos no interior da grelha (P) são determinados no instante seguinte t = 1 x ∆t pela resolução simultânea das equações (16) e (17). 4 . permanecendo o resto do programa inalterável. – Ou introduzindo uma relação funcional Q = f(H) a qual permite em conjunto com a equação da compatibilidade aplicada a essa fronteira determinar Qp e Hp (i. 4. causada por uma falta generalizada de energia. pode ser associado a técnicas de interpolação. Isto poderá ser realizado por: – Atribuir um dos dois valores de fronteira. – O eixo das condutas é imóvel e desprezam-se as forças de inércia do invólucro.Características nas fronteiras Desta forma é necessário dispor-se de uma condição de fronteira em cada extremidade. ver figura 4 para cálculo dos valores aí desconhecidos QP e Hp. admitindo-se que este se mantém puramente turbulento. alteração do volume de ar num RAC) quer por substituição do seu modelo matemático (mudança de subrotina de cálculo). a equação da curva característica de um ou vários grupos electrobomba em conjunto com a equação (17) permite calcular os valores Qp e Hp) A precisão e o tratamento explícito das condições de fronteira (isto significa um tratamento independente dos pontos interiores). tendo a compatibilização entre os intervalos de tempo nos diferentes troços de conduta. os valores iniciais nos nodos da grelha são os valores de Q e H em regime estacionário quando t = 0. – As perdas de carga unitárias são iguais às de um escoamento uniforme com a mesma velocidade média. 82 . pelo que permite a optimização da dimensão dos dispositivos utilizados. é uniforme nas secções transversais da conduta. e desta forma ser aplicado para o cálculo de sistemas complexos constituídos por várias condutas e várias condições de fronteira.e. que substituído na equação de compatibilidade válida para esta fronteira permite calcular o outro valor (i. No cálculo do sistema durante o regime transitório. tais como: Fig. – O comportamento reológico da água e do material das condutas é elástico e linear. dentro de um critério de probabilidade significativa. – Os termos convectivos das equações da continuidade e da dinâmica são desprezáveis.QB) – 2 x QB x |QB| = 0 (17) gxA 2xgxDxA Com ajuda das equações (16) e (17) as duas incógnitas Hp e Qp podem ser facilmente determinadas. Esta forma de se dimensionarem os dispositivos de protecção. admitiram-se como válidas as hipóteses significativas habitualmente consideradas. sido efectuada com recurso à interpolação entre as condições do escoamento em secções de cálculo consecutivas.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório De maneira semelhante obtém-se uma segunda equação pela integração da equação (13) HP – HB – a λ x ∆x x (QP . que não é razoável ocorrerem acidentalmente. – A altura cinética do escoamento na conduta é desprezável face à altura piezométrica.e. Embora seja possível considerar manobras capazes de produzir flutuações de pressão mais elevadas. estas teriam de ser constituídas por uma sucessão de paragens e arranques de parte dos grupos de bombeamento. Os intervalos de tempo e os comprimentos dos trechos de cálculo considerados. pela sobreposição de efeitos. em instantes determinados. quer seja pela mudança dos dados iniciais (i.

Admitiu-se a verificação em cada instante da equação da continuidade na derivação para os RAC e da igualdade das cotas piezométricas no interior do RAC e no ponto de derivação da conduta.4 Condições de fronteira GRUPOS ELECTROBOMBA As características funcionais dos grupos electrobomba. Na modelação da variação do volume de ar no interior dos RAC. 4. deverão ser as constantes nas curvas características dos fabricantes.CQ2 em que N é a velocidade de rotação. chaminés de equilíbrio. reservatórios de ar comprimido (RAC). sem necessidade de se recorrer a volantes de dimensões excessivas. Obviamente quanto maior for o momento de inércia do volante. Para proteger um sistema.5. A escolha do dispositivo a utilizar em cada caso depende das características do sistema.5 Dispositivos de protecção Os dispositivos de protecção são órgãos que se introduzem nos sistemas de transporte de líquidos. etc. RESERVATÓRIOS DE AR COMPRIMIDO A principal função dos RAC consiste em evitar a ocorrência de depressões na conduta. tais como alterações das características da conduta e da descarga no reservatório. Para certos casos particulares. e às características eléctricas. é efectuada. de forma a que o seu binário de arranque seja adequado para que a colocação em marcha da bomba tenha lugar num período de tempo aceitável. a bomba irá bombear. Há um limite de aplicação dos volantes de inércia devido à sua resistência mecânica. condutas de aspiração paralela. com a finalidade de limitar as ondas de pressão transitórias e valores aceitáveis. foram modeladas através da consideração da equação da continuidade e da constância das cotas piezométricas. O método das características.) do comportamento das ondas de pressão que se pretendem limitar (depressões ou sobrepressões). ou quando apenas se verificam sobrepressões em regime transitório. de regulação. válvulas de controlo. temperatura. do líquido transportado (composição química. devido à sua simplicidade e ao poder de aplicação. Entre os dispositivos mais utilizados contam-se os volantes de inércia. B e C são coeficientes determinados a partir da respectiva curva característica à velocidade nominal. viscosidade. OUTRAS CONDIÇÕES DE FRONTEIRA Todas as restantes condições de fronteira. poderá utilizar-se um único. de válvulas (válvula de nível em reservatórios. desde que se consiga estabelecer o respectivo modelo matemático. permite de uma maneira fácil analisar o comportamento de um sistema simples ou complexo. etc. com o objectivo de aumentar a sua inércia e desta forma a ampliar o tempo de paragem do grupo e consequentemente a diminuição do caudal debitado pela bomba será mais suave. dos motores.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. pode ser determinada em cada instante pela equação: Ht = AN2 + BNQ . etc.2 = Cte Sendo P a pressão absoluta no interior e V o volume de ar. tais como do comprimento das condutas. E e F determinados de forma semelhante aos anteriores. etc.1 Volantes de inércia Os volantes de inércia consistem em massas girantes que são intercaladas nos veios de grupos electrobomba (figura 5) ou motobomba.). dependendo do grau de complexidade da rede a proteger. considerando apenas as zonas de bombeamento normal ou de turbinagem por abaixamento da pressão a jusante. Se a redução do débito da bomba tiver lugar num período suficientemente longo. O rendimento das bombas é considerado variável em função da velocidade de rotação e do caudal e dado por: h 4. sendo as sobrepressões consequentes automaticamente atenuadas. Atendendo a que as bombas se encontram munidas de válvulas de retenção de acordo com as Normas Portuguesas. Se o tempo em que ocorrer a anulação do caudal bombeado for superior ao período da conduta elevatória 2L/a. do seu perfil. maior será o tempo de anulação do débito e maior será a atenuação das ondas de pressão transitórias. = Q X Ht DN2Q + ENQ2 + FN3 Com os coeficientes D. Q o caudal bombeado e A. Esta modelação é efectuada admitindo que a altura total de elevação das bombas Ht. dotado de um conjunto de dispositivos associados para sua protecção. concebem-se dispositivos de protecção que poderão ser simulados por cálculo computacional. Sempre que o termo AN2 da curva funcional da bomba for superior à altura estática de elevação. atenuar-se-á o valor da onda de pressão. VÁLVULAS DE ALÍVIO As válvulas de alívio destinam-se a limitar as sobrepressões nas condutas a valores previamente regulados e são aplicadas em complemento aos RAC. conteúdo de sedimentos. do tipo de grupos elevatórios. 83 . este meio será adequado para controlar as pressões transitórias. considerou-se a equação: PV1. a modelação das condições de funcionamento das bombas. válvulas de alívio. quando os motores forem eléctricos. A aplicação de volantes de inércia poderá obrigar ao sobredimensionamento dos motores. válvulas de retenção intercaladas na conduta. ou uma combinação de vários dispositivos de protecção. à das bombas. reservatórios unidireccionais (RUD).

durante a fase da onda de pressão positiva. Na fase de depressão o volume do ar aumenta. que fica por sua vez submetido à pressão da conduta. Fig. As válvulas de retenção apenas permitem o escoamento em direcção ao reservatório. O gás e o líquido podem estar em comunicação ou separados por uma membrana elástica. a válvula não permite tal e vp1 = vp2 = 0. o líquido passará a abandonar o reservatório no caso de um abaixamento da pressão na conduta. ou a afluir ao reservatório no caso contrário. sendo hp1 e hp2 determinados por (18) e (19) respectivamente: hP1 = hR – CR (vP1 – vR) – CR x 2fRvR |vR| ∆t g g dr CS (vP2 – vS) – CS x 2fSvS |vS| ∆t g g ds (18) hP2 = hS – (19) 84 .3 Reservatórios de ar comprimido Os reservatórios de ar comprimido. A sua aplicação está em geral limitada a condutas com uma extensão até 2000 m.5.Grupo electrobomba equipado com volante de inércia 4. Fig. com períodos curtos. atenuando desta forma a amplitude da onda de pressão transitória. basta aumentar a inércia do conjunto de bombeamento e recalcular o comportamento do sistema. 5 . está sujeita à pressão de funcionamento da conduta na secção de ligação e está em equilíbrio com o ar. O dimensionamento de um volante de inércia é simples. deixará de estar em equilíbrio com o da conduta. são dispositivos de protecção de condutas que actuam por diminuição da taxa de variação de caudal. RAC.5. à custa da energia cinética de escoamento. Para se restabelecer o equilíbrio. Paralelamente com a variação de pressão na conduta. Em regime estacionário (permanente). o líquido armazenado no seu interior e submetido à acção do gás. um método possível para a proteger. para que as ondas de pressão transitórias sejam mantidas dentro de limites aceitáveis. no interior do qual se encontra aprisionada uma dada massa de um gás. Quando ocorre a inversão do fluxo. No caso da sobrepressão a massa de gás diminui de volume. 4. de forma a fazer a sua subdivisão em trechos de pequena extensão. a massa de líquido do interior do reservatório. haverá uma variação de pressão da almofada de ar. que origina uma variação de pressão na conduta junto à secção de ligação do reservatório. armazenando consequentemente energia potencial elástica. em que o tempo de anulação de caudal durante a paragem da bomba é suficientemente longo.2 Válvulas de retenção Se o perfil de uma conduta elevatória tiver uma altimetria tal que esta apenas fique sujeita a sobrepressões durante o regime transitório correspondente a uma manobra das bombas. em geral o ar e uma dada massa do líquido transportado pela conduta. transformando-se a energia potencial armazenada no gás em energia cinética de escoamento. Quando se inicia um regime transitório. aumentando a sua pressão e consequentemente a respectiva energia potencial elástica. é o de se intercalarem válvulas de retenção ao longo da conduta. 6 . São vasos metálicos fechados. Para esta situação o cálculo é efectuado como se se tratasse de uma transição com vp1 > 0.Alteração da envolvente das pressões máximas numa conduta protegida com válvula de retenção.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Outras razões que limitam a aplicação de volantes de inércia são económicas e dimensionais.

facilidade de aplicação e controle.altura do reservatório dt . principalmente dos reservatórios de grande capacidade e a exigência de manutenção. a pressão do ar no interior do reservatório passa a ter o valor de.2 recomenda-se a utilização para o expoente politrópico n o valor de 1. Encontram-se disponíveis correntemente no mercado reservatórios de membrana com capacidades até 2 m3. a altura do líquido no interior do tanque terá de ser conhecida. A pressão do gás no interior do reservatório é estabelecida em termos de uma coluna de líquido equivalente hgás.2.Esquema de princípio de um RAC Substituindo o valor de hp nas equações características + C.cota de inserção do RAC na conduta Fig. assim como a energia potencial na secção de ligação do reservatório à conduta. com um tratamento em regime transitório do sistema de condutas. hgasi representa a pressão absoluta do gás. fiabilidade e disponibilidade no mercado. Uma técnica analítica de cálculo. Com estes valores determina-se o volume de água admitido ou expulso do reservatório durante o intervalo de tempo ∆t e consequentemente a variação de nível do líquido no interior do reservatório. 7 .altura da base do reservatório zt . consiste na combinação de uma análise em regime quase estacionário do funcionamento do reservatório. Com hgas2 determinado. mas ela é praticamente atenuada e o seu valor é trivial. Aplicando a equação PVn = Cte correspondente aos processos politrópicos aplicados a um gás perfeito. hgási = hi – zt – hb – hti (20) Uma vez que a pressão absoluta na secção de ligação é hi (hi = hp no instante anterior).diâmetro interior hb . têm como principais vantagens a sua simplicidade. o que exige a aplicação de compressores isentos de óleo (compressores hospitalares) no caso de grandes reservatórios e de dispositivos de controlo automático. Considerando pela equação da continuidade: A1 vp1 + A2 vp2 dht ∆t A1 vp1 = At + A2 vp2 ∴ ∆ht = dt At ( ) em que At é a área transversal do RAC. 8 It .Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Estes dispositivos muito divulgados. calcula-se hp por hp = hgas2 + zt + hb + ht2 (23) Fig.(16) e C (17) calculam-se facilmente os valores de vp1 e vp2. hgas2 = –h ( ll – h ) t t1 t t2 n x hgas1 (22) O expoente da transformação politrópica do ar no interior do reservatório poderá variar entre 1 correspondente aos processos isotérmicos. At = π 4 d2t. Por encomenda podem obter-se reservatórios com capacidades superiores e reservatórios sem membrana de qualquer capacidade. e 1. o custo em geral elevado. Estes valores são designados por hti e hpi respectivamente.4 nos processos adiabáticos. a possibilidade de fecho violento das válvulas de retenção dos grupos de bombeamento. Como desvantagens pode-se referir a necessidade de haver um controlo apertado da massa de gás. No início do cálculo. 85 . Como em geral o volume de cálculo do reservatório varia 10% quando se varia o expoente entre 1 e 1. ht2 = ht1 + ∆ht (21) em que ht1 é a altura do líquido no início do intervalo de tempo ∆t e ht2 no fim. não é considerada no modelo de cálculo. A altura do líquido no interior do reservatório no final do intervalo de tempo ∆t é dada por. A passagem da onda de pressão transitória através do reservatório.

equipado com uma válvula de retenção conforme se mostra no esquema da figura 9. haverá uma queda de pressão no ramo de compressão. quando o volume de água que é necessário transportar for reduzido. neste troço é mobilizada a energia elástica do fluido e da conduta. permitindo por exemplo diminuir a classe de pressão dos tubos. A estação poderá não estar sempre em funcionamento e o escoamento dar-se-á através do circuito de desvio. 9 . algumas das estações poderão ser retiradas de serviço. a válvula de retenção impedirá o escoamento da compressão para a aspiração. Durante o curto intervalo de tempo ∆t associado à discretização das equações. O trecho compreendido entre a bomba. Durante o regime variável este dispositivo divide em geral a conduta em dois troços que se comportam de forma diferente. O circuito de desvio poderá desempenhar um papel de protecção da conduta. Estas equações reduzem-se a uma equação quadrática em Q. de forma a que o caudal debitado esteja de acordo com as necessidades. o dia da semana ou mesmo a hora do dia. Quando ocorre uma paragem da bomba. g (hP1 – hR) + CR aR g – g aS (v P1 – vR) + 2 fR VR VR ∆T =0 dR (24) (h P2 – hS) + (vP” – vS) + v2P1 2g 2 fS VS VS ∆T =0 dS (25) hP1 – hP2 = k Fig. É uma aplicação típica em condutas forçadas longas. Na modelação. Também poderá ser aumentada a capacidade de transporte. limitando-se desta forma o abaixamento de pressão. O tratamento destes dispositivos é semelhante ao apresentado para os RAC. a altura do líquido na chaminé poderá ser considerada constante sem grande erro. durante a paragem de uma bomba deverá verificar-se se a pressão de jusante se mantém superior à de montante. de uma conduta com funcionamento por acção da gravidade pela intercalação de estações elevadoras de pressão (booster). durante as horas de máximo consumo. substitui-se a condição de fronteira correspondente à bomba por uma simples junção. Ou seja. sem que a equação que modela a bomba esteja presente. Quando tal não se verificar. ocorre em geral uma oscilação em massa. Quando os desníveis geométricos. aplicam-se as equações. sendo actualizada em cada instante. deverá incluir-se um termo separado para quantificar a perda de pressão (energia) na válvula de retenção. como por exemplo em condutas de transporte de água potável para abastecimento domiciliário e industrial. Esta aproximação despreza o escoamento que tem lugar através da bomba durante a sua paragem. No segundo trecho compreendido entre o dispositivo e um reservatório ou outro dispositivo semelhante. turbina ou válvula e a chaminé. por vezes dota-se a ligação chaminé-conduta de um dispositivo destinado à geração de perda de carga. durante os períodos em que o escoamento for realizado pela acção da gravidade. colocadas em linha e equipadas com circuito de desvio. Na análise do comportamento do sistema. Como em geral o caudal é reduzido. Para diminuição da amplitude do líquido no interior da chaminé. a altura de elevação das bombas é repartida pelas diferentes estações. Assim. permanecendo outras em funcionamento.Esquema de um circuito de desvio a um conjunto de bombeamento (perda de energia na válvula) VP1 = Q A1 VP2 = Q A2 Noutros casos em que o caudal transportado é variável. o erro introduzido por esta simplificação é desprezável. a válvula de retenção abre-se e passará a haver escoamento de montante para jusante.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. em que o volume de água a transportar varia com a estação do ano. Nas estações imobilizadas o escoamento far-se-á através dos circuitos de desvio.6 Circuito de desvio Em certas situações pode estabelecer-se um circuito de desvio aos grupos electrobomba. enquanto a bomba se encontrar a funcionar em regime estacionário as condições de operação são as representadas. 4. se a pressão cair a um valor inferior ao do ramo de aspiração. Quando as bombas estiverem em operação. O valor da pressão mínima será assim superior ao que teria lugar se o circuito de desvio não existisse. ou as perdas de carga em linha forem apreciáveis.7 Chaminés de equilíbrio Numa conduta equipada com bomba e chaminé de equilíbrio como se mostra na figura 10. resultando em equipamentos mais económicos e com menor potência instalada por unidade. A parte superior da chaminé encontra-se aberta à atmosfera. evitando as depressões no ramo de compressão. 86 . as duas equações características são resolvidas para se determinar o caudal e a pressão. dotadas de várias estações de bombeamento em linha.

Considerando pela equação da continuidade: ap1 vp1 = Ach dhch dt Ach é a área transversal da chaminé Ach = π 4 A altura do líquido no interior da chaminé no final do intervalo de tempo ∆t é dada por: H2 = H1 + ∆Hch em que H1 é a altura do líquido no início do intervalo de tempo ∆t e H2 no fim. Em alternativa poderá ser armazenado água proveniente de uma fonte externa.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Substituindo o valor de hP nas equações características C.Chaminé de equilíbrio desenho tipo da SABESP Fig. com a superfície livre em contacto com a atmosfera. A ligação entre o reservatório e a conduta é dotada de uma válvula unidireccional (válvula de retenção). 13. Antes de continuar o cálculo deverá verificar-se se a altura do líquido no interior da chaminé é positiva. as chaminés são em geral constituídas por um tubo metálico. – Cálculo estrutural. Fig.Esquema de uma chaminé de equilíbrio O dimensionamento de uma chaminé de equilíbrio compreende: – O estudo do perfil da conduta para escolha do local mais adequado para a sua instalação. 11 (a p1 vp1 + ap2 vp2 Ach d ch 2 ) ∆t 4.e C+ calculam-se facilmente os valores de vP1 e vP2. 10 . e ha representa a pressão atmosférica. – Impacto da estrutura no ambiente. Conforme se poderá observar na fig. Na escolha do local para a sua instalação deverá atender-se aos seguintes aspectos: – Características topográficas do terreno. estes dispositivos consistem num tanque onde é armazenado o líquido transportado pela conduta. Salvo casos especiais. em que a velocidade do líquido no seu interior é lenta. de betão armado ou escavado na própria rocha. – Amplitude das ondas de pressão. para atenuação das amplitudes extremas de oscilação do plano de água. Com H2 determinado calcula-se hp por hP = H2 + ha + Ap2 vp2 ∴ ∆hch = Fig. – Cálculo de secção transversal e de um eventual estrangulamento. H = hP1 – ha Uma vez que a pressão absoluta na secção de ligação é hp1.8 Reservatórios unidireccionais Os reservatórios unidireccionais são dispositivos de protecção especialmente vocacionados para atenuarem as ondas de pressão negativas. 87 . que permite o escoamento no sentido RUD conduta e impede-o no sentido oposto. Com estes valores determina-se o volume de água admitido ou expulso da chaminé durante o intervalo de tempo ∆t e consequentemente a variação de nível do líquido no interior da chaminé. Para estes casos o modelo matemático da condição de fronteira é semelhante ao utilizado para o RAC. 12 .

Enquanto a altura piezométrica na conduta for superior à da superfície livre do RUD. assim. a análise é semelhante à de uma simples junção. A partir do instante em que as alturas se igualem a análise passa a ser semelhante à de uma chaminé de equilíbrio. sempre que a cota piezométrica no interior do dispositivo. Em geral para se evitar tempos de manobra longos. A análise deste dispositivo. permitindo desta forma actuar também sobre as sobrepressões. o qual poderemos designar por reservatório parcialmente bidireccional. são excelentes órgãos para a atenuação das variações da pressão ao longo das condutas. Para proteger esse local. durante a paragem e arranque dos grupos electrobomba poderiam ser utilizadas válvulas motorizadas ou arrancadores suaves.2 Arrancadores suaves Os arrancadores suaves quando procedem também a paragens suaves. Outra vantagem. necessitou projectar um dispositivo. Devido à concepção do RUD. O tipo de paragem dos grupos. conforme representada na figura 14. Este dispositivo. É constituído por um reservatório construído em polietileno de alta densidade e dotado de uma válvula de retenção. 14 . 4.Reservatório parcialmente bidireccional 88 . devendo os tempos de manobra ser determinados por cálculo. a altura piezométrica na zona de ligação é regulada pela cota da sua superfície livre. que apresentava um ponto alto num local isolado. foi adoptada uma variante. uma vez que o período de imobilização dos grupos electrobomba é prolongado. não ficar em contacto com a atmosfera. como a conduta continuará a ser alimentada. Fig. a altura piezométrica na conduta não está em equilíbrio com a massa de água armazenada. é semelhante à da chaminé de equilíbrio.10 Dispositivos de manutenção das pressões transitórias Para atenuação dos efeitos do choque hidráulico. é a de se dispensar o ramal de enchimento.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório O reservatório parcialmente bidireccional. o líquido armazenado no RUD e o que se encontra em escoamento na conduta. Caso contrário. o RUD permite a alimentação da conduta aquando a cota piezométrica for inferior à da superfície livre do líquido. não era possível nesse caso a sua adopção. o que não acontece no RUD.Reservatório unidireccional Devido à sua concepção. é a do líquido armazenado para protecção.10. for inferior à cota da válvula de retenção. Evita-se dessa forma a inquinação.9 Reservatório parcialmente bidireccional O autor deste trabalho. sendo o seu efeito semelhante ao dos volantes de inércia.1 Válvulas motorizadas As válvulas motorizadas deverão possuir meios de fecho adequados. 4. apresentada por este dispositivo. Devido às desvantagens referidas em relação ao RUD.10. 13 . de vários grupos podem ser devidamente determinados com a introdução de subrotinas de cálculo apropriadas. estão separados pela válvula de retenção que se encontra fechada. assim como os períodos a decorrer entre paragens sucessivas. Pelo descrito. A grande vantagem. admite o refluxo parcial de líquido ao tanque. no caso de água tratada e a propagação de cheiros no caso de águas contaminadas. Estes dispositivos não podem ser considerados dispositivos de protecção uma vez que não actuam em caso de falha de energia eléctrica da rede de alimentação. 4. conclui-se que o RUD só entra em funcionamento quando a altura piezométrica na conduta for inferior à da superfície livre e que não há escoamento no sentido conduta RUD. durante as operações normais de arranque e principalmente paragem. isto porque a actuação das válvulas sobre o escoamento não é linear. 4. Em regime permanente. o tempo de anulação de caudal é aumentado. é especialmente vocacionado para ser instalado em pontos altos. para proteger uma conduta elevatória destinada a transportar águas residuais. de condutas destinadas a transportar águas residuais. o cálculo em regime transitório na secção de ligação é idêntico ao de uma simples transição. procede-se a um primeiro período de fecho rápido e a manobra final mais longa. Fig.

390 1 89 . Cálculo final Em face do comportamento descrito para o sistema em regime transitório.a. Resultados de cálculo final Volume de ar m3 RAC Inicial 5.7 7. o volume RAC seria exagerado.86 kgf.m-2 Diâmetro do impulsor D = 400 mm Coeficientes da curva característica A = 1. concluindo-se que era necessário proteger a conduta com dispositivos adequados.00 kgf.300 Pressão de abertura m. foi seleccionado um RAC associado a uma válvula de alívio. foram os que se passam a indicar nos itens seguintes.1 Máximo Adoptado 6.92 x 10-4 B = 6.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4.56 x 10-1 C = 5. verificou-se que ocorre uma zona de depressão extensa (gráfico 1) e que a sobrepressão subsequente tem um valor muito elevado. e após várias hipóteses de cálculo para os dispositivos de protecção.c.375 m3/s Cota de descarga no reservatório 373.1 Material Ferro Fundido Dúctil Módulo de elasticidade da conduta E = 1.11 Caso prático Os dados de cálculo inicial.0 VÁLVULA DE ALÍVIO Mínimo 4. com funcionamento de um número máximo de dois em paralelo. Dos resultados do cálculo efectuado. são do tipo multicelular. de pequena inércia comparada com a energia transferida ao fluido a elevar e por consequência com um reduzido tempo de anulação de caudal.37 x 103 Os grupos electrobomba instalados em número de três nesta primeira fase.3 m Grupos electrobomba em funcionamento n = 2 (paralelo) Velocidade de rotação N = 1400 rpm PD2 da bomba 5.0 Condições de descarga Caudal m3/h 1. Comprimento da conduta elevatória L = 2808 m Diâmetro Ø = 500 mm Espessura da parede e = 7. Se não se realizar esta associação.0 x 1010 kgf m-2 Módulo de compressibilidade da água E = 2. Análise dos resultados de cálculo O cálculo inicial foi realizado considerando que os dois grupos bombeiam através da conduta sem qualquer protecção.3 mm Rugosidade absoluta equivalente k = 0.1 x 108 kgf m-2 Caudal em regime estacionário Q = 0. dimensionados conforme o gráfico 1.m-2 PD2 do motor 92.

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91 . O CUSTO DO CICLO DE VIDA COMO FACTOR DE ECONOMIA Autor: Paulo Ramísio Engenheiro Civil (FEUP) Mestre em Engenharia do Ambiente (FEUP) Assistente do Departamento de Engenharia Civil da Universidade do Minho Sócio da SBS – Engenharia Civil. Lda.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5. Hidráulica e Ambiente.

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2 O que é o Custo do Ciclo de Vida? O Custo do Ciclo de Vida (CCV) é uma ferramenta de gestão que pode ajudar a minimizar os desperdícios e a maximizar o rendimento para variados tipos de sistemas. 5. mas também mundial. O Custo do Ciclo de Vida de qualquer sistema de pressurização é assim o custo total durante o seu período de vida útil. fundado em 1917. Como qualquer investimento. colecta. nas suas mais variadas aplicações (abastecimento público e predial de água potável. Representa os custos de aquisição. a solução que apresenta menor custo global. Quando o CCV é utilizado como uma ferramenta de comparação entre diferentes alternativas. pois só assim poderá ser utilizada. Consumo mundial de energia eléctrica Outras Aplicações (80%) Ou • O Europump. 1 . eles são parte integrante de um sistema indissociável entre si. industrial.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5. consomem cerca de 20% da energia eléctrica global (Europump. Como exemplo.). a escolha dos elementos que constituem o sistema (construção civil. os grupos electrobomba embora sejam geralmente adquiridos como componentes individuais. paragens.1 Introdução Os sistemas de pressurização representam por vezes custos não desprezáveis no mercado da construção para habitação. estabelecido em 1960. equipamento eléctrico e electromecânico. com base nas informações disponíveis. ambientais. age como porta-voz dos 15 principais fabricantes de bombas e representa mais de 400 fabricantes. pode ser realizado por várias metodologias. de forma isenta. é a maior associação de produtores e de fornecedores da América do Norte. instalações de rega. A minimização dos custos globais nem sempre é uma tarefa fácil. da instalação e do modo como o sistema irá operar. Sistemas de Bombeamento (20%) Fig. acessórios e os decorrentes da exploração) devem obedecer a considerações de eficácia e economia. Um dos grandes objectivos duma metodologia desta natureza deverá ser o rigor e a isenção. equipamentos. Adicionalmente todos os componentes do sistema deverão ser cuidadosamente seleccionados para combinarem entre si e manter no global um conjunto fiável assegurando os mais baixos custos energéticos e de manutenção. 2000). mas também servir para comparar soluções de fabricantes diferentes. No presente documento optou-se por seguir a metodologia proposta pelas seguintes entidades: • O Instituto Hidráulico (HI).Consumo mundial de energia eléctrica Trata-se portanto de um consumo significativo. O investimento inicial é geralmente uma pequena parte do Custo do Ciclo de Vida para sistemas de pressurização. Estabelece padrões e organiza fóruns para a troca de informações técnicas há mais de 80 anos. ao longo da sua vida útil. incluindo sistemas de bombeamento. prevenção da poluição e tecnologias para aplicações industriais. tubagens e acessórios. o processo de cálculo do CCV indicará. principalmente numa altura em que a questão energética assume um importante papel na economia nacional. O Europump serve e promove a indústria europeia das bombas hidráulicas. A correcta escolha de todos os componentes de um sistema de bombeamento apresenta-se assim como uma oportunidade para uma redução nos custos globais da instalação. A avaliação dos custos do sistema ao longo da sua vida útil. ensaios. assim como uma longa durabilidade. desmontagem e desmantelação do equipamento. 93 . energéticos. • O Departamento de Energia dos Estados Unidos. A identificação de todas as parcelas envolvidas apresenta-se como uma etapa fundamental nesta metodologia. Uma visão global é descrita no artigo "Pump Life Cycle Costs" desenvolvido pelo Hydraulic Institute e Europump de modo a facilitar a aplicação da metodologia do CCV a sistemas de bombeamento. Estima-se que o elevado número de sistemas de bombeamento existentes a nível mundial. não só para optar entre diferentes soluções do mesmo fabricante. A energia consumida e os materiais utilizados por um sistema dependem das características da bomba. promove parcerias com indústrias e grupos de comércio. 5. para a implementação de sistemas de elevada eficiência de energia. operação. transporte e tratamento de águas residuais. energias renováveis. sendo principalmente onerosos em grande parte dos sistemas industriais. manutenção (preventiva e correctiva). etc.3 Razões para a utilização do CCV Os sistemas de pressurização são compostos por um conjunto de obras de construção civil. nos equipamentos electromecânicos o custo de aquisição poderá representar apenas 10% dos custos globais associados a esses equipamentos. instalação. Enquanto algumas partes do sistema apresentam praticamente todo o seu custo durante a construção.

Adicionalmente às razões económicas para justificar a utilização da metodologia do CCV. Custos de Manutenção ( 10% ) Custos do Investimento ( 5% ) 5. As empresas devem procurar soluções que visem a redução dos custos globais e o aumento dos rendimentos operacionais. assim como os custos de mão-de-obra e dos materiais ao longo do ciclo de vida do equipamento. Para a maioria de empreendimentos os custos energéticos e/ou de manutenção dominarão os Custos do Ciclo de Vida. A operação. a metodologia proposta apresenta os custos do ciclo de vida. etc.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia Uma maior compreensão de todos estes pormenores constituirá uma oportunidade para a redução dramática dos custos energéticos. A escolha destes equipamentos deve ser efectuada com base em cálculos onde os detalhes do projecto do sistema devem ser tidos em conta. Os sistemas de bombeamento têm muitas das vezes um período esperado de operação de 15 a 20 anos. Deste modo a comparação deve ser efectuada entre diferentes tipos de sistema ou de controlo. bombas. serviços de apoio. CCV = Cci + Cin + Ce + Co + C m + C pp + Ca + Cd onde: (1) Cci Cin Ce Co Cm C pp Ca Cd Custos iniciais (custos de construção civil. originando sistemas que apresentam grandes custos de manutenção e exploração. 2 . factores determinantes no Custo do Ciclo de Vida (CCV) da instalação. Os sistemas existentes podem contribuir com uma maior fatia na redução da energia consumida através da utilização da metodologia do cálculo do CCV por duas razões: A primeira porque existem pelo menos 20 vezes mais sistemas em operação do que os colocados anualmente em operação e. logo os resultados do processo apresentam certamente um grau de fiabilidade similar ao dos dados de base. tubagens. A crescente competitividade dos mercados nacionais e internacionais obriga a um esforço contínuo de modo a aumentar a competitividade. desmontagem e desmantelação final do equipamento e os de origem ambiental.) Custo de instalação e ensaios (arranque e formação do pessoal) Custos energéticos (operação do sistema incluindo controlos e quaisquer serviços auxiliares) Custos de operação (mão de obra e supervisão normal do sistema) Custos de manutenção e reparação (reparações previstas e de rotina) Custos de paragens (perda de produção) Custos ambientais Custo de desmontagem e desmantelação (incluindo a restauração ambiental do local e serviços de destruição do equipamento) 94 .4 Determinação do Custo do Ciclo de Vida O processo do CCV é um método que permite a comparação de soluções alternativas. 2000).Repartição média dos custos globais em sistemas de bombeamento Muitos sistemas são concebidos considerando apenas o investimento inicial. o escalonamento esperado nos anos vindouros. A redução e o desperdício energético representam ainda um papel importante em benefícios ambientais. sendo de difícil quantificação. e consideram o rendimento energético como uma via contribuinte para a redução de emissões de gases e deste modo preservar os recursos naturais. mas extremamente dependente da informação disponível.Custos globais Custos de Exploração ( 85% ) A análise do CCV. talvez motivado pela grande evolução tecnológica verificada nos últimos anos. Em alguns casos os custos de indisponibilidade podem ser mais significantes que os custos energéticos ou de manutenção. É portanto de extrema importância a forma precisa de determinar os custos energéticos actuais. em termos de custos. muitas empresas começam a estar cada vez mais sensíveis ao impacto ambiental nos seus negócios. Considerações adicionais deverão ser tomadas em relação às perdas de produtividade devido aos tempos de paragem. principalmente no sector fabril. podem muitas das vezes ser estimados com base em dados históricos. especialmente pela via da minimização dos consumos energéticos e dos tempos de paragem da produção. como sendo a soma das seguintes parcelas: Fig. O exercício deve ser objectivo na análise e âmbito podendo no entanto ser lato nas alternativas analisadas. de exploração e de manutenção. O processo em si é basicamente matemático. continua a merecer uma particular atenção como fonte de poupança de custos. Alguns estudos mostram que 30% a 50% da energia consumida pelos actuais sistemas de bombeamento podem ser poupados através da alteração dos controlos dos sistemas (Europump. Outros custos como por exemplo os de paragens. Sistemas de bombeamento . quer em novos empreendimentos quer em remodelações requer sempre uma avaliação de sistemas alternativos. Com base nos estudos efectuados em problemas deste tipo. em segundo lugar porque muitos dos sistemas em operação possuem bombas ou controlos que não estão ajustados às necessidades actuais. acessórios.

