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Teoria Geral Do Turismo

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Teoria Geral do Turismo
Disciplina na modalidade a distância

Palhoça UnisulVirtual 2007

Créditos
Unisul - Universidade do Sul de Santa Catarina UnisulVirtual - Educação Superior a Distância
Campus UnisulVirtual
Rua João Pereira dos Santos, 303 Palhoça - SC - 88130-475 Fone/fax: (48) 3279-1541 e 3279-1542 E-mail: cursovirtual@unisul.br Site: www.virtual.unisul.br Reitor Unisul Gerson Luiz Joner da Silveira Vice-Reitor e Pró-Reitor Acadêmico Sebastião Salésio Heerdt Chefe de Gabinete da Reitoria Fabian Martins de Castro Pró-Reitor Administrativo Marcus Vinícius Anátoles da Silva Ferreira Campus Sul Diretor: Valter Alves Schmitz Neto Diretora adjunta: Alexandra Orsoni Campus Norte Diretor: Ailton Nazareno Soares Diretora adjunta: Cibele Schuelter Campus UnisulVirtual Diretor: João Vianney Diretora adjunta: Jucimara Roesler Diva Marília Flemming Itamar Pedro Bevilaqua Janete Elza Felisbino Jucimara Roesler Lilian Cristina Pettres (Auxiliar) Lauro José Ballock Luiz Guilherme Buchmann Figueiredo Luiz Otávio Botelho Lento Marcelo Cavalcanti Mauri Luiz Heerdt Mauro Faccioni Filho Michelle Denise Durieux Lopes Destri Moacir Heerdt Nélio Herzmann Onei Tadeu Dutra Patrícia Alberton Patrícia Pozza Raulino Jacó Brüning Rose Clér E. Beche Tade-Ane de Amorim (Disciplinas a Distância) Design Gráfico Cristiano Neri Gonçalves Ribeiro (Coordenador) Adriana Ferreira dos Santos Alex Sandro Xavier Evandro Guedes Machado Fernando Roberto Dias Zimmermann Higor Ghisi Luciano Pedro Paulo Alves Teixeira Rafael Pessi Vilson Martins Filho Gerência de Relacionamento com o Mercado Walter Félix Cardoso Júnior Logística de Encontros Presenciais Marcia Luz de Oliveira (Coordenadora) Aracelli Araldi Graciele Marinês Lindenmayr Guilherme M. B. Pereira José Carlos Teixeira Letícia Cristina Barbosa Kênia Alexandra Costa Hermann Priscila Santos Alves Logística de Materiais Jeferson Cassiano Almeida da Costa (Coordenador) Eduardo Kraus Monitoria e Suporte Rafael da Cunha Lara (Coordenador) Adriana Silveira Caroline Mendonça Dyego Rachadel Edison Rodrigo Valim Francielle Arruda Gabriela Malinverni Barbieri Josiane Conceição Leal Maria Eugênia Ferreira Celeghin Rachel Lopes C. Pinto Simone Andréa de Castilho Tatiane Silva Vinícius Maycot Serafim Produção Industrial e Suporte Arthur Emmanuel F. Silveira (Coordenador) Francisco Asp Projetos Corporativos Diane Dal Mago Vanderlei Brasil Secretaria de Ensino a Distância Karine Augusta Zanoni (Secretária de Ensino) Ana Luísa Mittelztatt Ana Paula Pereira Djeime Sammer Bortolotti Carla Cristina Sbardella Franciele da Silva Bruchado Grasiela Martins James Marcel Silva Ribeiro Lamuniê Souza Liana Pamplona Marcelo Pereira Marcos Alcides Medeiros Junior Maria Isabel Aragon Olavo Lajús Priscilla Geovana Pagani Silvana Henrique Silva Vilmar Isaurino Vidal Secretária Executiva Viviane Schalata Martins Tecnologia Osmar de Oliveira Braz Júnior (Coordenador) Ricardo Alexandre Bianchini Rodrigo de Barcelos Martins

Equipe Didáticopedagógica
Capacitação e Apoio Pedagógico à Tutoria Angelita Marçal Flores (Coordenadora) Caroline Batista Enzo de Oliveira Moreira Patrícia Meneghel Vanessa Francine Corrêa Design Instrucional Daniela Erani Monteiro Will (Coordenadora) Carmen Maria Cipriani Pandini Carolina Hoeller da Silva Boeing Dênia Falcão de Bittencourt Flávia Lumi Matuzawa Karla Leonora Dahse Nunes Leandro Kingeski Pacheco Ligia Maria Soufen Tumolo Márcia Loch Viviane Bastos Viviani Poyer Núcleo de Avaliação da Aprendizagem Márcia Loch (Coordenadora) Cristina Klipp de Oliveira Silvana Denise Guimarães Pesquisa e Desenvolvimento Dênia Falcão de Bittencourt (Coordenadora) Núcleo de Acessibilidade Vanessa de Andrade Manoel

Equipe UnisulVirtual
Administração Renato André Luz Valmir Venício Inácio Bibliotecária Soraya Arruda Waltrick Cerimonial de Formatura Jackson Schuelter Wiggers Coordenação dos Cursos Adriano Sérgio da Cunha Aloísio José Rodrigues Ana Luisa Mülbert Ana Paula Reusing Pacheco Cátia Melissa S. Rodrigues (Auxiliar) Charles Cesconetto

Apresentação
Este livro didático corresponde à disciplina Teoria Geral do Turismo. O material foi elaborado visando a uma aprendizagem autônoma, abordando conteúdos especialmente selecionados e adotando uma linguagem que facilite seu estudo a distância. Por falar em distância, isso não significa que você estará sozinho. Não esqueça que sua caminhada nesta disciplina também será acompanhada constantemente pelo Sistema Tutorial da UnisulVirtual. Entre em contato sempre que sentir necessidade. Nossa equipe terá o maior prazer em atendê-lo, pois sua aprendizagem é nosso principal objetivo. Bom estudo e sucesso! Equipe UnisulVirtual.

Victor Henrique Moreira Ferreira Teoria Geral do Turismo Livro didático 2a edição revista Design instrucional Carmen Maria Cipriani Pandini Palhoça UnisulVirtual 2007 .

ed. – Palhoça : UnisulVirtual. Turismo. rev. design instrucional Carmen Maria Cipriani Pandini. Título. Edi .vr dáti Pr essorConteudi of sta Victor Henrique Moreira Ferreira Desi I uci gn nstr onal Carm en Maria Cipriani Pandini Ligia Maria Souf Tum ol en o I 978-85-60694-22-8 SBN Pr eto Gr i e Capa oj áfco Equipe Unis Virtual ul Di am ação agr Duarte MiguelMachado Neto Vilon MartinsFil ( Edição) s ho 2ª Al Xavier ( ização) ex Atual Revi Or áf ca são togr i Hel s MartinsMano Dorneles oía l 338. Ligia Maria Soufen.4791 F44 Ferreira. 28 cm. Tumolo. Pandini. 218 p. : il. . III. Ficha catalográf elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul ica . Victor Henrique Moreira Teoria geral do turismo : livro didático / Victor Henrique Moreira Ferreira . Carmen Maria Cipriani.Li o Di co ção . – 2. I. II. Ligia Maria Soufen Tumolo. Inclui bibliografia. 2007.Copyright © UnisulVirtual 2007 N enhum a parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer m eio sem a prévia autorização desta instituição. ISBN 978-85-60694-22-8 1.

. . . . . . . . . . . . .Sumário Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 155 Para concluir o estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 209 Sobre o professor conteudista . . . . . . . . . . . . . . . . . 75 Turismo e organizações turísticas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 211 Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação . . . . . . . . . . . . . . . . . . 03 Palavras do professor conteudista . . . . . . . . . . . . . . 09 Plano de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 O Sistema de turismo e os meios de transportes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107 Administrando o turismo para o mercado . . . . . . . . . . . . . . . . 213 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 Impactos da atividade turística . . . . . . . . . . 11 UNIDADE UNIDADE UNIDADE UNIDADE UNIDADE 1 2 3 4 5 – – – – – O surgimento e a evolução do fenômeno turístico . . . 207 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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Também tenho certeza de que muitas viagens serão realizadas. sempre tiveram a oportunidade de “atuar” como verdadeiros turistas o farão. Em outras palavras. A apresentação dos conteúdos por meio da sistematização das unidades foi pensada para que você possa realizar .. ou seja. “recarregar as baterias”. o lado em que estaremos atuando como os verdadeiros prestadores de serviços turísticos. Quero dizer que a possibilidade de poder trabalhar o conteúdo que versa sobre a importante atividade que é o turismo. do atrativo ou da época do ano. certamente se caracteriza uma experiência ímpar para todos nós. aproveitam e ainda hão de aproveitar o tempo livre.. Estou certo que muitos de vocês já aproveitaram. enfim. Se considerarmos que a sociedade industrial moderna nos impõe determinadas regras e exigências é importante pensar também que temos a necessidade de priorizar um tempo para que possamos descansar. viajar. conhecimentos e experiências. Esta disciplina possibilitará um contato mais estreito com o que podemos considerar como sendo “o outro lado do turismo”. E para que isto seja possível há a necessidade de que noções e conceitos teóricos da atividade sejam aprendidos e compreendidos. como se diz no popular.Palavras do professor A todos os alunos e alunas com quem estarei compartilhando informações. divertir e entreter. independentemente da destinação.

na linguagem virtual. com as necessidades atuais do turismo. convidá-lo/a a “embarcar” nesta fantástica “viagem” através do conhecimento e das novas descobertas que a atividade turística poderá lhe proporcionar. nacional e mundial.um elo ou um “link”. regional. Assim sendo. . só me resta agora. Pretende-se com esta disciplina contribuir para uma sensibilização acerca da importância e do significado que o turismo possui em nível local. Vamos juntos! Desejo a todos uma excelente “viagem” por meio da aprendizagem! Professor Victor Henrique Moreira Ferreira.

Segmentação do trabalho dentro da atividade turística. Motivações e fatores condicionantes. Atividades de avaliação (complementares. . a construção de competências se dá sobre a articulação de metodologias e por meio das diversas formas de ação/mediação. Ele possui elementos que o ajudarão a conhecer o contexto da Disciplina e a organizar o seu tempo de estudos. definições e tipologia. portanto. Conceitos. Escala de Doxey. Principais impactos do fenômeno turístico. Contextualização histórica do lazer e do turismo. O EVA (Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem). a distância e presenciais). Ementa Noções básicas dos fundamentos teóricos do turismo. Ciclo de vida das destinações turísticas. atendendo às mudanças exigidas pela sociedade pósindustrial. São elementos desse processo: O Livro didático. O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva em conta instrumentos que se articulam e se complementam.Plano de estudo O plano de estudos visa a orientar você no desenvolvimento da Disciplina.

Específicos Destacar os princípios básicos da administração do turismo. Os objetivos de cada unidade definem o conjunto de conhecimentos que você deverá possuir para o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias à sua formação. sua evolução e suas aplicabilidades. Conhecer a evolução destes princípios. as unidades que compõem o Livro Didático desta Disciplina e os seus respectivos objetivos. Identificar as principais características. classificações e tipologia turística.Carga horária 60 horas-aula. Conteúdo programático/objetivos Veja. Evidenciar as principais tendências e correntes do pensamento administrativo turístico. . Estes se referem aos resultados que você deverá alcançar ao final de uma etapa de estudo. a seguir. Objetivos da disciplina Geral Compreender os elementos e processos do Turismo.

Os temas abordados tratarão de fazer com que você conheça como ocorre a medição do turismo. além de compreender a importância e a aplicabilidade do marketing para a atividade turística e isto será discutido na unidade 4. apresenta-se uma breve evolução histórica do turismo com intuito de mostrar a relação existente entre as várias civilizações e as necessidades de viagens. para que se tenha percepção da atividade turística como um sistema. Também será possível entender os principais impactos econômicos do turismo. será possível conhecer as várias definições de turismo e também reconhecer a divisão do tempo e a importância que isto teve para os viajantes e a necessidade de se classificar os viajantes (turista. Será possível por meio do estudo desta unidade distinguir o que é oferta turística e demanda turística. Será ainda necessário você reconhecer os princípios básicos que norteiam a planejamento turístico. estadual e municipal será o assunto tratado nesta unidade. Você também deverá conhecer os principais meios de transportes turísticos e sua importância para a atividade. Unidade 2 – Impactos da atividade turística Nesta unidade você vai ter a oportunidade de entender como ocorrem os impactos dentro da atividade turística. excursionista e visitante). 13 . Além disso. nacional. além de reconhecer os principais aspectos culturais e sociais do turismo. ferramenta básica.Unidades de estudo: 5 Unidade 1 – O surgimento e a evolução do fenômeno turístico Nesta unidade. Unidade 4 – Turismo e organizações turísticas Como são formadas as principais organizações turísticas nos principais níveis de atuação: mundial. Unidade 3 – O Sistema de turismo e os meios de transportes Nesta etapa do livro são abordados assuntos relativos à necessidade de se compreender as bases que perfazem o sistema de turismo.

O sucesso nos seus estudos depende da priorização do tempo para a leitura. Agenda de atividades Verifique com atenção o “EVA”. 14 . Registre no espaço a seguir as datas com base no cronograma da disciplina disponibilizado no EVA. Não perca os prazos das atividades. Use o quadro para agendar e programar as atividades relativas ao desenvolvimento da Disciplina. Aqui você poderá conhecer os princípios e as práticas para que o turismo possa ser considerado sustentável. organize-se para acessar periodicamente o espaço da Disciplina.Unidade 5 – Administrando o turismo para o mercado Os temas abordados nesta unidade versam sobre o reconhecimento e o significado vital exercido pelo meio ambiente em relação ao turismo. além de entender algumas das principais características e tendências da atividade turística na atualidade. da realização de análises e sínteses do conteúdo e da interação com os seus colegas e tutor. Também verá a importância e a necessidade de se identificar a tipologia turística e o seu amplo espectro.

Cronograma de estudo Atividades de Avaliação Demais atividades (registro pessoal) 15 .

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UNIDADE 1 O surgimento e a evolução do fenômeno turístico Objetivos de aprendizagem Compreender a relação entre as várias civilizações e as necessidades de viagens. Entender a classificação dos viajantes. Reconhecer a divisão do tempo e a importância que este teve para os viajantes . Seção 2 Conceitos básicos de turismo. 1 Seções de estudo Seção 1 História e evolução do turismo. Seção 3 . Divisão do tempo e os viajantes: classificações. Conhecer as várias definições de turismo.

É interessante que você perceba que a atividade turística é composta de várias áreas do conhecimento. convidamos você a conhecer. Vamos ao estudo das unidades? 18 . como surgiu esse fenômeno chamado “Turismo”. sendo motivo de estudos e pesquisas praticamente no mundo inteiro. é uma ferramenta excepcional para gerar empregos e desenvolvimento de cidades. Assim. A mesma gera milhões ou até bilhões de dólares em receitas. Sinta-se nosso “visitante” e venha conhecer um pouco mais sobre a área de Turismo. Todavia há a necessidade de se conhecer. por sinal.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Você certamente já ouviu ou leu notícias e dados estatísticos acerca da atividade turística − importante. como se deu o desenvolvimento da atividade e principalmente quais os impactos que ela gera na sociedade atual. nesta unidade. qual a importância da divisão do tempo para o Turismo e também como são classificados os viajantes. estados e países. sob uma perspectiva histórica.

Unidade 1 19 . depois publique no EVA na ferramenta “Exposição” para socializar com seus colegas. ou sua história. Que tal? Vamos começar? Registre uma. Bem. sejam eles brasileiros ou mesmo estrangeiros. Vamos criar nosso primeiro “registro coletivo”.. sobre quando efetivamente se deu o início da atividade turística. vamos à narrativa sobre a história desta atividade. socializou com seus colegas de turma. Perguntamos novamente: como surgiu? Podemos dizer que não há um consenso entre os mais diversos autores do tema..História e evolução do turismo O que você sabe sobre o turismo? Você sabe como começou? Que características assumiu no decorrer da história? A que serve? Registre no espaço abaixo “histórias de turismo”. Depois vamos criar um espaço no EVA para publicálas. agora que já escreveu a sua história.Teoria Geral do Turismo SEÇÃO 1 .

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Alguns consideram o seu surgimento na Antigüidade, outros na Grécia Antiga, outros durante o período de existência do Império Romano e outros, ainda, consideram o seu surgimento na época dos Fenícios. Existem também aqueles que consideram o surgimento do Turismo há milhões de anos! Como não há uma data definida e acordada para o início do Turismo, elaboramos nesta seção um resumo cronológico sobre o surgimento da atividade que, segundo a nossa ótica, é de maior importância para uma melhor contextualização do Turismo. Acompanhe, a seguir, a evolução do turismo na ordem cronológica, seguida, inclusive, de contextualizações conceituais.

a) O Turismo ao longo da história
O conceito de turismo surge no século XVII na Inglaterra. A palavra TOUR é de origem francesa. Tour quer dizer VOLTA, tem seu equivalente em inglês como sendo Turn, e em latim utiliza-se a expressão Tornare. O pesquisador suíço Arthur Haulot acredita que a origem da palavra está no hebraico TUR, que aparece na Bíblia, com significado de viagem de reconhecimento. Viajar implica voltar. Há, portanto, um deslocamento. São condições essenciais (entre várias outras) para que ocorra Turismo: sujeito, deslocamento e motivação.

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Você sabia? Que existem diversos autores que consideram diferentes variáveis para que ocorra o Turismo? Que dentre elas se destacam: dinheiro, tempo livre, prazer, informação, comércio, descobertas, etc? Que os Romanos contribuíram de forma decisiva para o surgimento de viagens, através da construção de estradas? As famosas Pax Romana.

b) Surgimento das viagens obrigatórias (Séculos II – X d.C.)
No século V, os Bárbaros dominavam a Europa, o que resultou numa significativa diminuição das viagens, diante do perigo que elas representavam para os povos europeus dominados. Entre os séculos II e III ocorrem intensas peregrinações a Jerusalém, assim como no século IX religiosos se deslocam para a região onde se encontrava o sepulcro de Santiago de Compostela. Em 1140 o peregrino francês Aymeric Picaud escreveu 05 volumes com histórias do apóstolo Santiago e com um roteiro de viagem de como se chegar até lá a partir da França. Considera-se esse o 1º guia turístico impresso. A partir de 1282, inicia-se o intercâmbio de professores e alunos entre as universidades européias.

Você sabia? Que as grandes navegações, realizadas principalmente pelos espanhóis e pelos portugueses, contribuíram de maneira significativa para o desenvolvimento do Turismo? A descoberta do “Novo Mundo” gerou uma curiosidade enorme nas pessoas que sentiam vontade de se deslocar e conhecer as novas terras.

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c) Ocorrências anteriores ao Turismo moderno – Turismo Barroco (Séculos XVI – XVIII)
No século XVI, ocorrem muitas viagens não oficiais realizadas por jovens acompanhados de seu professor particular (que geralmente viajava antes para conhecer os hábitos e costumes locais, além do idioma), que possuía algumas características marcantes, tais como: eram realizadas por uma classe privilegiada, de elite; eram consideradas um tour de aventura; eram feitas majoritariamente pelas pessoas do sexo masculino; eram esporádicas e com duração aproximada de três anos. Nessa mesma época, já se constata o turismo na França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Inglaterra e Espanha. No século XVI, surge o considerado “1º hotel do mundo”, de nome Wekalet Al Ghury no Cairo – Egito – para atender mercadores; No século XVII, ocorre uma melhoria nos transportes de então, que eram feitos em lombo de cavalo ou puxados por carroças e carruagens. Inventa-se a Belina (um tipo de carruagem mais rápida, de duas poltronas), e também a diligência; Surgem as primeiras linhas regulares de diligências entre Frankfurt e Paris e entre as cidades de Londres a Oxford; Após a Revolução Industrial (que altera de maneira significativa as relações de trabalho e de divisão do tempo), o turismo passa a ser educativo, com interesse cultural.
Você sabia? Que existem diversos autores que consideram diferentes variáveis para que ocorra o Turismo? Que dentre elas se destacam: dinheiro, tempo livre, prazer, informação, comércio, descobertas, etc? Que os Romanos contribuíram de forma decisiva para o surgimento de viagens, através da construção de estradas? As famosas Pax Romana.

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d) O Turismo Moderno (século XIX)
Em 1830, a ferrovia Liverpool – Manchester foi a 1ª a se preocupar mais com os passageiros do que com a carga. Essa é a “Era da ferrovia”, que foi determinante para o desenvolvimento do turismo; Surge o “Pai do Turismo moderno”: Thomas Cook – em 1841 ele andou 15 milhas para um encontro de uma liga contra o alcoolismo em Leicester. Já para um encontro em Loughborough, alugou um trem para levar outros colegas. Juntou 570 pessoas, comprou e revendeu os bilhetes. Esse fato é considerado como sendo um marco na história do Turismo, pois se caracterizou como a 1ª viagem agenciada. Além disso, Thomas Cook organizou o 1º package (pacote) – excursão organizada. Em 1865, editou um guia chamado: Conselhos de Cook para excursionistas e turistas. Em 1867, instituiu o voucher hoteleiro. O Turismo no século XX se utiliza do trem como meio de transporte em nível nacional e navios em nível internacional; Os principais fatores que impulsionaram o turismo no século XIX foram: segurança, salubridade e alfabetização crescente. O passaporte surge em 1915, como um mecanismo para realizar o controle do tráfego de turistas pelo mundo. As décadas compreendidas entre 1920 e 1940 são consideradas como a “Era do transporte terrestre”. Em 1929, foi construído o 1º Free Shop no aeroporto de Amsterdã (Holanda).

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pois não é toda a população que pode usufruir de tal atividade. ocorre a venda do primeiro pacote aéreo. Os Estados Unidos contribuíram também de forma decisiva para esse desenvolvimento. 24 . passaram para uma fase de profissionalização. Já na década de 1960. Alemanha Ocidental e Reino Unido para as costas do Mediterrâneo. Escandinávia. deu-se a criação da IATA (International Air of Transport Association).Universidade do Sul de Santa Catarina e) O Turismo Contemporâneo A atividade turística ficou paralisada durante a II Grande Guerra. com o surgimento das primeiras escolas profissionais na Suíça. um grande número de pessoas passa a viajar. Em 1949. como se pôde verificar na Europa. Em 1945. f) O Turismo no Brasil No Brasil o turismo como fenômeno social começou depois de 1920. começaram a existir as operadoras turísticas. que ofereciam pacotes partindo do norte da Europa. com a construção de importantes cadeias ou redes hoteleiras padronizadas. que anteriormente possuíam uma atmosfera familiar ou de hospedaria. Datam desta década também significativas e importantes transformações nos meios de hospedagens. que visa a regular o direito aéreo e que caracteriza uma nova importante era para o Turismo: A “Era do avião”. ocorrida entre os anos de 1939 a 1945. O turismo surgiu vinculado ao lazer e nunca teve cunho de aventura ou educativo. Os hotéis. todavia esse movimento não se caracteriza como sendo um turismo de massa. A partir da década de 1950. internacionais.

Já as camadas de menor poder aquisitivo da população. J. As autoridades estavam perplexas com 5. fazem uso do transporte rodoviário para as suas excursões de pequena e média distâncias. e JENKINS. Saiba mais Para aprofundar o estudo sobre esta unidade: Leia o texto a seguir extraído dos livros: LICKORISH.Teoria Geral do Turismo De uma maneira geral o turismo é mais acessível à camada de alto poder aquisitivo da população. C. vivia modestamente escrevendo e distribuindo publicações. que não têm acesso irrestrito às atividades turísticas. não esperavam ter. viajantes de malaposta a preços nem um pouco baratos. 2000. Unidade 1 25 . que realiza viagens de médias e grandes distâncias. Rio de Janeiro: Campus. originalmente. Thomas Cook (1808-1892) foi marceneiro e um jovem pregador batista da cidade de Loughborough. a provisão de um transporte mais rápido para os. então. L. sendo que o transporte mais utilizado é o aéreo. REJOWSKI. Introdução ao turismo. 2002. Turismo no percurso do tempo. Não se esperava a popularidade das tarifas baratas de excursões para eventos especiais. na região inglesa de Midlands. Com 32 anos. pediu-se que oito trens saíssem do terminal Nine Elms.L. enaltecendo as virtudes da temperança. Kemball Cook (1947) declarou em seu livro que no Dia de Derby (importante dia em que se realizam corridas de cavalo na Inglaterra). muito por causa da situação econômica do país. mas naquela época as próprias ferrovias já ofereciam viagens de excursão para um movimento que elas. Thomas Cook lançou o primeiro pacote de turismo em 1841. O primeiro objetivo foi o carregamento de carga e o segundo. M (organizadora). São Paulo: Aleph.000 excursionistas indo para a estação. em 1838.

Ele levou 165. para um prazer.LICKORISH. transportadoras. Na segunda metade de 1844.1: Thomas Cook: o pai do turismo moderno 26 . de uma tarefa árdua e voltada para a educação. mais do que qualquer outro empresário. Turismo no percurso do tempo.910 passageiros saíam de Londres e chegavam a Londres levados por trens de excursão pela ferrovia de Londres e North Western. e organizou a primeira excursão ao Continente Europeu em 1856. e aos Estados Unidos em 1865.000 excursionistas só de Yorkshire para a Grande Exposição de Londres em 1851. e REJOWSKI. Na verdade. 2002. houve. 360. C.Universidade do Sul de Santa Catarina Em 1851.000 passageiros viajaram de Londres para Brighton. acomodação e atividade ou “satisfação” em um novo e desejado destino – o verdadeiro produto do turismo. Rio de Janeiro: Campus. atrações. J. um aumento de mais de dez vezes em apenas sete anos devido às ferrovias. portanto. e JENKINS. Introdução ao turismo. Thomas Cook e sua empresa se expandiram rapidamente. L. Quadro 1. desenvolvendo o cooperativismo entre as empresas e outros componentes do mercado turístico (agência de viagens. Sua invenção foi copiada em todo o mundo. ele. Fonte: adaptado das obras . contribuiu para mudar a imagem das viagens: de uma atividade necessária e nem um pouco aprazível. M (organizadora). Ele inventou um serviço essencial: um pacote ou excursão individual. 2000. São Paulo: Aleph. introduzindo o conceito de pacote turístico (package tour). Cook estabeleceu os principais fundamentos das viagens organizadas. um entretenimento e um novo conceito: “férias”. a contribuição excepcional de Thomas Cook foi a organização da viagem completa – transporte. ele conseguiu atender uma demanda específica de mercado. Entretanto. restaurantes. etc). hotéis. Como agente dos principais fornecedores de transporte e acomodação. Com essa invenção. 774.L.

Levou cerca de 165 mil pessoas à Primeira Exposição Mundial realizada em Londres. Acerenza. in REJOWSKI. Unidade 1 27 . que durou 222 dias. com 84 escritórios e 85 agências em vários países do mundo. Levou 75 mil pessoas para visitar a Exposição Mundial de Paris. que era aceita por bancos. Turismo no percurso do tempo. uma tabela contendo algumas das suas principais realizações. 2000. documento que permitia sua utilização em hotéis para o pagamento dos serviços contratados em sua agência. Montaner Montejano. Witney. Mirian (org. Realizou a primeira volta ao mundo com nove pessoas. Realizou a primeira excursão para os Estados Unidos. a seguir.). Criou a circular note (antecessora do traveller check). chegando a levar 350 pessoas à Escócia. Realizou um tour com a participação de guias de turismo. 2002.Teoria Geral do Turismo Para que você possa ter uma compreensão mais contextualizada da importância e do significado que Thomas Cook exerceu para o desenvolvimento do turismo moderno.700 pessoas. Criou o primeiro cupom de hotel (voucher). por ocasião da excursão de Leicester a Liverpool. restaurantes e casas comerciais em várias partes do mundo. empregando mais de 1. primeiro itinerário descritivo de viagem preparado de forma profissional para o uso de turistas. 1986. Lickorish e Jenkins. popularizando esse país como destino turístico de inverno. que vendeu em um mês. Realizou a primeira excursão à Suíça. apresentamos. Fontes: Fuster. em Nova York. Realizou a primeira excursão ao continente (Grã. incluindo a “Viagem para o Sol da Meia-Noite” no Cabo Norte. 2001. hotéis. Introduziu o “Individual Inclusive Tour”– IIT. oferecendo transporte e alojamento. Morreu no momento em que sua agência era a mais importante do mundo. Formalizou contrato com a Great Easter Railway para a venda mínima de bilhetes de trem por ano. Realizou o primeiro tour ao Oriente Médio.Bretanha). 1997. 1974. Inaugurou a primeira agência de viagens no continente americano. 2000. Tabela 1. o primeiro com essas características. Khatchikian.1: Principais realizações de Thomas Cook a partir de 1845 ANO 1845 1846 1850 1851 1856 1862 1863 1865 1867 1869 1872 1872 1873-1874 1875 1878 1892 REALIZAÇÕES Lançou o Handbook of the Trip. Realizou tours para a Escandinávia.

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A história e evolução do turismo são componentes essenciais para a compreensão da atividade. O profissional da área necessita dessas noções para contextualizar a atividade na história, assim, terá maiores possibilidades de identificar as necessidades e as demandas da área em cada momento e espaço. Você teve a oportunidade de verificar, mediante uma cronologia, alguns dos principais desenvolvimentos dessa atividade através dos tempos. Agora que você conheceu um pouco da história e evolução do Turismo, a próxima seção lhe convida a conhecer os conceitos básicos do Turismo. Vamos lá?

SEÇÃO 2 - Conceitos básicos de turismo
Nesta seção, serão abordados os conceitos básicos do turismo. Este estudo faz-se necessário para que haja uma boa percepção e um bom entendimento sobre como ocorreram as diversas fases evolutivas no sentido de se conceituar o turismo. Nesse sentido, o estudo cronológico é um componente também importante. Veja que as questões estão articuladas: uma abordagem está inserida na outra; isso implica um estudo progressivo e cumulativo, somente assim você terá a possibilidade de compreender e entender a atividade do turismo, seu funcionamento e suas variáveis em relação à conceituação.

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Você já refletiu não só sobre os impactos econômicos da atividade turística, mas sim sobre a importância social que essa atividade exerce sobre as populações locais que recebem os turistas? Os grandes fluxos de turistas interferem nas tradições locais e regionais? Use o espaço a seguir para registrar suas impressões.

Desde que se estuda o turismo de forma sistêmica, sempre houve grande controvérsia por parte dos autores em conceituar este fenômeno. A seguir você será apresentado a algumas definições de Turismo, que são aceitas e comumente utilizadas pelos diversos autores da área, seja em nível nacional, seja em nível internacional. Veja quais são: A Organização Mundial do Turismo (OMT) define-o como: “...o deslocamento para fora do local de residência por período superior a 24 horas e inferior a 60 dias motivado por razões não-econômicas.” (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO TURISMO, 2001) Todavia esta definição sofreu aperfeiçoamento em 1994. Desta data em diante, a OMT passou a considerar que:

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“...o turismo engloba as atividades das pessoas que viajam e permanecem em lugares fora de seu ambiente usual durante não mais do que um ano consecutivo, negócios ou outros fins.” (OMT, 2001) É importante destacar que o uso do termo ambiente usual tem por finalidade excluir as viagens dentro da área habitual de residência, as viagens freqüentes ou regulares entre o domicílio e o lugar de trabalho e outras viagens dentro da comunidade com caráter de hábito. Tal definição serve para padronizar o conceito de turismo nos vários países-membros dessa organização, mas não para definir a real magnitude desse fenômeno. Por essa definição, o turismo é um fenômeno que envolve quatro componentes com perspectivas diversas: o turista que busca diversas experiências e satisfações espirituais e físicas; os prestadores de serviços, que encaram o turismo como uma forma de obter lucros financeiros; o governo, que considera o turismo como um fator de riqueza para a região sobre sua jurisdição; a comunidade do destino turístico, que vê a atividade como geradora de empregos e promotora de intercâmbio cultural.
Toda vez que um turista se desloca, por exemplo, para as Cataratas do Iguaçu, no Estado do Paraná, ele está em busca de novas experiências, sejam elas espirituais ou físicas (desejos). Toda a infra-estrutura existente no local está preparada para atender a estes desejos e os prestadores de serviços (hotéis, locadoras, transportes, lojas para compras, espaços de entretenimento, etc) devem obter um lucro apropriado para tal. Da mesma forma, as autoridades governamentais (sejam elas locais ou regionais) disponibilizam serviços de apoio, tais como, energia elétrica, saneamento básico, rodovias de acesso, comunicações, entre outros. E o ciclo se “fecha” quando todas estas atividades e prestações de serviços beneficiam a comunidade local, seja através da geração de empregos diretos e indiretos, seja na geração de impostos e também na oportunidade que o cidadão local tem para interagir com turistas de outras regiões.

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Teoria Geral do Turismo

O turismo é fenômeno recente como objeto de estudos e, embora antigo como fato socioeconômico e político-cultural, são raros e deficientes os estudos a respeito da sistemática de sua filosofia e de sua aplicação às diferentes realidades. Os poucos estudos em profundidade destinam-se apenas à análise e à sistematização de aspectos econômicos, cambiais e legais. De acordo com Barreto (1996, p. 09 - 13), vários foram e são os autores que conceituaram e que continuam conceituando a atividade turística. Estaremos a partir de agora verificando algumas delas. Já em 1910, o economista austríaco Herman von Schullard definia o turismo como:
“...a soma das operações, especialmente as de natureza econômica, diretamente relacionadas com a entrada, a permanência e o deslocamento de estrangeiros para dentro e para fora de um país, cidade ou região.”

Na década de 1920 surgiu a Escola de Berlim, que estudou o turismo nos seus aspectos econômicos. Arthur Bormann definiuo como:
“...o conjunto de viagens que tem por objetivo o prazer ou motivos comerciais, profissionais ou outros análogos, durante os quais é temporária sua ausência da residência habitual. As viagens realizadas para locomover-se ao local de trabalho não constituem em turismo.”

Já na década de 1940, alguns autores evoluíram a conceituação da Escola de Berlim. Hunziker e Krapf conceituaram turismo como:
“...o conjunto das inter-relações e dos fenômenos que se produzem como consequência das viagens e das estadas de forasteiros, sempre que delas não resultem um assentamento permanente nem que eles se vinculem a alguma atividade produtiva.”

Robert McIntosh definiu-o assim:
“Turismo pode ser definido como a ciência, a arte e a atividade de atrair e transportar visitantes, alojá-los e cortesmente satisfazer suas necessidades e desejos.”

Jafar Jafari apresenta uma definição mais holística do turismo:
“É o estudo do homem longe de seu local de residência , da indústria que satisfaz suas necessidades, e dos impactos que ambos , ele e a indústria, geram sobre os ambientes físico, econômico e sociocultural da área receptora.”

