O SINDICALISMO, DA ORIGEM À REFORMA TRABALHISTA

Um dos pontos incluídos na Reforma trabalhista a ser enviada ao Congresso Nacional pelo Presidente Lula, através de proposta de Emenda Constitucional, está a remodelação da figura dos Sindicatos. Como dever intelectual, oferecemos o presente artigo, o qual, depois de profundo estudo do Autor, doutrinária e jurisprudencialmente, pode servir de subsídios ao tema proposto. FASES DO SINDICATO EM RELAÇÃO AO ESTADO NO MUNDO: Numa primeira fase, a fase da intolerância, havia leis que proibiam a manifestação sindical, como a Lei Chapelier, de 1.791, em França. O Código Penal Napoleônico, de 1.810, tipificou como delito a coalizão e a greve. Mas, mesmo assim as forças proletárias surgiam. Então, o Estado se obrigou a rever a legislação restritiva e primitiva de então. Mas somente em 1.884, através da lei Waldek-Rousseau revogou a Lei Chapelier e o art. do Código Penal que tipificava a greve como crime. Logo após, o Estado passou a legislar sobre o direito sindical, como a Carta Del Lavoro, de 1.927, da Itália fascista, a qual inspirou o modelo do nascimento do sindicalismo brasileiro, tendo o Sindicato como meio de atuação do Estado. Logo após a 2ª Guerra Mundial, os Sindicatos passaram a se independizar do Estado. No Brasil, isso ainda não ocorreu, vide a contribuição sindical obrigatória, o enquadramento sindical, a sentença normativa e a unicidade sindical, vigentes no território brasileiro, daí o Brasil, até hoje, não ter ratificado a Convenção 87 da OIT, sobre a liberdade sindical. FASES DO SINDICATO EM RELAÇÃO AO ESTADO NO BRASIL:

1ª FASE: Até 1.900, não tínhamos Sindicatos, somente ligas de socorros mútuos. O Decreto 979/03 facultou a organização em Sindicatos rurais, e o Decreto 1.637/07, em Sindicatos urbanos. Com base na Constituição de 1.891, que tratou sobre a liberdade de associação, o Supremo Tribunal Federal, em acórdão de 22 de dezembro de 1.920, reconheceu o direito dos trabalhadores de se organizarem em sindicatos e de fazer greve. É a fase do anarco-sindicalismo, nominado por Amauri Mascaro Nascimento, pois não havia qualquer interferência estatal. O pensamento católico motivou a criação de sindicatos e defendeu a pluralidade sindical. 2ª FASE, O INTERVENCIONISMO ESTATAL: A partir de 1.930, apesar da CF DE 1934 prever "a lei assegurará a pluralidade sindical e a completa autonomia dos sindicatos", o Decreto do Poder Executivo 24.692 fez com que o art. da Constituição de 1.934 nunca fosse regulamentado. A CF de 46 manteve o modelo da unicidade sindical e da obrigatoriedade do imposto sindical A FORÇA DA SENTENÇA NORMATIVA COM O ADVENTO DO REGIME MILITAR: Com o golpe de 1.964, conforme Almir Pazzianotto, "o panorama sindical passa por radical transformação. Segmentos até então dominantes perdem expressão, passando a atuar burocraticamente, substituindo mobilizações de massa e greves pelos processos de dissídio coletivo ajuizados nos Tribunas de Trabalho. Em 01 de junho de 1.964, entra em vigor uma nova Lei de Greve. É exatamente nesse período que se amplia o alcance do Poder Normativo da Justiça do Trabalho".

