GRUNDFOS SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO

Manual de Engenharia

Biblioteca Nacional - Catalogação na Publicação Manual de Engenharia Sistemas de Pressurização ISBN: 972 - 99554 - 0 - 9

Depósito Legal n.º 223570/05

Copyright © 2005 - Bombas Grundfos Portugal / Margarida Ruas / Raul Vital / Paulo Ramísio / Eduardo Nunes / Carlos Medeiros / Ana Amélia Santos / José Beltrão / Pedro Farinha / Luís Olival

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BGP - 03/2005

PREFÁCIO
Actualmente, as sociedades desenvolvidas, na sequência da melhoria da qualidade de vida, têm como expectativa não apenas o acesso fácil ao recurso água mas também elevados padrões de qualidade no seu abastecimento. Esta exigência arrasta consigo a garantia do fornecimento contínuo, a sua qualidade intrínseca e as características adequadas ao seu uso, inerentes à quantidade e à pressão. Estes critérios de qualidade a que todos nós, de forma crescente, nos fomos habituando, são aplicáveis, principalmente, ao consumo humano, mas são também extensíveis aos sectores económicos da sociedade, cujo desenvolvimento está na dependência da água. Para atingir os desejados padrões de qualidade é fundamental o cumprimento da legislação vigente e a aplicação das tecnologias mais avançadas, factores que se revelam da maior importância para a optimização dos custos de exploração, dos quais o consumo energético é um factor determinante, se tomarmos em conta que aproximadamente 20% do consumo mundial de energia eléctrica se destina a grupos electrobomba. O reconhecimento de que uma das componentes do custo da água reside na sua movimentação, desde a captação à sua utilização, implica que a selecção dos sistemas de pressurização deverão ser cada vez mais eficientes e económicos. A responsabilidade social e o desenvolvimento sustentado que a Grundfos assume nos seus valores, sensibiliza-a para a importância da reflexão e do diálogo sobre o tema da água como bem fundamental e escasso. Foi com este espírito presente que o Manual de Engenharia sobre o tema "Sistemas de Pressurização" foi abraçado por um conjunto de docentes universitários e especialistas, em vários sectores da utilização da água, tendo como objectivo a optimização da eficiência e da fiabilidade da movimentação da água. O conteúdo deste Manual foi estruturado com informação técnica actualizada, desde a legislação às soluções tecnologicamente mais avançadas, complementado com ferramentas e técnicas para a melhoria do Custo do Ciclo de Vida dos sistemas públicos, prediais, industriais e na rega. O conceito de variação de velocidade utilizado nos sistemas hidráulicos, é adaptado em concepções diversificadas, em função das características das aplicações, como processo para optimização do consumo energético. É aqui inserido um documento de referência, que descreve a evolução histórica do abastecimento de água à cidade de Lisboa e regiões limítrofes, desde a ocupação Romana à actualidade, relatando os acontecimentos históricos que foram influenciados por essa evolução. É referida a importância da água para o consumo humano, para a rega e para a higiene pública. É ainda abordada a problemática do seu tratamento e as suas propriedades terapêuticas para a cura de diversas doenças. Evoca ainda a importância da água no desenvolvimento da cidade de Lisboa, assim como transmite os detalhes da evolução tecnológica nos meios utilizados para o abastecimento da água, desde as nascentes aos consumidores públicos e industriais, até ao abastecimento domiciliário com água canalizada. Este Manual é uma colectânea dos contributos da Grundfos e de todos aqueles que participaram na realização deste projecto, e teve como orientação estratégica a gestão racional da água e a sustentabilidade ambiental. Destina-se à sociedade em geral e em particular aos consultores, projectistas, empresários, empresas municipais e multimunicipais, técnicos, docentes e alunos de universidades e institutos cuja actividade está, directa ou indirectamente, dependente do estudo e da utilização da água. António Miranda Administrador Delegado Bombas Grundfos Portugal

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Embora também haja quem empregue a forma bombagem como sinónimo de bombeamento (o Dicionário da Academia. As palavras são polissémicas e podem significar uma "coisa" e o seu contrário. Do velho Morais ao novo Houaiss. passando pelos "Vocabulários" de Gonçalves Viana e José Pedro Machado. ressuscitar) e outras que emergem (nascem) para designarem novos objectos ou conceitos. denotativos uns. As palavras não são unívocas e só o contexto pode indicar o sentido exacto de cada termo. Bombeamento formou-se juntando ao verbo (bombear) o sufixo nominal -mento. Para o caso. As línguas maternas reflectem os conceitos vigentes na sociedade. todavia. não colide com a morfologia do nosso idioma. Assim. Edite Estrela 3 . mais tarde ou mais cedo. aliás. ou seja. Quer o verbo bombear quer o substantivo bombeamento são as formas a que os mais prestigiados dicionaristas dão acolhimento. são tão legítimas e frequentes as dúvidas como as certezas. a palavra primitiva) tem diferentes sentidos. interessa apenas o significado de "máquina para aspirar e elevar líquidos. estado". em cada momento. designadamente. podendo. aparelho com que se transvasam ou esgotam fluidos (líquidos ou gases)". juntando a bomba o sufixo verbal -ear (tal como de guerra+ear se formou guerrear e de cabeça+ear derivou cabecear) que encerra um sentido frequentativo (repetição de uma ideia). Importa apenas acrescentar que o substantivo bombagem também respeita as regras de formação de palavras.Bombeamento ou bombagem Os idiomas não são instrumentos neutros nem modelos estáticos. mas também em linguagens específicas (física. Bombear significa "extrair um líquido ou um gás por meio de bomba". conotativos outros. inclui os dois verbetes). bombeamento é. Por isso. geológica). todos registam bombear e bombeamento e excluem as outras hipóteses. mudam com o tempo e as vontades. a forma mais antiga e mais adequada. E diz-nos a experiência que do natural conflito entre norma e uso. mais tarde. em matéria linguística. o verbo bombear e o substantivo bombeamento. de tal modo que o que é incorrecto num dado momento pode ser considerado correcto noutro. A dúvida que suscitou estas reflexões é esta: "bombar ou bombear" e "bombagem ou bombeamento"? O substantivo feminino bomba (no caso. há certas palavras e formas de dizer que caem em desuso (morrem. militar. como qualquer organismo vivo. atribuindo-lhe o sentido de "acção ou resultado da acção. e devem responder às necessidades de todos e de cada um dos falantes. As línguas. Do substantivo bomba derivaram outras palavras. bombeamento pode designar "a extracção de um líquido ou de um gás por meio de bomba". Serve esta pequena introdução para explicar que. é o uso que sai vencedor e se impõe à generalidade dos utentes. Pelo menos é esta a opinião dos mais reputados estudiosos da língua portuguesa. No primeiro caso. E é empregado na linguagem corrente.

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. . . .3. . . . . . . . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .10. . Conceitos fundamentais de hidrocinemática . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Conceitos básicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Bombas de velocidade fixa .6 3. . . . . 99 5. . . . . . . . . . . . . .2 Tipos de sistema de elevação de pressão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 5. Das origens ao aqueduto romano de Olisipo . . . . . . . . . . . Circuito de desvio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . .1 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 3. . . . . . . . . .3 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . As municipalizações do abastecimento de água e a sobrevivência da Companhia . . . . . . . . . . . . . . .15 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91 Introdução . . . . . . .16 2. . . . . .1 Introdução . . . . . . . . 3. Reservatório parcialmente bidireccional . . . .1 2. . . . . . . . . . . . . . .3. . .5 1. . . . . . . . . . . . . .3 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 2. . . . . . . Expansão do abastecimento . . . .Tejo ou Zêzere . . . . . . . . Propriedades da água . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . 3. . . . . . de velocidade fixa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Curva característica da instalação . . . . . 6. . . . Sistema Hydro 2000 . Constituição . . . . . . .5 3.6. . . . Sistemas de pressurização com grupos electrobomba . . . .7 4.5. . . e hidrodinâmica . . . . . . . . . . . .1 2. . . . Os problemas da qualidade das águas . . . .3. . . . . . . . . . Sistema Hydro Solo E . . . . . . . . . . . . . . Definição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Exemplos de situações-tipo . . . . . . . Sistema Hydro 2000 E . . . .4.6. . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 Escolha do sistema de pressurização na fase de projecto . . . . . Sistema Hydro 1000 .13 1. . . . . . . . .3 3.7 Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . Constituição e princípio de funcionamento . Cálculo hidráulico . . . . . . . . . . Tensão de saturação do vapor de água . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 2. . . . . . . . . . 103 105 105 105 106 107 109 109 110 112 113 Sistemas de pressurização com velocidade fixa e velocidade variável . . 98 Sistema de bombeamento existente com uma válvula de controlo de caudal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . .10 4. . . . . . . .4. . . . . . . . . . . Classificação das redes hidráulicas . . . .1 2. . . . . . . . . . . . . . .2 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Determinação da pressão . .5. . . . . .10 1. . . .11 2. . .5. . . . . . . . . . . . . . Perdas de carga localizadas . . . . . . . . . . . . . . . .1 5. . . . . . . . . . . . . . .1 Constituição e princípio de funcionamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .12 1. . . . . . 93 O que é o Custo do Ciclo de Vida? . . . . . . . . . . .10. . . . . . . . . . . . . .5 2. . . . . . . . . Introdução .3 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.4.9 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 4. . . . . . . . . . . . . . . . Características das centrais hidropneumáticas . . .3 3. . . . . .12 5. . . . 2.2. . . . .3 2. . . . . . . . . .4 Sistemas de pressurização Grundfos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Condições de fronteira . .8 4. . . . . . . . . . . . . . . .5 4. . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . . . . . . . . . . . . . . Teorema da quantidade de movimento ou de Euler . . . . Propostas para a reconstrução do aqueduto romano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Teorema de Bernoulli . . . . . . . . .4 2. .6 2.9 2. . . . . . . . . . . 96 Na fase de projecto . . . . . . . 7 11 11 12 12 13 17 17 18 21 21 22 24 25 26 26 28 3. . . .5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 2.3 Centrais hidropneumáticas . Modelo de cálculo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 5. . . . . . . Regime uniforme e permanente . . . . . . . . . . . . . . . .11 1. . . . . . . . . .6. . . . . . . . . . . . .11 4. . . . . . . . . . . . . . . . . A 2ª. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Critérios de cálculo . . . . . . . . . .9 4. .2 2.1 3. . . . . . . . . Curva característica da bomba . . . . . . . . . . . .1 Reservatórios de membrana . . . . . bombas centrífugas e redes hidráulicas . . . . . . . . . . . . . . 4. . . . . . . .2.2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9. . . . . . . . . . . . . Cavitação e NPSH . . . . . Válvulas de retenção .7 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Arrancadores suaves . . . . . . 93 Determinação do Custo do Ciclo de Vida . . . . . Os antigos chafarizes de Lisboa . . . . . . . . Escoamentos laminares e escoamentos turbulentos . . Leis de semelhança . . . . . . . . .4 3. . . .2 5. . . . . . . . . .5 2. . . . . Caso prático . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 6. . . 97 Exemplos de aplicação do Custo do Ciclo de Vida . . . . . . A EPAL e o Castelo de Bode . . . . .1 4. . . . . . . . . . . .1 4. Teste de sistemas . . . . . . . . . . . . . .2 4. . . . . . . .3 1. .4 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Compressibilidade . . . . . .4 1. . . . . .4 4. . . . . . . . . .2 5.3. . . . . . . . . . . . . . .12 2. . . . . . . . . .3. . . . Bombas centrífugas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93 Razões para a utilização do CCV . . . . . . . . . . . . A 1ª. Equação da continuidade . . . . Sistemas de pressurização com grupos electrobomba de velocidade variável . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . Volantes de inércia .2 2.13 3. . . . . . . . . . . . . . . . .1 6. . . . . Sistema Hydro 100 . .4 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .10 2.5 5. Redes hidráulicas . . . . . . . . . . . . . . . 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .7 2. . . . . . . . . . . . . . . .9. Reservatórios hidropneumáticos . . Referências bibliográficas . . Viscosidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Regulação das pressões de arranque e paragem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Reservatórios de ar comprimido . . . . . . . . . . . . Dispositivos de manutenção das pressões transitórias . . . . 96 Aplicação a sistemas existentes . . . . . . . . .5 3. . . . . . . . .2 6. . . .14 1. . . . . . . . . . . . . . . .2 3. . . . . . . . . 102 6. Evolução histórica dos sistemas de abastecimento de água a Lisboa . . . . As duas opções em confronto . . . . . .8 1. .3 3. . Introdução . . . . . . . . . . . 98 5. . . . . . Introdução . . . 3.5. . Chaminés de equilíbrio . . . . . . . . . . .6 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . .3 2. . . . . . . . . . . . . . . . .1 2. . . . . . . .2. . 1. . . . . . . Escoamentos sob pressão em regime uniforme e permanente . . . . .8 2. Critérios de selecção e análise de sistemas simples em regime transitório . Duarte Pacheco e o contrato de 31 de Dezembro de 1932 . . .5. . . . Dispositivos de protecção . . . . . . . . . . . . . . . 61 62 64 65 65 65 66 66 72 72 74 75 76 31 35 35 35 35 35 36 36 36 36 36 37 37 38 38 38 40 40 40 40 40 41 41 42 42 42 42 45 47 48 49 77 79 80 82 83 83 83 84 84 86 86 87 88 88 88 88 89 90 O Custo do Ciclo de Vida como factor de economia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Classificação dos escoamentos . . . . .3. . . . . Perdas de carga contínuas . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6 4. . . . . .3. . . Reservatórios unidireccionais . . Determinação do caudal máximo . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 4. . . . . . O Aqueduto das Águas Livres . . . . . . . . . . . . Válvulas motorizadas . . . . . . . . Ponto de funcionamento de uma bomba centrífuga . . .3 2. . . .4. . . . .9. .2. . . . . . . . . . . . . . . .Índice Índice 1. . . . . . .3 2. . . . . . . Conceitos fundamentais de hidráulica. . . . Sistemas com bombas de velocidade variável . . . .2 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 6. . . . . . . . . . . . Os projectos de Pezerat face à falta de água no século XIX . . . .5. .1 2. . . . . 51 55 55 55 55 56 5 . . . . . . . . . . . . . . . .2 2. Companhia das Águas e o começo do abastecimento domiciliário . . . . Dimensionamento económico de condutas . . . Companhia das Águas e o Alviela . .5. . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 1. . O projecto de 1908 para captação de água no Tejo . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 4. . . . .2 2. . . . . .2 1. . . . . . . . . . . . . Introdução . . . . . . . . . . . . . . .6 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 Grupos electrobomba . . . . .6 1. . . . . . . . . . 94 Implementação da metodologia . . . . . . . .4 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Princípios da mecânica dos fluidos . . . . . Sistemas por bombeamento directo . . . . . . .3 6. . . . . . Dimensionamento e selecção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistema Hydro 2000 F . .1 2. .

. . . . .2. . . . . . . . . . . . . Elementos e parâmetros de rega a utilizar no cálculo do consumo de energia . . . . . . . . . . . . . . .5 11. . . . . . . . . . . . . .1 11. . . . . . .7.4 9. . . . . . . . . . . . . . . . .4 9. . . . . . . . . . .4 8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 9. . . . . . . . . . .1 8. . . . . . . . . . . . . . . . .5 10.5. . . . . . . . . . . Eficiência de distribuição. 8. . . . . . . .5 11. . . . . . . . . . . Aspectos gerais . . . . . . . . .7. . . Comunicação entre sistemas de controlo da mesma rede . . . Eficiência de aplicação . . . . .4 12. .2 Sistemas de controlo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . .4. . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . 9. . . . . . . . . . .3. . .3 9. .5. . . . . . . . . . . . . .7 9. . . . . . . . Circuitos térmicos . Outros tipos de controlo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Aparelhos produtores de água quente . . . . .3. . . . Descrição dos capítulos estruturantes do Manual . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . Águas convencionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Reserva predial de água para abastecimento doméstico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 9. . . . . . .2 9. . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6 9.2 11. . . . Polivalência dos sistemas de rega . . . . . . . . . . . . . .2 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . Águas não convencionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 12. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. Controlo por caudal .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Entrada em serviço dos sistemas . . . . . . . . . . . . .4 11. . . . .5. . . . . . . . . . . . . . . . desinfecção e funcionamento hidráulico . . . . . . Classificação dos sistemas de rega . . . .2. . . . . Desinfecção dos sistemas . .1 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Eficiência de rega e sua classificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Manutenção aos sistemas de monitorização e controlo . . Resultados práticos . . . . . . . . . . . . . Critérios de selecção de equipamento de processo . . . .4 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 7. . .3 11. . . . . .2. . . . . . . . . Vantagens de um sistema integrado . . . . . . .2 11. . . Introdução . . . . . . . . . . . . . . . .1 10. . . . . . . . . Eficiência de rega e consumo de energia nos sistemas de rega sob pressão . . . . . . . . . . . . . . .7. . . . . . .4. . . . .3. . . . . . . . . . . . .1 7. . . . . . .2 7. . . . . . .1 11. . . . . Válvulas . . . .3 9. Manutenção aos equipamentos de bombeamento . Conclusões . Instalação de sistemas de bombeamento . . .1 12. . . . . . . . . . Sistema de abastecimento predial de água . . . . . . .5 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 10. . . . Dimensionamento dos sistemas prediais . . . .2 12. . .1 11. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 11. . . . . . . . . . .3. . . Requisitos para instalação . . . . .2 11. . . . . . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . 7. . . . . Saúde ocupacional . . . . . . . . Aplicação de sistemas de pressurização em processos industriais . . Qualidade . . . . Controlo por nível .4.3. . . . . . . . . . . . . . . .9 10. . .1 10. . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . Ambiente .2. Sistemas de rega sob pressão: eficiência. . .4 7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Caracterização da rede de Lisboa . . . . Concepção global dos sistemas prediais em Lisboa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5. Execução das redes prediais . . . . . . . . . Eficiência de uso de água .6. . Consumo anual de energia para instalações de rega sob pressão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Introdução . . . .2 9. . Concepção dos sistemas . . . . .3 11. .2 10. . . . . . . . . . . .3 9. . . .5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Outras publicações complementares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . Eficiência de armazenamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Controlo de sistemas de bombeamento . . . . . .3 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Gestão integrada entre sistemas de bombeamento . . . Aspiração de uma rede sob pressão . . . . . . . . . . .4. Prova de funcionamento hidráulico . 10. . . . .8. . . . . . . . . . . . . . .3. . . .4 Contadores . Sistemas prediais de distribuição de água quente . . . .5 9.5 11. . . . .2 10. .3 9. .1 9. . . .2 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Aspectos gerais . . . . . . . .8 9. . . . . . .2 9. . . . . .1 8. . . . . .3. . . . . . .3 7. . . .3 12. . . . . . . . . . . .5. . . . . . . . . . . . . .8. . .2. . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . .4. . . . . . Localização do equipamento de bombeamento . . . . . . . . . .3 7. . Aspectos gerais . . . . . . . . . Concepção global dos sistemas de distribuição em Lisboa . .1 7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Classificação dos sistemas . . . . . . . . . . . .2 8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 11. . . . . .2. . . .2 11. . . . . . . . Monitorização e gestão de sistemas mistos . . . . . . . . . . . . . Sistemas de rega sob pressão . . . . Referências bibliográficas . . . . . .4 9. . . . . . . . .6 11. . . . . . . . . . Instalações elevatórias e sobrepressoras . . . . .3. . . . . . . . .2 7. . . . . . . . . . . . . . . . Aspectos gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . Verificação. . . . . . . . .6. . Introdução . Sistemas de rega por gravidade . . . . . . . . . . . . Aspiração de cisterna elevada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 7. . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 8. . . . . . .1 7. . . . . . . . . . . Elementos acessórios da rede . . . . . . .2 8. . . . . .4 9. . . .3 10. . . . . . Exemplos de aplicação industrial . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . .6. . . . . . . . . . . . Elementos de instrução dos processos de projectos . . . . . . . . . . . . Introdução . . . .4 11. . . . .Índice 7. . . . .2 12. . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . .1 9. Estrutura do Manual de Redes Prediais . . . . . . .3 12. . . . . . . . . . . . . . . . Verificação . . . . . . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . . .7 12. . . . . . Eficiência total de rega . . . . . . . . . . . . . . . .8. . . . Isolamento das canalizações . . . . . . . . . . . . . . Torneiras e fluxómetros . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . 117 119 119 119 119 119 120 120 120 120 121 121 122 9. . . . . . . . . .3 8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Aspectos gerais . . . . . . . . . . . . . . . .1 12. . . . . .4. . . . . . . . . .2. Ramais de ligação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistemas prediais de distribuição de água fria . . . . . . . . . referência ao coeficiente de uniformidade de distribuição de água de christiansen . . . . . . . Sistema de abastecimento público . . . . . . Aspectos gerais . . . . . . . . . . . . . . .2. . Filtração por Osmose Inversa . . comunicação e gestão . . .1 10. . . . . . . . Dimensionamento hidráulico . . . . . Segurança . . . . .3. . . . . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . . Eficiência de transporte . .3. . . .3. . . . . . . . . . . . . .2. . .3. . . . . . . . . . . . . . . . 12. . . . . . . . .1 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Comunicação entre sistemas de bombeamento . . . . .3 8. . . . Introdução . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . Valores médios e técnicas de maximização da eficiência de rega .4 10. . . . . . . . . . . . Necessidade de comunicação . . . . . . . . . . . . . . .5 9.2 10. . . .5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Dimensionamento dos reservatórios hidropneumáticos . . .6 11. . .1 11. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11.2 9. . . . . Enquadramento legislativo . . . . .5 9. .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Controlo por pressão . . . 149 150 150 150 151 152 153 157 157 157 157 163 163 164 164 175 175 176 177 125 127 127 127 127 127 128 128 128 129 129 129 130 131 135 135 135 135 136 136 136 137 137 137 137 138 141 141 141 141 141 143 145 145 145 145 146 147 147 147 148 148 148 148 148 179 183 183 183 184 186 186 187 193 193 193 193 194 194 194 194 194 195 196 197 198 201 205 205 205 205 205 206 206 206 207 211 6 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistemas de abastecimento público e predial no Porto . . . . . . . . . . Sistemas de distribuição de água quente com recirculação Traçado . . . . .3. . .4. . . Instalação e manutenção de bombas e sistemas de bombeamento . . . . . . Aspiração negativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. .1 11. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 9. . . . . . . . . . . . .3. . . polivalência e economia . . .4. . .2 8. . . . . . . . . . . .4.3 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 8. . . . . . . . . . . . . . . . . .2 9. . . . . . . . . . . . .4 10. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Necessidades de água quente e escolha dos aparelhos de produção . .1 9. . . . . . . . . .1 12. Aspectos gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Necessidades de ventilação . . . . . . . . Elementos dos sistemas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . Manutenção . . Elementos de dimensionamento . . .4 7. . . . . . Utilização de reservatórios de membrana . .1 8. . . . .2. . .1 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistemas de abastecimento público e predial em Lisboa . . . . . . . . . . . . . . .

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS SISTEMAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA A LISBOA Autores: Margarida Ruas Gil Costa Directora do Museu da Água Raul Fontes Vital Historiador e Arquivista. Responsável pelo Arquivo Histórico do Museu da Água 7 .Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1.

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Os prémios Internacionais legitimam e celebram o sucesso do Museu. É dever dos povos construir a eternidade partilhando o conhecimento e preservando a vida e o património. quando um elo se quebra. e de tudo o que ela representa no acumular de conhecimento científico e tecnológico. abrange 4 núcleos: o Aqueduto das Águas Livres. futuro e a Grundfos consubstancia este manifesto. a Harmonia Absoluta. local de criatividade e de encontro de culturas. 9 . Este prémio destaca todo o museu que contribua para o entendimento e conhecimento da herança cultural europeia. Os museus são lugares de criatividade onde se aprende sempre mais. Este último integra a sala das Máquinas a Vapor. A identidade desempenha um papel fundamental na configuração do mundo e na construção do eu do ser humano. a Sala de Exposições Permanentes. onde o cenário de fundo nos é dado através desta luta de séculos travada pelo homem pela conquista da água. estimulando a investigação. códigos de comportamento numa perspectiva sincrética que junta o mundo todo no principio da reciprocidade (tudo o que fazemos é importante e atinge o meio em que vivemos e por sua vez nos atingirá). dando oportunidade aos mais novos e intensificando o prestígio dos mais conhecidos cumprindo a educação permanente. indissociável que. a Sala de Exposições Temporárias e o Arquivo Histórico. do nosso conhecimento e do pensamento. A estratégia de comunicação do Museu da Água é provocadora na forma como chega às escolas. é um Património Precioso. Existimos fisicamente no mundo. A identidade do Museu junta-se à identidade da EPAL e de Portugal constituindo-se como parte da nossa cultura e como mensageiro desse espírito. e de capacidade criativa do génio humano. universidades. os reservatórios da Mãe d'Água. de um Arquivo Histórico que ajuda a entender a Inteligenzia portuguesa e que é consultado por académicos. o Equilíbrio Perfeito.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa O Museu da Água da EPAL O Museu da Água da EPAL. tudo é passado. na cidade de Lisboa e oferecemos um conjunto de quatro monumentos que constituem o Museu da Água. todo ele. Recebemos visitantes nacionais e internacionais. dispomos de um serviço educativo para as escolas. Tudo é património. O Mundo. polarizadores de cidadania (o seu ethos na dupla perspectiva filosófica e prática). encontram-se indissociavelmente ligados à história do abastecimento de Água. racionais e sensoriais completam a construção do Eu cumprindo a observação cabal do Todo. que fazem acontecer e que contribuem para a sedimentação das identidades que cumprem a diversidade do País e dos diferentes povos que aí vivem. As percepções espirituais. alertando para o ambiente. presente. em Portugal. O Museu da Água é o único em Portugal com o Prémio do Museu do Ano do Conselho da Europa (1990). os outros e o próprio Mundo. de rir. estudantes e especialistas. afecta o todo que somos nós. É uma dádiva viver no respeito e na reciprocidade do que nos rodeia. Este conjunto de monumentos e edifícios. da EPAL e também de Portugal. ajudando-os a combater o medo que nos retira o direito de viver. o mais alto galardão atribuído por esta entidade. acima de tudo. Existimos numa cadeia una. Os Museus são cada vez mais complementos e auxiliares das escolas. a preservação e animação do património. As exposições que organizamos são discursos abertos e imprevistos que densificam a dimensão artística. bem como para a consciencialização da sua identidade e problemas comuns. de sentir prazer e de não envelhecer. que provocam a mudança de mentalidades. Mas para além desse sucesso evidente para a opinião pública nacional e internacional o maior sucesso é fazer a diferença na vida de muitas crianças e de adultos a quem provocamos na sua criatividade. O Museu constitui. Patriarcal e a Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos. das famílias consideradas como reguladoras sociais capazes de reunir pessoas à volta de necessidades comuns. de pensar livremente. preservados e organizados museologicamente. construídos entre o século XVIII e XIX. inaugurado no dia 1 de Outubro de 1987.

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num conceito lato que possa abranger todas as formas desenvolvidas pelo homem. Efectivamente. sem a análise do fenómeno político. alternadamente. A esta barragem. a própria tecnologia gera. sociológico. e foram procurá-la em zonas mais distantes. no homem. onde encontramos a bacia do Trancão. É a complexificação das formas de agrupamento dos homens que gera a consequente complexificação das técnicas empregues para a utilização do elemento água. Porém. uma rota natural de migrações. novas condições de vida e novos desenvolvimentos não pré-determinados. e de camadas de grés e arenitos. e. as águas abundantes das nascentes ribeirinhas eram suficientes para as suas necessidades. às possíveis formas para a sua condução. que secavam na estiagem. neste capítulo.2 Das origens ao aqueduto romano de Olisipo Ao analisarmos o caso de Lisboa. às técnicas administrativas e financeiras que possibilitam o desenvolvimento desta actividade. Aí. na colina do castelo. Contudo. entre margens alcantiladas. e dado que os primeiros habitantes do sítio de Lisboa se terão fixado. logo à partida. 11 . a barragem de Olisipo. em 1994. apesar de outros existirem em zonas circundantes. os defensores de ambas as teses. dado que. corta o andar de Belas. A indústria da água. provavelmente às portas de Santo André. Sendo muito embora o sítio de Lisboa banhado pelas águas do rio. e a outros diferentes ramos do conhecimento. não oferecia condições de captação nessa época face à ausência de tecnologias adequadas. a região de Lisboa é cortada por um conjunto de vales que a envolvem. convergem uma diversidade de factores. onde as diversas ciências têm lugar. debitavam água para as ribeiras. junto à foz do Tejo. para o caso de Lisboa. no estuário. e. Os primeiros mananciais a serem utilizados foram os da zona ribeirinha. Nesta indústria. toda a bacia hidrográfica que. desde as origens até aos nossos dias. chegando à colina do castelo. adução e distribuição. à captação de águas em poços profundos.1 Introdução Does Technology drive History? Esta é a pergunta formulada por Merrit Roe Smith num conjunto de trabalhos publicado. um campo de estudo pluridisciplinar. também a ribeira de Alcântara não possibilitava a utilização das suas águas para consumo. portanto. agora com complexos sistemas de tratamento. até por razões de estratégia defensiva. onde diversos autores debatem a dialéctica entre o construtivismo e o determinismo tecnológico. o homem desenvolve a tecnologia em busca de soluções para melhorar o seu bem-estar. A ocidente. e de onde seria de esperar a obtenção de águas susceptíveis de serem utilizadas. aos equipamentos concebidos para a sua elevação. Os Romanos. tratar e distribuir este elemento básico e indispensável à vida. foi atribuída uma capacidade da ordem dos 125. o enquadramento geográfico do sítio. já que as cotas a que estas ribeiras correm permitia a construção de sistemas de abastecimento que conduzissem daqui a água para Lisboa. que seria talvez a maior da Península. constitui um laboratório excelente para este debate. sem utilização de meios mecânicos.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1. mais tarde. só disponíveis nos tempos modernos. ao longo dos tempos. É este o caminho que iremos percorrer a seguir. A indústria da água é. não se deram por satisfeitos com estas águas. 1. pelo Massachussets Institut of Technology – MIT. a vasta depressão que se estende desde Odivelas a Sacavém. abordar. procuraremos. à utilização de máquinas. onde um grande número de nascentes provenientes. ou é ela que determina o sentido da sua evolução? Poder-se-á dizer que. constituía o palco ideal para o aproveitamento das águas. nascentes estas perenes. às suas características e qualidade. incluindo as ciências sociais. ou. ideológico. primeiro a vapor e. Assim. De norte para leste. Há que. não é possível atingir uma compreensão global do seu desenvolvimento. à condução da água graviticamente até à cidade. desde o conhecimento científico e tecnológico. para o seu armazenamento e para a sua distribuição. Por um lado. a partir desta. inviabiliza a sua utilização como fonte de abastecimento de água em virtude de as águas do rio se misturarem com as do mar. de camadas calcárias. todos têm razão. Trata-se de um porto natural. ainda que de forma sucinta. à geologia das suas origens. à sua captação em rios e em barragens. quando dominaram a Península Ibérica. para captar.000 m³. eléctricas. cuja evolução abordaremos. até mesmo. no vale de Carenque. pois. um local privilegiado para o cruzamento de povos e culturas diversos. a sua situação. sobretudo se tivermos em atenção que o seu desenvolvimento sob a forma de utilização de técnicas mais complexas não pode ser desligado do fenómeno urbano. e com uma elevada produção susceptível de proporcionar um abastecimento a um número cada vez maior de consumidores. cuja utilização virá a ser equacionada no século XX. temos que ter em consideração. mas também aos materiais utilizados nas condutas. A tecnologia surge como resposta às necessidades do homem. construíram os Romanos uma barragem de contrafortes no século II ou III da era de Cristo. procurar ver de que outros recursos dispunham as populações que aí se fixaram. cujas ruínas ainda hoje são visíveis. conhecimento não apenas relativo à água. por outro. continuando na direcção da serra de Sintra. o que foi o abastecimento de água a Lisboa desde as suas origens nos abastecimentos locais. um aqueduto que transportava a água para a cidade. distantes da cidade. aduzir. na base da colina do castelo.

deve o seu nome às grandes obras que aí se realizaram no reinado de D. João III em 1531. que irão surgir. como as que. aí terão construído dispositivos . e o próprio nome de Alfama dado ao local é reminiscência das nascentes de água termais que aí se encontram. ou que vieram a abastecer o chafariz do Rossio. muito superior à temperatura das águas existentes nas nascentes do termo de Lisboa. nos mananciais das camadas profundas do Terciário da colina do castelo. eram um povo de avançada civilização. São bem conhecidas as suas termas. ou dos Cavalos. É no sítio das nascentes da zona ribeirinha. por um lado. Já os Árabes. por outro. em Évora. como o humanista português Francisco de Olanda que. também as necessidades de água diminuíram face. cedo arrastou consigo a falta de água. com uma grande tradição de utilização da água. em oposição às águas do futuro sistema das Águas Livres.C. virá a propor a sua reconstrução. da ordem dos 22 a 24°.para além do que resta da barragem. em 1572. ao longo dos séculos. como o Chafariz de Dentro.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa De facto. incluídas no Aquilégio Medicinal. certamente satisfeitos com os recursos locais. ou das outras águas então conhecidas e que cedo vieram a ser exploradas. devido a tal facto. apenas se conhecem pequenos vestígios de aqueduto no sítio do Almarjão. o aqueduto romano da Água da Prata. aliás. mas também aqui em Lisboa e em muitas outras cidades do Império. Fig. o Chafariz d'El-Rei. Clara. Além da sua temperatura elevada.Ruínas da barragem romana de Olisipo A evidência do aqueduto romano chega-nos não pelos seus vestígios materiais.mas pelo testemunho que dele dão vários autores a partir do século XVI. Em Portugal há que referir. 12 . apresentam uma temperatura elevada. durante a sua ocupação. 1 .3 Os antigos chafarizes de Lisboa Destruídas que foram muitas das obras dos Romanos pelos povos bárbaros. como as Alcaçarias do Duque. aqueduto cujo regimento servirá de modelo para o que se virá a construir em Lisboa no século XVIII. Posteriormente outros foram edificados na mesma zona. no concelho da Amadora . publicada em 1726. as diversas nascentes da zona oriental..4 Propostas para a reconstrução do aqueduto romano O aumento da população da cidade. invasores do Império.Chafariz d'El Rei 1. e reedificado pelo rei D. que serão designadas por águas altas. designadamente pelo efeito da expansão marítima. quer nas nascentes de Monsanto. chafarizes destinados ao abastecimento das populações. caso das águas dos basaltos. não apenas em Roma. aos diferentes hábitos de consumo dos invasores.a palavra chafariz tem mesmo origem árabe . 1. pelas suas características físico-químicas eram estas águas reputadas como possuindo propriedades terapêuticas para a cura de diversas doenças.para a recolha das águas. menos abundantes. Os Romanos. esta já mais a leste do bairro. entre as quais o aqueduto que abastecia Lisboa. o tanque das lavadeiras de Alfama ou a Bica do Sapato. apareciam no Arsenal da Marinha. ou os banhos do Batista ou os da D. em particular. 2 . desconhecendo-se a data concreta da sua construção. estando. e. construído por Quinto Sertório em 75 a. designadas normalmente por águas orientais. mais a ocidente. porque distantes da cidade. e em Roma o abastecimento era feito por um conjunto de aquedutos ainda em funcionamento nos tempos modernos. O chafariz mais antigo da cidade. . o Chafariz da Praia. estas só mais tarde analisadas. Também os estabelecimentos termais merecem referência. Dinis. obra da autoria de Francisco da Fonseca Henriques. ao decréscimo da população. Fig. o Chafariz dos Paus. e que proporcionariam uma capitação largamente superior a 500 litros/dia/habitante.

e por todo um saber trazido de outros países. muito embora se tivesse aprofundado o conhecimento relativo às nascentes que alimentavam a bacia hidrográfica dos vales de Carenque e da Quintã. Memória sobre Chafarizes Fontes e Bicas. Contudo. transmitido por um grande número de arquitectos que em Mafra desenvolveram as suas escolas. na zona da actual Estrela. imposto pago nos géneros de primeira necessidade. O projecto acabou por não se concretizar devido à restauração da independência de Portugal em 1640 e ao longo período de guerra com a Espanha. és por el aqueducto antigo de los Romanos. o Alvará onde mandava dar início à obra do aqueduto. em canalizações fechadas. No entanto. durante o qual não havia condições para se desviar recursos financeiros para uma obra desta envergadura. propõe a reconstrução da barragem romana de Olisipo e do seu aqueduto. porém. do arquitecto Tinoco. Do século XVII somente tinham ficado intenções. Em 15 de Janeiro de 1717 D. projecto que D. também Francisco de Olanda. Os incêndios que a seguir ao Terramoto de 1755 destruíram o Paço da Ribeira não nos permitem conhecer o projecto inicial. Manuel da Maia abandona as várias frentes de trabalho abertas por Canevari. e muda-se para uma outra nascente. tendo o Senado de Lisboa arrecadado mais de seiscentos mil cruzados. numa direcção conjunta com o arquitecto Silva Pais e o engenheiro Azevedo Fortes. arquitecto que acompanhou o rei e que com ele. A cidade ocidental. publicada em 1572 e dirigida ao rei D. como dio antigamente. Face a todos estes ataques. podemos concluir com bastante segurança que Canevari pretenderia conduzir as águas até Lisboa sob pressão. na esperança de vir a assumir a direcção das obras. onde se situava o Paço da Ribeira.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa À semelhança daquilo que se fazia um pouco por todo o lado onde a influência dos Romanos se fizera sentir. y sobre la puerta de Santo Andres. Sebastião. posteriormente os caudais do Aqueduto seriam aumentados com a água de outras nascentes. a da Água Livre. que era Filipe II em Portugal. a obra mal feita. p. projectos no papel. viria a ser construído um novo palácio real e uma nova basílica patriarcal. e por insistência do Procurador da cidade ocidental. na sua obra Da fábrica que falece à cidade de Lisboa. No entanto. já que Leonardo Torreano. na zona da barragem romana. o rei veio a publicar. e aí. Assim. Lisboa Oriental e Lisboa Ocidental. Manuel da Maia contrapõe que os canos de repucho não suportariam a pressão da água. el qual por ir mas alto dies palmos que el de la estrada puede dar Agoa a ambas partes de la Ciudad. em Agosto de 1732. a San Roche. examinou a barragem romana e as nascentes vizinhas. possibilitada pela afluência do ouro do Brasil à metrópole. Manuel da Maia e Canevari divergiam também na forma de medição da produção das nascentes. conhecimento patente no Roteiro das águas de Montemor e Caneças. refere.5 O Aqueduto das Águas Livres Apenas no reinado de D. e acusa mesmo Canevari de não estar a medir correctamente os nivelamentos dos terrenos. 273. entre os vários caminhos possíveis para a condução da água livre a Lisboa. Canevari regressa a Itália e Manuel da Maia é encarregado. dando assim prioridade à obra pública. dirigido pelo arquitecto italiano António Canevari. uma nova Roma cheia de palácios e monumentos. por conseguinte. terá seguido de perto o traçado do antigo aqueduto romano. cada uma com o seu bispo e os seus órgãos 1 Veloso de Andrade. os quais. rebentando e deixando a cidade sem água. já constatados como insuficientes para as necessidades. João V se veio a resolver o problema da falta de água em Lisboa com a construção do Aqueduto das Águas Livres. na época designados por "canos de repucho". e que denotavam a consciência clara da necessidade de aproveitar a água de diversas nascentes. de assumir a condução dos trabalhos. Para custear a obra foi lançado mais tarde o real d'água. João V dividiu a cidade de Lisboa em duas cidades independentes. ficando. aqueduto que. Cláudio Gorgel do Amaral. quando da sua entrada em Lisboa. que "el quarto y ultimo camino. enterradas. no dia 29 de Junho de 1619. em 12 de Maio de 1731. já que os mananciais disponíveis eram os da zona oriental. sobretudo de Itália. que era mesmo a mais abundante. E tudo apontava para a reconstrução do aqueduto romano. das críticas que lhe são feitas pelo português Manuel da Maia numa série de considerandos técnicos dirigidos ao Rei. Era o coroar de toda uma política de grandeza e protecção às artes. seria a cidade do poder. há muita correspondência trocada entre Madrid e Lisboa. vieram a ser gastos nas festas que a cidade organizou em honra do rei Filipe III de Espanha. pois após a estadia do rei na cidade. encontrando o italiano valores inferiores aos do português. pequenas obras pontuais que não solucionavam as dificuldades da cidade. aplicando o princípio dos vasos comunicantes. pues abra quantidad bastante pera ella"1. de governação. João V encomenda ao arquitecto italiano Filipe Juvarra. ficariam entupidos pelos sedimentos arrastados por esta. sinal de que havia uma intenção clara de se solucionar o problema da falta de água. a obra ia realizar-se. suficientes para a concretização do projecto. 13 . em tudo semelhantes aos actuais sifões. 1. em prejuízo do projecto do novo palácio real. esta cidade nova continuaria a depender da cidade antiga e dos seus chafarizes no que respeita ao abastecimento de água. de alguma forma. no dia em que visitaram Sintra. Havia que chegar rapidamente com água a Lisboa.

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sozinho na direcção face à partida para o Brasil de Silva Pais, e à frequente ausência de Azevedo Fortes, engenheiro-mor do reino. Por outro havia divergências de opiniões acerca do local para a travessia do Vale de Alcântara. Manuel da Maia, certamente, construiria um aqueduto menos monumental, atravessando o vale numa zona menos profunda, provavelmente por Palhavã, para atingir S. Pedro de Alcântara, às portas do Bairro Alto, onde entretanto haviam começado as obras para a construção do reservatório de chegada das águas. Em cena estava um outro arquitecto, Custódio Vieira, que já vinha acompanhando os trabalhos desde o início, pois participara em reuniões e medições diversas, e que tinha uma solução diferente, a construção de uma série monumental de arcos a atravessar o vale na sua parte mais profunda. Era um projecto mais arrojado, mais ao gosto do rei, e que apontava para uma zona mais alta, para onde a cidade estava a crescer.

Fig. 3 - Mãe d'Água Velha - Nascente da Água Livre. Local onde Manuel da Maia iniciou os seus trabalhos.

Muito embora Manuel da Maia conhecesse o princípio dos vasos comunicantes, vai construir um aqueduto através do qual a água vai chegar a Lisboa apenas movida pela gravidade, deslizando em caleiras de pedra abertas. Maia opta pela construção de duas caleiras, separadas por um passeio central, pois que, para uma boa manutenção do Aqueduto, tornar-se-ia necessário limpar frequentemente as caleiras, e assim, com duas, a condução da água não seria interrompida.

Fig. 5 - Arcaria do Vale de Alcântara

Fig. 4 - Caleiras separadas pelo passeio central

Relativamente aos materiais a utilizar nas canalizações, rejeita o chumbo, que dava más características à água, tal como rejeita o ferro, que, na época, ainda não apresentava uma qualidade suficiente para esta finalidade, e todos os outros materiais à excepção da pedra calcária, abundante em toda a região onde se vai desenvolver a construção do Aqueduto. Em 1736 já se trabalhava no Aqueduto em Monsanto, no sítio das Três Cruzes, caindo então a obra num impasse. Por um lado, Manuel da Maia encontrava-se praticamente

A transferência da direcção das obras para este novo arquitecto é determinante para a evolução da cidade. Abandona-se a obra de S. Pedro de Alcântara e escolhe-se a confluência do Rato, próximo da qual novos pólos urbanos se vinham desenvolvendo junto aos conventos, para a nova localização do reservatório. Aliás, podemos constatar hoje, pelos desenvolvimentos ulteriores do sistema, das vantagens desta nova localização do reservatório e desta nova inflexão do Aqueduto, que possibilitou a extensão dos seus ramais de distribuição para a Boa Morte, em Alcântara, zona próxima da qual surgirá o palácio das Necessidades, e para o Campo de Santana e Intendente, quase a tocar a colina do Castelo, onde outrora o aqueduto romano terá chegado. Vieira não chega a ver a água entrar em Lisboa, ela só chegará em 3 de Outubro de 1744, já após a sua morte, estando a obra a ser dirigida interinamente pelo capitão Rodrigues Franco. A entrada de Carlos Mardel na direcção das obras do Aqueduto terá lugar logo de seguida, devendo-se a este

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arquitecto, de origem húngara, o desenvolvimento da distribuição da água na cidade, a partir do reservatório da Mãe d'Água das Amoreiras, cujo projecto se lhe deve, bem como o de diversos chafarizes e dos arcos monumentais da Rua das Amoreiras, que celebra a obra, e da Rua de S. Bento, este desmontado para alargamento da entrada na praça fronteira ao palácio, e mais tarde reconstruído na Praça de Espanha.

faziam a manutenção do sistema e geriam os caudais do Aqueduto, e um exército de cerca de 3000 aguadeiros que, organizados em companhias, vendiam água ao domicílio e igualmente combatiam os incêndios que devastavam a cidade. A gestão dos caudais no Aqueduto apresenta alguns aspectos que devem aqui merecer a nossa atenção, e à luz dos quais também temos que fazer uma leitura das soluções técnicas e arquitectónicas adoptadas para o efeito. Já foi atrás referida a diversidade das águas no que respeita às suas características físico-químicas. Umas, fortemente calcárias, como as da nascente da Água Livre, na Mãe d'Água Velha, provocavam, pela precipitação do calcário, incrustações que era necessário remover periodicamente, raspando as caleiras. De outras nascentes, situadas em camadas de grés e arenitos, a água arrastava sedimentos que a turvavam. Aqui era necessário proceder à sua decantação, pelo que, em diversas clarabóias, encontramos bacias redondas onde a água perde velocidade, depositando-se os sedimentos no fundo. Também junto de cada janela, agora mais rasgadas face a uma maior necessidade de laboração, bacias rectangulares desempenhavam idênticas funções, bem como as de quebrar a velocidade da água.

Fig. 6 - Reservatório da Mãe d´Água das Amoreiras

O sistema do Aqueduto das Águas Livres, onde, num aqueduto com cerca de 14 quilómetros de extensão, entroncam aquedutos que reúnem águas de sessenta nascentes, num total de aproximadamente 58 quilómetros de aquedutos, incluindo os de distribuição na cidade, foi dado por concluído em 1799, quando foi dissolvida a última sociedade de mestres pedreiros, empreiteiros da obra. Dada a tecnologia utilizada de condução da água em caleira aberta, o Aqueduto condicionou a forma de abastecimento a uma rede de chafarizes que se foram construindo até quase meados do século XIX, rede esta que, por sua vez, condiciona o próprio crescimento da cidade. Lisboa estende-se então, dos Barbadinhos, onde na zona ribeirinha corriam as águas orientais, até Alcântara, onde vemos o chafariz da Praça da Armada, e, para norte, seguindo as encostas do Vale de Alcântara, os chafarizes das Necessidades e do Arco do Carvalhão, este já a chegar ao alto de Campolide, lhe delimitavam o perímetro. Ainda nos limites norte da cidade, mais para leste, encontramos os chafarizes de S. Sebastião da Pedreira, Cruz do Tabuado, Campo de Santana e Intendente. Dentro deste perímetro, os chafarizes que se construíram (Rato, Carmo, Loreto e outros) eram, além de fontes de abastecimento, elementos de ordenamento urbano que tornavam as praças onde eram colocados em pontos de encontro, locais de convívio. Em pleno século XIX, a "indústria da água", aplicando aqui, num período de proto-industrialização, um conceito contemporâneo, empregava uma equipa de 60 homens que

Fig. 7 - Bacia de decantação redonda

Normalmente, nos vértices, as bacias apresentam dimensões superiores, o que permite evitar que a água transborde. Regra geral, no Aqueduto não há galerias em curva, antes uma sucessão de segmentos de recta. Nos poucos locais onde a solução adoptada pelo arquitecto foi a de construir aqueduto em curva, aí o passeio central sobe, afundando, consequentemente, as caleiras. Na cidade iam-se generalizando os abastecimentos privados. De um lado, os proprietários de águas nas zonas atravessadas pelo Aqueduto que, para receberem água no seu palácio ou convento, em Lisboa, construíam, à sua custa,

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aquedutos ligando as suas nascentes a um dos aquedutos do sistema. Depois, em Lisboa, de um aqueduto de distribuição, partia uma canalização, agora fechada, aferida para três quartos de um débito diário calculado como sendo a sua produção, valor obtido a partir da medição da produção das suas nascentes ao longo de vários meses do ano. De outro lado havia os estabelecimentos públicos que passaram a receber directamente água do Aqueduto, bem como outros particulares ou ordens religiosas, beneficiários de concessões de água, quer traduzidas em caudais determinados, quer em sobejos dos chafarizes. Entre estas entidades, são de notar as indústrias que despontavam, como o caso da Real Fábrica das Sedas, cuja localização próxima do Aqueduto é determinante para o desenvolvimento do bairro das Amoreiras. Havia ainda os jardins públicos, agora tornados possíveis, que recebiam água directamente do Aqueduto, como o Passeio Público e o Passeio da Estrela, este com um aqueduto que, saído do Aqueduto das Janelas Verdes, aí conduzia a água, o outro recebendo-a a partir da mesma galeria que abastecia o chafariz da Cotovia. Para a gestão de todo este sistema vemos, nos aquedutos de distribuição, não apenas caleiras abertas, mas também canalizações fechadas, com algumas pedras amovíveis para se poder limpar o seu interior, colocadas frequentemente em paralelo com as caleiras abertas, a fim de, a partir de bacias intermédias, como a pia do Penalva, no cruzamento da Rua Formosa (hoje Rua do Século), ou a pia do Teotónio, próximo do Arco das Amoreiras, a água ser conduzida com pressão, aplicando-se o princípio dos vasos comunicantes, por forma a possibilitar a sua chegada a pontos mais elevados. Exemplos disso são as colunas ascensionais que permitiam a subida da água às bicas dos chafarizes.
Fig. 9 - Chafariz do Carmo

Do grande reservatório da Mãe d'Água das Amoreiras apenas saía água para os chafarizes abastecidos pelo Aqueduto da Esperança e para o chafariz do Rato. Para os chafarizes da linha do Loreto a água descia mais atrás, por um pilar de um dos últimos arcos, seguindo em canalização fechada, sob pressão. Se assim não fosse, e de acordo com Veloso de Andrade, "se deste Depósito corresse para os dez Chafarizes acima mencionados, só a água que ele contém, ficaria despejado em seis dias"2. Para controlar todo este sistema havia que possuir um exacto conhecimento das dotações atribuídas aos diversos consumidores privilegiados, proprietários de água ou não, da água que corria para os chafarizes e da que era produzida pelas nascentes. Em média chegavam a Lisboa 3500 m³ de água por dia, baixando os caudais a cerca de metade desse valor durante a estiagem. Porém, nos meses de abundância, a produção das nascentes era largamente superior à capacidade de vazão do Aqueduto. Assim, tornava-se necessário regular os caudais, devolvendo a água às ribeiras em desaguadouros estrategicamente colocados ao longo dos diversos aquedutos, diminuindo ou eliminando o caudal das caleiras, para que a água de outra nascente pudesse entrar no circuito num entroncamento situado a jusante. Havia também que eliminar, através destes desaguadouros, águas turvas a seguir a fortes chuvadas, ou que se soubesse ou houvesse suspeitas de estarem contaminadas. Daqui resultava a manutenção equilibrada dos cursos de água naturais, naquilo a que hoje se aplica a designação de desenvolvimento sustentável.

Fig. 8 - Coluna ascensional do chafariz do Carmo

2

Veloso de Andrade, o. cit., p. 330.

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1.6 Os projectos de Pezerat face à falta de água no século XIX
A situação em Lisboa, nos meados do século XIX, tornou-se dramática, não atingindo, na estiagem, a água aduzida pelo Aqueduto, em que haviam sido dispendidos, até 1799, mais de cinco mil e duzentos contos de reis, uma capitação superior a 6 ou 7 litros/dia/habitante, para uma população que rondaria os 300.000 habitantes. Em 1852 o Engenheiro Pezerat, da Câmara Municipal de Lisboa, apresentou diversos planos no sentido de se aumentar os volumes de águas disponíveis. No que se refere às águas orientais, poder-se-ia evitar a sua perda para o Tejo represando-as na zona ribeirinha e elevando-as aí, com máquinas a vapor, para um reservatório a edificar em Santa Luzia. Pezerat estima em 790 m³ diários a quantidade de água que assim se poderia aproveitar, prevendo, para esta obra, um custo de 111:573$000 reis. Relativamente às águas altas, projecta a construção de uma grande reserva de água no vale da Quintã, com uma capacidade prevista de 1 300 000 m³, destinada a armazenar, no Inverno, água que poderia ser utilizada na estiagem, reduzindo desta forma a sua carência na cidade. Desta albufeira, onde os lodos se depositariam, a água passaria por um sistema de filtros de areia para outra, construída mais abaixo, no vale de Carenque, próximo da Mãe d'Água Velha. Esta água, purificada, e por um processo de sifonagem, entraria no Aqueduto, chegando desta forma à cidade. Para este sistema de barragens prevê Pezerat um orçamento de 88:689$940 reis.

1.7 A 1ª. Companhia das Águas (1856) e o começo do abastecimento domiciliário
Em 20 de Julho de 1855 foi o Governo autorizado a contratar em concurso público o fornecimento das águas precisas para o abastecimento de Lisboa, na sequência de idênticas diligências que tiveram lugar anteriormente, mas que não haviam conduzido a nenhuma solução. Em 1855, e antes do referido concurso, uma empresa constituída pelos ingleses Duarte Meddlicot e Thomas Rumball efectua um contrato provisório com o Governo, contrato este que não podia, no entanto, ser ratificado sem o respectivo concurso público. Quem veio a ganhar efectivamente o concurso foi a outra empresa concorrente, que tinha como directores Alberto Carlos Cerqueira de Faria, Filipe Folque e Bento Coelho da Fonseca, estabelecendo-se em 1856 e firmando o contrato com o Governo em 29 de Setembro de 1858, tomando-se como base para as condições do contrato a população da cidade em 220.000 habitantes. Nascia, assim, a Companhia da Empresa das Águas de Lisboa (1ª. Companhia). A Companhia vai recorrer aos serviços do engenheiro francês Mary, de Paris, que organiza diversos planos no sentido de aumentar a capacidade de produção do sistema do Aqueduto e desenvolve projectos para o início do abastecimento domiciliário na cidade. Contudo, e apesar de a utilização de máquinas a vapor já ser corrente um pouco por toda a Europa, utilizando-se já as "pompes à feu" em Paris no século XVII para elevação da água, Mary não vai utilizar máquinas em Lisboa, vai antes aplicar unicamente o princípio dos vasos comunicantes, agora, porém, com a utilização de sifões de ferro fundido. No que diz respeito à captação de águas, Mary vai construir um novo aqueduto subsidiário do Aqueduto das Águas Livres, o Aqueduto da Mata, que traz ao principal as águas de Belas, do Brouco, Vale de Lobos e Vale de Figueira. Por outro lado, são nessa época continuados os trabalhos no Aqueduto das Francesas, para se trazerem a Lisboa as águas da Serra de Carnaxide. Nesta matéria a Companhia despreza a opinião do geólogo General Carlos Ribeiro, favorável à captação de água no Tejo, a montante de Santarém. Relativamente à distribuição, Mary divide a cidade em três zonas altimétricas, baixa, média e alta, e estabelece uma rede de reservatórios para regularizar a distribuição de forma a ter pressões constantes e suportáveis pelas canalizações. Assim, na parte ocidental da cidade, para a zona alta, no alto de Campolide, constrói o reservatório do Pombal, a zona média virá a ser abastecida pelo reservatório do Arco, situado um pouco acima do Arco das Amoreiras, e para a zona baixa será construído o reservatório da Patriarcal, no subsolo da Praça do Príncipe Real. A parte oriental da cidade será abastecida por duas cisternas, uma na igreja da Penha de França e outra na Graça, na cerca de S. Vicente.

Fig. 10 - Projecto de Pezerat para as reservas de águas nos vales da Quintã e Carenque

Os projectos de Pezerat acabaram por não ser concretizados dados os perigos que as reservas projectadas, a céu aberto, poderiam representar para a saúde pública. Por outro lado, em breve outras soluções iriam aparecer, com a constituição da 1ª. Companhia das Águas de Lisboa.

