P. 1
gestao

gestao

|Views: 1.293|Likes:
Publicado porPaulo Sérgio

More info:

Published by: Paulo Sérgio on Sep 01, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

04/13/2013

pdf

text

original

Sections

  • ITEM 2.1 - PRINCÍPIOS DA CADEIA DE SUPRIMENTOS:
  • ITEM 2.2 – O PROCESSO DE UTILIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS:
  • ITEM 2.3. - BENEFÍCIOS DA REDUÇÃO DOS NÍVEIS DE ESTOQUE:
  • ITEM 3.1 – CUSTO DE MANUTENÇÃO DE ESTOQUES:
  • ITEM 3.2 - FATORES QUE INTERFEREM NOS CUSTOS DOS ESTOQUES:
  • ITEM 4.1 - CONTROLE PERMANENTE DE ESTOQUES
  • ITEM 4.2 - CONTROLE PERIÓDICO DE ESTOQUES
  • ITEM 4.3.1 - CONTROLE COM META DE REPOSIÇÃO:
  • ITEM 4.3.2 - CONTROLE MÁXIMO E MÍNIMO
  • ITEM 4.3.3 - CONTROLE EM HOSPITAIS PÚBLICOS
  • ITEM 4.4.1 - CLASSIFICAÇÃO ABC:
  • ITEM 4.4.2 - CLASSIFICAÇÃO XYZ:
  • ITEM 5.1 - DEFININDO UMA ESTRATÉGIA PARA CADA PRODUTO E CLIENTE
  • ITEM 6.1 - CONTROLE DE CUSTOS DAS TERAPIAS MEDICAMENTOSAS
  • ITEM 6.2 - CONTROLES DE AQUISIÇÃO:
  • ITEM 6.3.2.1 – FASES DO PROCESSO DE LICITAÇÃO:
  • ITEM 6.3.3 - MODALIDADES DE LICITAÇÃO:
  • ITEM 7.1.1 - OBRIGAÇÕES BÁSICAS DO FORNECEDOR:
  • ITEM 7.1.2 - NORMAS DE FORNECIMENTO:
  • ITEM 7.1.3 - MARKETING E POLÍTICA DE VENDAS
  • ITEM 7.1.4 – AVALIAÇÃO DA PERFORMANCE DE FORNECEDORES:
  • ITEM 8.1 - CUSTO DO EXCESSO E DA FALTA DE ESTOQUES:
  • ITEM 8.2 – PLANEJAMENTO DE ESTOQUES:
  • ITEM 8.4 - PREVENDO A QUANTIDADE DE COMPRA

GESTÃO DE ESTOQUES EM FARMÁCIAS HOSPITALARES

ORGANIZAÇÃO E INTELIGÊNCIA: OS RESULTADOS APARECEM NA HORA.

Principal desafio da Farmácia Hospitalar moderna: garantir a máxima disponibilidade de produto, com o menor nível de estoque possível
ITEM I: INTRODUÇÃO:
A gestão de estoques, quando presente no dia-a-dia das empresas, permite importantes ganhos, como eficiência, redução de falhas e custos, rapidez, confiabilidade e capacidade de rastreamento. Em função do volume de dados e da complexidade dos processos, envolve uma série de procedimentos, pois afeta dois aspectos cruciais do negócio: a disponibilidade do produto e o custo, ambos com impacto direto no resultado ou na rentabilidade. O grande desafio é encontrar o equilíbrio entre essas variáveis: se a política adotada tenta assegurar a disponibilidade aumentando o estoque, impacta diretamente nos custos relativos à sua manutenção, como capital de giro e armazenamento. Por outro lado, se para cortar os custos os estoques são demasiadamente reduzidos, corre-se o grande risco de não atender ao cliente. A gestão de estoques pode ser subdividida em dois grupos de atividades: operacionais e estratégicas. No primeiro, a busca é pela eficiência dos controles relativos à movimentação de produtos: avaliação e registro de todas as movimentações físicas, recebimento, conferência, armazenagem e dispensação. No item estratégico, os objetivos são os modelos de reposição baseados em informações mais avançadas, que visam compartilhar dados de distribuição e estoques, para que a ação de reposição seja mais eficiente e ágil. Nas Farmácias Hospitalares, a gestão de estoques é ferramenta fundamental para a eficiência de prestação dos serviços farmacêuticos e deve ter como meta primordial evitar a ruptura dos níveis de estoque, o que determinaria a interrupção das atividades assistenciais. É obrigação do farmacêutico o estabelecimento e manutenção de padrões que assegurem a qualidade, a escolha das fontes de suprimento, a especificação adequada dos produtos para auxiliar na prescrição dos medicamentos, as decisões técnicas relativas às aquisições, o controle dos estoques, o armazenamento apropriado e o uso seguro de todos os fármacos e insumos. Estas responsabilidades não podem ser delegadas a outro profissional, porque estas avaliações requerem conhecimento profissional e julgamentos os quais somente o farmacêutico está apto a fazer é este profissional que responde ética e juridicamente pelas questões relativas aos medicamentos. Quando bem administrada, a gestão de estoques permite que o farmacêutico diminua seu tempo na dedicação a tarefas administrativas, poupe espaço de armazenamento, aumente a produtividade pessoal, ajude na racionalização da terapêutica, permita contenção de gastos com medicamentos e seja fonte de informação às autoridades sanitárias. A situação mais conveniente é quando a média de estoque na central de abastecimento farmacêutico oscila entre 15 e 30 dias, porém, sabemos que em algumas instituições, principalmente alguns órgãos públicos, essa situação é impraticável, devido aos riscos inerentes à burocracia regulamentar. As empresas comerciais e industriais têm investido grande quantidade de capital na contratação de serviços, na utilização de mão de obra especializada e em tecnologia para trabalhar com níveis de estoque os mais baixos possíveis, devido ao elevado custo de manutenção de estoques, ao elevado custo de captação do capital e à necessidade de disponibilidade de capital

para aporte de tecnologia e investimento em outras atividades mais lucrativas e menos dispendiosas. Desta forma, a redução de estoques, aliada ao seu controle rigoroso e seguro, permite que as empresas possam desviar capital para investimento e lucro de forma rápida, sem incorrer na imobilização deste capital em estoques, que não gera lucro e ocasionalmente transforma-se em perdas. Em relação às instituições hospitalares, a necessidade de investimento na diversificação dos serviços oferecidos, para conferir maior grau de ocupação à capacidade física instalada e justificar o investimento realizado nos modernos e caros equipamentos, aliada à complexidade cada vez maior dos métodos de diagnóstico e tratamento e à crescente oferta de novos fármacos, torna a tarefa da Farmácia bastante complexa, porém imperativa para a administração farmacêutica na competição dos recursos, devido à diversidade de patologias para atendimento e aos desafios financeiros enfrentados por qualquer empresa. Reduzir estoques não é tarefa isolada; implica na adoção de várias funções logísticas impondo maior eficiência nas atividades de controle e armazenamento, processamento de pedidos, distribuição, administração e conta hospitalar. Caso contrário, haverá ruptura no fornecimento para o cliente (pessoal técnico e paciente).

ITEM II: CADEIA DE SUPRIMENTOS DE MATERIAIS:
Logística: Segundo o Council of Logistics Management, “Logística é o processo de planejar, implementar e controlar o fluxo e armazenagem, eficaz e eficiente em termos de custos, de matérias-primas, materiais em elaboração e produtos acabados, bem como as Informações correlatas, desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o propósito de atender às exigências dos clientes”, ou seja, é o processo de abastecer os clientes, através de técnicas que asseguram a disponibilidade do produto certo, na quantidade certa, ao preço certo, na hora certa, sem avarias e acompanhado de documentação correta. Os três elementos envolvidos nas operações logísticas são o gerenciamento de materiais, que envolve a aquisição e o recebimento de matérias primas e produtos (transporte interno e armazenamento); o fluxo de materiais, ou seja, a habilidade de localizar e agendar as etapas finais (gerenciamento de informações, marcação de produtos, rotulagem e empacotamento) e a distribuição física que é o fornecimento dos produtos aos consumidores, o recebimento e o registro das devoluções.

ITEM 2.1 - PRINCÍPIOS DA CADEIA DE SUPRIMENTOS:
David Anderson & cols definiram como princípios da cadeia de suprimentos a garantia de satisfação dos clientes ao mesmo tempo em que visam o crescimento da empresa, ou seja, é necessário avaliar a necessidade específica de cada cliente, adaptando a cadeia de suprimentos para fornecer diferentes tipos de serviços da maneira mais “lucrativa” possível. Para isso, é imprescindível: - Estabelecer critérios e rotinas de atendimento diferenciado para cada um deles, para não sobrecarregar a rotina do serviço; - personalizar os procedimentos da rede logística, empregando as ferramentas disponíveis para atender aos clientes; - ouvir os sinais de variação de consumo (e disponibilizar tempo para planejamento e avaliação dessa variação); - gerenciar as fontes de suprimento para reduzir o custo total dos próprios produtos e dos serviços de fornecimento, estabelecendo contatos estratégicos com fornecedores de modo a planejar o fornecimento eficiente;

- desenvolver estratégia de funcionamento da cadeia de suprimentos, para suportar níveis múltiplos de decisão e fornecer visão clara do fluxo de produtos, dos serviços e da informação; - adotar medidas de aumento de desempenho da cadeia, com aferições que permitam pontuar níveis de perigo, para induzir a correções automáticas e imediatas. Os princípios anteriormente mostrados poderiam ser configurados na forma de um modelo, fundamentado em quatro princípios, para ajudar a gerência farmacêutica a avaliar a cadeia de suprimentos e evidenciar os pontos falhos, empregando um melhor critério gerencial: 1º. Planejamento: Levantamento e captação de informações sobre os recursos financeiros disponíveis, estabelecimento das necessidades de consumo, planejamento de inventários, avaliação das necessidades de distribuição de materiais e esboço da capacidade de todos os serviços. As ações de planejamento requerem a tomada de decisões, a configuração da cadeia de suprimentos, o planejamento da capacidade de atendimento e o gerenciamento da padronização de produtos. 2º. Abastecimento: As ações de abastecimento são: aquisição, recebimento, inspeção, armazenamento e dispensação dos produtos. Para estes procedimentos é necessária a administração de bancos de preços, a avaliação da qualidade, a certificação de fornecedores e o retorno das informações, bem como o estabelecimento de exigências contratuais e condições de pagamento. 3º. Execução: O gerenciamento prático implica nas ações de solicitação e recepção de materiais, produção e teste dos produtos, armazenamento, embalagem e dispensação. É indispensável, então, a avaliação da necessidade de mudanças no sistema, mobiliário, equipamentos, melhoria da qualidade dos serviços produzidos e agendamento de compras. 4º. Dispensação ou fornecimento: Suas ações relacionam-se com a implantação e manutenção de pedidos, manutenção de base de dados de medicamentos e clientes, criação de rótulos e embalagens específicas, consolidação de prescrições e dispensação de produtos. Os modelos operacionais poderiam ser representados na seguinte tabela: PLANEJAMENTO Captação de informações Aquisição, recebimento, inspeção Dispensação, embalagem Manutenção de bases de dados GERENCIAMENTO Tomada de decisões Certificação de fornecedores e produtos, administração de bancos de preços Mudanças na engenharia, melhoria da qualidade Análise de dados.

ITEM 2.2 – O PROCESSO DE UTILIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS:
A competitividade entre os diversos serviços hospitalares cria a necessidade de implantação de uma postura gerencial mais eficaz, pois o administrador hospitalar (sob pressão dos gestores) exerce a cada dia maior pressão sobre o custo da terapia medicamentosa e sobre o custo total dos estoques do serviço de farmácia, exigindo justificativas para os desembolsos dos recursos. Esta é, possivelmente, uma das tarefas mais complicadas para os profissionais responsáveis por farmácias hospitalares, estejam elas no âmbito público ou privado, pois representa um desafio frente ao grau de complexidade no fornecimento de explicações relativas ao custo/benefício, junto à administração.