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interrelações de importância social. mais recentemente. hospedagem e atendimento aos indivíduos e aos grupos. 32 . de outro.Universidade do Sul de Santa Catarina Fuster. os fenômenos e as relações que essa massa produz em conseqüência de suas viagens. descanso. fora de suas residências habituais.” E.” Para José Vicente de Andrade: “Turismo é o conjunto de serviços que tem por objetivo o planejamento. O turismo engloba todos os prestadores de serviços para os visitantes ou para os relacionados com eles. de um lado. lojas. espetáculos. serviços de alimentação.” Segundo Oscar de la Torre: “ O turismo é um fenômeno social que consiste no deslocamento voluntário e temporário de indivíduos ou grupos de pessoas que. a soma dos fenômenos e relações que surgem da interação de turistas. gerando múltiplas. por último. assim o definiu: “Turismo é.. O turismo é toda uma indústria mundial de viagens. saem de seu local de residência habitual para outro.” Veja que o turismo é uma combinação de atividades. disponíveis para indivíduos ou grupos que viajam para fora de casa. que definiram turismo como sendo: “. trazemos a definição que recentemente foi proposta por McIntosh. Goeldner e Ritchie. incluindo o marketing turístico que atende às necessidades e desejos dos viajantes. empresas prestadoras de serviços. o conjunto de turistas.. instalações para atividades diversas e outros serviços receptivos. cultura ou saúde. transportes e todos os demais componentes. hotéis. a promoção e a execução de viagens e os serviços de recepção. econômica e cultural. alojamento. serviços e indústrias que se relacionam com a realização de uma viagem: transportes. governos e comunidades receptivas no processo de atrair e alojar estes visitantes. professores da escola americana. fundamentalmente por motivos de recreação. no qual não exercem nenhuma atividade lucrativa nem remunerada.

não é? Mas ressaltamos que o importante é que você possa refletir. Como você teve a oportunidade de ver pela ampla diversidade das definições. o turismo é um fenômeno complexo. da estrutura de entretenimento. Não é por outra razão que se desenvolveram os termos turismo de negócios ou turismo de eventos. Muitas são as definições ou conceitos sobre o turismo. das locadoras de veículos e dos espaços de eventos. são elas as responsáveis por grande parte da ocupação dos meios de transportes. A maioria das definições exclui dele as viagens desenvolvidas por motivos de negócios. Contudo. Se você já trabalha na área de turismo. Há profissionalismo? A população local está preparada para receber o turista? Qual o nível de interesse das pessoas sobre a preservação da infra-estrutura local e dos atrativos naturais? Tente elaborar respostas para as questões formuladas anteriormente. alguma iniciativa e/ou atitude que vem favorecendo o turismo como um todo! Faça uso do espaço abaixo. tente pensar no que significa a atividade turística para este município. dos hotéis. você concorda. para selecionar a mais adequada à sua percepção Unidade 1 33 . Todos esses elementos são considerados empreendimentos turísticos. pode escrever sobre algum projeto. Escreva sobre o que você conhece ou percebe.Teoria Geral do Turismo Com base na realidade turística existente na sua cidade de residência ou de nascimento. Pense em como são desenvolvidas as atividades de turismo. alguma lei.

por sinal) existente entre a ocorrência da Revolução Industrial. diretamente relacionadas com a entrada. (BARRETO. Os avanços verificados no que diz respeito ao transporte ferroviário. cidade ou região. vamos fazer uma breve contextualização.A divisão do tempo e os viajantes Você consegue identificar o que você vai estudar na seqüência lendo apenas o título? Não? Então. com uma crescente intensidade. que se desenvolviam e que necessitavam de mão-de-obra para os novos inventos e para a operação de máquinas cada vez mais modernas e mais complexas.. pois. das necessidades do espaço..a soma das operações. Vamos lá! um pouco mais de história! Com o advento da Revolução Industrial iniciada na Inglaterra nos primórdios do século XIX. Locais esses. excursionistas e visitantes. as pessoas que viviam em áreas rurais. a partir principalmente de 1850. nesse sentido. das expectativas das pessoas.Universidade do Sul de Santa Catarina em relação à atividade turística. A próxima seção fará você se familiarizar com conceitos sobre as seguintes palavras: turistas. 1996. SEÇÃO 3 . p. Isso vai depender também do contexto. foram determinantes 34 . os componentes estudados até aqui são importantes para a seqüência dos seus estudos. 26). a conseqüente nova divisão do tempo e a necessidade de classificarmos o que são turistas. especialmente as de natureza econômica. um modo de vida. o modo de produção alterouse drasticamente. a permanência e o deslocamento de estrangeiros para dentro e para fora de um país. . excursionistas e visitantes! Preparem suas malas e até a próxima parada! Boa viagem. Você concorda? Então. vinculado aos centros urbanos. como uma espécie de introdução da correlação (estreita. passaram a buscar.

como já vimos. um dos pressupostos básico para que ocorra tal fenômeno é o deslocamento. embora nem todos os trabalhadores tenham as mesmas oportunidades para aplicá-lo à prática do lazer diário. o tempo livre é um direito conquistado. os trabalhadores. eram totalmente ignorados e de certa forma desconhecidos. não havia legislação que regulamentasse os direitos e deveres dos empregados. idosos e até deficientes físicos fossem submetidos a jornadas diárias de trabalho de até 18 horas! Os direitos relativos a férias. condições necessárias para poderem desfrutar melhor do tempo livre. faz-se necessário uma pequena divisão e distinção sobre o que consideramos importante sobre a divisão do tempo e sobre o conceito de turista. Posteriormente. excursionista e visitante. novas culturas e povos e descobrir um mundo diferente daquele que se é forçado a viver! Unidade 1 35 . semanal e anual. pois. conhecer novas formas de vida. A obtenção de um tempo livre maior passou a ser uma luta abraçada pelos trabalhadores do mundo inteiro. Você sabia? Que as relações de trabalho entre empregadores e empregados eram bastante críticas nos primórdios da industrialização? Á época da Revolução Industrial. Era muito comum que mulheres grávidas.Teoria Geral do Turismo para o desenvolvimento do turismo. Para efeito de continuidade dos seus estudos sobre este importante tópico. não davam lugar ao tempo livre. concentraram as suas lutas por redução da idade para a aposentadoria e por melhores salários. licença maternidade. mais ele se ressente da necessidade de um tempo livre para pôr o seu corpo e a sua mente novamente em ordem. Pela evasão semanal e anual (finais de semana e férias) procura-se viver novas experiências. mediante seus sindicatos. horas extras. À medida que o homem passa a viver nas cidades densamente povoadas. Atualmente . entre outros. descanso semanal. crianças. As longas jornadas de trabalho. registradas no início da era industrial. auxílio desemprego.

Quadro 1. Livre por oposição ao tempo preso. tais como: afazeres valor”. Boullión. apesar de não fazerem parte do tempo de trabalho. um tempo livre. também. fora do tempo de trabalho. a partir de uma decisão tomada livremente. ocupado. mas porque não possuem outra escolha. mas totalmente estagnado e marcado pelo aborrecimento. É um tempo livre adquirido por lei. mas comprometido com um conjunto de atividades que. na expressão de R. mas desperdiçado. Tempo livre compreende aquela parcela de tempo ocupada com atividades específicas. “firmou-se não somente como uma dele é ocupado com atividades igualmente possibilidade atraente. obrigado. compromissos familiares. Valor. do trabalho. Parte moderna. c) TEMPO COMPROMETIDO − Nem todo d) TEMPO DE LAZER − O lazer.2: Modalidades da divisão do tempo Fonte: Adaptado de CATELLI. Turismo: atividade marcante (1996). 36 . O trabalho é vital para o homem. É um tempo livre. mas. porque o lazer não é a negação domésticos. O sendo considerado por Karl Marx como a tempo ocupado com essas atividades é “necessidade primeira do homem”. como um obrigatórias.Universidade do Sul de Santa Catarina a) Divisão do tempo O quadro a seguir define os diferentes tipos de tempo que estão intimamente relacionados com a atividade turística: a) TEMPO LIVRE − Diz-se tempo livre para diferenciá-lo de outras modalidades do tempo. Geraldo. trabalhos complementares (bicos). As pessoas que consomem este tempo o fazem não por uma livre decisão. também se revestem de caráter obrigatório. b) TEMPO MORTO − É um tempo livre que não é ocupado nem com atividades de lazer nem com compromissos ou afazeres complementares de ordem econômica.C. social ou política. na era tempo livre é consagrado ao lazer.

b) Classificação dos viajantes Os viajantes são consumidores de serviços turísticos. excursionistas e visitantes. Um turista qualquer que viaja para o Vaticano acaba sempre por consumir serviços turísticos. Porém. Com base no que você pôde verificar sobre essa divisão. Pense em como você divide o seu tempo. Ao se hospedar em um hotel.Teoria Geral do Turismo A divisão do tempo é de fundamental importância para todos nós. Unidade 1 37 . ao comprar mapas. ao utilizar serviços de guias. Escreva sobre o que você conhece ou sobre o que você percebe! Faça uso do espaço abaixo. enfim. por exemplo. ao apanhar um ônibus para se deslocar. ele é considerado um consumidor de serviços turísticos. quaisquer que sejam as motivações. esses consumidores podem ser classificados em turistas. ao fazer suas refeições. tente pensar como ela ocorre para você numa base semanal. Essa divisão é a mais adequada? Você tem dedicado tempo para o lazer e o entretenimento? As suas obrigações de trabalho são levadas para casa para serem feitas nos finais de semana? Você tem alocado um tempo para fazer atividades com a sua família e seus amigos? Tente elaborar respostas para as questões colocadas anteriormente. Aqui cabe um exemplo. analise. ao interagir na destinação turística. de acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT).

15). ele é tido excursionista. segundo a Organização das Nações Unidas (ONU): Toda pessoa. Quando o visitante não pernoita em uma localidade turística. b) Regional. o turismo pode ser classificado em: a) Local. quais as classificações de turismo. com o termo visitante.Universidade do Sul de Santa Catarina Turista. motivos familiares. embora este enquadre tanto turistas como excursionistas. p. Costumou-se designar os participantes de cruzeiros marítimos ou fluviais que visitam uma localidade. 2003. Aquele que viaja e permanece menos de 24 horas em local que não seja o de sua residência fi xa ou habitual. 38 . a seguir. mas sem nele passar uma noite. Você não é um praticante assíduo de turismo? Que tipo de turismo você mais gosta ou tem mais condições de praticar? Veja. mas que pernoitam nas embarcações. c) Doméstico. recreio. é aquele que viaja com objetivo de recreação. é considerado excursionista ou turista de um dia. alguns autores o têm utilizado para designar aqueles que se hospedam em residências secundárias ou em casas de parentes. quando ocorre fora do país de residência do turista (intracontinental ou intercontinental). com finalidade de turismo. sem distinção de raça. língua e religião. no transcorrer de um período de 12 meses. Já em 1954. que ingresse no território de uma localidade diversa daquela em que tem residência habitual e nele permaneça pelo prazo mínimo de 24 horas e máximo de seis meses. com as mesmas finalidades que caracterizam os turistas. d) Internacional. saúde. na conceituação tradicional. quando ocorre em locais em torno de 200 a 300 km de distância da residência do turista. quando ocorre dentro do país de residência do turista. (IGNARRA. peregrinações religiosas ou negócios. Por similaridade. estudos. sexo. De acordo com a amplitude das viagens. quando ocorre entre municípios vizinhos. mas sem propósitos de imigração. esporte.

quando os turistas chegam a uma cidade. Cohen. este fluxo de entrada é chamado de turismo receptivo. ele pode ser classificado como: a) Turismo emissivo − fluxo de saída de turistas que residem em uma localidade. Conforme a direção do fluxo turístico. em 1979. propôs nova classificação para os turistas. conforme descrito a seguir: TIPOS DE TURISTAS Existenciais Experimentais Diversionários Recreacionais CARACTERÍSTICAS Buscam a paz espiritual pela quebra de sua rotina. preferencialmente em grandes grupos. estou caracterizando o turismo emissivo. Buscam entretenimento e relaxamento para recuperação de suas forças psíquicas e mentais. fica caracterizado o turismo internacional. podemos dizer que se trata de um turismo doméstico. Quando eu viajo da minha localidade de residência fixa. Procuram recreação e lazer organizados. se a viagem se estender para o Rio de Janeiro. ela está realizando um turismo local. finalmente.Teoria Geral do Turismo Se considerarmos uma pessoa que reside em Florianópolis e se desloca para Balneário Camboriú (distante 75 Km). Quadro 1. No caso dessa mesma pessoa se deslocar para Curitiba (300 Km). Agora. Por outro lado.3: Tipos de turistas de acordo com Cohen (1979) Fonte: Adaptado de IGNARRA. (2003) Unidade 1 39 . Luiz Renato. ela está praticando um turismo regional. para fazer turismo. Fundamentos do turismo. b) Turismo receptivo − fluxo de entrada de turistas em um determinado local. se esta pessoa viajar até a Itália. E. Querem conhecer e experimentar modos de vida diferentes.

Quase alocêntricos Mediocêntricos Quase psicocêntricos Psicocêntricos Quadro 1. as atividades de auto-avaliação e aprofunde seus conhecimentos. Viajam em busca de status social. onde as informações são oferecidas de forma muito veloz. quebra da rotina. religiosos. Fundamentos do turismo.4: Tipos de turistas de acordo com Mcintosh (1993) Fonte: Adaptado de IGNARRA. São motivados pela busca do descanso. 40 . aventuras sexuais e gastronômicas e tratamento de saúde. Luiz Renato. pode significar uma vantagem competitiva enorme. como jogos de azar. diante de um mundo globalizado. é de suma importância você ter uma boa noção sobre os diferentes tipos de turistas e o que eles buscam para a sua satisfação. adequando a prestação de serviços para as suas necessidades. consultando o saiba mais. além de uma postura muito mais exigente por parte dos consumidores dos produtos e dos serviços turísticos.Universidade do Sul de Santa Catarina McIntosh (1993) os classifica em: TIPOS DE TURISTAS Alocêntricos CARACTERÍSTICAS Têm motivos educacionais e culturais. profissionais e culturais. São motivados por eventos esportivos. Leia a síntese da unidade e retome os pontos centrais Realize. Perceber e distinguir o perfil do turista. É sempre muito importante que você interaja no EVA. e viajam individualmente. São motivados por campanhas publicitárias. para trocar idéias com os colegas e desenvolver as atividades propostas. a seguir. políticos ou de divertimentos caros. (2003) Em face de um mercado cada vez mais moderno e com ofertas diferenciadas.

por exemplo. o direito. a administração. Importante destacar o conceito fundamental oferecido que é o da Organização Mundial do Turismo.Teoria Geral do Turismo Síntese Nesta unidade. As contribuições feitas por esse empreendedor foram significativas e muitas de suas criações são utilizadas até os dias atuais. a geografia. através de uma seqüência cronológica histórica em que foram relatados os principais fatos e ocorrências que contribuíram para o desenvolvimento da atividade. Foi possível também obter informações sobre Thomas Cook. a arqueologia. considerado pelos estudiosos e pesquisadores o “Pai do Turismo moderno”. pelo caráter multidisciplinar da atividade turística e pela estreita relação com diversas áreas de conhecimento (como. você estudou a história e evolução do turismo. A importância dessa classificação assume proporções significativas. a economia. É importante lembrar a estreita correlação existente entre o surgimento da Revolução Industrial e a conseqüente necessidade de uma divisão do tempo. para o descanso e também para “fazer” turismo. e também em diferentes países. pois possibilita uma percepção clara do que efetivamente são: turistas. quando tratamos de cálculo de receitas. Pela enorme abrangência. excursionistas e visitantes. Vários foram os autores e estudiosos que criaram classificações com o intuito de facilitar a abordagem e a forma de se prestar serviços aos turistas de uma maneira geral. O surgimento do tempo livre propiciou a oportunidade de utilizá-lo para o lazer. Em seguida estudou alguns dos principais conceitos do Turismo. Afinal. estado ou país. A última parte desta unidade versou sobre a divisão do tempo e sobre as classificações dos viajantes. o que possibilitou observar diferentes autores e suas respectivas conceituações em diferentes épocas. concentrarse em um único conceito torna-se uma tarefa praticamente impossível. a história. entre outras). de dados estatísticos e de movimento de turistas em determinada região. A classificação dos viajantes caracteriza-se como sendo um tópico de destaque. as relações e o modo de produção e de trabalho foram enormemente alterados. 41 Unidade 1 . a sociologia.

Universidade do Sul de Santa Catarina Atividades de auto-avaliação Com base na leitura desta unidade. 42 . realize as atividades propostas. 1) Contextualize o conceito da palavra turismo. O que ela significa? Como ela surgiu e onde? 2) Quem é considerado o “pai” do turismo moderno? Cite pelo menos quatro de suas principais contribuições para a atividade turística.

M.L. sugerimos algumas obras para pesquisa: BARRETTO. L. 2003. Manual de iniciação ao estudo do turismo. 8.br Para conhecer dados estatísticos. J. informações gerais sobre o turismo brasileiro e sobre a política nacional atual. entre outros. CASTELLI. sugerimos: www. 2001. C. IGNARRA. LICKORISH. Turismo: atividade marcante. e JENKINS.Teoria Geral do Turismo 3) Qual a importância do desenvolvimento do transporte ferroviário para a atividade turística? Saiba mais Caso você tenha se interessado em conhecer mais detalhes acerca dos conteúdos desta unidade. G. ed.embratur.br 43 Unidade 1 . L. 2000. Para conhecer uma base de informações gerais. Campinas: Papirus. São Paulo: Pioneira Thomson Learning. Caxias do Sul: EDUCS.etur. Rio de Janeiro: Campus. 1995.R. sugerimos: www.com. Fundamentos do turismo. incluindo artigos e notícias do Turismo na Internet.gov. Introdução ao turismo.

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Reconhecer os principais aspectos culturais e sociais do turismo.UNIDADE 2 Impactos da atividade turística Objetivos de aprendizagem Conhecer como ocorre a medição do turismo. Seção 2 Impactos econômicos do turismo. 2 Seções de estudo Seção 1 A medição do turismo. Entender os principais impactos econômicos do turismo. . Seção 3 Aspectos culturais e sociais do turismo.

de forma efetiva os fluxos turístico? O que isto significa na geração de divisas e receitas? Bem. há a necessidade de se compreender que existem aspectos culturais e sociais do turismo que geram impactos significativos e contribuem para construção do fenômeno nos diversos espaços. como podemos medir o turismo? Esta é. sem dúvida. essas são algumas questões a serem estudadas nesta unidade. Como podemos saber o quanto ele representa na produção de um país ou de uma localidade? Como aumentar o volume de empregos gerados e a arrecadação de impostos propiciados por ele? De uma forma geral. Como se dá a união entre essas diferentes áreas de conhecimento. Você concorda? Então.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Para que você possa seguir adiante no estudo da atividade turística. como na maioria das vezes acontece. vamos lá! SEÇÃO 1 − A medição do turismo Então. é importante que tenha uma boa compreensão sobre como ocorre e qual a importância de se mensurar ou medir a atividade turística. E cabe perguntar: Quais são as ferramentas mais adequadas para tal? Quais as variáveis que devem ser levadas em consideração ao serem medidos. É também importante conhecer um pouco sobre quais os impactos econômicos gerados pelo turismo e o que isso significa para uma localidade. para uma região ou mesmo a um país. mais. de que forma podemos dimensionar a atividade diante das perspectivas humanas? 46 . uma das maiores dificuldades quando o assunto é turismo. turismo e economia. e quais são os impactos resultantes? Devemos lembrar que a atividade turística não pode ser vista ou analisada somente pela perspectiva econômica. de que maneira medimos a importância do turismo para a economia? E.

d) pelo número de empregos gerados. que podemos definir como o conjunto de fornecedores e produtores finais. o valor está na utilidade dos bens e serviços produzidos. Mas será que isso mobiliza o deslocamento das pessoas? Podemos dizer que a satisfação dos turistas é uma variável qualitativa e microeconômica. Algumas atividades são tipicamente voltadas para turistas. c) pela natureza de seus gastos e por quanto isso gera de impostos. que pode ser: a) pelo número de pessoas que procuram essas satisfações nessas localidades. Na seqüência.Teoria Geral do Turismo Você certamente já pensou em como medir a satisfação de um turista ao fotografar a Ponte Hercílio Luz em Florianópolis ou o Empire State em Nova York? Quanto vale um banho na praia de Copacabana no Rio de Janeiro? E um “friozinho” na cidade da Gramado no Rio Grande do Sul? Quanto vale a alegria do carnaval de Salvador ou o prazer de degustar um vinho colonial na Festa da Uva em Caxias do Sul? Como podemos “contar” tudo isso? Como saber o quanto isso influencia a economia dessas regiões. como a venda de passagens aéreas e de estada em hotéis. que arrecadam com os gastos dos turistas. e) pela quantidade de divisas que entram e saem do país por meio de gastos turísticos. b) pelo quanto elas gastam durante o seu deslocamento e sua permanência. vamos analisar algumas variáveis macroeconômicas que dimensionam o setor. mas outras são voltadas para os habitantes. e também são desfrutadas Unidade 2 47 . do país e do mundo? Que relação pode haver entre a economia gerada pelo turismo e a satisfação humana? Em que momento elas se complementam? Como elas se articulam? Na economia tradicional (neoclássica). O setor turístico possui uma cadeia de atividades econômicas.

b) os recursos da natureza já estão prontos. quantos produtos industriais e artesanais foram vendidos a turistas. tanto quantitativos como qualitativos? Que as medições de fluxo turístico. vários estudos podem ser feitos sobre o turismo. conforme o seguinte: a) alguns são absolutamente abstratos (grau de beleza dos recursos naturais). etc. Mas. na produção nacional de todos os países. c) outros recursos estão nos setores primário e secundário e não no terciário. qual a quantidade de alimentos consumida por turistas no país ou quantos móveis foram comprados da indústria moveleira pelos hotéis? Chega-se à conclusão de que existe muita dificuldade em mensurar os fatores que compõem o consumo turístico. d) muitos operam na economia informal e não aparecem em nenhum registro. Mesmo em cidades turísticas. independentemente dos cálculos econômicos ou para colaborar com estes. o turismo é computado no setor de serviços.Universidade do Sul de Santa Catarina pelos turistas. quantos cortes de cabelo foram feitos. por exemplo: quantas famílias viajam com seu próprio automóvel e se hospedam em casas de amigos e parentes? f) diversos gastos dos turistas não são registrados. como: farmácias. como saber qual a arrecadação dos bancos com serviços prestados a turistas. portanto. vêm sendo realizadas há muitos anos? 48 . apontadas anteriormente (da letra a até f). não geram empregos e renda em sua produção (somente na sua utilização). Você sabia? Que. máquinas de filmar e fotografar. mesmo com todas essas dificuldades de mensuração. postos de gasolina. e) é difícil o controle. saída e entrada de turistas.

no Brasil. Perceba que a produção de um país é a representação do somatório do trabalho social realizado em determinado período. a produção nacional é medida por meio do valor de todos os bens finais e serviços produzidos por fatores próprios de produção. o termo está sendo empregado. o que é chamado de PNB (Produto Nacional Bruto). que é o valor dos bens finais e serviços produzidos durante um período em um País. infra-estrutura turística Unidade 2 49 . Existe também o PIB (Produto Interno Bruto). para designar um estudo mais ampliado. Atualmente. fluxo de turistas estudados em anos anteriores. de forma diferente. matemática e estatística. utilizando-se dos instrumentos dados pela matemática e pela estatística. estado ou região. A econometria é a soma de teoria econômica.” E a econometria. 1998. Observe que. É o ramo das ciências econômicas encarregado de verificar as hipóteses e teorias formuladas pela ciência econômica. Você sabe o que é Teorometria? Vamos descobrir? Nos anos 1970. A diferença entre os dois é que o PNB inclui todas as entradas de receitas obtidas no exterior por indivíduos e empresas brasileiras.Teoria Geral do Turismo Aliás. e são deduzidas as saídas de recursos obtidos por estrangeiros e empresas estrangeiras no Brasil. para realizar uma análise econométrica.35 apud BARRETO. p. Rabahy (1990. p. Fernandez Fuster denominou as estatísticas do turismo de teorometria. tais como.99) define teorometria como “técnica de aplicação dos métodos econométricos à investigação do fenômeno turístico. você sabe o que significa? A econometria une a teoria econômica às medições reais. devem ser analisados diferentes aspectos do turismo. no decorrer de um dado período.

As estatísticas de turismo: as mesmas dificuldades que se apresentam para as pesquisas de teorometria colocam-se para a confecção das estatísticas de turismo: custo das pesquisas. b) movimento dos hotéis para controlar o turismo interno. questões político-sociais. falta de pesquisadores bem treinados. duração das estadas. falta de confiabilidade das fontes secundárias. seriam necessários. falta de unificação da terminologia. classificação por poder aquisitivo. os seguintes dados: total de visitantes em cada núcleo. Todos os métodos têm falhas e a única forma de fazer algo sem incomodar os turistas é por meio de amostragem. no mínimo. Para elaborar uma estatística sobre o movimento interno de turistas. utilizam-se dois sistemas de controle para elaborar estatísticas: a) fichas e controle de fronteiras para controlar a entrada de turistas estrangeiros. câmbio. Uma das possibilidades para as estatísticas de turismo interno são as fichas dos hotéis e a amostragem aleatória nos lugares turísticos das cidades. etc). classificação por nacionalidade e local de residência. 50 . Atualmente.Universidade do Sul de Santa Catarina do local e condicionantes socioeconômicos (fatores determinantes como preços.

pelo objetivo da viagem. as medições apresentadas são importantes. Administração Hoteleira. mas é importante destacar que uma boa mensuração da atividade turística em determinada localidade. pela duração das estadas. Alguns autores consideram este conceito como “fator multiplicador do turismo”. passa necessariamente pelo estudo das tendências passadas. é necessário fazer uma pesquisa determinando o número de pessoas a serem consultadas. Para fazer estatísticas de turismo internacional por amostragem. Geraldo. visando incrementar o fluxo nas baixas temporadas e realizar um marketing adequado para manter um turismo sustentado nas altas temporadas. que é o da multiplicidade do turismo. contribui para o remanejamento das correntes turísticas. você entrará em contato com os principais impactos econômicos do turismo.Teoria Geral do Turismo Figura: 2. região ou país. pela despesa diária e pelos locais visitados.1: Modelo de ficha nacional de registro de hóspedes – FNRH Fonte: CASTELLI. tanto no conceito de estatística como no de econometria aplicada ao turismo. Vamos a eles. além de poder conhecer um importante conceito. selecionando o portão de entrada. então? Unidade 2 51 . pela via do planejamento. como forma de planejar o turismo no futuro imediato ou a médio e longo prazo. É necessário classificar o turismo de acordo com o meio de transporte utilizado. A teorometria. 2001. EDUCS: Caxias do Sul. Como você estudou na seção 1. Na próxima seção.

satisfação das carências humanas por meio da utilização dessas riquezas. Produzi-las significa suprir essas sociedades dos elementos importantes para atendimento de suas necessidades em termos de alimentação. para produzir várias mercadorias. Para que possamos descrevê-los. saúde. faz-se necessário inicialmente apresentarmos um conceito básico de economia: Segundo Samuelson (1999 apud IGNARA 2005. ou seja. devem-se produzir hotéis de luxo ou pequenas pousadas? Parques temáticos ou naturais? Pacotes de turismo de sol e praia ou de turismo rural? Investir em aeroportos ou em terminais rodoviários? 52 . que podem ser classificadas em: primárias ou básicas e secundárias ou supérfluas. entre as diversas pessoas e grupos da sociedade. Considera-se riqueza o conjunto de coisas materiais e imateriais que são escassas na natureza. etc. 2005.Impactos econômicos do turismo Ao iniciar o estudo dessa seção precisamos ter claro o conceito de impacto econômico. As sociedades produzem e consomem riquezas. entretenimento. Passear.. bens e serviços. moradia. p. habitação.144): . economia é o estudo de como os seres humanos e a sociedade decidem empregar recursos produtivos escassos que poderiam ter aplicações alternativas. vestuário. agora e no futuro. Alimentação. e distribuílas para consumo. O turismo é um desses serviços que têm utilidades para os indivíduos e uma oferta limitada. Os bens e os serviços constituem a riqueza econômica e têm duas características básicas: possuem utilidades para os indivíduos e são escassos. uma vez que o turismo é uma atividade que possui forte impacto econômico nas localidades receptivas. A organização econômica do turismo compreende a definição do que produzir. auto-estima e segurança são básicas. e o consumo. já que os fatores de produção são escassos. A produção significa criar riquezas. viajar. fumar são secundárias e só satisfeitas depois que as primárias o forem. Entretanto.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 2 . O homem possui várias necessidades. Esses impactos são de várias origens..

o número de turistas internacionais mundiais e também as entradas advindas do turismo mundial. imaginam-se países como Espanha. o turismo possui grande participação no PIB desses países. os quatro mais ricos do mundo! As três tabelas seguintes nos fornecem uma idéia do que representa a atividade turística. com a capacidade de carga dos destinos turísticos.5 trilhões de dólares. Quando se pensa na sua importância econômica.Teoria Geral do Turismo Outras questões devem ser consideradas: a) Como produzir − É questão que tem de ser tratada pela organização econômica do turismo. etc. ou trabalhar com um grande número de pequenas agências de turismo. No entanto. médio e longo prazo. Unidade 2 53 . no Japão. Na verdade. consigam preços competitivos. observa-se que o setor de viagens e turismo é um dos principais em termos de geração de renda e emprego nos EUA. com isso. que prestarão um serviço muito mais personalizado? b) Para quem produzir − Os produtos turísticos devem ser produzidos para os estrangeiros ou para os domésticos? Para os de alta renda ou para os de baixa renda? Para os jovens ou para os idosos? c) Quando produzir − Está relacionada com o controle da sazonalidade dos produtos turísticos. México. na Alemanha e na França. com a produção de curto. d) Onde produzir − Próximo dos mercados consumidores ou dos recursos turísticos? Nas regiões subdesenvolvidas ou nas mais desenvolvidas? O Turismo é constituído por um conjunto de prestadores de serviços que possuem grande impacto na economia mundial. de acordo com estimativas mundiais elaboradas pela OMT – Organização Mundial de Turismo –. É preciso constituir grandes operadoras que trabalhem com grandes volumes e. Itália. O seu faturamento anual supera a casa dos 3.

6 quatrilhões US$ 1.8 -0.4 15.7 8 10.6 8.Universidade do Sul de Santa Catarina Tabela 2.2 6 1.5 quatrilhões Crescimento Real 50.2 1.5% US$ 1.1: Estimativas mundiais em turismo (1996-2006).3 8.7 16.8 5.1 quatrilhões 11.2% 49.3 quatrilhões Fonte: WTTC (World Travel and Tourism Council).1 3 8.7 0.1 % 48.6% Impostos US$ 653 trilhões US$ 1.7% 49. 1996.6% 51.9 7.5 7. Tabela 2.9 5.9 6.6 quatrilhões 10.7% US$ 3.2 3.2 Continua 54 .7% US$ 766 trilhões US$ 761 trilhões 11.1% US$ 7.1 9.1 7. Ações relacionadas 1996 2006 ao turismo Trabalho 255 milhões 385 milhões Trabalho (% total) “Output” PIB Investimentos Exportações 10.3% 51.4 8.2: Número de turistas internacionais mundiais (valores arredondados) Anos 1950 1960 1961 1962 1963 1964 1965 1966 1967 1968 1969 1970 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 Turistas internacionais (em milhões) 25 69 75 81 90 105 113 120 130 131 143 166 179 189 199 206 222 229 249 267 283 288 290 289 Porcentagem de acréscimo anual 10.

5 18.2 3. Tabela 2.5 8 7.4 15.4 12 8.4 7.6 6.6 16.1 Continua Unidade 2 55 .3 5.2 10.Teoria Geral do Turismo Anos 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 Turistas internacionais (em milhões) 293 321 330 337 362 393 424 456 462 501 519 545 564 Porcentagem de acréscimo anual 1.3 3.1 10.7 13.1 6.4 3.4 3.4 1996 595 Fonte: Organização Mundial de Turismo (OMT) – 2001.4 8.2 15 8.3: Entradas advindas do turismo mundial (valores arredondados) Entradas por turismo internacional (em bilhões) 2 7 7 8 9 10 12 13 14 15 17 18 21 25 Anos 1950 1960 1961 1962 1963 1964 1965 1966 1967 1968 1969 1970 1971 1972 Porcentagem de acréscimo anual − 12.7 12.1 9.6 3.3 5.

2 2 -6. que são fundamentais para que haja uma melhor percepção de quão grande é o envolvimento da atividade em termos econômicos. você vai estudar o conteúdo relativo aos multiplicadores do turismo.org Agora que você teve acesso a alguns indicadores importantes.1 8.3 9. 56 .4 Fonte: Organização Mundial de Turismo (OMT) – 2001. Para que você possa conhecer mais dados sobre as estatísticas mundiais do turismo.1 9.9 20.Universidade do Sul de Santa Catarina Anos 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 Entradas por turismo internacional (em bilhões) 31 34 41 44 56 69 83 104 106 99 101 110 117 142 175 203 219 266 273 314 321 352 399 425 Porcentagem de acréscimo anual 26.4 13.2 25.3 21.2 23.1 24.7 21.7 15.3 2.6 6.7 2.9 8.1 9.1 22.4 15.4 21.world-tourism.2 2. sugerimos o seguinte endereço eletrônico: www.8 4.

você pode ter uma idéia do efeito multiplicador do setor turístico. os quais. na seqüência. Se você tomar como exemplo. nº 16. mediante exemplo fornecido pela OMT – Organização Mundial de Turismo. in OMT (2001). por sua vez. A seguir apresentamos um quadro onde é possível visualizar o efeito multiplicador do turismo. os equipamentos e serviços utilizados pelos organizadores de eventos.1: O efeito multiplicador Fonte: Papiers de Tourisme.Teoria Geral do Turismo A importância da atividade se deve a algumas características particulares do turismo. O produto turístico é constituído por um conjunto enorme de diferentes serviços. Unidade 2 57 . pág. possuem um grande número de fornecedores. 19. Organograma 2.

Se imaginarmos a organização deste evento. irá sediar um importante congresso de turismo em novembro de 2006. cartões e crachás Decoração e paisagismo Limpeza Serviços de segurança Restaurantes e bufês Quadro 2. p. painéis e displays Serviços de agência de viagem Projetos e montagens de estandes Equipamentos audiovisuais Convites.1: Exemplo do efeito multiplicador em eventos Fonte: Adaptado de (SPC&VB. 1998) in IGNARRA. luminosos. diplomas. serigrafia e pastas Cabine de tradução simultânea Sistema de sinalização. O quadro a seguir nos mostra alguns desses itens. Capacitação de cidades paulistas para captação e promoção de eventos. São Paulo. São Paulo: Pioneira Thomson Learning. passarelas estruturas e videotexto metálicas Uniformes Datashow Placas. para que o mesmo seja realizado com sucesso. 2003. 149. Fundamentos do Turismo.Universidade do Sul de Santa Catarina Tomemos como exemplo: A cidade de Florianópolis (localizada no Estado de Santa Catarina. 58 . Empilhadeiras Telefone e fax Mobiliário e acessórios Condicionadores de ambiente Fogos de artifício e raio laser Serviços de marketing direto Maquetes e cenografia Agência de promoção Transporte de passageiros e de Coberturas e barracas carga Microcomputadores Serviços de animação de shows artísticos Serviços de fotografia Assistência médica Assessoria de imprensa Serviços de computação gráfica Montagemede palcos. placas e faixas Serviços de copa e cozinha Adesivos. Sebrae. troféus e medalhas Fotocópias Transcrição de fitas Locação de veículos Letreiros. Luiz Renato. teremos necessariamente que pensar em diversos itens e tópicos.

mesa e banho. manobristas. móveis. os organizadores de eventos contratam vários serviços de autônomos. equipamentos de cozinha. garçons. equipamentos de informática. roupas de cama. material de higiene pessoal. equipamentos de lavanderia. recepcionistas. office-boys. material de limpeza. O mesmo exercício pode ser feito para outros subsetores. equipamentos de recreação. é grande consumidora de: alimentos e bebidas. por exemplo. talheres. chefes de cerimonial. Unidade 2 59 . tais como: secretárias. louças e vidros. material de papelaria. equipamentos de ar-condicionado. tradutores e intérpretes. relações públicas. A hotelaria.Teoria Geral do Turismo Note que. apenas um dos subsetores do turismo possui um efeito multiplicador enorme na economia local. além dos serviços apresentados no quadro anterior. Como você teve a oportunidade de ver.

Representa o montante ampliado de receitas do governo. na hotelaria também existe uma relação enorme de cargos. garde manger. inúmeros são os profissionais demandados.Universidade do Sul de Santa Catarina serviços de transportes de hóspedes. conforme a variação dos gastos dos turistas. REPRESENTAÇÃO Representa as variações de renda interna. passadeiras. Multiplicador do Produto. Apresenta as variações do produto. chefe de recepção.2: Multiplicadores econômicos Fonte: Adaptado de: IGNARRA. o turismo possui um fator de multiplicação de renda muito elevado. seguranças. 149. office-boys. em razão da variação dos gastos dos turistas. controller. cozinheiro. Multiplicador de Importações. assistente de manutenção. serviços de segurança. Para compreender melhor o “efeito multiplicador” no setor de turismo. 2003. o que faz desse setor grande empregador de mão-de-obra. lavadeiras. em decorrência da variação dos gastos dos turistas. recepcionistas. Da mesma forma que na organização de eventos. Quadro 2. 60 . faxineiras. promotor de vendas. Luiz Renato. porteiros. governanta. garçons. maître. etc. manobristas. commins. barmens. Em um hotel. p. camareiras. Mostra as variações do número de empregos. Em razão desse relacionamento com inúmeros fornecedores e da intensiva utilização de mão-de-obra. auxiliar de cozinha. Multiplicador de Impostos. Multiplicador do Emprego. em decorrência da variação dos gastos dos turistas. Apresenta o valor agregado das importações de bens e serviços. Fundamentos do Turismo. conheça os multiplicadores econômicos utilizados: MULTIPLICADORES UTILIZADOS Multiplicador de Renda. de acordo com a variação dos gastos dos turistas. por exemplo. são encontrados os seguintes profissionais: telefonistas. jardineiros. São Paulo: Pioneira Thomson Learning.