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matriz essa que tem raízes no momentum precedente. foi 18 .. Entretanto. homem que pertencera à 1ª. colocados. políticos. Já no final da sua curta existência. Após várias diligências e negociações. dentro das galerias dos aquedutos do sistema das Águas Livres. Tal. mas que prolonga os seus efeito em momenta subsequentes. Companhia das Águas e o Alviela No interregno entre a 1ª. Companhia não conseguiu vencer as dificuldades que se lhe depararam. não se tendo. conseguia trazer água sob pressão ao reservatório do Pombal. Para Carlos Ribeiro. vendo-se ao fundo a galeria que o liga ao Aqueduto do Loreto Estes reservatórios recebiam água do Aqueduto. procedimentos administrativos. defende junto do Governo a solução da constituição de uma nova companhia. A 1ª. Um século mais tarde. o reservatório do Arco recebia directamente a água do Aqueduto. portanto.8 A 2ª. já que o contrato estipulava que todas as novas águas a serem aproveitadas não deveriam ser de qualidade inferior às do Aqueduto das Águas Livres. funcionando. e a 2ª. esgotou o seu capital nas obras. e estando esta acima da entrada das águas do Aqueduto. provavelmente no Arco do Cego. Companhia. no Ministério das Obras Públicas. não reconheceu às águas do Tejo qualidade suficiente para serem introduzidas no abastecimento. continua a ser o do Aqueduto. a solução a adoptar seria semelhante àquela que outras grandes cidades haviam adoptado. advogado e deputado conservador. era necessário dar elevação à água por meio de máquinas. estando todo o sistema interligado por meio de sifões. num outro estádio de desenvolvimento científico e tecnológico. Uma das propostas da Companhia incluídas no seu contrato era a da dupla canalização. que não chega a estudar exaustivamente a questão mas que entende que a água. que. a Companhia avançava com a hipótese de captar água no Tejo. era proposta pelo General Carlos Ribeiro e que a Companhia rejeitara. o Tejo virá a ser a grande solução para o problema da falta de água em Lisboa. Do Pombal saía água para a cisterna da Penha de França através de um sifão colocado no Aqueduto do Campo de Santana. O momentum tecnológico. e não conseguiu fornecer à cidade. Tal opinião veio a acelerar a rescisão unilateral do contrato por parte do Governo. porém. irá desenvolver o projecto do Alviela. por Decreto de 23 de Junho de 1864. O projecto inicialmente delineado previa a condução das águas desde os Olhos de Água até um reservatório a construir numa zona alta fora da cidade. apesar da adopção do princípio dos vasos comunicantes e do início do abastecimento domiciliário. dado o "salto epistemológico" para um novo paradigma tecnológico.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa O Governo. a quantidade de água a que se obrigara pelo contrato. porém. Na zona média. e da Penha de França descia à Graça. de que Pinto Coelho será o Director. À semelhança do que se praticava em Paris. Toda a acção da Companhia insere-se no mesmo paradigma anterior. o contrato entre o Governo e a nova companhia. contudo. e dado outras possíveis opções. que o delimita a sul. introduzindo processos de depuração das águas que a tecnologia já possibilitava. Fig. a partir daí. Porém foi a opção do Governo face à apreciação feita das águas do Tejo. sempre que possível. e outra de qualidade inferior para regas e lavagens. mas também os aspectos sociais. de recorrer aos rios que as banhavam. Para abastecimento da zona alta. a Companhia pensava estabelecer uma rede de distribuição de água de qualidade superior para consumo humano. havendo que construir uma estação elevatória na zona das nascentes. e dar suporte à derradeira alternativa que a Companhia afinal possuía. como a das nascentes da serra de Sintra. através de uma galeria. A captação de água na quantidade necessária para o abastecimento de Lisboa acarretaria graves prejuízos para a agricultura daquela região. utilizando aqui o conceito desenvolvido por Thommas Hugges e que consiste na definição de cada tempo e cada sistema tecnológico como uma matriz cujos elementos componentes são o conhecimento científico e as técnicas. coadjuvado pelo Engenheiro Joaquim Pires de Sousa Gomes. e pela mão do Engenheiro Joaquim Nunes de Aguiar. nos prazos estipulados. pôs fim à Companhia. O General Carlos Ribeiro não fora favorável à opção pelo Alviela. nunca entre nós veio a ser posto em prática. poderia ser filtrada pelas camadas naturais do leito do rio e poderia. Para isto. e solicitando novo prorrogamento de prazo ao Governo. não terem viabilidade. Companhia das Águas o Governo. hipótese que. O desenvolvimento científico e tecnológico não havia ainda atingido um estádio que permitisse fundamentar e levar à prática as opiniões de Carlos Ribeiro. captada acima de Santarém. e perante as dificuldades da Câmara em satisfazer as necessidades da cidade. O reservatório da Patriarcal era alimentado por um sifão colocado no Aqueduto do Loreto. etc. resolver por largos anos o problema da sua falta na cidade. aliás. Mary projectou um sifão instalado dentro do Aqueduto das Águas Livres que. a gravidade para as fazer chegar a todos os pontos da cidade. de cota suficientemente elevada na Porcalhota.Interior do reservatório da Patriarcal. económicos. 1. Carlos Zeferino Pinto Coelho. 11 .

agora. para elevar para a Verónica. no fim. as canalizações nas habitações. na Normandia. era a concretização do projecto do Alviela. o sistema decimal para as medidas lineares.000 habitantes.o regulamento dos encanamentos particulares . foi a da construção de um reservatório e de uma estação elevatória no sítio do antigo chafariz da Praia. arrastando-se. Cada máquina podia produzir uma força de cerca de 23 cavalos-vapor de água elevada. inclusive. O rigor e a universalidade necessários à industrialização demoraram bastante tempo a alcançar. de expansão variável e de condensação. e havermos entrado no caminho da normalização das peças e acessórios utilizados no abastecimento. Quanto ao Alviela. engenheiros mecânicos estabelecidos em Ruão. na zona ribeirinha oriental. contemplado no contrato. incluindo a perda de carga. de imediato. denominada CAL . Fig. fornecendo à cidade um volume de água correspondente a uma capitação de 100 litros/dia/habitante. não só no que se referia à deslocação das peças das máquinas. Porém. O local escolhido para o reservatório de chegada e para a estação elevatória foi a cerca do convento dos Barbadinhos italianos. Havia que construir uma estação elevatória a cerca de 100 km de Lisboa. e consumiam. vindo a Companhia a ser declarada oficialmente constituída por Decreto de 2 de Abril de 1868. A introdução da máquina a vapor no abastecimento de água em Lisboa representava um passo importante na evolução desta indústria. correspondendo cada uma a uma superfície de aquecimento de 60 m². mas sobretudo face às eventuais avarias e consequentes necessidades de reparação das mesmas. por alguns anos. computando-se. e vai possibilitar. questões de natureza política que dificilmente foram ultrapassadas. 13 . Cada uma destas máquinas tinha uma capacidade de elevação de 1. uma expansão significativa do abastecimento domiciliário.Companhia das Águas de Lisboa. logo em 1868. a Companhia alterou o projecto inicial.9 kg de carvão por hora e por força de cavalo-vapor. a sua extensão às outras medidas. 12 . ditas do sistema Woolf. a população a abastecer em cerca de 200. de 75 quilogrâmetros. De imediato os engenheiros Aguiar e Sousa Gomes ingressaram nos quadros da Companhia. A construção do sistema não se deu sem sobressaltos. no máximo. trazendo consigo os projectos já iniciados. a Companhia decidiu trazer as águas livremente.Entrada das águas no canal Alviela no recinto dos Olhos d'Água Embora o canal fosse mais extenso. ou seja 30 cavalos-vapor sobre a árvore do volante. menor necessidade de construção de obras de arte. que leve os particulares a contratar o fornecimento de água . num aqueduto até Lisboa. Fig. já que era necessário dar uma elevação de 54 m acima das nascentes para que a água conseguisse atingir a cidade no ponto pretendido. as águas orientais que se perdiam para o Tejo. 1. Assim. na periferia da cidade. Na análise desta fase de industrialização do abastecimento de água. em Portugal. mas em que à Companhia.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa celebrado em 27 de Abril de 1867. só em 1852 havia sido posto em vigor. o que era algo de bastante complicado para a época.obrigando os proprietários dos prédios acima de um determinado nível de rendimento. pela gravidade. o que diminuía os custos do projecto. acabou por 19 . à sua custa. na Graça. haver já um comércio internacional de produtos industriais desenvolvido. no início da exploração. as vantagens deste novo projecto eram evidentes. As máquinas eram alimentadas por três caldeiras de sistema vulgar. a construir.Máquina a vapor da Estação Elevatória da Praia Para esta estação a Companhia irá adquirir à casa Windsor & Fils. não podemos deixar de ter em consideração o facto de. Aliás. e aqui construir a estação que as elevava para as diferentes zonas a abastecer. duas máquinas verticais de efeito duplo com dois cilindros. havendo. O objectivo principal da constituição da Companhia.900 m³ diários de água a uma altitude de 73 m acima do nível do poço de alimentação das bombas. essa expansão será inferior ao pretendido enquanto a Companhia não dispuser de um instrumento importante. A primeira iniciativa da Companhia. ideia já anteriormente defendida por Pezerat.

e o outro de simples expansão. 45% de carvão graúdo3. do sistema Woolf. elevando 5. quando veio a ter garantias de publicação do regulamento.200 kg de carvão por hora e por cavalo-vapor de 75 quilogrâmetros. e havia que dispor de um instrumento legal que permitisse dar expansão ao desenvolvimento das infra-estruturas do abastecimento. na zona média. vindo o sistema do Alviela a ser inaugurado em 3 de Outubro de 1880.350 m³ por dia a 26 m de altura.000 m³ em 24h a uma altura de 47 m. correspondendo. 3 No comércio. 20 . foram adquiridas à casa Windsor & Fils. misturando-se com as águas altas do Aqueduto das Águas Livres. para que ela chegasse à zona alta tornou-se necessário construir uma estação elevatória junto do reservatório do Arco. a Companhia. a uma superfície de aquecimento de 90 m². Cada uma das três máquinas deveria corresponder a uma força efectiva sobre a árvore do volante de 120 cavalos-vapor de 75 quilogrâmetros. com. através do sifão construído pela 1ª. ou seja. e uma menor superfície de aquecimento. 14 . mais tarde. Dado que a água do Alviela agora chegava ao Arco e ao Pombal.000 m³. e de expansão variável. A segunda e terceira máquinas deveriam elevar em conjunto um volume de 12. na Graça. aproximadamente 83 litros de água por segundo cada máquina. directamente através do balanceiro. para além das águas altas e das águas orientais. no Porto alguns anos mais tarde. incluindo a perda de carga. Tratavam-se de máquinas verticais. acabou por parar as obras do Alviela em 1873. de boa qualidade. sistema Worthington. Estas máquinas eram alimentadas com o vapor produzido por duas caldeiras aqui-tubulares do tipo De Nayer. Os construtores garantiam que o consumo de combustível não ultrapassaria 1. Aqui. Companhia. a uma altura de 77 m. No que se refere à elevação da água. de balanceiro. A estação elevatória foi inaugurada com três máquinas apenas. incluindo a perda de carga. A oposição da sociedade fez-se sentir contra um regulamento deste tipo. em Lisboa. duas bombas verticais. a ser prorrogado o prazo de concessão pelo tempo de paragem das obras. Um carvão mais miúdo teria.000 m³ diários de água. à semelhança do que acontecera na estação da Praia. pois tal imposição representava um atentado contra as liberdades constitucionais. pelo menos. com dois grupos elevatórios. de um volume de 30. ou seja. elevando 10. Lisboa dispunha agora.Máquina a vapor da Estação dos Barbadinhos Cada máquina accionava. com geradores de vapor cilíndricos. ficando o espaço para uma quarta máquina. que viria ser colocada em 1889. de Ruão. passando a data do fim da concessão para 30 de Outubro de 1974. colocadas simetricamente em relação ao eixo do balanceiro. 15 . O carvão a utilizar deveria ser carvão inglês. acabando por ficarem sem efeito as sanções aplicadas à Companhia. e sem o qual a Companhia não conseguiria garantir a sua sobrevivência económica. retomou as obras. Fig. de efeito duplo. para a cisterna do Monte. dado que a Companhia havia já procedido às obras estipuladas no contrato de 1868. havia diversos tipos de carvão de acordo com o tamanho. cada um. A quarta máquina veio a ser colocada na sequência de um novo contrato celebrado em 29 de Outubro de 1888. de onde a água ia por sifão ao reservatório do Arco. instrumento previsto no contrato. certamente uma combustão mais rápida. também do Pombal atingia a Penha de França. Fig. para o reservatório da Verónica. com dois cilindros. por exemplo. A primeira máquina destinava-se a elevar um volume de água de 10. em contexto semelhante. Tratava-se da aprovação do regulamento das canalizações particulares. para conseguir a aprovação do regulamento. Ao fim de dois anos de batalhas judiciais. que abastecia a zona baixa. Para a alimentação das máquinas foram adquiridas cinco caldeiras a vapor.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa ser dada plena razão. aproximadamente 139 litros de água por segundo. tendo que enfrentar processos em tribunal. à semelhança do que iria acontecer. um de tríplice expansão.000 m³ em 24 h. e vindo.Fachada da Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos As máquinas.

no entanto a dívida da Câmara pelo excesso de água consumida para além da dotação gratuita era elevada. como a do Porto. estudo este que veio a ser realizado pelo Professor Ernest Fleury. ampliação da capacidade de elevação da estação do Arco para 7. baixava para níveis que punham em risco o abastecimento. Num novo contrato celebrado em 18 de Julho de 1898. que dava à Companhia a exclusividade do abastecimento de água. O País atravessava um período de grande instabilidade política e económica. Restava o caso de Lisboa.000 m³. ideia que era defendida. duplicando a sua capacidade para 12. A nível nacional. teses que vêm a ver a sua concretização em 1927. reservava para si o direito de elevar água no Tejo. com a capacidade prevista para o de Santo Amaro. Com o excesso de água que tinha. assentamento das canalizações necessárias para ligar os novos reservatórios. para abastecimento de água. A expansão da cidade não apenas pela anexação dos antigos concelhos. já num período em que se começam a sentir grandes dificuldades no abastecimento. fiscal do Governo junto da Companhia. conseguiu. a Companhia decidiu proceder à montagem de uma moderna lavandaria industrial. Para além disso. Neste contrato. Este Conselho. ano em que. caso da Compagnie Générale des Eaux pour l'Étranger. de 1922. No Congresso Nacional Municipalista. colocação da quarta máquina nos Barbadinhos. procurando resgatar a concessão. iniciativa que. aliás. levar de vencida a contenda. e. a abastecer toda a cidade agora aumentada. Porém. proposta que foi rejeitada por carência de viabilidade técnica e económica. a construção de mais um compartimento no do Pombal.540. O reservatório de Campo de Ourique veio a ficar concluído em 1900. a cidade ficou com uma população de 311.9 O projecto de 1908 para captação de água no Tejo Em 1908. pelo General Augusto Pinto de Miranda Montenegro. com a 1ª. por outro lado. do projecto de Ressano Garcia. dando elevados prejuízos. no final desse ano o seu número passara a 260. no sítio da Boa Vista. no Verão. mas também pelo seu crescimento para norte. estando a Companhia obrigada.000 m³. de 4. na zona de Bucelas. Em 1885. foi sempre. em 1880 a 16. e.000 m³ diários. 21 . levantavam-se objecções técnicas ao projecto. Em 1915 foi encomendado ao Professor Choffat um estudo no sentido de se alterar o regime do Alviela nas nascentes. onde a Câmara desferia fortes ataques à Companhia.471 habitantes.009. pela mão do seu Director-Delegado Carlos Pereira. a Companhia. Se antes de 1868 apenas 143 consumidores tinham água canalizada. com capacidade de 120. em 1875 a 11.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa A expansão do abastecimento domiciliário tornou-se uma realidade. e. sem poderes efectivos de regulação do sector. a instabilidade continuou a fazer-se sentir. com capacidade de 1. surgiram diversas empresas privadas de abastecimento de água um pouco por todo o País. o Engenheiro Jesus Palácio Ramillo apresentou à Companhia uma proposta que consistia na construção de uma albufeira no Rio Trancão. a custo. para lavagens e para os esgotos da cidade. num movimento de municipalização. três anos após a inauguração do Alviela. Jerónimo. Dado que. não se tendo vindo a construir este último. Era necessário. trouxe novamente situações de carência. sendo algumas. já tínhamos 27. construção de um novo reservatório na Ajuda. não havia condições para a Companhia avançar com este projecto. em 1900. 4 1. fora criado. e em 1883. defendido teses no sentido da organização de serviços municipalizados de abastecimento de água. com a municipalização do abastecimento de água do Porto. Por essa mesma altura. um conjunto de obras que permitissem expandir o abastecimento.000 m³. no entanto. aliás. de estrangeiros. apenas um órgão consultivo. com a anexação a Lisboa dos concelhos dos Olivais e de Belém. não correspondeu às expectativas. as dificuldades crescentes levam ao fim destas companhias.500 m³.167 consumidores. o Conselho dos Melhoramentos Sanitários. que vivamente desaconselhou tal hipótese. portanto. pelo contrato.10 As municipalizações do abastecimento de água e a sobrevivência da Companhia Após a constituição da Companhia. a água era fortemente mineralizada. e no Ministério das Obras Públicas. 1. os engenheiros João Severo da Cunha e João Augusto Veiga da Cunha elaboram um projecto que visava a captação de água no Tejo. desde sociedades anónimas a sociedades em comandita ou em nome individual. A falta de água era uma realidade que se agravava de ano para ano. a Companhia obrigava-se a construir um reservatório em Santo Amaro. e da negociação do novo contrato de 1888 constaram a construção do reservatório de Campo de Ourique. com a construção da Avenida da Liberdade e das Avenidas Novas. vindo o da Ajuda a ser construído em S. água essa que seria depurada em filtros rápidos no sítio da Nora Alta. com sucessivas quedas do Governo. se fecha este ciclo na indústria da água4. o Governo. mesmo após a implantação da República. sem que houvesse lugar para a concretização efectiva de uma obra de grande envergadura que resolvesse definitivamente o problema. gás e electricidade. que durou até 1921. durante a Ditadura. pois o caudal do Rio Tejo. a cerca de 3 km da confluência do Alviela. ligação dos reservatórios da Verónica e da Patriarcal por um sifão. em 1870 a 4.032. Guerra Mundial de 1914-18 e a consequente subida dos preços. próximo de Sacavém. junto a Lisboa. tinham-se. no Regueirão dos Anjos.

comissão pertencente ao Ministério das Obras Públicas. as nascentes das margens da ribeira da Ota. e a sua substituição por uma estação eléctrica. Fig. 260 e 215 CV. os dois últimos grupos. através da Penha de França regularizar também a zona alta ocidental. valor médio. através do Ministro das Obras Públicas. Finalmente. resolvendo o diferendo com a Câmara através de mecanismos financeiros Fig.000 m³ diários. elevando para a zona baixa. Para a estação a vapor elaboraram-se mais tarde projectos para a sua adaptação a um conjunto de grupos elevatórios movidos por motores Diesel. bem como a construção de uma estação elevatória equipada com dois grupos. movida por um motor de 95 CV de potência efectiva. não excedia os 2. Engenheiro Duarte Pacheco. de bombas centrífugas e unicelulares. 16 . movidas por motores da também suíça fábrica Oerlikon.500 m³ diários.000 m³ cada. deixando de ser aproveitada a partir de Julho de 1938 por impotabilidade da água. que fazia a fiscalização técnica e administrativa da CAL. verdadeira mudança de paradigma tecnológico. para a Verónica. Em 1931 foi a vez da substituição das máquinas a vapor da estação elevatória da Praia por uma bomba horizontal GANZ. foi criada a Comissão de Fiscalização das Obras de Abastecimento de Água à Cidade de Lisboa. com a imposição pelo Governo. não veio a acontecer. baixava a níveis bastante reduzidos. 17 . o do Arco e o de Campo de Ourique. o que. vai-se dar a partir de 31 de Dezembro de 1932.Sala das Máquinas 22 . tendo uma potência de. Para este novo reservatório a água era elevada a partir dos Barbadinhos. Um grupo com a capacidade de 12. e para obviar às carências que se faziam sentir.320 m³ diários a 73 m de altura. podendo elevar um volume de 11. com a capacidade elevatória unitária de 15. Nesta época já as máquinas eléctricas haviam dado entrada na distribuição.000 m³ diários e outro de 9. 22181.Construção do reservatório da Penha de França 1. na realidade. na sequência do qual.11 Duarte Pacheco e o contrato de 31 de Dezembro de 1932 O grande salto em frente. pelo Decreto nº. que lhe permitiam aumentar o caudal do Alviela em 8.000 m³ cada. A nova estação albergava seis grupos elevatórios com bombas da fábrica francesa Rateau accionadas por motores suíços Brown Boveri. Em Novembro de 1943 a Comissão passou a designar-se por Comissão de Fiscalização das Águas de Lisboa. movidas por motores Diesel pesados. de 3 de Fevereiro de 1933. já que a produção das nascentes. para abastecimento da zona alta oriental. para o Pombal.000 m³ diários. com uma capacidade de elevação de 4. a Companhia lançou mão de novos recursos. com a capacidade de elevação de 12.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa Entretanto. contudo. a 82 m. em 1917. e cujos motores possuíam uma potência de 215 CV cada. Dada a sua cota de soleira ser mais elevada que o reservatório do Pombal. Outros dois grupos. duas máquinas da fábrica suíça Sulzer.900 m³ diários cada uma. com uma capacidade elevatória de 15. elevavam a água para os reservatórios da zona média. com uma potência efectiva de 90 CV cada. Em 1932 tem lugar a construção do reservatório elevado da Penha de França. elevavam para a zona alta. com a potência efectiva de 90 CV cada. Com o novo contrato de concessão. pois na estação do Arco. por um dos grupos da zona alta.Estação Elevatória dos Barbadinhos . Em 1928 terá lugar a desactivação da estação elevatória a vapor dos Barbadinhos. a 49 m de altura. na estiagem. pensava a Companhia. A altura da elevação era de 98 m. A produção da estação. variando com o movimento das marés. possuíam uma potência unitária efectiva de 160 CV. de um novo contrato de concessão à Companhia. com 600 m³ de capacidade. respectivamente. que não vieram a ser concretizados.600 m³. Estes trabalhos realizaram-se no decorrer do ano de 1925. Duarte Pacheco vai criar condições de sobrevivência à Companhia. tinham sido colocadas em substituição das anteriores.

já no projecto de 1908 estava prevista a filtragem das águas. e uma potência de 70 CV. 19 . 18 .000 m³ diários de água captada no Zêzere e introduzida no Canal Tejo. no sítio da Nora Alta. que vai ser recebida com entusiasmo pelo Engenheiro Duarte Pacheco.000 m³ de água diários. Espadanal. havia sido substituído por um sifão passando por debaixo do leito do rio. Em 1933 o caudal do Canal Alviela foi reforçado com as águas de Alenquer. fase compreendia as obras necessárias para aumentar a produção em mais 80. a executar quando o consumo particular atingisse 16 milhões de m³. A 4ª. possuir uma única linha de sifões. aliás. em Lisboa. As águas do Tejo seriam beneficiadas com as águas do Zêzere. devendo-se os projectos aos Engenheiros João Severo da Cunha. contudo as suas propostas. pois a firma Layne & Co.000 m³ nas camadas do Belaziano. em Sacavém. o do Canal Tejo. A captação de Alenquer veio mais tarde a ser ampliada. o facto de. em Sacavém. a executar quando o consumo particular atingisse 24 milhões de m³. Na 1ª. seriam trazidos do Zêzere. Esta fase deveria ficar concluída até ao fim de 1936. uma estação elevatória que veio a ser equipada com dois grupos electro-bombas com a capacidade de elevação de 11. fase.000 m³. armazenadas acima da confluência do Nabão. portanto. mais 55. e última fase consistia na ampliação da capacidade de produção em mais 50. Quinta do Campo e na Lezíria. não ofereciam garantias efectivas quanto aos caudais indicados. em canal próprio. que poderia ser também utilizado para a produção de energia eléctrica.230 m³ cada. com a abertura de mais três poços em 1949 embora apenas dois em regime normal de exploração. Estas obras deveriam estar concluídas em Junho de 1933. A mesma companhia propunha-se igualmente captar água nos vales de Belas e Queluz. Em Sacavém. obra que foi executada logo em 1933. seriam feitas as obras necessárias para a elevação das águas do Tejo na Boa Vista e a sua introdução. Ainda em 1933 surgiu uma proposta da International Water Company para a captação de 20 a 25. Embora na parte livre o canal tivesse uma capacidade de vazão da ordem dos 70. Uma questão que houve que resolver de imediato foi a do aumento da capacidade de vazão do Canal Alviela.Construção de uma conduta forçada no Canal Tejo Fig. em funcionamento a partir de 1960. Era possível captar apreciáveis caudais de água nas aluviões do Tejo. Para além disso vai dar condições à Companhia para construir um novo grande sistema tecnológico. e com uma nova estação elevatória. 23 . seria construído um dique. para o efeito. A captação das águas de Alenquer provocou o abaixamento do nível das águas nos poços. afastando de vez o fantasma da municipalização. havendo que criar formas de indemnização pelos prejuízos causados. O programa de obras constantes do contrato estava dividido em quatro fases. construindo-se. no Alviela.000 m³ diários. Fig. nas passagens dos vales. utilizando-se toda a capacidade de vazão do canal. diários. após depuração mecânica. fase. Havia. A ideia inicial de captar água na Boa Vista acabou por ser adiada. apresentou uma proposta interessante ao Governo. a uma altura de 28 m. Por essa altura já o velho sifão de ferro sobre o Rio Trancão. além de onerosas. Na 3ª.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa para a liquidação das dívidas desta pelo excesso de consumo. e Luís Veiga da Cunha. por meio de cinco furos de 350 m de profundidade. A construção do Canal Tejo começou por um primeiro troço entre Sacavém e o Carregado. Depois de uma missão técnica dos engenheiros da Companhia a vários países estrangeiros. a capacidade efectiva de transporte era da ordem dos 30. A obra foi entregue ao empreiteiro Waldemar Jara d'Orey. correspondentes a quatro momentos de ampliação do abastecimento. autor do projecto de 1908. tendo dado lugar a um grande número de reclamações dos proprietários locais. que construir uma segunda linha de sifões.000 m³. para o efeito. agora não só de Lisboa.Antigo sifão do Alviela sobre o Rio Trancão. a opção pela captação em poços de grandes profundidades torna-se uma realidade. na região do Carregado. com uma albufeira com a capacidade de 30 milhões de m³. mas também das zonas atravessadas pelos canais e das zonas suburbanas. A 2ª. e introduzidos no Canal Tejo. e. próximo de Alcanhões.

escultor que também.Grupo moto-bomba dum poço Entretanto em Lisboa. a água de Javel. 21 . na Quinta da Ché. Além desta firma. sendo os grupos elevatórios de eixo vertical. próximo de Vila Nova da Rainha. Herbard da construção experimental de um poço na Quinta do Campo. dos quadros da CAL.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa A adjudicação da construção dos poços acabou por ser feita à firma alemã Johann Keller. e. ligados aos tubos de aspiração das águas. fachada principal 24 . mas de uma forma sistemática e preventiva. a inauguração das suas instalações definitivas veio a ter lugar em 31 de Maio de 1948.Quadro eléctrico de comando e controlo da Estação Elevatória dos Olivais Fig. dados os conhecimentos entretanto adquiridos sobre as suas características. que continua ainda no presente. por ocasião de febres. estas águas deixavam sedimentos de ferro e manganés nas condutas. aparelho que havia sido concebido por Bunau-Varilla e modificado pelo técnico Bernardino Gomes de Pinho. da ordem dos 250. Os primeiros ensaios sistemáticos de cloragem das águas. dadas as suas dimensões. pois. Fig.000 m³ diários. iniciativa da Comissão de Fiscalização das Águas de Lisboa. Fig.12 Os problemas da qualidade das águas Em breve houve que proceder ao tratamento das águas. Projecto do Arquitecto Carlos Rebelo de Andrade. A utilização do cloro levantou graves problemas. junto ao reservatório de chegada das águas do Canal Tejo. O higienista português. A partir daí o processo de desinfecção das águas foi-se expandindo. celebra a chegada das águas do Tejo à cidade.Captação de água . a própria colocação dos grupos elevatórios. ao contrário do que inicialmente se observara. foi objecto de um processo contínuo. Por outro lado. tiveram lugar na cidade americana de Maidstone. que apresentava condições mais vantajosas. tornava-se necessário proceder à desinfecção das águas. 22 . temos a adjudicação à firma americana R. havia sido construída a estação elevatória. pois da reacção do cloro com o alcatrão que revestia o interior dos tubos resultava a formação de clorofenóis que davam à água um sabor a fénico. 20 . Estes problemas vieram a ser ultrapassados com o aperfeiçoamento de um aparelho doseador do cloro na água.Estação Elevatória dos Olivais. tem o seu nome ligado à Fonte Monumental. nela vemos a intervenção de Jorge Barradas. em número de doze. monumento que. Professor Ricardo Jorge. em 1913. Afonso Henriques. 1. sendo em França utilizada uma solução de cloro. tubos estes com dispositivos de filtragem nas suas paredes internas. Olivais. da Alameda de D. a cloragem das águas não apenas em caso de epidemias. e a necessidade de assegurar a sua potabilidade. face a uma série de epidemias de febres tifóides. Um estudo de 1939 havia determinado já a capacidade elevatória exigida à estação. W. Os equipamentos das diversas estações elevatórias dos poços apresentam características diferentes dos das outras estações. com sucessivas actualizações. como Rebelo de Andrade. chegou mesmo a defender em meios internacionais. em 1897. Iniciando-se em barracões provisórios.

mais tarde. Como também foi referido.Tejo ou Zêzere Como já atrás ficou dito. Em 1959 arrancou o projecto para a estação definitiva. no dique de Valada. menos mineralizadas. e. com correcção posterior em postos de cloragem dispersos pela rede de distribuição. o passeio central do Aqueduto chegou a ser utilizado também como caleira. A água é elevada para uma estação de tratamento. Fig. ou até mesmo impossível. já em 1963 estava em funcionamento. com uma capacidade diária de 100. em 1949. com uma capacidade de produção de 240. A determinada altura tornava-se necessária uma solução para o problema da falta de água. No entanto. A captação de água no Tejo. fornecendo água de boa qualidade a Lisboa. como constatam o químico Hugo Mastbaum e o geólogo Paul Choffat. uma vez que o abastecimento e a melhoria substancial das condições de salubridade arrastara um aumento significativo da população a abastecer. onde as águas do mar já não fazem sentir os seus efeitos.000 m³ diários.13 As duas opções em confronto . onde a água é decantada.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa Fig. captadas na Boa Vista. muito embora tivesse uma produção reduzida. e finalmente desinfectada por meio de cloro. Caso isso não tivesse sido feito. águas cujo aproveitamento foi por diversas vezes defendido pelo Engenheiro Veiga da Cunha. a água das nascentes já não precisava de ser deitada fora através dos descarregadores.ETA de Vale da Pedra 25 . construída pela firma Degrémont.Construção da torre de captação de água na Barragem de Castelo de Bode Na década de 40 tornou-se necessário projectar duas estações de tratamento para as águas do Aqueduto das Águas Livres. Porém. em Vale da Pedra. a primeira opção do contrato de 1932 era pelas águas do Tejo. Com o tratamento. 24 . e que funcionou durante um ano. em 1967. que veio a ser inaugurada em 8 de Junho de 1965 com três grupos elevatórios. 1. aspecto ainda mais agravado com a expansão do abastecimento para os concelhos limítrofes. A estação de tratamento de Vale da Pedra. construída em 1958. filtrada e sujeita ao processo da floculação por meio de reagentes. e porque os custos de tratamento fossem bastante elevados face à pouca quantidade de água.Laboratório Bacteriológico da Companhia das Águas de Lisboa Fig. construída durante as obras de construção da barragem. uma na Amadora e outra na Buraca. a CAL decidiu. Na sequência de todo este progresso tecnológico. a captação das águas das aluviões do Tejo veio a alterar profundamente os projectos de desenvolvimento do abastecimento de água. A opção clara da Companhia foi pelo Tejo. execução. e que corrigiriam a excessiva mineralização das águas do Tejo. iniciativa do Engenheiro José Frederico Ulrich. lá estava a torre de captação de água. pois este continuava a ser parte dos sistemas de abastecimento de Lisboa. começou por meio de uma estação piloto. 25 . 23 . desafectar por completo do abastecimento o Aqueduto das Águas Livres. Algumas das suas nascentes já estavam inquinadas no século XIX. na barragem do Castelo do Bode.000 m³. dos projectos de obras fazia parte uma clara opção pelas águas do Zêzere. com a barragem cheia. tal obra seria de muito mais difícil. em períodos de carência.

que. vai ter que se virar. e um adutor que conduz a água a uma central elevatória construída em Vila Franca de Xira. e a serem conduzidas a Lisboa em adutor próprio. Objecto de estudos posteriores. 40 m . dar meio milhão de m³ diários.000 m³ diários. às zonas baixa. pois. mais tarde. sendo-lhe dado especial relevo no Plano Geral de Abastecimento de Água à Região de Lisboa. inviável no curto prazo.14 Expansão do abastecimento Com o sistema Tejo completo. inicialmente. fase. abandonadas as águas do Zêzere. O progresso verificado acelerou a consequente expansão urbana e industrial em toda a região de Lisboa. com a opção Tejo. de Janeiro de 1950. no século XIX. para o Zêzere. Fig. em vez dos três em que. a concessão da CAL terminou em 30 de Outubro de 1974.Barragem do Castelo de Bode 1. e para a captação nas albufeiras do Cabril e da Ponte da Bouçã. Acima dos 120 m. como a execução de mais poços nos mouchões do Tejo. à semelhança do que sucedera no Estudo Prévio para Ampliação do Abastecimento de Água à Cidade de Lisboa. já então elevada para 400. vendendo depois estas a água aos consumidores particulares através dos seus Serviços Municipalizados. na albufeira do Castelo do Bode. média. pois a água não é elemento vital apenas para o consumo humano. para permitir o início da sua realização por volta de 1970 e a sua entrada em serviço quando ficar saturada a capacidade de transporte do Canal do Tejo. Em 1959 a CAL.15 A EPAL e o Castelo do Bode Como já atrás foi referido. a EPAL. que a Companhia abastece em alta. com pleno desenvolvimento das técnicas possibilitadas pelo conhecimento da Física.120 m. pois os exemplos bem conhecidos estão por toda a parte e o assunto foi já largamente debatido para não se discutir a necessidade da sua filtração".95 m. o que se deve verificar em 1974. sucedendo-se os contratos com as Câmaras limítrofes. com esta 2ª. Também em Lisboa o crescimento urbano se fez sentir. Não foram. o projecto veio a ser concretizado apenas a partir de 1975.40 m. Mary. pois. no projecto que elaborara para a construção da captação de água do Tejo em Valada. Os estudos relativos ao aproveitamento das águas do Zêzere não haviam. São eles delimitados pelas curvas de nível de 0 m . a CAL vai poder abastecer uma área muito mais vasta. dando esta companhia lugar a uma empresa pública. respectivamente. agora com a componente "tratamento de água" a contribuir para a função "abastecimento de água".62 m. de onde a água é elevada para Telheiras. e a cidade tem agora quatro andares. a dividira. muito embora. conforme os estudos mencionados referem. definitivamente. da Geologia. uma central elevatória situada a jusante da barragem. correspondentes. mas também motor de desenvolvimento económico e industrial. publicado em Junho de 1962. alta e superior. será criada a zona limite. agora completa. O Zêzere.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1. Mas ir ao Zêzere são mais 50 quilómetros e não se julgue que a água da albufeira não necessitaria tratamento. poderia. a CAL encarasse outras hipóteses no curto prazo. (Quem sabe agora qual o aproveitamento que a torre pode vir a ter um dia?). feito em tempo útil. a braços com nova crise de falta de água. 26 . mais tarde. a captação na albufeira não seria viável por impossibilidade de construção das fundações da torre. sido abandonados.000 m³ por dia. ainda em 1970. ano em que termina a concessão da Companhia das Águas de Lisboa". 26 . 62 m . e 95 m . da Química. em Lisboa. O parecer do Conselho Superior de Obras Públicas exarado no projecto da captação Tejo de Valada apontava mesmo para o Castelo do Bode. Com esta divisão garantia-se uma altura piezométrica mínima de 30 m. Para tal projecto havia-se procedido em 1972 à actualização do Plano Geral publicado dez anos antes. projecto a ser "objecto de um estudo profundo. que o ministro José Frederico Ulrich mandou fazer. correspondente à captação de Valada-Tejo. sendo composto pela torre de captação. afirmava: "Lá está no Zêzere a torre de tomada de água. uma estação de tratamento na Asseiceira. Em 1986 foi o subsistema inaugurado com uma capacidade de produção de 375.

que. 27 . e cujos testemunhos urge a todo o custo preservar como património histórico. e onde se encontra espelhado todo um conhecimento científico e tecnológico que é parte importante da nossa identidade. e encontra-se integrada num grupo mais vasto. abastece de água a quase totalidade do País. a Águas de Portugal.ETA da Asseiceira A partir de 1993 procedeu-se à ampliação do subsistema para uma capacidade de tratamento e adução de 500. o que possibilita hoje o abastecimento.000 m³ diários através de um conjunto de obras que ficaram concluídas em 1996. de capitais exclusivamente públicos.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa Fig. com um conjunto de empresas multi-municipais. de água a um total de 26 municípios correspondentes a cerca de um quarto da população do País. 27 .Barragem do Castelo de Bode Fig. pela EPAL. da nossa memória colectiva. A EPAL é hoje uma sociedade anónima. 26 . AdP.

ª. Separata da Revista da Ordem dos Engenheiros. 1998. Estudo para o abastecimento de Lisboa com água do Tejo. 16. Separata do Boletim da CFAL. durante a visita ministerial à estação piloto de Valada]. Imprensa Nacional. CAL. por despacho de S. 1. Ministério das Obras Públicas. 1955. Março de 1959. 1895.d. Rede geral de distribuição. VITAL. Lisboa. Relatório da Comissão encarregada de estudar as novas captações para o abastecimento de águas a Lisboa e arredores. Separata do Boletim da CFOAACL. ano I. ps. Perspectivas para os próximos dez anos. Relatórios da Direcção. 1940. CAL. CAL. Resumo das condições hidrogeológicas da cidade de Lisboa. In Boletim dos Serviços Técnicos. Julho de 1938. Projecto de reservatório elevado a construir na Penha de França e respectiva conduta de elevação. Considerações sobre zonas de distribuição . CAL. Lisboa. Raul. 117 . fascículo II.19. ps. Lisboa. Separata das Comunicações da Direcção dos Trabalhos Geológicos. Fase). CAL. XIX e XX. Plano geral de abastecimento de água à região de Lisboa. CAL. 8 de Junho de 1965. 49 e 50 da Revista Municipal. CAL. 1990 (texto policopiado). CAL. 1952.Tratamento de água. Memória sobre os reservatórios de Lisboa. Ex. Junho de 1970. CHOFFAT. Congresso Nacional Municipalista de 1922. A nova instalação de cloragem das águas do grupo do Alviela. Les eaux d'alimentation de Lisbonne.16 Referências bibliográficas Arquivo Histórico da EPAL CAL. Lisboa. 1940. nº. Relatórios da Direcção. Boletim dos Serviços Sanitários . nº. Soares. CFAL. Evolução das estações elevatórias da Companhia desde a fundação à actualidade. Lisboa. Lisboa. VITAL. Lisboa. anos XXIX . Memórias e outras histórias do Aqueduto das Águas Livres. In Boletim dos Serviços Técnicos. CAL. CASEIRO. 1956. 1908. Relatório sobre o tratamento das águas de Lisboa elaborado pela Comissão nomeada pela Portaria de 12 de Novembro de 1938. Joaquim Ângelo Caldeira. tomo III. 85 . Obras consultadas ALVES. CAL. Projecto de captação de água no rio Tejo.séc. BRANCO. Paul. ALMEIDA. Companhia da Empreza das Águas de Lisboa. MACHADO. Boletim da CFAL. e PENA. CUNHA. CAL. Estudo prévio para ampliação do abastecimento de águas à cidade de Lisboa. José Manuel.[ Anteriormente a 1943. ps. A.. G. Relatório. Março-Abril. EPAL.202. Situação actual do abastecimento. In Boletim da Direcção Geral de Agricultura. Junho de 1962. Projecto de introdução de água do Tejo no Canal do Alviela (1ª.XXX. RODRIGUES. Lisboa. 1963/64. 1938.107. Julho de 1933. CAL. Joaquim Ângelo Caldeira e FRAGOSO. 1898. AMARAL. Luís Veiga da. ano XXII. Lisboa.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1. CAL. CAL. 36. Janeiro de 1933. Fevereiro de 1950. Luís Veiga da. João Carlos. Abastecimento de água à cidade de Lisboa. José Joaquim. CAL. CAL.o caso de Lisboa. Contratos de concessão [diversos anos]. em Valada. Luís Veiga da Cunha. nº. EPAL. 28 . Paul. Raul Fontes. Amaro de. Lisboa capital das águas. As águas de Lisboa. 1923. s. Américo. 1944. o Ministro das Obras Públicas de 29 de Outubro de 1948. A iniciativa privada no abastecimento de água em Portugal . 8. 13 . CHOFFAT. nº. Academia das Ciências. Carlos. Câmara Municipal de Lisboa. com a designação Boletim da CFOAACL]. Lisboa. 53 . Notícia sobre o abastecimento de Lisboa com águas de nascentes e águas do rio: estudos e obras dos últimos cem anos. Abril de 1958. Projecto de abastecimento de água à cidade de Lisboa. In Boletim dos Serviços Técnicos. CUNHA. Eloy do. Lisboa.95. ano XXIV. Abril de 1926. Lisboa. CAL. ps. O abastecimento da capital pela água dos poços do Carregado. O Rio Tejo deve contribuir para o abastecimento de água de Lisboa e zona sub-urbana [Palestra do Engenheiro-Chefe. Separata da Revista da Ordem dos Engenheiros. Lisboa. Separata dos nº. CAL.Serviços Sanitários. sexto ano. Março de 1929. 1958. Projecto de uma nova estação elevatória nos Barbadinhos. CAL . Inauguração da obra de captação de água no rio Tejo. Boletim dos Serviços Técnicos. Rapport entre leur origine géologique et leur composition chimique. RODRIGUES. Projecto de toma de água do Tejo na Boavista.

L'approvisionnement en eau à Lisbonne au XIXème siècle. Bernardino de. 51 . Lisboa. In 1º. O Aqueduto das Águas Livres. 1942. Encontro Internacional sobre Património Industrial e sua Museologia. PINHO. 1998. 1994. HUGHES. Estudo de uma estação de filtração de água potável.175. Lisboa. RIBEIRO. 1853. o que foram ou são. sexto ano. Lisboa. 1. Pierre (dir. Merritt Roe. E. O Museu da Água da EPAL. Academia das Ciências. Lisboa. Lisboa. COTTE. 2ª. Bernard. Academia das Ciências. 2000.a preservação do património museológico e dos arquivos. Lisboa. 29 . ps. Memória sobre chafarizes. Ministério da Cultura. MOITA. VITAL. New directions in the Sociology and the History of Technology. 27 . 1905. Carlos. Raul Fontes. nº. 1857. Lisboa e as águas (Da Lisboa Ribeirinha às águas altas e ao Tejo e seus afluentes . e o que devem ser. Memória sobre as águas de Lisboa. 71 . 1895.. HUGHES. Bernardino António. D. 23. Separata de Notícias Farmacêuticas. The social construction of technological systems.. oferecida à Exmª. Ch. ps. Ponta Delgada. RIBEIRO. EPAL. GOMES. VITAL. VITAL. Os novos núcleos do Museu da Água . Academia das Ciências. Memória sobre o abastecimento das águas de Lisboa.74. 1945. nº. SMITH.). Trevor (eds. MIT. Lisboa. Massachussets. 21 . O desenvolvimento económico e as empresas de abastecimento de água em Portugal.. Michel et LAMARD. Separata da Revista da Ordem dos Engenheiros. Lisboa. 1. Augusto Pinto de Miranda. Raul Fontes. Walter. e muitos lugares do termo. Imprensa Nacional. Câmara Municipal de Lisboa. Raul Fontes. fontes e poços públicos de Lisboa. VITAL. APAI. in BIJKER. Museu da Água da EPAL. 145 . Luís Leite. Paris. 1867. 1998 (texto policopiado). Câmara Municipal de Lisboa.). Comunicação apresentada ao XVIII Encontro da Associação Portuguesa de História Económica e Social. ps.29 de Novembro de 1997 (texto policopiado). VELLOSO D'ANDRADE. bicas. José Sérgio. Actas das Sessões.). Comunicações. 51-82. Does Technology drive History? The dilemma of Technological Determinism. IPPAR. 1871. Além da Baixa: indícios de planeamento urbano na Lisboa setecentista. 1853. Ed. PINCH. e organiz. VIGREUX. La Technologie au risque de l'histoire. PINTO. Memória sobre o abastecimento de Lisboa com água de nascente e água de rio. Representações dirigidas a Sua Magestade a Rainha e ao Corpo Legislativo pela Câmara Municipal de Lisboa sobre o abastecimento de águas na Capital por meio de empresa. considerado tudo à luz das boas práticas e doutrinas. 1989. Universidade dos Açores. 1895. II Colóquio Temático "Lisboa Ribeirinha". Robert.). Lisboa. Carlos. Comunicação apresentada ao XVII Encontro da Associação Portuguesa de História Económica e Social.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa CUNHA. 1990. Hugo. The evolution of large technological systems. Câmara Municipal de Lisboa. nº. O esgoto. Raul Fontes. Imprensa Silviana. ROSSA. João V e o abastecimento de água a Lisboa. Lisboa Julho de 1998. pp. MASTBAUM. A cloragem das águas de abastecimento. VITAL. 2000. In Arqueologia & Indústria. Reconhecimento geológico e hidrológico dos terrenos das vizinhanças de Lisboa com relação ao abastecimento das águas desta cidade. a limpeza e o abastecimento das águas em Lisboa. 1997.152. MONTENEGRO. Thomas P. Paris. Leo (eds. Massachussets. (dir. In BELOT. VITAL. MIT. Université Technologie de Belfort-Montbéliard et Berg International Éditeurs. Da solução para a falta de água ao impasse tecnológico. ps. 1 e 2 de Outubro de 1999. Luís Veiga da. Notes et formules de l'ingénieur. Lisboa. INCM/EPAL. MARX. Irisalva (dir. In Boletim da Direcção Geral de Agricultura. Thomas P. Raul Fontes. 1989. Imprensa Silviana. Lisboa. História do abastecimento de água à região de Lisboa.). Raul Fontes. Uma experiência na defesa do património. Belém. Imprensa Nacional. Wiebe. Lisboa. ano III. Novembro.54.a dinâmica do abastecimento de água numa cidade em constante expansão).

30 .

Conceitos Fundamentais de Hidráulica. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2. CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE HIDRÁULICA. Hidráulica e Ambiente. Lda. BOMBAS CENTRÍFUGAS E REDES HIDRÁULICAS Autor: Paulo Ramísio Engenheiro Civil (FEUP) Mestre em Engenharia do Ambiente (FEUP) Assistente do Departamento de Engenharia Civil da Universidade do Minho Sócio da SBS – Engenharia Civil. 31 .

32 .

Residuais e Industriais (Redes de Drenagem. fundada a 28 de Fevereiro de 1996.Engenharia Civil. A SBS é uma empresa de consultoria em engenharia. Planeamento e Arquitectura e Vias de Comunicação. Estruturas. • Águas Pluviais. Hidráulica. Acompanhamento de Obras). Sistemas Elevatórios. Geotecnia. o Mestrado em Engenharia Municipal. Interceptores e Emissários. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Universidade do Minho A Universidade do Minho é uma universidade pública com autonomia administrativa e financeira. Conta como principais áreas de actuação: • Abastecimento de Água (Captações. Sistemas de apoio à decisão para o desenvolvimento sustentado da gestão dos recursos hídricos e desenvolver técnicas de modelação em laboratoriais e modelos computacionais. consultoria. Tem desenvolvido a sua actividade na execução de estudos. Lda. acompanhamento técnico e apoio à decisão em obras de engenharia com especial destaque para as obras de hidráulica e ambiente. 33 . actividade de investigação nos domínios de Construções e Processos. Sistemas Elevatórios. O Departamento de Engenharia Civil (DEC) da Escola de Engenharia tem a seu cargo o Curso de Licenciatura de Engenharia Civil. SBS . • Infra-estruturas Hidráulicas e Energia (Aproveitamentos Hídricos e Hidroeléctricos. acompanhamento de obra e Fiscalização). Sistemas de Adução. Auditorias Ambientais. Comemora actualmente o XXXI aniversário. engenharia sanitária e gestão dos recursos hídricos e contribuir para o aumento do conhecimento científico nas seguintes áreas preferenciais: Processos de transporte e mistura em ambientes naturais e sistemas de engenharia. ainda. Materiais de Construção. • Estudos Ambientais (Estudos de Impacte Ambiental. Desenvolve. Estações de Tratamento de Água. o Mestrado em Engenharia Civil e disciplinas do Mestrado em Tecnologia do Ambiente.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. • Infra-estruturas Prediais (Projecto e coordenação de todas as especialidades de engenharia. A investigação é orientada de modo a não só contribuir para o aumento dos conhecimentos numa determinada área científica mas também contribuir para a extrapolação dos resultados obtidos em estudos e obras no domínio da engenharia civil. Reservatórios e Redes de Distribuição). O Sub-grupo de Hidráulica tem como missão formar cientistas e engenheiros através de um estimulante e diversificado programa na área da mecânica dos fluidos. Regularização Fluvial). Estações de Tratamento de Águas Residuais). hidrologia. Hidráulica e Ambiente. projectos.

34 .

Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

O dimensionamento de um sistema de pressurização depende de uma grande parte do conhecimento dos fenómenos hidráulicos envolvidos. Neste capítulo serão analisados alguns princípios fundamentais da mecânica dos fluidos e a sua utilização na caracterização da curva característica da instalação e da curva característica de uma bomba centrífuga, conceitos essenciais para um bom desempenho de um sistema de pressurização.

2.1 Introdução

Logo, em termos de tensão unitária:

τ=

∆F ∆v =µ S ∆n

(2)

onde µ é o coeficiente de viscosidade dinâmica. A viscosidade dinâmica (µ) para um determinado fluido é determinada recorrendo a tabelas ou a gráficos enquanto que a viscosidade cinemática (ν) é expressa da seguinte maneira: (3) ν = µ /ρ onde ρ é a massa volúmica do fluido. A viscosidade cinemática nos líquidos varia apreciavelmente com a temperatura, sendo desprezável a influência da pressão. Sendo a viscosidade uma propriedade física que determina a resistência ao escoamento uniforme de um fluido, ela afecta a distribuição do esforço de corte destes. Analisando o comportamento dos fluidos em função do esforço e a velocidade de corte, podemos classificá-los da seguinte maneira: • Fluido Ideal - apresenta resistência nula à deformação; • Fluido Newtoniano - o esforço de corte é proporcional à velocidade de corte, sendo τ o declive da recta; • Fluido não Newtoniano - deforma-se de tal maneira que o esforço de corte não é proporcional à velocidade de corte; • Plástico Ideal - o fluido sustém, inicialmente, um esforço sem qualquer deformação, deformando-se posteriormente de forma proporcional ao esforço de corte; • Sólido Ideal - não ocorre deformação para qualquer valor de tensão. Os Fluidos Newtonianos são praticamente todos os líquidos orgânicos e inorgânicos enquanto que os Fluidos não Newtonianos podem ser classificados em pseudoplásticos, dilatantes, Bingham, etc.. Como exemplos de Fluidos não Newtonianos podem-se destacar a pasta de celulose, algumas tintas, borracha, etc…

2.2 Princípios da mecânica dos fluidos
2.2.1 Propriedades da água
2.2.1.1 Massa volúmica e peso volúmico
Massa volúmica e peso volúmico de uma substância são, respectivamente, a massa e o peso da unidade de volume dessa substância. Para os líquidos estas grandezas variam com a pressão e a temperatura. A água tem o valor máximo de massa volúmica à temperatura de 4°C, que à pressão atmosférica normal toma o valor de 1000 kg/m3. Considerando a aceleração da gravidade igual a 9,8 ms-2, o peso volúmico, à mesma temperatura será 9800 Nm3.

2.2.2 Viscosidade
A viscosidade dos fluidos traduz-se pela resistência que estes oferecem à deformação. Assim, no seu escoamento desenvolvem-se forças resistentes, que dão parte à dissipação de parte da energia mecânica possuída pelo fluido em movimento. Ao pretender modificar-se a forma de uma massa de fluido, observa-se que as camadas do mesmo se deslocam umas em relação às outras, até que se alcance uma nova forma. Durante este processo ocorrem tensões tangenciais (esforços de corte) que dependem da viscosidade e da velocidade do fluido. O comportamento de um fluido sob a acção de um esforço de corte é importante na medida em que determinará a forma como ele se movimentará. A fim de que se possa introduzir a noção de esforço de corte (tensão tangencial), torna-se necessário analisar as forças exteriores que actuam numa determinada massa de fluido sujeita à acção da aceleração da gravidade. Num fluido em repouso não existem tensões tangenciais e de acordo com a lei de Pascal a pressão num ponto é igual em todas as direcções. Nos fluidos em movimento, em que se manifeste a acção da viscosidade desenvolvem-se tensões tangenciais ou esforços de corte. A viscosidade é assim uma propriedade física que é definida como sendo a resistência de um fluido ao seu escoamento uniforme. Considere-se duas placas paralelas de fluido, S, que se movem a uma distância, ∆n, a uma velocidade relativa ∆v, a força necessária para o deslocamento será:

2.2.3 Compressibilidade
A compressibilidade dos fluidos traduz-se pela diminuição do volume ocupado por uma determinada massa de líquido quando aumenta a pressão a que esta está sujeita. De acordo com o seu comportamento sob a acção de uma pressão aplicada exteriormente os fluidos podem ser classificados da seguinte forma: • Incompressíveis - Se o volume de um elemento de fluido é independente da sua pressão e temperatura. Nos líquidos, devido às pequenas variações de pressão, podem-se considerar incompressíveis para a maior parte dos fenómenos.

∆F = µ S

∆v ∆n

(1)

35

Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

• Compressíveis - Se o volume de um elemento de fluido varia com a sua pressão e temperatura, como acontece nos gases. Note-se contudo que nenhum dos fluidos reais é completamente incompressível. No entanto, os líquidos podem ser encarados como tal para efeitos de estudo de grande parte das aplicações práticas. É no entanto importante realçar que em alguns fenómenos, como por exemplo na análise do choque hidráulico, deve ser considerada a compressibilidade do fluido.

2.3.2 Classificação dos escoamentos
2.3.2.1 Variados, permanentes e uniformes
O escoamento é variável se, numa dada secção transversal, a velocidade média e o caudal variarem com o tempo. O escoamento é permanente se, em qualquer secção transversal, a área da secção líquida e a velocidade média (e, portanto o caudal) forem invariáveis com o tempo. Num escoamento permanente a velocidade pode variar de ponto para ponto, mas, em cada ponto, mantém-se constante ao longo do tempo. Um escoamento uniforme é um movimento permanente em que a velocidade é constante ao longo de uma mesma trajectória (em módulo, direcção e sentido). Pode então dizer-se que o escoamento é uniforme se as trajectórias forem rectilíneas e paralelas e se a área da secção líquida, S, a velocidade média, V, forem invariáveis com o tempo e a secção transversal considerada. O movimento uniforme só é possível em condutas e canais de eixo rectilíneo e de secção constante. Escoamentos transitórios são escoamentos que se estabelecem na transição entre duas situações de escoamentos permanentes.

2.2.4 Tensão de saturação do vapor de água
Quando a pressão num ponto de um líquido desce até à respectiva tensão de saturação de vapor, o líquido entra em ebulição. A tensão de saturação do vapor de um líquido, tv, varia em função da temperatura. A tensão de saturação de vapor para a água à temperatura de 20°C é de 2330 N/m2, e à temperatura de 100°C iguala a pressão atmosférica normal. No escoamento de líquidos aparecem, em certas condições, zonas em que a pressão desce até à tensão de saturação de vapor, formando bolhas de ar, indicadoras da ocorrência do fenómeno de cavitação.

2.3.3 Equação da continuidade
A equação da continuidade estabelece o princípio da conservação da massa. Assim entre duas secções transversais, num escoamento permanente de um fluido incompressível sob pressão, mantém-se constante ao longo do tempo o volume do líquido entre as duas secções. Considerando uma tubagem com vários troços de diâmetros diferentes, verifica-se que o caudal de fluido é sempre constante em toda a tubagem. Define-se então caudal mássico (Qm) como a massa de fluido transportada (m) por unidade de tempo (t) e será igual a:

2.3 Conceitos fundamentais de hidrocinemática e hidrodinâmica
2.3.1 Conceitos básicos
Define-se trajectória de uma partícula como o lugar geométrico dos pontos ocupados pela partícula ao longo do tempo, enquanto que linha de corrente num determinado instante será a linha que goza da propriedade de, em qualquer dos seus pontos, a tangente respectiva coincidir com o vector velocidade no mesmo ponto e nesse instante. O caudal, será o volume que, na unidade de tempo, atravessa uma secção efectuada num escoamento por uma superfície, se esta for normal em todos os seus pontos à velocidade do escoamento. Assim, o caudal, Q, será:

Q × v1 = Q × v2 = Q × v3

; v1 xAi1 = v2 × Ai 2 = v3 × Ai 3 = v ×(5)

A expressão (5) é designada por equação da continuidade. O termo continuidade deriva do facto de o caudal em todos os troços ser constante. Em termos de caudal mássico (Qm = cont.), Qm1 = Qm2 = Qm3 = Qm ⇔ ρ.v1.Ai1 = ρ.v2.Ai2 = ρ.v3.Ai3 = ρ.v.Ai (6)
D2 D1 D3

Q = ∫ v ds

(4)

Velocidade média, V, (numa secção normal em todos os pontos à velocidade do escoamento) velocidade de um escoamento que, com velocidade uniforme na secção, transporta um caudal igual através da mesma secção.

L1
Fig. 1 - Condutas em série

L2

L3

36

Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

Nestas circunstâncias, facilmente se depreende que o caudal escoado é o mesmo em cada troço de conduta com características distintas, e que a perda de carga total é dada pela adição de todas as perdas de carga parcelares: Q = U1 x S1 = U2 x S2 = ... = Un x Sn
∆H = ∑ ∆H i = ∑ J i × Li
i =1 i =1 n n

(7) (8)

O teorema de Bernoulli representa uma equação de balanço de energia pois iguala a variação da energia mecânica total entre duas secções de um tubo de corrente ao trabalho realizado pelas forças locais de inércia (nulas em regime permanente) e de resistência ∆H. Na prática, pode-se considerar: * β1 = β2 = 1,0 → Coeficiente de distribuição de pressão (campo de pressões do tipo hidrostático condutas de pequeno e médio diâmetro). * α1 = α2 = 1,0 → Coeficiente de energia cinética ou de Coriollis, distribuição de velocidades - consideração de velocidades médias (1,00 ≤ α ≤ 1,15). A parcela ∆B corresponde a troca de energia com o exterior: +∆B ⇒ cedência de energia (turbina) -∆B ⇒ ganho de energia (bomba). A parcela ∆H representa o trabalho das forças resistentes por unidade sendo a soma das seguintes parcelas:

2.3.4 Teorema de Bernoulli
Considerando um regime estacionário (as variáveis do processo, como por exemplo, pressão, temperatura, volume, etc. permanecem constantes ao longo do tempo), num fluido Newtoniano e incompressível, a energia específica total duma partícula é igual à energia mecânica total da partícula por unidade de peso e apresenta três componentes:

p v2 E = z+ + γ 2g

(Trinómio de Bernoulli)

(9)

Dimensionalmente cada parcela corresponde a um comprimento pelo que é assimilável a uma soma de "alturas":

[E ]= [F ]× [L] = [L] [F ]
O significado físico de cada parcela será o seguinte:

∆H = ∆H p + ∑ ∆H L
com,

(11)

∆H → Forças resistentes totais por unidade de peso (perdas de carga totais) ∆Hp → Perda de carga uniforme (contínua ou principal)

z

= cota da partícula em relação a um plano de referência (energia potencial de posição da partícula por unidade de peso)

∑ ∆H

L

p = altura piezométrica: energia potencial de pressão por γ unidade de peso da partícula; v2 = altura cinética: energia cinética por unidade de peso 2 g da partícula com velocidade v.
Assim, define-se Linha Piezométrica como o lugar geométrico dos pontos em que a sua cota é a soma da cota topográfica e da altura ( z + (ou Energia) será o lugar geométrico dos pontos cuja cota será a soma da cota topográfica, a altura piezométrica e a altura cinética ( z +
p v2 + ). γ 2g
p ). Analogamente, a Linha de Carga γ

→ Somatório de perdas de carga localizadas (concentradas acidentais)

Estes parâmetros serão analisados em detalhe em pontos seguintes.

2.3.5 Teorema da quantidade de movimento ou de Euler
O teorema de Euler ou da quantidade de movimento (TQM) é na Mecânica dos Fluidos e, portanto, na Hidráulica o correspondente ao teorema da quantidade de movimento da Mecânica e pode enunciar-se da seguinte maneira: Para um volume determinado no interior de um fluido, é nulo em cada instante o sistema das seguintes forças: peso, resultante das forças de contacto que o meio exterior exerce sobre o fluido contido no volume, através da superfície de fronteira, resultante das forças de inércia e resultante das quantidades de movimento entradas para o volume considerado e dele saídas na unidade de tempo. O TQM ou de Euler tem um duplo interesse prático: 1º) Calcular esforços sobre as tubagens e/ou paredes (caso dos jactos).

O teorema de Bernoulli refere que no caso de um fluido incompressível em regime permanente, em que se possam desprezar as forças de atrito e, consequentemente as perdas de energia, mantêm a carga total de uma partícula ao longo de uma trajectória. O Teorema de Bernouli aplicado a fluidos pesados e incompreensíveis, em regime permanente, toma a seguinte forma:
( z1 + β 1 p1 U p U + α 1 ) s1 − ( z 2 + β 2 2 + α 2 ) = ∆H ± ∆B 2g 2 g s2 γ γ
2 1 2 2

(10)

37

Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

2º) Calcular perdas de carga localizadas em troços curtos (curvas, derivações, mudanças de secção) onde se conhecem as condições nas secções de entrada e de saída. Particularizando a aplicação do Teorema de Euler a movimentos permanentes de fluidos pesados e incompressíveis em tubos de corrente e as tensões tangenciais são desprezáveis, a acção do líquido sobre a superfície de contorno será uma força, dada pela seguinte expressão vectorial: r r r r R = - ( ρ × Q × U + p × S ) n - ( ρ × Q × U + p × S ) n + γ (12)
1 1 1 1 2 2 21 2

2.4.2 Perdas de carga contínuas
No regime uniforme, as trajectórias das partículas são paralelas às geratrizes do contorno. Se considerarmos condutas de comprimento L elevado (L >100 x D, em que D é o diâmetro da conduta) e características geométricas (direcção, rugosidade, forma e dimensão da secção transversal) constantes, poder-se-á considerar que : i ) a distribuição de pressões numa secção transversal é do tipo hidrostático (β=1). ii ) o coeficiente de Coriollis é constante ao longo da conduta (α=1) . iii ) a perda de carga (∆H) entre duas secções é proporcional à distância (L) entre elas, sendo constante o coeficiente de perda de carga (ou perda de carga unitária) ao longo da conduta, J. Sabendo que a perda de carga contínua (ou principal) depende ainda das características físicas do fluido, teremos: J = ƒ(ρ, U, D, ν, το,Ke) em que: J - perda de carga contínua por unidade de comprimento; ρ - massa volúmica do fluido; U - velocidade média na conduta; D - diâmetro da conduta; ν - coeficiente de viscosidade cinemático do fluido; το - tensão junto à parede da conduta; Ke - rugosidade equivalente da conduta, em termos da perda de carga provocada pelas várias rugosidades do material da conduta. Recorrendo à Análise Dimensional é possível estabelecer uma relação entre aquelas grandezas, chegando-se (escolhendo ρ,U,D para unidades fundamentais) à expressão geral das perdas de carga contínuas (ou fórmula universal) em condutas circulares: (14)

em que: r r n1 e n2- são os versores da direcção normal às secções de entrada e saída (S1 e S2), com o sentido positivo dirigido sempre para o exterior do volume em estudo. r γ - peso do volume de fluido em estudo.
U 1 , U 2, p1 , p2 - Velocidades médias e pressões nas secções 1 e 2.

2.4 Escoamentos sob pressão em regime uniforme e permanente
2.4.1 Escoamentos laminares e escoamentos turbulentos
Existem dois regimes de escoamento de fluidos: laminar e turbulento. O regime laminar é caracterizado por trajectórias regulares das partículas, não se cruzando trajectórias de partículas vizinhas. No escoamento turbulento, a velocidade num dado ponto varia constantemente em grandeza e direcção, sem regularidade. As trajectórias são extremamente irregulares. A relação entre as forças de inércia e a força de viscosidade sobre a partícula pode ser expressa pelo número de Reynolds através da seguinte expressão:

V ×D (13) ν O número de Reynolds define as condições de semelhança quando a natureza das forças intervenientes se limitam às indicadas (caso de escoamento de líquidos no interior de condutas em pressão). Re =
Para valores de Reynolds superiores a 2500 o escoamento é geralmente turbulento e para valores inferiores a 2000 o escoamento é normalmente laminar. A quase totalidade das aplicações de sistemas de pressurização encontra-se em regime turbulento.

J=

λ U2 × D 2g

(15)

em que : λ - coeficiente de resistência (adimensional); g - aceleração da gravidade; D - diâmetro da conduta; U - velocidade média na conduta.

38

conduz os mesmos valores que foram obtidos experimentalmente com ε. permite a determinação expedita dos valores de λ. por via gráfica O emprego da fórmula universal foi bastante simplificada com o aparecimento de diagramas como o de "Moody".rugosidade relativa (ε/D). define-se para essas condutas. que substituída na expressão de cálculo de λ. III e IV correspondem aos regimes turbulento liso. II. com suficiente rigor. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2.2. sendo: λ = 64 / Re → Fórmula de Poiseuille (16) A grande maioria dos escoamentos de fluidos. A variação de λ com Re apresenta. turbulento de transição e turbulento rugoso. onde D é o diâmetro interno da tubagem em mm e k é a rugosidade equivalente da superfície em mm. que através da representação gráfica daquelas funções implícitas.e comprovados através das experiências de Nikuradze. 2 .7 λ Re× λ (17) Para aplicação dos estudos em laboratório (baseados numa rugosidade teórica artificial .1 Determinação do coeficiente de resistência Os valores do coeficiente de resistência (λ) podem ser obtidos através das equações de Prandtl e Von Karmann . a) Determinação de l. Nikuradze considerou uma rugosidade teórica (ε) correspondente à dos grãos de areia (calibrada) colados às paredes de tubos lisos.ε) às condutas comerciais.51 ε /D = −2 log( + ) 3.4. III. uma rugosidade equivalente (ke). IV) com leis de variação distintos: • O intervalo I corresponde ao Regime laminar (Re < 2000 a 2500) onde se verifica uma variação linear de λ e Re. para cada valor de (ε/D). O valor de λ é obtido através da utilização do número de Reynold e do valor de rugosidade relativa k/D como parâmetros. • Os intervalos II. A determinação do coeficiente de resistência pode ser obtido pela representação gráfica das experiências de Nikuradse ou por via analítica. sem depender da rugosidade da conduta. em regime turbulento rugoso. ZONA DE TRANSIÇÃO FACTOR DE ATRITO λ TUBAGEM LISA CAUDAL LAMICAUDAL TURBULENTO NAR RUGOSIDADE RELATIVA DA SUPERFÍCIE K/d NÚMERO DE REYNOLD Diagrama de Moody para estabelecer o factor de atrito λ.teoria da turbulência . corresponde a um parâmetro adimensional .Diagrama de Moody para a determinação do coeficiente de resistência 39 . quatro intervalos (I. Fig. Nikuradze ao variar o factor de resistência com o número de Reynolds. concluiu que o primeiro depende do segundo e de outros parâmetros (adimensionais) que caracterizam as asperezas das paredes do tubo. nas aplicações práticas de engenharia encontram-se neste domínio e o coeficiente de resistência pode ser estimado pela seguinte equação: 1 2.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. que dividida por D.

3 Perdas de carga localizadas As perdas de carga localizadas ocorrem em singularidades das condutas. algumas das quais serviram de base ao presente texto e que se encontram referenciadas nas referências bibliográficas. λ. quer sob a forma analítica. temperatura. quer sob a forma de ábacos ou tabelas apenas são válidas dentro das condições particulares em que foram definidas. Quanto à sua constituição.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. ke . b) Determinação de l. são obtidos após o equilíbrio da malha através da Lei da Continuidade (em cada nó os caudais afluentes devem igualar os caudais efluentes) e Lei das Malhas (numa malha a soma algébrica das perdas de carga em todas as condutas deve ser nula).coeficiente de resistência (adimensional). Em regime variado há uma variação de caudal ao longo do percurso. ∆H L = K L × U2 2g (19) em que KL é o coeficiente de perda de carga localizada.6. EMALHADA só com malhas só com condutas em série com condutas em série e com malhas 2. Estas perdas de carga dependem de diversos factores relacionados fundamentalmente com as características do escoamento a montante e a jusante da singularidade. que permitem chegar a uma expressão geral para este tipo de perdas de carga. seleccionando o diâmetro pode-se de seguida calcular a velocidade e perda de carga. λ. …) encontra-se bem documentada em inúmeras publicações de hidráulica.fluido. por considerar por exemplo os consumos domésticos.4. através de fórmulas práticas (expressões empíricas. o caudal é constante logo. válidas apenas em certas circunstâncias . por via analítica Para cálculos mais exactos o cálculo do coeficiente de resistência. etc. Chama-se caudal unitário de percurso (q) ao parâmetro que traduz a variação média do caudal ao longo da conduta: 2.TIPOS DE REDES TIPO DESCRIÇÃO DISTRIBUIÇÃO DE PERCURSO sem com sem com sem com REGIME DO ESCOAMENTO PERMANENTE uniforme variado uniforme variado uniforme variado λ . deve ser realizado por via analítica por equações de reconhecida validade. podemos considerar os seguintes tipos de redes: QUADRO 1 .5 Redes hidráulicas 2.51 K (18) = −2 log( + ee ) 3. em trechos pequenos da conduta em que se quebra a sua uniformidade. . 2. Nas redes emalhadas o conhecimento do valor e sentido dos caudais.7 λ Re× λ Em que: Estes sistemas aparecem normalmente nas redes de abastecimento de água municipais ou industriais e nas redes de combate a incêndios. em cada troço.1 Classificação das redes hidráulicas As redes de condutas consideram-se sistemas complexos porque são constituídas por tubagens ligadas em série e/ou paralelo. ou seja.. Re .rugosidade equivalente (m): D . Logo. Chama-se nó ao ponto de intersecção de três ou mais condutas e malha a todo o circuito fechado constituído por três ou mais condutas ligadas em série. sendo determinado experimentalmente para cada tipo de singularidade. A determinação dos coeficientes de perda de carga em diferentes singularidades (estreitamentos e alargamentos suaves.). A determinação analítica destas perdas de carga localizadas (∆HL) baseia-se na aplicação dos Teoremas da Quantidade de Movimento e de Bernoulli. material das paredes do contorno sólido.6 Cálculo hidráulico 2. exprimindo-as como percentagem da altura cinética (U2/2g): RAMIFICADA MISTA Nas redes ramificadas a direcção do escoamento é única e portanto conhecida.diâmetro da conduta (m).número de Reynolds (adimensional).. como por exemplo pela Fórmula de Colebrook-White: k /D 1 2. q= Qm − Qj ⇔ Qm = Qj + q × L L (20) 40 . Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas É importante relembrar que a determinação do coeficiente de resistência. as perdas de carga são contabilizadas considerando que o escoamento se faz em regime permanente variado. Diz-se que uma conduta tem distribuição de percurso quando sofre uma variação de caudal ao longo do seu percurso (escoamento em regime permanente variado). formando feixes ou malhas de condutas.1 Regime uniforme e permanente Em regime uniforme e permanente. etc. secção transversal.5. mudanças de direcção. conhecendo-se os caudais e os diâmetros é possível de imediato o cálculo das perdas de carga. válvulas.

