UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ INSTITUTO DE TECNOLOGIA FACULDADE DE ENGENHARIA QUÍMICA

Disciplina: Introdução a Ciência do Ambiente Prof.: Sueli de Lima Pereira Alunos: Bruna da Conceição Ferreira da Costa Carolina Almeida de Lima Dayriane do Socorro Oliveira da Costa Henrique Fernandes Figueira Brasil Josiel Lobato Ferreira Marcus Vinícius Costa Silva Pedro Wiulenos Tchalen Silva Torres Rômulo Arthur Mathews da Silva Thiago Capibaribe Bechara 09025002201 09025002001 09025001801 09025000801 09025001601 09025000401 09025003201 09025000301 09025002501

Belém, 03 de junho de 2009

SUMÁRIO Introdução --------------------------------------------------------------------------------------1- Definição ------------------------------------------------------------------------------------1.1- Horizontes -----------------------------------------------------------------------2- Intemperismo e formação do solo -------------------------------------------------------2.1- Fatores que controlam o intemperismo --------------------------------------2.2- A formação do solo e sua composição ---------------------------------------3- Classificação dos solos --------------------------------------------------------------------3.1- Classificação norte-americana ------------------------------------------------3.2- Classificação de solos utilizados pela Embrapa ----------------------------4- A importância do solo e de sua preservação -------------------------------------------5- Problemas do solo --------------------------------------------------------------------------5.1- Erosão ----------------------------------------------------------------------------5.2- Causas do depauperamento do solo ------------------------------------------5.3- Empobrecimento químico e lixiviação como causas da erosão ----------5.4- Erosão hídrica -------------------------------------------------------------------6- Uso de fertilizantes e defensivos agrícolas ---------------------------------------------6.1- Fertilizantes ou adubos ---------------------------------------------------------6.2 – Defensivos agrícolas ----------------------------------------------------------7- Alternativas para amenizar os impactos sobre o solo ---------------------------------7.1- Práticas vegetativas -------------------------------------------------------------7.2- Práticas edáficas ----------------------------------------------------------------7.3- Práticas mecânicas --------------------------------------------------------------7.4- Terraceamento ------------------------------------------------------------------7.5- A erosão positiva ---------------------------------------------------------------8- Solos brasileiros ----------------------------------------------------------------------------9- Legislação -----------------------------------------------------------------------------------Conclusão --------------------------------------------------------------------------------------Referências bibliográficas --------------------------------------------------------------------3 4 5 7 8 9 10 11 12 15 16 17 18 19 20 26 26 31 34 35 35 36 36 38 38 43 47 48

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INTRODUÇÃO Habitamos a superfície da Terra e dependemos, para viver, dos materiais disponíveis nela. Estes, em sua maior parte, são produtos das transformações que a crosta terrestre sofre na interação com a atmosfera, a hidrosfera e a biosfera, ou seja, são produtos do Intemperismo. O solo, como um exemplo dos produtos desse Intemperismo, constitui a base de importantes atividades humanas, como a agricultura. A exploração sustentável desse recurso depende do conhecimento de sua natureza, da compreensão de sua gênese e de sua relação com o ser humano; assuntos estes que são o objetivo principal desse trabalho.

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SOLO 1- DEFINIÇÃO

Não é fácil definir o solo, pelo fato de ser um material complexo, cujo conceito varia em função de sua utilização. Assim, para o agrônomo ou agricultor, o solo é o meio necessário para o desenvolvimento de plantas, enquanto para o engenheiro é o material que serve para base ou fundação de obras civis; para o geólogo, o solo é visto como produto de alteração de rochas na superfície, enquanto para o arqueólogo é o material fundamental para as suas pesquisas, por servir de registro das civilizações passadas. Desta forma, cada uma das especialidades possui uma definição que atende seus objetivos. Entretanto, de acordo com as Ciências da Terra, a Pedologia, a partir de 1877, o solo deixou de ser considerado um corpo inerte, composto pela rocha parental (rocha que deu origem) e passou a ser, como definido pelo cientista russo Dokouchaev, um produto do intemperismo, do remanejo e da organização das camadas superiores da crosta terrestre, sob a ação da atmosfera, da hidrosfera, da biosfera, da topografia e das trocas de energia envolvidas, que são fatores ativos do ciclo supérgeno. Uma definição simples que atende aos propósitos da Pedologia. Os produtos friáveis e móveis formados na superfície da Terra como resultado da desagregação e decomposição das rochas pela ação do inteperismo podem não ser imediatamente erodidos e transportados pelos agentes da dinâmica externa para bacias de de sedimentação continentais ou marinhas. Quando formado em regiões planas ou de relevo suave ou, ainda, quando estão protegidos por uma cobertura vegetal, sofrem pouco a ação da erosão, sobretudo a erosão física ou mecânica. Para um saprólito tornar-se um solo, é preciso, em primeiro lugar, que a alimentação mineral dos organismos vivos autótrofos e, em particular, dos vegetais superiores, esteja assegurada. A vida necessita de água e de elementos químicos, que são encontrados no ar ou dissolvidos na água, e que tem como fonte primária as rochas e, secundariamente, os tecidos orgânicos pré-existentes. Nas rochas, esses elementos estão disponíveis para os organismos em concentrações muito baixas e, nas soluções, em concentrações demasiadamente elevadas, para assegurar uma alimentação contínua e suficiente para os organismos vivos. Neste particular, o solo desempenha um papel fundamental por se tratar

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de um meio intermediário entre o sólido (as rochas) e o líquido (a água). No solo, essa função vital para os organismos vivos é desempenhada por uma fração organomineral denominada plasma argilo-húmico, por ser constituída pela íntima associação de argilominerais e húmus. A associação deste plasma argilo-húmico com minerais residuais, herdados da rocha parental como, por exemplo, o quartzo, fornece a organização estrutural e textural do solo. Em função das condições ambientais, que envolvem rocha parental, clima, organismos vivos (incluindo o ser humano), relevo e tempo, os solos podem apresentar características e propriedades físicas, químicas e físico-químicas diferenciadas. Assim os solos podem ser arenosos ou argilosos, vermelhos, amarelos ou cinza esbranquiçados, podem ser pobres ou ricos em matéria orgânica, espessos ou rasos, podem apresentar-se

homogêneos ou nitidamente diferenciados em horizontes. 1.1- HORIZONTES O- horizonte onde predomina restos de matéria orgânica em processo de decomposição. A- horizonte escuro com acúmulo de material orgânico em estado avançado de alteração (material húmico, húmus) intimamente misturado com a fração mineral,

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onde se processa uma alta atividade biológica. É o horizonte mais afetado pelas atividades agrícolas E- horizonte mais claro que se caracteriza pela perda de partículas argilosas, matéria orgânica, sais de ferro e alumínio, sendo enriquecido em partículas arenosas e siltosas de quartzo e outros minerais resistentes. É um horizonte marcado pela eluviação B- horizonte, no qual não se pode reconhecer vestígios das estruturas da rocha mãe e mostra uma ou mais das seguintes feições: o Concentração iluvial de material argiloso, ferro, alumínio, húmus, carbonatos, sulfatos ou sílica, o Evidência de remoção de carbonatos; o Concentração residual de sesquióxidos; o Precipitação de sesquióxidos sobre as partículas minerais,

escurecendo-as o Formação de argilas ou óxidos responsáveis pela produção das estruturas do solo: granular, em bloco, prismática, laminar.

C:- Horizonte pouco atingido pelos processos pedogênicos, onde se pode encontrar muitas das características e estruturas da rocha mãe. Também conhecido como saprólito.

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2- INTEMPERISMO E FORMAÇÃO DO SOLO O intemperismo é o conjunto de modificações de ordem física (desagregação) e química (decomposição) que as rochas sofrem ao aflorar na superfície da terra. Os produtos do intemperismo, rocha alterada e solo, estão sujeitos aos outros processos do ciclo supérgeno - erosão, transporte, sedimentação - os quais acabam levando à denudação continental, com o conseqüente aplainamento do relevo.

A pedogênese (formação do solo) ocorre quando as modificações causadas nas rochas pelo intemperismo, além de serem químicas e mineralógicas, tornam-se, sobretudo estruturais, com importante reorganização e transferência dos minerais formadores do solo – principalmente argilo-minerais e oxi-hidróxidos de ferro e de alumínio – entre os níveis superiores de manto de alteração. Aí desempenham papel fundamental a fauna e a flora do solo que ao realizarem suas funções vitais, modificam e movimentam enormes quantidades de material, mantendo o solo aerado e renovado em sua parte mais superficial.

