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Penal Especial - Completo

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Renato Brasileiro Penal Especial

AULA 1 DIA 10/02/09 CRIMES CONTRA A VIDA Quando eu saio da vida intra-uterina e passo para a extra-uterina? A partir do inicio do parto. No parto normal o inicio se dá com a dilatação do colo do útero preparando-se para a expulsão do feto. Enquanto que na cesariana se dá inicio com o rompimento da membrana amniótica. A vida intra-uterina é protegida por quais artigos do CP? É tutelada pelo CP 124, 125 e 126. Já a vida extra-uterina é tutelada pela CP 121, 122 e 123. Art. 121. Matar alguém: Pena – reclusão, de seis a vinte anos Art. 122. Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça: Pena – reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave Art. 123. Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após: Pena – detenção, de dois a seis anos Art. 124. Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: Pena – detenção, de um a três anos. Art. 125. Provocar aborto, sem o consentimento da gestante: Pena – reclusão, de três a dez anos. Art. 126. Provocar aborto com o consentimento da gestante: Pena – reclusão, de um a quatro anos. Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de quatorze anos, ou é alienada ou débil mental, ou se o consentimento é obtido mediante fraude, grave ameaça ou violência QUESTAO DE PROVA: Ex.: Progressão criminosa – Gestante pratica manobras abortivas e o feto é expulso, mas não morre imediatamente a gestante então joga a criança em um rio causando a sua morte. Nesse caso, há uma substituição do dolo de aborto em pelo dolo de homicídio (animus necandi). Pelo principio da consunção o delito de tentativa de aborto será absorvido pelo crime de homicídio consumado.

SUJEITOS DO CRIME Crime de homicídio é um crime comum, é o que pode ser praticado por qualquer pessoa. E no caso dos xifópagos (irmãos siameses)? Homicídio praticado por um dos xifópagos – alguns doutrinadores entendem que o gênio responsável pelo delito deve ser condenado, mas a pena fica suspensa até sua prescrição ou até que o outro irmão pratica o delito. Homicídio praticado contra xifópagos – Se o agente quer matar apenas um dos irmãos, mas acaba produzindo a morte de ambos, na medida em que tem órgãos em comum, responderá por dois crimes de homicídio em concurso formal impróprio. Quais são as diferenças e semelhança entre concurso material e formal e crime continuado? No concurso material tem por objetivo por meio de duas ou mais ações ou omissões, o agente praticado dois ou mais crimes (CP 121, caput na forma do CP 14, II c/c CP 213, na forma do CP 69). O critério que se aplica em relação à pena é o cúmulo material, ou seja, as penas são SOMADAS. CUIDADO: Alguns doutrinadores falam em concurso material homogêneo (os delitos são semelhantes) e heterogêneo (os delitos são distintos – é o caso do exemplo acima). CC 69 “Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos
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ou não, aplicam-se cumulativamente as penas privativas de liberdade em que haja incorrido. No caso de aplicação cumulativa de penas de reclusão e de detenção, executa-se primeiro aquela”. No concurso formal (criminosos econômicos – não gostam de pratica muitas ações), agente mediante uma ação ou omissão pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não. CUIDADO: Ex.: No caso de crimes de roubo praticados no interior de um ônibus, trata-se de uma única ação desdobrada em vários atos. Tecnicamente isso é concurso formal. Tem-se o concurso formal próprio que está previsto no CP 70, caput, 1° parte nesse caso o critério de aplicação da pena é o da exasperação da pena, ou seja, sua pena será aumentada de 1/6 até a metade. Já no concurso formal impróprio você tem vontade de praticar cada um dos delitos, porém o faz mediante uma só ação ou omissão. Neste caso o critério de aplicação da pena é o critério do cumulo material, ou seja, as penas são SOMADAS. CP 70 “Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade (concurso formal PROPRIO). As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior (concurso formal IMPROPRIO)”. O crime continuado está previsto CP 71 “Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes, devem os subseqüentes ser havidos como continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois terços. Parágrafo único. Nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa, poderá o juiz, considerando a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias, aumentar a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, até o triplo, observadas as regras do parágrafo único do artigo 70 e do artigo 75 deste Código”. O crime continuado é uma ficção jurídica criado em favor do acusado, os requisitos são: • Duas ou mais ações e omissões • Dois ou mais crimes da mesma espécie Ë possível crime continuado entre tipo simples e derivado (=furto simples e qualificado)? Sim
• Homogeneidade de circunstancias (de tempo, lugar, modus operandi, etc.) Qual é o critério de aplicação de pena? É o critério da exasperação da pena.

QUESTAO DE PROVA: É possível continuidade delitiva em crimes contra a vida? Conforme a sumula STF 605 “Não se admite continuidade delitiva nos crimes contra a vida”, porém esta SUMULA ESTA ULTRAPASSADA diante da nova redação do §único do CP 71 “Parágrafo único. Nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa, poderá o juiz, considerando a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias, aumentar a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, até o triplo, observadas as regras do parágrafo único do artigo 70 e do artigo 75 deste Código”. A súmula é anterior a este artigo. Em síntese: É possível continuidade delitiva em crimes contra a vida e a pena pode ser aumentada ATÉ O TRIPLO.

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Se por acaso praticar um crime contra o Presidente da republica? Pela Lei de segurança nacional ou pelo CP 121? Responde pela Lei 7170/83 art. 29 (“Matar qualquer das autoridades referidas no artigo 26. Pena – reclusão, de quinze a trinta anos”), mas quando o sujeito passivo do delito de homicídio for o presidente da república, do SF, da CD e STF, e desde que o crime tenha sido praticado por motivos políticos, responde o agente pelo crime do art. 29 da Lei 7170/83. Se não tem motivação política cairá no CP 121. Se eu matar um cadáver? É crime impossível pela absoluta impropriedade do objeto. O crime de homicídio é um crime material (aquele delito cujo resultado esta INSERIDO no tipo penal). Em se tratando de um crime material que geralmente costuma deixar vestígios. Como eu provo a materialidade do delito de homicídio? O CPP é extremamente taxativo/legalista e o crime material que deixa vestígios, sua materialidade deverá ser comprovada por meio de exame de corpo de delito. Posso condenar alguém sem um corpo de delito? Quando desaparecerem os vestígios, a prova testemunhal poderá suprir a ausência de exame de corpo de delito DIRETO (EXAME DE CORPO DE DELITO INDIRETO). CPP 158 E 167 “Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado”. “Art. 167. Não sendo possível o exame de corpo de delito, por haverem desaparecido os vestígios, a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta” Se um crime material deixou vestígios, a materialidade desse delito deve ser comprovada por um exame de corpo de delito DIRETO. Mas há EXCEÇOES: Lei dos juizados (basta um simples boletim médico), Lei Maria da Penha (também posso comprovar por meio de boletins médicos) e Laudo preliminar de constatação, o qual deve ser confirmado pelo exame definitivo.

TIPO SUBJETIVO DO DELITO DE HOMICIDIO Dolo (composto por dois elementos, que são: CONSCIÊNCIA E VONTADE). Esses são os chamados elementos cognitivos e volitivos. Conceito: É a consciência e vontade de praticar fato definido como infração penal. Dolo direto de 1° grau – trata-se do fim diretamente desejado pelo agente. Dolo direto de 2° grau – também conhecido como dolo de conseqüências necessárias. O resultado é desejado como conseqüência necessária do meio escolhido. (quero matar meu desafeto que está numa cela com outros 50 presos. Ateio fogo à cela, mato meu desafeto e também quem estava junto com ele). Dolo eventual – O agente prevê a superveniência do resultado, assumindo o risco de produzi-lo (Teoria do assentimento). Culpa – É a inobservância do dever objetivo de cuidado causador de um resultado não desejado, mas objetivamente previsível. Modalidades de culpa: IMPRUDÊNCIA – é a culpa na sua forma COMISSIVA (+). NEGLIGENCIA – é a culpa na sua forma OMISSIVA (-). IMPERÍCIA – falta de aptidão técnica no exercício de arte, profissão ou oficio. Não existe crime culposo SEM RESULTADO!
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com a intenção de destruir. O genocídio não precisa ser praticado somente pela morte. constatada e registrada por dois médicos não participantes das equipes de remoção e transplante. Quatro pessoas – porque como a lei diz atividade típica de grupo leia-se quadrilha e quatro pessoas seria o numero mínimo. não é qualificadora nem causa de aumento de pena. A. no todo ou em parte. “Art. de seis a vinte anos”. O bem jurídico tutelado pelo crime de genocídio é a existência de grupo racial. GENOCÍDIO Está previsto na Lei 2889/56. A vítima simplesmente pertence a determinado grupo ou classe social ou racial. O genocídio é crime contra a vida? Não. para que possa ser diferenciado do elemento do crime de lesões corporais. 2. quantas pessoas são necessárias para que se possa falar em grupos? Existem três correntes: 1. grupo nacional. a verificação deste fato compete ao JUIZ PRESIDENTE não devendo ser apresentado quesito especifico aos jurados (matéria referente à aplicação da pena). Quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio. 3° “A retirada post mortem de tecidos. é uma questão relativa à pena e fica com o juiz presidente. 1º Quem. Qual a característica desse grupo de homicídio? O homicídio é indeterminado/impessoal em relação a vitima. deve ser comprovado a partir dos dados objetivos do caso concreto. O delito de homicídio simples pode ser considerado hediondo quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio ainda que cometido por um só agente.Renato Brasileiro Penal Especial CONSUMAÇAO E TENTATIVA Lei 9434/97 art. ou seja. nacional ou religioso. racial ou religioso. étnico. Duas pessoas – NÃO É A MELHOR CORRENTE – Quando o código se refere a duas pessoas ele fala em duas ou mais pessoas. é uma das formas. Mas na pratica você denuncia o agente pelo homicídio qualificado pelo principio da especialidade. HOMICIDIO SIMPLES CP 121 “Matar alguém: Pena – reclusão. como tal: Página 4 de 76 . Quem é que diz se foi ou não praticado em atividade típica de extermínio?O juiz presidente ou os jurados? Nesse caso. Três pessoas 3. órgãos ou partes do corpo humano destinados a transplante ou tratamento deverá ser precedida de diagnóstico de morte encefálica (adotado para dizer quando o crime de homicídio está CONSUMADO). étnico. mediante a utilização de critérios clínicos e tecnológicos definidos por resolução do Conselho Federal de Medicina” O elemento subjetivo do delito de homicídio.

Porém. na medida em que bens jurídicos DISTINTOS. mas se o genocídio for cometido pela morte. b) causar lesão grave à integridade física ou mental de membros do grupo. no caso da letra b. Em suma: Nesse caso o delito de genocídio deve ser julgado por um juiz singular federal. Competência criminal para julgar genocídio contra índios – Sumula STJ 140 “Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar crime em que o indígena figure autor ou vítima”. e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam.Renato Brasileiro Penal Especial a) matar membros do grupo. QUESTAO DE PROVA: Quem na justiça federal julgará o delito? Por genocídio não ser crime contra a vida será pelo juiz singular. caso o delito envolva direitos indígenas (CF 231 “São reconhecidos aos índios sua organização social. crenças e tradições. com as penas do artigo 125. pois não se trata de crime doloso contra a vida. d) adotar medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo. Em regra crime cometido por ou contra índio é da competência da justiça ESTADUAL. c) submeter intencionalmente o grupo a condições de existência capazes de ocasionar-lhe a destruição física total ou parcial. que exercerá força atrativa em relação ao crime conexo de genocídio (STF RE 351487). no caso da letra c. línguas. § 2º. Não é possível a aplicação do principio da consunção. competindo à União demarcá-las. caso o genocídio seja praticado mediante morte de membros do grupo. os homicídios deverão ser julgados por um tribunal do júri federal. com as penas do artigo 148. § 2º do Código Penal.” Será que o genocídio absorve os crimes de homicídio? Caso o agente mate dez índios com homogeneidade de circunstancias deverá responder pelos dez crimes de homicídio (em continuidade delitiva) em concurso formal impróprio com o delito de genocídio. Página 5 de 76 . costumes. no caso da letra a. e) efetuar a transferência forçada de crianças do grupo para outro grupo. com as penas do artigo 129. proteger e fazer respeitar todos os seus bens”) a competência será da justiça federal. vai para o júri por ser contra a vida. Será punido: com as penas do artigo 121. no caso da letra e. no caso da letra d. Porém. com as penas do artigo 270.

é o valor que atende aos interesses de toda a coletividade. Essas causas de privilégios valem para todos ou só para o agente? Ex. II – por motivo fútil. Quais são as causas de diminuição de pena do §1°: I. ou sob o domínio de violenta emoção (ligada ao estado anímico do agente). III. mas pede para a enfermeira ir desligar os aparelhos. ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido. ou seja.: EUTANÁSIA. a ocultação. É o caso do CP 121 §1° “Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral (ligada à razão de ser do crime). a impunidade ou vantagem de outro crime: Pena – reclusão. Isto se deve às elementares e às circunstancias: ELEMENTARES CIRCUNSTANCIAS Página 6 de 76 . é o valor egoisticamente considerado. de doze a trinta anos. Por qual crime responde a enfermeira? E por qual eu respondo? Eu respondo pelo homicídio privilegiado por relevante valor moral e a enfermeira pelo homicídio qualificada mediante paga. Ex. por isso diz privilegiado qualificado.Renato Brasileiro Penal Especial HOMICÍDIO PRIVILEGIADO Está correto dizer em privilegiado? Quando se fala em privilegiado e qualificado deve-se ter um novo mínimo e máximo já estabelecido pelo legislador. Relevante moral – é o valor que atende aos interesses do próprio cidadão. explosivo. de emboscada. CP 121 §2° “Se o homicídio é cometido: I – mediante paga ou promessa de recompensa. matar o traficante da cidade que causou a dependência do seu filho que veio a óbito de overdose. III – com emprego de veneno. B. logo em seguida (sine intevallo) a injusta provocação da vítima. O quesito relativo ao privilegio antecede o quesito relativo às qualificadoras. II. asfixia tortura ou outro meio insidioso ou cruel. Sob o DOMÍNIO (Se for sob a influência é com circunstância ATENUANTE) de violenta emoção. ou de que possa resultar perigo comum.: Cidadão está com sua mãe no hospital em estado vegetativo e quer praticar a eutanásia. ou por outro motivo torpe. IV – à traição. Relevante valor social . fogo. pois nem todas as qualificadoras são subjetivas. V – para assegurar a execução. Nesse caso o homicídio qualificado NÂO é CR IME HEDIONDO.” Tecnicamente se fala em homicídio com causa de diminuição de pena de 1/6 a 1/3. LOGO EM SEGUIDA (enquanto houver o domínio de violenta emoção qualquer reação será imediata) a injusta provocação da vitima. o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço”. Por exemplo. É possível que o homicídio seja privilegiado qualificado? Desde que a qualificadora tenha natureza objetiva.

Renato Brasileiro Penal Especial São dados essenciais da figura típica. cuja ausência pode geral uma atipicidade absoluta (não é crime) ou relativa (desclassificação).: No crime de infanticídio. Natureza jurídica do privilégio A diminuição de pena é obrigatória ou facultativa?É direito do acusado ou mera faculdade do juiz?Uma vez reconhecido o privilegio pelos jurados.: No caso de relevante valor moral é Funcionário Público é uma elementar. Ex. Elementares se comunicam ao terceiro desde que dela tenha consciência. desde que dela tenha consciência QUESTAO DE PROVA: Particular responde pelo crime de peculato? Sim. Ex. sob influencia do estado puerperal. Circunstancias e condições de caráter pessoal não se comunicam 3. assim comunica-se ao terceiro que auxilia a gestante desde que tenha consciência quanto a elementar. Ex. Conclusão: (CP 30 “Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal. a diminuição de pena se torna OBRIGATORIA. salvo quando elementares do crime. HOMICIDIO QUALIFICADO AULA 2 DIA 27/02/09 HOMICIDIO QUALIFICADO (são hediondos)  Circunstancias subjetivas – incisos I. 2. mas não interferem no crime (somente interfere na pena). São dados periféricos que gravitam ao redor da figura típica. uma circunstância.”) 1. pois o crime será o mesmo e o que mudará será a pena. II e V  Circunstancias objetivas – incisos III e IV Página 7 de 76 . Circunstâncias de caráter OBJETIVO se comunicam ao terceiro. limitando-se a discricionariedade do juiz ao quantum de diminuição de pena (direito subjetivo do acusado). Podem aumentar ou diminuir a pena.: CP 312 – crime de peculato.

). A promessa de recompensa é elementar ou circunstância? Circunstância para a doutrina como o inciso primeiro é uma circunstância de caráter pessoal. coage a pessoa para tomar o veneno senão a matará entra no meio cruel e não emprego de veneno.: Ausência de motivo não se confunde com insuficiência de motivo. Ex. IV – à traição. já na tortura qualificada pelo resultado morte a sua intenção era a de torturar.: briga de trânsito.OCULTAÇAO) ou outro meio insidioso ou cruel (quando você ameaça. fogo.Renato Brasileiro Penal Especial CP 121 §2° “Se o homicídio é cometido: I (este inciso é conhecido como homicídio MERCENÁRIO. ou de que possa resultar perigo comum. já a ausência (que deveria ser mais censurável) não o qualifica. mas de maneira culposa acaba sendo produzido o resultado morte – CRIME PRETERDOLOSO. neste acórdão o STF diz que se aplica tanto ao mandante como o executor e se refere ao inciso I como uma elementar. O que vem a ser considerado como fútil? Insignificante. ou por MANDATO REMUNERADO – é um delito de concurso necessário ou bilateral)– mediante paga ou promessa de recompensa (não precisa ser de natureza patrimonial. desproporcional. só se aplica ao executor e não ao mandante – ROGERIO GRECCO. é o que causa desprezo). pois o que interessa é o que o leva a prática do delito. II – por motivo fútil (Não tem interpretação analógica. tortura (CUIDADO: não confundir o homicídio qualificado pela tortura com o delito de tortura qualificada pelo resultado morte – Lei 9455/97 art.também conhecida como VENEFÍCIO. ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido Página 8 de 76 . sem importância. Para a corrente majoritária essa promessa de recompensa deve ter natureza econômica. – PREDOMINA o entendimento de que a natureza da recompensa é econômica. se enquadrando no inciso V . A Ausência de motivos qualifica o delito de homicídio? Sim. por qual delito responde? Responde pela tortura em concurso material e não deixa de ser qualificado. Verdadeiro absurdo lógico! Defende-se de lege ferenda o acréscimo de nova qualificadora. qual seja a ausência de motivo. E se por acaso essa promessa de recompensa não for cumprida? Mesmo assim o homicídio será qualificado? Sim. asfixia. O veneno deve ser utilizado de maneira dissimulada. 1° §3° 2° parte No homicídio qualificado pela tortura sempre há a presença do animus necandi. E se por acaso depois de ter a confissão pratica-se o homicídio.  OBS. de emboscada. mas há divergências na doutrina) – motivo fútil não deve ser confundido com o motivo injusto: Este é elemento integrante do crime. Ciúme é um motivo fútil? Não. explosivo. III – com emprego de veneno . A corrente majoritária diz que se o motivo fútil qualifica o que dizer a ausência de motivos. frio. pois o veneno deve ser por meio dissimulado). OU POR OUTRO MOTIVO TORPE (é o motivo repugnante. CUIDADO: HC 71582 que é bem antigo e é difícil dizer se ainda mantém essa decisão. a insuficiência que é o motivo fútil qualifica o crime.  CUIDADO: para que o delito seja qualificado pelo emprego de veneno a vitima não pode saber que está sendo envenenada.

