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teoria do currículo

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FAEL Organização de Conteúdos Acadêmicos Maria de Lourdes Mazza de Farias

EQUIPE EADCON Coordenador Editorial Assistentes de Edição William Marlos da Costa Ana Aparecida Teixeira da Cruz Janaina Helena Nogueira Bartkiw Lisiane Marcele dos Santos Denise Pires Pierin Kátia Cristina Oliveira dos Santos Monica Ardjomand Rodrigo Santos Sandro Niemicz William Marlos da Costa

Programação Visual e Diagramação

EQUIPE UNITINS Coordenação Editorial Assessoria Editorial Gerente de Divisão de Material Impresso Revisão Digital Projeto Gráfico Ilustração Capas Maria Lourdes F. G. Aires Marinalva do Rêgo Barros Katia Gomes da Silva Katia Gomes da Silva Irenides Teixeira Katia Gomes da Silva Geuvar S. de Oliveira Igor Flávio Souza

A questão de gênero é uma constante preocupação nas minhas reflexões. A Língua Portuguesa tem se utilizado e se expressado de maneira convencional, deixando-nos presos “ao monopólio masculino da língua e produção do conhecimento” (GOSZ, 1990, p. 332). Isso significa considerar que a escola tem colaborado com a sociedade na construção de padrões de conduta social que correspondem às representações dominantes do que é ser masculino e feminino. Falar que essas representações existem significa dizer que as pessoas determinam, para cada uma dessas categorias, suas características, seus padrões de conduta e o espaço que lhes corresponde na sociedade. Procurei refletir na redação do texto essas questões, com o objetivo de aumentar o debate sobre o papel secundário do gênero feminino na nossa língua. Trata-se, na verdade, de um convite às alunas e aos alunos a experimentarem aquilo que Peter Mclaren se refere como o “atravessar de fronteiras simbólicas”. Espero que essa experiência nos ajude a colocar em discussão o quanto as mulheres têm sido silenciadas, evadidas, não referenciadas nos modos de representação verbal dominantes construídos na nossa língua. Não seria diferente com o currículo. Bom proveito! Prof.ª Maria de Lourdes Mazza de Farias

OBJETIVOS Refletir sobre o conceito de currículo. desenvolviment Estabelecer rela relações entre as propostas curriculares e a melhoria da qualidade d ensino. do Propor e examinar alguns programas de ensino articulados ao exam currículo escola escolar. enfocando os aspectos ideológicos e cultura que o compõem. Planejamento e avaliação do currículo no Ensino Fundamental. CONTEÚDOS PROGRA PROGRAMÁTICOS O campo do currículo no Brasil: origem e desenvolvimento cu Conceituações do Currículo Teorias do Currículo Curr Currículo. cultura e sociedade. Abordagem pedagógica dos par conteúdos na creche e na pré-escola. Planejamento e avaliação do currículo n na Educação Infantil. Seleção e organização dos conteúdos curriculares na Educação Infantil: as diretrizes curriculares e o Referencial Educaçã Curricular Nacional para a Educação Infantil. Abordagem pedagóat gica dos conteúdos nos anos iniciais do Ensino Fundamental. ideologia e cultura ideol .EMENTA Currículo. Formação Fundamental dos educadores e sua atuação no processo curricular. culturais Compreender a tendências que acompanharam o surgimento e o as desenvolvimento do currículo escolar no Brasil. Seleção e organização dos conteúdos nos anos iniciais Se do Ensino Fundamental: os Parâmetros Curriculares Nacionais.

2000. relações entre o currículo. currículo e avaliação. I. (Org. Pérez. 2000. MACEDO. Elizabeth.A seleção cultural do currículo: complexidade da aprendizagem escolar. Escola. Campinas: Papirus. O currículo do futuro: da Nova Sociologia da Educação a uma teoria crítica do aprendizado. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 259 . A. B. Porto Alegre: Artmed. MOREIRA. 10. Currículo: debates contemporâneos. 3. SACRISTAN. 2003. SILVA. Porto Alegre: Artes Médicas. Gimeno. 2002. GÓMEZ. M. São Paulo: Cortez. Currículos e programas no Brasil. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR LOPES. os códigos curriculares. D. Campinas: Papirus. YOUNG. O currículo: os conteúdos do ensino ou uma análise prática? Compreender e Transformar o Ensino. Gimeno J. Antônio F. SACRISTÁN. 2003. a escola e a sociedade A proposta curricular a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n. T.). Alice Casimiro. ed. 9394/96: Os Parâmetros Curriculares Nacionais As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil e os anos iniciais do Ensino Fundamental Avaliação Curricular BIBLIOGRAFIA BÁSICA ESTEBAN. Belo Horizonte: Autêntica. 2002. O currículo: uma reflexão sobre a prática. ed. São Paulo: Cortez. Tomaz Tadeu. Michael F. 2000. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do Currículo.

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sociais e culturais. O currículo.AULA 1 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS História do currículo no Brasil Esperamos que. Assim constituído. na sua versão mais tradicional. sua postura era claramente voltada para a distinção entre as pessoas das classes altas e das classes baixas. entender que a questão central da discussão sobre currículo perpassa o processo de organização e seleção dos conteúdos trabalhados nas escolas. entender que os estudos críticos do currículo apontam que a seleção cultural sofre determinações políticas. 1. que era mais voltado para a transmissão do status hereditário do que para o exercício de profissões. na verdade. relacionada a essa nova visão. herdeira do espírito FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 261 .1 História e teoria do currículo No período que vai desde o descobrimento até o início do século XX. o ensino brasileiro sofreu decisiva influência no modo de ver o processo educacional. você seja capaz de: conhecer a história e a teoria do currículo. Nossa educação colonial. os alunos e as alunas deverão ter conhecimentos prévios de filosofia e história da educação. a nobreza dedicava-se ao estudo das “artes liberais”. que. Para o bom acompanhamento desta aula. sempre significou um elenco de disciplinas a serem ministradas aos alunos e às alunas. ao final desta aula. Enquanto o povo tinha suas próprias formas de transmitir habilidades técnicas e artesanais necessárias para o trabalho. econômicas. é um modo de ver o mundo com uma resposta educacional.

o currículo é definido como um percurso a ser seguido e como conteúdo apresentado para estudo. de origem latina. existe uma pluralidade de definições e cada uma pressupõe valores e concepções implícitas. baseados nas categorias de controle e eficiência social. tarefas que lembrassem o trabalho escravo. portanto. ao estágio do desenvolvimento produtivo de um povo. bem como ao tipo de sua organização econômica. importado da metrópole. a crise oriunda do debate de pensamentos entre as elites rurais e as classes intermediárias. favorecendo o desenvolvimento industrial e a urbanização do país. pela repulsa às ciências e às tecnologias e por qualquer ocupação que envolvesse habilidades manuais ou artesanais. o caminho da vida ou das atividades de uma ou um grupo de pessoas. Na realidade. também decorrentes das expectativas que seu meio social e familiar alimenta em relação a eles e elas. Com o advento da Independência e da República. O currículo educacional representa a síntese dos conhecimentos e valores que caracterizam um processo social expresso pelo trabalho pedagógico desenvolvido nas escolas. é uma resposta das instituições escolares às exigências da sociedade. no sistema mais amplo que configura a sociedade de dado lugar e tempo. De outro. de maneira intensamente comprometida. O currículo é entendido como programa de ensino. Alguns grupos sociais passaram a pleitear uma estrutura educacional mais voltada à ciência. concluímos que qualquer postura educacional tem subjacente uma “visão de mundo”.AULA 1 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS da contra-reforma. Os primeiros estudos. O tipo de ser humano que a educação se propunha a formar a partir do modelo colonial estava em conflito com as aspirações dos novos grupos sociais em ascensão. A educação. tinha uma postura marcada pelo obscurantismo místico. traduziu-se em um acirrado conflito de idéias educacionais. às disputas de posições dirigentes almejadas por diversos agrupamentos sociais. foram influenciados pelo modelo tecnicista de natureza prescritiva. Para Goodson (1996). O exemplo histórico nos leva a consolidar a convicção de que o subsistema educacional se insere. os defensores do ensino voltado à ciência e à tecnologia. nos seus aspectos econômicos. significa o curso. conteúdos ou matriz curricular por muitos professores e professoras. Dessa forma. o que deu origem principalmente ao aparecimento de uma crescente classe média. no campo do currículo. à importação de valores europeus e à cristalização das tradições. 262 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . na sua estrutura de poder e nos movimentos de mudança. De um lado. Após a Primeira Grande Guerra (1914-1918). à tecnologia e às habilitações profissionalizantes. a rota. ou seja. de origem norte-americana. os defensores do ensino voltado à erudição. à expectativa de alunos e alunas. novas atividades econômicas começaram a surgir. A palavra curriculum.

. 1984). a forma que. O currículo era visto como uma atividade neutra. Segundo Tyler.AULA 1 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Nesse sentido. destaca-se Ralph Tyler (1949).. instrumento de racionalização da atividade educativa e controle do planejamento. para o desenvolvimento de um currículo existem quatro tarefas fundamentais: a definição e seleção dos objetivos. A nova sociologia da educação busca discutir os aspectos internos da escola e a relação entre a educação e as desigualdades sociais. A discussão sociológica do currículo. colocou em destaque a relação entre a dominação econômica e cultural e o currículo escolar. assinalando suas múltiplas transformações. o autor trabalhou a noção de currículo oculto. que mostra preocupação com o estabelecimento de objetivos educacionais e com a avaliação. (1982) utiliza o termo tradição seletiva “(. Apple. Sacristán (1998) defende o modelo de interpretação que concebe o currículo como algo construído no cruzamento de influências e campos de atividades diferenciadas e inter-relacionadas.) a questão é a seletividade. permitindo analisar o curso de objetivação e concretização do currículo em vários níveis. Michael Apple. a seleção e criação das experiências de aprendizagem. Além da teoria crítica do currículo de natureza sociológica. em Ideologia e Currículo (1982). Stenhouse (1991) e Schwab (1983) sugerem o estudo do currículo em uma perspectiva processual e prática. buscando demonstrar como as escolas produzem e reproduzem a desigualdade social. a avaliação do currículo com vistas ao seu contínuo aproveitamento” (TYLER citado por TABA. O desvelamento das implicações do currículo com a estrutura de poder político e econômico na sociedade inseriu a problemática curricular no interior da discussão político-sociológica. Saiba mais FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 263 . os estudos nesse campo tiveram outros desdobramentos. (. Apple (1989) e Silva (1988).. escolhem-se como importantes (.. a crítica ao reducionismo e estruturalismo tem sido feita por autores como Young (1989). O pensamento de Tyler influenciou os estudos sobre currículo no Brasil e foi adotado como fundamento teórico na organização curricular do ensino na década de 70.. de todo um campo possível de passado e presente. Kemis (1996) tem assinalado a necessidade de uma reformulação da teoria do currículo com base na articulação teórico-prática. a organização das experiências para alcançar o máximo efeito cumulativo.. Baseado na abordagem neomarxista.) outros são negligenciados e excluídos”.) significados e práticas.

. currículo oculto são (. p. Para Silva (1995. a literatura crítica tem argumentado a favor de uma teoria que leve em consideração a sua dimensão prática. p. 63): “aos microespaços sociais de ação. Nesse sentido. os seus contextos de concretização. Trata-se de uma perspectiva que busca compreender o currículo em ação. dos rituais. concepções de mundo pertencentes a determinados grupos hegemônicos na sociedade e que serve para reproduzir as desigualdades sociais. A perspectiva teórico-prática ressalta as circunstâncias do trabalho docente com o conhecimento e com o processo de ensino-aprendizagem. mas que são implicitamente ‘ensinados’ por meio das relações sociais. contexto curricular complexo e problemático. conflitos e negociações. afirma Sacristán (1998. como assinala Forquim (1992. p. desde a prescrição até a efetivação nas salas de aulas.. No campo do currículo. p. Silva (2000. são transmitidas ideologias. das práticas e da configuração espacial e temporal da escola”. Para Silva e Moreira (2000.AULA 1 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Efetivamente. A relevância desse conceito está na explicação que ele oferece para a compreensão de muitos aspectos que ocorrem no universo escolar. Assim. historicamente situado e não pode ser desvinculado da totalidade do social. a seleção do conhecimento escolar não é um ato desinteressado e neutro. 42) “. nas escolas não se aprendem apenas conteúdos sobre o mundo natural e social. ou seja. valores e comportamentos que não fazem parte explícita do currículo.) que comanda relações e comportamentos sociais”. adquire-se também consciência. Os estudos que analisam os efeitos do currículo para além da aquisição de conhecimentos formais se voltam para a concepção de currículo oculto e apontam que. 35). 21). por meio dele.. “aquilo que as escolas transmitem da cultura é sempre uma escolha de elementos considerados socialmente válidos e legítimos”. Estudos críticos do currículo apontam que a seleção cultural sofre determinações políticas. Nesse sentido. entende-se que o currículo é culturalmente determinado. p. 27) também acrescenta currículo oculto como “conjunto de atitudes. sociais e culturais.. institucionais e pedagógicos que afetam o desenvolvimento do currículo nas escolas. (.. 264 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS .. e sim resultado de lutas.) todos os efeitos de aprendizagem não intencionais que se dão como resultado de certos elementos presentes no ambiente escolar. Sacristán (1998) aponta para essa perspectiva quando foca a atenção para os condicionantes administrativos. às responsabilidades de deliberação dos professores sobre seu próprio trabalho e a compreensão de como o currículo se converte em cultura real para professores e alunos”. econômicas.

35). percebemos porque esse foco de discussão é tão significativo. de uma hora para outra. teremos nas diversas realidades uma pluralidade de objetivos acerca do que ensinar. MOREIRA. Pensando na função do currículo. 33). não se pode ignorar que os conteúdos eram trabalhados nos diversos momentos FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 265 . Ao percorrer o processo histórico do ensino no Brasil. um completa o outro. discute-se não só as opções. A palavra currículo apresenta e aparece com dois sentidos claros no meio pedagógico: conhecimento escolar ou experiência de aprendizagem. deixar para trás todas as experiências passadas. Mesmo com enfoques diferentes. diferentes sociedades procuram desenvolver os processos de conservação. o currículo é um processo histórico e por meio do social ele se estrutura. p. os dois sentidos estão presentes no currículo escolar. no sentido de que os conteúdos propostos compõem um quadro bastante diversificado e ao mesmo tempo peculiar.AULA 1 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Saiba mais s 1. mas as concepções acerca de uma determinada sociedade e de como se percebe seu desenvolvimento. “em parte. por meio do currículo. dessa forma. não sendo possível.2 A seleção e organização dos conteúdos curriculares A questão central da discussão sobre currículo perpassa o processo de organização e seleção dos conteúdos trabalhados nas escolas. 1996. visto que “todo currículo envolve apresentação de conhecimentos e inclui um conjunto de experiências que visam a favorecer a assimilação e reconstrução desses conhecimentos” (SANTOS. Assim. p. Ao se discutir as escolhas feitas pelos professores e professoras. transformação e renovação dos conhecimentos historicamente acumulados”. a uma determinada sociedade e às relações que ela estabelece com o conhecimento. Dessa maneira. Segundo Santos e Moreira (1996. Percebe-se que o currículo é uma construção social que está diretamente ligada a um momento histórico.

Em função disso. Para tal. p. pois elas regulam e distribuem o que se ensina. o qual era visto como algo estático. que se apresenta por meio de lutas e negociações. numa abordagem tradicional. De certa forma. pensando nos mecanismos por meio dos quais a escola não apenas transmite saberes. Nesse sentido. a ciência ou o conhecimento – foi entendido da mesma forma através dos tempos. Porém.AULA 1 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS nem como eram sua organização e seleção. um olhar acerca do conhecimento e de cultura diferenciada. Sobre a organização. organização e como a cultura pode ou não ser reproduzida no cotidiano escolar. dessa maneira. todo conhecimento possui uma lógica.” Assim. eles são transformados mediante a realidade em que se está vivendo. mas também os produz (SANTOS. Para tanto. discute-se como o conhecimento se torna um conteúdo escolar. segundo Santos e Moreira (1996). podemos. 1996). leva-se em conta a estrutura lógica da disciplina e o nível de desenvolvimento cognitivo do aprendiz. a sequência que pode ser ensinado e para quem pode. nem qualquer um deles – a linguagem. compreendendo. Falar de conteúdo a um tempo atrás parecia algo proibido. 39) são fundamentais para entender o conceito de conteúdo do ensino como uma construção social e não lhe dar um significado estático nem universal: “A escolaridade e o ensino não tiveram sempre os mesmos conteúdos. Para pensar na questão do conteúdo. O processo de seleção e organização dos conteúdos é por si só um elemento de escolha e decisão. todos apontam para a questão dos conflitos que permeiam esse processo. nenhuma dessas ações são neutras. até saiu do espaço escolar devido aos movimentos progressistas das últimas décadas. Esse processo de seleção envolve um comprometimento político que visa a garantir a hegemonia de determinados saberes. assim. encontrar diversos estudos que discutem esse foco. que via nisso uma maneira de reproduzir a cultura dominante. o conteúdo nos faz percorrer diversos momentos da história. No processo de seleção do que ensinar. nunca como um elemento que pode ser questionado e transformado. De certa maneira. aponta-se uma frase de Sacristán (1998. Nesse sentido. as idéias de Popkewitz (1995. refletindo. qualquer projeto educativo acaba se concretizando na aspiração de conseguir alguns efeitos nos sujeitos que se educam”. Em cada época e sociedade a escola assume funções sociais diferentes. que só traduzindo em uma linguagem mais simples pode ser acessível a alunos e alunas. perpetuando-se visões de mundo por meio de sua cultura. Parece que o 266 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . 52): “sem conteúdo não há ensino. p. está em questão o tipo de conhecimento. é possível compreender que os conteúdos não são sempre os mesmos e. MOREIRA. Para Sacristán (1998) é uma decisão política. é importante pensar nesse conteúdo para que se possa falar de sua seleção. como eles interferem na atual realidade. principalmente aquele tradicional. historicamente.

FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 267 . é buscar compreender um pouco desses caminhos pelos quais passam suas experiências e como elas se manifestam na realidade em que estão inseridas. p. 1. de maneira crescente. representar para o leitor como se eles dependessem unicamente do professor ou da professora. 47). parte-se do princípio de que as pessoas na escola constróem idéias e representações acerca das disciplinas e dos rituais que compõe esse universo. ao desempenhar sua função. Afinal. “um dos efeitos mais importantes das práticas culturais é o de produção das identidades culturais”. o saber da sociedade é diferente do saber escolar. é um elemento produzido e produtor de identidades. buscamos compreender identidade como um fenômeno produzido e não acabado dentro das práticas sociais. o profissional da educação envolve seus alunos no que ele acredita ser o melhor para compor as aprendizagens na escola. p. 33). 38). Assim. Assim. falar das escolhas dos professores e professoras. no qual eles são recontextualizados.AULA 1 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS conhecimento discutido na escola é diferente ou tem função diferenciada daquele utilizado. porém nenhuma está isenta das relações que engendram nossa sociedade referente às lutas sociais nos mais diversos níveis. Segundo Santos e Moreira (1996. isento de lutas e disputas. 1996. Nesse sentido. Todo esse processo é delicado para ser pensado de maneira tão ampla.3 Pensando nas escolhas como elementos de identidade As escolhas dos profissionais da educação. “pode-se dizer que a organização do conteúdo curricular está relacionada com a produção dos saberes escolares”. transformação e renovação dos conhecimentos historicamente acumulados como para socializar as crianças e os jovens segundo valores tidos como desejáveis (SANTOS. Para pensar na possibilidade de uma identidade no espaço escolar. o currículo é uma prática social. p. o currículo constitui significativo instrumento utilizado por diferentes sociedades. Ao pensarmos nesses valores. Uma definição de identidade: “relação de semelhança absoluta e completa entre duas coisas. Pensando assim. de certa maneira. os profissionais trabalham a partir do que acreditam ser importante para seus alunos aprenderem e experimentarem. porém esse profissional não está inserido em um espaço neutro. MOREIRA. estruturado e aplicado no nosso cotidiano. possuindo as mesmas características essenciais”. que são vistas como comuns em um determinado grupo social. Baseados em suas próprias experiências. Alguns até dependem. Olhar para esses elementos tidos como pessoais pode até. baseiam-se nas experiências como alunos e profissionais e no universo em que historica e socialmente esse profissional está inserido. Segundo Silva (2001. visto que cada realidade tem suas características particulares. tanto para desenvolver os processos de conservação. por meio dos processos de seleção e organização curricular. É presente na escola a idéia de que é preciso um conteúdo antes do outro.

na verdade. Nesse estudo compreendemos que a educação. mesmo assim. O processo de seleção e organização dos 268 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . e não por um elemento que existe naturalmente.AULA 1 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Como afirma Silva (1999). esse é um elemento inserido em um currículo escolar que está em constante transformação e dentro de uma guerra de forças na qual os sujeitos nem sempre percebem esse movimento ligado às relações estabelecidas de poder. dessa maneira. refletindo. No contexto específico das escolhas e referenciais que compõem o currículo. a identidade do fazer pedagógico é tratada como algo que está em diversos lugares. que. p. no contexto escolar. é um modo de ver o mundo com uma resposta educacional relacionada a essa visão. a identidade e a diferença são construídas na e pela representação. a) Em todas as épocas e sociedades. Para pensar na identidade em nossa realidade escolar. bem como ao tipo de sua organização econômica. a escola tem assumido a mesma função social. Portanto. no período que vai desde o descobrimento do Brasil até início do século XX. 1. Segundo o texto. como pensar nas escolhas dos profissionais da escola deixando de lado essa questão? Pensar em identidade é pensar em dinamicidade e. precisamos nos remeter às diversas realidades curriculares presentes nas escolas. um mesmo olhar acerca do conhecimento e da cultura. Partindo dessa afirmação. às disputas de posições dirigentes almejadas por diversos agrupamentos sociais. ao estágio do desenvolvimento produtivo de um povo. o ensino brasileiro sofreu decisiva influência no modo de ver o processo educacional. à expectativa de alunos e alunas. Em outras palavras. Vimos que. a identidade é construída pelo próprio grupo. pois não existem fora dela”. “a identidade só faz sentido em uma cadeia discursiva de diferenças: aquilo que ‘é’ é inteiramente dependente daquilo que não ‘é’. se o currículo é documento de identidade. diferentes entre si. assinale a alternativa correta. também decorrentes das expectativas que seu meio social e familiar alimenta. 48). é perceber que ela pode ser um elemento construído e estruturado em um grupo social com representações utilizadas para forjar sua identidade e identidades dos outros grupos sociais. em relação a eles e elas. é uma resposta das instituições escolares: às exigências da sociedade. Segundo Silva (2001. portanto. mas com características diferentes em cada lugar e.

pois. As demais alternativas estão erradas. a alternativa (b) está correta. a escola assume funções sociais diferentes. dessa maneira. Você concorda? Justifique sua resposta e depois discuta com seus colegas. um elemento de escolha e decisão. Analise. por vezes. de certa maneira. nenhuma dessas ações são neutras. refletindo. podemos encontrar diversos estudos que discutem esse foco e. refletindo. c) Em cada época e sociedade. a escola assume funções sociais diferentes. dessa maneira. um elemento de escolha e decisão. um olhar acerca do conhecimento e de cultura diferenciada. dessa maneira. regulando e distribuindo o que se ensina. a escola tem assumido a mesma função social. um olhar acerca do conhecimento e de cultura diferenciada. Na atividade um. um elemento de escolha e decisão. pois elas regulam e distribuem o que se ensina. Procure mais exemplos. pois essas ações são neutras. no processo de seleção do que se ensina. Esses processos de seleção envolvem um comprometimento político que visa a garantir a hegemonia de determinados saberes. pois elas regulam e distribuem o que se ensina. O processo de seleção e organização dos conteúdos é. d) Em todas as época e sociedades. por vezes. portanto. 2. perpetuando-se visões de mundo por meio de sua cultura. O processo de seleção e organização dos conteúdos é. 3. O que se aprende na escola é só os conteúdos disciplinares? A cultura escolar promove a construção de conhecimentos e significados que podem contribuir ou não com os processos de democratização da sociedade. relacione as idéias do texto e tente identificá-las com as propostas da sua escola. refletindo. pois elas regulam e distribuem o que se ensina. uma decisão política. essas ações nem sempre são neutras. por si só. Faça uma síntese sobre as diversas teorias do currículo que aparecem no texto e destaque as diferenças entre elas. as ações nem sempre são neutras. reflita e em seguida responda ao que se pede. b) Em cada época e sociedade. um mesmo olhar acerca do conhecimento e de cultura. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 269 . segundo o texto. O processo de seleção e organização dos conteúdos é. todos apontam para a questão dos conflitos que permeiam essas ações e que se apresentam como lutas e negociações. É.AULA 1 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS conteúdos não é um elemento de escolha e decisão. A concepção convencional de currículo lista os conteúdos predeterminados para serem trabalhados pelas disciplinas.

Thomas S. MOREIRA. ed. T. ed. História do currículo. SACRISTÁN. POPKEWITZ. C. T. organizam e desencadeiam fazeres. SANTOS. T.. 26. A construção social do currículo. Petrópolis: Vozes. (Org. 2000. In: Teoria e Educação. ______. cultura e sociedade. ed. APPLE. A. Porto Alegre. v. São Paulo: Cortez. tanto a realidade local – reflexo de um contexto sócio-histórico amplo – quanto o processo de ensino-aprendizagem proposto a partir do diálogo entre saberes popular e científico. I. T. O currículo como fetiche: a poética e a política do texto curricular. 1996. Currículo. O currículo: uma reflexão sob a prática. O sujeito da educação: estudos foucautianos. F. Lisboa: Educa. A. leva os alunos e as alunas a questionarem a sua prática. GOODSON. 270 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . 2000. imperativos didáticos e dinâmicas sociais. 1995. SILVA. o que além de ajudar a discutir e interiorizar as teorias propostas. 2001. MOREIRA. Na próxima aula veremos as relações entre conhecimento. SILVA. 2. T.. J. construída pelos sujeitos inseridos em um determinado contexto concreto de realidade. F. T. Currículo: questões de seleção e organização do conhecimento. n. São Paulo: FDE. SILVA. In: MOREIRA. T. 1996. Repensando ideologia e currículo. J. ed. Saberes escolares.). 1992. da (Org.. regulação social e poder. da. Porto Alegre: Artes Médicas. L. In: Caderno Idéias. Belo Horizonte: Autêntica. L. São Paulo: Cortez.). P. W. 2. F.AULA 1 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS A atividade dois é reflexiva. G. Na atividade três. 4. C. A. 6. T. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. considera como conteúdos. Belo Horizonte: Autêntica. no qual fazem opções. 1998. ed. Currículo. cultura e sociedade. planejam. cultura e poder e quais as implicações para o campo do Currículo. M. devemos problematizar o currículo: quais são os critérios utilizados na seleção dos conteúdos? Com quais intencionalidades e interesses estão comprometidos? De que métodos se utilizam? Quais são os contextos políticos e socioculturais privilegiados nas práticas escolares e com que ponto de vista? Uma visão crítica do currículo. FORQUIN. 3. 1999. In: SILVA. 4.

você seja capaz de: compreender as relações entre a cultura. Para que isso aconteça. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 271 . ao final desta aula. Dessa forma. Nas teorias mais tradicionais. A produção sobre currículo tem freqüentemente mantido a centralidade da categoria conhecimento o que dificulta a percepção do currículo como espaço-tempo de produção cultural. basta pensar na escola como um lugar estático e no conhecimento como um elemento imutável. o currículo é tido como um conjunto de fatos e conhecimentos escolhidos num em uma série de outros acumulados pela sociedade para serem transmitidos aos alunos. apontam para discussões que nos proporcionam vislumbrar a compreensão das relações entre a cultura. de modo a promover uma reflexão sobre como. entre eles o currículo. ideologicamente. estudaremos a idéia de que a diferença cultural nos currículos só pode ser compreendida numa perspectiva relacional que problematize os sistemas de representação em que a diferença é construída. 2. o conhecimento e o poder no espaço escolar. Nesta aula.AULA 2 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Considerações sobre conhecimento.1 Currículo e cultura Os estudos acerca do currículo. o conhecimento e o poder no espaço escolar. sociais e econômicos que estão em nossa sociedade. a escola. o conhecimento e a cultura não recebem influências dos diversos aspectos políticos. são representados grupos dominantes e subordinados em diversos espaços culturais formais e informais. entender o que é currículo oculto. na perspectiva cultural. cultura e poder no currículo Esperamos que.

será que a escola é uma transmissora de conhecimentos ou de ideologias? A escola faz as duas coisas: tanto difunde os valores ideológicos da classe dominante como também tem a função de transmissão e socialização dos conhecimentos historicamente acumulados. são importantes para compor os tempos e espaços escolares. “cultura é um campo de luta em torno da construção e da imposição de significados sobre o mundo social” (SILVA. centrado na linguagem e no discurso da constituição social. tensões e compromissos culturais. alunas e estruturas educacionais. partindo dos elementos que culturalmente estruturam e identificam um grupo social. Ao ponderarmos sobre as questões educacionais. p. professoras. alunos. isto é. é concebido como descentralizado. para determinado grupo. como conhecimento oficial. São significados que estão no interior das práticas sociais estruturadas e que na escola se constituem em campos de saber. pois o conhecimento de outros grupos dificilmente chegará na escola. 272 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . 42). Assim. Neles. Nesse sentido. 2000) de significações que envolvem a cultura e a identidade dos grupos sociais. O currículo é visto como uma tradição seletiva (APPEL. Ele é produzido pelos conflitos. os professores. Utiliza-se essa definição. podemos iniciar nossa relação com o poder e as definições curriculares presentes na escola. que. podemos inserir na discussão o poder. alguns conhecimentos são tidos como o mais legítimos. os elementos ativos no processo escolar. Desse modo. 2000). Assim.AULA 2 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Os estudos culturais se compõem em um campo que compreende a cultura como uma prática de significação. políticos e econômicos que organizam e desorganizam um povo. Saiba mais O currículo não é simplesmente uma montagem neutra de conhecimentos. esse conhecimento é tido como o ideal para ser trabalhado no espaço escolar. O poder como um elemento descentralizado e horizontal aponta para que as escolhas nem sempre sejam elementos de domínio único de professores e professoras. 2001. porque é a mais próxima das teorias que dão suporte à compreensão do currículo como um elemento no espaço escolar que não está isento das lutas que envolvem o poder nos mais diversos tempos e espaços. horizontal e difuso. uma pergunta é inevitável. A partir disso. pois formas e conteúdos culturais funcionam como elementos distintivos de classe (APPEL. a partir das análises pós-estruturalistas inspiradas em Foucault.

nas sociedades típicas de exploração. professoras e professores “por que o meu filho não consegue aprender nada na escola?” É comum os alunos estudarem muito para uma prova e acharem que internalizaram tudo. ou seja.AULA 2 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Outras questões importantes são colocadas. é sempre a mesma coisa. Assim. Assim. Vamos considerar que em uma sociedade dividida em classes há duas classes: a dos que trabalham. em que o trabalho é dividido fundamentalmente em manual e intelectual. que a escola é ao mesmo tempo transmissora de conhecimentos e difusora de valores ideológicos. cultural. nas relações sociais (de trabalho. visto que é apropriado pela classe dominante que o reelabora para transmiti-lo por meio de uma instituição adequada: a escola. familiar. também. na sociedade capitalista. naturalmente. às classes trabalhadoras. estará voltada para as necessidades dos alunos e alunas. Muitos pais perguntam para nós.). e a escola. a burguesia o faça de modo seletivo. a questão do conteúdo escolar é importantíssima: questões como a da metodologia. Por exemplo. Se esses conteúdos são conservadores. Isso quer dizer que nem todos aqueles que freqüentam a escola têm a possibilidade de se apropriar do conhecimento da mesma maneira e na mesma proporção. Se são inovadores. Acontece que. Afirmamos. as discriminações sociais. e a dos que se apropriam do trabalho produzido por aqueles que trabalham. a divisão do trabalho. irão intensificar. A escola. entre outras. ao transmitir o conhecimento elaborado para a classe trabalhadora. etc. o conhecimento se produziu nas relações entre os seres humanos. o produto do trabalho gerado pelos seres humanos nas suas relações mútuas é expropriado pela classe detentora do poder. Da mesma forma. Quem se apropria desse trabalho é a burguesia. depois das férias. Em uma sociedade dividida em classes como a nossa. esquecem tudo o que “aprenderam no ano anterior”. das relações da escola com a sociedade que se estende aos problemas da democracia e às liberdades escolares. é indispensável que. irão ampliar o respeito à identidade de cada indivíduo. provavelmente. no início. Na apresentação que se segue sobre o problema do ensino oficial. tem um norte ideológico e. Por que será que essas coisas acontecem? Essas perguntas poderão ser respondidas a partir do momento que analisamos a verdadeira função da escola. a importância da autoridade do professor ou da professora. como é o caso da sociedade capitalista. o conhecimento é um meio de produção. eles já terão esquecido tudo. um ensaio de resposta às questões colocadas inicialmente. porém se avaliarmos eles sobre o mesmo conteúdo algum tempo depois. ou entre FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 273 . seguramente. o trabalho está destinado às classes produtoras. da sua orientação em relação às correntes pedagógicas. que é a maioria. por conseguinte. Para as relações de exploração serem capazes de se perpetuar na sociedade. por isso. sexuais e raciais. há.

Quando falamos da nossa escola. É. isto é. sobretudo. da escola brasileira. portanto. começou a se converter em perspectiva. professores e professoras e nas relações intergrupais e interpessoais que se produzem no espaço-escola. ainda que. A imagem inicial que uma criança apresenta de si mesma. A escola. etc. gerais e inevitáveis. A ideologia é a tentativa de conceber o universo do ponto de vista particular dessa classe. e se deve. Portanto. da diferença e da incoerência. A ideologia se constitui em representações por meio das quais os agentes sociais e políticos pensam em si próprios. As instituições para a formação do trabalhador só surgem com o aparecimento da Revolução Industrial. Apenas as classes detentoras têm o direito a essa instituição específica. As idéias e discursos dominantes de uma época. estendeu-se às classes subordinadas. o ensino também aparece dividido como dois termos oposto. surgem no meio das classes privilegiadas desse período. Hoje em dia podemos notar que nas escolas encontramos o filho ou a filha do operário. Somente há pouco tempo. a divisão do conhecimento. a mecanismos ideológicos que são produzidos no interior da escola. nas relações de poder e nas relações de dominação. a divisão entre as raças. ela se modificou muito nas últimas décadas devido a vários elementos. isto é. a classe média e o burguês. isto é. a divisão do trabalho. Essas representações explicam as formas da desigualdade. enquanto destinada aos interesses das classes dominantes. consolidada durante muitos anos. da exploração e da dominação como sendo “naturais”. das relações com os colegas. na medida em que oferece a homens e mulheres a representação de uma sociedade homogênea. a sua tradição e os seus métodos. Distingui-se o discurso ideológico exatamente pelo ocultamento da divisão. nas instituições. a representação 274 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . Essa forma de pensar tem por objetivo escamotear as divisões sociais. entre eles as misturas sociais. o que podemos verificar é que isso não é verdadeiramente real. de fato. a divisão política. a divisão entre os sexos. No entanto. cujo objetivo é eternizar as desigualdades e as diferenças de classes existentes na sociedade. A particularidade desse processo é que a estrutura educativa das classes privilegiadas. repetidamente. dos conflitos. encontre-se totalmente dividida. sem divisões e sem antagonismos. no início da Revolução Industrial. lhe é dada por meio da escola.AULA 2 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS o campo e a cidade. ou seja. deixa de existir para as demais classes. é nesse ambiente que. na maioria das vezes. Um desses mecanismos é aquilo que chamamos de currículo oculto. Isso pode até nos dar a ilusão de que todo mundo tem as mesmas chances e as mesmas oportunidades educacionais. levando-lhes o seu tipo de organização. no interior da sociedade histórica que podemos identificar a emergência da ideologia. em algo para toda a sociedade.

fazendo elas passarem a se comportar de acordo com a expectativa que a instituição tem em relação a elas. quando essas crianças de procedência de classes diferentes entram no mundo da escola. etc. conceitos e classificações e. não é. Entretanto. em relação com o conhecimento abstrato desvinculado da prática. com problemas. Sendo assim. mas tirar a culpa do sistema educacional. que. pois são “inferiores” e “incapazes”. A escola. por exemplo. Vamos verificar que muitas professoras e professores. As crianças de poder aquisitivo mais elevado já se habituaram a ser elogiadas toda vez que fazem um desenho bonito. A maioria dos filhos dos trabalhadores não está preparada para ingressar e se desenvolver nessa escola tal qual ela é concebida. que de início parecia tão democrática. A principal forma de trabalho na escola é a expressão da palavra na sua variante culta. Não aspirarmos martirizar professores e professoras. pelo fracasso da maioria das nossas crianças é um equívoco. A criança da classe popular encontra nessa escola um professor ou professora que valoriza apenas um determinado código de comunicação. à medida que esses futuros trabalhadores ingressam no exército de mão-de-obra disponível na exploração capitalista. Professores e professoras. por exemplo. serão cada vez mais acomodados. em outras palavras. É desse modo que a marca do fracasso se manifesta de tal forma na maioria dessas crianças. Essa forma trabalha os conteúdos de raciocínio abstrato totalmente desligados da prática. como um todo. formam um juízo negativo de seus alunos e alunas baseados nessas premissas que se manifestam de duas maneiras: objetiva e subjetivamente. a forma de se expressar das elites. ou seja. e já aprenderam a privilegiar a linguagem verbal nas suas comunicações. os filhos das elites. aliás. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 275 . encontram uma realidade que privilegia determinados valores como. são a maioria. de comportamento e de valores. muitas vezes. acabam sendo eliminadas brutalmente e nada obtendo dessa escola. porque estão desde cedo. malresolvidas. a competição. logo de saída. ao passo que as outras. na verdade. de péssimo rendimento e até mesmo incapazes. enquanto as crianças filhas de trabalhadores e trabalhadoras vivem em outra realidade e aprendem outras coisas. já entraram. O que nos preocupa é que raramente essa opinião muda ao longo do tempo. Percebe-se logo que essa escola. Assim sendo.AULA 2 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS do fracasso ou do sucesso é introjetada pela criança desde o maternal. da realidade de alunos e alunas. por conta disso. impaciência. de outro. achando que receberam da escola o que deveriam receber. ainda no contexto familiar. por meio das notas. Ou ele(a) é “bom” ou é “mau”. intransigência. desprezo e desrespeito que demonstram aos alunos e alunas. De um lado. acaba reforçando para essas pessoas o mito de que são culpadas pelo seu próprio fracasso e. as crianças que são mais valorizadas pela escola tendem a melhor se adequar e conseguir relativo sucesso. a de crianças “fracas”. mímicas de desagrado. por meio de comentários. já formam uma opinião dos seus alunos e alunas. cantam uma música ou dizem um versinho de maneira original.

portanto. não avançando. a escola também tem esse perfil. a própria concepção dos currículos é ideológica. Os professores devem ficar atentos aos valores e conceitos que eles próprios incorporaram. a metodologia. contribuindo para ampliar a marginalidade do conhecimento das mulheres. Às vezes. pois eles determinam a seleção dos conteúdos. as habilidades e as avaliações escolhidas. Ao experimentar um método permanente de crítica e autocrítica das práticas escolares (currículo real e oculto). crítico e participante. os currículos excluem os valores culturais e históricos presentes no cotidiano. o próprio questionamento está impregnado de ideologia. ajudando. Por isso que. 276 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS .. mulheres. inúmeros professores e professoras não têm consciência dos direitos dos grupos oprimidos na sociedade. pessoas de raças diferentes. pois nela só se dão bem os considerados “melhores”. os currículos não são representantes dos grupos desprivilegiados. os currículos não ensinam os alunos e alunas a superar a situação de marginalidade. os currículos valorizam o supérfluo. além de construir um espaço constante de participação na elaboração do currículo. cabe enfatizar vários aspectos importantes na transmissão do currículo oculto: os professores e professoras não têm assegurado o pleno conhecimento do novo currículo antes de sua implementação. muitos professores e professoras não têm uma posição crítica em relação ao currículo oculto.AULA 2 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS O que estamos querendo demonstrar com essas argumentações é que o currículo oculto usa como critério ideológico o “esforço pessoal”. etc. estratégias. na prática. Ainda sobre os currículos escolares. pois é fragmentária e desarticulada. tendo em vista formar um cidadão consciente. nem os conscientizam cultural e politicamente acerca desse assunto. a preparar os alunos e alunas para serem dominados ou para serem dominantes no meio social em que vivemos. para uma verdadeira interdisciplinaridade e transdisciplinaridade. enquanto as outras classes descobriram sua “inferioridade”. poderemos viver os conflitos e as diferenças como forma de desenvolvimento individual e social. em uma sociedade cheia de competições como a nossa. dos trabalhadores e das pessoas de raças não-brancas. os currículos não são voltados para a transformação social. e é nesse tipo de escola que os filhos das classes privilegiadas desvendaram muito cedo a sua “superioridade”.