o espanhol. 3ª FASE. a Praça ficar conhecida.036/90. onde somente a lei é legítima. a solução é mesmo o dissídio coletivo" Aliás. Mas. ainda. Hoje. até para fazer dela nossa conclusão sobre o tema do Direito Coletivo do Trabalho: " Ocorreu (durante o período de vigor da Instrução) um rigor excessivo. . até hoje.677/93. O Direito não pode abdicar de seu papel de pacificador social.003. a qual tratava sobre o dissídio coletivo. que criou o Fundo de Desenvolvimento Social. Disso o Tribunal não pode abrir mão. pela modificação na pronúncia. no início de 2. Daí. o Estado poderia fazer Acordos Coletivos com o Sindicato dos Trabalhadores do Setor Público. os operários se reuniam quando de épocas de desemprego. que pode ter uma explicação em razão de uma determinada época. mas mantém o sistema confederativo. não devemos extirpar. que se denominavam grave. surgiu o termo. dependente de concurso público para a selação dos mais aptos. A ORIGEM DO TERMO GREVE: Na França. sim. A NEGOCIAÇÃO COLETIVA DO SETOR PÚBLICO: Até hoje não ratificada pelo Brasil. que trata do FTGS.. é preciso modernizarmos o Sindicato. garantiu ás Centrais representação no seu Conselho Deliberativo. o que vai se fazer ? Uma vez que não há mais o que fazer. a matéria depende de lei regulamentadora. sob pena de se levar a sociedade de volta ao estado de natureza. a própria Constituição Federal estabelece que a ação de sissídio coletivo só pode ser ajuizada após a frustração da negociação coletiva. nas épocas da baixa das águas do Rio Sena. cuidado Excelentíssimos Legisladores. próxima ao Rio Sena. A Lei 8. Então. torna-se inviável a internalização da Convenção 87 da OIT. reservamo-nos para um próximo artigo. Mas. surgem no início da década de 80. daí ser funcionário público é uma profissão assalariada. se as partes foram chamadas à Delegacia Regional do Trabalho e as proostas mútuas foram recusadas. Lá. acumulavam-se detritos. devendo fazer parte da estrutura sindical de Direito. de todo. são reconhecidas pelo patronatoe têm assento nas mesas de negociação. Elas iam diretamente a juízo. ao cancelamento da Instrução Normativa nº 4. que devem dar força à classe trabalhadora. A Lei 8. pertence ao que chamamos de "sindicalismo de fato". A CF DE 88: Contraditória. com o fim dos privilégios aos cargos públicos. reguladora dos benefícios previdenciários. para ratificação. como Place de La Grève. Contudo. Logo. o STF decidiu que a negociação coletiva é incompatível com o regime estatutário. A NEGOCIAÇÃO COLETIVA: Trazemos excerto do discurso do Ministro Vantuil Abdala. em que as partes estavam acostumadas a não negociar. acreditamos. também dá às Centrais o assento no seu Conselho Curador. a Convenção 151 da OIT trata sobre o assunto. pois tenta combinar a liberdade sindical com a unicidade sindical imposta por lei e a contribuição sindical oficial. para posterior encaminhamento de projeto de lei ao Congresso Nacional. Declarou o direito de criar sindicatos sem autorização prévia do Estado. Constitucionalmente. também dá às Centrais a participação no órgão Consultivo. porém. Questões como a extinção da contribuição sindical obrigatória e o enquadramento sindical.A FORÇA DAS CENTRAIS SINDICAIS: Importantes na transição democrática. Quanto às Centrais Sindicais. mas exige-se a interferência estatal no caso de paralisação nesses serviços. no Direito comparado moderno. a sentença normativa do quadro constitucional. do TST. apesar de estarem à mrgem da estrutura oficial. e em obediência ao princípio da legalidade. ao se referir. CONCLUSÃO: Portanto. admite-se a livre negociação. pois. Nesse modelo. numa praça perto do Hotel de Ville.213/91. A Lei 8.

com. E-mails (1) ruimagalhaes@terra.uj.com.asp? action=doutrina&coddou=1507 .b Fonte: http://www.br/publicacoes/doutrinas/default. Procurador da Fazenda Nacional. Advogado.Texto confeccionado por (1) Rui Magalhães Piscitelli Atuações e qualificações (1) Contador.