Outro factor de incerteza para o cálculo do consumo de energia de bombas com conversor de frequência é o facto do rendimento geral do sistema ser difícil de calcular com exactidão. aproximando em seguida os volumes bombeados ou horas de funcionamento relativos a cada um destes. • É determinante para estes custos o diâmetro das tubagens e acessórios. Detalhando: Custos iniciais • Este tipo de custos refere-se aos custos necessários para a compra e instalação de equipamentos e obras de construção civil. preparação. o seu comportamento com o fluido bombeado. • Ligações a sistemas auxiliares. os materiais utilizados. betão etc. Dever-se-á ter em atenção que este cálculo não inclui a análise a custos de segunda ordem como por exemplo as matérias-primas consumidas no fabrico de produtos. Nestes casos devem ser incluídos os custos do fluido. • Uma instalação completa dos equipamentos electromecânicos envolve requisitos de operação e manutenção que serão assegurados por pessoal com formação para operar o sistema. etc. Por exemplo uma bomba instalada em ambientes corrosivos pode requerer verificações diárias. Estes detalhes. A situação torna-se mais complexa com bombas em funcionamento paralelo ou se a bomba for utilizada com um conversor de frequência. Custos energéticos • O consumo energético é frequentemente uma das parcelas com maiores custos e geralmente domina o valor final do CCV. • Avaliações e regulações no arranque. • Ligações eléctricas e de instrumentação.a) η c − Rendimento da bomba η m − Rendimento do motor Logo.c. a energia será: E (kWh ) = ∫ γ × Q(t )× H (t ) dt ηc ×ηm to ηc(t) x ηm(t) t1 (3) • Os custos energéticos de serviços auxiliares também devem ser incluídos. • Construção civil. Deverá ser seguida a lista de verificações proposta pelo fabricante de modo a assegurar que os equipamentos e o sistema possam operar dentro de parâmetros específicos. • Ligações de tubagens de processo.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia Os parágrafos seguintes examinam cada uma das parcelas e levantam sugestões para a determinação de cada parâmetro. Este facto pode originar a que seja menosprezada a sua importância final nos custos globais. Estes custos podem ser referentes a circuitos de aquecimento ou arrefecimento de fluidos de processo. deverão ser efectuados cálculos separados para os vários pontos de funcionamento.). os controlos integrados. • Inspecção e testes. Uma bomba com conversor de frequência tem um número infinito de pontos de funcionamento. Enquanto que nas restantes parcelas os custos associados a equipamentos electromecânicos são dominantes. A fórmula do cálculo da potência requerida é a seguinte: P (kW ) = em que: γ ×Q× H η c ×η m (2) P − Potência (kW ) γ − Peso específico do líquido (kN/m3 ) Q − Caudal (m 3 /s) H − Altura manométrica (m. neste o seu valor relativo pode vir diluído com o valor da construção civil. podem originar custos iniciais mais elevados mas reduzirem o CCV de uma forma considerável. necessárias ao arranque do sistema. O consumo energético é calculado através dos dados colhidos no projecto do sistema. • Equipamentos auxiliares para sistemas de vedação ou arrefecimento. Se as solicitações ao sistema são constantes. • Processo de aquisição. Custos de operação • Os custos de operação são os associados à mão-de-obra relacionados com a operação do sistema. Custos de instalação e ensaios • Os custos de instalação e ensaios (arranque) incluem os seguintes itens: • Fundações (projecto. • Peças de reserva. • Os ensaios requerem uma especial atenção às instruções do fabricante para a execução do arranque e operação. a qualidade e fiabilidade do sistema seleccionado. 95 . especialmente quando o tempo de operação das bombas ultrapassa as 2000 horas de operação / ano. então dever-se-á utilizar um registo horário das necessidades para se efectuar o respectivo cálculo. o cálculo é simples. desenhos. Estes podem variar muito dependendo da complexidade e função do sistema. especificações etc. • Os custos iniciais incluem geralmente os seguintes itens: • Serviços de Engenharia (estudos. filtragem. os empanques instalados. circulação e/ou dissipação de calor etc. projecto. Se as solicitações são muito variáveis no tempo.). • Os métodos de cálculo da energia são relativamente simples quando a bomba é utilizada num único ponto de funcionamento. entre outros. No funcionamento paralelo. • Formação.

requer uma manutenção regular e eficiente. • O custo de perda de produção ou de indisponibilidade podem ser considerados dependente do tempo de paragem e devem ser analisados para cada caso específico. • Embora as avarias não possam ser previstas. Uma quantidade considerável das perdas da energia no sistema são devidas às perdas de carga contínua. tais como a manutenção. Custo de desmontagem e desmantelação • Na maioria dos casos. Custos de paragens e perdas de produção • O custo de paragens imprevisíveis e de perdas de produção podem ser uma parcela muito significativa no valor CCV e pode rivalizar com os custos energéticos ou com os custos de peças de substituição. Isto aplica-se quer a sistemas simples quer a sistemas mais complexos. Os indicadores de desempenho incluem alterações em vibrações. Um sistema mais flexível na exploração pode apresentar uma mais valia acrescida. pressão etc. Se for utilizado um equipamento de reserva. Os custos dependem do tempo e da frequência do serviço. radioactivos ou qualquer outro tipo agressivo. Custos de manutenção e reparação • O alcance da longevidade esperada para uma bomba. • O custo total da manutenção de rotina é o resultado do produto dos custos por intervenção pelo número de intervenções esperadas durante o ciclo de vida da bomba. Custos totais do ciclo de vida • Os custos estimados para as várias parcelas depois de somadas permitem uma comparação das diferentes soluções analisadas. • Vida útil esperada para o equipamento. ruído. • Actualização do valor anual da energia. estando directamente dependentes do diâmetro da tubagem e dos restantes componentes do sistema. Uma análise periódica das condições de funcionamento do sistema pode alertar os operadores para eventuais perdas de desempenho do sistema. O projecto deve considerar a interacção entre a bomba e o resto do sistema e o cálculo do ponto de operação do sistema. o custo da desmantelação de um sistema de bombeamento tem pequenas variações em relação a diferentes concepções. sob o risco de representarem externalidades. • Taxa de juros. gamas de caudais. da sua capitação ou mesmo da taxa de ligação ao longo do tempo. consumo energético.1 Na fase de projecto A concepção e o projecto do sistema serão sempre o elemento mais importante na minimização do CCV. • Taxa de inflação. Será importante analisar a sensibilidade ou adaptabilidade do sistema escolhido a situações diferentes das previstas no projecto. Durante esse tempo a unidade está indisponível podendo haver perda total na produção ou um custo de substituição temporária. uso de peças contaminadas etc. Existem procedimentos legais e regulamentares para líquidos tóxicos. Adicionalmente o utilizador deve decidir quais os custos a incluir. 5. As características da tubagem do sistema devem ser calculadas a fim determinar o desempenho requerido da bomba. Quando a destruição tem um custo demasiado elevado. As maiores actividades requerem frequentemente a remoção da bomba do local de instalação para as oficinas. Custos ambientais • O custo da destruição de fluidos contaminantes durante o tempo de vida de um sistema de bombeamento varia bastante dependendo da natureza do produto bombeado. Por exemplo. • O programa de manutenção pode ser cumprido com menor frequência mas com maior atenção aos detalhes ou com maior frequência mas com intervenções mais simples. Os custos de infracção ambiental deverão ser incluídos. paragens. Os custos de aquisição e os custos operacionais totalizam o custo total de uma instalação durante sua vida. O fabricante aconselhará a frequência e a natureza da manutenção periódica. destruição e outros custos importantes. 96 . selecção dos componentes e mesmo da facilidade de acesso aos componentes a serem intervencionados. bombeamento de produtos corrosivos. • Existem também factores financeiros a serem tomados em consideração no desenvolvimento do CCV. ambiental. Exemplos de contaminação ambiental podem incluir: destruição da caixa do empanque. O projecto pode influenciar estes custos por indicação específica de alguns materiais.5. Na maior parte das vezes os custos de paragem são inaceitáveis por representarem custos superiores à instalação de um equipamento de substituição ou reserva. o custo inicial será mais elevado mas os custos de manutenção não programada incluirão apenas os custos da reparação. Estes incluem: • Preços actuais da energia. mas também dos custos dos materiais. nos sistemas de distribuição de água doméstica existe a incerteza do crescimento populacional. mas também às verificadas em singularidades. podem ser estimadas estatisticamente pelo cálculo do tempo médio entre avarias. temperaturas.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia enquanto um sistema semelhante com outro fluido pode apenas necessitar de supervisões limitadas. o CCV torna-se particularmente sensível à vida útil do equipamento. Estes custos podem ser minimizados por uma programação cuidada e atempada da paragem.5 Implementação da metodologia 5.

Não obstante o método usado. Os longos e fastidiosos cálculos associados ao cálculo das perdas de carga podem hoje. Dois métodos podem ser usados na análise de sistemas de bombeamento existentes. Observar o sistema permite ver como o sistema se comporta. mas as exigências operacionais do sistema limitam o âmbito da experimentação. 97 . • aumentam os custos da instalação da bomba e de operação em consequência do aumento de perdas de carga. e caudais). 5. enquanto que no segundo cria-se um modelo matemático. 3 . Desenvolvendo um modelo do sistema. podem-se facilmente simular várias alternativas do sistema. • Seguir as normas do fabricante. • Equilibrar o sistema para encontrar os diferentes fluxos e cargas requeridas. e o segundo consiste em executar cálculos usando as equações da mecânica dos fluidos. um dos quais determinará a escolha da bomba. O ponto de funcionamento de um sistema é determinado pela intersecção da curva da instalação e da curva característica do equipamento de pressurização como mostrado em Figura 3. • Efectuar mudanças à bomba para minimizar a carga no sistema. • aumentam os custos de energia eléctrica. resultando a necessidade de motores com maior potência. facilitando significativamente o processo de cálculo. mas antes o modelo deve ser validado para assegurar que representa exactamente o sistema que se está a estudar. • Combinar o equipamento às necessidades do sistema para o máximo rendimento. • Considerar a duração dos diferentes pontos de funcionamento da bomba.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia O diâmetro da tubagem deve então ser seleccionado com base nos seguintes factores: • Economia da instalação (bombas e sistemas). graças à capacidade de processamento. Fig. • Optimizar a manutenção preventiva.2 Aplicação a sistemas existentes As seguintes etapas indicam algumas tarefas que podem identificar pontos onde poderá ser possível melhorar um sistema de bombeamento existente: • Realizar um inventário completo do sistema de bombeamento. tão exacto quanto possível do sistema e depois simulam-se as pressões e os caudais dentro do modelo. • Avaliar a eficácia do sistema. As tubagens devem assim ser dimensionadas por critérios de minimização dos custos globais. • Considerar a energia desperdiçada em válvulas de controlo. • Considerar uma velocidade máxima de modo a minimizar a erosão na tubagem e acessórios. • Determinar os fluxos requeridos para cada carga no sistema. • Utilização de velocidades económicas.5. O primeiro consiste em observar as condições de operação do sistema "in-situ". • aumentam os custos de operação em consequência do maior consumo energético devido ao aumento de perdas por atrito. Analogamente. • Considerar diâmetros padrão da tubagem em instalações semelhantes. • Avaliar as perdas de carga no sistema. • Escolher bombas e sistemas novos usando considerações do CCV. • Especificar motores de elevada eficiência. mas completam-se. o objectivo é ficar com uma ideia exacta de como as várias partes do sistema operam e identificar onde as melhorias podem ser feitas e o sistema optimizado. Deve ser considerado com atenção a duração prevista para os diferentes pontos de funcionamento de modo a seleccionar correctamente o número de bombas a instalar e o comando e controlo. O primeiro método confia em observações efectuadas no sistema (pressões. Os dois modelos não são incompatíveis. • Combinar o tipo da bomba à solicitação pretendida. mas outros diminuirão. • Monitorizar a bomba e o sistema. A seguinte lista de verificações fornece alguns tópicos úteis para reduzir o Custo do Ciclo de Vida de um sistema de bombeamento existente: • Considerar todos os itens com custos relevantes no Custo do Ciclo de Vida. • Considerar um diâmetro interno mínimo quando se transportam líquidos com sólidos. pressões diferenciais.Ponto de funcionamento de um sistema Um sistema pode necessitar de operar em diversos pontos de funcionamento. alguns custos aumentam com tamanho crescente da tubagem como por exemplo os de aquisição. ser substituídos por programas informáticos. Diminuir o diâmetro das tubagens tem os seguintes efeitos: • diminuem os custos de aquisição de tubagens e acessórios da instalação. • Não sobredimensionar a bomba. • Optimizar o custo total considerando custos operacionais e custos de aquisição. • Identificar bombas com custo de manutenção elevado.

valor que inclui o custo de desmontar e remontar a bomba. Está a ser considerada a substituição da válvula existente por outra que possa resistir à cavitação. Fig. As seguintes opções foram estudadas: a) Substituir a válvula de controlo de modo a suportar o grande diferencial de pressão.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5. b) Alterar o impulsor da bomba para reduzir a altura manométrica. Verificou-se que a válvula de controlo opera actualmente com uma abertura de 15 . • Não há nenhum custo de eliminação ambiental associada.1 Sistema de bombeamento existente com uma válvula de controlo de caudal Neste exemplo. A válvula tem apresentado avarias a cada 10 a 12 meses com um custo médio de 4 000 EUROS por reparação. • Este projecto tem uma vida de 8 anos. Na figura 5 são apresentados os pontos de funcionamento associados a cada uma das soluções. um circuito de bombeamento transporta um líquido contendo alguns sólidos de um tanque de armazenamento para um tanque pressurizado.20% e com um considerável ruído de cavitação.Pontos de funcionamento de cada alternativa estudada. a válvula apresenta danos de cavitação em intervalos regulares. Mantendo o sistema inalterado resultará num custo anual de 4 000 € para reparação da válvula.6 Exemplos de aplicação do Custo do Ciclo de Vida 5.08 €/kWh e a eficiência do motor de 90%. Após a revisão dos cálculos do projecto. Parece que a válvula não se encontra correctamente adaptada à instalação. • Considerou-se o custo anual de manutenção periódica de um variador de frequência de 500 €/ano. c) Instalar um Variador de Frequência (VF). • O custo anual para a manutenção periódica das bombas é de 500 € por ano. aos quais deve ser acrescentado 2 250 € para alterar o impulsor. Esta perda de pressão reduz a pressão diferencial através da válvula de controle em 10 m. A substituição da válvula de controlo apresenta um custo de aquisição e instalação de 5000€. • O processo é operado em 80 m3/h em 6. Os cálculos do Custo do Ciclo de Vida para cada uma das quatro opções são resumidos no Quadro 1. Bomba Alterando o diâmetro do impulsor para 375 milímetros. O custo de energia anual com o impulsor menor é 6 720 € por o ano. Em consequência do grande diferencial de pressão. Um variador de frequência de 30 kW tem um custo de 20 000 €.000 horas/ano.6. Espera-se que não seja necessário nenhuma reparação nos 8 anos seguintes. acrescidos de 1 500 Euros adicionais para a instalação e 500 € anuais para manutenção. 98 . 5 . Reservatório Reservatório Pressurizado Válvula de Controlo Permutador de Calor Fig. Na figura seguinte apresenta-se um esquema simplificado do sistema. d) Manter o sistema actual. Um permutador de calor aquece o líquido.0 m e 80 m3/h. Na análise do CCV efectuada utilizaram-se os seguintes critérios e suposições: • O preço de energia actual é actualmente 0. e remover a válvula de controlo. De modo a equacionar várias alternativas analisou-se o actual funcionamento do sistema. originando uma maior perda de pressão através da válvula de controlo do que inicialmente estimado. Antes da troca da válvula de controlo. 4 . a carga total da bomba é reduzida a 42. descobriu-se que a bomba instalada estava sobredimensionada (110 m3/h em vez de 80 m3/h previstos). admitindo uma reparação anual da válvula.Sistema de bombeamento estudado O sistema apresenta problemas na válvula de controlo (VC) que falha devido à erosão causada pela cavitação. com um custo da reparação de 2 500 € cada segundo ano. aproximando a válvula do ponto para que foi projectada. foram consideradas outras opções e executada uma análise de custo do ciclo de vida às soluções alternativas. demonstrando que a válvula instalada não é apropriada para este processo. e uma válvula de controlo regula o caudal no tanque pressurizado a 80 m3/h. • A taxa de juro foi de 8% e uma taxa de actualização de 4% é esperado.

b) Instalar uma central hidropneumática de velocidade fixa.000 11.500 4. semanal ou mensal) o volume de água elevado será igual ao volume de água consumido. com um caudal de ponta de 18. 99 .500 8 8 4 91.500 8 8 4 59. a) Elevar a água para um reservatório superior Nesta opção. 6 O funcionamento do sistema de pressurização funcionará. Foram comparadas as seguintes soluções: a) Elevar a água para um reservatório superior.930 A opção B.08 11.088 500 2.000 6.CUSTOS DE CICLO DE VIDA (CCV) DAS VÁRIAS SOLUÇÕES ESTUDADAS Alternativa A Investimento inicial (€) Custo da energia (€/kWh) Potência média absorvida (kW) Horas por ano Custo de energia (€) Custos de manutenção (€) Custos de reparação (cada 2 anos) (€) Outros custos anuais (€) Custos ambientais (€) Custos de desmantelação (€) Vida útil (anos) Taxa de juro (%) Taxa de actualização (%) Valor de CCV (€) 5. Para este sistema optou-se pela instalação de duas bombas do tipo "CR 15-5". De modo a simplificar a análise considera-se que o sistema de pressurização será alimentado directamente de um reservatório com nível constante onde a água é mantida à pressão atmosférica.0 6.500 0.08 14.08 23.827 Alternativa B 2. em função do volume do reservatório superior. com base nos pressupostos apresentados.6 m3/h.568 1 000 2.6 6. deverá ser instalado um reservatório superior a uma cota que permita uma pressão residual.2 Escolha do sistema de pressurização na fase de projecto Neste exemplo será analisado o Custo do Ciclo de Vida para diferentes sistemas de pressurização a um edifício de habitação.250 0. No final de um ciclo (diário. a altura manométrica deverá ser de 5.720 500 2. Existe portanto um único ponto de funcionamento como é demonstrado na figura seguinte: 5.000 0.481 Alternativa C 21.000 5. no aparelho mais desfavorável. tem o Custo do Ciclo de Vida mais baixo e apresenta-se como a solução economicamente mais favorável. c) Instalar uma central hidropneumática de velocidade variável.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia QUADRO 1 . o qual abastecerá graviticamente toda a rede doméstica. por ciclos.500 8 8 4 74. alterar o impulsor.088 500 2. cujas parcelas do CCV são apresentadas no quadro 3.6.1 6.313 Alternativa D 0 0.0 Bar.08 23.000 8 8 4 113. Altura Manométrica Caudal Fig. Para garantir a pressão residual mínima.000 11.1 6.

Há ainda a considerar que num sistema desta natureza. Os valores do CCV são resumidos no quadro 3. existindo por vezes desfasamento entre os consumos dos aparelhos de diferentes pisos. Fig.Curvas características Fig. Trata-se de uma simplificação conservativa uma vez que em muitas situações o consumo de energia será inferior ao simulado. existe uma variação nos caudais bombeados. Na figura 8d é apresentado a gama de pontos de funcionamento admitida por este sistema. Nesta solução. Optou-se pela instalação de uma central hidropneumática de velocidade fixa do tipo "Hydro 1000" composta por três bombas "CR 10-7". b) Fig. conforme é apresentado na figura 7. a pressurização será realizada por ciclos. O sistema de pressurização consegue assim satisfazer um grande número de solicitações ou leis de consumo. a análise do sistema é mais complexa uma vez que o bombeamento será directamente efectuado para a rede de distribuição. há variação do termo independente do caudal (a altura geométrica). relativamente às situações anteriores.PERFIL DE CARGA CONSIDERADO 1 Caudal (%Qp) Pressão (%Pmáx) Tempo (h) 100 100 150 2 75 100 300 3 55 100 450 4 35 100 900 5 12 100 1500 Nas figuras seguintes são apresentadas as possíveis alterações às curvas características da bomba e da instalação. entre a pressão máxima e mínima (estabelecida em função do caudal provável e a pressão residual no aparelho mais desfavorável). a curva característica da instalação variará por aumento do caudal (Fig 8a). para a mesma altura geométrica. logo a curva característica da instalação varia conforme é demonstrado na figura 8b. 7 c) Instalar uma central hidropneumática com variador de frequência. dentro dos limites impostos pelo equipamento electromecânico e pela instalação. No presente exemplo foi estimado o mesmo perfil de carga definido para o sistema anterior. Neste sistema existe um conjunto de pontos de funcionamento. Os gastos de energia são mais difíceis de estimar porque a variabilidade real dos caudais também o é. Os ciclos de funcionamento estão muito dependentes do consumo dos caudais na rede. logo a curva característica da bomba toma as formas apresentadas na figura 8c. Em primeiro lugar. embora de funcionamento mais simples. Por outro lado. a velocidade de rotação da bomba pode variar. É assim possível responder a uma grande variabilidade de situações. ao longo da curva característica da bomba. 9 100 .O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia b) Instalar uma central hidropneumática de velocidade fixa. acompanhando portanto as flutuações de caudais verificados nesta. junto ao reservatório inferior Neste sistema. 8 . Na análise de custos considerou-se o seguinte perfil de carga: QUADRO 2 . Trata-se portanto de um sistema com grande flexibilidade. Assim. Consequentemente o caudal na rede variará entre os valores estabelecidos para arranque e paragem dos grupos.

696 5. QUADRO 3 . com base nos dados e pressupostos utilizados.08 6. Situação inversa é verificada na alternativa B.08 €/kWh. Os cálculos do Custo do Ciclo de Vida para cada uma das quatro opções são resumidos no quadro 3. uma vez que assume valores entre a mesma ordem de grandeza do investimento inicial (alternativa C) e o dobro do investimento inicial (alternativa B). 33% e 26% para as alternativas A.5 3. Os custos anuais de manutenção para as alternativas A e B são de 500 € e 400 € para a alternativa C.000 0. a alternativa A pode apresentar problemas associados à exequibilidade da construção do reservatório à cota pretendida.5 37. de salubridade e de sobrecarga na estrutura do edifício.154 492.5 3.5%.850 0. • Não há nenhum custo de eliminação ambiental associada.08 8. • Não foram considerados os custos associados à construção do reservatório superior.08 5.655 452. • Este projecto tem uma vida de 20 anos.038 (***) . B e C.4 500 500 20 3.32 400 500 20 3. Pode-se ainda verificar que a parcela energia não é desprezável no valor final do CCV.900 0. 101 .O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia Na análise do CCV efectuada utilizaram-se os seguintes critérios e suposições: • Os custos dos equipamentos electromecânicos são valores médios de mercado. • A taxa de juro e a taxa de actualização foram consideradas iguais a 3. respectivamente. (**) -"Hydro 1000 C/S 3xCR 10-7"."2xCR 15-5". • O preço de energia actual é 0. os gastos de energia representa 24%.5 37. Embora não tenha sido considerado no presente cálculo.5 38.5 3. • Foi desprezado o custo da energia a diferentes horas do dia.3 500 500 20 3.990 + 2. Alternativa B(**) 5.806 Alternativa C(***) 9. a alternativa C apresenta os maiores custos de primeiro investimento mas os menores em energia e manutenção. Relativamente aos valores do CCV.066 654.CUSTOS DO CICLO DE VIDA (CCV) DAS VÁRIAS SOLUÇÕES ESTUDADAS Alternativa A(*) Investimento inicial (*)(€) Custo da energia (€/kWh) Consumo de energia (kWh/ano) Custo de energia (€/ano) Custos de manutenção (€/ano) Custo médio de reparação (€/ano) Outros custos anuais (€) Custos ambientais (€) Custos de desmantelação (€) Vida útil (anos) Taxa de juro (%) Taxa de actualização (%) Valor de CCV (€) (*) . • O custo anual para reparação das bombas é de 500 € por ano."Hydro 2000 ME 3xCR 10-6" Nesta análise pode-se contactar que.

"Theoretically attainable efficiency of centrifugal pumps". Petersen. J. Technical University of Darmstadt. Federal Energy Management Program. "Study on improving the energy efficiency of pumps".7 Referências bibliográficas Europump.SAVE.. and Lauer. B. "Life-cycle costing manual". 1995 102 .O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5.. "Pump life cycle costs: A guide to LCC analysis for pumping systems'. Hydraulic Institute. Sieglinde K. February 2001 European Commission . 2000. "Study on improving the efficiency of pumps". Fuller.Final report. 1994. 2001. US Department of Energy. Stoffel. VDMA project . (ISBN 1-880952-58-0) European Commission. Stephen R.

Sistemas de Pressurização Grundfos 6. SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO GRUNDFOS Autor: Florindo Maia Director de Apoio a Projectistas Bombas Grundfos Portugal 103 .

104 .

incluindo válvula de retenção.1. Os sistemas de pressurização. colector de compressão comum. Código de identificação Hydro100 Gama Grupo hidropneumático Tipo grupo electrobomba Capacidade do depósito HP CR5-8 80 6. e consequentemente o sistema está sobre pressão. pressóstatos (um por grupo electrobomba).2 Sistemas de pressurização com grupos electrobomba de velocidade fixa 6. integrando uma ou mais electrobombas.2.1 Sistema Hydro 100 6. de potência e hidráulicos que permitem o seu funcionamento integral. o grupo electrobomba não funciona dado que o depósito está com uma reserva de água.Sistemas de Pressurização Grundfos 6. O grupo electrobomba funcionará para que o depósito seja novamente enchido até atingir a pressão de paragem pré-regulada. com variação de velocidade integrada.1 Sistema Hydro 100 HP Constituição É constituído por um grupo electrobomba montado numa base.1 Introdução Neste capítulo apresentamos as várias soluções práticas com que os sistemas de pressurização são comercializados pela Grundfos. 6. obtendo-se diferentes níveis de eficiência e fiabilidade de exploração.2. Diagrama de princípio Diagrama de princípio Depósito de Membrana Pressóstato Manómetro Contactor Grupo electrobomba Válvula de Retenção Válvula de Seccionamento Simbologia VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO COLECTOR PRESSÓSTATO MANÓMETRO CABOS ELÉCTRICOS QUADRO ELÉCTRICO Limite de fornecimento Válvula de pesca DEPÓSITO TUBAGEM 105 . Modo de funcionamento No acto da instalação deve-se proceder à regulação do pressóstato em função da pressão de arranque e paragem pretendida. manómetro.2 Sistema Hydro 100 HM Constituição Este sistema hidropneumático é constituído por 2 ou mais grupos electrobomba montados numa base comum.2. tendo uma válvula de seccionamento e retenção por grupo electrobomba. Não existindo consumo de água. podendo porém ser utilizados outros tipos de electrobombas de superfície ou submersíveis. será a reserva de água existente no depósito sob pressão que fornecerá esta até à pressão de arranque do grupo electrobomba. Os controlos diferenciam os vários sistemas de pressurização permitindo ajustá-los às exigências da instalação. nas versões de velocidade fixa e velocidade variável. Nos exemplos apresentados são sempre referidas as electrobombas multicelulares verticais CR ou CRE. quadro eléctrico. podendo como opcional ser equipado o quadro eléctrico e respectivo suporte de fixação. manómetro.1. constituem um conjunto compacto e caracterizam-se por incorporar electrobombas e todos os componentes de controlo. depósito de membrana. pressóstato. Havendo necessidade de consumo. acessório de intersecção e depósito de membrana.

os restantes grupos electrobomba entram em funcionamento.3 Sistema Hydro 100 HS Constituição Este sistema hidropneumático é constituído por 2 ou mais grupos electrobomba. Hydro100 HS 2 Gama Central com reservatório N. dará ordem de paragem dos grupos electrobomba. a pressão de descarga sobe e os grupos electrobomba são desligados em sequência inversa. Ao reduzir o consumo de água. se o consumo de água continuar a aumentar. um dos grupos electrobomba arranca. também poderá funcionar com uma electrobomba de baixo caudal com um grupo electrobomba auxiliar ( jockey). quadro eléctrico completo com unidade electrónica CS 1000 e depósito de membrana.2 Sistema Hydro 1000 6.Sistemas de Pressurização Grundfos Modo de funcionamento O depósito de membrana fornece água a consumir desde que os grupos electrobomba estejam parados. Assim que haja consumo de água.1.2. o primeiro grupo electrobomba entra em funcionamento. Após a pressão descer abaixo do valor mínimo. e de retenção por grupo electrobomba. apenas quando um dos grupos electrobomba começar a funcionar e seja detectado nível mínimo no reservatório. tendo uma válvula de seccionamento e retenção por grupo electrobomba.1 Sistema Hydro 1000 CS Constituição É constituído por dois a quatro grupos electrobomba verticais CR. quadro eléctrico. pressóstatos (um por grupo electrobomba e compressor de ar).º de grupos electrobomba Tipo de grupo electrobomba Capacidade reservatório CR32-5 1500 Diagrama de princípio 6. parando assim que atinja a pressão pretendida. reservatório de água sem membrana equipado com sistema de controlo de nível. pressóstatos. Modo de funcionamento Este sistema efectua o sistema de arranque e paragem por intermédio da regulação dos pressóstatos em sistema de cascata.2. mais grupos electrobomba arrancam em cascata até conseguirem fornecer o caudal necessário para manter a pressão dentro do intervalo regulado.2. Simbologia Para além dos grupos electrobomba principais. VÁLVULA DE RETENÇÃO MANÓMETRO PRESSÓSTATO PORTA ELÉCTRODO VISOR DE NÍVEL CABOS ELÉCTRICOS QUADRO ELÉCTRICO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO VÁLVULA DE SEGURANÇA GRUPO ELECTROBOMBA RESERVATÓRIO VÁLVULA DE RETENÇÃO DE AR COMPRESSOR TUBAGEM COLECTOR 106 . tendo uma válvula de seccionamento. o primeiro abastecimento é efectuado pelo reservatório. a pressão na descarga aumentará e o controlador após receber esta informação do pressóstato. montados numa base comum. colector de compressão comum. Quando o consumo de água diminuir. manómetros. Código de identificação Hydro100 HM Gama Central com depósito N. em sequência (um a um). assim que atingem as respectivas pressões de paragem. Quando a pressão baixa até ao ponto de regulação. Se o consumo de água continuar a aumentar. manómetro. colector de compressão comum.2.º de grupos electrobomba Tipo do grupo electrobomba Capacidade do depósito 2 CR5-10 80 Código de identificação 6. O compressor arranca quando solicitado. montados em paralelo sobre uma base comum.

dependendo das necessidades.1 Sistema Hydro 2000 MS Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 é constituído por 2 a 6 grupos electrobomba CR em paralelo montados numa base comum. GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Código de identificação HYDRO 1000 Tipo Controlo arranque/paragem Número de grupos electrobomba Tipo de grupos electrobomba Capacidade depósito CS 3 CR10-6 300 Modo de funcionamento Quatro grupos electrobomba iguais controlados através de pressóstatos e um depósito de membrana. 6.2. O controlador CS 1000 altera a ordem de arranque após a paragem dos grupos electrobomba.Sistemas de Pressurização Grundfos Diagrama de princípio Três grupos electrobomba em funcionamento. Diagrama de princípio Um grupo electrobomba em funcionamento. providos com todos os acessórios necessários e quadro eléctrico de comando com Controlo 2000. Desta forma o tempo de funcionamento é distribuído entre os grupos electrobomba. GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO 107 .3.2.3 Sistema Hydro 2000 6. A central Grundfos Hydro 1000 mantém a pressão praticamente constante através da activação ou desactivação de grupos electrobomba.

conforme as necessidades. Três grupos electrobomba em funcionamento. através do comando.2. A pressão de paragem (Hstop) não pode ser configurada. sendo um grupo electrobomba auxiliar com 50% de capacidade dos grupos principais. três grupos electrobomba principais idênticos. A alternância de funcionamento dos grupos electrobomba é automática. depósito de membrana. e depende da carga.2 Hydro 2000 MSH Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 MSH é constituído por 2 a 6 grupos electrobomba.3. A central supressora Hydro 2000 MS mantém uma pressão quase constante. com controlo por arranque-paragem através dos contactores-arrancadores. através dos contactores-arrancadores e depósito de membrana. período de tempo ou de avaria. Modo de funcionamento Um grupo electrobomba auxiliar com 50% da capacidade de um grupo electrobomba principal. ligando ou desligando os grupos electrobomba.Sistemas de Pressurização Grundfos Modo de funcionamento Quatro grupos electrobomba idênticos com controlo por arranque/paragem. 6. em funcionamento. Diagrama de princípio GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Um grupo electrobomba em funcionamento. pelo facto de ser determinada automaticamente. 108 . Um grupo electrobomba com 50% da capacidade do grupo electrobomba principal. Um grupo electrobomba principal e um grupo electrobomba auxiliar com 50% da capacidade do grupo electrobomba em funcionamento.

através do comando ligando ou desligando o grupo electrobomba auxiliar dos grupos electrobomba principais. válvula de retenção e seccionamento na compressão e depósito de membrana assente sobre uma base de inox. transdutor de pressão.1 Sistema Hydro Solo E Constituição É constituído por um único grupo electrobomba da gama CRE.MSH Número de grupos electrobomba principais Tipo de grupo electrobomba principal Número de grupos electrobomba auxiliares Tipo de grupo electrobomba auxiliar Painel de controlo do Controlo 2000: PMU: PMU 2000 PFU: PFU 2000 Depósito de membrana / Capacidade 6. mantém uma pressão quase constante. dependendo das necessidades. A alternância entre os grupos electrobomba principais é automática e depende da carga.Sistemas de Pressurização Grundfos A central supressora Hydro 2000 MSH. Código de identificação Hydro 2000 MSH 2 CR 20-6 + CR 10-12 PMU 80 L Tipo de central Subgrupo: MS . Diagrama de princípio GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE ISOLAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO 109 . manómetro. A pressão de paragem (Hstop) não pode ser configurada. período de tempo ou de uma avaria.3 Sistemas de pressurização com grupos electrobomba de velocidade variável 6. O grupo electrobomba auxiliar arranca sempre em primeiro lugar e pára quando um grupo electrobomba principal entra em funcionamento. interruptor de corte geral.3. pelo facto de ser determinada automaticamente. com sistema de variação de velocidade incorporado na caixa de controlo integrada no motor.

parando de seguida. Código de identificação Exemplo Hydro Solo-E CRE 5-8 1 x 200-240 V Gama Subgrupo Tipo de grupo electrobomba Tensão Um grupo electrobomba em funcionamento. a electrobomba arranca satisfazendo o consumo.3.5 ∆H abaixo do setpoint. Para um valor 0.Hydro 2000 ME Três grupos electrobomba idênticos com motores MGE e depósito de membrana. o grupo electrobomba irá adaptar a sua velocidade ao consumo de água requerido.5 ∆H acima. Para pequenos consumos (caudais reduzidos. montados em base comum. 6. Três grupos electrobomba em funcionamento. providos com todos os acessórios necessários e quadro eléctrico de comando com controlo 2000. aumentando assim o rendimento do sistema. mantendo uma pressão constante. etc. Quando o transdutor de pressão detecta um valor abaixo do requerido (setpoint) a velocidade do grupo electrobomba aumenta até ao valor pretendido fazendo variar a pressão num valor de 0.2 Sistema Hydro 2000 E Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 E consiste em 2 a 6 grupos electrobomba CRE/CR em paralelo. GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Modo de funcionamento .) será o depósito de membrana que suprirá estas necessidades evitando arranques. O valor ∆H é cerca de 10% do setpoint. fugas. 110 .Sistemas de Pressurização Grundfos Modo de funcionamento Diagrama de princípio PRESSÃO DE PARAGEM ∆H PRESSÃO DE ARRANQUE Definida a pressão de ajuste na caixa de controlo.

A central supressora Hydro 2000 MEH. . A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga. O grupo electrobomba auxiliar com motor MGE é sempre o primeiro a arrancar. conforme as necessidades.O grupo electrobomba auxiliar com motor MGE arranca sempre em primeiro. através do ligar/desligar dos grupos electrobomba e do controlo paralelo dos grupos electrobomba em funcionamento.Hydro 2000 MEH Dois grupos electrobomba com motores MGE. Um grupo electrobomba com motor MGE e depósito de membrana em funcionamento. . um ou dois grupos electrobomba principais com controlo arranque/ /paragem e depósito de membrana. . Um grupo electrobomba com motor MGE e dois grupos electrobomba controlados por arranque/paragem em funcionamento. enquanto o grupo electrobomba principal é controlado através de arranque/paragem. . A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga. A central supressora Hydro 2000 MES mantém uma pressão constante através da variação de velocidade com motor MGE. do período de tempo e de avarias.A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga.Hydro 2000 MES Um grupo electrobomba com motor MGE. dois ou três grupos electrobomba principais com controlo arranque/ /paragem e depósito de membrana. do tempo e de avarias. período de tempo e de avarias. mantém uma pressão constante através da variação de velocidade dos dois grupos electrobomba auxiliares com motores MGE. enquanto os restantes grupos electrobomba são controlados por arranque/paragem.Sistemas de Pressurização Grundfos A central supressora Hydro 2000 ME mantém uma pressão constante através da variação de velocidade dos grupos electrobomba ligados. com 50% da capacidade do grupo electrobomba principal. 111 . Um grupo electrobomba auxiliar de 50% da capacidade com motor MGE em funcionamento. alcançando deste modo um desempenho correspondente ao consumo. O funcionamento do sistema é regulado de acordo com as necessidades. Um grupo electrobomba auxiliar com motor MGE e grupo electrobomba principal em funcionamento.

montados em base comum.Hydro 2000 MF Quatro grupos electrobomba idênticos e depósito de membrana: um dos grupos electrobomba é controlado através do conversor de frequência e os restantes por arranque/paragem por meio de contactores.Sistemas de Pressurização Grundfos Código de identificação Hydro 2000 MEH 2 CR 45-2 + 2 CRE 32-2 PMU 300 L Tipo de central Subgrupo: ME .3 Sistema Hydro 2000 F Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 F é constituído por 2 a 6 grupos electrobomba CR em paralelo. providos com todos os acessórios e quadro eléctrico com controlo 2000 e conversor de frequência. Modo de funcionamento . GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Um grupo electrobomba em funcionamento através do conversor de frequência e dois grupos electrobomba que funcionam através da rede eléctrica (arranque/paragem).3.MES Número de grupos electrobomba principais Tipo de grupo electrobomba principal Número de grupos electrobomba auxiliares Tipo de grupo electrobomba auxiliar Painel de controlo do Controlo 2000: PMU: PMU 2000 PFU: PFU 2000 Depósito de membrana / Capacidade 6.MEH . Diagrama de princípio Um grupo electrobomba em funcionamento através do conversor de frequência. 112 .

