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Elementos de Análise Real - Vol I - Gregório Luís

Elementos de Análise Real - Vol I - Gregório Luís

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Nos exemplos apresentados a propósito da definição de derivada viu-se que:

f (x) = sen xaRf (a) = cos a .

Dado que cos x = sen /2 - x) , a aplicação da regra de derivação de uma função
com-posta permite concluir que,

g(x) = cos xaRg (a) = [ cos (π /2 - a)] . (-1) = - sen a ,

uma vez que g(x) = cos x se pode considerar como a função composta de z = sen y
com y = π /2 - x .

Por outro lado, por ser tg x = sen x / cos x , tem-se para a ≠ (2 k + 1 )π /2 (com kZ ) ,
utilizando a regra de derivação de um quociente:

[ tg x]′x = a = [ ]

[ ]

senx

cosa

sena

cosx

cosa

xa

xa

=

=

'

'

.

(

).

2

= cosa

sena

cosa

2

2

2

+

=

= 1

2

cosa = sec2

a .

A aplicação da regra de derivação de uma função composta permite-nos achar as
derivadas de f (x) = sen u(x) , g(x) = cos u(x) e h(x) = tg u(x) , num ponto a interior
dos respectivos domínios onde exista finita a derivada u (a):

f (x) = [ cos u(a)] . u (a)

193

g (x) = [ - sen u(a)] . u (a)

h (x) = [ sec2

u(a)] . u (a) ,

sendo as fórmulas obviamente válidas para as derivadas laterais.

3.6 - Regra de derivação de uma função inversa . Aplicação às funções trigo-
nométricas inversas

Seja y = f (x) uma função estritamente monótona a contínua no intervalo não degenera-
do I . Nestas condições, como sabemos, f (x) transforma o intervalo I num intervalo não
degenerado K; por outro lado, a monotonia estrita de y = f(x) garante a respectiva
injectividade, existindo portanto a função inversa x =f −1

(y) com domínio no intervalo

K e contradomínio em I .

É fácil concluir que x =f −1

(y) é estritamente crescente ou decrescente em K ,
consoante y = f (x) seja uma coisa ou outra em I . Supondo por exemplo que y = f (x)
é estritamente crescente em I , tem-se y1 < y2 x1 =f −1

( y1 ) < f −1

( y2 ) = x2 ,

porque se fosse x1 =f −1

( y1 ) f −1

( y2 ) = x2 , seria, pelo crescimento estrito de f (x)
em I , f (x1 ) = y1 f (x2 ) = y2 ; do mesmo modo, se f (x) for estritamente decrescente
em I , tem-se que f −1

(y) é também estritamente decrescente em K .

Sabemos também (ver corolário do teorema 12 do capítulo dos limites e continuidade de
funções) que a monotonia estrita e continuidade de y = f (x) em I implica a continuida-
de da função inversa x =f −1

(y) em f ( I ) = K .

Posto isto vamos estudar o teorema onde se contém a regra de derivação da função
inversa.

Teorema 3 : Seja y = f (x) uma função estritamente monótona e contínua no intervalo
não degenerado I que ela transforma no intervalo K e considere-se a respectiva função
inversa x
=f −1

(y). Para b = f (a) interior de K correspondente a um ponto a I onde

seja finita e não nula f (a), tem-se:

[ ]

f

y

yb

=

1

()'

= 1

fa

'
() , com a =f −1

(b)

Demonstração : Sendo b ponto interior de K, então a =f −1

(b) é também ponto interior

de I , devido à monotonia estrita de f (x) e f −1

(y) . Tem-se, por definição de derivada,

[ ]

f

y

yb

=

1

()'

= limfbk

fb

k

k

+ −

0

1

1

(

)

()

;

194

fazendo h = fbk

fb

+ −

1

1

(

)

() = fbk

a

+ −

1

(

)

, tem-se h 0 ⇔ k ≠ 0 devido à

monotonia estrita de f −1

(y) e claro que,

fbk

+

1

(

) = a + h b + k = f (a + h) ⇒ k = f (a + h) b = f (a + h) – f (a) ;

portanto,

[ ]

f

y

yb

=

1

()'

= limfbk

fb

k

k

+ −

0

1

1

(

)

()

= lim

h

fah

fa

k

+ −

0

(

)

() =

= lim

fah

fa

h

k

+ −

0

1

(

)

() ,

com h = fbk

fb

+ −

1

1

(

)

() . Devido a continuidade de f −1

(y) em y = b , tem-se,

limh

k→0 =

[

]

limfbk

fb

k

+ −

0

1

1

(

)

() = 0 ,

e podemos então concluir com facilidade que, sendo f (a) ≠ 0 ,

[ ]

f

y

yb

=

1

()'

= lim

fah

fa

h

k

+ −

0

1

(

)

() = 1

fa

'
() , com a =f −1

(b) .