Crime com pena mínima de um ano comporta suspensão do processo art. assim a pessoa não será processada. III – deixar de prestar socorro. Assim no CP cabe suspensão condicional do processo e em tese Página 9 de 76 . Ex. Já a interpretação analógica é um método de interpretação. se o agente: I – não possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação. a pena é aumentada de um terço à metade. HOMICIDIO DUPLAMENTE QUALIFICADO Tecnicamente não é correto dizer. pois se trata de uma formula casuística.: Banco central de Fortaleza) – hipótese de conexão entre o crime de homicídio e outro delito. (CTB 302 “Praticar homicídio culposo na direção do veículo automotor: Penas – detenção. V – para assegurar a execução. No homicídio culposo cometido na direção de veículo automotor. Ex. HOMICIDIO CULPOSO Está previsto no CP 121 §3° “Se o homicídio é culposo: Pena – detenção. Quando se fala em “outro crime” é porque pode ser de autoria do próprio homicida ou pessoa diversa. quando possível fazê-lo sem risco pessoal. quando incapaz. só será qualificado por um motivo. a ocultação. 89 da lei de juizados. CUIDADO: se o delito for praticado na direção de veiculo automotor não vai para o CP e sim para o CTB.”. só terá se for crime. portanto. e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor. Parágrafo único. Se for praticada uma contravenção penal não tem qualificadora. isoladamente não qualificam o delito de homicídio. a impunidade ou vantagem de outro crime (Ex. ” ANALOGIA ≠ INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA – analogia é um método de interpretação para suprir lacunas. aplica-se dispositivo legal para um caso semelhante não regulado por lei.: CP 121 §2° I. mas sim características inerentes a própria vítima. Matar alguém maior de 80 anos qualifica o delito? A idade avançada ou eventual deficiência da vitima não são recursos procurados pelo agente. Essa interpretação é admitida no direito penal? Sim e muito utilizada. de seu representante legal. IV – no exercício de sua profissão ou atividade. de dois a quatro anos.: CP 128 II “Não se pune o aborto praticado por médico: II – se a gravidez resulta de estupro (e se for atentado violento ao pudor? Entra também neste caso) e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou. Na verdade.Renato Brasileiro Penal Especial (qual homicídio será qualificado: Pelas costas ou nas costas? Pelas costas. II – praticá-lo em faixa de pedestres ou na calçada. Há doutrinadores entendem que as demais qualificadoras serão consideradas como agravantes. Homicídio premeditado será qualificado? Não. estiver conduzindo veículo de transporte de passageiros”). exemplificativa. de um a três anos”. seguida de uma formula genérica. devendo as demais qualificadoras ser levadas em consideração na analise das circunstâncias judiciais. à vítima do acidente. o homicídio premeditado por si só não qualifica o delito de homicídio).

o comportamento mais negligente no transito é. não procura diminuir as conseqüências do ato ou foge para evitar prisão em flagrante. pois geralmente o resultado será o mesmo. O fato de o homicídio culposo ser dirigido com veiculo tem maior desvalor na conduta do que o homicídio culposo do CP. ou seja. o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço. 2. sem dúvida. Qual é a diferença entre inobservância de regra técnica (o agente tem o conhecimento técnico. da isonomia não é possível que o julgador aplique a pena do homicídio culposo do CP ao homicídio culposo do CTB. Quando o agente se afasta do local por temor de represálias (no livro do Rogério fala sobre isso na pág. logo em seguida a injusta provocação da vítima. é mais potencialmente lesivo. O que justifica essa diferença de tempo? Desvalor da conduta + Desvalor do resultado. O que mais pesa é a conduta. Morte instantânea da vitima (*) – um caso desses chegou ao STF e disse que o autor do delito não é dotado de poderes adivinhatórios para prever se a vitima vai ou não morrer. quando eu pratico homicídio qualificado a pena será de 12 a 30 anos. abordando se é ou não constitucional. Para a doutrina essa majorantes não se aplica em três hipóteses: 1. onde a pena será de 6 a 20 anos com diminuição de 1/6 a 1/3. HOMICIDIO DOLOSO MAJORADO PRATICADO CONTRA MENOR DE 14 ANOS E MAIOR DE 60 ANOS (CP 121 §4° 2° parte) Página 10 de 76 .Renato Brasileiro Penal Especial no CTB não cabe. ou sob o domínio de violenta emoção. No CP 121 § 1o “Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral. Qual é a justificativa dada pela júris dessa pena maior? O que justifica essa pena mais grave do CTB é o desvalor da conduta. 28. mas não o emprega no caso concreto) e a imperícia (falta de aptidão técnica). quando diz “foge para evitar a prisão em flagrante”. Será que existe algum critério que justifique isso? Será que eu não posso aplicar esta pena do CP ao CTB? A título de p. profissão ou oficio ou quando o agente deixa de prestar imediato socorro a vitima.” – homicídio privilegiado. Quando a vitima for socorrida por terceiros 3. pois se o agente fica no local depois de socorrer a vítima estaria produzindo prova contra si mesmo). HOMICIDIO CULPOSO QUALIFICADO CP 121 §4° 1° parte – será majorado quando ocorrer à inobservância de regra técnica de arte.

PERDAO JUDICIAL Sua natureza jurídica é causa extintiva da punibilidade. não subsistindo qualquer efeito condenatório”). não obstante a prática de um injusto penal por um agente culpável deixa de lhe aplicar a pena nas hipóteses taxativamente previstas em lei. De acordo com o CP 4° adota a teoria da atividade “Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão. Lembrando que é indispensável que a idade do ofendido ingresse na esfera de conhecimento do agente. ainda que outro seja o momento do resultado. nos casos previstos em lei (é possível analogia nas hipóteses de perdão judicial? O CP 121 §5° “Na hipótese de homicídio culposo. se as conseqüências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária” – Em relação ao perdão judicial não cabe analogia pois a própria lei já diz no casos previsto em lei e se a lei não previu o perdão judicial não pode se valer de analogia – LUIS REGIS PRADO – somente se aplica ao homicídio culposo. não pode ser executada no juízo cível para a reparação do dano. Se a execução se dá quando a vítima está com 13 anos e o resultado morte se dá quando está com 15 anos. ilícita e culpável. o juiz poderá deixar de aplicar a pena. Como provo a idade de alguém? Exige prova por meio de certidão de nascimento. mas apesar de ter praticado o juiz lhe dá o perdão judicial. E no CTB será que o legislador colocou o perdão judicial? Surge o problema em que não estando previsto o perdão judicial não caberia. na justificativa do veto dizia-se que o perdão judicial já está previsto no CP.”. Qual é o momento para a concessão do perdão judicial? Existem duas correntes: Página 11 de 76 . assim perdão judicial também se aplica ao CTB)” O que é perdão judicial? Instituto pelo qual o juiz. porém se for feito uma pesquisa sobre o assunto descobre-se que o perdão judicial estava previsto no CTB. IX “Extingue-se a punibilidade: IX – pelo perdão judicial. mas foi vetado. reconhece que o agente praticou uma conduta típica.Renato Brasileiro Penal Especial Sua pena deverá sofrer um aumento de 1/3. sob pena de responsabilizá-lo objetivamente. Essa decisão que concede o perdão judicial pode ser liquidada no cível? Como essa decisão não é condenatória. Ou seja. aplica-se essa causa de aumento de pena? O que nos interessa é o momento da ação/ omissão. pois as conseqüências da infração já são suficientes Natureza Jurídica da Sentença Concessiva do Perdão Judicial Trata-se de decisão declaratória da extinção da punibilidade (Sumula STJ 18 “A sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extinção da punibilidade. CP 107.

não tem um tipo penal que se aplique. por qualquer causa. INDUZIR = MORTE – CP 122 CONSUMADO INDUZIR = LESAO GRAVE – CP 122 CONSUMADO Página 12 de 76 . se a vitima é maior de 14 anos e menor de 18 anos entra no CP 122. ficando a punibilidade condicionada ao implemento do resultado morte. § único II e se a vitima for maior de 18 anos configura-se no CP 122. nesse caso. CONSUMAÇAO E TENTATIVA CP 122 “Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça: Pena – reclusão. de dois a seis anos. Se a vitima for menor de 14 anos o delito será do CP 121. INSTIGAR (é reforçar uma ideia preexistente) E AUXILIAR (ajudar materialmente). a instigação e o auxilio. E se a vitima for menor de idade. Assim. o que acontece? Três correntes: 1. se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave” Se a pessoa não pula ou sofre lesão corporal leve. sob pena do agente responder pelo crime de homicídio. A tentativa de suicídio é uma conduta ilícita. A pena é duplicada: I – se o crime é praticado por motivo egoístico. Parágrafo único. só pode ser concedido ao final do processo sob pena de violação do p. Qual é o tipo objetivo do delito do CP 122? Existem três verbos: INDUZIR (criar uma ideia até então inexistente). Se a vitima for suprimida sua capacidade de resistência vai para o CP 121. ou reclusão. se o suicídio se consuma. A vítima precisa ser certa ou determinada no instigar ou auxiliar. § único II). II – se a vítima é menor ou tem diminuída. a capacidade de resistência” SUICÍDIO – a tentativa de suicídio é uma conduta atípica. se o suicídio se consuma. de dois a seis anos. se a vitima tem sua capacidade diminuída será participação do suicídio (CP 122. A pena é duplicada: I – se o crime é praticado por motivo egoístico. de um a três anos. II – se a vítima é menor ou tem diminuída. (DIREITO PENAL) 2) Essa corrente já começa dizendo que a condição da ação “INTERESSE DE AGIR” se subdivide em um trinômio”: NECESSIDADE. o reconhecimento de uma conduta típica. por qual crime respondo? CP 122 § único “Parágrafo único. ou reclusão. Não é possível a intervenção em atos executórios de matar alguém. ADEQUAÇAO e UTILIDADE (qual seria a utilidade de se levar adiante um processo referente a um caso concreto no qual estivesse patente uma hipótese de perdão judicial? Se não há utilidade não há interesse de agir e conseqüentemente não há condição da ação ) (DIREITO PROCESSUAL PENAL) PARTICIPAÇAO EM SUICIDIO (=AUTOQUIRIA/AUTOCIDIO) CP 122 “Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça: Pena – reclusão. O crime consuma-se com o induzimento. a capacidade de resistência”. se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave. ilícita e culpável. por qualquer causa.Renato Brasileiro Penal Especial 1) Perdão judicial para ser concedido pressupõe. que funcionam como condição objetiva de punibilidade. da presunção de inocência. de um a três anos.

que se consuma com a produção do resultado morte. PACTO DE MORTE A pessoa que sobrevive vai responder pelo CP 122. A B A B Aqui B abre a torneira e A morre. Na verdade o crime se consuma com o resultado morte ou lesão corporal grave. INDUZIR = MORTE – CP 122 CONSUMADO INDUZIR = LESAO GRAVE – CP 122 CONSUMADO INDUZIR = NÃO SOFRE NADA – FATO ATIPICO Não se admite tentativa. mas sim execução do delito. instigação e auxilio não configuram consumação. Induzimento. O crime do CP 122 com resultado lesão grave é exemplo de um crime material plurissubsistente que não admite tentativa. Página 13 de 76 . 3. Se ocorrer lesão corporal grave estaremos diante de um crime tentado (tentativa sui generis).Renato Brasileiro Penal Especial INDUZIR = NÃO HÁ RESULTADO – CONDUTA IMPUNIVEL Não se admite tentativa 2. instigação e auxilio configuram execução do delito. Se você induz e não há resultado o fato é considerado fato atípico. se o B abriu a torneira ele teve atos executórios que só não se consumaram por vontade alheia e responde pelo CP 121 c/c 14 II e o A não responde é atípica A R B Aqui é o caso de que R salva os dois. (PREVALECE) Induzimento. assim B responde pelo CP 121.

praticado contra o nascente ou neonato. Art. de um a quatro anos. de dois a seis anos” É um homicídio com elementos especializantes. durante o parto ou logo após: Pena – detenção. Quais são os elementos? Parturiente (crime próprio). Art. Provocar aborto. sob a influência do estado puerperal (elementar do CP 123. logo se comunica ao terceiro desde que ele tenha consciência). CP 61 na incide neste crime “São circunstâncias que sempre agravam a pena. E se a mãe matar o filho errado? Encontra-se o erro sobre a pessoa e assim responde como se tivesse atingido a pessoa que pretendia ofender. Provocar aborto com o consentimento da gestante: Pena – reclusão. 126. quando não constituem ou qualificam o crime” AULA 3 DIA 06/03/09 ABORTO Art. da especialidade. O infantício somente é punido a titulo de dolo direto ou eventual.Renato Brasileiro Penal Especial INFANTICIDIO CP 123 “Matar. se a gestante não é maior de quatorze anos. sob a influência do estado puerperal. temporal (deve ser praticado durante o parto ou logo após). Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: Pena – detenção. ou é alienada ou débil mental. Aplica-se o p. de três a dez anos. sem o consentimento da gestante: Pena – reclusão. o próprio filho. ou se o consentimento é obtido mediante fraude. 124. Parágrafo único. 125. Aplica-se a pena do artigo anterior. de um a três anos. grave ameaça ou violência • Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento • Aborto provocado por terceiro sem o consentimento da gestante • Aborto provocado com o consentimento da gestante Página 14 de 76 .

não sendo casado. e 34 desta Lei”). CP 29 “Quem. mas em razão dela. As exceções são: CP 124 e 126 porque a mulher que vai ate uma clinica clandestina e paga 5 mil reais para o medico ela responde pelo CP 124 e o medico que faz o aborto responde pelo CP 126. fabricar. se o crime é praticado mediante suborno ou se cometido com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em processo penal. contrai casamento com pessoa casada. MONISTICA – independentemente de numero de co-autores ou participes. exportar. ainda que gratuitamente. perícia. transportar. concorre para o crime incide nas penas a este cominadas. trazer consigo. a terceira é o CP 343 (“Dar. expor à venda. vantagem indevida. onde um crime seria para co-autores e um para os participes. caput e § 1º. perito. contador. sendo casado. contador. perito. a segunda exceção é a corrupção do funcionário público (CP 317 “Solicitar ou receber. mas a pena ficará na medida de sua culpabilidade (juízo de reprovação). negar ou calar a verdade em depoimento. de um a três anos”).. para fazer afirmação falsa. direta ou indiretamente. ainda que fora da função ou antes de assumi-la. de qualquer modo. e 34 desta Lei”).) Página 15 de 76 . 124. ter em depósito.” I. oferecer ou prometer dinheiro ou qualquer outra vantagem a testemunha. 33. organização ou associação destinados à prática de qualquer dos crimes previstos nos arts. o art. por exemplo. tradução ou interpretação”) e o CP 342 (“Fazer afirmação falsa. ou em juízo arbitral: § 1o As penas aumentam-se de um sexto a um terço. III. sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar”). Essa teoria monística teria sido adotada de forma absoluta ou tem exceções? Alguns doutrinadores dizem que é uma teoria monística temperada/ moderada. novo casamento: § 1o Aquele que. art. adquirir. o delito permanece único e indivisível. II. é punido com reclusão ou detenção. DUALISTICA – De acordo com esta teoria haveria dois crimes. oferecer. guardar. 36 (“Financiar ou custear a prática de qualquer dos crimes previstos nos arts. inquérito policial. na medida de sua culpabilidade. 33 (“Importar. ministrar. para determiná-lo a praticar. para si ou para outrem. prescrever. ou negar ou calar a verdade como testemunha. conhecendo essa circunstância.. cálculos. A lei de drogas também trouxe algumas exceções.Renato Brasileiro Penal Especial Teorias Sobre O Concurso De Pessoas São três teorias: PLURALISTICA – de acordo com essa teoria existem tanto crimes quantos forem os coautores e participes. entregar a consumo ou fornecer drogas. tradutor ou intérprete. tradutor ou intérprete em processo judicial. vender. ou aceitar promessa de tal vantagem”) e do particular (CP 333 “Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público. Art. 33 caput e § 1º. produzir. a quarta exceção é o CP 235 (“Contrair alguém. ou administrativo. 37 (“Colaborar. art. preparar. Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque (. ou em processo civil em que for parte entidade da administração pública direta ou indireta”). com grupo. omitir ou retardar ato de ofício”). O CP adota a teoria Monista. como informante. remeter.

só que o detalhe é que como o próprio nome já diz é o delito cuja execução não pode ser delegada. CP 19 “Pelo resultado que agrava especialmente a pena. Ex. Página 16 de 76 . pois só posso executar com minhas próprias mãos. Este crime não admite a co-autoria. o dolo do agente era em relação ao aborto. não consegue interromper a gravidez. mas a mulher acaba falecendo. porém o resultado morte da gestante é atribuído a ele a titulo culposo. por qual delito ele responde? Nesse exemplo. Ex: falso testemunho. se. É o CP 126 com o resultado morte do CP 127 ultima parte.: peculato. a gestante sofre LESÃO CORPORAL DE NATUREZA GRAVE. por qualquer dessas causas. se. E se um tiro causar a morte da gestante e do feto? Responde pelo CP 121 e pelo CP 125 na forma do CP 70. só responde o agente que o houver causado ao menos culposamente”. próprio (exige uma qualidade especial do agente. O medico responsável pela pratica do aborto. esse resultado acabou ocorrendo. assim nesse caso há duas correntes: • • Aborto provocado com o consentimento da gestante com a causa de aumento do CP 127 última parte em sua modalidade consumada. porém na modalidade tentada. Provocar aborto. 125. Conceito de Aborto É a interrupção voluntária da gravidez com a morte do produto da concepção dentro ou fora do útero. As três modalidades de aborto não são punidas a titulo de culpa somente a titulo doloso. Figuras Majoradas Do Aborto CP 127 “As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um terço. sem o consentimento da gestante: Pena – reclusão. e são duplicadas. porém nada impede a participação)? Assim o CP 124 é exemplo de um crime de mão própria enquanto os outros crimes de aborto são crimes comuns. lhe sobrevém a MORTE”. Esse artigo somente se aplica ao CP 125 e 126. em conseqüência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo. A figura do CP 127 é exemplo de crime PRETERDOLOSO. caput 2° parte. Aborto de gêmeos? Se houve o abortamento de gêmeos temos dois crimes e o concurso é formal impróprio. O CP 124 admite concurso de pessoas? É perfeitamente possível o concurso de pessoas no CP 124 porém somente na modalidade de participação. Crime próprio admite tanto a co-autoria quanto a participação) ou de mão própria (também exige uma qualidade especial do agente. de três a dez anos. Art.Renato Brasileiro Penal Especial Esse crime do CP é um crime comum (não exige qualidade especial do agente). mas não conseguiu abortar (forma tentada). A morte do feto para caracterizar o aborto pode ocorrer dentro ou fora do útero.

