Direito das Coisas

DIREITO DAS COISAS Introdução Logo de inicio, vale ressaltar a importância do titulo do livro, que peca em dois sentidos: primeiro, por dar a falsa idéia de que coisa pode interagir com pessoas em direito e obrigações em relação jurídica o quê, na verdade, não ocorre; segundo, no sentido à palavra coisa, que dá noção extremamente ampla, abrangendo toda a natureza, exceto sobre a própria pessoa e Deus. A noção de bem é mais apropriada, bem deriva do bonum, é apropriável ao homem, assim todas as coisas são bens, só os bens participam da relação jurídica. Direito real é o conjunto de princípios e regras que disciplinam o poder dos sujeitos de direitos sobre os bens por meio das relações jurídicas de cunho econômico e social, estabelecidas por aqueles. A doutrina define direito real como “expressão jurídica do estado atual de propriedade”. No primeiro conceito, se destaca a relação jurídica entre os sujeitos de direitos, a estrutura externa de coisa, o poder do sujeito de usar, dispor da coisa; o segundo conceito, traz que a base do direito real é a propriedade. Existem duas teorias sobre os direitos reais; a realista, que estabelece que a relação jurídica entre pessoa e coisa é possível, dando uma idéia absurda, sendo que o bem não pode interagir com direitos e obrigações de uma pessoa, conflitando com o art.1º do Código Civil, que estabelece que só a pessoa é dotada de direito; e, a teoria Personalista, como reação à realista, sendo que nesta, a relação jurídica estabelece o sujeito ativo, o sujeito passivo, havendo ainda a relação material e potestiva entre o sujeito ativo e o objeto. Será considerado sujeito ativo de direito real todo aquele que não estiver no pólo ativo, por esse motivo o sujeito ativo tem oponibilidade do erga omnes, por opor-se a todos os demais sujeitos exatamente porque esses estão no pólo passivo da relação jurídica, daí, a razão pela qual a doutrina adota a nomenclatura “sujeito passivo universal”.

Características - Oponibilidade erga omnes ( titular de direito real tem prerrogativa de opor-se aos demais sujeitos de direitos, de modo a salvaguardar os seus. Ninguém pode perturbar o direito do proprietário; o que garante esse direito é o principio da publicidade, que atua de forma a evitar ignorância de terceiro) - Direito de seqüela (prerrogativa conferida ao titular de ir buscar das mãos de quem quer que, injustamente a possua ou detenha) - Exclusividade (não existem direitos reais, de igual natureza e conteúdo, sobre o mesmo bem no mesmo momento) - Privilegio (faculdade do titular de um credito real de receber prioritariamente em relação a outros credores menos favorecidos, com limitações legais e, não se divide com credores de igual hierarquia) - Objeto determinado (bens que implicam direitos reais sempre certos e determinados) - Perpetuidade (qualidade inerente ao direito real que deve perdurar enquanto o sujeito de direitos mantiver a personalidade) Distinções entre direitos reais e direitos pessoais - Enquanto nos direitos reais o pólo passivo é constituído por um conjunto indeterminado de pessoas que não tem poder real sobre a coisa, nos direitos pessoais figuram no pólo passivo apenas coisas certas e determinadas, ou seja, aquelas que estiverem na relação contratual; - Enquanto os direitos reais são oponíveis contra todos, os direitos pessoais são apenas oponíveis inter partes, como no contrato de locação, no qual o locador só pode opor-se ao locatário; - Enquanto o objeto dos direitos reais é sempre certo e determinado, nos direitos pessoais ele pode ser meramente determinável, conforme o art.104 do Código Civil.

- Enquanto o objeto dos direitos reais existe efetivamente quando da sua constituição, o dos direitos pessoais pode ser futuro, como no caso de compra e venda mediante encomenda. - Enquanto os direitos reais admitem como forma de aquisição o usucapião, os direitos pessoais não possuem tal forma aquisitiva. - Enquanto o titular dos direitos reais tem a prerrogativa de receber credito de forma privilegiada no concurso de credores, sem se sujeitar ao rateio, o credor nas relações pessoais, salvo hipótese expressamente prevista em lei, não terá tal privilegio e deverá sujeitar-se ao rateio, divisão dos bens entre vários credores. - Enquanto os direitos reais são essencialmente permanentes, os direitos pessoais são essencialmente transitórios. Isso porque normalmente o direito de propriedade nasce em um contexto estável, enquanto um credito se esgota com o adimplemento ou inadimplemento. - Enquanto o titular dos direitos reais goza do poder de seqüela, ou seja, pode ir buscar a coisa onde quer que ela esteja e tirá-la de quem quer que injustamente a possua, o titular de direitos pessoais só tem a prerrogativa de exigir algum bem do devedor, não podendo perseguir um bem certo e determinado. - Enquanto os direitos reais são limitados em face de sua enumeração taxativa, os direitos pessoais são ilimitados por apresentarem uma enumeração exemplificativa. Temos então, numerus clausus nos direitos reais versus numerus apertus nos direitos pessoais. - Enquanto os direitos reais concedem soberania e poder, como ocorre no uso e fruição, os direitos pessoais concedem direito a uma ou mais prestações ao seu titular. Tipicidade dos direitos reais A enumeração dos direitos reais está estabelecida no art. 1.225 do Código Civil, com acréscimos da Lei n. 11.481 de maio de 2007. A grande questão diz respeito a ser ou não taxativo o rol do art. 1.225 do código civil. Alguns autores filiam-se a enumeração exemplificativa do rol, sob o fundamento de que no direito privado tudo o que não for expressamente proibido é permitido. Dessa forma, se a ordem

publica não fosse ferida, poderia haver outro direito real. Essa, sem duvida, não é a melhor orientação, sendo absolutamente taxativo e fechado o rol dos direitos reais, que só pode ser ampliado por lei, incidindo o principio da reserva legal em matéria de direitos reais. Dois são os fundamentos que estribam a orientação taxativa dos direitos reais: primeiro, é o da natureza publicista dos direitos reais; engana-se aquele que considera tudo aquilo que esta no código civil como matéria de direito privado, o livro inteiro, em questão, é direito publico, sendo a ordem publica preponderante na disciplina dos direitos reais; Está alias, intrinsecamente relacionado com o direito administrativo, já que não podemos nos esquecer de que, afora os bens moveis, os direitos reais são constituídos a partir do Cartório de Registro de Imóveis e, mesmo os bens moveis, normalmente, são registrados no Cartório de Títulos e Documentos, sendo o registro seara do direito administrativo. Segundo fundamento, é o da população de efeitos erga omnes dos direitos reais; por produzir tais efeitos, ou seja, por vincular um universo de pessoas, não poderiam dois particulares ter liberdade de criar um direito real. Isso geraria a possibilidade de duas pessoas envolverem outras, restringindo-lhes direitos, o que é, sem duvida, prerrogativa exclusiva do legislador. A partir de ambos fundamentos, concluímos que o rol dos direitos reais é taxativo, implicando numerus clausus. Classificação dos direitos reais Muito embora existam varias formas de classificação, a mais apropriada e didática é a que divide os direitos reais em direitos reais sobre coisa própria e sobre coisa alheia. Essa classificação leva em consideração o critério da titularidade. O direito real sobre coisa própria é aquele que apresenta um único titular com poder sobre a coisa. Nesse conjunto estão o condomínio, o condomínio edilício, a propriedade resolúvel e a propriedade fiduciária. Os direitos reais sobre coisas alheias são aqueles que possuem dois titulares distintos com poder sobre a coisa. Nessa ultima categoria jurídica temos ainda três grupos de direitos reais: de fruição, de garantia e, de aquisição.

