Gestão de Compras e Estoques

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SENAC - SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM COMERCIAL

Conselho Regional José Evaristo dos Santos Presidente

Departamento Regional de Goiás Felicidade Maria de Faria Melo Diretora Regional Maria de Lourdes Martins Narciso Diretora de Educação Profissional Maria Cândida Rodrigues Diretora Financeira Girsei Severino de Paula Diretor Administrativo

Coordenação de Apoio Técnico Amália Cardoso da Silva Aguiar Angélica Cristina Pereira Carla Baylão de Carvalho Cláudia Márcia Alencar Costa Pereira Délcio Marques da Costa Kátia de Araújo Jaime Márcia Neves Rocha de Oliveira Rômulo Criston Gomes Nascimento Veronízia Theodoro Luz

Elaboração Luz Magdalena Láscar Alarcón

Diagramação Tatiane Aquino de Sousa  

 

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ÍNDICE

GESTÃO DE COMPRAS E ESTOQUES ............................................................................... 5 CONCEITO DE ESTOQUES ............................................................................................... 6 TIPOS DE ESTOQUES ....................................................................................................... 7 CUSTOS DE ESTOQUE ..................................................................................................... 9 TIPOS DE DEMANDA ....................................................................................................... 11 SISTEMA DE COMPRAS .................................................................................................. 16 SINAL DE DEMANDA........................................................................................................ 17 ORGANIZAÇÃO DE COMPRAS ......................................................................................... 18 CARACTERÍSTICAS DE UM BOM NEGOCIADOR............................................................ 19 CUIDADOS E ESTRATÉGIAS BÁSICAS PARA O ÊXITO DE UMA NEGOCIAÇÃO ........ 20 MODALIDADES DE COMPRAS.......................................................................................... 22 CONDIÇÕES DE COMPRA ................................................................................................. 23 CONDIÇÕES DE PAGAMENTO E DESCONTOS............................................................... 23 GRÁFICO DENTE DE SERRA............................................................................................. 24 TEMPO DE REPOSIÇÃO OU DE RESSUPRIMENTO (TR)................................................ 26 PONTO DE PEDIDO (PP) OU REPOSIÇÃO (PR) OU ENCOMENDA (PE)........................ 26 CLASSIFICAÇÃO ABC ....................................................................................................... 28 ANÁLISE DOS ESTOQUES ................................................................................................ 29 TIPOS DE INVENTÁRIO:..................................................................................................... 30 ACURÁCIA DOS CONTROLES .......................................................................................... 31 NÍVEL DE SERVIÇO OU NÍVEL DE ATENDIMENTO......................................................... 32 GIRO DE ESTOQUES.......................................................................................................... 32 SISTEMA JUST IN TIME...................................................................................................... 34 FILOSOFIA DO “JIT” .......................................................................................................... 34

 

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  LOGÍSTICA .......................................................................................................................... 39 FASES DA EVOLUÇÃO LOGÍSTICA.................................................................................. 40 MRP MATERIALS REQUIREMENT PLANNING ou PLANEJAMENTO DAS NECESSIDADES DE MATERIAIS....................................................................................... 41 OBJETIVOS DO MRP ....................................................................................................... 42 POSTPONEMENT............................................................................................................. 43 ESTOCAGEM: SELETIVIDADE + OCUPAÇÃO ................................................................. 45 PEPS/UEPs .......................................................................................................................... 46 BIBLIOGRAFIA .................................................................................................................... 47

 

5   GESTÃO DE COMPRAS E ESTOQUES A Administração de materiais é parte fundamental de qualquer organização que produza itens ou serviços de valor econômico. transportá-los e guardá-los está arraizado na humanidade há muito tempo.   . A regulamentação aplica-se a áreas como ambiente. confiabilidade de produtos e tributação. entre os mais importantes temos: • Governo: regulamentação de negócio pelos vários níveis de governo constitui algo extensivo. conseguiu graças a suas “previsões” que o povo do Egito conseguisse passar ileso por uma grande crise de alimentos e em conseqüência disso o país teve um forte diferencial entre os demais. uma grande movimentação de bens (alimentos) para estocagem. Porém. Por vários anos. • Economia: as condições econômicas gerais influenciam a demanda por produtos ou serviços de empresas. E como grande parte do ativo das empresas está depositada na conta de estoque. naquela época. custos de transporte etc. Regular estoques. Conta a bíblia que José do Egito por motivos próprios iniciou. com os problemas que o mundo atravessou a partir da década de 80. sendo essencial não só ao setor industrial como ao comercial. Registrando quantidades e regulando. existindo tanto em empresas dos setores públicos e privados. segurança. inflação. bem como a disponibilidade de insumos. As organizações trabalham num ambiente complexo. de forma muito sabia. a atenção se volta para a redução destes recursos. afetado por muitos fatores. Tais recursos eram apenas observados nas questões de almoxarifado. mão-de-obra especializada. as empresas tiveram que focar seus esforços nas reduções de seus recursos. Com o decorrer dos séculos. almoxarifado e patrimônio. a gestão dos recursos materiais não chamou a atenção dos administradores. a grande preocupação estava voltada apenas para: Venda Produção e Serviços.

Lead time de entrega. • Armazém: lugar usado para receber e conservar mercadorias. a demanda por diversos produtos diminui.   . Flexibilidade em tipos e volumes de produtos. Clientes: os clientes estão cada vez mais exigentes e os fornecedores tem respondido melhorando a gama de características que oferecem.6   Durante uma recessão econômica. “Quaisquer quantidades de bens físicos mantidos de forma improdutiva. provisões. enquanto a de outros pode crescer. • • Concorrência: hoje a concorrência é intensa. Serviços de pré e pós-venda melhores. para o fechamento do balanço. utilizado para a venda ou para a industrialização. como referência. empresar fabricantes enfrentam competição do mundo todo. por algum intervalo de tempo. devido a erros de movimentação de estoque. O estoque pode existir em determinados lugares. Algumas das características que os clientes esperam encontrar nos produtos e serviços que comparam são: Preço justo.” Outras definições: • Estoque físico: é o estoque existente fisicamente na empresa. geralmente usadas para armazenar produtos de secos e molhados. seja para vender ou para fornecer insumos ou suprimentos para o processo de produção”. • Estoque contábil: é o estoque utilizado para contabilidade. Maior qualidade de produtos e serviços. e esses lugares possuem uma definição específica. CONCEITO DE ESTOQUES “São materiais e suprimentos que uma empresa ou instituição mantém. Este estoque pode apresentar resultados diferentes ao estoque físico.

no momento e na quantidade desejada. • Proporcionar economias de escala: a) através da compra ou produção de lotes econômicos. Como o estoque resulta da produção ou a apóia.7   • Almoxarifado: depósito de materiais e objetos necessários a todos os demais setores de um estabelecimento. As principais funções do estoque são: • Garantir o abastecimento de materiais a empresa. eles recebem um tratamento contábil minucioso. neutralizando os efeitos de: a) Demora ou atraso no fornecimento de materiais. e a oportunidade de atendê-los prontamente. é grandemente facilitada com a administração eficaz dos estoques. São classificados em cinco grandes categorias: • Estoques de matérias-primas: são todos os itens utilizados nos processos de transformação em produtos acabados. A Administração de estoques é responsável pelo planejamento e controle do estoque. b) pela flexibilidade do processo produtivo. Como os estoques constituem uma parcela considerável dos ativos das empresas. c) pela rapidez e eficiência no atendimento às necessidades. a obtenção de uma vantagem competitiva em relação a seus concorrentes. desde o estágio de matéria-prima até o produto acabado entregue aos clientes. Normalmente este setor armazena pequenas quantidades de produtos e esses produtos são de grande rotatividade. os dois não podem ser administrados separadamente. TIPOS DE ESTOQUES Hoje todas as empresas procuram de uma forma ou de outra. • Depósito: lugar que é utilizado para armazenar mercadorias/produtos de grande quantidade de produtos acabados ou matérias-primas. c) Riscos de dificuldades de fornecimento. Todos os materiais armazenados que a   . b) Sazonalidade no suprimento.

