O coelho e o caranguejo Uma vez, o coelho combinou com o caranguejo de fazerem juntos uma plantação de cenouras.

Eles trabalharam em harmonia durante vários dias. Primeiro, escolheram as sementes e as plantaram. Depois, cuidaram das pequenas mudas, sempre concordando em tudo. Chegou então a colheita e eles separaram as ramas das cenouras. Mas os problemas começaram no momento de dividir a colheita. O coelho tentava enganar o caranguejo: – Olha, temos aqui dois montes: um grande e um pequeno. Você fica com o grande que eu fico com o pequeno. Mas, vendo que o monte grande era todo de ramas e que no pequeno só havia cenouras, o caranguejo respondeu: – Ah!, não, obrigado, meu amigo, mas prefiro fazer uma divisão por igual. Proponho dividirmos os dois montes em dois: eu vou dividir e você escolherá, ou então você divide e eu escolho, como você quiser. O que me diz? – Não, não, não posso aceitar! – respondeu o coelho. – É melhor recuarmos trinta passos e corrermos até os montes. O primeiro a chegar ficará com as cenouras e o outro com as ramas. O que acha? – Está bem, parece correto – respondeu o caranguejo. – Bem, finalmente estamos de acordo! – exclamou o coelho. Ele estava contente, pois tinha a certeza de que ganharia: – Estou tão contente com este arranjo – continuou ele – que, se você ganhar, estou decidido a lhe dar as cenouras e as ramas. De acordo? – De acordo! – respondeu o caranguejo. – Ah! tem outra coisa – acrescentou o coelho. – Como sei que você é mais lento que eu, proponho que você saia com uma vantagem de dez passos. – Não, é demais! Não posso aceitar! – respondeu o caranguejo, fingindo não querer se aproveitar do coelho. – Eu é que devo conceder uma vantagem. E ficarei zangado se você recusar. – Aceito, aceito! – apressou-se em responder o coelho, que não queria contradizêlo, ansioso em aproveitar a vantagem. Mas, assim que ele deu as costas ao caranguejo, este, tranquilamente, agarrou-se à cauda do coelho com suas pinças, sem que o coelho percebesse. Quando chegou ao monte de cenouras, o coelho se virou, certo de que o caranguejo ainda estava longe e para ver onde poderia estar. Mas, nesse momento, o caranguejo abriu as pinças e caiu tranquilamente sobre as cenouras. – Onde você está? – gritou o coelho, todo contente por ter ganho e não vendo o caranguejo em lugar algum. – Ei! estou aqui! – disse uma voz atrás dele.

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2 . Virando-se. Rio de Janeiro: Ediouro. Fonte O COELHO e o caranguejo. Flávio Moreira da (Org. 2005.). Grandes contos populares do mundo. Ficou muito triste. não acreditando em seus ouvidos. In: COSTA. deu de cara com o caranguejo diante dele. Em todo caso.O coelho deu um pulo de surpresa e começou a tremer todo. porque não conseguia compreender como o caranguejo poderia ter sido mais rápido. no alto da pilha de cenouras! – Pois é! Cheguei primeiro! Era a primeira vez que o coelho perdia uma corrida. foi assim que o caranguejo ganhou as cenouras.

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