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2.1- FATORES QUE CONTROLAM O INTEMPERISMO 2.1.1- Clima O clima é o fator que isoladamente, mais influencia no intemperismo. Mais do que qualquer outro fator, determina o tipo e a velocidade do intemperismo numa dada região. Os dois mais importantes parâmetros climáticos, precipitação e temperatura, regulam a natureza e a velocidade das reações químicas. Assim, a quantidade de água disponível nos perfis de alteração, fornecida pelas chuvas, bem como a temperatura, agem no sentido de acelerar ou retardar as reações do intemperismo, ou ainda modificara natureza dos produtos neoformados, segundo a possibilidade de eliminação de componentes potencialmente solúveis. A temperatura desempenha um papel duplo, condicionando a ação da água: ao mesmo tempo em que acelera as reações químicas, aumenta a evaporação, diminuindo a quantidade de água disponível para a lixiviação dos produtos solúveis. A cada 10° C de aumento na temperatura, a velocidade das reações químicas aumenta de duas a três vezes. 2.1.2- Topografia A topografia regula a velocidade do escoamento superficial das águas pluviais (que também depende da cobertura vegetal) e, portanto, controla a quantidade de água que se infiltra nos perfis, de cuja eficiência depende a eliminação dos componentes solúveis. As

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reações químicas do intemperismo ocorrem mais intensamente nos compartimentos do relevo onde é possível boa infiltração da água, percolação por tempo suficiente para a consumação das reações e drenagem para lixiviação dos produtos solúveis. 2.1.3- Tempo O tempo necessário para intemperizar uma determinada rocha depende, principalmente da susceptibilidade dos constituintes minerais e do clima. Em condições de intemperismo pouco agressivas, é necessário um tempo mais longo de exposição às intempéries para haver o desenvolvimento de um perfil de alteração. 2.2- A FORMAÇÃO DO SOLO E SUA COMPOSIÇÃO Na porção mais superficial do perfil de alteração, o saprólito, sob a ação dos fatores que controlam a alteração intempérica, sofre profundas e importantes modificações, caracterizadas por: (i) perda de matéria provocada pela lixiviação tanto física (em partículas) como química (em solução), (ii) adição de matéria, proveniente de fontes externas, incluindo matéria orgânica de origem animal ou vegetal, poeiras minerais vindas da atmosfera e sais minerais trazidos por fluxo ascendente de soluções, (iii) translocação de matéria, isto é, remobilização através dos fluxos de soluções no interior do perfil (movimentos verticais e laterais) ou pela ação da fauna e (iv) transformação de matéria, em contato com os produtos da decomposição da matéria vegetal e animal. Há muita variação de terreno a terreno dos elementos do solo, mas basicamente existem quatro camadas principais: A primeira camada é rica em húmus, detritos de origem orgânica. Essa camada é chamada de camada fértil. Ela é a melhor para o plantio, e é nessa camada que as plantas encontram alguns sais minerais e água para se desenvolver. A outra camada é a camada dos sais minerais. Ela é dividida em três partes:

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o A primeira parte é a do calcário. Corresponde á 7 a 10% dessa camada. o A segunda parte é a da argila, formada geralmente por caulinita, caulim e sedimentos de feldspato. Corresponde a 20 a 30% dessa camada. o A última parte é a da areia. Esta camada é muito permeável e existem espaços entre as partículas da areia, permitindo que entre ar e água com mais facilidade. Esta parte corresponde a 60 a 70% da camada. A terceira camada é a das rochas parcialmente decompostas. Depois de se decomporem totalmente, pela ação da erosão e agentes geológicos, essas rochas podem virar sedimentos. A quarta camada é a de rochas que estão inicialmente começando a se decompor. Essas rochas podem ser chamadas de rocha matriz.

3- CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS Os solos encontrados na superfície da terra apresentam grande diversidade em função das diferentes combinações de seus fatores de formação. Para a realização da cartografia dos solos, etapa essencial e necessária para sua correta utilização nos diferentes domínios de aplicação, é de fundamental importância sua classificação. Classificar um solo, entretanto, não é uma tarefa fácil, pois eles formam um meio contínuo ao longo do relevo, sendo que a passagem lateral de um tipo ao outro se faz de forma gradual, o que dificulta em muito a colocação de um limite entre os vários tipos.

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A classificação dos solos pode ser feita segundo diferentes critérios. A ênfase na utilização de critérios genéticos, morfológicos, e morfogenéticos varia de país para país o que da origem a diferentes classificações pedológicas. São bastante conhecidas a classificação francesa, largamente utilizada para cartografar os solos tropicais da África, a classificação adotada pela FAO (Food and Agricultural Organization) na sistematização da carta mundial de solos, e a classificação portuguesa, também largamente utilizada na África. Entretanto, sem duvida, a classificação mais difundida é a “Soil Taxonomy”, desenvolvida nos EUA, q considera 12 ordens de solos, subdivididos em sub-ordens, grandes grupos, grupos, famílias e series. 3.1 - CLASSIFICAÇÃO NORTE-AMEICANA 1. Alfissolo: Solo de florestas decíduas, de cor marrom, relativamente fértil, rico em alumínio e ferro; 2. Aridissolo: Solo de regiões secas,de cor pálida, arenoso, com pouca matéria orgânica; 3. Entissolo: Solo jovem de regiões secas ou frias, com cores pálidas e matéria orgânica; 4. Histossolo: Turfa orgânica muito jovem, de cor escura e frequentemente ácida; 5. Inseptissolo: Solo jovem de regiões árticas e montanhosas, formado por material fracamente intemperizado; 6. Molissolo: Solo escuro e macio, formado sob gramíneas, com alto conteúdo em matéria orgânica; 7. Oxissolo: Solo de regiões tropicais úmidas, altamente intemperizado, ácido e pouco fértil (equivalente ao latossolo);

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8. Espodossolo: Solo jovem, ácido, das florestas de coníferas,coberto por uma camada pálida acinzentada; 9. Ultissolo: Solo velho, pobre em nutrientes, de regiões montanhosas e outras áreas altamente intemperizadas; 10. Vertissolo: Solo de idade intermediária com argilas expansivas.

3.2 - CLASSIFICAÇÃO DE SOLOS UTILIZADOS PELA EMBRAPA 1. Neossolo: Solo pouco evoluído, com ausência de horizonte B. Predominam as características herdadas do material original; 2. Vertissolo: Solo com desenvolvimento restrito, apresenta expansão e contração pela presença de argilas 2:1 expansivas; 3. Cambissolo: Solo pouco desenvolvido, com horizonte B incipiente;

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4. Chernossolo: Solo com desenvolvimento médio, atuação de processos de bissialitização, podendo ou não apresentar acumulação de carbonato de cálcio; 5. Luvissolo: Solo com horizonte B de acumulação (B textural), formado por argila de atividade alta (bissiatilizaçao) ; horizonte superior lixiviado; 6. Alissolo: Solo com horizonte B textural, com alto conteúdo de alumínio extraível; solo acido; 7. Argissolo: Solo bem evoluído, argiloso, apresentando mobilização de argila da parte mais superficial; 8. Nitossolo: Solo bem evoluído (argila caulinita – oxi-hidróxidos), fortemente estruturado (estrutura em blocos), apresentando superfícies brilhantes (cerosidades); 9. Latossolo: Solo altamente evoluído, laterizado, rico em argilominerais 1:1 oxi-hidróxidos de ferro alumínio; 10. Espodossolo: Solo evidenciando a atuação do processo de podzolização; forte eluviação de compostos aluminosos, com ou se ferro; presença de húmus ácido; 11. Planossolo: Solo com forte perda de argila na parte superficial e concentração intensa de argila no horizonte subsuperficial; 12. Plintossolo: Solo com expressiva plinitizaçao (segregação e concentração localizada de ferro); 13. Gleissolo: Solo hidromórfilico (saturado em água), rico em matéria orgânica, apresentando intensa redução dos compostos de ferro;

