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caderno aluno 1-3

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Sociologia - Ia série - Volume 3

Para começo de conversa
Caro aluno, No Volume passado, observamos que a Sociologia tem como objeto o estudo do homem nas suas relações e interações com outros homens. O homem é, portanto, um ser social, e para viver em sociedade passa pelos processos de socialização primária e secundária, pela incorporação de papéis e pela construção de sua identidade. Mas será então que é o viver em sociedade que nos diferencia dos outros animais? Certamente que não. O homem só existe como ser social, mas muitos animais também vivem em sociedade. Logo, não é viver em sociedade que torna o homem diferente dos outros animais. O que distingue o homem dos outros animais é o fato de que ele é o único ser que tem e produz cultura. Neste Volume, vamos discutir as seguintes questões: O que nos une como seres humanos? e O que nos diferencia? O que nos diferencia dos outros animais é o fato de que o homem é o único capaz de adquirir cultura. Mas o que é cultura? Quais são suas características? Qual é o papel do instinto na vida do homem? E o do meio geográfico? O homem é totalmente influenciado pelos seus genes? Enfim, essas são algumas das questões cujas respostas podem esclarecer o que nos une e o que nos diferencia como seres humanos.

SITUAÇAo DE APRENDIZAGEM 1 O CARÁTER CULTURALMENTE CONSTRUÍDO DA HUMANIDADE
O homem existe como ser social e, por isso, passa por um processo de socialização primária e secundária à medida que cresce. Dessa forma, ele se insere em um grupo e na sociedade.

Grupos de animais

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Sociologia -

li!

série - Volume 3

Nas fotos apresentadas, vemos que outros animais também vivem em grupo. As imagens não mostram, mas sabemos que cada um deles passou por um curto processo de socialização para poder viver com o grupo e que, portanto, não podem simplesmente agir conforme a sua vontade. Logo, os animais também vivem em sociedade, assim como nós. Mas os animais não são totalmente iguais a nós, apesar de muitos viverem em grupo e precisarem aprender a viver juntos.

Etapa 1 - Os homens e a natureza

o que todos nós temos em comum é a capacidade de nos diferenciarmos uns dos outros e de vivermos essa experiência, que é a de ser humano da forma mais variada possível, por meio da imersâo nas mais diferentes culturas. Logo, o que nos liga são as nossas diferenças; e elas são dadas pela cultura.
Toda cultura é uma construção histórica e social. Nossos hábitos, costumes, maneiras de agir, sentir, viver e até morrer são culturalmente estabelecidos. Dizer que eles são uma construção não é aleatório. Pois construção tem a ver com montagem, com algo que passa pela mão do homem, que não está pronto, ou seja, que não é dado pela natureza, mas sim que passa por algum processo até se transformar no que é. A cultura é uma construção histórica porque demorou muito para ser o que é. A cultura é uma construção porque varia de uma época para outra,

social porque

é partilhada

por um grupo.

Grupos humanos diferentes, portanto, têm culturas diferentes; isso significa dizer que quase nada no homem é natural. Se um comportamento é considerado natural para uma sociedade e não para outra, isso significa que ele não é natural, e sim, cultural. Não há ser humano que possa existir sem estar imerso numa determinada cultura. Somos todos seres culturais. Pode-se dizer que não há uma natureza humana igual para todos os seres humanos, para além da constatação de que todos temos a capacidade de ser diferentes entre nós. Se apenas um grupo ou alguns grupos consideram uma forma de agir, pensar e sentir como natural, você pode ter certeza de que não se trata de algo natural, e sim, cultural. Tudo o que é natural para uns e não para outros não é natural. Pois natural seria o que faz parte da natureza humana, ou seja, o que é compartilhado por todos os seres humanos.

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Sociologia - 1a série - Volume 3

Não é natural:

Vestir jeans e camisera.

Comer arroz e feijão.

Casar de branco.

Enterrar os mortos.

Em outras culturas:

o [eans e a camiseta não são roupas naturais para o ser humano. Na Índia, por exemplo, é comum as mulheres usarem o sári; já no Brasil, muitos povos indígenas andam nus.
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Sociologia - 1ª série - Volume 3

Comer arroz e feijão também não é algo natural. Existem grupos no deserto que se alimentam de gafanhotos, e o escargot (tipo de lesma) é uma iguaria na França.

Na nossa sociedade, a noiva veste-se de branco, mas em muitas sociedades a cor da roupa da noiva não é o branco.

Não são todos os povos que enterram seus mortos. Os indianos, por exemplo, costumam queimá-Ios Elaborado especialmente para o São Paulo faz escola.

Escreva o que cada uma das cores a seguir pode usualmente simbolizar no Brasil:

I I

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Sociologia - 1- sér-e - Volume

3

Nenhuma dessas associações é natural ao ser humano, pois, caso isso fosse realmente natural, todos os indivíduos, em todas as sociedades, fariam as mesmas associações. Se isso não ocorre, é porque quase nada é natural no ser humano, e o simbolismo das cores é um exemplo de como o que muitos consideram "natural", na verdade, é fruto de uma construção histórica, social e cultural. Responda, com base nos textos, nas explicações de seu professor e no debate em sala de aula. 1. É possível dizer que há uma natureza humana igual para todos? O que é natural no ser humano?