TITULO I – DA POSSE E DAS AÇOES POSSESSÓRIAS Generalidades sobre a posse Pelo que nos diz o atual código civil é dividido em dez partes . envolvia não só a declaração material da pessoa com a coisa. Fácil verificar. a posse uma exteriorização ou visibilidade de alguns dos poderes da propriedade. no direito romano. com vontade de considerá-la sua e defendê-la contra intervenção de qualquer outrem. Constitui pois. Para Ihering. Bastante proveitosa é a idéia de posse como uma situação de fato. acaba por definir possuidor aquele que exterioriza qualquer dos poderes da propriedade. A proteção desse estado de aparência ou dessa situação de fato visa garantir celeridade e efetividade na proteção. posse é exteriorização. visível. . massa falida. Posse é. por meio de vinculo fático. O legislador assim. Segundo o art. tendo-a isolado no Titulo I do código civil. “considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício. assentada na vontade objetiva da lei. trata-se de um mundo independente. mas como mero possuidor. É portanto. Não é posse a situação superior ou inferior à propriedade. que não tem poder normativo foi alegado o conceito em seu Enunciado 236 da III Jornada. ou seja em dez títulos diferentes. mas a intenção de ter a coisa como própria. para todos os efeitos legais. cujo único elo em comum. também chamado affectio tenendi.196 a 1. O conceito goza de simplicidade e precisão ES está em consonância com o código civil. pelo poder de fruição. a segunda também implica a relação entre a pessoa e a coisa. pai da teoria objetiva. é também o ente sem personalidade. um verdadeiro estado de aparência de uma pessoa em relação a uma coisa. um estado de fato. São situações absolutamente distintas. que gera conseqüências jurídicas por expressa previsão legal. alem dos entes personalizados.elemento material também chamado de corpus. Portanto. Reconhece também a existência de dois elementos: elemento objetivo _ corpus. criador da teoria subjetiva da posse. pois. a visibilidade de alguns dos poderes da propriedade. exatamente por ser a posse. como o condomínio. elemento subjetivo _ animus tenendi. quer apenas possuir. aparentando sê-lo. o exercício de fato de qualquer um dos poderes inerentes à propriedade. que gera conseqüências ou efeitos jurídicos. tratando do tema os artigos 1. a vontade de ser dono. de alguns dos poderes inerentes à propriedade”. é o instituto do usucapião. cujo fato gerador é mera situação fática. que concluiu “considera-se possuidor. portanto. estabelecendo um poder jurídico. isto é. ao estudo da posse.196 do código civil. o segundo aos direitos reais. com proteção própria. que não se trata da vontade de ter a coisa como dono. também conhecido como animus domini . portanto. de poder físico do sujeito em relação ao objeto. todos os demais aos direitos reais sobre coisas alheias. pois só considerava possuidor o sujeito que tinha intenção de se tornar o proprietário. Teoria subjetiva e objetiva da posse Para Savigny. além da relação de fato entre a pessoa e a coisa. Trata-se de conduta externa do sujeito que se apresenta de forma semelhante a um proprietário. como será demonstrado não é verdade. uma situação de fato. Nesse caso. apenas distinta. porem. elemento material.224. Repare que o conceito traz dois elementos da teoria: elemento subjetivo-animus rem sib habendi. visibilidade. ela consiste no poder de dispor fisicamente da coisa. mera aparência de propriedade. é também um estado de aparência juridicamente relevante. que o próprio legislador excluiu a posse do conjunto dos direitos reais. também será considerado possuidor. o terceiro à propriedade e assim. Não se deve confundir posse com propriedade: a primeira. O Centro de Estudos Judiciários do Conselho da Justiça Federal. como se fosse o proprietário. A posse. pecou em não conseguir desatrelar a posse da propriedade.1. baseada na vontade do possuidor. que nada mais é do que a situação aparente. extremamente importante no século XIX. o possuidor não quer ser obrigatoriamente dono. passou-se a entender também que possuidor. Ocorre quando por exemplo. sem sombra de duvida. o que. também a coletividade desprovida de personalidade jurídica”. É bom esclarecer que posse.ou seja. dedicando o primeiro. muito embora possa gerar certa insegurança. Concluindo. pleno ou não. propriedade e posse são dois mundos distintos. Vemos que a teoria subjetiva. etc. a vontade de ter a coisa como sua. elemento objetivo. espolio. é uma relação de posse com a coisa. isto é. uma pessoa que venha a alugar determinado imóvel e que.

não é direito pessoal. englobando bens corpóreos e incorpóreos. o próprio art. é uma situação de fato que gera uma serie de conseqüências jurídicas. como os bens públicos de uso comum.225 do código civil. em alguns casos. ou seja. Natureza jurídica da posse Não é pequena a controvérsia sobre essa natureza. informando que é o preço que se paga pela autonomia da posse. quer no campo real. Como já mostrado. o que não a transforma em direito. duas qualidades indispensáveis para se falar em posse sobre bem corpóreo. como em um vinculo obrigacional. mas é direito na medida em que produz efeitos jurídicos. não deixando duvida sobre a natureza jurídica do instituto. Entre os adeptos de que a posse é um direito.Devemos atentar para o fato de que. alem da diferença de vontades. ainda surge a duvida se é um direito pessoal ou direito real. o elemento animus. podendo ser apresentados os seguintes pensamentos. todo bem corpóreo é objeto de posse. Vemos que Ihering e Savugny admitem que a posse é direito.1. Nessa linha de raciocínio. estão fora do comercio e. A posse também não é direito real. que afirma ser a posse mero estado de fato. por natureza. portanto. Entre os defensores dessa tese está o jurista Clovis Beviláqua. Uma primeira corrente proclama ser a posse um fato. não esta nem mesmo no “Titulo II _ Dos Direitos Reais”. mas tem de ser suscetível de apreciação econômica e estar no comercio. portanto. a posse estaria entre os direitos pessoais.1. pois não está inclusa no rol taxativo do art. Uma terceira corrente defendida por Savigny. Sem duvida alguma. c) todos os bens públicos de uso especial e os dominicais. alias.196 do código civil prevê a expressão “tem de fato”. Por estar a posse amparada por lei. O intruso. o pensamento de Beviláqua e Silvio Rodrigues. ela é um direito.196 do código civil considera possuidor todo aquele que tem de fato o exercício de qualquer dos poderes da propriedade. porem Ihering diz que é direito real e Savigny. a posse é um estado de fato com proteção jurídica. o vocábulo “propriedade” utilizado no art. pela ausência de registro. sem se dirigir a uma pessoa certa e determinada. o exercício possessório também é uma situação de fato. 1. A posse. em detrimento do próprio proprietário. b) todos os bens que o legislador entenda não serem passiveis de posse. de forma que não se apresenta contextualmente no conjunto dos direitos reais. Muita controvérsia existe em relação a posse dos direitos pessoais. Ihering assume a critica. está embutido no corpus. ante o fato de a posse ser independente da propriedade. portanto. divididos em três correntes principais. Silvio Rodrigues sustenta a mesma orientação. afirma que a posse é simultaneamente um fato e um direito. direito pessoal. O jurista alemão afirma que direito é todo interesse juridicamente protegido. impedidos de ficar submetidos a um poder jurídico privado. não estão sujeitos ao poder físico do homem. Outros dizem que é um direito pessoal. sendo portanto. abarcando prédios públicos entre outros. Ademais. quer no pessoal. intenção do legislador a posse dos direitos pessoais. Segundo essa visão. posse de bens incorpóreos em que não há relação física da pessoa com a coisa. expressamente previstos na lei. Ademais. A segunda corrente defende a tese de que a posse é um direito e tem como um de seus grandes defensores Ihering. Na verdade. porque o possuidor pode opor-se a qualquer um que limite o seu poder possessório. Objeto da posse Em principio. Modernamente. pois a maneira como a pessoa age em relação à coisa faz intuir o animus. . Como direito. para a teoria objetiva. Usamos então. Não são poucos os que afirmam ser a posse um direito real. por sua manifestação exterior. A critica que pode ser feita a teoria objetiva diz respeito ao fato de o possuidor ser protegido. protegida em atenção à propriedade. segundo os quais posse é mera situação de fato. A posse. muitas vezes pode ser protegido em prejuízo do verdadeiro proprietário. a existência da posse independe de qualquer regra de direito. por gerar oponibilidade erga omnes. não são suscetíveis de posse: a) todos os bens que.

