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Didatica e Metodologia de Ensino Superior

Didatica e Metodologia de Ensino Superior

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  • UNIDADE 1
  • Tendências Atuais no Desenvolvimento da Didática
  • UNIDADE 2
  • UNIDADE 3
  • Desenvolvimento Histórico da Didática e as Tendências Pedagógicas
  • UNIDADE 4
  • Os Pensadores da Pedagogia
  • UNIDADE 5
  • Tendências Pedagógicas no Brasil e a Didática
  • UNIDADE 6
  • O Progresso das Tendências Pedagógicas e a Didática
  • UNIDADE 7
  • UNIDADE 8
  • Aprendizagem: um processo de assimilação
  • UNIDADE 9
  • Características da Aprendizagem Escolar
  • UNIDADE 10
  • Dinâmica do Processo de Ensino
  • UNIDADE 11
  • Prática Educativa e Sociedade
  • UNIDADE 12
  • Educação como Dialética e Práxis Social
  • UNIDADE 13
  • UNIDADE 14
  • UNIDADE 15
  • Componentes do Processo Didático e do Processo de Ensino
  • UNIDADE 16
  • A Estrutura do Trabalho Docente
  • UNIDADE 17
  • O Caráter Educativo do Processo de Ensino e o Ensino Crítico
  • UNIDADE 18
  • UNIDADE 19
  • Sobre Concepções de Ensino
  • UNIDADE 20
  • Prática escolar: componentes básicos
  • UNIDADE 21
  • Planejamento de Ensino e suas Etapas
  • UNIDADE 22
  • O Planejamento da Ação Didático-pedagógica:
  • UNIDADE 23
  • Ainda Falando sobre o Planejamento da Ação Didático-pedagógica:
  • UNIDADE 24
  • UNIDADE 25
  • Seleção e Organização dos Conteúdos Curriculares
  • UNIDADE 26
  • AVALIAÇÃO EDUCACIONAL ESCOLAR: PARA ALÉM DO AUTORITARISMO
  • UNIDADE 27
  • Modalidades de Ensino-Aprendizagem
  • UNIDADE 28
  • UNIDADE 29
  • UNIDADE 30
  • Qualidade Educativa
  • GLOSSÁRIO
  • BIBLIOGRAFIA

MÓDULO DE

:

DIDATICA E METODOLOGIA DO ENSINO SUPERIOR

AUTORIA:

SANDRO LUIZ DA SILVA MARIZINHA COQUEIRO BORGES KATIA GOMES CARDOSO

Copyright © 2008, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

Módulo de: Didática e Metodologia do Ensino Superior Autoria: Sandro Luiz da Silva Marizinha Coqueiro Borges Kátia Gomes Cardoso

Primeira edição: 2008

CITAÇÃO DE MARCAS NOTÓRIAS Várias marcas registradas são citadas no conteúdo deste Módulo. Mais do que simplesmente listar esses nomes e informar quem possui seus direitos de exploração ou ainda imprimir logotipos, o autor declara estar utilizando tais nomes apenas para fins editoriais acadêmicos. Declara ainda, que sua utilização tem como objetivo, exclusivamente a aplicação didática, beneficiando e divulgando a marca do detentor, sem a intenção de infringir as regras básicas de autenticidade de sua utilização e direitos autorais. E por fim, declara estar utilizando parte de alguns circuitos eletrônicos, os quais foram analisados em pesquisas de laboratório e de literaturas já editadas, que se encontram expostas ao comércio livre editorial.

Todos os direitos desta edição reservados à ESAB – ESCOLA SUPERIOR ABERTA DO BRASIL LTDA http://www.esab.edu.br Av. Santa Leopoldina, nº 840/07 Bairro Itaparica – Vila Velha, ES CEP: 29102-040 Copyright © 2008, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 2
Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

A

presentação

Este material apresenta um referencial teórico sobre a Didática e Metodologia do Ensino Superior, cujo objetivo é apresentar a importância do planejamento e da organização da ação didática. Partindo da ideia de que o Professor é o orientador, o coordenador e o facilitador do processo ensino-aprendizagem e que, a finalidade de sua intervenção é contribuir para que o aluno desenvolva sua capacidade de construir seus conhecimentos, com base nas abordagens pedagógicas. Entende-se que: Educar é colaborar para que professores e alunos - nas escolas e organizações - transformem suas vidas em processos permanentes de aprendizagem. É ajudar os alunos na construção da sua identidade, do seu caminho pessoal e profissional - do seu projeto de vida, no desenvolvimento das habilidades de compreensão, emoção e comunicação que lhes permitam encontrar seus espaços pessoais, sociais e profissionais e assim, tornarem-se cidadãos realizados e produtivos. Possibilitando ao aluno um fazer pedagógico capaz de lhe impulsionar e lhe motivar a buscar novos valores, novas ações e novas posturas educacionais. Urge, pois lembrar, que o compromisso do educador reflete-se na sua corporeificação atitudinal e no seu comprometimento dialético entre os pares educativos. Lembrando que “ensinar e recordar ao outro que ele sabe tanto quanto você”. A emoção e o prazer que permeiam esta ação estarão refletidos em nossas conversas; ainda que on-line. Suas Educadoras, Professora Marizinha Coqueiro Borges Professora Ana Maria Ribeiro Furtado

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O bjetivo Proporcionar conhecimentos teóricos e práticos que possibilitem ao Educador: . em face de situações didáticas concretas. 4 Copyright © 2007. E menta O Papel Social e Educacional da Didática. . O Planejamento Escolar. O domínio de métodos. no seu contexto histórico e social. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . . Trabalhar o planejamento e utilização dos procedimentos de ensino e aprendizagem em suas várias modalidades. enquanto base das tarefas docentes de planejamento. Desenvolver habilidades técnicas de ensino com vistas à melhoria do desempenho docente. os conteúdos escolares as estratégias de ensino-aprendizagem. . Percepção e compreensão reflexiva e crítica das situações didáticas. procedimentos e formas de direção. . As interações em sala de aula: o papel dos professores e dos alunos. Compreensão da relação: objetivos/conteúdos/métodos. Perspectivas teóricas e práticas da Didática. . organização e controle do ensino. Compreensão crítica do processo de ensino. O Professor e seu trabalho. A Organização e o Desenvolvimento do Processo ensino-aprendizagem: os planos de aula e os programas de aprendizagem. Os objetivos de ensino.

Professora Katia Gomes Cardoso Graduada em Geografia. pela Parceria UVV/Universidade Estácio de Sá Planejamento Educacional. Especialista em Educação: Novos Paradigmas. pela Rede Pitágoras. pela Universidade Federal do Maranhão Consultora Educacional e Palestrante Motivacional e Educacional. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . pela Universidade Salgado de Oliveira Filho Psicopedagogia.S obre o Autor Professora Marizinha Coqueiro Borges Mestrado em Educação pela Universidade São Marcos Pós-Graduação em: Administração Escolar. pela Universidade Salgado de Oliveira Filho Tecnologia Educacional Aplicada ao Ensino de 1º Grau pela Associação Brasileira de Tecnologia Educacional Graduação em Pedagogia com Especialização em Orientação Educacional. pela Universidade Federal do Espírito Santo. pela Universidade Salgado de Oliveira Filho Supervisão Escolar. Professora e Tutora em Ensino a Distância 5 Copyright © 2007.

Professor Sandro Luiz da Silva Graduação e Licenciatura em Letras. Teatro e Ensino a Distância. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Mestrado em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais. Pesquisador e Consultor com ênfase em Teorias da Instrução. pela Universidade Federal de Minas Gerais. EAD. Tutoria e Mentoria em EAD. Formação de Professores. Profissional na área de Ensino de Línguas Estrangeiras (Língua Espanhola). 6 Copyright © 2007.Palestrante Educacional. Software Livre. Pedagogia. Letramento Digital.

............................................................................................................................................................................ 38 Processo Didático na Concepção da Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos: ...... 27 Tendências Pedagógicas no Brasil e a Didática .............................................................................................................................................. 54 Prática Educativa e Sociedade .................................................................................... 33 O Progresso das Tendências Pedagógicas e a Didática ........................................................................... 20 UNIDADE 4 .......................................................................................................... 10 UNIDADE 2 ............................................................................................................................................................................................................ 41 Aprendizagem: um processo de assimilação ................................................................................................... 41 UNIDADE 9 ............................................................................... a Metodologia Específica................ 54 UNIDADE 12 .......................................................................................................................................................................... ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .............................................. 23 Os Pensadores da Pedagogia ................................. 49 Dinâmica do Processo de Ensino .................................................... 60 UNIDADE 13 .................................................................... 27 UNIDADE 6 ................................ 33 UNIDADE 7 .... 45 UNIDADE 10 .....................S UMÁRIO UNIDADE 1 ....................................................................................... 60 Educação como Dialética e Práxis Social ....................................................................................................... 16 A Didática e sua Relação com o Currículo............................ 16 UNIDADE 3 ................................................................................................ 10 Tendências Atuais no Desenvolvimento da Didática ............................................. 49 UNIDADE 11 ........................................................................................................................................................................ 23 UNIDADE 5 ..................................... 38 UNIDADE 8 .................................................. 20 Desenvolvimento Histórico da Didática e as Tendências Pedagógicas .............. 45 Características da Aprendizagem Escolar................... os Procedimentos e as Técnicas de Ensino............................ 64 7 Copyright © 2007........................................................

...................................................................................... 83 UNIDADE 19 ....................................................................... 127 8 Copyright © 2007................. 80 UNIDADE 18 ........................... 76 A Estrutura do Trabalho Docente .......................................................... 76 UNIDADE 17 .................. 120 UNIDADE 27 ........................................................................................................................................................................................................................................................................... 106 UNIDADE 24 ............................................................................................................................ 71 UNIDADE 16 ........................... 88 UNIDADE 20 ................................................................. 101 O Planejamento da Ação Didático-pedagógica: .............................................................................................................. 83 Tendências Teóricas..... 115 UNIDADE 26 ................... 111 UNIDADE 25 ................................................................................. 106 Ainda Falando sobre o Planejamento da Ação Didático-pedagógica: ............................................................................. 101 UNIDADE 23 ................................................. 93 Prática escolar: componentes básicos ...................................................................................................................................................................................................... 64 UNIDADE 14 .................................................... 98 Planejamento de Ensino e suas Etapas ........................................................................................................................................... Metodológicas e de Ensino: as abordagens do processo ...................................... 115 Seleção e Organização dos Conteúdos Curriculares....................................................................................... 88 Sobre Concepções de Ensino ................................. 68 UNIDADE 15 ................ 80 O Caráter Educativo do Processo de Ensino e o Ensino Crítico ................................................................................... 68 O Professor e a Sua Vivência no Processo de Produção de Conhecimento .................................................. 71 Componentes do Processo Didático e do Processo de Ensino .......................................................................................................O Processo de Ensino-aprendizagem e seus Componentes Fundamentais ..................................................... ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil ....................................................................................................................................................................................................................... 120 Avaliação Educacional Escolar: para além do autoritarismo .................. 93 UNIDADE 21 .................................................... 98 UNIDADE 22 ............................................................. 127 Modalidades de Ensino-Aprendizagem ...................................................................................

..................................... 143 BIBLIOGRAFIA ...................................................................................................................................... 144 9 Copyright © 2007.... ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil ........................................................... 140 GLOSSÁRIO ....................................................................................................................................... 135 UNIDADE 30 .......................................................................... 131 UNIDADE 29 ..................................................................................................................................................................UNIDADE 28 .............................................. 131 Estratégias de Ensino-Aprendizagem ................................................... 140 Qualidade Educativa ...................... 135 Procedimentos de Ensino e Aprendizagem.............................

também. que sempre são sociais. os meios e as condições do processo de ensino. os conteúdos. econômicos. e. etc. a Economia.U NIDADE 1 Tendências Atuais no Desenvolvimento da Didática Objetivo: Conhecer a Didática como uma atividade pedagógica norteadora do fazer educacional. Deve ser considerado. psicológicos. Nesse conjunto. Esses estudos acabam por convergir na Didática. Nesse caso. políticos. em seus aspectos: sociais. a História. é a Pedagogia. de estudos indispensáveis à formação teórica e prática dos professores. em primeiro lugar. pode-se falar em uma Pedagogia Familiar.). se constitui em uma disciplina propriamente pedagógica. A ciência que investiga a teoria e a prática da Educação. que o processo de ensino objeto de estudo da Didática . nas organizações políticas e sindicais. em seus vínculos com a prática social global. uma vez que esta reúne em seu campo de conhecimentos objetivos e modos de ação pedagógica na escola. na escola.não pode ser tratado como atividade restrita ao espaço da sala de aula. Ao estudar a Educação. sendo a Educação uma prática social que acontece numa grande variedade de instituições e atividades humanas (na família. entre outras. nas igrejas. Além disso. a Didática ocupa um lugar especial. tendo em vista finalidades educacionais. O trabalho docente é uma das modalidades específicas da prática educativa mais ampla que ocorre na sociedade. é preciso considerá-lo no conjunto das tarefas educativas exigidas pela vida em sociedade. para descrever e explicar o fenômeno educativo. nos meios de comunicação de massa. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil a atividade principal do 10 . a Sociologia. Sendo a Didática o ramo desta ciência que estuda os objetivos. no trabalho. Considerando-se que Copyright © 2007. a Pedagogia recorre à contribuição de outras ciências como a Filosofia. Para compreender a importância do ensino na formação humana. de uma Pedagogia Política etc. a Psicologia. de uma Pedagogia Escolar.

portanto. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . no seio de uma determinada sociedade. Quando se fala das finalidades da Educação. os fatores reais (sociais. se quer dizer que: o entendimento dos: objetivos. mediando os objetivos e conteúdos do ensino. visa à assimilação dos conhecimentos e experiências humanas. por isso. tendo em vista a formação dos indivíduos enquanto ser social. e os interesses das classes e grupos sociais de uma determinada sociedade. na sua dimensão políticosocial e técnica sendo. Nesse sentido. em cada contexto econômico e social de um momento histórico. psicossociais) condicionantes das relações entre a docência e a aprendizagem e ainda. a Didática assegura o fazer pedagógico na escola. investiga as condições e formas que vigoram no processo da aprendizagem e. através de instituições próprias. bem como. traduz objetivos sociais e políticos em objetivos de ensino. 11 Copyright © 2007. é sempre uma concepção da direção do processo educativo subordinado a uma concepção político-social. que consiste em: dirigir.profissional da Educação é o ensino. tendo em vista o seu desenvolvimento humano para tarefas na vida em sociedade. no seio de uma determinada sociedade. A Pedagogia. orientar e estimular a aprendizagem escolar dos alunos. a Educação Escolar é uma atividade social que. cabe à Pedagogia intervir nesse processo de assimilação. ao mesmo tempo. A Didática. uma disciplina eminentemente pedagógica. organizar. orientando-o para finalidades sociais e políticas e criando um conjunto de condições metodológicas e organizativas para viabilizá-lo no âmbito da escola. conteúdos e métodos da Educação se modificam conforme as concepções de homem e da sociedade que. culturais. políticos. Como. caracterizam o modo de pensar e de agir. A Didática como Atividade Pedagógica Escolar A Pedagogia investiga a natureza das finalidades da Educação como processo social. as metodologias apropriadas para a formação dos indivíduos. Ou seja.

“reflexão” de cada educador. Física. Por outro lado a Pedagogia faz da Didática. que este tema está diretamente relacionado aos professores. etc. a Didática da Química. indica princípios e diretrizes que irão regular a ação didática. E o professor Libâneo trouxe como tema para sua fala “Didática e didáticas específicas da pedagogia e epistemologia”. Geografia. com vista à sua preparação para a vida social. e este diz respeito a dois interesses: o primeiro é a questão das didáticas específicas. 12 Copyright © 2007. de modo que assimilem ativa e independentemente os conhecimentos sistematizados. O Colóquio chamou-se o “pensar”. Tudo isso leva um distanciamento entre o conteúdo das didáticas e os conteúdos das didáticas específicas. o processo didático de transmissão/assimilação de conhecimentos e habilidades tem como culminância o desenvolvimento das capacidades cognoscitivas dos alunos. Esse conjunto de tarefas não visa outra coisa senão o desenvolvimento físico e intelectual dos alunos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . portanto. Há anos se ouve pessoas afirmando que para ensinar qualquer matéria basta apenas conhecer o “conteúdo”. outros já dizem que para aprender basta colocar o aluno com a pesquisa e neste caso as pessoas entendem que existe um processo de identidade entre o processo de ensino e o processo de iniciação científica.seleciona e organiza os conteúdos e métodos e. Este é o relato de um colóquio apresentado pelo autor Carlos Libâneo. que cuida de procedimentos didáticos. História. Jose Carlos Libâneo: “Didática e didáticas específicas da pedagogia e epistemologia”. enquanto disciplina algo normativo e prescritivo. Pode-se dizer. O segundo é a perspectiva de encontrar nos cursos de graduação a disciplina Didática Geral e também as didáticas específicas. ao estabelecer as conexões entre ensino e aprendizagem. tanto do Ensino Médio quanto aos professores do Ensino Superior. ou seja. Em outras palavras.

ou das didáticas específicas. Aprender á ajudar o aluno a desenvolver seus próprios processos de pensamentos Para uma melhor compreensão dessa temática Libâneo trouxe a perspectiva da Teoria histórico-cultural. Então nessa perspectiva entendi que a integração dessas didáticas é o conhecimento” .). do outro lado. porém.Neste contexto pode-se dizer que o que se vê é uma “briga de braço” entre os professores de Didática Específica e os Pedagogos onde. e apresentou algumas premissas dessa teoria. pode ser um professor que se preze se este não compreender que as formas de ensinar dependem da forma de aprender”. Este é um tema crucial. O fato é que se torna preciso buscar uma integração entre as didáticas e as didáticas específicas. com fundamento em Vygotsky. tais como:  Condicionamento histórico-social da formação humana. “Quais seriam os principais argumentos que justificam a integração dessas didáticas? E podemos perceber que ambas as didáticas possuem como objeto de estudo o mesmo tema “ensino”. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . o ensino diz respeito ao aspecto docente do conhecimento e nas duas disciplinas as formas de ensinar dizem respeito à forma de compreender. Um dos argumentos ditos para a unidade da didática e da didática específica é que o ato de aprender torna o ser como ser pensante. 13 Copyright © 2007. Libâneo afirma que: “Nenhum professor de Didática. Essa briga vem ocasionando um dilema muito grande na formação desses professores. que de uma certa forma terminam sintetizando o conhecimento. os professores afirmam que os pedagogos não conhecem o conteúdo específico e. E este é compreendido pelo conteúdo entre “professor e aluno”. uma vez que as didáticas são as principais matérias de formação de professores. vale ressaltar que tanto a Didática Geral quanto a Didática Específica necessitam reavaliar seus conteúdos enquanto disciplina de formação de professores.. o papel do ensino e as condições materiais favoráveis a aprendizagem(. os pedagogos afirmam que o necessário é conhecer o aluno..Portanto.

14 Copyright © 2007.  O papel central do ensino na formação do desenvolvimento mental pela interiorização (atividade interna). Pode-se dizer que. segundo Daydov. um determinado conteúdo. este tem que considerar o que se passa na mente de cada aluno. quando o professor utiliza o processo de investigação para ensinar. Em relação ao processo de ensino. Uma vez que o processo de investigação é fundamental para o processo de ensino. Libâneo diz que o processo de ensino começa onde termina o processo de investigação. e é esse tipo de ensino que. os mesmos do cientista. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .  A forma de desenvolvimento proximal. que vem ajudar ao desenvolvimento mental. Portanto. só resta entender que eles não são as mesmas coisas. Ou seja. Neste sentido.  O ensino como apropriação das capacidades formada historicamente e objetivada na cultura material e espiritual (atividade externa). deve-se considerar que o papel da escola é ensinar a pensar. e a partir daí que se inicia o processo de ensino. da formação. que de modo geral o pensar por conceitos significa dominar os processos mentais. passa a ser utilizado como conteúdo de conhecimento. a Teoria do Ensino Desenvolvimentista. O papel histórico-cultural e coletivo do individuo. que coloca o conhecimento como processo mental. das funções mentais superiores.  As importâncias das relações intersubjetivas nas atividades de ensino e aprendizagem. que os seus questionamentos podem ser. depois que foi realizado uma pesquisa sob aquele determinado tema. expresso pela mediação cultural no processo do conhecimento. ou não. ou seja. Libâneo apresentou ainda outra perspectiva. é legitimo dizer que o conhecimento está relacionado como resultado das ações mentais que implicitamente abarcam o conhecimento.

na mediação com o aluno. Geografia. o Professor precisa saber qual o objeto de estudo de cada disciplina (História. LIBANÊO. os saberes e conhecimentos do mundo da comunicação e informação. Outra dica de leitura: MORIN. para que possa ajudar o aluno a pensar e investigar. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. 15 Copyright © 2007. a Didática converte os objetivos sociopolíticos e pedagógicos em objetivos de ensino. Assim. São Paulo: Cortez. enquanto a Pedagogia investiga a teoria e a prática pedagógica. Português. 2003. então. tornar o “aprendido” em saber. de raciocinar e de investigar. e a prática (do Professor) em sala de aula. A Didática. Lembrete: Procure ampliar seus saberes com a leitura do capítulo I do livro. Tem. Libâneo ressaltou que cada professor precisa organizar e estudar os conceitos para que. é que o mundo atual é cheio de desafios e. A substituição da palavra pela imagem (no sentido de que a imagem sobrepõe a leitura e a escrita) termina influenciando o trabalho dos educadores. nesse contexto.Outro questionamento levantado nessa fala de Libâneo. reformar o pensamento. se pode perceber a extrema ligação das crianças com a televisão. consiga tornar seu conteúdo prático. serve para ajudar os professores a se preparar de forma competente para formar alunos como sujeitos pensantes e críticos. com as tecnologias.) e seus métodos de investigação. seleciona conteúdos e métodos próprios de cada disciplina. ajudar o aluno a interiorizar os modos de pensar. Ou seja. analisadas pela Pedagogia. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 1994. a Didática se caracteriza como uma “ponte” entre as bases teóricas e científicas. como primeira característica. A cabeça bem feita: repensar a reforma. Com essa aula. Matemática. Dessa forma. Edgar. José Carlos: “Didática”. etc.

