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FLÁVIA PIOVESAN - A Constituição de 1988 e os tratados internacionais de proteção aos DH

FLÁVIA PIOVESAN - A Constituição de 1988 e os tratados internacionais de proteção aos DH

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PLv|STA [UPlD|CA DA FACULDADL DL D|PL|TO ÷ v.

2 ÷ N
o
. 1 ÷ ANO ||
|SSN 1980÷7430
20
Artlgo 03
A Constituição BrasiIeira de 1988 e os Tratados
lnternacionais de Proteção dos Direitos Hunanos
AvtIgo 0J
1. Tratados lnternacionais de Proteção dos Direitos Hunanos: gênese e principioIogia. 2. O Estado BrasiIeiro en Face do
5istena lnternacionaI de Proteção dos Direitos Hunanos. 3. A lncorporação dos Tratados lnternacionais de Proteção de
Direitos Hunanos peIo Direito BrasiIeiro. 4. O lnpacto dos Tratados lnternacionais de Proteção dos Direitos Hunanos
.
!IavIa !Iovcsan
1
1
Piolessoia douloia da disciµlina de Diieilo Conslilucional e Diieilos Humanos da Ponlilicia \niveisidade Calolica de Sao Paulo, µiolessoia de Diieilos Humanos dos
Piogiamas de Pos-Giaduaçao da Ponlilicia \niveisidade Calolica de Sao Paulo, da Ponlilicia \niveisidade Calolica do Paiana e da \niveisidade PaLlo de Olavide de
Sevilla (Lsµanla); visiiing fellow do Human Riglls Piogiam da Harvard 1aw School (1995 e 2000), visiiing fellow do Cenlie loi Biazilian Sludies, da \niveisily ol Oxloid
(2005), visiiing fellow do Max Plancl !nslilule loi Comµaialive PuLlic Iaw and !nleinalional Iaw (HeidelLeig 2007), µiocuiadoia do eslado de Sao Paulo, memLio do
Consello Þacional de Delesa dos Diieilos da Pessoa Humana e da S\R Human Riglls \niveisily Þelwoil. Lsle ailigo loi µioduzido com Lase no livio de minla
auloiia, inlilulado Temas de Direitos Humanos, caµilulo 1, 3. ed., Sao Paulo: Saiaiva, 2008.
2
Como exµlica Iouis Henlin: ¨SuLsequenlemenle a Segunda Gueiia Mundial, os acoidos inleinacionais de diieilos lumanos lem ciiado oLiigações e iesµonsaLilidades
µaia os Lslados, com iesµeilo as µessoas sujeilas a sua juiisdiçao, e um diieilo coslumeiio inleinacional lem se desenvolvido. O emeigenle Diieilo !nleinacional dos
lodo individuo deve lei diieilos, os quais lodos os Lslados devem iesµeilai e µiolegei. Iogo, a oLseivância dos diieilos lumanos e nao aµenas um assunlo de inleiesse
µailiculai do Lslado (e ielacionado a juiisdiçao domeslica), mas e maleiia de inleiesse inleinacional e oLjelo µioµiio de iegulaçao do Diieilo !nleinacional¨. (HLÞK!Þ,
Iouis el al. International law: cases and materials. 3. ed. Minnesola: Wesl PuLlisling, 1993. µ. 375-376).
3
Þa liçao de Tlomas Bueigenllal: ¨Lsle codigo, como ja oLseivei em oulios esciilos, lem lumanizado o diieilo inleinacional conlemµoiâneo e inleinacionalizado os
diieilos lumanos, ao ieconlecei que os seies lumanos lem diieilos µiolegidos µelo diieilo inleinacional e que a denegaçao desses diieilos engaja a iesµonsaLilidade
inleinacional dos Lslados indeµendenlemenle da nacionalidade das vilimas de lais violações¨. (B\LRGLÞTHAI, Tlomas. Piologo. !n: Cançado Tiindade, Anlonio
Auguslo. A proteção internacional dos direitos humanos: fundamentos juridicos e instrumentos básicos. Sao Paulo: Saiaiva, 1991. µ. XXX!).
A µioµosla desle ailigo e enlocai os lialados
inleinacionais de µioleçao aos diieilos lumanos a luz da
Consliluiçao Biasileiia de 1988, com deslaque as inovações
inlioduzidas µela Lmenda Conslilucional n. 45/2004.
cidades desses lialados, Lem como de sua lonle o Direiio Inier-
nacional dos Direiios Hunanos. Þum segundo momenlo, seia
dado deslaque a µosiçao do Biasil em lace dos insliumenlos in-
leinacionais de µioleçao dos diieilos lumanos. Lm seguida, seia
leila uma avaliaçao do modo µelo qual a Consliluiçao Biasileiia de
o imµaclo juiidico que esses lialados aµiesenlam. Þesle momen-
lo, seiao analisados casos concielos da aµlicaçao desses lialados.
1. Tratados Internacionais de Proteção dos Direitos Humanos:
gênese e principiologia
Os lialados inleinacionais de diieilos lumanos
lem como lonle um camµo do Diieilo exliemamenle iecenle,
denominado ¨Diieilo !nleinacional dos Diieilos Humanos¨,
conlecido como Diieilo do µos-gueiia, o qual suigiu como
iesµosla as aliocidades e aos loiioies comelidos µelo nazismo
2
.
Lm lace do iegime de leiioi, no qual imµeiava a logica
da desliuiçao e segundo o qual as µessoas eiam consideiadas
Mundial, emeige a necessidade de ieconsliuçao do valoi dos
diieilos lumanos, como µaiadigma e ieleiencial elico µaia
oiienlai a oidem inleinacional.
Assim, em meados do seculo XX suige o ¨Diieilo
!nleinacional dos Diieilos Humanos¨ suige em decoiiencia
da Segunda Gueiia Mundial e seu desenvolvimenlo µode sei
aliiLuido as monsliuosas violações de diieilos lumanos da
eia Hillei e a ciença de que µaile dessas violações µodeiiam
sei µievenidas se exislisse um elelivo sislema de µioleçao
inleinacional de diieilos lumanos
3
.

