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Fichamento Antropologia – Stuart Hall

Fichamento Antropologia – Stuart Hall

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Trabalho acadêmico.

Fichamento Antropologia: Stuart Hall “A identidade em Questão”
Trabalho acadêmico.

Fichamento Antropologia: Stuart Hall “A identidade em Questão”

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Published by: Pagu Senna on Aug 31, 2011
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Fichamento Antropologia – Stuart Hall “A identidade em Questão” Pagu Senna de Moura | 3º semestre - Interface Digital Citações Capítulo 1: “(...

)as velhas identidades, que por tanto tempo estabilizaram o mundo social, estão em declínio, fazendo surgir novas identidades e fragmentando o indivíduo moderno, até aqui visto como um sujeito unificado” “(...)as identidades modernas estão sendo descentradas, fragmentadas.” “Um tipo diferente de mudança estrutural está transformando as sociedades modernas no final do século XX. Isso está fragmentando as paisagens culturais(...), que, no passado, nos tinham fornecido sólidas localizações como indivíduos sociais.” “(...)descentração dos indivíduos tanto do seu lugar no mundo social e cultural quanto de si mesmos – constitui uma “crise de identidade”(...).” “a identidade somente se torna uma questão quando está em crise(...)” “O sujeito do Iluminismo(...) pessoa humana como um indivíduo totalmente centrado, unificado, dotado das capacidades de razão, de consciência e de ação, cujo “centro” consistia num núcleo interior, que emergia pela primeira vez quando o sujeito nascia e com ele se desenvolvia, ainda que permanecendo essencialmente o mesmo(...) ao longo da existência do indivíduo.” “(...)o sujeito sociológico refletia a crescente complexidade do mundo moderno e a consciência de que este núcleo interior do sujeito não era autônomo e auto-suficiente, mas era formado na relação com “outras pessoas importantes para ele” que mediavam (...) valores, sentidos e símbolos – a cultura – dos mundos que ele/ela habitava.” “(...) a identidade é formada na “interação” entre o eu e a sociedade. O sujeito ainda tem um núcleo ou essência interior que é o “eu real”, mas este é formado e modificado num dialogo contínuo com os mundos culturais “exteriores” e as identidades que esses mundos oferecem.” “A identidade, então, costura (...)o sujeito à estrutura.” “O sujeito, previamente vivido como tendo uma identidade unificada e estável, está se tornando fragmentado; composto não de uma única, mas de várias identidades, algumas vezes contraditórias ou não-resolvidas” “A identidade torna-se uma “celebração móvel”: formada e transformada continuamente em relação às formas pelas quais somos representados ou interpelados nos sistemas culturais que nos rodeiam.” “(a identidade) É definida historicamente, e não biologicamente.” “O sujeito assume identidades diferentes em diferentes momentos(...)” “As sociedades modernas são sociedades de mudança constante, rápida e permanente.” “(...) as transformações envolvidas na modernidade são mais profundas do que a maioria das mudanças características dos períodos anteriores. No plano de extensão, elas serviram para estabelecer formas de interconexão social que cobrem o globo; em termos de intensidade, elas alteram algumas das características mais íntimas e pessoais de nossa existência cotidiana.”

“(...)modernidade (...) um rompimento impiedoso com toda e qualquer condição precedente (...) um processo sem-fim de rupturas e fragmentações internas no seu próprio interior” “Uma estrutura deslocada é aquela cujo centro é deslocado, não sendo substituído por outro, mas por “uma pluralidade de centros de poder”. As sociedades modernas não tem nenhum centro (...) e não se desenvolvem de acordo com o desdobramento de uma única “causa ou “lei”.” “(o deslocamento) desarticula as identidades estáveis do passado, mas também abre possibilidade de novas articulações.” Capítulo 4: “a “globalização” se refere àqueles processos, atuantes numa escala global, que atravessam fronteiras nacionais, integrando e conectando comunidades e organizações em novas combinações de espaço-tempo, tornando, o mundo, em realidade e em experiência, mas interconectado. A globalização implica m movimento de distanciamento da idéia sociológica clássica da “sociedade” como um sistema bem delimitado e sua substituição por uma perspectiva que se concentra na “forma como a vida social está ordenada ao longo do tempo e do espaço”.” “a globalização não é um fenômeno recente”. (...)se sente que o mundo é menor e as distancias mais curtas, que eventos em um determinado lugar tem um impacto imediato sobre pessoas e lugares situados a uma grande distância”. “Todas as identidades estão localizadas no espaço e no tempo simbólico.” “Os lugares permanecem fixos;Entretanto, o espaço pode ser „cruzado‟ num piscar de olhos”. “Alguns teóricos argumentam que o efeito geral desses processos globais tem sido o de enfraquecer ou solapar formas nacionais de identidade cultural.” “Os fluxos culturais, entre as nações, e o consumismo global criam possibilidade de “identidades partilhadas”. “À medida em que as culturas nacionais tornam-se mais expostas a influências externas, é difícil conservar as identidades culturais intactas ou impedir que elas se tornem enfraquecidas através do bombardeamento e de infiltração cultural”. “Quanto mais a vida social se torna mediada pelo mercado global de estilos, (...) mais as identidades se tornam desvinculadas, desalojadas de tempo, lugares, histórias e tradições específicos, parecem flutuar livremente”.

