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grundfospressurizacao

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Sections

  • 1.2 Das origens ao aqueduto romano de Olisipo
  • 1.4 Propostas para a reconstrução do aqueduto romano
  • 1.3 Os antigos chafarizes de Lisboa
  • 1.5 O Aqueduto das Águas Livres
  • 1.6 Os projectos de Pezeratface à falta de água no século XIX
  • 1.8 A 2ª.Companhia das Águas e o Alviela
  • 1.9 O projecto de 1908 para captação de água no Tejo
  • 1.11 Duarte Pacheco e o contrato de 31 de Dezembro de 1932
  • 1.12 Os problemas da qualidade das águas
  • 1.13 As duas opções em confronto - Tejo ou Zêzere
  • 1.14 Expansão do abastecimento
  • 1.15 A EPAL e o Castelo do Bode
  • 1.16 Referências bibliográficas
  • 2.2.3 Compressibilidade
  • 2.2 Princípios da mecânica dos fluidos
  • 2.2.1 Propriedades da água
  • 2.2.2 Viscosidade
  • 2.2.4 Tensão de saturação do vapor de água
  • 2.3.1 Conceitos básicos
  • 2.3.2 Classificação dos escoamentos
  • 2.3.3 Equação da continuidade
  • 2.3.5 Teorema da quantidade de movimento ou de Euler
  • 2.3.4 Teorema de Bernoulli
  • 2.4.1 Escoamentos laminares e escoamentos turbulentos
  • 2.4.2 Perdas de carga contínuas
  • 2.6 Cálculo hidráulico
  • 2.6.1 Regime uniforme e permanente
  • 2.4.3 Perdas de carga localizadas
  • 2.5 Redes hidráulicas
  • 2.5.1 Classificação das redes hidráulicas
  • Fig.4 - Curva característica da instalação
  • 2.8 Curva característica da instalação
  • 2.7 Dimensionamento económico de condutas
  • 2.9 Bombas centrífugas
  • 2.9.1 Definição
  • 2.9.2 Constituição
  • 2.9.3 Curva característica da bomba
  • 2.10 Cavitação e NPSH
  • 2.11 Leis de semelhança
  • 2.12 Ponto de funcionamento de uma bomba centrífuga
  • 2.13 Referências bibliográficas
  • 3.3 Centrais hidropneumáticas
  • 3.3.1 Constituição e princípio de funcionamento
  • 3.2 Tipos de sistema de elevação de pressão
  • 3.3.2 Grupos electrobomba
  • 3.3.3 Reservatórios de membrana
  • 3.3.4 Reservatórios hidropneumáticos
  • 3.3.5 Exemplos de situações-tipo
  • 3.3.6 Características das centrais hidropneumáticas
  • 3.4 Sistemas por bombeamento directo
  • 3.4.1 Constituição e princípio de funcionamento
  • 3.4.2 Bombas de velocidade fixa
  • 3.4.3 Sistemas com bombas de velocidade variável
  • 3.5 Dimensionamento e selecção
  • 3.5.1 Determinação do caudal máximo
  • 3.5.2 Determinação da pressão
  • 3.5.3 Regulação das pressões de arranque e paragem
  • 3.6 Referências bibliográficas
  • 4.2 Modelo de cálculo
  • 4.3 Critérios de cálculo
  • 4.4 Condições de fronteira
  • 4.5 Dispositivos de protecção
  • 4.5.1 Volantes de inércia
  • 4.5.3 Reservatórios de ar comprimido
  • 4.5.2 Válvulas de retenção
  • 4.6 Circuito de desvio
  • 4.7 Chaminés de equilíbrio
  • 4.8 Reservatórios unidireccionais
  • 4.9 Reservatório parcialmente bidireccional
  • 4.10 Dispositivos de manutenção das pressões transitórias
  • 4.10.1 Válvulas motorizadas
  • 4.10.2 Arrancadores suaves
  • 4.11 Caso prático
  • 4.12 Referências bibliográficas
  • 5. O CUSTO DO CICLO DE VIDA COMO FACTOR
  • 5.2 O que é o Custo do Ciclo de Vida?
  • 5.3 Razões para a utilização do CCV
  • 5.4 Determinação do Custo do Ciclo de Vida
  • 5.5 Implementação da metodologia
  • 5.5.1 Na fase de projecto
  • 5.5.2 Aplicação a sistemas existentes
  • 5.6 Exemplos de aplicação do Custo do Ciclo de Vida
  • 5.6.2 Escolha do sistema de pressurização na fase de projecto
  • 5.7 Referências bibliográficas
  • 6. SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO GRUNDFOS
  • 6.2.1 Sistema Hydro 100
  • 6.2.2 Sistema Hydro 1000
  • 6.2.2.1Sistema Hydro 1000 CS
  • 6.2.3Sistema Hydro 2000
  • 6.3.1 Sistema Hydro Solo E
  • 6.3.2 Sistema Hydro 2000 E
  • 6.3.3 Sistema Hydro 2000 F
  • 6.4 Teste de sistemas
  • 7.2 Controlo de sistemas de bombeamento
  • 7.2.1 Controlo por nível
  • 7.2.2 Controlo por caudal
  • 7.2.3 Controlo por pressão
  • 7.3.1 Necessidade de comunicação
  • 7.3.2 Comunicação entre sistemas de controlo da mesma rede
  • 7.2.4 Outros tipos de controlo
  • 7.3 Comunicação entre sistemas de bombeamento
  • 7.4 Gestão integrada entre sistemas de bombeamento
  • 7.4.1 Monitorização e gestão de sistemas mistos
  • 7.4.2 Vantagens de um sistema integrado
  • 8.2 Requisitos para instalação
  • 8.2.1 Localização do equipamento de bombeamento
  • 8.2.2 Necessidades de ventilação
  • 8.2.3.Utilização de reservatórios de membrana
  • 8.3 Instalação de sistemas de bombeamento
  • 8.3.1 Aspiração negativa
  • 8.3.2 Aspiração de cisterna elevada
  • 8.3.3 Aspiração de uma rede sob pressão
  • 8.4.1 Manutenção aos equipamentos de bombeamento
  • 8.4.2 Manutenção aos sistemas de monitorização e controlo
  • 9.2.2 Elementos de dimensionamento
  • 9.2 Sistema de abastecimento público
  • 9.2.1 Aspectos gerais
  • 9.2.5 Entrada em serviço dos sistemas
  • 9.2.3 Ramais de ligação
  • 9.2.4 Elementos de instrução dos processos de projectos
  • 9.3.2 Elementos dos sistemas
  • 9.3.3 Concepção dos sistemas
  • 9.3 Sistema de abastecimento predial de água
  • 9.3.1 Aspectos gerais
  • 9.3.4 Classificação dos sistemas
  • 9.3.5 Dimensionamento dos sistemas prediais
  • 9.4 Sistemas prediais de distribuição de água fria
  • 9.4.1 Aspectos gerais
  • 9.4.2 Dimensionamento hidráulico
  • 9.4.3 Reserva predial de água para abastecimento doméstico
  • 9.4.4 Instalações elevatórias e sobrepressoras
  • 9.4.5 Dimensionamento dos reservatórios hidropneumáticos
  • 9.5 Sistemas prediais de distribuição de água quente
  • 9.5.1 Aspectos gerais
  • 9.5.2 Aparelhos produtores de água quente
  • 9.5.4 Sistemas de distribuição de água quente com recirculação
  • 9.6.1 Aspectos gerais
  • 9.6.2 Isolamento das canalizações
  • 9.6.3.Execução das redes prediais
  • 9.7 Elementos acessórios da rede
  • 9.7.1 Torneiras e fluxómetros
  • 9.7.2 Válvulas
  • 9.7.3.Contadores
  • 9.8 Verificação,desinfecção e funcionamento hidráulico
  • 9.8.1 Verificação
  • 9.8.2 Desinfecção dos sistemas
  • 9.8.3 Prova de funcionamento hidráulico
  • 9.9 Referências bibliográficas
  • 10.1 Introdução
  • • A concepção global dos sistemas de distribuição em Lisboa;
  • 10.2 Concepção global dos sistemas de distribuição em Lisboa
  • 10.2.1 Aspectos gerais
  • 10.2.2 Caracterização da rede de Lisboa
  • 10.3 Concepção global dos sistemas prediais em Lisboa
  • 10.3.1 Aspectos gerais
  • 10.3.2 Estrutura do Manual de Redes Prediais
  • 10.3.3 Descrição dos capítulos estruturantes do Manual
  • 10.3.4 Outras publicações complementares
  • 10.3.5 Resultados práticos
  • 10.4 Enquadramento legislativo
  • 10.5 Referências bibliográficas
  • 11.1 Introdução
  • 11.2 Classificação dos sistemas de rega
  • 11.2.1 Sistemas de rega por gravidade
  • 11.2.2 Sistemas de rega sob pressão
  • 11.3 Polivalência dos sistemas de rega
  • 11.3.1 Águas convencionais
  • 11.3.2 Águas não convencionais
  • 11.4 Eficiência de rega e sua classificação
  • 11.4.1 Eficiência de transporte (et)
  • 11.4.4 Eficiência de armazenamento
  • 11.4.5 Eficiência de uso de água
  • 11.4.6 Eficiência total de rega
  • 11.7 Referências bibliográficas
  • 12.2.3 Ambiente
  • 12.1 Introdução
  • 12.2 Critérios de selecção de equipamento de processo
  • 12.2.1 Qualidade
  • 12.2.4 Saúde ocupacional
  • 12.3 Exemplos de aplicação industrial
  • 12.3.1 Filtração por Osmose Inversa
  • 12.3.2 Circuitos térmicos
  • 12.4 Referências bibliográficas

GRUNDFOS SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO

Manual de Engenharia

Biblioteca Nacional - Catalogação na Publicação Manual de Engenharia Sistemas de Pressurização ISBN: 972 - 99554 - 0 - 9

Depósito Legal n.º 223570/05

Copyright © 2005 - Bombas Grundfos Portugal / Margarida Ruas / Raul Vital / Paulo Ramísio / Eduardo Nunes / Carlos Medeiros / Ana Amélia Santos / José Beltrão / Pedro Farinha / Luís Olival

Todos os direitos reservados.

Nenhuma parte deste livro poderá ser reproduzida, de qualquer forma ou meio, sem a autorização prévia do editor. Edição de: Bombas Grundfos Portugal, S.A.

Impresso em papel ecológico, isento de cloro por: Expresso Gráfico - Lisboa
BGP - 03/2005

PREFÁCIO
Actualmente, as sociedades desenvolvidas, na sequência da melhoria da qualidade de vida, têm como expectativa não apenas o acesso fácil ao recurso água mas também elevados padrões de qualidade no seu abastecimento. Esta exigência arrasta consigo a garantia do fornecimento contínuo, a sua qualidade intrínseca e as características adequadas ao seu uso, inerentes à quantidade e à pressão. Estes critérios de qualidade a que todos nós, de forma crescente, nos fomos habituando, são aplicáveis, principalmente, ao consumo humano, mas são também extensíveis aos sectores económicos da sociedade, cujo desenvolvimento está na dependência da água. Para atingir os desejados padrões de qualidade é fundamental o cumprimento da legislação vigente e a aplicação das tecnologias mais avançadas, factores que se revelam da maior importância para a optimização dos custos de exploração, dos quais o consumo energético é um factor determinante, se tomarmos em conta que aproximadamente 20% do consumo mundial de energia eléctrica se destina a grupos electrobomba. O reconhecimento de que uma das componentes do custo da água reside na sua movimentação, desde a captação à sua utilização, implica que a selecção dos sistemas de pressurização deverão ser cada vez mais eficientes e económicos. A responsabilidade social e o desenvolvimento sustentado que a Grundfos assume nos seus valores, sensibiliza-a para a importância da reflexão e do diálogo sobre o tema da água como bem fundamental e escasso. Foi com este espírito presente que o Manual de Engenharia sobre o tema "Sistemas de Pressurização" foi abraçado por um conjunto de docentes universitários e especialistas, em vários sectores da utilização da água, tendo como objectivo a optimização da eficiência e da fiabilidade da movimentação da água. O conteúdo deste Manual foi estruturado com informação técnica actualizada, desde a legislação às soluções tecnologicamente mais avançadas, complementado com ferramentas e técnicas para a melhoria do Custo do Ciclo de Vida dos sistemas públicos, prediais, industriais e na rega. O conceito de variação de velocidade utilizado nos sistemas hidráulicos, é adaptado em concepções diversificadas, em função das características das aplicações, como processo para optimização do consumo energético. É aqui inserido um documento de referência, que descreve a evolução histórica do abastecimento de água à cidade de Lisboa e regiões limítrofes, desde a ocupação Romana à actualidade, relatando os acontecimentos históricos que foram influenciados por essa evolução. É referida a importância da água para o consumo humano, para a rega e para a higiene pública. É ainda abordada a problemática do seu tratamento e as suas propriedades terapêuticas para a cura de diversas doenças. Evoca ainda a importância da água no desenvolvimento da cidade de Lisboa, assim como transmite os detalhes da evolução tecnológica nos meios utilizados para o abastecimento da água, desde as nascentes aos consumidores públicos e industriais, até ao abastecimento domiciliário com água canalizada. Este Manual é uma colectânea dos contributos da Grundfos e de todos aqueles que participaram na realização deste projecto, e teve como orientação estratégica a gestão racional da água e a sustentabilidade ambiental. Destina-se à sociedade em geral e em particular aos consultores, projectistas, empresários, empresas municipais e multimunicipais, técnicos, docentes e alunos de universidades e institutos cuja actividade está, directa ou indirectamente, dependente do estudo e da utilização da água. António Miranda Administrador Delegado Bombas Grundfos Portugal

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aliás. As palavras não são unívocas e só o contexto pode indicar o sentido exacto de cada termo. passando pelos "Vocabulários" de Gonçalves Viana e José Pedro Machado. Bombear significa "extrair um líquido ou um gás por meio de bomba". Pelo menos é esta a opinião dos mais reputados estudiosos da língua portuguesa. militar. As línguas. As palavras são polissémicas e podem significar uma "coisa" e o seu contrário. Bombeamento formou-se juntando ao verbo (bombear) o sufixo nominal -mento. são tão legítimas e frequentes as dúvidas como as certezas. juntando a bomba o sufixo verbal -ear (tal como de guerra+ear se formou guerrear e de cabeça+ear derivou cabecear) que encerra um sentido frequentativo (repetição de uma ideia). E diz-nos a experiência que do natural conflito entre norma e uso. ressuscitar) e outras que emergem (nascem) para designarem novos objectos ou conceitos. designadamente. podendo. todavia. o verbo bombear e o substantivo bombeamento. todos registam bombear e bombeamento e excluem as outras hipóteses. bombeamento é. a palavra primitiva) tem diferentes sentidos. Embora também haja quem empregue a forma bombagem como sinónimo de bombeamento (o Dicionário da Academia. Do velho Morais ao novo Houaiss. Quer o verbo bombear quer o substantivo bombeamento são as formas a que os mais prestigiados dicionaristas dão acolhimento. Assim. atribuindo-lhe o sentido de "acção ou resultado da acção. não colide com a morfologia do nosso idioma. mudam com o tempo e as vontades. Importa apenas acrescentar que o substantivo bombagem também respeita as regras de formação de palavras. a forma mais antiga e mais adequada. geológica). estado". Edite Estrela 3 . em cada momento. No primeiro caso. é o uso que sai vencedor e se impõe à generalidade dos utentes. Do substantivo bomba derivaram outras palavras. mas também em linguagens específicas (física. As línguas maternas reflectem os conceitos vigentes na sociedade. ou seja. e devem responder às necessidades de todos e de cada um dos falantes. aparelho com que se transvasam ou esgotam fluidos (líquidos ou gases)". há certas palavras e formas de dizer que caem em desuso (morrem. A dúvida que suscitou estas reflexões é esta: "bombar ou bombear" e "bombagem ou bombeamento"? O substantivo feminino bomba (no caso. em matéria linguística. mais tarde ou mais cedo. Para o caso. conotativos outros. mais tarde. interessa apenas o significado de "máquina para aspirar e elevar líquidos. inclui os dois verbetes). Por isso. denotativos uns. como qualquer organismo vivo. Serve esta pequena introdução para explicar que.Bombeamento ou bombagem Os idiomas não são instrumentos neutros nem modelos estáticos. de tal modo que o que é incorrecto num dado momento pode ser considerado correcto noutro. bombeamento pode designar "a extracção de um líquido ou de um gás por meio de bomba". E é empregado na linguagem corrente.

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. . . . . . . Sistemas de pressurização com grupos electrobomba de velocidade variável . .2 Escolha do sistema de pressurização na fase de projecto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . 103 105 105 105 106 107 109 109 110 112 113 Sistemas de pressurização com velocidade fixa e velocidade variável . . .6. . . Bombas de velocidade fixa . .5. . . . . . . . . .2 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Viscosidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 2. . . . . . . . . . . . . Conceitos básicos . . . . 3. Sistema Hydro Solo E . . . . . . . .3. . . . . Perdas de carga contínuas . . . . . . Constituição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3. . . . . . . . . . . . Chaminés de equilíbrio . . . . . . . . . . 91 Introdução . .2 2. . . . . . . . .2 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . A 1ª. .7 Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . . .1 2. Curva característica da instalação . . . . . .5 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 2. 96 Na fase de projecto . Equação da continuidade . Referências bibliográficas . . . .6 4. . . . . . . . . . . . . . . . .15 1. . . . .3 6. . . . .5. . . . . . . . . . As municipalizações do abastecimento de água e a sobrevivência da Companhia . . . . . . . . . .2 6. . . Válvulas de retenção . . . . . . Reservatórios de ar comprimido . . . . .5. . . . . . . .2. . . . . . . . Redes hidráulicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . .3. . . . . . .2. . .13 3. . . . . . . . . . . . . . .10 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . Dimensionamento económico de condutas . . . . . . . . . . . . . . . . . .9 1. . . .3 3.10 1. . . . . . . . . . . .2 Tipos de sistema de elevação de pressão . . . .4. . . . 99 5. . . . . . . . . . .5 2. . . . . . . . . . . . . . . Reservatório parcialmente bidireccional . . . . .5 3. . . . . . . . . . . . . . .4 3. . . . . . . . . . .6.1 4. . . . . Classificação das redes hidráulicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Curva característica da bomba . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9. . . . . . . . . . . e hidrodinâmica . . . . . . .4 2. . . . . . . . . . . . .1 5. . . . . . . . .4 Sistemas de pressurização Grundfos . . . . . 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 2. . . . . . . Classificação dos escoamentos . . . . . . . . .3 5. . . . . . . . . . . . . Dispositivos de manutenção das pressões transitórias . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistema Hydro 100 . .6 2. . . . . .5 5.4. . . . . . . . . . . . . A EPAL e o Castelo de Bode . . . . . . . . .1 2. . . . O projecto de 1908 para captação de água no Tejo . . . . . .2 6. .2 4. . . . . . . .3 1. Conceitos fundamentais de hidrocinemática . . . .9 4. . . . . . . . Expansão do abastecimento . . . . . . . . . .1 2. . . . . . . . . . . . . .3 6. . . . . . . . . . . . . . Escoamentos sob pressão em regime uniforme e permanente . . . . . . . . . .8 1. . . . . . . . . . . Teorema de Bernoulli .2. . . . . . . . . . . . Características das centrais hidropneumáticas .2 Grupos electrobomba . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Constituição e princípio de funcionamento . . . . . . . . .1 4. . . . . . . .13 1. Leis de semelhança . . . . Circuito de desvio . . .10. . . . . . . . . . . . .6 1. .2. . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 Introdução . . . . Perdas de carga localizadas . .1 6. . . . . . . . . . . Sistema Hydro 1000 . . . . . .1 2. . . . . . .5 4. . .3. . . . . . 98 5. . . . . . . Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . .4. Arrancadores suaves . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . .3 2. . . . . . . . Sistemas de pressurização com grupos electrobomba . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistema Hydro 2000 F . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Tensão de saturação do vapor de água . . . . . . . . . . . . . . Companhia das Águas e o Alviela . . 61 62 64 65 65 65 66 66 72 72 74 75 76 31 35 35 35 35 35 36 36 36 36 36 37 37 38 38 38 40 40 40 40 40 41 41 42 42 42 42 45 47 48 49 77 79 80 82 83 83 83 84 84 86 86 87 88 88 88 88 89 90 O Custo do Ciclo de Vida como factor de economia . . . . . Sistemas com bombas de velocidade variável . . . . . . . . . . . . . . 3. . . . . . Caso prático . . . . . . . . . . . . . . . . . Dispositivos de protecção . . . . . . Definição . . .2 3. . . Condições de fronteira . . . . . . . . . . . . . . Ponto de funcionamento de uma bomba centrífuga . . .3 Centrais hidropneumáticas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93 Razões para a utilização do CCV . . . . .7 2. . . . . . . . . . . . . . 51 55 55 55 55 56 5 . . . . . . . . . . . . . . . . . 102 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4. 96 Aplicação a sistemas existentes . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . .14 1. . . . . . . . . 3. Válvulas motorizadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistemas por bombeamento directo . . . . . . . . . . .1 2. . . . . . . .4 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistema Hydro 2000 . . . . . . . . . 5. . . . . . . . . . . . . . . .11 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . .3 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Regulação das pressões de arranque e paragem . . . . . . . . . . O Aqueduto das Águas Livres . Companhia das Águas e o começo do abastecimento domiciliário . . . Critérios de selecção e análise de sistemas simples em regime transitório . . Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 2. . . . . . . . . . .5. . . .7 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . Determinação do caudal máximo . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 11 11 12 12 13 17 17 18 21 21 22 24 25 26 26 28 3. . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 98 Sistema de bombeamento existente com uma válvula de controlo de caudal . . . . A 2ª. . . . . . . . Reservatórios unidireccionais . . . .6. . . . . .1 4. Propriedades da água . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .11 4. Os antigos chafarizes de Lisboa . . . . . . . . . . .1 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Evolução histórica dos sistemas de abastecimento de água a Lisboa . . . . . . . . .7 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. 93 Determinação do Custo do Ciclo de Vida . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 1. . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . .8 4. . . . . . .3 3. . . . . . . . .6 5. . . . . . . . . . . . Introdução . . . . . .4. . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . Teste de sistemas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. Modelo de cálculo . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . Escoamentos laminares e escoamentos turbulentos . . . . . . . . . . . . . 97 Exemplos de aplicação do Custo do Ciclo de Vida . . . . . . . . . . Dimensionamento e selecção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Propostas para a reconstrução do aqueduto romano . . . . . . . . . . . Cálculo hidráulico . . . Princípios da mecânica dos fluidos . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 2. . . . . . . . . . . . .11 2. . . . . . . . . . . . . . . .10.2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. Os problemas da qualidade das águas . . . . . . . . .1 6. . . . . . . . . . . . . . . Compressibilidade . . . . . . . . . .5. . . . . . . Conceitos fundamentais de hidráulica. . . . . . . . . .1 Constituição e princípio de funcionamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3. . . . . . . . . As duas opções em confronto . . . . . . . . . . . . . . . .8 2. . . . . . .9. Cavitação e NPSH . . . . Exemplos de situações-tipo . . . . . . . . . . . . .1 6. . . . . . . . . . . . . . . .3 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 3. . . . . . . . . . . .10 2. . . . . . . . Os projectos de Pezerat face à falta de água no século XIX .2 3. . . . . . .2 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 5. . Sistema Hydro 2000 E . .1 3. . . . . . . . .2 1. . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 Reservatórios de membrana . . . . . . .16 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . de velocidade fixa . . . . . . . . .Tejo ou Zêzere . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6. . . . . .3.2 5. . . . . . . . . . . . . . bombas centrífugas e redes hidráulicas . . . 4. . . . Volantes de inércia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . . . . . . . . . . . . . .3 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Bombas centrífugas . . . . . . . . . . . . .6 4. . . . . . . . Reservatórios hidropneumáticos . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 2. . . . . . .3 6. Critérios de cálculo . . .2 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93 O que é o Custo do Ciclo de Vida? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 4.Índice Índice 1. . . . . . . . . . . .12 5. . . . . . . . . . . . . . . .1 2. Das origens ao aqueduto romano de Olisipo . . . .12 2. . . . . . . . . . 94 Implementação da metodologia . . . . . . Determinação da pressão . . . . .4 1. . . . . . . . . .5 1. . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 5. Teorema da quantidade de movimento ou de Euler . . . . . . . . . . . .12 1. . .9. . . . . . . . . . . Regime uniforme e permanente . . . .6 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9 2. . Duarte Pacheco e o contrato de 31 de Dezembro de 1932 . . . . . . . . . . . . . . . .

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Valores médios e técnicas de maximização da eficiência de rega . . . . . .2. Vantagens de um sistema integrado . . Aparelhos produtores de água quente . . . . . . . Sistemas de rega sob pressão: eficiência. . . . . . . . . . . . . . . . . Sistemas prediais de distribuição de água quente . . . . . .3. . Controlo de sistemas de bombeamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Aspiração de uma rede sob pressão . Exemplos de aplicação industrial .1 7. . Execução das redes prediais . . . . Instalação de sistemas de bombeamento . . . . . . . . . Aspectos gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 11. . . . . . . . . . . . . . . .2.3. . . .4. . . . .2. . . . . . . . . Elementos de instrução dos processos de projectos . .3 9.2. . . . . . . . .5 11. . . . . . . . . . . . . Aspectos gerais . Aspiração negativa . . . . .4 Contadores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 11.1 11. . . . . . . . . . . . Sistemas de rega sob pressão . Sistemas de abastecimento público e predial no Porto .1 8. . . . .3 8. . . . . . . . . Classificação dos sistemas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Instalações elevatórias e sobrepressoras . . . . . Dimensionamento dos reservatórios hidropneumáticos . . . . . . . . . . . . . . . .6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 9. . . . . . . . . . . . . . . . . .4 11. . . .2 11. . . . . . . . . . . . . . . . . . . Introdução . Necessidade de comunicação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . Válvulas . . . . . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . .2. . . . . . . . . . .2. Eficiência de uso de água . . . .3. . . . . .4. . . . . . . . referência ao coeficiente de uniformidade de distribuição de água de christiansen . . . . . . . . . . . . . . . . .1 9. . . Resultados práticos . . . . . . . . . . . . . . . . desinfecção e funcionamento hidráulico . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . .2 12. . . . . . . . . .8.5. . . . . . . . . . . . . . . . Elementos e parâmetros de rega a utilizar no cálculo do consumo de energia . . . . . . . . . . . . . . .2 9. . . . . . . . . Utilização de reservatórios de membrana . . . . . . . . Introdução .4 8. . .1 12. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 9. . . . . . . . .4. . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . Necessidades de ventilação . . . . . 10. . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8.4. . . . . . . . . . . . . .2 9. . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . Aspectos gerais . . .1 11. . . . . . . . . . .2 11. . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Águas convencionais . . . . . . . . . . . . . . . Referências bibliográficas . . .2 10. . . . . . . . .7. . . . . . . . . . . . . .2. Concepção global dos sistemas de distribuição em Lisboa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Ramais de ligação . . . . . . .3 7.3 9. .2 7. . . . . . . . . . . 12. . . Reserva predial de água para abastecimento doméstico . .3 12. . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistemas de abastecimento público e predial em Lisboa . . . . . .3.1 7. . . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 11. . . . .1 10. . . . . . . . . . . . . . . Aspectos gerais . .1 9. . . Ambiente . . . . .6 11. Aspectos gerais .4. . . .9 10. . . . polivalência e economia . . . . . . . . . . Prova de funcionamento hidráulico . . . . . . . . . Eficiência de rega e sua classificação . . . . . Entrada em serviço dos sistemas . . Consumo anual de energia para instalações de rega sob pressão . . . . . . . . . .1 12. . . . . . . . . . . . . . .3 11. . . . . . . . . .5. . . . . . . . . . . . . .1 11. . Isolamento das canalizações . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 11. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .8 9. .2 9. . . . . .3 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 10. . . . . . . . . . . . Filtração por Osmose Inversa . . . Introdução . . . . . . . .4 7. . . . . . . . . . . . . . .2 8. . . . . . .4 9. . . . . . . . . . . Conclusões . . . . . . . . . . . . . . Dimensionamento hidráulico .4 10. . .2 8.2 9. . . . . . . . . . . . . . .1 12. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 10. . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . Enquadramento legislativo . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9. . . . . . . . .4. . . . . . Eficiência de armazenamento . .3 9. . . . . . . . . . . . . . . Monitorização e gestão de sistemas mistos . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 12. . . . . Comunicação entre sistemas de bombeamento . .1 8. . . . . . . . . . .4. Controlo por nível . . . . . . . Sistemas de distribuição de água quente com recirculação Traçado . . . .5 11. . . . . . . Concepção dos sistemas . . . . . . . . . . . . .4 9. comunicação e gestão . . . Aspectos gerais . Instalação e manutenção de bombas e sistemas de bombeamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 11. . . . . . . . . . . . . Introdução . . .3 8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Aplicação de sistemas de pressurização em processos industriais . . . . . . . . . . . . . Sistemas de rega por gravidade . .3. Outras publicações complementares . . . . . . . . . . .7 12. .6 11. . . .3.8. . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 12.4 9. . . . . . . . . . . . Introdução . . . . . . . . . . Outros tipos de controlo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Aspectos gerais . . . . . . . Necessidades de água quente e escolha dos aparelhos de produção . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 9. . . . . . . . . . .7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . Manutenção aos sistemas de monitorização e controlo . . . . . . . . . . . Estrutura do Manual de Redes Prediais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 9. . . . . .4. . .5. . .4. . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . .2. . . . . . . . .1 9. . . . . . . . . .2. . . . . . Classificação dos sistemas de rega . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . Elementos dos sistemas . . . . . . . . . . . . . . . .1 8. . Controlo por pressão . . . Aspiração de cisterna elevada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 9.1 8. . Polivalência dos sistemas de rega . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4. . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Eficiência de distribuição. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 10. . . . . . . . . . . .1 9. . . . . . . . . . . . . . .7. . . . . .Índice 7. . . . . . . . . . . . 149 150 150 150 151 152 153 157 157 157 157 163 163 164 164 175 175 176 177 125 127 127 127 127 127 128 128 128 129 129 129 130 131 135 135 135 135 136 136 136 137 137 137 137 138 141 141 141 141 141 143 145 145 145 145 146 147 147 147 148 148 148 148 148 179 183 183 183 184 186 186 187 193 193 193 193 194 194 194 194 194 195 196 197 198 201 205 205 205 205 205 206 206 206 207 211 6 . . . . . .2 8. . .2 10. . .1 9. . . . . . .3 12. . . . .5 9.4 10. . . . . . . . . Desinfecção dos sistemas . . . . . Dimensionamento dos sistemas prediais . . . . . . . Sistema de abastecimento predial de água . . . . . . . .4 11. . . Qualidade . .3. . . . .3. . . . . . . Verificação. . . . . . . . .5. . . . .5 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 Sistemas de controlo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 9. .4 9. . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . Águas não convencionais . . . . . . Manutenção . . . Requisitos para instalação . . . . . . . . . . . .4 7. Caracterização da rede de Lisboa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Saúde ocupacional . . Sistemas prediais de distribuição de água fria . .3 8. . . .2 8. Sistema de abastecimento público . . . . . . . . . . . . . . . 117 119 119 119 119 119 120 120 120 120 121 121 122 9. . . . . . . . .2. . . .4. . . Torneiras e fluxómetros . . . . . . . . . . . . . . . .5 9. . . . . .1 7. .2. . . . . . Controlo por caudal . . . . . . . . . . . . . . . .6. . . . . . . . . . . Eficiência de transporte . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 11. . . . . . . . . . . . . . . . Concepção global dos sistemas prediais em Lisboa . . . .2 7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Circuitos térmicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Comunicação entre sistemas de controlo da mesma rede . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 10. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Introdução . . 11. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . . . . .1 9. . . . . . . . . . .3.1 9. .3 7. . . . . . . . . . . . Segurança . . . .5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 11. . . . . . .3. . . . . . . .2 9. . . . . . .3. . . . . . .3 9. . . . .2. . . . . . . Elementos de dimensionamento . Eficiência de rega e consumo de energia nos sistemas de rega sob pressão . . . . . .2 9.6 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . Gestão integrada entre sistemas de bombeamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 10. Descrição dos capítulos estruturantes do Manual . . .5. . . . . . . . . .2 7. Manutenção aos equipamentos de bombeamento . . .5 11. Verificação . . . . . . Elementos acessórios da rede . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Eficiência de aplicação . . .7 9. . . . . .2. .6. .2 10. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 9. . . . . . . . . . . .4. . . . .3. . . Referências bibliográficas . . Localização do equipamento de bombeamento . . . . . . . . . . Critérios de selecção de equipamento de processo . . .4. . . . . . . . . . . .8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 12. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 9. Eficiência total de rega . . . . .

Responsável pelo Arquivo Histórico do Museu da Água 7 .Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1. EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS SISTEMAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA A LISBOA Autores: Margarida Ruas Gil Costa Directora do Museu da Água Raul Fontes Vital Historiador e Arquivista.

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As exposições que organizamos são discursos abertos e imprevistos que densificam a dimensão artística. Tudo é património. presente. A identidade desempenha um papel fundamental na configuração do mundo e na construção do eu do ser humano. Mas para além desse sucesso evidente para a opinião pública nacional e internacional o maior sucesso é fazer a diferença na vida de muitas crianças e de adultos a quem provocamos na sua criatividade. que provocam a mudança de mentalidades. preservados e organizados museologicamente. Os Museus são cada vez mais complementos e auxiliares das escolas. códigos de comportamento numa perspectiva sincrética que junta o mundo todo no principio da reciprocidade (tudo o que fazemos é importante e atinge o meio em que vivemos e por sua vez nos atingirá). o Equilíbrio Perfeito. A estratégia de comunicação do Museu da Água é provocadora na forma como chega às escolas. Existimos numa cadeia una. Os museus são lugares de criatividade onde se aprende sempre mais. de um Arquivo Histórico que ajuda a entender a Inteligenzia portuguesa e que é consultado por académicos. é um Património Precioso. na cidade de Lisboa e oferecemos um conjunto de quatro monumentos que constituem o Museu da Água. O Mundo. racionais e sensoriais completam a construção do Eu cumprindo a observação cabal do Todo. do nosso conhecimento e do pensamento. O Museu da Água é o único em Portugal com o Prémio do Museu do Ano do Conselho da Europa (1990). construídos entre o século XVIII e XIX. As percepções espirituais. Os prémios Internacionais legitimam e celebram o sucesso do Museu. dando oportunidade aos mais novos e intensificando o prestígio dos mais conhecidos cumprindo a educação permanente. e de capacidade criativa do génio humano. acima de tudo. universidades. inaugurado no dia 1 de Outubro de 1987. a preservação e animação do património. O Museu constitui. de pensar livremente. e de tudo o que ela representa no acumular de conhecimento científico e tecnológico. abrange 4 núcleos: o Aqueduto das Águas Livres. quando um elo se quebra. tudo é passado. o mais alto galardão atribuído por esta entidade. Patriarcal e a Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos. Este prémio destaca todo o museu que contribua para o entendimento e conhecimento da herança cultural europeia. os reservatórios da Mãe d'Água.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa O Museu da Água da EPAL O Museu da Água da EPAL. polarizadores de cidadania (o seu ethos na dupla perspectiva filosófica e prática). ajudando-os a combater o medo que nos retira o direito de viver. de sentir prazer e de não envelhecer. indissociável que. A identidade do Museu junta-se à identidade da EPAL e de Portugal constituindo-se como parte da nossa cultura e como mensageiro desse espírito. os outros e o próprio Mundo. É dever dos povos construir a eternidade partilhando o conhecimento e preservando a vida e o património. a Harmonia Absoluta. bem como para a consciencialização da sua identidade e problemas comuns. Recebemos visitantes nacionais e internacionais. a Sala de Exposições Temporárias e o Arquivo Histórico. Existimos fisicamente no mundo. de rir. futuro e a Grundfos consubstancia este manifesto. estimulando a investigação. das famílias consideradas como reguladoras sociais capazes de reunir pessoas à volta de necessidades comuns. da EPAL e também de Portugal. É uma dádiva viver no respeito e na reciprocidade do que nos rodeia. alertando para o ambiente. em Portugal. estudantes e especialistas. local de criatividade e de encontro de culturas. a Sala de Exposições Permanentes. Este conjunto de monumentos e edifícios. encontram-se indissociavelmente ligados à história do abastecimento de Água. todo ele. que fazem acontecer e que contribuem para a sedimentação das identidades que cumprem a diversidade do País e dos diferentes povos que aí vivem. afecta o todo que somos nós. 9 . Este último integra a sala das Máquinas a Vapor. dispomos de um serviço educativo para as escolas. onde o cenário de fundo nos é dado através desta luta de séculos travada pelo homem pela conquista da água.

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foi atribuída uma capacidade da ordem dos 125. onde diversos autores debatem a dialéctica entre o construtivismo e o determinismo tecnológico. Por um lado. Efectivamente. desde as origens até aos nossos dias. tratar e distribuir este elemento básico e indispensável à vida. inviabiliza a sua utilização como fonte de abastecimento de água em virtude de as águas do rio se misturarem com as do mar. procuraremos. no vale de Carenque. De norte para leste. A indústria da água é. que secavam na estiagem. sem a análise do fenómeno político. que seria talvez a maior da Península. ou. provavelmente às portas de Santo André. sociológico. para o seu armazenamento e para a sua distribuição. até mesmo. para o caso de Lisboa. toda a bacia hidrográfica que. Contudo. todos têm razão. o homem desenvolve a tecnologia em busca de soluções para melhorar o seu bem-estar. um campo de estudo pluridisciplinar. a partir desta. e a outros diferentes ramos do conhecimento. ideológico. chegando à colina do castelo. à captação de águas em poços profundos. à geologia das suas origens. na colina do castelo. às suas características e qualidade. à utilização de máquinas. sobretudo se tivermos em atenção que o seu desenvolvimento sob a forma de utilização de técnicas mais complexas não pode ser desligado do fenómeno urbano.2 Das origens ao aqueduto romano de Olisipo Ao analisarmos o caso de Lisboa. mais tarde. não se deram por satisfeitos com estas águas. onde as diversas ciências têm lugar. no estuário. temos que ter em consideração. alternadamente.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1. ao longo dos tempos. logo à partida. cuja utilização virá a ser equacionada no século XX. a sua situação. neste capítulo. um local privilegiado para o cruzamento de povos e culturas diversos. primeiro a vapor e. Nesta indústria. já que as cotas a que estas ribeiras correm permitia a construção de sistemas de abastecimento que conduzissem daqui a água para Lisboa. o enquadramento geográfico do sítio. Há que. Porém. na base da colina do castelo. Os Romanos. A tecnologia surge como resposta às necessidades do homem. A indústria da água. nascentes estas perenes. pelo Massachussets Institut of Technology – MIT. onde um grande número de nascentes provenientes. a barragem de Olisipo. também a ribeira de Alcântara não possibilitava a utilização das suas águas para consumo. em 1994. Trata-se de um porto natural. a região de Lisboa é cortada por um conjunto de vales que a envolvem. de camadas calcárias. novas condições de vida e novos desenvolvimentos não pré-determinados. junto à foz do Tejo.1 Introdução Does Technology drive History? Esta é a pergunta formulada por Merrit Roe Smith num conjunto de trabalhos publicado. os defensores de ambas as teses. É a complexificação das formas de agrupamento dos homens que gera a consequente complexificação das técnicas empregues para a utilização do elemento água. eléctricas. e com uma elevada produção susceptível de proporcionar um abastecimento a um número cada vez maior de consumidores. cujas ruínas ainda hoje são visíveis. incluindo as ciências sociais. não é possível atingir uma compreensão global do seu desenvolvimento. portanto. e. mas também aos materiais utilizados nas condutas. Os primeiros mananciais a serem utilizados foram os da zona ribeirinha. corta o andar de Belas. agora com complexos sistemas de tratamento. dado que. apesar de outros existirem em zonas circundantes. até por razões de estratégia defensiva. aos equipamentos concebidos para a sua elevação. num conceito lato que possa abranger todas as formas desenvolvidas pelo homem. a própria tecnologia gera. É este o caminho que iremos percorrer a seguir. construíram os Romanos uma barragem de contrafortes no século II ou III da era de Cristo. às técnicas administrativas e financeiras que possibilitam o desenvolvimento desta actividade. sem utilização de meios mecânicos. continuando na direcção da serra de Sintra. Sendo muito embora o sítio de Lisboa banhado pelas águas do rio. A ocidente. Aí. quando dominaram a Península Ibérica. só disponíveis nos tempos modernos. 11 . pois. um aqueduto que transportava a água para a cidade. ou é ela que determina o sentido da sua evolução? Poder-se-á dizer que. ainda que de forma sucinta. onde encontramos a bacia do Trancão. e de camadas de grés e arenitos. à sua captação em rios e em barragens. e. A esta barragem. convergem uma diversidade de factores. 1. e dado que os primeiros habitantes do sítio de Lisboa se terão fixado. constitui um laboratório excelente para este debate. debitavam água para as ribeiras. por outro. não oferecia condições de captação nessa época face à ausência de tecnologias adequadas. à condução da água graviticamente até à cidade. às possíveis formas para a sua condução. e foram procurá-la em zonas mais distantes.000 m³. constituía o palco ideal para o aproveitamento das águas. adução e distribuição. procurar ver de que outros recursos dispunham as populações que aí se fixaram. aduzir. desde o conhecimento científico e tecnológico. distantes da cidade. para captar. a vasta depressão que se estende desde Odivelas a Sacavém. entre margens alcantiladas. abordar. as águas abundantes das nascentes ribeirinhas eram suficientes para as suas necessidades. Assim. e de onde seria de esperar a obtenção de águas susceptíveis de serem utilizadas. conhecimento não apenas relativo à água. o que foi o abastecimento de água a Lisboa desde as suas origens nos abastecimentos locais. cuja evolução abordaremos. no homem. uma rota natural de migrações.

muito superior à temperatura das águas existentes nas nascentes do termo de Lisboa. deve o seu nome às grandes obras que aí se realizaram no reinado de D.para além do que resta da barragem. Também os estabelecimentos termais merecem referência. no concelho da Amadora . o Chafariz d'El-Rei. como o humanista português Francisco de Olanda que. aí terão construído dispositivos .3 Os antigos chafarizes de Lisboa Destruídas que foram muitas das obras dos Romanos pelos povos bárbaros. É no sítio das nascentes da zona ribeirinha. também as necessidades de água diminuíram face. virá a propor a sua reconstrução. invasores do Império. ou dos Cavalos. mas também aqui em Lisboa e em muitas outras cidades do Império. estas só mais tarde analisadas. Já os Árabes. não apenas em Roma. nos mananciais das camadas profundas do Terciário da colina do castelo.mas pelo testemunho que dele dão vários autores a partir do século XVI. certamente satisfeitos com os recursos locais. que serão designadas por águas altas. . e em Roma o abastecimento era feito por um conjunto de aquedutos ainda em funcionamento nos tempos modernos. ao decréscimo da população. apareciam no Arsenal da Marinha.Chafariz d'El Rei 1. Fig. que irão surgir. obra da autoria de Francisco da Fonseca Henriques. em 1572. caso das águas dos basaltos. 1 . e.para a recolha das águas. e o próprio nome de Alfama dado ao local é reminiscência das nascentes de água termais que aí se encontram. aqueduto cujo regimento servirá de modelo para o que se virá a construir em Lisboa no século XVIII. designadamente pelo efeito da expansão marítima. mais a ocidente. construído por Quinto Sertório em 75 a. cedo arrastou consigo a falta de água. por um lado.a palavra chafariz tem mesmo origem árabe . João III em 1531. e reedificado pelo rei D. ou das outras águas então conhecidas e que cedo vieram a ser exploradas. Além da sua temperatura elevada. São bem conhecidas as suas termas. em Évora. estando. ao longo dos séculos. entre as quais o aqueduto que abastecia Lisboa. designadas normalmente por águas orientais. e que proporcionariam uma capitação largamente superior a 500 litros/dia/habitante. como o Chafariz de Dentro. menos abundantes. durante a sua ocupação.Ruínas da barragem romana de Olisipo A evidência do aqueduto romano chega-nos não pelos seus vestígios materiais. por outro. apresentam uma temperatura elevada. ou os banhos do Batista ou os da D. o Chafariz da Praia. como as que.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa De facto. ou que vieram a abastecer o chafariz do Rossio. da ordem dos 22 a 24°. Fig. em particular. publicada em 1726.C. devido a tal facto. O chafariz mais antigo da cidade. em oposição às águas do futuro sistema das Águas Livres. as diversas nascentes da zona oriental. chafarizes destinados ao abastecimento das populações. Posteriormente outros foram edificados na mesma zona. 2 . o aqueduto romano da Água da Prata. 12 .4 Propostas para a reconstrução do aqueduto romano O aumento da população da cidade.. o Chafariz dos Paus. com uma grande tradição de utilização da água. pelas suas características físico-químicas eram estas águas reputadas como possuindo propriedades terapêuticas para a cura de diversas doenças. porque distantes da cidade. eram um povo de avançada civilização. desconhecendo-se a data concreta da sua construção. incluídas no Aquilégio Medicinal. aos diferentes hábitos de consumo dos invasores. 1. Clara. esta já mais a leste do bairro. apenas se conhecem pequenos vestígios de aqueduto no sítio do Almarjão. Os Romanos. quer nas nascentes de Monsanto. Em Portugal há que referir. Dinis. aliás. como as Alcaçarias do Duque. o tanque das lavadeiras de Alfama ou a Bica do Sapato.

seria a cidade do poder. Memória sobre Chafarizes Fontes e Bicas. ficando. que era mesmo a mais abundante. uma nova Roma cheia de palácios e monumentos. no dia em que visitaram Sintra. na zona da actual Estrela. Do século XVII somente tinham ficado intenções. por conseguinte. transmitido por um grande número de arquitectos que em Mafra desenvolveram as suas escolas. o Alvará onde mandava dar início à obra do aqueduto. Contudo. pois após a estadia do rei na cidade. Manuel da Maia contrapõe que os canos de repucho não suportariam a pressão da água. que era Filipe II em Portugal. Face a todos estes ataques. em prejuízo do projecto do novo palácio real. onde se situava o Paço da Ribeira. e aí. Em 15 de Janeiro de 1717 D. há muita correspondência trocada entre Madrid e Lisboa. rebentando e deixando a cidade sem água. Canevari regressa a Itália e Manuel da Maia é encarregado. e acusa mesmo Canevari de não estar a medir correctamente os nivelamentos dos terrenos. de governação. A cidade ocidental. quando da sua entrada em Lisboa. possibilitada pela afluência do ouro do Brasil à metrópole. podemos concluir com bastante segurança que Canevari pretenderia conduzir as águas até Lisboa sob pressão. examinou a barragem romana e as nascentes vizinhas. o rei veio a publicar. na época designados por "canos de repucho".5 O Aqueduto das Águas Livres Apenas no reinado de D. em tudo semelhantes aos actuais sifões. enterradas. das críticas que lhe são feitas pelo português Manuel da Maia numa série de considerandos técnicos dirigidos ao Rei. encontrando o italiano valores inferiores aos do português. já constatados como insuficientes para as necessidades. entre os vários caminhos possíveis para a condução da água livre a Lisboa. na esperança de vir a assumir a direcção das obras. 273. propõe a reconstrução da barragem romana de Olisipo e do seu aqueduto. João V encomenda ao arquitecto italiano Filipe Juvarra. a da Água Livre. Manuel da Maia e Canevari divergiam também na forma de medição da produção das nascentes. dirigido pelo arquitecto italiano António Canevari. imposto pago nos géneros de primeira necessidade. em Agosto de 1732. já que Leonardo Torreano. ficariam entupidos pelos sedimentos arrastados por esta. na sua obra Da fábrica que falece à cidade de Lisboa. sinal de que havia uma intenção clara de se solucionar o problema da falta de água. do arquitecto Tinoco. refere. E tudo apontava para a reconstrução do aqueduto romano. pues abra quantidad bastante pera ella"1. que "el quarto y ultimo camino. Manuel da Maia abandona as várias frentes de trabalho abertas por Canevari. e por todo um saber trazido de outros países. O projecto acabou por não se concretizar devido à restauração da independência de Portugal em 1640 e ao longo período de guerra com a Espanha. porém. em canalizações fechadas. Para custear a obra foi lançado mais tarde o real d'água. tendo o Senado de Lisboa arrecadado mais de seiscentos mil cruzados. el qual por ir mas alto dies palmos que el de la estrada puede dar Agoa a ambas partes de la Ciudad. e muda-se para uma outra nascente. Era o coroar de toda uma política de grandeza e protecção às artes. és por el aqueducto antigo de los Romanos. esta cidade nova continuaria a depender da cidade antiga e dos seus chafarizes no que respeita ao abastecimento de água. a obra mal feita. no dia 29 de Junho de 1619. No entanto. já que os mananciais disponíveis eram os da zona oriental.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa À semelhança daquilo que se fazia um pouco por todo o lado onde a influência dos Romanos se fizera sentir. Cláudio Gorgel do Amaral. Os incêndios que a seguir ao Terramoto de 1755 destruíram o Paço da Ribeira não nos permitem conhecer o projecto inicial. terá seguido de perto o traçado do antigo aqueduto romano. também Francisco de Olanda. pequenas obras pontuais que não solucionavam as dificuldades da cidade. na zona da barragem romana. em 12 de Maio de 1731. 1. y sobre la puerta de Santo Andres. de alguma forma. publicada em 1572 e dirigida ao rei D. João V se veio a resolver o problema da falta de água em Lisboa com a construção do Aqueduto das Águas Livres. a obra ia realizar-se. como dio antigamente. Assim. No entanto. e que denotavam a consciência clara da necessidade de aproveitar a água de diversas nascentes. aqueduto que. muito embora se tivesse aprofundado o conhecimento relativo às nascentes que alimentavam a bacia hidrográfica dos vales de Carenque e da Quintã. dando assim prioridade à obra pública. aplicando o princípio dos vasos comunicantes. vieram a ser gastos nas festas que a cidade organizou em honra do rei Filipe III de Espanha. p. a San Roche. sobretudo de Itália. de assumir a condução dos trabalhos. numa direcção conjunta com o arquitecto Silva Pais e o engenheiro Azevedo Fortes. os quais. projecto que D. conhecimento patente no Roteiro das águas de Montemor e Caneças. Lisboa Oriental e Lisboa Ocidental. João V dividiu a cidade de Lisboa em duas cidades independentes. arquitecto que acompanhou o rei e que com ele. 13 . projectos no papel. Havia que chegar rapidamente com água a Lisboa. e por insistência do Procurador da cidade ocidental. posteriormente os caudais do Aqueduto seriam aumentados com a água de outras nascentes. durante o qual não havia condições para se desviar recursos financeiros para uma obra desta envergadura. viria a ser construído um novo palácio real e uma nova basílica patriarcal. cada uma com o seu bispo e os seus órgãos 1 Veloso de Andrade. suficientes para a concretização do projecto. Sebastião.

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sozinho na direcção face à partida para o Brasil de Silva Pais, e à frequente ausência de Azevedo Fortes, engenheiro-mor do reino. Por outro havia divergências de opiniões acerca do local para a travessia do Vale de Alcântara. Manuel da Maia, certamente, construiria um aqueduto menos monumental, atravessando o vale numa zona menos profunda, provavelmente por Palhavã, para atingir S. Pedro de Alcântara, às portas do Bairro Alto, onde entretanto haviam começado as obras para a construção do reservatório de chegada das águas. Em cena estava um outro arquitecto, Custódio Vieira, que já vinha acompanhando os trabalhos desde o início, pois participara em reuniões e medições diversas, e que tinha uma solução diferente, a construção de uma série monumental de arcos a atravessar o vale na sua parte mais profunda. Era um projecto mais arrojado, mais ao gosto do rei, e que apontava para uma zona mais alta, para onde a cidade estava a crescer.

Fig. 3 - Mãe d'Água Velha - Nascente da Água Livre. Local onde Manuel da Maia iniciou os seus trabalhos.

Muito embora Manuel da Maia conhecesse o princípio dos vasos comunicantes, vai construir um aqueduto através do qual a água vai chegar a Lisboa apenas movida pela gravidade, deslizando em caleiras de pedra abertas. Maia opta pela construção de duas caleiras, separadas por um passeio central, pois que, para uma boa manutenção do Aqueduto, tornar-se-ia necessário limpar frequentemente as caleiras, e assim, com duas, a condução da água não seria interrompida.

Fig. 5 - Arcaria do Vale de Alcântara

Fig. 4 - Caleiras separadas pelo passeio central

Relativamente aos materiais a utilizar nas canalizações, rejeita o chumbo, que dava más características à água, tal como rejeita o ferro, que, na época, ainda não apresentava uma qualidade suficiente para esta finalidade, e todos os outros materiais à excepção da pedra calcária, abundante em toda a região onde se vai desenvolver a construção do Aqueduto. Em 1736 já se trabalhava no Aqueduto em Monsanto, no sítio das Três Cruzes, caindo então a obra num impasse. Por um lado, Manuel da Maia encontrava-se praticamente

A transferência da direcção das obras para este novo arquitecto é determinante para a evolução da cidade. Abandona-se a obra de S. Pedro de Alcântara e escolhe-se a confluência do Rato, próximo da qual novos pólos urbanos se vinham desenvolvendo junto aos conventos, para a nova localização do reservatório. Aliás, podemos constatar hoje, pelos desenvolvimentos ulteriores do sistema, das vantagens desta nova localização do reservatório e desta nova inflexão do Aqueduto, que possibilitou a extensão dos seus ramais de distribuição para a Boa Morte, em Alcântara, zona próxima da qual surgirá o palácio das Necessidades, e para o Campo de Santana e Intendente, quase a tocar a colina do Castelo, onde outrora o aqueduto romano terá chegado. Vieira não chega a ver a água entrar em Lisboa, ela só chegará em 3 de Outubro de 1744, já após a sua morte, estando a obra a ser dirigida interinamente pelo capitão Rodrigues Franco. A entrada de Carlos Mardel na direcção das obras do Aqueduto terá lugar logo de seguida, devendo-se a este

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arquitecto, de origem húngara, o desenvolvimento da distribuição da água na cidade, a partir do reservatório da Mãe d'Água das Amoreiras, cujo projecto se lhe deve, bem como o de diversos chafarizes e dos arcos monumentais da Rua das Amoreiras, que celebra a obra, e da Rua de S. Bento, este desmontado para alargamento da entrada na praça fronteira ao palácio, e mais tarde reconstruído na Praça de Espanha.

faziam a manutenção do sistema e geriam os caudais do Aqueduto, e um exército de cerca de 3000 aguadeiros que, organizados em companhias, vendiam água ao domicílio e igualmente combatiam os incêndios que devastavam a cidade. A gestão dos caudais no Aqueduto apresenta alguns aspectos que devem aqui merecer a nossa atenção, e à luz dos quais também temos que fazer uma leitura das soluções técnicas e arquitectónicas adoptadas para o efeito. Já foi atrás referida a diversidade das águas no que respeita às suas características físico-químicas. Umas, fortemente calcárias, como as da nascente da Água Livre, na Mãe d'Água Velha, provocavam, pela precipitação do calcário, incrustações que era necessário remover periodicamente, raspando as caleiras. De outras nascentes, situadas em camadas de grés e arenitos, a água arrastava sedimentos que a turvavam. Aqui era necessário proceder à sua decantação, pelo que, em diversas clarabóias, encontramos bacias redondas onde a água perde velocidade, depositando-se os sedimentos no fundo. Também junto de cada janela, agora mais rasgadas face a uma maior necessidade de laboração, bacias rectangulares desempenhavam idênticas funções, bem como as de quebrar a velocidade da água.

Fig. 6 - Reservatório da Mãe d´Água das Amoreiras

O sistema do Aqueduto das Águas Livres, onde, num aqueduto com cerca de 14 quilómetros de extensão, entroncam aquedutos que reúnem águas de sessenta nascentes, num total de aproximadamente 58 quilómetros de aquedutos, incluindo os de distribuição na cidade, foi dado por concluído em 1799, quando foi dissolvida a última sociedade de mestres pedreiros, empreiteiros da obra. Dada a tecnologia utilizada de condução da água em caleira aberta, o Aqueduto condicionou a forma de abastecimento a uma rede de chafarizes que se foram construindo até quase meados do século XIX, rede esta que, por sua vez, condiciona o próprio crescimento da cidade. Lisboa estende-se então, dos Barbadinhos, onde na zona ribeirinha corriam as águas orientais, até Alcântara, onde vemos o chafariz da Praça da Armada, e, para norte, seguindo as encostas do Vale de Alcântara, os chafarizes das Necessidades e do Arco do Carvalhão, este já a chegar ao alto de Campolide, lhe delimitavam o perímetro. Ainda nos limites norte da cidade, mais para leste, encontramos os chafarizes de S. Sebastião da Pedreira, Cruz do Tabuado, Campo de Santana e Intendente. Dentro deste perímetro, os chafarizes que se construíram (Rato, Carmo, Loreto e outros) eram, além de fontes de abastecimento, elementos de ordenamento urbano que tornavam as praças onde eram colocados em pontos de encontro, locais de convívio. Em pleno século XIX, a "indústria da água", aplicando aqui, num período de proto-industrialização, um conceito contemporâneo, empregava uma equipa de 60 homens que

Fig. 7 - Bacia de decantação redonda

Normalmente, nos vértices, as bacias apresentam dimensões superiores, o que permite evitar que a água transborde. Regra geral, no Aqueduto não há galerias em curva, antes uma sucessão de segmentos de recta. Nos poucos locais onde a solução adoptada pelo arquitecto foi a de construir aqueduto em curva, aí o passeio central sobe, afundando, consequentemente, as caleiras. Na cidade iam-se generalizando os abastecimentos privados. De um lado, os proprietários de águas nas zonas atravessadas pelo Aqueduto que, para receberem água no seu palácio ou convento, em Lisboa, construíam, à sua custa,

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aquedutos ligando as suas nascentes a um dos aquedutos do sistema. Depois, em Lisboa, de um aqueduto de distribuição, partia uma canalização, agora fechada, aferida para três quartos de um débito diário calculado como sendo a sua produção, valor obtido a partir da medição da produção das suas nascentes ao longo de vários meses do ano. De outro lado havia os estabelecimentos públicos que passaram a receber directamente água do Aqueduto, bem como outros particulares ou ordens religiosas, beneficiários de concessões de água, quer traduzidas em caudais determinados, quer em sobejos dos chafarizes. Entre estas entidades, são de notar as indústrias que despontavam, como o caso da Real Fábrica das Sedas, cuja localização próxima do Aqueduto é determinante para o desenvolvimento do bairro das Amoreiras. Havia ainda os jardins públicos, agora tornados possíveis, que recebiam água directamente do Aqueduto, como o Passeio Público e o Passeio da Estrela, este com um aqueduto que, saído do Aqueduto das Janelas Verdes, aí conduzia a água, o outro recebendo-a a partir da mesma galeria que abastecia o chafariz da Cotovia. Para a gestão de todo este sistema vemos, nos aquedutos de distribuição, não apenas caleiras abertas, mas também canalizações fechadas, com algumas pedras amovíveis para se poder limpar o seu interior, colocadas frequentemente em paralelo com as caleiras abertas, a fim de, a partir de bacias intermédias, como a pia do Penalva, no cruzamento da Rua Formosa (hoje Rua do Século), ou a pia do Teotónio, próximo do Arco das Amoreiras, a água ser conduzida com pressão, aplicando-se o princípio dos vasos comunicantes, por forma a possibilitar a sua chegada a pontos mais elevados. Exemplos disso são as colunas ascensionais que permitiam a subida da água às bicas dos chafarizes.
Fig. 9 - Chafariz do Carmo

Do grande reservatório da Mãe d'Água das Amoreiras apenas saía água para os chafarizes abastecidos pelo Aqueduto da Esperança e para o chafariz do Rato. Para os chafarizes da linha do Loreto a água descia mais atrás, por um pilar de um dos últimos arcos, seguindo em canalização fechada, sob pressão. Se assim não fosse, e de acordo com Veloso de Andrade, "se deste Depósito corresse para os dez Chafarizes acima mencionados, só a água que ele contém, ficaria despejado em seis dias"2. Para controlar todo este sistema havia que possuir um exacto conhecimento das dotações atribuídas aos diversos consumidores privilegiados, proprietários de água ou não, da água que corria para os chafarizes e da que era produzida pelas nascentes. Em média chegavam a Lisboa 3500 m³ de água por dia, baixando os caudais a cerca de metade desse valor durante a estiagem. Porém, nos meses de abundância, a produção das nascentes era largamente superior à capacidade de vazão do Aqueduto. Assim, tornava-se necessário regular os caudais, devolvendo a água às ribeiras em desaguadouros estrategicamente colocados ao longo dos diversos aquedutos, diminuindo ou eliminando o caudal das caleiras, para que a água de outra nascente pudesse entrar no circuito num entroncamento situado a jusante. Havia também que eliminar, através destes desaguadouros, águas turvas a seguir a fortes chuvadas, ou que se soubesse ou houvesse suspeitas de estarem contaminadas. Daqui resultava a manutenção equilibrada dos cursos de água naturais, naquilo a que hoje se aplica a designação de desenvolvimento sustentável.

Fig. 8 - Coluna ascensional do chafariz do Carmo

2

Veloso de Andrade, o. cit., p. 330.

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1.6 Os projectos de Pezerat face à falta de água no século XIX
A situação em Lisboa, nos meados do século XIX, tornou-se dramática, não atingindo, na estiagem, a água aduzida pelo Aqueduto, em que haviam sido dispendidos, até 1799, mais de cinco mil e duzentos contos de reis, uma capitação superior a 6 ou 7 litros/dia/habitante, para uma população que rondaria os 300.000 habitantes. Em 1852 o Engenheiro Pezerat, da Câmara Municipal de Lisboa, apresentou diversos planos no sentido de se aumentar os volumes de águas disponíveis. No que se refere às águas orientais, poder-se-ia evitar a sua perda para o Tejo represando-as na zona ribeirinha e elevando-as aí, com máquinas a vapor, para um reservatório a edificar em Santa Luzia. Pezerat estima em 790 m³ diários a quantidade de água que assim se poderia aproveitar, prevendo, para esta obra, um custo de 111:573$000 reis. Relativamente às águas altas, projecta a construção de uma grande reserva de água no vale da Quintã, com uma capacidade prevista de 1 300 000 m³, destinada a armazenar, no Inverno, água que poderia ser utilizada na estiagem, reduzindo desta forma a sua carência na cidade. Desta albufeira, onde os lodos se depositariam, a água passaria por um sistema de filtros de areia para outra, construída mais abaixo, no vale de Carenque, próximo da Mãe d'Água Velha. Esta água, purificada, e por um processo de sifonagem, entraria no Aqueduto, chegando desta forma à cidade. Para este sistema de barragens prevê Pezerat um orçamento de 88:689$940 reis.

1.7 A 1ª. Companhia das Águas (1856) e o começo do abastecimento domiciliário
Em 20 de Julho de 1855 foi o Governo autorizado a contratar em concurso público o fornecimento das águas precisas para o abastecimento de Lisboa, na sequência de idênticas diligências que tiveram lugar anteriormente, mas que não haviam conduzido a nenhuma solução. Em 1855, e antes do referido concurso, uma empresa constituída pelos ingleses Duarte Meddlicot e Thomas Rumball efectua um contrato provisório com o Governo, contrato este que não podia, no entanto, ser ratificado sem o respectivo concurso público. Quem veio a ganhar efectivamente o concurso foi a outra empresa concorrente, que tinha como directores Alberto Carlos Cerqueira de Faria, Filipe Folque e Bento Coelho da Fonseca, estabelecendo-se em 1856 e firmando o contrato com o Governo em 29 de Setembro de 1858, tomando-se como base para as condições do contrato a população da cidade em 220.000 habitantes. Nascia, assim, a Companhia da Empresa das Águas de Lisboa (1ª. Companhia). A Companhia vai recorrer aos serviços do engenheiro francês Mary, de Paris, que organiza diversos planos no sentido de aumentar a capacidade de produção do sistema do Aqueduto e desenvolve projectos para o início do abastecimento domiciliário na cidade. Contudo, e apesar de a utilização de máquinas a vapor já ser corrente um pouco por toda a Europa, utilizando-se já as "pompes à feu" em Paris no século XVII para elevação da água, Mary não vai utilizar máquinas em Lisboa, vai antes aplicar unicamente o princípio dos vasos comunicantes, agora, porém, com a utilização de sifões de ferro fundido. No que diz respeito à captação de águas, Mary vai construir um novo aqueduto subsidiário do Aqueduto das Águas Livres, o Aqueduto da Mata, que traz ao principal as águas de Belas, do Brouco, Vale de Lobos e Vale de Figueira. Por outro lado, são nessa época continuados os trabalhos no Aqueduto das Francesas, para se trazerem a Lisboa as águas da Serra de Carnaxide. Nesta matéria a Companhia despreza a opinião do geólogo General Carlos Ribeiro, favorável à captação de água no Tejo, a montante de Santarém. Relativamente à distribuição, Mary divide a cidade em três zonas altimétricas, baixa, média e alta, e estabelece uma rede de reservatórios para regularizar a distribuição de forma a ter pressões constantes e suportáveis pelas canalizações. Assim, na parte ocidental da cidade, para a zona alta, no alto de Campolide, constrói o reservatório do Pombal, a zona média virá a ser abastecida pelo reservatório do Arco, situado um pouco acima do Arco das Amoreiras, e para a zona baixa será construído o reservatório da Patriarcal, no subsolo da Praça do Príncipe Real. A parte oriental da cidade será abastecida por duas cisternas, uma na igreja da Penha de França e outra na Graça, na cerca de S. Vicente.

