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Análise Motivo Cecília Meireles

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CENTRO DE ENSINO MÉDIO PASTOR DOHMS UNIDADE CAMAQUÃ

Análise sobre estrutura de poemas

Camaquã, 14 de agosto de 2011. Nome: Pierre Chagas M3A Professora: Suzete Santin Motivo Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta.

observemos o exemplo: Não sou alegre nem sou triste: sou poeta.Irmão das coisas fugidias. Percebemos também o uso de inúmeros predicativos do sujeito. Sei que canto. Cecília Meireles Ao começar ler o poema Motivo de Cecília Meireles já se percebe que o mesmo é todo em primeira pessoa. Tem sangue eterno a asa ritmada. se permaneço ou me desfaço. — não sei. não sinto gozo nem tormento. . Atravesso noites e dias no vento. que se refere à subjetividade do ‘’eu’’ lírico. Se desmorono ou se edifico. Não sei se fico ou passo. trata do ‘’eu’’ lírico. o mais íntimo do poeta e por fim a descrição de seus sentimentos. E a canção é tudo. E um dia sei que estarei mudo: — mais nada. não sei. que tem como referência a subjetividade.

quando a autora coloca as palavras ‘’não’’ e ‘’nem’’. E a canção é tudo. pois elas passam como o vento. a fugacidade dos bens materiais e do tempo.Cecília Meireles tem como temas mais constante em suas obras: a precariedade da existência humana e da vida. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta. Visível nos versos destacados: Irmão das coisas fugidias. Seus versos também são cheios de musicalidade. e a criação de seu poema. não sinto gozo nem tormento. Atravesso noites e dias no vento. jamais toca o desespero. O terceiro verso desta mesma estrofe há um conflito de sentimentos. a vida como sonho. a falta. . observemos os itens marcados que marcam essa antítese: Não sou alegre nem sou triste: sou poeta. mas nunca esquecendo da imparcialidade. Entretanto. a distância. /e/ e as vogais fechadas /u/ e /i/. Seu tom melancólico é sereno. apesar de sua existência ser imparcial. a perda. Na primeira estrofe. a falta de sentido da vida. como exemplo: Sei que canto. o ‘’eu’’ lírico dá uma idéia de indiferença. Atravesso noites e dias no vento. a solidão a que o indivíduo está condenado. o ‘’eu’’ lírico dá importância ao tempo presente. não sinto gozo nem tormento. declarando todos seus sentimentos. para que não nos prendamos a elas. Tem sangue eterno a asa ritmada. O quarto verso deste quarteto traz como afirmação o contentamento do ‘’eu’’ lírico ser poeta. Verifiquemos pelos versos destacados: Irmão das coisas fugidias. observe o exemplo: Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. mas nunca esquecendo a melancolia que persiste com as consoantes semi-abertas /o/. O que mais chama atenção na segunda estrofe é o real valor que damos para as coisas passageiras.

o poema de Cecília Meireles é todo baseado em antíteses. como cita o poeta. Se desmorono ou se edifico. que inicia na primeira estrofe. que muitos consideram desnecessária. assim como o vôo ritmado das asas dos pássaros. conforme o verso destacado: Irmão das coisas fugidias. — não sei. apenas quer ser livre. pois o poeta continua cantando e dizendo que o poema é tudo. fazendo com que assim percebamos que representa a fugacidade de nossas vidas e como deixamos o tempo nos levar. Não sei se fico ou passo. e então podemos pensar que enquanto vivemos. A terceira estrofe nos remete a um verdadeiro conflito. Enfim. o ‘’eu’’ lírico assume um papel de dúvida e não sabe qual decisão tomar: a de parar ou a de continuar. Eis que surge a dúvida com relação a sua existência. se desfaz. Na quarta estrofe o ‘’eu’’ lírico vêem reafirmando a importância dada ao presente. . agir livremente. Tem sangue eterno a asa ritmada. que pode se observar no segundo e quarto versos. Sei que canto. E a canção é tudo. que se percebe com o uso repetitivo da expressão ‘’Não sei’’. não sinto gozo nem tormento. pois a transição de uma vida fica em questão.Devemos então. edificamos algo na terra – com ordem espiritual ou material. assim como a canção. Atravesso noites e dias no vento. mas que quando ‘’passamos’’ tudo acaba. ao tempo de ‘’agora’’. porque são eternizados com o passar do tempo. como o espírito. ficaremos mudos e não seremos mais nada. As formas ‘’fico’’ (terceiro verso) e ‘’edifico’’ (primeiro verso) estão rimando. Surge também uma antítese entre as formas verbais ‘’fico’’ (terceiro verso) e ‘’passo’’ (quarto verso). enquanto que ele e nós somos finitos. sem dar o real valor com que pequenas coisas passam por nós. E um dia sei que estarei mudo: — mais nada. será é eterna. não sei. Que logo não sente nada. se permaneço ou me desfaço. A música.

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