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2. Com relação aos seres humanos,
seres humanos?

o que os torna humanos?

O que une e o que diferencia os

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PESQUISA INDIVIDUAL
Pesquise e escreva exemplos de: a) roupas ou adereços usados por diferentes povos: _

Sociologia - 1~ serre - Volume 3

b) hábitos diferentes dos praticados pelos brasileiros:

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Etapa 2 - Etnocentrismo

e relativismo cultural

"[ ...] cada qual denomina
MONTAIGNE,

de bárbaro o costume que não pratica na própria terra."

Michel de. Les Essais, livre I. Chapitre XXX - Des cannibales. Tradução Stella Cristina Schrijnemaekers.

Essa frase é de Montaigne

(filósofo do século XVI).

A palavra "bárbaro" pode ter vários significados. I) "Nossa, olha só que roupa legal! Ela não é bárbara?" lI) "O que esse homem fez com os reféns foi um ato bárbaro e cruel!" 1. Complete com base na sua experiência pessoal: a) Em (1): a roupa é bárbara porque é
-------_._--_
.. _--_.

b) Em (Il): o que o homem fez é um ato bárbaro porque

Curiosidade! A palavra "bárbaro" é de origem latina. Os romanos a usavam para designar todos os povos que não eram romanos. Todos os que não fossem romanos eram chamados de bárbaros. Com o tempo, essa palavra adquiriu a conotação de alguém que age de forma errada, imprópria, quase não humana.

Sociologia - 1ª série - Volume .3

2. Com base nas aulas anteriores e na sua experiência pessoal, explique se o uso do termo "bárbaro", na frase de Montaigne, tem conotação negativa ou positiva e por que ele tem tal conotação.

Leitura e Análise de Texto

A frase de Montaigne etno centr ismo

trata do etnocentrismo:

= é uma palavra grega que significa povo;
= =

vem de centro; sufixo que designa prática de algo;

Etnocentrismo é a postura segundo a qual você avalia os outros povos a partir de sua própria cultura. Nesse sentido, rodos nós somos etnocêntricos. Uns mais e outros menos. O problema do etnocentrismo é que ele não nos permite compreender como os outros pensam, já que de antemão eu julgo os outros conforme os meus padrões, de acordo com os valores e ideias partilhados pela minha cultura. E isso é um problema quando se quer compreender o outro, quando se quer pensar sociologicamente. Logo, o etnocentrismo é uma postura que devemos evitar. Na Antropologia, há um recurso metodológico para isso e ele tem a ver com uma atitude mental que os pesquisadores adotam diante do que é diferente. O antropólogo deve tornar exótico o que é familiar e tornar familiar o que é exótico. Ou seja, é preciso assumir uma postura de distanciamento ou afastamento diante de seu modo de pensar, agir e sentir. Ela está ligada ao estranhamento que você já aprendeu. É tentar se colocar no lugar do outro e compreender como ele pensa. Isso é o relatiuismo cultural. Ter essa atitude não significa deixar de ser quem é, mas aceitar o outro na sua diferença, colocar-se no lugar do outro. A essa postura damos o nome de relativismo cultural.
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Sociologra

lª série

Volume 3

o relativismo cultural é a postura segundo a qual se procura relativizar sua maneira de agir, pensar e sentir, e assim colocar-se no lugar do outro. "Relativizar" significa que você estabelece uma espécie de afastamento, distanciamento ou estranhamento diante de seus valores, para conseguir compreender a lógica dos valores do outro.
Se quisermos realmente compreender o outro, devemos ter consciência disso e adotar, na medida do possível, o relativismo como uma postura metodológica que nos ajude a nos desvencilharmos do etnocentrismo. Essa atitude não é fácil, pois são poucas as pessoas dispostas a questionar ou ao menos deixar de lado sua maneira de agir, pensar e sentir. Uma das razões mais importantes para termos uma postura etnocêntrica medo. Medo do outro e, acima de tudo, medo de nós mesmos. Por que isso está ligado ao medo? Porque, quando nós dizemos que o outro é inferior, automaticamente nos colocamos em uma posição de superioridade. E, se somos superiores, somos os corretos, os melhores. Logo, não precisamos questionar nossa maneira de agir, pensar ou sentir. Pois, quando olhamos o outro e procuramos genuinamente cornpreendê-lo na sua diferença, muitas vezes não olhamos somente para esse outro. Olhamos também para nós mesmos. Ao aceitar o outro na sua diferença, muitas vezes somos levados a refletir sobre nós. Verificamos que existem outras possibilidades de existência, outras formas de ver e pensar o mundo e que a nossa é uma entre muitas. Não é a única possível e talvez nem a melhor. E por que não queremos fazer isso? Porque aceitar o outro na sua diferença leva muitas vezes a refletir sobre a própria existência, e as pessoas nem sempre estão preparadas ou simplesmente não querem rever ou repensar seu ponto de vista. Gostamos de achar que esse ponto de vista é o único possível, pois assim esquecemos que é somente uma possibilidade, uma entre outras. Com isso fugimos da responsabilidade de pensar sobre as escolhas que fazemos dizendo que "não temos escolha", que "o mundo deve ser assim", "sempre foi assim", que "não há o que mudar" e que o "diferente está sempre errado", "é sempre inferior".
Elaborado especialmente para o São Paulo faz escola.

está ligada ao

1. Com base na leitura do texto apresentado a) etnocentrismo:

e nas explicações de seu professor, defina: . .