nesse sentido. na conservação da classe baixa no mesmo nível social e na fabricação de trabalhadores submissos e conformistas. não se revelando. democrática. portanto. tolerância e respeito às diferenças. oficial (explícito) e o oculto (implícito) têm competências socializadoras. chegamos a conclusão de que a seleção do conhecimento escolar é arbitrária. de forma crítica. encarar os filhos e as filhas de trabalhadores e trabalhadoras como um componente fundamental para o nosso desenvolvimento. da experiência dos educandos e das educandas. habilidades e valores como os de solidariedade. que é transmitir os conhecimentos historicamente construídos. Tanto o currículo real. A distribuição dos currículos ocultos também é diferenciada de acordo com a classe social. Posto isso. primeiramente de caráter ideológico e. Urge. Assim. apesar de enfatizar (só em nível de discurso) a permanência e o êxito no sistema escolar. porque exclui as tradições culturais de classes e grupos subordinados para priorizar as memórias culturais dos grupos e classes dominantes. É necessário que se reconheça o direito de adquirir conhecimentos e que o professor e a professora se despreconceituem em relação a esses alunos e alunas e percebam que é fundamental para o processo de transformação da nossa sociedade que os filhos e as filhas de trabalhadores e trabalhadoras tenham acesso. a escola está fundamentalmente implicada no fracasso escolar. efetivamente. trabalhados criticamente por professores e especialistas. ao saber elaborado da escola. as divisões de classe. uma vez que o conhecimento escolar é distribuído de forma desigual entre os diferentes grupos e classes sociais. racial e sexual do trabalho. Essa alteração implica uma modificação de postura que possa. sexo. uma mudança de atitude.AULA 2 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS os currículos são montados de forma a perpetuar e legitimar as desigualdades econômicas. A escola tem sido. mas sim partir da realidade. portanto. muito mais reprodutora da ideologia das elites do que produtora e difusora do conhecimento. pois certos aprendizados e rituais escolares moldam e fabricam consciências. dependendo dos grupos e classes sociais. O conteúdo transmitido não pode ser desligado da prática. O que queremos deixar evidente é que a escola efetivamente não tem desempenhado a sua função social. tanto nos empregos como nas riquezas. gênero e raça. O próprio conteúdo deve mudar para atender às reais necessidades dos alunos e da sociedade na qual estão inseridos. os textos didáticos falam sobre ideologia e não são. A escola corrobora para a divisão social. de caráter pedagógico. demonstram-se diferentes atitudes e características de personalidade. raça ou etnia. Dessa maneira. A educação serve para reforçar e reproduzir as divisões e injustiças sociais. depois. É imperativo que haja uma alteração quanto à forma de se transmitir os conteúdos tanto pedagógico quanto ideológico. da vivência. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 277 . via de regra.

a raiz desses comportamentos está na maneira como a escola trata esse indivíduo. Ao analisarmos os problemas educacionais. desde que o aluno tenha uma consciência crítica dos seus problemas: por que a escola funciona assim? A que interesses serve? Qual o papel dos trabalhadores e trabalhadoras no contexto da escola e da sociedade? Que sociedade temos? Que sociedade queremos? Nessa aula. é as duas coisas: se. raciocinar. apontam para discussões que nos proporcionam vislumbrar a compreensão das relações entre a cultura. 1. também tem como atribuição a transmissão de conhecimentos. saberes e experiências. é anti-social. Essa opção não implica somente uma visão pedagógica. o conhecimento e o poder no espaço escolar. que são vistas como comuns em um determinado grupo social. Aceitando que diferença não é inferioridade. na perspectiva cultural. uma nova pedagogia terá de ser formulada. a pensar. A revolta individual nós.AULA 2 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS A escola deve ensinar. sobretudo. agressivo. sobretudo. desenvolver o juízo crítico. é uma difusora dos valores ideológicos da classe dominante. podemos nos perguntar: será a escola uma transmissora de conhecimentos ou uma transmissora de ideologias? a) A escola. por outro. uma visão ideológica diferente. b) A escola é apenas transmissora dos conhecimentos acumulados pela sociedade. por um lado. mas da diversidade de idéias. as pessoas constroem idéias e representações acerca das disciplinas e dos rituais que compõe esse universo. Sendo assim. Sabemos que essa revolta pode ser canalizada de uma forma positiva. Para pensarmos na possibilidade de uma identidade no espaço escolar. O professor e a professora são induzidos continuamente a optarem: contra ou a favor dos alunos e alunas. conhecemos bem: é aquele aluno ou aluna que depreda a escola. na escola. buscamos compreender a identidade como um fenômeno produzido e não acabado dentro das práticas sociais. 278 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . pois tanto pode levar à passividade como também à revolta. mas. partimos do princípio de que. freqüentemente. Ela não sairá de gabinetes nem de cabeças iluminadas. professores e professoras. na verdade. conhecer a realidade em que se vive e suas contradições. A ideologia do currículo oculto é uma faca de dois gumes. tivemos a oportunidade de perceber que os estudos acerca do currículo.

Socializem suas anotações. democrática. nesse sentido. na conservação da classe baixa no mesmo nível social e na fabricação de trabalhadores submissos e conformistas. uma nova pedagogia terá de ser formulada. uma vez que o conhecimento escolar é distribuído de forma igualitária a todos. conhecer a realidade em que se vive e suas contradições. 3. da experiência dos educandos e das educandas. vimos que muitas vezes os professores e as professoras agem e repassam os conteúdos às crianças de acordo com as suas próprias representações (carregadas de ideologia). não se revelando. desenvolver o juízo crítico. A educação serve para reforçar e reproduzir as divisões e injustiças sociais. sobretudo. c) O conteúdo transmitido não deve ser desligado da prática. critique e debata. Selecionamos três delas para que você reveja. Ela não sairá de gabinetes nem de cabeças iluminadas. Dessa maneira. saberes e experiências. Aceitando que diferença não é inferioridade.AULA 2 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS c) A escola é apenas difusora dos valores ideológicos da classe dominante. No texto. há algumas afirmações que merecem ser discutidas. mas sim partir da realidade. muito mais reprodutora da ideologia das elites do que produtora e difusora do conhecimento. d) A escola não legitima a divisão social. Com a leitura do texto. da vivência. a) O que desejamos deixar evidente é que a escola efetivamente não tem desempenhado a sua função social. Vamos agora fazer uma atividade para refletir um pouco sobre essas questões. b) A escola está fundamentalmente implicada no fracasso escolar. Vocês privilegiam as mesmas atividades ou apareceram propostas diferentes? Quais são as atividades que mais apareceram? Que conclusões vocês podem tirar depois de analisar as anotações do grupo? FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 279 . a) Pense em seu cotidiano na escola e anote quais são as atividades que você propõe mais frequentemente às crianças. habilidades e valores como de solidariedade. raciocinar. a pensar. que é transmitir os conhecimentos historicamente construídos. comparem e reflitam. tolerância e respeito as diferenças. apesar de enfatizar (só em nível de discurso) a permanência e o êxito no sistema escolar. mas da diversidade de idéias. portanto. b) Reúna-se com colegas que trabalham com alunos da mesma faixa etária que os seus. racial e sexual do trabalho. A escola tem sido. 2. oferecem oportunidades diferentes para que se desenvolvam. A escola deve ensinar.

esquecendo-nos. a divisão entre o trabalho intelectual e o braçal. a alternativa correta é a letra (a). a da sua orientação em relação às correntes pedagógicas. alguns fatos conhecidos para chegar a uma conclusão. muitas vezes. descobertas e trocas. M. Política cultural e educação. a questão do conteúdo escolar é importantíssima: questões como a da metodologia. W. irão reforçar. o que permitirá que redimensionemos nosso modo de ver as possibilidades físicas e ambientais que estabelecemos como as mais apropriadas para as crianças. Na atividade três. por um lado. SILVA. também tem como atribuição a transmissão de conhecimentos. sexuais e raciais. naturalmente. estará voltada para as necessidades dos alunos e alunas. Por isso. 2000. e a escola. São Paulo: Cortez. Na atividade dois. APPLE. 2001. T. ed. você deve refletir sobre essas afirmações tomando. desencontros. 2. Belo Horizonte: Autêntica. O currículo como fetiche: a poética e a política do texto curricular. Anotações 280 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . Estudaremos os diferentes espaços da infância e do currículo. na verdade. Belo Horizonte: Autêntica. ______. 2000. a escola. como base. a importância da autoridade do professor e da professora. entre outras. irão desenvolver o respeito à identidade de cada indivíduo. é uma difusora dos valores ideológicos da classe dominante. as discriminações sociais. por outro. a reflexão pessoal e em parceria sobre a sua prática pedagógica é fundamental para observar diferentes contextos.AULA 2 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Na atividade um. T. Se são inovadores. certamente. Se esses conteúdos são conservadores. é as duas coisas: se. Teoria cultural e educação: um vocabulário crítico. que em outros espaços também acontecem encontros. discutir e reelaborar sua prática.

Nesta aula. você seja capaz de: compreender que a organização dos tempos e espaços da infância não se limita somente à forma com que os adultos organizam o mundo. Na época. ao final desta aula. as expectativas em relação a elas. Para um bom entendimento dos conteúdos trabalhados nessa aula os alunos e as alunas deverão ter conhecimentos prévios de psicologia do desenvolvimento. não existia FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 281 . uma vez que não se destinava a educar a infância. E não são mesmo! O papel que desempenham. Essa idéia de direito à educação está vinculada à visão de que o desenvolvimento humano acontece a partir da interação com os outros e com o ambiente onde se vive. Elas são sujeitos de direito e cultura. 3. pois a escola medieval era indiferente à distinção e separação das idades. a organização da escola era multietária. A Igreja Católica que ocupava um importante espaço nas relações de poder e estabeleceu o término da infância aos sete anos.1 As crianças não são mais como antigamente Nas conversas sobre infância sempre surge o assunto: as crianças não são mais como antigamente. tudo isso está em constante transformação.AULA 3 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Currículo e infância Esperamos que. entenderemos por que as propostas curriculares precisam considerar a criança e sua heterogeneidade. Na Idade Média. de modo a criar espaços das crianças e não apenas para as crianças. sua maneira de brincar e de se relacionar com o mundo. período demarcador e regulador dos valores e da moral. pois se entendia que a partir desse período se iniciava a idade da razão.

as escolas infantis. Sabemos que sozinha a escola não pode mudar o mundo. Já o Estatuto da Criança e do Adolescente. os espaços construídos e planejados por nós adultos têm assegurado que as relações humanas sejam baseadas em sentimentos de respeito e solidariedade pela diversidade e pelas pluralidades da infância. Não é preciso ir longe para saber que as experiências escolares transformam as pessoas e. mas ela se movimenta com o mundo e pode ajudar a mudá-lo. os signos do zodíaco. reflexão e intervenção no espaço e no tempo escolar. é bom lembrar que a organização dos diferentes tempos e espaços da infância não se restringem somente à forma pela qual os adultos constituem o mundo. Nos seus modos de representação. a escola 282 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . considera como criança “todo ser humano com menos de dezoito anos de idade”. que em outros espaços também acontecem encontros. Ariès (1981) sugere que essas classificações das fases da vida têm certa correspondência com os fenômenos naturais e cósmicos: o número de planetas. por isso. assim como não havia o conceito de adolescência nem o respeito às diferenças. “quando eu crescer”. o jardim de infância. os espaços de lazer. A creche. descobertas e trocas. é importante entender que o currículo escolar deve se constituir em um campo fundamental de debates que incorpora os diversos “fazeres” e as diferentes formas de “pensar” que ressoam no interior da escola. esquecendo-nos. Assim. É dessa forma que a escola pode compreender e assimilar os vínculos entre o que se vive no ambiente escolar e a comunidade na qual ela está inserida. dando legitimidade para as diferentes idades. Nesse sentido. no seu Artigo 2º. Atualmente. considera criança “a pessoa com até doze anos incompletos”. etc. os estudos curriculares se tornam um poderoso componente de observação. as crianças manifestam e se apropriam de expressões que referenciam o mundo dos adultos. refletiremos se. adotada pela Assembléia Geral das Nações Unidas. muitas vezes. Nesse sentido. em última instância. de fato. No entanto. Pensar sobre os diferentes espaços da infância permite redimensionar nosso modo de ver as possibilidades físicas e ambientais que estabelecemos como as mais apropriadas para as crianças. uma vez que coloca a idade de sete anos como própria para a alfabetização. as estações do ano.AULA 3 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS uma preocupação com o tempo da infância. desencontros. por exemplo. no decorrer da história. A escola. vários organismos delimitam as idades da infância. “gente grande”. A Convenção dos Direitos da Criança. a pré-escola. sem dúvida. considerando sua idade e o nível econômico e cultural dos pais. é o mundo do trabalho e da escola que acaba. como se isso fosse referência para demarcar os tempos e os espaços escolares. todos são lugares destinados à trajetória de socialização da criança. legitima tal condição. Ainda que seja fundamental reconhecermos a autoridade das convenções internacionais e nacionais. em 20 de novembro de 1989.

um currículo e seus elementos devem responder às seguintes questões: o quê? para quê? com quem ? onde? como educar? a favor de quem se educa? Os educadores e as educadoras que trabalham nesses níveis de ensino têm a responsabilidade de orientar as propostas curriculares para uma educação inclusiva. objetivos.AULA 3 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS pode criar condições para romper os limites entre o que lhe é atribuído como “próprio” e aquilo que “pertence” ao conhecimento da sociedade. cultural. As propostas curriculares precisam considerar a criança e sua heterogeneidade de modo a criar espaços das crianças e não apenas para as crianças. As crianças são sujeitos de direito e cultura. etnia. acontecem por meio de uma escala crescente. Essa idéia de direito à educação está vinculada à visão de que o desenvolvimento humano acontece a partir da interação com os outros e o ambiente onde se vive. O crescimento e o desenvolvimento ósseo. desenvolvimento e afetividade Nessa fase da vida a dimensão corporal. competências físicas. e quanto mais oportunidades a criança tiver de se movimentar e explorar suas muitas possibilidades de ação. o currículo tem sido pensado e constituído com os seguintes pontos: pressupostos e princípios da proposta educacional. neurológico. mentais e as diferenças etárias. raça. familiar.2 Crescimento. conteúdos. 3. No entanto. atividades e procedimentos de avaliação. assim como a sociedade brasileira. melhor será seu desenvolvimento. De forma didática. A diferença etária na relação de professores e professoras com seus alunos e alunas se traduz na relação de adulto-criança. É preciso lembrar que a escola acolhe crianças – que têm uma história pessoal. e que são histórias diversas –. social. De um modo geral. muscular. espaço físico e recursos materiais. em permanente debate. essa FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 283 . de preferência em contato com a natureza. se desenvolve intensamente. que reconheça e valorize as diferenças de gênero.

O modo como nossas manifestações de satisfação e frustração são acolhidas. em situações de interação com os objetos do mundo físico. As representações se estruturam na criança por meio de uma relação mediada pelo outro. social e cultural. no qual.AULA 3 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS dimensão do corpo e da evolução da criança não se limita apenas a aspectos físicos e orgânicos. 284 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . como o gesto. aprendemos a reconhecer nossos afetos e como expressá-los. nas quais tudo está interligado. O desenvolvimento das capacidades cognitivas acontece por intermédio das relações estabelecidas pelas crianças com outras crianças e com os adultos. brincadeiras de construção e de faz-de-conta) têm grande importância no desenvolvimento do pensamento e na formação da própria subjetividade da pessoa. em um primeiro momento. possibilitando a sua constituição enquanto sujeito. como também nos mostram nossa importância no mundo. a constituição e a organização de espaços sociais adequados para a educação e cuidado das crianças. a brincadeira e a escrita. mas é também uma ferramenta de organização do pensamento e um importante canal de trocas afetivas. sendo um processo sociocultural. a definição de valores para a socialização das crianças resultantes de algum tipo de compreensão sobre a educação. podemos dizer que existe um corpo de saberes e fazeres que possibilitam tanto a construção social do conceito de infância como a constituição de instituições de educação infantil e de pedagogias para educar e cuidar das crianças. A afetividade também se entrelaça às experiências corporais das crianças e com quem elas se relacionam no seu universo social. o desenho. desenho. a criação de instrumentos de trabalho e alternativas de intervenções. As linguagens verbais (oral e escrita) e não-verbais (gesto. do qual a criança se apropria e passa a elaborá-lo por meio de diversas atividades simbólicas. a criança pensa por meio dos chamados conceitos cotidianos. a formação e o reconhecimento da necessidade de um profissional para atuar na educação infantil. nos ensinam sobre o lugar das emoções e dos afetos na sociedade em que vivemos. Nas situações e nas relações cotidianas. Hoje. As linguagens integram um sistema de representação do real. A linguagem permite a comunicação. É possível afirmar que os grandes temas em torno dos discursos políticos e técnicos sobre as pedagogias da Educação Infantil podem ser resumidamente definidos como: a existência de um discurso que institui um estatuto para a infância. A capacidade de pensar e operar com conceitos é um processo. A dimensão cognitiva se estrutura via linguagem.

Segundo o texto. a) O quê? Para quê? Com quem? Onde? Como educar? A favor de quem se educa? b) De quê? Com quê? Por quê? Onde? c) De que forma? Quando? Onde? Para que se educa? d) Para quê? Qual forma? Com quem? Como? 2. irão surgir diferentes projetos pedagógicos. na sociedade.AULA 3 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS a seleção de metodologias e de conteúdos. educação e infância vêm. dos usos e dos costumes que lhes permitam melhor se adaptarem à sociedade. Esta contradição pesa sobre a cabeça dos educadores e educadoras: por um lado. Ao longo dos séculos. etnia. Vimos também que o desenvolvimento das capacidades cognitivas acontece por intermédio das relações estabelecidas pelas crianças com outras crianças e com os adultos. aprendemos que os educadores e as educadoras que trabalham nesses níveis de ensino têm a responsabilidade de orientar as propostas curriculares para uma educação inclusiva. com a intenção de definir a natureza das crianças e a forma como elas devem ser cuidadas e educadas. por outro lado. pleiteando. Nesta atividade. raça. em permanente debate. competências físicas. a produção de materiais didáticos e equipamentos educacionais. a organização da vida cotidiana das instituições e das pessoas sob a forma de rotina. o seu lugar como verdade absoluta. vários discursos sobre vida. Você pode aproveitar observações realizadas nas FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 285 . desenvolvendo-se pessoalmente e criativamente. um currículo e seus elementos devem responder às seguintes perguntas. as decisões sobre a organização espacial. as discussões sobre os usos do tempo. que reconheça e valorize as diferenças de gênero. de uma forma didática. mentais e diferenças etárias. tem-se a idéia de que é melhor desenvolver as potencialidades e as suas aptidões para que elas tenham sucesso no futuro. em situações de interação com os objetos do mundo físico. 1. Nessa aula. eles defendem a concepção de que é preciso assumir o papel de exercer sobre as crianças a transmissão das idéias. você irá trabalhar com um relato de situações de interação adulto-criança. Dessas concepções. social e cultural.

