CAPÍTULO VI - DO MEIO AMBIENTE Art. 225.

Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

"É este o teor da Medida Provisória 1874-15/99 e de suas reedições: 'Art. 1º - A Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, passa a vigorar acrescida do seguinte artigo: Art. 79-A. Para cumprimento do disposto nesta Lei, os órgãos ambientais integrantes do SISNAMA, responsáveis pela execução de programas e projetos e pelo controle e fiscalização dos estabelecimentos e das atividades suscetíveis de degradarem a qualidade ambiental, ficam autorizados a celebrar, com força de título executivo extrajudicial, termo de compromisso com pessoas físicas ou jurídicas responsáveis pela construção, instalação, ampliação e funcionamento de estabelecimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, considerados efetiva ou potencialmente poluidores'. De outra parte, o mesmo não ocorre com alguns dos fundamentos da argüição de inconstitucionalidade dessa norma com relação aos empreendimentos e às atividades novos, e, portanto, não abarcados por esse tratamento de transição para ajustamento à Lei 9.605/98, que se me afiguram relevantes, tendo em vista, principalmente os fins a que visa o artigo 225 da Constituição e o princípio constitucional do devido processo legal em sentido material (que é o concernente à proporcionalidade e razoabilidade da norma), uma vez que, quanto a este, a admissão desse termo de compromisso é utilizável, sem limitação, a qualquer tipo de infração ainda que gravíssima, como a que dará margem à demolição da obra ou a que dará ensejo à suspensão total das atividades." (ADI 2.083-MC, voto do Min. Moreira Alves, DJ 09/02/01) "Meio ambiente e engenharia genética: liberação de OGM (organismos geneticamente modificados): impugnação ao Decreto nº 1.752/95, especialmente ao seu art. 2º, XIV, relativo à competência, na matéria, do CTNBio e à possibilidade de o órgão dispensar para exarar parecer a respeito o Estudo de Impacto Ambiental e o conseqüente rima: controvérsia intragovernamental entre o Ministério da Ciência e Tecnologia e o do Meio Ambiente sobre a vinculação ou não do Conama ao parecer do CTNBio, em face da legislação formal pertinente (Leis 6.938/81 e 8.974/95), que evidencia a hierarquia regulamentar do decreto questionado e o caráter mediato ou reflexo da inconstitucionalidade que se lhe irroga: matéria insusceptível de deslinde na ação direta de inconstitucionalidade, mas adequada a outras vias processuais, a exemplo da ação civil pública." (ADI 2.007-MC, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ 24/09/99)
file:///K|/stf-cf.htm (632 of 719)05/02/2007 13:27:21 STF - Constituição

"O direito a integridade do meio ambiente — típico direito de terceira geração — constitui prerrogativa jurídica de titularidade coletiva, refletindo, dentro do processo de afirmação dos direitos humanos, a expressão significativa de um poder atribuído, não ao indivíduo identificado em sua singularidade, mas, num sentido verdadeiramente mais abrangente, a própria coletividade social. Enquanto os direitos de primeira geração (direitos civis e políticos) — que compreendem as liberdades clássicas, negativas ou formais — realçam o princípio da liberdade e os direitos de segunda geração (direitos econômicos, sociais e culturais) — que se identificam com as liberdades positivas, reais ou concretas — acentuam o princípio da igualdade, os direitos de terceira geração, que materializam poderes de titularidade coletiva atribuídos genericamente a todas as formações sociais, consagram o princípio da solidariedade e constituem um momento importante no processo de desenvolvimento, expansão e reconhecimento dos direitos humanos, caracterizados, enquanto valores fundamentais indisponíveis, pela nota de uma essencial inexauribilidade." (MS 22.164, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 17/11/95). No mesmo