Alguns padrões são facilmente identificáveis. Os seguintes passos servem para ilustrar esta complexidade: Prescrição Avaliar o paciente estabelecer a necessidade do uso do medicamento selecionar o medicamento correto determinar as interações e alergias prescrever o medicamento Documentação transcrever a prescrição (*) transmitir / enviar à farmácia Dispensação rever a prescrição rever precauções. Somente o profissional farmacêutico tem competência técnica para definir o melhor produto a ser utilizado. é imperativo que a chefia da farmácia avalie os benefícios e os custos de todo o processo de utilização dos medicamentos. as atenções são direcionadas para a análise da utilização de medicamentos em determinadas comunidades ou em grupos de . eficiência. o monitoramento dos efeitos adversos e a manutenção do tratamento do paciente por ocasião da alta. que começa com a percepção da necessidade de utilização do fármaco e termina com a avaliação de sua eficácia no paciente. sem que o processo de redução de estoques induza a qualquer diminuição da qualidade dos produtos oferecidos.Qualidade.Embora esta seja uma entre as dezenas de atividades do gerente farmacêutico.Custo do processo de utilização: na identificação de áreas que possam sofrer redução potencial de custos. onde são necessárias várias medidas para garantir isenção de erros previsíveis. porque evidencia a capacidade administrativa deste profissional junto à administração hospitalar. O processo de utilização dos medicamentos é um sistema contínuo. a dispensação do produto. interações e alergias confirmar a transcrição. . Até o medicamento ser administrado ao paciente ele passa por uma série de etapas. Devemos entender. interações e alergias preparar o medicamento avaliar o paciente administrar o medicamento (*) Esta etapa não se aplica a todos os Sistemas de Distribuição de Medicamentos Para garantir esta continuidade. a administração ao paciente. se necessário contatar o prescritor. se necessário preparar o medicamento distribuir o medicamento Administração rever a prescrição confirmar a transcrição Monitoramento avaliar a resposta do paciente registrar e documentar os resultados obtidos rever precauções. além do estabelecimento de padrões mínimos de controle de custos e estoques na farmácia hospitalar. que podem ocorrer em cada um dos procedimentos desse complexo processo. no entanto. pela pressão que exercem sobre os custos dos serviços farmacêuticos e sobre os níveis de estoques: . possui especial importância. impõe-se a seleção do regime terapêutico. que a responsabilidade sobre os custos abrange do preço do produto ao processo global de fornecimento e que nem sempre o menor preço representa o menor custo. eficácia e segurança: cada vez mais.

disposições governamentais e problemas de financiamento.BENEFÍCIOS DA REDUÇÃO DOS NÍVEIS DE ESTOQUE: Vários fatores estão motivando os administradores a disponibilizar os materiais ao cliente. dos pontos de ressuprimento e dos estoques de segurança. os medicamentos estão na realidade sendo estocados nas clínicas. Fica fácil de entender que nos sistemas convencionais onde são remetidos medicamentos baseados em estimativas de consumo por parte de postos de enfermagem. para o serviço de farmácia não ser simplesmente rotulado como “gastador”.3. O sistema mais conveniente é o de dose unitária. No entanto. .Maior número de empresas oferecendo produtos similares. de contratos de fornecimento por grupos de produtos (mesmo nos serviços públicos) e a adoção de tecnologias que permitem a troca de informações de forma ágil são fatores que contribuíram decisivamente para conferir segurança nas operações. . . como também tornar esta gestão compatível com a melhor assistência possível e com o progresso técnico/científico da medicina. Dentre eles. destacamos os seguintes: . . eficiência e segurança. . Estes sistemas. onde a farmácia poderá informar a qualquer tempo a real situação dos níveis de estoque da instituição. cada vez mais. ITEM 2. tornando mais complexa a atividade de gestão de estoque. a maior possibilidade de formação de parcerias de fornecimento. deve-se prestar muita atenção à pressão da indústria sobre a introdução de novos fármacos. . ITEM III – A DINÂMICA DO FLUXO DE MATERIAIS: O sistema de distribuição de medicamentos adotado pela farmácia tem influência direta na redução mais eficaz dos níveis de estoque. tornando mais onerosas a posse e a manutenção dos estoques. pois significam capital imobilizado. É imperativo demonstrar que o gasto com medicamentos na unidade hospitalar pode ser revertido em benefícios para a instituição.Melhor controle do uso de produtos e serviços evitando perdas conseqüentes de falta de faturamento (garantia de inclusão dos medicamentos nas contas hospitalares). evitando perdas. em relação à entrega. sem afetar a disponibilidade dos produtos aos clientes. pois os fármacos produzidos atualmente se mostram mais específicos e muito mais potentes.Fontes de recursos hospitalares: as decisões que uma diretoria de hospital pode tomar vêm.Elevado custo do capital face às proibitivas taxas de juros. Quanto mais centralizada na farmácia estiver a distribuição. maior será a garantia de se trabalhar com níveis mais baixos de estoque. com custos muito maiores. principalmente Leis. permitindo gerenciamento de lotes de ressuprimento menores. . erros e uso indevido (não autorizado). impregnadas por elementos externos. quando empregados. desvios. favorece o seu uso inadequado e potencializa a possibilidade de erros.Competição entre serviços: esta consideração impõe que o serviço de farmácia deva competir igualmente com outros serviços do hospital para obtenção de recursos necessários.Grande diversidade de produtos. O surgimento de empresas de operação logística na área farmacêutica. podem reduzir os custos gerais com medicamentos em até 60 %. deve zelar não só por uma boa gestão econômica e administrativa. O administrador hospitalar por sua vez. administrando níveis baixos de estoque.Maior controle dos inventários. tornando a oferta de produtos mais confiável.pacientes em relação à eficácia. que em sua maioria não representam nenhuma melhoria na qualidade final dos tratamentos. em qualquer dos aspectos no campo da saúde. . o que dificulta o seu controle. armazenagem e processamento de pedidos) pressiona para baixo a curva de custos unitários. O aumento da eficiência das operações de movimentação de materiais (transporte. utilizando menores níveis de estoque.

para garantir que não haverá falta de estoque. o cálculo dos parâmetros pode ser feito aplicando-se a fórmula: PP = C * TE onde: PP = ponto de pedido C = taxa de consumo média TE = tempo de entrega DINÂMICA DA GESTÃO DE ESTOQUES ESTOQUE CONDIÇÃO IDEAL PONTO DE PEDIDO MOMENTO DE PEDIR MOMENTO DO REABASTECIMENTO TEMPO No entanto. seja ela de consumo ou de fornecimento. os novos lançamentos. Esta incerteza dos serviços públicos pode ser minimizada com contratos de fornecimento. tornando imperativa a adoção de uma política de manutenção de estoques de segurança (que irão variar de acordo com o produto ou com a situação político/econômica de cada instituição). O ponto de pedido é calculado simplesmente através da multiplicação da taxa de consumo média pelo tempo de entrega. mesmo que haja algum eventual aumento de consumo ou que haja atraso nos prazos de fornecimento estabelecidos. em quantidade e preço. ocasionando atrasos na entrega.permitindo-se saber exatamente quando o nível de estoque chegará a zero . a irregularidade de fornecimento por distribuidores e indústrias. Deste modo. os atendimentos de emergência e outros fatores que dificultam a previsão da taxa real de consumo. os atrasos na emissão de empenhos. então. para estabelecer a chegada dos novos lotes de produtos.e o fornecimento seja. a atuação do marketing na promoção de determinados produtos influenciando a prescrição médica. onde o consumo médio de um determinado medicamento seja facilmente previsível . os prazos legais para publicação e desembolso de recursos e as licitações canceladas ou sob júdice podem levar a situações de difícil controle. O ponto de pedido pode ser estimado com precisão quando se alcança determinado nível de estoque (%). pois raríssimos são os produtos para os quais não existe alguma incerteza. o ressuprimento pode alterar-se. pois sabe-se exatamente qual o momento do reabastecimento.Imaginemos uma situação ideal. é facilmente determinado. Além disso. ao se alcançar certo nível de estoque. previsível em seu tempo de chegada. na medida em que é necessário acrescentar o estoque de segurança: . A fórmula para cálculo dos parâmetros de reposição de estoques altera-se. levando-se em consideração as sazonalidades de consumo. da mesma forma. esta situação dita ideal não existe na administração farmacêutica hospitalar. Esta situação só ocorre em empresas que não estão sujeitas a mudanças de protocolos ou a sazonalidades e onde o ressuprimento pode ser estabelecido através de contratos de fornecimento. os modismos prescritivos. No caso das instituições públicas. O momento do reabastecimento.

Uma vez acordado o valor para cálculo do custo de manutenção de estoque. Quando este cálculo considera um grande número de produtos. Enquanto o custo de capital do estoque médio pode ser facilmente calculado.1 – CUSTO DE MANUTENÇÃO DE ESTOQUES: O custo de manutenção de estoque é o custo necessário para mantê-lo disponível.5 – 2% 0 – 4% 9 – 50% Custo de Capital . os custos de perdas. é multiplicado pelo valor do estoque médio para chegar ao custo de manutenção de estoque. são necessárias numerosas análises. tido como a metade da quantidade estimada para a compra. dependendo da natureza de cada produto.2% 2% 19. ou seja. acrescida do estoque de segurança. o cálculo do custo percentual de manutenção de estoque não é simples. Embora essa matemática seja extremamente simples. é a despesa financeira que estima o percentual de capital imobilizado em estoque.5 – 2% 0 – 2% 0. armazenamento e impostos podem variar. EM = Q/2 + ES Tomemos como exemplo que o custo anual de manutenção de estoque. Este custo pode ser calculado a partir da multiplicação de uma taxa de manutenção sobre o valor do estoque médio. calculado em 20%. que por sua vez. é R$200 mil.25% Faixa 8 – 40% 0. para um hospital com R$1 milhão de estoque médio. Componentes do custo de manutenção de estoque Componente Capital Impostos Seguro Perdas Armazenamento Total Média 25% 1% 0.05% 1. esse valor deve ser mantido constante para todas as análises do sistema logístico.PP = C * T + ES onde: PP = ponto de pedido C = taxa de consumo média T = tempo de entrega ES = estoque de segurança ESTOQUE CONDIÇÃO REAL TEMPO ESTOQUE DE SEGURANÇA MOMENTO DO REABASTECIMENTO ITEM 3. O valor final é expresso em percentual. perdas. pois existem incluídos no custo de manutenção de estoque o custo de capital. armazenamento e impostos (a tabela abaixo resume as variações desses custos).

Para ilustrar a importância dos estoques no retorno sobre o investimento das empresas. O cálculo com a taxa de juros básica ou qualquer outra praticada pelo setor financeiro é uma estimativa da aplicação do capital que o mercado estaria disposto a remunerar. sem considerar o custo de manuseio do produto. o imposto é calculado sobre o volume de estoque em determinado dia do ano. Esse custo deve ser atribuído especificamente a produtos. . em determinado período de tempo. Produtos de grande valor que podem estar facilmente sujeitos a roubo e produtos perigosos. Perdas por caducidade ou desvios Os cálculos deste custo são baseados na quantidade de produtos que devem ser destruídos. os recursos investidos em estoque perdem seu poder de gerar lucro. ou sobre o estoque médio de um determinado período. O custo das perdas deve ser tratado com cautela e deve ser limitado à perda direta relativa ao armazenamento de estoque. A experiência de muitas empresas mostra que os valores variam entre a taxa de juros básica (prime rate) e 25%. Por isso. têm custos de seguro mais elevados. pela taxa diária padrão vigente para o ano. o custo do seguro é normalmente calculado com base em uma estimativa do risco.O aspecto mais controverso do custo de manutenção de estoque é a determinação da taxa mais apropriada a ser aplicada ao capital investido. Armazenamento O custo do armazenamento refere-se ao custo da permanência do estoque em instalações. ou exposição a um risco. Em almoxarifados próprios. restringem a disponibilidade de capital e limitam outros investimentos. a despesa de depreciação anual deve ser apropriada através de taxa padrão por metro quadrado ou por metro cúbico. se este não estivesse sido investido em estoque. como combustíveis. Um menor nível de estoque disponibiliza também o capital que pode ser reinvestido em operações de melhoria dos resultados gerais das empresas. Impostos A alíquota de imposto e a base de cálculo geralmente diferem em cada região. Algumas regiões não tributam estoque. O valor apurado pode então ser dividido pela quantidade de unidades do produto processado no almoxarifado. podemos observar que pequena redução dos estoques representa aumento significativo no giro dos produtos e no retorno do investimento. pois não tem relação direta com o valor do estoque. relativos à natureza dos produtos e das condições de armazenamento. Seguro Quando utilizado. para apurar o custo médio de armazenamento por unidade de produto. O custo da ocupação anual para um determinado produto pode ser calculado multiplicando-se a quantidade de dias em que o espaço físico foi utilizado. como câmaras de segurança ou sistemas automáticos de prevenção de incêndio. Normalmente. através da observação do fluxo esquemático abaixo. O custo de seguro também depende de características preventivas existentes em instalações.

ITEM 3.000 13.000 ESTOQUE CONTAS A RECEBER CAIXA RETORNO SOBRE INVESTIMENTO (+) U$ 2. a empresa arcará com os respectivos encargos financeiros.900.FATORES QUE INTERFEREM NOS CUSTOS DOS ESTOQUES: 1) Medicamentos fabricados por terceiros x medicamentos produzidos na farmácia: Os medicamentos de produção interna ou própria têm menor custo porque não sofrem a taxação dos custos diretos e indiretos. Esta situação não se aplica à maioria das farmácias hospitalares. a importância dos custos de manutenção de estoques elevados é extremamente significativa na saúde financeira da empresa e os investimentos na sua redução devem ser constantemente trabalhados.000.U$ 5.750.custo equivalente ao custo financeiro de captação de recursos no mercado (12%) ou 2 .000 RECEITA DE CONSUMO CUSTOS U$ 250. por exemplo). pressionando os preços para baixo e uma sensível redução dos custos com medicamentos.000 LUCRO U$ 4.000 (+) ATIVO U$ 1.000 U$ 400. Embora o custo de manutenção de estoque não apareça diretamente em demonstrativos de resultado como outros custos logísticos (de dispensação. O custo de manutenção de estoque pode ser interpretado pela empresa de duas maneiras: 1 . No primeiro caso.000. devemos adotar critérios técnicos e regulamentares na escolha dos fornecedores desses produtos. O valor de US$100. pois o investimento não compensaria a demanda de produtos.5% U$ 500. porém.00 tem que ser tomado emprestado como capital de giro.000 (+) U$ 300. que esse custo tem um impacto significativo na situação econômico / financeira da empresa.000. do próprio produto.000 12. 2) Medicamentos de referência x genéricos x similares: O advento dos genéricos.000. Os medicamentos similares. de 02 de junho de 2003. trouxe a garantia de produtos com maior confiabilidade ao mercado de medicamentos. Por isso. .000.receber o mesmo tratamento do capital investido em setores produtivos da empresa (40%). quando necessário.00 para outros usos.000. a empresa não pode investir o valor em outros projetos.000 IMOBILIZADO Um principal componente do custo de manutenção de estoque é o custo do capital investido. por representar um custo importante e real. ou ser extraído dos lucros acumulados da empresa.2 . Um exemplo é a certificação técnica da empresa e. por exemplo. conforme descrito na Resolução ANVISA RDC nº 133.15% ATIVO TOTAL U$ 1. também representam uma alternativa para pressionar os custos para baixo. significa uma falta de capital de R$100. sem dúvida.00.000 U$ 200. fica claro. pela exposição acima. A regulamentação prevê a necessidade de testagem destes produtos para os próximos anos. ou da lucratividade do fabricante. No segundo caso. Um estoque de R$100.