BRASIL. etnia. permitindo que o leitor do relato possa visualizar a comunicação que está se processando. Escolha um episódio entre os que você observou e transcreva-o.AULA 3 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS suas atividades práticas. 8. História social da criança e da família. P. raça. mentais e as diferenças etárias. você deve comparar os relatos: o que eles têm em comum? No que eles se diferem? Apresente as suas conclusões aos demais e anote a síntese elaborada em conjunto. 3. Na próxima aula falaremos sobre a seleção e organização dos conteúdos curriculares na Educação Infantil. em permanente debate. 1981. De uma forma didática. Uma criança de três anos que freqüenta uma escola de Educação Infantil está sempre muito calada e raramente conta algo que aconteceu em casa ou mesmo na escola. Considere as verbalizações e as expressões faciais e corporais dos participantes. Na atividade dois e três. comparando as interações de adultos com crianças de diferentes idades e em situações diversas. Promulgada em 13 de Julho de 1990. Curitiba: Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. narrar um acontecimento ou criar histórias de faz-de-conta. Faça dupla com um colega que tenha registrado uma situação que envolveu alguma criança com idade aproximada da criança que você observou. Estatuto da criança e do adolescente. Também discutiremos as Diretrizes Curriculares e o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil.069. Escreva um texto apontando como o professor deve agir para auxiliá-la a desenvolver sua oralidade. Lei Federal n. ARIÈS. Que tipo de interação ele deve estabelecer com essa criança? Que elementos mediadores poderá utilizar para isso? Na atividade um. 2000. 286 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . um currículo e seus elementos devem responder às seguintes perguntas: O quê? Para quê? Com quem? Onde? Como educar? A favor de quem se educa? Os educadores e as educadoras que trabalham nesses níveis de ensino têm a responsabilidade de orientar as propostas curriculares para uma educação inclusiva que reconheça e valorize as diferenças de gênero. Rio de Janeiro: Zahar. a resposta correta é a alternativa (a). competências físicas.

mec. Nesta aula. e o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil estão à disposição no portal do Ministério da Educação (<http://www. estudaremos a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB n. ao final desta aula. de poder.1 As Diretrizes Curriculares e o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil Vimos que a organização curricular expressa uma concepção de ser humano. de mundo.br>). A Resolução CEB n. de sociedade. de cultura. Para o melhor acompanhamento dos conteúdos tratados nesta aula é necessária a leitura da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) no que se refere à Educação Infantil. você seja capaz de: conhecer criticamente as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (Resolução CEB 1/99). 4. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 287 . Tais diretrizes estabelecem exigências quanto às orientações curriculares e à elaboração dos projetos político-pedagógicos institucionais. conhecer criticamente o Referencial Nacional para a Educação Infantil. de ensino. que orientam a organização das instituições que se dedicam a essa etapa de ensino. 1. de aprendizagem.gov.AULA 4 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Seleção e organização dos conteúdos curriculares na Educação Infantil Esperamos que. 9394/96). que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. que trata da função da Educação Infantil e seu funcionamento.

como a adoção de metodologia do planejamento participativo e a afirmação da autonomia das escolas na definição da abordagem curricular a ser adotada. Lei n. estéticos: sensibilidade. Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). uma determinada visão de infância e o seu lugar no mundo. o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI. resguardando suas especificidades manifestadas na indissociabilidade das ações de educar. Lei sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) n. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB n. à família e à sociedade responderem pela Educação Infantil. consonantes com a legislação atual: Constituição Federal de 1988. Tais diretrizes estabelecem exigências quanto às orientações curriculares e elaboração dos projetos políticopedagógicos institucionais.AULA 4 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS enfim. solidariedade e respeito ao bem comum. Cabe. criatividade. considerando que “nas brincadeiras. exercício da criticidade e respeito à ordem democrática. em última instância. ludicidade e diversidade de manifestações artísticas e culturais. orientando a organização das instituições que se dedicam a essa etapa de ensino. 8080/90. as crianças transformam os conhecimentos que já possuem anteriormente em conceitos gerais com os quais brincam”. são explicitadas as corresponsabilidades entre as três esferas governamentais (federal. Ressaltam-se também aspectos organizacionais. de vida e. 9394/96) firma a função da Educação Infantil e o seu funcionamento. o Conselho Nacional de Educação (CNE). 208. n. Em função dessas premissas. Nas propostas destinadas à Educação Infantil e aos primeiros anos do Ensino Fundamental. p. ao Estado. municipal) e a família. do papel da educação na sociedade. Posteriormente. responsabilidade. 8742/93. políticos: direitos e deveres do cidadão. Esse documento contempla os seguintes princípios: éticos: autonomia. definiu. utilizando-se dos préstimos da escola ou exercendo nela suas funções profissionais. por meio da Câmara de Educação Básica (CEB). também. Para garantir o direito à Educação Infantil. A Educação Infantil é dever e obrigação do Estado e responsabilidade política e social da sociedade e não apenas daqueles que vivenciam a realidade escolar. as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (Resolução CEB 1/99). em 1999. a organização curricular expressa. portanto. 27) define o brincar ao lado do educar e do cuidar. inciso IV do art. estadual. Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS). cuidar e brincar. 288 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . 8069/90.

psicológico. 9394/96. 9394/96. além de direito social. como no caso das “mães crecheiras”. Constituições Estaduais e Municipais. Além disso. Entretanto. Planos Estaduais e Municipais de Educação. 10172/01. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 289 . em condição de existência. deve complementar à ação da família e da comunidade no desenvolvimento da criança. necessária a integração escola-família-comunidade. subsidiando os diversos saberes e fazeres que circulam no dia-a-dia escolar. A Educação Infantil é oferecida em: creches ou entidades equivalentes para crianças de zero a 3 anos. No entanto. garantir os direitos das crianças é responsabilidade social. é preciso intencionalidade. A avaliação da criança deve ser realizada sem o objetivo de promoção. empresas públicas ou privadas. entidades filantrópicas ou confessionais e. gerando o que ficou conhecido como competências concorrentes. sendo. pré-escolas para crianças de 4 a 5 anos. Plano Nacional de Educação (PNE). intelectual e social. Lei n. Os referenciais para a Educação Infantil foram feitos para orientar os projetos político-pedagógicos. ainda. 4. sistematização e comprometimento com a integridade e o desenvolvimento das crianças. a Educação Infantil recebe tratamento igual ao do Ensino Fundamental e Médio e é definida como primeira etapa da Educação Básica. a educação das crianças. nos aspectos físico. para desenvolver essas atividades. Antes da LDB n.AULA 4 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) n. A legislação existente representa as conquistas da sociedade no sentido de assegurar os direitos da população infantil. não houve definições claras entre dependência administrativa e o financiamento dos níveis de ensino entre União.2 Educação Infantil na LDB Com um capítulo próprio. O documento instrui as ações educativas dos profissionais da Educação Infantil e define que. mesmo para o acesso ao Ensino Fundamental. em casas de família. A abertura para o atendimento em entidades equivalentes a creches se justifica pela necessidade de reconhecer a realidade preexistente da nova legislação. assim como a obrigatoriedade de aplicar 25% dos orçamentos em educação. estados e municípios. Política Nacional de Educação Infantil (2005). a Constituição Federal havia definido a Educação Infantil como sendo responsabilidade dos municípios. constitui-se em direito humano. na qual esse atendimento tem sido oferecido de maneira diversificada em entidades comunitárias. portanto. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI/99). Sendo assim. Sua finalidade é desenvolver integralmente a criança.

serem atendidas em suas necessidades básicas físicas e psicológicas. sociais. indivíduos humanos. culturais. São as relações estabelecidas nesse contexto que moldam o que se pode chamar de currículo real. 290 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . ainda que um currículo para a Educação Infantil necessite ter explícito em sua elaboração e desenvolvimento a concepção de crianças reais e diversas. expectativas. seres sociais e históricos. lingüísticas. O referencial avaliativo adotado deve ser o da criança em relação a ela mesma. terem atenção especial do adulto em momentos peculiares de sua vida. o currículo abrange um âmbito de interações. vegetal e mineral. Ainda segundo os Referenciais Curriculares para a Educação Infantil. Isso quer dizer que a criança deve ser o foco de todo o trabalho pedagógico para a tomada de decisões. afetivas. execução e avaliação das ações educativas desenvolvidas na escola. registrem e reflitam continuamente. com seus pares ou envolvendo a participação das crianças. lúdicas e cognitivas das crianças. em caráter diagnóstico e processual. singulares. Os parâmetros de qualidade para a Educação Infantil especificam que as crianças desde que nascem são: cidadãos de direitos. o que implica: serem auxiliadas nas atividades que não puderem realizar sozinhas.AULA 4 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Para a implementação do projeto político-pedagógico. indivíduos únicos. propondo atividades e lançando desafios ajustados às características. precisam ser cuidadas e educadas. nas quais se entrecruzam processos e agentes diversos que compõem um verdadeiro e complexo tecido social. seja sozinho. organizando o ambiente onde atuam e planejando as situações de aprendizagem. Essa avaliação orientará as decisões pedagógicas. que a função das professoras e dos professores de Educação Infantil é mediar o processo de ensino-aprendizagem. emocionais. Os referenciais destacam. E que. potencialidades. especialmente acerca de quais atividades poderão favorecer uma aprendizagem mais prazerosa e significativa para o desenvolvimento infantil. planejamento. tudo o que ocorre com cada criança. ainda. os referenciais indicam que os educadores e educadoras devem desenvolver uma intenção educativa. de modo que os professores e as professoras observem. por sua vez. seres competentes e produtores de cultura. em seus aspectos individuais e sociais. assim. especialmente em contato com outras crianças ou pelas informações que os adultos lhes oferecem. reforçando as especificidades biológicas. desejos e necessidades infantis. Mais importante do que a definição de áreas de conhecimento está a compreensão acerca do mundo infantil. que interagem com o meio em que vivem e aprendem a resolver problemas. parte da natureza animal.

prazer e alegria. para que a sobrevivência das crianças estejam garantidas. conhecimento e educação. As crianças precisam ser apoiadas em suas iniciativas espontâneas e incentivadas a: brincar. igualdade de oportunidades. desenvolver a imaginação. as diretrizes têm caráter mandatório para todos os sistemas municipais e/ou estaduais de educação. autonomia e participação. ampliar permanentemente os conhecimentos a respeito do mundo da natureza e da cultura. a curiosidade e a capacidade de expressão. pré-escolas e centros de Educação Infantil. o parecer indica a proporção apresentada a seguir: 1 professor para 6 a 8 bebês de 0 a 2 anos. diversificar atividades. apoiadas por estratégias pedagógicas apropriadas. 1 professor para 15 crianças de 3 anos. diferença e semelhança. profissionais com formação específica. da natureza e da cultura. 22/98. Diferentemente do referencial. que se constitui apenas em um documento orientador do trabalho pedagógico. seu crescimento e desenvolvimento sejam favorecidos e para que o cuidar/educar sejam efetivados. espaços. Na relação adulto-criança. escolhas e companheiros de interação em creches. Os parâmetros apontam ainda que a criança tem direito a: dignidade e respeito. é necessário oferecer às crianças dessa faixa etária condições de usufruírem plenamente as possibilidades de apropriação e de produção dos significados no mundo. tempo livre e convívio social. 1 professor para 20 crianças de 4 a 5 anos.AULA 4 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Além disso. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 291 . de 17 de dezembro de 1998). por exemplo. individualidade. felicidade. movimentar-se em espaços amplos e ao ar livre. A resolução que instituiu essas diretrizes foi precedida por um parecer que trata de várias questões relativas à qualidade (Parecer CNE/CEB n. tempos e materiais específicos. expressar sentimentos e pensamentos.

cabe ao Ministério da Educação (MEC). de gênero ou as disparidades entre cidade e campo. de 19 de abril de 1999a). uma orientação para os cursos de formação de professores e professoras que trabalham com alunos e alunas tão diferentes quanto à faixa etária. organizações. no que diz respeito aos fundamentos teóricos. as quais se aplicam aos professores da Educação Infantil. a responsabilidade de avaliar. Em nível federal. na modalidade Normal (Resolução CNE/CEB n. objetivos. áreas. 2. não é suficiente consultar a legislação específica para essa etapa de ensino. normas e regulamentações que vise ao cumprimento da legislação e considerem as necessidades identificadas na área. as quais deliberaram sobre a vinculação das instituições de Educação Infantil aos sistemas de ensino e sobre vários aspectos que afetam a qualidade do atendimento: proposta pedagógica. de 16 de fevereiro de 2000). contextos sociais e modalidades de ensino que freqüentam. programas. supervisionar e autorizar com validade limitada as instituições de Educação Infantil. 292 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . estabelecer diretrizes. em nível médio. 04/00. também. especialmente quando se trata de contemplar temas referentes à diversidade étnica. órgãos. da Educação de Jovens e Adultos. regimento escolar. no mesmo documento. visando definir e implementar a Política Nacional de Educação Infantil (BRASIL. No ano seguinte. As resoluções e os pareceres do CNE adquirem importância relevante ao tocarem em matérias ainda não suficientemente esclarecidas pela legislação anterior aplicáveis à educação das crianças de 0 até 5 anos. Considerando a dificuldade de contemplar. das quatro primeiras séries do Ensino Fundamental. 2005a): articular-se com secretarias estaduais e municipais. o relatório que introduz esse documento traz uma concepção de formação atualizada. organismos. espaços físicos e recursos materiais. formação de professores e outros profissionais.AULA 4 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS O Conselho Nacional de Educação (CNE) também se ocupou da questão da formação dos professores que atuam com crianças de 0 até 6 anos. Essas diretrizes definem. metas e estratégias para a área. foram aprovadas as Diretrizes Operacionais para a Educação Infantil (Parecer CNE/CEB n. participar com o Conselho Nacional de Educação (CNE) da elaboração de pareceres. e coerente com os princípios de cidadania definidos nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. abrangente quanto à visão de educação. Para definir parâmetros de qualidade à Educação Infantil. foram instituídas as Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação de docentes da Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental. da Educação nas Comunidades Indígenas e da Educação Especial. racial. Em 1999. poderes Legislativo e Judiciário para propiciar uma gestão integrada e colaborativa entre os três níveis de governo e entre os diversos setores das políticas sociais.

deliberar sobre medidas para aperfeiçoar os sistemas de ensino. colaborar na preparação do Plano Nacional de Educação e acompanhar sua execução no âmbito de sua atuação. deliberar sobre as diretrizes curriculares propostas pelo Ministério da Educação. emitir pareceres sobre assuntos relativos à Educação Infantil por iniciativa de seus conselheiros ou quando solicitado pelo ministro de Estado da Educação. pela qualidade da Educação Infantil. manter intercâmbio com os sistemas de ensino dos estados e do Distrito Federal. manter intercâmbio com os sistemas de ensino dos estados e do Distrito Federal. visando a definir e a implementar a política estadual para a área. juntamente com os sistemas de ensino. Cabe às secretarias de educação dos estados e do Distrito Federal. Cabe ao Conselho Nacional de Educação. examinar os problemas da Educação Infantil e da formação do professor que atua na área e oferecer sugestões para sua solução.131/95: assessorar o Ministério da Educação no diagnóstico dos problemas relativos à Educação Infantil. acompanhando a execução dos respectivos Planos de Educação. 9. em consonância com FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 293 . visando a garantir o cumprimento da legislação vigente no que diz respeito ao desenvolvimento da Educação Infantil em âmbito nacional e de acordo com a Lei n. garantir o cuidado e a educação das crianças de 0 até 6 anos de idade e a promoção da qualidade nas instituições de Educação Infantil em âmbito nacional. especialmente no que diz respeito à integração dos seus diferentes níveis e modalidades. responsabilizar-se.AULA 4 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS divulgá-la por meio de distribuição de documento impresso e disponibilizá-la na Internet. analisar e emitir pareceres sobre questões relativas à aplicação da legislação educacional no que diz respeito à Educação Infantil e à formação do professor para a área. analisar e emitir pareceres sobre os resultados dos processos de avaliação da Educação Infantil e dos cursos de formação do professor que atua na área.

Para o desenvolvimento de uma Política de Educação Infantil é necessário que as Secretarias Estaduais de Educação e do Distrito Federal: incluam a Educação Infantil no Plano Estadual de Educação em consonância com a política local definida para a área. educação indígena) do sistema educacional. mantenham uma sistemática de coleta. ONGs. ampliar progressivamente. articular-se aos outros níveis (fundamental. áreas. estabelecer diretrizes. com objetivo de atingir toda a demanda em âmbito estadual. movimentos sociais. o atendimento às crianças de 0 até 5 anos de idade. médio e superior) e às modalidades de ensino (jovens e adultos. análise. articular-se com organizações representativas da sociedade civil: sindicatos. poderes Legislativo e Judiciário para propiciar uma gestão integrada e colaborativa entre os três níveis de governo e entre os diversos setores das políticas sociais em assuntos que dizem respeito à criança de 0 até 5 anos de idade (mudança conforme Lei n. de 6 de fevereiro de 2006). 294 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . metas e estratégias para a área. responsabilizar-se. desenvolvam metodologias para localizar e incorporar dados sobre instituições e/ou redes que funcionam à margem do sistema educacional. organismos. em colaboração com os sistemas municipais.274. estaduais e municipais. principalmente no que diz respeito à formação dos profissionais. disponibilizando-os ao público em geral. organizações. objetivos. armazenagem e divulgação de dados do seu sistema educacional. divulgá-la por meio de distribuição de documento impresso e disponibilizá-la na Internet.AULA 4 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS a legislação vigente e com os princípios expressos na Política Nacional de Educação Infantil: articular-se com o Ministério da Educação. pela qualidade da Educação Infantil. secretarias municipais. juntamente com os sistemas municipais de ensino. visando ao desenvolvimento e à progressiva consistência do campo da Educação Infantil. visando à sua inclusão nas estatísticas nacionais. órgãos. educação especial. 11. programas. disponibilizem profissionais e recursos para exercer o apoio técnico e financeiro aos municípios. garantir o cuidado e a educação das crianças de 0 até 5 anos de idade e a promoção da qualidade nas instituições de Educação Infantil em âmbito estadual.

AULA 4 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS

colaborem com a realização de estudos sobre o custo/criança atendida; acompanhem e avaliem de que forma a legislação e a política estadual vigentes estão sendo incorporadas pelo sistema e pelas instituições de Educação Infantil estaduais; credenciem e autorizem o funcionamento das instituições de Educação Infantil nos municípios que integram o Sistema Estadual de Ensino; credenciem, autorizem, supervisionem e avaliem o funcionamento das instituições de ensino para a formação dos profissionais de Educação Infantil vinculadas ao seu sistema, a fim de garantir que os conteúdos necessários a essa formação contemplem a faixa etária de 0 até 5 anos na íntegra, com especial atenção ao trabalho com bebês; realizem um programa de acompanhamento das instituições de Educação Infantil, auxiliando-as a estabelecer os planos e as metas para a melhoria permanente da qualidade do cuidado e da educação oferecida nos sistemas educacionais estaduais e municipais; adotem medidas, em articulação com os municípios, para assegurar que todas as instituições de Educação Infantil formulem e avaliem suas propostas pedagógicas com a participação da comunidade escolar, orientando-as nesse processo. Para garantir o cumprimento da legislação vigente no que diz respeito ao desenvolvimento da Educação Infantil em âmbito estadual, cabe aos conselhos estaduais de educação e do Distrito Federal: estabelecer normas e regulamentações para o credenciamento e o funcionamento das instituições de Educação Infantil; subsidiar a elaboração e acompanhar a execução do Plano Estadual de Educação no que diz respeito à Educação Infantil e à formação dos profissionais que atuarem na área; manifestar-se sobre questões relativas à Educação Infantil e à formação dos profissionais da área; assessorar a Secretaria de Educação no diagnóstico dos problemas e deliberar sobre medidas para aperfeiçoar a melhoria do cuidado e da educação da criança de 0 até 5 anos de idade; emitir pareceres sobre assuntos da área educacional por iniciativa de seus conselheiros ou quando solicitado pela Secretaria de Educação ou pelos sistemas municipais no âmbito do estado; articular-se com o CNE e os conselhos municipais de educação; analisar e emitir pareceres sobre questões relativas à aplicação da legislação educacional no que diz respeito à Educação Infantil e sua articulação com os outros níveis.

FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO

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AULA 4 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS

Em consonância com a legislação vigente e com os princípios expressos na Política Nacional e Estadual de Educação Infantil, cabe às secretarias municipais de educação, visando a definir e a implementar a política municipal para a área: articular-se com o Ministério da Educação, secretarias estaduais, órgãos, organismos, organizações, áreas, programas, poderes Legislativo e Judiciário para propiciar uma gestão integrada e colaborativa entre os três níveis de governo e entre os diversos setores das políticas sociais; estabelecer diretrizes, objetivos, metas e estratégias para a área no que se refere à organização, ao financiamento e à gestão do sistema educacional como um todo, à garantia das vagas demandadas pela população, à formação dos profissionais, ao credenciamento das instituições de Educação Infantil única e exclusivamente para o cuidado e a educação das crianças de 0 até 5 anos de idade; divulgá-la por meio de distribuição de documento impresso e disponibilizá-la na Internet; articular-se com organizações representativas da sociedade civil: sindicatos, movimentos sociais, organizações não-governamentais, visando ao desenvolvimento e à progressiva consistência do campo da Educação Infantil; ampliar progressivamente o atendimento às crianças de 0 até 6 anos de idade para atingir toda a demanda em âmbito municipal; responsabilizar-se pela qualidade do atendimento nas instituições de Educação Infantil em âmbito municipal; articular-se aos outros níveis (Fundamental, Médio e Superior) e às modalidades de ensino (Jovens e Adultos, Educação Especial, Educação Indígena) do sistema educacional. Para o desenvolvimento de uma Política de Educação Infantil, em conformidade com a legislação nacional, é necessário que as secretarias municipais de educação: incluam a Educação Infantil no Plano Municipal de Educação em consonância com a política local definida para a área; criem um setor de Educação Infantil, disponibilizando uma equipe de profissionais e recursos para exercer suas funções no município; mantenham uma sistemática de coleta, análise, armazenagem e divulgação de dados do seu sistema educacional, disponibilizando-os ao público em geral; desenvolvam metodologias para localizar e incorporar dados sobre instituições e/ou redes de Educação Infantil que funcionam à margem

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3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS

AULA 4 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS

do sistema educacional, visando a sua inclusão nas estatísticas nacionais, estaduais e municipais; adotem medidas visando a garantir vagas no sistema educacional a todas as crianças até os 6 anos de idade residentes no município, de acordo com a demanda de suas famílias; apóiem financeira e/ou tecnicamente as instituições de Educação Infantil conveniadas, filantrópicas, confessionais e comunitárias para que atinjam padrões compatíveis com as exigências legais; realizem estudos sobre o custo/criança atendida; adotem medidas para suprir vagas em locais de alta vulnerabilidade e para populações em situação de risco social iminente; adotem medidas para garantir que o acesso às vagas respeite o critério de equidade social sempre que a demanda superar a oferta de matrículas nas instituições municipais de Educação Infantil; garantam a inclusão de crianças com necessidades educacionais especiais; não autorizem a matrícula de crianças com idade superior a 6 anos na Educação Infantil; não autorizem a matrícula de crianças com idade inferior a 5 anos (completos no início do respectivo ano letivo) no Ensino Fundamental; adotem medidas para garantir uma transição pedagógica adequada na passagem das crianças da Educação Infantil para o Ensino Fundamental; adotem medidas para não permitir que se realizem avaliações que levem à retenção de crianças na Educação Infantil; realizem programas municipais de formação de todos os profissionais de Educação Infantil de modo contínuo e articulado; articulem-se com as instituições formadoras a fim de garantir que os conteúdos necessários à formação dos profissionais de Educação Infantil contemplem a faixa etária de 0 até 5 anos, com especial atenção ao trabalho com bebês; autorizem apenas a contratação, nas instituições de Educação Infantil, de professores, diretores e coordenadores com a formação exigida; promovam a admissão de professores na rede pública somente por meio de concurso; implementem plano de cargos e salários para os profissionais da Educação Infantil;

FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO

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garantam a gestão democrática com a implantação de conselhos nas instituições públicas de Educação Infantil. Cabe aos Conselhos Municipais de Educação. garantam a alimentação escolar para as crianças atendidas nas instituições de Educação Infantil. de acordo com os parâmetros nacionais e com a Lei de Acessibilidade. em consonância com a legislação e as diretrizes nacionais e estaduais. promovam o credenciamento das instituições de Educação Infantil de acordo com as normas e as regulamentações definidas pelos conselhos municipais de educação. aprimorando as formas de participação da comunidade. públicas e conveniadas. garantam a supervisão de todas as instituições de Educação Infantil. CDs e brinquedos para as instituições de Educação Infantil. 298 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . adotem medidas para garantir que os imóveis onde funcionam as instituições de Educação Infantil estejam em conformidade com os padrões municipais de infra-estrutura estabelecidos e de acordo com a Lei de Acessibilidade. visando a desenvolver ações específicas para garantir a normatização da legislação em âmbito municipal: estabelecer normas e regulamentações para o credenciamento e o funcionamento das instituições de Educação Infantil no âmbito do município. em caráter permanente. auxiliando-as a estabelecer os planos e as metas para a melhoria permanente da qualidade do cuidado e da educação oferecida no sistema educacional municipal. livros. complementando os recursos recebidos do governo federal. promovam a formação continuada dos professores e de outros profissionais que atuam nas instituições de Educação Infantil. adotem medidas para assegurar que todas as instituições de Educação Infantil formulem e avaliem suas propostas pedagógicas com a participação da comunidade escolar. garantam o fornecimento anual e a reposição de materiais pedagógicos. elaborem padrões de infra-estrutura para as instituições de Educação Infantil.AULA 4 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS promovam a habilitação exigida pela legislação para os profissionais que ainda não a possuem. realizem um programa de acompanhamento e avaliação do credenciamento e do funcionamento de todas as instituições de Educação Infantil.

a educação das crianças. Além disso. a educação infantil passa a contar com uma política de financiamento. as crianças que iniciam seus estudos já na pré-escola têm. seu crescimento e desenvolvimento sejam favorecidos e o cuidar/educar seja efetivado. o que até então não existia. em média.AULA 4 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS subsidiar a elaboração e acompanhar a execução do Plano Municipal de Educação no que diz respeito à Educação Infantil e à formação dos profissionais que vão atuar na área. manifestar-se sobre questões relativas à Educação Infantil e à formação dos profissionais da área. além de direito social. No entanto. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 299 . Nesta aula. para que a sobrevivência das crianças esteja garantida. devido ao alto índice de repetência para esse grupo. no Brasil. a partir dos dados do SAEB de 2003. assessorar a Secretaria de Educação no diagnóstico dos problemas e deliberar sobre medidas para aperfeiçoar a melhoria do cuidado e da educação da criança de 0 até 5 anos de idade. Araújo (2006) mostra que. mesmo após considerar as características relacionadas ao nível socioeconômico médio dos alunos que freqüentam as diferentes redes de ensino. Pesquisas nacionais indicam que o acesso a esse nível de educação tem efeito positivo no desempenho dos alunos em testes de proficiência. da natureza e da cultura. articular-se com o CEE e o CNE. a Educação Infantil oferece conquistas enormes no sentido de ampliar a oferta de matrículas. um desempenho escolar melhor. aprendemos que a legislação existente representa as conquistas da sociedade no sentido de assegurar os direitos da população infantil. mostra uma associação positiva entre o desempenho em matemática e a entrada do aluno da 4ª série na préescola ou creche. é necessário oferecer às crianças dessa faixa etária condições de usufruírem plenamente das possibilidades de apropriação e de produção dos significados no mundo. Com a aprovação do FUNDEB. analisar e emitir pareceres sobre questões relativas à aplicação da legislação educacional no que diz respeito à Educação Infantil e sua articulação com os outros níveis. Klein (2006). Sendo assim. constitui-se um direito humano em condição de existência. Resumindo as últimas três gerações de políticas educacionais. garantir os direitos das crianças é responsabilidade social. emitir pareceres sobre assuntos da área educacional por iniciativa de seus conselheiros ou quando solicitado pela Secretaria Municipal de Educação. Além disso. o autor destaca que a grande maioria dos alunos que iniciam os estudos após a primeira série do Ensino Fundamental não chegam ao terceiro ano do Ensino Médio.

por isso. por exemplo. o plano de exposição das idéias e as principais conclusões. 22/98. Identifique. selecione e anote frases ou idéias que mereçam ser discutidas e justifique suas escolhas. 3. 2 professores para 15 crianças de 3 anos e 2 professores para 20 crianças de 4 a 5 anos. a alternativa correta é a letra (a). pois o Parecer CNE/ CEB n. b) os diversos mitos. o texto contém muitas informações e. 2 professores para 15 crianças de 3 anos e 2 professores para 20 crianças de 4 a 5 anos. indica a seguinte proporção: 1 professor para 6 a 8 bebês de 0 a 2 anos. as palavras-chave do texto. isto é. 22/98. é importante estabelecer quais são as idéias principais.AULA 4 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS 1. 1 professor para 15 crianças de 3 anos e 1 professor para 20 crianças de 4 a 5 anos. Releia o texto a fim de fazer um fichamento. Na relação adulto-criança. de 17 de dezembro de 1998. explicações ou exemplificações utilizadas e as registre. Diferentemente do Referencial. 300 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . a visão geral do texto. as diretrizes têm caráter mandatório para todos os sistemas municipais e/ou estaduais de educação. A resolução que instituiu essas diretrizes foi precedida por um parecer que trata de várias questões relativas à qualidade (Parecer CNE/CEB n. discuta sobre: a) as idéias de seus conhecidos e de alguns profissionais a respeito do currículo escolar. que se constitui apenas em um documento orientador do trabalho pedagógico. a) 1 professor para 6 a 8 bebês de 0 a 2 anos. Identifique a idéia principal de cada parágrafo e transcreva-o utilizando suas próprias palavras. Tomando como base a leitura do texto e suas experiências de vida. para aproveitá-las ao máximo. também. c) 2 professores para 6 a 8 bebês de 0 a 2 anos. 1 professor para 15 crianças de 3 anos e 1 professor para 25 crianças de 4 a 5 anos. 1 professor para 15 crianças de 3 anos e 1 professor para 20 crianças de 4 a 5 anos. na relação adulto-criança. b) 1 professor para 8 a 12 bebês de 0 a 2 anos. de 17 de dezembro de 1998). histórias e narrativas – que você certamente já ouviu – que buscam justificar a predominância ou escolha de um determinado conteúdo. Na atividade um. Para finalizar. as definições. o parecer indica a seguinte proporção. d) 2 professores para 8 a 12 bebês de 0 a 2 anos. 2. Na atividade dois.

1981. ______. trataremos da abordagem pedagógica dos conteúdos nas creches e nas pré-escolas. WALLON. Ouvir o outro: escolher e analisar falas significativas que revelem tanto a crítica quanto o senso comum sobre o currículo. quando as crianças se acostumaram a se isolar em suas casas e vivenciam pouco as brincadeiras coletivas. Brasília: SEF. Referencial Curricular para Educação Infantil. Psicología e educación. Madrid: Pablo del Rio. especialmente nos dias de hoje. Anotações FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 301 . Infância. Brasília: MEC/SEB. Las aportaciones de la psicología a la renovación educativa. ______. (Org.). 1996. escola e modernidade. GHIRALDELLI JR. Ministério da Educação. Brasília: MEC/SEF. 2006.AULA 4 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS A atividade três tem como objetivo caracterizar o movimento de construção da prática curricular. 1998. Brasília: 2001. Reafirmaremos que a brincadeira deve se constituir em um dos eixos da organização do trabalho pedagógico. 1 e 2. 1999. v. ______. MEC-SEESP. P. Secretaria de Ensino Fundamental. Ministério da Educação.. Secretaria de Educação Básica. buscando a construção de uma prática em que o diálogo é a fundamentação metodológica da organização institucional escolar está a serviço das demandas de alunos e alunas. BRASIL. H. RCNI: estratégias e orientações para a Educação de crianças com NEE na Educação Infantil. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Nacionais de Qualidade para a Educação Infantil. Na próxima aula. Educação Infantil – Parâmetros em Ação. São Paulo: Cortez.

AULA 4 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS 302 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS .

autonomia. Destacaremos a importância de observar as brincadeiras das crianças como elementos de conhecimento delas quanto às suas maneiras próprias de pensar e agir sobre o mundo. estudaremos as abordagens pedagógicas para os conteúdos nas creches e nas pré-escolas priorizando a formação pessoal e social (identidade. artes. matemática. movimento e conhecimento de si e do outro) e o conhecimento do mundo (diferentes formas de linguagem e expressão. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 303 . compreender que a brincadeira é uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento das crianças. ao final desta aula. Para o melhor acompanhamento dessa aula você deverá ter feito a leitura das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil e do Referencial Nacional para a Educação Infantil. você seja capaz de: conhecer criticamente os eixos orientadores da construção das práticas pedagógicas na Educação Infantil. linguagem oral e escrita. conhecimento da natureza e sociedade). O fundamental é que os educadores e educadoras compartilhem das brincadeiras das crianças. propiciando-lhes espaço. Observar é um momento de ação. brincar. música.AULA 5 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Abordagem pedagógica dos conteúdos nas creches e nas pré-escolas Esperamos que. entender o papel mediador do professor e da professora na construção do conhecimento pela criança. e ajudando-as quando forem solicitados. tempo e artefatos adequados e convidativos para o brincar. Nessa aula.

compreendendo que para conhecer o mundo ela envolve o afeto. escrita e matemática. artes.AULA 5 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS 5. poder brincar. Atualmente. conhecimento da natureza e sociedade). viver experiências significativas de forma lúdica e informal e o direito de ir à escola e aprender de forma mais sistematizada. Quando analisamos a Educação Infantil e o Currículo. devemos tomar a criança como ponto de partida da proposta pedagógica. como podemos refletir sobre uma proposta para a Educação Infantil que esteja apta a encarar as questões que afetam as relações entre a criança e a sociedade? Não devemos imaginar que seja possível a existência de um modelo único. valorizar e ajudar a desenvolver capacidades (RCEI. Esse caminho busca a superação da dicotomia entre tratamento-assistência que ainda vigora em muitas instituições de ensino especializado.1 Direito de ser criança A construção de uma pedagogia para a Educação Infantil enfatiza o direito de ser criança. brincadeiras e aprendizagens dirigidas de forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal. a linguagem. A organização e estruturação do Currículo na Educação Infantil compreende dois eixos de experiências: formação pessoal e social (identidade. confiança e o acesso. pois isso será contrário a tudo o que sabemos sobre as diferenças que constituem as crianças. movimento e conhecimento de si e do outro). o papel mediador do professor e da professora na idéia da construção do conhecimento em rede como orientadora do planejamento pedagógico e da seleção e tratamento dos conteúdos curriculares. autonomia. apontamos dois grandes eixos a serem considerados: a brincadeira como atividade cultural que deve ser incorporada ao currículo da Educação Infantil. o brincar. 23-24). no sentido de garantir às crianças a possibilidade de construírem seus conhecimentos de forma crítica. contudo. brincar. adequado a todas as crianças e realidades. de ser e estar com os outros em uma atitude básica de aceitação. 304 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . pois a vida é algo que se experimenta por inteiro (FARIA .1999). música. Diante das questões colocadas até aqui. fruto de suas diferentes inserções históricas e culturais na sociedade. Podemos e devemos. p. as artes plásticas e dramáticas. aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultural. a fantasia. criativa e consistente. pelas crianças. o desprazer. 1998. as ciências. educar significa: propiciar contextos de cuidados. ponderar sobre alguns eixos orientadores da organização das práticas pedagógicas que necessitam ser priorizados. Assim. respeito. o movimento. linguagem oral. o prazer. a poesia. Cuidar significa: ajudar o outro a se desenvolver como ser humano. conhecimento do mundo (diferentes formas de linguagem e expressão. a música e a matemática de forma integrada. famílias e educadores.

Esse processo tem implicações importantes no desenvolvimento da criança. é apoiada nesse conhecimento que ela elabora e reelabora situações de sua vida cotidiana. etc.). 1987). a memória. a partir da possibilidade de atribuir-lhes novos significados pelo processo de imaginação. suas ações sobre o mundo são motivadas pelo contexto perceptual e pelos objetos nele contidos. combinando esses elementos ela produz algo novo. elas podem ampliar algumas competências importantes. ao lado do desprendimento possibilitado pela imaginação. pedrinhas viram comidinhas e com elas deliciosos e saborosos pratos são feitos. construindo significados sobre a realidade. ajusta e cria novas realidades.) e papéis que a sociedade censura (ladrão. a criança toma consciência de si e do mundo. a imaginação. papéis que aspira ser (cantora. portanto. quando se iniciam os jogos de faz-de-conta. exerce papéis que vivencia no cotidiano (filha) e também papéis que ainda não pode ser (mãe. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 305 . pai. Isso quer dizer que nas brincadeiras as crianças podem extrapolar a realidade e transformá-la por meio da imaginação. por meio das brincadeiras. tais como: a atenção. etc. Ainda que o jogo de faz-de-conta seja marcado pela dimensão fantasiosa. professora. Brincando as crianças descobrem e refletem sobre a realidade da cultura na qual vivem. o campo de significado se impõe sobre o campo perceptual. uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento das crianças. Assim. A criança é agora capaz de modificar o significado dos objetos. bêbado. pois. no princípio da vida da criança. questionando regras e papéis sociais. Contudo. Quando a criança cria sua narrativa de faz-de-conta. há um novo e importante processo psicológico para a criança – o processo de imaginação – que lhe deixa se desprender das restrições impostas pelo ambiente imediato. etc. segundo Vygotsky. Podemos afirmar que. é preciso. O brincar é. etc. extrai os elementos de sua criação das experiências reais vividas anteriormente. transformando uma coisa em outra.AULA 5 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Segundo Vygotsky (1987b). para as crianças. um pedaço de tecido consegue transformá-las em príncipes e princesas ou heróis e heroínas. motorista de ônibus. campos e outros tempos e lugares. conduzindo-as aos castelos. Refletindo sobre suas relações com essas situações e papéis e os vivenciando. ao mesmo tempo. A origem do processo do brincar se localiza naquilo que a criança conhece e vivencia. Essa capacidade de compor e combinar o antigo com o novo é a base da atividade criadora do ser humano (VYGOTSKY. encontra-se a subordinação às regras impostas pela realidade. particularmente naquilo que se refere à construção de significados sobre o mundo que a cerca.). bombeiro. a imitação. um pedaço de madeira se torna um cavalo e com ele ela pode galopar para outros universos. incorporando e. Existe uma ampliação da flexibilidade em usar os objetos. Essa nova forma de operação com significados abre um novo campo de apreensão e invenção da realidade. argumentar que.