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14. Organossolo: Solo essencialmente orgânico; material original constitui o próprio solo. A classificação é importante e essencial para a cartografia do solo, pois permite estabelecer correlações entre solos encontrados em diferentes regiões do globo. No mapa de classificação dos solos traçado com base na classificação norte-americana fica evidente q a distribuição dos solos é zonal, em função da latitude e da altitude, estando relacionada, portanto, ao clima e a vegetação. Solos Tropicais Nas regiões tropicais, como é o caso do Brasil, cada tipo de solo possui propriedades físicas, químicas e morfológicas especificas,mas seu conjunto apresenta um certo numero de atributos comuns como, por exemplo, composição mineralógica simples (quartzo, caulinita, oxi-hidróxidos de ferro e de alumínio), grande espessura e horizonte com cores dominantemente amarelas ou vermelhas. Em função dos processos genéticos e do longo tempo envolvido na sua formação, os solos tropicais são geralmente empobrecidos quimicamente, como reflexo de uma composição dominada por minerais desprovidos dos elementos mais solúveis. São solos de mais baixa fertilidade, quando comparados com os solos de clima temperado, ricos em argilominerais capazes de reter os elementos químicos necessários ao metabolismo vegetal. Os solos minerais apresentam ecossistemas frágeis, extremamente vulneráveis às ações antrópicas, e que sofrem de forma acentuada os efeitos de uma utilização que se da por técnicas de manejo não adequadas. A degradação dos solos tropicais, que pode levá-los a destruição, é um dos mais importantes problemas ambientas que a humanidade terá de enfrentar neste século.

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4- A IMPORTÂNCIA DO SOLO E DE SUA PRESERVAÇÃO Pela sua importância na manutenção da vida no planeta, o solo é considerado patrimônio da humanidade pela Organização das Nações Unidas (ONU). O solo desempenha uma grande variedade de funções vitais, de caráter ambiental, ecológico, social e econômico, constituindo um importante elemento paisagístico,patrimonial e físico para o desenvolvimento de infra-estruturas e atividades humanas. O Solo é, sem dúvida, o recurso natural mais importante de um país, pois é dele que derivam os produtos para alimentar sua população. Plantas clorofiladas precisam de energia solar, gás carbônico, água e macro e micro nutrientes. E tanto a água como os nutrientes, com raras exceções,só podem ser fornecidos através do solo, que assim funciona como mediador,principalmente dos fluxos de água entre a hidrosfera,litosfera,biosfera e atmosfera.Com isso,pode-se afirmar que ele muito influencia a qualidade da água que usamos. Do solo, também pode ser retirado material de construção de estradas, barragens de terra em açudes e casas. Influencia também a qualidade do ar ,principalmente quando dele poeiras são levadas à atmosfera, e muitas vezes serve para receber e processar dejetos,como o lixo das cidades. O solo é o habitat de vários seres vivos, com padrões genéticos únicos, onde se encontra a maior quantidade e variedade de organismos vivos, que servem de reservatórios de nutrientes. Um grama de solo em boas condições pode conter 600 milhões de bactérias pertencentes a 15000 ou 20000 mil espécies diferentes. A atividade biológica, dependente da quantidade de matéria orgânica presente no solo, elimina agentes patogênicos, decompõe a matéria orgânica e outros poluentes em componentes mais simples (freqüentemente menos nocivos) e contribui para a manutenção das propriedades físicas e bioquímicas necessárias para a fertilidade e estrutura dos solos.

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As raízes dos vegetais penetram no solo, que lhes proporcionam suporte para manter caules fixos e eretos. Dele elas extraem água e nutrientes. As plantas, além de consumirem água,oxigênio e gás carbônico,retiram do solo quinze elementos essenciais à vida. Desses, seis são absorvidos em grandes quantidades, designados macronutrientes, compreendendo: nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e enxofre. Os outros nove, igualmente essenciais, mas usados em quantidades muito pequenas, são denominados micronutrientes. Eles são: boro, cloro, cobre, ferro, manganês, molibdênio, níquel, cobalto e zinco. E todos esses elementos são muito importantes para a alimentação humana. Por ser um recurso finito e não renovável, podendo levar milhares de anos para tornar-se terra produtiva, o solo, uma vez destruído, na escala de tempo de algumas gerações, desaparece para sempre. Por tudo isso, o solo deve ser preservado e usado adequadamente.

5- PROBLEMAS DO SOLO A vida dos homens e animais domésticos está condicionada aos elementos indispensáveis à subsistência. O meio ambiente em que vivem deve ter ar puro, para atender a uma das funções orgânicas básicas - a respiração; água potável , para satisfazer às necessidades hídricas, e alimentos com boa qualidade e em quantidades suficientes. A fonte fornecedora desse combustível que faz a máquina-homem ou animal viver, caminhar e exercer outras atividades, como já foi visto anteriormente, é o solo. É desse elemento que o homem retira direta ou indiretamente o seu alimento. O solo deve ser fértil, para atender às demandas da população, em quantidade e qualidade. Se o solo for deficiente em um elemento químico, as plantas nele cultivadas serão carentes nessa qualidade. Quando o homem deixou de ser nômade, sentiu necessidade de prover sua subsistência e da família. Ao retirar a manta vegetal que cobria o terreno para, em seu lugar, realizar uma exploração, o homem expõe o solo à ação direta da água da chuva e/ou

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vento que, pela ação erosiva provoca o seu desgaste, portanto, a perda de nutrientes indispensáveis às culturas. Este processo é denominado erosão. 5.1- EROSÃO. A erosão é um processo natural de desagregação, decomposição, transporte e deposição de materiais de rochas e solos que vem agindo sobre a superfície terrestre desde os seus princípios. Contudo, a ação humana sobre o meio ambiente contribui exageradamente para a aceleração do processo, trazendo como conseqüências, a perda de solos férteis, a poluição da água, o assoreamento dos cursos d'água e reservatórios e a degradação e redução da produtividade global dos ecossistemas terrestres e aquáticos. Entende-se por erosão o processo de desagregação e remoção de partículas do solo ou fragmentos de rocha, pela ação combinada da gravidade com a água, vento, gelo ou organismos (IPT, 1986). Os processos erosivos são condicionados basicamente por alterações do meio ambiente, provocadas pelo uso do solo nas suas várias formas, desde o desmatamento e a agricultura, até obras urbanas e viárias, que, de alguma forma, propiciam a concentração das águas de escoamento superficial. Segundo OLIVEIRA et al (1987), este fenômeno de erosão vem acarretando, através da degradação dos solos e, por conseqüência, das águas, um pesado ônus à sociedade, pois além de danos ambientais irreversíveis, produz também prejuízos econômicos e sociais, diminuindo a produtividade agrícola, provocando a redução da produção de energia elétrica e do volume de água para abastecimento urbano devido ao assoreamento de reservatórios, além de uma série de transtornos aos demais setores produtivos da economia. A quebra do equilíbrio natural entre o solo e o ambiente (remoção da vegetação), muitas vezes, promovida e acelerada pelo homem conforme já exposto, expõe o solo a formas menos perceptíveis de erosão, que promovem a remoção da camada superficial

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deixando o subsolo (geralmente de menor resistência) sujeito à intensa remoção de partículas, o que culmina com o surgimento de voçorocas (SILVA, 1990). Quando as voçorocas não são controladas ou estabilizadas, além de inutilizar áreas aptas à agricultura, podem ameaçar obras viárias, áreas urbanas, assorear rios, lagos e reservatórios, comprometendo por exemplo o abastecimento das cidades, projetos de irrigação e até a geração de energia elétrica. Torna-se, portanto, importante, a identificação das áreas cujos solos sejam suscetíveis a esse tipo de erosão, sobretudo, em regiões onde não existem planos de conservação (PARZANESE, G.A.C., 1991), bem como o estudo dos fatores e processos que possam agravar este fenômeno, visando a obtenção de uma metodologia de controle do mesmo. VASCONCELOS SOBRINHO (1978), considera que existe uma corrida entre a explosão demográfica e o desgaste das terras, operando em sentido oposto, porém somando-se os efeitos, pois, como conseqüência da própria explosão demográfica, a

pressão populacional sobre as áreas já ocupadas conduzem-nas à deterioração cada vez mais rápida. 5.2 – CAUSAS DO DEPAUPERAMENTO DO SOLO Quando desprovido de sua vegetação natural, o solo fica exposto a uma série de fatores que tendem a depauperá-lo (destruí-lo; esgotá-lo). A velocidade com que este depauperamento se processa varia com as suas características, com o tipo de clima e com os aspectos da topografia. O desgaste acelerado sempre existirá se o agricultor não tiver o devido cuidado de combater causas, relacionadas a vários processos, tais como:

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Empobrecimento químico e lixiviação provocado pelo esgotamento causado pelas colheita e pela lavagem vertical de nutrientes da água que se infiltra no solo, bem como pela retirada de elementos nutritivos com as colheitas. Os nutrientes retirados, quando não repostos, são comumente substituídos por elementos tóxicos. Erosão hídrica é a remoção e transporte de horizontes superiores do solo pela água. Inicia-se com o salpico de gotas de chuva diretamente sobre a superfície desprotegida (recém-revolvida, por exemplo) e continua com a formação de enxurradas que formam sulcos de diversas proporções. Erosão eólica é a remoção e deposição do solo pelo vento, formando grandes nuvens de poeira. Excesso de sais ou salinização é o processo de acúmulo, em excesso, de sais na solução do solo prejudicando, ou mesmo impedindo, o desenvolvimento da vegetação. Degradação física é a mudança adversa em atributos físicos, tais como porosidade, permeabilidade e densidade. Uma forma comum é a formação de uma camada compactada, com cerca de 10 a 30 cm, imediatamente abaixo do horizonte Ap, ocasionada pela fricção e implementos agrícola (popularmente denominado “piso do arado” ou “pé de grade”). Degradação biológica é o grande aumento da taxa de decomposição do húmus, quando não há reposição do mesmo. 5.3- EMPOBRECIMENTO QUÍMICO E LIXIVIAÇÃO COMO CAUSAS DA EROSÃO A água da chuva, ao entrar em contato com substâncias presentes na camada superficial dos solos, carrega-as consigo na forma dissolvida (solutos) em direção às

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regiões mais profundas do solo, geralmente, rumo à água subterrânea (aqüífero freático). Esse processo de transporte de solutos (que podem ser nutrientes, poluentes, e outras substâncias dissolvidas) rumo às camadas mais profundas do solo é denominado lixiviação. Na área ambiental esse conceito é de suma importância uma vez que permite que substâncias adicionadas na superfície do solo, possam, por meio do transporte realizado pela água, atingir camadas mais profundas do solo ou mesmo atingir a água subterrânea como previamente mencionado. Em processos químicos, lixiviação pode significar também dissolução do mineral do metal de valor de um minério pela água ou por uma solução aquosa do agente lixiviante. 5.4- EROSÃO HÍDRICA Para o ano de 2001, calculou-se que cerca de um bilhão de toneladas de materiais dos solos agrícolas foram transportados pelas enxurradas, o que representa um grande prejuízo ecológico e econômico. Essa erosão acelerada é uma das principais causas do depauperamento dos solos, e pode ser tecnicamente definida como a remoção seletiva de partículas do solo das partes mais altas, pela ação das águas das chuvas ou dos ventos e o transporte e deposição dessas partículas para as terras mais baixas ou para o fundo dos lagos, rios e oceanos. No Brasil, a erosão hídrica (ou causada pelas águas) é a mais importante. Ela se processas em duas fases distintas: desagregação e transporte. A desagregação é ocasionada tanto pelo impacto direto ao solo das gotas de chuva como pelas águas que escorrem na sua superfície. Em ambos os casos é uma intensa forma de energia que desagrega e arrasta o solo, que é a energia cinética ou energia do movimento e sabe-se que é proporcional ao peso (ou massa) do que está se movendo (água e/ou partículas do solo) e ao quadrado da velocidade:

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Ec = m . V2 / 2 As gotas e chuva atingem a superfície com uma velocidade de 5 a 15 Km/hora, enquanto a água das enxurradas tem velocidade bem menor usualmente não maior a 1 Km/hora. O primeiro passo para a erosão é, portanto, o impacto direto das gotas de chuva, o que provoca forte desagregação das partículas de solo desprovido de vegetação. Se a superfície do solo está revestida com mata, a copa das árvores absorve maior parte da energia cinética das gotas das chuvas e o manto das folhas sobre o solo amortece o restante do impacto, advindo do segundo trajeto, das copas até a superfície do terreno. Grande quantidade de solo pode ser removida desde que suas partículas estejam desagregadas e suspensas nas águas das enxurradas, porque isto as torna suscetíveis de serem transportadas. A facilidade com que uma partícula e transportada depende de seu tamanho: a argila, o silte e a matéria orgânica são as mais facilmente carregadas pelas águas devido ao pequeno peso e dimensão de suas partículas. 5.4.1- Tipos de Erosão Hídrica Quando a água originada da chuva chega a escorrer sobre a superfície, forma a enxurrada, que pode desgastar o solo de formas diversas, dependendo da maior ou menor suscetibilidade à erosão do horizonte por sobre o qual escoa. Três tipos principais de erosão hídrica são conhecidos: superficial, também denominada laminar, em sulcos e em voçorocas ou ravinas. Erosão laminar, ou lavagem superficial, é a uniforme remoção de uma delgada camada superior de todo terreno. Ao colidirem com a superfície do solo desnudo, as gotas de chuva rompem os agregados, reduzindo-os a partículas menores, possíveis de serem arrastadas pela força das enxurradas. Este tipo de desgaste é constatado em certos terrenos, mesmo quando possuem inclinações pequenas. Alguns agricultores e pecuaristas não o percebem, considerando natural essa remoça de finas lâminas de solo. Se medidas de controle da enxurrada não forem adotadas pelo agricultor, esta ação erosiva, continuando a atuar, provoca o aparecimento de sulcos.

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A erosão em sulcos resulta de irregularidades na superfície do solo devido à concentração da enxurrada em determinados locais. Em algumas encostas, a água que escorre de pequenos sulcos converge para outros, mais acentuados. Concentrando-se, após um ano, nos mesmos sulcos, estes vão se ampliando, até formarem grandes cavidades ramificadas. Quando os sulcos são desfeitos com a passagem de máquinas agrícolas de reparo rotineiro, são denominados rasos. Se o preparo do solo não os desfaz, denominam-se sulcos profundos.

a) Evolução do processo erosivo, passando

de sulcos para voçoroca.

b) Exemplos de área onde sulcos rasos e

profundos foram escavados pela erosão

hídrica.

Se desde seu inicio a enxurrada não for controlada, os sulcos irão se aprofundar. O escoamento da água superficial, bem como da subterrânea que desgasta o subsolo, pode então vir a transformá-los em voçorocas (ou boçorocas), que são as formas espetaculares de erosão, apresentando-se como “rasgos” disseminados nas encostas. Tais feições cortando as

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vertentes, atingindo o horizonte C dos solos, podem atingir profundidades de vários metros, paredes quase verticais e fundo plano. Esse tipo de erosão indica a perda total do solo, destruindo campos cultivados e, por vezes, áreas urbanas. Os sulcos e as voçorocas dificultam ou mesmo impedem o trabalho das máquinas agrícolas. A evolução dos sulcos para as

voçorocas é normalmente causada por aradura, semeadura e cultivo alinhados no sentido morro abaixo, que facilita o arraste do solo. Também a pecuária, com animais trilhando em direção da maior inclinação da encosta, e estradas mal planejadas podem concorrer para a formação das voçorocas. 5.4.2- Fatores que Afetam a Erosão Hídrica A maior ou menor suscetibilidade de um terreno à erosão pela água depende de uma série de fatores, dos quais quatro são considerados como principais: clima da região, tipo de solo, declividade e manejo do solo. Clima Os fatores mais importantes do clima com respeito à erosão são a distribuição, a quantidade e a intensidade das chuvas. Se o solo está sendo cultivado, fica mais desprotegido, principalmente por ocasião da semeadura, quando recém-revolvido em época coincidente com chuvas mais intensas porque aí sua superfície encontra-se recémrevolvida.