em média. a confiabilidade e a segurança dos produtos. e em alguns casos. para produtos que tem volume e peso elevado (grandes soluções) o frete é um componente importante do custo e a avaliação do modelo de gestão de estoque para estas soluções deve ser criteriosamente realizada. faturamento. É necessário lembrar que o produto que se precisa adquirir pode ser exatamente aquele que algum fornecedor precise vender. Importante ressaltar que os valores acima apresentados podem variar de acordo com o setor e com a empresa. além do vínculo com o gerenciamento da produção.5% do faturamento. que em média é de 3. de 0. mais que o dobro do lucro.8% no caso da indústria farmacêutica. Sua importância pode ser medida através de pelo menos três indicadores financeiros: custos. 60% dos custos logísticos. maior a participação das despesas de transporte no faturamento da empresa. 3. Sempre que possível.3) Transporte: O transporte é o principal componente do sistema logístico. Embora o surgimento de operadoras logísticas no mercado hospitalar tenha reduzido em muito o impacto do preço frente ao custo final dos produtos farmacêuticos. Então. Uma das certificações de seus fornecedores deve ser a verificação das condições de transporte dos produtos adquiridos. 4) Impostos: O principal componente no qual as empresas devem estar atentas é a substituição tributária praticada em alguns estados. o transporte tem um papel preponderante na qualidade dos serviços logísticos. face às dificuldades da fiscalização. para aumentar a competitividade e diminuir os custos. germicidas e produtos para a saúde selecionados para uso hospitalar é um processo relacionado às decisões sobre qualidade e custo. quando passíveis de semi-industrialização pela farmácia. O transporte representa. . pois impacta diretamente o tempo de entrega. a compra bem programada provê tempo suficiente para uma ampla negociação com fornecedores.5%. A participação no faturamento. fracionamento e controle dos mesmos. 5) Fabricantes e distribuidores: Sempre que possível toda a aquisição deve ser feita em fabricantes. quanto menor o valor agregado do produto. já os fornecedores de soluções parenterais de grande volume têm frete de 8%.1% no caso da indústria de papel e celulose. por exemplo. pela distância física entre o fornecedor a farmácia. pode variar. Além disso. Como regra geral. todas as aquisições devem ser realizadas através de uma licitação. Todo processo de aquisição deve observar se há inclusão desses impostos no preço final do produto e considerar o possível prolongamento do tempo do ciclo de atividades. (Você já parou para ver como seu produto foi transportado e está sendo entregue?) 6) Características da aquisição: A aquisição de medicamentos. sabemos que muitas dessas empresas não apresentam os padrões mínimos de qualidade exigidos para trabalhar com medicamentos. e lucro. a 7. Mesmo que hoje os distribuidores e transportadores sejam co-responsáveis pelos cuidados que interferem na qualidade final dos produtos e que os mesmos tenham que ser certificados pela ANVISA (portaria nº 802 – 31/12/98). 7) Embalagens: Embalagens hospitalares são sempre mais baratas e esta forma de fornecimento deve ser incentivada para diminuir os custos totais com os medicamentos.

CONTROLE PERIÓDICO DE ESTOQUES.1 .ITEM IV: CONTROLE DE ESTOQUES: Podemos definir estoque como o conjunto de artigos armazenados à espera de utilização mais ou menos próxima. Na sua implantação devem ser definidos os momentos de ressuprimento.2 . exigindo um rígido controle das quantidades de todos os produtos. o estoque médio é calculado pela fórmula: E = Q / 2 + ES Onde: E = estoque médio Q = quantidade do pedido ES = quantidade do estoque de segurança Aplicando-se a fórmula no exemplo anterior. Estas funções podem ser desempenhadas manualmente ou por computador. Caso contrário. poderíamos supor a seguinte situação: Produto .Dipirona sódica 1 g (500 mg/ml . ITEM 4. O controle dos estoques é uma tarefa imprescindível para a implementação da política de estoques. podemos afirmar que o controle permanente de estoques é ditado por duas premissas: O pedido dos produtos é colocado quando se atinge o momento de ressuprimento e o monitoramento dos estoques é feito continuamente. as quantidades a serem solicitadas e a rotina para verificação das flutuações de consumo ao longo do tempo. o cálculo do momento do ressuprimento deve ser feito na aplicação da seguinte fórmula: MR = C x T + ES Onde: MR = ponto de ressuprimento em unidades C = consumo médio diário T = tempo médio de ressuprimento em dias ES = estoque de segurança em unidades Exemplificando. os parâmetros MR e Q devem ser aperfeiçoados. Este controle diferencia-se do controle permanente pela frequência. A gestão de estoques na instituição deve implantar as normas e os procedimentos para controle dos níveis de estoque e definir os parâmetros de ressuprimento ITEM 4. MR = 20 unidades/dia x 10 dias + 0 = 200 unidades No controle permanente de estoques. a precisão e o custo. podendo ser semanal ou mensal. Dessa forma.2 ml) Consumo médio diário = 20 unidades Tempo médio para ressuprimento em dias = 10 dias Supondo que não existem incertezas. sem que seja imposto atraso de fornecimento por deficiência de produção ou entrega. o momento do ressuprimento deve ser ajustado para o intervalo entre duas contagens sucessivas. Neste tipo de controle. Sua principal função é o acompanhamento da variação das quantidades disponíveis ao longo do tempo.CONTROLE PERMANENTE DE ESTOQUES. Utiliza a verificação diária das necessidades de ressuprimento. que permita fornecimento quando necessário. As principais diferenças são a velocidade. o estoque de segurança será igual a zero. temos: E = 200/2 + 0 = 100 Logo. MR = C(T + P/2) + ES Onde: MR = momento do ressuprimento C = consumo médio diário T = tempo médio de ressuprimento P = período de tempo entre duas contagens sucessivas ES = estoque de segurança .

nas revisões periódicas. cumprem de modo adequado as funções de ressuprimento. combinando os sistemas periódico e permanente de controle. Esses métodos. existe a possibilidade de faltar estoque. Os sistemas a seguir são bastante úteis na farmácia / almoxarifados hospitalares.3. Neste método. pelas características de operação e facilidade de uso. Por esta razão. mas apenas os seus valores. aplica-se a seguinte fórmula: Q = NR . ITEM 4. ITEM 4. tem-se: MR = C(T + P/2) + ES Onde: MR = 20 (10 + 7/2) + 0 = 20 (10 + 3. fazendo com que os sistemas de controle periódico requeiram estoques médios maiores do que os sistemas de controle permanente. deve-se estimar estas faltas em 50% das vezes e o cálculo para o momento do ressuprimento deverá considerar este fato. Aplicando-se este cálculo no modelo anterior para um intervalo de contagem de 7 dias. os pedidos de reposição são realizados a intervalos fixos e controlados a intervalos curtos. Não é necessário acompanhar os níveis de estoque. porque há necessidade de proteção das variações de consumo durante os períodos de revisão. pois o estoque jamais excederá o nível de ressuprimento.Como a contagem de estoque ocorre em períodos pré-determinados.E – Qp Onde: Q = quantidade do pedido NR = nível de reposição E = Quantidade em estoque no momento da contagem Qp = quantidade que já foi pedida . tem-se: EM = 200/2 + (7/2)20 + 0 = 100 + 70 = 170 unidades O intervalo de tempo influencia diretamente no estoque médio. A ferramenta que dispara este tipo de controle é o tempo.ALTERNATIVAS DE CONTROLE: Alguns métodos alternativos foram criados para aplicação em situações específicas.1 . para identificação das quantidades presentes e definição do quantitativo a pedir – sempre em número que leve o nível dos estoques ao máximo pré-estabelecido. adiciona-se ao tempo do ciclo de atividades o intervalo de tempo em que são realizados os controles. com baixos níveis de estoque. garantindo um abastecimento contínuo e seguro. Esta prática faz com que o estoque médio seja mais alto. Este máximo é garantido como nível não ultrapassável. quando bem aplicados.3 .CONTROLE COM META DE REPOSIÇÃO: Nesta metodologia.5) = 270 unidades O cálculo do estoque médio para o controle periódico será: EM = Q/2 + (P/2) C + ES Onde: EM = quantidade média em estoque C = consumo médio diário Q = quantidade do pedido P = período de tempo entre duas contagens sucessivas ES = estoque de segurança Aplicando-se a fórmula ao mesmo exemplo anterior. para qualquer item. A fórmula base para cálculo do controle com meta de reposição é: NR = ES + C x (T + P) Onde: NR = nível de reposição ES = estoque de segurança C = consumo médio diário T = tempo médio de ressuprimento P = período entre duas contagens sucessivas Para se obter a quantidade de estoque a ser reposta.

limitando a oscilação da quantidade mínima. é igual ao produto do consumo pelo tempo de ressuprimento m=C*T Onde: C = consumo médio diário .E – Qp ou seja. consumo médio diário de 20 unidades. Diferencia-se do controle de reposição por adotar uma quantidade pré-determinada de pedido. Estoque Máximo Q1 P1 R2 R1 P2 P4 R3 T T T tempo tempo Estoque Q2 Q3 P3 Q4 R4 Estoque Segurança O cálculo do estoque médio neste sistema de controle pode ser obtido pela fórmula: EM = (P/2) x C + ES Onde: EM = estoque médio P = período de tempo entre duas contagens sucessivas C = consumo médio diário ES = estoque de segurança ITEM 4. e por essa razão deve-se considerar sempre os pedidos de reposição já realizados.3.CONTROLE MÁXIMO E MÍNIMO. que não deve ser ultrapassado. com a introdução de uma variável. Q = NR . Desta forma.100 = 150 unidades. é determinado como ponto de reposição. o nível dos estoques é sempre mantido entre um nível inferior e superior. Supondo que existe um pedido de reposição de 100 unidades em andamento e que o estoque no momento da contagem é de 50 unidades.5 . A quantidade máxima define o limite de estoque. O limite inferior assegura que o ressuprimento seja igual a pelo menos a diferença entre os limites máximo (M) e mínimo (m) de estoque. temos: NR = C x (T + P) + ES Onde: NR = 20 (10 + 5 ) + 0 = 300 unidades No exemplo. estoque de segurança zero e tempo de ressuprimento de 10 dias. ou m. Se E + Qp < m. isto é. o tempo de ressuprimento é maior do que o intervalo entre duas contagens. Logo.2 .Exemplo: considerando um intervalo de 5 dias entre duas contagens sucessivas. então Q = M -E –Qp Onde: E = quantidade em estoque na data do pedido Qp = quantidade já pedida m = nível mínimo dos estoques Q = quantidade do pedido M = nível máximo dos estoques O nível mínimo. Q = 300 .

m = ES + C * T O sistema mínimo-máximo pode ser calculado tanto para quantidades absolutas de produto quanto para dias de ressuprimento ou uma combinação desses dois fatores. Adotando-se este mesmo raciocínio.3. que a quantidade mínima seja de 100 unidades e a máxima. A quantidade a pedir é de 325 unidades (Q = 400 . é determinado que o acompanhamento dos níveis de estoque e as decisões de compra deverão ocorrer em função das fórmulas abaixo: Fatores de Ressuprimento: CMM . conclui-se que: Se E + Qp < 100 então Q = 400 . Nestas normas. pode-se calcular os dias de ressuprimento. Deste modo. A cada contagem. quando multiplicado pela previsão atual de consumo.consumo médio mensal .3 . não foram consideradas as incertezas de reposição. Neste caso.E – Qp Empregando o exemplo abaixo: Estoques = 75 unidades Pedido já colocado: zero unidades.75). MÉTODO MÍNIMO MÁXIMO estoque 1 2 3 Estoque máximo Quantidade pedida Estoque mínimo (segurança) T T T tempo ITEM 4. considerando como exemplo dez dias de suprimento para o estoque mínimo. os dias são convertidos em uma quantidade específica de unidades.m = nível mínimo de estoque T = tempo de ressuprimento Na situação acima.CONTROLE EM HOSPITAIS PÚBLICOS. de 400 unidades.média aritmética do consumo nos últimos 12 meses (CMM = Consumo anual/12) . Uma das variações da metodologia acima é o estabelecido pela Secretaria da Presidência da República (SEDAP). deve ser acrescida na fórmula o valor do estoque de segurança. Supondo. por exemplo. o cálculo estará sempre respondendo às alterações de demanda. publicada no DOU em 08 de abril de 1988.