Capítulo 5: “ao lado da tendência em direção à homogeneização global, há também uma fascinação com a diferença e com a mercantilização e da “alteridade”. Há, juntamente com o impacto do “global”, um novo interesse pelo “local”.” “(a globalização) explora a diferença local”. “a globalização é muito desigualmente distribuída ao redor do globo”. “o capitalismo global é, na verdade, um processo de ocidentalização.” “A globalização, à medida que dissolve as barreiras da distância, torna o encontro entre o centro colonial e a periferia colonizada imediato e intenso”. “A proliferação das escolhas de identidade é mais ampla no “centro” do sistema global que nas suas periferias. Os padrões desiguais de troca cultural desigual (...) continuam a existir”. “Globalização caminha em paralelo com um reforçamento das identidades locais, embora isso ainda esteja dentro da lógica da compreensão espaço-tempo”. “Esta formação de „enclaves‟ étnicos minoritários no interior dos estados-nação do Ocidente levou a uma „pluralização‟ de culturas nacionais e de identidades nacionais”. “O fortalecimento de identidades locais pode ser visto na forte defensiva daqueles membros dos grupos étnicos dominantes que se sentem ameaçados pela presença de outras culturas.” “Tradução. Este conceito descreve aquelas formações de identidades que atravessam e intersectam as fronteiras naturais, compostas por pessoas que foram dispersadas para sempre da sua terra natal.” “Tradução (...) significa transferir; transportar entre fronteiras”.

Resumo: O texto de Stuart Hall discute essencialmente a questão da identidade. Ele dá um panorama sobre como entendíamos a identidade antigamente e como a entendemos hoje. Stuart nos apresenta três concepções de identidade: o sujeito do Iluminismo, o sujeito sociológico e o sujeito pós-moderno. O sujeito do Iluminismo baseava-se em um sujeito centrado, unificado, dotado de razão, consciência e ação, detendo um “centro”, um núcleo interior que nascia com o indivíduo e se desenvolvia conforme ele próprio crescia. Esse núcleo essencialmente permanecia o mesmo ao longo da vida do sujeito e era considerada a identidade do indivíduo. O sujeito sociológico, concepção formada no mundo moderno, levava em consideração e refletia toda complexidade e avanços da época. A partir dessa época começou a ser levado em conta as relações que os indivíduos tinham com as pessoas importantes para ele, que mediavam para o sujeito a cultura do mundo que ele habitava. Passaram a desconsiderar o que o indivíduo carregava um núcleo autônomo e auto-suficiente, o núcleo ainda existe mas agora á formado pela relação entre o eu e os mundos culturais exteriores. É nessa época que começa a se pensar na costura que a identidade permite fazer entre o sujeito e a sociedade, levando em conta que projetamos a nós próprios nas identidades culturais e simultaneamente absorvemos seus significados e valores tornando parte de nós, é uma troca mutua e constante. O sujeito da pós-modernidade aprofunda ainda mais a questão da internalização desses valores do mundo exterior. Pensa-se que o sujeito pós-moderno está se tornando fragmentado, composto de várias identidades distintas e algumas vezes até opostas, contraditórias. A identidade é vista como sendo definida historicamente e não mais biologicamente. Algo que tem um impacto muito grande na formação dessa identidade fragmentada é o fenômeno da “globalização”. As relações mudam, transformam, acabam, com uma rapidez muito grande, a troca de informação ocorre de forma muito rápida, a sociedade moderna é marcada por transformações e mudanças constantes e permanentes. A noção de espaço-tempo começa a ser alterada, as distâncias passam a ser menores, os impactos de eventos específicos passam a repercutir, ressoar em lugares distantes e isso tudo exerce uma forte influência na descentralização da sociedade como um todo, da desunificação, caracteriza a sociedade como uma sociedade da „mudança‟, da produção de uma infinidade de identidades culturais e consequentemente uma infinidade de identidades para cada indivíduo. Um último ponto levantado por Stuart é o efeito da globalização nas identidades nacionais. A globalização torna as culturas nacionais mais propensas ao bombardeio e infiltração cultural exterior, torna difícil conservar intacta uma cultura nacional e passa a se preocupar com a questão da „homogeneização cultural‟ ao mesmo tempo em que se defende também a tese de que começa a surgir um novo interesse pelo „local‟ e pela defesa das identidades de cada etnia em detrimento ao impacto do „global‟ e do „homogêneo‟.

