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DEL REY v- MENELICK DE CARVALHO NETTO Graduou-se pela Faculdade de Direito da Universidade Federal

DEL REY

v- MENELICK DE CARVALHO NETTO
v-
MENELICK DE CARVALHO
NETTO

Graduou-se pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG),e ali mesmo especializou-se em Filosofia do Direito, merecendo o grau de doutor em Direito. Técnico concursado de nível superior em pesquisa jurídica e social da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais, onde gerenciou a área de pesquisas históricas. Coordenou uma equipe de pesquisadores encarregada da análise e estudo das Assembléias Constituintes de Minas Gerais. Assessorou a Comissão Preparatória dos Trabalhos a 1V Assembléia Constituinte do Estado de Minas Gerais, coordenando I equipe técnica de apoio ao mesmo processo constituinte, em 1989. Integrou, juntamente com a Dra Maria Coeli Simões Pires - secretária-geral da mesa da Assembléia - e o Dr. Antônio Augusto Junho Anastasia, a assessoria direta do relator, Deputado Bonifácio Mourão. Lecionou, na Faculdade Mineira de

,

Bonifácio Mourão. Lecionou, na Faculdade Mineira de , , Direito da Pontificia Universidade 1 Católica de

, Direito da Pontificia Universidade 1 Católica de Minas Gerais (PUCI

MG), a cadeira de Direito I Constitucional. Como

11 professor-adjunto de Teoria da , Constituição e Teoria do Estado, no curso de Graduacão, e de Teoria Geral do ~irekoPúblico, em Pós-Graduação, integra os quadros da Faculdade de Direito da UFMG.

e de Teoria Geral do ~ireko Público, em Pós-Graduação, integra os quadros da Faculdade de Direito

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A SANÇÁONO PROCEDIMENTO LEG1SLATTV.O

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MENELICK DE CARVALHO NETTO

Doutor em Filosofia do Direito pela UFMG. Professor Adjunto de Teoria da Constituição e do Estado, do Departamento de Direito Público da Faculdade de Direito da UFMG. Professor de Teoria Geral do Direito Público nos cursos de Mestrado e Doutorado em Direito da UFMG. Assessor de Processo Legislativo da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais.

A SANÇÃO NO PROCEDIMENTO LEGISLATIVO

de Minas Gerais. A SANÇÃO N O PROCEDIMENTO LEGISLATIVO Belo Horizonte - 1992 ANO DO CENTENÁRIO

Belo Horizonte- 1992 ANO DO CENTENÁRIO DA FACULDADE DE DIREITO DA UFMG

C 3 3 1 s Carvalho Netto, Menelick de A sanção no procedimento 1egislativolMenelick de

C331s

Carvalho Netto, Menelick de A sanção no procedimento 1egislativolMenelick de Carvalho Netto.- Belo Horizonte. De1Rey, 1992.

N e t t o . - Belo Horizonte. De1 Rey, 1992. 1. Filosofia (Direito) 2.

1. Filosofia (Direito) 2. Direito constitucional 3. Formas de Governo 4. Sistemas de governo 5. Procedimento legislativo - Sanção - Iniciativa 6. Chefe de Estado - Sanção 7. Chefe de Estado - ~etÒ8. Direito comparado - Sanção ITítulo

CDU

340.12

340.131.3

342.511

340.5

ITítulo CDU 340.12 340.131.3 342.511 340.5 Editor Amaldo Oliveira C o n s e l h

Editor

Amaldo Oliveira

Conselho Editorial

Prof. Adriano Pedcio de Paula (Coordenador) Prof. Antônio Augusto Junho Anastasia Prof. Aroldo Plfnio Gonçalves Dr. Edelberto Augusto Gomes Lima Prof. Hemes Vilchez Guerrem Prof. José Edgard Penna Amorim Pereira Prof. Paulo Emílio Ribeiro de Vilhena Des. Sérgio Lellis Santiago

Produpo Editorial

Inédita Editoria de Aite

Direitos desta edição reservados i3

Editoria de Aite Direitos desta edição reservados i3 LIVRARIA DEL REY EDiTORA LTDA Rua Goitacazes, 71

LIVRARIA DEL REY EDiTORA LTDA

Rua Goitacazes, 71 - Lojas 20/24 Fone: (031)224-3340- Fax: (031)226-7385

30190-909- Belo Horizonte - MG

- Fax: (03 1)226-7385 30190-909- Belo Horizonte - MG Nenhuma parte deste livro poderá ser reproduzida,

Nenhuma parte deste livro poderá ser reproduzida, sejam quais forem os meios empregados, sem a permissão, por escrito, da Editora.

Impresso no Brasil

Printed in Brazil

sejam quais forem os meios empregados, sem a permissão, por escrito, da Editora. Impresso no Brasil

Sumário

Apresentação

9

11

Introdução

 

13

Apresentação 9 11 Introdução   13 A SANÇÁO DO CHEFE DE ESTADO NO PROCEDIMENTO LEGISLATIVO

A SANÇÁO DO CHEFE DE ESTADO NO PROCEDIMENTO LEGISLATIVO COMO OBJETO DA SOCIOLOGLA

JURÍDICA- QUADRO HISTÓRICO-COMPARATIVO

1.1 - Etimologia do vocábulo

1.2 - Origem históricae linhas gerais de evolução da sanção do Chefe do Estado no procedimento legislativo monárquico e republicano

Estado no procedimento legislativo monárquico e republicano 1.2.1 - A sanção do Chefe de Estado no
Estado no procedimento legislativo monárquico e republicano 1.2.1 - A sanção do Chefe de Estado no

1.2.1 - A sanção do Chefe de Estado no procedimento legis-

lativo acolhido em Estado Monárquico

1.2.2 -A sanção do Chefe de Estado no procedimento legis-

lativo acolhido nas Repúblicas

1.2.2.1

- A negativa presidencial de sanção passível de

ser superada pela reaprovação parlamentar qualificada do projeto

ser superada pela reaprovação parlamentar qualificada do projeto

1.2.2.2 - A negativa de Sanção Presidencialinsuperável.

1.2.2.3 - A negativa de Sanção Presidencial superável

 

por reaprovação

parlamentar do projeto em sessões

legislativas ou em legislaturas sucessivas

legislativas ou em legislaturas sucessivas

1.2.2.4

- A negativa de sanção presidencial condiciona-

da à. deliberação direta do corpo eleitoral

1.2.2.4 - A negativa de sanção presidencial condiciona- da à. deliberação direta do corpo eleitoral

1.2.2.5

- A negativa de sanção presidencial superável

por simples reaprovação parlamentar do projeto

122

1.2.3

- Conclusões preliminares acerca do instituto da san-

ção do Chefe de Estado no procedimento legislativo, resul- tantes do quadro histórico-comparativo de seu acolhimento em Constituições monárquicas e republicanas

123

em Constituições monárquicas e republicanas 123 A SANÇAO DO CHEFE DE ESTADO NO PROCEDIMENTO LE G
em Constituições monárquicas e republicanas 123 A SANÇAO DO CHEFE DE ESTADO NO PROCEDIMENTO LE G

A SANÇAO DO CHEFE DE ESTADO NO PROCEDIMENTO LEGISLATIVOCOMO OBJETO DA FILOSOFIA POLITICA DA TEORIA GERAL DO DIREITO PÚBLICO

O S O FI A POLITICA DA TEORIA GERAL DO DIREITO PÚBLICO 2.1 - Montesquieu e

2.1 - Montesquieu e a distinção entre a "faculdade de impedir" e a "faculdade de estatuir"

2.2 - Hegel e a decisão suprema do Monarca enquanto totalidade

ou indivíduo que subsume, em sua unidade, a universalidade do Estado 2:3 -A sanção régia como ofiat jurídico da lei

2:3 - A sanção régia como ofiat jurídico da lei 2.3.1 - O blioo das monarquias

2.3.1 - O

blioo das monarquias alemãs

Instituto da sanção na Teoria Geral do Direito Pú-

2.3.1.1

alemãs- delineamento geral

2.3.1.2 - A teoria de Labaiid -

Gesfitzesbefehl, o único comando imperativo estatal constitutivo da lei

2.3.1.3 - A teoria de Jellinek -

Gesetzesbefehl autorizado pelas Câmaras

- A doutrina do Direito Público nas Monarquias

A Sanção régia como

A sanção régia como

2.3.2 - O instituto da sanção

Malberg

na

doutrina de

Carré de

2.4 - A tese da identidade jurídica substancial dos institutos da sanção e do veto- Maurice Maier

2.5 - Biscaretti di Ruffia: a sanção, a aquiescência e o veto na teoria geral da participação do Chefe de Estado no procedi- mento legislativo

2.6 - A Comprovação dos postulados iniciais da pesquisa: a dis- tinção entre os conceitos de sanção e de veto ao nível da Teoria Geral do Direito

130

139

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entre os conceitos de sanção e de veto ao nível da Teoria Geral do Direito 130
A SANÇAO COMO OBJETO DA CIENCIA JURÍDICA E O P R O B LE M

A

SANÇAO COMO OBJETO DA CIENCIA JURÍDICA E O PROBLEMA DA EFICÁCIADO INSTITUTONO PROCEDIMENTOLEGISLATIVO BRASILEIRO

O I N S TI T U T O N O PROCEDIMENTOLEGISLATIVO BRASILEIRO 3.1 - Do
O I N S TI T U T O N O PROCEDIMENTOLEGISLATIVO BRASILEIRO 3.1 - Do

3.1

- Do papel da Filosofia e da Ciência do Direito na tarefa de consolidação do regime democrático

204

3.1.1

- Da relação complementar entre Filosofia e Ciência

 

208

3.1.1.1

- As características estruturais do atual Conceito

de Ciência

 

211

3.1.2

- Daciência Jurídica como instrumento de garantia

das instituições democráticas e da cidadania

 

218

3.2

- Da inserção da sanção no procedimento legislativo

224

3.2.1

- O conceito de procedimento legislativo enquanto fe-

 

nômeno específico e genérico do qual o legislativo é uma espécie

procedimento

 

228

3.2.2

- Distinção dos institutos da sanção e do veto no que se

refere às suas respectivas consequênciasjurídicas

 

247

3.3

- Da recusa de eficácia da sanção do Chefe de Estado no procedimento legislativo brasileiro

251

3.3.1 - Da Súmula iP.5 do Supremo Tribunal Federal

 

251

3.3.2 - Da subversão do significado da sanção do Chefe de

Estado no

procedimento legislativo

autocrático

264

3.3.2.1

- O procedimento legislativo e a ordem autori- .

iária instaurada em 1964

 

265

3.3.2.2

pelo acórdão pro-

ferido em decisão da representação de inconstitucionali- dade nP890, de 27 de março de 1974

da representação de inconstitucionali- dade nP 890, de 27 de março de 1974 - A supressão

- A supressão da Súmula n"

da representação de inconstitucionali- dade nP 890, de 27 de março de 1974 - A supressão

273

 
 

A Constituição da República de 1988 e a eficácia da 'sanção do Chefe de Estado e do executivo no procedimento legislativo democrático

 

291

Bibliografia

 

299

do Chefe de Estado e do executivo no procedimento legislativo democrático   29 1 Bibliografia  

Apresentação

Menelick de Carvalho Netto de há muito vem dedicando-se aos temas referentes ao processo legislativo, inclusive na Assessoria da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais. Também essa vivencia muito contribuiu para que se elaborasse a tese Da eficácia do instituto da sanção no procedimento legislativo brasileiro à luz da teoria geral da participação do Chefe de Estado na formação da lei. Este trabalho, além do exame detalhado da matéria no direito comparado, consegue um minucioso exame da promulgação, da publicação, da sanção e de outros institutos afins, momento em que o seu autor faz diversas incursões em pontos essenciais da técnica legislativa e de seu procedimento. Menelick de Carvalho Netto, detendo-se no exame do instituto da sanção no procedimento legislativo, mostra os diversos desdobramentose as diversas discussões doutrinárias e jurisprudenciais sobre a matéria, ocasião em que ressalta que a sanção do Chefe de Estado na elaboração legislativa é bem antiga no direito constitucional. É nesse trabalho que destaca as questões referentes à eficácia de sanção aposta pelo Chefe de Estado a projetos ou a dispositivos de projetos de lei atinentes à matéria a ele constitucionalmente reservada. Para fundamentar o seu trabalho, parte da etimologia da palavra "sanção", ao mesmo tempo em que salienta a origem histórica e as linhas gerais de evolução da sanção do Chefe de Estado no procedimento legislativo monárquico e republicano. Ao tratar da inserção da sanção no procedimento legislativo, entende que a sanção designa a participação do Chefe de Estado no procedimento legislativo de caráter constitutivo da lei, "uma vez que requerida para a perfeição da lei; ao passo que aquela outra atividade semelhante, mas de natureza diversa, designada pelo termo veto, intervém na fase de aquisição de eficácia de uma lei já perfeita, como no ordenamento constitucionalitaliano". Este trabalho consegue realizar uma verdadeira teoria geral da sanção, considerando-a sobre os diversos aspectos, ressaltando a sua importância no procedimento legislativo.

d a sanção, considerando-a sobre os diversos aspectos, ressaltando a sua importância no procedimento legislativo.
d a sanção, considerando-a sobre os diversos aspectos, ressaltando a sua importância no procedimento legislativo.