  . Os materiais como recursos que são. isto é não saem com o produto final. isto é. contudo. que não se incorporam ao produto final. normalmente da mesma empresa. são aqueles que se agregam ao produto final. • Estoques de produtos acabados: são todos os itens que já estão prontos para serem entregues aos consumidores finais. independentemente de serem materiais diretos. Em caso contrário são devolvidos sem ônus. recebem as seguintes denominações: • Materiais diretos: também denominados materiais produtivos ou matériasprimas. • Estoques de produtos em processo: correspondem a todos os itens que já entraram no processo produtivo. e itens como os de revenda enquadram-se nesta categoria. Exemplos: óleos de corte das máquinas ferramentas que são utilizados na usinagem de um material direto. saem como produto final. mas que ainda não são produtos acabados. e que ainda não chegaram a seu destino final. sem. São os produtos finais da empresa. estar finalizados. São os materiais que começam a sofrer alterações. • Estoques em consignação: são os materiais que continuam sendo propriedade do fornecedor até que sejam vendidos.8   empresa compra para usar no processo produtivo fazem parte do estoque matérias-primas. são aqueles que não se agregam. • Materiais indiretos: também denominados materiais não produtivos ou materiais auxiliares. ou indiretos. Os produtos acabados são bem conhecidos por nós em nosso dia-adia. • Estoques em trânsito: correspondem a todos os itens que já foram despachados de uma unidade fabril para outra. Exemplo: pneus de automóvel e o copo de um liquidificador. que se incorporam ao produto final.

Custos com edificação: aluguel. água. pois obteremos uma melhor forma de entendimento entre os planejadores de material. porém existem variações por regionalismo ou adaptações a programas informatizados. muitos compradores tem uma expectativa de que os preços irão subir. • Estoque hedge: devido às altas oscilações de mercado. os termos devem ser definidos em Manuais e Procedimentos da Qualidade.   . Estoque do tamanho do lote: itens comprados ou fabricados em quantidades maiores que o necessário. Custos de capital: juros e depreciação 2. impostos. da demanda ou do lead time. adquirem o estoque hedge. CUSTOS DE ESTOQUE Todos podem ser agrupados em diversas modalidades: 1. Custos com pessoal: salários e encargos sociais 3. reduzir despesa de transporte e custos de pedido. Terminologia empregada no sistema Tornam-se bastante interessantes às definições e emprego de termos empregados na área da organização. na expectativa de uma futura valorização. Custos de manutenção: deteriorização. As colocações abaixo apresentadas são as mais usuais nas organizações.9   Outra classificação de Estoques de acordo com a função: • • • Estoque de Antecipação: são criados antecipando-se uma demanda futura. obsolescência e equipamento. Existem duas variáveis que aumentam estes custos. que são a quantidade em estoque e o tempo de permanência em estoque. conservação etc 4. Como define a Norma ISO 9001. quando os preços estão baixos. Estoque de flutuação (de segurança): cobre flutuações aleatórias e imprevisíveis de suprimentos. para tirar vantagem dos descontos sobre a quantidade. energia.

armazenados pela empresa. Devido a expansão dos processos. reabastecer o estoque com quantidades. Demanda Reprimida – é quando se está falando do não atendimento a solicitações de material. quer dizer. Na realidade está relacionada a falta de estoque ( materiais zerados em quantidades) Tempo de Ressuprimento/Reposição (TR) – é o espaço de tempo decorrido entre a data da emissão da requisição para compra e aquela em que o material é recebido pelo almoxarifado. podendo ser considerados: tempo de processo de compra e entrega pelo fornecedor. as Listas de Material estão sendo classificadas por famílias de material ou por classificação   . Material – quando se está falando sobre determinado item ou pequeno grupo (família) de item. Lote de Compra (LC) – é a quantidade de material solicitada em cada ressuprimento de estoque. Demanda (D) – em alguns casos é utilizada a letra “C”. Ressuprimento – processo de suprir as quantidades faltantes. Lista de Material ou Relatórios de Estoque – é a relação de todos os itens de materiais controlados pela empresa.10   Estoque – quando se está falando dos materiais em geral. Estoque Mínimo (Em) – é a quantidade mínima a ser estabelecida ao atendimento da organização. Demanda Média Mensal (D) – é a quantidade média de material consumida em um determinado período. comprar mais material. Estoque Máximo (EM) – é a quantidade máxima de material a ser mantida em estoque. . Ponto de Ressuprimento (PR) ou Ponto de Encomenda (PE) ou Ponto de Pedido (PP) – corresponde ao nível de estoque que ao ser atingido indica a necessidade de ressuprimento.é a quantidade consumida ou requisitada de estoque para uso em um determinado período.

Padrão é o formato geral de uma série temporal. por parte dos consumidores”. A variação do padrão de demanda pode variar por quatro motivos bem distintos: • Sazonalidade: Caracteriza-se por uma repetição constante e proporcionalmente com a mesma intensidade de uma flutuação da demanda. geométrico ou exponencial. Esta tendência pode se mostrar no formato linear. período de férias. contudo sempre haverá uma característica (perfil) da movimentação deste produto. por muitas vezes pode até aparentemente se comportar de forma inconstante. eventos particulares e etc. Exemplo: Um produto que saiu de moda. como forma de redução de custo na impressão das mesmas. A sazonalidade geralmente é considerada em bases anuais. O Lead Time pode ser encontrado com a terminologia Tempo de atendimento. Lead Time – é o tempo de ressuprimento ou o número de frações de tempo entre a liberação do pedido até o recebimento de determinado item de material.11   ABC ou por tipo de equipamento aplicado. o gráfico mostrará formatos ou padrões consistentes. Inventário – é a contagem física a ser confrontada com os controles definidos pela empresa. demanda é: “Disposição de comprar determinada mercadoria ou serviço. demanda é a saída média estimada de uma determinada mercadoria em certo espaço de tempo. TIPOS DE DEMANDA Segundo a ciência das economias. Se os dados históricos referentes à demanda são contrapostos a uma escala de tempo. na Administração de Recursos Materiais.   . mas também podem acontecer em uma base semanal. Isso ocorre como conseqüência de fatores externos a empresa tais como: clima. Porém. ou até diária. podendo ser estes controles manuais ou informatizados. • Tendência: Mostra um crescimento ou decréscimo do padrão de demanda de forma constante. A demanda visa “formatar” graficamente uma tendência característica do objeto em estudo que.

ou pode ser grande. • Cíclica: Em vários anos ou até mesmo em décadas. A quantidade por si só. Para uma melhor visualização dos tipos de demandas que um estoque pode apresentar. Um estoque pode assumir varias características ao longo do tempo. com os pontos espalhados pelo gráfico. Essa demanda pode ser pequena. demonstraremos em gráfico de tendências.12   • Variação Aleatória: Muitos fatores podem afetar a demanda durante períodos específicos. ainda que sem demonstrar suas influências. para poder desenvolver uma política de reposição que não prejudique as vendas. nem sobrecarregue financeiramente a empresa. aumentos e diminuições ondulatórias na economia influenciam a demanda. as possíveis características básicas. com a demanda real chegando perto do padrão. sendo que ocorrem em uma base aleatória. mas sim a dinâmica de suas demandas e os fatores internos e esternos que o influenciaram. fazendo comentários de suas peculiaridades e possíveis influências internas e externas. O seu comportamento sofre influencia internas e externas. O estudo e previsão dos ciclos ficam a nível macro economistas. DEMANDA NORMAL:   . É necessário identificar as características mais claras que os itens assumem. não é a característica dominante para se definir em que estagio se encontra um item.

Outra característica é a da não sazonalidade.13   A característica básica que predefine um item de demanda normal. Tanto sobe como desce em qualquer dos meses do ano. como de um ano entre 10 a 20% sobre a sua media. ele tem uma demanda que chega a 50 e 60% maior ou menor que a media sempre no mesmo período do ano. Nota-se que em determinados períodos. é que sua movimentação e uma mediam de si mesmo. tanto para mais como para menos. Ou seja. um item que considerada sua demanda media em 55 unidades. Tem quase sempre um fator externo a influenciá-lo. que não existe uma media confiável durante o período de um ano.   . Pode não acontecer a sazonalidade positiva quando não nos preparamos para ele. DEMANDA SAZONAL A característica básica de um item sazonal é em primeiro lugar. dentro de qualquer quantidade considerada.

vende mais. É um grande causador dos excessos de estoque. Sua tendência é sempre crescente. mostra um aumento sempre que o estoque disponível permite.14   DEMANDA CRESCENTE A característica básica do item de demanda crescente é a de estar sempre acima da media anterior. DEMANDA DECRESCENTE   . Cai ou mantêm sua media somente por falta de produto. tem tendência a estabilizar-se como demanda normal ou assumir queda livre. Requer muita atenção e conhecimento dos principais fatores a influencia-lo. No mês a mês. Após um período variável. Tendo mais.