O grupo electrobomba controlado pelo conversor de frequência arranca sempre em primeiro lugar.Sistemas de Pressurização Grundfos A central hidropressora Hydro 2000 MF. controlado através do conversor de frequência. período de tempo ou de uma avaria. e um ou dois grupos electrobomba principais. Código de identificação Hydro 2000 MFH 2 CR 45-2 + 2 CRE 32-2 PMU 300 L Tipo de central Subgrupo: MF . é sempre o primeiro a arrancar. poder-se-á apreciar nas folhas de teste anexas os diferentes comportamentos registados. O grupo electrobomba auxiliar. Os dois grupos electrobomba auxiliares são alternadamente controlados através do conversor de frequência e os dois grupos electrobombas principais por comando arranque/paragem.MFH Número de grupos electrobomba principais Tipo de grupo electrobomba principal Número de grupos electrobomba auxiliares Tipo de grupo electrobomba auxiliar Painel de controlo do Controlo 2000: PMU: PMU 2000 PFU: PFU 2000 Depósito de membrana / Capacidade 6. . no respeitante à evolução da pressão e da potência consumida na gama de caudais cobertos pelos sistemas.4 Teste de sistemas Para mais fácil compreensão das características dos sistemas de pressurização com velocidade variável e velocidade fixa. A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga. período de tempo ou de uma avaria. Um grupo electrobomba com 50% da capacidade em funcionamento através do conversor de frequência. mantém uma pressão constante através da variação contínua de um dos dois grupos electrobomba. Todos os grupos electrobomba são alternadamente controlados através do conversor de frequência. A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga. A central hidropressora Hydro 2000 MFH mantém uma pressão constante através da variação contínua de velocidade de um grupo electrobomba de 50% da capacidade e os restantes grupos electrobomba são através do comando ligado / desligado conforme as necessidades. Um grupo electrobomba auxiliar a 50% da capacidade em funcionamento através do conversor de frequência e um grupo electrobomba principal que funciona através da rede eléctrica (arranque/paragem). Os restantes grupos electrobomba arrancam ou param dependendo das necessidades.Hydro 2000 MFH Dois grupos electrobomba auxiliares com 50% da capacidade de um grupo electrobomba principal. 113 .

9 399. 0 50. 1 5 68. 3 1 9 4. 8 396. 6 4. ti i º Clent i e Encom enda Clent i e Encom enda Fabr ca i Ti de Bom ba/Cent al po r Codi Bom ba/Cent al go r ºSer e Bom ba/Cent al i r N. 5 1 2 5. 1 1 7. 6 34. 1 398. 1 397. 26. 25. 3 34. 3 6. 7 399. 6 35. 1 398. 8 400. 0 0. 1 6. 5 m m 3/h Hz V kW 1 i /m n. ºde Fases Fr equenci a Tensão Pot ênci a Vel oc. 0 50. 0 398. 0 36. 3 399. 96 0. 4 6. 1 9 9. 0 200 40 1 80 1 60 1 40 30 1 20 1 00 20 80 60 1 0 40 20 0 0 25 50 75 1 00 1 25 1 50 1 75 0 Q ( 3/h) m Cur da Bom ba va D ata O perador Bancada de Ensai o Testem unho Cur de Pot va ênci a 030: 01 : 03. 4 397. 7 3x45 3 50 400 3x7. 1 6 9. 8 399. 1 7 9.Rot ação Tem per ur Am bi e at a ent Tem per ur da Água at a UW ( V) 38. 0 50. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 1 0 1 1 1 2 1 3 81 0000023 H 2000 M E 3 CRE45. 0 9. 2 2. 2 36. 0 50. 9 1 1 3. odut M ot ºPr o or N º. 0 396. 9 24. 1 36. 1 2 62. 0 50. 1 398. ºC P1 ( ) kW Q ( 3/h) m H ( ) m F ( z) H cos phi UU ( V) UV ( V) I R ( A) I S ( A) I T ( A) 0. 97 0. 0 50. 0 50. 215 . 96 0. 6 399. 96 0. 8 29. 97 398. 8 98. 8 396. 22. 0 1 1 8. 1 1 0 5. 90 0. 0 50. 7 398. 4 4. 4 38. 1 26. ºC 1 5 2. 6 32. 5 399.2005-1 00: : : : 114 P1( ) kW H( ) m . 1 0 34. 5 76. 2 397. 0 35. 38. 7 400. 6 23. 7 397. 4 397. 3 4. 5 38. 8 396.Sistemas de Pressurização Grundfos Fol de Test de Centr s ha e ai Cer f cado N . 44. 96 0. 93 0. 25. 96 0. 9 399. 5 38. 5 398. 1 32. 5 398. 4 37. 8 4. 5 34. 8 32. Ti de M ot po or N . 2 36. 4 38. 4 38. 7 399.c/Depósi o de 300L 2 t 91 43D 064 1 48/0507VJ 01 Al ur nom i t a nal Caudalnom i nal N. 0 1 4 26. 1 8 3. 8 50.

0 50. 0 7. 87 0. 3 398. 0 50. 8 84. 1 3 4. 2 7. 1 7 4. 0 50. 0 398. 1 397. 3 70. 3x1 0 3 50 400 3x4 1 8 4. 87 0. 0 396. 1 24. 9 8. 40 0. 2 399. 87 0. 6 397. 7 396. 86 0. 3 398. 4 396. 1 1 5. 1 2 5. 5 397. 1 0 5. 1 0. odut M otor N º. 0 397. 7 68. 0 50. 1 4 4. 87 0. 213 .Rot ação Tem per ur Am bi at a ente at a Tem per ur da Água UV ( V) 816 . m m 3/h Hz V kW 1 i /m n. 0 0. 7 397. 5 397. 215 . 1 6 3. 0 50. 22. 5 398. 8 8. 1 5 3. 3 69. 1 00 22 21 90 20 1 9 80 1 8 1 7 1 6 70 1 5 1 4 60 1 3 1 2 50 1 1 1 0 40 9 8 30 7 6 5 20 4 3 1 0 2 1 0 0 5 1 0 1 5 20 25 30 35 40 0 Q ( 3/h) m Cur da Bom ba va D ata ador O per Bancada de Ensai o Testem unho Cur de Pot va ênci a 031 08: : 03. 8 397. 4 22. 4 398. 0 1 2 5. 1 2 5. 8 7. 2 4. 1 8. 0 50. 0 50. ºde Fases Fr equenci a Tensão Potênci a Vel oc. 86 0. 70. 0. 6 4. 22. 1 8 4. 1 4 3. 1 2 4. 3 67. 3 399. 5 719 . 0 218 . 6 396. 1 399. 9 0. 0 1 1 2. 0 397. ºSer e Bom ba/Cent al i r Ti de M otor po ºPr o N . 1 8 2. 8 50. 4 7. 8 7. 0 50. 2 28. 9 8. 1 6 4. 0. ºC ºC P1 ( ) kW Q ( 3/h) m H ( ) m F ( z) H cos phi UU ( V) UW ( V) I R ( A) I S ( A) I T ( A) 0. 86 398. 7 397. 5 77. 1 8 4. 3 7. 9 8. 4 36. 86 0. 7 397. 23. 7 400. 4 69. 1 8 4.Sistemas de Pressurização Grundfos Fol de Test de Cent ai ha e r s Cer i i t f cado N . 1 9 4. 86 0. º Clente i Encom enda Clent i e Encom enda Fabr ca i Ti de Bom ba/Cent al po r Codi Bom ba/Cent al go r N. 0 50. 2 64. 0 396. 3 396. 5 396. 86 0. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 1 0 1 1 81 0000024 H1 000 3 CR1 1 com Depósi o de 200L 0. 2 80. 9 27. 9 396. 9 399. 6 8. 7 25. 5 1 8 4. 4 4. 0 50. 6 7.2005-1 : 08 : : : P1( ) kW H( ) m 115 . 5 396. 6 1 0 3. 6 1 2 5.0 t 91 43A287 1 0053/0504EG Al a nom i tur nal Caudalnom i nal N. 7 398. 0 399. 6 8. 0 399.

116 .

Comunicação e Gestão 7.Sistemas de Controlo. SISTEMAS DE CONTROLO. COMUNICAÇÃO E GESTÃO Autor: José Dias Director de Serviço Pós-Venda Bombas Grundfos Portugal 117 .

118 .

aplicados em diferentes pontos da instalação. Pode elaborar mapas de controlo automáticos. onde a necessidade do nível não carece de ser controlada com elevado rigor mas visa essencialmente.2 Controlo de sistemas de bombeamento Cada bomba ou conjunto de bombas. tendo para tal desenvolvido o respectivo software de controlo adequado a cada tipo de electrobomba com variação de velocidade. 7. Daí que cada sistema de bombeamento necessita sempre de um conjunto de equipamentos externos às bombas. de modo a efectuarem correctamente as funções para as quais foram seleccionadas e projectadas. 7. Nesta área a Grundfos tem aperfeiçoado e desenvolvido o mais moderno software e aplicando-o aos seus processadores para utilização nos quadros H2000 onde. Este rigor é tanto mais preciso quanto melhor for o equipamento de medida e o controlo das bombas. a selecção e instalação das sondas ou eléctrodos deve ser cuidadosa. de modo a operar os equipamentos de bombeamento de uma forma criteriosa e segura. devem as sondas e sensores ser instalados com a redundância necessária a fim de assegurar o controlo e a garantir a maior segurança e operacionalidade com o mínimo risco de avaria ou falha. manter a reserva de água com níveis aproximados de modo a serem utilizados na medida das necessidades. 7.2. controlo e rentabilização de exploração. possui sistemas de controlo adequados a cada tipo de aplicação. poços ou outros locais. 119 . a sua manutenção e eficiência. custos de manutenção. Comunicação e Gestão 7. custos de exploração. Este tipo de controlo visa efectuar o enchimento constante de um tanque ou cisterna. segurança e operação da instalação. onde a melhor eficiência para cada tipo de instalação é facilmente ajustável. cumprindo as normas eléctricas nacionais de segurança. As bombas necessitam por isso sempre de um sistema de controlo. entre outros. de forma a assegurar a operacionalidade das bombas de acordo com a metodologia recomendada. entre outros. em termos energéticos e de serviço. A Grundfos. bem como registo de avarias ou acontecimentos importantes para optimizar o funcionamento dos equipamentos de bombeamento (bombas.2 Controlo por caudal Visando essencialmente manter o caudal desejado para a instalação. disponibilizando para tal. Garante-se assim um valor de pressão constante na rede de abastecimento independente da variação dos consumos. para a indicação ou medida. com o auxílio de conversores de frequência por si desenvolvidos.Sistemas de Controlo. instalados nos tanques. válvulas. um elevado número de parâmetros que permitem rentabilizar a eficiência das bombas. possibilitando assim assegurar o correcto abastecimento da instalação.2. A fim de assegurar uma correcta operacionalidade dos sistemas de controlo. tanto de uma forma automática como de uma forma manual. Os quadros de controlo da Grundfos (QES) estão preparados para instalação de sensores de nível de uma forma selectiva e ordenada permitindo desempenhar com maior eficiência. mantendo sempre em atenção os requisitos de segurança atrás referidos. deve ser usado de acordo com a instalação e de acordo com a selecção dos outros equipamentos de bombeamento. deve efectuar a sua função de modo aceitável para a sua aplicação.1 Controlo por nível O sistema de controlo por nível requer a utilização de equipamentos eléctricos ou mecânicos. cisternas.2. tanto para a instalação como para os diversos componentes presentes neste processo. tendo em atenção a localização da instalação. • O sistema de comunicação cumpre o processo pelo qual a mensagem é transmitida de modo seguro entre o sistema de controlo e o equipamento accionado. • A gestão cumpre o processo pelo qual é possível contabilizar os diversos parâmetros.3 Controlo por pressão Tradicionalmente o controlo por pressão pode ser efectuado por recurso a um sistema de pressóstatos e vaso de expansão. ou outros que se entenderem beneficiar a instalação. permite racionalizar o funcionamento das centrais de bombeamento de uma forma harmoniosa e eficaz oferecendo uma elevada performance nas aplicações onde é utilizada. ou um controlo interno próprio que desempenhe as mesmas funções de uma forma eficaz (controlo electrónico integrado). Esse sistema pode estar inserido num quadro eléctrico de controlo. O controlo por nível deve ser desenvolvido de acordo com a aplicação específica. aparelhagem de medida e controlo). Permite ou não efectuar relatórios por forma a ajudar ao melhor aproveitamento das variáveis necessárias ao processo de funcionamento. servindo a necessidade dos utilizadores.1 Introdução Definições: • O sistema de controlo cumpre o processo que permite operar de forma automática o funcionamento das bombas de um modo seguro e eficaz. ou recorrendo ao sistema de controlo por transdutor de pressão integrando os processadores Grundfos desenhados e desenvolvidos para o efeito. Este tipo de controlo visa o controlo rigoroso do caudal. a operacionalidade dos mesmos. Este deve operar as bombas de acordo com a potência instalada e de acordo com os objectivos do projecto. Neste sentido. 7.

a unidade de controlo pode ser equipada com um modem GSM. pressão. existem vários modos de implementar a ligação de comunicações entre as estações exteriores e o centro de controlo. no entanto estes devem ser efectuados de acordo com as necessidades de cada instalação. Caso um sistema deste tipo crie relatórios automáticos e proceda à sua transferência semanal para o responsável.2.2.2 Controlos integrados Sistemas de controlo diversos. integrados na mesma rede com o objectivo de controlar automática e/ou manualmente. as unidades de controlo modernas são capazes de utilizar a totalidade do espaço da mensagem SMS. das instalações e dos sistemas de exploração.3 Comunicação entre sistemas de bombeamento 7. toda a instalação. em que se necessite de conjugar várias grandezas. etc. por diferença de caudais ou sistemas em que se actue de acordo com as necessidades de nível. Por outro lado. 7. Por exemplo. Caso seja preferido um simples sistema de transferência automática de alarmes. de acordo com os recursos disponíveis para investimento. Caso seja introduzido um sistema de controlo remoto e monitorização ao nível da rede. Um sistema deste tipo proporciona um enorme aumento na fiabilidade operacional com um investimento moderado.2. referimo-nos a controlos mistos.2 Transmissão de dados Apesar das unidades de controlo das bombas terem um funcionamento totalmente independente. visando a protecção dos equipamentos.3.2.1 Diferentes níveis de controlo remoto As modernas unidades de controlo de bombas permitem que o sistema de controlo e monitorização seja personalizado de acordo com as funções requeridas pelo projecto. Entre eles destacamos outros.4 Outros tipos de controlo Existem muitos tipos de controlo possíveis de aplicar. 7.4. consumo de energia. caudal ou pressão.3.3. 7. É possível integrar este tipo de controlos com os controlos Grundfos. Para isso podem utilizar-se vários processos de comunicação conforme as necessidades e aplicação. estas informações poderão consistir no tempo de funcionamento das bombas. Comunicação e Gestão 7. 7.1 Necessidade de comunicação Com o objectivo de controlar o funcionamento dos equipamentos à distância é necessário dotar as instalações de meios pelos quais cada unidade possa observar o comportamento da outra e actuar automaticamente operando de modo a avisar o operador ou a desenvolver rotinas automáticas para corrigir qualquer anomalia ou processo alternativo necessário. número de arranques.2. como: controlo por diferença de nível. adicionando as informações registadas e analisadas mais importantes à mensagem de alarme.3. isto é.4. 7. visto que não existe nenhum centro de controlo. dos quais abordamos apenas alguns. Como exemplo podemos referir o controlo do nível do tanque ou cisterna a abastecer simplesmente uma rede sobre pressão.Sistemas de Controlo. Pretendemos assim apenas referir-se algumas das variantes possíveis. será possível evitar grande parte das habituais visitas às estações de bombeamento. conforme descrito nas secções seguintes. por diferença de pressão. 1 .2 Comunicação entre sistemas de controlo da mesma rede 7. mesmo que não ocorram quaisquer situações de alarme.1 Controlos mistos Quando se trata de projectar uma instalação tendo vários tipos de controlo a ela ligados. sob a forma de uma mensagem SMS. a transmissão de dados é crucial ao funcionamento dos sistemas de controlo remoto. mas muitas mais existem. que procederá à transferência dos alarmes gerados pela unidade de controlo para o telefone do responsável. O tempo necessário para a transferência de dados pode ser diminuído se a unidade de controlo das bombas efectuar localmente a totalidade da análise dos dados e armazenar os resultados na respectiva memória. Fig.Comunicação directa ou individual 120 .

o que lhe permite transferir o alarme 121 . os alarmes são transferidos para o telefone GSM do técnico de serviço sob a forma de uma mensagem SMS (de texto). em vez de todos os dados registados.Painel de supervisão de gestão integrada 7.4. os modems de rádio e as linhas dedicadas são utilizados quando as distâncias são curtas e quando existe a necessidade de comunicação contínua. Isto também permite que as unidades de controlo das bombas funcionem independentemente. Ambas as extremidades da ligação de comunicações necessitam de um modem para modular os dados para transferência. sem necessitarem de estar permanentemente ligadas ao centro de controlo. A escolha de um método de transferência tem de ser da responsabilidade do utilizador. 7. O computador do centro de controlo cria o texto do relatório de alarme. Todas as tendências indicam que as comunicações por modem GSM irão tornar-se cada vez mais populares no futuro. as estações de bombeamento e a estação de controlo central podem estar situadas a uma grande distância praticamente ilimitada uma da outra. A rede telefónica pública também permite autorizar outras entidades. Também é possível utilizar linhas dedicadas. A moderna tecnologia de telecomunicações GSM constitui uma solução apelativa para o controlo e monitorização remotos de estações exteriores localizadas a grandes distâncias do centro de controlo. Normalmente. normalmente uma semana. Se estiverem ligadas através da rede telefónica pública. Os resultados também podem ser armazenados na estação exterior durante algum tempo. caso existam interrupções indefinidas na ligação de comunicações.3 Transferência de alarmes Os alarmes provenientes de uma estação exterior são transferidos para o centro de controlo. A actual tecnologia de controlo electrónico permite conceber e projectar sistemas de controlo e monitorização versáteis.2. por exemplo. o tempo de funcionamento das bombas. De uma maneira geral. só será necessário transferir os resultados calculados para o centro de controlo. 2 . Ocasionalmente. A transmissão de dados é sempre configurada de acordo com as necessidades individuais. com os circuitos de controlo entre os depósitos de água potável e as estações de captação. tomando em consideração os custos de instalação.4 Gestão integrada entre sistemas de bombeamento Fig. Os alarmes também podem ser transferidos por pager. etc. tal como acontece. Tipicamente. Esta é uma característica importante. uma vez que a instalação de linhas de acesso de PSTN é dispendiosa e a sua disponibilidade poderá estar limitada. bem como o agendamento das tarefas do pessoal técnico de serviço.4. destinados a reduzir os custos de funcionamento a longo 7.1 Controlo e monitorização de estações de bombeamento Todas as estações de bombeamento. Para além do texto do alarme. os custos da transmissão de dados e as características requeridas e proporcionadas por cada método. modems GSM ou qualquer combinação destes. em cuja base de dados são armazenados todos os alarmes recebidos.Sistemas de Controlo. mas este método é raramente utilizado nos últimos tempos devido ao aumento dos custos e da fiabilidade incerta. quer trabalhem individualmente quer façam parte de uma rede de abastecimento ou de rega. tais como fornecedores de equipamentos e empresas de serviços.1. de modems de rádio. para a pessoa certa no momento exacto (caso o alarme esteja categorizado para transferência). a acederem a uma estação elevatória com objectivos específicos. outros alarmes activos (configurados para não serem transferidos). Comunicação e Gestão Assim sendo.3. o volume de bombeamento durante o dia. dependendo apenas do número de informações requeridas. esta mensagem poderá incluir informações mais detalhadas sobre o estado da estação de bombeamento (em funcionamento/parada/falha). A ligação das comunicações tem de ser flexível e permite normalmente a utilização da rede telefónica pública. o computador do centro de controlo também está equipado com uma impressora separada para os alarmes.1 Monitorização e gestão de sistemas mistos 7. A tecnologia GSM constitui frequentemente a melhor alternativa para adaptação de instalações já existentes. O software de administração em execução no computador do centro de controlo efectua a categorização automática dos alarmes. a mensagem contém informações codificadas sobre a identidade da estação e o tipo de alarme emitido. devem ser controladas fiavelmente de modo a proporcionarem um funcionamento seguro e eficiente. composta por várias estações de bombeamento. antes de serem automaticamente enviados em conjunto. contacta o operador do pager e envia a mensagem que será apresentada no pager. cuja função é imprimir todos os alarmes para análise posterior.

dispositivos ultra-sónicos. a sequência de controlo da bomba é bastante simples. técnicos de serviço.1 Funções de controlo O parâmetro mais comum de uma estação de bombeamento H2000. depois de introduzirem a respectiva identificação. de manutenção e exploração. Se estiver instalada mais do que uma bomba de reserva. Os sistemas de controlo e monitorização através da Internet/WAP permitem igualmente que a monitorização remota seja proposta aos serviços públicos ou entidades 122 . em cada sistema. sob a forma da descarga de águas para o ambiente ou para as caves de edifícios. Para possibilitar esta integração. poderia alcançar-se a flexibilidade total proporcionada por um centro de controlo móvel. Recorrendo a diversos tipos de sensores. simultaneamente ou a intervalos ajustáveis. Fig. numa situação em que todas as restantes estejam em utilização. etc. As bombas alternam em cada ciclo. é agora possível um sistema de monitorização ao nível de rede e as possibilidades futuras de combinação da internet e da tecnologia WAP. Este tipo de unidade de controlo utiliza sempre um transdutor ou um sensor de modo a efectuar um controlo em contínuo. poderão consultar os dados históricos detalhados das estações exteriores a partir dos computadores instalados no próprio local de trabalho. Esta solução poderia permitir utilizar software comum para a transferência e comunicação de alarmes. A Grundfos estudou e desenvolveu diversos tipos de controlos para diferentes aplicações. tais como sistemas operativos de PC e protocolos padrão de transmissão de dados e entrada e saída de sinais. engenheiros do sistema de abastecimento. desenvolveu softwares próprios e processos electrónicos para a perfeita adaptação das electrobombas que fabrica. Também a nível do controlo. Estão disponíveis vários tipos de sensores.3 Controlo e monitorização remotos baseados na Internet e WAP As mensagens de alarme transferidas para os técnicos de serviço sob a forma de mensagens SMS são exclusivamente informações unidireccionais. a fiabilidade é a principal preocupação relacionada com a concepção de uma unidade de controlo para uma estação de bombeamento. Normalmente. 7.4. tal como um sistema de controlo da estação de tratamento ou um sistema de controlo integrado da empresa responsável pela rede de abastecimento público de água. esta opção pode ser efectuada por relógio ou por indicação externa. Se o técnico de serviço tivesse a possibilidade de controlar o sistema e alterar alguns parâmetros cruciais a partir do respectivo telemóvel quando estivesse em viagem. bem como inibe os utilizadores de usufruírem do bem de que necessitam. A integração de sistemas é normalmente útil para seleccionar o melhor sistema para cada aplicação e para os combinar a um nível adequado. a intervalos ajustáveis ou a níveis diferentes. bem como a defesa do meio ambiente e o conforto do utilizador. Todas as bombas em funcionamento são paradas. 3 . particulares de abastecimento de água.4. tais como transdutor de pressão. possibilitando a utilização das informações sempre que tal seja necessário.2 Integração do sistema Um sistema de controlo e monitorização de estações de bombeamento pode ser integrado com outro sistema de controlo.Sistemas de Controlo. caudalímetros. Por este motivo. parando quando esta estiver acima do valor requerido.1. Através dos controladores H1000 e H2000 é possível usufruir. As estações de bombeamento não fiáveis representam um risco ecológico e financeiro. é medir a pressão de abastecimento. tendo como preocupação fundamental a fiabilidade das instalações e dos equipamentos de bombeamento. gestores. do seu melhor desempenho. os níveis de funcionamento pré-definidos são o nível de paragem. A integração não significa que todos os sistemas serão executados no mesmo computador com o mesmo software. para assegurar uma distribuição igual da utilização e do desgaste entre as bombas. As mais recentes inovações nas técnicas de controlo e monitorização remotos envolvem a utilização da Internet e da tecnologia WAP para ultrapassar as limitações dos sistemas de monitorização tradicionais anteriormente descritos. A bomba de reserva arranca quando uma das principais estiver em avaria. Comunicação e Gestão prazo e a aumentar a sua fiabilidade. etc.4.4. o nível de arranque e a pressão de controlo.Vários sistemas integrados 7. este factor torna os cálculos de monitorização das bombas mais complicados e menos fiáveis. Em algumas instalações é possível que todas as bombas tenham níveis de arranque e paragem diferentes. tendo sempre em atenção os custos energéticos. As bombas de serviço arrancam quando a variável requerida é insuficiente. 7. independentemente da localização. quando a variável atinge o nível de paragem. os sistemas devem ser concebidos utilizando procedimentos padrão. No entanto. O sistema de controlo e monitorização baseado na Internet permite consultar e criar relatórios dos dados históricos das estações de bombeamento a partir de múltiplas localizações. que monitorizam as estações de bombeamento.. Numa aplicação normal no modo serviço/ /reserva. essas bombas poderão ser iniciadas simultaneamente ao mesmo nível.2 Vantagens de um sistema integrado 7. Por exemplo. os operadores. às aplicações mais diversas.2.1.

Uma corrente de entrada anormalmente baixa indica que a bomba não está a bombear normalmente.2.Sistemas de Controlo. A unidade tem de registar.3 Parâmetros e sinais A unidade de controlo da bomba necessita de vários parâmetros para poder funcionar conforme necessário. 7. é possível instalar uma ou mais bombas de reforço com características diferentes.2 Funções de monitorização A unidade de controlo das bombas efectua a monitorização automática das bombas com base nos parâmetros registados e analisados. através de limites ajustáveis de sub e sobrecorrente no caso dos motores MGE da Grundfos. protegendo ainda a bomba em caso de falta de água e onde não é usada a protecção adicional recomendada. é possível utilizar dimensões reais ou percentagens dos valores de referência. Os sinais digitais são sinais de entrada ou saída e indicam um estado ON ou OFF. tais como alarmes de nível elevado. situação em que o sobreaquecimento do motor se torna um risco devido à possibilidade de falha.2. Os valores a introduzir são normalmente níveis de funcionamento que correspondem a um determinado nível de água no poço. Para efeitos de calibragem. etc. do grupo de bombeamento tem capacidade de memória suficiente para registar os dados ao longo de um determinado período de tempo. Isto permite simplificar o painel de controlo do motor. isto permite que os trabalhos de manutenção e controlo das bombas passem gradualmente da reparação de falhas para a manutenção preventiva e até mesmo para a manutenção preditiva. Intebus. para tratar de caudais maiores. Caso a corrente de entrada suba acima do limite de sobrecorrente. o sistema deve ser capaz de adaptar a variável correctamente e sem ambiguidades. A unidade de controlo da bomba também está programada para indicar todas as falhas de funcionamento da estação até um máximo de 10. Os sinais de entrada digitais necessários são a indicação de funcionamento ou reserva da bomba. Os sinais digitais de saída são necessários para o arranque e paragem das bombas. provenientes de sensores adicionais.4. Quando a pressão de entrada e a duração da sobrecarga são conhecidos. Os outros parâmetros habitualmente requeridos são as dimensões do poço e os valores nominais da corrente de entrada e da capacidade das bombas. o tempo de funcionamento.2. Em conjunto com os relés térmicos ou os dispositivos electrónicos de protecção existentes no arrancador do motor da bomba. bem como os sinais dos contactos isentos de potencial fornecidos pelo relé de presença de tensão e pelo contador de energia. A corrente do motor da bomba é também uma informação necessária para o planeamento das operações de manutenção da bomba. são utilizados para medidas contínuas. quando presentes.4 Registo e análise de dados 7. dados provenientes de um medidor de caudal ou conversor de frequência adicional. removendo deste as características que estão incorporadas no PFU tais como os amperímetros. nível baixo. Todas as funções acima descritas estão disponíveis na unidade de controlo e monitorização C2000 da Grundfos e podem ser lidas a partir do visor da interface PMU. o que pode ser devido ao desgaste do impulsor ou à acumulação de ar. Nestas circunstâncias.). tais como os níveis de arranque e paragem das bombas. Comunicação e Gestão Em alguns casos. os contadores de horas de funcionamento e os relés de sequenciamento. Os sinais analógicos de entrada. Modbus.Registo de dados A unidade de controlo e comunicação G100. A medição da corrente do motor da bomba é necessária para protecção e monitorização. São necessários vários sinais para que o controlo das bombas funcione conforme planeado. dado que o "Reset" do MGE se efectua automaticamente. bem como uma versão especial da aplicação de software. falha de alimentação da bomba e outros alarmes baseados nas definições dos limites dos parâmetros. este não deve ser considerado como dado de controlo mas sempre como de protecção. o número de arranques das bombas e os incidentes relacionados com problemas de corrente no 123 . Estes sinais podem ser digitais ou analógicos. esta é automaticamente parada. pelo menos. Fig. é activada a segurança da instalação automaticamente. para que o operador possa evitar possíveis danos. Estas informações são igualmente importantes para verificar o desempenho operacional da estação de bombeamento e para a determinação das acções de manutenção. fornecidos pelos circuitos de comando. que se encontram nas folhas de características destas.4. A unidade é configurada para proteger o motor da bomba em situações anormais. esta unidade constitui uma valiosa protecção para o motor. etc.4. informações sobre a condição do óleo do empanque da bomba. Em última análise. este sinais correspondem a medições da temperatura dos enrolamentos e dos rolamentos do motor da bomba. Todos estes valores podem ser enviados para o sistema de gestão através de uma porta de conversão de protocolo G100 (Profibus. 4 . Os parâmetros são introduzidos na unidade com base nas dimensões reais da estação e em unidades recolhidas no projecto ou medidas no local da instalação. Por exemplo. os níveis baixo e alto de alarme e os níveis de sobrecarga. 7. A utilização destes sinais pode requerer uma placa de expansão adicional. Caso ocorra a sobrecarga de uma estações de bombeamento.

2. 7.5 Interface do utilizador Para aceder aos dados e introduzir parâmetros. Este interface tem de ser composto. o utilizador necessita de um interface para trabalhar com a unidade de controlo das bombas. estes dados serão convertidos para esta base onde deverão ser tratados. no mínimo. necessitará de dispor de capacidade de memória suficiente para armazenar os dados registados e analisados durante vários dias. Isto deve-se ao facto da perda de dados cruciais não ser aceitável. para um computador portátil com software adequado. a intervalos específicos. Dado que a mesma se encontrará interligada com um sistema de gestão instalado num PC. por um pequeno visor LCD e um teclado. através de um sistema automático de controlo remoto. Comunicação e Gestão motor da bomba. A utilização de um interface deste tipo tem de ser simples e lógico. facilitam e aceleram a leitura rotineira dos dados.Sistemas de Controlo.4. O utilizador tem de ser capaz de introduzir todos os parâmetros necessários e de ler os dados registados e calculados utilizando o teclado. Os dados registados podem ser agrupados e analisados mais detalhadamente através da sua transferência. Para esta situação a Grundfos dispõe de uma unidade PMU para o efeito. ou continuamente. São utilizados indicadores luminosos separados para a indicação de alarmes e do estado de funcionamento das bombas. Habitualmente. 124 . nem mesmo durante possíveis quebras de comunicação entre a estação exterior e o centro de controlo. tais como a função de varrimento automático. algumas funções úteis. Mesmo que a unidade de controlo das bombas funcione como uma estação exterior de um sistema de controlo e monitorização ao nível da rede.

Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8. INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE BOMBAS E SISTEMAS DE BOMBEAMENTO Autor: José Dias Director de Serviço Pós-Venda Bombas Grundfos Portugal 125 .

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É recomendado por isso.Permite proteger a instalação contra os regimes transitórios . também denominado depósito de membrana.golpes de aríete (consultar capítulo 4). O manual de instalação de cada tipo de bomba alerta para estas condições. espaço livre de passagem e ausência de humidade que os equipamentos necessitam para o seu correcto funcionamento e longevidade.Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8. e outros equipamentos de comando e regulação alimentados por corrente eléctrica. CAPACIDADES MÍNIMAS RECOMENDADAS Capacidade do depósito de membrana [litros] Modelo da bomba CR(E) 3 CR(E) 5 CR(E) 10 CR(E) 15 CR(E) 20 CR(E) 32 CR(E) 45 CR(E) 64 CR(E) 90 Velocidade fixa MS 60 80 200 200 200 300 300 500 500 MSH 100 100 200 200 300 500 500 MF 60 80 80 200 200 200 200 200 200 MFH 200 200 200 200 500 Velocidade variável ME 60 60 80 80 80 200 200 200 200 MEH 60 80 200 200 200 200 200 MES 60 60 80 80 200 200 200 200 500 NOTA: Sempre que os sistemas não refiram capacidades de depósitos é por estes não serem normalmente utilizáveis. 127 . A sua localização deve ainda respeitar e considerar a necessidade de manutenção e intervenção local bem como condições de remoção do local.2. os quadros eléctricos de controlo e restantes equipamentos de medida e controlo. tem a ver com as condições ambientais de funcionamento.1 Localização do equipamento de bombeamento Os equipamentos de bombeamento devem ser instalados de acordo com as especificações dos manuais de instalação respectivos tendo em atenção as características ambientais. Valores apresentados nas tabelas que em alguns casos varia a capacidade do depósito também em função do número de bombas. 8. tais como temperatura e humidade. permitindo alargar os períodos de manutenção. Utilização de reservatórios de membrana Porquê utilizar um reservatório de membrana.2. Deste modo alertamos para a necessidade de ventilação. 3 . A Grundfos recomenda reservatórios cuja capacidade mínima é a abaixo mencionada. devem ser instalados de acordo com as suas características físicas e de protecção. Os equipamentos de bombeamento.1 Introdução Para a correcta instalação das bombas e restantes equipamentos de bombeamento devem ser consideradas algumas regras de acordo com os diversos equipamentos que compõem a instalação. de modo a garantir-se o seu correcto funcionamento e duração de vida e de acordo com os manuais de instalação e operação respectivos. que são: 1 .2. 2 . eléctricas e físicas. Os equipamentos eléctricos.Reduzir o número de arranques e paragens das electrobombas no tempo. motores equipamentos electrónicos. possuem características especiais que devem ser respeitadas quando instaladas em ambientes em que as condições de temperatura sejam adversas. 8. bem como a sua localização.2 Requisitos para instalação 8. para além destas ainda devem ser consideradas as condições relativas aos quadros eléctricos de controlo e protecção.3. permitindo a compensação de fugas e pequenos consumos.2 Necessidades de ventilação Uma das mais importantes características de bom funcionamento dos equipamentos eléctricos e electrónicos.Para compensação da pressão no sistema durante os períodos de paragem da bomba. as quais devem ser cuidadosamente respeitadas. numa central de abastecimento? Existem três razões essenciais para montar um depósito de membrana numa central. que as centrais de bombeamento sejam instaladas tendo em atenção estas características por possuírem estes componentes e consequentemente necessitarem de condições de verificação adequadas. 8.

de modo a prevenir possíveis avarias e danos às bombas e à instalação. • Uso de filtros sem a manutenção adequada. A Grundfos disponibiliza um sistema de protecção electrónico contra a falta de água. a altura de aspiração demasiado elevada e ainda a desferragem das bombas. de modo a garantir o seu funcionamento para além das protecções existentes. Nesse sentido em cada sistema de bombeamento. a bomba pára. boiadores. deve ser efectuado tendo sempre em atenção ao valor da curva de NPSH para esse mesmo ponto. 1 . poderemos apontar: • Percursos muito longos • Tubagens subdimensionadas • Demasiados acessórios na tubagem de aspiração da bomba. estas estão preparadas para com sistemas de protecção suplementar interna. a uma cisterna com pressão positiva.3 Instalação de sistemas de bombeamento Na instalação de um grupo ou de uma central de bombeamento é necessário sempre respeitar as regras de instalações hidráulicas.3. 2 . após várias tentativas. Fig. variável. Nesse sentido os equipamentos devem ser protegidos a nível mecânico. o uso de equipamento auxiliar como sensores de nível. no entanto a fim de evitar o funcionamento indevido das bombas sem água. Como exemplo de instalações susceptíveis de provocar avarias. isto é.Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8. eléctrodos ou transdutores são outros dispositivos de segurança que devem ser consideradas como medidas de protecção. etc. a cavitação. Para as bombas com variação de velocidade CRE. os mesmos devem estar preparados com os cuidados devidos de modo a evitar danos.1 Aspiração negativa As centrais de bombeamento instaladas com este tipo de instalação. denominado LiqTec. Os maiores problemas susceptíveis de ocorrer nestas instalações relacionados com as bombas são os provocados pelo funcionamento sem água. mas também a segurança. hidráulico e eléctrico. devem ser considerados cuidados específicos e regras de segurança de modo a que respeitem as condições de aspiração próprias das bombas CR. bem como acústico nos casos em que tal se justifique. as regras referentes à instalação eléctrica e ainda às regras de boa prática de montagem mecânica. é necessário que as mesmas estejam devidamente protegidas contra essa possibilidade ou outras que possam provocar danos às bombas. daí que as centrais devam ser instaladas como se de bombas individuais se tratassem e os elementos de protecção individuais devem de igual modo respeitar esta regra. não existe o risco dos casos mencionados anteriormente. a protecção contra sobreaquecimento do motor e outras protecções eléctricas. que permite a maior duração dos empanques e casquilhos. volta a funcionar. O cálculo do ponto de funcionamento da bomba. se uma destas avarias ocorrer. No funcionamento normal. caso falhe o sistema de protecção existente contra falta de água. à instalação ou às pessoas. O uso de válvulas de retenção eficazes e com reduzidas perdas de carga. em que se recorre à ligação do grupo ou da central de bombeamento.Sistema de protecção LiqTecTM 8. Nesse sentido é necessário prover a instalação dos adequados sistemas de protecção por forma a evitar que os mesmos ocorram. Fig. em que o nível da água está a um nível superior ao das bombas.3. Se a avaria persistir. o qual permite a fiabilidade das bombas sempre que se verifiquem roturas no abastecimento de água.2 Aspiração de cisterna elevada Neste tipo de abastecimento. Entre as protecções existentes internamente nos motores MGE da Grundfos. em que é requerido a aspiração de água de um nível mais baixo que o nível em que estão instaladas as bombas. protecção contra falta de água. A segurança dos equipamentos e das pessoas deve ser sempre respeitada.Central de bombeamento tipo com aspiração negativa 8. por um conjunto de instrumentos que respeitem o seu funcionamento de uma maneira geral. bem como a temperatura dos motores e dos empanques das bombas. destacamos. 128 . Os quadros eléctricos de controlo devem dispor de protecções de modo a garantir a protecção e o bom funcionamento da instalação e das bombas individualmente. a bomba pára e só após algum tempo.

a protecção contra falta de água é uma das suas características internas como protecção ao equipamento. falta de fase. a mesma deve ser sempre considerada apenas como redundância a uma falha do sistema de controlo. Genericamente os materiais de maior necessidade de intervenção quando se trata de bombas CR. Estas bombas e os quadros que as controlam. 129 .4 Manutenção 8. possam necessitar de maior intervenção. contra sobrecarga. a poupança de energia e a preservação das condições de segurança dos equipamentos e da instalação. Relativamente a bombas com variação de velocidade Grundfos. não devendo ser entendida como característica de operação. que adicionado à pressão de funcionamento das bombas.4. protecção contra sobreaquecimento do motor. Dentro destes poderemos considerar: • Rolamentos dos motores e das bombas. tendo como objectivo sempre. caso não sejam tomadas em consideração as pressões de funcionamento. 3 . com aspiração de cisterna elevada • Anéis de desgaste e casquilhos. têm de se adaptar à instalação e às diversas situações.3.Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8. o já referido funcionamento em seco. como ainda para um possível aumento de pressão. São exemplo disso. Fig. podem provocar avarias na instalação ou nas bombas. Como qualquer outro equipamento. Nestas redes os grupos ou as centrais de bombeamento devem estar protegidas contra funcionamento acima da pressão de rotura da instalação ou acima da pressão das próprias bombas. não só contra falta de água. devem estar relacionados sempre com o equipamento respectivo e deve para o efeito ser consultado o manual técnico de instalação e operação das bombas. são aqueles que sujeitos a maior esforço físico ou desgaste por fricção. 5 .Central de bombeamento com aspiração positiva Normalmente são equipamentos externos às bombas e que complementam a sua segurança.Central de bombeamento tipo com aspiração de uma rede 8. quando existirem • Empanques e retentores Fig. etc.Central de bombeamento tipo.3 Aspiração de uma rede sob pressão Nas redes sob pressão há que ter em conta também um eficaz sistema de protecção. como por exemplo o funcionamento em situações de perdas de carga variável. Fig.1 Manutenção aos equipamentos de bombeamento Os aspectos a ter em conta para efeitos de manutenção específicos. Mas nestas bombas existem ainda outras protecções complementares que evitam as protecções externas atrás mencionadas. Neste tipo de aplicação pode ocorrer excesso de pressão na aspiração. 4 .