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A intensidade das chuvas é igualmente importante. Quando caem mansamente, sob a forma de pequenas gotas, durante um período de várias horas, como as garoas, têm mais tempo para serem totalmente absorvidas e raramente causam grandes estragos. Por outro lado se essa mesma quantidade de chuva cai rapidamente em forma de aguaceiros, em alguns minutos formará grandes enxurradas e poderá provocar grandes erosões. Natureza do Solo Certos solos são mais suscetíveis à erosão do que outros, de acordo com as suas características físicas, notadamente textura, permeabilidade e profundidade. Solos de textura arenosa são os mais facilmente erodidos. A permeabilidade é outro fator importante. Os Argissolos, por exemplo, em igualdade de textura e relevo, são mais suscetíveis de serem erodidos que os Latossolos, já que são menos permeáveis devido à presença de horizonte B mais compacto, com acumulação de argila. Da mesma forma, solos rasos são mais erodíveis que os profundos, porque neles a água da chuva acumula-se acima da rocha ou camada adensada, que é impermeável, encharcando mais rapidamente o solo, o que facilita o escoamento superficial e, conseqüentemente, o arraste do horizonte superficial. Além da textura, permeabilidade e profundidade, o grau de fertilidade do solo também influi na sua maior ou menor erodibilidade. Um bom desenvolvimento das plantas propicia uma melhor proteção. Um solo naturalmente mais fértil, ou adequadamente adubado, oferece condições para um desenvolvimento mais vigoroso das plantas e este fica menos suscetível a erosão. Declividade do Terreno A declividade, ou grau de inclinação do terreno, muito influencia na concentração, dispersão e velocidade da enxurrada e, em conseqüência, no maior ou menor arrastamento superficial das partículas do solo. Nos terrenos planos, ou apenas levemente inclinados, a água escoa com pequena velocidade e, além de possuir menos energia, tem mais tempo para infiltrar-se, ao passo que, nos terrenos muito inclinados, a resistência ao escoamento

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das águas e menor e, por isso, elas atingem maior velocidade. As regiões montanhosas são, portanto, as mais suscetíveis à erosão hídrica. Manejo do Solo O modo como a terra é manejada, ou seja se está ou não recoberta de vegetação, bem como o sistema de cultivo, são também fatores importantes para condicionar uma maior ou menor mobilidade dos solos. Solos completamente cobertos com vegetação estão em condições ideais para resistir à erosão e absorver a água das chuvas, portanto, se em todo sistema de cultivos tradicional fosse substituído por reflorestamento, ou pelo sistema de plantio direto, o problema de erosão seria mínimo. Com o recobrimento do terreno por uma densa camada de vegetação, ou por resíduos de cultivos anteriores, o impacto direto das gotas das chuvas sobre a superfície do solo é evitado, bem como aumenta a absorção da água. Além disso, as raízes, ao se entrelaçarem, seguram mais o solo. A desagregação e o transporte de partículas podem variar de acordo com o sistema de cultivo do solo, o qual torna o solo mais suscetível à erosão que outro. Os solos com culturas anuais (como milho, algodão e soja) estão mais expostos à erosão que os cultivados por plantas perenes (como a seringueira, a laranjeira e o cafeeiro) ou semiperenes (como a cana-de-açúcar).

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A forma com que os cultivos são estabelecidos também influi muito. Em qualquer tipo de agricultura e pecuária existe uma série de precauções que devem ser observadas para proteger o solo, e são denominadas práticas conservacionistas.

6- USO DE FERTILIZANTES E DEFENSIVOS AGRÍCOLAS 6.1- FERTILIZANTES OU ADUBOS Desde que o homem começou a praticar a agricultura de maneira contínua e sistemática, percebeu que para melhorar o rendimento de suas terras era preciso acrescentar-lhes certas substâncias. Os primeiros produtos usados como fertilizante foram os excrementos animais, a cinza vegetal oriunda da queima de plantas e o lodo de rios, lagos e pântanos. Adubo ou fertilizante é toda substância natural, ou obtida industrialmente, usada para fornecer um ou mais nutrientes de que o solo é pobre e as plantas necessitam para crescer com vigor e dar melhores colheitas. A adubação aumenta o rendimento das plantas quando se usa o adubo certo na quantidade adequada, no momento e da maneira indicados, sempre que não houver outro fator limitante (falta ou excesso de água, más condições de temperatura, práticas culturais defeituosas, incidência de pragas e doenças, variedades não produtivas). A indústria dos chamados adubos minerais iniciou-se a partir de meados do século XIX, depois que Justus Von Liebig formulou a teoria de que as plantas se alimentam de minerais que o solo fornece. Existem diversos tipos de Fertilizantes, que são classificados de acordo com sua composição e características físicas e químicas. 6.1.1- Características Físicas - Granulados; - Farelados - Grosso e Fino;

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- Pós; - Líquidos; - Encapsulados - Liberação Lenta ou Controlada; - Sais Hidrossolúveis - Solúveis em água. 6.1.2- Composições - Mineral; - Orgânico; - Organomineral. 6.1.3- Adubos Minerais São extraídos de minas e transformados em indústrias químicas. São diretamente assimilados pelas plantas ou sofrem apenas pequenas transformações no solo para serem absorvidos. Podem conter apenas um elemento ou mais de um. Os principais elementos fertilizantes são: nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K). Existem também os micronutrientes como bórax (Na2B4O7·10H2O), sulfato de zinco (ZnSO4) dentre outros que podem ser agregados nos fertilizantes. Tipos de Adubos Minerais: 1. Adubos Nitrogenados; 2. Adubos fosfatados; 3. Adubos potássicos;

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4. Adubos mistos : contém mais de um elemento nutritivo predominante (nitrogênio, fósforo e potássio); 5. Adubos calcários (ou corretivos); Alguns Exemplos de Adubos Minerais: Nitrogenados: 1. Sulfato de amônia ( (NH4)2SO4) : 20% de nitrogênio na forma amoniacal, tende a acidificar o solo; 2. Nitrato de amônia (NH4(NO3) ) : 35% de nitrogênio sendo metade na forma amoniacal e metade em forma nítrica. Tem apenas metade da acidez do sulfato de amônia, contudo é ácido; 3. Nitrato de cálcio (Ca(NO3) ) : O nitrogênio encontra-se na forma nítrica. É adubo neutro; 4. Uréia (CO(NH2) ) : 45% de nitrogênio. Como sofre transformações antes de chegar ao estado nítrico, tem acção lenta, contudo é resistente a lixiviação, e é usado preferencialmente no plantio. Fosfatados: 1. Fosfatados minerais : Encontrado em jazidas, são conhecidas por apatitas, fosforitas, cuprolita, dependendo da natureza; 2. Ossos moídos; 3. Guanos.

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6.1.4- Adubos orgânicos: São resíduos animais ou vegetais, sendo de ação mais lenta que os minerais, visto que necessitam transformações maiores antes de serem utilizados pelos vegetais. Promove o desenvolvimento da flora microbiana(O conjunto de bactérias que existem normalmente em determinada parte do organismo) e por conseqüência melhoram as condições físicas do solo; assim, a presença de matéria orgânica acelera a atuação dos adubos químicos. Alguns exemplos de Adubos Orgânicos: 1. Esterco de curral : para melhor aproveitamento dos fertilizantes contidos nesse adubo, faz-se necessário que o adubo seja curtido, geralmente por trinta dias sob condições especiais; 2. Resíduos de matadouros : são ossos, sangue seco ou farinha de sangue (extraído os ossos e gordura em tanques a pressão), chifres e cascos; 3. Resíduos oleaginosos : são subprodutos da indústria de óleos; 4. Vinhaça : são subprodutos das usinas após a destilação do álcool. Apesar de ser solução ácida, produz efeito alcalinizante. 5. Resíduo de filtro prensa : é subproduto da usina de açúcar. 6. Adubo verde – São cultivos que se praticam para serem enterrados no solo. Geralmente leguminosas de enraizamento mais profundo. Num solo sem fertilidade pelo uso excessivo e muito afetado pela erosão, às vezes, só pega no segundo ano, assim é recomendado, nesses casos, sementes inoculadas com bactérias fixadoras de nitrogênio.

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6.1.5- Adubos Organominerais: O adubo organomineral é um fertilizante da mistura ou combinação de fertilizantes minerais e orgânicos. Um adubo orgânico enriquecido com nutrientes minerais fornecidos por fertilizantes minerais mais conhecidos como "adubos químicos". Uma adubação correta com fertilizantes organomineral aumenta as safras dando retorno econômico. Vantagens no uso de adubos organominerais: 1. Evita a inibição na absorção do micro nutriente; 2. Contém diversos nutrientes naturais; 3. Aumento e estabilidade da população microbiana do solo; 4. Melhora a estrutura do solo; 5. Retenção de umidade no solo; 6. A matéria orgânica transforma-se em Humo, e Humo transforma-se em Coloide que é a parte mínima que a planta absorve. 7. Menor custo na adubação; 8. Maior rentabilidade nas culturas Maior estabilidade mineral Melhora o equilíbrio ecológico. Os adubos podem provocar acidez ou alcalinidade no solo. A mistura de alguns fertilizantes é conveniente, dependendo do tipo de solo, do seu pH e do que se cultivará. Adubos Ácidos - Nitrato de amônia, uréia, sulfato de amônia, fosfato de amônia, amônia anidra e sangue seco.