O período de um ano a um ano e meio praticamente dirá suas possibilidades futuras. com substituição por outro produto. ou ainda. por exemplo.15   A característica básica do item de demanda decrescente é a de estar sempre abaixo da media anterior. custo-benefício de seu emprego. No mês a mês.             100                 90                 80                 70                 60                 50  A característica de demanda compulsória ocorre em itens que. se é que ocorre. No entanto. etc. Cai e não mantêm sua media. pelo fato principal de representar uma marca ou fabricante. Geralmente essa tendência esta relacionada. É um grande candidato a item obsoleto ou Sem Giro. torna-se um item sem giro ou obsoleto com grande facilidade. vende sempre menos. deve se levar em conta que o mesmo pode assumir outras características quando o produto principal já existe em maior quantidade no território de venda da empresa. Tendo ou não. Sua tendência é sempre decrescente. É também um grande causador dos excessos de estoque. competitividade.   . mostra uma diminuição da demanda independente do estoque disponível. Merecem muita atenção e agilidade de decisão. DEMANDA COMPULSÓRIA  QUANT. a empresa ter de mantê-lo em estoque para garantir o nível de atendimento ao produto principal. Sua saída é esporádica.

16   SEM DEMANDA  QUANT. no período verificado.               50              40              30              20  Sua característica já é a descrita pelo próprio nome. as Compras devem ser devidamente focadas dentro de sua estratégia de competitividade. Mesmo organizações que levaram à exaustão seus processos produtivos e administrativos ainda permanecem com grande atenção nessas áreas. No entanto. e se seu par esta faltando no estoque.   . sem maiores análises. de acordo com o segmento (e de acordo com a margem de contribuição do produto). Considerando a totalidade do valor econômico de seu produto. segundo Rafael Herrera da Prodix. SISTEMA DE COMPRAS Notar a real importância da função Compras como potencial fonte de competitividade é fundamental para a empresa que deseja estar participando eficazmente de seu mercado no presente e no futuro. Tem que ser verificado se o item e parte de um produto ou e de venda casada (só e vendido juntamente com outro item). Ainda hoje se foca a produtividade interna da empresa como principal fonte de ganhos econômicos. Na estrutura de custos de uma empresa. economizar 5% na função Compras pode representar um acréscimo de até 30% do resultado líquido. trata-se de um item obsoleto. Não há movimentação para o item. considerando o real peso do que está a montante dela. existem sérias razões para integrar a função de Compras na concepção da competitividade. Não pode afirmar.

17   Na Nova Economia.” SINAL DE DEMANDA O sinal de demanda é a forma sob a qual a informação chega à área de compras para desencadear o processo de aquisição de bem material ou patrimonial. Nos setores de consumo (alimentos. ser competitivo não é. obedecendo a padrões de quantidade e qualidade definidos. São fatores tão importantes quanto preço e serviços agregados ao produto: a capacidade de diferenciação dos produtos e a velocidade em que ocorre a inovação. verificar se recebeu efetivamente o que foi comprado e providenciar armazenamento. o sinal pode vir. A função compras. Os objetivos básicos de uma seção de compras são: • Obter um fluxo contínuo de suprimentos a fim de atender aos programas de produção. entre outros. Avanços decisivos em qualidade e novos meios de comercialização também são fatores mais percebidos hoje do que no passado. somente uma questão de preço dos produtos no ponto de venda. ao contrário. de um estudo de mercado ou de necessidades sociais. segundo DIAS (1993) “tem por finalidade suprir as necessidades de materiais ou serviços. • Comprar materiais e insumos aos menores preços. vir a representar obstáculos ao sucesso de sua estratégia. • Coordenar esse fluxo de maneira que seja aplicado um mínimo de investimento que afete a operacionalidade da empresa. acelerar ou. criatividade e inovação tecnológica têm sido bastante usados para trazer maior competitividade às empresas.   . Uma empresa que busca melhorar sua performance de mercado tem na sua cadeia de fornecimento. Já no caso de obras públicas. predominantemente. por exemplo. um importante aliado que pode favorecer. No caso de bens patrimoniais. por exemplo). ele pode ser resultado. planejá-las quantitativamente e satisfazê-las no momento certo com as quantidades corretas. de um estudo de viabilidade ou de uma necessidade de expansão. bebidas e cosméticos.

principalmente condições de pagamento. Pesquisa dos fornecedores • Estudo do mercado • Estudo dos materiais • Análise dos custos • Investigação das fontes de fornecimento • Inspeção das fábricas dos fornecedores • Desenvolvimento de fontes de fornecimento • Desenvolvimento de fontes de materiais alternativos.18   • Procurar sempre dentro de uma negociação justa e honesta as melhores condições para a empresa. Aquisição • Conferência de requisições • Análise das cotações • Decidir comprar por meios de contratos ou no mercado aberto • Entrevistar vendedores • Negociar contratos • Efetuar as encomendas de compras • Acompanhar o recebimento de materiais.   . ORGANIZAÇÃO DE COMPRAS As atividades típicas da seção de compras são: 1. 3. 2. Administração • Manutenção de estoques mínimos • Transferências de materiais • Evitar excessos e obsolescência de estoque • Padronizar o que for possível.

c) Estar alerta para suas necessidades pessoais e de seu negócio. j) Atingir os próprios objetivos e. fazer contribuições significativas para alcançar as metas da organização.19   4. mesmo fechado o acordo e assinado o contrato. i) Compreender que a manipulação de pessoas é incompatível com as metas de harmonia resultantes da cooperação e competição. b) Ter mente aberta. g) Ser cooperativo porque a cooperação possibilita clima propício à solução de problemas. obsoletos ou excedentes. definir metas e interesses mútuos. f) Desenvolver alternativas criativas que vão ao encontro das necessidades de seu oponente. rapidamente. ao mesmo tempo.   . e) Não tentar convencer o oponente de que o ponto de vista dele está errado e deve ser mudado. no qual nenhum item é imutável. d) Ser flexível e capaz de. CARACTERÍSTICAS DE UM BOM NEGOCIADOR a) Ver a negociação como um processo contínuo. h) Ser competitivo. sem se descuidar das necessidades de seu oponente. Diversos • Fazer estimativa de custo • Dispor de materiais desnecessários. em harmonia. o que estimula as duas partes a serem mais eficientes na procura de benefícios mútuos desejados. • Cuidar das relações comerciais recíprocas.

observe suas forças. i) Saiba ouvir e procure não atropelar verbalmente o outro negociador. porque ele pode perceber. julgamentos e valores para depois. Quanto mais aberta e clara a negociação. f) Evite fazer colocações definitivas ou radicais. as idéias só serão aceitas. a fim de que distorções eventualmente detectadas sejam corrigidas por meio de um diálogo construtivo. o fornecedor quer ter garantia de clientes fiéis e satisfeitos. deixando sempre uma saída honrosa. d) Procure sempre fazer perguntas que demandem respostas além do simples sim ou não. As informações de ambas as partes devem circular abertamente. maiores são as chances de uma boa compra. ao negociar lembre-se dessas diferenças. j) Procure sempre olhar os aspectos positivos do outro negociador. se forem boas para ambas as partes. fornecendo e solicitando informações. b) Procure “vestir a pele” do outro negociador. procure ter atitudes geradoras de confiança em relação ao outro negociador. e) A dimensão confiança é importantíssima no processo de negociação. evite concentrar-se em suas características negativas de comportamento e em suas fraquezas.20   CUIDADOS E ESTRATÉGIAS BÁSICAS PARA O ÊXITO DE UMA NEGOCIAÇÃO a) Comece sempre a negociação. deixando opiniões. c) Nunca esqueça que um bom negócio só é bom quando é bom para ambas as partes. o que o ajudará a compreender melhor a argumentação e as idéias dele. logo. Da mesma forma que o comprador quer estar seguro de receber seus produtos pelo melhor preço e da melhor qualidade no prazo determinado. g) Nunca encurrale ou pressione o outro negociador. Um dos instrumentos mais eficazes no relacionamento do comprador e seus fornecedores é a confiança mútua. h) Toda pessoa tem seu estilo de negociação e determinado tipo de necessidade e motivação. fatos.   .