Ao lialai do Diieilo !nleinacional dos Diieilos
O movimenlo do diieilo inleinacional dos diieilos
lumanos e Laseado na conceµçao de que loda naçao
lem a oLiigaçao de iesµeilai os diieilos lumanos de
seus cidadaos e de que lodas as nações e a comunidade
inleinacional lem o diieilo e a iesµonsaLilidade de
µioleslai, se um Lslado nao cumµiii suas oLiigações.
21
A Costltulção 8rasllelra oe 1988 e os Trataoos |nternaclonals oe Proteção oos Dlreltos Humanos
O Diieilo !nleinacional dos Diieilos Humanos
consisle num sislema de noimas inleinacionais,
µiocedimenlos e insliluições desenvolvidas µaia
imµlemenlai essa conceµçao e µiomovei o iesµeilo
dos diieilos lumanos em lodos os µaises, no
âmLilo mundial. (...) LmLoia a ideia de que os seies
lumanos lem diieilos e liLeidades lundamenlais que
lle sao ineienles lenla la muilo lemµo suigido no
µensamenlo lumano, a conceµçao de que os diieilos
lumanos sao oLjelo µioµiio de uma iegulaçao
inleinacional, µoi sua vez, e Laslanle iecenle. (...)
Muilos dos diieilos que loje conslam do ¨Diieilo
!nleinacional dos Diieilos Humanos¨ suigiiam
aµenas em 1945, quando, com as imµlicações do
lolocauslo e de oulias violações de diieilos lumanos
comelidas µelo nazismo, as nações do mundo
decidiiam que a µiomoçao de diieilos lumanos e
liLeidades lundamenlais deve sei um dos µiinciµais
µioµosilos das Oiganizações das Þações \nidas
4
.
Þesse cenaiio, loilalece-se a ideia de que a µioleçao
dos diieilos lumanos nao deve se ieduzii ao dominio ieseivado
do Lslado, islo e, nao deve se iesliingii a comµelencia
nacional exclusiva ou a juiisdiçao domeslica exclusiva, µoique
ievela lema de legilimo inleiesse inleinacional. Poi sua vez,
essa conceµçao inovadoia aµonla µaia duas imµoilanles
conseqüencias:
1) a ievisao da noçao liadicional de soLeiania
aLsolula do Lslado, que µassa a soliei um µiocesso
de ielalivizaçao, na medida em que sao admilidas
inleivenções no µlano nacional, em µiol da
µioleçao dos diieilos lumanos; islo e, µeimilem-
se loimas de moniloiamenlo e iesµonsaLilizaçao
inleinacional, quando os diieilos lumanos loiem
violados
5
;
2) a ciislalizaçao da ideia de que o individuo deve
lei diieilos µiolegidos na esleia inleinacional, na
condiçao de sujeilo de Diieilo.
loima µela qual o Lslado lialava seus nacionais eia conceLida
como um µioLlema de juiisdiçao domeslica, decoiiencia em
sua soLeiania.
!nsµiiada µoi essas conceµções, suige, a µailii do
µos-gueiia, em 1945, a Oiganizaçao das Þações \nidas. Lm
1948 e adolada a Declaiaçao \niveisal dos Diieilos Humanos,
µela aµiovaçao unânime de 48 Lslados, com 8 aLslenções
6
.
A inexislencia de qualquei queslionamenlo ou ieseiva leila
µelos Lslados aos µiinciµios da Declaiaçao e a inexislencia
de qualquei volo conliaiio as suas disµosições, conleiem a
elica univeisal
7
, ao consagiai um consenso soLie valoies de
cunlo univeisal, a seiem seguidos µelos Lslados.
A declaiaçao de 1948 inlioduz a conceµçao conlem-
µoiânea de diieilos lumanos, maicada µela univeisalidade e
indivisiLilidade desses diieilos. \niveisalidade µoique a con-
diçao de µessoa e o iequisilo unico e exclusivo µaia a lilula-
iidade de diieilos, sendo a dignidade lumana o lundamenlo
dos diieilos lumanos. !ndivisiLilidade µoique, inedilamenle,
o calalogo dos diieilos civis e µolilicos e conjugado ao calalo-
go dos diieilos economicos, sociais e culluiais. Ao consagiai
diieilos civis e µolilicos e diieilos economicos, sociais e cullu-
4
B!IDLR, Riclaid B. An oveiview ol inleinalional luman iiglls law. !n: HAÞÞ\M, Huisl (Ldiloi). Guide to international human rights practice. 2. ed. Pliladelµlia:
\niveisily ol Pennsylvania Piess. 1992. µ. 3-5.
5
queslao cenlial, e inegavel que a anliga douliina da soLeiania exclusiva e aLsolula nao mais se aµlica e que esla soLeiania jamais loi aLsolula, como eia enlao conceLida
leoiicamenle. \ma das maioies exigencias inlelecluais de nosso lemµo e a de ieµensai a queslao da soLeiania (...). Lnlalizai os diieilos dos individuos e os diieilos dos
µovos e uma dimensao da soLeiania univeisal, que ieside em loda a lumanidade e que µeimile aos µovos um envolvimenlo legilimo em queslões que alelam o mundo
como um lodo. L um movimenlo que, cada vez mais, enconlia exµiessao na giadual exµansao do Diieilo !nleinacional¨. (BO\TROS-GHAI!, Boulios. Foreign Affairs.
Lmµoweiing lle \niled Þalions. v. 89, µ. 98-99, 1992/1993, apud HLÞK!Þ, Iouis, ei al, International law: cases and materials. op. cii. µ. 18.) Tiansila-se, assim, de uma
conceµçao ¨loLLesiana¨ de soLeiania, cenliada no Lslado, µaia uma conceµçao ¨lanliana¨ de soLeiania, cenliada na cidadania univeisal. Paia Celso Ialei, de uma
visao e\ parie principe, lundada nos deveies dos sudilos com ielaçao ao Lslado, µassa-se a uma visao e\ parie populi, lundada na µiomoçao da noçao de diieilos do
cidadao. (IA!LR, Celso. Comercio, Desarmamento, Direitos Humanos
6
A Declaiaçao \niveisal loi aµiovada µela Resoluçao 217 A (!!!), da AssemLleia Geial, em 10 de dezemLio de 1948, µoi 48 volos a zeio e oilo aLslenções. Os oilo Lslados
que se aLsliveiam loiam: Bieloiussia, Clecoslovaquia, Polonia, AiaLia Saudila, \ciânia, \niao Sovielica, Aliica do Sul e !ugoslavia. OLseiva-se que em Helsinli, em
1975, no Alo !inal da Conleiencia soLie Seguiidade e Cooµeiaçao na Luioµa, os Lslados comunislas da Luioµa exµiessamenle adeiiiam a Declaiaçao \niveisal. SoLie
o caialei univeisal da declaiaçao, oLseiva Rene Cassin: ¨Seane perniiido, anies de concluir, resunir a grandes rasgos los caracieres de la declaracion surgida de nuesiros
debaies de 1947 a 1948. Esia declaracion se caracieri:a, por una parie, por su anpliiud. Conprende el conjunio de derechos y faculiades sin los cuales un ser hunano no puede
desarrolar su personalidad fisica, noral y inieleciual. Su segunda caracierisiica es la universalidad. es aplicable a iodos los honbres de iodos los paises, ra:as, religiones y
¨iniernacional¨, la ¹sanblea General, gracias a ni proposicion, proclano la declaracion ¨Universal¨. ¹l hacerlo conscienienenie, subrayo que el individuo es nienbro direcio
de la sociedad hunana y que es sujeio direcio del derecho de genies. Naiuralnenie, es ciudadano de su pais, pero ianbien lo es del nundo, por el hecho nisno de la proieccion
que el nundo debe brindarle. Tales son los caracieres esenciales de la declaracion.(...) 1a Declaracion, por el hecho de haber sido, cono fue el caso, adopiada por unaninidad
(pues solo hubo 8 absienciones, frenie a 48 voios favorables), iuvo innediaianenie una gran repercusion en la noral de las naciones. 1os pueblos enpe:aron a darse cuenia de
que el conjunio de la conunidad hunana se inieresaba por su desiino¨. (CASS!Þ, Rene. Ll µioLlema de la iealizacion de los deieclos lumanos en la sociedad univeisal. !n:
Viente aõos de evolucion de los derechos humanos. Mexico: !nslilulo de !nvesligaciones 1uiidicas, 1974. µ. 397.)
7
lugai de simLolo e de ideal¨. (Þaluieza juiidica da Declaiaçao \niveisal de Diieilos Humanos. Revista dos Tribunais, Sao Paulo, n. 446, µ. 35, dez. 1972.)
22
Artlgo 03
iais, a declaiaçao inedilamenle comLina o discuiso liLeial e o
discuiso social da cidadania, conjugando o valoi da liLeida-
de ao valoi da igualdade
8
. Segundo Iouis B. Soln e Tlomas
Bueigenllal:
A Declaiaçao \niveisal de Diieilos Humanos se
dislingue das liadicionais Cailas de diieilos lumanos
que conslam de diveisas noimas lundamenlais e
conslilucionais dos seculos XV!!! e X!X e começo
do seculo XX, na medida em que ela consagia nao
aµenas diieilos civis e µolilicos, mas lamLem diieilos
economicos, sociais e culluiais, como o diieilo ao
liaLallo e a educaçao
9
.
Ao conjugai o valoi da liLeidade com o valoi da
igualdade, a declaiaçao demaica a conceµçao conlemµoiânea
de diieilos lumanos, µela qual os diieilos lumanos µassam
a sei conceLidos como uma unidade inleideµendenle, inlei-
ielacionada e indivisivel. Assim, µailindo-se do ciileiio
10
,
adola-se o enlendimenlo de que uma geiaçao de diieilos nao
suLslilui a oulia, mas com ela inleiage. !slo e, alasla-se a ideia
da sucessao ¨geiacional¨ de diieilos, na medida em que se acolle
a ideia da exµansao, cumulaçao e loilalecimenlo dos diieilos
lumanos consagiados, lodos essencialmenle comµlemenlaies
e em conslanle dinâmica de inleiaçao. Iogo, aµiesenlando os
diieilos lumanos uma unidade indivisivel, ievela-se esvaziado
o diieilo a liLeidade, quando nao asseguiado o diieilo
a igualdade e, µoi sua vez, esvaziado ievela-se o diieilo a
igualdade, quando nao asseguiada a liLeidade
11
.
Vale dizei, sem a elelividade dos diieilos economicos,
sociais e culluiais, os diieilos civis e µolilicos se ieduzem a
meias calegoiias loimais, enquanlo sem a iealizaçao dos
diieilos civis e µolilicos, ou seja, sem a elelividade da liLeidade
enlendida em seu mais amµlo senlido, os diieilos economicos e
cogilai da liLeidade divoiciada da jusliça social, como lamLem
inliulileio µensai na jusliça social divoiciada da liLeidade. Lm
suma, lodos os diieilos lumanos consliluem um comµlexo
inlegial, unico e indivisivel, em que os dileienles diieilos eslao
necessaiiamenle inlei-ielacionados e inleideµendenles enlie si.
Como eslaLeleceu a Resoluçao n
o
32/130 da AssemLleia
Geial das Þações \nidas:
8
Paia esle µioµosilo, e melloi nos deixaimos oiienlai, ao menos em deleiminado senlido, µoi um dos µais da Declaiaçao, o liances Rene Cassin, que descieveu seu escoµo
do modo a seguii. Piimeiiamenle, liala a Declaiaçao dos diieilos µessoais (os diieilos a igualdade, a vida, a liLeidade e a seguiança, elc. ails. 3
o
a 11). Posleiioimenle,
sao µievislos diieilos que dizem iesµeilo ao individuo em sua ielaçao com giuµos sociais no qual ele µailiciµa (o diieilo a µiivacidade da vida lamiliai e o diieilo ao
casamenlo; o diieilo a liLeidade de movimenlo no âmLilo nacional ou loia dele; o diieilo a nacionalidade; o diieilo ao asilo, na liµolese de µeiseguiçao; diieilos de
µioµiiedade e de µialicai a ieligiao ails. 12 a 17). O leiceiio giuµo de diieilos se ieleie as liLeidades civis e aos diieilos µolilicos exeicidos no senlido de conliiLuii µaia
a loimaçao de oigaos goveinamenlais e µailiciµai do µiocesso de decisao (liLeidade de consciencia, µensamenlo e exµiessao; liLeidade de associaçao e assemLleia; diieilo
de volai e sei eleilo; diieilo ao acesso ao goveino e a adminisliaçao µuLlica ails. 18 a 21). A quaila calegoiia de diieilos se ieleie aos diieilos exeicidos nos camµos
economicos e sociais (ex: aqueles diieilos que se oµeiam nas esleias do liaLallo e das ielações de µioduçao, o diieilo a educaçao, o diieilo ao liaLallo e a assislencia
social e a livie escolla de emµiego, a juslas condições de liaLallo, ao igual µagamenlo µaia igual liaLallo, o diieilo de lundai sindicalos e deles µailiciµai; o diieilo ao
descanso e ao lazei; o diieilo a saude, a educaçao e o diieilo de µailiciµai liviemenle na vida culluial da comunidade ails. 22 a 27)¨. (CASSLSSL, Anlonio. Human
rights in a changing world
leila µoi 1acl Donnelly, quando suslenla que a declaiaçao de 1948 enuncia as seguinles calegoiias de diieilos: 1) diieilos µessoais, incluindo os diieilos a vida, a
nacionalidade, ao ieconlecimenlo µeianle a lei, a µioleçao conlia lialamenlos ou µunições ciueis, degiadanles ou desumanas e a µioleçao conlia a disciiminaçao iacial,
elnica, sexual ou ieligiosa (ails. 2
o
a 7
o
e 15); 2) diieilos judiciais, incluindo o acesso a iemedios µoi violaçao dos diieilos Lasicos, a µiesunçao de inocencia, a gaianlia de
µiocesso µuLlico juslo e imµaicial, a iiielioalividade das leis µenais, a µioleçao conlia a µiisao, delençao ou exilio aiLiliaiios, e conlia a inleileiencia na lamilia, no lai e
na ieµulaçao (ails. 8
o
a 12); 3) liLeidades civis, esµecialmenle as liLeidades de µensamenlo, consciencia e ieligiao, de oµiniao e exµiessao, de movimenlo e iesislencia, e de
Lem-eslai µioµiio e da lamilia (ail. 25); 5) diieilos economicos, incluindo µiinciµalmenle os diieilos ao liaLallo, ao ieµouso e ao lazei, e a seguiança social (ails. 22 a 26);
6) diieilos sociais e culluiais, esµecialmenle os diieilos a insliuçao e a µailiciµaçao na vida culluial da comunidade (ails. 26 e 28); 7) diieilos µolilicos, µiinciµalmenle os
diieilos a lomai µaile no goveino e a eleições legilimas com suliagio univeisal e igual (ail. 21), aciescido dos asµeclos µolilicos de muilas liLeidades civis¨. (DOÞÞLIIY,
1acl. !nleinalional luman iiglls: a iegime analysis. !n: International organization. Massaclussells !nslilule ol Teclnology, Summei 1986. µ. 599-642, apud I!ÞDGRLÞ
AIVLS, 1ose Auguslo. O sistema internacional de proteção dos direitos humanos e o Brasil. Aiquivos do Minisleiio da 1usliça, Biasilia, v. 46, n. 182, µ. 89, jul./dez.1993).
Þa liçao de Celso D. de AlLuqueique Mello, a Declaiaçao \niveisal ¨lem sido dividida µelos auloies em qualio µailes: a) noimas geiais (ails. 1
o
e 2
o
, 28, 29 e 30); L)
diieilos e liLeidades lundamenlais (ails. 3
o
a 20); c) diieilos µolilicos (ail. 21); d) diieilos economicos e sociais (ails. 22 e 27)¨. (Curso de direito internacional publico.
6. ed. Rio de 1aneiio: !ieilas Baslos, 1979. µ. 531.)
9
International protection of human rights. !ndianaµolis: Tle BoLLs-Meiiill Comµany, 1973. µ. 516.
10
A µailii desse ciileiio, os diieilos de µiimeiia geiaçao coiiesµondem aos diieilos civis e µolilicos, que liaduzem o valoi da liLeidade; os diieilos de segunda geiaçao
coiiesµondem aos diieilos sociais, economicos e culluiais, que liaduzem, µoi sua vez, o valoi da igualdade; ja os diieilos de leiceiia geiaçao coiiesµondem ao diieilo
ao desenvolvimenlo, diieilo a µaz, a livie deleiminaçao, que liaduzem o valoi da solidaiiedade. SoLie a maleiia, vei LSP!LII, Hecloi Gioss. Estudios sobre derechos
humanos, Madiid: Civilas, 1988, µ. 328-332. Do mesmo auloi a oLia: Los derechos economicos sociales y culturales en el sistema interamericano. San 1ose, IiLio liLie,
1986. Ainda soLie a ideia de geiações de diieilos lumanos, exµlica Buins H. Weslon: ¨A esle iesµeilo, µailiculaimenle ulil e a noçao de ¨lies geiações de diieilos
lumanos¨ elaLoiada µelo juiisla liances Kaiel Vasal. SoL a insµiiaçao dos lies lemas da Revoluçao liancesa, eslas lies geiações de diieilos sao as seguinles: a µiimeiia
geiaçao se ieleie aos diieilos civis e µolilicos (liberie); a segunda geiaçao aos diieilos economicos, sociais e culluiais (egaliie); e a leiceiia geiaçao se ieleie aos novos
diieilos de solidaiiedade (fraierniie)¨. (WLSTOÞ, Buins H. Human iiglls, !n: CIA\DL, Riclaid Pieiie, WLSTOÞ, Buins H (Ldiloies). Human rights in the world
community, µ. 16-17). SoLie a maleiia consullai ainda I\ÞO, A. L. P. (Los derechos fundamentales. Madiid: Tecnos, 1988); T. H. Maislall (Cidadania, classe social e
status. Rio de 1aneiio: Zalai, 1967.)
11
dos goveinos nos diieilos civis e µolilicos, mas envolvem oLiigações goveinamenlais de cunlo µosilivo em µiol da µiomoçao do Lem-eslai economico e social,
µiessuµondo um Goveino que seja alivo, inleivenloi, µlanejadoi e comµiomelido com os µiogiamas economico-sociais da sociedade que, µoi sua vez, os liansloima
em diieilos economicos e sociais µaia os individuos¨. (The age of rights. Þew Yoil: ColumLia \niveisily Piess, 1990. µ. 6-7). Þo enlanlo, dilicil e a conjugaçao desses
valoies, e em µailiculai dilicil e a conjugaçao dos valoies da igualdade e liLeidade. Como µondeia ÞoiLeilo BoLLio: ¨As sociedades sao mais livies na medida em que
sao menos juslas e mais juslas na medida em que sao menos livies¨. (A era dos direitos. Tiad. Cailos Þelson Coulinlo. Rio de 1aneiio: Camµus, 1992. µ. 43.)
23
A Costltulção 8rasllelra oe 1988 e os Trataoos |nternaclonals oe Proteção oos Dlreltos Humanos
lodos os diieilos lumanos, qualquei que seja o liµo a
que µeilencem, se inlei-ielacionam necessaiiamenle
enlie si, e sao indivisiveis e inleideµendenles
12
. Lssa
conceµçao loi ieileiada na Declaiaçao de Viena de
o
, que os diieilos lumanos
sao univeisais, indivisiveis, inleideµendenles e inlei-
ielacionados.
univeisais, ineienles a condiçao de µessoa e nao ielalivos as
µeculiaiidades sociais e culluiais de deleiminada sociedade,
seja µoi incluii em seu elenco nao so diieilos civis e µolilicos,
mas lamLem diieilos sociais, economicos e culluiais, a
declaiaçao de 1948 demaica a conceµçao conlemµoiânea dos
diieilos lumanos.
\ma das µiinciµais qualidades da declaiaçao e cons-
liluii-se em µaiâmelio e codigo de aluaçao µaia os eslados
inlegianles da comunidade inleinacional. Ao consagiai o ie-
conlecimenlo univeisal dos diieilos lumanos µelos eslados, a
declaiaçao consolida um µaiâmelio inleinacional µaia a µio-
leçao desses diieilos. Þesse senlido, ela e um dos µaiâmelios
lundamenlais µelos quais a comunidade inleinacional ¨desle-
gilima¨ os eslados. \m eslado que sislemalicamenle viola a
declaiaçao nao e meiecedoi de aµiovaçao µoi µaile da comu-
nidade mundial
13
.
A µailii da aµiovaçao da Declaiaçao \niveisal
de 1948 e da conceµçao conlemµoiânea de diieilos lumanos
µoi ela inlioduzida, começa a se desenvolvei o Diieilo
!nleinacional dos Diieilos Humanos, medianle a adoçao
de inumeios lialados inleinacionais vollados a µioleçao
de diieilos lundamenlais. Os insliumenlos inleinacionais
conlemµoiânea comµailillada µelos eslados, na medida
em que invocam o consenso inleinacional aceica de lemas
cenliais aos diieilos lumanos. Þesse senlido, caLe deslacai que,
ale junlo de 2006, o Paclo !nleinacional dos Diieilos Civis e
Polilicos conlava com 156 Lslados-µailes; o Paclo !nleinacional
dos Diieilos Lconomicos, Sociais e Culluiais conlava com
153 Lslados-µailes; a Convençao conlia a Toiluia conlava
com 141 Lslados-µailes; a Convençao soLie a Lliminaçao
da Disciiminaçao Racial conlava com 170 Lslados-µailes;
a Convençao soLie a Lliminaçao da Disciiminaçao conlia a
Mullei conlava com 183 Lslados-µailes e a Convençao soLie
os Diieilos da Ciiança aµiesenlava a mais amµla adesao, com
192 Lslados-µailes
14
.
!oima-se o sislema noimalivo gloLal de µioleçao dos
diieilos lumanos, no âmLilo das Þações \nidas. Lsse sislema
noimalivo, µoi sua vez, e inlegiado µoi insliumenlos de
alcance geial (como os Paclos !nleinacionais de Diieilos Civis e
Polilicos e de Diieilos Lconomicos, Sociais e Culluiais de 1966)
inleinacionais, que Luscam iesµondei a deleiminadas violações
dos diieilos lumanos, como a loiluia, a disciiminaçao iacial,
a disciiminaçao conlia as mulleies, a violaçao dos diieilos das
ciianças, denlie oulias loimas de violaçao.
!iima-se assim, no âmLilo do sislema gloLal, a
coexislencia dos sislemas geial e esµecial de µioleçao dos
diieilos lumanos, como sislemas de µioleçao comµlemenlaies.
do sujeilo de diieilo, no qual o sujeilo µassa a sei vislo segundo
giuµos elnicos minoiilaiios, os giuµos vulneiaveis, as mulleies,
elc.). 1a o sislema geial de µioleçao (ex: os Paclos da OÞ\ de
1966) lem µoi endeieçado loda e qualquei µessoa, conceLida
segundo sua aLsliaçao e geneialidade.
Ao lado do sislema noimalivo gloLal, suige o sislema
noimalivo iegional de µioleçao, que Lusca inleinacionalizai
os diieilos lumanos no µlano iegional, µailiculaimenle na
Luioµa, Ameiica e Aliica. Consolida-se, assim, a convivencia
do sislema gloLal inlegiado µelos insliumenlos das Þações
\nidas, como a Declaiaçao \niveisal de Diieilos Humanos,
o Paclo !nleinacional dos Diieilos Civis e Polilicos, o Paclo
!nleinacional dos Diieilos Lconomicos, Sociais e Culluiais e as
demais Convenções inleinacionais com insliumenlos do sislema
iegional, µoi sua vez inlegiado µelos sislemas inleiameiicano,
euioµeu e aliicano de µioleçao aos diieilos lumanos.
Os sislemas gloLal e iegional nao sao dicolomicos,
mas comµlemenlaies. !nsµiiados µelos valoies e µiinciµios
da Declaiaçao \niveisal, esses sislemas comµõem o
univeiso insliumenlal de µioleçao dos diieilos lumanos no
12
a loimaçao desle novo eihos
lumanos e a µaz consignado na Ala !inal de Helsinque de 1975¨. (A µioleçao inleinacional dos diieilos lumanos no limiai do novo seculo e as µeisµeclivas Liasileiias.
!n: Temas de Politica Externa Brasileira, !!, v. 1, 1994. µ. 169).
13
Cl. Cassesse, Anlonio, Human rights in a changing world, op. cii.
algumas inslâncias, o lexlo das µievisões da Declaiaçao lem sido incoiµoiado em insliumenlos inleinacionais ou na legislaçao nacional e la inumeias inslâncias que
adolam a Declaiaçao como um codigo de condula e um µaiâmelio caµaz de medii o giau de iesµeilo e de oLseivância ielalivamenle aos µaiâmelios inleinacionais de
diieilos lumanos¨. (Soln, Iouis B. e ; Bueigenllal, Tlomas, oµ. cil., µ. 516.)
14
Allo Comissaiiado de Diieilos Humanos das Þações \nidas, . Disµonivel em: <lllµ://www.
unlcli.cl/µdl/ieµoil.µdl>
24
Artlgo 03
µlano inleinacional. Lm lace desse comµlexo univeiso de
insliumenlos inleinacionais, caLe ao individuo que solieu
violaçao de diieilo a escolla do aµaialo mais lavoiavel, lendo
em visla que, evenlualmenle, diieilos idenlicos sao lulelados
µoi dois ou mais insliumenlos de alcance gloLal ou iegional,
ou ainda, de alcance geial ou esµecial. SoL essa olica, os
diveisos sislemas de µioleçao dos diieilos lumanos inleiagem
em Lenelicio dos individuos µiolegidos. De acoido com a visao
de Anlonio Auguslo Cançado Tiindade:
O ciileiio da µiimazia da noima mais lavoiavel as µes-
soas µiolegidas, consagiado exµiessamenle em lanlos
lialados de diieilos lumanos, conliiLui em µiimeiio
lugai µaia ieduzii ou minimizai consideiavelmenle
menlos legais em seus asµeclos noimalivos. ConliiLui,
em segundo lugai, µaia oLlei maioi cooidenaçao enlie
lais insliumenlos em dimensao lanlo veilical (lialados
e insliumenlos de diieilo inleino), quanlo loiizonlal
(dois ou mais lialados). (...) ConliiLui, em leiceiio lu-
gai, µaia demonsliai que a lendencia e o µioµosilo da
coexislencia de dislinlos insliumenlos juiidicos ga-
ianlindo os mesmos diieilos sao no senlido de am-
µliai e loilalecei a µioleçao
15
.
!eilas essas Lieves consideiações a iesµeilo dos
lialados inleinacionais de diieilos lumanos, µassa-se a
analise do modo µelo qual o Biasil se ielaciona com o aµaialo
inleinacional de µioleçao dos diieilos lumanos.
2. O Estado Brasileiro em Face do Sistema Internacional de
Proteção dos Direitos Humanos
Þo que se ieleie a µosiçao do Biasil em ielaçao
ao sislema inleinacional de µioleçao dos diieilos lumanos,
oLseiva-se que somenle a µailii do µiocesso de democializaçao
O maico inicial do µiocesso de incoiµoiaçao de
lialados inleinacionais de diieilos lumanos µelo Diieilo
a Toiluia e Oulios Tialamenlos Ciueis, Desumanos ou
imµoilanles insliumenlos inleinacionais de µioleçao dos
diieilos lumanos loiam lamLem incoiµoiados µelo Diieilo
Biasileiio, soL a egide da Consliluiçao !edeial de 1988.
Assim, a µailii da Caila de 1988, imµoilanles
a) da Convençao !nleiameiicana µaia Pievenii e
Punii a Toiluia, em 20 de jullo de 1989;
L) da Convençao conlia a Toiluia e oulios
Tialamenlos Ciueis, Desumanos ou Degiadanles,
em 28 de selemLio de 1989;
c) da Convençao soLie os Diieilos da Ciiança, em
24 de selemLio de 1990;
d) do Paclo !nleinacional dos Diieilos Civis e
Polilicos, em 24 de janeiio de 1992;
e) do Paclo !nleinacional dos Diieilos Lconomicos,
Sociais e Culluiais, em 24 de janeiio de 1992;
l) da Convençao Ameiicana de Diieilos Humanos,
em 25 de selemLio de 1992;
g) da Convençao !nleiameiicana µaia Pievenii,
Punii e Liiadicai a Violencia conlia a Mullei, em
27 de novemLio de 1995;
l) do Piolocolo a Convençao Ameiicana ieleienle a
ALoliçao da Pena de Moile, em 13 de agoslo de
1996;
i) do Piolocolo a Convençao Ameiicana ieleienle
aos Diieilos Lconomicos, Sociais e Culluiais
(Piolocolo de San Salvadoi), em 21 de agoslo de
1996;
j) da Convençao !nleiameiicana µaia Lliminaçao de
lodas as loimas de Disciiminaçao conlia Pessoas
2001;
l) do Lslalulo de Roma, que ciia o TiiLunal Penal
!nleinacional, em 20 de junlo de 2002;
l) do Piolocolo !acullalivo a Convençao soLie a
Lliminaçao de lodas as loimas de Disciiminaçao
conlia a Mullei, em 28 de junlo de 2002;
m) do Piolocolo !acullalivo a Convençao soLie os
Diieilos da Ciiança soLie o Lnvolvimenlo de
de 2004;
n) do Piolocolo !acullalivo a Convençao soLie os
Diieilos da Ciiança soLie Venda, Piosliluiçao e
2004; e
o) do Piolocolo !acullalivo a Convençao conlia a
Toiluia, em 11 de janeiio de 2007.
15
CAÞÇADO TR!ÞDADL, Anlonio Auguslo. A inleiaçao enlie o diieilo inleinacional e o diieilo inleino na µioleçao dos diieilos lumanos. !n: Arquivos do Ministerio
da Justiça, Biasilia, v. 46, n. 182, µ. 52-53, jul./dez. 1993.
25
A Costltulção 8rasllelra oe 1988 e os Trataoos |nternaclonals oe Proteção oos Dlreltos Humanos
As inovações inlioduzidas µela Caila de 1988
esµecialmenle no que lange ao µiimado da µievalencia dos
diieilos lumanos, como µiinciµio oiienladoi das ielações
imµoilanles insliumenlos de µioleçao dos diieilos lumanos
16
.
Alem das inovações conslilucionais, como imµoilanle
aciescenle-se a necessidade do Lslado Liasileiio ieoiganizai
sua agenda inleinacional, de modo mais condizenle com
as liansloimações inleinas decoiienles do µiocesso de
democializaçao. Lsse esloiço se conjuga com o oLjelivo de
comµoi uma imagem mais µosiliva do Lslado Liasileiio no
conlexlo inleinacional, como µais iesµeiladoi e gaianlidoi
dos diieilos lumanos. Adicione-se que a suLsciiçao do Biasil
aos lialados inleinacionais de diieilos lumanos simLoliza
ainda o aceile do Biasil µaia com a ideia conlemµoiânea de
gloLalizaçao dos diieilos lumanos, Lem como µaia com a ideia
da legilimidade das µieocuµações da comunidade inleinacional,
giau de univeisalidade desses insliumenlos, que conlam com
inleinacional.
Iogo, laz-se claia a ielaçao enlie o µiocesso de
democializaçao no Biasil e o µiocesso de incoiµoiaçao de
ielevanles insliumenlos inleinacionais de µioleçao dos diieilos
lumanos, lendo em visla que, se o µiocesso de democializaçao
do µiocesso democialico, µoi meio da amµliaçao e do ieloiço
do univeiso de diieilos µoi ele asseguiado.
3. A Incorporação dos Tratados Internacionais de Proteção de
Direitos Humanos pelo Direito Brasileiro
Pieliminaimenle, e necessaiio liisai que a Consliluiçao
Biasileiia de 1988 conslilui o maico juiidico da liansiçao
democialica e da inslilucionalizaçao dos diieilos lumanos
no Biasil. O lexlo de 1988, ao simLolizai a iuµluia com o
iegime auloiilaiio, emµiesla aos diieilos e gaianlias enlase
exliaoidinaiia, siluando-se como o documenlo mais avançado,
aLiangenle e µoimenoiizado soLie a maleiia, na lisloiia
conslilucional do µais.
O valoi da dignidade lumana inedilamenle
elevado a µiinciµio lundamenlal da Caila, nos leimos do
ail. 1
o
, !!! imµõe-se como nucleo Lasico e inloimadoi do
oidenamenlo juiidico Liasileiio, como ciileiio e µaiâmelio de
valoiaçao a oiienlai a inleiµielaçao e comµieensao do sislema
conslilucional inslauiado em 1988. A dignidade lumana
e os diieilos lundamenlais vem a consliluii os µiinciµios
conslilucionais que incoiµoiam as exigencias de jusliça e dos
valoies elicos, conleiindo suµoile axiologico a lodo o sislema
juiidico Liasileiio. Þa oidem de 1988, esses valoies µassam a sei
dolados de uma esµecial loiça exµansiva, µiojelando-se µoi lodo
o univeiso conslilucional e seivindo como ciileiio inleiµielalivo
de lodas as noimas do oidenamenlo juiidico nacional.
L nesse conlexlo que la de se inleiµielai o disµoslo
no ail. 5
o
, , 2
o
do lexlo, que, de loima inedila, lece a inleiaçao
enlie o Diieilo Liasileiio e os lialados inleinacionais de diieilos
µelo ail. 5
o
, a Caila de 1988 eslaLelece que os diieilos e gaianlias
exµiessos na Consliluiçao ¨nao excluem oulios decoiienles
do iegime e dos µiinciµios µoi ela adolados, ou dos lialados
inleinacionais em que a ReµuLlica !edeialiva do Biasil seja
µaile¨. A luz desse disµosilivo conslilucional, os diieilos
lundamenlais µodem sei oiganizados em lies dislinlos giuµos:
a) o dos diieilos exµiessos na Consliluiçao;
L) o dos diieilos imµlicilos, decoiienles do iegime e
dos µiinciµios adolados µela Caila conslilucional; e
c) o dos diieilos exµiessos nos lialados inleinacio-
nais suLsciilos µelo Biasil. A Consliluiçao de 1988
inova, assim, ao incluii, denlie os diieilos consli-
lucionalmenle µiolegidos, os diieilos enunciados
nos lialados inleinacionais de que o Biasil seja
signalaiio. Ao eleluai lal incoiµoiaçao, a Caila
esla a aliiLuii aos diieilos inleinacionais uma
lieiaiquia esµecial e dileienciada, qual seja, a de
noima conslilucional.
Lssa conclusao advem de inleiµielaçao sislemalica e
leleologica do lexlo, esµecialmenle em lace da loiça exµansiva
dos valoies da dignidade lumana e dos diieilos lundamenlais,
como µaiâmelios axiologicos a oiienlai a comµieensao do
lenomeno conslilucional
17
. A esse iaciocinio se aciescenlam o
16
Paia 1. A. Iindgien Alves: ¨Com a adesao aos dois Paclos !nleinacionais da OÞ\, assim como ao Paclo de Sao 1ose, no âmLilo da OLA, em 1992, e lavendo
necessaiias a sua inlegiaçao ao sislema inleinacional de µioleçao aos diieilos lumanos. !nleinamenle, µoi oulio lado, as gaianlias aos amµlos diieilos enlionizados
na Consliluiçao de 1988, nao µassiveis de emendas e, ainda, exlensivas a oulios decoiienles de lialados de que o µais seja µaile, asseguiam a disµosiçao do Lslado
democialico Liasileiio de conloimai-se µlenamenle as oLiigações inleinacionais µoi ele conliaidas¨. (Os direitos humanos como tema global. Sao Paulo: Peisµecliva/
!undaçao Alexandie de Gusmao, 1994. µ. 108.)
17
Paia 1ose 1oaquim Gomes Canolillo: ¨A legilimidade maleiial da Consliluiçao nao se Lasla com um ¨dai loima¨ ou ¨consliluii¨ de oigaos; exige uma lundamenlaçao
suLslanliva µaia os aclos dos µodeies µuLlicos e dai que ela lenla de sei um µaiâmelio maleiial, diieclivo e insµiiadoi desses aclos. A lundamenlaçao maleiial e loje
essencialmenle loinecida µelo calalogo de diieilos lundamenlais (diieilos, liLeidades e gaianlias e diieilos economicos, sociais e culluiais)¨. (Direito constitucional. 6. ed.
iev. CoimLia: Almedina, 1993. µ. 74.)
26
Artlgo 03
µiinciµio da maxima elelividade das noimas conslilucionais
ieleienles a diieilos e gaianlias lundamenlais e a naluieza
maleiialmenle conslilucional dos diieilos lundamenlais
18
, o
iegime conslilucional conleiido aos demais diieilos e gaianlias
lundamenlais. Lssa conclusao decoiie lamLem do µiocesso de
gloLalizaçao, que µioµicia e eslimula a aLeiluia da Consliluiçao
a noimaçao inleinacional aLeiluia que iesulla na amµliaçao
do ¨Lloco de conslilucionalidade¨, que µassa a incoiµoiai
µieceilos asseguiadoies de diieilos lundamenlais. Adicione-se,
ainda, o lalo de as Consliluições lalino-ameiicanas iecenles
conleiiiem aos lialados de diieilos lumanos um siaius
juiidico esµecial e dileienciado, deslacando-se, nesse senlido,
a Consliluiçao da Aigenlina que, em seu ail. 75, , 22, eleva os
µiinciµais lialados de diieilos lumanos a lieiaiquia de noima
conslilucional.
Iogo, µoi loiça do ail. 5
o
, ,, 1
o
e 2
o
, a Caila de 1988
aliiLui aos diieilos enunciados em lialados inleinacionais a
lieiaiquia de noima conslilucional, incluindo-os no elenco
dos diieilos conslilucionalmenle gaianlidos, que aµiesenlam
aµlicaLilidade imediala. A lieiaiquia conslilucional dos
lialados de µioleçao dos diieilos lumanos decoiie da µievisao
conslilucional do ail. 5
o
, , 2
o
, a luz de uma inleiµielaçao
sislemalica e leleologica da Caila, µailiculaimenle da
µiioiidade que aliiLui aos diieilos lundamenlais e ao µiinciµio
da dignidade da µessoa lumana. Lssa oµçao do consliluinle
de diieilos lumanos e, no enlendei de µaile da douliina, da
suµeiioiidade desses lialados no µlano inleinacional, lendo
em visla que inlegiaiiam o clamado jus cogens (diieilo cogenle
e indeiiogavel).
Lnlalize-se que, enquanlo os demais lialados
inleinacionais lem loiça lieiaiquica inliaconslilucional
19
,
nos leimos do ail. 102, !!!, ¨L¨ do lexlo (que admile o
caLimenlo de iecuiso exliaoidinaiio de decisao que declaiai
a inconslilucionalidade de lialado), os diieilos enunciados
em lialados inleinacionais de µioleçao dos diieilos lumanos
delem naluieza de noima conslilucional. Lsse lialamenlo
lialados inleinacionais de diieilos lumanos aµiesenlam um
caialei esµecial, dislinguindo-se dos lialados inleinacionais
comuns. Lnquanlo esles Luscam o equiliLiio e a ieciµiocidade
de ielações enlie Lslados-µailes, aqueles lianscendem os
meios comµiomissos ieciµiocos enlie os Lslados µacluanles,
lendo em visla que oLjelivam a salvaguaida dos diieilos do
sei lumano e nao das µieiiogalivas dos Lslados. Þo mesmo
senlido, aigumenla 1uan Anlonio Tiavieso:
Ios lialados modeinos soLie deieclos lumanos en
geneial, y, en µailiculai la Convencion Ameiicana
no son lialados mullilaleiales del liµo liadicional
concluidos en luncion de un inleicamLio ieciµioco
los deieclos lundamenlales de los seies lumanos
indeµendienlemenle de su nacionalidad, lanlo
lienle a su µioµiio Lslado como lienle a los olios
Lslados conlialanles. Al aµioLai eslos lialados soLie
deieclos lumanos, los Lslados se somelen a un oiden
legal denlio del cual ellos, µoi el Lien comun, asumen
vaiias oLligaciones, no en ielacion con olios Lslados,
sino lacia los individuos Lajo su juiisdiccion. Poi
lanlo, la Convencion no solo vincula a los Lslados
µailes, sino que oloiga gaianlias a las µeisonas. Poi
como cualquiei olio lialado
20
.
siaius
conslilucional aliiLuido aos lialados inleinacionais de
µioleçao dos diieilos lumanos.
Conclui-se, µoilanlo, que o Diieilo Liasileiio laz oµ-
çao µoi um sislema mislo, que comLina iegimes juiidicos dile-
ienciados: um iegime aµlicavel aos lialados de diieilos luma-
nos e um oulio aµlicavel aos lialados liadicionais. Lnquanlo
18
do diieilo conslilucional: qual e o conleudo ou maleiia da Consliluiçao' O conleudo da Consliluiçao vaiia de eµoca µaia eµoca e de µais µaia µais e, µoi isso, e
Podei Consliluinle. Regislie-se, µoiem, que, lisloiicamenle (na exµeiiencia conslilucional), loiam consideiadas maleiias conslilucionais, par e\cellence, a oiganizaçao
maleiia conslilucional aliaves da inseiçao de novos conleudos, ale enlao consideiados de valoi juiidico-conslilucional iiielevanle, de valoi adminislialivo ou de naluieza
suL-conslilucional (diieilos economicos, sociais e culluiais, diieilos de µailiciµaçao e dos liaLalladoies e consliluiçao economica)¨. (Direito constitucional, op. cii.
µ. 68). Piossegue o mesmo auloi: ¨\m iopos caiacleiizadoi da modeinidade e do conslilucionalismo loi semµie o da consideiaçao dos ¨diieilos do lomem¨ como raiio
essendi do Lslado Conslilucional. Quei lossem consideiados como ¨diieilos naluiais¨, ¨diieilos inalienaveis¨ ou ¨diieilos iacionais¨ do individuo, os diieilos do lomem,
conslilucionalmenle ieconlecidos, µossuiam uma dimensao µiojecliva de comensuiaçao univeisal¨. (iden, µ. 18).
19
Suslenla-se que os lialados liadicionais lem lieiaiquia inliaconslilucional, mas suµialegal. Lsse µosicionamenlo se coaduna com o µiinciµio da Loa-le, vigenle no
diieilo inleinacional (o pacia suni servanda
20
TRAV!LSO, 1uan Anlonio. Derechos humanos y derecho internacional. Buenos Aiies: Heliasla, 1990. µ. 90. Comµailillando do mesmo enlendimenlo, leciona 1oige
Reinaldo Vanossi: 1a declaracion de la Consiiiucion argeniina es concordanie con as Declaraciones que han adopiado los organisnos iniernacionales, y se refuer:a con la
insiiiuciones iniernacionales. (La Constitución Nacional y los derechos humanos. 3. ed. Buenos Aiies: LudeLa, 1988. µ. 35.)
27
A Costltulção 8rasllelra oe 1988 e os Trataoos |nternaclonals oe Proteção oos Dlreltos Humanos
os lialados inleinacionais de µioleçao dos diieilos lumanos
µoi loiça do ail. 5
o
, ,, 1
o
e 2
o
aµiesenlam lieiaiquia de
noima conslilucional e aµlicaçao imediala, os demais liala-
dos inleinacionais aµiesenlam lieiaiquia inliaconslilucional
e se suLmelem a sislemalica da incoiµoiaçao legislaliva. Þo
que se ieleie a incoiµoiaçao aulomalica, diveisamenle dos
lialados liadicionais, os lialados inleinacionais de diieilos
lumanos iiiadiam eleilos concomilanlemenle na oidem
çao. Þao e necessaiia a µioduçao de um alo noimalivo que
ieµioduza no oidenamenlo juiidico nacional o conleudo do
lialado, µois sua incoiµoiaçao e aulomalica, segundo os lei-
mos do ail. 5
o
, , 1
o
, que consagia o µiinciµio da aµlicaLilida-
lundamenlais.
OLseiva-se, conludo, que la qualio coiienles
douliinaiias aceica da lieiaiquia dos lialados inleinacionais
de µioleçao dos diieilos lumanos, que suslenlam:
a) a lieiaiquia suµia-conslilucional desses lialados;
L) a lieiaiquia conslilucional;
c) a lieiaiquia inlia-conslilucional, mas suµia-legal e
d) a µaiidade lieiaiquica enlie lialado e lei ledeial
21
.
Þo senlido de iesµondei a µolemica douliinaiia
e juiisµiudencial conceinenle a lieiaiquia dos lialados
inleinacionais de µioleçao dos diieilos lumanos, a Lmenda
Conslilucional n
o
45, de 8 dezemLio de 2004, inlioduziu um
, 3
o
no ail. 5
o
, disµondo:
Os lialados e convenções inleinacionais soLie diieilos
lumanos que loiem aµiovados, em cada Casa do
Congiesso Þacional, em dois luinos, µoi lies quinlos
dos volos dos iesµeclivos memLios, seiao equivalenles
as emendas a Consliluiçao.
Lm lace de lodos os aigumenlos ja exµoslos, suslenla-
se que a lieiaiquia conslilucional ja se exliai da inleiµielaçao
conleiida ao µioµiio ail. 5
o
, , 2
o
, da Consliluiçao de 1988. Vale
dizei, seiia mais adequado que a iedaçao do aludido , 3
o
do
ail. 5
o
endossasse a lieiaiquia loimalmenle conslilucional
de lodos os lialados inleinacionais de µioleçao dos diieilos
aigenlino que os lialados inleinacionais de µioleçao de
lieiaiquia conslilucional
22
.
Þo enlanlo, eslaLelece o , 3
o
do ail. 5
o
que os lialados
inleinacionais de diieilos lumanos aµiovados, em cada Casa
do Congiesso Þacional, em dois luinos, µoi lies quinlos dos
volos dos iesµeclivos memLios, seiao equivalenles as emendas
a Consliluiçao.
Desde logo, la que alaslai o enlendimenlo segundo
o qual, em lace do , 3
o
do ail. 5
o
, lodos os lialados de diieilos
µois nao leiiam oLlido o quorun
demandado µelo aludido µaiagialo.
OLseive-se que os lialados de µioleçao dos diieilos
n
o
45/2004 conlaiam com amµla maioiia na Câmaia dos
Deµulados e no Senado !edeial, excedendo, inclusive, o quorun
dos lies quinlos dos memLios em cada Casa. Todavia, nao
loiam aµiovados µoi dois luinos de volaçao, mas em um unico
luino de volaçao em cada Casa, uma vez que o µiocedimenlo
de dois luinos nao eia lamµouco µievislo.
Reileie-se que, µoi loiça do ail. 5
o
, , 2
o
, lodos
os lialados de diieilos lumanos, indeµendenlemenle do
quorun de sua aµiovaçao, sao maleiialmenle conslilucionais,
comµondo o Lloco de conslilucionalidade. O quorun
esla lao-somenle a ieloiçai lal naluieza, ao adicionai um
µioµiciando a ¨conslilucionalizaçao loimal¨ dos lialados
de diieilos lumanos no âmLilo juiidico inleino. Como ja
delendido µoi esse liaLallo, na leimeneulica emanciµaloiia
dos diieilos la que imµeiai uma logica maleiial e nao
loimal, oiienlada µoi valoies, a celeLiai o valoi lundanle da
µievalencia da dignidade lumana. A lieiaiquia de valoies deve
coiiesµondei uma lieiaiquia de noimas
23
, e nao o oµoslo. Vale
dizei, a µieµondeiância maleiial de um Lem juiidico, como e o
caso de um diieilo lundamenlal, deve condicionai a loima no
µlano juiidico-noimalivo, e nao sei condicionado µoi ela.
Þao seiia iazoavel suslenlai que os lialados de
lei ledeial, enquanlo os demais adquiiissem lieiaiquia
conslilucional exclusivamenle em viilude de seu quorun de
aµiovaçao. A lilulo de exemµlo, deslaque-se que o Biasil e
µaile da Convençao conlia a Toiluia e oulios Tialamenlos
ou Penas Ciueis, Desumanos ou Degiadanles desde 1989,
laveiia qualquei iazoaLilidade se a esle ullimo um lialado
comµlemenlai e suLsidiaiio ao µiinciµal losse conleiida
21
A iesµeilo, vei P!OVLSAÞ, !lavia. Direitos Humanos e o Direito Constitucional Internacional, 8. ed. ievisla, amµliada e alualizada, Sao Paulo: Saiaiva, 2007,
µ. 51-81.
22
Delendi essa µosiçao em µaiecei soLie o lema, aµiovado em sessao do Consello Þacional de Delesa dos Diieilos da Pessoa Humana, em maiço de 2004.
23
MLIIO, Celso de AlLuqueique. O µaiagialo 2
o
do ail. 5
o
da Consliluiçao !edeial. !n: Teoria dos direitos fundamentais, µ. 25.
28
Artlgo 03
lieiaiquia conslilucional, e ao insliumenlo µiinciµal losse
conleiida lieiaiquia meiamenle legal. Tal siluaçao imµoilaiia
em agudo anacionismo do sislema juiidico, alionlando, ainda,
a leoiia geial da ieceµçao acollida no diieilo Liasileiio
24
.
Ademais, como iealça Celso Ialei, ¨o novo µaiagialo 3
o