É de se destacar a profunda análise que o autor empreende das doutrinas acerca do instituto, sendo que autores como Laband e Jeilinek já tratavam da sanção como elemento essencial da elaboração legislativa. É nesse sentido que a sanção integra o procedunento legislativo, que se efetiva por uma série de etapas que se cumprem através de um conjunto de atos que se vinculam entre si, para a produção de um ato final de pronúncia-declaraçãojurídica, cujos princípios se encontram balizados nas normas constitucionais. O trabalho ora apresentado, aprovado com Iáurea máxima pela banca integrada pelos professores, Paulo Bonavides, Ivo Dantas, Raul Machado Horta, Walter Bruno de Carvalho e José Alfredo de Oliveira Baracho, na qualidade de orientador, faz detidas análises sobre as conseqüências jurídicas decorrentes das questões advindas no procedimento de elaboração legislativa, resultante da vivência que seu autor teve com os trabalhos que executava na Assembléia Legislativa. O estudo ora apresentado é de grande importância para juristas, parlamentares, juízes, advogados e aqueles que exercem a assessoria parlamentar e as funções legislativas.

a assessoria parlamentar e as funções legislativas. José Alfredo de Oliveira Baracho Diretor da Faculdade de
a assessoria parlamentar e as funções legislativas. José Alfredo de Oliveira Baracho Diretor da Faculdade de

José Alfredo de Oliveira Baracho

Diretor da Faculdade de Direito da UFMG

parlamentar e as funções legislativas. José Alfredo de Oliveira Baracho Diretor da Faculdade de Direito da

Prefácio

Redigida há praticamente dois anos, como tese de doutoramento em filosofia do Direito, junto aos cursos de pós-graduação em Direito da UFMG, a obra teve como título original Da eficácia do instituto da sançáo no procedimento legislativo brasileiro à luz da teoria geral da participaçáo do Chefe de Estado na formaçáo da lei, que, embora, por demais longa, retratava, com precisão, o objeto e a finalidade da pesquisa. Aparentemente pontual o estudo acerca da sanção no procedimento legislativo,contudo, por sua centralidade na configuraçãoconstitucional do papel reservado ao Chefe de Estado, permitiu a recuperação de textos, doutrinas e vivências constitucionais que perfazem a história do constitucionalismodesde os seus primórdios até os dias de hoje, com a afirmação universal do Estado Democrático de Direito, da democracia pluralista e participativa. Talvez, precisamente a pontualidade do tema e a finalidade de compreensão normativa da pesquisa tenham requerido que evitássemos pressuposições desenvolvimentistasque implicassem a redução da complexidadedos vários contextos em que se inseriu o instituto, emprestando feição própria e específica a cada um deles, e atribuindo à pesquisa caráter, por assim dizer, arqueológico, viabilizandoo resgate de raros objetos da época. O tema requereu a análise das doutrinas acerca das relações entre chefia de Estado, chefia de Governo, Parlamento e Representacão política, tanto em monarquias, repúblicas, democracias e ditaduras, qu&to nos sistemas parlamentar e presidencial de Governo. Exigiu, portanto, toda uma ordem de análises e reflexões acerca dos mais abstratos e fundamentais princípios asseguradores das formas de governo da modernidade, bem como das regras operacionais configuradoras dos sistemas de governo, ambas nos quadros mais amplos das simbologias ideológicas dos regimes políticos. Tais análises vêm atestar, para além da importância estrutural desta pesquisa, a sua oportunidade conjuntural, por nos encontrarmos às vésperas da realização do plebiscito para a definição da "forma (sic., art. 2"o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias) e do sistema de Governo" a serem acolhidos no País. Igualmente oportuna parece-nos a recolocação das questões atinentes ao procedimento legislativo ein bases doutrinárias sólidas e

parece-nos a recolocação das questões atinentes ao procedimento legislativo ein bases doutrinárias sólidas e
parece-nos a recolocação das questões atinentes ao procedimento legislativo ein bases doutrinárias sólidas e
parece-nos a recolocação das questões atinentes ao procedimento legislativo ein bases doutrinárias sólidas e

rigorosas, no momento em que o Supremo Tribunal Federal assume, de forma corajosa e decisiva, o seu papel de efetivo guardião da Constituição e da cidadania. Quando da impecável decisão sobre o mandado de segurança

imvetrado velo Sr. Presidente da Revública. Femando Collor de Mello. contra o ato do Sr. Presidente dcâmara, DegTsem Pinheiro- - instauradora do procedimento de autonzação da C"am%ãpFa o processo e julgamento do Presidente da República pelo Senado ~ederal,por-prática de crime de responsabilidade-, o que a Corte Constitucional veio a exorcizar

foi, precisamente,o fantasma autoritário de se considerar indevida e abusiva a participação popular direta em decisões políticas da mais alta gravidade,

resentação política estatal, em

caracterizando o seu influxo sobre a

sentido amplo, como "pressão ilegítima%" Supremo iniciou, portanto, o

árduo trabalho de efetivação das normas constitucionais finais, que não

sociedade civil organizada, em

pode prescindir da

efetiva da

todos os níveis de decisão, sobre as regras sociais ainda prevalentes,

'd herdadas dos longos anos de autoritarismo, que, na prática e nos arestos do

anos de autoritarismo, que, na prática e nos arestos do tribunal, negam curso à Constituição democrática
anos de autoritarismo, que, na prática e nos arestos do tribunal, negam curso à Constituição democrática
anos de autoritarismo, que, na prática e nos arestos do tribunal, negam curso à Constituição democrática
anos de autoritarismo, que, na prática e nos arestos do tribunal, negam curso à Constituição democrática
anos de autoritarismo, que, na prática e nos arestos do tribunal, negam curso à Constituição democrática
anos de autoritarismo, que, na prática e nos arestos do tribunal, negam curso à Constituição democrática

tribunal, negam curso à Constituição democrática e pluralista de 19889 Nessa linha, a presente obra tem o intuito de contribuir para a revisão e o conseqüente exorcismo dessas regras informais subjacentes que determinam uma leitura que, a um só tempo, mantém viva, na prática, a ordem autoritária anterior e impede a efetiva consecução de um Estado Democráticode Direito no Brasil. Consciente da imprudência que significa o registro de agradecimentos às pessoas que contribuíram para a elaboração de uma obra que resultou do trabalho de anos, não podemos deixar de, mediante a lembrança de alguns, homenagear a todos. São co-autores, nos mais diversos sentidos, pois possibilitaram a sua realização. Assim dedico a obra que ora se publica, em primeiro lugar, à Flávia da Motta e Albuquerque, mais que esposa, companheira, parceira na vida, nos sonhos e tarefas cotidianas, co-autora do que ambos somos em nosso dever. Aos meus pais, Menelick e Zezé, pelo respeito e integral apoio que deram aos seus filhos para que eles se fizessem; aos meus filhos, Thiago, André e Estevão, pelo tempo que lhes foi roubado; aos meus mestres, Paulo Emílio Ribeiro de Vilhena, Arthur José de Almeida Diniz, Celso Barbi, Washigton Albina P. de Souza, Carlos Mário da Silva Velloso, Raul Machado Horta e José Alfredo de Oliveira Baracho, pelas lições de direito e vida, ou de direito à vida; aos meus companheiros de luta, pela afirmação de um Legislativo atuante e representativo,nas pessoas do mestre José Sebastião Moreira e da sábia e amiga Mana Coeli Simões Pires; aos amigos, Marcelo e Cristiana Pertence, Carlos e Amália Arruda Cosenza, Ricardo Mendanha Ladeira e Ricardo Coelho, pela ajuda e paciência; às proP, Marilena Souza Lopes e Alaíde Inah Imaculada Gonzales, pelo desinteressado, competente e árduo trabalho de revisão dos originais; e, à prima e amiga, Ana Rita, por sua competência, capacidade de trabalho e desprendimento na lida com todas as tecnicalidades computacionais que o tornaram possível; e, finalmente, aos professores, Paulo Bonavides, Ivo Dantas e Walter Bruno de Carvalho, por suas valiosas observações.

e, finalmente, aos professores, Paulo Bonavides, Ivo Dantas e Walter Bruno de Carvalho, por suas valiosas
e, finalmente, aos professores, Paulo Bonavides, Ivo Dantas e Walter Bruno de Carvalho, por suas valiosas
e, finalmente, aos professores, Paulo Bonavides, Ivo Dantas e Walter Bruno de Carvalho, por suas valiosas

Introdução

A sanção do Chefe de Estado no procedimento de formação da lei é dos mais antigos institutos do Direito Constitucional, visto I que contemporâneo dos albores do Constitucionalismo. Acolhida no Brasil desde a Constituição do Império de 1824, sob o modelo da Constituição monárquica da França de 1791, sofre o influxo do modelo norte-americano nas Constituições republicanas. Embora o instituto tenha sido objeto específico da reflexão de autores como Hegel, Laband, Jellinek, Carré de Malberg e Biscaretti di Ruffia, para citar apenas os de maior renome, é tema praticamente ausente na literatura jurídica do Brasil republicano. As rápidas referências ao instituto existentes nessa literatura apresentam caráter meramente descritivo e tautológico, prescindindo de qualquer estudo mais profundo sobre a sua natureza, o seu modo de inserção no pro- cedimento legislativo e as suas conseqüências jurídicas. Por outro lado, há vários estudos monográficos sobre o instituto que autores denominam veto, compreendendo nessa expressão, genérica e difusamente, toda e qualquer participação do Chefe de Estado no procedimento legislativo que tenha o condão de impedir ou retardar, indiferentemente, seja a formação mesma da lei, seja a aquisição de eficácia de uma lei perfeita. A sedução exercida sobre essa doutrina pelos salientes aspectos políticos dessa participação negativa genérica foi tamanha que terminou por relegar, à sombra, a análise propriamente jurídica do tipo de instituto acolhido no Brasil

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de instituto acolhido no Brasil I I I I I I I I I I I

em toda a sua inteireza. Talvez a ausência de uma

só no que se refira ao nosso tema, mas de todo o procedimento legislativo, enquanto contexto em que ele necessariamente se insere, a partir de um enfoque cientificamente orientado para uma re- construção normativa sistêmica- ou seja, jurídico-doutrinária e não apenas empírico-descritiva e no mais das vezes meramente tautoló-

abordagem, não

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jurídico-doutrinária e não apenas empírico-descritiva e no mais das vezes meramente tautoló- abordagem, não I I

gica, privando a matéria das características de coerência e rigor que apenas o profundo labor doutrinário reconstrutivo pode fornecer - muito tenha contribuído para a peculiar @terpretaçãoque o Supremo Tribunal Federal tornou assente a partir de 1974 quanto à eficácia de sanção. Desde então se negou qualquer eficácia à sanção aposta pelo Chefe de Estado a projetos ou a dispositivos de projetos de lei atinentes a matéria'dTTniciativa a

projetos de lei atinentes a matéria'dTTniciativa a I I I , 1 1 i I i
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rgumentou-seTii6'5"Legislativo,

ele vedada pela Constituição e à ilegítima e irresistível pressão uscaremos comprovar, não apenas desconhece a natureza jurídica específica do procedimento legislativo e a de seus institutos, particularmente, no caso, a da iniciativa e a da sanção, como tambkm, ao ter por fundamento pressupostos políticos implícitos e essenciais à ordem autocrática anterior, 6 absolutamente antagônico e iiicompossível com o regime democráticobs, neste regime político, o Poder Legislativo não se reduz a um mero órgão homologador dotado da função de revestir,

sob o guante de prazo fatal que implicava a aprovação automática da medida, de uma legitimidade apenas formal e aparente as decisões

concertadas no âmbito de um Executivo que, mesmo quando não

indiretamente eleito representava sempre objetivos nacionais permanentes, autocraticamente determinados, que um povo infantil, ou seus representantes diretos, igualmente imaturos, não saberiam aquilatar. Pelo contrário, é o Legislativo, no regime democrático, no

mínimo, co-partícipe efetivo da tarefa legislativa, cabendo-lhe -

mormente naqueles Estados que por acolherem o sistema presi-

dencial de governo garantem uma maior autonomia ao Poder Exe-

cutivo - a tarefa precípua de emprestar à legislação a ser adotada o caráter pluralístico típico das Casas parlamentares. Precisaineiite por

isso, ao Legislativo cabe, insofismavelmente, por se prefigurar como

caixa de ressonância dos mais variados anseios populares, o papel de

buscar intermediar, inclusive, virtuais conflitos entre a

Administração e seus próprios servidores, ou outros segmentos no

sentido da consecução da melhor solução possível para ambos os contendores. Assim, a referida interpretação do Supremo Tribunal Federal terminou por inviabilizar por completo tal função do Legislativo, conduzindo ao desgaste ambos os Poderes, por desautorizar os pactos conscientemente firmados, conforme demonstra claramente um caso

concreto ocorrido no----Estado de Minas Gerais por ocasião dk período de transição para a nova ordem constitucional democrática. O

14

de Minas Gerais por ocasião dk período de transição para a nova ordem constitucional democrática. O

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Q

Governador do Estado, eleito em pleito direto em 15111/86, e não

mais indiretamente escolhido por

força da Emenda Constitucional n

15, de 19 de novembro de 1980, enviou, em 29 de maio de 1987, a mensagem nV22187, encaminhando h Assembléia o projeto de lei que dispunha sobre "o reajustamento dos valores dos símbolos dos níveis de vencimentos e dos proventos do pessoal civil do Poder Executivo" e que recebeu o n"31187. O projeto não continha qual- quer referência à aplicabilidade do disposto no art. 8Q,do Decreto- Lei nq.335, de 12 de junho de 1987, aos servidores civis e militares do Estado, ou seja, da URP - Unidade de Referência de Preços, como índice-padrão de reajustamento automático de vencimentos. A época, os servidores haviam paralisado a prestação de seus serviços, como mecanismo de pressão para a negociação do reajuste de seus vencimentos, já que esses se encontravam sobremaneira defasados, devido à espetacular inflação verificada no período e à ausência de mecanismo de reajuste automático que, a exemplo do chamado gatilho, concedido ao servidor federal, pudesse manter, ainda que minimamente, o poder aquisitivode seus vencimentos. As tentativas de negociação continuaram após o envio da Mensagem à Assembléia. No entanto, a negociação teve início graças à intermediação dos líderes parlamentares, sobretudo mediante o árduo trabalho desenvolvido pela liderança do Governo na Casa, como foi amplamente divulgado pelos noticiários da época. I Dessa forma, consolidando o acordo havido, é que o Governador envia à Assembléia a Mensagem nV28, de 23 de junho de 1987, publicada no Diário Oficial de 24 de junho de 1987, igualmente rubricada pelo Líder do Governo e demais Lideranças partidárias da Assembléia, cujo inteiro teor transcrevemos:

da Assembléia, cujo inteiro teor transcrevemos: I "Senhor Presidente, Tenho a honra de solicitar a

I

"Senhor Presidente,

Tenho a honra de solicitar a Vossa Excelência que sejam

iiitroduzidas no Projeto n931/87, de minha iniciativa encaminhado ao exame dessa egrégia Assembléia Legislativa através da

Mensagem n

Q

122187, as emendas seguintes:

I - O caput do artigo 9*passa a ter a seguinte redação:

"Art. 9% Os valores dos níveis de vencimento do Quadro do Magistério, de que trata a Lei nQ7.109, de 13 de outubro de 1977, previstos nos Anexos I a IV da Lei 119.263, de 11 de setembro de 1986, ficam substituídos pelos constantes dos Anexos I a IV desta Lei, com as datas de vigência neles estabelecidas;"

ficam substituídos pelos constantes dos Anexos I a IV desta Lei, com as datas de vigência
ficam substituídos pelos constantes dos Anexos I a IV desta Lei, com as datas de vigência

A emenda corrige a tabela proposta para que o reajustamento do magistério incida sobre os valores previstos para terem vigência a partir de lQde junho do corrente ano, assegurando-se integralmente, desta forma, a última parcela concedida pela Lei 119.263, de 11 de setembro de 1986. Tal pagamento, no entanto, deverá ser processado a partir de agosto do ano em curso. O Governo assegura que os valores dos símbolos e dos níveis de vencimento do pessoal civil do Poder Executivo serão reajustados, a título de adiantamento, a partir de novembro de 1987, com base na Unidade de Referência de Preços - URP, instituída pelo artigo 3"o Decreto-Lei n9.335, de 12 de junho de 1987. Ademais, observada a situação financeira do Estado, procurará garantir ao Professor, Nível 1, Grau A, vencimento correspondente ao valor de 3 (três) salários-mínimos vigente naquele mês. Aproveito a oportunidade para renovar a Vossa Excelência protestos de elevado apreço e distintaconsideração."