aceitar não a objeção em si. Apresentação: como é feito o relacionamento dos objetivos e expectativas iniciais com as necessidades da outra parte.21   Negociação não é uma disputa em que uma das partes ganha e a outra tem prejuízo. A préseleção dos concorrentes qualificados evita o dispêndio de tempo com um   . O negociador que faz isso geralmente fracassa. mas o sentimento ou a lógica existente por detrás dela e mostrar ao outro que a entendemos. ela é bem mais do que isso. Basicamente qualquer processo de negociação obedece a cinco etapas que precisam ser cumpridas com igual cuidado. mas os elementos básicos permanecem os mesmos. Embora elementos de competição estejam obviamente ligados ao processo. Uma boa negociação ocorre quando ambas as partes saem ganhando. mas isso não quer dizer que ela tome a decisão sozinha. Ação Final: é a procura de um acordo ou decisão. Abertura: serve para reduzir a tensão. acompanhado a evolução das relações comerciais. para que se tenha um resultado final positivo. Clarificação: consiste em ouvir atentamente as objeções. Periodicamente esse sistema vem sendo aperfeiçoado. Preparação: onde se estabelecem os objetivos que devem ser alcançados de forma ideal e os que a realidade permitirá atingir. Entre essas características destacam-se em: • Sistemas de compras a três cotações: Tem por finalidade partir de um número mínimo de cotações para encorajar novos competidores. reflete-se sobre o comportamento presumível do outro negociador. Operação do Sistema de Compras (Planejamento de Compras):Um sistema adequado de compras tem variações em função da estrutura da empresa e em função da sua política adotada. Aqui. Vale lembrar que as pessoas compram um produto ou uma idéia com ajuda e não com um empurrão. Daí porque saber negociar é um importante requisito para um bom comprador. consolidar o objetivo. destacar um objetivo mútuo e criar um clima de aceitação.

protegendo o comprador ao possibilitar revisão de uma decisão individual. Pode ainda ajudar os fornecedores a serem competitivos. dos quais boa parte não teria condição para fazer um bom negócio. proporciona uma verificação dupla no sistema de cotações. • Especulativa: É realizada. junto ao processo de compra para esclarecer qualquer dúvida posterior. Exige rigorosa previsão das vendas. MODALIDADES DE COMPRAS • De Emergência: É aquela que se realiza às pressas. • Sistema de preço objetivo: O conhecimento prévio do preço justo.   . Acontece quando a empresa não faz planejamento das compras. além de possibilitar o exame de cada fase da negociação. Além do que o sistema de duas aprovações permite que os compradores estejam envolvidos pelo processamento da compra. • Contratada: É aquela que prevê a entrega dos pedidos em épocas prédeterminadas. antes de se apresentar a necessidade. • Documentação escrita: A presença de muito papel pode parecer desnecessária. mostrando-lhes que suas bases comerciais não são reais e que seus preços estão fora de concorrência. Destinase a especular com uma possível alta de preços. • Duas ou mais aprovações: No mínimo duas pessoas devem estar envolvidas em cada decisão de escolha do fornecedor. uma vez que a sua decisão está sujeita a um assessoramento ou supervisão. Isso estabelece uma defesa dos interesses da empresa pela garantia de um melhor julgamento. permite a revisão e estará sempre disponível. • Antecipada: É realizada. além de ajudar nas decisões do comprador. a fim de atender às reais necessidades da loja para determinado período. porém fica evidente que a documentação escrita anexa ao pedido.22   grande número de fornecedores.

CONDIÇÕES DE PAGAMENTO E DESCONTOS Um dos objetivos de uma boa compra é conseguir as melhores condições de pagamento. Torna-se necessário verificar se não existe elevação no preço da mercadoria em função da embalagem utilizada. É importante avaliar entre as duas situações.23   • Reposição: É aquela para adquirir mercadorias com comportamento estável das vendas. que trará a mercadoria até à empresa. que seja para assegurar o funcionamento da linha de produção quer seja para o funcionamento de toda a empresa. é fundamental. exigindo maior habilidade na tentativa de obter maiores e melhores prazos. A embalagem com que o Setor de Compra deve preocupar-se é com a de transporte. Exemplo: produtos de higiene. a ação do comprador neste sentido fica dificultada. Em função da padronização de condições de pagamento pelos fornecedores. no qual o transporte do fornecedor até a empresa não está incluso. A definição dos prazos necessários para que os materiais estejam na empresa e a previsão de possíveis atrasos. sem excessos ou sofisticação. as condições mais freqüentes para o frete são para preços FOB. exigindo esforço máximo no sentido de seu alcance. • Frete: Representando em alguns casos parcela significativa no preço do produto. • Embalagem: O tipo de embalagem em que vem acondicionada a mercadoria constitui fator preponderante no seu preço de aquisição. CONDIÇÕES DE COMPRA • Preços: Prever as necessidades de uma empresa consiste em calcular o que lhe virá a ser necessário durante determinado período. É interessante ainda verificar as modalidades de transporte disponíveis para a escolha da alternativa mais viável. limpeza e outros que registram comportamento de vendas equilibrado. em que no preço está incluída a entrega. ou CIF. dando a ela total proteção.   .

Corre-se o risco neste caso da elevação demasiada dos estoques em alguns períodos. São de difícil análise por envolver todo o dimensionamento dos estoques da empresa.24   É de grande importância para a empresa considerar ainda o custo financeiro em vigor e que havendo atraso das entregas nos prazos determinados. Podem ocorrer situações em que o pagamento à vista seja mais vantajoso do que o parcelado e vice-versa.   . por todos os fornecedores. O que deve ser considerado é o diferencial em percentual do preço à vista e do preço faturado em número determinado de dias. normalmente em meses. Já os descontos para pagamentos à vista já estão incluídos normalmente em qualquer negociação. como regra simples de análise. em aplicações no mercado financeiro para remuneração de capital. e a ordenada é a quantidade em unidades desta peça em estoque num intervalo de tempo. Este gráfico é chamado dente de serra devido a sua característica visual geralmente se assemelhar a tal objeto. Os descontos para quantidades constituem as reduções de preços em função de um aumento da quantidade comprada. todos os benefícios das condições obtidas podem ser perdidos. GRÁFICO DENTE DE SERRA A representação da movimentação (entrada e saída) de uma peça dentro de um sistema de estoque pode ser feita por um gráfico. Quando o oferecimento de desconto está simplesmente vinculado à alteração das condições de pagamento. em que a abscissa é o tempo decorrido (t) para o consumo. deve-se verificar se o percentual oferecido de desconto é maior que as taxas de juros.

b) não existirem falhas administrativas que provoquem um esquecimento ao solicitar compra. o estoque esteve a zero e deixou de atender a uma quantidade de 80 peças. d) nenhuma entrega do fornecedor for rejeitada pelo controle de qualidade. julho e agosto e setembro. c) o fornecedor nunca atrasar. A partir dessa análise concluímos que deveríamos então estabelecer um estoque de segurança. que durante os meses de junho.   .25   O ciclo acima representado será sempre repetitivo e constante se: a) não existir alteração de consumo durante o tempo T. Como sabemos essa condição realmente não ocorre para isso devemos prever essas possíveis falhas na operação como representado abaixo: No gráfico acima podemos notar.

• Transporte – tempo que leva para sair do fornecedor até o recebimento do solicitante. será definido quando o saldo de estoque estiver abaixo ou igual à determinada quantidade chamada ponto de pedido. pois entre vários fatores envolve: • Emissão da Requisição de Compra/ pedido/ verificação de orçamento – tempo previsto até a definição para chegar o pedido ao fornecedor selecionado. pois a não observância desse fator poderá acarretar a falta do item. Então o ponto de pedido de reposição. • Preparação do pedido – tempo que leva do fornecedor fabricar/ embalar/ faturar e deixá-lo em condições de ser transportado. PONTO DE PEDIDO (PP) OU REPOSIÇÃO (PR) OU ENCOMENDA (PE) Será calculado com a fórmula: PP = Emi + (C x Tr) Sendo: PP = Ponto de Pedido Tr = Tempo de reposição C = Consumo Médio Mensal (empresas usam D referente a demanda) Em = Estoque mínimo   .26   TEMPO DE REPOSIÇÃO OU DE RESSUPRIMENTO (TR) O tempo de reposição é um dos cálculos simples e importantíssimo a ser analisado.

