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Introdução a Ciência do Ambiente - Solo

Introdução a Ciência do Ambiente - Solo

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Publicado porHenrique Fernandes
Habitamos a superfície da Terra e dependemos, para viver, dos materiais disponíveis nela. Estes, em sua maior parte, são produtos das transformações que a crosta terrestre sofre na interação com a atmosfera, a hidrosfera e a biosfera, ou seja, são produtos do Intemperismo. O solo, como um exemplo dos produtos desse Intemperismo, constitui a base de importantes atividades humanas, como a agricultura. A exploração sustentável desse recurso depende do conhecimento de sua natureza, da compreensão de sua gênese e de sua relação com o ser humano; assuntos estes que são o objetivo principal desse trabalho.
Habitamos a superfície da Terra e dependemos, para viver, dos materiais disponíveis nela. Estes, em sua maior parte, são produtos das transformações que a crosta terrestre sofre na interação com a atmosfera, a hidrosfera e a biosfera, ou seja, são produtos do Intemperismo. O solo, como um exemplo dos produtos desse Intemperismo, constitui a base de importantes atividades humanas, como a agricultura. A exploração sustentável desse recurso depende do conhecimento de sua natureza, da compreensão de sua gênese e de sua relação com o ser humano; assuntos estes que são o objetivo principal desse trabalho.

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Published by: Henrique Fernandes on Sep 13, 2011
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2.1.1- Clima

O clima é o fator que isoladamente, mais influencia no intemperismo. Mais do que

qualquer outro fator, determina o tipo e a velocidade do intemperismo numa dada região.

Os dois mais importantes parâmetros climáticos, precipitação e temperatura, regulam a

natureza e a velocidade das reações químicas. Assim, a quantidade de água disponível nos

perfis de alteração, fornecida pelas chuvas, bem como a temperatura, agem no sentido de

acelerar ou retardar as reações do intemperismo, ou ainda modificara natureza dos produtos

neoformados, segundo a possibilidade de eliminação de componentes potencialmente

solúveis.

A temperatura desempenha um papel duplo, condicionando a ação da água: ao

mesmo tempo em que acelera as reações químicas, aumenta a evaporação, diminuindo a

quantidade de água disponível para a lixiviação dos produtos solúveis. A cada 10° C de

aumento na temperatura, a velocidade das reações químicas aumenta de duas a três vezes.

2.1.2- Topografia

A topografia regula a velocidade do escoamento superficial das águas pluviais (que

também depende da cobertura vegetal) e, portanto, controla a quantidade de água que se

infiltra nos perfis, de cuja eficiência depende a eliminação dos componentes solúveis. As

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reações químicas do intemperismo ocorrem mais intensamente nos compartimentos do

relevo onde é possível boa infiltração da água, percolação por tempo suficiente para a

consumação das reações e drenagem para lixiviação dos produtos solúveis.

2.1.3- Tempo

O tempo necessário para intemperizar uma determinada rocha depende,

principalmente da susceptibilidade dos constituintes minerais e do clima. Em condições de

intemperismo pouco agressivas, é necessário um tempo mais longo de exposição às

intempéries para haver o desenvolvimento de um perfil de alteração.

2.2- A FORMAÇÃO DO SOLO E SUA COMPOSIÇÃO

Na porção mais superficial do perfil de alteração, o saprólito, sob a ação dos fatores

que controlam a alteração intempérica, sofre profundas e importantes modificações,

caracterizadas por: (i) perda de matéria provocada pela lixiviação tanto física (em

partículas) como química (em solução), (ii) adição de matéria, proveniente de fontes

externas, incluindo matéria orgânica de origem animal ou vegetal, poeiras minerais vindas

da atmosfera e sais minerais trazidos por fluxo ascendente de soluções, (iii) translocação de

matéria, isto é, remobilização através dos fluxos de soluções no interior do perfil

(movimentos verticais e laterais) ou pela ação da fauna e (iv) transformação de matéria, em

contato com os produtos da decomposição da matéria vegetal e animal.

Há muita variação de terreno a terreno dos elementos do solo, mas basicamente

existem quatro camadas principais:

A primeira camada é rica em húmus, detritos de origem orgânica. Essa

camada é chamada de camada fértil. Ela é a melhor para o plantio, e é nessa

camada que as plantas encontram alguns sais minerais e água para se

desenvolver.

A outra camada é a camada dos sais minerais. Ela é dividida em três partes:

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o A primeira parte é a do calcário. Corresponde á 7 a 10% dessa
camada.

o A segunda parte é a da argila, formada geralmente por caulinita,
caulim e sedimentos de feldspato. Corresponde a 20 a 30% dessa

camada.

o A última parte é a da areia. Esta camada é muito permeável e existem
espaços entre as partículas da areia, permitindo que entre ar e água

com mais facilidade. Esta parte corresponde a 60 a 70% da camada.

A terceira camada é a das rochas parcialmente decompostas. Depois de se

decomporem totalmente, pela ação da erosão e agentes geológicos, essas

rochas podem virar sedimentos.

A quarta camada é a de rochas que estão inicialmente começando a se

decompor. Essas rochas podem ser chamadas de rocha matriz.

3- CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS

Os solos encontrados na superfície da terra apresentam grande diversidade em

função das diferentes combinações de seus fatores de formação. Para a realização da

cartografia dos solos, etapa essencial e necessária para sua correta utilização nos diferentes

domínios de aplicação, é de fundamental importância sua classificação.

Classificar um solo, entretanto, não é uma tarefa fácil, pois eles formam um meio

contínuo ao longo do relevo, sendo que a passagem lateral de um tipo ao outro se faz de

forma gradual, o que dificulta em muito a colocação de um limite entre os vários tipos.

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A classificação dos solos pode ser feita segundo diferentes critérios. A ênfase na

utilização de critérios genéticos, morfológicos, e morfogenéticos varia de país para país o

que da origem a diferentes classificações pedológicas. São bastante conhecidas a

classificação francesa, largamente utilizada para cartografar os solos tropicais da África, a

classificação adotada pela FAO (Food and Agricultural Organization) na sistematização da

carta mundial de solos, e a classificação portuguesa, também largamente utilizada na

África. Entretanto, sem duvida, a classificação mais difundida é a “Soil Taxonomy”,

desenvolvida nos EUA, q considera 12 ordens de solos, subdivididos em sub-ordens,

grandes grupos, grupos, famílias e series.

3.1 - CLASSIFICAÇÃO NORTE-AMEICANA

1. Alfissolo: Solo de florestas decíduas, de cor marrom, relativamente fértil,

rico em alumínio e ferro;

2. Aridissolo: Solo de regiões secas,de cor pálida, arenoso, com pouca matéria

orgânica;

3. Entissolo: Solo jovem de regiões secas ou frias, com cores pálidas e matéria

orgânica;

4. Histossolo: Turfa orgânica muito jovem, de cor escura e frequentemente

ácida;

5. Inseptissolo: Solo jovem de regiões árticas e montanhosas, formado por

material fracamente intemperizado;

6. Molissolo: Solo escuro e macio, formado sob gramíneas, com alto conteúdo

em matéria orgânica;

7. Oxissolo: Solo de regiões tropicais úmidas, altamente intemperizado, ácido

e pouco fértil (equivalente ao latossolo);

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8. Espodossolo: Solo jovem, ácido, das florestas de coníferas,coberto por uma

camada pálida acinzentada;

9. Ultissolo: Solo velho, pobre em nutrientes, de regiões montanhosas e outras

áreas altamente intemperizadas;

10. Vertissolo: Solo de idade intermediária com argilas expansivas.

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