O Núcleo da Instrução são os conteúdos das matérias. nas matérias de cada grau do Processo de Ensino. Métodos da Descoberta. A Metodologia compreende o estudo dos métodos. os Procedimentos e as Técnicas de Ensino. Concretizando as tarefas da instrução. para formular diretrizes orientadoras do processo de ensino. A Instrução se refere ao processo e ao resultado da assimilação sólida de conhecimentos sistematizados e ao desenvolvimento das capacidades cognitivas.Geral (por ex. em decorrência da necessária ligação com o desenvolvimento da sociedade e com as condições reais em que ocorre o trabalho docente. Método de Solução de Problemas etc. No campo da Didática. A Metodologia pode ser: . O Currículo expressa os conteúdos da Instrução. Nessa ligação é que a Didática se fundamenta. A Didática e sua Relação com o Currículo. Métodos Tradicionais. distinguindo-se das técnicas que são a aplicação específica dos métodos. a Metodologia Específica. direção e avaliação da atividade didática. O Ensino consiste no planejamento.) 16 Copyright © 2007. o Ensino inclui tanto os conteúdos das disciplinas quanto a direção da atividade de estudo dos alunos. há uma relação entre os métodos próprios da ciência que dá suporte à matéria de ensino e os métodos de ensino. em relação ao currículo. quanto aos seus fundamentos e validade. Métodos Ativos. Em torno das matérias se desenvolve o processo de assimilação dos conhecimentos e habilidades.. e o conjunto dos procedimentos de investigação das diferentes ciências. organização. Tanto a Instrução como o Ensino se modificam.U NIDADE 2 OBJETIVO: Relacionar a Didática com a adequação de metodologias e procedimentos de ensino. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

. os princípios didáticos. o Processo de Ensino que. A Didática tem muitos pontos em comum com as metodologias específicas de ensino.). os métodos de ensino e de aprendizagem. Elas são as fontes da investigação Didática. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . delimitar como o objetivo da Didática. políticos e pedagógicos da Educação Escolar. a expressão “tecnologia educacional” adquiriu um sentido bem mais amplo. considerado no seu conjunto. Pode-se. ao se constituir como teoria da Instrução e do Ensino. colocados à disposição do professor para o enriquecimento do Processo de Ensino. Educação Especial. abstrai das particularidades de cada matéria para generalizar princípios e diretrizes para qualquer uma delas. dos meios de comunicação e os audiovisuais até os de instrução programada e de estudo individual e em grupos. Matemática. são temas fundamentais da Didática: os objetivos sociais. Educação Sindical etc. História. inclui: os conteúdos dos programas e dos livros 17 Copyright © 2007. o controle e a avaliação da aprendizagem. Técnicas. o uso e aplicação de técnicas e recursos. Atualmente. ele contém a Instrução. recursos ou meios de ensino são complementos da metodologia. O Objetivo de Estudo da Didática: o processo de ensino O objetivo de estudo da Didática é o processo de ensino. os conteúdos escolares. Mas. englobando técnicas de ensino diversificadas. as formas organizativas do ensino. que se subdivide em: a que se refere aos procedimentos de ensino e estudo das disciplinas do currículo (Alfabetização. ao lado da Psicologia da Educação e da Sociologia da Educação. e a que se refere aos setores da Educação Escolar ou Extra Escolar (Educação de Adultos. campo principal da Educação Escolar. Em síntese.Específica. Na medida em que o Ensino viabiliza as tarefas da Instrução. etc. desde os recursos da informática.). assim.

pois a sociedade necessita prover as gerações mais novas daqueles conhecimentos e habilidades que vão sendo acumulados pela experiência social da humanidade. tendo em vista a assimilação de conhecimentos e desenvolvimento de habilidades. observação. Pode-se definir Processo de Ensino como: uma sequência de atividades do professor e dos alunos. Daí. é necessário dizer como fazê-lo. a Educação Escolar é uma tarefa eminentemente social. mas também o meio de organizar a atividade de estudo dos alunos. isto é. Ora. Esta é a função da Didática. através das quais os alunos aprimoram capacidades cognitivas (pensamento independente. síntese e outras). 18 Copyright © 2007. ao estudar o Processo do Ensino. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . análise. investigar objetivos e métodos seguros e eficazes para a assimilação dos conhecimentos.didáticos. porque estudar o Processo de Ensino? Anteriormente foi abordado que. não é suficiente disser que os alunos precisam dominar os conhecimentos. os métodos e formas organizativas do ensino. a importância da Didática. Isto quer disser que o ensino não é só transmissão de informações. Mas. Quando se menciona que a finalidade do Processo de Ensino é proporcionar aos alunos os meios para que assimilem ativamente os conhecimentos é porque a natureza do trabalho docente é mediação da relação cognoscitiva entre o aluno e as matérias de ensino. O Ensino somente é bem sucedido quando os objetivos do professor coincidem com os objetivos de estudo do aluno e é praticado tendo em vista o desenvolvimento das suas forças intelectuais. as atividades do professor e dos alunos e as diretrizes que regulam e orientam esse processo.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Capítulo II O QUE SIGNIFICA APRENDER. 2004. Hugo. 19 Copyright © 2007. Petrópolis. Vale a pena! Sugestão: ASSMANN. procurando as múltiplas definições existentes para os termos: Educação e Ensino.Dica: Faça uma pesquisa na bibliografia sugerida. (Re)encantar a educação rumo à sociedade aprendente. RJ: Vozes.

a Escola se torna uma instituição.no decorrer do desenvolvimento da sociedade. Sabe-se. também. universidades. Pode-se considerar esta uma forma de ação pedagógica. embora ainda não esteja presente o "didático". da produção e das ciências . tendo em vista a adequação às possibilidades das crianças. que nas comunidades primitivas os jovens passavam por um ritual de iniciação para ingressarem nas atividades do mundo adulto. Desde os primeiros tempos existem indícios de formas Objetivo: Compreender a evolução histórica da Didática e seus expoentes mais importantes Desenvolvimento Histórico da Didática e as Tendências Pedagógicas elementares de Instrução e Aprendizagem. às idades e ritmo de assimilação dos estudos. até meados do século XVII não se pode falar de Didática como Teoria de Ensino. Entretanto. aparece quando os adultos começam a intervir na atividade de aprendizagem das crianças e jovens através da direção deliberada e planejada do Ensino. por exemplo. O termo. em escolas. 20 Copyright © 2007. mosteiros. “Didática”. se desenvolveram formas de ação pedagógica. Na chamada Antiguidade Clássica (gregos e romanos) e no Período Medieval.U NIDADE 3 A História da Didática esta ligada ao aparecimento do Ensino . ao contrário das formas de intervenção mais ou menos espontâneas de antes. como forma estruturada de Ensino.como atividades planejadas e intencionais dedicada à Instrução. igrejas. Estabelecendo-se uma intenção propriamente pedagógica na atividade de ensino. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . que sistematize o pensamento didático e os estudos científicos das formas de ensinar. o processo de ensino passa a ser sistematizado conforme níveis.

assim. ao realizarem sua própria natureza. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . ainda incipiente. isto é. tem um papel decisivo à percepção sensorial das coisas. como se o aluno registrasse de forma mecânica na sua mente a informação do professor. pois é uma força poderosa de regeneração da vida humana. pelos órgãos dos sentidos. já influenciava a organização da vida social. Todos os homens merecem a sabedoria. O sistema de produção capitalista. para o registro das impressões na mente do aluno.  O método intuitivo consiste. A Didática de Comênio e seus princípios:  A finalidade da Educação é conduzir à felicidade eterna com Deus. quando João Amós Comênio (1592-1670). Primeiramente 21 Copyright © 2007. política e cultural. como o reflexo num espelho. escreve a primeira obra clássica sobre Didática: a Didacta Magna. Portanto.A formação da Teoria Didática para investigar as ligações entre Ensino e Aprendizagem. e suas leis. o homem deve ser educado de acordo com o seu desenvolvimento natural. Ele foi o primeiro Educador a formular a ideia da difusão dos conhecimentos a todos e a criar princípios e regras do ensino. de acordo com a ordem natural das coisas. em contraposição às ideias conservadoras da nobreza e do clero. numa época em que surgiam novidades no campo da Filosofia e das Ciências e grandes transformações nas técnicas de produção. Comênio desenvolveu ideias avançadas para a prática educativa nas escolas. de acordo com as características e os métodos de ensino correspondentes. da observação direta. ao invés disso.  A assimilação dos conhecimentos não se dá instantaneamente.  Por ser parte da natureza. a moralidade e a religião. realizam os desígnios de Deus. um pastor protestante. O ensino. das coisas. utilizando e desenvolvendo sistematicamente os órgãos dos sentidos. ocorrem no século XVII. porque todos. a educação é um direito natural de todos. Os conhecimentos devem ser adquiridos a partir da observação das coisas e dos fenômenos.

O planejamento de ensino deve obedecer ao curso da natureza infantil. em que viveu Comênio. Partindo da observação e da experiência sensorial. Na História. Entretanto. verbalista e dogmático. Portanto. principalmente quando são muito inovadoras para a época. enganam segundo. sua ideia de que a única via de acesso dos conhecimentos é a experiência sensorial com as coisas não foi suficiente. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .as coisas. frequentemente. ainda predominaram práticas escolares da Idade Média: Ensino intelectualista. No século. Apesar da grande novidade nestas ideias. mantinha-se o método único e o ensino simultâneo a todos. as ideias. Comênio não escapou de algumas crenças usuais na época sobre o Ensino. Nessas escolas não havia espaços para as ideias próprias dos alunos. deve-se partir do conhecido para o desconhecido. Primeiro porque as percepções. por isso as coisas devem ser ensinadas uma de cada vez. principalmente quando é um impulso ao surgimento de uma teoria do ensino. e nos séculos seguintes. porque já existe uma experiência social acumulada de conhecimentos sistematizados que não necessitam ser descobertos novamente. Não se deve ensinar nada que a criança não possa compreender. XVII. não somente porque se empenhou em desenvolver métodos de instrução mais rápidos e eficientes. depois as palavras. costumam demorar em terem efeito prático. memorização e repetição mecânica dos ensinamentos do professor. embora procurando adaptar o Ensino às fases do desenvolvimento infantil. mesmo porque ainda era grande o poder da religião na vida social. O Ensino era separado da vida. mas também porque desejava que todas as pessoas pudessem usufruir dos benefícios do conhecimento. Comênio desempenhou uma influência considerável. 22 Copyright © 2007. mantinhase o caráter transmissor do ensino. Além disso.

propondo uma concepção nova de ensino às necessidades e interesses imediatos da criança. ao mesmo tempo. Foi diminuindo o poder da nobreza e do clero e aumentando o da burguesia. disputando o poder econômico e político com a nobreza.U NIDADE 4 Objetivo: Proporcionar conhecimentos sobre a importância e contribuição deste pensador para a práxis pedagógica. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . As ideias mais importantes de Rousseau são as seguintes: 23 Copyright © 2007. um ensino que contemplasse o livre desenvolvimento das capacidades e interesses individuais. Jean Jacques Rousseau (1712-1778) foi um pensador que procurou interpretar essas aspirações. ia crescendo também a necessidade de um ensino ligado às exigências do mundo da produção e dos negócios e. Na medida em que esta se fortalecia como classe social. no panorama educacional Os Pensadores da Pedagogia Intensas mudanças nas formas de produção provocaram um grande desenvolvimento da ciência e da cultura.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Pestalozzi atribuía grande importância ao Método Intuitivo. como cultivo do sentimento. Suas ideias precisam ser estudadas.1. Henrique Pestalozzi (1746-1827). Deu uma grande importância ao Ensino como meio de Educação e desenvolvimento. Foi e continua sendo inspirador da Pedagogia Conservadora. análise dos objetos e fenômenos da natureza e a capacidade da linguagem. em instituições dirigidas por ele próprio. elas têm uma tendência natural para se desenvolverem. o Pedagogo suíço. que viveu e trabalhou até o fim da vida com a educação de crianças pobres. Antes de ensinar as ciências. A preparação da criança para a vida futura deve basear-se no estudo das coisas que correspondem às suas necessidades e interesses atuais. porém. levando os alunos a desenvolverem o senso de observação. As ideias de Comênio. a experiência e o sentimento. Também atribuía importância fundamental à Psicologia da criança. Pedagogo alemão que teve muitos discípulos e que exerceu influência relevante na Didática e na prática docente. A educação é um processo natural. Rousseau e Pestalozzi influenciaram muitos outros pedagogos. Em resumo: são os interesses e necessidades imediatas do aluno que determinam à organização do estudo e seu desenvolvimento. foi Johann Friedrich Herbart (1766-1841). Os verdadeiros professores são a natureza. das capacidades humanas. como fonte do desenvolvimento do Ensino. 2. Essa tarefa coube a outro. através da qual se expressa em palavras o resultado das observações. da mente e do caráter. As crianças são boas por natureza. ela se fundamenta no desenvolvimento interno do aluno. elas precisam ser levadas a despertar o gosto pelo seu estudo. 24 Copyright © 2007. devido a manutenção desta prática nas salas de aula brasileiras. O mais importante deles. Nisto consistia a Educação Intelectual. conforme será visto posteriormente. O contato da criança com o mundo que a rodeia é que desperta o interesse e suas potencialidades naturais. Rousseau não colocou em prática suas ideias e nem elaborou uma teoria de ensino.

trouxe esclarecimentos válidos para a organização da prática docente. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Herbart estava atrás da formulação de um método único de ensino. quatro passos didáticos que deveriam ser rigorosamente seguidos: . Ele deve trazer à atenção dos alunos aquelas ideias que deseja que dominem suas mentes.Junto com uma formulação teórica dos fins da Educação e da Pedagogia como ciência. Educar o homem significa instruí-lo para querer o bem. O sistema pedagógico de Herbart e seus seguidores . o fim da Educação é a moralidade. generalização e aplicação. em conformidade com as leis psicológicas do conhecimento.chamados de Herbartianos . que denominou Clareza. a exigência de 25 Copyright © 2007. assim. O método de ensino consiste em provocar a acumulação de ideias. O professor é um arquiteto da mente. -Segundo: as associações entre as ideias antigas e as novas. Fórmula esta que ainda é utilizada pela maioria dos professores. os discípulos de Herbart desenvolveram mais a proposta dos passos formais. de modo que aprenda a comandar a si próprio. Posteriormente. atingida através da instrução educativa. tendo em vista a generalização. como por exemplo: a necessidade de estruturação e ordenação do processo de ensino. assimilação. que denominou Método. apresentação. Controlando os interesses dos alunos. sob a direção do Professor. o professor vai construindo uma massa de ideias na mente. -Quarto: a aplicação. A principal tarefa da Instrução é introduzir ideias corretas na mente dos alunos. Segundo Herbart. desenvolveu uma análise do processo psicológico e didático de aquisição de conhecimentos. ordenando-os em cinco: Preparação. Estabeleceu. na mente da criança.Primeiro: a preparação e apresentação da matéria nova de forma clara e completa. -Terceiro: a sistematização dos conhecimentos. o uso dos conhecimentos adquiridos através de exercícios. que por sua vez vai favorecer a assimilação de ideias novas.

difundindo-se depois por todo o mundo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . automática. 26 Copyright © 2007. a reflexão e o pensamento independente e criativo dos alunos. de no mínimo uma lauda.compreensão dos assuntos estudados e não simplesmente memorização. Com isso. a aprendizagem se torna mecânica. associativa. mas apenas com a finalidade de reproduzir a matéria transmitida. Entretanto. o Ensino é entendido como repasse de ideias do professor para a cabeça do aluno. Pestalozzi e Herbart . os alunos devem compreender o que o professor transmite. e não mobilizando a atividade mental. o significado educativo da disciplina na formação do caráter. Sugestão: Objetivando o seu pensar crítico e reflexivo sobre a práxis educativa. demarcando as concepções pedagógicas que hoje são conhecidas como Pedagogia Tradicional e Pedagogia Renovada. reflita sobre a ação educadora da personagem do filme “O sorriso de Mona lisa”e construa um texto dissertativo. Rousseau. As ideias pedagógicas de Comênio.além de outros foram as bases do pensamento pedagógico europeu.

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Objetivo: Adquirir conhecimentos específicos sobre as principais tendências pedagógicas adotadas no Brasil e a aplicação da Didática sobre estas concepções de aprendizagem.

Tendências Pedagógicas no Brasil e a Didática Nos últimos anos, diversos estudos têm sido dedicados à História da Didática no Brasil, suas relações com as tendências pedagógicas e à investigação do seu campo de conhecimentos. Os autores, em geral, concordam em classificar as tendências pedagógicas em dois grupos: As de cunho Liberal - Pedagogia Tradicional, Pedagogia Renovada e Tecnicismo Educacional e as de cunho Progressista - Pedagogia Libertadora e Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos. Certamente existem outras correntes vinculadas a uma ou outra dessas tendências, mas essas são as mais conhecidas. Para a Pedagogia Tradicional: A Didática é uma disciplina normativa, um conjunto de princípios e regras que regulam o Ensino. A atividade de ensinar é centrada no professor que expõe e interpreta a matéria. Às vezes, são utilizados meios como a apresentação de objetos, ilustrações, exemplos, mas o recurso principal é a palavra, a exposição oral. Supõe-se que ouvindo e fazendo exercícios repetitivos, os alunos "gravam” a matéria para depois, reproduzi-la; através das interrogações do professor e das provas. Para isso, é importante que o aluno "preste atenção", porque ouvindo facilita-se o registro (do que é transmitido) na memória. O aluno é, assim, um recebedor da matéria e sua tarefa é decorá-la. Os objetivos explícitos ou implícitos referem-se à formação de um aluno ideal, desvinculado de sua realidade concreta. O professor tende a encaixar os alunos num modelo idealizado de homem totalmente desvinculado da vida presente e futura. A matéria de Ensino é tratada isoladamente, isto é, sem relação com os interesses dos alunos ou com os problemas reais da sociedade e da vida. O Método é dado pela lógica e sequência da matéria; é o meio utilizado pelo professor para comunicar a matéria e não dos alunos para aprendê-la.
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A presença dos métodos intuitivos, que foram incorporados ao ensino tradicional, ainda é bastante forte. Baseiam-se na apresentação de dados sensíveis, de modo que os alunos possam observá-los e formar imagens deles em sua mente. Muitos professores ainda acham que "partir do concreto" é a chave do ensino atualizado. Mas esta ideia já fazia parte da Pedagogia Tradicional porque o "concreto" (mostrar objetos, ilustrações, gravuras etc.) serve apenas para gravar na mente o que é captado pelos sentidos. O material concreto é mostrado, demonstrado, manipulado, mas o aluno não lida mentalmente com ele, não o repensa, não o (re)elabora com o seu próprio pensamento. A aprendizagem, assim, continua receptiva, automática; não mobilizando a atividade mental do aluno e o desenvolvimento de suas capacidades intelectuais. A Didática Tradicional tem resistido ao tempo, continua prevalecendo na prática escolar. É comum nas escolas brasileiras atribuir-se ao Ensino a tarefa de mera transmissão de conhecimentos; sobrecarregar o aluno de conhecimentos que são decorados sem questionamento; trabalhar com exercícios repetitivos; impor externamente a disciplina e usar castigos. Trata-se de uma prática escolar que empobrece até as boas intenções da Pedagogia Tradicional que pretendia, com seus métodos, a transmissão da cultura geral, isto é, das grandes descobertas da humanidade, e a formação do raciocínio; o treino da mente e da vontade. Os conhecimentos ficaram

estereotipados, insossos, sem valor educativo vital, desprovidos de significados sociais, inúteis para a formação das capacidades intelectuais e a compreensão crítica da realidade. O intento de formação mental, de desenvolvimento do raciocínio, ficou reduzido a práticas de memorização. A Pedagogia Renovada inclui várias correntes: A Progressivista, (que se baseia na teoria educacional de John Dewey), a não diretiva (principalmente inspirada em Carl Rogers), a ativista-espiritualista (de orientação Católica), a Culturalista, a Piagetiana, a

Montessoriana, entre outras. Todas, de alguma forma, estão ligadas ao movimento da Pedagogia Ativa que surge no final do século XIX como contraposição à Pedagogia Tradicional.
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Entretanto, segundo estudo feito por Castro (1984), os conhecimentos e a experiência da Didática brasileira pautam-se, em boa parte, no movimento da Escola Nova, inspirado principalmente na corrente Progressivista. Aqui, será destacada apenas a Didática Ativa inspirada na corrente Didática Moderna de Luís Alves de Mattos; incluída na Corrente Culturalista. A Didática da Escola Nova ou Didática Ativa é entendida como "direção da aprendizagem", considerando o aluno como sujeito da aprendizagem. O que o professor tem a fazer é colocar o aluno em condições propícias para que, partindo das suas necessidades e estimulando interesses, possa buscar, por si mesmo, conhecimentos e experiências. A ideia é a de que o aluno aprende melhor o que faz por si próprio. Não se trata apenas de aprender fazendo, no sentido de trabalho manual, ações de manipulação de objetos. Trata-se de colocar o aluno em situações que seja mobilizada a sua atividade global e que se manifesta em atividades intelectuais, atividade de criação, de expressão verbal, escrita, plástica. O centro da atividade escolar não é o professor nem a matéria; é o aluno ativo e investigador. O Professor incentiva, orienta, organiza as situações de aprendizagem, adequando-as às capacidades de características individuais dos alunos. Por isso, a Didática Ativa dá grande importância aos métodos e técnicas como: o trabalho de grupo, atividades cooperativas, estudo individual, pesquisas, projetos, experimentações etc.; bem como aos métodos de reflexão e método científico de descobrir conhecimentos. Tanto na organização das experiências de aprendizagem como na seleção de métodos, importa o Processo de Aprendizagem e não diretamente o Ensino. O melhor método é aquele que atende às exigências psicológicas do aprender. Em síntese, a Didática Ativa dá menos atenção aos conhecimentos sistematizados, valorizando mais o processo da aprendizagem e os meios que possibilitam o desenvolvimento das capacidades e habilidades intelectuais dos alunos. Por isso, os adeptos da Escola Nova costumam dizer que o professor não ensina; antes, ajuda o aluno a aprender. Ou seja, a Didática não é a direção do Ensino, é a orientação da
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o objeto ao qual se aplica o ato de aprender. Mattos identifica sua Didática com as seguintes características: o aluno é o fator pessoal decisivo na situação escolar. orientador e controlador da aprendizagem organizando o Ensino em função das reais capacidades dos alunos e do desenvolvimento dos seus hábitos de estudo e reflexão. Esse entendimento da Didática tem muitos aspectos positivos.Aprendizagem. A matéria e o conteúdo cultural da aprendizagem. a desenvolver sua capacidade de reflexão e a independência de pensamento. O que sobra. tendo em vista desenvolver-lhe a inteligência e formar-lhe o caráter e a personalidade. a raciocinar cientificamente. da mesma forma que se faz no Ensino Tradicional. pelas exigências de cumprimento do programa oficial e outras razões. da investigação. onde se encontram os valores lógicos e sociais a 30 Copyright © 2007. Em paralelo à Didática da Escola Nova. para orientá-lo e incentivá-lo na sua Educação e na sua Aprendizagem. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Com isso. Assim. estudo dirigido. é raro encontrar professores que apliquem inteiramente o que propõe a Didática Ativa. são alguns métodos e técnicas. é muito comum os professores utilizarem procedimentos e técnicas como trabalho de grupo.. O Professor é o incentivador. no estudo e na pesquisa. discussões. sem levar em conta seu objetivo principal que é levar o aluno a pensar. etc. visando à formação de um pensamento autônomo. surge a partir dos anos 50 a Didática Moderna proposta por Luís Alves de Mattos. em função dele giram as atividades escolares. pedem matéria decorada. uma vez que esta é uma experiência própria do aluno através da pesquisa. A Didática Moderna é inspirada na Pedagogia da Cultura. na hora de comprovar os resultados do ensino e da aprendizagem. Por falta de conhecimento aprofundado das bases teóricas da Pedagogia Ativa. corrente pedagógica de origem alemã. Entretanto. publicados posteriormente. Seu livro Sumário de Didática Geral foi largamente utilizado durante muitos anos nos cursos de formação de professores e exerceu considerável influência em muitos manuais de Didática. falta de condições materiais. principalmente quando baseia a atividade escolar na atividade mental dos alunos. estudo do meio.

em certo sentido. Quanto ao Tecnicismo Educacional. levando-o a bom termo". abrangendo as fases de planejamento. O Ciclo Docente. que é o Método Didático em ação. O Método representa o conjunto dos procedimentos para assegurar a aprendizagem. para dirigir e orientar o processo de aprendizagem dos seus alunos.serem assimilados pelos alunos. embora seja considerada como uma tendência pedagógica inclui-se. orientação e controle da aprendizagem e suas subfases. Definindo a Didática como disciplina normativa. autonomia quando se constituiu especificamente como tendência. na Pedagogia Renovada. em sucessão ou ciclicamente. está a serviço do aluno para formar suas estruturas mentais e. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . isto é. É o método em "ação". razão pela qual. à sombra do Progressivismo ganhando. dosagem e apresentação vinculam-se às necessidades e capacidades reais dos alunos. Mattos propõe a Teoria do Ciclo Docente. Desenvolveu-se no Brasil na década de 50. por isso. pelo professor. existe em função da aprendizagem. sua seleção. está condicionado pela natureza da matéria e relacionar-se com a Psicologia do aluno. técnica de dirigir e orientar eficazmente a aprendizagem das matérias tendo em vista objetivos educativos. é definido como "o conjunto de atividades exercidas. nos anos 60. inspirada na Teoria Behaviorista da Aprendizagem e na Abordagem Sistêmica do Ensino. 31 Copyright © 2007.