90. existem várias formas de se calcular: Método do último período: consiste em utilizar como previsão para o período seguinte o valor ocorrido no período anterior. Será o valor encontrado da soma do Estoque Mínimo (Em) com a Quantidade de pedido (PP). deverá ser emitido um novo pedido de compra. • O consumo durante o tempo de reposição for pequeno. • O consumo for irregular. Emáx = Em + Quantidade pedida. Em = √C x Tr Exemplo: uma peça é consumida a uma razão de 30 unidades por mês.. Usa-se o modelo para cálculo de estoque mínimo: a – fórmula simples Em = C x K Onde: C = consumo médio mensal K = fator de segurança No fator de segurança. Isso quer dizer que queremos uma garantia de que somente em 10% das vezes o estoque desta peça esteja zero. e seu tempo de reposição é de dois meses. + Cn n   . Qual é o ponto de pedido.. uma vez que o estoque mínimo deve ser de um mês de consumo? PP = Em + (C x Tr) PP = (30 x 2) + 30 PP = 90 unidades. Quer dizer quando o Estoque virtual chegar a 90 unidades. • A quantidade requisitada ao almoxarifado for igual a 1.27   Estoque mínimo (Em). Método da média móvel: a previsão para o próximo período é obtida calculando-se a média dos valores de consumo no n períodos anteriores. caso queiramos ter uma falha de apenas 10 % em nossos estoques usaremos 0.. b – fórmula da raiz quadrada Usa-se quando . Estoque Médio: O estoque médio irá fazer uma previsão de demanda para o próximo período. CM = C1 + C2 + C3 + . Estoque Máximo É a quantidade máxima permitida em estoque. menor que 20 unidades.

estabelecimento de prioridades para a programação da produção e uma série de outros problemas usuais na empresa. A curva ABC tem sido usada para a administração de estoques.As médias móveis são afetadas por valores extremos isso pode ser superado utilizando-se a média móvel ponderada com pesos apropriados. Ci Xi = previsão de consumo Ci = peso ou fator de importância Xi = Consumo de estoque de cada período CLASSIFICAÇÃO ABC A curva ABC é um importante instrumento para o administrador.As observações mais antigas tem o mesmo peso que as atuais.28   CM= Consumo médio C = Consumo nos períodos anteriores n = Número de períodos Desvantagens deste método: . Após os itens terem sido ordenados pela importância relativa. para definição de políticas de vendas. ela permite identificar aqueles itens que justificam atenção e tratamento adequados quanto à sua administração. Xi ∑ . Método da média móvel ponderada: este método é uma variação do método anterior em que os valores dos períodos mais próximos recebem peso maior que os valores correspondentes aos períodos mais antigos Xi = ∑ Ci . às classes da curva ABC podem ser definidas das seguintes maneiras:   . Obtém-se a curva ABC através da ordenação dos itens conforme a sua importância relativa. .

não apresentando o retorno sobre o capital neles investidos. A classe “B” responde por 25% a 40% dos itens em estoque e 15% do faturamento. Assim. respondendo por apenas 5% do faturamento.(rotatividade média). A classe “C” compreende a sozinha 50% a 70% dos itens em estoque. Classe B: Grupo intermediário. No entanto. cabe ao gestor verificar se estão tendo a utilidade adequada ou sendo um “peso morto”. ANÁLISE DOS ESTOQUES Os estoques representam uma parcela substancial dos ativos das empresas. A gestão de estoques constitui uma série de ações que permitem ao   . Classe C: Grupo de itens menos importantes em termos de movimentação. requerem atenção pelo fato de gerarem custo de manter estoque. podemos perceber que apenas 5% a 20% dos itens correspondem a 80% do faturamento (alta rotatividade). por isso devem ser encarados como um fator potencial de geração de negócios e de lucros.29   Classe A: Grupo de itens mais importante que devem ser trabalhados com uma atenção especial pela administração. A classe “A” são os itens que nesse caso dão à sustentação de vendas.

Mudanças excessivas em ordens de produção. fazendo com que os gastos com produção subam e. faz-se a contagem física de todos os itens em estoque. implicando parada das máquinas e aumento dos estoques em processo. sendo os mais usuais: diferenças entre o inventário físico e contábil. arcar com um custo que não traz benefício nenhum. bem manuseados e bem controlados. é o referente aos inventários. É uma força tarefa designada exclusivamente para esse fim. e é uma forma clara de desperdício. Mas como descobrir se uma fábrica está trabalhando com excesso de estoque? O inventário físico é geralmente efetuado de dois modos: periódico ou rotativo. Caso haja diferenças entre o inventário físico e os registros do controle de estoques. nível de serviço e giro de estoques. Inventário periódico: é realizado em determinados períodos.   . TIPOS DE INVENTÁRIO: Inventário Físico O inventário físico é a contagem física dos itens de estoque. bem localizados em relação aos setores que deles se utilizam. Nessas ocasiões coloca-se um número bem maior de pessoas com a função específica de contar os itens. à administração de materiais ou simplesmente ao estoque.O grande controle pode ser feito em qualquer organização para auxiliar o fluxo de caixa. Existem vários indicadores de produtividade na análise e controle dos estoques. seja ele relacionado à produção. acabam por gerar retrabalho. normalmente no encerramento dos exercícios fiscais. conseqüentemente. Estoque em excesso significa gastar dinheiro à toa. Qualquer custo. ou duas vezes por ano. já tal contagem deve ser feita no menor espaço de tempo possível (geralmente de 1 a 3 dias). acurácia dos controles. pode ser reduzido se for bem gerenciado. impactem no custo do produto.30   administrador verificar se os estoques estão sendo bem utilizados. devem ser feitos os ajustes conforme recomendações contábeis e tributárias.

125 2. tanto em quantidade quanto em valor.9809 / / / Total Solução (0.5395) x (0. foram encontradas as seguintes divergências entre o número de unidades contadas por item e o número indicado pelo controle.880-55) 2. ou seja: Acurácia = Número de itens com registros corretos Número total de itens Acurácia = Valor dos itens com registros corretos Valor total de itens Exemplo: Calcule a acurácia do controle.9809) Acurácia do controle = 95.125-438) 9.915=17.02% 268 438 55 B C (4.910-268) 4. pode-se calcular a acurácia dos controles.880 = 0.31   Inventário rotativo: é quando permanentemente se contam os itens em estoque. em período integral.915=53.880 16.9454 (9. Classe Nº contados A itens Nº itens contados em % Nº itens com divergências Acurácia 4. Essa política exigirá um certo número de pessoas exclusivamente dedicadas à contagem.95% 2.9520) + (0.9454) + (0.915 4.03% 9.9520 (2.125/16.125 = 0.915=29. sabendo-se que após os três primeiros meses.880/16.910 = 0.910 9. ACURÁCIA DOS CONTROLES Uma vez determinado o inventário. Nesse caso se faz um programa de trabalho de tal forma que todos os itens sejam contados dentro do período fiscal.50%     . que mede a porcentagem de itens corretos.910/16.2903) x (0. o ano todo.1702) x (0.

495 GIRO DE ESTOQUES O giro de estoques mede quantas vezes.100 requisições de materiais.45 item por requisição.   .5. Calcule o estoque mínimo para uma empresa que vendeu 22. o estoque se renovou ou girou. tanto maior será o nível de serviço. Um gerente decidiu trabalhar com uma margem de segurança de 0. com um número médio de 1. por unidade de tempo.400 = 97. 28 e 31 peças nos últimos 4 meses a um fator de segurança de 0. Calcule o estoque mínimo necessário para que não falte estoque durante o mês e o estoque máximo que pode ser armazenado. Nível de serviço = Número de requisições atendidas Número de requisições efetuadas Exemplo: No almoxarifado da empresa VendeTudo. foram apresentadas 3. durante um período de 6 meses.400 dos itens solicitados. quanto mais requisições forem atendidas. Assim. Giro de estoques = Valor consumido no período___ Valor do estoque médio do período LISTA DE EXERCÍCIOS 1. 2.32   NÍVEL DE SERVIÇO OU NÍVEL DE ATENDIMENTO Nível de serviço ou de atendimento é o indicador de quão eficaz foi o estoque para atender às solicitações dos usuários. 35. Qual o nível de atendimento do almoxarifado? Nível de serviço = 4. nas quantidades e especificações solicitadas.88% 4. Foram entregues 4.7% para um produto que tinha venda de 328 unidades por mês.