portanto. conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas”. é considerado mero detentor. Da mesma forma. Dessa forma. não havendo. mas mera detenção. relação possessória. por não gozar de proteção possessória nem poder usucapir tal bem. . É mero detentor. não tem noção de estar em relação material com algum bem. visto que sem elas é impossível a proteção. passando a nossa jurisprudência. A dificuldade está no que. longe de ser pacifica vem sofrendo modernização. gerou quando concedida a uso de outrem. não. O segundo dispositivo legal que trata da detenção é o art. E por ser bem móvel. A posse de direitos. geram proteção possessória não contra o concessionário de serviço. A posse. mas contra aqueles que turbam tal utilização. é a linha telefônica que. Esse é o caso da pessoa que usa os talheres em uma festa ou as cartas em um cassino. portanto. É possível elencar. estabelece a posse de direitos pessoais. O empregado domestico que só exerce posse cumprindo ordens do patrão. aos poucos. 1. subalterno. gozando a posse de proteção jurídica. Há duas importantes disposições legais sobre o tema: a primeira.Relação com coisa por mera permissão ou tolerância. pois não há posse. . sendo mero detentor para fins de usucapião.611/RS. muito embora não tenha gerado proteção possessória em relação as concessionárias. a detenção é excepcional. ao dispor que “se duas ou mais pessoas possuírem coisa indivisa.1. muitas vezes. uma pessoa que esbulha o terreno do outro. existe relação da pessoa com a coisa. desde que possua visibilidade ou aparência. goza de ampla proteção.tambem não é possuidor. . outras modalidades de uso de energia. Esse é o caso do comodatário em relação ao comodante. enquanto não cessar o ato de violência. 1.O próprio art. Diz o julgado: “o direito real de uso sobre bem móvel é considerado bem móvel para todos os efeitos legais. no caso de um vizinho colocar dentro do imóvel do outro um determinado bem.. poderá cada uma exercer sobre ela atos possessórios. Essa situação foi amparada no campo possessório do STJ no REsp 41. e a detenção. achando-se em relação de dependência para com outro. . sofre os efeitos da prescrição aquisitiva”.quando a sua aquisição se deu por ato violento ou clandestino e essas situações não cessaram.208 do código civil. . 1. É o caso de alguém que alugou a linha de um usuário titular como acessório do imóvel também locado. assim como também daquele que. contando que não excluam o dos outros compossuidores”. em relação ao patrão.198 do código civil. Espécies da posse . é a do art. que estabelece no caput: “considera-se detentor aquele que. O grande exemplo aqui. a contrario sensu do art. tais como a transmissão de dados à distancia e televisores a cabo. as seguintes situações jurídicas de detenção: .199 do código civil. a pessoa que apenas possui relação com a coisa em nome do dono ou do verdadeiro possuidor. Essa orientação gerou a Súmula 193 do STJ: “O direito de uso de linha telefônica pode ser adquirido por usucapião”. é a regra geral. em principio deve ser protegida a relação da pessoa e coisa. Há também decisões dos tribunais concedentes do usucapião sobre o direito de uso de linha telefônica. ou seja. por não gozar de proteção jurídica para tal.Posse e detenção No campo de incidência é essencial distinguir posse de detenção. em ambas as hipóteses. . aquele que adquiriu de maneira precária. Como já dito. portanto. ou clandestinos. a garantir proteção possessória a tudo o que poder ser apropriado e exteriormente demonstrado. um ocupante de imóvel publico é mero detentor. que quebrou a confiança em uma relação de contrato temporário.quando o objeto não é passível de ser possuído. muito embora seja uma expressão inexata.208 do código civil. É a situação em que um irmão deixa outro ocupar sua moradia por um determinado tempo. empregado. A matéria. senão depois de cessar a violência ou clandestinidade”.fâmulo da posse: o serviçal. estabelecendo o legislador situações em que não deve haver proteção jurídica.contato material com a coisa sem animus de exercer poder sobre ela. Nesse caso é obvio que o irmão vai poder usucapir o imóvel do outro. Por exemplo. que determina que “não induzem posse os atos de mera permissão ou tolerância como não autorizam sua aquisição os atos violentos.

O superficiário pode ser protegido contra o terceiro esbulhador. Considere que pela Teoria Objetiva de Ihering. mas injusta. porem. Neste caso. ou seja. após transferir a outrem a posse direta. se um caseiro rechaça o titular da coisa. 1. Para que o possuidor indireto tenha poder possessório sobre o possuidor direto. permitirá ao comodante pedir a reintegração de posse . como citado no exemplo anterior. intente uma ação de reintegração de posse. promovida pelo Conselho da Justiça Federal. ocorre por exemplo. resolva continuar na posse do bem. Tanto o possuidor direto quanto o possuidor indireto podem utilizar ações possessórias contra turbações ou esbulhos. aprovado na IV Jornada de Direito Civil. pois ela foi transmitida com a mesma qualidade originaria que tinha. Posse de boa-fé posse de má-fé A posse de má-fé é aquela em que o possuidor sabe que existe um obstáculo jurídico à sua legitimidade. É imprescindível que haja ligação jurídica legal ou negocial entre o possuidor do direto (imediato) e o possuidor indireto (mediato). Para o observador é impossível saber se o possuidor é titular do ius possissendi ou do ius possessionis. visto que ambas as situações gozam do mesmo efeito possessório. após ser devidamente notificado.198. sofrerá ação de reintegração de posse com pedido de liminar. É possível. desde que rompida a subordinação. toda circunstancia causal derivada de um estado de aparência que permite a conclusão de que o sujeito goza de boa-fé. Normalmente. muito embora o comodatário ignorasse o vicio. assim como o proprietário. hipótese em que a qualidade de posse direta e indireta está no mesmo titular. ou do esbulhador que tem ciência de que sua posse é violenta. Ius possidendi e Ius possessionis( posse causal e posse formal) Ius possidendi é o direito de posse que tem por substrato ou fundamento a propriedade. . pois protege a posse com a mesma intensidade. seja ela fulcrada em titulo ou domínio. É o caso do comodatário já notificado para desocupar o imóvel e que ainda não saiu. pois em ambas as situações a aparência é a mesma.O código civil criou a inovação ao estatuir o parágrafo único do art. contudo. destaca-se o significado da nomenclatura “posse plena”. Tome-se como exemplo a hipótese em que o titular do ius possidendi é o proprietário de um imóvel e resolve estabelecer comodato com terceiro. na hipótese de exercício em nome próprio dos atos possessórios”. logo em seguida faz um contrato comodato. O enunciado em 301. para o comodatário a posse de boa-fé. estabeleceu: “ é possível a conversão da detenção em posse. Não se confunde posse de boa-fé com posse justa.Toda posse justa deveria ser de boa-fé e toda posse de boa-fé deveria ser justa. A posse indireta ou civil é mera ficção e ocorre nas situações jurídicas em que o titular da coisa afasta-se dela. após a outorga de um prazo. É a circunstancia jurídica na qual o possuidor cumula esta qualidade com a de proprietário. O justo titulo é portanto. Por fim. que a posse de boa-fé seja injusta. se tem algum titulo de domínio ou de direito real sobre a coisa alheia ou se é mero titular do ius possessionis. um locatário. se o invasor passa a ser contratado como caseiro. se o comodatário. Ius possessionis é o direito de posse que não tem por substrato ou fundamento a propriedade e está portanto. passando a exercer posse mediata. Passa a ser irrelevante se o possuidor é titular do ius possidendi. ou seja. o proprietário ou possuidor indireto afasta-se da coisa para dar posse direta a um terceiro. a do sujeito que possui visibilidade ou aparência de proprietário. a posse é totalmente independente da propriedade. será imprescindível que o constitua possuidor de má-fé. resolver-se perpetuar-se na coisa. após devidamente notificado para desocupá-lo. quando uma pessoa obtenha a posse mediante violência e. tendo um justo titulo sucessório. ou seja. que o notifique para desocupar o imóvel e. Caso o comodatário. como no caso do herdeiro investido na posse que desconhece a existência de outro mais próximo do de cujos. Da mesma forma. São duas posses coexistentes. por exemplo. Portanto. converte-se posse em detenção. fixando a conversão de posse em detenção. Posse direta e Posse indireta A posse direta é a posse natural. fulcrado apenas na situação de fato.

e posse velha é aquela que se estabelece a partir de ano e dia. e o titular do direito possessório não era proprietário. a de manutenção de posse e a do interdito proibitório. porem exercia uma quase posse. Posse ad interdicta e Posse ad usucapionem A posse interdicta é aquela que permite a utilização dos interditos possessórios. por exemplo. Segundo essa ótica. Ocorre a composse no caso de dois locatários ou comodatários exercerem cada qual a sua posse sobre o mesmo bem. do código civil. caput. Ocorre da mesma maneira como no condomínio. em que só é possível ao possuidor usucapir se estiver obrando de boa-fé. Isso significa que o possuidor de má-fé está legitimado a propor ação de reintegração de posse. Ocorria. a não ser sob o ponto de vista acadêmico e para fins de concurso publico. autoriza o possuidor utilizar a ação de reintegração de posse. “se duas ou mais pessoas possuírem coisa indivisa. Nesse ultimo caso. após. como em relação à matéria indenizatória. quando necessitava passar por ele para chegar à via publica. Entre as principais situações jurídicas: a) Pode haver vários titulares de direitos possessórios sobre um único bem ou sobre um conjunto de bens. no caso da servidão de passagem.1. De acordo com o art. cada qual exercendo posse em parte certa da coisa. em que cada um dos possuidores do muro exerce posse em parte certa. intentando. os arts. b) Pode haver vários titulares de direitos possessórios sobre um único bem. a ação declaratória de usucapião. em que o titular do imóvel dominante tinha uma quase posse sobre imóvel serviente. Composse e quase posse Composse é a posse comum de duas ou mais pessoas sobre o mesmo bem. assim como só responde por danos se obrou por culpa. sendo três espécies do gênero interdito possessório. O instituto em si não tem qualquer importância. . O possuidor de má-fé tem. nos termos do art. Posse nova e Posse velha A referida classificação não está mais presente no atual código civil. visando aferir erudição. pode-se estabelecer que posse nova é a de menos de ano e dia. independentemente de culpa. o caso da pessoa que remanesce em um determinado bem de forma mansa e pacifica por quinze anos. portanto. 507 e 508 do código de 1916 estabeleciam que o possuidor deveria ser mantido sumariamente se a sua posse fosse de mais de ano e dia ate ser convencido pelos meios ordinários. porem não tem qualquer repercussão no campo das ações possessórias. poderá cada uma exercer sobre ela atos possessórios. só o possuidor de boa-fé tem plena indenização por Benfeitorias e direito aos frutos. 1. por dano. É a hipótese de dois usufrutuários exercendo composse sobre o mesmo apartamento. por exemplo. cada qual exercendo posse sobre parte ideal da coisa. contando que não excluam os dos outros compossuidores”. ou ainda. em que cada qual exerce a composse do seu lado do muro. portanto. nas hipóteses em que a propriedade era desmembrada.A classificação em posse de boa-fé e de má-fé tem relevância para efeitos sucessórios. pelos acessórios da coisa. em que duas ou mais pessoas exercem cada qual a sua posse sobre o mesmo bem. É possível citar. Num primeiro histórico. não incidindo o disposto para o segundo caso mencionado. A posse ad usucapionem é a que autoriza o possuidor a adquirir o domínio por meio da posse prolongada da coisa. Atente-se ao fato de que a hipótese do artigo em questão é apenas o exercício de posse e parte ideal. direito à indenização por benfeitorias e frutos e responde por dano. bem mitigado. visto que esse critério não foi utilizado para tal fim. A classificação é fundamental tanto em matéria de usucapião. cada qual a sua posse sobre um conjunto de bens. como no caso da composse de um muro.199 do código civil. foi aplicada às servidões.238. Quase posse é uma reminiscência histórica do direito romano que diz respeito à posse de direitos reais de fruição e garantia.