32 Copyright © 2007. O arranjo mais simplificado dessa sequência resultou na fórmula: Objetivos.Esta orientação acabou sendo imposta às escolas pelos organismos oficiais ao longo de boa parte das décadas de 60 e 70. 2006 . ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Crise na Educação: Por quê? O papel da educação na humanização. HAIDT. de caráter meramente instrumental. o meio de previsão das ações a serem executadas e dos meios necessários para se atingir os objetivos. Curso de Didática Geral. política e ideológica do regime militar então vigente. são elaborados com base na Tecnologia da Instrução. no uso de meios são técnicas mais eficazes. conteúdo estratégias. em uso nas escolas. Regina Célia Cazaux. avaliação. ainda hoje predomina nos cursos de formação de professores o uso de manuais didáticos e cunho tecnicista. Boa parte dos livros didáticos. A Didática Instrumental está interessada na racionalização do ensino. por ser compatível com a orientação econômica. São Paulo: Ática. O professor é um administrador e executor do planejamento. Com isso.

na sociedade capitalista. Muitos estudiosos e militantes políticos se interessaram apenas pela crítica e pela denúncia do papel ideológico e discriminador da Escola. Na segunda metade da década de 70. configurando a tendência que veio ser denominada de Pedagogia Libertadora. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A primeira retomou as propostas de Educação Popular dos anos 60. Entre essas tentativas destacam-se a Pedagogia Libertadora e a Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos. Não. São também denominadas teorias criticas da educação. que não tenham existido antes esforços no sentido de formular propostas de educação popular.U NIDADE 6 Objetivo: Apropriar-se dos conhecimentos e aplicabilidade Didática e Pedagógica das tendências progressistas. preocuparam-se em formular propostas e desenvolver estudos no sentido de tornar possível uma Escola articulada com os interesses concretos do povo. Já no começo do século formaram-se movimentos de renovação educacional por iniciativa de militantes socialistas. em decorrência de lutas sociais por maior democratização da sociedade. tornou-se possível a discussão de questões educacionais e escolares numa perspectiva de crítica política às instituições sociais capitalistas. levando em conta essa crítica. Muitos dos integrantes do movimento dos pioneiros da Escola Nova tinham reais interesses em superar a educação elitista e discriminadora da época. O Progresso das Tendências Pedagógicas e a Didática As tendências de cunho progressista interessadas em propostas pedagógicas voltadas para os interesses da maioria da população foram adquirindo maior solidez e sistematização por volta dos anos 80. refundindo-se princípios e práticas em 33 Copyright © 2007. No início dos anos 60 surgiram os movimentos de Educação de Adultos que geraram ideias pedagógicas e práticas educacionais de Educação Popular. Outros. no entanto. com a incipiente modificação do quadro político repressivo.

função das possibilidades do seu emprego na Educação Formal em escolas públicas, já que inicialmente tinham caráter extraescolar e não oficial, voltadas para o atendimento da clientela adulta. A segunda, inspirando-se no Materialismo Histórico Dialético; constituiu-se como movimento pedagógico interessado na Educação Popular, na valorização da Escola Pública e do trabalho do professor; no ensino de qualidade para o povo e, especificamente, na acentuação da importância do domínio sólido por parte de professores e alunos dos conteúdos científicos do Ensino como condição para a participação efetiva do povo nas lutas sociais (na política, na profissão, no sindicato, nos movimentos sociais e culturais). Duas tendências pedagógicas progressistas, propondo uma Educação Escolar crítica a serviço das transformações sociais e econômicas, ou seja, de superação das desigualdades sociais decorrentes das formas sociais capitalistas de organização da sociedade. No entanto, diferem quanto aos objetivos imediatos, meios e estratégias de atingir essas metas gerais comuns. A Pedagogia Libertadora não tem uma proposta explícita de Didática e muitos dos seus seguidores, entendendo que toda Didática resumir-se-ia ao seu caráter tecnicista, instrumental, meramente prescritivo, até recusam admitir o papel dessa disciplina na formação dos professores. No entanto, há uma Didática implícita na orientação do trabalho escolar, pois, de alguma forma, o professor se põe diante de uma classe com a tarefa de orientar a aprendizagem dos alunos. A atividade escolar é centrada na discussão de temas sociais e políticos; poder-se-ia falar de um ensino centrado na realidade social, em que professor e alunos analisam problemas e realidades do meio socioeconômico e cultural, da comunidade local, com seus recursos e necessidades, tendo em vista a ação coletiva frente a esses problemas e realidades.

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O trabalho escolar não se assenta, prioritariamente, nos conteúdos de ensino já sistematizados, mas no processo de participação ativa nas discussões e nas ações práticas sobre questões da realidade social imediata. Nesse processo de discussão, relatos de experiências vividas; da assembléia; pesquisa participante; do trabalho de grupo etc., vão surgindo temas geradores que podem vir a ser sistematizados para efeito de consolidação de conhecimentos. É uma Didática que busca desenvolver o processo educativo como tarefa que se dá no interior dos grupos sociais e por isso o professor é coordenador ou animador das atividades, que se organizam sempre pela ação conjunta dele e dos alunos. A Pedagogia Libertadora tem sido empregada, com muito êxito, em vários setores dos movimentos sociais, como, por exemplo, em sindicatos, associações de bairro, comunidades religiosas. Parte desse êxito se deve ao fato de ser utilizada entre adultos que vivenciam uma prática política e onde o debate sobre a problemática econômica, social e política pode ser aprofundado com a orientação de intelectuais comprometidos com os interesses populares. Em relação à sua aplicação nas escolas públicas, especialmente no Ensino Fundamental, os representantes dessa tendência não chegaram a formular uma orientação Pedagógica e/ou Didática, especificamente escolar, compatível com a idade, o desenvolvimento e as características de aprendizagem das crianças e jovens. Para a Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos a Escola Pública cumpre a sua função social e política, assegurando a difusão dos conhecimentos sistematizados a todos, como condição para a efetiva participação do povo nas lutas sociais. Não considera suficiente colocar como conteúdo escolar a problemática social cotidiana, pois somente com o domínio dos conhecimentos, habilidades e capacidades mentais podem os alunos organizar, interpretar e reelaborar as suas experiências de vida, em função dos interesses de classe.

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O que importa é que os conhecimentos sistematizados sejam confrontados com as experiências socioculturais e a vida concreta dos alunos, como meio de aprendizagem e melhor solidez na assimilação dos conteúdos. Do ponto de vista didático, o Ensino consiste na mediação de objetivos, conteúdos e métodos que assegure o encontro formativo entre os alunos e as matérias escolares, que é o fator decisivo da Aprendizagem. A Pedagogia Crítico-Social dos conteúdos atribui grande importância à Didática, cujo objeto de estudo é o Processo de Ensino em suas relações e ligações com a Aprendizagem. As ações de ensinar e aprender formam uma unidade, mas cada uma tem a sua especificidade. A Didática tem como objetivo a direção do processo de ensinar, tendo em vista finalidades sociopolíticas e pedagógicas e as condições e meios formativos; tal direção, entretanto, converge para promover a autoatividade dos alunos. Com isso, a Pedagogia Crítico-Social busca uma síntese superadora de traços significativos da Pedagogia Tradicional e da Escola Nova. Postula para o Ensino a tarefa de propiciar aos alunos o desenvolvimento de suas capacidades e habilidades intelectuais; mediante a transmissão e assimilação ativa dos conteúdos escolares articulando, no mesmo processo, a aquisição de noções sistematizadas e as qualidades individuais dos alunos que lhes possibilitam a autoatividade e a busca independente e criativa das noções. Mas trata-se de uma síntese superadora. Com efeito, se a Pedagogia define fins e meios da prática educativa, a partir dos seus vínculos com a dinâmica da prática social, importa um posicionamento em face de interesses sociais em jogo no quadro das relações sociais vigentes na sociedade. Os conhecimentos teóricos e práticos da Didática medeiam os vínculos entre o pedagógico e a docência; fazem à ligação entre o "para quê" (opções políticas e pedagógicas) e o "como” da ação educativa escolar (a prática docente).

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Dica de Leitura: LIBANÊO.A Pedagogia Crítico-Social toma o partido dos interesses majoritários da sociedade. 1994. atribuindo à Instrução e ao Ensino o papel de proporcionar aos alunos o domínio de conteúdos científicos. a sua condição de agentes ativos de transformação da sociedade e de si próprios. Didática. José Carlos. II 37 Copyright © 2007. São Paulo: Cortez. de modo a irem formando a consciência crítica face às realidades sociais e capacitando-se a assumir. no conjunto das lutas sociais. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . os métodos de estudo e habilidades e hábitos de raciocínio científico. Cap.

aprendem uma profissão. Pessoas. qualquer atividade humana praticada no ambiente em que se vive pode levar a uma aprendizagem. Em que consiste aprender. a pensar. aprende a manipular um brinquedo. aprende a andar. tendo em vista estimular e suscitar a atividade própria dos alunos para a Aprendizagem. Processo Didático na Concepção da Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos: Ensino e Aprendizagem A tarefa principal do professor é garantir a unidade didática entre Ensino e Aprendizagem. através do Processo de Ensino.. Em sentido geral. nadar. discutem problemas e aprendem a fazer opções. a ler. etc.U NIDADE 7 Objetivo: Adquirir conhecimentos acerca da Pedagogia crítico-social dos conteúdos e sua relação com uma aprendizagem transformadora. a trabalhar junto com outras crianças. Ensino e Aprendizagem são duas facetas de um mesmo processo. quais as condições externas e internas que influenciam. Jovens e adultos aprendem processos mais complexos de pensamento. Um aluno maior aprende habilidades de lidar com as coisas. Para compreender corretamente a dinâmica desse processo é necessário analisar separadamente cada um dos seus componentes A Aprendizagem A condução do Processo de Ensino requer uma compreensão clara e segura do Processo de Aprendizagem. Desde que nasce. Uma criança pequena aprende a distinguir determinados barulhos. aprende a contar. a escrever. e continua aprendendo por toda sua vida. andar de bicicleta. estão 38 Copyright © 2007. O professor planeja dirigir e controlar o Processo de Ensino. portanto. como as pessoas aprendem. etc. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . o Ser humano está aprendendo.

mas. Esta organização intencional. analisam as possibilidades. é na escola que são organizadas as condições específicas para a transmissão e assimilação de conhecimentos e habilidades. formando atitudes e convicções. Surge uma conversação. No pátio da escola. adquirindo conhecimentos. depois de certo tempo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A Aprendizagem Casual é quase sempre espontânea. elas murcham? Se a planta for colocada em um lugar que tenha terra e água. Pode-se distinguir a Aprendizagem em: casual e organizada. os alunos perguntam. A conversa se amplia: Por que as plantas crescem? Por que. Embora isso possa ocorrer em vários lugares. cada aluno escolheu uma plantinha. Ou seja. leituras. na verdade. Está aprendendo. está “trabalhando” a história na sua mente. as 39 Copyright © 2007. Os alunos aprendem as partes da planta e suas funções. na escola. O aluno recebe o "conteúdo" da história. as pessoas vão acumulando experiências. pela observação de objetos e acontecimentos. Em casa. a professora vai organizando essas ideias para sistematizar os conhecimentos. mas não tenha luz. pelo contato com os meios de comunicação. A Aprendizagem Organizada é aquela que tem por finalidade específica aprender determinados conhecimentos. os exercícios. Alguns exemplos de Aprendizagem Escolar: A professora conta uma história. normas de convivência social. assimila-o. Aparentemente a atitude do aluno é passiva. seja memorizando. no trabalho. a professora explica. ligando a história com seu imaginário (experiência vivida).. a consolidação das coisas aprendidas. habilidades.sempre aprendendo. planejada e sistemática das finalidades e condições da aprendizagem escolar é tarefa específica do Ensino. surge naturalmente da interação entre as pessoas e com o ambiente em que vivem. nas múltiplas experiências da vida. seja captando a sua mensagem. O tema da aula é "As plantas". Depois há o estudo no livro. conversas etc. o que acontecerá? Os alunos discutem. pela convivência social. na rua. A professora pede para observarem o que ela tem nas mãos.

princípios. valores humanos e sociais. senso crítico frente aos objetos de estudo e à realidade. destacar propriedades e relações das coisas.). conceitos. escrever e ler. assim. água e luz. -Habilidades e hábitos intelectuais e sensório motores (observar um fato e extrair conclusões. espírito de camaradagem e solidariedade. perseverança e responsabilidade no estudo. Com isso estão adquirindo conhecimentos e habilidades. síntese e são capazes de aplicar os conhecimentos. interesse pelo conhecimento. interiorizam conceitos. por exemplo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . memorizam o nome das capitais. etc. compreendem a importância das plantas na vida social. modos de convivência social. um processo de assimilação de determinados conhecimentos e modos de ação física e mental. formam estruturas mentais. aprendem as diferenças de horário de um lugar para o outro. comparação. etc.relações entre terra. Os resultados da aprendizagem se manifestam em modificações na atividade externa e interna do sujeito. convicções. dominarem procedimentos para resolver exercícios. desenvolvem capacidades de observação. organizados no Processo de Ensino. As crianças estão estudando História e Geografia. nas suas relações com o ambiente físico e social. Aprendem a localizar os estados brasileiros no mapa. dominam o conceito de "fuso horário". -Atitudes e valores. métodos de conhecimento. manipulação de objetos e instrumentos. A Aprendizagem Escolar é. Isto significa que se pode aprender: .Conhecimentos sistematizados (fatos.). modo científico de resolver problemas humanos. etc. 40 Copyright © 2007. uso adequado dos sentidos.

mas a assimilação desses é consequência da atividade mental dos alunos. atitudes. do próprio aluno. É o que se denomina de: Processo de Assimilação Ativa. as propriedades do objeto atuam no sujeito. da natureza e da sociedade. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . ao mesmo tempo. habilidades. fenômenos e relações do mundo. são mobilizadas as atividades físicas e mentais próprias dos alunos no estudo das matérias. mentalmente. conteúdos e métodos. A aprendizagem efetiva acontece quando. Conhecimentos. Permite o entendimento de que o ato de aprender é um ato de conhecimento pelo qual se assimila. sob a direção e orientação do professor. Aprendizagem: um processo de assimilação No Processo de Ensino estabelecem-se objetivos. motivacionais e atitudinais. O Processo da Assimilação Ativa Entende-sse por Assimilação Ativa ou Apropriação de Conhecimento e Habilidades o processo de percepção. os fatos. mediados pela ação do Professor. através do estudo das matérias de Ensino.U NIDADE 8 Objetivo: Conhecer os princípios do processo de assimilação. modificando e 41 Copyright © 2007. Nesse sentido. e a aplicação que se desenvolve com os meios intelectuais. compreensão e reflexão. O conceito de Processo de Assimilação Ativa é fundamental para a Teoria da Instrução e do Ensino. Há uma atividade do sujeito em relação aos objetos de conhecimento para assimilá-los. pela influência do professor. pode-se dizer que Aprendizagem é uma relação cognitiva entre o sujeito e os objetos de conhecimento. modos de agir não são coisas físicas que podem ser transferidas da cabeça do professor para a cabeça do aluno.

motivação. andar etc. nas situações didáticas ocorrem fatores externos e internos. compreensão. particularmente. Elas vãose desenvolvendo no decorrer da vida e. Muitas delas são obtidas de forma 42 Copyright © 2007. acabadas. o Ensino e seus componentes: objetivos. mutuamente relacionados. pois podem ser aprendidas no Processo de Assimilação de Conhecimentos. distinguir cores. dispõem em seu organismo. Os níveis de aprendizagem Os meios internos pelos quais o organismo psicológico aprende são bastante complexos. Nenhum aluno nasce com essas capacidades cognoscitivas prontas. métodos e formas organizativas. Estas aprendizagens são responsáveis pela formação de hábitos sensório-motores e são as que predominam na fase inicial de desenvolvimento da criança (por exemplo. o Processo de Assimilação Ativa de novos conhecimentos e. por meio dele. meios esses que constituem o conjunto de suas capacidades cognoscitivas. é preciso a ação externa do professor. Esquematicamente. Em síntese. O Nível Reflexo se refere às sensações pessoais. conteúdos. Para que se realize. agarrar objetos. Os alunos. pelas quais as pessoas desenvolvem processos de observação e percepção das coisas e as ações motoras (físicas) no ambiente. na Escola. tendo em vista necessidades e interesses humanos e sociais. por sua vez. tais como: percepção. conhecimentos já disponíveis. atenção. o desenvolvimento das forças cognoscitivas dos alunos. formam-se conhecimentos e modos de atuação. O professor propõe objetivos e conteúdos. atitudes. físico e psicológico. formas e sons. memória. tendo em conta características dos alunos e da sua prática de vida. isto é. pode-se dizer que há dois níveis de aprendizagem humana: O Reflexo e o Cognitivo. no decorrer do Processo de Ensino.). pelos quais se aplicam a compreensão da realidade para transformála. de meios internos de assimilação ativa.enriquecendo suas estruturas mentais. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Por esse processo.

Momentos interligados do processo de Assimilação Ativa O desenvolvimento das forças cognoscitivas. No Nível Cognitivo. os indivíduos aprendem tanto em contato direto com as coisas no ambiente quanto com as palavras que designam coisas e fenômenos do ambiente. bem como pela aquisição de modos de ação e aplicação referentes a essas propriedades e relações. os seres vivos. a vida na cidade e no campo . propriedades. A transformação da percepção ativa para um nível mais elevado de compreensão implica a atividade mental de tomar os objetos e fenômenos estudados nas suas relações com outros objetos e fenômenos. As situações didáticas devem ser organizadas para o aluno perceber ativamente o objeto de estudo. compreensão e generalização das propriedades e relações essenciais da realidade. Frente a determinado objetivo de ensino . Entrelaçado com o Nível Reflexo. as palavras constituem importante condição para a aprendizagem. para ir formando ideias e conceitos mais claros e mais amplos. na sala de aula.a primeira atividade é a observação sensorial das coisas. seja de forma indireta pelo uso das palavras. como instrumentos da linguagem. Esse nível de aprendizagem continua ocorrendo durante toda a vida humana.automática e inconsciente. Isso significa que. ilustrações.por exemplo. demonstrações). semelhanças e diferenças que as distinguem externamente. seja de forma direta (ações físicas com as coisas do ambiente. 43 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . caracterizada pela apreensão consciente. o Nível Cognitivo se refere à aprendizagem de determinados conhecimentos e operações mentais. se verifica no Processo de Assimilação Ativa de Conhecimento. pois formam a base dos conceitos com os quais se pode pensar.

suas relações e a ideia desse objeto. mas que o Processo de Assimilação Ativa culmina com a consolidação e aplicação. gradativamente. Na sala de aula. agora. o professor e os alunos trabalham com conceitos já elaborados. 44 Copyright © 2007. propiciam a habilidade de verbalização e ampliam a capacidade de raciocinar. com representações verbais do professor. Não se quer dizer com isso que nos outros momentos não haja atividades práticas. em qualquer nível de ensino. se desprendendo da coisa concreta do ambiente para torná-la uma coisa pensada. Em outras palavras. há um permanente entrelaçamento entre a atividade mental e a linguagem. os objetos e fenômenos. predomina a via indireta de ensino. exterior.embora deva ser empregada a experiência direta sempre que possível (pesquisas). nos quais se verifica a consolidação e a aplicação prática de conhecimentos e habilidades. Os conceitos científicos e o desenvolvimento dos instrumentos linguísticos do pensamento. para a "ideia" do conteúdo. ou seja. passam pela análise e síntese pela abstração. Nos vários momentos do processo. pois esta é como que o instrumento que traduz. assimilados com base na experiência sociocultural dos alunos. ou o texto do livro didático . aperfeiçoam a comunicação. mas de uma transformação e um aprimoramento das primeiras percepções que. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . O processo se completa com as atividades práticas em várias modalidades de problemas e exercícios. a linguagem é fundamental tanto para o professor que explica os conceitos científicos quanto para o aluno que os utiliza para construir seu conhecimento. a atividade mental evolui da apreensão do conteúdo da matéria. Neste processo. Quaisquer que sejam os métodos e modos de assimilação. por meio das palavras. Neste momento.Não se trata de uma etapa separada da anterior. o aluno pode operar mentalmente com os conteúdos assimilados. generalização e sistematização. o aluno vai. na sua forma visível. De modo que o conteúdo visível se transforma num conteúdo do pensamento.

não é algo casual e espontâneo. mas não são atividades que se confundem uma com a outra. Características da Aprendizagem Escolar a) A Aprendizagem Escolar é uma atividade planejada. e este dá direção e perspectiva àquela atividade por meio dos conteúdos. em nível crescente de 45 Copyright © 2007. b) O processo de assimilação de conhecimentos resulta da reflexão proporcionada pela percepção prática e sensorial. problemas. procedimentos organizados pelo professor em situações didáticas específicas. a atividade de ensino não pode restringir-se a atividades práticas. Aprendizagem e Ensino formam uma unidade. A organização lógica se refere à sequência progressiva dos conceitos. Todo conhecimento se baseia nos dados da realidade. Mas a apreensão dos dados da realidade requer ações mentais. os que interferem nas disposições emocionais dos alunos para enfrentar as tarefas escolares. Aprendizagem e Ensino.U NIDADE 9 Objetivo: Conhecer as características envolvidas na Dialética. Elas somente fazem sentido quando suscitam a atividade mental dos alunos. que são o seu conteúdo. métodos. d) Os conteúdos e as ações mentais que vão sendo formados dependem da organização lógica e psicológica das matérias de ensino. tais como: os que suscitam a motivação para o estudo. ideias. habilidades. de modo a estes lidarem com elas através dos conhecimentos sistematizados que vão adquirindo. Por isso. A atividade cognoscitiva do aluno é a base e o fundamento do Ensino. e pelas ações mentais que caracterizam o pensamento. os que afetam as relações professor/aluno. c) Na Aprendizagem Escolar há influência de fatores afetivos e sociais. intencional e dirigida. os que contribuem ou dificultam a formação de atitudes positivas dos alunos frente às suas capacidades e frente aos problemas e situações da realidade e do Processo de Ensino e Aprendizagem. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

principalmente. não significa que tenham assimilado a matéria. que desenvolveram operações mentais ou que dominaram habilidades de estudo. outras têm boa capacidade de memorização. quanto às exigências escolares. por sua vez. a elevar suas expectativas de um futuro melhor para si e sua classe social. sua aplicação em situações de aula ou do dia a dia e. Estas não devem ser consideradas negativamente. são portadores de desvantagens sociais e culturais. mas também sua relação com a Escola e o Estudo. A ideia de progressividade no desenvolvimento escolar se aplica também à organização das unidades didáticas nas aulas.complexidade. efetivamente. 46 Copyright © 2007. O vínculo aprendizagem/meio social traz implicações. também ao grau de compreensividade das matérias em relação às possibilidades reais dos alunos que. de modo independente e criativo. pois a Aprendizagem é um processo garantido. é condicionado pelas características socioculturais dos alunos. Alguns alunos têm facilidade de "pegar" uma ideia de relance. a adquirirem o desejo e o gosto pelos conhecimentos escolares. e) A aprendizagem escolar tem um vínculo direto com o meio social. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . no meio social. Entretanto. Os professores devem estar preparados para buscar procedimentos didáticos que ajudem os alunos a enfrentarem suas desvantagens. Os alunos aprendem tudo numa só aula. mas como ponto de partida para a atividade docente. A sólida aprendizagem decorre da consolidação de conhecimentos e métodos de pensamento. sua percepção e compreensão das matérias. da capacidade do aluno lidar. Tudo isto requer tempo e trabalho incessante do professor. Circunscreve não só as condições de vida dos alunos. A consolidação dos conhecimentos depende do significado que eles carregam em relação à experiência social dos alunos na família. no trabalho. com os conhecimentos que assimilou. A organização psicológica se refere à adequação ao nível de desenvolvimento físico e mental que.

Esta concepção de aprendizagem escolar difere daquela na qual o Ensino é uma atividade unidirecional do professor. modos de pensar sobre o mundo e a vida etc. As formas de linguagem expressam as condições sociais e culturais de vida das pessoas (modalidades de relacionamento entre as pessoas. isto é. como as exigências da escola.). ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . g) O trabalho docente é a atividade que dá unidade ao binômio ensino/aprendizagem. Por outro lado. realizando a tarefa de mediação na relação cognitiva entre o aluno e as matérias de estudo. A atividade do aluno consiste no enfrentamento da matéria por suas próprias forças cognoscitivas. Também difere de outra concepção segundo a qual o Ensino consiste apenas na organização das experiências do aluno. pelo processo de transmissão/assimilação ativa de conhecimentos. pela via da linguagem que os alunos podem assimilar os conhecimentos sistematizados. como a satisfação de necessidades orgânicas ou sociais. aluno como objeto da prática docente. a aspiração pelo conhecimento. a curiosidade. a atenção e o envolvimento dos alunos no trabalho docente. do professor ou dos demais colegas. A Linguagem é o veículo para a formação e expressão dos nossos pensamentos. A motivação é intrínseca quando se trata de objetivos internos. transferindo conhecimentos para a cabeça do aluno. principalmente. porém. Não é difícil compreender a importância da combinação entre a linguagem do professor e linguagem dos alunos. a fim de manter de pé o interesse. são extrínsecas. a expectativa de benefícios sociais que o estudo pode trazer a estimulação da família. costumes. é. que indicam os objetivos que procuram. quando a ação do aluno é estimulada de fora. f) A aprendizagem escolar se vincula também com a motivação dos alunos. na motivação extrínseca.Outro aspecto fundamental da aprendizagem em relação ao meio social é a Linguagem. 47 Copyright © 2007. crenças. dirigida e orientada de fora pelo professor. a motivação intrínseca precisa ser apoiada. muito frequentemente. com base nas suas necessidades e interesses imediatos e não na transmissão de conhecimentos sistematizados. Na Aprendizagem Escolar.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .supõe a confrontação entre os conteúdos sistematizados (trazidos pelo professor) e a experiência sociocultural concreta dos alunos.A inter-relação entre os dois momentos do processo de Ensino. a percepção que eles têm da matéria de ensino. Transmissão e Assimilação Ativa . 48 Copyright © 2007. conhecimentos que já dominam as motivações e expectativas.

assim.. Para assegurar a Assimilação Ativa. mas inclui outras tarefas. é uma combinação adequada entre o Processo de Ensino. pelo qual se democratiza o Saber e se desenvolvem as Forças Intelectuais. tem como resultado principal aquisição do saber escolar e o melhoramento progressivo das funções intelectuais. Em outras palavras. A aprendizagem que os alunos adquirem na escola. recreação. o professor deve: antecipar os objetivos de ensino. O Ensino. mas o benefício da sua responsabilidade direta é o Ensino. mas alunos concretos que ele tem à sua frente. pelo estudo das matérias. relacionamento social entre elas.U NIDADE 10 Objetivo: Perceber através deste estudo os Fundamentos do Ensino e sua correlação com o ato: ensinar e aprender. Os alunos vão à escola para dominarem conhecimentos e habilidades e desenvolverem operações mentais. pelo professor. o Processo de Ensino é uma atividade de mediação pela qual são providas as condições e os meios para os alunos se tornarem sujeitos ativos. tendo em vista a preparação para a vida social e para o trabalho. assistência à saúde etc. A Escola Pública pode oferecer muitos benefícios aos alunos: merenda. na assimilação de conhecimentos. saber empregar os métodos mais eficazes para ensinar. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . “puxar” dos alunos os conhecimentos que eles já dominam e estimulá-los no desejo de conhecer a matéria nova. não um aluno ideal. explicar a matéria. Dinâmica do Processo de Ensino O Processo de Ensino abrange a assimilação de conhecimentos. saber detectar o nível da capacidade cognoscitiva dos alunos. 49 Copyright © 2007. Deve transformar a matéria em desenvolvimentos significativos compreensíveis. e a Assimilação Ativa como atividade autônoma e independente do aluno.