160-161) — A questão da precedência do direito à preservação do meio ambiente: uma limitação constitucional explícita à atividade econômica (CF. autorizar. "Meio ambiente — Direito à preservação de sua integridade (CF. quanto a estes.Para assegurar a efetividade desse direito. § 2º. art.preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas. licenciar ou permitir obras e/ou atividades nos espaços territoriais protegidos. § 1º ." (ADI 1. VI) e ecologia (CF. III) — Alteração e supressão do regime jurídico a eles pertinente — Medidas sujeitas ao princípio constitucional da reserva de lei — Supressão de vegetação em área de preservação permanente — Possibilidade de a administração pública. Aprovação pela assembléia legislativa.sentido: RE 134. art. § 1º.540-MC. art.297. c/c o art. É inconstitucional preceito da Constituição do Estado do Espírito Santo que submete o Relatório de Impacto Ambiental — RIMA — ao crivo de comissão permanente e específica da Assembléia Legislativa. 225 da Carta Federal. para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente. espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos. a integridade dos atributos justificadores do regime de proteção especial — Relações entre economia (CF. IV do § 1º do art. revela-se juridicamente relevante a tese de .definir. 170. em todas as unidades da Federação.exigir. vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção. e 225. § 1º. da Constituição do Brasil. incumbe ao Poder Público: "Art. Min. DJ 03/02/06) IV . estudo prévio de impacto ambiental. II . A preservação da integridade do meio ambiente: expressão constitucional de um direito fundamental que assiste à generalidade das pessoas. II. Rel.Constituição "Diante dos amplos termos do inc. file:///K|/stf-cf.505. Eros Grau. 225) — Prerrogativa qualificada por seu caráter de metaindividualidade — Direito de terceira geração (ou de novíssima dimensão) que consagra o postulado da solidariedade — Necessidade de impedir que a transgressão a esse direito faça irromper. 225. 187 da Constituição do Estado do Espírito Santo. Rel. 170. III . Min. Celso de Mello. sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei. Relatório de impacto ambiental.htm (633 of 719)05/02/2007 13:27:21 STF . 225) — Colisão de direitos fundamentais — Critérios de superação desse estado de tensão entre valores constitucionais relevantes — Os direitos básicos da pessoa humana e as sucessivas gerações (fases ou dimensões) de direitos (RTJ 164/158. no seio da coletividade. cumpridas as exigências legais. art. DJ 04/03/05) I .preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético." (ADI 3. art. 3º. 22/09/95. Afronta aos artigos 58. VI) — Decisão não referendada — conseqüente indeferimento do pedido de medida cautelar. conflitos intergeneracionais — Espaços territoriais especialmente protegidos (CF. a que se dará publicidade. A concessão de autorização para desenvolvimento de atividade potencialmente danosa ao meio ambiente consubstancia ato do poder de polícia — ato da Administração Pública — entendase ato do Poder Executivo. desde que respeitada. Vício material. na forma da lei.

Maurício Corrêa. DJ 12/05/00) "A obrigação de o Estado garantir a todos o pleno exercício de direitos culturais. 225. Mesmo que se admitisse a possibilidade de tal restrição.895." (ADI 1.proteger a fauna e a flora. VI. e que. não sendo possível. "A meu juízo. por meio de normas gerais. 1º da Lei 7. 24 da Carta Federal.inconstitucionalidade da norma estadual que dispensa o estudo prévio de impacto ambiental no caso de áreas de florestamento ou reflorestamento para fins empresariais. Sr. dadas as ponderáveis alegações das informações do Exmo. DJ 26/04/96) VI . Presidente da República e do Congresso Nacional relativas ao disposto no artigo 225 da Constituição no tocante ao dever do Poder Público de defender e de preservar para as gerações futuras o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado e aos meios que o § 1º desse dispositivo. a lei que poderia viabilizá-la estaria inserida na competência do legislador federal. DJ 09/12/05. eliminá-la ou ferir os princípios da livre iniciativa e da liberdade de ofício." (AI 158. não julgou inconstitucional o art. ademais. Carlos Velloso. ao autorizar e disciplinar a realização de competições entre „galos combatentes‟. especialmente nos incisos III e VII.952-MC. 24. na forma da lei. sem. No mesmo sentido: ADI 2. incentivando a valorização e a difusão das manifestações. inc. confere a esse Poder para assegurar a efetividade desse direito. não prescinde da observância da norma do inciso VII do artigo 225 da Constituição Federal. do Estado do Rio de Janeiro. a qualidade de vida e o meio ambiente. já que esta busca suprir lacunas normativas para atender a peculiaridades locais. Rel. DJ 16/09/94) V . Min." (ADI 1. VII . as práticas que coloquem em risco sua função ecológica. Rel. portanto. DJ 22/09/00).479-AgR." (ADI 1.086-MC.856-MC.742/82. de 20/3/98. Min. "O Plenário desta Corte. o que a Constituição Federal não permite: CF. não impede o desenvolvimento econômico. art. a comercialização e o emprego de técnicas.promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente. nem viola direito adquirido. cogitar-se da competência legislativa a que se refere o § 3º do art. VII. a relevância da fundamentação jurídica desse pedido de liminar não se apresenta suficiente para a concessão dele. Ilmar Galvão. voto do Min. bem como as considerações ali constantes no sentido de que a reserva legal — que decorre da interpretação desses meios constitucionais para a proteção da ecologia. ao julgar a Representação nº 1. "A Lei nº 2. Eros Grau. provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade. no que veda . em conseqüência.153-RS. Rel.514. não é desarrazoada nos tempos atuais — se coaduna com a função social da propriedade. Relator Min. métodos e substâncias que comportem risco para a vida. ausentes na espécie. já que a este cabe disciplinar.controlar a produção. autoriza e disciplina a submissão desses animais a tratamento cruel. da CF). Min. a conservação da natureza e a proteção do meio ambiente (art. vedadas. § 1º. que condiciona a prévio cadastramento do produto agrotóxico e outros biocidas no Departamento do Meio Ambiente da Secretaria Estadual de Saúde e do Meio Ambiente a comercialização no território do Estado do Rio Grande do Sul. Moreira Alves.