Aquisição de Perda da Posse É importante esse estudo tendo em vista a incidência de efeitos jurídicos que servem tanto para a aquisição quanto para a perda. decorrente do contrato. 924 do código de processo civil. na medida em que o ato de entrega conhecida por traditio decorre de um negocio jurídico oneroso ou gratuito.Hoje. Com introdução da tutela antecipatória (art. Classificação das formas de Aquisição da Posse Segundo o critério da vontade do agente. o estudo do momento de sua aquisição e. ocasião em que a coisa PE deslocada da posse de um titular para a de outrem. Facilmente se verifica a apreensão de bens moveis. mesmo se tratando de possessória de força velha. ou seja. O possuidor é investido na posse do imóvel com a sua ocupação e age como se fosse o dono ate se tornar efetivamente. 273 do CPC). Temos como forma unilateral de aquisição de posse: a) Apreensão – ato pelo qual o possuidor toma para si determinado bem e passa a dispor dele livremente. do comodatário do superficiário. como forma bilateral de aquisição. A ação possessória de força velha é aquela que segue o procedimento comum. em nome próprio. Na verdade. é mera situação de fato. o contrato não transfere a posse. pois toda forma de exteriorização e aparência é forma de aquisição. “adquire-se a posse desde o momento de que se torna possível o exercício. Na posse adquirida por ato bilateral. a coisa está subordinada ao poder do possuidor com animus de possuir. Os contratos translativos de compra e venda. decorrente de coisa de ninguém. consumir. impossível elencarmos todas as suas formas. Conforme o art. O exercício de direito é. conseqüentemente. portanto. afinado com a Teoria Objetiva de Ihering. há manifestação de vontade de dois sujeitos. pelo simples fato de que. é possível a condição de liminar initio litis. temos a disposição do direito. de todos os que exercem a posse direita sobre a coisa. ou seja. a posse pode ser adquirida por ato unilateral ou bilateral. o direito de usar e fruir da coisa. Não se deve confundir posse nova e posse velha com ação de força nova e ação d força velha vem estabelecidas por meio de um critério de idade de posse. como no caso do proprietário que outorga a posse do superficiario. por absoluta ato de vontade. decorrente de um negocio jurídico ou de uma situação prevista em lei. como é o caso dos direitos do locatário. se posse é aparência da propriedade. dependendo do valor da causa. para então ocorrer a relação possessória. . demonstrando nitidamente a qualidade de possuidor.204 do código civil. ordinário ou sumario. A posse adquirida por ato unilateral depende da manifestação de vontade de apenas um sujeito. porem. de qualquer poderes inerentes à propriedade”. Alem da disposição da coisa. de um negocio jurídico que o estabeleça. de compromisso de compra e venda e de doação são as formas mais importantes que geram a tradição. que estabelece o rito especial para ação intentada no caso de turbação ou esbulho dentro de ano e dia. a caça de coisa abandonada. A ação possessória de força nova é aquela que se dá por meio dos interditos quando a turbação ou o esbulho ocorrerem há menos de um ano e dia. ou seja. pela concessão do direito de superfície. destruir ou onerar o bem. rege a matéria do art. em principio. como no caso do herdeiro que passa a exercer posse. é possível quando a posse tem origem para fins de usucapião. Apesar de a posse ser uma situação de fato. Não é tão fácil observar a apreensão de bens imóveis. mas é a justa causa mais importante para sua transferência. fixando o rito ordinário quando a ação for proposta para mais de ano e dia. Na apreensão. Há. 1. No atual código civil não é enumerado aquisição de posse. da sua perda é fundamental para fixar o inicio do prazo do usucapião. c) Disposição da coisa – dispor significa alienar. b) Exercício de direito – a posse pode ser exercida em virtude de um direito decorrente de contrato. a tradição. por exemplo.

alias. 1. dependendo de ratificação”. roubo ou perda o poder vindicatório sobre a coisa. ou seja. Alguns juristas dizem que a autotutela é gênero.223 do código civil que se perde a posse quando cessa o poder sobre o bem. sendo o único ponto de contrato entre posse e propriedade. todavia. contando que faça-o logo. A dificuldade está se a coisa for achada em posse de um terceiro de boa-fé.224 do código civil.Pela própria pessoa que pretende ou por seu representante. 1. Efeitos processuais da posse Como já dito. 1. não passando de simples detenção pois o que regula é a intenção do transmissor e não do representante infiel. e o desforço imediato. que. podendo ou não recuperar a coisa dependendo do caso concreto. A norma é completamente pelo art. roubado ou perdido estiver na Mao do furtador ou do inventor. visto que. . A autotutela da posse É rara a hipótese em que o legislador civil garante à pessoa uma autotutela. poderá manter-se ou resistir-se por sua própria força. Perda da posse pela supressão do corpus e do animus Mais uma vez adotando a teoria objetiva de Ihering. que não tem qualquer incidência no novo sistema. Se.205 do código civil: “a posse pode ser adquirida: I.Por terceiro sem mandato. ou seja. tendo por espécie a legitima defesa. trair a confiança do representado e adquirir posse para si próprio. no caso da representação. na hipótese de o furtador fazendo-se passar por titular vender a coisa ao terceiro de boa-fé em circunstancias em que não exige dele qualquer ato maior de diligencia na aquisição. O proprietário que houver perdido. ao estatuir que “o possuidor turbado ou esbulhado. perda violenta ou não de qualquer dos poderes da posse em beneficio de um terceiro. Entre as conseqüências jurídicas produzidas pela posse estão fundamentalmente as de ordem processual. Pode acontecer. deve ser tratado como forma de aquisição de propriedade. os atos de defesa ou de desforço. for mero possuidor. em vez de honrar o ato de representação.210. e as de ordem material: direitos indenizatórios do possuidor em relação aos acessórios e as obrigações indenizatórias do possuidor quanto aos danos. Não resta duvida de que. Muito se discutia.916. Perda da posse pela supressão do corpus Existem situações jurídicas nas quais o possuidor mantém a vontade de ter a coisa para si. Poder vindicatório do possuidor No código civil atual suprimiu a disposição. por regra geral. todavia. quem tiver perdido ou sido subtraído. sendo mais precisa a orientação que estendia os referidos os poderes de proprietário ao possuidor. poder vindicatório ao titular. Somente um dos efeitos da posse não será por ora analisado. caberá. ou restituição da posse”. podem ser divididas em autotutela e proteção processual possessória. o objeto furtado. ate pelo contexto em que a norma inseria no código civil anterior. desejando ou não o possuidor. 1. quando cessa a visibilidade de qualquer dos poderes da propriedade. no caso de a posse ser ameaçada. sido furtado ou roubado. poderá invocar o art. a posse é uma situação de fato aparente que gera conseqüências jurídicas de forma que o ponto central da matéria que a distingue da detenção é justamente a produção de efeitos jurídicos.Pessoas que podem adquirir a posse Dispõe o art. o concernente a usucapião. não podem ir alem do indispensável à manutenção. faz consolidar a posse de terceiro de boa-fé por estar revogado o art 521 do C. ao estabelecer que. a posse é viciada e precária. se a hipótese em questão deveria ser aplicada apenas ao proprietário ou se poderia ser extensiva ao possuidor. compete ao possuidor valer-se de qualquer dos remédios possessórios para trazer de volta a coisa a si. de forma a não mais garantir automaticamente a vitima de furto. se ocorrer esbulho. 1. determinou o art. Uma dessas situações é a perda do objeto. na hipotese de a posse ser perdida.Civil. porem despe-se do próprio objeto. §1º do CCivil. II. Ocorre quando o possuidor não mais encontra o objeto ou não recebe do inventor. de o representante. pois é ali que o legislador entendeu que deveria cuidar do referido tema.Civi de 1. na qual o perdedor tem a vontade de ser possuidor mas não guarda mais relação material com a coisa. Nessa hipótese. sob pena de considerar perdida a posse para o terceiro.268 do C. como fez no art.