do ail. 5
o
µode sei consideiado como uma lei inleiµielaliva des-
linada a enceiiai as conlioveisias juiisµiudenciais e douliinaiias
susciladas µelo µaiagialo 2
o
do ail. 5
o
. De acoido com a oµiniao
douliinaiia liadicional, uma lei inleiµielaliva nada mais laz do que
25
.
\ma vez mais, coiioLoia-se o enlendimenlo de que os
menle ao mencionado µaiagialo, ou seja, anleiioimenle a Lmen-
da Conslilucional n
o
45/2004, lem lieiaiquia conslilucional, si-
luando-se como noimas maleiial e loimalmenle conslilucionais.
Lsse enlendimenlo decoiie de qualio aigumenlos:
a) a inleiµielaçao sislemalica da Consliluiçao, de
loima a dialogai os ,, 2
o
e 3
o
do ail. 5
o
, ja que o
ullimo nao ievogou o µiimeiio, mas deve, ao ieves,
sei inleiµielado a luz do sislema conslilucional;
L) a logica e iacionalidade maleiial que devem
oiienlai a leimeneulica dos diieilos lumanos;
c) a necessidade de evilai inleiµielações que aµon-
lem a agudos anacionismos da oidem juiidica; e
d) a leoiia geial da ieceµçao do Diieilo Liasileiio.
A iesµeilo do imµaclo ail. 5
o
, , 3
o
, deslaca-se a decisao
do Suµeiioi TiiLunal de 1usliça, quando do julgamenlo do
RHC 18799, lendo como ielaloi o Minislio 1ose Delgado, em
maio de 2006:
(...) o ,3
o
do ail. 5
o
da C!/88, aciescido µela LC n. 45,
e laxalivo ao enunciai que os lialados e convenções
inleinacionais soLie diieilos lumanos que loiem
aµiovados, em cada Casa do Congiesso Þacional,
em dois luinos, µoi lies quinlos dos volos dos
iesµeclivos memLios, seiao equivalenles as emendas
conslilucionais.
Oia, aµesai de a eµoca o ieleiido Paclo lei sido
aµiovado com quorun de lei oidinaiia, e de se iessallai que
ele nunca loi ievogado ou ieliiado do mundo juiidico, nao
oLslanle a sua iejeiçao decanlada µoi decisões judiciais. De
acoido com o cilado ,3
o
, a Convençao conlinua em vigoi, desla
leila com loiça de emenda conslilucional. A iegia emanada
µelo disµosilivo em aµieço e claia no senlido de que os lialados
inleinacionais conceinenles a diieilos lumanos nos quais o
Biasil seja µaile devem sei assimilados µela oidem juiidica do
µais como noimas de lieiaiquia conslilucional. Þao se µode
escanleai que o ,1
o
suµia deleimina, µeiemµloiiamenle, que
lem aµlicaçao imediala¨. Þa esµecie, devem sei aµlicados,
imedialamenle, os lialados inleinacionais em que o Biasil
seja µaile. O Paclo de Sao 1ose da Cosla Rica loi iesgalado
µela nova disµosiçao (,3
o
do ail. 5
o
ielioaliva. A liamilaçao de lei oidinaiia conleiida a aµiovaçao
da mencionada Convençao (...) nao consliluiia oLice loimal
de ielevância suµeiioi ao conleudo maleiial do novo diieilo
aclamado, nao imµedindo a sua ielioalividade, µoi se lialai de
acoido inleinacional µeilinenle a diieilos lumanos¨
26
.
Lsse julgado ievela a leimeneulica adequada a sei
aµlicada aos diieilos lumanos, insµiiada µoi uma logica e
soL a loima
27
.
O imµaclo da inovaçao inlioduzida µelo ail. 5
o
, , 3
o
e
a necessidade de evoluçao e alualizaçao juiisµiudencial loiam
lamLem iealçadas no Suµiemo TiiLunal !edeial, quando do
julgamenlo do RL 466.343
28
, em 22 de novemLio de 2006, em
emLlemalico volo µioleiido µelo Minislio Gilmai !eiieiia
Mendes, ao deslacai:
(...) a ieloima acaLou µoi iessallai o caialei esµe-
cial dos lialados de diieilos lumanos em ielaçao aos
demais lialados de ieciµiocidade enlie Lslados µac-
luanles, conleiindo-lles lugai µiivilegiado no oide-
namenlo juiidico. (...) a mudança conslilucional ao
24
A lilulo de exemµlo, cile-se o Codigo TiiLulaiio Þacional (Iei 5.172, de 25 de ouluLio de 1966), que, emLoia seja lei oidinaiia, loi ieceµcionado como lei comµlemenlai,
nos leimos do ailigo 146 da Consliluiçao !edeial.
25
IA!LR, Celso. A internacionalização dos direitos humanos: Constituição, racismo e relações internacionais, Baiueii: Manole, 2005. µ. 16.
26
RHC 18799, Recuiso Oidinaiio em Habeas Corpus, dala do julgamenlo: 09/05/2006, D1 08.06.2006.
27
Lm senlido conliaiio, deslaca-se o RHC 19087, Recuiso Oidinaiio em Habeas Corpus, dala do julgamenlo: 18/05/2006, D1 29.05.2006, julgado µioleiido µelo Suµeiioi
TiiLunal de 1usliça, lendo como ielaloi o Minislio AlLino Zavascli. A aigumenlaçao do ieleiido julgado, ao ieves, insµiiou-se µoi uma logica e iacionalidade loimal,
µoi quorun
Diieilos Humanos)¨.
28
Vei Recuiso Lxliaoidinaiio 466.343-1, Sao Paulo, ielaloi Minislio Cezai Peluso, iecoiienle Banco Biadesco S/A e iecoiiido Iuciano Caidoso Sanlos. Þole-se que o
julgamenlo envolvia a lemalica da µiisao civil µoi divida e a aµlicaçao da Convençao Ameiicana de Diieilos Humanos. Ale novemLio de 2006, oilo dos onze Minislios
!edeial, ao enlienlai a mesma lemalica, suslenlou a µaiidade lieiaiquica enlie lialado e lei ledeial, admilindo a µossiLilidade da µiisao civil µoi divida, µelo volo de
oilo dos onze Minislios.
29
A Costltulção 8rasllelra oe 1988 e os Trataoos |nternaclonals oe Proteção oos Dlreltos Humanos
qual lem sido µieconizada µela juiisµiudencia do Su-
µiemo TiiLunal !edeial desde o iemolo julgamenlo
do RL n
o
80.004/SL, de ielaloiia do Minislio Xaviei
de AlLuqueique (julgado em 1.6.1977; D1 29.12.1977)
e enconlia iesµaldo em laigo ieµeiloiio de casos jul-
gados aµos o advenlo da Consliluiçao de 1988. (...)
Tudo indica, µoilanlo, que a juiisµiudencia do Su-
µiemo TiiLunal !edeial, sem somLia de duvidas, lem
de sei ievisilada ciilicamenle. (...) Assim, a µiemenle
necessidade de se dai elelividade a µioleçao dos diiei-
los lumanos nos µlanos inleino e inleinacional loina
imµeiiosa uma mudança de µosiçao quanlo ao µaµel
dos lialados inleinacionais soLie diieilos na odem
juiidica nacional. L necessaiio assumii uma µosluia
juiisdicional mais adequada as iealidades emeigenles
em âmLilos suµianacionais, volladas µiimoidialmen-
le a µioleçao do sei lumano. (...) Deixo acenluado,
lamLem, que a evoluçao juiisµiudencial semµie loi
uma maica de qualquei juiisdiçao conslilucional.
(...) Tenlo ceileza de que o esµiiilo desla Coile, loje,
mais que que nunca, esla µieµaiado µaia essa aluali-
zaçao juiisµiudencial.
lialados de diieilos lumanos.
Aciedila-se que o novo disµosilivo do ail. 5
o
, , 3
o
, vem
a ieconlecei de modo exµlicilo a naluieza maleiialmenle cons-
lilucional dos lialados de diieilos lumanos, ieloiçando, desse
modo, a exislencia de um iegime juiidico mislo, que dislingue os
lialados de diieilos lumanos dos lialados liadicionais de cunlo
comeicial. !slo e, ainda que lossem aµiovados µelo elevado
quorun de lies quinlos dos volos dos memLios de cada Casa
do Congiesso Þacional, os lialados comeiciais nao µassaiiam
a lei siaius loimal de noima conslilucional lao-somenle µelo
µiocedimenlo de sua aµiovaçao.
anleiioimenle a Lmenda n
o
45/2004, µoi loiça dos ,, 2
o
e
3
o
do ail. 5
o
da Consliluiçao, sao noimas maleiial e loimalmenle
conslilucionais, com ielaçao aos novos lialados de diieilos
o
do mesmo ail. 5
o
,
indeµendenlemenle de seu quorun de aµiovaçao, seiao noimas
maleiialmenle conslilucionais. Conludo, µaia conveileiem-
se em noimas lamLem loimalmenle conslilucionais deveiao
µeicoiiei o µiocedimenlo demandado µelo , 3
o
. Þo mesmo
senlido, Celso Ial
Com a vigencia da Lmenda Conslilucional n
o
45, de
08 de dezemLio de 2004, os lialados inleinacionais a
que o Biasil venla a adeiii, µaia seiem ieceµcionados
loimalmenle como noimas conslilucionais, devem
oLedecei ao ilem µievislo no novo µaiagialo 3
o
do
ail. 5
o29
.
!slo µoique, a µailii de um ieconlecimenlo exµlicilo
da naluieza maleiialmenle conslilucional dos lialados de
diieilos lumanos, o , 3
o
do ail. 5
o
µeimile aliiLuii o siaius
de noima loimalmenle conslilucional aos lialados de diieilos
lumanos que oLedeceiem ao µiocedimenlo nele conlemµlado.
Iogo, µaia que os lialados de diieilos lumanos a seiem
se a oLseivância de quorun
volos dos memLios de cada Casa do Congiesso Þacional,
em dois luinos que e juslamenle o quorun exigido µaia a
aµiovaçao de emendas a Consliluiçao, nos leimos do ail. 60,
, 2
o
, da Caila de 1988. Þessa liµolese, os lialados de diieilos
lumanos loimalmenle conslilucionais sao equiµaiados as
emendas a Consliluiçao, islo e, µassam a inlegiai loimalmenle
o Texlo Conslilucional.
Vale dizei, com o advenlo do , 3
o
do ail. 5
o
suigem
duas calegoiias de lialados inleinacionais de µioleçao de
diieilos lumanos:
a) os maleiialmenle conslilucionais; e
L) os maleiial e loimalmenle conslilucionais. !iise-
se: lodos os lialados inleinacionais de diieilos
lumanos sao maleiialmenle conslilucionais,
µoi loiça do , 2
o
do ail. 5
o30
. Paia alem de seiem
maleiialmenle conslilucionais, µodeiao, a µailii
do , 3
o
do mesmo disµosilivo, aciescei a qualidade
de loimalmenle conslilucionais, equiµaiando-se
as emendas a Consliluiçao, no âmLilo loimal.
4. O Impacto dos Tratados Internacionais de Proteção dos
Direitos Humanos na Ordem Juridica Brasileira
Relalivamenle ao imµaclo juiidico dos lialados
inleinacionais de diieilos lumanos no Diieilo Liasileiio, e
consideiando a lieiaiquia conslilucional desses lialados, lies
liµoleses µodeiao ocoiiei. O diieilo enunciado no lialado
inleinacional µodeia:
29
IA!LR, Celso. A internacionalização dos direitos humanos: Constituição, racismo e relações internacionais. Baiueii: Manole, 2005. µ. 17.
30
Como !ngo Wollgang Sailel leciona: ¨!noLslanle nao necessaiiamenle ligada a lundamenlalidade loimal, e µoi inleimedio do diieilo conslilucional µosilivo (ail.
5
o
, µaiagialo 2
o
da C!) que a noçao de lundamenlalidade maleiial µeimile a aLeiluia da Consliluiçao a oulios diieilos lundamenlais nao conslanles de seu lexlo, e,
µoilanlo, aµenas maleiialmenle lundamenlais, assim como la diieilos lundamenlais siluados loia do calalogo, mas inlegianles da Consliluiçao loimal¨ (
direitos fundamentais, µ. 81.)
30
Artlgo 03
a) coincidii com o diieilo asseguiado µela Conslilui-
çao (nesle caso a Consliluiçao ieµioduz µieceilos
do Diieilo !nleinacional dos Diieilos Humanos);
L) inlegiai, comµlemenlai e amµliai o univeiso de
diieilos conslilucionalmenle µievislos;
c) conliaiiai µieceilo do Diieilo inleino.
Þa µiimeiia liµolese, o Diieilo inleino Liasileiio,
em µailiculai a Consliluiçao de 1988, aµiesenla disµosilivos
inleinacionais de diieilos lumanos. A lilulo de exemµlo, me-
iece ieleiencia o disµoslo no ail. 5
o
, inciso !!!, da Consliluiçao
de 1988 que, ao µievei que ¨ninguem seia suLmelido a loiluia,
nem a lialamenlo ciuel, desumano ou degiadanle¨, e ieµio-
duçao lileial do ail. V da Declaiaçao \niveisal de 1948, do
ail. 7
o
do Paclo !nleinacional dos Diieilos Civis e Polilicos e
ainda do ail. 5
o
(2) da Convençao Ameiicana. Poi sua vez, o
µiinciµio da inocencia µiesumida, inedilamenle µievislo µela
Consliluiçao de 1988 em seu ail. 5
o
, IV!!, lamLem e iesullado
de insµiiaçao no Diieilo !nleinacional dos Diieilos Humanos,
nos leimos do ail. X! da Declaiaçao \niveisal, ail. 14 (3) do
Paclo !nleinacional dos Diieilos Civis e Polilicos e ail. 8
o
(2)
da Convençao Ameiicana. Lsses sao aµenas alguns exemµlos
que comµiovam o quanlo o Diieilo inleino Liasileiio lem
como insµiiaçao, µaiadigma e ieleiencia, o Diieilo !nleina-
cional dos Diieilos Humanos.
A ieµioduçao de disµosições de lialados inleinacio-
nao aµenas o lalo do legisladoi nacional Luscai oiienlaçao e
insµiiaçao nesse insliumenlal, mas ainda ievela a µieocuµaçao
do legisladoi em equacionai o Diieilo inleino, de modo a que
se ajusle, com laimonia e consonância, as oLiigações inleina-
cionalmenle assumidas µelo Lslado Liasileiio. Þesse caso, os
lialados inleinacionais de diieilos lumanos ieloiçam o valoi
juiidico de diieilos conslilucionalmenle asseguiados, de loima
que evenlual violaçao do diieilo imµoilaia nao aµenas em ies-
µonsaLilizaçao nacional, mas lamLem em iesµonsaLilizaçao
inleinacional.
1a na segunda liµolese, os lialados inleinacionais de
diieilos lumanos eslaiao a inlegiai, comµlemenlai e eslendei
a declaiaçao conslilucional de diieilos. Com eleilo, a µailii dos
e µossivel elencai inumeios diieilos que, emLoia nao µievislos
no âmLilo nacional, enconliam-se enunciados nesses lialados
e, assim, µassam a se incoiµoiai ao Diieilo Liasileiio. A lilulo
de ilusliaçao, caLe mençao aos seguinles diieilos:
a) diieilo de loda µessoa a um nivel de vida
adequado µaia si µioµiio e sua lamilia, inclusive
a alimenlaçao, veslimenla e moiadia, nos leimos
do ail. 11 do Paclo !nleinacional dos Diieilos
Lconomicos, Sociais e Culluiais;
L) µioiLiçao de qualquei µioµaganda em lavoi
da gueiia e µioiLiçao de qualquei aµologia ao
odio nacional, iacial ou ieligioso, que conslilua
incilamenlo a disciiminaçao, a loslilidade ou
a violencia, em conloimidade com o ail. 20 do
Paclo !nleinacional dos Diieilos Civis e Polilicos
e ail. 13 (5) da Convençao Ameiicana;
c) diieilo das minoiias elnicas, ieligiosas ou
lingüislicas de lei sua µioµiia vida culluial,
µiolessai e µialicai sua µioµiia ieligiao e usai sua
µioµiia lingua, nos leimos do ail. 27 do Paclo
!nleinacional dos Diieilos Civis e Polilicos e
ail. 30 da Convençao soLie os Diieilos da
Ciiança;
d) µioiLiçao do ieeslaLelecimenlo da µena de moile
nos Lslados que a lajam aLolido, de acoido com
o ail. 4
o
(3) da Convençao Ameiicana;
e) µossiLilidade de adoçao µelos Lslados de medidas,
no âmLilo social, economico e culluial, que
asseguiem a adequada µioleçao de ceilos giuµos
iaciais, no senlido de que a eles seja gaianlido o
µleno exeicicio dos diieilos lumanos e liLeidades
lundamenlais, em conloimidade com o ail. 1
o
(4)
da Convençao soLie a Lliminaçao de lodas as
loimas de Disciiminaçao Racial;
l) µossiLilidade de adoçao µelos Lslados de medidas
lemµoiaiias e esµeciais que oLjelivem aceleiai
a igualdade de lalo enlie lomens e mulleies,
nos leimos do ail. 4
o
da Convençao soLie a
Lliminaçao de lodas as loimas de Disciiminaçao
conlia a Mullei;
g) vedaçao da ulilizaçao de meios deslinados a
oLslai a comunicaçao e a ciiculaçao de ideias e
oµiniões, nos leimos do ail. 13 da Convençao
Ameiicana
31
;
l) diieilo ao duµlo giau de juiisdiçao como gaianlia
judicial minima, nos leimos dos ails. 8, ¨l¨ e 25,
µaiagialo 1
o
da Convençao Ameiicana
32
;
31
A iesµeilo, vei julgamenlo TR! 3
a
R RHC 96.03.060213-2-SP- 2
a
T, Relaloia µaia o Acoidao 1uiza Sylvia Sleinei, D1\ 19.03.1997.
32
Piocesso Penal, que eslaLelece a exigencia do iecollimenlo do ieu a µiisao µaia aµelai. Þesse senlido, vei Aµelaçao n. 1.011.673/4, julgada em 29.05.1996, 5
a
Câmaia,
Relaloi designado Di. Wallei Swensson, R1TACR!M 31/120.
31
A Costltulção 8rasllelra oe 1988 e os Trataoos |nternaclonals oe Proteção oos Dlreltos Humanos
i) diieilo do acusado sei ouvido, nos leimos do ail.
8, µaiagialo 1 da Convençao Ameiicana
33
;
j) diieilo de loda µessoa delida ou ielida sei julgada
em µiazo iazoavel ou sei µosla em liLeidade, sem
µiejuizo de que µiossiga o µiocesso, nos leimos
do ail. 7, (5) da Convençao Ameiicana
34
e
l) µioiLiçao da exliadiçao ou exµulsao de µessoa a
oulio Lslado quando louvei lundadas iazões
que µodeia sei suLmelida a loiluia ou a oulio
lialamenlo ciuel, desumado ou degiadanle, nos
leimos do ail. 3
o
da Convençao conlia a Toiluia e
do ailigo 22, V!!! da Convençao Ameiicana
35
.
Lsse elenco de diieilos enunciados em lialados
inleinacionais de que o Biasil e µaile inova e amµlia o univeiso
de diieilos nacionalmenle asseguiados, na medida em que nao
se enconliam µievislos no Diieilo inleino. OLseive-se que
se incoiµoiaiam a oidem juiidica inleina Liasileiia. Desse
modo, µeiceLe-se como o Diieilo !nleinacional dos Diieilos
Humanos inova, eslende e amµlia o univeiso dos diieilos
conslilucionalmenle asseguiados.
O Diieilo !nleinacional dos Diieilos Humanos
ainda µeimile, em deleiminadas liµoleses, o µieenclimenlo
de lacunas aµiesenladas µelo Diieilo Liasileiio. A lilulo de
exemµlo, meiece deslaque decisao µioleiida µelo Suµiemo
TiiLunal !edeial aceica da exislencia juiidica do ciime de
loiluia conlia ciiança e adolescenle, no Habeas Corpus
n. 70.389-5 (Sao Paulo; TiiLunal Pleno 23.6.94; Relaloi:
Minislio Sidney Sancles; Relaloi µaia o Acoidao: Minislio
Celso de Mello). Þesse caso, o Suµiemo TiiLunal !edeial
enlocou a noima conslanle no Lslalulo da Ciiança e do
Adolescenle que eslaLelece como ciime a µialica de loiluia
conlia ciiança e adolescenle (ail. 233 do Lslalulo). A µolemica
se inslauiou em iazao de o lalo dessa noima consagiai um
¨liµo µenal aLeilo¨, µassivel de comµlemenlaçao no que se
loiluia. Þesse senlido, enlendeu o Suµiemo TiiLunal !edeial
que os insliumenlos inleinacionais de diieilos lumanos em
µailiculai, a Convençao de Þova Yoil soLie os Diieilos da
Ciiança (1990), a Convençao conlia a Toiluia, adolada µela
AssemLleia Geial da OÞ\ (1984), a Convençao !nleiameiicana
conlia a Toiluia, concluida em Cailagena (1985) e a Convençao
Ameiicana soLie Diieilos Humanos (Paclo de Sao 1ose da
Cosla Rica), loimada no âmLilo da OLA (1969) µeimilem
a inlegiaçao da noima µenal em aLeilo, a µailii do ieloiço do
univeiso conceilual ielalivo ao leimo ¨loiluia¨. Þole-se que
o ciime de loiluia.
Como essa decisao claiamenle demonslia, os
insliumenlos inleinacionais de diieilos lumanos µodem
inlegiai e comµlemenlai disµosilivos noimalivos do Diieilo
Liasileiio, µeimilindo o ieloiço de diieilos nacionalmenle
µievislos no caso, o diieilo de nao sei suLmelido a loiluia.
Conludo, ainda e µossivel uma leiceiia liµolese no
ieilo !nleinacional dos Diieilos Humanos e o Diieilo inleino.
Lssa leiceiia liµolese e a que enceiia maioi µioLlemalica, sus-
cilando a seguinle indagaçao: como solucionai evenlual con-
de µioleçao dos diieilos lumanos'
Podei-se-ia imaginai, como µiimeiia alleinaliva, a
adoçao do ciileiio ¨lei µosleiioi ievoga lei anleiioi com ela
incomµalivel¨, consideiando a lieiaiquia conslilucional dos
lialados inleinacionais de diieilos lumanos. Todavia, um
exame mais cauleloso da maleiia aµonla µaia um ciileiio de
lela, que se silua no µlano dos diieilos lundamenlais. L o
ciileiio a sei adolado se oiienla µela escolla da noima mais
ao individuo, lilulai do diieilo. O ciileiio ou µiinciµio da
aµlicaçao do disµosilivo mais lavoiavel as vilimas e nao aµenas
consagiado µelos µioµiios lialados inleinacionais de µioleçao
dos diieilos lumanos, mas lamLem enconlia aµoio na µialica
ou juiisµiudencia dos oigaos de suµeivisao inleinacionais.
!slo e, no µlano de µioleçao dos diieilos lumanos inleiagem
o Diieilo inleinacional e o Diieilo inleino, movidos µelas
mesmas necessidades de µioleçao, µievalecendo as noimas que
melloi µiolejam o sei lumano, lendo em visla que a µiimazia
e da µessoa lumana. Os diieilos inleinacionais conslanles
dos lialados de diieilos lumanos aµenas vem a aµiimoiai e
loilalecei, nunca a iesliingii ou deLililai, o giau de µioleçao
dos diieilos consagiados no µlano noimalivo conslilucional.
Þa liçao laµidai de Anlonio Auguslo Cançado Tiindade:
33
A esle iesµeilo, vei RHC 7463/D!, iecuiso oidinaiio em habeas-corpus (98/0022262-6), de 23.06.1998, lendo como ielaloi o Minislio Iuiz Vicenle Ceiniccliaio.
34
SoLie a maleiia, vei ST1, RHC n. 5.239-BA, ielaloi Minislio Ldson Vidigal, 5
a
Tuima, v.u., j. 07.05.1996, D1\ 29.09.1997. Þole-se que esse diieilo acaLou µoi sei
loimalmenle conslilucionalizado em viilude da inclusao do inciso IXXV!!! no ail. 5
o
, liulo da Lmenda Conslilucional n. 45/2004.
35
A iesµeilo, vei Lxliadiçao 633, selemLio/1998, ielaloi Minislio Celso de Mello, em que loi negada a exliadiçao a ReµuLlica Poµulai da Clina de µessoa acusada de
ciime de eslelionalo, la µunivel com a µena de moile.
32
Artlgo 03
(...) desvencillamo-nos das amaiias da vella e ociosa
µolemica enlie monislas e dualislas. Þesle camµo
de µioleçao, nao se liala de µiimazia do diieilo
inleinacional ou do diieilo inleino, aqui em conslanle
inleiaçao: a µiimazia e, no µiesenle dominio, da
noima que melloi µioleja, em cada caso, os diieilos
consagiados da µessoa lumana, seja ela uma noima
de diieilo inleinacional ou de diieilo inleino
36
.
!nleinacional dos Diieilos Humanos e o Diieilo inleino,
adola-se o ciileiio da noima mais lavoiavel a vilima. Lm oulias
µalavias, a µiimazia e da noima que melloi µioleja, em cada
caso, os diieilos da µessoa lumana. A escolla da noima mais
aos TiiLunais nacionais e a oulios oigaos aµlicadoies do
diieilo, no senlido de asseguiai a melloi µioleçao µossivel ao
sei lumano.
A lilulo de exemµlo, um caso a meiecei enloque
ieleie-se a µievisao do ail. 11 do Paclo !nleinacional dos
Diieilos Civis e Polilicos, ao disµoi que ¨ninguem µodeia
sei µieso aµenas µoi nao µodei cumµiii com uma oLiigaçao
conlialual¨. Lnunciado semellanle e µievislo µelo ail. 7
o