Fig. 10 - Projecto de Pezerat para as reservas de águas nos vales da Quintã e Carenque

Os projectos de Pezerat acabaram por não ser concretizados dados os perigos que as reservas projectadas, a céu aberto, poderiam representar para a saúde pública. Por outro lado, em breve outras soluções iriam aparecer, com a constituição da 1ª. Companhia das Águas de Lisboa.

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1. utilizando aqui o conceito desenvolvido por Thommas Hugges e que consiste na definição de cada tempo e cada sistema tecnológico como uma matriz cujos elementos componentes são o conhecimento científico e as técnicas. Um século mais tarde. já que o contrato estipulava que todas as novas águas a serem aproveitadas não deveriam ser de qualidade inferior às do Aqueduto das Águas Livres. estando todo o sistema interligado por meio de sifões. O projecto inicialmente delineado previa a condução das águas desde os Olhos de Água até um reservatório a construir numa zona alta fora da cidade. a partir daí. a solução a adoptar seria semelhante àquela que outras grandes cidades haviam adoptado. Companhia das Águas o Governo. colocados. políticos. o Tejo virá a ser a grande solução para o problema da falta de água em Lisboa. e outra de qualidade inferior para regas e lavagens. Porém foi a opção do Governo face à apreciação feita das águas do Tejo. que o delimita a sul. de recorrer aos rios que as banhavam. Mary projectou um sifão instalado dentro do Aqueduto das Águas Livres que. e não conseguiu fornecer à cidade. e dado outras possíveis opções. homem que pertencera à 1ª. através de uma galeria. resolver por largos anos o problema da sua falta na cidade. poderia ser filtrada pelas camadas naturais do leito do rio e poderia.. não terem viabilidade. não se tendo. era proposta pelo General Carlos Ribeiro e que a Companhia rejeitara. foi 18 . a Companhia pensava estabelecer uma rede de distribuição de água de qualidade superior para consumo humano. 11 . sempre que possível. Companhia das Águas e o Alviela No interregno entre a 1ª. À semelhança do que se praticava em Paris. introduzindo processos de depuração das águas que a tecnologia já possibilitava. pôs fim à Companhia. O momentum tecnológico. económicos. funcionando. no Ministério das Obras Públicas. Após várias diligências e negociações. por Decreto de 23 de Junho de 1864. Uma das propostas da Companhia incluídas no seu contrato era a da dupla canalização. Já no final da sua curta existência. e a 2ª. mas também os aspectos sociais. Entretanto. O reservatório da Patriarcal era alimentado por um sifão colocado no Aqueduto do Loreto. era necessário dar elevação à água por meio de máquinas. matriz essa que tem raízes no momentum precedente. Na zona média. contudo. nos prazos estipulados. Para Carlos Ribeiro. Carlos Zeferino Pinto Coelho. A captação de água na quantidade necessária para o abastecimento de Lisboa acarretaria graves prejuízos para a agricultura daquela região. dado o "salto epistemológico" para um novo paradigma tecnológico. advogado e deputado conservador. porém. Para isto. esgotou o seu capital nas obras. Tal opinião veio a acelerar a rescisão unilateral do contrato por parte do Governo. não reconheceu às águas do Tejo qualidade suficiente para serem introduzidas no abastecimento. o reservatório do Arco recebia directamente a água do Aqueduto.8 A 2ª. e pela mão do Engenheiro Joaquim Nunes de Aguiar. e solicitando novo prorrogamento de prazo ao Governo. continua a ser o do Aqueduto. de que Pinto Coelho será o Director. Para abastecimento da zona alta. que. e dar suporte à derradeira alternativa que a Companhia afinal possuía. a Companhia avançava com a hipótese de captar água no Tejo. procedimentos administrativos. portanto. de cota suficientemente elevada na Porcalhota. Tal. Companhia. Toda a acção da Companhia insere-se no mesmo paradigma anterior. dentro das galerias dos aquedutos do sistema das Águas Livres. conseguia trazer água sob pressão ao reservatório do Pombal. nunca entre nós veio a ser posto em prática. e da Penha de França descia à Graça. e estando esta acima da entrada das águas do Aqueduto.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa O Governo.Interior do reservatório da Patriarcal. havendo que construir uma estação elevatória na zona das nascentes. captada acima de Santarém. o contrato entre o Governo e a nova companhia. Companhia não conseguiu vencer as dificuldades que se lhe depararam. coadjuvado pelo Engenheiro Joaquim Pires de Sousa Gomes. vendo-se ao fundo a galeria que o liga ao Aqueduto do Loreto Estes reservatórios recebiam água do Aqueduto. que não chega a estudar exaustivamente a questão mas que entende que a água. a gravidade para as fazer chegar a todos os pontos da cidade. O desenvolvimento científico e tecnológico não havia ainda atingido um estádio que permitisse fundamentar e levar à prática as opiniões de Carlos Ribeiro. num outro estádio de desenvolvimento científico e tecnológico. Fig. a quantidade de água a que se obrigara pelo contrato. como a das nascentes da serra de Sintra. e perante as dificuldades da Câmara em satisfazer as necessidades da cidade. etc. irá desenvolver o projecto do Alviela. O General Carlos Ribeiro não fora favorável à opção pelo Alviela. Do Pombal saía água para a cisterna da Penha de França através de um sifão colocado no Aqueduto do Campo de Santana. aliás. A 1ª. porém. provavelmente no Arco do Cego. hipótese que. defende junto do Governo a solução da constituição de uma nova companhia. apesar da adopção do princípio dos vasos comunicantes e do início do abastecimento domiciliário. mas que prolonga os seus efeito em momenta subsequentes.

que leve os particulares a contratar o fornecimento de água . Assim. de imediato. haver já um comércio internacional de produtos industriais desenvolvido. no fim. na zona ribeirinha oriental. denominada CAL . num aqueduto até Lisboa. o sistema decimal para as medidas lineares. acabou por 19 . e havermos entrado no caminho da normalização das peças e acessórios utilizados no abastecimento. não podemos deixar de ter em consideração o facto de. duas máquinas verticais de efeito duplo com dois cilindros. logo em 1868. no máximo. não só no que se referia à deslocação das peças das máquinas.Máquina a vapor da Estação Elevatória da Praia Para esta estação a Companhia irá adquirir à casa Windsor & Fils. engenheiros mecânicos estabelecidos em Ruão. questões de natureza política que dificilmente foram ultrapassadas.obrigando os proprietários dos prédios acima de um determinado nível de rendimento. no início da exploração. Porém. na Normandia. Aliás. para elevar para a Verónica. uma expansão significativa do abastecimento domiciliário. essa expansão será inferior ao pretendido enquanto a Companhia não dispuser de um instrumento importante. A primeira iniciativa da Companhia. Fig. as canalizações nas habitações. incluindo a perda de carga. a sua extensão às outras medidas. foi a da construção de um reservatório e de uma estação elevatória no sítio do antigo chafariz da Praia. mas em que à Companhia.000 habitantes. trazendo consigo os projectos já iniciados. por alguns anos. em Portugal. e aqui construir a estação que as elevava para as diferentes zonas a abastecer. e vai possibilitar.Entrada das águas no canal Alviela no recinto dos Olhos d'Água Embora o canal fosse mais extenso. contemplado no contrato. O objectivo principal da constituição da Companhia. correspondendo cada uma a uma superfície de aquecimento de 60 m². 12 . já que era necessário dar uma elevação de 54 m acima das nascentes para que a água conseguisse atingir a cidade no ponto pretendido.Companhia das Águas de Lisboa. Havia que construir uma estação elevatória a cerca de 100 km de Lisboa. era a concretização do projecto do Alviela. o que diminuía os custos do projecto. de expansão variável e de condensação. A introdução da máquina a vapor no abastecimento de água em Lisboa representava um passo importante na evolução desta indústria. arrastando-se. o que era algo de bastante complicado para a época. a Companhia decidiu trazer as águas livremente. só em 1852 havia sido posto em vigor. a população a abastecer em cerca de 200.9 kg de carvão por hora e por força de cavalo-vapor. Cada uma destas máquinas tinha uma capacidade de elevação de 1. A construção do sistema não se deu sem sobressaltos. O local escolhido para o reservatório de chegada e para a estação elevatória foi a cerca do convento dos Barbadinhos italianos. Cada máquina podia produzir uma força de cerca de 23 cavalos-vapor de água elevada. fornecendo à cidade um volume de água correspondente a uma capitação de 100 litros/dia/habitante. a construir. ideia já anteriormente defendida por Pezerat. as águas orientais que se perdiam para o Tejo. havendo. e consumiam. a Companhia alterou o projecto inicial. ou seja 30 cavalos-vapor sobre a árvore do volante. Fig. mas sobretudo face às eventuais avarias e consequentes necessidades de reparação das mesmas. as vantagens deste novo projecto eram evidentes. vindo a Companhia a ser declarada oficialmente constituída por Decreto de 2 de Abril de 1868. O rigor e a universalidade necessários à industrialização demoraram bastante tempo a alcançar.o regulamento dos encanamentos particulares . à sua custa. Na análise desta fase de industrialização do abastecimento de água. 13 . na periferia da cidade. na Graça. 1. De imediato os engenheiros Aguiar e Sousa Gomes ingressaram nos quadros da Companhia. pela gravidade.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa celebrado em 27 de Abril de 1867. menor necessidade de construção de obras de arte. ditas do sistema Woolf. As máquinas eram alimentadas por três caldeiras de sistema vulgar. inclusive. agora.900 m³ diários de água a uma altitude de 73 m acima do nível do poço de alimentação das bombas. computando-se. Quanto ao Alviela. de 75 quilogrâmetros.

foram adquiridas à casa Windsor & Fils. na zona média.000 m³ diários de água. A segunda e terceira máquinas deveriam elevar em conjunto um volume de 12. a Companhia. Companhia.350 m³ por dia a 26 m de altura. 15 . A quarta máquina veio a ser colocada na sequência de um novo contrato celebrado em 29 de Outubro de 1888. ou seja. havia diversos tipos de carvão de acordo com o tamanho. instrumento previsto no contrato. Ao fim de dois anos de batalhas judiciais. a uma superfície de aquecimento de 90 m².200 kg de carvão por hora e por cavalo-vapor de 75 quilogrâmetros. colocadas simetricamente em relação ao eixo do balanceiro. misturando-se com as águas altas do Aqueduto das Águas Livres. com dois cilindros. com geradores de vapor cilíndricos. Aqui. a ser prorrogado o prazo de concessão pelo tempo de paragem das obras. de um volume de 30. Para a alimentação das máquinas foram adquiridas cinco caldeiras a vapor. 45% de carvão graúdo3. do sistema Woolf.000 m³. incluindo a perda de carga. Um carvão mais miúdo teria. Tratavam-se de máquinas verticais. A estação elevatória foi inaugurada com três máquinas apenas. de efeito duplo. de Ruão. em contexto semelhante. para que ela chegasse à zona alta tornou-se necessário construir uma estação elevatória junto do reservatório do Arco. de balanceiro. à semelhança do que iria acontecer. a uma altura de 77 m. Cada uma das três máquinas deveria corresponder a uma força efectiva sobre a árvore do volante de 120 cavalos-vapor de 75 quilogrâmetros. pelo menos. acabou por parar as obras do Alviela em 1873. ou seja. acabando por ficarem sem efeito as sanções aplicadas à Companhia. tendo que enfrentar processos em tribunal. para a cisterna do Monte. com dois grupos elevatórios. de onde a água ia por sifão ao reservatório do Arco. duas bombas verticais. 14 . A oposição da sociedade fez-se sentir contra um regulamento deste tipo. elevando 10.000 m³ em 24h a uma altura de 47 m. através do sifão construído pela 1ª. um de tríplice expansão. de boa qualidade. mais tarde. aproximadamente 139 litros de água por segundo. por exemplo. 20 . incluindo a perda de carga.Máquina a vapor da Estação dos Barbadinhos Cada máquina accionava. O carvão a utilizar deveria ser carvão inglês. vindo o sistema do Alviela a ser inaugurado em 3 de Outubro de 1880. também do Pombal atingia a Penha de França. directamente através do balanceiro. Lisboa dispunha agora. passando a data do fim da concessão para 30 de Outubro de 1974. certamente uma combustão mais rápida. para conseguir a aprovação do regulamento. 3 No comércio. e uma menor superfície de aquecimento. Tratava-se da aprovação do regulamento das canalizações particulares. em Lisboa. com. No que se refere à elevação da água. e o outro de simples expansão. Estas máquinas eram alimentadas com o vapor produzido por duas caldeiras aqui-tubulares do tipo De Nayer. Os construtores garantiam que o consumo de combustível não ultrapassaria 1. quando veio a ter garantias de publicação do regulamento. e sem o qual a Companhia não conseguiria garantir a sua sobrevivência económica.Fachada da Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos As máquinas. correspondendo. pois tal imposição representava um atentado contra as liberdades constitucionais. que abastecia a zona baixa. para além das águas altas e das águas orientais. sistema Worthington. que viria ser colocada em 1889.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa ser dada plena razão. cada um. ficando o espaço para uma quarta máquina. à semelhança do que acontecera na estação da Praia. Fig. dado que a Companhia havia já procedido às obras estipuladas no contrato de 1868.000 m³ em 24 h. no Porto alguns anos mais tarde. Fig. retomou as obras. aproximadamente 83 litros de água por segundo cada máquina. na Graça. elevando 5. Dado que a água do Alviela agora chegava ao Arco e ao Pombal. A primeira máquina destinava-se a elevar um volume de água de 10. e vindo. e havia que dispor de um instrumento legal que permitisse dar expansão ao desenvolvimento das infra-estruturas do abastecimento. e de expansão variável. para o reservatório da Verónica.

com a construção da Avenida da Liberdade e das Avenidas Novas. O reservatório de Campo de Ourique veio a ficar concluído em 1900. 1. a abastecer toda a cidade agora aumentada. Era necessário. procurando resgatar a concessão. Em 1885. água essa que seria depurada em filtros rápidos no sítio da Nora Alta. a Companhia decidiu proceder à montagem de uma moderna lavandaria industrial. no Regueirão dos Anjos. com capacidade de 120. a construção de mais um compartimento no do Pombal.009. já num período em que se começam a sentir grandes dificuldades no abastecimento. A nível nacional.471 habitantes. Jerónimo. mas também pelo seu crescimento para norte. próximo de Sacavém. Com o excesso de água que tinha. com a capacidade prevista para o de Santo Amaro.000 m³. trouxe novamente situações de carência. o Governo. a custo. no sítio da Boa Vista. a cidade ficou com uma população de 311. durante a Ditadura. e. na zona de Bucelas. já tínhamos 27. não havia condições para a Companhia avançar com este projecto.000 m³ diários. reservava para si o direito de elevar água no Tejo. sem que houvesse lugar para a concretização efectiva de uma obra de grande envergadura que resolvesse definitivamente o problema. por outro lado.167 consumidores. Este Conselho. A falta de água era uma realidade que se agravava de ano para ano. Por essa mesma altura. Em 1915 foi encomendado ao Professor Choffat um estudo no sentido de se alterar o regime do Alviela nas nascentes. com sucessivas quedas do Governo. num movimento de municipalização. levar de vencida a contenda. colocação da quarta máquina nos Barbadinhos. surgiram diversas empresas privadas de abastecimento de água um pouco por todo o País. pelo contrato. Restava o caso de Lisboa. ideia que era defendida. Se antes de 1868 apenas 143 consumidores tinham água canalizada. gás e electricidade. foi sempre. Guerra Mundial de 1914-18 e a consequente subida dos preços. tinham-se. A expansão da cidade não apenas pela anexação dos antigos concelhos. vindo o da Ajuda a ser construído em S. um conjunto de obras que permitissem expandir o abastecimento. e da negociação do novo contrato de 1888 constaram a construção do reservatório de Campo de Ourique. a água era fortemente mineralizada. a Companhia obrigava-se a construir um reservatório em Santo Amaro. pela mão do seu Director-Delegado Carlos Pereira. desde sociedades anónimas a sociedades em comandita ou em nome individual. dando elevados prejuízos. em 1880 a 16. onde a Câmara desferia fortes ataques à Companhia. caso da Compagnie Générale des Eaux pour l'Étranger. a Companhia. assentamento das canalizações necessárias para ligar os novos reservatórios. O País atravessava um período de grande instabilidade política e económica. aliás. conseguiu. de 1922. em 1870 a 4. e.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa A expansão do abastecimento domiciliário tornou-se uma realidade. com a anexação a Lisboa dos concelhos dos Olivais e de Belém. as dificuldades crescentes levam ao fim destas companhias. e no Ministério das Obras Públicas. ligação dos reservatórios da Verónica e da Patriarcal por um sifão. defendido teses no sentido da organização de serviços municipalizados de abastecimento de água. 21 . construção de um novo reservatório na Ajuda. três anos após a inauguração do Alviela. e em 1883. proposta que foi rejeitada por carência de viabilidade técnica e económica. levantavam-se objecções técnicas ao projecto. portanto.540. com a 1ª. Porém.9 O projecto de 1908 para captação de água no Tejo Em 1908. duplicando a sua capacidade para 12. o Conselho dos Melhoramentos Sanitários. o Engenheiro Jesus Palácio Ramillo apresentou à Companhia uma proposta que consistia na construção de uma albufeira no Rio Trancão. a instabilidade continuou a fazer-se sentir. para abastecimento de água. Dado que.032.10 As municipalizações do abastecimento de água e a sobrevivência da Companhia Após a constituição da Companhia. 4 1. para lavagens e para os esgotos da cidade. Para além disso. com capacidade de 1.000 m³. no Verão. ampliação da capacidade de elevação da estação do Arco para 7. com a municipalização do abastecimento de água do Porto. do projecto de Ressano Garcia. no final desse ano o seu número passara a 260. não se tendo vindo a construir este último. estudo este que veio a ser realizado pelo Professor Ernest Fleury. no entanto a dívida da Câmara pelo excesso de água consumida para além da dotação gratuita era elevada. e. que dava à Companhia a exclusividade do abastecimento de água. junto a Lisboa. ano em que. em 1900. em 1875 a 11.500 m³. baixava para níveis que punham em risco o abastecimento. fiscal do Governo junto da Companhia. pelo General Augusto Pinto de Miranda Montenegro.000 m³. que vivamente desaconselhou tal hipótese. estando a Companhia obrigada. no entanto. apenas um órgão consultivo. se fecha este ciclo na indústria da água4. os engenheiros João Severo da Cunha e João Augusto Veiga da Cunha elaboram um projecto que visava a captação de água no Tejo. sem poderes efectivos de regulação do sector. a cerca de 3 km da confluência do Alviela. sendo algumas. pois o caudal do Rio Tejo. de 4. aliás. que durou até 1921. fora criado. não correspondeu às expectativas. iniciativa que. de estrangeiros. mesmo após a implantação da República. Neste contrato. No Congresso Nacional Municipalista. teses que vêm a ver a sua concretização em 1927. Num novo contrato celebrado em 18 de Julho de 1898. como a do Porto.

Dada a sua cota de soleira ser mais elevada que o reservatório do Pombal. Estes trabalhos realizaram-se no decorrer do ano de 1925. variando com o movimento das marés. A altura da elevação era de 98 m. de um novo contrato de concessão à Companhia. bem como a construção de uma estação elevatória equipada com dois grupos. contudo. comissão pertencente ao Ministério das Obras Públicas. possuíam uma potência unitária efectiva de 160 CV. 16 . que lhe permitiam aumentar o caudal do Alviela em 8. A nova estação albergava seis grupos elevatórios com bombas da fábrica francesa Rateau accionadas por motores suíços Brown Boveri. tinham sido colocadas em substituição das anteriores. não veio a acontecer. e a sua substituição por uma estação eléctrica.Construção do reservatório da Penha de França 1.500 m³ diários. Para este novo reservatório a água era elevada a partir dos Barbadinhos. que fazia a fiscalização técnica e administrativa da CAL. a 82 m. com 600 m³ de capacidade. por um dos grupos da zona alta. baixava a níveis bastante reduzidos. podendo elevar um volume de 11. duas máquinas da fábrica suíça Sulzer. as nascentes das margens da ribeira da Ota. para o Pombal. Engenheiro Duarte Pacheco. vai-se dar a partir de 31 de Dezembro de 1932. resolvendo o diferendo com a Câmara através de mecanismos financeiros Fig.000 m³ diários. em 1917.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa Entretanto.900 m³ diários cada uma. Nesta época já as máquinas eléctricas haviam dado entrada na distribuição. Outros dois grupos. o do Arco e o de Campo de Ourique. respectivamente. pensava a Companhia. Em Novembro de 1943 a Comissão passou a designar-se por Comissão de Fiscalização das Águas de Lisboa. e cujos motores possuíam uma potência de 215 CV cada. pelo Decreto nº. de bombas centrífugas e unicelulares.000 m³ diários e outro de 9. Um grupo com a capacidade de 12. com a capacidade elevatória unitária de 15. movida por um motor de 95 CV de potência efectiva. para abastecimento da zona alta oriental. a Companhia lançou mão de novos recursos. com uma capacidade elevatória de 15. Em 1931 foi a vez da substituição das máquinas a vapor da estação elevatória da Praia por uma bomba horizontal GANZ. valor médio. Com o novo contrato de concessão. na sequência do qual. tendo uma potência de. Duarte Pacheco vai criar condições de sobrevivência à Companhia. com a imposição pelo Governo. de 3 de Fevereiro de 1933.000 m³ cada. Em 1928 terá lugar a desactivação da estação elevatória a vapor dos Barbadinhos. os dois últimos grupos. para a Verónica. já que a produção das nascentes. verdadeira mudança de paradigma tecnológico. através do Ministro das Obras Públicas. elevando para a zona baixa. o que.320 m³ diários a 73 m de altura. com uma potência efectiva de 90 CV cada.11 Duarte Pacheco e o contrato de 31 de Dezembro de 1932 O grande salto em frente.Estação Elevatória dos Barbadinhos . 22181.600 m³. a 49 m de altura.Sala das Máquinas 22 . 17 . na realidade. com uma capacidade de elevação de 4. pois na estação do Arco. na estiagem. com a capacidade de elevação de 12. deixando de ser aproveitada a partir de Julho de 1938 por impotabilidade da água. que não vieram a ser concretizados. movidas por motores Diesel pesados. através da Penha de França regularizar também a zona alta ocidental.000 m³ diários. foi criada a Comissão de Fiscalização das Obras de Abastecimento de Água à Cidade de Lisboa.000 m³ cada. com a potência efectiva de 90 CV cada. elevavam a água para os reservatórios da zona média. Para a estação a vapor elaboraram-se mais tarde projectos para a sua adaptação a um conjunto de grupos elevatórios movidos por motores Diesel. Em 1932 tem lugar a construção do reservatório elevado da Penha de França. Fig. movidas por motores da também suíça fábrica Oerlikon. elevavam para a zona alta. 260 e 215 CV. A produção da estação. não excedia os 2. Finalmente. e para obviar às carências que se faziam sentir.

para o efeito. seriam trazidos do Zêzere. pois a firma Layne & Co. tendo dado lugar a um grande número de reclamações dos proprietários locais. e Luís Veiga da Cunha.000 m³. portanto. A ideia inicial de captar água na Boa Vista acabou por ser adiada. 19 . Em 1933 o caudal do Canal Alviela foi reforçado com as águas de Alenquer.Antigo sifão do Alviela sobre o Rio Trancão. e última fase consistia na ampliação da capacidade de produção em mais 50. Espadanal. utilizando-se toda a capacidade de vazão do canal. no sítio da Nora Alta. Depois de uma missão técnica dos engenheiros da Companhia a vários países estrangeiros. a capacidade efectiva de transporte era da ordem dos 30. por meio de cinco furos de 350 m de profundidade. fase. Por essa altura já o velho sifão de ferro sobre o Rio Trancão. A mesma companhia propunha-se igualmente captar água nos vales de Belas e Queluz. 23 .000 m³ de água diários. uma estação elevatória que veio a ser equipada com dois grupos electro-bombas com a capacidade de elevação de 11. após depuração mecânica. em canal próprio. seriam feitas as obras necessárias para a elevação das águas do Tejo na Boa Vista e a sua introdução. possuir uma única linha de sifões. que construir uma segunda linha de sifões. obra que foi executada logo em 1933. seria construído um dique. Na 1ª. e com uma nova estação elevatória. havia sido substituído por um sifão passando por debaixo do leito do rio. mas também das zonas atravessadas pelos canais e das zonas suburbanas.000 m³ diários de água captada no Zêzere e introduzida no Canal Tejo. próximo de Alcanhões. Para além disso vai dar condições à Companhia para construir um novo grande sistema tecnológico. Estas obras deveriam estar concluídas em Junho de 1933. As águas do Tejo seriam beneficiadas com as águas do Zêzere. não ofereciam garantias efectivas quanto aos caudais indicados. A captação das águas de Alenquer provocou o abaixamento do nível das águas nos poços. Ainda em 1933 surgiu uma proposta da International Water Company para a captação de 20 a 25. A captação de Alenquer veio mais tarde a ser ampliada. aliás.000 m³ nas camadas do Belaziano. Uma questão que houve que resolver de imediato foi a do aumento da capacidade de vazão do Canal Alviela. havendo que criar formas de indemnização pelos prejuízos causados. A 2ª. com uma albufeira com a capacidade de 30 milhões de m³. A 4ª.230 m³ cada. Quinta do Campo e na Lezíria. devendo-se os projectos aos Engenheiros João Severo da Cunha. o do Canal Tejo.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa para a liquidação das dívidas desta pelo excesso de consumo. e introduzidos no Canal Tejo. Fig. armazenadas acima da confluência do Nabão. para o efeito. a opção pela captação em poços de grandes profundidades torna-se uma realidade.000 m³. autor do projecto de 1908. que vai ser recebida com entusiasmo pelo Engenheiro Duarte Pacheco. contudo as suas propostas. Esta fase deveria ficar concluída até ao fim de 1936. o facto de. Em Sacavém. correspondentes a quatro momentos de ampliação do abastecimento. Era possível captar apreciáveis caudais de água nas aluviões do Tejo. mais 55. em Lisboa.000 m³ diários. diários. fase. no Alviela. em Sacavém. nas passagens dos vales. em funcionamento a partir de 1960. com a abertura de mais três poços em 1949 embora apenas dois em regime normal de exploração. já no projecto de 1908 estava prevista a filtragem das águas. afastando de vez o fantasma da municipalização. Na 3ª. e uma potência de 70 CV. fase compreendia as obras necessárias para aumentar a produção em mais 80. 18 . A construção do Canal Tejo começou por um primeiro troço entre Sacavém e o Carregado. Embora na parte livre o canal tivesse uma capacidade de vazão da ordem dos 70. que poderia ser também utilizado para a produção de energia eléctrica. apresentou uma proposta interessante ao Governo. construindo-se. a executar quando o consumo particular atingisse 16 milhões de m³.Construção de uma conduta forçada no Canal Tejo Fig. além de onerosas. a uma altura de 28 m. Havia. A obra foi entregue ao empreiteiro Waldemar Jara d'Orey. em Sacavém. na região do Carregado. a executar quando o consumo particular atingisse 24 milhões de m³. e. agora não só de Lisboa. O programa de obras constantes do contrato estava dividido em quatro fases.

dados os conhecimentos entretanto adquiridos sobre as suas características. em 1897. 1. Professor Ricardo Jorge. Fig. nela vemos a intervenção de Jorge Barradas.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa A adjudicação da construção dos poços acabou por ser feita à firma alemã Johann Keller. a própria colocação dos grupos elevatórios. tubos estes com dispositivos de filtragem nas suas paredes internas. iniciativa da Comissão de Fiscalização das Águas de Lisboa. Iniciando-se em barracões provisórios. Estes problemas vieram a ser ultrapassados com o aperfeiçoamento de um aparelho doseador do cloro na água. aparelho que havia sido concebido por Bunau-Varilla e modificado pelo técnico Bernardino Gomes de Pinho. em 1913. dos quadros da CAL. Olivais. a cloragem das águas não apenas em caso de epidemias. sendo os grupos elevatórios de eixo vertical.000 m³ diários.12 Os problemas da qualidade das águas Em breve houve que proceder ao tratamento das águas. 22 . a inauguração das suas instalações definitivas veio a ter lugar em 31 de Maio de 1948. com sucessivas actualizações. da Alameda de D. A partir daí o processo de desinfecção das águas foi-se expandindo. estas águas deixavam sedimentos de ferro e manganés nas condutas. celebra a chegada das águas do Tejo à cidade. e. na Quinta da Ché. a água de Javel. escultor que também. Afonso Henriques. 20 . da ordem dos 250. W. Herbard da construção experimental de um poço na Quinta do Campo. tornava-se necessário proceder à desinfecção das águas. Projecto do Arquitecto Carlos Rebelo de Andrade.Quadro eléctrico de comando e controlo da Estação Elevatória dos Olivais Fig. monumento que. Fig.Grupo moto-bomba dum poço Entretanto em Lisboa. sendo em França utilizada uma solução de cloro. ao contrário do que inicialmente se observara. em número de doze. chegou mesmo a defender em meios internacionais. Um estudo de 1939 havia determinado já a capacidade elevatória exigida à estação. temos a adjudicação à firma americana R. junto ao reservatório de chegada das águas do Canal Tejo. por ocasião de febres. O higienista português. pois da reacção do cloro com o alcatrão que revestia o interior dos tubos resultava a formação de clorofenóis que davam à água um sabor a fénico. Os primeiros ensaios sistemáticos de cloragem das águas. 21 . tiveram lugar na cidade americana de Maidstone. Por outro lado. que apresentava condições mais vantajosas.Estação Elevatória dos Olivais. Além desta firma. tem o seu nome ligado à Fonte Monumental.Captação de água . pois. fachada principal 24 . e a necessidade de assegurar a sua potabilidade. face a uma série de epidemias de febres tifóides. ligados aos tubos de aspiração das águas. A utilização do cloro levantou graves problemas. próximo de Vila Nova da Rainha. que continua ainda no presente. havia sido construída a estação elevatória. dadas as suas dimensões. foi objecto de um processo contínuo. Os equipamentos das diversas estações elevatórias dos poços apresentam características diferentes dos das outras estações. como Rebelo de Andrade. mas de uma forma sistemática e preventiva.

Como também foi referido. A estação de tratamento de Vale da Pedra. na barragem do Castelo do Bode. menos mineralizadas. com a barragem cheia. 25 . já em 1963 estava em funcionamento. a primeira opção do contrato de 1932 era pelas águas do Tejo.13 As duas opções em confronto .Tejo ou Zêzere Como já atrás ficou dito. Com o tratamento. Caso isso não tivesse sido feito. muito embora tivesse uma produção reduzida. a captação das águas das aluviões do Tejo veio a alterar profundamente os projectos de desenvolvimento do abastecimento de água. construída durante as obras de construção da barragem. e porque os custos de tratamento fossem bastante elevados face à pouca quantidade de água.ETA de Vale da Pedra 25 . dos projectos de obras fazia parte uma clara opção pelas águas do Zêzere. Em 1959 arrancou o projecto para a estação definitiva. construída pela firma Degrémont. a água das nascentes já não precisava de ser deitada fora através dos descarregadores. 23 . com uma capacidade diária de 100. filtrada e sujeita ao processo da floculação por meio de reagentes. e. pois este continuava a ser parte dos sistemas de abastecimento de Lisboa. onde a água é decantada. No entanto. em Vale da Pedra. construída em 1958. o passeio central do Aqueduto chegou a ser utilizado também como caleira. aspecto ainda mais agravado com a expansão do abastecimento para os concelhos limítrofes. a CAL decidiu.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa Fig. com correcção posterior em postos de cloragem dispersos pela rede de distribuição. mais tarde. tal obra seria de muito mais difícil.Laboratório Bacteriológico da Companhia das Águas de Lisboa Fig. captadas na Boa Vista. e finalmente desinfectada por meio de cloro. uma vez que o abastecimento e a melhoria substancial das condições de salubridade arrastara um aumento significativo da população a abastecer. iniciativa do Engenheiro José Frederico Ulrich. em 1949. fornecendo água de boa qualidade a Lisboa. desafectar por completo do abastecimento o Aqueduto das Águas Livres. e que funcionou durante um ano. 24 . Fig. A água é elevada para uma estação de tratamento. em períodos de carência. lá estava a torre de captação de água. Porém.000 m³ diários. em 1967.Construção da torre de captação de água na Barragem de Castelo de Bode Na década de 40 tornou-se necessário projectar duas estações de tratamento para as águas do Aqueduto das Águas Livres. águas cujo aproveitamento foi por diversas vezes defendido pelo Engenheiro Veiga da Cunha.000 m³. Algumas das suas nascentes já estavam inquinadas no século XIX. começou por meio de uma estação piloto. 1. ou até mesmo impossível. A determinada altura tornava-se necessária uma solução para o problema da falta de água. com uma capacidade de produção de 240. no dique de Valada. uma na Amadora e outra na Buraca. execução. como constatam o químico Hugo Mastbaum e o geólogo Paul Choffat. Na sequência de todo este progresso tecnológico. A captação de água no Tejo. que veio a ser inaugurada em 8 de Junho de 1965 com três grupos elevatórios. onde as águas do mar já não fazem sentir os seus efeitos. e que corrigiriam a excessiva mineralização das águas do Tejo. A opção clara da Companhia foi pelo Tejo.

dando esta companhia lugar a uma empresa pública. inicialmente. Os estudos relativos ao aproveitamento das águas do Zêzere não haviam. respectivamente. no século XIX.14 Expansão do abastecimento Com o sistema Tejo completo. como a execução de mais poços nos mouchões do Tejo. mais tarde. à semelhança do que sucedera no Estudo Prévio para Ampliação do Abastecimento de Água à Cidade de Lisboa. Em 1986 foi o subsistema inaugurado com uma capacidade de produção de 375. de Janeiro de 1950. abandonadas as águas do Zêzere. da Geologia. sendo-lhe dado especial relevo no Plano Geral de Abastecimento de Água à Região de Lisboa. sucedendo-se os contratos com as Câmaras limítrofes. a captação na albufeira não seria viável por impossibilidade de construção das fundações da torre. será criada a zona limite. pois. a braços com nova crise de falta de água. e a cidade tem agora quatro andares. a CAL encarasse outras hipóteses no curto prazo. 40 m . mais tarde. agora completa. a concessão da CAL terminou em 30 de Outubro de 1974. Também em Lisboa o crescimento urbano se fez sentir. 26 . e um adutor que conduz a água a uma central elevatória construída em Vila Franca de Xira. com pleno desenvolvimento das técnicas possibilitadas pelo conhecimento da Física. para permitir o início da sua realização por volta de 1970 e a sua entrada em serviço quando ficar saturada a capacidade de transporte do Canal do Tejo. em Lisboa. sido abandonados. O parecer do Conselho Superior de Obras Públicas exarado no projecto da captação Tejo de Valada apontava mesmo para o Castelo do Bode.62 m. no projecto que elaborara para a construção da captação de água do Tejo em Valada. afirmava: "Lá está no Zêzere a torre de tomada de água. conforme os estudos mencionados referem. definitivamente. Fig. (Quem sabe agora qual o aproveitamento que a torre pode vir a ter um dia?). em vez dos três em que. na albufeira do Castelo do Bode. Não foram. da Química. muito embora. que o ministro José Frederico Ulrich mandou fazer. agora com a componente "tratamento de água" a contribuir para a função "abastecimento de água". O Zêzere.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1. correspondentes. Mas ir ao Zêzere são mais 50 quilómetros e não se julgue que a água da albufeira não necessitaria tratamento. ano em que termina a concessão da Companhia das Águas de Lisboa". já então elevada para 400. mas também motor de desenvolvimento económico e industrial. a dividira. projecto a ser "objecto de um estudo profundo. feito em tempo útil.40 m. que a Companhia abastece em alta. a CAL vai poder abastecer uma área muito mais vasta. sendo composto pela torre de captação. poderia. alta e superior. pois a água não é elemento vital apenas para o consumo humano. correspondente à captação de Valada-Tejo. Em 1959 a CAL. pois. dar meio milhão de m³ diários. o que se deve verificar em 1974. publicado em Junho de 1962. Mary. Acima dos 120 m. fase.Barragem do Castelo de Bode 1. e para a captação nas albufeiras do Cabril e da Ponte da Bouçã. pois os exemplos bem conhecidos estão por toda a parte e o assunto foi já largamente debatido para não se discutir a necessidade da sua filtração". que. 62 m . Para tal projecto havia-se procedido em 1972 à actualização do Plano Geral publicado dez anos antes.000 m³ diários. São eles delimitados pelas curvas de nível de 0 m . inviável no curto prazo.15 A EPAL e o Castelo do Bode Como já atrás foi referido. vendendo depois estas a água aos consumidores particulares através dos seus Serviços Municipalizados.120 m. para o Zêzere. uma central elevatória situada a jusante da barragem. às zonas baixa. uma estação de tratamento na Asseiceira. vai ter que se virar.95 m. e 95 m . e a serem conduzidas a Lisboa em adutor próprio. Objecto de estudos posteriores. 26 . Com esta divisão garantia-se uma altura piezométrica mínima de 30 m. com esta 2ª. com a opção Tejo. O progresso verificado acelerou a consequente expansão urbana e industrial em toda a região de Lisboa. média.000 m³ por dia. a EPAL. de onde a água é elevada para Telheiras. o projecto veio a ser concretizado apenas a partir de 1975. ainda em 1970.

27 . e cujos testemunhos urge a todo o custo preservar como património histórico. abastece de água a quase totalidade do País. 27 .000 m³ diários através de um conjunto de obras que ficaram concluídas em 1996.ETA da Asseiceira A partir de 1993 procedeu-se à ampliação do subsistema para uma capacidade de tratamento e adução de 500. e onde se encontra espelhado todo um conhecimento científico e tecnológico que é parte importante da nossa identidade. com um conjunto de empresas multi-municipais. de capitais exclusivamente públicos.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa Fig. o que possibilita hoje o abastecimento. 26 . de água a um total de 26 municípios correspondentes a cerca de um quarto da população do País.Barragem do Castelo de Bode Fig. e encontra-se integrada num grupo mais vasto. pela EPAL. AdP. a Águas de Portugal. que. da nossa memória colectiva. A EPAL é hoje uma sociedade anónima.

Academia das Ciências. Boletim da CFAL. Relatório.19. com a designação Boletim da CFOAACL]. ps. Obras consultadas ALVES. Plano geral de abastecimento de água à região de Lisboa. CHOFFAT. Paul. AMARAL. CAL. Projecto de uma nova estação elevatória nos Barbadinhos. O abastecimento da capital pela água dos poços do Carregado. CAL. ps. Separata das Comunicações da Direcção dos Trabalhos Geológicos. EPAL. 36. CAL. Janeiro de 1933. CAL. o Ministro das Obras Públicas de 29 de Outubro de 1948.XXX. VITAL. José Manuel. BRANCO. Projecto de reservatório elevado a construir na Penha de França e respectiva conduta de elevação. 1958. Joaquim Ângelo Caldeira. 1998. Abril de 1926. Separata da Revista da Ordem dos Engenheiros. Junho de 1970. Fevereiro de 1950. Julho de 1933. 1944. nº. Relatório da Comissão encarregada de estudar as novas captações para o abastecimento de águas a Lisboa e arredores. Março de 1959. em Valada. Rede geral de distribuição. ps. 1908. CAL. CAL. 1963/64. CAL. 1895. Lisboa. CAL. Lisboa. 8 de Junho de 1965. Abastecimento de água à cidade de Lisboa. Joaquim Ângelo Caldeira e FRAGOSO. A. s. 8. Luís Veiga da. ano I.. Lisboa. CFAL. João Carlos. CAL. CASEIRO. Eloy do. Estudo para o abastecimento de Lisboa com água do Tejo. Companhia da Empreza das Águas de Lisboa. Projecto de toma de água do Tejo na Boavista.Tratamento de água. nº. CAL. Projecto de introdução de água do Tejo no Canal do Alviela (1ª. Lisboa. sexto ano. Lisboa. ano XXIV. 1990 (texto policopiado). Junho de 1962. O Rio Tejo deve contribuir para o abastecimento de água de Lisboa e zona sub-urbana [Palestra do Engenheiro-Chefe.séc. 1952. Julho de 1938. Luís Veiga da. Perspectivas para os próximos dez anos. CUNHA. Lisboa. Projecto de abastecimento de água à cidade de Lisboa.107. ALMEIDA.d. Separata da Revista da Ordem dos Engenheiros.ª. 1955. Considerações sobre zonas de distribuição . G. Memória sobre os reservatórios de Lisboa. Estudo prévio para ampliação do abastecimento de águas à cidade de Lisboa. Câmara Municipal de Lisboa.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1. Imprensa Nacional. Relatórios da Direcção. Lisboa. CAL . Lisboa. In Boletim da Direcção Geral de Agricultura. nº. Congresso Nacional Municipalista de 1922. 1898. CHOFFAT. CAL. 1956. Separata do Boletim da CFAL. Relatórios da Direcção. Situação actual do abastecimento. Lisboa capital das águas. Fase). CAL. In Boletim dos Serviços Técnicos. durante a visita ministerial à estação piloto de Valada].[ Anteriormente a 1943. XIX e XX. nº. Março de 1929. Relatório sobre o tratamento das águas de Lisboa elaborado pela Comissão nomeada pela Portaria de 12 de Novembro de 1938.Serviços Sanitários. CAL. A iniciativa privada no abastecimento de água em Portugal . Raul.202. Memórias e outras histórias do Aqueduto das Águas Livres.16 Referências bibliográficas Arquivo Histórico da EPAL CAL. RODRIGUES.o caso de Lisboa. ano XXII. 53 . CAL. RODRIGUES. Lisboa. CAL. Separata dos nº. e PENA. Separata do Boletim da CFOAACL. 13 . Março-Abril. Evolução das estações elevatórias da Companhia desde a fundação à actualidade. Paul. Américo. 28 . CAL. fascículo II. Contratos de concessão [diversos anos]. In Boletim dos Serviços Técnicos. Projecto de captação de água no rio Tejo. Notícia sobre o abastecimento de Lisboa com águas de nascentes e águas do rio: estudos e obras dos últimos cem anos. Lisboa. CUNHA. 85 . Luís Veiga da Cunha. Lisboa. 1. 1938. tomo III. Inauguração da obra de captação de água no rio Tejo. In Boletim dos Serviços Técnicos. CAL. Les eaux d'alimentation de Lisbonne. Rapport entre leur origine géologique et leur composition chimique. Boletim dos Serviços Sanitários . Amaro de. Lisboa. VITAL. 1940. 117 . A nova instalação de cloragem das águas do grupo do Alviela. Boletim dos Serviços Técnicos. 1923.95. Ex. ps. 16. EPAL. MACHADO. Ministério das Obras Públicas. anos XXIX . José Joaquim. Resumo das condições hidrogeológicas da cidade de Lisboa. As águas de Lisboa. por despacho de S. Lisboa. 1940. 49 e 50 da Revista Municipal. Soares. CAL. Raul Fontes. Abril de 1958. Carlos.

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31 .Conceitos Fundamentais de Hidráulica. Hidráulica e Ambiente. CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE HIDRÁULICA. Lda. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2. BOMBAS CENTRÍFUGAS E REDES HIDRÁULICAS Autor: Paulo Ramísio Engenheiro Civil (FEUP) Mestre em Engenharia do Ambiente (FEUP) Assistente do Departamento de Engenharia Civil da Universidade do Minho Sócio da SBS – Engenharia Civil.

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Conceitos Fundamentais de Hidráulica. Hidráulica e Ambiente. actividade de investigação nos domínios de Construções e Processos. Lda. fundada a 28 de Fevereiro de 1996. projectos. Auditorias Ambientais. o Mestrado em Engenharia Municipal. 33 . Geotecnia. Comemora actualmente o XXXI aniversário. Acompanhamento de Obras). O Departamento de Engenharia Civil (DEC) da Escola de Engenharia tem a seu cargo o Curso de Licenciatura de Engenharia Civil. Regularização Fluvial). o Mestrado em Engenharia Civil e disciplinas do Mestrado em Tecnologia do Ambiente. Conta como principais áreas de actuação: • Abastecimento de Água (Captações. Tem desenvolvido a sua actividade na execução de estudos. Interceptores e Emissários.Engenharia Civil. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Universidade do Minho A Universidade do Minho é uma universidade pública com autonomia administrativa e financeira. Materiais de Construção. Estruturas. Sistemas de Adução. A SBS é uma empresa de consultoria em engenharia. • Águas Pluviais. Estações de Tratamento de Águas Residuais). Hidráulica. Sistemas de apoio à decisão para o desenvolvimento sustentado da gestão dos recursos hídricos e desenvolver técnicas de modelação em laboratoriais e modelos computacionais. Estações de Tratamento de Água. Sistemas Elevatórios. acompanhamento de obra e Fiscalização). SBS . Reservatórios e Redes de Distribuição). Desenvolve. ainda. A investigação é orientada de modo a não só contribuir para o aumento dos conhecimentos numa determinada área científica mas também contribuir para a extrapolação dos resultados obtidos em estudos e obras no domínio da engenharia civil. • Infra-estruturas Prediais (Projecto e coordenação de todas as especialidades de engenharia. O Sub-grupo de Hidráulica tem como missão formar cientistas e engenheiros através de um estimulante e diversificado programa na área da mecânica dos fluidos. consultoria. • Infra-estruturas Hidráulicas e Energia (Aproveitamentos Hídricos e Hidroeléctricos. engenharia sanitária e gestão dos recursos hídricos e contribuir para o aumento do conhecimento científico nas seguintes áreas preferenciais: Processos de transporte e mistura em ambientes naturais e sistemas de engenharia. hidrologia. Residuais e Industriais (Redes de Drenagem. Sistemas Elevatórios. acompanhamento técnico e apoio à decisão em obras de engenharia com especial destaque para as obras de hidráulica e ambiente. Planeamento e Arquitectura e Vias de Comunicação. • Estudos Ambientais (Estudos de Impacte Ambiental.

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Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

O dimensionamento de um sistema de pressurização depende de uma grande parte do conhecimento dos fenómenos hidráulicos envolvidos. Neste capítulo serão analisados alguns princípios fundamentais da mecânica dos fluidos e a sua utilização na caracterização da curva característica da instalação e da curva característica de uma bomba centrífuga, conceitos essenciais para um bom desempenho de um sistema de pressurização.

2.1 Introdução

Logo, em termos de tensão unitária:

τ=

∆F ∆v =µ S ∆n

(2)

onde µ é o coeficiente de viscosidade dinâmica. A viscosidade dinâmica (µ) para um determinado fluido é determinada recorrendo a tabelas ou a gráficos enquanto que a viscosidade cinemática (ν) é expressa da seguinte maneira: (3) ν = µ /ρ onde ρ é a massa volúmica do fluido. A viscosidade cinemática nos líquidos varia apreciavelmente com a temperatura, sendo desprezável a influência da pressão. Sendo a viscosidade uma propriedade física que determina a resistência ao escoamento uniforme de um fluido, ela afecta a distribuição do esforço de corte destes. Analisando o comportamento dos fluidos em função do esforço e a velocidade de corte, podemos classificá-los da seguinte maneira: • Fluido Ideal - apresenta resistência nula à deformação; • Fluido Newtoniano - o esforço de corte é proporcional à velocidade de corte, sendo τ o declive da recta; • Fluido não Newtoniano - deforma-se de tal maneira que o esforço de corte não é proporcional à velocidade de corte; • Plástico Ideal - o fluido sustém, inicialmente, um esforço sem qualquer deformação, deformando-se posteriormente de forma proporcional ao esforço de corte; • Sólido Ideal - não ocorre deformação para qualquer valor de tensão. Os Fluidos Newtonianos são praticamente todos os líquidos orgânicos e inorgânicos enquanto que os Fluidos não Newtonianos podem ser classificados em pseudoplásticos, dilatantes, Bingham, etc.. Como exemplos de Fluidos não Newtonianos podem-se destacar a pasta de celulose, algumas tintas, borracha, etc…

2.2 Princípios da mecânica dos fluidos
2.2.1 Propriedades da água
2.2.1.1 Massa volúmica e peso volúmico
Massa volúmica e peso volúmico de uma substância são, respectivamente, a massa e o peso da unidade de volume dessa substância. Para os líquidos estas grandezas variam com a pressão e a temperatura. A água tem o valor máximo de massa volúmica à temperatura de 4°C, que à pressão atmosférica normal toma o valor de 1000 kg/m3. Considerando a aceleração da gravidade igual a 9,8 ms-2, o peso volúmico, à mesma temperatura será 9800 Nm3.

2.2.2 Viscosidade
A viscosidade dos fluidos traduz-se pela resistência que estes oferecem à deformação. Assim, no seu escoamento desenvolvem-se forças resistentes, que dão parte à dissipação de parte da energia mecânica possuída pelo fluido em movimento. Ao pretender modificar-se a forma de uma massa de fluido, observa-se que as camadas do mesmo se deslocam umas em relação às outras, até que se alcance uma nova forma. Durante este processo ocorrem tensões tangenciais (esforços de corte) que dependem da viscosidade e da velocidade do fluido. O comportamento de um fluido sob a acção de um esforço de corte é importante na medida em que determinará a forma como ele se movimentará. A fim de que se possa introduzir a noção de esforço de corte (tensão tangencial), torna-se necessário analisar as forças exteriores que actuam numa determinada massa de fluido sujeita à acção da aceleração da gravidade. Num fluido em repouso não existem tensões tangenciais e de acordo com a lei de Pascal a pressão num ponto é igual em todas as direcções. Nos fluidos em movimento, em que se manifeste a acção da viscosidade desenvolvem-se tensões tangenciais ou esforços de corte. A viscosidade é assim uma propriedade física que é definida como sendo a resistência de um fluido ao seu escoamento uniforme. Considere-se duas placas paralelas de fluido, S, que se movem a uma distância, ∆n, a uma velocidade relativa ∆v, a força necessária para o deslocamento será:

2.2.3 Compressibilidade
A compressibilidade dos fluidos traduz-se pela diminuição do volume ocupado por uma determinada massa de líquido quando aumenta a pressão a que esta está sujeita. De acordo com o seu comportamento sob a acção de uma pressão aplicada exteriormente os fluidos podem ser classificados da seguinte forma: • Incompressíveis - Se o volume de um elemento de fluido é independente da sua pressão e temperatura. Nos líquidos, devido às pequenas variações de pressão, podem-se considerar incompressíveis para a maior parte dos fenómenos.

∆F = µ S

∆v ∆n

(1)

35

Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

• Compressíveis - Se o volume de um elemento de fluido varia com a sua pressão e temperatura, como acontece nos gases. Note-se contudo que nenhum dos fluidos reais é completamente incompressível. No entanto, os líquidos podem ser encarados como tal para efeitos de estudo de grande parte das aplicações práticas. É no entanto importante realçar que em alguns fenómenos, como por exemplo na análise do choque hidráulico, deve ser considerada a compressibilidade do fluido.

2.3.2 Classificação dos escoamentos
2.3.2.1 Variados, permanentes e uniformes
O escoamento é variável se, numa dada secção transversal, a velocidade média e o caudal variarem com o tempo. O escoamento é permanente se, em qualquer secção transversal, a área da secção líquida e a velocidade média (e, portanto o caudal) forem invariáveis com o tempo. Num escoamento permanente a velocidade pode variar de ponto para ponto, mas, em cada ponto, mantém-se constante ao longo do tempo. Um escoamento uniforme é um movimento permanente em que a velocidade é constante ao longo de uma mesma trajectória (em módulo, direcção e sentido). Pode então dizer-se que o escoamento é uniforme se as trajectórias forem rectilíneas e paralelas e se a área da secção líquida, S, a velocidade média, V, forem invariáveis com o tempo e a secção transversal considerada. O movimento uniforme só é possível em condutas e canais de eixo rectilíneo e de secção constante. Escoamentos transitórios são escoamentos que se estabelecem na transição entre duas situações de escoamentos permanentes.

2.2.4 Tensão de saturação do vapor de água
Quando a pressão num ponto de um líquido desce até à respectiva tensão de saturação de vapor, o líquido entra em ebulição. A tensão de saturação do vapor de um líquido, tv, varia em função da temperatura. A tensão de saturação de vapor para a água à temperatura de 20°C é de 2330 N/m2, e à temperatura de 100°C iguala a pressão atmosférica normal. No escoamento de líquidos aparecem, em certas condições, zonas em que a pressão desce até à tensão de saturação de vapor, formando bolhas de ar, indicadoras da ocorrência do fenómeno de cavitação.

2.3.3 Equação da continuidade
A equação da continuidade estabelece o princípio da conservação da massa. Assim entre duas secções transversais, num escoamento permanente de um fluido incompressível sob pressão, mantém-se constante ao longo do tempo o volume do líquido entre as duas secções. Considerando uma tubagem com vários troços de diâmetros diferentes, verifica-se que o caudal de fluido é sempre constante em toda a tubagem. Define-se então caudal mássico (Qm) como a massa de fluido transportada (m) por unidade de tempo (t) e será igual a:

2.3 Conceitos fundamentais de hidrocinemática e hidrodinâmica
2.3.1 Conceitos básicos
Define-se trajectória de uma partícula como o lugar geométrico dos pontos ocupados pela partícula ao longo do tempo, enquanto que linha de corrente num determinado instante será a linha que goza da propriedade de, em qualquer dos seus pontos, a tangente respectiva coincidir com o vector velocidade no mesmo ponto e nesse instante. O caudal, será o volume que, na unidade de tempo, atravessa uma secção efectuada num escoamento por uma superfície, se esta for normal em todos os seus pontos à velocidade do escoamento. Assim, o caudal, Q, será:

Q × v1 = Q × v2 = Q × v3

; v1 xAi1 = v2 × Ai 2 = v3 × Ai 3 = v ×(5)

A expressão (5) é designada por equação da continuidade. O termo continuidade deriva do facto de o caudal em todos os troços ser constante. Em termos de caudal mássico (Qm = cont.), Qm1 = Qm2 = Qm3 = Qm ⇔ ρ.v1.Ai1 = ρ.v2.Ai2 = ρ.v3.Ai3 = ρ.v.Ai (6)
D2 D1 D3

Q = ∫ v ds

(4)

Velocidade média, V, (numa secção normal em todos os pontos à velocidade do escoamento) velocidade de um escoamento que, com velocidade uniforme na secção, transporta um caudal igual através da mesma secção.

L1
Fig. 1 - Condutas em série

L2

L3

36

Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

Nestas circunstâncias, facilmente se depreende que o caudal escoado é o mesmo em cada troço de conduta com características distintas, e que a perda de carga total é dada pela adição de todas as perdas de carga parcelares: Q = U1 x S1 = U2 x S2 = ... = Un x Sn
∆H = ∑ ∆H i = ∑ J i × Li
i =1 i =1 n n

(7) (8)

O teorema de Bernoulli representa uma equação de balanço de energia pois iguala a variação da energia mecânica total entre duas secções de um tubo de corrente ao trabalho realizado pelas forças locais de inércia (nulas em regime permanente) e de resistência ∆H. Na prática, pode-se considerar: * β1 = β2 = 1,0 → Coeficiente de distribuição de pressão (campo de pressões do tipo hidrostático condutas de pequeno e médio diâmetro). * α1 = α2 = 1,0 → Coeficiente de energia cinética ou de Coriollis, distribuição de velocidades - consideração de velocidades médias (1,00 ≤ α ≤ 1,15). A parcela ∆B corresponde a troca de energia com o exterior: +∆B ⇒ cedência de energia (turbina) -∆B ⇒ ganho de energia (bomba). A parcela ∆H representa o trabalho das forças resistentes por unidade sendo a soma das seguintes parcelas:

2.3.4 Teorema de Bernoulli
Considerando um regime estacionário (as variáveis do processo, como por exemplo, pressão, temperatura, volume, etc. permanecem constantes ao longo do tempo), num fluido Newtoniano e incompressível, a energia específica total duma partícula é igual à energia mecânica total da partícula por unidade de peso e apresenta três componentes:

p v2 E = z+ + γ 2g

(Trinómio de Bernoulli)

(9)

Dimensionalmente cada parcela corresponde a um comprimento pelo que é assimilável a uma soma de "alturas":

[E ]= [F ]× [L] = [L] [F ]
O significado físico de cada parcela será o seguinte:

∆H = ∆H p + ∑ ∆H L
com,

(11)

∆H → Forças resistentes totais por unidade de peso (perdas de carga totais) ∆Hp → Perda de carga uniforme (contínua ou principal)

z

= cota da partícula em relação a um plano de referência (energia potencial de posição da partícula por unidade de peso)

∑ ∆H

L

p = altura piezométrica: energia potencial de pressão por γ unidade de peso da partícula; v2 = altura cinética: energia cinética por unidade de peso 2 g da partícula com velocidade v.
Assim, define-se Linha Piezométrica como o lugar geométrico dos pontos em que a sua cota é a soma da cota topográfica e da altura ( z + (ou Energia) será o lugar geométrico dos pontos cuja cota será a soma da cota topográfica, a altura piezométrica e a altura cinética ( z +
p v2 + ). γ 2g
p ). Analogamente, a Linha de Carga γ

→ Somatório de perdas de carga localizadas (concentradas acidentais)

Estes parâmetros serão analisados em detalhe em pontos seguintes.

2.3.5 Teorema da quantidade de movimento ou de Euler
O teorema de Euler ou da quantidade de movimento (TQM) é na Mecânica dos Fluidos e, portanto, na Hidráulica o correspondente ao teorema da quantidade de movimento da Mecânica e pode enunciar-se da seguinte maneira: Para um volume determinado no interior de um fluido, é nulo em cada instante o sistema das seguintes forças: peso, resultante das forças de contacto que o meio exterior exerce sobre o fluido contido no volume, através da superfície de fronteira, resultante das forças de inércia e resultante das quantidades de movimento entradas para o volume considerado e dele saídas na unidade de tempo. O TQM ou de Euler tem um duplo interesse prático: 1º) Calcular esforços sobre as tubagens e/ou paredes (caso dos jactos).

O teorema de Bernoulli refere que no caso de um fluido incompressível em regime permanente, em que se possam desprezar as forças de atrito e, consequentemente as perdas de energia, mantêm a carga total de uma partícula ao longo de uma trajectória. O Teorema de Bernouli aplicado a fluidos pesados e incompreensíveis, em regime permanente, toma a seguinte forma:
( z1 + β 1 p1 U p U + α 1 ) s1 − ( z 2 + β 2 2 + α 2 ) = ∆H ± ∆B 2g 2 g s2 γ γ
2 1 2 2

(10)

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Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

2º) Calcular perdas de carga localizadas em troços curtos (curvas, derivações, mudanças de secção) onde se conhecem as condições nas secções de entrada e de saída. Particularizando a aplicação do Teorema de Euler a movimentos permanentes de fluidos pesados e incompressíveis em tubos de corrente e as tensões tangenciais são desprezáveis, a acção do líquido sobre a superfície de contorno será uma força, dada pela seguinte expressão vectorial: r r r r R = - ( ρ × Q × U + p × S ) n - ( ρ × Q × U + p × S ) n + γ (12)
1 1 1 1 2 2 21 2

2.4.2 Perdas de carga contínuas
No regime uniforme, as trajectórias das partículas são paralelas às geratrizes do contorno. Se considerarmos condutas de comprimento L elevado (L >100 x D, em que D é o diâmetro da conduta) e características geométricas (direcção, rugosidade, forma e dimensão da secção transversal) constantes, poder-se-á considerar que : i ) a distribuição de pressões numa secção transversal é do tipo hidrostático (β=1). ii ) o coeficiente de Coriollis é constante ao longo da conduta (α=1) . iii ) a perda de carga (∆H) entre duas secções é proporcional à distância (L) entre elas, sendo constante o coeficiente de perda de carga (ou perda de carga unitária) ao longo da conduta, J. Sabendo que a perda de carga contínua (ou principal) depende ainda das características físicas do fluido, teremos: J = ƒ(ρ, U, D, ν, το,Ke) em que: J - perda de carga contínua por unidade de comprimento; ρ - massa volúmica do fluido; U - velocidade média na conduta; D - diâmetro da conduta; ν - coeficiente de viscosidade cinemático do fluido; το - tensão junto à parede da conduta; Ke - rugosidade equivalente da conduta, em termos da perda de carga provocada pelas várias rugosidades do material da conduta. Recorrendo à Análise Dimensional é possível estabelecer uma relação entre aquelas grandezas, chegando-se (escolhendo ρ,U,D para unidades fundamentais) à expressão geral das perdas de carga contínuas (ou fórmula universal) em condutas circulares: (14)

em que: r r n1 e n2- são os versores da direcção normal às secções de entrada e saída (S1 e S2), com o sentido positivo dirigido sempre para o exterior do volume em estudo. r γ - peso do volume de fluido em estudo.
U 1 , U 2, p1 , p2 - Velocidades médias e pressões nas secções 1 e 2.

2.4 Escoamentos sob pressão em regime uniforme e permanente
2.4.1 Escoamentos laminares e escoamentos turbulentos
Existem dois regimes de escoamento de fluidos: laminar e turbulento. O regime laminar é caracterizado por trajectórias regulares das partículas, não se cruzando trajectórias de partículas vizinhas. No escoamento turbulento, a velocidade num dado ponto varia constantemente em grandeza e direcção, sem regularidade. As trajectórias são extremamente irregulares. A relação entre as forças de inércia e a força de viscosidade sobre a partícula pode ser expressa pelo número de Reynolds através da seguinte expressão:

V ×D (13) ν O número de Reynolds define as condições de semelhança quando a natureza das forças intervenientes se limitam às indicadas (caso de escoamento de líquidos no interior de condutas em pressão). Re =
Para valores de Reynolds superiores a 2500 o escoamento é geralmente turbulento e para valores inferiores a 2000 o escoamento é normalmente laminar. A quase totalidade das aplicações de sistemas de pressurização encontra-se em regime turbulento.

J=

λ U2 × D 2g

(15)

em que : λ - coeficiente de resistência (adimensional); g - aceleração da gravidade; D - diâmetro da conduta; U - velocidade média na conduta.

38

permite a determinação expedita dos valores de λ.7 λ Re× λ (17) Para aplicação dos estudos em laboratório (baseados numa rugosidade teórica artificial . • Os intervalos II. em regime turbulento rugoso. III.Diagrama de Moody para a determinação do coeficiente de resistência 39 . uma rugosidade equivalente (ke). 2 . corresponde a um parâmetro adimensional . conduz os mesmos valores que foram obtidos experimentalmente com ε. Fig. nas aplicações práticas de engenharia encontram-se neste domínio e o coeficiente de resistência pode ser estimado pela seguinte equação: 1 2. III e IV correspondem aos regimes turbulento liso. a) Determinação de l.2.teoria da turbulência .rugosidade relativa (ε/D). que substituída na expressão de cálculo de λ.4. sendo: λ = 64 / Re → Fórmula de Poiseuille (16) A grande maioria dos escoamentos de fluidos. concluiu que o primeiro depende do segundo e de outros parâmetros (adimensionais) que caracterizam as asperezas das paredes do tubo.e comprovados através das experiências de Nikuradze. que através da representação gráfica daquelas funções implícitas.51 ε /D = −2 log( + ) 3. com suficiente rigor. quatro intervalos (I. define-se para essas condutas. para cada valor de (ε/D). turbulento de transição e turbulento rugoso. onde D é o diâmetro interno da tubagem em mm e k é a rugosidade equivalente da superfície em mm. ZONA DE TRANSIÇÃO FACTOR DE ATRITO λ TUBAGEM LISA CAUDAL LAMICAUDAL TURBULENTO NAR RUGOSIDADE RELATIVA DA SUPERFÍCIE K/d NÚMERO DE REYNOLD Diagrama de Moody para estabelecer o factor de atrito λ. por via gráfica O emprego da fórmula universal foi bastante simplificada com o aparecimento de diagramas como o de "Moody". II. A variação de λ com Re apresenta. A determinação do coeficiente de resistência pode ser obtido pela representação gráfica das experiências de Nikuradse ou por via analítica.ε) às condutas comerciais. que dividida por D.1 Determinação do coeficiente de resistência Os valores do coeficiente de resistência (λ) podem ser obtidos através das equações de Prandtl e Von Karmann . Nikuradze ao variar o factor de resistência com o número de Reynolds.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. sem depender da rugosidade da conduta. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2. Nikuradze considerou uma rugosidade teórica (ε) correspondente à dos grãos de areia (calibrada) colados às paredes de tubos lisos. O valor de λ é obtido através da utilização do número de Reynold e do valor de rugosidade relativa k/D como parâmetros. IV) com leis de variação distintos: • O intervalo I corresponde ao Regime laminar (Re < 2000 a 2500) onde se verifica uma variação linear de λ e Re.