é traduzir didaticamente a matéria para alunos determinados. 50 Copyright © 2007. Em sentido amplo. seja pela luta conjunta para a transformação social. tais como a organização do ambiente escolar. quanto o entendimento de que o domínio de conhecimentos e habilidades é um instrumento coadjuvante para a superação das condições de origem social dos alunos. nível de preparo para enfrentar a matéria nova. A atividade de ensino. o sistema de organização das classes. político e cultural de uma sociedade marcada pelo conflito de interesses entre os grupos sociais. de forma que os alunos possam ter uma relação subjetiva com eles. c) Dirigir e controlar a atividade docente para os objetivos da aprendizagem.O ensino tem três funções inseparáveis: a) Organizar os conteúdos para a sua transmissão. orientar suas dificuldades. o Ensino é condicionado por outros elementos situacionais do processo ensino-aprendizagem. frente às exigências do contexto social. Seja pela melhoria das condições de vida. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . o conselho de pais. o que se chama de Prática Social. os livros didáticos e o material escolar. por outro lado. está indissociavelmente ligado à vida social mais ampla. nesse sentido. Transmitir a matéria. os mecanismos de gestão da escola. o Ensino exerce a mediação entre o indivíduo e a sociedade. Um Pedagogo escreveu que ensinar é colocar a matéria no horizonte interrogativo do aluno. Essa mediação significa tanto a explicitação dos objetivos de formação escolar. Além disso. indicar métodos de estudo e atividades que os levem a aprender de forma autônoma e independente. com suas características socioculturais. a unidade de propósitos do grupo de professores etc. b) Ajudar os alunos a conhecerem as suas possibilidades de aprender. com os conhecimentos e experiências que trazem para a sala de aula.

O Processo de Ensino. deve estabelecer exigências e expectativas que os alunos possam contribuir e. Ao contrário.A unidade entre ensino e aprendizagem Pode-se sintetizar dizendo que a relação entre Ensino e Aprendizagem não é mecânica. para compreendê-los e aplicá-los consciente e autonomamente.relação cognitiva entre aluno e matéria de estudo . o Ensino tem um caráter eminentemente pedagógico. a precede. Conforme já estudado anteriormente. com o pretexto de que o professor somente deve facilitar a aprendizagem e não ensinar. também se quebra a unidade quando os alunos são deixados sozinhos.desenvolvendo-se sob as condições específicas do Processo de Ensino. o de dar um rumo definido para o Processo Educacional que se realiza na Escola. incentivar. pois. O Ensino visa estimular. é uma relação recíproca na qual se destacam o papel dirigente do professor e a atividade dos alunos. ao contrário. muitas vezes. dirigir. ou seja. Tem. A unidade entre Ensino e Aprendizagem fica comprometida quando o Ensino se caracteriza pela memorização. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . pois não leva a empenhar as atividades mentais dos alunos. não é uma simples transmissão do professor que ensina para um aluno que aprende. 51 Copyright © 2007. quando não suscita o desenvolvimento ativo dos alunos. A Aprendizagem é a assimilação ativa de conhecimentos mentais. quando o professor concentra na sua pessoa a exposição da matéria. O Ensino tem a tarefa principal de assegurar a difusão e o domínio dos conhecimentos sistematizados legados pela humanidade. sua tarefa básica ser a seleção e organização do conteúdo de ensino e dos métodos apropriados a serem trabalhados. O Ensino não existe por si mesmo. com isso. Por outro lado. impulsionar o processo de aprendizagem dos alunos. mas na relação com a Aprendizagem. A Aprendizagem é uma forma do conhecimento humano . mobilizem suas energias. Esta atitude não faz parte do sentido que se tem dado ao papel de dirigente do professor. o papel de impulsionar à aprendizagem e. Daí. em um processo organizado na sala de aula.

habilidades. Os métodos. relações professor/aluno etc. que operam em referência a objetivos que expressam determinadas exigências sociopolíticas e pedagógicas e sob um conjunto de condições de uma situação didática concreta (fatores sociais circundantes. os materiais didáticos disponíveis.). a sua apropriação. Além disso.Estrutura. subordinam-se ao conteúdo de cada matéria e ao mesmo tempo às características de aprendizagem dos alunos (conhecimentos e experiências que trazem suas expectativas. hábitos) e métodos. Esses componentes formam uma unidade. por sua vez orienta o trabalho docente tendo em vista a inserção e atuação dos alunos nas diversas esferas da vida social . A Didática. cultural etc.). fazendo a mediação escolar de objetivos sociopolíticos e pedagógicos. o Ensino é inseparável das condições concretas de cada situação didática: o meio sociocultural em que se localiza a escola. portanto. seu nível de preparo para enfrentar a matéria. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . política. organização escolar. habilidades e atitudes dos alunos. as condições de vida. recursos materiais e didáticos. etc. Os conteúdos são selecionados de forma didaticamente assimilável. implicam métodos. 52 Copyright © 2007. por sua vez. conhecimentos. Componentes e Dinâmicas do Processo de Ensino. o Ensino e a Aprendizagem. O processo didático se explicita pela ação recíproca de três componentes: Os Conteúdos. nenhum deles podendo ser considerado isoladamente. as atitudes do professor. Os objetivos correspondem aos conteúdos (conhecimentos. seu nível de preparo de desenvolvimento mental.profissional. nível socioeconômico dos alunos.

53 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .Antes de dar continuidade aos seus estudos é fundamental que você acesse sua SALA DE AULA e faça a Atividade 1 no “link” ATIVIDADES.

mas também o processo de prover os indivíduos dos conhecimentos e experiências culturais que os tornam aptos a atuar no meio social e. assimilados e recriados pelas novas gerações. Prática Educativa e Sociedade O trabalho docente é parte integrante do processo educativo mais global. nos quais os indivíduos estão envolvidos de modo necessário e inevitável 54 Copyright © 2007. prepará-los para a participação ativa e transformadora. tornam-se capazes de estabelecer uma relação ativa e transformadora em relação ao meio social. nas várias instâncias da vida social. transformá-lo. a Educação compreende os processos formativos que ocorrem no meio social. A prática educativa não é apenas uma exigência da vida em sociedade. ao assimilarem e recriarem essas influências. modo de agir. crenças. pois os membros da sociedade são preparados para a participação na vida social.U NIDADE 11 Objetivo: Desenvolver habilidades de compreensão e análise sobre a práxis educativa e social. Cada sociedade precisa cuidar da formação dos indivíduos. sendo uma atividade humana necessária à existência e funcionamento de todas as sociedades. sociais e políticas da coletividade. transmitidos. Tais influências se manifestam através de conhecimentos. em função de necessidades econômicas. valores. Em sentido amplo. técnicas e costumes acumulados por muitas gerações. Através da ação educativa o meio social exerce influências sobre os indivíduos e estes. experiências. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . auxiliar no desenvolvimento de suas capacidades físicas e espirituais. Não há sociedade sem prática educativa nem prática educativa sem sociedade. A educação é um fenômeno social e universal.

dos meios de comunicação de massa. do rádio. Neste sentido. deliberada e planificada. na comunidade. seja ele o pai. do computador. atitudes. Pode-se falar de Educação Não formal. escolares ou não. práticas. a prática educativa existe numa grande variedade de instituições e atividades sociais decorrentes da organização econômica. embora sem separar-se daqueles processos formativos gerais. A Educação Intencional refere-se a influências em que há intenções e objetivos definidos conscientemente. técnicas. experiências. Como é o caso de movimentos sociais organizados. também denominadas de educação informal. conhecimentos. etc. e de Educação Formal que se 55 Copyright © 2007. conforme o objetivo pretendido. Há métodos. A Educação não intencional refere-se às influências do contexto social e do meio ambiente sobre os indivíduos. por exemplo. do cartaz de propaganda. etc. das formas econômicas e políticas de organização da sociedade. São situações e experiências. que não estão ligados especificamente a uma instituição e nem são intencionais e conscientes. correspondem a processos de aquisição de conhecimentos. invisíveis atrás de um canal de televisão. dos grupos de convivência humana. muitas vezes. Tais influências. casuais. Há uma intencionalidade. valores. espontâneas. embora influam na formação humana. É o caso. quando se trata de atividades educativas estruturadas fora do sistema escolar convencional. valores. o professor. comportamentos. Esses. ideias. do clima sociocultural da sociedade. variam os meios. Em sentido estrito. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . política e legal de uma sociedade. São muitas as formas de Educação Intencional e. ou adultos em geral. uma consciência por parte do educador quanto aos objetivos e tarefas que deve cumprir. Os estudos que tratam das diversas modalidades de educação costumam caracterizar as influências educativas como não intencionais e intencionais. a Educação ocorre em instituições específicas. não organizadas. no trabalho. lugares e condições específicas prévias criadas deliberadamente para suscitar ideias.pelo simples fato de existirem socialmente. das relações humanas na família. por assim dizer. como é o caso da Educação Escolar e Extra-escolar. com finalidades explícitas de instrução e ensino mediante uma ação consciente.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . ou seja. a prática educativa que ocorre em várias instâncias da sociedade – assim como os conhecimentos da vida cotidiana. por ser suporte e requisito delas.é determinada por valores. os fatos políticos e econômicos etc.realiza nas escolas ou outras agências de instrução e educação (igrejas. O Processo Educativo. na sociedade atual. determina objetivos e lhe provê condições e meios de ação. Com efeito. 56 Copyright © 2007. as finalidades e meios da educação subordinam-se a estrutura e dinâmica das relações entre as classes sociais. é a escolarização básica que possibilita aos indivíduos aproveitar e interpretar. . onde quer que se dê. Conforme foi dito. Com efeito. a Educação é um fenômeno social. e especialmente os objetivos e conteúdos do ensino e o trabalho docente. são socialmente determinados. Que significa a expressão "a educação é socialmente determinada"? Significa que a prática educativa. há uma subordinação à sociedade que lhe faz exigências. procedimentos didáticos. Assim. no entanto. com o progresso dos conhecimentos científicos e técnicos. e com o peso cada vez maior de outras influências educativas. estão determinados por fins e exigências sociais. os indivíduos e grupos travavam relações recíprocas diante da necessidade de trabalharem conjuntamente para garantir sua sobrevivência. Desde o inicio da história da humanidade. é sempre contextualizado social e politicamente. que a Educação Escolar se destaca entre as demais formas de Educação Intencional. implicando em ações de ensino com objetivos pedagógicos explícitos. políticas e ideológicas. a participação efetiva dos indivíduos e grupos nas decisões que permeiam a sociedade sem a educação intencional e sistematizada provida pela educação escolar. sindicatos. sistematização. empresas). Cumpre acentuar. outras influências educativas. É impossível. partidos. normas e particularidades da estrutura social a que está subordinada. consciente e criticamente.

Esta. ocupações. não apenas as condições materiais de vida e de trabalho dos indivíduos.Essas relações vão passando por transformações. novas formas de organização do trabalho e. vão surgindo nas relações sociais a desigualdade econômica e de classes. nem sempre houve uma distribuição por igual dos produtos do trabalho. cada vez mais se acentua a distribuição desigual dos indivíduos em distintas atividades bem como do produto dessas atividades. que é ao mesmo tempo uma alienação espiritual. a classe social dominante retém os meios de produção material como 57 Copyright © 2007. A alienação econômica dos meios e produtos do trabalho dos trabalhadores. fortemente marcadas pela divisão da sociedade em classes. à qual pertencem cerca de 70% da população brasileira. determina desigualdade social e consequências decisivas nas condições de vida da grande maioria da população trabalhadora. Na História da sociedade. Este é o traço fundamental do sistema de organização das relações sociais em nossa sociedade. determina. onde capitalistas e trabalhadores ocupam lugares opostos e antagônicos no processo de produção. criando novas necessidades. As relações sociais no capitalismo são. especificamente. idade. de modo a existir uma divisão das atividades entre os envolvidos no processo de trabalho. uma divisão do trabalho conforme sexo. Nas formas primitivas de relações sociais. que na origem é uma desigualdade econômica no seio das relações entre as classes sociais. A classe social proprietária dos meios de produção retira seus lucros da exploração do trabalho da classe trabalhadora. assim. Entretanto nas etapas seguintes da História da sociedade. os indivíduos têm igualdade usufruto do trabalho comum. é obrigada a trocar sua capacidade de trabalho por um salário que não cobre as suas necessidades vitais e fica privada. Com isso. da satisfação de suas necessidades espirituais e culturais. também. Com efeito. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . mas também a diferenciação no acesso à Educação. tanto materiais quando espirituais. A desigualdade entre os homens.

criativos e críticos. o Ensino cria condições metodológicas e organizativas para o processo de transmissão e assimilação de 58 Copyright © 2007. a responsabilidade dos professores é muito grande. as igrejas. Assim.) para justificar. o sistema de relações sociais que caracteriza a sociedade capitalista. Ao mesmo tempo em que cumpre objetivos e exigências da sociedade. os meios de comunicação de massa. Portanto. práticas sobre a vida.também os meios de produção cultural e da sua difusão. Além disso. nos movimentos sociais. Tais ideias. ao seu modo. etc. devendo contentar-se com uma escolarização deficiente. é um meio privilegiado para o repasse dessa ideologia dominante. as agências de formação profissionais. de pensamento independente. pois lhes cabe escolher qual concepção de vida e de sociedade deve ser traduzida à consideração dos alunos e quais conteúdos e métodos lhes propiciam o domínio dos conhecimentos e a capacidade de raciocínio necessária à compreensão da realidade social e à atividade prática na profissão. são as que se costumam denominar de ideologia. incluindo as escolas. onde ele deve assegurar aos alunos um sólido domínio de conhecimentos e habilidades. O sistema educativo. para atitudes conformistas. desde a Educação Infantil a Universidade. o desenvolvimento de suas capacidades intelectuais. Tal como a Educação também o Ensino é determinado socialmente. a Educação que os trabalhadores recebem visa principalmente prepará-los para trabalho físico. as relações humanas. valores. o trabalho. tendendo a colocá-la a serviço dos seus interesses. conforme interesses de grupos e classes sociais que o constituem. O campo específico de atuação profissional e política do professor é a Escola. a maioria dominante dispõe de meios de difundir a sua própria concepção de mundo (ideias. valores e práticas apresentados pela minoria dominante como representativos dos interesses de todas as classes sociais. Tais tarefas representam uma significativa contribuição para a formação de cidadãos ativos. crítico e criativo. capazes de participar nas lutas pela transformação social. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . na política.

59 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Sugestão: Para sua reflexão e tomada de postura educacional assista ao filme Sociedade dos Poetas Mortos.conhecimentos e desenvolvimento das capacidades intelectuais e processos mentais dos alunos tendo em vista o entendimento crítico dos problemas sociais.

Acredita-se. e nisso está sua especificidade. toda a área já está tratando de ação. é uma práxis. a apropriação do saber é uma intenção específica da classe. que de pouco valem as formulações teórico-progressistas da Educação se não se encontrarem as formas de praticá-las. sendo própria de uma classe social e até da sociedade inteira. a práxis educativa cuida de realizar sua apropriação. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . ainda que não seja possível encontrarem-se estas formas sem aquelas formulações. 60 Copyright © 2007. a possibilidade que tem a classe de "vanguarda" para exercer a hegemonia na sociedade. portanto. pois é através dos componentes didáticos da ação educativa que se passa.U NIDADE 12 Objetivo: Perceber a Dialética como influência na práxis de uma ação educadora social. É na Didática que se encontra a possibilidade de fazer da Educação uma prática social (progressista ou conservadora). é uma práxis social. Nesse pressuposto. Educação como Dialética e Práxis Social Como práxis social. Na Educação. Porém os aspectos mais práticos compõem a Didática. ou não. e a Didática vem trabalhar sobre a questão do método pelo qual se realiza a apropriação do saber pelas pessoas. Sendo seu objeto o saber. Sendo a intenção específica. a Educação é uma ação que se desenvolve segundo a intenção específica de uma classe social. A Pedagogia vem então trabalhar sobre a questão de como se realiza a apropriação do saber pela sociedade.

um espaço de interação que oferece aos alunos oportunidades para uma relação pessoal com outros sujeitos que não os do seu círculo familiar. recebe seus alunos. também. O espaço da sala de aula é. também. professores e alunos estabelecem relações numa interação que pode ou não estar permeada pelo diálogo e compreensão. nem se pode defini-lo por suas características físicas. O espaço da sala de aula é. portanto. expectativas vindas das famílias dos alunos em relação aos professores. o professor. Ele. no espaço da sala de aula. cruzam-se pessoas únicas e singulares que interagem por certo período de tempo. ao resultado da ação pedagógica. solidárias. entra na relação com o aluno impregnado de uma história de vida própria. neste espaço. ao diretor. A Direção da Escola. Ao entrar no espaço da sala de aula. através de suas crenças. É um espaço vivo. O aluno chega à sala de aula cheio de expectativas e curiosidades e. O espaço da sala de aula é um espaço pleno de tensões. está presente no espaço da sala de aula. a despeito da sua experiência. de professores e alunos. no início do ano letivo cheio de expectativas. de respeito mútuo. ao se encontrarem pela primeira vez. um espaço de construção de conhecimentos e valores. Nele se entrecruzam diferentes histórias de vida. portanto.O Espaço da Sala de Aula O espaço da sala de aula não se limita às quatro paredes que a cercam. uma experiência singular. projetos e desejos sobre a atuação de professores e alunos. às formas de avaliação. 61 Copyright © 2007. Dentro deste espaço podem ou não ocorrer relações cooperativas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Encontram-se ainda. Também. Enfim. também. com alguma apreensão sobre quem serão seus professores.

pressupõe constantes transformações e correções de rota. na sua tarefa de ensinar a ler. autocrítica e autoavaliação. psicomotor) dos alunos. É preciso defender e lutar por uma escola. relacionando-os à sua prática escolar. de gênero. a melhoria da qualidade de vida na instituição educacional. pois cada situação escolar é única. atualizando seus objetivos. buscando o sucesso. A construção de relações afetuosas e mais humanas é o resultado de um esforço coletivo de alunos. o mundo do trabalho. nem descrença. Se a busca é uma Educação mais abrangente. em qualquer etapa da Educação. não deve se constituir em lugar de imobilismo. desafios. com seus problemas. para todos. como todo ambiente vivo. Todos precisam estar preparados e disponíveis para se avaliarem e a seus papéis. é um lugar em que são compartilhadas emoções. e com o seu grupo de alunos. 62 Copyright © 2007. os professores precisam descobrir respostas individuais para cada ambiente. professores. da cultura e das linguagens. com uma identidade própria. Aprofundando estas reflexões consigo mesmo. portanto. num tempo e espaço em constante transformação. interpretar e transformar o meio ambiente. de qualidade. É fundamental. funcionários e direção. impasses e vitórias. que cada professor tenha a possibilidade de refletir sobre as suas convicções e desejos.A transformação de um espaço de relações afetuosas e harmônicas Reverter os altos índices de evasão e repetência na escola. o professor irá descobrir algumas de suas próprias respostas. Este processo. escrever. para cada aluno. individualmente e/ou em equipe. discutindo alternativas. As dificuldades só podem ser vencidas com alianças e cumplicidade de todos os envolvidos no ambiente escolar que. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . é o desafio da Educação. que os expressam. calcular. que é contínuo e infinito. O espaço da sala de aula. socioafetivo. sempre. hoje. visando. intelectual. afetos. famílias. Lugar onde se cruzam diferenças étnicas. comprometida com o desenvolvimento pleno (físico.

Harmonizar as diferenças dentro deste espaço. levando todos a um convívio solidário é um dos desafios da Educação. Dependem de vários fatores. Philippe. Texto. tamanho da turma e uma soma de características que se pode chamar de personalidade da classe. como maturidade dos alunos. seu grau de informação. sociais. 63 Copyright © 2007. decidir na incerteza. Porto Alegre. Sinta o pulso e planeje A interação entre classe e professor tem características muito próprias. 2001. Mas em todas as classes há um tipo de atitude que predomina! PERRENOUD.culturais. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Artmed. Nem todos os alunos têm o mesmo comportamento.A comunicação na sala de aula: onze dilemas. Ensinar: agir na urgência.

permeiam tantos antagonismos. surge a necessidade da indagação: Por que nas relações do trabalho educativo. As reformas e inovações que se processaram no Brasil. A Escola e as Universidades convertem-se em agências provedoras de recursos humanos para o mercado de trabalho. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . após a Reforma do Ensino Superior em 1968. implicaram o uso da linha tecnicista em todos os setores do Ensino no Brasil. A Teoria Funcionalista propugna que a Educação contribui diretamente para o crescimento e desenvolvimento econômico dos países. constitui uma das tendências importantes de explicação das principais razões pelas quais os governos decidiram destinar (ou não) montantes significativos de verbas a esse setor. O Processo de Ensino-aprendizagem e seus Componentes Fundamentais Da análise conjunta das informações disponibilizadas por professores e alunos. que impulsionam os estudiosos a buscar novas alternativas para a prática educativa. 64 Copyright © 2007. das relações que o permeiam e do movimento que está por trás de suas representações aparentes. de acordo com as necessidades da produção. em suas diversas tendências. podem-se distinguir duas grandes correntes de interpretação do pensamento social em Educação: o Funcionalismo e as teorias do Conflito. tantas contradições entre a teoria e a prática docente? É a identificação das contradições do processo de ensino. servir de mecanismo social de acumulação e transmissão de conhecimentos. como principal finalidade. Segundo o Funcionalismo.U NIDADE 13 Objetivo: Compreender os aspectos da prática no cotidiano escolar e sua relação com o processo ensino aprendizagem. Analisando-se as tendências teórico-metodológicas que embasam os diferentes processos da prática pedagógica. a Educação tem.

O professor é o eixo fundamental do desenvolvimento de novos sistemas de instrução. contribuíram para dissociar a teoria da prática. históricas e sociais. com o fim de aumentar a eficiência do processo ensinoaprendizagem. Alguns teóricos. inserido na realidade social. assim. Proclama-se a exigência do trabalho docente se vincular as ações do ensino cujos marcos teóricos permitam uma compreensão sólida e global do processo educativo. e para distanciar a problemática didática das questões pedagógicas. buscando a indissociabilidade entre conteúdos e método. ao mesmo tempo. o conteúdo do método. Privilegia-se a utilização de técnicas. segundo diferentes princípios da Psicologia. os programas de Ensino Tecnicista concebem o professor como um elemento a mais entre outros meios de transmissão de conhecimento e. entre a matéria de ensino e o 65 Copyright © 2007. enraizados numa tecnologia supostamente neutra. destacam-se alguns princípios comuns à prática universitária. instrumentos e meios educativos. Daí. tais como a contextualização histórica. no entanto. Já para as teorias do conflito. a necessidade da inter-relação entre o objeto e o método de conhecimento. apesar de reconhecerem esse caráter de reprodução atribuem à Educação à possibilidade de ser um espaço de transformação social. O docente deve. de planejar atividades individualizadas e desenvolver a aprendizagem. Ou seja. dos conteúdos da relação professor/aluno e dos processos de ensinoaprendizagem. esses programas tecnicistas. relacionados com sua matéria.Como se pode inferir. Deve ser treinado nas habilidades técnicas. da implementação de novas técnicas e da solução de problemas específicos. conhecer a metodologia apropriada para desenhar e avaliar os objetivos de seu curso em termos de taxonomias. como um dos promotores do processo de mudança. por meio do micro ensino. da docência. Deve ser capaz. a Educação constitui uma das instâncias de reprodução social da força de trabalho. para desenvolver com êxito as aulas expositivas. ainda. Nessa abordagem. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . econômica e cultural do professor. da divisão das classes sociais e é inculcadora da ideologia da classe dominante. sociopolítica.

gera uma "Didática Prática". Pode-se dizer que a mesma situação que destituiu o professor do controle de processo e do produto de seu trabalho. Essas teorias do conflito explicam o porquê dos depoimentos de professores e alunos mencionados anteriormente e. os professores começam a apresentar certas proposições. junto com experiências de planejamento participativo na formação de adultos. Assinala Martins (1985) que. (Re)inventar a prática. gera o seu contrário. o professor .pressionado pela resistência dos seus alunos.busca alternativas e cria novas situações. evidenciam a contradição da prática educativa do Ensino. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .conteúdo pedagógico e didático e ainda. e com inovações educativas produzidas graças aos movimentos de organização popular e aos movimentos de resistência ao sistema social. Compreender esse movimento instaura uma nova postura em face da prática. Ao gerar essa "Didática Prática". pelas contradições que experimenta entre aquilo que se espera de um professor. a eliminação de ações puramente técnicas e instrumentais. o educador está-se formando nesse mesmo processo e construindo um novo processo educativo. Tudo isso só será possível se estabelecer um vínculo que intente cobrir os aspectos epistemológico. Em última análise. de modo a ultrapassar o nível empírico. e aprofundar a análise das 66 Copyright © 2007. tornando-o simples executor de tarefas. numa perspectiva de ação crítica e compromissada politicamente. Perceber essa contradição é perceber o movimento histórico da direção política da referida prática. atividades práticas. As teorias do Conflito têm avançado. Isto é. iniciativas. teórico. novos procedimentos didáticos. e a situação de trabalho docente. supõe a compreensão dessa prática no nível de totalidade. tendo em vista o seu aluno e fugindo do modelo imposto. com programas de desenvolvimento comunitário. com a organização dos trabalhadores. metodológico e instrumental da formação do professor o que constitui em uma mudança no Ensino Superior. buscar seus determinantes. ou seja.

