GESTÃO DA ESCOLA

Organização e Gestão da escola – Teoria e Prática José Carlos Libâneo Os estudos atuais sobre o sistema escolar e as políticas educacionais

têm colocado a escola, enquanto organização, co mo referência para a realização dos objetivos e metas dos sistema educativo. Nesse sentido, ela é vista como um ambiente educativo, como espaço de formação construído pelos seus componentes, um lugar em que os profissionais podem decidir sobre seu trabalho e aprender mais sobre sua profissão. Essa forma de ver a dinâmica da vida da escola leva a considerar a organização escolar como um_ organismo aberto, cuja estrutura e processos de organização e gestão são constantemente construídos pelos que nela trabalham (diretores, coordenadores, pedagogos, professores e funcionários) e pelos seus usuários (alunos, pais, comunidade próxima). Faz-se necessário, portanto, que esses educadores desenvolvam uma das competências profissionais básicas: participar na gestão e organização da escola, desempenhando um papel ativo nas decisões pedagógico-didáticas, organizacionais, administrativas. Para isso, precisam conhecer bem as políticas educacionais, os objetivos e as formas de organização e funcionamento de uma escola, bem como desenvolver competências para trabalhar em equipe, cooperar com outros profissionais, aprender a ter uma atitude investigativa. Essa qualificação teórica e prática possibilitará não apenas o exercício da participação mas, também, a análise da prática que levará a aprender idéias, saberes, experiências, na própria situação de trabalho, contribuindo para o desenvolvimento pessoal e

profissional. É para isso que este livro pretende contribuir. A ordenação dos capítulos foi pensada no sentido de familiarizar os estudantes nos conhecimentos básicos do processo organizacional das escolas e nos conhecimentos teóricos e práticos necessários para a participação consciente e ativa nas ações de organização e gestão da escola. O AUTOR José Carlos Libâneo é doutor em Filosofia e História da Educação pela PUC de São Paulo. Nasceu em Angatuba, Estado de São Paulo, em 1945. Formou-se em Filosofia na PUC de São Paulo, onde também obteve os títulos de mestre e doutor. Foi diretor de escola, desempenhou atividades nas Secretarias de Educação de São Paulo e Goiás, ensinou em várias instituições de ensino superior, tendo sido professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás durante 20 anos. Há muitos anos trabalha com formação de professores. Atualmente é Professor Titular da Universidade Católica de Goiás. Publicou cinco livros: Aceleração Escolar - Estudos sobre educação de adolescentes e adultos (1976), Democratização da escola pública - A pedagogia crítico-social dos conteúdos (Editora Loyola, 1 a edição em 1985, atualmente nas 17a edição), Didática (1 a edição em 1990, atualmente na 20a edição), Adeus professor, adeus professora? - Novas exigências educacionais e profissão doscente (4ª edição) e Pedagogia e pedagogos, para quê? (2ª edição), os três últimos publicados pela Editora Cortez. Também escreveu dez capítulos de livros em co-autoria e diversos artigos em revistas especializadas.

Para os diretores de escola, coordenadores pedagógicos, orientadores educacionais, professores que, entre tantas dificuldades que afligem a escola pública, sempre recobram o ânimo, se enchem de energia e de esperança, sabendo que o saber organizar e gerir sua escola, com determinação, energia e diálogo, produz um diferencial visível nas condições concretas pelas quais se pode garantir uma sólida formação de cidadãos, de profissionais, de usuários das mídias, de consumidores, de interlocutores sociais, para uma sociedade que requer cada vez mais sujeitos capazes de lidar com o conhecimento e que precisa ser muito mais includente do que tem sido. Para Maria Augusta de Oliveira, amiga e companheira de trabalho há muitos anos, cujo conhecimento práticoteórico sobre aqueles fazeres pedagógicos tem ajudado outras e outros a compreenderem que não é possível saber o que fazer sem saber o como fazer. SUMÁRIO Apresentação 9 Capítulo I - A escola como organização de trabalho e lugar de aprendizagem do professor 17 Capítulo II - Uma escola para novos tempos 31 Capítulo III - Buscando a qualidade social do ensino 51 Capítulo IV - O professor e a construção da sua identidade profissional 61 Capítulo V - Os conceitos de organização, gestão, participação e cultura organizacional 73 Capítulo VI - O sistema de organização e gestão da escola 93

Capítulo VII - Princípios e características da gestão escolar participativa 109 Capítulo VIII - O planejamento escolar e o projeto pedagógico-curricular 121 Capítulo IX - Organização geral do trabalho escolar 171 Capítulo X - As atividades de direção e coordenação 177 Capítulo XI - A formação continuada 187 Capítulo XII - Avaliação de sistemas escolares e de escolas 197 Capítulo XIII - Estratégias de coordenação do trabalho escolar e de participação na gestão da escola 221 Bibliografia - 243 Anexos - 249 Apresentação Este livro destina-se ao estudo da escola como instituição básica do sistema escolar e lugar de trabalho do professor. Foi escrito para ajudar os professores a conhecerem a estrutura e a organização das escolas e as condições de seu exercício profissional. Os capítulos desta publicação foram organizados a partir de textos didáticos provisórios, roteiros e notas de aulas, resenhas de livros, elaborados quando o autor ministrava, na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás, a disciplina Organização do Trabalho Pedagógico. Esse material foi reunido e reorganizado com base em novas pesquisas e leituras de obras recentes sobre o assunto. É necessário, entretanto, alertar os leitores de que muitas das idéias e opiniões aqui lançadas permanecem como objeto de investigação, pedindolhes que compartilhem com o autor as muitas indagações e dúvidas e que sejam também produtores de conhecimento. Estou de acordo com uma professora que disse assim:

"entre a teoria de um autor que queremos assumir, e a prática que queremos transformar com essa teoria, existe a nossa teoria" (in Christov, 1998). Tem sido divulgada boa bibliografia sobre organização e gestão dos sistemas de ensino. Tais estudos realizam análises bastante abalizadas sobre as formas de organização e gestão da educação neste momento de reestruturação produtiva capitalista, globalização 10 da economia, avanços tecnológicos, em que as políticas econômicas, sociais, educacionais são levadas a se ajustar ao modelo de desenvolvimento capitalista que ora se consolida. O impacto das transformações nos sistemas de ensino e nas escolas é direto: alteração no perfil de formação geral e profissional dos alunos, mudanças nos currículos e nas formas de gestão da escola, reavaliação das funções e responsabilidades do professorado, formas de participação das famílias etc. Ou seja, junto com a reestruturação produtiva vêm as reformas educacionais, pois há suficiente base histórica para sabermos que reajustes na realidade econômica e produtiva incidem em alterações no âmbito social, cultural e até pessoal. Não nos passa, pois, desapercebido o impacto dessas mudanças, especialmente o recondicionamento das escolas ao intentos do capitalismo internacional e dos interesses financeiros. Trata-se, de fato, de implantar políticas educacionais que subordinam o processo formativo aos interesses dos mercados e ao Estado gestor. No entanto, parece-nos crucial entender que, se por um lado, é absolutamente imprescindível denunciar essa formas de refuncionalização da escola, por outro, não se

precisam lutar pela escola. atribuições. pois elas continuam tendo uma função social insubstituível de formar os indivíduos para uma vida digna e para a compreensão e transformação da realidade. uma tecnologia.pode reduzir a importância das escolas. Ou seja. isto é. buscando formas eficazes de desenvolvê-la e colocá-la a serviço dos interesses de toda a coletividade. processos de gestão e tomada de decisões. os educadores defrontam-se diariamente com decisões que precisam ser tomadas. condições e oportunidades iguais para toda a população. orientações a serem dadas. para o enfrentamento de importantes decisões dentro da escola. Na verdade. cargos. Este livro quer contribuir. portanto. criar e desenvolver uma estrutura organizacional (setores. não podendo contentar-se apenas em fazer a crítica da situação. precisam dispor de meios operacionais. as forças progressistas da sociedade que continuam lutando por justiça. normas). igualdade. 11 com um caráter profundamente democrático. As escolas são organizações educativas que têm tarefas sociais e éticas peculiares. assim como a análise dos resultados que contribuem para o processo formativo e para o aperfeiçoamento da gestão. Para atingir seus objetivos sócio-políticos. . uma cultura organizacional. Enfrentar os problemas e dilemas reais do cotidiano das escolas e dos professores talvez seja uma empreitada bem mais penosa do que fazer a denúncia dessa refuncionalização das escolas a serviço dos interesses das elites econômicas e financeiras.

participar da vida política e cultural. são postos novos desafios às tarefas da docência. Que se pode pensar na profissionalidade dos professores e na melhoria do seu desempenho profissional. apta a preparar os alunos para a empregabilidade. de avaliação etc. tocar suas vidas. de desenvolvimento da profissionalização e profissionalidade. a descentralização. o planejamento. a profissionalização dos professores. a avaliação de sistemas. Acreditamos que há formas de se buscar autonomia. de participação da comunidade escolar (professores. como a autonomia da escola. pais e alunos).inclusive sobre estratégias de ação indicadas nos documentos oficiais e das agências financeiras internacionais tipo Banco Mundial. Que se pode ter uma avaliação do sistema escolar e dos alunos que orientem mudanças na qualidade das aprendizagens escolares. a gestão. que considerem ao mesmo tempo a realidade sócio-econômica 12 . do melhor modo possível. de fato. e é questão de justiça que elas atendam. Uma coisa é certa: as escolas estão aí. aos direitos de todos de uma educação de boa qualidade. sem ser uma autonomia imposta. assumindo que. é nela que estão matriculados os filhos das camadas médias e pobres da população. Os educadores comprometidos com a transformação social precisam dispor de conhecimentos para repensar formas de funcionamento das escolas. poder ganhar capacidade reflexiva para atuar e transformar a realidade social. sem que isso signifique controle do trabalho dos professores ou punição de escolas ineficientes. Que se pode fazer o projeto pedagógico sem que ele represente uma forma de domesticar os professores.