.3 Perdas de carga localizadas As perdas de carga localizadas ocorrem em singularidades das condutas. Re .número de Reynolds (adimensional). λ. λ.TIPOS DE REDES TIPO DESCRIÇÃO DISTRIBUIÇÃO DE PERCURSO sem com sem com sem com REGIME DO ESCOAMENTO PERMANENTE uniforme variado uniforme variado uniforme variado λ . Estas perdas de carga dependem de diversos factores relacionados fundamentalmente com as características do escoamento a montante e a jusante da singularidade. em cada troço. válvulas. …) encontra-se bem documentada em inúmeras publicações de hidráulica. material das paredes do contorno sólido.6 Cálculo hidráulico 2. válidas apenas em certas circunstâncias . podemos considerar os seguintes tipos de redes: QUADRO 1 .51 K (18) = −2 log( + ee ) 3. b) Determinação de l.5.5 Redes hidráulicas 2.fluido. ou seja.. sendo determinado experimentalmente para cada tipo de singularidade. o caudal é constante logo.7 λ Re× λ Em que: Estes sistemas aparecem normalmente nas redes de abastecimento de água municipais ou industriais e nas redes de combate a incêndios. Chama-se caudal unitário de percurso (q) ao parâmetro que traduz a variação média do caudal ao longo da conduta: 2. mudanças de direcção. . que permitem chegar a uma expressão geral para este tipo de perdas de carga. Diz-se que uma conduta tem distribuição de percurso quando sofre uma variação de caudal ao longo do seu percurso (escoamento em regime permanente variado). Logo. quer sob a forma analítica. Quanto à sua constituição. como por exemplo pela Fórmula de Colebrook-White: k /D 1 2. A determinação dos coeficientes de perda de carga em diferentes singularidades (estreitamentos e alargamentos suaves.rugosidade equivalente (m): D . seleccionando o diâmetro pode-se de seguida calcular a velocidade e perda de carga. etc. quer sob a forma de ábacos ou tabelas apenas são válidas dentro das condições particulares em que foram definidas. por considerar por exemplo os consumos domésticos. em trechos pequenos da conduta em que se quebra a sua uniformidade. ke . deve ser realizado por via analítica por equações de reconhecida validade. através de fórmulas práticas (expressões empíricas. conhecendo-se os caudais e os diâmetros é possível de imediato o cálculo das perdas de carga. 2. Em regime variado há uma variação de caudal ao longo do percurso. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas É importante relembrar que a determinação do coeficiente de resistência. as perdas de carga são contabilizadas considerando que o escoamento se faz em regime permanente variado.). temperatura.6.diâmetro da conduta (m). exprimindo-as como percentagem da altura cinética (U2/2g): RAMIFICADA MISTA Nas redes ramificadas a direcção do escoamento é única e portanto conhecida. Nas redes emalhadas o conhecimento do valor e sentido dos caudais. por via analítica Para cálculos mais exactos o cálculo do coeficiente de resistência. secção transversal.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. formando feixes ou malhas de condutas. q= Qm − Qj ⇔ Qm = Qj + q × L L (20) 40 .4.coeficiente de resistência (adimensional).1 Classificação das redes hidráulicas As redes de condutas consideram-se sistemas complexos porque são constituídas por tubagens ligadas em série e/ou paralelo. etc. são obtidos após o equilíbrio da malha através da Lei da Continuidade (em cada nó os caudais afluentes devem igualar os caudais efluentes) e Lei das Malhas (numa malha a soma algébrica das perdas de carga em todas as condutas deve ser nula). EMALHADA só com malhas só com condutas em série com condutas em série e com malhas 2. A determinação analítica destas perdas de carga localizadas (∆HL) baseia-se na aplicação dos Teoremas da Quantidade de Movimento e de Bernoulli. Chama-se nó ao ponto de intersecção de três ou mais condutas e malha a todo o circuito fechado constituído por três ou mais condutas ligadas em série. ∆H L = K L × U2 2g (19) em que KL é o coeficiente de perda de carga localizada. algumas das quais serviram de base ao presente texto e que se encontram referenciadas nas referências bibliográficas.1 Regime uniforme e permanente Em regime uniforme e permanente.

Selecção de um conjunto de diâmetros (comercialmente disponíveis) a partir de velocidades médias (0. a altura de elevação necessária para esta instalação. . . Os custos de investimento são directamente proporcionais ao diâmetro instalado e os consumos de energia inversamente proporcionais ao mesmo valor. em regime uniforme e permanente. Tal facto dificulta o cálculo das perdas de carga em cada trecho da conduta. H = f (Q ) → H man = H geo + ∑ J i × Li + ∑ ki × U 2g 2 2 (22) Altura Perdas de carga Perdas de carga   V2  ∑ K i i + ∑ J i × Li    2g   Altura geométrica Caudal Fig.Curva característica da instalação Fig. há uma variação do coeficiente de perda de carga.55 × q × L (21) Trata-se de um caudal fictício que. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Em que: q . As perdas de carga têm variação quadrática com o caudal.Cálculo dos custos de investimento em função dos diâmetros seleccionados. considerando os caudais que realmente circulam na rede. 2. 4 .Cálculo dos custos de energia do período de vida da obra. Bresse ultrapassou esta dificuldade considerando um caudal equivalente ( Qe ): Qe = Qj + 0. Qm . Com esta simplificação o cálculo hidráulico de regime permanente variado é transformado.6 a 1. em movimento uniforme e para um dado diâmetro. Qj .caudal unitário de percurso. . 3.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. que se traduz numa variação parabólica da linha de energia.8 Curva característica da instalação A curva característica da instalação será a curva que traduz. conduz ao mesmo valor da perda de carga que a verificada em regime permanente variado. 2. Para tal acontecer os custos associados aos diâmetros extremos seleccionados deverão ser superiores a pelo menos um dos custos associados a um dos diâmetros intermédios. Havendo uma variação da velocidade ao longo da trajectória. conforme se representa na Fig.Variação dos custos de investimento e energia com o diâmetro de condutas. (actualizados ao ano 0) .caudal no extremo de jusante. Especialmente nos diâmetros mais pequenos a alteração de um diâmetro para o da série comercial imediatamente inferior poderá representar alterações significativas em alguns parâmetros de controlo. 41 .Adição dos custos anteriores para os diversos diâmetros seleccionados e verificação de que o conjunto de diâmetros seleccionados contém o diâmetro (comercialmente disponível) mais económico. Será em cada ponto a soma da altura geométrica com todas as perdas no sistema para esse caudal.Selecção do diâmetro mais económico. apresentando a curva característica da instalação a forma apresentada na figura 4.caudal no extremo de montante. para cada caudal. 3 .5 m/s) e de critérios de velocidade mínima e máxima.comprimento da conduta. uma vez que a perda de carga aumenta de forma quadrática com a velocidade e esta aumenta igualmente de forma quadrática com o diâmetro. para efeito do cálculo das perdas de carga. L .7 Dimensionamento económico de condutas Apresentam-se neste ponto os passos fundamentais para o desenvolvimento dos cálculos que permitem seleccionar os diâmetros económicos das condutas. Os passos fundamentais a seguir nos cálculos a efectuar são: . O processo de dimensionamento consiste em determinar o diâmetro que minimize a soma dos custos de investimento com os de energia (não se consideram outros custos de exploração).

º de impulsores: a) De um só andar: quando têm um só impulsor.3 Curva característica da bomba A equação básica da bomba é utilizada para calcular e desenhar formas geométricas e dimensões. Quanto à posição do eixo: a) Eixo horizontal. montadas sobre o mesmo eixo e com descargas em série.9. 42 .9. a bomba é constituída por um rotor que gira no interior de uma carcaça. onde se preserva a pressão do primeiro. são as seguintes: • Corpo da bomba. O fluido depois de entrar no segundo estágio terá um aumento de energia sob forma de aumento de pressão e assim sucessivamente. b) Eixo vertical. sendo constituída por um disco que roda a alta velocidade. 5 . • Propulsor ou rotor. • Sistema de lubrificação.9 Bombas centrífugas 2.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. assim como para deduzir a curva Q/H da bomba centrífuga. as principais peças constituintes de uma bomba centrífuga. Normalmente o propulsor é considerado o coração da bomba. b) De sentido retrógrado: se o eixo da bomba roda no sentido horário. O fluido entra na bomba nas vizinhanças do eixo do rotor propulsor e é lançado para a periferia pela acção centrífuga. As bombas multiestágio podem ser consideradas como bombas com vários estágios simples.1 Definição Uma bomba é denominada centrífuga quando a direcção de escoamento do fluido é perpendicular à do eixo de rotação da hélice e podem ser classificadas da seguinte forma: Quanto ao n. Quando se deseja ter uma combinação de pressão total e capacidade que não se enquadra numa bomba de um só estágio. • Motor eléctrico.9. Esta energia cinética é convertida em pressão quando o fluido sai do impulsor e entra na voluta ou difusor. usa-se uma bomba multiestágio. A Figura 3 ilustra uma alheta de um impulsor e os respectivos vectores de velocidade. • Sistema de refrigeração. Veios condutores fixos no corpo da bomba podem ajudar a dirigir o fluido. b) De andares múltiplos: quando existem vários impulsores. Fig.Corte numa bomba multicelular Muito resumidamente. melhorando a eficiência da bomba. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2. 2. Uma bomba centrífuga com um só rotor é uma bomba de um único estágio (ou andar). A energia cinética do fluido aumenta do centro do rotor para a ponta das palhetas propulsoras. c) Eixo inclinado. Nesta situação.Forma típica do corpo uma bomba centrífuga 2. • Veios condutores. Fig. Quanto ao sentido de rotação: a) De sentido directo: se o eixo da bomba roda no sentido anti-horário.2 Constituição Na sua forma mais simples. 6 . o que permite transmitir a energia ao líquido para este adquirir o aumento de pressão desejado. a descarga de uma bomba dum estágio é injectada na admissão de uma bomba de um segundo estágio.

Com estas modificações. Ht = As bombas centrífugas são normalmente concebidas com α1 = 90°. componente tangencial da velocidade absoluta do líquido vu e componente radial vm . velocidade periférica da alheta u. Fig.Representação dos vectores velocidade na alheta do impulsor Na figura 7. vm = componente radial da velocidade absoluta. vu1 = v1 cos α1 e vu2 = v2 cos α2 Partindo do princípio que o caudal não tem perdas e que o número de alhetas é infinito (∞). rencia o princípio do número infinito de alhetas que garante o direccionamento completo do líquido. não é possível satisfazer nenhum destes princípios. é possível derivar a familiar teoria da equação básica da bomba utilizando as leis da mecânica. é indicado por uma linha recta. Velocidade absoluta do líquido v. a equação básica da bomba é simplificada para: uv H t = kη h 2 u 2 (25) g A altura manométrica ideal obtida pela equação de Euler é independente do caudal Q. logoνu1 = 0. Ht∞. visto que existem sempre perdas por atrito e o número finito de alhetas não direccionará o caudal completamente na direcção da alheta. Esta relação é conhecida como equação de Euler e é expressa do seguinte modo: Numa bomba real. A redução de pressão causada por perdas no escoamento é tomada em consideração pelo rendimento hidráulico e a redução devido ao desvio do caudal de uma ângulo ideal β2 é contabilizado por um coeficiente de alheta k. Assim sendo. velocidade relativa w. vu = componente tangencial da velocidade absoluta. u = velocidade periférica da alheta. A velocidade relativa é paralela à alheta em qualquer ponto. a equação de Euler para uma bomba real tem o seguinte aspecto: ηh (ku2vu 2 − u1vu1 ) (24) g É possível mostrar que ηh e k são menores que a unidade. w = velocidade relativa à alheta. Para além disso. onde: v = velocidade absoluta do líquido. são representados os vectores velocidade nos bordos de ataque e fuga.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Alheta de impulsor de bomba com os vértices de velocidade nos bordos de ataque e fuga. A curva real Q/H é derivada desta curva através da subtracção dos efeitos do Ht∞ = 1 (u2vu 2 − u1vu1 ) g (23) onde o índice t referencia um caudal sem perdas e ∞ refe. Se a curva Q/Ht∞ for traçada. 7 . 43 .

quando o ângulo de ataque do líquido é igual ao ângulo β 1 do bordo de ataque da alheta. conforme se pode ver na Figura seguinte. Por muito pequena que seja a folga. Perdas por fuga Hv As perdas por fuga ocorrem na folga entre o impulsor e a voluta da bomba. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas número finito de alhetas e de várias outras perdas que ocorrem no interior da bomba. Fig. cujo aumento é proporcional ao aumento de diferença entre o caudal real e o caudal nominal. O Efeito do Número Finito de Alhetas Conforme indicado anteriormente. porque o coeficiente de alheta é ligeiramente dependente do caudal Q. As perdas mínimas ocorrem com o caudal nominal da bomba.Velocidades e perdas no bordo de ataque da alheta com várias velocidades. Perdas por Atrito Hf As perdas por atrito ocorrem à medida que o líquido flui pelas passagens do impulsor e da voluta da bomba. Este efeito é ilustrado na Figura 9. onde o líquido atinge a ponta da alheta. pelo que a cabeça da bomba encontra um caudal reduzido. As perdas aumentam com o aumento do desvio do ângulo de contacto do ângulo da alheta β 1. O seu aumento é proporcional ao quadrado do caudal Q. um pequeno retorno de caudal passa da área de elevada pressão junto da borda do impulsor para a área de baixa pressão do aro de junta do impulsor. A perda é mais pequena no ponto de concepção da bomba. • perdas por atrito na chumaceira. A redução de altura de Ht∞. As perdas mínimas ocorrem com o caudal nominal da bomba. 9 . O efeito da perda por fuga está ilustrado na Figura 8. quando o ângulo de ataque do líquido é igual ao ângulo β1 do bordo de ataque da alheta. Esta perda aumenta à medida que a bomba vai sendo desgastada. Poderemos escrever que: H t = kH t∞ (26) Ht não é perfeitamente linear.Redução (H) da curva verdadeira da bomba Q/H relativa à altura teórica da bomba Ht∞. Por este motivo. As diferenças de velocidade causam turbulência que originam perdas. a existência de um número finito de alhetas diminui a altura manométrica pelo factor de alheta k. o caudal através do impulsor é ligeiramente maior do que o caudal de saída da voluta da bomba. 8 . onde o líquido entra em contacto com a alheta no ângulo β1. Fig. 44 . • Na voluta da bomba. conforme se pode constatar na figura seguinte. ocorrem perdas devido aos redemoinhos causados por esta. • No bordo de fuga da alheta. Se tomarmos este factor em consideração. a diferença é a perda por fuga Hv. Perdas por Descontinuidade Hs As perdas por descontinuidade são geradas nas seguintes áreas: • No bordo de ataque da alheta. Estas perdas incluem: • perdas por atrito nas superfícies exteriores do impulsor. • perdas por atrito no empanque da transmissão. com velocidades de caudal diferentes do valor nominal. poderemos obter a altura teórica Ht. quando o caudal na voluta é diferente do caudal no perímetro do impulsor. Outras Perdas Existem outras perdas numa bomba centrífuga que não afectam a curva Q/H mas que aumentam o consumo de energia da transmissão do motor. para Ht não é causada por perdas de caudal mas sim pelo desvio do líquido dos ângulos ideais devido ao número finito de alhetas. O seu aumento é proporcional ao quadrado do caudal.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. Perdas Redução do caudal Q causada por perdas por fuga Hv Efeito do número finito de alhetas Ht Perdas por atrito Hr Perdas por descontinuidade Hs Velocidades (w) e perdas relativas do bordo de ataque da alheta com várias velocidades de caudal.

A implosão causa uma onda de choque local transitória e extremamente alta no líquido. formam-se redemoinhos e zonas de baixa pressão do outro lado da alheta. formam-se bolhas de vapor. O impacto de alta pressão resultante poderá originar picagem e a erosão da estrutura adjacente. o fenómeno da cavitação nas bombas centrífugas ocorre numa localização perto do bordo de ataque da alheta do impulsor. Se a pressão cair abaixo da pressão do vapor.Impulsor demonstrando estragos motivados por cavitação Bolhas de vapor A formação e desaparecimento das bolhas de vapor é designada por fenómeno de CAVITAÇÃO. Implosão de bolhas de vapor Fig. 11 . pelo que deverão ser tomados os devidos cuidados se as condições de funcionamento da bomba apresentarem o risco de ocorrência de cavitação. particularmente. As picagens podem ter vários milímetros de profundidade. irão eventualmente implodir. Fig.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. as marcas de desgaste causadas pela cavitação ocorrem localmente e consistem em picagens profundas com bordos afiados. Normalmente. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2.Influência do ângulo no bordo de ataque da alheta Logo. com líquidos quentes e voláteis. é necessário que no dimensionamento desta seja acautelado a ocorrência de cavitação. tação. Quando a bolha se desloca com o fluido para uma área de pressão superior. Uma bomba com cavitação emite um ruído de crepitação característico. o seu colapso ocorrerá rapidamente. Se estas se moverem no fluido para uma zona de pressão superior. na instalação de qualquer bomba. O cálculo do NPSH é baseado nos seguintes parâmetros: ht = altura geométrica de entrada. As bolhas de vapor são formadas quando a pressão estática local de um líquido em movimento diminui até atingir um valor igual ou inferior ao da pressão do vapor desse líquido para uma dada temperatura. Não existe nenhum material que suporte totalmente a cavi- 45 . Definição de NPSH NPSH é o acrónimo do termo inglês Net Positive Suction Head e representa a diferença entre a pressão estática absoluta e a tensão de vapor do líquido (normalmente expressa em metros). com uma densidade muito mais baixa. Habitualmente. Se a implosão ocorrer perto de uma superfície e ocorrer repetidamente. A cavitação numa bomba apresenta duas desvantagens: • A criação e colapso das bolhas de vapor podem danificar a bomba. tendo como consequência mais gravosa a deterioração mecânica precoce da bomba. • A bomba torna-se muito menos eficiente porque passa a bombear uma mistura de líquido e vapor. conforme representado na figura seguinte. 10 . tal como se estivesse a bombear areia.10 Cavitação e NPSH A cavitação é o fenómeno hidráulico associado à formação e colapso de bolhas de vapor num líquido. hA = diferença de altura entre o plano de referência e a ponta do bordo de ataque da alheta. Se o líquido for bombeado de modo a atingir o bordo de ataque da alheta a um ângulo diferente do da alheta. a pressão do choque irá eventualmente originar a erosão do material dessa superfície.

qualquer bomba terá valores de NPSH diferentes dependendo da definição da ocorrência. na bomba e na tubagem de pressão. a localização do plano de referência é indicada pelo fabricante. ou Pmin > pv A Figura 13 ilustra o princípio da distribuição da pressão estática do líquido na tubagem de entrada. a pressão estática mínima na bomba (Pmin) tem de ser maior do que a pressão do vapor do líquido. As alturas de pressão são apresentadas na Fig. Este valor pode ser apresentado como uma função do caudal. ataque da alheta. NPSH NPSHF (Sem cavitação) NPSH início do ruído Pressão mais baixa na bomba Pressão do vapor Pressão 0 absoluta NPSH início da perda material NPSH0 (0% de perda de altura manométrica) NPSH3 (3% de perda de altura manométrica) Variação de pressão numa instalação de bomba em seco.Curvas de NPSH 46 .Variação típica do NPSH requerido com o caudal. ∆h = quebra de pressão local no bordo de ataque da alheta. na bomba e na tubagem de pressão de uma instalação de uma bomba em seco. Distribuição da pressão estática do líquido na tubagem de entrada. 12. NPSH Requerido O NPSH requerido é obtido a partir da seguinte equação: NPSH requerido = hA + vo 2 2g + ∆h BOMBA HORIZONTAL BOMBA VERTICAL Este valor também é conhecido como valor de NPSH da bomba. 12 . o plano de referência coincide com a linha central da transmissão. O fabricante da bomba é obrigado a indicar o NPSH como um valor numérico ou uma curva. 15 . conforme demonstrado na Figura 14. Pv = pressão do vapor do líquido à temperatura dominante. Pressão estática do líquido O NPSH da bomba é independente da temperatura e do tipo do líquido que está a ser bombeado. Fig. Pb = pressão ambiente ao nível do líquido. Pmin= pressão estática mínima na bomba. Nas bombas horizontais.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. Nas bombas verticais. Trata-se do plano horizontal que atravessa o ponto central do círculo descrito pela ponta do bordo de Fig. Fig. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Hrt = perdas de caudal na tubagem de entrada. Pressão Mínima NPSH requerido Plano de Referência NPSH requerido Fig.Dimensões e pressões de referência na aspiração da bomba Plano de Referência O plano de referência é o plano no qual os cálculos do NPSH são efectuados. Na realidade. como pode ser visto na Figura 15.Dimensões e pressões de referência para o cálculo do NPSH Para evitar a cavitação. 14 . 13 . Vo2/2g= quebra de pressão causada pela velocidade de entrada.

Em princípio. possuem um mecanismo do tipo variador de frequências. o NPSHr é definido como a situação onde a altura manométrica da bomba sofre uma diminuição de 3% devido à cavitação. Carga Hidrostática H2  N2   = H 1  N1    P2  N 2   = P  N1  1   2 3 Potência Carga efectiva positiva de sucção H2  N2   = H 1  N1    2 47 . Por exemplo. NPSH Disponível O NPSH disponível indica a pressão disponível para a aspiração da bomba sob as condições dominantes. O raio de curvatura da linha central da curva não deve ser inferior a D1 + 100 mm. A margem de segurança do NPSH deve ser suficientemente grande para suportar variações numa situação onde as condições reais podem ser diferentes das calculadas teoricamente. que têm um número reduzido de alhetas do impulsor. desde que seja utilizada uma curva cónica antes da entrada da bomba. O problema é que não existe nenhum modo exacto de testar e estabelecer este valor de NPSH. que permite alterar a velocidade de rotação do seu impulsor.11 Leis de semelhança O traçado das curvas características depende do raio do rotor (impulsor) e da velocidade de rotação deste. Isto aplica-se especialmente às bombas de águas residuais. potência (P) e carga efectiva positiva de sucção (H) com a velocidade do rotor (N) ou com o diâmetro do rotor (D). A cavitação prejudicial poderá ocorrer mais cedo do que o esperado. As variações técnicas de fabrico do formato do bordo de ataque da alheta podem afectar o comportamento da cavitação. cuja metodologia foi seguida no presente trabalho. ou com valores de NPSH maiores do que NPSH3 (Figura 15). a margem de segurança deve ser definida entre 2 e 2. a curva de NPSHr publicada pelo fabricante deve garantir que a bomba não será danificada se for utilizada acima dessa curva. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas De acordo com os padrões de teste utilizados pelos fabricantes de bombas.5 m é suficiente. A cavitação ligeira pode ser inofensiva para a bomba se as bolhas de vapor não implodirem perto das suas partes estruturais. O NPSH disponível é determinado pelo projectista da instalação. Este valor pode ser denominado o NPSH da instalação sobrepressora. As perdas de carga na tubagem de aspiração podem ser incorrectamente calculadas e o ponto de funcionamento real da bomba pode diferir do teórico devido a variações na curva Q/H e a cálculos incorrectos da resistência da tubagem de aspiração. Por este motivo. O NPSH requerido também poderá ser afectado pela forma da tubagem de entrada. Através das leis de semelhança entre bombas centrífugas. Assim sendo. é possível determinar curvas características de bombas a partir de uma conhecida. encontram-se detalhadamente descritos na publicação do EUROPUMP "NPSH FOR ROTODYNAMIC PUMPS. Efeito da variação da velocidade do rotor com o diâmetro constante: Caudal Q2 N 2 = Q1 N1 NPSH disponivel = Pb pv − H rt − ht − ρg ρg (27) Margem de Segurança do NPSH NPSHdisponível >NPSHrequerido + Margem de segurança . em muitas situações. Para bombas instaladas verticalmente. Este valor é definido como NPSH3. pois é necessário. O NPSH. Na prática.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. uma curva de NPSHr baseada na regra de 3% do padrão é uma base insuficiente para a avaliação do risco de cavitação em bombas com poucas alhetas. REFERENCE GUIDE"(1997). onde D1 é o diâmetro da abertura de maiores dimensões. encontrar o caudal desejado ou os parâmetros de dimensionamento adequados. isto é. os impulsores monocanal registam as maiores diferenças nos valores de NPSH devido à quebra da curva do NPSH3 e os seus testes apresentam resultados demasiado favoráveis. uma margem de segurança de 1 a 1. A alteração destes dois parâmetros provoca alterações nas curvas características. Estas leis são relações entre: caudal (Q). A diferença entre os vários valores de NPSH é maior nas bombas equipadas com impulsores com menos alhetas. O termo ht é positivo quando o plano de referência se encontra acima da superfície do líquido e negativo quando este se encontra abaixo da superfície. 2. carga a desenvolver pela bomba (H).5 m. existem muitas bombas centrífugas com velocidade de rotação variável. é possível determinar essa mesma curva a uma velocidade de rotação diferente. conhecendo a curva característica de uma bomba a uma determinada velocidade de rotação do rotor. Para bombas instaladas horizontalmente com tubagens de sucção rectilíneas. Este procedimento é muito frequente. tais como a alheta do impulsor. as suas margens de segurança e métodos de medição.

Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Efeito da variação do diâmetro do rotor com velocidade de rotação do rotor constante: Q2 D2 = Q1 D1 Caudal Carga Hidrostática H 2  D2   = H 1  D1    P2  D2   = P  D1  1   2 3 Potência Carga efectiva positiva de sucção H 2  D2 = H 1  D1      2 2. 16 . a potência absorvida.P. o rendimento e o N.S.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. Fig. temos o caudal que pode ser bombeado naquela instalação. (≤ N.H.req.P.Ponto de funcionamento de uma bomba 48 .H. Com esse ponto.S.12 Ponto de funcionamento de uma bomba centrífuga O ponto de funcionamento de uma bomba corresponde à intercepção da curva característica da bomba (H/Q).). com a curva característica da instalação.dis.

ARCHIBALD J.Conceitos Fundamentais de Hidráulica.13 Referências bibliográficas EUROPUMP (1997) NPSH FOR ROTODYNAMIC PUMPS. ANTÓNIO C.FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN NOVAIS-BARBOSA. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2. (1986) MECÂNICA DOS FLUIDOS E HIDRÁULICA GERAL . (1988) BOMBAS E INSTALAÇÕES DE BOMBEAMENTO GRUNDFOS (1996) MANUAL DE ENGENHARIA .PORTO EDITORA MACINTYRE. J. (1981) HIDRÁULICA .ESTAÇÕES ELEVATÓRIAS DE ÁGUAS RESIDUAIS 49 . REFERENCE GUIDE QUINTELA.

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ª Mecânica (DEM) do ISEL 51 . SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO COM VELOCIDADE FIXA E VELOCIDADE VARIÁVEL Autor: Eduardo Nunes Director de Projectos da Profluidos Professor Adjunto Equiparado do Dept.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. de Eng.

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garante a qualidade técnica dos projectos. Com ampla experiência nacional e internacional. integrado no Instituto Politécnico de Lisboa. tendo em atenção parâmetros que considera de capital importância. especializada nas suas áreas de actuação. 500 docentes e 130 funcionários não docentes. Teve a sua génese em 30 de Dezembro de 1852. eficiência. foi fundada em 1986 e intervenciona nas áreas de Elaboração de Estudos e Projectos de Engenharia. Consultadoria e Assistência Técnica. dispõe ainda de uma vasta equipa de consultores externos com formação técnica e pedagógica devidamente actualizada. por Decreto Régio de D.Gabinete de Projectos de Instalações Especiais.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A Profluidos A Profluidos . que criou o Instituto Industrial de Lisboa. a Profluidos. Em 25 de Outubro de 1988. pelo Decreto-Lei 389/88 passa a fazer parte da rede de estabelecimentos de Ensino Superior Politécnico. tendo como objectivo último. caracterizada pela qualidade. rapidez de resposta e segurança de actuação. a satisfação dos seus clientes. O ISEL conta actualmente com cerca de 6000 alunos. Este Instituto passou a ter estatuto de ensino superior com a denominação de Instituto Superior de Engenharia de Lisboa. sempre devidamente adaptados às necessidades e assegura a indispensável assistência técnica. por Decreto-Lei 830/74 de 31 de Dezembro. É uma empresa multidisciplinar. O ISEL O Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL) é a mais antiga escola de engenharia em Portugal. na procura de um produto final de qualidade. sendo especializada nas áreas das Instalações Especiais e do Saneamento Básico. Lda. Formada por um Quadro Técnico Qualificado de especialistas que possuem uma longa experiência nos diferentes domínios de intervenção. Maria II. 53 .

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Face à vastidão dos seus campos de aplicação optámos por exemplificar os sistemas de pressurização com velocidade fixa e velocidade variável aplicados aos sistemas prediais abastecidos pela rede pública.1 Introdução O presente capítulo deste manual tem por objectivo descrever e caracterizar os tipos de sistemas de elevação existentes. . para garantir de modo satisfatório as exigências de caudal e pressão dos diversos aparelhos de consumo prediais.Um conjunto de bombeamento para os reservatórios. 3. quer sob o ponto de vista funcional. As aplicações cobertas por este tema são muito vastas e destinam-se principalmente aos sistemas prediais. os requisitos principais relativos à sua instalação e custos de exploração associados. quer sob o ponto de vista económico.Um ou mais reservatórios fechados. O seu correcto dimensionamento. tem vindo a divulgar-se a utilização de sistemas por bombeamento directo. em série ou em paralelo com as bombas.3. Fig. . 1 .Pressóstatos ou sensores de pressão.Bomba de velocidade variável A segunda solução consiste na utilização de duas ou mais bombas de velocidade fixa instaladas em paralelo. torna-se necessário recorrer a dispositivos de elevação de pressão apropriados. sob a acção de transdutores e circuitos electrónicos. 4 .Um dispositivo para compensar o ar dissolvido na água (no caso de reservatórios sem membrana).Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. em parte ou na totalidade dos pisos de um edifício. 2 . apresentar a metodologia de dimensionamento dos seus componentes. Fig. Quando a pressão que está disponível na rede pública de distribuição de água potável é insuficiente para garantir o funcionamento dos aparelhos de consumo. Na actualidade. . 3 . Nos sistemas por bombeamento directo podem considerar-se duas soluções alternativas. tubagens e dos aparelhos de consumo.1 Constituição e princípio de funcionamento Os principais órgãos de uma central hidropneumática são: .2 Tipos de sistema de elevação de pressão Uma situação corrente tem sido a utilização de sistemas hidropneumáticos. ao mesmo tempo que é operada também de uma forma automática uma válvula de controlo de pressão. Nestes sistemas existe obrigatoriamente um ou mais reservatórios metálicos onde a água é mantida sob pressão. abastecimento público e indústria. em função do caudal ou pressão.Válvula de controlo de pressão em série com as bombas 3. embora os mesmos princípios sejam extensivos a todas as demais aplicações. que automaticamente. adequam a velocidade de rotação às exigências de caudal que é solicitado em cada instante pela rede.Válvula de controle de pressão em paralelo com as bombas HOTEL Fig.3 Centrais hidropneumáticas 3. nomeadamente os custos de instalação e exploração e finalmente da manutenção com influência na duração dos equipamentos. instalação e manutenção reveste-se da maior importância. com arranque e paragem automáticas. A primeira solução. Tratam-se de sistemas sem o recurso a reservatórios hidropneumáticos. cada vez mais corrente no mercado. Fig. rega. com ou sem membrana. consiste em utilizar bombas de velocidade variável.Instalação típica de centrais hidropneumáticas em edifícios de grande altura 55 .

Quando a água atinge o nível máximo a bomba é desligada. Distinguem-se os casos: Característica pouco inclinada quando qm < 1/2 QM. 5 . medidores de caudal e todos os sensores e equipamento necessário ao comando. Para melhor precisar estas noções.1 Selecção das bombas A zona útil da curva característica de uma bomba é definida por critérios técnico económicos. um sensor. quando duas bombas funcionam em paralelo. protecção e controle das bombas e compressores. a curvatura é acentuada (tangente 3.Definição das curvas características das bombas No primeiro caso. Noutras. dá partida à bomba. À medida que o nível da água se eleva no reservatório. >> 0) pelo que uma pequena variação de caudal é acompanhada por uma grande variação da altura de elevação e por consequência da pressão (curva típica de bombas multicelulares). Fig. ou ainda. pressóstato.3. Característica inclinada em que qm ≥ 1/2 QM.Eléctrodos ou interruptores de nível. ela é limitada pelos caudais mínimo qm e máximo QM. pelo contrário. . 7 .2. No segundo caso as duas zonas não se recobrem. um interruptor de flutuador. Fig.Selecção das bombas 56 . ela deverá funcionar assim numa zona de bom rendimento. Fig. com caudais muito superiores ou muito inferiores ao caudal correspondente ao ponto de maior rendimento. A pressão correspondente a essa descarga é a altura manométrica da instalação. Em instalações de pequeno porte poderá ser utilizado com reservatórios ou carregador de ar ou reservatórios com membrana a separar a fase líquida da fase gasosa. se for entretanto atingido um nível superior préfixado será accionado o compressor de ar. O seu princípio de funcionamento é o seguinte: sempre que o nível da água atinge o ponto mais baixo no interior do reservatório hidrofórico. Instalações de grande e médio porte exigem a aplicação de um ou mais reservatórios de membrana ou uma central de ar comprimido.Manómetros.2 Grupos electrobomba 3. Uma bomba não pode funcionar sem inconvenientes. O caudal de dimensionamento das bombas deve ser 15 % a 25 % superior ao caudal máximo do consumo previsto para o edifício. enchendo-se o reservatório. a zona útil de variação de caudal das duas bombas recobre parcialmente a zona útil de uma única bomba (fig. o que quer dizer que a uma grande variação de caudal corresponde uma pequena variação da altura de elevação da bomba e correspondentemente da pressão (curva típica das bombas monocelulares).3. 6 .Zona útil da curva característica de uma bomba Grundfos As curvas características das bombas podem ter diferentes configurações: Algumas caracterizam-se por apresentar um traçado de tangente praticamente horizontal.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável . aumenta a pressão no seu interior e a almofada de ar comprime-se armazenando energia potencial (elástica). 6). considera-se a zona de variação de caudal correspondente à parte útil da curva característica das bombas (fig. 6). Esta zona é em geral definida pelo fabricante.

Nesta situação. Se o consumo de água continua a aumentar. . correspondente à pressão máxima de funcionamento com três grupos electrobomba. ocorre um salto brusco de A3 para B3.3.2. com passagem do ponto de operação de B5 para C5 seguida de uma evolução progressiva de C5 para C6 e assim por diante. Qp . através do circuito de comando a abertura e fecho dos contactores de potência. evolui-se progressivamente de B3 para B4 e seguidamente. mas a pressão de descarga da bomba diminuirá. Destacam-se alguns inconvenientes relacionados com este tipo de funcionamento: .Quando o caudal solicitado pela rede for inferior a Qa0. ocorre uma variação brusca do ponto de funcionamento e consequentemente. designada regulação manométrica.Paragem da terceira bomba 3P e passagem para um funcionamento com duas bombas. o funcionamento também será irregular com paragens e arranques frequentes. a selecção dos grupos electrobomba deve ser a favor dos que se caracterizam por curvas características com inclinação acentuada. etc. sendo o caudal debitado pelas bombas desajustado às necessidades. 57 . 9).2 Comando das bombas Nas centrais de pressurização com bombas de velocidade fixa. designada regulação debitométrica. o funcionamento é instável com arranques e paragens frequentes da bomba.caudal de paragem Verifica-se o mesmo procedimento quando as necessidades de água diminuem: . Para se evitarem os inconvenientes descritos. bombas multicelulares. até A1.Paragem da segunda bomba. é posta em marcha a terceira bomba.Evolução progressiva de C6. Assim. o que faz arrancar a segunda bomba do sistema e a curva funcional passa a ser a curva 2P (duas bombas em funcionamento). Nesta evolução. o ponto de funcionamento desloca-se progressivamente de A1 para A2 e A3. e realiza-se como se segue: Se o consumo da rede aumenta quando se encontra a funcionar apenas uma das bombas do sistema. ou seja. o arranque e a paragem das bombas são efectuados automaticamente. . do respectivo caudal e da pressão.2.Evolução de A2. Em A3 é atingida a pressão mínima.1 Regulação manométrica A regulação manométrica é a mais utilizada. e operação com a curva 1P em que o ponto de funcionamento passa de B2 para A2. se o caudal requerido cair e permanecer no interior destas zonas.Determinadas gamas de caudais não são abrangidas. . . passando por todas as fases intermédias. 8 Qa . para C5 e por fim C4. deve instalar-se um depósito hidropneumático ligado ao colector de descarga comum das bombas (fig. Os órgãos que asseguram o arranque e a paragem das bombas são os pressóstatos.3. o caudal debitado pela bomba aumentará para satisfazer o consumo. o ponto de operação do sistema passa de C4 para B4. O caudal médio de uma bomba determina-se pela expressão: Qm = em que: 2 Q2 2 ( a + Qa − Q p + Q p ) × 3 Qa + Q p Fig. . conforme está representado na figura 8. 3.caudal de arranque. São dispositivos providos de contactos eléctricos biestáveis.Em cada arranque e paragem de uma das bombas.Através do diferencial de caudal. correspondente à curva 2P. Com o arranque da segunda bomba. a sua curva de funcionamento evoluirá de R1 para R6.Através do diferencial de pressão. para B5. através de uma das duas opções: . que permitem. . que são accionados mecanicamente pela pressão da água. tais como as zonas entre Qa3 e Qb2 e também entre Qb5 e Qc4. Também se pode empregar a fórmula simplificada: Qm = Qa + Q p 2 3.2.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A experiência mostra que quanto maior é a diferença de pressão entre o arranque e a paragem das bombas mais reduzido resulta o volume do reservatório.

A característica da curva de funcionamento do sistema varia continuamente em função do caudal solicitado pelos consumidores. o excesso de caudal debitado pelas bombas alimenta o depósito enquanto não se atingir a pressão do ponto de funcionamento. É nesta situação de não sobreposição dos campos de caudais que o depósito se torna indispensável. A diferença de pressão entre C e D' deve-se também às perdas da carga da ligação ao depósito. o ponto de funcionamento evolui rapidamente de A para B' e.Sobreposição com a zona de caudais debitados por n+1 bombas Fig. Fig. O somatório dos caudais individuais corresponde ao caudal global de valor aleatório.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável pressão do ponto de funcionamento D. Fig. Como se pode observar na fig. Paragem da 2ª bomba: Na paragem. 12 . Fig.Gama de caudal coberta por n bombas Gama de caudal coberta por n+1 bombas 58 . impedindo a dissolução do ar na água. A maior parte dos depósitos são. equipados com membranas que impedem o contacto do ar com a água. Um caudal compreendido entre Qa1 e Qb1 não poderá ser obtido com um funcionamento contínuo. No exemplo ilustrado na figura 11. 9 O ar sob pressão. 11 . que estará compreendido entre 0 e Qmax. é comprimido e expandido em função da pressão de funcionamento das bombas. Verifica-se então um funcionamento intermitente entre n bombas e n+1 bombas. a presença do depósito hidropneumático altera ligeiramente os pontos de funcionamento do sistema. de B' para B. consumido pelo edifício e da respectiva pressão de operação. à medida que o depósito se esvazia para atingir a No exemplo ilustrado pela figura 12. 10 Modo de funcionamento: Arranque da 2ª bomba: No arranque. porque o caudal Qa2 é inferior a Qb1. O dimensionamento de uma instalação tem como objectivo a satisfação do caudal de ponta. Um caudal compreendido entre Qb1 e Qb2 poderá ser fornecido com n+1 bombas em funcionamento contínuo. O caudal Q' poderá ser garantido com n bombas (ponto A') ou n+1 bombas (B') em funcionamento contínuo. não temos qualquer sobreposição das zonas de funcionamento. depois progressivamente. Ou seja a passagem de A para B' implica um aumento brusco do caudal de funcionamento das bombas. ao contrário da água que é praticamente incompressível. reduzindo os problemas de corrosão e evita a introdução de dispositivos de compensação de ar.Gama de caudais garantidos por n bombas . enquanto que o caudal fornecido à instalação (consumo) permanece praticamente inalterado. actualmente. verifica-se que há uma sobreposição das gamas de caudal entre n bombas e n+1 bombas em funcionamento porque Qb1 é inferior a Qb2. esta diferença vai alimentar o depósito. Um caudal compreendido entre Qa1 e Qa2 pode ser fornecido com n+1 bombas em funcionamento contínuo. entretanto. A ligeira variação entre A e B' deve-se às perdas de carga no ramal de ligação do depósito. o funcionamento do sistema altera-se bruscamente do ponto C para D' e a partir de D' progressivamente para D. aprisionado na parte superior do depósito. 10.

. Absorver as flutuações bruscas de pressão e de caudal durante a abertura e o fecho dos equipamentos de consumo (trata-se contudo de uma função secundária que não justifica por si só a presença do Depósito). .Aumento da gama de caudais não coberta pelas bombas em funcionamento contínuo. 3.3. (fig.1. nas zonas em que o caudal não é garantido pelas bombas. . sendo o esvaziamento e enchimento mais rápidos. Esta diferença é absorvida pelo depósito. conduzindo a uma maior frequência de arranques e paragens. .Tempo de duração de um ciclo em função do caudal A curva 3 da fig. que não se podem optimizar simultaneamente os seguintes parâmetros: . . por conseguinte ao número máximo de arranques.2. Sendo assim.2 Períodos de funcionamento A duração de um ciclo completo conforme foi descrito anteriormente deverá ser tanto mais importante quanto mais elevada for a potência dos motores. é indispensável manter-se um diferencial mínimo entre as pressões Pmáx e Pmin. Deverá efectuar-se um compromisso entre os três parâmetros. Resultando um aumento do diferencial médio entre o caudal consumido e o caudal bombeado.Cobertura dos caudais em funcionamento contínuo Q = Caudal Médio 59 . É importante assegurar-se que não é ultrapassada a frequência horária de arranques admissíveis. O caudal crítico Qc.Número de arranques do motor.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. 14 . 13 . cujos efeitos serão: . mais probabilidades de ocorrerem situações de funcionamento intermitente. . Por outras palavras. cujo valor diminui à medida que a potência dos grupos aumenta. um reduzido diferencial de pressões Pmin/Pmáx. obtém-se uma reserva de água no interior do depósito menor. Fig.1. Para se garantir uma pressão de utilização praticamente constante.2.2.3.Volume de reserva de água.Redução da gama de caudais coberta pelas bombas e. Conclui-se. um caudal de enchimento e esvaziamento mais elevado. portanto. Contudo. corresponde ao ciclo de duração mínima e.a reserva de água for reduzida (um volume total do depósito reduzido ou um pequeno diferencial entre as pressões Pmin e Pmáx).Flutuação da pressão.o caudal absorvido ou fornecido pelo depósito for elevado (gama vasta de caudais não abrangidos pelo funcionamento das bombas). o período de um ciclo é tanto mais curto quanto: .2. Qc = Qn + Qn +1 2 Fig.Diminuição da reserva de água disponível (volume útil) no depósito devido à redução do diferencial de pressões.Maior frequência de arranques.1 Função do depósito hidropneumático O depósito hidropneumático tem uma função tripla: Servir de reserva. Podemos considerar que o caudal médio corresponde a metade da gama de caudais abrangida. 14) apresenta três consequências. 13 apresenta o tempo de duração de um ciclo em função do caudal. Assegurar a manutenção de pressão na instalação quando todas as bombas se encontram paradas. absorvendo o excesso de caudal (Qconsumo < Qbombeado) ou complementado a insuficiência do caudal bombeado (Qconsumo > Qbombeado).

Fig.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Podem ser instalados temporizadores com a finalidade de retardarem a paragem ou o arranque de cada bomba (fig. não tem qualquer influência (fig. sem ter de se enfrentar o problema de um número elevado de arranques. 18 . correspondente ao funcionamento com caudal nulo não seja demasiado elevada em relação à Pmáx. Fig. 16). 17 Através do agrupamento de bombas com diferentes capacidades.Três bombas principais de 20m3/h e uma bomba auxiliar de 10m3/h Fig. 18 e fig.Tempo de ciclo Para se obter uma variação de pressões extremamente reduzida entre o arranque e a paragem. É uma solução "parcial" na medida em que esta temporização permite que o ponto de funcionamento ultrapasse os limites da gama de pressão estabelecida (ou seja.Quatro bombas de 20 m3/h Fig.Influência das temporizações no deslocamento do ponto de funcionamento É importante que a altura manométrica total Hmt das bombas. 15 . maiores variações de pressão). No entanto. 19 . o que vai ao encontro de objectivo inicialmente pretendido. Fig. 60 . 19). 15). esta opção implica uma automatização da operação mais sofisticada e há que tomar em consideração a frequência de arranques da unidade de apoio. Uma estrutura deste tipo é frequentemente utilizada em instalações de grande dimensão ou em estações elevatórias. é possível obter-se uma melhor cobertura da gama da caudais (fig. só se encontra activa durante os ciclos mais curtos. (sendo a cobertura de caudais mais favorável). O reservatório de água representado na figura 17 é o exemplo de um reservatório de grande volume. Três bombas principais dimensionadas para um caudal de 20 m3/h à pressão de 5 bar mais uma bomba de apoio de 10m3/h a 5 bar oferecem uma maior flexibilidade do que quatro bombas de 20m3/h. O custo de investimento não pode ser comparado ao de uma solução convencional em que já não se fala de pressurização mas de "distribuição". utilizando bombas de velocidade fixa. que impõe um tempo de ciclo mínimo Tmin. fora deles. será necessário dispor-se de um grande volume útil. 16 . A temporização.

tais como de campos de golfe. 3.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. Deste modo. 3. 20). No entanto. tais como os devidos às fugas de caudal da instalação.2. ou imobilizada. futebol ou hipódromos.1 Introdução Os reservatórios de membrana. evitam-se as flutuações bruscas e acentuadas de pressão devido ao escape de ar nos aspersores e ventosas. 21 . pode ser mantida em funcionamento permanente.3. Quanto maior o número de bombas em funcionamento paralelo. em geral. Deste modo. mais dispendiosa do que uma regulação manométrica. escolher valores adequados para se obter uma sequência ininterrupta do campo de funcionamento e.3.2. dispendioso. devido à emulsão entre o ar em contacto directo com a água sobre pressão. além de que a respectiva instalação no local é bastante mais delicada. Uma regulação debitométrica é. Por este motivo.Grupo de três bombas + Bomba Jockey 3. a partir do momento em que a primeira bomba entra em operação. tal como nos reservatórios tradicionais. utilizada para assegurar a manutenção da pressão da rede em sistemas de pressurização de grande dimensão. é de notar a persistência das flutuações de pressão.1. Em determinadas redes de combate a incêndios ou rega. quanto mais potente for o motor menor deverá ser a frequência de arranques. 21).3. Contudo.3 Número máximo de arranques dos grupos electrobomba A frequência máxima de arranques dos grupos electrobomba deve estar limitada de acordo com a tabela abaixo. entre dois períodos de funcionamento consecutivos. utiliza-se este tipo de controlo nas instalações de maior importância. a manutenção da pressão é assegurada pela bomba Jockey evitando a entrada de ar nas tubagens. Observa-se que o arranque da primeira bomba é efectuado obrigatoriamente por pressão. que são tanto mais importantes quanto menor for o número de bombas em funcionamento (curvas mais inclinadas). o volume de água descarregado pelo reservatório com bombas paradas) resulta da aplicação da Lei de Boyle Mariotte para a expansão de gases: C = Vt Fig. assim. oferecem a vantagem de não necessitarem de dispositivos de compensação do ar perdido.3. 3.2 Regulação debitométrica Neste tipo de regulação o controlo dos arranques e paragens das bombas é efectuada através de caudais de referência (fig.3. bem como os arranques frequentes das unidades principais.2 Dimensionamento O cálculo da capacidade útil real de um reservatório (isto é.3.3 Bomba auxiliar (Jockey) Trata-se de uma pequena bomba. utilizados em pequenas e médias instalações. evita-se a utilização de um depósito de grande capacidade.Regulação debitométrica p p − pa p p + pt 61 .3 Reservatórios de membrana 3. que são prejudiciais às canalizações. também correntemente denominados depósitos de membrana. A sua função está limitada a satisfazer as necessidades dos períodos de consumo reduzidos. TABELA 1 Número máximo de arranques por hora de grupos electrobomba Potência do motor ( kW ) Número máximo de arranques ( horário) Duração do ciclo (segundos) 4 60 7. 20 .2. Esta bomba Jockey.3. * Atendendo a que os factores limitativos são os componentes de controlo eléctrico e restantes componentes mecânicos. ficando reduzida ao mínimo a margem de flutuação de pressão em todo o campo de operação. quando as bombas principais estão paradas (fig. Podemos.2.2. O dimensionamento destes órgãos tem por objectivo a determinação da sua capacidade e o número de unidades a aplicar. de acordo com a tabela 1 para bombas e motores especialmente dimensionados. mais atenuadas são as flutuações de pressão. uma operação contínua dos grupos. podem-se adoptar valores maiores que os anteriormente indicados*.3.5 15 40 30 18 25 20 20 60” 90” 120” 144” 180” Fig. Como regra geral. de tal forma que acompanham o consumo. por conseguinte.

Altura correspondente a Vr. que se pode enunciar como: "À mesma temperatura. Vu . tem como objectivo evitar a introdução de ar nas canalizações.Caudal bombeado.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável C .Número de arranques por hora da bomba.2 Vt.Pressão manométrica de arranque da bomba (bar). Vr = 0. isto é. é o limite de segurança de utilização de água do reservatório.Volume de ar correspondente à pressão de paragem Pp. Aplicando a Lei de Boyle Mariotte à expansão do volume de ar entre Pa e Pp vem: (Pp+1)×Vp = (Pa+1)×Va = (Pa+1)×(Vp+Vu) De onde resulta. durante o período em que a pressão do ar no seu interior aumenta de Pa até Pp.4 Reservatórios hidropneumáticos 3.5 vezes o diâmetro da canalização. Cu . Vp .Pressão de paragem (bar) Pa . 22 . h2 .5d. em litros. Pa . o volume ocupado por um gás varia na razão inversa da pressão a que se encontra submetido". É o volume de água que é introduzido no reservatório.Capacidade útil real (litros) Vt . Este volume deve ser da ordem de 20% do volume total. ou seja. deve ser igual a 2.Capacidade útil necessária. explicitando a equação para Vu: Ct = T ×Q 240 O número total de reservatórios necessários é de: N= Ct C 3. é o volume de segurança que está compreendido entre o nível de água correspondente à pressão Pa e o fundo do reservatório. P V =P V =C 1 1 2 2 te Na fig.Volume residual.Caudal consumido pela instalação em litros.Pressão barométrica (bar) Para calcular a capacidade útil necessária recorre-se à expressão: Cu = T A(Q − A) × 60 Q em que: T . Funciona como reserva sempre que houver consumo com as bombas fora de serviço. a capacidade total necessária é de: Fig. Va . Esta altura. também se baseia na Lei de Boyle Mariotte.Volume útil de água no reservatório.Pressão de arranque (bar) Pb .Volume total do reservatório (M3) Vr . h2 = 2.Duração de um ciclo em segundos. 22 apresenta-se esquematicamente um reservatório hidropneumático. com a finalidade de representarem as diversas grandezas em jogo. compreendido entre os níveis de arranque (Pa) e paragem (Pp).3. Vu = Va × (p p + 1)− (pa + 1) Pp + 1 [ ]= V × (p a p − pa ) Pp + 1 62 .Pressão manométrica de paragem da bomba (bar).Reservatório hidropneumático Grandezas a considerar: Z . por minuto. A .4. Vt .3. entre o arranque e a paragem da bomba.Volume de ar correspondente à pressão de arranque Pa.Volume total do reservatório (litros) Pp . Pp . por minuto. Q .1 Dimensionamento O principio de funcionamento dos reservatórios hidropneumáticos. Como a frequência máxima de arranques de uma bomba se verifica quando o consumo é igual a 50% do caudal bombeado.

Indicam-se seguidamente algumas das mais utilizadas: a ) Fórmula proposta por Harold Nickels Vt = 10×Qmáx.29 0.24 0.4 0. deduzidas por diversos autores como resultado de estudos teórico-experimentais. b ) Fórmula deduzida por Ângelo Gallizio A expressão é aplicável a instalações com compressor Vt = 30 × Q pp +1 × z p p − pa Q .34 0. dependente da potência e fabricante do motor eléctrico Qm = caudal médio de uma bomba em l (min) Pmáx = pressão de paragem Pmín = pressão de arranque ∆P = Pmáx .8 × Vt × (p p − pa ) Pp + 1 Exemplo: Q = 2.1 0.26 0.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Considerando que o volume morto é igual a 20 % do volume total Va=0.4 0. Em que: Vt = Volume total em litros Qmáx = Consumo máximo provável do edifício expresso em litros/minuto.5 d) Fórmula proposta pela norma brasileira NB-92 A norma brasileira utiliza um ábaco reproduzido na fig.descarga correspondente ao consumo máximo da rede.8 Vt.13 0.08 0.16 0.32 0.5 2 2. 23.4 0. Z .27 0. Fig.Número máximo admissível de arranques horários. 23 .5 4 0.Volume total do reservatório hidropneumático (Vt) em função do caudal (Q) e) Fórmula de Valibouse V0 = T ×k HM − Hm 4 × H M + H b Qm (litros ) 63 .33 0.2 0.Pmin.23 O cálculo do volume total do reservatório é feito através da aplicação de fórmulas empíricas. vem: Vu = 0. com estes valores no gráfico. em litros por minuto. c) Pela fórmula da Grundfos Vtotal = 16.13 0.25 x Qm x (Pmín.2 0.) Pp 2 3 4 5 6 1 Pressão de arranque (bar) Pa 1.9 m³ TABELA 2 Pressão de paragem (bar) (máx. obtém-se: Q/Vt =10 ∴ Vt = 9/10 = 0.5 3 3.3 0.4 0.5 l/s = 9m³/h Z = 8 arranques hora Pp = 4 bar (pressão relativa) Pa =2 bar (pressão relativa) Entretanto. Pc = Pmin-0. determina-se na tabela 2 a relação entre o volume útil Vu e o total Vt em função das pressões de arranque e paragem. Pc = Pressão de ar no depósito de membrana. entrando com o número de arranque por hora e com os valores das pressões relativas de arranque e paragem obtém-se a relação entre o caudal da bomba m3/h e o volume total do reservatório Vt.+1) x (Pmáx+1) S ∆P Pc+1 Vtotal = volume total do depósito em litros S = número máximo de arranques por hora.

T .Pressão inicial de pré-compressão (bar). mostra-se um reservatório intercalado entre a rede exterior e os grupos de bombeamento.3. Ha . Vu = 1. 64 . com a vantagem de não se provocar uma descida apreciável da pressão de aspiração durante o arranque das bombas. O arranjo da fig. Há todo o interesse em pré-comprimir o reservatório a uma pressão vizinha da pressão de arranque Pa e adoptar um diferencial de pressão Pp-Pa tão alto quanto possível.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável T . 3.Bomba a aspirar do tanque de armazenamento Pi .2 em geral).Coeficiente de segurança (K=1. às exigências (quantitativas e qualitativas) dos diversos consumidores e aos condicionalismos próprios da instalação e da rede exterior.Tempo mínimo entre dois arranques consecutivos da mesma bomba. Hm .Pressão máxima de paragem em bar. é uma disposição em que se aproveita também a pressão da rede. Fig. 27 . Por se considerar do maior interesse prático e sem a preocupação de ser exaustivo. 25 .Tempo de duração de um ciclo (minutos). caracterizam-se algumas situações-tipo documentadas com figuras. 24 .5 Exemplos de situações-tipo A concepção de um sistema de elevação de pressão deve ajustar-se em cada caso. apresenta-se um esquema com bomba a aspirar directamente da rede.Tempo mínimo entre dois arranques da mesma bomba K .Bomba a aspirar da rede com reservatório de compensação Na figura 25.25 × T × Qm 4 Vt = Vu × (p a + 1)× (p p + 1) (pi + 1)× (p p − p a ) Fig. 26 .Bomba a aspirar directamente da rede Na fig.Pressão atmosférica T . 27 representa uma instalação doméstica típica em meios rurais com utilização de captação própria.Caudal médio (litros/minuto) f ) Cálculo considerado uma pré-compressão arbitrária Fig. Fig. Qm . HM . é uma solução utilizada sempre que a pressão disponível na rede exterior é apreciável. 26 tem como principais vantagens uma separação hidráulica entre a rede exterior e a do edifício. 24. O exame da fórmula diz-nos que o volume Vt do reservatório é proporcional às pressões de arranque e paragem.Instalação doméstica rural A fig. e a garantia de uma reserva de água durante as interrupções do consumo.Pressão mínima de arranque em bar.

No estudo de um sistema por bombeamento directo deve começar por traçar a curva característica da rede. Normalmente a curva característica das redes dos edifícios têm um andamento parabólico. uma curva "ideal" que se pretende satisfazer. mas sim. Na fig. arbitrado de tal modo que para qualquer valor de caudal. Fig. correspondente à variação de consumo ao longo do dia. 3. 28 aplica-se em edifícios situados em locais em que a pressão da rede exterior sofre grandes variações diárias. . 65 .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Na concepção e dimensionamento destes sistemas põe-se com particular acuidade os aspectos que a seguir se referem e cujas razões justificativas decorrem do texto que se segue: • segurança em serviço. • garantia de funcionamento nos períodos de caudal reduzido. sendo a descarga directa à rede.1 Constituição e princípio de funcionamento Os sistemas por bombeamento directo caracterizam-se pela existência de uma ou mais bombas a operarem em paralelo. • conforto de utilização com uma pressão de utilização praticamente constante. a aspirarem directamente da rede exterior ou de um reservatório.Instalação em "by-pass" A instalação da fig. . essa variação é normalmente apreciável. 3. representam-se as curvas características de uma rede e de uma bomba. Suponha-se que o consumo se estabiliza no valor q correspondente ao ponto M de funcionamento da bomba (q.Flexibilidade para acréscimo da capacidade resultante de um aumento de consumo. h). 29 .3. se assegura uma pressão compatível com o bom funcionamento de toda a rede do edifício. Observa-se que a bomba debita o caudal q a uma pressão mais elevada dissipando em perdas uma potência que pode ser considerável e cujo valor relativo é apresentado pela razão dos segmentos MB/MA Fig. • minimização da potência perdida para economia de energia. . O ponto de funcionamento é descrito pela curva C2. Esta não é a curva real fixada pelas características das canalizações e aparelhos de consumo. funcionando a instalação apenas nos períodos em que a piezométrica não é suficiente para alimentar todos os pisos em perfeitas condições. A curva é traçada em função de um ponto de referência R.4 Sistemas por bombeamento directo 3. como se sabe.Ponto de referência R Nem sempre a zona de melhor rendimento da bomba corresponde a um bom rendimento da instalação. 28 .Custos iniciais reduzidos comparados com outros sistemas.6 Características das centrais hidropneumáticas As instalações hidropneumáticas apresentam as seguintes características: . 29.4.Simplicidade de operação e manutenção.Ocupação de um espaço reduzido.

31 . para os menores consumos correspondentes às horas mortas.1 Modo de funcionamento Nos sistemas com bombas de velocidade variável.Potência teórica necessária para fornecer o caudal q. Po . mostram-se várias curvas características de uma bomba com diferentes velocidades de rotação. P . é necessário dotar a instalação quer de válvulas reguladas para evitar que a pressão ultrapasse valores indesejáveis na rede. Esta bomba tem geralmente 50% da capacidade das bombas principais. Estas centrais fazem a alternância automática do funcionamento das bombas.4.Potência dissipada inutilmente. são detectadas por um sensor que actua no variador de velocidade de forma a manter a pressão de bombeamento constante. através da activação e paragem das bombas em consonância com as necessidades do consumo. com a finalidade de se poupar energia nestes períodos.Curva de potência teórica necessária para garantir no ponto R o caudal Q à pressão H0. do tempo de funcionamento e das anomalias. rpm rpm rpm rpm rpm rpm 3. Em certas centrais uma das bombas é dimensionada para as horas de menor consumo. • A altura mínima H2 relativa ao consumo mínimo da rede com a pressão máxima da aspiração. 30 .Potência perdida devido ao rendimento do motor e das bombas.4.2 Variação das curvas características O andamento da curva característica de uma bomba varia com a sua velocidade de rotação de acordo com as expressões: Q2 N2 = Q1 N 1 e H2  N2 = H1  N 1      2 N P ∴ 2 = 2 P1  N1      3 Fig.4. o rendimento praticamente não varia com a velocidade.3.2 Bombas de velocidade fixa 3. Por outro lado.3. As variações da pressão de descarga das bombas provocadas quer por alteração da pressão de aspiração.Curva de potência Na fig. por exemplo. RS.3 Selecção das bombas Com as curvas características extremas da rede e os valores do consumo máximo e mínimo (fig. PQ .3 Sistemas com bombas de velocidade variável 3. 66 . sempre que uma estação eleva directamente para a rede é importante minimizar a potência perdida o que pode ser conseguido adequando quer o número de bombas quer a sua velocidade. Na figura 31.Ponto de funcionamento da bomba instalada.1 Modo de funcionamento Nos sistemas de velocidade fixa a pressão de descarga nas redes é mantida aproximadamente constante.2. 30 o rendimento da dissipação é dado por RS/PS Resulta assim que. quer por variação do consumo. para uma pressão constante de 7.32) determinam-se as alturas manométricas máxima e mínima das bombas: • A altura máxima H1 relativa ao consumo máximo da rede com a pressão mínima da aspiração. quer com um pequeno reservatório hidropneumático.4. a pressão é mantida constante. como se pode observar. rpm Fig.4. 3. QR .4.Curvas características de uma bomba a diferentes velocidades 3.5 bar e uma variação de caudal entre 500 e 1000 m3/h corresponde uma variação do rendimento máximo compreendido entre 70 e 80 %. em função do caudal.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3.3. independentemente do consumo da rede.

Se Pmedido < Pajustado é emitida ordem de aceleração.Zona de funcionamento das bombas 67 .4 Regulação manométrica Neste caso. . 34). 33). 32. máxima pois a Pdiferencial = Pdescarga Haspiração Para o efeito. .Se Pmedida = Pserviço a velocidade mantém-se constante. Existe um controlador que compara o sinal medido. Fig. Os pontos C e F (fig. que foi pré-programado. 3. usa-se um transdutor de pressão para efectuar a medição analógica da pressão em substituição dos pressóstatos (fig.3. .Determinação das alturas manométricas máximas e mínimas Na fig. 34 O transdutor de pressão emite um sinal de 0-20mA.Instalar todas as bombas com velocidade variável.4. 32 . para situações intermédias. este irá controlar o variador de frequência da seguinte maneira: . Fig.As bombas com velocidade variável têm um limite mínimo de velocidade abaixo da qual não produzem caudal à pressão pretendida. 4-20mA ou 0-10V. as bombas deverão debitar o caudal Qmáx à pressão H1 (ponto C). Nestes casos. rodando sempre sincronizadamente. A pressão de serviço pode ser materializada no controlador por uma recta horizontal ao longo da qual se desloca o ponto de funcionamento da instalação (fig. já não se verificam as limitações relacionadas com os diferenciais entre a pressão mínima e máxima como na regulação por pressóstato A regulação manométrica é efectuada em permanência quaisquer que sejam as aberturas e fechos de válvulas.Se Pmedido > Pajustado é emitida ordem de desaceleração. 35). 32) são os pontos críticos de operação das bombas. Como as bombas operam a maior parte do tempo com valores médios de caudal e pressão de aspiração. diversas situações são praticáveis tais como: . por sua vez. 33 . Independentemente do caudal requerido.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A pressão a ser mantida na conduta de compressão é assim: Pdescarga= H1+H aspiração mínima = H2 +H asp. a instalação funciona de modo a manter a pressão constante. .Com apenas uma bomba em operação à pressão mínima. outras compreendidas entre essas.Com todas as bombas em funcionamento na rotação máxima. com o valor ajustado. a manutenção da pressão da descarga traduz-se por rectas horizontais por C e por E e uma infinidade de. Controlador Controlador Fig. a bomba deverá recalcar o caudal Qmin à pressão H2 (ponto F). .Conjugar várias bombas de velocidade fixa com uma ou duas de velocidade variável que servirão para ajustar o ponto de funcionamento da instalação às exigências de caudal e pressão da rede. proporcional à pressão medida. o que pode traduzir-se no seguinte: . onde as pressões H1 e H2 são diferenciais. o ponto de funcionamento com o caudal máximo de cada bomba (Qmáx) e altura manométrica máxima (H1) deverá situar-se à direita da zona de maior rendimento (fig.