Sempre que se notar um funcionamento irregular ou fora do normal. bem como as condições de ventilação da sala onde a central ou as bombas estão instaladas. deve ser efectuada uma inspecção regular. Também devem ser respeitadas as condições de temperatura de funcionamento e as regras de bom funcionamento e ventilação. com a periodicidade acordada inicialmente. a qualidade da água.Empanques No entanto no plano de manutenção a estabelecer deve ser sempre considerado. relés ou outros). a eles ligados. o tempo de operação das bombas. de acordo com as especificações de funcionamento previamente estabelecidas. Quando a estes estiverem ligados equipamentos sujeitos a movimento mecânico (ex: contactores. Fig. por outros programas com necessidades de acessos via internet ou outros susceptíveis de os contaminarem com vírus informáticos que possam interferir com o seu bom desempenho. 8. 6 .4. Devem no entanto acompanhar-se e seguir-se a evolução do bom desempenho do mesmo e evitar-se a utilização dos PC's onde estão instalados ou dos outros equipamentos electró- Fig. deve de imediato ser alertado o fornecedor de modo a diagnosticar possíveis falhas.2 Manutenção aos sistemas de monitorização e controlo Para um sistema de monitorização e controlo não é normalmente necessário qualquer manutenção especial.Manutenção de um quadro eléctrico de controlo 130 . 7 . a temperatura da água e a temperatura ambiente.Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento nicos.

SISTEMAS DE ABASTECIMENTO PÚBLICO E PREDIAL NO PORTO Autor: Carlos Medeiros Engenheiro Civil dos SMAS do Porto Professor Auxiliar da FEUP e da FAUP 131 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9.

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A partir de 1855. No reinado de D.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Serviços Municipalizados de Água e Saneamento do Porto Reporta-se a 1392 o mais remoto registo histórico de que há notícia. o Porto já possuir fontes e chafarizes. Em 1983. encontra-se a mesma estabelecida desde 1907. Aumento de reservas. as doenças transmitidas. a evolução dos cuidados com a saúde e ainda as exigências quanto à qualidade de vida impunham uma transformação radical do sistema. justamente preocupada com as condições higiénicas da Cidade. Há anos já que esta Municipalidade. então. É para um dos múltiplos aspectos de um destes problemas que a Câmara Municipal do Porto. Os trabalhos são concluídos em 1886. surgem várias companhias candidatas ao projecto e execução de obras de captação. e para isso esta Municipalidade. vem perante Vossa Majestade solicitar a atenção do seu governo. no areal de Zebreiros (1937). Sebastião (meados do séc. pôs a concurso o projecto e execução das obras necessárias para o saneamento da Cidade. até ao século XIX. mas só em 1 de Janeiro de 1887 é que o abastecimento é regularizado. conhecidíssima pelas obras congéneres executadas em diversas Cidades estrangeiras e exploradora do Sistema Shöne para a elevação de esgotos. 133 . sendo em 22 de Março de 1882 assinado o contrato com a "Compagnie Générale des Eaux pour l'Étranger". expansão das redes de distribuição e transporte são passos importantes de uma nova fase. para uso público.. revelador do facto de. por 3. para uma população de 370. A rede de drenagem de Águas Residuais Domésticas. a ser adquirida pelos SMAS à empresa Águas do Douro e Paiva. já sendo sentida desde algum tempo antes. S.000 habitantes e a água tida como a melhor da Europa. nasce uma nova fase na história dos SMAS com as captações em profundidade em Lever. a rede instalada possui uma extensão de 550 Km e capacidade de tratamento integralmente assegurada em duas ETAR's (Freixo e Sobreiras). o qual é aprovado por Carta de Lei. iniciou-se a construção dos mananciais de Paranhos e Salgueiros que. conhecida a causa indicado estava o remédio. sistema posteriormente alargado aos Concelhos de Gaia. há mais de seis séculos. tratamento e adução em alta e em baixa até finais de 2000. então.. No entanto. O contrato com a Compagnie Générale era válido por 99 anos e foi estendido a Matosinhos no princípio do século. passou o Município do Porto a integrar o Sistema Multimunicipal de Abastecimento de Água à Área Sul do Grande Porto. em profundidade. empreendeu obras que lhe permitissem melhorá-las e organizou Repartições de Estudo que a orientassem sobre a gravidade dos males e meios de os remediar. No que respeita à água para consumo público. A água de abastecimento público passou. a inquinação dessas águas.500 contos. Gondomar.XVI).A. Inicia-se aqui o terceiro ciclo de vida do abastecimento de água à Cidade do Porto. E como causa principal deste lastimoso estado não se pode apontar outra que não seja a falta quase completa de uma rede de canalização para os esgotos da Cidade. começando a Câmara a exercer fortes pressões junto da Companhia que conduziram ao resgate da concessão em 28 de Março de 1927. contudo. com a captação no Rio Sousa. A sua necessidade vinha. em 27 de Julho do mesmo ano." Actualmente. procederam à captação. de 122. transporte e distribuição.000 habitantes equivalentes. Cem anos volvidos. Teve isto lugar em 1896. Maia e Valongo. elevação. altura em que. e à criação dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento em 1 de Abril desse ano. em 11 de Agosto de 1899 refere-se: "São graves. A população da Cidade era. embora sem condições de higiene. os SMAS. De acordo com o documento dirigido ao Rei pela Câmara Municipal do Porto. Concorreu a acreditada firma Hughes And Lancaster. ainda é vulgar designar-se a água do Porto como "água da Companhia". novas captações. se destacaram de entre os principais pólos abastecedores de água à Cidade. os problemas de assistência e higiene pública.. O sistema mostrou-se extremamente vulnerável em regime de cheias dos Rios Douro e Sousa.

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fornecida pela Câmara Municipal. sobre carta topográfica à escala 1:500. são apresentados os principais tipos de sistemas prediais de abastecimento de água. os reservatórios. Os Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto prestarão todas as informações de interesse. a) A localização em planta das condutas. bem como o abastecimento predial de água feita a partir de captação particular (nascentes e furos). militares. variando entre 5 e 20 l (habitante / dia). Consideram-se consumos assimiláveis aos industriais os correspondentes.2 Sistema de abastecimento público 9. com o fim de se garantir o abastecimento para outras finalidades. às unidades turísticas. Os volumes de água para combate a incêndios são determinados em função do risco da sua ocorrência e propagação na zona. Os consumos industriais face a sua grande aleatoriedade.º 250º). nomeadamente às necessidades de água para o consumo e o combate a incêndios. pelo promotor. uso industrial. entre outros. acessórios e instalações complementares. caso a caso.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. É da responsabilidade do autor dos estudos e projectos a recolha dos elementos de base. Em todas as intervenções urbanas.1 Introdução Nesta apresentação são abordados os principais aspectos relacionados com os sistemas de abastecimento públicos e. A concepção dos sistemas de distribuição pública de água no Porto deve passar pela análise prévia das previsões do planeamento urbanístico (planos urbanísticos ou operações de urbanização em que se insiram) e das características específicas da área urbana em que se insiram. b) As secções. Os consumos públicos.º 251º). tais como combate a incêndio. ensino. serão especificadas as principais etapas que constituem o dimensionamento dos sistemas prediais de abastecimento de água fria e quente. Para os obter. bebedouros. assim como as necessidades prediais. Seguidamente. nomeadamente.2. podem geralmente considerar-se incorporados nos valores médios de capitação global. 9. profundidades. 135 . nomeadamente no que respeita à caracterização e localização das redes públicas de abastecimento de água. Por fim.º 18). será necessário requere-los ao Director Delegado dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. fundamentalmente. ser inferior a 250 l (habitante / dia). os sistemas elevatórios e as câmaras de manobras para instalação de equipamentos elevatórios. a definição do grau de risco e do caudal instantâneo a garantir (Art. entre outros. à escala 1:500 (Art.2. lavagem de pavimentos. fornecendo os elementos seguintes. com as condições que determinam a sua aplicabilidade. que devem ser avaliados de acordo com as suas características. tanto a nível técnico como de legislação de soluções de abastecimento directo ou de abastecimento com recurso a sistemas elevatórios que garantam um abastecimento em quantidade e qualidade adequadas ao uso. O diâmetro nominal mínimo das condutas de distribuição é de Ø100mm (Art.1 Aspectos gerais Nos arruamentos públicos existentes compete aos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto a elaboração de estudos e projectos dos sistemas públicos. será importante observar as condições de disponibilidade de abastecimento garantidas pela rede pública. as condições de ligação. elementos acessórios da rede e as verificações necessárias à prévia utilização dos sistemas prediais.º 23º). prisionais. estabelecimentos de saúde. devem ser avaliados caso a caso e adicionados aos consumos domésticos. Em zonas com actividade comercial intensa pode admitir-se uma capitação da ordem dos 50 l (habitante / dia) ou considerarem-se consumos localizados.2 Elementos de dimensionamento As capitações a considerar na distribuição exclusivamente doméstica não deve. e submete-los à aprovação dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto (Art. materiais e tipos de junta das condutas. prediais de água fria e quente. tais como de fontanários. Uma apresentação breve das condições a considerar na instalação de abastecimento público preencherá a primeira parte desta exposição. Conclui-se a exposição referindo aspectos importantes referentes ao traçado. hoteleiras. acompanhado de Planta de Localização da obra a levar a efeito.Porto. lavagem de arruamentos. ressaltando as recomendações contidas no Regulamento dos Sistemas Públicos e Prediais de Abastecimento de Água e Drenagem de Águas Residuais (Decreto Regulamentar 23/95. é obrigatória a elaboração dos estudos e projectos. qualquer que seja o horizonte de projecto. de 23 de Agosto) e a sua adaptação efectuada pelos pelo Regulamento dos SMAS . cabendo ao Batalhão de Sapadores Bombeiros da Câmara Municipal do Porto. Na escolha do sistema a ser utilizado. rega de zonas verdes e limpeza de colectores. bombeiros e instalações desportivas. 9. que impliquem a alteração ou ampliação dos sistemas públicos existentes ou a implementação de novas infra-estruturas.

em tela plástica. os diâmetros nominais mínimos das condutas são determinados em função do risco da zona e devem ser: a) 100mm . Os ramais de ligação consideraram-se tecnicamente como partes integrantes das redes públicas de distribuição e de drenagem.2.º 55º).º 264º). • Perfis .º 252º): a) Requerimento dirigido ao Director Delegado dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. respeitando a Norma Portuguesa NP204 e contendo. 9. dos aspectos de saúde pública e de protecção do ambiente. não excedendo as dimensões do formato A0. desde a rede pública até ao limite da propriedade a servir.5 Entrada em serviço dos sistemas A entrada em serviço dos sistemas deve ser precedida da verificação.grau 4.º 53º).2. designação e local da obra. Todos os desenhos devem possuir legenda no canto inferior direito. após parecer do Batalhão de Sapadores Bombeiro (Art. descrição do desenho. 136 . pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. indicando se se trata de obra nova. com indicação dos materiais das canalizações e acessórios utilizados. g) Peças desenhadas dos traçados e instalações complementares. Quando se tenha de assegurar simultaneamente o serviço de combate a incêndios sem reservatório de regularização. Os estabelecimentos comerciais e industriais devem ter ramais de ligação privativos.º 267º). f) Legenda específica das redes representadas. a solicitar a aprovação do projecto.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Quando o serviço de combate a incêndios tenha de ser assegurado pela mesma rede pública. Nenhum sistema de distribuição de água pode entrar em funcionamento sem que tenha sido feita a desinfecção e a vistoria final de todo o sistema (Art. Os elementos descritos serão apresentados em original. acrescidos de duas cópias para os elementos referidos nas alíneas b) a g).1:500 em extensão e 1:50 em altimetria. é obrigatória a instalação de coluna piezométrica com desenvolvimento a definir pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto (Art. • Pormenores . pode uma mesma edificação dispor de mais de um ramal de ligação para abastecimento doméstico ou de serviços.º 35º). onde conste a identificação do proprietário. b) Identificação do proprietário. b) Termo de responsabilidade do técnico autor do projecto. Cabe aos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento a definição da localização das bocas de incêndio e dos hidrantes.grau 1 a 3. O diâmetro nominal mínimo das bocas de rega e lavagem e respectivos ramais de alimentação é de 25mm (Art. obedecendo às escalas a saber: • Plantas . 9. com formatos e dobragem concordantes com o estipulado nas Normas Portuguesas NP48 e NP49.à escala conveniente que esclareça inequivocamente o pretendido. no mínimo. equipamentos e instalações complementares previstas. o diâmetro não deve ser inferior a 45mm.grau 5. no original. a seguinte informação: a) Designação e local da obra. As peças escritas devem ser apresentadas dactilografadas ou impressas em folhas de formato A4.3 Ramais de ligação Os ramais de ligação asseguram o abastecimento predial de água. 9. a descrição da concepção dos sistemas. c) Planta de Localização fornecida pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento d) Memória descritiva e justificativa. qualificação e assinatura do autor do projecto. d) Número. Os caracteres alfanuméricos devem obedecer à Norma Portuguesa NP89. das obras a executar.4 Elementos de instrução dos processos de projectos O pedido de aprovação de projectos deve ser instruído com os seguintes elementos (Art.º 56º). em boas condições de caudal e pressão. a natureza. Os diâmetros de saída são fixados em 45mm para as bocas de incêndio e em 60mm para duas saídas e 90mm para os marcos de água. o tipo da obra. Nos ramais de ligação de abastecimento a reservas de água e piscinas que se encontrem instaladas a uma cota não superior a 10 m relativamente ao arruamento de onde se faz a ligação.º 32º). Quando se justifique. competindo aos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto promover a sua instalação (Art. f) Mapas de medição e orçamento a preços correntes. e) Especificação quando se trata de projecto de alteração ou aditamento. Os diâmetros nominais mínimos dos ramais de alimentação dos hidrantes são de 45mm para as bocas de incêndio e de 90mm para os marcos de água (Art. c) 150mm (a definir caso a caso) . O diâmetro nominal mínimo admitido em ramais de ligação é de 25mm (Art. paginadas e todas elas assinadas. os materiais e acessórios e as instalações complementares. As peças desenhadas devem ser apresentadas. e) Cálculo hidráulico onde conste os critérios de dimensionamento adoptados e o dimensionamento das redes. subscrito pelo promotor. b) 125mm .2. c) Nome.1:500. escalas e data da sua elaboração. pelo técnico responsável pelo projecto. de ampliação ou remodelação.

sendo obrigatória a ligação às redes públicas de abastecimento de água e de drenagem de águas residuais domésticas.. 9. interna e externa." e "O fornecimento de água potável aos aparelhos sanitários deve ser efectuado sem pôr em risco a sua potabilidade. VIII e XI ao Regulamento." (Art. entre outros.." (Art. impedindo a sua contaminação. a sua fácil ligação àquelas redes.a utilização de água não potável exclusivamente para lavagem de pavimentos. como dispõem que: "Os sistemas prediais alimentados pela rede pública devem ser independentes de qualquer sistema de distribuição de água com outra origem.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. preservando-se a segurança. nomeadamente poços ou furos. 2 .3. "1. A terminologia e a simbologia a utilizar e as unidades em que são expressas as diversas grandezas devem respeitar as directivas estabelecidas neste domínio. combate a incêndios e fins industriais não alimentares.. A aplicação de novos materiais ou processos de construção para os quais não existam especificações oficialmente adoptadas nem suficiente prática de utilização. devem apresentar boas condições de resistência à corrosão.As tubagens e acessórios que constituem as redes interiores podem. As redes prediais a instalar. quer de qualidade quer de defesa da saúde pública.º 4º).3 Sistema de abastecimento predial de água 9. sempre que necessário. Todos os materiais a aplicar em sistemas de distribuição. quer por aspiração de água residual em caso de depressão." (Art.Porto. Assim. a rede de distribuição predial de água deve assegurar o seu bom funcionamento. no futuro. Deste modo.3 Concepção dos sistemas A rede de distribuição de água parte de um ponto da rede pública. nomeadamente poços ou furos privados.As redes de água não potável e respectivos dispositivos de utilização devem ser sinalizados. 9. independentemente da existência ou não das redes públicas no local (Art. as canalizações instaladas à vista devem ser identificadas consoante a natureza da água transportada. os sistemas prediais alimentados pela rede pública devem ser independentes de qualquer sistema de distribuição de água com outra origem. II.Nas redes exteriores de água fria.º 75º). de acordo com as seguintes cores: azul para água destinada ao consumo humano. Assim.2 Elementos dos sistemas Para que não venham a ocorrer utilizações indevidas das diversas redes prediais impõe-se que: "As canalizações instaladas à vista ou visitáveis devem ser identificadas consoante a natureza da água transportada e de acordo com o sistema de normalização vigente. e aos esforços a que vão ficar sujeitos. quer por contacto. peças acessórias e dispositivos de utilização. aço inoxidável.º 90º). A localização desta conduta exterior bem como a posição prevista para o contador são a "ponta da meada" a partir da qual se faz o desenvolvimento da rede interior.3. as tubagens e acessórios podem ser de ferro fundido.1 Aspectos gerais Todos os edifícios novos. III. pela própria natureza ou por protecção adequada. 2.3. Também no sentido de garantir adequada qualidade e o respeito da saúde pública impõem a necessidade de cuidados na escolha dos materiais. aço galvanizado ou PVC rígido. "Não é permitida a ligação entre a rede predial de distribuição de água e as redes prediais de drenagem de águas residuais. Assim a terminologia e a simbologia a adoptar serão as indicadas nos anexos I. devem ser isentos de defeitos e. a salubridade e o conforto nos edifícios.º 76º). em quantidade e qualidade adequadas ao uso. remodelados ou ampliados deverão prever redes prediais de abastecimento de água.º 73º). rega. os instaladores (picheleiros) devem proceder a sua inscrição nos SMAS para que possam assumir a responsabilidade de execução de instalações prediais. este último no caso de canalizações de água fria não afectas a sistemas de combate a incêndios. deve ser sujeito a verificação de conformidade pelo LNEC Laboratório Nacional de Engenharia Civil e a fazer presente junto dos SMAS Porto. ser de cobre. Também. Os sistemas prediais de abastecimento de água devem garantir que a mesma chegue a todos os dispositivos de utilização. A rede predial a projectar e executar deve ainda oferecer a garantia de que a água a fornecer aos sistemas prediais deverá ter em consideração aspectos. mesmo que nos locais onde não existam redes públicas deverão ser executadas de modo a permitir." (Art... ". Os materiais a utilizar nas tubagens e peças acessórias dos sistemas de distribuição devem ser aqueles cuja aplicação seja admitida pelos SMAS . como responsável pelo abastecimento e distribuição pública de água.º 77º). quando existam ou venham a ser instaladas. Numa primeira fase de abordagem a concepção de um sistema de abastecimento predial devem colocar-se as seguintes questões fundamentais: 137 . encarnado para água de combate a incêndios. polietileno ou PVC rígido" (Art.

As pressões de serviço nos dispositivos de utilização devem situar-se entre os 50 Kpa e 400 Kpa. que se mantenha entre 150 Kpa e 300 Kpa. corresponde aproximadamente a H=100+40n "Onde H é a pressão mínima (Kpa) e n o número de pisos acima do solo. Há escassez de água ou interrupções de fornecimento com frequência? 4. sempre será de realçar que a concepção de sistemas prediais de distribuição de água deve ter como objectivo a resolução de problemas numa perspectiva global. 138 . Secção e pressões disponíveis? 3. Qual o tipo de ocupação? 6. Caso contrário. Existe rede pública? Onde? 2. sendo recomendável. por razões de conforto e durabilidade dos materiais.3.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 1.4 Classificação dos sistemas Ao colocarmos correctamente as questões acima enunciadas somos muitas vezes levados a constatar que nem sempre os sistemas públicos permitem que o abastecimento se efectue directamente da rede geral de distribuição em condições de pressão e caudal necessários a garantir uma utilização com a qualidade e quantidade adequadas. a estrutura e as restantes instalações especiais da edificação. poderemos ter sistemas com abastecimento directo ou indirecto. sem prejuízo das condições de funcionamento do sistema na sua globalidade? Por fim.. em regra." (Art.(Art. o regulamento apresenta condicionantes que podem permitir efectuar uma primeira abordagem ao tipo de sistema de alimentação predial. falta de pressão ou falta de caudal deverá optar-se por sistemas de abastecimento indirecto com reservatório elevado quando a pressão disponível possibilita em certos períodos diários a reposição da reserva necessária e por sistema elevatório.. inferior a 100Kpa o que. Previsão do fornecimento de água quente: a que zonas e de que modo? 10. Que dimensão tem o edifício? Existem caves? 5. com reservatório inferior sempre que a pressão não seja de molde a garantir a reposição da reserva durante o período diário de 24 horas ao nível mais elevado do edifício. Neste sentido. ao consagrar que: "e) A pressão de serviço em qualquer dispositivo de utilização predial para o caudal de ponta não deve ser. Na remodelação ou ampliação de sistemas existentes com aumento de caudal de ponta? Comprova-se a suficiência da capacidade hidráulica de transporte das canalizações e das eventuais instalações complementares a montante.º 78º). técnica e económica. Dentro desse contexto.º 21 º). O abastecimento directo será garantido sempre que as condições de abastecimento público apresentem pressão e/ou caudal que permitam nas condições de conforto definidas no projecto o abastecimento em permanência. Torna-se necessário prever reservatórios? Os serviços locais permitem? Em que condições? Sua capacidade e localização? Formas de drenagem de perdas e esvaziamento? 7. Precisa de equipamento elevatório de bombeamento? Atravancamento e acessibilidade à câmara de manobras? 8. É necessária rede de combate a incêndio? De que tipo? 9. na rede pública e ao nível do arruamento. ou seja." . coordenada com a arquitectura. incluindo o piso térreo. SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO 9. "2 .

"… os valores das pressões máxima e mínima na rede pública no ponto de inserção naquela. Sempre que a rede pública não puder assegurar as pressões necessárias deverá ser prevista uma instalação sobrepressora com tanque de compensação." (Art. dando também resposta a algumas das questões já referidas deve obter-se junto dos SMAS Porto a informação sobre as condições de abastecimento da rede pública no local onde se pretende executar a edificação. d) À minimização de tempos de retenção da água nas canalizações. Para que se possa efectuar esta verificação preliminar do sistema mais adequado de abastecimento predial. 139 . b) Ao tipo e número de dispositivos de utilização.º 83º).Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Na escolha do sistema há que atender: a) À pressão disponível na rede geral de alimentação e à necessidade nos dispositivos de utilização. c) Ao grau de conforto pretendido. ou seja.

Porto.PRESSÕES Pressão dinâmica MPa MPa REDES DE INCÊNDIO As redes de combate a incêndio deverão ser dimensionadas e representadas em projecto.T. REDE PREDIAL DE DRENAGEM DE ÁGUAS RESIDUAIS DOMÉSTICAS A câmara de ramal de ligação deverá situar-se no local assinalado na P. O Chefe de Divisão 140 . Agosto e ainda à legislação específica relacionável com os projectos em causa. Deverá atender ao Regulamento dos Sistemas Públicos e Prediais de Distribuição de Água e Drenagem de Águas Residuais Domésticas dos Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento da Câmara Municipal do Porto.T. º Local da obra: Rua / 2005 Freguesia: Requerente: REDES PREDIAIS DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA Pressão estática REDE PÚBLICA . à profundidade de m..Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Pedido de informação das condições de ligação às redes públicas LIGAÇÕES ÀS REDES PÚBLICAS Planta Topográfica P. ao Decreto-Regulamentar 23/95. n.

Face à possibilidade do funcionamento não simultâneo da totalidade dos dispositivos de utilização. O coeficiente de simultaneidade é a relação entre o caudal simultâneo máximo (caudal de cálculo) e o caudal acumulado (somatório dos caudais instantâneos) de todos os dispositivos de utilização alimentados por essa secção.) deve ser o coeficiente de simultaneidade determinado por recurso a informações existentes ou a bibliografia específica. Para outro tipo de conforto ou de utilização (estabelecimentos. através da curva referida acima. que pode ser utilizada para os casos correntes de habitação sem fluxómetros. Os reservatórios de água para consumo humano devem também ser sujeitos a operações de inspecção e limpeza periódica. excepto em casos devidamente justificados. os valores das pressões máximas e mínimas na rede pública no ponto de inserção daquela.5 e 2. Contudo. No anexo do Regulamento apresenta-se uma curva que. em função dos caudais acumulados. exceder o valor correspondente ao volume médio diário do mês de maior consumo. escolas.5 Dimensionamento dos sistemas prediais Nos projectos relativos à distribuição predial de água devem indicar-se nas peças desenhadas os tipos e localização dos dispositivos de utilização. quando existem fluxómetros. que devem situar-se entre 0. o cálculo do volume útil dos reservatórios destinados ao consumo humano não deve. Para efeitos de cálculo da rede predial devem ser obtidos e são fornecidos. Os caudais de cálculo na rede predial de água fria baseiam-se nos caudais instantâneos atribuídos aos dispositivos de utilização e nos coeficientes de simultaneidade. para a ocupação previsível. bem como os aparelhos alimentados. restaurantes. Número de fluxómetros instalados 1 2 a 10 11 a 20 21 a 50 Superior a 50 Em utilização simultânea 1 2 3 4 5 141 .2 Dimensionamento hidráulico No dimensionamento hidráulico da rede predial de água fria deve ter-se em atenção: a) Os caudais de cálculo. os constantes do quadro anexo ao Regulamento. Os caudais instantâneos a atribuir aos dispositivos de utilização devem estar de acordo com o fim específico a que se destinam. sendo os valores mínimos a considerar.4. fornece os caudais de cálculo.1 Aspectos gerais A rede predial de água fria deve assegurar a sua distribuição a todos os dispositivos instalados em boas condições. como acima já se referiu. ou seja. os caudais de cálculo dos fluxómetros. para um nível de conforto médio. 9. tendo em conta os coeficientes de simultaneidade. etc. os caudais de cálculo devem ser obtidos somando aos caudais obtidos para os restantes aparelhos. Os caudais instantâneos a atribuir a máquinas industriais e outros aparelhos são especificados no quadro anexo ao Regulamento e devem ser estabelecidos em conformidade com as indicações dos fabricantes.3 Reserva predial de água para abastecimento doméstico O armazenamento de água para o consumo humano em edifícios é normalmente autorizado pelos SMAS Porto. à renovação na sua totalidade com periodicidade de pelo menos uma vez por dia.4.3. Prevendo-se a instalação de reservatórios estes são condicionados. Nos ramais de alimentação de fluxómetros para bacias de retrete devem ter-se em atenção as pressões mínimas de serviço a cujos valores correspondem os diâmetros constantes do quadro seguinte: Pressão (kPa) 200 80 50 Diâmetro (mm) 25 32 40 9. o coeficiente de simultaneidade mais adequado numa dada secção. por razões de defesa de saúde pública dos utentes. c) A rugosidade do material. considerando os respectivos caudais instantâneos e a simultaneidade constante do quadro seguinte: 9. considera-se na determinação do caudal de cálculo.4 Sistemas prediais de distribuição de água fria 9.4. b) As velocidades de escoamento.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9.0m/s. no caso em que a rede pública não garanta eficazmente os consumos e pressões prediais requeridas.

as arestas interiores devem ser boleadas e a soleira ter a inclinação mínima de 1% para a caixa de limpeza.Esquema tipo de um reservatório 142 . Soleira com pendente de igual superior a 1%. 14. a soleira e as superfícies interiores das paredes devem ser tratadas com revestimentos adequados que permitam uma limpeza eficaz. 1 . a conservação dos elementos resistentes e a manutenção da qualidade da água. por duas células. Envolvente protegida contra escorrimentos e infiltrações. sistema de ventilação. Condições de acesso e de inspecção. 11. 3. 13. 12. Entrada e saída da água em pontos opostos. Quando o armazenamento da água se destina a consumo humano. Alarme/detecção de fugas de água. 15. e) Acesso ao interior com dispositivo de fecho que impeça a entrada de resíduos sólidos ou escorrências. destinada a interromper a alimentação quando o nível máximo de armazenamento for atingido. Caleira nas proximidades. associada a caixa de limpeza. preparadas para funcionar separadamente mas que. a fim de facilitar o esvaziamento. a 50 mm do nível máximo de armazenamento e conduta de descarga de queda livre e visível. 9. Aberturas para ventilação. RESERVATÓRIOS DE ÁGUA POTÁVEL ESQUEMA-TIPO DE UM RESERVATÓRIO Regras principais: 1. protegida com rede de malha fina. Equipamento /acesso e atravancamento. b) Saídas para distribuição. equipada com uma válvula de funcionamento automático. convenientemente protegido com rede de malha fina. Descargas de fundo com válvula. Cada reservatório ou célula de reservatório deve dispor de: a) Entrada de água localizada. A localização dos reservatórios deve permitir a sua fácil inspecção e conservação. com válvula adequada. no mínimo a 50 mm acima do nível máximo da superfície livre do reservatório em descarga. aço ou outros materiais que se mostrem adequados a manter a qualidade da água armazenada e os materiais e revestimentos usados na sua construção não devem alterar a qualidade da água afectando a saúde pública. 4. ≥2 células para manutenção ou reparação. a 150 mm do fundo. de material não corrosivo. Limpeza interior/evitar ângulos apertados. a entrada e saída da água nos reservatórios devem estar posicionadas de modo a facilitar a circulação de toda a massa de água armazenada e o fundo e a cobertura dos reservatórios não devem ser comuns aos elementos estruturais do edifício. em funcionamento normal. Como condições construtivas a ter em consideração realça-se que: os reservatórios devem ser impermeáveis e dotados de dispositivos de fecho estanques e resistentes. 6. 8. Isolamento térmico quando necessário. Tampa sobre a válvula de bóia. se intercomuniquem. 17.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto O armazenamento de água para combate a incêndios é feito em reservatórios próprios e independentes e não pode por princípio ser utilizado para outros fins. nos reservatórios com água destinada a consumo humano e com capacidade útil igual ou superior a 2. Fig. Localização em zona técnica acessível. no mínimo. que deve impedir a entrada de luz directa e assegurar a renovação frequente do ar em contacto com a água. Independência da restante estrutura. Descarga de superfície. nem as paredes comuns a paredes de edificações vizinhas. os reservatórios devem ter protecção térmica e estar afastados de locais sujeitos a temperaturas extremas. c) Descarregador de superfície colocado. Protecção de aberturas com rede mosquiteiro. tipo mosquiteiro.0 m3 devem ser constituídos. 7. Rebaixo para retenção de areias. pelo menos. 18. no mínimo. tipo mosquiteiro. 19. 20. d) Descarga de fundo implantada na soleira. 5. Reserva para 24 horas. 16. Os reservatórios podem ser de betão. 10. alvenaria de tijolo ou de blocos de cimento. 2. protegidas com ralo e colocadas. Pintura interior de protecção. dimensionados para um caudal não inferior ao máximo de alimentação do reservatório.

rebaixamento de aquíferos.4. pelo que os SMAS Porto apresentam instruções de actuação para a execução dessas operações.Nunca o deixe sem tampa adequada ou devidamente protegido. Edição nº1. serviços industriais. pressurização. durante pelo menos meia hora. d) O número máximo admissível de arranques por hora para o equipamento a instalar. sem consumir. . etc.Encha completamente e mantenha em repouso.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Também a manutenção periódica dos reservatórios é aspecto importante a ter em consideração. As instalações elevatórias ou sobrepressoras devem ser localizadas em zonas comuns e ventiladas. abrindo todas as torneiras de serviço e enxagúe para eliminar completamente o hipoclorito. O funcionamento dos órgãos electromecânicos deve determinar. Elevação. Drenagem de águas residuais. . limpo e arejado.Enxagúe todo o interior e esvazie-o de novo. irrigação. resultantes da ocorrência de choque hidráulico. transferência de líquidos. agricultura. escovas só para esse fim. nomeadamente. circulação e transferência de água. Revisão nº0. pressurização. SMAS . de segurança e de alarme.1 Aspectos gerais No quadro seguinte apresentam-se os tipos de bombas correntes no mercado e suas principais aplicações. Os grupos electrobomba devem ser de funcionamento automático e possuir características que não alterem a qualidade da água.Instale-o sempre em local de fácil acesso.Porto. agricultura. etc. Abastecimento de água. Tipos de bombas Monocelulares horizontais Monocelulares verticais Multicelulares horizontais Multicelulares verticais Circuladoras Aplicações Abastecimento de água. 20ml do referido hipoclorito. . circulação e pressurização.Volte a esvaziar.4.Proceda à desinfestação do depósito/cisterna: . Abastecimento de água. . No dimensionamento das instalações elevatórias devem ter-se em atenção: a) O caudal de cálculo. serviços industriais. e) A instalação. As canalizações e acessórios utilizados devem ser de materiais de resistência adequada às pressões de serviço e às vibrações. Atendendo à capacidade do depósito/cisterna. . o fundo e a abertura. rebaixamento de aquíferos. tenha os seguintes cuidados: . 9. e de acessórios indispensáveis ao seu funcionamento e manutenção. sistemas de rega. utilizando preferencialmente. .Escove cuidadosamente as paredes. captação de águas subterrâneas. que permitam uma fácil inspecção e manutenção e ser equipadas com grupos electrobomba e dotadas de dispositivos de comando.Junte hipoclorito de sódio a 14% (à venda em drogarias). Abastecimento de água em condições de pequeno débito e elevada pressão. nos lugares ocupados. agricultura. etc. .4 Instalações elevatórias e sobrepressoras 9. .4. para o efeito deverão ser utilizados apoios isolados e ligações elásticas às tubagens para atenuação da propagação do ruído. Abastecimento de água. a sua limpeza e desinfecção.Após esta operação o depósito/cisterna está pronto a receber a água que é distribuída. etc. de dois grupos electrobomba idênticos." [1] Fonte: "Documento Auxiliar de Procedimentos". Laboratório de Análises. Submersíveis De drenagem (submersíveis) Jockey 143 . etc. adicione por cada m3 de água. serviços industriais. Circulação de líquidos em circuitos de aquecimento abertos ou fechados. b) A pressão disponível a montante. no mínimo. esvaziamento de reservatórios e piscinas. Lave-o pelo menos uma vez por ano da seguinte forma: . "Instruções para desinfecção de cisternas/depósitos"[1] Se na sua casa houver depósito/cisterna.Deixe entrar água limpa até cerca de metade da sua altura. ruído de nível sonoro médio não superior a 30 dB(A). Página 1 de 1. e circuitos de arrefecimento e de ar condicionado. Os dispositivos de protecção devem ser definidos em função das envolventes de pressão máxima e mínima. instalações especiais. c) A altura manométrica. retirando todos os detritos e lodo que eventualmente contenha. transferência de líquidos. normalmente destinados a funcionar como reserva activa mútua e excepcionalmente em conjunto para reforço da capacidade elevatória.Esvazie-o totalmente. etc. pressurização e circulação de água. irrigação e circulação de água em sistemas. assim como protecção contra o choque hidráulico.