3. 2.Teoria Geral do Turismo Qual a definição de “efeito multiplicador”? A relação entre o dinheiro que entra por conceito de turismo e sua repercussão final no PIB (Produto Interno Bruto) chama-se efeito multiplicador. correios. cujo número depende do círculo consumo-renda de cada localidade. IMPACTOS POSITIVOS 1.Fundamentos do Turismo. Efeito inflacionário. são. Luiz Renato. Dependência exclusiva em determinadas regiões da atividade turística. clínicas. Desestímulo aos investimentos em infraestrutura básica. Aumento da renda no destino turístico. relacionamos o que se considera como sendo os principais impactos econômicos do turismo. O efeito multiplicador é produzido pela sucessão de despesas que têm origem no gasto do turista e que beneficiam os setores ligados diretamente e os ligados indiretamente ao fenômeno turístico. 2. 3. alimentação. Quadro 2. A unidade monetária recebida passa por diversas transações. região ou país. na tabela a seguir. profissionais de turismo. IMPACTOS NEGATIVOS 1. São Paulo: Pioneira Thomson Learning. Estímulo aos investimentos. Os beneficiários diretos do efeito multiplicador são os locais de alojamento. sejam eles positivos ou negativos. que é definido como o coeficiente que mede a quantidade de ingresso gerado por cada unidade de despesa turística. p. 152. Poder de redistribuição de renda. Unidade 2 61 . 2003. bancos. por exemplo. souvenirs. profissionais liberais. entre outros. Já os beneficiários indiretos. Como forma de uma melhor visualização e mais adequado entendimento.3: Impactos econômicos do turismo Fonte: Adaptado de: IGNARRA.

sobre quais efetivamente são os impactos econômicos do turismo. os efeitos que eles podem causar na sociedade e os problemas que deles decorrem. e sim demonstrar. . certamente auxiliarão você na formação de uma opinião mais clara sobre a importância do Turismo como um todo. grande parte dos estudos sobre o turismo era concentrada na medição dos benefícios econômicos. quanto mais informações sob diferentes ângulos você pode ter. finalmente. de uma forma contextualizada. vai ilustrar de forma otimizada. que os impactos gerados pela atividade turística não são somente de ordem econômica. A seção 3. sendo que pouca atenção era dada a uma característica fundamental do turismo internacional: a interação entre turistas e a comunidade local. Observe que. caro estudante. Conforme você pôde observar nas duas seções anteriores. os impactos culturais e sociais que são gerados pela atividade.Universidade do Sul de Santa Catarina Esta seção procurou formular de maneira objetiva os impactos econômicos que a atividade turística pode gerar. melhor será a sua percepção e entendimento sobre esta fantástica atividade. e boa viagem até a nossa próxima escala de conhecimentos! SEÇÃO 3 − Aspectos culturais e sociais do turismo A abordagem que será feita a partir de agora sobre os aspectos culturais e sociais do Turismo não visa a discutir estes impactos.Portanto. A percepção e a conseqüente compreensão dos conceitos apresentados sobre economia. até meados da década de 1970. sobre o efeito multiplicador e. É importante destacar que esses assuntos por si só (economia e turismo) possuem uma abrangência muito grande e têm sido motivo de estudos e de pesquisas por parte de diversos autores e especialistas. a seguir. Lembramos a você que o conteúdo ora apresentado foi resumido e pontual. Lembramos a você. 62 . preparem-se.

euros. 2003) −. valores e expectativas. quando um núcleo receptor de turismo recebe fluxos significativos de turistas de outras origens. uma variável destacada e que ocorre freqüentemente. na esfera sócio-cultural. em geral de uma mesma nacionalidade. detalharam casos em que o turismo causou mudanças profundas nas estruturas. Não há envolvimento de valores monetários. às tradições e aos padrões locais? Que às vezes podem se ofender diante de algo não intencional? Que. de certa forma. o turismo se torna um “elemento modificador” importante. mas se confrontam com ela? E que. há uma reação inevitável? Podem-se definir efeitos não-econômicos todos aqueles em que não ocorre uma relação de troca entre bens e serviços e uma unidade monetária qualquer (reais. nos valores e nas tradições de sociedades. contudo. a seguir. Unidade 2 63 . a partir de meados dessa mesma década de 1970. Já se sabe que. Você concorda. Há pouca dúvida.Teoria Geral do Turismo Todavia. pois os interesses da sociedade e do indivíduo não são necessariamente os mesmos. Veja. permanecem no país visitado por um curto período. Estas mudanças ocorrem porque os turistas. É interessante notar que existem debates contínuos sobre isso – se essas mudanças são benéficas ou não. chega a um país. (apud Lickorish e Jenkins. não é mesmo? Você sabia ? Que em muitos países os turistas não são sensíveis aos costumes. aos efeitos não-econômicos induzidos por esse relacionamento. Muitos dos efeitos sociais e culturais do turismo são retratados como sendo essencialmente negativos. e principalmente. Os efeitos não-econômicos são abrangentes e tratam especificamente das relações que ocorrem entre os turistas e a população autóctone de um núcleo receptor de turismo. Eles trazem consigo suas tradições. nesses espaços. mais estudiosos e profissionais do turismo passaram a dar mais atenção ao relacionamento entre os turistas e a população local. por exemplo). pois estudos recentes feitos por diversos autores − e citamos Kadt (1976) e O’Grady (1981). os efeitos sobre os valores e comportamentos sociais. quanto aos locais em que o turismo internacional tem alguma importância para um país. os visitantes estrangeiros não se integram na sociedade. quando um grande número de turistas. em geral. dólares.

o qual pode transformar profundamente os hábitos sociais locais. ainda. no jornaleiro. eles não se limitam a trazer consigo seu poder de compra e a fazer com que se instalem comodidades para serem por eles desfrutadas. Acima de tudo. 64 . acarreta em. coletivos ou econômicos. a população local tem que aceitar os efeitos da superlotação. ou como inerente às mudanças sociais e econômicas de um determinado país ou grupo social? A infra-estrutura e as condições básicas de oferta de produtos e serviços se alteram drasticamente. seja para compras na padaria. quando os turistas chegam a um país de destino. os efeitos do turismo em determinada localidade? Ou. longos períodos de espera para se chegar a uma praia ou um atrativo qualquer. ou leu em algum jornal local. durante a temporada de turismo.Universidade do Sul de Santa Catarina De acordo com Lickorish e Jenkins (2000). os quais talvez possam não existir em outras épocas do ano como algo inerente ao desenvolvimento econômico. no supermercado. mediante a remoção e a perturbação das normas já estabelecidas da população residente. É fato é que começam a se formar filas e mais filas. entre outras atividades. eles trazem um tipo diferente de comportamento. quando da alta temporada (independentemente se ela ocorre no verão ou no inverno). Para muitas destinações turísticas consolidadas e na rota de preferências de uma dada população. seja para utilização de um serviço bancário. por exemplo. E a população que reside ou habita nesse lugar é envolvida nesse conjunto de expectativas e interesses. sejam eles individuais. a falta de infra-estrutura adequada. quem não soube através de outros que. Quem já não presenciou.

É interessante pensar nisso. Unidade 2 65 . que também estão ligados às mudanças sociais que afetam as comunidades no processo de modernização. Os efeitos posteriores podem ser o aparecimento do comportamento consumista. já que o excesso de turismo pode ter repercussões problemáticas. mas também os objetivos e oportunidades para a atividade criminal. naturalmente a mudança nos valores sociais leva a uma alteração nos valores políticos. transformar a hospitalidade típica de muitos países em práticas comerciais. leva à xenofobia. às vezes com conseqüências desordenadas. seria errado culpar o turismo por todos esses problemas. O turismo acelera o processo. por motivos psicológicos. Em geral.Teoria Geral do Turismo O que você acha disso? Participe do fórum e discuta a questão: A “coexistência” entre população local e turistas “invasores” nem sempre é fácil. o declínio da moral. Não são apenas as atitudes locais que se modificam. à tensão social particularmente notada em áreas turísticas muito populares em locais onde a população. a prostituição. como. por exemplo. Um declínio nos valores morais e religiosos também é comum e pode ser observado pelo aumento do nível de criminalidade. não está pronta para ser submetida a essa “invasão”. Compartilhe com seus colegas de turma. a mendicância. não é? As relações humanas são importantes. a perda da dignidade e a frustração de não poder satisfazer suas necessidades. culturais ou sociais. No entanto. o consumo de drogas. o que pode levar os fatores econômicos a suplantarem o relacionamento pessoal. mas não o cria. Ainda de acordo com Lickorish e Jenkins (2000).

acerca dessa realidade! Faça uso do espaço abaixo. muitas vezes é caracterizada por alguns “conflitos”. O turismo pode gerar custos sociais. Entretanto. de regiões específicas. muitas vezes. Com a chegada de grupos de turistas. mas que nem por isso são menos importantes. ocorrido entre turistas e residentes locais. tente lembrar se você já presenciou ou mesmo conheceu um “choque cultural”. Você também pode escrever sobre o que você conhece ou percebe. o turismo pode se tornar o elemento que irá garantir a manutenção de certas tradições originais que atraem os turistas. Um exemplo é a ameaça aos hábitos tradicionais de cada país e. os valores e as crenças da comunidade local são afetadas? A população local está preparada para receber o turista de forma cordial? Elabore respostas para as questões acima. em geral difíceis de estimar. Tendo em mente a realidade turística existente na sua cidade de residência ou de nascimento.Universidade do Sul de Santa Catarina As relações que se verificam entre os mais diversos tipos de turistas e as comunidades locais. 66 . quando da ocorrência principalmente da chamada “alta temporada”.

você poderá fazer uma comparação entre eles. sendo que a cultura acaba sendo sacrificada em favor da promoção do turismo. levar a um entrosamento amigável e responsável e. aos artesãos. como. ou seja. Em um nível social. aumentar as ligações entre os países. a criação de valores econômicos adicionais ao preço da perda do valor cultural. por fim. Assim. por exemplo. estimular o intercâmbio cultural.Teoria Geral do Turismo É de suma importância proteger e manter a herança cultural. a erosão de valores estéticos (de paisagem) e de um certo know-how (conhecimento) técnico. por exemplo: o comércio ilegal de objetos históricos e animais. tirando sua próprias conclusões. Como forma de sumarizarmos os impactos sociais e culturais do turismo. Unidade 2 67 . A comercialização de eventos da cultura tradicional pode levar à criação de uma pseudocultura. O mesmo se aplica. o turismo bem organizado pode favorecer contatos entre turistas e a população local. sem valor cultural algum para a população local nem para os visitantes. na seqüência você visualiza dois quadros com os aspectos socioculturais positivos e aspectos socioculturais negativos. o desaparecimento de pessoas com habilidades manuais altamente qualificadas. entre outros. um folclore artificial para o turista. pesquisas arqueológicas não oficiais. A questão é o conflito potencial entre os interesses econômicos e culturais. além de lidar com os problemas sociais relacionados.

. Desenvolvimento e promoção 2. Reativação da vida social e cultural Quadro 2. No mais favorável dos casos. Renovação da arquitetura 5. como no Pelourinho em Salvador e no centro histórico de Recife. como em Highland Games.Universidade do Sul de Santa Catarina Veja os aspectos positivos: O turismo constitui um método de desenvolvimento e promoção de regiões pobres ou não-industrializadas onde as atividades tradicionais estão em declínio. o turismo que substituiu o cultivo de cana-de-açúcar em muitos países do Caribe. estimulando contatos no país. como. como os Parques Nacionais dos estados Unidos. O turismo pode renovar as tradições de arquiteturas locais. você vê um quadro que sumariza os impactos sócioculturais negativos do turismo. 2000. em um ambiente natural protegido. dando maior importância ao lazer e ao relaxamento. Renascimento das artes e da cultura 6. Rio de Janeiro: Campus. a comunidade local. Pode também servir como um trampolim para a renovação de áreas urbanas. O turismo acentua os valores de uma sociedade. atraindo jovens e favorecendo as atividades da região. de áreas de beleza natural que possuem valores estéticos e/ou culturais. o turismo pode garantir a conservação. p. C. Conservação de áreas naturais 4. na Escócia. O turismo contribui para o renascimento das artes locais e das atividades culturais tradicionais. 1.L. J. Com o gerenciamento adequado. na condição de que as peculiaridades regionais. atividades que exigem um ambiente de alta qualidade. por exemplo. 109. como nos países da Escandinávia. antes decadentes. JENKINS. em longo prazo.4: Impactos sócioculturais positivos do turismo Fonte: Adaptado de: LICKORISH L. assim. Analise os aspectos negativos apresentados: 68 . a herança ancestral e o ambiente cultural são respeitados. introdução ao Turismo. o turismo pode até mesmo oferecer uma forma de reativar a vida social e cultural da população residente. Acentuação de valores sociais 3. A seguir. revitalizando.

Especulação imobiliária Quadro 2. Em nome de uma visibilidade melhor. Como se pôde verificar por meio dos exemplos ilustrados nos quadros e. O turista quer se hospedar em uma edificação típica do lugar visitado. seus hábitos. 4. músicas. O desfile de carnaval é um dos exemplos de como a demanda pode alterar essas tradições. Arquitetura tradicional 6. procuram imitá-los. Manifestações culturais tradicionais 5. eles se ampliam à medida que ocorrem sete ondas distintas de tipos de turistas. Desta forma. de acordo com o que você estudou nesta unidade. Há uma tendência de padronização do artesanato e produtos locais típicos. Imitação 2. a arquitetura passa a incorporar estes quesitos de conforto. Assim. Fundamentos do Turismo. mas também quer o conforto de sua casa. 181/2. para satisfazer a necessidade de atender o crescimento da demanda. etc. ainda. Segundo Smith (1978). 2003. p. de acordo com o que será apresentado a seguir. Luiz Renato. com formações culturais as mais diversas. O jovem da cidade pequena tende a imitar o jovem dos grandes centros urbanos no que se refere a suas roupas. de acordo com a procura. Artesanato 3. Essa exigência pode fazer com que processos produtivos sejam alterados. São Paulo: Pioneira Thomson Learning. os impactos culturais vão se intensificando à medida que o volume de turistas se amplia. Influência da demanda Existe um comportamento psicossocial em que as comunidades mais tradicionais. O veranista quer construir sua residência secundária o mais próximo possível do mar. exatamente nos locais ocupados pelos pescadores. o desfile veio se alterando ao longo do tempo para ser mostrado para as arquibancadas ou para ficar mais plasticamente apresentável na televisão. o mesmo artesanato é encontrado nas regiões mais diferentes do Brasil. Unidade 2 69 . A demanda existente por determinados tipos de artesanatos faz com que seja preciso aumentar a oferta. A especulação imobiliária expulsa o pescador para longe do mar.Teoria Geral do Turismo 1. ao terem contato com povos de países mais desenvolvidos. A arquitetura tradicional local também pode se transformar a partir de uma demanda turística.5: Impactos sócioculturais negativos do turismo Fonte: Adaptado de: IGNARRA.

Aprofunde seus conhecimentos fazendo as leituras complementares indicadas no saiba mais. 180. As preocupações sobre o relacionamento anfitrião/hóspede se tornaram mais comuns na literatura atual sobre o turismo. Massa incipiente 6. Elite 3. Não se pode mais pensar em planejamento turístico. 2003. Massa 7. realize as atividades e confira suas respostas no final do livro. Não é mais suficiente abordar o desenvolvimento do turismo em simples termos de custo/ benefício. Os planejadores da atividade estão se tornando mais conscientes da necessidade de considerar o desenvolvimento do turismo em uma perspectiva em longo prazo. Luiz Renato.Universidade do Sul de Santa Catarina Tipo de Turista 1. Fundamentos do Turismo. a seguir. Explorador 2. mas visto Ocasional Fluxo regular Influxo contínuo Chegada maciça Impacto sobre a Comunidade Aumentando rapidamente Quadro 2. não é mesmo? Leia. Vôo fretado Número de Turistas Muito limitado Raramente visto Incomum.Você concorda. Tem-se dado cada vez mais atenção à aceitabilidade do tipo e da escala do desenvolvimento do turismo por parte da comunidade anfitriã. p. em desenvolvimento da atividade sem levar em consideração a necessidade de conhecimento sobre os possíveis impactos sócioculturais que o turismo gera . Fora do comum 5. São Paulo: Pioneira Thomson Learning. a síntese da unidade. Excêntrico 4.6: Os impactos do turismo de acordo com os tipos de fluxos turísticos Fonte: Adaptado de: IGNARRA. 70 .

uma área de conhecimento que também teve iniciados seus estudos mais aprofundados na década de 1970. Este é um conceito significativo. sem levarmos em conta as características e as necessidades das comunidades que recebem os turistas. pois possibilita compreender a abrangência que o turismo possui em termos econômicos. Você percebeu que a década de 1970 é considerada como sendo aquela em que houve o “pontapé” inicial para estudos nesse âmbito. conceituamos o que significa “efeito multiplicador do turismo”. você teve contato com os impactos econômicos do turismo. Na seção 2. você teve a oportunidade de estudar sobre a mensuração do turismo. Unidade 2 71 . “medir” o turismo.Teoria Geral do Turismo Síntese Nesta unidade. especificamente. A seção 2 apresentou também os principais impactos econômicos positivos e negativos. para uma compreensão mais contextualizada da atividade turística. Pudemos demonstrar que turismo não só gera impactos na economia. A última parte desta unidade versou sobre os impactos sócioculturais resultantes da atividade turística. conheceu o significado de teorometria e qual sua aplicabilidade quando se quer mensurar o turismo. Você percebeu que não podemos mais pensar em planejamento do turismo. Do contrário. por meio de alguns conceitos em que foi descrita a dificuldade que os pesquisadores e autores do assunto têm para. em organização do setor. não seria possível elaborar uma pesquisa de demanda. Importante destacar que a maioria esmagadora das pessoas comuns e também muitos empresários da atividade só a “enxergam” sob este prisma: o turismo é uma atividade meramente econômica! Foi possível visualizar o movimento de turistas internacionais e o impacto que a atividade gera em termos econômicos. Seguindo a seção. Vimos também que é fundamental ter conhecimentos sobre economia e a sua dinâmica. mas que os impactos gerados no âmbito social e cultural de determinado núcleo receptor são também significativos.

a habilidade de construir conhecimentos básicos em outras áreas e também habilidade para reflexão. 1) Explique o que significam as siglas PNB e PIB e diga qual a diferença entre elas. sempre que necessitar. Essa seção foi muito importante. pois exigiu de você. finalmente. você estudou que o turismo gera impactos positivos e negativos no espectro social e cultural. atentamente. 2) Para elaborar uma estatística sobre o movimento interno de turistas. realize na seqüência as atividades propostas. Verifique isso. seriam necessários. E. por meio de tabelas e quadros. aluno.Universidade do Sul de Santa Catarina As relações interpessoais e o respeito para com as tradições e os costumes locais foram igualmente destacados. Atividades de auto-avaliação Com base na leitura desta unidade. no mínimo quais dados? 72 .

Para conhecer uma base de informações gerais. Saiba mais Para conhecer mais detalhes acerca dos conteúdos desta unidade. 2003. Introdução ao turismo. os impactos econômicos e a movimentação internacional de turistas atual. sugerimos: http://revistaturismo. J.world-tourism.htm Para conhecer dados estatísticos. 2000.org/ Observação: este site é disponível em francês. São Paulo: Pioneira Thomson Learning. sugerimos algumas obras: IGNARRA. Rio de Janeiro: Campus. incluindo artigos e notícias do Turismo na Internet.R. C. Introdução ao Turismo. e JENKINS.br/artigos/ artigos. espanhol e russo! Unidade 2 73 . L.com.L. Fundamentos do turismo. informações gerais do turismo mundial. OMT. 2001. sugerimos: http://www. L. LICKORISH. entre outros. São Paulo: Roca.cidadeinternet.Teoria Geral do Turismo 3) Defina o que é o “efeito multiplicador” do turismo.

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3 Seções de estudo Seção 1 Estrutura do Sistema de Turismo. Seção 3 Empresas de transportes turísticos. Distinguir o que é oferta e demanda turística. .UNIDADE 3 O Sistema de Turismo e os meios de transportes Objetivos de aprendizagem Compreender as bases que perfazem o Sistema de Turismo. Conhecer os principais meios de transportes turísticos e sua importância para referida atividade. Seção 2 Oferta turística e demanda turística.

2001) A natureza da atividade turística é um resultado complexo de inter-relações entre diferentes fatores que precisam ser 76 .R. que nesta unidade sejam abordados aspectos que levem você ao conhecimento sobre Sistema de Turismo. principalmente. quando se aborda a estruturação de projetos na área turística. para que ela possa ser atrativa para as comunidades receptoras do Turismo. geralmente. tendo cuidados com a preservação ambiental e.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Para que a atividade turística possa ocorrer de forma sustentada. São Paulo: Ed. . um grupo de cientistas propôs o conceito de sistema que causou um impacto considerável. que.G. portanto. (org). Sinta-se à vontade para “viajar” pelas próximas páginas. aproveitando o que é de bastante relevância para um bom entendimento técnico e científico do Turismo. Faz-se necessário. ao entendimento sobre oferta e demanda no Turismo e a um bom conhecimento sobre os principais meios de transportes turísticos. com abordagem sistêmica. Surgiram múltiplas referências. não são levados em consideração. afetando diversos campos do conhecimento humano. M. Um dos objetivos também é poder familiarizá-lo com esses importantes e indispensáveis tópicos. SENAC. ordenada em princípios de gestão profissional. nas mais variadas áreas do conhecimento. Mas o que é um sistema? O que lhe vem à mente quando pensa nessa palavra? Que relação ela pode ter com as atividades do turismo? (ANSARAH. SEÇÃO 1 – Estrutura do Sistema de Turismo Na década de 1950. existem determinadas condições que devem ser observadas e ser de conhecimento dos estudantes da área. como ensinar. Dessa forma. conhecer como está estruturada a atividade turística é uma importante etapa para o seu conhecimento no escopo da disciplina de Teoria Geral do Turismo. Turismo como aprender.

que é formada pelo conjunto de consumidores ou possíveis consumidores – de bens e serviços turísticos. pelo professor Mário Carlos Beni em 1997 e. São Paulo: Roca. em outros países. Para a OMT – Organização Mundial do Turismo – distinguemse quatro elementos básicos no conceito da atividade turística: a) A demanda.R. 2001) Unidade 3 77 . Parte desses estudos consiste na elaboração de teorias sobre o funcionamento do fato e do fenômeno e de modelos explicativos sobre o funcionamento do mercado turístico. como ensinar. 2001) (OMT. d) Os operadores de mercado. (org). M. entre outros. a “ciência social das viagens”. como um conjunto de elementos inter-relacionados entre si que se desenvolvem dinamicamente. (org). numa ótica sistemática. mediante seu trabalho profissional. que é a base física onde tem lugar a conjunção ou encontro entre a oferta e a demanda e onde se situa a população residente. isto é. em 1991. os meios de transporte e organismos públicos e privados. pode ser ao mesmo tempo um destino turístico. São Paulo: SENAC. b) A oferta.G. Turismo como aprender. c) O espaço geográfico. A ciência do turismo ainda está em construção. que é composta pelo conjunto de produtos. mas alguns estudiosos já arriscam mencionar. (ANSARAH. em 1979. por Neil Leiper.R. serviços e organizações envolvidos ativamente na experiência turística. Introdução ao Turismo. adotada e divulgada no Brasil. SENAC. principalmente na Europa. 2001) (ANSARAH. Turismo como aprender.G.Teoria Geral do Turismo considerados conjuntamente. São Paulo: Ed. que são empresas e organismos cuja função principal é facilitar a interrelação entre a oferta e a demanda. que. são artífices da ordenação e promoção do turismo. Entram nessa consideração as agências de viagens. M. Uma das teorias mais difundidas atualmente é a dos sistemas. como ensinar. Sergio Molina.

o comportamento de gastos do turista. mas também de equipamentos complementares de alimentação. observe algumas funções inerentes à natureza da atividade de Turismo. c) ambiente social e econômico. que se tornam os elementos do sistema. “o Turismo.]” Para que seja facilitado o aprendizado e a compreensão do Sistema de Turismo. b) ambiente cultural.. 78 . a fruição dos bens turísticos. contidas nas seguintes áreas: a) ambiente natural.. o deslocamento de indivíduos no contínuo espaço/tempo. a disponibilidade e a solicitação de equipamentos e instalações de recreação e entretenimento. o tempo de permanência na área receptora. deve ser considerado um sistema aberto que [. na linguagem da Teoria Geral de Sistemas. os equipamentos de transporte oferecidos ao tráfego de pessoas. Desse repertório de funções primárias e inerentes à atividade. segundo os estudos realizados pelo professor Beni: o conjunto de fatores que geram as motivações de viagens e a escolha das áreas de destinação turística.] permite a identificação de suas características básicas..Universidade do Sul de Santa Catarina De acordo com Beni (1997). o processo de produção e distribuição desses bens e serviços.. derivam funções que ampliam e consolidam o contexto em que ela se processa. a disponibilidade e a solicitação não só de equipamentos de alojamento hoteleiro e extra-hoteleiro. Essa abordagem facilita estudos multidisciplinares a partir de várias perspectivas com ponto de referência comum [.

o espaço geográfico e os operadores de mercado. No caminho da sua “viagem”. mais uma etapa da viagem para aprimorar seus conhecimentos. Aproveite. Unidade 3 79 . social. Mas afinal.Teoria Geral do Turismo d) nas funções de organização e operacionalização. que agrupam os subsistemas ecológico. podemos afirmar que Sistema Turístico é um conjunto complexo de inter-relações de diferentes fatores que devem ser considerados conjuntamente sob uma ótica sistemática. qual a definição de Sistema Turístico? Veja que de uma forma bem simples. você vai encontrar maiores detalhes sobre demanda turística e o que significa e caracteriza a oferta turística. Beni (1997) divide sua teoria de sistemas em três grandes conjuntos: Relações ambientais. Organização estrutural. então. sistema viário e de transportes). que englobam os subsistemas de produção. e o terceiro. ou seja. a oferta. Ações operacionais. saneamento básico. a demanda). distribuição e consumo do mercado turístico. Dessa maneira. um conjunto de elementos inter-relacionados que evoluem de forma dinâmica e cujos quatro elementos básicos são: a demanda. econômico e cultural. que apresenta a superestrutura (ordenamento jurídico-administrativo) e a infra-estrutura (serviços urbanos. (Os dois primeiros conjuntos englobam a oferta.

Do contrário.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 2 – Oferta turística e demanda turística Nesta seção você terá a oportunidade de conhecer o que é oferta e demanda turística. o preço tende a subir. as relações de mercado são regidas por uma lógica denominada Lei da Oferta e da Procura. e a quantidade que pode ser oferecida. determinado local e determinado período de tempo. quando se têm em mente os crescentes fluxos turísticos internacionais. De modo geral. p. são entendidos pelo turista como um todo que integra a experiência vivencial da viagem. integrado a um objetivo geral e cooperado – voltado para a qualidade total dos produtos e serviços oferecidos. A oferta turística de uma localidade é constituída da soma de todos os produtos e serviços adquiridos ou consumidos pelo turista durante a sua estada em uma destinação. 1997. pode-se dizer que a oferta é a quantidade de bens e serviços que uma empresa. (RUSCHMANN. Vamos a eles? Oferta Turística Conhecer a oferta turística é de grande importância para que haja uma melhor compreensão do fenômeno turístico. o planejamento da oferta turística de núcleos receptores deve considerar o desempenho isolado de cada um. 80 . No curto prazo. determinada qualidade. Em períodos que temos grande oferta de um determinado produto. Em economia a Lei da Oferta e da procura é a lei que estabelece a relação entre a demanda de um produto. apesar de atuarem de forma individual. ou conjunto de empresas. que são relevantes. está apta e disposta a produzir e colocar no mercado por determinado preço. quando os consumidores querem comprar um determinado produto em maior quantidade do que a disponível no mercado. ou a procura de um produto. apresenta características próprias. quando existe pouca demanda. que se constitui da justaposição de bens e serviços oferecidos aos turistas e consumidos por eles. A característica mais marcante da oferta turística é sua heterogeneidade. o seu preço cai. dois componentes essenciais da atividade turística. os ofertantes tendem a reduzir o preço desse produto. ou que o produtor deseja oferecer. Diz esta lei que. No entanto se o que tem é uma Por isso.138). É importante ressaltar que esses produtos e serviços são oferecidos por uma gama de produtores e fornecedores diferentes que.

de caráter artístico. A oferta turística. (BENI. numa primeira etapa. bens e serviços de alojamento. Não há dúvida de que esses elementos imprescindíveis.153) A oferta em turismo pode ser concebida como o conjunto dos recursos naturais e culturais que. a quantidade que as empresas se dispõem a colocar no mercado varia na mesma direção do preço. constituem a matéria-prima da atividade turística porque. durante um período determinado de tempo. paisagens) são as fontes de atração que sustentam os deslocamentos de pessoas com finalidades especificamente turísticas. cultural. pode-se definir a oferta básica como o conjunto de equipamentos. de recreação e lazer. sob o prisma de um dos mais importantes autores a respeito de sistema de turismo no Brasil. capaz de atrair a assentar numa determinada região. numa estrutura de mercado. na realidade. praias. é definida conforme se pode observar a seguir: Em linhas gerais. maior tende a ser a oferta. professor Mário Carlos Beni. por natureza não-reguláveis. Como é evidente. escapam totalmente de um tratamento econômico e ficam à margem do que se pode entender por “oferta” no sentido estrito da palavra. montanhas. os valores que a natureza oferece sem necessidade da interferência do homem (sol. e vice-versa.Teoria Geral do Turismo Por conseguinte. são esses recursos que provocam a afluência de turistas. p. social ou de outros tipos. um público visitante. Quanto maior o preço. A esse conjunto agregam-se os serviços produzidos para dar consistência ao seu consumo. sem levar em consideração os atrativos naturais das regiões que motivam. em sua essência. a criação de fluxos turísticos. os quais compõem os elementos que integram a oferta no seu sentido amplo. Unidade 3 81 . de alimentação. 1998.

ninguém oferta turismo isoladamente. portanto. Diversas empresas e o Estado complementam. a oferta não pode ser exportada nem importada.436 928 50. a quantidade de oferta. permitindo um menor grau de variações concorrenciais em curto prazo. em um núcleo receptor.1: Oferta turística na Espanha Fonte: Secretaria Geral de Turismo. uma empresa só entra em um mercado se estiver localizada nele. apesar do “turismo virtual”. 82 . Nesse sentido.450 335 30 127 31 6 96 20 Quadro 3. Sumarizar ou sintetizar a oferta turística requer cuidados. 1993 in OMT. O turismo. por ser estática.Universidade do Sul de Santa Catarina O quadro que se apresenta a seguir serve como exemplo de oferta turística de um país. cada qual com suas parcelas. requer organização entre esses agentes para que a oferta possa existir. Contudo. o turismo se dá em um espaço definido. São Paulo: Roca. para não se incorrer na possibilidade de uma compreensão equivocada. A oferta está em um local. O local escolhido para o negócio deve ser muito bem analisado. Introdução ao Turismo. Hotéis Acampamentos Restaurantes Agências de Viagens (centrais e sucursais) Instalações náuticas Estações de esqui Campos de golfe Parques aquáticos Parques de diversões Estações termais Cassinos 9. Ou seja. em um destino turístico. b) Estática – Necessariamente.055 4. 2001. Por outro lado. podem-se elencar algumas características que são fundamentais a essa atividade: a) Complementaridade – Certamente. os investimentos perdem em mobilidade.

o turismo absorve recursos disponíveis e converte-os em oferta. tem-se que a quantidade ofertada é maior que a quantidade produzida. o que faz gerar ciclos em que se alternam altas e baixas produções. Em quase todas as atividades produtivas humanas. por outro lado. históricos. Assim também são os atrativos culturais. d) Sazonalidade . o turismo requer menores investimentos que os resultados econômicos obtidos. 2001). ilustrarão de forma mais clara a composição da oferta. Unidade 3 83 .Um dos grandes problemas do turismo é o seu vínculo com as estações climáticas do ano. que são criados com outras intenções e depois são convertidos em produto turístico. propulsiona a economia desse setor.Teoria Geral do Turismo c) Diversificação – Pelo fato de o produto turístico ser heterogêneo. Logo. a possibilidade de oferta está restrita a temporadas. Portanto. optamos por apresentar uma série de quadros e tabelas que. certamente. Dessa forma. então? Segundo a Organização Mundial de Turismo. para seu desfrute e consumo”. que não foram produzidas pelo homem. No caso do turismo. o que dificulta mensurá-lo em uma totalização. o resultado – a oferta colocada no mercado – requer transformação laborativa. Assim. é chegado o momento de perguntar: qual é a sua definição. Tendo visto o conteúdo até o momento sobre oferta turística. arquitetônicos e sociais. Ao avançarmos um pouco mais sobre o tema da oferta turística. ofertam-se o clima e as belezas naturais. a oferta turística apresenta um grande leque de alternativas diferentes. e) Absorção – Uma das grandes vantagens do turismo é que a oferta agregada é maior do que a produção. (OMT. oferta turística é “o conjunto de produtos turísticos e serviços postos à disposição do usuário turístico num determinado destino.

Universidade do Sul de Santa Catarina Sabemos que a oferta turística é composta por um conjunto de elementos que podem ser divididos conforme a seguir: a) atrativos turísticos. 84 . Um museu sobre o fundador de uma cidade pode ter grande importância para os seus habitantes e nenhuma para os visitantes. inclusive. g) preço. é a mesma adotada pela EMBRATUR – Instituto Brasileiro de Turismo): atrativos turísticos naturais e atrativos turísticos culturais. b) serviços turísticos. f) imagem da marca. dado que a atratividade de certos elementos varia de forma acentuada de um turista para outro. c) serviços públicos. Devemos destacar que existem categorias diferentes já elaboradas sobre atrativos turísticos. Comecemos com os atrativos turísticos: Como definir o termo e o que ele compreende? O seu conceito é complexo. Para efeito de nossos estudos. adotaremos a divisão simples (que. d) infra-estrutura básica. e) gestão. Um outro exemplo é que um determinado santuário religioso pode ter grande atratividade para adeptos de uma religião e nenhuma para outras.

2: Tipos de atrativos naturais Fonte: Adaptado IGNARRA. Unidade 3 85 . 2003. p. 55. São Paulo: Pioneira Thomson Learning. Fundamentos do Turismo.Teoria Geral do Turismo Os atrativos naturais podem ser divididos conforme segue: TIPOS Picos Serras Montes/morros/colinas Outros Chapadas/tabuleiros Patamares Pedras/tabulares Vales/rochedos Praias Restingas Mangues Baías/enseadas Sacos Cabos/pontas Falésias/barreira Dunas Outros Ilhas Arquipélagos Recifes/atóis Rios Lagos/lagoas Praias fluviais/lacustres Quedas d’água SUBTIPOS Montanhas Planalto e Planícies Costas ou Litoral Terras Insulares Hidrografia Pântanos Fontes hidrominerais e/ou termais Parques e reservas de flora e fauna Grutas/cavernas/furnas Áreas de caça e pesca Quadro 3. Luiz Renato.

Universidade do Sul de Santa Catarina Os atrativos turísticos culturais também podem ser classificados em tipos e subtipos.3: Tipos de atrativos turísticos culturais Fonte: Adaptado IGNARRA. 60. 86 . São Paulo: Pioneira Thomson Learning. Fundamentos do Turismo. Usos e Tradições Populares Realizações Técnicas e Científicas Contemporâneas Acontecimentos Programados Quadro 3. 2003. p. Luiz Renato. TIPOS SUBTIPOS Arquitetura civil Arquitetura religiosa/funerária Arquitetura industrial/religiosa Arquitetura militar Ruínas Esculturas Pinturas Outros legados Sítios históricos Sítios científicos Museus Bibliotecas Arquivos Institutos históricos e geográficos Festas/comemorações/ atividades religiosas Festas/comemorações populares e folclóricas Festas/comemorações cívicas Gastronomia típica Feiras e mercados Exploração de minérios Exploração agrícola/pastoril Exploração industrial Assentamento urbano e paisagístico Usinas/barras/eclusas Zoológicos/aquários/viveiros Jardins botânicos/hortos Planetários Outros Congressos e convenções Feiras e exposições Realizações desportivas Realizações artísticas/culturais Realizações sociais/assistenciais Realizações gastronômicas Outros Monumentos Sítios Instituições e Estabelecimentos de Pesquisa e Lazer Manifestações.

TIPOS SUBTIPOS Hotéis Motéis Flats Pousadas Pensões Pensionatos Lodges Hospedarias Albergues da juventude Bed & Breakfast Cruzeiros marítimos Campings Acantonamentos Colônias de férias Imóveis de aluguel Restaurantes Lanchonetes Sorveterias/docerias Cafés/casas de sucos/casas de chá Cervejarias Quiosques de praias Agências emissivas Agências receptivas Aéreo Rodoviário Ferroviário Aquático Carros Motos Bicicletas Embarcações Equipamentos esportivos Continua Você encontrará diversos endereços úteis na seção “Saiba Mais”. Meios de Hospedagem Alimentação Agenciamento Transportes Turísticos Locação de Veículos e Equipamentos Unidade 3 87 . o produto turístico é composto.Teoria Geral do Turismo Como já é do seu conhecimento. o turista necessita consumir uma série de serviços. além dos atrativos (conforme as duas tabelas anteriores). por atenderem exclusiva ou preferencialmente turistas. são classificados como turísticos. no final desta unidade. Para poder usufruir deste atrativo. pelos serviços turísticos. Alguns desses.

p. 64. 88 . São Paulo: Pioneira Thomson Learning. Fundamentos do Turismo. 2003. Luiz Renato.4: Tipos de serviços turísticos Fonte: Adaptado IGNARRA.Universidade do Sul de Santa Catarina TIPOS Eventos SUBTIPOS Organizadores de eventos Fornecedores de produtos e serviços Centros de convenções Bufês Centros de feiras Áreas de exposição e de rodeios Áreas de eventos culturais Bares Boates Danceterias Clubes/estádios/ginásios Casas de espetáculos Cinemas/teatros Parques de diversões Parques aquáticos Parques temáticos Boliches Pistas de patinação Bilhares Campos de golfe Terminais de turismo social Hipódromos Velódromos Autódromos/kartódromos Marinas Mirantes/belvederes Guias/mapas Postos de informações/centros de informações turísticas Centrais de informações turísticas Jornais e revistas especializadas Cavalo Helicóptero Barco Souvenirs Joalherias Artesanato Produtos típicos Espaços de Eventos Entretenimentos Informação Turística Passeios Comércio Turístico Quadro 3.