36). obter-se-á. se a bomba de velocidade variável for alimentada a 50 Hz no máximo. acelera-se a bomba de velocidade variável até se verificar um ligeiro excesso de velocidade da ordem de 52 a 55 Hz. o ponto de funcionamento desloca-se numa linha horizontal (pressão ajustada para serviço (fig.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Bomba 1 Variação de velocidade Aumento do consumo Aceleração da bomba 1 Bomba 1 à velocidade máxima Pmedida < Pajustada Fig. O que se descreveu pode representar-se no esquema ao lado. 37 Se a velocidade da bomba em variação atingir o valor mínimo ou máximo. arranca ou pára uma das bombas de velocidade fixa. o consumo diminui e a característica da instalação vai de R para R'. a que corresponde um ligeiro aumento de caudal. logo: PM1 > Pajustada significa desaceleração até que Pmedida = Pajustada A velocidade de rotação da bomba diminui e a curva de funcionamento das bombas passa a ser P' e o ponto M1 desloca-se para M2. 36 Fig. Fig. Se o consumo aumentar (fig. 35 . a curva da rede R altera-se para R' e o ponto de funcionamento evolui de M passa para M1. 37). Com efeito.Regulação manométrica. princípio de deslocamento do ponto de funcionamento No instante t. independentemente do número de bombas em funcionamento: Qmáx n Bombas = Qmin n+1 bombas 68 . O ponto de funcionamento altera-se de M para M1. Arranque da bomba 2 de velocidade fixa A velocidade da bomba 1 diminui e ajusta-se até Pmedida = Pajustada Bomba 1 VV + Bomba 2 VF Pmedida = Pajustada Considerando que a reacção do sistema é rápida. Na prática. as torneiras fecham-se.

com uma instalação de velocidade fixa. Na realidade. quando o consumo tende para zero. o depósito hidropneumático poderá ser de dimensões reduzidas. As principais vantagens relacionadas com a utilização da variação de velocidade em sistemas de pressurização são: . para se garantir a pressão do sistema. através da variação da velocidade de uma das bombas.Pode satisfazer-se um consumo aleatório. .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Poderá ser obtido um caudal compreendido entre Q1 e Q'1 quer com uma ou duas bombas em funcionamento. embora este acessório seja dispensável. verifica-se: Qmáx n Bombas > Qmin n+1 bombas Q’ = Caudal máximo de 1 bomba com Velocidade Variável (55Hz) Q1 = Caudal mínimo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável + 1 com Velocidade Fixa) Q'2 = Caudal máximo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável 1 com Velocidade Fixa 55Hz) Q2 = Caudal mínimo com 3 bombas (1 com Velocidade Variável + 2 com Velocidade Fixa) Q3 = Caudal máximo de 3 bombas (1 com Velocidade Variável + 2 com Velocidade Fixa 55Hz) Fig.Campo de variação de caudal com 3 bombas Qmáx n = Q min n+1 Se o caudal consumido variar ligeiramente em torno de Q1 ou de Q2. para evitar uma sobrecarga no motor. • Economia energética. com acréscimo de rotação Qmáx n > Qmin n+1 69 . Evita-se o funcionamento contínuo com uma bomba à velocidade mínima. dentro do tempo de funcionamento admissível. não sendo necessário manter-se o seu funcionamento prolongado em condições pouco próprias. 39 . sem arranques ou paragens. assim como um funcionamento contínuo. controlaríamos apenas um parâmetro a pressão ou o caudal. . 38 . o que oferece uma solução adequada para os seguintes problemas: • Cobertura constante de todos os caudais. deve calcular-se a potência absorvida ao seu veio. compreendido entre 0 e Qmáx. e daí o risco do número máximo de arranques ser excedido. assegurar a manutenção da pressão na instalação quando todas as bombas se encontram paradas e absorver as variações de pressão gerada em regime transitório. as centrais hidropneumáticas de velocidade variável encontram-se frequentemente equipadas com um depósito de volume reduzido.Campo de variação de caudal só com 3 bombas. acontece o arranque ou a paragem de uma bomba de velocidade fixa. 10 % de velocidade em excesso. por exemplo. independentemente do caudal. • Volume do depósito hidropneumático reduzido.Sendo assegurada a cobertura de todos os caudais. Se optarmos por esta solução em que se admite um acréscimo da velocidade da bomba. enquanto não se verificarem alterações de caudal. a sua inserção tem como vantagens. • Pressão constante. em cada transposição destes valores. representa cerca de 33% de potência suplementar. • Número de arranques dos motores das bombas. introduzindo um sistema de paragem debitométrica da bomba de velocidade variável. Enquanto que. Se alimentarmos a Bomba de Velocidade Variável. o valor admissível para Q1 = Caudal máximo de 1 bomba com Velocidade Variável Q'1 = Caudal mínimo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável + 1 com Velocidade Fixa) Q2 = Caudal máximo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável + 1 com Velocidade Fixa) Q'2 = Caudal mínimo com 3 bombas (1 com Velocidade Variável + 2 com Velocidade Fixa) Fig.Esta regulação garante uma pressão perfeitamente constante. na variação de velocidade controlamos ambos. correspondente à manobra dos órgãos da rede e assegurar os consumos reduzidos. Observa-se que se a instalação compreender bombas de grandes dimensões e for necessário garantir-se um caudal mínimo sem vibrações dos grupos. com uma frequência de 53 ou 54 Hz. associada ao número de bombas.

é igual a PA . a pressão é mantida constante no local A independentemente do caudal. ­ Passagem do cabo. 40 . Este tipo de regulação não permite. apesar de existir um sistema de variação de velocidade.20mA Pode encontrar-se esta solução. Deve-se considerar o desnível geométrico. 42).5 Regulação manométrica compensada Este tipo de regulação. Tem de se considerar o desnível geométrico entre A e B. (curva parabólica) permite obter uma pressão no utilizador perfeitamente constante.43).Perdas de carga antes da distribuição A pressão em B. também apelidado de manodebitométrico. Apenas uma pressão de controlo ajustada à curva de perda de carga. O respeito da igualdade "Pmedida = Pajustada" assegura uma pressão constante no ponto de consumo. serve para o dimensionamento do volume útil do depósito. em certas redes urbanas de distribuição de água. devido às perdas de carga no troço compreendido entre A e B. A dificuldade da solução. mas sim no local de consumo (fig. devido ao: ­ Custo do cabo. É o princípio da regulação manométrica compensada. mas para tal. a pressão em A não é igual em B.3. 41 Soluções a considerar: i) Deslocamento do transdutor de pressão 3. Para o efeito considera-se como caudal crítico: Q c = Q mínimo reduzido 2 Fig. denominada "pressão disponível". mas este tem um valor constante e é independente do caudal.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável uma bomba à velocidade mínima Nmin determina-se facilmente. com base no caudal mínimo admissível à velocidade nominal N pela expressão: Q mínimo reduzido = Q min x N mínimo Nnominal Este caudal mínimo reduzido. As perdas de carga são integradas no algoritmo de controlo a fim de se obter uma pressão constante no utilizador mais desfavorável. cujo valor varia com o quadrado do caudal. ii) Compensação das perdas de cargas Fig.4. assegurar aos utilizadores uma pressão constante no ponto de consumo. PROBLEMA Com uma regulação manométrica clássica.∆hAB (figura 40). consequentemente dispendioso. é igual à pressão em A menos as perdas de carga (PA-∆h) (fig. A pressão já não é medida à saída do grupo sobrepressor. reside no transporte do sinal. ­ Transmissão de um sinal de 4 . Fig. 70 . tem como objectivo compensar o efeito das perdas de carga na rede de distribuição. através de um sistema de controlo complexo e. onde são instalados captores de pressão nos pontos mais nevrálgicos da rede. A pressão em B. a regulação manométrica. 42 Esta solução é interessante mas comporta determinados limites técnicos e económicos. será efectuada.

estes pisos sofrem um acréscimo de pressão de modo a compensar as perdas de carga entre A e B. o que constitui uma abordagem interessante. este operará em associação com o reservatório hidropneumático.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A . 43 Pode recorrer-se a uma compensação dita linear. é necessário garantir a mesma pressão em cada tubeira e. É portanto. num edifício onde existem perdas de carga importantes na coluna de distribuição. conclui-se que um dispositivo de regulação. que forneça uma pressão de serviço perfeitamente coincidente com a curva de perdas de carga (fig.A pressão de serviço P = f (Q) A pressão de serviço já não é um valor constante. em que ocorrem perdas de carga elevadas. deverão ser desprezáveis. 45 71 . que é dispendioso. sendo contudo ideal uma compensação parabólica. No entanto. Esta solução que engloba um controlador sofisticado e um caudalímetro. no caso em que ocorrem perdas de carga na aspiração. 46). A medição do caudal será efectuada por um caudalímetro electromagnético. mas o mesmo não se verificará nos pisos inferiores. as perdas de carga nas condutas de alimentação. de acordo com o caudal de consumo. • Se compensarmos as perdas de carga na coluna AB. é dispendiosa. em contrapartida. mas. necessário haver medição do caudal (fig. Para se obterem jactos com a mesma altura. Em função do equipamento disponível. correcta ou insuficiente. ou segundo uma equação matemática correspondente. 44 B. não permite manter uma pressão constante em todos os pontos de uma rede. nos pisos superiores (em B) os utilizadores irão sofrer flutuações de pressão devido às variações das perdas de carga. sofisticado (fig. 46 Fig. Por conseguinte. 45). independentemente do caudal. Por exemplo. 44). não oferece qualquer solução para os problemas colocados pelas perdas de carga na tubagem de distribuição. por mais sofisticado que seja. poderão surgir os seguintes problemas: • Se a pressão for mantida constante em A. pode eventualmente assegurar-se uma pressão constante em B. 43).A medição da pressão é insuficiente Com efeito. Em que nas horas em que o consumo é elevado. Fig. Fig. assegura uma pressão constante nos utilizadores. a pressão de serviço ou é programada. ponto por ponto. É importante ter presente as limitações de cada sistema a fim de se evitarem erros e desilusões. O controlador apropriado é. Somos igualmente confrontados com este problema nos repuxos de água das fontes públicas. entre A e B (fig. mas sim variável em função do caudal. uma dada pressão de serviço poderá ser considerada excessiva. para tal. Medição do caudal Determinação da pressão de ajuste em função do caudal Valor do ajuste de pressão Medição da pressão Desvio da medição com o valor ajustado Comando Fig.

250 0. visto que.1 Cálculo do caudal a partir de diagramas Este método é utilizado sempre que os dados relativos ao projecto são bastante limitados. 3. a experiência tem demonstrado que eles fornecem resultados satisfatórios. bastante aproximados à realidade. rega. Sabe-se que as perdas de carga quer sejam lineares ou singulares. São vários os métodos disponíveis para a sua quantificação.1. é possível determinar. Banheira com esquentador Chuveiro (água fria ou misturada) Sanita com autoclismo Sanita com válvula de descarga Urinol com autoclismo automático.Calculam-se as perdas de carga correspondentes a um dado caudal.100 0.5 Dimensionamento e selecção À semelhança da selecção de uma bomba. 47 3. são proporcionais ao quadrado do caudal: ∆h = K x Q2 Assim.5.200 0. o caudal máximo da instalação. os n pontos de consumo de água de um edifício nunca serão utilizados ao mesmo tempo.2 Cálculo do caudal em função do número de pontos de consumo Se o número de pontos de consumo for conhecido. 48 3.050 0. desenvolvem métodos de dimensionamento que em geral são sensivelmente iguais entre si. para se calcularem as perdas de cargas procede-se de uma das seguintes formas: . no local Urinol com torneira individual Boca de rega de 20 mm 72 . porque os consumos de água flutuam em função da hora do dia e do tipo de ocupação do edifício em questão. deve considerar-se o caudal consumido em cada ponto de utilização.350 0.350 0. e aplicam-se a qualquer tipo de redes. a selecção de uma central hidropneumática assenta em duas grandezas fundamentais. industrial e de distribuição pública. Os caudais indicados no diagrama são valores máximos (fig. Par tal. interior.1 Determinação do caudal máximo Não é muito fácil determinar o caudal exacto de uma instalação.005 0. 48). 3.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável C .100 0.Determinação do ponto de ajuste A determinação da relação perda de carga/caudal não é um processo complicado de se obter. . Tabela de Caudais normais das utilizações segundo NFP41-204 Designação Lava-louça Lavatório Lavatório colectivo (por jacto) Bidé Banheira com serviço de água quente Banheira com cilindro de água quente Caudal normal l/s 0. Ao caudal total assim obtido aplica-se um coeficiente de simultaneidade. o caudal e a altura manométrica.250 0.500 0. no caso de uma instalação já existente.1. nas informações técnicas que publicam.700 Fig.100 0.5. de uma forma rigorosa.Mede-se o caudal e a pressão no próprio local. com a ajuda de ábacos ou de tabelas.100 1. Fig. Este processo utiliza-se no desenvolvimento de um projecto para uma nova instalação. Os fabricantes de centrais hidropneumáticas. O seu grau de precisão poderá ser considerado satisfatório.5.

. . . . No caso de hospitais. . . . . . . .03987 K= 1 n −1 QD= 112 x 0. . . escolas. . . . . . . .15 0.20 0. .10 0. . . . . . .25 0. . . . . Nos centros de férias. . . . . . . . . . . .20 0. . . . . . . .03987 = 4. . Apresenta-se abaixo o quadro para estabelecimento dos caudais instantâneos segundo o decreto lei nº 23/95 Caudais Instantâneos Dispositivos de utilização Lavatório individual Lavatório colectivo (por bica) Bidé Banheira Chuveiro individual Pia de despejo com torneira de ∅ 15 mm Autoclismo de bacia de retrete Urinol com torneira individual Pia lava-louça Bebedouro Máquina de lavar louça Máquina de lavar roupa Tanque de lavar roupa Bacia de retrete com fluxómetro Urinol com fluxómetro Boca de rega ou lavagem de ∅ 15 mm Boca de rega ou lavagem de ∅ 20 mm Caudais mínimos (l/s) 0. . . . . . . . . . k = 1 Caudal de dimensionamento do edifício é: 630 − 1 = 0. 70 x 0.15 0. . . Não existe uma regra universal e cada projectista basear-se-á na sua própria experiência. . . . .46 l/s = 16 m3/h No caso de habitações equipadas com válvulas de descarga.10 0.15 0. 1. .35 l/s = 49 l/s 70 lavatórios x 2 . . .10 0. 140 x 0. . . . . . . estas deverão ser calculadas à parte. . 140 x 0. . Por exemplo. As torneiras de descarga funcionam apenas durante segundos. . É de notar.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Torneiras a descarregar nas habitações Número de torneiras instaladas 1a3 3 a 10 11 a 20 21 a 50 mais de 50 Em funcionamento simultâneo 1 2 3 4 5 1º método Leitura directa do ábaco 70 habitações ⇒ 18m3/h 2º método Considerando o número de pontos de consumo de água 70 banheiras x 2 torneiras . . Total . . . . . .15 0. quartéis. . . . compreendendo cada uma: I 1 banheira 1 lavatório 1 bidé 1 lava-louças 1 sanita com autoclismo torneiras I I I I I Em conformidade com as Máquinas industriais e outros aparelhos instruções do fabricante 73 . .20 l/s = 28l/s 70 torneiras . . ginásios ou parques de campismo. . mas normalmente. . . .45 sendo n o número de torneiras.50 0. . o respectivo coeficiente de simultaneidade é diferente. . . .30 0. . 1. . . em que K. . 140 x 0. .10 l/s = 14l/s 70 lava-louças x 2 .10 l/s = 14 l/s Pressão disponível necessária à entrada das torneiras de descarga . . . . para um hotel. . .20 0.5 0. . . não funcionam em simultaneidade com os outros aparelhos (ver tabela). .10 0. . . é o coeficiente de simultaneidade obtido: 70 bidés x 2 . . . . . . . é dado por: Qreal instantâneo = Qcalculado x K. 140 x 0. . . . . . . . Exemplo Edifício de grandes dimensões com 70 habitações. centros férias. . . hotéis. . . . . podemos adoptar como base de cálculo 300 litros por dia e por quarto. . .10l/s = 7 l/s 630 torneiras 112 l/s Coeficiente de simultaneidade . . . impõe-se um estudo para cada instalação específica. deveremos tomar em consideração a utilização simultânea de todos os chuveiros. . . repartidos por 3 horas de consumo (ou seja 100l/h de caudal instantâneo por quarto). . . . . . . . que a fórmula apresentada para a determinação do coeficiente de simultaneidade só é válida para habitações. . . .5 bar Para válvulas de descarga de urinol . . . . ginásios. . .15 0. . . . . . . . .0 bar Sabe-se que o caudal instantâneo. . . . .

Exemplo prático Tomando como exemplo.2 Perda de carga Como valor expedito. a altura média de cada andar nos edifícios recentes.∆hasp . Deve ser da ordem de 1.5. À perda de carga contínua.2. Para a sua determinação rigorosa.5.Ligação à rede de abastecimento municipal Pasp = Prede .Caudais de cálculo em função dos caudais acumulados Quadro . No caso de prédios muito altos ou de edifícios antigos.Hasp Fig. ou ábacos de perdas de carga.3 Pressão disponível É a pressão mínima que deverá estar disponível no dispositivo mais elevado ou no ponto mais desfavorável.2. Um valor utilizado na prática é de 3 m por piso a vencer. deve ser determinada a sua dimensão exacta.4 Pressão de aspiração Depende do tipo de ligação existente.1.8 bar 3.5.É mantida uma pressão mínima de funcionamento dos aparelhos de 15 mca na torneira mais desfavorável sob o ponto de vista de elevação.1 Pressão de descarga Serve para: ­ Vencer a altura geométrica de descarga Hg ­ Compensar as perdas de carga na rede ∆h ­ Assegurar a pressão de funcionamento dos aparelhos de consumo (pressão de utilização ou pressão disponível) Pd Pdesc = Hg + ∆h + Pd Hg Fig. 49 . um edifício de 10 andares. pode considerar-se cerca de 10 % da altura geométrica. ∆hasp . deverá ser realizado o cálculo das perdas de carga nos diferentes troços da coluna com base em equações apropriadas. a) Ligação à rede de abastecimento municipal (figura 51) 3. etc.5.1. válvulas.1 Altura geométrica Desnível geométrico entre o nível da bomba e do ponto de consumo mais elevado.1.1. Fig.2. 50 .5 bar em locais de habitação.Número de fluxómetros em utilização simultânea Número de fluxómetros Instalados 4 a 12 13 a 24 + de 24 Em utilização simultânea 2 3 4 3. ou seja.2.2 Determinação da pressão A altura manométrica total determina-se por: (Hmt=PDesc .5. será necessário prever uma pressão de descarga de: Pdesc = 30 + 15 + 3 = 48 mca = 4. deverão ser adicionadas as perdas nas singularidades tais como curvas. teríamos: Hg = 30 m (10x3 m) Pd = 15 mca ∆h = 3 mca ( 10 % de Hg) Logo. 51 .2.5.Perda da carga entre a rede de abastecimento municipal e a boca de entrada das bombas 74 .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3.Pasp) 3. 3.

( .no caso contrário) Constata-se frequentemente que a pressão de aspiração é da mesma ordem de grandeza da pressão na rede.5 m ∆hasp = 0.5 mca. 75 .5 = 46. calculado previamente) Caso 1.5 mca.Central em carga (Aspiração Positiva) No caso da central funcionar com aspiração negativa. Exemplo (com Pdesc = 48 mca.18 = 30 mca. Hmt = Pdesc.1. No caso de bombas com curvas planas não deverá ser ultrapassado 0.3 Regulação das pressões de arranque e paragem A diferença entre a pressão máxima (pressão de paragem da bomba) e a pressão mínima (pressão de arranque) é em geral regulada com um valor compreendido entre 0. conforme descrito anteriormente.1 . Hmt = Pdesc .3 a 1 bar. 52 . cada bomba deverá possuir a sua própria tubagem de aspiração. Pasp = 2-0. b) Ligação através de tanque Fig.1 = 18 mca subtraindo à pressão de descarga calculada.5 = . Pasp = 20 .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Prede. No caso das bombas de velocidade variável este problema não se coloca devido ao seu tipo de controlo. se a bomba estiver instalada abaixo da rede de abastecimento. ∆hasp = 1 mca. excepto se a instalação estiver equipada com um colector de aspiração especialmente estudado para o efeito. ∆hasp = 0. Logo.2 mca.Pasp= 48 .0. Pasp = -1.5 =1.5.3 bar. temos: Hmt = 48 .5 .5 mca.5 mca Caso 2. porque é difícil de estabelecer um ∆P de 1 bar entre a pressão mínima (Pmin) e a pressão máxima (Pmáx) numa curva QH muito plana. Por exemplo: Prede = 2 bar. Hasp = 1 m (bomba instalada 1 m acima do nível da rede). Aspiração em carga (positiva) ∆Hasp = + 2 mca. sinal .Pressão mínima na rede de abastecimento de água Hasp . Aspiração negativa ∆Hasp = -1.Desnível geométrico da bomba em relação à rede (sinal +. Conclui-se que a central hidropneumática deverá vencer uma altura manométrica Hmt de 30 mca 3.Pasp = 48 .2 )= 50 mca.

Prossen. Instalações Hidráulicas Office International de l'Eau. 1995 76 . Archibald Joseph.6 Referências bibliográficas AGHTM . J. Dimensionnement. The Hydraulic Design of pumps sumps and Intakes MACINTYRE. 17 . Archibald Joseph. Bombas e Instalações de Bombeamento MACINTYRE. Les Stations de Pompage d'Eau M.Principe.Association Génerale des Hygiénistes et Techniques. Applications.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. Les Cahiers Techniques Nr.La Surpression .

de Eng.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. CRITÉRIOS DE SELECÇÃO E ANÁLISE DE SISTEMAS SIMPLES EM REGIME TRANSITÓRIO Autor: Eduardo Nunes Director de Projectos da Profluidos Professor Adjunto Equiparado do Dept.ª Mecânica (DEM) do ISEL 77 .

78 .

variações de velocidade de escoamento. identificar os pontos críticos e os locais apropriados para instalação dos equipamentos de protecção. Calculam-se as depressões e sobrepressões que ocorrerão em regime transitório. com determinação das pressões extremas ao longo da conduta até se encontrarem valores aceitáveis e seguros. – Diâmetro das condutas e respectivo material. – Integração noutros sistemas. durante manobras de válvulas. o valor da pressão. 1 . e traçam-se as respectivas envolventes no perfil da conduta de forma a determinarem-se os pontos em que ocorrem pressões inferiores à pressão de vapor. – Outras particularidades do sistema em análise. A aplicação do método. Isto permite-nos seleccionar os métodos de protecção mais adequados e assumir dimensões para início de cálculo. volumes aspirados e descarregados de reservatórios. com consequente separação das colunas de líquido ou pressões excessivas. obriga a que se disponha da seguinte informação: – Perfil do sistema de condutas. O perfil da conduta elevatória permite-nos visualizar o seu desenvolvimento. a velocidade de escoamento. tempos de paragem de grupos electrobomba. etc.1 Introdução O comportamento das condutas elevatórias.Fluxograma de cálculo Observa-se que o sistema deverá ser testado depois de implementado. etc. níveis de água. 79 . O programa de cálculo do regime transitório em condutas complexas para bombas CR. pode ser analisado por cálculo automático utilizando o método das características. fecho de válvulas. que como não podem deixar de ser. Com base nas condições de funcionamento do sistema e das falhas esperadas. de forma a determinar-se facilmente a pressão de operação em cada ponto da conduta. paragem e arranque de grupos electrobomba. têm sempre um grau de hipóteses simplificativas. comportamento das condutas durante a paragem e arranque dos grupos electrobomba com arrancadores suaves. O cálculo é realizado por tentativas. Fig. As linhas piezométricas de funcionamento em condições estacionárias poderão ser representadas. calcula para pequenos intervalos de tempo e num grande número de pontos ao longo do sistema. grupos electrobomba e dispositivos de protecção em regime transitório.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. – Limites de funcionamento admissíveis. – Caudal e pressão de funcionamento. uma vez que os cálculos se baseiam em modelos matemáticos. superiores à pressão admissível para o material das condutas.

designadas como curvas de equações características ou simplesmente curvas características. A propagação das ondas de pressão é descrita por duas equações de derivada parcial: A equação do movimento e a equação da continuidade. reservatórios. ∑ Forças = massa x aceleração O método das características consiste na transformação destas duas equações diferenciais parciais em duas equações diferenciais comuns equivalentes que podem ser integradas numericamente ao longo de determinadas curvas no plano x. A equação da continuidade diz que a diferença entre o volume de líquido que sai e entra no volume de controlo é igual à variação do volume de controlo e do fluido devida à alteração da sua densidade.Nível de referência Hx = ∂H ∂x Fig.velocidade de propagação das ondas de pressão (celeridade) Os índices caracterizam as variáveis independentes das derivadas parciais.2 Modelo de cálculo O modelo de cálculo desenvolvido pelo método das características. por exemplo: (1) .Forças actuantes num volume elementar de fluido.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4.Hx + Vt + λ 2. sendo x (ao longo do eixo da conduta) e t (no tempo). trata-se de um modelo matemático. 80 . • O elemento convectivo da equação da quantidade de movimento é desprezado. 2 . As duas equações são: Equação do movimento L1: g. etc. Passamos a apresentar as equações diferenciais e a sua transformação em equações de diferença finita apropriadas para cálculo numérico. tais como bombas.Linha piezométrica (2) . válvulas. Os componentes do sistema representam as condições de fronteira necessárias para a resolução das equações diferenciais. o cálculo das perdas de carga é feito com base na equação de Colbrook-White aplicada em regime estacionário. assim como a inserção das condições de fronteira. As equações têm como base as seguintes considerações: • O escoamento é unidimensional e desta forma a velocidade e a pressão são constantes em cada secção transversal da conduta. • O comportamento do material das paredes da conduta e do fluido é linear e elástico. suficientemente simplificado para ser adaptado em cálculo computacional e é constituído por duas partes fundamentais: – A descrição da propagação de ondas de pressão no interior de uma conduta – A modelação dos diferentes componentes de um sistema. A equação do movimento deduz-se da segunda lei de Newton.coeficiente de atrito da conduta D . t. • Mesmo durante o regime transitório.altura manométrica v . aplicada a um pequeno volume de controlo tal como o representado na figura 2.aceleração da gravidade a .D Equação da continuidade L2: Ht + a2 g x vx = 0 (2) vv = 0 (1) Com: H . mudanças de características de condutas.diâmetro interior do tubo g .velocidade de escoamento λ . nós de condutas.

dx + Ht. é suficiente uma aproximação do primeiro grau para a determinação do último termo (exceptuam-se os casos em que o termo do atrito é dominante tal como no caso de escoamento de óleos muito viscosos).t) e H = H(x. transformam-se em linhas rectas de gradiente +a e -a. AP) e a equação (14) também representa uma linha diagonal da mesma grelha mas com um gradiente negativo (i. as equações (11) e (13). t. t. Para uma escolha adequada dos valores de µ. a equação (12) representa uma linha diagonal de uma grelha com um gradiente positivo (i. a equação (3) resulta em outras duas equações que são equivalentes às equações originais (1) e (2). (6) (7) Os termos entre parêntesis da equação (3) comparam-se com os termos à direita das equações (6) e (7) pelo que teremos: dx g dx µ.dx + vt. Estas curvas características. + Ht dt dt (4) (5) Com a escolha adequada do factor µ as duas equações diferenciais de derivada parcial (1) e (2) são transformadas em duas equações diferenciais ordinárias totalmente equivalentes (11) e (13). é possível simplificar a equação 3.e.e.a2 = e = (8) dt µ dt g A equação (3) pode ser escrita como uma equação diferencial ordinária: dH dv λ x v x|v| µ + + =0 (9) dt dt 2xD A equação (8) dá-nos os dois valores necessários para µ: g (10) µ=+ a Para cada valor µ da equação (10) obtém-se a partir das equações (9) e (8) uma equação diferencial ordinária (chamada equação da compatibilidade) e a respectiva equação da curva característica ao longo da qual ela poderá ser integrada: g dH dv λ x v x|v| x + + = 0 (11) a dt dt 2xD dx =+a dt Fig. No intervalo de tempo ∆t = ∆x/a.Curvas características representadas no plano x. dt / g = dx / g e se a velocidade v é substituída pelo quociente entre o caudal Q e a secção recta da conduta A obtém-se uma equação com uma forma adequada para integração ao longo da característica C+. Se a equação (11) for multiplicada por a. dt dt dH dx = Hx.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Para este propósito as equações (1) e (2) são combinadas numa equação linear L1 + µ. As curvas representam fisicamente. em que inicialmente o valor do factor µ é escolhido arbitrariamente assim resulta: g a2 λ x v x|v| µ(Hx x + Ht) + (vx x µ + vt) + =0 (3) µ g 2xD Para dois valores reais de µ. no plano x.HA + x (QP .t) são funções de duas variáveis independentes x e t cujas derivadas totais podem ser apresentadas da seguinte forma: dv = vx. t. v = v(x. BP). Para a resolução numérica das equações (11) e (14) divide-se a conduta em N partes iguais de comprimento ∆x (figura 3). determinadas pelas equações (12) e (14). podem ser integradas entre os pontos A e P e B e P respectivamente e desta forma obtêm-se duas equações para a determinação das duas incógnitas v e H no ponto P. Resolvendo a equação (15) resulta: a λ x ∆x Hp . a propagação de perturbações (ondas de pressão) ao longo do plano x. Se os valores de v e H forem conhecidos nos nodos A e B da grelha.dt dH = Hx.L2 = 0. 3 . no caso particular da celeridade ser considerada constante.dt Dividindo ambas as equações por dt resulta: dx dv + vt = vx.QA) + x QA x |QA| = 0 (16) gxA 2 x g x D x A2 c- 81 . H (12) –g x dH + dv + λ x v x|v| = 0 (13) a dt dt 2xD dx = –a (14) dt } } H ∫ dH + A P a x gxA Q P Q A ∫ dQ + λ 2xgxDxA 2 X X ∫ Qx|Q| x dx = 0 A P (15) c+ Em geral. sendo cada uma somente válida ao longo da curva característica. diferentes e aleatórios.

– A altura cinética do escoamento na conduta é desprezável face à altura piezométrica. consiste na paragem simultânea de todos os grupos electrobomba. a equação da curva característica de um ou vários grupos electrobomba em conjunto com a equação (17) permite calcular os valores Qp e Hp) A precisão e o tratamento explícito das condições de fronteira (isto significa um tratamento independente dos pontos interiores). alteração do volume de ar num RAC) quer por substituição do seu modelo matemático (mudança de subrotina de cálculo).Características nas fronteiras Desta forma é necessário dispor-se de uma condição de fronteira em cada extremidade.e.QB) – 2 x QB x |QB| = 0 (17) gxA 2xgxDxA Com ajuda das equações (16) e (17) as duas incógnitas Hp e Qp podem ser facilmente determinadas. dentro de um critério de probabilidade significativa. ver figura 4 para cálculo dos valores aí desconhecidos QP e Hp. Isto poderá ser realizado por: – Atribuir um dos dois valores de fronteira. tendo a compatibilização entre os intervalos de tempo nos diferentes troços de conduta. admitindo-se que este se mantém puramente turbulento. quer seja pela mudança dos dados iniciais (i.e. obedecem à condição de estabilidade do método de cálculo (número de Courant Cr = aδt/δx <1). causada por uma falta generalizada de energia. pela sobreposição de efeitos. – O comportamento reológico da água e do material das condutas é elástico e linear. – Os termos convectivos das equações da continuidade e da dinâmica são desprezáveis. sido efectuada com recurso à interpolação entre as condições do escoamento em secções de cálculo consecutivas. porque em cada extremidade da conduta apenas se tem uma única condição de compatibilidade. Esta forma de se dimensionarem os dispositivos de protecção. No cálculo do sistema durante o regime transitório. – Ou introduzindo uma relação funcional Q = f(H) a qual permite em conjunto com a equação da compatibilidade aplicada a essa fronteira determinar Qp e Hp (i. permanecendo o resto do programa inalterável. em instantes determinados. é muito mais fácil e poderosa do que a que se realiza pelo método gráfico aproximado desenvolvido por SCHNYDER/BERGERON. O tratamento explícito das condições de fronteira. pode ser associado a técnicas de interpolação. os valores iniciais nos nodos da grelha são os valores de Q e H em regime estacionário quando t = 0. admitiram-se como válidas as hipóteses significativas habitualmente consideradas. Este procedimento aplica-se apenas para a determinação dos pontos interiores da grelha. pelo que permite a optimização da dimensão dos dispositivos utilizados. 4 . que substituído na equação de compatibilidade válida para esta fronteira permite calcular o outro valor (i. Com base nos últimos valores de Q e H calculam-se novos valores para o instante t = 2 x ∆t e assim sucessivamente. que não é razoável ocorrerem acidentalmente. permite a sua fácil modificação ou substituição (introdução de um dispositivo de protecção). Na modelação do comportamento das condutas.e. O método das características. a cota de descarga num tanque colocado na extremidade de jusante da conduta Hp = Cte permite determinar o valor de QP pela equação 16). e desta forma ser aplicado para o cálculo de sistemas complexos constituídos por várias condutas e várias condições de fronteira. – O eixo das condutas é imóvel e desprezam-se as forças de inércia do invólucro. representam as vantagens mais importantes do método das características. tais como: Fig. 82 . – A distribuição da velocidade e de pressão. 4.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório De maneira semelhante obtém-se uma segunda equação pela integração da equação (13) HP – HB – a λ x ∆x x (QP . é uniforme nas secções transversais da conduta. Os valores de todos os pontos no interior da grelha (P) são determinados no instante seguinte t = 1 x ∆t pela resolução simultânea das equações (16) e (17). no início da conduta aplica-se a equação (17) e no fim a equação (16) de acordo com a figura 3. – As perdas de carga unitárias são iguais às de um escoamento uniforme com a mesma velocidade média. estas teriam de ser constituídas por uma sucessão de paragens e arranques de parte dos grupos de bombeamento. Embora seja possível considerar manobras capazes de produzir flutuações de pressão mais elevadas.3 Critérios de cálculo Admitiu-se que a situação mais desfavorável para o sistema. Os intervalos de tempo e os comprimentos dos trechos de cálculo considerados.

Obviamente quanto maior for o momento de inércia do volante. poderá utilizar-se um único.5 Dispositivos de protecção Os dispositivos de protecção são órgãos que se introduzem nos sistemas de transporte de líquidos. A aplicação de volantes de inércia poderá obrigar ao sobredimensionamento dos motores. válvulas de alívio. O método das características. Entre os dispositivos mais utilizados contam-se os volantes de inércia. ou quando apenas se verificam sobrepressões em regime transitório. atenuar-se-á o valor da onda de pressão. é efectuada.). 83 . = Q X Ht DN2Q + ENQ2 + FN3 Com os coeficientes D. concebem-se dispositivos de protecção que poderão ser simulados por cálculo computacional. Sempre que o termo AN2 da curva funcional da bomba for superior à altura estática de elevação.1 Volantes de inércia Os volantes de inércia consistem em massas girantes que são intercaladas nos veios de grupos electrobomba (figura 5) ou motobomba.CQ2 em que N é a velocidade de rotação. do tipo de grupos elevatórios. tais como alterações das características da conduta e da descarga no reservatório. considerando apenas as zonas de bombeamento normal ou de turbinagem por abaixamento da pressão a jusante. Atendendo a que as bombas se encontram munidas de válvulas de retenção de acordo com as Normas Portuguesas. conteúdo de sedimentos. válvulas de retenção intercaladas na conduta. sendo as sobrepressões consequentes automaticamente atenuadas. VÁLVULAS DE ALÍVIO As válvulas de alívio destinam-se a limitar as sobrepressões nas condutas a valores previamente regulados e são aplicadas em complemento aos RAC. etc. ou uma combinação de vários dispositivos de protecção. dotado de um conjunto de dispositivos associados para sua protecção. Na modelação da variação do volume de ar no interior dos RAC. do seu perfil. 4. dependendo do grau de complexidade da rede a proteger. à das bombas. reservatórios de ar comprimido (RAC). etc. Esta modelação é efectuada admitindo que a altura total de elevação das bombas Ht. válvulas de controlo. devido à sua simplicidade e ao poder de aplicação. etc. sem necessidade de se recorrer a volantes de dimensões excessivas. quando os motores forem eléctricos. de forma a que o seu binário de arranque seja adequado para que a colocação em marcha da bomba tenha lugar num período de tempo aceitável. B e C são coeficientes determinados a partir da respectiva curva característica à velocidade nominal. Q o caudal bombeado e A. OUTRAS CONDIÇÕES DE FRONTEIRA Todas as restantes condições de fronteira.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. pode ser determinada em cada instante pela equação: Ht = AN2 + BNQ . viscosidade. Se o tempo em que ocorrer a anulação do caudal bombeado for superior ao período da conduta elevatória 2L/a.) do comportamento das ondas de pressão que se pretendem limitar (depressões ou sobrepressões). dos motores. a modelação das condições de funcionamento das bombas. condutas de aspiração paralela. este meio será adequado para controlar as pressões transitórias. de regulação. desde que se consiga estabelecer o respectivo modelo matemático. e às características eléctricas. permite de uma maneira fácil analisar o comportamento de um sistema simples ou complexo. Para certos casos particulares. de válvulas (válvula de nível em reservatórios. tais como do comprimento das condutas. E e F determinados de forma semelhante aos anteriores. a bomba irá bombear. chaminés de equilíbrio. reservatórios unidireccionais (RUD). Há um limite de aplicação dos volantes de inércia devido à sua resistência mecânica. com a finalidade de limitar as ondas de pressão transitórias e valores aceitáveis. Se a redução do débito da bomba tiver lugar num período suficientemente longo. maior será o tempo de anulação do débito e maior será a atenuação das ondas de pressão transitórias. deverão ser as constantes nas curvas características dos fabricantes. temperatura. foram modeladas através da consideração da equação da continuidade e da constância das cotas piezométricas. com o objectivo de aumentar a sua inércia e desta forma a ampliar o tempo de paragem do grupo e consequentemente a diminuição do caudal debitado pela bomba será mais suave.4 Condições de fronteira GRUPOS ELECTROBOMBA As características funcionais dos grupos electrobomba. considerou-se a equação: PV1. do líquido transportado (composição química.2 = Cte Sendo P a pressão absoluta no interior e V o volume de ar. RESERVATÓRIOS DE AR COMPRIMIDO A principal função dos RAC consiste em evitar a ocorrência de depressões na conduta. O rendimento das bombas é considerado variável em função da velocidade de rotação e do caudal e dado por: h 4. A escolha do dispositivo a utilizar em cada caso depende das características do sistema. Admitiu-se a verificação em cada instante da equação da continuidade na derivação para os RAC e da igualdade das cotas piezométricas no interior do RAC e no ponto de derivação da conduta.5. etc. Para proteger um sistema.

4.Alteração da envolvente das pressões máximas numa conduta protegida com válvula de retenção. basta aumentar a inércia do conjunto de bombeamento e recalcular o comportamento do sistema. a massa de líquido do interior do reservatório. Para esta situação o cálculo é efectuado como se se tratasse de uma transição com vp1 > 0. O dimensionamento de um volante de inércia é simples. ou a afluir ao reservatório no caso contrário. RAC.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Outras razões que limitam a aplicação de volantes de inércia são económicas e dimensionais. um método possível para a proteger. Paralelamente com a variação de pressão na conduta. é o de se intercalarem válvulas de retenção ao longo da conduta. atenuando desta forma a amplitude da onda de pressão transitória. O gás e o líquido podem estar em comunicação ou separados por uma membrana elástica.5. 5 . As válvulas de retenção apenas permitem o escoamento em direcção ao reservatório. Quando se inicia um regime transitório. em que o tempo de anulação de caudal durante a paragem da bomba é suficientemente longo. armazenando consequentemente energia potencial elástica.Grupo electrobomba equipado com volante de inércia 4. em geral o ar e uma dada massa do líquido transportado pela conduta. Quando ocorre a inversão do fluxo. São vasos metálicos fechados. transformando-se a energia potencial armazenada no gás em energia cinética de escoamento. o líquido passará a abandonar o reservatório no caso de um abaixamento da pressão na conduta. aumentando a sua pressão e consequentemente a respectiva energia potencial elástica. sendo hp1 e hp2 determinados por (18) e (19) respectivamente: hP1 = hR – CR (vP1 – vR) – CR x 2fRvR |vR| ∆t g g dr CS (vP2 – vS) – CS x 2fSvS |vS| ∆t g g ds (18) hP2 = hS – (19) 84 . Fig. 6 . que origina uma variação de pressão na conduta junto à secção de ligação do reservatório. durante a fase da onda de pressão positiva. está sujeita à pressão de funcionamento da conduta na secção de ligação e está em equilíbrio com o ar. Para se restabelecer o equilíbrio.5. no interior do qual se encontra aprisionada uma dada massa de um gás. a válvula não permite tal e vp1 = vp2 = 0. deixará de estar em equilíbrio com o da conduta. o líquido armazenado no seu interior e submetido à acção do gás.3 Reservatórios de ar comprimido Os reservatórios de ar comprimido. de forma a fazer a sua subdivisão em trechos de pequena extensão. A sua aplicação está em geral limitada a condutas com uma extensão até 2000 m. com períodos curtos. Na fase de depressão o volume do ar aumenta.2 Válvulas de retenção Se o perfil de uma conduta elevatória tiver uma altimetria tal que esta apenas fique sujeita a sobrepressões durante o regime transitório correspondente a uma manobra das bombas. para que as ondas de pressão transitórias sejam mantidas dentro de limites aceitáveis. Fig. Em regime estacionário (permanente). No caso da sobrepressão a massa de gás diminui de volume. são dispositivos de protecção de condutas que actuam por diminuição da taxa de variação de caudal. que fica por sua vez submetido à pressão da conduta. à custa da energia cinética de escoamento. haverá uma variação de pressão da almofada de ar.

Uma técnica analítica de cálculo. a altura do líquido no interior do tanque terá de ser conhecida. 7 . não é considerada no modelo de cálculo.altura do reservatório dt . e 1. facilidade de aplicação e controle. A altura do líquido no interior do reservatório no final do intervalo de tempo ∆t é dada por. Estes valores são designados por hti e hpi respectivamente. calcula-se hp por hp = hgas2 + zt + hb + ht2 (23) Fig.altura da base do reservatório zt . No início do cálculo. At = π 4 d2t. consiste na combinação de uma análise em regime quase estacionário do funcionamento do reservatório.diâmetro interior hb . Por encomenda podem obter-se reservatórios com capacidades superiores e reservatórios sem membrana de qualquer capacidade. A passagem da onda de pressão transitória através do reservatório. principalmente dos reservatórios de grande capacidade e a exigência de manutenção. A pressão do gás no interior do reservatório é estabelecida em termos de uma coluna de líquido equivalente hgás. Como desvantagens pode-se referir a necessidade de haver um controlo apertado da massa de gás.Esquema de princípio de um RAC Substituindo o valor de hp nas equações características + C. mas ela é praticamente atenuada e o seu valor é trivial. a possibilidade de fecho violento das válvulas de retenção dos grupos de bombeamento. hgas2 = –h ( ll – h ) t t1 t t2 n x hgas1 (22) O expoente da transformação politrópica do ar no interior do reservatório poderá variar entre 1 correspondente aos processos isotérmicos.cota de inserção do RAC na conduta Fig. Com hgas2 determinado.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Estes dispositivos muito divulgados. a pressão do ar no interior do reservatório passa a ter o valor de. Como em geral o volume de cálculo do reservatório varia 10% quando se varia o expoente entre 1 e 1. hgási = hi – zt – hb – hti (20) Uma vez que a pressão absoluta na secção de ligação é hi (hi = hp no instante anterior). ht2 = ht1 + ∆ht (21) em que ht1 é a altura do líquido no início do intervalo de tempo ∆t e ht2 no fim. o que exige a aplicação de compressores isentos de óleo (compressores hospitalares) no caso de grandes reservatórios e de dispositivos de controlo automático. 8 It . 85 . Aplicando a equação PVn = Cte correspondente aos processos politrópicos aplicados a um gás perfeito. Encontram-se disponíveis correntemente no mercado reservatórios de membrana com capacidades até 2 m3. Considerando pela equação da continuidade: A1 vp1 + A2 vp2 dht ∆t A1 vp1 = At + A2 vp2 ∴ ∆ht = dt At ( ) em que At é a área transversal do RAC. fiabilidade e disponibilidade no mercado.(16) e C (17) calculam-se facilmente os valores de vp1 e vp2. com um tratamento em regime transitório do sistema de condutas. assim como a energia potencial na secção de ligação do reservatório à conduta.4 nos processos adiabáticos. Com estes valores determina-se o volume de água admitido ou expulso do reservatório durante o intervalo de tempo ∆t e consequentemente a variação de nível do líquido no interior do reservatório.2 recomenda-se a utilização para o expoente politrópico n o valor de 1.2. têm como principais vantagens a sua simplicidade. o custo em geral elevado. hgasi representa a pressão absoluta do gás.

durante os períodos em que o escoamento for realizado pela acção da gravidade. Também poderá ser aumentada a capacidade de transporte. a altura do líquido na chaminé poderá ser considerada constante sem grande erro. 9 . O circuito de desvio poderá desempenhar um papel de protecção da conduta. Nas estações imobilizadas o escoamento far-se-á através dos circuitos de desvio. deverá incluir-se um termo separado para quantificar a perda de pressão (energia) na válvula de retenção. 86 . A parte superior da chaminé encontra-se aberta à atmosfera. durante as horas de máximo consumo. aplicam-se as equações. se a pressão cair a um valor inferior ao do ramo de aspiração. Durante o curto intervalo de tempo ∆t associado à discretização das equações. resultando em equipamentos mais económicos e com menor potência instalada por unidade. a válvula de retenção impedirá o escoamento da compressão para a aspiração. No segundo trecho compreendido entre o dispositivo e um reservatório ou outro dispositivo semelhante. equipado com uma válvula de retenção conforme se mostra no esquema da figura 9. O tratamento destes dispositivos é semelhante ao apresentado para os RAC. permanecendo outras em funcionamento. neste troço é mobilizada a energia elástica do fluido e da conduta. Ou seja. algumas das estações poderão ser retiradas de serviço. a válvula de retenção abre-se e passará a haver escoamento de montante para jusante. de uma conduta com funcionamento por acção da gravidade pela intercalação de estações elevadoras de pressão (booster). em que o volume de água a transportar varia com a estação do ano. Durante o regime variável este dispositivo divide em geral a conduta em dois troços que se comportam de forma diferente. o dia da semana ou mesmo a hora do dia. turbina ou válvula e a chaminé. Esta aproximação despreza o escoamento que tem lugar através da bomba durante a sua paragem. Quando as bombas estiverem em operação. de forma a que o caudal debitado esteja de acordo com as necessidades. Quando ocorre uma paragem da bomba. durante a paragem de uma bomba deverá verificar-se se a pressão de jusante se mantém superior à de montante. O valor da pressão mínima será assim superior ao que teria lugar se o circuito de desvio não existisse. enquanto a bomba se encontrar a funcionar em regime estacionário as condições de operação são as representadas. Assim. Para diminuição da amplitude do líquido no interior da chaminé.6 Circuito de desvio Em certas situações pode estabelecer-se um circuito de desvio aos grupos electrobomba. colocadas em linha e equipadas com circuito de desvio. ocorre em geral uma oscilação em massa.Esquema de um circuito de desvio a um conjunto de bombeamento (perda de energia na válvula) VP1 = Q A1 VP2 = Q A2 Noutros casos em que o caudal transportado é variável.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4.7 Chaminés de equilíbrio Numa conduta equipada com bomba e chaminé de equilíbrio como se mostra na figura 10. ou as perdas de carga em linha forem apreciáveis. Quando os desníveis geométricos. Na modelação. g (hP1 – hR) + CR aR g – g aS (v P1 – vR) + 2 fR VR VR ∆T =0 dR (24) (h P2 – hS) + (vP” – vS) + v2P1 2g 2 fS VS VS ∆T =0 dS (25) hP1 – hP2 = k Fig. Na análise do comportamento do sistema. permitindo por exemplo diminuir a classe de pressão dos tubos. É uma aplicação típica em condutas forçadas longas. Estas equações reduzem-se a uma equação quadrática em Q. limitando-se desta forma o abaixamento de pressão. O trecho compreendido entre a bomba. 4. as duas equações características são resolvidas para se determinar o caudal e a pressão. Quando tal não se verificar. dotadas de várias estações de bombeamento em linha. evitando as depressões no ramo de compressão. substitui-se a condição de fronteira correspondente à bomba por uma simples junção. sem que a equação que modela a bomba esteja presente. quando o volume de água que é necessário transportar for reduzido. por vezes dota-se a ligação chaminé-conduta de um dispositivo destinado à geração de perda de carga. A estação poderá não estar sempre em funcionamento e o escoamento dar-se-á através do circuito de desvio. a altura de elevação das bombas é repartida pelas diferentes estações. haverá uma queda de pressão no ramo de compressão. como por exemplo em condutas de transporte de água potável para abastecimento domiciliário e industrial. sendo actualizada em cada instante. o erro introduzido por esta simplificação é desprezável. Como em geral o caudal é reduzido.

A ligação entre o reservatório e a conduta é dotada de uma válvula unidireccional (válvula de retenção). as chaminés são em geral constituídas por um tubo metálico. 12 . 11 (a p1 vp1 + ap2 vp2 Ach d ch 2 ) ∆t 4.e C+ calculam-se facilmente os valores de vP1 e vP2. Salvo casos especiais. Para estes casos o modelo matemático da condição de fronteira é semelhante ao utilizado para o RAC. Conforme se poderá observar na fig. – Cálculo de secção transversal e de um eventual estrangulamento.Chaminé de equilíbrio desenho tipo da SABESP Fig. Com estes valores determina-se o volume de água admitido ou expulso da chaminé durante o intervalo de tempo ∆t e consequentemente a variação de nível do líquido no interior da chaminé. 10 . Na escolha do local para a sua instalação deverá atender-se aos seguintes aspectos: – Características topográficas do terreno. e ha representa a pressão atmosférica. – Amplitude das ondas de pressão. de betão armado ou escavado na própria rocha. Considerando pela equação da continuidade: ap1 vp1 = Ach dhch dt Ach é a área transversal da chaminé Ach = π 4 A altura do líquido no interior da chaminé no final do intervalo de tempo ∆t é dada por: H2 = H1 + ∆Hch em que H1 é a altura do líquido no início do intervalo de tempo ∆t e H2 no fim.Esquema de uma chaminé de equilíbrio O dimensionamento de uma chaminé de equilíbrio compreende: – O estudo do perfil da conduta para escolha do local mais adequado para a sua instalação. 87 . 13. estes dispositivos consistem num tanque onde é armazenado o líquido transportado pela conduta. que permite o escoamento no sentido RUD conduta e impede-o no sentido oposto. – Impacto da estrutura no ambiente.8 Reservatórios unidireccionais Os reservatórios unidireccionais são dispositivos de protecção especialmente vocacionados para atenuarem as ondas de pressão negativas.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Substituindo o valor de hP nas equações características C. para atenuação das amplitudes extremas de oscilação do plano de água. H = hP1 – ha Uma vez que a pressão absoluta na secção de ligação é hp1. Antes de continuar o cálculo deverá verificar-se se a altura do líquido no interior da chaminé é positiva. com a superfície livre em contacto com a atmosfera. Fig. em que a velocidade do líquido no seu interior é lenta. Em alternativa poderá ser armazenado água proveniente de uma fonte externa. Com H2 determinado calcula-se hp por hP = H2 + ha + Ap2 vp2 ∴ ∆hch = Fig. – Cálculo estrutural.

de condutas destinadas a transportar águas residuais. Este dispositivo. Fig. isto porque a actuação das válvulas sobre o escoamento não é linear. 4. Estes dispositivos não podem ser considerados dispositivos de protecção uma vez que não actuam em caso de falha de energia eléctrica da rede de alimentação. assim. admite o refluxo parcial de líquido ao tanque. Devido às desvantagens referidas em relação ao RUD.10 Dispositivos de manutenção das pressões transitórias Para atenuação dos efeitos do choque hidráulico. É constituído por um reservatório construído em polietileno de alta densidade e dotado de uma válvula de retenção. o que não acontece no RUD.10. 13 . no caso de água tratada e a propagação de cheiros no caso de águas contaminadas.1 Válvulas motorizadas As válvulas motorizadas deverão possuir meios de fecho adequados. que apresentava um ponto alto num local isolado. assim como os períodos a decorrer entre paragens sucessivas. como a conduta continuará a ser alimentada. 4. o qual poderemos designar por reservatório parcialmente bidireccional. Em regime permanente. A análise deste dispositivo. conclui-se que o RUD só entra em funcionamento quando a altura piezométrica na conduta for inferior à da superfície livre e que não há escoamento no sentido conduta RUD. 4. o cálculo em regime transitório na secção de ligação é idêntico ao de uma simples transição. Enquanto a altura piezométrica na conduta for superior à da superfície livre do RUD. 14 . Para proteger esse local. é a de se dispensar o ramal de enchimento. apresentada por este dispositivo. o líquido armazenado no RUD e o que se encontra em escoamento na conduta. Devido à concepção do RUD. Fig. a altura piezométrica na conduta não está em equilíbrio com a massa de água armazenada. O tipo de paragem dos grupos. foi adoptada uma variante. durante a paragem e arranque dos grupos electrobomba poderiam ser utilizadas válvulas motorizadas ou arrancadores suaves. o RUD permite a alimentação da conduta aquando a cota piezométrica for inferior à da superfície livre do líquido. permitindo desta forma actuar também sobre as sobrepressões.Reservatório unidireccional Devido à sua concepção. Caso contrário.9 Reservatório parcialmente bidireccional O autor deste trabalho. estão separados pela válvula de retenção que se encontra fechada. a análise é semelhante à de uma simples junção. sempre que a cota piezométrica no interior do dispositivo. Evita-se dessa forma a inquinação. sendo o seu efeito semelhante ao dos volantes de inércia. devendo os tempos de manobra ser determinados por cálculo. não ficar em contacto com a atmosfera.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório O reservatório parcialmente bidireccional. 4. o tempo de anulação de caudal é aumentado. não era possível nesse caso a sua adopção.2 Arrancadores suaves Os arrancadores suaves quando procedem também a paragens suaves. for inferior à cota da válvula de retenção. a altura piezométrica na zona de ligação é regulada pela cota da sua superfície livre. necessitou projectar um dispositivo.10. A partir do instante em que as alturas se igualem a análise passa a ser semelhante à de uma chaminé de equilíbrio. é especialmente vocacionado para ser instalado em pontos altos. Pelo descrito. procede-se a um primeiro período de fecho rápido e a manobra final mais longa. conforme representada na figura 14. durante as operações normais de arranque e principalmente paragem.Reservatório parcialmente bidireccional 88 . Outra vantagem. é semelhante à da chaminé de equilíbrio. Em geral para se evitar tempos de manobra longos. de vários grupos podem ser devidamente determinados com a introdução de subrotinas de cálculo apropriadas. são excelentes órgãos para a atenuação das variações da pressão ao longo das condutas. uma vez que o período de imobilização dos grupos electrobomba é prolongado. para proteger uma conduta elevatória destinada a transportar águas residuais. A grande vantagem. é a do líquido armazenado para protecção.

Resultados de cálculo final Volume de ar m3 RAC Inicial 5. foi seleccionado um RAC associado a uma válvula de alívio. são do tipo multicelular. Análise dos resultados de cálculo O cálculo inicial foi realizado considerando que os dois grupos bombeiam através da conduta sem qualquer protecção.m-2 PD2 do motor 92. Se não se realizar esta associação.1 Máximo Adoptado 6. foram os que se passam a indicar nos itens seguintes.a.11 Caso prático Os dados de cálculo inicial.7 7. e após várias hipóteses de cálculo para os dispositivos de protecção.300 Pressão de abertura m.37 x 103 Os grupos electrobomba instalados em número de três nesta primeira fase. dimensionados conforme o gráfico 1.3 m Grupos electrobomba em funcionamento n = 2 (paralelo) Velocidade de rotação N = 1400 rpm PD2 da bomba 5.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. Cálculo final Em face do comportamento descrito para o sistema em regime transitório. de pequena inércia comparada com a energia transferida ao fluido a elevar e por consequência com um reduzido tempo de anulação de caudal. verificou-se que ocorre uma zona de depressão extensa (gráfico 1) e que a sobrepressão subsequente tem um valor muito elevado.92 x 10-4 B = 6.c.56 x 10-1 C = 5. o volume RAC seria exagerado.0 Condições de descarga Caudal m3/h 1. com funcionamento de um número máximo de dois em paralelo.m-2 Diâmetro do impulsor D = 400 mm Coeficientes da curva característica A = 1. Comprimento da conduta elevatória L = 2808 m Diâmetro Ø = 500 mm Espessura da parede e = 7.00 kgf.1 x 108 kgf m-2 Caudal em regime estacionário Q = 0.0 x 1010 kgf m-2 Módulo de compressibilidade da água E = 2.86 kgf. 390 1 89 . concluindo-se que era necessário proteger a conduta com dispositivos adequados.3 mm Rugosidade absoluta equivalente k = 0. Dos resultados do cálculo efectuado.375 m3/s Cota de descarga no reservatório 373.1 Material Ferro Fundido Dúctil Módulo de elasticidade da conduta E = 1.0 VÁLVULA DE ALÍVIO Mínimo 4.

Napoli. Parmakian. 1977 Rosich.º 6. 1960 Stephenson. Seminário 238. Puech. D. O. M. New York. N. C. Le coup de bélier dans les canalizations de refoulement: Calcul et préparation La Technique de L’eau IDEL’CIK. A. 1977 Stephenson.. Sousa. Water hammer and surge Pipeline design for water engineers. Protecção de instalações de recalque através de tanque hidropneumático Revista DAE Chaudhry. Paris. D. C. Détermination des Dimensions caractéristiques d´un reservoir d’air sur ume installation élévatoire. Fluid transients in hydro-electric engineering pratice.. Dover. Réservoir anti-bélier à régulation d’air automatique. C. Mémento des partes de charge. Fluid Transients Mc Graw-Hill 1978 90 . E. 1962 Timoshenk Resistência dos materiais Ao Livro Técnico S. Discharge tanks for suppressing water hammer in pumping lines International conference on pressure surges Jaeger... 1963 Dubin.12 Referências bibliográficas Almeida. Synopsis of surge control equipment Water and Water Engineering. J. M. Eyrolles Paris. 1973 Nichile. C. 1974 Roche. Caldinhas A. 1981 Martins.. Hydraulique urbaine.º 124 CTGREF. n. 1978 Fox.. E. F. n. A. Transitórios hidráulicos. A.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. n. 1971 Livingston. Eyrolles.E. LNEC. London. Mac Millan. Wilson. 1978 De Martino. Waterhammer analysis. 1979. TSM . A. Parecer sobre o dimensionamento de condutas metálicas sujeitas a sub pressões Universidade de Lisboa CEMUL Dupont. B. Julho 1963 Wylie. Hydraulic analysis of unsteady llow in pipe networks. Glasgow and London. Le coup de bélier dans les pompages: Son calcul simplifié La Technique de L’eau Funel. W. 1969 Rosich. Válvulas anti-golpe de aríete desenvolvimento Brasileiro Revista DAE Duarte. Prentice Hall. Abril. H. M. Étude du functionement et du dimensionement des ballons d’air anti-belier Bulletin Technique de Génie Rural. B. R. Golpes de aríete em condutas. Applied Hydrulic Transients Van Nostrand 1979 Meunier. M. C. ASCE. Streeter. Attenuazione mediante volanti Universitá de Napoli. Vol 88. M. J. J. G. La Houille Blanche. Manual de protecção contra o golpe de aríete em condutas elevatórias. E. V. I.º 6. A. L. Ch. J. E. n.º 8. Mechanics of Pipe flow following column separation Journal of the Engineering Mechanics Division. R.A. Instituti Idraulici. Lisboa. Tome II Paris. Golpo d’ariete in condotte elevatorie.. Elsevier 1976 Li. M. Sul calculo del PD2 negli impiante di sollevamento L’Energia electtrica n. Chiari.º 242. Blackie. H. 1955 e New York. Guéneau. 1955 Reis A. Lisboa LNEC. M. Protection des refoulements d’eaux usées. A.L’Eau. Exemplo de cálculo de choque hidráulico com volante de inércia pelo método gráfico de Bergeron. Developments in Water Science.

O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5. Hidráulica e Ambiente. 91 . Lda. O CUSTO DO CICLO DE VIDA COMO FACTOR DE ECONOMIA Autor: Paulo Ramísio Engenheiro Civil (FEUP) Mestre em Engenharia do Ambiente (FEUP) Assistente do Departamento de Engenharia Civil da Universidade do Minho Sócio da SBS – Engenharia Civil.

92 .

1 Introdução Os sistemas de pressurização representam por vezes custos não desprezáveis no mercado da construção para habitação. 5. nas suas mais variadas aplicações (abastecimento público e predial de água potável. Uma visão global é descrita no artigo "Pump Life Cycle Costs" desenvolvido pelo Hydraulic Institute e Europump de modo a facilitar a aplicação da metodologia do CCV a sistemas de bombeamento. a escolha dos elementos que constituem o sistema (construção civil. pois só assim poderá ser utilizada. tubagens e acessórios. mas também mundial. manutenção (preventiva e correctiva). energias renováveis. instalações de rega. paragens. Um dos grandes objectivos duma metodologia desta natureza deverá ser o rigor e a isenção. consomem cerca de 20% da energia eléctrica global (Europump. a solução que apresenta menor custo global. A identificação de todas as parcelas envolvidas apresenta-se como uma etapa fundamental nesta metodologia. acessórios e os decorrentes da exploração) devem obedecer a considerações de eficácia e economia. O Custo do Ciclo de Vida de qualquer sistema de pressurização é assim o custo total durante o seu período de vida útil.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5. transporte e tratamento de águas residuais. Sistemas de Bombeamento (20%) Fig. 1 . desmontagem e desmantelação do equipamento. estabelecido em 1960. Adicionalmente todos os componentes do sistema deverão ser cuidadosamente seleccionados para combinarem entre si e manter no global um conjunto fiável assegurando os mais baixos custos energéticos e de manutenção. etc. equipamento eléctrico e electromecânico. 93 . pode ser realizado por várias metodologias. não só para optar entre diferentes soluções do mesmo fabricante.3 Razões para a utilização do CCV Os sistemas de pressurização são compostos por um conjunto de obras de construção civil. Enquanto algumas partes do sistema apresentam praticamente todo o seu custo durante a construção. para a implementação de sistemas de elevada eficiência de energia. Consumo mundial de energia eléctrica Outras Aplicações (80%) Ou • O Europump. mas também servir para comparar soluções de fabricantes diferentes. equipamentos. de forma isenta. O investimento inicial é geralmente uma pequena parte do Custo do Ciclo de Vida para sistemas de pressurização. A energia consumida e os materiais utilizados por um sistema dependem das características da bomba. eles são parte integrante de um sistema indissociável entre si. Quando o CCV é utilizado como uma ferramenta de comparação entre diferentes alternativas. ambientais. prevenção da poluição e tecnologias para aplicações industriais. energéticos. • O Departamento de Energia dos Estados Unidos. No presente documento optou-se por seguir a metodologia proposta pelas seguintes entidades: • O Instituto Hidráulico (HI). colecta. A avaliação dos custos do sistema ao longo da sua vida útil. os grupos electrobomba embora sejam geralmente adquiridos como componentes individuais. O Europump serve e promove a indústria europeia das bombas hidráulicas.). 5. 2000).Consumo mundial de energia eléctrica Trata-se portanto de um consumo significativo. promove parcerias com indústrias e grupos de comércio. operação. A minimização dos custos globais nem sempre é uma tarefa fácil. age como porta-voz dos 15 principais fabricantes de bombas e representa mais de 400 fabricantes.2 O que é o Custo do Ciclo de Vida? O Custo do Ciclo de Vida (CCV) é uma ferramenta de gestão que pode ajudar a minimizar os desperdícios e a maximizar o rendimento para variados tipos de sistemas. sendo principalmente onerosos em grande parte dos sistemas industriais. Como qualquer investimento. o processo de cálculo do CCV indicará. ensaios. ao longo da sua vida útil. assim como uma longa durabilidade. Estima-se que o elevado número de sistemas de bombeamento existentes a nível mundial. incluindo sistemas de bombeamento. Estabelece padrões e organiza fóruns para a troca de informações técnicas há mais de 80 anos. é a maior associação de produtores e de fornecedores da América do Norte. instalação. Como exemplo. A correcta escolha de todos os componentes de um sistema de bombeamento apresenta-se assim como uma oportunidade para uma redução nos custos globais da instalação. principalmente numa altura em que a questão energética assume um importante papel na economia nacional. com base nas informações disponíveis. nos equipamentos electromecânicos o custo de aquisição poderá representar apenas 10% dos custos globais associados a esses equipamentos. industrial. da instalação e do modo como o sistema irá operar. Representa os custos de aquisição. fundado em 1917.

talvez motivado pela grande evolução tecnológica verificada nos últimos anos. especialmente pela via da minimização dos consumos energéticos e dos tempos de paragem da produção. tubagens. A crescente competitividade dos mercados nacionais e internacionais obriga a um esforço contínuo de modo a aumentar a competitividade. o escalonamento esperado nos anos vindouros. desmontagem e desmantelação final do equipamento e os de origem ambiental. Os sistemas existentes podem contribuir com uma maior fatia na redução da energia consumida através da utilização da metodologia do cálculo do CCV por duas razões: A primeira porque existem pelo menos 20 vezes mais sistemas em operação do que os colocados anualmente em operação e.Repartição média dos custos globais em sistemas de bombeamento Muitos sistemas são concebidos considerando apenas o investimento inicial. O processo em si é basicamente matemático. Os sistemas de bombeamento têm muitas das vezes um período esperado de operação de 15 a 20 anos. Considerações adicionais deverão ser tomadas em relação às perdas de produtividade devido aos tempos de paragem. etc. Custos de Manutenção ( 10% ) Custos do Investimento ( 5% ) 5. como sendo a soma das seguintes parcelas: Fig. A escolha destes equipamentos deve ser efectuada com base em cálculos onde os detalhes do projecto do sistema devem ser tidos em conta. mas extremamente dependente da informação disponível. assim como os custos de mão-de-obra e dos materiais ao longo do ciclo de vida do equipamento. sendo de difícil quantificação.) Custo de instalação e ensaios (arranque e formação do pessoal) Custos energéticos (operação do sistema incluindo controlos e quaisquer serviços auxiliares) Custos de operação (mão de obra e supervisão normal do sistema) Custos de manutenção e reparação (reparações previstas e de rotina) Custos de paragens (perda de produção) Custos ambientais Custo de desmontagem e desmantelação (incluindo a restauração ambiental do local e serviços de destruição do equipamento) 94 . A redução e o desperdício energético representam ainda um papel importante em benefícios ambientais. a metodologia proposta apresenta os custos do ciclo de vida. Em alguns casos os custos de indisponibilidade podem ser mais significantes que os custos energéticos ou de manutenção. Deste modo a comparação deve ser efectuada entre diferentes tipos de sistema ou de controlo. O exercício deve ser objectivo na análise e âmbito podendo no entanto ser lato nas alternativas analisadas. Alguns estudos mostram que 30% a 50% da energia consumida pelos actuais sistemas de bombeamento podem ser poupados através da alteração dos controlos dos sistemas (Europump.Custos globais Custos de Exploração ( 85% ) A análise do CCV. Com base nos estudos efectuados em problemas deste tipo. Sistemas de bombeamento . É portanto de extrema importância a forma precisa de determinar os custos energéticos actuais. muitas empresas começam a estar cada vez mais sensíveis ao impacto ambiental nos seus negócios.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia Uma maior compreensão de todos estes pormenores constituirá uma oportunidade para a redução dramática dos custos energéticos. e consideram o rendimento energético como uma via contribuinte para a redução de emissões de gases e deste modo preservar os recursos naturais. serviços de apoio.4 Determinação do Custo do Ciclo de Vida O processo do CCV é um método que permite a comparação de soluções alternativas. Para a maioria de empreendimentos os custos energéticos e/ou de manutenção dominarão os Custos do Ciclo de Vida. Outros custos como por exemplo os de paragens. As empresas devem procurar soluções que visem a redução dos custos globais e o aumento dos rendimentos operacionais. continua a merecer uma particular atenção como fonte de poupança de custos. 2000). Adicionalmente às razões económicas para justificar a utilização da metodologia do CCV. bombas. podem muitas das vezes ser estimados com base em dados históricos. originando sistemas que apresentam grandes custos de manutenção e exploração. CCV = Cci + Cin + Ce + Co + C m + C pp + Ca + Cd onde: (1) Cci Cin Ce Co Cm C pp Ca Cd Custos iniciais (custos de construção civil. 2 . em segundo lugar porque muitos dos sistemas em operação possuem bombas ou controlos que não estão ajustados às necessidades actuais. factores determinantes no Custo do Ciclo de Vida (CCV) da instalação. em termos de custos. A operação. acessórios. quer em novos empreendimentos quer em remodelações requer sempre uma avaliação de sistemas alternativos. logo os resultados do processo apresentam certamente um grau de fiabilidade similar ao dos dados de base. principalmente no sector fabril. de exploração e de manutenção.

