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Elementos de Análise Real - Vol I - Gregório Luís

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O teorema seguinte contém uma regra de grande utilidade prática na determinação da
derivada de uma função que resulte da composição de duas funções.

Teorema 2 : Seja y = g (x) uma função com domínio em A e z = f (y) uma outra
função com domínio em B e considere-se a função composta z
= f [ g (x)] com
domínio no conjunto A
0 = { x : x A g (x) ∈ B }. Sendo a um ponto interior
de A
0 e b = g (a) um ponto interior de B, admita-se que existem finitas g (a) e f (b)
; então, tem-se,

[ ]

{

}

fgx

xa

()'

= = f (b) . g (a) = f [ g (a)] . g (a)

Demonstração : Repare-se em primeiro lugar que, o ponto a , interior do domínio A0 da
função composta é também ponto interior do domínio A da função g(x).

Note-se a seguir que, por ser b um ponto interior de B, existe um número r > 0 tal que
|θ | < rb + θ ∈ B ; a partir desse r > 0 determine-se um número s > 0 que garanta,

| h | < sa + hA0 ∧ | g (a + h) – g (a) | < r ,

o que é possível por ser a ponto interior dos domínios A0 de f [g (x)] e A de g (x) e por
esta função ser contínua em x = a (a continuidade é garantida pelo facto de a função em
causa ter derivada finita em x = a) .

Tem-se então, por definição de derivada,

[ ]

{

}

fgx

xa

()'

= =

[

] [ ]

limfgah

fga

h

h

+ −

0

(

)

()

=

[

] [ ]

limfga

k

fga

h

h

+ −

0

()

()

=

186

= limfbk

fb

h

h

+ −

0

(

)

()

,

em que k = g (a + h) – g (a) . Fazendo agora,

α (h) = ga

gah

ga

h

h

h

s

h

'

()

(

)

()

,

||

,

− + −

≠ ∧ <

=



0

0

0

β ) = fb

fb

fb

r

'

()

(

)

()

,

||

,

− + −

≠ ∧ <

=



θ

θ

θ θ
θ0

0

0

,

obtém-se :

k = g (a + h) – g (a) = h . g (a) - h . α (h) , com lim

h

h→0 α() = 0

f (b + θ ) – f (b) = θ . f (b) - θ . β ) , com lim

θ β θ

→0

() = 0 ,

igualdades válidas para | h | < s e | θ | < r , respectivamente (válidas mesmo no caso
de ser h = θ = 0 ) . Dada a forma como foram escolhidos os números r e s , tem-
se | h | < s| k | = | g (a + h) – g (a) | < r e podemos portanto tomar θ = k na
segunda das igualdades obtidas e substituir em seguida k pelo seu valor dado pela
primeira igualdade, assim se obtendo (sempre para | h| < s ) :

f (b + k ) – f (b) = k . f (b) - k . β (k) =

= [ h . g (a) - h . α (h)] . f (b) - [ h . g (a) - h (h)] . β (k) ,

donde resulta, para | h| < s ,

fbk

fb

h

(

)

()

+ −

= [ g (a) - α (h)] . f (b) - [ g (a) - α (h)] . β (k) ,

ou ainda, retomando a expressão antes obtida para a derivada da função composta no
ponto x = a ,

[ ]

{

}

fgx

xa

()'

= = limfbk

fb

h

h

+ −

0

(

)

()

= g (a) . f (b) - g (a). lim

k

h →0 β(),

com k = g (a + h) – g (a) . Mas lim

k

h →0 β() =

[

]

lim

gah

ga

h

+ −

0 β(

)

() = 0 , porque
β ) é função contínua e nula em θ = 0 e k = g (a + h) – g (a) é contínua e nula em
h = 0 ; então, obtém-se finalmente,

187

[ ]

{

}

fgx

xa

()'

= = g (a) . f (b),

que é precisamente a igualdade que se pretendia provar.

Observações :

1) A argumentação precedente é válida relativamente às derivadas laterais da função
composta no ponto x = a . Neste caso deverão verificar-se as seguintes hipóteses: a) A
função composta, e portanto também g (x), é definida em certo intervalo [ a , a [ no
caso da derivada lateral direita , ou ] a - ε , a] no caso da derivada lateral esquerda ;
b) existe finita a correspondente derivada lateral direita de g (x) em a ; c) o ponto
b = g (a) é ponto interior do domínio B da função f (y) e nele esta função admite deriva-
da finita.

Com estas suposições, a argumentação pode ser desenvolvida nos mesmos termos,
apenas com a condição adicional de ser h > 0 (derivada lateral direita) ou h < 0 (derivada
lateral esquerda) e considerando sempre limites quando h → 0+

ou h → 0-

, chegando-

se assim às igualdades,

[ ]

{

}

fgx

dxa

()

;

'

= = f (b) . ga

d'

() = f [ g(a)] . ga

d'

()

[ ]

{

}

fgx

exa

()

;

'

= = f (b) . ga

e'

() = f [ g(a)] . ga

e'

()

2) Tanto em relação ao teorema como relativamente ao que ficou dito na observação 1) é
possível dispensar a hipótese de b = g(a) ser ponto interior do domínio B de f (y), quando
este conjunto seja um intervalo. Nessas condições:

a) Se para certo ponto a interior do domínio A0 da função composta onde existe finita
g (a) se tem por exemplo b = g (a) = Mín B (em que B é supostamente um intervalo) , a
demonstração do teorema pode refazer-se considerando na definição de β ) a derivada

fb

d'

() e restringindo o campo de variação de θ pela condição 0 ≤ θ < r ; para | h | < s

teremos então,

0k = g (a + h) – g (a) < r ,

ou seja, pode tomar-se θ = k na igualdade em que intervém β (θ ) e a partir daqui a
sequência da argumentação conduz à fórmula de cálculo do teorema:

[ ]

{

}

fgx

xa

()'

= = fb

d'

(). ga

'

() ;

b) Do mesmo modo, se for b = g (a) = Máx B (com B intervalo), chega-se à fórmula:

188

[ ]

{

}

fgx

xa

()'

= = fb

e'

(). ga

'

() ;

c) Os resultados a) e b) da presente observação subsistem para as derivadas laterais da
função composta, exactamente nos mesmos termos que foram descritos na observa-
ção 1) , ou seja , considerando nas respectivas fórmulas ga

d'

() e ga

e'

()em vez de g (a).

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