Q

Como podemos claramente constatar, na parte final da Mensagem, por nós sublinhada, encontra-se a origem da Emenda n 5, incorporada ao parecer conjunto das Comissões de Constituição e Justiça, de Serviço Público e de Finanças e Orçamento, para as quais havia sido distribuída a Mensagem. A Emenda n", aprovada, dará origem ao art. 16 da Proposição de Lei nV0.072. O Governador, conquanto tenha recusado sanção a outros dispositivos, sanciona o artigo e o transforma no art. 16 da Lei 119.414, de 3 de julho de 1987. Em 17 de novembro do mesmo ano, servidores impetram o Mandado de Segurança nV58 junto ao Tribunal de Justiça do Estado, com o fim de obrigar o Governador a proceder à aplicação e ao pagamento da correção monetária determinada pelo art. 16 da Lei nV.414187. Como defesa, o Governador do Estado unicamente arguiu incidentalmente a constitucionalidade do referido dispositivo legal, por vício de iniciativa. Em 24 de fevereiro de 1988, reunida a Corte Superior, o Relator apresenta o seu voto contrário à concessão da segurança, com base no entendimento do Supremo Tribunal Fe- deral a respeito da matéria, muito embora lamentasse "que o dispositivo de lei, ora criticado e arguido de inconstitucional por vício de origem, que afrontou a competência constitucional do Exmo. Sr. Governador do Estado tenha sido sancionado, quando o veto oportuno poderia excluí-10. Apesar disso e dos efeitos que produziu, contribuiu para aplacar o movimento grevista dos servidores estaduais, mas agora aumenta-lhes a angústia com reconhecimento de sua inconstitucionalidade que exclui o almejado

estaduais, mas agora aumenta-lhes a angústia com reconhecimento de sua inconstitucionalidade que exclui o almejado
estaduais, mas agora aumenta-lhes a angústia com reconhecimento de sua inconstitucionalidade que exclui o almejado
estaduais, mas agora aumenta-lhes a angústia com reconhecimento de sua inconstitucionalidade que exclui o almejado
estaduais, mas agora aumenta-lhes a angústia com reconhecimento de sua inconstitucionalidade que exclui o almejado

direito postulado" (autos, pp. 95-96). O Relator foi acompanhado em seu voto por mais quatro Desembargadores, pronunciando-se divergentemente, no entanto, dois outros. Para estes últimos "a integração da vontade do Executivo na elaboração da disposição que

9.414, e que ora se inquina de

inconstitucional, não se fez presente apenas na fase a posteriori de elaboração legislativa (sanção do projeto), mas também durante o curso da formação da lei, uma vez que o Sr. Governador, através de sua liderança na Assembléia, para pôr fim à greve dos servidores, ajustou com os funcionários,entre outros o pagamento das URP's, e assim, o dispositivo em questão teria resultado de atos que traduziram cooperação dos dois Poderes Executivo e Legislativo atestando inteireza com expressa aquiescência do Governador B emenda parlamentar aditiva ( Penso que seria excesso de formalismo, contrário aos princípios que regem a manifestação da vontade na formação das leis, negar que o Sr. Governador, anuindo na aprovação da emenda, ou melhor, sugerindo-a à sua liderança e às Comissões da Assembléia, para finalmente complementá-la pela sanção, não concorrera para a iniciativa da disposiçiío legal, id6nea para produzir regulares efeitos jurídicos ( o que resta provado é que o Executivo se pôs de acordo com o Legislativo na dilatação de crédito suplementar, para atendimento das despesas decorrentes da lei que opusera veto a outros dispositivos,sob a alegação de falta de iniciativa, e sem qualquer reserva ao art. 16, que ora se inquina de inconstitucional" (autos, pp. 98-100). "A vontade, que deveria ter-se manifestado antes, rnanffestou-se durante e depois, mas de maneira tão inequívoca que a omissão inicial se tem por sanada, formando-se o ato perfeito ( Aqui, o ilustre Governador, que sancionou, é quem, estranhamente e sem legitimidade para fazê-lo, representa contra sua própria sanção". Sob tais fundamentos é que esses Desembargadores se pronunciam favoravelmente à concessão da seguraiiça. No entantoh julgamento foi suspeiiso, na sessão de 13 de abril de 1988, para qÚe se aguardasse decisão do Supremo Tribunal Federal sobre arguição direta de inconstitucionalidade do mesmo dispositivo, feita através de representação ao Procurador-Geral da República pelo Estado de Minas Gerais. O Supremo Tribunal Federal acolheu e julgou procedente por unanimidade a arguição que tomou 1514-9, declarando a iiiconstitucioiialidade do art. 16 da Lei n

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se converteu no art. 16 da Lei n

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do art. 16 da Lei n Q se converteu no art. 16 da Lei n )
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do art. 16 da Lei n Q se converteu no art. 16 da Lei n )
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9.414187 do Estado de Minas Gerais, concluindo a Corte Superior do Tribunal de Justiça do Estado pela prejudicialidade do Mandado de ISegurança.

Gerais, concluindo a Corte Superior do Tribunal de Justiça do Estado pela prejudicialidade do Mandado de

Esse caso ilustra, de forma paradigmática, dispensando por si só maiores comentários, os perigos inerentes ao desconl~ecime~itoda natureza procedimental das normas atinentes ao procedimento legislativo, ainda que constitucio~~ais,para o próprio funcionamento das instituições democráticas. *~a verdade, a sanção do Cliefe de Estado brasileiro no procedimento legislativo brasileiro intervém, desde sempre, como ato constitutivo da lei, ou seja, é o último ato requerido para a sua formação ou perfeição, localizando-se, portanto, inteira a absolutamente no curso de formação do diploma legal, e não como ato posterior de controle de uma lei já perfeita. Apenas uma x.compreensão científico-doutrinária do procedimento legislativo $/como um todo poderá fornecer-nos os elegntos seguros para a solução adequada do problema em tela. Contudo o simples conhecimento da história do instituto e suas linhas gerais de evolução em Monarquias e Repúblicas nos revelará de forma inequívoca sua natureza não apenas de ato legislativo, mas de um dos principais atos legislativos,dada a centralidade procedimental do mesmo, conjuntamente com a aprovação das Câmaras, desvelando a total ausência de fundamento e rigor do entendimento consolidado no período autoritário pelo Supremo Tribunal Federal acerca da ma- téria. Embora no que se refira ao caso narrado fosse possível comprovar, de forma clara e insofismável, até mesmo o efetivo exercício da iniciativa de proposição do dispositivo da parte do Governador do Estado, por meio de mensagem à Assembléia, pu- blicada no Diário Oficial, e na qual textualmente sugere a referida norma como emenda ao projeto, a questão que o entendimento oficial envolve é outra e mais profunda. É a da própria natureza do instituto da sanção e de suas necessárias co~isequênciasjurídicas, correlatas ao papel a ele reservado no procedimento de formação da lei.

Precisamente por buscarmos a solução desse problema tópico

à luz da Teoria Geral do Direito, não procederemos topicamente. Propomos, pelo contrário, o enfrentamelito da questão a partir de três exercícios básicos. Um primeiro, de inserção histórica do instituto da

sanção do Chefe de Estado no procedimento legislativo acolhido em Monarquias e Repúblicas, laiiçaiido-se mão dos recursos do Direito Comparado e da Sociologia Jurídica para a sua integral compreensão. A seguir, pressupondo o primeiro exercício, um segundo, que, desta feita, buscará inserir o instituto na Teoria Geral do Direito e, finalmente, um terceiro exercício, em que se procurará explicitar os pressupostos teóricos que nortearam a realização dos

exercício, em que se procurará explicitar os pressupostos teóricos que nortearam a realização dos /' 18
exercício, em que se procurará explicitar os pressupostos teóricos que nortearam a realização dos /' 18
exercício, em que se procurará explicitar os pressupostos teóricos que nortearam a realização dos /' 18
/'
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18

exercícios precedentes, de tal forma que possamos deseiivolvê-10s

em uma Ciência Jurídica aplicada ao processo legislativo, capaz de

1 resolver com segurança a questão proposta e, ainda, proceder à

crítica e à consecução de uma compreensão mais profunda dos

verdadeiros fundamentos daquela interpretação de que foi objeto a

matéria no período autoritário.

A título de conclusão, buscaremos demonstrar que, conquanto

r a Constituição da República de 1988 não contenha expressamente norma semelhante à do 2"o art. 70 da Constituição do Estado de Minas Gerais, que estatui: "A sanção expressa ou tácita supre a iniciativa do Poder Executivo no processo legislativo" , outro não pode ser o corolário da adoção do instituto da sanção em uma Constituição democrática, que, pelas especificidades que a caracterizam como tal, de clara e inequivocamente explicitar em

, seu texto os princípios norteadores da interpretaçãodo mesmo. Cumpre ressaltar, por fim, a título introdutório, que os pressupostos que alimentaram e deram vida à presente pesquisa, embora venham a ser cabalmente explicitados somente ao longo do terceiro capítulo, e isso exclusivamente em virtude do movimento próprio requerido pelo desenrolar das análises, informam, conformam e sustentam o seu inteiro desenvolvimento. Daí o convite que formulamos ao leitor para que se engaje conosco, ao percorrer estas páginas, nesse exercício de Filosofia do Direito, que pode ser traduzido no esforço de se buscar repensar criticamente o papel da Jurisprudência, ou seja, da Ciência do Direito, na tarefa de consolidação de nossa incipiente democracia.

/

o papel da Jurisprudência, ou seja, da Ciência do Direito, na tarefa de consolidação de nossa
o papel da Jurisprudência, ou seja, da Ciência do Direito, na tarefa de consolidação de nossa
o papel da Jurisprudência, ou seja, da Ciência do Direito, na tarefa de consolidação de nossa

Capítulo I

A SANÇAO DO CHEFE DE ESTADO NO PROCEDIMENTO LEGISLATIVO COMO OBJETO DA SOCIOLOGIA JURIDICA- QUADRO

COMO OBJETO D A S O C I O L O G I A JURIDIC A
COMO OBJETO D A S O C I O L O G I A JURIDIC A
COMO OBJETO D A S O C I O L O G I A JURIDIC A

HIST~RICO-COMPARATIVO

"La sanction royale est urt droit et une yrérogative nationale, conferée au chef de lu natiotz par elle rnême, pour déclarer et garantir qu'une telle résolution de ses répresentants est ou n'est pus l'expression de lu volotzté générale."

Malouet. 1791

1

1 A SANÇAO DO CHEFE DE ESTADO NO PROCEDIMENTO LEGISLATIVO COMO O B J ETO D

A SANÇAO DO CHEFE DE ESTADO NO PROCEDIMENTO LEGISLATIVO COMO OBJETO DA SOCIOLOGIA JURÍDICA- QUADRO HIST~RICO-COMPARATIVO

O L O G I A JURÍDICA - Q UA D R O HIST~RICO-COMPARATIVO Como indica

Como indica o próprio título do ensaio, a presente pesquisa tem como motivo imediato buscar a solução científica adequada para

um problema tópico: quais os efeitos, do ponto de vista jurídico, da

sanção do Chefe de Estado - requerida para a

procedimento legislativo que acolha cláusulas assecuratórias ao Governo da exclusividade do poder de iniciativa e de emenda, no que toca a determinadas matérias - a proposições originadas na Casa parlamentar, em sistemas de governo em que se concentrem monocraticamente a Chefia de Estado e a de Governo na figura de um Presidente da República, de um Governador do Estado ou, ainda, de um Prefeito Municipal. O tema nos permite, por sua própria natureza e em virtude do relevante e controverso tratamento dispensado ao instituto na Teoria do Direito, explicitar e atualizar, nos vários desenvolvimentos do trabalho, o nosso modo de entender a Filosofia do Direito e o seu relacionamento com a Ciência Jurídica. Esperamos que, mediante tais desenvolvimentos, integrados nesse exercício filosófico mais global, possamos prover o método do rigor necessário à apreensão conceitual específica e propriamente jurídica do instituto. Especificidade que, consoante os fins analíticos distintivos e críticos que requer, implica, por sua vez, a exata compreensão de toda a riqueza e complexidade das características que conformam os contornos próprios do instituto nos respectivos quadros constitucionais, informados por distintos postulados filosóficos, políticos, jurídicos e sociais que integra ao longo da sua destacada e tormentosa história.

perfeição da lei, em

políticos, jurídicos e sociais que integra ao longo da sua destacada e tormentosa história. perfeição da

Antes de procedermos à colocação do problema em seus próprios termos, convém indagar o que é sanção. Talvez a etimologia da palavra possa ter o condão de nos fornecer uma primeira imagem do nosso objeto, ainda que vaga e aproximativa, posto que inicial.

1.1 Etimologia do vocábulo

r O termo procede do latim sanctio, sanctionis de sanciere, ato de tornar santo, respeitado,
r O
termo procede do latim sanctio, sanctionis de sanciere, ato
de tornar santo, respeitado, e, para Eichoff, o verbo derivaria da raiz
sânscrita sah, tomar, fixar. Pott invoca, com dúvidas, o sânscrito
cank, temer, respeitar, embora considere mais provável haver o
termo resultado da composição das raízes sâiiscritas sa e anc, honrar,
venerar; por outro lado, Pictet, cuja posição encontra respaldo nos
estudos mais atuais, atribui ao vocábulo a mesma raiz de sanctus,
sanc, daí também sacer, sagrado").
/
\\ A etimologia nos fornece a conotaçáo original e primitiva da
palavra. Designava o ato de caráter sacro mediante o qual se erigia
algo à categoria de inviolável ou, ainda, a previsão ou aplicação de
-k
um castigo para o pecado(2),para a transgressão de uma suposta v
ordem transcendente, necessária por natureza, que exigiria, para a
sua própria recomposição, com base no princípio da retribuição, a
imputação de pena equivalente ao transgressor - a justiça de ta-
1iã0'~).J/

A palavra já denotaria, então, os dois sentidos jurídicos

básicos que hoje lhe são atribuídos, reconhecidos, ainda no Império, pelo catedrático de Direito Público e Direito Civil da Faculdade do Recife, Braz Florentiiio, companheiro atuante de Nabuco de Araújo no partido conservador, presidente de província e magistrado do Império do Brasil: "aplicada às leis, a palavra sanção ( umas vezes

exprime a penalidade anexa à transgressão dos preceitos do à transgressão dos preceitos do

)
)
)
)

legislador ( outras vezes, e particularmente nos governos

legislador ( outras vezes, e particularmente nos governos (') LAROUSSE, Pierre. Grand Dictionnaire Universel
legislador ( outras vezes, e particularmente nos governos (') LAROUSSE, Pierre. Grand Dictionnaire Universel

(') LAROUSSE, Pierre. Grand Dictionnaire Universel du XIX" Siècle. S.l:

Larousse e Cie, s.d. Tomo X I V . INSTITUTO DE ESTUDIOS POLÍTICOS. Dicionbrio de

Larousse e Cie, s.d. Tomo XIV. INSTITUTO DE ESTUDIOS POLÍTICOS. Dicionbrio de Ciencias

KELSEN, Hans. Sociedade y Naturaleza. Bueno Aires: Editorial de

(3)
(3)

Sociales. Madrid, 1976. p. 816 (Patrocínio da UNESCO).

Palma, 1945. p. 79 e ss.