A fim de gerar uma nova ação educativa que faça mediação entre a prática individual e a social. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .determinações históricas e sociais. 67 Copyright © 2007.

tendo como ponto de partida e ponto de chegada a prática social. para assumir o eixo da ação . caracterizado pela busca da unidade entre a teoria e a prática. Libâneo. porque já entende os espaços e as brechas em que a estrutura lhe permite agir criticamente. conforme as estudam Saviani.  Parte para refazer sua prática de modo qualitativamente diferente. A forma vai-se definindo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . tornando-se mais senhor dos processos de organização e de controle do trabalho docente. 68 Copyright © 2007. de tal modo que os agentes vivenciam a descrição e a análise.  Busca entender o movimento contraditório que permeia essa referida prática. em suas múltiplas relações sociais.U NIDADE 14 Objetivo: Analisar sua prática e buscar ações capazes de promover reflexões e paradigmas sociais. O Professor e a Sua Vivência no Processo de Produção de Conhecimento Um dos pontos-chave da nova prática pedagógica visa resgatar o controle do processo de ensino rompendo com o eixo de transmissão . Gadotti e outros.reflexão – ação. reflitam e sistematizam coletivamente esse novo processo de trabalhar a prática. Explica essa prática. tomando como referência as teorias pedagógicas. no nível de totalidade. de forma coletiva e mais consciente. vai dando sentido ao conteúdo. o professor vivencia um processo de produção de conhecimento. Altera-se o processo na própria prática. no qual ele:   Descreve a sua prática de modo empírico. Na investigação da prática pedagógica.assimilação.

como com as do mercado de trabalho que vai receber o seu aluno.  Aprofundar-se na análise do objeto ou da atividade vivida. Pois. nesses espaços de organização. em face da sua própria prática precisa inquirir analisar. como com as organizacionais (trabalha dentro de regras rígidas do trabalho . E entender que: São nas lutas coletivas. problematizar o seu trabalho. Mas esta mudança não tem sentido individualmente. o professor atua numa escola.Na perspectiva dialética. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . toda forma de conhecimento e de atividade prática supõe uma marcha comum. 69 Copyright © 2007. para ressaltar diferentes facetas e estudar seus elementos. e caminham nas pistas que brotam do cotidiano. considerando-o como um conjunto de relações em que tudo muda e está inter-relacionado. com o correr dos semestres. levam o professor inovador ou ao abandono da carreira ou a acomodar-se aos padrões tradicionais. nas suas relações globais com a estrutura. no nível individual. No nível do coletivo. o professor.  Ir (re)organizando o objeto de investigação constituído pelas múltiplas relações. visando a produzir e construir novas relações sociais que as sociedades vão costurando a sua unidade com a prática social. Assim. com os agentes que atuam nela. isto é:  Aproximar-se do objeto de estudo. as inúmeras aulas e decepções. visando a produzir uma síntese criadora de referido objeto. historicizar no tempo e situar-se no espaço. O professor tem que observar o povo se organizando nas mais diferentes modalidades.racionalidade eficiência). e precisa mais ainda. que já tem todo um protocolo legal que a relaciona junto com as normas legais. e constituinte delas a partir de análises de sínteses provisórias.

2001. Assim. Ensinar. 70 Copyright © 2007.  A socialização de experiências de trabalho exige novas condições de prática escolar. decidir na incerteza. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Porto Alegre: Artmed. de transformar o real. para se refazer o caminho. Ao mesmo tempo. na busca daqueles pontos dessa mesma caminhada que entram em conflito com a realidade em movimento. nesse aprender sente-se afeto. prazer. Considerando-se o exposto. Dez não ditos ou a face oculta da profissão de professor.  A elaboração de uma proposta alternativa de metodologia já traz em seu bojo o germe de sua própria negação e de uma nova afirmação. Philippe. pode-se concluir que a metodologia de análise crítica supõe e reafirma que:  Professor que aprende a partir da prática apropria-se do saber e da técnica de organizar o trabalho docente com maior consistência lógica e compreensão crítica. SUGESTÃO DE LEITURA. Agir na urgência. Tema. porque é um aprender a compartilhar os problemas de uma luta por uma proposta diferente e descobrir a força de caminhar juntos. PERRENOUD. constituído da ação participativa e comprometida de alunos e professores com uma nova ordem no trabalho docente. é preciso refazer a caminhada.Aprender é realizar coletivamente uma leitura crítica da realidade. o que significa a criação de um novo espaço educativo. leitura essa que deve tornar as pessoas capazes de avaliar e criar.

Cada situação didática. tradicionalmente se consideram como componentes da ação didática: a matéria. Componentes do Processo Didático e do Processo de Ensino Quem circula pelos corredores de uma escola. com o objetivo de apropriar-se dela com a mediação do professor. a inter-relação entre professor e alunos não se reduz à sala de aula. a ação didática se refere à relação entre o aluno e a matéria. sentados ordenadamente ou realizando uma tarefa em grupo. Portanto. mas essa atuação depende das condições internas dos alunos alterando o modo de lidar com a matéria. Entretanto. implicando relações bem mais abrangentes. De fato. por mais simples que possa parecer à primeira vista é uma atividade complexa: Envolve tanto condições externas como condições internas das situações didáticas. Internamente. acentuando mais um ou outro. o quadro que observa é o professor frente a uma turma de alunos. conforme interesses da sociedade e seus grupos. que afetam as decisões didáticas. vincula-se a determinantes econômico e socioculturais a objetivos e formas estabelecidos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Pode-se combinar estes componentes. o professor e o aluno ocorrem relações recíprocas. os alunos. porém. para “aprender” uma matéria. o Ensino. Conhecer essas condições e lidar acertadamente com elas é uma das tarefas básicas do professor para a condução do trabalho docente.U NIDADE 15 Objetivo: Organizar as ações didáticas a partir dos conhecimentos envolvidos no processo didático e pedagógico. o professor. Quais sejam: 71 Copyright © 2007. Entre a matéria. mas a ideia corrente é a de que o professor transmite a matéria ao aluno. O professor tem propósitos definidos no sentido de assegurar o encontro direto do aluno com a matéria.

Esses contextos se referem uns ao outros e afetam a atividade prática do professor. de partido político. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . os conteúdos escolares. Ao contrário. a ação de ensinar em que o professor atua como mediador entre o 72 Copyright © 2007. Com isso. as modalidades de comunicação docente. O aluno. há antagonismo e interesses distintos entre grupos e classes sociais que se refletem nas finalidades e nos papéis atribuídos à escola. Nada disso existe isoladamente do contexto econômico. a relação professor-aluno.  As teorias da educação e as práticas pedagógicas. entretanto. do salário que recebe. aluno. filho. pais estão inseridos na dinâmica das relações sociais. membro de sindicato. também. das características da sua vida familiar. não existe apenas como aluno. possui uma linguagem para expressar-se conforme o meio em que vive tem valores e aspirações condicionados pela sua prática de vida etc. da sua personalidade. assim. por sua vez. pois o que acontece com cada pessoa tem relação com o que acontece na sociedade. que o processo didático está centrado na relação fundamental entre o ensino e a aprendizagem. social e cultural. professor. orientado para a confrontação ativa do aluno com a matéria sob a mediação do professor. tem uma determinada idade. os objetivos educativos da escola e dos professores. da sua satisfação profissional em trabalhar com alunos etc. do seu preparo profissional.  Professor não é apenas professor. Faz parte de um grupo social. mas amplo e que afetam as condições reais em que se realizam o ensino e a aprendizagem. ou de um grupo religioso. Considere-se.  A eficácia do trabalho docente depende da filosofia de vida do professor e de suas convicções políticas. pode-se identificar entre os seus elementos constitutivos: os conteúdos das matérias que devem ser assimilados pelos alunos de um determinado grau. ele participa de outros contextos de relações sociais onde é. Tudo isto. negro. não é só uma questão de traços individuais do professor. pertence a uma família que vive em determinadas condições de vida e de trabalho. aluno. A sociedade não é um todo homogêneo. pai. ao trabalho do professor e dos alunos. Escola. É branco. onde reina a paz e a harmonia.

Muitas pessoas afirmam que o 73 Copyright © 2007. a ação de aprender em que o aluno assimila consciente e ativamente as matérias e desenvolve sua capacidade e habilidades. a aprendizagem. nos quais estão implicadas dimensões políticas. Desse modo. os métodos. os conceitos fundamentais que formam base de estudos da Didática. Entre outras palavras. Sejam aquelas que o educador já encontra sejam as que ele precisa transformar ou criar. a relação cognitiva entre o aluno e a matéria de estudo. o Ensino é um processo social. O professor planeja.aluno e as matérias. habilidades e hábitos e o desenvolvimento de suas capacidades cognoscitivas. O processo de ensino é impulsionado por fatores ou condições específicas já existentes ou que cabe ao professor criar. Além disso. Esses são. pedagógicas. O processo didático. ideológicas. dirige. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . desenvolve-se mediante a ação recíproca dos componentes fundamentais do ensino: os objetivos da educação e da instrução. os conteúdos. Haveria uma contradição entre essa ideia de um ensino estruturado e dirigido e a atividade e independência de pensamento do aluno como sujeito ativo da aprendizagem? Muito se tem discutido sobre os fatores e as condições que asseguram o bom ensino e resultados satisfatórios de aprendizagem dos alunos. integrante de múltiplos processos sociais. a articulação entre estes depende da avaliação das condições concretas implicadas no ensino. tais como objetivos e exigências postos pela sociedade e seus grupos e classes. as formas e meios de organização das condições da situação didática. assim. controla e avalia o ensino com endereço certo: a aprendizagem ativa do aluno. os objetivos gerais e específicos são não só um dos componentes do processo didático. o ensino. frente às quais se formulam objetivos conteúdos e métodos conforme opções assumidas pelo educador. o domínio pelos alunos de conhecimentos. também. a avaliação. organiza. cuja realização está na dependência de condições. éticas. a fim de atingir os objetivos escolares. mas também determinantes das relações entre os demais componentes. isto é.

no seu domínio do conteúdo. significativos e compreensíveis para os alunos. mas tudo isso é feito para encaminhar o estudo ativo dos alunos. bem como suas atitudes frente ao estudo. a detectar as dificuldades enfrentadas pelos alunos na assimilação ativa dos conteúdos e a encontrar os procedimentos para que eles próprios superem tais dificuldades e progridam no desenvolvimento intelectual. leva a uma lógica do processo didático que consiste na colocação. As dificuldades ou impasses que o aluno encontra no enfrentamento da matéria de estudo expressam a contradição entre as tarefas colocadas pelo professor (conteúdos. exercícios etc. 74 Copyright © 2007. ainda. Outras entendem que bons métodos e técnicas seriam suficientes. conteúdos. na medida em que o Ensino não ignore as exigências da autoatividade do aluno. de: objetivos. de modo que estes possam mobilizar suas capacidades físicas e intelectuais para assimilação consciente e ativa dos conhecimentos. problemas. problemas. na condução do estudo e na autoatividade do aluno. pois. na aprendizagem. pelo professor. suas explicações sobre a matéria e no seu traquejo em conduzir a classe. ao mesmo tempo. Não se trata de uma tarefa fácil. Entretanto.principal papel está no Professor. na dinâmica do processo de ensino é a relação contraditória entre as exigências do processo didático e o trabalho ativo e mental dos alunos. O fator predominante. desencadeada por essa contradição básica. é responsável pelas tarefas de ensino. esses fatores não podem ser considerados isoladamente. O professor. Há.) e seu nível de conhecimentos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . de fato. passa-se uma contradição. as que encontram esse fator no atendimento das necessidades e interesses espontâneos das crianças. de desenvolvimento mental. A força motriz do processo de ensino. Mas é uma contradição que pode ser superada didaticamente. A contribuição mais importante da Didática é precisamente ajudar a resolver a contradição entre o ensino e a aprendizagem. Quando se diz que o Processo de Ensino consiste. dificuldades que sejam instigantes.

75 Copyright © 2007. Entre outras palavras.). a serem necessariamente dominados pelos alunos. A primeira condição é dos alunos tomarem consciência das dificuldades que aparecem quando se defrontam com um conhecimento novo que não dominam. nível de preparo etc. experiências. então. É preciso colocá-los de modo que se convertam em problemas e desafios para o aluno. a força motriz fundamental do processo didático é a contradição entre as exigências de domínio do saber sistematizado e o nível de conhecimento. atividade e exercícios devem estar em correspondência com as condições prévias dos alunos (capacidades. que o essencial do processo didático é coordenar o movimento de vaivém entre o trabalho produzido pelo professor e a percepção e o raciocínio dos alunos frente a esse trabalho. atitudes e características sócio-culturais e individuais dos alunos.Em outras palavras. Pode-se dizer. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . organizar as atividades de assimilação e chegar gradativamente à sistematização e aplicação dos conhecimentos e habilidades. de modo que o professor saiba qual dificuldade (desafio. A terceira condição é a correspondência entre as exigências do ensino e a condição prévia dos alunos seja prevista no planejamento. problema) apresentar e como trabalhá-la didaticamente. isto quer dizer que o nível e o volume de conhecimentos. suscitando e mobilizando a sua atividade. Para que essa contradição se converta em força desencadeadora da atividade dos alunos. frente a um conjunto de conhecimento e habilidades. trata-se de: verificar previamente um nível de conhecimentos já alcançados por eles e sua capacidade potencial de assimilação. a fim de avançar na aprendizagem. A segunda condição é a sensibilidade das tarefas cognoscitivas postas pelo professor. Tomar consciência significa colocar a dificuldade como um desafio vencido. são necessárias certas condições. Em decorrência disso. não é suficiente passar os conteúdos ou colocar problemas.

Filosofia. os materiais didáticos e as técnicas de ensino. os seguintes elementos: os movimentos (ou passos) do processo de ensino no decorrer de uma aula ou unidade didática. etc. planejada conscientemente visando atingir objetivos de aprendizagem.) aqueles conhecimentos e habilidades que devem constituir o saber educativo para fins de ensino. A estruturação da aula deve refletir o entendimento sobre o Processo de Ensino: um trabalho ativo e conjunto do professor e dos alunos. a organização da situação de ensino. disciplina que estuda as tarefas da instrução e do ensino. exercícios. Língua Portuguesa. A Estrutura do Trabalho Docente Boa parte dos professores entende o trabalho docente como manter o ensino preso à sequência da matéria (exposição verbal. pelo menos. prova). visando uma aprendizagem interativa. formas e procedimentos de docência e aprendizagem. os métodos. História. Toda atividade humana implica um modo de ser realizada. A Didática. cuida de extrair dos diversos campos de conhecimento humano (por exemplo. por esse mesmo processo. A metodologia do trabalho docente inclui. sequência e inter-relação dos momentos do processo de ensino. uma sequência de atos sucessivos e inter-relacionados para atingir seu objetivo. A estruturação da aula é a organização. Sociologia. sob a direção do professor. Administração Ciências. o desenvolvimento de suas capacidades cognoscitivas. 76 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . tendo em vista a assimilação consciente e sólida de conhecimentos. Por isso precisa ser estruturado e ordenado. O trabalho docente é uma atividade intencional. como algo externo e isolado que não mobiliza a atividade mental dos alunos.U NIDADE 16 Objetivo: Desenvolver uma prática pedagógica estruturada em objetivos individuais e sociais. habilidades e hábitos pelos alunos e. Matemática.

Para isso, é fundamental ter em conta o campo de conhecimentos de cada matéria e seus métodos de investigação e estudo. No entanto a lógica da matéria de estudo é insuficiente para determinar a estruturação do ensino, sendo necessário recorrer à Didática, que investiga os elementos do processo de ensino comuns a todas as matérias. A estruturação do trabalho docente tem uma ligação estreita com a metodologia específica das matérias, porém não se identifica com ela tendo em conta: o grau escolar, as idades dos alunos, as características do desenvolvimento mental, as especificidades de conteúdo e metodologia das matérias. Mas podem indicar cinco momentos da metodologia do ensino na aula, articulados entre si: 1. Orientação inicial dos objetivos de ensino e aprendizagem - O professor procura incentivar os alunos no estudo da matéria, colocando - os objetivos e os resultados que devem ser conseguidos. Estimula nos alunos o desejo de dominar um novo conhecimento para novos progressos, indica as habilidades que podem ser aprendidas para a aplicação dos conhecimentos na prática. Para isso usa de vários procedimentos: põe um problema, conversa com os alunos, incita sua curiosidade, analisa exercícios já resolvidos, enlaça os conhecimentos anteriores com a matéria nova, usa ilustrações, pede uma redação rápida, dá breves exercícios que indicam o tipo de assunto que será estudado etc. 2. Transmissão / Assimilação da matéria nova - Uma vez suscitada à atenção e a atividade mental dos alunos, é o momento destes se familiarizarem com a matéria que vão estudar. Dependendo do grau de proximidade que têm em relação ao assunto novo e do nível de pré-requisitos, o primeiro contato com a matéria deve fazer-se, havendo condições objetivas, pela observação direta e trabalhos práticos. O objetivo desta fase é que os alunos formem ideias claras sobre o assunto e vão juntando elementos para a compreensão. Aqui é imprescindível que haja uma permanente ligação com o que o aluno já sabe uma aproximação dos conteúdos com experiência de vida, estimulação do

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pensamento dos alunos para que expressem os resultados da sua observação e de sua experiência. Não faz sentido à observação, experimentos, os exercícios, etc., se não mobilizam a atividade pensante dos alunos. É pelo exercício de pensamento, sempre com a ajuda do professor, que os alunos vão progredindo na formação de conceitos e no desenvolvimento das suas capacidades cognoscitivas. A percepção ativa e compreensão da matéria possibilitam, assim, ao aluno operar mentalmente com os conhecimentos. Para isso, é necessário: o "amarramento" do estudo por meio da sistematização, sínteses e lançamentos entre os assuntos. Esta organização dos conhecimentos tem várias funções: reprodução dos conhecimentos e habilidades em exercícios de fixação, produção de conhecimentos na aplicação em situações novas, recordação, consolidação. 3. Consolidação e aprimoramento dos conhecimentos, habilidades e hábitos - No processo de percepção e compreensão da matéria já vai ocorrendo a assimilação de conhecimentos; mas para que se tornem instrumentos do pensamento independente e da atividade mental é necessária a consolidação e o aprimoramento. Isto se obtém principalmente pelos exercícios práticos, onde são aplicados conhecimentos e habilidades e se cumprem os objetivos de ensino estabelecidos. Isso quer dizer que os exercícios cumprem um papel muito mais amplo do que o de simples treinamento ou memorização de regras, definições e fórmulas. 4. Aplicação de conhecimentos, habilidades e hábitos - Os exercícios práticos não determinam que ocorreu a aprendizagem, o coroamento do processo de ensino se dá quando os alunos, independentemente, utilizar os conhecimentos em situações diferentes daquelas anteriormente trabalhadas. Aqui a assimilação dos conhecimentos deve ser comprovada mediante tarefas que se liguem à vida, que estimulem capacidades de análise, síntese, crítica, comparação, generalização.

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5. Verificação e avaliação dos conhecimentos e habilidades - A verificação e avaliação dos resultados da aprendizagem ocorrem em todos os momentos do processo de ensino. Na etapa de orientação inicial, no tratamento da matéria nova, na consolidação e aplicação dos conteúdos, o professor está sempre colhendo informações e avaliando o progresso mental dos alunos. As exigências da prática escolar, entretanto, requerem um momento especial de comprovação dos resultados obtidos. Assim, uma avaliação final deve ser a oportunidade de verificar o nível de assimilação conseguido pelos alunos, a qualidade do material assimilado, bem como o progresso obtido no desenvolvimento das capacidades cognoscitivas.

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Os estudos dos capítulos anteriores. habilidades de expressão verbal e escrita etc. mostrando a ligação da Didática com a Pedagogia. o sentimento de solidariedade e do bem coletivo.. a dedicação aos estudos.U NIDADE 17 Objetivo: Desenvolver postura crítica dentro do processo de ensino aprendizagem. Assim. a força de vontade etc. no convívio social e no mundo do trabalho O caráter educativo do ensino está relacionado com os objetivos do ensino crítico. É claro que o processo didático se refere ao ensino das matérias. forneceram as bases teóricas para uma Didática crítica e social. Portanto. no desempenho da sua profissão. afetivo e profissional. vão desenvolvendo o senso de responsabilidade. mas também nos aspectos: moral. na formação de atitudes e convicções frente à realidade da vida. a ele se sobrepõem objetivos e tarefas mais amplos determinados social e pedagogicamente. não somente no aspecto escolar. A unidade instrução/educação se reflete. de métodos de investigação da realidade e de uma concepção determinada de práxis pedagógica. políticas e pedagógicas da Educação. 80 Copyright © 2007. isto é. comprova-se que não há como especificar objetivos imediatos do processo de ensino fora de uma concepção de mundo. mas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . os vínculos dos princípios. a partir da apropriação das leituras realizadas nesta unidade. O Caráter Educativo do Processo de Ensino e o Ensino Crítico O Processo de Ensino é um processo de Educação. a firmeza de caráter. os alunos vão formando o senso de observação. Como resultado do trabalho escolar. justamente por ser ensino. condições e meios de direção e organização do ensino com as finalidades sociais. assim. a capacidade de exame objetivo e crítico de fatos e fenômenos da natureza e das relações sociais. o professor deve ter em mente a formação intelectual dos alunos.

que esteja engajado num sindicato ou partido ou que explicite o caráter ideológico dos conteúdos escolares. na sua especificidade. no entanto. que dê conta de traduzir esses objetivos em formas concretas de trabalho docente que levem ao domínio sólido e duradouro de conhecimentos pelos alunos. em outras palavras. que não é outra coisa que o pensamento independente e criativo. É preciso antes de tudo. Ou. Que promovam a ampliação de suas capacidades mentais. não possui fórmulas miraculosas que se distingam daquilo que é básico na conceituação do processo de ensino. Princípios orientadores da atividade prática humana frente a problemas desafios da realidade social. ao professor crítico. no decurso das quais se formam processos mentais. é nesse processo que se vai formando a consciência crítica. a fim de que desenvolvam o pensamento independente. não basta que denuncie as injustiças sociais. na condição de agentes ativos na transformação das relações sociais. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . dentro do processo de ensino. É engendrado no processo de ensino. formam-se atitudes e disciplina intelectual. Isso significa que. Ele se realiza. conteúdos e métodos escolhidos e organizados mediante determinada postura frente ao contexto das relações sociais vigentes na prática social. a coragem de duvidar e. com isso. políticos e pedagógicos. em face de problemas da realidade social disciplinado pela razão científica. ganhem convicções pessoais e meios de ação prática nos processos de participação democrática na sociedade. expressão do caráter educativo do Ensino. que se desdobra em fases didáticas coordenadas entre si que vão do conhecimento dos conceitos científicos ao exercício do pensamento crítico. são encaminhadas no sentido de formar convicções.Fala-se em ensino crítico quando as tarefas de ensino e aprendizagem. Mas o ensino crítico. O Ensino é crítico porque implica em objetivos sociais. desenvolve-se a imaginação. 81 Copyright © 2007. quando a aquisição de conhecimentos e habilidades e o desenvolvimento das capacidades intelectuais propiciam a formação da consciência crítica dos alunos.

82 Copyright © 2007.Nessas condições. os conteúdos deixam de ser apenas matérias a serem repassadas da cabeça do professor para a cabeça dos alunos. Na medida em que os conteúdos se articulam ao desenvolvimento de capacidades e habilidades mentais. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . antes são meios de formar a independência de pensamento e de crítica. meios culturais para se buscar respostas criativas a problemas postos pela realidade. em função de valores e critérios de julgamento em que se acredita. por isso mesmo podem ser questionados. confrontados com a realidade física e social. reelaborados.