e cultural em que se insere a escola e os professores e as condições concretas dentro da escola e da sala de aula que garantem a justiça social do ponto de vista da escolarização. a cada tarde e a cada noite. Essas disciplinas estudam temas da educação sob um enfoque mais geral: as políticos educacionais. Organização Escolar. porque a cada manhã. Educação Escolar. da organização e da gestão do sistema educacional e das escolas. a qual. as relações entre educação e sociedade etc. Em função disso. educacionais mais claras de um projeto político progressista. os princípios. o estudo do sistema educacional tem sido feito na disciplina Estrutura e Funcionamento do Ensino. a estrutura organizacional do sistema escolar. sob várias denominações: Administração Escolar. em comum. assim. principalmente no curso de Pedagogia. métodos e procedimentos relacionados com o processo de trabalho na escola. Essas disciplinas têm. Todavia. É verdade que faltam coordenadas sociais. na formação de professores é importante o conhecimento da estrutura. econômicas. Organização do Trabalho Pedagógico. as . em alguns lugares. políticos. Pretende. os alunos e as alunas estão chegando para mais uma jornada de aulas. os planos de educação. No currículo do curso de Pedagogia e dos cursos de Licenciatura. este livro contempla mais diretamente o estudo da organização e da gestão por dentro da escola. vem sendo substituída por Políticas educacionais e gestão da educação. Organização do Trabalho Escolar. junto com seus professores e professoras. mas os educadores que atuam na linha de frente do sistema escolar não podem esperar. oferecer conteúdos para disciplinas que aparecem nos currículos.

a educação escolar será abordada sob estes enfoques: a organização da escola. também. das condições externas. relações humanas. as relações internas entre os integrantes da escola. práticas formativas. entre a micro e a macro-estrutura. nas relações entre o infra-escolar e o extra-escolar. Tem-se como pressuposto a crença de que a escola é o centro de referência tanto das políticas e planos da educação escolar quanto dos processos de ensino e aprendizagem na sala de aula e de que de nada adiantarão boas políticos e planos de ação e eficazes estruturas organizacionais se não se der atenção aos aspectos internos da escola. isto é. visando a qualidade cognitiva e operativa da aprendizagem dos alunos. os objetivos e práticas escolares não se limitam ao espaço escolar. isto é. o processo 13 de tomada de decisões. sociais e . as relações da escola com a comunidade e a sociedade. estrutura e dinâmica organizacional. objetivos. isto é. Eles dependem. dos fatores econômicos. às suas condições internas de funcionamento.formas de gestão e de tomada de decisões. A elaboração deste livro teve a pretensão de oferecer o conteúdo básico dessas disciplinas que visam o estudo da escola. Em razão disso. será sempre necessário abordar as situações e os problemas da organização escolar nos seus aspectos internos e externos. procedimentos de avaliação. De acordo com esse entendimento. o sistema de gestão. as formas de participação do professor nos processos de organização e gestão. Ainda que o conteúdo aqui apresentado recaia sobre a escola enquanto organização.

antes. das expectativas e interesses sociais dos grupos e classes sociais. das várias culturas que atravessam a escola. alunos. com isso. pais. na própria situação de trabalho. cada atividade. como objetivos de aprendizagem: Conhecimento da organização escolar. nenhum problema da organização escolar pode ser enfocado isoladamente. é necessária a qualificação teórica de seus integrantes de modo que todos estejam capacitados a fazer a análise da prática e. aprender idéias. experiências. comunidade próxima). pais. O estudo da organização e gestão da escola tem. assim. das suas relações de poder. seus problemas. da sua cultura. pedagogos. das condições materiais de vida e de trabalho dos professores. deve ser tratado sob múltiplos aspectos. saberes. Essa forma de ver a dinâmica da vida da escola leva a considerar a organização escolar como uma instituição aberta. coordenadores. das políticos educacionais e diretrizes oficiais para o sistema escolar. dos condicionantes impostos por valores morais e ideológicos. Para tanto. Em termos práticos. seu modo de funcionamento. Isso significa que cada situação escolar analisada. professores e 14 funcionários) e pelos seus usuários (alunos. bem como as formas de gestão e as . procurando detectar suas características dominantes em cada momento. precisam ser analisadas na sua contextualização mais ampla. cada ocorrência cotidiana. cuja estrutura e processos de organização e gestão são constantemente construídos pelos que nela trabalham (diretor.políticos.

das funções e dos critérios de qualidade da instituição escolar e do papel imprescindível dos .competências e procedimentos necessários para participação nas várias instâncias de decisão da instituição escolar. especialmente no desenvolvimento do projeto pedagógico-curricular. na sala de aula e na organização escolar. interdisciplinar e investigativa. dentro da idéia-mestra que tem orientado a pesquisa atual sobre o trabalho de professores: realizar o trabalho pedagógico de forma coletiva. Capacitação para participação no planejamento. Esses objetivos. desenvolvendo saberes educacionais a partir de questões vividas na prática cotidiana. sensibilidade ética e compromisso com a democratização das relações sociais na instituição escolar e fora dela. propiciarão aos futuros professores e aos professores em exercício ajuda para participarem eficazmente na organização e gestão da sua escola. com competência técnico-científica. Os capítulos I a IV tratam dos objetivos. identificar e solucionar problemas (previsíveis e imprevisíveis) e reinventar práticas frente a situações novas ou inesperadas. se atingidos. organização e gestão da escola. Desenvolvimento de saberes e competências para fazer análises de contextos de trabalho. Os capítulos foram pensados para familiarizar os estudantes nos conceitos básicos do processo organizacional das escolas e nos 15 conhecimentos teóricos e práticos que podem contribuir para a participação consciente e ativa na organização e gestão da escola.