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Adubos Alcalinos – Nitrato de sódio do Chile, calcáreo dolomítico, nitrato de cal, cianamida, nitrato chileno potássico. Adubos Neutros – nitrocal, superfosfato, cloreto de potássio. 6.2- DEFENSIVOS AGRÍCOLAS Defensivos Agrícolas são substâncias químicas ou misturas, naturais ou sintéticas, usadas para eliminar pragas da lavoura, como fungos, insetos, plantas, bactérias e vírus. Muito criticadas como nocivas ao homem e ao meio ambiente. O combate às pragas da lavoura, indispensável para assegurar a integridade das colheitas, pode acarretar efeitos negativos quando realizado com emprego inadequado de defensivos agrícolas. Entre as piores conseqüências do uso desses produtos se enumeram a agressão ao meio ambiente, a contaminação de alimentos, prejuízos para a saúde de quem os manipula e a imunização progressiva aos agrotóxicos dos seres vivos que se pretende eliminar, o que acaba por exigir o emprego de drogas cada vez mais potentes e em quantidades maiores. Histórico: Já no neolítico, cerca de 7.000 anos a.C., procedia-se à seleção de sementes de plantas mais resistentes às pragas agrícolas. Os profetas do Antigo Testamento mencionam nuvens de gafanhotos que destruíam lavouras inteiras, como a que se abateu sobre as margens do Nilo no século XIII a.C.. Mas somente a partir dos séculos XVI e XVII começaram os estudos científicos das pragas e dos meios de combatê-las. O primeiro combate em larga escala a obter sucesso foi o realizado na Europa, na década de 1840, contra o míldio, fungo que ataca os brotos das videiras.

Em 1942, o patologista suíço Paul Müller descobriu as propriedades inseticidas de um composto organoclorado já sintetizado em 1874, e que passou a ser conhecido como DDT. Pesquisas com gases venenosos, realizadas pelos alemães durante a segunda guerra mundial, levaram à descoberta de inseticidas ainda mais poderosos, os compostos organofosforados. Data daí a ilusão de que se poderia usar inseticidas cada vez mais enérgicos e deter para sempre o avanço das pragas. Na verdade, não se levou em conta a possibilidade das pragas desenvolverem defesas naturais ( e a cada ano aumenta o

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número de pragas resistentes a todos os defensivos conhecidos) e os danos ao meio ambiente, que acabam por afetar o homem. Os defensivos agrícolas enquadram-se em várias categorias: Germicidas: são substâncias químicas suficientemente fortes para matar os germes por contato. Fungicidas: são produtos especialmente ativos, que destroem os fungos ou impedem seu crescimento, os fungicidas são aplicados nas folhas e frutos em crescimento, nas frutas colhidas, nas sementes e no próprio terreno a ser cultivado. A aplicação é feita principalmente por aspersão, em máquinas geralmente puxadas por trator. Herbicidas: combatem as ervas daninhas que brotam no meio de certas culturas e prejudicam seu desenvolvimento; Raticidas: combatem ratos; Formicidas: combatem formigas; Cupinicidas: combatem cupins. Os defensivos agem por: - Contato; - Envenenamento; - Asfixia.

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Podem ser de origem: Vegetal: Ex: alcalóides de veratrina, anabasina, nicotina e nornicotina, piretrinas, rianodina e rotenona. Animal: Ex: toxinas elaboradas pelo Bacillus thuringiensis. Mineral: Ex: cloretos de mercúrio, arseniatos de chumbo, de cálcio, de sódio, e de alumínio, acetoarsenito de cobre, arsenito de sódio e de bário, criolita e selênio. Produtos orgânicos de síntese: Ex: - organoalogenados (DDT, BHC, lindano, clordane, heptacloro, aldrin, dieldrin, endrin etc.); - organofosforados (azinfos, malation, paration, forato, oxidemetonmetilo etc.); - sulfonas e sulfonatos (tetrasul, tetradifon, fenizon etc.); - carbamatos (carbaril, isolane etc.). Aplicam-se geralmente por pulverização por meio de equipamento apropriado, desde pequenas bombas manuais até grandes aspersores utilizados em aviões, que cobrem grandes plantações. Os defensivos de contato são usados contra insetos transmissores de doenças infecciosas. Para tratamento em grande escala, nuvens de DDT são lançadas de avião. O DDT também é usado como inseticida doméstico, assim como a popular naftalina.

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Cuidados A utilização de determinados produtos tem evitado a propagação de parasitas perigosos e favorecido o combate a portadores de endemias sérias como a malária. No entanto, como seus efeitos não podem ser circunscritos à área de aplicação, devem ser aplicados com orientação técnica. Às vezes o homem, na ânsia de solucionar o problema, desequilibra sistemas biológicos inteiros e acaba agravando situações que pretendia remediar. Os defensivos podem destruir conjuntamente pragas e insetos benéficos, sobretudo devido à tendência de se tornarem mais resistentes os nocivos. Um fato ocorrido no Brasil, na década de 1980, veio comprovar esse risco. Os resíduos de defensivos também provocam contaminação em nível planetário, como se verificou na Antártica, onde foram detectados vestígios de DDT em focas e pingüins. Os compostos organoclorados também têm efeito altamente prejudicial sobre animais, mesmo quando o contato não é direto. Em certos lagos dos Estados Unidos, a reprodução de trutas cessou por completo e a mortalidade entre alevinos atingiu níveis de cem por cento. Os organoclorados agem sobre o sistema nervoso e modificam atividades metabólicas, podendo assim favorecer a proliferação do câncer.

7- ALTERNATIVAS PARA AMENIZAR OS IMPACTOS SOBRE O SOLO O solo funciona como alicerce da vida terrestre. Os micro e macro nutrientes, assim como boa porção da água que plantas necessitam, estão nos solos. Sua deterioração traduzse em menor produtividade, em maiores custos para a reforma de florestas plantadas, na perda do habitat natural de outras espécies e na influência negativa sobre áreas distantes, causada pelo arrasto de material pela água. Dentre os princípios fundamentais do planejamento de uso das terras, destaca-se um maior aproveitamento das águas das chuvas. Evitando-se perdas excessivas por escoamento superficial, podem-se criar condições para que a água pluvial se infiltre no solo. Isto, além de garantir o suprimento de água para as culturas, criações e comunidades, previne a erosão, evita inundações e assoreamento dos rios, assim como abastece os lençóis freáticos que alimentam os cursos de água.

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Uma cobertura vegetal adequada assume importância fundamental para a diminuição do impacto das gotas de chuva. Há redução da velocidade das águas que escorrem sobre o terreno, possibilitando maior infiltração de água no solo e, diminuição do carregamento das suas partículas. A escolha dos métodos / práticas de prevenção à erosão é feita em função dos aspectos ambientais e sócio-econômicos de cada propriedade e região. Cada prática, aplicada isoladamente, previne apenas de maneira parcial o problema. Para uma prevenção adequada da erosão, faz-se necessária a adoção simultânea de um conjunto de práticas. 7.1- PRÁTICAS VEGETATIVAS 1. Florestamento e reflorestamento; 2. Plantas de cobertura; 3. Cobertura morta; 4. Rotação de culturas; 5. Formação e manejo de pastagem; 6. Cultura em faixa; 7. Faixa de bordadura; 8. Quebra vento e bosque sombreador; 9. Cordão vegetativo permanente; 10. Manejo do mato e alternância de capinas. 7.2- PRÁTICAS EDÁFICAS 1. Cultivo de acordo com a capacidade de uso da terra;

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2. Controle do fogo; 3. Adubação: verde, química, orgânica; 4. Calagem. 7.3- PRÁTICAS MECÂNICAS 1. Preparo do solo e plantio em nível; 2. Distribuição adequada dos caminhos; 3. Sulcos e camalhões em pastagens; 4. Enleiramento em contorno; 5. Terraceamento; 6. Subsolagem; 7. Irrigação e drenagem. Há dois pontos que merecem um maior enfoque nesse trabalho, a prática mecânica do terraceamento e a desgaste natural do solo pela erosão. 7.4- TERRACEAMENTO Terraços são estruturas hidráulicas conservacionistas, compostas por um camalhão e um canal, construídas transversalmente ao plano de declive do terreno. Essas estruturas constituem barreiras ao livre fluxo da enxurrada, disciplinando-a mediante infiltração no canal do terraço (terraços de absorção) ou condução para fora da lavoura (terraços de drenagem). O objetivo fundamental do terraceamento é reduzir riscos de erosão hídrica e proteger mananciais (rios, lagos, represas...).