perecimento e obsoletismo. • Padronização e normatização quanto à embalagem.número de unidades a adquirir para recompor o estoque máximo. Q . pois como visto no item Cadeia de Suprimentos.Nível de estoque que. EM . entre outros. não prevê.quantidade a ressuprir . Outro fator limitante do sistema é a regulamentação dos processos licitatórios. para que uma inspeção visual possa estimar imediatamente a quantidade em estoque. Em .5 de T (Em = CMM x f). variar de 0. A metodologia apresenta. emergências.A maior quantidade de material admissível em estoque.período compreendido entre duas aquisições normais e sucessivas. Obtém-se pela multiplicação do consumo médio mensal por uma fração (f) do tempo de aquisição que deve. determina imediata emissão de um pedido de compra.estoque mínimo ou estoque de segurança . metodologia de fabricação. as variações de consumo. sendo a reposição feita a intervalos mais curtos. Uma das maneiras de administrar níveis baixos de estoque é a adoção de sistemas de licitação para fornecimento de forma parcelada. centros de tratamento intensivo). devendo-se considerar a área de armazenagem. cada cliente possui uma necessidade específica de atendimento que determina os esforços necessários para a prestação da melhor assistência.é a menor quantidade de material a ser mantida em estoque capaz de atender a um consumo superior ao estimado para um certo período de tempo ou para atender a demanda normal em caso de atraso de entrega da nova aquisição. pode-se trabalhar com níveis baixos de estoque e obter as vantagens operacionais que este procedimento oferece.T . impondo a compra por blocos em regime de Tomadas de Preços ou Concorrências Públicas. Obtém-se pela soma do estoque mínimo ao produto do consumo médio mensal pelo intervalo de aquisição (EM = CMM x I) PP . sua importância estratégica e econômico-financeira. Desta forma.estoque máximo .cada produto deve ter definido o tamanho do seu estoque máximo (incluindo estoque de segurança) e um local determinado e demarcado. imobilização de recursos. suficiente para o consumo em certo período. concentração. • Classificação de cada produto quanto à sua atividade terapêutica. sua natureza e quanto ao seu giro de estoque. em princípio. É a multiplicação do consumo médio mensal pelo intervalo de aquisição (Q = CMM x I).tempo de aquisição . ITEM 4. por exemplo. Similarmente. qual especialista está autorizado a prescrevê-lo e administrá-lo. É aplicável tão somente aos itens indispensáveis ao serviço do órgão ou entidade. • Do mesmo modo. para repor o estoque mínimo. um progresso nos sistemas de administração de estoques a nível federal porém.período decorrido entre a emissão do pedido de compra e o recebimento do material no almoxarifado. fabricantes autorizados ao seu fornecimento específico e quantidades de ressuprimento. ao ser atingido. disponibilidade financeira.: serviço de anestesia. O gerenciamento eficiente de estoques exige que a classificação seja condizente com a estratégia da instituição e com os objetivos da prestação de serviços aos pacientes.25 de T a 0. I . sem dúvida. é necessária a definição do nível de exigência e a importância estratégica de cada cliente (ex.ponto de pedido . Obtém-se somando ao estoque mínimo o produto do consumo médio mensal pelo tempo de aquisição (PP = Em + CMM x T).4 . intervalo de tempo de aquisição. deve ser definido claramente.intervalo de aquisição . através de contrato de fornecimento periódico com o vencedor da licitação. que não permite a compra de itens isoladamente. para cada produto. .CLASSIFICAÇÃO DE PRODUTOS E CLIENTES A política para o gerenciamento de estoques de cada produto requer: • Procedimento para determinar o local de armazenamento . prazo de validade.

Este fato é chamado freqüentemente regra 80/20. decorrente de extensas pesquisas na indústria.1 . estabelecer o consumo médio para um ano. O processo normal de classificação coloca em seqüência os produtos. Na maioria das aplicações logísticas. os produtos são classificados de acordo com sua importância de utilização. Obviamente. produtos que têm importância estratégica e econômica similares. de cada item. Neste último. Calcular. a perspectiva contrária da regra é que os restantes 20% das vendas são obtidos por 80% dos produtos. Multiplicar este consumo médio pelo preço unitário. para cada medicamento.ITEM 4. por ordem de importância econômica. de modo que produtos com maior valor agregado (custo x quantidade média) são relacionados antes dos produtos com menor giro. de forma que os itens com características similares são colocados no mesmo grupo. pedidos ou fornecedores) é responsável por uma grande percentagem dos volumes de venda. Os produtos que se enquadrarem na faixa até 80% do percentual acumulado. uma pequena percentagem dos itens (produtos. diz que em uma empresa normal. CATEGORIA A B C % PRODUTOS 10-20 21-49 50-70 %IMPORTÂNCIA 70-80 10-30 3-10 Como montar a classificação ABC: A partir do consumo de cada medicamento. Calcular o preço de cada medicamento em relação ao somatório dos custos (% do medicamento em relação ao custo total).2 . por volume de saída. então. A combinação pode ser feita entre os métodos ABC e XYZ.CLASSIFICAÇÃO XYZ: A característica dos produtos farmacêuticos não recomenda que o controle de estoques seja realizado somente baseado na importância econômica dos produtos. Em regra geral. são da classe C. Uma estratégia mais eficiente para classificação de medicamentos deve levar também em consideração a sua importância para os pacientes. O agrupamento dos produtos similares facilita os esforços da administração em estabelecer estratégias de estoques concentrados para cada segmento de produtos. Produtos de volume e giro moderados são classificados na categoria B e produtos de baixo volume ou giro são classificados na categoria C. para se estabelecer um índice combinado. Entre 80 e 90% são da classe B e de 90 a 100%. o percentual dele em relação ao somatório dos custos (equivalente a 100%).4. Os produtos são classificados em ordem decrescente. 80% do volume de vendas está usualmente relacionado a 20% dos produtos. A regra. com a finalidade de facilitar o controle de estoques. pertencem à classe A.4. Produtos de alto volume ou de alto giro são geralmente classificados na categoria A. para achar o custo total do item. mercado. A classificação agrupa.CLASSIFICAÇÃO ABC: A classificação ABC agrupa os produtos padronizados ou nichos de consumo em características similares. O ideal é a implantação dos dois métodos de classificação. Classificação XYZ Utilizada para se controlar os estoques do ponto de vista de importância de utilização . a classificação ABC mostra que a maior parte dos volumes de venda (ou de qualquer outro fator de classificação) decorre de relativamente poucos produtos ou clientes. ou lei de Pareto. Classificar os percentuais em ordem decrescente e calcular o percentual acumulado. ITEM 4.

No entanto. os produtos de grande valor podem. é importante considerar que os produtos de grande valor possuem maior custo para formação de estoques de segurança do que os produtos de baixo valor. Em qualquer instituição hospitalar. Os controles burocráticos estão voltados para os procedimentos. . As estruturas hierárquicas de gestão política costumam dar maior atenção aos procedimentos e funcionários administrativos. ITEM V: POLÍTICAS DE GESTÃO DE ESTOQUES. o profissional mais capacitado e mais interessado perde o estímulo para manter-se na instituição e assumir qualquer compromisso. é importante considerar que em uma linha de produtos existe diferença entre o valor total do custo e seu volume expresso em quantidades. valores unitários mais altos resultam em menores quantidades econômicas de pedidos e. Na classificação baseada em quantidades. Exemplo: soros Medicamentos classe Z: Possuem restrito número de similares ou não os possuem. 3) Fatores individuais Como conseqüência das anteriores. em detrimento dos técnicos. fortemente dependente da formulação de objetivos e metas da organização. em pedidos de ressuprimento mais freqüentes. O resultado final compromete a gestão de estoque de materiais.Medicamento classe X: Possuem elevado número de similares. os argumentos técnicos não tem influência nas decisões. Na classificação por valor unitário. pois trazem como conseqüência uma carência de atualização e capacitação de pessoal. existem fatores que interferem na gestão de estoques e que precisam ser conhecidos e avaliados na implantação de uma política de gerenciamento do serviço de farmácia. Deste modo. sem capacidade técnica para manter um diálogo adequado com a área fim. tem menor importância estratégica e sua falta não interfere diretamente no atendimento Exemplo: Analgésicos. A gerência passa a ser exercida por diretores improvisados. conseqüentemente. seja ela pública ou privada. tem certa importância estratégica. Freqüentemente. normas e procedimentos. aliada à falta de planejamentos. sem considerar as conseqüências ou qualidade dos atos. As compras são centralizadas e somente a aquisição pelo menor preço tem prioridade. os produtos de baixo valor que tem alto giro em determinados períodos são responsáveis por pequena percentagem do valor total. de acordo com as regras dos lotes econômicos de compra. controles. pois sua falta interfere no atendimento. 2) Fatores organizacionais As deficiências de organização e de objetivos comprometem o profissionalismo de quem atua na instituição. diuréticos Medicamento classe Y: Possuem elevado número de similares. também. ser mais lucrativos. Tem grande importância estratégica e sua falta interfere no atendimento Exemplo: Sulfadiazina de prata em centro de tratamento de queimados. É conveniente lembrar que. 1) Fatores políticos e burocráticos Uma diretoria sem prioridade técnica e política na área de medicamentos e produtos não possui interesse na provisão de recursos para a farmácia e não investe na qualidade necessária ao melhor uso dos medicamentos.

pois os estoques não se alteram tão rapidamente ou a falta de estoque não afeta o desempenho do serviço tão sensivelmente. isto é. por exemplo. A terceira estratégia diz respeito aos períodos de ressuprimento. surtos de infecção). as projeções devem ser feitas com séries históricas de consumo. pois seu consumo é influenciado por fatores externos (epidemias. Os produtos de alto giro podem exigir avaliações mais freqüentes. clientes que atuam sob estresse elevado. A segunda diz respeito aos métodos de previsão. o monitoramento diário de produtos de grandes estoques é adequado porque uma falta de estoque afeta negativamente o serviço. cuidadosamente avaliado. Inversamente. devem ter seus produtos monitorados com maior freqüência. CLASSIFICA ÇÃO ABC A . seja devido ao consumo mais estável ou porque é necessário maior esforço para alcançar melhores previsões. Já os produtos “B” e “C” requerem um nível de serviço mais baixo. Muito embora os métodos eletrônicos tenham suprimido esta tarefa. Os produtos com baixos estoques são mais difíceis de projetar. normalmente.DEFININDO UMA ESTRATÉGIA PARA CADA PRODUTO E CLIENTE. os produtos classe “A” exigem um alto nível de monitoramento. o gerenciamento reativo de estoques é mais apropriado para produtos de baixos volumes. Para os produtos de consumo regular. produtos de grandes volumes de estoque devem ter controle contínuo. oscilando entre um sistema simples e um sistema de planejamento. Os produtos podem ser agrupados por importância econômica (ABC). importância estratégica. pelos métodos de previsão.sazonal A – normal B C OBJETIVO DE NÍVEL 99% 98% 95% 90% MÉTODO DE PERÍODO DE GERENCIAMENTO PROJEÇÃO AVALIAÇÃO DE ESTOQUES Previsão Permanente Planejado agregada Consumo Permanente Planejado histórico Consumo Semanal Planejado histórico Consumo Quinzenal Ponto ressuprimento histórico MONITORA MENTO Diário Diário Semanal Quinzenal A quarta estratégia diz respeito aos princípios específicos do gerenciamento dos estoques. Engloba produtos de maiores estoques com precisão de consumo relativamente maior. Os produtos sazonais. ela ainda é vital para o controle manual de estoques. por período de controle e avaliação dos estoques.1 . devem sofrer uma previsão desagregada dos volumes totais. Assumindo-se que são possíveis vários períodos de avaliação. onde o risco de vida é alto. enquanto que os produtos das categorias B e C podem ser avaliados a intervalos semanais ou até bimensais. também. pela metodologia do gerenciamento do estoque e pela freqüência de monitoramento. a limitação do tempo de pessoal pode restringir o processo de gerenciamento de estoques a revisões semanais. maior incerteza no consumo. Resumindo. A tabela abaixo auxilia o gestor no agendamento das avaliações de consumo. para assegurar que os ressuprimentos sejam entregues a tempo. Os produtos de baixo volume de estoque podem ser monitorados semanalmente. . Quando os pedidos de compra são emitidos manualmente. O perfil do cliente a ser atendido deve ser. ou seja. A primeira estratégia diz respeito aos objetivos de nível de serviço no processo de gerenciamento de estoque. porque possuem. A última estratégia diz respeito à freqüência de monitoramento de ressuprimento e refere-se aos esforços de controle operacional.ITEM 5. dada a menor quantidade de itens “A”.