Responsabilidade pelo dano ao meio ambiente não-atribuível diretamente ao dirigente da Petrobrás.554. na forma da lei. a um primeiro exame. Rel. IV. Gilmar Mendes. a Serra do Mar. Octavio Gallotti. interesse genérico da coletividade. DJ 27/03/98) § 4º ." (ADI 1. Marco Aurélio. embora aí também incluído genericamente o interesse da União.htm (634 of 719)05/02/2007 13:27:21 STF . e sua utilização far-se-á. 4. independentemente da obrigação de reparar os danos causados.Constituição "Multa por degradação do meio ambiente. da Carta Magna tem de ser direto e específico. o interesse da União para que ocorra a competência da Justiça Federal prevista no artigo 109. na forma da lei. Rel. “Ementa: Habeas Corpus." (RE 300. (HC 83. Min. a utilização da terra na Floresta Amazônica.As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores. que a Constituição deu tratamento especial à Floresta Amazônica. 8. No mesmo sentido: RE 349. Por outro lado. RE 210. 8. Existência de instâncias gerenciais e de operação para fiscalizar o estado de conservação dos 14 mil quilômetros de oleodutos. Procedimento discrepante da norma constitucional denominado „farra do boi‟. Exercida defesa prévia à homologação do auto de infração. o Pantanal MatoGrossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional. Rel." (RE 169. Min. 3. Rel. 12/11/97. que integra o patrimônio nacional a que alude o artigo 225. Diferenças entre conduta dos dirigentes da empresa e atividades da própria empresa. DJ 19/12/01). Ausência de nexo causal. dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente." (RE 153. Precedentes: ADI 1. 9. como ocorre no caso. sessão de 18/05/95. Assim. Sydney Sanches. é de se objetar. sem prévia e justa indenização. § 4º.605/98. inclusive quanto ao uso dos recursos naturais. o texto da MP impugnada não parece afrontoso a esse § 4º do art. 7. DJ 07/03/03. dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente. § 3º . da Constituição Federal. bem da União. 6. Min. por outro lado. 10. e não.184. na Carta de 1988. que regula. na forma da lei. Responsabilidade penal objetiva. "Não é a Mata Atlântica.246. DJ 28/10/05) file:///K|/stf-cf. de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente. a Mata Atlântica. Min.049-MC. não padece de vício de inconstitucionalidade a legislação municipal que exige o depósito prévio do valor da multa como condição ao uso de recurso administrativo. pessoas físicas ou jurídicas.077.Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado. Moreira Alves. concernentes à possível violação do direito de propriedade. DJ 13/03/98) § 2º . pois não se insere. 2º da Lei nº 9. 2. Problema da assinalagmaticidade em uma sociedade de risco. ao integrá-la no patrimônio nacional. Min. Impossibilidade de se atribuir ao indivíduo e à pessoa jurídica os mesmos riscos”. Rel. Crime ambiental previsto no art. DJ 13/08/99) .prática que acabe por submeter os animais à crueldade.516-MC. "Embora não desprezíveis as alegações da inicial. Nãoconfiguração de relação de causalidade entre o fato imputado e o suposto agente criminoso.531. especificamente. Evento danoso: vazamento em um oleoduto da Petrobrás 5. aduzindo que sua utilização far-se-á. garantia do duplo grau de jurisdição administrativa. 225 da CF.A Floresta Amazônica brasileira.244. inclusive quanto ao uso dos recursos naturais. a sanções penais e administrativas.