437.756. Calcule o Ponto de Pedido PP de uma lanchonete que possuí um consumo mensal de 2.945.25 2.00 348.00 345. Obtenha o giro de estoque para os dados abaixo. 4.556 polpas de fruta com tempo de reposição para 3 meses e um fator de segurança de 0. sabendo-se que após os três primeiros meses.01 268.55 0.9.12 248.90 303. De janeiro a julho.55 302. Valor 0.655. de janeiro a junho de 1998 foi de: Item P55 P22 P28 P06 R18 R49 T98 T12 Consumo 2. Calcule a acurácia do controle. Classe Nº de Itens Nº de Itens Nº de itens   .903.56 Estoque final 6.499 831 26. O consumo dos itens de estoque da empresa Galvão Ltda.88 395. em média 90 itens por minuto. Mês Jan Fev Mar Abr Maio Jun Total Estoque Inicial 224.122.986.000 itens diferentes.46 0.991 3. No inventário do ano anterior verificou-se que havia em média 20 unidades de cada item.205.35 262.56 182.455 381 12. Uma empresa tem em seu estoque aproximadamente 25.675.499.03 0.05 7.999. Supondo que uma pessoa possa contar.888 Faça uma classificação ABC da tabela. quantas pessoas serão necessárias para contar todos os itens em 3 dias de trabalho? 5.965. foram encontradas as seguintes divergências entre o número de unidades contadas por item e o número indicado no controle.00 Saídas 182.33 274.544.44 1.07 5.50 12. o estoque de uma empresa apresentou a seguinte movimentação em reais.811 155 15.38 Entradas 437.33   3.

equipamento e mão-de-obra. e um dos principais pilares que sustentam a competitividade na economia global. para minimizar a necessidade de estoques. que acompanha o material que recebeu.915 com divergências 268 438 55 8.880 16. Um sistema de produção capaz   . Por que uma alta acurácia é imprescindível para o bom funcionamento de um sistema informatizado de controle de estoques? 9. Porque as empresas procuram ter um alto giro de seus estoques? Quais são as vantagens e desvantagens dessa política? SISTEMA JUST IN TIME Na transição para o século XXI.910 9.125 2. o Just in Time funciona como um supermercado. capaz de otimizar o uso dos recursos de capital. FILOSOFIA DO “JIT” Operar um sistema de manufatura simples e eficiente. é uma expressão em inglês que significa bem na hora. sincronizado com a programação do processo produtivo. Para isso. O cartão chamado kanban. o modelo japonês. procura reduzir ao mínimo o tempo de fabricação e o volume de estoques. uma versão sensivelmente melhorada das técnicas e proposições ocidentais sobre a administração. é o sinalizador da movimentação de suprimentos.34   contados em % A B C Total 4. o fornecedor deve comprometer-se a entregar os suprimentos no momento exato. O operador que precisa de peças entrega um cartão especificando o que deseja e leva outro. Na linha de produção. O princípio é estabelecer um fluxo contínuo de materiais. no momento certo ou na hora certa. tornou-se um modelo universal. O método Just in Time.

Obter ou produzir algo somente quando for necessário (“Just-in-Time). Diminuição dos custos de produção. 2. É mais importante prevenir problemas do que resolvê-los. Cada funcionário ou posto de trabalho é tanto um cliente como um fornecedor. Projetar para otimização da qualidade/custo e facilidade de fabricação. 2. 4. Desenvolver o comprometimento de melhorar todo o sistema de manufatura. Metas do “JIT” 1. 4.35   de atender ás exigências de qualidade e de entrega de um cliente ao menor custo. e que impeça melhor produtividade ou agregue despesas desnecessárias no sistema operacional do cliente. via eliminação de qualquer função desnecessária no sistema de manufatura que traga custos indiretos. Minimizar a quantidade de recursos despendida no projeto e manufatura de um produto. Procurar continuamente simplificar. Desenvolver a confiança e relações abertas com fornecedores e clientes.   . Princípios básicos do “JIT” 1. 3. Redução do custo das vendas (fim da inspeção e teste entre fabricante e cliente). 5. que não acrescente valor para a empresa. Vantagens do “JIT” 1. via sua otimização. Redução do custo de materiais. 3. Entender e responder às necessidades do cliente. 5. 2. Clientes e fornecedores constituem extensão do processo de manufatura. 3.

a linha como um todo é administrada do fim ao começo. Do supermercado. Se fabricasse mais. “Finalmente”. ESTUDO DE CASO: OHNO-SAN VAI AO SUPERMERCADO Por volta de 1950. “pude realizar o desejo de conhecer um supermercado de perto”. foi aos Estados Unidos visitar fábricas de automóveis. ele escreveu. • Operações desnecessárias no processo de manufatura. • Transporte. O   . em geral. No entanto. Bem diferente da situação no final dos anos 80.36   A PRIMEIRA EMPRESA A ADOTAR O JIT A Toyota foi a empresa pioneira a adotar este sistema de gestão.000 carros por mês. não conseguiria vendê-los. A Toyota tinha um programa de produção de menos de 1. Ohno havia tirado as idéias de enxergar cada processo de uma linha de produção como uma espécie de loja que fornece peças para o processo seguinte. • Produção além do volume necessário ou antes do momento necessário.000 carros em poucos minutos. quando a Toyota fabricava 1. se compra de acordo com a necessidade. Ohno conhecia o supermercado por referência e já havia observado que é a loja onde. segundos os manuais da Toyota. • Movimento humano. foi o da eliminação total de desperdícios. a economia japonesa estava debilitada. Em 1956. Taiichi Ohno. o que a levou a trabalhar com poucos fornecedores. • Espera. aumentando assim a relação de parceria e o fortalecimento da cadeia de suprimentos. que foram classificados em sete tipos principais: • Tempo perdido em conserto ou refugo. • Estoque. Um dos grandes princípios adotados. O processo seguinte (cliente) vai ao processo anterior (supermercado) para obter as peças necessárias (mercadorias) na hora certa e na quantidade necessária. criador do sistema Toyota de produção.

A fórmula básica da Toyota. mas a empresa não ganha nada se fizer 120 itens quando precisa apenas de 100. Ohno também recomendou que o ritmo de trabalho fosse calibrado para que a produção dos 100 itens ocupasse o dia todo. tem outro elemento: tão eficientemente quanto   . Em 1953.Acho que não – respondeu Ohno. . enviaria para ela um kanban de produtos. nós de fato aplicamos o sistema em nossa oficina de máquina da fábrica principal. Escreveu ele mais tarde: . Ohno recomendou-lhes que fabricassem apenas o necessário. quando funcionários da Daihatsu procuraram a Toyota para aprender seus métodos de eficiência. Como funcionaria? As mercadorias compradas pelos clientes passam pelo caixa. Se o supermercado tivesse sua fábrica de mercadorias. de fabricar apenas o necessário. . Nós chamávamos isso de kanban. No supermercado. .Suponham que levássemos o kanban ao supermercado. tornou-se a ferramenta que faz funcionar o sistema Toyota. a fábrica produziria as mercadorias para repor as que tivessem sido vendidas.Nós esperávamos que essa idéia nos ajudasse a realizar o objetivo do Just in time. apenas na quantidade necessária. usamos pedaços de papel em que escrevíamos informações sobre o trabalho a ser realizado. .O kanban. Para fazer funcionar o sistema do supermercado. faça apenas 100. as mercadorias que saíam seriam imediatamente repostas. Se você precisa de 100.Mas não é melhor idéia continuar produzindo. no momento necessário. . Com essa informação. enquanto houver tempo e materiais? – perguntou um dos visitantes. Esses cartões correspondem ao kanban de retirada do sistema Toyota. Com as informações desta kanban. – Façam apenas o que for necessário. Pode ser que vocês fiquem com materiais sobrando. um cartão envelopado em plástico. Nos anos 80.37   processo anterior imediatamente produz a quantidade que acabou de sair (reposição de mercadoria nas prateleiras). de fazer o que for necessário. Cartões contendo informações sobre essas mercadorias seriam então enviados ao departamento de compras. as mercadorias expostas correspondem ao estoque de fábrica.