O processo de avaliação das drogas somente determina qualidade. 2. Exemplos: manter estoque para 10 dias.A compra restringe-se a um tratamento somente. segurança e eficácia e não o valor terapêutico das drogas. Prazo de pagamento de títulos – 30 dias. A parcela de custos mais significativa na terapia medicamentosa está associada à escolha adequada do medicamento. sem indicação aparente para seu uso. Inúmeros exemplos poderiam ser dados quanto ao sucesso na redução de gastos com medidas simples de controle de prescrição de vários agentes. o fornecimento do fármaco prescrito para o tratamento dos pacientes. Apesar de ser função da farmácia garantir. porém. o que ocorre é que este será mais um produto mal comprado. J. Freqüentemente esses agentes são prescritos inadequadamente. A administração hospitalar por sua vez deve estabelecer claramente os parâmetros de compra. afirma que a aprovação de novos produtos pelas agências reguladoras não é garantia de que sejam superiores ou mesmo equivalentes às drogas já comercializadas.CONTROLE DE CUSTOS DAS TERAPIAS MEDICAMENTOSAS. Hess e colaboradores demonstraram que um plano de controle de uso baseado em critérios técnicos de prescrição e administração reduziu substancialmente os gastos com esses produtos. Estima-se que entre um terço e um quarto de todos os pacientes admitidos em um hospital recebem um agente antimicrobiano. Esta visão pode ser muitas vezes verdadeira. que não será usado em sua totalidade (e nem reembolsado na totalidade) e que permanecerá longo período sem ser usado.Não existe substância similar que possa substituir o fármaco prescrito 3. que supostamente fará o diferencial na qualidade do atendimento ao paciente. David A.A justificativa para compra foi bem analisada e tem fundamento. fora da padronização. por exemplo. As despesas com agentes antimicrobianos. Dentre os últimos fármacos aprovados pelas agências Canadense. Francesa e Americana (FDA). somente um terço oferece algum benefício clínico e talvez menos de 3% apresentam uma vantagem terapêutica maior. como o conhecimento da compatibilidade entre as necessidades de aquisição. 4. de modo geral.1 . são responsáveis por 20% a 40% do orçamento de medicamentos na maioria dos hospitais e representam a maior despesa isolada de todos os grupos de medicamentos. sem levar em consideração os riscos de administração de uma droga endovenosa.ITEM VI: O QUE E COMO COMPRAR? No ambiente hospitalar é comum haver uma pressão sobre a área administrativa para a aquisição de determinado produto novo. Lexchin. . que em sua maioria necessitam de um aporte calórico maior. O processo de compra dos medicamentos exige tanto o conhecimento das características dos fármacos e do nível de qualidade do produto a ser adquirido. podendo até mesmo perder-se por caducidade. o administrador farmacêutico deve evitar a ocorrência de tais acontecimentos. para que o profissional farmacêutico possa determinar o fluxo de aquisição dos medicamentos padronizados. em revisão dos trabalhos sobre novos produtos lançados nos últimos anos. facilmente suprido por adequação do cardápio. ITEM 6. Um bom exemplo é o erro de indicação de albumina humana como um produto que possa melhorar o quadro geral de pacientes. a política de suprimentos e as atividades assistenciais da instituição.A padronização atende a pelo menos 98% dos casos do hospital. analisando se: 1. O controle da terapia medicamentosa é um esforço clínico e administrativo que influencia de maneira decisiva para reduzir os gastos e implementar um efetivo gerenciamento de estoques. a qualquer tempo.

originária das . a compra de materiais e insumos aos menores preços. b) Concorrências constantes: para aquisição de todos os materiais com política de ressuprimento definida. negociando-se a garantia de preços. com as melhores condições para a empresa. face aos volumes de recursos envolvidos. para entregas parceladas. Porém. com a qualidade necessária e a um preço oportuno. se há. Uma boa prática para garantir os estoques é o estabelecimento de contrato com distribuidores primários. ITEM 6.2 . também. usados para fornecimento de medicamentos específicos. empregada para itens de alto custo e grande volume. na instituição. É recomendável monitorar. a) Concorrências inconstantes: são as compras isoladas e que não se repetem. As concorrências repetitivas podem. É oportuno analisar em maior profundidade essa forma. se há determinação de limites de prazo de fornecimento. O adequado processo de aquisição está baseado em uma série de informações que deve tornar possível a resposta a questões importantes. é aconselhável determinar que os preços praticados pelo grupo não podem ser maiores do que os obtidos em outras modalidades de compra. na quantidade certa. No entanto. diminuição do número de ordens de compra. deixando cada vez mais para trás a visão de que era uma atividade burocrática e repetitiva (um centro de despesas e não um centro de lucros). como a implantação de normas para aquisição de produtos exclusivos. se estão estabelecidas as penalidades para as más performances. tem influência nos processos de aquisição. As compras podem ser efetuadas por concorrências repetitivas ou contratos de longo prazo. quando necessário.ITEM 6. com vigência por determinado período de tempo. Compras assume um papel verdadeiramente estratégico nos negócios de hoje. praticadas pela farmácia e aprovadas em documento escriturado pela Comissão de Farmácia e Terapêutica. Os objetivos gerais do setor de compras são a obtenção de um fluxo contínuo de suprimentos a fim de atender aos programas de reposição e a coordenação deste fluxo de modo a aplicar um mínimo de investimento que afete a operacionalidade da empresa. no momento certo. obedecendo a padrões de quantidade e qualidade definidos e a atuação dentro de uma negociação justa e honrada. Na avaliação das aquisições. é necessário considerar os descontos para pronto pagamento. redução dos valores de inventário e custos de recebimento. Este consumo. a normatização de aquisição por licitação ou disputa de preço. comercialização ou uso de uma forma geral. uma política de devoluções para produtos e serviços defeituosos.3 – OS PROCESSOS DE COMPRA: A função compra tem por finalidade suprir as necessidades de material ou serviços. a garantia de preços e o limite de preços para termos do contrato de aquisição. se há pedidos de forma eletrônica. Quando vantajosa. considerando-se fatores como aumento no custo de impostos. verificar se constam nos contratos as condições de pagamento. preservando assim os interesses financeiros da organização. O Contrato de longo prazo é um procedimento adotado para fornecimento de materiais de consumo regular.CONTROLES DE AQUISIÇÃO: Podemos entender como consumo a quantidade de algo que está sendo requerido para a produção. ser classificadas em constantes ou inconstantes. as taxas praticadas por estes distribuidores devem ser iguais ou menores que as praticadas nas compras diretas. uso constante e compras repetitivas. se há pagamento de serviços adicionais e se os contratos são negociados em bases regulares (ex: anualmente). portanto de consumo regular. em determinado período de tempo. ou que pelo menos não permitem o estabelecimento de data e quantidades de suas novas necessidades. a compra por grupos de medicamentos deve ser empregada. por sua vez. seja regular. irregular ou sazonal. por meio de autorização. Esta função tem a incumbência de atender as necessidades utilizando um mínimo de investimento possível.

2 .1. Item 6.3. o exame de cada fase de negociação. Tal redução de preços está intimamente ligada às economias de produção em grande escala. principalmente. pelo longo prazo de vigência que a norteia. permite a revisão e estará sempre disponível junto ao processo de compra para esclarecer qualquer dúvida posterior. Não fosse só esta razão. Para a empresa contratada. além de possibilitar. porém fica evidente que a documentação escrita anexa ao pedido. proporciona uma verificação dupla no sistema de cotações. para encomendas maiores.1. Abaixo destacamos alguns sistemas de compras utilizados: Item 6. além de ajudar nas decisões do comprador. tem a finalidade de encorajar novos competidores.3 . a redução de imobilização em estoques.Sistema de documentação escrita: A presença de muito papel pode parecer desnecessária. Garante ao comprador uma base para argumentação nos aumentos de preços e negociação de distribuição da porcentagem. Item 6. • A data da compra deve ser especificada e honrada pelo comprador. Item 6.1. pelo menos três semanas antes da data prevista. Pode ainda ajudar a competição entre os fornecedores. A pré-seleção dos concorrentes qualificados evita o desperdício de tempo com um grande número de fornecedores.SISTEMAS DE COMPRAS: Um sistema adequado de Compras varia em função da estrutura da empresa e em função de sua política adotada. uma vez que a sua decisão está sujeita a um assessoramento ou supervisão. para a empresa contratante.3. a garantia de venda por um período determinado. mostrando-lhes que suas bases comerciais não são reais e que seus preços estão fora de concorrência. As orientações a seguir devem servir como um guia mínimo para execução de um processo de compra: • As solicitações devem ser emitidas com cópia e enviadas aos fornecedores. simplificação dos procedimentos de compras. protegendo o comprador ao possibilitar a revisão de uma decisão individual.3.3. cotações repetitivas. bem como ao fato de a referida venda representar para o fornecedor uma comodidade em termos de transação comercial.Sistema de compras a três cotações: Estabelecido a partir de um número mínimo de três cotações de preço. redução dos detalhes de vendas.concorrências repetitivas e constantes.1 . Esta prática garante que. deslocamento de vendedores. • A linguagem empregada na descrição dos produtos deve ser clara e deve indicar a pessoa . obtêm-se preços unitários mais baixos. a qual se distingue e se caracteriza pela quantidade de materiais e/ ou itens adquiridos e. como induz a própria modalidade. normalmente. Item 6.3.4 . por sua vez. dos quais boa parte não teria condições para fazer um bom negócio. no ato da segunda assinatura. Isto estabelece uma defesa dos interesses da empresa pela garantia de um melhor julgamento. A utilização desta forma de compra gera. ampliação do poder de negociação e redução de atraso nas entregas.Sistema de duas ou mais aprovações: Quando se estabelece que no mínimo duas pessoas estejam envolvidas em cada decisão de escolha do fornecedor. por um período igual ou superior a 12 meses. poder-se-ia acrescentar mais uma: o sistema de duas aprovações permite que os mesmos estejam envolvidos pelo processamento da compra.Sistema de preço objetivo: O conhecimento prévio do preço justo.1 .1.

Os processos não podem conter cláusulas que favoreçam ou eliminem fornecedores.3. preços.Forma de pagamento e índices de reajuste . O edital de compra serve para mostrar aos participantes os bens. o responsável pela área financeira tem a obrigação de reservar recurso para efetuar a aquisição. este deve conter todos os espaços necessários ao preenchimento das informações requeridas. • O vencedor da cotação deve ser notificado por escrito e os outros participantes informados do preço vencedor. com informações sobre critérios de uso.Informações sobre prazos e condições do processo de licitação . Uma providência útil é a confecção. O julgamento das propostas deve considerar parâmetros como qualidade. os processos de licitação são instrumentos administrativos do serviço público. a partir dos preços praticados nas licitações passadas e comparados aos preços dos bancos de dados publicados. no Serviço de Farmácia.Informações gerais a respeito do processo em questão . Não existe licitação secreta. • As quantidades especificadas no processo de compra devem ser estimadas de acordo com a avaliação dos padrões de consumo. produtos ou serviços que serão adquiridos. assim como as regras para esta aquisição. normas técnicas como ABNT (se houver) e materiais utilizados na confecção. A publicidade das licitações varia conforme o tipo de processo e sua importância. • Se houver fornecimento de formulário para preenchimento.1 – FASES DO PROCESSO DE LICITAÇÃO: A emissão da requisição de compra depende do modelo de gestão de estoques adotado na instituição. prazos de pagamento e entrega. como o Brasíndice ou o Ministério da Saúde.2. propriedades físicas e químicas. Os critérios para qualificação dos fornecedores devem ser especificados no edital e visam o cumprimento do contrato. é recomendável que contenha de forma clara: . embalagens e quantidades desejadas. desde que qualificados e o tratamento dispensado aos participantes deve ser igual.A descrição mais precisa e detalhada possível dos produtos para aquisição. ITEM 6. com certos princípios básicos que devem ser respeitados. Estas regras não podem ser alteradas durante o processo de licitação. rendimento do produto. como a garantia de acesso às informações para todos os interessados. Estimativa de custos Para agilizar o processo de definição do tipo de licitação é recomendável que a farmácia pesquise previamente informações em bancos de preços oficiais. dentro de padrões de racionalidade. .2 – LICITAÇÕES: Para atender aos objetivos de compra ou contratação de serviços. • As especificações devem ser completas em relação a produtos. ITEM 6.responsável pelo esclarecimento de dúvidas ou problemas. de um banco de dados de preços. se de seu interesse. A partir do momento em que o processo de compra é remetido para o setor que detém a competência para aprovação da despesa. desde que cumpram as formalidades exigidas por lei.Critérios para participação dos fornecedores . podendo ser apenas uma publicação interna ou divulgação na mídia.3.Descrição de condições especiais para recebimento dos produtos . Editais de licitação Como o edital é a peça fundamental em um processo de compra.

através de atestado fornecido por outras empresas. assim como as ofertas de preço até 10% superior são selecionadas para os lances verbais. Esta modalidade possui as fases de qualificação e de classificação de fornecedores. Pode ser utilizado para qualquer valor estimado.3 . as empresas participantes devem apresentar documentos que forneçam provas de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. Fornecedores Segundo a legislação. Nesta fase a comissão de licitação pode solicitar um parecer técnico do profissional. Carta convite – utilizada para valores menores. com autorização para entrega do material ou prestação do serviço. Todos os participantes da licitação devem ser notificados da existência do mesmo. para exame da documentação da melhor proposta. Tomada de preços – nesta modalidade só podem participar fornecedores previamente cadastrados. . Neste processo também podem ser abertas as propostas de preço antes da classificação dos fornecedores. de acordo com os prazos legais e feita por funcionários designados para esta finalidade (Comissão de Licitação). As TP’s devem ser noticiadas na imprensa de forma resumida. para auxiliar no julgamento das propostas.Critérios utilizados no julgamento . Pregão – os editais são publicados pela Internet. no DOU e nos jornais de grande circulação. A abertura das propostas só pode ser marcada após quinze dias da publicação do edital.MODALIDADES DE LICITAÇÃO: A modalidade de licitação escolhida depende dos valores envolvidos no processo. A publicação do edital deve ser feita em jornais de grande circulação e no DOU. definidos pela legislação. pelo menos trinta dias antes da data para abertura das propostas. A de menor preço. onde se verifica o cumprimento da apresentação da documentação solicitada no edital.3. sendo que este cadastramento pode ser feito até três dias antes da data marcada para a licitação. As propostas devem ser entregues à comissão de licitação. os dispositivos legais podem exigir do fornecedor a demonstração de sua idoneidade financeira ou de desempenho no fornecimento dos produtos. ITEM 6. no prazo máximo de cinco dias após o ato que o motivou. Na segunda fase do processo são abertos os envelopes de proposta de preços para cada item da compra. A terceira fase é a adjudicação do processo. com referência do local de retirada do edital completo. deixando a fase de habilitação para depois da classificação e do julgamento das propostas. Recursos O recurso só pode ser apresentado para a presidência da comissão de licitação. Dependendo dos valores do contrato.Normas internas da instituição Recebimento de propostas A abertura das propostas de venda é marcada com antecedência. A primeira fase do processo pode ser a habilitação de fornecedores. A abertura dos envelopes pode ser feita a partir da apresentação mínima de três propostas. Este expediente mais ágil permite a contratação de fornecedores cadastrados ou não. O setor administrativo deve receber o processo devidamente homologado. onde o julgamento é tornado público e formalizado. em prazos de cinco dias para recebimento das propostas.. Somente então serão emitidas as notas de empenho. para confecção e assinatura do contrato. O vencedor do pregão é aquele que apresentou o menor preço e foi posteriormente habilitado. É o atestado de Capacitação Técnica. Concorrência – para contratos de maior valor. Homologação A homologação só pode ser feita depois de findo o prazo para apresentação dos recursos.