Os custos de investimento são directamente proporcionais ao diâmetro instalado e os consumos de energia inversamente proporcionais ao mesmo valor. . Os passos fundamentais a seguir nos cálculos a efectuar são: .caudal no extremo de jusante.caudal unitário de percurso. Especialmente nos diâmetros mais pequenos a alteração de um diâmetro para o da série comercial imediatamente inferior poderá representar alterações significativas em alguns parâmetros de controlo. em regime uniforme e permanente. L .Cálculo dos custos de investimento em função dos diâmetros seleccionados. .55 × q × L (21) Trata-se de um caudal fictício que. Será em cada ponto a soma da altura geométrica com todas as perdas no sistema para esse caudal. Para tal acontecer os custos associados aos diâmetros extremos seleccionados deverão ser superiores a pelo menos um dos custos associados a um dos diâmetros intermédios.Conceitos Fundamentais de Hidráulica.Adição dos custos anteriores para os diversos diâmetros seleccionados e verificação de que o conjunto de diâmetros seleccionados contém o diâmetro (comercialmente disponível) mais económico. 4 . uma vez que a perda de carga aumenta de forma quadrática com a velocidade e esta aumenta igualmente de forma quadrática com o diâmetro. Bresse ultrapassou esta dificuldade considerando um caudal equivalente ( Qe ): Qe = Qj + 0. apresentando a curva característica da instalação a forma apresentada na figura 4. há uma variação do coeficiente de perda de carga. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Em que: q . (actualizados ao ano 0) .Curva característica da instalação Fig. Havendo uma variação da velocidade ao longo da trajectória. considerando os caudais que realmente circulam na rede.Selecção do diâmetro mais económico. Com esta simplificação o cálculo hidráulico de regime permanente variado é transformado. Qm . H = f (Q ) → H man = H geo + ∑ J i × Li + ∑ ki × U 2g 2 2 (22) Altura Perdas de carga Perdas de carga   V2  ∑ K i i + ∑ J i × Li    2g   Altura geométrica Caudal Fig.Selecção de um conjunto de diâmetros (comercialmente disponíveis) a partir de velocidades médias (0. 2. conforme se representa na Fig.7 Dimensionamento económico de condutas Apresentam-se neste ponto os passos fundamentais para o desenvolvimento dos cálculos que permitem seleccionar os diâmetros económicos das condutas. As perdas de carga têm variação quadrática com o caudal. Qj . 3.8 Curva característica da instalação A curva característica da instalação será a curva que traduz. Tal facto dificulta o cálculo das perdas de carga em cada trecho da conduta. em movimento uniforme e para um dado diâmetro.Cálculo dos custos de energia do período de vida da obra. . O processo de dimensionamento consiste em determinar o diâmetro que minimize a soma dos custos de investimento com os de energia (não se consideram outros custos de exploração). 3 .caudal no extremo de montante. conduz ao mesmo valor da perda de carga que a verificada em regime permanente variado.comprimento da conduta. para cada caudal. que se traduz numa variação parabólica da linha de energia.5 m/s) e de critérios de velocidade mínima e máxima. a altura de elevação necessária para esta instalação. para efeito do cálculo das perdas de carga. 2. 41 .6 a 1.Variação dos custos de investimento e energia com o diâmetro de condutas.

Quanto à posição do eixo: a) Eixo horizontal.º de impulsores: a) De um só andar: quando têm um só impulsor. 6 . 2. b) De sentido retrógrado: se o eixo da bomba roda no sentido horário. Veios condutores fixos no corpo da bomba podem ajudar a dirigir o fluido. melhorando a eficiência da bomba. montadas sobre o mesmo eixo e com descargas em série. Uma bomba centrífuga com um só rotor é uma bomba de um único estágio (ou andar). Esta energia cinética é convertida em pressão quando o fluido sai do impulsor e entra na voluta ou difusor.Corte numa bomba multicelular Muito resumidamente. Fig. O fluido depois de entrar no segundo estágio terá um aumento de energia sob forma de aumento de pressão e assim sucessivamente. A Figura 3 ilustra uma alheta de um impulsor e os respectivos vectores de velocidade.9. • Propulsor ou rotor.Conceitos Fundamentais de Hidráulica.1 Definição Uma bomba é denominada centrífuga quando a direcção de escoamento do fluido é perpendicular à do eixo de rotação da hélice e podem ser classificadas da seguinte forma: Quanto ao n. a descarga de uma bomba dum estágio é injectada na admissão de uma bomba de um segundo estágio. Quanto ao sentido de rotação: a) De sentido directo: se o eixo da bomba roda no sentido anti-horário. a bomba é constituída por um rotor que gira no interior de uma carcaça. Fig. o que permite transmitir a energia ao líquido para este adquirir o aumento de pressão desejado. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2. A energia cinética do fluido aumenta do centro do rotor para a ponta das palhetas propulsoras.9 Bombas centrífugas 2. Quando se deseja ter uma combinação de pressão total e capacidade que não se enquadra numa bomba de um só estágio. assim como para deduzir a curva Q/H da bomba centrífuga.2 Constituição Na sua forma mais simples. onde se preserva a pressão do primeiro. • Sistema de lubrificação. b) De andares múltiplos: quando existem vários impulsores. 42 . c) Eixo inclinado. as principais peças constituintes de uma bomba centrífuga. • Veios condutores.Forma típica do corpo uma bomba centrífuga 2. são as seguintes: • Corpo da bomba. • Sistema de refrigeração. O fluido entra na bomba nas vizinhanças do eixo do rotor propulsor e é lançado para a periferia pela acção centrífuga. b) Eixo vertical.9.9. Nesta situação. 5 . usa-se uma bomba multiestágio.3 Curva característica da bomba A equação básica da bomba é utilizada para calcular e desenhar formas geométricas e dimensões. As bombas multiestágio podem ser consideradas como bombas com vários estágios simples. Normalmente o propulsor é considerado o coração da bomba. sendo constituída por um disco que roda a alta velocidade. • Motor eléctrico.

w = velocidade relativa à alheta. vm = componente radial da velocidade absoluta. velocidade periférica da alheta u. Ht∞.Representação dos vectores velocidade na alheta do impulsor Na figura 7. A redução de pressão causada por perdas no escoamento é tomada em consideração pelo rendimento hidráulico e a redução devido ao desvio do caudal de uma ângulo ideal β2 é contabilizado por um coeficiente de alheta k. Se a curva Q/Ht∞ for traçada. a equação básica da bomba é simplificada para: uv H t = kη h 2 u 2 (25) g A altura manométrica ideal obtida pela equação de Euler é independente do caudal Q. logoνu1 = 0. vu = componente tangencial da velocidade absoluta. é possível derivar a familiar teoria da equação básica da bomba utilizando as leis da mecânica. Esta relação é conhecida como equação de Euler e é expressa do seguinte modo: Numa bomba real. não é possível satisfazer nenhum destes princípios. Fig. visto que existem sempre perdas por atrito e o número finito de alhetas não direccionará o caudal completamente na direcção da alheta. a equação de Euler para uma bomba real tem o seguinte aspecto: ηh (ku2vu 2 − u1vu1 ) (24) g É possível mostrar que ηh e k são menores que a unidade. 43 . u = velocidade periférica da alheta. Ht = As bombas centrífugas são normalmente concebidas com α1 = 90°. A velocidade relativa é paralela à alheta em qualquer ponto. onde: v = velocidade absoluta do líquido.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. 7 . Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Alheta de impulsor de bomba com os vértices de velocidade nos bordos de ataque e fuga. Para além disso. componente tangencial da velocidade absoluta do líquido vu e componente radial vm . velocidade relativa w. Com estas modificações. é indicado por uma linha recta. A curva real Q/H é derivada desta curva através da subtracção dos efeitos do Ht∞ = 1 (u2vu 2 − u1vu1 ) g (23) onde o índice t referencia um caudal sem perdas e ∞ refe. vu1 = v1 cos α1 e vu2 = v2 cos α2 Partindo do princípio que o caudal não tem perdas e que o número de alhetas é infinito (∞). Velocidade absoluta do líquido v. Assim sendo. são representados os vectores velocidade nos bordos de ataque e fuga. rencia o princípio do número infinito de alhetas que garante o direccionamento completo do líquido.

Outras Perdas Existem outras perdas numa bomba centrífuga que não afectam a curva Q/H mas que aumentam o consumo de energia da transmissão do motor. • No bordo de fuga da alheta. Fig. para Ht não é causada por perdas de caudal mas sim pelo desvio do líquido dos ângulos ideais devido ao número finito de alhetas. As perdas mínimas ocorrem com o caudal nominal da bomba. O efeito da perda por fuga está ilustrado na Figura 8. As diferenças de velocidade causam turbulência que originam perdas. Fig. Este efeito é ilustrado na Figura 9. com velocidades de caudal diferentes do valor nominal. conforme se pode constatar na figura seguinte. Por muito pequena que seja a folga. onde o líquido entra em contacto com a alheta no ângulo β1. porque o coeficiente de alheta é ligeiramente dependente do caudal Q. 8 . Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas número finito de alhetas e de várias outras perdas que ocorrem no interior da bomba. onde o líquido atinge a ponta da alheta. Perdas por Atrito Hf As perdas por atrito ocorrem à medida que o líquido flui pelas passagens do impulsor e da voluta da bomba. Perdas Redução do caudal Q causada por perdas por fuga Hv Efeito do número finito de alhetas Ht Perdas por atrito Hr Perdas por descontinuidade Hs Velocidades (w) e perdas relativas do bordo de ataque da alheta com várias velocidades de caudal. A perda é mais pequena no ponto de concepção da bomba.Velocidades e perdas no bordo de ataque da alheta com várias velocidades. O seu aumento é proporcional ao quadrado do caudal. Perdas por fuga Hv As perdas por fuga ocorrem na folga entre o impulsor e a voluta da bomba. Estas perdas incluem: • perdas por atrito nas superfícies exteriores do impulsor. ocorrem perdas devido aos redemoinhos causados por esta. a existência de um número finito de alhetas diminui a altura manométrica pelo factor de alheta k. Poderemos escrever que: H t = kH t∞ (26) Ht não é perfeitamente linear. 44 . As perdas aumentam com o aumento do desvio do ângulo de contacto do ângulo da alheta β 1. quando o ângulo de ataque do líquido é igual ao ângulo β 1 do bordo de ataque da alheta. • Na voluta da bomba. Por este motivo.Redução (H) da curva verdadeira da bomba Q/H relativa à altura teórica da bomba Ht∞. o caudal através do impulsor é ligeiramente maior do que o caudal de saída da voluta da bomba. Perdas por Descontinuidade Hs As perdas por descontinuidade são geradas nas seguintes áreas: • No bordo de ataque da alheta. quando o caudal na voluta é diferente do caudal no perímetro do impulsor. conforme se pode ver na Figura seguinte. Esta perda aumenta à medida que a bomba vai sendo desgastada.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. • perdas por atrito no empanque da transmissão. As perdas mínimas ocorrem com o caudal nominal da bomba. A redução de altura de Ht∞. a diferença é a perda por fuga Hv. poderemos obter a altura teórica Ht. cujo aumento é proporcional ao aumento de diferença entre o caudal real e o caudal nominal. 9 . um pequeno retorno de caudal passa da área de elevada pressão junto da borda do impulsor para a área de baixa pressão do aro de junta do impulsor. • perdas por atrito na chumaceira. pelo que a cabeça da bomba encontra um caudal reduzido. O seu aumento é proporcional ao quadrado do caudal Q. Se tomarmos este factor em consideração. quando o ângulo de ataque do líquido é igual ao ângulo β1 do bordo de ataque da alheta. O Efeito do Número Finito de Alhetas Conforme indicado anteriormente.

O impacto de alta pressão resultante poderá originar picagem e a erosão da estrutura adjacente. tendo como consequência mais gravosa a deterioração mecânica precoce da bomba. com uma densidade muito mais baixa.10 Cavitação e NPSH A cavitação é o fenómeno hidráulico associado à formação e colapso de bolhas de vapor num líquido. conforme representado na figura seguinte. tal como se estivesse a bombear areia. 11 . particularmente. Uma bomba com cavitação emite um ruído de crepitação característico. irão eventualmente implodir. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2. Definição de NPSH NPSH é o acrónimo do termo inglês Net Positive Suction Head e representa a diferença entre a pressão estática absoluta e a tensão de vapor do líquido (normalmente expressa em metros). com líquidos quentes e voláteis. As picagens podem ter vários milímetros de profundidade. a pressão do choque irá eventualmente originar a erosão do material dessa superfície. Se a implosão ocorrer perto de uma superfície e ocorrer repetidamente. é necessário que no dimensionamento desta seja acautelado a ocorrência de cavitação. • A bomba torna-se muito menos eficiente porque passa a bombear uma mistura de líquido e vapor. o seu colapso ocorrerá rapidamente. Se estas se moverem no fluido para uma zona de pressão superior. Fig. o fenómeno da cavitação nas bombas centrífugas ocorre numa localização perto do bordo de ataque da alheta do impulsor. Se a pressão cair abaixo da pressão do vapor. Implosão de bolhas de vapor Fig. Habitualmente. formam-se redemoinhos e zonas de baixa pressão do outro lado da alheta. na instalação de qualquer bomba. As bolhas de vapor são formadas quando a pressão estática local de um líquido em movimento diminui até atingir um valor igual ou inferior ao da pressão do vapor desse líquido para uma dada temperatura.Impulsor demonstrando estragos motivados por cavitação Bolhas de vapor A formação e desaparecimento das bolhas de vapor é designada por fenómeno de CAVITAÇÃO. as marcas de desgaste causadas pela cavitação ocorrem localmente e consistem em picagens profundas com bordos afiados. Não existe nenhum material que suporte totalmente a cavi- 45 .Influência do ângulo no bordo de ataque da alheta Logo.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. formam-se bolhas de vapor. tação. A cavitação numa bomba apresenta duas desvantagens: • A criação e colapso das bolhas de vapor podem danificar a bomba. Normalmente. hA = diferença de altura entre o plano de referência e a ponta do bordo de ataque da alheta. Se o líquido for bombeado de modo a atingir o bordo de ataque da alheta a um ângulo diferente do da alheta. Quando a bolha se desloca com o fluido para uma área de pressão superior. A implosão causa uma onda de choque local transitória e extremamente alta no líquido. O cálculo do NPSH é baseado nos seguintes parâmetros: ht = altura geométrica de entrada. 10 . pelo que deverão ser tomados os devidos cuidados se as condições de funcionamento da bomba apresentarem o risco de ocorrência de cavitação.

Vo2/2g= quebra de pressão causada pela velocidade de entrada. NPSH Requerido O NPSH requerido é obtido a partir da seguinte equação: NPSH requerido = hA + vo 2 2g + ∆h BOMBA HORIZONTAL BOMBA VERTICAL Este valor também é conhecido como valor de NPSH da bomba. 15 . como pode ser visto na Figura 15. conforme demonstrado na Figura 14. 12. ∆h = quebra de pressão local no bordo de ataque da alheta. Fig. a localização do plano de referência é indicada pelo fabricante. Nas bombas verticais. o plano de referência coincide com a linha central da transmissão. Pmin= pressão estática mínima na bomba. Nas bombas horizontais.Dimensões e pressões de referência na aspiração da bomba Plano de Referência O plano de referência é o plano no qual os cálculos do NPSH são efectuados. Pv = pressão do vapor do líquido à temperatura dominante. Distribuição da pressão estática do líquido na tubagem de entrada. Pressão estática do líquido O NPSH da bomba é independente da temperatura e do tipo do líquido que está a ser bombeado. Fig. O fabricante da bomba é obrigado a indicar o NPSH como um valor numérico ou uma curva. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Hrt = perdas de caudal na tubagem de entrada. Pb = pressão ambiente ao nível do líquido. As alturas de pressão são apresentadas na Fig. na bomba e na tubagem de pressão de uma instalação de uma bomba em seco.Variação típica do NPSH requerido com o caudal. Trata-se do plano horizontal que atravessa o ponto central do círculo descrito pela ponta do bordo de Fig. a pressão estática mínima na bomba (Pmin) tem de ser maior do que a pressão do vapor do líquido. 13 .Conceitos Fundamentais de Hidráulica. 14 . na bomba e na tubagem de pressão.Dimensões e pressões de referência para o cálculo do NPSH Para evitar a cavitação. ataque da alheta. 12 . Este valor pode ser apresentado como uma função do caudal. Pressão Mínima NPSH requerido Plano de Referência NPSH requerido Fig. NPSH NPSHF (Sem cavitação) NPSH início do ruído Pressão mais baixa na bomba Pressão do vapor Pressão 0 absoluta NPSH início da perda material NPSH0 (0% de perda de altura manométrica) NPSH3 (3% de perda de altura manométrica) Variação de pressão numa instalação de bomba em seco.Curvas de NPSH 46 . Na realidade. qualquer bomba terá valores de NPSH diferentes dependendo da definição da ocorrência. ou Pmin > pv A Figura 13 ilustra o princípio da distribuição da pressão estática do líquido na tubagem de entrada.

Por este motivo. é possível determinar curvas características de bombas a partir de uma conhecida. Este valor é definido como NPSH3. encontram-se detalhadamente descritos na publicação do EUROPUMP "NPSH FOR ROTODYNAMIC PUMPS. é possível determinar essa mesma curva a uma velocidade de rotação diferente. as suas margens de segurança e métodos de medição. REFERENCE GUIDE"(1997). Este procedimento é muito frequente. a curva de NPSHr publicada pelo fabricante deve garantir que a bomba não será danificada se for utilizada acima dessa curva. As variações técnicas de fabrico do formato do bordo de ataque da alheta podem afectar o comportamento da cavitação. cuja metodologia foi seguida no presente trabalho. Para bombas instaladas verticalmente.11 Leis de semelhança O traçado das curvas características depende do raio do rotor (impulsor) e da velocidade de rotação deste.5 m. que permite alterar a velocidade de rotação do seu impulsor. A cavitação prejudicial poderá ocorrer mais cedo do que o esperado. o NPSHr é definido como a situação onde a altura manométrica da bomba sofre uma diminuição de 3% devido à cavitação.5 m é suficiente. 2. os impulsores monocanal registam as maiores diferenças nos valores de NPSH devido à quebra da curva do NPSH3 e os seus testes apresentam resultados demasiado favoráveis. ou com valores de NPSH maiores do que NPSH3 (Figura 15). Para bombas instaladas horizontalmente com tubagens de sucção rectilíneas. existem muitas bombas centrífugas com velocidade de rotação variável. A diferença entre os vários valores de NPSH é maior nas bombas equipadas com impulsores com menos alhetas. a margem de segurança deve ser definida entre 2 e 2. onde D1 é o diâmetro da abertura de maiores dimensões. tais como a alheta do impulsor. desde que seja utilizada uma curva cónica antes da entrada da bomba. em muitas situações. Este valor pode ser denominado o NPSH da instalação sobrepressora. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas De acordo com os padrões de teste utilizados pelos fabricantes de bombas. conhecendo a curva característica de uma bomba a uma determinada velocidade de rotação do rotor. Isto aplica-se especialmente às bombas de águas residuais. uma curva de NPSHr baseada na regra de 3% do padrão é uma base insuficiente para a avaliação do risco de cavitação em bombas com poucas alhetas. As perdas de carga na tubagem de aspiração podem ser incorrectamente calculadas e o ponto de funcionamento real da bomba pode diferir do teórico devido a variações na curva Q/H e a cálculos incorrectos da resistência da tubagem de aspiração. A cavitação ligeira pode ser inofensiva para a bomba se as bolhas de vapor não implodirem perto das suas partes estruturais. A alteração destes dois parâmetros provoca alterações nas curvas características. Carga Hidrostática H2  N2   = H 1  N1    P2  N 2   = P  N1  1   2 3 Potência Carga efectiva positiva de sucção H2  N2   = H 1  N1    2 47 . O termo ht é positivo quando o plano de referência se encontra acima da superfície do líquido e negativo quando este se encontra abaixo da superfície. Por exemplo. NPSH Disponível O NPSH disponível indica a pressão disponível para a aspiração da bomba sob as condições dominantes. O NPSH. carga a desenvolver pela bomba (H). que têm um número reduzido de alhetas do impulsor. Assim sendo. O NPSH disponível é determinado pelo projectista da instalação. Efeito da variação da velocidade do rotor com o diâmetro constante: Caudal Q2 N 2 = Q1 N1 NPSH disponivel = Pb pv − H rt − ht − ρg ρg (27) Margem de Segurança do NPSH NPSHdisponível >NPSHrequerido + Margem de segurança . O problema é que não existe nenhum modo exacto de testar e estabelecer este valor de NPSH. encontrar o caudal desejado ou os parâmetros de dimensionamento adequados. O NPSH requerido também poderá ser afectado pela forma da tubagem de entrada. Estas leis são relações entre: caudal (Q). Em princípio. O raio de curvatura da linha central da curva não deve ser inferior a D1 + 100 mm. uma margem de segurança de 1 a 1. Na prática. possuem um mecanismo do tipo variador de frequências. pois é necessário. potência (P) e carga efectiva positiva de sucção (H) com a velocidade do rotor (N) ou com o diâmetro do rotor (D).Conceitos Fundamentais de Hidráulica. Através das leis de semelhança entre bombas centrífugas. A margem de segurança do NPSH deve ser suficientemente grande para suportar variações numa situação onde as condições reais podem ser diferentes das calculadas teoricamente. isto é.

P.H.H.S. Com esse ponto.P. temos o caudal que pode ser bombeado naquela instalação.12 Ponto de funcionamento de uma bomba centrífuga O ponto de funcionamento de uma bomba corresponde à intercepção da curva característica da bomba (H/Q). (≤ N. o rendimento e o N. 16 . com a curva característica da instalação. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Efeito da variação do diâmetro do rotor com velocidade de rotação do rotor constante: Q2 D2 = Q1 D1 Caudal Carga Hidrostática H 2  D2   = H 1  D1    P2  D2   = P  D1  1   2 3 Potência Carga efectiva positiva de sucção H 2  D2 = H 1  D1      2 2.Conceitos Fundamentais de Hidráulica.req. a potência absorvida.Ponto de funcionamento de uma bomba 48 . Fig.).S.dis.

J. (1986) MECÂNICA DOS FLUIDOS E HIDRÁULICA GERAL . ANTÓNIO C. REFERENCE GUIDE QUINTELA. (1981) HIDRÁULICA . (1988) BOMBAS E INSTALAÇÕES DE BOMBEAMENTO GRUNDFOS (1996) MANUAL DE ENGENHARIA . Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2.FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN NOVAIS-BARBOSA.13 Referências bibliográficas EUROPUMP (1997) NPSH FOR ROTODYNAMIC PUMPS.PORTO EDITORA MACINTYRE. ARCHIBALD J.Conceitos Fundamentais de Hidráulica.ESTAÇÕES ELEVATÓRIAS DE ÁGUAS RESIDUAIS 49 .

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Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. de Eng. SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO COM VELOCIDADE FIXA E VELOCIDADE VARIÁVEL Autor: Eduardo Nunes Director de Projectos da Profluidos Professor Adjunto Equiparado do Dept.ª Mecânica (DEM) do ISEL 51 .

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foi fundada em 1986 e intervenciona nas áreas de Elaboração de Estudos e Projectos de Engenharia. O ISEL O Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL) é a mais antiga escola de engenharia em Portugal. garante a qualidade técnica dos projectos. tendo como objectivo último. a satisfação dos seus clientes. por Decreto Régio de D. 53 . sendo especializada nas áreas das Instalações Especiais e do Saneamento Básico. Teve a sua génese em 30 de Dezembro de 1852. sempre devidamente adaptados às necessidades e assegura a indispensável assistência técnica. Este Instituto passou a ter estatuto de ensino superior com a denominação de Instituto Superior de Engenharia de Lisboa. pelo Decreto-Lei 389/88 passa a fazer parte da rede de estabelecimentos de Ensino Superior Politécnico. Lda. integrado no Instituto Politécnico de Lisboa.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A Profluidos A Profluidos . É uma empresa multidisciplinar. que criou o Instituto Industrial de Lisboa. 500 docentes e 130 funcionários não docentes. Em 25 de Outubro de 1988.Gabinete de Projectos de Instalações Especiais. na procura de um produto final de qualidade. Consultadoria e Assistência Técnica. caracterizada pela qualidade. dispõe ainda de uma vasta equipa de consultores externos com formação técnica e pedagógica devidamente actualizada. eficiência. por Decreto-Lei 830/74 de 31 de Dezembro. a Profluidos. O ISEL conta actualmente com cerca de 6000 alunos. Com ampla experiência nacional e internacional. tendo em atenção parâmetros que considera de capital importância. Formada por um Quadro Técnico Qualificado de especialistas que possuem uma longa experiência nos diferentes domínios de intervenção. Maria II. especializada nas suas áreas de actuação. rapidez de resposta e segurança de actuação.

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Fig. .Instalação típica de centrais hidropneumáticas em edifícios de grande altura 55 . Fig. embora os mesmos princípios sejam extensivos a todas as demais aplicações. em série ou em paralelo com as bombas. consiste em utilizar bombas de velocidade variável.Um dispositivo para compensar o ar dissolvido na água (no caso de reservatórios sem membrana). O seu correcto dimensionamento.Um ou mais reservatórios fechados. Face à vastidão dos seus campos de aplicação optámos por exemplificar os sistemas de pressurização com velocidade fixa e velocidade variável aplicados aos sistemas prediais abastecidos pela rede pública. Na actualidade. rega. nomeadamente os custos de instalação e exploração e finalmente da manutenção com influência na duração dos equipamentos. que automaticamente.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. tem vindo a divulgar-se a utilização de sistemas por bombeamento directo. cada vez mais corrente no mercado. torna-se necessário recorrer a dispositivos de elevação de pressão apropriados. ao mesmo tempo que é operada também de uma forma automática uma válvula de controlo de pressão. quer sob o ponto de vista funcional. instalação e manutenção reveste-se da maior importância. .1 Constituição e princípio de funcionamento Os principais órgãos de uma central hidropneumática são: .Um conjunto de bombeamento para os reservatórios. os requisitos principais relativos à sua instalação e custos de exploração associados. Quando a pressão que está disponível na rede pública de distribuição de água potável é insuficiente para garantir o funcionamento dos aparelhos de consumo. quer sob o ponto de vista económico.Válvula de controle de pressão em paralelo com as bombas HOTEL Fig. 2 . em função do caudal ou pressão.Bomba de velocidade variável A segunda solução consiste na utilização de duas ou mais bombas de velocidade fixa instaladas em paralelo.2 Tipos de sistema de elevação de pressão Uma situação corrente tem sido a utilização de sistemas hidropneumáticos. Nestes sistemas existe obrigatoriamente um ou mais reservatórios metálicos onde a água é mantida sob pressão.Pressóstatos ou sensores de pressão. em parte ou na totalidade dos pisos de um edifício.3 Centrais hidropneumáticas 3. 3 . 4 . apresentar a metodologia de dimensionamento dos seus componentes. para garantir de modo satisfatório as exigências de caudal e pressão dos diversos aparelhos de consumo prediais. Nos sistemas por bombeamento directo podem considerar-se duas soluções alternativas. Fig.Válvula de controlo de pressão em série com as bombas 3. sob a acção de transdutores e circuitos electrónicos. adequam a velocidade de rotação às exigências de caudal que é solicitado em cada instante pela rede. A primeira solução. As aplicações cobertas por este tema são muito vastas e destinam-se principalmente aos sistemas prediais. 1 . 3. abastecimento público e indústria. .3. tubagens e dos aparelhos de consumo. com arranque e paragem automáticas. com ou sem membrana.1 Introdução O presente capítulo deste manual tem por objectivo descrever e caracterizar os tipos de sistemas de elevação existentes. Tratam-se de sistemas sem o recurso a reservatórios hidropneumáticos.

6). Distinguem-se os casos: Característica pouco inclinada quando qm < 1/2 QM. a zona útil de variação de caudal das duas bombas recobre parcialmente a zona útil de uma única bomba (fig. dá partida à bomba. medidores de caudal e todos os sensores e equipamento necessário ao comando. Fig. aumenta a pressão no seu interior e a almofada de ar comprime-se armazenando energia potencial (elástica). a curvatura é acentuada (tangente 3. quando duas bombas funcionam em paralelo. com caudais muito superiores ou muito inferiores ao caudal correspondente ao ponto de maior rendimento.Zona útil da curva característica de uma bomba Grundfos As curvas características das bombas podem ter diferentes configurações: Algumas caracterizam-se por apresentar um traçado de tangente praticamente horizontal.2 Grupos electrobomba 3.3. O caudal de dimensionamento das bombas deve ser 15 % a 25 % superior ao caudal máximo do consumo previsto para o edifício. Em instalações de pequeno porte poderá ser utilizado com reservatórios ou carregador de ar ou reservatórios com membrana a separar a fase líquida da fase gasosa. Esta zona é em geral definida pelo fabricante. 6 . Fig. À medida que o nível da água se eleva no reservatório. Quando a água atinge o nível máximo a bomba é desligada. um sensor.2.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável . enchendo-se o reservatório. Fig. ela deverá funcionar assim numa zona de bom rendimento. ou ainda. Instalações de grande e médio porte exigem a aplicação de um ou mais reservatórios de membrana ou uma central de ar comprimido.1 Selecção das bombas A zona útil da curva característica de uma bomba é definida por critérios técnico económicos. protecção e controle das bombas e compressores. um interruptor de flutuador. pelo contrário.Manómetros. ela é limitada pelos caudais mínimo qm e máximo QM. . pressóstato. Para melhor precisar estas noções.3. considera-se a zona de variação de caudal correspondente à parte útil da curva característica das bombas (fig. se for entretanto atingido um nível superior préfixado será accionado o compressor de ar.Definição das curvas características das bombas No primeiro caso.Selecção das bombas 56 . Noutras. o que quer dizer que a uma grande variação de caudal corresponde uma pequena variação da altura de elevação da bomba e correspondentemente da pressão (curva típica das bombas monocelulares). 5 . 6). Uma bomba não pode funcionar sem inconvenientes.Eléctrodos ou interruptores de nível. No segundo caso as duas zonas não se recobrem. A pressão correspondente a essa descarga é a altura manométrica da instalação. Característica inclinada em que qm ≥ 1/2 QM. >> 0) pelo que uma pequena variação de caudal é acompanhada por uma grande variação da altura de elevação e por consequência da pressão (curva típica de bombas multicelulares). 7 . O seu princípio de funcionamento é o seguinte: sempre que o nível da água atinge o ponto mais baixo no interior do reservatório hidrofórico.

com passagem do ponto de operação de B5 para C5 seguida de uma evolução progressiva de C5 para C6 e assim por diante. 9). O caudal médio de uma bomba determina-se pela expressão: Qm = em que: 2 Q2 2 ( a + Qa − Q p + Q p ) × 3 Qa + Q p Fig. para C5 e por fim C4. ocorre um salto brusco de A3 para B3.Determinadas gamas de caudais não são abrangidas. sendo o caudal debitado pelas bombas desajustado às necessidades. . Em A3 é atingida a pressão mínima.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A experiência mostra que quanto maior é a diferença de pressão entre o arranque e a paragem das bombas mais reduzido resulta o volume do reservatório. . São dispositivos providos de contactos eléctricos biestáveis. Qp . até A1. o ponto de funcionamento desloca-se progressivamente de A1 para A2 e A3. o ponto de operação do sistema passa de C4 para B4.Evolução de A2. do respectivo caudal e da pressão. o arranque e a paragem das bombas são efectuados automaticamente. ou seja.2.Quando o caudal solicitado pela rede for inferior a Qa0. etc.3. Assim. designada regulação manométrica.Através do diferencial de caudal.2. . 3. para B5. que são accionados mecanicamente pela pressão da água. Destacam-se alguns inconvenientes relacionados com este tipo de funcionamento: .Evolução progressiva de C6. ocorre uma variação brusca do ponto de funcionamento e consequentemente. através de uma das duas opções: . conforme está representado na figura 8. Nesta situação.Paragem da segunda bomba. evolui-se progressivamente de B3 para B4 e seguidamente. e operação com a curva 1P em que o ponto de funcionamento passa de B2 para A2.1 Regulação manométrica A regulação manométrica é a mais utilizada. . que permitem. e realiza-se como se segue: Se o consumo da rede aumenta quando se encontra a funcionar apenas uma das bombas do sistema. a selecção dos grupos electrobomba deve ser a favor dos que se caracterizam por curvas características com inclinação acentuada. o funcionamento também será irregular com paragens e arranques frequentes.Através do diferencial de pressão. designada regulação debitométrica. Nesta evolução. 8 Qa . bombas multicelulares.caudal de paragem Verifica-se o mesmo procedimento quando as necessidades de água diminuem: . através do circuito de comando a abertura e fecho dos contactores de potência. a sua curva de funcionamento evoluirá de R1 para R6. tais como as zonas entre Qa3 e Qb2 e também entre Qb5 e Qc4.Em cada arranque e paragem de uma das bombas.3. Se o consumo de água continua a aumentar. correspondente à pressão máxima de funcionamento com três grupos electrobomba. é posta em marcha a terceira bomba. o caudal debitado pela bomba aumentará para satisfazer o consumo. .2. o que faz arrancar a segunda bomba do sistema e a curva funcional passa a ser a curva 2P (duas bombas em funcionamento). Com o arranque da segunda bomba. deve instalar-se um depósito hidropneumático ligado ao colector de descarga comum das bombas (fig. Também se pode empregar a fórmula simplificada: Qm = Qa + Q p 2 3.Paragem da terceira bomba 3P e passagem para um funcionamento com duas bombas.caudal de arranque. o funcionamento é instável com arranques e paragens frequentes da bomba. correspondente à curva 2P.2 Comando das bombas Nas centrais de pressurização com bombas de velocidade fixa. mas a pressão de descarga da bomba diminuirá. 57 . Os órgãos que asseguram o arranque e a paragem das bombas são os pressóstatos. se o caudal requerido cair e permanecer no interior destas zonas. passando por todas as fases intermédias. Para se evitarem os inconvenientes descritos. .

enquanto que o caudal fornecido à instalação (consumo) permanece praticamente inalterado. de B' para B. Verifica-se então um funcionamento intermitente entre n bombas e n+1 bombas. a presença do depósito hidropneumático altera ligeiramente os pontos de funcionamento do sistema. o excesso de caudal debitado pelas bombas alimenta o depósito enquanto não se atingir a pressão do ponto de funcionamento. impedindo a dissolução do ar na água. O caudal Q' poderá ser garantido com n bombas (ponto A') ou n+1 bombas (B') em funcionamento contínuo. Fig. Como se pode observar na fig.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável pressão do ponto de funcionamento D. 10. não temos qualquer sobreposição das zonas de funcionamento. O dimensionamento de uma instalação tem como objectivo a satisfação do caudal de ponta. No exemplo ilustrado na figura 11. aprisionado na parte superior do depósito. É nesta situação de não sobreposição dos campos de caudais que o depósito se torna indispensável. à medida que o depósito se esvazia para atingir a No exemplo ilustrado pela figura 12. que estará compreendido entre 0 e Qmax. ao contrário da água que é praticamente incompressível. esta diferença vai alimentar o depósito. 9 O ar sob pressão. equipados com membranas que impedem o contacto do ar com a água. A ligeira variação entre A e B' deve-se às perdas de carga no ramal de ligação do depósito. Paragem da 2ª bomba: Na paragem. Um caudal compreendido entre Qa1 e Qa2 pode ser fornecido com n+1 bombas em funcionamento contínuo. 12 .Gama de caudal coberta por n bombas Gama de caudal coberta por n+1 bombas 58 . A diferença de pressão entre C e D' deve-se também às perdas da carga da ligação ao depósito. Um caudal compreendido entre Qa1 e Qb1 não poderá ser obtido com um funcionamento contínuo. verifica-se que há uma sobreposição das gamas de caudal entre n bombas e n+1 bombas em funcionamento porque Qb1 é inferior a Qb2. reduzindo os problemas de corrosão e evita a introdução de dispositivos de compensação de ar. actualmente. 10 Modo de funcionamento: Arranque da 2ª bomba: No arranque. Fig. A maior parte dos depósitos são. porque o caudal Qa2 é inferior a Qb1. depois progressivamente. é comprimido e expandido em função da pressão de funcionamento das bombas. Fig. A característica da curva de funcionamento do sistema varia continuamente em função do caudal solicitado pelos consumidores.Gama de caudais garantidos por n bombas . O somatório dos caudais individuais corresponde ao caudal global de valor aleatório. o funcionamento do sistema altera-se bruscamente do ponto C para D' e a partir de D' progressivamente para D. consumido pelo edifício e da respectiva pressão de operação. entretanto. o ponto de funcionamento evolui rapidamente de A para B' e.Sobreposição com a zona de caudais debitados por n+1 bombas Fig. Ou seja a passagem de A para B' implica um aumento brusco do caudal de funcionamento das bombas. Um caudal compreendido entre Qb1 e Qb2 poderá ser fornecido com n+1 bombas em funcionamento contínuo. 11 .

corresponde ao ciclo de duração mínima e. Qc = Qn + Qn +1 2 Fig. 13 apresenta o tempo de duração de um ciclo em função do caudal. um reduzido diferencial de pressões Pmin/Pmáx. Absorver as flutuações bruscas de pressão e de caudal durante a abertura e o fecho dos equipamentos de consumo (trata-se contudo de uma função secundária que não justifica por si só a presença do Depósito).o caudal absorvido ou fornecido pelo depósito for elevado (gama vasta de caudais não abrangidos pelo funcionamento das bombas). Conclui-se.1.2.2. Assegurar a manutenção de pressão na instalação quando todas as bombas se encontram paradas.Aumento da gama de caudais não coberta pelas bombas em funcionamento contínuo. que não se podem optimizar simultaneamente os seguintes parâmetros: . por conseguinte ao número máximo de arranques.3. . cujos efeitos serão: .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. portanto.Número de arranques do motor.2. nas zonas em que o caudal não é garantido pelas bombas.Redução da gama de caudais coberta pelas bombas e. . o período de um ciclo é tanto mais curto quanto: . Para se garantir uma pressão de utilização praticamente constante.Flutuação da pressão.2 Períodos de funcionamento A duração de um ciclo completo conforme foi descrito anteriormente deverá ser tanto mais importante quanto mais elevada for a potência dos motores.2. 14) apresenta três consequências. É importante assegurar-se que não é ultrapassada a frequência horária de arranques admissíveis. obtém-se uma reserva de água no interior do depósito menor. sendo o esvaziamento e enchimento mais rápidos.Diminuição da reserva de água disponível (volume útil) no depósito devido à redução do diferencial de pressões. conduzindo a uma maior frequência de arranques e paragens. O caudal crítico Qc.1 Função do depósito hidropneumático O depósito hidropneumático tem uma função tripla: Servir de reserva. 14 . Deverá efectuar-se um compromisso entre os três parâmetros. um caudal de enchimento e esvaziamento mais elevado.Volume de reserva de água. Por outras palavras. 13 . . .a reserva de água for reduzida (um volume total do depósito reduzido ou um pequeno diferencial entre as pressões Pmin e Pmáx). Resultando um aumento do diferencial médio entre o caudal consumido e o caudal bombeado. absorvendo o excesso de caudal (Qconsumo < Qbombeado) ou complementado a insuficiência do caudal bombeado (Qconsumo > Qbombeado). Sendo assim. Fig.3.Cobertura dos caudais em funcionamento contínuo Q = Caudal Médio 59 . cujo valor diminui à medida que a potência dos grupos aumenta. . (fig.Tempo de duração de um ciclo em função do caudal A curva 3 da fig. . Esta diferença é absorvida pelo depósito.Maior frequência de arranques. mais probabilidades de ocorrerem situações de funcionamento intermitente.1. 3. é indispensável manter-se um diferencial mínimo entre as pressões Pmáx e Pmin. Contudo. Podemos considerar que o caudal médio corresponde a metade da gama de caudais abrangida.

Quatro bombas de 20 m3/h Fig. 19 . correspondente ao funcionamento com caudal nulo não seja demasiado elevada em relação à Pmáx. é possível obter-se uma melhor cobertura da gama da caudais (fig. Fig. A temporização. sem ter de se enfrentar o problema de um número elevado de arranques. esta opção implica uma automatização da operação mais sofisticada e há que tomar em consideração a frequência de arranques da unidade de apoio. o que vai ao encontro de objectivo inicialmente pretendido. será necessário dispor-se de um grande volume útil. 17 Através do agrupamento de bombas com diferentes capacidades. 15). 18 . 15 . utilizando bombas de velocidade fixa. Fig.Tempo de ciclo Para se obter uma variação de pressões extremamente reduzida entre o arranque e a paragem. Fig. O custo de investimento não pode ser comparado ao de uma solução convencional em que já não se fala de pressurização mas de "distribuição". 16).Influência das temporizações no deslocamento do ponto de funcionamento É importante que a altura manométrica total Hmt das bombas. Três bombas principais dimensionadas para um caudal de 20 m3/h à pressão de 5 bar mais uma bomba de apoio de 10m3/h a 5 bar oferecem uma maior flexibilidade do que quatro bombas de 20m3/h. (sendo a cobertura de caudais mais favorável). 16 . maiores variações de pressão). 18 e fig. só se encontra activa durante os ciclos mais curtos. fora deles. que impõe um tempo de ciclo mínimo Tmin.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Podem ser instalados temporizadores com a finalidade de retardarem a paragem ou o arranque de cada bomba (fig. O reservatório de água representado na figura 17 é o exemplo de um reservatório de grande volume. É uma solução "parcial" na medida em que esta temporização permite que o ponto de funcionamento ultrapasse os limites da gama de pressão estabelecida (ou seja. 19). No entanto. não tem qualquer influência (fig.Três bombas principais de 20m3/h e uma bomba auxiliar de 10m3/h Fig. 60 . Uma estrutura deste tipo é frequentemente utilizada em instalações de grande dimensão ou em estações elevatórias.

mais atenuadas são as flutuações de pressão.2 Regulação debitométrica Neste tipo de regulação o controlo dos arranques e paragens das bombas é efectuada através de caudais de referência (fig. a manutenção da pressão é assegurada pela bomba Jockey evitando a entrada de ar nas tubagens. dispendioso. por conseguinte. pode ser mantida em funcionamento permanente. ou imobilizada. que são prejudiciais às canalizações.2. TABELA 1 Número máximo de arranques por hora de grupos electrobomba Potência do motor ( kW ) Número máximo de arranques ( horário) Duração do ciclo (segundos) 4 60 7.3. podem-se adoptar valores maiores que os anteriormente indicados*. 20 . entre dois períodos de funcionamento consecutivos. Contudo. tais como de campos de golfe.2. 3.2 Dimensionamento O cálculo da capacidade útil real de um reservatório (isto é.Regulação debitométrica p p − pa p p + pt 61 .2.3. de tal forma que acompanham o consumo. * Atendendo a que os factores limitativos são os componentes de controlo eléctrico e restantes componentes mecânicos.2.3. Podemos. futebol ou hipódromos.3 Reservatórios de membrana 3.1 Introdução Os reservatórios de membrana. tal como nos reservatórios tradicionais. Quanto maior o número de bombas em funcionamento paralelo. escolher valores adequados para se obter uma sequência ininterrupta do campo de funcionamento e.3. é de notar a persistência das flutuações de pressão. evitam-se as flutuações bruscas e acentuadas de pressão devido ao escape de ar nos aspersores e ventosas. também correntemente denominados depósitos de membrana. Por este motivo. tais como os devidos às fugas de caudal da instalação.5 15 40 30 18 25 20 20 60” 90” 120” 144” 180” Fig. uma operação contínua dos grupos. Uma regulação debitométrica é. assim. Deste modo.3.Grupo de três bombas + Bomba Jockey 3. Esta bomba Jockey. bem como os arranques frequentes das unidades principais. utilizados em pequenas e médias instalações. o volume de água descarregado pelo reservatório com bombas paradas) resulta da aplicação da Lei de Boyle Mariotte para a expansão de gases: C = Vt Fig. quando as bombas principais estão paradas (fig. Deste modo. No entanto. utiliza-se este tipo de controlo nas instalações de maior importância. Observa-se que o arranque da primeira bomba é efectuado obrigatoriamente por pressão. devido à emulsão entre o ar em contacto directo com a água sobre pressão. utilizada para assegurar a manutenção da pressão da rede em sistemas de pressurização de grande dimensão. 3.3. oferecem a vantagem de não necessitarem de dispositivos de compensação do ar perdido. 21).3 Número máximo de arranques dos grupos electrobomba A frequência máxima de arranques dos grupos electrobomba deve estar limitada de acordo com a tabela abaixo. que são tanto mais importantes quanto menor for o número de bombas em funcionamento (curvas mais inclinadas).3. Como regra geral. além de que a respectiva instalação no local é bastante mais delicada. A sua função está limitada a satisfazer as necessidades dos períodos de consumo reduzidos. em geral. 21 . 3. Em determinadas redes de combate a incêndios ou rega. quanto mais potente for o motor menor deverá ser a frequência de arranques.1.3.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. mais dispendiosa do que uma regulação manométrica. a partir do momento em que a primeira bomba entra em operação. de acordo com a tabela 1 para bombas e motores especialmente dimensionados. evita-se a utilização de um depósito de grande capacidade. 20).3 Bomba auxiliar (Jockey) Trata-se de uma pequena bomba. ficando reduzida ao mínimo a margem de flutuação de pressão em todo o campo de operação. O dimensionamento destes órgãos tem por objectivo a determinação da sua capacidade e o número de unidades a aplicar.2.

tem como objectivo evitar a introdução de ar nas canalizações.5d. a capacidade total necessária é de: Fig. A . h2 . por minuto. Vt .Pressão barométrica (bar) Para calcular a capacidade útil necessária recorre-se à expressão: Cu = T A(Q − A) × 60 Q em que: T .Pressão de paragem (bar) Pa . deve ser igual a 2. Pa . Va . Este volume deve ser da ordem de 20% do volume total.Volume de ar correspondente à pressão de arranque Pa. também se baseia na Lei de Boyle Mariotte. explicitando a equação para Vu: Ct = T ×Q 240 O número total de reservatórios necessários é de: N= Ct C 3.Volume total do reservatório (M3) Vr .Volume útil de água no reservatório.Volume total do reservatório (litros) Pp . Vp .2 Vt. Funciona como reserva sempre que houver consumo com as bombas fora de serviço. 22 apresenta-se esquematicamente um reservatório hidropneumático. durante o período em que a pressão do ar no seu interior aumenta de Pa até Pp. é o limite de segurança de utilização de água do reservatório.Caudal consumido pela instalação em litros.3. Vr = 0. 22 . Aplicando a Lei de Boyle Mariotte à expansão do volume de ar entre Pa e Pp vem: (Pp+1)×Vp = (Pa+1)×Va = (Pa+1)×(Vp+Vu) De onde resulta.Altura correspondente a Vr. É o volume de água que é introduzido no reservatório.1 Dimensionamento O principio de funcionamento dos reservatórios hidropneumáticos.Caudal bombeado.Número de arranques por hora da bomba.Reservatório hidropneumático Grandezas a considerar: Z . em litros.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável C .5 vezes o diâmetro da canalização. com a finalidade de representarem as diversas grandezas em jogo. compreendido entre os níveis de arranque (Pa) e paragem (Pp). entre o arranque e a paragem da bomba.Duração de um ciclo em segundos.Volume de ar correspondente à pressão de paragem Pp.Capacidade útil real (litros) Vt .4 Reservatórios hidropneumáticos 3. o volume ocupado por um gás varia na razão inversa da pressão a que se encontra submetido".Pressão manométrica de paragem da bomba (bar). Como a frequência máxima de arranques de uma bomba se verifica quando o consumo é igual a 50% do caudal bombeado. por minuto. Vu .Pressão manométrica de arranque da bomba (bar).3. é o volume de segurança que está compreendido entre o nível de água correspondente à pressão Pa e o fundo do reservatório. h2 = 2. Cu . ou seja. P V =P V =C 1 1 2 2 te Na fig. que se pode enunciar como: "À mesma temperatura.Volume residual. Q .4.Capacidade útil necessária. isto é. Esta altura. Vu = Va × (p p + 1)− (pa + 1) Pp + 1 [ ]= V × (p a p − pa ) Pp + 1 62 . Pp .Pressão de arranque (bar) Pb .

Pmin. entrando com o número de arranque por hora e com os valores das pressões relativas de arranque e paragem obtém-se a relação entre o caudal da bomba m3/h e o volume total do reservatório Vt.Número máximo admissível de arranques horários.16 0. Pc = Pressão de ar no depósito de membrana.4 0.27 0.9 m³ TABELA 2 Pressão de paragem (bar) (máx.4 0. Pc = Pmin-0.Volume total do reservatório hidropneumático (Vt) em função do caudal (Q) e) Fórmula de Valibouse V0 = T ×k HM − Hm 4 × H M + H b Qm (litros ) 63 .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Considerando que o volume morto é igual a 20 % do volume total Va=0. c) Pela fórmula da Grundfos Vtotal = 16.8 × Vt × (p p − pa ) Pp + 1 Exemplo: Q = 2. dependente da potência e fabricante do motor eléctrico Qm = caudal médio de uma bomba em l (min) Pmáx = pressão de paragem Pmín = pressão de arranque ∆P = Pmáx . com estes valores no gráfico.5 l/s = 9m³/h Z = 8 arranques hora Pp = 4 bar (pressão relativa) Pa =2 bar (pressão relativa) Entretanto. 23 .25 x Qm x (Pmín.4 0.3 0.33 0. Z .29 0. 23.) Pp 2 3 4 5 6 1 Pressão de arranque (bar) Pa 1.13 0.23 O cálculo do volume total do reservatório é feito através da aplicação de fórmulas empíricas.5 4 0.34 0.24 0. determina-se na tabela 2 a relação entre o volume útil Vu e o total Vt em função das pressões de arranque e paragem.32 0. Fig.5 d) Fórmula proposta pela norma brasileira NB-92 A norma brasileira utiliza um ábaco reproduzido na fig. Em que: Vt = Volume total em litros Qmáx = Consumo máximo provável do edifício expresso em litros/minuto. Indicam-se seguidamente algumas das mais utilizadas: a ) Fórmula proposta por Harold Nickels Vt = 10×Qmáx.8 Vt. vem: Vu = 0.08 0.5 3 3.2 0.2 0.26 0.descarga correspondente ao consumo máximo da rede.+1) x (Pmáx+1) S ∆P Pc+1 Vtotal = volume total do depósito em litros S = número máximo de arranques por hora. obtém-se: Q/Vt =10 ∴ Vt = 9/10 = 0.5 2 2. em litros por minuto. deduzidas por diversos autores como resultado de estudos teórico-experimentais.13 0.1 0. b ) Fórmula deduzida por Ângelo Gallizio A expressão é aplicável a instalações com compressor Vt = 30 × Q pp +1 × z p p − pa Q .4 0.

3. e a garantia de uma reserva de água durante as interrupções do consumo. Ha . caracterizam-se algumas situações-tipo documentadas com figuras. é uma solução utilizada sempre que a pressão disponível na rede exterior é apreciável.Pressão atmosférica T . Fig. 26 tem como principais vantagens uma separação hidráulica entre a rede exterior e a do edifício.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável T .Bomba a aspirar da rede com reservatório de compensação Na figura 25.Bomba a aspirar do tanque de armazenamento Pi . mostra-se um reservatório intercalado entre a rede exterior e os grupos de bombeamento. Vu = 1.Pressão inicial de pré-compressão (bar). Qm . 27 . 24. 24 .Bomba a aspirar directamente da rede Na fig.Instalação doméstica rural A fig. 27 representa uma instalação doméstica típica em meios rurais com utilização de captação própria.Tempo mínimo entre dois arranques da mesma bomba K . T .Caudal médio (litros/minuto) f ) Cálculo considerado uma pré-compressão arbitrária Fig. 64 . HM .2 em geral). 3.Pressão máxima de paragem em bar.25 × T × Qm 4 Vt = Vu × (p a + 1)× (p p + 1) (pi + 1)× (p p − p a ) Fig. 25 .Pressão mínima de arranque em bar. O exame da fórmula diz-nos que o volume Vt do reservatório é proporcional às pressões de arranque e paragem. O arranjo da fig. 26 . Hm . Há todo o interesse em pré-comprimir o reservatório a uma pressão vizinha da pressão de arranque Pa e adoptar um diferencial de pressão Pp-Pa tão alto quanto possível. às exigências (quantitativas e qualitativas) dos diversos consumidores e aos condicionalismos próprios da instalação e da rede exterior. Por se considerar do maior interesse prático e sem a preocupação de ser exaustivo.Tempo mínimo entre dois arranques consecutivos da mesma bomba.Coeficiente de segurança (K=1. apresenta-se um esquema com bomba a aspirar directamente da rede. com a vantagem de não se provocar uma descida apreciável da pressão de aspiração durante o arranque das bombas.Tempo de duração de um ciclo (minutos). Fig. é uma disposição em que se aproveita também a pressão da rede.5 Exemplos de situações-tipo A concepção de um sistema de elevação de pressão deve ajustar-se em cada caso.

como se sabe. mas sim. • minimização da potência perdida para economia de energia. arbitrado de tal modo que para qualquer valor de caudal. 29.Flexibilidade para acréscimo da capacidade resultante de um aumento de consumo. Observa-se que a bomba debita o caudal q a uma pressão mais elevada dissipando em perdas uma potência que pode ser considerável e cujo valor relativo é apresentado pela razão dos segmentos MB/MA Fig. a aspirarem directamente da rede exterior ou de um reservatório. funcionando a instalação apenas nos períodos em que a piezométrica não é suficiente para alimentar todos os pisos em perfeitas condições. correspondente à variação de consumo ao longo do dia. A curva é traçada em função de um ponto de referência R.4. Suponha-se que o consumo se estabiliza no valor q correspondente ao ponto M de funcionamento da bomba (q. • garantia de funcionamento nos períodos de caudal reduzido. se assegura uma pressão compatível com o bom funcionamento de toda a rede do edifício. .Simplicidade de operação e manutenção.4 Sistemas por bombeamento directo 3. essa variação é normalmente apreciável. • conforto de utilização com uma pressão de utilização praticamente constante. 65 . representam-se as curvas características de uma rede e de uma bomba. 29 . . sendo a descarga directa à rede. Esta não é a curva real fixada pelas características das canalizações e aparelhos de consumo. 3. Normalmente a curva característica das redes dos edifícios têm um andamento parabólico.Custos iniciais reduzidos comparados com outros sistemas.1 Constituição e princípio de funcionamento Os sistemas por bombeamento directo caracterizam-se pela existência de uma ou mais bombas a operarem em paralelo.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Na concepção e dimensionamento destes sistemas põe-se com particular acuidade os aspectos que a seguir se referem e cujas razões justificativas decorrem do texto que se segue: • segurança em serviço. O ponto de funcionamento é descrito pela curva C2.Instalação em "by-pass" A instalação da fig.6 Características das centrais hidropneumáticas As instalações hidropneumáticas apresentam as seguintes características: . Fig.Ponto de referência R Nem sempre a zona de melhor rendimento da bomba corresponde a um bom rendimento da instalação. 3. 28 aplica-se em edifícios situados em locais em que a pressão da rede exterior sofre grandes variações diárias.3. uma curva "ideal" que se pretende satisfazer. . 28 . No estudo de um sistema por bombeamento directo deve começar por traçar a curva característica da rede.Ocupação de um espaço reduzido. h). Na fig.

1 Modo de funcionamento Nos sistemas com bombas de velocidade variável.3 Sistemas com bombas de velocidade variável 3.Curva de potência Na fig.1 Modo de funcionamento Nos sistemas de velocidade fixa a pressão de descarga nas redes é mantida aproximadamente constante. rpm rpm rpm rpm rpm rpm 3. 3. 31 .3. através da activação e paragem das bombas em consonância com as necessidades do consumo. PQ . 30 .4. Por outro lado. o rendimento praticamente não varia com a velocidade. QR . independentemente do consumo da rede. 30 o rendimento da dissipação é dado por RS/PS Resulta assim que.Ponto de funcionamento da bomba instalada.Potência teórica necessária para fornecer o caudal q. 66 . sempre que uma estação eleva directamente para a rede é importante minimizar a potência perdida o que pode ser conseguido adequando quer o número de bombas quer a sua velocidade. mostram-se várias curvas características de uma bomba com diferentes velocidades de rotação. Po .3.4.3 Selecção das bombas Com as curvas características extremas da rede e os valores do consumo máximo e mínimo (fig. para uma pressão constante de 7. P . a pressão é mantida constante.32) determinam-se as alturas manométricas máxima e mínima das bombas: • A altura máxima H1 relativa ao consumo máximo da rede com a pressão mínima da aspiração. Em certas centrais uma das bombas é dimensionada para as horas de menor consumo.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. em função do caudal.5 bar e uma variação de caudal entre 500 e 1000 m3/h corresponde uma variação do rendimento máximo compreendido entre 70 e 80 %. como se pode observar.4. As variações da pressão de descarga das bombas provocadas quer por alteração da pressão de aspiração. são detectadas por um sensor que actua no variador de velocidade de forma a manter a pressão de bombeamento constante.2 Bombas de velocidade fixa 3. para os menores consumos correspondentes às horas mortas.4. • A altura mínima H2 relativa ao consumo mínimo da rede com a pressão máxima da aspiração. quer com um pequeno reservatório hidropneumático.Potência dissipada inutilmente.2 Variação das curvas características O andamento da curva característica de uma bomba varia com a sua velocidade de rotação de acordo com as expressões: Q2 N2 = Q1 N 1 e H2  N2 = H1  N 1      2 N P ∴ 2 = 2 P1  N1      3 Fig. com a finalidade de se poupar energia nestes períodos. do tempo de funcionamento e das anomalias. é necessário dotar a instalação quer de válvulas reguladas para evitar que a pressão ultrapasse valores indesejáveis na rede.4.Curva de potência teórica necessária para garantir no ponto R o caudal Q à pressão H0. Na figura 31. Estas centrais fazem a alternância automática do funcionamento das bombas.4. quer por variação do consumo.Curvas características de uma bomba a diferentes velocidades 3. rpm Fig.2. Esta bomba tem geralmente 50% da capacidade das bombas principais.3.Potência perdida devido ao rendimento do motor e das bombas. RS. por exemplo.

Os pontos C e F (fig.3.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A pressão a ser mantida na conduta de compressão é assim: Pdescarga= H1+H aspiração mínima = H2 +H asp. máxima pois a Pdiferencial = Pdescarga Haspiração Para o efeito. onde as pressões H1 e H2 são diferenciais.4 Regulação manométrica Neste caso. com o valor ajustado. 34 O transdutor de pressão emite um sinal de 0-20mA. 4-20mA ou 0-10V.As bombas com velocidade variável têm um limite mínimo de velocidade abaixo da qual não produzem caudal à pressão pretendida. Fig. o ponto de funcionamento com o caudal máximo de cada bomba (Qmáx) e altura manométrica máxima (H1) deverá situar-se à direita da zona de maior rendimento (fig. 33 . 34). a instalação funciona de modo a manter a pressão constante. diversas situações são praticáveis tais como: . por sua vez.Zona de funcionamento das bombas 67 . Nestes casos. Controlador Controlador Fig. rodando sempre sincronizadamente. 32. 35). A pressão de serviço pode ser materializada no controlador por uma recta horizontal ao longo da qual se desloca o ponto de funcionamento da instalação (fig. 32 . a manutenção da pressão da descarga traduz-se por rectas horizontais por C e por E e uma infinidade de.Com apenas uma bomba em operação à pressão mínima.Se Pmedida = Pserviço a velocidade mantém-se constante. .Conjugar várias bombas de velocidade fixa com uma ou duas de velocidade variável que servirão para ajustar o ponto de funcionamento da instalação às exigências de caudal e pressão da rede.Instalar todas as bombas com velocidade variável.Se Pmedido > Pajustado é emitida ordem de desaceleração.Se Pmedido < Pajustado é emitida ordem de aceleração. Existe um controlador que compara o sinal medido. que foi pré-programado.4. 3. proporcional à pressão medida. usa-se um transdutor de pressão para efectuar a medição analógica da pressão em substituição dos pressóstatos (fig. a bomba deverá recalcar o caudal Qmin à pressão H2 (ponto F). . . . Independentemente do caudal requerido. 32) são os pontos críticos de operação das bombas. Como as bombas operam a maior parte do tempo com valores médios de caudal e pressão de aspiração. já não se verificam as limitações relacionadas com os diferenciais entre a pressão mínima e máxima como na regulação por pressóstato A regulação manométrica é efectuada em permanência quaisquer que sejam as aberturas e fechos de válvulas. as bombas deverão debitar o caudal Qmáx à pressão H1 (ponto C).Com todas as bombas em funcionamento na rotação máxima. Fig. outras compreendidas entre essas. 33). para situações intermédias.Determinação das alturas manométricas máximas e mínimas Na fig. este irá controlar o variador de frequência da seguinte maneira: . . o que pode traduzir-se no seguinte: .

O que se descreveu pode representar-se no esquema ao lado. obter-se-á. o ponto de funcionamento desloca-se numa linha horizontal (pressão ajustada para serviço (fig. independentemente do número de bombas em funcionamento: Qmáx n Bombas = Qmin n+1 bombas 68 .Regulação manométrica.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Bomba 1 Variação de velocidade Aumento do consumo Aceleração da bomba 1 Bomba 1 à velocidade máxima Pmedida < Pajustada Fig. Na prática. Com efeito. se a bomba de velocidade variável for alimentada a 50 Hz no máximo. o consumo diminui e a característica da instalação vai de R para R'. 36). as torneiras fecham-se. a curva da rede R altera-se para R' e o ponto de funcionamento evolui de M passa para M1. 37). princípio de deslocamento do ponto de funcionamento No instante t. arranca ou pára uma das bombas de velocidade fixa. 35 . a que corresponde um ligeiro aumento de caudal. acelera-se a bomba de velocidade variável até se verificar um ligeiro excesso de velocidade da ordem de 52 a 55 Hz. 36 Fig. logo: PM1 > Pajustada significa desaceleração até que Pmedida = Pajustada A velocidade de rotação da bomba diminui e a curva de funcionamento das bombas passa a ser P' e o ponto M1 desloca-se para M2. O ponto de funcionamento altera-se de M para M1. Se o consumo aumentar (fig. Fig. 37 Se a velocidade da bomba em variação atingir o valor mínimo ou máximo. Arranque da bomba 2 de velocidade fixa A velocidade da bomba 1 diminui e ajusta-se até Pmedida = Pajustada Bomba 1 VV + Bomba 2 VF Pmedida = Pajustada Considerando que a reacção do sistema é rápida.

As principais vantagens relacionadas com a utilização da variação de velocidade em sistemas de pressurização são: . para evitar uma sobrecarga no motor. controlaríamos apenas um parâmetro a pressão ou o caudal. • Volume do depósito hidropneumático reduzido. 38 . independentemente do caudal. em cada transposição destes valores. verifica-se: Qmáx n Bombas > Qmin n+1 bombas Q’ = Caudal máximo de 1 bomba com Velocidade Variável (55Hz) Q1 = Caudal mínimo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável + 1 com Velocidade Fixa) Q'2 = Caudal máximo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável 1 com Velocidade Fixa 55Hz) Q2 = Caudal mínimo com 3 bombas (1 com Velocidade Variável + 2 com Velocidade Fixa) Q3 = Caudal máximo de 3 bombas (1 com Velocidade Variável + 2 com Velocidade Fixa 55Hz) Fig. com acréscimo de rotação Qmáx n > Qmin n+1 69 . através da variação da velocidade de uma das bombas. • Pressão constante. Enquanto que. Se alimentarmos a Bomba de Velocidade Variável. dentro do tempo de funcionamento admissível. quando o consumo tende para zero. correspondente à manobra dos órgãos da rede e assegurar os consumos reduzidos. representa cerca de 33% de potência suplementar. na variação de velocidade controlamos ambos. com uma instalação de velocidade fixa.Campo de variação de caudal com 3 bombas Qmáx n = Q min n+1 Se o caudal consumido variar ligeiramente em torno de Q1 ou de Q2. assegurar a manutenção da pressão na instalação quando todas as bombas se encontram paradas e absorver as variações de pressão gerada em regime transitório. Na realidade.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Poderá ser obtido um caudal compreendido entre Q1 e Q'1 quer com uma ou duas bombas em funcionamento. para se garantir a pressão do sistema. deve calcular-se a potência absorvida ao seu veio.Campo de variação de caudal só com 3 bombas. por exemplo. . a sua inserção tem como vantagens. Evita-se o funcionamento contínuo com uma bomba à velocidade mínima. e daí o risco do número máximo de arranques ser excedido. associada ao número de bombas.Esta regulação garante uma pressão perfeitamente constante. 10 % de velocidade em excesso. introduzindo um sistema de paragem debitométrica da bomba de velocidade variável. Se optarmos por esta solução em que se admite um acréscimo da velocidade da bomba. Observa-se que se a instalação compreender bombas de grandes dimensões e for necessário garantir-se um caudal mínimo sem vibrações dos grupos. o valor admissível para Q1 = Caudal máximo de 1 bomba com Velocidade Variável Q'1 = Caudal mínimo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável + 1 com Velocidade Fixa) Q2 = Caudal máximo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável + 1 com Velocidade Fixa) Q'2 = Caudal mínimo com 3 bombas (1 com Velocidade Variável + 2 com Velocidade Fixa) Fig. • Número de arranques dos motores das bombas. assim como um funcionamento contínuo. o depósito hidropneumático poderá ser de dimensões reduzidas. • Economia energética. embora este acessório seja dispensável. as centrais hidropneumáticas de velocidade variável encontram-se frequentemente equipadas com um depósito de volume reduzido. não sendo necessário manter-se o seu funcionamento prolongado em condições pouco próprias.Sendo assegurada a cobertura de todos os caudais. enquanto não se verificarem alterações de caudal. compreendido entre 0 e Qmáx. .Pode satisfazer-se um consumo aleatório. acontece o arranque ou a paragem de uma bomba de velocidade fixa. sem arranques ou paragens. o que oferece uma solução adequada para os seguintes problemas: • Cobertura constante de todos os caudais. 39 . com uma frequência de 53 ou 54 Hz.