U NIDADE 18 Objetivo: Compreender a importância do estudo das tendências teórico metodológicas para uma ação educativa libertadora. podem ser consideradas. Apesar. cognitiva. Não se trata de mera justaposição das referidas dimensões. estas propostas são explicativas de determinados aspectos do processo ensino-aprendizagem. já em uma abordagem Comportamentalista. sociopolítica e cultural. se não em sua totalidade. histórico e multidimensional. a dimensão técnica é privilegiada. É um fenômeno humano. mensuráveis e controláveis do processo são enfatizados. se verificam vários tipos de reducionismo: numa abordagem Humanista. de constituírem formas de reducionismo. Dessa forma. contextualizadas e discutidas criticamente. que permitem explicá-lo. sim. Tendências Teóricas. não é uma realidade acabada que se dá a conhecer de forma única e precisa. por exemplo. Metodológicas e de Ensino: as abordagens do processo Há várias formas de se conceber o fenômeno educativo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . De acordo com determinada teoria/proposta ou abordagem do processo ensinoaprendizagem privilegia-se um ou outro aspecto do fenômeno educacional. Por sua própria natureza. pelo menos em alguns de seus aspectos. mas. apesar de muitas variações e 83 Copyright © 2007. não podendo ser desconsideradas. Diferentes formas de aproximação do fenômeno educativo podem ser consideradas como mediações historicamente possíveis. em detrimento dos demais. As teorias de conhecimento. os aspectos objetivos. em que são baseadas as escolas psicológicas e de onde provêm as tomadas de posições. ou seja. da aceitação de suas múltiplas implicações e relações. a relação interpessoal é o centro e a dimensão humana passa a ser o núcleo do processo ensino-aprendizagem. no entanto. devem ser analisadas. emocional. por isto. Nele estão presentes tanto as dimensões humanas quanto a: técnica.

do meio. O conhecimento é uma "descoberta" e é novo para o indivíduo que a faz. O que foi descoberto já se encontrava presente na realidade exterior. a preocupação estaria. Do ponto de vista Pedagógico. Ocorre ênfase na importância do sujeito. incluindo-se tanto as tendências que advogam um pré-formismo absoluto quanto àquelas que admitem um processo de atualização. categorias de conhecimento "já prontas". essa posição é orientada por um associacionismo empirista. sendo o conhecimento uma cópia de algo dado no mundo externo. onde todo conhecimento fica reduzido a uma aquisição exógena. sociológica. no segundo. Apriorismo ou Inatismo (primado do sujeito) afirma que as formas de conhecimento estão predeterminadas no sujeito. verbalizações ou recursos e materiais audiovisuais que são simplesmente transmitidos. Os empiristas (primado do objeto) consideram o organismo sujeito às contingências do meio. Não há construção de novas realidades. quer se leve em conta o indivíduo como uma "tábua rasa". resulta de uma relação sujeito/ambiente. em grande parte. psicológica etc. Enquanto no primeiro caso nota-se ênfase numa pré-formação exógena do conhecimento. Do ponto de vista pedagógico. 84 Copyright © 2007. de acordo com três características: primado do sujeito. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . ao organismo humano. portanto ênfase na importância do objeto. deriva de uma tomada de posição epistemológica em relação ao sujeito do meio. a ênfase encontrada é numa pré-formação endógena. Toda interpretação do fenômeno vital. quer seja biológica. voltada para o que Piaget denominou de “exercício de uma razão já pré-fabricada". primado do objeto e interação sujeito/objeto. a partir de experiências. O Nativismo. para as quais toda estimulação sensorial é canalizada. Atribuem-se ao sujeito.combinações possíveis. quer não se seja tão ortodoxo e se admita a maturação de alguma atividade cognitiva. isto é.. Há.

nem exógena (empirista). 85 Copyright © 2007. ora da interação de ambos. cultura. partindo-se do pressuposto de que a ação educativa exercida por professores em situações planejadas de ensino-aprendizagem é sempre intencional. Incluem-se aqui as tendências em que este Interacionismo aparece quer na modalidade Apriorística da "Gestalt". de forma articulada ou não . Subjacente a esta ação. a invenção e a descoberta são pertinentes a cada ato de compreensão. A passagem de um nível de compreensão para o seguinte é sempre caracterizada por formação de novas estruturas. etc. é possível haver abordagens diversas. quer se apresente como um processo caracterizado pelo Construtivismo Sequencial.um referencial teórico que compreendesse conceitos de homem. mundo.Do ponto de vista Interacionista (interação sujeito/objeto) o conhecimento é considerado como uma construção contínua e. consequentemente. cultura. dá-se grande importância às atividades. conhecimento. pedagogicamente falando. em sua interação com o mundo (físico. Diferentes posicionamentos pessoais deveriam derivar diferentes arranjos de situações ensino-aprendizagem e diferentes ações educativas em sala de aula. desvinculado de um engajamento contextual de qualquer espécie. Enfatiza-se uma relação dinâmica entre a bagagem genética hereditária e sua adaptação ao meio em que se desenvolve. consideram apenas o homem em abstrato. em certa medida. sociedade. etc. educação. numa palavra. sociedade. social. dentro de um mesmo referencial. por exemplo. etc. enfatizam os momentos sociopolíticos e econômicos. O conhecimento humano. espontâneas ou não. mundo. que não existiam anteriormente no indivíduo. não há pré-formação. nem endógena (inata). pois. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . é explicado diversamente em sua gênese e desenvolvimento. condiciona conceitos diversos de homem. histórico. tendo em comum apenas os diferentes primados: ora do objeto. ora do sujeito. das crianças. por sua vez. dependendo dos diferentes referenciais. Em decorrência disso. Algumas das abordagens. estaria presente implícita ou explicitamente. o que. Nessa última tendência.). mas um desenvolvimento contínuo de elaborações sucessivas que implicam a interação de ambas as posições. Outras.

mundo. provavelmente. por outro. Cada professor. Este conjunto. sua não inclusão. ou na imitação de modelos. Partindo-se do pressuposto de que. por um lado. influência na formação de professores e em seu posicionamento frente ao fenômeno educacional. Diferentemente dessa. devido à grande importância atribuída aos aspectos didáticos. No entanto. Sobre a Educação. Cognitivista e Sociocultural. como abordagem. Daí. é denominado por Mello de ideário pedagógico. por sua vez. em situações brasileiras. Algumas abordagens apresentam claro referencial filosófico e psicológico. constituído pelas teorias pedagógicas ou psicopedagógicas. geralmente possibilitam ao futuro professor contato com um corpo organizado de ideias que procura subsidiar e justificar a prática educativa. neste trabalho. ao passo que outras são intuitivas ou fundamentadas na prática. Interessa. essa possível abordagem poderia igualmente ser denominada de Didaticista. pelo fato das demais abordagens aqui analisadas apresentarem justificativa teórica ou evidência empírica. serão consideradas aqui as seguintes abordagens: Tradicional. que poderiam estar fornecendo diretrizes à ação docente. mesmo considerando-se que a elaboração que cada professor faz delas é individual e intransferível. e. conhecimento. a não inclusão desta tendência como uma abordagem a ser analisada se justifica. Comportamentalista. o que implica diferentes conceituações de homem.As disciplinas pedagógicas dos cursos de Licenciatura. Humanista. Trata-se da abordagem Escolanovista. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . tenham sido cinco as abordagens que mais possam ter influenciado os professores. pelo fato dela advogar diretrizes incluídas em outras abordagens. filtra tal ideário a partir de suas próprias condições e vivências. Tal como a repercussão do Movimento da Escola Nova na prática educacional brasileira. apesar 86 Copyright © 2007. aqui denominadas abordagens. neste trabalho. abordar diferentes linhas pedagógicas ou tendências no ensino brasileiro. Cumpre justificar a não inclusão de uma sexta abordagem que provavelmente teve e tem como as demais. etc. cuja introdução no Brasil está diretamente relacionada com o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova.

sociedade. excluindo-se a discussão e/ou crítica de conceitos e/ou práticas didáticas e pedagógicas decorrentes. A análise de cada uma das abordagens foi realizada a partir de categorias (conceitos) consideradas básicas para a compreensão de cada uma. conhecimento. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . educação. cultura. Para a realização deste trabalho. ensino-aprendizagem. escola. metodologicamente. optou-se.de sua possível influência na formação de professores brasileiros num determinado momento histórico. em seus pressupostos e em decorrências: homem. metodologia e avaliação. descritiva. aluno. pois se objetiva condensar ideias e conceitos em forma de ideário pedagógico. pela técnica de sistematização. professor. 87 Copyright © 2007. mundo.

as cinco abordagens propostas.U NIDADE 19 Objetivo: Estabelecer e analisar criticamente o quadro sobre as concepções de ensino levando em conta: a visão de homem. a seguir. sociedade. estratégias e avaliações. superá-la constantemente. Sobre Concepções de Ensino Serão analisadas. Um estudo sobre metodologia e didática deve possibilitar ao aluno a análise do próprio fazer pedagógico. análise dos dez conceitos e considerações finais. no sentido de que ele se conscientizasse de sua ação. 88 Copyright © 2007. pressupostos e determinantes. além de interpretá-la e contextualizá-la. de suas implicações. para que possa. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . mundo. Na análise de cada uma delas. o roteiro adotado implica: características gerais.

Abordagem Tradicional 89 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

Abordagem Comportamentalista 90 Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

Abordagem Humanista Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 91 .

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 92 .Abordagem Sociocultural Copyright © 2007.

uma vez que este na sua essência é sempre intencional. por meio de sua ação educativa. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 93 .U NIDADE 20 Objetivo: Conhecer as etapas necessárias para a elaboração de um Planejamento de Ensino e aplicá-las com eficácia nas práticas pedagógicas. a partir do momento em que se faz a previsão de conteúdos programáticos. pois. o ato de planejar reflete a visão (verdadeira ou falsa) que o educador possui sobre os mundos. O ato de planejar o Ensino é sempre um ato pedagógico. o ato de planejar o ensino. de metodologias de ensino. portanto. além de ser pedagógico. para não incorrer na arbitrariedade educacional do ato educativo. distanciar-se dessa intenção política e. de processos de avaliação de Copyright © 2007.30). Prática escolar: componentes básicos Planejamento de Ensino: um ato político-pedagógico Planejar o Ensino revela sempre uma intenção da prática educativa que se quer desenvolver para um grupo situado num determinado momento histórico. 1979. mostra como esta esteve sempre preocupada em formar determinado tipo de homem. social e educacional. A ação educativa quando consciente não poderá. Os tipos de homem variam de acordo com as diferentes exigências das diferentes épocas". no planejamento. o planejamento do ensino não pode perder de vista o tipo de homem que a sociedade pretende atingir através da Educação. o tipo de homem que a Escola pretende promover. p. É por estas razões que. estará sempre ligado à “concepção que se tenha do homem e da interpretação que se faça do momento histórico (em) que vivemos" (Nidelcoff. é político. Para Saviani. "uma visão histórica da educação. no tempo e no espaço. E ainda. por conseguinte. No entanto.

sempre e em todos os casos.aprendizagem. os conteúdos. uma postura política. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 94 . a direção do ensino e da aprendizagem e a avaliação. partindo das situações concretas da escola e da classe.  Capacidade de desmembrar a matéria em tópicos ou unidades didáticas. a direção do Ensino e da Aprendizagem. O Planejamento e a Ação do Professor Para que o professor possa atingir efetivamente os objetivos. ligando-os aos objetivos de ensino das matérias. bem como dos métodos de investigação próprios da matéria. a partir da sua estrutura conceitual básica. as atividades de aprendizagem. a fim de poder fazer uma boa seleção e organização do seu conteúdo. Para o planejamento é preciso que o professor possua:  Compreensão segura das relações entre a educação escolar e os objetivos sociopolíticos e pedagógicos. já é possível perceber a dimensão política da ação educativa. a serem desenvolvidos. São elas: o planejamento. cada uma delas desdobrada em tarefas ou funções didáticas. ou seja. Em outras palavras. é necessário que realize um conjunto de operações didáticas coordenadas entre si. etc. em suma a prática educativa em todos os seus momentos. revelam sempre a postura educativa do educador que contém.  Domínio do conteúdo das matérias que leciona e sua relação com a vida e a prática. de selecionar os conteúdos de forma a destacar conceitos e habilidades que formam a espinha dorsal da matéria.. mas que convergem para a realização do ensino propriamente dito. Copyright © 2007. os objetivos propostos para a aula.

referindo-os aos conhecimentos e experiências que os alunos trazem para a aula. procedimentos.  Conhecimento e domínio dos vários métodos de ensino e procedimentos didáticos. experiências da vida que trazem.  Habilidade de expressar ideias com clareza.  Habilidade de tornar os conteúdos de ensino significativos. conhecimento dos princípios gerais da aprendizagem e saber compatibilizá-los com conteúdos e métodos próprios da disciplina. reais. Para a direção do ensino e da aprendizagem é necessário:  Conhecimento das funções didáticas ou etapas do processo de ensino.  Acesso a outros livros didáticos da disciplina para manter-se bem informado sobre a evolução dos conhecimentos específicos da matéria e poder fazer as analogias e adaptações necessárias. tirarem conclusões. domínio de métodos do ensino.  Conhecimento dos programas oficiais para adequá-los às necessidades reais da escola e da turma de alunos. conforme os temas a serem tratados. seu nível de desenvolvimento.  Conhecimento das possibilidades intelectuais dos alunos. suas condições prévias para o estudo de matéria nova. falar de modo acessível à compreensão dos alunos partindo de sua linguagem corrente. bem como o nível de preparo escolar em que se encontram. culturais e individuais dos alunos. técnicas e recursos auxiliares. Copyright © 2007. a fim de poder escolhê-los. Conhecimento das características sociais. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 95 .  Saber problematizar os conteúdos de forma que levem os alunos a pensarem por si mesmo.

manifestar interesse sincero pelos alunos nos seus progressos e na superação das suas dificuldades. mostrar a importância da Educação Escolar para a melhoria das condições de vida. que formam o campo de estudo da Didática. coerência. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 96 . Provimento de métodos de estudo e hábitos de trabalho intelectual independente: ensinar o manejo do material didático e indicar paradidáticos.  Estimular o interesse pelo estudo. Para a avaliação é importante:  Verificação contínua do rendimento das atividades. Estes são alguns dos requisitos para o desempenho dos docentes e alunos. verificar dificuldades. seja em relação aos alunos. para tomar decisões sobre o andamento do trabalho docente. política e cultural. isto é. seja em relação ao trabalho do próprio professor. para a participação democrática na vida profissional.  Adoção de uma linha de conduta no relacionamento com os alunos que expresse confiabilidade. As mesmas expectativas que o professor tem em relação ao desenvolvimento intelectual dos alunos aplicam-se a ele próprio. segurança. Copyright © 2007.  Conhecimento das várias modalidades de elaboração de provas e de outros procedimentos de avaliação de tipo qualitativo. traços que devem aliar-se à firmeza de atitudes dentro dos limites da prudência e respeito. reformulando-o quando os resultados não são satisfatórios. colher dados relevantes sobre o rendimento dos alunos.  Domínio de meios e instrumentos de avaliação didática.

mais globalizante. porque os fatos. assim. do papel da escolarização no processo de democratização da sociedade. neles estão implicados interesses sociais diversos e muitas vezes antagônicos dos grupos e classes sociais. isto é. os acontecimentos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 97 . no seu conteúdo. em convicções. sintetizando. No seu trabalho cotidiano como profissional e como cidadão. História da Educação. dos requisitos profissionais específicos. Copyright © 2007. Sociologia. Filosofia. oferece uma contribuição indispensável à formação dos professores. é preciso uma formação teórica e política que resulte em convicções profundas sobre a sociedade e as tarefas da Educação. Requer do professor uma compreensão clara do significado social e político do seu trabalho. como por exemplo. do caráter político e ideológico da Educação. Para além. Antes de dar continuidade aos seus estudos é fundamental que você acesse sua SALA DE AULA e faça a Atividade 2 no “link” ATIVIDADES. pois. intimamente vinculado com a educação e. provendo os conhecimentos específicos necessários para o exercício das tarefas. É preciso desenvolver o hábito de desconfiar das aparências e da normalidade das coisas. a vida do dia a dia estão carregados de significados sociais que não são "normais". o professor precisa permanentemente desenvolver a capacidade de avaliar os fatos. entre outras. ao mesmo tempo. A Didática. a contribuição de conhecimentos de outras disciplinas que convergem para o esclarecimento dos fatores condicionantes do processo de instrução e ensino. E uma estreita relação com as disciplinas sociais.A dimensão educativa do ensino implica que os resultados da assimilação de conhecimentos e habilidades se transformem em princípios e modos de agir frente à realidade. os conteúdos da matéria de um modo mais abrangente. os acontecimentos.

b) Sistema de administração adotado pela escola: administração participativa. deve superar a “visão focalista” que a escola tem hoje. a partir da observação das etapas que compõem um Planejamento de Ensino. rede privada. constitui-se em etapa indispensável dessa atividade (educativa e política) que fornecerá pistas para o desenvolvimento do processo do ensino-aprendizagem. Analisando-a a partir da realidade social.U NIDADE 21 Objetivo: Conhecer e elaborar um planejamento que expresse um programa de ensino substancial. a Escola.. pois. Copyright © 2007. nas suas relações com a realidade social para a qual o Planejamento do Ensino será desenvolvido. urbana. deve ser preocupação prioritária dos educadores tratarem de entender a realidade social onde tal processo se viabiliza”.). etc. etc. estado. Que elementos. sobre o fenômeno educacional e ser realizada de forma global. percebidos como essenciais. elite.). ao conjunto de fatos que representa esse fenômeno. que: “se o processo educacional é social e politicamente determinado pelos atores que dirigem e organizam uma dada sociedade. porém. município. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 98 . e esta é a sua razão de ser. examinando suas partes sempre em relação ao todo. (entidade que mantém a escola: união. Planejamento de Ensino e suas Etapas Escola e Comunidade Este momento parte da premissa. periferia. Analisar. não participativa. etc. considerar para a realização da análise da Escola? (inserida sempre num determinado tipo de sociedade) Abaixo alguns desses elementos: a) Comunidade onde a Escola está inserida (pobre. rural. Essa análise.

torna-se praticamente impossível ao educador determinar a atividade didática mais adequada para a área de conhecimento em estudo e para aqueles que intentam assimilá-las. juntamente com os educandos. Observando as especificidades citadas anteriormente. educandos.). eventual. o ponto de partida do ato de planejar as aulas. sem o auxílio do próprio aluno. pais e pessoas da comunidade. Faz-se necessário que o educador estruture. Neste momento é preciso superar a etapa de simples identificação do nível socioeconômico dos educandos que frequentam a Escola e atingir concretamente a análise das contradições sociais do mundo dos educandos. Cabe também. Retrato sociocultural do educando O retrato sociocultural do aluno reflete o seu mundo sociocultural. assim. delinear outro fator relevante: as características de aprendizagem dos educandos que estão diretamente ligadas ao retrato sociocultural dos mesmos. merenda. A percepção crítica da realidade socioeducativa torna-se. onde a Escola está inserida. envolvendo educadores. ambientais e humanos que a escola dispõe (em caráter afetivo. nesta etapa. mediado pelo diálogo problematizador constitui-se em elemento permanente no desenvolvimento e (re)planejamento de atividades Copyright © 2007. uma vez que o processo de aprendizagem é um fenômeno altamente internalizado e. d) Recursos materiais. etc. a metodologia pode pautar-se a partir do diálogo crítico entre educador e educandos. Em termos metodológicos. médicos. etc. O pensamento crítico e autocrítico. sua história e suas inquietações. Também aqui.. a estruturação de propostas de ação educativa pode ser desenvolvida através de diálogos crítico. o projeto de aprendizagem de sua disciplina.c) Serviços oferecidos pela escola: pedagógicos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 99 . É a partir dos resultados dessa análise que se inicia a estruturação de propostos de ação educativa. Tal procedimento torna-se importante.

educativas simultâneas. Tema: O Planejamento da Ação Didática Copyright © 2007. 2006. HAIDT. O que caracteriza o ato educativo como concreto. Regina Célia Cazaux. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 100 . é o que se pretende com a metodologia (caminho) aqui sugerida. com características sempre intencionais. Superar e temporizar o conhecimento acadêmico veiculado pela Escola e ir além da reprodução desse conhecimento. São Paulo: Ática. Curso de Didática Geral.

1 Tipos de Planejamento Na esfera da Educação e do Ensino. como analisar a situação. planejar é uma atividade tipicamente humana. como vai fazer. o que se vai fazer. nos mais variados momentos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 101 . 1.U NIDADE 22 Objetivo: Conhecer e elaborar um planejamento que expresse um programa de ensino substancial. a culminância do processo mental do Planejamento. reflexão e previsão. O Plano é o resultado. e está presente na vida de todos os indivíduos. o que e como se deve fazer. que variam em abrangência e complexidade: a) Planejamento de um Sistema Educacional. O Planejamento da Ação Didático-pedagógica: 1. a fim de verificar se o pretendido foi atingido”. a partir da observação das etapas que compõem um Planejamento de Ensino. Planejar consiste em prever e decidir sobre:      que se pretende realizar. Copyright © 2007. há vários níveis de planejamento. Nesse sentido.A Distinção entre o Planejamento e o Plano O Planejamento é um processo mental que supões análise.

Características da clientela escolar. Reflete a Política De Educação adotada. para delimitar suas dificuldades e prever alternativas de solução. Planejamento Escolar É o processo de tomada de decisão quanto aos objetivos a serem atingidos e a previsão das ações. Consiste no processo de análise e reflexão das várias facetas de um Sistema Educacional. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 102 .  Planejamento de Aula. que devem ser executadas por toda a equipe escolar. para o bom funcionamento da Escola. Sondagem e diagnósticos da realidade da escola: Características da comunidade. Suas etapas são: 1. Levantamento dos recursos humanos e materiais disponíveis.b) Planejamento Geral das Atividades de uma Escola. Planejamento de um Sistema Educacional É feito em nível sistêmico nacional. Avaliação da Escola como um todo no ano anterior. Copyright © 2007.  Planejamento de Unidade Didática ou de Ensino. d) Planejamento Didático de Ensino:  Planejamento de Curso. estadual e municipal. tanto pedagógicas como administrativas. c) Planejamento de Currículo.

equipe de limpeza e outros. Definição do sistema de avaliação. Planejamento Curricular É a previsão dos diversos componentes curriculares que serão desenvolvidos ao longo do curso. Quadro curricular e carga horária dos diversos componentes do Currículo. equipe administrativa. Copyright © 2007. contendo normas para a adaptação. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 103 . funcionais. c. d. corpo discente. Calendário Escolar. Elaboração de Plano de Curso contendo as programações das atividades curriculares. 3. Critérios de agrupamento dos alunos. b. compensação de ausência e promoção dos alunos. equipe pedagógica. 4. de mera informação sem outro objetivo que o de ser memorizado por tanto tempo quanto possível. Elaboração do Sistema Disciplinar da Escola. Definição dos objetivos e prioridades da escola. reposição de aulas. os conteúdos significativos. O professor deverá distinguir. dos conteúdos carentes de significados e de funcionalidade. corpo docente. Proposição da organização geral da escola no que se refere a: a. Atribuição de funções a todos os participantes da Equipe Escolar: direção. ao elaborar um Currículo. 5.2. recuperação. com a definição dos objetivos gerais e a previsão dos conteúdos programáticos de cada componente.

e a organização das atividades discentes e das experiências de aprendizagem. do CFE( Conselho Federal de Planejamento Didático ou de Ensino É a previsão das ações e procedimentos que o professor vai realizar junto a seus alunos. Prever e organizar os procedimentos do professor. Planejamento de Aula Copyright © 2007. visando atingir os objetivos educacionais estabelecidos.O Plano Curricular deve seguir normas emanadas Educação). Prever e escolher os recursos de ensino mais adequados para estimular a participação dos alunos nas atividades de aprendizagem. CEE(Conselho Estadual de Educação). ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 104 . Planejar é:    Analisar as características da clientela. Tipos de Planejamento de Ensino    Planejamento de Curso/Programa de Ensino.    Selecionar e estruturar os conteúdos a serem trabalhados.  Prever os procedimentos de avaliação mais condizentes com os objetivos propostos. Refletir sobre os recursos disponíveis. Planejamento de Unidade Didática ou de Ensino. Definir os objetivos educacionais considerados mais adequados para a clientela em questão.