Aires: Editorial de (3) Sociales. Madrid, 1976. p. 816 (Patrocínio da UNESCO). Palma, 1945. p. 79

constitucioiiais,significa a aprovação dada pelo Chefe do Estado nos projetos de lei discutidos e votados pelas Câmaras; e este é o sentido mais moderno em que agora temos de e~tudá-la'~~). Essa primeira imagem difusa do instituto no procedimento legislativo poderá vir a ganhar contornos mais nítidos se, em seguida, procedermos, como sugere Braz Florentino, à individuação do sentido especificamente moderno do vocábulo. A aparente imutabilidade dos sentidos invocados pelo termo apenas se torna possível quando se desconheçam, graças ao nível de generalidade em que se esteja, as diferenças abissais que separam o Estado e o Direito moderno daquelas outras formas de organização político-jurídicaque tiveram lugar na Antiguidade e na Idade Média. Busquemos, pois, mesmo que rapidamente, localizar o contexto histórico em que foi criado e denominado o instituto, bem como proceder à análise diacrônicado mesmo.

bem como proceder à análise diacrônica do mesmo. 1.2 Origem histórica e linhas gerais de evolução
bem como proceder à análise diacrônica do mesmo. 1.2 Origem histórica e linhas gerais de evolução
bem como proceder à análise diacrônica do mesmo. 1.2 Origem histórica e linhas gerais de evolução

1.2 Origem histórica e linhas gerais de evolução da sanção do Chefe de Estado no procedimento legislativo-monárquico e republicano

Ao processo que Alexandre K~yré'~)denomina de infi- nitização do universo na Física. o qual ganha corpo nas obras de Kepler, Copémico e fundamentalmente Galileu, corresponderá o processo que podemos identificar como de finitização e humanização do político, do jurídico e do social, atualizado teoricamente nas obras de Maquiavel, Bodin, Hobbes, Grocius, Althussius e tantos outros. Ao contrário da visão hegemônica que até então conformara os conceitos de Direito e de Estado - segundo a qual o Direito se apresentava diretamente como a coisa devida, para usar os termos de Santo Tomás de Aquino; devida porque rigidamente ancorada na imutabilidade e fixidez das organizações sociais estratificadas,e que, por sua vez, tornava o Direito um sistema hierarquizado, composto de distintas ordens de privilégios e a organização política respectiva a expressão natural e necessária desse mesmo sistema, em que

SOUZA, Braz Florentuio Heiuiques de. Do Poder Moderador; ensaio de direito coivititucional contendo a análise do Título V, Capítulo I, Do Poder Moderador; ensaio de direito coivititucionalcontendo a análise do Título V, Capítulo I, da

Coiistituiçãopolítica do Brasil. Brasília: Seiiado Federal, 1978. p. 107. Coiistituiçãopolítica do Brasil. Brasília: Seiiado Federal, 1978. p.

KOYRÉ, Alexandre. Do Mundo Fechado ao Universo Infinito. São

Paulo: Foreiise Universitária, 1979.

1978. p. 107. KOYRÉ, Alexandre. Do Mundo Fechado ao Universo Infinito. São Paulo: Foreiise Universitária, 1979.

legitimado por razões de ordem transcendental, o comando político incumbiria sempre àqueles integrantes da mais alta escala -na hierarquia social - tais conceitos serão redefinidos como construções, converições liumaiias originadas de pactos, contratos sociais. Como bem salienta Marc~se'~),os valores retirados da realidade objetiva tornam-se subjetivos, e o único modo de salvar- lhes alguma validade será, desde o início, reclamar-lhes abstrata e inofensiva sanção metafísica. Essa nota distintiva da modernidade - a idealidade dos valores - logo reclamará, no entanto, não apenas a chancela abstrata da razão, mas, exatamente em nome desta última, tanto a remodelação da organização política pela configuração do Estado como garante desses valores, já que a ele compete atribuir-lhes força efetiva, mediante a previsão de sanções coercitivamente impostas àqueles que não os observassem, quanto a redução do Direito à lei estatal. É de se ressaltar que o Estado absoluto representou a primeira

e mais incipiente manifestação do Estado Moderno, e assim descreve

Bobbio o seu surgimento, salientando, de forma magistral, as características do Direi10 e da organização política na sociedade me- dieval:

"O Estado absoluto nasce da dissolução da sociedade medi- eval que era de caráter eminentemente pluralista. Dizendo que a sociedade medieval tinha caráter pluralista, queremos afirmar que o Direito, segundo o qual estava regulada, originava-se de diferentes pontos de produção jurídica e estava organizado em diversos ordenarnentos jurídicos. No que diz respeito às fontes, operavam na sociedade medieval, ao mesmo tempo, ainda que com diferente eficácia, os vários fatos ou atos normativos que, em uma teoria geral das fontes, são considerados como possíveis fatos constitutivos de iiormatividade jurídica: o costume (direito consuetudinário), a vontade da classe política que detém o Poder Supremo (direito legislativo), a tradição doutrinária (direito científico), a atividade das Cortes de Justiça (direito jurisprudencial). Com relação à pluralidade dos ordenamentos, pode-se dizer em geral que existiam ordenamentos jurídicos originários e autônomos, seja acima do regnum, isto é, a Igreja e o Império, seja abaixo, como os feudos, as comunas, as corporações. Em uma sociedade na qual não existe um poder único e unitário, não existindo, portanto, um critério único de

não existindo, portanto, um critério único de 'MARCUSE, Hebert. A ideologia da sociedade
não existindo, portanto, um critério único de 'MARCUSE, Hebert. A ideologia da sociedade

'MARCUSE, Hebert. A ideologia da sociedade industrial. Rio de

Janeiro: Zahar. 1982. p. 144-145.

avaliação jurídica, os limites do poder estão incluídos na sua própria estrutura, segundo o equilíbrio recíproco que os vários poderes produzem com a sua concordia discors e discordia concord7)". Bobbio, no trecho citado, apresenta não apenas as características daquele universo social em processo de dissolução, mas explicita também um fato pouco lembrado pelos autores em geral, que, talvez por o considerarem por demais óbvio, terminam por relegá-lo a segundo plano. Trata-se da guestão dos limites do poor, que, se era pouco tematizada pelos autores do período ante- rior, tal se devia exatamente ao fato de que esses limites integravam

se devia exatamente ao fato de que esses limites integravam própria estrutura do sistema: decorriam como

própria estrutura do sistema: decorriam como que naturalmente da

Iconsideração orgânica das posições ocupadas na hierarquia social pelas diversas potências em jogo. Na medida em que se solapa a estrutura anterior concenfnndo-se o poder em um único pólo emissor de normas jurídicas - o Soberano - destrói-se também aquele sistema de garantia dos privilégios. Ao processo de afirmação de uma vontade estatal soberana, portanto única, importará também desde cedo a preocupação contrária de se buscar construir sobre novas bases o sistema de limites a esse poder e de garantias dos i governados contra os possíveis abusos do governante. E o cons- titucion?lisrno que surge, recolocando a questão em termos racionais. E no seio desse processo de unificação das fontes de produção na lei - de redução do Direito à lei -, enquanto expressão da vontade soberana do Estado, que o instituto objeto de nosso

) / 1Ia a
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/
1Ia
a
do Estado, que o instituto objeto de nosso ) / 1Ia a trabalho intervém. Mais exatamente

trabalho intervém. Mais exatamente quando ao Parlamento, ou melhor, aos Estados gerais, é reconhecida a competência para votar não apenas as leis tributárias, mas as leis em geral, reservando-se ao Monarca a prerrogativa da última palavra sobre a adoção ou não da norma proposta, que se tornava lei com a sua aquiescência, mediante a aposição do selo real e, portanto, com a sua pronúncia I 1 formal em nome do Estado. Assim é que para Juan A. Santamaria "& sanción regia de las leyes es una institución que hunde sus rajces en !os albores mismos de1 coiistitucio~~alisrno.Los Estados que realizan

de1 coiistitucio~~alisrno. Los Estados que realizan dentro de una estrutura monárquica revolución liberal 1
de1 coiistitucio~~alisrno. Los Estados que realizan dentro de una estrutura monárquica revolución liberal 1

dentro de una estrutura monárquica

Estados que realizan dentro de una estrutura monárquica revolución liberal 1 compatibilizan esta con e1 nuevo

revolución liberal

1 compatibilizan esta con e1 nuevo principio de la soberania naiional

1estabeleciendo un sistema de coparticipación de1 Rey y de1

Parlamento en e1 processo legislativo al modo británico, confirieiido

éste Ia potestad de aprobar Ia ley y a1 Monarca la de sancionarla:

\
\

BOBBM. Norberto. Direito e Estado no Pensamento L Emnnuel Kant.

Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1984. p. 11 e ss.

Direito e Estado no Pensamento L Emnnuel Kant. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1984. p. 11

ambas acciones son parte indivisible de una misma actividad, la de hacer las leyes, que corresponde conjuntamente a1 Rey con e1 Parlamento, King in Parliament"(8).A História inglesa é efetivarnente paradigmática no que se refere às origens e às linhas de evolução do instituto nas Monarquias Constitucionais e, mesmo posteriormente, nas Monarquias Parlamentares. E ainda, essa mesma História, como veremos, não deixará de exercer sua influência no procedimento legislativo de algumas repúblicas. O fato de buscarmos a solução especificamente jurídica de um problema tópico não nos autoriza a desconhecer as demais dimensões que necessariamente informam e conformam o instituto, tendo-se em vista a centralidade encomendada ao mesmo no procedimento legislativo e o relevo atribuído às regras constitucionais atinentes à formação da lei, acolhidas em determinado Estado para a configuração da própria forma de governo que o caracteriza. E é desse modo que buscaremos empreender agora uma análise, ainda que limitada, do instituto e de suas linhas básicas de evolução no quadro geral do Direito Constitucional Positivo diacrônica e sincronicamente comparado, tanto no que se refere às mais significativas Constituições monárquicas quanto no que diz respeito àquelas Constituições republicanas diretamente vinculadas ao instituto de que nos ocupamos.

1.2.1 A sanção do Chefe de Estado no procedimento legislativo acolhido em Estado Monárquico

Sigamos de perto, de início, as lições de Joseph Barthélem~'~), no que se refere às linhas gerais de inserção diacrônica da Monarquia Constitucional na história segundo as doutrinas gerrnânicas buscando, ainda, delinear o contexto no qual é forjado originalmente

o instituto. A forma monárquica de governo enquanto tal - ou seja, enquanto forma de governo caracterizada por um princípio específico, fundamento da autoridade do governante, da obediência

fundamento da autoridade do governante, da obediência (1' SANTAMARIA, Juan A. Comentário a1 artículo

(1' SANTAMARIA, Juan A. Comentário a1 artículo 91. In: FALLA, Garrido (coord.). Co~zmetáriosa lu Constitución. Madrid, Ed. Civitas, 1980. p. 917. c9) BARTHÉLEMY, Joseph. Les théories royalistes dans Ia Doch-ine Alle- mande Contemporaine. Révue du Droit Public et de la Science Politique en France et ci l'Etranger, Paris, tomo 22. p. 723 e ss, 1905.

Droit Public et de la Science Politique en France et ci l'Etranger, Paris, tomo 22. p.
Droit Public et de la Science Politique en France et ci l'Etranger, Paris, tomo 22. p.
Droit Public et de la Science Politique en France et ci l'Etranger, Paris, tomo 22. p.
Droit Public et de la Science Politique en France et ci l'Etranger, Paris, tomo 22. p.

do governado e do processo de escolha do governante, em virtude do

qual são disciplinadas e organizadas as relações entre

governados(10)-, consoante as garantias ao direito e a influência dos governados na gestão dos negócios públicos que assegura, comporta as categorias da Tirania ou do Despotismo, da Monarquia Absoluta e da Monarquia Constitucional ou Limitada. A Tirania ou Despotismo, categoria utilizada por autores da ilustração, como Montesquieu e Voltaire, para caracterizar Monarquias orientais, como a Pérsia e a China, é aquela em que o Monarca, além de possuir em fruição a totalidade do Poder Público, exerce-o livremente, sem reconhecer qualquer regra escrita ou costumeira, ignorando-se, assim, de todo, o Direito Público. na Monarquia Absoluta, embora o Monarca

governantes e

igualmente concentre em suas mãos a soma dos poderes do Estado, por sua vontade toda poderosa, estabelece as regras que limitam os seus próprios poderes e se obriga a observá-las, enquanto ele próprio não as tenha ab-rogado. Essa tênue característica da autolimitação do Monarca é o elemento distintivo da Monarquia Absoluta em relação à categoria anterior, e é de se relevar que contemporaneamente indica o surgimento daquela forma de organização do poder político que convencionarnos denominar de Estado Moderno, ainda que em seu primeiro estágio. O Monarca, porém, sempre pode modificar tais regras, pois não se encontram forjados os mecanismos de controle que o constitucionalismo viria suprir deslocando aqueles que, de

o constitucionalismo viria suprir deslocando aqueles que, de (I0 Como demonstra José Alfredo de Oliveira Baracho

(I0 Como demonstra José Alfredo de Oliveira Baracho (BARACHO, José A. O. Formas de Governo e Regimes Políticos. Revista da Faculdade de DireitolUFMG, Belo Horizonte, Vol. 30, n" 28-29, p. 75 e ss, 19851 86), o tema clássico das formas de governo a tal ponto ganhou complexidade,enquanto a doutrina buscou acompanhar o dinamismo, a pluralidade, a diversidade e a expansão mundial que caracterizam o fenômeno constitucional no curso desse século, que a riqueza dos instrumentos categoriais forjados e disponíveis para uma adequada apreensão do objeto requer, no nosso caso, para a consecução de um

maior rigor conceitual e conseqüente clareza da exposição, a definição, em seus aspectos essenciais, das categorias atinentes utilizadas ao longo do presente trabalho, consoante às exigências da própria pesquisa.

Assim é que nos utilizaremos da expressão f~rna_de

Assim é que nos utilizaremos da expressão f~rna_de governo para designar aquela primeira distinção, de origem

governopara

designar aquela primeira distinção, de origem clássica, entre os princípios em virtude dos quais se organizam e se disciplinam as ~laçõesentre govemantes e govema$s. Buscamos por seu intermédio a determinação das formas específicas de organização do poder político consoante a& distintos fundamentos da sobéraniai empr&tandó-seao

de organização do poder político consoante a& distintos fundamentos da sobéraniai empr&tandó-se ao
de organização do poder político consoante a& distintos fundamentos da sobéraniai empr&tandó-se ao
de organização do poder político consoante a& distintos fundamentos da sobéraniai empr&tandó-se ao
de organização do poder político consoante a& distintos fundamentos da sobéraniai empr&tandó-se ao
de organização do poder político consoante a& distintos fundamentos da sobéraniai empr&tandó-se ao
8 4 3 - & 3 forma aparentemente natural, pareciam decorrer da própria organização política

8

4

8 4 3 - & 3 forma aparentemente natural, pareciam decorrer da própria organização política feudal

3

-&

3

forma aparentemente natural, pareciam decorrer da própria organização política feudal agora em processo de dissolução. A Monarquia Constitucional ou Limitada, por sua vez\)implica a transação do Princípio Monárquico com o Republicano da repre- sentação dos governados, resultando no fato de que o poder do Monarca é limitado por regras de que ele não mais pode dispor por si só. Em outros termos, o único órgão legislativo precedente de caráter régio vem a ser substituído por um Poder Legislativo mais complexo, composto de três órgãos distintos e paritários: o Rei, a Câmara Alta, ou dos Lordes, e a Câmara Baixa, ou dos Comuns, que encontra perfeita tradução naquela fórmula britânica, já referida: King ir1 Par-

liament.+

j á referida: K i n g i r 1 Par- liament .+ Na Idade Média,
j á referida: K i n g i r 1 Par- liament .+ Na Idade Média,
j á referida: K i n g i r 1 Par- liament .+ Na Idade Média,
j á referida: K i n g i r 1 Par- liament .+ Na Idade Média,

Na Idade Média, [o reino inglês] havia sido dos mais

centralizadqda Europa. Nos séculos XVI e XVII, quando os reinos

organização administrativa típica do Estado absolutista, a Monarquia 8'

inglesa s6 pôde realizá-la de forma incompleta. nos fins do século

europeus, sobretudo a França e a Espanha, constituíram a

europeus, sobretudo a França e a Espanha, constituíram a vocábulo forma um sentido bastante próximo daquele
europeus, sobretudo a França e a Espanha, constituíram a vocábulo forma um sentido bastante próximo daquele
europeus, sobretudo a França e a Espanha, constituíram a vocábulo forma um sentido bastante próximo daquele

vocábulo forma um sentido bastante próximo daquele que ihe atribuía

Aristóteles, ou seja, aquele fator capaz de traduzir a essência de um ser. Revela-se, assim, que a análise que aí recai cinge-se aos fundamentos filosóficos da organizaçào política. Por outro lado, por sistema de g~oentendemos a categoria que nos permite distinguir, em nível mais operacional e técnico, os diversos modos de se organizarem e 3% se estruturarem os órgãos supremos do Estado, mediante a análise das

competências atribuídas a cada um e das

estabelecidas, para a consecução das funções consideradas primordiais. Distinção categoria1 originalmente formulada por Jean Bodin (De lu Republique, Livro I, Cap. VIU e Livro SI, Cap. VII) entre a análise da titularidade da soberania e a análise do seu exercício que, I respectivamente, denomina de indagações acerca das formas de Estado e das formas de Governo. É de se ressaltar que, quanto a n6s, no entanto, optamos pela expressão formas de Governo para designar a análise da titularidade da soberania, reservando a expressão formas de Estado para o estudo do problema da distribuição espacial do Poder estatal, ou seja, aquele da centralização ou descentralização do Poder

do Estado, que resulta na

Estado unitário e o Estado federal.