é igual à pressão em A menos as perdas de carga (PA-∆h) (fig. onde são instalados captores de pressão nos pontos mais nevrálgicos da rede. ­ Transmissão de um sinal de 4 . com base no caudal mínimo admissível à velocidade nominal N pela expressão: Q mínimo reduzido = Q min x N mínimo Nnominal Este caudal mínimo reduzido. reside no transporte do sinal. Tem de se considerar o desnível geométrico entre A e B. A pressão já não é medida à saída do grupo sobrepressor.3. consequentemente dispendioso. mas este tem um valor constante e é independente do caudal. apesar de existir um sistema de variação de velocidade. 40 .5 Regulação manométrica compensada Este tipo de regulação. A dificuldade da solução. a pressão é mantida constante no local A independentemente do caudal. devido às perdas de carga no troço compreendido entre A e B. Deve-se considerar o desnível geométrico.Perdas de carga antes da distribuição A pressão em B. PROBLEMA Com uma regulação manométrica clássica. Apenas uma pressão de controlo ajustada à curva de perda de carga. A pressão em B. 41 Soluções a considerar: i) Deslocamento do transdutor de pressão 3. é igual a PA . As perdas de carga são integradas no algoritmo de controlo a fim de se obter uma pressão constante no utilizador mais desfavorável. 70 . É o princípio da regulação manométrica compensada.∆hAB (figura 40). Para o efeito considera-se como caudal crítico: Q c = Q mínimo reduzido 2 Fig. serve para o dimensionamento do volume útil do depósito. também apelidado de manodebitométrico. assegurar aos utilizadores uma pressão constante no ponto de consumo. (curva parabólica) permite obter uma pressão no utilizador perfeitamente constante. O respeito da igualdade "Pmedida = Pajustada" assegura uma pressão constante no ponto de consumo. Este tipo de regulação não permite. Fig.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável uma bomba à velocidade mínima Nmin determina-se facilmente. 42 Esta solução é interessante mas comporta determinados limites técnicos e económicos. cujo valor varia com o quadrado do caudal. mas para tal. em certas redes urbanas de distribuição de água. 42). mas sim no local de consumo (fig.43). será efectuada. denominada "pressão disponível". devido ao: ­ Custo do cabo.20mA Pode encontrar-se esta solução. a pressão em A não é igual em B. tem como objectivo compensar o efeito das perdas de carga na rede de distribuição. a regulação manométrica. ii) Compensação das perdas de cargas Fig.4. através de um sistema de controlo complexo e. ­ Passagem do cabo.

ponto por ponto. É portanto. não oferece qualquer solução para os problemas colocados pelas perdas de carga na tubagem de distribuição. mas sim variável em função do caudal. de acordo com o caudal de consumo. Fig.A pressão de serviço P = f (Q) A pressão de serviço já não é um valor constante. 43 Pode recorrer-se a uma compensação dita linear. poderão surgir os seguintes problemas: • Se a pressão for mantida constante em A. mas o mesmo não se verificará nos pisos inferiores. que é dispendioso. • Se compensarmos as perdas de carga na coluna AB. A medição do caudal será efectuada por um caudalímetro electromagnético. 45). 46 Fig. independentemente do caudal. é dispendiosa. 43). mas. em contrapartida.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A . não permite manter uma pressão constante em todos os pontos de uma rede.A medição da pressão é insuficiente Com efeito. este operará em associação com o reservatório hidropneumático. a pressão de serviço ou é programada. 45 71 . Em função do equipamento disponível. o que constitui uma abordagem interessante. 44). deverão ser desprezáveis. em que ocorrem perdas de carga elevadas. para tal. 46). assegura uma pressão constante nos utilizadores. as perdas de carga nas condutas de alimentação. correcta ou insuficiente. Medição do caudal Determinação da pressão de ajuste em função do caudal Valor do ajuste de pressão Medição da pressão Desvio da medição com o valor ajustado Comando Fig. num edifício onde existem perdas de carga importantes na coluna de distribuição. pode eventualmente assegurar-se uma pressão constante em B. Fig. Por conseguinte. entre A e B (fig. ou segundo uma equação matemática correspondente. Para se obterem jactos com a mesma altura. estes pisos sofrem um acréscimo de pressão de modo a compensar as perdas de carga entre A e B. no caso em que ocorrem perdas de carga na aspiração. Esta solução que engloba um controlador sofisticado e um caudalímetro. Em que nas horas em que o consumo é elevado. sendo contudo ideal uma compensação parabólica. por mais sofisticado que seja. O controlador apropriado é. No entanto. que forneça uma pressão de serviço perfeitamente coincidente com a curva de perdas de carga (fig. 44 B. sofisticado (fig. nos pisos superiores (em B) os utilizadores irão sofrer flutuações de pressão devido às variações das perdas de carga. conclui-se que um dispositivo de regulação. uma dada pressão de serviço poderá ser considerada excessiva. é necessário garantir a mesma pressão em cada tubeira e. É importante ter presente as limitações de cada sistema a fim de se evitarem erros e desilusões. Somos igualmente confrontados com este problema nos repuxos de água das fontes públicas. necessário haver medição do caudal (fig. Por exemplo.

500 0. Tabela de Caudais normais das utilizações segundo NFP41-204 Designação Lava-louça Lavatório Lavatório colectivo (por jacto) Bidé Banheira com serviço de água quente Banheira com cilindro de água quente Caudal normal l/s 0. a experiência tem demonstrado que eles fornecem resultados satisfatórios. nas informações técnicas que publicam. desenvolvem métodos de dimensionamento que em geral são sensivelmente iguais entre si.1.100 0.100 1.1.5. 3.2 Cálculo do caudal em função do número de pontos de consumo Se o número de pontos de consumo for conhecido.5. visto que.005 0. Este processo utiliza-se no desenvolvimento de um projecto para uma nova instalação.050 0. 3. para se calcularem as perdas de cargas procede-se de uma das seguintes formas: .Calculam-se as perdas de carga correspondentes a um dado caudal. 47 3. porque os consumos de água flutuam em função da hora do dia e do tipo de ocupação do edifício em questão.100 0.1 Determinação do caudal máximo Não é muito fácil determinar o caudal exacto de uma instalação. O seu grau de precisão poderá ser considerado satisfatório. e aplicam-se a qualquer tipo de redes. no local Urinol com torneira individual Boca de rega de 20 mm 72 . São vários os métodos disponíveis para a sua quantificação. deve considerar-se o caudal consumido em cada ponto de utilização.250 0. Banheira com esquentador Chuveiro (água fria ou misturada) Sanita com autoclismo Sanita com válvula de descarga Urinol com autoclismo automático.350 0.1 Cálculo do caudal a partir de diagramas Este método é utilizado sempre que os dados relativos ao projecto são bastante limitados. são proporcionais ao quadrado do caudal: ∆h = K x Q2 Assim. de uma forma rigorosa.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável C . interior. industrial e de distribuição pública. bastante aproximados à realidade. com a ajuda de ábacos ou de tabelas. 48). 48 3.100 0.Determinação do ponto de ajuste A determinação da relação perda de carga/caudal não é um processo complicado de se obter.5. o caudal máximo da instalação. Os caudais indicados no diagrama são valores máximos (fig. a selecção de uma central hidropneumática assenta em duas grandezas fundamentais.Mede-se o caudal e a pressão no próprio local. . o caudal e a altura manométrica.350 0. no caso de uma instalação já existente. Fig. Os fabricantes de centrais hidropneumáticas. Par tal. Ao caudal total assim obtido aplica-se um coeficiente de simultaneidade.5 Dimensionamento e selecção À semelhança da selecção de uma bomba.250 0. os n pontos de consumo de água de um edifício nunca serão utilizados ao mesmo tempo. é possível determinar.700 Fig. Sabe-se que as perdas de carga quer sejam lineares ou singulares. rega.200 0.

. estas deverão ser calculadas à parte. . . . . . . . . .5 0.25 0.10 0. . . . . . . . 70 x 0. . . .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Torneiras a descarregar nas habitações Número de torneiras instaladas 1a3 3 a 10 11 a 20 21 a 50 mais de 50 Em funcionamento simultâneo 1 2 3 4 5 1º método Leitura directa do ábaco 70 habitações ⇒ 18m3/h 2º método Considerando o número de pontos de consumo de água 70 banheiras x 2 torneiras .20 0. . . . . .15 0. . . . . . quartéis. ginásios. . . é dado por: Qreal instantâneo = Qcalculado x K. . . 1. . . . . No caso de hospitais. . . . . . 140 x 0.35 l/s = 49 l/s 70 lavatórios x 2 . . . . .15 0. .10l/s = 7 l/s 630 torneiras 112 l/s Coeficiente de simultaneidade . hotéis. . . .10 0. que a fórmula apresentada para a determinação do coeficiente de simultaneidade só é válida para habitações. . . . . deveremos tomar em consideração a utilização simultânea de todos os chuveiros.30 0. .03987 K= 1 n −1 QD= 112 x 0. . k = 1 Caudal de dimensionamento do edifício é: 630 − 1 = 0. . . . . escolas.10 l/s = 14l/s 70 lava-louças x 2 . . 140 x 0. . . . . o respectivo coeficiente de simultaneidade é diferente. . .20 l/s = 28l/s 70 torneiras . .10 0. .15 0.50 0. . . . . . . . Total . 140 x 0. . . . .0 bar Sabe-se que o caudal instantâneo. . As torneiras de descarga funcionam apenas durante segundos. . . . . .46 l/s = 16 m3/h No caso de habitações equipadas com válvulas de descarga. Exemplo Edifício de grandes dimensões com 70 habitações. . não funcionam em simultaneidade com os outros aparelhos (ver tabela). . . . . . . . . . . . Não existe uma regra universal e cada projectista basear-se-á na sua própria experiência. . . .15 0. . . centros férias. . . . . . . . 1.03987 = 4. . . . . repartidos por 3 horas de consumo (ou seja 100l/h de caudal instantâneo por quarto). . . . . .15 0. . . . . . . mas normalmente. . .10 l/s = 14 l/s Pressão disponível necessária à entrada das torneiras de descarga . É de notar. . . . . podemos adoptar como base de cálculo 300 litros por dia e por quarto. . Por exemplo. . . . .10 0. . . em que K.20 0. . . 140 x 0. . . para um hotel. . . compreendendo cada uma: I 1 banheira 1 lavatório 1 bidé 1 lava-louças 1 sanita com autoclismo torneiras I I I I I Em conformidade com as Máquinas industriais e outros aparelhos instruções do fabricante 73 . . .5 bar Para válvulas de descarga de urinol . . impõe-se um estudo para cada instalação específica. .45 sendo n o número de torneiras. ginásios ou parques de campismo. . . . . .20 0. é o coeficiente de simultaneidade obtido: 70 bidés x 2 . . . Nos centros de férias. . . . . Apresenta-se abaixo o quadro para estabelecimento dos caudais instantâneos segundo o decreto lei nº 23/95 Caudais Instantâneos Dispositivos de utilização Lavatório individual Lavatório colectivo (por bica) Bidé Banheira Chuveiro individual Pia de despejo com torneira de ∅ 15 mm Autoclismo de bacia de retrete Urinol com torneira individual Pia lava-louça Bebedouro Máquina de lavar louça Máquina de lavar roupa Tanque de lavar roupa Bacia de retrete com fluxómetro Urinol com fluxómetro Boca de rega ou lavagem de ∅ 15 mm Boca de rega ou lavagem de ∅ 20 mm Caudais mínimos (l/s) 0. . . .

etc.1.4 Pressão de aspiração Depende do tipo de ligação existente. pode considerar-se cerca de 10 % da altura geométrica. Deve ser da ordem de 1. 3.2 Perda de carga Como valor expedito.Perda da carga entre a rede de abastecimento municipal e a boca de entrada das bombas 74 .Número de fluxómetros em utilização simultânea Número de fluxómetros Instalados 4 a 12 13 a 24 + de 24 Em utilização simultânea 2 3 4 3.∆hasp .3 Pressão disponível É a pressão mínima que deverá estar disponível no dispositivo mais elevado ou no ponto mais desfavorável.1. 51 .5.2. ou ábacos de perdas de carga. ∆hasp .Caudais de cálculo em função dos caudais acumulados Quadro . a) Ligação à rede de abastecimento municipal (figura 51) 3. À perda de carga contínua. 49 .5. deverão ser adicionadas as perdas nas singularidades tais como curvas.5 bar em locais de habitação.5.Hasp Fig. teríamos: Hg = 30 m (10x3 m) Pd = 15 mca ∆h = 3 mca ( 10 % de Hg) Logo.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3.É mantida uma pressão mínima de funcionamento dos aparelhos de 15 mca na torneira mais desfavorável sob o ponto de vista de elevação.2. será necessário prever uma pressão de descarga de: Pdesc = 30 + 15 + 3 = 48 mca = 4.2. No caso de prédios muito altos ou de edifícios antigos. um edifício de 10 andares.5.2. Exemplo prático Tomando como exemplo. 50 .5. Fig. ou seja.1. válvulas.Pasp) 3. deverá ser realizado o cálculo das perdas de carga nos diferentes troços da coluna com base em equações apropriadas.2.8 bar 3. deve ser determinada a sua dimensão exacta.2 Determinação da pressão A altura manométrica total determina-se por: (Hmt=PDesc .1 Pressão de descarga Serve para: ­ Vencer a altura geométrica de descarga Hg ­ Compensar as perdas de carga na rede ∆h ­ Assegurar a pressão de funcionamento dos aparelhos de consumo (pressão de utilização ou pressão disponível) Pd Pdesc = Hg + ∆h + Pd Hg Fig. Um valor utilizado na prática é de 3 m por piso a vencer.1.5. a altura média de cada andar nos edifícios recentes.1 Altura geométrica Desnível geométrico entre o nível da bomba e do ponto de consumo mais elevado.Ligação à rede de abastecimento municipal Pasp = Prede . Para a sua determinação rigorosa.

no caso contrário) Constata-se frequentemente que a pressão de aspiração é da mesma ordem de grandeza da pressão na rede.Pressão mínima na rede de abastecimento de água Hasp . Hmt = Pdesc . ∆hasp = 1 mca.5 = 46. Pasp = 2-0.2 )= 50 mca. excepto se a instalação estiver equipada com um colector de aspiração especialmente estudado para o efeito.Desnível geométrico da bomba em relação à rede (sinal +. cada bomba deverá possuir a sua própria tubagem de aspiração. Pasp = 20 . b) Ligação através de tanque Fig. Aspiração negativa ∆Hasp = -1.2 mca.3 bar. 75 .5 mca. calculado previamente) Caso 1. porque é difícil de estabelecer um ∆P de 1 bar entre a pressão mínima (Pmin) e a pressão máxima (Pmáx) numa curva QH muito plana.1.5 = . Exemplo (com Pdesc = 48 mca.Pasp= 48 .1 = 18 mca subtraindo à pressão de descarga calculada.3 a 1 bar.5 mca.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Prede. No caso das bombas de velocidade variável este problema não se coloca devido ao seu tipo de controlo.5 =1.0.Pasp = 48 .3 Regulação das pressões de arranque e paragem A diferença entre a pressão máxima (pressão de paragem da bomba) e a pressão mínima (pressão de arranque) é em geral regulada com um valor compreendido entre 0.1 .5 .5 mca Caso 2.18 = 30 mca. ∆hasp = 0. temos: Hmt = 48 . Aspiração em carga (positiva) ∆Hasp = + 2 mca. sinal . Logo. 52 . Por exemplo: Prede = 2 bar. No caso de bombas com curvas planas não deverá ser ultrapassado 0. Pasp = -1.( . se a bomba estiver instalada abaixo da rede de abastecimento. conforme descrito anteriormente. Hasp = 1 m (bomba instalada 1 m acima do nível da rede). Hmt = Pdesc.5 mca.5 m ∆hasp = 0.5.Central em carga (Aspiração Positiva) No caso da central funcionar com aspiração negativa. Conclui-se que a central hidropneumática deverá vencer uma altura manométrica Hmt de 30 mca 3.

Archibald Joseph.La Surpression .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. Instalações Hidráulicas Office International de l'Eau. Bombas e Instalações de Bombeamento MACINTYRE.6 Referências bibliográficas AGHTM . Les Cahiers Techniques Nr. 1995 76 . 17 . Archibald Joseph. Applications.Association Génerale des Hygiénistes et Techniques. Prossen.Principe. The Hydraulic Design of pumps sumps and Intakes MACINTYRE. Dimensionnement. J. Les Stations de Pompage d'Eau M.

de Eng.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4.ª Mecânica (DEM) do ISEL 77 . CRITÉRIOS DE SELECÇÃO E ANÁLISE DE SISTEMAS SIMPLES EM REGIME TRANSITÓRIO Autor: Eduardo Nunes Director de Projectos da Profluidos Professor Adjunto Equiparado do Dept.

78 .

1 . tempos de paragem de grupos electrobomba.1 Introdução O comportamento das condutas elevatórias. a velocidade de escoamento. As linhas piezométricas de funcionamento em condições estacionárias poderão ser representadas. – Integração noutros sistemas. durante manobras de válvulas. volumes aspirados e descarregados de reservatórios. variações de velocidade de escoamento. o valor da pressão. de forma a determinar-se facilmente a pressão de operação em cada ponto da conduta. – Diâmetro das condutas e respectivo material. 79 . pode ser analisado por cálculo automático utilizando o método das características. Com base nas condições de funcionamento do sistema e das falhas esperadas. fecho de válvulas. obriga a que se disponha da seguinte informação: – Perfil do sistema de condutas. – Caudal e pressão de funcionamento. etc. grupos electrobomba e dispositivos de protecção em regime transitório. níveis de água. paragem e arranque de grupos electrobomba. – Limites de funcionamento admissíveis.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. etc. identificar os pontos críticos e os locais apropriados para instalação dos equipamentos de protecção. O cálculo é realizado por tentativas.Fluxograma de cálculo Observa-se que o sistema deverá ser testado depois de implementado. superiores à pressão admissível para o material das condutas. Fig. uma vez que os cálculos se baseiam em modelos matemáticos. O perfil da conduta elevatória permite-nos visualizar o seu desenvolvimento. e traçam-se as respectivas envolventes no perfil da conduta de forma a determinarem-se os pontos em que ocorrem pressões inferiores à pressão de vapor. A aplicação do método. calcula para pequenos intervalos de tempo e num grande número de pontos ao longo do sistema. Isto permite-nos seleccionar os métodos de protecção mais adequados e assumir dimensões para início de cálculo. com determinação das pressões extremas ao longo da conduta até se encontrarem valores aceitáveis e seguros. com consequente separação das colunas de líquido ou pressões excessivas. que como não podem deixar de ser. têm sempre um grau de hipóteses simplificativas. comportamento das condutas durante a paragem e arranque dos grupos electrobomba com arrancadores suaves. – Outras particularidades do sistema em análise. O programa de cálculo do regime transitório em condutas complexas para bombas CR. Calculam-se as depressões e sobrepressões que ocorrerão em regime transitório.

80 .Forças actuantes num volume elementar de fluido. suficientemente simplificado para ser adaptado em cálculo computacional e é constituído por duas partes fundamentais: – A descrição da propagação de ondas de pressão no interior de uma conduta – A modelação dos diferentes componentes de um sistema. ∑ Forças = massa x aceleração O método das características consiste na transformação destas duas equações diferenciais parciais em duas equações diferenciais comuns equivalentes que podem ser integradas numericamente ao longo de determinadas curvas no plano x. assim como a inserção das condições de fronteira. A propagação das ondas de pressão é descrita por duas equações de derivada parcial: A equação do movimento e a equação da continuidade. Os componentes do sistema representam as condições de fronteira necessárias para a resolução das equações diferenciais. As duas equações são: Equação do movimento L1: g. designadas como curvas de equações características ou simplesmente curvas características.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4.velocidade de escoamento λ .altura manométrica v . nós de condutas. • O elemento convectivo da equação da quantidade de movimento é desprezado. 2 . válvulas.2 Modelo de cálculo O modelo de cálculo desenvolvido pelo método das características. A equação da continuidade diz que a diferença entre o volume de líquido que sai e entra no volume de controlo é igual à variação do volume de controlo e do fluido devida à alteração da sua densidade.velocidade de propagação das ondas de pressão (celeridade) Os índices caracterizam as variáveis independentes das derivadas parciais. etc.coeficiente de atrito da conduta D . o cálculo das perdas de carga é feito com base na equação de Colbrook-White aplicada em regime estacionário.Linha piezométrica (2) . As equações têm como base as seguintes considerações: • O escoamento é unidimensional e desta forma a velocidade e a pressão são constantes em cada secção transversal da conduta. t. sendo x (ao longo do eixo da conduta) e t (no tempo). aplicada a um pequeno volume de controlo tal como o representado na figura 2. por exemplo: (1) . trata-se de um modelo matemático. reservatórios. A equação do movimento deduz-se da segunda lei de Newton.aceleração da gravidade a . • O comportamento do material das paredes da conduta e do fluido é linear e elástico.diâmetro interior do tubo g .Nível de referência Hx = ∂H ∂x Fig. mudanças de características de condutas. • Mesmo durante o regime transitório.D Equação da continuidade L2: Ht + a2 g x vx = 0 (2) vv = 0 (1) Com: H .Hx + Vt + λ 2. Passamos a apresentar as equações diferenciais e a sua transformação em equações de diferença finita apropriadas para cálculo numérico. tais como bombas.

as equações (11) e (13). As curvas representam fisicamente.HA + x (QP . Estas curvas características. Para uma escolha adequada dos valores de µ.QA) + x QA x |QA| = 0 (16) gxA 2 x g x D x A2 c- 81 . H (12) –g x dH + dv + λ x v x|v| = 0 (13) a dt dt 2xD dx = –a (14) dt } } H ∫ dH + A P a x gxA Q P Q A ∫ dQ + λ 2xgxDxA 2 X X ∫ Qx|Q| x dx = 0 A P (15) c+ Em geral.e. sendo cada uma somente válida ao longo da curva característica. é suficiente uma aproximação do primeiro grau para a determinação do último termo (exceptuam-se os casos em que o termo do atrito é dominante tal como no caso de escoamento de óleos muito viscosos). em que inicialmente o valor do factor µ é escolhido arbitrariamente assim resulta: g a2 λ x v x|v| µ(Hx x + Ht) + (vx x µ + vt) + =0 (3) µ g 2xD Para dois valores reais de µ. podem ser integradas entre os pontos A e P e B e P respectivamente e desta forma obtêm-se duas equações para a determinação das duas incógnitas v e H no ponto P. Resolvendo a equação (15) resulta: a λ x ∆x Hp .t) e H = H(x.L2 = 0. a propagação de perturbações (ondas de pressão) ao longo do plano x. + Ht dt dt (4) (5) Com a escolha adequada do factor µ as duas equações diferenciais de derivada parcial (1) e (2) são transformadas em duas equações diferenciais ordinárias totalmente equivalentes (11) e (13). No intervalo de tempo ∆t = ∆x/a.dx + vt. no caso particular da celeridade ser considerada constante. AP) e a equação (14) também representa uma linha diagonal da mesma grelha mas com um gradiente negativo (i. dt / g = dx / g e se a velocidade v é substituída pelo quociente entre o caudal Q e a secção recta da conduta A obtém-se uma equação com uma forma adequada para integração ao longo da característica C+. v = v(x.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Para este propósito as equações (1) e (2) são combinadas numa equação linear L1 + µ. Se os valores de v e H forem conhecidos nos nodos A e B da grelha.dt Dividindo ambas as equações por dt resulta: dx dv + vt = vx. a equação (3) resulta em outras duas equações que são equivalentes às equações originais (1) e (2). dt dt dH dx = Hx. (6) (7) Os termos entre parêntesis da equação (3) comparam-se com os termos à direita das equações (6) e (7) pelo que teremos: dx g dx µ.e. t. a equação (12) representa uma linha diagonal de uma grelha com um gradiente positivo (i.dt dH = Hx. Se a equação (11) for multiplicada por a. t. diferentes e aleatórios.t) são funções de duas variáveis independentes x e t cujas derivadas totais podem ser apresentadas da seguinte forma: dv = vx. 3 . é possível simplificar a equação 3.a2 = e = (8) dt µ dt g A equação (3) pode ser escrita como uma equação diferencial ordinária: dH dv λ x v x|v| µ + + =0 (9) dt dt 2xD A equação (8) dá-nos os dois valores necessários para µ: g (10) µ=+ a Para cada valor µ da equação (10) obtém-se a partir das equações (9) e (8) uma equação diferencial ordinária (chamada equação da compatibilidade) e a respectiva equação da curva característica ao longo da qual ela poderá ser integrada: g dH dv λ x v x|v| x + + = 0 (11) a dt dt 2xD dx =+a dt Fig. BP).Curvas características representadas no plano x. transformam-se em linhas rectas de gradiente +a e -a. Para a resolução numérica das equações (11) e (14) divide-se a conduta em N partes iguais de comprimento ∆x (figura 3). determinadas pelas equações (12) e (14). t. no plano x.dx + Ht.

admitiram-se como válidas as hipóteses significativas habitualmente consideradas. consiste na paragem simultânea de todos os grupos electrobomba. Os valores de todos os pontos no interior da grelha (P) são determinados no instante seguinte t = 1 x ∆t pela resolução simultânea das equações (16) e (17). tendo a compatibilização entre os intervalos de tempo nos diferentes troços de conduta. – Ou introduzindo uma relação funcional Q = f(H) a qual permite em conjunto com a equação da compatibilidade aplicada a essa fronteira determinar Qp e Hp (i. – O eixo das condutas é imóvel e desprezam-se as forças de inércia do invólucro. Com base nos últimos valores de Q e H calculam-se novos valores para o instante t = 2 x ∆t e assim sucessivamente. Este procedimento aplica-se apenas para a determinação dos pontos interiores da grelha. a cota de descarga num tanque colocado na extremidade de jusante da conduta Hp = Cte permite determinar o valor de QP pela equação 16).e. que não é razoável ocorrerem acidentalmente. sido efectuada com recurso à interpolação entre as condições do escoamento em secções de cálculo consecutivas. dentro de um critério de probabilidade significativa. – As perdas de carga unitárias são iguais às de um escoamento uniforme com a mesma velocidade média. pode ser associado a técnicas de interpolação. permite a sua fácil modificação ou substituição (introdução de um dispositivo de protecção). No cálculo do sistema durante o regime transitório. – A altura cinética do escoamento na conduta é desprezável face à altura piezométrica. que substituído na equação de compatibilidade válida para esta fronteira permite calcular o outro valor (i. – O comportamento reológico da água e do material das condutas é elástico e linear.e.3 Critérios de cálculo Admitiu-se que a situação mais desfavorável para o sistema. é uniforme nas secções transversais da conduta.Características nas fronteiras Desta forma é necessário dispor-se de uma condição de fronteira em cada extremidade. 4 . – Os termos convectivos das equações da continuidade e da dinâmica são desprezáveis. O método das características. O tratamento explícito das condições de fronteira. os valores iniciais nos nodos da grelha são os valores de Q e H em regime estacionário quando t = 0. Os intervalos de tempo e os comprimentos dos trechos de cálculo considerados. obedecem à condição de estabilidade do método de cálculo (número de Courant Cr = aδt/δx <1). em instantes determinados. estas teriam de ser constituídas por uma sucessão de paragens e arranques de parte dos grupos de bombeamento. permanecendo o resto do programa inalterável. Embora seja possível considerar manobras capazes de produzir flutuações de pressão mais elevadas. Esta forma de se dimensionarem os dispositivos de protecção. 82 .e. Na modelação do comportamento das condutas. e desta forma ser aplicado para o cálculo de sistemas complexos constituídos por várias condutas e várias condições de fronteira. alteração do volume de ar num RAC) quer por substituição do seu modelo matemático (mudança de subrotina de cálculo). tais como: Fig. causada por uma falta generalizada de energia. pela sobreposição de efeitos. Isto poderá ser realizado por: – Atribuir um dos dois valores de fronteira.QB) – 2 x QB x |QB| = 0 (17) gxA 2xgxDxA Com ajuda das equações (16) e (17) as duas incógnitas Hp e Qp podem ser facilmente determinadas. ver figura 4 para cálculo dos valores aí desconhecidos QP e Hp.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório De maneira semelhante obtém-se uma segunda equação pela integração da equação (13) HP – HB – a λ x ∆x x (QP . a equação da curva característica de um ou vários grupos electrobomba em conjunto com a equação (17) permite calcular os valores Qp e Hp) A precisão e o tratamento explícito das condições de fronteira (isto significa um tratamento independente dos pontos interiores). representam as vantagens mais importantes do método das características. 4. admitindo-se que este se mantém puramente turbulento. porque em cada extremidade da conduta apenas se tem uma única condição de compatibilidade. quer seja pela mudança dos dados iniciais (i. – A distribuição da velocidade e de pressão. é muito mais fácil e poderosa do que a que se realiza pelo método gráfico aproximado desenvolvido por SCHNYDER/BERGERON. pelo que permite a optimização da dimensão dos dispositivos utilizados. no início da conduta aplica-se a equação (17) e no fim a equação (16) de acordo com a figura 3.

desde que se consiga estabelecer o respectivo modelo matemático. dotado de um conjunto de dispositivos associados para sua protecção. do tipo de grupos elevatórios. Q o caudal bombeado e A. etc. à das bombas. O rendimento das bombas é considerado variável em função da velocidade de rotação e do caudal e dado por: h 4. RESERVATÓRIOS DE AR COMPRIMIDO A principal função dos RAC consiste em evitar a ocorrência de depressões na conduta. 4.5. considerando apenas as zonas de bombeamento normal ou de turbinagem por abaixamento da pressão a jusante. quando os motores forem eléctricos. sem necessidade de se recorrer a volantes de dimensões excessivas. tais como alterações das características da conduta e da descarga no reservatório. válvulas de alívio. Há um limite de aplicação dos volantes de inércia devido à sua resistência mecânica. Para proteger um sistema. de regulação. de forma a que o seu binário de arranque seja adequado para que a colocação em marcha da bomba tenha lugar num período de tempo aceitável.4 Condições de fronteira GRUPOS ELECTROBOMBA As características funcionais dos grupos electrobomba. Atendendo a que as bombas se encontram munidas de válvulas de retenção de acordo com as Normas Portuguesas. etc. Para certos casos particulares. VÁLVULAS DE ALÍVIO As válvulas de alívio destinam-se a limitar as sobrepressões nas condutas a valores previamente regulados e são aplicadas em complemento aos RAC. do seu perfil. tais como do comprimento das condutas.CQ2 em que N é a velocidade de rotação. Sempre que o termo AN2 da curva funcional da bomba for superior à altura estática de elevação. a modelação das condições de funcionamento das bombas.) do comportamento das ondas de pressão que se pretendem limitar (depressões ou sobrepressões). conteúdo de sedimentos.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. dos motores. considerou-se a equação: PV1. temperatura. A escolha do dispositivo a utilizar em cada caso depende das características do sistema. Admitiu-se a verificação em cada instante da equação da continuidade na derivação para os RAC e da igualdade das cotas piezométricas no interior do RAC e no ponto de derivação da conduta. válvulas de controlo. deverão ser as constantes nas curvas características dos fabricantes. etc. com a finalidade de limitar as ondas de pressão transitórias e valores aceitáveis. ou uma combinação de vários dispositivos de protecção. viscosidade. concebem-se dispositivos de protecção que poderão ser simulados por cálculo computacional. reservatórios de ar comprimido (RAC). permite de uma maneira fácil analisar o comportamento de um sistema simples ou complexo. do líquido transportado (composição química. E e F determinados de forma semelhante aos anteriores.1 Volantes de inércia Os volantes de inércia consistem em massas girantes que são intercaladas nos veios de grupos electrobomba (figura 5) ou motobomba. poderá utilizar-se um único. sendo as sobrepressões consequentes automaticamente atenuadas. OUTRAS CONDIÇÕES DE FRONTEIRA Todas as restantes condições de fronteira. com o objectivo de aumentar a sua inércia e desta forma a ampliar o tempo de paragem do grupo e consequentemente a diminuição do caudal debitado pela bomba será mais suave. condutas de aspiração paralela. etc. Entre os dispositivos mais utilizados contam-se os volantes de inércia. devido à sua simplicidade e ao poder de aplicação. válvulas de retenção intercaladas na conduta.5 Dispositivos de protecção Os dispositivos de protecção são órgãos que se introduzem nos sistemas de transporte de líquidos. maior será o tempo de anulação do débito e maior será a atenuação das ondas de pressão transitórias. a bomba irá bombear. e às características eléctricas. Se a redução do débito da bomba tiver lugar num período suficientemente longo. A aplicação de volantes de inércia poderá obrigar ao sobredimensionamento dos motores. Na modelação da variação do volume de ar no interior dos RAC. Obviamente quanto maior for o momento de inércia do volante. Se o tempo em que ocorrer a anulação do caudal bombeado for superior ao período da conduta elevatória 2L/a. dependendo do grau de complexidade da rede a proteger. reservatórios unidireccionais (RUD). é efectuada. foram modeladas através da consideração da equação da continuidade e da constância das cotas piezométricas. pode ser determinada em cada instante pela equação: Ht = AN2 + BNQ . de válvulas (válvula de nível em reservatórios. chaminés de equilíbrio. 83 . = Q X Ht DN2Q + ENQ2 + FN3 Com os coeficientes D. Esta modelação é efectuada admitindo que a altura total de elevação das bombas Ht. B e C são coeficientes determinados a partir da respectiva curva característica à velocidade nominal. O método das características. ou quando apenas se verificam sobrepressões em regime transitório. este meio será adequado para controlar as pressões transitórias. atenuar-se-á o valor da onda de pressão.2 = Cte Sendo P a pressão absoluta no interior e V o volume de ar.).

para que as ondas de pressão transitórias sejam mantidas dentro de limites aceitáveis. atenuando desta forma a amplitude da onda de pressão transitória. Para esta situação o cálculo é efectuado como se se tratasse de uma transição com vp1 > 0. As válvulas de retenção apenas permitem o escoamento em direcção ao reservatório. à custa da energia cinética de escoamento. Paralelamente com a variação de pressão na conduta. sendo hp1 e hp2 determinados por (18) e (19) respectivamente: hP1 = hR – CR (vP1 – vR) – CR x 2fRvR |vR| ∆t g g dr CS (vP2 – vS) – CS x 2fSvS |vS| ∆t g g ds (18) hP2 = hS – (19) 84 . a massa de líquido do interior do reservatório. basta aumentar a inércia do conjunto de bombeamento e recalcular o comportamento do sistema. O dimensionamento de um volante de inércia é simples. Para se restabelecer o equilíbrio. Na fase de depressão o volume do ar aumenta. Quando ocorre a inversão do fluxo. são dispositivos de protecção de condutas que actuam por diminuição da taxa de variação de caudal. Quando se inicia um regime transitório. em que o tempo de anulação de caudal durante a paragem da bomba é suficientemente longo. A sua aplicação está em geral limitada a condutas com uma extensão até 2000 m. que origina uma variação de pressão na conduta junto à secção de ligação do reservatório. em geral o ar e uma dada massa do líquido transportado pela conduta. Em regime estacionário (permanente). com períodos curtos. 5 . está sujeita à pressão de funcionamento da conduta na secção de ligação e está em equilíbrio com o ar.Grupo electrobomba equipado com volante de inércia 4.Alteração da envolvente das pressões máximas numa conduta protegida com válvula de retenção. no interior do qual se encontra aprisionada uma dada massa de um gás. No caso da sobrepressão a massa de gás diminui de volume. a válvula não permite tal e vp1 = vp2 = 0. Fig.5. de forma a fazer a sua subdivisão em trechos de pequena extensão. é o de se intercalarem válvulas de retenção ao longo da conduta. RAC. haverá uma variação de pressão da almofada de ar. o líquido passará a abandonar o reservatório no caso de um abaixamento da pressão na conduta. armazenando consequentemente energia potencial elástica.3 Reservatórios de ar comprimido Os reservatórios de ar comprimido. O gás e o líquido podem estar em comunicação ou separados por uma membrana elástica. aumentando a sua pressão e consequentemente a respectiva energia potencial elástica. Fig. transformando-se a energia potencial armazenada no gás em energia cinética de escoamento. 4. o líquido armazenado no seu interior e submetido à acção do gás.5. 6 .2 Válvulas de retenção Se o perfil de uma conduta elevatória tiver uma altimetria tal que esta apenas fique sujeita a sobrepressões durante o regime transitório correspondente a uma manobra das bombas. ou a afluir ao reservatório no caso contrário. São vasos metálicos fechados. um método possível para a proteger. que fica por sua vez submetido à pressão da conduta. deixará de estar em equilíbrio com o da conduta.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Outras razões que limitam a aplicação de volantes de inércia são económicas e dimensionais. durante a fase da onda de pressão positiva.

não é considerada no modelo de cálculo. o que exige a aplicação de compressores isentos de óleo (compressores hospitalares) no caso de grandes reservatórios e de dispositivos de controlo automático.altura do reservatório dt . ht2 = ht1 + ∆ht (21) em que ht1 é a altura do líquido no início do intervalo de tempo ∆t e ht2 no fim. Por encomenda podem obter-se reservatórios com capacidades superiores e reservatórios sem membrana de qualquer capacidade. Encontram-se disponíveis correntemente no mercado reservatórios de membrana com capacidades até 2 m3. Como desvantagens pode-se referir a necessidade de haver um controlo apertado da massa de gás. No início do cálculo. fiabilidade e disponibilidade no mercado. a pressão do ar no interior do reservatório passa a ter o valor de. Com hgas2 determinado. 7 . 85 . A pressão do gás no interior do reservatório é estabelecida em termos de uma coluna de líquido equivalente hgás.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Estes dispositivos muito divulgados.2. mas ela é praticamente atenuada e o seu valor é trivial. At = π 4 d2t.cota de inserção do RAC na conduta Fig.2 recomenda-se a utilização para o expoente politrópico n o valor de 1. a possibilidade de fecho violento das válvulas de retenção dos grupos de bombeamento. calcula-se hp por hp = hgas2 + zt + hb + ht2 (23) Fig. consiste na combinação de uma análise em regime quase estacionário do funcionamento do reservatório. o custo em geral elevado.4 nos processos adiabáticos.(16) e C (17) calculam-se facilmente os valores de vp1 e vp2. Uma técnica analítica de cálculo. assim como a energia potencial na secção de ligação do reservatório à conduta. Como em geral o volume de cálculo do reservatório varia 10% quando se varia o expoente entre 1 e 1.Esquema de princípio de um RAC Substituindo o valor de hp nas equações características + C. A altura do líquido no interior do reservatório no final do intervalo de tempo ∆t é dada por. Considerando pela equação da continuidade: A1 vp1 + A2 vp2 dht ∆t A1 vp1 = At + A2 vp2 ∴ ∆ht = dt At ( ) em que At é a área transversal do RAC. a altura do líquido no interior do tanque terá de ser conhecida. principalmente dos reservatórios de grande capacidade e a exigência de manutenção. Estes valores são designados por hti e hpi respectivamente.altura da base do reservatório zt . hgási = hi – zt – hb – hti (20) Uma vez que a pressão absoluta na secção de ligação é hi (hi = hp no instante anterior). Aplicando a equação PVn = Cte correspondente aos processos politrópicos aplicados a um gás perfeito. 8 It . hgasi representa a pressão absoluta do gás. e 1.diâmetro interior hb . facilidade de aplicação e controle. Com estes valores determina-se o volume de água admitido ou expulso do reservatório durante o intervalo de tempo ∆t e consequentemente a variação de nível do líquido no interior do reservatório. A passagem da onda de pressão transitória através do reservatório. hgas2 = –h ( ll – h ) t t1 t t2 n x hgas1 (22) O expoente da transformação politrópica do ar no interior do reservatório poderá variar entre 1 correspondente aos processos isotérmicos. têm como principais vantagens a sua simplicidade. com um tratamento em regime transitório do sistema de condutas.

de uma conduta com funcionamento por acção da gravidade pela intercalação de estações elevadoras de pressão (booster). em que o volume de água a transportar varia com a estação do ano. Esta aproximação despreza o escoamento que tem lugar através da bomba durante a sua paragem. O valor da pressão mínima será assim superior ao que teria lugar se o circuito de desvio não existisse. durante as horas de máximo consumo. deverá incluir-se um termo separado para quantificar a perda de pressão (energia) na válvula de retenção. neste troço é mobilizada a energia elástica do fluido e da conduta. algumas das estações poderão ser retiradas de serviço. a altura de elevação das bombas é repartida pelas diferentes estações. por vezes dota-se a ligação chaminé-conduta de um dispositivo destinado à geração de perda de carga. permitindo por exemplo diminuir a classe de pressão dos tubos. a altura do líquido na chaminé poderá ser considerada constante sem grande erro. dotadas de várias estações de bombeamento em linha. limitando-se desta forma o abaixamento de pressão. sendo actualizada em cada instante. enquanto a bomba se encontrar a funcionar em regime estacionário as condições de operação são as representadas. o erro introduzido por esta simplificação é desprezável. quando o volume de água que é necessário transportar for reduzido. Estas equações reduzem-se a uma equação quadrática em Q. 86 . É uma aplicação típica em condutas forçadas longas. ocorre em geral uma oscilação em massa. Durante o curto intervalo de tempo ∆t associado à discretização das equações. A parte superior da chaminé encontra-se aberta à atmosfera. Quando tal não se verificar. Quando as bombas estiverem em operação. a válvula de retenção impedirá o escoamento da compressão para a aspiração.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. A estação poderá não estar sempre em funcionamento e o escoamento dar-se-á através do circuito de desvio. Quando ocorre uma paragem da bomba. Como em geral o caudal é reduzido. como por exemplo em condutas de transporte de água potável para abastecimento domiciliário e industrial. Nas estações imobilizadas o escoamento far-se-á através dos circuitos de desvio. durante os períodos em que o escoamento for realizado pela acção da gravidade. Durante o regime variável este dispositivo divide em geral a conduta em dois troços que se comportam de forma diferente. g (hP1 – hR) + CR aR g – g aS (v P1 – vR) + 2 fR VR VR ∆T =0 dR (24) (h P2 – hS) + (vP” – vS) + v2P1 2g 2 fS VS VS ∆T =0 dS (25) hP1 – hP2 = k Fig. evitando as depressões no ramo de compressão. de forma a que o caudal debitado esteja de acordo com as necessidades. O circuito de desvio poderá desempenhar um papel de protecção da conduta.Esquema de um circuito de desvio a um conjunto de bombeamento (perda de energia na válvula) VP1 = Q A1 VP2 = Q A2 Noutros casos em que o caudal transportado é variável. colocadas em linha e equipadas com circuito de desvio. aplicam-se as equações. ou as perdas de carga em linha forem apreciáveis. Quando os desníveis geométricos.7 Chaminés de equilíbrio Numa conduta equipada com bomba e chaminé de equilíbrio como se mostra na figura 10. a válvula de retenção abre-se e passará a haver escoamento de montante para jusante. Para diminuição da amplitude do líquido no interior da chaminé. Na análise do comportamento do sistema. 9 . permanecendo outras em funcionamento. 4. Ou seja. O tratamento destes dispositivos é semelhante ao apresentado para os RAC. durante a paragem de uma bomba deverá verificar-se se a pressão de jusante se mantém superior à de montante. Assim. resultando em equipamentos mais económicos e com menor potência instalada por unidade. sem que a equação que modela a bomba esteja presente.6 Circuito de desvio Em certas situações pode estabelecer-se um circuito de desvio aos grupos electrobomba. No segundo trecho compreendido entre o dispositivo e um reservatório ou outro dispositivo semelhante. turbina ou válvula e a chaminé. equipado com uma válvula de retenção conforme se mostra no esquema da figura 9. Na modelação. haverá uma queda de pressão no ramo de compressão. substitui-se a condição de fronteira correspondente à bomba por uma simples junção. Também poderá ser aumentada a capacidade de transporte. o dia da semana ou mesmo a hora do dia. as duas equações características são resolvidas para se determinar o caudal e a pressão. se a pressão cair a um valor inferior ao do ramo de aspiração. O trecho compreendido entre a bomba.

Para estes casos o modelo matemático da condição de fronteira é semelhante ao utilizado para o RAC. para atenuação das amplitudes extremas de oscilação do plano de água. em que a velocidade do líquido no seu interior é lenta. Antes de continuar o cálculo deverá verificar-se se a altura do líquido no interior da chaminé é positiva. – Impacto da estrutura no ambiente.8 Reservatórios unidireccionais Os reservatórios unidireccionais são dispositivos de protecção especialmente vocacionados para atenuarem as ondas de pressão negativas. – Cálculo de secção transversal e de um eventual estrangulamento. e ha representa a pressão atmosférica. 12 . 11 (a p1 vp1 + ap2 vp2 Ach d ch 2 ) ∆t 4. com a superfície livre em contacto com a atmosfera. que permite o escoamento no sentido RUD conduta e impede-o no sentido oposto. 13. Fig.e C+ calculam-se facilmente os valores de vP1 e vP2. Conforme se poderá observar na fig. de betão armado ou escavado na própria rocha. as chaminés são em geral constituídas por um tubo metálico. – Cálculo estrutural.Esquema de uma chaminé de equilíbrio O dimensionamento de uma chaminé de equilíbrio compreende: – O estudo do perfil da conduta para escolha do local mais adequado para a sua instalação. Em alternativa poderá ser armazenado água proveniente de uma fonte externa. – Amplitude das ondas de pressão. 10 .Chaminé de equilíbrio desenho tipo da SABESP Fig. Com estes valores determina-se o volume de água admitido ou expulso da chaminé durante o intervalo de tempo ∆t e consequentemente a variação de nível do líquido no interior da chaminé.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Substituindo o valor de hP nas equações características C. A ligação entre o reservatório e a conduta é dotada de uma válvula unidireccional (válvula de retenção). Na escolha do local para a sua instalação deverá atender-se aos seguintes aspectos: – Características topográficas do terreno. Com H2 determinado calcula-se hp por hP = H2 + ha + Ap2 vp2 ∴ ∆hch = Fig. Considerando pela equação da continuidade: ap1 vp1 = Ach dhch dt Ach é a área transversal da chaminé Ach = π 4 A altura do líquido no interior da chaminé no final do intervalo de tempo ∆t é dada por: H2 = H1 + ∆Hch em que H1 é a altura do líquido no início do intervalo de tempo ∆t e H2 no fim. Salvo casos especiais. 87 . H = hP1 – ha Uma vez que a pressão absoluta na secção de ligação é hp1. estes dispositivos consistem num tanque onde é armazenado o líquido transportado pela conduta.

permitindo desta forma actuar também sobre as sobrepressões. uma vez que o período de imobilização dos grupos electrobomba é prolongado. Para proteger esse local. Outra vantagem. Caso contrário. o RUD permite a alimentação da conduta aquando a cota piezométrica for inferior à da superfície livre do líquido. 4. 13 . procede-se a um primeiro período de fecho rápido e a manobra final mais longa. durante as operações normais de arranque e principalmente paragem. de condutas destinadas a transportar águas residuais. É constituído por um reservatório construído em polietileno de alta densidade e dotado de uma válvula de retenção. conforme representada na figura 14.Reservatório unidireccional Devido à sua concepção. Estes dispositivos não podem ser considerados dispositivos de protecção uma vez que não actuam em caso de falha de energia eléctrica da rede de alimentação. for inferior à cota da válvula de retenção. sendo o seu efeito semelhante ao dos volantes de inércia. apresentada por este dispositivo. de vários grupos podem ser devidamente determinados com a introdução de subrotinas de cálculo apropriadas. Devido às desvantagens referidas em relação ao RUD. sempre que a cota piezométrica no interior do dispositivo. o qual poderemos designar por reservatório parcialmente bidireccional. 4.10 Dispositivos de manutenção das pressões transitórias Para atenuação dos efeitos do choque hidráulico. assim. Fig. 4. são excelentes órgãos para a atenuação das variações da pressão ao longo das condutas. o tempo de anulação de caudal é aumentado. o líquido armazenado no RUD e o que se encontra em escoamento na conduta.1 Válvulas motorizadas As válvulas motorizadas deverão possuir meios de fecho adequados. 4. o que não acontece no RUD.10. a análise é semelhante à de uma simples junção. no caso de água tratada e a propagação de cheiros no caso de águas contaminadas. é a do líquido armazenado para protecção. Evita-se dessa forma a inquinação. é a de se dispensar o ramal de enchimento. conclui-se que o RUD só entra em funcionamento quando a altura piezométrica na conduta for inferior à da superfície livre e que não há escoamento no sentido conduta RUD. durante a paragem e arranque dos grupos electrobomba poderiam ser utilizadas válvulas motorizadas ou arrancadores suaves. devendo os tempos de manobra ser determinados por cálculo. Fig. para proteger uma conduta elevatória destinada a transportar águas residuais. é especialmente vocacionado para ser instalado em pontos altos. A grande vantagem. Em regime permanente.2 Arrancadores suaves Os arrancadores suaves quando procedem também a paragens suaves. assim como os períodos a decorrer entre paragens sucessivas. A análise deste dispositivo. que apresentava um ponto alto num local isolado. como a conduta continuará a ser alimentada. Enquanto a altura piezométrica na conduta for superior à da superfície livre do RUD. Em geral para se evitar tempos de manobra longos. O tipo de paragem dos grupos. admite o refluxo parcial de líquido ao tanque. a altura piezométrica na conduta não está em equilíbrio com a massa de água armazenada.9 Reservatório parcialmente bidireccional O autor deste trabalho.Reservatório parcialmente bidireccional 88 . A partir do instante em que as alturas se igualem a análise passa a ser semelhante à de uma chaminé de equilíbrio. não ficar em contacto com a atmosfera. necessitou projectar um dispositivo. o cálculo em regime transitório na secção de ligação é idêntico ao de uma simples transição.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório O reservatório parcialmente bidireccional. Pelo descrito. foi adoptada uma variante. é semelhante à da chaminé de equilíbrio. isto porque a actuação das válvulas sobre o escoamento não é linear. estão separados pela válvula de retenção que se encontra fechada. não era possível nesse caso a sua adopção. Este dispositivo.10. 14 . Devido à concepção do RUD. a altura piezométrica na zona de ligação é regulada pela cota da sua superfície livre.

com funcionamento de um número máximo de dois em paralelo.a.37 x 103 Os grupos electrobomba instalados em número de três nesta primeira fase.m-2 PD2 do motor 92. e após várias hipóteses de cálculo para os dispositivos de protecção. foram os que se passam a indicar nos itens seguintes. Resultados de cálculo final Volume de ar m3 RAC Inicial 5.0 Condições de descarga Caudal m3/h 1.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. foi seleccionado um RAC associado a uma válvula de alívio. dimensionados conforme o gráfico 1.3 mm Rugosidade absoluta equivalente k = 0.m-2 Diâmetro do impulsor D = 400 mm Coeficientes da curva característica A = 1. concluindo-se que era necessário proteger a conduta com dispositivos adequados.86 kgf. verificou-se que ocorre uma zona de depressão extensa (gráfico 1) e que a sobrepressão subsequente tem um valor muito elevado.c. de pequena inércia comparada com a energia transferida ao fluido a elevar e por consequência com um reduzido tempo de anulação de caudal.11 Caso prático Os dados de cálculo inicial. Se não se realizar esta associação.0 x 1010 kgf m-2 Módulo de compressibilidade da água E = 2.300 Pressão de abertura m.3 m Grupos electrobomba em funcionamento n = 2 (paralelo) Velocidade de rotação N = 1400 rpm PD2 da bomba 5.56 x 10-1 C = 5.00 kgf.375 m3/s Cota de descarga no reservatório 373.1 Máximo Adoptado 6. Dos resultados do cálculo efectuado. o volume RAC seria exagerado. Análise dos resultados de cálculo O cálculo inicial foi realizado considerando que os dois grupos bombeiam através da conduta sem qualquer protecção.1 x 108 kgf m-2 Caudal em regime estacionário Q = 0.7 7. Comprimento da conduta elevatória L = 2808 m Diâmetro Ø = 500 mm Espessura da parede e = 7. 390 1 89 .1 Material Ferro Fundido Dúctil Módulo de elasticidade da conduta E = 1. são do tipo multicelular. Cálculo final Em face do comportamento descrito para o sistema em regime transitório.92 x 10-4 B = 6.0 VÁLVULA DE ALÍVIO Mínimo 4.

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O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5. Lda. 91 . O CUSTO DO CICLO DE VIDA COMO FACTOR DE ECONOMIA Autor: Paulo Ramísio Engenheiro Civil (FEUP) Mestre em Engenharia do Ambiente (FEUP) Assistente do Departamento de Engenharia Civil da Universidade do Minho Sócio da SBS – Engenharia Civil. Hidráulica e Ambiente.

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energias renováveis. colecta. ao longo da sua vida útil.3 Razões para a utilização do CCV Os sistemas de pressurização são compostos por um conjunto de obras de construção civil. paragens. mas também servir para comparar soluções de fabricantes diferentes. promove parcerias com indústrias e grupos de comércio. No presente documento optou-se por seguir a metodologia proposta pelas seguintes entidades: • O Instituto Hidráulico (HI). é a maior associação de produtores e de fornecedores da América do Norte. A identificação de todas as parcelas envolvidas apresenta-se como uma etapa fundamental nesta metodologia. nos equipamentos electromecânicos o custo de aquisição poderá representar apenas 10% dos custos globais associados a esses equipamentos. Enquanto algumas partes do sistema apresentam praticamente todo o seu custo durante a construção. Estabelece padrões e organiza fóruns para a troca de informações técnicas há mais de 80 anos. O investimento inicial é geralmente uma pequena parte do Custo do Ciclo de Vida para sistemas de pressurização. transporte e tratamento de águas residuais. O Europump serve e promove a indústria europeia das bombas hidráulicas.2 O que é o Custo do Ciclo de Vida? O Custo do Ciclo de Vida (CCV) é uma ferramenta de gestão que pode ajudar a minimizar os desperdícios e a maximizar o rendimento para variados tipos de sistemas. para a implementação de sistemas de elevada eficiência de energia. de forma isenta. sendo principalmente onerosos em grande parte dos sistemas industriais. Um dos grandes objectivos duma metodologia desta natureza deverá ser o rigor e a isenção. instalação. A minimização dos custos globais nem sempre é uma tarefa fácil. ensaios. A correcta escolha de todos os componentes de um sistema de bombeamento apresenta-se assim como uma oportunidade para uma redução nos custos globais da instalação. não só para optar entre diferentes soluções do mesmo fabricante. estabelecido em 1960.). consomem cerca de 20% da energia eléctrica global (Europump. 1 . manutenção (preventiva e correctiva). Consumo mundial de energia eléctrica Outras Aplicações (80%) Ou • O Europump. Adicionalmente todos os componentes do sistema deverão ser cuidadosamente seleccionados para combinarem entre si e manter no global um conjunto fiável assegurando os mais baixos custos energéticos e de manutenção. 5. principalmente numa altura em que a questão energética assume um importante papel na economia nacional.1 Introdução Os sistemas de pressurização representam por vezes custos não desprezáveis no mercado da construção para habitação. • O Departamento de Energia dos Estados Unidos. Sistemas de Bombeamento (20%) Fig. a solução que apresenta menor custo global. incluindo sistemas de bombeamento. A avaliação dos custos do sistema ao longo da sua vida útil. fundado em 1917. a escolha dos elementos que constituem o sistema (construção civil. mas também mundial. Quando o CCV é utilizado como uma ferramenta de comparação entre diferentes alternativas. etc. equipamentos. prevenção da poluição e tecnologias para aplicações industriais. O Custo do Ciclo de Vida de qualquer sistema de pressurização é assim o custo total durante o seu período de vida útil. acessórios e os decorrentes da exploração) devem obedecer a considerações de eficácia e economia. age como porta-voz dos 15 principais fabricantes de bombas e representa mais de 400 fabricantes.Consumo mundial de energia eléctrica Trata-se portanto de um consumo significativo. 5. industrial. o processo de cálculo do CCV indicará. A energia consumida e os materiais utilizados por um sistema dependem das características da bomba. Como exemplo. os grupos electrobomba embora sejam geralmente adquiridos como componentes individuais. assim como uma longa durabilidade. pode ser realizado por várias metodologias. Uma visão global é descrita no artigo "Pump Life Cycle Costs" desenvolvido pelo Hydraulic Institute e Europump de modo a facilitar a aplicação da metodologia do CCV a sistemas de bombeamento. Estima-se que o elevado número de sistemas de bombeamento existentes a nível mundial. tubagens e acessórios. Como qualquer investimento. operação. equipamento eléctrico e electromecânico. com base nas informações disponíveis. Representa os custos de aquisição. instalações de rega. pois só assim poderá ser utilizada.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5. desmontagem e desmantelação do equipamento. eles são parte integrante de um sistema indissociável entre si. 93 . 2000). ambientais. da instalação e do modo como o sistema irá operar. energéticos. nas suas mais variadas aplicações (abastecimento público e predial de água potável.

podem muitas das vezes ser estimados com base em dados históricos. talvez motivado pela grande evolução tecnológica verificada nos últimos anos. As empresas devem procurar soluções que visem a redução dos custos globais e o aumento dos rendimentos operacionais. serviços de apoio. Em alguns casos os custos de indisponibilidade podem ser mais significantes que os custos energéticos ou de manutenção. muitas empresas começam a estar cada vez mais sensíveis ao impacto ambiental nos seus negócios. A escolha destes equipamentos deve ser efectuada com base em cálculos onde os detalhes do projecto do sistema devem ser tidos em conta. Outros custos como por exemplo os de paragens. O exercício deve ser objectivo na análise e âmbito podendo no entanto ser lato nas alternativas analisadas. quer em novos empreendimentos quer em remodelações requer sempre uma avaliação de sistemas alternativos. desmontagem e desmantelação final do equipamento e os de origem ambiental. logo os resultados do processo apresentam certamente um grau de fiabilidade similar ao dos dados de base.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia Uma maior compreensão de todos estes pormenores constituirá uma oportunidade para a redução dramática dos custos energéticos. etc. 2 . Os sistemas existentes podem contribuir com uma maior fatia na redução da energia consumida através da utilização da metodologia do cálculo do CCV por duas razões: A primeira porque existem pelo menos 20 vezes mais sistemas em operação do que os colocados anualmente em operação e. de exploração e de manutenção.Repartição média dos custos globais em sistemas de bombeamento Muitos sistemas são concebidos considerando apenas o investimento inicial. factores determinantes no Custo do Ciclo de Vida (CCV) da instalação. A operação. tubagens. Alguns estudos mostram que 30% a 50% da energia consumida pelos actuais sistemas de bombeamento podem ser poupados através da alteração dos controlos dos sistemas (Europump.) Custo de instalação e ensaios (arranque e formação do pessoal) Custos energéticos (operação do sistema incluindo controlos e quaisquer serviços auxiliares) Custos de operação (mão de obra e supervisão normal do sistema) Custos de manutenção e reparação (reparações previstas e de rotina) Custos de paragens (perda de produção) Custos ambientais Custo de desmontagem e desmantelação (incluindo a restauração ambiental do local e serviços de destruição do equipamento) 94 . bombas. Deste modo a comparação deve ser efectuada entre diferentes tipos de sistema ou de controlo. A redução e o desperdício energético representam ainda um papel importante em benefícios ambientais.4 Determinação do Custo do Ciclo de Vida O processo do CCV é um método que permite a comparação de soluções alternativas. Custos de Manutenção ( 10% ) Custos do Investimento ( 5% ) 5. o escalonamento esperado nos anos vindouros. em termos de custos. CCV = Cci + Cin + Ce + Co + C m + C pp + Ca + Cd onde: (1) Cci Cin Ce Co Cm C pp Ca Cd Custos iniciais (custos de construção civil. O processo em si é basicamente matemático. mas extremamente dependente da informação disponível. principalmente no sector fabril. continua a merecer uma particular atenção como fonte de poupança de custos. Os sistemas de bombeamento têm muitas das vezes um período esperado de operação de 15 a 20 anos. assim como os custos de mão-de-obra e dos materiais ao longo do ciclo de vida do equipamento. Adicionalmente às razões económicas para justificar a utilização da metodologia do CCV. e consideram o rendimento energético como uma via contribuinte para a redução de emissões de gases e deste modo preservar os recursos naturais. originando sistemas que apresentam grandes custos de manutenção e exploração. Sistemas de bombeamento . Para a maioria de empreendimentos os custos energéticos e/ou de manutenção dominarão os Custos do Ciclo de Vida. como sendo a soma das seguintes parcelas: Fig. em segundo lugar porque muitos dos sistemas em operação possuem bombas ou controlos que não estão ajustados às necessidades actuais. acessórios.Custos globais Custos de Exploração ( 85% ) A análise do CCV. sendo de difícil quantificação. É portanto de extrema importância a forma precisa de determinar os custos energéticos actuais. Com base nos estudos efectuados em problemas deste tipo. especialmente pela via da minimização dos consumos energéticos e dos tempos de paragem da produção. A crescente competitividade dos mercados nacionais e internacionais obriga a um esforço contínuo de modo a aumentar a competitividade. 2000). Considerações adicionais deverão ser tomadas em relação às perdas de produtividade devido aos tempos de paragem. a metodologia proposta apresenta os custos do ciclo de vida.

