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Cálculo (A e B)

MIEEIC, MIECOM
2007/2008
Ana Jacinta Soares

Notas sobre a disciplina


Programa Resumido

1. Funções trigonométricas inversas.

2. Funções hiperbólicas directas e inversas

3. Primitivas.

4. Integral de Riemann. Aplicações.

5. Séries numéricas.

Principais Referências Bibliográficas

[1 ] T. Apostol, Cálculo, Vol. 1, Editora Réverté, 1991.

[2 ] Robert A. Adams,, A Complete Course: Calculus, Addison-Wesley, 1999.

[3 ] Jaime. C. Silva, Princı́pios de Análise Matemática Aplicada, McGraw Hill, 1994.

[4 ] J. Campos Ferreira, Introdução à Análise Matemática, Gulbenkian, 1999.

[5 ] H. L. Guidorizzi, Um Curso de Cálculo, Vol 1, Livros Técnicos e Cientı́ficos


Editora S. A., 1986.
Funções trigonométricas
directas e
inversas
A. Funções trigonométricas directas
As funções seno, cosseno, tangente e cotangente são contı́nuas e periódicas nos respecti-
vos domı́nios. Todas elas são funções não injectivas e, portanto, não possuem inversa.

Seno Cosseno
y = sen x, x ∈ R, CDsen = [−1, 1] y = cos x, x ∈ R, CDcos = [−1, 1]
y y

x x
-2 Π -Π Π 2Π -2 Π -Π Π 2Π

Tangente Cotangente
sen x nπ o cos x
y = tg x = , x ∈ R\ + kπ, k ∈ Z y = cotg x = , x ∈ R\{kπ, k ∈ Z}
cos x 2 sen x
CDtg = R CDcotg = R
y y

x x
-2 Π -Π Π 2Π 3Π Π Π 3Π
- €€€€€€€€ - €€€€ €€€€ €€€€€€€€
2 2 2 2

B. Funções trigonométricas inversas


Considerando restrições adequadas das funções trigonométricas, obtemos funções contı́-
nuas e bijectivas definidas em intervalos. A injectividade será conseguida excluindo
do domı́nio todos os pontos onde a função se repete. A sobrejectividade será obtida
eliminando do conjunto de chegada todos os pontos que a função não assume. As
inversas das restrições assim definidas serão também contı́nuas.

B.1 Arco-seno
Relativamente à função seno, convencionamos considerar a restrição bijectiva
h π πi
sen : − , −→ [−1, 1]
2 2 (1)
x 7−→ sen x .

A sua inversa, que se designa por arco-seno – lê-se arco (cujo) seno – é a a função
h π πi
arcsen : [−1, 1] −→ − ,
2 2 (2)
y 7 → arcsen y ,

1
h π πi
onde arcsen y indica o único arco do intervalo − , cujo seno é igual a y. Assim,
2 2
h π πi
x = arcsen y , y ∈ [−1, 1] ⇐⇒ y = sen x , x ∈ − , . (3)
2 2

Π
€€€€
2

-1 1 x

Π
- €€€€
2

 
y = arcsen x, x ∈ [−1, 1], CDarcsen = − π2 , π2

Pelo facto de as funções (1) e (2) serem inversas uma da outra, tem-se
h π πi
arcsen (sen x) = x, ∀x ∈ − , ,
2 2 (4)
sen (arcsen y) = y, ∀y ∈ [−1, 1].
 
No entanto, apesar de fazer sentido calcular arcsen (sen z), para z ∈ R\ − π2 , π2 , tem-se
h π πi
arcsen (sen z) 6= z , ∀z 6∈ − , , (5)
2 2
 
uma vez que CDarcsen = − π2 , π2 .

Exemplo 1
√ √ !
π 2 π 3 π
(a) arcsen 1 = , arcsen = , arcsen − =− .
2 2 4 2 3
π π π h π πi
De facto, , e − são os únicos arcos do intervalo − , onde o seno é, respecti-
2 4 3
√ √ 2 2
2 3
vamente, igual a 1 , e− .
2 2
(b) Tem-se, por exemplo, sen (3π) = 0 e sen (8π) = 0, mas arcsen 0 = 0.
h π πi
Porque 0 é o único arco do intervalo − , onde o seno é igual a 0 .
2 2

2
B.2 Arco-cosseno
Relativamente à função cosseno, convencionou-se considerar a restrição bijectiva
cos : [0, π] −→ [−1, 1]
(6)
x 7−→ cos x .
A sua inversa, que se designa por arco-cosseno – lê-se arco (cujo) cosseno – é a função
arccos : [−1, 1] −→ [0, π]
(7)
y 7−→ arccos ,
onde arccos y indica o único arco do intervalo [0, π] cujo cosseno é igual a y. Assim

x = arccos y , y ∈ [−1, 1] ⇐⇒ y = cos x , x ∈ [0, π] . (8)

-1 1 x

y = arccos x, x ∈ [−1, 1], CDarccos = [0, π]

Atendendo a que as funções (6) e (7) são inversas uma da outra, tem-se
arccos (cos x) = x , ∀x ∈ [0, π] ,
(9)
cos (arccos y) = y , ∀y ∈ [−1, 1] .
Por outro lado, uma vez que CDarccos = [0, π], tem-se

arccos (cos z) 6= z , ∀z 6∈ [0, π] . (10)

Exemplo 2
√ !
2 3π
(a) arccos 1 = 0 , arccos(−1) = π , arccos − = .
2 4
  √ !
25π 2 π
(b) arccos (cos 5π) = arccos(−1) = π , arccos cos = arccos = .
4 2 4

3
B.3 Arco-tangente
Relativamente à função tangente, consideramos a restrição bijectiva
i π πh
tg : − , −→ R
2 2 (11)
x 7−→ tg x .

A sua inversa, designada por arco-tangente – lê-se arco (cuja) tangente – é a função
i π πh
arctg : R −→ − ,
2 2 (12)
y 7−→ arctg y,
i π πh
onde arctg y indica o único arco do intervalo − , cuja tangente é igual a y.
2 2

y
Assim, Π
€€€€
2
x = arctg y, com y ∈ R x

Π
se e só se - €€€€
2
i π πh  
y = tg x , x ∈ − , . y = arctg x, x ∈ R, CDarccos = − π2 , π2
2 2

B.4 Arco-cotangente
Relativamente à função co-tangente, consideramos a restrição bijectiva

tg : ]0, π[ −→ R
(13)
x 7−→ cotg x,

cuja inversa é a função arco-cotangente – lê-se arco (cuja) cotangente – definida por

arccotg : R −→ ]0, π[
(14)
y 7−→ arccotg y,

onde arccotg y indica o único arco do intervalo ]0, π[ cuja cotangente é igual a y.

y
Então, Π

Π
x = arccotg y, com y ∈ R €€€€
2

x
se e só se

y = cotg x , x ∈ ]0, π[ .
y = arccotg x, x ∈ R, CDarccos = ]0, π[