Estes detalhes. • Avaliações e regulações no arranque. • É determinante para estes custos o diâmetro das tubagens e acessórios. No funcionamento paralelo. necessárias ao arranque do sistema. Estes podem variar muito dependendo da complexidade e função do sistema. O consumo energético é calculado através dos dados colhidos no projecto do sistema. • Processo de aquisição. • Inspecção e testes. • Os ensaios requerem uma especial atenção às instruções do fabricante para a execução do arranque e operação. • Uma instalação completa dos equipamentos electromecânicos envolve requisitos de operação e manutenção que serão assegurados por pessoal com formação para operar o sistema. aproximando em seguida os volumes bombeados ou horas de funcionamento relativos a cada um destes. Este facto pode originar a que seja menosprezada a sua importância final nos custos globais. a qualidade e fiabilidade do sistema seleccionado. • Ligações eléctricas e de instrumentação. • Equipamentos auxiliares para sistemas de vedação ou arrefecimento. deverão ser efectuados cálculos separados para os vários pontos de funcionamento. • Formação. • Ligações a sistemas auxiliares. podem originar custos iniciais mais elevados mas reduzirem o CCV de uma forma considerável. desenhos. especialmente quando o tempo de operação das bombas ultrapassa as 2000 horas de operação / ano. circulação e/ou dissipação de calor etc. 95 . Se as solicitações são muito variáveis no tempo. Enquanto que nas restantes parcelas os custos associados a equipamentos electromecânicos são dominantes. então dever-se-á utilizar um registo horário das necessidades para se efectuar o respectivo cálculo. Deverá ser seguida a lista de verificações proposta pelo fabricante de modo a assegurar que os equipamentos e o sistema possam operar dentro de parâmetros específicos. o seu comportamento com o fluido bombeado. neste o seu valor relativo pode vir diluído com o valor da construção civil. Nestes casos devem ser incluídos os custos do fluido. Custos de instalação e ensaios • Os custos de instalação e ensaios (arranque) incluem os seguintes itens: • Fundações (projecto. filtragem.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia Os parágrafos seguintes examinam cada uma das parcelas e levantam sugestões para a determinação de cada parâmetro. • Construção civil. a energia será: E (kWh ) = ∫ γ × Q(t )× H (t ) dt ηc ×ηm to ηc(t) x ηm(t) t1 (3) • Os custos energéticos de serviços auxiliares também devem ser incluídos. • Ligações de tubagens de processo.a) η c − Rendimento da bomba η m − Rendimento do motor Logo. Outro factor de incerteza para o cálculo do consumo de energia de bombas com conversor de frequência é o facto do rendimento geral do sistema ser difícil de calcular com exactidão. Custos de operação • Os custos de operação são os associados à mão-de-obra relacionados com a operação do sistema. o cálculo é simples. etc. Detalhando: Custos iniciais • Este tipo de custos refere-se aos custos necessários para a compra e instalação de equipamentos e obras de construção civil. Custos energéticos • O consumo energético é frequentemente uma das parcelas com maiores custos e geralmente domina o valor final do CCV. os empanques instalados. os controlos integrados. Uma bomba com conversor de frequência tem um número infinito de pontos de funcionamento.c. os materiais utilizados. Se as solicitações ao sistema são constantes. betão etc. • Peças de reserva. especificações etc. A situação torna-se mais complexa com bombas em funcionamento paralelo ou se a bomba for utilizada com um conversor de frequência. Estes custos podem ser referentes a circuitos de aquecimento ou arrefecimento de fluidos de processo. Por exemplo uma bomba instalada em ambientes corrosivos pode requerer verificações diárias. entre outros. preparação. • Os custos iniciais incluem geralmente os seguintes itens: • Serviços de Engenharia (estudos. A fórmula do cálculo da potência requerida é a seguinte: P (kW ) = em que: γ ×Q× H η c ×η m (2) P − Potência (kW ) γ − Peso específico do líquido (kN/m3 ) Q − Caudal (m 3 /s) H − Altura manométrica (m. projecto.). Dever-se-á ter em atenção que este cálculo não inclui a análise a custos de segunda ordem como por exemplo as matérias-primas consumidas no fabrico de produtos. • Os métodos de cálculo da energia são relativamente simples quando a bomba é utilizada num único ponto de funcionamento.).

As maiores actividades requerem frequentemente a remoção da bomba do local de instalação para as oficinas. • Existem também factores financeiros a serem tomados em consideração no desenvolvimento do CCV. radioactivos ou qualquer outro tipo agressivo.5 Implementação da metodologia 5. • Taxa de juros. mas também dos custos dos materiais. Custos ambientais • O custo da destruição de fluidos contaminantes durante o tempo de vida de um sistema de bombeamento varia bastante dependendo da natureza do produto bombeado. gamas de caudais. o CCV torna-se particularmente sensível à vida útil do equipamento. selecção dos componentes e mesmo da facilidade de acesso aos componentes a serem intervencionados. da sua capitação ou mesmo da taxa de ligação ao longo do tempo. • O programa de manutenção pode ser cumprido com menor frequência mas com maior atenção aos detalhes ou com maior frequência mas com intervenções mais simples. sob o risco de representarem externalidades. Custos totais do ciclo de vida • Os custos estimados para as várias parcelas depois de somadas permitem uma comparação das diferentes soluções analisadas. Quando a destruição tem um custo demasiado elevado. Uma análise periódica das condições de funcionamento do sistema pode alertar os operadores para eventuais perdas de desempenho do sistema. Existem procedimentos legais e regulamentares para líquidos tóxicos. • O custo total da manutenção de rotina é o resultado do produto dos custos por intervenção pelo número de intervenções esperadas durante o ciclo de vida da bomba. o custo da desmantelação de um sistema de bombeamento tem pequenas variações em relação a diferentes concepções. Custos de manutenção e reparação • O alcance da longevidade esperada para uma bomba. destruição e outros custos importantes. ruído. Estes incluem: • Preços actuais da energia. Uma quantidade considerável das perdas da energia no sistema são devidas às perdas de carga contínua. Se for utilizado um equipamento de reserva. O fabricante aconselhará a frequência e a natureza da manutenção periódica. Por exemplo. Exemplos de contaminação ambiental podem incluir: destruição da caixa do empanque. uso de peças contaminadas etc.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia enquanto um sistema semelhante com outro fluido pode apenas necessitar de supervisões limitadas. bombeamento de produtos corrosivos. • Taxa de inflação. • Vida útil esperada para o equipamento. Um sistema mais flexível na exploração pode apresentar uma mais valia acrescida. pressão etc. temperaturas. requer uma manutenção regular e eficiente. 96 . O projecto pode influenciar estes custos por indicação específica de alguns materiais. podem ser estimadas estatisticamente pelo cálculo do tempo médio entre avarias. Os indicadores de desempenho incluem alterações em vibrações. Será importante analisar a sensibilidade ou adaptabilidade do sistema escolhido a situações diferentes das previstas no projecto. • O custo de perda de produção ou de indisponibilidade podem ser considerados dependente do tempo de paragem e devem ser analisados para cada caso específico. estando directamente dependentes do diâmetro da tubagem e dos restantes componentes do sistema. As características da tubagem do sistema devem ser calculadas a fim determinar o desempenho requerido da bomba. nos sistemas de distribuição de água doméstica existe a incerteza do crescimento populacional. o custo inicial será mais elevado mas os custos de manutenção não programada incluirão apenas os custos da reparação. Custos de paragens e perdas de produção • O custo de paragens imprevisíveis e de perdas de produção podem ser uma parcela muito significativa no valor CCV e pode rivalizar com os custos energéticos ou com os custos de peças de substituição. paragens. Adicionalmente o utilizador deve decidir quais os custos a incluir. O projecto deve considerar a interacção entre a bomba e o resto do sistema e o cálculo do ponto de operação do sistema. Custo de desmontagem e desmantelação • Na maioria dos casos. tais como a manutenção. Os custos de aquisição e os custos operacionais totalizam o custo total de uma instalação durante sua vida. Na maior parte das vezes os custos de paragem são inaceitáveis por representarem custos superiores à instalação de um equipamento de substituição ou reserva. Isto aplica-se quer a sistemas simples quer a sistemas mais complexos. Os custos dependem do tempo e da frequência do serviço. • Embora as avarias não possam ser previstas.5. Estes custos podem ser minimizados por uma programação cuidada e atempada da paragem. consumo energético. mas também às verificadas em singularidades.1 Na fase de projecto A concepção e o projecto do sistema serão sempre o elemento mais importante na minimização do CCV. • Actualização do valor anual da energia. Durante esse tempo a unidade está indisponível podendo haver perda total na produção ou um custo de substituição temporária. ambiental. Os custos de infracção ambiental deverão ser incluídos. 5.

5. graças à capacidade de processamento. tão exacto quanto possível do sistema e depois simulam-se as pressões e os caudais dentro do modelo. • Escolher bombas e sistemas novos usando considerações do CCV. • Considerar a duração dos diferentes pontos de funcionamento da bomba. • Considerar a energia desperdiçada em válvulas de controlo. Não obstante o método usado. • Efectuar mudanças à bomba para minimizar a carga no sistema. ser substituídos por programas informáticos. • Combinar o tipo da bomba à solicitação pretendida. mas completam-se. • Equilibrar o sistema para encontrar os diferentes fluxos e cargas requeridas. As tubagens devem assim ser dimensionadas por critérios de minimização dos custos globais. • Considerar uma velocidade máxima de modo a minimizar a erosão na tubagem e acessórios. Fig. mas outros diminuirão.2 Aplicação a sistemas existentes As seguintes etapas indicam algumas tarefas que podem identificar pontos onde poderá ser possível melhorar um sistema de bombeamento existente: • Realizar um inventário completo do sistema de bombeamento. resultando a necessidade de motores com maior potência. A seguinte lista de verificações fornece alguns tópicos úteis para reduzir o Custo do Ciclo de Vida de um sistema de bombeamento existente: • Considerar todos os itens com custos relevantes no Custo do Ciclo de Vida. o objectivo é ficar com uma ideia exacta de como as várias partes do sistema operam e identificar onde as melhorias podem ser feitas e o sistema optimizado. • Avaliar a eficácia do sistema. Observar o sistema permite ver como o sistema se comporta. • Considerar diâmetros padrão da tubagem em instalações semelhantes. O ponto de funcionamento de um sistema é determinado pela intersecção da curva da instalação e da curva característica do equipamento de pressurização como mostrado em Figura 3. Os longos e fastidiosos cálculos associados ao cálculo das perdas de carga podem hoje. um dos quais determinará a escolha da bomba. e caudais). enquanto que no segundo cria-se um modelo matemático. 97 . • Combinar o equipamento às necessidades do sistema para o máximo rendimento. Deve ser considerado com atenção a duração prevista para os diferentes pontos de funcionamento de modo a seleccionar correctamente o número de bombas a instalar e o comando e controlo. • aumentam os custos de energia eléctrica. • Optimizar o custo total considerando custos operacionais e custos de aquisição. • Identificar bombas com custo de manutenção elevado. O primeiro método confia em observações efectuadas no sistema (pressões. Diminuir o diâmetro das tubagens tem os seguintes efeitos: • diminuem os custos de aquisição de tubagens e acessórios da instalação. O primeiro consiste em observar as condições de operação do sistema "in-situ". e o segundo consiste em executar cálculos usando as equações da mecânica dos fluidos. • Especificar motores de elevada eficiência. pressões diferenciais. • Seguir as normas do fabricante. Analogamente. • Avaliar as perdas de carga no sistema. alguns custos aumentam com tamanho crescente da tubagem como por exemplo os de aquisição. • Optimizar a manutenção preventiva. • Considerar um diâmetro interno mínimo quando se transportam líquidos com sólidos. facilitando significativamente o processo de cálculo. podem-se facilmente simular várias alternativas do sistema. • aumentam os custos da instalação da bomba e de operação em consequência do aumento de perdas de carga.Ponto de funcionamento de um sistema Um sistema pode necessitar de operar em diversos pontos de funcionamento. Os dois modelos não são incompatíveis. mas as exigências operacionais do sistema limitam o âmbito da experimentação.5. • Não sobredimensionar a bomba. • Utilização de velocidades económicas.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia O diâmetro da tubagem deve então ser seleccionado com base nos seguintes factores: • Economia da instalação (bombas e sistemas). • Monitorizar a bomba e o sistema. Dois métodos podem ser usados na análise de sistemas de bombeamento existentes. • aumentam os custos de operação em consequência do maior consumo energético devido ao aumento de perdas por atrito. • Determinar os fluxos requeridos para cada carga no sistema. 3 . mas antes o modelo deve ser validado para assegurar que representa exactamente o sistema que se está a estudar. Desenvolvendo um modelo do sistema.

• O custo anual para a manutenção periódica das bombas é de 500 € por ano. • Este projecto tem uma vida de 8 anos.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5. b) Alterar o impulsor da bomba para reduzir a altura manométrica.6. Antes da troca da válvula de controlo.1 Sistema de bombeamento existente com uma válvula de controlo de caudal Neste exemplo.20% e com um considerável ruído de cavitação. Em consequência do grande diferencial de pressão.000 horas/ano. foram consideradas outras opções e executada uma análise de custo do ciclo de vida às soluções alternativas. descobriu-se que a bomba instalada estava sobredimensionada (110 m3/h em vez de 80 m3/h previstos). • Considerou-se o custo anual de manutenção periódica de um variador de frequência de 500 €/ano. e remover a válvula de controlo. Um permutador de calor aquece o líquido. Na análise do CCV efectuada utilizaram-se os seguintes critérios e suposições: • O preço de energia actual é actualmente 0. admitindo uma reparação anual da válvula. • Não há nenhum custo de eliminação ambiental associada. originando uma maior perda de pressão através da válvula de controlo do que inicialmente estimado.6 Exemplos de aplicação do Custo do Ciclo de Vida 5. Reservatório Reservatório Pressurizado Válvula de Controlo Permutador de Calor Fig. com um custo da reparação de 2 500 € cada segundo ano. Os cálculos do Custo do Ciclo de Vida para cada uma das quatro opções são resumidos no Quadro 1. Fig. 4 . demonstrando que a válvula instalada não é apropriada para este processo.Sistema de bombeamento estudado O sistema apresenta problemas na válvula de controlo (VC) que falha devido à erosão causada pela cavitação. O custo de energia anual com o impulsor menor é 6 720 € por o ano. A substituição da válvula de controlo apresenta um custo de aquisição e instalação de 5000€. um circuito de bombeamento transporta um líquido contendo alguns sólidos de um tanque de armazenamento para um tanque pressurizado. De modo a equacionar várias alternativas analisou-se o actual funcionamento do sistema.08 €/kWh e a eficiência do motor de 90%. c) Instalar um Variador de Frequência (VF). acrescidos de 1 500 Euros adicionais para a instalação e 500 € anuais para manutenção. A válvula tem apresentado avarias a cada 10 a 12 meses com um custo médio de 4 000 EUROS por reparação. Bomba Alterando o diâmetro do impulsor para 375 milímetros. 98 . Após a revisão dos cálculos do projecto. As seguintes opções foram estudadas: a) Substituir a válvula de controlo de modo a suportar o grande diferencial de pressão. Na figura seguinte apresenta-se um esquema simplificado do sistema.0 m e 80 m3/h.Pontos de funcionamento de cada alternativa estudada. • A taxa de juro foi de 8% e uma taxa de actualização de 4% é esperado. Um variador de frequência de 30 kW tem um custo de 20 000 €. e uma válvula de controlo regula o caudal no tanque pressurizado a 80 m3/h. valor que inclui o custo de desmontar e remontar a bomba. Esta perda de pressão reduz a pressão diferencial através da válvula de controle em 10 m. a válvula apresenta danos de cavitação em intervalos regulares. Espera-se que não seja necessário nenhuma reparação nos 8 anos seguintes. Está a ser considerada a substituição da válvula existente por outra que possa resistir à cavitação. 5 . aproximando a válvula do ponto para que foi projectada. Na figura 5 são apresentados os pontos de funcionamento associados a cada uma das soluções. Verificou-se que a válvula de controlo opera actualmente com uma abertura de 15 . • O processo é operado em 80 m3/h em 6. d) Manter o sistema actual. a carga total da bomba é reduzida a 42. Parece que a válvula não se encontra correctamente adaptada à instalação. Mantendo o sistema inalterado resultará num custo anual de 4 000 € para reparação da válvula. aos quais deve ser acrescentado 2 250 € para alterar o impulsor.

088 500 2. Para garantir a pressão residual mínima.CUSTOS DE CICLO DE VIDA (CCV) DAS VÁRIAS SOLUÇÕES ESTUDADAS Alternativa A Investimento inicial (€) Custo da energia (€/kWh) Potência média absorvida (kW) Horas por ano Custo de energia (€) Custos de manutenção (€) Custos de reparação (cada 2 anos) (€) Outros custos anuais (€) Custos ambientais (€) Custos de desmantelação (€) Vida útil (anos) Taxa de juro (%) Taxa de actualização (%) Valor de CCV (€) 5. com base nos pressupostos apresentados.1 6. cujas parcelas do CCV são apresentadas no quadro 3. Foram comparadas as seguintes soluções: a) Elevar a água para um reservatório superior. com um caudal de ponta de 18.08 23.000 11. Para este sistema optou-se pela instalação de duas bombas do tipo "CR 15-5". alterar o impulsor. 99 . tem o Custo do Ciclo de Vida mais baixo e apresenta-se como a solução economicamente mais favorável.0 Bar.500 8 8 4 74.481 Alternativa C 21.000 0.500 8 8 4 91.000 6.500 8 8 4 59.6 m3/h.08 23.1 6. Existe portanto um único ponto de funcionamento como é demonstrado na figura seguinte: 5. Altura Manométrica Caudal Fig.500 4. por ciclos.6.6 6. b) Instalar uma central hidropneumática de velocidade fixa.08 14.088 500 2.720 500 2.250 0. 6 O funcionamento do sistema de pressurização funcionará. o qual abastecerá graviticamente toda a rede doméstica.568 1 000 2. em função do volume do reservatório superior.000 5.0 6.930 A opção B.000 8 8 4 113. a altura manométrica deverá ser de 5. no aparelho mais desfavorável.313 Alternativa D 0 0.827 Alternativa B 2. c) Instalar uma central hidropneumática de velocidade variável. semanal ou mensal) o volume de água elevado será igual ao volume de água consumido. No final de um ciclo (diário.000 11.08 11.2 Escolha do sistema de pressurização na fase de projecto Neste exemplo será analisado o Custo do Ciclo de Vida para diferentes sistemas de pressurização a um edifício de habitação.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia QUADRO 1 . De modo a simplificar a análise considera-se que o sistema de pressurização será alimentado directamente de um reservatório com nível constante onde a água é mantida à pressão atmosférica. deverá ser instalado um reservatório superior a uma cota que permita uma pressão residual.500 0. a) Elevar a água para um reservatório superior Nesta opção.

logo a curva característica da instalação varia conforme é demonstrado na figura 8b. Os ciclos de funcionamento estão muito dependentes do consumo dos caudais na rede. dentro dos limites impostos pelo equipamento electromecânico e pela instalação. Por outro lado. b) Fig. Optou-se pela instalação de uma central hidropneumática de velocidade fixa do tipo "Hydro 1000" composta por três bombas "CR 10-7". ao longo da curva característica da bomba. Na figura 8d é apresentado a gama de pontos de funcionamento admitida por este sistema. Trata-se de uma simplificação conservativa uma vez que em muitas situações o consumo de energia será inferior ao simulado. Consequentemente o caudal na rede variará entre os valores estabelecidos para arranque e paragem dos grupos. a velocidade de rotação da bomba pode variar. É assim possível responder a uma grande variabilidade de situações. a pressurização será realizada por ciclos. 7 c) Instalar uma central hidropneumática com variador de frequência. Na análise de custos considerou-se o seguinte perfil de carga: QUADRO 2 . Os valores do CCV são resumidos no quadro 3. Os gastos de energia são mais difíceis de estimar porque a variabilidade real dos caudais também o é. Neste sistema existe um conjunto de pontos de funcionamento. a análise do sistema é mais complexa uma vez que o bombeamento será directamente efectuado para a rede de distribuição.Curvas características Fig. Assim. conforme é apresentado na figura 7. Nesta solução.PERFIL DE CARGA CONSIDERADO 1 Caudal (%Qp) Pressão (%Pmáx) Tempo (h) 100 100 150 2 75 100 300 3 55 100 450 4 35 100 900 5 12 100 1500 Nas figuras seguintes são apresentadas as possíveis alterações às curvas características da bomba e da instalação. existe uma variação nos caudais bombeados. a curva característica da instalação variará por aumento do caudal (Fig 8a). existindo por vezes desfasamento entre os consumos dos aparelhos de diferentes pisos. para a mesma altura geométrica. 9 100 .O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia b) Instalar uma central hidropneumática de velocidade fixa. logo a curva característica da bomba toma as formas apresentadas na figura 8c. Trata-se portanto de um sistema com grande flexibilidade. O sistema de pressurização consegue assim satisfazer um grande número de solicitações ou leis de consumo. acompanhando portanto as flutuações de caudais verificados nesta. embora de funcionamento mais simples. 8 . há variação do termo independente do caudal (a altura geométrica). Em primeiro lugar. Fig. Há ainda a considerar que num sistema desta natureza. relativamente às situações anteriores. No presente exemplo foi estimado o mesmo perfil de carga definido para o sistema anterior. entre a pressão máxima e mínima (estabelecida em função do caudal provável e a pressão residual no aparelho mais desfavorável). junto ao reservatório inferior Neste sistema.

os gastos de energia representa 24%. Relativamente aos valores do CCV. 33% e 26% para as alternativas A. Os custos anuais de manutenção para as alternativas A e B são de 500 € e 400 € para a alternativa C. Embora não tenha sido considerado no presente cálculo. (**) -"Hydro 1000 C/S 3xCR 10-7".5 3.038 (***) .CUSTOS DO CICLO DE VIDA (CCV) DAS VÁRIAS SOLUÇÕES ESTUDADAS Alternativa A(*) Investimento inicial (*)(€) Custo da energia (€/kWh) Consumo de energia (kWh/ano) Custo de energia (€/ano) Custos de manutenção (€/ano) Custo médio de reparação (€/ano) Outros custos anuais (€) Custos ambientais (€) Custos de desmantelação (€) Vida útil (anos) Taxa de juro (%) Taxa de actualização (%) Valor de CCV (€) (*) . Situação inversa é verificada na alternativa B.08 6. • Não há nenhum custo de eliminação ambiental associada.655 452.5 3.32 400 500 20 3.5 38. 101 . de salubridade e de sobrecarga na estrutura do edifício. Os cálculos do Custo do Ciclo de Vida para cada uma das quatro opções são resumidos no quadro 3. a alternativa A pode apresentar problemas associados à exequibilidade da construção do reservatório à cota pretendida.900 0.850 0. com base nos dados e pressupostos utilizados.5%."2xCR 15-5".990 + 2. • O custo anual para reparação das bombas é de 500 € por ano. • O preço de energia actual é 0. a alternativa C apresenta os maiores custos de primeiro investimento mas os menores em energia e manutenção.4 500 500 20 3.3 500 500 20 3."Hydro 2000 ME 3xCR 10-6" Nesta análise pode-se contactar que.5 37.08 8.08 €/kWh.806 Alternativa C(***) 9.08 5.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia Na análise do CCV efectuada utilizaram-se os seguintes critérios e suposições: • Os custos dos equipamentos electromecânicos são valores médios de mercado.066 654. • Não foram considerados os custos associados à construção do reservatório superior.5 3. Alternativa B(**) 5.5 37. uma vez que assume valores entre a mesma ordem de grandeza do investimento inicial (alternativa C) e o dobro do investimento inicial (alternativa B). • Foi desprezado o custo da energia a diferentes horas do dia. Pode-se ainda verificar que a parcela energia não é desprezável no valor final do CCV. QUADRO 3 . respectivamente. • Este projecto tem uma vida de 20 anos.154 492.696 5. B e C.000 0. • A taxa de juro e a taxa de actualização foram consideradas iguais a 3.

"Theoretically attainable efficiency of centrifugal pumps". 2000. "Study on improving the efficiency of pumps". VDMA project . and Lauer. Hydraulic Institute. "Study on improving the energy efficiency of pumps".. Sieglinde K. US Department of Energy. Federal Energy Management Program. Stoffel. B. "Pump life cycle costs: A guide to LCC analysis for pumping systems'.SAVE. (ISBN 1-880952-58-0) European Commission. J. February 2001 European Commission . Technical University of Darmstadt. "Life-cycle costing manual". Petersen.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5.. 2001.Final report. 1994.7 Referências bibliográficas Europump. Fuller. Stephen R. 1995 102 .

SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO GRUNDFOS Autor: Florindo Maia Director de Apoio a Projectistas Bombas Grundfos Portugal 103 .Sistemas de Pressurização Grundfos 6.

104 .

nas versões de velocidade fixa e velocidade variável. O grupo electrobomba funcionará para que o depósito seja novamente enchido até atingir a pressão de paragem pré-regulada. Código de identificação Hydro100 Gama Grupo hidropneumático Tipo grupo electrobomba Capacidade do depósito HP CR5-8 80 6.2.1. e consequentemente o sistema está sobre pressão.2 Sistema Hydro 100 HM Constituição Este sistema hidropneumático é constituído por 2 ou mais grupos electrobomba montados numa base comum.1 Sistema Hydro 100 6.1. manómetro. constituem um conjunto compacto e caracterizam-se por incorporar electrobombas e todos os componentes de controlo. 6. acessório de intersecção e depósito de membrana. Os controlos diferenciam os vários sistemas de pressurização permitindo ajustá-los às exigências da instalação. Não existindo consumo de água. Havendo necessidade de consumo. Os sistemas de pressurização. pressóstato.Sistemas de Pressurização Grundfos 6. integrando uma ou mais electrobombas.1 Introdução Neste capítulo apresentamos as várias soluções práticas com que os sistemas de pressurização são comercializados pela Grundfos. incluindo válvula de retenção. quadro eléctrico. colector de compressão comum. o grupo electrobomba não funciona dado que o depósito está com uma reserva de água. de potência e hidráulicos que permitem o seu funcionamento integral.1 Sistema Hydro 100 HP Constituição É constituído por um grupo electrobomba montado numa base. com variação de velocidade integrada. Diagrama de princípio Diagrama de princípio Depósito de Membrana Pressóstato Manómetro Contactor Grupo electrobomba Válvula de Retenção Válvula de Seccionamento Simbologia VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO COLECTOR PRESSÓSTATO MANÓMETRO CABOS ELÉCTRICOS QUADRO ELÉCTRICO Limite de fornecimento Válvula de pesca DEPÓSITO TUBAGEM 105 . Modo de funcionamento No acto da instalação deve-se proceder à regulação do pressóstato em função da pressão de arranque e paragem pretendida. obtendo-se diferentes níveis de eficiência e fiabilidade de exploração. tendo uma válvula de seccionamento e retenção por grupo electrobomba. depósito de membrana. manómetro. será a reserva de água existente no depósito sob pressão que fornecerá esta até à pressão de arranque do grupo electrobomba.2.2 Sistemas de pressurização com grupos electrobomba de velocidade fixa 6. pressóstatos (um por grupo electrobomba). podendo como opcional ser equipado o quadro eléctrico e respectivo suporte de fixação. podendo porém ser utilizados outros tipos de electrobombas de superfície ou submersíveis. Nos exemplos apresentados são sempre referidas as electrobombas multicelulares verticais CR ou CRE.2.

Sistemas de Pressurização Grundfos Modo de funcionamento O depósito de membrana fornece água a consumir desde que os grupos electrobomba estejam parados. Se o consumo de água continuar a aumentar. colector de compressão comum. parando assim que atinja a pressão pretendida. VÁLVULA DE RETENÇÃO MANÓMETRO PRESSÓSTATO PORTA ELÉCTRODO VISOR DE NÍVEL CABOS ELÉCTRICOS QUADRO ELÉCTRICO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO VÁLVULA DE SEGURANÇA GRUPO ELECTROBOMBA RESERVATÓRIO VÁLVULA DE RETENÇÃO DE AR COMPRESSOR TUBAGEM COLECTOR 106 . se o consumo de água continuar a aumentar. Ao reduzir o consumo de água. a pressão na descarga aumentará e o controlador após receber esta informação do pressóstato. manómetros. pressóstatos (um por grupo electrobomba e compressor de ar). apenas quando um dos grupos electrobomba começar a funcionar e seja detectado nível mínimo no reservatório. e de retenção por grupo electrobomba. quadro eléctrico. Assim que haja consumo de água. Código de identificação Hydro100 HM Gama Central com depósito N. os restantes grupos electrobomba entram em funcionamento.2. Quando o consumo de água diminuir.º de grupos electrobomba Tipo do grupo electrobomba Capacidade do depósito 2 CR5-10 80 Código de identificação 6.3 Sistema Hydro 100 HS Constituição Este sistema hidropneumático é constituído por 2 ou mais grupos electrobomba. assim que atingem as respectivas pressões de paragem. quadro eléctrico completo com unidade electrónica CS 1000 e depósito de membrana.2. tendo uma válvula de seccionamento. Modo de funcionamento Este sistema efectua o sistema de arranque e paragem por intermédio da regulação dos pressóstatos em sistema de cascata. colector de compressão comum. reservatório de água sem membrana equipado com sistema de controlo de nível.º de grupos electrobomba Tipo de grupo electrobomba Capacidade reservatório CR32-5 1500 Diagrama de princípio 6. Simbologia Para além dos grupos electrobomba principais. montados numa base comum. pressóstatos. dará ordem de paragem dos grupos electrobomba. tendo uma válvula de seccionamento e retenção por grupo electrobomba. mais grupos electrobomba arrancam em cascata até conseguirem fornecer o caudal necessário para manter a pressão dentro do intervalo regulado. também poderá funcionar com uma electrobomba de baixo caudal com um grupo electrobomba auxiliar ( jockey).2. Após a pressão descer abaixo do valor mínimo. manómetro. em sequência (um a um). um dos grupos electrobomba arranca.1. O compressor arranca quando solicitado. o primeiro abastecimento é efectuado pelo reservatório. o primeiro grupo electrobomba entra em funcionamento. Hydro100 HS 2 Gama Central com reservatório N. montados em paralelo sobre uma base comum.2. Quando a pressão baixa até ao ponto de regulação.1 Sistema Hydro 1000 CS Constituição É constituído por dois a quatro grupos electrobomba verticais CR. a pressão de descarga sobe e os grupos electrobomba são desligados em sequência inversa.2 Sistema Hydro 1000 6.

2. O controlador CS 1000 altera a ordem de arranque após a paragem dos grupos electrobomba.1 Sistema Hydro 2000 MS Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 é constituído por 2 a 6 grupos electrobomba CR em paralelo montados numa base comum. A central Grundfos Hydro 1000 mantém a pressão praticamente constante através da activação ou desactivação de grupos electrobomba. GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO 107 . Diagrama de princípio Um grupo electrobomba em funcionamento. dependendo das necessidades. GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Código de identificação HYDRO 1000 Tipo Controlo arranque/paragem Número de grupos electrobomba Tipo de grupos electrobomba Capacidade depósito CS 3 CR10-6 300 Modo de funcionamento Quatro grupos electrobomba iguais controlados através de pressóstatos e um depósito de membrana. 6.Sistemas de Pressurização Grundfos Diagrama de princípio Três grupos electrobomba em funcionamento.3.3 Sistema Hydro 2000 6. Desta forma o tempo de funcionamento é distribuído entre os grupos electrobomba.2. providos com todos os acessórios necessários e quadro eléctrico de comando com Controlo 2000.

através do comando. Um grupo electrobomba principal e um grupo electrobomba auxiliar com 50% da capacidade do grupo electrobomba em funcionamento. três grupos electrobomba principais idênticos. com controlo por arranque-paragem através dos contactores-arrancadores. Um grupo electrobomba com 50% da capacidade do grupo electrobomba principal.3. Três grupos electrobomba em funcionamento. e depende da carga. depósito de membrana. A central supressora Hydro 2000 MS mantém uma pressão quase constante.2. Modo de funcionamento Um grupo electrobomba auxiliar com 50% da capacidade de um grupo electrobomba principal. 108 . pelo facto de ser determinada automaticamente.2 Hydro 2000 MSH Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 MSH é constituído por 2 a 6 grupos electrobomba. período de tempo ou de avaria. A alternância de funcionamento dos grupos electrobomba é automática. sendo um grupo electrobomba auxiliar com 50% de capacidade dos grupos principais. através dos contactores-arrancadores e depósito de membrana. A pressão de paragem (Hstop) não pode ser configurada. ligando ou desligando os grupos electrobomba.Sistemas de Pressurização Grundfos Modo de funcionamento Quatro grupos electrobomba idênticos com controlo por arranque/paragem. em funcionamento. 6. Diagrama de princípio GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Um grupo electrobomba em funcionamento. conforme as necessidades.

manómetro. dependendo das necessidades. transdutor de pressão. A alternância entre os grupos electrobomba principais é automática e depende da carga.3. O grupo electrobomba auxiliar arranca sempre em primeiro lugar e pára quando um grupo electrobomba principal entra em funcionamento. mantém uma pressão quase constante. período de tempo ou de uma avaria. com sistema de variação de velocidade incorporado na caixa de controlo integrada no motor. Diagrama de princípio GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE ISOLAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO 109 . Código de identificação Hydro 2000 MSH 2 CR 20-6 + CR 10-12 PMU 80 L Tipo de central Subgrupo: MS . válvula de retenção e seccionamento na compressão e depósito de membrana assente sobre uma base de inox. através do comando ligando ou desligando o grupo electrobomba auxiliar dos grupos electrobomba principais.Sistemas de Pressurização Grundfos A central supressora Hydro 2000 MSH.3 Sistemas de pressurização com grupos electrobomba de velocidade variável 6. interruptor de corte geral. pelo facto de ser determinada automaticamente.MSH Número de grupos electrobomba principais Tipo de grupo electrobomba principal Número de grupos electrobomba auxiliares Tipo de grupo electrobomba auxiliar Painel de controlo do Controlo 2000: PMU: PMU 2000 PFU: PFU 2000 Depósito de membrana / Capacidade 6.1 Sistema Hydro Solo E Constituição É constituído por um único grupo electrobomba da gama CRE. A pressão de paragem (Hstop) não pode ser configurada.

mantendo uma pressão constante. providos com todos os acessórios necessários e quadro eléctrico de comando com controlo 2000.3.) será o depósito de membrana que suprirá estas necessidades evitando arranques. Quando o transdutor de pressão detecta um valor abaixo do requerido (setpoint) a velocidade do grupo electrobomba aumenta até ao valor pretendido fazendo variar a pressão num valor de 0. 6. O valor ∆H é cerca de 10% do setpoint. Para pequenos consumos (caudais reduzidos.5 ∆H abaixo do setpoint. 110 . montados em base comum. Código de identificação Exemplo Hydro Solo-E CRE 5-8 1 x 200-240 V Gama Subgrupo Tipo de grupo electrobomba Tensão Um grupo electrobomba em funcionamento. Três grupos electrobomba em funcionamento. aumentando assim o rendimento do sistema.Hydro 2000 ME Três grupos electrobomba idênticos com motores MGE e depósito de membrana.Sistemas de Pressurização Grundfos Modo de funcionamento Diagrama de princípio PRESSÃO DE PARAGEM ∆H PRESSÃO DE ARRANQUE Definida a pressão de ajuste na caixa de controlo. Para um valor 0.2 Sistema Hydro 2000 E Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 E consiste em 2 a 6 grupos electrobomba CRE/CR em paralelo. GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Modo de funcionamento . fugas.5 ∆H acima. parando de seguida. o grupo electrobomba irá adaptar a sua velocidade ao consumo de água requerido. a electrobomba arranca satisfazendo o consumo. etc.

dois ou três grupos electrobomba principais com controlo arranque/ /paragem e depósito de membrana. Um grupo electrobomba auxiliar de 50% da capacidade com motor MGE em funcionamento. . A central supressora Hydro 2000 MEH. enquanto os restantes grupos electrobomba são controlados por arranque/paragem. com 50% da capacidade do grupo electrobomba principal. Um grupo electrobomba com motor MGE e dois grupos electrobomba controlados por arranque/paragem em funcionamento. do tempo e de avarias. A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga. . através do ligar/desligar dos grupos electrobomba e do controlo paralelo dos grupos electrobomba em funcionamento. . A central supressora Hydro 2000 MES mantém uma pressão constante através da variação de velocidade com motor MGE. período de tempo e de avarias. alcançando deste modo um desempenho correspondente ao consumo. O funcionamento do sistema é regulado de acordo com as necessidades.Hydro 2000 MES Um grupo electrobomba com motor MGE. Um grupo electrobomba com motor MGE e depósito de membrana em funcionamento. A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga.A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga.Sistemas de Pressurização Grundfos A central supressora Hydro 2000 ME mantém uma pressão constante através da variação de velocidade dos grupos electrobomba ligados. enquanto o grupo electrobomba principal é controlado através de arranque/paragem. . do período de tempo e de avarias. 111 .Hydro 2000 MEH Dois grupos electrobomba com motores MGE. um ou dois grupos electrobomba principais com controlo arranque/ /paragem e depósito de membrana. mantém uma pressão constante através da variação de velocidade dos dois grupos electrobomba auxiliares com motores MGE. conforme as necessidades. Um grupo electrobomba auxiliar com motor MGE e grupo electrobomba principal em funcionamento.O grupo electrobomba auxiliar com motor MGE arranca sempre em primeiro. O grupo electrobomba auxiliar com motor MGE é sempre o primeiro a arrancar.

3. GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Um grupo electrobomba em funcionamento através do conversor de frequência e dois grupos electrobomba que funcionam através da rede eléctrica (arranque/paragem). montados em base comum.Sistemas de Pressurização Grundfos Código de identificação Hydro 2000 MEH 2 CR 45-2 + 2 CRE 32-2 PMU 300 L Tipo de central Subgrupo: ME .Hydro 2000 MF Quatro grupos electrobomba idênticos e depósito de membrana: um dos grupos electrobomba é controlado através do conversor de frequência e os restantes por arranque/paragem por meio de contactores.MES Número de grupos electrobomba principais Tipo de grupo electrobomba principal Número de grupos electrobomba auxiliares Tipo de grupo electrobomba auxiliar Painel de controlo do Controlo 2000: PMU: PMU 2000 PFU: PFU 2000 Depósito de membrana / Capacidade 6.MEH .3 Sistema Hydro 2000 F Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 F é constituído por 2 a 6 grupos electrobomba CR em paralelo. 112 . Diagrama de princípio Um grupo electrobomba em funcionamento através do conversor de frequência. Modo de funcionamento . providos com todos os acessórios e quadro eléctrico com controlo 2000 e conversor de frequência.

A central hidropressora Hydro 2000 MFH mantém uma pressão constante através da variação contínua de velocidade de um grupo electrobomba de 50% da capacidade e os restantes grupos electrobomba são através do comando ligado / desligado conforme as necessidades. no respeitante à evolução da pressão e da potência consumida na gama de caudais cobertos pelos sistemas. Os dois grupos electrobomba auxiliares são alternadamente controlados através do conversor de frequência e os dois grupos electrobombas principais por comando arranque/paragem.Hydro 2000 MFH Dois grupos electrobomba auxiliares com 50% da capacidade de um grupo electrobomba principal. poder-se-á apreciar nas folhas de teste anexas os diferentes comportamentos registados. e um ou dois grupos electrobomba principais. período de tempo ou de uma avaria. período de tempo ou de uma avaria. Todos os grupos electrobomba são alternadamente controlados através do conversor de frequência.4 Teste de sistemas Para mais fácil compreensão das características dos sistemas de pressurização com velocidade variável e velocidade fixa. 113 . A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga. é sempre o primeiro a arrancar. mantém uma pressão constante através da variação contínua de um dos dois grupos electrobomba.MFH Número de grupos electrobomba principais Tipo de grupo electrobomba principal Número de grupos electrobomba auxiliares Tipo de grupo electrobomba auxiliar Painel de controlo do Controlo 2000: PMU: PMU 2000 PFU: PFU 2000 Depósito de membrana / Capacidade 6. Código de identificação Hydro 2000 MFH 2 CR 45-2 + 2 CRE 32-2 PMU 300 L Tipo de central Subgrupo: MF . O grupo electrobomba auxiliar. Um grupo electrobomba com 50% da capacidade em funcionamento através do conversor de frequência. O grupo electrobomba controlado pelo conversor de frequência arranca sempre em primeiro lugar. Um grupo electrobomba auxiliar a 50% da capacidade em funcionamento através do conversor de frequência e um grupo electrobomba principal que funciona através da rede eléctrica (arranque/paragem). Os restantes grupos electrobomba arrancam ou param dependendo das necessidades.Sistemas de Pressurização Grundfos A central hidropressora Hydro 2000 MF. controlado através do conversor de frequência. A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga. .

6 4. 4 397. Ti de M ot po or N . 4 38. 1 36.c/Depósi o de 300L 2 t 91 43D 064 1 48/0507VJ 01 Al ur nom i t a nal Caudalnom i nal N. 0 50. 3 4. 0 0. 4 38. 8 98. 0 50. 215 . 93 0. 0 50. 0 9. 8 396.Sistemas de Pressurização Grundfos Fol de Test de Centr s ha e ai Cer f cado N . 1 26. 1 0 34.Rot ação Tem per ur Am bi e at a ent Tem per ur da Água at a UW ( V) 38. 7 399. 8 4. 8 400. 3 34.2005-1 00: : : : 114 P1( ) kW H( ) m . ºC P1 ( ) kW Q ( 3/h) m H ( ) m F ( z) H cos phi UU ( V) UV ( V) I R ( A) I S ( A) I T ( A) 0. 22. 5 399. 4 4. 0 398. 1 5 68. 0 50. 90 0. 3 6. 44. 4 397. 8 29. 5 398. 5 1 2 5. 96 0. 0 36. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 1 0 1 1 1 2 1 3 81 0000023 H 2000 M E 3 CRE45. 1 398. 5 38. 8 396. 0 1 1 8. ºde Fases Fr equenci a Tensão Pot ênci a Vel oc. 7 398. 4 37. 1 1 0 5. 1 397. 2 36. 0 50. 1 7 9. 1 9 9. 0 200 40 1 80 1 60 1 40 30 1 20 1 00 20 80 60 1 0 40 20 0 0 25 50 75 1 00 1 25 1 50 1 75 0 Q ( 3/h) m Cur da Bom ba va D ata O perador Bancada de Ensai o Testem unho Cur de Pot va ênci a 030: 01 : 03. 96 0. 26. 6 399. 7 400. 3 399. 2 397. 25. 7 397. 1 1 7. 9 399. ºC 1 5 2. 96 0. 2 2. 96 0. 0 1 4 26. 5 38. 1 2 62. 25. 8 399. ti i º Clent i e Encom enda Clent i e Encom enda Fabr ca i Ti de Bom ba/Cent al po r Codi Bom ba/Cent al go r ºSer e Bom ba/Cent al i r N. 4 38. 4 6. 1 6. 0 35. 6 35. 5 398. 1 8 3. 1 32. 6 32. 9 399. 6 23. 8 32. 0 50. 96 0. 8 50. 5 34. odut M ot ºPr o or N º. 7 3x45 3 50 400 3x7. 9 1 1 3. 6 34. 0 50. 8 396. 7 399. 1 6 9. 5 76. 0 50. 5 m m 3/h Hz V kW 1 i /m n. 9 24. 97 0. 3 1 9 4. 1 398. 97 398. 2 36. 1 398. 38. 0 396.

3 70. 87 0. 5 396. 0 50. 5 77. 1 3 4. 5 397. 2 399. 5 719 . 3x1 0 3 50 400 3x4 1 8 4. 0 1 2 5. 1 6 3. 7 397. 8 7. 87 0. 1 2 5. 7 400. 0 50. 1 8 4. 0. 3 7. 1 7 4. 3 399. 9 27. ºde Fases Fr equenci a Tensão Potênci a Vel oc. 86 0. 213 . 1 2 4. 0 1 1 2. 5 398. 3 69. 1 5 3. 86 0. 40 0. 0 397. 4 4. 8 84. 6 8. 0 50. 2 4. 0 0. 7 25. m m 3/h Hz V kW 1 i /m n. 9 8. 0 50. 1 2 5. 1 397. 2 28. 9 0. 1 8 2. 1 399. 6 4. 0. 0 50. º Clente i Encom enda Clent i e Encom enda Fabr ca i Ti de Bom ba/Cent al po r Codi Bom ba/Cent al go r N. 3 396. 1 1 5. 215 . 1 00 22 21 90 20 1 9 80 1 8 1 7 1 6 70 1 5 1 4 60 1 3 1 2 50 1 1 1 0 40 9 8 30 7 6 5 20 4 3 1 0 2 1 0 0 5 1 0 1 5 20 25 30 35 40 0 Q ( 3/h) m Cur da Bom ba va D ata ador O per Bancada de Ensai o Testem unho Cur de Pot va ênci a 031 08: : 03. 5 396. 3 398. 1 0 5. odut M otor N º. 0 399. 1 8 4. 2 64. 1 9 4. 1 8 4. 1 6 4. 2 80. 86 398. 4 69. 9 8. 86 0. 8 50. 6 396. 1 0. 1 8. 0 7.2005-1 : 08 : : : P1( ) kW H( ) m 115 . 7 68. 4 7. 6 7. 3 67. 2 7. 8 7. 0 50.0 t 91 43A287 1 0053/0504EG Al a nom i tur nal Caudalnom i nal N. 3 398. ºSer e Bom ba/Cent al i r Ti de M otor po ºPr o N . 0 218 . 22. 5 397. 1 4 3. 22. 87 0. 0 50. 6 1 0 3. 86 0. 8 397. 8 8. 0 398. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 1 0 1 1 81 0000024 H1 000 3 CR1 1 com Depósi o de 200L 0. ºC ºC P1 ( ) kW Q ( 3/h) m H ( ) m F ( z) H cos phi UU ( V) UW ( V) I R ( A) I S ( A) I T ( A) 0. 5 1 8 4.Rot ação Tem per ur Am bi at a ente at a Tem per ur da Água UV ( V) 816 . 70. 6 397. 9 396. 0 50. 9 8. 9 399. 7 398. 0 397. 0 50. 1 4 4. 6 8. 0 50. 86 0. 0 396. 6 1 2 5. 87 0. 0 396.Sistemas de Pressurização Grundfos Fol de Test de Cent ai ha e r s Cer i i t f cado N . 7 397. 23. 1 24. 7 396. 4 398. 4 396. 7 397. 0 399. 4 22. 4 36.

116 .

Comunicação e Gestão 7. SISTEMAS DE CONTROLO. COMUNICAÇÃO E GESTÃO Autor: José Dias Director de Serviço Pós-Venda Bombas Grundfos Portugal 117 .Sistemas de Controlo.

118 .

Os quadros de controlo da Grundfos (QES) estão preparados para instalação de sensores de nível de uma forma selectiva e ordenada permitindo desempenhar com maior eficiência. bem como registo de avarias ou acontecimentos importantes para optimizar o funcionamento dos equipamentos de bombeamento (bombas.2. Este rigor é tanto mais preciso quanto melhor for o equipamento de medida e o controlo das bombas. Permite ou não efectuar relatórios por forma a ajudar ao melhor aproveitamento das variáveis necessárias ao processo de funcionamento. tanto para a instalação como para os diversos componentes presentes neste processo. tendo para tal desenvolvido o respectivo software de controlo adequado a cada tipo de electrobomba com variação de velocidade. de modo a efectuarem correctamente as funções para as quais foram seleccionadas e projectadas. Nesta área a Grundfos tem aperfeiçoado e desenvolvido o mais moderno software e aplicando-o aos seus processadores para utilização nos quadros H2000 onde. possui sistemas de controlo adequados a cada tipo de aplicação.1 Controlo por nível O sistema de controlo por nível requer a utilização de equipamentos eléctricos ou mecânicos. deve efectuar a sua função de modo aceitável para a sua aplicação. mantendo sempre em atenção os requisitos de segurança atrás referidos. Comunicação e Gestão 7. segurança e operação da instalação. 119 . As bombas necessitam por isso sempre de um sistema de controlo. 7.2.2. controlo e rentabilização de exploração. Garante-se assim um valor de pressão constante na rede de abastecimento independente da variação dos consumos. servindo a necessidade dos utilizadores. • A gestão cumpre o processo pelo qual é possível contabilizar os diversos parâmetros. devem as sondas e sensores ser instalados com a redundância necessária a fim de assegurar o controlo e a garantir a maior segurança e operacionalidade com o mínimo risco de avaria ou falha. Este tipo de controlo visa efectuar o enchimento constante de um tanque ou cisterna. Daí que cada sistema de bombeamento necessita sempre de um conjunto de equipamentos externos às bombas. ou um controlo interno próprio que desempenhe as mesmas funções de uma forma eficaz (controlo electrónico integrado). de modo a operar os equipamentos de bombeamento de uma forma criteriosa e segura. tanto de uma forma automática como de uma forma manual. Neste sentido. 7. deve ser usado de acordo com a instalação e de acordo com a selecção dos outros equipamentos de bombeamento. • O sistema de comunicação cumpre o processo pelo qual a mensagem é transmitida de modo seguro entre o sistema de controlo e o equipamento accionado. válvulas. permite racionalizar o funcionamento das centrais de bombeamento de uma forma harmoniosa e eficaz oferecendo uma elevada performance nas aplicações onde é utilizada.2 Controlo de sistemas de bombeamento Cada bomba ou conjunto de bombas. um elevado número de parâmetros que permitem rentabilizar a eficiência das bombas. possibilitando assim assegurar o correcto abastecimento da instalação. com o auxílio de conversores de frequência por si desenvolvidos. a selecção e instalação das sondas ou eléctrodos deve ser cuidadosa. tendo em atenção a localização da instalação.1 Introdução Definições: • O sistema de controlo cumpre o processo que permite operar de forma automática o funcionamento das bombas de um modo seguro e eficaz.2 Controlo por caudal Visando essencialmente manter o caudal desejado para a instalação. onde a necessidade do nível não carece de ser controlada com elevado rigor mas visa essencialmente. onde a melhor eficiência para cada tipo de instalação é facilmente ajustável. entre outros. cumprindo as normas eléctricas nacionais de segurança. cisternas. Este deve operar as bombas de acordo com a potência instalada e de acordo com os objectivos do projecto. Pode elaborar mapas de controlo automáticos. A Grundfos. custos de manutenção. Esse sistema pode estar inserido num quadro eléctrico de controlo. ou outros que se entenderem beneficiar a instalação. aparelhagem de medida e controlo). em termos energéticos e de serviço. instalados nos tanques.3 Controlo por pressão Tradicionalmente o controlo por pressão pode ser efectuado por recurso a um sistema de pressóstatos e vaso de expansão. poços ou outros locais. manter a reserva de água com níveis aproximados de modo a serem utilizados na medida das necessidades. a sua manutenção e eficiência. de forma a assegurar a operacionalidade das bombas de acordo com a metodologia recomendada. ou recorrendo ao sistema de controlo por transdutor de pressão integrando os processadores Grundfos desenhados e desenvolvidos para o efeito. entre outros. custos de exploração. 7. a operacionalidade dos mesmos. disponibilizando para tal.Sistemas de Controlo. O controlo por nível deve ser desenvolvido de acordo com a aplicação específica. aplicados em diferentes pontos da instalação. 7. Este tipo de controlo visa o controlo rigoroso do caudal. A fim de assegurar uma correcta operacionalidade dos sistemas de controlo. para a indicação ou medida.

Caso um sistema deste tipo crie relatórios automáticos e proceda à sua transferência semanal para o responsável. Pretendemos assim apenas referir-se algumas das variantes possíveis.2 Controlos integrados Sistemas de controlo diversos. estas informações poderão consistir no tempo de funcionamento das bombas. isto é.1 Necessidade de comunicação Com o objectivo de controlar o funcionamento dos equipamentos à distância é necessário dotar as instalações de meios pelos quais cada unidade possa observar o comportamento da outra e actuar automaticamente operando de modo a avisar o operador ou a desenvolver rotinas automáticas para corrigir qualquer anomalia ou processo alternativo necessário.2 Comunicação entre sistemas de controlo da mesma rede 7. Por outro lado. em que se necessite de conjugar várias grandezas. consumo de energia. mesmo que não ocorram quaisquer situações de alarme.2 Transmissão de dados Apesar das unidades de controlo das bombas terem um funcionamento totalmente independente. a unidade de controlo pode ser equipada com um modem GSM. referimo-nos a controlos mistos. Por exemplo. 7. Comunicação e Gestão 7. será possível evitar grande parte das habituais visitas às estações de bombeamento. as unidades de controlo modernas são capazes de utilizar a totalidade do espaço da mensagem SMS.3. Entre eles destacamos outros. pressão.3. por diferença de caudais ou sistemas em que se actue de acordo com as necessidades de nível. adicionando as informações registadas e analisadas mais importantes à mensagem de alarme. toda a instalação.3 Comunicação entre sistemas de bombeamento 7. Caso seja preferido um simples sistema de transferência automática de alarmes.2.3. como: controlo por diferença de nível. visando a protecção dos equipamentos. 7. visto que não existe nenhum centro de controlo. número de arranques. no entanto estes devem ser efectuados de acordo com as necessidades de cada instalação.2. Como exemplo podemos referir o controlo do nível do tanque ou cisterna a abastecer simplesmente uma rede sobre pressão. Caso seja introduzido um sistema de controlo remoto e monitorização ao nível da rede. conforme descrito nas secções seguintes. de acordo com os recursos disponíveis para investimento. dos quais abordamos apenas alguns.3. que procederá à transferência dos alarmes gerados pela unidade de controlo para o telefone do responsável. 7. O tempo necessário para a transferência de dados pode ser diminuído se a unidade de controlo das bombas efectuar localmente a totalidade da análise dos dados e armazenar os resultados na respectiva memória.2. 7. a transmissão de dados é crucial ao funcionamento dos sistemas de controlo remoto.4 Outros tipos de controlo Existem muitos tipos de controlo possíveis de aplicar. integrados na mesma rede com o objectivo de controlar automática e/ou manualmente. Para isso podem utilizar-se vários processos de comunicação conforme as necessidades e aplicação. sob a forma de uma mensagem SMS. existem vários modos de implementar a ligação de comunicações entre as estações exteriores e o centro de controlo. mas muitas mais existem. 7.4.Comunicação directa ou individual 120 . caudal ou pressão.Sistemas de Controlo.1 Diferentes níveis de controlo remoto As modernas unidades de controlo de bombas permitem que o sistema de controlo e monitorização seja personalizado de acordo com as funções requeridas pelo projecto.1 Controlos mistos Quando se trata de projectar uma instalação tendo vários tipos de controlo a ela ligados. por diferença de pressão.4.2. 1 . etc.2. Um sistema deste tipo proporciona um enorme aumento na fiabilidade operacional com um investimento moderado. É possível integrar este tipo de controlos com os controlos Grundfos. Fig. das instalações e dos sistemas de exploração.

para a pessoa certa no momento exacto (caso o alarme esteja categorizado para transferência). A actual tecnologia de controlo electrónico permite conceber e projectar sistemas de controlo e monitorização versáteis. outros alarmes activos (configurados para não serem transferidos). sem necessitarem de estar permanentemente ligadas ao centro de controlo. normalmente uma semana.4. antes de serem automaticamente enviados em conjunto. quer trabalhem individualmente quer façam parte de uma rede de abastecimento ou de rega.1. Os alarmes também podem ser transferidos por pager. Tipicamente. por exemplo. o computador do centro de controlo também está equipado com uma impressora separada para os alarmes. mas este método é raramente utilizado nos últimos tempos devido ao aumento dos custos e da fiabilidade incerta. O software de administração em execução no computador do centro de controlo efectua a categorização automática dos alarmes. 2 .1 Controlo e monitorização de estações de bombeamento Todas as estações de bombeamento. A ligação das comunicações tem de ser flexível e permite normalmente a utilização da rede telefónica pública. dependendo apenas do número de informações requeridas. bem como o agendamento das tarefas do pessoal técnico de serviço. o que lhe permite transferir o alarme 121 . em vez de todos os dados registados. Normalmente. O computador do centro de controlo cria o texto do relatório de alarme. a mensagem contém informações codificadas sobre a identidade da estação e o tipo de alarme emitido. composta por várias estações de bombeamento. destinados a reduzir os custos de funcionamento a longo 7. tal como acontece. contacta o operador do pager e envia a mensagem que será apresentada no pager. com os circuitos de controlo entre os depósitos de água potável e as estações de captação. A escolha de um método de transferência tem de ser da responsabilidade do utilizador. A moderna tecnologia de telecomunicações GSM constitui uma solução apelativa para o controlo e monitorização remotos de estações exteriores localizadas a grandes distâncias do centro de controlo. os alarmes são transferidos para o telefone GSM do técnico de serviço sob a forma de uma mensagem SMS (de texto). Esta é uma característica importante. devem ser controladas fiavelmente de modo a proporcionarem um funcionamento seguro e eficiente. os custos da transmissão de dados e as características requeridas e proporcionadas por cada método.4 Gestão integrada entre sistemas de bombeamento Fig. Comunicação e Gestão Assim sendo. Se estiverem ligadas através da rede telefónica pública. em cuja base de dados são armazenados todos os alarmes recebidos. os modems de rádio e as linhas dedicadas são utilizados quando as distâncias são curtas e quando existe a necessidade de comunicação contínua. a acederem a uma estação elevatória com objectivos específicos. Para além do texto do alarme. De uma maneira geral. cuja função é imprimir todos os alarmes para análise posterior. de modems de rádio.Sistemas de Controlo. modems GSM ou qualquer combinação destes.1 Monitorização e gestão de sistemas mistos 7. Ocasionalmente. o tempo de funcionamento das bombas.3 Transferência de alarmes Os alarmes provenientes de uma estação exterior são transferidos para o centro de controlo.4. A rede telefónica pública também permite autorizar outras entidades. A transmissão de dados é sempre configurada de acordo com as necessidades individuais. Também é possível utilizar linhas dedicadas.2. o volume de bombeamento durante o dia. etc.Painel de supervisão de gestão integrada 7. A tecnologia GSM constitui frequentemente a melhor alternativa para adaptação de instalações já existentes. esta mensagem poderá incluir informações mais detalhadas sobre o estado da estação de bombeamento (em funcionamento/parada/falha). Todas as tendências indicam que as comunicações por modem GSM irão tornar-se cada vez mais populares no futuro. as estações de bombeamento e a estação de controlo central podem estar situadas a uma grande distância praticamente ilimitada uma da outra. Ambas as extremidades da ligação de comunicações necessitam de um modem para modular os dados para transferência. uma vez que a instalação de linhas de acesso de PSTN é dispendiosa e a sua disponibilidade poderá estar limitada. Os resultados também podem ser armazenados na estação exterior durante algum tempo. tomando em consideração os custos de instalação.3. só será necessário transferir os resultados calculados para o centro de controlo. Isto também permite que as unidades de controlo das bombas funcionem independentemente. 7. tais como fornecedores de equipamentos e empresas de serviços. caso existam interrupções indefinidas na ligação de comunicações.

3 Controlo e monitorização remotos baseados na Internet e WAP As mensagens de alarme transferidas para os técnicos de serviço sob a forma de mensagens SMS são exclusivamente informações unidireccionais. os sistemas devem ser concebidos utilizando procedimentos padrão. a intervalos ajustáveis ou a níveis diferentes. os níveis de funcionamento pré-definidos são o nível de paragem. Normalmente. tendo como preocupação fundamental a fiabilidade das instalações e dos equipamentos de bombeamento. Todas as bombas em funcionamento são paradas.4.2 Integração do sistema Um sistema de controlo e monitorização de estações de bombeamento pode ser integrado com outro sistema de controlo. sob a forma da descarga de águas para o ambiente ou para as caves de edifícios. tendo sempre em atenção os custos energéticos. Se o técnico de serviço tivesse a possibilidade de controlar o sistema e alterar alguns parâmetros cruciais a partir do respectivo telemóvel quando estivesse em viagem. a fiabilidade é a principal preocupação relacionada com a concepção de uma unidade de controlo para uma estação de bombeamento.Sistemas de Controlo. tais como sistemas operativos de PC e protocolos padrão de transmissão de dados e entrada e saída de sinais. desenvolveu softwares próprios e processos electrónicos para a perfeita adaptação das electrobombas que fabrica. caudalímetros. Por este motivo.2 Vantagens de um sistema integrado 7. possibilitando a utilização das informações sempre que tal seja necessário. A Grundfos estudou e desenvolveu diversos tipos de controlos para diferentes aplicações. O sistema de controlo e monitorização baseado na Internet permite consultar e criar relatórios dos dados históricos das estações de bombeamento a partir de múltiplas localizações. Por exemplo. etc. Em algumas instalações é possível que todas as bombas tenham níveis de arranque e paragem diferentes. às aplicações mais diversas. Este tipo de unidade de controlo utiliza sempre um transdutor ou um sensor de modo a efectuar um controlo em contínuo. 3 . é agora possível um sistema de monitorização ao nível de rede e as possibilidades futuras de combinação da internet e da tecnologia WAP. essas bombas poderão ser iniciadas simultaneamente ao mesmo nível. independentemente da localização. A bomba de reserva arranca quando uma das principais estiver em avaria..1. As mais recentes inovações nas técnicas de controlo e monitorização remotos envolvem a utilização da Internet e da tecnologia WAP para ultrapassar as limitações dos sistemas de monitorização tradicionais anteriormente descritos. a sequência de controlo da bomba é bastante simples. parando quando esta estiver acima do valor requerido. Também a nível do controlo. de manutenção e exploração. bem como a defesa do meio ambiente e o conforto do utilizador. esta opção pode ser efectuada por relógio ou por indicação externa. 7. poderia alcançar-se a flexibilidade total proporcionada por um centro de controlo móvel. A integração não significa que todos os sistemas serão executados no mesmo computador com o mesmo software. No entanto. particulares de abastecimento de água. Fig. engenheiros do sistema de abastecimento.4. quando a variável atinge o nível de paragem. Comunicação e Gestão prazo e a aumentar a sua fiabilidade. Recorrendo a diversos tipos de sensores. que monitorizam as estações de bombeamento. é medir a pressão de abastecimento. As bombas de serviço arrancam quando a variável requerida é insuficiente. em cada sistema.1. Numa aplicação normal no modo serviço/ /reserva.4. numa situação em que todas as restantes estejam em utilização. poderão consultar os dados históricos detalhados das estações exteriores a partir dos computadores instalados no próprio local de trabalho. simultaneamente ou a intervalos ajustáveis. o nível de arranque e a pressão de controlo.1 Funções de controlo O parâmetro mais comum de uma estação de bombeamento H2000. os operadores. Através dos controladores H1000 e H2000 é possível usufruir. Estão disponíveis vários tipos de sensores. A integração de sistemas é normalmente útil para seleccionar o melhor sistema para cada aplicação e para os combinar a um nível adequado. técnicos de serviço. tais como transdutor de pressão. dispositivos ultra-sónicos. 7. etc.Vários sistemas integrados 7. para assegurar uma distribuição igual da utilização e do desgaste entre as bombas. depois de introduzirem a respectiva identificação. As estações de bombeamento não fiáveis representam um risco ecológico e financeiro. As bombas alternam em cada ciclo. Esta solução poderia permitir utilizar software comum para a transferência e comunicação de alarmes. gestores. bem como inibe os utilizadores de usufruírem do bem de que necessitam. Se estiver instalada mais do que uma bomba de reserva. Os sistemas de controlo e monitorização através da Internet/WAP permitem igualmente que a monitorização remota seja proposta aos serviços públicos ou entidades 122 . este factor torna os cálculos de monitorização das bombas mais complicados e menos fiáveis.4. tal como um sistema de controlo da estação de tratamento ou um sistema de controlo integrado da empresa responsável pela rede de abastecimento público de água. do seu melhor desempenho. Para possibilitar esta integração.2.