Este aborto não faz parte do rol dos abortos permitidos do CP 128.Renato Brasileiro Penal Especial Seria possível a tentativa em crime preterdoloso? Não se admite tentativa em crime preterdoloso quando o que ficar frustrado for o resultado atribuído ao agente a titulo de culpa. Esse aborto não depende de autorização judicial. Risco de morte da gestante b. Aborto Eugênico Ex. Inexistência de outro meio para salva-la. Porém quando o que ficar frustrado for à conduta do agente. Ocorre devido ao ESTADO DE NECESSIDADE. Página 17 de 76 .E se for o delito praticado por enfermeira? A doutrina diz que essa excludente de ilicitude somente se aplica ao medico. Conferir a ADPF 54. será possível tentativa em crime preterdoloso. Praticado por medico . ABORTO NECESSÁRIO (= terapêutico) – CP 128 I “Não se pune o aborto praticado por médico: I – se não há outro meio de salvar a vida da gestante”. de seu representante legal”. quando incapaz. mas teoricamente para a enfermeira usa a regra geral do estado de necessidade do CP 24. Não há falar em momento algum de excludente da culpabilidade. II. Para a doutrina o fato seria típico e ilícito. praticada a titulo doloso. Aborto Miserável/ Economico-Social Dá-se nos casos de incapacidade financeira. Precisa de autorização da vitima e judicial? Não é necessária autorização judicial e não é necessária autorização da gestante. LESAO CORPORAL CP 129 “Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem (. Depende de consentimento da gestante ou de seu representante legal.: É o aborto do feto anencefálico (sem atividade cerebral). Excludentes De Ilicitude No Crime De Aborto I. ABORTO SENTIMENTAL (= humanitário ou ético) – CP 128 II “Não se pune o aborto praticado por médico: II – se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou.. Quais são os requisitos? a. Para a doutrina deve o medico dentro do possível certificar-se da ocorrência do crime sexual.. mas não seria culpável em virtude da presença de uma causa excludente da culpabilidade (inexigibilidade de conduta diversa). Deve ser praticado por medico b.)”. c. Há um PL criando essa permissão de aborto. A gravidez deve ser resultante de estupro (de acordo com a doutrina majoritária entra o atentado violento ao pudor). c. Quais são os requisitos? a.

ou qualquer outro meio fraudulento: V – destrói. para si ou para outrem. essa conduta acaba sendo ATIPICA. ardil. com o intuito de haver indenização ou valor de seguro. Observar o CP 171 §2° V “Obter. Autolesão Não configura crime. CUIDADO: Com a tentativa de vitriolagem. em prejuízo alheio.” e o CPM 184 “Criar ou simular incapacidade física. induzindo ou mantendo alguém em erro. o consentimento deve ser dado por pessoa capaz. diferente que na segunda posição é exercício regular do direito. Não há necessidade de dor nem de efusão de sangue. ou agrava as conseqüências da lesão ou doença. Quais são os requisitos para o consentimento do ofendido? Para ser valido deve o consentimento ser prévio ou concomitante a ação. vantagem ilícita. total ou parcialmente. desde que a lesão corporal seja de natureza leve. que inabilite o convocado para o serviço militar:” Cirurgia transexual Alguns doutrinadores dizem que quando o medico faz a cirurgia não age com dolo. o consentimento deve recair sobre bem disponível. Esse é o mesmo raciocínio as lesões desportivas. é o que acontece quando uma prostituta joga acido no rosto de uma pessoa e esse é um exemplo de tentativa de lesão corporal grave. afastará a tipicidade. por sua natureza ou pelo meio empregado. outros dizem que o médico age no estrito cumprimento do dever legal e por outros falam que na verdade por meio da teoria da imputação objetiva como esse medico cria um risco permitido e tolerado pela sociedade. Porém quando o dissentimento estiver inserido no tipo penal. ou oculta coisa própria. se considerem aviltantes”). ou lesa o próprio corpo ou a saúde. mediante artifício. Tipo Objetivo Tapa no rosto e corte de cabelo configuram qual delito? Qual é a conduta do agente? A depender do elemento subjetivo o corte ou o tapa seria injuria real (CP 140 §2° “Se a injúria consiste em violência ou vias de fato. É possível tentativa no crime de lesão corporal? É um crime plurissubsistente e assim admite tentativa. A integridade corporal é um bem disponível. Consentimento do Ofendido Qual é natureza jurídica do consentimento do ofendido? Em regra o consentimento funciona como uma causa supralegal excludente da ilicitude. Espécies de lesão corporal Página 18 de 76 .Renato Brasileiro Penal Especial O bem jurídico tutelado é a integridade corporal ou saúde de outrem. que.

155. de um a quatro anos. Transmissão dolosa de vírus HIV configura qual delito? Alguns doutrinadores chegam a dizer que essa transmissão seria lesão gravíssima. CP 129 §1° tem-se a lesão corporal GRAVE “Se resulta: I – incapacidade para as ocupações habituais. não se aplica a Lei nº 9. cabe lembrar que por conta do art. § 1o A pena aumenta-se de um terço. 41 da Lei 11340/06 – “Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher. deve ser feito o exame complementar (de diagnostico e não de prognostico) depois dos 30 dias. Criança também pode ser vitima desse delito). ao agente não pode ser imputado o resultado lesivo). De acordo com o art. IV – deformidade permanente. esse prazo de 30 dias é um prazo penal. sentido ou função. e multa. 41 da lei Maria da penha (art. por mais de trinta dias (pode ser atribuído a titulo de dolo ou culpa – atividades ilícitas não são abrangidas. CP 129 §2° tem-se a lesão corporal GRAVISSIMA “Se resulta: I – incapacidade permanente para o trabalho (é para toda e qualquer atividade laborativa). para si ou para outrem.Renato Brasileiro Penal Especial CP 129 caput tem-se a lesão corporal LEVE – “Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem”. Crime qualificado pelo resultado – Esse resultado pode ter sido produzido tanto a titulo doloso como culposo. III – perda ou inutilização de membro. Página 19 de 76 . independentemente da pena prevista. sentido ou função (pode ser atribuído a titulo de dolo ou culpa).099. por mais que tenha havido a transmissão a conduta do agente produziu um risco permitido ou tolerado portanto. se o crime é praticado durante o repouso noturno. IV – aceleração de parto (pode ser atribuído somente a titulo de culpa)”. mas e se não for feito? A ausência desse exame complementar pode ser suprida por prova testemunhal. porque nesse caso a transmissão de doença incurável Assim a transmissão dolosa configura o delito de TENTATIVA DE HOMICIDIO por causa do animus necandi. assim a ação penal desta lei é incondicionada. de 26 de setembro de 1995”). nem assumiu o risco de produzi-lo” AULA 4 DIA 06/04/09 CRIMES CONTRA O PATRIMONIO FURTO Art. 88 da lei de juizados temos crime de ação penal publica condicionada a representação. Crime preterdoloso – tem dolo na conduta e culpa no resultado (CP 129 §3°). II – enfermidade incurável. III – debilidade permanente de membro. V – aborto:” CP 129 §3° tem-se a lesão corporal seguida de MORTE “Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o resultado. II – perigo de vida (pode ser atribuído somente a titulo de culpa. coisa alheia móvel: Pena – reclusão. Subtrair.

II – com abuso de confiança. Parágrafo único. a coisa comum: Pena – detenção. destruir ou danificar coisa própria. embora legítima. § 2o Não é punível a subtração de coisa comum fungível. ou multa. o problema diz respeito à figura do proprietário. Fazer justiça pelas próprias mãos. ou mediante fraude. de seis meses a dois anos. salvo quando a lei o permite: Pena – detenção. delito esse que está previsto no CP 156 “Subtrair o condômino. § 5o A pena é de reclusão de três a oito anos. co-herdeiro ou sócio. para satisfazer pretensão. somente se procede mediante queixa. se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior. de seis meses a dois anos. Ele responderá: • • Responde por furto de coisa comum. Bem jurídico tutelado Prevalece o entendimento de que o CP 155 tutela a propriedade. § 3o Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico. Tirar. 345. e multa. III – com emprego de chave falsa. de quinze dias a um mês. e multa. diminuí-la de um terço a dois terços. Se você proprietário tem uma disputa contratual e resolve pegar o bem subtraindo o objeto configura em exercício arbitrário das próprias razoes. § 4o A pena é de reclusão de dois a oito anos. IV – mediante concurso de duas ou mais pessoas. o juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção. Sujeitos ativo e passivo Em relação ao sujeito ativo trata-se de crime comum. a posse e também a detenção. Se não há emprego de violência. CP 345 e CP 346 “Art. a quem legitimamente a detém. ou multa. Página 20 de 76 . além da pena correspondente à violência. Será que o proprietário do bem pode ser sujeito ativo do crime de furto? O proprietário não pode ser sujeito ativo do crime de furto. suprimir. que se acha em poder de terceiro por determinação judicial ou convenção: Pena – detenção. 346. Art.Renato Brasileiro Penal Especial § 2o Se o criminoso é primário. escalada ou destreza. cujo valor não excede a quota a que tem direito o agente” – esse crime depende de representação. se o crime é cometido: I – com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa. § 1o Somente se procede mediante representação.” Será que o possuidor da coisa pode ser autor do crime de furto? Se já estou na posse da coisa é apropriação indébita. para si ou para outrem. ou aplicar somente a pena de multa. e é de pequeno valor a coisa furtada.

insignificância. Funcionário público pode ser sujeito ativo do crime de furto? Ex. Esse militar que pegou a arma responde pelo CP 312 §1° “Aplica-se a mesma pena. o subtrai. OBS. A conseqüência do p. Tipo objetivo Em relação ao bem que pode ser objeto diz o código “subtrair coisa alheia móvel”. Quem furta de ladrão. portanto quem furta de um ladrão responde normalmente pelo delito.: um determinado soldado do exercito e outro colega no alojamento foi dormir. embora não tendo a posse do dinheiro. ao reincidente (STJ RHC 24326 – está em um dos últimos informativos) e também nas hipóteses de furto qualificado (STF HC 94765). 4. 2. 3. responde pelo crime? É irrelevante qualquer consideração relativa à qualidade do sujeito passivo. ou concorre para que seja subtraído. se o funcionário público. da insignificância é a exclusão da tipicidade material. mas guarda sua pistola com certo descuido. Página 21 de 76 . e esse soldado vai e pega essa pistola e entrega essa arma para um civil. em proveito próprio ou alheio. • Caso contrário responde pelo crime de FURTO. Mínima ofensividade da conduta do agente Nenhuma periculosidade social da ação Reduzido grau de reprovabilidade do comportamento Inexpressividade da lesão jurídica provocada. desde o primeiro momento já agia com dolo.: Portanto para os tribunais não há falar em aplicação deste p. Na apropriação indébita o dolo é posterior à posse. Principio da insignificância (de minimis non cura pretor) PRESSUPOSTOS (STJ HC 84687) 1. Será que a subtração de objeto que tenha valor meramente sentimental caracteriza-se furto? Todo e qualquer bem podem apresentar valores de troca (economicamente apreciável) ou de uso (é o valor sentimental do objeto).Renato Brasileiro Penal Especial Uma coisa é quando estou na posse da coisa e resolvo inverter o titulo querendo passar a agir como se dono fosse é por isso que diferencia do estelionato em que o seu dolo é o dolo ab initio. mas ao de valor de uso não se aplica o p. insignificância. insignificância. valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário” Funcionário público: • Se agente se valer da facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário responderá pelo crime de PECULATO – FURTO. Ai surge fazer uma breve análise ao p. ou seja. assim quem furta de ladrão também responde pelo crime. Aos de valor de troca se aplica o p. valor ou bem.

P. Neste caso será que o acusado pode impetrar com HC pedindo o trancamento do processo? O STJ diz que não cabe HC.” CPM 290 “Receber. não estando em jogo não só o patrimônio. abrangidas ou não por esta Lei. até cinco anos” (HC 94685) – 5 X 1 contrários a aplicação do p. 89 “Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a um ano. art. insignificância. 290). ao oferecer a denúncia. preparar. a qual é aceita pelo acusado e defensor. porém com a proposta de suspensão. Já para o STF diz que o fato de o acusado ter aceitado a suspensão condicional do processo não impede a impetração de HC buscando o trancamento do processo em virtude do p. vender. guardar. mas também a integridade da pessoa (STF RE 454394). o MP oferece denúncia. moralidade e não o valor da coisa (não basta ser honesto é preciso que mostrar ser honesto). a Turma decidiu submeter ao Plenário julgamento de habeas corpus em que se discute a aplicação ou não do princípio da insignificância a militar condenado pela prática do crime de posse de substância entorpecente em lugar sujeito à administração castrense (CPM. Porque nestes crimes o que está em jogo são os p. trazer consigo. Página 22 de 76 .Renato Brasileiro Penal Especial Posso aplicar o p. sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena – reclusão. presentes os demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena (artigo 77 do Código Penal). pois não há risco potencial a liberdade de locomoção. fornecer. insignificância (STF HC 88393) P. insignificância no crime de roubo Não é possível a aplicação do p. podendo ser transportado de um local para o outro sem destruição. ministrar ou entregar de qualquer forma a consumo substância entorpecente. ainda que gratuitamente. transportar. ter em depósito. o Ministério Público. insignificância aos crimes contra a Administração Pública? Para provas tradicionais. produzir. O que devo entender por coisa móvel? É tudo que pode ser objeto de deslocamento. insignificância e porte de drogas em organização militar O informativo STF 519 “Art. desde que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime. por dois a quatro anos.: um cara furta uma lata de leite. insignificância. em lugar sujeito à administração militar.Ante a divergência entre as Turmas sobre a matéria. insignificância e suspensão condicional do processo Está prevista na lei 9099/95 art. insignificância ao crime de peculato. Isso é por conta do CP 155. caput em que apena prevista é de um a quatro anos. insignificância. ainda que para uso próprio. P. não se aplica o p. Essa coisa móvel deve ser ALHEIA. Agora para o STF.” ela é possível para todo e qualquer crime cuja pena mínima seja igual ou inferior a um ano. Ex. ou que determine dependência física ou psíquica. da probidade. é possível a aplicação do p. 290 do CPM e Princípio da Insignificância . poderá propor a suspensão do processo. vez que o roubo é um crime complexo.

pois a coisa deve ser alheia. Não é objeto do crime de furto. CP 169 § único II “quem acha coisa alheia perdida e dela se apropria. a seguir. nem podia de outro modo evitar.: Bicicleta. A coisa abandonada não pode ser objeto do crime de furto.Renato Brasileiro Penal Especial Deve observar:  Res desperdictae – é a coisa perdida. Em relação a coisa perdida tem o crime de apropriação de coisa achada. responde o agente pelo crime de furto caso a coisa não seja devolvida no local em que estava e no mesmo estado.  Res nullius – é a coisa sem dono. O furto de uso não é tipificado no CP. não era razoável exigir-se”. se souber é furto. Esse especial fim de agir é o chamado PARA SI OU PARA OUTREM. Subtração de cadáver Furto famélico CP 24 “Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual. deixando de restituí-la ao dono ou legítimo possuidor ou de entregála à autoridade competente. Ex. Não é admitido pelos tribunais como estado de necessidade. dentro no prazo de quinze dias” – nesse crime de coisa achada eu não posso saber quem é o dono. vem a ser imediatamente restituída ou reposta no lugar onde se achava”. CONSUMAÇAO E TENTAIVA Existem 4 correntes quanto à consumação dos crimes de furto e de roubo: Página 23 de 76 . total ou parcialmente. nas circunstâncias. mas sim no CPM 241 “Se a coisa é subtraída para o fim de uso momentâneo e. cujo sacrifício.  Res derelictae – é a coisa abandonada. O problema está no “furto de uso”. Para a júris apesar do furto de uso não ser tipificado. TIPO SUBJETIVO Em relação ao crime de furto terá a presença do dolo (vontade livre e consciente de subtrair) + especial fim de agir (dolo específico). que não provocou por sua vontade. direito próprio ou alheio.

objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração. Teoria da contrectatio . E no caso quando a pessoa consome objeto do supermercado. mas bem antigo adotando a teoria da ablatio. respondendo então por tentativa de furto. Ex. o agente é surpreendido antes de se apoderar de qualquer objeto. armas. pelo ofendido ou por qualquer pessoa. Página 24 de 76 . 4. IV(*) – é encontrado. se consumiu entra na linha de destruição. Ex. Ex. Prisão em flagrante e furto consumado são incompatíveis? CPP 302 “Considera-se em flagrante delito quem: I – está cometendo a infração penal (nesse caso furto tentado).: Se o agente é surpreendido no interior de um supermercado ocultando objetos trata-se de atos preparatórios enquanto não passar pelo caixa. pela autoridade.” (*) Nas hipóteses de flagrante impróprio e presumido (incisos III e IV) é possível a caracterização do furto consumado (STF HC 92450). Quando houver a destruição ou perda do bem subtraído o delito de furto estará consumado. trata-se de crime impossível por absoluta impropriedade do objeto. Na júris brasileira a teoria que tem preferência é a Teoria da apprehensio/ amotio. É violação de domicilio (CP 150). Teoria da ilatio – exige para a consumação que a coisa seja levada ao local desejado pelo agente. III(*) – é perseguido. II – acaba de cometêla (nesse caso furto tentado). 3. Em relação à execução adota-se a teoria objetivo formal (o agente ingressa na fase executória quando dá inicio à prática do verbo núcleo do tipo). tem que esperar passar o caixa. prevalecendo nos tribunais superiores (STJ Resp 931733). Ex. Se a vítima não traz nenhum objeto em seu poder.Renato Brasileiro Penal Especial 1. ainda que por curto espaço de tempo.: Punguista. Crime impossível Ineficácia absoluta do meio. em situação que faça presumir ser autor da infração.a consumação ocorre com o simples contato entre o agente e a coisa alheia.2: após entrar numa residência. mas o grande problema disso é porque enquanto a pessoa não passa pelo caixa não posso dizer pelo crime. Agora se o agente enfia a mão no bolso errado do cidadão trata-se de circunstância acidental. logo após. Teoria da apprehensio/ amotio – consuma-se o delito quando a coisa passa para o poder do agente. Tinha julgados da 6° turma. 2. pois a ineficácia do meio seria apenas relativa. com instrumentos. Os mecanismos de segurança são sinônimos de crime impossível? Para a júris a utilização de dispositivos de segurança não caracteriza crime impossível. dispensando-se posse mansa e pacifica. Teoria da ablatio – consuma-se o delito quando a coisa além de apreendida entra na posse mansa e pacífica do agente. logo depois.3: Subtração com destruição.

