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Maquiagem No Teatro

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MARCELO DÊNNY DE TOLEDO LEITE

FUNÇÕES EXPRESSIVAS E COMUNICATIVAS
DA MAQUIAGEM NA ARTE TEATRAL

DISSERTAÇÃO APRESENTADA AO DEPARTAMENTO DE ARTES CÊNICAS
DA ESCOLA DE COMUNICAÇÕES E ARTES, COMO EXIGÊNCIA PARCIAL
PARA OBTENÇÃO DO TÍTULO DE MESTRE EM ARTES CÊNICAS

ORIENTADOR : Prof. Dr. Clóvis Garcia

USP- Universidade de São Paulo
ECA - Escola de Comunicações e Artes
CAC - Departamento de Artes Cênicas

São Paulo – 2004

1

AS FUNÇÕES EXPRESSIVAS E
COMUNICATIVAS DA MAQUIAGEM NA ARTE
TEATRAL

2

Comissão Julgadora

_________________________________________________________________
Presidente

_________________________________________________________________

_________________________________________________________________

3

AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente ao Prof. Dr. Clóvis Garcia, cuja orientação foi
fundamental para a definição e o desenvolvimento desta pesquisa.

Agradeço também :

Ao Prof. Dr. José Eduardo Vendramini e ao Prof. Dr. Antônio Januzelli pela
confiança e estímulo e rigor .

À Marcos Bulhões pelas indicações, sugestões e amizade.

À Alberto Santiago, Fábio Mendes e Wilson Maximiniano, pela crença no
meu trabalho .

À Rafael Rios Filho, pelos estímulos e indicações na Universidade de São
Paulo.

À Alarico Correa Leite Filho e Denir Henriqueta de Toledo, pelo fundamental
apoio.

4

“Para que serve o teatro?, O teatro serve para falar ao homem abrir os
braços e acreditar no impossível !”

José Celso Martinez Côrrea

5

RESUMO

O objetivo da pesquisa consistiu em investigar e refletir sobre os
processos criativos , expressivos e comunicativos da maquiagem nas artes
cênicas. Salientando a importância do conhecimento das origens da maquiagem
nas atividades humanas ; rituais e práticas sagradas até a prática da pintura
corporal como necessidade de fantasia e forma de expressar comportamentos e
idéias. Atividades de pintura corporal e caracterizações que nutrem a pratica da
maquiagem nas artes cênicas. Assim desenvolvo um painel da maquiagem nos
rituais religiosos, onde a pratica da pintura na pele remete a transformações do
individuo em seres mágicos e míticos.Uma transformação que vai ser comparada
aos processos de caracterização dos atores do teatro, a partir daí projeto um
painel sobre os principais uso de maquiagem no teatro oriental, suas cores,
códigos e funções.

Posteriormente trago o foco para o teatro ocidental, e como que a arte
da maquiagem interfere nas criações de espetáculos, segue e cria estéticas,
dialoga com conceitos de encenação e direção de arte e auxilia na metamorfose
do ator em personagem.

Os resultados dessa pesquisa podem abrir perspectivas para a
reflexão da maquiagem nas artes cênicas, não só para atores , mas para
diretores, cenógrafos, figurinistas e pessoas que investiguem a prática teatral.

6

ABSTRACT

....................................................................................................................................
....................................................................................................................................
....................................................................................................................................

7

SUMÁRIO

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO............................................................................... 01