Um ponto simples. quando exclusivos. 4) O fornecedor deve permitir visitas (no horário de expediente) do farmacêutico. . 2) Descrição dos procedimentos de teste dos materiais e produtos finais e qualquer outra informação indicativa da qualidade do produto final. Quando uma indústria farmacêutica solicita registro de funcionamento junto ao Ministério da Saúde. termos do contrato de venda e qualidade dos serviços prestados. em casos de calamidade. entre centenas de fabricantes e fornecedores de medicamentos. testes de esterilidade. guerra. verificando-se a capacidade técnica para o fornecimento. que pode comprometer a qualidade do produto farmacêutico e consequentemente a qualidade final do serviço de saúde prestado é a escolha do fornecedor adequado. de acordo com as especificações e exigências estabelecidas.OBRIGAÇÕES BÁSICAS DO FORNECEDOR: Ao ser solicitado pelo farmacêutico. além de proporcionar informações relativas às condições determinadas no item “o que comprar”. se a mesma está habilitada para produção ou para reenvase ou rotulagem somente e se há restrições para importação. ITEM 7. porque na escolha deste produto está implicada a garantia da eficiência da droga prescrita para uma determinada patologia. o farmacêutico deve considerar preço. indica a qualidade que se pode esperar dos produtos. se desejado. esse registro é fornecido de acordo com as condições de produção e os equipamentos existentes. biodisponibilidade e bioequivalência. Na habilitação de funcionamento estão especificadas as linhas de produtos que determinada empresa pode fabricar. investigando-se as condições de produção. para recebimento do Certificado de Boas Práticas de Produção. para inspecionar procedimentos de fabricação e controle.1 – RECOMENDAÇÕES PARA SELEÇÃO DE FORNECEDORES FARMACÊUTICOS Os Farmacêuticos são responsáveis pela seleção. porém de relevante importância na cadeia de suprimento. 3) Não deve haver relatos de recolhimento do produto a ser adquirido. valores dentro dos limites legais. especial atenção à qualidade dos medicamentos e à reputação do fabricante.1 . Torna-se necessária então.Dispensa – é uma solicitação feita ao ordenador da despesa. ITEM VII: DE QUEM COMPRAR? A escolha de fornecedores determina a amplitude da concorrência para aquisição. Deve ser dispensada. principalmente em relação a produtos farmacêuticos. porque nem sempre a escolha de produtos mais baratos será aquela que representa maior economia para o paciente e maiores lucros para a organização ITEM 7. por deficiência dos procedimentos de controle de qualidade. que pode determinar o sucesso ou o fracasso da terapia. o fornecedor deve informar: 1) Dados de controle analítico.1. Estas empresas são inspecionadas anualmente pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Selecionar produtos e fornecedores não é tarefa muito simples. Ao realizar a seleção de vendedores. ausência de interessados após duas tentativas ou aquisição de produtos. daqueles que irão permitir o cumprimento de uma obrigação importante: garantir que os pacientes recebam suprimentos da melhor qualidade aos melhores custos. específico para aquela linha de produção As empresas autorizadas a importar produtos para reembalagem devem apresentar Certificado de Boas Práticas de Produção para as linhas específicas do fabricante (no exterior) e para a linha de produção nacional. também. uma avaliação prévia para qualificação dos fornecedores.

MARKETING E POLÍTICA DE VENDAS O fornecedor não deve.NORMAS DE FORNECIMENTO: Sempre que possível. O fornecedor não deve oferecer equipamentos.1. 6) A rotulagem deve conter todos os elementos discriminados e exigidos na legislação em vigor. Estas avaliações podem ser armazenadas no cadastro do fornecedor. Se durante a vida do contrato houver redução de preços. o fornecimento de um produto deve ocorrer a partir de um único lote. valores ou propaganda à organização ou à sua equipe. mencionar o nome do farmacêutico ou de sua organização em qualquer atividade relacionada a propaganda e materiais promocionais. de um ano a partir da data da fabricação. assim como os materiais educacionais importantes para orientação aos pacientes ou da equipe em relação ao uso correto do produto. para estabelecimento de uma pontuação. 8) As informações terapêuticas bio-farmacêuticas e toxicológicas devem estar disponíveis à solicitação do farmacêutico. a fim de capacitar avaliação farmacêutica do produto físico. O fornecedor deve garantir que os produtos estejam livres de defeitos e imperfeições responsabilizando-se pela indenização de quaisquer danos. 9) É recomendável que o fornecedor envie provas de eficácia.3 . Devem poder ser comercializados em embalagens individualizadas ou unitárias. se solicitado. 10) Deve poder disponibilizar a qualquer momento. Ao participar de um contrato para suprimento de um produto. Deve honrar as decisões tomadas pela organização da farmácia e a Comissão de Farmácia e Terapêutica e seu representante deve estar ciente das regulamentações governamentais e institucionais. sendo que as informações toxicológicas devem estar disponíveis ininterruptamente. Todos os itens fora de estoque devem ser notificados e o adiantamento de qualquer item. deve ser claramente indicado. causadas pela imperfeição do produto. de modo a permitir a exclusão de determinado .2 . incluindo aparência e ausência de deterioração física ou imperfeições. embalagem e rotulagem. se houver. decorrentes de reações adversas. O fornecedor deve embarcar todos os produtos imediatamente. quantidade razoável de seus produtos. 7) As datas de validade devem estar claramente indicadas na embalagem. ITEM 7.1. Se o fornecedor for incapaz de cumprir tal cláusula. de segurança e de superioridade de seus produtos. concorrência. conforme determinações legais. O contrato deve ser respeitado por ambas as partes. Os descontos devem ser em valores ou créditos e não em propaganda. a não ser por consentimento escrito. salvo para os fármacos de ação comprovadamente curta.4 – AVALIAÇÃO DA PERFORMANCE DE FORNECEDORES: Os farmacêuticos devem adquirir produtos somente dos fornecedores que cumpram requisitos importantes para a instituição. de modo a evitar o desabastecimento. o fornecedor deve garantir o suprimento de quantidade do produto. administração e revisão de documentos. como qualidade. claramente indicados nas faturas e contas. ITEM 7.5) Todos os produtos devem estar de acordo com compêndios oficiais. ITEM 7.1. deve reembolsar a organização por qualquer custo adicional ocorrido na obtenção do mesmo produto em outras fontes. como indução de compra de seus produtos. A validade dos produtos adquiridos deve ser no mínimo. pontualidade. deve prevalecer o preço mais baixo.

Também deve ser considerado na avaliação o aumento de consumo de certos produtos devido à falta de outros. As estimativas futuras são feitas a partir das informações de entradas e saídas dos meses anteriores. se não ocorreu problema de abastecimento do produto no período tomado como referência e se não ocorreram alterações de consumo por sazonalidades. Devemos considerar.avaliação de concorrência: Os requisitos de concorrência são verificados na posição de um fornecedor em relação aos concorrentes . 2) O método que utiliza o levantamento da média histórica de consumo é mais simples de ser posto em prática pela farmácia. . impostos e fornecimento. porque é uma referência fácil de se obter. . no entanto.fornecedor que não cumpra os critérios de qualificação determinados. como normas de créditos.avaliação da qualidade do fornecedor: Os requisitos de qualidade são verificados no atendimento total ou parcial dos itens solicitados.avaliação administrativa/operacional: Os requisitos administrativos e operacionais são verificados em relação à postura do fornecedor quanto à ausência de erros na documentação. Somente com um profundo conhecimento da estrutura e da dinâmica interna e externa da cadeia de suprimento pode-se conseguir redução dos níveis de estoque. datas. Outros fatores. descrição de produtos. na preocupação gerencial na redução das incertezas e na diminuição do tempo de processamento de pedidos. Os períodos de estoque zerado de um produto não podem ser incluídos no cálculo da média de consumo e devem ser substituídos. ITEM VIII: QUANTO COMPRAR? Para determinar as quantidades de produtos a adquirir. investindo na agilidade de troca de informações administrativas e contábeis.avaliação de pontualidade: Os requisitos de pontualidade são verificados no cumprimento dos prazos de entrega dos produtos . como por exemplo o aumento do consumo de seringas de 20 ml por falta de seringas de 10 ml. prazo de fornecimento ou agilidade no atendimento também devem ser considerados. é necessário ter uma visão integrada da cadeia de suprimento e fornecimento. porém. preço. é necessário estabelecer o método de avaliação de consumo e suas previsões. . para não afetar o cálculo do resultado final. Existem muitas maneiras de se aumentar o giro dos estoques. Esse processo. quando se seleciona um fornecedor. Porém é necessário dispor de registros confiáveis. ou mesmo nos itens com notificações de reclamação. que a média só é válida se o padrão de consumo do produto avaliado manteve-se aproximadamente constante. no entanto. é difícil de ser posto em prática. 1) Um método que considere as necessidades de atendimento da população depende de avaliação epidemiológica e conhecimento dos protocolos de tratamento. quantidade.

onde existem incertezas de consumo e tempo. todos os cálculos consideraram constante o tempo de duração do ciclo de atividades e do consumo. a situação mais comum com a qual se defronta o administrador de estoque é ilustrada no gráfico. como também eventuais prejuízos aos tratamentos. como também eventuais perdas por caducidade ou perecibilidade. O custo do excesso envolve não apenas o custo de manter estoques de segurança. serão tratados os aspectos relacionados aos ciclos de atividades em condições de incerteza e são mencionados métodos para cálculo da combinação de probabilidades dos dois tipos de incertezas.2 – PLANEJAMENTO DE ESTOQUES: Para entender o ciclo de atividades de estoque é necessário conhecer o intervalo de tempo despendido desde a montagem do processo de compra até o recebimento dos produtos e o cadastramento dos mesmos no sistema.CUSTO DO EXCESSO E DA FALTA DE ESTOQUES: O custo da falta engloba não apenas a margem de contribuição (preço de venda . IMAGEM NEGATIVA CUSTO ELEVADO STRESS OBSOLETISMO CADUCIDADE EXCESSO FALTA COMPRAS MAL EXECUTADAS RISCOS DE VIDA ITEM 8. INFLUÊNCIA DA VARIAÇÃO DE CONSUMO E CICLO DE ATIVIDADES COLOCAÇÃO DO PEDIDO COLOCAÇÃO DO PEDIDO DATA PROMETIDA DA ENTREGA CHEGADA DO PEDIDO PREVISÃO REAL CHEGADA DO PEDIDO 50 ESTOQUE 0 10 FALTA DE ESTOQUE PELA VARIAÇÃO DE CONSUMO 20 24 30 FALTA DE ESTOQUE PELA VARIAÇÃO DE TEMPO TEMPO Na seção seguinte. . Até este ponto.ITEM 8. No entanto.1 . Este ciclo integrado de atividades é a base para o bom planejamento da política de estoques.custo de aquisição) perdida quando não há disponibilidade do produto em estoque.

O mecanismo que assegura que não haja ruptura no fornecimento é a criação do estoque de segurança. levando ao esgotamento do estoque antes do tempo estimado pelo processo de aquisição para a reposição do produto. então.2. os padrões são de difícil estimativa e alguns estão fora do controle da administração.No primeiro gráfico. ESTOQUE CONSUMO PREVISTO MOMENTO RESSUPRIMENTO CONSUMO REAL CICLO DE ATIVIDADES TEMPO Para as situações apresentadas. ESTOQUE CONSUMO REAL MOMENTO RESSUPRIMENTO TEMPO CICLO DE ATIVIDADES CONSUMO PREVISTO No segundo gráfico. implantar mecanismos que provoquem mudança nos parâmetros apresentados. o consumo real do fármaco estudado é maior do que a quantidade adquirida. Para evitar solução de continuidade no fornecimento dos medicamentos deve-se. já que os mesmos influenciam diretamente no consumo ou no tempo do ciclo de atividades.1 – ESTOQUES DE SEGURANÇA NA VARIAÇÃO DE CONSUMO: Consumo diário Falta de estoque Zero Uma unidade Duas unidades Três unidades Quatro unidades Freqüência (dias) 2 1 2 2 3 4 Consumo diário Cinco unidades Seis unidades Sete unidades Oito unidades Nove unidades Dez unidades Freqüência (dias) 5 3 3 2 2 1 . Item 8. o consumo real do fármaco estudado é inferior à quantidade de estoque adquirida impondo uma manutenção de nível de estoque indesejável até a próxima reposição. baseado no conhecimento das variáveis que interferem na dinâmica do estoque.