Enquanto que nas restantes parcelas os custos associados a equipamentos electromecânicos são dominantes. deverão ser efectuados cálculos separados para os vários pontos de funcionamento. Estes podem variar muito dependendo da complexidade e função do sistema. A fórmula do cálculo da potência requerida é a seguinte: P (kW ) = em que: γ ×Q× H η c ×η m (2) P − Potência (kW ) γ − Peso específico do líquido (kN/m3 ) Q − Caudal (m 3 /s) H − Altura manométrica (m. especialmente quando o tempo de operação das bombas ultrapassa as 2000 horas de operação / ano. O consumo energético é calculado através dos dados colhidos no projecto do sistema. Uma bomba com conversor de frequência tem um número infinito de pontos de funcionamento.a) η c − Rendimento da bomba η m − Rendimento do motor Logo. • Equipamentos auxiliares para sistemas de vedação ou arrefecimento. betão etc.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia Os parágrafos seguintes examinam cada uma das parcelas e levantam sugestões para a determinação de cada parâmetro. Estes detalhes. 95 . o seu comportamento com o fluido bombeado. projecto. Estes custos podem ser referentes a circuitos de aquecimento ou arrefecimento de fluidos de processo. o cálculo é simples. Custos energéticos • O consumo energético é frequentemente uma das parcelas com maiores custos e geralmente domina o valor final do CCV. a qualidade e fiabilidade do sistema seleccionado. • Avaliações e regulações no arranque. Por exemplo uma bomba instalada em ambientes corrosivos pode requerer verificações diárias. os controlos integrados. Este facto pode originar a que seja menosprezada a sua importância final nos custos globais. desenhos. • Peças de reserva. a energia será: E (kWh ) = ∫ γ × Q(t )× H (t ) dt ηc ×ηm to ηc(t) x ηm(t) t1 (3) • Os custos energéticos de serviços auxiliares também devem ser incluídos. • Formação. aproximando em seguida os volumes bombeados ou horas de funcionamento relativos a cada um destes. • Inspecção e testes. etc.c. • Uma instalação completa dos equipamentos electromecânicos envolve requisitos de operação e manutenção que serão assegurados por pessoal com formação para operar o sistema. Se as solicitações são muito variáveis no tempo. Detalhando: Custos iniciais • Este tipo de custos refere-se aos custos necessários para a compra e instalação de equipamentos e obras de construção civil. • Os ensaios requerem uma especial atenção às instruções do fabricante para a execução do arranque e operação. A situação torna-se mais complexa com bombas em funcionamento paralelo ou se a bomba for utilizada com um conversor de frequência. os materiais utilizados. filtragem. especificações etc. Se as solicitações ao sistema são constantes. • É determinante para estes custos o diâmetro das tubagens e acessórios. preparação. os empanques instalados. No funcionamento paralelo. neste o seu valor relativo pode vir diluído com o valor da construção civil.). • Ligações de tubagens de processo. então dever-se-á utilizar um registo horário das necessidades para se efectuar o respectivo cálculo. Deverá ser seguida a lista de verificações proposta pelo fabricante de modo a assegurar que os equipamentos e o sistema possam operar dentro de parâmetros específicos. podem originar custos iniciais mais elevados mas reduzirem o CCV de uma forma considerável. entre outros. Dever-se-á ter em atenção que este cálculo não inclui a análise a custos de segunda ordem como por exemplo as matérias-primas consumidas no fabrico de produtos. circulação e/ou dissipação de calor etc. Custos de instalação e ensaios • Os custos de instalação e ensaios (arranque) incluem os seguintes itens: • Fundações (projecto. Outro factor de incerteza para o cálculo do consumo de energia de bombas com conversor de frequência é o facto do rendimento geral do sistema ser difícil de calcular com exactidão.). Custos de operação • Os custos de operação são os associados à mão-de-obra relacionados com a operação do sistema. necessárias ao arranque do sistema. • Ligações eléctricas e de instrumentação. • Construção civil. • Os métodos de cálculo da energia são relativamente simples quando a bomba é utilizada num único ponto de funcionamento. • Ligações a sistemas auxiliares. • Processo de aquisição. • Os custos iniciais incluem geralmente os seguintes itens: • Serviços de Engenharia (estudos. Nestes casos devem ser incluídos os custos do fluido.

podem ser estimadas estatisticamente pelo cálculo do tempo médio entre avarias. • Taxa de juros. consumo energético. O projecto deve considerar a interacção entre a bomba e o resto do sistema e o cálculo do ponto de operação do sistema. • Vida útil esperada para o equipamento. Os custos de infracção ambiental deverão ser incluídos. sob o risco de representarem externalidades. Os custos de aquisição e os custos operacionais totalizam o custo total de uma instalação durante sua vida. requer uma manutenção regular e eficiente. Custos de manutenção e reparação • O alcance da longevidade esperada para uma bomba. Custos de paragens e perdas de produção • O custo de paragens imprevisíveis e de perdas de produção podem ser uma parcela muito significativa no valor CCV e pode rivalizar com os custos energéticos ou com os custos de peças de substituição. Se for utilizado um equipamento de reserva. As maiores actividades requerem frequentemente a remoção da bomba do local de instalação para as oficinas. estando directamente dependentes do diâmetro da tubagem e dos restantes componentes do sistema. • Actualização do valor anual da energia. destruição e outros custos importantes. Estes incluem: • Preços actuais da energia. Os custos dependem do tempo e da frequência do serviço. temperaturas. Será importante analisar a sensibilidade ou adaptabilidade do sistema escolhido a situações diferentes das previstas no projecto. O projecto pode influenciar estes custos por indicação específica de alguns materiais. o custo inicial será mais elevado mas os custos de manutenção não programada incluirão apenas os custos da reparação.5 Implementação da metodologia 5. Na maior parte das vezes os custos de paragem são inaceitáveis por representarem custos superiores à instalação de um equipamento de substituição ou reserva. pressão etc. selecção dos componentes e mesmo da facilidade de acesso aos componentes a serem intervencionados. Existem procedimentos legais e regulamentares para líquidos tóxicos. o custo da desmantelação de um sistema de bombeamento tem pequenas variações em relação a diferentes concepções. Quando a destruição tem um custo demasiado elevado. 5. • O programa de manutenção pode ser cumprido com menor frequência mas com maior atenção aos detalhes ou com maior frequência mas com intervenções mais simples. tais como a manutenção. paragens. gamas de caudais. mas também às verificadas em singularidades.1 Na fase de projecto A concepção e o projecto do sistema serão sempre o elemento mais importante na minimização do CCV. Uma análise periódica das condições de funcionamento do sistema pode alertar os operadores para eventuais perdas de desempenho do sistema. • O custo total da manutenção de rotina é o resultado do produto dos custos por intervenção pelo número de intervenções esperadas durante o ciclo de vida da bomba. O fabricante aconselhará a frequência e a natureza da manutenção periódica. da sua capitação ou mesmo da taxa de ligação ao longo do tempo. Custos totais do ciclo de vida • Os custos estimados para as várias parcelas depois de somadas permitem uma comparação das diferentes soluções analisadas. As características da tubagem do sistema devem ser calculadas a fim determinar o desempenho requerido da bomba. o CCV torna-se particularmente sensível à vida útil do equipamento. Custos ambientais • O custo da destruição de fluidos contaminantes durante o tempo de vida de um sistema de bombeamento varia bastante dependendo da natureza do produto bombeado. ruído. • Existem também factores financeiros a serem tomados em consideração no desenvolvimento do CCV.5. • O custo de perda de produção ou de indisponibilidade podem ser considerados dependente do tempo de paragem e devem ser analisados para cada caso específico. Os indicadores de desempenho incluem alterações em vibrações. • Taxa de inflação. Por exemplo. Custo de desmontagem e desmantelação • Na maioria dos casos. Durante esse tempo a unidade está indisponível podendo haver perda total na produção ou um custo de substituição temporária. Um sistema mais flexível na exploração pode apresentar uma mais valia acrescida. • Embora as avarias não possam ser previstas. Estes custos podem ser minimizados por uma programação cuidada e atempada da paragem. nos sistemas de distribuição de água doméstica existe a incerteza do crescimento populacional. Uma quantidade considerável das perdas da energia no sistema são devidas às perdas de carga contínua. mas também dos custos dos materiais. radioactivos ou qualquer outro tipo agressivo. bombeamento de produtos corrosivos. Exemplos de contaminação ambiental podem incluir: destruição da caixa do empanque. Isto aplica-se quer a sistemas simples quer a sistemas mais complexos. uso de peças contaminadas etc. 96 . Adicionalmente o utilizador deve decidir quais os custos a incluir. ambiental.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia enquanto um sistema semelhante com outro fluido pode apenas necessitar de supervisões limitadas.

5. mas antes o modelo deve ser validado para assegurar que representa exactamente o sistema que se está a estudar. O primeiro consiste em observar as condições de operação do sistema "in-situ". 3 . alguns custos aumentam com tamanho crescente da tubagem como por exemplo os de aquisição. o objectivo é ficar com uma ideia exacta de como as várias partes do sistema operam e identificar onde as melhorias podem ser feitas e o sistema optimizado. As tubagens devem assim ser dimensionadas por critérios de minimização dos custos globais. ser substituídos por programas informáticos. • Considerar um diâmetro interno mínimo quando se transportam líquidos com sólidos. • Especificar motores de elevada eficiência. mas completam-se. • Avaliar as perdas de carga no sistema. e caudais). O primeiro método confia em observações efectuadas no sistema (pressões. Dois métodos podem ser usados na análise de sistemas de bombeamento existentes. Diminuir o diâmetro das tubagens tem os seguintes efeitos: • diminuem os custos de aquisição de tubagens e acessórios da instalação. • Avaliar a eficácia do sistema. • aumentam os custos da instalação da bomba e de operação em consequência do aumento de perdas de carga.Ponto de funcionamento de um sistema Um sistema pode necessitar de operar em diversos pontos de funcionamento. Analogamente. Os longos e fastidiosos cálculos associados ao cálculo das perdas de carga podem hoje. mas as exigências operacionais do sistema limitam o âmbito da experimentação. • Considerar diâmetros padrão da tubagem em instalações semelhantes. • Determinar os fluxos requeridos para cada carga no sistema. • Considerar a energia desperdiçada em válvulas de controlo. pressões diferenciais. mas outros diminuirão. 97 . resultando a necessidade de motores com maior potência. • Escolher bombas e sistemas novos usando considerações do CCV. • aumentam os custos de operação em consequência do maior consumo energético devido ao aumento de perdas por atrito. • aumentam os custos de energia eléctrica. facilitando significativamente o processo de cálculo. um dos quais determinará a escolha da bomba. • Optimizar o custo total considerando custos operacionais e custos de aquisição. • Combinar o tipo da bomba à solicitação pretendida. e o segundo consiste em executar cálculos usando as equações da mecânica dos fluidos. • Considerar uma velocidade máxima de modo a minimizar a erosão na tubagem e acessórios. Observar o sistema permite ver como o sistema se comporta. tão exacto quanto possível do sistema e depois simulam-se as pressões e os caudais dentro do modelo. • Monitorizar a bomba e o sistema. • Seguir as normas do fabricante. graças à capacidade de processamento. • Equilibrar o sistema para encontrar os diferentes fluxos e cargas requeridas.2 Aplicação a sistemas existentes As seguintes etapas indicam algumas tarefas que podem identificar pontos onde poderá ser possível melhorar um sistema de bombeamento existente: • Realizar um inventário completo do sistema de bombeamento. • Combinar o equipamento às necessidades do sistema para o máximo rendimento. 5. • Considerar a duração dos diferentes pontos de funcionamento da bomba. A seguinte lista de verificações fornece alguns tópicos úteis para reduzir o Custo do Ciclo de Vida de um sistema de bombeamento existente: • Considerar todos os itens com custos relevantes no Custo do Ciclo de Vida. Fig. Não obstante o método usado. • Não sobredimensionar a bomba. Os dois modelos não são incompatíveis. enquanto que no segundo cria-se um modelo matemático. • Optimizar a manutenção preventiva. • Utilização de velocidades económicas. • Identificar bombas com custo de manutenção elevado.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia O diâmetro da tubagem deve então ser seleccionado com base nos seguintes factores: • Economia da instalação (bombas e sistemas). • Efectuar mudanças à bomba para minimizar a carga no sistema. O ponto de funcionamento de um sistema é determinado pela intersecção da curva da instalação e da curva característica do equipamento de pressurização como mostrado em Figura 3. Deve ser considerado com atenção a duração prevista para os diferentes pontos de funcionamento de modo a seleccionar correctamente o número de bombas a instalar e o comando e controlo. podem-se facilmente simular várias alternativas do sistema. Desenvolvendo um modelo do sistema.

a válvula apresenta danos de cavitação em intervalos regulares. 98 . descobriu-se que a bomba instalada estava sobredimensionada (110 m3/h em vez de 80 m3/h previstos). Os cálculos do Custo do Ciclo de Vida para cada uma das quatro opções são resumidos no Quadro 1. Esta perda de pressão reduz a pressão diferencial através da válvula de controle em 10 m. acrescidos de 1 500 Euros adicionais para a instalação e 500 € anuais para manutenção. um circuito de bombeamento transporta um líquido contendo alguns sólidos de um tanque de armazenamento para um tanque pressurizado.Sistema de bombeamento estudado O sistema apresenta problemas na válvula de controlo (VC) que falha devido à erosão causada pela cavitação.08 €/kWh e a eficiência do motor de 90%. Antes da troca da válvula de controlo. a carga total da bomba é reduzida a 42. • Este projecto tem uma vida de 8 anos. valor que inclui o custo de desmontar e remontar a bomba. Reservatório Reservatório Pressurizado Válvula de Controlo Permutador de Calor Fig. Parece que a válvula não se encontra correctamente adaptada à instalação. d) Manter o sistema actual. c) Instalar um Variador de Frequência (VF). • Considerou-se o custo anual de manutenção periódica de um variador de frequência de 500 €/ano.0 m e 80 m3/h. Mantendo o sistema inalterado resultará num custo anual de 4 000 € para reparação da válvula. • A taxa de juro foi de 8% e uma taxa de actualização de 4% é esperado. foram consideradas outras opções e executada uma análise de custo do ciclo de vida às soluções alternativas. aos quais deve ser acrescentado 2 250 € para alterar o impulsor.000 horas/ano. originando uma maior perda de pressão através da válvula de controlo do que inicialmente estimado. b) Alterar o impulsor da bomba para reduzir a altura manométrica.20% e com um considerável ruído de cavitação. com um custo da reparação de 2 500 € cada segundo ano. e remover a válvula de controlo. O custo de energia anual com o impulsor menor é 6 720 € por o ano. Verificou-se que a válvula de controlo opera actualmente com uma abertura de 15 . Na figura seguinte apresenta-se um esquema simplificado do sistema. 4 . Na figura 5 são apresentados os pontos de funcionamento associados a cada uma das soluções.1 Sistema de bombeamento existente com uma válvula de controlo de caudal Neste exemplo.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5. • O processo é operado em 80 m3/h em 6. Um permutador de calor aquece o líquido.6 Exemplos de aplicação do Custo do Ciclo de Vida 5. Em consequência do grande diferencial de pressão. Bomba Alterando o diâmetro do impulsor para 375 milímetros.6. Espera-se que não seja necessário nenhuma reparação nos 8 anos seguintes. A substituição da válvula de controlo apresenta um custo de aquisição e instalação de 5000€. aproximando a válvula do ponto para que foi projectada. Na análise do CCV efectuada utilizaram-se os seguintes critérios e suposições: • O preço de energia actual é actualmente 0. e uma válvula de controlo regula o caudal no tanque pressurizado a 80 m3/h. Está a ser considerada a substituição da válvula existente por outra que possa resistir à cavitação. admitindo uma reparação anual da válvula. demonstrando que a válvula instalada não é apropriada para este processo. Fig. Após a revisão dos cálculos do projecto. As seguintes opções foram estudadas: a) Substituir a válvula de controlo de modo a suportar o grande diferencial de pressão. Um variador de frequência de 30 kW tem um custo de 20 000 €. 5 .Pontos de funcionamento de cada alternativa estudada. • O custo anual para a manutenção periódica das bombas é de 500 € por ano. A válvula tem apresentado avarias a cada 10 a 12 meses com um custo médio de 4 000 EUROS por reparação. De modo a equacionar várias alternativas analisou-se o actual funcionamento do sistema. • Não há nenhum custo de eliminação ambiental associada.

0 6.08 11.CUSTOS DE CICLO DE VIDA (CCV) DAS VÁRIAS SOLUÇÕES ESTUDADAS Alternativa A Investimento inicial (€) Custo da energia (€/kWh) Potência média absorvida (kW) Horas por ano Custo de energia (€) Custos de manutenção (€) Custos de reparação (cada 2 anos) (€) Outros custos anuais (€) Custos ambientais (€) Custos de desmantelação (€) Vida útil (anos) Taxa de juro (%) Taxa de actualização (%) Valor de CCV (€) 5. deverá ser instalado um reservatório superior a uma cota que permita uma pressão residual.000 5. no aparelho mais desfavorável.000 8 8 4 113.568 1 000 2.6. a altura manométrica deverá ser de 5.500 8 8 4 91. com um caudal de ponta de 18.1 6.000 11.6 m3/h. em função do volume do reservatório superior.088 500 2.000 11.08 23.08 23.250 0.500 0.08 14.500 4. Para garantir a pressão residual mínima.930 A opção B. De modo a simplificar a análise considera-se que o sistema de pressurização será alimentado directamente de um reservatório com nível constante onde a água é mantida à pressão atmosférica.6 6. a) Elevar a água para um reservatório superior Nesta opção. Existe portanto um único ponto de funcionamento como é demonstrado na figura seguinte: 5. Para este sistema optou-se pela instalação de duas bombas do tipo "CR 15-5". por ciclos.0 Bar. o qual abastecerá graviticamente toda a rede doméstica. c) Instalar uma central hidropneumática de velocidade variável. Altura Manométrica Caudal Fig.000 0. No final de um ciclo (diário.313 Alternativa D 0 0. Foram comparadas as seguintes soluções: a) Elevar a água para um reservatório superior.088 500 2. b) Instalar uma central hidropneumática de velocidade fixa.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia QUADRO 1 .1 6.827 Alternativa B 2. 99 . com base nos pressupostos apresentados. cujas parcelas do CCV são apresentadas no quadro 3.481 Alternativa C 21.720 500 2. semanal ou mensal) o volume de água elevado será igual ao volume de água consumido.500 8 8 4 74. 6 O funcionamento do sistema de pressurização funcionará.000 6. tem o Custo do Ciclo de Vida mais baixo e apresenta-se como a solução economicamente mais favorável. alterar o impulsor.2 Escolha do sistema de pressurização na fase de projecto Neste exemplo será analisado o Custo do Ciclo de Vida para diferentes sistemas de pressurização a um edifício de habitação.500 8 8 4 59.

existe uma variação nos caudais bombeados. a curva característica da instalação variará por aumento do caudal (Fig 8a). Nesta solução. Os ciclos de funcionamento estão muito dependentes do consumo dos caudais na rede. a velocidade de rotação da bomba pode variar. há variação do termo independente do caudal (a altura geométrica).O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia b) Instalar uma central hidropneumática de velocidade fixa. relativamente às situações anteriores.Curvas características Fig. Neste sistema existe um conjunto de pontos de funcionamento. O sistema de pressurização consegue assim satisfazer um grande número de solicitações ou leis de consumo. a pressurização será realizada por ciclos. logo a curva característica da instalação varia conforme é demonstrado na figura 8b. existindo por vezes desfasamento entre os consumos dos aparelhos de diferentes pisos. junto ao reservatório inferior Neste sistema. É assim possível responder a uma grande variabilidade de situações.PERFIL DE CARGA CONSIDERADO 1 Caudal (%Qp) Pressão (%Pmáx) Tempo (h) 100 100 150 2 75 100 300 3 55 100 450 4 35 100 900 5 12 100 1500 Nas figuras seguintes são apresentadas as possíveis alterações às curvas características da bomba e da instalação. 9 100 . Em primeiro lugar. 7 c) Instalar uma central hidropneumática com variador de frequência. a análise do sistema é mais complexa uma vez que o bombeamento será directamente efectuado para a rede de distribuição. logo a curva característica da bomba toma as formas apresentadas na figura 8c. Os valores do CCV são resumidos no quadro 3. Na análise de custos considerou-se o seguinte perfil de carga: QUADRO 2 . entre a pressão máxima e mínima (estabelecida em função do caudal provável e a pressão residual no aparelho mais desfavorável). Consequentemente o caudal na rede variará entre os valores estabelecidos para arranque e paragem dos grupos. Trata-se portanto de um sistema com grande flexibilidade. Assim. acompanhando portanto as flutuações de caudais verificados nesta. Há ainda a considerar que num sistema desta natureza. ao longo da curva característica da bomba. 8 . Optou-se pela instalação de uma central hidropneumática de velocidade fixa do tipo "Hydro 1000" composta por três bombas "CR 10-7". conforme é apresentado na figura 7. dentro dos limites impostos pelo equipamento electromecânico e pela instalação. Os gastos de energia são mais difíceis de estimar porque a variabilidade real dos caudais também o é. Trata-se de uma simplificação conservativa uma vez que em muitas situações o consumo de energia será inferior ao simulado. Por outro lado. Na figura 8d é apresentado a gama de pontos de funcionamento admitida por este sistema. b) Fig. embora de funcionamento mais simples. No presente exemplo foi estimado o mesmo perfil de carga definido para o sistema anterior. para a mesma altura geométrica. Fig.

• A taxa de juro e a taxa de actualização foram consideradas iguais a 3.5 3.696 5.5 37.5%. respectivamente. a alternativa C apresenta os maiores custos de primeiro investimento mas os menores em energia e manutenção. uma vez que assume valores entre a mesma ordem de grandeza do investimento inicial (alternativa C) e o dobro do investimento inicial (alternativa B).08 €/kWh.5 3.990 + 2. 101 .5 37."Hydro 2000 ME 3xCR 10-6" Nesta análise pode-se contactar que.CUSTOS DO CICLO DE VIDA (CCV) DAS VÁRIAS SOLUÇÕES ESTUDADAS Alternativa A(*) Investimento inicial (*)(€) Custo da energia (€/kWh) Consumo de energia (kWh/ano) Custo de energia (€/ano) Custos de manutenção (€/ano) Custo médio de reparação (€/ano) Outros custos anuais (€) Custos ambientais (€) Custos de desmantelação (€) Vida útil (anos) Taxa de juro (%) Taxa de actualização (%) Valor de CCV (€) (*) . • Não foram considerados os custos associados à construção do reservatório superior.08 6.3 500 500 20 3. Os custos anuais de manutenção para as alternativas A e B são de 500 € e 400 € para a alternativa C. • O custo anual para reparação das bombas é de 500 € por ano.655 452. de salubridade e de sobrecarga na estrutura do edifício.4 500 500 20 3. 33% e 26% para as alternativas A.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia Na análise do CCV efectuada utilizaram-se os seguintes critérios e suposições: • Os custos dos equipamentos electromecânicos são valores médios de mercado.5 38. Situação inversa é verificada na alternativa B.08 8.038 (***) . QUADRO 3 . • Este projecto tem uma vida de 20 anos. os gastos de energia representa 24%. com base nos dados e pressupostos utilizados."2xCR 15-5". • Não há nenhum custo de eliminação ambiental associada. (**) -"Hydro 1000 C/S 3xCR 10-7". Os cálculos do Custo do Ciclo de Vida para cada uma das quatro opções são resumidos no quadro 3. Relativamente aos valores do CCV.154 492.000 0.32 400 500 20 3. Alternativa B(**) 5. B e C. • Foi desprezado o custo da energia a diferentes horas do dia. a alternativa A pode apresentar problemas associados à exequibilidade da construção do reservatório à cota pretendida.5 3.806 Alternativa C(***) 9. Embora não tenha sido considerado no presente cálculo.900 0.066 654.08 5. Pode-se ainda verificar que a parcela energia não é desprezável no valor final do CCV.850 0. • O preço de energia actual é 0.

and Lauer. 2000. "Study on improving the efficiency of pumps". "Pump life cycle costs: A guide to LCC analysis for pumping systems'. Hydraulic Institute. 2001. Sieglinde K.. "Life-cycle costing manual". Petersen.SAVE. Stephen R. Stoffel. Fuller. "Study on improving the energy efficiency of pumps".. 1995 102 . VDMA project . (ISBN 1-880952-58-0) European Commission.7 Referências bibliográficas Europump. "Theoretically attainable efficiency of centrifugal pumps".O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5. B. Technical University of Darmstadt. 1994. J.Final report. February 2001 European Commission . US Department of Energy. Federal Energy Management Program.

SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO GRUNDFOS Autor: Florindo Maia Director de Apoio a Projectistas Bombas Grundfos Portugal 103 .Sistemas de Pressurização Grundfos 6.

104 .

Diagrama de princípio Diagrama de princípio Depósito de Membrana Pressóstato Manómetro Contactor Grupo electrobomba Válvula de Retenção Válvula de Seccionamento Simbologia VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO COLECTOR PRESSÓSTATO MANÓMETRO CABOS ELÉCTRICOS QUADRO ELÉCTRICO Limite de fornecimento Válvula de pesca DEPÓSITO TUBAGEM 105 . obtendo-se diferentes níveis de eficiência e fiabilidade de exploração. com variação de velocidade integrada. Não existindo consumo de água. o grupo electrobomba não funciona dado que o depósito está com uma reserva de água.2. Havendo necessidade de consumo. Código de identificação Hydro100 Gama Grupo hidropneumático Tipo grupo electrobomba Capacidade do depósito HP CR5-8 80 6.1 Sistema Hydro 100 HP Constituição É constituído por um grupo electrobomba montado numa base. Nos exemplos apresentados são sempre referidas as electrobombas multicelulares verticais CR ou CRE.1. pressóstatos (um por grupo electrobomba). nas versões de velocidade fixa e velocidade variável. quadro eléctrico. constituem um conjunto compacto e caracterizam-se por incorporar electrobombas e todos os componentes de controlo. depósito de membrana. podendo como opcional ser equipado o quadro eléctrico e respectivo suporte de fixação. incluindo válvula de retenção.2.2. manómetro. podendo porém ser utilizados outros tipos de electrobombas de superfície ou submersíveis. Os controlos diferenciam os vários sistemas de pressurização permitindo ajustá-los às exigências da instalação.Sistemas de Pressurização Grundfos 6.1 Introdução Neste capítulo apresentamos as várias soluções práticas com que os sistemas de pressurização são comercializados pela Grundfos. e consequentemente o sistema está sobre pressão. Modo de funcionamento No acto da instalação deve-se proceder à regulação do pressóstato em função da pressão de arranque e paragem pretendida.2 Sistemas de pressurização com grupos electrobomba de velocidade fixa 6.2 Sistema Hydro 100 HM Constituição Este sistema hidropneumático é constituído por 2 ou mais grupos electrobomba montados numa base comum. integrando uma ou mais electrobombas.1 Sistema Hydro 100 6. 6. manómetro. será a reserva de água existente no depósito sob pressão que fornecerá esta até à pressão de arranque do grupo electrobomba. Os sistemas de pressurização.1. O grupo electrobomba funcionará para que o depósito seja novamente enchido até atingir a pressão de paragem pré-regulada. de potência e hidráulicos que permitem o seu funcionamento integral. pressóstato. tendo uma válvula de seccionamento e retenção por grupo electrobomba. acessório de intersecção e depósito de membrana. colector de compressão comum.

2. Hydro100 HS 2 Gama Central com reservatório N. O compressor arranca quando solicitado. colector de compressão comum. Modo de funcionamento Este sistema efectua o sistema de arranque e paragem por intermédio da regulação dos pressóstatos em sistema de cascata.2 Sistema Hydro 1000 6. os restantes grupos electrobomba entram em funcionamento. manómetro. montados numa base comum. dará ordem de paragem dos grupos electrobomba.º de grupos electrobomba Tipo de grupo electrobomba Capacidade reservatório CR32-5 1500 Diagrama de princípio 6.1 Sistema Hydro 1000 CS Constituição É constituído por dois a quatro grupos electrobomba verticais CR. colector de compressão comum.2. Ao reduzir o consumo de água.2. Quando o consumo de água diminuir. Assim que haja consumo de água. Se o consumo de água continuar a aumentar. um dos grupos electrobomba arranca.Sistemas de Pressurização Grundfos Modo de funcionamento O depósito de membrana fornece água a consumir desde que os grupos electrobomba estejam parados. VÁLVULA DE RETENÇÃO MANÓMETRO PRESSÓSTATO PORTA ELÉCTRODO VISOR DE NÍVEL CABOS ELÉCTRICOS QUADRO ELÉCTRICO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO VÁLVULA DE SEGURANÇA GRUPO ELECTROBOMBA RESERVATÓRIO VÁLVULA DE RETENÇÃO DE AR COMPRESSOR TUBAGEM COLECTOR 106 . o primeiro abastecimento é efectuado pelo reservatório. montados em paralelo sobre uma base comum. manómetros. assim que atingem as respectivas pressões de paragem. parando assim que atinja a pressão pretendida. quadro eléctrico. pressóstatos (um por grupo electrobomba e compressor de ar). tendo uma válvula de seccionamento e retenção por grupo electrobomba. também poderá funcionar com uma electrobomba de baixo caudal com um grupo electrobomba auxiliar ( jockey). a pressão de descarga sobe e os grupos electrobomba são desligados em sequência inversa. o primeiro grupo electrobomba entra em funcionamento.2. pressóstatos. Quando a pressão baixa até ao ponto de regulação. tendo uma válvula de seccionamento. a pressão na descarga aumentará e o controlador após receber esta informação do pressóstato. Simbologia Para além dos grupos electrobomba principais. em sequência (um a um). reservatório de água sem membrana equipado com sistema de controlo de nível.º de grupos electrobomba Tipo do grupo electrobomba Capacidade do depósito 2 CR5-10 80 Código de identificação 6. se o consumo de água continuar a aumentar. mais grupos electrobomba arrancam em cascata até conseguirem fornecer o caudal necessário para manter a pressão dentro do intervalo regulado. Após a pressão descer abaixo do valor mínimo. quadro eléctrico completo com unidade electrónica CS 1000 e depósito de membrana. Código de identificação Hydro100 HM Gama Central com depósito N.3 Sistema Hydro 100 HS Constituição Este sistema hidropneumático é constituído por 2 ou mais grupos electrobomba. apenas quando um dos grupos electrobomba começar a funcionar e seja detectado nível mínimo no reservatório.1. e de retenção por grupo electrobomba.

O controlador CS 1000 altera a ordem de arranque após a paragem dos grupos electrobomba. GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Código de identificação HYDRO 1000 Tipo Controlo arranque/paragem Número de grupos electrobomba Tipo de grupos electrobomba Capacidade depósito CS 3 CR10-6 300 Modo de funcionamento Quatro grupos electrobomba iguais controlados através de pressóstatos e um depósito de membrana.3 Sistema Hydro 2000 6. 6.1 Sistema Hydro 2000 MS Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 é constituído por 2 a 6 grupos electrobomba CR em paralelo montados numa base comum. Desta forma o tempo de funcionamento é distribuído entre os grupos electrobomba. Diagrama de princípio Um grupo electrobomba em funcionamento.3.2.Sistemas de Pressurização Grundfos Diagrama de princípio Três grupos electrobomba em funcionamento. dependendo das necessidades. GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO 107 . A central Grundfos Hydro 1000 mantém a pressão praticamente constante através da activação ou desactivação de grupos electrobomba.2. providos com todos os acessórios necessários e quadro eléctrico de comando com Controlo 2000.

três grupos electrobomba principais idênticos. período de tempo ou de avaria.2 Hydro 2000 MSH Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 MSH é constituído por 2 a 6 grupos electrobomba. e depende da carga. com controlo por arranque-paragem através dos contactores-arrancadores.2. A central supressora Hydro 2000 MS mantém uma pressão quase constante. Diagrama de princípio GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Um grupo electrobomba em funcionamento. depósito de membrana. A alternância de funcionamento dos grupos electrobomba é automática. 6. Um grupo electrobomba principal e um grupo electrobomba auxiliar com 50% da capacidade do grupo electrobomba em funcionamento.3. Modo de funcionamento Um grupo electrobomba auxiliar com 50% da capacidade de um grupo electrobomba principal. pelo facto de ser determinada automaticamente. através dos contactores-arrancadores e depósito de membrana. 108 . Três grupos electrobomba em funcionamento. ligando ou desligando os grupos electrobomba. A pressão de paragem (Hstop) não pode ser configurada. Um grupo electrobomba com 50% da capacidade do grupo electrobomba principal.Sistemas de Pressurização Grundfos Modo de funcionamento Quatro grupos electrobomba idênticos com controlo por arranque/paragem. conforme as necessidades. sendo um grupo electrobomba auxiliar com 50% de capacidade dos grupos principais. em funcionamento. através do comando.

MSH Número de grupos electrobomba principais Tipo de grupo electrobomba principal Número de grupos electrobomba auxiliares Tipo de grupo electrobomba auxiliar Painel de controlo do Controlo 2000: PMU: PMU 2000 PFU: PFU 2000 Depósito de membrana / Capacidade 6. manómetro. mantém uma pressão quase constante. transdutor de pressão.3 Sistemas de pressurização com grupos electrobomba de velocidade variável 6. Código de identificação Hydro 2000 MSH 2 CR 20-6 + CR 10-12 PMU 80 L Tipo de central Subgrupo: MS . dependendo das necessidades.3. Diagrama de princípio GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE ISOLAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO 109 . pelo facto de ser determinada automaticamente. interruptor de corte geral.1 Sistema Hydro Solo E Constituição É constituído por um único grupo electrobomba da gama CRE.Sistemas de Pressurização Grundfos A central supressora Hydro 2000 MSH. com sistema de variação de velocidade incorporado na caixa de controlo integrada no motor. A pressão de paragem (Hstop) não pode ser configurada. A alternância entre os grupos electrobomba principais é automática e depende da carga. válvula de retenção e seccionamento na compressão e depósito de membrana assente sobre uma base de inox. período de tempo ou de uma avaria. através do comando ligando ou desligando o grupo electrobomba auxiliar dos grupos electrobomba principais. O grupo electrobomba auxiliar arranca sempre em primeiro lugar e pára quando um grupo electrobomba principal entra em funcionamento.

110 . etc. o grupo electrobomba irá adaptar a sua velocidade ao consumo de água requerido. Três grupos electrobomba em funcionamento. Quando o transdutor de pressão detecta um valor abaixo do requerido (setpoint) a velocidade do grupo electrobomba aumenta até ao valor pretendido fazendo variar a pressão num valor de 0. Para pequenos consumos (caudais reduzidos. mantendo uma pressão constante.5 ∆H acima. providos com todos os acessórios necessários e quadro eléctrico de comando com controlo 2000.2 Sistema Hydro 2000 E Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 E consiste em 2 a 6 grupos electrobomba CRE/CR em paralelo. GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Modo de funcionamento .Sistemas de Pressurização Grundfos Modo de funcionamento Diagrama de princípio PRESSÃO DE PARAGEM ∆H PRESSÃO DE ARRANQUE Definida a pressão de ajuste na caixa de controlo. montados em base comum. a electrobomba arranca satisfazendo o consumo.) será o depósito de membrana que suprirá estas necessidades evitando arranques. Código de identificação Exemplo Hydro Solo-E CRE 5-8 1 x 200-240 V Gama Subgrupo Tipo de grupo electrobomba Tensão Um grupo electrobomba em funcionamento. O valor ∆H é cerca de 10% do setpoint.3.Hydro 2000 ME Três grupos electrobomba idênticos com motores MGE e depósito de membrana. parando de seguida. fugas. 6. aumentando assim o rendimento do sistema.5 ∆H abaixo do setpoint. Para um valor 0.

enquanto os restantes grupos electrobomba são controlados por arranque/paragem. Um grupo electrobomba com motor MGE e depósito de membrana em funcionamento. Um grupo electrobomba auxiliar com motor MGE e grupo electrobomba principal em funcionamento. através do ligar/desligar dos grupos electrobomba e do controlo paralelo dos grupos electrobomba em funcionamento. .Hydro 2000 MEH Dois grupos electrobomba com motores MGE. O grupo electrobomba auxiliar com motor MGE é sempre o primeiro a arrancar. O funcionamento do sistema é regulado de acordo com as necessidades. . com 50% da capacidade do grupo electrobomba principal. . A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga.Hydro 2000 MES Um grupo electrobomba com motor MGE. um ou dois grupos electrobomba principais com controlo arranque/ /paragem e depósito de membrana. Um grupo electrobomba auxiliar de 50% da capacidade com motor MGE em funcionamento. período de tempo e de avarias. enquanto o grupo electrobomba principal é controlado através de arranque/paragem. A central supressora Hydro 2000 MEH. . 111 . mantém uma pressão constante através da variação de velocidade dos dois grupos electrobomba auxiliares com motores MGE. alcançando deste modo um desempenho correspondente ao consumo. dois ou três grupos electrobomba principais com controlo arranque/ /paragem e depósito de membrana.A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga. conforme as necessidades. A central supressora Hydro 2000 MES mantém uma pressão constante através da variação de velocidade com motor MGE. do período de tempo e de avarias. Um grupo electrobomba com motor MGE e dois grupos electrobomba controlados por arranque/paragem em funcionamento. do tempo e de avarias.Sistemas de Pressurização Grundfos A central supressora Hydro 2000 ME mantém uma pressão constante através da variação de velocidade dos grupos electrobomba ligados.O grupo electrobomba auxiliar com motor MGE arranca sempre em primeiro. A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga.

Sistemas de Pressurização Grundfos Código de identificação Hydro 2000 MEH 2 CR 45-2 + 2 CRE 32-2 PMU 300 L Tipo de central Subgrupo: ME .3 Sistema Hydro 2000 F Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 F é constituído por 2 a 6 grupos electrobomba CR em paralelo. providos com todos os acessórios e quadro eléctrico com controlo 2000 e conversor de frequência. Modo de funcionamento . montados em base comum. GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Um grupo electrobomba em funcionamento através do conversor de frequência e dois grupos electrobomba que funcionam através da rede eléctrica (arranque/paragem).MES Número de grupos electrobomba principais Tipo de grupo electrobomba principal Número de grupos electrobomba auxiliares Tipo de grupo electrobomba auxiliar Painel de controlo do Controlo 2000: PMU: PMU 2000 PFU: PFU 2000 Depósito de membrana / Capacidade 6. 112 .3.MEH . Diagrama de princípio Um grupo electrobomba em funcionamento através do conversor de frequência.Hydro 2000 MF Quatro grupos electrobomba idênticos e depósito de membrana: um dos grupos electrobomba é controlado através do conversor de frequência e os restantes por arranque/paragem por meio de contactores.

O grupo electrobomba auxiliar. no respeitante à evolução da pressão e da potência consumida na gama de caudais cobertos pelos sistemas. Um grupo electrobomba com 50% da capacidade em funcionamento através do conversor de frequência.Hydro 2000 MFH Dois grupos electrobomba auxiliares com 50% da capacidade de um grupo electrobomba principal. Todos os grupos electrobomba são alternadamente controlados através do conversor de frequência. 113 . Código de identificação Hydro 2000 MFH 2 CR 45-2 + 2 CRE 32-2 PMU 300 L Tipo de central Subgrupo: MF . .MFH Número de grupos electrobomba principais Tipo de grupo electrobomba principal Número de grupos electrobomba auxiliares Tipo de grupo electrobomba auxiliar Painel de controlo do Controlo 2000: PMU: PMU 2000 PFU: PFU 2000 Depósito de membrana / Capacidade 6. Os restantes grupos electrobomba arrancam ou param dependendo das necessidades.Sistemas de Pressurização Grundfos A central hidropressora Hydro 2000 MF.4 Teste de sistemas Para mais fácil compreensão das características dos sistemas de pressurização com velocidade variável e velocidade fixa. e um ou dois grupos electrobomba principais. O grupo electrobomba controlado pelo conversor de frequência arranca sempre em primeiro lugar. controlado através do conversor de frequência. poder-se-á apreciar nas folhas de teste anexas os diferentes comportamentos registados. A central hidropressora Hydro 2000 MFH mantém uma pressão constante através da variação contínua de velocidade de um grupo electrobomba de 50% da capacidade e os restantes grupos electrobomba são através do comando ligado / desligado conforme as necessidades. período de tempo ou de uma avaria. período de tempo ou de uma avaria. Um grupo electrobomba auxiliar a 50% da capacidade em funcionamento através do conversor de frequência e um grupo electrobomba principal que funciona através da rede eléctrica (arranque/paragem). é sempre o primeiro a arrancar. A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga. mantém uma pressão constante através da variação contínua de um dos dois grupos electrobomba. Os dois grupos electrobomba auxiliares são alternadamente controlados através do conversor de frequência e os dois grupos electrobombas principais por comando arranque/paragem. A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga.

6 35. 7 399. 96 0. 1 9 9. 8 29. 93 0. 4 38. 5 m m 3/h Hz V kW 1 i /m n. 1 36. ºde Fases Fr equenci a Tensão Pot ênci a Vel oc. ºC P1 ( ) kW Q ( 3/h) m H ( ) m F ( z) H cos phi UU ( V) UV ( V) I R ( A) I S ( A) I T ( A) 0. 0 50. 1 398. 1 1 7. 0 50. 8 396. 0 398. 3 1 9 4. 44. 9 399. 1 0 34. 6 4. ti i º Clent i e Encom enda Clent i e Encom enda Fabr ca i Ti de Bom ba/Cent al po r Codi Bom ba/Cent al go r ºSer e Bom ba/Cent al i r N. 8 396. 3 4. 1 6. 5 34. 1 26. 4 38. 97 0. 6 23. 8 400. 9 399. 0 200 40 1 80 1 60 1 40 30 1 20 1 00 20 80 60 1 0 40 20 0 0 25 50 75 1 00 1 25 1 50 1 75 0 Q ( 3/h) m Cur da Bom ba va D ata O perador Bancada de Ensai o Testem unho Cur de Pot va ênci a 030: 01 : 03. 1 32. 96 0. 5 398. 96 0. 1 398. 25. 9 1 1 3. 0 50. 22. 8 399. 5 1 2 5. 215 . 1 2 3 4 5 6 7 8 9 1 0 1 1 1 2 1 3 81 0000023 H 2000 M E 3 CRE45. 0 396. ºC 1 5 2. 1 6 9. 4 6. 0 9.Rot ação Tem per ur Am bi e at a ent Tem per ur da Água at a UW ( V) 38. 25. 38. 0 50. 4 38.c/Depósi o de 300L 2 t 91 43D 064 1 48/0507VJ 01 Al ur nom i t a nal Caudalnom i nal N. 4 4. 1 8 3.Sistemas de Pressurização Grundfos Fol de Test de Centr s ha e ai Cer f cado N . 1 398. 0 36. 2 2. 2 397. 5 399. 8 32. 0 35. 3 6. 0 50. 7 398. 0 1 4 26. 6 399. 1 5 68. odut M ot ºPr o or N º. 3 34. Ti de M ot po or N . 5 38. 96 0. 1 7 9. 1 2 62. 0 50. 2 36. 1 397. 1 1 0 5. 4 397. 8 98. 5 76. 90 0. 5 38. 0 1 1 8. 3 399. 0 0. 7 3x45 3 50 400 3x7. 8 396.2005-1 00: : : : 114 P1( ) kW H( ) m . 6 32. 26. 4 397. 0 50. 96 0. 4 37. 2 36. 9 24. 5 398. 97 398. 8 4. 7 397. 6 34. 0 50. 7 399. 8 50. 7 400.

1 0 5. 9 0. 5 1 8 4. 1 9 4. 0. 86 0. 4 4. 5 396. 1 4 4. 7 25. ºde Fases Fr equenci a Tensão Potênci a Vel oc. 2 64. 6 8. º Clente i Encom enda Clent i e Encom enda Fabr ca i Ti de Bom ba/Cent al po r Codi Bom ba/Cent al go r N. 0 50. 7 398. 1 7 4. 8 84. 1 0. 4 36. 6 1 2 5. 9 8. 1 8 4. 70. 0 50. 0 50. ºSer e Bom ba/Cent al i r Ti de M otor po ºPr o N . odut M otor N º. 6 397. 0 396.2005-1 : 08 : : : P1( ) kW H( ) m 115 . 9 27. 5 396. 2 7. 4 396.Rot ação Tem per ur Am bi at a ente at a Tem per ur da Água UV ( V) 816 . 7 397. 0 399. 3 7. 3 396. 1 4 3. 0 218 . 4 398. 9 399. 87 0. 1 397. 1 00 22 21 90 20 1 9 80 1 8 1 7 1 6 70 1 5 1 4 60 1 3 1 2 50 1 1 1 0 40 9 8 30 7 6 5 20 4 3 1 0 2 1 0 0 5 1 0 1 5 20 25 30 35 40 0 Q ( 3/h) m Cur da Bom ba va D ata ador O per Bancada de Ensai o Testem unho Cur de Pot va ênci a 031 08: : 03. 0 50. 0 397. 40 0. 0 50. 6 4. 22. 4 22. 87 0. 7 397. 1 2 5. 1 24.0 t 91 43A287 1 0053/0504EG Al a nom i tur nal Caudalnom i nal N. 7 68. 86 0. 2 80. 3 67. 2 399. 1 1 5. 86 0. 9 8. 5 397. 87 0. 23. 8 397. 1 3 4. 1 2 5. 3 398. 1 2 4. 213 . 6 7. 0 50. 1 6 4. 0 50. 0 396. 6 8. 1 8. 1 5 3. 1 8 4. 8 7. 0. 4 69. 8 50.Sistemas de Pressurização Grundfos Fol de Test de Cent ai ha e r s Cer i i t f cado N . 215 . 0 398. 0 0. 0 1 1 2. 4 7. 2 4. 0 1 2 5. 0 50. 1 399. 22. 8 7. 6 396. 0 50. ºC ºC P1 ( ) kW Q ( 3/h) m H ( ) m F ( z) H cos phi UU ( V) UW ( V) I R ( A) I S ( A) I T ( A) 0. 3 398. 3 69. 0 50. 86 0. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 1 0 1 1 81 0000024 H1 000 3 CR1 1 com Depósi o de 200L 0. 9 8. 3 399. 1 6 3. 3 70. 0 7. 1 8 2. 2 28. 0 399. 6 1 0 3. 7 397. m m 3/h Hz V kW 1 i /m n. 8 8. 87 0. 5 397. 3x1 0 3 50 400 3x4 1 8 4. 7 400. 86 398. 1 8 4. 9 396. 0 397. 86 0. 5 398. 7 396. 5 719 . 5 77.

116 .

COMUNICAÇÃO E GESTÃO Autor: José Dias Director de Serviço Pós-Venda Bombas Grundfos Portugal 117 . SISTEMAS DE CONTROLO. Comunicação e Gestão 7.Sistemas de Controlo.

118 .

Nesta área a Grundfos tem aperfeiçoado e desenvolvido o mais moderno software e aplicando-o aos seus processadores para utilização nos quadros H2000 onde. Neste sentido. cumprindo as normas eléctricas nacionais de segurança. Comunicação e Gestão 7. bem como registo de avarias ou acontecimentos importantes para optimizar o funcionamento dos equipamentos de bombeamento (bombas. manter a reserva de água com níveis aproximados de modo a serem utilizados na medida das necessidades. Garante-se assim um valor de pressão constante na rede de abastecimento independente da variação dos consumos.2 Controlo por caudal Visando essencialmente manter o caudal desejado para a instalação. servindo a necessidade dos utilizadores. a operacionalidade dos mesmos. Pode elaborar mapas de controlo automáticos. Este tipo de controlo visa efectuar o enchimento constante de um tanque ou cisterna. O controlo por nível deve ser desenvolvido de acordo com a aplicação específica. deve ser usado de acordo com a instalação e de acordo com a selecção dos outros equipamentos de bombeamento. Este rigor é tanto mais preciso quanto melhor for o equipamento de medida e o controlo das bombas. tanto para a instalação como para os diversos componentes presentes neste processo. ou um controlo interno próprio que desempenhe as mesmas funções de uma forma eficaz (controlo electrónico integrado). aparelhagem de medida e controlo). entre outros. possui sistemas de controlo adequados a cada tipo de aplicação. segurança e operação da instalação. 7. para a indicação ou medida. 119 . um elevado número de parâmetros que permitem rentabilizar a eficiência das bombas. Este tipo de controlo visa o controlo rigoroso do caudal. Os quadros de controlo da Grundfos (QES) estão preparados para instalação de sensores de nível de uma forma selectiva e ordenada permitindo desempenhar com maior eficiência. A Grundfos. permite racionalizar o funcionamento das centrais de bombeamento de uma forma harmoniosa e eficaz oferecendo uma elevada performance nas aplicações onde é utilizada. custos de exploração.Sistemas de Controlo. Daí que cada sistema de bombeamento necessita sempre de um conjunto de equipamentos externos às bombas. cisternas. a selecção e instalação das sondas ou eléctrodos deve ser cuidadosa. As bombas necessitam por isso sempre de um sistema de controlo. disponibilizando para tal.2 Controlo de sistemas de bombeamento Cada bomba ou conjunto de bombas. poços ou outros locais. de modo a operar os equipamentos de bombeamento de uma forma criteriosa e segura. Este deve operar as bombas de acordo com a potência instalada e de acordo com os objectivos do projecto. ou recorrendo ao sistema de controlo por transdutor de pressão integrando os processadores Grundfos desenhados e desenvolvidos para o efeito. tendo para tal desenvolvido o respectivo software de controlo adequado a cada tipo de electrobomba com variação de velocidade. instalados nos tanques. Permite ou não efectuar relatórios por forma a ajudar ao melhor aproveitamento das variáveis necessárias ao processo de funcionamento.2. tanto de uma forma automática como de uma forma manual.2. com o auxílio de conversores de frequência por si desenvolvidos. 7. em termos energéticos e de serviço. • O sistema de comunicação cumpre o processo pelo qual a mensagem é transmitida de modo seguro entre o sistema de controlo e o equipamento accionado. tendo em atenção a localização da instalação. onde a necessidade do nível não carece de ser controlada com elevado rigor mas visa essencialmente. deve efectuar a sua função de modo aceitável para a sua aplicação. mantendo sempre em atenção os requisitos de segurança atrás referidos. válvulas. de modo a efectuarem correctamente as funções para as quais foram seleccionadas e projectadas.1 Controlo por nível O sistema de controlo por nível requer a utilização de equipamentos eléctricos ou mecânicos. de forma a assegurar a operacionalidade das bombas de acordo com a metodologia recomendada. controlo e rentabilização de exploração.1 Introdução Definições: • O sistema de controlo cumpre o processo que permite operar de forma automática o funcionamento das bombas de um modo seguro e eficaz. ou outros que se entenderem beneficiar a instalação.2. 7.3 Controlo por pressão Tradicionalmente o controlo por pressão pode ser efectuado por recurso a um sistema de pressóstatos e vaso de expansão. • A gestão cumpre o processo pelo qual é possível contabilizar os diversos parâmetros. 7. possibilitando assim assegurar o correcto abastecimento da instalação. entre outros. a sua manutenção e eficiência. A fim de assegurar uma correcta operacionalidade dos sistemas de controlo. aplicados em diferentes pontos da instalação. custos de manutenção. Esse sistema pode estar inserido num quadro eléctrico de controlo. onde a melhor eficiência para cada tipo de instalação é facilmente ajustável. devem as sondas e sensores ser instalados com a redundância necessária a fim de assegurar o controlo e a garantir a maior segurança e operacionalidade com o mínimo risco de avaria ou falha.

7.1 Diferentes níveis de controlo remoto As modernas unidades de controlo de bombas permitem que o sistema de controlo e monitorização seja personalizado de acordo com as funções requeridas pelo projecto. Caso seja preferido um simples sistema de transferência automática de alarmes.2. dos quais abordamos apenas alguns.4. visando a protecção dos equipamentos. Fig. por diferença de caudais ou sistemas em que se actue de acordo com as necessidades de nível.3 Comunicação entre sistemas de bombeamento 7. 7.4 Outros tipos de controlo Existem muitos tipos de controlo possíveis de aplicar. Para isso podem utilizar-se vários processos de comunicação conforme as necessidades e aplicação.2. Como exemplo podemos referir o controlo do nível do tanque ou cisterna a abastecer simplesmente uma rede sobre pressão. Um sistema deste tipo proporciona um enorme aumento na fiabilidade operacional com um investimento moderado. toda a instalação. Por outro lado. consumo de energia. Pretendemos assim apenas referir-se algumas das variantes possíveis.3. isto é. visto que não existe nenhum centro de controlo. referimo-nos a controlos mistos. existem vários modos de implementar a ligação de comunicações entre as estações exteriores e o centro de controlo. Caso um sistema deste tipo crie relatórios automáticos e proceda à sua transferência semanal para o responsável. adicionando as informações registadas e analisadas mais importantes à mensagem de alarme.Comunicação directa ou individual 120 . como: controlo por diferença de nível. Comunicação e Gestão 7. que procederá à transferência dos alarmes gerados pela unidade de controlo para o telefone do responsável. integrados na mesma rede com o objectivo de controlar automática e/ou manualmente. em que se necessite de conjugar várias grandezas. estas informações poderão consistir no tempo de funcionamento das bombas. Caso seja introduzido um sistema de controlo remoto e monitorização ao nível da rede.4. sob a forma de uma mensagem SMS. conforme descrito nas secções seguintes.1 Controlos mistos Quando se trata de projectar uma instalação tendo vários tipos de controlo a ela ligados.1 Necessidade de comunicação Com o objectivo de controlar o funcionamento dos equipamentos à distância é necessário dotar as instalações de meios pelos quais cada unidade possa observar o comportamento da outra e actuar automaticamente operando de modo a avisar o operador ou a desenvolver rotinas automáticas para corrigir qualquer anomalia ou processo alternativo necessário. Por exemplo. as unidades de controlo modernas são capazes de utilizar a totalidade do espaço da mensagem SMS. etc. 7. 7.2.2 Controlos integrados Sistemas de controlo diversos. mas muitas mais existem. número de arranques.2. pressão. O tempo necessário para a transferência de dados pode ser diminuído se a unidade de controlo das bombas efectuar localmente a totalidade da análise dos dados e armazenar os resultados na respectiva memória.3. a unidade de controlo pode ser equipada com um modem GSM. será possível evitar grande parte das habituais visitas às estações de bombeamento.Sistemas de Controlo. Entre eles destacamos outros. mesmo que não ocorram quaisquer situações de alarme.3. de acordo com os recursos disponíveis para investimento. 1 .3. das instalações e dos sistemas de exploração. a transmissão de dados é crucial ao funcionamento dos sistemas de controlo remoto. caudal ou pressão. É possível integrar este tipo de controlos com os controlos Grundfos. no entanto estes devem ser efectuados de acordo com as necessidades de cada instalação.2 Comunicação entre sistemas de controlo da mesma rede 7.2. por diferença de pressão. 7.2 Transmissão de dados Apesar das unidades de controlo das bombas terem um funcionamento totalmente independente.

tal como acontece. sem necessitarem de estar permanentemente ligadas ao centro de controlo. a mensagem contém informações codificadas sobre a identidade da estação e o tipo de alarme emitido. só será necessário transferir os resultados calculados para o centro de controlo. Normalmente. dependendo apenas do número de informações requeridas.4 Gestão integrada entre sistemas de bombeamento Fig. modems GSM ou qualquer combinação destes. esta mensagem poderá incluir informações mais detalhadas sobre o estado da estação de bombeamento (em funcionamento/parada/falha). cuja função é imprimir todos os alarmes para análise posterior. Os alarmes também podem ser transferidos por pager. quer trabalhem individualmente quer façam parte de uma rede de abastecimento ou de rega. devem ser controladas fiavelmente de modo a proporcionarem um funcionamento seguro e eficiente. o tempo de funcionamento das bombas. contacta o operador do pager e envia a mensagem que será apresentada no pager. Os resultados também podem ser armazenados na estação exterior durante algum tempo. Se estiverem ligadas através da rede telefónica pública. o que lhe permite transferir o alarme 121 . com os circuitos de controlo entre os depósitos de água potável e as estações de captação. a acederem a uma estação elevatória com objectivos específicos. os modems de rádio e as linhas dedicadas são utilizados quando as distâncias são curtas e quando existe a necessidade de comunicação contínua. De uma maneira geral. Todas as tendências indicam que as comunicações por modem GSM irão tornar-se cada vez mais populares no futuro. bem como o agendamento das tarefas do pessoal técnico de serviço. composta por várias estações de bombeamento. 2 . Comunicação e Gestão Assim sendo.3. A actual tecnologia de controlo electrónico permite conceber e projectar sistemas de controlo e monitorização versáteis.1 Monitorização e gestão de sistemas mistos 7. os alarmes são transferidos para o telefone GSM do técnico de serviço sob a forma de uma mensagem SMS (de texto). A tecnologia GSM constitui frequentemente a melhor alternativa para adaptação de instalações já existentes. Também é possível utilizar linhas dedicadas.1.4. etc. tais como fornecedores de equipamentos e empresas de serviços. antes de serem automaticamente enviados em conjunto. o volume de bombeamento durante o dia. A moderna tecnologia de telecomunicações GSM constitui uma solução apelativa para o controlo e monitorização remotos de estações exteriores localizadas a grandes distâncias do centro de controlo. A transmissão de dados é sempre configurada de acordo com as necessidades individuais. tomando em consideração os custos de instalação. normalmente uma semana. O computador do centro de controlo cria o texto do relatório de alarme. Para além do texto do alarme. os custos da transmissão de dados e as características requeridas e proporcionadas por cada método. Esta é uma característica importante.1 Controlo e monitorização de estações de bombeamento Todas as estações de bombeamento. O software de administração em execução no computador do centro de controlo efectua a categorização automática dos alarmes. de modems de rádio. A escolha de um método de transferência tem de ser da responsabilidade do utilizador. mas este método é raramente utilizado nos últimos tempos devido ao aumento dos custos e da fiabilidade incerta. Tipicamente. as estações de bombeamento e a estação de controlo central podem estar situadas a uma grande distância praticamente ilimitada uma da outra. por exemplo. para a pessoa certa no momento exacto (caso o alarme esteja categorizado para transferência).3 Transferência de alarmes Os alarmes provenientes de uma estação exterior são transferidos para o centro de controlo. Ambas as extremidades da ligação de comunicações necessitam de um modem para modular os dados para transferência. 7. em cuja base de dados são armazenados todos os alarmes recebidos.4. caso existam interrupções indefinidas na ligação de comunicações. A rede telefónica pública também permite autorizar outras entidades. Isto também permite que as unidades de controlo das bombas funcionem independentemente. outros alarmes activos (configurados para não serem transferidos).2. uma vez que a instalação de linhas de acesso de PSTN é dispendiosa e a sua disponibilidade poderá estar limitada. em vez de todos os dados registados.Painel de supervisão de gestão integrada 7. Ocasionalmente. destinados a reduzir os custos de funcionamento a longo 7. o computador do centro de controlo também está equipado com uma impressora separada para os alarmes.Sistemas de Controlo. A ligação das comunicações tem de ser flexível e permite normalmente a utilização da rede telefónica pública.

dispositivos ultra-sónicos. Por exemplo. Em algumas instalações é possível que todas as bombas tenham níveis de arranque e paragem diferentes.4. As mais recentes inovações nas técnicas de controlo e monitorização remotos envolvem a utilização da Internet e da tecnologia WAP para ultrapassar as limitações dos sistemas de monitorização tradicionais anteriormente descritos. 7. os sistemas devem ser concebidos utilizando procedimentos padrão.. tendo sempre em atenção os custos energéticos. em cada sistema. a sequência de controlo da bomba é bastante simples. sob a forma da descarga de águas para o ambiente ou para as caves de edifícios. etc. No entanto. A integração de sistemas é normalmente útil para seleccionar o melhor sistema para cada aplicação e para os combinar a um nível adequado. técnicos de serviço. a fiabilidade é a principal preocupação relacionada com a concepção de uma unidade de controlo para uma estação de bombeamento.2 Integração do sistema Um sistema de controlo e monitorização de estações de bombeamento pode ser integrado com outro sistema de controlo. Fig. A Grundfos estudou e desenvolveu diversos tipos de controlos para diferentes aplicações. às aplicações mais diversas. engenheiros do sistema de abastecimento.2 Vantagens de um sistema integrado 7. tais como sistemas operativos de PC e protocolos padrão de transmissão de dados e entrada e saída de sinais. Normalmente. poderia alcançar-se a flexibilidade total proporcionada por um centro de controlo móvel. Estão disponíveis vários tipos de sensores.Sistemas de Controlo. desenvolveu softwares próprios e processos electrónicos para a perfeita adaptação das electrobombas que fabrica. quando a variável atinge o nível de paragem.4. caudalímetros.1. particulares de abastecimento de água.1. Também a nível do controlo. poderão consultar os dados históricos detalhados das estações exteriores a partir dos computadores instalados no próprio local de trabalho. Esta solução poderia permitir utilizar software comum para a transferência e comunicação de alarmes. este factor torna os cálculos de monitorização das bombas mais complicados e menos fiáveis. de manutenção e exploração. Se o técnico de serviço tivesse a possibilidade de controlar o sistema e alterar alguns parâmetros cruciais a partir do respectivo telemóvel quando estivesse em viagem. tais como transdutor de pressão. A bomba de reserva arranca quando uma das principais estiver em avaria. Os sistemas de controlo e monitorização através da Internet/WAP permitem igualmente que a monitorização remota seja proposta aos serviços públicos ou entidades 122 .1 Funções de controlo O parâmetro mais comum de uma estação de bombeamento H2000.Vários sistemas integrados 7. bem como inibe os utilizadores de usufruírem do bem de que necessitam. A integração não significa que todos os sistemas serão executados no mesmo computador com o mesmo software. Numa aplicação normal no modo serviço/ /reserva. etc. parando quando esta estiver acima do valor requerido. o nível de arranque e a pressão de controlo. para assegurar uma distribuição igual da utilização e do desgaste entre as bombas.4. 7. é agora possível um sistema de monitorização ao nível de rede e as possibilidades futuras de combinação da internet e da tecnologia WAP. possibilitando a utilização das informações sempre que tal seja necessário. a intervalos ajustáveis ou a níveis diferentes. os níveis de funcionamento pré-definidos são o nível de paragem. bem como a defesa do meio ambiente e o conforto do utilizador. Para possibilitar esta integração. simultaneamente ou a intervalos ajustáveis. tal como um sistema de controlo da estação de tratamento ou um sistema de controlo integrado da empresa responsável pela rede de abastecimento público de água. As estações de bombeamento não fiáveis representam um risco ecológico e financeiro. As bombas alternam em cada ciclo.4. tendo como preocupação fundamental a fiabilidade das instalações e dos equipamentos de bombeamento. O sistema de controlo e monitorização baseado na Internet permite consultar e criar relatórios dos dados históricos das estações de bombeamento a partir de múltiplas localizações. Este tipo de unidade de controlo utiliza sempre um transdutor ou um sensor de modo a efectuar um controlo em contínuo. numa situação em que todas as restantes estejam em utilização. depois de introduzirem a respectiva identificação. gestores. 3 . Recorrendo a diversos tipos de sensores. Comunicação e Gestão prazo e a aumentar a sua fiabilidade. Por este motivo. é medir a pressão de abastecimento.2. Todas as bombas em funcionamento são paradas. Através dos controladores H1000 e H2000 é possível usufruir. independentemente da localização. As bombas de serviço arrancam quando a variável requerida é insuficiente. Se estiver instalada mais do que uma bomba de reserva. os operadores. que monitorizam as estações de bombeamento. do seu melhor desempenho.3 Controlo e monitorização remotos baseados na Internet e WAP As mensagens de alarme transferidas para os técnicos de serviço sob a forma de mensagens SMS são exclusivamente informações unidireccionais. esta opção pode ser efectuada por relógio ou por indicação externa. essas bombas poderão ser iniciadas simultaneamente ao mesmo nível.

através de limites ajustáveis de sub e sobrecorrente no caso dos motores MGE da Grundfos. A utilização destes sinais pode requerer uma placa de expansão adicional. Para efeitos de calibragem.2. quando presentes. para tratar de caudais maiores. Estas informações são igualmente importantes para verificar o desempenho operacional da estação de bombeamento e para a determinação das acções de manutenção. que se encontram nas folhas de características destas. Os sinais digitais são sinais de entrada ou saída e indicam um estado ON ou OFF. o número de arranques das bombas e os incidentes relacionados com problemas de corrente no 123 . esta unidade constitui uma valiosa protecção para o motor.4. Todas as funções acima descritas estão disponíveis na unidade de controlo e monitorização C2000 da Grundfos e podem ser lidas a partir do visor da interface PMU. isto permite que os trabalhos de manutenção e controlo das bombas passem gradualmente da reparação de falhas para a manutenção preventiva e até mesmo para a manutenção preditiva. 7. Os parâmetros são introduzidos na unidade com base nas dimensões reais da estação e em unidades recolhidas no projecto ou medidas no local da instalação. Os sinais digitais de saída são necessários para o arranque e paragem das bombas. 4 . é activada a segurança da instalação automaticamente. para que o operador possa evitar possíveis danos. São necessários vários sinais para que o controlo das bombas funcione conforme planeado. dado que o "Reset" do MGE se efectua automaticamente. tais como alarmes de nível elevado. é possível instalar uma ou mais bombas de reforço com características diferentes. Comunicação e Gestão Em alguns casos. Os sinais analógicos de entrada. Os outros parâmetros habitualmente requeridos são as dimensões do poço e os valores nominais da corrente de entrada e da capacidade das bombas. A unidade de controlo da bomba também está programada para indicar todas as falhas de funcionamento da estação até um máximo de 10. tais como os níveis de arranque e paragem das bombas. Caso ocorra a sobrecarga de uma estações de bombeamento. o tempo de funcionamento.Sistemas de Controlo. 7. o sistema deve ser capaz de adaptar a variável correctamente e sem ambiguidades.2.4 Registo e análise de dados 7. protegendo ainda a bomba em caso de falta de água e onde não é usada a protecção adicional recomendada.). Fig. este sinais correspondem a medições da temperatura dos enrolamentos e dos rolamentos do motor da bomba. dados provenientes de um medidor de caudal ou conversor de frequência adicional. nível baixo. etc. Uma corrente de entrada anormalmente baixa indica que a bomba não está a bombear normalmente. Estes sinais podem ser digitais ou analógicos. Intebus. Todos estes valores podem ser enviados para o sistema de gestão através de uma porta de conversão de protocolo G100 (Profibus. Quando a pressão de entrada e a duração da sobrecarga são conhecidos. situação em que o sobreaquecimento do motor se torna um risco devido à possibilidade de falha.2 Funções de monitorização A unidade de controlo das bombas efectua a monitorização automática das bombas com base nos parâmetros registados e analisados.2. fornecidos pelos circuitos de comando. informações sobre a condição do óleo do empanque da bomba. o que pode ser devido ao desgaste do impulsor ou à acumulação de ar. é possível utilizar dimensões reais ou percentagens dos valores de referência. bem como uma versão especial da aplicação de software. do grupo de bombeamento tem capacidade de memória suficiente para registar os dados ao longo de um determinado período de tempo.4. os contadores de horas de funcionamento e os relés de sequenciamento. A corrente do motor da bomba é também uma informação necessária para o planeamento das operações de manutenção da bomba. bem como os sinais dos contactos isentos de potencial fornecidos pelo relé de presença de tensão e pelo contador de energia. A unidade tem de registar. Modbus.4.3 Parâmetros e sinais A unidade de controlo da bomba necessita de vários parâmetros para poder funcionar conforme necessário. A unidade é configurada para proteger o motor da bomba em situações anormais. Caso a corrente de entrada suba acima do limite de sobrecorrente. provenientes de sensores adicionais. Em conjunto com os relés térmicos ou os dispositivos electrónicos de protecção existentes no arrancador do motor da bomba. A medição da corrente do motor da bomba é necessária para protecção e monitorização. pelo menos. etc. falha de alimentação da bomba e outros alarmes baseados nas definições dos limites dos parâmetros. removendo deste as características que estão incorporadas no PFU tais como os amperímetros. Nestas circunstâncias. este não deve ser considerado como dado de controlo mas sempre como de protecção. Os sinais de entrada digitais necessários são a indicação de funcionamento ou reserva da bomba. Por exemplo. Os valores a introduzir são normalmente níveis de funcionamento que correspondem a um determinado nível de água no poço. Isto permite simplificar o painel de controlo do motor. Em última análise. os níveis baixo e alto de alarme e os níveis de sobrecarga. são utilizados para medidas contínuas. esta é automaticamente parada.Registo de dados A unidade de controlo e comunicação G100.

por um pequeno visor LCD e um teclado. 7. Mesmo que a unidade de controlo das bombas funcione como uma estação exterior de um sistema de controlo e monitorização ao nível da rede. Os dados registados podem ser agrupados e analisados mais detalhadamente através da sua transferência. no mínimo. nem mesmo durante possíveis quebras de comunicação entre a estação exterior e o centro de controlo.5 Interface do utilizador Para aceder aos dados e introduzir parâmetros. ou continuamente. Para esta situação a Grundfos dispõe de uma unidade PMU para o efeito. necessitará de dispor de capacidade de memória suficiente para armazenar os dados registados e analisados durante vários dias.4. para um computador portátil com software adequado. A utilização de um interface deste tipo tem de ser simples e lógico. a intervalos específicos. o utilizador necessita de um interface para trabalhar com a unidade de controlo das bombas. algumas funções úteis.2. 124 .Sistemas de Controlo. O utilizador tem de ser capaz de introduzir todos os parâmetros necessários e de ler os dados registados e calculados utilizando o teclado. tais como a função de varrimento automático. Habitualmente. Comunicação e Gestão motor da bomba. estes dados serão convertidos para esta base onde deverão ser tratados. Isto deve-se ao facto da perda de dados cruciais não ser aceitável. Este interface tem de ser composto. facilitam e aceleram a leitura rotineira dos dados. através de um sistema automático de controlo remoto. Dado que a mesma se encontrará interligada com um sistema de gestão instalado num PC. São utilizados indicadores luminosos separados para a indicação de alarmes e do estado de funcionamento das bombas.

INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE BOMBAS E SISTEMAS DE BOMBEAMENTO Autor: José Dias Director de Serviço Pós-Venda Bombas Grundfos Portugal 125 .Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8.

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1 Localização do equipamento de bombeamento Os equipamentos de bombeamento devem ser instalados de acordo com as especificações dos manuais de instalação respectivos tendo em atenção as características ambientais. eléctricas e físicas.Reduzir o número de arranques e paragens das electrobombas no tempo. e outros equipamentos de comando e regulação alimentados por corrente eléctrica. 8. 8.2 Requisitos para instalação 8. tais como temperatura e humidade.2.Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8. A sua localização deve ainda respeitar e considerar a necessidade de manutenção e intervenção local bem como condições de remoção do local. 8. 3 .golpes de aríete (consultar capítulo 4). também denominado depósito de membrana.1 Introdução Para a correcta instalação das bombas e restantes equipamentos de bombeamento devem ser consideradas algumas regras de acordo com os diversos equipamentos que compõem a instalação. 127 . permitindo alargar os períodos de manutenção. motores equipamentos electrónicos. numa central de abastecimento? Existem três razões essenciais para montar um depósito de membrana numa central. que as centrais de bombeamento sejam instaladas tendo em atenção estas características por possuírem estes componentes e consequentemente necessitarem de condições de verificação adequadas. Os equipamentos eléctricos. os quadros eléctricos de controlo e restantes equipamentos de medida e controlo. espaço livre de passagem e ausência de humidade que os equipamentos necessitam para o seu correcto funcionamento e longevidade. Utilização de reservatórios de membrana Porquê utilizar um reservatório de membrana. que são: 1 .3. para além destas ainda devem ser consideradas as condições relativas aos quadros eléctricos de controlo e protecção. tem a ver com as condições ambientais de funcionamento.2 Necessidades de ventilação Uma das mais importantes características de bom funcionamento dos equipamentos eléctricos e electrónicos. bem como a sua localização.Permite proteger a instalação contra os regimes transitórios . 2 . permitindo a compensação de fugas e pequenos consumos. devem ser instalados de acordo com as suas características físicas e de protecção. O manual de instalação de cada tipo de bomba alerta para estas condições. A Grundfos recomenda reservatórios cuja capacidade mínima é a abaixo mencionada.Para compensação da pressão no sistema durante os períodos de paragem da bomba. Os equipamentos de bombeamento. Deste modo alertamos para a necessidade de ventilação. as quais devem ser cuidadosamente respeitadas. Valores apresentados nas tabelas que em alguns casos varia a capacidade do depósito também em função do número de bombas. possuem características especiais que devem ser respeitadas quando instaladas em ambientes em que as condições de temperatura sejam adversas. CAPACIDADES MÍNIMAS RECOMENDADAS Capacidade do depósito de membrana [litros] Modelo da bomba CR(E) 3 CR(E) 5 CR(E) 10 CR(E) 15 CR(E) 20 CR(E) 32 CR(E) 45 CR(E) 64 CR(E) 90 Velocidade fixa MS 60 80 200 200 200 300 300 500 500 MSH 100 100 200 200 300 500 500 MF 60 80 80 200 200 200 200 200 200 MFH 200 200 200 200 500 Velocidade variável ME 60 60 80 80 80 200 200 200 200 MEH 60 80 200 200 200 200 200 MES 60 60 80 80 200 200 200 200 500 NOTA: Sempre que os sistemas não refiram capacidades de depósitos é por estes não serem normalmente utilizáveis. É recomendado por isso.2.2. de modo a garantir-se o seu correcto funcionamento e duração de vida e de acordo com os manuais de instalação e operação respectivos.

O uso de válvulas de retenção eficazes e com reduzidas perdas de carga. à instalação ou às pessoas. em que se recorre à ligação do grupo ou da central de bombeamento. Como exemplo de instalações susceptíveis de provocar avarias. boiadores. volta a funcionar. No funcionamento normal. a bomba pára e só após algum tempo.Sistema de protecção LiqTecTM 8.3. no entanto a fim de evitar o funcionamento indevido das bombas sem água. O cálculo do ponto de funcionamento da bomba. as regras referentes à instalação eléctrica e ainda às regras de boa prática de montagem mecânica.2 Aspiração de cisterna elevada Neste tipo de abastecimento.1 Aspiração negativa As centrais de bombeamento instaladas com este tipo de instalação. se uma destas avarias ocorrer. Os quadros eléctricos de controlo devem dispor de protecções de modo a garantir a protecção e o bom funcionamento da instalação e das bombas individualmente. Fig.3 Instalação de sistemas de bombeamento Na instalação de um grupo ou de uma central de bombeamento é necessário sempre respeitar as regras de instalações hidráulicas. variável. Nesse sentido os equipamentos devem ser protegidos a nível mecânico. mas também a segurança. daí que as centrais devam ser instaladas como se de bombas individuais se tratassem e os elementos de protecção individuais devem de igual modo respeitar esta regra. Entre as protecções existentes internamente nos motores MGE da Grundfos. 2 . bem como a temperatura dos motores e dos empanques das bombas. Fig. Se a avaria persistir. de modo a garantir o seu funcionamento para além das protecções existentes. bem como acústico nos casos em que tal se justifique. isto é. não existe o risco dos casos mencionados anteriormente. Para as bombas com variação de velocidade CRE. 128 . deve ser efectuado tendo sempre em atenção ao valor da curva de NPSH para esse mesmo ponto. Nesse sentido é necessário prover a instalação dos adequados sistemas de protecção por forma a evitar que os mesmos ocorram. A segurança dos equipamentos e das pessoas deve ser sempre respeitada. em que é requerido a aspiração de água de um nível mais baixo que o nível em que estão instaladas as bombas. Nesse sentido em cada sistema de bombeamento. • Uso de filtros sem a manutenção adequada. por um conjunto de instrumentos que respeitem o seu funcionamento de uma maneira geral. Os maiores problemas susceptíveis de ocorrer nestas instalações relacionados com as bombas são os provocados pelo funcionamento sem água. o uso de equipamento auxiliar como sensores de nível. caso falhe o sistema de protecção existente contra falta de água. A Grundfos disponibiliza um sistema de protecção electrónico contra a falta de água. é necessário que as mesmas estejam devidamente protegidas contra essa possibilidade ou outras que possam provocar danos às bombas. de modo a prevenir possíveis avarias e danos às bombas e à instalação. etc. que permite a maior duração dos empanques e casquilhos. eléctrodos ou transdutores são outros dispositivos de segurança que devem ser consideradas como medidas de protecção.Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8. denominado LiqTec. poderemos apontar: • Percursos muito longos • Tubagens subdimensionadas • Demasiados acessórios na tubagem de aspiração da bomba. protecção contra falta de água. após várias tentativas. estas estão preparadas para com sistemas de protecção suplementar interna. devem ser considerados cuidados específicos e regras de segurança de modo a que respeitem as condições de aspiração próprias das bombas CR. a cavitação.3. a altura de aspiração demasiado elevada e ainda a desferragem das bombas. destacamos. os mesmos devem estar preparados com os cuidados devidos de modo a evitar danos. a protecção contra sobreaquecimento do motor e outras protecções eléctricas. a uma cisterna com pressão positiva. 1 . o qual permite a fiabilidade das bombas sempre que se verifiquem roturas no abastecimento de água. em que o nível da água está a um nível superior ao das bombas.Central de bombeamento tipo com aspiração negativa 8. a bomba pára. hidráulico e eléctrico.

a protecção contra falta de água é uma das suas características internas como protecção ao equipamento. etc. com aspiração de cisterna elevada • Anéis de desgaste e casquilhos. falta de fase.3. como ainda para um possível aumento de pressão. não devendo ser entendida como característica de operação. a poupança de energia e a preservação das condições de segurança dos equipamentos e da instalação. o já referido funcionamento em seco. tendo como objectivo sempre. Fig. Nestas redes os grupos ou as centrais de bombeamento devem estar protegidas contra funcionamento acima da pressão de rotura da instalação ou acima da pressão das próprias bombas. protecção contra sobreaquecimento do motor. caso não sejam tomadas em consideração as pressões de funcionamento. Dentro destes poderemos considerar: • Rolamentos dos motores e das bombas. 3 .Central de bombeamento tipo com aspiração de uma rede 8. podem provocar avarias na instalação ou nas bombas.Central de bombeamento com aspiração positiva Normalmente são equipamentos externos às bombas e que complementam a sua segurança. que adicionado à pressão de funcionamento das bombas. Como qualquer outro equipamento. possam necessitar de maior intervenção.Central de bombeamento tipo.1 Manutenção aos equipamentos de bombeamento Os aspectos a ter em conta para efeitos de manutenção específicos. 5 . a mesma deve ser sempre considerada apenas como redundância a uma falha do sistema de controlo. como por exemplo o funcionamento em situações de perdas de carga variável. quando existirem • Empanques e retentores Fig. 129 .4 Manutenção 8. Neste tipo de aplicação pode ocorrer excesso de pressão na aspiração. Estas bombas e os quadros que as controlam. contra sobrecarga. Mas nestas bombas existem ainda outras protecções complementares que evitam as protecções externas atrás mencionadas. são aqueles que sujeitos a maior esforço físico ou desgaste por fricção.Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8. Genericamente os materiais de maior necessidade de intervenção quando se trata de bombas CR.3 Aspiração de uma rede sob pressão Nas redes sob pressão há que ter em conta também um eficaz sistema de protecção. São exemplo disso. Fig. 4 . devem estar relacionados sempre com o equipamento respectivo e deve para o efeito ser consultado o manual técnico de instalação e operação das bombas. Relativamente a bombas com variação de velocidade Grundfos.4. têm de se adaptar à instalação e às diversas situações. não só contra falta de água.

Fig. deve de imediato ser alertado o fornecedor de modo a diagnosticar possíveis falhas. Devem no entanto acompanhar-se e seguir-se a evolução do bom desempenho do mesmo e evitar-se a utilização dos PC's onde estão instalados ou dos outros equipamentos electró- Fig. a qualidade da água. Quando a estes estiverem ligados equipamentos sujeitos a movimento mecânico (ex: contactores.Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento nicos. a temperatura da água e a temperatura ambiente. deve ser efectuada uma inspecção regular. a eles ligados.2 Manutenção aos sistemas de monitorização e controlo Para um sistema de monitorização e controlo não é normalmente necessário qualquer manutenção especial. com a periodicidade acordada inicialmente. relés ou outros). por outros programas com necessidades de acessos via internet ou outros susceptíveis de os contaminarem com vírus informáticos que possam interferir com o seu bom desempenho. 6 . de acordo com as especificações de funcionamento previamente estabelecidas. bem como as condições de ventilação da sala onde a central ou as bombas estão instaladas. o tempo de operação das bombas. 7 .4.Empanques No entanto no plano de manutenção a estabelecer deve ser sempre considerado. Sempre que se notar um funcionamento irregular ou fora do normal. Também devem ser respeitadas as condições de temperatura de funcionamento e as regras de bom funcionamento e ventilação. 8.Manutenção de um quadro eléctrico de controlo 130 .

Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. SISTEMAS DE ABASTECIMENTO PÚBLICO E PREDIAL NO PORTO Autor: Carlos Medeiros Engenheiro Civil dos SMAS do Porto Professor Auxiliar da FEUP e da FAUP 131 .

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A rede de drenagem de Águas Residuais Domésticas.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Serviços Municipalizados de Água e Saneamento do Porto Reporta-se a 1392 o mais remoto registo histórico de que há notícia. No que respeita à água para consumo público. Sebastião (meados do séc. conhecida a causa indicado estava o remédio. mas só em 1 de Janeiro de 1887 é que o abastecimento é regularizado. A água de abastecimento público passou. em 11 de Agosto de 1899 refere-se: "São graves. começando a Câmara a exercer fortes pressões junto da Companhia que conduziram ao resgate da concessão em 28 de Março de 1927. O contrato com a Compagnie Générale era válido por 99 anos e foi estendido a Matosinhos no princípio do século. expansão das redes de distribuição e transporte são passos importantes de uma nova fase.. o Porto já possuir fontes e chafarizes. as doenças transmitidas. o qual é aprovado por Carta de Lei. então. se destacaram de entre os principais pólos abastecedores de água à Cidade.000 habitantes equivalentes. A população da Cidade era. Maia e Valongo. Em 1983. No reinado de D. em 27 de Julho do mesmo ano. surgem várias companhias candidatas ao projecto e execução de obras de captação. Concorreu a acreditada firma Hughes And Lancaster. embora sem condições de higiene. e à criação dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento em 1 de Abril desse ano. Inicia-se aqui o terceiro ciclo de vida do abastecimento de água à Cidade do Porto. encontra-se a mesma estabelecida desde 1907. elevação. até ao século XIX. Há anos já que esta Municipalidade. A sua necessidade vinha." Actualmente. pôs a concurso o projecto e execução das obras necessárias para o saneamento da Cidade. procederam à captação. Cem anos volvidos. então. revelador do facto de. É para um dos múltiplos aspectos de um destes problemas que a Câmara Municipal do Porto. iniciou-se a construção dos mananciais de Paranhos e Salgueiros que. vem perante Vossa Majestade solicitar a atenção do seu governo.A. por 3. Os trabalhos são concluídos em 1886. já sendo sentida desde algum tempo antes.500 contos.000 habitantes e a água tida como a melhor da Europa.XVI). de 122. sendo em 22 de Março de 1882 assinado o contrato com a "Compagnie Générale des Eaux pour l'Étranger". transporte e distribuição. tratamento e adução em alta e em baixa até finais de 2000. No entanto. há mais de seis séculos. a ser adquirida pelos SMAS à empresa Águas do Douro e Paiva. conhecidíssima pelas obras congéneres executadas em diversas Cidades estrangeiras e exploradora do Sistema Shöne para a elevação de esgotos. passou o Município do Porto a integrar o Sistema Multimunicipal de Abastecimento de Água à Área Sul do Grande Porto. e para isso esta Municipalidade. S. E como causa principal deste lastimoso estado não se pode apontar outra que não seja a falta quase completa de uma rede de canalização para os esgotos da Cidade. O sistema mostrou-se extremamente vulnerável em regime de cheias dos Rios Douro e Sousa. A partir de 1855. nasce uma nova fase na história dos SMAS com as captações em profundidade em Lever. no areal de Zebreiros (1937). Gondomar. os problemas de assistência e higiene pública. empreendeu obras que lhe permitissem melhorá-las e organizou Repartições de Estudo que a orientassem sobre a gravidade dos males e meios de os remediar. os SMAS. contudo. com a captação no Rio Sousa. sistema posteriormente alargado aos Concelhos de Gaia. para uma população de 370. altura em que. a evolução dos cuidados com a saúde e ainda as exigências quanto à qualidade de vida impunham uma transformação radical do sistema. a inquinação dessas águas. em profundidade. Aumento de reservas. 133 . ainda é vulgar designar-se a água do Porto como "água da Companhia". Teve isto lugar em 1896. justamente preocupada com as condições higiénicas da Cidade. para uso público. a rede instalada possui uma extensão de 550 Km e capacidade de tratamento integralmente assegurada em duas ETAR's (Freixo e Sobreiras).. De acordo com o documento dirigido ao Rei pela Câmara Municipal do Porto. novas captações..

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bombeiros e instalações desportivas. com as condições que determinam a sua aplicabilidade.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. 9. Consideram-se consumos assimiláveis aos industriais os correspondentes. Os consumos industriais face a sua grande aleatoriedade. militares. O diâmetro nominal mínimo das condutas de distribuição é de Ø100mm (Art. É da responsabilidade do autor dos estudos e projectos a recolha dos elementos de base. às unidades turísticas. b) As secções. nomeadamente no que respeita à caracterização e localização das redes públicas de abastecimento de água. que devem ser avaliados de acordo com as suas características. Em todas as intervenções urbanas. de 23 de Agosto) e a sua adaptação efectuada pelos pelo Regulamento dos SMAS . cabendo ao Batalhão de Sapadores Bombeiros da Câmara Municipal do Porto. as condições de ligação. variando entre 5 e 20 l (habitante / dia). Para os obter. bebedouros. tais como de fontanários. a) A localização em planta das condutas. caso a caso. assim como as necessidades prediais. fundamentalmente. acessórios e instalações complementares. e submete-los à aprovação dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto (Art. entre outros. elementos acessórios da rede e as verificações necessárias à prévia utilização dos sistemas prediais.º 250º). podem geralmente considerar-se incorporados nos valores médios de capitação global. sobre carta topográfica à escala 1:500. Uma apresentação breve das condições a considerar na instalação de abastecimento público preencherá a primeira parte desta exposição.1 Introdução Nesta apresentação são abordados os principais aspectos relacionados com os sistemas de abastecimento públicos e. ressaltando as recomendações contidas no Regulamento dos Sistemas Públicos e Prediais de Abastecimento de Água e Drenagem de Águas Residuais (Decreto Regulamentar 23/95. uso industrial. acompanhado de Planta de Localização da obra a levar a efeito. Por fim. 9. ser inferior a 250 l (habitante / dia). nomeadamente.2. os sistemas elevatórios e as câmaras de manobras para instalação de equipamentos elevatórios. Os Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto prestarão todas as informações de interesse. será necessário requere-los ao Director Delegado dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. tais como combate a incêndio. Em zonas com actividade comercial intensa pode admitir-se uma capitação da ordem dos 50 l (habitante / dia) ou considerarem-se consumos localizados. são apresentados os principais tipos de sistemas prediais de abastecimento de água. rega de zonas verdes e limpeza de colectores. a definição do grau de risco e do caudal instantâneo a garantir (Art. qualquer que seja o horizonte de projecto. A concepção dos sistemas de distribuição pública de água no Porto deve passar pela análise prévia das previsões do planeamento urbanístico (planos urbanísticos ou operações de urbanização em que se insiram) e das características específicas da área urbana em que se insiram. Na escolha do sistema a ser utilizado. lavagem de arruamentos. 135 . pelo promotor. Os consumos públicos.º 23º). entre outros. os reservatórios. tanto a nível técnico como de legislação de soluções de abastecimento directo ou de abastecimento com recurso a sistemas elevatórios que garantam um abastecimento em quantidade e qualidade adequadas ao uso. será importante observar as condições de disponibilidade de abastecimento garantidas pela rede pública. ensino. Os volumes de água para combate a incêndios são determinados em função do risco da sua ocorrência e propagação na zona.1 Aspectos gerais Nos arruamentos públicos existentes compete aos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto a elaboração de estudos e projectos dos sistemas públicos.º 18). é obrigatória a elaboração dos estudos e projectos. profundidades. hoteleiras. devem ser avaliados caso a caso e adicionados aos consumos domésticos. à escala 1:500 (Art.º 251º).2 Sistema de abastecimento público 9.2. Conclui-se a exposição referindo aspectos importantes referentes ao traçado. serão especificadas as principais etapas que constituem o dimensionamento dos sistemas prediais de abastecimento de água fria e quente. que impliquem a alteração ou ampliação dos sistemas públicos existentes ou a implementação de novas infra-estruturas. lavagem de pavimentos. materiais e tipos de junta das condutas. fornecida pela Câmara Municipal.Porto. com o fim de se garantir o abastecimento para outras finalidades. bem como o abastecimento predial de água feita a partir de captação particular (nascentes e furos). Seguidamente.2 Elementos de dimensionamento As capitações a considerar na distribuição exclusivamente doméstica não deve. estabelecimentos de saúde. nomeadamente às necessidades de água para o consumo e o combate a incêndios. prisionais. prediais de água fria e quente. fornecendo os elementos seguintes.

é obrigatória a instalação de coluna piezométrica com desenvolvimento a definir pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto (Art.2. obedecendo às escalas a saber: • Plantas . descrição do desenho. pode uma mesma edificação dispor de mais de um ramal de ligação para abastecimento doméstico ou de serviços. escalas e data da sua elaboração. Todos os desenhos devem possuir legenda no canto inferior direito. a descrição da concepção dos sistemas. • Pormenores . designação e local da obra.º 35º). • Perfis . 136 . 9. das obras a executar. b) Termo de responsabilidade do técnico autor do projecto. onde conste a identificação do proprietário. Quando se tenha de assegurar simultaneamente o serviço de combate a incêndios sem reservatório de regularização. Os caracteres alfanuméricos devem obedecer à Norma Portuguesa NP89.1:500.º 267º). os diâmetros nominais mínimos das condutas são determinados em função do risco da zona e devem ser: a) 100mm . c) 150mm (a definir caso a caso) . Os diâmetros nominais mínimos dos ramais de alimentação dos hidrantes são de 45mm para as bocas de incêndio e de 90mm para os marcos de água (Art. As peças desenhadas devem ser apresentadas. Nos ramais de ligação de abastecimento a reservas de água e piscinas que se encontrem instaladas a uma cota não superior a 10 m relativamente ao arruamento de onde se faz a ligação. f) Mapas de medição e orçamento a preços correntes. o tipo da obra. com indicação dos materiais das canalizações e acessórios utilizados. respeitando a Norma Portuguesa NP204 e contendo. 9.º 55º). pelo técnico responsável pelo projecto. a seguinte informação: a) Designação e local da obra. pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. os materiais e acessórios e as instalações complementares. indicando se se trata de obra nova.º 32º).3 Ramais de ligação Os ramais de ligação asseguram o abastecimento predial de água.º 56º).º 264º).1:500 em extensão e 1:50 em altimetria. no mínimo. acrescidos de duas cópias para os elementos referidos nas alíneas b) a g). após parecer do Batalhão de Sapadores Bombeiro (Art.grau 5. em boas condições de caudal e pressão.à escala conveniente que esclareça inequivocamente o pretendido. b) Identificação do proprietário.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Quando o serviço de combate a incêndios tenha de ser assegurado pela mesma rede pública. paginadas e todas elas assinadas.grau 4. 9.4 Elementos de instrução dos processos de projectos O pedido de aprovação de projectos deve ser instruído com os seguintes elementos (Art. a solicitar a aprovação do projecto. equipamentos e instalações complementares previstas. não excedendo as dimensões do formato A0.2. de ampliação ou remodelação. Os estabelecimentos comerciais e industriais devem ter ramais de ligação privativos.grau 1 a 3. b) 125mm . Quando se justifique. competindo aos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto promover a sua instalação (Art. qualificação e assinatura do autor do projecto. subscrito pelo promotor. desde a rede pública até ao limite da propriedade a servir. e) Cálculo hidráulico onde conste os critérios de dimensionamento adoptados e o dimensionamento das redes.5 Entrada em serviço dos sistemas A entrada em serviço dos sistemas deve ser precedida da verificação. Os ramais de ligação consideraram-se tecnicamente como partes integrantes das redes públicas de distribuição e de drenagem. o diâmetro não deve ser inferior a 45mm. com formatos e dobragem concordantes com o estipulado nas Normas Portuguesas NP48 e NP49. d) Número. dos aspectos de saúde pública e de protecção do ambiente.2. O diâmetro nominal mínimo admitido em ramais de ligação é de 25mm (Art. Os elementos descritos serão apresentados em original. e) Especificação quando se trata de projecto de alteração ou aditamento. As peças escritas devem ser apresentadas dactilografadas ou impressas em folhas de formato A4.º 252º): a) Requerimento dirigido ao Director Delegado dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. c) Planta de Localização fornecida pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento d) Memória descritiva e justificativa.º 53º). Nenhum sistema de distribuição de água pode entrar em funcionamento sem que tenha sido feita a desinfecção e a vistoria final de todo o sistema (Art. a natureza. Cabe aos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento a definição da localização das bocas de incêndio e dos hidrantes. c) Nome. em tela plástica. Os diâmetros de saída são fixados em 45mm para as bocas de incêndio e em 60mm para duas saídas e 90mm para os marcos de água. g) Peças desenhadas dos traçados e instalações complementares. f) Legenda específica das redes representadas. no original. O diâmetro nominal mínimo das bocas de rega e lavagem e respectivos ramais de alimentação é de 25mm (Art.

2 Elementos dos sistemas Para que não venham a ocorrer utilizações indevidas das diversas redes prediais impõe-se que: "As canalizações instaladas à vista ou visitáveis devem ser identificadas consoante a natureza da água transportada e de acordo com o sistema de normalização vigente.. sendo obrigatória a ligação às redes públicas de abastecimento de água e de drenagem de águas residuais domésticas.Porto. "Não é permitida a ligação entre a rede predial de distribuição de água e as redes prediais de drenagem de águas residuais. ser de cobre. 2. Numa primeira fase de abordagem a concepção de um sistema de abastecimento predial devem colocar-se as seguintes questões fundamentais: 137 . impedindo a sua contaminação.3. Também. Também no sentido de garantir adequada qualidade e o respeito da saúde pública impõem a necessidade de cuidados na escolha dos materiais." e "O fornecimento de água potável aos aparelhos sanitários deve ser efectuado sem pôr em risco a sua potabilidade. no futuro. 9. III..º 76º). polietileno ou PVC rígido" (Art. II. pela própria natureza ou por protecção adequada. entre outros.º 90º).3. A localização desta conduta exterior bem como a posição prevista para o contador são a "ponta da meada" a partir da qual se faz o desenvolvimento da rede interior. "1. aço inoxidável. combate a incêndios e fins industriais não alimentares.º 73º). mesmo que nos locais onde não existam redes públicas deverão ser executadas de modo a permitir. 2 . as canalizações instaladas à vista devem ser identificadas consoante a natureza da água transportada. Assim. A rede predial a projectar e executar deve ainda oferecer a garantia de que a água a fornecer aos sistemas prediais deverá ter em consideração aspectos. Assim a terminologia e a simbologia a adoptar serão as indicadas nos anexos I.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. a rede de distribuição predial de água deve assegurar o seu bom funcionamento. quer por contacto. 9. os instaladores (picheleiros) devem proceder a sua inscrição nos SMAS para que possam assumir a responsabilidade de execução de instalações prediais. a sua fácil ligação àquelas redes. como responsável pelo abastecimento e distribuição pública de água. os sistemas prediais alimentados pela rede pública devem ser independentes de qualquer sistema de distribuição de água com outra origem. encarnado para água de combate a incêndios. quer de qualidade quer de defesa da saúde pública. rega.3 Sistema de abastecimento predial de água 9.. devem ser isentos de defeitos e. peças acessórias e dispositivos de utilização.3 Concepção dos sistemas A rede de distribuição de água parte de um ponto da rede pública." (Art.As redes de água não potável e respectivos dispositivos de utilização devem ser sinalizados. quer por aspiração de água residual em caso de depressão.a utilização de água não potável exclusivamente para lavagem de pavimentos. nomeadamente poços ou furos.3.1 Aspectos gerais Todos os edifícios novos. devem apresentar boas condições de resistência à corrosão. As redes prediais a instalar. interna e externa. quando existam ou venham a ser instaladas. remodelados ou ampliados deverão prever redes prediais de abastecimento de água. deve ser sujeito a verificação de conformidade pelo LNEC Laboratório Nacional de Engenharia Civil e a fazer presente junto dos SMAS Porto. Os materiais a utilizar nas tubagens e peças acessórias dos sistemas de distribuição devem ser aqueles cuja aplicação seja admitida pelos SMAS ." (Art. ".As tubagens e acessórios que constituem as redes interiores podem. as tubagens e acessórios podem ser de ferro fundido. em quantidade e qualidade adequadas ao uso." (Art. VIII e XI ao Regulamento. nomeadamente poços ou furos privados. e aos esforços a que vão ficar sujeitos. A terminologia e a simbologia a utilizar e as unidades em que são expressas as diversas grandezas devem respeitar as directivas estabelecidas neste domínio..Nas redes exteriores de água fria. de acordo com as seguintes cores: azul para água destinada ao consumo humano. independentemente da existência ou não das redes públicas no local (Art. preservando-se a segurança. sempre que necessário. Deste modo. a salubridade e o conforto nos edifícios.º 75º). Todos os materiais a aplicar em sistemas de distribuição.. aço galvanizado ou PVC rígido. A aplicação de novos materiais ou processos de construção para os quais não existam especificações oficialmente adoptadas nem suficiente prática de utilização.º 77º). este último no caso de canalizações de água fria não afectas a sistemas de combate a incêndios. Assim. como dispõem que: "Os sistemas prediais alimentados pela rede pública devem ser independentes de qualquer sistema de distribuição de água com outra origem. Os sistemas prediais de abastecimento de água devem garantir que a mesma chegue a todos os dispositivos de utilização.º 4º)." (Art.

coordenada com a arquitectura. por razões de conforto e durabilidade dos materiais. 138 . "2 . Precisa de equipamento elevatório de bombeamento? Atravancamento e acessibilidade à câmara de manobras? 8. ao consagrar que: "e) A pressão de serviço em qualquer dispositivo de utilização predial para o caudal de ponta não deve ser.4 Classificação dos sistemas Ao colocarmos correctamente as questões acima enunciadas somos muitas vezes levados a constatar que nem sempre os sistemas públicos permitem que o abastecimento se efectue directamente da rede geral de distribuição em condições de pressão e caudal necessários a garantir uma utilização com a qualidade e quantidade adequadas. a estrutura e as restantes instalações especiais da edificação. É necessária rede de combate a incêndio? De que tipo? 9.. Existe rede pública? Onde? 2.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 1. o regulamento apresenta condicionantes que podem permitir efectuar uma primeira abordagem ao tipo de sistema de alimentação predial. técnica e económica. SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO 9. corresponde aproximadamente a H=100+40n "Onde H é a pressão mínima (Kpa) e n o número de pisos acima do solo. Dentro desse contexto.3. Neste sentido. com reservatório inferior sempre que a pressão não seja de molde a garantir a reposição da reserva durante o período diário de 24 horas ao nível mais elevado do edifício. Secção e pressões disponíveis? 3. falta de pressão ou falta de caudal deverá optar-se por sistemas de abastecimento indirecto com reservatório elevado quando a pressão disponível possibilita em certos períodos diários a reposição da reserva necessária e por sistema elevatório. Caso contrário. incluindo o piso térreo." (Art. Há escassez de água ou interrupções de fornecimento com frequência? 4. Que dimensão tem o edifício? Existem caves? 5. Previsão do fornecimento de água quente: a que zonas e de que modo? 10.As pressões de serviço nos dispositivos de utilização devem situar-se entre os 50 Kpa e 400 Kpa. sempre será de realçar que a concepção de sistemas prediais de distribuição de água deve ter como objectivo a resolução de problemas numa perspectiva global.º 78º).º 21 º). ou seja. que se mantenha entre 150 Kpa e 300 Kpa." . Qual o tipo de ocupação? 6.. sendo recomendável.(Art. poderemos ter sistemas com abastecimento directo ou indirecto. O abastecimento directo será garantido sempre que as condições de abastecimento público apresentem pressão e/ou caudal que permitam nas condições de conforto definidas no projecto o abastecimento em permanência. na rede pública e ao nível do arruamento. Torna-se necessário prever reservatórios? Os serviços locais permitem? Em que condições? Sua capacidade e localização? Formas de drenagem de perdas e esvaziamento? 7. em regra. Na remodelação ou ampliação de sistemas existentes com aumento de caudal de ponta? Comprova-se a suficiência da capacidade hidráulica de transporte das canalizações e das eventuais instalações complementares a montante. inferior a 100Kpa o que. sem prejuízo das condições de funcionamento do sistema na sua globalidade? Por fim.

Sempre que a rede pública não puder assegurar as pressões necessárias deverá ser prevista uma instalação sobrepressora com tanque de compensação. b) Ao tipo e número de dispositivos de utilização. "… os valores das pressões máxima e mínima na rede pública no ponto de inserção naquela. dando também resposta a algumas das questões já referidas deve obter-se junto dos SMAS Porto a informação sobre as condições de abastecimento da rede pública no local onde se pretende executar a edificação." (Art. c) Ao grau de conforto pretendido. d) À minimização de tempos de retenção da água nas canalizações.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Na escolha do sistema há que atender: a) À pressão disponível na rede geral de alimentação e à necessidade nos dispositivos de utilização. Para que se possa efectuar esta verificação preliminar do sistema mais adequado de abastecimento predial.º 83º). 139 . ou seja.

T. à profundidade de m. REDE PREDIAL DE DRENAGEM DE ÁGUAS RESIDUAIS DOMÉSTICAS A câmara de ramal de ligação deverá situar-se no local assinalado na P.T. Deverá atender ao Regulamento dos Sistemas Públicos e Prediais de Distribuição de Água e Drenagem de Águas Residuais Domésticas dos Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento da Câmara Municipal do Porto. º Local da obra: Rua / 2005 Freguesia: Requerente: REDES PREDIAIS DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA Pressão estática REDE PÚBLICA . Porto. Agosto e ainda à legislação específica relacionável com os projectos em causa.PRESSÕES Pressão dinâmica MPa MPa REDES DE INCÊNDIO As redes de combate a incêndio deverão ser dimensionadas e representadas em projecto. O Chefe de Divisão 140 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Pedido de informação das condições de ligação às redes públicas LIGAÇÕES ÀS REDES PÚBLICAS Planta Topográfica P.. ao Decreto-Regulamentar 23/95. n.

4.0m/s. considera-se na determinação do caudal de cálculo. bem como os aparelhos alimentados. no caso em que a rede pública não garanta eficazmente os consumos e pressões prediais requeridas. para um nível de conforto médio. Face à possibilidade do funcionamento não simultâneo da totalidade dos dispositivos de utilização. fornece os caudais de cálculo.1 Aspectos gerais A rede predial de água fria deve assegurar a sua distribuição a todos os dispositivos instalados em boas condições. que devem situar-se entre 0. ou seja.5 Dimensionamento dos sistemas prediais Nos projectos relativos à distribuição predial de água devem indicar-se nas peças desenhadas os tipos e localização dos dispositivos de utilização. quando existem fluxómetros. Os caudais de cálculo na rede predial de água fria baseiam-se nos caudais instantâneos atribuídos aos dispositivos de utilização e nos coeficientes de simultaneidade. sendo os valores mínimos a considerar. b) As velocidades de escoamento. Os caudais instantâneos a atribuir aos dispositivos de utilização devem estar de acordo com o fim específico a que se destinam. considerando os respectivos caudais instantâneos e a simultaneidade constante do quadro seguinte: 9. Prevendo-se a instalação de reservatórios estes são condicionados. O coeficiente de simultaneidade é a relação entre o caudal simultâneo máximo (caudal de cálculo) e o caudal acumulado (somatório dos caudais instantâneos) de todos os dispositivos de utilização alimentados por essa secção. o coeficiente de simultaneidade mais adequado numa dada secção. exceder o valor correspondente ao volume médio diário do mês de maior consumo. os constantes do quadro anexo ao Regulamento. tendo em conta os coeficientes de simultaneidade. Para efeitos de cálculo da rede predial devem ser obtidos e são fornecidos. o cálculo do volume útil dos reservatórios destinados ao consumo humano não deve. excepto em casos devidamente justificados. etc. Os caudais instantâneos a atribuir a máquinas industriais e outros aparelhos são especificados no quadro anexo ao Regulamento e devem ser estabelecidos em conformidade com as indicações dos fabricantes. em função dos caudais acumulados. 9. restaurantes. como acima já se referiu.4. os caudais de cálculo dos fluxómetros.2 Dimensionamento hidráulico No dimensionamento hidráulico da rede predial de água fria deve ter-se em atenção: a) Os caudais de cálculo. à renovação na sua totalidade com periodicidade de pelo menos uma vez por dia. Nos ramais de alimentação de fluxómetros para bacias de retrete devem ter-se em atenção as pressões mínimas de serviço a cujos valores correspondem os diâmetros constantes do quadro seguinte: Pressão (kPa) 200 80 50 Diâmetro (mm) 25 32 40 9. através da curva referida acima.4 Sistemas prediais de distribuição de água fria 9. Os reservatórios de água para consumo humano devem também ser sujeitos a operações de inspecção e limpeza periódica.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. que pode ser utilizada para os casos correntes de habitação sem fluxómetros.3 Reserva predial de água para abastecimento doméstico O armazenamento de água para o consumo humano em edifícios é normalmente autorizado pelos SMAS Porto. os caudais de cálculo devem ser obtidos somando aos caudais obtidos para os restantes aparelhos.3. Para outro tipo de conforto ou de utilização (estabelecimentos. para a ocupação previsível. os valores das pressões máximas e mínimas na rede pública no ponto de inserção daquela.) deve ser o coeficiente de simultaneidade determinado por recurso a informações existentes ou a bibliografia específica. No anexo do Regulamento apresenta-se uma curva que. Número de fluxómetros instalados 1 2 a 10 11 a 20 21 a 50 Superior a 50 Em utilização simultânea 1 2 3 4 5 141 .5 e 2. Contudo. c) A rugosidade do material.4. por razões de defesa de saúde pública dos utentes. escolas.

destinada a interromper a alimentação quando o nível máximo de armazenamento for atingido. 8. Soleira com pendente de igual superior a 1%. a 150 mm do fundo. Como condições construtivas a ter em consideração realça-se que: os reservatórios devem ser impermeáveis e dotados de dispositivos de fecho estanques e resistentes. no mínimo a 50 mm acima do nível máximo da superfície livre do reservatório em descarga. RESERVATÓRIOS DE ÁGUA POTÁVEL ESQUEMA-TIPO DE UM RESERVATÓRIO Regras principais: 1. Caleira nas proximidades. Aberturas para ventilação. A localização dos reservatórios deve permitir a sua fácil inspecção e conservação. protegidas com ralo e colocadas. Quando o armazenamento da água se destina a consumo humano. Alarme/detecção de fugas de água. convenientemente protegido com rede de malha fina. Entrada e saída da água em pontos opostos. a soleira e as superfícies interiores das paredes devem ser tratadas com revestimentos adequados que permitam uma limpeza eficaz. no mínimo. 7. Pintura interior de protecção. Equipamento /acesso e atravancamento. 14. 12. 11. a 50 mm do nível máximo de armazenamento e conduta de descarga de queda livre e visível. nem as paredes comuns a paredes de edificações vizinhas. com válvula adequada. Descarga de superfície. e) Acesso ao interior com dispositivo de fecho que impeça a entrada de resíduos sólidos ou escorrências. pelo menos. 20. aço ou outros materiais que se mostrem adequados a manter a qualidade da água armazenada e os materiais e revestimentos usados na sua construção não devem alterar a qualidade da água afectando a saúde pública. preparadas para funcionar separadamente mas que.Esquema tipo de um reservatório 142 . se intercomuniquem. Isolamento térmico quando necessário. tipo mosquiteiro. Cada reservatório ou célula de reservatório deve dispor de: a) Entrada de água localizada. Descargas de fundo com válvula. equipada com uma válvula de funcionamento automático. Fig. 13. 18. de material não corrosivo. 6. dimensionados para um caudal não inferior ao máximo de alimentação do reservatório. por duas células. Localização em zona técnica acessível. em funcionamento normal. as arestas interiores devem ser boleadas e a soleira ter a inclinação mínima de 1% para a caixa de limpeza. Os reservatórios podem ser de betão. Tampa sobre a válvula de bóia. c) Descarregador de superfície colocado.0 m3 devem ser constituídos. 2. Limpeza interior/evitar ângulos apertados. 15. 3. sistema de ventilação. 5. que deve impedir a entrada de luz directa e assegurar a renovação frequente do ar em contacto com a água. no mínimo. 10. ≥2 células para manutenção ou reparação. b) Saídas para distribuição. 4.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto O armazenamento de água para combate a incêndios é feito em reservatórios próprios e independentes e não pode por princípio ser utilizado para outros fins. associada a caixa de limpeza. a conservação dos elementos resistentes e a manutenção da qualidade da água. 19. 16. Envolvente protegida contra escorrimentos e infiltrações. a fim de facilitar o esvaziamento. 9. Rebaixo para retenção de areias. 17. a entrada e saída da água nos reservatórios devem estar posicionadas de modo a facilitar a circulação de toda a massa de água armazenada e o fundo e a cobertura dos reservatórios não devem ser comuns aos elementos estruturais do edifício. tipo mosquiteiro. alvenaria de tijolo ou de blocos de cimento. Independência da restante estrutura. d) Descarga de fundo implantada na soleira. Condições de acesso e de inspecção. Reserva para 24 horas. os reservatórios devem ter protecção térmica e estar afastados de locais sujeitos a temperaturas extremas. nos reservatórios com água destinada a consumo humano e com capacidade útil igual ou superior a 2. Protecção de aberturas com rede mosquiteiro. protegida com rede de malha fina. 1 .

20ml do referido hipoclorito.Proceda à desinfestação do depósito/cisterna: . rebaixamento de aquíferos. etc. Os grupos electrobomba devem ser de funcionamento automático e possuir características que não alterem a qualidade da água. instalações especiais. transferência de líquidos. esvaziamento de reservatórios e piscinas. . Tipos de bombas Monocelulares horizontais Monocelulares verticais Multicelulares horizontais Multicelulares verticais Circuladoras Aplicações Abastecimento de água. resultantes da ocorrência de choque hidráulico. limpo e arejado. . serviços industriais. irrigação. d) O número máximo admissível de arranques por hora para o equipamento a instalar. nomeadamente. As instalações elevatórias ou sobrepressoras devem ser localizadas em zonas comuns e ventiladas. adicione por cada m3 de água. Elevação.Junte hipoclorito de sódio a 14% (à venda em drogarias). utilizando preferencialmente. Submersíveis De drenagem (submersíveis) Jockey 143 .Esvazie-o totalmente. . assim como protecção contra o choque hidráulico. serviços industriais. e) A instalação. transferência de líquidos.Instale-o sempre em local de fácil acesso. retirando todos os detritos e lodo que eventualmente contenha. Página 1 de 1. abrindo todas as torneiras de serviço e enxagúe para eliminar completamente o hipoclorito. pressurização. As canalizações e acessórios utilizados devem ser de materiais de resistência adequada às pressões de serviço e às vibrações.Escove cuidadosamente as paredes. etc. captação de águas subterrâneas. etc.Volte a esvaziar.Encha completamente e mantenha em repouso. Abastecimento de água. de segurança e de alarme. durante pelo menos meia hora. Atendendo à capacidade do depósito/cisterna. . no mínimo.Nunca o deixe sem tampa adequada ou devidamente protegido. irrigação e circulação de água em sistemas. . b) A pressão disponível a montante. Lave-o pelo menos uma vez por ano da seguinte forma: .1 Aspectos gerais No quadro seguinte apresentam-se os tipos de bombas correntes no mercado e suas principais aplicações.Deixe entrar água limpa até cerca de metade da sua altura. etc. agricultura. etc. sistemas de rega. rebaixamento de aquíferos. agricultura. que permitam uma fácil inspecção e manutenção e ser equipadas com grupos electrobomba e dotadas de dispositivos de comando. serviços industriais. pressurização e circulação de água. nos lugares ocupados.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Também a manutenção periódica dos reservatórios é aspecto importante a ter em consideração. Os dispositivos de protecção devem ser definidos em função das envolventes de pressão máxima e mínima. para o efeito deverão ser utilizados apoios isolados e ligações elásticas às tubagens para atenuação da propagação do ruído. e de acessórios indispensáveis ao seu funcionamento e manutenção. e circuitos de arrefecimento e de ar condicionado. tenha os seguintes cuidados: .Enxagúe todo o interior e esvazie-o de novo. a sua limpeza e desinfecção. agricultura. . Abastecimento de água. pelo que os SMAS Porto apresentam instruções de actuação para a execução dessas operações.4. No dimensionamento das instalações elevatórias devem ter-se em atenção: a) O caudal de cálculo.Porto. de dois grupos electrobomba idênticos. "Instruções para desinfecção de cisternas/depósitos"[1] Se na sua casa houver depósito/cisterna. o fundo e a abertura. Laboratório de Análises. Abastecimento de água.Após esta operação o depósito/cisterna está pronto a receber a água que é distribuída.4 Instalações elevatórias e sobrepressoras 9. Edição nº1. Abastecimento de água em condições de pequeno débito e elevada pressão." [1] Fonte: "Documento Auxiliar de Procedimentos". . O funcionamento dos órgãos electromecânicos deve determinar. 9. sem consumir.4. . etc. c) A altura manométrica. Drenagem de águas residuais. circulação e transferência de água. normalmente destinados a funcionar como reserva activa mútua e excepcionalmente em conjunto para reforço da capacidade elevatória. SMAS . Revisão nº0. Circulação de líquidos em circuitos de aquecimento abertos ou fechados.4. ruído de nível sonoro médio não superior a 30 dB(A). pressurização. circulação e pressurização. escovas só para esse fim.

sendo assim a potência absorvida pela bomba expressa por: P= γQHTOTAL / η P. o qual irá ser representado por HTOTAL e será designado por altura manométrica. teremos que a altura equivalente à pressão atmosférica será igual a 10. Ja. quer as variações de pressão. Designando por Hc a carga à entrada na bomba.Capacidade de aspiração (m).4.Factor de segurança (m).3 Altura manométrica 9.3.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. No que se refere à altura equivalente de tensão de vapor (pv/γ).Caudal bombeado (m3s-1). NSPH.) Nota: Geralmente as perdas de carga na saída (υ2/2g) representam uma pequena percentagem do valor da altura manométrica total e são geralmente negligenciáveis. a altura máxima de aspiração de uma bomba será calculada de acordo com a expressão: HMA = Patm/γ.2 Altura manométrica total A altura total desenvolvida pela bomba pode ser expressa por uma das seguintes equações: Bomba funcionando em aspiração: Htotal = hd + hs + fd + fs + (υ2/2g) ou Bomba funcionando em carga: Htotal = hd .Perda de carga no troço de tensão de vapor do líquido (m).3. no quadro indicam-se alguns valor Hatm = Patm/γ.).43 1.c. hs é a altura estática de aspiração (em metros) igual à distância entre o nível do líquido no reservatório de aspiração e o eixo da bomba. considerando que o fluido bombeado é água.hs + fd + fs + (υ2/2g) em que: 9.013x102kPA. Q .) fs corresponde a perdas de carga na tubagem de aspiração (m.[NSPH + Ja + Pv/γ + a] HMA. H.Altura equivalente da tensão de vapor do líquido (m).33 O factor de segurança "a" da expressão procura superar.a. por η o rendimento da bomba.83 10.a.Rendimento da bomba (entre 60% a 70%). a qual traduz o ganho energético do líquido na sua passagem pela bomba.a. a que corresponde um peso volúmico de 9.4. em função das temperaturas indicadas.c. a qual traduz o trabalho exterior fornecido por um motor. Patm/γ.4. Assim. A potência absorvida pela bomba tem de ser superior à que esta cede ao escoamento. HTOTAL. Pv/γ. fd corresponde a perdas de carga na tubagem de descarga (m. m-3 TENSÃO DE VAPOR DE ÁGUA FUNÇÃO DA TEMPERATURA Temperatura (°C) Altura equivalente da tensão de vapor (m) 10 20 30 50 80 100 0. η.4.4.2 Potência absorvida pela bomba A determinação da potência absorvida pela bomba que garanta o abastecimento solicitado é dada por: P = γQH P. hd é a altura estática de descarga (em metros) igual à distância medida na vertical entre o eixo da bomba e o nível do líquido no reservatório de descarga. 9.4.Peso volúmico.a.Caudal.13 0.Altura de elevação.1 Altura máxima de aspiração A altura de aspiração representa o ganho de pressão que o líquido sofre na sua passagem.4. Q.Altura máxima de aspiração (m). Sendo a pressão atmosférica normal é igual a 1. γ. pela bomba. Temos então que a diferença entre Hs e Hc que corresponderá ao ganho de pressão que o líquido sofrerá na sua passagem pela bomba.Altura equivalente à pressão atmosférica (m).) u 2 2g corresponde ao valor das perdas de carga na saída (m.33m.Peso volúmico (N ). Nota: Este valor é positivo ou negativo consoante a bomba funcione em aspiração ou com a aspiração em carga.26 4. para a água.c. quer as imprecisões na determinação das perdas de carga no troço de tubagem de aspiração.Potência. devido às perdas nas transformações de energia em presença. o qual traduz a relação entre a potência ganha e a do motor e assume sempre valores inferiores à unidade. 144 . por Hs a carga à saída da bomba.Altura manométrica (m) = Haspiração + Hcompressão. γ.8x103 N/m3.24 0. esta varia com a temperatura do líquido. Htotal é a altura vencida pela bomba funcionando com o caudal de projecto (m.Potência (W).c.4. a.

pressão manométrica máxima (m. incluindo a questão da recirculação e isolamento térmico. recorrendo. 9. 2 . etc. como alternativa aos reservatórios hidopneumáticos. V1 e V2 os correspondentes volumes ocupados e c é uma constante (constante dos gases perfeitos).a.Reservatório hidropenumático Vtotal = {Vágua (Pmáx + 1)} / {0. Fig. Os caudais de cálculo da rede predial de água quente devem ser obtidos de acordo com o disposto para a água fria. Pmin representa o nível mínimo a que corresponde a pressão de arranque do elemento de bombeamento. mantendo constante a temperatura. uma vez que sua instalação adequada exige certos cuidados que interferem directamente no desenho do projecto.caudal bombeado (m3/h). Pmáx. tal como nas instalações eléctricas.(Pmin-2)} Vtotal. No dimensionamento hidráulico da rede predial de água quente deve seguir-se o disposto para a água fria mas ter em consideração um coeficiente de rugosidade menor. A rede predial de água quente visa assegurar a distribuição em boas condições de água quente sanitária.pressão manométrica mínima (m.).1 Aspectos gerais Far-se-á. As fórmulas empíricas permitem a determinação dos volumes totais dos depósitos respectivamente para os depósitos sem membrana e com membrana. Estes sistemas visam garantir o fornecimento de água quente nas condições de temperatura.Pmin)} O objectivo dos depósitos hidropneumáticos é o de limitar o número horário de arranques dos grupos de sobrepressão.5.8 (Pmáx .4. 9. à circulação forçada ou retorno. 145 .5. permitir que em utilização normal os sistemas elevatórios não funcionem em períodos nocturnos de pequenos consumos evitando os ruídos e vibrações que tanto incomodam e são objecto de justas reclamações pelos habitantes dos respectivos edifícios. Em situações de edifícios de habitação. quantidade e qualidade adequadas ao uso sanitário. unidades de saúde. e que é expressa por: P1V1 = P2V2= c em que P1 e P2 representam as pressões de sujeição. uma abordagem dos sistemas prediais de abastecimento de água quente sanitária. Vágua o volume de água a introduzir no reservatório e Vr o volume de reserva ou segurança. varia na razão inversa das pressões que suporta.) justificam-se soluções de instalação de sistemas elevatórios de velocidade e caudal variável. Os reservatórios hidropneumáticos são importantes em edifícios de habitação. que proporcionem economias numa relação de poupança energética/eficiência do sistema. centros comerciais. Vamax o volume de ar a que corresponde a pressão máxima. Pmin.a. de serviços.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9.c. Vamin o volume de ar a que corresponde a pressão mínima. onde Pmáx representa o nível máximo de água a que corresponde a pressão de paragem do elemento de bombeamento. se necessário. logo menor perda de carga. Considerando o reservatório representado na figura.5 Sistemas prediais de distribuição de água quente 9. Os sistemas de produção e distribuição de água quente devem garantir as temperaturas mínimas de utilização necessárias nos dispositivos de utilização em função do grau de conforto e economia desejados.Pmin)} Vtotal = {Qp Pmáx } / {4N Pmáx .número de arranques por hora. Qp. a qual refere que o volume ocupado por uma dada massa de gás. tendo em atenção o caudal de bombeamento e os limites de pressão pré-estabelecidos.). hidráulicas e de ventilação.c.2 Aparelhos produtores de água quente É importante que o sistema de aquecimento de água seja definido já na fase de projecto. industriais e similares (unidades hoteleiras. pois ao limitarem o número de arranques por hora podem. Importante é considerar as condições técnicas que determinam a sua utilização. Nos edifícios de habitação é sempre obrigatória a existência de sistemas de produção e distribuição de água quente a cozinhas e instalações sanitárias. N. Vtotal = {1.volume do depósito (m3). tendo em conta os factores já mencionados.5 Dimensionamento dos reservatórios hidropneumáticos Os reservatórios hidropneumáticos são dimensionados tomando por base a "Lei de Boyle-Mariotte". de seguida.25Qp (Pmáx + 10)} / {4N(Pmáx . se adequadamente dimensionados.

8 l/min 380 380/25= 15. afectado de um coeficiente de utilização simultânea.Q. Potência Térmica (kcal/min) Débito de A. consoante as características do edifício de habitação. através de aparelhos de produção instantânea (esquentadores) ou de aparelhos de acumulação (termoacumuladores eléctricos ou a gás e depósitos de água quente com circuito primário de aquecimento) ou ainda pela combinação de ambos.1750w. Por razões de segurança é interdita a instalação de aparelhos produtores de água quente a gás nas instalações sanitárias ou em locais que se não situem junto da envolvente exterior do edifício.864 Kcal. em que a água é aquecida gradualmente. os valores encontrados são os indicados no quadro.5. Os esquentadores apresentam-se no mercado com diferentes potências.6=3. promover a acumulação de água quente em depósitos de água.2 l/min As potências dos termoacumuladores eléctricos são variáveis consoante as suas capacidades e os tempos de aquecimento. A escolha do sistema a instalar deve ser efectuada em função das necessidades instantâneas e horárias de água quente e da análise técnico económica das várias alternativas que se nos oferecem.3 Necessidades de água quente e escolha dos aparelhos de produção As necessidades instantâneas de água quente devem ser estimadas a partir do somatório dos caudais instantâneos a atribuir aos dispositivos de utilização servidos por água quente.3000w. sendo as mais usuais de 250. o que leva as designações comerciais correntes dos esquentadores em 10. tais como o aquecimento central ou a climatização. Os termoacumuladores eléctricos correntes no mercado com capacidade de 100 litros e apresentam uma das seguintes potências: Aquecimento lento . 3 .6=1. normal e rápido. nos ensaios de qualidade e na sua localização e instalação e é obrigatória a instalação de válvula de segurança no ramal de alimentação de termoacumuladores.6 em 1 hora (litros) Tempo de aquecimento de 100/19. considerando que 1KW = 0. o que permite aquecer o mesmo volume de água em menos tempo ou reduzir a capacidade do depósito de acumulação. o que pressupõe o conhecimento das características térmicas dos aparelhos atrás referidos. 320 e 380 Kcal/min.0 100/57. comportam-se como vulgares esquentadores ou podem. a gás ou solar.2 1512/45=33. b) De passagem. A partir daí.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto A segurança dos aparelhos produtores de água quente deve ser garantida na sua construção. Se a temperatura da água fria for de 15°C à entrada no esquentador e que se pretende água quente a 40°C.2=5. Deve ter-se ainda em atenção a necessidade de água quente para outros fins (que não os sanitários). A produção de água quente para distribuição aos dispositivos de utilização pode fazer-se. a 40°C ∆t=40°-15°=25°C 250 250/25= 10 l/min 320 320/25= 12. 146 .1000w. Aquecimento rápido .6 2592/45=57. em que a água aquecida fica armazenada em acumuladores. 13 e 16 l/min. Aquecimento normal . As caldeiras murais são muitas vezes sistemas mistos que combinam a produção de água quente para aquecimento do ambiente (circuitos fechados) com a produção instantânea de água quente sanitária. através de um circuito primário de aquecimento.7 Fig. é definido o sistema de alimentação dos equipamentos: a) Por acumulação. Aqui. 9. A escolha do sistema depende do tipo de energia a ser utilizado para aquecer a água: eléctrico. sendo esta última característica a que determina a designação vulgar de termoacumuladores de aquecimento lento. à medida em que passa pelo aparelho. Tipo de Aquecimento termoacululador lento Potência (Kcal/h) ∆T=60°C-15°C 864 45°C Aquecimento normal 1512 45°C Aquecimento rápido 2592 45°C Caudal aquecido 864/45=19.Esquema tipo de ligação a termoacumuladores Os termoacumuladores a gás possuem potências térmicas mais elevadas do que os eléctricos. temos a situação referida no quadro seguinte.2 100 litros (horas) 100/33. Sendo a temperatura normal de acumulação de 60°C e para uma mesma temperatura de 15°C de água fria.

Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Um termoacumulador a gás com a potência de 14. o tipo de tubagem e a temperatura ambiente nos locais em que circulam. horizontais e verticais. o que se traduz num consumo instantâneo menor de gás. Na instalação de canalizações de água quente assume particular importância as dilatações e contracções das tubagens. devendo ser sempre protegidas de acções mecânicas e isoladas termicamente quando necessário. etc. Deve-se ter em consideração que as perdas de calor na tubagem variam consoante o tipo de isolamento. Como distâncias meramente indicativas para que se deva ponderar a hipótese de adoptar. o circuito de recirculação ou retorno apresenta-se o quadro seguinte: 9. A potência deste termoacumulador é inferior à de um esquentador de 10 l/min (14100kcal/h=235kcal/min).Distâncias máximas sem retorno DIÂMETRO E DISTÂNCIA MÁXIMA SEM RETORNO d (mm) 15 (1/2'') 20 (3/4'') 25 (1'') 32 (1¼'') 40 (1½'') l (m) 50 30 15 10 7. 5 . nomeadamente na instalação de juntas e no tipo de braçadeiras a utilizar.Distribuição de água quente com recirculação 147 . Diâmetro DN 15 DN 20 DN 25 Locais n/ aquecidos Tubos isolados 16 23 27 Locais aquecidos Tubos isolados 13 16 22 Fig. para o dimensionamento das bombas de recirculação deve-se determinar a perda de carga total do circuito: às perdas de carga contínuas é necessário adicionar as perdas de carga acidentais (curvas. Seguidamente. tês.5.6.5 9. devendo os primeiros possuir ligeira inclinação para favorecer a saída do ar.). A exigência de acessórios pode ser dispensada nos casos em que se utilizem canalizações flexíveis.1 Aspectos gerais O traçado das canalizações deve ser constituído por troços rectos. A rede de distribuição deve ser dimensionada até à última derivação pelo método de dimensionamento definido pelo regulamento. teremos por hora 313 l (14100kcal/h:45°C). As canalizações exteriores da rede predial de água fria ou quente podem ser enterradas em valas. válvulas. As canalizações não embutidas são fixas por braçadeiras espaçadas em conformidade com as características de material. com vantagem económica e conforto. ligados entre si por acessórios apropriados. recomendando-se 0. consideraram-se aceitáveis os valores seguintes para perdas de calor em kcsl/h por metro linear de tubagem. a consulta e análise das curvas características das bombas é fundamental. caleiras ou tectos falsos.4 Sistemas de distribuição de água quente com recirculação A implementação em edifícios dos sistemas de distribuição com retorno de água aos aparelhos de produção exige alguma atenção pelas economias de água e energia que podem proporcionar. As canalizações interiores da rede predial de água fria ou quente podem ser instaladas à vista. Devem ser tidos em consideração os problemas de dilatação e contracção da tubagem. bem como a qualidade e conforto que se espera do sistema.5% como valor orientativo. embainhadas ou embutidas. Por outro lado. colocadas em paredes ou instaladas em caleiras. o diâmetro do tubo. em galerias. 4 . com vista à sua selecção.100 kcal/h e considerando o diferencial térmico de 45°C entre a temperatura de água fria e de água quente acumulada. Para tubos metálicos. Fig.6 Traçado 9.

sempre que possível. sempre que possível. g) Ser evitado o assentamento de canalizações metálicas em materiais potencialmente agressivos. do mesmo material. A distância mínima entre canalizações de água fria e de água quente é de 50 mm.Isolamento térmico de canalizações As canalizações e respectivos isolamentos devem ser protegidos sempre que haja risco de condensação de vapor de água. com materiais não metálicos. c) Embutidas em pavimentos. Execução das redes prediais As canalizações de água quente devem ser colocadas. com ou sem revestimento cromado.1 Torneiras e fluxómetros Fig.7. devem ser sempre isoladas com produtos adequados. d) O assentamento de canalizações não embutidas ser feito com suportes de material inerte. As canalizações não devem ser instaladas nas seguintes condições: a) Sob elementos de fundação. mas também em zonas de baixas temperaturas as de água fria.6. preferencialmente. ferro fundido.3. por forma a permitir a sua fácil manobra e manutenção. PVC rígido. e) O atravessamento de paredes e pavimentos ser feito através de bainhas de material adequado de nobreza igual ou próxima inferior ao da canalização. As tubagens e acessórios que constituem as redes interiores de água fria podem ser de aço galvanizado. de preferência com o mesmo material. f) As canalizações metálicas serem colocadas. 148 .6. As torneiras e fluxómetros devem ser colocados em locais acessíveis. d) Em locais de difícil acesso. cobre ou aço inoxidável ou outros adequados e aprovados. excepto quando flexíveis e embainhadas. 9. As torneiras e os fluxómetros podem ser de latão. paralelamente às canalizações de água fria e acima destas. de infiltrações ou de choques mecânicos. não corrosivos.2 Válvulas As válvulas devem ser colocadas em locais acessíveis por forma a permitir a sua fácil manobra e manutenção. quando de pequeno comprimento.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. Podem não ser isoladas as derivações para os dispositivos de utilização e respectivos ramais de retorno.2 Isolamento das canalizações As canalizações de água quente. h) As canalizações enterradas serem executadas. ou de outros materiais que reunam as necessárias condições de utilização. e) Em espaços pertencentes a chaminés e a sistemas de ventilação. o material mais nobre ser instalado a jusante do menos nobre. c) O assentamento de canalizações metálicas de redes distintas ser feito sem pontos de contacto entre si ou com quaisquer elementos metálicos da construção. Valores de espessura de isolamento recomendados 9. b) Embutidas em elementos estruturais. ou de material de nobreza próxima inferior. b) No caso de materiais diferentes. incombustíveis e resistentes à humidade. imputrescíveis. devendo para o efeito: a) As canalizações metálicas da rede serem executadas. procedendo-se ao seu isolamento por juntas dieléctricas.7 Elementos acessórios da rede 9. 6 . não embutidas.7. 9. Devem ainda ser consideradas medidas destinadas a atenuar os fenómenos de corrosão.