CAPÍTULO 1 – HISTÓRIA DA MAQUIAGEM............................... 11

1.1AS ORIGENS.............................................................................................. 12

1.2OS EGÍPCIOS............................................................................................. 27

1.3OS MESOPOTÂMEOS............................................................................... 31

1.4OS HEBREUS............................................................................................. 31

1.5OS GREGOS............................................................................................... 32

1.6OS ROMANOS............................................................................................ 33

1.7IDADE MÉDIA............................................................................................. 39

1.8RENASCENÇA........................................................................................... 41

1.9SÉCULO XVII.............................................................................................. 42

1.10SÉCULO XVIII........................................................................................ 46

1.11SÉCULO XIX.......................................................................................... 47

1.12SÉCULO XX........................................................................................... 48

8

SUMÁRIO

CAPÍTULO 2 – FANTASIA E COMPORTAMENTO..................... 52

2.1FANTASIA E COMPORTAMENTO.......................................................... 53

2.2MAQUIAGEM E MÁSCARA..................................................................... 62

CAPÍTULO 3 – A MAQUIAGEM NOS RITUAIS RELIGIOSOS... 69

3.1INTRODUÇÃO......................................................................................... 70

3.2ÁFRICA.................................................................................................... 71

3.3AMÉRICA DO SUL.................................................................................. 77

3.4ÁSIA (ÍNDIA, NEPAL, INDONÉSIA)....................................................... 84

3.5AMÉRICA DO NORTE............................................................................ 91

3.6OCEANIA E AUSTRÁLIA....................................................................... 93

CAPÍTULO 4 – A MAQUIAGEM NO TEATRO ORIENTAL....... 100

4.1INTRODUÇÃO......................................................................................... 101

4.2A MAQUIAGEM NO TEATRO KABUKI.................................................. 102

4.3A MAQUIAGEM NA ÓPERA DE PEQUIM.............................................. 113

4.4A MAQUIAGEM NO TEATRO KATHAKALI........................................... 120

4.5A MAQUIAGEM NO TEATRO VIETNAMITA.......................................... 127

9

SUMÁRIO

CAPÍTULO 5 – A MAQUIAGEM NO TEATRO OCIDENTAL...........130

5.1 INTRODUÇÃO................................................................................................131

5.2 ORIGENS DA MAQUIAGEM NO TEATRO OCIDENTAL.............................133

5.3A MAQUIAGEM NUMA ESTÉTICA CLOWNESCA.....................................152

5.4A MAQUIAGEM NA ESTÉTICA EXPRESSIONISTA...................................164

5.5ESTILIZAÇÃO...............................................................................................171

5.6A MAQUIAGEM E A CONCEPÇÃO

ESTÉTICA DO ESPETÁCULO TEATRAL...................................................176

5.7 A MAQUIAGEM E A METAMORFOSE DO ATOR EM PERSONAGEM......181

CONSIDERAÇÕES FINAIS..............................................................192

BIBLIOGRAFIA.................................................................................193

ANEXOS..................................................................................................

10

INTRODUÇÃO

INTRODUÇÃO

A pesquisa que realizo aqui é uma reflexão sobre a maquiagem
na arte teatral, suas origens e funções , inicialmente na história do homem e seus
rituais religiosos , que originaram mais tarde o teatro, até alcançar o teatro atual,
ocidental e oriental. A proposta é dar um painel da evolução e da função
expressiva e criativa da maquiagem na sociedade e mais especificamente nas
artes cênicas; comparar estilos, características e possibilidades de uso da
maquiagem não só como recurso para os atores , e sim como uma arte com
significantes próprios, específicos no teatro.

Tem como objetivos também , evidenciar a importância da
maquiagem em diversas instancias da criação cênica, que poderá ser de utilidade
para pesquisadores, atores, diretores, técnicos e pessoas interessadas na
maquiagem como uma importante fonte de criação e código na cena teatral. E
que é mais uma ferramenta à disposição do encenador ou qualquer homem de
teatro; que não é só um artifício que deve ser usado como efeito decorativo
gratuito, pomposo e vaidoso; que é preciso que a maquiagem complemente , que
cumpra a sua função de auxiliar na comunicação do texto, encenação e
interpretação.

A realização deste trabalho vem também preencher uma lacuna
nas pesquisas em artes cênicas, haja visto a quase total falta de pesquisas e
material publicado relativo ao assunto. Assim o levante de material teórico nesta
área é de grande importância para agregar reflexão no campo da prática teatral e
estudos no âmbito do teatro visual/plástico.