O emprego das categorias conceituais resultantes da análise das formas de governo e dos sistemas de governo tal como definidos em âmbitos

distintos de análise, revelar-se-á útil para alguns

essenciais da presente pesquisa como, por exemplo, o que se relaciona à analise diacrônica da Monarquia, permitindo-nos, por um lado, reconhecer a Monarquia Constitucional como categoria pertinente às

I

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às I I i I I I I I I I I I I 1 I

relagões que entre eles são

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identificação das duas categorias gerais, o

desenvolvimentos

I I I I I I I I I 1 I relagões que entre eles são

SI11 surgia o Parlamento, que se diferencia em duas Câmaras surgia o Parlamento, que se diferencia em duas Câmaras

distintas no curso do sécuio XIV, e que bem cedo iniciou a prática de enviar as chamadas humble petitions ao Soberano, para que este proclamasse determinados dispositivos legislativos, todas as vezes que fosse por aquele convocado para aprovar o pedido de imposição tributária. Lentamente. tais veticões vieram a se transformar em verdadeiros e próprios bills, ou prosetos de lei, conformando a

B projetos sem

que os modificasse ou, então, que os rejeitasse de todo. Assim é que,

no curso do século XVI, bem antes do século XVIII, quando foram instituídos, em todos os reinos europeus, os Estados Gerais, a nobreza e a aristocracia mercantil inglesas conseguiram obter para o '1.Parlamento competências particularmente extensas para a época, não @.apenas a de votar os impostos, mas também a de submeter B sanção // régia, como proposi@io de lei, um projeto jS aprovado pelas duas Casas do Parlamento, sobre qualquer matéria, bem como o poder de

do Parlamento, sobre qualquer matéria, bem como o poder de participação da Coroa, no sentido de
do Parlamento, sobre qualquer matéria, bem como o poder de participação da Coroa, no sentido de
do Parlamento, sobre qualquer matéria, bem como o poder de participação da Coroa, no sentido de

participação da Coroa, no sentido de que sancionasse o

de participação da Coroa, no sentido de que sancionasse o formas de Governo, e por outro,
de participação da Coroa, no sentido de que sancionasse o formas de Governo, e por outro,

formas de Governo, e por outro, a Monarquia Parlamentar como expressão típica de um mero sistema de governo, por não afetar, ainda que minimamente, a atribuição da titularidade da soberania exclusivamente ao povo, aos governados. A análise, contudo, em virtude da complexidade de que-se revestem as organizações políticas

atuais. não

poderá restringir-se aos aspectos estritamente normativos

constitucionãis, daí recorremos também à categoria analítica dos & gimes Políticos, tal como a empregam Pablo Lucas Verdu ("La Lucha por e1 Estado de Derecl~o",publicaciones de1 Real Colegio de Espaíía, Boloíía, 1975, p. 13 e ss.) e Juan Ferrando Badia ("Democracia Frente a Autocracia. Hacia uma democracia economica, social y política", Edi- torial Tecnos, Madrid, 1980) entre outros, que além de açambarcar os aspectos envolvidos nas categorias de análise anteriormente referidas, n6s permite resgatar a dinamicidade do ordenamento constitucional, na medida em que a estrutiiração e a coordenção institucionais normativamente previstas são informadas e atualizadas por concepções políticas, histórica e sociologicamente cognoscíveis. O emprego de tal categoria de análise nos permitirá, dessa forma, proceder à imprescindível síntese dos elementos ideológicos e de organização política de caráter normativo com urna determinada estrutura social concreta e historicarneiite datada, viabilizando a apreensão da prática efetiva que, por sua vez, conforma a eficácia do ordenaineiito. As?in, por Regime Político entendemos, com José Alfredo de Oliveira Baraclio (op. cit., p. 127),o "coinplexo estrutural de princípios e forças políticas que configuram determinada concepção do Estado e da Sociedade e que inspiram seu ordenamento jurídico".

políticas que configuram determinada concepção do Estado e da Sociedade e que inspiram seu ordenamento jurídico".
políticas que configuram determinada concepção do Estado e da Sociedade e que inspiram seu ordenamento jurídico".
políticas que configuram determinada concepção do Estado e da Sociedade e que inspiram seu ordenamento jurídico".
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políticas que configuram determinada concepção do Estado e da Sociedade e que inspiram seu ordenamento jurídico".
políticas que configuram determinada concepção do Estado e da Sociedade e que inspiram seu ordenamento jurídico".

julgar e demitir funcionários reais. A centralização precoce do Estado em um pequeno país insular havia engendrado um constitucionnlismo particularmente ativo como mentalidade de uma nobreza que não tinha possibilidade, como no continente, de expressar sua iiisubordinação mediante a separação de suas herdades.? No entanto, desde os fins do século XV até a revolução de 1648, teve lugar um verdadeiro absolutismo na Inglats embora o mesmo se vinculasse àqueles absolutismos mais fracos e tardios, como os que ocorreram na Dinamarca e na Suécia. Absolutismo que teve seu

apogeu nos reinados de Henry VI11 e sobretudo no de sua Eilha

nos reinados de Henry VI11 e sobretudo no de sua Eilha Elizabeth I. Como em outros

Elizabeth I. Como em outros países, esse absolutismo pressuputihãã submissão dos Estados Gerais à figura do Monarca, mediante uma política real de compção, de intimidação e de espaçamento das reuniões ou mesmo de ausência de convocação por decênios. Teórica

e praticamente, o Rei se afirma de forma efetiva como o "princípio,

a cabeça e o fim" do Parlamento. Elizabeth I, em 1597, sanciona 43

bills, e rejeita 48. Em 1606, James I, ao dar sua sanção a todos os bills ressalta que ele concede ao Parlamento um favor todo espe- cial(ll).Charles I, como diz Raoul Bompard, "se considère comme ayant reçu de ses pères, eii liéritage, le pouvoir suprême en Angleterre. Sans le concours du Parlemeilt, i1 peut faire la loi, et même lever des subsides. S'il lui en demande, ce n'est point parce que c'est le seu1 moyen d'eii obtenir, mais parce que c'est le plus convenable, celui qui s'accorde le mieux avec ses gracieuses inten- tions et le désir de ses sujets. I1 fait la loi quand i1 sanctionne des projets votés par le Parleinent; i1 peut donc dispenser des lois qu'il a sanctionnées. I1 choisit librement ses conseillers et i1 déclare au

Parlement que, si on lui refuse les moyens de gouverner, i1 aura le devoir d'user des autres inoyens que Dieu a mis entre ses mains pour sauver ce que compromettrait Ia folie des h~inrnes"('~~.E é esse absolutismo ingênito dos Stuarts, aliado à grave depressão econômica que caracterizará, em toda a Europa, as décadas de 1620 e 1630, após o loligo período de intensa exparisão econômica verificada desde o século XIV, e às especificidades que marcavam a pequena nobreza inglesa(13),que conduz o Monarca a recorrentes e

nobreza inglesa(13), que conduz o Monarca a recorrentes e (") (I3) 'I'' BOMPARD, Raoul. Le veto
nobreza inglesa(13), que conduz o Monarca a recorrentes e (") (I3) 'I'' BOMPARD, Raoul. Le veto

(")nobreza inglesa(13), que conduz o Monarca a recorrentes e (I3) 'I'' BOMPARD, Raoul. Le veto du

(I3)
(I3)

'I'' BOMPARD, Raoul. Le veto du Président cle lu République et lu Saizc- tion Royale. Paris: Artliur Rousseau Éditeur, 1906. p. 16.

BOMPARD, Raoul. Op. cit., p. 23-24. Várias particularidades da História inglesa são devidas à ação de unia classe social que g'anha, na época, contornos tipicamente insulares, a pequena nobreza, cliainada geiztry em oposição à alta iiobreza,

na época, contornos tipicamente insulares, a pequena nobreza, cliainada geiztry em oposição à alta iiobreza,

cada vez mais graves conflitos com o Parlamento. Tais aspectos, conjugados com os fatores da política externa inglesa, por sua vez, cul&&am na I Guerra Civil de 1642 - 1646 e na segunda de 1648,- com-a execução pública de Charles I e a proc1arm~a.ão@ Re~ública (commonwealth) em 1642. O Parlamento, por outro lado, afirmava aue o Rei deve governar submetendo-se à lei votada pelos representantes da Fkção e por ele mesmo sancionada, que a sanção não faria por si só a lei, mas que a lei regularmente feita e sancionada obriga o próprio Soberano, e que, por conseqüência, não poderia este dispensar ninguém de obedecer a ela ou de negar-lhe e~ecução''~).No entanto, ames I, 1603-1625, e depois seu filho Charles I, 1625-1649, aplicaram-se metodicamente na defesa do que denominavam as prerrogativas reais, buscando reforçar o absolutismo-monárquico. Apesar dos choques constantes com a

absolutismo-monárquico. Apesar dos choques constantes com a Várias particularidades da História inglesa são devidas
absolutismo-monárquico. Apesar dos choques constantes com a Várias particularidades da História inglesa são devidas
absolutismo-monárquico. Apesar dos choques constantes com a Várias particularidades da História inglesa são devidas
absolutismo-monárquico. Apesar dos choques constantes com a Várias particularidades da História inglesa são devidas
absolutismo-monárquico. Apesar dos choques constantes com a Várias particularidades da História inglesa são devidas
absolutismo-monárquico. Apesar dos choques constantes com a Várias particularidades da História inglesa são devidas
absolutismo-monárquico. Apesar dos choques constantes com a Várias particularidades da História inglesa são devidas
absolutismo-monárquico. Apesar dos choques constantes com a Várias particularidades da História inglesa são devidas

Várias particularidades da História inglesa são devidas à aqão de uma classe social que ganha, na época, contornos tipicamente insulares, a pequena nobreza, chamada l~leE_oposição_alta nobreza, denominada[nobilityjSeus representantes no Parlamento tinham assento no terceiro Estado, a Câmara Baixa ou dos Comuns, juntamente com os representantes das cidades. O segundo Estado, a Câmara dos Lordes, compunha-se de vinte e seis bispos e de um certo número de grandes senhores, a nobility, ou os pares do Reino. A Câmara dos Comuns era integrada por noventa Deputados dos condados, quatrocentos das cidades e quatro das Universidades. Na realidade, o recente enobrecimento de famílias de origem burguesa, o caráter comercial de suas atividades em suas terras, a ausência de cargos no exército e na burocracia, haviam mercantilizado a pequena nobreza inglesa. Ela defende seus privilégios originários, mas até mesmo envia seus primogênitos para aprenderem com os mercadores, e um grande número de seus membros são advogados, médicos, professores, todas essas profiss6es habituais ou mesmo impensáveis no continente para os membros dessa classe social. Seu peso nas definições políticas do Estado é mais do que considerável. Como as grandes cidades adquiriram o hábito de escollier dentre eles os seus Deputados à Câmara dos Comuns, devido a seu peso econômico e Srs suas relações de influência política, os membros da genriy constituíam entiío a quase Itotalidadedos Deputados na Câmara Baixa. Buscaremos a seguir traçar as linhas gerais desse período que marca os primórdios da sanção régia no procedimento legislativo, precisamente com o fim de comprovar a assertiva de que o instituto poderá surgir, enquanto dotado daquelas características mínimas de juridicidade que nos permitem reconhecê-lo, no quadro da monarquia constitucional.

daquelas características mínimas de juridicidade que nos permitem reconhecê-lo, no quadro da monarquia constitucional.
daquelas características mínimas de juridicidade que nos permitem reconhecê-lo, no quadro da monarquia constitucional.

maioria puritana e originária da gentry na Câmara dos Comuns, eles parecem alcançar seu intento. Sempre que o Parlamento se recusa a aprovar solicitações de imposiqões tributárias,com o fim de negociar determinadas políticas com a Coroa, eles arregimentam o capital necessário por meios paralegais, lançando mão de antigas prerrogativas reais já então condenadas por importantes setores sociais. São práticas como as de assumir a gestão das terras de herdeiro nobre menor, de obrigar nobres à aquisição de novos títulos de nobreza ou mesmo de vendê-los a burgueses, para citar as que os desgastavam com os membros da gentry; ou, mediante a venda de diversos direitos de monopólio a grupos de mercadores, para citar um exemplo de prática que a grande massa da burguesia abominava; e, ainda, a venda a grandes empreendedores agrícolas, nobres ou burgueses, do direito de drenar e utilizar os pântanos reais, a qual descontentava os camponeses em geral. Reforçavam os poderes disciplinadores dos bispos anglicanos, perseguiam os curas calvinistas e proibiam os escritos puritanos. Recusam-se a engajar a Inglaterra na Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) ao lado dos protestantes alemães contra a Espanlia. Pelo contrário, eles flertam com a Monarquia espanhola e mais, por desinteresse fundamental e falta de dinheiro, não sustentam a colonização da América do Norte, nem a Companhia das Índias Orientais, cujos lucros declinam na década de 30, e se recusam a enviar a frota de guerra ao Medi- terrâneo para proteger os mercadores ingleses que ali podiam ser contados aos milhares. A contestação da aliança com a Espanha, que coincide com o início do reinado de Elizabeth I e perdura por todo o século, marca a irrupção de interesses comerciais na definição da política externa inglesa. O absolutismo espanhol era, a um tempo, modelo político, polícia européia e o potencial provedor de fundos do absolutismo em toda a Europa, em virtude do mercantilismo. A política absolutista inglesa, portanto, inclinava-se para a aliança com

Obviamente, a matéria é aqui tratada de forma bastante sucinta. Para maiores informações sobre o período recomendamos a consulta is obras de:

ANDERSON, Peny. ~'ÉtatAbsolutiste.Paris: Maspero, 1978;

HILL, Cristoplier. The Century of Revolution, 1603-1714. Loiidoii:

Nélson Ed., 1981; ROOTS, Ivan. The Great Rebellion, 1642-1660. London: Bastford Ed.,

1979.