as formulações em tempo passado daquilo que se vai fazer no amanhã (“agora eu era cavaleiro”). Em se tratando da atividade criativa. entre o vivido/conhecido e o imaginado. Essa flexibilidade se apoia no conhecimento. O brincar é um processo histórico e socialmente construído. mais probabilidade elas terão de desenvolver a imaginação e a criatividade em suas atividades. é o alicerce de qualquer atividade criadora. ou seja. Assim sendo. especialmente por meio de suas brincadeiras e. O universo da cultura é produzido pela atividade fecunda do ser humano que. Quanto mais plenas forem as experiências que as crianças vivenciam. 1987a).AULA 5 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Rocha (2000) aponta uma contradição vivenciada no processo de brincar. de negociações. papéis e relações já vividos e papéis e relações não vivenciados. combina e modifica a realidade. combinar e ultrapassar a experiência imediata. ao mesmo tempo em que deve considerá-las para que a ação substitutiva seja possível (um pedaço de pano não serviria como tambor. podemos notar o uso dos artefatos pela criança: objetos usados de acordo com suas funções reais (panelinha para fazer comidinha) e objetos usados com novos significados (panelinha usada como tambor). São essas construções que tornam vivas e constituem as relações do sujeito com o mundo e que permeiam a produção humana no campo das artes. descobrir. ações repetidas e ações antecipadas/criadas. não se reduz às grandes obra da humanidade ou às obras de arte. imitando o som do tambor). imaginação e realidade constituem uma unidade dialética. não é uma capacidade inata. na vivência que a criança tem do objeto e na habilidade que ela possui para ignorar certas características. uma vez que não produziria som). mas sim construída historicamente nas relações sociais. Do mesmo modo. quanto mais possibilidades lhe forem apresentadas para ampliar sua imaginação. podemos identificar essas relações dialéticas entre o imaginado e o real: o convívio do “eu” real da criança com o “eu” dos papéis imaginados. Para exemplificar essas relações contraditórias. por sua vez. O processo de imaginação. O processo de criação ocorre quando o sujeito imagina. o desenvolvimento do jogo em dois planos simultâneos: o tempo e o espaço físico real e o tempo e o espaço físico figurado. Essa contradição está na relação dialética entre o já dado e o novo. de explicitações. como falas dos papéis e sua utilização como instrumento de planejamento. mais fecundas serão nas suas ações/interações com o mundo. das ciências e das técnicas. científica e técnica. relacionando-se reciprocamente e possibilitando a expansão e a transformação da experiência sensível do ser humano na sua relação com o mundo (VYGOTSKY. mas se refere à capacidade do ser humano de imaginar. etc. o uso da linguagem nas narrativas das circunstâncias imaginadas. as crianças aprendem a brincar com os diferentes membros de sua cultura. ações concretas e literais (mexer com uma colher a comidinha imaginada) e ações substitutivas (vira a panelinha para baixo e bate com a colher. instruções.. e suas 306 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . sendo condição para a criação artística. estritamente pertinente ao brincar.

baseada em uma visão de natureza infantil biologicamente determinada. notamos a restrição ou o impedimento de seu acontecimento no ambiente escolar. por meio da sua transformação em exercícios e treinamentos. O educador ou a educadora usa a brincadeira para ensinar noções e habilidades. desde pequena. esconder e achar os próprios bebês ou objetos atrás de panos ou cobertas. O brincar. as crianças podem ser favorecidas. de diversão e prazer como no aspecto da aprendizagem. numerais. originada na própria essência da criança. o que servirá de apoio para suas construções de sistemas de representação. como “seu mestre mandou”. é a utilização da brincadeira como instrumento didático. como cores. que atribui à Educação Infantil uma função fundamental na organização e no planejamento de condições favoráveis ao desenvolvimento e à aprendizagem do processo do brincar. produto das relações entre os indivíduos de um mesmo grupo social. As conhecidas brincadeiras que os adultos costumam fazer. Nos métodos mais tradicionais. entre outras. Uma outra tendência. segundo a qual a brincadeira é vista como uma atividade natural e espontânea. tanto no aspecto lúdico. por exemplo. Por meio da interação com os artefatos e brinquedos apresentados pelos adultos. que brota naturalmente. por meio dos vínculos afetivos constituídos. Esse modo de abordar a atividade infantil se baseia no ponto de vista da concepção histórico-cultural do desenvolvimento. talvez a mais comum. nos momentos de chegada e saída da instituição. a criança. Desse modo. quando. formas. que permite que as crianças relaxem e liberem energias contidas. As práticas de Educação Infantil. Acreditamos que. baseadas nessa visão. quando possível. o que a ajuda a compreender as formas culturais de atividades do seu grupo social. por meio das atividades recreativas ou de brincadeiras instrucionais. além de auxiliar as crianças na elaboração da imagem mental do objeto ou pessoa distante. valores e conhecimentos de seu grupo social. partes do corpo. Os familiares ou indivíduos responsáveis pelos cuidados com os bebês lhes auxiliam a brincar desde cedo. as oportunidades de brincar se limitam à hora do recreio e. Essas brincadeiras ajudam a estreitar as conexões afetivas adultos-bebês. interagem com eles. brincadeiras cantadas.AULA 5 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS brincadeiras são carregadas dos hábitos. encaram a brincadeira apenas como atividade recreativa. criando diferentes situações que poderíamos identificar como o início desse processo. serve como forma de sedução e treinamento para a aprendizagem. é concebido como preparação para a escolaridade futura. Uma delas é a concepção estruturalista e organicista do brincar. entra em relação com as características e os usos sociais dos objetos. as brincadeiras não devem ser vistas como algo biológico. nessa perspectiva. brincadeiras de faz-de-conta de FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 307 . Temos visto na Educação Infantil diferentes formas de se conceber a brincadeira. pois é considerada um obstáculo para a aprendizagem. Além disso. mas sim como uma aprendizagem social. uma vez que se pode aprender muitas noções e habilidades por intermédio de brincadeiras.

ora professor/ professora. cabeleireiro. negociam suas ações. desenvolvendo seus conhecimentos sobre si e sobre o mundo ao seu redor. etc. Em meio a essas diversas modalidades de brincadeiras que podem acontecer nas creches e pré-escolas. criam regras e se submetem a elas ou as negociam e as reconstroem. é organizar kits temáticos de brincadeiras. sobretudo para pequenos espaços. médico. quando as crianças se acostumaram a se isolar em suas casas e vivenciam tão pouco as brincadeiras coletivas. Porém. utensílios domésticos de cozinha e lazer. pirucas. organizam as situações. especialmente nos dias de hoje. naquelas brincadeiras que evidenciam apenas os objetivos instrucionais. devendo existir em todas as salas. objetos do mundo do trabalho. ocupam posições distintas nas relações de poder (ora mãe/pai.). mostra-se como atividade essencial. Por meio do faz-de-conta. bonecas. escola. um lugar arrumado para a brincadeira de faz-de-conta. seja pelo trabalho precoce ou simplesmente pelo medo da violência nas ruas. ora herói/heroína. música. ora filho/filha. sobretudo.AULA 5 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS compra e venda. modificam os significados dos objetos. natação. parque. fantasias. pois nela as crianças reconstroem suas experiências socioculturais e refletem criticamente sobre a realidade que vivem.). ora vilão/vilã. a inclusão da brincadeira nas práticas pedagógicas tem como objetivo desenvolver distintas formas de jogos e brincadeiras que cooperam para múltiplas aprendizagens e para o aumento da rede de significados construídos pelas crianças. miniaturas de animais e tudo que as crianças e seus professores e professoras acharem importante. ora aluno/aluna. aos jogos de construção e aos jogos educativos propiciadores de aprendizagens em diferentes áreas do saber. roupas e acessórios. fazemos referência: às brincadeiras de faz-de-conta organizadas pelas próprias crianças. introduzindo-se no espaço das idéias e representações. que podem ser caixa de teatro. proporcionando às crianças a possibilidade de elegerem diferentes opções e ordenar de forma pessoal suas ações e conhecimentos. Sob o ponto de vista histórico-cultural. Ao constituir suas brincadeiras as crianças fazem opções. por exemplo. é importante que o educador e ou a educadora saiba que as maiores contribuições do brincar ficam em segundo plano. atribuindo-lhes novos nomes e funções. etc. as crianças aprendem a manusear os objetos e lidar com as situações no plano mental. Cabe aos educadores e às educadoras prepararem atividades de brincar de forma diversificada. corriqueira na faixa etária que envolve a Educação Infantil. A brincadeira de faz-de-conta. Esses 308 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . Pensamos que a brincadeira deve se constituir em um dos eixos da organização do trabalho pedagógico. seja pelas agendas cheias de atividades de formação (inglês. baú ou cesto que tenham artefatos relacionados a um tema específico: escritório. simulam e representam diferentes papéis. O ambiente físico da creche ou da pré-escola precisa ser um convite à imaginação das crianças. etc. Uma idéia interessante. contendo pinturas. etc. à difusão e à recriação das brincadeiras tradicionais da nossa história e cultura.

de sucata (areia. é fundamental a presença de brinquedos. pedras. A forma de participação do professora ou da professora deve ser pautada na observação e na escuta cuidadosa das crianças e de como decidem o desenrolar da situação de faz-de-conta.) possibilita a exploração dos predicados e características associativas dos objetos. Uma outra esfera do brincar que. formas. pratinhos e móveis para incentivar as primeiras ações de imitação de papéis sociais. se articula às brincadeiras de faz-de-conta. trava-línguas. jogos com peteca ou bola. propiciando-lhes espaço. pois ele ou ela poderá destruir a brincadeira. a educadora poderá ser uma participante (não uma orientadora) que busca enriquecer a brincadeira. objetos com estruturas de encaixe próprios para a construção. mamadeiras. que possibilitem a exploração de características e propriedades distintas (sons. O fundamental é que os educadores e educadoras compartilhem das brincadeiras das crianças. As normas demarcam um campo de ação a ser adotado. Muitas vezes. jogos tradicionais como rodar pião. dominó. com base no qual as crianças regulam seu comportamento. xadrez. Por meio do respeito às decisões e escolhas das crianças. Os jogos que podem ajudar nesse sentido são: amarelinha. texturas. encaixar. argila. Em se tratando do lugar onde os bebês ficam. Observar é um momento de ação. folhas. nos jogos e construções. em geral. assim como seus usos sociais e simbólicos. bola de gude. para que elas possam escolher livremente os temas e as situações imaginárias que optaram desenvolver. são os jogos de construção. rolar. paninhos. A chave para uma boa intervenção de FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 309 . Brincar com elementos da natureza. pular corda. É preciso que o educador ou a educadora não imponha seus desejos e vontades.. jogos de linguagem (adivinhas. O que os educadores e educadoras devem fazer na hora das brincadeiras? Qual é a sua função? Primeiramente.AULA 5 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS materiais precisarão ficar em um lugar acessível às crianças. é imprescindível que eles tenham acesso a artefatos e brinquedos variados. quebra-cabeça. massa. o educador ou a educadora é convidado a participar da brincadeira e a desempenhar um papel.. papel. e ajudando-as quando forem solicitados. flores. de construção. soltar pipa e outros como dama. etc. tempo e artefatos adequados e convidativos para o brincar. parlendas). odores) e suas possibilidades associativas (empilhar.). é imperativo salientar a importância de observar as brincadeiras das crianças como elementos de conhecimento delas quanto às suas maneiras próprias de pensar e agir sobre o mundo. cores. A brincadeira com regras também tem importante valor no desenvolvimento da criança. é fundamental que a criança aprenda a brincar com regras explícitas. pois esse tipo de brincadeira tem início com os primeiros experimentos do brincar dos bebês e penetram no faz-de-conta. Além das regras subentendidas nos jogos de faz-de-conta. Além disso. trilha e muitos outros jogos construídos nas diferentes culturas ou transformados/criados a partir dos já conhecidos. trazendo novas indicações e relações que poderão ser estabelecidas. como bonecas.

sem excessos que alterariam todo o sistema. desde a mais tenra idade. se ambicionamos formar indivíduos criativos e construtores de sua própria história. torna-se indispensável compartilhar as brincadeiras com as crianças. confere à educação papel fundamental. linear. segundo essa visão. jornais. interdisciplinar e contextualizada? De que maneira o educador e a educadora infantil podem auxiliar nesse processo? 310 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . Os professores ou as professoras são sempre aqueles que sabem. portanto. Como ponderar acerca da apreensão do conhecimento escolar em rede de maneira diferenciada.AULA 5 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS educadores nas brincadeiras é a observação e o respeito pelas escolhas das crianças. então. As formas mais tradicionais de educação apregoam a aquisição dos conteúdos de maneira regular e homeopática. Não se pode entender. especialmente. Devemos colocar à sua disposição nossas vivências. ao papel do professor e da professora e da criança na relação pedagógica. Atualmente. o entendimento da relação epistemológica tem muito a acrescentar na organização curricular. que a Educação Infantil seria apenas um lugar de recreação. o sujeito e o objeto de conhecimento se relacionam de forma dialética. combinando. as brincadeiras que conhecemos desde pequenos. à medida que o sujeito interage com o mundo. Dessa maneira. uma relação direta. Dessa forma. não há predominância de um sobre o outro. TV. e sim uma relação entre eles. O conteúdo é eterno e inquestionável. Percursos novos e diferentes precisam ser evitados. com o excesso de informações que nos invadem pela rede a todo momento. Padecemos. do que e como brincam de sua cultura e de sua lógica própria. livros. etc. revistas. com pequenas doses do mais simples para o mais complexo. o que só é possível pelo conhecimento do jogo da criança. mediada por um outro sujeito (VYGOTSKY. o novo e o velho. 1991).). no que concerne à construção do conhecimento. O complicado é escolher e incorporá-las de forma crítica. de cuidados ou de preparação para a aprendizagem futura. os ambientes de acesso à informação estão cada vez mais disponíveis (internet. o aluno e a aluna aprendem. mas sim um espaço de construção de conhecimentos e de ampliação do universo simbólico das crianças. a partir de um processo em que o desenvolvimento e a aprendizagem se constituem mutuamente em uma unidade dialética. não sendo. construindo um presente mais rico. 5. A compreensão de que a aprendizagem acontece desde que o indivíduo nasce. assim.2 O planejamento de projetos e a importância da mediação das professoras e dos professores Sob o ponto de vista histórico-cultural.

Pela riqueza de pontos de vista e de experiências que podem ser trocadas. a cada momento. Numa perspectiva interdisciplinar. suas possibilidades de interagir com outros campos do saber. Como mediador ou mediadora. propiciando a criação do conhecimento em rede. resultado das suas diferentes condições sociais e culturais. O professor ou a professora precisa. indicando. e deve auxiliar a processar esse conhecimentos criticamente. principalmente. As interações da criança com os conteúdos trabalhados acontecerá na busca coletiva de informações em torno de um tema gerador de interesse do grupo. os projetos de trabalho têm como finalidade relacionar conhecimentos de diferentes áreas. o professor e a professora passam a atuar como mediadores ou mediadoras entre a criança e os conteúdos elaborados. a construção dos projetos precisa estar vinculada a conhecimentos que incorporem os fatos sociais que as crianças por ora vivenciam ainda que sejam definidos e planejados pelas crianças e/ou pelos professores e professoras. o que interfere na sua maneira de se desenvolver. considerar o indivíduo que aprende como um ser envolvido em permanente transformação e que se modifica a cada nova interação. que a criança estabeleça relações entre as diferentes áreas de conhecimento e as realidades vividas na escola e na sua vida. no espaço das diferenças entre as crianças e entre as crianças e os adultos que se pode almejar que elas se capacitem para criticar. costumes e valores culturais básicos para a vida em sociedade. transformar.AULA 5 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Sob o ponto de vista histórico-cultural. argumentar. Não é nem “observador(a) do amadurecimento da criança” nem aquele(a) cuja responsabilidade principal é apenas repassar informações a serem absorvidas. digam suas próprias palavras. de maneira a propiciar às crianças a possibilidade de fazer múltiplas relações. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 311 . fundamentalmente. Essa forma de organizar os projetos de trabalho permite. sintonizando sua voz como tantas outras presentes no espaço escolar. precisa colocar a criança em contato com os diferentes conhecimentos ou as muitas formas de encontrá-los. A organização de projetos interdisciplinares com as crianças pode ser considerada uma estratégia pedagógica importante para integrar os diversos conhecimentos curriculares. Sob essa perspectiva. estendendo sua idéia sobre um determinado tema e até mesmo a formação de conceitos. atuar como aquele(a) que possibilita a relação entre a criança e o conhecimento. O que implica. criar e inventar. Essa concepção de construção do conhecimento em rede e do papel mediador do professor e da professora implica compreender que as crianças desenvolvem diversas estratégias de apreensão e de ação sobre o real. É. Vamos criar. ao contrário das atividades fragmentadas e em etapas. portanto. então. Essa é uma das formas de se construir o conhecimento em rede. essas diversidades devem ser ponderadas e utilizadas como geradoras de novos conteúdos. condições para que as crianças construam linguagens e conhecimentos.

os projetos devem ser um convite a soltar a imaginação. fotos das atividades. murais..AULA 5 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Os projetos precisam partir das questões consideradas importantes para as crianças que deverão ser respondidas a partir do trabalho coletivo e mediado sempre pela professora. cada percurso é singular e é trabalhado com diferentes tipos de informações. com os objetos e materiais pedagógicos utilizados. aproximação atualizada aos problemas das disciplinas e dos saberes. Para um melhor entendimento desse tema. etc. há várias fontes de informação que não apenas professor. arquipélagos de docentes e passem a se converter em uma comunidade de aprendizagem. tais como: percurso por um tema problema que facilita a análise. a paixão e o risco por explorar novos caminhos que permitam que as escolas deixem de ser formadas por compartimentos fechados. é essencial que a escola esteja conectada com o que as crianças já sabem. há diferentes formas de aprender o que o professor quer ensinar. o professor ensina a escutar e a aprender por meio da vivência com os outros. os relatos escritos e os trabalhos elaborados pelas crianças. interpretar e busquem o entendimento dos diversos problemas que os cercam. predominância da atitude de cooperação. o professor é um aprendiz e não um especialista. percurso que busca estabelecer conexões entre os fenômenos e que questiona a idéia de uma visão única da realidade. Por isso. faixas horárias fragmentadas. na qual a paixão pelo conhecimento seja a divisa. O que queremos dizer é que os professores e as professoras devem criar um clima de curiosidade e de prazer com o conhecimento. os professores e as professoras saibam pesquisar. É bom lembrar que a memória. Segundo Hernandez (1998. p. Essa é uma forma de avaliação que pode prever novas trajetórias e é fundamental para o sucesso de um projeto de trabalho. como desenhos. a interpretação e a crítica. são registros fundamentais para o acompanhamento e a avaliação pelos professores. 312 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . com suas formas de apropriação dos conhecimentos e suas teorias diante dos temas a serem abordados. Nos projetos de trabalho é essencial que as crianças. 13). cartazes. e a educação de melhores cidadãos o horizonte ao qual se dirige. de modo que as crianças se envolvam de forma apaixonada com as experiências. vale reforçar algumas características gerais dos projetos de trabalho.

O menino aprendeu a usar as palavras. Ao concluir esse tópico. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 313 . por exemplo. A mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água. A mãe disse que carregar água na peneira Era o mesmo que roubar um vento e sair correndo com ele para mostrar aos irmãos. constitui nossa identidade histórica e cultural. monge ou mendigo ao mesmo tempo. Aprendemos com os livros. A linguagem não é apenas uma ferramenta de comunicação. o que é ser criança hoje. Podemos também aprender com os poetas: Tenho um livro sobre águas e meninos Gostei mais de um menino que carregava água na peneira. com a arte. a não temer o novo. com as histórias e com as brincadeiras. Falava que os vazios são maiores e até infinitos. à intelectual e a outras modalidades de atividades. O mesmo que criar peixes no bolso. como. Foi capaz de interromper o voo de um pássaro botando ponto no final na frase. Existem outras questões importantes para as práticas pedagógicas na Educação Infantil. é importante reafirmar a convicção de que o conhecimento deve ser vivenciado no espaço escolar de forma prazerosa e que precisa ser vivido de forma apaixonada. à atividade manual. é essencial que a aprendizagem aconteça no experimento do encontro entre as crianças e entre elas e os adultos (educadores. No escrever o menino viu que era capaz de ser noviço. com a linguagem. Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos. Por isso a importância do diálogo e do trabalho constante com a linguagem. famílias). não se esquecer de que a aprendizagem é vinculada ao fazer. com a música. portanto. Para que os conteúdos tenham significados na vida das pessoas. ela constrói nossa forma de pensar no mundo e. A mãe reparou que o menino gostava mais do vazio do que do cheio.AULA 5 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS forma de aprendizagem em que se leva em conta que todas as crianças podem aprender e encontram um papel para desempenhar. a transgredir as ordens. Viu que podia fazer peraltagens com as palavras. E começou a fazer peraltagens. Com o tempo aquele menino que era cismado e esquisito Porque gostava de carregar água na peneira Com o tempo descobriu que escrever seria o mesmo que carregar água na peneira. O menino era ligado em despropósitos. mas são as crianças que podem nos ensinar a inverter a velha lógica. a refazer a história.