Página 25 de 76 . assim teríamos o crime de roubo. Aqui a violência é dirigida contra a pessoa e o delito não exige a produção de gradação de lesão. Não há falar em crime de roubo e sim delito de furto. conduzir ou ocultar. transportar. CPP 155 §1° “A pena aumenta-se de um terço. é quando a pessoa puxa o relógio ou a corrente. receber. relógio. Se estiver dentro da biblioteca estou consultando e resolvo levar pra casa. assim responde o agente pelo crime de favorecimento real se sua conduta aderir a do autor da subtração após a subtração. auxílio destinado a tornar seguro o proveito do crime” Se entrar no crime antes de praticar o autor sendo participe do crime de furto. Furto. então sua intenção não é de assegurar o crime e sim o interesse do criminoso. fora dos casos de co-autoria ou de receptação. a adquira.Renato Brasileiro Penal Especial DISTINÇAO Subtração por arrebatamento e trombada A subtração tem como exemplo a subtração de correntes. este crime é um crime de furto. Para a júris a venda fraudulenta da coisa subtraída será absorvida pelo delito de furto. Diferentemente do delito de receptação a sua intenção é de agir em proveito próprio ou de terceiro (esse terceiro pode ser qualquer pessoa à exceção do criminoso). receba ou oculte”. A receptação difere do favorecimento real em que no favorecimento presta auxilio ao criminoso. de boa-fé. em proveito próprio ou alheio. consunção). Neste caso é furto ou roubo? Para prova o ideal é dizer que a violência é dirigida contra a coisa e não contra a pessoa. receptação e favorecimento real A receptação está no CP 180 “Adquirir. A trombada geralmente é muito usada contra pessoas idosas. Agora se antes responde como participe do delito de furto. pois aqui é posse vigiada. coisa que sabe ser produto de crime. já na posse desvigiada é crime de apropriação indébita. se o crime é praticado durante o repouso noturno”. ou influir para que terceiro. Venda fraudulenta de coisa subtraída Subtraio o veiculo e depois pego este veiculo e vendo. O favorecimento real está no CP 349 “Prestar a criminoso. Posse vigiada e posse desvigiada O melhor exemplo é o livro da biblioteca. Sendo considerado mero exaurimento do delito de furto (p.

nesse caso o juiz pode reconhecer o furto privilegiado? Cuidado com este exemplo é acusado primário e terá direito ao furto privilegiado.: duas pessoas subtraíram R$125. mas será importante para a interpretação de alguns tipos penais. Não se aplica a majorante do §1° ao furto praticado durante o repouso diurno. trata-se de direito subjetivo do acusado.Renato Brasileiro Penal Especial Costuma-se dizer em relação aos costumes. habitada ou desabitada. ele é colocado no regime semi-aberto e no dia 21/05/05 esse agente pratica um delito de furto e acaba subtraindo objeto avaliado em R$ 45. No caso do “gato” é furto de energia. Pequeno valor da res (deve ser aferido tudo aquilo que for inferior a um salário mínimo) Ex. entendem que é possível. Primariedade (não é reincidente) 2. Presentes os pressupostos. Subtração de sinal de TV a cabo é equiparado a coisa móvel. e é de pequeno valor a coisa furtada.: No dia 10/03/04 o agente pratica crime de estupro. mas como valor e ambos são primários e inferior a um salário mínimo nada impede que seja privilegiado (STF HC 96843 e STJ HC 96140). Furto qualificado e privilegiado Ex. podendo ser objeto material de furto. para o STF é possível o chamado furto qualificado privilegiado. AULA 5 DIA 08/04/09 Página 26 de 76 . Furto privilegiado CP 155 §2° “Se o criminoso é primário. Furto de energia CP 155 §3° “Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico”. bem como o fato de a vítima estar ou não efetivamente repousando (STJ HC 29153). Encontra-se sob a tutela penal a energia genética subtraída de reprodutores. o juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção. de acordo com a júris é um crime permanente (STJ HC 17867). sob pena de analogia in mala partem. ou aplicar somente a pena de multa” Requisito: 1. Para o STJ é irrelevante o fato de se tratar de estabelecimento comercial ou de residência. Alteração do medidor caracteriza o delito de estelionato . Ou seja. os costumes podem funcionar como fonte de direito penal? Não posso utilizar para cria o direito.É fraude de modo a obter medição incorreta. diminuí-la de um terço a dois terços.

transportar. coisa que deve saber ser produto de crime (dolo eventual): Pena – reclusão. receber. Destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa – Primeiro ponto importante é definir o que seria “obstáculo”.” Esse §1° foi modificado pela lei 9426/96. Para o STJ. § 2o A pena aumenta-se de um terço até metade: I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma.: CP 180 “Adquirir.Pena de um a quatro anos CP 155 §4° IV pena de dois a quatro anos CP 157 caput – pena de 4 a 10 anos CP 157 §2°II – pena: aumento de pena de 1/3 a 1/2 A título de p. e multa. escalada ou destreza. montar. Em relação a esse obstáculo tem entender algum detalhes: o que seria esse obstáculo? Seria uma tranca do carro. ou de qualquer forma utilizar. de boa-fé. proporcionalidade e da isonomia não pode o poder judiciário exercer juízo de valor sobre o quantum da sanção penal estipulada pelo legislador sob pena de violação ao p. coisa que sabe ser produto de crime (dolo direto). remontar. vender. receba ou oculte: Pena – reclusão. IV – mediante concurso de duas ou mais pessoas” CP 157 “Subtrair coisa móvel alheia. restringindo sua liberdade” CP 155 caput . se o crime é cometido: I – com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa. de quatro a dez anos. III – se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância. ou depois de havê-la. III – com emprego de chave falsa. e multa. de três a oito anos. em proveito próprio ou alheio. ou influir para que terceiro. ocultar. § 1o Adquirir. assim é todo objeto empregado pela pessoa para proteger a coisa sobre a qual pode recair a conduta. O STJ tem desconsiderado o §1° e utilizando o caput (STJ HC 101531). Qualificadoras do crime de furto 1. II – com abuso de confiança. de um a quatro anos. da separação dos poderes (STF RE 358315). mediante grave ameaça ou violência à pessoa. desmontar. a adquira. e multa. ter em depósito. e multa. em proveito próprio ou alheio. V – se o agente mantém a vítima em seu poder. para si ou para outrem.Renato Brasileiro Penal Especial FURTO QUALIFICADO CP 155 §4° “A pena é de reclusão de dois a oito anos. OBS. grade colocada no chão? Página 27 de 76 . reduzido à impossibilidade de resistência: Pena – reclusão. ou mediante fraude. deve se aplicar ao crime de receptação qualificada a pena prevista no CP 180 caput. II – se há o concurso de duas ou mais pessoas. conduzir. expor à venda. por qualquer meio. no exercício de atividade comercial ou industrial. IV – se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior. conduzir ou ocultar. receber. transportar.

ou mediante fraude. uma primeira posição diz que não incide nenhuma qualificadora (júris) já há doutrinadores que dizem que a ligação direta seria incidida no CP 155 §4° I. Aqui a transferência da posse é unilateral. em prejuízo alheio.: Fraude por meio da internet – Configura qual delito? Furto qualificado pela fraude ou estelionato? Se eu quero comprar um abadá que custa R$400 e na internet custava R$250 em plena véspera do carnaval configura-se o delito de estelionato. OBS. CUIDADO: Ligação Direta – quanto a este assunto tem controvérsia. Caso contrário são necessários dois peritos. induzindo ou mantendo alguém em erro. deve observar se o empregado já tinha ou não a confiança do patrão. Ex. essa qualificadora não deve incidir. A júris entende que a subtração de objetos que se encontram no interior do veiculo mediante rompimento de obstáculo faz incidir a qualificadora do inciso I (STJ Resp 983291 e STF HC 77675). o delito de furto consuma-se no local em que a coisa é Página 28 de 76 . CUIDADO: Uma coisa é quando você tem aluguel de veiculo em que tem a posse desvigiada da coisa e resolvo dela apropriar-se é claro o crime de apropriação indébita. a fim de que a vítima possa subtraí-la. Abuso de confiança. mas não é todo e qualquer crime praticado por doméstico. Se perito oficial. escalada ou destreza ABUSO DE CONFIANÇA – melhor exemplo é o cometido pelo empregado doméstico. 2. incide a qualificadora? A doutrina diz que por uma questão de equidade e proporcionalidade. ou qualquer outro meio fraudulento”). para si ou para outrem. basta um. No estelionato você induz a pessoa a erro e ela lhe entrega a coisa. Esse crime cometido pelo empregado doméstico é conhecido como famulato. Mas cuidado com o exemplo de programas de vírus (Trojan) que captam a senha. vantagem ilícita.Renato Brasileiro Penal Especial Se a violência for exercida contra o próprio objeto visado não incide a qualificadora. e ai depois começam a efetuar saques. Já o estelionato a fraude é usada para enganar a vítima. mediante artifício. a vítima não é a PF e sim a instituição bancaria. se for a CEF será competente a justiça federal. No furto qualificado pela fraude o meio fraudulento serve para afastar a vigilância exercida sobre a coisa. que tem o seu sistema de vigilância burlado pelo agente. seja quando subtrai o carro seja quando subtrai um objeto do interior do veiculo. Deve lembrar que há necessidade de EXAME PERICIAL. ardil.: Pessoas que fingem serem funcionários da NET e lá dentro é furtado. Esse exemplo de saque fraudulento é entendido pela júris que o sujeito passivo é a instituição bancária. fazendo com que esta entregue a coisa ao agente de maneira voluntária. Isso dará origem ao ponto mais questionado dessa qualificadora que é quando quebra ou destrói o quebra vento de um veiculo. diferentemente do doméstico que tem contato com os pertences de uma casa em que não é considerado como posse desvigiada. FURTO MEDIANTE FRAUDE – Não deve ser confundido com o ESTELIONATO (CP 171 “Obter. será que incide a qualificadora? Quando usa as pedras para estilhaçar o vidro e subtrair o objeto que está dentro do veiculo. Aqui a transferência da posse é bilateral.

Ex. É formal porque não depende da demonstração de efetiva e posterior corrupção do menor (STJ Resp 1043849). 3. pois é uma via anormal (STJ Resp 759039). leia-se onde está localizada a conta corrente (STJ CC 86641 e CC 86862). Emprego de chave falsa – “CHAVE FALSA” é todo o instrumento com ou sem a forma de chave utilizada como dispositivo para abrir fechadura. Ex. mas cuidado se por acaso faço cópia da chave ai sim essa cópia é fraudulenta podendo ser entendida como chave falsa (STJ Resp 906685). em quadrilha ou bando. E se o inimputável for um menor de 12 anos. Ex.: punguista.: O caso do BACEN de fortaleza é um exemplo de escalada (cavar um túnel). para o fim de cometer crimes: Pena – reclusão. mixa. E se é um terceiro que percebe a situação é diferente em que se configura o delito de tentativa de furto qualificado pela destreza. Para a júris esse crime é FORMAL. A chave verdadeira é chave falsa? NÃO. 1° “Constitui crime. ESCALADA – A escalada tem como pressuposto o ingresso do infrator no local por meio anormal. Mediante concurso de duas ou mais pessoas – Será que eu preciso das duas pessoas executando o delito ou será que se tiver um autor intelectual e um executor já qualifica? Não é necessária a presença de dois executores. Nessas duas ou mais pessoas entram o inimputável ou preciso de dois imputáveis? Nessas duas pessoas pode entrar o inimputável. corromper ou facilitar a corrupção de pessoa menor de dezoito anos. De acordo com a júris servem para qualificar o crime de furto. 1° c/c CPP 155 §4° IV). OBS. Se a vítima percebe (teoricamente não teria havido destreza. gazua. Página 29 de 76 . 4. Lei 2252/54 art. pois na destreza não se percebe) o crime seria a tentativa de furto simples. O agente é extremamente habilidoso.: Deve a vítima trazer o bem junto ao corpo. incidindo a qualificadora em qualquer hipótese de concurso de pessoas. O correntista seria um mero prejudicado.Renato Brasileiro Penal Especial retirada da esfera de disponibilidade da vítima. haverá o crime de corrupção de menores (Lei 2252/54 art.: arames. DESTREZA – Meio de peculiar habilidade física ou manual. com ela praticando infração penal ou induzindo-a a praticá-la” CRIME DE QUADRILHA CP 288 “Associarem-se mais de três pessoas. punido com a pena de reclusão de um a quatro anos e multa de mil cruzeiros a dez mil cruzeiros. de um a três anos” – é a associação estável e permanente de mais de três pessoas com o fim de praticar uma série indeterminada de crimes.

se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior”. para si ou para outrem. FURTO DE VEICULO AUTOMOTOR CP 155 §5° “A pena é de reclusão de três a oito anos. Para os tribunais não configura bis in idem a condenação por crime de quadrilha armada e roubo majorado pelo emprego de arma. QUADRILHA PARA PRÁTICA DE CRIMES HEDIONDOS E EQUIPARADOS Art. os agentes deverão responder por esses crimes e pelo delito de quadrilha em concurso material. Parágrafo único. terá a pena reduzida de um a dois terços”. Duas correntes: • • Para evitar uma dupla punição pela mesma circunstância ou você joga o agente no fCP 155. prática da tortura. por isso não há problema algum em responder pelo CP 155 §4° IV + CP 288 (na forma do CP 29) – PEVALECE. logo depois de subtraída a coisa. reduzido à impossibilidade de resistência: Pena – reclusão. ou depois de havê-la. 8° da Lei 8072 “Será de três a seis anos de reclusão a pena prevista no artigo 288 do Código Penal. em virtude da autonomia e independência dos delitos (STF HC 84669 e STJ HC 54773). 8°da LCH) na forma do CP 69. tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins ou terrorismo. § 2o A pena Página 30 de 76 . Foi seqüestrada uma criança por um bando – CP 159 §$1° + CP 288 (com a pena do Art. QUADRILHA ARMADA Basta que um só esteja portando a arma. e multa. caput + CP 288 ou no CP 155 §4° IV Trabalha com base de que o crime de quadrilha é um crime autônomo/ Independente que consuma-se bem antes dos outros delitos.Renato Brasileiro Penal Especial Consuma-se o delito de quadrilha independentemente da prática dos delitos para os quais os agentes se associaram. quando se tratar de crimes hediondos. possibilitando seu desmantelamento. CUIDADO: CP 288 § único com o CP 157 §2° I. de quatro a dez anos. Se porventura tais delitos forem praticados. § 1o Na mesma pena incorre quem. por qualquer meio. Subtrair coisa móvel alheia. Só incide se o veiculo tiver transposto os limites do Estado ou do território nacional. O participante e o associado que denunciar à autoridade o bando ou quadrilha. 157. ROUBO “Art. a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro. emprega violência contra pessoa ou grave ameaça. mediante grave ameaça ou violência à pessoa.

se resulta morte. para si ou para outrem. ou depois de havê-la.: simulação do emprego de arma. para si ou para outrem. § 3o Se da violência resulta lesão corporal grave. a pena é de reclusão. Ex. Página 31 de 76 . Admite arrependimento posterior e a aplicação de pena restritiva de direito ao crime de roubo? CP 16 “Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa. logo depois de subtraída a coisa. a reclusão é de vinte a trinta anos. reduzido à impossibilidade de resistência: Pena – reclusão. IV – se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior. por ato voluntário do agente. de sete a quinze anos. a pena será reduzida de um a dois terços”. ROUBO PRÓPRIO CP 157 caput “Subtrair coisa móvel alheia. de quatro a dez anos. mediante grave ameaça ou violência à pessoa. V – se o agente mantém a vítima em seu poder. pois se trata de fusão de duas figuras típicas (CP 155 + CP 146) – furto + constrangimento ilegal. ou depois de havê-la. Porque se a própria se coloca em condições incapacidade de oferecer resistência.: No ônibus interestadual o cara tranca a porta do banheiro pela chave de fora e enquanto isso ele vai lá e subtrai a sua carteira. emprega violência contra pessoa ou grave ameaça. ELEMENTARES DO ROUBO PROPRIO Caracteriza-se: • • Grave ameaça – é a promessa de fazer mal a vítima.Renato Brasileiro Penal Especial aumenta-se de um terço até metade: I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma. reparado o dano ou restituída à coisa. reduzido à impossibilidade de resistência”). Trata-se de um crime complexo. o crime será o de furto. II – se há o concurso de duas ou mais pessoas. neste caso é o delito de roubo. já no impróprio a violência e a grave ameaça são exercidas APÓS da subtração. CUIDADO: No caso do bêbado é furto. Mediante o emprego de violência a pessoa – Nada mais é que o emprego de força física sobre o corpo da vitima (vis corporalis). Diferentemente quando você dá bebida para a pessoa em que neste caso será roubo. além da multa. sem prejuízo da multa”. Este é o caso de violência imprópria essa violência se caracteriza por qualquer meio que retire a possibilidade de resistência da vítima (“Subtrair coisa móvel alheia. por qualquer meio. Essa grave ameaça deve ser analisada sob a perspectiva da vítima (vis compulsiva). mediante grave ameaça ou violência à pessoa. Ex. a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro”. Ex. e multa” – de modo algum se confunde com o delito de roubo impróprio que está no CP 157 §1° “Na mesma pena incorre quem. por qualquer meio. restringindo sua liberdade.: dar alucinógeno para a pessoa. III – se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância. No roubo próprio a violência e a grave ameaça são exercidas ANTES da subtração. até o recebimento da denúncia ou da queixa.

1. Quanto à tentativa é possível em relação ao crime de roubo próprio. II – se há o concurso de duas ou mais pessoas. CONSUMAÇAO E TENTATIVA Para a júris o delito de roubo se consuma quando o agente se torna possuidor da coisa alheia móvel (teoria da amotio). Se eu preciso da vítima o crime seria o delito de extorsão. Não é possível 2. IV – se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior. A discussão é se é possível a tentativa com relação ao crime de roubo impróprio. No crime de extorsão o mal prometido e a vantagem a que se visa são futuros. Segundo critério: Prescindibilidade do comportamento da vítima. Se não preciso o crime é de roubo. ROUBO DE USO Para grande maioria da doutrina e para o STF. A sua pena sofrerá um aumento de 1/3 até a ½. V – se o agente mantém a vítima em seu poder. restringindo sua liberdade”. anuncia o assalto com a mão sobre ela. Violência ou ameaça é exercida com emprego de arma – incide a majorante tanto para aquele que aponta a arma quanto para aquele que sem retirá-la da cintura. ROUBO MAJORADO CP 157 §2° “A pena aumenta-se de um terço até metade: I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma.Renato Brasileiro Penal Especial É possível o arrependimento posterior em relação ao crime de roubo próprio praticado mediante violência imprópria. só que alguns doutrinadores em uma posição minoritária (ALEXANDRE DE CARVALHO E ROGERIO GRECO) que na verdade este caso seria constrangimento ilegal. Quanto maior o numero de circunstancias no caso concreto. Página 32 de 76 . mais próximo da metade deve ser o aumento. É possível – ROGERIO GRECO DISTINÇAO ENTRE ROUBO E EXTORSAO Primeiro critério: No delito de roubo o mal é iminente e a vantagem contemporânea. esse roubo de uso configura o crime de ROUBO. pois aqui temos duas correntes: 1. III – se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância.

Se a arma de fogo não foi apreendida? Posição do STF – não é necessária a apreensão e realização de pericia na arma de fogo desde que por outros meios de prova reste demonstrado o seu potencial lesivo (STF HC 96009). mas através de prova testemunhal tenho como suprir a ausência do exame direto. onde não há previsão da causa de aumento de pena prevista no CP 157 §2° V. A lei 10926/03 em relação a esse crime teria havido abolitio criminis. melhor exemplo. não é necessária a apreensão para constatar-se que a arma possuía potencialidade lesiva (STJ HC 99762 E HC 89518). restringindo sua liberdade (foi inserida pela lei 9426/96 – em se tratando de seqüestro relâmpago com a realização de saques em caixas eletrônicos. essa manutenção da vítima em poder do agente deve se dar por um breve espaço de tempo.Renato Brasileiro Penal Especial Arma própria (tem o fim precípuo de ataque ou defesa) ≠ Arma imprópria (não tem o fim de ataque. A antiga lei do porte de armas (lei 9437/97) trazia o crime do artigo 10 §1° II que era para usar arma de brinquedo para cometer crimes. III – se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância (O sujeito passivo desta causa de aumento de pena não pode ser o proprietário dos valores transportados. a Página 33 de 76 . Nos casos em que não há a apreensão. É imprescindível a apreensão da arma? Cuidado com a arma branca (faca). basta chamar a vítima (exame de corpo de delito indireto – STJ HC 96407). § 3o(*) Se da violência resulta lesão corporal grave. mas hoje a sumula STJ 174 foi cancelado pelo Resp 2135. é quando você está andando com dinheiro e é assaltado onde o bandido entra dentro do carro te mantendo retido durante período necessário para ter sucesso com a subtração do seu dinheiro. Arma de brinquedo é capaz de incutir o temor/ grave ameaça. Por muito tempo o STJ entendeu que era majorado. o delito será o de extorsão.). V – se o agente mantém a vítima em seu poder. Posição do STJ – é indispensável à apreensão da arma de fogo para que possa incidir a majorante. mas a vítima e demais testemunhas afirmam de forma coerente que houve disparo com a arma de fogo. mas pode ser utilizada para tanta). no caso de arma branca eu não posso fazer exame pericial. IV – se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior. Concurso de duas ou mais pessoas – IDEM AO FURTO! AULA 6 DIA 15/04/09 (CONTINUAÇAO) CP 157 §2° “A pena aumenta-se de um terço até metade: I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma. a apreensão da arma é para fazer o exame pericial. Hoje se cair na prova o crime cometido por arma de brinquedo será o CP 157 caput. porque se for mantido em poder durante um longo espaço de tempo muda a situação. II – se há o concurso de duas ou mais pessoas.). ou seja. 2. Se por acaso o delito for o de roubo.