(7) da Convençao Ameiicana, ao eslaLelecei que ninguem
deve sei delido µoi dividas, aciescenlando que esle µiinciµio
nao limila os mandados judiciais exµedidos em viilude de
inadimµlemenlo de oLiigaçao alimenlai.
amLos os insliumenlos inleinacionais em 1992, sem eleluai
qualquei ieseiva soLie a maleiia.
Oia, a Caila conslilucional de 1988, no ail. 5
o
, inciso
IXV!!, deleimina que ¨nao laveia µiisao civil µoi divida, salvo
a do iesµonsavel µelo inadimµlemenlo volunlaiio e inescusavel
Consliluiçao Liasileiia consagia o µiinciµio da µioiLiçao da
µiisao civil µoi dividas, admilindo, lodavia, duas exceções a
liµolese do inadimµlemenlo de oLiigaçao alimenlicia e a do
OLseiva-se que, enquanlo o Paclo !nleinacional
dos Diieilos Civis e Polilicos nao µieve qualquei exceçao ao
µiinciµio da µioiLiçao da µiisao civil µoi dividas, a Convençao
Ameiicana exceµciona o caso de inadimµlemenlo de oLiigaçao
qualquei ieseiva no que lange a maleiia, la que se queslionai
Mais uma vez, alendo-se ao ciileiio da noima
mais lavoiavel a vilima no µlano da µioleçao dos diieilos
lumanos, conclui-se que meiece sei alaslado o caLimenlo
37
, conleiindo-
os valoies da liLeidade e da µioµiiedade, o µiimeiio la de
µievalecei. Ressalle-se que se a siluaçao losse inveisa se a
inleinacional aµlicai-se-ia a noima conslilucional, inoLslanle
os aludidos lialados livessem lieiaiquia conslilucional e
Vale dizei, as µioµiias iegias inleiµielalivas dos lialados
inleinacionais de µioleçao aos diieilos lumanos aµonlam a
so se aµlicam se amµliaiem e eslendeiem o alcance da
µioleçao nacional dos diieilos lumanos. Þole-se que, no
leimos liLeidade e solidaiiedade (que asseguia muilas vezes
a soLievivencia lumana), meiecendo µievalencia o valoi da
solidaiiedade, como assinalam a Consliluiçao Biasileiia de
1988 e a Convençao Ameiicana de Diieilos Humanos.
Lm sinlese, os lialados inleinacionais de diieilos lu-
cionalmenle consagiados oia ieloiçando sua imµeialividade
juiidica, oia adicionando novos diieilos, oia susµendendo
µieceilos que sejam menos lavoiaveis a µioleçao dos diieilos
36
TR!ÞDADL, Cançado Auguslo Anlonio. A proteção dos direitos humanos nos planos nacional e internacional: perspectivas brasileiras. San 1ose de Cosla Rica/Biasilia:
e ceilo que os lialados mullilaleiais, sejam univeisais (µ. ex: Paclo da OÞ\ soLie diieilos economicos, sociais e culluiais e Convenções da O!T), sejam iegionais (µ. ex:
Caila Social Luioµeia), adolam a mesma conceµçao quanlo aos inslilulos juiidicos de µioleçao do liaLalladoi, soLieludo no âmLilo dos diieilos lumanos, o que lacilila
a aµlicaçao do µiinciµio da noima mais lavoiavel¨. (Direito internacional do trabalho. Sao Paulo: ITR, 1983. µ. 57). A iesµeilo, elucidalivo e o disµoslo no ail. 29 da
Convençao Ameiicana de Diieilos Humanos que, ao eslaLelecei iegias inleiµielalivas, deleimina: ¨Þenluma disµosiçao da µiesenle Convençao µode sei inleiµielada no
senlido de: a) µeimilii a qualquei dos Lslados-µailes, giuµo ou individuo, suµiimii o gozo e o exeicicio dos diieilos e liLeidades ieconlecidos na Convençao ou limila-los
em maioi medida do que a nela µievisla; L) limilai o gozo e exeicicio de qualquei diieilo ou liLeidade que µossam sei ieconlecidos em viilude de leis de qualquei dos
Lslados-µailes ou em viilude de Convenções em que seja µaile um dos ieleiidos Lslados (...)¨.
37
Þesse senlido, meiece deslaque o louvavel volo do 1uiz Anlonio Cailos Malleiios, do Piimeiio TiiLunal de Alçada do Lslado de Sao Paulo, na Aµelaçao n. 613.053-8.
Vei lamLem Aµelaçao n. 601.880-4, Sao Paulo, 1
a
Câmaia, 16.9.1996, ielaloi 1uiz Llliol Alel, v.u., e Habeas Corpus n. 3.545-3 (95.028458-8), Disliilo !edeial, 10.10.1995,
Rel. Min. Adlemai Maciel. Þole-se nao sei esse o enlendimenlo do Suµiemo TiiLunal !edeial, ainda que vencidos a eµoca os Minislios Cailos Velloso, Maico Auielio
e Seµulveda Peilence. A iesµeilo, vei HC 72.131-R1, 22.11.1995; RL 206.482-SP; HC 76-561-SP, Plenaiio, 27.5.1998 e RL 243613, 27.4.1999. Aciescenle-se que µaia o
cilado Recuiso Lxliaoidinaiio 466.343-1, em que, inedilamenle, oilo dos onze Minislios ja laviam se manileslado µela inconslilucionalidade da µiisao µaia o devedoi
33
A Costltulção 8rasllelra oe 1988 e os Trataoos |nternaclonals oe Proteção oos Dlreltos Humanos
lumanos. Lm lodas essas lies liµoleses, os diieilos inleinacio-
nais conslanles dos lialados de diieilos lumanos aµenas vem a
aµiimoiai e loilalecei, nunca a iesliingii ou deLililai, o giau de
µioleçao dos diieilos consagiados no µlano noimalivo consli-
lucional.
5. C
Como demonsliado µoi esle esludo, os lialados
inleinacionais de diieilos lumanos µodem conliiLuii de loima
decisiva µaia o ieloiço da µiomoçao dos diieilos lumanos no
Biasil. Þo enlanlo, o sucesso da aµlicaçao desse insliumenlal
inleinacional de diieilos lumanos iequei a amµla sensiLilizaçao
dos agenles oµeiadoies do Diieilo, no que se alem a ielevância
e a ulilidade de advogai esses lialados µeianle as inslâncias
nacionais e inleinacionais, o que µode viaLilizai avanços
concielos na delesa do exeicicio dos diieilos da cidadania.
inleiaçao e conjugaçao do Diieilo inleinacional e do Diieilo
inleino, que loilalecem a sislemalica de µioleçao dos diieilos
lundamenlais, com uma µiinciµiologia e logica µioµiias,
lundadas no µiinciµio da µiimazia dos diieilos lumanos.
Teslemunla-se o µiocesso de inleinacionalizaçao do Diieilo
Conslilucional somado ao µiocesso de conslilucionalizaçao
do Diieilo !nleinacional.
A Caila de 1988 e os lialados de diieilos lumanos
lançam um µiojelo democializanle e lumanisla, caLendo
aos oµeiadoies do diieilo inliojelai e incoiµoiai os seus
valoies inovadoies. Os agenles juiidicos lao de se conveilei
em agenles µioµagadoies de uma oidem ienovada,
democialica e iesµeiladoia dos diieilos lumanos, imµedindo
que se µeiµeluem os anligos valoies do iegime auloiilaiio,
juiidicamenle ieµudiado e aLolido.
Hoje, mais do que nunca, os oµeiadoies do Diieilo
juiidico seu µolencial elico e liansloimadoi, aµlicando a
Consliluiçao e os insliumenlos inleinacionais de µioleçao
de diieilos lumanos µoi ela incoiµoiados. Lslao, µoilanlo, a
µievalencia dos diieilos lumanos.