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A determinação do espaçamento entre terraços está intimamente vinculada ao tipo de solo, à declividade do terreno, ao regime pluvial, ao manejo de solo e de culturas e à modalidade de exploração agrícola. Experiências demonstrado que o têm critério

comprimento crítico do declive nem sempre é adequado para o estabelecimento do espaçamento entre terraços. Isso se justifica pelo fato de que a secção máxima do canal do terraço de base larga, técnica e economicamente viável, é de aproximadamente 1,5 m2, área que poderá mostrar-se insuficiente para o fim proposto quando o comprimento do declive for demasiadamente longo. Do exposto, infere-se que a falha de resíduos culturais na superfície do solo constitui apenas indicador prático para constatar presença de erosão hídrica e identificar necessidade de implementação de prática conservacionista complementar à cobertura do solo. Por sua vez, o dimensionamento da prática conservacionista a ser estabelecida demanda o emprego de método específico. No Japão, cerca de apenas 15% das terras são apropriadas para o cultivo. O sistema de terraceamento é usado em várias partes do país, principalmente em pequenas áreas. Isto resulta em um dos mais elevados níveis de produtividade por unidade no mundo. O pequeno setor agrário do Japão, contudo, é muito subsidiado e protegido. Com exceção do arroz, o Japão precisa importar cerca de 50% dos grãos consumidos e depende de importações para seu suprimento de carne. Muitos lavradores adotam o sistema de agricultura orgânica (sem agrotóxicos ou fertilizantes químicos) assim como utilizam também técnicas para plantio em estufas, o que garante melhor aproveitamento da energia solar.

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7.5- A EROSÃO POSITIVA A erosão nem sempre é negativa, uma vez que, muitos dos solos mais férteis em deltas, planícies aluviais e depósitos de loess, são produtos da erosão ocorrida no passado, tal como o são os nutrientes presentes nos oceanos. Contudo, quando a erosão eólica e hídrica é acelerada devido a má gestão, origina-se uma preocupante degradação dos solos e a diminuição da qualidade do ar e da água. Para amenizar e/ou anular um processo erosivo pode-se utilizar algumas técnicas que dificultam tais formações. Não retirar coberturas vegetais de solos, principalmente de regiões montanhosas; Planejar qualquer tipo de construção (rodovias, prédios, hidrelétricas, túneis, etc) para que não ocorra, no momento ou futuramente, o deslocamento de terra; Monitorar as mudanças que ocorrem no solo; Realizar o reflorestamento de áreas devastadas, principalmente em regiões de encosta. 8- SOLOS BRASILEIROS Solos do Brasil A primeira referência ao solo brasileiro foi feita por Pero Vaz de Caminha, escrivão da frota de caravelas comandadas por Pedro Álvares Cabral. Essas observações foram baseadas na visão dos afloramentos costeiros de sedimentos da Formação Barreiras e da exuberante floresta úmida tropical (Mata Atlântica).

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Os solos começaram, pouco a pouco, a serem conhecidos pelos lavradores e pecuaristas, os quais, às custas das próprias observações, verificaram a diversidade existente no ambiente em que tentavam se estabelecer, principalmente no que dizia respeito à duração da fertilidade natural com cultivos sucessivos. Por algumas centenas de anos o processo de conhecer o solo foi baseado quase exclusivamente na observação de alguns homens, que, pela observação mais acurada, conseguiam distinguir terras de diversas qualidades. No entanto, no início da segunda metade de nosso século, em decorrência do aumento progressivo de nossa população, as chamadas “terras virgens” em muitas partes do território brasileiro começaram a escassear. Por isso surgiu a necessidade do emprego de tecnologia agrícola moderna, para produzir o máximo por unidade de área. Essas condições impulsionaram várias das pesquisas aplicadas à agricultura, incluindo os levantamentos pedológicos. Solos da Amazônia Esta região é uma das menos conhecidas, devido à pequena densidade de população e dificuldade de acesso. A exuberância das florestas equatoriais levou os primeiros exploradores a supor que os solos eram naturalmente muito férteis. No entanto, hoje se sabe que a maior parte deles é pobre em nutrientes e a pujança da vegetação está mais relacionada com a luminosidade, temperatura e umidade constantemente elevadas. A maior parte dos nutrientes está contida mais na própria floresta (ou biomassa). No solo, pode existir apenas uma quantidade de nutrientes minerais (Ca, Mg, K, N, etc.), pequenas mas suficientes para atender à “lei do mínimo” de Liebig, os quais estão sempre em eficiente cicldagem, estabelecida com uma rápida decomposição dos restos vegetais, liberação dos nutrientes minerais e reabsorção dos mesmos pelas raízes.

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Solos do Nordeste A chamada Zona da Mata engloba uma faixa litorânea relativamente estreita, de clima mais chuvoso desde o leste do Rio Grande do Norte até o sul da Bahia. Em direção ao interior existem relevos achatados denominados tabuleiros, seguidos ou entremeados de colinas. A sub-região do meio norte é uma área cuja paisagem vegetal apresenta muitas palmáceas (zona dos cocais, onde predomina a palmeira de babaçu), tendo características intermediárias para a região Amazônica. O Sertão engloba uma área relativamente rebaixada em relação aos planaltos da bacia do rio Paraíba (Maranhão e Piauí), da serra da Borborema (leste de Pernambuco e Paraíba), Chapada Diamantina (Bahia) e das serras do Atlântico (sudeste da Bahia). Nessas paragens semi-áridas os solos estão vinculados à vegetação do tipo caatinga em suas diversas formas, a qual é constituída de arbustos e árvores e refletem as condições de clima aí existente, com chuvas irregulares concentradas em somente quatro meses do ao e ar muito quente. Solos da Região Centro-Oeste No Planalto Central, a paisagem dominante é de chapadas com vegetação arbustivas dos cerrados e seus prolongamentos, ocorrendo também algumas áreas revestidas de campos e mesmo algumas extensões que apresentam florestas. A topografia é variável, mas dominam as áreas com declives suaves. Constituem feições típicas, inseridas nessa sub-região, as veredas e as matasgalerias. Seguindo a direção das nascentes dos rios destacam-se as veredas, caracteristicamente ocupadas por palmeiras buritis, passando mais a juzante para matas galerias, à medida que os vales alargam-se. No sudoeste desta região,existe uma extensa área de relevo e clima diferentes das zonas de cerrados, denominadas “pantanal mato-grossense”. O Pantanal é constituído por

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uma região de clima com algumas semelhanças ao das paragens semi-áridas do Nordeste brasileiro. Contudo, o relevo é quase plano e em grande parte de seu território ocorrem periódicas inundações ocasionadas por enchentes do rio Paraguai com seus afluentes, por ser relativamente estreito seu leito e torna-se maior quando, mais ao sul, alcança as divisas territoriais com a Argentina. Solos da Região Sudeste No complexo regional do Sudeste, encontra-se uma grande variedade de solos, em virtude de ser uma zona de transição entre as regiões de clima semi-árido e úmido, e também pela diversidade de relevo, vegetação e material de origem. Existem quatro grandes áreas de solos: 1- região semi-árida (ou “polígono das secas”); 2- faixa litorânea; 3área montanhosa compreendida pelos planaltos e serras dos sudeste (incluindo serras do Mar e Mantiqueira); 4- planaltos de origem sedimentar, situados no oeste dos Estados de Minas Gerais e São Paulo. -A parte semi-árida, situada ao norte de Minas Gerais, foi incluída e descrita no Complexo Regional do Nordeste. Encontram-se aí solos similares aos do sertão nordestino. -A faixa litorânea, de largura variável, compreende depósitos arenosos e outros sedimentos de rios bem como alguns tabuleiros. -A área montanhosa compreende a maior parte dos Estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro e partes do leste de São Paulo e Minas Gerais. É o domínio da Mata Atlântica, hoje em sua maior parte substituída por campos e pastagens. -Na extensa área geológica sedimentar, a oeste da área montanhosa mencionada, existem solos bastante diversos, principalmente no oeste do Estado de São Paulo. Alguns deles, originalmente sob vegetação de cerrado, assemelham-se aos do Planalto Central. Os solos mais produtivos dessa região, tais como as “terras roxas”, acham-se nos vales dos rios Parnaíba, Grande e Paranapanema e em grande parte do oeste de São Paulo.