Concurso de agentes – O resultado morte ou lesão grave pode ser atribuído tanto a título de dolo quanto ao de culpa. esse resultado morte pode ser atribuído ao agente a titulo de culpa ou dolo).Renato Brasileiro Penal Especial pena é de reclusão. esse é o exemplo de aberratio ictus (CP 73 “Quando.” (*) Se a vítima morrer por conta da ameaça? Deve resultar da violência para incorrer no CP 157 §3°. Morte de um dos comparsas após a subtração – para que se tenha latrocínio à violência deve ser empregada durante o assalto (fator temporal) e em razão do assalto. além da multa. Para uma prova de defensoria. de sete a quinze anos. Aqui responderá pelo CP 157 §2° I c/c CP 121 §2° V Matador de aluguel que subtrai valores após a morte da vítima – Ele responderá pelo delito CP 121 §2° I Pluralidade de morte e subtração única – aqui houve o crime único de latrocínio. A doutrina entende que o crime será o de roubo simples em concurso formal com o delito de homicídio. No caso de ser também atingida a pessoa que o agente pretendia ofender. pela teoria da imputação objetiva. ainda que o disparo tenha sido efetuado só pelo comparsa (o resultado pode ser atribuído a título de dolo e culpa). doloso ou culposo a depender do caso concreto. o agente. ao invés de atingir a pessoa que pretendia ofender. É desnecessário saber qual dos co-autores o disparo. sem prejuízo da multa (aqui traz o roubo seguido de lesão grave e o roubo seguido de morte essa segunda parte é o chamado latrocínio – lembrando que latrocínio é um crime hediondo. responde como se tivesse praticado o crime contra aquela. não seria possível atribuir ao agente a produção do resultado morte nem ao menos culposamente. Morte consumada e subtração consumada = latrocínio consumado Morte consumada e subtração tentada = Há várias correntes: Página 34 de 76 . aplica-se a regra do artigo 70 deste Código”). por acidente ou erro no uso dos meios de execução. atinge pessoa diversa. se resulta morte. a reclusão é de vinte a trinta anos.: O co-autor que participa do roubo armado responde pelo delito de latrocínio. Morte de um dos comparsas – imagine que durante o crime de roubo um dos agentes vem a morrer. OBS. atendendo-se ao disposto no § 3o do artigo 20 deste Código. Se a morte decorrer da ameaça não pode incorrer neste artigo. CONSUMAÇAO E TENTATIVA Morte tentada e subtração tentada = latrocínio tentado.

É o caso do Gerson Brenner. de dezesseis a vinte e quatro anos. entende-se o agente em flagrante delito enquanto não cessar a permanência”). as provas ilícitas. de vinte e quatro a trinta anos. § 1o São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas. devendo ser desentranhadas do processo.Renato Brasileiro Penal Especial  Como o delito de latrocínio é um crime complexo. Morte tentada e subtração consumada = Há várias correntes:  Trata-se de crime de tentativa de latrocínio. para si ou para outrem. responde pelo delito de roubo qualificado pela lesão grave.  De acordo com o STF prevalece a caracterização de latrocínio consumado (Sumu STF 610 “Há crime de latrocínio. qualquer vantagem. terá sua pena reduzida de um a dois terços. como condição ou preço do resgate: Pena – reclusão. o delito será o de homicídio qualificado na forma tentada em concurso material com o delito de roubo. Ex. § 2o Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: Pena – reclusão. se o crime fim (subtração) não restou consumado haveria tentativa de latrocínio (ROGERIO GRECO).  Classificação como homicídio qualificado na forma tentada em concurso material com o delito de roubo qualificado pelo emprego de arma.  Há tentativa de homicídio qualificado (minoritária) Subtração consumada e morte tentada com a produção de lesão corporal grave = há três possibilidades:  Classificação como roubo qualificado pela lesão corporal grave. assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. § 3o Se resulta a morte: Pena – reclusão. Mas mesmo assim poderá ser condenado (CPP 157 §1° “São inadmissíveis. de oito a quinze anos. § 1o Se o seqüestro dura mais de vinte e quatro horas. ou se o crime é cometido por bando ou quadrilha: Pena – reclusão. ainda que não realize o agente a subtração de bens da vítima”). o concorrente que o denunciar à autoridade. de doze a vinte anos. quando o homicídio se consuma. Como cai na prova? Exemplos: • Furto um carro e deixo na minha casa por duas semanas e a policia pega o carro sem mandado – é prova lícita? O delito de furto não é um crime permanente assim não haverá situação de flagrância e conseqüentemente a prova é ilícita.: quadrilha também é um crime permanente (CPP 303 “Nas infrações permanentes. se o seqüestrado é menor de dezoito ou maior de sessenta anos. Ou se evidenciado que a intenção seria a de matar a vitima. facilitando a libertação do seqüestrado. EXTORSAO MEDIANTE SEQUESTRO CP 159 “Seqüestrar pessoa com o fim de obter.” A extorsão mediante seqüestro é permanente (cuja consumação se prolonga no tempo). Esse caso foi decidido pelo STF no HC 91585 e nesse HC o STF falou que: Se considerado que o agente não tinha a vontade de matar. salvo quando não Página 35 de 76 . pois é um crime complexo (PREVALECE). § 4o Se o crime é cometido em concurso. É importante saber que este crime é permanente porque a prisão em flagrante pode ser efetuada a qualquer momento.  Classificação como latrocínio tentado.

STF 711 “A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente.é prova lícita? Você manter droga é crime permanente podendo ser efetuada a prisão e a prova é lícita. Seqüestrar pessoa para si ou para outra para obter qualquer vantagem – a vantagem pode ser de qualquer espécie ou tem que ser econômica/ patrimonial? O CP 159 está inserido no capitulo dos crimes contra o patrimônio. por exemplo. ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras”) A polícia pega em casa 10 kg de maconha . Agora se a vantagem. neste caso é cometido o crime de abuso de autoridade. portanto essa vantagem deve ter natureza econômica. Tipo objetivo Tipo subjetivo = Matar alguém Animus Necandi CP 148 “Privar alguém de sua liberdade. Tipo objetivo Tipo subjetivo ≠ Matar alguém Dolo especifico CP 159 “Seqüestrar pessoa com o fim de obter. O tipo congruente é quando há uma perfeita adequação entre os elementos objetivos e subjetivos do tipo penal. Como se diferencia o crime do CP 159 que demanda esse dolo do crime do CP 148. como condição ou preço do resgate” Página 36 de 76 . se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou permanência”).dia 10/02/02 pratica o seqüestro cometido contra menor de 14 anos com a pena de 12 a 20 anos.Renato Brasileiro Penal Especial • • evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras. qualquer vantagem. No CP 159 exige a presença do dolo especifico (tipo incongruente ou congruente assimétrico) enquanto no CP 148 tem um tipo congruente (= congruente simétrico). Seqüestro . “Com o fim de obter vantagem como condição ou preço do resgate” – Como se chama esse fim que o agente possui? Dolo específico ou especial fim de agir. um ano depois em 10/02/04 ocorre a libertação da vitima. Lembrando que é bom ter o mandado de busca porque vai que não encontra a droga. para si ou para outrem. depois dessa data no dia 10/02/03 (um ano depois) entra em vigor um Lex gravior trazendo a pena de 20 a 30 anos. mas por mais que o crime tenha começado na vigência de pena mais branda aplicará a lei mais grave porque é um crime permanente (Sum. é para obter vantagem diversa (manter conjunção carnal) o crime é de seqüestro e cárcere privado e estupro. mediante seqüestro ou cárcere privado” O tipo incongruente caracteriza-se pela presença do dolo especifico ou especial fim de agir.

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O caso de tráfico de drogas denota a ideia de mercancia, não preciso demonstrar que tinha finalidade de comercializar essa droga, assim o delito de tráfico de droga é um tipo CONGRUENTE. Já para o porte de drogas é INCONGRUENTE.

O CP 159 é um crime formal de consumação antecipada, aonde somente irá se consumir quando houver o seqüestro da pessoa.

É possível a tentativa no crime de extorsão mediante seqüestro? Se visualizar que este crime é plurissubsistente será possível a tentativa.

CAUSA DE AUMENTO DE PENA PELA LEI 8072/90 ART. 9° “As penas fixadas no artigo 6º para os crimes capitulados nos artigos 157, § 3º, 158, § 2º, 159, caput e seus §§ 1º, 2º e 3º, 213, caput, e sua combinação com o artigo 223, caput e parágrafo único, 214 e sua combinação com o artigo 223, caput e parágrafo único, todos do Código Penal, são acrescidas de metade, respeitado o limite superior de trinta anos de reclusão, estando a vítima em qualquer das hipóteses referidas no artigo 224 também do Código Penal” – Ex.: CP 159 §3° diz que se resulta morte a pena será de 24 a 30 anos, mas aqui o aluno esquece que existe uma causa de aumento de pena na LCH art. 9° em que serão acrescidos de metade respeitado o limite superior de reclusão de 30 anos.

Para prova de defensoria essa pena de 30 anos é a única pena possível aplicada pelo juiz e coaduna com muitos doutrinadores que dizem que nesse caso (CP 159 §3°) há uma violação do p. individualização da pena porque só tem uma pena com ou sem aumento de pena será de 10 anos.

Cuidado para não confundir o Art. 9° da LCH com a unificação de penas do CP 75 (“O tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ser superior a trinta anos. § 1o Quando o agente for condenado a penas privativas de liberdade cuja soma seja superior a trinta anos, devem elas ser unificadas para atender ao limite máximo deste artigo”) – Sum STF 715 “A pena unificada para atender ao limite de trinta anos de cumprimento, determinado pelo art. 75 do Código Penal, não é considerada para a concessão de outros benefícios, como o livramento condicional ou regime mais favorável de execução” – Para concluir se o agente for matando as pessoas ele continuará cumprindo 30 anos? O cara foi condenado a 200 anos ai começa a cumprir pena no ano de 2002, neste ano você começa a cumprir pena e faz a unificação, assim de 2002 em diante terá que cumprir 30 anos no ano de 2012 ele mata alguém, teoricamente para ele faltava 20 anos e é condenado por novo delito e é condenado por mais 30 anos, neste caso ele ficará até 2032? Se após a unificação ele vem a praticar novo delito despreza os ano e faz nova somatória, ignorando os 10 anos assim pego os 20 faltantes e mais o novo delito de 30 anos, mas como tem que unificar
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ele vai terminar de cumprir, caso não tenha mais condenações, em 2042 (CP 75 §2° “Sobrevindo condenação por fato posterior ao início do cumprimento da pena, far-se-á nova unificação, desprezando-se, para esse fim, o período de pena já cumprido”).

ESTELIONATO CP 171 “Art. 171. Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento: Pena – reclusão, de um a cinco anos, e multa. § 1o Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor o prejuízo, o juiz pode aplicar a pena conforme o disposto no artigo 155, § 2o. § 2o Nas mesmas penas incorre quem: I – vende, permuta, dá em pagamento, em locação ou em garantia coisa alheia como própria; II – vende, permuta, dá em pagamento ou em garantia coisa própria inalienável, gravada de ônus ou litigiosa, ou imóvel que prometeu vender a terceiro, mediante pagamento em prestações, silenciando sobre qualquer dessas circunstâncias; III – defrauda, mediante alienação não consentida pelo credor ou por outro modo, a garantia pignoratícia, quando tem a posse do objeto empenhado;` IV – defrauda substância, qualidade ou quantidade de coisa que deve entregar a alguém; V – destrói, total ou parcialmente, ou oculta coisa própria, ou lesa o próprio corpo ou a saúde, ou agrava as conseqüências da lesão ou doença, com o intuito de haver indenização ou valor de seguro; VI – emite cheque, sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado, ou lhe frustra o pagamento. § 3o A pena aumenta-se de um terço, se o crime é cometido em detrimento de entidade de direito público ou de instituto de economia popular, assistência social ou beneficência” Sujeito passivo O sujeito enganado pode ser diferente do titular da coisa sobre a qual recaiu a conduta de obtenção de vantagem ilícita. Ex.: empregado de um estabelecimento comercial que é induzido a erro. Porque o empregado foi induzido a erro, mas quem era sofrer o desfalque patrimonial será o empregador (cheque sem fundo).

E se por acaso essa vítima for uma pessoa incapaz ou alienada? O delito será de abuso de incapaz do CP 173 “Abusar, em proveito próprio ou alheio, de necessidade, paixão ou inexperiência de menor, ou da alienação ou debilidade mental de outrem, induzindo qualquer deles à prática de ato suscetível de produzir efeito jurídico, em prejuízo próprio ou de terceiro. Pena – reclusão, de dois a seis anos, e multa” E no caso da balança adulterada? O delito de estelionato tem como pressuposto inafastável e a existência de um sujeito passivo determinado. Se for indeterminado não máximo terá um crime contra a economia popular ou contra as relações de consumo (Art. 2° XI da LEI 1521/51).

E se a fraude for praticada no comercio em virtude do credor? A fraude em face do credor no comércio, apesar de haver prejuízo patrimonial tem que entender que neste caso tem um crime específico prevalecendo o art. 168 da lei de falências.
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COLA ELETRONICA Para o STF (IP 1145), decidiu que a cola eletrônica não configura estelionato e nem falsidade ideológica. Não deve confundir com a substituição do candidato que pode visualizar crimes contra a administração pública. Sobretudo o raciocínio do STF é de que não haveria vantagem patrimonial certa e vítima determinada. No mesmo sentido tem o julgado do STJ RHC 7376.

Torpeza bilateral - é basicamente quando tanto o agente como a vítima do delito estão agindo de má-fé. Será que o fato da vítima estar agindo de má-fé afasta o delito? Negativo. A torpeza bilateral não afasta a caracterização do estelionato, ou seja, a boa-fé da vítima não é elemento do crime (CP 171 “Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício (consiste na utilização de um aparato que modifica o aspecto material da coisa ou da situação. O próprio silêncio desde que INTENCIONAL a cerca de préexistente erro da vítima constitui meio fraudulento para a prática de estelionato), ardil (se caracteriza pela utilização da forma intelectual, você não usa aparato e sim da sua inteligência para induzir erro à vítima), ou qualquer outro meio fraudulento (esse tipo de construção se chama de INTERPRETAÇAO ANALÓGICA)”).

Para que haja estelionato esse meio fraudulento deve ser IDONEO. Mas como analiso essa idoneidade? Essa idoneidade deve ser analisada a luz da vítima e não de acordo com o chamado homem médio.

Quando você durante o curso do contrato não tem condições de pagamento, será que posso dizer que é estelionato? Qual é a diferença entre a fraude CIVIL e a PENAL? O critério diferenciador é que na fraude penal você tem o dolo ab initio, ou seja, na hora do estelionato desde o primeiro momento já atua com essa intenção.

CONSUMAÇAO E TENTATIVA Em relação à consumação se dará com a obtenção da vantagem ilícita. É possível a tentativa. Quando se consuma o delito de estelionato praticado mediante falsificação de cheque e quando se consuma o delito de estelionato praticado mediante cheque sem provisão de fundos? O crime de estelionato praticado por meio de fraude no pagamento por meio de cheque (CP 171 §2° VI “Nas mesmas penas incorre quem: VI – emite cheque, sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado, ou lhe frustra o pagamento”) – neste caso o delito se consuma no LOCAL EM QUE SE DÁ A RECUSA DO PAGAMENTO, leia-se onde está localizada a agencia bancária (Sum. STF 521 “O foro competente para o processo e julgamento dos crimes de estelionato, sob a modalidade da emissão dolosa de cheque sem provisão de fundos, é o do local onde se deu a recusa do pagamento pelo sacado”) E no caso de crime cometido mediante
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” O momento é até o transito em julgado de sentença condenatória. Quando fala em crimes contra administração o capítulo trata de crimes praticados por funcionários públicos. STF 246 “Comprovado não ter havido fraude. Trazendo uma diminuição da pena de acordo com o CP 16 de 1/3 a 2/3. a reparação do dano. CP 312 a CC 327. quase que insignificantes. A reparação do prejuízo até o RECEBIMENTO da peça acusatória tem a extinção da punibilidade. após o recebimento da denúncia. Além disso. Já no capítulo II temos os Página 40 de 76 . São os chamados crimes FUNCIONAIS. extingue a punibilidade. STJ 48 “Compete ao juízo do local da obtenção da vantagem ilícita processar e julgar crimes de estelionato cometido mediante falsificação de cheque”). Reparação do prejuízo Qual é a regra geral em reparação do prejuízo? Configurará o arrependimento posterior. de três meses a um ano. Sum STF 554 “O pagamento de cheque emitido sem provisão de fundos. São crimes gravíssimos com penas desproporcionais. você tem como beneficio que é a extinção da punibilidade. reduz de metade a pena imposta. § 3o No caso do parágrafo anterior. Se eu transportar essa expressão para o direito penal e dizer que o CP também é plástico. se lhe é posterior. se precede à sentença irrecorrível. Esse delito se consuma onde é OBTIDA A VANTAGEM (Sum. lembrando que este arrependimento não pode ser praticado com violência ou grave ameaça. não obsta ao prosseguimento da ação penal” AULA 7 DIA 02/07/09 CRIMES CONTRA ADMINISTRAÇAO RAUL MACHADO ROCHA dizia a CF/88 é uma CF plástica. CP 312 §3° “§ 2o Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem: Pena – detenção. significa dizer que os crimes contra administração deu quase nenhuma importância/valor destes crimes. porque os artigos estão colocados em ordem de importância. caput. não se configura o crime de emissão de cheque sem fundos”. Cheque pré-datado é crime? Sum.Renato Brasileiro Penal Especial falsificação de cheque? É o CP 171.