11

INTRODUÇÃO

Utilizando-se o método qualitativo analítico, com informações
pesquisadas em diversas obras internacionais sobre antropologia, teatro, história
do teatro, teatro visual etc.Como também de experiências colhidas durante as
aulas de “Maquiagem e Caracterização” no Departamento de Artes Cênicas da
ECA- Escola de Comunicações e Artes da USP – Universidade de São Paulo.

Estruturalmente divido a pesquisa em 5 capítulos, que inicia com o
aparecimento da maquiagem nos rituais religiosos até a aparição da maquiagem
com ênfase no teatro oriental e depois no teatro ocidental. Neste primeiro capítulo
transcorro sobre as origens da pintura sobre a pele do homem, suas
características,conceitos e porquês, suas funções mágicas, sociais e até artísticas.

O enfoque parte das atividades dos Xamãs como os precursores
da arte do teatro e conseqüentemente o precursor das atividades plásticas do
teatro como a cenografia, indumentária, performance e assim a maquiagem e a
caracterização. Analisando o Xamã como um ser limítrofe entre os homens e seus
deuses. A partir desse personagem verificamos o fenômeno da maquiagem em
praticamente todos as partes do mundo, sempre utilizando confecções com
características muito marcantes, como o uso da pintura corporal. E continuo com
um painel histórico , passando pelos povos egípcios, gregos, romanos, até o
século XX.

No segundo capítulo, intitulado : “Fantasia e Comportamento”,
traço um paralelo entre o surgimento da maquiagem e da máscara, como
necessidade de transmutação/adoração aos deuses, traduzindo a prática de uso
de pinturas e máscara, como parte de uma vasta simbologia nos comportamentos
de grupos sociais em seus diversos aspectos do cotidiano até os momentos de
“saída” de um plano terreno/cotidiano, para outras esferas, para sensação e
compreensão espiritual /religiosa do seu ser e de seu grupo. Após proponho

12

INTRODUÇÃO

reflexão sobre o uso de maquiagem em diversos “rituais” sociais contemporâneos;
momentos onde a pintura facial ou corporal assume as formas de
contestação,revolta, necessidades e formas de marcar comportamentos,
pensamentos e atitudes.

No terceiro capítulo; “A Maquiagem nos Rituais Religiosos”, enfoco
os efeitos de transfiguração pelas máscaras e corpos pintados distanciavam os
Xamãs da realidade cotidiana e os trazia a um estado mais próximo dos
deuses, uma forma de religiosidade para inúmeros povos. E frutifica em vários
rituais religiosos pelo mundo, muitos ainda vivos hoje, com força milenar , essas
festas, dramatizações, danças etc alimentam o potencial criativo , comunicativo e
expressivo da maquiagem e nos revela o modo que esses povos vivem, sentem o
fenômeno religioso.

Este capitulo está dividido por continentes, e tenta trazer as
principais características dos principais rituais religiosos existentes em cada uma
destas partes do mundo.

Em geral se observa um fascínio das cores e dos símbolos como
uma forma de se alcançar à magia, que servia para protegê-los das forças
naturais do mundo imediato e instigar o erotismo para promover a fertilidade
da terra e dos homens ligando todos os ciclos naturais ao cosmo.

Na África, berço da humanidade, observaremos antiqüíssimos rituais
e o uso da pintura corporal como estrema necessidade dos habitantes de se
religarem a terra e ao mesmo tempo sem perder um poder de transcendência. Na
América do Sul o curioso uso de formas geométricas , que até parecem nos
remeter a formas modernas, mas que trazem séculos de tradição e uso.

13

INTRODUÇÃO

A exuberância de cores e a forte caracterização são notadas em
vários países da Ásia, como Índia , berço do teatro Kathakali, e de tantas danças
dramáticas. Assim como o Nepal e Indonésia. Na América do Norte se constata a
importância da maquiagem corporal como forma de distinção hierárquica e de
processos de vida (adolescência, fase adulta, velhice) e até de outros importantes
momentos vividos pela tribo. O uso de cores e formas também aparece nos
aborígines da Austrália, com seus vários rituais, onde a pintura/maquiagem
guarda um importante papel ora de representar a realidade , ora de transcende-la.

