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TROCA DE PALAVRAS

5 POEMAS DE GREGORY CORSO

Traduzidos por J.T.Parreira

2011

ESCRITO NA V SPERA DO MEU 32 ANIVERS RIO Eu amo poesia, porque me faz amar e apresenta-me a vida E de todos os incndios que morrem em mim, h um que lavra como o sol; pode no ser toda a minha vida minha relao com as pessoas ou meu comportamento perante a sociedade, mas ela diz minha alma que tem uma sombra

UM VELHO DISSE AO VER EMILY DICKINSON Face infeliz plida riqueza impenetrvel como um belo rosto de mulher morta - olhou para mim. Suas mos longas enroladas em torno da garganta e o cabelo de seda preta pendurado como morcego dormindo; no era para mim que ela olhava. Quando sa ainda podia ver o seu olhar ...Mas nada estava ali; Isto , nada que eu pudesse ver.

A CASA ONDE NASCI REVISITADA Fico de p na luz escurecida da rua escura olho para a minha janela, nasci ali. H luzes acesas, por l outra gente move-se. De gabardina, acendo a boca num cigarro, um olho sob o chapu, a mo engatilhada. Atravesso a rua e entro no edifcio. As latas do lixo no escondem o mau cheiro. Subo ao primeiro andar; Orelhas Sujas dirige-me a navalha Eu apalpo-lhe todos os relgios furtados.

SUIC DIO NA GREENWICH VILLAGE Braos estendidos mos espalmadas contra o parapeito da janela ela olha para baixo pensa em Bartok, Van Gogh e nas caricaturas do New Yorker ela cai eles levam-na com um Daily News no seu rosto e um armazenista joga gua quente na calada CAMBRIDGE, PRIMEIRAS IMPRESS ES 5 Cansado de andar cansado de ver nada olho por uma janela pertencente a algum bastante amvel para me deixar olhar E de uma janela Cambridge no assim to m uma grande sensao saber que a partir de uma janela posso ir aos livros a um amor antigo e s latas de cerveja E de tudo reunir o sonho suficiente para me esgueirar pela porta das traseiras

2011 Tradues de J.T.Parreira