Não adianta uma localidade possuir bons atrativos e bons serviços se não coloca à disposição do turista alguns serviços básicos. TIPOS TIPOS Táxi Ônibus Metrô Teleférico Bonde Trem Transporte Aquático Aeroporto Estação ferroviária Estação rodoviária Estação portuária Agências bancárias Caixas eletrônicos Serviços de câmbio Farmácias Prontos-socorros Hospitais Clínicas Maternidades Polícia turística Serviços de salva-vidas Corpo de bombeiros Posto de informações turísticas Sinalização turística Mapas e guias turísticos locais Postos telefônicos Orelhões Rádio e televisão Disponibilidade de fax e Internet Continua Transportes Serviços Bancários Sérvios de Saúde Serviços de Segurança Serviços de Informação Serviços de Comunicações Unidade 3 89 . como transportes públicos.Teoria Geral do Turismo Outro elemento que merece destaque sobre a oferta turística é o conjunto de serviços públicos necessários ao ato do consumo turístico. por exemplo.

A infra-estrutura básica de uma destinação turística também é elemento fundamental para viabilização da atividade. rodoviários. tratamento e despejo de esgotos Coleta e tratamento de lixo Produção e distribuição de energia Continua Acessos Saneamento Energia 90 . marítimos. fluviais Captação. ferroviários. TIPOS TIPOS Rodovias Ferrovias Fluviovias Terminais de passageiros. p. que apresenta alguns tipos de infra-estrutura básica. etc. aéreos. São Paulo: Pioneira Thomson Learning. tratamento e distribuição de água Coleta. 68. o empreendimento torna-se inviável. A seguir. a rede de esgoto.Universidade do Sul de Santa Catarina TIPOS TIPOS Postos de abastecimento Oficinas mecânicas Borracheiros Lojas de autopeças Lojas de conveniências Lojas de artesanato Lojas de produtos típicos Agências bancárias Caixas eletrônicos Serviços de câmbio Serviços de Apoio a Automobilistas Comércio Turístico Serviços Bancários Quadro 3. por exemplo. Luiz Renato. A sua implantação em determinada localidade depende da disponibilidade de alguns insumos básicos. Sem esses elementos básicos. 2003. Fundamentos do Turismo. Um resort. o último quadro desta série. a ser implantado em uma praia deserta precisará levar até lá a energia elétrica.5: Serviços públicos de apoio ao turismo Fonte: Adaptado IGNARRA.

6: Infra-estrutura básica Fonte: Adaptado IGNARRA. há uma mudança de turismo de massa para turismo 91 Unidade 3 . as pessoas estão viajando mais em todo o mundo. e quinto. sinalização Distribuição Ar. o transporte aéreo de passageiros também apresenta a mesma tendência. a duração das viagens e o tempo de permanência nos locais visitados vêm diminuindo para uma semana ou dez dias. antenas de captação de rádio e televisão. Luiz Renato. você vai estudar outro importante componente do produto turístico que é a demanda! Vamos lá? Demanda Turística Por demanda turística pode-se entender: a quantidade de bens e serviços que um consumidor e/ou turista está apto e disposto a adquirir por determinado preço. serviços de correios. de forma alguma esgota todos os quesitos necessários e classificados como “oferta turística”. terceiro. som Formação e aperfeiçoamento de mão-de-obra Quadro 3. quarto. Na seqüência. por sua vez. apresentada pelas tabelas. por determinado período de tempo e em determinado local. dependem de uma infinidade de profissionais com as mais variadas especializações. agências telegráficas. São Paulo: Pioneira Thomson Learning.Teoria Geral do Turismo TIPOS Comunicações Vias urbanas de circulação Abastecimento de gás Controle de poluição Capacitação de recursos humanos TIPOS Rede de telefonia comum e celular. os quais. 2003. p. com determinada qualidade. água. conservação. Primeiro. postos telefônicos Implantação. A demanda por turismo vem apresentando tendências bastante interessantes nos últimos anos. segundo. 72. Fundamentos do Turismo. Essa listagem. O turismo depende de uma infinidade de serviços especializados. as pessoas fazem mais viagens durante o período de um ano.

Universidade do Sul de Santa Catarina de nichos. (LEMOS. por exemplo. o que obriga as empresas a saciarem demandas específicas. para um grupo de jovens. Você sabia? Que as diversas formas de classificação da demanda não são excludentes? Podemos compor o tipo de demanda que analisamos. Assim. o que significa a busca de um monopólio específico em um nicho de mercado.74). Observem que as especificações das demandas supracitadas compõem um perfil de comportamento econômico bastante variado. em um final de semana. Todas as operadoras e agências concorrem entre si. a classificação da demanda turística pode ser assim apresentada: 92 . por exemplo. numa viagem intermediada por uma agência e destinada a um grupo de adultos. tem-se um perfil profissional e. com vôo fretado. outros vão mais longe e prestam serviços especificamente para mulheres executivas. podemos ter uma demanda turística nacional. os turistas estão buscando uma forma de diferenciação e diversificação de suas viagens. para a participação em uma feira. No segundo grupo. mas uma delas pode ser especializada. caso se agreguem serviços de entretenimento para esse grupo. eles somente elevariam os custos da viagem. com cinco dias de permanência. caso se agreguem serviços mais elaborados. organizada por uma operadora. Certamente. o entretenimento é o objetivo e.75). temos um perfil muito diferente em uma demanda internacional. p. Existem hotéis que se especializam em prestar serviços para executivos. ou seja. 2001. em um destino. De outra forma. 2001. De acordo com Lemos (1983 apud apud FELLINI. em uma faixa etária etc. eles podem ser desnecessários. com ônibus turístico. No primeiro exemplo. O mercado de turismo é um setor de concorrência monopolística. p. para a participação num show de rock. as empresas e as localidades se aprimoram em criar serviços para nichos cada vez mais específicos.

IV) Participação em feiras e exposições. X) Misto. III) Participação em congressos. IV) Turismo para terceira idade. II) Família. III) Carona. III) Turismo para adultos. IV) Individual. V) Cultural. VI) Religioso. f) Quanto à quantidade de pessoas: I) Excursões (grupos). Unidade 3 93 . II) Sem agências e operadoras. cursos e seminários. IV) Trem. X) Ecológico. VII) Esportivo. II) Turismo para jovens. d) Quanto ao tempo de permanência Sem caracterização e) Quanto à forma de organização: I) Por agências e operadoras. VI) Ônibus turístico. c) Quanto ao motivo da viagem: I) Descanso e lazer. XI) Visitas a parentes e/ou amigos. II) Automóvel alugado. VII) Vôo comercial. VIII) Comercial ou de negócios (Businesstourism). II) Internacional. IX) Profissional. V) Ônibus rodoviário. II) Tratamento médico ou terapêutico. g) Quanto à idade: I) Turismo infantil.Teoria Geral do Turismo a) Quanto ao espaço: I) Nacional ou Doméstico. b) Quanto ao meio de transporte utilizado: I) Automóvel particular. VIII) Vôo fretado. III) Casal. IX) Marítimo.

pois é sensível a qualquer tipo de flutuação capaz de afetar tanto a oferta como a demanda. a) A elasticidade – O turismo é um fenômeno dinâmico marcado por contínuos movimentos de crescimento e diminuição em sua demanda. Desta forma. a sensibilidade e a sazonalidade. em geral. você completou todas as etapas necessárias a um conhecimento indispensável sobre duas destacadas características do produto turístico: a oferta e a demanda. b) A sensibilidade – as alterações ou mutações nos campos diversos da atividade humana criam situações individuais e grupais tão diversificadas e profundas que tornam instáveis as realidades e os relacionamentos turísticos. cada qual com suas características próprias. As condições climáticas favoráveis e as épocas reservadas às férias escolares (quando as famílias. possuem as seguintes características: a elasticidade. costumam diminuir de forma muito sensível. tanto quanto os feriados prolongados e os fins de semana.Universidade do Sul de Santa Catarina (ANDRADE. de acordo com os tipos de ofertas turísticas. 2002) As demandas dos diferentes mercados turísticos são variadas. situações instáveis e problemas sociais de porte significativo ou de expressiva gravidade. Turismo: fundamentos e dimensões. podem viajar completas). Todas. nas demais épocas e circunstâncias do ano. José Vicente. em menor ou maior grau de intensidade. Repugna ao turismo conviver com riscos ou incertezas. c) A sazonalidade – As épocas das temporadas ou as estações altas ou mais apreciadas do ano. no entanto. São Paulo:Ática. também se constituem em fatores importantes de influência no volume e na qualidade da demanda turística. concentram os grandes fluxos de demanda que. visto que uma não existe sem a outra. Instabilidade que influi na própria formação das estruturas de preços ao empresário e ao consumidor. ao chegar até aqui. motivados pelos diferentes graus de sensibilidade às mudanças provocadas pela oscilação das condições financeiras e econômicas do mercado. Parabéns pela conquista! 94 . em fluxos irregulares.

o que isso representa na cronologia histórica apresentada? Veja como o transporte se transformou no tempo e no espaço. SEÇÃO 3 – Empresas de transportes turísticos Como você viu na unidade 1. e sob que variáveis: a) Historicamente O homem primitivo dispunha somente de suas próprias forças para deslocar-se e carregar o que desejava transferir de local. segundo a nossa opinião. Não há registros sobre quem e quando se inventou o meio mais antigo de se transportar coisas de um lugar para outro. A domesticação de animais de grande porte. o mesmo ocorre com os transportes. são os de maior importância para que você possa se familiarizar com o contexto da relevância e do significado que eles têm para o Turismo.Teoria Geral do Turismo Seguimos adiante com o início da seção 3. que. Se considerarmos que “o turismo implica o deslocamento de pessoas. na evolução histórica do turismo salientamos que não havia um consenso sobre quando. elaboramos nesta seção um resumo cronológico sobre a evolução dos transportes. para monta e tração a trenós rústicos. que vai nos familiarizar com os transportes turísticos. efetivamente. foi o passo inicial de uma áspera luta do peso contra o espaço. se deu o início da atividade turística. Por esse fato. Unidade 3 95 . os meios de transporte são um componente essencial”.

espalhadas pelo império. Para as pessoas mais simples do Império Romano. talvez o mais remoto sistema utilizado pelo homem. A invenção da roda (Mesopotâmia com os Assírios. uma vez que construíram um conjunto de estradas. como a Via Apia (que tinha 560 km e ligava Roma a Nápoles) entre outras.C. por volta de 250 a. b) Império Romano Registra-se a existência da Carruca Dormitoria. deu-se a partir de 1840 com o advento da Revolução Industrial. Os Romanos foram decisivos para a evolução dos meios de transportes terrestres. no Império romano. um meio de transporte bastante difundido na época. assinalou o limiar de uma era de expansão e desenvolvimento em toda a superfície da Terra.. uma espécie de ônibus leito que servia para transportar os viajantes.) é o marco milenar da penosa caminhada do ser humano em busca do domínio da técnica do transporte terrestre. assumiu um valor extraordinário desde seu início. na 2ª metade do 1º milênio a. era utilizado o lombo do cavalo. principalmente na Itália. Muitos trechos deste conjunto de estradas ainda são possíveis de serem visitados. mais abastados. na Inglaterra e o 96 . c) Revolução Industrial O transporte moderno.Universidade do Sul de Santa Catarina A utilização do meio líquido com dispositivos flutuantes. que ficaram conhecidas com a PAX ROMANA. além das “bigas”. como o conhecemos atualmente. inclusive durante a noite.C.

Os transportes vivenciaram um impulso jamais antes verificado. que construiu várias motocicletas entre 1884 e 1886 e fundou. Em todos os tempos. ao que consideramos ser relevante para o seu entendimento sobre os transportes. rapidez. o transporte necessitou organização aprimorada. economia e conforto. faremos referência. de forma significativamente resumida e simplificada. Vamos a eles? Unidade 3 97 . Sendo assim. O passo decisivo para a conquista do ar deu-se em 21/07/1976. Relacionamos quatro meios de transportes que efetivamente são os mais utilizados e de maior significado. depois. quando a Air France inaugurou a 1ª rota internacional para transporte regular de passageiros com o SSC – Super Sonic Concorde. cuja velocidade é duas vezes maior que a velocidade do som. objetivando oferecer um mínimo de segurança. pontualidade. regularidade. que fabricou seu primeiro carro em 1884. seguido por Benz. a partir de 1914 as fábricas se uniram. a Daimler Motoren Gesellschft. Isso não seria possível numa única seção.Teoria Geral do Turismo conseqüente desenvolvimento das linhas férreas. A aplicação comercial do motor se deve ao engenheiro alemão Daimler. Sem nenhuma dúvida. foi o pesquisador de maior relevância. Querermos destacar que o objetivo desta seção não é o de apresentar de forma detalhada e aprofundada toda a evolução histórica e o conseqüente desenvolvimento dos transportes. na continuação do conteúdo. quando o assunto é turismo. prestação de serviços. para cumprir suas essenciais finalidades.

Marcou época no passado com transatlânticos muito luxuosos. II) TRANSPORTE MARÍTIMO. O transporte ferroviário em alguns países europeus continua prestando substancial apoio ao tráfego de turistas. A rede ferroviária nacional não foi sensível ao utilizar o trem como meio de transporte para o turismo de massa. Destacam-se também: 1980 – França – Trem TGV – 300 Km/h 1986 – Alemanha – Trem ICE – 340 Km/h 1994 – Japão – Trem Bala – 550 Km/h O Eurotúnel. FLUVIAL E LACUSTRE O tráfego turístico marítimo apresenta-se hoje bem diferenciado e segmentado em sua demanda. e toda política de transporte de massa foi colocada na rodovia e na indústria automobilística.Universidade do Sul de Santa Catarina I) TRANSPORTE FERROVIÁRIO O trem foi o grande impulsor inicial do turismo regional e do internacional até 1957. que se caracterizavam como verdadeiros hotéis flutuantes. E o Brasil. sob o Canal da Mancha. 98 . ligando o continente europeu à ilha da GrãBretanha. o que apresenta? Não apresenta tradição quanto ao uso do trem como transporte turístico. já faz parte de nosso presente.

Os transportes turísticos na Amazônia. O transporte terrestre de turistas também é feito por ônibus. com o desaparecimento da grande maioria das rotas regulares. Em 2006. III) TRANSPORTE RODOVIÁRIO A indústria automobilística brasileira tem grande impulso sob o governo de JK (1955 -1960).6 milhões de passageiros passaram suas férias nos navios. ela é muito difundida. a navegação marítima para o turismo. limita-se a cruzeiros com navios amplos e modernos. Em 1994. anéis. subutiliza a hidrovia para transporte de carga e a despreza como meio de deslocamento para o turismo. A navegação fluvial e lacustre (hidroviária) é muito difundida na Europa e nos Estados Unidos. com equipamentos modernos que trafegam em rotas tradicionais. como a do Reno. vias de acesso. readaptados. auto estradas. O automóvel foi a causa básica da expansão de estradas. Essa modalidade reduz consideravelmente o custo da viagem e. 4. e foi o Turismo que incrementou substancialmente o uso desse veículo. Pode-se dizer que o ônibus representa para os brasileiros Unidade 3 99 . quando é instalada no país a primeira fábrica nacional de automóveis (a Volkswagen). que tem a maior rede fluvial do mundo. e a do Mississippi. Isso por não ter tradição e equipamentos e muito menos infra-estrutura adequada. ainda são realizados com equipamentos obsoletos. trevos. nos Estados Unidos. drenagem e apoio. no Brasil. O Brasil. na Europa. apesar da grande demanda.Teoria Geral do Turismo Atualmente. de acordo com as previsões. serão 12 milhões de passageiros. construção de eclusas. sem as mínimas condições de higiene e conforto para uma exploração em escala econômica e em nível internacional.

exerce importante papel no desenvolvimento do Turismo. sobretudo naquele praticado a longas distâncias. como. Não podemos esquecer que ainda existem outros meios de transporte. em alguns países. esses são os principais meios de transportes utilizados pela atividade turística.Universidade do Sul de Santa Catarina o mesmo que o trem para os europeus. Todos os meios de transportes têm suas vantagens e suas desvantagens. Além dos vôos regulares que transportam milhares de pessoas. estudante de turismo. além das linhas regulares. IV) TRANSPORTE AÉREO O transporte aéreo é importante conquista do século passado. porém financeiramente inaccessível a grande maioria das pessoas. Alguns distam até trinta quilômetros dos centros urbanos. Hoje o avião é um meio de transporte de massa. A seguir. ainda existem sérios problemas no que tange à localização dos grandes aeroportos brasileiros. por exemplo. o transporte turístico espacial. atualmente uma realidade tecnicamente possível. 100 . realizar uma comparação dos diferentes meios. rápida e confortável. que ganharam uma importância tão grande que chegam. há uma modalidade específica que atende primordialmente ao tráfego turístico: os vôos charter. pelas vantagens que oferece. apresentamos um quadro em que será possível a você. O transporte aéreo. O tempo que se ganha no deslocamento aéreo é geralmente perdido nas operações de embarque e desembarque e de deslocamento até as cidades. Assim é que são criadas. linhas de ônibus especiais para o transporte exclusivamente turístico. Como você teve a oportunidade de ver. a suplantar os vôos regulares em volume de turistas. Uma viagem que há trinta anos ainda era uma aventura agora é segura. Contudo.

Possibilidade de desfrutar da paisagem. Chegada ao destino descansado. Marítimos Quadro 3. Possibilidade de andar pelos vagões. Privacidade.. Relativamente seguro. Incentivos aos usuários fiéis (bônus de quilometragem) Vôos fretados (charter): preço. Possibilidade de usar o veículo como alojamento. Serviços em terra (facilidades em terminais) sofisticados. Controle das horas de saída. Unidade 3 101 . 2001. Conforto. p. Cruzeiros: diversão e entretenimento. Mobilidade no destino. Barato. 1993. Aproveitamento por parte do usuário de preços baixos. Flexibilidade. Reflita a questão a não passe adiante sem colocar seu ponto de visa. Introdução ao Turismo. São Paulo: Roca. O que está achando arte aqui? Está gostando do conteúdo? Em seguida passemos a um exercício.Teoria Geral do Turismo Por rodovias (automóveis) Trens Aéreos Controle do itinerário e das paradas no caminho. Velocidade.183-186 in OMT. Possibilidade de levar muitas malas. Segurança. Não sofre engarrafamentos.7: Análise comparativa dos diferentes meios de tansportes Fonte: Adaptado de Cooper et al.

que é necessária se fazer. nessas estruturas. Faça uso do espaço abaixo. segurança. Contudo. de locais para alimentação. diz respeito à nossa parca infra-estrutura disponível em todo o território nacional. enquanto acadêmico de turismo. Lembramos que você. Você a considera adequada para receber turistas? Pense em termos de: higiene e limpeza. para que possamos melhorar a infra-estrutura disponível. entre outros. então temos que ter uma outra abordagem e uma outra visão. Será que as autoridades municipais e a população local levam em consideração estas necessidades para os turistas? O que deveria ou pode ser feito? Elabore respostas para as questões acima. de certa forma. disponibilidade de sanitários. acesso.Universidade do Sul de Santa Catarina Os meios de transportes desempenham um papel crucial para o desenvolvimento contínuo da atividade turística. Os nossos governantes têm a responsabilidade por tal. descreva o que você lembra em termos de infra-estrutura de transportes existente. A seção 3 nos possibilitou um “encontro” com as principais modalidades de transporte que estão disponíveis para os turistas. mas muitas vezes a sua simples iniciativa 102 . A grande reflexão. até o dever de não ficar esperando que as autoridades (em seus diferentes níveis) se responsabilizem pelas iniciativas. Não podemos nos esquecer de que se considerarmos o deslocamento como um ingrediente fundamental para que ocorra a atividade turística. a realidade da nossa infra-estrutura turística nacional é extremamente inadequada. Sabedor que és da realidade turística existente na sua cidade de residência ou de nascimento. tem a responsabilidade e.

somadas. você estudou o que é um sistema e qual a sua aplicabilidade para as diversas ciências. e.Teoria Geral do Turismo pode desencadear uma mudança e. você estudou dois tópicos de extrema relevância. Já a seção 3 desta unidade. Ficou patente que. tenha sempre em mente as variáveis que a afetam de forma significativa. até mesmo. exercem uma influência enorme sobre a demanda. trabalhou com os meios de transportes turísticos. entre as quais o turismo. a estabilidade social. há a necessidade de interação de uma série enorme de outras áreas de conhecimento. não existe um consenso sobre como se deu o início dos transportes e tampouco quem o inventou. Sabemos que a época do ano. ainda. para uma melhor compreensão do tema. Foi importante também verificar que o turismo não é definitivamente uma atividade isolada e. perfazem um sistema. foi possível você ter um contato mais próximo com mais alguns conceitos fundamentais da atividade turística. que. se uma das premissas básicas para que ocorra o turismo é o deslocamento. que você estudou na Unidade 1. teve o objetivo explícito de fazer com que você pudesse ter uma melhor visualização. para que este fenômeno ocorra. Você também teve contato com o conjunto de elementos que compõem a oferta turística e viu que ela pode ser dividida em algumas categorias. Unidade 3 103 . Síntese Ao estudar esta unidade. A exemplo da história e evolução do turismo. Na seção 2. para essas categorias. então já podemos imaginar o significado e a importância dos transportes para a atividade. Na seção 1. A inserção de quadros ilustrativos. que são: a oferta e a demanda. dois pressupostos básicos que não podem coexistir um sem o outro. seção 1. o bom andamento da economia. Não se esqueça dos diferentes tipos de demanda que nós estudamos. uma melhoria significativa em termos gerais e na criação de infra-estrutura turística. entre outros fatores.

104 . Cite quais são estes elementos. nessa seção. realize na seqüência as atividades propostas. Atividades de auto-avaliação Com base na leitura desta unidade. por meio de uma cronologia histórica. a enorme carência que algumas cidades possuem em termos de infra-estrutura de transportes. como é o Brasil. você é mais um importante aliado na reversão deste quadro. Como estudante de turismo. 2) Explique o que significa Sistema Turístico. Também está implícita. por causa principalmente da modestíssima infra-estrutura que possuímos. 1) Para a OMT – Organização Mundial do Turismo. existem quatro elementos básicos no conceito da atividade turística. continue sofrendo com um baixo número de visitantes anualmente.Universidade do Sul de Santa Catarina Vimos. os quatro principais meios de transporte utilizados pelo turismo. Não é mais possível conceber que um país de dimensões continentais.

OMT. São Paulo: Roca. Introdução ao Turismo. 2001.railpass. basta acessar: a) Motéis – www.Teoria Geral do Turismo 3) Conceitue: oferta turística.com c) Albergues da juventude – www. São Paulo: SENAC.mininco.innandtravel.itn. 1997.org f) Agências emissivas – www. Mario Carlos. sugerimos algumas obras para pesquisa: BENI.br i) Parques temáticos – www.hilton.com h) Centros de feiras – www.terrayalodge.franchise.com e) Lanchonetes – www.hostel.com. Análise estrutural do turismo.com b) Lodges – www.com g) Transporte ferroviário – www. Para conhecer uma base de dados importantes e bastante interessantes sobre diversos itens relacionados na seção 2 desta Unidade.themeparks.anhembi.org. Qual a importância dela? Saiba mais Para que você conheça mais detalhes acerca dos conteúdos desta unidade.br d) Bed & Breakfast – www.gov Unidade 3 105 .

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. 4 Seções de estudo Seção 1 Organizações turísticas. estadual e municipal. Compreender a importância e a aplicabilidade do marketing para a atividade turística. Reconhecer os princípios básicos que norteiam a planejamento turístico. Seção 2 O planejamento turístico. Seção 3 Marketing turístico. nacional.UNIDADE 4 Turismo e organizações turísticas Objetivos de aprendizagem Entender como são formadas as principais organizações turísticas nos principais níveis de atuação: mundial.

e sabe que existem muitos tipos de organizações. vivemos em um mundo globalizado. onde as informações trafegam em alta velocidade. principalmente. será feita uma abordagem sobre o marketing. SEÇÃO 1 . A palavra planejamento por si só.Organizações turísticas Certamente você já ouviu falar muito no termo “organização”.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Nesta unidade você terá a oportunidade de estudar e de se familiarizar com tópicos importantes que apresentam estreita ligação com o turismo ou a relação com a sua estruturação organizacional. sua evolução e. No âmbito da atividade turística. Afinal. Por último. envolvendo seu conceito. exigindo cada vez mais dos estudiosos e profissionais da área um acompanhamento. nos induz a uma série de correlações e é de fundamental importância para um bom gerenciamento das atividades relacionadas ao turismo. O que entra na composição da estrutura da organização de turismo? 108 . Começaremos pelas organizações turísticas.. em termos de desenvolvimento turístico. Qual o nível e o grau de atuação do governo em relação ao turismo? Quais são as organizações responsáveis pelo fomento e pelo desenvolvimento pleno da atividade? Vai estudar também nesta unidade o tópico que versa sobre o planejamento turístico. uma percepção e respostas imediatas para as constantes mudanças. Serão abordados alguns aspectos de destaque desta “necessidade” vital. não é mesmo? Mas como definir uma “organização de turismo”? Quais os elementos que a compõem? O que entra na definição deste termo? E mais.. esta é uma exigência vital para os profissionais que almejam o sucesso. Assim sendo. suas tendências. você está convidado para entrar em contato com estes tópicos e esperamos sinceramente que os mesmos possam ser significativos e relevantes para a sua formação acadêmica.

Deve-se entender por “política de turismo” o conjunto de fatores condicionantes e de diretrizes básicas que expressam os caminhos para atingir os objetivos globais para o Turismo do país. que são tão indispensáveis. as Organizações de Turismo têm a responsabilidade de implementar a chamada “Política de Turismo” de um país. quanto à conservação da memória histórica e cultural do país. das águas. não tem certeza se estão corretas suas definições? Não se preocupe. então! Uma introdução ao estudo Nesta unidade serão abordados elementos para compreender quais as funções das organizações de turismo e o que lhes cabe como organismos de prestação de serviços no conjunto de políticas públicas e privadas. de uma região ou mesmo de um município. Sendo assim.. Segundo o ele. que cumprem manter. como vimos na unidade anterior. determinam as prioridades da Unidade 4 109 . do ar. de um estado. por conseguinte. no aspecto físico. da vegetação.. Aos poucos você mesmo vai estruturando um conceito adequado de “Organização de Turismo” e conseguindo compreender como elas funcionam na prática? Acompanhe. estar fortemente ancorada nos valores nacionais: nos traços culturais. que é imperativo conservar. que é “sistêmico” e interligado a outros setores e áreas.Teoria Geral do Turismo Você tem as respostas? Não? Ou. será uma espécie de introdução para oferecer uma base ao entendimento de um todo. dos espaços livres. que as gerações futuras têm direito de reclamar. Ambos constituem partes iguais do patrimônio nacional. Sustenta o autor que as políticas de turismo devem combater os vários tipos de poluição e atuarem em defesa da paisagem. Sua formulação deverá. Comecemos com as contribuições de Mário Carlos Beni (1997).

Da mesma forma. Embora muitos estudiosos incluam o turismo entre os setores econômicos na organização administrativa do Estado. A função específica dos órgãos institucionais públicos de Turismo deverá ser a determinação de prioridades. A hierarquia de organismo é a mais variada possível: ministério. A seguir. vamos a uma breve evolução histórica das organizações de turismo. e com igual apoio. Os estudos de Mário Carlos Beni (1997) nos remetem a uma compreensão do ponto de vista histórico. com apoio federal. facilitam o planejamento das empresas do setor quanto aos empreendimentos e às atividades mais suscetíveis de receber apoio estatal. na prática isso não ocorre na totalidade dos países. a criação de normas e a administração de recursos e estímulos. a concepção dos programas e a execução dos projetos regionais e locais. Aos órgãos públicos federais de turismo cabem a formulação das diretrizes e a coordenação dos planos de âmbito nacional e dos que se projetem para o exterior. O papel que o poder público possui no desenvolvimento do turismo é assunto de extenso debate entre os profissionais da área. Observe a cronologia e os fenômenos que lhe são pertinentes: 110 . departamento. compete a eles a iniciativa dos melhoramentos e equipamentos necessários ao uso público das áreas de interesse turístico. diretoria.Universidade do Sul de Santa Catarina ação executiva do Estado. secretaria. Essa dificuldade em definir o setor econômico representativo do turismo pode ser observada quando se analisa a estrutura governamental do turismo nos vários países. importante ao entendimento contextualizado da organização turística. O governo dará as diretrizes e proverá as facilidades. comissão e serviço. escritório público. Aos órgãos estaduais e municipais cabem.

promulgado somente em 1968. iniciando-se em fins da década de 1940. em 1961. Com relação ao continente americano. Nesse mesmo ano a Argentina começou os preparativos para a elaboração do seu plano. Outro país pioneiro em apresentar o planejamento em nível nacional é a Espanha que. realizou as primeiras experiências nesse sentido e elaborou o Anteprojeto do Plano Nacional de Turismo. com a celebração de convênio entre a Secretaria de Difusão e Turismo. em 1952. para o período de 1948 a 1952.Teoria Geral do Turismo O planejamento formal do turismo por parte do Estado é recente. Unidade 4 111 . a intenção de planejar o turismo em nível nacional começou no México. foi somente na década de 1960 que a atividade começou a se generalizar. com a elaboração do Primeiro Plano Qüinqüenal do Equipamento Turístico Francês. quando a maioria dos países europeus com vocação e interesses turísticos elaborou seus primeiros planos nacionais de desenvolvimento do Turismo e começou a formular os primeiros planos em nível regional. Não obstante essas primeiras manifestações sobre o planejamento por parte do Estado. quando o poder executivo daquele país encarregou o departamento de turismo de elaborar o plano nacional. apenas um ano após a criação de Ministério de Informação e Turismo. a ONU e o Centro de Investigação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.

k) desenvolvimento de campanhas de conscientização turística. e) capacitação de recursos humanos. artesanato. m) implantação e manutenção de infra-estrutura turística voltada para a população de baixa renda. folclore. f) controle do uso e da conservação do patrimônio turístico. o) captação de divisas estrangeiras. 112 . i) prestação de serviços de segurança pública. j) captação de investidores privados para o setor. n) implantação e operação de sistemas estatísticos de acompanhamento mercadológico. b) controle de qualidade do produto. A seguir alguns exemplos dessas áreas: a) planejamento do fomento da atividade. tais como. c) promoção institucional da destinação. conforme o grau de intervenção que o Estado possui na atividade econômica. l) apoio ao desenvolvimento de atividades culturais locais..Universidade do Sul de Santa Catarina O papel do poder público pode abranger inúmeras atividades. g) captação. d) financiamento dos investimentos da iniciativa privada. tratamento e distribuição da informação turística. gastronomia típica. h) implantação e manutenção da infra-estrutura urbana básica. etc.

realizada em Roma. Brasil. Quando um Órgão Nacional de Turismo adota a forma de entidade oficial (estatal). etc. pode ocupar diferentes posições e hierarquias na estrutura organizacional. ele pode ser de dois tipos: a) Centralizado − Criado pelo Estado dentro de sua própria estrutura administrativa. França. para que possam agir eficazmente em prol do desenvolvimento e promoção do turismo nacional e internacional.. Logicamente tem a vantagem de permitir uma melhor adaptação das políticas de condução do setor às políticas gerais de desenvolvimento econômico e social do país.Teoria Geral do Turismo Organizações de turismo Agora é momento de analisar competências e concepções ligadas às organizações de turismo. Espanha. etc. etc.. diz que cabe aos Organismos Nacionais de Turismo a tarefa de estimular e coordenar as atividades nacionais referentes ao turismo. Suécia. orientar e executar a política turística geral do país. bem como conhecer como são classificadas e caracterizadas no contexto mundial. para tanto. em 1963. tendo como missão: formular. recomenda que sejam dados aos organismos de turismo a competência e os meios necessários. Entende-se por Órgão Nacional de Turismo – ONT – a instituição motora suprema em matéria de turismo.. os quais se fundamentam em três concepções: a) órgãos estatais: Argentina. Atualmente a maioria dos países possui seus Órgãos Oficiais de Turismo. Vamos lá? De acordo com Beni (1997) e Castelli (1998): a Conferência das Nações Unidas. c) órgãos privados: Áustria. b) órgãos mistos: Dinamarca. Suíça. Alemanha. Unidade 4 113 . Itália.

a estrutura organizacional que foi sendo assuminda não seguiu uma padronização: surgiram Secretarias de Turismo. embora mantenha vínculo de subordinação a um ministério ou secretaria de Estado. tem personalidade jurídica e goza de autonomia técnica e administrativa. c) Canadá: Canadian Government Travel Bureau. b) Bélgica: Commissariat Géneral au Tourisme. b) Descentralizado − Constituído pelo próprio Estado através de lei. d) Estados Unidos: US Travel Service. em conseqüência da lentidão que caracteriza o processo de tomada de decisões pelo setor público. Secretarias de Educação. Em nível estadual. Companhias mistas vinculadas à Secretaria de Indústria e Comércio. deve-se dizer que a própria centralização traz implícito o risco da influência burocrática a que estão expostos todos os órgãos públicos. o orgão oficial de turismo é formado pelo Ministério do Turismo. Companhias mistas. 114 . uma empresa ou uma corporação de turismo. No caso do Brasil. Órgãos Oficiais de Turismo: a) Argentina: Dirección General de Turismo. e pode tender a diminuir sua eficiência. em nível federal. Secretarias de Educação. e subordinado a ele estão a Secretaria Nacional do Turismo e o Instituto Brasileiro de Turismo – EMBRATUR.Universidade do Sul de Santa Catarina Em contrapartida. um instituto. Pode ser uma comissão. Cultura e Turismo. Esportes e Turismo. entre várias outras formas e modalidades.

Esportes e Turismo. Secretaria Municipal de Expansão Econômica e Turismo. Existe. da Cultura. Alguns exemplos da imensa variedade de nomenclaturas atualmente encontradas no vasto território nacional: Secretaria Municipal de Turismo. um número significativo de organizações nacionais não-governamentais que tem por objetivo agregar grupos de pessoas e de atividades específicas que lutam em prol do desenvolvimento turístico deste país. atualmente. EMCETUR: Empresa Cearense de Turismo. Secretaria Municipal de Turismo e Divulgação. da Educação. Secretaria Municipal dos Negócios. SANTUR: Santa Catarina Turismo S/A No que se refere ao nível municipal também não houve uma padronização com relação aos nomes dos órgãos responsáveis pela política oficial de Turismo. Esportes e Recreação. Unidade 4 115 . BAHIATURSA: Empresa de Turismo da Bahia S/A.Teoria Geral do Turismo Órgãos Oficiais de Turismo em nível estadual: PARATUR: Companhia Paraense de Turismo.

Sua principal função é simplificar e acelerar o movimento de pessoas e bens de qualquer ponto do sistema aéreo mundial para outro. Entre os seus membros estão 138 países e territórios e mais de 350 filiados. incluindo companhias aéreas. instituições educacionais e empresas do setor privado. Continua Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) 116 . seguido de uma breve descrição. associações turísticas. de cruzeiros (WTTC) marítimos. NOME DO ORGANISMO BREVE DESCRIÇÃO (QUANDO APLICÁVEL) É a única organização que representa os interesses turísticos de organizações governamentais e oficiais. ABEOC: Associação Brasileira das Empresas organizadoras de Congressos e Convenções. ABRAJET: Associação Brasileira de Jornalistas e Escritores de Turismo. de transportes e demais serviços relacionados a viagens). AGTURB: Associação Brasileira de Guias de Turismo do Brasil. empresas de catering. O quadro a seguir oferece uma relação dos principais organismos internacionais ligados ao turismo. quando aplicável. de entretenimento e recreação. É a entidade internacional que congrega a quase totalidade das companhias aéreas do mundo. ABAV: Associação Brasileira de Agências de Viagens. representando governos locais. ABTH: Associação Brasileira dos Tecnólogos em Hotelaria. ABBTUR: Associação Brasileira de Bacharéis em Turismo. Sua sede fica em Madri.Universidade do Sul de Santa Catarina Organizações Nacionais Não-Governamentais: ABIH: Associação Brasileira da Indústria de Hotéis. As suas resoluções abrangem a validade dos bilhetes. grupos hoteleiros e operadoras turísticas. Organização Mundial do Turismo (OMT) É constituído por uma coalizão global dos cem mais World Travel and Tourism Council importantes executivos de todos os componentes do setor turístico (grupos hoteleiros. Essa instituição é reconhecida como consultora do Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas. os itinerários e as regras de transporte de bagagens.

. existem organizações turísticas em diversos e diferentes níveis de atuação. cada localidade.ih-ra. A seção seguinte vai poder lhe oferecer muitas informações sobre o planejamento turístico. International Association of amusement Parks and Attractions Visite o site: www. independentemente de seu nível hierárquico. diz respeito à necessidade de uma participação efetiva e construtiva por parte dos governos.192. p. Como vimos.1: Principais organismos internacionais ligados ao turismo Fonte: Adaptado IGNARRA.org (IAAPA) International Hotel and Restaurant Association (IHRA) Visite o site: www. de acordo com a política de cada país. cada região e até mesmo.. O que é importante você fi xar. Pronto para o novo embarque? Venha. 2003. Unidade 4 117 . 191 .com Quadro 4.iaapa. contudo não contemplam o enorme espectro de diversos outros organismos que interagem ou que estão associados ao turismo. Fundamentos do Turismo. As informações compiladas e apresentadas sobre as organizações turísticas nesta seção são significativas e importantes. dinâmica e essencial para o seu conhecimento. uma área interessante. Luiz Renato. vamos descobrir porque o planejamento turístico é tão importante. São Paulo: Pioneira Thomson Learning.Teoria Geral do Turismo NOME DO ORGANISMO Organização Internacional da Aviação Civil (ICAO) Alliance International du Tourisme (AIT) Associación Internacional de Hoteles (AIH) Federación Universal de Asociaciones de Agentes de Viajes (FUAAV) BREVE DESCRIÇÃO (QUANDO APLICÁVEL) É uma organização de governos voltada para promover a aviação civil em escala mundial.