Reflexão: É interessante observar como nossa concepção sobre a formação de nossa própria identidade foi sendo transformada a medida em que a sociedade evoluía. No Iluminismo tínhamos o conceito de identidade como algo pouco flexível, muito próprio e particular do homem e que sofria quase que nenhuma interferência do meio externo, era um núcleo que se desenvolvia conforme o indivíduo crescia mas em essência permanecia o mesmo por toda a vida, como um órgão qualquer do corpo, que nasce com o homem e se desenvolve juntamente com o resto do corpo. No Iluminismo nossa sociedade estava ainda começando a dar os primeiros passos no sentido de repensar os valores impostos e questionar a veracidade de certas imposições, mesmo assim, ainda tinham a ideia de que a identidade não sofria influencia de aspectos que circundavam o indivíduo. Na sociedade moderna, agora já bem mais avançada intelectualmente do que a sociedade Iluminista, cercada de mudanças de vários âmbitos e de uma crescente complexidade do mundo moderno, passa-se a considerar que aquele núcleo que definia a identidade do indivíduo no Iluminismo agora recebe influencia do mundo exterior. Nessa época o homem percebe que a identidade de alguém não era gerada sozinha, autônoma e autosuficiente como se pensavam, mas que ela é formada pela relação do indivíduo com as pessoas importantes para ele. Passaram a ter consciência de que tais pessoas eram responsáveis por transmitir os valores culturais do mundo em que o indivíduo vive e é a partir da influência desses valores que a identidade dele vai sendo construída. Ao se desenvolver ainda mais, a sociedade passou por mais transformações, lidou com questões ainda mais complexas, passou por uma profunda mudança estrutural que está transformando a sociedade e desconstruindo as paisagens culturais que antigamente nos davam embasamentos sólidos para nossa localização como indivíduos na sociedade. Então percebeu-se que agora, na chamada “pós-modernidade”, nossa identidade sofre uma influência muito maior dos aspectos do mundo em que vivemos. Hoje falamos de identidade fragmentada, observa-se que o indivíduo se vê influenciado por muitos aspectos distintos e isso passa a fragmentar sua identidade, ele começa a se identificar não com uma mas com várias identidades e que muitas vezes são até opostas. Uma das mudanças mais impactantes na questão da identidade “pós-moderna”, mais precisamente na identidade cultural, é a globalização. A globalização atua em uma escala global conectando e integrando comunidades e organizações. Um de seus impactos que mais contribui para a formação desse conceito de “identidade fragmentada” é a alteração da nossa noção de espaço e tempo, já que estes dois são fundamentais para todo sistema de representação e a identidade pode ser considerada um sistema de representação. Outra noção que nos foi alterada é a de espaço e lugar, estes dois eram coincidentes na pré-modernidade, a vida social era caracterizada pela presença, já agora na “pós-modernidade” espaço e lugar se distanciam ao reforçar a relação entre pessoas que estão presencialmente “ausentes”, distantes em termos de local. O fenômeno da globalização implica em um encurtamento de tempo e distância e com isso facilita a disseminação de ideias, informação, propaganda e enfim, facilita a disseminação da cultura dos povos. Tal disseminação é vista como um fator que contribui para o enfraquecimento da identidade cultural ligada à cultura nacional de cada indivíduo, contribuindo para a chamada “homogeneização cultural”, quem é favorável a essa visão alega que a medida que as culturas nacionais são mais expostas a influências

externas fica difícil conservar a cultura nacional intacta ou pelo menos impedir que ela se torne enfraquecida. Outro ponto é a vida social de cada povo sendo mediada pelo mercado global, isso torna as identidades mais desvinculadas das tradições de sua própria cultura. Por outro lado há quem acredite que a globalização traz um interesse, um fascínio pelo diferente, um interesse “global” pelo “local”, pela diferenciação de cada povo, de cada cultura, mesmo que esse interesse também esteja acoplado a um pensamento capitalista de estudo de mercado ou até mesmo em um pequeno grupo de pessoas como por exemplo imigrantes defendendo sua cultura em resposta à experiências de xenofobismo. Pode se dizer que nossa identidade vem agregando elementos conforme nós evoluímos como pessoas e que esse processo caminha cada vez mais para o ininterrupto. E é mais inteligente pensar não no enfraquecimento das culturas locais mas sim no surgimento de novas identificações “locais” e “globais”.

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