a Espanha. A discussão de James I com o Parlamento é uma constante do seu reinado. Em 1622, ele dissolve o Parlamento, sem que os impostos fossem aprovados, porque os comuns exigiam uma declaração de guerra à Espanha. O primeiro Parlamento de Charles I é dissolvido em 1626, sem ter votado os impostos aduaneiros. Charles I, no entanto, coleta-os com sucesso e ainda impõe a cobrança de empréstimo compulsório. No ano seguinte, cinco membros da gentry são presos por se recusarem a pagar o tributo, e o Rei consegue fazer com que sejam condenados pelos tribunais. Tal fato é relevante, porque revela a submissão à autoridade real não apenas dos tribunais de exceção como a chamada court of star cham- ber ou a court of high comission, esta última especializada em matéria religiosa, mas igualmente dos tribunais ordinários, do com- mon law, que, originalmente vinculados ao Parlamento e não ao Rei, aplicavam ao caso concreto não a vontade real, mas o Direito do Reino. Segundo este Direito, o Commomlaw, o empréstimo compulsório seria um tributo e, como tal, não poderia ser cobrado sem a aprovação do Parlamento. Na verdade, os tribunais resistiram ao Poder Real, mas os sucessivos expurgos de juízes, que tiveram lugar de forma sistemática durante toda a década de 1620, terminam por conduzi-los à total submissão na década seguinte. O segundo Parlamento contra-ataca e, em 1628, apresenta à ção real uma petição de direitos que veda as prisões arbitrárias e a brança de tributos não aprovados pelo Parlamento; como diz Bompard, menos para solicitar o seu consentimento do que para comprometê-lo pela sanção aposta, pela palavra dada. O Rei sanciona o bill e negocia um compromisso que lhe asseguraria a aprovação de determinada imposição tributária. O compromisso fracassa. O Rei, por outro lado, dissolve o Parlamento. Charles I não mais convocará o Pylyento_por um período de onze anos, no qual o absolutismo triunfa. Partidários do Rei e opo~itores~~uritanosparecem acreditar que o Parlamento não mais se reunirá, da mesma forma como os Estados Gerais do Reino de França, reunidos pela última vez em 1614. A comparação é recorrente na época, e os Estados Gerais da França só voltariam a se reunir em 1789. Em 1628, Charles I chama aos seus serviços Thomas Wentworth, inicialmente como Presidente do Conselho do Norte em York, depois como Vice-Rei da Irlanda, onde aniquila uma revolta. Feito Conde de Strafford,ele é considerado por seus contemporâneos como o Richelieu do absolutismo inglês. Em 1633, Charles I nomeia William Laud, líder de um grupo de teólogos tradicionalistas anticalvinistas, Arcebispo de Canterbury e Primado da Inglaterra. O

líder de um grupo de teólogos tradicionalistas anticalvinistas, Arcebispo de Canterbury e Primado da Inglaterra. O
líder de um grupo de teólogos tradicionalistas anticalvinistas, Arcebispo de Canterbury e Primado da Inglaterra. O
líder de um grupo de teólogos tradicionalistas anticalvinistas, Arcebispo de Canterbury e Primado da Inglaterra. O
líder de um grupo de teólogos tradicionalistas anticalvinistas, Arcebispo de Canterbury e Primado da Inglaterra. O
líder de um grupo de teólogos tradicionalistas anticalvinistas, Arcebispo de Canterbury e Primado da Inglaterra. O
líder de um grupo de teólogos tradicionalistas anticalvinistas, Arcebispo de Canterbury e Primado da Inglaterra. O

Arcebispo Laud acentua a perseguição aos curas calvinistas, recrudesce a censura sobre às publicações, faz com que se ensine nas escolas a Teoria do Direito Divino dos Reis, reintroduz a suntuosidadenos aparatos e nas vestimentasdos ofícios religiosos e a separação dos fiéis dos altares por balaustradas. No reinado de Charles I, Strafford e Laud constituem os braços fortes do absolutismo. O Rei e seus Ministros fazem as leis, estabelecem e cobram os tributos, concedem favores de toda ordem e inclusive dispensam quem queiram do cumprimento da lei. Com a derrota de seus exércitos na Escócia e o fracasso do Tratado de Paz de Berwick, em julho de 1639, recomeçando a guerra na fronteira, Charles I, pressionado pela ausência de fundos para fazer face às despesas da guerra, convoca afinal o Parlamento Inglês em abril de 1640. O Parlamento não aceita nenhuma das exigêiicias reais, começa a questionar a legalidade de todos os atos dos onze anos precedentes e - negocia secretamente com os escoceses. Charles I dissolve o Parla- mento na terceira semana de reuniões e envia, para a prisão, os líderes da oposição parlamentar, O exército escocês avança sobre o território inglês, toma as cidades de Newcastle e Durham, e continua a sua marcha. Petições de todo o reino exigem nova convocação do Parlamento. Charles I tenta convocar apenas a Câmara dos Lordes, sob o nome de "GRANDE CONSELHO DO REINO", em York. Os nobres, contudo, recomendam-lhe a convocação do Parlamento. Em novembro de 1ó40, reúne-se o chamado ~onioParlamento, que com algumas depuraçoes perdurou até 1653. komeçava a Revolução Puritana de 1644 As eleições para a Câmara dos Comuns foram marcadas por uma extraordinária varticipação vopular. Decênios de inflação hãviarn, na prática, dekocratizado éxigêiicia legal da percepção de quarenta shillings para o exercício da cidadania. Por outro lado, em vários lugares, a população sem direito a voto inter- fere indiretamente no processo mediante pressões, movimentos e quebradeiras. Pela primeira vez Iiavia mais de um candidato por

cadeira em setenta das duzentas e setenta e nove circunscrições. Os candidatos da Coroa foram derrotados em todas as círcunscrições próximas a Londres. Assim, a oposição parlamentar pôde empreender a destruiçtio dos pilares absolutistas. Os puritanos presos são libertados e o Conde de Strafford e o Arcebispo Laud acusados e presos. O Rei sanciona os bills que Ilie são apresentados, aprovados por maioria avassaladora e sob pressão popular. Desse modo, segundo a clássica fórmula em normaiido antigo - Le roi les veut -

o Rei quer a supressiío dos tribunais de exceção, a exclusão dos bispos e dos coletores de impostos da Câmara dos Lordes, a

a supressiío dos tribunais de exceção, a exclusão dos bispos e dos coletores de impostos da
a supressiío dos tribunais de exceção, a exclusão dos bispos e dos coletores de impostos da
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a supressiío dos tribunais de exceção, a exclusão dos bispos e dos coletores de impostos da
a supressiío dos tribunais de exceção, a exclusão dos bispos e dos coletores de impostos da

execução de Strafford em praça pública, a abolição de todos os monopólios econômicos, salvo aqueles comerciais da Marchant Ad- ventures e da Companhia das Índias, que o Parlamento só possa ser por ele dissolvido, se assim o próprio Parlamento o desejar, e que esse se reúna trienalmente de pleno direito, sem necessidade de convocação real. Durante o verão de 1641, a peste assola a cidade de Londres. A tensão social cresce. O conflito retorna aberto e flagrante. No outono, hostes de iconoclastas tomam conta das cidades, bandos de plebeus radicalizados destroem os ornamentos das igrejas, candelabros, vitrais, balaustradas que separavam dos altares a

assistência, etc.

oportunismo da maioria dos Comuns", que nada faz para reprimir os

movimentos populares, passam a prestar apoio ao Rei. Os debates sobre as revoltas religiosas do outono dão origem a uma facção parlamentar de apoio ao Rei. Membros conservadores da nobility e da gentry temiam a política dos líderes dos Comuns por seus apelos à opinião pública, que lhes pareciam conduzir ao virtual colapso de toda a ordem social estabelecida, colocando em risco a garantia de seus privilégios, e, assim, gradualmente, voltam a apoiar o Rei. Em novembro, chega a Londres a notícia do massacre de Ulster, na Irlanda. Teme-se que, com o refortalecimeiito do exército real, este seja dirigido não contra os revoltosos irlandeses, mas contra o Parlamento em Londres. É então aprovado um projeto retirando do Rei o comando da milícia e a escolha dos oficiais. O Rei, apoiado por sua facção, nega sanção ao projeto, por não poder admitir que se lhe retirem as suas competências executivas específicas. Em 4 de

testa de um

janeiro de 1642, o Rei tenta um golpe de E%O,-A

destacamento militar, vem à Câmara dos Comuns para prender cinco líderes da oposição que acusa de alta traição. Qg_Qs-de Estado é frustrado pela mobilização dos londrinos e pe!ahjntervenção da milícia burguesa. O Rei deixa Londrese_g~efugiae_m Windsor. Em março de 1642, o Parlamento aprova uma resolução segundo a qual a sançlio real não mais poderia ser negada aos projetos de lei desejados pelo povo, ou seja, daí em diante, o Parlamento faria a lei, sem o

concurso volitivo do Rei(ls).Cliarles I empreende uma viagem para

Em 22-de-a-gosto de

Oxford com o fim de reunir seus partidários. 1642, começa a Guerra Civil.

Parlamentares, cada vez

mais "escandalizados pelo

a Guerra Civil. Parlamentares, cada vez mais "escandalizados pelo ('3 BOMPARD, Raoul. Op. cit., p. 30.
a Guerra Civil. Parlamentares, cada vez mais "escandalizados pelo ('3 BOMPARD, Raoul. Op. cit., p. 30.
a Guerra Civil. Parlamentares, cada vez mais "escandalizados pelo ('3 BOMPARD, Raoul. Op. cit., p. 30.
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BOMPARD, Raoul. Op. cit., p. 30.

Após uma série de vitórias os exércitos reais começam a *Arer derrotas impostas pelo Nev

Após uma série de vitórias os exércitos reais começam a *Arerderrotas impostas pelo Nev Model Aw, exército criado por Cromwell. e sob o seu comando. Organizava-se de forma moderna

pois nele o ingresso e a ascensão se verificavam com base no mérito

e não em critérios de nascimento. Nos anos de 1.644 e 1.645 o

exército liderado por Cromwell derrota as tropas realistas. Em 1.646,

Lorde Fairfax conquista, em nome do Parlamento, a cidade de Ox- ford, quartel general do Rei. Charles I refugia-se na Escócia. Os escoceses entregam o Rei ao Parlamento em troca do pagamento de uma indenização, muito reclamada, pelos custos de mobilização das tropas que invadiram a Inglaterra em 1.639. A primeira Guerra Civil encontrava o seu fim e tinha início o embate entre as forças políticas por ela geradas. Os membros dos baixos escalões do novo exército integram

em sua maior parte o movimento político dos(~eve1lers~facção política assim designada porque alguns de seus líderes reivindicavam não apenas a igualdade formal de todos perante a lei, mas pugnavam por uma igualdade material, pela defesa da propriedade comunitária. O movimento cresce, se enraíza e conta, inclusive, com o apoio receoso da elite militar que busca dirigir e moderar o projeto político dos Levellers. Setores conservadores do Parlamento, presbiterianos em sua maioria, conjuntamente com o Rei, planejam liberar-se da presença incômoda do exército promovendo a sua desmobilização ou enviando-o para a pacificação da Irlanda. Instala-se um jogo de forças políticas em que o Rei, o Parlamento e o exército são os principais atores. Em 1.647, o exército aprisiona o Rei, visando impedir a consecução dos planos e o desenvolvimento da aliança do Rei com os presbiterianos do Parlamento. O Conselho do Exército é I

instituído - órgão político em que têm

soldados rasos eleitos. Cromwell tem o controle político da situação, muito embora não consiga conter até o grau desejado a vaga

democratizadora que

apresentado em Putney or~nreementof the Peoplej o primeiro projeto de Constituição escrita de que se tem notícia, por Lillburne,

um dos líderes dos Levellers. O documento rejeita as idéias coletivistas e socializantes presentes no movimento e propõe a extinção dos monopólios e a liberdade de comércio, a propriedade privada, a separação da Igreja do Estado, a revisão dos débitos, a vedação de prisão por dívidas e o sufrágio universal masculino, amenizado por Lillburne para o voto familial, excluindo do direito

de sufrágio os assalariados,os criados, e os mendigos.

de sufrágio os assalariados,os criados, e os mendigos. assento igualmente oficiais e engolfa o exército. É

assento igualmente oficiais e

engolfa o exército. É nesse contexto, que é

assalariados,os criados, e os mendigos. assento igualmente oficiais e engolfa o exército. É nesse contexto, que
assalariados,os criados, e os mendigos. assento igualmente oficiais e engolfa o exército. É nesse contexto, que

Em novembro de 1.647, os Levelle~s,

sua facção mais

de Estado. O Conselho do

os Levelle~s, sua facção mais de Estado. O Conselho do radical, tentam um frustra&-golpe Exército é

radical, tentam um frustra&-golpe

Exército é então dissolvido pela elite militar vitoriosa. O Rei7

aproveitando-se da cisão no interior.-

reorganiza a contr~w.~. O exércitoI

no interior .- reorganiza a contr~w.~. O exército I do exército, foge do cativei~ se reunifica

do exército, foge do cativei~

se

reunifica_-

em

torno--

de

exército, foge do cativei~ se reunifica _- em torno -- de Cromwell que em rápida cainpa@gdecota

Cromwell que em rápida cainpa@gdecota os realistas e encerra a (segunda Guerra civilmais de cem realistas são expulsos do

"
"
Guerra civilmais de cem realistas são expulsos do " 'Parlamento, em suã-maioria presbiterianos, dando

'Parlamento, em suã-maioria presbiterianos, dando origem ao chamado Rump Parliament, o Parlamento "toco" ou "mutilado" . Em face da permanente ameaça de restauração que &i significava,L ele decapitado, por pressão do exército, em 30 de janeiro de 1.649. Em 6 de fevereiro do mesmo ano é extinta a Câmara dos Lordes e, em 19 de maio, a República ---Commonwe&th -$proclamada.

de maio, a República ---Co mmonwe&th -$proclamada. Eleições não foram convocadas sob a alegação dos
de maio, a República ---Co mmonwe&th -$proclamada. Eleições não foram convocadas sob a alegação dos
de maio, a República ---Co mmonwe&th -$proclamada. Eleições não foram convocadas sob a alegação dos
de maio, a República ---Co mmonwe&th -$proclamada. Eleições não foram convocadas sob a alegação dos

Eleições não foram convocadas sob a alegação dos perigos decorrentes da efervescência social e política. A República sentia-se ameaçada por todos os lados: pelos realistas, presbiterianos e anglicaiios com grande poder de manipulação eleitoral; pelos Level- lers, que propugnavam pela continuidade e radicalização social do

movimento revolucionário; pelos emigrados, que conspiravam do ex- terior e pela rebelião contra os ingleses na Irlanda. C_rom.weil lidera o

massacre dos líderes dos--Levellers,-- - --- ----reunidos- -

- - - - - - - - r e u n i d o s
ano,-Cromwell
ano,-Cromwell

em Burford, em ma=

1.749.-

Debelado-----o movimento-

em Burford, em ma= 1.749. - Debelado ----- o movimento - nivelador, no -esmo parte para

nivelador, no -esmo

1.749. - Debelado ----- o movimento - nivelador, no -esmo parte para a Irlanda a fim

parte para a Irlanda a fim de esientar a rebelião. Assume o Governo um conselho de ÉStado provisóriÕ.-Em abril de 1.653, o Longo Parlamento depurado é dissolvido. Assembléia integrada pelos partidários de Cromwell, o chamado Barbone Parliament, é constituída para elaborar uma Constituição. Redigido em 1.654,~

- ---

- . - -- -
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Pstru~i=t-õfc-6~~nment[aclaina.-