Os sinais de entrada digitais necessários são a indicação de funcionamento ou reserva da bomba. bem como os sinais dos contactos isentos de potencial fornecidos pelo relé de presença de tensão e pelo contador de energia. o tempo de funcionamento. Os sinais analógicos de entrada. falha de alimentação da bomba e outros alarmes baseados nas definições dos limites dos parâmetros. Os sinais digitais são sinais de entrada ou saída e indicam um estado ON ou OFF. Por exemplo. Caso ocorra a sobrecarga de uma estações de bombeamento. informações sobre a condição do óleo do empanque da bomba. para tratar de caudais maiores.2. os níveis baixo e alto de alarme e os níveis de sobrecarga. é activada a segurança da instalação automaticamente.2. Estes sinais podem ser digitais ou analógicos. Os outros parâmetros habitualmente requeridos são as dimensões do poço e os valores nominais da corrente de entrada e da capacidade das bombas. do grupo de bombeamento tem capacidade de memória suficiente para registar os dados ao longo de um determinado período de tempo. este sinais correspondem a medições da temperatura dos enrolamentos e dos rolamentos do motor da bomba. fornecidos pelos circuitos de comando. provenientes de sensores adicionais. através de limites ajustáveis de sub e sobrecorrente no caso dos motores MGE da Grundfos. A unidade de controlo da bomba também está programada para indicar todas as falhas de funcionamento da estação até um máximo de 10. tais como alarmes de nível elevado. é possível instalar uma ou mais bombas de reforço com características diferentes. etc. A unidade é configurada para proteger o motor da bomba em situações anormais. bem como uma versão especial da aplicação de software. Modbus. Uma corrente de entrada anormalmente baixa indica que a bomba não está a bombear normalmente. A unidade tem de registar. Para efeitos de calibragem. dado que o "Reset" do MGE se efectua automaticamente. Os valores a introduzir são normalmente níveis de funcionamento que correspondem a um determinado nível de água no poço. São necessários vários sinais para que o controlo das bombas funcione conforme planeado. Estas informações são igualmente importantes para verificar o desempenho operacional da estação de bombeamento e para a determinação das acções de manutenção.4. esta é automaticamente parada. A medição da corrente do motor da bomba é necessária para protecção e monitorização. A corrente do motor da bomba é também uma informação necessária para o planeamento das operações de manutenção da bomba. o sistema deve ser capaz de adaptar a variável correctamente e sem ambiguidades. Os parâmetros são introduzidos na unidade com base nas dimensões reais da estação e em unidades recolhidas no projecto ou medidas no local da instalação. Os sinais digitais de saída são necessários para o arranque e paragem das bombas.4. este não deve ser considerado como dado de controlo mas sempre como de protecção. dados provenientes de um medidor de caudal ou conversor de frequência adicional. Todos estes valores podem ser enviados para o sistema de gestão através de uma porta de conversão de protocolo G100 (Profibus. nível baixo. Isto permite simplificar o painel de controlo do motor. situação em que o sobreaquecimento do motor se torna um risco devido à possibilidade de falha. quando presentes. 4 .3 Parâmetros e sinais A unidade de controlo da bomba necessita de vários parâmetros para poder funcionar conforme necessário. protegendo ainda a bomba em caso de falta de água e onde não é usada a protecção adicional recomendada. A utilização destes sinais pode requerer uma placa de expansão adicional. são utilizados para medidas contínuas. Caso a corrente de entrada suba acima do limite de sobrecorrente. Todas as funções acima descritas estão disponíveis na unidade de controlo e monitorização C2000 da Grundfos e podem ser lidas a partir do visor da interface PMU.4. Em conjunto com os relés térmicos ou os dispositivos electrónicos de protecção existentes no arrancador do motor da bomba.). que se encontram nas folhas de características destas. isto permite que os trabalhos de manutenção e controlo das bombas passem gradualmente da reparação de falhas para a manutenção preventiva e até mesmo para a manutenção preditiva. removendo deste as características que estão incorporadas no PFU tais como os amperímetros.Sistemas de Controlo. Nestas circunstâncias. Fig. o que pode ser devido ao desgaste do impulsor ou à acumulação de ar.2. é possível utilizar dimensões reais ou percentagens dos valores de referência. 7. esta unidade constitui uma valiosa protecção para o motor. os contadores de horas de funcionamento e os relés de sequenciamento. Intebus. tais como os níveis de arranque e paragem das bombas.Registo de dados A unidade de controlo e comunicação G100. pelo menos. etc. o número de arranques das bombas e os incidentes relacionados com problemas de corrente no 123 . Comunicação e Gestão Em alguns casos.2 Funções de monitorização A unidade de controlo das bombas efectua a monitorização automática das bombas com base nos parâmetros registados e analisados. 7.4 Registo e análise de dados 7. para que o operador possa evitar possíveis danos. Em última análise. Quando a pressão de entrada e a duração da sobrecarga são conhecidos.

124 . Mesmo que a unidade de controlo das bombas funcione como uma estação exterior de um sistema de controlo e monitorização ao nível da rede. o utilizador necessita de um interface para trabalhar com a unidade de controlo das bombas. algumas funções úteis. Comunicação e Gestão motor da bomba. por um pequeno visor LCD e um teclado. estes dados serão convertidos para esta base onde deverão ser tratados. tais como a função de varrimento automático. Este interface tem de ser composto. São utilizados indicadores luminosos separados para a indicação de alarmes e do estado de funcionamento das bombas. ou continuamente. Isto deve-se ao facto da perda de dados cruciais não ser aceitável. facilitam e aceleram a leitura rotineira dos dados. Os dados registados podem ser agrupados e analisados mais detalhadamente através da sua transferência. 7. necessitará de dispor de capacidade de memória suficiente para armazenar os dados registados e analisados durante vários dias. A utilização de um interface deste tipo tem de ser simples e lógico.Sistemas de Controlo. no mínimo.2. O utilizador tem de ser capaz de introduzir todos os parâmetros necessários e de ler os dados registados e calculados utilizando o teclado. a intervalos específicos.5 Interface do utilizador Para aceder aos dados e introduzir parâmetros. para um computador portátil com software adequado. através de um sistema automático de controlo remoto. Para esta situação a Grundfos dispõe de uma unidade PMU para o efeito. Dado que a mesma se encontrará interligada com um sistema de gestão instalado num PC.4. nem mesmo durante possíveis quebras de comunicação entre a estação exterior e o centro de controlo. Habitualmente.

Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8. INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE BOMBAS E SISTEMAS DE BOMBEAMENTO Autor: José Dias Director de Serviço Pós-Venda Bombas Grundfos Portugal 125 .

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2.Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8. 8. também denominado depósito de membrana. Utilização de reservatórios de membrana Porquê utilizar um reservatório de membrana. É recomendado por isso. devem ser instalados de acordo com as suas características físicas e de protecção. 8. numa central de abastecimento? Existem três razões essenciais para montar um depósito de membrana numa central. para além destas ainda devem ser consideradas as condições relativas aos quadros eléctricos de controlo e protecção.golpes de aríete (consultar capítulo 4).Permite proteger a instalação contra os regimes transitórios . e outros equipamentos de comando e regulação alimentados por corrente eléctrica. eléctricas e físicas. bem como a sua localização.3. que as centrais de bombeamento sejam instaladas tendo em atenção estas características por possuírem estes componentes e consequentemente necessitarem de condições de verificação adequadas. os quadros eléctricos de controlo e restantes equipamentos de medida e controlo. A Grundfos recomenda reservatórios cuja capacidade mínima é a abaixo mencionada. Os equipamentos de bombeamento. Os equipamentos eléctricos.2.1 Localização do equipamento de bombeamento Os equipamentos de bombeamento devem ser instalados de acordo com as especificações dos manuais de instalação respectivos tendo em atenção as características ambientais. possuem características especiais que devem ser respeitadas quando instaladas em ambientes em que as condições de temperatura sejam adversas. as quais devem ser cuidadosamente respeitadas.2. 127 . tem a ver com as condições ambientais de funcionamento.2 Necessidades de ventilação Uma das mais importantes características de bom funcionamento dos equipamentos eléctricos e electrónicos.Reduzir o número de arranques e paragens das electrobombas no tempo.Para compensação da pressão no sistema durante os períodos de paragem da bomba. espaço livre de passagem e ausência de humidade que os equipamentos necessitam para o seu correcto funcionamento e longevidade. permitindo alargar os períodos de manutenção. motores equipamentos electrónicos. A sua localização deve ainda respeitar e considerar a necessidade de manutenção e intervenção local bem como condições de remoção do local. 3 . 2 . tais como temperatura e humidade.1 Introdução Para a correcta instalação das bombas e restantes equipamentos de bombeamento devem ser consideradas algumas regras de acordo com os diversos equipamentos que compõem a instalação. de modo a garantir-se o seu correcto funcionamento e duração de vida e de acordo com os manuais de instalação e operação respectivos. Deste modo alertamos para a necessidade de ventilação. O manual de instalação de cada tipo de bomba alerta para estas condições. CAPACIDADES MÍNIMAS RECOMENDADAS Capacidade do depósito de membrana [litros] Modelo da bomba CR(E) 3 CR(E) 5 CR(E) 10 CR(E) 15 CR(E) 20 CR(E) 32 CR(E) 45 CR(E) 64 CR(E) 90 Velocidade fixa MS 60 80 200 200 200 300 300 500 500 MSH 100 100 200 200 300 500 500 MF 60 80 80 200 200 200 200 200 200 MFH 200 200 200 200 500 Velocidade variável ME 60 60 80 80 80 200 200 200 200 MEH 60 80 200 200 200 200 200 MES 60 60 80 80 200 200 200 200 500 NOTA: Sempre que os sistemas não refiram capacidades de depósitos é por estes não serem normalmente utilizáveis. 8.2 Requisitos para instalação 8. permitindo a compensação de fugas e pequenos consumos. que são: 1 . Valores apresentados nas tabelas que em alguns casos varia a capacidade do depósito também em função do número de bombas.

a uma cisterna com pressão positiva.Sistema de protecção LiqTecTM 8. de modo a prevenir possíveis avarias e danos às bombas e à instalação. é necessário que as mesmas estejam devidamente protegidas contra essa possibilidade ou outras que possam provocar danos às bombas. o qual permite a fiabilidade das bombas sempre que se verifiquem roturas no abastecimento de água.2 Aspiração de cisterna elevada Neste tipo de abastecimento. boiadores. volta a funcionar. Os quadros eléctricos de controlo devem dispor de protecções de modo a garantir a protecção e o bom funcionamento da instalação e das bombas individualmente. se uma destas avarias ocorrer. etc. hidráulico e eléctrico. denominado LiqTec. A Grundfos disponibiliza um sistema de protecção electrónico contra a falta de água. 1 . • Uso de filtros sem a manutenção adequada. Se a avaria persistir. deve ser efectuado tendo sempre em atenção ao valor da curva de NPSH para esse mesmo ponto. Entre as protecções existentes internamente nos motores MGE da Grundfos. a cavitação. Para as bombas com variação de velocidade CRE. protecção contra falta de água. Como exemplo de instalações susceptíveis de provocar avarias.3. as regras referentes à instalação eléctrica e ainda às regras de boa prática de montagem mecânica. que permite a maior duração dos empanques e casquilhos. A segurança dos equipamentos e das pessoas deve ser sempre respeitada. isto é. em que é requerido a aspiração de água de um nível mais baixo que o nível em que estão instaladas as bombas. o uso de equipamento auxiliar como sensores de nível. no entanto a fim de evitar o funcionamento indevido das bombas sem água. No funcionamento normal. Os maiores problemas susceptíveis de ocorrer nestas instalações relacionados com as bombas são os provocados pelo funcionamento sem água. Fig. a protecção contra sobreaquecimento do motor e outras protecções eléctricas. bem como acústico nos casos em que tal se justifique. 128 . variável. 2 .3 Instalação de sistemas de bombeamento Na instalação de um grupo ou de uma central de bombeamento é necessário sempre respeitar as regras de instalações hidráulicas. a bomba pára e só após algum tempo. mas também a segurança. em que se recorre à ligação do grupo ou da central de bombeamento. Nesse sentido em cada sistema de bombeamento. de modo a garantir o seu funcionamento para além das protecções existentes. caso falhe o sistema de protecção existente contra falta de água. por um conjunto de instrumentos que respeitem o seu funcionamento de uma maneira geral. bem como a temperatura dos motores e dos empanques das bombas. destacamos.3. Nesse sentido é necessário prover a instalação dos adequados sistemas de protecção por forma a evitar que os mesmos ocorram. não existe o risco dos casos mencionados anteriormente. Nesse sentido os equipamentos devem ser protegidos a nível mecânico. a bomba pára. poderemos apontar: • Percursos muito longos • Tubagens subdimensionadas • Demasiados acessórios na tubagem de aspiração da bomba.Central de bombeamento tipo com aspiração negativa 8. os mesmos devem estar preparados com os cuidados devidos de modo a evitar danos. em que o nível da água está a um nível superior ao das bombas. daí que as centrais devam ser instaladas como se de bombas individuais se tratassem e os elementos de protecção individuais devem de igual modo respeitar esta regra. Fig. após várias tentativas. estas estão preparadas para com sistemas de protecção suplementar interna. O cálculo do ponto de funcionamento da bomba. devem ser considerados cuidados específicos e regras de segurança de modo a que respeitem as condições de aspiração próprias das bombas CR. à instalação ou às pessoas. a altura de aspiração demasiado elevada e ainda a desferragem das bombas. eléctrodos ou transdutores são outros dispositivos de segurança que devem ser consideradas como medidas de protecção.1 Aspiração negativa As centrais de bombeamento instaladas com este tipo de instalação. O uso de válvulas de retenção eficazes e com reduzidas perdas de carga.Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8.

caso não sejam tomadas em consideração as pressões de funcionamento.4 Manutenção 8. falta de fase.4. Dentro destes poderemos considerar: • Rolamentos dos motores e das bombas. 5 . têm de se adaptar à instalação e às diversas situações.Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8.Central de bombeamento tipo com aspiração de uma rede 8.1 Manutenção aos equipamentos de bombeamento Os aspectos a ter em conta para efeitos de manutenção específicos. 3 . com aspiração de cisterna elevada • Anéis de desgaste e casquilhos. Mas nestas bombas existem ainda outras protecções complementares que evitam as protecções externas atrás mencionadas. Neste tipo de aplicação pode ocorrer excesso de pressão na aspiração. como por exemplo o funcionamento em situações de perdas de carga variável.Central de bombeamento com aspiração positiva Normalmente são equipamentos externos às bombas e que complementam a sua segurança. como ainda para um possível aumento de pressão. não devendo ser entendida como característica de operação. Genericamente os materiais de maior necessidade de intervenção quando se trata de bombas CR. a protecção contra falta de água é uma das suas características internas como protecção ao equipamento. contra sobrecarga. são aqueles que sujeitos a maior esforço físico ou desgaste por fricção. 4 .Central de bombeamento tipo. 129 . devem estar relacionados sempre com o equipamento respectivo e deve para o efeito ser consultado o manual técnico de instalação e operação das bombas. possam necessitar de maior intervenção. São exemplo disso.3 Aspiração de uma rede sob pressão Nas redes sob pressão há que ter em conta também um eficaz sistema de protecção. podem provocar avarias na instalação ou nas bombas.3. que adicionado à pressão de funcionamento das bombas. a mesma deve ser sempre considerada apenas como redundância a uma falha do sistema de controlo. protecção contra sobreaquecimento do motor. a poupança de energia e a preservação das condições de segurança dos equipamentos e da instalação. quando existirem • Empanques e retentores Fig. Como qualquer outro equipamento. etc. Nestas redes os grupos ou as centrais de bombeamento devem estar protegidas contra funcionamento acima da pressão de rotura da instalação ou acima da pressão das próprias bombas. Relativamente a bombas com variação de velocidade Grundfos. o já referido funcionamento em seco. Fig. Estas bombas e os quadros que as controlam. não só contra falta de água. tendo como objectivo sempre. Fig.

7 . a eles ligados. deve ser efectuada uma inspecção regular.Manutenção de um quadro eléctrico de controlo 130 . bem como as condições de ventilação da sala onde a central ou as bombas estão instaladas.4. com a periodicidade acordada inicialmente. a temperatura da água e a temperatura ambiente. Também devem ser respeitadas as condições de temperatura de funcionamento e as regras de bom funcionamento e ventilação.Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento nicos. Sempre que se notar um funcionamento irregular ou fora do normal. Devem no entanto acompanhar-se e seguir-se a evolução do bom desempenho do mesmo e evitar-se a utilização dos PC's onde estão instalados ou dos outros equipamentos electró- Fig. deve de imediato ser alertado o fornecedor de modo a diagnosticar possíveis falhas. Quando a estes estiverem ligados equipamentos sujeitos a movimento mecânico (ex: contactores.2 Manutenção aos sistemas de monitorização e controlo Para um sistema de monitorização e controlo não é normalmente necessário qualquer manutenção especial. por outros programas com necessidades de acessos via internet ou outros susceptíveis de os contaminarem com vírus informáticos que possam interferir com o seu bom desempenho. relés ou outros). de acordo com as especificações de funcionamento previamente estabelecidas. a qualidade da água. 6 . 8. Fig.Empanques No entanto no plano de manutenção a estabelecer deve ser sempre considerado. o tempo de operação das bombas.

Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. SISTEMAS DE ABASTECIMENTO PÚBLICO E PREDIAL NO PORTO Autor: Carlos Medeiros Engenheiro Civil dos SMAS do Porto Professor Auxiliar da FEUP e da FAUP 131 .

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Teve isto lugar em 1896. No entanto. no areal de Zebreiros (1937). tratamento e adução em alta e em baixa até finais de 2000.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Serviços Municipalizados de Água e Saneamento do Porto Reporta-se a 1392 o mais remoto registo histórico de que há notícia.A. A partir de 1855. o qual é aprovado por Carta de Lei. S. então. se destacaram de entre os principais pólos abastecedores de água à Cidade. as doenças transmitidas.XVI). passou o Município do Porto a integrar o Sistema Multimunicipal de Abastecimento de Água à Área Sul do Grande Porto. Aumento de reservas. começando a Câmara a exercer fortes pressões junto da Companhia que conduziram ao resgate da concessão em 28 de Março de 1927. com a captação no Rio Sousa. Inicia-se aqui o terceiro ciclo de vida do abastecimento de água à Cidade do Porto. e à criação dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento em 1 de Abril desse ano.. por 3. surgem várias companhias candidatas ao projecto e execução de obras de captação. expansão das redes de distribuição e transporte são passos importantes de uma nova fase. sendo em 22 de Março de 1882 assinado o contrato com a "Compagnie Générale des Eaux pour l'Étranger".. A água de abastecimento público passou. justamente preocupada com as condições higiénicas da Cidade. ainda é vulgar designar-se a água do Porto como "água da Companhia". então. Os trabalhos são concluídos em 1886.500 contos. embora sem condições de higiene. pôs a concurso o projecto e execução das obras necessárias para o saneamento da Cidade. vem perante Vossa Majestade solicitar a atenção do seu governo. conhecidíssima pelas obras congéneres executadas em diversas Cidades estrangeiras e exploradora do Sistema Shöne para a elevação de esgotos. A população da Cidade era. Maia e Valongo. de 122.000 habitantes e a água tida como a melhor da Europa. a rede instalada possui uma extensão de 550 Km e capacidade de tratamento integralmente assegurada em duas ETAR's (Freixo e Sobreiras). a ser adquirida pelos SMAS à empresa Águas do Douro e Paiva. No reinado de D. há mais de seis séculos. 133 . A sua necessidade vinha. A rede de drenagem de Águas Residuais Domésticas. Há anos já que esta Municipalidade. procederam à captação. mas só em 1 de Janeiro de 1887 é que o abastecimento é regularizado. para uso público. nasce uma nova fase na história dos SMAS com as captações em profundidade em Lever. altura em que. Sebastião (meados do séc. os SMAS. os problemas de assistência e higiene pública. iniciou-se a construção dos mananciais de Paranhos e Salgueiros que. a inquinação dessas águas. novas captações. já sendo sentida desde algum tempo antes. sistema posteriormente alargado aos Concelhos de Gaia. O contrato com a Compagnie Générale era válido por 99 anos e foi estendido a Matosinhos no princípio do século. conhecida a causa indicado estava o remédio.. É para um dos múltiplos aspectos de um destes problemas que a Câmara Municipal do Porto. elevação. Gondomar. No que respeita à água para consumo público. De acordo com o documento dirigido ao Rei pela Câmara Municipal do Porto. Em 1983. E como causa principal deste lastimoso estado não se pode apontar outra que não seja a falta quase completa de uma rede de canalização para os esgotos da Cidade. a evolução dos cuidados com a saúde e ainda as exigências quanto à qualidade de vida impunham uma transformação radical do sistema. empreendeu obras que lhe permitissem melhorá-las e organizou Repartições de Estudo que a orientassem sobre a gravidade dos males e meios de os remediar. transporte e distribuição. em profundidade. em 11 de Agosto de 1899 refere-se: "São graves. contudo." Actualmente.000 habitantes equivalentes. em 27 de Julho do mesmo ano. O sistema mostrou-se extremamente vulnerável em regime de cheias dos Rios Douro e Sousa. Cem anos volvidos. para uma população de 370. o Porto já possuir fontes e chafarizes. encontra-se a mesma estabelecida desde 1907. Concorreu a acreditada firma Hughes And Lancaster. revelador do facto de. e para isso esta Municipalidade. até ao século XIX.

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A concepção dos sistemas de distribuição pública de água no Porto deve passar pela análise prévia das previsões do planeamento urbanístico (planos urbanísticos ou operações de urbanização em que se insiram) e das características específicas da área urbana em que se insiram. lavagem de arruamentos.º 251º).º 23º). entre outros. serão especificadas as principais etapas que constituem o dimensionamento dos sistemas prediais de abastecimento de água fria e quente. O diâmetro nominal mínimo das condutas de distribuição é de Ø100mm (Art. tais como de fontanários. fornecida pela Câmara Municipal. 135 . militares. uso industrial.1 Aspectos gerais Nos arruamentos públicos existentes compete aos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto a elaboração de estudos e projectos dos sistemas públicos. qualquer que seja o horizonte de projecto. hoteleiras. 9.Porto. as condições de ligação.º 250º). elementos acessórios da rede e as verificações necessárias à prévia utilização dos sistemas prediais. bebedouros. lavagem de pavimentos. devem ser avaliados caso a caso e adicionados aos consumos domésticos. de 23 de Agosto) e a sua adaptação efectuada pelos pelo Regulamento dos SMAS .º 18). profundidades. e submete-los à aprovação dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto (Art. caso a caso. Os Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto prestarão todas as informações de interesse. tais como combate a incêndio. Consideram-se consumos assimiláveis aos industriais os correspondentes. nomeadamente.1 Introdução Nesta apresentação são abordados os principais aspectos relacionados com os sistemas de abastecimento públicos e. bombeiros e instalações desportivas. acessórios e instalações complementares. com as condições que determinam a sua aplicabilidade. à escala 1:500 (Art. Por fim. materiais e tipos de junta das condutas. nomeadamente às necessidades de água para o consumo e o combate a incêndios. às unidades turísticas. rega de zonas verdes e limpeza de colectores. a definição do grau de risco e do caudal instantâneo a garantir (Art. Conclui-se a exposição referindo aspectos importantes referentes ao traçado. prisionais. 9. é obrigatória a elaboração dos estudos e projectos. sobre carta topográfica à escala 1:500. assim como as necessidades prediais. Para os obter.2.2. Em todas as intervenções urbanas. são apresentados os principais tipos de sistemas prediais de abastecimento de água.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. será necessário requere-los ao Director Delegado dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. estabelecimentos de saúde. acompanhado de Planta de Localização da obra a levar a efeito. os sistemas elevatórios e as câmaras de manobras para instalação de equipamentos elevatórios. podem geralmente considerar-se incorporados nos valores médios de capitação global. será importante observar as condições de disponibilidade de abastecimento garantidas pela rede pública. fundamentalmente. cabendo ao Batalhão de Sapadores Bombeiros da Câmara Municipal do Porto. nomeadamente no que respeita à caracterização e localização das redes públicas de abastecimento de água. Em zonas com actividade comercial intensa pode admitir-se uma capitação da ordem dos 50 l (habitante / dia) ou considerarem-se consumos localizados. ressaltando as recomendações contidas no Regulamento dos Sistemas Públicos e Prediais de Abastecimento de Água e Drenagem de Águas Residuais (Decreto Regulamentar 23/95. bem como o abastecimento predial de água feita a partir de captação particular (nascentes e furos). os reservatórios. prediais de água fria e quente.2 Sistema de abastecimento público 9. Os volumes de água para combate a incêndios são determinados em função do risco da sua ocorrência e propagação na zona. Uma apresentação breve das condições a considerar na instalação de abastecimento público preencherá a primeira parte desta exposição. Na escolha do sistema a ser utilizado. que devem ser avaliados de acordo com as suas características. que impliquem a alteração ou ampliação dos sistemas públicos existentes ou a implementação de novas infra-estruturas. ser inferior a 250 l (habitante / dia). pelo promotor. tanto a nível técnico como de legislação de soluções de abastecimento directo ou de abastecimento com recurso a sistemas elevatórios que garantam um abastecimento em quantidade e qualidade adequadas ao uso. Os consumos públicos. entre outros.2 Elementos de dimensionamento As capitações a considerar na distribuição exclusivamente doméstica não deve. b) As secções. fornecendo os elementos seguintes. ensino. Os consumos industriais face a sua grande aleatoriedade. variando entre 5 e 20 l (habitante / dia). a) A localização em planta das condutas. É da responsabilidade do autor dos estudos e projectos a recolha dos elementos de base. Seguidamente. com o fim de se garantir o abastecimento para outras finalidades.

respeitando a Norma Portuguesa NP204 e contendo. os diâmetros nominais mínimos das condutas são determinados em função do risco da zona e devem ser: a) 100mm .Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Quando o serviço de combate a incêndios tenha de ser assegurado pela mesma rede pública. competindo aos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto promover a sua instalação (Art. designação e local da obra. Nenhum sistema de distribuição de água pode entrar em funcionamento sem que tenha sido feita a desinfecção e a vistoria final de todo o sistema (Art. O diâmetro nominal mínimo admitido em ramais de ligação é de 25mm (Art. subscrito pelo promotor. c) 150mm (a definir caso a caso) . As peças desenhadas devem ser apresentadas.à escala conveniente que esclareça inequivocamente o pretendido. 9. em tela plástica. Os caracteres alfanuméricos devem obedecer à Norma Portuguesa NP89. g) Peças desenhadas dos traçados e instalações complementares. f) Mapas de medição e orçamento a preços correntes. c) Planta de Localização fornecida pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento d) Memória descritiva e justificativa. 9.5 Entrada em serviço dos sistemas A entrada em serviço dos sistemas deve ser precedida da verificação. pelo técnico responsável pelo projecto. não excedendo as dimensões do formato A0.º 252º): a) Requerimento dirigido ao Director Delegado dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. a solicitar a aprovação do projecto. indicando se se trata de obra nova. e) Especificação quando se trata de projecto de alteração ou aditamento. • Perfis . Nos ramais de ligação de abastecimento a reservas de água e piscinas que se encontrem instaladas a uma cota não superior a 10 m relativamente ao arruamento de onde se faz a ligação.º 55º). onde conste a identificação do proprietário. c) Nome.3 Ramais de ligação Os ramais de ligação asseguram o abastecimento predial de água.grau 5. Os elementos descritos serão apresentados em original.º 53º). de ampliação ou remodelação. descrição do desenho.2. Quando se justifique.1:500 em extensão e 1:50 em altimetria. o diâmetro não deve ser inferior a 45mm. Todos os desenhos devem possuir legenda no canto inferior direito. dos aspectos de saúde pública e de protecção do ambiente. O diâmetro nominal mínimo das bocas de rega e lavagem e respectivos ramais de alimentação é de 25mm (Art.º 32º).2. obedecendo às escalas a saber: • Plantas . pode uma mesma edificação dispor de mais de um ramal de ligação para abastecimento doméstico ou de serviços. após parecer do Batalhão de Sapadores Bombeiro (Art. a descrição da concepção dos sistemas. 9. e) Cálculo hidráulico onde conste os critérios de dimensionamento adoptados e o dimensionamento das redes. pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. é obrigatória a instalação de coluna piezométrica com desenvolvimento a definir pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto (Art. no mínimo. em boas condições de caudal e pressão. escalas e data da sua elaboração. desde a rede pública até ao limite da propriedade a servir. Cabe aos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento a definição da localização das bocas de incêndio e dos hidrantes. com formatos e dobragem concordantes com o estipulado nas Normas Portuguesas NP48 e NP49. As peças escritas devem ser apresentadas dactilografadas ou impressas em folhas de formato A4.4 Elementos de instrução dos processos de projectos O pedido de aprovação de projectos deve ser instruído com os seguintes elementos (Art. a natureza. o tipo da obra.grau 4. acrescidos de duas cópias para os elementos referidos nas alíneas b) a g). b) 125mm . d) Número. Quando se tenha de assegurar simultaneamente o serviço de combate a incêndios sem reservatório de regularização. os materiais e acessórios e as instalações complementares. equipamentos e instalações complementares previstas.º 267º). com indicação dos materiais das canalizações e acessórios utilizados. paginadas e todas elas assinadas. Os estabelecimentos comerciais e industriais devem ter ramais de ligação privativos.º 56º). 136 .º 35º).2. a seguinte informação: a) Designação e local da obra. qualificação e assinatura do autor do projecto.º 264º). Os diâmetros de saída são fixados em 45mm para as bocas de incêndio e em 60mm para duas saídas e 90mm para os marcos de água. • Pormenores . f) Legenda específica das redes representadas. das obras a executar. no original. b) Identificação do proprietário. b) Termo de responsabilidade do técnico autor do projecto. Os ramais de ligação consideraram-se tecnicamente como partes integrantes das redes públicas de distribuição e de drenagem. Os diâmetros nominais mínimos dos ramais de alimentação dos hidrantes são de 45mm para as bocas de incêndio e de 90mm para os marcos de água (Art.grau 1 a 3.1:500.

quer de qualidade quer de defesa da saúde pública. este último no caso de canalizações de água fria não afectas a sistemas de combate a incêndios. II..2 Elementos dos sistemas Para que não venham a ocorrer utilizações indevidas das diversas redes prediais impõe-se que: "As canalizações instaladas à vista ou visitáveis devem ser identificadas consoante a natureza da água transportada e de acordo com o sistema de normalização vigente. A terminologia e a simbologia a utilizar e as unidades em que são expressas as diversas grandezas devem respeitar as directivas estabelecidas neste domínio. aço galvanizado ou PVC rígido. VIII e XI ao Regulamento. ser de cobre. entre outros. 2. mesmo que nos locais onde não existam redes públicas deverão ser executadas de modo a permitir. Todos os materiais a aplicar em sistemas de distribuição.º 73º). preservando-se a segurança. aço inoxidável. os instaladores (picheleiros) devem proceder a sua inscrição nos SMAS para que possam assumir a responsabilidade de execução de instalações prediais. quer por contacto. a rede de distribuição predial de água deve assegurar o seu bom funcionamento. independentemente da existência ou não das redes públicas no local (Art. sendo obrigatória a ligação às redes públicas de abastecimento de água e de drenagem de águas residuais domésticas.º 75º). A rede predial a projectar e executar deve ainda oferecer a garantia de que a água a fornecer aos sistemas prediais deverá ter em consideração aspectos.3 Sistema de abastecimento predial de água 9. quando existam ou venham a ser instaladas. como dispõem que: "Os sistemas prediais alimentados pela rede pública devem ser independentes de qualquer sistema de distribuição de água com outra origem. as tubagens e acessórios podem ser de ferro fundido...As redes de água não potável e respectivos dispositivos de utilização devem ser sinalizados. peças acessórias e dispositivos de utilização. interna e externa." e "O fornecimento de água potável aos aparelhos sanitários deve ser efectuado sem pôr em risco a sua potabilidade.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. como responsável pelo abastecimento e distribuição pública de água. remodelados ou ampliados deverão prever redes prediais de abastecimento de água. no futuro.a utilização de água não potável exclusivamente para lavagem de pavimentos.3. 2 . a salubridade e o conforto nos edifícios. rega.º 77º).Porto. "Não é permitida a ligação entre a rede predial de distribuição de água e as redes prediais de drenagem de águas residuais. polietileno ou PVC rígido" (Art. devem ser isentos de defeitos e. a sua fácil ligação àquelas redes.As tubagens e acessórios que constituem as redes interiores podem.Nas redes exteriores de água fria. Assim. devem apresentar boas condições de resistência à corrosão. impedindo a sua contaminação.3 Concepção dos sistemas A rede de distribuição de água parte de um ponto da rede pública. Também no sentido de garantir adequada qualidade e o respeito da saúde pública impõem a necessidade de cuidados na escolha dos materiais. As redes prediais a instalar. Os sistemas prediais de abastecimento de água devem garantir que a mesma chegue a todos os dispositivos de utilização. A aplicação de novos materiais ou processos de construção para os quais não existam especificações oficialmente adoptadas nem suficiente prática de utilização. "1." (Art.º 90º)..1 Aspectos gerais Todos os edifícios novos. os sistemas prediais alimentados pela rede pública devem ser independentes de qualquer sistema de distribuição de água com outra origem.º 4º). Também. quer por aspiração de água residual em caso de depressão. nomeadamente poços ou furos. Assim. pela própria natureza ou por protecção adequada." (Art.. 9. Assim a terminologia e a simbologia a adoptar serão as indicadas nos anexos I. encarnado para água de combate a incêndios.º 76º)." (Art. de acordo com as seguintes cores: azul para água destinada ao consumo humano. as canalizações instaladas à vista devem ser identificadas consoante a natureza da água transportada. em quantidade e qualidade adequadas ao uso. A localização desta conduta exterior bem como a posição prevista para o contador são a "ponta da meada" a partir da qual se faz o desenvolvimento da rede interior. III.3. nomeadamente poços ou furos privados. deve ser sujeito a verificação de conformidade pelo LNEC Laboratório Nacional de Engenharia Civil e a fazer presente junto dos SMAS Porto. Numa primeira fase de abordagem a concepção de um sistema de abastecimento predial devem colocar-se as seguintes questões fundamentais: 137 . Deste modo. e aos esforços a que vão ficar sujeitos.3. 9." (Art. sempre que necessário. ". combate a incêndios e fins industriais não alimentares. Os materiais a utilizar nas tubagens e peças acessórias dos sistemas de distribuição devem ser aqueles cuja aplicação seja admitida pelos SMAS .

Secção e pressões disponíveis? 3.(Art. SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO 9. Que dimensão tem o edifício? Existem caves? 5.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 1. "2 . que se mantenha entre 150 Kpa e 300 Kpa.3.º 21 º). Precisa de equipamento elevatório de bombeamento? Atravancamento e acessibilidade à câmara de manobras? 8.. Dentro desse contexto. a estrutura e as restantes instalações especiais da edificação. Previsão do fornecimento de água quente: a que zonas e de que modo? 10. com reservatório inferior sempre que a pressão não seja de molde a garantir a reposição da reserva durante o período diário de 24 horas ao nível mais elevado do edifício. por razões de conforto e durabilidade dos materiais. ao consagrar que: "e) A pressão de serviço em qualquer dispositivo de utilização predial para o caudal de ponta não deve ser. 138 . sendo recomendável. coordenada com a arquitectura. inferior a 100Kpa o que. poderemos ter sistemas com abastecimento directo ou indirecto.º 78º). incluindo o piso térreo. sem prejuízo das condições de funcionamento do sistema na sua globalidade? Por fim.. É necessária rede de combate a incêndio? De que tipo? 9. Caso contrário. corresponde aproximadamente a H=100+40n "Onde H é a pressão mínima (Kpa) e n o número de pisos acima do solo.4 Classificação dos sistemas Ao colocarmos correctamente as questões acima enunciadas somos muitas vezes levados a constatar que nem sempre os sistemas públicos permitem que o abastecimento se efectue directamente da rede geral de distribuição em condições de pressão e caudal necessários a garantir uma utilização com a qualidade e quantidade adequadas. Existe rede pública? Onde? 2. técnica e económica. ou seja. na rede pública e ao nível do arruamento." . o regulamento apresenta condicionantes que podem permitir efectuar uma primeira abordagem ao tipo de sistema de alimentação predial. Neste sentido. em regra. Torna-se necessário prever reservatórios? Os serviços locais permitem? Em que condições? Sua capacidade e localização? Formas de drenagem de perdas e esvaziamento? 7.As pressões de serviço nos dispositivos de utilização devem situar-se entre os 50 Kpa e 400 Kpa. O abastecimento directo será garantido sempre que as condições de abastecimento público apresentem pressão e/ou caudal que permitam nas condições de conforto definidas no projecto o abastecimento em permanência. falta de pressão ou falta de caudal deverá optar-se por sistemas de abastecimento indirecto com reservatório elevado quando a pressão disponível possibilita em certos períodos diários a reposição da reserva necessária e por sistema elevatório. Há escassez de água ou interrupções de fornecimento com frequência? 4. Na remodelação ou ampliação de sistemas existentes com aumento de caudal de ponta? Comprova-se a suficiência da capacidade hidráulica de transporte das canalizações e das eventuais instalações complementares a montante. sempre será de realçar que a concepção de sistemas prediais de distribuição de água deve ter como objectivo a resolução de problemas numa perspectiva global." (Art. Qual o tipo de ocupação? 6.

c) Ao grau de conforto pretendido. b) Ao tipo e número de dispositivos de utilização. Para que se possa efectuar esta verificação preliminar do sistema mais adequado de abastecimento predial. dando também resposta a algumas das questões já referidas deve obter-se junto dos SMAS Porto a informação sobre as condições de abastecimento da rede pública no local onde se pretende executar a edificação. Sempre que a rede pública não puder assegurar as pressões necessárias deverá ser prevista uma instalação sobrepressora com tanque de compensação.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Na escolha do sistema há que atender: a) À pressão disponível na rede geral de alimentação e à necessidade nos dispositivos de utilização. "… os valores das pressões máxima e mínima na rede pública no ponto de inserção naquela.º 83º). 139 ." (Art. ou seja. d) À minimização de tempos de retenção da água nas canalizações.

Deverá atender ao Regulamento dos Sistemas Públicos e Prediais de Distribuição de Água e Drenagem de Águas Residuais Domésticas dos Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento da Câmara Municipal do Porto. REDE PREDIAL DE DRENAGEM DE ÁGUAS RESIDUAIS DOMÉSTICAS A câmara de ramal de ligação deverá situar-se no local assinalado na P. O Chefe de Divisão 140 . ao Decreto-Regulamentar 23/95. à profundidade de m. Porto. Agosto e ainda à legislação específica relacionável com os projectos em causa.T. n.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Pedido de informação das condições de ligação às redes públicas LIGAÇÕES ÀS REDES PÚBLICAS Planta Topográfica P. º Local da obra: Rua / 2005 Freguesia: Requerente: REDES PREDIAIS DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA Pressão estática REDE PÚBLICA .T..PRESSÕES Pressão dinâmica MPa MPa REDES DE INCÊNDIO As redes de combate a incêndio deverão ser dimensionadas e representadas em projecto.

3. tendo em conta os coeficientes de simultaneidade. considerando os respectivos caudais instantâneos e a simultaneidade constante do quadro seguinte: 9. Contudo.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. No anexo do Regulamento apresenta-se uma curva que. o coeficiente de simultaneidade mais adequado numa dada secção.1 Aspectos gerais A rede predial de água fria deve assegurar a sua distribuição a todos os dispositivos instalados em boas condições.4. Número de fluxómetros instalados 1 2 a 10 11 a 20 21 a 50 Superior a 50 Em utilização simultânea 1 2 3 4 5 141 . Para outro tipo de conforto ou de utilização (estabelecimentos. b) As velocidades de escoamento. através da curva referida acima. os caudais de cálculo devem ser obtidos somando aos caudais obtidos para os restantes aparelhos. Nos ramais de alimentação de fluxómetros para bacias de retrete devem ter-se em atenção as pressões mínimas de serviço a cujos valores correspondem os diâmetros constantes do quadro seguinte: Pressão (kPa) 200 80 50 Diâmetro (mm) 25 32 40 9. os valores das pressões máximas e mínimas na rede pública no ponto de inserção daquela. no caso em que a rede pública não garanta eficazmente os consumos e pressões prediais requeridas. c) A rugosidade do material. quando existem fluxómetros. Os caudais de cálculo na rede predial de água fria baseiam-se nos caudais instantâneos atribuídos aos dispositivos de utilização e nos coeficientes de simultaneidade.) deve ser o coeficiente de simultaneidade determinado por recurso a informações existentes ou a bibliografia específica. que pode ser utilizada para os casos correntes de habitação sem fluxómetros. Para efeitos de cálculo da rede predial devem ser obtidos e são fornecidos. o cálculo do volume útil dos reservatórios destinados ao consumo humano não deve. que devem situar-se entre 0. por razões de defesa de saúde pública dos utentes.2 Dimensionamento hidráulico No dimensionamento hidráulico da rede predial de água fria deve ter-se em atenção: a) Os caudais de cálculo. Face à possibilidade do funcionamento não simultâneo da totalidade dos dispositivos de utilização. etc. 9. para um nível de conforto médio. exceder o valor correspondente ao volume médio diário do mês de maior consumo. os constantes do quadro anexo ao Regulamento. Prevendo-se a instalação de reservatórios estes são condicionados. Os caudais instantâneos a atribuir aos dispositivos de utilização devem estar de acordo com o fim específico a que se destinam.4. excepto em casos devidamente justificados. como acima já se referiu. para a ocupação previsível.3 Reserva predial de água para abastecimento doméstico O armazenamento de água para o consumo humano em edifícios é normalmente autorizado pelos SMAS Porto. à renovação na sua totalidade com periodicidade de pelo menos uma vez por dia. bem como os aparelhos alimentados.4. Os reservatórios de água para consumo humano devem também ser sujeitos a operações de inspecção e limpeza periódica.4 Sistemas prediais de distribuição de água fria 9. em função dos caudais acumulados.5 Dimensionamento dos sistemas prediais Nos projectos relativos à distribuição predial de água devem indicar-se nas peças desenhadas os tipos e localização dos dispositivos de utilização. fornece os caudais de cálculo. restaurantes. Os caudais instantâneos a atribuir a máquinas industriais e outros aparelhos são especificados no quadro anexo ao Regulamento e devem ser estabelecidos em conformidade com as indicações dos fabricantes. sendo os valores mínimos a considerar. ou seja. os caudais de cálculo dos fluxómetros. O coeficiente de simultaneidade é a relação entre o caudal simultâneo máximo (caudal de cálculo) e o caudal acumulado (somatório dos caudais instantâneos) de todos os dispositivos de utilização alimentados por essa secção.5 e 2. considera-se na determinação do caudal de cálculo.0m/s. escolas.

Descargas de fundo com válvula. em funcionamento normal. os reservatórios devem ter protecção térmica e estar afastados de locais sujeitos a temperaturas extremas. 5. a conservação dos elementos resistentes e a manutenção da qualidade da água. no mínimo. 4. Isolamento térmico quando necessário. b) Saídas para distribuição. 3. 9. Tampa sobre a válvula de bóia. protegida com rede de malha fina. 2. 16. c) Descarregador de superfície colocado. Como condições construtivas a ter em consideração realça-se que: os reservatórios devem ser impermeáveis e dotados de dispositivos de fecho estanques e resistentes. com válvula adequada. a 150 mm do fundo. a soleira e as superfícies interiores das paredes devem ser tratadas com revestimentos adequados que permitam uma limpeza eficaz. equipada com uma válvula de funcionamento automático. Equipamento /acesso e atravancamento.Esquema tipo de um reservatório 142 . Quando o armazenamento da água se destina a consumo humano. 6.0 m3 devem ser constituídos. destinada a interromper a alimentação quando o nível máximo de armazenamento for atingido. associada a caixa de limpeza. 15. 18. a fim de facilitar o esvaziamento. Soleira com pendente de igual superior a 1%. 11. no mínimo. RESERVATÓRIOS DE ÁGUA POTÁVEL ESQUEMA-TIPO DE UM RESERVATÓRIO Regras principais: 1. preparadas para funcionar separadamente mas que. tipo mosquiteiro. se intercomuniquem. a 50 mm do nível máximo de armazenamento e conduta de descarga de queda livre e visível. nos reservatórios com água destinada a consumo humano e com capacidade útil igual ou superior a 2. 13. Limpeza interior/evitar ângulos apertados. e) Acesso ao interior com dispositivo de fecho que impeça a entrada de resíduos sólidos ou escorrências. 10. aço ou outros materiais que se mostrem adequados a manter a qualidade da água armazenada e os materiais e revestimentos usados na sua construção não devem alterar a qualidade da água afectando a saúde pública. as arestas interiores devem ser boleadas e a soleira ter a inclinação mínima de 1% para a caixa de limpeza. Rebaixo para retenção de areias. convenientemente protegido com rede de malha fina. tipo mosquiteiro. Aberturas para ventilação. A localização dos reservatórios deve permitir a sua fácil inspecção e conservação. por duas células. d) Descarga de fundo implantada na soleira. 17. Localização em zona técnica acessível. que deve impedir a entrada de luz directa e assegurar a renovação frequente do ar em contacto com a água. 7. 14. no mínimo a 50 mm acima do nível máximo da superfície livre do reservatório em descarga. dimensionados para um caudal não inferior ao máximo de alimentação do reservatório. 8. 1 . ≥2 células para manutenção ou reparação. 19. Protecção de aberturas com rede mosquiteiro. Fig. Os reservatórios podem ser de betão. Pintura interior de protecção. Entrada e saída da água em pontos opostos. nem as paredes comuns a paredes de edificações vizinhas. Alarme/detecção de fugas de água. 12. sistema de ventilação. Condições de acesso e de inspecção. Cada reservatório ou célula de reservatório deve dispor de: a) Entrada de água localizada. protegidas com ralo e colocadas. Reserva para 24 horas. alvenaria de tijolo ou de blocos de cimento. Independência da restante estrutura. Descarga de superfície. pelo menos. Envolvente protegida contra escorrimentos e infiltrações.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto O armazenamento de água para combate a incêndios é feito em reservatórios próprios e independentes e não pode por princípio ser utilizado para outros fins. a entrada e saída da água nos reservatórios devem estar posicionadas de modo a facilitar a circulação de toda a massa de água armazenada e o fundo e a cobertura dos reservatórios não devem ser comuns aos elementos estruturais do edifício. Caleira nas proximidades. de material não corrosivo. 20.

Drenagem de águas residuais. ruído de nível sonoro médio não superior a 30 dB(A). a sua limpeza e desinfecção. Abastecimento de água em condições de pequeno débito e elevada pressão. c) A altura manométrica. Página 1 de 1.Nunca o deixe sem tampa adequada ou devidamente protegido. Os grupos electrobomba devem ser de funcionamento automático e possuir características que não alterem a qualidade da água. . . abrindo todas as torneiras de serviço e enxagúe para eliminar completamente o hipoclorito. transferência de líquidos. assim como protecção contra o choque hidráulico. pressurização. etc. Atendendo à capacidade do depósito/cisterna. Abastecimento de água. 9. etc. irrigação e circulação de água em sistemas. escovas só para esse fim. de dois grupos electrobomba idênticos. agricultura. que permitam uma fácil inspecção e manutenção e ser equipadas com grupos electrobomba e dotadas de dispositivos de comando.Escove cuidadosamente as paredes. Elevação. Tipos de bombas Monocelulares horizontais Monocelulares verticais Multicelulares horizontais Multicelulares verticais Circuladoras Aplicações Abastecimento de água. circulação e transferência de água. serviços industriais. . instalações especiais.Encha completamente e mantenha em repouso. . nomeadamente.4. rebaixamento de aquíferos. esvaziamento de reservatórios e piscinas. Submersíveis De drenagem (submersíveis) Jockey 143 . b) A pressão disponível a montante.Porto. de segurança e de alarme. tenha os seguintes cuidados: . d) O número máximo admissível de arranques por hora para o equipamento a instalar. e de acessórios indispensáveis ao seu funcionamento e manutenção.Instale-o sempre em local de fácil acesso. nos lugares ocupados. 20ml do referido hipoclorito.1 Aspectos gerais No quadro seguinte apresentam-se os tipos de bombas correntes no mercado e suas principais aplicações. serviços industriais.Deixe entrar água limpa até cerca de metade da sua altura. "Instruções para desinfecção de cisternas/depósitos"[1] Se na sua casa houver depósito/cisterna.Proceda à desinfestação do depósito/cisterna: . etc. Laboratório de Análises. etc. limpo e arejado. . o fundo e a abertura. retirando todos os detritos e lodo que eventualmente contenha.Esvazie-o totalmente. .4. SMAS . No dimensionamento das instalações elevatórias devem ter-se em atenção: a) O caudal de cálculo. . sistemas de rega.Enxagúe todo o interior e esvazie-o de novo.4. para o efeito deverão ser utilizados apoios isolados e ligações elásticas às tubagens para atenuação da propagação do ruído. Os dispositivos de protecção devem ser definidos em função das envolventes de pressão máxima e mínima. pressurização e circulação de água. serviços industriais. Lave-o pelo menos uma vez por ano da seguinte forma: . etc. As instalações elevatórias ou sobrepressoras devem ser localizadas em zonas comuns e ventiladas.Após esta operação o depósito/cisterna está pronto a receber a água que é distribuída. durante pelo menos meia hora. Revisão nº0. adicione por cada m3 de água.Junte hipoclorito de sódio a 14% (à venda em drogarias). sem consumir. pelo que os SMAS Porto apresentam instruções de actuação para a execução dessas operações. . O funcionamento dos órgãos electromecânicos deve determinar. e circuitos de arrefecimento e de ar condicionado. As canalizações e acessórios utilizados devem ser de materiais de resistência adequada às pressões de serviço e às vibrações. captação de águas subterrâneas. Edição nº1. etc. no mínimo. rebaixamento de aquíferos. utilizando preferencialmente. irrigação. normalmente destinados a funcionar como reserva activa mútua e excepcionalmente em conjunto para reforço da capacidade elevatória.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Também a manutenção periódica dos reservatórios é aspecto importante a ter em consideração. resultantes da ocorrência de choque hidráulico.Volte a esvaziar. pressurização. Circulação de líquidos em circuitos de aquecimento abertos ou fechados.4 Instalações elevatórias e sobrepressoras 9. e) A instalação. circulação e pressurização. transferência de líquidos. agricultura. Abastecimento de água. agricultura." [1] Fonte: "Documento Auxiliar de Procedimentos". Abastecimento de água.

3. 9. o qual traduz a relação entre a potência ganha e a do motor e assume sempre valores inferiores à unidade.Peso volúmico (N ).Altura equivalente à pressão atmosférica (m).hs + fd + fs + (υ2/2g) em que: 9.Capacidade de aspiração (m). HTOTAL. para a água.Peso volúmico.3 Altura manométrica 9. Q . Ja.13 0. quer as imprecisões na determinação das perdas de carga no troço de tubagem de aspiração.24 0. Sendo a pressão atmosférica normal é igual a 1.83 10. pela bomba.013x102kPA.a. esta varia com a temperatura do líquido.Altura equivalente da tensão de vapor do líquido (m). a que corresponde um peso volúmico de 9.Factor de segurança (m).3. hd é a altura estática de descarga (em metros) igual à distância medida na vertical entre o eixo da bomba e o nível do líquido no reservatório de descarga. hs é a altura estática de aspiração (em metros) igual à distância entre o nível do líquido no reservatório de aspiração e o eixo da bomba.4. No que se refere à altura equivalente de tensão de vapor (pv/γ).4.a.c.4.4. a qual traduz o trabalho exterior fornecido por um motor. H. quer as variações de pressão. sendo assim a potência absorvida pela bomba expressa por: P= γQHTOTAL / η P.a.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. Pv/γ.Caudal. A potência absorvida pela bomba tem de ser superior à que esta cede ao escoamento. a altura máxima de aspiração de uma bomba será calculada de acordo com a expressão: HMA = Patm/γ. teremos que a altura equivalente à pressão atmosférica será igual a 10.33m.Altura manométrica (m) = Haspiração + Hcompressão. Q.).4.1 Altura máxima de aspiração A altura de aspiração representa o ganho de pressão que o líquido sofre na sua passagem. Temos então que a diferença entre Hs e Hc que corresponderá ao ganho de pressão que o líquido sofrerá na sua passagem pela bomba.) fs corresponde a perdas de carga na tubagem de aspiração (m.[NSPH + Ja + Pv/γ + a] HMA. γ. devido às perdas nas transformações de energia em presença.c.Perda de carga no troço de tensão de vapor do líquido (m). considerando que o fluido bombeado é água.43 1. fd corresponde a perdas de carga na tubagem de descarga (m.) u 2 2g corresponde ao valor das perdas de carga na saída (m.4.a. a qual traduz o ganho energético do líquido na sua passagem pela bomba.4.4. a. Patm/γ.Caudal bombeado (m3s-1). γ.2 Altura manométrica total A altura total desenvolvida pela bomba pode ser expressa por uma das seguintes equações: Bomba funcionando em aspiração: Htotal = hd + hs + fd + fs + (υ2/2g) ou Bomba funcionando em carga: Htotal = hd . η. o qual irá ser representado por HTOTAL e será designado por altura manométrica.Rendimento da bomba (entre 60% a 70%). Nota: Este valor é positivo ou negativo consoante a bomba funcione em aspiração ou com a aspiração em carga. por Hs a carga à saída da bomba. no quadro indicam-se alguns valor Hatm = Patm/γ.2 Potência absorvida pela bomba A determinação da potência absorvida pela bomba que garanta o abastecimento solicitado é dada por: P = γQH P. Htotal é a altura vencida pela bomba funcionando com o caudal de projecto (m.8x103 N/m3.Potência.26 4. por η o rendimento da bomba.33 O factor de segurança "a" da expressão procura superar. em função das temperaturas indicadas.c. Designando por Hc a carga à entrada na bomba. NSPH.c. m-3 TENSÃO DE VAPOR DE ÁGUA FUNÇÃO DA TEMPERATURA Temperatura (°C) Altura equivalente da tensão de vapor (m) 10 20 30 50 80 100 0. 144 .Altura de elevação.Potência (W).Altura máxima de aspiração (m).) Nota: Geralmente as perdas de carga na saída (υ2/2g) representam uma pequena percentagem do valor da altura manométrica total e são geralmente negligenciáveis. Assim.

caudal bombeado (m3/h). Os sistemas de produção e distribuição de água quente devem garantir as temperaturas mínimas de utilização necessárias nos dispositivos de utilização em função do grau de conforto e economia desejados.volume do depósito (m3). industriais e similares (unidades hoteleiras. hidráulicas e de ventilação.5 Dimensionamento dos reservatórios hidropneumáticos Os reservatórios hidropneumáticos são dimensionados tomando por base a "Lei de Boyle-Mariotte". Pmin.Reservatório hidropenumático Vtotal = {Vágua (Pmáx + 1)} / {0. A rede predial de água quente visa assegurar a distribuição em boas condições de água quente sanitária. Vágua o volume de água a introduzir no reservatório e Vr o volume de reserva ou segurança.8 (Pmáx . quantidade e qualidade adequadas ao uso sanitário.(Pmin-2)} Vtotal. Pmin representa o nível mínimo a que corresponde a pressão de arranque do elemento de bombeamento. Considerando o reservatório representado na figura. 2 .) justificam-se soluções de instalação de sistemas elevatórios de velocidade e caudal variável. tendo em conta os factores já mencionados. que proporcionem economias numa relação de poupança energética/eficiência do sistema. pois ao limitarem o número de arranques por hora podem.4. Os reservatórios hidropneumáticos são importantes em edifícios de habitação.25Qp (Pmáx + 10)} / {4N(Pmáx . No dimensionamento hidráulico da rede predial de água quente deve seguir-se o disposto para a água fria mas ter em consideração um coeficiente de rugosidade menor. se adequadamente dimensionados.).c.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. As fórmulas empíricas permitem a determinação dos volumes totais dos depósitos respectivamente para os depósitos sem membrana e com membrana. uma abordagem dos sistemas prediais de abastecimento de água quente sanitária. V1 e V2 os correspondentes volumes ocupados e c é uma constante (constante dos gases perfeitos).pressão manométrica mínima (m. Vtotal = {1.a. Estes sistemas visam garantir o fornecimento de água quente nas condições de temperatura. incluindo a questão da recirculação e isolamento térmico.5 Sistemas prediais de distribuição de água quente 9. Nos edifícios de habitação é sempre obrigatória a existência de sistemas de produção e distribuição de água quente a cozinhas e instalações sanitárias. de serviços. etc. 9.Pmin)} Vtotal = {Qp Pmáx } / {4N Pmáx . Pmáx. Vamin o volume de ar a que corresponde a pressão mínima. à circulação forçada ou retorno. mantendo constante a temperatura. N. centros comerciais. como alternativa aos reservatórios hidopneumáticos. Vamax o volume de ar a que corresponde a pressão máxima.).Pmin)} O objectivo dos depósitos hidropneumáticos é o de limitar o número horário de arranques dos grupos de sobrepressão. 145 . Qp.pressão manométrica máxima (m. logo menor perda de carga. onde Pmáx representa o nível máximo de água a que corresponde a pressão de paragem do elemento de bombeamento. Importante é considerar as condições técnicas que determinam a sua utilização. tendo em atenção o caudal de bombeamento e os limites de pressão pré-estabelecidos. e que é expressa por: P1V1 = P2V2= c em que P1 e P2 representam as pressões de sujeição. varia na razão inversa das pressões que suporta. recorrendo.número de arranques por hora. tal como nas instalações eléctricas. 9. permitir que em utilização normal os sistemas elevatórios não funcionem em períodos nocturnos de pequenos consumos evitando os ruídos e vibrações que tanto incomodam e são objecto de justas reclamações pelos habitantes dos respectivos edifícios. uma vez que sua instalação adequada exige certos cuidados que interferem directamente no desenho do projecto. Em situações de edifícios de habitação.5.2 Aparelhos produtores de água quente É importante que o sistema de aquecimento de água seja definido já na fase de projecto. unidades de saúde.a. a qual refere que o volume ocupado por uma dada massa de gás. se necessário. de seguida. Fig.1 Aspectos gerais Far-se-á.c.5. Os caudais de cálculo da rede predial de água quente devem ser obtidos de acordo com o disposto para a água fria.

Os termoacumuladores eléctricos correntes no mercado com capacidade de 100 litros e apresentam uma das seguintes potências: Aquecimento lento . comportam-se como vulgares esquentadores ou podem. Aquecimento normal .6=1. nos ensaios de qualidade e na sua localização e instalação e é obrigatória a instalação de válvula de segurança no ramal de alimentação de termoacumuladores. considerando que 1KW = 0. A produção de água quente para distribuição aos dispositivos de utilização pode fazer-se.8 l/min 380 380/25= 15. a gás ou solar. à medida em que passa pelo aparelho.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto A segurança dos aparelhos produtores de água quente deve ser garantida na sua construção. promover a acumulação de água quente em depósitos de água.7 Fig.864 Kcal. 3 .6=3. afectado de um coeficiente de utilização simultânea. Potência Térmica (kcal/min) Débito de A. sendo as mais usuais de 250. em que a água aquecida fica armazenada em acumuladores.Esquema tipo de ligação a termoacumuladores Os termoacumuladores a gás possuem potências térmicas mais elevadas do que os eléctricos. Sendo a temperatura normal de acumulação de 60°C e para uma mesma temperatura de 15°C de água fria.6 em 1 hora (litros) Tempo de aquecimento de 100/19. sendo esta última característica a que determina a designação vulgar de termoacumuladores de aquecimento lento. a 40°C ∆t=40°-15°=25°C 250 250/25= 10 l/min 320 320/25= 12. A escolha do sistema a instalar deve ser efectuada em função das necessidades instantâneas e horárias de água quente e da análise técnico económica das várias alternativas que se nos oferecem. Aquecimento rápido . Tipo de Aquecimento termoacululador lento Potência (Kcal/h) ∆T=60°C-15°C 864 45°C Aquecimento normal 1512 45°C Aquecimento rápido 2592 45°C Caudal aquecido 864/45=19. Deve ter-se ainda em atenção a necessidade de água quente para outros fins (que não os sanitários).2 100 litros (horas) 100/33.0 100/57.2 l/min As potências dos termoacumuladores eléctricos são variáveis consoante as suas capacidades e os tempos de aquecimento. através de aparelhos de produção instantânea (esquentadores) ou de aparelhos de acumulação (termoacumuladores eléctricos ou a gás e depósitos de água quente com circuito primário de aquecimento) ou ainda pela combinação de ambos. 320 e 380 Kcal/min.1750w. 146 . temos a situação referida no quadro seguinte.6 2592/45=57.1000w. A partir daí. consoante as características do edifício de habitação. Se a temperatura da água fria for de 15°C à entrada no esquentador e que se pretende água quente a 40°C. Por razões de segurança é interdita a instalação de aparelhos produtores de água quente a gás nas instalações sanitárias ou em locais que se não situem junto da envolvente exterior do edifício.2=5. em que a água é aquecida gradualmente. os valores encontrados são os indicados no quadro. 9.3000w. o que permite aquecer o mesmo volume de água em menos tempo ou reduzir a capacidade do depósito de acumulação.5.Q. o que leva as designações comerciais correntes dos esquentadores em 10. tais como o aquecimento central ou a climatização.2 1512/45=33. A escolha do sistema depende do tipo de energia a ser utilizado para aquecer a água: eléctrico. Os esquentadores apresentam-se no mercado com diferentes potências. Aqui. o que pressupõe o conhecimento das características térmicas dos aparelhos atrás referidos. b) De passagem. normal e rápido.3 Necessidades de água quente e escolha dos aparelhos de produção As necessidades instantâneas de água quente devem ser estimadas a partir do somatório dos caudais instantâneos a atribuir aos dispositivos de utilização servidos por água quente. através de um circuito primário de aquecimento. 13 e 16 l/min. é definido o sistema de alimentação dos equipamentos: a) Por acumulação. As caldeiras murais são muitas vezes sistemas mistos que combinam a produção de água quente para aquecimento do ambiente (circuitos fechados) com a produção instantânea de água quente sanitária.

As canalizações exteriores da rede predial de água fria ou quente podem ser enterradas em valas. o circuito de recirculação ou retorno apresenta-se o quadro seguinte: 9. bem como a qualidade e conforto que se espera do sistema. o diâmetro do tubo. recomendando-se 0.5. o que se traduz num consumo instantâneo menor de gás. A exigência de acessórios pode ser dispensada nos casos em que se utilizem canalizações flexíveis. consideraram-se aceitáveis os valores seguintes para perdas de calor em kcsl/h por metro linear de tubagem. etc. Devem ser tidos em consideração os problemas de dilatação e contracção da tubagem. Para tubos metálicos. Fig. em galerias. colocadas em paredes ou instaladas em caleiras. devendo os primeiros possuir ligeira inclinação para favorecer a saída do ar. Por outro lado. com vista à sua selecção. ligados entre si por acessórios apropriados.5 9. Diâmetro DN 15 DN 20 DN 25 Locais n/ aquecidos Tubos isolados 16 23 27 Locais aquecidos Tubos isolados 13 16 22 Fig. 5 . Como distâncias meramente indicativas para que se deva ponderar a hipótese de adoptar. para o dimensionamento das bombas de recirculação deve-se determinar a perda de carga total do circuito: às perdas de carga contínuas é necessário adicionar as perdas de carga acidentais (curvas. A potência deste termoacumulador é inferior à de um esquentador de 10 l/min (14100kcal/h=235kcal/min).).100 kcal/h e considerando o diferencial térmico de 45°C entre a temperatura de água fria e de água quente acumulada.Distâncias máximas sem retorno DIÂMETRO E DISTÂNCIA MÁXIMA SEM RETORNO d (mm) 15 (1/2'') 20 (3/4'') 25 (1'') 32 (1¼'') 40 (1½'') l (m) 50 30 15 10 7. As canalizações interiores da rede predial de água fria ou quente podem ser instaladas à vista. nomeadamente na instalação de juntas e no tipo de braçadeiras a utilizar.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Um termoacumulador a gás com a potência de 14. teremos por hora 313 l (14100kcal/h:45°C). 4 .6 Traçado 9. válvulas.5% como valor orientativo.Distribuição de água quente com recirculação 147 .6. horizontais e verticais. As canalizações não embutidas são fixas por braçadeiras espaçadas em conformidade com as características de material. Deve-se ter em consideração que as perdas de calor na tubagem variam consoante o tipo de isolamento. embainhadas ou embutidas.4 Sistemas de distribuição de água quente com recirculação A implementação em edifícios dos sistemas de distribuição com retorno de água aos aparelhos de produção exige alguma atenção pelas economias de água e energia que podem proporcionar. caleiras ou tectos falsos. devendo ser sempre protegidas de acções mecânicas e isoladas termicamente quando necessário. com vantagem económica e conforto.1 Aspectos gerais O traçado das canalizações deve ser constituído por troços rectos. A rede de distribuição deve ser dimensionada até à última derivação pelo método de dimensionamento definido pelo regulamento. tês. Seguidamente. o tipo de tubagem e a temperatura ambiente nos locais em que circulam. Na instalação de canalizações de água quente assume particular importância as dilatações e contracções das tubagens. a consulta e análise das curvas características das bombas é fundamental.