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A fertilidade natural relativamente alta desses solos, aliados a condições de clima propício a muitos cultivos, e também a topografia adequada à mecanização, são fatores em grande parte responsáveis pela alta produção agrícola dessas pastagens. Solos da região Sul O complexo regional do Sul do Brasil, em sua maior parte, situa-se em uma zona de transição entre clima tropical e temperado, tanto por estar ao sul do Trópico de Capricórnio, bem como por compreender extensas áreas em altitudes a 1000m, no Planalto Meridional. A desigualdade dos solos aí existentes, relação às demais regiões do País, muito reflete essas diferentes condições climáticas. Nas zonas mais elevadas do Planalto Meridional a vegetação natural era de mata subtropical com Pinhais (ou Araucárias). Nessa região, são comuns os solos desenvolvidos de rochas básicas (basalto), originando tanto as “terras roxas” como, nos locais mais úmidos e frios, as “terras brumas”. Em alguns locais da região, são comumente referidos como “terras pretas de Bagé”. Predomina um relevo suave, quase plano, e vegetação de gramíneas, sendo que o período mais seco do ano coincide com os meses mais quentes do verão (janeiro e março). A menor precipitação e as maiores temperaturas do verão, bem como a pouca espessura dos solos trazem problemas e falta de água. Na faixa costeira, principalmente ao redor das lagoas dos Patos e Mirim, existem consideráveis áreas de solos desenvolvidos sob condições de excesso de água ou de areias antigas praias.

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9- LEGISLAÇÃO 15 DE ABRIL - DIA NACIONAL DA CONSERVAÇÃO DO SOLO O dia 15 de Abril foi definido pela Lei Federal n° 7.876, de 13 de novembro de 1989, como o Dia Nacional da Conservação do Solo. A escolha foi baseada no nascimento do americano Hugh Hammond Bennett (18811960), considerado o Pai da Conservação do Solo nos Estados Unidos. Segundo a justificativa do Projeto da Lei, o dia é dedicado "à reflexão sobre a conservação e utilização dos solos, para viabilizar a manutenção e a melhoria da capacidade produtiva, aumentando de forma sustentável a produção de alimentos, sem degradação ambiental". A conservação do solo "consiste em dar o uso e o manejo adequado às suas características químicas, físicas e biológicas, visando à manutenção do equilíbrio ou recuperação." Outras Legislações: O solo agrícola é patrimônio nacional, e deve ser protegido e conservado pelas autoridades estatais e privadas, como o proprietário ou ocupante temporário, e também pela comunidade, como estabelecido no Art. 1º da Lei nº 6.171, de 04/06/1988. Compete ao Poder Público adotar e difundir os métodos tecnológicos que visem melhor aproveitamento e a preservação do solo agrícola (Art. 5º da Lei nº 6.171, de 04/06/1988). Entende-se por uso adequado do solo, a adoção de um conjunto de prática e procedimentos que visem manter, melhorar, recuperar e conservar o solo, atendendo à função sócio-econômica e ecológica da propriedade.

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Planejamento: A utilização do solo agrícola será subordinada a um planejamento (que, de acordo com o § 1º Art. 2º da Lei nº 6.171, de 04/06/1988,deve ser realizado por organismos estaduais; profissionais ou empresas legalmente habilitadas), que levará em conta sua capacidade de uso e indicará o emprego de tecnologia adequada. Deve ser levado em consideração as bacias hidrográficas, sendo realizadas independentes das divisas. Os procedimentos serão definidos de acordo com os regulamentos municipais e estaduais, em função do desenvolvimento e execução das áreas prioritárias, considerando-se as realidades regionais. Recuperação: Compete ao poder público a recuperação das áreas em processo de degradação, sem desapropriá-la, mesmo que esta iniciativa não parta do proprietário. O custo total desta recuperação deve ser lançadas na conta do proprietário omisso, tendo um prazo máximo d cinco anos para quitação, com o valor atualizado (§ 1º Art. 7º da Lei nº 6.171, de 04/06/1988). E se a área não apresentar condições de aproveitamento, será considerada como área de preservação permanente, devendo ser gravada perpetuidade sem ônus para o proprietário (§ 2º Art. 7º da Lei nº 6.171, de 04/06/1988). Nos casos em que couber reflorestamento, deverá ser promovida a revegetação do solo com ênfase para as espécies ocorrentes na região (Parágrafo Único Art.5º). Consideram-se do interesse público todas as medidas que visem (Art. 4º da Lei nº 6.171, de 04/06/1988): a) controlar a erosão em todas as suas formas; b) prevenir e sustar processos de formações de areais;

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c) fixar dunas; d) evitar a prática de queimadas em áreas de solo agrícola, exceto em casos especiais ditados pelo Poder Público; e) manter, melhorar e recuperar as características físicas, químicas e biológicas do solo agrícola; f) evitar assoreamento de curso d'água e bacias de acumulação; g) adequar a locação, construção e manutenção de canais de irrigação e de estradas em geral, aos princípios conservacionistas; h) evitar o desmatamento das áreas impróprias para a agricultura e de preservação permanente e promover o reflorestamento nessas áreas, caso já desmatadas. Ao Poder Público compete: a) Fiscalizar e fazer cumprir as disposições da presente Lei nº 6.171, de 04/06/1988 (não excluindo a colaboração da iniciativa privada) Em casos excepcionais, o Poder Público poderá delegar a entidade preservacionistas, funções temporárias de fiscalização do correto uso do solo, com poderes especificados em regulamento. b) Desenvolver pesquisas adequadas ao bom uso e manejo do solo agrícola c) Disciplinar a utilização de quaisquer procedimentos que possam prejudicar as características químicas, físicas ou de relações biológicas do solo agrícola. d) Co-participar com os governos municipal e federal, de ações que venham ao encontro da política agrícola estadual: e) Criar e ampliar serviços de pesquisa, orientação e fiscalização que permitam o controle Integrado e efetivo dos recursos naturais renováveis. 45

Art. 6° da Lei nº 6.171, de 04/06/1988 - Além dos preceitos gerais a que está sujeita a utilização do solo agrícola, o Poder Público Estadual e/ou Municipal poderá preconizar outras normas recomendadas pela técnica, e que atendam às peculiaridades locais também relacionadas com os problemas de erosão urbana. Art. 9° da Lei nº 6.171, de 04/06/1988- As entidades pública, empresas privadas e particulares que utilizarem o solo ou o subsolo em áreas rurais, só poderão desenvolver atividades evitando o prejuízo agrícola por erosão, assoreamento, contaminação, rejeitos, depósitos e outros danos, sendo responsabilizados pelos mesmos, respeitada a legislação em vigor. O não cumprimento do disposto da Lei acarretará a atribuição de penalidades, de acordo com a gravidade da situação, com as seguintes características: a) advertência; b) suspensão do acesso aos benefícios dos programas de apoio do Poder público Estadual; c) multas; d) interdição. As penalidades incidirão sobre os autores, sejam eles: a) proprietários; b) ocupantes temporários; c) autoridades que, por consentimento ou omissão, permitirem a prática do ato.

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CONCLUSÃO O solo é, sem dúvida, o recurso natural mais importante de um país, pois é dele que derivam os produtos para alimentar sua população. Entretanto ele existe em situações de equilíbrio precário, de tal forma que os impactos provocados por causas naturais ou por atividades antrópicas podem desestabilizar o sistema. Desmatamento, cultivo de terras, uso de agroquímicos e exploração mineral são atividades que, se não forem bem conduzidas, através de técnicas desenvolvidas com criteriosa base científica, podem causar, erosão e a contaminação do solo. Para proteger os recursos do solo, está disponível hoje um conjunto de técnicas de manejo que incluem a identificação e mapeamento dos solos vulneráveis a implementação de soluções alternativas à forte dependência de agroquímicos e, finalmente, o reflorestamento.

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