no caso.164. § 4º ) — Possibilidade jurídica de expropriação de imóveis rurais nele situados. II). na submissão do domínio a necessidade de o seu titular utilizar adequadamente os recursos naturais disponíveis e de fazer preservar o equilíbrio do meio ambiente (CF. na forma da lei.‟ A lei. de atividade expropriatória destinada a promover e a executar projetos de reforma agrária nas áreas referidas nesse preceito constitucional. parágrafo 4º.516-MC. da Carta Política. pelos próprios particulares. 186. E matéria de Lei Ordinária pode ser tratada em Medida Provisória." (ADI 1. Floresta Amazônica brasileira). Celso de Mello. Rel. inclusive quanto ao uso dos recursos naturais. em descumprindo esses encargos. com efeito. § 4º. Celso de Mello. a Constituição Federal não exige Lei Complementar para alterações no Código Florestal. para fins de reforma agrária — A norma inscrita no art. em face do que estabelece o art. A própria Constituição da República. Min.Constituição .297. a Mata Atlântica. Min. também não impede a utilização. 225. 225 da CF: „a Floresta Amazônica brasileira.htm (635 of 719)05/02/2007 13:27:21 STF . Sydney Sanches. em tese. inclusive aquela concernente à compensação financeira devida pelo Poder Público ao proprietário atingido por atos imputáveis à atividade estatal. o Pantanal Mato-Grossense e a Zona costeira são patrimônio nacional. ao menos as concernentes à Floresta Amazônica. precisamente. DJ 22/09/95) "O preceito consubstanciado no art. 225. já que não exige Lei Complementar. notadamente com a cláusula que. proclamada pelo art. Min."Embora válido o argumento de que MP não pode tratar de matéria submetida pela Constituição Federal a Lei Complementar. Dispõe. dentro de condições que assegurem a preservação do meio-ambiente. a que se refere o parágrafo. a Serra do Mar. 5º. garante e assegura o direito de propriedade em todas as suas projeções. quando necessária a intervenção estatal na esferal dominial privada.297. especialmente porque um dos instrumentos de realização da função social da propriedade consiste. e sua utilização far-se-á. o § 4º do art. como impedimento jurídico a efetivação. DJ 13/08/99) "Pantanal Mato-Grossense (CF. 52 da CF. art. é de se considerar que. de promover a desapropriação de imóveis rurais para fins de reforma agrária. 184 da Lei Fundamental. notadamente nos imóveis rurais situados no Pantanal MatoGrossense. pela União Federal. da Carta da República. além de não haver convertido em bens públicos os imóveis particulares abrangidos pelas florestas e pelas matas nele referidas (Mata Atlântica. da Constituição não atua. Rel. art." (RE 134. sob pena de. não o inibe. DJ 17/11/95) "A norma inscrita no art. desde que observadas as prescrições legais e respeitadas as condições necessárias à preservação ambiental. Rel. Rel. DJ 22/09/95) file:///K|/stf-cf. da Constituição deve ser interpretada de modo harmonioso com o sistema jurídico consagrado pelo ordenamento fundamental." (RE 134. 225. Celso de Mello. ao impor ao poder público o dever de fazer respeitar a integridade do patrimônio ambiental." (MS 22. XXII. § 4º. Min. 225. expor-se a desapropriação-sanção a que se refere o art. Serra do Mar. dos recursos naturais existentes naquelas áreas que estejam sujeitas ao domínio privado. é a ordinária.

. por ações discriminatórias. sem o que não poderão ser instaladas.§ 5º . § 6º . necessárias à proteção dos ecossistemas naturais.As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei federal.São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados.

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