Levantar dados sobre as condições dos alunos. durante certo período de tempo. É um desdobramento do Plano Curricular. 2. 5. Copyright © 2007.Planejamento de Curso É a previsão dos conhecimentos a serem desenvolvidos e das atividades a serem realizadas em uma determinada classe. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 105 . Estabelecer as atividades e procedimentos de ensino e aprendizagem adequados aos objetivos e conteúdos propostos. 4. 3. 6. Propor objetivos gerais e definir os objetivos específicos a serem atingidos durante o período letivo estipulado. geralmente durante o ano ou semestre letivos. Escolher e determinar as formas de avaliação mais coerentes com os objetivos definidos e os conteúdos a serem desenvolvidos. Indicar os conteúdos a serem desenvolvidos durante o período. fazendo uma sondagem inicial. Segue a seguinte orientação: 1. Selecionar e indicar os recursos a serem utilizados.

que deve ser dominada em suas inter-relações”. habilidades.  indica os recursos (cartazes. Ainda Falando sobre o Planejamento da Ação Didático-pedagógica: Planejamento de Unidade “Reúne várias aulas sobre assuntos correlatos. Copyright © 2007. mapas. jornais. a partir da observação das etapas que compõem Um Planejamento de Ensino. facilitar a compreensão e estimular a participação dos alunos. Ao planejar uma aula o professor:  prevê os objetivos imediatos a serem alcançados (conhecimentos. livros. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 106 . atitudes). objetos variados) que vão ser usados durante a aula para despertar o interesse.   especifica os itens e subitens do conteúdo que serão trabalhados durante a aula.  estabelece como será feita a avaliação das atividades. constituindo uma porção significativa da matéria. Planejamento de Aula O professor especifica e operacionaliza os procedimentos diários para a concretização dos planos de Curso e Unidade. define os procedimentos de ensino e organiza as atividades de aprendizagem de seus alunos (individuais e em grupo).U NIDADE 23 Objetivo: Conhecer e elaborar um planejamento que expresse um programa de ensino substancial.

 garantir a distribuição adequada do trabalho em relação ao tempo disponível. superar dificuldades. porém. para poder superálas com economia de tempo. Também nesta etapa. de simplesmente listar uma série de tópicos para estudos com seus respectivos objetivos de aprendizagem. não podem ser ignoradas pelo educador/planejador. controlar a improvisação. A intenção da aula (objetivo – conteúdo) Os objetivos de aprendizagem e os conteúdos programáticos de uma disciplina são definidos num só momento e devem se repensados (crítica e autocrítica) durante todo o desenvolvimento do curso. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 107 .A função do Planejamento das Atividades Didáticas Contribui para:    atingir os objetivos desejados. as atividades e os procedimentos de avaliação aos objetivos propostos. as necessidades suscitadas pelo momento histórico e cultural que escola e sociedade estejam vivendo. adequar os conteúdos. Tem função de:  prever as dificuldades que podem surgir durante a ação docente. Copyright © 2007.    evitar a repetição rotineira e mecânica de cursos e aulas. a seguir. adequar o trabalho didático aos recursos disponíveis e às reais condições dos alunos. Não se trata. como se verá.

que estará sempre ligado a uma operação mental que leve o educando ao desvelamento do conhecimento de forma crítica e criativa. Um objetivo/conteúdo é significativo e concreto quando está diretamente relacionado a um contexto social determinado. Esse contexto deve ser uma realidade concreta ou seja. Não deve existir dicotomia entre aquilo que se propõe a alcançar. todo objetivo de aprendizagem (operação mental + conteúdo programático concreto + realidade social) deve-se preocupar com o objetivo maior de todo Sistema Educacional: proporcionar meios para a formação do homem crítico e criativo. seu conteúdo (concreto). Daí. em hipótese alguma. no sentido de uma contínua aproximação de uma aprendizagem que atenda às necessidades da comunidade social. Além da ordenação vertical. e o conhecimento a ser assimilado. Um objetivo de ensino concreto só tem valor se ligado a um conteúdo programático também concreto. da logicidade e da inter-relação da estrutura da matéria de ensino a ser desenvolvida. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . buscando . em uma busca inacabada à sua transformação. uma realidade socioeducacional em transformação. independente e 108 Copyright © 2007. Ocorrendo a relação dialética texto/contexto. A realidade sociocultural e econômica não pode. Para que essa superação ocorra à Escola necessita trabalhar o objetivo/conteúdo de forma significativa e concreta. Quando o Planejamento de Ensino é realizado de forma não participativa. A unidade objetivo/conteúdo deve superar seu enfoque acadêmico. problematizando e questionando. faz-se necessário que o conteúdo procure evidenciar as contradições do próprio sistema social vigente. em termos de operações mentais e atividades. a ligação "fins pedagógicos e fins sociais" ser um ato relevante a considerar na definição dos objetivos e dos conteúdos do ensino.É muito mais que isso. não se esquecendo de seu elemento substancial. ou seja. onde a escola e os educandos estão inseridos. Assim. ser esquecida. a única recomendação universalmente válida é que os mesmos sejam comunicados (não importa a forma) àqueles que participam da aula ou atividade didática.

. Como uma forma de crítica. “Toma partido ao lado da luta por um mundo melhor”.competente. em contraposição à inserção alienante. 109 Copyright © 2007. Objetivos: Geral Específico 2.... O pensamento dialético argumenta que há um vínculo entre conhecimento. que contribua para a libertação de seus semelhantes. poder e dominação. O pensamento dialético parece ser uma das maneiras consistentes que o educador e educando podem usar para que essa inserção crítica faça parte no papel da escola. A noção de dialética é critica por revelar as insuficiências e as imperfeições dos sistemas de pensamento 'acabados'. Desenvolvimento: 3.. que domine um corpo de conhecimentos que reflita a problematicidade do contexto social e da ciência e ainda. Avaliação: 5. desvela valores que são frequentemente negados pelo objeto social sob análise. proporcionará meios para a assimilação de conhecimentos que contribuirão para que essas transformações ocorram de modo mais constante. Estratégias 4. Encerramento Ponha algo mais em sua aula: Os especialistas avisam: entrar na sala e tentar dar uma aula de improviso não leva a lugar nenhum. O pensamento dialético liga-se tanto à crítica como à reconstrução teórica. Revela a não completeza onde a completeza é afirmada. O principal objetivo da crítica deve ser o do pensamento crítico torna-se a precondição para a liberdade humana. MODELO DE PLANO DE AULA Instituição: Curso: Disciplina: Período/Semestre/Ano: Professor: 1. O domínio do conhecimento de forma precisa e profunda é ponto de partida para o crescimento pessoal e condição essencial para a intervenção no educacional e no social. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A inserção crítica do educador e do educando na realidade..

3. Faça a turma trabalhar. Manter o interesse ao longo da aula. sensibilidade. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 110 . 4. 2. (Josiane Lopes) Para uma boa aula é preciso superar alguns desafios. especialmente. São eles: 1. Sugestões para uma boa aula:    Use os fatos do cotidiano. 5. Avaliar a cada momento o aprendizado dos alunos. Esteja pronto para mudar. uma enorme dose de planejamento. Verificar se o conteúdo está sendo assimilado pela classe.Uma boa aula mistura: disposição. talento. Adequar a aula à personalidade da classe. Despertar o interesse da turma para o assunto a ser ensinado. adequação á realidade dos alunos e. Copyright © 2007.

Se o professor não define os objetivos. o que o aluno será capaz de fazer ao final do aprendizado. NIDADE 24 Objetivo: Compreender a importância dos objetivos nas ações de planejamentos e organização didática. A isso se chama definir objetivos. Copyright © 2007. no início. A Importância dos Objetivos: O professor precisa determinar. Objetivos Instrucionais: São proposições específicas sobre mudanças no comportamento dos alunos. A definição dos objetivos tem um caráter norteador da atenção do professor no processo de interação com o aluno. b. II. ainda. que serão atingidos gradativamente no processo de ensino-aprendizagem. Decorrem da Filosofia da Educação e surgem do estudo da sociedade contemporânea e do estudo sobre o desenvolvimento do aluno e. Objetivos Educacionais (ou gerais) São proposições gerais sobre mudanças comportamentais desejadas.U I. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 111 . Tipos de Objetivos Os objetivos podem ser Educacionais ou Instrucionais. a. sobre os processos de aprendizagem. não pode avaliar de maneira correta o resultado de sua atividade de ensino e não tem condições de escolher os procedimentos de ensino mais adequados.

às habilidades para manipular materiais. Segundo Bloom “a formulação de objetivos tem por finalidade classificar o professor. afetivo ou psicomotor. iii. O domínio afetivo Refere-se aos valores.” Orientar o professor na escolha dos demais componentes de um sistema de organização de ensino IV. igrejas. Funções dos Objetivos Instrucionais. por sua vez podem referir-se aos domínios cognitivo. Ex: Moldar um boneco de barro ou consertar um relógio. ás atitudes. ás apreciações e aos interesses. Ex: Conhecer os princípios essenciais envolvidos na aprendizagem. ii. III. 112 Copyright © 2007. i. Alguns autores utilizam a palavra taxonomia (do grego táxis= ordem e nómos= lei) para indicar essa classificação. Ex: Valorizar a função social das diferentes instituições da comunidade: escolas. Compreendendo desde simples informações e conhecimentos intelectuais. em sua própria mente. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . sindicatos e outros. Domínio Psicomotor Refere-se às habilidades operativas ou motoras. O domínio cognitivo Refere-se à razão. instrumentos ou máquinas. objetos. ou comunicar a outros as mudanças desejadas no aprendiz. até ideias. a inteligência e a memória. habilidades mentais de análise e aos interesses. Sugestões para definir objetivos específicos. isto é.Os objetivos educacionais e instrucionais. princípios.

O objetivo específico não se refere ao comportamento do professor. ele se torna vago e obscuro. no final do processo educativo. o critério de avaliação. desdobrados ou decompostos em comportamentos observáveis. isto é. ele próprio. Objetivos Gerais: Eles são úteis no delineamento inicial de um curso e tem o seu valor em longo prazo. Para que possam realmente nortear a ação de professores e alunos. É aconselhável que cada objetivo específico seja elaborado de modo a incluir apenas um resultado de aprendizagem por vez e não uma combinação de vários resultados ao mesmo tempo.A linguagem usada para expressar um objetivo específico deve ser clara e precisa. Um objetivo bem definido torna mais fácil a tarefa do professor em selecionar as atividades docentes e discentes. Ele descreve o comportamento que se espera observar no aluno em decorrência da experiência educativa que lhe é proporcionada. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Quando as palavras usadas para exprimir um objetivo são ambíguas e imprecisas. 113 Copyright © 2007. c) Formular cada objetivo de modo que ele descreva apenas um comportamento por vez. Quando o objetivo específico descreve apenas um comportamento por vez. a serem alcançados em curto prazo. que sirvam de parâmetros para o processo ensino-aprendizagem. Sugestões que podem auxiliar o professor na elaboração dos objetivos educacionais: a) Desdobrar os objetivos gerais em vários objetivos específicos. ele se identifica com o conteúdo. mas o do educando. b) Focalizar o comportamento do aluno e não do professor. e se torna. pouco ou nada contribuindo para o trabalho didático. os Objetivos Gerais devem ser operacionalizados.

valorizando os mecanismos mais complexos do pensamento. Copyright © 2007. e principalmente. os processos mentais superiores. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 114 . mas também. principalmente.d) Formular objetivos instrucionais relevantes e úteis. que envolvam não apenas conhecimento (memorização de informação). Os objetivos instrucionais não devem dar ênfase apenas ao conhecimento de fatos específicos. mas devem focalizar. habilidades cognitivas e operações mentais superiores. isto é.

devidamente selecionadas e organizadas pela escola. A importância do conteúdo. tenta conciliar essas duas posições. Convém lembrar que a aprendizagem não é apenas um processo de aquisição de novas informações. em seu livro: Didática Geral. ser. em detrimento do conteúdo a ser ensinado. em oposição à Escola Tradicional. na prática cotidiana de sala de aula. um processo de aquisição de novos modos de perceber. mas também as experiências educativas no campo desse conhecimento.) Convém lembrar que o conteúdo não abrange apenas a organização do conhecimento. Copyright © 2007.. e também trabalha. Claudino Piletti. o conhecimento.. É. Mas os conteúdos são importantes à medida que constituem a tessitura básica sobre o qual o aluno constrói e reestrutura o conhecimento. Quem aprende. os valores tidos como desejáveis na formação das gerações. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 115 . aprende alguma coisa. mas é também por meio do conteúdo que praticam as operações cognitivas. Ele diz que o conteúdo é importante porque “a aprendizagem só se dá em cima de um determinado conteúdo. antes de tudo. de forma sistematizada. O movimento da Escola Nova. desenvolvendo hábitos e habilidades e trabalhamos as atitudes. É por meio dos conteúdos transmitidos que os alunos assimilam conhecimentos. NIDADE 25 Objetivo: Conhecer os procedimentos para selecionar e organizar conteúdos curriculares Seleção e Organização dos Conteúdos Curriculares. É através do conteúdo e das experiências de aprendizagem que a Escola transmite.U I. (. valorizou mais os métodos e as técnicas de ensino. pensar e agir.

definindo os conceitos básicos e as habilidades fundamentais a serem desenvolvidos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 116 . mensal ou semanal. Portanto. de acordo com o nível de desenvolvimento e as aprendizagens anteriores dos alunos. II. É sobre ele que se apóia a prática das operações mentais. que pode ser anual. de acordo com as reais condições de cada classe. Ao selecionar os conteúdos. é através do desenvolvimento dos conteúdos programáticos que se atinge os objetivos propostos para o processo instrucional. o professor deve basear-se nos seguintes critérios: i. de acordo com o seu nível de operacionalização: a. pode-se dizer que o conteúdo é o conhecimento sistematizado e organizado de modo dinâmico. em primeiro lugar. os conteúdos são válidos quando estão inter-relacionados com os objetivos educacionais propostos. Programa escolar oficial É o guia que traça em linhas gerais os fins e os conteúdos da ação educativa para uma determinada etapa de ensino. Portanto. isto é. É o Plano de Ensino de cada professor. Validade Deve haver uma relação clara e nítida entre os objetivos a serem atingidos com o Ensino e os conteúdos trabalhados. Esse Plano operacionaliza as diretrizes curriculares do Sistema de Ensino e especifica os objetivos e conteúdos da ação educativa.Portanto. Copyright © 2007. Critérios para a seleção de conteúdos Existem duas modalidades de organização do conteúdo. Programa pessoal de cada professor. sob a forma de experiências educativas. b.

Isto é conseguido através da organização do conteúdo. os conteúdos são válidos quando há uma atuação dos conhecimentos do ponto de vista científico. Significação Um conteúdo será significativo e interessante para o aluno quando estiver relacionado ás experiências por ele vivenciadas. O conteúdo selecionado deve respeitar o grau de maturidade intelectual do aluno e estar adequado ao nível de suas estruturas cognitivas. Flexibilidade O critério de flexibilidade estará sendo atendido quando houver possibilidade de fazer alterações nos conteúdos selecionados. ii. A ordenação dos conteúdos é feita em dois planos: 117 Copyright © 2007. Adequação ao nível de desenvolvimento do aluno. necessidades e interesses do grupo de alunos. v. suprimindo itens ou acrescentando novos tópicos. iv. III. A Organização do conteúdo Os conteúdos devem apresentar uma sequência.Em segundo lugar. Devem também se reforçar mutuamente. iii. a fim de ajudá-los ou adaptá-los às reais condições. Utilidade O critério de utilidade está presente quando há possibilidade de aplicar o conhecimento adquirido em situações novas. Os conteúdos curriculares são considerados úteis quando estão adequados ás exigências e condições do meio em que os alunos vivem satisfazendo suas necessidades e expectativas. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil .

b) No plano de uma mesma série. É a organização vertical do currículo. fazendo a relação de uma área com a outra.   Partir de problematizações. A sequência está relacionada com a continuidade. Portanto. O princípio lógico estabelece relações entre seus elementos.a) No plano temporal. mas a transcende. repetidas vezes em diferentes fases de um curso. Além desses critérios. A continuidade refere-se ao tratamento de um conteúdo. A continuidade e a sequência estão relacionadas à ordenação vertical. cabe ao professor:  Considerar o nível de desenvolvimento dos alunos. ao organizar os conteúdos para desenvolvê-los na sala de aula. vinculadas à realidade do aluno. O princípio Psicológico Indica as relações. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 118 . levando em conta suas estruturas cognitivas e as de aprendizagens anteriores. visando garantir a unidade do conhecimento. Copyright © 2007. tal como podem aparecer ao aluno. dispondo os conteúdos ao longo das séries. A integração está ligada à ordenação horizontal e se refere ao relacionamento entre diversas áreas do currículo. Fazer a relação dos novos conteúdos transmitidos com os conhecimentos e as experiências anteriores doa alunos. tais como são vistas por um especialista na matéria. É a organização horizontal do currículo. há dois princípios básicos que necessitam ser considerados na ordenação dos conteúdos: o lógico e o psicológico. a sequência e a integração. Há três critérios orientadores básicos na organização dos conteúdos: a continuidade.

Copyright © 2007. dando condições para que os alunos possam organizar e aplicar os conhecimentos assimilados. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 119 . Sistematizar as ideias principais.

Desse delineamento inicial. delimitadas pela teoria e pela prática que as circunstancializam. Deste modo. em seguida. emerge o objetivo principal deste estudo que é: Desvendar a teia de fatos e aspectos patentes e latentes que delimitam os processos didáticos e. é certo que o atual exercício da Avaliação Escolar não está sendo efetuado gratuitamente. O que está ocorrendo é que. que por sua vez. mas sim dimensionada por um modelo teórico do mundo e da Educação.U NIDADE 26 Objetivo: Compreender a avaliação como uma relação dialética de reconstrução de saberes possibilitando momento de pesquisa e aprendizagem significativa. Postura esta que indica uma defasagem no entendimento e na compreensão da prática social. estando. em específico. de forma mais orgânica e adequada. esta análise e subsequente proposição de um modo de agir que possa significar um avanço para além dos limites dentro dos quais se encontra demarcada hoje a prática da Avaliação Educacional em sala de aula. Para compreender adequadamente o tema abordado.como se ela não estivesse a serviço de um modelo teórico de sociedade e da educação. Copyright © 2007. deste modo.ingênua e inconscientemente . Nesta perspectiva. Está a serviço de uma Pedagogia. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 120 . se exercita a atual prática da Avaliação da Aprendizagem Escolar . hoje. traduzindo-se em prática pedagógica. como se ela fosse uma atividade neutra. são meios e não fins. a Avaliação não se dá nem se dará num vazio conceitual. traduz uma concepção teórica da Sociedade. mostrar um caminho. que nada mais é do que uma concepção teórica da Educação. importa o reconhecimento de que a Avaliação Educacional em geral e a Avaliação da Aprendizagem Escolar. AVALIAÇÃO EDUCACIONAL ESCOLAR: PARA ALÉM DO AUTORITARISMO Pretendemos ordenar e sistematizar.

Contextos Pedagógicos para a Prática da Avaliação Educacional A Avaliação da Aprendizagem Escolar no Brasil. será situada a Avaliação Educacional Escolar dentro dos modelos pedagógicos: Conservador e Transformador. tomada in genere. serão apontadas algumas indicações de saída para esta situação. é necessário situá-la num outro contexto pedagógico. está a serviço de um modelo social dominante. hoje. tentando (des)ocultar suas latências autoritárias e conservadoras. pode ser identificado como Modelo Social Liberal Conservador. Na medida em que se uniu ás camadas populares na luta contra os privilégios da nobreza e do clero feudal. a Fenomenologia da atual prática de Avaliação Escolar. O autoritarismo é elemento necessário para a garantia deste modelo social. que. Em primeiro lugar. a Avaliação Educacional Escolar ainda se encontra a serviço de um entendimento teórico conservador da Sociedade e da Educação. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 121 . daí. Tomando por base esta tessitura introdutória.A prática escolar predominante hoje está se dando dentro de um modelo teórico da compreensão que vê a Educação como um mecanismo de conservação e reprodução da Sociedade. A burguesia foi revolucionária. genericamente. por sua vez. nascido da estratificação dos empreendimentos transformadores que culminaram na Revolução Francesa. a partir do entendimento da Educação como instrumento da transformação da prática social. Para propor o rompimento desses limites. Num segundo momento. com o movimento de 1789. a prática da avaliação manifestar-se autoritária. a seguir discriminados. Por último. ou seja. Em muitas escolas. está a serviço de uma pedagogia dominante que. colocar a Avaliação Escolar a serviço de uma Pedagogia que entenda a Educação como mecanismo de transformação social. este Módulo trabalhará o tema seguindo os três passos consecutivos. em sua fase constitutiva e de ascensão. na Copyright © 2007. porém desde que se instalara vitoriosamente no poder.

os entendimentos. no sentido pedagógico que aqui se lhe está 122 Copyright © 2007. ação. com vistas à transformação do modelo social vigente na época. Toda atividade de aprendizagem deve se constituir num desafio e num desequilíbrio permanente. caminhar no sentido de atingir a produção do conhecimento ou no sentido da redescoberta ou redefinição do mesmo. permaneceram e hoje definem formalmente a sociedade atual. ou seja. faz-se necessário saber como colocá-los em ação.França. Ação: reflexão. Assim. Cada indivíduo (esta é outra categoria fundamental do pensamento liberal) pode e deve. (inacabada. sim.. a realidade social em desenvolvimento. tornara-se reacionária e conservadora. a sociedade atual prevê e garante (com os percalços conhecidos de todos) os direitos do cidadão de igualdade e liberdade perante a lei. O "como" desenvolver o objetivo/conteúdo não é tarefa que cabe exclusivamente ao educador.. Para que essa atividade atinja o seu verdadeiro nível de significância. No entanto. contando com a formalidade da lei. livremente. historicamente determinada). ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . Ou atividade de aprendizagem Estabelecidos os objetivos de aprendizagem e os conteúdos programáticos. os ideais e os caracteres do entendimento Liberal que nortearam as ações revolucionárias da burguesia. a participação dos educandos é imprescindível. concreta. assim como as intenções da aula. não se podem resumir à reprodução de conhecimentos de forma puramente acadêmica memorizar para depois repetir e. tendo em vista garantir e aprofundar os benefícios econômicos e sociais que havia adquirido. buscar sua auto-realização pessoal. através da conquista e do usufruto da propriedade privada e dos bens. As atividades de aprendizagem. torna-se necessário a introdução do elemento mediador indispensável. uma vez que são eles os principais interessados na assimilação e redescoberta dos objetivos/conteúdos da disciplina em estudo. Aqui. Estar em estado de desequilíbrio. com seu próprio esforço.

das ideias do educador.sendo dado. do que seja também o Homem Educado. frente às relações entre o conhecimento existente numa determinada área de estudo e a realidade socioeducacional. portanto. desafiar e desequilibrar o educador e a própria verdade (corpo de conhecimentos da disciplina em estudo nas suas relações com a realidade sociocultural em desenvolvimento). agir para transformar. toda atividade de aprendizagem além de desafiar e desequilibrar o educando. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 123 . diretrizes e documentos legais. cuja finalidade objetiva e material será transformar algo situado a partir do agir".. O objetivo maior deste momento do processo educacional pode ser resumido na seguinte premissa: "Pensar para repensar. porém. enfim. representa trabalhar a verdade (sentir. Todo e qualquer educador defende a ideia de que a Avaliação da Aprendizagem Escolar deve ser encarada como um processo.. sim verificar (analisar. etc. Na prática. A Aprendizagem é. onde o pensar para repensar é o início de toda a ação que se preocupa com o agir depois do pensar para repensar. repensar para agir. Da reprodução que o educador faz durante as aulas.. compreender a verdade) como inacabada (o mundo social e o mundo educacional estão em constante movimento). o posicionamento e a postura do educando. Para se avaliar concretamente a Aprendizagem é preciso que a própria escola redefina sua visão atual do que seja educação. na maioria das escolas e universidades. Avaliar. problematizar) a produção do conhecimento. e. para simples constatação e atendimento as normas. aprendizagem. conhecimento. Portanto. o que se observa é justamente o contrário. Copyright © 2007.. avaliação. avaliada sistematicamente de dois em dois meses. não significa verificar "o que ficou" em nível de reprodução de conhecimentos do livro. a redefinição pessoal. necessita também.

uma tomada de decisão quando se trata de um processo. não será inteiramente subjetivo. o componente da Avaliação que coloca mais poder na mão do professor é o terceiro: a tomada de decisão. apesar de qualitativo. Porém. Do arbitrário da tomada de decisão decorrem e se relacionam arbitrários menores. Qualquer um dos três elementos pode ser perpassado pela posição autoritária. Portanto. Copyright © 2007. o que significa obrigatoriamente uma tomada de posição sobre o objeto avaliado. evidentemente. O objeto avaliado será tanto mais satisfatório quando mais se aproximar do ideal estabelecido e será menos satisfatório quanto mais distante estiver da definição ideal. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 124 . porque significa uma afirmação qualitativa sobre um dado objeto. a seleção dos "sinais" que fundamentarão o juízo de valor dependerá da finalidade a que se destina o objeto que deverá ser avaliado. O juízo emergirá dos indicadores da realidade que delimitam a qualidade efetivamente esperada do objeto. o julgamento de valor por sua constituição mesma. e. São os "sinais" do objeto que eliciam o juízo. se dá com a arbitrariedade da autoridade pedagógica. E. mas não menos significativos. a Avaliação conduz a uma tomada de decisão. E ainda. É no contexto destes três elementos que compõem a compreensão constitutiva da avaliação que. É um juízo de valor. 1º. A definição mais comum e adequada estipula que a Avaliação é um julgamento de valor sobre manifestações relevantes da realidade. 3º. 2º. na prática escolar. como é o caso da Aprendizagem. desemboca num posicionamento de "não indiferença". Ou seja. fator que implica numa tomada de posição a respeito do mesmo. Esse julgamento se faz com base nos caracteres relevantes da realidade. o julgamento. a partir de critérios pré-estabelecidos. para aceitá-lo ou para transformá-lo. como protótipo ou como estágio de um processo.Manifestação do Autoritarismo na Avaliação A Avaliação pode ser caracterizada como uma forma de ajustamento da qualidade do objeto avaliado. tendo em vista uma tomada de decisão.