” (RUSCHMANN e WIDMER. 2001. sejam elas públicas. pequenas ou gigantes de mercado. Isto se deve ao retorno positivo que o planejamento pode proporcionar. Vamos a eles? A importância do planejamento O ato de planejar vem ganhando cada vez mais destaque dentro das organizações. Acompanhe atentamente o texto e procure formular um conceito para expressá-lo no final da seção. em primeiro lugar. p. 71) 118 . que tão importante quanto definir “planejar” é situar o planejamento turístico no contexto de sua utilização de elementos. Vamos lá? Observe.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 2 .O planejamento turístico O que é planejar? Em que práticas você costuma realizar um planejamento? Existem diferentes formas de planejar? Pense nisso! Registre suas considerações. privadas. a compreensão do conceito de forma significativa no universo teórico e metodológico da ação. como: a necessidade de considerar esta prática no desenvolvimento de atividades. “O planejamento é importante dentro de qualquer ação humana da qual se esperam resultados.

Entretanto. a maioria dos empreendedores deixa de lado a etapa do planejamento.” Home page do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE). mediante Henri Fayol. Objetivando uma melhor compreensão do assunto. Unidade 4 119 . 1996. p. O surgimento desse tipo de empresa tem sido cada vez maior. o assunto planejamento é levado a sério e ensinado para a maior parte dos habitantes desde cedo. Planejamento e organização em turismo. Essa prática. Você sabia? Que o primeiro plano econômico registrado foi elaborado no Japão. 89. Margarita. em que o planejamento é considerado como um dos principais fatores para o sucesso ou para a manutenção no mercado. os Estados Unidos e o Japão. Para saber mais leia: BARRETTO. por exemplo. tomaremos como base o exemplo das micro e pequenas empresas no Brasil. Segundo dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE). para 3. Campinas: Papirus. além de elevar o nível de conhecimento do povo. nos Estados Unidos. como. no final do século XIX?. tanto em casa quanto nas escolas. Na década de 1930 começa a surgir o planejamento empresarial. “as micro e pequenas empresas são responsáveis por 52% do Produto Interno Bruto do País. transformando-as em verdadeiras alavancas do setor empresarial e da economia nacional.5 milhões). Entrando especificamente no ramo empresarial. Igualmente de acordo com o Sebrae. contribui para o sucesso empresarial e econômico de toda uma nação. o crescimento do setor em menos de uma década foi superior a 500% (aumentando de 665 mil. o Brasil é um país conhecido pela falta de planejamento em diversas áreas. O empirismo é inerente à cultura brasileira e vem prejudicando o país ao longo dos anos.Teoria Geral do Turismo Em países desenvolvidos.

além disso. com alternativas criativas para cada ramo de atividade? “A falta de planejamento desperdiça mão de obra. subsidiando o estabelecimento dos meios mais adequados para que se obtenha retorno financeiro? Que com a ferramenta do planejamento a empresa determina suas metas e traça seus objetivos? Que. não define concretamente as metas e objetivos. na maioria das vezes. Podemos observar que a maioria dos brasileiros. 2001. visto que “ele.” (FERREIRA. e o planejamento será. 80% das micro e pequenas empresas fracassam antes de completar cinco anos. em média. p. de forma geral. Você sabia? Que o planejamento é um instrumento que direciona e controla a empresa. ao iniciar um negócio ou atividade. é importante ressaltar que. recursos materiais e tempo. Através do planejamento a empresa ganha flexibilidade e consegue se prevalecer de seus pontos fortes tanto para atender às necessidades e desejos de seus clientes quanto para conquistar os clientes da concorrência. p. dos recursos utilizados para alcançá-los e das políticas que deverão governar a aquisição. 151) 120 . consiste em um conjunto de atividades que envolvem a intenção de estabelecer condições favoráveis para alcançar objetivos propostos. 66) Ao processo de decisão dos objetivos da empresa. essa ferramenta deve proporcionar um aprimoramento nos métodos de trabalho. elevando os custos de produção.Universidade do Sul de Santa Catarina Apesar do sucesso e do crescimento expressivo que os números refletem.” (RUSCHMANN e WIDMER. gerando perdas de mercado e desemprego. REIS e PEREIRA. incipiente. utilização e disposição desses recursos dá-se o nome de planejamento. 1997. das mudanças nesses objetivos. Tal fato se deve principalmente à falta de planejamento e definição concreta de metas e objetivos.

Devido à sua diversidade e dinamismo. 13 apud BARRETTO. se faz necessária uma breve abordagem de alguns conceitos gerais de planejamento. Segundo Ruschmann (1997.11) afirma que “o planejamento serve para que se consiga atingir um estado desejado. “planejamento se refere ao processo permanente e metódico de abordagem racional e científica de problema.” Já Ackoff (1967. Os objetivos e as condições necessárias para que estes sejam atingidos variam de acordo com diversos fatores. materiais e humanos. 3 apud BARRETTO.” Unidade 4 121 . p. 1996. Essas características também fazem com que seja difícil definir a atividade com exatidão ou de forma única e fechada. sendo consenso que os objetivos são mais facilmente atingidos quando há um planejamento correto.Teoria Geral do Turismo Uma das principais barreiras que atuam contra a atividade do planejamento é a falta de recursos financeiros e a alegação de que planejar requer muito dinheiro. tipos e objetivos do planejamento? Estabelecendo-se uma conexão com a importância do planejamento. p. p. p. podemos encontrar muitas definições para o conceito de planejamento. 1996. De acordo com Baptista (1981. Quais os conceitos. Justamente quando se dispõe de menos recursos financeiros. Todos os aspectos aqui citados demonstram claramente a importância e a necessidade da ferramenta que é o planejamento para o sucesso de qualquer atividade. “o planejamento é uma atividade que envolve a intenção de estabelecer condições favoráveis para alcançar objetivos propostos”. mais necessário se torna saber como aplicá-los e direcioná-los. 83).11). p.

métodos e técnicas que possibilitem o correto direcionamento para os objetivos propostos.Universidade do Sul de Santa Catarina Como forma de complemento. 36 apud BARRETTO. O processo de planejar envolve. c) mecanismo orientado para o futuro. p. que diz que “planejar é decidir antecipadamente o que deve ser feito.” (OLIVEIRA. O planejamento é uma linha de ação preestabelecida. d) projeto de um futuro desejado e dos meios efetivos de torná-lo realidade. Se desejarmos “colher bons frutos” do turismo devemos planejá-lo corretamente. além de recursos materiais e humanos. 174). 1996. b) processo de determinação de objetivos e dos meios para consecução destes. 2001.12). 2001. 161). Planejamento turístico Conforme comentado anteriormente. Com a atividade turística não ocorre de maneira diferente. De acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT. p. Analisando todos os conceitos mencionados anteriormente.” Conforme Ruschmann e Widmer (2001. o 122 . de determinação de estados futuros desejados e dos cursos de ação para que tais estados sejam alcançados. “O turismo não pode organizar-se e desenvolverse sem que haja planejamento e definição de objetivos a serem alcançados. p. 66). existem outros conceitos equivalentes e/ou complementares que serão apresentados a seguir: a) sistema de idéias organizado racionalmente para determinar mentalmente o que fazer depois de examinadas as circunstâncias concorrentes. o planejamento é uma ferramenta indispensável para o sucesso das atividades humanas. e) processo contínuo de pensamento sobre o futuro. citamos Newmann (1985. podemos perceber que o ato de planejar está intimamente ligado com a ordenação e coordenação de diversos fatores e ações. p. p.

destruindo ou afetando a atratividade de um local ou região.67) conceituam planejamento turístico como “o instrumento fundamental na determinação e seleção das prioridades para a evolução harmoniosa da atividade turística.” Ruschmann e Widmer (2001. aí compreendidos os ambientes natural. que proporcionará o bem-estar da população residente e dos turistas. geralmente a cargo de empresas privadas. p. determinando suas dimensões ideais para que. psicossocial e cultural.” De acordo com Beni (1998. necessários ao atendimento das necessidades e anseios dos turistas. Esse direcionamento impede ou minimiza os efeitos negativos que a atividade turística pode trazer. a partir daí. definir cursos de ação e determinar as necessidades dos recursos. se possa estimular. cabe ao Estado zelar pelo planejamento através de políticas e da legislação necessárias ao desenvolvimento da infraestrutura básica. Os pontos básicos para chegar a esse estado são: estabelecer objetivos. Além disso. “planejar o turismo é raciocinar sobre como a atividade alcançará uma posição desejada e pré-estabelecida. deve cuidar da proteção e conservação do patrimônio ambiental.Teoria Geral do Turismo reconhecimento da importância de planejar o desenvolvimento turístico cresceu consideravelmente durante os últimos vinte anos. p.108). bem como criar condições que facilitem e regulamentem o funcionamento dos serviços e equipamentos nas destinações. direcionando a construção de equipamentos e infra-estrutura de uma maneira adequada. Unidade 4 123 .” Quais as competências e atribuições no planejamento turístico? No turismo. regular ou restringir sua evolução. O planejamento turístico pode ser entendido como “um processo que ordena as ações do homem sobre uma determinada localidade turística.

Turismo: como aprender – como ensinar. saúde. 2. Elaborar pesquisas com clientes. 3. Promover o desenvolvimento da infraestrutura básica (vias de acesso. 2001. Manter-se atualizado quanto às tendências do turismo. com vistas à troca de experiências e informações bem como para melhor articulação na criação e defesa de interesses perante empresariado e/ou governo.G. bem como para abertura e funcionamento de equipamentos e serviços turísticos. 6. Utilizar-se de mão-de-obra capacitada.R (org). etc. com relação ao planejamento turístico. etc).Universidade do Sul de Santa Catarina Assim. Observar leis e regulamentos. CABE A INICIATIVA PRIVADA 1. bem como promover e incentivar a capacitação profissional. 5. saneamento. 5. pode-se nomear as competências e atribuições de órgãos públicos e da iniciativa privada de acordo com o quadro a seguir: CABE AO ESTADO 1. Realizar pesquisas e estatísticas sobre o turismo. Quadro 4. Atuar no desenvolvimento da infra-estrutura turística. 4. acompanhando a funcionalidade e a qualidade de seu estabelecimento. Desenvolver associações. Estabelecer diretrizes e políticas para o desenvolvimento do setor. estadual e municipal. p. promover facilidades na obtenção de créditos e financiamentos e estimular o desenvolvimento da atividade na esfera privada. Estabelecer normas e regulamentos de preservação ambiental. São Paulo: SENAC. Criar condições para a captação de recursos. M.2: Competências e atribuições no planejamento turístico Fonte: Adaptado de RUSCHMANN. 7. 3. Promover o desenvolvimento turístico nos níveis nacional. Doris. in ANSARAH. etc. bem como mecanismos de fiscalização e controle. 4. Planejar cuidadosamente o funcionamento de suas atividades e equipamentos para atender com qualidade às necessidades e desejos do turista. 124 . Criar mecanismos de fiscalização e controle. 6. 7. 68. 2.

Unidade 4 125 . Turismo e planejamento sustentável: A proteção do meio ambiente.Teoria Geral do Turismo Quais os objetivos do planejamento turístico? Os objetivos do planejamento turístico podem indicar aonde se pretende chegar – geralmente visando ao crescimento econômico aliado à sustentabilidade. tanto para empresas públicas como privadas. SP: Papirus. A seguir serão apresentados alguns dos objetivos gerais do planejamento turístico. p. c) prover os incentivos necessários para estimular a implantação de equipamentos e serviços turísticos. d) maximizar os benefícios socioeconômicos e minimizar os custos (tanto os de investimentos como os de operação). f) evitar deficiências ou congestionamentos onerosos por meio de uma determinação cuidadosa das fases do desenvolvimento. 1997. e) garantir que os espaços necessários ao desenvolvimento turístico não sejam utilizados para outras atividades econômicas. D. h) cientificar a autoridade política responsável pela sua implantação de todas as implicações do planejamento. Os objetivos do planejamento da atividade turística podem envolver desde a pequena localidade receptora até um país ou continente inteiro. b) coordenar e controlar o desenvolvimento espontâneo. RUSCHMANN. a) definir políticas e processos de implementação de equipamentos e atividades e seus respectivos prazos. Campinas. visando o bem-estar da comunidade receptora e a rentabilidade dos empreendimentos do setor. g) minimizar a degradação dos locais e recursos sobre os quais o turismo se estrutura e proteger aqueles que são únicos. aglutinando tanto empresas privadas (grandes ou pequenas) como órgãos públicos – além da comunidade local. 85.

Turismo e planejamento sustentável: A proteção do meio ambiente. devido à grande competitividade e concorrência entre os destinos turísticos. A elaboração de um planejamento bem sucedido passa pela satisfação das necessidades de todos os envolvidos no processo de oferta e consumo dos produtos turísticos. p. levando em conta os diversos fatores impostos pela natureza e a complexidade do turismo como atividade econômica e observarmos atentamente os objetivos (e meios a serem utilizados para atendê-los). RUSCHMANN. 1997. para o desenvolvimento do turismo e a preservação ambiental. Conforme já foi abordado. o planejamento surge como ferramenta indispensável tanto para a conquista de turistas como para a manutenção ou fidelização de viajantes a um destino. Campinas: Papirus. D. Você não concorda? Atualmente. integrando seu desenvolvimento aos planos econômicos e físicos do país.Universidade do Sul de Santa Catarina i) capacitar os vários serviços públicos para a atividade turística. 85. a fim de que se organizem e correspondam favoravelmente quando solicitados. cabe dizer que se elaborarmos um planejamento detalhado. j) garantir que a imagem da destinação se relacione com a proteção ambiental e com a qualidade dos serviços prestados. conseguiremos evitar muitos problemas. k) atrair financiamentos nacionais ou internacionais e assistência técnica. 126 . l) coordenar o turismo com outras atividades econômicas.

um bairro. Antes de continuar a leitura. sobre planejamento e planejamento turístico. uma região. você visualiza uma figura que destaca as necessidades envolvidas em um planejamento turístico. as pessoas pensam e comentam sobre a imperiosa necessidade de realizarmos planejamento? O espaço abaixo foi destinado para que você possa “dar um breque” na leitura e escrever algo sobre o acima proposto. etc!). um município. um atrativo. se você vai considerar. no meio em que você está inserido. reflita sobre “planejamento” e a sua dimensão quando você leva em consideração o meio em que vive (não importa aqui. Você consegue “enxergar” o planejamento traduzido em algum atrativo dessa localidade? O quanto você planeja as suas ações cotidianas? Será que. Unidade 4 127 . às quais você teve acesso até agora. Vamos lá? A seguir. Observe com atenção o sistema apresentado e perceba a relação entre setores e processos.Teoria Geral do Turismo Faça uma pequena pausa neste momento e tente ordenar as informações.

p. o planejamento “deve refletir a vontade da população em seu efetivo envolvimento e participação nas atividades de planejamento e desenvolvimento em sua desejada sustentabilidade. dada a variedade de fatores envolvidos e que devem.Universidade do Sul de Santa Catarina Figura 4. 165). Conforme BENI (2000. p.” O enfoque do planejamento turístico O enfoque do planejamento turístico pode variar dependendo do nível em que se realiza. Também é possível observar. a importância conferida às necessidades e anseios da comunidade local. 175) A figura apresentada anteriormente reflete a complexidade do planejamento da atividade turística. os níveis são: local. Fonte: Organização Mundial do Turismo (OMT. regional. Por convenção. nacional e internacional. obrigatoriamente. na mesma figura.1: Hierarquia das necessidades para elaboração de um planejamento de turismo. 2001. 128 . ser analisados profundamente.

iluminação. Em nível local. divertimento. 165) cita o exemplo de Cancún. As influências externas são constantes no turismo. etc. 2001. “o estabelecimento de normas turísticas necessárias de categoria superior e a cooperação com os organismos mundiais”. conservação de patrimônio histórico e cultural e ocupação total do tempo livre Unidade 4 129 . p. Isto faz com que as vantagens econômicas. 177). p. Quando se trata de planejamento em nível nacional. O planejamento do turismo local deve contemplar o contexto regional. riqueza gastronômica. segurança. 177). a coordenação das legislações internacionais e a promoção do tráfego turístico mundial são aspectos ligados diretamente ao planejamento em nível internacional. no México. o planejamento nesse nível objetiva também. a planificação da atividade turística nos níveis supracitados permite um melhor aproveitamento dos recursos.Teoria Geral do Turismo Observe que de acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT.). Já em nível regional. 2001. Oliveira (2001. consumo. que aliou infra-estrutura. o planejamento busca a regulamentação para o uso do solo. as tendências de mercado. Segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT. alta qualidade de hospedagem. nacional e internacional. a busca da promoção interna e externa é o aspecto mais importante. e os exemplos devem ser adaptados a cada realidade como forma de se obter sucesso. ambientais e sociais sejam exacerbadas e auxilia na diminuição de problemas e custos. oferecer infra-estrutura básica (saneamento. fazendo com que a região ganhe destaque em nível local. a ênfase é dada à obtenção da coordenação das entidades locais para que se atinja patamares razoáveis de infra-estrutura de transportes e comunicações. As informações estatísticas sobre o turismo. O conhecimento de uma vasta gama de fatores em todos esses níveis pode fazer com que o planejador local obtenha melhores resultados em seu trabalho. p.

Do que se trata e o que prevê o planejamento de medio prazo? O objetivo principal do planejamento turístico em médio prazo é implantar as ações propostas em longo prazo. Do que se trata e o que prevê o planejamento de longo prazo? O planejamento de longo prazo vai desde a atualidade até o final da capacidade potencial de um equipamento ou empreendimento turístico. Os planos de longo prazo estão voltados para metas e objetivos específicos predeterminados.Universidade do Sul de Santa Catarina dos turistas. Beni (2000. visando atender aos desejos e necessidades da demanda turística. 93 − Sic). médio e curto prazo. 165) estima que o tempo de duração para o planejamento em longo prazo deve ser de 10 a 15 anos. De acordo com Ruschmann (1997. O mesmo autor comenta que esse tempo é necessário para “implementar a política e estruturar os planos” para que se atinja o desenvolvimento almejado. que somente surtirão efeito se forem empreendidas dentro de um esquema metodológico minucioso. A subordinação ao plano de longo prazo deve ser observada sob pena de se arruinar todo o planejamento de uma localidade. podendo diminuir ou se estender. Prazos do planejamento turístico Toda a complexidade da atividade de planejar o turismo faz com que seja necessário tomar uma série de decisões e implantar ações. p. “o horizonte do planejamento 130 . convencionou-se aplicar o planejamento em três prazos diferentes: longo. Seu período de duração depende muito dos acontecimentos e da dinâmica turística em todos os níveis. Visto que as propostas e decisões têm importâncias distintas e impactos peculiares. Essa combinação de fatores rendeu quase 3 milhões de visitantes no ano 2000. p.

obrigatoriamente. Esse atraso no início das políticas para a organização e planejamento do turismo vem afetando a atividade até os dias de hoje. 165).” (BARRETTO. aliado ao que você já tinha de conhecimentos prévios.Teoria Geral do Turismo a médio prazo costuma ser fi xado em cinco anos para as destinações turísticas que se deseja recolocar adequadamente. depois de tudo o que estudou. sob a mesma sigla. Voltemos ao início: O que é planejar? Agora. p. A política e as diretrizes para o planejamento do turismo no Brasil e no mundo devem. “O que foi planejado e realizado abordou o turismo apenas como um fenômeno econômico gerador de divisas. com a criação do Conselho Nacional de Turismo (CNTur) e da Empresa Brasileira de Turismo (EMBRATUR) – hoje o Instituto Brasileiro de Turismo. 99) Você.” Do que se trata e o que prevê o planejamento de curto prazo? A fase inicial da hierarquia na implantação de equipamentos e no desenvolvimento de atividades em locais turísticos é chamada de planejamento em curto prazo.” A Política Nacional de Turismo iniciou em 1966. precisa entender que o turismo é muito mais que um fator de incremento do PIB (Produto Interno Bruto). p. 1996. Segundo Beni (2000. você já tem uma definição. observar o caráter social e humano da atividade e suas implicações nas comunidades residentes nos núcleos receptores. não é mesmo? Unidade 4 131 . esse tipo de projeto “está mais direcionado à identificação e solução de questões imediatas para mudar rapidamente situações futuras e enfrentar legal e institucionalmente as transformações necessárias. acadêmico de turismo. e também para núcleos novos.

planejar é formalizar (decompor. Prepare-se. 132 . mas também do setor privado e de todas as comunidades receptoras de turismo..Universidade do Sul de Santa Catarina Então.. articular e racionalizar) um processo visando a produzir um resultado articulado em forma de um sistema integrado de tomada de decisões. quando o assunto for planejamento. ele exige. não só das autoridades governamentais. nesta seção 2. onde estaremos entrando no “mundo fantástico e dinâmico” do marketing. Passaremos para a seção 3 desta unidade. portanto. planejar é tomar decisões de maneira integrada. planejar é tomar decisões. (acrescente seu ponto de vista) Você viu. planejar é controlar o futuro. Planejar também é. alguns significados do planejamento e a extrema importância deste no setor. organize-se e junte-se a nós para mais uma jornada de conhecimentos. lembre-se também do seguinte: O QUE É PLANEJAR? planejar é pensar no futuro. como forma de você contar com uma “ferramenta” facilmente disponível.

Veja algumas definições de marketing e a sua trajetória histórica. antes de abordarmos especificamente o marketing turístico. o turismo é um produto intangível que depende muito do marketing para aproximar produtores a consumidores. promover e distribuir produtos/serviços que satisfaçam a uma necessidade de compradores atuais e futuros. Unidade 4 133 . Estas foram compiladas por Bonduki (2003. (CASTELLI. não é? Então concentre-se. através de canais de distribuição e meios de comunicação adequados. um lucro apropriado”. cheirar e mesmo escutar o turismo “Marketing é um sistema global de atividades comerciais interatuantes destinados a planificar. no momento e no local certos. além de todos os itens que compõem o denominado “ambiente de marketing”. por um preço justo. 2003).Teoria Geral do Turismo SEÇÃO 3 – Marketing turístico Marketing! Que palavra é essa? Certamente não é nenhum termo estranho. calcular preços de venda . 2003) a intangibilidade aqui se refere à impossibilidade de tocar. pois no final deste tópico você vai utilizar esses conhecimentos para realizar uma atividade. apud BONDUKI.11) “Marketing é um processo social e gerencial pelo qual indivíduos e grupos obtêm o que necessitam e desejam através da criação.” (STANTON. 2003) “Marketing é o conjunto de atividades que visa levar ao consumidor um produto ou serviço que venha ao encontro de suas necessidades. não é mesmo? Vamos avançar um pouco? Como você ficou sabendo do Curso de Turismo? Que espécie de atrativo motivou você a cursá-lo? Quem o influenciou? De que forma? Será que isso tem a ver com “marketing”? Vamos ver? Acompanhe com atenção. p. ainda mais considerando-se que estes estão distantes do produtor.” (KOTLER. sentir. para a empresa. apud BONDUKI. 9 . oferta e troca de produtos/serviços de valor com outros. Já imagina qual é. a fim de obter. e mãos à obra! Bem.

nesta seção 3. Como o mercado define-se como o espaço onde ocorre o fenômeno da troca (intercâmbio entre oferta e procura). Market em inglês quer dizer mercado (substantivo) ou comercializar (verbo).. Portanto. o mercado em ação. seriam as definições literais mais próximas. para produzir. voltadas à busca e realização de trocar com seu meio ambiente. entre outros que ainda se fazem presentes. Evolução ou transformação? Para efeito dessa abordagem. normalmente. inicialmente utilizava a sua força física. 2003) A melhor maneira de defini-lo está na sua tradução. para que a oferta (organizações) possa satisfazer as necessidades e desejos constantes da demanda (clientes efetivos e potenciais). através da psicologia. 134 . O ing. da muralha da China. optou-se por explorar melhor a idéia de marketing através da análise da evolução das forças e da evolução dos diversos estágios de desenvolvimento econômico. Para obter-se produção. os métodos aplicados eram aqueles relacionados com o castigo.. A força muscular foi utilizada por centenas de anos e sabe-se hoje.Universidade do Sul de Santa Catarina “Marketing são as atividades sistemáticas de uma empresa. apud BONDUKI. Têmse exemplos clássicos do uso dessa força muscular: as obras das pirâmides do Egito. 1998. visando benefícios específicos.12) Um pouco de história. Isto é facilmente perceptível ao longo da história pelo advento da escravidão. (ANDRADE. representa um verbo quando aplicado no gerúndio. a) Evolução das forças − O homem. ou simplesmente comercializando. que evidencia o processo evolutivo da produção. p. que o processo de coação limita ou mesmo elimina a criatividade.” (RICHERS. com o sofrimento e o medo. o marketing passa a ser nada mais do que a busca constante da compreensão deste ambiente.

Os empresários começaram a voltar suas atenções para as necessidades e anseios desses consumidores. fazendo surgir então a necessidade de técnicas apropriadas para a conquista de novos mercados? Podemos afirmar que. chega-se ao início da concepção básica de marketing moderno: “produzir aquilo que o consumidor deseja”.Teoria Geral do Turismo Saiba mais? Que a Revolução Industrial veio substituir a força muscular pela força das máquinas? Que. objetivando garantir sua produção. b) Evolução dos estágios de desenvolvimento econômico − A análise deste enunciado também facilita a idéia do marketing. uma vez que a preocupação dos comerciantes era simplesmente a de vender e distribuir aquilo que era produzido? Que a demanda superava a oferta. com o aumento gradativo das invenções. no entanto. Apesar de não apresentarem uma característica cronológica. os anseios. que fez surgir a força cibernética. comprava-se o que era colocado no mercado e o nível de vida predominante na época era muito baixo? Que. a partir desse ponto. caracterizada pelo advento da informática. gostos e necessidades dos clientes não eram considerados. a produção igualou-se e eventualmente superou a demanda. Unidade 4 135 . com o passar do tempo. ou seja. A produção tomou um ímpeto vertiginoso de proporções complexas. as máquinas passaram a exercer 90% da força para a produção de bens de consumo em detrimento da força muscular? Que o consumo dessa época. em que a máquina controla a produção com vistas a incrementar a produtividade. esses estágios demonstram a dependência do marketing com as características da economia.

Várias atitudes modernas de marketing surgiram nesse período. dos trabalhadores e dos comerciantes. A produção em grande escala tomou forma. A simples troca de produtos entre consumidores introduziu a base para a formulação do conceito de marketing. por exemplo. como. entre outros. em geral. da melhoria da qualidade de vida. a fim de que fosse melhorado e estimulado o fluxo de bens e serviços desde os produtores até os consumidores. Esta é a situação em que nos encontramos.32). registrou-se o estágio dos mercados. De acordo com Kotler (1994. atribuição de marca. em outras palavras. não havia trocas. etc. Na seqüência.Universidade do Sul de Santa Catarina As sociedades primitivas. De acordo com Kotler (1994. situação na qual a oferta de bens e serviços é maior que a demanda. uso de embalagem. “em uma economia de produção em massa. passou-se para o estágio do capitalismo inicial. que é a base do conceito de marketing. levada a efeito pelos vendedores.27). Após as trocas efetuadas entre consumidores. promoção de vendas. conseqüência lógica do crescimento populacional. no qual os produtos eram expostos para serem comercializados. Iniciou-se a troca de bens e serviços em excesso pelo trabalho de outros homens. Após o capitalismo primitivo. publicidade. p.” Dentro do processo evolutivo dos estágios de desenvolvimento econômico.” O estágio da economia monetária (com a respectiva introdução da moeda) é alcançado quando se firma o processo de trocas e instituições especializadas. marketing tornou-se o nome para toda a variedade de atividades empresariais. fazendo com que os empresários passassem a se preocupar com seus mercados. p. fazendo surgir daí as classes dos proprietários. executavam em comum as tarefas econômicas. do desenvolvimento dos grandes centros urbanos. “o aparecimento da especialização na venda ampliou o conceito de marketing: marketing era o processo de troca de bens econômicos e o conjunto de instituições especializadas que facilitavam a troca. surgiu o estágio da produção em massa. em que a produção não era somente vista como fator de sobrevivência. 136 . chega-se finalmente à sociedade afluente. mas também como possibilidade de ganho.

” (KOTLER. “marketing é o conjunto de atividades humanas que tem por objetivo facilitar e consumar relações de troca. p. cada uma das partes contém coisas de valor para a outra. e ajustar as suas capacidades produtivas e suas linhas de produtos com vistas a atender estes desejos interpretados. 2. a definição evita assumir o ponto de vista quer do comprador.36). Unidade 4 137 . Segundo. 1994. o marketing está localizado especificamente no campo das atividades humanas. Kotler chama a atenção para alguns aspectos: 1. ainda. 4. o marketing visa a facilitar e a realizar trocas. sociais e culturais. os produtores e vendedores de serviços têm que pesquisar com profundidade a questão do que as pessoas desejam.” Nessa definição. p. Em tal sociedade.Teoria Geral do Turismo A sociedade afluente é “aquela constituída por pessoas que têm um excedente em dinheiro em relação as suas necessidades biológicas básicas e elas constituem um mercado considerável para bens e serviços que procuram satisfazer necessidades e desejos psicológicos. 32-3 −Sic). quer do vendedor. a definição não especifica o que está sendo trocado: são coisas de valor. a definição de marketing deve inserir três elementos essenciais: duas ou mais partes que estão potencialmente interessadas em trocas. ao invés do que elas necessitam. cada uma das partes é capaz de comunicação e de entrega. Kotler (1994. 3. 5.

fatos e idéias de marketing começaram a ser integrados e os primeiros livros de marketing básico foram escritos. pesquisa em marketing. pode-se perceber que é durante esse processo que se definide a missão da empresa. nasceu o campo de estudo do comportamento do consumidor. Por volta de 1915. Nos anos de 1960. 1995.3: O estudo do marketing Fonte: Adaptado de MAYA. varejo. “o processo de marketing consiste em analisar as oportunidades de marketing.” De acordo com a citação. 138 .29). surgiu o conceito de empresa orientada para o cliente (“Costumer Oriented Enterprise”). é um fenômeno do século XX e da cultura norte americana. também.Universidade do Sul de Santa Catarina Em seguida você terá oportunidade de analisar um quadro em que se resume a transformação do marketing na história. 2). a atenção foi dirigida à orientação para o cliente e para os aspectos da tomada de decisão em marketing. quando a sua existência e todas as suas atividades são regidas pelas necessidades e pelos desejos do cliente e do cliente potencial. 2 O processo de marketing Segundo KOTLER E ARMSTRONG (1999. p. crédito e cobrança. gerência de vendas. marketing começou a ser reconhecido e justificado como uma disciplina. continuou a solidificação e institucionalização do marketing. 1995.. verificou-se um grande impulso nas pesquisas em marketing devido ao desenvolvimento da computação eletrônica.) como uma disciplina. ou para marketing. Após a Segunda Guerra Mundial. os objetivos gerais a serem alcançados e as estratégias que serão utilizadas. veio à tona uma maior preocupação com a ética e os aspectos sociais do marketing. p. o Marketing Global. Nos anos de 1950. os conceitos. segundo o qual uma empresa diz-se orientada para o cliente. De 1915 a 1930. Vamos lá? (. selecionar os consumidores-alvo. bem como uma definição. Nos anos de 1990. o qual pertence a marketing.. (MAYA. cursos foram. Quadro 4. Nos anos de 1970. desenvolver o mix de marketing e administrar o esforço de marketing. de 1930 a 1940. estruturados nas áreas de comércio atacadista. Nos anos de 1980. atendendo à globalização. a grande novidade foi a implantação do enfoque da Gerência de Marketing. A partir daí prosseguimos com os principais componentes do estudo do marketing. Nessa fase. propaganda e venda pessoal. transações interculturais. p.

finalmente. no intuito de oferecer uma força maior do seu produto em relação aos demais que estão no mercado. Estão contidas dentro desse ambiente ameaças e oportunidades. Unidade 4 139 . e as empresas devem levar em consideração a importância destas forças e estar adaptada a elas a fim de conquistar o sucesso de seu empreendimento. que serão mais bem detalhadas a seguir. levando em conta o perfil do próprio produto. que devem estar voltadas todas as forças da empresa. colocar essas estratégias em prática. e é na total satisfação desses clientes. planejando detalhadamente as ferramentas que serão utilizadas para atingir os objetivos e metas da empresa. seu preço. ao longo do processo. controláveis e incontroláveis presentes no mercado. As estratégias de marketing a serem utilizadas devem estar totalmente adaptadas a estas necessidades e devem se sobressair às estratégias utilizadas pelos concorrentes. Para desenvolver o mix de marketing. se essas estratégias continuam com a mesma eficácia que tinham no momento de sua implantação. a empresa deve planejar ações que possam influenciar a demanda do seu produto propriamente dito. Pense nisso! O Ambiente de Marketing O ambiente de marketing é composto de forças e fatores que alteram a maneira da empresa interagir com seu mercado alvo de forma eficaz. os consumidores-alvo são considerados a parte central dentro deste processo. O processo de marketing nada mais é do que uma análise aprofundada de cada um dos componentes do ambiente de marketing. levando-se em consideração todas as variáveis. não esquecendo no entanto de controlar constantemente.Teoria Geral do Turismo Nessa perspectiva. e os locais em que ele será disponibilizado e. Administrar os esforços de marketing consiste em analisar o mercado como um todo. a maneira pela qual ele será divulgado para este mercado especificamente. no sentido de conhecer as suas necessidades e desejos.

levando em consideração. tais como. instituições financeiras e qualquer outra empresa que. deve ser aplicada uma estratégia também diferente. colabore para o sucesso da empresa.Universidade do Sul de Santa Catarina “Ambiente de marketing é constituído de atores e forças externas ao marketing que afetam a capacidade da administração de desenvolver e manter bons relacionamentos com seus consumidores.” KOTLER E ARMSTRONG (1999. 46) O ambiente de marketing pode ser dividido em microambiente e macroambiente. Compõem o microambiente de marketing: o ambiente interno da empresa. pois deles dependem os suprimentos necessários para a produção dos bens ou serviços a que a empresa se destina. os intermediários de marketing. sejam eles de finanças. de maneira direta ou indireta. os fornecedores. Vamos conhecer cada um deles: a) Microambiente de marketing O microambiente de marketing é composto por forças próximas à empresa e sobre as quais a empresa tem algum controle. pontos de distribuição. os concorrentes. onde se percebe a necessidade de uma total integração do departamento de marketing com todos os demais. A eles a empresa deve destinar uma atenção especial. que são os clientes que irão consumir o produto ou serviço. que são outras instituições que ajudam a empresa a colocar o seu produto no mercado. entre outros. Os produtos e estratégias adotadas pela concorrência devem ser exaustivamente 140 . compras ou administração. motivo pelo qual podem ser chamadas de variáveis controláveis. p. os consumidores. em busca de um maior sucesso da organização. que para cada segmento diferente. pois significam um enorme ponto estratégico para a empresa.

composto por leis. canais de mídia. Unidade 4 141 . os avanços na área de tecnologia geram inúmeras novas oportunidades de mercado. que são formados por quaisquer grupos que tenham interesse ou possam influenciar nas estratégias adotadas pela empresa para alcançar seus objetivos. como escassez de matéria prima. aumento de poluição entre outros. os públicos. são elas: o ambiente demográfico. devendo então as organizações estar atentas a todas as mudanças e às tendências do mercado como um todo. pois as transformações neste ambiente afetam diretamente o poder de compra dos consumidores. a imagem da empresa perante o público. pois o crescimento populacional influencia diretamente o desempenho do mercado. O ambiente natural. que atualmente é considerado um fator preponderante para o sucesso de muitas organizações por sua influência direta na administração da empresa. segurança e legalidade do produto. Por esse motivo esses fatores são chamados de variáveis incontroláveis.Teoria Geral do Turismo examinados. para que a empresa consiga alcançar estratégias mais eficientes do que as adotadas pela concorrência. e a empresa não tem condições de alterá-los nem de agir sobre eles. tais como. b) Macroambiente de marketing O macroambiente é formado por fatores que influenciam todos os componentes do microambiente. custo de energia. o ambiente econômico. o ambiente político. o ambiente tecnológico. entre outros. atos governamentais ou grupos de pressão que podem limitar ou coibir o sucesso da empresa. que atualmente talvez signifique a maior força que pode agir sobre uma empresa.