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b) relativismo cultural:

_

2. Disserte sobre as dificuldades de lidar com o etnocentrismo

e de adotar uma postura relativista.

LIÇÃO DE CASA

Com base no que já foi discutido em sala de aula, faça uma redação sobre o medo. Sobre como ele pode atrapalhar a nossa vida.

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Leitura e Análise de Texto

Claude Lévi-Strauss é um dos mais importantes antropólogos do século xx. Ainda jovem, em 1934, veio ao Brasil e ajudou a fundar a Universidade de São Paulo (USP). Ele fez pesquisas em Mato Grosso com os indígenas Bororo e Kadiwéu, entre outros. Quatro anos depois, foi embora do nosso país e desenvolveu, posteriormente, uma das mais importantes correntes da Antropologia: o estruturalismo. Em 1952, a pedido da Unesco, ele escreveu um artigo chamado Raça e história, em que criticava a ideia de raça e o etnocentrismo entre os povos, além de outros pontos. Para falar sobre a ideia de que existiriam culturas que não se moveriam ou se transformariam e o etnocentrismo, ele deu o exemplo do viajante do trem: imaginem que cada cultura é um trem e nós somos os passageiros. Nós olhamos o mundo a partir do nosso trem. Mas os trens caminham em direções opostas, em diferentes velocidades. Um viajante verá de modo diverso um trem que vai em sentido contrário, um trem que ultrapassa o seu ou outro que caminha em uma outra direção. Qual é o trem que nós podemos olhar melhor? Aquele que caminha na mesma direção que o nosso e na mesma velocidade, ou seja, de forma paralela. Mas, se cada trem é uma cultura, sabemos que as culturas não caminham todas na mesma direção e nem na mesma velocidade. Umas caminham mais rápido, outras caminham em direções quase opostas. As culturas possuem formas diferentes de observar o mundo. Cada uma tem o seu caminho, a sua direção e a sua velocidade. Se uma nos parece parada,
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Sociologia - Ia série - Volume 3

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isso ocorre porque não conseguimos compreender o sentido do seu desenvolvimento.

É aquela que caminha paralela à nossa que nos permite a melhor observação e que nos fornece a autoidentificaçâo, Mas quem é que pode dizer qual é a melhor direção? O caminho mais avançado? Será que o que parece parado para nós está realmente parado? Como saber?
Na verdade, com isso ele quis dizer que é muito difícil para alguém de uma determinada cultura querer avaliar alguém de outra cultura. Pois, já que a minha cultura é como um trem, muitas vezes não consigo enxergar e compreender o que se passa nos outros trens (nas outras culturas). Isso ocorre porque culturas não têm todas elas as mesmas preocupações e nem os mesmos objetivos. É mais fácil entender a cultura que mais se parece com a nossa, ou seja, aquela que anda de forma paralela à nossa, partilhando os mesmos interesses e a mesma direção. Mas, como as culturas são diferentes, se muitas vezes não conseguimos compreender uma delas, não é porque ela está parada, ou errada, e sim porque a direção que ela toma muitas vezes não faz sentido segundo a nossa lógica de raciocínio. Lévi-Strauss diz, ainda, que as culturas se desenvolvem como anda o cavalo no jogo de xadrez. No jogo de xadrez, cada peça caminha de uma maneira: a torre em linha reta, o bispo na diagonal e o cavalo em L, ou seja, aos saltos. Logo, se as culturas andam em L ou aos saltos, elas não andam todas em linha reta, nem seguem todas a mesma direção. Cada uma segue um sentido e uma linha de raciocínio que lhe é própria. É equivocado considerar errada e pouco evoluída a cultura que segue uma direção diferente da nossa, como se todas devessem seguir a mesma direção, como se todas devessem andar da mesma forma. Cada cultura tem seus interesses próprios e, assim, um ritmo, uma velocidade e uma direção de desenvolvimento que são seus. Não andam, ou se desenvolvem, em linha reta. O que é mais importante? Para um pigmeu, I mais importante do que saber quem descobriu o Brasil, ou quais sãos os tipos de clima do mundo, é saber quais plantas são comestíveis e quais são venenosas, quais podem ser usadas como remédio e quais não podem. Para um brasileiro que almeja se tornar advogado, mais importante é adquirir os conhecimentos necessários para entrar na faculdade. Conhecer quais são as plantas venenosas numa floresta pode não lhe ser de muita utilidade. Logo, o que é importante saber varia de uma cultura para outra.
'Homem que pertence a uma etnia da África Central e que possui baixa estatura. Elaborado especialmente para o São Paulo faz escola.

Com base na leitura do texto apresentado e nas explicações de seu professor, responda o que você acha que Claude Lévi-Strauss quis dizer com: a) as culturas são como trens.

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b) as culturas se movem assim como anda o cavalo no jogo de xadrez.

VOCÊ APRENDEU?

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Escreva em uma folha avulsa um texto dissertativo e argumentativo que relacione a discussão de sala de aula com a Lição de Casa que você fez sobre o medo, ao etnocentrismo, ao relativismo e às metáforas usadas por Lévi-Strauss, como ver "as culturas como trens" e que "elas se movem assim como anda o cavalo no jogo do xadrez".