sendo tratadas as ações de manutenção e reintegração nos arts 926_931. alem do interdito proibitório. E possível que estive agindo. d) Principio da exclusividade do juízo. Podemos citar o exemplo do proprietário que reintegra sua posse diante dos superficiário e tem direito de ser indenizado dos danos causados no imóvel. b) Ação de nunciação de obra nova. São vários os quesitos que configuram ações típicas: a) Principio da fungibilidade. §1º. O Código de Processo Civil cuida delas no cap. 1. ate vencido o contrato de ser notificado para desocupar. dos arts. de mera ameaça contra a posse. passando para uma situação mais grave. As disposições gerais estão nos arts. d) Ação de dano infecto. O código civil.222 do CCivil. compondo o Livro V. a agir de má-fé. “das ações possessórias”. então. b) Imediatidade. “dos procedimentos especiais”. em seu art. assim como tem a obrigação de indenizar as benfeitorias necessárias realizadas e devidamente controladas Há também o caso do possuidor reintegrante que tem obrigação de indenizar benfeitorias necessárias realizadas pelo esbulhador.210. 1. assim como o direito tem de ser indenizado por danos. caput. e no interdito proibitório. . ate a situação mais gravosa do esbulho. c) Embargos de terceiro. j) Embargos. ate determinado momento de boa-fé. As ações possessórias típicas resguardam a posse nas três situações jurídicas em que a ofensa opera. Elenca-se os seguintes requisitos para a autotutela: a) Esbulho ou turbação. desde a situação mais tênue. são as ações de manutenção e reintegração de posse. apresenta um panorama das ações possessórias acima mencionadas sem fazer referencia às possessórias atípicas. ou seja.210. do CCivil. também chamadas de remédios possessórios. b) Principio da cumulatividade. partículas “ou”.214_1. 932 e 933. É bom desde já atentar ao fato de sempre distinguir se o possuidor que terá de deixar a coisa está agindo ou não de boa-fé. g) Legitimação ativa e passiva h) Requisitos da manutenção e da reintegração. c) Principio da duplicidade. para agir de boa-fé. dando a entender que a autotutela ocorre tanto no caso de turbação como no de esbulho. i) Procedimento das possessórias. na medida em que os requisitos e os efeitos são exatamente os mesmos. tanto que o legislador usou no art. V. todos do colégio de processo civil. e) Principio da celeridade. k) Do interdito proibitório. nos arts. Ações possessórias atípicas Já os quesitos das ações atípicas são: a) Ação de emissão na posse. c) Moderação. de perturbação à posse.A distinção é irrelevante. d) Injusta agressão. passou a possuidor de má-fé. 1. ao receber a coisa tem a obrigação de indenizar ou o direito de ser indenizado em distintas situações jurídicas possíveis. passando. 920_925. O problema se dispõe na medida em que o proprietário reivindicante ou o possuidor reintegrante. f) Natureza jurídica. e depois da notificação e esgotado o prazo para a desocupação. dentro do titulo I “dos procedimentos especiais de jurisdição contenciosa”. Efeitos materiais da posse O legislador dedicou nove artigos à essa matéria. Ações possessórias típicas São também chamadas de ações possessórias em sentido estrito e conhecidas por interditos possessórios. É o exemplo do comodatário que.

225.o usufruto (art.o uso (art. isto é. CCivil) . 1. da forma constitutiva de todos os direitos reais elencados no art 1.225 do CCivil. uma relação entre o sujeito ativo certo e o sujeito passivo universal. 1. fruir e dispor que a pessoa tem em relação a coisa. XI. isto é.a hipoteca (art. 1. O direito real possui um elemento intrínseco. é necessário sua tradição.225. se uma pessoa compra uma bicicleta ou um automóvel. O art.a concessão de uso para fins de moradia (art. Observa-se que os direitos reais imobiliários. independentemente do fato gerador. a classificação dos bens quanto à mobilidade: aquisição dos direitos reais mobiliários no art. X. Nesse grupo temos: . CCivil) . o usucapião e a exceção. Neste grupo temos: . III. porem.225. Com isso.a superfície (art. a relação entre a pessoa e a coisa. ou seja no poder de ir em busca a coisa na mão do terceiro que injustamente a possua ou detenha.226 CCivil e.a anticrese (art.225 CCivil. 1. 2. VII.225.226 CCivil. estando ambos no pólo ativo da relação de direito real.225. 1. CCivil) . VIII. ensina o art. com a entrega da coisa. ou seja. ou seja.225. De outro. Existe ainda o elemento extrínseco. as já existentes continuam em vigor (art. Classificação Os direitos reais são classificados em dois grandes grupos. remanescendo com o direito de dispor. CCivil) .1. Nesse grupo temos: . 1. O primeiro é aquele no qual o proprietário transfere o poder de fruição ao terceiro. 1.227 CCivil. VI.as servidões (art. os direitos reais sobre as coisas alheias que são todos os demais relacionados no art. visto que. CCivil) . XII. IX.225. Os direitos reais sobre coisas alheias são divididos em três grandes grupos. salvo as exceções expressivas do código: a sucessão. constituídos por dois titulares com poderes distintos sobre o mesmo bem.225. uma potestatividade que consiste em usar.a habitação (art. só são adquiridos com a tradição. 1. 1.a concessão de direito real de uso ( art. dos direitos reais imobiliários no art. CCivil) Há um novo direito real sobre a coisa alheia que é aquele no qual o proprietário aliena a coisa ao terceiro. outorgando ao titular o poder de aderência. mas mantém poder sobre ela ate o pagamento integral do preço. 1. c) Indenização pela perda ou deteriorização da coisa. 1. CCivil/1916). a entrega do bem pelo vencedor ao comprador. para gerar a transferência de domínio. II.o direito do promitente comprador do imóvel (art. CCivil) . 1. IV. que consiste no direito de seqüela. CCivil) .São os efeitos materiais da posse a) Direito à percepção de fruto e produtos. porque não pode ser constituída. V. .225. CCivil) Atente-se ao fato de que a enfiteuse não está no rol do art. Aquisição Ao tratar de aquisição. CCivil) O segundo grupo dos direitos reais sobre as coisas alheias é o daqueles em que o proprietário transfere ao terceiro uma garantia sobre a coisa.225. b) Indenização por benfeitorias e direito de retenção. constituída por um único titular de poder sobre a coisa. mas hoje são apenas um contrato. Também não se deve esquecer que as rendas expressamente constituídas sobre imóveis já foram direitos reais (art. De um lado tem-se a propriedade. TITULO II . VI. direito real sobre a coisa própria.225. 674.225. 1. 1.030 CCivil).o penhor (art.227 do CCivil preceitua que só o registro. em face do principio da obrigatoriamente transfere a propriedade dos bens imóveis ao comprador. CCivil) . 1. 1. que o contrato não transfere propriedade. o de buscar a coisa de quem quer que injustamente possua ou detenha.DOS DIREITOS REAIS O direito real é aquele que afeta a cosa de forma direta e imediata.