Designando por Hc a carga à entrada na bomba.13 0.a. hs é a altura estática de aspiração (em metros) igual à distância entre o nível do líquido no reservatório de aspiração e o eixo da bomba.Caudal. NSPH. o qual traduz a relação entre a potência ganha e a do motor e assume sempre valores inferiores à unidade.Peso volúmico (N ).Altura máxima de aspiração (m). no quadro indicam-se alguns valor Hatm = Patm/γ.a.4. Pv/γ. a.4. Q.) Nota: Geralmente as perdas de carga na saída (υ2/2g) representam uma pequena percentagem do valor da altura manométrica total e são geralmente negligenciáveis.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9.3. m-3 TENSÃO DE VAPOR DE ÁGUA FUNÇÃO DA TEMPERATURA Temperatura (°C) Altura equivalente da tensão de vapor (m) 10 20 30 50 80 100 0. hd é a altura estática de descarga (em metros) igual à distância medida na vertical entre o eixo da bomba e o nível do líquido no reservatório de descarga.013x102kPA.4.a. Nota: Este valor é positivo ou negativo consoante a bomba funcione em aspiração ou com a aspiração em carga. Temos então que a diferença entre Hs e Hc que corresponderá ao ganho de pressão que o líquido sofrerá na sua passagem pela bomba.c. γ. pela bomba.43 1. η. γ. quer as variações de pressão.2 Potência absorvida pela bomba A determinação da potência absorvida pela bomba que garanta o abastecimento solicitado é dada por: P = γQH P.c.4.8x103 N/m3. Htotal é a altura vencida pela bomba funcionando com o caudal de projecto (m. em função das temperaturas indicadas.Perda de carga no troço de tensão de vapor do líquido (m). H. Assim.3 Altura manométrica 9.Rendimento da bomba (entre 60% a 70%). a altura máxima de aspiração de uma bomba será calculada de acordo com a expressão: HMA = Patm/γ.24 0.a. 9. o qual irá ser representado por HTOTAL e será designado por altura manométrica.33m.Capacidade de aspiração (m).Altura de elevação.33 O factor de segurança "a" da expressão procura superar. Sendo a pressão atmosférica normal é igual a 1.c. fd corresponde a perdas de carga na tubagem de descarga (m.[NSPH + Ja + Pv/γ + a] HMA.1 Altura máxima de aspiração A altura de aspiração representa o ganho de pressão que o líquido sofre na sua passagem.). considerando que o fluido bombeado é água.26 4. teremos que a altura equivalente à pressão atmosférica será igual a 10.hs + fd + fs + (υ2/2g) em que: 9. Ja.Potência (W).4.3.Altura equivalente à pressão atmosférica (m).Altura equivalente da tensão de vapor do líquido (m).4.Potência. 144 .Factor de segurança (m).) u 2 2g corresponde ao valor das perdas de carga na saída (m. a qual traduz o trabalho exterior fornecido por um motor. A potência absorvida pela bomba tem de ser superior à que esta cede ao escoamento. por Hs a carga à saída da bomba.) fs corresponde a perdas de carga na tubagem de aspiração (m. HTOTAL. No que se refere à altura equivalente de tensão de vapor (pv/γ).c. esta varia com a temperatura do líquido.Peso volúmico.4. sendo assim a potência absorvida pela bomba expressa por: P= γQHTOTAL / η P.83 10.2 Altura manométrica total A altura total desenvolvida pela bomba pode ser expressa por uma das seguintes equações: Bomba funcionando em aspiração: Htotal = hd + hs + fd + fs + (υ2/2g) ou Bomba funcionando em carga: Htotal = hd .Altura manométrica (m) = Haspiração + Hcompressão. para a água. Q . quer as imprecisões na determinação das perdas de carga no troço de tubagem de aspiração. Patm/γ. devido às perdas nas transformações de energia em presença.Caudal bombeado (m3s-1).4. por η o rendimento da bomba. a qual traduz o ganho energético do líquido na sua passagem pela bomba. a que corresponde um peso volúmico de 9.

varia na razão inversa das pressões que suporta. unidades de saúde.) justificam-se soluções de instalação de sistemas elevatórios de velocidade e caudal variável. Os caudais de cálculo da rede predial de água quente devem ser obtidos de acordo com o disposto para a água fria.número de arranques por hora.pressão manométrica máxima (m.8 (Pmáx .Pmin)} Vtotal = {Qp Pmáx } / {4N Pmáx .5. incluindo a questão da recirculação e isolamento térmico. tendo em conta os factores já mencionados. As fórmulas empíricas permitem a determinação dos volumes totais dos depósitos respectivamente para os depósitos sem membrana e com membrana. permitir que em utilização normal os sistemas elevatórios não funcionem em períodos nocturnos de pequenos consumos evitando os ruídos e vibrações que tanto incomodam e são objecto de justas reclamações pelos habitantes dos respectivos edifícios. e que é expressa por: P1V1 = P2V2= c em que P1 e P2 representam as pressões de sujeição. de seguida. 9. onde Pmáx representa o nível máximo de água a que corresponde a pressão de paragem do elemento de bombeamento.5. Nos edifícios de habitação é sempre obrigatória a existência de sistemas de produção e distribuição de água quente a cozinhas e instalações sanitárias. Qp.(Pmin-2)} Vtotal. quantidade e qualidade adequadas ao uso sanitário.volume do depósito (m3).a. tendo em atenção o caudal de bombeamento e os limites de pressão pré-estabelecidos. à circulação forçada ou retorno. V1 e V2 os correspondentes volumes ocupados e c é uma constante (constante dos gases perfeitos). Pmáx. logo menor perda de carga. se adequadamente dimensionados. No dimensionamento hidráulico da rede predial de água quente deve seguir-se o disposto para a água fria mas ter em consideração um coeficiente de rugosidade menor. Vágua o volume de água a introduzir no reservatório e Vr o volume de reserva ou segurança. Pmin representa o nível mínimo a que corresponde a pressão de arranque do elemento de bombeamento.25Qp (Pmáx + 10)} / {4N(Pmáx . 145 . Vamin o volume de ar a que corresponde a pressão mínima. pois ao limitarem o número de arranques por hora podem. Vamax o volume de ar a que corresponde a pressão máxima.c. A rede predial de água quente visa assegurar a distribuição em boas condições de água quente sanitária.caudal bombeado (m3/h). de serviços.2 Aparelhos produtores de água quente É importante que o sistema de aquecimento de água seja definido já na fase de projecto. a qual refere que o volume ocupado por uma dada massa de gás. mantendo constante a temperatura. como alternativa aos reservatórios hidopneumáticos. Em situações de edifícios de habitação. hidráulicas e de ventilação. Fig.Pmin)} O objectivo dos depósitos hidropneumáticos é o de limitar o número horário de arranques dos grupos de sobrepressão. que proporcionem economias numa relação de poupança energética/eficiência do sistema.5 Sistemas prediais de distribuição de água quente 9. tal como nas instalações eléctricas.1 Aspectos gerais Far-se-á. 2 .pressão manométrica mínima (m.4. Considerando o reservatório representado na figura.). etc. uma abordagem dos sistemas prediais de abastecimento de água quente sanitária. uma vez que sua instalação adequada exige certos cuidados que interferem directamente no desenho do projecto. recorrendo. Estes sistemas visam garantir o fornecimento de água quente nas condições de temperatura.). 9.a. centros comerciais. Vtotal = {1. Os reservatórios hidropneumáticos são importantes em edifícios de habitação. Pmin.5 Dimensionamento dos reservatórios hidropneumáticos Os reservatórios hidropneumáticos são dimensionados tomando por base a "Lei de Boyle-Mariotte".Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. N.Reservatório hidropenumático Vtotal = {Vágua (Pmáx + 1)} / {0. Importante é considerar as condições técnicas que determinam a sua utilização. Os sistemas de produção e distribuição de água quente devem garantir as temperaturas mínimas de utilização necessárias nos dispositivos de utilização em função do grau de conforto e economia desejados. industriais e similares (unidades hoteleiras.c. se necessário.

Esquema tipo de ligação a termoacumuladores Os termoacumuladores a gás possuem potências térmicas mais elevadas do que os eléctricos.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto A segurança dos aparelhos produtores de água quente deve ser garantida na sua construção.2 100 litros (horas) 100/33. temos a situação referida no quadro seguinte.Q. Os esquentadores apresentam-se no mercado com diferentes potências.1750w. através de um circuito primário de aquecimento. Deve ter-se ainda em atenção a necessidade de água quente para outros fins (que não os sanitários). através de aparelhos de produção instantânea (esquentadores) ou de aparelhos de acumulação (termoacumuladores eléctricos ou a gás e depósitos de água quente com circuito primário de aquecimento) ou ainda pela combinação de ambos. a 40°C ∆t=40°-15°=25°C 250 250/25= 10 l/min 320 320/25= 12. Aqui. tais como o aquecimento central ou a climatização. Sendo a temperatura normal de acumulação de 60°C e para uma mesma temperatura de 15°C de água fria.5.8 l/min 380 380/25= 15. considerando que 1KW = 0. b) De passagem. Potência Térmica (kcal/min) Débito de A. Aquecimento normal . afectado de um coeficiente de utilização simultânea.6 em 1 hora (litros) Tempo de aquecimento de 100/19. nos ensaios de qualidade e na sua localização e instalação e é obrigatória a instalação de válvula de segurança no ramal de alimentação de termoacumuladores. a gás ou solar.864 Kcal. Por razões de segurança é interdita a instalação de aparelhos produtores de água quente a gás nas instalações sanitárias ou em locais que se não situem junto da envolvente exterior do edifício. 9. em que a água é aquecida gradualmente. Aquecimento rápido . A escolha do sistema a instalar deve ser efectuada em função das necessidades instantâneas e horárias de água quente e da análise técnico económica das várias alternativas que se nos oferecem. 3 . A produção de água quente para distribuição aos dispositivos de utilização pode fazer-se. em que a água aquecida fica armazenada em acumuladores. A partir daí.3 Necessidades de água quente e escolha dos aparelhos de produção As necessidades instantâneas de água quente devem ser estimadas a partir do somatório dos caudais instantâneos a atribuir aos dispositivos de utilização servidos por água quente. consoante as características do edifício de habitação.2 1512/45=33. 13 e 16 l/min.2 l/min As potências dos termoacumuladores eléctricos são variáveis consoante as suas capacidades e os tempos de aquecimento. sendo esta última característica a que determina a designação vulgar de termoacumuladores de aquecimento lento.6=1. 320 e 380 Kcal/min.7 Fig. o que leva as designações comerciais correntes dos esquentadores em 10. A escolha do sistema depende do tipo de energia a ser utilizado para aquecer a água: eléctrico. normal e rápido.6=3. os valores encontrados são os indicados no quadro. é definido o sistema de alimentação dos equipamentos: a) Por acumulação. promover a acumulação de água quente em depósitos de água.2=5.3000w. comportam-se como vulgares esquentadores ou podem. Tipo de Aquecimento termoacululador lento Potência (Kcal/h) ∆T=60°C-15°C 864 45°C Aquecimento normal 1512 45°C Aquecimento rápido 2592 45°C Caudal aquecido 864/45=19. Se a temperatura da água fria for de 15°C à entrada no esquentador e que se pretende água quente a 40°C. 146 . sendo as mais usuais de 250. o que pressupõe o conhecimento das características térmicas dos aparelhos atrás referidos. As caldeiras murais são muitas vezes sistemas mistos que combinam a produção de água quente para aquecimento do ambiente (circuitos fechados) com a produção instantânea de água quente sanitária.0 100/57. Os termoacumuladores eléctricos correntes no mercado com capacidade de 100 litros e apresentam uma das seguintes potências: Aquecimento lento . o que permite aquecer o mesmo volume de água em menos tempo ou reduzir a capacidade do depósito de acumulação.6 2592/45=57. à medida em que passa pelo aparelho.1000w.

com vista à sua selecção. teremos por hora 313 l (14100kcal/h:45°C). o tipo de tubagem e a temperatura ambiente nos locais em que circulam. colocadas em paredes ou instaladas em caleiras.5.100 kcal/h e considerando o diferencial térmico de 45°C entre a temperatura de água fria e de água quente acumulada. recomendando-se 0. A potência deste termoacumulador é inferior à de um esquentador de 10 l/min (14100kcal/h=235kcal/min).Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Um termoacumulador a gás com a potência de 14. Deve-se ter em consideração que as perdas de calor na tubagem variam consoante o tipo de isolamento. A exigência de acessórios pode ser dispensada nos casos em que se utilizem canalizações flexíveis. para o dimensionamento das bombas de recirculação deve-se determinar a perda de carga total do circuito: às perdas de carga contínuas é necessário adicionar as perdas de carga acidentais (curvas.Distâncias máximas sem retorno DIÂMETRO E DISTÂNCIA MÁXIMA SEM RETORNO d (mm) 15 (1/2'') 20 (3/4'') 25 (1'') 32 (1¼'') 40 (1½'') l (m) 50 30 15 10 7. A rede de distribuição deve ser dimensionada até à última derivação pelo método de dimensionamento definido pelo regulamento. a consulta e análise das curvas características das bombas é fundamental. Fig.1 Aspectos gerais O traçado das canalizações deve ser constituído por troços rectos. 4 . válvulas. caleiras ou tectos falsos.Distribuição de água quente com recirculação 147 . embainhadas ou embutidas. bem como a qualidade e conforto que se espera do sistema.5% como valor orientativo.). horizontais e verticais. com vantagem económica e conforto. o que se traduz num consumo instantâneo menor de gás. devendo ser sempre protegidas de acções mecânicas e isoladas termicamente quando necessário. As canalizações não embutidas são fixas por braçadeiras espaçadas em conformidade com as características de material. As canalizações interiores da rede predial de água fria ou quente podem ser instaladas à vista. o diâmetro do tubo. tês.6 Traçado 9. 5 . Para tubos metálicos. consideraram-se aceitáveis os valores seguintes para perdas de calor em kcsl/h por metro linear de tubagem. nomeadamente na instalação de juntas e no tipo de braçadeiras a utilizar. Como distâncias meramente indicativas para que se deva ponderar a hipótese de adoptar.6. Devem ser tidos em consideração os problemas de dilatação e contracção da tubagem.5 9. Seguidamente. devendo os primeiros possuir ligeira inclinação para favorecer a saída do ar. o circuito de recirculação ou retorno apresenta-se o quadro seguinte: 9. As canalizações exteriores da rede predial de água fria ou quente podem ser enterradas em valas.4 Sistemas de distribuição de água quente com recirculação A implementação em edifícios dos sistemas de distribuição com retorno de água aos aparelhos de produção exige alguma atenção pelas economias de água e energia que podem proporcionar. etc. ligados entre si por acessórios apropriados. Por outro lado. Na instalação de canalizações de água quente assume particular importância as dilatações e contracções das tubagens. Diâmetro DN 15 DN 20 DN 25 Locais n/ aquecidos Tubos isolados 16 23 27 Locais aquecidos Tubos isolados 13 16 22 Fig. em galerias.

quando de pequeno comprimento. sempre que possível.1 Torneiras e fluxómetros Fig.2 Isolamento das canalizações As canalizações de água quente. c) O assentamento de canalizações metálicas de redes distintas ser feito sem pontos de contacto entre si ou com quaisquer elementos metálicos da construção.Isolamento térmico de canalizações As canalizações e respectivos isolamentos devem ser protegidos sempre que haja risco de condensação de vapor de água. 9. Devem ainda ser consideradas medidas destinadas a atenuar os fenómenos de corrosão. h) As canalizações enterradas serem executadas.7 Elementos acessórios da rede 9. As torneiras e fluxómetros devem ser colocados em locais acessíveis.7. imputrescíveis. incombustíveis e resistentes à humidade. Podem não ser isoladas as derivações para os dispositivos de utilização e respectivos ramais de retorno. Execução das redes prediais As canalizações de água quente devem ser colocadas. e) O atravessamento de paredes e pavimentos ser feito através de bainhas de material adequado de nobreza igual ou próxima inferior ao da canalização. ferro fundido. não embutidas. cobre ou aço inoxidável ou outros adequados e aprovados.6. não corrosivos. de infiltrações ou de choques mecânicos.6. com materiais não metálicos. devem ser sempre isoladas com produtos adequados. 6 . ou de material de nobreza próxima inferior. 148 . sempre que possível.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. g) Ser evitado o assentamento de canalizações metálicas em materiais potencialmente agressivos. procedendo-se ao seu isolamento por juntas dieléctricas. por forma a permitir a sua fácil manobra e manutenção. e) Em espaços pertencentes a chaminés e a sistemas de ventilação. b) No caso de materiais diferentes. As torneiras e os fluxómetros podem ser de latão. paralelamente às canalizações de água fria e acima destas. de preferência com o mesmo material. A distância mínima entre canalizações de água fria e de água quente é de 50 mm. c) Embutidas em pavimentos. mas também em zonas de baixas temperaturas as de água fria. ou de outros materiais que reunam as necessárias condições de utilização. devendo para o efeito: a) As canalizações metálicas da rede serem executadas. do mesmo material. PVC rígido. d) O assentamento de canalizações não embutidas ser feito com suportes de material inerte. preferencialmente. 9. As tubagens e acessórios que constituem as redes interiores de água fria podem ser de aço galvanizado. f) As canalizações metálicas serem colocadas. As canalizações não devem ser instaladas nas seguintes condições: a) Sob elementos de fundação.3.7. excepto quando flexíveis e embainhadas. Valores de espessura de isolamento recomendados 9. o material mais nobre ser instalado a jusante do menos nobre.2 Válvulas As válvulas devem ser colocadas em locais acessíveis por forma a permitir a sua fácil manobra e manutenção. d) Em locais de difícil acesso. b) Embutidas em elementos estruturais. com ou sem revestimento cromado.

Fig.Equipamento produtor de água quente .Acumuladores de descarga água quente Manter a pressão abaixo de determinado valor com a introdução de uma perda de carga Nos ramais de introdução sempre que a pressão seja superior a 600Kpa e ou as necessidades específicas do equipamento o exijam.7.Contadores RETENÇÃO Impedir a passagem de A montante: água num dos sentidos .Perdas de carga em contadores REDUTORA DE PRESSÃO É obrigatório instalar um contador por cada consumidor. .Aparelhos produtores . aquela que define o tipo. d) A perda de carga que provoca. deste modo. no caso de vários consumidores. São. 7 . bronze.3. o calibre e a classe metrológica do contador a instalar. em zonas comuns ou no logradouro junto à entrada contígua com a via pública.Nos edifícios confinantes com a via ou espaços públicos.C. os contadores devem localizar-se no seu interior.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto TIPO DE VÁLVULA FINALIDADE É OBRIGATÓRIA A SUA INSTALAÇÃO: 9. .A.Autoclismos .De qualquer rede não destinada a fins alimentares e sanitários SEGURANÇA Manter a pressão Na alimentação de abaixo de determinado aparelhos produtores valor por efeito de . b) No interior do edifício. Contadores É aos SMAS. 149 . podendo estes ser colocados isoladamente ou em conjunto. b) A pressão de serviço máxima admissível. aço e PVC. uma bateria de contadores.Fluxómetros .Purgadores de água A montante e a jusante: .Máquinas lavar roupa . PERDAS DE CARGA EM CONTADORES (VALORES APROXIMADOS EM METROS DE COLUNA DE ÁGUA .dos ramais de introem qualquer dos dução individuais sentidos . O espaço destinado ao contador ou bateria de contadores e seus acessórios deve obedecer aos esquemas tipo apresentados pelos SMAS. c) O caudal de cálculo previsto na rede de distribuição predial.) SECCIONAMENTO Impedir ou estabelecer À entrada: a passagem de água . garantindo-se a medição de todos os consumos. no caso de um só consumidor. ou outros e serem de material de nobreza igual ou tão próxima quanto possível do material das tubagens em que se inserem. parâmetros que determinam a definição do contador: a) As características físicas e químicas da água. como entidade responsável pelo sistema de distribuição pública de água.Acumuladores de água quente . os contadores devem localizar-se: a) No logradouro junto à zona de entrada contígua com a via pública.dos ramais de distribuição das instalações sanitárias e das cozinhas A montante: .Nos edifícios com logradouros privados. contudo. na zona de entrada ou em zonas comuns consoante se trate de um ou de vários consumidores.M. constituindo.Máquinas lavar louça . A localização dos contadores é a seguinte: REGULAÇÃO Permitir regulação do caudal As válvulas podem ser de latão.

encher de novo e esvaziar. em princípio. durante um período mínimo de 30 minutos. com o mínimo de 900 kPa. até conseguir uma solução o mais homogénea possível. e de forma que não seja possível qualquer refluxo para a rede pública da solução desinfectante. ou para qualquer outra rede predial interior. isto é. de forma a libertar todo o ar nelas contido e garantir uma pressão igual a uma vez e meia a pressão máxima de serviço.1 Verificação Todas as canalizações. desinfecção e funcionamento hidráulico 9. Quando a cor violácea aparecer na última torneira. A verificação da conformidade do sistema com o projecto aprovado e com as disposições legais em vigor deve ser feita com as canalizações e respectivos acessórios à vista. incluindo os respectivos reservatórios quando existirem. e que se encontrem previamente desinfectados os órgãos situados desde o ponto de injecção até ao ramal de ligação. a fim de o desinfectante poder actuar. período este que. será suficiente para a lavagem final da rede. para assegurar uma limpeza eficaz. inclusive este. b) Enxaguamento prévio da rede Esvaziar a rede através das torneiras de purga existentes nos pontos mais baixos. A desinfecção da rede predial só deve ser feita depois de estabelecido e aprovado o ramal de ligação pela entidade responsável pelo sistema de distribuição pública de água.2 Desinfecção dos sistemas Os sistemas de distribuição predial de água para consumo humano. de montante para jusante (do contador para as extremidades da rede) cada torneira até ao aparecimento da cor violácea.8. devem ser sujeitas a verificação e ensaios com o objectivo de assegurar a qualidade da execução e o seu funcionamento hidráulico. em caudal razoável. convenientemente travados e com as extremidades obturadas e desprovidas de dispositivos de utilização. Através do ponto de injecção. devem ser submetidos a uma operação de desinfecção com permanganato de potássio. d) Período de contacto Manter a rede isolada durante um período de 48 horas.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. c) Leitura do manómetro da bomba. com a seguinte metodologia: a) Preparação da solução desinfectante Dissolver a quantidade de permanganato de potássio necessária (150 gramas por cada m3 de volume da rede a desinfectar) em água aquecida a uma temperatura entre 40°C e 45°C.8. depois de equipados com os dispositivos de utilização e antes de entrarem em funcionamento. de jusante para montante. O volume da solução deve ser de 1/10 do volume da rede a desinfectar. 150 . c) Introdução da solução desinfectante Fig. d) Esvaziamento do troço ensaiado. b) Enchimento das canalizações por intermédio da bomba. repetindo a operação durante cerca de 2 horas. que não deve acusar qualquer redução. Fechá-la de seguida e passar à seguinte. O processo de execução e interpretação do ensaio é o seguinte: a) Ligação da bomba de ensaio com manómetro.8 Verificação. fechá-la e parar a injecção da solução desinfectante. deixando sair a água durante cerca de 2 horas.Instalação de contadores 9. O ensaio de estanquidade deve ser conduzido com as canalizações. antes de entrarem em serviço. f) Recolha de amostras Recolher amostras para análise laboratorial confirmativa da qualidade da água. e) Enxaguamento final Abrir as torneiras pela ordem inversa da adoptada no enchimento. juntas e acessórios à vista. introduzir a solução desinfectante sob pressão com um caudal regulado em função do caudal do escoamento fixado (1 parte da solução para 9 partes da água em escoamento). localizada tão próximo quanto possível do ponto de menor cota do troço a ensaiar. 8 . Esta operação deve ser feita na véspera do dia de início da desinfecção. Abrir.

a preços correntes. da obra específica a executar. d) Número. j) Representação esquemática axonométrica da rede de distribuição de água. solicitando a aprovação do projecto. Todos os desenhos devem possuir legenda no canto inferior direito. designação e local da obra. g) Estimativa descriminada do custo. h) Planta de localização fornecida pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. c) Documento do Município comprovativo da aprovação do projecto de arquitectura. b) Identificação do proprietário. Indicação do corpo ou corpos que constituem as obras. k) Os elementos acima referidos serão apresentados em original e duas cópias para o referido nas alíneas b) a j). Os caracteres alfanuméricos devem obedecer à Norma Portuguesa NP89. Conclusão A concluir deixa-se a indicação dos elementos que devem instruir o processo de aprovação do projecto de redes prediais (Art. e) Memória descritiva e justificativa. dos diâmetros e inclinações das tubagens. Representação dos ramais de introdução de água e de águas residuais domésticas e Representação simplificada do colector predial. 151 . Edificações existentes no terreno. descrição da concepção dos sistemas.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. e) Especificação quando se trata de projecto de alteração. respeitando a Norma Portuguesa NP204 e contendo. i) Peças desenhadas dos traçados em plantas e cortes à escala mínima 1:100. na qual conste: Delimitação do terreno. o pedido de aprovação deve ser instruída com os seguintes elementos: a) Requerimento subscrito pelo promotor. quando for caso disso. paginadas e todas elas subscritas pelo técnico responsável pelo projecto. natureza. Assim. descrição do desenho. As peças desenhadas devem ser apresentadas com formatos e dobragem concordantes com o estipulado nas Normas Portuguesas NP48 e NP49. de ampliação ou remodelação. não excedendo as dimensões do formato A0. materiais e acessórios. dirigido ao Director Delegado dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. escalas e data. qualificação e assinatura do autor do projecto. dos órgãos acessórios e instalações complementares e dos respectivos pormenores que clarifiquem a obra projectada. onde conste identificação do proprietário. indicando se se trata de obra nova. com indicação dos materiais e acessórios das canalizações. f) Cálculo hidráulico onde conste os critérios de dimensionamento adoptados e o dimensionamento das redes.3 Prova de funcionamento hidráulico Após os ensaios de estanquidade e a instalação dos dispositivos de utilização.8. As peças escritas devem ser apresentadas dactilografadas ou impressas em folhas de formato A4. a seguinte informação: a) Designação e local da obra. equipamentos e instalações complementares projectadas. deve verificar-se o comportamento hidráulico do sistema por simples observação visual. b) Termo de responsabilidade do técnico autor do projecto. d) Documento donde conste as condições definidas pelo Batalhão Sapadores Bombeiros.º 304º). tipo da obra. no mínimo. e instalações complementares projectadas. c) Nome. se as houver. f) Legenda específica das redes representadas.

Editorial Faculdade de Arquitectura. 1998 MEDEIROS. António Leça. 1997 CANHA DA PIEDADE. Instalaciones. Carlos. H. Amadora. Instalações Hidráulicas e Sanitárias. Victor M. Climatização em Edifícios. Luís F. Regulamento dos Sistemas Públicos e Prediais de Distribuição de Água e de Drenagem de Águas Residuais (Anotado). RODRIGUES. 1995 PEDROSO. Porto. 1995 152 . S. Editorial FEUP. Porto. LNEC. 2004 MEDEIROS.. 1996 Regulamento Geral dos Sistemas Públicos e de Drenagem de Águas Residuais e Prediais de Distribuição de Água.. Porto. Carlos.. Redes e Instalações em Edifícios. Carlos. 2004 MACINTYRE. Manual de Instalações Hidráulicas e Sanitárias. Archibald J. Angel Luis. Edições Orion. 2000 COELHO. Segurança Contra Incêndios em Edifícios de Habitação.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. 1990 MIRANDA.. Envolvente e Comportamento Térmico. Livros Técnicos e Científicos Editora Rio de Janeiro. e RORIZ.A. Ed. Moret. Ramos. Grupo Editorial CEAC. A. Amadora.9 Referências bibliográficas BACELLAR. Edições Orion. 1998 MEDEIROS. Editorial FEUP. Instalações de Edifícios. A. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil.R. Barcelona.. Regras de Dimensionamento das Redes Prediais de Distribuição de Água Residuais Domésticas e Pluviais.

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10.Empresa Portuguesa das Águas Livres.A. 153 . S. SISTEMAS DE ABASTECIMENTO PÚBLICO E PREDIAL EM LISBOA Autor: Ana Amélia Santos Engenheira Civil Responsável do Departamento de Novos Abastecimentos Área de Negócio de Distribuição EPAL .

154 .

de 26 concelhos da margem norte do rio Tejo. esta é submetida a vários processos nas estações de tratamento: Pré-cloragem.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa EPAL . qualidade dos serviços prestados e larga experiência. correspondendo a área total abastecida a 5 443 Km2. Um dos objectivos primordiais da EPAL consiste na monitorização da qualidade da água em toda a extensão do seu sistema de abastecimento.Empresa Portuguesa das Águas Livres. remonta a 1897. quer individualmente quer integrada no Grupo AdP . Equilíbrio e ajuste do pH e Desinfecção final com cloro gasoso. merecendo referência a sua participação em projectos de âmbito internacional. Esta preocupação é de facto histórica e está comprovada pelo estudo analítico mais antigo (1791) que se conhece sobre as águas do sistema de abastecimento de água à Cidade de Lisboa. 155 . desempenha um papel fundamental para o desenvolvimento do sector da água quer nacional quer internacional. colocando as suas capacidades ao serviço do interesse nacional.Águas de Portugal. • Área de Negócio de Distribuição responsável pela gestão e manutenção da Rede Geral de Distribuição. Origem e qualidade de água A EPAL abastece de água com qualidade cerca de 2. Filtração. dispondo para o efeito de técnicos especializados nas áreas de microbiologia. Actualmente. do concelho de Lisboa. Mantém relações contratuais com cerca de 335 mil clientes directos. onde assegura o abastecimento domiciliário. o Laboratório Central da EPAL orgulha-se de ser um dos melhores laboratórios de análises de água do país e da Europa. na sua área de influência e eventualmente noutras áreas limítrofes. que garantem a produção e o transporte de água. Estações de Tratamento e Adutores. As preocupações da EPAL não se centram somente ao nível da quantidade de água fornecida. Pelo seu "know-how". O primeiro registo de resultados de análises bacteriológicas à água pela antiga Companhia das Águas de Lisboa (CAL). cuja missão é o abastecimento de água para consumo humano. desde os recursos hídricos utilizados até ao ponto de entrega ao consumidor. mas principalmente ao nível da qualidade. afecta ao abastecimento domiciliário. Para assegurar a qualidade da água. visando a prestação de um serviço de qualidade com respeito pelos aspectos essenciais de ordem social e ambiental. detida a 100% pela AdP . SA é uma sociedade anónima de capitais integralmente públicos.Águas de Portugal. modernidade das tecnologias utilizadas. transporte e distribuição que se desenvolve ao longo de mais de 1 900 km.Das origens à torneira do consumidor A EPAL . bem como de equipamentos analíticos de última geração.6 milhões de pessoas. Remineralização e correcção de agressividade. A EPAL é responsável por um sistema de produção. química orgânica e química inorgânica. Coagulação química e floculação/decantação. no concelho de Lisboa. cuja gestão é da responsabilidade de duas Áreas de Negócio distintas: • Área de Negócio de Produção e Transporte responsável por todas as Captações.

156 .

• Enquadramento legislativo. Deste sistema depende cerca de 335 000 clientes com contrato. É abastecida pelo Aqueduto Alviela. bem como divulgar os resultados alcançados com o estabelecimento dessas mesmas regras. Em complemento. cuja gestão é da responsabilidade de duas áreas de negócio distintas: Área de Negócio de Produção e Transporte e Área de Negócio de Distribuição. qualidade de serviço. Odivelas e Amadora. a Rede Geral de Distribuição. abrangendo uma breve descrição do Manual da EPAL publicado em Fevereiro 2002. 10. projectou-se a construção do Adutor de Circunvalação. A maior parte das condutas encontra-se aproximadamente a 1. cujas capacidades de entrega a Lisboa são. elevação. A EPAL é responsável por todo um sistema de produção ("alta") e distribuição ("baixa") que se desenvolve por mais de 1900 Km. organização. Acrescente-se ainda que nos últimos anos. Adutor Vila Franca-de-Xira/Telheiras e pelo Adutor de Circunvalação. 10. Esgotada a capacidade máxima de transporte entre Vila Franca de Xira e Lisboa através dos três adutores existentes.2. tem-se verificado uma diminuição dos volumes utilizados dentro da cidade. a qual se estende desde o nível do rio Tejo até cotas superiores a 170 m. proporcionando o abastecimento domiciliário numa área de 83 km2 que alberga uma população de 564 mil habitantes residentes. bem como no âmbito do serviço prestado ao requerente do processo de abastecimento. processo de abastecimento. Tejo e Adutor V. A partir da entrada em funcionamento deste último adutor. As regras da EPAL no que se refere à elaboração dos projectos de redes prediais. Palavras . Oeiras. Em termos gerais. precioso auxiliar das equipas de manutenção. • A concepção global dos sistemas prediais em Lisboa. A experiência da EPAL ilustra os benefícios da adopção e divulgação de regras técnicas no âmbito interno.5 m ou mesmo superior. é constituída por 15 reservatórios. além de permitir localizar todas as condutas e órgãos da rede. utiliza em média. legislação.F. designado Interáqua. a fiscalização bem como a ligação à rede de distribuição de água de todos os sistemas prediais na cidade de Lisboa. são registadas todas as intervenções possibilitando a criação de uma base de dados relacionados com a manutenção da rede. quer por roturas casuais cuja reparação é assegurada por piquetes que actuam 24 horas por dia. Abril de 2001. Aqueduto Alviela. tratamento/qualidade de água. ou seja. 260 000 m3 de água por dia. pressão. localizados na cidade de Lisboa e para os quais se 157 . pretende também divulgar os aspectos relevantes dum serviço de interesse público de relevante impacto social. Este sistema tem um interface com o sistema de gestão de clientes para identificar os clientes cujo abastecimento possa ser afectado. respectivamente. 70 000m3/dia de água para uma capacidade máxima efectiva de 300 000 m3/dia. com cerca de 1 400 Km. 35 mil m3/dia. fiabilidade. É também da responsabilidade da EPAL a aprovação.1 Introdução A presente comunicação pretende dar a conhecer: • A concepção global dos sistemas de distribuição em Lisboa. segurança e qualidade do serviço.1 Aspectos gerais O Sistema de Distribuição de água à cidade de Lisboa é um sistema complexo quer pela sua extensão. apesar de pouco significativo. melhoria contínua. cerca de 1 400 km de rede com diâmetros que variam entre os 80 e os 1500 mm. 240 mil m3/dia e 60 mil m3/dia. evidenciando como os resultados foram efectivamente melhorados.chave: sistema de produção e transporte. e directamente parte dos concelhos limítrofes designadamente Loures. a Rede de Distribuição passou a estar sobre dimensionada face às suas necessidades. manual de redes prediais. reserva. Neste sistema. 360 mil m3/dia. A rede de distribuição de Lisboa está digitalizada e reproduzida num sistema de informação geográfica.2 Caracterização da rede de Lisboa Em Lisboa. Em certas situações especiais e nos casos de maiores diâmetros. como sendo. Aqueduto Tejo. eficiência e produtividade. cerca de 11 mil válvulas com diâmetros nominais variáveis entre 150 e 1 000 mm e 93 mil ramais de ligação aos prédios. obra planeada de forma a abastecer os concelhos adjacentes desviando caudais da cidade de Lisboa. quer pela acentuada orografia da cidade.Xira/Telheiras. aproximadamente. quer por suspensões provocadas por obras de expansão ou renovação da rede.2. a profundidade das condutas é de 2. atingindo 4 ou 5 m.2 Concepção global dos sistemas de distribuição em Lisboa 10. actualmente transitam pela rede de Lisboa com destino aos concelhos limítrofes. satisfação do Cliente. zonas de distribuição.0 m de profundidade. sistema de distribuição.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. 9 estações elevatórias.