p. 2. Nesse sentido. os acordos internacionais de direitos humanos tern criado obrigacoes e responsabilidades para os Estados. em face do fiagelo da Segunda Guerra Mundial. (HENKIN. visiting fellow do Centre for Brazilian Studies. sera feita uma avaliacaodo modo pelo qual a Constituicao Brasileirade 1988tece a incorporacao desses tratados O. e um direito costumeiro internacional tem se desenvolvido. ou seja. Assim. membro do Conselho Nacional de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana e da SUR . A proposta deste artigo e enfocar os tratados Em face do regime de terror. -Professora doutora da disciplina de Direito Constitucional e Direitos Humanos da Pontificia Universidade Catolica de Sao Paulo. com respeito as pessoas sujeitas a sua jurisdicao. 0 Estado Brasileiro em Face do Internacionais de Prote~ao de Sistema Internacional de Prote~ao dos Direitos Humanos. procuradora do estado de Sao Paulo. 3Na licao de Thomas Buergenthal: "Este codigo. Tratados Internacionais de Proteeao dos Direitos Humanos: genese e principiologia Os tratados internacionais de direitos humanos o movimento do direito internacional dos direitos tern como fonte urn campo do Direito extremamente recente. p. 3. capitulo 1. ed. Thomas. 20 . afirma Richard B. Antonio Augusto. 375-376). In: Cancado Trindade.Em seguida. no qual imperava a logica da destruicao e segundo 0 internacionais de protecao aos direitos humanos a luz da Constituicao Brasileira de 1988. se urn Estado nao cumprir suas obrigacoes.2007). visiting fellow do Max Planck Institute for Comparative Public Law and International Law (Heidelberg . professora de Direitos Humanos dos Programas de Pos-Graduacao da Pontificia Universidade Catolica de Sao Paulo. 0 qual as pessoas eram consideradas descartaveis. visiting fellow do Human Rights Program da Harvard Law School(1995 e 2000). 2008. conhecido como Direito do pos-guerra. tem humanizado 0 direito internacional contemporaneo e internacionalizado os direitos humanos. em meados do seculo Direito Inter- Num segundo momento. 1991. Ao tratar do Direito Internacional dos Direitos Humanos. Pr610go.A lncorporacao dosTratados Brasileiro. A protecao internacional dos direitos humanos: fundamentos juridicos e instromentos basicos. ao reconhecer que os seres human os tern direitos protegidos pelo direito internacional e que a denegacao desses direitos engaja a responsabilidade internacional dos Estados independentemente da nacionalidade das vitimas de tais violacoes". Louis et al. como paradigma e referencial etico para orientar a ordem internacional. intitulado Temas de Direitos Humanos. primeiro serao apresentadas as especificidades desses tratados. bern como de sua fonte nacional dos Direitos Humanos. 'Como explica Louis Henkin: "Subsequentemente a Segunda Guerra Mundial.0 Impacto dosTratados Internacionais Direitos Humanos pelo Direito na Ordem de Prote~ao dos Direitos Humanos Jurfdica Brasileira. 1993. Bilder: por fim.. 3. Este artigo foi produzido com base no livro de minha autoria.Artigo 03 Artigo 03 A Constltulcao Brasileira de 1988 e os Tratados Internacionais de Protecao dos Direitos Humanos Flavia Piovesan! I. Sao Paulo: Saraiva. 1. com destaque as inovacoes introduzidas pela Emenda Constitucional n. Este Direito reflete a aceitacao geral de que todo individuo deve ter direitos. da University of Oxford (2005). como ja observei em outros escritos. sera xx surge 0 "Direito dado destaque a posicao do Brasil em face dos instrumentos internacionais de protecao dos direitos human os. International law: cases and materials. ed. 0 humanos e baseado na concepcao de que toda nacao tern a obrigacao de respeitar os direitos humanos de seus cidadaos e de que todas as nacoes e a comunidade internacional tern 0 qual surgiu como resposta as atrocidades e aos horrores cometidos pelo nazismo-.Human Rights University Network. a observancia dos direitos humanos e nao apenas um assunto de interesse particular do Estado (e relacionado a jurisdicao domestica). mas e materia de interesse internacional e objeto pr6prio de regulacao do Direito Internacional". 4. os quais todos os Estados devem respeitar e proteger. 45/2004. Sao Paulo: Saraiva. emerge a necessidade de reconstrucao do valor dos direitos humanos. direito e a responsabilidade de protestar. (BUERGENTHAL. Neste momento. Minnesota: West Publishing. serao analisados casos concretos da aplicacao desses tratados.Considera~oes finais. XXXI). Internacional dos Direitos Humanos" surge em decorrencia da Segunda Guerra Mundial e seu desenvolvimento pode ser atribuido as monstruosas violacoes de direitos humanos da era Hitler e a crenca de que parte dessas violacoes poderiam ser prevenidas se existisse urn efetivo sistema de protecao internacional de direitos humanos'. Logo. 0 emergente Direito Internacional dos Direitos Humanos institui obrigacoes aos Estados para com todas as pessoas humanas e nao apenas para com estrangeiros. da Pontificia Universidade Catolica do Parana e da Universidade Pablo de Olavide de Sevilha (Espanha). sera analisado o impacto juridico que esses tratados apresentam.Tratados Internacionais de Prote~ao dos Direitos Humanos: genese e principiologia. denominado "Direito Internacional dos Direitos Humanos". l. 5.

98-99. Enfatizar os direitos dos individuos e os direitos dos povos e urna dimensao da soberania universal. pese a que hasta entonces se habia hablado siempre de declaracion "internacional". Comprende el conjunto de derechos y facultades sin los cuales un ser humano no puede desarrolar su personalidad fisica. Revista dos Tribunais. El problema de la realizaci6n de los derechos hurnanos en la sociedad universal. Esta declaraci6n se caracteriza. sociais e cultu- 4BILDER. 2. e bastante recente. como era entao concebida teoricamente. Uma das maiores exigencias intelectuais de nos so tempo e a de repensar a questao da soberania ( . Inspirada por essas concepcoes. Nesse cenario. cada vez mais. Boutros. encontra expressao na gradual expansao do Direito Internacional". por su amplitud. (. International law: cases and materials. quando. quando os direitos humanos forem violados'. Comercie. de uma concepcao "hobbesiana" de soberania. 397. A inexistencia de qualquer questionamento ou reserva feita pelos Estados aos principios da Declaracao e a inexistencia de qualquer voto contrario as suas disposicoes. 1974.) ~ 21 .. Naturalmente. 3-5. resumir a grandes rasgos los caracteres de fa declaracion surgida de nuestros debates de 1947 a 1948. (BOUTROS-GHALI. a Organizacao das Nacoes Unidas. Celso. Prenuncia-se. De ahi que aljinalizar los trabajos. ed. Os oito Estados que se abstiveram foram: Bielorussia. Tales son los caracteres esenciales de la declaraci6n. 1992. e inegavel que a antiga doutrina da soberania exclusiva e absoluta nao mais se aplica e que esta soberania jamais foi absoluta. . Indivisibilidade porque. In: HANNUM. Ucrania. de uma visao ex parte principe. sendo a dignidade humana de soberania absoluta do Estado. 199211993. por48 votos a zero e oito abstencoes. no individuo deve ambito mundial. por una parte. (. tuvo inmediatamente una gran repercusion en la moral de las naciones. os Estados comunistas da Europa expressamente aderiram it Declaracao Universal. Universalidade porque a condicao de pessoa e 0 requisito unico e exclusivo para a titula0 ridade de direitos. fundada na promocao da nocao de direitos do cidadao. p. nao deve se restringir a competencia nacional exclusiva ou a jurisdicao domestica exclusiva. Em 1948e adotada a Declaracao Universal dos Direitos Humanos. como fue el caso.) Transita-se.A Costituicao Brasileira de 1988 e os Tratados Internacionais de Protecao dos Direitos Humanos o Direito Internacional dos Direitos Humanos internacionais. sea cualfuere el regimen politico de los territorios donde rija. 2) a cristalizacao da ideia de que condicao de sujeito de Direito. p. Arabia Saudita. sociais e culturais. a serem seguidos pelos Estados. da Assembleia Geral. An overview of international human rights law. Richard B. em 1945. para 0 protecao dos direitos humanos. centrada no Estado. decorrencia em significado de urn codigo e plataforma comum de acao. a concepcao de que os direitos humanos sao objeto proprio de uma regulacao internacional. pro clamo la declaracion "Universal". com as implicacoes do holocausto e de outras violacoes de direitos humanos cometidas pelo nazismo. ). apud HENKIN.. assim. porque revela tema de Iegitimo interesse internacional.. em prol da fundamento I) a revisao da nocao tradicional dos direitos humanos. Su segunda caracteristica es la universalidad: es aplicable a todos los hombres de todos los paises. p. Desarmamento. Polonia. permitemse formas de monitoramento e responsabilizacao internacional. religiones y sexos. (LAFER. que passa a sofrerum processo de relativizacao. A declaracao consolida a afirmacao de uma etica universal". na medida em que sao admitidas intervencoes no plano nacional. Observa-se que em Helsinki. Empowering the United Nations. gracias a mi proposicion. a partir do pes-guerra. marcada pela universalidade e indivisibilidade desses direitos. essa concepcao inovadora aponta para duas importantes consequencias: ter direitos protegidos na esfera internacional. Sao Paulo. por el hecho de haber sido. 1972. 446. isto e. no Ato Final da Conferencia sobre Seguridade e Cooperacao na Europa. 5A respeito disso. que reside em toda a hurnanidade e que permite aos povos urn envolvimento legitimo em questoes que afetam 0 mundo como um todo. Mexico: Instituto de Investigaciones Juridicas. passa-se a urna visao ex parte populi. destaca-se a afirrnacao do Secretario Geral das Nacoes Unidas. pero tam bien 10 es del mundo. as nacoes do mundo decidiram que a promocao de direitos humanos e liberdades fundamentais deve ser urn dos principais propositos das Organizacoes das Nacoes Unidas". ) La Declaracion. isto e. antes de concluir.. Sobre o carater universal da declaracao. 1999. 18.) 6A Declaracao Universal foi aprovada pela Resolucao 217 A (III).) Muitos dos direitos que hoje constam do "Direito Internacional dos Direitos Humanos" surgiram apenas em 1945.. observa Rene Cassin: "Seame permitido. subrayo que el individuo es miembro directo de la sociedad humana y que es sujeto directo del derecho de gentes. por sua vez. Africa do Sui e Jugoslavia. v. Para Celso Lafer. centrada na cidadania universal. Por sua vez. (Natureza juridica da Declaracao Universal de Direitos Hurnanos. E urn movimento que. Ao consagrar direitos civis e politicos e direitos economicos. p. com 8 abstencoes". 35. Uniao Sovietica. Al hacerlo conscientemente. Rene. pela aprovacao unanime de 48 Bstados. deste modo.) "Cf Eduardo Muylaert Antunes: "A Declaracao Universal dos Direitos Humanos se impoe com "0 valor da afirrnacao de uma etica universal" e conservara sempre seu lugar de simbolo e de ideal". fundada nos deveres dos suditos com relacao ao Estado. para uma concepcao "kantiana" de soberania. moral y intelectual. ao consagrar urn consenso sobre valores de cunho universal. em 10 de dezembro de 1948. Jrente a 48 votos Javorables). A declaracao de 1948 introduz a concepcao contemporanea de direitos humanos. conferem a Declaracao Universal 0 0 0 0 consiste num sistema de normas procedimentos e instituicoes desenvolvidas implementar essa concepcao e promover dos direitos humanos em todos respeito os paises. Direitos Humanos: reflexoes sobre uma experiencia diplomatica. Guide to international human rights practice. (. razas. fortalece-se a ideia de que a protecao dos direitos humanos nao deve se reduzir ao dominio reservado do Estado. p. (CASSIN. es ciudadano de su pais. Philadelphia: University of Pennsylvania Press. forma pela qual sua soberania. em 1975. surge. Sao Paulo: Paz e Terra. Los pueblos empezaron a darse cuenta de que el conjunto de la comunidad humana se interesaba por su destino".. no final de 1992: "Ainda que 0 respeito pela soberania e integridade do Estado seja uma questao central. por el hecho mismo de la proteccion que el mundo debe brindarle. na fim da era em que a Estado tratava seus nacionais era concebida como urn problema de jurisdicao domestic a. Checoslovaquia. op. n.. o catalogo dos direitos civis e politicos e conjugado ao catalogo dos direitos economicos. Hurst (Editor). Louis. et al. In: Viente aiios de evolucion de los derechos humanos. adoptada por unanimidad (pues solo hubo 8 abstenciones.) Embora a ideia de que os seres humanos tern direitos e liberdades fundamentais que Ihe sao inerentes tenha ha muito tempo surgido no pensamento humano. dez. ineditamente. Foreign Affairs. la Asamblea General. 145. p. cit. 89.

a nacionalidade. 0 direito ao asilo. Rio de Janeiro: Campus.) Q 22 . Isto e. direito ao acesso ao governo e a administracao publica . sociais e culturais (egalite). que traduzem. pressupondo urn Govemo que seja ativo. Na licao de Celso D. New York: Columbia University Press. Marshall (Cidadania. 599-642. 25). Como pondera Norberto Bobbio: "As sociedades sao mais livres na medida em que sao menos justas e mais justas na medida em que sao menos livres". ao menos em determinado sentido.arts. a protecao contra a prisao. 516. os direitos economicos da justica social. sexual ou religiosa (arts. enquanto apenas direitos civis e politicos. Burns H (Editores). 89. ed. 21). 0 sistema internacional de protecao dos direitos humanos e 0 Brasil. E. Sobre a materia. 28. valor da lib erda- cumulacao de ao valor da igualdade". 0 valor da igualdade. WESTON. 1" e 2". ao reconhecimento perante a lei. Weston: "A este respeito.43. Em urn complexo entre si. adverte Antonio Cassesse: "Mas vamos examinar 0 conteudo da Declaracao de forma mais aprofundada. 0 direito a educacao. afasta-se a ideia 'Quanto it classificacao dos dire it os constantes da declaracao.arts. unico e indivisivel. 0 frances Rene Cassin. 0 direito a nacionalidade. jul. 7) direitos politicos. dinamica liberdade. 22 a 72 e 15). 22 a 26). 2) direitos judiciais. A. Sobre a materia consultar ainda LUNO. 5) direitos economicos. especialmente os direitos a instrucao e a participacao na vida cultural da comunidade (arts. 0 direito ao trabalho e a assistencia social e a livre escolha de emprego. especialmente as liberdades de pensamento. Buergenthal: A Declaracao que constam constitucionais Segundo Louis B.1993). e melhor nos deixarmos orientar. p. H. Philadelphia: Temple University Press. p. na hip6tese de perseguicao. os direitos de primeira geracao correspondem aos direitos civis e politicos. Arquivos do Ministerio da Justica. liberdade de associacao e assembleia. trata a Declaracao dos direitos pessoais (os direitos a igualdade.arts. No entanto. n. 1988. . (CASSESSE. (A era dos direitos. que descreveu seu escopo do modo a seguir. e de reuniao e de associacao pacifica (arts. 1988). a liberdade e a seguranca. 13 e de 18 a 20). Jack. pensar na justica social divorciada humanos constituem a ser concebidos como uma unidade interdependente. 0 direito de fundar sindicatos e deles participar. Hector Gross. p. sao previstos direitos que dizem respeito ao individuo em sua relacao com grupos sociais no qual ele participa (0 direito a privacidade da vida familiar e 0 direito ao casamento. A quarta categoria de direitos se refere aos direitos exercidos nos campos economicos e sociais (ex: aqueles direitos que se operam nas esferas do trabalho e das relacoes de producao. lOA partir desse criterio. consciencia e religiao. Trad. de movimento e resistencia. 21). afirma Louis Henkin: "Os dire it os considerados fundamentais incluem nao apenas limitacoes que inibem a interferencia dos governos nos direitos civis e politicos. 0 direitos civis e politicos. explica Burns H. 46. (DONNELLY. principalmente os direitos a tomar parte no governo e a eleicoes legitimas com sufragio universal e igual (art. no lar e na reputacao (arts. observa Jose Augusto Lindgren Alves que mais acurada e a classificacao feita por Jack Donnelly. Ainda sobre a ideia de geracoes de direitos humanos. Human rights in a changing world. 531. etnica.0 terceiro grupo de direitos se refere as liberdades civis e aos direitos politicos exercidos no sentido de contribuir para a formacao de orgaos governamentais e participar do processo de decisao (liberdade de consciencia. detencao ou exilio arbitrarios. a educacao e 0 direito de participar livremente na vida cultural da comunidade . direitos de propriedade e de praticar a religiao . 0 civis e politicos a educacao". Libro libre. Sohn e Thomas Logo. incluindo 0 acesso a remedios por violacao dos direitos basicos. em que os diferentes direitos estao inter-relacionados e interdependentes Como estabeleceu a Resolucao ns 321130 da Assembleia Geral das Nacoes Unidas: que classifica os direitos humanos em geracoes". de opiniao e expressao. etc. acrescido dos aspectos politicos de muitas liberdades civis". ver ESPIELL. como tambem Ao conjugar igualdade. 29 e 30). (The age of rights. Burns H. a protecao contra tratamentos ou punicoes crueis. de direitos relacionada metodologico.) 'International protection of human rights. os transforma em direitos economicos e sociais para os individuos". a declaracao humanos. que traduzem 0 valor da liberdade. d) direitos economicos e sociais (arts. particular mente os direitos it alimentacao e a urn padrao de vida adequado it saude e ao bem-estar pr6prio e da familia (art. 22 e 27)". e em particular dificil e a conjugacao dos valores da igualdade e liberdade. apresentando assegurado revela-se 0 direitos humanos Universal de diversas de Direitos normas Humanos se e nao ao meras o direito distingue das tradicionais Cartas de direitos humanos fundamentais e XIX e comeco uma unidade indivisivel. planejador e comprometido com os programas economico-sociais da sociedade que. Antonio. Rio de Janeiro: Zahar. quando sustenta que a declaracao de 1948 enuncia as seguintes categorias de direitos: 1) direitos pessoais. adota-se 0 valor da liberdade a concepcao com 0 valor da passam intercriterio Nao ha mais como da liberdade. 3 all). por sua vez. p. p. 1973.arts. Carlos Nelson Coutinho. e a seguranca social (arts. 1979. direito de votar e ser eleito. os direitos de segunda geracao correspondem aos direitos sociais. 22 a 27)". sem a efetividade entendida sociais carecem de verdadeira cogitar da liberdade divorciada infrutifero suma. humanos consagrados. Madrid: Tecnos. Human rights in the world community. ao repouso e ao lazer. 18 a 21). b) direitos e liberdades fundamentais (arts. p. Estudios sobre derechos humanos. Sob a inspiracao dos tres temas da Revolucao francesa. 1990. 0 direito ao descanso e ao lazer. por um dos pais da Declaracao. (Los derechos fundamentales. p. 4) direitos de subsistencia. na medida economicos. 328-332. Sobre 0 terna. 3) liberdades civis. 6. dificil e a conjugacao desses valores. P. Surmner 1986. Do mesmo autor a obra: Los derechos economicos sociales y culturales en el sistema interamericano. incluindo os direitos a vida. a vida. 82 a 12). a garantia de processo publico justo e imparcial. degradantes ou desumanas e a protecao contra a discriminacao racial. 16-17). Madrid: Civitas. classe social e status. direito a paz. 38-39). p. In: International organization. estas tres geracoes de direitos sao as seguintes: a primeira geracao se refere aos direitos civis e politicos (/iberte). interventor. a justas condicoes de trabalho. partindo-se e indivisivel. a Declaracao Universal "tern sido dividida pelos autores em quatro partes: a) nonnas gerais (arts. a livre determinacao. a segunda geracao aos direitos economicos. entendimento integral. Jose Augusto. dos direitos economicos. (WESTON. v. por sua vez. mas envolvem obrigacoes governamentais de cunho positivo em prol da promocao do bem-estar economico e social. esvaziado quando nao assegurada dire ito a igualdade. 3" a 20). 0 direito a saude. In: CLAUDE. ou seja. (Curso de direito internacionaI publico. na medida emque se acolhe e fortalecimento dos direitos os todos essencialmente de interacao. a declaracao discurso ineditamente combina conjugando 0 discurso liberal e 0 0 da sucessao "geracional" a ideia da expansao. Massachussetts Institute of Technology. Para este proposito. a irretroatividade das leis penais. c) direitos politicos (art. mas tambem direitos sociais e culturais. 182. San Jose. e em constante de direitos. a liberdade". 6) direitos sociais e culturais. a presuncao de inocencia. mas com ela interage. 6-7).) "Sobre a indivisibilidade dos direitos human os. Indianapolis: The Bobbs-Merrill Company. p. 1986. revela-se esvaziado 0 a a dire ito igualdade e. sem a efetividade sociais e culturais. ja os direitos de terceira geracao correspondem ao direito ao desenvolvimento. 1992. e a terceira geracao se refere aos novos direitos de solidariedade (fraternites". de que uma geracao de direitos nao substitui a outra. Richard Pierre. categorias os direitos forrnais. Human rights. trabalho e em que ela consagra como direito Vale dizer. por sua vez. 1990. todos necessariamente os direitos significacao. International human rights: a regime analysis. apud LINDGREN ALVES. T. 1967. pensamento e expressao. e contra a interferencia na familia. Primeiramente. 0 direito a liberdade de movimento no ambito nacional ou fora dele. econ6micos e culturais. incluindo principalmente os direitos ao trabalho. 26 e 28). Brasilia.Artigo 03 rais. em seu mais amplo sentido. que traduzem 0 valor da solidariedade. ao igual pagamento para igual trabalho. Rio de Janeiro: Freitas Bastos. Posteriorrnente. 12 a 17). quando nao complementares social da cidadania. de Albuquerque Mello. particularmente util e a nocao de "tres geracoes de direitos humanos" elaborada pelo jurista frances Karel Vasak. demarca contemporanea humanos do pela qual os direitos Assim./dez. se reduzem da liberdade e a dos sem a realizacao dos seculos XVIII do seculo XX.