caracterizada por uma curva simétrica em forma de sino (ver adiante). são apresentadas a seguir técnicas estatísticas aplicadas a problemas de incerteza de consumo. A característica essencial desta distribuição é o fato de que o valor médio. Embora na prática esta amostra seja pequena. Considerando a média de saídas de cinco unidades.45 99. No exemplo.27 Distribuição 95. O quadro acima apresenta um exemplo de distribuição das freqüências das solicitações. ilustra a teoria da probabilidade aplicada na determinação de estoque de segurança.73 . mas não deixa claro o tipo de decisão a ser tomada. ou quase as mesmas. a mediana e a moda são quase o mesmo número. A fim de proporcionar uma base de entendimento para este tipo de análise. A probabilidade de ocorrências ganha um perfil em torno de uma tendência central. enquanto foi menor em doze dias. o consumo excedeu a média em onze dias. a freqüência de ocorrências é de 28 dias.A análise apresentada no quadro acima ajuda a entender o problema. a distribuição de freqüência é considerada normal. Uma forma alternativa de mostrar a distribuição de freqüência é através do gráfico de barras adiante: DETERMINAÇÃO DA FREQUÊNCIA HISTÓRICA DO CONSUMO DIAS 6 5 4 3 2 1 0 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 DISPENSAÇÃO Determinada a frequência histórica de consumo é possível calcular com exatidão o estoque de segurança necessário para a proteção contra faltas. no período de trinta dias. Na medida em que as três dimensões são as mesmas. que é o valor médio de todas as ocorrências. CARACTERÍSTICAS DA DISTRIBUIÇÃO NORMAL 6 5 4 3 2 1 0 MÉDIA MEDIANA MODA 68. para permitir a observação das variações em relação ao consumo médio diário.

ficam incluídos 99. pela avaliação da distribuição normal. .72% dos eventos de fornecimento. protege estatisticamente em 97. dariam cobertura a 95. poderiam ser utilizados 3 desvios (ou 9 unidades).A técnica de previsão de estoque. pois como a média de consumo é 5.27% dos eventos. Como já visto. baseia-se no desvio padrão das observações em torno das medidas de maior ocorrência de consumo. No caso da gestão de estoques. temos: σ= 181 28 = 6. Para uma proteção mais conservadora.73% de todos os eventos. na realidade. O Estoque de segurança para proteção de 95%.45% de todos os eventos. os eventos são as quantidades dispensadas diárias e a dispersão é a variação dos níveis diários de distribuição. O único motivo de preocupação é a probabilidade da ocorrência de eventos que excedem o valor médio. que garantem 99.46 = 2. Considerando que mais ou menos um desvio padrão ao redor da média ocorre em 68. sob a curva normal. o desvio padrão no quadro acima foi arredondado para 3 unidades. acima do consumo médio. significa que em 68.54 Na impossibilidade de fazer adições ao estoque que não sejam em unidades inteiras. no entanto. O desvio padrão é uma medida de afastamento do consumo. o desvio padrão é um meio de calcular o estoque de segurança necessário para obter um nível desejado de proteção. Em termos de política de estoques. o estoque de segurança (6 unidades) seria necessário em apenas 50% dos dias e não existe problema de cobertura de estoque para os casos de consumo igual ou inferior à média.27% dos dias as distribuições diárias se enquadram dentro do intervalo de mais ou menos um desvio padrão da média das distribuições e se avaliarmos o desvio padrão de mais ou menos dois. dentro de áreas específicas. A fórmula do desvio padrão é: σ= ∑ FiDi2 n Onde: σ = desvio padrão Fi = frequência do evento Di = desvio da média para o evento i n = Total de eventos observados. verificamos sua ocorrência em 95. Já no desvio padrão de mais ou menos três. Unidades 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 N = 28 Freqüência (Fi) 1 2 2 3 4 5 3 3 2 2 1 S=5 Desvio da média (Di) -5 -4 -3 -2 -1 0 +1 +2 +3 +4 +5 Quadrado do desvio 5 16 9 4 1 0 1 4 9 16 25 Fi * Di2 25 32 18 12 4 0 3 12 18 32 25 Σ = 181 Aplicando os dados relacionados na tabela na fórmula do desvio padrão.45% dos casos da distribuição de freqüência. os estoques de segurança considerados no cálculo de 2 desvios como proteção (ou 6 unidades).73% de cobertura de estoque.

durante o ciclo de atividades de estoque. não houve possibilidade de ocorrerem faltas de estoque nos primeiros cinco dias do ciclo. sendo que a falta representa um pequeno percentual em relação ao consumo. o consumo total foi de cento e trinta e nove unidades. o estoque médio projetado de 25 unidades e o consumo estimado de 50 unidades. com base em uma média diária de 4 a 5 unidades.O planejamento do estoque de segurança tem três estágios. Com base nos dados mostrados no quadro acima.6 unidades. foi mantida a média diária de cinco unidades. No segundo ciclo. o ponto de ressuprimento de 50 unidades. seria remotamente possível que. ser. devem ser tomadas precauções para que não haja desabastecimento. Neste caso. Poderiam ocorrer faltas nos dias 6 a 10. com uma média diária de 4. que o ciclo de atividades de estoque seja de dez dias para a cefalotina e que a experiência indique que o consumo diário se situe entre zero e 10 unidades. Neste sentido. . O terceiro ciclo de atividades de estoque terminou com um saldo de estoque de 11 unidades. mesmo que o consumo tenha variado. durante os primeiros cinco dias do ciclo. em média. se existisse estoque nos dias 19 e 20 do ciclo 2. Durante o primeiro ciclo. a demanda totalizou 50 unidades nos primeiros oito dias. com média diária de 5 unidades. Supondo-se. Deve ser salientado que o risco de falta de estoque motivado por variações de consumo é limitado a curtos períodos de tempo. pode-se notar que as faltas de estoque ocorreram em dois dos trinta dias. PROJEÇÃO CICLO I DIA 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 FALTA DE ESTOQUE SOBRA DE ESTOQUE CICLO II CICLO III CONSU ACUMU DIA CONSU ACUMU DIA CONSU ACUMU MO LADO MO LADO MO LADO 9 9 11 ZERO ZERO 21 5 5 2 11 12 6 6 22 5 10 1 12 13 5 11 23 4 14 3 15 14 7 18 24 3 17 7 22 15 10 28 25 4 21 5 27 16 7 35 26 1 22 4 31 17 6 41 27 2 24 8 39 18 9 50 28 8 32 6 45 19 FALTA 50 29 3 35 5 50 20 FALTA 50 30 4 39 CONSUMOS DURANTE TRÊS CICLOS DE REPOSIÇÃO DE ESTOQUES A tabela anterior mostra o histórico do consumo real considerando três ciclos de atividades de estoque consecutivos. mesmo com disponibilidade de estoque. como esperado. que a quantidade econômica de compras seja de 50 unidades. a demanda atingiu 39 unidades. em virtude da remota possibilidade da demanda. Uma estimativa razoável de consumo não atendido seria de 8 a 10 unidades. fica claro que o risco real de faltas de estoque só se manifestou nos últimos dias do ciclo e somente quando o consumo excedeu substancialmente a média. A demanda total no primeiro ciclo foi de 50 unidades. No período de trinta dias. Como apenas em uma ocasião durante os três ciclos foram consumidas 10 unidades. se houvesse disponibilidade de estoque. no máximo 50 unidades seriam consumidas. Como o consumo nunca excede 10 unidades diárias. não foi possível atender a solicitação nos dias nove e dez. evitando o risco de interrupção de tratamento de pacientes. Neste período. provocando falta de estoque. por exemplo. Por outro lado. Durante o terceiro ciclo. não houvesse demanda nos dias 9 e 10. 10 unidades diárias e nenhum estoque ter sobrado do ciclo anterior. Também é possível considerar que poderia ter ocorrido consumo.

. na determinação do estoque de segurança (ES) é necessário conhecer a variação de consumo. Estes parâmetros devem ser considerados na avaliação dos estoques de segurança. A importância dos estoques de segurança baseia-se na flutuação dos parâmetros de consumo e dos ciclos de atividades. Item 8. considerar 2 semanas de consumo Para 2 meses – 4 semanas Para 5 meses – 8 semanas Para 3 meses – 5 semanas Para 6 meses – 9 semanas Para 4 meses – 6 semanas Para 12 meses – 12 semanas Em qualquer situação.Da mesma forma que existem variações de consumo. O gráfico abaixo mostra-nos as variações desses dois parâmetros. temos que considerar as variações do ciclo de atividades. que variam conforme a modalidade de compra e com o tempo gasto nos trâmites internos. existe um método empírico para cálculo do ES.3 – ESTOQUES DE SEGURANÇA NA VARIAÇÃO DE CONSUMO E TEMPO: CÁLCULO DO ESTOQUE DE SEGURANÇA NA VARIAÇÃO DE CONSUMO E TEMPO ESTOQUE TEMPO TEMPO MÉDIO TEMPO MÁXIMO Para dimensionar adequadamente os prazos decorridos entre a emissão dos pedidos de compra até a entrega dos produtos. o sistema de controle de estoques deve poder emitir relatórios para suprir necessidades emergenciais de reposição. a saber. o consumo médio de cada item e considerar possíveis atrasos no abastecimento. Por isso. Para um mês de ES. os serviços de farmácia devem considerar os procedimentos operacionais e prazos implantados. os prazos de abastecimento. ES = (variação consumo x prazo abastecimento) + (consumo médio x atraso abastecimento) Segundo Vecina & Reinhardt (7).

28 1. torna-se necessária uma análise estatística formal.10 3.88 2.53 0. no que diz respeito à administração de custos associados ao excesso de estoques de segurança. Segundo esse gráfico.9% 99.25 0. uma política formulada em torno de um valor máximo resulta. os estoques de segurança são determinados supondo-se que a variação de consumo segue a distribuição normal de probabilidade. Do ponto de vista do planejamento. pouco menos de 99. Os estoques de segurança nunca garantirão 100% de chance de não haver falta de produto.06 2.Probabilidade de não haver ruptura de estoque X Número de desvios padrão NÚMERO DE DESVIOS PADRÃO 0. Para produtos críticos é necessário empregar estoques mais conservadores.75 1. Considerar esta premissa implica em retorno decrescente dos estoques de segurança. o uso de forma decrescente dos números de desvio padrão para o cálculo desses estoques pode implicar numa eventual falta de produtos. o estoque de segurança é substancialmente diferente para os limites máximo e mínimo. empregando-se os métodos de controle de estoque (discutidos no item 5). na disponibilidade de produto.9%. conforme ilustra o gráfico acima. A quantidade de estoques de segurança deve. No entanto. um estoque de segurança igual a um desvio padrão de consumo garante pouco menos de 85% de chance de não haver falta de produto. ao contrário.99% Geralmente. h v r ru tu a d e t q e ae p r e so u P b b a ed n o ro a ilid d e ã . então. Por outro lado. Dois desvios garantem pouco menos de 98% de chance e três desvios. As incertezas relacionadas aos ciclos de atividades mostram que as políticas de gestão de estoque não podem pressupor a uniformidade de entregas.33 3.62 Número de desvios padrão PROBABILIDADE DE NÃO FALTAR ESTOQUE 50% 60% 70% 80% 85% 90% 95% 96% 97% 98% 99% 99. em estoque de segurança excessivo. a prática mais comum é que a política de estoque de segurança seja baseada a partir da média de dias de ressuprimento. Uma política centrada em torno do valor mínimo do ciclo de atividades fornece uma proteção inadequada.65 1.04 1. quando os ciclos de atividades apresentam variações substanciais. ser calculada estudando-se o nível de atendimento desejado para cada produto. é possível adotar uma política para cálculo do estoque de segurança considerando-se a média de dias do ciclo de atividades ou pelo prazo máximo de dias de entrega.84 1. Dependendo do planejamento adotado. As implicações práticas da aplicação dos cálculos acima podem representar alguns riscos indesejáveis para o administrador. Quando o impacto das incertezas sobre o ciclo de atividades não é estatisticamente avaliado.

a situação mais preocupante ocorre quando a duração do ciclo de atividades excede o valor esperado de 10 dias. A duração do ciclo é. pelo menos a curto prazo. por um período prolongado. Distribuição do consumo Solicitações diárias Frequência 0 1 1 2 2 2 3 3 4 4 5 5 6 3 7 3 8 2 9 2 10 1 N = 28 T=5 Ss = 2. independente do consumo diário. deve-se calcular o impacto conjunto das variações do consumo e do ciclo de atividades. mas o prazo de ressuprimento situa-se na faixa de 6 a 14 dias. Do ponto de vista prático. Se o ciclo real de atividades de estoque permanece constante.54 Distribuição do ciclo de ressuprimento Solicitações diárias Frequência 6 2 7 4 8 6 9 8 10 10 11 8 12 6 13 4 14 2 N = 50 T = 10 St = 2 . A ocorrência mais frequente é de 10 dias.Ciclo de atividades (dias) 6 7 8 9 10 11 12 13 14 σ = √ ∑ FiDi2 N Frequência Fi 2 4 6 8 10 8 6 4 2 Desvio da média Di -4 -3 -2 -1 0 -1 -2 -3 -4 N = 50 Quadrado dos desvios 16 9 4 1 0 1 4 9 16 T = 10 FiDi2 32 36 24 8 0 8 24 36 32 ∑ = 200 = √ 200 / 50 = √4 = 2 dias O quadro acima mostra uma distribuição de frequência e ciclos de atividades. Tratar incertezas de consumo e incertezas de ciclos de atividades consiste na combinação de duas variáveis independentes. abaixo do tempo do ciclo esperado.27% das vezes. No entanto. No exemplo acima. não existe problema imediato de estoque de segurança. em 68. quando o ciclo cai abaixo de 10 dias. pode-se esperar que os ciclos de atividades fiquem entre 8 e 12 dias. ao definir estoque de segurança. No caso de uma distribuição normal. é necessário ajustar novamente a duração do ciclo.