por isso doutrinadores falam que o bem jurídico tutelado não é esse e sim é a regularidade na transação comercial internacional – CC 337-B a CC 337-D. Extraterritorialidade Art. IV raramente cai. Capítulo II-A. desacato. é aqui que encontraremos denunciação caluniosa. O Brasil tem que tutelar administração pública estrangeira? Cada um deve cuidar da sua administração. o Capítulo II-A traz os crimes praticados contra administração pública estrangeira. esses crimes estão no 359-A a 359-H. o que era simples infração a lei de responsabilidade fiscal virou crime. Em dois momentos o legislador deu atenção razoável a estes crimes: 1. 2. mas não impede que o particular possa concorrer. CP 33 §4° Reclusão e detenção Página 41 de 76 . no capítulo IV temos os crimes contra as finanças públicas. CP 7° I alínea “c” – estes crimes estão sujeitos a uma extraterritorialidade incondicionada. são exemplos) – CC 328 a 337-A. Daqui extraem-se duas conclusões:  No sujeito ativo sempre terei funcionário público. em regra o sujeito ativo será sempre funcionário público. por quem está a seu serviço. E por fim. II e III. CRIMES FUNCIONAIS São crimes praticados por funcionários públicos contra a administração em geral. Ou seja. NO capítulo III temos os crimes contra a administração da justiça. 7o Ficam sujeitos à lei brasileira.Renato Brasileiro Penal Especial crimes praticados por particulares contra a administração (desobediência. comunicação falsa de crime. etc. ESQUEÇA! Concentrar todas as energias no capítulo I.  O sujeito passivo constante fatalmente é a administração pública. principalmente ao capitulo. embora cometidos no estrangeiro: I – os crimes: c) contra a administração pública.

exerce cargo. embora transitoriamente ou sem remuneração. § 4o O condenado por crime contra a administração pública terá a progressão de regime do cumprimento da pena condicionada à reparação do dano que causou. emprego ou função pública. para os efeitos penais. Tem administrativistas que dão ao termo funcionário público um sentido amplo. empresa pública ou fundação instituída pelo poder público (traz majorante. Se fosse particular. PQ SE PERMANECE O CRIME COMUM.: prevaricação . em regime semi-aberto. e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública (traz funcionário público atípico ou por equiparação). Página 42 de 76 . mas não o encontrou.Renato Brasileiro Penal Especial Art. E lembrando que não abrange a autarquia. semi-aberto ou aberto. com os acréscimos legais. Ex. § 2o A pena será aumentada da terça parte quando os autores dos crimes previstos neste Capítulo forem ocupantes de cargos em comissão ou de função de direção ou assessoramento de órgão da administração direta. quem. C. 33. mas permanece crime comum. sociedade de economia mista. Próprios (propriamente dito) – faltando a qualidade de servidor do agente o fato passa a ser um indiferente penal. SO TENDO A QUALIDADE DE AGENTE PRA PRATICAR. 2. salvo necessidade de transferência a regime fechado. ACONTECE UMA ATIPICIDADE RELATIVA. A de detenção. porque se aplicar por analogia esta será in mala partem). 327. Ex. Temos duas espécies de crimes funcionais: 1. com isso o direito penal faz um próprio conceito de funcionário público PARA EFEITOS PENAIS que está no CP 327 CP 327 Funcionário público Art. Considera-se funcionário público. D. emprego ou função em entidade paraestatal.: peculato – em que posso ter apropriação indébita ou furto. ou à devolução do produto do ilícito praticado. já outros em sentido estrito. ou aberto. § 1o Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo. A pena de reclusão deve ser cumprida em regime fechado. poderia ocorrer a demissão por justa causa o que não é crime. Assim não serve o conceito de direito administrativo. E..2: Concussão – pode ter uma extorsão O correto é o direito penal buscar o conceito de funcionário público no direito administrativo. Ex. Impróprios (impropriamente dito) – faltando a qualidade de servidor do agente o fato deixa de configurar crime funcional.

Impróprio é sinônimo peculato-furto. É inclusive enfadonho. governador e prefeito exercem função de direção. de que tem a posse em razão do cargo. A partir de 2000 a onda de DESESTATIZAÇÃO (so se concede o serviço e não os bens) fomentou este artigo.apropriação – CP 312 caput 1° parte CP 312 caput 1° parte Peculato Art.Renato Brasileiro Penal Especial Encargo público não se confunde com função pública. Isso vai ser importante na prescrição.desvio e apropriação. Peculato. Temos seis tipos: A. É o funcionário PUBLICO ATIPICO Será que toda crime funcional praticado pelo PR vem com aumento? A posição do STF é a de que o PR. Quem tem encargo não necessariamente é funcionário público para fins penais. ou desviá-lo. Estagiário é funcionário público? é funcionário público para fins penais. Administrador Judicial (antigo sindico de falência): exerce um ENCARGO PÚBLICO que não se confunde com Função publica. inventariante da ativa. Logo. Até o ano de 2000 o CP 327 o §1° não tinha “e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública”. repetitivo! Já o STF não tem posição definida como o STJ. E o advogado dativo? Ele pratica encargo ou função? O STJ vem decidindo que é funcionário público para fins penais. PECULATO O que é peculato próprio e o que é impróprio? O próprio é gênero de quais são espécies o peculato. não eh funcionário publico para fins penais. como por exemplo. Apropriar-se o funcionário público de dinheiro. em proveito próprio ou alheio: Página 43 de 76 . valor ou qualquer outro bem móvel. logo jamais escaparam do aumento (interpretação compreensiva). 312. porque terá uma prescrição maior. público ou particular. foi acrescentada pela lei 9983/00.

ai se não se enquadrar no decreto vai para o CP. Inverter a posse agindo arbitrariamente como se dono fosse. de dois a doze anos.. pois o decreto é norma especial e norma especial prevalece sobre a geral. Se se deparar com o sujeito ativo relacionado a prefeito municipal a 1° coisa que deve ser feito é analisar o decreto 201/67. Os atos que importem em malversação ou dilapidação do patrimônio das associações ou entidades sindicais ficam equiparados ao crime de peculato. de que tem a posse em razão do cargo4(. Sujeito ativo – é o funcionário público no sentido amplo do CP 327. Podendo ser praticados sozinhos ou com outros.. O que significa apropriar-se? Significa apoderar-se de coisa de que tem a posse. É uma equiparação objetiva. Bem jurídico tutelado – moralidade administrativa. pois o fato que ele praticou é equiparado e deve ser punido). Mas o STJ entende que este artigo foi recepcionado pela CF. e multa. Diretor de sindicato que se apropria de dinheiro pratica o que? Diretor de sindicato não é funcionário público. ele pratica devido ao CLT 552 CLT 552 Art.Renato Brasileiro Penal Especial Pena – reclusão.) em proveito próprio ou alheio5”: 1. 552. Quem é vítima do peculato? Administração em geral (protege-se a moralidade que é o bem tutelado) e secundariamente o particular. Mesmo assim. equiparou o fato. Secundariamente tutela-se o patrimônio seja público ou particular. Tem doutrinadores dizendo que este artigo não foi recepcionado pela CF e concluem que é apropriação indébita (SERGIO PINTO MARTINS). julgado e punido na conformidade da legislação penal (sem equiparar pessoa. O peculato apropriação é a expressão “Apropriar-se1 o funcionário público de dinheiro. esses outros podem ser particulares. público ou particular3. valor ou qualquer outro bem móvel2. nem típico nem equiparado. É apropriar no sentido amplo do CP 327 Página 44 de 76 .

CONCLUSÃO – apropriar-se de coisa de que tem a mera detenção configura peculato-furto.A expressão POSSE não se confunde com mera detenção. CONCLUSÃO: apropriar-se de coisa que tem mera detenção é peculatoapropriação. ou seja. O direito penal não empresta o conceito de direito civil. Tem que estar nas atribuições do agente a posse da coisa. I. é crime? Temos um Página 45 de 76 . É considerado subtração. valor ou qualquer outro bem móvel. Finalidade essa particular! Elemento objetivo . 312. Quando o legislador quer abranger mera detenção ele o faz expressamente. dar a coisa outra finalidade. ou seja. ou seja. e multa. a posse da coisa tem que ser inerente as atribuições do agente. de que tem a posse ou a detenção. 3.: CP 168 – aqui fala posse e detenção. 168. Posse em razão do cargo – a expressão posse abrange detenção? Há duas correntes: o 1° corrente – a expressão POSSE foi utilizada no sentido amplo abrangendo mera detenção. tem que se apropriar e jamais intencionar devolver a administração. Apropriar-se o funcionário público de dinheiro. Dolo de apoderamento ou desvio definitivo.O crime de peculato do caput não importa se desvio ou apropriado é cometido por dolo. Tem que agir para si ou para outrem B. Ex.Renato Brasileiro Penal Especial 2. Peculato-desvio – CP 312 caput 2° parte Peculato Art. Apropriar-se de coisa alheia móvel. Bem móvel é coisa capaz de ser transportada. G. 4. Deve haver nexo funcional. Público ou particular – se for particular o dono figura como vítima secundária. F. H. de que tem a posse em razão do cargo. o 2° corrente . Art. Não basta uma posse por ocasião do cargo. Mas se ele agir como animus de uso. ou desviá-lo. público ou particular. sem perder a identidade. Aqui somente muda DESVIAR do peculato – apropriação. 5. de dois a doze anos. em proveito próprio ou alheio: Pena – reclusão. A adotada pelo STJ é a 2° corrente.

O STJ considerando que o bem jurídico tutelado é a moralidade administrativa não admite o p. Isso significa que a diferenciação de crime através de coisa consumível ou não. 1° do decreto 201/67. valor ou bem. se o funcionário público. assim se não é coisa não é peculato.consuma-se no momento em que o age dá à coisa finalidade diversa da natural. pune o peculato. ou concorre para que seja subtraído. Peculato-furto – CP 312 §1° CP 312 §1° § 1o Aplica-se a mesma pena. da insignificância. como por exemplo. até mão de obra. o subtrai. valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário (se não for facilitada pelo cargo será furto comum). não se aplica! Consumação  Apropriação – consuma-se no momento em que o agente apropria-se exteriorizando poderes de proprietário. fez várias pesquisas e depois devolveu para a universidade. Aplica-se o p. Tentativa – ambos admitem a tentativa e dispensam o efetivo enriquecimento do agente. Bem jurídico tutelado – moralidade administrativa Sujeito ativo – funcionário público no sentido amplo do CP 327 Página 46 de 76 . será que ele praticou crime? A doutrina costuma diferenciar coisa consumível (haverá crime.  Desvio . C. moeda falsa). embora não tendo a posse do dinheiro.Renato Brasileiro Penal Especial caso onde um famoso legista ele se apropriou de um maquinário e levou para seu consultório particular. pois não tem como entregar no status quo ante) de não-consumível (não há crime). não importa se consumível ou não. O STF admite o p. No caso de prefeito municipal o art. em proveito próprio ou alheio. da insignificância no peculato? Esta questão está bem definida nos tribunais. E se a utilização for de mão de obra? Mão de obra é serviço e não coisa. da insignificância (não admite nos crimes contra a fé pública.

O crime é punido a título de dolo + animus definitivo. consuma-se com o apoderamento dispensando a posse mansa e pacifica. interferindo até no procedimento. Conduta – qual é a conduta punida? No CP 312 caput. falou-se que o funcionário tem a posse e é uma posse legitima e por ter uma posse. de três meses a um ano. a expressão é “apropriar-se”. Tentativa – admite. é possível peculato-furto de uso atípico. assim só detém posse através da SUBTRAÇAO (subtraindo ou concorrendo para a subtração). ano existe outro!Repare que este crime é de menor potencial ofensivo. Tipo subjetivo . caso contrário é furto comum. Só terei peculato-furto se for facilitado pela qualidade funcional. Peculato-culposo – CP 312 §2° CP 312 §2° Peculato culposo § 2o Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem: Pena – detenção. O furto se consuma (existem quatro teorias – teorias que foram dadas na aula do RENATO).Renato Brasileiro Penal Especial Sujeito passivo – é a administração em geral podendo com ela concorrer particular lesado pelo comportamento do agente. por isso que é chamado de peculato impróprio. É o único crime funcional que temos. D. já no CP 312 §1° o funcionário não tem posse. ou seja. a teoria que adotamos é a da AMOTIO. OU seja. Bem jurídico – moralidade administrativa Página 47 de 76 . Consumação – é o mesmo momento consumativo do furto.

a reparação do dano. Consumação – se consuma no momento em que se aperfeiçoa o crime de outrem. então o crime de outrem somente poderá ser o CP 312 caput ou §1° (interpretação topográfica). Tentativa – crime culposo não admite tentativa. se precede à sentença irrecorrível. Dia que haverá o CP 312 §2° se ele concorre para qualquer crime de outrem. Porque o funcionário público responde pelo peculato culposo e o outro doloso?Não podem ser considerados co-autores porque é imprescindível homogeneidade de elementos objetivos. Conduta – “concorrer culposamente para o crime de outrem”. reduz de metade a pena imposta Os benefícios são: a sentença condenatória irrecorrível. agora se a reparação do dano for depois a sentença condenatória irrecorrível haverá a DIMUNIÇAO da pena de metade. E. se lhe é posterior. Só existe concurso doloso em crime doloso e concurso culposo em crime culposo. Benefícios exclusivos do peculato-culposo . O peculato culposo está n CP 312 §2°. mesmo sendo furto.O CP 312 §3° é um beneficio exclusivo de peculatoculposo § 3o No caso do parágrafo anterior. Só existe concurso de agentes quando os dois agem com dolo ou culpa. É um crime de funcionário publico que negligentemente concorre para crime de outrem. Temos duas correntes: 1. Peculato – estelionato – CP 313 Página 48 de 76 . Prevalece a 1°. extingue a punibilidade. se houver reparação do dano antes da sentença condenatória irrecorrível EXTINGUE a punibilidade. 2. Quem irá aplica o disposto será o juiz da execução.Renato Brasileiro Penal Especial Sujeito ativo – é o funcionário público no sentido amplo do CP 327 Sujeito passivo – a administração em geral podendo com ela concorrer particular lesado pelo comportamento do agente.

ou seja. recebeu por erro de outrem: Pena – reclusão. no exercício do cargo. Conduta – ver o quadro: CP 312 CAPUT CP 312 §1° CP 313 Tem posse legítima. Elemento objetivo . de um a quatro anos. não o desfaz se apropriando da coisa agindo como se dono fosse. percebendo o erro. por ter Não tem posse e por não ter Volta a falar em “apropriaposse o legislador fala em posse o legislador fala em se”. crime comum. pois se for provocado será crime de estelionato. Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade que. Tentativa – a doutrina admite. ou seja. Consumação – quando o agente. 313. aqui ele tem posse mas é “apropria-se” “subtração” uma posse FRUTO DE UM ERRO. Bem jurídico tutelado – moralidade administrativa Sujeito ativo – é o funcionário público no sentido amplo do CP 327 Sujeito passivo – a administração em geral podendo com ela concorrer particular lesado pelo comportamento do agente. Página 49 de 76 .Renato Brasileiro Penal Especial CP 313 Peculato mediante erro de outrem Art.O crime é punido a título de dolo com animus definitivo. Detalhe importante: Para configurar o CP 313 o erro tem que ser espontâneo. e multa. é uma posse ilegítima.

de três meses a dois anos.está mais para falsidade material. Inserir ou facilitar. Peculato – eletrônico – CP 313-A e CP 313-B CP 313-A e CP 313-B Inserção de dados falsos em sistema de informações Art. consuma-se Consumação – delito é formal. se este artigo for praticado por uma pessoa que não seja autorizado ele responde somente por falsidade ideológica. e multa. As penas são aumentadas de um terço até a metade se da modificação ou alteração resulta dano para a Administração Pública ou para o administrado. consuma-se Página 50 de 76 . a inserção de dados falsos. Modificação ou alteração não autorizada de sistema de informações Art.: funcionário do DETRAN que está autorizado a manejar o sistema de dados entra e exclui de um amigo ou inclui para um inimigo) Pena – reclusão. Tipo subjetivo . Conduta – pune a modificação ou alteração o SISTEMA OU PROGRAMA (mudou o objeto material). o funcionário. alterar ou excluir indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados ou bancos de dados da Administração Pública com o fim de obter vantagem indevida para si ou para outrem ou para causar dano: (Ex. sistema de informações ou programa de informática sem autorização ou solicitação de autoridade competente: Pena – detenção. de dois a doze anos. 313-A. 313-B. Parágrafo único. (está mais para falsidade ideológica) – ou seja. . especial Consumação – delito é formal. pelo comportamento do agente Conduta – inserir ou facilitar a inserção de dados falsos ou alterar ou excluir DADOS corretos. Modificar ou alterar.O crime é punido a título de Tipo subjetivo – dolo sem finalidade dolo com finalidade especial. CP 313-A CP 313-B Sujeito ativo – é o funcionário público Sujeito ativo – QUALQUER funcionário AUTORIZADO público Sujeito passivo – a administração em geral Sujeito passivo – a administração em geral podendo com ela concorrer particular lesado podendo com ela concorrer particular lesado pelo comportamento do agente. e multa. o funcionário autorizado.Renato Brasileiro Penal Especial F.

ou aceitar Página 51 de 76 . 3° II lei 8137/90 art. solicitar ou receber. para si ou para outrem. mas em razão dela. ainda que fora da função ou antes de iniciar seu exercício. Tentativa – admite AULA 8 DIA 03/07/09 CONCUSSÃO CP 316 Concussão Art.Renato Brasileiro Penal Especial independentemente da obtenção da vantagem independentemente da obtenção da vantagem ou prejuízo alheio ou prejuízo alheio Tentativa – admite. vantagem indevida.Código Penal (Título XI. mas em razão dela.: quando estiver de férias) ou o particular na iminência de assumir a função pública. este crime pode ser praticado TAMBÉM por aquele que está na iminência de assumir a função pública. ainda que fora da função ou antes de assumi-la. e multa. vantagem indevida: Pena – reclusão.848. Se o que exigir for um fiscal de rendas não entra neste artigo e sim configura na lei 8137/90 art. de 7 de dezembro de 1940 . Capítulo I): II .exigir. Está errado quem diz que este crime é praticado somente por funcionário público. Bem jurídico tutelado – Primário: moralidade administrativa. Quem pode praticar concussão? Quem pode ser concussionário no Brasil? Assim sujeito ativo pode ser o funcionário público no exercício da função. Secundário: patrimônio do particular constrangido pelo ato criminoso do agente. direta ou indiretamente. 316. de dois a oito anos. 3º. além dos previstos no DecretoLei nº 2. 3° II Art. Constitui crime funcional contra a ordem tributária. o funcionário público fora da função (Ex. para si ou para outrem. Exigir. direta ou indiretamente.

ainda que fora da função ou antes de assumi .Renato Brasileiro Penal Especial promessa de tal vantagem. direta ou indiretamente. Agora se for um militar é o CPM 305 CPM 305 Concussão Art. Conduta . A lei não diz.  Para si ou para outrem – o para outrem pode ser inclusive uma entidade pública. a multa. já na indireta por INTERPOSTA PESSOA.o crime consiste em:  Exigir – algo intimidativo. coercitivo. para deixar de lançar ou cobrar tributo ou contribuição social. mas em razão dela. mas a doutrina alerta que ainda pode ser: o Explicita ou implicitamente – explicita é a exigência clara e implícita é a exigência velada.  Direta ou indiretamente – quando fala na exigência direta é a PESSOAL. Secundária: particular constrangido pelo funcionário público.reclusão.  Vantagem indevida – qual a natureza jurídica desta vantagem? Somente vantagem de natureza econômica patrimonial configura concussão? Prevalece que a vantagem pode ser de qualquer natureza (inclusive nos tribunais superiores). para si ou para outrem. Pena . ou cobrá-los parcialmente. Exigir. de 1 (um) a 4 (quatro) anos. 305. de dois a oito anos Sujeito passivo – Primário: administração pública. Porque o que importa é a moralidade e sendo econômica ou não ela fere a moralidade. É um crime contra a ordem tributária.la. Mas se a vantagem for devida? Depende: o Se a vantagem devida consistir em contribuições sociais é excesso de exação – CP 316 §1° CP 316 §1° Excesso de exação Página 52 de 76 . vantagem indevida: Pena – reclusão.