A Rede de Distribuição na cidade de Lisboa abastece os clientes em patamares altimétricos. 1 . Este sistema de medição integrado tem como finalidade o acompanhamento da evolução de perdas de água.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa A EPAL tem em curso um programa de renovação da rede.sistema integrado de medição.2. e a informação processada pelo sistema de clientes que regista a água facturada. por zona de abastecimento.Esquema em planta representativo da rede de distribuição na cidade de Lisboa 158 .1 Princípios hidráulicos da rede Os principais princípios a ter em conta na Rede de Distribuição são: • Estabilidade das pressões nos pontos de abastecimento garantindo uma pressão mínima na soleira dos edifícios de 300 kPa e máxima de 600 kPa. cujo investimento é na ordem dos 80 milhões de euros. • Garantir a qualidade da água ao longo da rede. nomeadamente. identificados por cores diferentes na figura seguinte: Reservatório Estação Elevatória Ponto de entrega 1 sentido Ponto de entrega 2 sentidos Fig. com substituição da rede mais antiga. de 30 em 30 metros. • Existência de alternativas de abastecimento. 10. de modo a integrar e tratar a informação sobre volumes de água utilizada em determinada malha de rede.2. • Reserva de água que garanta estabilidade no fornecimento e segurança em caso de incidentes. Complementarmente tem-se em desenvolvimento um sistema de apoio à decisão .

Esta localização permite garantir uma pressão na soleira do ponto de abastecimento entre os 300 kPa e os 600 kPa. Cruz Fig. 2 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Na figura anterior são também identificadas as estações elevatórias e reservatórios que fazem parte integrante da rede de distribuição. O sistema de distribuição de água da EPAL na cidade de Lisboa possui características muito próprias.Diagrama altimétrico representativo da rede de distribuição na cidade de Lisboa 159 . Os reservatórios que garantem o abastecimento das zonas altimétricas funcionam como reservatórios de extremidade e localizam-se aproximadamente 30 metros acima dos pontos de abastecimento mais elevados. St. bem como todas as interligações ao sistema de produção e transporte (distribuição em Alta). da respectiva zona altimétrica. no qual a água é elevada directamente para a rede de distribuição.

correntes vagabundas.2 Caracterização dos materiais da rede O sistema da EPAL existe há mais de cem anos. galvânica. ZA .a) 10. para a sua degradação.Reservatório do Restelo Telheiras Rede (ZS) .3 bar.Reservatório da Charneca Rede (ZA) . o ano de 2004 espelha já alguns resultados positivos. polietileno de alta densidade. principalmente na renovação da rede.c.30 125 . nos últimos anos (desde 2002).Reservatórios do Contador-Mor E do Vale Escuro Rede (ZM) . manobras de válvulas. através de mecanismos vários. a tubagem e acessórios estão sujeitos a factores agressivos relativos às condições hidráulicas na rede que se traduzem em pressões máximas em regime permanente que não excedem em geral 8.Reservatório do Vale Escuro e de S.4 Identificação dos factores agressivos Os tubos e acessórios estão naturalmente sujeitos a diversos tipos de factores agressivos que contribuem. ferro fundido dúctil e ferro galvanizado. QUADRO 2 . numa média de 60 km/ano. Jerónimo Rede (ZM) .Reservatório do Arco Rede (ZA) . No caso da EPAL e dado o projecto de renovação de rede em curso. Em termos de exploração. incorrecto dimensionamento/instalação dos grupos hidropressores poderão estar na origem de uma degradação mais rápida do sistema de abastecimento. • Roturas devidas a aumentos das cargas externas transmitidas pelo solo.2. Jerónimo Rede (ZA) . para cada estação elevatória existente na rede de distribuição.Reservatório do Pombal Campo de Ourique Rede (ZA) . acessórios e componentes utilizados na execução das uniões. cujo único destino é o reservatório de Monsanto. 10.130 S. exceptuando alguns casos que pode ir até 12 bar. salvo o caso da estação elevatória do Restelo.Reservatório de Telheiras Aqueduto do Alviela Reservatório de Monsanto 122 21 80 65 35 . A má utilização em termos de paragens e arranques dos grupos. ferro fundido cinzento. no que se refere à diminuição de roturas: Barbadinhos Rede (ZB) . ZS .3 Identificação das patologias mais correntes As patologias mais correntes em tubagens e acessórios assumem em geral as seguintes formas: • Roturas por acções de choque mecânico. súbita ou continuada no tempo. • Corrosão generalizada. as alturas de elevação aproximadas para os diversos destinos.Reservatórios de Campo de Ourique e do Arco 92 38 59 96 32 80 45 61 QUADRO 1 .2. fibrocimento. a melhoria da fiabilidade das reparações.Zona Baixa. No quadro seguinte pode-se observar. vindo a aumentar a sua aplicação.2. com a retirada de caudais em trânsito na rede de Lisboa para os concelhos limítrofes. tendo naturalmente ao longo da sua vida sido utilizados diversos materiais. ferro fundido dúctil. tendo no entanto. • Deterioração ao longo do tempo da tubagem e/ou das juntas e acessórios.2. betão pré-esforçado.Reservatório da Amadora Reservatório do Alto de Carenque (a) ZB .44 25 . localizada.Zona Média. a entrada em funcionamento do Adutor da Circunvalação.2. ZM . • Roturas devidas a movimentos dos solos.VARIAÇÃO DO NÚMERO DE ROTURAS ENTRE OS ANOS DE 2003 E 2004 Roturas Condutas DN ≤ 400 mm Condutas DN > 400 mm Roturas Em ramais Ano 2003 715 84 Ano 2003 1460 Ano 2004 534 49 Ano 2004 947 Variação -25% -42% Variação -35% Restelo Rede (ZA) . e do fibrocimento continua sensivelmente a representar um maior peso. A predominância do ferro fundido cinzento.Zona Alta.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. • Redução da secção útil dos tubos devido a incrustações. Esses factores podem ser classificados da seguinte forma: • Condições hidráulicas da rede As pressões são um dos principais factores agressivos (pressões em regime hidráulico permanente e transitório).Reservatório do Pombal Rede (ZS) . sendo os principais: o aço.ALTURAS DE ELEVAÇÃO NOMINAIS NAS ESTAÇÕES ELEVATÓRIAS DA REDE DE DISTRIBUIÇÃO DE LISBOA Estação elevatória Destinos de elevação(a) Alturas de elevação aproximadas (m.Zona Superior 160 .Reservatório de Monsanto Reservatório da Amadora Olivais Rede (ZB) .2. • Qualidade deficiente ao nível dos tubos. o PEAD.

que estão directamente relacionadas com o trânsito rodoviário e ferroviário. o valor de pressão mínimo actualmente disponibilizado pela EPAL é de 300kPa.4 8.máx Zona Média V.Sulfato.7 6. de modo a evitar a ocorrência de sobrepressões é de 600kPa. . Tejo e Castelo do Bode (captações superficiais e subterrâneas).máx Concentração Hidrogeniónica (pH) 7. .Cloreto. A título meramente informativo apresenta-se no quadro seguinte a concentração hidrogeniónica (pH) da água distribuída em Lisboa.9 8.Efeitos da propagação das ondas sísmicas nas tubagens.min V. . caracterizada pela ocorrência de sismos fortes. parâmetro que em geral é utilizado para caracterizar a corrosividade dos solos. Daqui resulta uma variabilidade das características da água aduzida.Cargas rolantes sobre o terreno.CONCENTRAÇÃO HIDROGENIÓNICA DA ÁGUA DISTRIBUÍDA EM LISBOA Parâmetro Zona Baixa V.Contaminação orgânica. do contacto da água com tubagens e acessórios de diferentes materiais. degradam a tubagem afectando a qualidade da água. como os assentamentos dos solos e sua liquefacção.Alviela. . A cidade de Lisboa situa-se numa zona de sismicidade moderada.máx Zona Superior V.máx Zona Alta V. separados por longos períodos de acalmia. a água aduzida à cidade de Lisboa provém de três subsistemas distintos .Movimentos permanentes do terreno.6 7. A esta variabilidade há a acrescentar a que resulta QUADRO 3 . em que se registam sismos fracos.Correntes vagabundas. sendo o parâmetro identificado como relevante a deformação da tubagem.min V.7 8.5 6.máx Reservatórios V. quando atingem teores agressivos.3 • Características químicas e físicas dos solos e das suas águas intersticiais A humidade do solo e a presença de sais dissolvidos são os factores que mais contribuem para a resistividade do solo. e conforme já mencionado. .min V.Concentração hidrogeniónica (pH). A título meramente informativo resumem-se os principais factores agressivos do solo para os tubos metálicos: .9 8. por zona de distribuição: • Características químicas das águas transportadas na rede Conforme já mencionado.7 8. . resultante das extensões axiais e das curvaturas. Os factores químicos da água transportada na rede. enquanto noutras reflectem as misturas de aduções diferentes.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Mais especificamente no que se refere à concepção da rede de distribuição. as características da água distribuída são bastante semelhantes às da água aduzida.6 7. sísmicas e mecânicas Os factores relevantes que podem contribuir para que as tubagens enterradas possam sofrer danos são: . assim como o valor máximo.min V.Resistividade. Da complexidade dos três subsistemas adutores a quatro zonas de distribuição resulta que em algumas zonas da cidade. . que estão directamente relacionados com as suas características geotécnicas. 161 .Alcalinidade. • Condições geotécnicas.min V. .

38 122.90 5.ZA ZB.62 2.66 17.70 5.00 6. 4 .30 5.ZB Zona Média . 3 .ZM Zona Alta .ZA Zona Superior-ZS 162 .Distribuição das intensidades na cidade de Lisboa Fig.2.00 12.ZL Zona Baixa .00 119.30 152.ZM ZM ZA BOMBEAMENTO ZB. OURIQUE TELHEIRAS I TELHEIRAS II POMBAL 1.2.00 VOLUME TOTAL (m³) 9 250 38 570 9 504 20 186 4 500 11 460 127 200 58 112 114 297 6 892 5 130 9 226 9 925 10 162 4 470 438 884 LEGENDA: Zona Limite .60 5.Cenário sísmico de danos na cidade de Lisboa 10.00 2. JERÓNIMO ARCO C.72 90.25 2.90 2.ZM.90 4.º 2 2 2 2 2 2 2 4 2 2 1 2 2 1 2 CÉLULAS COTA DE SOLEIRA 27.ZS N.43 92.ZM.90 5.10 171.ZS ZA.00 116.10 152.00 68.30 57.46 116. encontram-se caracterizados no quadro seguinte: QUADRO 4 .44 ALTURA DE ÁGUA (m) 3.70 4.50 4.27 126. os quais funcionam também como reservas de água.00 74.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.5 Reservas de água Os reservatórios existentes e em serviço no sistema da EPAL de abastecimento à cidade de Lisboa.CARACTERIZAÇÃO DOS RESERVATÓRIOS EXISTENTES NO SISTEMA DE ABASTECIMENTO A LISBOA DESIGNAÇÃO ZONAS DE DISTRIBUIÇÃO GRAVIDADE BARBADINHOS OLIVAIS CONTADOR-MOR VALE ESCURO S.ZA ZA ZA.2 POMBAL 3 RESTELO CHARNECA I CHARNECA II MONSANTO TOTAL ZS ZA ZS ZS ZL ZA ZB ZB ZB ZB.

para Lisboa: QUADRO 5 . 10. Os procedimentos de exploração integram rotinas de inspecção e de manutenção. previstos para os anos de 1995 e 2020. Esta preocupação prende-se com a possibilidade de deterioração da qualidade da água nos reservatórios. Manual de Redes Prediais da EPAL 10. a reunir conceitos e regras.1 Aspectos gerais É também da responsabilidade da Empresa a aprovação e a fiscalização das redes prediais na cidade de Lisboa. de modo assegurar o cumprimento das regras definidas.34 1.2. No quadro seguinte.3 Concepção global dos sistemas prediais em Lisboa 10. NO MÊS DE MAIOR CONSUMO. também é fundamental que seja garantida a qualidade da mesma água.54 1.28 1. potencialmente.falhas de adução por interrupções subsequentes a avarias no sistema de abastecimento de água ou cortes na alimentação eléctrica. na semana de maior consumo e no dia de maior consumo. ainda. . mas sim um projecto há muito planeado.3. dirigido a projectistas. em particular combates a incêndios.2.19 TIPO DE CONSUMO CAPACIDADE TOTAL (m³) Verifica-se que a capacidade total excede as necessidades de água estimadas para esses anos. o qual não é uma ideia recente. actuações de emergência.29 1. além de envolver. Assim e dentro desta opção metodológica foi sentida a necessidade de iniciar um processo normativo conducente ao estabelecimento de uma base de informação padronizada.34 1.19 2020 (1) / (3) 1. . apresentam-se as relações entre capacidade total e os consumos médio diário anual. PREVISTOS PARA OS ANOS DE 1995 E 2020 NECESSIDADES DE ÁGUA (m³/dia) 1995 (1) MÉDIO ANUAL MÊS MAIOR CONSUMO SEMANA MAIOR CONSUMO DIA MAIOR CONSUMO 438884 (2) 284413 327074 341295 369736 2020 (3) 284239 326875 341087 369511 COEFICIENTES (-) 1995 (1) / (2) 1.6 Estratégia de manutenção da qualidade da água A par com a necessidade de garantir duma forma optimizada as reservas adequadas de água no sistema para uma distribuição compatível com os consumos. NA SEMANA DE MAIOR CONSUMO E NO DIA DE MAIOR CONSUMO. que permitissem uma capacidade de resposta mais oportuna e qualitativa.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa A capacidade de reserva foi calculada atendendo às seguintes ocorrências: . destinada 163 . técnicos responsáveis pela instalação das redes prediais de água e instaladores. Para com maior rigor avaliar a conformidade técnica dos processos de abastecimento foi publicado o Manual de Redes Prediais da EPAL. opção que motivou à elaboração de um Manual.ajustamento dos caudais de adução aos pedidos na rede. se não forem verificados determinados critérios de concepção.aumentos súbitos de pedidos na rede por razões de emergência. se determinadas medidas não fizerem parte das normas de exploração e. previamente estabelecidas e divulgadas. no mês de maior consumo.54 1.RELAÇÃO ENTRE A CAPACIDADE TOTAL DOS RESERVATÓRIOS E OS CONSUMOS MÉDIO DIÁRIO ANUAL.

permitindo aos interessados a apresentação de processos de abastecimento. considerando-se o referido Manual como um complemento da documentação técnica já existente na EPAL. permite uma optimização dos recursos utilizados pela EPAL na fase de análise dos mesmos. embora numa opção técnica condicionada pela normalização nacional existente. A consulta do fluxograma a seguir representado. pois procura apresentar uma visão global conducente à obtenção de soluções que contornem os problemas detectados nos projectos de redes prediais. Elaboração e Circuito dos Processos de Abastecimento III. sendo particularmente desenvolvidos os primeiros. de acordo com o estabelecido no capítulo II.3.2 Capítulo II . para emissão de parecer.3 Descrição dos capítulos estruturantes do Manual 10. mas tem como objectivo transmitir as regras que esta Empresa considera pertinentes. ou seja. Na assunção deste pressuposto recomenda-se que sejam respeitadas todas as indicações consignadas no documento. o que conduz a prazos de resposta mais reduzidos.1 Capítulo I .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa No Manual de Redes Prediais são abordados aspectos de concepção e execução. assim como a descrição do seu circuito. 10. Subsidiariamente poderá também constituir elemento de consulta para instaladores. O conteúdo do documento não pretende ser exaustivo e de modo algum dispensa a consulta de toda a regulamentação em vigor.3. com entrega de alterações ao nível da análise e da fiscalização: 10.Generalidades Abordagem de aspectos gerais tais como a Legislação e Normalização. Concepção de Projecto e Disposições Construtivas IV. este deve ser entregue. Dimensionamento Anexos A Terminologia B Simbologia C Documentos e Elementos Técnicos Constantes dos Processos de Abastecimento D Esquemas de Instalação e Execução E Legislação e Normalização Aplicáveis F Referências Bibliográficas. desde a sua entrega nos Serviços da EPAL. Após a constituição de um processo de abastecimento. deveres e responsabilidades das diversas partes intervenientes. Uma correcta elaboração dos processos de abastecimento. evidencia todo o circuito de um processo de abastecimento no seu desenvolvimento mais longo.3. 164 . por serem aqueles que conferem aos projectos a sua verdadeira potencialidade em termos de "linguagem técnica". até à fase de celebração de contratos de fornecimento de água. na EPAL.3.3.3. permitindo assim um desenvolvimento mais célere dos processos de abastecimento. Generalidades II. compatíveis com os conceitos vigentes na EPAL. 10.2 Estrutura do Manual de Redes Prediais A estrutura do Manual é constituída pelos seguintes capítulos e anexos: I.Elaboração e circuito dos processos de abastecimento Tem como objectivo definir as regras para a elaboração e constituição de um processo de abastecimento.

Fluxograma de um processo de abastecimento 165 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig. 5 .

É recomendável ainda que sejam respeitadas todas as indicações consignadas no documento.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa O fluxograma anteriormente apresentado poderia ser muito simplificado se todo o processo não tivesse que passar por frequentes e diferentes análises do mesmo. no que respeita a alterações entregues. 6 . 9 Rede Geral de Distribuição Sistema de canalizações. Fig. 7 Ramal de Ligação Canalização que liga a Rede Geral de Distribuição à rede predial. seja na fase de análise ou/e na fase de fiscalização. responsabilidades de manutenção e recomendações. órgãos e equipamentos instalados na via pública. 8 Torneira de Suspensão do Ramal Válvula que regula o fornecimento de água ao prédio.Redes prediais. Responsabilidades de manutenção 166 . nomeadamente no que respeita à caracterização dos deveres. permitindo assim um desenvolvimento mais célere dos processos de abastecimento. para serviço de uma propriedade. ou a bocas de incêndio e marcos de água.

levando a que existam sempre que possível. assim como o valor máximo. A adopção desta solução pressupõe que embora se recorra à pressurização.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. a EPAL assegura a qualidade da mesma na sua rede geral de abastecimento. A concepção dos sistemas prediais deve assim garantir. Nos casos em que este valor seja ultrapassado deve ser instalada válvula redutora de pressão.3. quer a manutenção dessa mesma qualidade. actualmente de 300kPa. na rede geral de distribuição de água. a pressão da rede geral de fornecimento deve ser aproveitada. de forma a evitar a ocorrência de sobrepressões (>600kPa).3 Capítulo III . 8 .Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema simples gravítico 167 . em que a pressão mínima disponibilizada no ramal de ligação é suficiente para garantir as boas condições de fornecimento a todos os locais do edifício a serem objecto de contratos de fornecimento: b) Através de equipamento de pressurização directa. Quando o valor mínimo não for garantido. assim como indicar quais as disposições construtivas preconizadas pela EPAL.3. pelo menos dois andares de pressão (gravítico e pressurizado): Fig. Mais especificamente no que diz respeito às pressões deve ser tido em atenção o valor de pressão mínimo. quer as boas condições do fornecimento no que concerne à pressão e caudal nos dispositivos de utilização. É ainda de interesse apresentar uma síntese das soluções de abastecimento predial permitidas pela EPAL: a) Fornecimento totalmente gravítico. deverá ser prevista a instalação de equipamento de pressurização.Concepção de projecto e disposições construtivas O capítulo III tem como objectivo definir as linhas orientadoras a adoptar na concepção global dos sistemas prediais de abastecimento de água. constituído por grupos de velocidade variável e tendo em conta o especificado no Manual. Como entidade responsável pelo fornecimento de água para consumo humano. disponibilizado pela EPAL.Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema misto gravítico e pressurizado Fig. 7 .

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa c) Fornecimento efectuado a partir de depósito dotado de equipamento de elevação. 9 .Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema misto gravítico e pressurizado e abastecimento directo à rede de incêndio e rede sprinklers Fig.Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema misto gravítico e pressurizado e abastecimento ao serviço de incêndio a partir de depósito 168 . exclusivamente para o sistema de incêndio e situações especiais: Situação I Situação II Fig. 10 .

No entanto. são componentes fundamentais do projecto da rede predial.3. ou se os mesmos se encontrarem incompletos devem ser apresentados novos cálculos. salvo se indicado. 169 .Apresentação dos símbolos a utilizar na elaboração das peças desenhadas dos projectos de redes prediais. no entanto.5 Anexos Os anexos. B Simbologia . se forem detectadas irregularidades. Fig. No capítulo IV são apresentados alguns métodos de dimensionamento para cada situação. já anteriormente mencionados. 10. algumas das principais disposições construtivas relativas às redes prediais. E Legislação e Normalização Aplicáveis . estando o projectista livre de apresentar outros métodos desde que devidamente fundamentados. é necessário efectuar o dimensionamento das canalizações. etc. através da apresentação de ábacos. previsto na legislação) D Esquemas de Instalação e Execução .Inclui as referências do "Capítulo II . A fase de dimensionamento funciona ainda como prevenção e detecção de erros de concepção. 11 . relativos ao dimensionamento. nomeadamente no que concerne aos diâmetros das tubagens e determinação das características dos equipamentos electromecânicos. C Documentos e Elementos Técnicos Constantes dos Processos de Abastecimento .4 Capítulo IV . tal como as minutas tipo. Os cálculos justificativos. tabelas e referências bibliográficas.3. a escolha dos materiais a utilizar e a selecção dos órgãos e dos equipamentos. uma vez que se determinam entre outros. constantes no Manual. onde se definiu o traçado das canalizações. quadros de apoio. encontrando-se organizada por ordem alfabética. valores de velocidades de escoamento e de pressão disponível nos dispositivos de utilização. consistem: A Terminologia .Consiste na compilação dos termos instituídos pela EPAL mais utilizados neste Manual.3.Listagem não exaustiva de documentação.Compilação de diversas indicações de carácter normativo relativas a alguns aspectos construtivos das redes prediais. F Referências Bibliográficas.Elaboração e Circuito dos Processos de Abastecimento". os mesmos não são vinculativos.Dimensionamento Após a fase de concepção do projecto da rede predial de água. sendo sempre obrigatória a sua apresentação.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Situação III é responsável pelos valores neles apresentados e sua validade. possibilitando o controlo dos parâmetros relativos aos níveis de conforto e desempenho dos sistemas. a título meramente exemplificativo.. 10.3. O projectista Relativamente ainda ao Anexo D. O dimensionamento dos Sistemas Prediais de Abastecimento de Água é efectuado de forma faseada através de um processo iterativo.Diagrama de abastecimento às redes prediais e serviço de incêndio a partir de depósito contabilizado a montante (condição excepcional para Hotéis e Hospitais. apresentam-se nas seguintes figuras.

Instalação de contadores em bateria 170 . 12 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.

Instalação de contadores em caixa enterrada até DN 40 171 . 13 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.

Instalação de contadores em caixa enterrada a partir de DN 50 172 . 14 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig. 15 .Instalação de ponto de ligação flangeado 173 .

16 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.Pontos de ligação roscados 174 .

demonstrando o reconhecimento e interesse por parte de Projectistas. verificando-se em obra que o mesmo tem ajudado na implementação de algumas regras de construção. Internamente.000 2. passado dois anos e meio da sua publicação.000 1. "Instalação de contadores em caixa" e "Contador de obra". por vezes.3.Gráfico comparativo da variação relativamente ao tempo de resposta aos processos de abastecimento 10. tendo em conta que a lei vigente obriga que as respostas sejam emitidas dentro de um período de 20 dias úteis. Também sempre que os colaboradores detectam erros sistemáticos. O objectivo que originou a elaboração e publicação do documento começa agora a dar mostras de estar a ser concretizado. no exterior. nos quais se reflecte de alguma forma o contributo do Manual. não só da Cidade de Lisboa como de outras zonas do País. efectuou-se uma contabilização dos tempos de resposta dos processos de abastecimento.2 Quantificação dos processos de abastecimento e dos resultados práticos A título informativo.3. 175 . 65% < 5 dias entre 5 e 20 dias entre 20 e 40 dias mais que 40 dias 5% 5% 25% Fig.5. sendo eles: "Elaboração e circuito dos processos de abastecimento" e "Condições técnicas de instalação de contadores em bateria". sendo este um documento dinâmico. sempre que os indicadores apresentam desvios. serão de especial interesse para o enriquecimento técnico das futuras edições.000 3. Na figura seguinte pode-se observar em percentagem. estes são analisados e adoptadas acções correctivas para impedir a sua repetição. todas as opiniões. No início de 2003 foram editados mais dois novos folhetos designadamente.3. Estas publicações servem actualmente de apoio ao Manual. Instaladores e Donos de Obra. A imagem. de resultados do exercício da área de Novos Abastecimentos entre 2000 e 2004.4 Outras publicações complementares Paralelamente à edição do referido documento. quadro e figuras. no entanto. ou seja.Gráfico comparativo da variação do número de processos em curso e pendentes na EPAL entre o ano de 2000 e o ano de 2004 No que se refere ao nível de serviço. a quantificação do número de processos de abastecimento de 2004. Empreiteiros. consegue-se obter a percepção da evolução da qualidade do serviço e a identificação das áreas de melhoria do ponto de vista do mercado. feitas algumas sugestões de melhoria que têm sido apontadas e que serão devidamente estudadas no intuito de virem a surtir efeito em revisão com vista a uma futura emissão.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. a dinâmica dos diferentes serviços melhoraram. tendo-se obtido um equilíbrio maior entre a análise e a fiscalização dos processos de abastecimento. facilitando os procedimentos de fiscalização e de execução da obra. durante o ano de 2004. é com satisfação que já se distribuíram mais de três centenas de exemplares. 18 . são introduzidas acções correctivas. pelo que as mesmas serão sempre bem vindas. sendo.5 Resultados práticos 10. também tem sido mais positiva. Fig. bem como na execução de ramais de ligação e instalação de contadores. Através deste tipo de controlo.5.17 . foram desenvolvidos e implementados dois novos folhetos. apresentam-se. no início de 2002.000 Mês/Ano Dez-00 Dez-01 Dez-02 Dez-03 Dez-00 Dez-01 Dez-02 Dez-03 Set-04 Situação 0 Set-04 Em curso Pendentes da EPAL Pendentes de Clientes 10.3. Nº de Processos 6.000 4. No entanto. notando-se que os projectos registam algumas melhorias ao nível da sua concepção e apresentação. a seguir. relativamente ao tempo de resposta.000 5. principalmente através dos comentários construtivos.1 Divulgação da documentação Aquando da disponibilização do Manual de Redes Prediais em Fevereiro de 2002. a EPAL tinha uma perspectiva de distribuição entre os 90 e os 100 exemplares até ao final do ano.

facilitando a implementação de regras instituídas na empresa e aumentando a interacção com o exterior. o que constitui uma contribuição positiva para a concretização do objectivo inicialmente pretendido com este projecto. relativo à Empresa Portuguesa de Águas Livres.Aprova o Regulamento de Segurança contra Incêndio em Edifícios de Habitação. presentemente. com o qual os serviços se regem.Aprova o Regulamento Geral dos Sistemas Públicos e Prediais de Distribuição de Água e Drenagem de Águas Residuais. parágrafo 2. de 24 de Julho de 1944 e suas alterações entretanto publicadas.A. Pelo anteriormente exposto. Regulamento de Segurança e Acções para Estruturas de Edifícios e Pontes. S. beneficiam com a publicação deste documento. não é afectado pelo disposto no presente diploma". face alguma da legislação actualmente aplicável a todo o país.A. é mencionado que: "A EPAL. assegura a conformidade do serviço fornecido ao Cliente. é mencionado também o seguinte:" Sem prejuízo da aprovação de um novo regulamento aplicável à EPAL. S. (EPAL). na sua redacção actual". Decreto-Lei nº59/99. parágrafo 2. Com efeito. o artigo nº 31 do Decreto-Lei nº 207/94 estabelece que: "O regime estabelecido no Decreto-Lei nº 230/91. como tal.Regime Jurídico de Empreitadas de Obras Públicas. de 21 de Junho. tanto a EPAL como os agentes externos da área. 176 . No Decreto-Lei nº 230/91 de 21 de Junho. cuja aplicação decorra do objecto da sociedade. no Artigo 1º. de 24 de Julho de 1944. pelas normas de direito privado aplicáveis às sociedades anónimas e pelas normas especiais. os consumidores directos continuam a reger-se pelo disposto no regulamento aprovado pela portaria nº 10 716.A. de 23 de Agosto . rege-se pelo presente diploma. e no Artigo 8º. no entanto esta Empresa sempre fez questão de orientar-se pelos Regulamentos e Decretos-Leis vigentes: Decreto Regulamentar nº 23/95. de 21 de Fevereiro .. S. 2 de Março .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Esta atitude permite a melhoria sistemática dos processos e. pelos seus estatutos. do qual se espera no futuro vir a reflectir-se numa melhoria qualitativa e quantitativa. Pode-se concluir que. Regulamento de estruturas de Betão Armado e Pré-esforço.4 Enquadramento legislativo A EPAL possui um regulamento geral de abastecimento de água que foi posto em vigor pela portaria nº 10 716. Decreto-Lei nº64/90. conclui-se assim que a EPAL se encontra numa situação de excepção. Decreto-Lei 320/2001 e 272/2003 (segurança). 10.".

Relatório 254/99-NES.Relatório Final. " Especificação de materiais para a rede de abastecimento da água da EPAL" .5 Referências bibliográficas " Plano Geral da Rede de Distribuição de Água a Lisboa e do Abastecimento aos Concelhos limítrofes" . 2001. " Manual de Redes Prediais".elaborado pela Empresa Aquasis para a EPAL. elaborado pelo LNEC para a EPAL.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. 177 . EPAL. Setembro 1997 .

178 .

Faro 179 . Universidade do Algarve. Polivalência e Economia 11.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. SISTEMAS DE REGA SOB PRESSÃO: EFICIÊNCIA. POLIVALÊNCIA E ECONOMIA Autor: José Beltrão Professor Catedrático. FERN.

180 .

com instituições universitárias portuguesas e estrangeiras. investigação e socialização aos cerca de 10 000 estudantes. 16 dos quais liderados por docentes seus. Tendo nascido do sonho de poucos e da vontade de muitos. maioritariamente com o Grau de Doutor que asseguram o funcionamento regular das licenciaturas e mestrados. de dois Campus . e em Arquitectura Paisagista.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. Ciências Humanas e Sociais. Entre 1982 e 1998 a então UCTA foi crescendo e alargando os seus horizontes. Biotecnologia e Agricultura Sustentável). 33 laboratórios. de ensino e investigação.FERN surgiu em 1982. Em 1992 integrou o 'grupo internacional' de oito universidades que lançou e coordenou o Mestrado em Hortofruticultura . cedo se alçou de instalações provisórias a espaços amplos.ramo Hortofruticultura. Gestão.RUPEA e tem numerosos e abrangentes protocolos de colaboração. tal como existe neste momento.Portimão e Vila Real de Santo António -. Polivalência e Economia A Universidade do Algarve A Universidade do Algarve. Para além dos docentes integram a Faculdade mais de 25 funcionários e. A FERN é constituída hoje por mais de 50 docentes. A FERN . A Horto-fruticultura foi reestruturada e adoptou o nome de Engenharia Agronómica . 700 docentes e 400 funcionários que gravitam no seu universo.Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais A Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais . e foram iniciadas as licenciaturas em Engenharia Biotecnológica. criada pela Lei n. e com uma estação meteorológica automática. esta Faculdade inclui 46 gabinetes. Em 1998.ramo Hortofruticultura. 181 . situado no Campus de Gambelas. No ano de 2003 a Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais estava envolvida em mais de 30 projectos de investigação. após a criação da Universidade do Algarve. No ano de 2003 A FERN diplomou 59 licenciados (35 em Engenharia Agronómica e 24 em Engenharia Biotecnológica) e já em 2004 surgem os primeiros licenciados em Arquitectura Paisagista.Penha e Gambelas . criado pelo decreto-lei n. Recursos Hídricos.º 11/79 de 28 de Março e o Instituto Politécnico de Faro.e de dois Pólos .especialidade de Marketing e Comercialização.Economia. Tecnologia e Saúde. Por exemplo. e com empresas da região e do país.UCTA e assumiu a responsabilidade do ensino da licenciatura em Hortofruticultura. trabalho. hoje. As duas licenciaturas de Engenharia estão reconhecidas pela Ordem dos Engenheiros. integra a Rede de Universidades Portuguesas de Ensino Agronómico . em 1993. com centros de investigação nacionais e internacionais. Nas proximidades está localizado o Horto Experimental de Gambelas. Hotelaria e Turismo. resultou da união das duas instituições previamente existentes: a Universidade do Algarve.º 513-T/79. Possui cinco FACULDADES . com a reestruturação de toda a Universidade do Algarve. Inicialmente adoptou a designação de Unidade de Ciências e Tecnologias Agrárias .Educação. por exemplo. 3 salas de informática e 4 salas de estudo propiciam as adequadas condições de trabalho para os docentes. foi constituído o Centro de Desenvolvimento de Ciências e Técnicas de Produção Vegetal . É também uma Faculdade integrada no mundo global que a envolve. que proporcionam excelentes condições de estudo. alunos e funcionários. Engenharia Biotecnológica. Em 1991.CDCTPV. dispondo. cinco anos mais tarde. e Ciências e Tecnologia e quatro ESCOLAS SUPERIORES . Arquitectura Paisagista e Agronomia) e de quatro mestrados (Horticultura . de 26 de Dezembro. mais de 700 estudantes. Actualmente a Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais tem a responsabilidade de quatro licenciaturas (Engenharia Agronómica . Ciências do Mar e Ambiente.especialidade de Marketing e Comercialização. Um edifício recém inaugurado. como não podia deixar de ser. com espaços ao ar livre e estufas. as Unidades foram extintas e as Faculdades vieram substituir as anteriores estruturas. Engenharia de Recursos Naturais.

182 .