foi incluída uma ampla bibliografia sobre os temas tratados. Alguns colegas tiveram a generosidade de oferecer idéias ou sugestões de alterações de partes do texto e a eles deixo meu agradecimento: João Ferreira de Oliveira. convidando os professores e alunos a saber mais sobre eles e a aprofundá-los. operacional. Maria Augusta de Oliveira. Os capítulos VIII ao XIII oferecem uma orientação prática. Mirza Seabra Toschi.19 Os estudos recentes sobre o sistema escolar e as políticas educacionais têm se centrado na escola como . José Carlos Libáneo Goiânia. Sandramara Matias Chaves.professores. sempre no sentido de ajudar futuros pedagogos e professores a desenvolverem saberes e competências para participar das ações de organização e gestão da escola. Selma Garrido Pimenta. para o funcionamento das escolas. o autor espera que este livro possa trazer uma contribuição eficaz para a formação inicial e continuada de professores nos cursos de Pedagogia. de Souza Lisita. Depois dos capítulos e anexos. Lana de Souza Cavalcanti. Verbena M. nas Licenciaturas e nas próprias escolas. Os capítulos V a VII abordam o sistema de organização e gestão da escola e o papel de seus atores. Valter Soares Guimarães. janeiro de 2001 C A P Í T U L O A ESCOLA COMO ORGANIZAÇÃO DE TRABALHO E LUGAR DE APRENDIZAGEM DO PROFESSOR CAPÍTULO . Por fim.

as leis e resoluções sobre o ensino. pelas estratégias de modernização e de busca de eficácia do sistema educativo. É por essa razão que as reformas educativas de vários países. passou-se a valorizar o estudo da escola como ponto de confluência entre as análises sócio-políticas mais . Foram feitos vários estudos mostrando os mecanismos pelos quais as escolas produziam desigualdades nas aprendizagens escolares. também. os projetos de investigação pedagógica.unidade básica e espaço de realização dos objetivos e metas do sistema educativo. a escola voltou a ter sua importância social reconhecida. de 20 formação para a cidadania e de desenvolvimento de conhecimentos e capacidades para enfrentamento das condições adversas de vida. por um lado. Uma dessas estratégias diz respeito à descentralização do ensino. recorrem hoje. projeto pedagógico. O pedagogo português Antônio Nóvoa conta que nos anos de 1960-70 as pesquisas em educação se destacaram pela constatação da relação entre o funcionamento dos sistemas escolares e as desigualdades sociais. Se. as propostas curriculares. cada vez mais. Após esse período. avaliação institucional. gestão centrada na escola. já por volta dos anos 80. ela poderia ser culpabilizada pela discriminação e exclusão de alunos provenientes das camadas populares. O realce da escola como objeto de estudo não se explica apenas pela sua importância cultural mas. Com base nesse entendimento. por outro. atribuindo às escolas maior poder de decisão e maior autonomia. ela poderia ser um meio indispensável de elevação do nível cultural. a termos como autonomia.

ganham dimensão própria . O estilo de gestão expressa o tipo de objetivos e de relações humanas que vigoram na instituição. um lugar em que os profissionais podem decidir sobre seu trabalho e aprender mais sobre sua profissão. construído pelos seus componentes. embora não de forma igual. dentro da lógica do mercado. decorrentes de sua iniciativa. Ou seja. Todas as pessoas que trabalham na escola participam de tarefas educativas. enquanto organizações educativas. com isso. Há muitos exemplos de que a organização da escola funciona como prática educativa. Nóvoa. Há pelo menos duas maneiras de ver a gestão centrada na escola. curriculares e pedagógicas (Cf.como um lugar onde também se tomam importantes decisões educativas. como espaço de formação. organizar e avaliar os serviços educacionais. de seus interesses. . É assim que as escolas. de suas interações (autonomia e participação) em função do interesse público dos serviços educacionais prestados sem. Nessa segunda perspectiva.globais e as abordagens centradas na sala de aula. desobrigar o Estado de suas responsabilidades. colocar a escola como centro das políticas significa liberar boa parte das responsabilidades do Estado. pensa-se hoje que uma visão globalizada que não chega à escola ou uma visão de sala de aula sem referência à estrutura social mais ampla resultam de análises incompletas e parcializadas. a escola é vista como um ambiente educativo. Conforme o ideário neoliberal. 1995). deixando às comunidades e às escolas a iniciativa de planejar. Na perspectiva sócio-crítica significa valorizar as ações concretas dos profissionais na escola.