APRENDENDO A APRENDER
A postura do relativismo cultural é difícil de ser posta em prática, mas não é impossível. Uma forma interessante de treiná-Ia é procurar, durante um dia, colocar-se mentalmente no lugar de uma pessoa que você conhece, como um parente, amigo, alguém da escola, um vizinho. Para isso, procure se colocar no lugar dessa pessoa e raciocine como você acha que ela raciocinaria. Ao final do dia, você verá que esse exercício é muito interessante e que ele nos ajuda a adotar uma postura mais relativista.

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Livro •

PARA SABER MAIS

LÉVI-STRAUSS, Claude. Raça e história. In: Claude Léui-Strauss. São Paulo: Abril, 1980. (Os Pensadores). Apesar de não ser um texto simples, com o auxílio de um dicionário você pode ler "Raça e história", de Claude Lévi-Strauss, caso queira compreender melhor os argumentos do autor.

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série - Volume 3

SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 2 POR QUE SOMOS DIFERENTES?
Se quase nada é natural no ser humano, outra questão apresenta-se para nós: Por que somos

diferentes?
Esta Situação de Aprendizagem será mais um passo na tentativa de responder a tal questão. Na maioria das vezes, o senso comum acredita que o que diferencia um ser humano do outro é determinado pelo meio físico e/ou por fatores biológicos. Os que acreditam que a diferença ocorre por conta do meio físico são os adeptos do determinismo geográfico e os que dizem que é uma questão biológica são os adeptos do determinismo biológico. Ambas são posturas ou explicações a serem evitadas.

Etapa 1 - Por que somos diferentes?

, Leitura e Análise de Texto O determinismo geográfico pode ser definido como a postura segundo a qual se acredita que as diferenças de ambiente físico condicionam totalmente a diversidade cultural. Ou seja, segundo essa postura, os homens são diferentes, pois habitam áreas geográficas diferentes: umas mais frias, outras mais quentes, umas mais próximas ao mar, outras mais altas etc. Para os adeptos dessa postura, o meio físico condiciona totalmente o comportamento do homem. Assim, acreditam, por exemplo, que pessoas que moram em regiões quentes são mais preguiçosas, por conta do calor, entre outros preconceitos. A Antropologia mostrou que existem limites para a influência do ambiente físico em uma determinada cultura. Ou seja, o meio físico pode influenciar o homem e seus costumes, mas não os condiciona totalmente. Os hábitos, costumes e conteúdos simbólicos da vida de um povo podem sofrer influência do meio físico. Existem elementos em nossa cultura que são influenciados pelo meio, como a maior parte das nossas roupas. Elas são adaptadas ao nosso clima. Ou, ainda, o fato de nos alimentarmos de mandioca, que é uma raiz que constitui a base da alimentação em muitas regiões do Brasil. Em países de clima mais frio, é comum que as casas tenham sistema de aquecimento central para que as pessoas não sofram com as baixas temperaturas e se alimentem de vegetais que se desenvolvem em temperatura mais baixa do que aquela encontrada em nosso país.
Elaborado especialmente para o São Paulo faz escola.

Responda, com base na leitura do texto apresentado 1. O que é determinismo

e nas explicações de seu professor.

geográfico? Explique com suas palavras.

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2. Além dos exemplos contidos no texto, apresente outros de como o meio físico pode condicionar, em parte, a nossa cultura.

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Leitura e Análise de Texto Toda cultura age seletivamente em relação ao meio físico em que ela se desenvolve e, por isso, existem elementos culturais que, apesar de aceitos, não estão de acordo com o meio geográfico. Um exemplo notório é o uso do terno e da gravata em um país quente como é o Brasil na maioria dos meses do ano. Essa roupa é adequada aos países de clima temperado, mas totalmente inadequada, na maior parte do ano, ao clima do nosso país.

o uso do

terno

Mesmo assim, os homens, seja por razões de trabalho, seja porque têm de comparecer a um determinado evento social, muitas vezes usam terno e gravata. Por que eles fazem isso? Não é porque essa roupa seja adequada ao nosso clima, mas, sim, porque ela tem um significado cultural. Trata-se do exemplo de uma vestimenta mais formal. Ela proporciona certo status social para quem a veste, pois não é uma roupa barata.
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Se o meio físico influenciasse totalmente as culturas, como querem acreditar os adeptos do determinismo geográfico, os homens usariam roupas adequadas ao nosso clima. Essa mesma reflexão pode ser feita em relação aos hábitos de alimentação.
li

Alimentação

Existem animais que habitam o Brasil e outros países, como a China, o Camboja, a Tailândia, o Vietnâ e o México, por exemplo, mas isso não significa que eles sejam considerados passíveis de servir como alimento aqui e lá. É o caso, por exemplo, do rato. No Brasil, é praticamente impensável para uma pessoa se alimentar da carne de ratos. Já na China, no Camboja, no Vietnã e na Tailândia, esses animais são normalmente consumidos como alimento. Na Tailândia também é comum comer espetos de certas larvas na rua, assim como aqui se come churrasco. Há ainda o caso do México: é possível comer tacos (prato típico mexicano feito de farinha de milho, parecido com uma panqueca, com vários tipos de recheios e molhos) recheados com certo tipo de grilo comestível. Se o determinismo geográfico realmente existisse, nós nos alimentaríamos igualmente desses animais também existentes em nosso território.
Elaborado especialmente para o São Paulo foz escola.