1997). QUADRO 1 .Ac) + ∆S em que: R . indica-se nas referências bibliográficas os trabalhos que deverão ser consultados. 1983. ou de modelos dinâmicos de produção (Jones & Kiniry. por haver situações híbridas e combinadas.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. Beltrão et al. 1979. O valor aproximado do coeficiente cultural está definido para as culturas regadas para a máxima produção.Água de ascensão capilar (mm). outros tipos de utilização agro-ambiental. Foi extraída da extinta disciplina de Hidráulica Geral e Agrícola.Água de drenagem (mm) Es .. Universidade Técnica de Lisboa (Mayer. O estudo das necessidades hídricas poderá também ser efectuado recorrendo a outras técnicas (Dasberg & Or.(1996) ∆S . É muito complexo classificar com rigor os sistemas de rega.2 Classificação dos sistemas de rega 11. Ao falar-se de polivalência. quer à gestão dos sistemas de rega. considera-se a eficiência de rega como a componente de maior importância. não se incluem outros parâmetros necessários quer ao planeamento.como por exemplo o potencial de turgescência ou o termómetro infravermelho.coeficiente cultural. Contudo. mas também as várias utilizações dos sistemas de rega. difíceis de definir. 1980b).1 Introdução Este capítulo incidirá somente sobre os sistemas de rega e a sua relação com a polivalência e a economia energética.. à planta (Taylor et al.Escorrimento Método .Água de escorrimento superficial (mm) Ac . No que respeita a polivalência e a economia energética dos sistemas de rega.Variação da água no solo na zona radicular (mm) ETa pode-se obter através da equação: ETa = ETo x kc Em que ETo . teoricamente o método diz mais respeito ao fenómeno físico predominante enquanto os sistemas têm mais que ver com o material. Estes outros parâmetros serão definidos através das componentes do sistema dinâmico SPAC (soil-plant-atmosphere-continuum). além da rega de humedecimento. Contudo. à atmosfera (Doorenbos & Kassam. 1979) e de funções de produção (Shalhevet e tal.Água de rega. através de fórmulas específicas (Doorenbos & Kassam. tipo de instalação e funcionamento.Precipitação (mm) ETa . 1980a. do Instituto Superior de Agronomia. Para a caracterização deste complexo sistema será necessário o conhecimento de elementos de base e aplicados ao solo (Hillel. 11. As relações entre as necessidades hídricas e os sistemas de rega foram estudados por Pereira (2004). 1945). 1980) . 1986). e b) relacionadas com a planta .como por exemplo diferenças de potencial de água no solo (tensão de água no solo) através de tensiómetros. Esta equação do balanço hídrico (1) não é aplicável aos sistemas de rega de rega localizada (gota a gota e mini(2) (1) -aspersão). 1998) e aos seus efeitos combinados nas necessidades hídricas das plantas obtidas pela equação do balanço hídrico na zona radicular. definida por: R + P = ETa + (Dr + Es . sondas TDR.Evapotranspiração real da cultura (mm) Dr . Allen et al. com uma subdivisão em processos de rega. sendo neste caso utilizado um balanço hídrico específico (Vermeiren & Jobling.Infiltração Processos: Submersão permanente: Sulcos Rega subterrânea Regadeiras inclinadas Canteiros Planos inclinados Cavaletes Faixas Submersão Temporária: Caldeiras Simples Coroa circular 183 . variando com a cultura e o seu estado fenológico. No que respeita à economia energética dos vários sistemas de rega. Polivalência e Economia 11. podendo ser obtido o seu valor directa ou indirectamente quando se verificam decréscimos da produção. Uma das classificações adoptadas em Portugal é aqui apresentada no QUADRO 1 (Sistemas de rega por gravidade) e no QUADRO 2 (Sistemas de rega sob pressão).SISTEMAS DE REGA POR GRAVIDADE Método .1 Sistemas de rega por gravidade Há quem considere os métodos de rega como sinónimos de sistemas de rega.Submersão Processos: Regadeiras de nível Processos: Método . expressa através da dotação real de rega (mm) P .. com algumas actualizações introduzidos principalmente por Oron & Beltrão (1993) e por Raposo (1996 b). 1981). considerou-se não só a origem da água de rega (recursos convencionais e não convencionais).2. 1999): a) relacionadas com o solo . de acordo com Beltrão et al. blocos de gesso e outras. Dado que a dimensão deste capítulo é limitada.Evapotranspiração de referência (mm) kc . poderíamos dividir os sistemas de rega em sistemas de rega por GRAVIDADE (escoamento ou infiltração em superfície livre) e por PRESSÃO (escoamento em pressão). uma vez que neste caso o solo não é regado na sua totalidade. tendo em vista.

fertirrega mineral e orgânica. a caldeira disposta em coroa circular. mantendo-a a uma profundidade conveniente. Os fenómenos físicos predominantes são para a rega por aspersão e para a rega localizada. As caldeiras são de submersão temporária. tendo sido substituído nas explorações intensivas por sistemas de rega localizada. utiliza-se a ascensão capilar da água.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.2.2. Polivalência e Economia A classificação em escorrimento. infiltrando-se no solo. Actualmente apenas tem interesse o sistema por rega por faixas pois é o único que permite a mecanização. A rega por submersão pode ser permanente e temporária. como prevenção contra a gomose basal. 2) permite mais facilmente controlar a dotação de rega. Contudo ainda se utiliza no norte de Portugal. submersão e infiltração diz respeito ao fenómeno físico predominante observado durante a rega. este sistema de caldeiras é apenas hoje utilizado em pequenas explorações. 1 . sendo neste caso a submersão permanente.2 Sistemas de rega sob pressão 11. contudo.1 Aspersão (instalações estacionárias e semoventes) Os sistemas de rega sob pressão são apresentados no QUADRO 2. 4) maior economia de água. 8) maior polivalência das instalações (combate às geadas e altas temperaturas. incluem a rega por sulcos e a rega subterrânea. actualmente. sem haver a necessidade de mudança de tubos (Fig.Instalação de rega por aspersão estacionária semi . as simples eram utilizadas antigamente para regar por submersão temporária as árvores de fruto. 7) menores problemas de erosão do solo.2. 3) caso a velocidade do vento seja nula ou baixa (< 2 m s-1). No caso dos sistemas de rega por escorrimento. nas laranjeiras. As instalações de rega por aspersão podem ser divididas em instalações de rega estacionárias e semoventes. a aspersão e a infiltração. Na rega subterrânea. a água escorre por todo o terreno a regar. 6) geralmente maior produção. Fig. 2 . a uniformidade e distribuição de água é mais elevada. as instalações móveis são aquelas em que não há qualquer parte da tubagem fixa. As instalações estacionárias são caracterizadas pelo facto de os aspersores ocuparem posições fixas no solo. em zonas de maiores declives. rega qualitativa). proveniente da toalha freática artificial ou através do controlo de uma toalha natural. humedecendo o solo por infiltração. 184 . nas semi-fixas parte da tubagem é fixa e parte móvel (Fig. Os canteiros são utilizados em Portugal principalmente nos arrozais. 11. 5) normalmente maior economia de mão-de-obra. sendo a água de rega distribuída nos sulcos. Os sistemas de rega por gravidade.fixa Fig.Instalação de rega por aspersão estacionária completamente fixa num campo de golfe (Rosado. 1). 2002). respectivamente. o sistema de rega por regadeiras de nível. Este sistema é utilizado em culturas dispostas em linhas. 2). em que se utiliza a infiltração como fenómeno físico predominante. Dentro dos sistemas de rega por gravidade é o dos sulcos o mais empregado em Portugal. embora a sua utilização em Portugal seja relativamente pequena. abertos entre as linhas das plantas. As principais vantagens e inconvenientes da rega por aspersão em relação à rega por gravidade são as seguintes: Vantagens: 1) não necessita a preparação do terreno (nivelamento e armação) necessária nos sistemas de rega por gravidade. e por fim as instalações fixas caracterizam-se pelo facto de toda a tubagem ser completamente fixa.

2) grande problema com velocidades do vento elevadas produzem distribuições de água muito irregulares. devido à rega da parte aérea das plantas. por humedecimento da parte aérea das plantas. Inconvenientes: 1) Consumos de energia mais elevados (funcionam a pressões de serviço muito mais elevadas). 3) custo das instalações elevado.: Center-pivot). Destes. 3) Não podem ser utilizadas em terrenos irregulares ou acidentados. QUADRO 2 . 1985): Vantagens: 1) grande economia de água.Aspersão Processos: Aspersão . 185 . através de tensiómetros). menor caudal e menor pressão de serviço.Infiltração Processos: Em relação aos sistemas de rega supracitados.Semoventes Rotação Translação Mistas As instalações semoventes incluem aquelas em que os aspersores (além do movimento e rotação própria) se deslocam ao longo da superfície do solo. e em b) miniaspersão estática ou microaspersão em que os miniaspersores não possuem movimento de rotação. sendo a subterrânea enterrada. Raposo (1994) classifica as instalações semoventes em instalações com movimento de rotação (ex. os sistemas de rega sob pressão seriam os que teriam maior interesse para aplicação nas regiões mais áridas durante o Verão. com movimento de translação (ex. culturas industriais e culturas hortícolas ao ar livre) e a rega localizada (pomares. As instalações semoventes tipo canhões auto-motrizes têm tendência para diminuir. As principais vantagens e inconvenientes das instalações semoventes em relação às instalações estacionárias são: Vantagens: 1) Evitam as mudanças dos aspersores. traduzindo-se em menor consumo de energia e menos material). 2) manutenção da tensão de agua dos solos (ou do seu teor em água) aos valores desejados pela planta. 6) altas perdas de água em climas muito ventosos ou áridos. Assim. devido ao seu elevado consumo de energia (QUADRO 7).2 Localizada (rega por miniaspersão e gota a gota . As principais vantagens e inconvenientes das instalações de rega gota a gota em relação às instalações de rega por aspersão são (Dasberg & Bresler. 5) impossibilidade de aplicação de águas salinas em culturas não tolerantes à salinidade. menos infestantes. 4) desenvolvimento de doenças. devido ao facto de apenas uma parte do solo ser regado (rega localizada). espaços verdes e campos de golfe. 2) Mão-de-obra reduzida quando comparadas com as estacionárias móveis ou semi-fixas. 2) Só poderão ser utilizadas em áreas elevadas. A rega gota a gota pode ser subdividida em a) superficial e b) subterrânea. 11. utilização de máquinas nas entrelinhas mesmo quando a rega estiver a funcionar). com movimento de rotação e de translação (ex.2. 7) utilização em solos marginais.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. Gota a gota superficial subterrânea Miniaspersão dinâmica estática ou micro-aspersão Localizada Método . 4) manutenção da parte aérea das plantas seca. 6) maior eficiência da fertirrega e pestirrega. região de clima árido durante o Verão os sistemas de rega mais interessantes seria a rega por aspersão (Milho-grão. a escolha dos sistemas de rega de maior interesse para aplicação está dependente da região e da cultura a regar. 5) custo de manutenção mais baixo (possibilidade de rega 24 horas por dia. Polivalência e Economia Inconvenientes: 1) consumo de energia muito elevado. alto controlo da aplicação de rega (que poderá ser feito por ex. No caso de grandes superfícies regadas por aspersão (áreas superiores a 50 ha). forragens. A rega por miniaspersão subdivide-se em a) miniaspersão dinâmica quando o miniaspersor possui movimento de rotação similar a um aspersor rotativo em miniatura.2. e culturas hortícolas principalmente em estufas).superficial e subterrânea) A rega localizada pode ser dividida em rega gota a gota e por miniaspersão (Quadro 2).SISTEMAS DE REGA SOB PRESSÃO Aspersão Método . vinhas. para pequenas superfícies utilizam-se as instalações estacionárias.: Rain-move). não permitindo tão facilmente o desenvolvimento de doenças. enquanto a água é distribuída. 3) superfície do solo parcialmente humedecida (menor evaporação.Estacionárias Fixas Semi-fixas Móveis Aspersão . aplicam-se geralmente instalações semoventes center-pivot. isto é.: Canhão automotor) e mistas. destinando-se ao Sul de Portugal. 7) dificuldade (penoso para os operadores) para as mudanças de tubagens nas instalações móveis em solos de textura fina.

accionada hidráulica ou electricamente. principalmente na rega gota a gota. Polivalência e Economia O maior inconveniente diz respeito a grandes problemas com entupimentos. contribuindo também para a desobstrução dos gotejadores. é uma aparelhagem de grande rigor.3. Caso as águas sejam alcalinas. para se proceder à sua lavagem sempre que necessário. O potássio também pode ser utilizado sem dificuldade. que se poderá verificar principalmente quando se trata da rega gota a gota. o azoto pode ser aplicado em todos os casos sem quaisquer dificuldades técnicas . embora mais frágil e de custo mais elevado que as instalações-tipo anteriores.Instalação de rega gota a gota em vinha (Pedras. que seja assegurada uma drenagem perfeita do solo. Outras vantagens dizem respeito à economia de mão-de-obra. assegurando uma concentração constante até níveis muito baixos tal como 5 ppm. momento e época da fertilização.3. melhora a uniformidade de distribuição dos fertilizantes. em que se faz a mistura adubo+água. há obrigatoriedade de se aplicar fertirrega. que hoje se inclui na água residual agrícola. os elementos fertilizantes são conduzidos através da água. são o fraccio- 186 . o amónio. efectuada através do efeito de Venturi. 3 . por vezes também é utilizado o ácido nítrico (em concentrações muito baixas) que tem também a função de desobstruir os gotejadores. Há no mercado adubos líquidos para aplicação na fertirrega para várias diluições de macro e micronutrientes. não se deve utilizar o fósforo na fertirrega. na fertirrega localizada. antigamente incluía a fertirrega orgânica (chorumes). 3) bomba injectora de adubo (Fig. colocado após a instalação de bombeamento e sendo precedido um filtro de malha.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. e o inconveniente de mais difícil controlo das concentrações dos fertilizantes. com válvula-parafuso de regulação da saída. de acordo com as necessidades do estado fenológico da cultura e contribuindo para a diminuição da pressão osmótica do solo. sendo a superior a longevidade da tubagem devido à diminuição de choques térmicos e mecânicos e não haver problemas com radiações ultra-violetas. Possui vantagens e inconvenientes intermédios entre a instalação-tipo anterior a que se segue. mas o seu custo é mais elevado do que o custo dos adubos sólidos solúveis. devendo-se determinar a condutividade do solo e o seu pH. podendo-se usar o nitrato de potássio ou o sulfato de potássio. É necessário que. para todos os sistemas de rega sob pressão. sendo a saída da mistura para a tubagem de rega.1 Fertirrega A fertirrega propriamente dita inclui apenas o fertirrega mineral. em relação à água de rega. sendo as mesmas altas e mal distribuídas. 11. de forma localizada às raízes. quando se pratica a fertirrega mineral. os nitratos. sempre que problemas com a filtração da água não permitirem a rega gota a gota. evita o calcamento do solo e permite a adubação mais fácil das culturas de porte baixo. 2003) Três instalações-tipo de fertirrega mineral poderão ser aplicadas nos sistemas de rega sob pressão: 1) simples depósito. Ao contrário do que se verifica com os sistemas convencionais de fertilização. Fig. Se a água é ácida não há qualquer problema na aplicação do fosfato mono ou biamónio. 2) depósito aplicado à saída da bomba. Com a rega gota a gota subterrânea consegue-se praticamente anular as perdas por evaporação. este sistema tem a vantagem de ser de baixo custo.1 Águas convencionais 11.3 Polivalência dos sistemas de rega 11. sendo a água consumida apenas por transpiração. quando se procede à fertirrega. sendo no entanto o ácido ortofosfórico menos sujeito a problemas de entupimento e de insolubilização. Outras vantagens da fertirrega. Relativamente aos macronientes aplicados. 4).usa-se muito a ureia. A rega por miniaspersão é utilizada principalmente em pomares. No caso da rega localizada. em que parte dos elementos nutritivos ficam fora da acção das raízes. em que a concentração da mistura adubo+água varia geralmente entre 5 x 10-4 e 2 x 10-2. ou quando os elevados compassos e a / ou os movimentos laterais da água do solo a partir das rampas gota a gota sejam insuficientes para que o volume radicular fique convenientemente regado. que se inclui no circuito de água. namento das fertilizações.1.

e que permita a rega sem que as culturas (árvores) sejam danificadas.3 Combate à geada O combate á geada através de sistemas de rega sob pressão é uma prática de custo elevado na rega por aspersão em virtude de exigir instalações totalmente fixas funcionando ainda todos os aspersores simultaneamente. normalmente de melhor qualidade do que nos meses quentes.1. em instalações estacionárias totalmente fixas e semoventes center-pivot. A pestirrega é praticamente utilizada na rega localizada em alguns países estrangeiros. para tornar mais saliente a coloração de certas plantas ornamentais e da fruta. maior será o teor e água do solo ao coeficiente de emurchecimento.2 Pestirrega A pestirrega está dividida em pestirrega propriamente dita (combate aos fungos e pragas) e em herbirrega (aplicação de herbicidas).1. aumento da humidade relativa do ar e da condutibilidade térmica do terreno. Além desta vantagem. sem que haver o objectivo de humedecimento do solo. ou alternativamente. Assim utiliza-se a rega por aspersão ou a miniaspersão durante essas horas com o intuito de diminuir a temperatura. Polivalência e Economia Para que se possa utilizar mais eficientemente a miniaspersão no combate à geada. A herbirrega tem interesse de utilização na rega gota a gota e na rega por aspersão. 11.1. através de aspersores e miniaspersores. com diminuição dos teores de clorofila. transformação de energia cinética em energia térmica (impacto das gotas) e a temperatura positiva a que se encontra a própria água de rega. formação de uma atmosfera nebulosa.3. através de suportes apropriados para que a rega seja efectuada por cima das copas.4 Combate às altas temperaturas Fig.3. geralmente a água pulverizada é recuperada e reutilizada. 4 . quanto maior for a concentração salina da solução do solo. 1994). em que é fixada certos pigmentos.3. e assim combater os seus efeitos nocivos. Assim dois exemplos serão apresentados. Segue-se-lhe a miniaspersão e por último a rega gota a gota.3. As instalações-tipo utilizadas são do tipo bomba injectora.2. concorre para o combate à geada com a rega. É necessário ainda conhecer a qualidade da água nos meses frios. como ainda grande parte dos produtos não estarem homologados em Portugal. Isto significa que a cultura murcha a teores de água do solo mais elevados.2 Águas não convencionais 11. 11.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. o coeficiente de emurchecimento não é uma constante de humidade do solo. 11.Bomba injectora utilizada num sistema de fertirrega gota a gota em alface.3. devendo-se neste último caso parar imediatamente o funcionamento da instalação caso haja vento. A principal vantagem destes sistemas de rega no combate à geada deve-se ao facto da libertação de 80 calorias por grama de água fornecida (Raposo. Contudo o sistema de rega por aspersão é o mais eficiente no combate à geada. e que equilibra as respectivas perdas de calor por radiação nocturna. maior será o pressão osmótica.1 Águas salinas Segundo Beltrão e Ben Asher (1997a). A rega por aspersão e miniaspersão poderá ser aplicada no combate às altas temperaturas. e muito raramente no nosso país. conforme descrito para a fertirrega. e menor será a capacidade utilizável do solo para a água. devido ao desconhecimento do seu manuseamento e aplicação. nas horas de maior calor. que corresponde ao calor latente de solidificação da água. quanto maior for a concentração de sal na solução do solo. É sobretudo utilizada.3.5 Rega qualitativa 11. será necessário que os microtubos de ligação dos miniaspersores à tubagem tenham comprimento suficiente para que os miniaspersores possam regar as culturas (geralmente árvores de fruto) nos períodos de formação de geada. 2) No Verão. 187 . 11. há culturas em que a parte aérea é queimada pelo sol. como se segue: 1) É usual verem-se aspersores ou miniaspersores em funcionamento por cima das estufas em dias muito quentes com o objectivo de diminuir a temperatura no interior das estufas. mas é também afectado pela concentração de sal no solo.1. é usual utilizar este tipo de combate em alguns campos relvados. como o caso dos campos de golfe.

θfc é o teor volumétrico da água do solo. à capacidade de campo (m3 água . é o coeficiente de fluxo da drenagem (d-1).Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. e é afectado por um grande número de processos. mais o aumento do teor de água ∆θwp(Ψ0) devido à salinidade. respectivamente ci e cd.A . 5). -1 (7) O balanço salino do solo para as culturas regadas. θfc) . O teor em água e iões varia dinamicamente na solução.Sais precipitados Qi e Q d são.Qd) A em que ci cd são as concentrações de sal na água de rega e na água de drenagem.(L . ETa é a taxa da evapotranspiração real da cultura.Sal fornecido pela água de rega Sg . (5) tomará a seguinte forma θwp(Ψ0)1 = {[ci . maior será a concentração de sais no solo.Sal fornecido pela toalha freática Sf .quanto maior for a água transferida da planta e do solo para a atmosfera. m-3 soil). Dr )] -1 -1 -1 CASO 2 . (5) tomará a seguinte forma θwp(Ψm + Ψ0)2 = (ci . Vs e Dr = Qi .Sal dos fertilizantes Sp .Variação na quantidade de sais solúveis Si . Dois casos terão que ser considerados: CASO 1 . respectivamente (kg m-3). Vs é o volume de solo considerado (m ). respectivamente. 1993) e quando a fracção de lixiviação for considerada ETa = (Qi .Variação na quantidade de iões absorvidos ∆Ss . (cd ) -1 (8) (3) A componente-chave do sistema dinâmico SPAC (soil-plantatmosphere continuum) é a solução do solo (Fig. a eq. dos quais salienta-se a: Evapotranspiração .Sal dissolvido proveniente da lavagem do solo ∆Sa .Sem lixiviação na zona radicular. (4) sendo L = (Qi . ETa) . será obtido por: θwp(Ψm + Ψ0) = θwp(Ψm) + ∆θwp(Ψ0) em que θwp(Ψm + Ψ0) é a soma do teor de água do solo ao coeficiente de emurchecimento não salino θwp(Ψm). 3 Sc . Vs -1 -1 (5) (6) Fig. a eq. Polivalência e Economia Que as concentrações de sal na água de rega e na água de drenagem. Dr )] . é a taxa de lixiviação (kg sal d-1).Representação esquemática do sistema "solução do solo" (Beltrão.Sal fornecido pela água das chuvas Sd .Sal removido pela água de drenagem Sl . o teor de água do solo ao coeficiente de emurchecimento. por transpiração e evaporação. que inclui todos os inputs.Iões absorvidos pela plantas 188 . estão em equilíbrio. θfc} . as taxas volumétricas de água de rega e de drenagem (m3 d-1). Absorção de iões pela planta intensa absorção de minerais do solo é acompanhado pela redução da salinidade do solo.(L .Com lixiviação na zona radicular. A é a superfície de evaporação (m2). outputs e os termos de acumulação para dentro e para fora da zona radicular é dado pela seguinte equação: INPUT = OUTPUT + ACUMULAÇÃO Sr + Si + Sg + Sl + Sf = Sd + Sp + Sc + ∆Sa + ∆Ss em que (9a) (9b) L Dr Sr . 5 . [cd . cd .

Volume de água de rega. De acordo com a eq. os sais concentram-se acima deste horizonte. satisfazendo simultaneamente o consumo de água da cultura e as necessidades e lixiviação (m3). para maiores valores da tolerância. 2) Uso de rega gota a gota subterrânea .15 g de NH4NO3 por planta) e sem fertilização azotada (N0). A . de acordo com o modelo de Maas e Hoffman (1977) e com Beltrão et al.Elevação do nível da toalha freática . Polivalência e Economia A necessidade de lixiviação do solo é definida pela eq.Área da parcela (m2) ETa .m-1). quando não existe horizonte impermeável.Transporte (água e vento) a) Água ..sem técnicas ambientalmente limpas .grande economia de água. sendo de 10 % a redução para o nível N1.Evapotranspiração real da cultura (m) Partindo de dados reais. 10.Ci)]. (2002). expressa em condutividade eléctrica do extracto de saturação do solo ou da água (dS. Salinidade acumulada (g NaCl planta-1) Fig. que se pode expressar pela seguinte fórmula: Y = 100 .15 g de NH4NO3 por planta) e sem fertilização azotada (N0). 1992): 1 . 6 . e portanto menos sais dissolvidos serão adicionados. mas pode continuar a haver problemas da contaminação das águas subterrâneas. 4) Culturas tolerantes à salinidade . 11 mostra que a tolerância (a) para N0 é menor que para N1. Eta Em que : Qil . 1997). Resposta da alface aos efeitos combinados da salinidade da água de rega com (N1 . devido à precipitação natural ou à lixiviação artificial.esta técnica é muito útil para as plantas.Acumulação no solo (causas naturais e actividades humanas) a) Causas naturais .Rega imprópria (uso de água salina mal aplicada) 189 . A.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. portanto.Infiltração descendente (rega e linhas de água) Infiltração ascendente (toalha freática e água do mar) b) Vento 3) . 1993) à salinidade (contudo a sensibilidade à salinidade também aumenta). (2002a).produção relativa da cultura (%).Resposta da alface aos efeitos combinados da salinidade da água de rega com (N1 .Compactação do solo e formação de impermes . mas a contaminação será aumentada devido aos fertilizantes adicionados (Beltrão et al. CEs . abvalor limiar de salinidade (dS. como se segue: Qil = [Cd / (Cd .evaporação b) Actividades humanas . isto é. a sensibilidade (b). é maior para NO do que para N1.Origem dos sais (sais locais e sais transportados) 2 . a produção relativa diminui de cerca de 5 % por cada aumento de 10 g de NaCl planta-1. MAAS & HOFFMAN (1977) encontraram entre a salinidade do solo e a produção das culturas uma relação linear. 3) O aumento da fertilização aumenta a tolerância (Beltrão et al. b = dY / dCE As técnicas convencionais de combate e controlo do processo de salinização pode ser caracterizado por quatro gerações: 1) Problema da contaminação da zona radicular pela lixiviação do solo (que pode ocorrer em duas situações quando há um horizonte impermeável.a) em que: Y. a taxa de redução de produção relativa por aumento de unidade de salinidade. de acordo com o modelo de Maas e Hoffman (1977) e com Beltrão et al. Por outro lado.sem lixiviação . e cerca de 40 g de NaCl planta-1 para N1.m-1) a partir do qual decresce a produção. o que significa que a produção relativa (%) se mantém constante a 100 % até 20 g de NaCl planta-1 para N0.salinidade do solo ou da água. por outro lado.b (CE . a que se chama tolerância. percentagem de decréscimo de produção por unidade de acréscimo de salinidade. pode haver contaminação dos aquíferos. e que é definida por (12) (11) (10) contaminação solo e das águas subterrâneas. a que se chama sensibilidade. mas não resolve o problema da O processo de salinização do solo pode ser dividido nas seguintes fases (Beltrão.

mostrando assim a capacidade de remoção de sal (ião Cl-) de diferentes cultivares de relvas.5 1 a 0. em virtude de a água nestas regiões ser limitada. de Cl . de acordo com recomendações do 2º Seminário em Reutilização de Águas Residuais no Mediterrâneo (2001): Rega de espaços verdes (parques. expressos em cfu (colony forming unit) / 100 ml de E.º 3 (Gamito.Cantinas INDUSTRIAIS . quando a taxa de bombeamento excede a taxa de recarga. Em relação a estes problemas. culturas industriais .Pecuária (chorumes) 2 1. 2002). conforme é apresentado no QUADRO n. fazem-se algumas recomendações relativamente a concentrações de microrganismos patogénicos.Adegas e lagares AGRÍCOLAS .agrostis..Transformadoras de petróleo . como se segue: 1) Uso de espécies que removem o sal do solo (Beltrão et al. "kikuyugrass"..Ligações e descargas clandestinas . desvios padrão e resultados do teste Dunnett T3.5 a a b b 0 Agrostis regada Kikuyugrass regada Bermuda regada Bermuda sequeiro Relvados Fig.. 190 Percentagem de Cl - .Matadouros ÁGUAS RESIDUAIS .Infiltrações subterrâneas .1000 cfu / 100 ml. jardins. 1998) CLASSIFICAÇÃO ORIGEM .Habitações domésticas (higiene e cozinha) . 2002). campos de golfe e de outros desportos). Este problema é intensificado devido à intrusão da água do mar que resulta da redução dos níveis freáticos dos aquíferos.2 Águas residuais É habitual classificar as águas residuais de acordo com a sua origem. "kikuyugrass". bermuda regada e bermuda de sequeiro (Costa. 2003). 2002).coli. 2) Uso de espécies tolerantes à sede.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.Hospitais e laboratórios . 2003).2.Hidroculturas . desvios padrão e resultados do teste Dunnett T3. 7 mostra as percentagens médias. mostrando assim a capacidade de remoção de sal (ião Cl ) de diferentes cultivares de relvas. 1998).3. Polivalência e Economia Em Portugal. salinidade (comum a todas as águas residuais) e metais pesados (principalmente nas águas residuais industriais). Podemos dividir os problemas ambientais que possam surgir em três tipos: microorganismos patogénicos (principalmente nas águas residuais urbanas). a legislação portuguesa (QUADRO 4) admite a reutilização de águas residuais adequadamente tratadas para grande parte das culturas (Decreto-Lei nº 236/98).CLASSIFICAÇÃO DAS ÁGUAS RESIDUAIS DE ACORDO COM A SUA ORIGEM (Gamito.200 cfu / 100 ml.1000 cfu / 100 ml.em folhas dos relvados . 3) Redução da aplicação de sal através de menores dotações de água residual.agrostis. verificam-se maiores problemas de salinização nas zonas mais áridas (como o Alentejo e o Algarve) e costeiras.Percentagens médias.200 cfu / 100 ml. de Cl . 2. tornando as águas subterrâneas mais salinas. A Fig.5 11.Fábricas . 4) Reutilização de limite mínimo de dotação de água residual suficiente para obtenção de uma boa aparência visual dos espaços verdes (Costa et al.Restaurantes e comércios URBANAS . Estas águas de pior qualidade têm repercussões negativas nas produções das culturas regadas (Ben Asher et al. pomares e vinhas regados gota a gota e forragens . QUADRO 3 . hidroponia e culturas hortícolas . 2001. A única maneira para controlar o processo de salinização e de manter a sustentabilidade dos espaços verdes e dos campos agrícolas é combater a salinização através de técnicas limpas e ambientalmente seguras. estufas. pomares e vinhas regados por aspersão .. Cuartero et al. 7 .Serviços . Nessas condições. faltando-lhe todavia critérios mais específicos de qualidade microbiológica e também critérios em relação aos sistemas de rega utilizados e características dos solos a regar e salinidade.Transformadoras de produtos alimentares . bermuda regada e bermuda de sequeiro (Costa.em folhas dos relvados .

jardim privado. Verifica-se que as regiões mais a sul de Portugal (Alentejo e Algarve) são as de maiores necessidades hídricas.100 m Rega por miniaspersão .2. 1996b): 1) Sistema de rega gota a gota superficial -1. combate a incêndios. lavagem do automóvel. fontes decorativas). pomares e vinhas.5 m Estes valores poderão ser diminuídos de 20 %.20 m c) Identificação do local regado com águas residuais depuradas 1) Estes locais deverão estar identificados com a designação "Água não potável". 1993) Rega por miniaspersão 100 m 2) Velocidade do vento durante a rega inferior a 2m s-1 Rega por aspersão . culturas industriais. autoclismos).00 m Como foi dito.500 m (Beltrão. Através da literatura disponível.00 m: Espécies herbácias . no local de recepção dos efluentes. 2) Sempre que haja problemas de poluição na região. 1996). devendo a mesma ser identificada com sinais inerentes aos perigos em causa. nas respectivas bacias de recepção e/ou no equilíbrio ecológico do meio.00 m Árvores de fruto .Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. a reutilização das águas residuais tratadas poderia estender-se também a usos residenciais (sistemas de ar condicionado. os aspectos mais importantes referiram-se na alínea 11. faltando-lhe todavia critérios mais específicos de qualidade microbiológica e também critérios em relação aos sistemas de rega utilizados e características dos solos a regar e salinidade.2.200 m Rega por miniaspersão .2. jardins. para texturas e teores de água do solo (potencial mátrico do solo) mais favoráveis. 191 . Contudo destas regiões. sugerem-se que se verifiquem as seguintes medidas: a) Profundidade mínima da toalha freática (Beltrão et al. para valores de profundidades da toalha freática superiores a 5. Contudo. máxima aconselhável. estufas. forragens e viveiros). 1976. usos florestais (combate a incêndios. com crescente desenvolvimento a partir de 1987 através do programa PEDAP (Marecos do Monte.1. Esta reutilização das águas residuais tratadas na rega será muito mais interessante nesta região.1. descargas na floresta).sem vento durante a rega Rega por aspersão . deverá essa região passar a ser classificada Zona Poluída. Em Portugal a reutilização de águas residuais tem sido quase exclusivamente efectuada na rega de espaços verdes (parques. usos urbanos (lavagem das ruas. com vista a evitar problemas de contaminação. e à recarga de aquíferos. usos industriais (refrigeração). culturas hortícolas e outras de consumo humano. sendo.2 m 3) Sistema de rega por aspersão . acrescido pelo elevado número existente de campos de golf e explorações hortofrutícolas. devido ao elevado fluxo turístico que se verifica nesta época..1. principalmente nos pomares e vinhas (rega gota a gota e miniaspersão) e nos campos de golf (rega por aspersão). campos de golfe e de outros desportos). por isso a reutilização de águas residuais já utilizada. aonde já se nota a sua reutilização.5 m 2) Sistema de rega gota a gota enterrada ou miniaspersão . b) Distância mínima a zonas urbanas 1) Velocidade do vento durante a rega superior a 2 m s-1 Rega por aspersão .50 m Floresta . d) Profundidade de rega com água residual depurada. Polivalência e Economia Para o caso de problemas de salinidade. Oron & Beltrão.50 3) Calma . é o Algarve que possui maiores necessidades hídricas mais elevadas durante o Verão.3 m 4) Sistema de rega por gravidade . a legislação portuguesa (QUADRO 4) admite a reutilização de águas residuais adequadamente tratadas para grande parte das culturas (Decreto-Lei nº 236/98).

0 0.0 Parâmetros Símbolos Unidades Os estudos a efectuar com a rega com águas residuais têm normalmente dois objectivos: O primeiro relaciona-se com os níveis de contaminação provocada por essas águas no solo. Dado o seu pobre teor em fósforo em relação aos restantes macronutrientes é usual fazer a sua correcção. juntamente com os dejectos sólidos triturados das instalações pecuárias.10 1. a componente fertilizante (Costa et al..05 2.20 ----0.9.0 1.10 2. O segundo objectivo relaciona-se com a resposta da produção e crescimento das culturas à rega com águas residuais.Valor Máximo Recomendável VMA .10 2.3.0 2. estas últimas poderão ainda estar contaminadas por pesticidas. que não é de prever a contaminação das relvas.30 0.0 4.8 10 ----0. É evidente que os chorumes são IMPRÓPRIOS para utilização na rega localizada.0 6. os chorumes são utilizados.5 0. incluindo além da componente água (Asano.0 20 --------15 5.0 0. recorrendo a modelos de simulação.0 ----1. 1998).0 10.0 ----0. VMR .2002). linhas de água receptoras e nas culturas com elas regadas para os diferentes sistemas de rega. Polivalência e Economia QUADRO 4 .. Os problemas causados pelos sistemas de rega não convencional.0 70 0. como prevenção à contaminação. A rega por aspersão com águas residuais é aplicada principalmente no Algarve. principalmente.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. Contudo.Valor Máximo Admissível 192 .005 0. as provenientes da drenagem de explorações agrícolas aproximam-se mais das características das águas salinas. 11.0 ----1.. respectivamente.8. Em relação às águas residuais agrícolas.DECRETO-LEI NR.5 .00 0.05 0. em campos de golfe.5 5.20 0. 2002).3 Águas de drenagem As características das águas de drenagem provenientes das zonas urbanas poderão aproximar-se mais das características das águas residuais.4 100 ----VMA 20 10 ----1.5 . Inicialmente.05 ----1.02 575 0. o nível de concentração patogénica é de tal modo baixa. 236/98 (1998) Qualidade das águas destinadas à rega VMR Alumínio Arsénio Bário Berílio Bicarbonatos Boro Cádmio Chumbo Cloretos Cobalto Cobre Crómio Estanho Ferro Flúor Lítio Manganésio Mercúrio Molibdénio Níquel Nitratos Nitritos Salinidade Selénio Sulfatos Vanádio Zinco pH Coliformes Fecais Ovos de parasitas Intestinais Al As Ba Be HCO3 B Cd Pb Cl Co Cu Cr Sn Fe F Li Mn Hg Mo Ni NO3 NO2 ECw Se SO4 V Zn ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm dS/m ppm ppm ppm ppm pH MPN/100ml Nº/l 5.01 5. sendo distribuídos no solo através de aspersores especiais. 2002 b) e para aspectos económicos (Penkova et al. com a aplicação das radiações ultravioletas e dos modernos filtros.0 5.2. com a adopção de tratamentos terciários adequados e.0 ---------0. nomeadamente membranas. (nomeadamente os relacionados com reutilização de águas residuais) poderão ser estudados. para aspectos de contaminação ambiental (Beltrão et al.05 20 ----10 5. a rega era efectuada apenas em viveiros de relva e em zonas vedadas aos golfistas. que possuem agulhetas de maior diâmetro e em borracha para permitirem mais facilmente a passagem de matérias sólidas.75 0.5 ----0.