O atendimento que a secretaria da escola dá às mães e aos pais pode ser atencioso ou mal-educado. tudo isso afeta o trabalho na sala de aula. os valores e atitudes que os professores expressam como grupo. 21 A preparação e distribuição da merenda pelas merendeiras envolvem atitudes e modos de agir que podem influenciar a educação das crianças de forma positiva ou negativa. a liderança organizacional compartilhada.tais como o estilo de direção. . em boa parte. compartilhado. negociado. grosseiro ou delicado. solidário. suas atitudes. respeitoso ou desrespeitoso. A percepção e as atitudes da direção e dos professores em relação aos alunos são importantes fatores de sucesso ou insucesso escolar dos alunos. Parece claro. As reuniões pedagógicas coordenadas pelo diretor ou pelo coordenador pedagógico podem ser um espaço de participação de professores e pedagogos ou de manifestação do poder pessoal do diretor ou coordenador. que as características organizacionais das escolas . alunos e funcionários. estimulando o isolamento. O comportamento dos alunos. seus modos de agir dependem. as decisões dos professores em suas reuniões. a cultura que se desenvolve no cotidiano entre professores. portanto. a solidão e a falta de comunicação ou pode estimular o trabalho coletivo. A escola pode ser organizada para funcionar "cada um por si". o grau de responsabilidade dos seus profissionais. daquilo que presenciam e vivenciam no dia-a-dia da escola. O funcionamento da escola como organização. as relações humanas que vigoram nela.

dos costumes já consolidados etc. atitudes. Há. das crenças e valores elas . que vão definindo uma cultura própria de cada escola. valores. uma característica das organizações escolares sumamente relevante para as práticas de gestão: a cultura 22 organizacional ou cultura da escola. a elaboração do projeto pedagógico e do currículo. e que tende a permanecer oculta. dos modos como as pessoas pensam e agem. no entanto. o nível de preparo profissional dos professores etc. o currículo.são determinantes da sua eficácia e do aproveitamento escolar dos alunos.). modos de convivência. das normas oficiais. o papel da subjetividade das pessoas. A pergunta é: haverá uma relação entre a organização da escola. da estrutura hierárquica e das várias instâncias e formas de exercício do poder. o que faz gerar a cultura organizacional? É claro que há nela um papel acentuado do sistema de ensino. Há todo um mundo de significados. a cultura organizacional e a sala de aula? A resposta é sim. pelo que aparece mais diretamente à nossa observação (as formas de gestão. também. Não se compreende o funcionamento da escola apenas pelo que vemos. . as reuniões.a participação coletiva. Mas. as práticas e os comportamentos das pessoas na convivência diária de uma organização influem nas práticas e comportamentos dos professores nas salas de aula. Ou seja. invisível. a estabilidade profissional. formas de agir e resolver problemas. as relações sociais entre os integrantes da escola etc. a cultura organizacional influencia o pensar e o modo de agir das pessoas que trabalham na escola. dos regulamentos. Mas há.

Há. Portanto. de modo que se pode dizer que os profissionais e usuários da escola aprendem com a organização e as próprias organizações aprendem. os próprios indivíduos educam a organização. à medida que são eles que a constituem e. dois aspectos: a dinâmica organizacional e a cultura da organização escolar. na família. está uma cultura organizacional. usos e costumes. para além das prescrições administrativas e das rotinas burocráticas. conjuntamente. por outro. no final de contas. "Os indivíduos e os grupos mudam mudando o próprio contexto em que trabalham" (Amiguinho e Canário. para compreendermos as mútuas interferências entre organização 23 da escola e organização da sala de aula. a definem com base nos seus valores. nas relações sociais. a organização educa os indivíduos que a compõem. mudando junto com seus profissionais. as formas de organização e gestão têm uma dimensão fortemente pedagógica. procedimentos. 1994). E se estamos convictos de que as organizações educam.vão formando ao longo de suas vidas. portanto. É importante compreender que por detrás do estilo e das práticas de organização e gestão. também as pessoas constróem uma cultura organizacional. Ou seja. A participação do professor na organização e gestão da escola . na formação escolar. há uma dimensão cultural que caracteriza cada escola. Por um lado. práticas. é preciso considerarmos. ou seja. uma trama de relações implicadas na escola.

Colocar a escola como local de aprendizagem da profissão de professor significa entender que é na escola que o professor desenvolve os saberes e as competências do ensinar. principalmente. Falar de "competências" não é a mesma coisa que falar de "qualificações".Pela participação na organização e gestão do trabalho escolar. É claro que os professores desenvolvem sua profissionalidade primeiro no curso de formação inicial. os professores podem aprender várias coisas: tomar decisões coletivamente. nos estágios etc. Internalizar saberes e competências significa "saber encontrar e pôr em prática respostas apropriadas ao contexto na realização de atividades de um projeto". seus problemas. aprendem sua profissão. formular o projeto pedagógico. assumir coletivamente a responsabilidade pela escola. Mas. Mas é imprescindível ter-se clareza hoje de que os professores aprendem muito compartilhando sua profissão. mediante um processo ao mesmo tempo individual e coletivo. Esta é hoje a idéia-chave do conceito de formação continuada. investir no seu desenvolvimento profissional. dividir com os colegas as preocupações. As qualificações referem-se à aquisição de saberes requeridos para o exercício de uma profissão e à confirmação legal 24 . no contexto de trabalho. o professor produz sua profissionalidade. desenvolver o espírito de solidariedade. na sua história pessoal como aluno. de fato. É no exercício do trabalho que.