LISTA DE EXERCÍCIOS 1. Eles dizem que não se deve restringir a produção. Você já viu o pátio de uma fábrica de veículos em períodos de recessão? Se o diretor da fábrica lhe mostrasse o pátio cheio de veículos não vendidos e lhe pedisse uma solução. Quais os resultados indesejáveis de se pensar apenas na minimização dos gastos? 7. Se a prioridade for dada apenas para a minimização de gastos. Ou então. Antonio Cesar Amaru. o que você recomendaria? 6. todos devem aprender o Just in time. 2008. gastando o mínimo. Teoria Geral da Administração: da revolução urbana à revolução digital. É melhor tentar reduzir preços por meio da produção em massa. Continuou Ohno: . Quais as vantagens de fabricar apenas o necessário? Há desvantagens? 4. qual escolheria? Por quê? 5. Essa idéia tem seus adversários. Uma delas é produzir apenas 100 se você precisa apenas de 100. Bibliografia: MAXIMINIANO. Você concorda? Se tivesse que escolher entre o sistema Toyota e seus adversários. Considere os argumentos dos adversários do sistema Toyota. Quais as diferenças entre o Sistema Toyota de Produção e o sistema tradicional? 3. São Paulo: Atlas. é melhor fazer 200 itens ao invés de 100. mesmo que você possa produzir 110 antes do final do expediente.38   possível.A parte mais difícil do Sistema Toyota de Produção é aprender a fazer os 100 itens gastando o mínimo. Qual a relação entre o funcionamento do supermercado e o Sistema Toyota de Produção? 2. Quais os resultados indesejáveis de não se pensar na minimização de gastos?   . Ou seja. Há muitas formas de gastar o mínimo para produzir. o produto poderá custar terrivelmente caro. se esse objetivo for negligenciado. Porém. se você tiver cinco trabalhadores disponíveis. podem-se obter diversos resultados indesejáveis. Para isso.

Logo após a vitória na empreitada. As ações anteriormente citadas compreendem as atividades primárias da logística nas empresas. a aquisição de insumos compras. A importância dessa última atividade é ressaltada por Ballou (1993:24): “Para se atingir um grau razoável de disponibilidade de produto. algumas atividades logísticas. Segundo Novaes 2003. bem como os serviços e informações associados. a logística empresarial vem agrupar diversas atribuições nas organizações de modo que possa suprir as demandas internas a fim de satisfazer os consumidores. Ela é uma nova visão empresarial que direciona o desempenho das empresas”. como afirma Pozo (2004:13): “A logística é vital para o sucesso de uma organização. envolve a função de transporte e a manutenção de estoques. guardando-o para assegurar-lhe condições mínimas para sua subsistência. que inicializa a movimentação de material.a gestão de estoques. pois sua importância é fundamental para a consecução dos objetivos das organizações. Nesta definição. a decisão pela próxima caça .   . é necessário manter estoques. o termo produto compreende também os bens e serviços. Na caça. o processamento de pedido. a fim de que não falte alimento para sua sobrevivência. cujo exemplo anterior do homem da antiguidade é semelhante à partida para nova caçada. Desde os primórdios. a próxima caça ocorreria quando aquele alimento estivesse próximo de acabar. percebemos. Logística é o processo de planejar. Nessa trajetória. que agem como `amortecedores` entre a oferta e a demanda”. Certamente. em termos comparativos. o ato de levar o alimento . implementar e controlar de maneira eficiente o fluxo e a armazenagem de produtos. Nesse contexto. Portanto. levava o alimento para seu local de habitação. com o objetivo de atender aos requisitos do consumidor. o homem realizava a caça para sobreviver naquele mundo considerado selvagem. a guarda do alimento armazenagem.o transporte.39   LOGÍSTICA A logística é uma área que é considerada antiga e moderna simultaneamente. cobrindo desde o ponto de origem até o ponto de consumo.

como ressalta Christopher (1997:02): “a logística é o processo de gerenciar estrategicamente a aquisição de modo a poder maximizar a lucratividade presente e futura.   . como atividades-pares envolvidas em ações estreitamente homogêneas. distribuidores e grandes atacadistas estocavam para abastecer os varejistas e estes por sua vez estocavam para vender ao consumidor final. e essas atividades estão voltadas para a finalidade comum de operação lucrativa que é manter uma posição competitiva no mercado”. A matéria prima era estocada. dentre os quais (2004:150) “permitir à empresa uma posição competitiva. o processo de compras nas organizações é de fundamental importância para a conquista de efetivos resultados nas empresas. Pozo (2004: 147) apresenta uma visão moderna de compras como sendo uma atividade “relacionada com o sistema logístico empresarial. ainda distinta por causa dos poucos meio. Foi também nesta fase onde começou a se pensar em multimodalidade. otimização das atividades de planejamento e operação. reduzindo os estoques que passaram a ser revistos periodicamente com mais freqüência além do aumento ainda discreto no número de produtos e modelos aumentando e aguçando a curiosidade do consumidor. começou a se pensar mais em flexibilidade. aumentaram proporcionalmente os congestionamentos e os atrasos nas distribuições. Com isto. através do atendimento dos pedidos a baixo custo”. Foi identificado nesta segunda fase uma maior racionalização nos processos. identificada como Integração Rígida. o ponto “X” era o estoque. praticada. mediante negociações justas e credibilidade”. o produto acabado era estocado. embora muito timidamente. pois como aumentou o “vai-vem” de transferências com a diminuição de estoque. FASES DA EVOLUÇÃO LOGÍSTICA A logística de hoje. significativa para as demais fases. Na primeira fase. estudada e aprimorada com o passar do tempo teve por sua vez quatro fases de amadurecimento. E apresenta os objetivos de compras. conhecida como Atuação Segmentada.40   Vale ressaltar que a área de logística não compreende somente essas atividades. Na segunda fase. porém.

Esta terceira fase foi marcante por tratar de um assunto que move o meio empresarial como o todo: A preocupação com a satisfação e os interesses do cliente. chamada Integração Flexível. Just-in-time. produtos produzidos e distribuídos em vários pontos do mundo de forma estratégica.Na quarta fase houve o surgimento de itens como Globalização. A quarta fase. a Logística passou a ser utilizada como elemento diferenciador. como uma maior integração com o mesmo em uma relação de comprometimento. ou seja. é caracterizada pela integração entre os vários elos da cadeia de suprimentos de forma estratégica com o surgimento do Supply Chain Management. denominada Integração Estratégica. na busca de maiores fatias do mercado. houve um avanço tecnológico notável onde a “TI” foi a peça chave para uma maior integração dinâmica e flexível tanto dentro da empresa. de cunho estratégico. quanto com fornecedores e clientes. diminuição significativa do estoque. Fixação da Internet e empresas virtuais e Logística Reversa MRP MATERIALS REQUIREMENT PLANNING ou PLANEJAMENTO DAS NECESSIDADES DE MATERIAIS   .41   Na terceira fase.

metas de forma a estabelecer com antecedência a melhor estratégia de produção ou compras. onde serão constantemente calculadas as variações através de:   . e em função de uma demanda dada. O processo de planejamento do MRP evoluiu. O sistema de planejamento de material permite que as empresas calculem quantos materiais de determinado tipo são necessários e em que momento. O planejamento dará base de informações ao MRP. o computador calcula as necessidades materiais que serão utilizados e verifica se há estoques disponíveis para o atendimento. Se não há material em estoque na quantidade necessária. OBJETIVOS DO MRP O desafio de planejar e controlar os estoques e acarretar a satisfação dos clientes. é o objetivo primordial deste sistema. ele emite uma solicitação de compra – para os itens comprados – ou uma ordem de fabricação – para itens fabricados internamente. marketing. finanças e engenharia. outros fatores como carteira de pedidos. com o menor investimento possível. também conhecida por árvore do produto ou explosão do produto.42   É uma técnica que permite determinar as necessidades de compras dos materiais que serão utilizados na fabricação de certo produto. sejam internos ou externos. quando levarão em consideração além das previsões de vendas (demandas). disponibilidade de material. objetivando o cumprimento de entregas de produtos sempre com o mínimo de estoque necessário. Ficando então definido como sendo um plano global para o planejamento e monitoramento de todos os recursos de uma empresa de manufatura. de modo a satisfazer as necessidades e atendimentos da evolução tecnológica. é a integração de toda a empresa. pela melhoria continua das organizações. ou seja. como todo o processo. obtida por meio da estrutura analítica do produto. Com base na lista de materiais.