ao tipo de produto. devem ser analisadas as tendências de vendas e dos canais de distribuição. “O planejamento de marketing implica decidir quais estratégias de marketing devem ser usadas para a empresa atingir seus objetivos estratégicos gerais.33) Deve-se iniciar o processo de planejamento com um resumo executivo. deve ser definido o mercado-alvo e a posição da empresa dentro dele. Logo a seguir. um profundo exame do produto. a fim de facilitar que sejam detectados os principais pontos do plano.” (KOTLER e ARMSTRONG. p. As características do ambiente de marketing são parte preponderante dentro do planejamento de marketing. finalmente. contendo as metas e recomendações a serem seguidas. contendo análise do mercado. Como se percebe o ambiente de marketing é amplo e complexo. 1999. conforme poderemos observar na continuação. a identificação dos concorrentes e.Universidade do Sul de Santa Catarina o ambiente cultural. aos canais de distribuição que serão utilizados para que o produto chegue ao consumidor. 142 . maior patriotismo e conservadorismo e valorização da natureza em busca de valores significativos e duradouros. mas as influências que emanam de seus aspectos são decisivos para o êxito de qualquer atividade de marketing que a empresa pretenda adotar. em que todos os aspectos culturais da sociedade como um todo têm demonstrado uma menor lealdade a uma determinada organização. Planejamento de marketing Planejamento de marketing é um documento no qual se especificam as decisões a serem adotadas em relação ao mercado. aos preços que serão aplicados e às atividades de promoção e vendas que serão desenvolvidas no processo de comercialização.

mas as empresas podem ter vantagens sobre seus concorrentes através de uma implementação eficaz. Você sabia ? Que muitos administradores acham que “fazer coisas da forma certa” (implementação) é tão importante ou até mesmo mais importante do que “fazer as coisas certas” (estratégia)? A verdade é que ambas são vitais para o sucesso.Teoria Geral do Turismo Um estudo das ameaças e oportunidades do produto também deve fazer parte do planejamento de marketing. especificando-se segmentos de mercados a serem focados. para que os objetivos propostos sejam atingidos. Uma firma pode ter basicamente a mesma estratégia que a outra. um planejamento de marketing deverá conter ferramentas de controle. p. 1999. possíveis impactos que elas possam causar dentro da empresa. Unidade 4 143 . a fim de que sejam monitorados os progressos do produto dentro do mercado. Com base no plano de ação deverá ser criado um orçamento de marketing. é sempre mais fácil pensar em boas estratégias de marketing do que executá-las. Essas estratégias de marketing deverão se transformar em um plano de ação que demonstre: o que será feito.35) No entanto. quem será o responsável. Por fim. ou pelo menos reduzidos. a fim de que sejam evitados. Porém a implementação é difícil. é necessário que todas estas estratégias sejam colocadas em prática. priorizando-se os mais vantajosos no ponto de vista da concorrência. e qual será o custo desta ação. mas ganhar mais mercado em razão de uma execução mais rápida ou melhor. planejar é apenas o começo do processo. Só então devem ser definidas as estratégias de marketing a serem utilizadas. em que serão relacionados os lucros e as perdas que este planejamento poderá ocasionar. Logo em seguida devem ser traçados os objetivos ou as metas a serem alcançados com o planejamento. (KOTLER e ARMSTRONG. A implementação mercadológica irá transformar as estratégias e planos de marketing em ações de marketing.

preço. a estipulação do melhor preço.35) Mas você pode perguntar: O que isso significa? Veja: As estratégias de marketing devem ser traçadas de modo que estejam adaptadas aos seus consumidores. relações públicas. venda pessoal. são as variáveis controláveis de marketing. quando traçadas as estratégias mercadológicas. suas necessidades e desejos. (ANDRADE. A identificação do melhor produto. Para atingir tal objetivo a disciplina de marketing desenvolveu a tipologia dos quatro Pês (produto. propaganda. b) Preço − Valor monetário a ser pago pelo produto. 1998. 1999.Universidade do Sul de Santa Catarina Marketing e Estratégias “Estratégia de marketing é a lógica pela qual a unidade de negócios espera atingir seus objetivos de marketing. Outro fator preponderante a ser observado. 144 . de modo que façam frente às estratégias adotadas pelos concorrentes. promoções e ponto de distribuição) servindo de alicerce teórico aos profissionais do ramo responsáveis pela elaboração das estratégias que venham ao encontro dos anseios de seus consumidores efetivos e potenciais. a escolha dos melhores canais de distribuição e a elaboração das melhores táticas promocionais (promoção de vendas. p. detalhando os segmentos de mercado a serem atingidos. p. preço. praça e promoção: a) Produto − Reunião de bens ou serviços que são oferecidos no mercado. marketing direto e merchandising).12) Essas variáveis são conhecidas como os “quatro Ps”: produto. que a empresa pode utilizar para obter a resposta que deseja junto ao público-alvo. formam juntas o grande desafio do marketing.” (KOTLER E ARMSTRONG.

concorrência e sobre o ambiente que o cerca. A coleta constante de dados sobre os consumidores. − inseparabilidade. como a pesquisa mercadológica e o sistema de atendimento ao cliente. servirão para a formação do Sistema de Informações de Marketing (SIM). perecibilidade e heterogeneidade − fazem com que um “marketing de sucesso” dos serviços seja mais difícil Unidade 4 145 . 403) “um serviço é qualquer ato ou desempenho que uma parte pode oferecer a outra e que seja essencialmente tangível e não resulta na propriedade de nada. Surge então algumas outras ferramentas fundamentais para o marketing. (ANDRADE. tornando-se assim competitiva no mercado. Uma vez identificadas as necessidades e desejos dos consumidores. p. a empresa está apta a elaborar estratégias de marketing eficazes. d) Promoção − Forma como serão divulgadas as peculiaridades do produto e como os consumidores-alvo serão persuadidos a adquirir o produto. Sua produção pode ou não estar vinculada a um produto físico. intangibilidade. para que tais estratégias sejam confeccionadas. é preciso que a empresa obtenha continuamente um volume significativo de informações sobre o mercado. Elas têm por objetivo captar dados junto ao mercado consumidor e transformá-lo em informações úteis para o processo de tomada de decisões da empresa. pode ser verificada conforme a seqüência. Devem ser levadas em consideração também as variáveis incontroláveis.” As características especiais normalmente atribuídas aos serviços. as características dos concorrentes e as tendências gerais do mercado.12) Marketing Turístico De acordo com Kotler (1994. e aqui se encontra o turismo. que são aquelas sobre as quais a empresa não pode agir nem modificar.Teoria Geral do Turismo c) Praça − Localidade em que o produto estará à disposição dos consumidores. que auxiliará na tomada de decisões estratégicas da empresa. p. mas que interferem diretamente no sucesso das estratégias adotadas. Entretanto. 1998. A importância de conhecer o mercado como um todo.

uma vez que os consumidores acham difícil determinar uma relação entre preço e valor. ou eles são perdidos. um tipo diferente de marketing é necessário. Ou eles estão disponíveis e são consumidos de certa forma simultaneamente. sentidos ou vistos. c) Perecibilidade relaciona-se com a natureza efêmera dos serviços. p. haja vista que os serviços não podem ser estocados. Portanto a qualidade dos serviços é muito mais difícil de se avaliar do que a qualidade para os bens. E preços são mais difíceis de definir. e não seqüencialmente. padronização do produto serviço e. assim como um caixa de banco se torna parte de uma experiência bancária. Profissionais de marketing turístico são consideravelmente desafiados para administrar as características dos serviços a fim de permitir que os mesmos sejam comercializados através de fronteiras nacionais. portanto. conseqüentemente. (KOTLER. 146 . Como resultado. 1999. Equilíbrio entre oferta e demanda torna-se mais difícil. mesmo que feito pelo mesmo cabeleireiro na mesma hora e no mesmo dia da semana. Um corte de cabelo. d) Heterogeneidade significa que os serviços nunca são os mesmos de uma experiência de consumo com outra. b) Intangibilidade significa que os serviços não podem ser erguidos. Portanto. transportados. inseparabilidade significa que produção e consumo de um serviço ocorrem simultaneamente. eles não podem ser inventariados para uso após produção.Universidade do Sul de Santa Catarina do que aquele de bens físicos e. é difícil de alcançar. será diferente do corte anterior. Além disso.54) a) Inseparabilidade significa que o produtor do serviço se torna parte de um serviço total. controle de qualidade.

p. p. Promoção. é muito fácil você ver exatamente o que acabou de comprar. Um bem é um item tangível. Quando você o compra. exatamente. persuasão e influência sobre o cliente”. sobre o plano local. “Marketing é a adaptação sistemática e coordenada da política das empresas de turismo. iremos ressaltar a importância da utilização da ferramenta de marketing promocional no segmento turístico. sentir o cheiro do café colombiano no momento em que for preparado. Pelo contrário. 15) Definição de marketing turístico Bem. Os serviços não são físicos. nacional e internacional. usado ou consumido. passa a possuílo. ele não pode conservá-lo. serviço é uma ação desempenhada por uma parte a outra. Você pode experimentar uma camisa Benetton. visando a plena satisfação das necessidades de grupos determinados de consumidores. do marketing de produtos. da qual fazem parte as seguintes atividades: Unidade 4 147 . (DAHRINGER. Quando você fornece um serviço a um consumidor. regional.” No entanto. ele pode ser visto e tocado.34).Teoria Geral do Turismo Devido a um bem ser algo físico. “é uma atividade destinada à informação. são intangíveis. após abordar os elementos que diferenciam o marketing turístico (ou de serviços). assim como da política turística privada e do Estado. Você não pode carregar um serviço e pode ser difícil saber. folhear o último número da revista People. Geralmente. obtendo-se com isto um lucro apropriado. seja do produto ou do serviço a que estas estratégias se destinem. o que obterá quando comprá-lo. para Jost Krippendorf (1991). Para efeito de estudo desta seção. segundo Acerenza (1991. 1990. um serviço é experimentado. Por outro lado. deve-se ressaltar a necessidade de um planejamento estratégico e de marketing que faça uso das ferramentas mercadológicas adequadas ao sucesso.

e) mala direta. brindes.Universidade do Sul de Santa Catarina a) Propaganda − Técnica de divulgação das qualidades. todas as ferramentas de marketing promocional estão interligadas.). desempenhada pelas empresas relacionadas com a atividade turística da localidade. etc. descontos. como reforço da atividade de venda. fazendo uso de mensagens adequadas e utilizando a mídia mais apropriada (TV. b) cd-rom. e em todas elas são utilizados os chamados materiais de apoio como: a) folder. participando de feiras e congressos ou atuando como patrocinadores e colaboradores de forma institucional. benefícios proporcionados e necessidades atendidas pelo produto ou serviço. etc. Atuam junto com os diversos tipos de mídia. Como se percebe.. operadoras. 148 . g) workshops. f) stands. para que posteriormente ele venha a consumir o serviço. preços. d) vídeos. etc. c) Vendas − É a comercialização propriamente dita. d) Relações Públicas − Atividade que oferece informações e elementos capazes de divulgar a localidade e reforçar sua imagem. Dentro do segmento turístico tem a finalidade de popularizar e divulgar a localidade turística. Pode-se fazer uso de sorteio. c) folhetos explicativos. com o propósito de chamar sua atenção.. rádio. agentes de viagens. jornal. b) Promoção de Vendas − Atividade que envolve algum tipo de vantagem ao consumidor. ou qualquer tipo de incentivo para que o público-alvo conheça a localidade turística e os serviços nela prestados.

PRODUTO TURÍSTICO É material e intangível. ou seja.4: Comparação entre bens e produtos gerais e produtos turísticos Fonte: Bacal e Rejowski. deverá ocorrer um entrosamento entre os atrativos turísticos. Dificilmente sua qualidade pode ser controlada. É estático. Podem ser estocados e vendidos a posteriori.Teoria Geral do Turismo Para que haja uma boa harmonia dentro do marketing turístico. não leva consigo o hotel. Não pode ser estocado. Uma vez adquirido. é impossível mudar sua localização e é difícil alterar suas características. São passíveis de transferência por venda ou doação a outro consumidor. Não há. podem ser transportados. O turista. não pode ser vendido novamente pelo turista. A produção ocorre. Se não for vendido. por exemplo. Em geral. anteriormente ao A produção e o consumo ocorrem no mesmo consumo e em local distinto. tangíveis e podem ser avaliados previamente por uma amostra. em geral. Existe complementaridade entre os elementos que compõem o produto turístico. É necessário que o turista se desloque até o produto. 25) In: Ansarah (1999). Demonstram ocorrência menor de sazonalidade. as facilidades turísticas e os serviços prestados. Passam a ser uma propriedade do consumidor. lugar. mas sim fotos e recordações. complementaridade entre os produtos. Unidade 4 149 . é perdido. São mais fáceis de serem adaptados às alterações do público consumidor. o produto turístico tem características especiais que devem ser levadas em conta quando se estabelecem as estratégias de segmentação. que não pode ser transportado. Quadro 4. É mais suscetível à sazonalidade. BENS E PRODUTOS São materiais. Conforme o expresso no quadro. p. Não passa a ser propriedade do consumidor pela compra. podendo ser visto antes da compra por meio de sua imagem. Passíveis de controle de qualidade. apud Moraes (1999. necessariamente.

o perfil do turista (faixa etária. stands. ao que mais devemos nos ater. Devemos destacar que o estudo do marketing é bastante complexo e envolve uma série de conhecimentos. descreve a finalidade e a justificativa para sua veiculação.). a partir do estudo mais aprofundado de outras áreas. Pense numa campanha publicitária utilizando as ferramentas que atendem seus objetivos. condições sociais. escolaridade. e em todas elas são utilizados os chamados materiais de apoio como: folder. planeje sua “arte publicitária” e invista na sua criatividade! Projete no seu pensamento o possível resultado. Visualize sua campanha. folhetos explicativos. os tipos de transporte. Lembra-se do que foi mencionado no início do livro? sobre a elaboração uma atividade? Pois é. estado civil. facilitando o atendimento dos desejos dos turistas. chegou o momento de exercitar seus conhecimentos de marketing. Você tem acompanhado as campanhas relacionadas ao turismo? Qual seu ponto de vista? As que você conhece o que expressam? Fazem sentido? São coerentes? Atraiam o turista para seu objetivo? Expressam a realidade? E sua criatividade como está? Vamos verificar? Nesta unidade você conheceu as possibilidades de marketing turístico e verificou que as ferramentas de marketing promocional estão interligadas. pense no produto final e para que obtenha o sucesso desejado dediquese ao máximo na atividade! 150 . ocupação. workshops. vídeos. para então poder aplicá-lo adequadamente ao “fenômeno” turístico. cd-rom. torna-se possível conhecer os principais destinos geográficos. capacidade de compra. mala direta. é que necessitamos de conhecimentos básicos do “fenômeno” marketing. motivações. o ciclo de vida do produto. a elasticidade no preço da oferta e da demanda. Destaque o título da sua campanha. etc. com a apresentação das características que diferenciam os produtos dos serviços.Universidade do Sul de Santa Catarina Com o uso dessas estratégias. De toda forma. vamos encerrando a seção 3 desta Unidade 4. em relação ao marketing turístico. Portanto. que são disponíveis.

estadual e municipal. mas todas têm por finalidade o planejamento e o fomento ao desenvolvimento do turismo. como bem sabemos. estudante de turismo. enfoques. existem também órgãos em nível federal. Também foi possível verificar que estas organizações são bastante jovens. tais como: objetivos. sendo que na primeira parte explicamos primeiro o que é efetivamente planejamento e quais as variáveis que o compõem. No Brasil. abordamos de forma bastante objetiva o planejamento turístico. sendo que nos dois últimos níveis não existe uma nomenclatura padronizada. Já na seção 2. Isto significa que muito ainda deverá ser feito.Teoria Geral do Turismo Síntese Nesta Unidade você verificou que as organizações de Turismo têm por obrigação implantar as políticas de turismo para as regiões. podem ser privadas ou mistas. A última seção desta Unidade tratou especificamente do marketing. tratamos brevemente da evolução histórica. O domínio dessas variáveis é muito importante para você. destacamos a relação da economia com o mercado (através dos modos de produção). Destacamos ainda um quadro com as principais atribuições tanto por parte do Estado quanto da iniciativa privada. Elas podem ser entidades públicas. centralizadas ou descentralizadas. entre outros. pois. prazos. em todo o mundo. Foi ainda possível verificar que existem diversas organizações não-governamentais que se preocupam com o planejamento e com o desenvolvimento do turismo. Estas organizações buscam sempre fazer com que as políticas de desenvolvimento turístico sejam sempre alimentadas pela presença constante de pessoas e entidades que manifestam a preocupação com o turismo sustentável. em se tratando de planejamento turístico. existe uma enorme carência de profissionais graduados na área que atuam especificamente com o planejamento turístico. trabalhamos o Unidade 4 151 . Como forma de facilitar o seu entendimento optamos por uma apresentação do conteúdo de forma a possibilitar uma melhor percepção: vimos os conceitos.

que as organizações turísticas são mais importantes: nível federal. estadual ou municipal? Justifique sua resposta. a atualização constante nesta área específica de marketing é pressuposto básico. para finalizar. conceituamos marketing turístico. 2) Em qual nível. 152 . E. realize na seqüência. Não podemos nos esquecer da importância do planejamento de marketing. Atividades de auto-avaliação Com base na leitura desta unidade. vários são os benefícios gerados. você acredita. na atual velocidade em que se dão as mudanças. 1) Explique quais as principais atribuições das organizações de turismo. as atividades propostas. para que você seja um profissional de qualidade. Quando ocorre uma “simbiose” ajustada entre o turismo e o marketing. e também das ferramentas utilizadas para uma promoção.Universidade do Sul de Santa Catarina ambiente de marketing e. principalmente para as comunidades receptoras de turismo. você não pode esquecer que. ao final.

1992. ed. ARMSTRONG. Unidade 4 153 . 1999.Teoria Geral do Turismo 3) Descreva o que é planejamento turístico.P. São Paulo: Pioneira. planejamento. BLACKWELL.A. 1998. Marketing para o século XXI: como criar. G. Saiba mais Para conhecer mais detalhes acerca dos conteúdos desta unidade. P. Comportamento do consumidor. 1991. Administração hoteleira. São Paulo: Atlas. sugerimos algumas obras para pesquisa: ACERENZA. 5. Rio de Janeiro: Campus. KOTLER.. M.ed. conquistar e dominar mercados. ENGEL J. 1999. 2001. CASTELLI. G. Caxias do Sul: EDUCS. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Editora S. 8. KOTLER. implementação e controle. São Paulo: Futura. Princípios de marketing. Marketing de relacionamento. McKEENA. R.. Administração de marketing: análise. P. Promoção turística: um enfoque metodológico. P.Á. KOTLER. Rio de Janeiro: LTC. R. Miniard.

sugerimos: http://revistaturismo.htm 154 .cidadeinternet.com. Para conhecer uma base de informações gerais.Universidade do Sul de Santa Catarina RUSCHMANN. 1991.br/artigos/artigos. Marketing turístico: um enfoque promocional. Campinas: Papirus. incluindo artigos e notícias do turismo na Internet. D.

Identificar a tipologia turística e o seu amplo espectro.UNIDADE 5 Administrando o turismo para o mercado Objetivos de aprendizagem Reconhecer o significado vital exercido pelo meio ambiente em relação ao Turismo. Entender algumas das principais características e tendências da atividade turística na atualidade. 5 Seções de estudo Seção 1 O turismo e o meio ambiente. Seção 2 Turismo e desenvolvimento sustentável. Conhecer os princípios e as práticas para que o Turismo possa ser considerado sustentável. Seção 4 O turismo na atualidade. Seção 3 Tipologia turística. .

que são reconhecidos e realizados diariamente pelo mundo todo. pois lhes serão oferecidos textos para que possa interagir e debater. Uma das premissas básicas para ter um turismo realizado de forma sustentável é justamente a ordenação correta das ações do homem sobre o meio ambiente.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Nesta unidade você terá a oportunidade de entrar em contato com áreas muito interessantes da atividade turística. Que 156 .. com as transformações que vêm ocorrendo no nosso planeta. Você também terá a possibilidade de conhecer e se posicionar em relação à atividade turística na atualidade.. Não menos importantes são as tipologias do turismo.. ainda. Além de ser é um universo enorme e bastante interessante é imprescindível o estudo a respeito. Sabemos do papel vital que o meio ambiente exerce sobre as nossas vidas como um todo e que a atividade turística não tem se caracterizado como uma atividade em que a noção de conservação e preservação ambiental é levada em consideração. não é mesmo? Mas alguma vez refletiu criticamente sobre o que realmente este termo significa? Que sentidos ele assume nos diferentes contextos? O que você pode associar a ele? Vamos pensar sobre isso? Ou melhor. que alcançaram tal condição! Como forma de complementar a abordagem inicial que será feita sobre turismo e meio ambiente. trataremos de desenvolvimento sustentável.. Essa é uma tarefa muito difícil e pouquíssimos são os exemplos de núcleos receptores de turismo no mundo todo. Será a possibilidade de você exercer o seu potencial reflexivo e crítico. Preparados? Então vamos embarcar nesta nova viagem de descobertas e de curiosidades que permeiam o fantástico mundo do turismo! SEÇÃO 1 − O turismo e o meio ambiente Você deve concordar que. Nesta unidade você terá a possibilidade de conhecer os mais variados tipos de turismo. Podemos perguntar também: O que é meio? O que é ambiente? E. Várias são as nuances e as dinâmicas que caracterizam esta atividade nos dias atuais.. não são poucas as referências feitas à expressão “meio ambiente”.

tanto no Brasil como no exterior. as regiões com belezas naturais. Adaptado de: RUSCHMANN. vamos a algumas noções básicas sobre o que efetivamente constitui o meio ambiente. Acompanhe e veja o que ele aborda: Como meio ambiente entende-se a biosfera. Esses ecossistemas são constituídos de comunidades de indivíduos de diferentes populações (bióticos) que vivem numa área juntamente com seu meio não vivente (abiótico) e se caracterizam por suas interrelações.. econômicos e agora de ordem ambiental. imbricado. dá? Um está no outro. uma vez que este último constitui-se a “matéria prima” da atividade. atualmente. Não há como conceber o turismo longe do meio e do ambiente. Lembre o conjunto de elementos que se interligam e se entrelaçam quando se trata do turismo. isto é. a água e a arquitetura que envolve a Terra... O contato com a natureza constitui. Unidade 5 157 . não dá para separar o meio do turismo. as rochas. juntamente com os ecossistemas que eles mantêm. Campinas: Papirus. uma das maiores motivações das viagens de lazer. certo? Mas antes de discutir essa questão. Doris. Buscamos em Doris Ruschmann uma contribuição significativa. A deterioração das condições de vida nos grandes conglomerados urbanos faz com que um número cada vez maior de pessoas procure. A inter-relação do turismo e do meio ambiente é incontestável.Teoria Geral do Turismo relação tem o turismo com o meio ambiente? Tem relação? Ah! É claro que agora você vai responder bem rapidinho: Ora. São fatores sociais. Concordamos nesse ponto.. culturais. sejam elas simples ou mais complexas. Turismo e planejamento sustentável. nas férias e nos fins de semana. 1997. Veja como vamos agregando elementos e compondo um “sistema”.

agredido em seu próprio meio. os safáris na África eram utilizados para caça e captura de grandes animais. Breve histórico de ecoturismo Você já deve ter percebido que a história está sempre presente nas nossas discussões. não é? Mas o que seria do presente sem o passado? o que fariam os homens se não considerassem as práticas dos que vieram antes? Então vamos lá. os quais você deverá compreender como maneira de poder formar uma opinião sobre esta “interação” – turismo/meio ambiente. os safáris 158 . praias e montanhas). Trata-se de um círculo vicioso que é preciso romper por meio de planejamento dos centros urbanos e de medidas enérgicas que visem à conscientização para a preservação dos meios naturais. Os primeiros ecoturistas foram os visitantes que chegaram em massa aos parques nacionais de Yellowstone e Yosemite. Acompanhe. no Himalaia 25 anos mais tarde. Por volta da metade do século XX. passemos aos tópicos principais. No início desse século. na África. Quem eram eles? Mas você sabe o que significa ecoturismo? Falaremos sobre isso. e os caminhantes que acamparam em Anapurna.Universidade do Sul de Santa Catarina O meio ambiente é extremamente sensível (como. O homem urbano. passa a agredir os ambientes alheios. Agora que você já teve a possibilidade de conhecer um pouco mais sobre conceitos e aspectos ligados ao meio ambiente e um pouco mais da relação existente com a atividade turística. portanto deve necessariamente ser avaliada a intensidade do fluxo turístico de massa nestes locais. por exemplo. há 50 anos. promovendo a sua conservação e perenização. No século XX ocorreu uma modificação nas viagens a áreas naturais. não se preocupe. os viajantes que adentraram por Serengeti. Comecemos com os ecoturistas.

os organismos vivos e os seres humanos com suas múltiplas e mútuas influências. Concorda? O meio ambiente. como Humboldt. com a enorme popularidade dos documentários televisivos sobre a natureza e sobre viagens. Bates e Wallace.Teoria Geral do Turismo fotográficos eram mais populares do que os de caça. os fenômenos que o agridem. De acordo com Lindberg e Hawkins (1995. entre outros aspectos. o sistema ecológico ou ainda o ecossistema constituem-se num conjunto de elementos e fatores indispensáveis Unidade 5 159 . muitas conferências e simpósios sobre o ecoturismo estão sendo realizados. Há alguns anos a palavra ecoturismo e seus princípios não existiam. que o ecoturismo passou a ser verdadeiramente um fenômeno característico do final do século XX e. As instituições públicas e privadas estão interessadas no tema. tudo leva a crer. do que ele é composto. Havia viajantes naturalistas. Darwin.25). com base em conhecimentos científicos e com a contribuição de estudiosos da área. Em meados de 1970 o turismo de massa e individual passou a desrespeitar o habitat dos animais selvagens. “foi somente com o advento da viagem aérea a jato. Conceito de Meio Ambiente Se antes você viu o que está ligado ao meio ambiente. do século XXI. por exemplo. Mas suas experiências não trouxeram nada de concreto. É o momento de colocar em prática projetos concretos que comprovem os benefícios sócio-econômicos que o ecoturismo pode produzir. Vejamos: Meio ambiente é a expressão usada para designar a interação entre o conjunto das condições naturais.” Desde 1990. e com o interesse crescente em questões ligadas à conservação e ao meio ambiente. a intenção na preservação de áreas naturais e nem vantagens no âmbito sócio-econômico. p. como. agora vamos conceituá-lo ou tentar dar-lhe uma definição.

constitui um sistema ecológico ou ecossistema. mas trata dos organismos bióticos (vivos). bens tangíveis feitos pelo homem). crenças). clima. onde há um intercâmbio de matérias vivas e não vivas. hábitos. interagindo com o meio físico. não é? Qualquer unidade que inclua todos os organismos (a comunidade) de uma determinada área. e sua relação com os modelos de desenvolvimento adotados pelo homem”. os fatores bióticos dos animais. bactérias e vírus. p. odores e gostos. costumes. sob o ponto de vista biológico. plantas. ar. b) Organismo: o conceito não especifica o organismo. social e psíquico. 160 . atmosfera.Universidade do Sul de Santa Catarina à vida. as plantas e animais. seja o psíquico (sentimentos do homem e suas expectativas. De acordo com Ely (1986. entre os quais se destaca o homem. social e psíquico são os que dão as condições interdependentes necessárias e suficientes para que o organismo vivo (planta ou animal) se desenvolva na sua plenitude. seja o físico (água. Esse meio exterior inclui os fatores abióticos (não vivos) da terra: água. 03). tais como. seja o social (valores culturais. estabilidade). segurança. isso é inegável. angústia. terra. os fatores sociais de estética e os fatores culturais e psicológicos. Segundo Souza e Corrêa (2000. uma população ou uma comunidade. o meio ambiente efetivo é todo o meio exterior ao ser vivo. Conforme o conceito anterior. c) Integral Desenvolvimento: os meios físico. p. o meio ambiente contém três elementos chaves: a) Meio Exterior: significa que o meio ambiente é tudo aquilo que cerca um organismo (o homem é um organismo vivo). sons.99) o meio ambiente é “o conjunto de todas as condições e influências externas circundantes que interagem com um organismo.

Aproximadamente 4% do território nacional é formado por áreas de proteção ambiental ou Unidades de Conservação de uso indireto. para benefício próprio e imediato. fazê-lo sentir a necessidade de conservar. Ainda de acordo com o Ibama. devendo ser um instrumento para a melhoria da qualidade de vida as populações que acolhem essa atividade. bem como oferecendo aos turistas um contato íntimo com os recursos naturais e culturais da região. o Brasil está entre os três países de maior diversidade biológica do mundo. procurando conciliar a exploração turística com o meio ambiente. as quais são destinadas à pesquisa científica. de forma conservacionista. à educação ambiental e à recreação. O ecoturismo visa igualmente o desenvolvimento das regiões em que se insere. preservar e fazer preservar passam a ser sinônimos de mais renda e não há como negar que esta é a melhor maneira de “conscientizar” o ser humano. Você sabia ? Que o ecoturismo pode e deve se transformar em uma das grandes ferramentas de luta para a preservação e educação ambiental no planeta? Se conseguirmos levar o indivíduo a “preservar para sobreviver”. criar um mercado. buscando a formação de uma consciência ecológica. O IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis) e a EMBRATUR (Instituto Brasileiro de Turismo) definem o ecoturismo como sendo o turismo desenvolvido em localidades com potencial ecológico. harmonizando as ações com a natureza. para sua subsistência. ou seja.Teoria Geral do Turismo Conceito de ecoturismo Agora vamos ao conceito de ecoturismo? Vamos tomar dois institutos importantes para oferecer a você uma definição coerente. a preservação passa a ser uma questão de sobrevivência. o que inclui o turismo. gerar empregos e transformar o turismo em principal atividade econômica das comunidades dos locais com potencial ecológico. Unidade 5 161 .

mochileiro. De acordo com Lindberg e Hawkins (1995 p. acomodações baratas. de interesse genérico. 224). promovendo o bem-estar das populações envolvidas e a promoção do desenvolvimento sustentável. em sua conceituação. a conservação e o desenvolvimento. especialista. Pode pagar por alguns serviços. atualmente. a valorização das culturas tradicionais locais. As linhas mestras do turismo ecológico apontam. escaladores e observadores de aves. Inclui caminhantes. as mudanças sócio-culturais negativas. mediante uso sustentável dos recursos naturais. a criação de empregos para pessoas que vivem próximo a essas áreas e a promoção de educação ambiental sobre a conservação.34). Os benefícios potenciais são a geração de receita para áreas protegidas. a experiência educacional interpretativa. de massa”. etc. p. Utiliza transporte coletivo local.. Aprecia 162 . de longo prazo e com uma postura responsável diante da integridade do meio ambiente. “o ecoturista pode ser escrito como explorador.Universidade do Sul de Santa Catarina A atividade do ecoturismo deve abranger. “os custos potenciais são a degradação do meio ambiente. b) Mochileiro: faz viagens longas. embora aprecie o exotismo. as injustiças e instabilidades econômicas. privilegia mais a experiência da viagem que a cultura local. não requer facilidades especiais. a dimensão do conhecimento da natureza. A caracterização de cada um desses tipos é a que segue: a) Explorador: individualista. Idade: 25 a 45 anos. com orçamento limitado.” Deve-se procurar uma forma de minimizar os custos e maximizar os benefícios buscando um elo de ligação entre o ecoturismo. mas prefere não gastar. para uma visão administrativa moderna. Tipologia do ecoturismo Para Serrano (2001.

Exige facilidades especiais e serviços. c) Turista especialista: dedica-se a hobbies particulares. O modo de vida conturbado das grandes metrópoles induz Unidade 5 163 . interessa-se por cultura e pela vida silvestre. Muitos são ativos e apreciam a atividade de aventura sem risco. Idade: 18 a 25 anos. requer muitas facilidades e viaja apenas com condições muito confortáveis. Inclui pesquisadores e prefere grupos pequenos. se necessários para atingir seus objetivos. Idade: 35 a 65 anos. barcos guias. e) Turista de massa: prefere viajar em grandes grupos. pode ter bom nível de renda. embora normalmente não visite áreas mais remotas devido ao custo da viagem.Teoria Geral do Turismo caminhadas e paisagens. Necessita de serviços de baixo custo. Tem bom nível de renda. em projetos de recuperação ambiental. por exemplo. Aceita desconfortos e longas viagens. Requer muitas facilidades. aprecia paisagens naturais e vida silvestre se o acesso for fácil. visto que o meio ambiente é matéria-prima da atividade turística. Não se sujeita a viajar longas distancias sem que haja grandes atrativos. etc. por exemplo. é pouco aventureiro. interessa-se superficialmente por alguns aspectos da cultura local. desde que não seja necessário muito esforço para apreciá-la. Idade: 40 a 90 anos. Pode ter participação ativa. prefere a segurança dos grupos ou programas personalizados. dispõe-se a pagar por serviços e auxílio logístico. embora possa aceitar condições rústicas por curtos períodos. d) Turista de interesse genérico: em geral. como caminhadas e rafting. Inter-relação entre turismo e meio ambiente A inter-relação do turismo e do meio ambiente é indiscutível. Pode ter pouco interesse pela cultura. Inclui passageiros de cruzeiros. Idade: 20 a 70 anos.

restaurantes. 164 . Ele contém dois conceitos-chave: 1− o conceito de “necessidades”. esse fluxo de turistas traz conseqüências negativas ao meio ambiente.economiabr. descaracterizam a paisagem. No litoral.net/ economia/3_desenvolvimento_ sustentavel_conceito. Porém.. para que as conseqüências sejam minimizadas. tais como. não é? E isto está diretamente ligado ao que chamamos de “desenvolvimento sustentável”! Esse tópico será estudado mais adiante.Universidade do Sul de Santa Catarina cada vez mais pessoas a procurarem. Essas conseqüências devem ser avaliadas e minimizadas antes que a degradação desse patrimônio natural se torne irreversível. determinando os limites suportáveis e compatíveis para cada espaço. claro que há o que fazer! E você deve ter presente que o planejamento é necessário. Lembra-se da importância dessa prática. A razão pela qual o homem agride a natureza é o fato de ele estar sendo agredido em seu próprio meio em manifestações. a alta concentração de turistas e a sazonalidade estimulam a poluição das águas e o acúmulo de detritos deixados na areia. que devem receber a máxima prioridade. O desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem a suas próprias necessidades. construção de hotéis. Portanto. A urbanização e ocupação das áreas naturais faz com que se torne poluído pela presença em massa dos turistas. em seu período de férias e fins de semana.). impedindo-o de atender às necessidades presentes e futuras (.html) O que fazer então? Há o que fazer? Sim. sobretudo as necessidades essenciais dos pobres no mundo. a poluição visual provocada pela especulação imobiliária. regiões com belezas naturais.. 2− a noção das limitações que o estágio da tecnologia e da organização social impõe ao meio ambiente. (http://www. é necessário definir diretrizes para uma política de turismo voltada para o meio ambiente. a violência e a poluição sonora e atmosférica.

Proporciona algumas vantagens. ocorre o intercâmbio cultural entre turistas e a comunidade local. Ainda de acordo com Ruschmann (1999.Teoria Geral do Turismo Contudo.82). valorização e conhecimento de determinadas regiões através do turismo ecológico. difícil de controlar. “o relacionamento do turismo com o meio ambiente está longe de ser simples. a arrecadação de impostos taxas e ingressos. diante de sua fragilidade. na economia ocorre o aumento e melhoria da distribuição de renda. p. tais como: a criação de programas de conservação de áreas naturais e de sítios arqueológicos. O desafio reside em encontrar o equilíbrio entre o desenvolvimento da atividade e a proteção ambiental. cada medida ou precaução pode gerar um efeito perverso. Numerosas situações de conflito são registradas e.” Unidade 5 165 . faz com que a infra-estrutura turística seja ampliada. percebe-se a racionalização dos espaços e do convívio com a natureza. a atividade turística não causa somente danos ao meio ambiente. empreendedores turísticos visam a manter a atratividade dos recursos naturais.

Para Pensar o Desenvolvimento Sustentável.). MAY.ulb.iisd. HOGAN. a) A primeira fase ocorreu no século XVIII e se caracterizou pela descoberta de natureza e das comunidades receptoras. a relação entre o turismo e o meio ambiente não tem sido muito harmoniosa. Paulo Freire (org. Clóvis (org.ac. Ronaldo (org. 1992. Valorando a Natureza: Análise Econômica para o Desenvolvimento Sustentável. com os documentos da Rio 92. Vários estudos desenvolvidos na França (Ministère de L’Environnement/Tourisme.be/ ceese/sustvl.ca/ The WWW Virtual Library: http://www. Mas. 1994. ou acesse: Links: • • International Institute for Sustainable Development (IISD): http://iisd1. Suas motivações eram o convívio em lugares onde a industrialização ainda não havia chegado ou de ambientes turísticos expandidos à beira-mar para bronzear-se e banhar-se.16) apresentam quatro fases do relacionamento do turismo e do meio ambiente. ed. Dilemas Socioambientais e Desenvolvimento Sustentável.Universidade do Sul de Santa Catarina Para saber mais sobre desenvolvimento sustentável. Marcel. inclusive da ONU.html .). São Paulo.permite o acesso a inúmeros outros sites sobre Desenvolvimento Sustentável. e Vieira.). Peter Herman e Serôa da Motta. 166 . Campus: Rio de Janeiro. Fases do relacionamento entre turismo e meio ambiente Como se vê. p. 1992. Unicamp. Daniel J. 1993. leia: BURSZTYN. aparecem vestígios de que sua interação seja crescente e vantajosa para ambos. In: Cavalcanti. É a fase do relacionamento e dos primeiros equipamentos turísticos. 2a ed. Desenvolvimento e Natureza: Estudos para uma Sociedade Sustentável. atualmente.