baseada na compreensão da prática e na transformação dessa prática. através do estágio supervisionado mas ocorrerá. dentro de uma perspectiva crítico-reflexiva. não haveria necessidade de um currículo teoricamente consistente e nem preparação em nível universitário. efetivamente. com no exercício profissional. A competência profissional é a qualificação em ação.dessa aquisição mediante diplomas. isto é. ao saber fazer. É na escola . As competências referem-se a conhecimentos. Não se quer um professor-técnico cujo conhecimento se restrinja ao domínio das aplicações do conhecimento cientifico e a regras de atuação. Essa contrastação entre a prática e os conhecimentos teóricos aparece já na formação inicial de professores. 1997). certificados etc. são formas de desempenho profissional em que a qualificação se torna eficiente e atualizada nas situações concretas de trabalho (Canário. Se a formação de professores se restringisse ao domínio de técnicas formuladas por especialistas e à sua aplicação. mas considerada uma prática intelectual e autônoma. A internalização de saberes e competências profissionais supõe conhecimentos científicos e uma valorização de elementos criativos voltados para a arte do ensino. no confronto de experiências. A docência não estará reduzida a uma atividade meramente técnica. Essa é a razão pela qual as escolas se constituem em locais de aprendizagem dos professores e de desenvolvimento profissional. no contexto do exercício profissional. pela ação e pela reflexão com seus pares no e sobre seu trabalho cotidiano. habilidades e atitudes obtidas nas situações de trabalho. O sentido de saberes e competências profissionais não pode ser reduzido a habilidades e destrezas técnicas.

Para isso. aprendendo coletivamente novos saberes e competências assim como um modo de agir coletivo. Uma das funções profissionais básicas do professor é participar ativamente na gestão e organização da escola contribuindo nas decisões de cunho organizativo. Conhecendo as condições sociais. administrativo e pedagógico didático. ou transformar ou criar outras pela sua iniciativa e iniciativa dos demais membros da escola. administrativas e pedagógico-didáticas da escola. na sua animação e no seu desenvolvimento. práticas. o professor estará capacitado a tirar proveito das condições já existentes e aprimorá-las. Dessa forma. seu conhecimento da realidade. O professor 25 é um ativo participante de uma comunidade profissional de aprendizagem atuando no seu funcionamento.que o professor coloca em prática suas convicções. a estrutura e a dinâmica organizacional atuam na produção de suas práticas profissionais. suas competências pessoais e profissionais. Por outro lado. trabalhar em equipe e cooperar com os outros profissionais. ele precisa conhecer bem os objetivos e o funcionamento de uma escola. dominar e exercer competentemente sua profissão de professor. pelo conhecimento teórico e pela aquisição de competências operativas. organizacionais. Há uma concomitância entre o desenvolvimento profissional e o desenvolvimento organizacional. O professor participa ativamente da organização do trabalho escolar formando com os demais colegas a equipe de trabalho. pode instrumentalizar-se para influir nas formas de .

respeito mútuo. conselho de classe. encontros. diálogo. planos de aula. responsabilidade. solidariedade. Enfrentando a mudança . Organização e distribuição do espaço físico. Atitudes necessárias à participação solidária e responsável na gestão da escola como cooperação. 26 Habilidades de participação e intervenção em reuniões de professores. Habilidades para obter informação em várias fontes. assim como formas de participação na utilização e controle dos recursos financeiros recebidos pela escola.organização e gestão na escola e em outras instâncias da sociedade das quais participa (por exemplo. Noções sobre financiamento da educação e controles contábeis. e em outras ações de formação continuada no trabalho. culturais. planos de ensino. inclusive nos meios de comunicação e informática. científicas. entre outros: Elaboração e execução do planejamento escolar: projeto pedagógico-curricular. qualidade do equipamento físico das escolas e das condições materiais. organizações sindicais. O desenvolvimento pessoal e profissional do professor para participar da gestão da escola requer os seguintes saberes. Elaboração e desenvolvimento de projetos de investigação. comunitárias). Estrutura organizacional e normas regimentais e disciplinares. Princípios e práticas de avaliação institucional e avaliação da aprendizagem dos alunos.