É de salientar a importância da pressurização a pressão constante (implicando naturalmente a integração da variação de velocidade nos motores eléctricos) garantindo a dispersão da água eficientemente com o mínimo consumo energético ou seja.0 0.0 31.5 25. 8 .5 13.0 40.0 37.5 9.0 45.média (sistemas de rega por gravidade .0 Velocidade do vento (m s-1) 1.5 7.5 8.4 Eficiência de rega e sua classificação 11.0 10.0 5.5 14.0 22. PARA ASPERSORES DE ALTO GRAU DE PULVERIZAÇÃO PERDAS MÉDIAS DE ÁGUA DURANTE A REGA (%) (15) 11.0 22.0 3.0 11.5 25 4.0 45 15. regada por aspersão onde foram recolhidas amostras dos udómetros para determinação da eficiência de distribuição.0 3.0 16. 1976).0 7.0 30.0 32. (14) Temp.0 16.0 4. sistema de rega sob pressão .0 36.0 10.0 35 8. (° C) 0.5 10.PERDAS MÉDIAS DE ÁGUA DURANTE A REGA EM FUNÇÃO DA TEMPERATURA E DA VELOCIDADE DO VENTO.0 4.0 12.0 30.0 5. com udómetros para a determinação da eficiência de distribuição Ed.5 17. Polivalência e Economia 11.0 23. diagrama pluviométrico.0 8.5 10.0 9.0 25.0 19.0 3.0 20.0 20 3.0 2.0 4.0 9.0 7.0 6.0 27.0 10 2.5 5.0 26.0 17.dotação de rega) X .5 27. Wd .água aplicada durante a rega na respectiva parcela.5 33.5 15.0 21. O QUADRO 5 apresenta as perdas de água durante a rega. b) velocidade do vento.1 Eficiência de transporte (et) Et = 100 (Wf /Wd) em que Wf .5 1. (13) Fig.0 12.5 4.0 18.5 9.0 28.[ ( Σ | X | ) / (m x n) ] } em que m .0 30 6.0 35.água armazenada na zona radicular A eficiência Ed está relacionada principalmente: com a) características físicas do solo e declive (sistemas de rega por gravidade).5 6.0 21.0 6.0 25.desvio à média n .0 2.5 40 12.4.0 20.0 30.Campo experimental de batateira.0 33.0 35. 11.5 13.5 15.0 13.0 5.3 Eficiência de aplicação (ea) Ea = 100 (Ws / Wf) em que Ws . características de funcionamento e qualidade dos aspersores e grau de pulverização (sistemas de rega por aspersão).0 16.5 8.0 9.número de observações (amostras recolhidas de amostras) A Fig.0 31.4.0 13. regada por aspersão. problemas de entupimento e qualidade dos gotejadores ou miniaspersores (sistemas de rega localizada). QUADRO 5 . b) velocidade do vento e temperatura durante a rega.5 13.0 12.0 34.0 21.0 15 3. de acordo com Achtnich (1966).0 7.0 11.0 4.0 31. só pressiona o volume de água ajustado às necessidades hídricas das culturas (Vide Capítulo 3).5 25.5 14.2 Eficiência de distribuição (ed). problemas de entupimento e qualidade dos gotejadores ou miniaspersores (sistemas de rega localizada). características de funcionamento e qualidade dos aspersores e grau de pulverização (sistemas de rega por aspersão). em função da velocidade do vento e temperatura para aspersores de alto grau de pulverização (Beltrão.5 24.0 17.0 20.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.0 18.5 16. A eficiência Ed está relacionada principalmente: com a) características físicas do solo e declive.0 21.água proveniente da fonte de abastecimento Esta eficiência Et está muito relacionada com as fugas de água.0 6.0 40. referência ao coeficiente de uniformidade de distribuição de água de christiansen (cuc) É frequente utilizar o coeficiente de uniformidade de distribuição de água Christiansen (CUC) como a eficiência de distribuição Ed Ed (CUC) = 100 {1 .profundidade de rega. estado de conservação das tubagens e dos grupos motor-bomba e sua eficiência.5 5 1.0 193 . 8 mostra um campo experimental de batateira.0 2.4.0 12.0 18.

gota a gota subterrânea (0.1 Valores médios e técnicas de maximização da eficiência de rega Os valores médios geralmente atribuídos à eficiência de rega Er a nível da parcela de rega são: gravidade (0.0.relação de transpiração (22) (21) (20) 11.85 .0. a eficiência de rega Er total que deverá ser utilizada nos cálculos da dotação real de rega é: .7 . Ed .água necessária na zona radicular (16) .0.55). a radiação e o compasso (Beltrão & Ben Asher.rega localizada .1.6 Eficiência total de rega Segundo (Oliveira. miniaspersão (0. amendoeira (0. porque o vapor de água e o CO2 passam através dos mesmos estomas. 1993).0.4.rega por aspersão . Polivalência e Economia 11.0.5).1966): CT = T / MS T .5. milho (0.. Os principais parâmetros que condicionam a relação transpiração / evapotranspiração são o índice de área foliar IAF.5). MS .5 Eficiência de rega e consumo de energia nos sistemas de rega sob pressão 11.4). diagrama pluviométrico. Assim este tipo de eficiência deverá ser apenas aplicado no caso da rega gota a gota superficial e subterrânea. trigo (0.6 . Para o cálculo da eficiência total Er no caso da rega gota a gota.1. sendo neste caso T = ETa. No caso especial da rega gota a gota subterrânea toda a água aplicada será consumida praticamente apenas por transpiração (Oron e Beltrão.temperatura durante a rega .35 -0. 1993).00).90).problemas de entupimento.5 Eficiência de uso de água Eu = Y / ETa em que Y . ao contrário do que se verifica com a transpiração. Ed sendo RT = 100 (T / Wf) em que Er (T) .a nível da parcela de rega (Er) Er = Ea . Ed . ETa . utilizando-se geralmente para expressar as relações entre estes parâmetros o coeficiente de transpiração CT. ervilha (0.Produção. RT .0.declive do solo 194 . gota a gota superficial (0.50). qualidade e características dos aspersores.eficiência total Er específica para o caso da rega gota a gota. (17) 11.90 . batata (0.1997b.0. a evaporação directa não estar associada à produção. a assimilação e a produção estão associadas. qualidade e características dos gotejadores e miniaspersores A transpiração.4 .grau de pulverização.4 Eficiência de armazenamento Es = 100 (Ws / Wn) em que Wn .transpiração (m3 de água).Evapotranspiração real da cultura.características físicas do solo .80).6).95 .85).4.40 .80).0). Ep (19) (18) 11.a nível do perímetro de rega (ERp) Erp = Ea .30 .3 .95).0.50).70 . definido por (Achtnich. Nestas condições.0. feijão (0. Maximiza-se a eficiência de rega .2 .Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.MAXIMIZANDO A TRANSPIRAÇÃO E A UNIFORMIDADE DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA E MINIMIZANDO A EVAPORAÇÃO DIRECTA. luzerna (0. 1997). aspersão (0. e velocidade do vento .4.9). Beltrão et al. subterrânea (0. visto que das componentes da evapotranspiração. beterraba (0. Parâmetros que condicionam a eficiência de rega .0.3 .matéria seca produzida (kg) Valores médios de CT : cana de açúcar (0.45 . a eficiência total Er(T) seria dada pela expressão: Er(T) = RT . Keller e Karmeli (1975) consideram apenas a transpiração T e não a evapotranspiração real da cultura ETa.0.

duração útil diária de rega (h d ).eficiência de rega (%). .As dotações de rega diárias de ponta estão compreendidas entre 4 e 6 mm d-1 (40 a 60 m3 ha-1) e os volumes anuais de rega entre 3400 e 5100 m3 ha-1 (valores úteis teóricos. e 70 a 90 % nas culturas hortícolas e ornamentais em estufa.altura manométrica total (m).Canhões autom.rendimento total dos grupos motor-bomba (%).Volume anual de rega (m ) . . e incluem os seguintes factores: .ELEMENTOS E PARÂMETROS DE REGA A UTILIZAR NO CÁLCULO DO CONSUMO DE ENERGIA DAS INSTALAÇÕES DE REGA SOB PRESSÃO DURAÇÃO ÚTIL DAS REGAS Por dia (h) Por semana (d) NECESSIDADES HÍDRICAS débito de ponta (m3 h-1) volume anual (m3) TIPO DE INSTALAÇÃO EFICIÊNCIA DE REGA Er (%) ALTURA MANOMÉTRICA TOTAL (m) REGA POR ASPERSÃO Estacionárias . e 50 a 70 % nas culturas hortícolas ao ar livre.A percentagem de solo humedecido. Polivalência e Economia 11.5 5.7-4. eléctricos (kW) ou térmicos (HP) .4-6.1-2.9 4300-6400 4300-6400 4000-6000 195 .3-8. isto é.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. estufas 92 92 95 20 20 20 7 7 7 40 35 35 1. seguem os conceitos adoptados por Raposo & Beltrão (1982). 3 . 4 .Móveis .não aproveitamento das águas pluviais. .0-1.Valores médios dos seguintes parâmetros de rega: .Potência dos grupos motor-bomba. -1 3 -1 . orn. de acordo com o conceito de Keller e Karmeli (1975).caudal de ponta ( m3 h ) . no que respeita à rega localizada. por hectare regado. . .2 Elementos e parâmetros de rega a utilizar no cálculo do consumo de energia Os elementos necessários a utilizar no cálculo do consumo de energia nas instalações de rega sob pressão em Portugal. e são apresentados nos QUADROS 6 e 7.Sistemas pivot .6 1. Pomares Hort.6 1800-2800 2600-2900 1700-2000 90 20 7 40 1.7 1900-2800 85 70 20 16 7 5. ar livre Hort.diminuição da evapotranspiração da ordem dos 30 % QUADRO 6 .número de dias úteis por semana.Semi-fixas .Quanto às culturas em estufa: .5-6.6-3.0 2.5 7 60 60 60 6.ocupação ao longo do ano na ordem de 80 %.1-1.9 5.5.5 80 100 2. está compreendida entre 30 e 50 % nos pomares.5-2. 2 .Consumos dos grupos motor-bomba (kWh ou L de gasóleo) Os valores destes elementos foram obtidos a partir das condições seguintes (QUADROS 6 e 7): 1 . sem incluir a eficiência e rega e a percentagem de solo humedecido).Fixas Semoventes . REGA LOCALIZADA Miniaspersão Gota a gota sup.8 4500-6800 4900-7300 80 80 85 10 12 18 5.0 4.3 1.

Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência, Polivalência e Economia

11.5.3 Consumo anual de energia para instalações de rega sob pressão
Os valores médios do consumo de energia nas instalações de rega sob pressão em Portugal, por hectare regado, são apresentados no QUADRO 7.

QUADRO 7 - CONSUMO ANUAL DE ENERGIA PARA INSTALAÇÕES DE REGA SOB PRESSÃO
MOTOR ELÉCTRICO (µt = 75 %)* TIPO DE INSTALAÇÃO POTÊNCIA (kW) REGA POR ASPERSÃO Estacionárias - Móveis - Semi-fixas - Fixas Semoventes - Sistemas pivot - Canhões autom. REGA LOCALIZADA Miniaspersão Gota a gota sup. Pomares Hort. ar livre Hort. orn. estufas 0,16 - 0,24 0,19 - 0,29 0,13 - 0,20 280 - 420 350 - 520 240 - 360 0,27 - 0,40 0,33 - 0,49 0,22 - 0,34 110 - 160 140 - 200 90 - 140 0,17 - 0,25 290 - 430 0,28 - 0,41 120 - 170 0,6 - 0,9 1,7 - 2,5 1400 - 2100 2000 - 2800 1,3 - 2,0 2,8 - 4,2 540 - 810 720 - 1100 1,4 - 2,1 1,2 - 1,8 0,9 - 1,4 950 - 1500 950 - 1500 950 - 1400 2,3 - 3,5 2,0 - 3,0 1,0 - 1,5 380 - 570 380 - 570 380 - 560 CONSUMO ANUAL (kWh) POTÊNCIA (HP) CONSUMO ANUAL (L gasóleo) MOTOR DIESEL (µt = 60 %)*

* Rendimento total do grupo motor-bomba

Os valores dos elementos apresentados nos QUADROS 6 e 7 deverão ser utilizados com alguma reserva, uma vez que representam valores médios para condições médias. Os valores apresentados mostram uma grande diversidade de valores entre os vários sistemas de rega, tipos de instalação e modalidades respectivas de funcionamento. Mostram-se, principalmente, diferenças entre a rega por aspersão (e o que se verifica entre as instalações estacionárias e semoventes) e a rega localizada, nomeadamente no que diz respeito às potências dos grupos motor-bomba e ao consumo anual de energia (eléctrica ou térmica). Há ainda duas grandes vantagens que contribuem para diminuir o consumo de energia, a saber - a) o aumento do nível de automatização, quer para os sistemas de rega por gravidade (Serralheiro, 1986), quer para os sistemas de rega

sob pressão (Raposo, 1996a) que, além de contribuir para a diminuição da mão de obra, permite um controlo da rega muito maior, conseguindo-se obter consumos mais baixos; b) o aumento do rendimento do grupo motor-bomba e a pressurização a pressão constante, garantindo o bombeamento da água o mínimo consumo de energia. Nos QUADROS 8 e 9 apresentam-se valores representativos do custo do m3 de água em zonas áridas de Portugal (Algarve) e de Espanha (Baleares), de acordo com estudos efectuados, respectivamente por Raposo e Beltrão (1982) e Costa (2003) para o Algarve e Brissaud (2003) para as Ilhas Baleares. Nestes valores foram incluídos os custos dos materiais dos sistemas de rega sob pressão e os problemas económicos a que estão associados, como os prazos de amortização, longevidade e manutenção das instalações (Beltrão, 1986).

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Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência, Polivalência e Economia

QUADRO 8 - CUSTO MÉDIO DA ÁGUA DE REGA NO ALGARVE, EM FUNÇÃO DA SUA ORIGEM (EURO/m3)
ORIGEM DA ÁGUA Subterrâneas Part. Superficiais Rede superficiais Residuais tratadas* Na parcela Energia aplicada Instalação TOTAL 0,04 --0.06 --0,05 0,05 0,01 0,05 0,15 0,15 0,15 0,15 24 20 22 20

1) eficiência de rega, incluindo a das utilizações polivalentes; 2) nível de automatização; 3) controlo da rega; 4) descontaminação ambiental (recursos hídricos não convencionais); 5) rendimento dos grupos motor-bomba;

*Sem tratamento adicional efectuado pelo agricultor.

QUADRO 9 - CUSTO MÉDIO DA ÁGUA DE REGA NAS I. BALEARES (Brissaud, 2003), EM FUNÇÃO DA SUA ORIGEM (EURO / m3).
ORIGEM DA ÁGUA Subterrâneas Part. Superficiais Rede superficiais Residuais tratadas Residuais tratadas c/ tratamento adicionais Total 0.27 0,23 0,25 0,12 0,12- -0,23

6) pressurização a pressão constante; 7) manutenção das instalações.

11.6 Conclusões
Como notas finais deste capítulo podemos salientar a importância da eficiência de rega no que respeita quer ao consumo de energia, quer aos custos do material dos respectivos sistemas de rega. Por outro lado, salienta-se a polivalência das instalações de rega sob pressão, através de outras aplicações adicionais à rega por humedecimento. A utilização das águas de fontes não convencionais deverá ser maior nas regiões mais áridas para suprir a falta de água potável e para aumentar a fertilidade do solo; contudo, tal prática deve ser efectuada com o maior cuidado dados os riscos ambientais e de saúde que envolve; para manter a sustentabilidade dos espaços verdes e dos campos agrícolas, o seu controlo deverá ser efectuado através de técnicas limpas e ambientalmente seguras. Em relação ao desenvolvimento dos regadios em Portugal, verifica-se que os sistemas de rega sob pressão começaram a substituir nos anos sessenta, através da rega por aspersão, os sistemas de gravidade convencionais; a partir dos anos oitenta, a rega gota a gota superficial e a miniaspersão começaram a desenvolver-se em culturas em linhas (hortofruticultura), tendo já surgido nestes últimos anos sistemas de rega gota a gota subterrânea, com evidente economia de água. Os custos elevados do consumo de energia e dos materiais dos sistemas de rega sob pressão e os problemas económicos e ambientais a que estão associados, levará no futuro a que os sistemas de rega sob pressão sejam melhor concebidos e projectados, além de uma manutenção feita em boas condições. Concorre para isso a maximização dos seguintes parâmetros e actividades:

197

Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência, Polivalência e Economia

11.7 Referências bibliográficas
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200 .

A.A. 201 . APLICAÇÃO DE SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO EM PROCESSOS INDUSTRIAIS Autores: Pedro Farinha Responsável de Área de Engenharia da Hovione FarmaCiência.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12. S. Luís Olival Gestor de Projectos de Engenharia da Hovione FarmaCiência. S.

202 .

usados na preparação de injectáveis. investigador químico. artérias e órgãos nos exames radiográficos.1 milhões de Euros. Cerca de 660 profissionais. clientes da empresa. nos EUA. e que lhe valeu.exportados para mercados tão exigentes quanto os dos Estados Unidos. desde 1990. o Grupo Hovione investe cerca de 8% do seu volume de vendas em investigação e desenvolvimento. Fundada em 1959 por Ivan Villax. que permitem a visualização das veias. nas quais emprega mais profissionais do que na produção. e um Centro de Transferência de Tecnologia em New Jersey. União Europeia e Austrália – constituem a base activa dos medicamentos formulados por laboratórios farmacêuticos. a Hovione desenvolve a sua actividade através de processos de síntese próprios. Investiga e produz com alta tecnologia e qualidade. os corticosteróides. anti-parasíticos e produtos utilizados em terapias oncológicas. o prémio de “Melhor Meio Ambiente na Indústria”. 5% em qualidade e 1% em formação. substâncias activas farmacêuticas. atribuído pela Comissão Europeia e pelo Programa Ambiental das Nações Unidas. 1 . em 1992. incluindo anti-virais e terapias anti-SIDA. Estes produtos . em Loures e em Macau.Grupo Hovione A principal actividade da Hovione consiste na investigação e desenvolvimento de processos de síntese e na produção de substâncias activas farmacêuticas. de dez nacionalidades diferentes e com idade média de 37 anos. os agentes de diagnóstico radiológico. Japão. 203 . iniciando contratos de desenvolvimento de processos e fabricação de novos produtos para terceiros. Com uma facturação anual de aproximadamente 68 milhões de Euros. ambas são certificadas ISO9000. 6% em projectos ambientais. utilizados como anti-inflamatórios e anti-alérgicos na preparação de pomadas e aerossóis. 14. As duas fábricas da Hovione são inspeccionadas e aprovadas pela Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos. que são agentes anti-infecciosos usados na preparação de cápsulas e comprimidos. a empresa desenvolveu a segunda vertente do negócio. Fig. Outra área que tem merecido grande dedicação por parte da Hovione é a que diz respeito à protecção ambiental.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais A Hovione Hovione é uma empresa portuguesa dedicada à química farmacêutica. trabalham na Hovione. apresentando duas vertentes de negócio: os produtos genéricos e o “outsourcing” (produção em exclusivo para terceiros). Durante a década de 90. Exemplo do compromisso que assumiu com as questões ambientais é o facto de ter subscrito o Responsible Care Program e utilizar tecnologias GreenCycleTM. A Hovione já desenvolveu mais de 100 processos de síntese química próprios e detém um número elevado de patentes a nível mundial. dos quais se destacam três grandes linhas de produtos: os antibióticos do grupo das tetraciclinas. Na área dos produtos genéricos. na qual investiu. um negócio que neste momento representa 40% do seu volume de vendas. a Hovione tem duas unidades fabris. sendo de destacar a aposta feita na área da qualidade e da pesquisa.

204 .

Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12. ou seja têm que ser construídos e instalados em conformidade com a Directiva ATEX 94/9/CE.2. 12. é necessário fazer uma evidência documental do controle dos possíveis contaminantes externos. que vão desde a simples trasfega de solventes ou misturas reaccionais. No caso das bombas deve ser dada atenção aos empanques mecânicos. etc. podem degradar-se por acção química e/ou térmica. em vigor desde 30 de Junho de 2003. tenha superfícies não rugosas e isentas de fissuras. sendo necessário um levantamento de todos os factores de risco que possam afectar a especificação do produto. Segurança. ou ainda sistemas de distribuição e circulação de fluidos. através de soluções BAT (Best Available Techniques). desenhos de construção mecânicos/eléctricos/ /funcionais. bem como certificação que ateste a adequabilidade da solução ao processo e local onde se insere. os lubrificantes deverão ser de qualidade alimentar. e em caso de bombeamento de líquidos com elevado grau de perigosidade ou toxicidade devem ser utilizados empanques magnéticos.2. Essas emissões devem ser minimizadas nas fontes. • erosão mecânica. em grande quantidade. por síntese química. É requisito imprescindível a marcação CE de conformidade juntamente com toda a documentação definida na Directiva 94/9/CE. é referido no documento do IPPC a particular atenção que deve ser prestada à selagem. juntas. Segurança. Assim.2 Critérios de selecção de equipamento de processo Os critérios de selecção de equipamento para ser utilizado no fabrico de produtos farmacêuticos de base. 12. para todos os equipamentos que contactem directamente com o produto. • produtos resultantes da corrosão. No caso das bombas centrífugas de processo. garantias e certificações. têm a obrigação legal de serem determinadas e manifestadas oficialmente. As zonas de fricção devem ser devidamente acauteladas de modo a minimizar o risco de libertação de partículas resultantes da erosão ou desintegração para o processo. Em relação a equipamento de bombeamento centrífugo. nomeadamente metais pesados. Esta certificação é resultante de uma avaliação dos riscos envolvidos. A manutenção preventiva deverá recorrer a inspecções periódicas visuais de todas as zonas críticas. às chumaceiras e às juntas. os contaminantes externos podem surgir de: • lubrificantes ou fluidos de selagem usados nos equipamentos de processo. abrangendo também as indústrias de síntese química. os equipamentos utilizados têm que estar preparados para funcionar em ambientes com potencial perigo de explosão. de forma a evitar perdas para o exterior. que possam afectar a qualidade do produto. Quando admissíveis. As emissões de COV's (Compostos Orgânicos Voláteis) localizadas e difusas. até sistemas sofisticados de filtração por Osmose Inversa. manuais de operação/manutenção c/ recomendação de peças de reservas. lista de lubrificantes.2 Segurança Uma vez que no fabrico de produtos farmacêuticos de base são utilizadas. Materiais de construção devem ser seleccionados de modo a minimizar a corrosão química dos componentes metálicos. abordadas no documento de referência do IPPC. É assim exigido ao fornecedor de equipamentos de processo suporte documental (quando aplicável) para: lista e certificado de materiais. provenientes desses equipamentos. baseiam-se no elevado grau de exigência em termos de Qualidade.2. 12.1 Qualidade O fabrico de produtos farmacêuticos de base é regido por uma elevada exigência de qualidade. aos impulsores. 205 . de forma a projectar o equipamento e a sua instalação de modo a evitar a formação de atmosferas explosivas e fontes de ignição. Facilidade de desmontagem e montagem com reduzido número de peças são factores também a considerar na escolha de uma bomba. É referido com BAT a utilização de empanques mecânicos simples ou duplos. relatórios dos testes em fábrica. desde a certificação dos componentes eléctricos como anti-deflagrantes para a classe de temperatura a que possam estar sujeitos. Esta directiva cobre os requisitos técnicos a serem considerados. As bombas centrífugas Grundfos são utilizadas em diferentes operações do processo de fabricação de Princípios Activos. • resíduos de aplicações anteriores. Ambiente e Saúde Ocupacional. requer um elevado grau de exigência em termos de Qualidade.3 Ambiente A directiva Europeia IPPC (Integrated Pollution Prevention and Control) tem como objectivo a prevenção integrada e o controlo da poluição resultante da produção industrial. substâncias inflamáveis. e quando se verifique uma explosão o equipamento deverá ter meios que permitam interromper imediatamente a deflagração e/ou limitar os seus efeitos. • elastómeros (empanques. 12. O desenho dos equipamentos deve ser tal que minimize as zonas mortas. uma vez que tem que ser garantida a vedação permanente entre os elementos rotativos e estáticos.) não adequados ao processo. Ambiente e Saúde Ocupacional.1 Introdução O equipamento utilizado na produção de Princípios Activos para a Indústria Farmacêutica.

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12.2.4 Saúde ocupacional
De acordo com a Directiva 2003/10/CE de 6 de Fevereiro de 2003, relativa à prescrição mínima de segurança e de saúde em matéria de exposição dos trabalhadores aos riscos devidos aos agentes físicos (ruído), a selecção do equipamento adequado fica condicionada ao ruído máximo admissível para ocupação em permanência, tendo em conta o trabalho a efectuar. Assim o equipamento deverá produzir o mínimo de ruído, tendo em conta o progresso técnico e a disponibilidade de medidas de controlo dos riscos na fonte. O manuseamento dos intervenientes em síntese química devem ser adequados ao seu grau de perigosidade para a saúde humana. Deve-se analisar qual a concentração máxima admissível para cada contaminante na atmosfera da zona de trabalho e adequar o equipamento que garanta a contenção abaixo dos limites de exposição admissíveis OEL - Occupational Exposure Limits.

Fig. 2 - Osmose inversa de purificação de água

12.3 Exemplos de aplicação industrial
As bombas centrífugas Grundfos são utilizadas em diferentes operações do processo de fabricação de Princípios Activos, que vão desde a simples trasfega de solventes ou misturas reaccionais entre equipamentos, até sistemas sofisticados de filtração por Osmose Inversa, ou ainda sistemas de distriuição de fluidos térmicos que garantam uma optimização das condições operatórias. Adiante faz-se uma descrição pormenorizada destas duas últimas aplicações.

Outra aplicação de Osmose Inversa na Hovione, consiste em concentrar 20m3/h de uma solução de Princípio Activo, desde uma concentração de 60g/lit até uma concentração de 150g/lit. Retido 8 m3/h Alimentação 149 g/ lit. 20 m3/h Osmose Inversa 60 g/ lit. Membrana Permeado 12 m3/h 0.5 g/ lit.
Fig. 3 - Osmose Inversa - Diagrama de processo

As condições operatórias necessárias são: Numero de módulos em paralelo = 2 (Para aumentar a flexibilidade) Caudal de cada módulo = 10 m3/h Pressão de permuta = 40bar Bombas seleccionas por módulo = 2 x CRN16-160 em série. Nas figuras seguintes apresenta-se o diagrama da instalação e uma fotografia do sistema.

12.3.1 Filtração por Osmose Inversa
A filtração por Osmose Inversa é a filtração mais fina tecnicamente possível e consiste em reter partículas com dimensão um milhão de vezes inferior a 1 mm, numa membrana porosa geralmente feita em celulose. A Osmose Inversa é utilizada industrialmente para purificar água ou outros solventes, retirando as moléculas indesejáveis, ou concentrar soluções de produtos valiosos. O princípio de funcionamento da Osmose Inversa consiste em fazer passar através da membrana, o fluido que se pretende isento de moléculas grandes, chamado permeado. Para que se dê uma separação efectiva é necessário alimentar o fluido em condições de pressão e caudal adequados e consistentes. O fluido que não atravessa a membrana é chamado retido, por ser aquele que retém as moléculas grandes. A Hovione tem uma instalação de purificação de água com um caudal de 10m3/h para produzir água com uma condutividade de 0.3µS.cm-1 a partir de água de qualidade potável com 3000µS.cm-1.

Retido Permeado

Alimentação

Fig. 4 - Osmose Inversa - Diagrama de tubagem e instrumentação

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Fig. 5 - Osmose inversa de concentração

Fig. 6 - Equipamento de síntese química

12.3.2 Circuitos térmicos
Para obter o Princípio Activo em quantidade e qualidade aceitáveis é necessário que as condições operatórias sejam optimizadas e reprodutíveis, sendo a temperatura do meio reaccional um dos parâmetros críticos da síntese química. Esta temperatura é controlada pela circulação de um fluido térmico através do equipamento, com um determinado caudal e a uma temperatura tal, que por contacto indirecto, promova a transferência térmica. A circulação faz-se através de dois sistemas interligados que são: • Circulação de fluido térmico através do equipamento a uma temperatura variável e a um caudal constante; • Produção e Distribuição do fluido térmico nas diferentes temperaturas constantes e a um caudal variável;

M ⋅ Cp  K − 1   Tin − T 1  ln   = q. ⋅ ρ ⋅ cp ⋅  K  ⋅ t  Tin − T 2   
Em que:

(1)

 U⋅A  K = exp    q ⋅ ρ ⋅ cp 
As variáveis das Equações 1 e 2 são:

(2)

Tin é a temperatura de entrada do fluido de circulação (°C); T1 é a temperatura inicial da mistura reaccional (°C); T2 é a temperatura da mistura reaccional ao fim do tempo t; M é a massa de mistura reaccional que se pretende aquecer ou arrefecer (kg); Cp é a capacidade calorifica média da mistura reaccional, no intervalo de temperaturas considerado (kcal / kg.°C);

12.3.2.1 Circulação de fluido térmico
12.3.2.1.1 Caudal A circulação do fluido térmico através do equipamento é feita através de uma bomba centrífuga que é dimensionada pelo caudal constante, cujo valor depende da capacidade térmica do equipamento e pela altura manométrica necessária para a sua circulação. O caudal de circulação do fluido térmico pode ser obtido iterativamente pela Equação 1, que determina a temperatura da mistura reaccional T2 ao fim do tempo t:

q é o caudal volumétrico do fluido térmico de circulação (m3/h);

q ⋅ ρ ⋅é a massa específica do fluido térmico (kg/m3) à temperatura da operação. cp é a capacidade calorífica média do fluido térmico, no intervalo de temperatura considerado (kcal / kg.°C). U é o coeficiente global de transferência de calor (kcal/ /h.m2.°C), que depende da condutividade térmica de todos os materiais envolvidos na transferência térmica e da turbulência do seu movimento. O valor de U pode ser estimado teoricamente ou determinado experimentalmente;

207

Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais

A é a área total (m2) através da qual se dá a transferência térmica, e depende da geometria do equipamento e da quantidade de mistura reaccional;
M (kg)

QUADRO I - PARÂMETROS
Aquecimento 4000 1.01 300 10 925 0.43 977 0.38 0.99 280 Arrefecimento

No ponto 12.3.2.1.2 é dado um exemplo ilustrativo da aplicação das expressões 1 e 2, para determinação do caudal da bomba de circulação, em condições de aquecimento e arrefecimento.

Cp (kcal / kg.°C) U (kcal / h.m2.°C) A (m2)
r

(kg / m3)

cp (kcal / kg.°C)
100 90 80
Temperatura (ºC)

70 60 50 40 30 20 10
5m3/h 10m3/h 15m3/h 20m3/h

Fig. 7 - Diagrama do Circuito Térmico

12.3.2.1.2 Exemplo de aplicação Selecção de uma bomba para um circuito térmico de um reactor de 4000lit. de capacidade, no qual se pretendem as seguintes condições operatórias: a) Aquecimento da mistura reaccional desde uma temperatura inicial T1=25°C até uma temperatura final de T2=100°C, com um fluido térmico a uma temperatura de entrada de Tin=120°C; b) Arrefecimento da mistura reaccional desde uma temperatura inicial T1 = 25°C até uma temperatura final de T2=0°C, com o mesmo fluido térmico a uma temperatura de entrada de Tin=-15°C. Considerar para perda de carga total do circuito o valor de 20m.c.a. Utilizando as Equações 1 e 2, de uma forma iterativa, e os parâmetros do sistema apresentados no Quadro I, obtém-se o gráfico de variação da temperatura da mistura reaccional no tempo, para diferentes caudais de circulação.

0 0.0 0.3 0.7 1.0 1.3 1.7 2.0 2.3 2.7 3.0 3.3 3.7 4.0 Tempo (h)

Fig. 8 - Gráfico da temperatura da mistura reaccional para diferentes caudais de circulação

Analisando o gráfico da fig. 8, verifica-se que deixa de haver uma diminuição significativa do tempo total de aquecimento e de arrefecimento quando se aumenta o caudal de circulação de 15m3/h para 20m3/h. Considerando o valor de caudal de 15m3/h e uma altura manométrica de 20m.c.a, uma bomba adequada para a circulação de fluido térmico através da camisa de um reactor de 4000lit. de capacidade seria uma CR16-30.

12.3.2.2 Sistema de distribuição de fluido térmico
12.3.2.2.1 Temperaturas O sistema geral de distribuição de fluido térmico é constituído pelos subsistemas independentes de produção, armazenagem e distribuição do fluido térmico a diferentes temperaturas.

208

Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais

Para realizar aquecimentos é necessário dispor de um fluido térmico a uma temperatura elevada, cujo valor depende da temperatura máxima exigível para o processo, nunca podendo ser superior à temperatura admissível para o equipamento. Geralmente a temperatura máxima utilizada nos processos de produção de Princípios Activos situa-se entre 120°C e 150°C. A produção do fluido nesta gama de temperaturas pode ser realizada por circulação através de permutadores de calor alimentados com vapor ou através de resistências eléctricas.

O factor de simultaneidade tem em conta que não é expectável que todos os equipamentos de uma instalação estejam a trabalhar na sua capacidade térmica máxima em simultâneo. Este factor pode ser obtido por estimativa baseada no grau de utilização dos equipamentos, ou utilizando equações estatísticas, como é o exemplo da equação 3.

f =

1 n −1

(3)

em que n é o número total de equipamentos.
HTFR

HTF

A utilização de modelos matemáticos requer uma análise cuidada do valor obtido, baseada na experiência de instalações similares e no bom senso. 12.3.2.2.3 Caudal A determinação do caudal necessário para um sistema de distribuição de fluido térmico é feita de forma idêntica à determinação da capacidade energética, descrita no ponto anterior, tendo em consideração o somatório de todos os caudais necessários de todos os equipamentos alimentados pelo circuito, e aplicando o factor de simultaneidade. Para obviar a variação das necessidades energéticas é conveniente que a distribuição de fluido térmico se faça a caudal variável, o que se consegue através da variação de velocidade das bombas de distribuição, em função da número de consumidores em funcionamento.

Fig. 9 - Diagrama do Circuito de Distribuição

Para efectuar o arrefecimento é necessário dispor de fluido térmico a uma temperatura reduzida, cujo valor depende da temperatura mínima exigida pelo processo e que não poderá ser inferior à temperatura mínima admissível para o equipamento. Geralmente a temperatura mínima utilizada nos processos de produção de Princípios Activos situa-se entre os -30°C e os -15°C, em casos especiais poderá haver necessidade de uma temperatura criogénica, na ordem dos -100°C. A produção do fluido térmico a -30°C faz-se normalmente por circulação através de uma máquina frigorifica, ou de um permutador. Geralmente para os sistemas térmicos de unidades de produção de Princípios Activos justifica-se economicamente a existência de um circuito térmico a uma temperatura intermédia. Este fluido tem como principal função efectuar o primeiro arrefecimento ou aquecimento, quando o equipamento está a temperaturas extremas. A escolha da temperatura mais adequada depende da utilização preferencial e do balanço económico e poderá ser cerca de 25°C, que se obtém fazendo circular o fluido por um permutador por onde circule água arrefecida em torres de refrigeração, ou cerca de +5°C a +10°C para o qual é necessário ter uma máquina frigorífica.

Fig. 10 - Sistema de distribuição

12.3.2.2.2 Capacidade energética A capacidade energética de um sistema de distribuição de fluidos térmicos depende do número e capacidade dos equipamentos que vão ser alimentados e também do factor de simultaneidade da instalação.

O ajuste do valor da velocidade é feito de forma a manter constante a pressão do circuito de alimentação. Assim, quando um consumidor entra em funcionamento a pressão do circuito de alimentação tende a baixar, o controlador fará aumentar a velocidade da bomba, para que a pressão se mantenha no valor de set-point seleccionado. Quando um consumidor deixa de estar em funcionamento o controlador reage de forma inversa. Com este sistema garante-se a alimentação uniforme aos equipamentos, em todas as condições de utilização da instalação.

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A.000 Caudal de circulação (m3/h) 120 Fig.000 500.000 10. tendo em consideração o número máximo de equipamentos em funcionamento simultâneo na capacidade máxima. por ter menor custo. 11 .Gráfico da potência absorvida para as opções de bombeamento Pode concluir-se que a Opção I é a mais favorável. tal como mostra o Quadro IV: QUADRO IV .000 Capacidade Térmica (kcal/h) 300.5 Custo Total (Euros) 7.000 3.SISTEMA DE BOMBEAMENTO CAUDAL TOTAL = 120M3/H.000 22 8.200. conclui-se que poderão estar quatro em funcionamento simultâneo.250 Potência Instalada (kW) 22 I 210 .2.600 22. para uma instalação composta por oito reactores com as capacidades indicadas no Quadro II. QUADRO II . igual consumo energético. H = 40M.CIRCUITO DE DISTRIBUIÇÃO Capacidade Térmica (kcal/h) Fluido Térmico 2.3. sendo ainda garantido 50% do caudal máximo em caso de avaria de uma bomba. Verifica-se que não há variação significativa da potência absorvida.000 56. QUADRO III . menor número de equipamentos. para as três opções consideradas. No Quadro III.000. Para selecção dos sistemas de bombeamento do fluido térmico às diferentes temperaturas.) 4. que estará em funcionamento sempre que o reactor esteja a uma temperatura superior à ambiente. Para o sistema de arrefecimento há a considerar que todos os reactores têm sistemas de condensação de Compostos Orgânicos Voláteis (COVs). Opção Quantidade de Bombas 2 Caudal (m3/h) 60 60 40 II 3 40 40 30 III 3 30 60 Tipo CR64-2 CR64-2 CR45-2 CR45-2 CR45-2 CR32-3 CR32-3 CR64-2 8.CAPACIDADES Equip. são indicadas as necessidades energéticas e o caudal de distribuição necessário para o fluido térmico a cada temperatura.2.000 Caudal de circulação (m3/h) 15 30 180 16 14 12 10 8 6 4 2 0 0 15 30 45 60 75 90 105 120 Caudal (m 3/h) Opção I Opção II Opção III Aplicando a Equação 3 para oito reactores. 1a4 5a8 S O gráfico da figura 11 mostra a variação da potência absorvida em função do caudal. ambos do mesmo modelo.C. Assim deverão considerar-se cinco equipamentos em utilização simultânea. é possível considerar três opções diferentes.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12. 20 18 Potência (kW) Capacidade (lit.4 Exemplo de Aplicação Seleccionar os sistemas de bombeamento dos circuitos de distribuição de fluido térmico de Aquecimento e Arrefecimento.

Directiva 2003/10/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 06 de Fevereiro de 2003.4 Referências bibliográficas Grundfos. D. 1965. Predict Heating and Cooling Times Accurately. Jornal Oficial das Comunidades Europeias .Bulk Pharmaceutical Chemicals. Volume1.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12. Tosun. Ismail and Aksahin. Novembro 1993. Guides for New Facilities . June 1996.Q. Chemical Engineering.44 / 2003. WinCAPS.Directiva 94/9/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 23 de Março de 1994. Integrated Pollution Prevention and Control (IPPC) Reference Document on Best Available Technics in LVOC Industries . 211 . McGraw-Hill. Ilhan. New York.y Jornal Oficial das Comunidades Europeias .February 2003. First Edition ISPE. Process Heat Transfer.. Versão 7. Kern.

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241 • 2770 . 320 e 334 • 4350 .Ser responsável é a nossa base Pensar mais além torna tudo possível A inovação é a essência de tudo o que fazemos Bombas GRUNDFOS Portugal. Sede: Apartado 1079 • 2771.273 Porto Tel.com BGP .A.03/2005 .grundfos.601 Porto Rua da Ranha.: 22 542 05 20 • Fax: 22 542 05 38 www. S.: 21 440 76 00 • Fax: 21 440 76 90 Filial: Apartado 3035 • 4031.153 Paço de Arcos Tel.901 Paço de Arcos Rua Calvet de Magalhães.

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