Cromwell Lorde Protetor da

Inglaterra, da Escócia, da Irlanda e de suas possessões. A constituição consagra a liberdade de imprensa, o ensino gratuito, o voto secreto, inclusive o feminino, porém censitário, e um Parlamento único para a Inglateira, Escócia e a Irlanda. Eleito o novo Parlamento, é logo dissolvido por entrar em conflito com Cromwell e com o exército. É de se ressaltar que o Poder Legislativo, 110 instrument of Government, era atribuído exclusivame~iteao Parlamento. Como salienta Esmein, ao Lorde Protetor - à Single Person - era atribuída uma competência em tudo similar à concedida pela Constituição francesa de 1875 ao Presidente da República, de solicitar, em vinte dias, nova deliberação ao Parlamento, que, se reaprovasse a lei por maioria simples, esta entraria em vigor, salvo se

dias, nova deliberação ao Parlamento, que, se reaprovasse a lei por maioria simples, esta entraria em
dias, nova deliberação ao Parlamento, que, se reaprovasse a lei por maioria simples, esta entraria em
dias, nova deliberação ao Parlamento, que, se reaprovasse a lei por maioria simples, esta entraria em
dias, nova deliberação ao Parlamento, que, se reaprovasse a lei por maioria simples, esta entraria em

versasse sobre matéria atinente à forma de governo(I6).No entanto, com a aprovação da humble petition de 1657, é a ele atribuído

autêntico poder de sanção, requerida de forma insuperável para formação da lei. Em 3 de setembro de 1.658, Cromwell morre e a República não sobreviverá a ele mais do que dezoito meses. Com a restauração, Charles I1 assume o trono e governa por

a restauração, Charles I1 assume o trono e governa por dezoito anos com o mesmo ~arlames

dezoito anos com o mesmo ~arlamessem maiores conflitos, pois se submete, na prática, à legislação limitativa do poder real anteriormente emanada. Os atos formais dessa legislação são, no entanto, excluídos da história coiistitucional inglesa, tal como Cromwell, Bradshaw e Irenton foram desenterrados do sepulcro de Westminster, enforcados e decapitados. A restauração requeria ã violência simbólica da destruição da memória dos corpos e dos atos dos regicidas para a construção do mito de uma história

constitucioiial inglesa pacífica e sem rupturas sangrentas. O sucessor

de Charles-

11, seu irmão James ---11, no entanto, busca reiiitroduz&íx$

James --- 11, no entanto, busca reiiitroduz&íx$ práticas absolutistas, sendo afastado por novo golpe de
James --- 11, no entanto, busca reiiitroduz&íx$ práticas absolutistas, sendo afastado por novo golpe de
James --- 11, no entanto, busca reiiitroduz&íx$ práticas absolutistas, sendo afastado por novo golpe de

práticas absolutistas, sendo afastado por novo golpe de Estadq que vem complementar o ciclo revolucioiiário de 1.640, consolidando o Estado de Direito e reforçando o mito de uma história pacífica e contínua. É assim que, com a chamada Revolução Gloriosa, de 1688,

Parlamento, sucedem a Jaime 11, no trono inglês 2 -o

Príncipe holandês William d'Oranqe e sua mulher Mary. Antes de subirem aotrono, juram a declaração de direitos apresentada pelo Parlamento. Assim, somente após a aceitação pública e formal dessa declaração, são eles coroados em 13 de fevereiro de 1689. Posteriormente, transformada em bill regular, os Soberanos a ela mais uma vez se vinculam pela sanção dada em dezembro de

mais uma vez se vinculam pela sanção dada em dezembro de decisão do 1 6 8

decisão do

se vinculam pela sanção dada em dezembro de decisão do 1 6 8 9 ( 1
se vinculam pela sanção dada em dezembro de decisão do 1 6 8 9 ( 1

1689(17).

dada em dezembro de decisão do 1 6 8 9 ( 1 7 ) . o

o Poder Real não mais poderia invocar a Doutrina do Direito Divino al//

do Soberano, aquela prescrição imemorial ciosamente defendida pelos Stuarts. O Poder Real existe por uma definição do Parlamento, por um contrato com os representantes da Nação. //

%surgia, dessa forma, a Monarquia Constitucional. Doravante,

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dessa forma, a Monarquia Constitucional. Doravante, h- ., ESMEIN, A. Les Constitutioiis, du Protectorat de
dessa forma, a Monarquia Constitucional. Doravante, h- ., ESMEIN, A. Les Constitutioiis, du Protectorat de

ESMEIN, A. Les Constitutioiis, du Protectorat de CROMWELF. Revue A. Les Constitutioiis, du Protectorat de CROMWELF. Revue

A. Les Constitutioiis, du Protectorat de CROMWELF. Revue du Droit Public' et de la Science Politique

du Droit Public' et de la Science Politique en France et a I'Etranger.

Paris, tomo 22, p. 193-208, 1899. Encyclopaedia Britannica. Paris, tomo 22, Cliicago, Londoli, vol. 3, 1951. p. 577. Cliicago, Londoli, vol. 3, 1951. p. 577.

MAITLAND, F. W. Tlie constitucional history of England. Cambridge:

University Press, 1955. p. 284.

p. 577. MAITLAND, F. W. Tlie constitucional history of England. Cambridge: University Press, 1955. p. 284.
Ao Soberano é reconhecida parcela do *PoderLegflativo. O Rei não pode fazer as leis por

Ao Soberano é reconhecida parcela do *PoderLegflativo. O

Rei não pode fazer as leis por si só,-susgender-l~&icác~m

tampouco ---dispensar----- alguém--

de observá-las. A sua aquiescência é,

alguém -- de observá-las. A sua aquiescência é, se torne entretanto, essencial para que um msrogroj_to

se torne

entretanto, essencial para que um msrogroj_to- um bill

pois, como afirma Locke: "Em algumas comunidades,

em que o Legislativo não está sempre reunido e o executivo está investido em uma única pessoa que também toma parte do Legislativo, esta pessoa única também pode chamar-se suprema, em sentido mui tolerável; não que tenha em si todo o poder supremo, que é o de fazer as leis, mas porque possui em si a suprema execução da qual todos os magistrados inferiores derivam os diversos poderes subordinados ou, pelo menos, a maior parte deles. Não tendo também qualquer Poder Legislativo a ele superior, não havendo lei que se possa fazer sem o consentimento dele que não se pode esperar se o submetesse à outra parte do legislativo, é bastante apropriadamente, neste sentido, supremo. Entretanto, deve observar- se que, embora a ele se prestem os juramentos de fidelidade e vassalagem, não os fazem como se fosse legislador supremo, mas como supremo executor da lei feita pelo poder conjunto dele e dos outros, nada mais sendo a vassalagem que obediênciaconforme a lei, que, quando ele viola, perde o direito à obediência, nem pode exigi- 10 ele viola, perde o direito à obediência, nem pode exigi- de outra maneira que como pessoa de outra maneira que como pessoa pública investida do poder da lei devendo assim considerar-se como a imagem, sombra ou representação da comunidade, atuando pela vontade da sociedade, declarada nas leis; e assim não tem vontade, ou poder, senão o da lei. Mas quando deixa essa representação, essa vontade pública, e passa a agir pela sua própria vontade particular, rebaixa-se e torna-se simplesmente pessoa particular isolada, sem poder e sem vontade,

lei - law -

particular isolada, sem poder e sem vontade, lei - law - da lei e o pressufiktò

da lei e o pressufiktò de-que o mesmo-a-ela se viqgle mediãnt-eã sanção dada. Como ressalta Bompard, diferentemente dos Stuarts, que não atribuíam qualquer importância às leis e, portanto, à sanção

qualquer importância às leis e, portanto, à sanção LOCKE, John. Segundo tratado sobre Governo. 2a ed.

LOCKE, John. Segundo tratado sobre Governo. 2a ed. São Paulo: Abril Cultural, 1978. p. 934 (Os John. Segundo tratado sobre Governo. 2aed. São Paulo: Abril Cultural, 1978. p. 934 (Os peiisadores Locke)

John. Segundo tratado sobre Governo. 2a ed. São Paulo: Abril Cultural, 1978. p. 934 (Os peiisadores

por eles aposta aos projetos, violando no verão o que haviam aprovado na primavera, William I11 considerava como sagrada toda lei, ainda mais aquela que houvesse sancionado.

É importante ressaltar que 9 Rei, em uma Monarquia

Escolhe

livremente seus Ministros, preside às reuniões ministeriaise orienta a política do Governo. Os Ministros são auxiliares de confiança do Rei e ainda não havia maturado o instituto da responsabilidade política, aliás, não havia então ministério ou gabinete homogêneo. Em 24 de fevereiro de 1692, o Rei recusa a sua sanção a um, projeto que objetivava assegurar a independência dos juízes, estabelecendo remuneraçiío fixa a ser paga com os rendimentos hereditários da Coroa aos magistrados; a um segundo, que previa que nenhuma legislatura poderia durar mais que três anos e, ainda, a um outro, que excluía das Câmaras os titulares de cargos públicos remunerados. Bompard explica tais recusas de sanção basicamente pelo fato de que os dois últimos visavam a pôr termo na corrupção dos parlamentares pelo Rei, e este era um mecanismo imprescindível para que o Rei forjasse a sua maioria no Parlamento; e o primeiro afetava, sem o consentimento real, as rendas pessoais do Soberano.

/
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sem o consentimento real, as rendas pessoais do Soberano. / Constitucional,. 1707, recusará, pela última vez,

Constitucional,.

real, as rendas pessoais do Soberano. / Constitucional,. 1707, recusará, pela última vez, a sanção real

1707, recusará, pela última vez, a sanção

real na Inglaterra. A recusa, na realidade, foi da conveniência do

f próprio Parlamento, que, após aprovar um bill licenciando a milícia

A Rainha Anne, em

\\

escocesa, soube de fato superveniente que desaconselhava a lei. Assim, de comum acordo com o Parlamento, a Rainha recusou sanção ao projeto(19). Nesse passo, cumpre-nos salientar, como o faz B~rnpard(~O),

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que a negativa de sanção, enquanto absoluta na Constituição inglesa,

tornara por demais mortificante o seu exercício para o próprio Q ,. Soberano, uma vez que este terminava por revelar-se como o defensor de prerrogativas próprias, herdadas de um passado que se queria superado frente à vontade da Nação, claramente manifestada pela representação nacional(21).4

representação n a c i o n a l ( 2 1 ) . 4 (I9)
(I9)
(I9)

BOMPARD, Raoul. Op. cit., p. 41. no) BOMPARD, Raoul. Op. cit., p. 41. "Nacão", como veremos ao longo de todo o trabalho, é um termo ambíguo, que se presta a muitos usos. Buscaremos agora, em rápida digressão, fornecer alguns matizes de seu uso no contexto liberal, de início, por recordar que, tecnicamente, os termos " liberal" e "democrático" são adjetivos que qualificam de forma distinta e diversa

os termos " liberal" e "democrático" são adjetivos que qualificam de forma distinta e diversa
'.%', , u Assim, antes mesmo que se afirmassem as regras de corrqão constitucional do
'.%', , u
'.%',
, u

Assim, antes mesmo que se afirmassem as regras de corrqão constitucional do Parlamentarismo, o instituto da sanção na Inglaterra jA não mais encontra oportunidade de aplicação. A medi- da que a ingerência parlamentar estende-se, na purdii_a dos faB

encontra oportunidade de aplicação. A medi- da que a ingerência parlamentar estende-se, na purdii_a dos faB

do âmbito do Legislativo também 5quele~d~~xegctiv0~ mediante a

um substantivo, pois a democracia resultou das lutas e moviinentos sociais que tiveram lugar principalmente, ao longo do século XIX,

como adição tardia

ao liberalismo. @ representação política liberar

ao liberalismo. @ representação política liberar essencialmente aristocrática. Contudo, revela uma visão
ao liberalismo. @ representação política liberar essencialmente aristocrática. Contudo, revela uma visão
ao liberalismo. @ representação política liberar essencialmente aristocrática. Contudo, revela uma visão

essencialmente aristocrática. Contudo, revela uma visão aristocratica distinta daquela dos antigos. Nasce em uma sociedade de proprietários. Nela o indivíduo é, no mínimo, proprietário do próprio corpo, o qual leva ao mercado enquanto força de trabalho. Nesse sentido, não mais se ancora ein uma ordem hierarquizada tida como natural, onde os indivíduos encontrariam lugar próprio somente em função do nascimento, mas, pelo contrário, tende a substituir, na esfera da sociedade civil, cada vez mais a forma de aplicação medieval da justiça, entendida como equidade, pela aplicação modenia, capitalista,

I da justiça tomada como igualdade formal perante as leis, requerendo a existência de um único sistema jurídico cujas normas pudessem ser a todos universalmente aplicadas. Embora a representação política da Nação também tenha como critério básico a propriedade, aristocraticamente, essa é vinculada à capacidade de discemimento daquilo que é o " público", ou "interesse geral", em oposição ao i "privado", aos interesses imediatos e egoísticos, à possibilidade de o i indivíduo haver satisfeito as suas necessidades primárias e mais 1 prementes e só então poder ter a visão dos reais interesses gerais. Aquele que é proprietário apenas do próprio corpo só poderia afirmar

sua liberdade na esfera da sociedade civil, regulada pelo Direito Privado, onde seria livre para contratar; iião mais o seria, no entanto, no I âmbito da sociedade política, do Direito Público, niormeiite I constitucional, pois suas decisões não seriam suas. Seriam, na verdade, 1 daquele que o contratou, do patrão, ou na melhor das hipóteses, dos 1 interesses menores, das paixões determinadas de forma imediata pelo reino das necessidades prementes no qual esse indivíduo se encontraria mergulhado. Os homens de então coiistruíram, assim, dois mundos distantes e paralelos, o da sociedade civil, onde o capital se afinnou pela consagração da liberdade quantitativa, formal, igualitária, e o da sociedade política, no qual se restabelecia a liberdade qualitativa,

O indivíduo para ser eleitor deveria pagar

iinpostos, para que pudesse ter interesse na

/condução dos negócios públicos, ou. o que dava no mesmo, perceber

uma renda anual mínima que garantisse sua independência econôinica. I Para os candidatos a cargos de uma representação local, regional ou

hierarquizada e excludente.

uma certa quantia de

i nacional havia gradação crescente nos requisitos de renda, via de regra, / geométrica, precisamente porque se acreditava haver uma gradação 1 hierárquica entre os interesses representados. Mas, nesse quadro, ainda

porque se acreditava haver uma gradação 1 hierárquica entre os interesses representados. Mas, nesse quadro, ainda

I exigência de que os Ministros do Rei gozassem da c_nfianca da /Câmara, o que vem atribuir caráter hornogeneo ao Gabinete, no qual

que vem atribuir caráter hornogeneo ao Gabinete, no qual 1714-27, George 11, 1727-60, George 111, 1760-1820,
que vem atribuir caráter hornogeneo ao Gabinete, no qual 1714-27, George 11, 1727-60, George 111, 1760-1820,
que vem atribuir caráter hornogeneo ao Gabinete, no qual 1714-27, George 11, 1727-60, George 111, 1760-1820,

1714-27, George 11, 1727-60, George 111, 1760-1820, e George IV, 1820-30, que a transformação se processa, graças a um delicado jogo de normas convencioiiais, coi~ventionsof constitution, precisamente por afetarem as cliamadas prerrogativas reais. Tratava-se de normas convencionais que não apresentavam um efetivo caráter jurídico aos olhos dos jurisconsultos britânicos, porquanto não seriam defensáveis perante um tribunal(22).Para Lowenstein, o parlamentarismo au-

um tribunal(22). Para Lowenstein, o parlamentarismo au- 1 que de forma menos direta, o representante nacional