Com base na leitura do texto apresentado, responda às seguintes questões: 1. Segundo o texto, de que maneira a cultura age em relação ao meio físico?

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2. Cite um exemplo do texto que mostre isso e explique por quê.

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3. Descreva um exemplo, que não seja tirado do texto, de como a cultura age de forma seletiva em relação ao meio físico.

Leitura e Análise de Texto Outra linha de pensamento que procura explicar o que diferencia um ser humano do outro é a do determinismo biológico, segundo a qual as diferenças genéticas determinam as diferenças culturais. Essa é a velha história de que "o homem é o que é, pois isso estaria no sangue", ou seja, todas as diferenças entre duas pessoas seriam estabelecidas por meio dos nossos genes. A partir desse tipo de raciocínio, cria-se uma série de estereótipos, tais como: os judeus e os árabes nascem para negociar; os alemães são bons de cálculo; os norte-americanos são todos empreendedores etc. E a justificativa é a de que isso estaria no seu sangue. Mas isso é um grande engano, por várias razões. A primeira razão é dada pelos avanços dos estudos genéticos que mostraram que os seres humanos são muito parecidos e muito diferentes entre si do ponto de vista genético. Em termos da porcentagem total de material genético, a variação genética entre dois seres humanos é inferior a 1%. Entretanto, se verificarmos em números, será possível observar que há milhões de diferenças no código genético entre dois indivíduos escolhidos ao acaso. Ou seja, apesar de sermos muito parecidos em termos relativos (uma diferença menor do que 1%), em termos absolutos, isto é, considerando o número de diferenças genéticas, somos muito diferentes (milhões de diferenças entre dois indivíduos). Em outras palavras, esses milhões de diferenças genéticas representam menos de 1% do total do código genético, não importando a origem geográfica ou étnica deles. No entanto, mais de 90% dessa variação ocorre entre indivíduos e menos de 10% ocorre entre grupos étnicos ("raças") diferentes. Em outras palavras, há apenas uma raça de Homo sapiens: a raça humana! Com base em tais informações, é possível dizer que cada um de nós é um ser humano único e tão diferente de outro ser humano que procurar juntar as pessoas para formar grupos distintos (como, por exemplo, "raças humanas") não faz sentido. Não existem diferenças suficientes entre os grupos humanos para permitir separar ou juntar os seres humanos em "raças". As diferenças visualizadas entre populações de diferentes continentes são muito pequenas e superficiais, não se refletindo no genoma (constituição genética total de uma pessoa).
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Sociologia - lª série - Volume 3

Mas, mesmo assim, há aquelas velhas questões: Se isso é verdade, então por que tantos portugueses são padeiros? Por que tantos descendentes de árabes são comerciantes? Isso não está mesmo no seu sangue?
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É claro que não. Acha isso quem ainda não viajou pelo mundo ou quem não leu sobre outros lugares do mundo. Afinal de contas, se isso fosse verdade, então Portugal seria um país de padeiros e em todos os lugares onde os portugueses fossem morar eles seriam padeiros. Isso acontece? Não.
Se aqui há muitos descendentes de portugueses que são padeiros, isso se deve ao fato de que essa foi uma profissão em que vários imigrantes se deram bem, e que eles a ensinaram a outros imigrantes, mas não porque estava no sangue deles ser padeiro. O pão é um alimento de consumo em todas as regiões do mundo, mas isso não quer dizer que só os portugueses façam pão, ou que o façam melhor do que outros povos. Há padeiros chineses, malaios, indianos, botsuanos, alemães, franceses, gregos, espanhóis, russos, chilenos, bolivianos, argentinos, holandeses, japoneses, australianos, moçambicanos etc. E não só portugueses. Há padeiros em todas as sociedades, em todas as culturas. E, se há portugueses em todos esses lugares citados, isso nâo significa que eles sejam padeiros. Em outras regiões do mundo, eles podem ter se especializado em outras profissões. Logo, é equivocado achar que profissões tenham uma determinação biológica e que exista o determinismo biológico.
Elaborado especialmente para o São Paulo

foz escola.

1. Com base na discussão feita em sala de aula, nas explicações de seu professor e na leitura do texto apresentado, responda: O que é o determinismo biológico e por que essa é uma postura que deve ser evitada?

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Sociologia - 1ª série - Volume 3

Exemplos de que o determinismo

biológico

é uma postura equivocada

Toda criança ao nascer é fruto da combinação de elementos genéticos do pai e da mãe. Isso é verdade, mas a sua maneira de agir, pensar e sentir não está relacionada com esse código genético. Na verdade, se transportarmos para a Bolívia um bebê inglês e o criarmos ali com outros pais, ele desenvolverá os hábitos, a maneira de falar e de raciocinar típicos do lugar. Não gostará de comer a comida que seus pais biológicos ingleses apreciam e nem pensará como um inglês, pois assumirá os hábitos e costumes da família boliviana que o criou. A carga genética vinda de seus pais não influenciará seu comportamento. Mesmo determinadas doenças, para as quais ele porventura tenha predisposição genética, poderão não se manifestar, impedidas possivelmente pelos hábitos alimentares e de vida adquiridos no novo país. Isso demonstra, mais uma vez, que o determinismo biológico é uma postura equivocada a ser evitada, pois a cultura pode interferir no plano biológico. Do ponto de vista biológico, em geral os homens são mais fortes do que as mulheres, mas em várias culturas é a mulher quem realiza o trabalho braçal e não o homem. A Antropologia tem mostrado que muitas atividades atribuídas aos homens em determinadas culturas são realizadas pelas mulheres em outras. Portanto, apesar de existirem diferenças biológicas entre homens e mulheres, a cultura pode interferir no plano biológico.