Ao formular a política de estoque que será adotada.73% dos ciclos (100 . O LEC considera que o tamanho ótimo dos lotes é aquele que melhor dilui o custo de manutenção de estoque e do processamento do pedido. para proteção de 68.73% não são níveis de disponibilidade de estoque.27% e 97. torna-se vantajosa a aquisição através do lote econômico de compras. é proporcionado pela fórmula: σ c = √ TSs 2 + C 2St 2 onde: σ c = desvio padrão da combinação de probabilidades T = prazo médio do ciclo de atividades St = desvio padrão do ciclo de atividades C = Média diária de consumo Ss = desvio padrão do consumo diário Aplicando os dados à fórmula: σc = √10 (2. a cada 100 pedidos de ressuprimento acrescidos de treze unidades de estoque de segurança.68. pelas considerações a seguir: • Produtos de grande volume e peso .PREVENDO A QUANTIDADE DE COMPRA.se houver espaço físico suficiente e adequado. o consumo total durante o prazo de ressuprimento pode variar de 0 a 140 unidades. Isto significa que. Utilizando-se o estoque de segurança de 13 unidades.83 (13) Desta forma. Estes percentuais refletem a probabilidade de uma falta de estoque durante o ciclo de ressuprimento.52 = 12. são níveis de proteção. o estoque pode acabar. Os níveis de 68. A prática JIT faz o caminho inverso. por exemplo.52 + 100 = √164.. durante todos os 10 dias. podem ser esperadas faltas de estoque durante 31. No caso da farmácia hospitalar as duas modalidades de ressuprimento não devem ser totalmente aplicadas. ITEM 8.4 . O LEC tende a perceber o problema de forma menos dinâmica que o método JIT. de modo aproximado.54)2 + (5)2 * (2)2 = √ 64. Um método direto para combinar o desvio padrão entre as distribuições de freqüência de consumo e os ciclos de atividades. enquanto se aguarda a chegada de pedidos de ressuprimento. são necessárias 13 unidades (desvio padrão 1 * 13 unidades) de estoque de segurança. Para proteção de 97. A chave para entender as relações potenciais dos dados do quadro é o ciclo de atividades de 10 dias. o administrador farmacêutico deve determinar as quantidades a pedir (quanto) e os pontos de ressuprimento (quando). de modo geral. com uma distribuição de freqüência de dispensações diárias entre 0 e 10 unidades e a duração do ciclo de ressuprimento entre 6 e 14 dias. a probabilidade de consumo é independente do registrado no dia anterior. Existe hoje tendência moderna para traçar ou uma política de ressuprimento de forma enxuta (Just In Time ou JIT) ou a aplicação do lote econômico de compras (LEC). O consumo total durante 10 dias pode variar de 0 a 100 unidades. É importante salientar que a falta de estoque durante o ciclo de ressuprimento está sendo protegida pelo estoque de segurança. pois assume que os custos de processamento de pedidos são dados do sistema e calcula o lote que vai diluir este custo sem incorrer em custos excessivos de manutenção de estoques. já os seguidores do ressuprimento enxuto dizem que o lote a ser perseguido é somente a quantidade necessária para uso sem geração de estoques. pela redução significativa de . em 32% dos casos.27).27%. Considerando toda a faixa de situações potenciais mostrada.O exemplo do quadro anterior apresenta um resumo do desempenho do consumo e do ciclo de ressuprimento.73 % é necessário um estoque de segurança de 26 unidades (2 desvios padrão). pois o tamanho de lote é o consumo do período determinado e a empresa deve se esforçar para reduzir os custos do processamento do pedido. Em cada dia do ciclo.

• Produtos de consumo razoável (consumo médio diário estabelecido) . • Medicamento de menor consumo. que a prescrição somente será efetivada no momento da administração ou chegada do medicamento ao posto de enfermagem e que a quantidade média do pedido de ressuprimento é de 200 unidades. O estoque médio é de 100 unidades. níveis baixos de estoque sem análise eficaz da logística (disponibilidade. perseguindo-se sempre a compra direta no fabricante. uma política adequada seria emitir pedidos de ressuprimento de 200 unidades. que não está sendo considerado estoque em trânsito. podem utilizar o JIT. o gatilho é disparado sempre que o nível de estoque chega ao ponto de ressuprimento. que a média diária de consumo durante este período. No trato com medicamentos. por restrições de uso ou estoque mínimo. Por isso. Como o ponto de ressuprimento gera sempre a mesma quantidade pedida.4. além de outros fatores. sempre que a quantidade disponível. ITEM 8. o momento em que é emitido um novo pedido ao fornecedor.1 – LOTE ECONÔMICO DE COMPRAS: Nos modelos de lote econômico. aumentando substancialmente os custos e a insatisfação dos clientes diretos e indiretos. seja de 10 unidades. ilustra o exemplo acima. cai abaixo de 200 unidades. onde existe total certeza do ressuprimento e os produtos solicitados são programados para entrega no momento da dispensação da última unidade. no entanto.deve-se aplicar o JIT. se possui similares e se pode ser substituído por outro medicamento. O gráfico abaixo. para determinado produto. pois o estoque disponível excede 100 unidades durante metade do período (10 dias) e é de menos de 100 unidades durante outra metade. calculando-se apenas um tratamento. Por isso. é necessário observar. fornecedores e tempo de entrega) poderão acarretar o agravamento do estado do paciente. dependendo do tempo de ressuprimento. é indicado para aquisição dos itens mais caros ou com maior custo de falta. durante o ciclo de atividades. Este modelo de gestão exige mais recursos e esforço para sua gestão. Como o consumo diário é de 10 unidades e o ressuprimento demora 20 dias. Este ponto é. Na realidade. mais a quantidade do pedido de ressuprimento. a cada 20 dias. no momento da avaliação de cada produto é necessário. é emitido outro pedido de ressuprimento de 200 unidades. Para cada item em estoque deverá ser analisada qual a melhor política a ser empregada no abastecimento e qual o melhor lote econômico. também chamado de diagrama de dente de serra. O momento do ressuprimento é o momento em que o estoque atinge 200 unidades. Supondo-se que as condições de ressuprimento sejam constantes e realizadas a cada 20 dias. .custos. portanto. considerar o impacto de sua falta. o nível diário de estoque oscila entre uma quantidade máxima de 200 unidades e zero. Nesse exemplo. o estoque médio é igual à metade da quantidade do pedido de ressuprimento. pois o fornecedor pode se valer da necessidade de movimentação de maiores quantidades para otimizar o transporte e diminuir preço. se o mesmo é indispensável. otimização logística de transporte e utilização direta da embalagem primária.

iguala 2. Com o tempo. no estoque básico médio e no giro dos estoques? A política de pedir uma quantidade menor. o giro do estoque é de 24 vezes (consumo total de 2400/estoque médio de 100). para atender ao consumo médio diário de 10 unidades durante o ciclo de estoque de 20 dias. a rotina das operações pode levar a administração a formular algumas questões. de 100 unidades a cada 10 dias significa que haverá sempre dois pedidos a receber. o estoque médio disponível cai para 50 unidades e o giro de estoque aumenta para 48 vezes por ano.400 unidades. totalizando 2. No entanto. O que aconteceria se os pedidos fossem colocados com mais freqüência do que de 20 em 20 dias? Por que não pedir 100 unidades de 10 em 10 dias? Por que pedir de 20 em 20 dias? Por que não pedir 600 unidades de 60 em 60 dias? Considerando que o ciclo de atividades relacionado ao estoque continue constante.400 unidades anuais. Como o estoque médio é de 100 unidades. em mãos ou já pedidas. O consumo de 10 unidades diárias. serão necessárias 12 compras mensais. de 60 em 60 dias. Estas políticas alternativas estão ilustradas a seguir: .PEDIDO 200 100 ESTOQUE MÉDIO 365 DIAS Considerando-se um ano de 240 dias úteis. qual seria o impacto de cada uma dessas alternativas políticas no ponto de ressuprimento. O ponto de ressuprimento continuará sendo de 200 unidades comprometidas com o consumo. de 20 dias. resulta em estoque médio básico de 300 unidades e em giro de estoque de aproximadamente 8 vezes por ano. A política de ressuprimento de 600 unidades. nos 240 dias úteis do ano.

como por exemplo. Estes medicamentos são identificados a partir do histórico de consumo. É o caso de se estudar. o tempo interno da geração da solicitação de compras a partir da detecção da necessidade do medicamento até a colocação do pedido para o fornecedor são tarefas que influenciam diretamente no ponto de pedido bem como o tempo externo de processamento e entrega do mesmo pelo fornecedor e transportadora.2 – MEDICAMENTOS DE ESTOQUE MÍNIMO (MEDICAMENTOS DE BAIXO GIRO DE ESTOQUE) Conforme as características da unidade hospitalar. DDAVP.PEDIDO 400 300 200 ESTOQUE MÉDIO 0 20 40 60 80 100 120 365 DIAS PEDIDO PEDIDO PEDIDO 100 ESTOQUE MÉDIO 50 365 DIAS ITEM 8. no caso dos medicamentos de alto custo. que visa oferecer 100% de disponibilidade de produto com prazo zero de entrega. Essas tarefas estão diretamente ligadas à redução dos tamanhos dos estoques. ITEM VII: QUANDO COMPRAR? As agilidades internas e externas. Não deve ser esquecido que a consignação é uma política diferenciada de serviço. é recomendável a inclusão na padronização de medicamentos cujo emprego emergencial pode justificar haver uma única unidade em estoque ou um único tratamento. o estoque varia entre 1 e 300 ud/ano. a consignação de reposição. então. isto é. ou seja. definir o nível e a quantidade de reposição.4. Em uma situação ideal onde todos os tempos internos e externos são bem conhecidos e determinados. como alternativa econômica. a determinação do nível de reposição e da quantidade deve buscar minimizar os custos logísticos de transporte e armazenagem. a oportunidade de manter estoques e a obsolescência ou disponibilidade do produto. ele será o responsável direto pela determinação do volume de estoque mínimo a ser adotado pela farmácia . pois às vezes é complicado disparar a reposição contra pedido. Assim como no caso dos medicamentos de baixo giro. É necessário.

com muitas incertezas ou poucas incertezas. Para determinação deste ciclo de atividades. com eliminação dos que não acrescentam real valor para. através do conhecimento das incertezas que norteiam os parâmetros de ressuprimento. controladoria. legal. É imprescindível a identificação de cada passo. Como primeiro passo. faz-se necessário reunir todos os elementos envolvidos nas tarefas de reabastecimento (área técnica. a importância técnico / prática de cada um e a real necessidade de sua execução. financeira. o prazo de execução e a interdependência entre cada uma. esboçar a cadeia de suprimento. etc. através do fluxo das atividades relacionadas ao abastecimento dos medicamentos. suas variações. administrativa.Administrando a redução de estoques: • Visão da necessidade de ressuprimento • Tempo de emissão do pedido de compra • Tempo de processamento da solicitação de compra • Tempo e aprovação da solicitação de compra • Tempo de transmissão do pedido ao fornecedor • Tempo de aquisição ( processo de compra) • Tempo de despacho do medicamento pelo fornecedor • Tempo de remessa • Tempo de recebimento do medicamento • Tempo de cadastramento do produto na farmácia • Tempo de armazenamento • Tempo de dispensação • Tempo de administração ao paciente O conhecimento do fluxo de medicamentos dentro de cada instituição é fundamental para a determinação de todos os parâmetros empregados no cálculo das incertezas de consumo e tempo de cada ciclo de atividades. para poder planejar uma política de redução de estoques. públicas ou privadas e o benefício alcançado com ela é de extrema importância administrativa e econômica. É importante ressaltar que podemos trabalhar com níveis mais baixos de estoque. possibilidades e prazos. Esta política poderá ser implementada em qualquer instituição. é necessário que o gerente farmacêutico ou administrador conheça todos os passos que definem os ciclos de atividades da instituição.). necessários à formação de uma gestão de estoques eficaz e com mínimos níveis de quebra. quais os responsáveis por sua execução. além de definir quais tarefas podem ser realizadas ao mesmo tempo. por fim. qual o tempo médio de cada um. Devem ser relacionadas todas as atividades. . determinando a responsabilidade de cada um.

“Patient-focused Care in Theory and Action” . 1991. ASHP guidelines for selecting pharmaceutical manufactures suppliers. João José. F. V. Corrêa. R. B. Pharm. 7) Vecina Neto.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1) AMERICAN SOCIETY OF HOSPITAL PHARMACISTS. Am. Wilson. 4ed. “De Volta à Gestão de Estoques: As Técnicas estão sendo usadas pelas empresas?” – Artigos da Fundação Getúlio Vargas SP – 1998.br. J. 523 – 524.exercito. Produtividade da Tecnologia da Informação: evidência e indicadores da administração pública no Paraná. J. Fundação Getúlio Vargas. Gonzalo. Hosp.EAESP. “Gestão de Recursos Materiais e de Medicamentos – Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo 8) [Ort1997] ORTOLANI. “Logistics. 11) Dias. . 10) Gasnier. São Paulo: Atlas. J. V. Henrique L. Hosp. “ Gestão de Estoques Reduz Custos e melhora Qualidade” . Paulus P. 4) Lathrop. São Paulo: Atlas. D. Intermodal and Supply Chain Management” – 1998. Administração de Materiais: edição compacta. Marco Aurélio P. São Paulo. 6) VIANA. 45–48.1997.Am. R. p. Administração de Materiais: um enfoque prático.2002 – disponível em www.com.empresario. 2002. L. 52.F.br. George. 1995. 9) Matsubayashi. 2) Scott. 5) DIAS.gov. p. 3) Curso sobre Gestão de Estoque na Cadeia de Suprimentos – COPPEAD UFRJ – Centro de Estudos em Logística – 2000. “Gestão de Materiais – A finalidade dos Estoques” – artigo disponível em www. Reinhardt Filho. 1997 . jan 1995. Pharm. 48.P.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->