CCivil. .direito de gozar.257/2001. submetendo o bem a vontade da pessoa. . por meio de algumas encíclicas papais. reavê-la de quem quer que injustamente a possua ou tenha. tendo as principais. podendo reavê-lo de quem injustamente possui. . 695_712 CCivil). em consonância e nos limites da função econômica e social. §3º CCivil.tombamento. b) Usucapião constitucional rural – art. exclusivo e perpetuo. 1. .perpetua. 176.servidões prediais (arts. Entre os instrumentos jurídicos trazidos pela visão social da propriedade.DA PROPRIEDADE É quase inata a noção de propriedade no homem. São as teorias fundamentais da propriedade: . . dando muito mais ênfase aos valores imobiliários do que aos valores mobiliários.228 CCivil como um direito complexo de corrente de uma garantia fundamental do homem. 5º. e) Desapropriação por interesse social – art. absoluto. definitiva. 183 e 191. 183. ainda. em todas as relações. adotando o atual CCivil. . .direito de vizinhança.servidor administrativo. . h) Proteção arqueóloga – art. CF). d) Usucapião coletivo – art. podendo ainda. assegurando o seu titular o poder de usar.aderente. .5º. temos: a) Usucapião constitucional urbano – art. . fruir e dispor da coisa.TITULO III . g) Proteção histórica e artística – art. 10 Lei n. A doutrina dimensiona propriedade apresentando três conceituações: . . A doutrina na igreja católica foi quem mais propagou as finalidades sociais da propriedade. dispor o bem.direito de usar. com limitações legais.direito de dispor. §4º. a velha estrutura de dicotômica: móvel versus imóvel.230. XXV.uso da propriedade particular em caso iminente perigo publico (art. CF).desapropriação para fins de reforma agrária (art. .teoria da lei. 1. .promoção do aproveitamento adequado do solo urbano (art.absoluta. .conceito analítico – direito do titular de usar.teoria da natureza humana. CF). 1.reserva à união a propriedade de jazidas e outros recursos minerais em solo particular (art. XXIX. . Podemos conceituar propriedade valendo-nos do art.conceito descritivo – direito complexo. f) Proteção ambiental ecológica – art.228. CF).conceito sistemático – submissão de um determinado bem.184. Limitações ao direito de propriedade: . . a uma pessoa.228.228. 182.desapropriação por necessidade publica. .009/90. fruir. . CF). Função social de propriedade A função de propriedade continua a ser um dos eixos que determina a estrutura sócio-econômica do estado.teoria da ocupação. .teoria do trabalho. Elementos constitutivos da propriedade: . CF.limitada. utilidade publica ou interesse social (art. 1. 191. c) Impenhorabilidade do bem de família – Lei n. . CF).direito de reaver.usucapiões constitucionais (arts. 8.exclusiva. §1º CCivil. . São as características da propriedade: . 1. de apreender bens para si de forma permanente. §1º CCivil. . CF. 10.

ainda que o eixo da riqueza tenha se transferido para os valores mobiliários. . f) Ação demolitória: ação real que tem por fundamento a propriedade e o direito de vizinhança. por força da Lei n. . 1. . aviventar rumos apagados e renovar marcos destruído ou arruinados. 6.262 CCivil). . é uma critica à ausência de modernidade do CCivil. d) Perecimento do objeto.259 CCivil). 1.247 CCivil).238_1.275 CCivil. b) Actio ex empto ou ex vendito: ação real cuja finalidade é a entrega da parte faltante da coisa. por meio das subespécies: especificação. fixando a seguinte ordem: usucapião (forma originaria). .sucessão (Livro V . 1.267 e 1. b) Renuncia. c) Ação negatória: ação real pela qual o proprietário se defende de ofensa à posse.268 CCivil).do usucapião (arts. porque é uma conseqüência da aquisição. podemos destacar as seguintes ações: a) Ação reivindicatória: ação real que tem por finalidade a retomada da coisa na mão de terceiro que injustamente a detenha. 1.da ocupação (art. tradição (forma derivada) e acessão. 1. elencando: a) Alienação. . O art. colocando como subespécies o achado e o tesouro (forma originaria). sendo a causa de pedir a servidão.usucapião (arts. . por meio de atos de turbação.da acessão (arts.416 CCivil).Parte Especial).clausulas restritivas. resguardando o direito de demarcar prédios confinantes. . sendo requerida pelo autor a complementação diária.registro imobiliário (arts. já que a aquisição para uma pessoa é perda para outra. apresenta um rol exemplificativo das hipóteses de perda. uso e habitação (arts. Mesmo assim o legislador ainda prestigia mais a aquisição imóvel do que a móvel. havendo uma correlação entre as duas situações. Da aquisição da propriedade imobiliária O atual código prestigia sobremaneira a aquisição imóvel em detrimento da aquisição mobiliaria. ate pelo fenômeno da globalização o eixo deslocou-se para as ações e para os títulos imobiliários. Da perda de propriedade Não há tanto interesse jurídico na perda de propriedade. e) Desapropriação. c) Abandono. Da aquisição da propriedade mobiliaria Estabeleceu o legislador. ..263 CCivil). confusão. Muito embora os bens imóveis garantiram maior estabilidade e riqueza. independentemente da existência de rol.269_1.383/76.244 CCivil).274 CCivil).260_1.245_1.916. ocupação. g) Ação discriminatória: ação real que visa promover a discriminação de terras devolutas da união.da tradição (arts. Podemos. Tutela processual da propriedade Entre as múltiplas tutelas processuais da propriedade.248_1. d) Ação confessória: ação real petitória.390_1. h) Ação divisória: ação real com fundamento na propriedade condominial. 1. o que. 1. . de certa forma. sem muita importância.desapropriação privada.usufruto. 1.acessão (arts. quatro maneiras às formas de aquisição mobiliaria. comistão e adjunção (forma derivada). enumerar as formas de aquisição da propriedade imóvel das quatro já conhecidas: . 1. e) Ação demarcatória: ação real que tem por fundamento a propriedade e direito de vizinhança. o que não ocorria na sociedade agropastoril de 1.

atribuição de cotas representativas da proporção de cada condômino sobre a coisa. defender sua posse.quanto à finalidade. Destacamos as seguintes diferenças entre condomínios e comunhão: . reivindicar. Apesar do condomínio ser uma propriedade. . ou seja. para que sejam cumpridas: . b) Unidade do objeto por incidir por um divisão material da coisa.quanto à teoria.dos limites entre prédios e do direito de tapagem. que transfere parte do patrimônio para outro conjugue. alienar ou mesmo gravar a coisa. atribuindo-se a cada qual cota sobre a coisa.passagem de cabos e tubulações. à exclusividade. O condomínio passa a ter então as seguintes características: a) Popularidade de sujeitos. o parágrafo único do mesmo dispositivo legal a necessidade de consenso para o exercício possessório entre os condôminos. situações que geram aquisição e perda da propriedade. Do condomínio geral Condomínio é uma espécie de propriedade em que duas ou mais pessoas são tituladas em comum de um bem indiviso. O condomínio não se confunde com a comunhão. Observa-se que o art. atribuindo-se a cada uma delas uma fração ou parte ideal do proferido bem. muito se questiona a existência ou não de um dos seus principais atributos. nas hipóteses em que há comunhão de bens. O condomínio não fere o principio de exclusividade na medida em que cada um dos proprietários exerce seu poder sobre parte ideal e não sobre parte de certa coisa. excluindo todas as demais pessoas pois não podem duas pessoas exercer o mesmo direito real sobre o mesmo bem e no mesmo momento.passagem forçada.314 CCivil. Entre as principais características podemos destacar: a) Abstenção: obrigações de não fazer. . . alem da dissolução da sociedade conjugal.águas. Das relações de vizinhança O objetivo desse capitulo é harmonizar a relação entre vizinhos. ainda. ao tratar do condomínio voluntario estabelece uma espécie de propriedade constituída por mais de um sujeito ativo. Podemos conceituar as relações de vizinhanças como um conjunto de limitações impostas pelo legislador ao direito de propriedade afim de harmonizar direitos e interesses de proprietários vizinhos. O condomínio extingue-se da comunhão na medida em que esta é uma espécie de propriedade em que cada proprietário possui o todo por inteiro. respeitando o direito do co-proprietário.o usufruto anormal da propriedade. d) Obrigação recíproca: imposta para um vizinho também será para outro.Pode-se ainda somar o usucapião e a acessão. . . . sem qualquer divisão material também denominada condomínio germânico. regulando a boa convivência e garantindo o cumprimento da função social da propriedade. c) Divisão intelectual. . . Determina-se. restringindo o uso e a fruição. que em principio confere ao proprietário o poder sobre a coisa. espécie. 1. podendo cada um deles usar. b) Obrigação com natureza jurídica propter rem: que implica a pessoa apenas enquanto titular da coisa. c) Obrigação expressamente prevista em lei.árvores limítrofes. São obrigações jurídicas entre vizinhos.do direito de construir. . embora alguns juristas entendam que esta é gênero e o condomínio. impondo obrigações aos titulares de prédios confinantes. posto que ninguém pode limitar qualquer dos poderes inerentes a propriedade.quanto à extinção.