· Produtividade – em paralisações de equipamentos e da produção da organização ou desperdícios em geral. acabamento. pode ser adiado até o último momento possível. · Atendimento ao cliente – nas faltas de material.43   · Rotatividade de estoque – na análise de Custo do capital. em que resultam no conhecido apagar incêndios. Como?. O postponement pode também ser referido como a customização de massa. Quando? E Onde? Devem ser avaliadas a fim de evitar custos adicionais. · Utilização da capacidade – na utilização econômica dos recursos das instalações. não importando se isto significa aplicar um rótulo de marca da loja ou uma lata usando um tamanho diferente e na forma de garrafa para uma loção para as mãos. ou seja. Assim. onde reprogramações para a eliminação de custos como horas extras e desgastes com os clientes.O denominador comum inclui todos os produtos que podem ser fabricados em uma forma genérica e estocado. Custo de manutenção/ armazenagem. · Custos do sistema – na eliminação de retrabalhos. A variação dos produtos vem na forma de embalagem. montagem de kit ou produto final (desde que a montagem final seja simples) atrasando este passo final no processo até o pedido do cliente estar disponível. obsolescência. · Custo de material – nas decisões de O que?. "Você está mantendo o produto em seu denominador comum até seu cliente colocar um pedido". aguardando um pedido. como colocar os toques finais em um produto praticamente acabado.   . o compromisso com a forma final. POSTPONEMENT Há um velho ditado que diz: "por que deixar para amanhã o que se pode fazer hoje?" Os sistemas de postponement (postergação) mudam este ditado de cabeça para baixo e perguntam: Qual segmento do meu armazém ou operação de manufatura posso adiar até amanhã para obter hoje economia de inventário? Pense nos sistemas de postponement.

uma indústria farmacêutica sempre manteve estoques de seus produtos de movimentação mais rápida. o postponement é uma salvação para os produtos de alimentos enlatados. ao invés de rastrear um único SKU. SKU (Stock   . como um SKU em uma forma genérica até a empresa receber um pedido. posteriormente. Isto porque o postponement permite a você reduzir seu volume de inventário de produtos acabados. mesmo se não houver mercado para o produto. também. os fabricantes de produtos que tem embalagem própria estão diversificados quanto aos filtros de óleo. já embalados e prontos para expedição. mas os cortes e montagens de todos eles em tecido branco que poderão ser tingidos segundo os pedidos. Assim. material de escritório e carpetes e estão experimentando as estratégias de postponement. maior. adicionar flexibilidade operacional em sua operação. o postponement permite a você manter um inventário menor em uma área de estocagem de produto semi elaborado em uma forma genérica logo antes da expedição. o lote normalmente menor vai provavelmente induzir a uma produtividade. Ao invés de manter um grande estoque de um produto específico com diferentes rótulos e embalagem para uma grande variedade de clientes. porque a produção deve ser processada logo após a colheita. ao retardar a montagem final. Atualmente. Como se parece o postponement? Veja o exemplo de um fabricante de roupas que produz agasalhos. o fabricante produz o volume de vendas previsto de agasalhos antecipadamente. unitária e localizada. Mas a estratégia de postponement não deve ser vista somente como uma forma para reduzir inventário. A solução: estocar o produto. Entretanto.44   Tradicionalmente. Os produtos de rápida movimentação são fáceis de estocar e expedir rapidamente. os itens de movimentação mais lenta não são tão previsíveis. Mas. Todavia. enquanto que fornecendo um alto nível de serviço. mas. A demanda geral para este tipo de roupa pode ser prevista meses antes com base nos padrões históricos de pedidos. e perda dos perecíveis. Para servir a seus clientes. a empresa controla centenas de SKUs do mesmo produto. Isto reduz a obsolescência em um mercado em rápida transformação. As cores são outras questões. Quais são os benefícios principais do postponement? "A redução de inventário". produzir a partir do pedido colocado. dependendo da moda.

Cada SKU identifica um código ou uma referência diferente que o catálogo da empresa possui.   . Primeiro que Sai) está comprometido em seu armazém? A expedição de seu Centro de Distribuição (CD) transforma-se no gargalo de seu processo por falta de espaço e dificuldade de acesso aos itens no final do mês? Sua produtividade operacional está com um índice baixo em relação à outros processos de armazenagem de natureza semelhante? Se estas questões fazem sentido também para sua empresa. cor ou outras características). tamanho. quando as empresas investem em novas áreas de armazenagem. assegurando assim 100% de seletividade. o índice de seletividade é 100%. por exemplo. Em uma estrutura porta-paletes convencional. Referência que designa cada item de um estoque de acordo com sua particularidade (apresentação.45   Keeping Unit) que significa Unidade Mantida em Estoque. Analisando a mesma estrutura de estocagem (porta-paletes convencional) integrada a um sistema de movimentação. ou seja. pelos itens. Ocupação: já a ocupação se caracteriza pelo percentual de aproveitamento de um espaço (volume) de estocagem. que permite o acesso direto a qualquer palete com o auxílio de uma empilhadeira. ESTOCAGEM: SELETIVIDADE + OCUPAÇÃO O seu armazém tem problemas de falta de espaço? Os itens que você precisa separar estão em locais de fácil acesso? O método PEPS (Primeiro que Entra. pode-se identificar um índice de ocupação inferior a 40%. que se caracteriza pela utilização de empilhadeiras e hidráulicos. Seletividade: Indica a capacidade de acessar determinados itens de uma área de estocagem sem ter a necessidade de remanejamento de cargas. considerando-se todo o volume disponível. Fica evidente que. é a proporção de itens que estão disponíveis para serem acessados no primeiro movimento. você pode estar diante de um processo de adequação da seletividade e ocupação do processo de armazenagem. o que predomina é a grande quantidade de espaço disponível que pode ser utilizada.

o qual normalmente é o mais elevado. a possibilidade da redução dos mesmos nos impostos de renda de pessoa jurídica. uma adequada análise dos mesmos se faz necessária. A escolha dos recursos operacionais de um armazém afeta significativamente estes índices e. Isto significa que o valor dos estoques se aproxima dos preços atuais do mercado. Primeiro que Sai (First In. algumas características de seus SKU (referências distintas mantidas em estoque). pois. ao final do exercício. número de SKU. Sai o material que entrou antes. reduzindo assim. Por outro lado. Provoca com isso a supervalorização do preço do material computado na produção do PA e. O valor dos estoques é calculado ao custo do último preço. O saldo em estoque é calculado pelo custo das entradas de material. A avaliação dos estoques é feita pela ordem cronológica das entradas. Primeiro que Sai (Last In.46   Seletividade + Ocupação: assegurar uma adequada integração da seletividade com a ocupação é um dos desafios de um sistema de armazenagem de classe mundial. aos olhos da legislação brasileira é proibida. produz um crédito positivo de materiais. Esses sistemas devem ser continuamente avaliados. Essas alterações demandam sistemas de armazenagem com diferentes características de seletividade e ocupação. aplica-se o preço do segundo lote mais antigo. PEPS/UEPs PEPS (FIFO): Siglas do Primeiro que Entra. giro e popularidade por SKU. A vantagem deste tipo de avaliação é que o valor dos estoques fica sempre atualizado em relação ao valor da última entrada. tais como: quantidades estocadas por SKU. portanto. First Out). Terminado o lote mais antigo. pois muitas empresas alteram. É cômodo as pessoas avaliarem superficialmente as alternativas de sistemas de estocagem e movimentação e concluírem que nada podem fazer para melhorar os indicadores de seletividade e ocupação. A saída do estoque é feita pelo preço do último lote a entrar no almoxarifado. com o passar do tempo. o custo de produção é calculado em função dos valores dos primeiros lotes de entrada no almoxarifado. os ativos nos balanços e conseqüentemente. coloca o valor dos estoques muito inferior às outras análises. isto é. do lote mais antigo e cujo preço está baseado no custo em que ele entrou no estoque.   . UEPS (LIFO): Siglas do Último que Entra. Este tipo de análise de custo. First Out). entre outros.

Ed. Logística empresarial: o processo de integração da cadeia de suprimento. Atlas DIAS. Petrônio G.47   BIBLIOGRAFIA ARNOLD.Saraiva   . J. CLOSS. Ed. Marco Aurélio P. Atlas BOWERSOX. D. Ed. J. J. Administração de Materiais: uma abordagem logística. R. Atlas MARTINS. Ed. Tony. Administração de Materiais e Recursos Patrimoniais. D. Administração de Materiais: uma introdução.