vídeo. O ensino tem sido afetado por uma série de fatores: mudanças nos currículos. que ela não é uma ameaça mas uma oportunidade de desenvolvimento pessoal e profissional. valores e práticas das pessoas. Os educadores enfrentam hoje mudanças profundas nos campos econômico. educacional. ter uma atitude positiva frente à mudança. mudam nossos filhos. mudam os costumes. na organização das escolas (formas de gestão.. introdução de novos recursos didáticos (televisão. Na verdade.nossa própria vida muda a cada dia. pois. Precisamos. elas sempre estão acontecendo ao nosso redor . computador. atitudes. político. habilidades. atitudes. reconhecendo que ela faz parte da nossa vida e das instituições. que é o conjunto de conhecimentos. As escolas precisam organizar-se para promover a mudança na compreensão. ciclos de escolarização. Uma das formas mais eficazes de aprender a enfrentar as mudanças e ir construindo uma nova identidade profissional é o desenvolvimento de uma atitude críticoreflexiva. passagem de um estado a outro.. desvalorização da profissão docente. Isso leva a mudanças na organização escolar e na identidade profissional de professor. em toda a nossa vida passamos por mudanças. o desenvolvimento da capacidade . Internet). valores que definem a especificidade do trabalho de professor. concepção de avaliação etc).O que é a mudança? Mudança significa transformação. geográfico. cultural. muda 27 a sociedade. isto é. nossos amigos. alteração de uma situação.

de modo a associar o próprio fazer e o processo do pensar. tanto é que as duas idéias têm adeptos. a partir do estudo teórico das disciplinas pedagógicas e da disciplina em que é especialista. Mas. Em muitos cursos de formação de professores vigora a idéia de que uma boa teoria garantirá por si só a prática. Sem teoria. não é verdade que basta uma boa teoria para que um profissional tenha êxito na prática. sem necessidade de teoria. incluída aí uma boa cultura geral. sem desenvolvimento sistemático de processos de pensamento. pensar que é somente na prática que as pessoas aprendem. o professor permanecerá atrelado ao seu cotidiano. Nem toda prática pode ser justificada como adequada. Mas é muito comum. seus valores ou só modificam suas opiniões e valores após terem sido bem sucedidos numa técnica ou procedimento? A questão não é inútil. não é verdade que a prática se basta por si mesma. não haverá muito avanço na competência profissional do professor se ele apenas pensar na sua prática corrente sem recorrer a um modo de pensar obtido sistematicamente. sem o desenvolvimento de habilidades profissionais. suas percepções. Os professores modificam suas práticas profissionais porque mudam suas opiniões. encerrado em seu pequeno mundo . mais importante que isso. se a reflexão ou a ação. E. também. assim como não é possível qualquer reflexão sobre a prática se não há da parte do professor um domínio sólido dos saberes profissionais. sem 28 competência cognitiva.reflexiva com base na própria prática. também. De fato. É freqüente a discussão sobre o que vem primeiro.

O trabalho de professor implica compreender criticamente o funcionamento da realidade e associar essa compreensão com o seu papel de educador.baseada na articulação entre a prática e a reflexão sobre a prática. Seria uma má estratégia de formação de quadros docentes reservar a capacidade de pensar de forma mais elaborada. podemos traduzir idéias em ações. A pesquisadora Selma Pimenta tem ressaltado em seus escritos que o trabalho de professor é um trabalho intelectual e não um trabalho de técnico executor. a ação e a reflexão atuam simultaneamente. uma formação profissional . Podemos refletir sobre nossa ação. de modo que o professor vá se transformando em um profissional crítico-reflexivo. transformando nossa ação em pensamento. de modo a aplicar sua visão crítica ao trabalho concreto nos contextos específicos em que ele acontece. um profissional que domina uma prática refletida. porque elas estão sempre entrelaçadas. recomenda "valorizar os processos de reflexão na ação e de reflexão sobre a reflexão na ação. isto é. A busca da profissionalidade docente não pode transformar-se em mais uma forma de exclusão do professorado. Pensamos que. a capacidade de abstração. Escreve ainda Pimenta: A formação de professores na tendência reflexiva se configura como uma política de valorização do desenvolvimento pessoal-profissional dos professores e das instituições escolares. assim. para enfrentar as mudanças. Propõe-se.pessoal e profissional. a aquisição de uma sólida formação científica. Ao mesmo tempo. uma vez que supõe condições . como processos de construção da identidade dos professores" (1997). apenas aos pesquisadores e docentes das universidades. Para isso.tanto a inicial como a continuada .

a examinar suas opiniões atuais e os valores que as sustentam. liderando a inovação e favorecendo a constante reflexão na prática e sobre a prática. portanto. Em especial. então. analisam. ajudar os professores. O pedagogo escolar deverá ser o agente articulador das ações pedagógico-didáticas e curriculares. depende de uma boa estrutura de coordenação pedagógica que faça funcionar uma escola de qualidade. que valoram e nas quais acreditam. Uma coisa é certa: as pessoas arrumam tempo para as coisas que compreendem. a colaborar na modificação dessas opiniões e valores tendo como referência as necessidades dos alunos e da sociedade e os processos de ensino e aprendizagem. 29 Nas escolas. assegurando que a organização escolar vá se tornando um ambiente de aprendizagem. a partir da reflexão sobre a prática. Os dirigentes da escola precisam. articulando o trabalho de vários profissionais. nos locais de trabalho. O desenvolvimento profissional e a conquista da identidade profissional dependem de uma união entre os . pensam. a construção da identidade profissional de professor depende em boa parte das formas de organização do trabalho escolar. criam novas práticas. em redes de autoformação. um espaço de formação contínua onde os professores refletem.de trabalho propiciadoras da formação contínua dos professores. e em parceria com outras instituições de formação (1999). como sujeitos pensantes e não como meros executores de decisões burocráticas. propondo e gerindo o projeto pedagógico.