1

tribunal(22). Para Lowenstein, o parlamentarismo au- 1 que de forma menos direta, o representante nacional ainda

que de forma menos direta, o representante nacional ainda poderia vincular-se a interesses menores, locais ou regionais, em detrimento do interesse geral, em razão de se submeter a eleições periódicas. Daí a necessidade da Câmara Alta, onde a representação vitalícia e mesmo hereditária dos grandes interesses nacionais funcionaria como garantia desses mesmos interesses tidos como permanentes. Ainda, no cume da hierarquia política, envolto pennanentemente nas névoas do mistério, encontraremos o Soberano, esse elemento capaz de reunir em uma só pessoa, por um poder comum, uma multidão de homens para a sua paz, defesa e proveito coniuns, para usar os célebres termos de Hobbes. Apenas que agora o Soberano se afinna como tal precisamente por sua ação pressupor o conteúdo da legalidade fixada pelo Parlamento como parâmetro, e deve, em conseqüência, ter atuação cada vez mais restrita às estritas fimções de gestão dos negócios públicos entendidos em sentido quase que exclusivamente admi~~istrativos,e mormente àquelas Iionoríficas de representação. E aqui recordainos a observação de Kelsen sobre a doutrina prevalente no século XIX de que haveria uma separação rígida e estkique entre o Direito privadó e o Público, considerando-seo ~riineirocomo o Direito Dor excelência. o verdadeiro Direito, o ~ireitiNatural. O segundo, 'por uma vez; seria mera convenção. Ora, aqui biiscamos salientar que também o conceito de

NaçBo, ou de Sociedade Civil como sociedade naturalmeizte nacional

foi uma invenção moderna intimamente articulada com as demais

invenções dela contemporâneas, como o Estado e a Coiistituição, para ficarmos apenas com as que mais de perto nos interessam. Ver a

apenas com as que mais de perto nos interessam. Ver a .respeito: BALIBAR, Etienne. Tlle Nation
apenas com as que mais de perto nos interessam. Ver a .respeito: BALIBAR, Etienne. Tlle Nation

.respeito: BALIBAR, Etienne. Tlle Nation Form, History and ideology. Review Fernand Braudel Center, Bilighamton, New York, Vol. XIII, ng

Braudel Center, Bilighamton, New York, Vol. XIII, ng (22) 3,1990, p. 329 a 361. BISCARETTI DI
(22)
(22)

3,1990, p. 329 a 361. BISCARETTI DI RUFFIA, Paolo. Sanzione, assenso e veto de1 capo de110 stato nella formazione della legge negli ordinamenti

constihizionali moderni. Revista Trimestrnle di Diritto Publico, Mi-

ordinamenti constihizionali moderni. Revista Trimestrnle di Diritto Publico, Mi- lano, vol. 8, n", p. 256, 1958.

lano, vol. 8, n",

ordinamenti constihizionali moderni. Revista Trimestrnle di Diritto Publico, Mi- lano, vol. 8, n", p. 256, 1958.

p. 256, 1958.

ordinamenti constihizionali moderni. Revista Trimestrnle di Diritto Publico, Mi- lano, vol. 8, n", p. 256, 1958.
ordinamenti constihizionali moderni. Revista Trimestrnle di Diritto Publico, Mi- lano, vol. 8, n", p. 256, 1958.

têntico apenas começa a funcionar normalmente após o Reform bill de 1832, com a ampliação do sufrágio à classe média ennquecida, pois antes era possível ao Gabinete, com a ajuda da Coroa, manipu- ilar a Câmara dos Comuns(23). Pecorramos, porém, a Blackstone, em seu célebre

Comentários às Leis da Inglaterra, para que possamos melhor

às Leis da Inglaterra, para que possamos melhor por via de conseqüência, a natureza de sua

por via de conseqüência, a natureza

de sua participação no procedimento legislativo da Monarquia inglesa propriamente Constitucional. Tal obra foi escrita entre os anos de 1765 e 1769, antes, portanto, da maturação do sistema parlamentar de governo que distinguir6 a Monarquia Parlamentar. E embora a crescente preponderância política das decisoes das Câmaras venham relegar a sanção régia à condição de arma integrante das panóplias decorativas das paredes do Castelo de Windsor, a participação do Rei, por um lado, e a das Câmaras, por outro, no procedimento legislativo, continuou, teoricamente, a ser considerada juridicamente no mesmo plano, devido, sobretudo, à duradoura preeminência do órgão régio de que nos fala Blackstone, ao menos do ponto de vista formal, em relação aos demais órgãos constitucionais. Assim é que Blackstoneafirma que "c'est sans doute la preuve la plus forte de cette véritable liberté dont se vante notre pays et notre temps, que le pouvoir de discuter et d'examiner, avec décence et respect, les limites de la prérogative royale. C'est un point que, dans de certains temps, on a regardé comme sacré, comme trop délicat pour être traité sans profanation par Ia plume d'un sujet. On le rangeait parmi les arcana imperii: et de même que les mystères de Ia bona Deu, i1 n'était permis qu'aux initiés de l'examiner à fond; peut-être parce qu'ainsi que les solennités de ces

mystères,

compreender\-e,
compreender\-e,
que les solennités de ces mystères, compreender\-e, i1 n'aurait pu supporter I'inspection d'un
que les solennités de ces mystères, compreender\-e, i1 n'aurait pu supporter I'inspection d'un
que les solennités de ces mystères, compreender\-e, i1 n'aurait pu supporter I'inspection d'un

i1 n'aurait pu supporter I'inspection d'un censeur

age"(*^) Por prerrogativa realentende ele "cette

age"(*^) Por prerrogativa realentende ele "cette raisonnable et d pr minance specia e que le roi

raisonnable et

dpr minance specia e que le roi a2ur et audessus de tgutes autres

personnes, Hors du cours ordinaire de la loi~m_muneu,et en vertu de

sa royale dignité"(25).E, POUCO mais adiante, precisa o que entende

Q3) LOEWENSTEIN, Karl. Teoria de lu Constitución. Barcelona: Ed. Abril, 1986. p . 125. LOEWENSTEIN, Karl. Teoria de lu Constitución. Barcelona: Ed. Abril, 1986. p. 125.

BLACKSTONE, W. Commentaires sur les lois anglaises. Paris:

Bossange, 1872. p. 438-39. BLACKSTONE,Bossange, 1872. p. W. op. cit., p. 441. W. op. cit.,p. 441.

Q4)
Q4)
W. Commentaires sur les lois anglaises. Paris: Bossange, 1872. p. 438-39. BLACKSTONE, W. op. cit., p.
por dignidade real e o porquê da necessidade de sua afirmação: "Je vais donc parler
por dignidade real e o porquê da necessidade de sua afirmação: "Je
vais donc parler d'abord de la dignité royale. Dans tout établissement
monarchique, i1 est nécessaire de distinguer le prince de ses sujets,
non-seulement par la pompe extérieure et par les décorations du rang
suprême, mais aussi en lui attribuant certaines qualités, comme
inhérentes au caractère de roi, distinctes de celles de tout autre indi-
vidu de la nation, et qui leur sont supérieures. car, quoique le phi-
losophe considère le roi simplement comme un homme chargé par
consentement mutuel de présider sur d'autres, et qu'il lui paye en
conséquence le tribut de respect et de devoirs que demandent les
principes de la société, i1 n'en est pas de même du commun des
hommes, trop disposés à I'insulte et à désobéissance, si on leur
appris à ne voir dans le prince qu'un homme aussi imparfait qu'eux-
mêmes. Aussi la loi assigne au roi, à raison de l'éminence de son
caractère politique, non-seulemeqt des pouvoirs et des émoluments
considérables, qui constituent sa prérogative et soii revenu, mais en-
core de certains attributs d'une nature élevée, transcendente, dont
l'effet est de le faire considérer par le peuple sous le point de vue
d'un être supérieur, et avec un respect mêlé de crainte; ce qui le mel
*
---
--
----
)

ond l'objet de notre examen, sont le roi, qui y siège dans son ca- ractère politique royal, et les trois États du royaume, savoir: les lords spirituels, les lords temporels (qui les uns et les autres siègent avec le roi dans une Chambre), et les communes, qui siègent dans une Chambre séparée. Le roi et les trois Etats forment, par leur réunion, la grande corporation, le corps politique du royaume, dont le roi est Ia tête, le principe et le fin, caput; principium etfinis ( I1 est très- nécessaire, pour maintenir la balance de la constitution, que le pouvoir exécutif soit une branche du pouvois législatif, quoique san être le pouvoir législatif entier, Nous avons cru que leur réunion une même main conduirait à la tyrannie: leur séparation ab produirait à la fin les mêmes effets, eii amenant cette réunion me à laquelle on aurait cru mettre ob~tacle"(*~).

(*Q
(*Q

BLACKSTONE, W. op. cit., p. 443-444. (2n BLACKSTONE, W. op. cit., p. 267.

I

I

I

I

*

* Contudo, pela própria evolução da Monarquia britânica, esta I hoje se apresenta como sistema de

Contudo, pela própria evolução da Monarquia britânica, esta

I hoje se apresenta como sistema de governo e não mais como forma

de governo, ou seja, o Princípio Monárquico é simples reminiscência, útil enquanto permite o funcionamento do sistema

útil enquanto permite o funcionamento do sistema parlamentar de governo, reservando à Coroa tão-só
útil enquanto permite o funcionamento do sistema parlamentar de governo, reservando à Coroa tão-só

parlamentar de governo, reservando

à Coroa tão-só funções

i\c simbálicas e honoríficas de representação, salvo a excepcionalíssima

qj hip6tese de que nenhum partido ou coalizão partidária alcance maioria na Câmara ou quando, ainda que a alcance, não tenha líder definido, casos em que a atribuição real de nomear o Primeiro- Ministro poderá ser exercida com maior discricionariedade(28?~omo ensina ~Ôewenstein,durante um curto período, nas décadas de 1850 e 60, o parlamentarismo britânko"_e_t~deuafirmação da

parlamentarismo britânko"_e_t~deu .à afirmação da 4 superioridade inequívoca da Câgnad~s Comuns sobre-o
parlamentarismo britânko"_e_t~deu .à afirmação da 4 superioridade inequívoca da Câgnad~s Comuns sobre-o

4 superioridade inequívoca da Câgnad~s Comuns sobre-o Gabinete, similar ao parlamentarismo francês sob a égide da Constituição de

I 1875. verificam-se, no período, quedas sucessivas de Gabinetes e uma completa ausência de disciplina partidária. A própria Câmara dos Comuns constituía-se à maneira de um clube reservado a membros que provinham de uma classe social homogênea, refugindo ao controle quer do Gabinete, quer do eleitorado. A situação, no entanto, é radicalmente alterada mediante a ampliação do sufrá~ioà

alterada mediante a ampliação do sufrá~io à classe trabalhadora, trazida pelo Reform Bill de 1867.
alterada mediante a ampliação do sufrá~io à classe trabalhadora, trazida pelo Reform Bill de 1867.

classe trabalhadora, trazida pelo Reform Bill de 1867. A erupção dos partidos organizados de massa introduz com força decisiva, o

político.

parlamentarista britânico apresenta jus-confort-ta& trim constituída pela Câmara dxo~~m~ns,~_o Gabinete.e o eleitora&. Contudo, nessa formação, o eleitorado e o Gabinete detêm posições -centrais, enquaiito a Câmara cumpre simplesmente a função de transmitir a vontade do eleitorado ao Gabinete. Uma derrota do Gabinete na Câmara induz, invariavelmente, à dissolução desta, cujo

induz, invariavelmente, à dissolução desta, cujo eleitorado no processo Desde então, - - - - o

eleitorado

no

processo

Desde

então, ----o

rewe
rewe
eleitorado no processo Desde então, - - - - o rewe período máximo de duração foi

período máximo de duração foi reduzido, em 1911, de sete para cinco anos(29).O Pnrliamentary Act, de >9iL,_cuja_ prescriges f~ram mais acentuadas pelo segunlentny A, de 1949, reduz

significativamente a competência da Câmara dos Lordes-

no

procedimento legislativo, praticamente reservando-lhe apenas função consultiva. Assim, a Monarquia Constitucional ingle$$ de há muito cedeu lugar a uma Monarquia Parlamentar, pois as normas de

cedeu lugar a uma Monarquia Parlamentar, pois as normas de 1981. D. 79 e ss. i
1981. D. 79 e ss.
1981.
D. 79 e ss.

i

I

I

(29)
(29)

JENNíNGS, Sir Williain Ivor. A Constituição Britâizica. Brasília: UNB,

LOEWENSTEIN, Karl. Op. cit., p. 125 e ss.

Sir Williain Ivor. A Constituição Britâizica. Brasília: UNB, LOEWENSTEIN, Karl. Op. cit., p. 125 e ss.

correção constitucionalali vigentes não autorizam o reconhecimento de qualquer transação entre princípios distintos, no que se refere à atribuição da soberania nacional, pelo contrário, vigora, em toda a sua transparência, o princípio mais que republicano, democrático. Na Monarquia Constitucional, a presença do Rei define efetivamente a estrutura essencial da forma política, pois comporta a soberania em suas manifestações ordinárias ou extraordinárias e intervém na determinação da direção política. Na Monarquia Parlamentar, enquanto sistema de governo, a soberania é integralmente atribuída ao povo, e ao Rei não compete intervir nem na sua atualização ordinária ou extraordinária, nem na fixação da política do Estado, enquanto titular de um poder próprio de decisão%A Monarquia Parlamentar é regime de governo em contraposição àquelas formas de governo das quais se originou: a Monarquia Absoluta, na qual o Príncipe absorve por inteiro a soberania, e a Monarquia Cons-

titucional, lia qual a soberania é compartilhada entre o Rei e o povo. Na Monarquia Parlamentar, os atos do Rei requerem a referenda ministerial. Esse realiza funções integrativo-simbólicas,enquanto as- sume a preeminência honorífica, no âmbito preferentemente político

e da representação do Estado; relacionais, enquanto coordenador ou regulador das relações entre o Governo, o Parlamento e o corpo

eleitoral na atualização das conseqüências inerentes à verificação da confiança parlamentar; e, finalmente, declarativas, enquanto intervém, na qualidade de Chefe de Estado, para revestir as manifestações de vontade do Estado do caráter de firmeza, solenidade e generalidade que lhes são próprias, quer se trate de uma declaração ad intra,como a promulgação das leis, quer se trate de uma declaração ad extra, a exemplo da declaração de Guerra ou da conclusão. de um tratado internacional. Atividades que, em uma

Monarquia Parlamentar, pressupõem, ausência de uma posição política independente do Monarca(30).4a co-partição na soberania,

que caracteriza a Monarquia Constitucional, decorre a co- participação no exercício da função legislativa, consoante à natureza dual específica dessa forma de governo. Assim é que, para a Monarquia Constitucional a sanção aparece como a intervenção do

Constitucional a sanção aparece como a intervenção do 0') PEREZ Royo, Javier. Jefatura de1 Estado y
Constitucional a sanção aparece como a intervenção do 0') PEREZ Royo, Javier. Jefatura de1 Estado y
Constitucional a sanção aparece como a intervenção do 0') PEREZ Royo, Javier. Jefatura de1 Estado y

0') PEREZ Royo, Javier. Jefatura de1 Estado y democracia parlamenta