A Maquiagem no Teatro Oriental, tema do quarto capítulo, traz
cores e formas da maquiagem dos teatros que tiveram características religiosas
antes de se firmarem como forma de arte e teatro. Formas essas que deram ao
mundo ,sobretudo no Oriente, expressões teatrais exóticas, belas e mágicas como
toda decodificação da maquiagem do Teatro Kabuki do Japão. E a antiga Ópera
de Pequim com a exuberância de cores , numa complexa e variada aplicação de
desenhos caprichadamente espalhados pela superfície do rosto.

E também a mistura de teatro e dança criado no sul da Índia no
século XVII, o Kathakali reúne homens enfeitados da cabeça aos pés
interpretando histórias e personagens da mitologia hindu.E o Teatro Vietnamita e
seu uso comunicativo e codificado das cores.

Finalmente foco “A Maquiagem no Teatro Ocidental”, no quinto
capítulo, onde o início se dá pelas origens do teatro da Grécia, seguindo até as
revoluções cênicas do realismo/naturalismo, e o início de uma construção de
maquiagens mais estilizadas, até a estilização e exagero a toda prova dos
espetáculos do final da década de 60 e 70, onde observaremos ecos da
maquiagem xamanica, uma busca por uma maquiagem mais agressiva. Ilustro

14

INTRODUÇÃO

com experiências dessa fase: trabalhos internacionais e principais momentos da
maquiagem no teatro brasileiro.

Dentro do teatro ocidental traço alguns estilos mais comuns ,
observados na produção teatral do ocidente.Para isso relato as origens e novas
formas de uso da maquiagem dentro de uma estética clownesca, ou seja uma
maquiagem herdada da velha tradição do circo , agora também a serviço do
teatro.

Um dos momentos mais marcantes da maquiagem no século XX, foi
no Expressionismo, estilo da arte que deformava o externo para expor o
interno.Estilo esse que influenciam ainda hoje, em produções que não são
necessariamente expressionistas , mas que carregam uma necessidade de
assombro e estranhamento perturbador, tão presentes em muitas montagens do
teatro contemporâneo.Aqui tento traçar algumas características do design de
maquiagem expressionista e sua força de expressão e comunicação.

Outra forma de criação muito comum à disposição das criações de
personagens , e quase a própria função da maquiagem cênica é a estilização da
maquiagem para criar personagens menos realistas e mais fantasiosos. O tópico
“Estilização” desenvolve idéias sobre o processo de construção da maquiagem
mais estilizada, e a uso para denotar uma construção mais simbólica, mais no
caminho da não realidade.Usada tanto no teatro infantil como em grandes e
importantes produções do teatro contemporâneo.

A maquiagem e seu diálogo com as outras artes do espetáculo,
como o figurino, a iluminação e a cenografia, é o tema do tópico: “A maquiagem e
a concepção estética do espetáculo teatral”. Aqui traço paralelos necessários
entre a ação do encenador e o papel da maquiagem como um dos

15

INTRODUÇÃO

elementos a disposição para compor essa trama artística que deverá compor o
espetáculo, tanto no sentido conceitual como no prático.

E finalizo com a maquiagem como ferramenta da metamorfose
do ator em personagem. Os caminhos mais comuns da criação de uma máscara
natural . Perigos e necessidades no processo de criação de uma maquiagem
/personagem. Atribuindo a caracterização uma “ponte” que pode ligar o ator ao
personagem.assim como era a pintura/maquiagem nos tempos remotos : que
religava o homem ao plano do sagrado. Processos de importância de uma arte
tão antiga como o próprio teatro e a arte.

16

HISTÓRIA DA MAQUIAGEM CAPÍTULO 1

CAPÍTULO 1

HISTÓRIA DA MAQUIAGEM

17

HISTÓRIA DA MAQUIAGEM CAPÍTULO 1

Capítulo 1
HISTÓRIA DA MAQUIAGEM

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