2. Retire do texto e explique um exemplo que mostre por que a postura do determinismo gico é equivocada.

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Outro exemplo de que determinismo biológico é uma postura equivocada é o do riso.

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Sociologia - Ia série - Volume 3

riso é uma propriedade do homem e dos primatas mais desenvolvidos. Mas o que é considerado risível varia de cultura para cultura: para os americanos, por exemplo, o engraçado é o gênero pastelão com tortas na cara; na Itália, é a piada picante, com duplo sentido. Ou seja, o riso é totalmente condicionado pelos padrões culturais, apesar de toda a sua fisiologia (LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. 23 ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2009. p. 50-51).

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3. Com base nas leituras e na explicação de seu professor, descreva um exemplo diferente dos apresentados para mostrar o problema do determinismo biológico.

LIÇÃO DE CASA

Até o que é engraçado varia de uma cultura para outra. O que é considerado engraçado no Brasil, pode não ser, e provavelmente não é, considerado engraçado em outros lugares. Escolha um programa humorístico da TV brasileira e traga para a sala de aula um comentário crítico discutindo o conceito de engraçado. Para isso, você precisa descrever os personagens e a situação criada para provocar o riso. Use uma folha avulsa de seu caderno para essa atividade.

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VOCÊ APRENDEU?

Explique o que você entendeu sobre o que é o determinismo geográfico e quais os problemas de cada uma dessas posturas.

biológico

e o determinismo

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Sociologia - [a série - Volume 3

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SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 3 COMO O HOMEM SE TORNOU HOMEM?

Apesar de podermos falar em uma cultura brasileira, francesa ou tailandesa, e de hábitos e costumes partilhados por um povo, deve-se ter em mente que isso é fruto de um longo processo histórico e que, portanto, altera-se com o passar do tempo, de acordo com as trocas culturais que são estabelecidas. Mas o que é cultura? Quais são as características de todas as culturas? Como elas nasceram? Até onde existe o instinto? Essas são algumas das questões que serão respondidas por esta Situação de Aprendizagem.

Leitura e Análise de Texto "O cidadão norte-americano desperta num leito construído segundo padrão originário do Oriente Próximo, mas modificado na Europa Setentrional, antes de ser transmitido à América. Sai debaixo de cobertas feitas de algodão, cuja planta se tornou doméstica na Índia; ou de linho ou de lã de carneiro, um e outro domesticados no Oriente Próximo; ou de seda, cujo emprego foi descoberto na China. Todos esses materiais foram fiados e tecidos por processos inventados no Oriente Próximo. Ao levantar da cama faz uso dos 'mocassins' que foram inventados pelos índios das florestas do Leste dos Estados Unidos e entra no quarto de banho cujos aparelhos são uma mistura de invenções europeias e norte-americanas, umas e outras recentes. Tira o pijama, que é vestuário inventado na Índia, e lava-se com sabão que foi inventado pelos antigos gauleses, faz a barba que é um rito masoquístico que parece provir dos sumerianos ou do antigo Egito. Voltando ao quarto, o cidadão toma as roupas que estão sobre uma cadeira do tipo europeu meridional e veste-se. As peças de seu vestuário têm a forma das vestes de pele originais dos nômades das estepes asiáticas; seus sapatos são feitos de peles curtidas por um processo inventado no antigo Egito e cortadas segundo um padrão proveniente das civilizações clássicas do Mediterrâneo; a tira de pano de cores vivas que amarra ao pescoço é sobrevivência dos xales usados aos ombros pelos croatas do século XVII. Antes de ir tomar o seu breakfast, ele olha a rua através da vidraça feita de vidro inventado no Egito; e, se estiver chovendo, calça galochas de borracha descoberta pelos índios da América Central e toma um guarda-chuva inventado no sudoeste da Ásia. Seu chapéu é feito de feltro, material inventado nas estepes asiáticas. De caminho para o breakfast, para para comprar um jornal, pagando-o com moedas, invenção da Líbia antiga. No restaurante, toda uma série de elementos tomados de empréstimo o espera. O prato é feito de uma espécie de cerâmica inventada na China. A faca é de aço, liga feita pela primeira vez na Índia do Sul; o garfo é inventado na Itália medieval; a colher vem de um original romano. Começa o seu breakfast, com uma laranja vinda do Mediterrâneo
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Oriental, melão da Pérsia, ou talvez uma fatia de melancia africana. Toma café, planta abissínia, com nata e açúcar. A domesticação do gado bovino e a ideia de aproveitar o seu leite são originárias do Oriente Próximo, ao passo que o açúcar foi feito pela primeira vez na Índia. Depois das frutas e do café vêm waffles, os quais são bolinhos fabricados segundo uma técnica escandinava, empregando como matéria-prima o trigo, que se tornou planta doméstica na Ásia Menor. Rega-se com xarope de maple inventado pelos índios das florestas do leste dos Estados Unidos. Como prato adicional talvez coma o ovo de alguma espécie de ave domesticada na lndochina ou delgadas fatias de carne de um animal domesticado na Ásia Oriental, salgada e defumada por um processo desenvolvido no norte da Europa. Acabando de comer, nosso amigo se recosta para fumar, hábito implantado pelos índios americanos e que consome uma planta originária do Brasil; fuma cachimbo, que procede dos índios da Virgínia, ou cigarro, proveniente do México. Se for fumante valente, pode ser que fume mesmo um charuto, transmitido à América do Norte pelas Antilhas, por intermédio da Espanha. Enquanto fuma, lê notícias do dia, impressas em caracteres inventados pelos antigos semitas, em material inventado na China e por um processo inventado na Alemanha. Ao inteirar-se das narrativas dos problemas estrangeiros, se for bom cidadão conservador, agradecerá a uma divindade hebraica, numa língua indo-europeia, o fato de ser cem por . cento amencano. "
LINTON, Ralph. O homem: uma introdução à antropologia. 12. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000. P: 313-314.