direito de separação de prédios limítrofes nas linhas divisórias dos imóveis. Enquanto o vizinho não efetuar o pagamento ou depositar o preço da meação. intimando-o posteriormente para que concorra com as despesas proporcionais nessa ocasião nasce o condomínio forçado. relação condominial e todas as relações de vizinhança em uma mesma estrutura. estando referida ação disciplinada nos arts. são constituídos não só pelo condomínio edilício. Alienação da coisa comum Pode se tratar de espécie de propriedade. regulado pelo CCivil. o que importa ser destacado é o direito de preferência ou preempção. também denominados impuros. 946_949. o proprietário possui apenas a sua unidade.331_1. uma espécie de propriedade sui generis em que duas ou mais pessoas são titulares em comum de um bem imóvel. nenhum uso poderá fazer do muro. por meio de estrutura jurídica complexa. Todo proprietário tem direito de extremar o prédio com muro. Embora não tenha feito constitutivo da propriedade. por imposição legal. 1. mas também pelo condomínio de casas e terrenos. a sentença da ação e da divisão está sujeito ao registro imobiliário para produzir eficácia erga omnes podendo. e ate. Pode se tratar de direito potestativo. conforme também se posicionou a I Jornada de Direito Civil no seu enunciado 89. 1. Ambas as figuras diferenciam-se na medida em que o condomínio edilício é instituto de direito privado. cercas e valas. Do condomínio necessário É o condomínio pro diviso em cada condômino exerce a propriedade em parte certa da coisa.Efeitos jurídicos das relações condominiais: . o condomínio goza das mesmas causas de extinção da propriedade.329 CCivil). em matérias de propriedade imobiliária. 1. Recai sobre os muros. pagando o preço convencionado pelo condômino ou fixado por pericia (art. em que cada condômino é proprietário de uma cota proporcional a sua unidade no solo(art. alem de toda a legislação. Temos propriedade exclusiva individual. Do condomínio edilício Conceitua-se condomínio edilício. §3º CCivil). secretaria e propter rem. da cerca ou equivalente (art. sendo o restante do condomínio de titularidade do poder publico. sobre a unidade autônoma. em aplicação subsidiaria nos loteamentos fechados de casa e terrenos. que. Somente será possível a ação de divisão da coisa comum se o bem assim o permitir. Alem do instituto ter aplicação própria e direta.320 CCivil. em certa medida shopping Center. Os condomínios por unidades autônomas. a solução será a venda do quinhão ou da própria coisa. dividas e frutos. cerca ou equivalente. resguardando. com ou sem a anuência do vizinho. Caso seja impossível pela natureza do objeto ou não haja consenso para a divisão da coisa comum. Cpc. 1. no condomínio de casas e terrenos alem da estrutura publicística. paredes. ser levada ao registro uma escritura de divisão consensual entre os condôminos. cercas e equivalentes. envolvida em um condomínio pro indiviso. .330 CCivil).358 CCivil. é disciplinado pela Lei 6. imposto por lei de caráter permanente. Estabelece o art. ainda. as relações condominiais sobre as partes insuscetíveis de utilização independente (art. 1.766/79 e por outras leis de direito publico.331. correspondente aquela que esteja dentro do seu imóvel.quanto à posse. É direito do comunheiro adquirir meação nos muros. atribuído-se a cada qual propriedade exclusiva de uma unidade autônoma. Esse condomínio decorre do direito de tapagem entre vizinhos. tratando-se do condomínio privé do direito administrativo que subsidiariamente se vale das regras de direito privado.331. . ainda. 1. Dessa forma.quanto à administração do condomínio. §§1º e 2º CCivil). O condomínio edilício assegura o direito de propriedade a cada titular resguardando o direito autônomo. . clubes de campo. os arts. que a todo tempo é licito ao condomínio dividir a coisa comum. respondendo o quinhão de cada um pela sua parte nas despesas de divisão.quanto às despesas. .quanto à propriedade. a divisão é imprescritível e não decai.

hipotese de inteira responsabilidades dos condôminos. por apresentar um titulo constituitivo condição resolutória ou por ad vir um termo extintivo. .construção por empreitada. 1. O legislador estabelece no art. retorna o bem ao antigo titular. . O condomínio é constituído é constituído pela seguinte estrutura material: .591/64.591/64) Não existe qualquer afecctio societatis nas relações condominiais. operando independentemente da vontade das partes. ou seja. Para que haja harmonização na convivência entre os moradores. com o pagamento da divida garantida. opera ex tunic.assembléia geral. mantendo somente certa a convivência social.sindico. .dever do condômino quanto as benfeitorias e as sessões. . porque as pessoas não estão unidas por vinculo de confiança para atingir um objetivo em comum. Uma vez confirmada a resolução por causa antecedente ou causa superveniente. . seja por força de lei. .A Lei n. resolvendo-se o direito do adquirente com o adimplemento da obrigação.5º Lei n.931/2004.conselho fiscal.359. mas apenas para morar e cada qual na sua unidade. seja por força de declaração de vontade. . Da propriedade resolúvel Constitui exceção ao principio da perpetuidade da propriedade e. alem de garantir a relação do condomínio com todas as pessoas que com ele interagem temos os seguintes órgãos: .construção por conta e risco do incorporador que se compromete a vender as unidades autônomas em prestações periódicas por preço certo. . §1º CCivil).construção por administração. 1. como garantia de seu debito. 1. com retroatividade para todos os efeitos.condomínio pro diviso ou de partes especificas (art. Os condôminos tem obrigações como: . por preço fixo ou reajustável por indicies previamente determinados. portanto.propriedade comum ou condomínio pro indiviso (arts. prevê três tipos de contrato de incorporação: . já que a resolubilidade. . 4.convenção de condomínio.331. A resolução por causa superveniente é aquela que não tem previsão qualquer no titulo. . . por causa antecedente. 4. por expressa previsão legal e que.decisões das assembléias gerais.dever do condômino por obrigações típicas. não está sujeito a quaisquer direitos reais concedidos pelo proprietario resolúvel durante o período de vigência da clausula. nesse caso. Significando se o comprador tivesse dado em hipoteca o imóvel ou estabelecido sobre ele não teria o titular reivindicamente qualquer necessidade de suportar o gravame fixado na coisa. foram criados os seguintes instrumentos: .dever do condômino quanto as despesas condominiais. ou seja. O condomínio é constituído por órgãos que visam dar operacionalidade as relações entre os proprietários ou possuidores. 10. .dever co condômino por obrigações atípicas. .direitos dos condôminos. com as mudanças introduzidas pela Lei n.propriedade exclusiva ou unidades autônomas(arts. CCivil que o reivindicamente. §2º CCivil).regimento interno. Da propriedade fiduciária É espécie de propriedade constituída pela transferência feita pelo devedor ao credor da propriedade resolúvel e da posse indireta de um bem. pode gerar surpresa.331.

alienação. restituir o imóvel no estado em que este estava ou conforme disciplinava o contrato. o direito de construir e de plantar em seu terreno. por meio de tradição ficta da coisa. .elemento subjetivo.Trata-se de negocio jurídico dispositivo translativo.destrato estabelecido entre as partes e desapropriação da coisa alienada. O objetivo é o cumprimento da função social da propriedade na medida em que o proprietário não tem condições de edificar seu imóvel e não quer aliená-lo ou sofrer sanção por dar a entender que.cumprimento da obrigação principal. Sua estrutura é composta por: . . . b) Onerosidade. c) Acessoriedade. cabendo ao superficiário. TITULAR IV . pois o proprietário o direito de construir e plantar em seu terreno. passando o credor a possuidor indireto e proprietário.direitos e deveres do devedor fiduciante. que.elemento formal. o credor retoma a coisa e vende para cobrir o seu credito. judicial ou extrajudicial em caso de inadimplemento.direitos e deveres do credor fiduciário.direitos e obrigações do superficiário.conversão do bem valor. Caso a divida não esteja paga. de forma que este passe a ter o poder de fruir a coisa. . São causas da extinção de propriedade fiduciária: .confusão entre credor e devedor. São as características da propriedade fiduciária: a) Bilateralidade.direito divisível. depois de cumprida a formalidade consistente no registro do contrato gera a propriedade fiduciária. Trata-se de direito de fruição. . As partes tem obrigações de: . .direito impessoal. d) Formalidade. São os efeitos jurídicos: . . b) objeto. caso ele desapareça. Se a divida foi paga. c) forma.direitos e obrigações do proprietário. . findo o prazo ou depois de ser notificado.DA SUPERFÍCIE Superfície é o direito real sobre a coisa alheia de fruição no qual o proprietário transfere a um terceiro. o superficiário. .elemento objetivo. O devedor fiduciamente transfere domínio da coisa ao credor. o imóvel está inutilizado ou substitulizado. o credor restitui a propriedade do bem ao devedor que já esta na posse direta da coisa. . . por meio de contrato oneroso ou gratuito.direito transferível. . A estrutura jurídica é composta por: a) sujeito. celebrando por escritura publica e registrado no cartório de registro de imóveis.direito temporário. mas mantém a posse direta na qualidade de depositário. São características da superfície: .