 A doutrina costuma lembrar – valendo-se o funcionário do metus publicae potestatis.Renato Brasileiro Penal Especial § 1o Se o funcionário exige tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido. II. Se a vantagem devida não consistir em contribuições sociais é excesso de exação ele pratica abuso de autoridade. e multa. o que ele pratica? Pratica extorsão – CP 158 O que cai muito em concurso é o medico atendendo pelo SUS. ou. de três a oito anos. Ex. Constranger alguém. assim há três situações que podem configurar um dos três crimes: I. Página 53 de 76 .. 158. tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma coisa: Pena – reclusão. Imagine o policial investigador que se passa por delegado e passa a exercer vantagem indevida. III..neste caso haverá o crime de CORRUPÇAO PASSIVA. emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso. e multa. a fazer. Se o médico exige vantagem indevida para o ato cirúrgico – não tem dúvida de que é CONCUSSAO É possível que o médico somente solicite . é funcionário público? É funcionário para fins penais. é extorsão comum. CP 158 Extorsão Art. Agora se ele não tiver esse competência/atribuição/poder? Praticaram o CP 158. de quatro a dez anos. o Para que haja concussão é imprescindível que o funcionário publico tenha poderes/atribuição/competência para concretizar o mal futuro prometido na exigência que cometeu. mediante violência ou grave ameaça. que a lei não autoriza: Pena – reclusão. o que acontece? A doutrina e júris ficaram conflitando sobre isso. Agora um médico atendendo pelo SUS e condiciona um atendimento que deve ser pago pelo paciente. O médico pode empregar fraude simulando que o pagamento é devido – o crime será de ESTELIONATO. ou seja. quando devido. e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica.: ou você me dá tanto ou eu.

logo depois. 302. a execução é mero exaurimento. posso prender em flagrante? CPP 302 Art. IV – é encontrado. Considera-se em flagrante delito quem: I – está cometendo a infração penal. armas. Tentativa – é permitido na carta concussionária interceptada. pela autoridade. E o caso em que a policia prende aquele que é preso no momento da exigência e agenda a hora e local. com a mera exigência independentemente da vantagem indevida. Corrupçao passiva CP 317 Corrupção passiva Página 54 de 76 . mas em flagrante não entra. mas neste caso tem que representar com prisão preventiva. II – acaba de cometê-la. em situação que faça presumir ser autor da infração. No momento em que ele está com a mala ele não comete nenhum dos casos do CPP 302. pelo ofendido ou por qualquer pessoa. III – é perseguido.o crime é formal. ou seja.Renato Brasileiro Penal Especial Elemento subjetivo – é punido a título de dolo acrescido de finalidade especial que é o ENRIQUECIMENTO ILICITO. objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração. com instrumentos. se exigisse e logo depois entregasse e pegasse entraria. logo após. Consumação .

para si ou para outrem. ou aceitar promessa de tal vantagem: Pena – reclusão. Sujeito ativo – é o mesmo sujeito da concussão. § 1o A pena é aumentada de um terço. Se o sujeito ativo for fiscal de rendas não é este artigo e sim artigo 3° II da lei 8137/90. o funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo dever funcional. em conseqüência da vantagem ou promessa. 317. ainda que fora da função. o funcionário público fora da função (Ex. e multa. vantagem indevida. pode ser o funcionário público no exercício da função. se. 308. ainda que fora da função ou antes de assumi-la. Se o sujeito ativo for militar que solicita? O CPM 308 fala: Corrupção passiva Art. vantagem indevida. de dois a doze anos. § 2o Se o funcionário pratica. de dois a oito anos.la. para si ou para outrem. direta ou indiretamente. mas em razão dela. ou seja. com infração de dever funcional. Receber. ou multa. CONCUSSÃO Exigência – INTIMIDATIVO PENA – dois a oito anos CORRUPÇÃO PASSIVA Solicitação – PEDIDO PENA – dois a doze anos Em suma: vê-se que é melhor exigir do que solicitar porque a pena de corrupção é maior! Com isso. cedendo a pedido ou influência de outrem: Pena – detenção. direta ou indiretamente. Página 55 de 76 .: quando estiver de férias) ou o particular na iminência de assumir a função pública desde que em razão dela. deixa de praticar ou retarda ato de ofício. Solicitar ou receber. tem doutrinadores que dizem que essa é pena é desproporcional e por isso é inconstitucional. de três meses a um ano. mas em razão dela.Renato Brasileiro Penal Especial Art. ou antes de assumi. ou aceitar promessa de tal vantagem: Pena – reclusão.

Parágrafo único. Corrupção passiva – CP 317 Solicita Corrupção ativa – CP 333 Se o funcionário público solicita alguém depois DEU. 337-B. para determiná-lo a praticar. direta ou indiretamente. haverá a prática CP 317 sendo competência da justiça comum. Secundária: pode ser particular desde que ele não seja autor de corrupção ativa.Renato Brasileiro Penal Especial Ou seja. se. A pena é aumentada de um terço. e multa. Se o funcionário público recebeu alguém antes ofereceu Se o funcionário público aceitou antes ele prometeu. O CP 333 só pune o corruptor quando a corrupção parte dele. mas no CP 337-B tem a corrupção do funcionário estrangeiro – aqui se pune o DAR também. Você somente dará a vantagem se o funcionário solicitou. não tendo a palavra SOLICITAR. assim o particular é vítima. porém dar não é crime. ou a terceira pessoa. ou o pratica infringindo dever funcional. Receber Aceitar promessa Temos mais três corrupções ativas no nosso ordenamento jurídico: 1) CP 333 é a corrupção comum. Página 56 de 76 . o funcionário público estrangeiro retarda ou omite o ato de ofício. em razão da vantagem ou promessa. omitir ou retardar ato de ofício relacionado à transação comercial internacional: Pena – reclusão. oferecer ou dar. Prometer. de um a oito anos. vantagem indevida a funcionário público estrangeiro. CP 337-B Corrupção ativa em transação comercial internacional Art.Primário: administração pública. Sujeito passivo .

§1° .  Direta ou indiretamente – aqui aproveitamos o que vimos na concussão o Explicita ou implicitamente  Vantagem indevida – de qualquer natureza  Ou aceitar promessa de tal vantagem Qual a diferença de corrupção passiva própria e imprópria? A corrupção passiva própria tem por finalidade a realização de ato/comportamento injusto. O funcionário público comercializa o ato ilegítimo. O CP 333 somente pune o corruptor quando a corrupção ativa antecedente. A corrupção ativa antecedente é aquela que você primeiro oferece.: A corrupção ativa só é punida na modalidade antecedente. receber ou aceitar promessa de futura vantagem. É uma norma incriminadora IRRETROATIVA. Repare que somente o CP 333 não pune o DAR.Renato Brasileiro Penal Especial 2) CP 342.: Está para ser aprovado o projeto para punir o DAR do CP 333. Nessas duas hipóteses temos CRIME. recebe ou aceita promessa para no segundo momento realizar o ato comercializado. Página 57 de 76 . enriquecimento ilícito através da busca da vantagem indevida. não se confundindo com a subsequente em que se tem a prática de um ato seguida de um oferecimento ou promessa. Assim. pois o subsequente é fato atípico. promete visando ato futuro. §1° 3) Código eleitoral . porque não existe motivo punir os outros três e não esse artigo. O que é corrupção passiva antecedente e subsequente? Na antecedente primeiro solicita. Já a corrupção passiva imprópria é a que tem por finalidade a realização de comportamento legítimo.pune também o DAR. o funcionário comercializa ato justo.  OBS. que também pune o DAR CP 343. Conduta do CP 317 – pune:  Solicitar ou receber  Para si ou para outrem – esse outrem pode ser a própria administração pública. Elemento subjetivo – punido a título de dolo com finalidade especifica.  OBS. Já subsequente o funcionário primeiro realiza o ato para em um segundo momento solicitar. ou seja.suborno de testemunhas.

a doutrina só enxerga tentativa na solicitação por escrito. Solicitar ou receber. com infração de dever funcional.: se você me der R$100 excluo dos dados de multa que havia contra você – é corrupção e peculato eletrônico. Página 58 de 76 . e multa. vantagem indevida. inclusive de menor potencial ofensivo. Só é possível majorar pena de CORRUPÇÃO PASSIVA PRÓPRIA porque é a única que o agente infringe um dever funcional. direta ou indiretamente. § 1o A pena é aumentada de um terço. Tentativa . O que seria mero exaurimento gera o aumento de pena. em conseqüência da vantagem ou promessa. CP 317 §1° Corrupção passiva Art. ainda que fora da função ou antes de assumi-la. 317. punindo os famigerados favores administrativos. se. mas em razão dela. cedendo a pedido ou influência de outrem: Pena – detenção. para si ou para outrem. esquece o aumento e aplica o concurso material (CP 69). de três meses a um ano. Ex. Quando o funcionário solicita. recebe ou aceita a promessa já tem o crime. Não se confunde o CP 317 §2° com a prevaricação (CP 319) CP 317 §2° § 2o Se o funcionário pratica. já na modalidade receber o crime é MATERIAL. independentemente de praticar ou retardar o ato. além do CP 317 caput terá um AUMENTO DE PENA de 1/3.  CUIDADO quando o ato praticado configura crime autônomo. o funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo dever funcional.Renato Brasileiro Penal Especial Consumação – as modalidades solicitar ou aceitar promessa o crime é FORMAL. ou multa. de dois a doze anos. porque senão haverá bis in idem. O que pune aqui é o crime do “macaco gordo”. ou aceitar promessa de tal vantagem: Pena – reclusão. CP 317 §2° é a corrupção passiva PRIVILEGIADA. deixa de praticar ou retarda ato de ofício. Se ele pratica o ato infringindo dever funcional.

Corrupção passiva privilegiada Prevaricação O funcionário cede diante de um pedido ou O funcionário age sem influencia de outrem influencia de outrem. e multa. que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo: Pena – detenção. Aqui é claro que fere o p.Renato Brasileiro Penal Especial CP 319 Prevaricação Art. Ex. Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente público. ou praticá-lo contra disposição expressa de lei. Página 59 de 76 . de rádio ou similar. 319. voluntário) O funcionário não visa interesse ou O funcionário quer satisfazer interesse ou satisfazer sentimento pessoal (o funcionário sentimento pessoal (o funcionário quer não quer vantagem pessoal) vantagem pessoal). significa que existe ou pedido. Prevaricação imprópria CP 319-A Art. da proporcionalidade. 319-A. uso esse p. ato de ofício. de cumprir seu dever de vedar ao preso o acesso a aparelho telefônico. significa que existe um ATO INTERFERENCIA EXTERNA (ato ESPONTANEO. a hipertrofia da punição. da proporcionalidade) Quero evitar uma punição insuficiente. Quando falamos em p. de três meses a um ano. para satisfazer interesse ou sentimento pessoal: Pena – detenção. Retardar ou deixar de praticar. de 3 (três) meses a 1 (um) ano. ou seja. da proporcionalidade e o Estado está incentivando o crime.: Você foi parado no transito e pede para o guarda quebrar “um galho” incorre na corrupção passiva privilegiada. para evitar excesso (permite o juiz declarar inconstitucional) e também para evitar a insuficiência da intervenção estatal (aqui não pode declarar a inconstitucionalidade devido ao p. Bem jurídico tutelado do CP 319-A – segurança interna dos presídios e externa da sociedade em geral. indevidamente.

há divergência na doutrina. tem projeto de lei para incriminar que será o futuro CP 352-A com a pena de um a quatro anos. (ou seja. deixar de retirar do preso aparelho que já está em sua posse. o que o legislador quis dizer que deverá ser punido se for funcionário publico com dever de vedar o preso ao acesso. Sujeito passivo – é o Estado e secundariamente a sociedade que está sendo colocada em perigo.Crime é punido a título de dolo + SEM “satisfazer interesse ou sentimento pessoal”. POR ISSO QUE SE CHAMA PREVARICAÇAO IMPROPRIA. pois pratica falta grave da LEP. é crime? A doutrina tem argumentado que a expressão “acesso ao aparelho” não deve ser interpretada restritivamente. Ao contrario. pois o código fala em cumprimento de pena. o crime é omissivo próprio) o Cumprir seu dever de vedar ao preso – significa que não será qualquer funcionário potencial autor deste crime. Página 60 de 76 . pessoalmente entregá-lo ou. ao invés de apenas permitir o acesso ao aparelho.Renato Brasileiro Penal Especial Sujeito ativo – diretor de penitenciaria e agente público. merece ser dado à expressão o seu real alcance. Que crime pratica o particular que introduz o aparelho no ambiente prisional? O simples fato de introduzir é fato atípico. O preso para quem era destinado o celular e é surpreendido com o celular é o que? Ele não é autor de crime alguma.. Discute-se se abrange estabelecimento de menores infratores. então. Mas diretor de penitenciaria não é um agente público? Ou seja. Abrange diretor de manicômio judiciário? Não abrange. E se o funcionário que vê o celular entrando e não deixa de vedar a entrada e não retira o celular da mão do preso? E se o funcionário. Elemento subjetivo . Conduta – o crime consiste em:  Deixar de .. pois deve ter poder funcional de vedar o preso ao acesso a aparelho que permita comunicação com o mundo externo ou com outros presos. abrangendo as condutas de entregar pessoalmente ou não retirar aparelho já na posse do preso.

É desnecessária a resposta preliminar de que trata o artigo 514 do Código de Processo Penal. O STF adota a 1° corrente que é nulidade absoluta. pois é em razão do cargo. K. participe ou co-autor. Qual a consequencia da omissão da oportunidade defesa preliminar para o funcionário público? há correntes: 1.Aqui tem denuncia e antes do recebimento da denuncia o denunciado tem direito a uma defesa preliminar. J. Tentativa – crime omissivo próprio não admite tentativa. Há concreta lesão a ampla defesa gerando nulidade absoluta (TOURINHO FILHO). Se ele estiver aposentado? Também não faz mais jus a defesa preliminar. súmula STJ 330 330. Quando da denuncia não era mais funcionário público. Havendo oportunidade de defesa durante o processo a nulidade é relativa devendo ser argüida no momento oportuno e comprovando o prejuízo (MIRABETE). O particular que concorreu para o crime tem defesa preliminar? Não se estende a particular. II. Ocorreu o crime funcional quatro procedimentos podem ser (Crimes funcionais do CP 312 a CP 326 têm procedimento especial) I. 3. tem direito a defesa preliminar? Não tem. A defesa preliminar somente é indispensável quando a denúncia não vem acompanhada por IP (súmula STJ 331). sendo dispensável o acesso do preso ao aparelho. 2.Renato Brasileiro Penal Especial Consumação – o crime se consuma com a omissão do dever. é somente para o funcionário. pois é unissubsistente. coisa que não tem no inafiançável. Temos que analisar se o crime funcional é afiançável . CPP 514 Página 61 de 76 . ou seja. Crime funcional é inafiançável – L. perde a defesa preliminar. na ação penal instruída por inquérito policial.

o ofendido não foi condenado por sentença irrecorrível. salvo: I – se. sabendo falsa a imputação. IV. Exceção da verdade § 3o Admite-se a prova da verdade. e multa. 514. estando a denúncia ou queixa em devida forma. Nos crimes afiançáveis. 138. constituindo o fato imputado crime de ação privada. o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível. embora de ação pública. dentro do prazo de quinze dias. a propala ou divulga. Crime de menor potencial ofensivo – o rito é da lei 9099/95 Se o sujeito ativo detentor de foro de prerrogativa de função – o rito é da lei 8038/90 ________________________________________________________________________________ _ III. AULA 9 DIA 07/07/09 CRIMES CONTRA A HONRA Calúnia – CP 138 CP 138 Calúnia Art. o juiz mandará autuá-la e ordenará a notificação do acusado. para responder por escrito. Difamação – CP 139 Página 62 de 76 . Caluniar alguém. III – se do crime imputado. § 1o Na mesma pena incorre quem. § 2o É punível a calúnia contra os mortos. imputando-lhe falsamente fato definido como crime: Pena – detenção. II – se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no no I do artigo 141.Renato Brasileiro Penal Especial Art. de seis meses a dois anos.

140. § 1o O juiz pode deixar de aplicar a pena: I – quando o ofendido. § 2o Se a injúria consiste em violência ou vias de fato. A exceção da verdade somente se admite se o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções. religião. Difamar alguém. e multa. 139. além da pena correspondente à violência. se considerem aviltantes: Pena – detenção. ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro: Pena – detenção. de três meses a um ano. Página 63 de 76 . Injuriar alguém. § 3o Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça. de forma reprovável. de um a seis meses.Renato Brasileiro Penal Especial CP 139 Difamação Art. Lei de imprensa foi considerada inconstitucional pela ADPF 130. etnia. de um a três anos e multa. e multa. II – no caso de retorsão imediata. provocou diretamente a injúria. Exceção da verdade Parágrafo único. que consista em outra injúria. Apesar do STF tenha afastado a lei de imprensa continua respondendo só que não mais pelos dispositivos da lei de imprensa. cor. Injuria – CP 140 CP 140 Injúria Art. que. por sua natureza ou pelo meio empregado. ou multa. origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: Pena – reclusão. imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação: Pena – detenção. de três meses a um ano.

de 1 a 4 anos. imputando-lhes fato definido como crime ou fato ofensivo à reputação. porém deve-se diferenciar em honra objetiva (é o conceito que a sociedade tem a respeito do individuo) e subjetiva (representa o conceito que o individuo tem de si próprio). Enquanto que. Dos três crimes contra honra. 26 .Caluniar ou difamar o Presidente da República. Já no código eleitoral esses crimes contra a honra são de ação penal pública incondicionada. Art. 26 da lei 7170/83 Art. um capitão que começa a difamação um tenente ou soldado tem um crime militar de competência militar. conhecendo o caráter ilícito da imputação. já na honra subjetiva é quando a própria pessoa tem conhecimento. Ou seja. Pena: reclusão.Na mesma pena incorre quem. O que caracteriza os crimes contra a honra é que são praticados durante a propaganda eleitoral. II. é dispensável o desconhecimento por terceiros. a propala ou divulga CPM é um exemplo. No CP em regra. quando esses crimes se consumam? Quando a sociedade tem conhecimento da calúnia ou difamação. A lei de segurança nacional (lei 7170/83) é imprescindível uma motivação política. o do Senado Federal. os crimes são de ação penal privada. nos crimes contra a honra objetiva a imputação deve chegar ao conhecimento de terceiro. Parágrafo único . o da Câmara dos Deputados ou o do Supremo Tribunal Federal. nos crimes contra a honra subjetiva. Outro aspecto importante: se honra objetiva é o conceito que a sociedade tem a respeito de minha pessoa e a subjetiva é o que tenho sobre mim.Renato Brasileiro Penal Especial Não podemos esquecer-nos do código eleitoral que também traz crimes contra a honra. Bem jurídico tutelado – é a honra. Página 64 de 76 . Calúnia e difamação – protegem a honra objetiva Injuria – protegem a honra subjetiva. são tutelados: I.