O conteúdo a ser apresentado a seguir contém uma abordagem específica sobre o turismo ecológico e uma gama bastante significativa de informações estreitamente relacionadas com a prática do turismo em áreas naturais protegidas. é caracterizado pelo domínio do turismo sobre a natureza. tendo seu apogeu nos anos de 1970 e 1980. originando os centros turísticos mais antigos da Europa. a educação e o conhecimento aprofundado das regiões visitadas.Teoria Geral do Turismo b) Na segunda fase ocorreu um turismo de elite no final do século XIX e início do século XX. faltava saneamento básico e tratamento de esgoto e a infra-estrutura turística. pois nessa fase a demanda turística cresceu assustadoramente. c) A terceira fase corresponde ao turismo de massa e ocorreu a partir de 1950. portos e de estações de inverno. Montain bike: Passeios de bicicletas em trilhas Trata-se da renovação do turismo. Foi um período catastrófico para a conservação ambiental. Aparecem esportes como. Nessa época a especulação imobiliária se intensificou devido ao aumento da demanda turística. a aventura. O crescimento foi desordenado. como a criação de marinas. Vamos em frente? Unidade 5 167 . ficou a desejar. o mountain bike e uma série de novos esportes que necessitam de uma natureza preservada. a preservação. muito conhecido atualmente. Não havia a preocupação com a conservação do meio ambiente. A quarta fase ocorreu na metade da década de 1980. Mas as cidades não cresceram na mesma proporção: foram urbanizadas. o rafting. haja vista o crescimento da construção civil. Rafting: Descida em botes infláveis nas corredeiras dos rios. porém sem o devido planejamento e não à medida que a demanda necessitava. evitando a ocupação de todos os espaços. quando o turismo ecológico se propaga nas localidades turísticas. que busca a tranqüilidade.

f) Zona Histórico-Cultural. Quadro 5.1: Tipos de zoneamento em unidades de conservação Fonte: Adaptado de PIRES (1997). É destinada à moradia. atualmente. Quando ocorrerem sítios especiais que abriguem características pertinentes. manutenção e proteção da Unidade de Conservação. Deverá estar pouco alterada e de uso restrito e eventual. 168 . Apresenta algumas alterações e é uso restrito à circulação e a atividades esparsas. Pode ser significativamente alterada e concentrar a maior parte dos serviços e atividades da Unidade de Conservação. 28). serviços de administração. g) Zona de Recuperação. Consiste na divisão do território da Unidade de Conservação em partes homogêneas atendendo a critérios ecológicos e de destinação de uso”. “o zoneamento é uma das primeiras providências tomadas durante a elaboração de Plano de Manejo de uma Unidade de Conservação. a) Zoneamento Conforme Pires (1996. p. de tal forma que o mesmo passe a se constituir num instrumento de gestão que apoiará a definição e administração das atividades.Universidade do Sul de Santa Catarina Turismo ecológico em áreas naturais protegidas No processo de planejamento das áreas naturais protegidas. b) Zona Primitiva. c) Zona de Uso Extensivo. que poderão ou não ser desenvolvidas dentro de cada uma delas. Quando existem áreas que precisam ser recuperadas. CARACTERÍSTICAS Deverá estar pouco ou não alterada e permanecerá intacta e com uso proibido. está prevista a elaboração de um Plano de Manejo para cada Unidade de Conservação. a única a ter um Plano de Manejo contendo uma proposta de zoneamento e um programa de manejo já elaborado para várias Unidades de Conservação no país. O zoneamento adotado tem sido o seguinte: TIPOS DE ZONAS a) Zona Intangível. São zonas temporárias. e) Zona de Uso Especial. A categoria de manejo Parque Nacional é. d) Zona de Uso Intensivo.

contendo um ou mais sítios com características abióticas naturais de importância relevante que.Teoria Geral do Turismo Todas as atividades previsíveis numa Unidade de Conservação devem fazer parte dos programas de manejo. por sua singularidade. com trilhas interpretativas e centro de visitantes. É permitida a visitação sob controle. destacamos as sete categorias cujos objetivos de manejo permitem a prática do ecoturismo. corram o risco de se tornarem ameaçados e necessitarem de proteção. Categorias de Manejo que permitem o ecoturismo Dentre as nove categorias de manejo propostas para o Sistema Nacional de Unidades de Conservação. uma área de preservação integral vedada ao público e áreas destinadas à recreação e educação ambiental. temos: Parque Nacional São áreas terrestres e/ou marinhas extensas. educativas e turísticas. Os parques devem contar com um Plano de Manejo cujo zoneamento defina. beleza ou vulnerabilidade. dotados de atributos naturais ou paisagísticos notáveis e contendo ecossistemas ou sítios geológicos de grande interesse científico e educacional. raridade. entre outras. Se uma determinada área contempla nos seus objetivos de manejo as atividades de turismo. Monumento Natural São áreas terrestres e/ou marinhas. porém condicionada a atividades específicas relativas às atividades culturais. então deverá ser desenvolvido um capítulo específico no programa de manejo destinado a detalhar e normatizar tal atividade. De acordo com Pires (1997). contendo um ou mais ecossistemas naturais preservados ou pouco alterados pela ação humana. 169 Unidade 5 .

Reserva de Fauna São áreas contendo populações de espécies animais nativas e habitats adequados para a produção de proteínas de origem animal.Universidade do Sul de Santa Catarina A área deve conter. 170 . em condições naturais. sítios históricos. dependendo das condições particulares de cada caso. As atividades turísticas podem ser desenvolvidas sob controle. A utilização dos recursos da fauna será sempre feita mediante manejo cientificamente conduzido e sustentado e sob permanente controle governamental. de importância significativa. ou não. as instalações e vias de acesso devem ser limitadas ao mínimo. residentes ou migratórias. sem prejuízo das características a preservar e sempre em proveito exclusivo dos objetivos de manejo. sítios arqueológicos e. ou comunidades de fauna e flora. devendo sempre prevalecer as necessidades de conservação da natureza. É permitido o acesso controlado ao público. As alterações do ambiente. Refúgio da Vida Silvestre São áreas terrestres e/ou marinhas em que a proteção e o manejo são necessários para assegurar a existência e a reprodução de determinadas espécies de animais e vegetais. A visitação pública pode ser permitida. formações geológicas pouco comuns. O turismo de manejo desta categoria inclui a oferta de turismo ecológico. ou para a observação da fauna. eventualmente. segundo critérios a serem estabelecidos pela autoridade responsável pela área. As atividades de pesquisa devem ser sempre devidamente autorizadas.

A característica fundamental é o uso múltiplo dos recursos. estéticos ou culturais. O conceito amplo de Área de Proteção Ambiental admite que esta categoria se aplique á proteção paisagística e ecológica de faixa de terras ao longo de estradas e rios. c) Floresta Nacional São áreas extensas com cobertura florestal de espécies. com atributos naturais importantes e valor panorâmico. proteção de recursos hídricos. As atividades turísticas são admitidas desde que se harmonizem com os objetivos específicos de cada área de proteção ambiental. predominantemente. manejo de fauna silvestre e recreação ao ar livre. seminaturais ou alteradas. cultural. submetidas a modalidades diversas de manejo. Unidade 5 171 .Teoria Geral do Turismo b) Área de Proteção Ambiental São áreas terrestres e/ou marinhas de configuração e tamanhos variáveis. nativas que ofereçam condições para a produção sustentável de madeira e de outros produtos florestais. O acesso ao público é permitido. com características notáveis e dotadas de atributos bióticos. que exijam proteção para que possam assegurar o bem-estar das populações humanas. conforme estabelecido no Plano de Manejo. conservar ou melhorar as condições ecológicas locais ou preservar paisagens e atributos naturais e culturais importantes. podendo compreender ampla gama de paisagens naturais. subordinados aos objetivos de manejo e de acordo com cada situação. educativo e recreativo.

A característica fundamental desta categoria é facultar. somente serão toleradas atividades de subsistência. p. resinas e frutos. ecologicamente mais saudáveis e socialmente mais desejáveis para a utilização de boa parte dessas áreas. para o que são permitidas alterações antrópicas em até 5% da área. ou que não pertençam a um Sistema de Unidades de Conservação. “uma das alternativas economicamente mais promissoras.35). que podem ser obtidos da natureza. através do uso sustentado. devam ser exploradas inadequadamente e de forma destrutiva. Além da extração de produtos nativos. Por outro lado. Atrativos ecoturísticos da natureza Atrativos ecológicos e paisagísticos existem em toda parte e não somente em área protegida por lei. ocupadas por grupos sociais que tenham como fonte de sobrevivência a coleta de produtos da flora nativa e que a realizem segundo formas tradicionais de atividade econômica puramente extrativista e de acordo com plano de manejos previamente estabelecidos. para mostrar como a atividade extrativista se harmoniza com o ambiente e com a riqueza de produtos. isto não quer dizer que as áreas com tais atributos e que não se encontram legalmente protegidas. látex. Para Pires (1996. É permitido o turismo educativo. a manutenção de populações que vivam do extrativismo. notadamente. é a sua destinação para o turismo ecológico. sendo proibida a extração comercial de madeira.” 172 . compatibilizando-a com a conservação de extensas áreas naturais.Universidade do Sul de Santa Catarina d) Reserva Extrativista São áreas naturais ou pouco alteradas. até porque estas procuram preservar e representar apenas uma amostra dos diferentes ambientes naturais e de seus ecossistemas.

As cavernas contêm galerias e salões em cujo interior cursos d’água formam uma complexa drenagem subterrânea. geralmente. A ausência de luz faz com que os animais ali existentes apresentem formas de vida totalmente exclusivas. a proprietários particulares. formam-se as estalagmites e as estalactites de grande efeito ornamental. ou a vegetação de restinga. como a falta de pigmentação.Teoria Geral do Turismo Existem inúmeros lugares que abrigam atrativos com um potencial latente para o ecoturismo e que pertencem. montanhas. os seguintes: TIPOS DE ATRATIVOS CARACTERÍSTICAS A altura de determinados morros e montanhas se constitui num forte apelo para a prática do montanhismo. juntamente com as formas vegetais naturais que se desenvolvem junto às margens. exclusivos desses ambientes e cada vez mais raros. Foram formadas ao longo de milhares de anos pela ação das águas sobre as fraturas de rochas que com o desgaste contínuo. d) Lagos e lagoas. Continua a) Morros. e) Praias. Unidade 5 173 . com sua característica única de adaptação ecológica. Dependendo do estágio de desenvolvimento das cavernas. Podem ser citadas como atrativos paisagísticos e ecológicos que se enquadram perfeitamente nesta condição. a ausência de visão ou visão atrofiada. Constituem-se sempre em uma grande atração pela movimentação que acrescentam à paisagem. A água presente nesses locais. para a observação da vegetação natural exclusiva destas áreas e para a prática de saltos de vôo livre entre outros. para a observação panorâmica da paisagem. provocaram a abertura de espaços e canais de diversas dimensões no seu interior. com espécies de bromélias. longas antenas e patas. acrescentam qualidade visual à paisagem. Esses ambientes proporcionam condições para a prática de pesca esportiva e de passeios e esportes náuticos de baixo impacto. b) Cavernas. como a vegetação pioneira da areia e das dunas. a posseiros ou ainda se encontram em terras devolutas do Estado. c) Cachoeiras e saltos. Desfruta-se do contato saudável com o sol e o mar e também se descobrem aspectos da natureza. pelo seu potencial de aproveitamento recreativo em banhos e mergulhos.

g) Ilhas. As baías são ecossistemas frágeis e em muitas partes do mundo. inclusive no Brasil. já sofreram o processo de urbanização com a conseqüente descaracterização de sua naturalidade. que consegue se adaptar às condições ecológicas adversas. Além da oportunidade de presenciar todos esses aspectos. se instalam sobre as dunas. à salinidade e à extrema aridez da areia. É o caso das ilhas de Fernando de Noronha e Trindade. As ilhas mais próximas ao litoral são partes do continente que se separam deste devido à elevação do nível do mar. A vegetação pioneira das dunas. é frágil e não resiste quando pisoteada. As ilhas abrigam espécies de aves migratórias e da fauna aquática. Continua f) Dunas. gerando a cadeia alimentar de grande parte da vida marinha. As ilhas oceânicas se encontram mais distantes do continente e. São áreas formadas por planícies baixas onde o mar adentra para o continente e. que ali encontra a proteção adequada para a sua alimentação e reprodução.Universidade do Sul de Santa Catarina TIPOS DE ATRATIVOS CARACTERÍSTICAS Constituídas pela areia que. Ao se formarem junto às praias. pode ser planejado o turismo ecológico voltado para a contemplação e conhecimento da fauna e da flora típicas. adaptadas às condições especiais de vida existente nestes locais. Em regiões litorâneas onde ainda existem baías com alto nível de preservação e naturalidade. as pessoas podem desfrutar de banhos e mergulhos de contemplação sub-aquáticos. passando a oferecer uma verdadeira proteção natural contra os ventos e a erosão. para a pesca esportiva e para o contato cultural com as populações ribeirinhas. e à medida que vão se estabilizando com o auxílio da vegetação pioneira. estuários receptores dos rios que nelas deságuam sua água doce. são topos emersos na superfície do mar de grandes montanhas submarinas. 174 . ser protegida. formam um ecossistema exclusivo para o desenvolvimento da vegetação mangue e de uma fauna que faz desse ambiente o seu único habitat para a procriação e alimentação. Em função do seu isolamento geográfico. fato este de grande importância para a proteção das áreas mais para o interior do continente. com a ação dos ventos vão formando montes sucessivos e podem atingir dimensões surpreendentes. Em razão disso. as dunas também proporcionam o isolamento de muitos recantos praianos. aspecto de grande apelo estético e emocional para os viajantes. devendo. impõe características muitas vezes singulares à fauna e à vegetação. h) Baías. embora resistente ao sol. Além desta importante função ecológica. geralmente. ao mesmo tempo. portanto.

j) Sítios arqueológicos São colônias remanescentes de antigas culturas humanas que ainda preservam em grande parte suas características originais. Unidade 5 175 . onde os cursos d’água representam um elo de ligação entre os diferentes ambientes e ecossistemas que ocorrem desde a sua nascente até a desembocadura em outro rio. Quadro 5. podem e devem explorá-los turisticamente com perspectivas de amplas vantagens para ambos e. entretanto. k) Florestas naturais. animais.Teoria Geral do Turismo TIPOS DE ATRATIVOS CARACTERÍSTICAS Oferecem oportunidades para a navegação ou caminhadas de observação da natureza. solo e clima. juntamente com os agentes promotores do turismo na região. Muitos deles estão presentes nas próprias unidades de conservação e constituem a razão principal de sua criação. em grupos monitorados por guias capacitados. Esses e outros atrativos quase sempre não ocorrem isolados da forma como foram relacionados. conseqüentemente. Os proprietários ou ocupantes das terras onde ocorrem tais atrativos. Nos grandes rios do centro-oeste e norte do Brasil se formam bancos de areia nas suas margens. Tal iniciativa. Nas florestas naturais há um contato direto com a diversidade e riqueza de sua flora e fauna e a oportunidade de observar aspectos do equilíbrio ecológico do ambiente. nas atividades agrícolas de subsistência. lagoa ou mar. e sim compondo ambientes e ecossistemas com variados graus de complexidade e diversidade paisagística e ecológica. Nas suas diferentes formações podem ser percorridas por trilhas ou por cursos d’água. para a economia da região. a fim de que se garanta a aplicação dos princípios do desenvolvimento conservacionista pelo uso turístico sustentado dos recursos naturais. i) Rios e ribeirões. manifestadas no folclore.2: tipos de atrativos paisagísticos e ecológicos que permitem o ecoturismo Fonte: Adaptado de PIRES (1997). deve ser aprovada pelos órgãos governamentais responsáveis pela gestão ambiental e turística. através das associações de mútua dependência entre plantas.

compactação. g) divulgação da unidade de conservação. que trazem mais benefícios se forem conservados no estado em que se encontram. com objetivos e limites definidos. agropecuários ou industriais. legalmente instituídas pelo poder público. incluindo as águas territoriais. d) aumento da oferta de atividade de lazer e recreação. depredação da infra-estrutura e de atrativos e elementos naturais. p. devem ser mantidas na forma silvestre e adequadamente manejadas. Veja. 176 . p. montanhas. Segundo o IBAMA apud PIRES (1996. 217-218). “unidades de conservação são porções do território nacional. campos. erosão e abertura de atalhos em trilhas. desertos ou pântanos. agora. sob regime especiais de administração e às quais se aplicam as garantias de proteção. f) controle sobre grupos organizados. segundo o mesmos autor os impactos negativos: pisoteamento.19). b) integração da unidade de conservação com as populações locais. de domínio público ou propriedade privada. De uma maneira geral são terrenos não utilizados para fins urbanos.” Impactos positivos e negativos do ecoturismo em unidades de conservação De acordo com Serrano (apud ANSARAH 2001. mangues. podendo ser florestas. os impactos positivos são: a) sustentação econômica da unidade de conservação. c) circulação de informações sobre o meio ambiente. e) ampliação da capacidade de fiscalização.Universidade do Sul de Santa Catarina Áreas naturais protegidas (unidades de conservação) São áreas que. por possuírem importantes recursos naturais ou culturais. com características naturais de relevante valor.

entre outros. Com o estudo do próximo tópico. O setor turístico. Em outras palavras. você verá o quão complexo é atingir um grau considerado razoável de sustentabilidade. Vamos a eles. serviços de alimentação. face aos diversos “atores” envolvidos no processo. Apesar disso. para as comunidades ou núcleos receptores de turismo. aumento e/ou deposição inadequada do lixo. cheiro e cores estranhos ao ambiente). como hotelaria. como pudemos verificar em unidades e seções anteriores. os gestores turísticos transportam Unidade 5 177 . está fragmentada em subsetores. é um setor que não administra a maioria dos produtos e atividades que vende. necessidade de “sacrifício” de áreas para a instalação de infra-estrutura. e é extremamente competitiva em escala nacional e internacional. a sustentabilidade depende da ação adequada e de uma postura correta e ética dos diversos setores e agentes que compõem o “cenário” turístico. então? SEÇÃO 2 − Turismo e desenvolvimento sustentável A indústria do turismo. transporte. você terá a oportunidade de estudar as dimensão do turismo sustentável a partir dos seus conceitos. Em lugar disso. marcado por um grande dinamismo e como eixo importante da economia de muitos países. Esta seção abordou a inter-relação existente entre a atividade turística e o meio ambiente. gera lucros importantes na economia. Você conseguiu ter uma visão abrangente sobre o conteúdo? Na próxima seção.Teoria Geral do Turismo Estresse e desaparecimento da fauna em razão da presença humana (provocados por barulho. aumento do risco de incêndios.

Por exemplo: a poluição de uma praia ou um ato criminal de grande cobertura jornalística podem ter conseqüências devastadoras sobre o próprio local. como também às do entorno cultural. ao contrário de outras empresas. Introdução ao Turismo. com os detritos não tratados procedentes das cidades vizinhas. pela ação dos gestores turísticos e/ou dos próprios turistas. São Paulo: Roca. Mas a indústria do turismo não só é vulnerável às mudanças do meio ambiente natural. de grande fragilidade. Com freqüência foram sendo descobertos os limites de um desenvolvimento turístico quando a indústria turística sofreu prejuízos muito graves ou irreversíveis. Ou seja. como conseqüência dos efeitos cumulativos de suas caminhadas sobre as espécies vegetais. Mais recentemente. Isso faz do turismo uma indústria particularmente frágil. os turistas têm devastado a vegetação dos campos mais acessíveis das Montanhas Rochosas. sendo a paisagem vítima de sua própria beleza. 2001. tem feito com que suas águas sejam incertas para a natação e a pesca. as atrações culturais.Universidade do Sul de Santa Catarina os indivíduos para que conheçam os traços naturais. Apenas recentemente. cultural e econômico. Outro exemplo refere-se aos centros turísticos de praia: é o território compreendido entre os Grandes Lagos e o Mar Negro. o turismo leva os consumidores ao produto e não o produto aos consumidores. Esta unidade tem por base a obra: OMT. vulnerável às mudanças do entorno natural. assim como a qualquer variação e incidente que aconteça nos limites de uma região. onde a poluição produzida pela população. foi reconhecido que o turismo se desenvolve em lugares que têm limites próprios. as atividades econômicas e os estilos de vida dos povos de todo o mundo. no Canadá. 178 . além de serem impróprias para o consumo.

tradicionalmente. que inclui numerosos campos de interação dentro do conceito de sustentabilidade.” O conceito de crescimento sustentável tem sido ligado. Turismo sustentável O ponto de partida do conceito de turismo sustentável está dentro das teorias referidas ao desenvolvimento sem degradação nem esgotamento dos recursos. sem que os efeitos negativos produzam deterioração irreversível? Em resposta a essa pergunta. com interação nos dois sentidos.Teoria Geral do Turismo A atividade turística está sujeita às inter-relações entre os habitantes locais e os próprios turistas. Podemos afirmar que é a conservação dos recursos para que a geração presente e as futuras possam desfrutar deles.” Outro conceito de desenvolvimento sustentável é da World Conservation Union (WCU). ao conceito de meio ambiente. são confl itantes e conturbadas. conforme pudemos ver na unidade 2. Nesse sentido. sobre o crescimento turístico sustentável entendido como uma necessidade para qualquer destino turístico. Unidade 5 179 . em que sejam potenciados os efeitos positivos do próprio negócio turístico. que consiste em “satisfazer as necessidades presentes sem comprometer a possibilidade de satisfações das gerações futuras. que afirma ser “o processo que permite o desenvolvimento sem degradar ou esgotar os recursos que tornam possíveis o mesmo desenvolvimento. seção 3. Muitas vezes. Se levarmos em consideração esse pequeno cenário descrito. define-se o conceito de sustentabilidade de acordo com Brudtland (1987). se desenvolveu uma teoria amplamente aceita. como aspectos econômicos e sócio-culturais. surge naturalmente uma questão crucial: é possível chegar ao crescimento da atividade turística. mas atualmente é um conceito mais global. essas inter-relações.

e) assegurar a obtenção de lucros pelos empresários turísticos. Em suma. o negócio turístico tem de ser rentável. b) prover experiência de melhor qualidade para o visitante. De uma maneira ou de outra o turismo sustentável é definido como modelo de desenvolvimento econômico projetado para: a) melhorar a qualidade de vida da população local. c) manter a qualidade do meio ambiente. O planejador local pode usar os princípios estabelecidos no quadro a seguir.Universidade do Sul de Santa Catarina O conceito de sustentabilidade está ligado a três fatos importantes: qualidade. os empresários esquecerão o compromisso de sustentabilidade e o equilíbrio será alterado. das pessoas que vivem e trabalham no local turístico. d) a efetivação de aumento dos níveis de rentabilidade econômica da atividade turística para os residentes locais. como linhas básicas quando tentar incorporar essa visão do turismo às políticas adotadas. continuidade e equilíbrio. que podem ser severas e que requerem uma visão em longo prazo. 180 . da qual depende a população local e os visitantes. Princípios do Desenvolvimento Sustentável O desenvolvimento do turismo sustentável implica a tomada de decisões políticas. principalmente na hora de efetivar o processo de planejamento. caso contrário.

São Paulo: ROCA. especialmente para os moradores do local. associações. o governo. O turismo deve distinguir os lucros de forma eqüitativa entre os promotores de turismo e a população local.Teoria Geral do Turismo O planejamento do turismo e seu desenvolvimento devem ser parte das estratégias do desenvolvimento sustentável de uma região. Ao se iniciar um projeto. do comportamento da comunidade e dos princípios políticos. p 246. 2001. O turismo deve ser planejado de maneira sustentável..3: Princípios do desenvolvimento sustentável Fonte: Conferência de Globo’90 Brasil. Os planos de desenvolvimento do turismo devem permitir que a população local se beneficie deles ou que possa explicar as mudanças que se produzam naquela situação. dando-s enfoques distintos aos diferentes tipos de turismo. da economia e do modo tradicional de vida. Agências. A população deve se envolver no planejamento e no desenvolvimento dos planos locais junto com o governo. os empresários e outros interessados. levando em consideração a proteção do meio ambiente. estado ou nação. Esse planejamento deve envolver a população local. da sociedade e da economia. etc. dando prioridade para um desenvolvimento duradouro. grupos e indivíduos devem seguir princípios éticos que respeitem a cultura e o meio ambiente da área. Unidade 5 181 . para que consiga os maiores lucros possíveis. disponível em OMT. as agências de turismo. É essencial facilitar boa informação sobre a natureza do turismo. Introdução ao turismo. que envolve a realização de uma análise contínua e um controle de qualidade sobre os efeitos do turismo. Quadro 5. há necessidade de se realizar análise integrada do meio ambiente.

com o objetivo de conseguir um equilíbrio final: a sustentabilidade do sistema turístico. b) Sustentabilidade ecológica: Assegura que o desenvolvimento turístico é compatível com a manutenção dos processos biológicos. antes que os danos sejam irreparáveis? Vamos verificar. encontra-se o de capacidade de carga. junto com um controle sobre os custos e benefícios dos recursos. sem reduzir a satisfação dos visitantes ou sem que se produza efeito adverso sobre a sociedade receptora.Universidade do Sul de Santa Catarina Campos de atuação que influem no turismo sustentável O processo de desenvolvimento turístico sustentável é a conjunção de três fatores que se inter-relacionam de forma dinâmica. enfatizando que os destinos têm limites no volume e na intensidade do desenvolvimento turístico que podem ser suportados por uma determinada região. ficam marcados os seguintes conceitos paralelos aos fatores de sustentabilidade já mencionados: 182 . Nessa definição global. que garante a continuidade para as gerações futuras (McIntyre. a economia ou a cultura da área. preservando a identidade da comunidade. então. um conceito sobre capacidade de carga? Capacidade de carga: O máximo uso que se pode fazer dele sem que causem efeitos negativos sobre seus próprios recursos biológicos. 1993). o emprego e os níveis satisfatórios de renda. diretamente ligado ao conceito de desenvolvimento sustentável. c) Sustentabilidade sócio-cultural: Garante o desenvolvimento turístico compatível com a cultura e os valores das populações locais. Esses fatores são: a) Sustentabilidade econômica: Assegura um crescimento turístico eficiente. Você sabia que.

a) Ações que os governos devem realizar em favor do desenvolvimento turístico sustentável Trabalhar conjuntamente os empresários no estabelecimento de políticas sustentáveis. não poderá assegurar um desenvolvimento compatível com os recursos naturais. que faz referência ao nível máximo de atividade turística. se superado. que se define como o número máximo de visitantes que um lugar pode receber. as ações dos governos. Unidade 5 183 . c) capacidade de carga do turista. Criar auditorias de qualidade ambiental. que. o papel das comunidades e as funções das indústrias no desenvolvimento de um turismo sustentável. 251-252). entendida como o nível máximo que garante a satisfação do turista. Conheça. manutenção das estruturas. Elaborar um programa de avaliação de impactos sobre os destinos turísticos. b) capacidade de carga social. segundo McIntyre (2001. produzirá uma mudança negativa na população local. se superado. que faz referência ao nível de atividade econômica compatível com o equilíbrio entre os benefícios econômicos que proporciona o turismo e os impactos negativos que a atividade turística gera sobre as economias locais (inflação.Teoria Geral do Turismo a) capacidade de carga ecológica. Proporcionar uma política de incentivos que favoreça o crescimento equilibrado. Incluir o turismo nos planos do governo. d) capacidade de carga econômica. etc.). Controlar sua capacidade de carga. p. que.

Ter iniciativas com respeito às ações. com a finalidade de orientá-los para um comportamento responsável. Gerar auditorias meio ambientais próprias.Universidade do Sul de Santa Catarina b) Papel das comunidades locais no desenvolvimento sustentável Proporcionar interações culturais entre a comunidade local e os visitantes. Tomar decisões sobre a elaboração de projetos. Adotar técnicas eficientes de energia. da água e da mata. Participar com os custos dos projetos. Incorporar valores meio ambientais nos processos de decisão empresarial. Tratar dos resíduos sólidos e líquidos. Proporcionar serviços ao visitante. 184 . Proporcionar um guia ou informações aos turistas. Minimizar riscos de intoxicações. Proteger as normas culturais c) O que deve fazer a indústria turística? Eliminar o uso de agrotóxicos. Capacitar os produtos locais. Desenvolver o uso equilibrado do solo. Realizar práticas de marketing verde.

uma maneira de assegurar que os desenvolvimentos turísticos sejam controlados é mediante a participação de todos os agentes envolvidos no processo de desenvolvimento sustentável dos destinos. formando parcerias. Portanto. na atualidade. torna-se essencial manter o sentido histórico. Apoiar as atividades de conservação do meio ambiente. Os locais que não oferecem esses atributos verificam uma baixa na qualidade e no uso do turismo. Realizar suas atividades com pouco impacto.Teoria Geral do Turismo d) O que podem fazer os turistas? Escolher destinos com responsabilidade ambiental. dependem de ambiente limpo. Unidade 5 185 . Não perturbar as populações nativas. Integrar-se nas comunidades receptoras. Contribuir para os planos de educação sobre a importância do turismo sustentável. cultural e de identidade da população do local em que esse se produz. meio ambiente protegido e cultura específica. Criar ações de apoio ao desenvolvimento sustentável. Controlar os impactos nas comunidades locais. orientadas para a execução dos objetivos planejados. Benefícios do desenvolvimento do turismo sustentável A maioria dos locais turísticos. e) O que podem fazer as Ongs? Participar dos comitês de controle meio ambiental. Em qualquer tipo de desenvolvimento.

o turismo estimula melhorias nos transportes locais. 186 . o turismo diversifica a economia local. etc. na cultura e no comportamento humano. o turismo gera intercâmbios com o exterior e injeta capital e dinheiro novo na economia local. o turismo sustentável assegura a distribuição mais justa dos custos e dos benefícios. restaurantes. para que tanto a indústria turística como os demais usuários dos recursos possam coexistir. então vejamos: o turismo sustentável incentiva o entendimento entre os impactos do desenvolvimento turístico na natureza. as comunicações e outras infra-estruturas básicas. incorpora o planejamento e a regionalização que asseguram a boa relação entre o desenvolvimento do turismo e a capacidade do ecossistema.). Também incentiva e ajuda economicamente a preservação de sítios arqueológicos. o turismo cultural proporciona à população local maior entendimento de outras culturas.Universidade do Sul de Santa Catarina Efetivamente. em desenvolvimento turístico isso pode ser conseguido. o turismo rural incentiva o uso produtivo de terras improdutivas para a agricultura. transportes. o turismo gera emprego local tanto no setor de turismo como em outros setores. serviços de guias. o turismo sustentável realiza a tomada de decisões incluindo todos os segmentos da sociedade e contando com a população local. o turismo cria regiões de lazer que podem ser utilizadas pela população local e pelos turistas. o turismo estimula indústrias domésticas (hotéis. particularmente nas áreas rurais onde o emprego na agricultura é esporádico ou insuficiente. assim como edifícios e bairros históricos. o turismo sustentável demonstra a importância dos recursos naturais e culturais. Assim.

são os que nós relacionamos abaixo e que certamente serão de interesse específico. A próxima seção. Uma boa leitura e boa continuação dos seus estudos! SEÇÃO 3 − Tipologia turística Os principais tipos de turismo. motivados pela fé em distintas crenças. Turismo e Desenvolvimento – Antônio Pereira de Oliveira e Dicionário Enciclopédico de Ecologia & Turismo – Américo Pellegrini Filho. pois apresentam uma diversidade enorme e alguns são bastante curiosos. encontrado nas ruínas. nos museus e nas obras de arte. Turismo cultural Refere-se à afluência de turistas a núcleos receptores que oferecem como produto essencial o legado histórico do homem em distintas épocas. das águas e/ou das termas. que podemos encontrar facilmente nos livros e na literatura sobre turismo.Teoria Geral do Turismo Dessa forma fica registrado de forma patente e inequívoca a importância que o desenvolvimento sustentável da atividade turística pode vir a proporcionar para os núcleos receptivos de turismo. Unidade 5 187 . portanto turistas potenciais. atualmente disponíveis. representado a partir do patrimônio e do acervo cultural. que se destinam a centros religiosos. nos monumentos. Isso quer dizer que você terá a oportunidade de se familiarizar com os principais “tipos” de turismo que a nossa literatura atual registra. Turismo religioso Refere-se ao grande deslocamento de peregrinos. Esses peregrinos assumem um Elaborado pelo Prof Victor Ferreira a partir das obras Análise Estrutural do Turismo – Mário Carlos Beni. Turismo hidrotermal ou de termas Refere-se ao deslocamento de turistas a núcleos receptores cujo principal produto turístico é constituído pela qualidade terapêutica do clima. vai tratar especificamente da tipologia do turismo.

Feiras de Móveis. como Fenasoft. em diversos níveis. (Tipologia citada apenas por Beni. o principal produto turístico é o esporte. com calendário fi xo de eventos. afluem a núcleos esportivos tradicionais. competições e torneios. Turismo empresarial ou de negócios Refere-se ao deslocamento de executivos e homens de negócios. empregando seu tempo livre no consumo de recreação e gastronomia típica. como feiras. portanto turistas potenciais. Podem ocorrer eventos em nível regional. UD. gerando competitividade entre municípios e organizações que se situem dentro da mesma área de atuação. ou a núcleos que. Turismo folclórico e artesanal Refere-se à demanda específica por áreas receptoras em que se realizam periódicas festividades de cultura popular. já consolidadas. com eventos tipicamente folclóricos. Festa do Peão de Boiadeiro. Ainda ocorrem eventos. Refere-se à demanda específica de turistas que. exposições. como Festa das Flores (Holambra – SP). sejam sede de olimpíadas. que afluem aos centros empresariais a fim de efetuarem transações e atividades profissionais. entre outros. comerciais e industriais. Turismo desportivo Neste caso. Oktoberfest. festas regionais e nacionais. além da utilização da infra-estrutura de hospedagem local. eventualmente. que 188 . ano 2001). pois utilizam equipamentos e serviços com uma estrutura de gastos semelhantes à dos turistas convencionais. aficionados pelas distintas modalidades de esportes. Bienal do Livro. Turismo de eventos Refere-se às realizações constantes de calendários de eventos fi xos.Universidade do Sul de Santa Catarina comportamento de consumo turístico. combinados com exposições e feiras de produtos artesanais. Turismo científico Refere-se ao deslocamento de turistas potenciais que se dirigem a grandes centros universitários com manifesta atuação no setor de pesquisa e desenvolvimento. entre outros.

desportivos e religiosos que. Enquanto essa oferta diferencial é lazer urbano para os moradores locais. para os turistas são atrativos turísticos de caráter sócio-cultural. catalisam a atenção nacional e maciço fluxo turístico como as Olimpíadas. Turismo da terceira idade ou melhor idade Refere-se ao fluxo turístico que tem como principais características a não sazonalidade (dispõe de mais tempo livre e são avessos a grandes aglomerações) e a necessidade de optar por destinos que ofereçam equipamentos/serviços adaptados às condições de saúde desses turistas. decoração. por suas características internacionais. ano 2001). Turismo de mega eventos Refere-se aos grandes eventos culturais. as ruas onde se pode encontrar grande variedade de comércio.Teoria Geral do Turismo acontecem de acordo com as oportunidades do mercado. ano 2001) Turismo urbano Refere-se aos passeios que os turistas fazem na oferta diferencial urbana das grandes cidades. Podem ser incluídos também os shoppings. Existem também os eventos monotemáticos. dirigido ao meio artístico. Fórmula 1. Jogos PanAmericanos. uma vez que os mesmos não efetuam viagens para utilizá-los. como o bairro da Liberdade em São Paulo ou o Chinatown em São Francisco. (Tipolologia citada por Beni. por merecimentos obtidos em seu desempenho profissional. superação de metas de trabalho. como o Festival de Cinema de Gramado. entre outros. entre outros. Unidade 5 189 . casas noturnas etc. hotelaria. tais como. que são dirigidos a subsegmentos do mercado. (Tipolologia citada por Beni. Copa do Mundo. como moda. Prêmio Oscar. Turismo de incentivos Refere-se a viagens programadas oferecidas como prêmios e recompensas a colaboradores de grandes empresas. índices de produtividade. entre outros.

parques temáticos (Beto Carrero World). por sua vez. desenvolvidos em spas e fitness centers. que. ano 2001) Turismo de recreação e entretenimento Refere-se ao deslocamento de grande contingente de pessoas em roteiros não programados. entre outros. portanto no entorno de centros urbanos. pelo qual os jovens buscam cursos no exterior a fim de aprender um novo idioma e vivenciar uma cultura diferente. (Tipolologia citada por Beni. em Minas Gerais. num raio nunca superior a 100 km de suas residências. em propriedades não produtivas que possuem amplas instalações receptivas. Encontra-se também nessa modalidade o chamado turismo de intercâmbio. rodeios. Turismo rural Refere-se ao deslocamento de pessoas a espaços rurais. fisioterapia ou à terapia do sistema nervoso. mas atualmente foi diferenciado para caracterizar o deslocamento de pessoas com fins terápicos específicos e/ou alternativos voltados à estética. Turismo de saúde Já foi classificado como turismo termal. em roteiros programados ou espontâneos.Universidade do Sul de Santa Catarina Turismo educacional Refere-se à organização de viagens culturais com acompanhamento de professores da própria instituição de ensino. Turismo esotérico ou esoturismo Refere-se a grupos de pessoas que se deslocam para visitar cidades ou lugares egrégoras (concentração de energia). hotéis-fazenda. Aqui são inseridas colônias/acampamentos de férias. com programa de aulas e visitas a pontos históricos ou de interesse para o desenvolvimento educacional dos estudantes. o turista se desloca para vivenciar o lazer e a recreação no campo. 190 . como pesca (pesque-pague). com ou sem pernoite para a fruição dos cenários e instalações rurículas. adaptadas para a atividade turística. como Machu Pichu no Peru e São Tomé das Letras. em busca de atividades de lazer. ou seja. passa a constituir o principal meio de sobrevivência da propriedade.

com um grau de liberdade bastante flexível. Turismo hedonista Fruição da viagem pelo prazer de viajar. efetuados por alguns governos. e os investimentos em infraestrutura portuária. ano 2001) Turismo de compras Refere-se às viagens destinadas a refazerem estoques de comerciantes estabelecidos e/ou a manterem um microcomércio informal. principalmente no que se refere ao tempo disponível e à utilização dos equipamentos. e por isso mesmo a atividade turística obedece a parâmetros de ocupação conforme a capacidade de suporte das atividades produtivas da propriedade. Exemplos são as viagens ao Paraguai e a cidade de São Paulo. em roteiros programados ou espontâneos. Unidade 5 191 . Turismo de cruzeiros marítimos Antigamente era praticado apenas na Grécia com seu tradicional “Cruzeiro pelas Ilhas Gregas” e restrito às classes mais ricas da sociedade mundial. com ou sem pernoite para a fruição dos cenários e observação. efetuados pelas empresas do setor. que é a receita complementar. Atualmente há um “boom” nesse segmento da atividade turística devido aos altos investimentos em navios. que é o principal rendimento da propriedade. Turismo cívico institucional Praticado pelos visitantes em instalações de monumentos pátrios e órgãos governamentais. vivência e participação nas atividades agropastoris. (Tipolologia citada por Beni. Os turistas que praticam este tipo de turismo vivenciam todas as expressões dos ambientes e das culturas visitadas. Destacam-se dois aspectos que distinguem esse segmento do turismo rural: a produção agropastoril. como verificado em Brasília/DF e Washington/USA. e o turismo.Teoria Geral do Turismo Agroturismo Refere-se ao deslocamento de pessoas a espaços rurais.

entre outros. Assim. salões para shows. lésbicas e simpatizantes. como lojas. essa é a relação dos principais. trans-sexuais. o turista que busca este tipo de viagem procura também baratear seu custo. independentemente do estado civil. Turismo para singles Segmento relativamente novo no mercado. as pessoas comuns e que não estão familiarizadas com a atividade turística. Faz-se necessário lembrar que. Turismo étnico e nostálgico Praticado por pessoas que visitam seus próprios lugares de origem ou de seus antepassados. também estão buscando esta alternativa aquelas pessoas que não possuem companhia para o período de férias. pistas de cooper. é de máxima excelência na qualidade da prestação de serviços. praticamente numa base diária. Além de buscar novas amizades (ou romances). as viagens de navios proporcionam aos turistas diversos equipamentos de entretenimento e lazer. que são classificados e utilizados por diversos autores. 192 . sendo que se dará ênfase especial ao turismo em termos de Brasil. ou “tipos” de turismo. Atualmente. restaurantes e cafés. em que os prestadores de serviços da atividade turística têm se estruturado para atender esse público. piscinas. no que se refere à tipologia turística. Devemos ter muitos cuidados com essa “desenfreada” mania de rotular qualquer atividade como sendo turística! A próxima seção ilustra o turismo na atualidade. formado por gays. spas. boates. Turismo gltbs (gays. caracterizado inicialmente pelas pessoas solteiras que não possuem companhia para viajar. lésbicas. bissexuais e simpatizantes) Segmento em rápido crescimento mundial.Universidade do Sul de Santa Catarina Além da locomoção por locais de natureza exuberantes. centros de eventos. poderão “criar” novas tipologias que se ajustem às suas realidade. uma vez que as principais características desse público são: exigência máxima nos serviços prestados e gastos médios muito superiores aos dos turistas tradicionais. biblioteca.