Na prática pedagógica. nos arquivos e nos históricos escolares. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 125 . em definitivo. na Avaliação. quando ela está avaliando uma ação. contudo. São frases comuns nas “salas dos mestres”. a Avaliação constitui-se num instrumento estático e frenador do processo de crescimento. pois as anotações e registros permanecerão. do crescimento para a autonomia. A função classificatória subtrai da prática da Avaliação aquilo que lhe é constitutivo: a obrigatoriedade da tomada de decisão quanto à ação. aparecem as “armadilhas” nos testes. ela será um momento dialético de "senso" do estágio em que se está e de sua distância em relação à perspectiva que está colocada. Ou seja.A atual prática da Avaliação Escolar estipulou como função do ato de avaliar a classificação e não o diagnóstico. E assim. do crescimento para a competência. como ponto a ser atingido à frente. ele ficará. o julgamento de valor que teria a função de possibilitar uma nova tomada de decisão sobre o objeto avaliado. ao contrário. que sustentariam a objetivação do juízo de valor. estigmatizado. já que se transformam em documentos legalmente definidos. nascem os testes para “derrubar todos os indisciplinados“. por diante. surgem as questões para “pegar os despreparados. julgado e classificado. Com a função classificatória. passa a ter a função estática de classificar um objeto ou ser humano histórico num padrão definitivamente determinado. são substituídos pelo autoritarismo do professor Copyright © 2007. Como diagnóstica. O educando. ela constitui-se num momento dialético do processo de avançar no desenvolvimento da ação. etc. Os dados relevantes. do ponto de vista do modelo escolar vigente. de diagnóstica em classificatória foi péssima. para o resto da vida. como sujeito humano é histórico. Sendo “autoridade”. como deveria ser construtivamente. A gama conservadora da Educação permite que se faça da Avaliação um instrumento nas mãos do professor autoritário para hostilizar os alunos. Com a função diagnóstica. a transformação da função da Avaliação. assume a postura de poder exigir a conduta que quiser. Então. exigindo-lhes condutas as mais variadas até mesmo as plenamente irrelevantes.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 126 . mais uma vez. Dica de Leitura: 2006. na sua constituição ontológica.São Paulo:Ática. Copyright © 2007. evidentemente. por dados que permitem o exercício do poder disciplinador. E assim.e do sistema educacional vigente. a Avaliação é descaracterizada. HAIDT.Curso de Didática Geral. Regina Célia Cazaux.

é a manifestação no plano didático. implica um Planejamento Estratégico.  Retroalimentar: verificação e avaliação dos efeitos da realização do trabalho planejado.Planejar .  Fazer: execução da estratégia de ensino-aprendizagem concebida. mediante uma constante busca de possibilidades e Copyright © 2007. estado real e alternativas de desenvolvimento. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 127 . conformação de estratégias. o que vale dizer. É uma forma qualitativamente superior de direção educacional.U NIDADE 27 Objetivo: Conhecer as modalidades de ensino-aprendizagem como facilitadoras de tomada de ações eficazes. Modalidades de Ensino-Aprendizagem O trabalho do docente. em sua essência. que necessita tomar decisões antecipadas e pode resumir-se no cumprimento das seguintes etapas: Diagnosticar . Etapas do Planejamento Estratégico:  Diagnosticar: análise contextual. organização do sistema.Retroalimentar. interação escola/comunidade. mudanças e recomendações. estrutural do entorno.Fazer . Este é um processo orientado a manter um equilíbrio dinâmico entre a organização e o contexto. definição de situações problemáticas. variáveis incontroláveis. táticas e estruturas organizativas metodológicas. O núcleo central do Planejamento Estratégico é o trabalho metodológico. Educar segundo o planejado. de uma direção estratégica.  Planejar: definição de métodos e recursos. determinação de ajustes. Definição do Plano de Ação.

recursos para adotar estratégias de ensino. Elaborar ou planejar uma estratégia de ensino-aprendizagem deve ter como preocupação a etapa diagnóstica e a partir dela desvendar o estado inicial real e as alternativas de desenvolvimento. Formação do Professor: aprendizado crítico dentro da própria prática. interesses e necessidades práticas das classes trabalhadoras. nos vários níveis. se pode extrair. Ultrapassar o nível da crítica e propor mudanças concretas no Processo de Ensino. Desse modo. vem sendo desenvolvido e investigando um processo de ensino de Didática que coloca os agentes. O princípio elementar e básico é que toda aprendizagem sempre se move do conhecido para o desconhecido. a fim de saber o que. refletindo acerca dele e sistematizando-o coletivamente. Nos últimos dez anos. como e para que os estudantes aprendam. Com isso. A formação do professor quer em nível de Ensino Médio. tem sido alvo de preocupações de muitos educadores e estudiosos do assunto. quer em nível de graduação e pósgraduação. O objetivo desse trabalho é apresentar os pressupostos básicos que têm orientado esses estudos e também caracterizar os momentos fundamentais do processo metodológico que vem sendo investigando. (professor e/ou futuro professor) vivenciando o processo. ampliação e reconhecimento dos esquemas cognoscitivos dos sujeitos de aprendizagem. 128 Copyright © 2007. é um desafio. a preocupação central dos trabalhos de Ensino e Pesquisa tem sido o estudo de uma proposta para o Ensino de Didática tendo em vista a lógica. tendo em vista a unidade entre Teoria e Prática. o que abarca a identificação das estruturas de conhecimento que já possuem os alunos. objeto de estudo da Didática. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . A partir das estratégias de ensino se faz uma previsão da modificação. algumas lições que possam contribuir para a discussão das bases teóricas e práticas da formação do professor. é importante resgatar o papel ativo dos agentes envolvidos. Assim.

mas a crítica que permite uma compreensão dos determinantes de uma dada realidade. num processo teórico/prático. pode-se partir de dois pressupostos básicos. explicitados e estruturados teoricamente. a Dialética Materialista sustenta que o conhecimento se dá na e pela práxis. decorrente de contradições no nível dos processos sociais. Essa Didática prática. tendo em vista a elaboração de propostas concretas de intervenção na prática. Isto porque. Para se chegar a uma compreensão profunda dos determinantes de uma dada realidade. implica pressupostos teóricos que precisam ser captados. no sentido de explicá-la.Alguns pressupostos básicos A Didática é a disciplina que busca compreender o processo de ensino em suas múltiplas determinações. presente no trabalho do professor. portanto. Além disso. reflexão e sistematização coletiva do conhecimento. alterações na direção pretendida. Em primeiro lugar. Processo metodológico Fundamentado no Materialismo Histórico. gera uma Didática prática. no processo Dialético. mas pautar-se na vivência. expressando a unidade entre as duas dimensões do conhecimento: teoria e prática. para intervir no processo e transformá-lo numa determinada direção política. organização e exposição dos fatos. o que importa não é a crítica. possibilitando alterá-la e transformá-la. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 129 . germe de uma possível teoria pedagógica alternativa. buscando. de que o professor. no processo contraditório que enfrenta entre a formação acadêmica recebida e a prática na sala de aula. então. Copyright © 2007. compreendê-la. é preciso um esforço de apropriação. o processo metodológico implica em assumir a postura de não “falar sobre” o conhecimento.

após uma releitura da realidade. buscar a explicação e compreensão das representações destes fatos empíricos.Isso implica em tomar como ponto de partida os fatos empíricos que são dados pela realidade. Finalmente. chegando aos determinantes mais profundos e suas leis fundamentais. chegar a uma ação transformadora. agora compreendida em suas múltiplas determinações. Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 130 .

Os procedimentos de Ensino devem incluir atividades que possibilitem a ocorrência da Aprendizagem como um processo dinâmico. o professor deve considerar como critério de seleção. Ao escolher um procedimento de ensino. Procedimentos de Ensino são as “ações. processos ou comportamentos planejados pelo professor. em função dos objetivos previstos”. Atualmente. para colocar o aluno em contato direto com coisas. Método de Ensino é um procedimento didático caracterizado por certas fases e operações para alcançar um objetivo previsto. é empregado também o termo Estratégia de Ensino para designar os procedimentos e recursos didáticos a serem utilizados para atingir os objetivos desejados e previstos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 131 . fatos ou fenômenos que lhes possibilitem modificar sua conduta. Copyright © 2007.U NIDADE 28 Objetivo: Refletir sobre a importância da utilização das estratégias de ensino para a construção de uma aprendizagem significativa. os seguintes aspectos básicos: a) Adequação aos objetivos estabelecidos para o ensino e a aprendizagem. Esses procedimentos devem contribuir para que o aluno mobilize seus esquemas operatórios de pensamento e participe ativamente das experiências de aprendizagem. Estratégias de Ensino-Aprendizagem Critérios básicos para a escolha dos métodos de Ensino. A Aprendizagem ocorre através do comportamento ativo do estudante: este aprende o que ele mesmo faz não o que faz o professor. O termo Método vem do grego (méthodos = caminho para chegar a um fim).

qualidade que aponta diretamente para a sua funcionalidade. que atendem a todos os componentes do processo. objetivando alcançar os fins educativos propostos. Assim. toda estratégia inclui a seleção e articulação prática de todos os componentes deste processo. c) As características dos alunos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 132 .b) A natureza do conteúdo a ser ensinado e o tipo de aprendizagem a efetivar-se. isso equivale à contextualização da própria estratégia. Copyright © 2007. Com frequência se encontra ideias que reduzem este conceito a um conjunto de métodos de Ensino. de ações e procedimentos selecionados e organizados. mas isto não é tão simples. A partir desses aspectos que se estabelecem como ensinar. Se o Ensino é concebido como Processo e como Produto. isto é. Ao abordar o estudo das estratégias e alternativas para uma estrutura de otimização do processo ensino-aprendizagem se requer desde o início a precisão do conceito: estratégias de ensino-aprendizagem. d) As condições físicas e os tempos disponíveis. se interpreta como estratégias de ensino-aprendizagem a sequência integrada. que se definem as formas de intervenção na sala de aula para ajudar o aluno no processo de reconstrução do conhecimento. pois ainda que as estratégias de ensino-aprendizagem contemplem a seleção e combinação destes métodos. A profissionalização do pessoal docente está intrinsecamente associada às decisões de estratégias de ensino-aprendizagem em condições específicas. mais ou menos extensas e complexas. então a ele está associado o termo "Estratégia".

 A seleção e combinação sequencial de procedimentos didáticos em correspondência com os fatores e componentes do processo de ensino-aprendizagem. ajustes. É evidente que esta condição é muito importante porque se sustenta na correspondência estreita entre condições e ações. isso permite adequações. Este critério de unidade do processo de ensinoaprendizagem implica que as estratégias expressam diferentes maneiras de ensinar e se concebem sobre equivalentes maneiras de se aprender. ratificações ao primariamente concebido. A determinação de estratégias de ensino-aprendizagem pressupõe a consideração de três condições:  A possibilidade de recursos e procedimentos que permitam sua seleção e combinação na busca da realização dos fins e objetivos propostos. o Processo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 133 . assim como o sistema de ações que controla.  As possibilidades e mecanismos de avaliação da própria estratégia segundo os parâmetros que se tiver em consideração. se produz. incluindo o contexto em que se realiza. pois toda Estratégia é flexível às mudanças do contexto que. com marcado caráter problemático: por que é possível que não se manifeste total Copyright © 2007. O próprio caráter contextual das estratégias exige a identificação de condições e possibilidades. Cada Estratégia de Ensino se corresponde com o como se aprende. isso ocorre em virtude da unidade entre Ensinar e Aprender. a aplicação reflexiva de um sistema sequencial de ações e procedimentos para o Ensino pressupõe necessariamente uma Estratégia de Aprendizagem. de maneira permanente. leva às interrogantes. a prática. que sempre é muito mais rica que a teoria. Sem dúvida. como resultado de sua própria aplicação. Partindo deste critério.A determinação de toda estratégia de ensino-aprendizagem incorpora o Diagnóstico como Produto e Processo. para conformá-la à necessidade de seu melhoramento.

correspondência entre o como se ensina e como se aprende? Qual deve ser a atitude do docente quando identifica que esta correspondência não se apresenta na realidade? Não é possível ignorar a relação entre estratégias e táticas. As táticas e as estratégias podem ser ensinadas incorporadas ao conteúdo ou a margem dele. combinação e sequenciação das ações conformam estilos de Ensino e de Aprendizagens. porém aplicar essa variante não proporciona uma imagem realista da aprendizagem de Táticas e Estratégias. Aspecto que se contempla quando são ensinadas sob a modalidade "informada" e que. então deve perguntar-se: Como trabalhar pelo ensino de táticas e estratégias de aprendizagens? No plano mais geral este ensino pode ser "cego" ou "informado". pelo que oferece instruções sobre operações. Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 134 . A primeira destas variantes compreende a compreensão das táticas e estratégias. o conjunto de estratégias com certa similitude na seleção. O método incorporado inclui o adestramento de táticas e estratégias como parte de um conteúdo específico de Ensino. Uma tática é um procedimento específico que se aplica e tributa a todo o processo. faz com que o estudante seja consciente de sua utilidade. portanto. Enquanto que as primeiras são planos globais que se concebem para alcançar os objetivos do processo de ensinoaprendizagem em geral. O método marginal separa o Ensino de Táticas e Estratégias de Conteúdo. Se um conjunto de táticas interrelacionadas conforma uma Estratégia. Se o docente admitir a unidade do ensinar e o aprender e sua manifestação em estratégias. porém omite a razão da eficácia que as mesmas originam. ainda que não possa este ser totalmente ignorado.

De acordo com Jean Piaget os métodos de ensino são assim classificados:     Métodos verbais tradicionais. Procedimentos de Ensino e Aprendizagem Podem ser considerados procedimentos de Ensino todas as ações desenvolvidas pelo professor para colocar o aluno em contato direto com os fatos. construtivismo operacional e cognitivo. Características do aluno. Ensino programado. de acordo com os objetivos propostos. Métodos ativos. Behaviorista. Gestalt. Para se determinar à escolha de um Procedimento de Ensino. no qual o aluno torna-se um participante ativo de todo o processo. Esses procedimentos devem incluir atividades que possibilitem a Aprendizagem. são necessários alguns critérios de seleção.U NIDADE 29 Objetivo: Conhecer os principais procedimentos de ensino-aprendizagem norteadores de práticas educativas libertadoras. Métodos intuitivos e audiovisuais. Copyright © 2007. Condições físicas. Natureza do conteúdo. tais como:      Adequação aos objetivos. associacionistas. Tempo disponível. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 135 .

Os mentores dos métodos foram: Kerchensteiner.Métodos ativos são aqueles que recorrem á atividade dos alunos. a interação social do indivíduo. Froebel e Herbart. inclui também a reflexão. através de um interagir com seus semelhantes que estará formando uma consciência democrática. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 136 . Pestalozzi. Os Métodos de Ensino são classificados. Os precursores dos métodos ativos foram Rousseou. Os trabalhos de equipe favorecem em muito o desenvolvimento das habilidades de comunicação. tanto do ponto de vista individual como grupal. da seguinte forma: Métodos socializantes de ensino: Valorizam a interação social fazendo a Aprendizagem efetivar-se em grupo. e é através dele que o aluno deverá se preparar para viver coletivamente. Piaget divide os métodos ativos em:   Métodos fundados sobre os mecanismos individuais do pensamento. Claparède. O ambiente social favorecerá aprendizagens significativas e variadas. incentivando-a. principalmente. reforçando a autoestima. segurança. Maria Montessori e Freinet. Copyright © 2007. adquirindo uma visão libertadora. Decroly. Dewey. Métodos fundados sobre a vida social da criança. é ainda. conviver é que é difícil. por Irene Carvalho. Trata-se de um procedimento que possibilita. Todos sabem que viver é fácil. É vivenciando situações de vida com o grupo que o educando estará preparado para uma conduta social adequada. contribuindo com suas experiências e se beneficiando com as de seus companheiros. O grupo representa uma mostra da sociedade. participação. reflexão.

Possibilita a motivação e o incentivo individuais. ajustar o Ensino à realidade de cada educando. uso de jogos. o que favorece o crescimento pessoal. centro da ação educativa. a dramatização. Smith Stone e outros que comprovam a necessidade de explorações e situações individuais estimuladoras para melhor desempenho do aluno. experiências. estudo do meio e conselho de classe. 3. 2. a adequação do local. que deverá levar em consideração os objetivos que pretende alcançar. Os métodos de ensino individualizado procuram. dramatização. Copyright © 2007. A escolha caberá ao professor. expectativas e critérios de avaliação.respeito mútuo. Weigand. O educando passa a ser. Propicia o desenvolvimento da criatividade. realmente. Incluem técnicas de trabalho em grupo. apresentando as seguintes vantagens: 1. Métodos individualizados de Ensino: valorizam o atendimento às diferenças individuais e fazem a adequação do conteúdo ao nível de maturidade. à capacidade intelectual e ao ritmo de aprendizagem de cada aluno. fundamentalmente. 4. faixa etária. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 137 . James E. O educando passa a trabalhar com o máximo de liberdade. o estudo de casos. os pré-requisitos da classe quanto à maturidade. O ensino é adequado às condições pessoais de cada educando. 5. As técnicas individualizantes encontram-se nas teorias dos educadores: Jean Piaget. mas sob condições que lhe permitam desenvolver o senso da responsabilidade. número de alunos na turma. Por isso registram-se aqui técnicas socializantes de ensino-aprendizagem. integração e tantas outras coisas mais. tipo de liderança predominante no grupo. conhecimentos.

ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil . 2. questionário. que só trabalham numa só direção. Não favorece a socialização do educando. durante o estudo de uma mesma unidade. para que o aluno possa crescer nessas duas dimensões da sua personalidade. Procura encarar o educando em seus dois aspectos fundamentais. Pode-se citar como exemplo: aula expositiva. uma vez que este deve trabalhar sozinho. Não oferece situações de estudo compatíveis com a realidade. isto é. método Montessori. que uma tarefa seja enfrentada em grupo e a seguir. pois. unidades didáticas e unidades de experiência. recomenda. estudo dirigido. Esta modalidade de método de ensino é relativamente recente. que toma as suas decisões com base no seu próprio raciocínio. São exemplos: Métodos de solução de problemas. de indivíduo o de membro de uma comunidade ou de um grupo. A vida corrente exige que o indivíduo enfrente situações sozinho. procura oferecer oportunidade de trabalho individual e oportunidades de trabalho em grupo. tem se um ensino muito caro. Métodos socioindividualizados: Combinam duas atividades didáticas e as unidades de experiência. individualmente e assim. Não engrossando a fila dos engajados. 138 Copyright © 2007. sejam quais forem outros argumentos que não aqueles aos que se escravizou. encontrando – se ainda na fase de “especulações pedagógica”. quais sejam. método da descoberta. Os resultados obtidos nem sempre são proporcionais aos custos. formar os cidadãos conscientes. método de projeto e recuperação. 3. o método sócio individualizante.As críticas que podem ser feitas ao ensino individualizado são: 1. como exige que enfrente situações de grupo. Neste procedimento são considerados os aspectos individuais de sociais de grupo. Assim.

Cartazes. CD. Gravações.Recursos de Ensino É preciso que o professor tenha uma visão tão ampla que o faça: “Ir além das paredes da sala de aula”.  Recursos auditivos: Rádio. Gravuras. O que são Recursos de Ensino? São componentes do ambiente da aprendizagem que dão origem à estimulação para o aluno. 2. Copyright © 2007. DVD. 1. Episcópio. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 139 . Classificação dos Recursos de Ensino. Tradicionalmente os recursos de ensino são classificados da seguinte maneira:  Recursos Visuais: Projeções. Data show. Televisão. etc.  Recursos Audiovisuais: Cinema.

é conveniente definir sobre que perspectiva busca-se compreender o Processo de Ensino como "ótimo". Uma vez reconhecidas estas categorias se pode chegar a descobrir e argumentar o que fazer e a que se deve prestar atenção. com caráter sistemático e harmônico todos os componentes do processo. planejamento e melhoramento científico. Um critério básico e inicial em relação com a otimização do processo de ensinoaprendizagem é o enfoque sistêmico e dialético deste processo. Qualidade Educativa Uma importante e problemática faceta didática do Processo de Ensino é conseguir determinar a estruturação do processo cognitivo mais conveniente para chegar a alcançar os objetivos propostos. Aqui. O assunto abordado requer uma precisa definição de termos. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 140 . qual é o critério básico de qualidade e os fundamentos teóricos dos processos que estão dirigidos à otimização do Ensino. A otimização deste Processo de Ensino implica a organização científica do trabalho do docente e dos estudantes. Uma fundamentação lógica para chegar à estrutura do Processo de Ensino seria uma metodologia geral condizente a um planejamento argumentado e que contemple. outra pedra angular é o critério da unidade dialética entre o Ensinar e o Aprender. para a construção do caráter social. procurando assim as estratégias e alternativas para a estruturação ótima do processo de ensino. pois as ideias da otimização deste processo estão ligadas a sua concepção.U NIDADE 30 Objetivo: Refletir sobre a práxis pedagógica revestida de conceitos de qualidade. O que se entende por "ótimo" e por "ideal" no processo de ensino aprendizagem? Copyright © 2007. Não obstante. Questão que é intrínseca ao problema da qualidade de ensino.

senão nas condições concretas da escola. As ideias de otimização do processo de ensino implicam as ideias de qualidade. Quando se fala de ótimo. não de forma geral. o ritmo da atividade docente e o êxito da aplicação do autocontrole. se destaca. que se trata dos melhores resultados possíveis. orientada a fim de assegurar. num determinado tempo. a maior efetividade possível para resolver as tarefas da educação e instrução dos escolares. com os esforços encaminhados à melhoria das condições para o funcionamento do processo docenteeducativo. ou seja. haja uma determinação clara de quais são os critérios de efetividade e qualidade pretendida. ou determinados grupos. se entende por otimização do processo docente/educativo.  Quanto consegue articular o planejamento e as estratégias de ensino com os objetivos propostos. a seleção por parte dos pedagogos. Tomando como critérios do ótimo. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 141 . da melhor variante de estruturação deste processo. Eis aqui alguns deles:  Quando se contemplam plenamente as particularidades individuais dos estudantes. Neste caso. a efetividade e o tempo de solução das tarefas planejadas. A busca das variantes ótimas deve combinar-se simultaneamente. a Copyright © 2007. se tem em conta um conjunto de possibilidades com as quais contam os alunos e os professores. É necessário que em todas as ações que se pretendem o melhoramento do processo.  Quando há uma combinação dos métodos que demandam uma atividade reprodutiva com aqueles que provocam a criatividade e autonomia dos alunos.Aqui. obrigatoriamente. o conceito de ótimo significa o que é melhor do ponto de vista de determinados critérios. Diversos são os critérios sobre quando o ensino está organizado de forma ótima. em condições específicas.

RJ: Vozes. 2004. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 142 . Copyright © 2007. é possível selecionar as melhores variantes de estratégias e estilos de ensinoaprendizagem. (Re)encantar a educação: rumo à sociedade aprendente. Hugo. do autor: ASSMANN. Leia o capítulo REENCANTAR A EDUCAÇÃO. Antes de dar continuidade aos seus estudos é fundamental que você acesse sua SALA DE AULA e faça a Atividade 3 no “link” ATIVIDADES. Petrópolis.partir daí.

Práxis: ação social fundamentada na ação-reflexão-ação. rouba ao homem a possibilidade de uma ação autêntica sobre esta realidade.G LOSSÁRIO Cognoscitivo: que tem a faculdade de conhecer. na qual educador-educando estão inseridos. referente à aquisição de um determinado conhecimento. Copyright © 2007. ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil 143 . estabelecendo a dinâmica das transformações. Diálogo Crítico: relação horizontal entre educador e educando. Visão Focalista: significa uma percepção parcializada da realidade. mediatizado pela realidade histórico . num constante "vir-a-ser".social. que provisoriamente formam unidades. Dialética: processo gerado por aposições. na qual se encontram as partes em processo de interação. faz com que o homem não perceba a realidade como totalidade.

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