Podem não ser isoladas as derivações para os dispositivos de utilização e respectivos ramais de retorno. procedendo-se ao seu isolamento por juntas dieléctricas.7 Elementos acessórios da rede 9. e) O atravessamento de paredes e pavimentos ser feito através de bainhas de material adequado de nobreza igual ou próxima inferior ao da canalização. cobre ou aço inoxidável ou outros adequados e aprovados. o material mais nobre ser instalado a jusante do menos nobre. preferencialmente.2 Isolamento das canalizações As canalizações de água quente. As tubagens e acessórios que constituem as redes interiores de água fria podem ser de aço galvanizado. A distância mínima entre canalizações de água fria e de água quente é de 50 mm. Valores de espessura de isolamento recomendados 9. quando de pequeno comprimento. por forma a permitir a sua fácil manobra e manutenção. com materiais não metálicos. Devem ainda ser consideradas medidas destinadas a atenuar os fenómenos de corrosão. Execução das redes prediais As canalizações de água quente devem ser colocadas. incombustíveis e resistentes à humidade.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. As canalizações não devem ser instaladas nas seguintes condições: a) Sob elementos de fundação. não embutidas. devendo para o efeito: a) As canalizações metálicas da rede serem executadas. c) Embutidas em pavimentos. paralelamente às canalizações de água fria e acima destas.7. devem ser sempre isoladas com produtos adequados.2 Válvulas As válvulas devem ser colocadas em locais acessíveis por forma a permitir a sua fácil manobra e manutenção. sempre que possível.3. b) No caso de materiais diferentes. mas também em zonas de baixas temperaturas as de água fria. do mesmo material. de infiltrações ou de choques mecânicos. não corrosivos. com ou sem revestimento cromado. excepto quando flexíveis e embainhadas. sempre que possível. h) As canalizações enterradas serem executadas. imputrescíveis. 6 . 9. As torneiras e fluxómetros devem ser colocados em locais acessíveis. c) O assentamento de canalizações metálicas de redes distintas ser feito sem pontos de contacto entre si ou com quaisquer elementos metálicos da construção.7. 148 . d) O assentamento de canalizações não embutidas ser feito com suportes de material inerte. As torneiras e os fluxómetros podem ser de latão. e) Em espaços pertencentes a chaminés e a sistemas de ventilação.Isolamento térmico de canalizações As canalizações e respectivos isolamentos devem ser protegidos sempre que haja risco de condensação de vapor de água. b) Embutidas em elementos estruturais. f) As canalizações metálicas serem colocadas. ferro fundido. ou de outros materiais que reunam as necessárias condições de utilização. d) Em locais de difícil acesso.6.1 Torneiras e fluxómetros Fig. 9. g) Ser evitado o assentamento de canalizações metálicas em materiais potencialmente agressivos. PVC rígido. de preferência com o mesmo material.6. ou de material de nobreza próxima inferior.

na zona de entrada ou em zonas comuns consoante se trate de um ou de vários consumidores. A localização dos contadores é a seguinte: REGULAÇÃO Permitir regulação do caudal As válvulas podem ser de latão. os contadores devem localizar-se no seu interior.Máquinas lavar louça .dos ramais de distribuição das instalações sanitárias e das cozinhas A montante: .Perdas de carga em contadores REDUTORA DE PRESSÃO É obrigatório instalar um contador por cada consumidor. deste modo. c) O caudal de cálculo previsto na rede de distribuição predial. o calibre e a classe metrológica do contador a instalar.A.7.Máquinas lavar roupa . ou outros e serem de material de nobreza igual ou tão próxima quanto possível do material das tubagens em que se inserem. .Nos edifícios confinantes com a via ou espaços públicos.3. aquela que define o tipo. bronze.Fluxómetros .dos ramais de introem qualquer dos dução individuais sentidos . contudo.M.C. 149 . no caso de vários consumidores. constituindo. como entidade responsável pelo sistema de distribuição pública de água. em zonas comuns ou no logradouro junto à entrada contígua com a via pública.Acumuladores de descarga água quente Manter a pressão abaixo de determinado valor com a introdução de uma perda de carga Nos ramais de introdução sempre que a pressão seja superior a 600Kpa e ou as necessidades específicas do equipamento o exijam. b) No interior do edifício. PERDAS DE CARGA EM CONTADORES (VALORES APROXIMADOS EM METROS DE COLUNA DE ÁGUA .) SECCIONAMENTO Impedir ou estabelecer À entrada: a passagem de água .De qualquer rede não destinada a fins alimentares e sanitários SEGURANÇA Manter a pressão Na alimentação de abaixo de determinado aparelhos produtores valor por efeito de . uma bateria de contadores. garantindo-se a medição de todos os consumos.Contadores RETENÇÃO Impedir a passagem de A montante: água num dos sentidos . no caso de um só consumidor.Nos edifícios com logradouros privados.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto TIPO DE VÁLVULA FINALIDADE É OBRIGATÓRIA A SUA INSTALAÇÃO: 9. São. 7 . .Aparelhos produtores .Acumuladores de água quente . Contadores É aos SMAS. parâmetros que determinam a definição do contador: a) As características físicas e químicas da água. podendo estes ser colocados isoladamente ou em conjunto. O espaço destinado ao contador ou bateria de contadores e seus acessórios deve obedecer aos esquemas tipo apresentados pelos SMAS. os contadores devem localizar-se: a) No logradouro junto à zona de entrada contígua com a via pública. d) A perda de carga que provoca. Fig. b) A pressão de serviço máxima admissível.Equipamento produtor de água quente . aço e PVC.Purgadores de água A montante e a jusante: .Autoclismos .

será suficiente para a lavagem final da rede. em princípio. A desinfecção da rede predial só deve ser feita depois de estabelecido e aprovado o ramal de ligação pela entidade responsável pelo sistema de distribuição pública de água. localizada tão próximo quanto possível do ponto de menor cota do troço a ensaiar.Instalação de contadores 9. com o mínimo de 900 kPa. Através do ponto de injecção. isto é. deixando sair a água durante cerca de 2 horas. desinfecção e funcionamento hidráulico 9. período este que. O processo de execução e interpretação do ensaio é o seguinte: a) Ligação da bomba de ensaio com manómetro. encher de novo e esvaziar. 150 . de forma a libertar todo o ar nelas contido e garantir uma pressão igual a uma vez e meia a pressão máxima de serviço. depois de equipados com os dispositivos de utilização e antes de entrarem em funcionamento. antes de entrarem em serviço. b) Enchimento das canalizações por intermédio da bomba. fechá-la e parar a injecção da solução desinfectante. Esta operação deve ser feita na véspera do dia de início da desinfecção. O volume da solução deve ser de 1/10 do volume da rede a desinfectar.2 Desinfecção dos sistemas Os sistemas de distribuição predial de água para consumo humano.1 Verificação Todas as canalizações. em caudal razoável. d) Período de contacto Manter a rede isolada durante um período de 48 horas. b) Enxaguamento prévio da rede Esvaziar a rede através das torneiras de purga existentes nos pontos mais baixos. Abrir. inclusive este. que não deve acusar qualquer redução. devem ser submetidos a uma operação de desinfecção com permanganato de potássio. de montante para jusante (do contador para as extremidades da rede) cada torneira até ao aparecimento da cor violácea. Fechá-la de seguida e passar à seguinte. e) Enxaguamento final Abrir as torneiras pela ordem inversa da adoptada no enchimento. 8 . convenientemente travados e com as extremidades obturadas e desprovidas de dispositivos de utilização. f) Recolha de amostras Recolher amostras para análise laboratorial confirmativa da qualidade da água. ou para qualquer outra rede predial interior. devem ser sujeitas a verificação e ensaios com o objectivo de assegurar a qualidade da execução e o seu funcionamento hidráulico. para assegurar uma limpeza eficaz. c) Introdução da solução desinfectante Fig. com a seguinte metodologia: a) Preparação da solução desinfectante Dissolver a quantidade de permanganato de potássio necessária (150 gramas por cada m3 de volume da rede a desinfectar) em água aquecida a uma temperatura entre 40°C e 45°C.8. de jusante para montante. A verificação da conformidade do sistema com o projecto aprovado e com as disposições legais em vigor deve ser feita com as canalizações e respectivos acessórios à vista. durante um período mínimo de 30 minutos. introduzir a solução desinfectante sob pressão com um caudal regulado em função do caudal do escoamento fixado (1 parte da solução para 9 partes da água em escoamento). incluindo os respectivos reservatórios quando existirem. Quando a cor violácea aparecer na última torneira. a fim de o desinfectante poder actuar.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. c) Leitura do manómetro da bomba. juntas e acessórios à vista. e que se encontrem previamente desinfectados os órgãos situados desde o ponto de injecção até ao ramal de ligação. até conseguir uma solução o mais homogénea possível. e de forma que não seja possível qualquer refluxo para a rede pública da solução desinfectante. O ensaio de estanquidade deve ser conduzido com as canalizações.8. d) Esvaziamento do troço ensaiado.8 Verificação. repetindo a operação durante cerca de 2 horas.

na qual conste: Delimitação do terreno. tipo da obra. Conclusão A concluir deixa-se a indicação dos elementos que devem instruir o processo de aprovação do projecto de redes prediais (Art. o pedido de aprovação deve ser instruída com os seguintes elementos: a) Requerimento subscrito pelo promotor. se as houver. Os caracteres alfanuméricos devem obedecer à Norma Portuguesa NP89. no mínimo.8. h) Planta de localização fornecida pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. b) Termo de responsabilidade do técnico autor do projecto.3 Prova de funcionamento hidráulico Após os ensaios de estanquidade e a instalação dos dispositivos de utilização. f) Legenda específica das redes representadas.º 304º). de ampliação ou remodelação. g) Estimativa descriminada do custo. i) Peças desenhadas dos traçados em plantas e cortes à escala mínima 1:100. respeitando a Norma Portuguesa NP204 e contendo. f) Cálculo hidráulico onde conste os critérios de dimensionamento adoptados e o dimensionamento das redes. equipamentos e instalações complementares projectadas. 151 . escalas e data. indicando se se trata de obra nova. descrição do desenho. j) Representação esquemática axonométrica da rede de distribuição de água. e) Especificação quando se trata de projecto de alteração. a seguinte informação: a) Designação e local da obra.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. As peças desenhadas devem ser apresentadas com formatos e dobragem concordantes com o estipulado nas Normas Portuguesas NP48 e NP49. As peças escritas devem ser apresentadas dactilografadas ou impressas em folhas de formato A4. a preços correntes. e instalações complementares projectadas. paginadas e todas elas subscritas pelo técnico responsável pelo projecto. Edificações existentes no terreno. onde conste identificação do proprietário. dos órgãos acessórios e instalações complementares e dos respectivos pormenores que clarifiquem a obra projectada. natureza. com indicação dos materiais e acessórios das canalizações. descrição da concepção dos sistemas. quando for caso disso. c) Nome. Todos os desenhos devem possuir legenda no canto inferior direito. não excedendo as dimensões do formato A0. c) Documento do Município comprovativo da aprovação do projecto de arquitectura. designação e local da obra. Representação dos ramais de introdução de água e de águas residuais domésticas e Representação simplificada do colector predial. Assim. Indicação do corpo ou corpos que constituem as obras. da obra específica a executar. qualificação e assinatura do autor do projecto. k) Os elementos acima referidos serão apresentados em original e duas cópias para o referido nas alíneas b) a j). b) Identificação do proprietário. deve verificar-se o comportamento hidráulico do sistema por simples observação visual. materiais e acessórios. dos diâmetros e inclinações das tubagens. d) Documento donde conste as condições definidas pelo Batalhão Sapadores Bombeiros. d) Número. e) Memória descritiva e justificativa. dirigido ao Director Delegado dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. solicitando a aprovação do projecto.

A. Regulamento dos Sistemas Públicos e Prediais de Distribuição de Água e de Drenagem de Águas Residuais (Anotado). António Leça. Instalaciones. 2000 COELHO. Manual de Instalações Hidráulicas e Sanitárias. Carlos. Livros Técnicos e Científicos Editora Rio de Janeiro. Regras de Dimensionamento das Redes Prediais de Distribuição de Água Residuais Domésticas e Pluviais. Edições Orion. Porto. Angel Luis. Grupo Editorial CEAC. 1995 PEDROSO. Amadora. Carlos. Envolvente e Comportamento Térmico. Victor M. LNEC. Barcelona. Segurança Contra Incêndios em Edifícios de Habitação. S. 1996 Regulamento Geral dos Sistemas Públicos e de Drenagem de Águas Residuais e Prediais de Distribuição de Água. 1998 MEDEIROS.R. A. e RORIZ. 1995 152 . Amadora. Porto. Editorial Faculdade de Arquitectura. Luís F. RODRIGUES. Ed. A. Ramos.9 Referências bibliográficas BACELLAR. 1990 MIRANDA. Editorial FEUP. Instalações de Edifícios. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil. Instalações Hidráulicas e Sanitárias. Edições Orion.. Archibald J. 2004 MEDEIROS.. Redes e Instalações em Edifícios. Carlos. H.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9.. Editorial FEUP. 1998 MEDEIROS.. Climatização em Edifícios. 1997 CANHA DA PIEDADE.. 2004 MACINTYRE. Moret. Porto.

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10.A.Empresa Portuguesa das Águas Livres. SISTEMAS DE ABASTECIMENTO PÚBLICO E PREDIAL EM LISBOA Autor: Ana Amélia Santos Engenheira Civil Responsável do Departamento de Novos Abastecimentos Área de Negócio de Distribuição EPAL . S. 153 .

154 .

Coagulação química e floculação/decantação. Pelo seu "know-how". o Laboratório Central da EPAL orgulha-se de ser um dos melhores laboratórios de análises de água do país e da Europa. correspondendo a área total abastecida a 5 443 Km2. remonta a 1897. qualidade dos serviços prestados e larga experiência. dispondo para o efeito de técnicos especializados nas áreas de microbiologia. cuja missão é o abastecimento de água para consumo humano. Equilíbrio e ajuste do pH e Desinfecção final com cloro gasoso. química orgânica e química inorgânica.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa EPAL . Mantém relações contratuais com cerca de 335 mil clientes directos. O primeiro registo de resultados de análises bacteriológicas à água pela antiga Companhia das Águas de Lisboa (CAL). onde assegura o abastecimento domiciliário.Empresa Portuguesa das Águas Livres. Actualmente. de 26 concelhos da margem norte do rio Tejo. detida a 100% pela AdP . no concelho de Lisboa. que garantem a produção e o transporte de água. Para assegurar a qualidade da água. • Área de Negócio de Distribuição responsável pela gestão e manutenção da Rede Geral de Distribuição. As preocupações da EPAL não se centram somente ao nível da quantidade de água fornecida.Águas de Portugal. do concelho de Lisboa. SA é uma sociedade anónima de capitais integralmente públicos. bem como de equipamentos analíticos de última geração. afecta ao abastecimento domiciliário. colocando as suas capacidades ao serviço do interesse nacional. transporte e distribuição que se desenvolve ao longo de mais de 1 900 km. mas principalmente ao nível da qualidade. cuja gestão é da responsabilidade de duas Áreas de Negócio distintas: • Área de Negócio de Produção e Transporte responsável por todas as Captações. Remineralização e correcção de agressividade.Das origens à torneira do consumidor A EPAL . visando a prestação de um serviço de qualidade com respeito pelos aspectos essenciais de ordem social e ambiental. Estações de Tratamento e Adutores. desempenha um papel fundamental para o desenvolvimento do sector da água quer nacional quer internacional. merecendo referência a sua participação em projectos de âmbito internacional. Origem e qualidade de água A EPAL abastece de água com qualidade cerca de 2. desde os recursos hídricos utilizados até ao ponto de entrega ao consumidor.Águas de Portugal. Um dos objectivos primordiais da EPAL consiste na monitorização da qualidade da água em toda a extensão do seu sistema de abastecimento.6 milhões de pessoas. na sua área de influência e eventualmente noutras áreas limítrofes. quer individualmente quer integrada no Grupo AdP . Filtração. modernidade das tecnologias utilizadas. Esta preocupação é de facto histórica e está comprovada pelo estudo analítico mais antigo (1791) que se conhece sobre as águas do sistema de abastecimento de água à Cidade de Lisboa. A EPAL é responsável por um sistema de produção. esta é submetida a vários processos nas estações de tratamento: Pré-cloragem. 155 .

156 .

A rede de distribuição de Lisboa está digitalizada e reproduzida num sistema de informação geográfica. Aqueduto Alviela. e directamente parte dos concelhos limítrofes designadamente Loures. quer pela acentuada orografia da cidade. 260 000 m3 de água por dia. a fiscalização bem como a ligação à rede de distribuição de água de todos os sistemas prediais na cidade de Lisboa. tratamento/qualidade de água. processo de abastecimento. localizados na cidade de Lisboa e para os quais se 157 . 360 mil m3/dia. 10. Tejo e Adutor V. a Rede Geral de Distribuição. Oeiras. a qual se estende desde o nível do rio Tejo até cotas superiores a 170 m.2 Concepção global dos sistemas de distribuição em Lisboa 10. cuja gestão é da responsabilidade de duas áreas de negócio distintas: Área de Negócio de Produção e Transporte e Área de Negócio de Distribuição. pretende também divulgar os aspectos relevantes dum serviço de interesse público de relevante impacto social. Em certas situações especiais e nos casos de maiores diâmetros. abrangendo uma breve descrição do Manual da EPAL publicado em Fevereiro 2002.1 Introdução A presente comunicação pretende dar a conhecer: • A concepção global dos sistemas de distribuição em Lisboa. actualmente transitam pela rede de Lisboa com destino aos concelhos limítrofes. além de permitir localizar todas as condutas e órgãos da rede. cerca de 11 mil válvulas com diâmetros nominais variáveis entre 150 e 1 000 mm e 93 mil ramais de ligação aos prédios. É também da responsabilidade da EPAL a aprovação. As regras da EPAL no que se refere à elaboração dos projectos de redes prediais.2. 35 mil m3/dia.2. organização. É abastecida pelo Aqueduto Alviela. evidenciando como os resultados foram efectivamente melhorados. A EPAL é responsável por todo um sistema de produção ("alta") e distribuição ("baixa") que se desenvolve por mais de 1900 Km. A experiência da EPAL ilustra os benefícios da adopção e divulgação de regras técnicas no âmbito interno. melhoria contínua. proporcionando o abastecimento domiciliário numa área de 83 km2 que alberga uma população de 564 mil habitantes residentes. a profundidade das condutas é de 2. Aqueduto Tejo.1 Aspectos gerais O Sistema de Distribuição de água à cidade de Lisboa é um sistema complexo quer pela sua extensão. cerca de 1 400 km de rede com diâmetros que variam entre os 80 e os 1500 mm. reserva. fiabilidade.5 m ou mesmo superior. Abril de 2001. Odivelas e Amadora. pressão. Neste sistema. bem como no âmbito do serviço prestado ao requerente do processo de abastecimento.0 m de profundidade. Acrescente-se ainda que nos últimos anos. • Enquadramento legislativo. Em termos gerais. são registadas todas as intervenções possibilitando a criação de uma base de dados relacionados com a manutenção da rede. quer por suspensões provocadas por obras de expansão ou renovação da rede. precioso auxiliar das equipas de manutenção. ou seja. tem-se verificado uma diminuição dos volumes utilizados dentro da cidade. qualidade de serviço. com cerca de 1 400 Km. respectivamente. Deste sistema depende cerca de 335 000 clientes com contrato. cujas capacidades de entrega a Lisboa são. 240 mil m3/dia e 60 mil m3/dia. utiliza em média.Xira/Telheiras. elevação. quer por roturas casuais cuja reparação é assegurada por piquetes que actuam 24 horas por dia. A maior parte das condutas encontra-se aproximadamente a 1.F. atingindo 4 ou 5 m. manual de redes prediais. eficiência e produtividade. projectou-se a construção do Adutor de Circunvalação. Adutor Vila Franca-de-Xira/Telheiras e pelo Adutor de Circunvalação. é constituída por 15 reservatórios. zonas de distribuição. Em complemento. segurança e qualidade do serviço. Palavras . Esgotada a capacidade máxima de transporte entre Vila Franca de Xira e Lisboa através dos três adutores existentes. aproximadamente. 9 estações elevatórias.2 Caracterização da rede de Lisboa Em Lisboa. • A concepção global dos sistemas prediais em Lisboa. designado Interáqua. apesar de pouco significativo. 10. como sendo. legislação. obra planeada de forma a abastecer os concelhos adjacentes desviando caudais da cidade de Lisboa.chave: sistema de produção e transporte. bem como divulgar os resultados alcançados com o estabelecimento dessas mesmas regras. satisfação do Cliente. 70 000m3/dia de água para uma capacidade máxima efectiva de 300 000 m3/dia. A partir da entrada em funcionamento deste último adutor. a Rede de Distribuição passou a estar sobre dimensionada face às suas necessidades.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. Este sistema tem um interface com o sistema de gestão de clientes para identificar os clientes cujo abastecimento possa ser afectado. sistema de distribuição.

identificados por cores diferentes na figura seguinte: Reservatório Estação Elevatória Ponto de entrega 1 sentido Ponto de entrega 2 sentidos Fig. • Existência de alternativas de abastecimento. de 30 em 30 metros.Esquema em planta representativo da rede de distribuição na cidade de Lisboa 158 . e a informação processada pelo sistema de clientes que regista a água facturada. Este sistema de medição integrado tem como finalidade o acompanhamento da evolução de perdas de água.2. Complementarmente tem-se em desenvolvimento um sistema de apoio à decisão .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa A EPAL tem em curso um programa de renovação da rede. com substituição da rede mais antiga.2. por zona de abastecimento. 1 . • Reserva de água que garanta estabilidade no fornecimento e segurança em caso de incidentes. 10. • Garantir a qualidade da água ao longo da rede. A Rede de Distribuição na cidade de Lisboa abastece os clientes em patamares altimétricos.1 Princípios hidráulicos da rede Os principais princípios a ter em conta na Rede de Distribuição são: • Estabilidade das pressões nos pontos de abastecimento garantindo uma pressão mínima na soleira dos edifícios de 300 kPa e máxima de 600 kPa. de modo a integrar e tratar a informação sobre volumes de água utilizada em determinada malha de rede. cujo investimento é na ordem dos 80 milhões de euros. nomeadamente.sistema integrado de medição.

Diagrama altimétrico representativo da rede de distribuição na cidade de Lisboa 159 . bem como todas as interligações ao sistema de produção e transporte (distribuição em Alta). Cruz Fig. 2 . Esta localização permite garantir uma pressão na soleira do ponto de abastecimento entre os 300 kPa e os 600 kPa.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Na figura anterior são também identificadas as estações elevatórias e reservatórios que fazem parte integrante da rede de distribuição. O sistema de distribuição de água da EPAL na cidade de Lisboa possui características muito próprias. St. da respectiva zona altimétrica. no qual a água é elevada directamente para a rede de distribuição. Os reservatórios que garantem o abastecimento das zonas altimétricas funcionam como reservatórios de extremidade e localizam-se aproximadamente 30 metros acima dos pontos de abastecimento mais elevados.

Jerónimo Rede (ZM) . o PEAD.2.ALTURAS DE ELEVAÇÃO NOMINAIS NAS ESTAÇÕES ELEVATÓRIAS DA REDE DE DISTRIBUIÇÃO DE LISBOA Estação elevatória Destinos de elevação(a) Alturas de elevação aproximadas (m.Zona Média. A predominância do ferro fundido cinzento. tendo no entanto. fibrocimento. cujo único destino é o reservatório de Monsanto. • Roturas devidas a movimentos dos solos. através de mecanismos vários. para a sua degradação. • Deterioração ao longo do tempo da tubagem e/ou das juntas e acessórios. ZS . a tubagem e acessórios estão sujeitos a factores agressivos relativos às condições hidráulicas na rede que se traduzem em pressões máximas em regime permanente que não excedem em geral 8. nos últimos anos (desde 2002).130 S.2. principalmente na renovação da rede.Reservatórios de Campo de Ourique e do Arco 92 38 59 96 32 80 45 61 QUADRO 1 . sendo os principais: o aço.Reservatório de Telheiras Aqueduto do Alviela Reservatório de Monsanto 122 21 80 65 35 .Reservatório do Pombal Campo de Ourique Rede (ZA) .3 Identificação das patologias mais correntes As patologias mais correntes em tubagens e acessórios assumem em geral as seguintes formas: • Roturas por acções de choque mecânico.Reservatório da Charneca Rede (ZA) .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. No quadro seguinte pode-se observar.Reservatório do Vale Escuro e de S.Reservatório de Monsanto Reservatório da Amadora Olivais Rede (ZB) . ZM . salvo o caso da estação elevatória do Restelo. Em termos de exploração.VARIAÇÃO DO NÚMERO DE ROTURAS ENTRE OS ANOS DE 2003 E 2004 Roturas Condutas DN ≤ 400 mm Condutas DN > 400 mm Roturas Em ramais Ano 2003 715 84 Ano 2003 1460 Ano 2004 534 49 Ano 2004 947 Variação -25% -42% Variação -35% Restelo Rede (ZA) .44 25 . correntes vagabundas.2. ferro fundido dúctil. betão pré-esforçado. incorrecto dimensionamento/instalação dos grupos hidropressores poderão estar na origem de uma degradação mais rápida do sistema de abastecimento. a melhoria da fiabilidade das reparações. numa média de 60 km/ano.3 bar.Zona Superior 160 . Esses factores podem ser classificados da seguinte forma: • Condições hidráulicas da rede As pressões são um dos principais factores agressivos (pressões em regime hidráulico permanente e transitório).a) 10.Reservatório do Restelo Telheiras Rede (ZS) . vindo a aumentar a sua aplicação. no que se refere à diminuição de roturas: Barbadinhos Rede (ZB) . A má utilização em termos de paragens e arranques dos grupos. ZA . com a retirada de caudais em trânsito na rede de Lisboa para os concelhos limítrofes. localizada. as alturas de elevação aproximadas para os diversos destinos. • Redução da secção útil dos tubos devido a incrustações.Zona Alta. ferro fundido dúctil e ferro galvanizado. Jerónimo Rede (ZA) . • Roturas devidas a aumentos das cargas externas transmitidas pelo solo.Reservatórios do Contador-Mor E do Vale Escuro Rede (ZM) . No caso da EPAL e dado o projecto de renovação de rede em curso.2 Caracterização dos materiais da rede O sistema da EPAL existe há mais de cem anos. 10.c.2.Reservatório do Pombal Rede (ZS) .2. polietileno de alta densidade. • Corrosão generalizada. a entrada em funcionamento do Adutor da Circunvalação.2. súbita ou continuada no tempo. exceptuando alguns casos que pode ir até 12 bar. QUADRO 2 .Reservatório da Amadora Reservatório do Alto de Carenque (a) ZB .Reservatório do Arco Rede (ZA) .30 125 . para cada estação elevatória existente na rede de distribuição. o ano de 2004 espelha já alguns resultados positivos. galvânica.4 Identificação dos factores agressivos Os tubos e acessórios estão naturalmente sujeitos a diversos tipos de factores agressivos que contribuem. ferro fundido cinzento. • Qualidade deficiente ao nível dos tubos. tendo naturalmente ao longo da sua vida sido utilizados diversos materiais. manobras de válvulas. e do fibrocimento continua sensivelmente a representar um maior peso.Zona Baixa. acessórios e componentes utilizados na execução das uniões.

. assim como o valor máximo.Cloreto. do contacto da água com tubagens e acessórios de diferentes materiais. sísmicas e mecânicas Os factores relevantes que podem contribuir para que as tubagens enterradas possam sofrer danos são: .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Mais especificamente no que se refere à concepção da rede de distribuição. . o valor de pressão mínimo actualmente disponibilizado pela EPAL é de 300kPa. sendo o parâmetro identificado como relevante a deformação da tubagem. quando atingem teores agressivos.Alviela. A esta variabilidade há a acrescentar a que resulta QUADRO 3 . separados por longos períodos de acalmia. A cidade de Lisboa situa-se numa zona de sismicidade moderada.min V. . por zona de distribuição: • Características químicas das águas transportadas na rede Conforme já mencionado. de modo a evitar a ocorrência de sobrepressões é de 600kPa. • Condições geotécnicas. que estão directamente relacionados com as suas características geotécnicas.Alcalinidade.7 6.CONCENTRAÇÃO HIDROGENIÓNICA DA ÁGUA DISTRIBUÍDA EM LISBOA Parâmetro Zona Baixa V. Tejo e Castelo do Bode (captações superficiais e subterrâneas).3 • Características químicas e físicas dos solos e das suas águas intersticiais A humidade do solo e a presença de sais dissolvidos são os factores que mais contribuem para a resistividade do solo. resultante das extensões axiais e das curvaturas. enquanto noutras reflectem as misturas de aduções diferentes. .7 8. parâmetro que em geral é utilizado para caracterizar a corrosividade dos solos. como os assentamentos dos solos e sua liquefacção. Os factores químicos da água transportada na rede.9 8.máx Concentração Hidrogeniónica (pH) 7.4 8. a água aduzida à cidade de Lisboa provém de três subsistemas distintos . A título meramente informativo resumem-se os principais factores agressivos do solo para os tubos metálicos: .máx Zona Média V.min V.Movimentos permanentes do terreno. . caracterizada pela ocorrência de sismos fortes. .7 8.min V. que estão directamente relacionadas com o trânsito rodoviário e ferroviário. .Correntes vagabundas.máx Reservatórios V.máx Zona Alta V.Cargas rolantes sobre o terreno.9 8.6 7.Resistividade.min V. as características da água distribuída são bastante semelhantes às da água aduzida. Da complexidade dos três subsistemas adutores a quatro zonas de distribuição resulta que em algumas zonas da cidade. .Concentração hidrogeniónica (pH).min V. Daqui resulta uma variabilidade das características da água aduzida. em que se registam sismos fracos.máx Zona Superior V.Contaminação orgânica.5 6.6 7. A título meramente informativo apresenta-se no quadro seguinte a concentração hidrogeniónica (pH) da água distribuída em Lisboa. e conforme já mencionado.Efeitos da propagação das ondas sísmicas nas tubagens.Sulfato. 161 . degradam a tubagem afectando a qualidade da água.

25 2.ZA Zona Superior-ZS 162 .27 126.2.00 2.66 17.90 4.ZM Zona Alta .90 5.00 12.00 74.30 5.38 122.72 90.90 5.46 116.CARACTERIZAÇÃO DOS RESERVATÓRIOS EXISTENTES NO SISTEMA DE ABASTECIMENTO A LISBOA DESIGNAÇÃO ZONAS DE DISTRIBUIÇÃO GRAVIDADE BARBADINHOS OLIVAIS CONTADOR-MOR VALE ESCURO S.00 116.ZB Zona Média .5 Reservas de água Os reservatórios existentes e em serviço no sistema da EPAL de abastecimento à cidade de Lisboa.50 4.00 119.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.2 POMBAL 3 RESTELO CHARNECA I CHARNECA II MONSANTO TOTAL ZS ZA ZS ZS ZL ZA ZB ZB ZB ZB.43 92.44 ALTURA DE ÁGUA (m) 3.30 152.2.00 68.70 5.10 152.90 2.30 57.ZS ZA.ZA ZA ZA.ZL Zona Baixa .º 2 2 2 2 2 2 2 4 2 2 1 2 2 1 2 CÉLULAS COTA DE SOLEIRA 27.ZA ZB.ZM ZM ZA BOMBEAMENTO ZB.ZM. os quais funcionam também como reservas de água. 4 .Cenário sísmico de danos na cidade de Lisboa 10.10 171.60 5.62 2. encontram-se caracterizados no quadro seguinte: QUADRO 4 .ZM.70 4.00 6.Distribuição das intensidades na cidade de Lisboa Fig. OURIQUE TELHEIRAS I TELHEIRAS II POMBAL 1. JERÓNIMO ARCO C. 3 .00 VOLUME TOTAL (m³) 9 250 38 570 9 504 20 186 4 500 11 460 127 200 58 112 114 297 6 892 5 130 9 226 9 925 10 162 4 470 438 884 LEGENDA: Zona Limite .ZS N.

PREVISTOS PARA OS ANOS DE 1995 E 2020 NECESSIDADES DE ÁGUA (m³/dia) 1995 (1) MÉDIO ANUAL MÊS MAIOR CONSUMO SEMANA MAIOR CONSUMO DIA MAIOR CONSUMO 438884 (2) 284413 327074 341295 369736 2020 (3) 284239 326875 341087 369511 COEFICIENTES (-) 1995 (1) / (2) 1. que permitissem uma capacidade de resposta mais oportuna e qualitativa.34 1. se não forem verificados determinados critérios de concepção.54 1.6 Estratégia de manutenção da qualidade da água A par com a necessidade de garantir duma forma optimizada as reservas adequadas de água no sistema para uma distribuição compatível com os consumos.28 1. mas sim um projecto há muito planeado.ajustamento dos caudais de adução aos pedidos na rede.aumentos súbitos de pedidos na rede por razões de emergência.falhas de adução por interrupções subsequentes a avarias no sistema de abastecimento de água ou cortes na alimentação eléctrica. para Lisboa: QUADRO 5 . potencialmente. dirigido a projectistas. na semana de maior consumo e no dia de maior consumo. NO MÊS DE MAIOR CONSUMO. técnicos responsáveis pela instalação das redes prediais de água e instaladores. além de envolver.54 1.1 Aspectos gerais É também da responsabilidade da Empresa a aprovação e a fiscalização das redes prediais na cidade de Lisboa. Para com maior rigor avaliar a conformidade técnica dos processos de abastecimento foi publicado o Manual de Redes Prediais da EPAL.29 1.RELAÇÃO ENTRE A CAPACIDADE TOTAL DOS RESERVATÓRIOS E OS CONSUMOS MÉDIO DIÁRIO ANUAL. previamente estabelecidas e divulgadas. Assim e dentro desta opção metodológica foi sentida a necessidade de iniciar um processo normativo conducente ao estabelecimento de uma base de informação padronizada. Esta preocupação prende-se com a possibilidade de deterioração da qualidade da água nos reservatórios. o qual não é uma ideia recente.19 2020 (1) / (3) 1.2. opção que motivou à elaboração de um Manual. actuações de emergência. . em particular combates a incêndios. de modo assegurar o cumprimento das regras definidas.34 1. destinada 163 . NA SEMANA DE MAIOR CONSUMO E NO DIA DE MAIOR CONSUMO. a reunir conceitos e regras. ainda. Os procedimentos de exploração integram rotinas de inspecção e de manutenção. no mês de maior consumo. No quadro seguinte. também é fundamental que seja garantida a qualidade da mesma água.3 Concepção global dos sistemas prediais em Lisboa 10.3.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa A capacidade de reserva foi calculada atendendo às seguintes ocorrências: . se determinadas medidas não fizerem parte das normas de exploração e. 10.19 TIPO DE CONSUMO CAPACIDADE TOTAL (m³) Verifica-se que a capacidade total excede as necessidades de água estimadas para esses anos. previstos para os anos de 1995 e 2020. Manual de Redes Prediais da EPAL 10. apresentam-se as relações entre capacidade total e os consumos médio diário anual. .2.

pois procura apresentar uma visão global conducente à obtenção de soluções que contornem os problemas detectados nos projectos de redes prediais. Na assunção deste pressuposto recomenda-se que sejam respeitadas todas as indicações consignadas no documento. evidencia todo o circuito de um processo de abastecimento no seu desenvolvimento mais longo. Após a constituição de um processo de abastecimento. sendo particularmente desenvolvidos os primeiros. assim como a descrição do seu circuito. de acordo com o estabelecido no capítulo II. permitindo aos interessados a apresentação de processos de abastecimento. o que conduz a prazos de resposta mais reduzidos. O conteúdo do documento não pretende ser exaustivo e de modo algum dispensa a consulta de toda a regulamentação em vigor. 10. por serem aqueles que conferem aos projectos a sua verdadeira potencialidade em termos de "linguagem técnica".1 Capítulo I .3. Elaboração e Circuito dos Processos de Abastecimento III. Uma correcta elaboração dos processos de abastecimento.3 Descrição dos capítulos estruturantes do Manual 10.3. 164 . para emissão de parecer.3. mas tem como objectivo transmitir as regras que esta Empresa considera pertinentes. Dimensionamento Anexos A Terminologia B Simbologia C Documentos e Elementos Técnicos Constantes dos Processos de Abastecimento D Esquemas de Instalação e Execução E Legislação e Normalização Aplicáveis F Referências Bibliográficas.2 Estrutura do Manual de Redes Prediais A estrutura do Manual é constituída pelos seguintes capítulos e anexos: I.Generalidades Abordagem de aspectos gerais tais como a Legislação e Normalização.Elaboração e circuito dos processos de abastecimento Tem como objectivo definir as regras para a elaboração e constituição de um processo de abastecimento. embora numa opção técnica condicionada pela normalização nacional existente. até à fase de celebração de contratos de fornecimento de água. com entrega de alterações ao nível da análise e da fiscalização: 10.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa No Manual de Redes Prediais são abordados aspectos de concepção e execução. permitindo assim um desenvolvimento mais célere dos processos de abastecimento.3.2 Capítulo II . desde a sua entrega nos Serviços da EPAL. deveres e responsabilidades das diversas partes intervenientes. Concepção de Projecto e Disposições Construtivas IV. Subsidiariamente poderá também constituir elemento de consulta para instaladores. permite uma optimização dos recursos utilizados pela EPAL na fase de análise dos mesmos. na EPAL. este deve ser entregue. ou seja. compatíveis com os conceitos vigentes na EPAL. 10.3. A consulta do fluxograma a seguir representado. considerando-se o referido Manual como um complemento da documentação técnica já existente na EPAL.3. Generalidades II.

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig. 5 .Fluxograma de um processo de abastecimento 165 .

6 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa O fluxograma anteriormente apresentado poderia ser muito simplificado se todo o processo não tivesse que passar por frequentes e diferentes análises do mesmo. 8 Torneira de Suspensão do Ramal Válvula que regula o fornecimento de água ao prédio. 9 Rede Geral de Distribuição Sistema de canalizações. órgãos e equipamentos instalados na via pública. Responsabilidades de manutenção 166 . permitindo assim um desenvolvimento mais célere dos processos de abastecimento. no que respeita a alterações entregues. É recomendável ainda que sejam respeitadas todas as indicações consignadas no documento. ou a bocas de incêndio e marcos de água.Redes prediais. responsabilidades de manutenção e recomendações. seja na fase de análise ou/e na fase de fiscalização. nomeadamente no que respeita à caracterização dos deveres. Fig. 7 Ramal de Ligação Canalização que liga a Rede Geral de Distribuição à rede predial. para serviço de uma propriedade.

Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema misto gravítico e pressurizado Fig. assim como o valor máximo.Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema simples gravítico 167 . A concepção dos sistemas prediais deve assim garantir.Concepção de projecto e disposições construtivas O capítulo III tem como objectivo definir as linhas orientadoras a adoptar na concepção global dos sistemas prediais de abastecimento de água. quer as boas condições do fornecimento no que concerne à pressão e caudal nos dispositivos de utilização. É ainda de interesse apresentar uma síntese das soluções de abastecimento predial permitidas pela EPAL: a) Fornecimento totalmente gravítico. quer a manutenção dessa mesma qualidade. constituído por grupos de velocidade variável e tendo em conta o especificado no Manual. actualmente de 300kPa. a pressão da rede geral de fornecimento deve ser aproveitada. assim como indicar quais as disposições construtivas preconizadas pela EPAL. na rede geral de distribuição de água. de forma a evitar a ocorrência de sobrepressões (>600kPa). deverá ser prevista a instalação de equipamento de pressurização.3 Capítulo III . Nos casos em que este valor seja ultrapassado deve ser instalada válvula redutora de pressão. A adopção desta solução pressupõe que embora se recorra à pressurização. levando a que existam sempre que possível.3. 7 . 8 . pelo menos dois andares de pressão (gravítico e pressurizado): Fig. a EPAL assegura a qualidade da mesma na sua rede geral de abastecimento. Quando o valor mínimo não for garantido. Mais especificamente no que diz respeito às pressões deve ser tido em atenção o valor de pressão mínimo.3. em que a pressão mínima disponibilizada no ramal de ligação é suficiente para garantir as boas condições de fornecimento a todos os locais do edifício a serem objecto de contratos de fornecimento: b) Através de equipamento de pressurização directa. disponibilizado pela EPAL.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. Como entidade responsável pelo fornecimento de água para consumo humano.

10 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa c) Fornecimento efectuado a partir de depósito dotado de equipamento de elevação. 9 .Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema misto gravítico e pressurizado e abastecimento ao serviço de incêndio a partir de depósito 168 . exclusivamente para o sistema de incêndio e situações especiais: Situação I Situação II Fig.Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema misto gravítico e pressurizado e abastecimento directo à rede de incêndio e rede sprinklers Fig.

quadros de apoio.3.4 Capítulo IV .Elaboração e Circuito dos Processos de Abastecimento". estando o projectista livre de apresentar outros métodos desde que devidamente fundamentados.Dimensionamento Após a fase de concepção do projecto da rede predial de água. 10. são componentes fundamentais do projecto da rede predial. C Documentos e Elementos Técnicos Constantes dos Processos de Abastecimento . 11 . E Legislação e Normalização Aplicáveis . encontrando-se organizada por ordem alfabética. os mesmos não são vinculativos. possibilitando o controlo dos parâmetros relativos aos níveis de conforto e desempenho dos sistemas. F Referências Bibliográficas. salvo se indicado.Apresentação dos símbolos a utilizar na elaboração das peças desenhadas dos projectos de redes prediais. tal como as minutas tipo. ou se os mesmos se encontrarem incompletos devem ser apresentados novos cálculos.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Situação III é responsável pelos valores neles apresentados e sua validade. uma vez que se determinam entre outros.Diagrama de abastecimento às redes prediais e serviço de incêndio a partir de depósito contabilizado a montante (condição excepcional para Hotéis e Hospitais.Inclui as referências do "Capítulo II . previsto na legislação) D Esquemas de Instalação e Execução .Consiste na compilação dos termos instituídos pela EPAL mais utilizados neste Manual.3. é necessário efectuar o dimensionamento das canalizações. se forem detectadas irregularidades.. constantes no Manual.3. 169 . algumas das principais disposições construtivas relativas às redes prediais.Listagem não exaustiva de documentação. consistem: A Terminologia . a título meramente exemplificativo. valores de velocidades de escoamento e de pressão disponível nos dispositivos de utilização. no entanto. nomeadamente no que concerne aos diâmetros das tubagens e determinação das características dos equipamentos electromecânicos. já anteriormente mencionados. sendo sempre obrigatória a sua apresentação. A fase de dimensionamento funciona ainda como prevenção e detecção de erros de concepção. O dimensionamento dos Sistemas Prediais de Abastecimento de Água é efectuado de forma faseada através de um processo iterativo. Os cálculos justificativos. tabelas e referências bibliográficas.Compilação de diversas indicações de carácter normativo relativas a alguns aspectos construtivos das redes prediais. a escolha dos materiais a utilizar e a selecção dos órgãos e dos equipamentos.5 Anexos Os anexos. O projectista Relativamente ainda ao Anexo D.3. 10. Fig. etc. No capítulo IV são apresentados alguns métodos de dimensionamento para cada situação. onde se definiu o traçado das canalizações. No entanto. B Simbologia . relativos ao dimensionamento. apresentam-se nas seguintes figuras. através da apresentação de ábacos.

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.Instalação de contadores em bateria 170 . 12 .

13 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.Instalação de contadores em caixa enterrada até DN 40 171 .

Instalação de contadores em caixa enterrada a partir de DN 50 172 . 14 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.

Instalação de ponto de ligação flangeado 173 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig. 15 .

Pontos de ligação roscados 174 . 16 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.

000 1. consegue-se obter a percepção da evolução da qualidade do serviço e a identificação das áreas de melhoria do ponto de vista do mercado. tendo em conta que a lei vigente obriga que as respostas sejam emitidas dentro de um período de 20 dias úteis. nos quais se reflecte de alguma forma o contributo do Manual. efectuou-se uma contabilização dos tempos de resposta dos processos de abastecimento. serão de especial interesse para o enriquecimento técnico das futuras edições. sendo este um documento dinâmico. todas as opiniões. de resultados do exercício da área de Novos Abastecimentos entre 2000 e 2004. a seguir. notando-se que os projectos registam algumas melhorias ao nível da sua concepção e apresentação. demonstrando o reconhecimento e interesse por parte de Projectistas. Também sempre que os colaboradores detectam erros sistemáticos. não só da Cidade de Lisboa como de outras zonas do País. foram desenvolvidos e implementados dois novos folhetos.3. quadro e figuras. são introduzidas acções correctivas. Nº de Processos 6. 175 . Na figura seguinte pode-se observar em percentagem. Instaladores e Donos de Obra. também tem sido mais positiva. Internamente.000 3. facilitando os procedimentos de fiscalização e de execução da obra. no início de 2002. feitas algumas sugestões de melhoria que têm sido apontadas e que serão devidamente estudadas no intuito de virem a surtir efeito em revisão com vista a uma futura emissão. a quantificação do número de processos de abastecimento de 2004. estes são analisados e adoptadas acções correctivas para impedir a sua repetição.3. é com satisfação que já se distribuíram mais de três centenas de exemplares. sendo eles: "Elaboração e circuito dos processos de abastecimento" e "Condições técnicas de instalação de contadores em bateria". no exterior.5.3. ou seja. principalmente através dos comentários construtivos.Gráfico comparativo da variação do número de processos em curso e pendentes na EPAL entre o ano de 2000 e o ano de 2004 No que se refere ao nível de serviço.000 5. por vezes. no entanto.Gráfico comparativo da variação relativamente ao tempo de resposta aos processos de abastecimento 10. passado dois anos e meio da sua publicação. 65% < 5 dias entre 5 e 20 dias entre 20 e 40 dias mais que 40 dias 5% 5% 25% Fig. 18 . sempre que os indicadores apresentam desvios. pelo que as mesmas serão sempre bem vindas.1 Divulgação da documentação Aquando da disponibilização do Manual de Redes Prediais em Fevereiro de 2002.2 Quantificação dos processos de abastecimento e dos resultados práticos A título informativo. No início de 2003 foram editados mais dois novos folhetos designadamente. durante o ano de 2004. relativamente ao tempo de resposta. Empreiteiros. Estas publicações servem actualmente de apoio ao Manual. apresentam-se. tendo-se obtido um equilíbrio maior entre a análise e a fiscalização dos processos de abastecimento. a EPAL tinha uma perspectiva de distribuição entre os 90 e os 100 exemplares até ao final do ano.4 Outras publicações complementares Paralelamente à edição do referido documento. Fig.5. a dinâmica dos diferentes serviços melhoraram. bem como na execução de ramais de ligação e instalação de contadores. A imagem. No entanto.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. verificando-se em obra que o mesmo tem ajudado na implementação de algumas regras de construção. "Instalação de contadores em caixa" e "Contador de obra". Através deste tipo de controlo.000 2.3.000 Mês/Ano Dez-00 Dez-01 Dez-02 Dez-03 Dez-00 Dez-01 Dez-02 Dez-03 Set-04 Situação 0 Set-04 Em curso Pendentes da EPAL Pendentes de Clientes 10.17 . O objectivo que originou a elaboração e publicação do documento começa agora a dar mostras de estar a ser concretizado.5 Resultados práticos 10. sendo.000 4.

face alguma da legislação actualmente aplicável a todo o país. de 21 de Junho. na sua redacção actual".A. S. pelos seus estatutos. cuja aplicação decorra do objecto da sociedade. Decreto-Lei nº64/90. S. o que constitui uma contribuição positiva para a concretização do objectivo inicialmente pretendido com este projecto. e no Artigo 8º. 2 de Março . beneficiam com a publicação deste documento. Pelo anteriormente exposto. parágrafo 2. não é afectado pelo disposto no presente diploma". S. de 24 de Julho de 1944. Regulamento de estruturas de Betão Armado e Pré-esforço. pelas normas de direito privado aplicáveis às sociedades anónimas e pelas normas especiais. é mencionado que: "A EPAL.Regime Jurídico de Empreitadas de Obras Públicas. (EPAL).". como tal. 10. no entanto esta Empresa sempre fez questão de orientar-se pelos Regulamentos e Decretos-Leis vigentes: Decreto Regulamentar nº 23/95. presentemente.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Esta atitude permite a melhoria sistemática dos processos e. de 24 de Julho de 1944 e suas alterações entretanto publicadas. tanto a EPAL como os agentes externos da área.A. de 23 de Agosto .. é mencionado também o seguinte:" Sem prejuízo da aprovação de um novo regulamento aplicável à EPAL. do qual se espera no futuro vir a reflectir-se numa melhoria qualitativa e quantitativa. 176 . Pode-se concluir que. parágrafo 2.Aprova o Regulamento de Segurança contra Incêndio em Edifícios de Habitação. Regulamento de Segurança e Acções para Estruturas de Edifícios e Pontes. assegura a conformidade do serviço fornecido ao Cliente. os consumidores directos continuam a reger-se pelo disposto no regulamento aprovado pela portaria nº 10 716. Decreto-Lei 320/2001 e 272/2003 (segurança).4 Enquadramento legislativo A EPAL possui um regulamento geral de abastecimento de água que foi posto em vigor pela portaria nº 10 716. o artigo nº 31 do Decreto-Lei nº 207/94 estabelece que: "O regime estabelecido no Decreto-Lei nº 230/91. conclui-se assim que a EPAL se encontra numa situação de excepção.Aprova o Regulamento Geral dos Sistemas Públicos e Prediais de Distribuição de Água e Drenagem de Águas Residuais. de 21 de Fevereiro . Decreto-Lei nº59/99. rege-se pelo presente diploma. Com efeito. No Decreto-Lei nº 230/91 de 21 de Junho. relativo à Empresa Portuguesa de Águas Livres. no Artigo 1º. com o qual os serviços se regem.A. facilitando a implementação de regras instituídas na empresa e aumentando a interacção com o exterior.

2001. " Especificação de materiais para a rede de abastecimento da água da EPAL" .5 Referências bibliográficas " Plano Geral da Rede de Distribuição de Água a Lisboa e do Abastecimento aos Concelhos limítrofes" . Setembro 1997 . 177 .Relatório 254/99-NES.elaborado pela Empresa Aquasis para a EPAL. EPAL. " Manual de Redes Prediais".Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. elaborado pelo LNEC para a EPAL.Relatório Final.

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Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. FERN. Polivalência e Economia 11. SISTEMAS DE REGA SOB PRESSÃO: EFICIÊNCIA. POLIVALÊNCIA E ECONOMIA Autor: José Beltrão Professor Catedrático. Universidade do Algarve. Faro 179 .

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dispondo. de ensino e investigação. Engenharia de Recursos Naturais.especialidade de Marketing e Comercialização. Actualmente a Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais tem a responsabilidade de quatro licenciaturas (Engenharia Agronómica . Em 1991.Portimão e Vila Real de Santo António -. 3 salas de informática e 4 salas de estudo propiciam as adequadas condições de trabalho para os docentes. Entre 1982 e 1998 a então UCTA foi crescendo e alargando os seus horizontes. Um edifício recém inaugurado.CDCTPV. alunos e funcionários.ramo Hortofruticultura. Gestão. Para além dos docentes integram a Faculdade mais de 25 funcionários e. criado pelo decreto-lei n.Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais A Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais . A FERN é constituída hoje por mais de 50 docentes. Polivalência e Economia A Universidade do Algarve A Universidade do Algarve. Recursos Hídricos. criada pela Lei n. Hotelaria e Turismo. situado no Campus de Gambelas. Nas proximidades está localizado o Horto Experimental de Gambelas. 700 docentes e 400 funcionários que gravitam no seu universo. Arquitectura Paisagista e Agronomia) e de quatro mestrados (Horticultura . cedo se alçou de instalações provisórias a espaços amplos. trabalho. Tendo nascido do sonho de poucos e da vontade de muitos. 181 . As duas licenciaturas de Engenharia estão reconhecidas pela Ordem dos Engenheiros. e com uma estação meteorológica automática. Possui cinco FACULDADES .UCTA e assumiu a responsabilidade do ensino da licenciatura em Hortofruticultura.ramo Hortofruticultura. tal como existe neste momento. investigação e socialização aos cerca de 10 000 estudantes. Em 1992 integrou o 'grupo internacional' de oito universidades que lançou e coordenou o Mestrado em Hortofruticultura . como não podia deixar de ser.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. esta Faculdade inclui 46 gabinetes. Ciências do Mar e Ambiente. com instituições universitárias portuguesas e estrangeiras.º 513-T/79.Educação. com espaços ao ar livre e estufas.especialidade de Marketing e Comercialização. Por exemplo. hoje. que proporcionam excelentes condições de estudo. e com empresas da região e do país. No ano de 2003 A FERN diplomou 59 licenciados (35 em Engenharia Agronómica e 24 em Engenharia Biotecnológica) e já em 2004 surgem os primeiros licenciados em Arquitectura Paisagista. com a reestruturação de toda a Universidade do Algarve. cinco anos mais tarde. Tecnologia e Saúde. 16 dos quais liderados por docentes seus. Biotecnologia e Agricultura Sustentável). e Ciências e Tecnologia e quatro ESCOLAS SUPERIORES .e de dois Pólos . Ciências Humanas e Sociais. as Unidades foram extintas e as Faculdades vieram substituir as anteriores estruturas.RUPEA e tem numerosos e abrangentes protocolos de colaboração. No ano de 2003 a Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais estava envolvida em mais de 30 projectos de investigação. É também uma Faculdade integrada no mundo global que a envolve. em 1993.º 11/79 de 28 de Março e o Instituto Politécnico de Faro. e foram iniciadas as licenciaturas em Engenharia Biotecnológica. integra a Rede de Universidades Portuguesas de Ensino Agronómico . e em Arquitectura Paisagista. A FERN . com centros de investigação nacionais e internacionais.Economia. por exemplo. mais de 700 estudantes. maioritariamente com o Grau de Doutor que asseguram o funcionamento regular das licenciaturas e mestrados.Penha e Gambelas . Inicialmente adoptou a designação de Unidade de Ciências e Tecnologias Agrárias . foi constituído o Centro de Desenvolvimento de Ciências e Técnicas de Produção Vegetal . após a criação da Universidade do Algarve. de dois Campus . 33 laboratórios. A Horto-fruticultura foi reestruturada e adoptou o nome de Engenharia Agronómica . Em 1998.FERN surgiu em 1982. de 26 de Dezembro. resultou da união das duas instituições previamente existentes: a Universidade do Algarve. Engenharia Biotecnológica.

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Allen et al. e b) relacionadas com a planta .Variação da água no solo na zona radicular (mm) ETa pode-se obter através da equação: ETa = ETo x kc Em que ETo . sondas TDR. Para a caracterização deste complexo sistema será necessário o conhecimento de elementos de base e aplicados ao solo (Hillel. com algumas actualizações introduzidos principalmente por Oron & Beltrão (1993) e por Raposo (1996 b). Contudo. através de fórmulas específicas (Doorenbos & Kassam. mas também as várias utilizações dos sistemas de rega. É muito complexo classificar com rigor os sistemas de rega. 1981). blocos de gesso e outras. Universidade Técnica de Lisboa (Mayer. Contudo. Esta equação do balanço hídrico (1) não é aplicável aos sistemas de rega de rega localizada (gota a gota e mini(2) (1) -aspersão).Água de ascensão capilar (mm). tipo de instalação e funcionamento. No que respeita a polivalência e a economia energética dos sistemas de rega. 11. do Instituto Superior de Agronomia. difíceis de definir.Evapotranspiração de referência (mm) kc . 1945). Estes outros parâmetros serão definidos através das componentes do sistema dinâmico SPAC (soil-plant-atmosphere-continuum). 1980b). teoricamente o método diz mais respeito ao fenómeno físico predominante enquanto os sistemas têm mais que ver com o material.como por exemplo diferenças de potencial de água no solo (tensão de água no solo) através de tensiómetros. No que respeita à economia energética dos vários sistemas de rega. O valor aproximado do coeficiente cultural está definido para as culturas regadas para a máxima produção. indica-se nas referências bibliográficas os trabalhos que deverão ser consultados.Evapotranspiração real da cultura (mm) Dr . Beltrão et al. à atmosfera (Doorenbos & Kassam. ou de modelos dinâmicos de produção (Jones & Kiniry. Ao falar-se de polivalência.. 1980a.(1996) ∆S .1 Sistemas de rega por gravidade Há quem considere os métodos de rega como sinónimos de sistemas de rega.coeficiente cultural.Água de drenagem (mm) Es . não se incluem outros parâmetros necessários quer ao planeamento. com uma subdivisão em processos de rega. QUADRO 1 .Água de rega. expressa através da dotação real de rega (mm) P . de acordo com Beltrão et al.. Uma das classificações adoptadas em Portugal é aqui apresentada no QUADRO 1 (Sistemas de rega por gravidade) e no QUADRO 2 (Sistemas de rega sob pressão).Precipitação (mm) ETa . As relações entre as necessidades hídricas e os sistemas de rega foram estudados por Pereira (2004). O estudo das necessidades hídricas poderá também ser efectuado recorrendo a outras técnicas (Dasberg & Or.Escorrimento Método ..Água de escorrimento superficial (mm) Ac . tendo em vista.2 Classificação dos sistemas de rega 11. 1983. podendo ser obtido o seu valor directa ou indirectamente quando se verificam decréscimos da produção.Ac) + ∆S em que: R .Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.2. além da rega de humedecimento. 1979. variando com a cultura e o seu estado fenológico. 1979) e de funções de produção (Shalhevet e tal.como por exemplo o potencial de turgescência ou o termómetro infravermelho. por haver situações híbridas e combinadas. 1999): a) relacionadas com o solo .Submersão Processos: Regadeiras de nível Processos: Método .Infiltração Processos: Submersão permanente: Sulcos Rega subterrânea Regadeiras inclinadas Canteiros Planos inclinados Cavaletes Faixas Submersão Temporária: Caldeiras Simples Coroa circular 183 . 1997). 1998) e aos seus efeitos combinados nas necessidades hídricas das plantas obtidas pela equação do balanço hídrico na zona radicular. quer à gestão dos sistemas de rega. outros tipos de utilização agro-ambiental. à planta (Taylor et al. definida por: R + P = ETa + (Dr + Es . 1980) . considerou-se não só a origem da água de rega (recursos convencionais e não convencionais).SISTEMAS DE REGA POR GRAVIDADE Método .1 Introdução Este capítulo incidirá somente sobre os sistemas de rega e a sua relação com a polivalência e a economia energética. sendo neste caso utilizado um balanço hídrico específico (Vermeiren & Jobling. Foi extraída da extinta disciplina de Hidráulica Geral e Agrícola. Dado que a dimensão deste capítulo é limitada. considera-se a eficiência de rega como a componente de maior importância. poderíamos dividir os sistemas de rega em sistemas de rega por GRAVIDADE (escoamento ou infiltração em superfície livre) e por PRESSÃO (escoamento em pressão). 1986). Polivalência e Economia 11. uma vez que neste caso o solo não é regado na sua totalidade.

as instalações móveis são aquelas em que não há qualquer parte da tubagem fixa. contudo. nas laranjeiras. Os canteiros são utilizados em Portugal principalmente nos arrozais. A rega por submersão pode ser permanente e temporária. 6) geralmente maior produção. embora a sua utilização em Portugal seja relativamente pequena. abertos entre as linhas das plantas. sendo neste caso a submersão permanente. tendo sido substituído nas explorações intensivas por sistemas de rega localizada. nas semi-fixas parte da tubagem é fixa e parte móvel (Fig. Fig. rega qualitativa).2. Dentro dos sistemas de rega por gravidade é o dos sulcos o mais empregado em Portugal. proveniente da toalha freática artificial ou através do controlo de uma toalha natural. em zonas de maiores declives. a uniformidade e distribuição de água é mais elevada. As principais vantagens e inconvenientes da rega por aspersão em relação à rega por gravidade são as seguintes: Vantagens: 1) não necessita a preparação do terreno (nivelamento e armação) necessária nos sistemas de rega por gravidade. infiltrando-se no solo.1 Aspersão (instalações estacionárias e semoventes) Os sistemas de rega sob pressão são apresentados no QUADRO 2.2. Os fenómenos físicos predominantes são para a rega por aspersão e para a rega localizada. como prevenção contra a gomose basal. 7) menores problemas de erosão do solo. 2) permite mais facilmente controlar a dotação de rega. 2). 3) caso a velocidade do vento seja nula ou baixa (< 2 m s-1).2. a aspersão e a infiltração. a água escorre por todo o terreno a regar. 11. Este sistema é utilizado em culturas dispostas em linhas. 184 . 5) normalmente maior economia de mão-de-obra. sem haver a necessidade de mudança de tubos (Fig. 2 . 2002). As caldeiras são de submersão temporária.Instalação de rega por aspersão estacionária completamente fixa num campo de golfe (Rosado.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.fixa Fig. e por fim as instalações fixas caracterizam-se pelo facto de toda a tubagem ser completamente fixa. fertirrega mineral e orgânica. este sistema de caldeiras é apenas hoje utilizado em pequenas explorações. 1 . 1). humedecendo o solo por infiltração. respectivamente.Instalação de rega por aspersão estacionária semi . As instalações estacionárias são caracterizadas pelo facto de os aspersores ocuparem posições fixas no solo. As instalações de rega por aspersão podem ser divididas em instalações de rega estacionárias e semoventes. Actualmente apenas tem interesse o sistema por rega por faixas pois é o único que permite a mecanização. Os sistemas de rega por gravidade. No caso dos sistemas de rega por escorrimento. utiliza-se a ascensão capilar da água. as simples eram utilizadas antigamente para regar por submersão temporária as árvores de fruto. Polivalência e Economia A classificação em escorrimento. o sistema de rega por regadeiras de nível. a caldeira disposta em coroa circular. Contudo ainda se utiliza no norte de Portugal. 8) maior polivalência das instalações (combate às geadas e altas temperaturas. sendo a água de rega distribuída nos sulcos.2 Sistemas de rega sob pressão 11. incluem a rega por sulcos e a rega subterrânea. em que se utiliza a infiltração como fenómeno físico predominante. actualmente. mantendo-a a uma profundidade conveniente. Na rega subterrânea. 4) maior economia de água. submersão e infiltração diz respeito ao fenómeno físico predominante observado durante a rega.

os sistemas de rega sob pressão seriam os que teriam maior interesse para aplicação nas regiões mais áridas durante o Verão. 2) grande problema com velocidades do vento elevadas produzem distribuições de água muito irregulares. sendo a subterrânea enterrada. 1985): Vantagens: 1) grande economia de água. isto é. menor caudal e menor pressão de serviço. 3) superfície do solo parcialmente humedecida (menor evaporação. 3) Não podem ser utilizadas em terrenos irregulares ou acidentados. QUADRO 2 . devido ao seu elevado consumo de energia (QUADRO 7).: Canhão automotor) e mistas. não permitindo tão facilmente o desenvolvimento de doenças. para pequenas superfícies utilizam-se as instalações estacionárias. com movimento de rotação e de translação (ex. 4) manutenção da parte aérea das plantas seca.Infiltração Processos: Em relação aos sistemas de rega supracitados. culturas industriais e culturas hortícolas ao ar livre) e a rega localizada (pomares. através de tensiómetros). 5) custo de manutenção mais baixo (possibilidade de rega 24 horas por dia. com movimento de translação (ex. A rega gota a gota pode ser subdividida em a) superficial e b) subterrânea. por humedecimento da parte aérea das plantas. 3) custo das instalações elevado. 5) impossibilidade de aplicação de águas salinas em culturas não tolerantes à salinidade. Polivalência e Economia Inconvenientes: 1) consumo de energia muito elevado. A rega por miniaspersão subdivide-se em a) miniaspersão dinâmica quando o miniaspersor possui movimento de rotação similar a um aspersor rotativo em miniatura. 6) altas perdas de água em climas muito ventosos ou áridos. No caso de grandes superfícies regadas por aspersão (áreas superiores a 50 ha). 2) manutenção da tensão de agua dos solos (ou do seu teor em água) aos valores desejados pela planta. menos infestantes. utilização de máquinas nas entrelinhas mesmo quando a rega estiver a funcionar).Aspersão Processos: Aspersão . alto controlo da aplicação de rega (que poderá ser feito por ex. e em b) miniaspersão estática ou microaspersão em que os miniaspersores não possuem movimento de rotação. As principais vantagens e inconvenientes das instalações de rega gota a gota em relação às instalações de rega por aspersão são (Dasberg & Bresler. 7) utilização em solos marginais. Gota a gota superficial subterrânea Miniaspersão dinâmica estática ou micro-aspersão Localizada Método . 7) dificuldade (penoso para os operadores) para as mudanças de tubagens nas instalações móveis em solos de textura fina. devido à rega da parte aérea das plantas.Estacionárias Fixas Semi-fixas Móveis Aspersão .2 Localizada (rega por miniaspersão e gota a gota . Assim. 4) desenvolvimento de doenças. 11.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. forragens.superficial e subterrânea) A rega localizada pode ser dividida em rega gota a gota e por miniaspersão (Quadro 2).: Center-pivot). Inconvenientes: 1) Consumos de energia mais elevados (funcionam a pressões de serviço muito mais elevadas). As instalações semoventes tipo canhões auto-motrizes têm tendência para diminuir.2. As principais vantagens e inconvenientes das instalações semoventes em relação às instalações estacionárias são: Vantagens: 1) Evitam as mudanças dos aspersores. destinando-se ao Sul de Portugal.2. aplicam-se geralmente instalações semoventes center-pivot.: Rain-move). Destes. região de clima árido durante o Verão os sistemas de rega mais interessantes seria a rega por aspersão (Milho-grão. a escolha dos sistemas de rega de maior interesse para aplicação está dependente da região e da cultura a regar.Semoventes Rotação Translação Mistas As instalações semoventes incluem aquelas em que os aspersores (além do movimento e rotação própria) se deslocam ao longo da superfície do solo.SISTEMAS DE REGA SOB PRESSÃO Aspersão Método . devido ao facto de apenas uma parte do solo ser regado (rega localizada). vinhas. 2) Só poderão ser utilizadas em áreas elevadas. e culturas hortícolas principalmente em estufas). Raposo (1994) classifica as instalações semoventes em instalações com movimento de rotação (ex. 185 . traduzindo-se em menor consumo de energia e menos material). espaços verdes e campos de golfe. 6) maior eficiência da fertirrega e pestirrega. enquanto a água é distribuída. 2) Mão-de-obra reduzida quando comparadas com as estacionárias móveis ou semi-fixas.

momento e época da fertilização. Com a rega gota a gota subterrânea consegue-se praticamente anular as perdas por evaporação. com válvula-parafuso de regulação da saída. são o fraccio- 186 . Possui vantagens e inconvenientes intermédios entre a instalação-tipo anterior a que se segue. 3 . 11. que hoje se inclui na água residual agrícola. em que a concentração da mistura adubo+água varia geralmente entre 5 x 10-4 e 2 x 10-2. embora mais frágil e de custo mais elevado que as instalações-tipo anteriores. assegurando uma concentração constante até níveis muito baixos tal como 5 ppm. efectuada através do efeito de Venturi. Há no mercado adubos líquidos para aplicação na fertirrega para várias diluições de macro e micronutrientes. mas o seu custo é mais elevado do que o custo dos adubos sólidos solúveis. que se poderá verificar principalmente quando se trata da rega gota a gota.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. devendo-se determinar a condutividade do solo e o seu pH. namento das fertilizações. Polivalência e Economia O maior inconveniente diz respeito a grandes problemas com entupimentos. A rega por miniaspersão é utilizada principalmente em pomares. melhora a uniformidade de distribuição dos fertilizantes. de acordo com as necessidades do estado fenológico da cultura e contribuindo para a diminuição da pressão osmótica do solo. principalmente na rega gota a gota. Outras vantagens da fertirrega. este sistema tem a vantagem de ser de baixo custo. Outras vantagens dizem respeito à economia de mão-de-obra. O potássio também pode ser utilizado sem dificuldade. sempre que problemas com a filtração da água não permitirem a rega gota a gota.1. contribuindo também para a desobstrução dos gotejadores.Instalação de rega gota a gota em vinha (Pedras. em que parte dos elementos nutritivos ficam fora da acção das raízes.1 Águas convencionais 11. por vezes também é utilizado o ácido nítrico (em concentrações muito baixas) que tem também a função de desobstruir os gotejadores. sendo a saída da mistura para a tubagem de rega. é uma aparelhagem de grande rigor. Relativamente aos macronientes aplicados.usa-se muito a ureia. quando se procede à fertirrega. sendo a superior a longevidade da tubagem devido à diminuição de choques térmicos e mecânicos e não haver problemas com radiações ultra-violetas. em que se faz a mistura adubo+água. o amónio. para se proceder à sua lavagem sempre que necessário. Caso as águas sejam alcalinas. accionada hidráulica ou electricamente. ou quando os elevados compassos e a / ou os movimentos laterais da água do solo a partir das rampas gota a gota sejam insuficientes para que o volume radicular fique convenientemente regado. Fig. É necessário que. em relação à água de rega. sendo a água consumida apenas por transpiração. No caso da rega localizada. Se a água é ácida não há qualquer problema na aplicação do fosfato mono ou biamónio. de forma localizada às raízes. os nitratos. que se inclui no circuito de água. na fertirrega localizada. quando se pratica a fertirrega mineral. para todos os sistemas de rega sob pressão. sendo as mesmas altas e mal distribuídas. sendo no entanto o ácido ortofosfórico menos sujeito a problemas de entupimento e de insolubilização. podendo-se usar o nitrato de potássio ou o sulfato de potássio. os elementos fertilizantes são conduzidos através da água. que seja assegurada uma drenagem perfeita do solo. não se deve utilizar o fósforo na fertirrega. colocado após a instalação de bombeamento e sendo precedido um filtro de malha. o azoto pode ser aplicado em todos os casos sem quaisquer dificuldades técnicas .3 Polivalência dos sistemas de rega 11. há obrigatoriedade de se aplicar fertirrega.1 Fertirrega A fertirrega propriamente dita inclui apenas o fertirrega mineral.3. antigamente incluía a fertirrega orgânica (chorumes). evita o calcamento do solo e permite a adubação mais fácil das culturas de porte baixo. 2003) Três instalações-tipo de fertirrega mineral poderão ser aplicadas nos sistemas de rega sob pressão: 1) simples depósito. 3) bomba injectora de adubo (Fig. 2) depósito aplicado à saída da bomba. Ao contrário do que se verifica com os sistemas convencionais de fertilização. e o inconveniente de mais difícil controlo das concentrações dos fertilizantes. 4).3.