Exceção da verdade § 3o Admite-se a prova da verdade. § 2o É punível a calúnia contra os mortos. § 1o Na mesma pena incorre quem. 138. sabendo falsa a imputação.Renato Brasileiro Penal Especial A honra é um bem disponível ou indisponível? É evidentemente disponível. Isso era punível na lei de imprensa só que esta foi declarada inconstitucional. imputando-lhe falsamente fato definido como crime: Pena – detenção. embora de ação pública. Quando você calunia uma pessoa que está morta o sujeito passivo de sua conduta serão seus familiares. 24 era punido a calúnia. II. a propala ou divulga. CALÚNIA CP 138 Calúnia Art. que o art. e multa. Na lei de imprensa o detalhe que caia em prova. o ofendido não foi condenado por sentença irrecorrível. II – se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no no I do artigo 141. Ativo . mas como a ADPF 130 afastou a lei de imprensa não cairá mais em prova. III – se do crime imputado. de seis meses a dois anos. difamação e injuria contra os mortos. Sujeitos do crime: I. Caluniar alguém. Página 65 de 76 . o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível. E no caso de difamação e injúria? Não é punível difamação nem injúria contra os mortos. constituindo o fato imputado crime de ação privada.qualquer pessoa Passivo Será que um morto pode ser sujeito passivo? Os mortos podem ser caluniados (§2°). salvo: I – se.

afastando-se assim a tipicidade de sua conduta. ao ler o delito de calúnia. Será que a PJ pode ser vítima do crime de calúnia? Aqui tem que tomar certo cuidado porque temos duas correntes: ROGÉRIO SANCHES – Será que a PJ pode praticar fato definido como crime? Temos aqui a teoria da dupla imputação. ROGÉRIO GRECCO E BITENCOURT – PJ pode ser vítima de calúnia. I. E no caso de difamação e injúria? Pode haver difamação para com os inimputáveis e também da injúria desde que tenham consciência de sua honra subjetiva. II. ou seja. Assim. ou seja. Para que eu responda pelo crime de calúnia aquela imputação que foi feita deve ser FALSA. E se por acaso imputar fato definir como crime eu impute como contravenção penal? Cuidado. Imputação de fato definido como crime.  OBS. II. Assim conclui-se que a PJ não pode ser sujeito passivo. E no caso de difamação e injúria? Também podem ser sujeito da difamação e calúnia. porém não de injúria. Se o autor da imputação acredita na sua veracidade. A autocalúnia é punível? É quando você imputa a si próprio falsamente fato punido como crime. De acordo com essa teoria a PJ pode ser responsabilizada criminalmente desde que tenha junto uma pessoa física. M. Falsidade da imputação. pode ser vítima de difamação. pode ser vítima de crime contra a honra (BITENCOURT). Quando se emite uma qualidade depreciativa.: Apesar da PJ não poder ser sujeito passivo do crime de calúnia. é injúria. mas pode ser responsabilizada. Essa autocalúnia é o crime do CP 341: CP 341 Auto-acusação falsa Página 66 de 76 . temos como elementos: I.Renato Brasileiro Penal Especial Inimputáveis podem ser vítimas de calúnia? O menor de 18 anos não pratica crime e sim ato infracional. Se imputo a prática de alguém em furto? Isso é calúnia ou injúria? Tenho que dizer qual foi o fato praticado. Uma pessoa desonrada pode ser vítima de calúnia? Essa pessoa por mais que seja desonrada ela preserva sempre um “Oasis moral”. ela não pode praticar. Tipo objetivo – Em relação ao tipo objetivo. mas sim o crime de difamação. A PJ pode ser sujeito passivo somente de difamação e calunia. age em erro de tipo. Ato infracional nada mais é que um fato definido como crime. pois não há a configuração de crime de calúnia. tanto os menores de 18 anos quanto doentes mentais podem ser sujeitos passivos do crime de calúnia. mas desde que a falsa imputação refira-se a fato definido como crime ambiental (PREVALECE).

A crítica que recai sobre esta corrente é a de que a continuidade delitiva tem como requisito básico que os crimes sejam da mesma espécie. ou multa. perante a autoridade. 341.Renato Brasileiro Penal Especial Art. o agente responde pelas diversas infrações penais em concurso material. mas se o advogado calunia passa a responder. Elemento subjetivo – animus caluniandi. CALÚNIA/DIFAMAÇÃO E INJÚRIA (semelhanças e diferenças) o Tanto na calúnia quanto na difamação existe a imputação de fato. o Tanto na calúnia quanto na difamação temos fato definido como CRIME. pode haver concurso de crimes? Se os crimes forem praticados em contextos diferentes. de três meses a dois anos. Animus jocandi é a brincadeira. Não constituem injúria ou difamação punível: I – a ofensa irrogada em juízo. Animus defendendi que é a intenção de defender. ou seja. Já na injúria não existe imputação de fato e sim imputa qualidade depreciativa. o Será que alguém pode responder pelos três crimes. É muito comum em advogado. Somente relaciona-se a INJÚRIA E DIFAMAÇAO. Agora os outros crimes contra a honra também exigem esse elemento só que na difamação se chama animus difamandi e na injúria temos o animus injuriandi. CP 142 I Exclusão do crime Art. na discussão da causa. 142. Acusar-se. pela parte ou por seu procurador. No crime de difamação mesmo que a imputação se refira a um fato verdadeiro o deito estará caracterizado. praticados num mesmo contexto fático:  Corrente minoritária – responde pelo delito em continuidade delitiva. Página 67 de 76 . por exemplo. Se. Animus narrandi é a testemunha que narra fatos pertinentes a causa. todavia. programas humorísticos em que não há intenção de macular a honra de ninguém. porém estes três crimes não são de mesma espécie. o A falsidade somente é elementar do crime de calúnia. de crime inexistente ou praticado por outrem: Pena – detenção.

Na calúnia a exceção da verdade é regra. o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível.: Apesar de não ser cabível a exceção da verdade nas hipóteses do CP 138 §3°. constituindo o fato imputado crime de ação privada. demonstrando ser o querelante autor de fato definido como crime. da consunção. é cabível no crime de calúnia. Em relação ao crime de injuria cabe exceção da verdade? No crime de injúria não é cabível a exceção da verdade.: A exceção da verdade somente cabe em relação ao crime de difamação quando o for fato ofensivo a funcionário público e relacionar-se ao exercício de suas funções. já na difamação é excepcional e a única hipótese é para com o funcionário público. de presunção de inocência e da garantia da ampla defesa.Aplica-se o p. Perguntas: É cabível em todos os crimes contra a honra? Em regra.  OBS. no entanto não impede que o querelado prove a veracidade de sua imputação. essa limitação alcança a interposição formal do incidente.  OBS. salvo nas hipóteses dos CP 138 §3°. salvo: I – se. sob pena de violação ao p. o ofendido não foi condenado por sentença irrecorrível. sendo os crimes mais leves absorvidos pelos mais graves. CP 138 §3° Exceção da verdade § 3o Admite-se a prova da verdade. II – se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no I do artigo 141.Renato Brasileiro Penal Especial  Corrente que prevalece . Exceção da verdade – É um incidente processual por meio do qual o acusado de crime contra a honra (calúnia e difamação) pretende provar a veracidade do que alegou. o que. embora de ação pública. Página 68 de 76 . III – se do crime imputado.

imputando-lhe crime de que o sabe inocente: Pena – reclusão. Quando for oferecida a exceção da verdade ou da notoriedade do fato imputado. qual é a consequencia? Afasta a própria tipicidade da conduta. A admissão e o processamento da exceção deverão ocorrer perante o juízo a quo. EXCEÇÃO DA NOTORIEDADE Art. e multa. A falsidade é elementar do crime de calúnia. É a opinião de Fernando Capez. § 1o A pena é aumentada de sexta parte. Página 69 de 76 . 339. Mas há uma segunda corrente (Cezar Roberto Bitencourt) entende que mesmo que o fato imputado seja público e notório o crime estará caracterizado. o querelante poderá contestar a exceção no prazo de dois dias. Quem vai admitir a exceção da verdade? É o respectivo tribunal. Ou seja. Caso o querelante seja titular de foro por prerrogativa de função. mas somente se a imputação versar sobre fato definido como contravenção penal. e em relação ao crime de difamação. Dar causa a instauração de investigação policial. se o agente se serve de anonimato ou de nome suposto. a exceção da verdade deve ser julgada pelo respectivo tribunal em relação ao crime de calúnia. se o fato é de domínio público não haveria ofensa à honra objetiva. pois ninguém tem o direito de vilipendiar a honra alheia. em substituição às primeiras. de processo judicial. de dois a oito anos. ou outras indicadas naquele prazo.  OBS. podendo ser inquiridas as testemunhas arroladas na queixa. A exceção da verdade é admitida e instruída na 1° instancia. e no crime de difamação a falsidade não é elementar. ou para completar o máximo legal.Renato Brasileiro Penal Especial Para concluir: calúnia cabe exceção da verdade e se eu provo a veracidade. instauração de investigação administrativa. inquérito civil ou ação de improbidade administrativa contra alguém. A doutrina entende que provada à veracidade da imputação estará excluída a ilicitude da conduta. Denunciação caluniosa Art.: Somente é admissível nos crimes de calúnia e difamação. 523. É a oportunidade que o querelado tem de demonstrar que suas afirmações são de domínio público.

etnia. Desacato Página 70 de 76 . Podemos dizer claramente que a calúnia é o meio para a prática do crime fim de denunciação caluniosa. além da pena correspondente à violência. 140. de três meses a um ano. Outra semelhança que pode diferenciar é “de que o sabe inocente”. e multa. que consista em outra injúria. Art. ou multa. § 2o É punível a calúnia contra os mortos. § 1o O juiz pode deixar de aplicar a pena: I – quando o ofendido. ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro: Pena – detenção. e multa. Caluniar alguém. A conduta do § 1º também só é punida a título de dolo direto. de forma reprovável. que. INJÚRIA Art. II – no caso de retorsão imediata. de seis meses a dois anos. O artigo 339 somente é punido a título de dolo direito. imputando-lhe falsamente fato definido como crime: Pena – detenção. de um a seis meses. se a imputação é de prática de contravenção. religião. a propala ou divulga. cor. sabendo falsa a imputação. Aqui vai tanto ao dolo direto ou eventual se referir ao caput do CP 138. § 3o Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça. A denunciação caluniosa absorve o crime de calúnia com base no princípio da consunção. se considerem aviltantes: Pena – detenção. origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: Pena – reclusão. provocou diretamente a injúria. Injuriar alguém.Renato Brasileiro Penal Especial § 2o A pena é diminuída de metade. § 2o Se a injúria consiste em violência ou vias de fato. 138. § 1o Na mesma pena incorre quem. quando a lei usa essa expressão ela restringe a punição da denunciação caluniosa somente a título do dolo direto (precisa ter certeza de que a imputação é caluniosa). por sua natureza ou pelo meio empregado. de um a três anos e multa.

pratica dois ou mais crimes e apenas deverão ser somadas. cor. não é injúria preconceituosa o crime não é o do § 3º. de três meses a um ano. 331. ofendendo sua dignidade com base na utilização de elementos referentes à raça. etc. ou multa. A injúria preconceituosa é crime de ação penal privada e o racismo é crime de ação penal pública incondicionada. etnia. Neste ocorre uma oposição indistinta a uma raça. origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência. religião. cor etc.Renato Brasileiro Penal Especial Sendo o ofendido funcionário público e tendo sido o fato praticado na sua presença e em razão de sua função caracterizar-se-á o crime de desacato.). Injúria preconceituosa § 3o Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça. Injúria real § 2o Se a injúria consiste em violência ou vias de fato. além da pena correspondente à violência. Não confundir a injúria com o crime de racismo (oposição indistinta a uma raça. se considerem aviltantes: Pena – detenção.  OBS. religião. que. cor.: Há um ataque verbal exclusivo contra a vítima. mediante uma única ação. e multa. A melhor posição hoje da doutrina é de que se trata de um concurso formal impróprio. Quando me refiro a uma pessoa querendo ofender com relação à opção sexual. etnia. pois o agente. Diante da injúria real o agente responde não só pela injúria. cor. de um a três anos e multa. Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela: Pena – detenção. mas também pela violência empregada. Art. origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: Pena – reclusão. por sua natureza ou pelo meio empregado. Página 71 de 76 . de seis meses a dois anos.

Nos casos dos nos I e III. salvo quando inequívoca a intenção de injuriar ou difamar. crimes contra a honra são de competência dos juizados. II – a opinião desfavorável da crítica literária. No inciso I temos a imunidade judiciária – a ofensa deve ser feita em juízo / deve guardar relação com a causa em discussão. III – o conceito desfavorável emitido por funcionário público. Retratação Art. Em regra.Retratação significa retirar o que foi dito. o que pode ser considerada como uma ofensa ao princípio da proporcionalidade. 142. de um a três anos e multa”. Cuidado com o §3° com relação à pena que é de “reclusão. Não constituem injúria ou difamação punível: I – a ofensa irrogada em juízo. se retrata cabalmente da calúnia ou da difamação. Conceito . pela parte ou por seu procurador. para a melhor doutrina.Renato Brasileiro Penal Especial A injúria preconceituosa é um crime afiançável e prescritível. CAUSAS EXCLUDENTES DA ILICITUDE Exclusão do crime Art. A natureza jurídica do artigo 142. antes da sentença. fica isento de pena. Página 72 de 76 . responde pela injúria ou pela difamação quem lhe dá publicidade. 143. é de causa excludente da ilicitude. em apreciação ou informação que preste no cumprimento de dever do ofício. O querelado que. na discussão da causa. artística ou científica. salvo na hipótese da injúria preconceituosa. ao passo que o racismo é inafiançável e imprescritível. Essas excludentes referem-se tão-somente aos crimes de injúria e difamação. Essa pena é idêntica à do homicídio culposo. Parágrafo único.

Pedido de explicações Art. a critério do juiz. responde pela ofensa. limitando-se a entregar os autos àquele que formulou o pedido. O MP não tem legitimidade para formular esse pedido. quem se julga ofendido pode pedir explicações em juízo. mas nem denúncia ou queixa houver contra a pessoa. Assim. Natureza jurídica .É uma medida preparatória e facultativa para o oferecimento da queixa quando não ficar evidente a intenção de caluniar. não constituindo uma ação penal. 144. o autor da ofensa não está obrigado a oferecer explicações e quando a lei diz: “responde pela ofensa” isso não significa que o agente seja condenado pelo crime supostamente praticado. a retratação não depende de aceitação do ofendido. difamar ou injuriar.Renato Brasileiro Penal Especial A retratação somente é cabível nos crimes de calúnia e difamação. Só o tem o ofendido (quem se julga ofendido pode pedir explicações em juízo). Só é cabível na ação penal privada.É causa extintiva da punibilidade. Se. se infere calúnia. não as dá satisfatórias. O suposto autor da ofensa será intimado a dar explicações se ele não der explicações qual será a consequencia? Responde pela ofensa. alusões ou frases. e nem exige publicidade. difamação ou injúria. Conceito . fica parecendo que ele sai dali condenado. Lembre-se: esse procedimento é de natureza cautelar. Aquele que se recusa a dá-las ou. não cabendo no crime de injúria. Fica a impressão de que se o cara não dá explicações ou não as dá de maneira satisfatória. AULA 10 DIA 08/07/09 Página 73 de 76 . de referências. Ao contrário do perdão do ofendido. Nesse pedido de explicações o juiz não faz qualquer juízo de valor. Se não houve explicações ou as dadas não foram satisfatórias não quer dizer que há presunção de culpa.

e multa. a restitui à circulação. § 2o Quem. e multa. cuja circulação não estava ainda autorizada. emite ou autoriza a fabricação ou emissão: I – de moeda com título ou peso inferior ao determinado em lei. cede. ou fiscal de banco de emissão que fabrica. como verdadeira. Fé pública é a confiança que a sociedade deposita na autenticidade de documentos e moedas. moeda metálica ou papel-moeda de curso legal no País ou no estrangeiro: Pena – reclusão. Cuidado há um julgado do STF admitindo o p. II – de papel-moeda em quantidade superior à autorizada. da insignificância. é punido com detenção. de três a doze anos. II. e sempre o perito fala: apesar da nota ser falsa é importante ressaltar que a falsificação era de boa qualidade e tinha como circular. o funcionário público ou diretor. o juiz não fica vinculado. Geralmente quando apreende alguém com moeda falsa tem que fazer exame pericial. moeda falsa ou alterada. de seis meses a dois anos. vende.Renato Brasileiro Penal Especial DOS CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA Moeda falsa (é o tipo do delito em que se você achar muito “espertinho” você pode cometer) Art. importa ou exporta. § 1o Nas mesmas penas incorre quem. por conta própria ou alheia. Como se dá a falsificação? Pode se dá de duas formas: I. 289. depois de conhecer a falsidade. Falsificar. de três a quinze anos. Assim. A falsificação deve ter capacidade para enganar. § 3o É punido com reclusão. não tem que se preocupar com o valor da nota e por isso não admite. por isso é melhor provar que a falsificação era grosseira. § 4o Nas mesmas penas incorre quem desvia e faz circular moeda. da insignificância? Para o STF e o STJ não é cabível a esse crime a aplicação do princípio da insignificância. empresta. guarda ou introduz na circulação moeda falsa. pois há enganação da verdade. tendo recebido de boa-fé. Cabe a aplicação do p. Página 74 de 76 . e multa. ainda que o valor da moeda seja vil. troca. Nesse caso. Pela fabricação – é a produção integral de papel moeda ou de moeda metálica (é mais raro) Pela alteração – submete ao processo de lavagem Se a alteração for pra menor? Mesmo no caso da menor existe potencialidade lesiva. gerente. adquire. fabricando-a ou alterando-a.

Ou seja. Sumula STJ 73 e 122 73. adquire. O agente que é preso passando a moeda em diante. não se aplicando a regra do art. aqui há conexão de crime federal e estadual irá para o tribunal do júri federal conforme a súmula STJ 122. empresta. A primeira diferença é que no §1° quando o agente recebe a nota falsa já tem consciência de sua falsidade. é punido com detenção. Página 75 de 76 . do Código de Processo Penal. a. ainda não tinha consciência de sua falsidade. guarda ou introduz na circulação moeda falsa. importa ou exporta. tanto a falsificação de dólar ou real configura o crime. Mas no caso da falsificação de dólares a competência também é da justiça federal porque o BACEN é responsável pela fiscalização de moeda estrangeira. § 2o Quem. cede. Falsificação de dólar é crime? A nota deve ser de curso legal no país ou no estrangeiro. a restitui à circulação. Se houver homicídio de um policial militar em que aborda um civil por estar com moeda falsa. o crime de estelionato. de seis meses a dois anos. A utilização de papel moeda grosseiramente configura o crime de estelionato. como verdadeira. depois de conhecer a falsidade. tendo recebido de boa-fé. 122. A utilização de papel-moeda grosseiramente falsificado configura. Qual é a diferença entre o §1° e o §2° do CP 289? § 1o Nas mesmas penas incorre quem. pois a União que emite moeda. Compete à Justiça Federal o processo e julgamento unificado dos crimes conexos de competência federal e estadual. troca. em tese. por conta própria ou alheia. No §2° quando o agente recebe a nota falsa. vende. da competência da Justiça Estadual. A segunda diferença é que a pena do §2° é da competência do juizado especial federal. geralmente tem várias moedas falsas na carteira. moeda falsa ou alterada. Assim prova a falsificação através da oitiva de testemunhas.Renato Brasileiro Penal Especial Como prova que a falsificação é grosseira? Geralmente ouvindo a pessoa que apreendeu a moeda falsa. 78. e multa. II. Qual a competência para o julgamento do crime? O CP 289 é da competência da justiça federal.

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