Consolida-se. regional humanos de protecao. por sua vez integrado europeu e africano de protecao aos direitos humanos. op. no plano global. esses centrais aos direitos humanos. e por instrumentos internacionais. relacionados. da Declaracao universo instrumental Inspirados de protecao Universal. Os sistemas global e regional mas complementares. ao afirmar. a Convencao 0 Pacto Internacional contava contava Sociais e Culturais contra a Convencao pelos valores sistemas dos direitos a Tortura 141 Estados-partes. foi reiterada na Declaracao Mulher contava com 183 Estados-partes os Direitos da Crianca 192 Estados-partes" Forma-se direitos humanos. Antonio. tanto internacional como nacionalmente. Thomas. Nesse sentido. Economicos. interdependentes . (A protecao internacional dos direitos humanos no limiar do novo seculo e as perspectivas brasileiras. II. Em algumas instancias. Louis B. e. tratados refletem. contemporanea da declaracao Ao consagrar que buscam responder dos direitos humanos. Uma das principais tituir-se em parametro integrantes conhecimento declaracao fundamentais gitima" declaracao da comunidade consolida e c6digo de atuacao para os estados repelos estados. internacionais etica medida na consciencia dos Direitos Civis e Politicos. 0 Ao lado do sistema normativo normativo os direitos Europa. In: Temas de Politica Externa Brasileira. 0 texto das previsoes da Declaracao tem sido incorporado em instrumentos internacionais ou na legislacao nacional e hit inumeras instancias que adotam a Declaracao como um c6digo de conduta e um parametro capaz de medir 0 grau de respeito e de observancia relativamente aos parametres internacionais de direitos humanos". Suas previsoes tern sido citadas como justificativa para varias acoes adotadas pelas Nacoes Unidas e tern inspirado urn grande numero de Convencoes internacionais no ambito das Nacoes Unidas ou fora dele. contra a e a Convencao sobre se inter-relacionam necessariamente de Viena de e inter- sobre a Eliminacao apresentava da Discriminacao entre si. como as convencoes como a tortura. fixando parametres de conduta em torno de val ores basicos universais. Human rights in a changing world. e sao indivisiveis e interdependentes'". Urn estado que sistematicamente grupos etnicos minoritarios. cit. a dos e cons0 de alcance especifico. os (ex: os Pactos da ONU de pessoa. inerentes a condicao de pes so a e nao relativos de determinada economicos peculiaridades mas tambem sociais e culturais direitos sociais. dos Direitos com internacional acerca de temas dos Direitos Civis e com demais Convencoes internacionais . Esse sistema sua vez. em diversos cas os. declaracao de 1948 demarca a concepcao qualidades internacional. p. dentre outras formas de violacao. a discriminacao seja por incluir em seu elenco nao s6 direitos civis e politicos. e culturais. 1994. concebida sistema na tecao desses direitos. e deu prioridade it busca de solucoes para as violacoes macicas e flagrantes dos dire it os human os. tambern contribuiu 0 reconhecimento da interacao entre as direitos humanos e a paz consignado na Ata Final de Helsinque de 1975".com instrumentos regional. 1. 0 pelos sistemas interamericano. toda e qualquer sistema geral de protecao e generalidade. Ja 0 sujeito passa a ser visto segundo (ex: protege-se a crianca. norrnativo.partes. como a Declaracao o Pacto Internacional Internacional pelos instrumentos de Direitos Os instrumentos estados. que pertencem.A Costituicao Brasileira de 1988 e os Tratados Internacionais de Protecao dos Direitos Humanos todos os direitos humanos. 13Cf Cassesse. dos sistemas geral e especial 0 processo de protecao como sistemas de protecao complementares. Sociais e Culturais e as do sistema em que invocam ate junho de 2006. exercido poderosa influencia na ordem mundial. Disponivel em: <http://www. 169). a violacao dos direitos das assim. particularmente assim. Para a formacao deste novo ethos. ao endossar a assercao da Proclamacao de Teera de 1968. A partir por aprovacao comeca da Declaracao a se desenvolver mediante voltados a de 1948 e da concepcao ela introduzida. e principios compoem humanos 0 Pacto Internacional Politicos contava com 156 Estados. surge 0 contemporanea Humanos. Buergenthal. desde sua adocao. a adocao a protecao America e Africa. no qual sua especificidade etc. op. p. a para a pro"desleviola a criancas. v. a convivencia das Nacoes Humanos. p.).ch/pdf/report. sobre a Eliminacao no 12Sobre a Resolucao n. sistema normativo no ambito das Nacoes Unidas. no ambito do sistema global. da especificacao 0 universal dos direitos humanos urn parametro o sistema especial de protecao realca e concreticidade internacional do sujeito de dire ito. reafirmou a indivisibilidade a partir de uma perspectiva globalista. sao as indivisfveis.. de direitos humanos 0 que busca internacionalizar regional. Pacto compartilhada consenso dos Direitos Economicos. com global de protecao dos por instrumentos de 1993. 0 Direito Internacional de inumeros de direitos de protecao contemporanea dos Direitos fundamentais.pdf> ~ 23 . 1966) tern por enderecado segundo sua abstracao os grupos vulneraveis. Sohn e Thomas Buergenthal afirmam que: "A Declaracao Universal de Direitos Humanos tern. ela e urn dos parametres pelos quais a comunidade nao e merecedor da de aprovacao internacional os estados. cabe destacar que. 516.integrado Unidas. em seu § 52. Universal internacionais sobretudo. sociedade. Louis B. Status of Ratifications of the Principal International Human Rights Treaties. e integrado de Direitos Civis e alcance geral (como os Pactos Internacionais Politicos e de Direitos Economicos. (Sohn. Estas previsoes tambern exercem uma significativa influencia nas Constituicoes nacionais e nas legislacoes locais e. cit.) 14Alto Comissariado de Direitos Humanos das Nacoes Unidas. Seja por fixar a ideia de que os direitos humanos universais. as mulheres. 321130 afirma Antonio Augusto Cancado Trindade: "Aquela resolucao (321130). nas decisoes das Cortes. unhchr. a discriminacao contra as mulheres. que os direitos humanos sao universais. por parte da comuUniversal nidade mundial". nao sao dicotomicos. a dos direitos humanos. por 0 a mais ampla adesao. Firma-se coexistencia direitos humanos. pelos do sistema global . Nesse sentido. 153 Estados-partes. Sociais e Culturais de 1966) a determinadas violacoes racial. concepcao qualquer que seja 0 tipo a Essa da Discriminacao a Convencao Racial contava com 170 Estados-partes. 46-47.

Artigo 03 plano internacional. I) do Protocolo Eliminacao m) do Protocolo Direitos de 2004.Iustica. 182. tambem em 27 de janeiro de internacionais humanos foram tambem incorporados pelo Direito Brasileiro. 46. Em face desse complexo cabe ao individuo universo de tratados Assim. em 1989. em 13 de agosto de de distintos instrumentos juridicos . defiagrado de protecao do Brasil em relacao dos direitos humanos. foi a ratificacao. 0 Estado Brasileiro de Roma. Dentre eles. v. quanto horizontal (. 15CANCADO TRINDADE. 24 de setembro de 1990. de Direitos para Humanos. i) do Protocolo aos Direitos (Protocolo 1996. da Convencao ratificacao. entre Americana mentos legais em seus aspectos normativos. contra Pessoas a Convencao Economicos. k) do Estatuto Internacional. Desumanos sobre os Direitos dos em beneficio dos individuos protegidos. importantes direitos marco do processo de direitos Criancas em Confiitos Armados.. em 27 de janeiro internacionais e Outros A partir instrumentos humanos Crueis. reduzir lugar para ou minimizar consideravelmente as pretensas possibilidades de "confiitos" entre instruContribui. importantes foram ratificados para Tortura Prevenir e outros e instrumentos internacionais. In: Arquivos do Ministerio 24 . A interacao da . inumeros de protecao Tratamentos dessa Desumanos Infantis. Feitas tratados essas breves de 0 de San Salvador). que cria Facultativo 0 Penal sobre a Proteeao dos Direitos Humanos No que se refere a posicao ao sistema internacional do pais. Prevenir. tendo em vista que.sao no sentido de am- pliar e fortalecer a protecao". inicial contra a Mulher. jul. de Antonio Augusto Cancado Trindade: De acordo com a visao em 28 de setembro de 1989. a partir da Carta de 1988. destaca-se a) da Convencao Punir a Tortura. a Convencao de todas as formas de Discriminacao Facultativo a Convencao 0 observa-se que somente a partir do processo de democratizacao em 1985. em em segundo Iugar. 52-53. em 21 de agosto de consideracoes direitos a respeito passa-se 0 dos a internacionais de protecao humanos. Antonio Augusto. sob a egide da Constituicao Federal de 1988. gar. e 0) do Protocolo Tortura. Direitos Civis em e geral ou especial. entre 0 direito internacional e 0 direito interno na protecao dos direitos hurnanos. Politicos. Brasilia. b) da Convencao Tratamentos c) da Convencao d) do Pacto a ratificacao: de alcance global ou regional. analise do modo pelo qual internacional Brasil se relaciona com aparato dos direitos humanos. Crueis. de incorporacao pelo de Direito contra ou dos outros ratificar relevantes tratados internacionais o tratados brasileiro a Tortura Degradantes.) Contribui. em 25 de setembro de 1992. de direitos humanos. o criterio tratados da primazia da norma mais favoravel as pesconsagrado expressamente contribui em tantos em primeiro Internacional soas protegidas. Prostituicao Interamericana para Eliminacao em 15 de agosto Tribunal de de todas as formas de Discriminacao de Deficiencia. da Crianca. j) da Convencao Portadoras 2001. por dois ou mais instrumentos ou ainda. Facultativo a Convencao contra a em II de janeiro de 2007.. 1993. de alcance diversos sistemas de protecao direitos identicos sao tutelados pelo Brasil. em terceiro lu0 (dois ou mais tratados). e) do Pacto Internacional Sociais e Culturais. sobre os de da Crianca sobre Envolvimento e que 0 estado brasileiro passou a de direitos human os. Pornografia Facultativo a Convencao sobre os e da Crianca sobre Venda. em 20 de junho de 2002. n) do Protocolo Direitos 2004.ga- os mesmos direitos . f) da Convencao Convencao dos Direitos Economicos. Americana Sociais referente e Culturais a Violencia contra a Mulher. em Face do Sistema Internacional de 2. ou Degradantes. Sob essa otica. p. n. que sofreu internacionais de direitos humanos Interamericana contra a violacao de direito a escolha do aparato mais favoravel. g) da Interamericana de 1995. para obter maior coordenacao tais instrumentos e instrumentos em dimensao tanto vertical (tratados de direito interno). em 24 de janeiro de 1992. em 24 de janeiro de 1992. em 28 de junho de 2002. os dos direitos humanos interagem em 20 de julho de 1989./dez. para demonstrar coexistencia rantindo a Convencao que a tendencia e prop6sito da da Pena de Morte. eventualmente. Americana referente a Punir e Erradicar 27 de novembro h) do Protocolo Abolicao 1996.

a Carta esta a atribuir aos direitos internacionais uma hierarquia especial e diferenciada. especialmente em face da forca expansiva dos valores da dignidade humana e dos direitos fundamentais. 0 texto de 1988. a Carta de 1988estabelece que os direitos e garantias expressos na Constituicao "nao excluem outros decorrentes do regime e dos principios por ela adotados. (as direitos humanos como tema global. como parametres axiol6gicos a orientar a compreensao do fenomeno constitucional'". que con tam com significativa adesao dos demais estados integrantes da ordem internacional. os direitos enunciados nos tratados internacionais de que 0 Brasil seja signatario.esses valores passam a ser dotados de uma especial forca expansiva. Por fim. ao simbolizar a ruptura com extraordinaria. rev. Lindgren Alves: "Com a adesao aos dois Pactos Internacionais da ONU. bern como para com a ideia da legitimidade das preocupacoes da comunidade internacional. asseguram a disposicao do Estado democratico brasileiro de conformar-se plenamente as obrigacoes internacionais por ele contraidas". Na ordem de 1988. p. dentre os direitos constitucionalmente protegidos. e necessario frisar que a Constituicao Brasileira de 1988 constitui 0 o valor da dignidade humana - ineditamente elevado a principio fundamental da Carta. assim. sociais e culturais)".impoe-se como nucleo basico e informador do ordenamento juridico brasileiro. assim como ao Pacto de Sao Jose. situando-se como abrangente e pormenorizado constitucional do pais. ao incluir. nos termos do art. no tocante a materia. 108. Coimbra: Almedina. como importante fator para a ratificacao desses tratados internacionais. na hist6ria 16Para J. Alem das inovacoes constitucionais. 12. e havendo anterior mente ratificado todos os instrument os juridicos internacionais significativos sobre a materia. Esse esforco se conjuga com 0 objetivo de compor uma imagem mais positiva do Estado brasileiro no contexto internacional. conferindo suporte axiol6gico a todo 0 sistema juridico brasileiro. 3. directivo e inspirador desses actos. dos direitos implicitos. a de norma constitucional. liberdades e garantias e direitos economicos. projetando-se por todo o universo constitucional e servindo como criterio interpretativo de todas as normas do ordenamento juridico nacional. 52. 1994.foram fundamentais para a ratificacao desses importantes instrumentos de protecao dos direitos humanos".A Costituicao Brasileira de 1988 e os Tratados Internacionais de Protecao dos Direitos Humanos As inovacoes introduzidas pela Carta de 1988 especialmente no que tange ao primado da prevalencia dos direitos humanos. de modo mais condizente com as transformacoes internas decorrentes do processo de democratizacao. os direitos a) b) c) 0 0 fundamentais podem ser organizados em tres distintos grupos: dos direitos expressos na Constituicao. A Constituicao de 1988 inova. e 0 nais subscritos pelo Brasil. como principio orientador das relacoes internacionais . sobre a materia. 6. ha que se acrescer 0 elevado grau de universalidade desses instrumentos. Logo. A. A dignidade humana e os direitos fundamentais vern a constituir os principios constitucionais que incorporam as exigencias de justica e dos valores eticos. Adicione-se que a subscricao do Brasil aos tratados internacionais de direitos humanos simboliza ainda 0 aceite do Brasil para com a ideia contemporanea de globalizacao dos direitos humanos. Essa conclusao advem de interpretacao sistematica e teleol6gica do texto. que.) ~ 25 . decorrentes do regime e dos direitos expressos nos tratados internacio- dos principios adotados pela Carta constitucional. A Incorporacao dos Tratados Internacionais de Proteeao de Direitos Humanos pelo Direito Brasileiro Preliminarmente.) 17Para Jose Joaquim Gomes Canotilho: "A legitimidade material da Constituicao nao se basta com urn "dar forma" ou "constituir" de orgaos. Sao Paulo: Perspectivai Fundacao Alexandre de Gusmao. 0 regime autoritario. § 22 do texto. empresta aos direitos e garantias enfase documento mais avancado. por meio da ampliacao e do reforco do universo de direitos por ele assegurado. qual seja. exige uma fundamentacao substantiva para os actos dos poderes publicos e dai que ela tenha de ser urn parametro material. nao passiveis de emendas e. A esse raciocinio se acrescentam 0 marco juridico da transicao 0 democratica e da institucionalizacao dos direitos humanos no Brasil. extensivas a outros decorrentes de tratados de que 0 pais seja parte. como criterio e parametro de valoracao a orientar a interpretacao e compreensao do sistema constitucional instaurado em 1988. (Oireito constitucional. Internamente. em 1992. p. no ambito da OEA. acrescente-se a necessidade do Estado brasileiro reorganizar sua agenda internacional. ou dos tratados internacionais em que a Republica Federativa do Brasil seja parte". tece a interacao Direito brasileiro e os tratados internacionais de direitos human os. 74. tendo em vista que. de forma inedita. 0 Brasil ja cumpriu praticamente todas as formalidades externas necessarias a sua integracao ao sistema internacional de protecao aos direitos hurnanos. A fundamentacao material e hoje essencialmente fornecida pelo catalogo de direitos fundamentais (direitos. III . 52. como pais respeitador e garantidor dos direitos humanos. ed. Ao fim da extensa Declaracao de Direitos enunciada pelo art. por outro lado. se 0 processo de democratizacao permitiu a ratificacao de relevantes tratados de direitos humanos. ainda. 1993. Ao efetuar tal incorporacao. por sua vez essa ratificacao permitiu 0 fortalecimento do processo democratico. as garantias aos amplos direitos entronizados na Constituicao de 1988. faz-se clara a relacao entre 0 processo de democratizacao no Brasil e 0 processo de incorporacao de relevantes instrumentos internacionais de protecao dos direitos humanos. A luz desse dispositivo constitucional. E nesse contexto que ha de se interpretar entre 0 0 disposto no art.