187 . concorre para o combate à geada com a rega. o coeficiente de emurchecimento não é uma constante de humidade do solo.1. e muito raramente no nosso país. É sobretudo utilizada.1. como ainda grande parte dos produtos não estarem homologados em Portugal. As instalações-tipo utilizadas são do tipo bomba injectora.3. conforme descrito para a fertirrega. formação de uma atmosfera nebulosa. transformação de energia cinética em energia térmica (impacto das gotas) e a temperatura positiva a que se encontra a própria água de rega. A rega por aspersão e miniaspersão poderá ser aplicada no combate às altas temperaturas. normalmente de melhor qualidade do que nos meses quentes.3 Combate à geada O combate á geada através de sistemas de rega sob pressão é uma prática de custo elevado na rega por aspersão em virtude de exigir instalações totalmente fixas funcionando ainda todos os aspersores simultaneamente.1 Águas salinas Segundo Beltrão e Ben Asher (1997a). 2) No Verão. com diminuição dos teores de clorofila. devido ao desconhecimento do seu manuseamento e aplicação. 11. 1994).3. Contudo o sistema de rega por aspersão é o mais eficiente no combate à geada. quanto maior for a concentração de sal na solução do solo.3.3. e menor será a capacidade utilizável do solo para a água. como se segue: 1) É usual verem-se aspersores ou miniaspersores em funcionamento por cima das estufas em dias muito quentes com o objectivo de diminuir a temperatura no interior das estufas.4 Combate às altas temperaturas Fig. aumento da humidade relativa do ar e da condutibilidade térmica do terreno.2. Assim dois exemplos serão apresentados. Isto significa que a cultura murcha a teores de água do solo mais elevados. maior será o teor e água do solo ao coeficiente de emurchecimento. há culturas em que a parte aérea é queimada pelo sol. através de suportes apropriados para que a rega seja efectuada por cima das copas. devendo-se neste último caso parar imediatamente o funcionamento da instalação caso haja vento. Segue-se-lhe a miniaspersão e por último a rega gota a gota. e que equilibra as respectivas perdas de calor por radiação nocturna. para tornar mais saliente a coloração de certas plantas ornamentais e da fruta. quanto maior for a concentração salina da solução do solo. A pestirrega é praticamente utilizada na rega localizada em alguns países estrangeiros. Além desta vantagem. nas horas de maior calor. geralmente a água pulverizada é recuperada e reutilizada. A herbirrega tem interesse de utilização na rega gota a gota e na rega por aspersão.5 Rega qualitativa 11. 11.3. como o caso dos campos de golfe. e que permita a rega sem que as culturas (árvores) sejam danificadas. ou alternativamente.2 Águas não convencionais 11.2 Pestirrega A pestirrega está dividida em pestirrega propriamente dita (combate aos fungos e pragas) e em herbirrega (aplicação de herbicidas). que corresponde ao calor latente de solidificação da água. 4 .Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. em que é fixada certos pigmentos. em instalações estacionárias totalmente fixas e semoventes center-pivot. e assim combater os seus efeitos nocivos.Bomba injectora utilizada num sistema de fertirrega gota a gota em alface. através de aspersores e miniaspersores. Polivalência e Economia Para que se possa utilizar mais eficientemente a miniaspersão no combate à geada.1. 11. A principal vantagem destes sistemas de rega no combate à geada deve-se ao facto da libertação de 80 calorias por grama de água fornecida (Raposo. sem que haver o objectivo de humedecimento do solo.3.1. Assim utiliza-se a rega por aspersão ou a miniaspersão durante essas horas com o intuito de diminuir a temperatura. 11. maior será o pressão osmótica. será necessário que os microtubos de ligação dos miniaspersores à tubagem tenham comprimento suficiente para que os miniaspersores possam regar as culturas (geralmente árvores de fruto) nos períodos de formação de geada. É necessário ainda conhecer a qualidade da água nos meses frios. é usual utilizar este tipo de combate em alguns campos relvados. mas é também afectado pela concentração de sal no solo.

é a taxa de lixiviação (kg sal d-1). θfc é o teor volumétrico da água do solo. dos quais salienta-se a: Evapotranspiração . θfc} . 5 . Vs -1 -1 (5) (6) Fig. ETa) . (5) tomará a seguinte forma θwp(Ψ0)1 = {[ci .Sal fornecido pela toalha freática Sf .Sal dos fertilizantes Sp . que inclui todos os inputs. será obtido por: θwp(Ψm + Ψ0) = θwp(Ψm) + ∆θwp(Ψ0) em que θwp(Ψm + Ψ0) é a soma do teor de água do solo ao coeficiente de emurchecimento não salino θwp(Ψm).Com lixiviação na zona radicular.quanto maior for a água transferida da planta e do solo para a atmosfera.Sal dissolvido proveniente da lavagem do solo ∆Sa . O teor em água e iões varia dinamicamente na solução. as taxas volumétricas de água de rega e de drenagem (m3 d-1). respectivamente ci e cd. ETa é a taxa da evapotranspiração real da cultura. por transpiração e evaporação.Sal fornecido pela água de rega Sg . Dr )] -1 -1 -1 CASO 2 . 5). à capacidade de campo (m3 água . a eq. respectivamente.Variação na quantidade de sais solúveis Si . Dois casos terão que ser considerados: CASO 1 . 1993) e quando a fracção de lixiviação for considerada ETa = (Qi . respectivamente (kg m-3).Sal fornecido pela água das chuvas Sd .Sal removido pela água de drenagem Sl . maior será a concentração de sais no solo. cd . a eq.(L . Absorção de iões pela planta intensa absorção de minerais do solo é acompanhado pela redução da salinidade do solo.Sais precipitados Qi e Q d são. (4) sendo L = (Qi . Dr )] . θfc) .Iões absorvidos pela plantas 188 .Qd) A em que ci cd são as concentrações de sal na água de rega e na água de drenagem. (5) tomará a seguinte forma θwp(Ψm + Ψ0)2 = (ci . é o coeficiente de fluxo da drenagem (d-1). 3 Sc . (cd ) -1 (8) (3) A componente-chave do sistema dinâmico SPAC (soil-plantatmosphere continuum) é a solução do solo (Fig. e é afectado por um grande número de processos. Vs é o volume de solo considerado (m ). m-3 soil).Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. -1 (7) O balanço salino do solo para as culturas regadas. Polivalência e Economia Que as concentrações de sal na água de rega e na água de drenagem.Representação esquemática do sistema "solução do solo" (Beltrão. estão em equilíbrio.A .Sem lixiviação na zona radicular. o teor de água do solo ao coeficiente de emurchecimento.(L . A é a superfície de evaporação (m2). outputs e os termos de acumulação para dentro e para fora da zona radicular é dado pela seguinte equação: INPUT = OUTPUT + ACUMULAÇÃO Sr + Si + Sg + Sl + Sf = Sd + Sp + Sc + ∆Sa + ∆Ss em que (9a) (9b) L Dr Sr . Vs e Dr = Qi . [cd . mais o aumento do teor de água ∆θwp(Ψ0) devido à salinidade.Variação na quantidade de iões absorvidos ∆Ss .

CEs . 10. 2) Uso de rega gota a gota subterrânea .Resposta da alface aos efeitos combinados da salinidade da água de rega com (N1 . devido à precipitação natural ou à lixiviação artificial. que se pode expressar pela seguinte fórmula: Y = 100 .m-1).grande economia de água.. (2002a). (2002). 1993) à salinidade (contudo a sensibilidade à salinidade também aumenta).salinidade do solo ou da água. Eta Em que : Qil . Polivalência e Economia A necessidade de lixiviação do solo é definida pela eq.evaporação b) Actividades humanas .Infiltração descendente (rega e linhas de água) Infiltração ascendente (toalha freática e água do mar) b) Vento 3) . 3) O aumento da fertilização aumenta a tolerância (Beltrão et al. 1997).sem lixiviação . a taxa de redução de produção relativa por aumento de unidade de salinidade. a que se chama sensibilidade. quando não existe horizonte impermeável.15 g de NH4NO3 por planta) e sem fertilização azotada (N0). Por outro lado. mas a contaminação será aumentada devido aos fertilizantes adicionados (Beltrão et al. abvalor limiar de salinidade (dS. 4) Culturas tolerantes à salinidade . expressa em condutividade eléctrica do extracto de saturação do solo ou da água (dS. Resposta da alface aos efeitos combinados da salinidade da água de rega com (N1 .Acumulação no solo (causas naturais e actividades humanas) a) Causas naturais . por outro lado. A. e portanto menos sais dissolvidos serão adicionados. MAAS & HOFFMAN (1977) encontraram entre a salinidade do solo e a produção das culturas uma relação linear. o que significa que a produção relativa (%) se mantém constante a 100 % até 20 g de NaCl planta-1 para N0.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. mas não resolve o problema da O processo de salinização do solo pode ser dividido nas seguintes fases (Beltrão.Compactação do solo e formação de impermes . a produção relativa diminui de cerca de 5 % por cada aumento de 10 g de NaCl planta-1. a sensibilidade (b).Ci)]. é maior para NO do que para N1. de acordo com o modelo de Maas e Hoffman (1977) e com Beltrão et al.sem técnicas ambientalmente limpas .Área da parcela (m2) ETa . 6 . como se segue: Qil = [Cd / (Cd .b (CE .esta técnica é muito útil para as plantas.15 g de NH4NO3 por planta) e sem fertilização azotada (N0).Volume de água de rega. 11 mostra que a tolerância (a) para N0 é menor que para N1.Origem dos sais (sais locais e sais transportados) 2 . os sais concentram-se acima deste horizonte. portanto. sendo de 10 % a redução para o nível N1. De acordo com a eq. e cerca de 40 g de NaCl planta-1 para N1.a) em que: Y.produção relativa da cultura (%). satisfazendo simultaneamente o consumo de água da cultura e as necessidades e lixiviação (m3). e que é definida por (12) (11) (10) contaminação solo e das águas subterrâneas.m-1) a partir do qual decresce a produção. a que se chama tolerância. b = dY / dCE As técnicas convencionais de combate e controlo do processo de salinização pode ser caracterizado por quatro gerações: 1) Problema da contaminação da zona radicular pela lixiviação do solo (que pode ocorrer em duas situações quando há um horizonte impermeável. A .Elevação do nível da toalha freática .Transporte (água e vento) a) Água . para maiores valores da tolerância.Rega imprópria (uso de água salina mal aplicada) 189 . de acordo com o modelo de Maas e Hoffman (1977) e com Beltrão et al. percentagem de decréscimo de produção por unidade de acréscimo de salinidade. pode haver contaminação dos aquíferos. mas pode continuar a haver problemas da contaminação das águas subterrâneas. 1992): 1 .Evapotranspiração real da cultura (m) Partindo de dados reais. Salinidade acumulada (g NaCl planta-1) Fig. isto é.

Este problema é intensificado devido à intrusão da água do mar que resulta da redução dos níveis freáticos dos aquíferos. 7 . "kikuyugrass".Fábricas .Restaurantes e comércios URBANAS .1000 cfu / 100 ml. Cuartero et al.em folhas dos relvados .agrostis. Estas águas de pior qualidade têm repercussões negativas nas produções das culturas regadas (Ben Asher et al. culturas industriais . Podemos dividir os problemas ambientais que possam surgir em três tipos: microorganismos patogénicos (principalmente nas águas residuais urbanas). mostrando assim a capacidade de remoção de sal (ião Cl ) de diferentes cultivares de relvas. 2002).Ligações e descargas clandestinas .200 cfu / 100 ml. campos de golfe e de outros desportos).Infiltrações subterrâneas . 2002). "kikuyugrass". de Cl . como se segue: 1) Uso de espécies que removem o sal do solo (Beltrão et al.. 7 mostra as percentagens médias. 1998).Hospitais e laboratórios .. salinidade (comum a todas as águas residuais) e metais pesados (principalmente nas águas residuais industriais). 2003).Adegas e lagares AGRÍCOLAS .5 1 a 0. 2002). de Cl .3. A Fig. expressos em cfu (colony forming unit) / 100 ml de E. 3) Redução da aplicação de sal através de menores dotações de água residual.Hidroculturas .Percentagens médias. A única maneira para controlar o processo de salinização e de manter a sustentabilidade dos espaços verdes e dos campos agrícolas é combater a salinização através de técnicas limpas e ambientalmente seguras.Matadouros ÁGUAS RESIDUAIS . 4) Reutilização de limite mínimo de dotação de água residual suficiente para obtenção de uma boa aparência visual dos espaços verdes (Costa et al. 2003). fazem-se algumas recomendações relativamente a concentrações de microrganismos patogénicos. bermuda regada e bermuda de sequeiro (Costa.Pecuária (chorumes) 2 1. faltando-lhe todavia critérios mais específicos de qualidade microbiológica e também critérios em relação aos sistemas de rega utilizados e características dos solos a regar e salinidade. pomares e vinhas regados por aspersão . quando a taxa de bombeamento excede a taxa de recarga. pomares e vinhas regados gota a gota e forragens . hidroponia e culturas hortícolas .Habitações domésticas (higiene e cozinha) .2 Águas residuais É habitual classificar as águas residuais de acordo com a sua origem.1000 cfu / 100 ml. bermuda regada e bermuda de sequeiro (Costa.Transformadoras de produtos alimentares . mostrando assim a capacidade de remoção de sal (ião Cl-) de diferentes cultivares de relvas. 2001.Transformadoras de petróleo . verificam-se maiores problemas de salinização nas zonas mais áridas (como o Alentejo e o Algarve) e costeiras. 2) Uso de espécies tolerantes à sede. tornando as águas subterrâneas mais salinas.coli.CLASSIFICAÇÃO DAS ÁGUAS RESIDUAIS DE ACORDO COM A SUA ORIGEM (Gamito. Polivalência e Economia Em Portugal. 1998) CLASSIFICAÇÃO ORIGEM . QUADRO 3 .agrostis. de acordo com recomendações do 2º Seminário em Reutilização de Águas Residuais no Mediterrâneo (2001): Rega de espaços verdes (parques.5 11.5 a a b b 0 Agrostis regada Kikuyugrass regada Bermuda regada Bermuda sequeiro Relvados Fig. estufas. conforme é apresentado no QUADRO n. desvios padrão e resultados do teste Dunnett T3.em folhas dos relvados . 2. jardins. a legislação portuguesa (QUADRO 4) admite a reutilização de águas residuais adequadamente tratadas para grande parte das culturas (Decreto-Lei nº 236/98). Em relação a estes problemas.Serviços . 190 Percentagem de Cl - . Nessas condições.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.. em virtude de a água nestas regiões ser limitada. desvios padrão e resultados do teste Dunnett T3.200 cfu / 100 ml.2.Cantinas INDUSTRIAIS ..º 3 (Gamito.

1. Contudo destas regiões.5 m 2) Sistema de rega gota a gota enterrada ou miniaspersão . e à recarga de aquíferos.2.2. devido ao elevado fluxo turístico que se verifica nesta época. descargas na floresta).3 m 4) Sistema de rega por gravidade . acrescido pelo elevado número existente de campos de golf e explorações hortofrutícolas. usos urbanos (lavagem das ruas. com vista a evitar problemas de contaminação. autoclismos). culturas hortícolas e outras de consumo humano. 1996b): 1) Sistema de rega gota a gota superficial -1. Em Portugal a reutilização de águas residuais tem sido quase exclusivamente efectuada na rega de espaços verdes (parques. os aspectos mais importantes referiram-se na alínea 11.00 m: Espécies herbácias . por isso a reutilização de águas residuais já utilizada.500 m (Beltrão. 1996). b) Distância mínima a zonas urbanas 1) Velocidade do vento durante a rega superior a 2 m s-1 Rega por aspersão . usos industriais (refrigeração).20 m c) Identificação do local regado com águas residuais depuradas 1) Estes locais deverão estar identificados com a designação "Água não potável". sugerem-se que se verifiquem as seguintes medidas: a) Profundidade mínima da toalha freática (Beltrão et al. 1993) Rega por miniaspersão 100 m 2) Velocidade do vento durante a rega inferior a 2m s-1 Rega por aspersão . jardim privado. d) Profundidade de rega com água residual depurada.50 m Floresta .2. 1976.200 m Rega por miniaspersão . forragens e viveiros). a reutilização das águas residuais tratadas poderia estender-se também a usos residenciais (sistemas de ar condicionado. para valores de profundidades da toalha freática superiores a 5. devendo a mesma ser identificada com sinais inerentes aos perigos em causa. campos de golfe e de outros desportos). com crescente desenvolvimento a partir de 1987 através do programa PEDAP (Marecos do Monte. máxima aconselhável. faltando-lhe todavia critérios mais específicos de qualidade microbiológica e também critérios em relação aos sistemas de rega utilizados e características dos solos a regar e salinidade.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. Oron & Beltrão. 2) Sempre que haja problemas de poluição na região. culturas industriais. pomares e vinhas. Verifica-se que as regiões mais a sul de Portugal (Alentejo e Algarve) são as de maiores necessidades hídricas. é o Algarve que possui maiores necessidades hídricas mais elevadas durante o Verão. Contudo.00 m Como foi dito. deverá essa região passar a ser classificada Zona Poluída.sem vento durante a rega Rega por aspersão . sendo. para texturas e teores de água do solo (potencial mátrico do solo) mais favoráveis. principalmente nos pomares e vinhas (rega gota a gota e miniaspersão) e nos campos de golf (rega por aspersão)..50 3) Calma .2 m 3) Sistema de rega por aspersão . Polivalência e Economia Para o caso de problemas de salinidade. aonde já se nota a sua reutilização.5 m Estes valores poderão ser diminuídos de 20 %. estufas. no local de recepção dos efluentes.1. Esta reutilização das águas residuais tratadas na rega será muito mais interessante nesta região. usos florestais (combate a incêndios. fontes decorativas). nas respectivas bacias de recepção e/ou no equilíbrio ecológico do meio. 191 . a legislação portuguesa (QUADRO 4) admite a reutilização de águas residuais adequadamente tratadas para grande parte das culturas (Decreto-Lei nº 236/98). jardins. Através da literatura disponível.100 m Rega por miniaspersão .00 m Árvores de fruto .1. lavagem do automóvel. combate a incêndios.

10 2.0 Parâmetros Símbolos Unidades Os estudos a efectuar com a rega com águas residuais têm normalmente dois objectivos: O primeiro relaciona-se com os níveis de contaminação provocada por essas águas no solo.0 2. com a aplicação das radiações ultravioletas e dos modernos filtros.2002). A rega por aspersão com águas residuais é aplicada principalmente no Algarve. a rega era efectuada apenas em viveiros de relva e em zonas vedadas aos golfistas. sendo distribuídos no solo através de aspersores especiais. as provenientes da drenagem de explorações agrícolas aproximam-se mais das características das águas salinas.10 1. Em relação às águas residuais agrícolas.5 5. para aspectos de contaminação ambiental (Beltrão et al.0 10. Polivalência e Economia QUADRO 4 .Valor Máximo Recomendável VMA .01 5. 2002 b) e para aspectos económicos (Penkova et al. 1998). VMR .2. nomeadamente membranas.0 ---------0. É evidente que os chorumes são IMPRÓPRIOS para utilização na rega localizada.10 2.5 . que não é de prever a contaminação das relvas.3.4 100 ----VMA 20 10 ----1. recorrendo a modelos de simulação.DECRETO-LEI NR. com a adopção de tratamentos terciários adequados e. O segundo objectivo relaciona-se com a resposta da produção e crescimento das culturas à rega com águas residuais. como prevenção à contaminação.0 0.20 ----0..05 ----1. Inicialmente.0 4.02 575 0.9. Contudo.8. 236/98 (1998) Qualidade das águas destinadas à rega VMR Alumínio Arsénio Bário Berílio Bicarbonatos Boro Cádmio Chumbo Cloretos Cobalto Cobre Crómio Estanho Ferro Flúor Lítio Manganésio Mercúrio Molibdénio Níquel Nitratos Nitritos Salinidade Selénio Sulfatos Vanádio Zinco pH Coliformes Fecais Ovos de parasitas Intestinais Al As Ba Be HCO3 B Cd Pb Cl Co Cu Cr Sn Fe F Li Mn Hg Mo Ni NO3 NO2 ECw Se SO4 V Zn ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm dS/m ppm ppm ppm ppm pH MPN/100ml Nº/l 5.8 10 ----0. Dado o seu pobre teor em fósforo em relação aos restantes macronutrientes é usual fazer a sua correcção.05 0.20 0.00 0.0 ----1. estas últimas poderão ainda estar contaminadas por pesticidas. respectivamente. 2002).0 ----0. principalmente.. incluindo além da componente água (Asano. 11.5 0. que possuem agulhetas de maior diâmetro e em borracha para permitirem mais facilmente a passagem de matérias sólidas.3 Águas de drenagem As características das águas de drenagem provenientes das zonas urbanas poderão aproximar-se mais das características das águas residuais. em campos de golfe.05 2.0 0. a componente fertilizante (Costa et al. juntamente com os dejectos sólidos triturados das instalações pecuárias.0 6.75 0. Os problemas causados pelos sistemas de rega não convencional.05 20 ----10 5.. linhas de água receptoras e nas culturas com elas regadas para os diferentes sistemas de rega.0 1. os chorumes são utilizados.5 ----0.5 .0 5.0 ----1.30 0.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.Valor Máximo Admissível 192 .0 20 --------15 5.0 70 0.005 0. o nível de concentração patogénica é de tal modo baixa. (nomeadamente os relacionados com reutilização de águas residuais) poderão ser estudados.

0 18.0 25.0 5. (14) Temp.0 2. b) velocidade do vento.5 4.0 16. em função da velocidade do vento e temperatura para aspersores de alto grau de pulverização (Beltrão.0 7. A eficiência Ed está relacionada principalmente: com a) características físicas do solo e declive.média (sistemas de rega por gravidade .1 Eficiência de transporte (et) Et = 100 (Wf /Wd) em que Wf .4 Eficiência de rega e sua classificação 11. b) velocidade do vento e temperatura durante a rega.5 24.[ ( Σ | X | ) / (m x n) ] } em que m .0 2.5 10.0 30.0 3.0 20.0 0.5 33.5 5.0 11. 8 mostra um campo experimental de batateira.0 35 8.0 16.água armazenada na zona radicular A eficiência Ed está relacionada principalmente: com a) características físicas do solo e declive (sistemas de rega por gravidade).0 36.5 7. PARA ASPERSORES DE ALTO GRAU DE PULVERIZAÇÃO PERDAS MÉDIAS DE ÁGUA DURANTE A REGA (%) (15) 11.5 13.5 8.0 6.0 23.0 33. de acordo com Achtnich (1966).Campo experimental de batateira. 11.0 4.5 9.0 35. diagrama pluviométrico.0 10 2.0 22.0 5. (13) Fig.0 7.0 20 3.0 45 15.4.0 12.0 13.0 2.0 11.5 5 1. com udómetros para a determinação da eficiência de distribuição Ed.0 16.0 9.5 13.5 15.0 17.5 14. QUADRO 5 .3 Eficiência de aplicação (ea) Ea = 100 (Ws / Wf) em que Ws .0 9.desvio à média n .profundidade de rega.0 3.0 21.0 12.5 16.0 7.0 25.0 30.0 18.dotação de rega) X . regada por aspersão.0 5. só pressiona o volume de água ajustado às necessidades hídricas das culturas (Vide Capítulo 3).0 20.0 30 6.0 10.2 Eficiência de distribuição (ed).0 193 . O QUADRO 5 apresenta as perdas de água durante a rega. referência ao coeficiente de uniformidade de distribuição de água de christiansen (cuc) É frequente utilizar o coeficiente de uniformidade de distribuição de água Christiansen (CUC) como a eficiência de distribuição Ed Ed (CUC) = 100 {1 .4. características de funcionamento e qualidade dos aspersores e grau de pulverização (sistemas de rega por aspersão).4.0 21.0 12.0 8.0 19.5 25 4.0 4. Wd .0 40.0 13.0 21.5 9.0 26.0 6. Polivalência e Economia 11.0 Velocidade do vento (m s-1) 1.0 22.0 9.0 4.5 10. (° C) 0.0 31.0 4. estado de conservação das tubagens e dos grupos motor-bomba e sua eficiência.5 1.0 35.5 27. regada por aspersão onde foram recolhidas amostras dos udómetros para determinação da eficiência de distribuição. sistema de rega sob pressão .0 32. 1976).número de observações (amostras recolhidas de amostras) A Fig.0 18.0 27.água proveniente da fonte de abastecimento Esta eficiência Et está muito relacionada com as fugas de água.5 6.0 20.0 45. características de funcionamento e qualidade dos aspersores e grau de pulverização (sistemas de rega por aspersão).0 31.0 6.5 15.5 25.0 10.0 30.PERDAS MÉDIAS DE ÁGUA DURANTE A REGA EM FUNÇÃO DA TEMPERATURA E DA VELOCIDADE DO VENTO.0 12.0 17.0 31.5 14.água aplicada durante a rega na respectiva parcela.5 8.5 13.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.0 40.5 17. 8 .0 3.0 28. problemas de entupimento e qualidade dos gotejadores ou miniaspersores (sistemas de rega localizada). É de salientar a importância da pressurização a pressão constante (implicando naturalmente a integração da variação de velocidade nos motores eléctricos) garantindo a dispersão da água eficientemente com o mínimo consumo energético ou seja.0 34.5 40 12.5 25.0 37.0 15 3.0 21. problemas de entupimento e qualidade dos gotejadores ou miniaspersores (sistemas de rega localizada).

4. aspersão (0.relação de transpiração (22) (21) (20) 11.00). definido por (Achtnich.50). Ep (19) (18) 11.rega por aspersão . Assim este tipo de eficiência deverá ser apenas aplicado no caso da rega gota a gota superficial e subterrânea.água necessária na zona radicular (16) .0). qualidade e características dos aspersores.7 .5 Eficiência de rega e consumo de energia nos sistemas de rega sob pressão 11. beterraba (0.40 .5. qualidade e características dos gotejadores e miniaspersores A transpiração.55).4.0.85 .0.características físicas do solo .1 Valores médios e técnicas de maximização da eficiência de rega Os valores médios geralmente atribuídos à eficiência de rega Er a nível da parcela de rega são: gravidade (0. milho (0. RT . 1997). sendo neste caso T = ETa.5 Eficiência de uso de água Eu = Y / ETa em que Y .5).0. trigo (0.80). No caso especial da rega gota a gota subterrânea toda a água aplicada será consumida praticamente apenas por transpiração (Oron e Beltrão.declive do solo 194 .temperatura durante a rega .6 . amendoeira (0.1. a eficiência total Er(T) seria dada pela expressão: Er(T) = RT . Para o cálculo da eficiência total Er no caso da rega gota a gota.80).6 Eficiência total de rega Segundo (Oliveira.0. batata (0.3 .0.4 .grau de pulverização. Beltrão et al.1966): CT = T / MS T .transpiração (m3 de água).0. Ed sendo RT = 100 (T / Wf) em que Er (T) .3 .problemas de entupimento. luzerna (0.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.MAXIMIZANDO A TRANSPIRAÇÃO E A UNIFORMIDADE DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA E MINIMIZANDO A EVAPORAÇÃO DIRECTA. Os principais parâmetros que condicionam a relação transpiração / evapotranspiração são o índice de área foliar IAF. (17) 11.9).4 Eficiência de armazenamento Es = 100 (Ws / Wn) em que Wn .0.2 . 1993).4. a evaporação directa não estar associada à produção. Maximiza-se a eficiência de rega . a radiação e o compasso (Beltrão & Ben Asher.0. gota a gota subterrânea (0.1.0.90 .eficiência total Er específica para o caso da rega gota a gota.70 .95).1997b. Nestas condições.4).95 .Produção..5).Evapotranspiração real da cultura.35 -0. MS . feijão (0. utilizando-se geralmente para expressar as relações entre estes parâmetros o coeficiente de transpiração CT. diagrama pluviométrico.rega localizada .90).a nível do perímetro de rega (ERp) Erp = Ea . subterrânea (0. ETa .0. gota a gota superficial (0.85). Ed . miniaspersão (0. porque o vapor de água e o CO2 passam através dos mesmos estomas. Ed .a nível da parcela de rega (Er) Er = Ea .30 . visto que das componentes da evapotranspiração. Keller e Karmeli (1975) consideram apenas a transpiração T e não a evapotranspiração real da cultura ETa. ervilha (0.6). Parâmetros que condicionam a eficiência de rega .matéria seca produzida (kg) Valores médios de CT : cana de açúcar (0. e velocidade do vento . ao contrário do que se verifica com a transpiração.45 . Polivalência e Economia 11.0. a eficiência de rega Er total que deverá ser utilizada nos cálculos da dotação real de rega é: .50). 1993). a assimilação e a produção estão associadas.

2 . -1 3 -1 . estufas 92 92 95 20 20 20 7 7 7 40 35 35 1.Fixas Semoventes .Sistemas pivot . seguem os conceitos adoptados por Raposo & Beltrão (1982).5 7 60 60 60 6.Móveis .0-1. e incluem os seguintes factores: .9 5.4-6.número de dias úteis por semana. orn.6 1. . está compreendida entre 30 e 50 % nos pomares.altura manométrica total (m). Polivalência e Economia 11.Volume anual de rega (m ) .Semi-fixas .Valores médios dos seguintes parâmetros de rega: .5 80 100 2.duração útil diária de rega (h d ). Pomares Hort.9 4300-6400 4300-6400 4000-6000 195 .diminuição da evapotranspiração da ordem dos 30 % QUADRO 6 . REGA LOCALIZADA Miniaspersão Gota a gota sup. no que respeita à rega localizada.3 1.eficiência de rega (%).6 1800-2800 2600-2900 1700-2000 90 20 7 40 1.1-2. e 70 a 90 % nas culturas hortícolas e ornamentais em estufa.As dotações de rega diárias de ponta estão compreendidas entre 4 e 6 mm d-1 (40 a 60 m3 ha-1) e os volumes anuais de rega entre 3400 e 5100 m3 ha-1 (valores úteis teóricos.5-6.5-2.ocupação ao longo do ano na ordem de 80 %.não aproveitamento das águas pluviais. e são apresentados nos QUADROS 6 e 7.A percentagem de solo humedecido. de acordo com o conceito de Keller e Karmeli (1975).Canhões autom.Quanto às culturas em estufa: . 3 .Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. .0 2. .1-1.rendimento total dos grupos motor-bomba (%). isto é. ar livre Hort. sem incluir a eficiência e rega e a percentagem de solo humedecido).7-4.2 Elementos e parâmetros de rega a utilizar no cálculo do consumo de energia Os elementos necessários a utilizar no cálculo do consumo de energia nas instalações de rega sob pressão em Portugal.Consumos dos grupos motor-bomba (kWh ou L de gasóleo) Os valores destes elementos foram obtidos a partir das condições seguintes (QUADROS 6 e 7): 1 .caudal de ponta ( m3 h ) . eléctricos (kW) ou térmicos (HP) .5 5.3-8. 4 .Potência dos grupos motor-bomba.0 4. . .5.8 4500-6800 4900-7300 80 80 85 10 12 18 5.ELEMENTOS E PARÂMETROS DE REGA A UTILIZAR NO CÁLCULO DO CONSUMO DE ENERGIA DAS INSTALAÇÕES DE REGA SOB PRESSÃO DURAÇÃO ÚTIL DAS REGAS Por dia (h) Por semana (d) NECESSIDADES HÍDRICAS débito de ponta (m3 h-1) volume anual (m3) TIPO DE INSTALAÇÃO EFICIÊNCIA DE REGA Er (%) ALTURA MANOMÉTRICA TOTAL (m) REGA POR ASPERSÃO Estacionárias . e 50 a 70 % nas culturas hortícolas ao ar livre.6-3. por hectare regado.7 1900-2800 85 70 20 16 7 5.

Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência, Polivalência e Economia

11.5.3 Consumo anual de energia para instalações de rega sob pressão
Os valores médios do consumo de energia nas instalações de rega sob pressão em Portugal, por hectare regado, são apresentados no QUADRO 7.

QUADRO 7 - CONSUMO ANUAL DE ENERGIA PARA INSTALAÇÕES DE REGA SOB PRESSÃO
MOTOR ELÉCTRICO (µt = 75 %)* TIPO DE INSTALAÇÃO POTÊNCIA (kW) REGA POR ASPERSÃO Estacionárias - Móveis - Semi-fixas - Fixas Semoventes - Sistemas pivot - Canhões autom. REGA LOCALIZADA Miniaspersão Gota a gota sup. Pomares Hort. ar livre Hort. orn. estufas 0,16 - 0,24 0,19 - 0,29 0,13 - 0,20 280 - 420 350 - 520 240 - 360 0,27 - 0,40 0,33 - 0,49 0,22 - 0,34 110 - 160 140 - 200 90 - 140 0,17 - 0,25 290 - 430 0,28 - 0,41 120 - 170 0,6 - 0,9 1,7 - 2,5 1400 - 2100 2000 - 2800 1,3 - 2,0 2,8 - 4,2 540 - 810 720 - 1100 1,4 - 2,1 1,2 - 1,8 0,9 - 1,4 950 - 1500 950 - 1500 950 - 1400 2,3 - 3,5 2,0 - 3,0 1,0 - 1,5 380 - 570 380 - 570 380 - 560 CONSUMO ANUAL (kWh) POTÊNCIA (HP) CONSUMO ANUAL (L gasóleo) MOTOR DIESEL (µt = 60 %)*

* Rendimento total do grupo motor-bomba

Os valores dos elementos apresentados nos QUADROS 6 e 7 deverão ser utilizados com alguma reserva, uma vez que representam valores médios para condições médias. Os valores apresentados mostram uma grande diversidade de valores entre os vários sistemas de rega, tipos de instalação e modalidades respectivas de funcionamento. Mostram-se, principalmente, diferenças entre a rega por aspersão (e o que se verifica entre as instalações estacionárias e semoventes) e a rega localizada, nomeadamente no que diz respeito às potências dos grupos motor-bomba e ao consumo anual de energia (eléctrica ou térmica). Há ainda duas grandes vantagens que contribuem para diminuir o consumo de energia, a saber - a) o aumento do nível de automatização, quer para os sistemas de rega por gravidade (Serralheiro, 1986), quer para os sistemas de rega

sob pressão (Raposo, 1996a) que, além de contribuir para a diminuição da mão de obra, permite um controlo da rega muito maior, conseguindo-se obter consumos mais baixos; b) o aumento do rendimento do grupo motor-bomba e a pressurização a pressão constante, garantindo o bombeamento da água o mínimo consumo de energia. Nos QUADROS 8 e 9 apresentam-se valores representativos do custo do m3 de água em zonas áridas de Portugal (Algarve) e de Espanha (Baleares), de acordo com estudos efectuados, respectivamente por Raposo e Beltrão (1982) e Costa (2003) para o Algarve e Brissaud (2003) para as Ilhas Baleares. Nestes valores foram incluídos os custos dos materiais dos sistemas de rega sob pressão e os problemas económicos a que estão associados, como os prazos de amortização, longevidade e manutenção das instalações (Beltrão, 1986).

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Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência, Polivalência e Economia

QUADRO 8 - CUSTO MÉDIO DA ÁGUA DE REGA NO ALGARVE, EM FUNÇÃO DA SUA ORIGEM (EURO/m3)
ORIGEM DA ÁGUA Subterrâneas Part. Superficiais Rede superficiais Residuais tratadas* Na parcela Energia aplicada Instalação TOTAL 0,04 --0.06 --0,05 0,05 0,01 0,05 0,15 0,15 0,15 0,15 24 20 22 20

1) eficiência de rega, incluindo a das utilizações polivalentes; 2) nível de automatização; 3) controlo da rega; 4) descontaminação ambiental (recursos hídricos não convencionais); 5) rendimento dos grupos motor-bomba;

*Sem tratamento adicional efectuado pelo agricultor.

QUADRO 9 - CUSTO MÉDIO DA ÁGUA DE REGA NAS I. BALEARES (Brissaud, 2003), EM FUNÇÃO DA SUA ORIGEM (EURO / m3).
ORIGEM DA ÁGUA Subterrâneas Part. Superficiais Rede superficiais Residuais tratadas Residuais tratadas c/ tratamento adicionais Total 0.27 0,23 0,25 0,12 0,12- -0,23

6) pressurização a pressão constante; 7) manutenção das instalações.

11.6 Conclusões
Como notas finais deste capítulo podemos salientar a importância da eficiência de rega no que respeita quer ao consumo de energia, quer aos custos do material dos respectivos sistemas de rega. Por outro lado, salienta-se a polivalência das instalações de rega sob pressão, através de outras aplicações adicionais à rega por humedecimento. A utilização das águas de fontes não convencionais deverá ser maior nas regiões mais áridas para suprir a falta de água potável e para aumentar a fertilidade do solo; contudo, tal prática deve ser efectuada com o maior cuidado dados os riscos ambientais e de saúde que envolve; para manter a sustentabilidade dos espaços verdes e dos campos agrícolas, o seu controlo deverá ser efectuado através de técnicas limpas e ambientalmente seguras. Em relação ao desenvolvimento dos regadios em Portugal, verifica-se que os sistemas de rega sob pressão começaram a substituir nos anos sessenta, através da rega por aspersão, os sistemas de gravidade convencionais; a partir dos anos oitenta, a rega gota a gota superficial e a miniaspersão começaram a desenvolver-se em culturas em linhas (hortofruticultura), tendo já surgido nestes últimos anos sistemas de rega gota a gota subterrânea, com evidente economia de água. Os custos elevados do consumo de energia e dos materiais dos sistemas de rega sob pressão e os problemas económicos e ambientais a que estão associados, levará no futuro a que os sistemas de rega sob pressão sejam melhor concebidos e projectados, além de uma manutenção feita em boas condições. Concorre para isso a maximização dos seguintes parâmetros e actividades:

197

Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência, Polivalência e Economia

11.7 Referências bibliográficas
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199

200 .

201 . APLICAÇÃO DE SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO EM PROCESSOS INDUSTRIAIS Autores: Pedro Farinha Responsável de Área de Engenharia da Hovione FarmaCiência.A. S. Luís Olival Gestor de Projectos de Engenharia da Hovione FarmaCiência. S.A.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12.

202 .

6% em projectos ambientais. em 1992. Estes produtos .Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais A Hovione Hovione é uma empresa portuguesa dedicada à química farmacêutica. As duas fábricas da Hovione são inspeccionadas e aprovadas pela Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos. União Europeia e Austrália – constituem a base activa dos medicamentos formulados por laboratórios farmacêuticos. 203 . ambas são certificadas ISO9000. desde 1990. Japão. Com uma facturação anual de aproximadamente 68 milhões de Euros. os corticosteróides. Durante a década de 90. Na área dos produtos genéricos. artérias e órgãos nos exames radiográficos. em Loures e em Macau.Grupo Hovione A principal actividade da Hovione consiste na investigação e desenvolvimento de processos de síntese e na produção de substâncias activas farmacêuticas. o prémio de “Melhor Meio Ambiente na Indústria”. nas quais emprega mais profissionais do que na produção. 1 . A Hovione já desenvolveu mais de 100 processos de síntese química próprios e detém um número elevado de patentes a nível mundial. incluindo anti-virais e terapias anti-SIDA. e que lhe valeu. iniciando contratos de desenvolvimento de processos e fabricação de novos produtos para terceiros. Exemplo do compromisso que assumiu com as questões ambientais é o facto de ter subscrito o Responsible Care Program e utilizar tecnologias GreenCycleTM. utilizados como anti-inflamatórios e anti-alérgicos na preparação de pomadas e aerossóis.1 milhões de Euros. a Hovione desenvolve a sua actividade através de processos de síntese próprios.exportados para mercados tão exigentes quanto os dos Estados Unidos. investigador químico. um negócio que neste momento representa 40% do seu volume de vendas. Fig. 5% em qualidade e 1% em formação. sendo de destacar a aposta feita na área da qualidade e da pesquisa. usados na preparação de injectáveis. Investiga e produz com alta tecnologia e qualidade. nos EUA. que são agentes anti-infecciosos usados na preparação de cápsulas e comprimidos. de dez nacionalidades diferentes e com idade média de 37 anos. 14. clientes da empresa. a empresa desenvolveu a segunda vertente do negócio. o Grupo Hovione investe cerca de 8% do seu volume de vendas em investigação e desenvolvimento. que permitem a visualização das veias. substâncias activas farmacêuticas. e um Centro de Transferência de Tecnologia em New Jersey. a Hovione tem duas unidades fabris. Fundada em 1959 por Ivan Villax. Outra área que tem merecido grande dedicação por parte da Hovione é a que diz respeito à protecção ambiental. dos quais se destacam três grandes linhas de produtos: os antibióticos do grupo das tetraciclinas. os agentes de diagnóstico radiológico. apresentando duas vertentes de negócio: os produtos genéricos e o “outsourcing” (produção em exclusivo para terceiros). trabalham na Hovione. Cerca de 660 profissionais. na qual investiu. anti-parasíticos e produtos utilizados em terapias oncológicas. atribuído pela Comissão Europeia e pelo Programa Ambiental das Nações Unidas.

204 .

• erosão mecânica. No caso das bombas centrífugas de processo.1 Qualidade O fabrico de produtos farmacêuticos de base é regido por uma elevada exigência de qualidade. tenha superfícies não rugosas e isentas de fissuras. É referido com BAT a utilização de empanques mecânicos simples ou duplos. é referido no documento do IPPC a particular atenção que deve ser prestada à selagem.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12. de forma a evitar perdas para o exterior. • produtos resultantes da corrosão. Assim. e em caso de bombeamento de líquidos com elevado grau de perigosidade ou toxicidade devem ser utilizados empanques magnéticos.2. Ambiente e Saúde Ocupacional. desenhos de construção mecânicos/eléctricos/ /funcionais. os equipamentos utilizados têm que estar preparados para funcionar em ambientes com potencial perigo de explosão. sendo necessário um levantamento de todos os factores de risco que possam afectar a especificação do produto. ou seja têm que ser construídos e instalados em conformidade com a Directiva ATEX 94/9/CE. Materiais de construção devem ser seleccionados de modo a minimizar a corrosão química dos componentes metálicos. relatórios dos testes em fábrica. abordadas no documento de referência do IPPC. 12.2. baseiam-se no elevado grau de exigência em termos de Qualidade. 205 . etc. 12. por síntese química. e quando se verifique uma explosão o equipamento deverá ter meios que permitam interromper imediatamente a deflagração e/ou limitar os seus efeitos. 12. os lubrificantes deverão ser de qualidade alimentar. que vão desde a simples trasfega de solventes ou misturas reaccionais. Facilidade de desmontagem e montagem com reduzido número de peças são factores também a considerar na escolha de uma bomba. Essas emissões devem ser minimizadas nas fontes. Quando admissíveis. As emissões de COV's (Compostos Orgânicos Voláteis) localizadas e difusas. às chumaceiras e às juntas.) não adequados ao processo. os contaminantes externos podem surgir de: • lubrificantes ou fluidos de selagem usados nos equipamentos de processo. juntas. de forma a projectar o equipamento e a sua instalação de modo a evitar a formação de atmosferas explosivas e fontes de ignição. provenientes desses equipamentos.3 Ambiente A directiva Europeia IPPC (Integrated Pollution Prevention and Control) tem como objectivo a prevenção integrada e o controlo da poluição resultante da produção industrial. que possam afectar a qualidade do produto. É requisito imprescindível a marcação CE de conformidade juntamente com toda a documentação definida na Directiva 94/9/CE. garantias e certificações. desde a certificação dos componentes eléctricos como anti-deflagrantes para a classe de temperatura a que possam estar sujeitos. através de soluções BAT (Best Available Techniques). aos impulsores. substâncias inflamáveis.2 Segurança Uma vez que no fabrico de produtos farmacêuticos de base são utilizadas. nomeadamente metais pesados. Ambiente e Saúde Ocupacional. Esta directiva cobre os requisitos técnicos a serem considerados. para todos os equipamentos que contactem directamente com o produto. As bombas centrífugas Grundfos são utilizadas em diferentes operações do processo de fabricação de Princípios Activos. manuais de operação/manutenção c/ recomendação de peças de reservas. • resíduos de aplicações anteriores. podem degradar-se por acção química e/ou térmica. Em relação a equipamento de bombeamento centrífugo. A manutenção preventiva deverá recorrer a inspecções periódicas visuais de todas as zonas críticas.2. É assim exigido ao fornecedor de equipamentos de processo suporte documental (quando aplicável) para: lista e certificado de materiais. uma vez que tem que ser garantida a vedação permanente entre os elementos rotativos e estáticos. bem como certificação que ateste a adequabilidade da solução ao processo e local onde se insere. até sistemas sofisticados de filtração por Osmose Inversa. Segurança. As zonas de fricção devem ser devidamente acauteladas de modo a minimizar o risco de libertação de partículas resultantes da erosão ou desintegração para o processo. requer um elevado grau de exigência em termos de Qualidade. 12.2 Critérios de selecção de equipamento de processo Os critérios de selecção de equipamento para ser utilizado no fabrico de produtos farmacêuticos de base. ou ainda sistemas de distribuição e circulação de fluidos. O desenho dos equipamentos deve ser tal que minimize as zonas mortas. é necessário fazer uma evidência documental do controle dos possíveis contaminantes externos. • elastómeros (empanques. Segurança. em vigor desde 30 de Junho de 2003. Esta certificação é resultante de uma avaliação dos riscos envolvidos. em grande quantidade. abrangendo também as indústrias de síntese química. lista de lubrificantes. No caso das bombas deve ser dada atenção aos empanques mecânicos.1 Introdução O equipamento utilizado na produção de Princípios Activos para a Indústria Farmacêutica. têm a obrigação legal de serem determinadas e manifestadas oficialmente.

Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais

12.2.4 Saúde ocupacional
De acordo com a Directiva 2003/10/CE de 6 de Fevereiro de 2003, relativa à prescrição mínima de segurança e de saúde em matéria de exposição dos trabalhadores aos riscos devidos aos agentes físicos (ruído), a selecção do equipamento adequado fica condicionada ao ruído máximo admissível para ocupação em permanência, tendo em conta o trabalho a efectuar. Assim o equipamento deverá produzir o mínimo de ruído, tendo em conta o progresso técnico e a disponibilidade de medidas de controlo dos riscos na fonte. O manuseamento dos intervenientes em síntese química devem ser adequados ao seu grau de perigosidade para a saúde humana. Deve-se analisar qual a concentração máxima admissível para cada contaminante na atmosfera da zona de trabalho e adequar o equipamento que garanta a contenção abaixo dos limites de exposição admissíveis OEL - Occupational Exposure Limits.

Fig. 2 - Osmose inversa de purificação de água

12.3 Exemplos de aplicação industrial
As bombas centrífugas Grundfos são utilizadas em diferentes operações do processo de fabricação de Princípios Activos, que vão desde a simples trasfega de solventes ou misturas reaccionais entre equipamentos, até sistemas sofisticados de filtração por Osmose Inversa, ou ainda sistemas de distriuição de fluidos térmicos que garantam uma optimização das condições operatórias. Adiante faz-se uma descrição pormenorizada destas duas últimas aplicações.

Outra aplicação de Osmose Inversa na Hovione, consiste em concentrar 20m3/h de uma solução de Princípio Activo, desde uma concentração de 60g/lit até uma concentração de 150g/lit. Retido 8 m3/h Alimentação 149 g/ lit. 20 m3/h Osmose Inversa 60 g/ lit. Membrana Permeado 12 m3/h 0.5 g/ lit.
Fig. 3 - Osmose Inversa - Diagrama de processo

As condições operatórias necessárias são: Numero de módulos em paralelo = 2 (Para aumentar a flexibilidade) Caudal de cada módulo = 10 m3/h Pressão de permuta = 40bar Bombas seleccionas por módulo = 2 x CRN16-160 em série. Nas figuras seguintes apresenta-se o diagrama da instalação e uma fotografia do sistema.

12.3.1 Filtração por Osmose Inversa
A filtração por Osmose Inversa é a filtração mais fina tecnicamente possível e consiste em reter partículas com dimensão um milhão de vezes inferior a 1 mm, numa membrana porosa geralmente feita em celulose. A Osmose Inversa é utilizada industrialmente para purificar água ou outros solventes, retirando as moléculas indesejáveis, ou concentrar soluções de produtos valiosos. O princípio de funcionamento da Osmose Inversa consiste em fazer passar através da membrana, o fluido que se pretende isento de moléculas grandes, chamado permeado. Para que se dê uma separação efectiva é necessário alimentar o fluido em condições de pressão e caudal adequados e consistentes. O fluido que não atravessa a membrana é chamado retido, por ser aquele que retém as moléculas grandes. A Hovione tem uma instalação de purificação de água com um caudal de 10m3/h para produzir água com uma condutividade de 0.3µS.cm-1 a partir de água de qualidade potável com 3000µS.cm-1.

Retido Permeado

Alimentação

Fig. 4 - Osmose Inversa - Diagrama de tubagem e instrumentação

206

Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais

Fig. 5 - Osmose inversa de concentração

Fig. 6 - Equipamento de síntese química

12.3.2 Circuitos térmicos
Para obter o Princípio Activo em quantidade e qualidade aceitáveis é necessário que as condições operatórias sejam optimizadas e reprodutíveis, sendo a temperatura do meio reaccional um dos parâmetros críticos da síntese química. Esta temperatura é controlada pela circulação de um fluido térmico através do equipamento, com um determinado caudal e a uma temperatura tal, que por contacto indirecto, promova a transferência térmica. A circulação faz-se através de dois sistemas interligados que são: • Circulação de fluido térmico através do equipamento a uma temperatura variável e a um caudal constante; • Produção e Distribuição do fluido térmico nas diferentes temperaturas constantes e a um caudal variável;

M ⋅ Cp  K − 1   Tin − T 1  ln   = q. ⋅ ρ ⋅ cp ⋅  K  ⋅ t  Tin − T 2   
Em que:

(1)

 U⋅A  K = exp    q ⋅ ρ ⋅ cp 
As variáveis das Equações 1 e 2 são:

(2)

Tin é a temperatura de entrada do fluido de circulação (°C); T1 é a temperatura inicial da mistura reaccional (°C); T2 é a temperatura da mistura reaccional ao fim do tempo t; M é a massa de mistura reaccional que se pretende aquecer ou arrefecer (kg); Cp é a capacidade calorifica média da mistura reaccional, no intervalo de temperaturas considerado (kcal / kg.°C);

12.3.2.1 Circulação de fluido térmico
12.3.2.1.1 Caudal A circulação do fluido térmico através do equipamento é feita através de uma bomba centrífuga que é dimensionada pelo caudal constante, cujo valor depende da capacidade térmica do equipamento e pela altura manométrica necessária para a sua circulação. O caudal de circulação do fluido térmico pode ser obtido iterativamente pela Equação 1, que determina a temperatura da mistura reaccional T2 ao fim do tempo t:

q é o caudal volumétrico do fluido térmico de circulação (m3/h);

q ⋅ ρ ⋅é a massa específica do fluido térmico (kg/m3) à temperatura da operação. cp é a capacidade calorífica média do fluido térmico, no intervalo de temperatura considerado (kcal / kg.°C). U é o coeficiente global de transferência de calor (kcal/ /h.m2.°C), que depende da condutividade térmica de todos os materiais envolvidos na transferência térmica e da turbulência do seu movimento. O valor de U pode ser estimado teoricamente ou determinado experimentalmente;

207

Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais

A é a área total (m2) através da qual se dá a transferência térmica, e depende da geometria do equipamento e da quantidade de mistura reaccional;
M (kg)

QUADRO I - PARÂMETROS
Aquecimento 4000 1.01 300 10 925 0.43 977 0.38 0.99 280 Arrefecimento

No ponto 12.3.2.1.2 é dado um exemplo ilustrativo da aplicação das expressões 1 e 2, para determinação do caudal da bomba de circulação, em condições de aquecimento e arrefecimento.

Cp (kcal / kg.°C) U (kcal / h.m2.°C) A (m2)
r

(kg / m3)

cp (kcal / kg.°C)
100 90 80
Temperatura (ºC)

70 60 50 40 30 20 10
5m3/h 10m3/h 15m3/h 20m3/h

Fig. 7 - Diagrama do Circuito Térmico

12.3.2.1.2 Exemplo de aplicação Selecção de uma bomba para um circuito térmico de um reactor de 4000lit. de capacidade, no qual se pretendem as seguintes condições operatórias: a) Aquecimento da mistura reaccional desde uma temperatura inicial T1=25°C até uma temperatura final de T2=100°C, com um fluido térmico a uma temperatura de entrada de Tin=120°C; b) Arrefecimento da mistura reaccional desde uma temperatura inicial T1 = 25°C até uma temperatura final de T2=0°C, com o mesmo fluido térmico a uma temperatura de entrada de Tin=-15°C. Considerar para perda de carga total do circuito o valor de 20m.c.a. Utilizando as Equações 1 e 2, de uma forma iterativa, e os parâmetros do sistema apresentados no Quadro I, obtém-se o gráfico de variação da temperatura da mistura reaccional no tempo, para diferentes caudais de circulação.

0 0.0 0.3 0.7 1.0 1.3 1.7 2.0 2.3 2.7 3.0 3.3 3.7 4.0 Tempo (h)

Fig. 8 - Gráfico da temperatura da mistura reaccional para diferentes caudais de circulação

Analisando o gráfico da fig. 8, verifica-se que deixa de haver uma diminuição significativa do tempo total de aquecimento e de arrefecimento quando se aumenta o caudal de circulação de 15m3/h para 20m3/h. Considerando o valor de caudal de 15m3/h e uma altura manométrica de 20m.c.a, uma bomba adequada para a circulação de fluido térmico através da camisa de um reactor de 4000lit. de capacidade seria uma CR16-30.

12.3.2.2 Sistema de distribuição de fluido térmico
12.3.2.2.1 Temperaturas O sistema geral de distribuição de fluido térmico é constituído pelos subsistemas independentes de produção, armazenagem e distribuição do fluido térmico a diferentes temperaturas.

208

Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais

Para realizar aquecimentos é necessário dispor de um fluido térmico a uma temperatura elevada, cujo valor depende da temperatura máxima exigível para o processo, nunca podendo ser superior à temperatura admissível para o equipamento. Geralmente a temperatura máxima utilizada nos processos de produção de Princípios Activos situa-se entre 120°C e 150°C. A produção do fluido nesta gama de temperaturas pode ser realizada por circulação através de permutadores de calor alimentados com vapor ou através de resistências eléctricas.

O factor de simultaneidade tem em conta que não é expectável que todos os equipamentos de uma instalação estejam a trabalhar na sua capacidade térmica máxima em simultâneo. Este factor pode ser obtido por estimativa baseada no grau de utilização dos equipamentos, ou utilizando equações estatísticas, como é o exemplo da equação 3.

f =

1 n −1

(3)

em que n é o número total de equipamentos.
HTFR

HTF

A utilização de modelos matemáticos requer uma análise cuidada do valor obtido, baseada na experiência de instalações similares e no bom senso. 12.3.2.2.3 Caudal A determinação do caudal necessário para um sistema de distribuição de fluido térmico é feita de forma idêntica à determinação da capacidade energética, descrita no ponto anterior, tendo em consideração o somatório de todos os caudais necessários de todos os equipamentos alimentados pelo circuito, e aplicando o factor de simultaneidade. Para obviar a variação das necessidades energéticas é conveniente que a distribuição de fluido térmico se faça a caudal variável, o que se consegue através da variação de velocidade das bombas de distribuição, em função da número de consumidores em funcionamento.

Fig. 9 - Diagrama do Circuito de Distribuição

Para efectuar o arrefecimento é necessário dispor de fluido térmico a uma temperatura reduzida, cujo valor depende da temperatura mínima exigida pelo processo e que não poderá ser inferior à temperatura mínima admissível para o equipamento. Geralmente a temperatura mínima utilizada nos processos de produção de Princípios Activos situa-se entre os -30°C e os -15°C, em casos especiais poderá haver necessidade de uma temperatura criogénica, na ordem dos -100°C. A produção do fluido térmico a -30°C faz-se normalmente por circulação através de uma máquina frigorifica, ou de um permutador. Geralmente para os sistemas térmicos de unidades de produção de Princípios Activos justifica-se economicamente a existência de um circuito térmico a uma temperatura intermédia. Este fluido tem como principal função efectuar o primeiro arrefecimento ou aquecimento, quando o equipamento está a temperaturas extremas. A escolha da temperatura mais adequada depende da utilização preferencial e do balanço económico e poderá ser cerca de 25°C, que se obtém fazendo circular o fluido por um permutador por onde circule água arrefecida em torres de refrigeração, ou cerca de +5°C a +10°C para o qual é necessário ter uma máquina frigorífica.

Fig. 10 - Sistema de distribuição

12.3.2.2.2 Capacidade energética A capacidade energética de um sistema de distribuição de fluidos térmicos depende do número e capacidade dos equipamentos que vão ser alimentados e também do factor de simultaneidade da instalação.

O ajuste do valor da velocidade é feito de forma a manter constante a pressão do circuito de alimentação. Assim, quando um consumidor entra em funcionamento a pressão do circuito de alimentação tende a baixar, o controlador fará aumentar a velocidade da bomba, para que a pressão se mantenha no valor de set-point seleccionado. Quando um consumidor deixa de estar em funcionamento o controlador reage de forma inversa. Com este sistema garante-se a alimentação uniforme aos equipamentos, em todas as condições de utilização da instalação.

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são indicadas as necessidades energéticas e o caudal de distribuição necessário para o fluido térmico a cada temperatura. Para selecção dos sistemas de bombeamento do fluido térmico às diferentes temperaturas.000. é possível considerar três opções diferentes.000 10.000 Caudal de circulação (m3/h) 15 30 180 16 14 12 10 8 6 4 2 0 0 15 30 45 60 75 90 105 120 Caudal (m 3/h) Opção I Opção II Opção III Aplicando a Equação 3 para oito reactores.C. conclui-se que poderão estar quatro em funcionamento simultâneo. Verifica-se que não há variação significativa da potência absorvida.4 Exemplo de Aplicação Seleccionar os sistemas de bombeamento dos circuitos de distribuição de fluido térmico de Aquecimento e Arrefecimento.000 Caudal de circulação (m3/h) 120 Fig. para uma instalação composta por oito reactores com as capacidades indicadas no Quadro II. 20 18 Potência (kW) Capacidade (lit. 1a4 5a8 S O gráfico da figura 11 mostra a variação da potência absorvida em função do caudal.Gráfico da potência absorvida para as opções de bombeamento Pode concluir-se que a Opção I é a mais favorável.000 22 8. QUADRO II . menor número de equipamentos.SISTEMA DE BOMBEAMENTO CAUDAL TOTAL = 120M3/H. H = 40M. Opção Quantidade de Bombas 2 Caudal (m3/h) 60 60 40 II 3 40 40 30 III 3 30 60 Tipo CR64-2 CR64-2 CR45-2 CR45-2 CR45-2 CR32-3 CR32-3 CR64-2 8. 11 .CIRCUITO DE DISTRIBUIÇÃO Capacidade Térmica (kcal/h) Fluido Térmico 2. QUADRO III .000 56.200. para as três opções consideradas.000 3. por ter menor custo.2. tal como mostra o Quadro IV: QUADRO IV . Assim deverão considerar-se cinco equipamentos em utilização simultânea.600 22. No Quadro III.000 Capacidade Térmica (kcal/h) 300.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12.CAPACIDADES Equip. igual consumo energético. que estará em funcionamento sempre que o reactor esteja a uma temperatura superior à ambiente. Para o sistema de arrefecimento há a considerar que todos os reactores têm sistemas de condensação de Compostos Orgânicos Voláteis (COVs).3.2.5 Custo Total (Euros) 7.250 Potência Instalada (kW) 22 I 210 .) 4. tendo em consideração o número máximo de equipamentos em funcionamento simultâneo na capacidade máxima. ambos do mesmo modelo.000 500.A. sendo ainda garantido 50% do caudal máximo em caso de avaria de uma bomba.

y Jornal Oficial das Comunidades Europeias . Chemical Engineering.February 2003. Versão 7.Directiva 94/9/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 23 de Março de 1994.Bulk Pharmaceutical Chemicals.Q. New York. Predict Heating and Cooling Times Accurately.Directiva 2003/10/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 06 de Fevereiro de 2003. Process Heat Transfer. Integrated Pollution Prevention and Control (IPPC) Reference Document on Best Available Technics in LVOC Industries .4 Referências bibliográficas Grundfos. Ilhan. Novembro 1993..44 / 2003. Guides for New Facilities . Kern. WinCAPS. 1965. Jornal Oficial das Comunidades Europeias .Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12. Tosun. Ismail and Aksahin. 211 . First Edition ISPE. D. McGraw-Hill. June 1996. Volume1.

212 .

213 .

214 .

215 .

216 .

03/2005 .grundfos. 320 e 334 • 4350 .273 Porto Tel.com BGP .153 Paço de Arcos Tel.Ser responsável é a nossa base Pensar mais além torna tudo possível A inovação é a essência de tudo o que fazemos Bombas GRUNDFOS Portugal. Sede: Apartado 1079 • 2771.: 21 440 76 00 • Fax: 21 440 76 90 Filial: Apartado 3035 • 4031. S. 241 • 2770 .A.901 Paço de Arcos Rua Calvet de Magalhães.601 Porto Rua da Ranha.: 22 542 05 20 • Fax: 22 542 05 38 www.

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