AULA 5 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela. financeiros. 314 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . como desejavam nossos ex-ministros e como desejam todos os que defendem uma perspectiva conservadora para a sociedade. Essa forma de gestão requer que se propicie espaços para a iniciativa e participação de todos os envolvidos no processo educativo. a avaliação fundamenta essa caminhada. sua finalidade.. A avaliação funciona como um sistema de crítica do projeto que elaboramos na escola. nas escolas em geral. A avaliação deveria ser compreendida como uma crítica do percurso de uma ação. assim como seus principais objetivos devem ser reavaliados constantemente para adequá-los a realidade. Você vai encher os vazios com as suas peraltagens E algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos. p. Até fez uma pedra dar flor! A mãe reparava o filho com ternura. A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta. (. o planejamento não é neutro. Essa participação.. Na contemporaneidade.. é claro) essa semana de planejamento redunda no preenchimento de um formulário em colunas..3 Planejamento e avaliação do currículo na Educação Infantil O planejamento é a atividade intencional pela qual se projetam fins e se estabelecem meios para atingi-los. Por isso. humanos. tem sido um modo de operacionalizar o uso de recursos – materiais.) planejar. Manoel de Barros 5. os novos pressupostos da administração escolar trazem com a autonomia a indicação da gestão colegiada. assim como deve-se discutir as suas possíveis consequências e seus comprometimentos. (.) usualmente (com exceções no cotidiano escolar. Por esse motivo é importante a discussão a respeito do real significado social e político da ação que se está planejando. Você vai carregar água na peneira a vida toda. visto que fornece elementos para a tomada de decisões.. seja ela curta. didáticos.) Essa é uma forma de fazer do ato de planejar um ato neutro. compromissos e responsabilidades. no qual o professor deve fazer durante o ano letivo na disciplina ou área de estudos que trabalha. 115). Deve-se perguntar sobre as determinações sociais que estão na base do problema a ser enfrentado.. mas ideologicamente comprometido. O menino fazia prodígios. ou prolongada. Segundo Cipriano Carlos Luckesi (1992. que deve estabelecer a sua filosofia. Enquanto o planejamento dimensiona o que vai ser feito na escola. devem estar visivelmente enunciadas no plano da escola. com responsabilidades compartilhadas entre escola e comunidade. (.

Dessa forma. a partir do acompanhamento permanente da ação da criança e da confiança na evolução do seu pensamento. Isso quer dizer que a criança não deve apenas reproduzir os conteúdos que o professor ou a professora transmitiu. podem ser utilizados relatórios descritivos e portfólios. A avaliação tem a função de proporcionar ao professor e à professora uma melhor compreensão sobre a aprendizagem de alunos e alunas. pois essa não é a única possibilidade de conhecimento. professores. com o meio ambiente e com a cultura. em que o alunado é depositário do conhecimento e deve reproduzi-lo. essa atitude avaliativa expressa a adoção de uma conduta que não apenas examine e registre os resultados obtidos pela criança a partir de ações conduzidas. espaço e segurança em suas experiências (HOFFMANN. em último grau. rechear listas. Nessa concepção. ou como uma educação progressista e democratizadora. com os pais. eliminando aqueles que não chegaram aos padrões preestabelecidos. Os relatórios descritivos devem ser elaborados de maneira que FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 315 . Essa é a concepção considerada mais apropriada. conferir. Portanto.AULA 5 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Uma proposta de organização do trabalho pedagógico só estará completa ao anunciar sua compreensão sobre avaliação. A relação com o conhecimento depende da relação que a criança constitui com as outras crianças (de diferentes idades). poderemos abandonar listagens de comportamentos uniformes. a maneira como os educadores e educadoras exercem suas avaliações sobre alunas e alunos indica. a fim de poder superar as dificuldades encontradas. Isso quer dizer que não há como avaliar uma criança apenas a partir das nossas experiências e expectativas como adultos. a sua concepção de educação. a avaliação não tem a função de aferir. 1996). Tal postura avaliativa e mediadora parte do princípio de que cada momento de sua vida representa uma etapa altamente significativa e antecede as próximas conquistas. fundamentalmente. tempo. Esta proposta de avaliação reconhece o professor/adulto como um mediador. relatórios ou boletins. uma vez que isso tudo expressa a comparação à medição e à classificação das crianças. voltada para o integral desenvolvimento do ser humano. Não basta. padronizados e buscar estratégias de acompanhamento da história que cada criança vai constituindo ao longo de sua descoberta do mundo. classificar e aprovar/reprovar. O registro da avaliação deve ser a memória da história vivida pela criança em um determinado período. devendo ser analisada no seu significado próprio e individual em termos de estágio evolutivo de pensamento e de suas relações interpessoais. favorecendo-lhe desafios. verificando constantemente o trabalho pedagógico que oferece aos alunos(as). A partir daí. ser coerente à dinâmica do seu processo de desenvolvimento. mas que procura. de sua consciência crítica. de sua capacidade de ação e reação em sua criatividade. por exemplo. Esse acompanhamento deve ser no sentido de mediar a sua ação. Quando falamos da Educação Infantil. Seja como uma educação repressora e bancária.

Diria até mesmo que apontar caminhos possíveis e necessários para trabalhar com ela é o essencial em um relatório de avaliação. a poesia. d) projetos fixos e centralizados no professor ou na professora. Segundo o texto. ou eventos culturais que estejam previstos na programação da escola. que está preocupada com o avanço constante da criança em relação ao conhecimento. repensado e alterado sempre que necessário. a fantasia. ou que sejam decididos e planejados pelas crianças e/ou pelos professores e professoras. Nessa aula.AULA 5 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS ao mesmo tempo que refaz e registra a história do seu processo dinâmico de construção do conhecimento. o brincar. sugere. O texto aponta dois grandes eixos a serem considerados: a brincadeira como atividade cultural que deve ser incorporada ao currículo da Educação Infantil. propiciadora de uma construção de conhecimento em rede. a linguagem. As diferentes interseções da criança com o conhecimento se darão de acordo com a busca coletiva de informações em torno de um tema centralizador e de interesse do grupo. a produção de projetos interdisciplinares pelas crianças pode ser considerada uma estratégia pedagógica: riquíssima de integração de diferentes conteúdos disciplinares. p. precisa e acabada. as artes plásticas e dramáticas. aprendemos que quando analisamos a Educação Infantil e o Currículo devemos tomar a criança como ponto de partida da proposta pedagógica. Não se trata de uma avaliação pronta. o prazer. a música e a matemática de forma integrada. 2. 1996. c) projetos livres e espontâneos. educadores e para a própria criança. o movimento. (HOFFMANN. b) projetos previamente determinados e independentes. mas sim de uma avaliação em processo. não como lições de atitudes à criança ou sugestões de procedimentos aos pais. aponta possibilidades da ação educativa para pais. mas sob a forma de atividades a oportunizar. posturas pedagógicas alternativas na relação com ela. Nessa proposta. a construção do conhecimento deve estar vinculada a: a) projetos que tenham como tema gerador ou aglutinador acontecimentos sociais que as crianças vivenciam no momento. 53. Dentro dessa perspectiva. pois a vida é algo que se experimenta por inteiro. encaminha. o desprazer. jogos. todo o trabalho pedagógico será avaliado. as ciências. grifo nosso). 1. materiais a lhe serem oferecidos. compreendendo que para conhecer o mundo ela envolve o afeto. 316 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS .

Porto Alegre: Artes Médicas. de. mas sim construída historicamente nas relações sociais. Exercícios de ser criança. ou que sejam decididos e planejados pelas crianças e/ou pelos professores e professoras. a construção do conhecimento deve estar vinculada a projetos que tenham como tema gerador ou aglutinador acontecimentos sociais que as crianças estejam vivenciando no momento. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. revistas ou jornais exemplos de comunidades que educam as crianças em ambientes diferentes do espaço escolar. ou eventos culturais que estejam previstos na programação da escola. anote os resultados da pesquisa. o que suscitará a aprendizagem colaborativa e a produção do conhecimento em rede. A. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 317 . HERNÁNDEZ. VENTURA. São essas construções que tornam vivas e constituem as relações do sujeito com o mundo e que permitem a produção humana no campo das artes. por sua vez. F. sendo condição para a criação artística. não é uma capacidade inata. científica e técnica. Se encontrar figuras. BARROS. (Org. Brasília: MEC/SEF. Na atividade um. Pondere essas questões e escreva um pequeno texto com suas conclusões a respeito desses dois grandes eixos. 1998. ed. estritamente pertinente ao brincar. S. 1998. Pesquise em livros. Transgressão e mudança na educação: os projetos de trabalho. 5. das ciências e das técnicas. HERNÁNDEZ. Porto Alegre: Artes Médicas. você pode ilustrar seu registro.. Educação Infantil Pós-LDB: rumos e desafios. Rio de Janeiro: Salamandra. M. PALHARES. A organização do currículo por projetos de trabalho: o conhecimento é um caleidoscópio. BRASIL. 1999. Depois. O processo de imaginação. F. 1998. 3.). M. Portanto a alternativa correta é a letra (a). Campinas: Autores Associados. G. L. é o alicerce de qualquer atividade criadora. O universo da cultura é produzido pela atividade fecunda do ser humano que. 1999. M. A construção de conhecimento pelas crianças levará à necessidade de uma divisão de tarefas e a busca de informações em diferentes fontes.AULA 5 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS o papel mediador do professor e da professora na idéia da construção do conhecimento em rede como orientadora do planejamento pedagógico e da seleção e tratamento dos conteúdos curriculares. Ministério da Educação. FARIA..

1991. 1987a. S. p. C. P. LUCKESI. de M. 1996. C. VYGOTSKY. ed. ______. L.AULA 5 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS HOFFMANN. S. 1987b. ______. Rio de Janeiro: Martins Fontes. 18. São Paulo: FDE. 2000. Pensamento e linguagem. Na próxima aula. ROCHA. Não brinco mais: a (des)construção do brincar no cotidiano educacional. J. Cidade do México: Hispânicas. L. Imaginación y el arte na infância. 115. M. Planejamento e Avaliação na Escola: articulação e necessária determinação ideológica. Série Idéias. 15. da. Porto Alegre: Mediação. trataremos da seleção e organização dos conteúdos nos anos iniciais do Ensino Fundamental e também da formação dos educadores e sua atuação no processo curricular. n. Avaliação: mito e desafio – uma perspectiva construtivista. A formação social da mente. Ijuí: Unijuí. Rio de Janeiro: Martins Fontes. 1992. Anotações 318 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS .

ao final desta aula. bem como os processos de transformações por meio dos quais os discursos ou os conhecimentos das várias áreas vão sendo reorganizados e transformados. os princípios da reflexão matemática. Para melhor entendimento dos conteúdos dessa aula você deverá fazer a leitura cuidadosa dos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental. entender os padrões e critérios que definem o discurso pedagógico.gov.br>). as condições de fruição da arte e das mensagens estéticas.mec. compreender criticamente os Parâmetros Curriculares para o Ensino Fundamental. as coordenadas espaciais e temporais que organizam a percepção do mundo.AULA 6 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Seleção e organização dos conteúdos nos anos iniciais do Ensino Fundamental Esperamos que. Nessa aula. os domínios do saber tradicionalmente presentes nas diferentes concepções do papel da educação no mundo democrático. até se tornarem conhecimento escolar. poderemos perceber que o exercício da cidadania exige o acesso de todos aos recursos culturais relevantes para a intervenção e a participação responsável na vida social: o domínio da língua falada e escrita. que pode ser encontrado no site do MEC (<http://www. até outras exigências que se impõem no mundo contemporâneo. os princípios da explicação científica. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 319 . você seja capaz de: perceber que as propostas pedagógicas são frutos de debates e de disputas de diferentes naturezas.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais foram organizados por um grupo. o que parece mais surpreendente não é o empenho do governo federal em implementá-las. podemos perceber que grande parte das idéias que elas contêm já vem sendo discutidas no campo do currículo há várias décadas. sejam eles estaduais ou municipais. uma vez que sua compatibilidade com os objetivos mais amplos de uma educação genuinamente democrática tem sido elemento de estudo e de reflexões em grande parte dos trabalhos acadêmicos no campo das políticas públicas. treinados professores e professoras de forma mais funcional. por exemplo: se pessoas que pensam da mesma forma obtêm alguma posição na hierarquia de poder constituída. lembrando que aquilo “que está prescrito não é necessariamente o que é aprendido. Examinando com cuidado as novas propostas curriculares. com a colaboração de intelectuais dos diferentes campos do saber. acontecesse uma evolução na performance do sistema público do ensino básico. enfatiza em seu livro Currículo: teoria e história a necessidade de se discutir as propostas curriculares ou o que é chamado de Currículo Prescrito. com vistas à ampliação das competências consideradas fundamentais para o exercício da docência. Os PCN inevitavelmente irão apresentar inconsistências ou divergências implícitas. selecionados os livros didáticos a serem adotados pelas escolas. em um determinado momento histórico. um currículo representa sempre um consenso precário em torno de algumas idéias. depois de definido um currículo nacional. Seria lícito arrazoar que. e articulando propostas mais compatíveis com suas idéias. Ponderando sobre a aceitação de certas idéias em um determinado contexto. Por que. mas o seu baixo impacto na realidade escolar. Logo. que o que merece uma análise mais aprofundada é a própria consistência interna dessas políticas. o referido autor quer evidenciar a seriedade dos fatores e das relações de poder que permitiram a construção de uma determinada proposta. Ivor Goodson (1995). que se rebelaram contra sua orientação ou contra a forma como foram elaborados. Assim. como um cargo público relevante no campo da educação. considerando que esse também é avaliado com base em preceitos definidos pelo próprio sistema. tornando-a uma proposta aceitável. ao debatermos as políticas públicas para o Ensino Fundamental. Dessa 320 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . estão atuando em outros lugares. 78). consideramos. mesmo que seus redatores tenham procurado atenuá-las ou suprimi-las.AULA 6 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS 6.1 Formação dos educadores e sua atuação no processo curricular Atualmente. nesse momento. e o que se planeja não é necessariamente o que acontece” (p. Os indivíduos que não concordaram. isso com certeza reforça a concepção de currículo que elas defendem. O que podemos perceber é que as propostas pedagógicas são resultado de debates e de disputas de diferentes naturezas também no campo do currículo. uma determinada proposta ganha prestígio e se torna hegemônica? Isso acontece em função de vários fatores. um dos estudiosos da história do currículo. ainda que organizado por um grupo que compartilha dos mesmos ideais.

até outras tantas FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 321 . em relação às habilidades de leitura e de matemática. Podemos destacar alguns progressos na parte que trata dos Princípios e fundamentos dos Parâmetros Curriculares Nacionais. repetência e evasão. suscitados nos e pelos órgãos centrais do sistema educativo. que as alterações como metodologias inovadoras exigiriam uma ruptura com práticas instaladas. os domínios do saber tradicionalmente presentes nas diferentes concepções do papel da educação no mundo democrático. apresentar-se como um meio de superar as contradições dos currículos estaduais e municipais. Temos que reconhecer que suas análises subsidiaram grande parte das publicações sobre essa temática. pois parte do pressuposto que alunos e alunas de diferentes posições sociais e pertencentes a diferentes grupos sociais vivenciam o currículo da mesma maneira. Vejamos. O autor ressalta. tornando-se. Nos processos de mudanças. Primeiramente. indispensável analisar o grau e o poder de decisão dos agentes nela envolvidos. a pretensão a um projeto nacional. é essencial a referência que ele faz a um texto de Richard Johnson (1991) sobre um aspecto central na discussão dos currículos nacionais. são apresentados dados sobre a performance do sistema. no Documento Introdutório (1997). O documento procura. as coordenadas espaciais e temporais que organizam a percepção do mundo. torna-se necessário fazer referência a um artigo de Michael Apple (1994) intitulado A política do conhecimento oficial: faz sentido a idéia de um currículo nacional?. no qual é afirmado o caráter inovador dos parâmetros por se fundamentar em recentes tendências no campo da educação. os professores e as professoras são tomados como consumidores(as) das mudanças e como agentes potenciais de resistência. 2) “nem sempre [os PCN] produzem mudanças nas práticas pedagógicas e nas relações sociais estabelecidas entre os agentes implicados na ação educativa”. Em meio a várias considerações discutidas pelo autor. Ao analisarmos os Parâmetros Curriculares. as condições de fruição da arte e das mensagens estéticas. portanto. Johnson aponta que essa idéia de coesão nacional em que se baseiam os currículos nacionais é completamente equivocada.AULA 6 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS forma. O exercício da cidadania exige o acesso de todos aos recursos culturais relevantes para a intervenção e a participação responsável na vida social: o domínio da língua falada e escrita. Nos Parâmetros Curriculares para o Ensino Fundamental esse recurso de convencimento aparece no documento oficial. principalmente. p. Com base em dados estatísticos sobre taxa de promoção. os princípios da reflexão matemática. configura-se quase como inviável. não porque vivemos em um país de dimensões continentais. ainda. mas porque o próprio processo de elaboração curricular só pode ser pensado em uma dinâmica constante de construção e reconstrução que se inviabiliza quando se cristaliza. os princípios da explicação científica. além de depender de todas as questões que discutimos em aula. são enfatizados os problemas das distorções idade/série e o baixo desempenho dos alunos. ainda. Para Correia (1991.

os parâmetros se confrontam com inovações singulares. 322 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . buscam interpretá-las e adequá-las conforme o contexto institucional do local em que trabalham. Para Franco e Bonamino (2001. conflitos com as práticas em desenvolvimento nas escolas. bem como os processos de transformações por meio dos quais os discursos ou os conhecimentos das várias áreas vão sendo reorganizados e transformados. a eqüidade e a eficiência da educação nacional”. que as experiências sociais são elementos definidores das práticas escolares e que uma proposta curricular. gerando. na qual interferem desde interesses editoriais até critérios pedagógicos. as propostas curriculares. 15). até se tornarem conhecimento escolar. Por um lado. Tais exigências apontam a relevância de discussões sobre a dignidade do ser humano. No Ensino Fundamental. chegando até as supervisoras ou coordenadoras pedagógicas das escolas. os professores e professoras.AULA 6 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS exigências que se impõem no mundo contemporâneo. É importante destacar. é fundamental que os professores entendam os padrões e critérios que definem o discurso pedagógico. 1997). adotarem formas diferenciadas entre si. Cabe ao campo educacional propiciar aos alunos as capacidades de vivenciar as diferentes formas de inserção sociopolítica e cultural. Portanto. Sendo elaborados de forma centralizada. que no caso dos parâmetros seriam representados pelos técnicos das secretarias estaduais e municipais de educação e de seus diversos órgãos regionais. estabelece como responsabilidade da União a avaliação do rendimento escolar em nível nacional. a recusa categórica de formas de discriminação e a importância da solidariedade e do respeito. mesmo quando concordam com suas propostas. muitas vezes. de fato. por meio de uma pesquisa por amostragem. Por outro lado. apesar de os parâmetros considerarem que elas não se apresentam como tábulas rasas. o que faz em determinadas situações. será transformada de tal maneira no seu processo de implantação que pouca similaridade haverá entre suas propostas e o que é. as inovações trazem indecisão e inquietação porque se propõem a romper com as práticas já cristalizadas. Assim. apresenta-se para a escola a necessidade de se assumir como espaço social de construção dos significados éticos necessários e constituídos de toda e qualquer ação de cidadania (PCN. Hoje. feito nas escolas. também. a igualdade de direitos. As deliberações tomadas pelo núcleo do sistema são reinterpretadas pelos fatores que se colocam nos diversos níveis intermediários. mais do que nunca. O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB). o objetivo do SAEB “é gerir e organizar informações sobre a qualidade. como os Parâmetros Curriculares Nacionais. elaborado nos anos 80 e respaldado posteriormente pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. prontas para assimilar o que lhes é apresentado. se constituem no primeiro elo de uma cadeia de recontextualizações sucessivas no processo de produção do conhecimento escolar. como parte do processo de deslocamento de um discurso de uma área. p.