Em sua opinião, qual é a mensagem que o texto procura passar? Disserte a respeito.

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Sociologia - 1a série - Volume 3

Etapa 1 - A palavra cultura e a ideia de cultura
1. Escreva o que você acha que cultura pode significar.

Você sabia? Cultura é uma palavra que vem do latim, "cultura", e que significava cuidado com o campo, até o século XIII. Depois, ela passou a significar não mais um estado da coisa cultivada, mas a ação de cultivar a terra. Já no século XVIII, ela passou a designar o cuidado de trabalhar algo. Logo, cultura seria tudo aquilo que as pessoas cultivam (CUCHE, Dennys. A noção de cultura nas ciências sociais. 2. ed. Bauru: EDUSC, 2002). É por isso que se pode falar em uma cultura de fungos, ou cultivo de fungos. O significado do termo pode variar de uma língua para outra.

2. Com base na aula, explique alguns sentidos do termo cultura.

Cultura pode significar um conhecimento diferenciado. Cultura pode ser compreendida cultivo de algo. como o

Cultura pode ser entendida como as manifestações artísticas de nm povo. Cultura também pode ser entendida como os hábitos e costumes de um

3. O que o termo cultura significa para a Antropologia e a Sociologia?

Sociologi;

- P

SCfI

Volun-e 3

Leitura e Análise de Texto

o comportamento humano é regido por meio de símbolos, que são passados de geração para geração e que também se modificam. Não há ser humano cujo comportamento não seja regido por meio de símbolos.
Mas e os animais? Os animais não são também regidos por símbolos? Na natureza, o vermelho e o preto muitas vezes não são sinônimos de perigo? Os animais não transmitem mensagens para os outros animais? Não e sim. Os animais não são regidos por meio de símbolos, o que não quer dizer que não podem transmitir mensagens. Sim, eles podem transmitir mensagens. Mas essas mensagens são sempre as mesmas para a espécie, por isso são sinais. Já entre os homens as mensagens variam de grupo para grupo, pois são compostas por símbolos socialmente estabelecidos que variam de sociedade para sociedade. O comportamento dos animais é regido predominantemente por meio de sinais, enquanto o do homem é regido predominantemente por meio de símbolos. Isso ocorre porque os sinais são organicamente programados, geneticamente transmissíveis e intransformáveis.' O sinal é organicamente programado, pois faz parte da constituição biológica desses animais se comunicarem da forma como se comunicam. A maioria dos animais, mesmo quando tirados do seu meio, desenvolvem as características da espécie, ou seja, agem como um membro criado pelo grupo mesmo que tenham sido separados ao nascer. Já os nossos símbolos são socialmente programados. Um homem separado de seus pais ao nascer não agirá como eles, mas, sim, como membro do grupo que o criou. Daí decorre o fato de que o comportamento dos animais é geneticamente transmissível. Afinal, a maioria deles vai se comportar sempre da mesma forma, não interessa em qual grupo seja criado. Assim, todos os tigres sempre agirão e se comunicarão por meio dos mesmos sinais, o castor sempre construirá seus diques da mesma forma, assim como as abelhas sempre farão suas colmeias do mesmo jeito. Já o nosso comportamento é regido muito mais pela forma por meio da qual somos criados. O papel da educação e do aprendizado é fundamental para que um ser humano possa se desenvolver plenamente. Mas o que cada um deve aprender, como deve se comportar como membro de um grupo, varia de cultura para cultura. Por fim, é possível compreender a partir disso que os sinais entre os animais não são passíveis de transformação, pois são passados geneticamente de geração para geração. Ao passo que, entre os seres humanos, os símbolos são eminentemente transformáveis, ou seja, variam de cultura para cultura, de grupo para grupo.
I

Leia mais sobre o assunto em: RODRIGUES, José Carlos. Antropologia e comunicação: princípios radicais. Rio de Janeiro: PUC - Rio; São Paulo: Loyola, 2003. (Coleção Ciências Sociais, n. 5). Elaborado especialmente para o São Paulo

foz escola.

Sociologia - l~ série - Volume

')

Explique a diferença que o texto estabelece entre símbolo e sinal.