eleva os principais tratados de direitos humanos constitucional. vigente no direito internacional (0 pactasunt servanda). en particular la Convenci6n Americana no son tratados multilaterales del tipo tradicional concluidos en funci6n de un intercambio reciproco de derechos para el beneficio mutuo de los Estados contratantes. possuiam uma dimensao projectiva de comensuracao universal". Quer fossem considerados como "direitos naturais". porem. Compartilhando do mesmo entendimento. 90. liberdades e garantias. Logo. Enquanto nos termos do art. III. 0 criterio em analise coloca-nos perante urn dos temas mais polernicos do direito constitucional: qual e 0 conteudo ou materia da Constituicao? conteudo da Constituicao varia de epoca para epoca e de pais para pais e. direitos de participacao e dos trabalhadores e constituicao economica)". a luz de uma interpretacao sistematica e teleol6gica da Carta. Buenos Aires: Heliasta. Esse posicionamento se coaduna com 0 principio da boa-fe.Artigo 03 principio da maxima efetividade das normas constitucionais referentes a direitos e garantias fundamentais e a natureza materialmente constitucional dos direitos fundamentais". Juan Antonio. ate entao considerados de valor juridico-constitucional irrelevante. op. sociais e culturais. 52. que combina regimes juridicos diferenciados: urn regime aplicavel aos tratados de direitos humanos e urn outro aplicavel aos tratados tradicionais. protecao dos direitos humanos. sino hacia los individuos bajo su jurisdicci6n. constitucionalmente reconhecidos. 19Sustenta-se que os tratados tradicionais tern hierarquia infraconstitucional. no en relaci6n con otros Bstados. em seu art. cit. destacando-se. Jose Joaquim Gomes Canotilho afirma: "Ao apontar para a dimensao material. nesse sentido. y se reJuerza con la ratificacion argentina a las convenciones 0 pactas internacionales de derechos human os destinados a hacerlos efectivos y brindar proteccion concreta a las personas a traves de instituciones internacionales. mas supralegal. Essa conclusao decorre tambem do processo de globalizacao. que 0 Direito brasileiro faz opyao por urn sistema misto. Conclui-se. Al aprobar estos tratados sobre derechos humanos. portanto. No mesmo sentido. Adicione-se. Posteriorrnente. Esse carater especial vern a justificar aos tratados 0 status de a normacao internacional- abertura que resulta na ampliacao que passa a incorporar do "bloco de constitucionalidade". que. "direitos inalienaveis" ou "direitos racionais" do individuo. 1990. (La Constitucion Nacional y los derechos humanos. sino que otorga garantias a las personas. foram consideradas materias constitucionais. e tendencialmente correcto afirmar que nao ha reserva de Constituicao no sentido de que certas materias tern necessariamente de ser incorporadas na Constituicao pelo Poder Constituinte. argumenta Juan Antonio Travieso: Los tratados modernos sobre derechos humanos en general. tanto frente a su proprio Estado como frente a los otros Estados contratantes. 27 da Convencao de Viena. Registre-se. ainda. Pros segue 0 mesmo autor: "Urn tapas caracterizador da modernidade e do constitucionalismo foi sempre 0 da consideracao dos "direitos do homem" como ratio essendi do Estado Constitucional. p. os direitos enunciados em tratados internacionais de protecao dos direitos humanos 18Sobre 0 terna. na medida em que os tratados internacionais de direitos humanos apresentam urn carater especial. particularmente da prioridade que atribui aos direitos fundamentais e ao principio da dignidade da pessoa humana. 18). justificadamente. que apresentam aplicabilidade imediata. verificou-se 0 "enriquecimento" da materia constitucional atraves da insercao de novos conteudos. 0 fato de as Constituicoes latino-americanas recentes conferirem aos tratados de direitos humanos urn status juridico especial e diferenciado. Su objeto y fin son la protecci6n de los derechos fundamentales de los seres humanos independientemente de su nacionalidad. leciona Jorge Reinaldo Vanossi: La declaracion de la Constitucion argentina es concordante con as Declaraciones que han adoptado los organism os internacionales. 3. Essa opcao do constituinte de 1988 se justifica em face do carater especial dos tratados de direitos humanos e. a Carta de 1988 atribui aos direitos enunciados em tratados internacionais a hierarquia de norma constitucional. §§ 12e 22. (idem. los Estados se someten a un orden legal dentro del cual ellos. "b" do texto (que admite 0 cabimento de recurso extraordinario de decisao que declarar a inconstitucionalidade de tratado). Esse tratamento juridico diferenciado se justifica. tendo em vista que objetivam a salvaguarda dos direitos do ser humano e nao das prerrogativas dos Estados. A hierarquia constitucional dos tratados de protecao dos direitos humanos decorre da previsao constitucional do art. a Constituicao da Argentina que. Por tanto. da superioridade desses tratados no plano internacional. 75. aqueles transcendem os meros compromissos reciprocos entre os Estados pactuantes. enquanto os demais tratados constitucional atribuido internacionais tern forca hierarquica infraconstitucional". Por ese motivo. no entender de parte da doutrina. p. la Convenci6n no s610 vincula a los Estados partes. que propicia e estimula a abertura da Constituicao detem natureza de norma constitucional. § 22. 102. por isso. os direitos do homem. ed. a hierarquia de norma Enfatize-se internacionais que. preceitos asseguradores de direitos fundamentais. p. tendo em vista que integrariam 0 chamadojus cogens (direito cogente e inderrogavel). por forca do art. § 22. 52.) ° 26 . Derechos humanos y derecho internacional. p. que tern como refiexo 0 art. a organizacao do poder politico (informada pelo principio da divisao de poderes) e 0 catalogo dos dire it os. par excellence. por el bien comun. (Direito constitucional. y. Enquanto estes buscam 0 equilibrio e a reciprocidade de relacoes entre Estados-partes. incluindo-os no elenco dos direitos constitucionalmente garantidos. 1988. no puede interpretarse como cualquier otro tratado ". 35. Buenos Aires: Eudeba. distinguindo-se dos tratados internacionais comuns. segundo 0 qual nao cabe ao Estado invocar disposicoes de seu direito interno como justificativa para 0 nao cumprimento de tratado. historicamente (na experiencia constitucional). 2OTRAVIESO. 0 que justifica estender aos direitos enunciados em tratados 0 regime constitucional conferido aos demais direitos e garantias fundamentais. asumen varias obligaciones. de valor administrativo ou de natureza sub-constitucional (direitos economicos. 68).

enquanto os demais adquirissem hierarquia 0 constitucional exclusivamente em virtude de seu quorum de aprovacao. 0 bloco 0 doutrinarias acerca da hierarquia dos tratados internacionais de protecao dos direitos humanos.A Costituicao Brasileira de 1988 e os Tratados Internacionais de Protecao dos Direitos Humanos os tratados internacionais de protecao dos direitos humanos . que sustentam: a) a hierarquia supra-constitucional desses tratados.tal como direitos humanos ratificados pelo Estado 0 valor fund ante da 0 A hierarquia de valores deve oposto. a preponderancia material de urn bern juridico. independentemente do quorum de sua aprovacao. 52. mas em urn unico turno de votacao em cada Casa. 0 segundo os ter- mos do art. fez 0 texto argentino . ~ 27 . introduziu urn § 32 no art. Sao Paulo: Saraiva. p. ampliada e atualizada. 52 endossasse a hierarquia formalmente constitucional de todos os tratados internacionais de protecao dos direitos humanos ratificados. que consagra fundamentais. a celebrar prevalencia da dignidade humana. a paragrafo 22 do art. serao equivalentes as emend as a Constituicao. A titulo de exemplo. 52. principio da aplicabilida- contaram com ampla maioria na Camara dos de imediata das normas definidoras de direitos e garantias que ha quatro correntes Deputados e no Senado Federal. orientada por valores. estabelece 0 § 32 do art.apresentam hierarquia de norma constitucional e aplicacao imediata. excedendo. sustentase que a hierarquia constitucional ja se extrai da interpretacao conferida ao pr6prio art. por tres quintos dos votos dos respectivos membros. ver PIOVESAN. seria mais adequado que a redacao do aludido § 32 do art. In: Teoria dos direitos fundamentals. e nao dizer. Celso de Albuquerque. Desde logo.urn tratado complementar e subsidiario ao principal . "MELLO. estando em vias de ratificar seu Protocolo Facultativo. Flavia. § 22. todos os tratados de direitos humanos ja ratificados seriam recepcionados como lei federal. 52. todos os tratados compondo de direitos humanos. ao adicionar urn lastro formalmente constitucional propiciando a "constitucionalizacao de direitos humanos no ambito juridico interno. p. Reitere-se que. uma vez que de dois turnos nao era tampouco previsto. mas supra-legal e d) a paridade hierarquica entre tratado e lei federal". Nao haveria qualquer razoabilidade se a este ultimo . destaque-se que Brasil e parte da Convencao contra a Tortura e outros Tratamentos ou Penas Crueis. 0 quorum qualificado aos tratados ratificados. 52 da Constituicao Federal. diversamente dos tratados tradicionais. afirmando . nao foram aprovados por dois turnos de votacao. em dois turnos. deve condicionar a forma no Nao seria razoavel sustentar que os tratados de direitos humanos ja ratificados fossem recepcionados como lei federal.51-81. Em face de todos os argumentos ja expostos. 52 que os tratados internacionais de direitos humanos aprovados. 0 Os tratados e convencoes internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados. da Constituicao de 1988. formal" dos tratados esta tao-somente a reforcar tal natureza.45/2004 reproduza no ordenamento juridico nacional tratado. 52. ed. 0 quorum dos tres quintos dos membros em cada Casa. Observa-se. sao materialmente constitucionais. os tratados internacionais de direitos humanos cao. a partir do ato da ratifica- No entanto.por forca do art. em cada Casa do Congresso Nacional. e0 caso de urn direito fundamental. §§ 12 e 22 . os demais tratados internacionais apresentam hierarquia infraconstitucional e se submetem a sistematica da incorporacao legislativa. a Emenda Constitucional ns 45. Todavia. em dois turnos. em cada Casa do Congresso Nacional. Vale corresponder uma hierarquia de normas". No sentido de responder a polemica doutrinaria e jurisprudencial concernente a hierarquia dos tratados internacionais de protecao dos direitos humanos.que os tratados internacionais de protecao de brasileiro tern hierarquia constitucional-'. Desumanos ou Degradantes desde 1989. 8. revista. como plano juridico-normativo. em face do § 32 do art. Como ja defendido por esse trabalho. "Defendi essa posicao em parecer sobre 0 tema. em margo de 2004. 52. § 22. dispondo: procedimento de constitucionalidade. Nao irradiam efeitos concomitantemente na ordem juridica internacional e nacional. § 12. Direitos Humanos e 0 Direito Constitucional Internacional. c) a hierarquia infra-constitucional. Vale dizer. contudo. por tres quintos dos votos dos respectivos membros.fosse conferida 2007. Observe-se que os tratados de protecao dos direitos humanos ratificados anteriormente a Emenda Constitucional n. aprovado em sessao do Conselho Nacional de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana. ha que afastar 0 entendimento segundo o qual. e necessaria a producao de urn ato normativo que 0 demandado pelo aludido paragrafo. e nao ser condicionado por ela. No que se refere a incorporacao automatica. pois nao teriam obtido 0 quorum qualificado de tres quintos. 21A respeito. por forca do art. 25. na hermeneutica emancipat6ria dos direitos ha que imperar uma l6gica material e nao formal. 52. serao equivalentes as emend as a Constituicao. de 8 dezembro de 2004. b) a hierarquia constitucional. inclusive. pois sua incorporacao conteudo do e automatica.

A respeito do impacto art..2006. por quorum qualificado de tres quintos.e 32. desta feita com forca de emend a constitucional. tendo como relator 0 Ministro Albino Zavascki. 0 Pacto de Sao Jose da Costa Rica foi resgatado pela nova disposicao (§32. peremptoriamente. data do julgamento: 18/05/2006. Tal requisito nao foi atendido. racismo e relacoes internacionais. tern hierarquia constitucional. ao afirmar sob a forma".de lei ordinaria para constitucionaltambern supoe a observancia do requisito formal de ratificacao pelas Casas do Congresso.. § 32. embora seja lei ordinaria. de forma a dialogar os §§22. cite-se 0 C6digo Tributario Nacional (Lei 5. como realca Celso Lafer. uma leiinterpretativa nada mais faz do que declarar 0 que pre-existe. por tres quintos dos votos dos respectivos membros. Recurso Ordinario em Habeas Corpus.. S2.julgado proferido pelo Superior Tribunal de Justica. destaca-se 0 RHC 19087. Celso. a Convencao continua em vigor. 16. Recurso Ordinario em Habeas Corpus. que...34328. os tratados internacionais em que 0 entendimento de que os tratados internacionais de direitos humanos ratificados anteriormente ao mencionado paragrafo. 4S. material que devem ser interpretado a luz do sistema constitucional. inspirou-se por uma logica e racionalidade formal.06. ate a presente data. em 22 de novembro de 2006.RJ. Esse entendimento decorre de quatro argumentos: a) a interpretacao sistematica da Constituicao. destaca-se 0 seguinte trecho: "Quante aos tratados de dire it os human os preexistentes it EC 45/2004. mas deve. c) a necessidade de evitar interpretacoes que apontern a agudos anacronismos da ordem juridica.05. Tal situacao importaria em agudo anacronismo do sistema juridico. S2. devem ser aplicados. anteriormente a Emenda Constitucional ns 4S12004.do art. nos termos do artigo 146 da Constituicao Federal.do art. relator Ministro Cezar Peluso. ao reves.343-1. no julgamento do HC 72. do art. Em 1995. S2. pelo voto de oito dos onze Ministros. imediatamente. tendo como relator maio de 2006: (. em emblematico voto proferido pelo Ministro Gilmar Ferreira Ministro Jose Delgado. 0 primeiro. em §32. admitindo a possibilidade da prisao civil por divida. (. tendo sido pedida vista dos autos pelo Ministro Celso de Mello para maior reflexao sobre a revisao do entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre a materia. a qual possui eficacia retroativa. De acordo com a opiniao doutrinaria tradicional. 24Atitulo de exemplo. situando-se como normas material e formalmente constitucionais. S2. corrobora-se 0 Ora. da CF/88. diversamente.) a reforma acabou por ressaltar 0 carater especial dos tratados de direitos humanos em relacao aos demais tratados de reciprocidade entre Estados pactuantes. apesar de a epoca 0 referido Pacto ter sido aprovado com quorum de lei ordinaria. e de se ressaltar que ele nunca foi revogado ou retirado do mundo juridico. Sao Paulo..). DJ 08. recorrente Banco Bradesco S/A e recorrido Luciano Cardoso Santos. nao obstante a sua rejeicao decantada por decisoes judiciais. inspirada por uma l6gica e racionalidade material. sustentou a paridade hierarquica entre tratado e lei federal. a transforrnacao de sua forca normativa . "0 novo paragrafo 32. A tramitacao de lei ordinaria conferida a aprovacao da mencionada Convencao (.ao clarificara lei existente?". Uma vez mais.. 2005. S2.172.) 0 0 primado da substancia o imp acto da inovacao introduzida pelo art.. e ao instrumento principal fosse conferida hierarquia meramente legal. afirmando 0 primado da forma sob a substancia. Ademais. pode ser considerado como uma lei interpretativa destinada a encerrar as controversias jurisprudenciais e doutrinarias suscitadas pelo paragrafo 22. Note-se que 0 julgamento envolvia a tematica da prisao civil por divida e a aplicacao da Convencao Americana de Direitos Humanos. de 25 de outubro de 1966). 28 . A respeito.. foi recepcionado como lei complementar. 0 Supremo Tribunal Federal.131. que "as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais tern aplicacao imediata". a teoria geral da recepcao acolhida no direito brasileiro?'. nao impedindo a sua retroatividade. S2. 25LAFER. quando do julgamento do RE 466. Ate novembro de 2006.) nao constituira 6bice formal de relevancia superior ao conteudo material do novo direito aclamado. estaca-se a decisao d do Superior Tribunal de Justica. conferindo-lhes lugar privilegiado no ordenamento juridico. ao reves. '"RHC 18799. Barueri: Manole.) a mudanca constitucional ao e taxativo ao enunciar que os tratados e convencoes internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados. p. oito dos onze Ministros haviam votado pela inconstitucionalidade da prisao para 0 devedor em alienacao fiduciaria. e d) a teoria geral da recepcao do Direito brasileiro. ja que ultimo nao revogou 0 0 Brasil seja parte.2006. em dois turn os. ainda. "Ver Recurso Extraordinario 466. ao enfrentar a mesma tematica... ao destacar: (. De acordo com 0 citado §32. A argumentacao do referido julgado. Nao se pode escantear que 0 §12 supra determina. em relacao ao Pacto de Sao Jose da Costa Rica (Convencao Americana de Direitos Humanos)". o art. em cad a Casa do Congresso N acional. Mendes. DJ 29. A internacionalizaeao dos direitos humanos: Constituicao.Artigo 03 hierarquia constitucional. serao equivalentes as emendas constitucionais. por se tratar de acordo internacional pertinente a direitos humanos">. S2. b) a l6gica e racionalidade orientar a hermeneutica dos direitos humanos. quando do julgamento do RHC 18799.do art. afrontando. "Em sentido contrario. Esse julgado revela a hermeneutica adequada a ser aplicada aos direitos humanos. § 32 e a necessidade de evolucao e atualizacao jurisprudencial foram tambem realcadas no Supremo Tribunal Federal. ou seja. d acrescido pela EC n. data do julgamento: 09/05/2006. Na especie. A regra emanada pelo dispositivo em apreco e clara no sentido de que os tratados internacionais concernentes a direitos humanos nos quais 0 Brasil seja parte devem ser assimilados pela ordem juridica do pais como normas de hierarquia constitucional.

52da Constituicao. Logo. Barueri: Manole.) Deixo acentuado. (. Se os tratados de direitos humanos anteriormente a Emenda n2 45/2004. a premente necessidade de se dar efetividade a protecao dos direitos humanos nos pIanos interno e internacional torna imperiosa uma mudanca de posicao quanto ao papel dos tratados internacionais sobre direitos na odem juridica nacional.. ara alem de serem P materialmente constitucionais.. os tratados de direitos espirito desta Corte. passam a integrar formalmente Vale dizer.. 5". 81. 0 Impacto dos Tratados Internacionais de Protecao dos Direitos Humanos na Ordem Juridica Brasileira Relativamente ao imp acto juridico dos tratados internacionais de direitos humanos no Direito brasileiro. A internacionalizaeao dos direitos humanos: Constituicao. que distingue os tratados de direitos humanos dos tratados tradicionais de cunho comercial. e considerando a hierarquia constitucional desses tratados. equiparando-se as emend as a Constituicao. p. a partir de urn reconhecimento explicito da natureza materialmente constitucional dos tratados de direitos humanos. sao equiparados as emendas a Constituicao. esta preparado para essa atuali- humanos formalmente constitucionais o Texto Constitucional. Nessa hipotese.que e justamente 0 E necessario assumir uma postura jurisdicional mais adequada as realidades emergentes em ambitos supranacionais. para converteremse em normas tam bern formalmente constitucionais deverao 29LAFER. os tratados comerciais nao passariam a ter status formal de norma constitucional tao-somente pelo procedimento de sua aprovacao. por forca do § 22do mesmo art.vern a reconhecer de modo explicito a natureza materialmente constitucional dos tratados de direitos humanos. e b) os material e formalmente constitucionais. isto e. (. 60. por forca dos §§ 22 e 32 do art. de relatoria do Ministro Xavier de Albuquerque (julgado em 1. sem sombra de duvidas. 52 surgem tratados de direitos humanos.) ~ 29 . 0 direito enunciado no tratado internacional podera: 0 Ministro pela supralegalidade dos advento do § 32 do art. portanto. hoje. 2005. a partir do § 32 do mesmo dispositivo. assim como hit direitos fundamentais situados fora do catalogo. reforcando. requerse a observancia de quorum qualificado de tres quintos dos votos dos membros de cad a Casa do Congresso Nacional. no ambito formal..6.1977.) Tenho certeza de que zacao jurisprudencial. acrescer a qualidade de formalmente constitucionais. Isto e.1977) e encontra respaldo em largo repert6rio de casos julgados ap6s 0 percorrer 0 procedimento demandado pelo § 32. poderao. tern de ser revisitada criticamente. 5229.A Costituicao Brasileira de 1988 e os Tratados Internacionais de Protecao dos Direitos Humanos menos acena para a insuficiencia da tese da legalidade ordinaria dos tratados ja ratificados pelo Brasil. desse modo. 3OComo Ingo Wolfgang Sarlet leciona: "Inobstante nao necessariamente ligada it fundamentalidade formal. No mesmo sentido. com relacao aos novos tratados de direitos humanos a serem ratificados.) Tudo indica. serao normas materialmente constitucionais.. mas integrantes da Constituicao formal" (A eficitcia dos direitos fundamentals. que a jurisprudencia do Supremo Tribunal Federal. p. a existencia de urn regime juridico misto. Celso. e por intermedio do direito constitucional positivo (art. devem obedecer ao item previsto no novo paragrafo 32 do art. de 08 de dezembro de 2004. Por fim. voltadas primordialmente a protecao do ser humano. ainda que fossem aprovados pelo elevado quorum de tres quintos dos votos dos membros de cada Casa duas categorias de tratados internacionais de protecao de do Congresso N acional. a qual tern sido preconizada pela jurisprudencia do Supremo Tribunal Federal desde 0 remoto julgamento do RE n2 80. § 22. para serem recepcionados advento da Constituicao de 1988.12. com direitos humanos: a) os materialmente constitucionais. mais que que nunca. racismo e relacoes internacionais. e. da Carta de 1988. 52. Celso Lafer afirma: Com a vigencia da Emenda Constitucional n2 45. os tratados internacionais a que 0 Brasil venha a aderir. ratificados 4. portanto.. (. independentemente de seu quorum de aprovacao. sao norm as material eformalmente constitucionais. paragrafo 2" da CF) que a nocao de fundamentalidade material permite a abertura da Constituicao a outros direitos fundamentais nao constantes de seu texto. Isto porque. Contudo. apenas materialmente fundamentais. formalmente como norm as constitucionais. DJ 29. nos termos do art. tambem. 17. novo dispositivo do art. (. tres hip6teses poderao ocorrer. Frisese: todos os tratados internacionais de direitos humanos sao materialmente constitucionais. por forca do § 22 do art..§ 32. que a evolucao jurisprudencial sempre foi uma marca de qualquer jurisdicao constitucional.) Assim. 52. 52 permite atribuir 0 status de norma formalmente constitucional aos tratados de direitos humanos que obedecerem ao procedimento nele contemplado.. 5230. em dois turnos . para que os tratados de direitos humanos a serem ratificados obtenham assento formal na Constituicao.004/SE. concluiu Acredita-se que 0 0 0 quorum exigido para a aprovacao de emendas a Constituicao. 0 § 32 do art.