a partir das relações sociais com o conhecimento produzido historicamente e por quem vive o cotidiano escolar. a partir dos quais são monitorados e supervisionados. Para eles. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 323 .AULA 6 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS o SAEB vem avaliando a performance escolar dos alunos e alunas matriculados na 4ª e 8ª séries das redes públicas e privadas. portanto podem ser boas ou ruins. devemos ter em mente que tais saberes não se desenvolvem e solidificam no seu período de formação inicial. em um artigo sobre as estatísticas educacionais. na educação. as novas formas de inclusão propostas pelas reformas educacionais terminam por incluir excluindo. Os indivíduos são espalhados em grupos. Para os autores. Para os autores. inventários ou perfis de pessoas que podem ser geridas” (POPKEWITZ. O autor demonstra que na atual sociedade. p. principalmente. E ainda. Popkewitz e Lindblad (2001). O autor aponta que a expansão do ensino e a permanência na escola de crianças e adolescentes que antes não tinham acesso à educação cria um novo fenômeno. relacionam a educação com o número de alunos e alunas em sala. estabelecendo relações entre tipos de família. do simulacro ou da imitação. o problema é que as estatísticas oferecem dados que são aceitos como espelhos da realidade. no desempenho das suas atividades como docente. taxas de repetência. LINDBLAD. 49). Dessa forma. formação de profissionais e situação de fracasso escolar. com a qualificação docente e com material disponível nas escolas. condições econômicas. sejam de bens materiais ou simbólicos. mostrando número de alunos e alunas matriculados em cada nível e modalidade de ensino. o agrupamento das pessoas por meio de agregados estatísticos é uma forma de normalização. p. Para Bourdie (1998). há uma intenção constante em se dar tudo a todos. “mas sob as espécies fictícias de aparência. mas durante e. podemos considerar que precisamos avaliar o sistema de ensino e construir políticas públicas para a educação. 6. A entrada dessa população na escola e a possibilidade de conquistarem um diploma não oferece nenhum tipo de garantia de melhoria na sua qualidade de vida. Então. a estatística tem função descritiva. com poder econômico e com as possibilidades de acesso a bens culturais. “as estatísticas constroem classes de pessoas. etc. demonstram que elas podem ser manipuladas. como se fosse esse o único meio de reservar para uns a posse real e legítima desses bens exclusivos” (BOURDIE. 1998. 2001. índices de analfabetismo. As estatísticas relacionam fracasso escolar com arranjos familiares. em uma cultura exacerbada de consumo. 126).2 A formação dos educadores e educadoras e sua atuação no processo curricular Quando nos questionamos sobre a aquisição/construção dos saberes profissionais dos professores e das professoras. Eles afirmam que as estatísticas buscam expressar aspectos da população que precisam ser administrados.

com o tempo irão adquirir maior segurança para elaborar suas aulas. saberes disciplinares. O constante trabalho com os conteúdos curriculares e disciplinares permitem aos professores e às professoras terem um conhecimento mais elaborado desses assuntos trabalhados. esses saberes de ordem profissional são os transmitidos pelas instituições de formação e se refletem na prática docente. p.] já se encontram consideravelmente determinados em sua forma e conteúdo. ao longo dos anos.AULA 6 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Ao desenvolver sua função. Isso ocorre porque esses [.. a partir dos quais a instituição escolar categoriza e apresenta os saberes sociais definidos e selecionados por ela como modelo da cultura erudita e de formação para essa cultura. sob a forma de programas escolares que os professores devem aprender e aplicar (TARDIF. Para ele. Já os saberes curriculares dizem respeito aos discursos. inovar suas metodologias. os professores e professoras iniciantes encontram maiores dificuldades em relação aos saberes disciplinares e sua adequação. 2005. mas. vão incorporando os demais saberes em uma forma pessoal de ensino. como: saberes da formação profissional. De acordo com Tardif (2005). no trabalho docente. tais como se encontram nas universidades sob a forma de disciplinas. saberes curriculares. 2005. Os saberes disciplinares têm especificidades. eles estarão mais preocupado em procurar maneiras de incentivar seus alunos e alunas. Um maior domínio tornam os professores mais competente para lidar com os conhecimentos. p. pois estão relacionados aos diversos “campos do conhecimento. Desse modo. 324 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . validados pela experiência. matérias e conteúdos a serem transmitidos (TARDIF. à medida que os professores constroem os saberes da sua prática. programas escolares. professores e professoras incorporam diversos conhecimentos. organizando os conteúdos em consonância com as reais demandas dos seus alunos e alunas. 38). saberes experienciais. Geralmente. aos saberes de que dispõe a nossa sociedade. Entretanto. objetivos.. conteúdos e métodos. o professor e a professora elaboram determinados saberes que só podem ser construídos a partir da própria experiência profissional. p. 2005. possibilitar um processo de ensino-aprendizagem mais eficaz. 40). propor novos questionamentos. no interior de faculdades e de cursos distintos” (TARDIF. ou seja. relacionar conteúdos. produtos oriundos da tradição cultural e dos grupos produtores de saberes sociais e incorporados à prática docente através das disciplinas. O autor ainda observa que “o corpo docente não é responsável pela definição nem pela seleção dos saberes que a escola e a universidade transmitem”. 38).

de conhecimentos ou de técnicas).] competências e saberes novos ou mais profundos a partir de suas aquisições e de sua experiência” (PERRENOUD. da instituição escolar. sim. os conhecimentos da experiência são resultantes da experiência do professor e da professora e se incluem ao conjunto de saberes acumulados e adquiridos na prática do trabalho docente. etc. 19). 29) concebe o ensino como a “mobilização de vários saberes que formam uma espécie de reservatório. dos outros fatores educativos. podemos nos reportar a outro autor que coloca a questão de forma similar quando afirma que a formação de professores não se constrói por acumulação (de cursos. p.. p. da sociedade. O autor acredita que é indispensável um conhecimento teórico sobre o ensino e que uma parte desse conhecimento deve ser extraída da prática na sala de aula e comprovada pela pesquisa. os saberes da tradição pedagógica. que a pesquisa tem a intenção de identificar os saberes utilizados pelos professores e professoras no seu trabalho pedagógico. a qual ele especifica como “estudo do conjunto de saberes utilizados realmente pelos profissionais em seu espaço de trabalho cotidiano para desempenhar todas as suas tarefas”. Tomando como possibilidade essa perspectiva. são retomados por Gauthier (1998) ao oferecer um resumo de suas análises que apontam um elenco de conteúdos próprios para o ensino.] na confluência entre várias fontes de saberes provenientes da história de vida individual. p. cuidam de forma particular do planejamento das atividades. os professores e as professoras teriam construído a capacidade de conduzir seu próprio desenvolvimento profissional. 24). 2002. os saberes da ciência da educação. Tardif (2005. 1997. das universidades. permitindo a criação de um elenco de conhecimentos acerca da atividade docente... seria indispensável que tanto a formação inicial como a continuada apresentassem. o desenvolvimento de uma atitude reflexiva. O autor entende esse reservatório como: os saberes disciplinares. os saberes experienciais e os saberes da ação pedagógica. de outro modo. mas. Para Gauthier (1998). então. Com a intenção de concluir o pensamento dos autores quanto à educação desses profissionais. como prioridade. Gauthier (1998.. capaz de colaborar para a formação inicial e continuada de outros profissionais.” Os saberes de professores e professoras abordados por Tardif. 255) denomina esse modo de abordar a formação de professores e professoras que privilegia os conhecimentos originários da experiência como “epistemologia da prática”. Aqui. no qual o professor se abastece para responder às exigências específicas de sua situação concreta de ensino”. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 325 . servindo de referencial para sua orientação profissional. através de um trabalho de reflexividade crítica sobre as práticas de re(construção) permanente de uma identidade pessoal. 25). p. Podemos entender. buscando “[.AULA 6 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Segundo Tardif (2005. Eles e elas estão “[. os professores e professoras que são avaliados como eficientes. p. os saberes curriculares. Por isso é tão importante investir na pessoa e dar um estatuto ao saber da experiência (NÓVOA.

o trabalho individual. permitir que os alunos escolham ou tomem decisões de modo autônomo. esses profissionais procuram “alcançar outros fins e objetivos que não aqueles relativos aos resultados escolares”. 1998. para esse autor. os professores e as professoras considerados eficientes. que têm chegado na escola nos últimos anos. eles se aplicam mais às suas tarefas durante o trabalho individual”. Gauthier (1998. Conseqüentemente. etc. a leitura silenciosa. aplicando estratégias que possam provocá-los. o que poderia envolver o amparo de todas as diferenças entre alunos(as). incluir um pouco de variedade e de novidade. visando a um desempenho aceitável: adaptar a tarefa aos interesse dos alunos. permitir que os alunos criem um produto acabado. o que implica “enfatizar os aspectos importantes do conteúdo. explícitas. Para tanto. prever objetivos de alto nível e questões divergentes. de forma positiva. o professor ou professora deve apresentar um conteúdo claramente definido. p. Quando eles e elas “dão instruções claras.AULA 6 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS buscando “atender às necessidades imediatas dos alunos” para chegar aos objetivos propostos. fornecer aos alunos ocasiões para interagir com outros. o jogo. os profissionais eficientes. são aqueles que procuram fazer com que seus alunos se envolvam de forma ativa para recorrer a um conjunto de atividades de aprendizagem. Nesse sentido. 1998. 204) aponta dez meios pelos quais podemos estimular nossos alunos e alunas de maneira positiva. 208). proporcionando-lhes um aprendizado efetivo e significativo. o que se observa na prática é que os professores e professoras. Entretanto. 326 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . realça que as atividades da aula devem ser preparadas com antecedência e escrita nítida. p. 202). 216). em classe. Para Gauthier (1998. fornecer aos alunos ocasiões para responder ativamente. a fim de que possam ser entendidas pelos alunos e alunas de forma mais clara. a aula expositiva sozinha ou com suporte audiovisual. proporcionar retroação imediata às respostas dos alunos. incluir um pouco de fantasia e elementos de estimulação. por meio das motivações chamadas pelo autor de “intrínsecas”. tais como círculos de leitura. p. Outra questão colocada pelo autor faz referência à nitidez na exposição do conteúdo por parte de professores e professoras. utilizar exemplos para explicar e avaliar a compreensão paulatinamente” (GAUTHIER. incorporar às aulas situações lúdicas. “conhecem a matéria de um modo que lhes permite planejar a criação de aulas que ajudarão os alunos a relacionar os conhecimentos novos com os que já possuem e que integram conteúdos de diferentes campos do conhecimento” (GAUTHIER. em particular os mais novos na profissão. Por isso. a conversa informal. p. redundantes e compreendidas por todos os alunos.

visando a aperfeiçoar o processo de ensino e aprendizagem. enfatizando os seus elementos mais importantes. É fundamental que o professor ou a professora mantenha uma certa familiaridade com os conhecimentos pedagógicos de sua disciplina. o professor ou a professora precisa estar em um processo contínuo de reflexão sobre sua própria prática pedagógica. o entendimento ou não de seus alunos. Esse processo colabora para que o professor ou a professora compreenda melhor seu trabalho. a maneira de conceber e ordenar o conteúdo para torná-lo acessível para alunos e alunas. 234) aponta que “as avaliações curtas e rápidas são superiores aos exames finais”. Nesse momento. Cada profissional concebe os conteúdos de ensino de uma maneira pessoal. No andamento das aulas. implicando a forma como são escolhidos. Gauthier (1998. avaliando também seu próprio desempenho por meio do processo de aprendizagem. os professores e as professoras observam de forma continuada. Nesse sentido. evidenciando mais eficiência em utilizar-se de perguntas com vistas a motivar os alunos e alunas. Outro fator que colabora para o professor saber se o método pedagógico utilizado na explicação dos conteúdos está sendo positivo é a avaliação da fase de gestão da matéria. para atingir a eficiência profissional assinalada por Gauthier. quer dizer. pois ainda não dominam as capacidades indispensáveis à gestão da turma e não possuem a desenvoltura necessária para trabalhar com os conhecimentos empregados em sala de aula. Embora que faça parte de um ambiente coletivo e que tenha possibilidade de refletir coletivamente sobre sua prática. Quando nos reportamos à eficiência do professor e da professora em classe. o professor ou a professora precisa considerar tanto o domínio do conteúdo quanto a reflexão epistemológica. os professores podem refletir a fim de perceber se a forma como trabalham o conteúdo em sala de aula está alcançando os resultados esperados. analisando o processo de ensino e a aprendizagem que aconteceu e a partir desse entendimento. bem como o conhecimento sobre as metodologias necessárias para refazê-lo. ou seja. verificar se compreenderam as explicações. como componente do ensino. configurados didaticamente e problematizados em sala de aula. ainda precisamos considerar qual é o conhecimento que o profissional tem do conteúdo pedagógico. também. refaz a caminhada. entendendo os resultados de suas decisões e ações em sala de aula. bem como seu desenvolvimento profissional.AULA 6 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS não conseguem trabalhar os conteúdos de maneira adequada. compreende-se pelo exposto que. com a intenção de manter a sua atenção e. deve haver uma combinação entre o conhecimento da disciplina e a maneira de ensiná-la. torna-se indispensável que o FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 327 . Com o intuito de aperfeiçoar sua atuação em sala de aula. Essa reflexão se faz a partir da experiência. Para tanto. p. Estamos falando do conhecimento que abarcar o entendimento sobre o que significa lecionar um tema particular.

compreende-se pelo texto que. no desempenho das suas atividades como docentes. o professor ou a professora precisa estar em um processo contínuo de reflexão sobre sua própria prática pedagógica. bem como dos métodos capazes de favorecer uma melhor compreensão por parte dos alunos. Ainda que faça parte de um ambiente coletivo e que tenha possibilidade de refletir coletivamente sobre sua prática. 328 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . para atingir a eficiência profissional assinalada. aprendemos que a aquisição/construção dos saberes dos professores e das professoras não se desenvolvem nem se solidificam no seu período de formação inicial. principalmente. Saiba mais Nessa aula. mas durante e. Fonte: adaptado de Carvalho e Grigoli (2006).AULA 6 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS professor ou a professora tenha um profundo conhecimento dos conteúdos que ministra.

reconstruir os eventos. faça suas considerações e converse com seus colegas. Reafirmamos a importância do professor e da professora analisarem o ensino e a aprendizagem que ocorre em sala de aula e. apresenta-se para a escola a necessidade de se assumir como espaço social de construção dos significados éticos necessários e constitutivos de toda e qualquer ação de cidadania. usamos os exemplos de Gauthier para apontar os meios pelos quais podemos estimular nossos alunos e alunas de maneira positiva. a partir de então. No texto. O autor aponta que a expansão do ensino e a permanência na escola de crianças e adolescentes que antes não tinham acesso à educação criam um novo fenômeno. mais do que nunca. as condições de fruição da arte e das mensagens estéticas. 2. os princípios da explicação científica. os domínios do saber tradicionalmente presentes nas diferentes concepções do papel da educação no mundo democrático e até outras tantas exigências que se impõem no mundo contemporâneo. Essas exigências apontam a relevância de discussões sobre a dignidade do ser humano. as coordenadas espaciais e temporais que organizam a percepção do mundo. FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 329 . Escreva um pequeno texto manifestando a sua opinião sobre a função social da escola em um processo de democratização da sociedade brasileira. Cabe ao campo educacional propiciar aos alunos as capacidades de vivenciar as diferentes formas de inserção sociopolítica e cultural. A entrada dessa população na escola e a possibilidade de conquistarem um diploma não oferece nenhum tipo de garantia de melhoria na sua qualidade de vida. Você concorda com essa afirmação? Discuta essas idéias e faça uma síntese. A partir do apontamentos de Gauthier. a igualdade de direitos. visando a melhora de seu desempenho. a recusa categórica de formas de discriminação e a importância da solidariedade e do respeito. Vamos refletir sobre o que estudamos nessa aula segundo os PCN (1997): O exercício da cidadania exige o acesso de todos aos recursos culturais relevantes para a intervenção e participação responsável na vida social: o domínio da língua falada e escrita. as emoções e as práticas. Para Bourdie (1998) as novas formas de inclusão propostas pelas reformas educacionais terminam por incluir excluindo. Discuta quais meios você utilizaria para estimular a aprendizagem dos seus alunos.AULA 6 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS 1. 3. os princípios da reflexão matemática. Hoje.

F. S. v. Porto Alegre: Artmed. S. B. B. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis: Vozes.. 1997. Escritos de educação. Rio de Janeiro: Vozes. M. LINDBLAD. ______. Campo Grande: UCDB. 2008. Cartografias do trabalho docente. P.neppi. ______. T. In: FRANCO. C.AULA 6 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS APPLE. Josefa A. 2005. Rio Grande do Sul: Unijuí. T. Os excluídos do interior. 2002. POPKEWITZ. de 18 a 21 de setembro de 2006. C. FRONTEIRAS DA EXCLUSÃO. F. Por uma teoria da Pedagogia. 1994. Porto Alegre: Artes Médicas. BOURDIEU. A. GERALDI. A. M. G.org/anais/textos/pdf/folder. E. 1996. Petrópolis: Vozes. ago.). Faremos também uma explanação sobre a extensão do Ensino Fundamental no contexto nacional. p. Célia Regina de. A Prática Pedagógica dos Professores das Séries Iniciais do Ensino Fundamental: uma Reflexão Sobre a Construção dos Saberes Necessários para o Exercício da Docência. Os professores e a sua profissão. (Org. 2001. Disponível em: <http://www.). A prática reflexiva no ofício de professor: profissionalização e razão pedagógica.pdf>. A estruturação do discurso pedagógico: classe. Porto Alegre: Artes Médicas. M. C. A. C. A (Org. ed. cultura e sociedade. São Paulo: Cortez. Campinas. 1998.. TARDIF. 2001. Lisboa: Dom Quixote. J. 5. A. BONAMINO. Educação & Sociedade. ciclos e promoção na educação.). a avaliação e a abordagem de conteúdos do currículo no Ensino Fundamental. A. In: NOGUEIRA. 1998. 1991. GRIGOLI. Os professores e sua formação. 111-148. PEREIRA. Campinas: Mercado das Letras. Lutando em defesa da alma: a política do ensino e a construção do professor. Inovação pedagógica e formação de professores. In: II SEMINÁRIO INTERNACIONAL: FRONTEIRAS ÉTNICO-CULTURAIS. G. Na próxima aula. 330 3º PERÍODO • PEDAGOGIA • FAEL/UNITINS . (Org. n. Currículo: teoria e história. ed.. Avaliação. Lisboa: Dom Quixote. Antonio (Coord. NÓVOA. SILVA. M. 22. A Política do conhecimento oficial: faz sentido a idéia de um currículo nacional? In: MOREIRA. códigos e controle. CORREIA. estudaremos o planejamento. 3. PERRENOUD. T. Iniciativas recentes de avaliação da qualidade da educação no Brasil. Rio Tinto: Edições Asa. P. Estatísticas educacionais como um sistema de razão: relações entre governo da educação e inclusão e exclusão sociais. CARVALHO. Currículo. Petrópolis: Vozes. 75. 1995. CATANI. 2006. F.). BERNSTEIN. 1997. I. Acesso em: 25 nov. M. GOODSON. 2001. FRANCO. GAUTHIER. DARIO. 2001..

você seja capaz de: compreender a importância dos projetos de trabalho na abordagem dos conteúdos curriculares. Já nos primeiros anos do Ensino Fundamental as crianças têm aulas de Matemática. A aprendizagem não ocorre apenas na sala de aula. veremos que o processo de ensino-aprendizagem ocorre em situações concretas. Ciências. compreender que a avaliação é um processo de tomada de decisão que só tem sentido se estiver a serviço da aprendizagem dos educandos. internas e externas à escola. ter finalidades. Ainda que todas essas FAEL/UNITINS • PEDAGOGIA • 3º PERÍODO 331 .1 Abordagem pedagógica dos conteúdos nos anos iniciais do Ensino Fundamental O grande número de propostas curriculares que norteiam o trabalho pedagógico dos professores e das professoras de educação básica tem nos conteúdos acadêmicos tradicionais sua fonte central de organização dos conhecimentos disciplinares. compreender a importância do planejamento no cotidiano escolar. História.AULA 7 • CURRÍCULOS E PROGRAMAS Planejamento e avaliação do currículo no Ensino Fundamental Esperamos que. 7. mas nela a metodologia de ensino-aprendizagem precisa ser intencional. Artes e assim por diante. Nessa aula. ao final desta aula. Para o melhor acompanhamento dessa aula você deve retomar os conteúdos da aula cinco. que também tratam de planejamento e avaliação na educação. objetivos e atividades que possibilitem a construção/ desconstrução do conhecimento e da busca de novas formas de utilizá-lo.

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