direito divisível. 1. tolerado pelo titular do primeiro.direito acessório. o direito de usar e fruir de um bem.temporariedade. estendendo aos acessórios da coisa e dos seus acrescidos (art.direito do proprietário do imóvel dominante usar a servidão constituída no imóvel serviente de maneira restrita. já que o usufrutuário tem amplo poder de fruição sobre a coisa.384.DO USUFRUTO É o direito real sobre a coisa alheia também denominada servidão pessoal. dos filhos solteiros e dos empregados domésticos (art.direito invisível.direito personalíssimo.visa o instituto garantir a função econômica da propriedade dominante. . do CCivil).DAS SERVIDÕES É o desmembramento da propriedade. §2º do CCivil).DO USO São os efeitos: . São as características do usufruto: . . 1. Sua estrutura é composta pelos mesmos elementos superficiários. TITULO VII . A servidão é um direito real de fruição na medida em que o titular do imóvel dominante pode usar parte do imóvel serviente para cumprir a função econômica da sua propriedade. Uso é o direito real sobre a coisa alheia de fruição. .vincula-se as necessidades familiares.intuitu personae. sem ampliar ou abusar (art. 1. Tem características: .direito impessoal. . ante a necessidade de adaptação da regra aos demais filhos e sua extensão a união estável. É o mais amplo dos direitos reais sobre coisas alheias de fruição.o direito de uso PE personalíssimo. com a obrigação de restituí-lo após o decurso do prazo.imposto a um certo imóvel em benefício de outro. Tem a mesma estrutura jurídica das servidões e da superfície.direito inalienável. durante um tempo. . todas as utilidades da coisa para atender as suas necessidades pessoais e as de sua família.direitos e obrigações do proprietário. .inalienabilidade. São os efeitos jurídicos: .direitos e obrigações do usufrutuário. . de requerer remoção judicial da servidão desde que não cause agravamento ao outro titular (art. que confere uma pessoa certa e determinada. . .direito temporário. Caput do CCivil). TITULO VI . constituído a titulo oneroso ou gratuito pelo qual o usuário fica autorizado a retirar. . muito embora a idéia de família não pode ser apenas a do conjugue. . .TITULO V .obrigação de o proprietário dominante manter e conservar a servidão (arts. tanto serviente como dominante. permitindo ao titular de segundo uso de alguns de seus direitos para certo fim.direito alienável.direito permanente. 1. São características do uso: .412.indivisibilidade.380_1.385. 1.382 do CCivil). . do CCivil) sob pena de ensejar perdas e danos alem de obrigação de não fazer. temporariamente.392.direito de ambos os proprietários. .

é contrato que institui um direito real pelo qual o promitente-vendedor aliena um bem móvel ao compromissário-comprador. ocasião em que terá direito a escritura definitiva ou a sua adjudicação compulsória. . suprirá o juiz a vontade do vendedor na outorga da escritura definitiva. 29 da Lei n. sobre o rito o sumario. sendo o mais restrito dos direitos de fruição. portanto. 6.direito do compromissário-comprador de purgar a mora. . Consiste num direito exclusivo para moradia ou habitação.gratuidade. não existindo qualquer obrigatoriedade e celebra-se o contrato definitivo. visto que o compromisso goza de definitivamente. os juros convencionado às custas de intimação (art.direito do compromissário-comprador de ser imitido na posse quando da celebração do compromisso. .capacidade dos contratantes. É. conforme o art. Terá ele direito de ser reintegrado se no compromisso houver clausula constitui. . Lei n. A promessa ou compromisso de compra e venda é um contrato perfeito e acabado. no qual.DO DIREITO DO PROMITENTE-COMPRADOR Compromisso de compra e venda. .temporariedade. e transferir causa mortis. o compromisso de uma modalidade de compra e venda que tanto que o próprio art.regularidade do imóvel. para moradia própria e da família. comprovada a mora do credor e a quitação. aplicam-se as mesmas normas do usufruto naquilo que não o contraria. . Não há o que se falar em pré-contrato de compra e venda. . 6.766/79) . que se obriga a efetuar o pagamento integral do preço convencionado. TITULO IX .contrato formal.direito do compromissário-comprador de se opor contra qualquer que queira gravar por ônus do promitente-vendedor.São requisitos essenciais: TITULO VIII . 32. mediante simples trespasse (art. 6. . 31 da Lei n. . não tendo qualquer natureza pré-contratual. São as características: . 27 da Lei n.direito do compromissário-comprador de adjudicar o imóvel mediante processo judicial.clausula de valor. a promessa de compra e venda ou a promessa de sessão todos os sinônimos do mesmo instituto. . devendo o devedor adquirente ser intimado.destinação exclusiva para residência. .indivisibilidade. 6.416 do CCivil.DA HABITAÇÃO Trata-se de direito real temporário de usar gratuitamente casa alheia. porem.766/79 permitiu o registro compulsório do negocio preliminar ao compromisso de compra e venda. .766/79).766/79).inalienabilidade . . 1.clausula de irretratabilidade. pelo oficial registro de imóveis a satisfazer as prestações vencidas e as que se vencerem ate a data do pagamento. São efeitos jurídicos: .direito do compromissário-comprador de transferir o compromisso de compra e venda a terceiros. no requerimento do credor. herdeiros ou legatários (art.

.direito solene. e da caução dos títulos de crédito. o devedor solvente. do penhor legal. em que o objeto fica na posse do próprio devedor.direito real. TITULO X – DO PENHOR. e a outra incide sobre navios e vias férreas.destrato. conferido ao credor o direito de excutir a coisa para o pagamento da dívida. É classificada quanto ao objeto por comum e especial. O art. ou seja.rescisão. . mais juros.por remissão. quando o vendedor outorga a descrição definitiva ao comprador. vencendo antecipadamente a dívida. . .436 do CCivil estabelece as seguintes causas de extinção: . Quanto a origem temos hipoteca legal. . São as características: . .ação de cobrança. temos a hipoteca única e múltipla. outra vários credores. .contrato formal. . que não deriva das vontades das partes.garantia indivisível.Extinguindo-se a obrigação principal. judicial e convencional.contrato real.perecendo o objeto.execução voluntaria do contrato. 651 do CPC). desejando apenas receber as prestações remanescentes não pagas. Tem duas espécies comum e especial. perece o direito que lhe assegura. . suscetível de alienação do devedor para o credor. oferece o valor da divida. .confundindo-se na mesma pessoa a figura do credor e do devedor. pertencente a devedor ou a terceiro que mantém a posse.contrato acessório. DA HIPOTECA E DA ANTICRESE Do Penhor Penhor é o direito real de garantia que consiste na tradição de um bem móvel ou mobilizável. . .São as formas de extinção: . ocasião em que o vendedor não pleiteia a retomada da coisa.direito real de garantia. . Da Hipoteca Hipoteca é o direito real de garantia de natureza civil que grava bem o imóvel ou aquele que a lei entende por hipotecável. . . abre mão do seu direito. Características: . por culpa do compromissário-comprador que se retorna inadimplente em relação às prestações.pela venda amigável do bem penhorável a um terceiro. 1. Quanto a pluralidade. uma recai sobre bens imóveis. afim de garantir o pagamento da divida. como no caso do penhor rural.direito temporário.adjudicação compulsória.por meio de adjudicação judicial o credor incorpora ao patrimônio o bem.contrato cujo o objetivo é bem móvel. não incidindo essa garantia sobre bem corpóreo. .renunciando o credor por ato unilateral. em que o juiz supre a vontade do promitentevendedor na outorga da escritura. especial é aquele cuja as regras fogem da realidade. . uma apresenta um único credor. custas e honorários advocatícios(art. antes da arrematação ou da adjudicação.bem imóvel ou imobilizado.direito acessório.Comum é o Penhor regular. . . . .

até o resgate.remissão do devedor. as importâncias que for recebendo. mediante o pagamento antecipado da obrigação principal. O credor amortiza da dívida os frutos e rendimentos percebidos da coisa.resolução da propriedade. .Obrigação do credor de zelar pela coisa como se fosse dono.Obrigação do credor de responder pelo perecimento ou deterioração culposa.direito do credor de exercer a posse direta e a fruição da coisa. . para imputar os juros e o principal. .caducidade.direito do credor anticrético de converter o contrato em hipoteca.renuncia do credor.pagamento integral da divida.perecimento ou desapropriação da coisa. A anticrese apresenta as seguintes formas de extinção: . . . . São os efeitos jurídicos: .extinção da obrigação principal. É possível ao devedor o resgate desta. tornando-se credor hipotecário.Entre as principais causas de extinção temos: . .prescrição da obrigação principal. desde que haja anuência do devedor. . Da Anticrese É o direito real no qual o credor. mediante posse e fruição do imóvel do devedor. . compensa o seu credito por meio dos frutos percebidos da coisa. .remissão antecipada da dívida por parte do terceiro ou do próprio devedor. imputando na dívida. .arrematação ou adjudicação. .perecimento do objeto. . Trata-se do direito real de garantia que confere ao credor anticrético direito de seqüela e ação real para ir buscar a coisa do terceiro adquirente a fim de acolher os frutos e com este compensar seu credito. .Obrigação do credor de prestar contas para fins de cálculos da renda recebida.

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