de direitos humanos juridico de direitos constitucionalmente ponsabilizacao internacional. etnicas. paragrafo 12 da Convencao como garantia no ambito nacional. 27 do Pacto Civis e Politicos os Direitos e da Internacional 30 da Crianca. nos termos dos Direitos Convencao do art. desumano ducao literal do art. Nesse caso.0602l3-2-SP2" T. 12 (4) as se ajuste. interno brasileiro. social. e ampliar 0 a alimentacao. b) proibicao universo do art. os 0 com 0 art. e. pelo Estado formas de Discriminacao possibilidade temporarias a igualdade nos termos Eliminacao de adocao pelos Estados de medidas e especiais que objetivem homens acelerar sobre a de fato entre e mulheres. 0 dos Direitos Civis e Politicos e art. quanto Direito interno 0 brasileiro Direito tern paradigma e referencia. Americana. julgada em 29. que a adequada de certos grupos 0 cional dos Direitos Humanos. Americana. da utilizacao a comunicacao nos termos de meios e a circulacao do art. estarao a integrar. 8. em conformidade rece referencia 0 disposto no art. a hostilidade 0 A titulo de exemplo. complementar ratificados e estender g) vedacao obstar opinioes.1997. ¥ da Convencao em responsabilizacao internacionais de de todas as formas de Discriminacao contra a Mulher. cultural. inclusive e moradia. RJTACRIM 311120. V da Declaracao art. destinados a Ja na segunda hipotese. 0 da guerra incitamento a violencia. racial ou religioso. com que constitua art. de acordo com o art. "h" e 25. sobre a Eliminacao e liberdades de todas fato do legislador em equacionar buscar orientacao nesse instrumental. passam a se incorporar nos termos dos arts. h) direito ao duplo grau de jurisdicao judicial minima. dos Direitos Civis e Politicos e 0 Iingiiisticas pr6pria art. ha julgad os que afirmam 0 direito de apelar em liberdade.011. Interna- de adocao pelos Estados de medidas. nos termos dos Direitos dos Direitos Humanos). mesera submetido ou degradante". no sentido de que a eles seja garantido pleno exercicio dos direitos humanos fundamentais. A titulo Americana". pr6pria religiosas vida ou e repro- e art. ver Apelacao n. determinando que seja afastada a incidencia do artigo 594 do C6digo de Processo Penal. Universal a tortura.03. Economicos. economico protecao e cultural. nesses tratados de ideias e 13 da Convencao e possivel elencar inumeros direitos que. 14 (3) do sobre nos termos do art. XI da Declaracao Pacto Internacional da Convencao que comprovam como inspiracao. 82 (2) Esses sao apenas alguns exemplos 0 nos Estados que a hajam abolido.673/4. cabe mencao aos seguintes direitos: 31A respeito. de modo a que as obrigacoes reforcam internaf) valor brasileiro. os tratados direitos humanos a declaracao instrumentos constitucional internacionais de direitos. e result ado dos Direitos Humanos. 13 (5) da Convencao c) direito das minorias de ter sua de 1948. Constituicao de inspiracao Pacto Internacional dos Direitos Civis e Politicos Americana. art. LVII.Artigo 03 a) coincidir com 0 direito assegurado pela Constituipreceitos de a) direito adequado de toda pessoa a urn nivel de vida yao (neste caso a Constituicao do Direito Internacional b) integrar. de ilustracao. da Convencao em conformidade Racial. II do Pacto Internacional previstos. Americana". ao prever que "ninguem nem a tratamento cruel. 52 (2) da Convencao presumida. 30 . 72 do Pacto Internacional principio da inocencia ainda do art. mas tambem assegurados. 0 mas ainda revela a preocupacao Direito interno. 52. Relatora para 0 Acordao Juiza Sylvia Steiner. A reproducao nao apenas inspiracao do legislador cionalmente tratados de disposicoes de tratados internaciorefiete nais de direitos humanos 0 na ordem juridica nacional brasileira raciais.03. tambem no Direito Internacional Universal. c) contrariar Na primeira em particular que reproduzem internacionais complementar direitos constitucionalmente hipotese. 42 (3) da Convencao e) possibilidade no ambito assegurem e Americana. Relator designado Dr. ver julgamento TRF 3' R . Walter Swensson. com harmonia assumidas internacionais e consonancia. que estabelece a exigencia do recolhimento do reu it prisao para apelar.RHC 96. a discriminacao. d) proibicao do reestabelecimento da pena de morte previsto pela de 1988 em seu art. dispositivos dos tratados Sociais e Culturais. a partir dos pelo Estado brasileiro. Nesse sentido. a Constituicao de 1988. nacional. de qualquer e proibicao propaganda de qualquer em favor apologia ao ou preceito do Direito interno. 20 do fielmente enunciados de direitos humanos. Com efeito. apresenta constantes 6dio nacional.05.1996. da Constituicao de 1988 que. 52. ineditamente professar e praticar sua pr6pria religiao e usar sua lingua. DIU 19. embora nao previstos encontram-se enunciados ao Direito brasileiro. do Por sua vez. Direito reproduz para si pr6prio vestimenta e sua familia. de forma que eventual violacao do dire ito importara nao apenas em res- do art. 1. inciso III. assim. "Com fundamento nesses preceitos.5' Camara.

mas tern como finalidade apenas apontar.1998. tendo como relator 0 Ministro Luiz Vicente Cernicchiaro. ver STI. 7. recurso ordinario em habeas-corpus (98/0022262-6). VIII da Convencao Americana".23. no Habeas 0 criterio a ser adotado se orienta pela escolha da norma mais favoravel a vitima. Todavia. absolutamente peculiar ao confiito em tela. a Convencao de Nova York sobre os Direitos da Crianca (1990).05. desumado ou degradante. RHC n. la punivel com a pena de morte. 5. Essa terceira hip6tese e a que encerra maior problematica.1996. de 23. v. A titulo de exemplo. a Convencao contra a Tortura. no plano de protecao dos direitos humanos interagem o Direito internacional e melhor protejam 0 0 Corpus n. movidos pelas fato dessa norma consagrar urn mesmas necessidades de protecao. Isto e.09. que se situa no plano dos direitos fundamentais. DIU 29. urn exame mais cauteloso da materia aponta para urn criterio de solucao diferenciado. Na licao lapidar de Antonio Augusto Cancado Trindade: 33A este respeito. ver RHC 7463/DF. j) direito de toda pessoa detida ou retida ser julgada em prazo razoavel ou ser posta em liberdade. nos termos do art. fruto da Emenda Constitucional n. 70. Desse 0 modo. considerando a hierarquia constitucional dos tratados internacionais de direitos humanos.389-5 (Sao Paulo. nunca a restringir ou debilitar.Convencao contra a Tortura e da do artigo 22. Vale dizer. 0 "tipo penal aberto". ~ 31 . estende e amplia constitucionalmente assegurados. merece destaque decisao proferida pelo Supremo Tribunal Federal acerca da existencia juridica do crime de tortura contra crianca e adolescente. preenchimento de lacunas apresentadas pelo Direito brasileiro. 3". universo dos direitos o Direito Internacional dos Direitos Humanos 0 ainda perrnite. 0 Acordao: Ministro Supremo Tribunal Federal enfocou a norma con stante no Estatuto da Crianca e do Adolescente que estabelece como crime a pratica de tortura contra crianca e adolescente (art. Nesse caso. N ote-se que apenas em 7 de abril de 1997 foi editada a lei n. ver Fxtradicao 633. relator Ministro Celso de Mello. Observe-se que esse elenco nao e exaustivo.06. 8. permitindo previstos .permitem a integracao da norma penal em aberto. 45/2004. Note-se que esse direito acabou por ser formalmente constitucionalizado em virtude da inclusao do inciso LXXVIII no art. Relator para Celso de Mello). suscitando a seguinte indagacao: como solucionar eventual confiito entre a Constituicao e determinado tratado internacional de protecao dos direitos humanos? Poder-se-ia imaginar. E 0 Brasil e parte inova e amplia 0 universo de direitos nacionalmente assegurados. concluida em Cartagena (1985) e a Convencao Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de Sao Jose da Costa Rica). adotada pela Assembleia Geral da ONU (1984). 0 Contudo. 07. (5) da Convencao Americana" e k) proibicao da extradicao ou expulsao de pessoa a outro Estado quando houver fundadas raz5es que podera ser submetida a tortura ou a outro tratamento cruel. Nesse sentido.239-BA. sem prejuizo de que prossiga 0 contra a Tortura. Como instrumentos essa decisao internacionais 0 processo. a partir do reforco do universo conceitual relativo ao termo "tortura". prevalecendo as normas que ser humano. Esse elenco de direitos enunciados em tratados internacionais de que 0 claramente demonstra. 34Sobre a materia. titular do direito.1997. passivel de complementacao no que se refere a definicao dos diversos meios de execucao do delito de tortura. 35A respeito. 233 do Estatuto). formada no ambito da OEA (1969) . na medida em que nao se encontram previstos no Direito interno. os de direitos humanos podem integrar e complementar dispositivos normativos do Direito brasileiro. Os direitos internacionais constantes dos tratados de direitos humanos apenas vern a aprimorar e fortalecer.em particular. direitos que sao consagrados nos instrumentos internacionais ratificados pelo Brasil e que se incorporaram a ordem juridica intern a brasileira. j. nos termos do art. como primeira alternativa. em que foi negada a extradicao it Republica Popular da China de pessoa acusada de crime de estelionato. exemplificativamente. nos termos do art. 0 criterio ou principio da aplicacao do dispositivo mais favoravel as vitimas e nao apenas consagrado pelos pr6prios tratados internacionais de protecao dos direitos humanos. relator Ministro Edson Vidigal.u.6.A Costituicao Brasileira de 1988 e os Tratados Internacionais de Protecao dos Direitos Humanos i) direito do acusado ser ouvido. A polemica se instaurou em razao de 0 Direito interno. que define o crime de tortura. mas tambem encontra apoio na pratica ou jurisprudencia dos orgaos de supervisao internacionais.. setembrol1998. percebe-se como Direito Internacional dos Direitos 0 Humanos inova. Relator: Ministro Sidney Sanches. prevalece a norma mais benefica ao individuo. ainda e possivel uma terceira hip6tese no campo juridico: a hip6tese de urn eventual confiito entre Direito Internacional dos Direitos Humanos e 0 Direito interno. em determinadas hipoteses. a Convencao Interamericana grau de protecao dos direitos consagrados no plano normativo constitucional. 9455.94. Tribunal Pleno .no caso. 5". a adocao do criterio "lei posterior revoga lei anterior com ela incompativel". 0 reforco de direitos nacionalmente direito de nao ser submetido a tortura. paragrafo 1 da Convencao Americana". tendo em vista que a primazia e da pessoa humana. entendeu 0 Supremo Tribunal Federal que os instrumentos internacionais de direitos humanos . 5' Turma.

No mesmo sentido.)". San Jose de Costa Rica/Brasilia: Instituto Interamericano de Derechos Humanos. salvo a do responsavel pelo inadimplemento voluntario e inescusavel de obrigacao alimenticia e a do depositario infiel". a primazia e da norma que melhor proteja. 0 0 alcance da protecao nacional dos direitos humanos.. A escolha da norma mais benefica ao individuo e tarefa que cabera fundamentalmente aos Tribunais nacionais e a outros orgaos aplicadores do direito.) desvencilhamo-nos das amarras da velha e ociosa polemica entre monistas e dualistas. no confiito entre 0 os valores da liberdade e da propriedade. oito dos onze Ministros ja haviam se manifestado pela inconstitucionalidade da prisao para 0 devedor em alienacao fiduciaria.10. Acrescente-se que para 0 entao Ministro Carlos Velloso "a prisao do devedor-fiduciante e uma violencia it Constituicao e ao Pacto de Sao Jose da Costa Rica.545-3 (95.a a protecao dos direitos 36TRINDADE.5. sejam universais (p. aqui em constante interacao: a primazia e. adotam a mesma concepcao quanta aos institutos juridicos de protecao do trabalhador. 27. to davia. no art. 1992. Ver tambem Apelacao n. Cancado Augusto Antonio. ao dispor que "ninguem podera ser preso apenas por nao poder cumprir com uma obrigacao contratual". da norma que melhor proteja. no sentido de assegurar a melhor protecao possivel ao ser humano. 37Nesse sentido. HC 76-56l-SP. ora suspendendo preceitos que sejam menos favoraveis principio da proibicao da prisao civil por dividas. A titulo de exemplo. seja ela uma norma de direito internacional ou de direito interne". ineditamente. Ora. Logo. em que. e preciso lembrar que qualquer reserva sobre a materia. Note-se que. b) limitar 0 gozo e exercicio de qualquer direito ou liberdade que possam ser reconhecidos em virtude de leis de qualquer dos Estados-partes ou em virtude de Convencoes em que seja parte urn dos referidos Estados ( . sobretudo no ambito dos direitos humanos.. Verifica-se uma tendencia de mudanca na jurisprudencia do Supremo Tribunal Federal..aplicar-se-ia a norma constitucional. A respeito. determina que "nao havera prisao civil por divida.ora reforcando sua imperatividade juridica. e Habeas Corpus n. nao se trata de primazia do direito internacional ou do direito interno.9. ao estabelecer regras interpretativas. v. Enunciado semelhante e previsto pelo art.1999). duas excecoes . em cada caso. a Carta constitucional de 1988. a Convencao Americana excepciona alimentar. admitindo. ) mas tambern e certo que os tratados multilaterais.2. em novembro de 2006. Adhemar Maciel. sejam regionais (p. ao estabelecer que ninguem deve ser detido por dividas. 22. Assim. 10. Ora. merece destaque 0 louvavel voto do Juiz Antonio Carlos Malheiros.11. Sao Paulo: LTR. 613. em cad a caso.343-1.1995.1996. ha que se questionar a possibilidade juridica da prisao civil do depositario infiel.l3l-RJ. Neste campo de protecao. a solucao dos confiitos entre normas internacionais e facilitada pela aplicacao do principio da norma mais favoravel aos trabalhadores. Min.Artigo 03 ( . primeiro ha de prevalecer. II do Pacto Internacional dos advento da Constituicao. RE 206. criterio da norma mais favoravel a vitima.1999. ainda que vencidos it epoca os Ministros Carlos Velloso. se 0 0 caso de inadimplemento de obrigacao Brasil ratificou esses instrument os sem qualquer reserva no que tange Direito a materia. Isto e. ora adicionando novos direitos. (7) da Convencao Americana. Ressalte-se que se a situacao fosse inversa . relator Juiz Elliot Akel. 32 . 601. determina: "Nenhuma disposicao da presente Convencao pode ser interpretada no sentido de: a) permitir a qualquer dos Estados-partes. os direitos consagrados da pessoa humana. do Primeiro Tribunal de Alcada do Estado de Sao Paulo. conferindonorma do tratado. Note-se nao ser esse 0 entendimento do Supremo Tribunal Federal. as pr6prias regras interpretativas dos tratados internacionais de protecao aos direitos humanos apontam a essa direcao. no confiito de valores envolve os 0 Brasil ratificou termos liberdade e solidariedade (que assegura muitas vezes a sobrevivencia humana). ReI.inciso LXVII. os tratados internacionais de direitos humanos inovam significativamente 0 ambos os instrumentos internacionais em 1992. na hip6tese de eventual confiito entre Internacional adota-se 0 0 hip6tese do inadimplemento de obrigacao alimenticia e a do depositario infiel. Novamente. (Direito internacional do trabalho.1998 e RE 243613.. 317-318. inobstante os aludidos tratados tivessem hierarquia constitucional tivessem sido ratificados ap6s 0 a e previsao do art. Distrito Federal.. Em sintese.u.880-4.. A respeito. 16.053-8. Arnaldo Sussekind afirma: "No campo do Direito do Trabalho e no da Seguridade Social. 0 que facilita a aplicacao do principio da norma mais favoravel". sociais e culturais e Convencoes da OIT). Carlos Velloso. suprimir 0 gozo e 0 exercicio dos direitos e liberdades reconhecidos na Convencao ou limita-Ios em maior medida do que a nela prevista.482-SP. elucidativo e 0 disposto no art.se a norma constitucional fosse mais benefica que a normatividade internacional. 52. grupo ou individuo. ex: Pacto da ONU sobre direitos economicos. ReI. 19.. Direitos Civis e Politicos. que esta incorporado ao direito interno" (RE-243613. p.27. ver HC 72. Plenario. conclui-se que merece ser afastado se prevalencia cabimento palavras. Em outras a a vitima no plano da protecao dos direitos 0 humanos. Observa-se que. como assinalam a Constituicao Brasileira de 1988 e a Convencao Americana de Direitos Humanos. I-Cnmara. p. Sao Paulo. sem efetuar universo dos direitos na- cionalmente consagrados . Marco Aurelio e Sepulveda Pertence. quando afirmam que os tratados internacionais s6 se aplicam se ampliarem e estenderem caso da prestacao alimenticia. atendo-se ao criterio da norma mais favoravel dos Direitos Humanos e 0 Direito interno. enquanto 0 Pacto Internacional dos Direitos Civis e Politicos nao preve qualquer excecao ao principio da proibicao da prisao civil por dividas. Min. Mais uma vez.028458-8). merecendo prevalencia valor da solidariedade. 57).. acrescentando que este principio nao limita os mandados judiciais expedidos em virtude de inadimplemento de obrigacao alimentar. os direitos da pessoa humana. 29 da Convencao Americana de Direitos Hurnanos que. ex: Carta Social Europeia). no presente dommio. todavia.1995.4. no julgamento do ja citado Recurso Extraordinario 466. A protecao dos direitos humanos nos pianos nacional e internacional: perspectivas brasileiras. 3. 1983. 72. urn caso a merecer enfoque refere-se da possibilidade de prisao do depositario infiel". na Apelacao n. a Constituicao brasileira consagra 0 0 Vale dizer.( .

No entanto. Estao. mais do que nunca. democratica e respeitadora dos direitos humanos. no que se atem e a utilidade a relevancia a de advogar esses tratados perante as instancias 0 frente do desafio de resgatar e recuperar no aparato aplicando a nacionais e internacionais. a frente do desafio de reinventar. nunca a restringir ou debilitar. impedindo que se perpetuem os antigos valores do regime autoritario. os operadores do Direito estao internacionais de direitos humanos podem contribuir de forma reforco da promocao dos direitos humanos no 0 Brasil. Hoje. 5. com uma principiologia e 16gica proprias. juridicamente repudiado e abolido. Constituicao e os instrumentos internacionais de protecao de direitos humanos por ela incorporados. sucesso da aplicacao desse instrumental internacional de direitos humanos requer a ampla sensibilizacao dos agentes operadores do Direito. Testemunha-se 0 processo de intemacionalizacao do Direito grau de Constitucional somado ao processo de constitucionalizacao do Direito Internacional. os direitos internacionais constantes dos tratados de direitos humanos apenas vern a aprimorar e fortalecer. Consideracoes finais 0 fundadas no principio da primazia dos direitos humanos. Em todas essas tres hipoteses. que fortalecem a sistematica de protecao dos direitos fundamentais. a partir deste novo paradigma e referencia: a prevalencia dos direitos humanos. ~ 33 . A Carta de 1988 e os tratados de direitos humanos lancam urn projeto democratizante e humanista. que pode viabilizar avances juridico seu potencial etico e transformador. portanto. A partir da Constituicao de 1988 intensifica-se a interacao e conjugacao do Direito internacional e do Direito interno. concretos na defesa do exercicio dos direitos da cidadania. Os agentes juridicos hao de se converter em agentes propagadores de uma ordem renovada. tucional. os tratados valores inovadores. cabendo aos operadores do direito introjetar e incorporar os seus protecao dos direitos consagrados no plano normativo consti- Como demonstrado decisiva para 0 por este estudo. reimaginar e recriar seu exercicio profissional.A Costituicao Brasileira de 1988 e os Tratados Internacionais de Protecao dos Direitos Humanos humanos.

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