Antes disso. crescerão no mercado turístico e outras. certamente.Teoria Geral do Turismo SEÇÃO 4 . que domina os mencionados setores e também os destinos turísticos. entrarão em declínio. mas também em quase todo o mundo. Algumas áreas. ocorrido não só no Brasil.O turismo na atualidade Os especialistas afirmam que o turismo é o setor que apresenta maior expansão no mundo dos negócios. Atualmente a realidade é outra. O futuro apresenta inúmeras oportunidades. o único pólo brasileiro de turismo conhecido no exterior era a cidade do Rio de Janeiro. porém divergem entre si sobre a taxa de crescimento e quando ele ocorrerá. mas também muitos desafios. pois se constata que um número significativo de pessoas de outras classes têm conseguido realizar suas viagens com maior freqüência. onde os centros turísticos. De uma forma geral o turismo começou a se desenvolver de maneira menos empírica e mais profissional no Brasil depois dos anos 1970. Este fato é estimulado pela concorrência acirrada. a participação no turismo internacional e mesmo nacional estava restrita a uma elite que dispunha de tempo e dinheiro para fazer viagens. que possuía uma infra-estrutura razoável e recebia significativo número de turistas. em nosso país. Portanto. as companhias aéreas e os prestadores de serviços oferecem tarifas acessíveis a uma grande parcela da população. Unidade 5 193 . provavelmente. até recentemente. Pesquisas demonstram que a ampliação do costume de viajar é resultado da socialização do turismo.

o próprio presidente da EMBRATUR declarou num de seus discursos que o tempo de centralização em duas ou três destinações turísticas já tinha passado e que quanto mais desconcentrado for o turismo.Universidade do Sul de Santa Catarina Você sabia? Que na atualidade. o turismo é uma das principais atividades econômicas geradoras de renda e emprego? Segundo Naisbitt (1994. as últimas em razão da proximidade das fronteiras com a Argentina e Paraguai.05% deste mercado. Na verdade. ele era limitado a algumas localidades que dispunham de infra-estrutura bem dimensionada e potencial de atratividade. É o caso das cidades do Rio de Janeiro.” Que dados recentes afirmam que o turismo pode ser considerado uma das mais importantes atividades econômicas do mundo. além de uma posição inferior na recepção de turistas estrangeiros. o que lhes conferia renome em outras partes do mundo. atraindo um número considerável de turistas que aqui vinham para passar suas férias. “para muitos países ele é. Anteriormente. mas também o resultado da valorização do turismo. há duas décadas. São Paulo e poucas cidades no sul do país. 2000) Portanto. o turismo começou a se expandir e a se desenvolver no país como atividade econômica de fato. de longe. uma vez que as pesquisas. 115). p. menor é o risco de a exploração provocar danos ao meio ambiente 194 . realizadas a partir de 1996. Infelizmente nosso país ainda não tem uma participação efetiva nas cifras indicadas. como Foz do Iguaçu e Florianópolis. sendo responsável por 195 milhões de empregos. a maior fonte de renda e o setor mais forte no financiamento da economia nacional. de acordo com a nova mentalidade. enquanto prática social efetiva e aspiração do indivíduo contemporâneo.9 milhões até o ano 2010? (OMT. podemos afirmar que essas cifras não são só o resultado exclusivo do aumento da oferta de destinos e oportunidades. número que deverá aumentar para 251. demonstram que o Brasil detém somente 0. Por volta de 1995. agora não mais exclusivo de camadas privilegiadas da população.

Unidade 5 195 .htm>. que desencadearam uma crise mundial sem precedentes nas companhias aéreas e operadoras de viagem. mas também pela capacidade que essa atividade tem de gerar recursos financeiros.03% do mercado do ecoturismo mundial. pois a alta do dólar fez com que muitos brasileiros trocassem destinos no exterior por destinos no Brasil. as estatísticas indicam que o país responde apenas por 0. no entanto. Disponível em: <http:// www. Considerado o detentor de uma das maiores biodiversidades do planeta. foi frustrado diante dos acontecimentos de 11 de setembro de 2001.br>. importante pólo emissivo para o Brasil. Nesses últimos anos. com. Esse quadro foi agravado pela crise econômica da Argentina. No tocante ao turismo interno. o cenário otimista que se desenhava para o ano 2002. Faz-se necessário lembrar que os fluxos migratórios em função do turismo nacional só serão efetivados perante uma situação política favorável. a importância dada ao turismo pelos governantes é justificável. embora estas tenham evoluído em relação aos anos anteriores.gov.jornaldocommercio. Segundo dados da EMBRATUR.br/especial/ aniversario175/site_175/ turismo. Disponível em: <http:// www. não só pela necessidade de regulamentar e reorganizar o que já vem sendo explorado de forma predatória. tanto pelos órgãos federais como pelos estaduais. com expectativa do aumento do fluxo de turistas estrangeiros. as dificuldades da economia brasileira impediram um crescimento mais expressivo das viagens domésticas.Teoria Geral do Turismo e maior será sua contribuição na geração de renda e emprego. o Brasil tem como vocação o turismo voltado à natureza e. O turismo no Brasil vem crescendo consistentemente. que representa 10% das viagens em todo o mundo. diversos esforços foram empreendidos no sentido de promover a valorização do turismo em nosso país. Após seu pronunciamento.embratur.

é possível incrementar essa atividade de tal maneira que não se precise constatar. 196 . Realize. as sugestões do “Saiba-mais”. Você o encontra logo abaixo das indicações bibliográficas. pois uma das principais razões responsáveis pela diminuição do número de turistas estrangeiros no Brasil é sua má fama com as crises na segurança pública. registre o mais importante e consulte. entre outros motivos. agora as atividade de auto-avaliação. as histórias de corrupção. sempre que possível. por exemplo. que muitos brasileiros estão passando fome! Precisamos. a violência nas principais capitais. Nesse item você encontra um texto complementar que irá subsidiá-lo no aprofundamento dos conhecimentos trados nesta unidade. nesta unidade. Todos nós sabemos que o Brasil tem um imenso potencial turístico e que. é encarar a nova realidade do turismo. com profissionalização contínua e investimentos em infra-estrutura. pelos meios de comunicação. se o mesmo for adequadamente planejado e voltado para uma gestão de qualidade. faça a leitura cuidadosa da síntese. o conhecido “Turismo Sexual”. sim.Universidade do Sul de Santa Catarina Uma coisa é certa: para obter um turismo de qualidade o Brasil precisa mudar sua imagem no exterior.

que são as mais importantes e consideradas pelos diversos autores e especialistas da área. que tratou especificamente da tipologia do turismo. Nessa seção. Algumas são mais freqüentes. pudemos ter a oportunidade de conhecer 25 diferentes tipologias. cujo foco foi o turismo brasileiro. para uma comunidade. Vimos a conceituação de meio ambiente e sua inter-relação com o turismo. no treinamento da mão-deobra. Outras são mais complexas e de menor ocorrência. região. quiçá.Teoria Geral do Turismo Síntese O estudo desta Unidade nos possibilitou conhecer os quatro importantes componentes da atividade turística. ou seja. pudemos notar que muito ainda tem que ser feito em termos de adequação de infra-estrutura. contextualizando os mais importantes princípios. você teve contato com o tópico que abordou o turismo e o desenvolvimento sustentável. na seção 2. as possibilidades do ecoturismo as áreas de conservação e ainda nos foi possível conhecer um pouco sobre o plano de manejo em áreas de conservação. Contudo. estado ou mesmo país. Por último. o seu campo de atuação e os benefícios que o turismo sustentável pode gerar para um núcleo receptor de turismo. em curto espaço de tempo. na sensibilização e conscientização sobre a importância da preservação ambiental. acerca da sua ocorrência na atualidade. entre outros tantos aspectos. para que possamos. Já. Na seção 1 foi possível estar em contato com o tópico sobre turismo e meio ambiente. podermos Unidade 5 197 . são de melhor percepção e de maior ocorrência. para alguns. localidade. destacamos que todas são importantes. A seção 3. O mesmo foi conceituado. a evolução histórica do ecoturismo. melhorias na divulgação e comercialização dos produtos. Ressaltamos que existe uma estreita correlação entre as duas seções. Você conheceu também as ações dos diversos “atores” do “cenário” turístico. a seção 4 nos apresentou uma síntese.

Atividades de auto-avaliação Com base na leitura desta unidade. 1) A inter relação entre o turismo e o meio ambiente é incontestável. O conteúdo desta frase é verdadeiro? Porque? 2) Cite e explique de forma resumida. Não esqueçamos que o turismo só é bom para o turista quando ele é bom para a população de um núcleo receptor. quantas e quais foram.Universidade do Sul de Santa Catarina afirmar que a atividade turística caminha para um modelo de sustentabilidade. uma vez que este último constitui-se a “matéria prima” da atividade. realize na seqüência as atividades propostas. as fases de relacionamento do turismo com o meio ambiente. 198 .

Eduardo. Dóris. sugerimos algumas obras para pesquisa: a) Na área de Turismo e Meio Ambiente: BARRETO. A alma do lugar: turismo. Análise estrutural do turismo.Teoria Geral do Turismo 3) Explique o que é meio ambiente. Mário Carlos. Turismo no Brasil: Análise e Tendências. 2000. Campinas: Papirus. Unidade 5 199 . e cotidiano em litorais e montanhas. São Paulo: Manole. São Paulo: Senac. São Paulo: Manole. São Paulo: Contexto. PELLEGRINI FILHO. Dicionário Enciclopédico de Ecologia & Turismo. BENI. 2002. YÁZIGI. Saiba mais Para conhecer mais detalhes acerca dos conteúdos desta unidade. RUSCHMANN. 2001. 2001. Turismo e legado: as possibilidades do planejamento. Turismo e qualidade: tendências contemporâneas. Campinas: Papirus. Luis Gonzaga Godói. 2000. Américo. 2000. TRIGO. Margarita. planejamento.

Laura Isabel. Ecologia. Américo. 1995. SWARBROOKE. 200 . São Paulo: Aleph. Américo. d) Na área Turismo na Atualidade: FUSTER. Luis Fernández. Turismo: fundamentos e dimensões. BENI.Universidade do Sul de Santa Catarina Conduta Consciente em Ambientes Naturais: www. PETROCCHI. PELLEGRINI FILHO. São Paulo: Futura. José Vicente de. BAPTISTA. John. 2000. FURTADO. Ecologia. c) Na área de Tipologia do Turismo: ANDRADE. São Paulo: Senac. São Paulo: Ática. Turismo: competitividade sustentável. Turismo sustentável. Rio de Janeiro: IBPI. São Paulo: Ática. Mario. Introducción a la teoría y técnica del turismo. Lisboa: Verbo. Campinas: Papirus. 2000. 1995. 2000. 2001. Campinas: Papirus.br b) Na área de Turismo e Desenvolvimento Sustentável: ANDRADE. cultura e turismo.mma. 1991. PELLEGRINI FILHO. Introdução ao turismo no Brasil. Turismo: fundamentos e dimensões.gov. 2000. Gestão de pólos turísticos. Mario. Madrid: Alianza. 2000. José Vicente de. Mário Carlos. Análise estrutural do turismo. 1997. cultura e turismo.

São Paulo: Contexto. TRIGO. simples e às vezes complexas. Movimenta pessoas pelos mais variados motivos. a melhoria nas tecnologias de comunicação. Representa 13% dos gastos dos consumidores de todo o mundo. intervenções. Luis Gonzaga Godói.org Uma leitura complementar! Como forma de corroborar com o exposto sobre o turismo na atualidade. Não deixe de consultar também: EMBRATUR: disponível em: www. A sociedade pós-industrial e o profissional em turismo. para os mais variados lugares. Campinas: Papirus.world-tourism. Unidade 5 201 . por vezes. Marutschka. Luis Gonzaga Godói. Alguns países perceberam o potencial do turismo como gerador de emprego e renda. 2000. Há tendências claras que projetam o turismo como uma das principais atividades humanas deste século.br OMT: disponível em: www. A produção do saber turístico.gov. elegemos o artigo a seguir como ferramenta.São José dos Campos – SP Maio de 2005.Teoria Geral do Turismo MOESCH. América e outras viagens. a conversão de elementos das localidades para produtos turísticos. O aumento do tempo livre. 2000. após cuidadosa leitura. a melhoria do mercado turístico focalizada na preferência das pessoas. o barateamento do transporte aéreo.embratur. a diminuição do número de Autor: Flávio de Faria Alvim Administrador de Empresas e Professor de Turismo Urbanova . TRIGO. Campinas: Papirus. 2002. Turismo no Brasil O turismo é a maior indústria mundial na geração de divisas. empregos e recursos. possa parar e refletir sobre a atividade turística como um todo e sobre as nossas. para que você.

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pessoas nas famílias, a juvenilização dos mercados e outros tantos fatores propulsionaram essa atividade. O motivo das pessoas viajarem apenas foi estudado cientificamente após a Segunda Guerra Mundial, quando o movimento turístico começou a ganhar força econômica e a estruturar suas dimensões atuais. Na década de 50, as pesquisas apontavam o prestígio social (status) como a motivação principal para as viagens turísticas, demonstrado pela distância viajada, os cartões postais enviados e o bronzeado apresentado na volta. Atualmente, esse fator ainda aparece na motivação pelas viagens turísticas, porém tem sido superado pela vital fuga do cotidiano, entendida como compensação para o dia-a-dia vazio e cansativo. O Brasil, eternamente chamado de país do futuro, precisa fazer acontecer. O turismo, em duas palavras, nada mais é do que diferenças culturais. Será que existe algum lugar com maior pluralismo de etnia, religião e cultura do que no Brasil? Será que existe um povo mais hospitaleiro do que o brasileiro? Que se esforça para falar a língua dos turistas, gesticula e não mede esforços para atendê-los bem. Temos que cultivar o autêntico, o que é local precisa ser valorizado. Há lugares hoje que são tão turistificados, ou seja, fabricados, que ficam sem nenhuma identidade local. Eles não têm referência para o turismo; hoje todos os grandes hotéis se parecem com um aeroporto, e os shoppings parecem que são os mesmos em todos os lugares. Reparem como o adolescente brasileiro de posses se veste identicamente ao adolescente americano. Antes, queria-se fazer turismo no Brasil, acreditando-se que Deus era brasileiro, que o país era abençoado e bonito por natureza. E descobrimos que precisávamos cuidar do saneamento básico, de estradas, do patrimônio histórico e capacitar pessoas. Só agora o governo começa, ainda com atraso, a encarar o turismo como produto de exportação. Em terras isentas de guerras, terrorismo, catástrofes e de inverno rigoroso, litoral com mais de 8.000 km com belas praias e clima tropical fazem do Brasil um grande destino turístico que não é só o melhor no samba e no futebol. Somos apenas o 30º destino

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turístico do mundo. Claro que sabemos do imenso problema de insegurança (aliás, os privilegiados se protegem com segurança privada, que já é muito maior que a segurança pública no Brasil), de a educação necessitar de tempo para sentir reflexos; sabemos que temos uma das piores distribuições de renda do mundo, que 80% (segundo a OMT) das viagens são de curta distância e que não temos vizinhos tão prósperos como os países da Europa mas, não justifica termos apenas 1% do PIB representado pelo turismo, enquanto na Argentina isso representa 11% e 10% do PIB mundial. Temos ou não potencial para melhorar isso? Lembram-se do repugnante preconceito que havia do Nordeste? Diziam pejorativamente aquela cor era baiana ou aquela roupa de paraíba. Baiano e Paraíba com orgulho, sim, senhor. O nordeste brasileiro se apresenta com os melhores potenciais de desenvolvimento além do seu povo maravilhoso. São 7 novos aeroportos, novos complexos hoteleiros, 25mil metros quadrados de patrimônio histórico restaurado, são quase U$ 6 bilhões de dólares apenas nos últimos anos. Quantas pessoas você já ouviu dizer que sonha morar em alguma cidade do Nordeste? Sim, podemos transformar o Brasil! Será que teremos um planejamento vitorioso, como foi o projeto para Cancún ou dos parques temáticos americanos, ou até mesmo pautado nos exemplos dos shoppings no Brasil, que não param de multiplicar? Os pólos turísticos brasileiros mais conhecidos, como o Rio de Janeiro e Bahia, são menos visitados que Cancún, que vinte anos atrás nem constava no mapa. Normalmente os planejadores não querem ouvir, e as respostas são simples, pois é a própria comunidade local que sabe a solução. Exemplificando, será o pescador a saber do clima, das marés, da reprodução dos peixes por épocas do ano, etc. Nossos serviços têm melhorado muito, mas ainda estamos aquém das necessidades de uma boa qualificação nos sistemas receptivos e, no Brasil, ainda pagamos as mais caras tarifas de transporte aéreo do mundo. Somos 170 milhões de brasileiros, mas apenas trinta milhões fazem turismo, e ainda 80% destes só fazem em apenas duas épocas do ano, que são nas férias escolares. Precisamos desconcentrar o fluxo turístico.

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Há muito tempo está no Congresso Nacional uma proposta de alteração na Lei de Diretrizes Básicas de Ensino (LDB), que propõe as férias repartidas na quais, resumidamente, os estudantes teriam uma semana de férias por mês, o que reduziria a sazonalidade dos destinos turísticos, além das maiores chances de a família estar junta nas férias, de o empresário dividir o pagamento das férias, do décimo terceiro, de o funcionário ter também o imposto de renda descontado em parcelas. Outro dado importante é que, apesar do crescimento, os vôos charter equivalem a apenas 7% do total do Brasil. Na Europa, 56% do movimento aéreo é feito com vôos fretados e nos EUA 40%. Antigamente o governo acreditava que um país forte só precisaria de uma grande economia e de crescimento. Chegou-se a oitava economia, mas também com a pior distribuição de renda do mundo. Hoje existe o discernimento de que um país forte é aquele que é desenvolvido economicamente, não é só ter um grande PIB (Produto Interno Bruto), ele precisa ter um PIB per capita (a riqueza distribuída na população). Aí está a justificativa dos grandes investimentos do governo nos últimos anos na promoção do turismo, além das condições naturais e climáticas extremamente propícias, e a sua imensa capacidade empregadora e distribuidora de renda fazem do turismo e das pequenas e médias empresas o importante papel da distribuição de renda no país. Parece que o nosso problema é mais de gestão do que de qualquer outra coisa. Cada vez mais o governo tem o seu poder de influência na sociedade diminuído; o poder econômico é quem dita as regras. Se não contribuirmos para a solução, seremos parte do problema. Qual a nossa escolha? De que lado ficaremos? Tender para o lado seguro e fazer negócios como de costume ou enfrentar os desafios e buscar soluções alternativas? Compreendendo assim, pode, sim, o turismo, com o seu enorme potencial, ser um meio extraordinário de transformação. Muitos só sobrevivem por causa da fuga que o turismo proporciona; é a chave espetacular da cura e transformação do ser humano. É notório que, enquanto está tudo tão materializado, racional e técnico, o ser humano tem buscado a espiritualidade.

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Teoria Geral do Turismo

Como podemos contribuir? Assumindo responsabilidades econômicas, sociais, ecológicas e ainda, lutar para implementar o turismo sustentável em todos os níveis, promover a inclusão social. Tudo isso parece tão distante de nossa realidade? Não! Se cada um refletir em todas suas atitudes, teremos uma vida melhor. Desde a abdicação da mesquinhez e rispidez na disputa de espaço no trânsito, o papel que não jogamos mais no chão, humanizando o “bom dia” amarelo e mecanizado com que “saudamos” os outros, até a respeitabilidade igualitária para com todos os seres humanos durante as 24 horas do dia, num mundo que se interessa mais pela velocidade e pelo número de informações do que pela qualidade ou profundidade delas. Tenhamos fé na infindável saúde mental dos seres humanos racionais que somos, que se permite amar e viver harmonicamente em sociedade. Assim teremos como transformar o mundo. Note que existe um verdadeiro “mosaico” de opiniões, mas que, de forma geral, pelo que pudemos estudar nesta seção, a maioria das opiniões convergem para duas necessidades vitais, como forma de atingirmos a plenitude da realização da atividade turística: a conservação e a preservação do meio ambiente e a utilização do planejamento para as ações.

Unidade 5

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igualmente. equilíbrio natural e social. Você teve oportunidade de verificar como se deu o surgimento e como ocorreu o desenvolvimento da atividade turística e os conceitos básicos desta atividade. as necessidades políticas e econômicas da sociedade e as expectativas do turista? Você viu que existem variáveis importantes a ser consideradas. A Revolução Industrial foi um fator determinante para que ocorresse uma nova divisão do tempo. demonstram a necessidade do planejamento turístico.Para concluir o estudo Caro aluno. que ao “andar” pelas searas do turismo. Ao concluirmos nossa “viagem” realizada por meio da Teoria Geral do Turismo. pois sem um ambiente equilibrado é incoerente pensar em ações que satisfazem os objetivos do turismo e do turista. principalmente aqueles que se referem à importância da conservação e preservação ambiental. Porém você sabe que esta caminhada não pára por aqui. as atividades alheias. você tenha percebido o quanto é interessante e encantadora esta “paisagem. o ambiente. o que acabou redundando numa “nova ordem” em relação ao tempo . mas como disciplina introdutória foi possível “trilhar” por diversos caminhos. consciente e responsável. Espero. Mas antes de falar sobre conteúdos e temas tratados gostaria de perguntar. porque sei que agora você terá condições de responder: “O que é um turismólogo?” Como ser um bom profissional considerando o espaço. entre os quais está o bem-estar. o crescimento econômico regional. espero que você tenha aproveitado cada detalhe dessa “aventura” e se apropriado dos conceitos mais importantes tratados na disciplina. a valorização da cultura local nas várias partes do planeta Estes por si sós. abre as “fronteiras” para as demais fases do curso. certamente.

comprometido, ao tempo de trabalho e ao tempo de lazer, entre outros. Daí surgem, então, os principais movimentos turísticos, com a classificação de viajantes e turistas e principalmente pelo grande impulso que as ferrovias tiveram no continente europeu, facilitando assim o incremento da atividade turística. Ficou patente que há uma necessidade básica no sentido de se mensurar ou medir os movimentos turísticos. Esta definitivamente não é uma tarefa fácil, diante da faceta multidisciplinar do turismo, e a unidade 2 apresentou este tema, bem como discorreu sobre os impactos econômicos, culturais e sociais da atividade turística. A partir do momento em que ficaram evidentes estes impactos, você teve a oportunidade de se familiarizar com a uma abordagem sobre o Sistema de Turismo, ou também denominada SISTUR. Esta correlação de sistemas, assim bem como os conceitos de oferta e demanda turística, possibilitaram uma visão panorâmica do “fenômeno” turístico, retratados na unidade 3. Sendo assim você pôde perceber o quão complexo e diferenciado é o turismo. A importância do planejamento turístico, bem como o entendimento da sua estruturação em forma de organizações, sejam elas, municipais, estaduais, regionais, nacionais e internacionais, e as estratégias mercadológicas analisadas por meio do estudo de aspectos do marketing turístico, foram os temas tratados na Unidade 4. Ao final, você aprendeu que o desenvolvimento pleno da atividade turística passa, necessariamente, pela preservação de todos os recursos naturais disponíveis. Portnato, ser um turismólogo é ter plena consciência da necessidade de se obedecer as leis, de promover o desenvolvimento sustentável, de preservar os recursos sócio-culturais e principalmente de ser um “propagador” da importância de aprimorar os estudos com afinco e determinação, pois esta atividade é, ainda, incipiente em nosso país. Estou certo que esta disciplina reuniu um série de elementos que serviram como “base” de entendimento para que você possa lograr êxito nas disciplinas seguintes! Desejo a você muito boa sorte nas próximas etapas do Curso. Bons estudos! Prof. Victor Ferreira

Referências
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Sobre o professor conteudista
Victor Henrique Moreira Ferreira é graduado em Turismo e Hotelaria pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI). Especialista em Planejamento, Gestão e Marketing do Turismo também pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI). Mestre em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Trabalha como professor das disciplinas de Empresas de Turismo, Turismo Alternativo e Teoria Geral do Turismo no Curso de graduação de Turismo da Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL). Também é professor no Curso de Graduação de Turismo e Hotelaria da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI) nas disciplinas de Marketing e Promoção de Vendas em Hotelaria e Administração Hoteleira. Ministra aulas de Gestão Estratégica de Marketing para o Curso de Pós Graduação (lato sensu) em Gestão de Eventos da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI). Esteve sempre envolvido também com orientações de trabalhos de conclusão de curso (TCC) nas áreas de turismo, hotelaria, marketing, planejamento turístico, eventos, ecoturismo e hospitalidade. Já ministrou diversas disciplinas em cursos de graduação na área de Turismo e Hotelaria no Centro Superior de Estudos em Turismo e Hotelaria (CESETH), Unidade Catarinense de Ensino Superior (ÚNICA), tendo trabalhado com autorização de cursos de graduação em Turismo no Estado de Santa Catarina, Paraná e Maranhão. É consultor em planejamento turístico e hoteleiro com experiência em países onde trabalhou e atuou seja profissionalmente ou na realização de estágios, tais como, África do Sul, Estados Unidos, Itália e Escócia. Desempenhou diversas atividades na hotelaria nas áreas de hospedagem e eventos no Caesar Park (RJ) e no Fischer Hotel e Convenções em Balneário Camboriú (SC).

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O que ela significa? Como ela surgiu e onde? R. uma vez que a partir de 1840 na Inglaterra.” 2) Quem é considerado o “pai” do turismo moderno? Cite pelo menos quatro de suas principais contribuições para a atividade turística. antecessora do Traveller’s Check. deslocamento e motivação). Tendo em mente que para que o turismo ocorra.Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação Unidade 1 1) Contextualize o conceito da palavra turismo. que quer dizer volta. c) Realizou uma “volta ao mundo” levando 9 passageiros em 1 1 1 dias. A palavra turismo em sua forma geral é originária do termo francês TOUR. Tem seu equivalente em inglês (turn) e em latim (tornare). 3) Qual a importância do desenvolvimento do transporte ferroviário para a atividade turística? R. ajudou o desenvolvimento da atividade turística. há a necessidade de três fatores (sujeito. d) Criou a “Circular Note”. a possibilidade de deslocamento por vias férreas. Thomas Cook. O transporte ferroviário foi decisivo para o incremento da atividade turística.. Dentre as suas principais contribuições destacamos: a) Criou a primeira viagem agenciada do mundo. as empresas de transporte ferroviário começaram a se preocupar mais com os passageiros do que com a carga. b) Inventou o “voucher” que é um coupom de hotel. A mesma surgiu em meados do século XVIII na França e indicava um deslocamento com retorno. . R.

pode ser ao mesmo tempo um destino turístico. c) O espaço geográfico: base física onde tem lugar a conjunção ou encontro entre a oferta e a demanda e onde se situa a população residente. R. classificação por poder aquisitivo. d) Os operadores de mercado: são empresas e organismos cuja função principal é facilitar a inter-relação entre a oferta e a demanda.Universidade do Sul de Santa Catarina Unidade 2 1) Explique o que significam as siglas PNB e PIB e diga qual a diferença entre elas. b) A oferta: composto pelo conjunto de produtos. A diferença entre os dois é que o PNB inclui todas as entradas de receitas obtidas no exterior por indivíduos e empresas brasileiras e são deduzidas as saídas de recursos obtidos por estrangeiros e empresas estrangeiras no Brasil. Unidade 3 1) Para a OMT – Organização Mundial do Turismo. a) A demanda: formada pelo conjunto de consumidores ou possíveis consumidores – de bens e serviços turísticos. no mínimo. duração das estadas. A relação entre o dinheiro que entra por conceito de turismo e sua repercussão final no PIB (Produto Interno Bruto) chama-se efeito multiplicador. classificação por nacionalidade e local de residência. no mínimo quais dados? R. Perceba que a produção de um país é a representação do somatório do trabalho social realizado em determinado período. que é definido como o coeficiente que mede a quantidade de ingresso gerado por cada unidade de despesa turística. Cite quais são estes elementos. os seguintes dados: total de visitantes em cada núcleo. serviços e organizações envolvidos ativamente na experiência turística. seriam necessários. 3) Defina o que é o “efeito multiplicador” do turismo. Para elaborar uma estatística sobre o movimento interno de turistas. R. PNB significa Produto Nacional Bruto e PIB significa Produto Interno Bruto. 2) Para elaborar uma estatística sobre o movimento interno de turistas. mediante seu trabalho profissional. R. Entram nessa consideração as agências de viagens. seriam necessários. existem quatro elementos básicos no conceito da atividade turística. os meios de transporte e organismos públicos e privados. que. são artífices da ordenação e promoção do turismo 214 .

R. são entendidos pelo turista como um todo que integra a experiência vivencial da viagem. Unidade 4 1) Explique quais as principais atribuições das organizações de turismo. Um conjunto complexo de inter-relações de diferentes fatores que devem ser considerados conjuntamente sob uma ótica sistemática. As políticas de Turismo devem combater os vários tipos de poluição. dos espaços livres. R.Teoria Geral do Turismo 2) Explique o que significa Sistema Turístico. ou seja. Apesar de os três níveis serem bastante significativos e importantes. a oferta. Qual a importância dela? R. As Organizações de Turismo têm a responsabilidade de implementar a chamada “Política de Turismo” de um país. de um Estado. estadual ou municipal? Justifique sua resposta. Um processo que ordena as ações do homem sobre uma determinada localidade turística. o espaço geográfico e os operadores de mercado. você acredita. não há dúvida de que o nível municipal é de suma importância pois trata da atividade turística em sua base essencial. do ar. onde a mesma se localiza. R. a poluição encontrada nas areias de determinada praia. um conjunto de elementos inter-relacionados que evoluem de forma dinâmica e cujos quatro elementos básicos são a demanda. 2) Em qual nível. 3) Conceitue: oferta turística. destruindo ou afetando a atratividade de um local ou região. das águas. a defesa da paisagem. não é responsabilidade das esferas estaduais ou federais e sim do município. 3) Descreva o que é planejamento turístico. que são tão indispensáveis. apesar de atuarem de forma individual. da vegetação. R. A oferta turística de uma localidade é constituída da soma de todos os produtos e serviços adquiridos ou consumidos pelo turista durante a sua estada em uma destinação. A importância da oferta turística se dá pelo fato dela se constituir como a base de oferta diferenciada que irá atrair os turistas a uma determinada destinação. que as organizações turísticas são mais importantes: nível federal. É importante ressaltar que esses produtos e serviços são oferecidos por uma gama de produtores e fornecedores diferentes que. Esse direcionamento impede ou minimiza os efeitos negativos que a atividade turística pode trazer. direcionando a construção de equipamentos e infra-estrutura de uma maneira adequada. 215 . Isto quer dizer que. quanto à conservação da memória histórica e cultural do país. de uma região ou mesmo de um município.

isto é. no final do século XIX. corresponde ao turismo de massa e ocorreu a partir de 1950 e teve seu apogeu nos anos de 1970 e 1980. Sim. foram urbanizadas. O conteúdo desta frase é verdadeiro? Porque? R. o mountain bike que são passeios de bicicletas em trilhas e uma série de novos esportes que necessitam de uma natureza preservada. É principalmente no meio ambiente que iremos encontrar a esmagadora maioria dos atrativos turísticos. a água e a arquitetura que envolve a Terra. portos e de estações de inverno ficou a desejar. quantas e quais foram. é caracterizado pelo domínio do turismo sobre a natureza. Mas as cidades não cresceram na mesma proporção. porém. O crescimento foi desordenado. a infra-estrutura turística. c) A terceira fase. d) A quarta fase ocorre na metade da década de 1980. 3) Explique o que é meio ambiente. juntamente com os ecossistemas que eles mantém. ocorreu no século XVIII. evitando a ocupação de todos os espaços. Nessa época a especulação imobiliária se intensificou devido ao aumento da demanda turística. Porque o meio ambiente é a essência de todas as formas de vida Que podemos encontrar em nosso planeta. É a fase do relacionamento e dos primeiros equipamentos turísticos. 216 . uma vez que este último constitui-se a “matéria prima” da atividade. o rafting. a) A primeira fase. originando os centros turísticos mais antigos da Europa. faltava saneamento básico e tratamento de esgoto. Como meio ambiente entende-se a biosfera. que é a descida em botes infláveis nas corredeiras dos rios. b) Na segunda fase ocorreu um turismo de elite. R. como a criação de marinas. haja vista o crescimento da construção civil. e início do século XX. R. as fases de relacionamento do turismo com o meio ambiente. Aparecem esportes como. Não havia a preocupação com a conservação do meio ambiente. se caracterizou pela descoberta de natureza e das comunidades receptoras. pois nessa fase a demanda turística cresceu assustadoramente. 2) Cite e explique de forma resumida. as rochas. Suas motivações eram o convívio em lugares onde a industrialização ainda não havia chegado ou de ambientes turísticos expandidos à beira-mar para bronzear-se e banhar-se. muito conhecido atualmente. onde o turismo ecológico se propaga nas localidades turísticas. sem o devido planejamento e não na medida que a demanda necessitava. Foi um período catastrófico para a conservação ambiental.Universidade do Sul de Santa Catarina Unidade 5 1) A inter relação entre o turismo e o meio ambiente é incontestável.

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