Contadores É aos SMAS. uma bateria de contadores.Perdas de carga em contadores REDUTORA DE PRESSÃO É obrigatório instalar um contador por cada consumidor.Nos edifícios confinantes com a via ou espaços públicos.Nos edifícios com logradouros privados. .3.Acumuladores de água quente . na zona de entrada ou em zonas comuns consoante se trate de um ou de vários consumidores. o calibre e a classe metrológica do contador a instalar. no caso de um só consumidor. aço e PVC.dos ramais de introem qualquer dos dução individuais sentidos . .Aparelhos produtores .Máquinas lavar roupa .) SECCIONAMENTO Impedir ou estabelecer À entrada: a passagem de água . 149 . A localização dos contadores é a seguinte: REGULAÇÃO Permitir regulação do caudal As válvulas podem ser de latão. Fig. c) O caudal de cálculo previsto na rede de distribuição predial. constituindo.C. em zonas comuns ou no logradouro junto à entrada contígua com a via pública. ou outros e serem de material de nobreza igual ou tão próxima quanto possível do material das tubagens em que se inserem. parâmetros que determinam a definição do contador: a) As características físicas e químicas da água.Contadores RETENÇÃO Impedir a passagem de A montante: água num dos sentidos .M. podendo estes ser colocados isoladamente ou em conjunto. d) A perda de carga que provoca. aquela que define o tipo.A.Acumuladores de descarga água quente Manter a pressão abaixo de determinado valor com a introdução de uma perda de carga Nos ramais de introdução sempre que a pressão seja superior a 600Kpa e ou as necessidades específicas do equipamento o exijam. os contadores devem localizar-se no seu interior.7.dos ramais de distribuição das instalações sanitárias e das cozinhas A montante: .Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto TIPO DE VÁLVULA FINALIDADE É OBRIGATÓRIA A SUA INSTALAÇÃO: 9. como entidade responsável pelo sistema de distribuição pública de água.Fluxómetros . no caso de vários consumidores. bronze.Autoclismos . b) No interior do edifício. garantindo-se a medição de todos os consumos. os contadores devem localizar-se: a) No logradouro junto à zona de entrada contígua com a via pública.Purgadores de água A montante e a jusante: . 7 . b) A pressão de serviço máxima admissível. O espaço destinado ao contador ou bateria de contadores e seus acessórios deve obedecer aos esquemas tipo apresentados pelos SMAS. contudo.Equipamento produtor de água quente . deste modo.Máquinas lavar louça .De qualquer rede não destinada a fins alimentares e sanitários SEGURANÇA Manter a pressão Na alimentação de abaixo de determinado aparelhos produtores valor por efeito de . PERDAS DE CARGA EM CONTADORES (VALORES APROXIMADOS EM METROS DE COLUNA DE ÁGUA . São.

Fechá-la de seguida e passar à seguinte.2 Desinfecção dos sistemas Os sistemas de distribuição predial de água para consumo humano. encher de novo e esvaziar. juntas e acessórios à vista. deixando sair a água durante cerca de 2 horas. c) Introdução da solução desinfectante Fig. isto é. e que se encontrem previamente desinfectados os órgãos situados desde o ponto de injecção até ao ramal de ligação. localizada tão próximo quanto possível do ponto de menor cota do troço a ensaiar. depois de equipados com os dispositivos de utilização e antes de entrarem em funcionamento.8. que não deve acusar qualquer redução. introduzir a solução desinfectante sob pressão com um caudal regulado em função do caudal do escoamento fixado (1 parte da solução para 9 partes da água em escoamento).8.Instalação de contadores 9. repetindo a operação durante cerca de 2 horas. em caudal razoável. O volume da solução deve ser de 1/10 do volume da rede a desinfectar. Através do ponto de injecção. devem ser sujeitas a verificação e ensaios com o objectivo de assegurar a qualidade da execução e o seu funcionamento hidráulico. O ensaio de estanquidade deve ser conduzido com as canalizações. até conseguir uma solução o mais homogénea possível. c) Leitura do manómetro da bomba. d) Período de contacto Manter a rede isolada durante um período de 48 horas. período este que. e) Enxaguamento final Abrir as torneiras pela ordem inversa da adoptada no enchimento. Esta operação deve ser feita na véspera do dia de início da desinfecção. desinfecção e funcionamento hidráulico 9. A desinfecção da rede predial só deve ser feita depois de estabelecido e aprovado o ramal de ligação pela entidade responsável pelo sistema de distribuição pública de água. fechá-la e parar a injecção da solução desinfectante.1 Verificação Todas as canalizações. b) Enchimento das canalizações por intermédio da bomba. com a seguinte metodologia: a) Preparação da solução desinfectante Dissolver a quantidade de permanganato de potássio necessária (150 gramas por cada m3 de volume da rede a desinfectar) em água aquecida a uma temperatura entre 40°C e 45°C. devem ser submetidos a uma operação de desinfecção com permanganato de potássio. 8 . para assegurar uma limpeza eficaz.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. incluindo os respectivos reservatórios quando existirem. será suficiente para a lavagem final da rede. b) Enxaguamento prévio da rede Esvaziar a rede através das torneiras de purga existentes nos pontos mais baixos. de forma a libertar todo o ar nelas contido e garantir uma pressão igual a uma vez e meia a pressão máxima de serviço. convenientemente travados e com as extremidades obturadas e desprovidas de dispositivos de utilização. inclusive este. f) Recolha de amostras Recolher amostras para análise laboratorial confirmativa da qualidade da água. 150 . A verificação da conformidade do sistema com o projecto aprovado e com as disposições legais em vigor deve ser feita com as canalizações e respectivos acessórios à vista. d) Esvaziamento do troço ensaiado. com o mínimo de 900 kPa. e de forma que não seja possível qualquer refluxo para a rede pública da solução desinfectante. O processo de execução e interpretação do ensaio é o seguinte: a) Ligação da bomba de ensaio com manómetro.8 Verificação. de jusante para montante. durante um período mínimo de 30 minutos. antes de entrarem em serviço. em princípio. Quando a cor violácea aparecer na última torneira. Abrir. ou para qualquer outra rede predial interior. de montante para jusante (do contador para as extremidades da rede) cada torneira até ao aparecimento da cor violácea. a fim de o desinfectante poder actuar.

respeitando a Norma Portuguesa NP204 e contendo. As peças escritas devem ser apresentadas dactilografadas ou impressas em folhas de formato A4. c) Documento do Município comprovativo da aprovação do projecto de arquitectura. b) Termo de responsabilidade do técnico autor do projecto. g) Estimativa descriminada do custo. dirigido ao Director Delegado dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. no mínimo. c) Nome.3 Prova de funcionamento hidráulico Após os ensaios de estanquidade e a instalação dos dispositivos de utilização. e) Especificação quando se trata de projecto de alteração. d) Número. Edificações existentes no terreno. k) Os elementos acima referidos serão apresentados em original e duas cópias para o referido nas alíneas b) a j). solicitando a aprovação do projecto.º 304º). h) Planta de localização fornecida pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. quando for caso disso. b) Identificação do proprietário.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. não excedendo as dimensões do formato A0. de ampliação ou remodelação. 151 . d) Documento donde conste as condições definidas pelo Batalhão Sapadores Bombeiros. na qual conste: Delimitação do terreno. Indicação do corpo ou corpos que constituem as obras. escalas e data. descrição da concepção dos sistemas. Representação dos ramais de introdução de água e de águas residuais domésticas e Representação simplificada do colector predial. deve verificar-se o comportamento hidráulico do sistema por simples observação visual. indicando se se trata de obra nova. a seguinte informação: a) Designação e local da obra. dos órgãos acessórios e instalações complementares e dos respectivos pormenores que clarifiquem a obra projectada. e instalações complementares projectadas. qualificação e assinatura do autor do projecto. Assim. descrição do desenho. paginadas e todas elas subscritas pelo técnico responsável pelo projecto. dos diâmetros e inclinações das tubagens. a preços correntes. Os caracteres alfanuméricos devem obedecer à Norma Portuguesa NP89. j) Representação esquemática axonométrica da rede de distribuição de água. equipamentos e instalações complementares projectadas. tipo da obra. designação e local da obra. se as houver. i) Peças desenhadas dos traçados em plantas e cortes à escala mínima 1:100. e) Memória descritiva e justificativa. f) Cálculo hidráulico onde conste os critérios de dimensionamento adoptados e o dimensionamento das redes. materiais e acessórios. f) Legenda específica das redes representadas. natureza.8. As peças desenhadas devem ser apresentadas com formatos e dobragem concordantes com o estipulado nas Normas Portuguesas NP48 e NP49. onde conste identificação do proprietário. Todos os desenhos devem possuir legenda no canto inferior direito. Conclusão A concluir deixa-se a indicação dos elementos que devem instruir o processo de aprovação do projecto de redes prediais (Art. da obra específica a executar. o pedido de aprovação deve ser instruída com os seguintes elementos: a) Requerimento subscrito pelo promotor. com indicação dos materiais e acessórios das canalizações.

Ramos.A. Climatização em Edifícios. Porto. 1990 MIRANDA. 2004 MEDEIROS. Carlos.. Editorial Faculdade de Arquitectura. Angel Luis. Envolvente e Comportamento Térmico. LNEC. Regulamento dos Sistemas Públicos e Prediais de Distribuição de Água e de Drenagem de Águas Residuais (Anotado). Grupo Editorial CEAC. Instalações de Edifícios. 1998 MEDEIROS. Porto. 1995 PEDROSO. Manual de Instalações Hidráulicas e Sanitárias.R. Livros Técnicos e Científicos Editora Rio de Janeiro.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. Victor M. 1996 Regulamento Geral dos Sistemas Públicos e de Drenagem de Águas Residuais e Prediais de Distribuição de Água. 2000 COELHO. Regras de Dimensionamento das Redes Prediais de Distribuição de Água Residuais Domésticas e Pluviais. Carlos. 1995 152 .9 Referências bibliográficas BACELLAR. e RORIZ. S. RODRIGUES. Moret. Amadora. 2004 MACINTYRE. Segurança Contra Incêndios em Edifícios de Habitação. António Leça. H. Carlos.. Editorial FEUP. Edições Orion. Editorial FEUP. Redes e Instalações em Edifícios. Edições Orion. Barcelona. Instalações Hidráulicas e Sanitárias. Luís F. Archibald J. Ed.. Instalaciones.. A. Porto. Amadora. A. 1998 MEDEIROS. 1997 CANHA DA PIEDADE. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil..

Empresa Portuguesa das Águas Livres. 153 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. SISTEMAS DE ABASTECIMENTO PÚBLICO E PREDIAL EM LISBOA Autor: Ana Amélia Santos Engenheira Civil Responsável do Departamento de Novos Abastecimentos Área de Negócio de Distribuição EPAL . S.A.

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mas principalmente ao nível da qualidade. afecta ao abastecimento domiciliário. Equilíbrio e ajuste do pH e Desinfecção final com cloro gasoso. no concelho de Lisboa. esta é submetida a vários processos nas estações de tratamento: Pré-cloragem. Para assegurar a qualidade da água. desde os recursos hídricos utilizados até ao ponto de entrega ao consumidor. • Área de Negócio de Distribuição responsável pela gestão e manutenção da Rede Geral de Distribuição. cuja missão é o abastecimento de água para consumo humano. desempenha um papel fundamental para o desenvolvimento do sector da água quer nacional quer internacional.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa EPAL . química orgânica e química inorgânica. dispondo para o efeito de técnicos especializados nas áreas de microbiologia. qualidade dos serviços prestados e larga experiência.Das origens à torneira do consumidor A EPAL . remonta a 1897. do concelho de Lisboa. Filtração. de 26 concelhos da margem norte do rio Tejo. que garantem a produção e o transporte de água. detida a 100% pela AdP . Origem e qualidade de água A EPAL abastece de água com qualidade cerca de 2. Remineralização e correcção de agressividade. Esta preocupação é de facto histórica e está comprovada pelo estudo analítico mais antigo (1791) que se conhece sobre as águas do sistema de abastecimento de água à Cidade de Lisboa.6 milhões de pessoas. A EPAL é responsável por um sistema de produção. Pelo seu "know-how".Águas de Portugal. cuja gestão é da responsabilidade de duas Áreas de Negócio distintas: • Área de Negócio de Produção e Transporte responsável por todas as Captações. SA é uma sociedade anónima de capitais integralmente públicos. modernidade das tecnologias utilizadas. visando a prestação de um serviço de qualidade com respeito pelos aspectos essenciais de ordem social e ambiental. correspondendo a área total abastecida a 5 443 Km2. As preocupações da EPAL não se centram somente ao nível da quantidade de água fornecida.Empresa Portuguesa das Águas Livres. Estações de Tratamento e Adutores. 155 . merecendo referência a sua participação em projectos de âmbito internacional. Coagulação química e floculação/decantação. o Laboratório Central da EPAL orgulha-se de ser um dos melhores laboratórios de análises de água do país e da Europa. O primeiro registo de resultados de análises bacteriológicas à água pela antiga Companhia das Águas de Lisboa (CAL). na sua área de influência e eventualmente noutras áreas limítrofes. Actualmente. colocando as suas capacidades ao serviço do interesse nacional. quer individualmente quer integrada no Grupo AdP . transporte e distribuição que se desenvolve ao longo de mais de 1 900 km. onde assegura o abastecimento domiciliário. Um dos objectivos primordiais da EPAL consiste na monitorização da qualidade da água em toda a extensão do seu sistema de abastecimento. Mantém relações contratuais com cerca de 335 mil clientes directos. bem como de equipamentos analíticos de última geração.Águas de Portugal.

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35 mil m3/dia. 70 000m3/dia de água para uma capacidade máxima efectiva de 300 000 m3/dia. Adutor Vila Franca-de-Xira/Telheiras e pelo Adutor de Circunvalação. Neste sistema.1 Aspectos gerais O Sistema de Distribuição de água à cidade de Lisboa é um sistema complexo quer pela sua extensão. Em certas situações especiais e nos casos de maiores diâmetros. reserva. Aqueduto Alviela. são registadas todas as intervenções possibilitando a criação de uma base de dados relacionados com a manutenção da rede.2 Concepção global dos sistemas de distribuição em Lisboa 10. Palavras .2 Caracterização da rede de Lisboa Em Lisboa. Em complemento.5 m ou mesmo superior. a Rede de Distribuição passou a estar sobre dimensionada face às suas necessidades. apesar de pouco significativo. localizados na cidade de Lisboa e para os quais se 157 . tratamento/qualidade de água.F. 9 estações elevatórias. As regras da EPAL no que se refere à elaboração dos projectos de redes prediais. a Rede Geral de Distribuição. pretende também divulgar os aspectos relevantes dum serviço de interesse público de relevante impacto social. 260 000 m3 de água por dia.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. utiliza em média. abrangendo uma breve descrição do Manual da EPAL publicado em Fevereiro 2002. além de permitir localizar todas as condutas e órgãos da rede. com cerca de 1 400 Km. Abril de 2001. segurança e qualidade do serviço. atingindo 4 ou 5 m. aproximadamente. cerca de 1 400 km de rede com diâmetros que variam entre os 80 e os 1500 mm. fiabilidade. a qual se estende desde o nível do rio Tejo até cotas superiores a 170 m. Esgotada a capacidade máxima de transporte entre Vila Franca de Xira e Lisboa através dos três adutores existentes. Tejo e Adutor V. A EPAL é responsável por todo um sistema de produção ("alta") e distribuição ("baixa") que se desenvolve por mais de 1900 Km. elevação. ou seja. 360 mil m3/dia. 10. 10. a profundidade das condutas é de 2. precioso auxiliar das equipas de manutenção.0 m de profundidade. cerca de 11 mil válvulas com diâmetros nominais variáveis entre 150 e 1 000 mm e 93 mil ramais de ligação aos prédios. 240 mil m3/dia e 60 mil m3/dia. obra planeada de forma a abastecer os concelhos adjacentes desviando caudais da cidade de Lisboa. como sendo. e directamente parte dos concelhos limítrofes designadamente Loures. bem como no âmbito do serviço prestado ao requerente do processo de abastecimento. A partir da entrada em funcionamento deste último adutor. quer pela acentuada orografia da cidade. é constituída por 15 reservatórios. É abastecida pelo Aqueduto Alviela. Oeiras. sistema de distribuição. manual de redes prediais. Deste sistema depende cerca de 335 000 clientes com contrato. projectou-se a construção do Adutor de Circunvalação. zonas de distribuição. evidenciando como os resultados foram efectivamente melhorados. organização.chave: sistema de produção e transporte. quer por roturas casuais cuja reparação é assegurada por piquetes que actuam 24 horas por dia. Este sistema tem um interface com o sistema de gestão de clientes para identificar os clientes cujo abastecimento possa ser afectado. tem-se verificado uma diminuição dos volumes utilizados dentro da cidade.2. cujas capacidades de entrega a Lisboa são. bem como divulgar os resultados alcançados com o estabelecimento dessas mesmas regras.2. • Enquadramento legislativo. cuja gestão é da responsabilidade de duas áreas de negócio distintas: Área de Negócio de Produção e Transporte e Área de Negócio de Distribuição. processo de abastecimento.1 Introdução A presente comunicação pretende dar a conhecer: • A concepção global dos sistemas de distribuição em Lisboa. Aqueduto Tejo. satisfação do Cliente. a fiscalização bem como a ligação à rede de distribuição de água de todos os sistemas prediais na cidade de Lisboa. Odivelas e Amadora. qualidade de serviço. É também da responsabilidade da EPAL a aprovação. melhoria contínua. quer por suspensões provocadas por obras de expansão ou renovação da rede. A rede de distribuição de Lisboa está digitalizada e reproduzida num sistema de informação geográfica. respectivamente. proporcionando o abastecimento domiciliário numa área de 83 km2 que alberga uma população de 564 mil habitantes residentes. actualmente transitam pela rede de Lisboa com destino aos concelhos limítrofes. Em termos gerais. legislação. eficiência e produtividade. A experiência da EPAL ilustra os benefícios da adopção e divulgação de regras técnicas no âmbito interno. A maior parte das condutas encontra-se aproximadamente a 1. pressão.Xira/Telheiras. • A concepção global dos sistemas prediais em Lisboa. Acrescente-se ainda que nos últimos anos. designado Interáqua.

1 . • Garantir a qualidade da água ao longo da rede. • Reserva de água que garanta estabilidade no fornecimento e segurança em caso de incidentes. Complementarmente tem-se em desenvolvimento um sistema de apoio à decisão . • Existência de alternativas de abastecimento. nomeadamente. A Rede de Distribuição na cidade de Lisboa abastece os clientes em patamares altimétricos. 10. de modo a integrar e tratar a informação sobre volumes de água utilizada em determinada malha de rede.Esquema em planta representativo da rede de distribuição na cidade de Lisboa 158 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa A EPAL tem em curso um programa de renovação da rede. Este sistema de medição integrado tem como finalidade o acompanhamento da evolução de perdas de água.2. cujo investimento é na ordem dos 80 milhões de euros. identificados por cores diferentes na figura seguinte: Reservatório Estação Elevatória Ponto de entrega 1 sentido Ponto de entrega 2 sentidos Fig. com substituição da rede mais antiga.sistema integrado de medição. de 30 em 30 metros.2. por zona de abastecimento. e a informação processada pelo sistema de clientes que regista a água facturada.1 Princípios hidráulicos da rede Os principais princípios a ter em conta na Rede de Distribuição são: • Estabilidade das pressões nos pontos de abastecimento garantindo uma pressão mínima na soleira dos edifícios de 300 kPa e máxima de 600 kPa.

Os reservatórios que garantem o abastecimento das zonas altimétricas funcionam como reservatórios de extremidade e localizam-se aproximadamente 30 metros acima dos pontos de abastecimento mais elevados.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Na figura anterior são também identificadas as estações elevatórias e reservatórios que fazem parte integrante da rede de distribuição. 2 . St. Cruz Fig.Diagrama altimétrico representativo da rede de distribuição na cidade de Lisboa 159 . da respectiva zona altimétrica. O sistema de distribuição de água da EPAL na cidade de Lisboa possui características muito próprias. no qual a água é elevada directamente para a rede de distribuição. bem como todas as interligações ao sistema de produção e transporte (distribuição em Alta). Esta localização permite garantir uma pressão na soleira do ponto de abastecimento entre os 300 kPa e os 600 kPa.

betão pré-esforçado. Esses factores podem ser classificados da seguinte forma: • Condições hidráulicas da rede As pressões são um dos principais factores agressivos (pressões em regime hidráulico permanente e transitório).3 Identificação das patologias mais correntes As patologias mais correntes em tubagens e acessórios assumem em geral as seguintes formas: • Roturas por acções de choque mecânico.Zona Alta.Reservatório do Pombal Campo de Ourique Rede (ZA) .130 S. o PEAD.Reservatórios de Campo de Ourique e do Arco 92 38 59 96 32 80 45 61 QUADRO 1 . incorrecto dimensionamento/instalação dos grupos hidropressores poderão estar na origem de uma degradação mais rápida do sistema de abastecimento. Jerónimo Rede (ZM) . ferro fundido dúctil e ferro galvanizado.2. para a sua degradação.2. fibrocimento. e do fibrocimento continua sensivelmente a representar um maior peso.Reservatório do Pombal Rede (ZS) .44 25 . salvo o caso da estação elevatória do Restelo.Reservatórios do Contador-Mor E do Vale Escuro Rede (ZM) . para cada estação elevatória existente na rede de distribuição. manobras de válvulas. • Deterioração ao longo do tempo da tubagem e/ou das juntas e acessórios. Em termos de exploração.4 Identificação dos factores agressivos Os tubos e acessórios estão naturalmente sujeitos a diversos tipos de factores agressivos que contribuem. no que se refere à diminuição de roturas: Barbadinhos Rede (ZB) .c. sendo os principais: o aço. polietileno de alta densidade. No quadro seguinte pode-se observar.ALTURAS DE ELEVAÇÃO NOMINAIS NAS ESTAÇÕES ELEVATÓRIAS DA REDE DE DISTRIBUIÇÃO DE LISBOA Estação elevatória Destinos de elevação(a) Alturas de elevação aproximadas (m. • Roturas devidas a movimentos dos solos. • Redução da secção útil dos tubos devido a incrustações. súbita ou continuada no tempo.3 bar. • Roturas devidas a aumentos das cargas externas transmitidas pelo solo. através de mecanismos vários. com a retirada de caudais em trânsito na rede de Lisboa para os concelhos limítrofes.2 Caracterização dos materiais da rede O sistema da EPAL existe há mais de cem anos. • Qualidade deficiente ao nível dos tubos.Reservatório do Vale Escuro e de S.Reservatório do Arco Rede (ZA) .Reservatório da Charneca Rede (ZA) .Reservatório do Restelo Telheiras Rede (ZS) .2. vindo a aumentar a sua aplicação. • Corrosão generalizada.2.Zona Baixa. a melhoria da fiabilidade das reparações.Reservatório de Telheiras Aqueduto do Alviela Reservatório de Monsanto 122 21 80 65 35 . ZS . tendo no entanto. nos últimos anos (desde 2002). acessórios e componentes utilizados na execução das uniões. a tubagem e acessórios estão sujeitos a factores agressivos relativos às condições hidráulicas na rede que se traduzem em pressões máximas em regime permanente que não excedem em geral 8. ferro fundido dúctil. principalmente na renovação da rede. tendo naturalmente ao longo da sua vida sido utilizados diversos materiais. a entrada em funcionamento do Adutor da Circunvalação. ZM .a) 10.30 125 . A má utilização em termos de paragens e arranques dos grupos.VARIAÇÃO DO NÚMERO DE ROTURAS ENTRE OS ANOS DE 2003 E 2004 Roturas Condutas DN ≤ 400 mm Condutas DN > 400 mm Roturas Em ramais Ano 2003 715 84 Ano 2003 1460 Ano 2004 534 49 Ano 2004 947 Variação -25% -42% Variação -35% Restelo Rede (ZA) . A predominância do ferro fundido cinzento. o ano de 2004 espelha já alguns resultados positivos.Reservatório da Amadora Reservatório do Alto de Carenque (a) ZB .Reservatório de Monsanto Reservatório da Amadora Olivais Rede (ZB) . exceptuando alguns casos que pode ir até 12 bar. cujo único destino é o reservatório de Monsanto. QUADRO 2 .Zona Média.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. No caso da EPAL e dado o projecto de renovação de rede em curso. ferro fundido cinzento. localizada.2.Zona Superior 160 . correntes vagabundas. ZA . numa média de 60 km/ano.2. 10. as alturas de elevação aproximadas para os diversos destinos. Jerónimo Rede (ZA) . galvânica.

min V.máx Concentração Hidrogeniónica (pH) 7. A título meramente informativo apresenta-se no quadro seguinte a concentração hidrogeniónica (pH) da água distribuída em Lisboa.Resistividade. .7 8. .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Mais especificamente no que se refere à concepção da rede de distribuição.Efeitos da propagação das ondas sísmicas nas tubagens. degradam a tubagem afectando a qualidade da água. do contacto da água com tubagens e acessórios de diferentes materiais.5 6. enquanto noutras reflectem as misturas de aduções diferentes.4 8.3 • Características químicas e físicas dos solos e das suas águas intersticiais A humidade do solo e a presença de sais dissolvidos são os factores que mais contribuem para a resistividade do solo.min V.min V.min V. Tejo e Castelo do Bode (captações superficiais e subterrâneas).CONCENTRAÇÃO HIDROGENIÓNICA DA ÁGUA DISTRIBUÍDA EM LISBOA Parâmetro Zona Baixa V.máx Reservatórios V. a água aduzida à cidade de Lisboa provém de três subsistemas distintos .Cloreto.Movimentos permanentes do terreno. A cidade de Lisboa situa-se numa zona de sismicidade moderada. Os factores químicos da água transportada na rede. sísmicas e mecânicas Os factores relevantes que podem contribuir para que as tubagens enterradas possam sofrer danos são: .9 8.Alcalinidade. o valor de pressão mínimo actualmente disponibilizado pela EPAL é de 300kPa. assim como o valor máximo. que estão directamente relacionadas com o trânsito rodoviário e ferroviário.Alviela.7 6. . 161 . separados por longos períodos de acalmia. Daqui resulta uma variabilidade das características da água aduzida. . A título meramente informativo resumem-se os principais factores agressivos do solo para os tubos metálicos: . sendo o parâmetro identificado como relevante a deformação da tubagem. por zona de distribuição: • Características químicas das águas transportadas na rede Conforme já mencionado.máx Zona Superior V. e conforme já mencionado. A esta variabilidade há a acrescentar a que resulta QUADRO 3 . Da complexidade dos três subsistemas adutores a quatro zonas de distribuição resulta que em algumas zonas da cidade.máx Zona Média V. .Concentração hidrogeniónica (pH). como os assentamentos dos solos e sua liquefacção. que estão directamente relacionados com as suas características geotécnicas.min V. as características da água distribuída são bastante semelhantes às da água aduzida. quando atingem teores agressivos. de modo a evitar a ocorrência de sobrepressões é de 600kPa. .Correntes vagabundas. caracterizada pela ocorrência de sismos fortes.Cargas rolantes sobre o terreno. • Condições geotécnicas.Sulfato.6 7. . . resultante das extensões axiais e das curvaturas. parâmetro que em geral é utilizado para caracterizar a corrosividade dos solos.máx Zona Alta V.6 7.7 8.Contaminação orgânica. em que se registam sismos fracos.9 8.

00 74.00 116.00 119.2.Cenário sísmico de danos na cidade de Lisboa 10.ZA ZB.30 57.90 5.00 2.10 171.70 4.46 116.66 17. OURIQUE TELHEIRAS I TELHEIRAS II POMBAL 1.43 92.ZM Zona Alta . JERÓNIMO ARCO C.90 4.30 5.62 2.ZB Zona Média .10 152.ZL Zona Baixa .50 4.30 152.27 126.90 2.00 68.ZA Zona Superior-ZS 162 .44 ALTURA DE ÁGUA (m) 3.ZM.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.90 5.ZM ZM ZA BOMBEAMENTO ZB.ZS N.70 5.00 6.2.CARACTERIZAÇÃO DOS RESERVATÓRIOS EXISTENTES NO SISTEMA DE ABASTECIMENTO A LISBOA DESIGNAÇÃO ZONAS DE DISTRIBUIÇÃO GRAVIDADE BARBADINHOS OLIVAIS CONTADOR-MOR VALE ESCURO S.ZA ZA ZA.00 VOLUME TOTAL (m³) 9 250 38 570 9 504 20 186 4 500 11 460 127 200 58 112 114 297 6 892 5 130 9 226 9 925 10 162 4 470 438 884 LEGENDA: Zona Limite .Distribuição das intensidades na cidade de Lisboa Fig.72 90.00 12. 3 .2 POMBAL 3 RESTELO CHARNECA I CHARNECA II MONSANTO TOTAL ZS ZA ZS ZS ZL ZA ZB ZB ZB ZB.ZS ZA. encontram-se caracterizados no quadro seguinte: QUADRO 4 .ZM.38 122. 4 .5 Reservas de água Os reservatórios existentes e em serviço no sistema da EPAL de abastecimento à cidade de Lisboa.º 2 2 2 2 2 2 2 4 2 2 1 2 2 1 2 CÉLULAS COTA DE SOLEIRA 27.60 5.25 2. os quais funcionam também como reservas de água.

previamente estabelecidas e divulgadas.ajustamento dos caudais de adução aos pedidos na rede. para Lisboa: QUADRO 5 . .34 1. Os procedimentos de exploração integram rotinas de inspecção e de manutenção. No quadro seguinte.28 1.19 2020 (1) / (3) 1. Esta preocupação prende-se com a possibilidade de deterioração da qualidade da água nos reservatórios. NA SEMANA DE MAIOR CONSUMO E NO DIA DE MAIOR CONSUMO. que permitissem uma capacidade de resposta mais oportuna e qualitativa. potencialmente.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa A capacidade de reserva foi calculada atendendo às seguintes ocorrências: .6 Estratégia de manutenção da qualidade da água A par com a necessidade de garantir duma forma optimizada as reservas adequadas de água no sistema para uma distribuição compatível com os consumos. 10.3 Concepção global dos sistemas prediais em Lisboa 10. Para com maior rigor avaliar a conformidade técnica dos processos de abastecimento foi publicado o Manual de Redes Prediais da EPAL.2.54 1. na semana de maior consumo e no dia de maior consumo.3.29 1.34 1. mas sim um projecto há muito planeado. além de envolver. Manual de Redes Prediais da EPAL 10. técnicos responsáveis pela instalação das redes prediais de água e instaladores. opção que motivou à elaboração de um Manual.19 TIPO DE CONSUMO CAPACIDADE TOTAL (m³) Verifica-se que a capacidade total excede as necessidades de água estimadas para esses anos. .aumentos súbitos de pedidos na rede por razões de emergência. se determinadas medidas não fizerem parte das normas de exploração e. o qual não é uma ideia recente. Assim e dentro desta opção metodológica foi sentida a necessidade de iniciar um processo normativo conducente ao estabelecimento de uma base de informação padronizada. em particular combates a incêndios.54 1. de modo assegurar o cumprimento das regras definidas. dirigido a projectistas. NO MÊS DE MAIOR CONSUMO. apresentam-se as relações entre capacidade total e os consumos médio diário anual. previstos para os anos de 1995 e 2020.2. destinada 163 .falhas de adução por interrupções subsequentes a avarias no sistema de abastecimento de água ou cortes na alimentação eléctrica. se não forem verificados determinados critérios de concepção. PREVISTOS PARA OS ANOS DE 1995 E 2020 NECESSIDADES DE ÁGUA (m³/dia) 1995 (1) MÉDIO ANUAL MÊS MAIOR CONSUMO SEMANA MAIOR CONSUMO DIA MAIOR CONSUMO 438884 (2) 284413 327074 341295 369736 2020 (3) 284239 326875 341087 369511 COEFICIENTES (-) 1995 (1) / (2) 1. também é fundamental que seja garantida a qualidade da mesma água. ainda.1 Aspectos gerais É também da responsabilidade da Empresa a aprovação e a fiscalização das redes prediais na cidade de Lisboa. a reunir conceitos e regras. actuações de emergência.RELAÇÃO ENTRE A CAPACIDADE TOTAL DOS RESERVATÓRIOS E OS CONSUMOS MÉDIO DIÁRIO ANUAL. no mês de maior consumo.

Generalidades Abordagem de aspectos gerais tais como a Legislação e Normalização. permite uma optimização dos recursos utilizados pela EPAL na fase de análise dos mesmos. na EPAL. com entrega de alterações ao nível da análise e da fiscalização: 10. para emissão de parecer. deveres e responsabilidades das diversas partes intervenientes.Elaboração e circuito dos processos de abastecimento Tem como objectivo definir as regras para a elaboração e constituição de um processo de abastecimento.2 Estrutura do Manual de Redes Prediais A estrutura do Manual é constituída pelos seguintes capítulos e anexos: I. evidencia todo o circuito de um processo de abastecimento no seu desenvolvimento mais longo. O conteúdo do documento não pretende ser exaustivo e de modo algum dispensa a consulta de toda a regulamentação em vigor. Subsidiariamente poderá também constituir elemento de consulta para instaladores.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa No Manual de Redes Prediais são abordados aspectos de concepção e execução. 10.3 Descrição dos capítulos estruturantes do Manual 10.1 Capítulo I . de acordo com o estabelecido no capítulo II.3. por serem aqueles que conferem aos projectos a sua verdadeira potencialidade em termos de "linguagem técnica". o que conduz a prazos de resposta mais reduzidos. permitindo assim um desenvolvimento mais célere dos processos de abastecimento. este deve ser entregue. Após a constituição de um processo de abastecimento. considerando-se o referido Manual como um complemento da documentação técnica já existente na EPAL. Uma correcta elaboração dos processos de abastecimento. pois procura apresentar uma visão global conducente à obtenção de soluções que contornem os problemas detectados nos projectos de redes prediais. ou seja.3.3. desde a sua entrega nos Serviços da EPAL.2 Capítulo II . Concepção de Projecto e Disposições Construtivas IV.3. A consulta do fluxograma a seguir representado. até à fase de celebração de contratos de fornecimento de água. assim como a descrição do seu circuito. 10. 164 . Generalidades II.3. Na assunção deste pressuposto recomenda-se que sejam respeitadas todas as indicações consignadas no documento. permitindo aos interessados a apresentação de processos de abastecimento.3. mas tem como objectivo transmitir as regras que esta Empresa considera pertinentes. Elaboração e Circuito dos Processos de Abastecimento III. sendo particularmente desenvolvidos os primeiros. embora numa opção técnica condicionada pela normalização nacional existente. compatíveis com os conceitos vigentes na EPAL. Dimensionamento Anexos A Terminologia B Simbologia C Documentos e Elementos Técnicos Constantes dos Processos de Abastecimento D Esquemas de Instalação e Execução E Legislação e Normalização Aplicáveis F Referências Bibliográficas.

Fluxograma de um processo de abastecimento 165 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig. 5 .

7 Ramal de Ligação Canalização que liga a Rede Geral de Distribuição à rede predial. responsabilidades de manutenção e recomendações. Responsabilidades de manutenção 166 . seja na fase de análise ou/e na fase de fiscalização. ou a bocas de incêndio e marcos de água.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa O fluxograma anteriormente apresentado poderia ser muito simplificado se todo o processo não tivesse que passar por frequentes e diferentes análises do mesmo. 9 Rede Geral de Distribuição Sistema de canalizações.Redes prediais. nomeadamente no que respeita à caracterização dos deveres. É recomendável ainda que sejam respeitadas todas as indicações consignadas no documento. 6 . permitindo assim um desenvolvimento mais célere dos processos de abastecimento. 8 Torneira de Suspensão do Ramal Válvula que regula o fornecimento de água ao prédio. órgãos e equipamentos instalados na via pública. no que respeita a alterações entregues. para serviço de uma propriedade. Fig.

deverá ser prevista a instalação de equipamento de pressurização. Quando o valor mínimo não for garantido.3. a pressão da rede geral de fornecimento deve ser aproveitada. A adopção desta solução pressupõe que embora se recorra à pressurização. quer a manutenção dessa mesma qualidade. em que a pressão mínima disponibilizada no ramal de ligação é suficiente para garantir as boas condições de fornecimento a todos os locais do edifício a serem objecto de contratos de fornecimento: b) Através de equipamento de pressurização directa. disponibilizado pela EPAL. pelo menos dois andares de pressão (gravítico e pressurizado): Fig. a EPAL assegura a qualidade da mesma na sua rede geral de abastecimento. levando a que existam sempre que possível. na rede geral de distribuição de água. A concepção dos sistemas prediais deve assim garantir. É ainda de interesse apresentar uma síntese das soluções de abastecimento predial permitidas pela EPAL: a) Fornecimento totalmente gravítico. constituído por grupos de velocidade variável e tendo em conta o especificado no Manual. Nos casos em que este valor seja ultrapassado deve ser instalada válvula redutora de pressão. 8 . Como entidade responsável pelo fornecimento de água para consumo humano.3 Capítulo III .3. assim como indicar quais as disposições construtivas preconizadas pela EPAL. quer as boas condições do fornecimento no que concerne à pressão e caudal nos dispositivos de utilização. de forma a evitar a ocorrência de sobrepressões (>600kPa).Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10.Concepção de projecto e disposições construtivas O capítulo III tem como objectivo definir as linhas orientadoras a adoptar na concepção global dos sistemas prediais de abastecimento de água.Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema simples gravítico 167 . assim como o valor máximo.Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema misto gravítico e pressurizado Fig. 7 . Mais especificamente no que diz respeito às pressões deve ser tido em atenção o valor de pressão mínimo. actualmente de 300kPa.

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa c) Fornecimento efectuado a partir de depósito dotado de equipamento de elevação.Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema misto gravítico e pressurizado e abastecimento directo à rede de incêndio e rede sprinklers Fig. 10 . 9 .Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema misto gravítico e pressurizado e abastecimento ao serviço de incêndio a partir de depósito 168 . exclusivamente para o sistema de incêndio e situações especiais: Situação I Situação II Fig.

Compilação de diversas indicações de carácter normativo relativas a alguns aspectos construtivos das redes prediais.Inclui as referências do "Capítulo II . já anteriormente mencionados. etc. no entanto. encontrando-se organizada por ordem alfabética.Listagem não exaustiva de documentação.3. consistem: A Terminologia .3. 10. E Legislação e Normalização Aplicáveis .Consiste na compilação dos termos instituídos pela EPAL mais utilizados neste Manual. os mesmos não são vinculativos.3. tal como as minutas tipo. valores de velocidades de escoamento e de pressão disponível nos dispositivos de utilização. tabelas e referências bibliográficas. a título meramente exemplificativo.4 Capítulo IV . sendo sempre obrigatória a sua apresentação. algumas das principais disposições construtivas relativas às redes prediais. 10. ou se os mesmos se encontrarem incompletos devem ser apresentados novos cálculos. O projectista Relativamente ainda ao Anexo D. através da apresentação de ábacos. F Referências Bibliográficas. apresentam-se nas seguintes figuras.Diagrama de abastecimento às redes prediais e serviço de incêndio a partir de depósito contabilizado a montante (condição excepcional para Hotéis e Hospitais. C Documentos e Elementos Técnicos Constantes dos Processos de Abastecimento . se forem detectadas irregularidades. relativos ao dimensionamento. No entanto. previsto na legislação) D Esquemas de Instalação e Execução .Apresentação dos símbolos a utilizar na elaboração das peças desenhadas dos projectos de redes prediais. salvo se indicado. onde se definiu o traçado das canalizações. a escolha dos materiais a utilizar e a selecção dos órgãos e dos equipamentos. O dimensionamento dos Sistemas Prediais de Abastecimento de Água é efectuado de forma faseada através de um processo iterativo.Dimensionamento Após a fase de concepção do projecto da rede predial de água. quadros de apoio. é necessário efectuar o dimensionamento das canalizações.. 11 . 169 . possibilitando o controlo dos parâmetros relativos aos níveis de conforto e desempenho dos sistemas.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Situação III é responsável pelos valores neles apresentados e sua validade. Fig. nomeadamente no que concerne aos diâmetros das tubagens e determinação das características dos equipamentos electromecânicos. No capítulo IV são apresentados alguns métodos de dimensionamento para cada situação. Os cálculos justificativos. A fase de dimensionamento funciona ainda como prevenção e detecção de erros de concepção. estando o projectista livre de apresentar outros métodos desde que devidamente fundamentados.Elaboração e Circuito dos Processos de Abastecimento". uma vez que se determinam entre outros.3. são componentes fundamentais do projecto da rede predial.5 Anexos Os anexos. constantes no Manual. B Simbologia .

Instalação de contadores em bateria 170 . 12 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.

Instalação de contadores em caixa enterrada até DN 40 171 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig. 13 .

14 .Instalação de contadores em caixa enterrada a partir de DN 50 172 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig. 15 .Instalação de ponto de ligação flangeado 173 .

16 .Pontos de ligação roscados 174 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.

também tem sido mais positiva. ou seja.3. sendo este um documento dinâmico. sendo. verificando-se em obra que o mesmo tem ajudado na implementação de algumas regras de construção. todas as opiniões. apresentam-se. Empreiteiros. 175 . principalmente através dos comentários construtivos. Nº de Processos 6. a seguir. Também sempre que os colaboradores detectam erros sistemáticos.000 2.2 Quantificação dos processos de abastecimento e dos resultados práticos A título informativo. no entanto.000 5.17 . relativamente ao tempo de resposta.000 1.3. a dinâmica dos diferentes serviços melhoraram. Internamente. pelo que as mesmas serão sempre bem vindas.5. tendo em conta que a lei vigente obriga que as respostas sejam emitidas dentro de um período de 20 dias úteis. quadro e figuras. Estas publicações servem actualmente de apoio ao Manual.1 Divulgação da documentação Aquando da disponibilização do Manual de Redes Prediais em Fevereiro de 2002. foram desenvolvidos e implementados dois novos folhetos. 18 . serão de especial interesse para o enriquecimento técnico das futuras edições. O objectivo que originou a elaboração e publicação do documento começa agora a dar mostras de estar a ser concretizado. Instaladores e Donos de Obra. Na figura seguinte pode-se observar em percentagem.Gráfico comparativo da variação relativamente ao tempo de resposta aos processos de abastecimento 10. não só da Cidade de Lisboa como de outras zonas do País.5 Resultados práticos 10. efectuou-se uma contabilização dos tempos de resposta dos processos de abastecimento. bem como na execução de ramais de ligação e instalação de contadores. a quantificação do número de processos de abastecimento de 2004. a EPAL tinha uma perspectiva de distribuição entre os 90 e os 100 exemplares até ao final do ano. 65% < 5 dias entre 5 e 20 dias entre 20 e 40 dias mais que 40 dias 5% 5% 25% Fig. facilitando os procedimentos de fiscalização e de execução da obra. Através deste tipo de controlo.5. notando-se que os projectos registam algumas melhorias ao nível da sua concepção e apresentação.000 4. durante o ano de 2004.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. feitas algumas sugestões de melhoria que têm sido apontadas e que serão devidamente estudadas no intuito de virem a surtir efeito em revisão com vista a uma futura emissão. por vezes. sempre que os indicadores apresentam desvios. tendo-se obtido um equilíbrio maior entre a análise e a fiscalização dos processos de abastecimento. de resultados do exercício da área de Novos Abastecimentos entre 2000 e 2004. no exterior. nos quais se reflecte de alguma forma o contributo do Manual.Gráfico comparativo da variação do número de processos em curso e pendentes na EPAL entre o ano de 2000 e o ano de 2004 No que se refere ao nível de serviço. consegue-se obter a percepção da evolução da qualidade do serviço e a identificação das áreas de melhoria do ponto de vista do mercado. no início de 2002. é com satisfação que já se distribuíram mais de três centenas de exemplares. são introduzidas acções correctivas. sendo eles: "Elaboração e circuito dos processos de abastecimento" e "Condições técnicas de instalação de contadores em bateria". Fig. A imagem. demonstrando o reconhecimento e interesse por parte de Projectistas.000 Mês/Ano Dez-00 Dez-01 Dez-02 Dez-03 Dez-00 Dez-01 Dez-02 Dez-03 Set-04 Situação 0 Set-04 Em curso Pendentes da EPAL Pendentes de Clientes 10. passado dois anos e meio da sua publicação.000 3.3. "Instalação de contadores em caixa" e "Contador de obra". estes são analisados e adoptadas acções correctivas para impedir a sua repetição.3.4 Outras publicações complementares Paralelamente à edição do referido documento. No início de 2003 foram editados mais dois novos folhetos designadamente. No entanto.

S. assegura a conformidade do serviço fornecido ao Cliente. o artigo nº 31 do Decreto-Lei nº 207/94 estabelece que: "O regime estabelecido no Decreto-Lei nº 230/91.A. no entanto esta Empresa sempre fez questão de orientar-se pelos Regulamentos e Decretos-Leis vigentes: Decreto Regulamentar nº 23/95. de 21 de Junho. de 24 de Julho de 1944 e suas alterações entretanto publicadas. de 24 de Julho de 1944. na sua redacção actual". tanto a EPAL como os agentes externos da área. Decreto-Lei 320/2001 e 272/2003 (segurança). face alguma da legislação actualmente aplicável a todo o país.". Com efeito. os consumidores directos continuam a reger-se pelo disposto no regulamento aprovado pela portaria nº 10 716. e no Artigo 8º. parágrafo 2.A.Aprova o Regulamento Geral dos Sistemas Públicos e Prediais de Distribuição de Água e Drenagem de Águas Residuais. de 23 de Agosto .Aprova o Regulamento de Segurança contra Incêndio em Edifícios de Habitação. no Artigo 1º. conclui-se assim que a EPAL se encontra numa situação de excepção. pelas normas de direito privado aplicáveis às sociedades anónimas e pelas normas especiais.A. relativo à Empresa Portuguesa de Águas Livres. do qual se espera no futuro vir a reflectir-se numa melhoria qualitativa e quantitativa. 10.. é mencionado também o seguinte:" Sem prejuízo da aprovação de um novo regulamento aplicável à EPAL. parágrafo 2. Regulamento de estruturas de Betão Armado e Pré-esforço. Pode-se concluir que. Regulamento de Segurança e Acções para Estruturas de Edifícios e Pontes. de 21 de Fevereiro . como tal. Pelo anteriormente exposto. facilitando a implementação de regras instituídas na empresa e aumentando a interacção com o exterior. não é afectado pelo disposto no presente diploma". com o qual os serviços se regem. pelos seus estatutos. beneficiam com a publicação deste documento. S. Decreto-Lei nº64/90. cuja aplicação decorra do objecto da sociedade. Decreto-Lei nº59/99. 2 de Março .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Esta atitude permite a melhoria sistemática dos processos e. S. o que constitui uma contribuição positiva para a concretização do objectivo inicialmente pretendido com este projecto. presentemente.Regime Jurídico de Empreitadas de Obras Públicas. No Decreto-Lei nº 230/91 de 21 de Junho.4 Enquadramento legislativo A EPAL possui um regulamento geral de abastecimento de água que foi posto em vigor pela portaria nº 10 716. (EPAL). rege-se pelo presente diploma. é mencionado que: "A EPAL. 176 .

177 . " Especificação de materiais para a rede de abastecimento da água da EPAL" . elaborado pelo LNEC para a EPAL. 2001.Relatório Final. EPAL. Setembro 1997 .Relatório 254/99-NES.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10.elaborado pela Empresa Aquasis para a EPAL.5 Referências bibliográficas " Plano Geral da Rede de Distribuição de Água a Lisboa e do Abastecimento aos Concelhos limítrofes" . " Manual de Redes Prediais".

178 .

POLIVALÊNCIA E ECONOMIA Autor: José Beltrão Professor Catedrático. Faro 179 . FERN. Polivalência e Economia 11. Universidade do Algarve.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. SISTEMAS DE REGA SOB PRESSÃO: EFICIÊNCIA.

180 .

especialidade de Marketing e Comercialização.especialidade de Marketing e Comercialização.FERN surgiu em 1982. com instituições universitárias portuguesas e estrangeiras. No ano de 2003 a Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais estava envolvida em mais de 30 projectos de investigação.ramo Hortofruticultura. criada pela Lei n. e foram iniciadas as licenciaturas em Engenharia Biotecnológica. Gestão. com espaços ao ar livre e estufas. dispondo. Um edifício recém inaugurado. situado no Campus de Gambelas. Em 1992 integrou o 'grupo internacional' de oito universidades que lançou e coordenou o Mestrado em Hortofruticultura . Recursos Hídricos. Para além dos docentes integram a Faculdade mais de 25 funcionários e. Nas proximidades está localizado o Horto Experimental de Gambelas. e em Arquitectura Paisagista. por exemplo. Tendo nascido do sonho de poucos e da vontade de muitos. 16 dos quais liderados por docentes seus. Actualmente a Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais tem a responsabilidade de quatro licenciaturas (Engenharia Agronómica . alunos e funcionários. 700 docentes e 400 funcionários que gravitam no seu universo. No ano de 2003 A FERN diplomou 59 licenciados (35 em Engenharia Agronómica e 24 em Engenharia Biotecnológica) e já em 2004 surgem os primeiros licenciados em Arquitectura Paisagista. Biotecnologia e Agricultura Sustentável). esta Faculdade inclui 46 gabinetes.Economia.UCTA e assumiu a responsabilidade do ensino da licenciatura em Hortofruticultura. criado pelo decreto-lei n. Inicialmente adoptou a designação de Unidade de Ciências e Tecnologias Agrárias . foi constituído o Centro de Desenvolvimento de Ciências e Técnicas de Produção Vegetal . Por exemplo. Ciências do Mar e Ambiente. A FERN é constituída hoje por mais de 50 docentes. e Ciências e Tecnologia e quatro ESCOLAS SUPERIORES .Penha e Gambelas .Portimão e Vila Real de Santo António -.º 11/79 de 28 de Março e o Instituto Politécnico de Faro. de 26 de Dezembro. Engenharia Biotecnológica. Em 1998. Ciências Humanas e Sociais. É também uma Faculdade integrada no mundo global que a envolve.e de dois Pólos . Engenharia de Recursos Naturais. Em 1991. como não podia deixar de ser.Educação. 33 laboratórios.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. tal como existe neste momento. cinco anos mais tarde. de ensino e investigação. investigação e socialização aos cerca de 10 000 estudantes.RUPEA e tem numerosos e abrangentes protocolos de colaboração. de dois Campus . Tecnologia e Saúde. Entre 1982 e 1998 a então UCTA foi crescendo e alargando os seus horizontes. cedo se alçou de instalações provisórias a espaços amplos. com centros de investigação nacionais e internacionais. com a reestruturação de toda a Universidade do Algarve.º 513-T/79. integra a Rede de Universidades Portuguesas de Ensino Agronómico .Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais A Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais .ramo Hortofruticultura. 3 salas de informática e 4 salas de estudo propiciam as adequadas condições de trabalho para os docentes. as Unidades foram extintas e as Faculdades vieram substituir as anteriores estruturas.CDCTPV. Possui cinco FACULDADES . A Horto-fruticultura foi reestruturada e adoptou o nome de Engenharia Agronómica . e com empresas da região e do país. Hotelaria e Turismo. após a criação da Universidade do Algarve. 181 . Arquitectura Paisagista e Agronomia) e de quatro mestrados (Horticultura . hoje. mais de 700 estudantes. resultou da união das duas instituições previamente existentes: a Universidade do Algarve. em 1993. e com uma estação meteorológica automática. que proporcionam excelentes condições de estudo. trabalho. As duas licenciaturas de Engenharia estão reconhecidas pela Ordem dos Engenheiros. A FERN . Polivalência e Economia A Universidade do Algarve A Universidade do Algarve. maioritariamente com o Grau de Doutor que asseguram o funcionamento regular das licenciaturas e mestrados.

182 .

SISTEMAS DE REGA POR GRAVIDADE Método . outros tipos de utilização agro-ambiental. Polivalência e Economia 11.Variação da água no solo na zona radicular (mm) ETa pode-se obter através da equação: ETa = ETo x kc Em que ETo . tipo de instalação e funcionamento. No que respeita à economia energética dos vários sistemas de rega.Ac) + ∆S em que: R . Ao falar-se de polivalência. 1983. 1980a. QUADRO 1 . ou de modelos dinâmicos de produção (Jones & Kiniry. Para a caracterização deste complexo sistema será necessário o conhecimento de elementos de base e aplicados ao solo (Hillel. através de fórmulas específicas (Doorenbos & Kassam. 1999): a) relacionadas com o solo . É muito complexo classificar com rigor os sistemas de rega. com uma subdivisão em processos de rega. poderíamos dividir os sistemas de rega em sistemas de rega por GRAVIDADE (escoamento ou infiltração em superfície livre) e por PRESSÃO (escoamento em pressão).2 Classificação dos sistemas de rega 11. blocos de gesso e outras. de acordo com Beltrão et al.Precipitação (mm) ETa . Esta equação do balanço hídrico (1) não é aplicável aos sistemas de rega de rega localizada (gota a gota e mini(2) (1) -aspersão). 1980b).. Contudo. Allen et al. Foi extraída da extinta disciplina de Hidráulica Geral e Agrícola. sondas TDR. 1998) e aos seus efeitos combinados nas necessidades hídricas das plantas obtidas pela equação do balanço hídrico na zona radicular.Água de ascensão capilar (mm).Água de rega. 1979. Estes outros parâmetros serão definidos através das componentes do sistema dinâmico SPAC (soil-plant-atmosphere-continuum). O estudo das necessidades hídricas poderá também ser efectuado recorrendo a outras técnicas (Dasberg & Or. 1945). difíceis de definir. não se incluem outros parâmetros necessários quer ao planeamento. à atmosfera (Doorenbos & Kassam. teoricamente o método diz mais respeito ao fenómeno físico predominante enquanto os sistemas têm mais que ver com o material. 1980) . considera-se a eficiência de rega como a componente de maior importância.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. definida por: R + P = ETa + (Dr + Es . quer à gestão dos sistemas de rega. Beltrão et al. uma vez que neste caso o solo não é regado na sua totalidade. Universidade Técnica de Lisboa (Mayer.como por exemplo diferenças de potencial de água no solo (tensão de água no solo) através de tensiómetros. sendo neste caso utilizado um balanço hídrico específico (Vermeiren & Jobling. mas também as várias utilizações dos sistemas de rega. Dado que a dimensão deste capítulo é limitada.2. As relações entre as necessidades hídricas e os sistemas de rega foram estudados por Pereira (2004).Evapotranspiração de referência (mm) kc .1 Introdução Este capítulo incidirá somente sobre os sistemas de rega e a sua relação com a polivalência e a economia energética. 1981). indica-se nas referências bibliográficas os trabalhos que deverão ser consultados.Água de drenagem (mm) Es . 1986). considerou-se não só a origem da água de rega (recursos convencionais e não convencionais).1 Sistemas de rega por gravidade Há quem considere os métodos de rega como sinónimos de sistemas de rega. O valor aproximado do coeficiente cultural está definido para as culturas regadas para a máxima produção. e b) relacionadas com a planta .Água de escorrimento superficial (mm) Ac . com algumas actualizações introduzidos principalmente por Oron & Beltrão (1993) e por Raposo (1996 b). 11. variando com a cultura e o seu estado fenológico.(1996) ∆S . por haver situações híbridas e combinadas.Submersão Processos: Regadeiras de nível Processos: Método . 1979) e de funções de produção (Shalhevet e tal..como por exemplo o potencial de turgescência ou o termómetro infravermelho. à planta (Taylor et al.coeficiente cultural. Contudo. expressa através da dotação real de rega (mm) P . além da rega de humedecimento.. podendo ser obtido o seu valor directa ou indirectamente quando se verificam decréscimos da produção.Evapotranspiração real da cultura (mm) Dr . 1997).Escorrimento Método . tendo em vista. Uma das classificações adoptadas em Portugal é aqui apresentada no QUADRO 1 (Sistemas de rega por gravidade) e no QUADRO 2 (Sistemas de rega sob pressão). do Instituto Superior de Agronomia. No que respeita a polivalência e a economia energética dos sistemas de rega.Infiltração Processos: Submersão permanente: Sulcos Rega subterrânea Regadeiras inclinadas Canteiros Planos inclinados Cavaletes Faixas Submersão Temporária: Caldeiras Simples Coroa circular 183 .

As instalações estacionárias são caracterizadas pelo facto de os aspersores ocuparem posições fixas no solo. Dentro dos sistemas de rega por gravidade é o dos sulcos o mais empregado em Portugal. humedecendo o solo por infiltração. as instalações móveis são aquelas em que não há qualquer parte da tubagem fixa.Instalação de rega por aspersão estacionária semi . Os sistemas de rega por gravidade. embora a sua utilização em Portugal seja relativamente pequena. 2) permite mais facilmente controlar a dotação de rega. Este sistema é utilizado em culturas dispostas em linhas. nas laranjeiras.2. As principais vantagens e inconvenientes da rega por aspersão em relação à rega por gravidade são as seguintes: Vantagens: 1) não necessita a preparação do terreno (nivelamento e armação) necessária nos sistemas de rega por gravidade. sendo neste caso a submersão permanente. mantendo-a a uma profundidade conveniente. Na rega subterrânea.Instalação de rega por aspersão estacionária completamente fixa num campo de golfe (Rosado.1 Aspersão (instalações estacionárias e semoventes) Os sistemas de rega sob pressão são apresentados no QUADRO 2.2 Sistemas de rega sob pressão 11. as simples eram utilizadas antigamente para regar por submersão temporária as árvores de fruto. utiliza-se a ascensão capilar da água. e por fim as instalações fixas caracterizam-se pelo facto de toda a tubagem ser completamente fixa. Actualmente apenas tem interesse o sistema por rega por faixas pois é o único que permite a mecanização. submersão e infiltração diz respeito ao fenómeno físico predominante observado durante a rega. sem haver a necessidade de mudança de tubos (Fig. Os canteiros são utilizados em Portugal principalmente nos arrozais. No caso dos sistemas de rega por escorrimento. 5) normalmente maior economia de mão-de-obra. 184 . 1). a água escorre por todo o terreno a regar. sendo a água de rega distribuída nos sulcos. rega qualitativa). abertos entre as linhas das plantas. a aspersão e a infiltração. 11.2. Os fenómenos físicos predominantes são para a rega por aspersão e para a rega localizada. em que se utiliza a infiltração como fenómeno físico predominante. este sistema de caldeiras é apenas hoje utilizado em pequenas explorações. 7) menores problemas de erosão do solo. Polivalência e Economia A classificação em escorrimento. contudo. Contudo ainda se utiliza no norte de Portugal. A rega por submersão pode ser permanente e temporária. tendo sido substituído nas explorações intensivas por sistemas de rega localizada. em zonas de maiores declives. a uniformidade e distribuição de água é mais elevada. fertirrega mineral e orgânica. como prevenção contra a gomose basal. o sistema de rega por regadeiras de nível. Fig. proveniente da toalha freática artificial ou através do controlo de uma toalha natural. a caldeira disposta em coroa circular. 6) geralmente maior produção. 3) caso a velocidade do vento seja nula ou baixa (< 2 m s-1).2. infiltrando-se no solo. incluem a rega por sulcos e a rega subterrânea. actualmente.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.fixa Fig. respectivamente. 4) maior economia de água. 2). 2002). 2 . As instalações de rega por aspersão podem ser divididas em instalações de rega estacionárias e semoventes. 8) maior polivalência das instalações (combate às geadas e altas temperaturas. 1 . As caldeiras são de submersão temporária. nas semi-fixas parte da tubagem é fixa e parte móvel (Fig.

com movimento de translação (ex. através de tensiómetros). aplicam-se geralmente instalações semoventes center-pivot. Inconvenientes: 1) Consumos de energia mais elevados (funcionam a pressões de serviço muito mais elevadas). menor caudal e menor pressão de serviço. 5) impossibilidade de aplicação de águas salinas em culturas não tolerantes à salinidade.Semoventes Rotação Translação Mistas As instalações semoventes incluem aquelas em que os aspersores (além do movimento e rotação própria) se deslocam ao longo da superfície do solo. 185 . A rega por miniaspersão subdivide-se em a) miniaspersão dinâmica quando o miniaspersor possui movimento de rotação similar a um aspersor rotativo em miniatura.superficial e subterrânea) A rega localizada pode ser dividida em rega gota a gota e por miniaspersão (Quadro 2). culturas industriais e culturas hortícolas ao ar livre) e a rega localizada (pomares. 1985): Vantagens: 1) grande economia de água. 5) custo de manutenção mais baixo (possibilidade de rega 24 horas por dia. vinhas.2. 2) grande problema com velocidades do vento elevadas produzem distribuições de água muito irregulares. os sistemas de rega sob pressão seriam os que teriam maior interesse para aplicação nas regiões mais áridas durante o Verão.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. devido ao facto de apenas uma parte do solo ser regado (rega localizada).Infiltração Processos: Em relação aos sistemas de rega supracitados.Aspersão Processos: Aspersão . As principais vantagens e inconvenientes das instalações de rega gota a gota em relação às instalações de rega por aspersão são (Dasberg & Bresler. Assim. 6) altas perdas de água em climas muito ventosos ou áridos. espaços verdes e campos de golfe. As instalações semoventes tipo canhões auto-motrizes têm tendência para diminuir. forragens.: Canhão automotor) e mistas. para pequenas superfícies utilizam-se as instalações estacionárias. 7) utilização em solos marginais. 3) custo das instalações elevado. com movimento de rotação e de translação (ex. 7) dificuldade (penoso para os operadores) para as mudanças de tubagens nas instalações móveis em solos de textura fina. 3) superfície do solo parcialmente humedecida (menor evaporação.2. utilização de máquinas nas entrelinhas mesmo quando a rega estiver a funcionar). não permitindo tão facilmente o desenvolvimento de doenças. sendo a subterrânea enterrada. e culturas hortícolas principalmente em estufas). 2) Só poderão ser utilizadas em áreas elevadas. enquanto a água é distribuída. devido ao seu elevado consumo de energia (QUADRO 7). As principais vantagens e inconvenientes das instalações semoventes em relação às instalações estacionárias são: Vantagens: 1) Evitam as mudanças dos aspersores. 6) maior eficiência da fertirrega e pestirrega. e em b) miniaspersão estática ou microaspersão em que os miniaspersores não possuem movimento de rotação. 2) Mão-de-obra reduzida quando comparadas com as estacionárias móveis ou semi-fixas. região de clima árido durante o Verão os sistemas de rega mais interessantes seria a rega por aspersão (Milho-grão. Gota a gota superficial subterrânea Miniaspersão dinâmica estática ou micro-aspersão Localizada Método . 4) manutenção da parte aérea das plantas seca. 11. devido à rega da parte aérea das plantas. por humedecimento da parte aérea das plantas. 3) Não podem ser utilizadas em terrenos irregulares ou acidentados. alto controlo da aplicação de rega (que poderá ser feito por ex. menos infestantes. QUADRO 2 . No caso de grandes superfícies regadas por aspersão (áreas superiores a 50 ha). Destes.: Rain-move). Raposo (1994) classifica as instalações semoventes em instalações com movimento de rotação (ex. a escolha dos sistemas de rega de maior interesse para aplicação está dependente da região e da cultura a regar. Polivalência e Economia Inconvenientes: 1) consumo de energia muito elevado.SISTEMAS DE REGA SOB PRESSÃO Aspersão Método . destinando-se ao Sul de Portugal.: Center-pivot). 2) manutenção da tensão de agua dos solos (ou do seu teor em água) aos valores desejados pela planta. isto é.Estacionárias Fixas Semi-fixas Móveis Aspersão . 4) desenvolvimento de doenças. traduzindo-se em menor consumo de energia e menos material). A rega gota a gota pode ser subdividida em a) superficial e b) subterrânea.2 Localizada (rega por miniaspersão e gota a gota .