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Etapa 2 - O homem, o instinto e a cultura
1. Dê exemplos de animais e/ou vegetais que são considerados alimentos em alguns lugares e não

em outros.

2. Com base na discussão feita em sala e nas explicações de seu professor, explique se o homem tem instinto e qual é o papel do instinto na vida dele à medida que envelhece.

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Sociologia - Jü série - Volume 3

'"' 3. Preencha o quadro a seguir com a explicação de seu professor sobre o homem.

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~. ó o homem produz cultura. S

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I Só o homem acumula
í experiências
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e as transmite [de geração para geração, [formando uma herança cultural

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I. Só o homem renova e

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transforma seu compo rtamento,

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O homem é guiado m ais pela cultura do que p elos

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LIçAo DE CASA

Leia o texto a seguir e, com base nele e nas explicações do seu professor, escreva um texto explicando o papel do instinto na vida dos seres humanos e como nós muitas vezes o reprimimos.

Leitura e Análise de Texto
"Como falar em instinto de conservação quando lembramos as façanhas japoneses (pilotos suicidas) durante a Segunda Guerra Mundial? Se o instinto impossível aos arrojados pilotos guiarem os seus aviões de encontro às torres americanas. O mesmo é verdadeiro para os índios das planícies americanas,
27

dos camicases existisse, seria das belo naves que possuíam

Sociologia - 1ª série - Volume 3

algumas sociedades militares nas quais os seus membros juravam morrer em combate e assim assegurar um melhor lugar no outro mundo. Como falar em instinto materno, quando sabemos que o infanticídio é um fato muito comum entre diversos grupos humanos? Tomemos o exemplo das mulheres Tapirapé, tribo Tupi do Norte de Mato Grosso, que desconheciam quaisquer técnicas anticoncepcionais ou abortivas e eram obrigadas, por crenças religiosas, a matar todos os filhos após o terceiro. Tal atitude era considerada normal e não criava nenhum sentimento de culpa entre as praticantes do infanticídio. Como falar em instinto filial, quando sabemos que os esquimós conduziam os seus velhos pais para as planícies geladas para serem devorados pelos ursos? Assim fazendo, acreditavam que os pais seriam reincorporados na tribo quando o urso fosse abatido e devorado pela comunidade."
LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. 23. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2009. p. 50-51.

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PESQUISA EM GRUPO

Descreva dois exemplos de formas de agir que iriam contra os nossos instintos.

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Sociologia -

li!

série - Volume 3

Etapa 3 - O homem e a cultura
Muitos são os autores que discutiram o tema da evolução humana e os antropólogos estão de acordo com a ideia de que não houve um mesmo desenvolvimento unilinear (crença de que toda a humanidade passou, passa e passará por um mesmo processo linear de evolução, ou seja, pelas mesmas etapas). Há o consenso de que o que existe é uma evolução multilinear. Ou seja, de que as diferentes sociedades possuem um desenvolvimento próprio e não passam todas pelas mesmas etapas. Com base na aula, escreva a definição das características da cultura e dê ao menos um exemplo para cada definição.

Característica

I

Definição

I

"---"Exemplo

Simbólica

Social

Dinâmica e

estável

Seletiva

Determinante e determinada

Outras

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Sociologia - 1a série - Volume

3

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LIÇÃO DE CASA
daquele visto em sala de aula para cada característica da

Escreva um exemplo diferente cultura. a) Toda cultura é simbólica:
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b) Toda cultura é social:

.

.

c) Toda cultura é dinâmica e estável:
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d) Toda cultura é seletiva:

e) Toda cultura é determinante e determinada:

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Sociologia - 1d série - Volume 3

Você sabia? • • A cultura, mais do que a herança genética, determina o comportamento do homem.

O homem age de acordo com os seus padrões culturais, ou seja, ele é um ser parcialmente movido pelos instintos. No homem, o papel do instinto diminui conforme ele passa pelo processo de socialização. O homem depende muito mais do aprendizado do que do instinto. Como não só se adapta ao meio, mas também interage com ele, o homem é capaz de viver sob os mais diversos climas e situações. Assim ele conseguiu transformar quase toda a Terra em seu habitat. A cultura é um processo cumulativo resultante das sucessivas gerações, ou seja, a experiência vai sendo acumulada com o passar do tempo. Mas isso não quer dizer que a cultura não seja passível de mudança.

• •

VOCÊ APRENDEU?

1. Explique por que há diferença de comportamento
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entre os seres humanos e outros animais.

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2. Disserte sobre o papel do instinto na vida do homem. Por que, à medida que o homem envelhece, os instintos vão perdendo a importância?
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3. As culturas humanas são muito diferentes entre si. Entretanto, todas as culturas têm algumas características que as ligam. Explique duas características da cultura e dê um exemplo de cada característica.
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Site •

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PARA SABER MAIS

ASSOCIAçAO Nacional de Biossegurança. Disponível em: <http://www.anbio.org.br/ jornais/jornal5/pag6.htm>. Acesso em: 7 jan. 2010. No site é possível ter acesso a uma série de artigos e entrevistas, como a do professor Sérgio Danilo Pena sobre a inexistência de raças e o papel da genética em nossas vidas. Apropriado também para a discussão sobre determinismo biológico. 32

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