Com efeito , a cada sucessão de termos kn tal que, b + knK , kn ≠ 0 e lim kn = 0 ,
corresponde uma sucessão de termos hn = fbk

fb

n

+ −

1

1

(

)

()∈ I não nulos e tal que

lim hn = 0 e a esta corresponde por sua vez uma sucessão,

1

fah

fa

h

n

n

(

)

()

+ −

,

com limite 1 / f (a), por definição de limite segundo Heine ; então, de novo por
definição de limite segundo Heine, obtém-se a conclusão desejada.

Observações : a) Se b = f (a) for a extremidade inicial de K, a será a extremidade inicial
de I caso f (x) seja crescente e a extremidade final de I caso f (x) seja decrescente ; a
demonstração do teorema pode adaptar-se [considerando apenas os k > 0 , a que corres-
pondem valores h > 0 se f (x) for crescente e valores h < 0 se f (x) for decrescente] ,
obtendo-se então,

[ ]

f

y

dyb

=

1

()

;

'

= 1

fa

d'

() ou [ ]

f

y

dyb

=

1

()

;

'

= 1

fa

e'

() ,

consoante f (x) seja crescente ou decrescente e sempre no pressuposto de a respectiva
derivada lateral de f (x) em x = a ser finita e não nula.

195

b) Se b = f (a) for a extremidade final de K , obter-se-ia,

[ ]

f

y

eyb

=

1

()

;

'

= 1

fa

e'

() ou [ ]

f

y

eyb

=

1

()

;

'

= 1

fa

d'

() ,

consoante f (x) seja crescente ou decrescente e sempre no pressuposto de a respectiva
derivada lateral de f (x) em x = a ser finita e não nula.

c) Caso seja f (a) = 0 , a derivada da função inversa no ponto correspondente é +∞ se
f (x) for crescente e - se f (x) for crescente .

Vejamos alguns exemplos de aplicação deste teorema.

1) A função y = ex

é estritamente crescente e contínua em I = ] - , +∞ [ que ela
transforma em K = ] 0 , +∞ [ . A respectiva função inversa x = log y é então também
estritamente crescente e contínua no intervalo ] 0 , +∞ [ . Como cada b ∈ ] 0 , +∞ [
corresponde a a = log b ∈ ] -∞ , +∞ [ e , neste ponto , a derivada da função y = ex

é

ea

≠ 0 , tem-se:

( )

logyyb

=

'

=

( )

1

ex

xlogb

=

'

= 1

b ,

resultado que confere com o que já se obteve por outra via.

2) A função y = sen x é estritamente monótona e contínua em I = [ -π /2 , π /2]
que ela transforma em K = [ -1 , 1] . A respectiva função inversa x = arc sen y é então
também estritamente monótona e contínua em [-1, 1] . Como cada b ∈ ] -1 , 1[ corres-
ponde a a = arc sen b ∈] -π /2 ,π /2 [ e neste ponto a derivada da função y = sen x é
cos a ≠ 0 , tem-se :

(

)

arcsenyyb

=

'

=

( )

1

senxxarcsenb

=

'

=

1

cosarcsenb

(

) =

1

1

2

b ,

para -1 < b < 1 .

3) A função y = cos x é estritamente monótona e contínua em I = [ 0 , π ] que
ela transforma em K = [ -1 , 1] . A respectiva função inversa x = arc cos y é então
também estritamente monótona e contínua em [ -1, 1] . Como cada b ∈ ] -1 , 1[
corresponde a a = arc cos b ∈] 0 ,π [ e neste ponto a derivada da função y = cos x é
- sen a ≠ 0 , tem-se :

(

)

arccosyyb

=

'

=

( )

1

cosxxarc

b

=

cos

'

=

1

senarccosb

(

) = -

1

1

2

b ,

para -1 < b < 1 .

196

4) A função y = tg x é estritamente monótona e contínua em I = ] -π /2 , π /2[
que ela transforma em K = ] - , +∞ [ . A respectiva função inversa x = arc tg y
é então também estritamente monótona e contínua em ] - , +∞ [ . Como cada
b ∈ ] - , +∞ [ corresponde a a = arc tg b ∈ ] -π /2 ,π /2 [ e neste ponto a derivada da
função y = tg x é sec2

a ≠ 0 , tem-se :

(

)

arctgyyb

=

'

=

( )

1

tgxxarctgb

=

'

=

1

2

secarctgb

(

) = 1

1

2

+b ,

para - < b < +∞ .

Os resultados obtidos nos exemplos 2), 3) e 4) e a aplicação da regra de derivação de
uma função composta permitem agora determinar as derivadas das funções,

y = arc sen u(x) , y = arc cos u(x) e y = arc tg u(x) ,

num ponto a interior dos respectivos domínios onde exista finita u (a) e tal que no caso
do arc sen e do arc cos seja -1 < u(a) < 1 [no caso do arc tg , u(a) pode ser qualquer
real] :

[ arc sen u(x)] ′x = a =

1

1

2

ua

() . u (a)

[ arc cos u(x)] ′x = a = -

1

1

2

ua

() . u (a)

[ arc tg u(x)] ′x = a =

1

1

2

+ua

() . u (a) .
As fórmulas precedentes adaptam-se, como de costume, ao caso das derivadas laterais .

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