Possui vantagens e inconvenientes intermédios entre a instalação-tipo anterior a que se segue. mas o seu custo é mais elevado do que o custo dos adubos sólidos solúveis. Ao contrário do que se verifica com os sistemas convencionais de fertilização. Relativamente aos macronientes aplicados. Polivalência e Economia O maior inconveniente diz respeito a grandes problemas com entupimentos.usa-se muito a ureia. accionada hidráulica ou electricamente. em que se faz a mistura adubo+água.Instalação de rega gota a gota em vinha (Pedras. sendo as mesmas altas e mal distribuídas. não se deve utilizar o fósforo na fertirrega.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. são o fraccio- 186 . Há no mercado adubos líquidos para aplicação na fertirrega para várias diluições de macro e micronutrientes. namento das fertilizações.3. por vezes também é utilizado o ácido nítrico (em concentrações muito baixas) que tem também a função de desobstruir os gotejadores. Com a rega gota a gota subterrânea consegue-se praticamente anular as perdas por evaporação. podendo-se usar o nitrato de potássio ou o sulfato de potássio. em que a concentração da mistura adubo+água varia geralmente entre 5 x 10-4 e 2 x 10-2. melhora a uniformidade de distribuição dos fertilizantes. que se poderá verificar principalmente quando se trata da rega gota a gota. No caso da rega localizada. e o inconveniente de mais difícil controlo das concentrações dos fertilizantes. Fig. para se proceder à sua lavagem sempre que necessário. sendo a superior a longevidade da tubagem devido à diminuição de choques térmicos e mecânicos e não haver problemas com radiações ultra-violetas. o azoto pode ser aplicado em todos os casos sem quaisquer dificuldades técnicas . antigamente incluía a fertirrega orgânica (chorumes). Outras vantagens da fertirrega. ou quando os elevados compassos e a / ou os movimentos laterais da água do solo a partir das rampas gota a gota sejam insuficientes para que o volume radicular fique convenientemente regado. os nitratos. quando se pratica a fertirrega mineral. que hoje se inclui na água residual agrícola. 4). é uma aparelhagem de grande rigor. 11. 3 . sendo no entanto o ácido ortofosfórico menos sujeito a problemas de entupimento e de insolubilização. quando se procede à fertirrega. este sistema tem a vantagem de ser de baixo custo. efectuada através do efeito de Venturi. em que parte dos elementos nutritivos ficam fora da acção das raízes. Outras vantagens dizem respeito à economia de mão-de-obra. de acordo com as necessidades do estado fenológico da cultura e contribuindo para a diminuição da pressão osmótica do solo.1 Águas convencionais 11. que se inclui no circuito de água. O potássio também pode ser utilizado sem dificuldade. momento e época da fertilização. para todos os sistemas de rega sob pressão. embora mais frágil e de custo mais elevado que as instalações-tipo anteriores. devendo-se determinar a condutividade do solo e o seu pH. colocado após a instalação de bombeamento e sendo precedido um filtro de malha. na fertirrega localizada. sendo a saída da mistura para a tubagem de rega.1. contribuindo também para a desobstrução dos gotejadores.3 Polivalência dos sistemas de rega 11.3. sendo a água consumida apenas por transpiração. assegurando uma concentração constante até níveis muito baixos tal como 5 ppm. 2) depósito aplicado à saída da bomba. o amónio. 2003) Três instalações-tipo de fertirrega mineral poderão ser aplicadas nos sistemas de rega sob pressão: 1) simples depósito. com válvula-parafuso de regulação da saída. sempre que problemas com a filtração da água não permitirem a rega gota a gota. Se a água é ácida não há qualquer problema na aplicação do fosfato mono ou biamónio. A rega por miniaspersão é utilizada principalmente em pomares. principalmente na rega gota a gota. em relação à água de rega. que seja assegurada uma drenagem perfeita do solo. É necessário que. de forma localizada às raízes. Caso as águas sejam alcalinas.1 Fertirrega A fertirrega propriamente dita inclui apenas o fertirrega mineral. 3) bomba injectora de adubo (Fig. evita o calcamento do solo e permite a adubação mais fácil das culturas de porte baixo. há obrigatoriedade de se aplicar fertirrega. os elementos fertilizantes são conduzidos através da água.

3. 11. transformação de energia cinética em energia térmica (impacto das gotas) e a temperatura positiva a que se encontra a própria água de rega. 2) No Verão.1. As instalações-tipo utilizadas são do tipo bomba injectora. através de aspersores e miniaspersores. quanto maior for a concentração de sal na solução do solo. 11. concorre para o combate à geada com a rega.1. maior será o pressão osmótica. Assim utiliza-se a rega por aspersão ou a miniaspersão durante essas horas com o intuito de diminuir a temperatura. aumento da humidade relativa do ar e da condutibilidade térmica do terreno. Contudo o sistema de rega por aspersão é o mais eficiente no combate à geada. conforme descrito para a fertirrega. e assim combater os seus efeitos nocivos. e que equilibra as respectivas perdas de calor por radiação nocturna.3. Isto significa que a cultura murcha a teores de água do solo mais elevados.2 Pestirrega A pestirrega está dividida em pestirrega propriamente dita (combate aos fungos e pragas) e em herbirrega (aplicação de herbicidas). É sobretudo utilizada.4 Combate às altas temperaturas Fig.3. Além desta vantagem. geralmente a água pulverizada é recuperada e reutilizada. quanto maior for a concentração salina da solução do solo. e que permita a rega sem que as culturas (árvores) sejam danificadas.Bomba injectora utilizada num sistema de fertirrega gota a gota em alface.2. Polivalência e Economia Para que se possa utilizar mais eficientemente a miniaspersão no combate à geada. Segue-se-lhe a miniaspersão e por último a rega gota a gota. nas horas de maior calor.3. que corresponde ao calor latente de solidificação da água. é usual utilizar este tipo de combate em alguns campos relvados. A herbirrega tem interesse de utilização na rega gota a gota e na rega por aspersão. e menor será a capacidade utilizável do solo para a água.5 Rega qualitativa 11. É necessário ainda conhecer a qualidade da água nos meses frios. 1994). 4 . sem que haver o objectivo de humedecimento do solo.3. em instalações estacionárias totalmente fixas e semoventes center-pivot. A pestirrega é praticamente utilizada na rega localizada em alguns países estrangeiros. Assim dois exemplos serão apresentados.1. ou alternativamente. maior será o teor e água do solo ao coeficiente de emurchecimento. A principal vantagem destes sistemas de rega no combate à geada deve-se ao facto da libertação de 80 calorias por grama de água fornecida (Raposo. como o caso dos campos de golfe. para tornar mais saliente a coloração de certas plantas ornamentais e da fruta. 11. A rega por aspersão e miniaspersão poderá ser aplicada no combate às altas temperaturas. será necessário que os microtubos de ligação dos miniaspersores à tubagem tenham comprimento suficiente para que os miniaspersores possam regar as culturas (geralmente árvores de fruto) nos períodos de formação de geada. 187 . como se segue: 1) É usual verem-se aspersores ou miniaspersores em funcionamento por cima das estufas em dias muito quentes com o objectivo de diminuir a temperatura no interior das estufas.2 Águas não convencionais 11. 11. devido ao desconhecimento do seu manuseamento e aplicação. devendo-se neste último caso parar imediatamente o funcionamento da instalação caso haja vento. mas é também afectado pela concentração de sal no solo.1 Águas salinas Segundo Beltrão e Ben Asher (1997a). como ainda grande parte dos produtos não estarem homologados em Portugal. e muito raramente no nosso país. o coeficiente de emurchecimento não é uma constante de humidade do solo. com diminuição dos teores de clorofila.1. em que é fixada certos pigmentos.3.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. formação de uma atmosfera nebulosa.3 Combate à geada O combate á geada através de sistemas de rega sob pressão é uma prática de custo elevado na rega por aspersão em virtude de exigir instalações totalmente fixas funcionando ainda todos os aspersores simultaneamente. há culturas em que a parte aérea é queimada pelo sol. através de suportes apropriados para que a rega seja efectuada por cima das copas. normalmente de melhor qualidade do que nos meses quentes.

outputs e os termos de acumulação para dentro e para fora da zona radicular é dado pela seguinte equação: INPUT = OUTPUT + ACUMULAÇÃO Sr + Si + Sg + Sl + Sf = Sd + Sp + Sc + ∆Sa + ∆Ss em que (9a) (9b) L Dr Sr .Sem lixiviação na zona radicular.Sal dos fertilizantes Sp . O teor em água e iões varia dinamicamente na solução. (cd ) -1 (8) (3) A componente-chave do sistema dinâmico SPAC (soil-plantatmosphere continuum) é a solução do solo (Fig. [cd . será obtido por: θwp(Ψm + Ψ0) = θwp(Ψm) + ∆θwp(Ψ0) em que θwp(Ψm + Ψ0) é a soma do teor de água do solo ao coeficiente de emurchecimento não salino θwp(Ψm). ETa é a taxa da evapotranspiração real da cultura. θfc) . é a taxa de lixiviação (kg sal d-1).A . ETa) . as taxas volumétricas de água de rega e de drenagem (m3 d-1).Sal fornecido pela toalha freática Sf . (4) sendo L = (Qi . mais o aumento do teor de água ∆θwp(Ψ0) devido à salinidade.Com lixiviação na zona radicular. e é afectado por um grande número de processos. Vs e Dr = Qi .quanto maior for a água transferida da planta e do solo para a atmosfera. cd . a eq. m-3 soil).Variação na quantidade de sais solúveis Si . estão em equilíbrio. (5) tomará a seguinte forma θwp(Ψ0)1 = {[ci .Sais precipitados Qi e Q d são. respectivamente (kg m-3). respectivamente.(L . a eq. Vs -1 -1 (5) (6) Fig.(L . 3 Sc . 1993) e quando a fracção de lixiviação for considerada ETa = (Qi .Sal fornecido pela água das chuvas Sd .Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. Polivalência e Economia Que as concentrações de sal na água de rega e na água de drenagem.Sal dissolvido proveniente da lavagem do solo ∆Sa .Qd) A em que ci cd são as concentrações de sal na água de rega e na água de drenagem. respectivamente ci e cd. Dr )] -1 -1 -1 CASO 2 . A é a superfície de evaporação (m2). Dois casos terão que ser considerados: CASO 1 .Sal removido pela água de drenagem Sl . Absorção de iões pela planta intensa absorção de minerais do solo é acompanhado pela redução da salinidade do solo.Sal fornecido pela água de rega Sg .Representação esquemática do sistema "solução do solo" (Beltrão. θfc é o teor volumétrico da água do solo.Variação na quantidade de iões absorvidos ∆Ss . dos quais salienta-se a: Evapotranspiração . por transpiração e evaporação. (5) tomará a seguinte forma θwp(Ψm + Ψ0)2 = (ci . maior será a concentração de sais no solo. à capacidade de campo (m3 água . que inclui todos os inputs. Dr )] . o teor de água do solo ao coeficiente de emurchecimento. θfc} . Vs é o volume de solo considerado (m ).Iões absorvidos pela plantas 188 . 5). é o coeficiente de fluxo da drenagem (d-1). 5 . -1 (7) O balanço salino do solo para as culturas regadas.

de acordo com o modelo de Maas e Hoffman (1977) e com Beltrão et al.Acumulação no solo (causas naturais e actividades humanas) a) Causas naturais .b (CE . que se pode expressar pela seguinte fórmula: Y = 100 .15 g de NH4NO3 por planta) e sem fertilização azotada (N0). os sais concentram-se acima deste horizonte. percentagem de decréscimo de produção por unidade de acréscimo de salinidade.m-1).Volume de água de rega. b = dY / dCE As técnicas convencionais de combate e controlo do processo de salinização pode ser caracterizado por quatro gerações: 1) Problema da contaminação da zona radicular pela lixiviação do solo (que pode ocorrer em duas situações quando há um horizonte impermeável. Resposta da alface aos efeitos combinados da salinidade da água de rega com (N1 .m-1) a partir do qual decresce a produção.Área da parcela (m2) ETa . mas não resolve o problema da O processo de salinização do solo pode ser dividido nas seguintes fases (Beltrão.evaporação b) Actividades humanas . mas a contaminação será aumentada devido aos fertilizantes adicionados (Beltrão et al. expressa em condutividade eléctrica do extracto de saturação do solo ou da água (dS. pode haver contaminação dos aquíferos.Elevação do nível da toalha freática . Eta Em que : Qil .a) em que: Y. a que se chama sensibilidade. isto é.Evapotranspiração real da cultura (m) Partindo de dados reais.produção relativa da cultura (%). 4) Culturas tolerantes à salinidade . satisfazendo simultaneamente o consumo de água da cultura e as necessidades e lixiviação (m3).esta técnica é muito útil para as plantas. Salinidade acumulada (g NaCl planta-1) Fig.15 g de NH4NO3 por planta) e sem fertilização azotada (N0).Origem dos sais (sais locais e sais transportados) 2 . 1993) à salinidade (contudo a sensibilidade à salinidade também aumenta). 3) O aumento da fertilização aumenta a tolerância (Beltrão et al. De acordo com a eq. 2) Uso de rega gota a gota subterrânea . 10. Polivalência e Economia A necessidade de lixiviação do solo é definida pela eq.sem lixiviação . devido à precipitação natural ou à lixiviação artificial. a taxa de redução de produção relativa por aumento de unidade de salinidade. CEs . é maior para NO do que para N1. 11 mostra que a tolerância (a) para N0 é menor que para N1.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. e que é definida por (12) (11) (10) contaminação solo e das águas subterrâneas. (2002).Rega imprópria (uso de água salina mal aplicada) 189 .Infiltração descendente (rega e linhas de água) Infiltração ascendente (toalha freática e água do mar) b) Vento 3) . a produção relativa diminui de cerca de 5 % por cada aumento de 10 g de NaCl planta-1.sem técnicas ambientalmente limpas . A . e portanto menos sais dissolvidos serão adicionados.salinidade do solo ou da água. por outro lado. Por outro lado. quando não existe horizonte impermeável. 1997). A. como se segue: Qil = [Cd / (Cd . o que significa que a produção relativa (%) se mantém constante a 100 % até 20 g de NaCl planta-1 para N0. 1992): 1 . mas pode continuar a haver problemas da contaminação das águas subterrâneas. 6 . sendo de 10 % a redução para o nível N1. MAAS & HOFFMAN (1977) encontraram entre a salinidade do solo e a produção das culturas uma relação linear. a sensibilidade (b).Ci)].grande economia de água. portanto. para maiores valores da tolerância. abvalor limiar de salinidade (dS.. a que se chama tolerância. de acordo com o modelo de Maas e Hoffman (1977) e com Beltrão et al.Transporte (água e vento) a) Água . e cerca de 40 g de NaCl planta-1 para N1.Compactação do solo e formação de impermes .Resposta da alface aos efeitos combinados da salinidade da água de rega com (N1 . (2002a).

a legislação portuguesa (QUADRO 4) admite a reutilização de águas residuais adequadamente tratadas para grande parte das culturas (Decreto-Lei nº 236/98).3. tornando as águas subterrâneas mais salinas.em folhas dos relvados .Restaurantes e comércios URBANAS .em folhas dos relvados ..1000 cfu / 100 ml. 2003). 2002). Este problema é intensificado devido à intrusão da água do mar que resulta da redução dos níveis freáticos dos aquíferos. 1998).Hospitais e laboratórios . mostrando assim a capacidade de remoção de sal (ião Cl-) de diferentes cultivares de relvas. conforme é apresentado no QUADRO n.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.200 cfu / 100 ml.Pecuária (chorumes) 2 1.Transformadoras de produtos alimentares . culturas industriais . 190 Percentagem de Cl - . de Cl .. pomares e vinhas regados gota a gota e forragens .Fábricas . estufas. faltando-lhe todavia critérios mais específicos de qualidade microbiológica e também critérios em relação aos sistemas de rega utilizados e características dos solos a regar e salinidade.Matadouros ÁGUAS RESIDUAIS .2. 7 . 3) Redução da aplicação de sal através de menores dotações de água residual. campos de golfe e de outros desportos). bermuda regada e bermuda de sequeiro (Costa. Estas águas de pior qualidade têm repercussões negativas nas produções das culturas regadas (Ben Asher et al. Cuartero et al.Percentagens médias. de Cl . quando a taxa de bombeamento excede a taxa de recarga. fazem-se algumas recomendações relativamente a concentrações de microrganismos patogénicos. 2002). pomares e vinhas regados por aspersão . 2002). Polivalência e Economia Em Portugal.agrostis. 1998) CLASSIFICAÇÃO ORIGEM . Podemos dividir os problemas ambientais que possam surgir em três tipos: microorganismos patogénicos (principalmente nas águas residuais urbanas). desvios padrão e resultados do teste Dunnett T3. "kikuyugrass". A Fig.1000 cfu / 100 ml. 2) Uso de espécies tolerantes à sede. Nessas condições.coli. QUADRO 3 . desvios padrão e resultados do teste Dunnett T3.. 2.5 11.5 1 a 0. em virtude de a água nestas regiões ser limitada. 4) Reutilização de limite mínimo de dotação de água residual suficiente para obtenção de uma boa aparência visual dos espaços verdes (Costa et al. hidroponia e culturas hortícolas .Infiltrações subterrâneas . de acordo com recomendações do 2º Seminário em Reutilização de Águas Residuais no Mediterrâneo (2001): Rega de espaços verdes (parques. salinidade (comum a todas as águas residuais) e metais pesados (principalmente nas águas residuais industriais).Adegas e lagares AGRÍCOLAS . verificam-se maiores problemas de salinização nas zonas mais áridas (como o Alentejo e o Algarve) e costeiras. jardins. 2001.Serviços . A única maneira para controlar o processo de salinização e de manter a sustentabilidade dos espaços verdes e dos campos agrícolas é combater a salinização através de técnicas limpas e ambientalmente seguras.Habitações domésticas (higiene e cozinha) .agrostis. "kikuyugrass". como se segue: 1) Uso de espécies que removem o sal do solo (Beltrão et al. mostrando assim a capacidade de remoção de sal (ião Cl ) de diferentes cultivares de relvas.200 cfu / 100 ml. 7 mostra as percentagens médias.Ligações e descargas clandestinas ..Transformadoras de petróleo .2 Águas residuais É habitual classificar as águas residuais de acordo com a sua origem.º 3 (Gamito. expressos em cfu (colony forming unit) / 100 ml de E. bermuda regada e bermuda de sequeiro (Costa. 2003).CLASSIFICAÇÃO DAS ÁGUAS RESIDUAIS DE ACORDO COM A SUA ORIGEM (Gamito.5 a a b b 0 Agrostis regada Kikuyugrass regada Bermuda regada Bermuda sequeiro Relvados Fig.Hidroculturas . Em relação a estes problemas.Cantinas INDUSTRIAIS .

191 .Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. campos de golfe e de outros desportos). e à recarga de aquíferos. estufas. culturas hortícolas e outras de consumo humano. Oron & Beltrão. principalmente nos pomares e vinhas (rega gota a gota e miniaspersão) e nos campos de golf (rega por aspersão). deverá essa região passar a ser classificada Zona Poluída. para texturas e teores de água do solo (potencial mátrico do solo) mais favoráveis. 1996)..5 m 2) Sistema de rega gota a gota enterrada ou miniaspersão . fontes decorativas).2. sugerem-se que se verifiquem as seguintes medidas: a) Profundidade mínima da toalha freática (Beltrão et al.00 m: Espécies herbácias . jardim privado. Esta reutilização das águas residuais tratadas na rega será muito mais interessante nesta região. 2) Sempre que haja problemas de poluição na região. com vista a evitar problemas de contaminação. os aspectos mais importantes referiram-se na alínea 11. Contudo. usos florestais (combate a incêndios. descargas na floresta). por isso a reutilização de águas residuais já utilizada. Polivalência e Economia Para o caso de problemas de salinidade. faltando-lhe todavia critérios mais específicos de qualidade microbiológica e também critérios em relação aos sistemas de rega utilizados e características dos solos a regar e salinidade. lavagem do automóvel.1. Em Portugal a reutilização de águas residuais tem sido quase exclusivamente efectuada na rega de espaços verdes (parques. 1993) Rega por miniaspersão 100 m 2) Velocidade do vento durante a rega inferior a 2m s-1 Rega por aspersão . Através da literatura disponível.2 m 3) Sistema de rega por aspersão . combate a incêndios. sendo. no local de recepção dos efluentes. acrescido pelo elevado número existente de campos de golf e explorações hortofrutícolas. com crescente desenvolvimento a partir de 1987 através do programa PEDAP (Marecos do Monte.2.5 m Estes valores poderão ser diminuídos de 20 %. pomares e vinhas. para valores de profundidades da toalha freática superiores a 5.00 m Árvores de fruto .sem vento durante a rega Rega por aspersão .1. a legislação portuguesa (QUADRO 4) admite a reutilização de águas residuais adequadamente tratadas para grande parte das culturas (Decreto-Lei nº 236/98). usos industriais (refrigeração). 1996b): 1) Sistema de rega gota a gota superficial -1. máxima aconselhável.500 m (Beltrão.20 m c) Identificação do local regado com águas residuais depuradas 1) Estes locais deverão estar identificados com a designação "Água não potável".2. forragens e viveiros).00 m Como foi dito. é o Algarve que possui maiores necessidades hídricas mais elevadas durante o Verão. autoclismos).100 m Rega por miniaspersão . d) Profundidade de rega com água residual depurada. nas respectivas bacias de recepção e/ou no equilíbrio ecológico do meio. devendo a mesma ser identificada com sinais inerentes aos perigos em causa. devido ao elevado fluxo turístico que se verifica nesta época. b) Distância mínima a zonas urbanas 1) Velocidade do vento durante a rega superior a 2 m s-1 Rega por aspersão .1. aonde já se nota a sua reutilização. a reutilização das águas residuais tratadas poderia estender-se também a usos residenciais (sistemas de ar condicionado. culturas industriais. usos urbanos (lavagem das ruas.200 m Rega por miniaspersão . Verifica-se que as regiões mais a sul de Portugal (Alentejo e Algarve) são as de maiores necessidades hídricas.50 3) Calma .3 m 4) Sistema de rega por gravidade . 1976. Contudo destas regiões.50 m Floresta . jardins.

0 10. linhas de água receptoras e nas culturas com elas regadas para os diferentes sistemas de rega.5 .4 100 ----VMA 20 10 ----1.20 ----0. Polivalência e Economia QUADRO 4 . Os problemas causados pelos sistemas de rega não convencional. VMR . respectivamente.0 ----1.10 2.8 10 ----0. O segundo objectivo relaciona-se com a resposta da produção e crescimento das culturas à rega com águas residuais. Contudo.0 1. principalmente.0 0.01 5. incluindo além da componente água (Asano. os chorumes são utilizados.05 ----1.10 1. estas últimas poderão ainda estar contaminadas por pesticidas. que possuem agulhetas de maior diâmetro e em borracha para permitirem mais facilmente a passagem de matérias sólidas.5 . É evidente que os chorumes são IMPRÓPRIOS para utilização na rega localizada. para aspectos de contaminação ambiental (Beltrão et al. Dado o seu pobre teor em fósforo em relação aos restantes macronutrientes é usual fazer a sua correcção.9. em campos de golfe. como prevenção à contaminação. 236/98 (1998) Qualidade das águas destinadas à rega VMR Alumínio Arsénio Bário Berílio Bicarbonatos Boro Cádmio Chumbo Cloretos Cobalto Cobre Crómio Estanho Ferro Flúor Lítio Manganésio Mercúrio Molibdénio Níquel Nitratos Nitritos Salinidade Selénio Sulfatos Vanádio Zinco pH Coliformes Fecais Ovos de parasitas Intestinais Al As Ba Be HCO3 B Cd Pb Cl Co Cu Cr Sn Fe F Li Mn Hg Mo Ni NO3 NO2 ECw Se SO4 V Zn ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm dS/m ppm ppm ppm ppm pH MPN/100ml Nº/l 5.0 0.0 ----1.Valor Máximo Recomendável VMA .3 Águas de drenagem As características das águas de drenagem provenientes das zonas urbanas poderão aproximar-se mais das características das águas residuais.8.5 0.2002). com a adopção de tratamentos terciários adequados e.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. Em relação às águas residuais agrícolas.DECRETO-LEI NR. nomeadamente membranas. juntamente com os dejectos sólidos triturados das instalações pecuárias. sendo distribuídos no solo através de aspersores especiais.0 ----0.0 ---------0.0 20 --------15 5.5 ----0.3. 11. o nível de concentração patogénica é de tal modo baixa.30 0. A rega por aspersão com águas residuais é aplicada principalmente no Algarve.. a componente fertilizante (Costa et al..0 70 0.02 575 0.05 20 ----10 5.Valor Máximo Admissível 192 . (nomeadamente os relacionados com reutilização de águas residuais) poderão ser estudados. com a aplicação das radiações ultravioletas e dos modernos filtros.0 5.75 0.2. a rega era efectuada apenas em viveiros de relva e em zonas vedadas aos golfistas.. que não é de prever a contaminação das relvas. 1998).5 5. as provenientes da drenagem de explorações agrícolas aproximam-se mais das características das águas salinas. 2002 b) e para aspectos económicos (Penkova et al.20 0.00 0. Inicialmente.0 6.05 2.10 2. recorrendo a modelos de simulação.0 4.0 Parâmetros Símbolos Unidades Os estudos a efectuar com a rega com águas residuais têm normalmente dois objectivos: O primeiro relaciona-se com os níveis de contaminação provocada por essas águas no solo. 2002).005 0.0 2.05 0.

5 9.0 30.0 22.0 7.0 8.0 27.0 10.4.0 36.0 6.desvio à média n . (13) Fig.5 15. (° C) 0. com udómetros para a determinação da eficiência de distribuição Ed.0 32.5 5.0 40.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.0 30.0 13.5 13.0 35.0 31.5 1.5 16.5 10. Polivalência e Economia 11.0 10. 8 mostra um campo experimental de batateira.0 33.0 21.0 12.5 40 12. estado de conservação das tubagens e dos grupos motor-bomba e sua eficiência. b) velocidade do vento e temperatura durante a rega.0 30.0 16.5 5 1. diagrama pluviométrico.0 15 3.5 7.0 26.0 11.0 4.0 45 15.0 10 2.0 17.profundidade de rega.3 Eficiência de aplicação (ea) Ea = 100 (Ws / Wf) em que Ws .5 9.0 16.0 23.0 30 6.5 14.0 19.0 4.0 7.5 24.0 21.0 9.0 12.5 17. regada por aspersão onde foram recolhidas amostras dos udómetros para determinação da eficiência de distribuição.média (sistemas de rega por gravidade .0 5. características de funcionamento e qualidade dos aspersores e grau de pulverização (sistemas de rega por aspersão).0 3.[ ( Σ | X | ) / (m x n) ] } em que m . problemas de entupimento e qualidade dos gotejadores ou miniaspersores (sistemas de rega localizada).0 6.0 20.0 18.0 45.0 40.5 33. 11.0 17.0 193 . (14) Temp.5 27.número de observações (amostras recolhidas de amostras) A Fig.4 Eficiência de rega e sua classificação 11. É de salientar a importância da pressurização a pressão constante (implicando naturalmente a integração da variação de velocidade nos motores eléctricos) garantindo a dispersão da água eficientemente com o mínimo consumo energético ou seja.0 18.5 25.5 6.0 21. em função da velocidade do vento e temperatura para aspersores de alto grau de pulverização (Beltrão.Campo experimental de batateira. sistema de rega sob pressão . Wd .5 4.0 25.0 31.5 25.0 37. características de funcionamento e qualidade dos aspersores e grau de pulverização (sistemas de rega por aspersão).5 25 4.0 28.0 5.0 12.0 3.2 Eficiência de distribuição (ed). referência ao coeficiente de uniformidade de distribuição de água de christiansen (cuc) É frequente utilizar o coeficiente de uniformidade de distribuição de água Christiansen (CUC) como a eficiência de distribuição Ed Ed (CUC) = 100 {1 .água armazenada na zona radicular A eficiência Ed está relacionada principalmente: com a) características físicas do solo e declive (sistemas de rega por gravidade).4.PERDAS MÉDIAS DE ÁGUA DURANTE A REGA EM FUNÇÃO DA TEMPERATURA E DA VELOCIDADE DO VENTO.0 4. problemas de entupimento e qualidade dos gotejadores ou miniaspersores (sistemas de rega localizada). 8 .0 12. PARA ASPERSORES DE ALTO GRAU DE PULVERIZAÇÃO PERDAS MÉDIAS DE ÁGUA DURANTE A REGA (%) (15) 11.5 10.0 20.0 25.0 13.5 14.0 2.0 2.dotação de rega) X .0 16.0 5.0 4. b) velocidade do vento.água proveniente da fonte de abastecimento Esta eficiência Et está muito relacionada com as fugas de água.0 20 3. de acordo com Achtnich (1966). 1976).5 8.0 34.0 7.água aplicada durante a rega na respectiva parcela.0 18. só pressiona o volume de água ajustado às necessidades hídricas das culturas (Vide Capítulo 3).0 35 8.0 35.0 0.5 8.0 3.0 Velocidade do vento (m s-1) 1.5 15.0 31.0 9. O QUADRO 5 apresenta as perdas de água durante a rega.0 9. regada por aspersão. A eficiência Ed está relacionada principalmente: com a) características físicas do solo e declive.0 11.5 13.1 Eficiência de transporte (et) Et = 100 (Wf /Wd) em que Wf .0 20. QUADRO 5 .0 2.0 6.0 22.5 13.0 21.4.

Keller e Karmeli (1975) consideram apenas a transpiração T e não a evapotranspiração real da cultura ETa.80).5 Eficiência de rega e consumo de energia nos sistemas de rega sob pressão 11. qualidade e características dos gotejadores e miniaspersores A transpiração.85).a nível da parcela de rega (Er) Er = Ea . Ep (19) (18) 11. beterraba (0.4 . Ed .Produção. a radiação e o compasso (Beltrão & Ben Asher. sendo neste caso T = ETa. luzerna (0.0).6 .35 -0. gota a gota subterrânea (0. porque o vapor de água e o CO2 passam através dos mesmos estomas.declive do solo 194 .40 . a eficiência total Er(T) seria dada pela expressão: Er(T) = RT .55). trigo (0.0.rega por aspersão .0.4.50).água necessária na zona radicular (16) .rega localizada . Beltrão et al. aspersão (0.temperatura durante a rega . Para o cálculo da eficiência total Er no caso da rega gota a gota. amendoeira (0.30 . ETa .4.6 Eficiência total de rega Segundo (Oliveira.1. 1993).1 Valores médios e técnicas de maximização da eficiência de rega Os valores médios geralmente atribuídos à eficiência de rega Er a nível da parcela de rega são: gravidade (0. (17) 11.5.0.90).Evapotranspiração real da cultura. a eficiência de rega Er total que deverá ser utilizada nos cálculos da dotação real de rega é: . milho (0. RT .70 . MS . subterrânea (0.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. 1997). 1993).3 .1997b.0. feijão (0. Assim este tipo de eficiência deverá ser apenas aplicado no caso da rega gota a gota superficial e subterrânea. definido por (Achtnich.a nível do perímetro de rega (ERp) Erp = Ea .0.eficiência total Er específica para o caso da rega gota a gota.4 Eficiência de armazenamento Es = 100 (Ws / Wn) em que Wn .0..problemas de entupimento.6).85 .0.00). miniaspersão (0. qualidade e características dos aspersores.4). batata (0. diagrama pluviométrico.95 .transpiração (m3 de água). Nestas condições. Polivalência e Economia 11.0.matéria seca produzida (kg) Valores médios de CT : cana de açúcar (0.MAXIMIZANDO A TRANSPIRAÇÃO E A UNIFORMIDADE DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA E MINIMIZANDO A EVAPORAÇÃO DIRECTA.0. ao contrário do que se verifica com a transpiração.50).características físicas do solo .5). utilizando-se geralmente para expressar as relações entre estes parâmetros o coeficiente de transpiração CT. Ed .relação de transpiração (22) (21) (20) 11. Maximiza-se a eficiência de rega .5). a evaporação directa não estar associada à produção.90 . a assimilação e a produção estão associadas.5 Eficiência de uso de água Eu = Y / ETa em que Y . e velocidade do vento .3 .9).4.45 .grau de pulverização.80). Parâmetros que condicionam a eficiência de rega . visto que das componentes da evapotranspiração.0.1. No caso especial da rega gota a gota subterrânea toda a água aplicada será consumida praticamente apenas por transpiração (Oron e Beltrão. gota a gota superficial (0. Ed sendo RT = 100 (T / Wf) em que Er (T) .0.2 .1966): CT = T / MS T . ervilha (0.95). Os principais parâmetros que condicionam a relação transpiração / evapotranspiração são o índice de área foliar IAF.7 .

1-1.Valores médios dos seguintes parâmetros de rega: .eficiência de rega (%). isto é.Móveis .caudal de ponta ( m3 h ) . .Volume anual de rega (m ) . .6 1800-2800 2600-2900 1700-2000 90 20 7 40 1. -1 3 -1 .A percentagem de solo humedecido. Pomares Hort. .5 5.3-8.diminuição da evapotranspiração da ordem dos 30 % QUADRO 6 . ar livre Hort. e incluem os seguintes factores: . estufas 92 92 95 20 20 20 7 7 7 40 35 35 1. REGA LOCALIZADA Miniaspersão Gota a gota sup.Sistemas pivot .Quanto às culturas em estufa: .5-6.7-4. 3 .Semi-fixas .ocupação ao longo do ano na ordem de 80 %.8 4500-6800 4900-7300 80 80 85 10 12 18 5. .6 1. 2 .Fixas Semoventes .4-6. seguem os conceitos adoptados por Raposo & Beltrão (1982).altura manométrica total (m).9 5.duração útil diária de rega (h d ).1-2.Consumos dos grupos motor-bomba (kWh ou L de gasóleo) Os valores destes elementos foram obtidos a partir das condições seguintes (QUADROS 6 e 7): 1 . no que respeita à rega localizada. por hectare regado. Polivalência e Economia 11.0-1.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.9 4300-6400 4300-6400 4000-6000 195 . está compreendida entre 30 e 50 % nos pomares.2 Elementos e parâmetros de rega a utilizar no cálculo do consumo de energia Os elementos necessários a utilizar no cálculo do consumo de energia nas instalações de rega sob pressão em Portugal.ELEMENTOS E PARÂMETROS DE REGA A UTILIZAR NO CÁLCULO DO CONSUMO DE ENERGIA DAS INSTALAÇÕES DE REGA SOB PRESSÃO DURAÇÃO ÚTIL DAS REGAS Por dia (h) Por semana (d) NECESSIDADES HÍDRICAS débito de ponta (m3 h-1) volume anual (m3) TIPO DE INSTALAÇÃO EFICIÊNCIA DE REGA Er (%) ALTURA MANOMÉTRICA TOTAL (m) REGA POR ASPERSÃO Estacionárias . . e são apresentados nos QUADROS 6 e 7.5 7 60 60 60 6.5. e 50 a 70 % nas culturas hortícolas ao ar livre.Canhões autom. eléctricos (kW) ou térmicos (HP) .Potência dos grupos motor-bomba.rendimento total dos grupos motor-bomba (%).5 80 100 2.6-3. de acordo com o conceito de Keller e Karmeli (1975).não aproveitamento das águas pluviais.As dotações de rega diárias de ponta estão compreendidas entre 4 e 6 mm d-1 (40 a 60 m3 ha-1) e os volumes anuais de rega entre 3400 e 5100 m3 ha-1 (valores úteis teóricos.7 1900-2800 85 70 20 16 7 5.0 2.5-2.número de dias úteis por semana. 4 . e 70 a 90 % nas culturas hortícolas e ornamentais em estufa.0 4. sem incluir a eficiência e rega e a percentagem de solo humedecido).3 1. orn.

Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência, Polivalência e Economia

11.5.3 Consumo anual de energia para instalações de rega sob pressão
Os valores médios do consumo de energia nas instalações de rega sob pressão em Portugal, por hectare regado, são apresentados no QUADRO 7.

QUADRO 7 - CONSUMO ANUAL DE ENERGIA PARA INSTALAÇÕES DE REGA SOB PRESSÃO
MOTOR ELÉCTRICO (µt = 75 %)* TIPO DE INSTALAÇÃO POTÊNCIA (kW) REGA POR ASPERSÃO Estacionárias - Móveis - Semi-fixas - Fixas Semoventes - Sistemas pivot - Canhões autom. REGA LOCALIZADA Miniaspersão Gota a gota sup. Pomares Hort. ar livre Hort. orn. estufas 0,16 - 0,24 0,19 - 0,29 0,13 - 0,20 280 - 420 350 - 520 240 - 360 0,27 - 0,40 0,33 - 0,49 0,22 - 0,34 110 - 160 140 - 200 90 - 140 0,17 - 0,25 290 - 430 0,28 - 0,41 120 - 170 0,6 - 0,9 1,7 - 2,5 1400 - 2100 2000 - 2800 1,3 - 2,0 2,8 - 4,2 540 - 810 720 - 1100 1,4 - 2,1 1,2 - 1,8 0,9 - 1,4 950 - 1500 950 - 1500 950 - 1400 2,3 - 3,5 2,0 - 3,0 1,0 - 1,5 380 - 570 380 - 570 380 - 560 CONSUMO ANUAL (kWh) POTÊNCIA (HP) CONSUMO ANUAL (L gasóleo) MOTOR DIESEL (µt = 60 %)*

* Rendimento total do grupo motor-bomba

Os valores dos elementos apresentados nos QUADROS 6 e 7 deverão ser utilizados com alguma reserva, uma vez que representam valores médios para condições médias. Os valores apresentados mostram uma grande diversidade de valores entre os vários sistemas de rega, tipos de instalação e modalidades respectivas de funcionamento. Mostram-se, principalmente, diferenças entre a rega por aspersão (e o que se verifica entre as instalações estacionárias e semoventes) e a rega localizada, nomeadamente no que diz respeito às potências dos grupos motor-bomba e ao consumo anual de energia (eléctrica ou térmica). Há ainda duas grandes vantagens que contribuem para diminuir o consumo de energia, a saber - a) o aumento do nível de automatização, quer para os sistemas de rega por gravidade (Serralheiro, 1986), quer para os sistemas de rega

sob pressão (Raposo, 1996a) que, além de contribuir para a diminuição da mão de obra, permite um controlo da rega muito maior, conseguindo-se obter consumos mais baixos; b) o aumento do rendimento do grupo motor-bomba e a pressurização a pressão constante, garantindo o bombeamento da água o mínimo consumo de energia. Nos QUADROS 8 e 9 apresentam-se valores representativos do custo do m3 de água em zonas áridas de Portugal (Algarve) e de Espanha (Baleares), de acordo com estudos efectuados, respectivamente por Raposo e Beltrão (1982) e Costa (2003) para o Algarve e Brissaud (2003) para as Ilhas Baleares. Nestes valores foram incluídos os custos dos materiais dos sistemas de rega sob pressão e os problemas económicos a que estão associados, como os prazos de amortização, longevidade e manutenção das instalações (Beltrão, 1986).

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Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência, Polivalência e Economia

QUADRO 8 - CUSTO MÉDIO DA ÁGUA DE REGA NO ALGARVE, EM FUNÇÃO DA SUA ORIGEM (EURO/m3)
ORIGEM DA ÁGUA Subterrâneas Part. Superficiais Rede superficiais Residuais tratadas* Na parcela Energia aplicada Instalação TOTAL 0,04 --0.06 --0,05 0,05 0,01 0,05 0,15 0,15 0,15 0,15 24 20 22 20

1) eficiência de rega, incluindo a das utilizações polivalentes; 2) nível de automatização; 3) controlo da rega; 4) descontaminação ambiental (recursos hídricos não convencionais); 5) rendimento dos grupos motor-bomba;

*Sem tratamento adicional efectuado pelo agricultor.

QUADRO 9 - CUSTO MÉDIO DA ÁGUA DE REGA NAS I. BALEARES (Brissaud, 2003), EM FUNÇÃO DA SUA ORIGEM (EURO / m3).
ORIGEM DA ÁGUA Subterrâneas Part. Superficiais Rede superficiais Residuais tratadas Residuais tratadas c/ tratamento adicionais Total 0.27 0,23 0,25 0,12 0,12- -0,23

6) pressurização a pressão constante; 7) manutenção das instalações.

11.6 Conclusões
Como notas finais deste capítulo podemos salientar a importância da eficiência de rega no que respeita quer ao consumo de energia, quer aos custos do material dos respectivos sistemas de rega. Por outro lado, salienta-se a polivalência das instalações de rega sob pressão, através de outras aplicações adicionais à rega por humedecimento. A utilização das águas de fontes não convencionais deverá ser maior nas regiões mais áridas para suprir a falta de água potável e para aumentar a fertilidade do solo; contudo, tal prática deve ser efectuada com o maior cuidado dados os riscos ambientais e de saúde que envolve; para manter a sustentabilidade dos espaços verdes e dos campos agrícolas, o seu controlo deverá ser efectuado através de técnicas limpas e ambientalmente seguras. Em relação ao desenvolvimento dos regadios em Portugal, verifica-se que os sistemas de rega sob pressão começaram a substituir nos anos sessenta, através da rega por aspersão, os sistemas de gravidade convencionais; a partir dos anos oitenta, a rega gota a gota superficial e a miniaspersão começaram a desenvolver-se em culturas em linhas (hortofruticultura), tendo já surgido nestes últimos anos sistemas de rega gota a gota subterrânea, com evidente economia de água. Os custos elevados do consumo de energia e dos materiais dos sistemas de rega sob pressão e os problemas económicos e ambientais a que estão associados, levará no futuro a que os sistemas de rega sob pressão sejam melhor concebidos e projectados, além de uma manutenção feita em boas condições. Concorre para isso a maximização dos seguintes parâmetros e actividades:

197

Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência, Polivalência e Economia

11.7 Referências bibliográficas
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199

200 .

S.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12. S.A. Luís Olival Gestor de Projectos de Engenharia da Hovione FarmaCiência.A. 201 . APLICAÇÃO DE SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO EM PROCESSOS INDUSTRIAIS Autores: Pedro Farinha Responsável de Área de Engenharia da Hovione FarmaCiência.

202 .

Com uma facturação anual de aproximadamente 68 milhões de Euros. iniciando contratos de desenvolvimento de processos e fabricação de novos produtos para terceiros. um negócio que neste momento representa 40% do seu volume de vendas. Estes produtos . 14.1 milhões de Euros.Grupo Hovione A principal actividade da Hovione consiste na investigação e desenvolvimento de processos de síntese e na produção de substâncias activas farmacêuticas. a Hovione desenvolve a sua actividade através de processos de síntese próprios. Fundada em 1959 por Ivan Villax. anti-parasíticos e produtos utilizados em terapias oncológicas. União Europeia e Austrália – constituem a base activa dos medicamentos formulados por laboratórios farmacêuticos. Fig. incluindo anti-virais e terapias anti-SIDA. Na área dos produtos genéricos. investigador químico. As duas fábricas da Hovione são inspeccionadas e aprovadas pela Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos. utilizados como anti-inflamatórios e anti-alérgicos na preparação de pomadas e aerossóis. os corticosteróides. em Loures e em Macau. nos EUA. artérias e órgãos nos exames radiográficos. Outra área que tem merecido grande dedicação por parte da Hovione é a que diz respeito à protecção ambiental. em 1992. 1 .Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais A Hovione Hovione é uma empresa portuguesa dedicada à química farmacêutica. sendo de destacar a aposta feita na área da qualidade e da pesquisa. atribuído pela Comissão Europeia e pelo Programa Ambiental das Nações Unidas. e um Centro de Transferência de Tecnologia em New Jersey. dos quais se destacam três grandes linhas de produtos: os antibióticos do grupo das tetraciclinas. substâncias activas farmacêuticas. Japão. que permitem a visualização das veias. que são agentes anti-infecciosos usados na preparação de cápsulas e comprimidos. desde 1990. de dez nacionalidades diferentes e com idade média de 37 anos. 203 . Investiga e produz com alta tecnologia e qualidade. a Hovione tem duas unidades fabris. nas quais emprega mais profissionais do que na produção. os agentes de diagnóstico radiológico. e que lhe valeu. Exemplo do compromisso que assumiu com as questões ambientais é o facto de ter subscrito o Responsible Care Program e utilizar tecnologias GreenCycleTM. na qual investiu. ambas são certificadas ISO9000. o prémio de “Melhor Meio Ambiente na Indústria”. clientes da empresa. Cerca de 660 profissionais.exportados para mercados tão exigentes quanto os dos Estados Unidos. o Grupo Hovione investe cerca de 8% do seu volume de vendas em investigação e desenvolvimento. Durante a década de 90. 5% em qualidade e 1% em formação. a empresa desenvolveu a segunda vertente do negócio. 6% em projectos ambientais. usados na preparação de injectáveis. apresentando duas vertentes de negócio: os produtos genéricos e o “outsourcing” (produção em exclusivo para terceiros). trabalham na Hovione. A Hovione já desenvolveu mais de 100 processos de síntese química próprios e detém um número elevado de patentes a nível mundial.

204 .

é necessário fazer uma evidência documental do controle dos possíveis contaminantes externos. baseiam-se no elevado grau de exigência em termos de Qualidade. Assim. ou seja têm que ser construídos e instalados em conformidade com a Directiva ATEX 94/9/CE. etc. Segurança. através de soluções BAT (Best Available Techniques). Ambiente e Saúde Ocupacional.1 Qualidade O fabrico de produtos farmacêuticos de base é regido por uma elevada exigência de qualidade. 12. em grande quantidade. em vigor desde 30 de Junho de 2003. é referido no documento do IPPC a particular atenção que deve ser prestada à selagem.3 Ambiente A directiva Europeia IPPC (Integrated Pollution Prevention and Control) tem como objectivo a prevenção integrada e o controlo da poluição resultante da produção industrial. por síntese química. No caso das bombas centrífugas de processo. abrangendo também as indústrias de síntese química. lista de lubrificantes. sendo necessário um levantamento de todos os factores de risco que possam afectar a especificação do produto. que vão desde a simples trasfega de solventes ou misturas reaccionais. de forma a projectar o equipamento e a sua instalação de modo a evitar a formação de atmosferas explosivas e fontes de ignição. relatórios dos testes em fábrica. • resíduos de aplicações anteriores. 205 . aos impulsores. e quando se verifique uma explosão o equipamento deverá ter meios que permitam interromper imediatamente a deflagração e/ou limitar os seus efeitos. que possam afectar a qualidade do produto. ou ainda sistemas de distribuição e circulação de fluidos.2. podem degradar-se por acção química e/ou térmica. Esta certificação é resultante de uma avaliação dos riscos envolvidos. Em relação a equipamento de bombeamento centrífugo. Esta directiva cobre os requisitos técnicos a serem considerados. Segurança. substâncias inflamáveis. abordadas no documento de referência do IPPC. provenientes desses equipamentos. É referido com BAT a utilização de empanques mecânicos simples ou duplos. Ambiente e Saúde Ocupacional.2 Segurança Uma vez que no fabrico de produtos farmacêuticos de base são utilizadas. • erosão mecânica.2. de forma a evitar perdas para o exterior. As bombas centrífugas Grundfos são utilizadas em diferentes operações do processo de fabricação de Princípios Activos. bem como certificação que ateste a adequabilidade da solução ao processo e local onde se insere. 12. tenha superfícies não rugosas e isentas de fissuras. garantias e certificações. e em caso de bombeamento de líquidos com elevado grau de perigosidade ou toxicidade devem ser utilizados empanques magnéticos.2.) não adequados ao processo. • elastómeros (empanques. uma vez que tem que ser garantida a vedação permanente entre os elementos rotativos e estáticos. às chumaceiras e às juntas. Quando admissíveis. 12.2 Critérios de selecção de equipamento de processo Os critérios de selecção de equipamento para ser utilizado no fabrico de produtos farmacêuticos de base. 12. os lubrificantes deverão ser de qualidade alimentar. Essas emissões devem ser minimizadas nas fontes. para todos os equipamentos que contactem directamente com o produto. têm a obrigação legal de serem determinadas e manifestadas oficialmente. As zonas de fricção devem ser devidamente acauteladas de modo a minimizar o risco de libertação de partículas resultantes da erosão ou desintegração para o processo. os equipamentos utilizados têm que estar preparados para funcionar em ambientes com potencial perigo de explosão. É requisito imprescindível a marcação CE de conformidade juntamente com toda a documentação definida na Directiva 94/9/CE. As emissões de COV's (Compostos Orgânicos Voláteis) localizadas e difusas. manuais de operação/manutenção c/ recomendação de peças de reservas. até sistemas sofisticados de filtração por Osmose Inversa. desde a certificação dos componentes eléctricos como anti-deflagrantes para a classe de temperatura a que possam estar sujeitos. No caso das bombas deve ser dada atenção aos empanques mecânicos. nomeadamente metais pesados. Facilidade de desmontagem e montagem com reduzido número de peças são factores também a considerar na escolha de uma bomba. A manutenção preventiva deverá recorrer a inspecções periódicas visuais de todas as zonas críticas. juntas. Materiais de construção devem ser seleccionados de modo a minimizar a corrosão química dos componentes metálicos. desenhos de construção mecânicos/eléctricos/ /funcionais. É assim exigido ao fornecedor de equipamentos de processo suporte documental (quando aplicável) para: lista e certificado de materiais. os contaminantes externos podem surgir de: • lubrificantes ou fluidos de selagem usados nos equipamentos de processo.1 Introdução O equipamento utilizado na produção de Princípios Activos para a Indústria Farmacêutica. O desenho dos equipamentos deve ser tal que minimize as zonas mortas. • produtos resultantes da corrosão. requer um elevado grau de exigência em termos de Qualidade.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12.

Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais

12.2.4 Saúde ocupacional
De acordo com a Directiva 2003/10/CE de 6 de Fevereiro de 2003, relativa à prescrição mínima de segurança e de saúde em matéria de exposição dos trabalhadores aos riscos devidos aos agentes físicos (ruído), a selecção do equipamento adequado fica condicionada ao ruído máximo admissível para ocupação em permanência, tendo em conta o trabalho a efectuar. Assim o equipamento deverá produzir o mínimo de ruído, tendo em conta o progresso técnico e a disponibilidade de medidas de controlo dos riscos na fonte. O manuseamento dos intervenientes em síntese química devem ser adequados ao seu grau de perigosidade para a saúde humana. Deve-se analisar qual a concentração máxima admissível para cada contaminante na atmosfera da zona de trabalho e adequar o equipamento que garanta a contenção abaixo dos limites de exposição admissíveis OEL - Occupational Exposure Limits.

Fig. 2 - Osmose inversa de purificação de água

12.3 Exemplos de aplicação industrial
As bombas centrífugas Grundfos são utilizadas em diferentes operações do processo de fabricação de Princípios Activos, que vão desde a simples trasfega de solventes ou misturas reaccionais entre equipamentos, até sistemas sofisticados de filtração por Osmose Inversa, ou ainda sistemas de distriuição de fluidos térmicos que garantam uma optimização das condições operatórias. Adiante faz-se uma descrição pormenorizada destas duas últimas aplicações.

Outra aplicação de Osmose Inversa na Hovione, consiste em concentrar 20m3/h de uma solução de Princípio Activo, desde uma concentração de 60g/lit até uma concentração de 150g/lit. Retido 8 m3/h Alimentação 149 g/ lit. 20 m3/h Osmose Inversa 60 g/ lit. Membrana Permeado 12 m3/h 0.5 g/ lit.
Fig. 3 - Osmose Inversa - Diagrama de processo

As condições operatórias necessárias são: Numero de módulos em paralelo = 2 (Para aumentar a flexibilidade) Caudal de cada módulo = 10 m3/h Pressão de permuta = 40bar Bombas seleccionas por módulo = 2 x CRN16-160 em série. Nas figuras seguintes apresenta-se o diagrama da instalação e uma fotografia do sistema.

12.3.1 Filtração por Osmose Inversa
A filtração por Osmose Inversa é a filtração mais fina tecnicamente possível e consiste em reter partículas com dimensão um milhão de vezes inferior a 1 mm, numa membrana porosa geralmente feita em celulose. A Osmose Inversa é utilizada industrialmente para purificar água ou outros solventes, retirando as moléculas indesejáveis, ou concentrar soluções de produtos valiosos. O princípio de funcionamento da Osmose Inversa consiste em fazer passar através da membrana, o fluido que se pretende isento de moléculas grandes, chamado permeado. Para que se dê uma separação efectiva é necessário alimentar o fluido em condições de pressão e caudal adequados e consistentes. O fluido que não atravessa a membrana é chamado retido, por ser aquele que retém as moléculas grandes. A Hovione tem uma instalação de purificação de água com um caudal de 10m3/h para produzir água com uma condutividade de 0.3µS.cm-1 a partir de água de qualidade potável com 3000µS.cm-1.

Retido Permeado

Alimentação

Fig. 4 - Osmose Inversa - Diagrama de tubagem e instrumentação

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Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais

Fig. 5 - Osmose inversa de concentração

Fig. 6 - Equipamento de síntese química

12.3.2 Circuitos térmicos
Para obter o Princípio Activo em quantidade e qualidade aceitáveis é necessário que as condições operatórias sejam optimizadas e reprodutíveis, sendo a temperatura do meio reaccional um dos parâmetros críticos da síntese química. Esta temperatura é controlada pela circulação de um fluido térmico através do equipamento, com um determinado caudal e a uma temperatura tal, que por contacto indirecto, promova a transferência térmica. A circulação faz-se através de dois sistemas interligados que são: • Circulação de fluido térmico através do equipamento a uma temperatura variável e a um caudal constante; • Produção e Distribuição do fluido térmico nas diferentes temperaturas constantes e a um caudal variável;

M ⋅ Cp  K − 1   Tin − T 1  ln   = q. ⋅ ρ ⋅ cp ⋅  K  ⋅ t  Tin − T 2   
Em que:

(1)

 U⋅A  K = exp    q ⋅ ρ ⋅ cp 
As variáveis das Equações 1 e 2 são:

(2)

Tin é a temperatura de entrada do fluido de circulação (°C); T1 é a temperatura inicial da mistura reaccional (°C); T2 é a temperatura da mistura reaccional ao fim do tempo t; M é a massa de mistura reaccional que se pretende aquecer ou arrefecer (kg); Cp é a capacidade calorifica média da mistura reaccional, no intervalo de temperaturas considerado (kcal / kg.°C);

12.3.2.1 Circulação de fluido térmico
12.3.2.1.1 Caudal A circulação do fluido térmico através do equipamento é feita através de uma bomba centrífuga que é dimensionada pelo caudal constante, cujo valor depende da capacidade térmica do equipamento e pela altura manométrica necessária para a sua circulação. O caudal de circulação do fluido térmico pode ser obtido iterativamente pela Equação 1, que determina a temperatura da mistura reaccional T2 ao fim do tempo t:

q é o caudal volumétrico do fluido térmico de circulação (m3/h);

q ⋅ ρ ⋅é a massa específica do fluido térmico (kg/m3) à temperatura da operação. cp é a capacidade calorífica média do fluido térmico, no intervalo de temperatura considerado (kcal / kg.°C). U é o coeficiente global de transferência de calor (kcal/ /h.m2.°C), que depende da condutividade térmica de todos os materiais envolvidos na transferência térmica e da turbulência do seu movimento. O valor de U pode ser estimado teoricamente ou determinado experimentalmente;

207

Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais

A é a área total (m2) através da qual se dá a transferência térmica, e depende da geometria do equipamento e da quantidade de mistura reaccional;
M (kg)

QUADRO I - PARÂMETROS
Aquecimento 4000 1.01 300 10 925 0.43 977 0.38 0.99 280 Arrefecimento

No ponto 12.3.2.1.2 é dado um exemplo ilustrativo da aplicação das expressões 1 e 2, para determinação do caudal da bomba de circulação, em condições de aquecimento e arrefecimento.

Cp (kcal / kg.°C) U (kcal / h.m2.°C) A (m2)
r

(kg / m3)

cp (kcal / kg.°C)
100 90 80
Temperatura (ºC)

70 60 50 40 30 20 10
5m3/h 10m3/h 15m3/h 20m3/h

Fig. 7 - Diagrama do Circuito Térmico

12.3.2.1.2 Exemplo de aplicação Selecção de uma bomba para um circuito térmico de um reactor de 4000lit. de capacidade, no qual se pretendem as seguintes condições operatórias: a) Aquecimento da mistura reaccional desde uma temperatura inicial T1=25°C até uma temperatura final de T2=100°C, com um fluido térmico a uma temperatura de entrada de Tin=120°C; b) Arrefecimento da mistura reaccional desde uma temperatura inicial T1 = 25°C até uma temperatura final de T2=0°C, com o mesmo fluido térmico a uma temperatura de entrada de Tin=-15°C. Considerar para perda de carga total do circuito o valor de 20m.c.a. Utilizando as Equações 1 e 2, de uma forma iterativa, e os parâmetros do sistema apresentados no Quadro I, obtém-se o gráfico de variação da temperatura da mistura reaccional no tempo, para diferentes caudais de circulação.

0 0.0 0.3 0.7 1.0 1.3 1.7 2.0 2.3 2.7 3.0 3.3 3.7 4.0 Tempo (h)

Fig. 8 - Gráfico da temperatura da mistura reaccional para diferentes caudais de circulação

Analisando o gráfico da fig. 8, verifica-se que deixa de haver uma diminuição significativa do tempo total de aquecimento e de arrefecimento quando se aumenta o caudal de circulação de 15m3/h para 20m3/h. Considerando o valor de caudal de 15m3/h e uma altura manométrica de 20m.c.a, uma bomba adequada para a circulação de fluido térmico através da camisa de um reactor de 4000lit. de capacidade seria uma CR16-30.

12.3.2.2 Sistema de distribuição de fluido térmico
12.3.2.2.1 Temperaturas O sistema geral de distribuição de fluido térmico é constituído pelos subsistemas independentes de produção, armazenagem e distribuição do fluido térmico a diferentes temperaturas.

208

Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais

Para realizar aquecimentos é necessário dispor de um fluido térmico a uma temperatura elevada, cujo valor depende da temperatura máxima exigível para o processo, nunca podendo ser superior à temperatura admissível para o equipamento. Geralmente a temperatura máxima utilizada nos processos de produção de Princípios Activos situa-se entre 120°C e 150°C. A produção do fluido nesta gama de temperaturas pode ser realizada por circulação através de permutadores de calor alimentados com vapor ou através de resistências eléctricas.

O factor de simultaneidade tem em conta que não é expectável que todos os equipamentos de uma instalação estejam a trabalhar na sua capacidade térmica máxima em simultâneo. Este factor pode ser obtido por estimativa baseada no grau de utilização dos equipamentos, ou utilizando equações estatísticas, como é o exemplo da equação 3.

f =

1 n −1

(3)

em que n é o número total de equipamentos.
HTFR

HTF

A utilização de modelos matemáticos requer uma análise cuidada do valor obtido, baseada na experiência de instalações similares e no bom senso. 12.3.2.2.3 Caudal A determinação do caudal necessário para um sistema de distribuição de fluido térmico é feita de forma idêntica à determinação da capacidade energética, descrita no ponto anterior, tendo em consideração o somatório de todos os caudais necessários de todos os equipamentos alimentados pelo circuito, e aplicando o factor de simultaneidade. Para obviar a variação das necessidades energéticas é conveniente que a distribuição de fluido térmico se faça a caudal variável, o que se consegue através da variação de velocidade das bombas de distribuição, em função da número de consumidores em funcionamento.

Fig. 9 - Diagrama do Circuito de Distribuição

Para efectuar o arrefecimento é necessário dispor de fluido térmico a uma temperatura reduzida, cujo valor depende da temperatura mínima exigida pelo processo e que não poderá ser inferior à temperatura mínima admissível para o equipamento. Geralmente a temperatura mínima utilizada nos processos de produção de Princípios Activos situa-se entre os -30°C e os -15°C, em casos especiais poderá haver necessidade de uma temperatura criogénica, na ordem dos -100°C. A produção do fluido térmico a -30°C faz-se normalmente por circulação através de uma máquina frigorifica, ou de um permutador. Geralmente para os sistemas térmicos de unidades de produção de Princípios Activos justifica-se economicamente a existência de um circuito térmico a uma temperatura intermédia. Este fluido tem como principal função efectuar o primeiro arrefecimento ou aquecimento, quando o equipamento está a temperaturas extremas. A escolha da temperatura mais adequada depende da utilização preferencial e do balanço económico e poderá ser cerca de 25°C, que se obtém fazendo circular o fluido por um permutador por onde circule água arrefecida em torres de refrigeração, ou cerca de +5°C a +10°C para o qual é necessário ter uma máquina frigorífica.

Fig. 10 - Sistema de distribuição

12.3.2.2.2 Capacidade energética A capacidade energética de um sistema de distribuição de fluidos térmicos depende do número e capacidade dos equipamentos que vão ser alimentados e também do factor de simultaneidade da instalação.

O ajuste do valor da velocidade é feito de forma a manter constante a pressão do circuito de alimentação. Assim, quando um consumidor entra em funcionamento a pressão do circuito de alimentação tende a baixar, o controlador fará aumentar a velocidade da bomba, para que a pressão se mantenha no valor de set-point seleccionado. Quando um consumidor deixa de estar em funcionamento o controlador reage de forma inversa. Com este sistema garante-se a alimentação uniforme aos equipamentos, em todas as condições de utilização da instalação.

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Assim deverão considerar-se cinco equipamentos em utilização simultânea.000 500. que estará em funcionamento sempre que o reactor esteja a uma temperatura superior à ambiente.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12.3.2. conclui-se que poderão estar quatro em funcionamento simultâneo. por ter menor custo. QUADRO II . tal como mostra o Quadro IV: QUADRO IV . Para o sistema de arrefecimento há a considerar que todos os reactores têm sistemas de condensação de Compostos Orgânicos Voláteis (COVs).CIRCUITO DE DISTRIBUIÇÃO Capacidade Térmica (kcal/h) Fluido Térmico 2. menor número de equipamentos.) 4.A.000 Caudal de circulação (m3/h) 15 30 180 16 14 12 10 8 6 4 2 0 0 15 30 45 60 75 90 105 120 Caudal (m 3/h) Opção I Opção II Opção III Aplicando a Equação 3 para oito reactores. são indicadas as necessidades energéticas e o caudal de distribuição necessário para o fluido térmico a cada temperatura.000 3. H = 40M. Para selecção dos sistemas de bombeamento do fluido térmico às diferentes temperaturas. QUADRO III . tendo em consideração o número máximo de equipamentos em funcionamento simultâneo na capacidade máxima.5 Custo Total (Euros) 7. ambos do mesmo modelo.SISTEMA DE BOMBEAMENTO CAUDAL TOTAL = 120M3/H. 11 .Gráfico da potência absorvida para as opções de bombeamento Pode concluir-se que a Opção I é a mais favorável.4 Exemplo de Aplicação Seleccionar os sistemas de bombeamento dos circuitos de distribuição de fluido térmico de Aquecimento e Arrefecimento.250 Potência Instalada (kW) 22 I 210 .000 Capacidade Térmica (kcal/h) 300.200. sendo ainda garantido 50% do caudal máximo em caso de avaria de uma bomba.000. 20 18 Potência (kW) Capacidade (lit.000 10. Verifica-se que não há variação significativa da potência absorvida. para as três opções consideradas. para uma instalação composta por oito reactores com as capacidades indicadas no Quadro II.600 22. é possível considerar três opções diferentes.2.000 Caudal de circulação (m3/h) 120 Fig.000 22 8.000 56. igual consumo energético. Opção Quantidade de Bombas 2 Caudal (m3/h) 60 60 40 II 3 40 40 30 III 3 30 60 Tipo CR64-2 CR64-2 CR45-2 CR45-2 CR45-2 CR32-3 CR32-3 CR64-2 8. No Quadro III.C.CAPACIDADES Equip. 1a4 5a8 S O gráfico da figura 11 mostra a variação da potência absorvida em função do caudal.

Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12. Chemical Engineering. D. Novembro 1993. Ismail and Aksahin.Bulk Pharmaceutical Chemicals. Guides for New Facilities .Directiva 2003/10/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 06 de Fevereiro de 2003.. Versão 7.44 / 2003. Ilhan. New York. First Edition ISPE. June 1996. Integrated Pollution Prevention and Control (IPPC) Reference Document on Best Available Technics in LVOC Industries . Process Heat Transfer.y Jornal Oficial das Comunidades Europeias .February 2003.Q. WinCAPS. Kern. 211 . Volume1.Directiva 94/9/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 23 de Março de 1994. 1965.4 Referências bibliográficas Grundfos. Predict Heating and Cooling Times Accurately. McGraw-Hill. Jornal Oficial das Comunidades Europeias . Tosun.

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: 21 440 76 00 • Fax: 21 440 76 90 Filial: Apartado 3035 • 4031. 241 • 2770 .601 Porto Rua da Ranha. Sede: Apartado 1079 • 2771.A. 320 e 334 • 4350 . S.153 Paço de Arcos Tel.273 Porto Tel.03/2005 .grundfos.901 Paço de Arcos Rua Calvet de Magalhães.: 22 542 05 20 • Fax: 22 542 05 38 www.com BGP .Ser responsável é a nossa base Pensar mais além torna tudo possível A inovação é a essência de tudo o que fazemos Bombas GRUNDFOS Portugal.

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