. geográficas. decorrem da conjugação de um conjunto de acontecimentos e processos que acabam por caracterizar novas realidades sociais. discussão que é de natureza organizacional. nas telecomunicações. repercutindo na qualificação profissional e. os avanços científicos e tecnológicos. na biotecnologia. Entre os aspectos mais visíveis desse fenômeno destacamse os seguintes: Notáveis avanços tecnológicos na micro-eletrônica. com a discussão conjunta dos problemas da escola. o sistema de gestão. na informática. o novo paradigma econômico. políticas. nos sistemas de ensino e nas escolas. na automação industrial. mas principalmente pedagógica e didática. por conseqüência. 30 – CAPÍTULO II UMA ESCOLA PARA NOVOS TEMPOS 33 As instituições escolares vêm sendo pressionadas a repensar seu papel diante das transformações que caracterizam o acelerado processo de integração e reestruturação capitalista mundial. a reestruturação do sistema de produção e as mudanças no mundo do conhecimento. econômicas. Essas transformações.pedagogos especialistas e os professores. que ocorrem em escala mundial. a avaliação. Fazendo assim. na engenharia genética. articulando num todo o projeto pedagógico. o processo de ensino e aprendizagem. De fato. ter-se-á uma organização preocupada com a formação continuada. afetam a organização do trabalho e o perfil dos trabalhadores. culturais. assumindo juntos a gestão do cotidiano da escola.

Trata-se de novas formas de funcionamento e reestruturação do capitalismo no quadro de um conjunto de transformações que vem sendo chamado de . circulação e consumo da cultura. nos processos de ensino e aprendizagem. na organização do trabalho. Globalização da sociedade. Dentre esses aspectos. Mudanças nos paradigmas da ciência e do conhecimento. As mudanças na economia: novo paradigma produtivo Estão em curso mudanças na economia expressas em novas formas de produção baseadas nas novas tecnologias e no capitalismo financeiro. afetando a produção. prevalecendo o modelo neoliberal de diminuição do papel do Estado e fortalecimento das leis do mercado. Agravamento da exclusão social. influindo na pesquisa. produção de novas tecnologias da comunicação e da informação. nas formas de organização dos trabalhadores. serão destacados alguns que tocam mais de perto a escola e o trabalho dos professores. 34 Difusão maciça da informação. Alterações nas concepções de Estado e das suas funções.entre outros setores. Mudanças nos processos de produção. internacionalização do capital e dos mercados. reestruturação do sistema de produção e do desenvolvimento econômico. aumento da distância social e econômica entre incluídos e excluídos dos novos processos de produção e das novas formas de conhecimento. na produção de conhecimentos. caracterizando uma revolução tecnológica sem precedentes. nas qualificações profissionais.

tem trazido conseqüências bastante prejudiciais às políticas sociais dos países e o empobrecimento da população. Globais. vai ser a ampliação das diferenças entre ricos e pobres. O modelo econômico segue a lógica da subordinação da sociedade às leis do mercado. ligado à Companhia Siderúrgica Nacional e Companhia Vale do Rio Doce. amplia-se a circulação do capital financeiro. (. (. como tem sido reconhecido por alguns dos organismos internacionais e por empresários. o Estado não deve intervir na 35 economia e mesmo as empresas atualmente mantidas pelo Estado são privatizadas. para que entreguemos o nosso mercado e eles fiquem com a produção . menos oportunidades de emprego para os necessitados. priorizar o mercado doméstico. Tal modelo econômico. dos índices de produtividade e competitividade. pelos caminhos que hoje vemos. ampliam-se as grandes fusões entre empresas transnacionais. que não tem futuro. rompem-se as fronteiras comerciais. a produção e os empregos e ter um projeto de desenvolvimento nacional.. Nesse modelo. diminuir as desigualdades internas. na crença de que assim ganham mais eficiência.) Devemos. "globalizar" primeiro o Brasil. mais qualidade.globalização. Internacionais devemos ser. escreveu: A herança da globalização. é outra coisa bem diferente. visando a lucratividade. conhecido por neoliberalismo. mais rentabilidade... O empresário Benjamim Steinbruch.. Para atingir esse objetivo.) Globalizar um país pelo discurso fácil da modernidade sem preocupações sociais e realismo político. para o que se serve da eficiência. portanto. Mais miséria para os menos desfavorecidos.

o usufruto ou a falta da educação básica (incluindo novas habilidades cognitivas e competências sociais) passa a ser . Aqueles que não conseguirem competir. No aspecto individual. definitivamente. Com efeito. As incessantes modificações tecnológicas afetam os postos de trabalho e as competências profissionais. por si mesmas. habilidades e atitudes necessários à qualificação profissional. preparo técnico. no mercado de trabalho e a gerar seus meios de vida. as garantias sociais e os direitos devem ser desmantelados para que o indivíduo sobreviva com seus recursos. tais modificações afetam a organização do trabalho nas empresas e o perfil de trabalhador necessário para novas formas 36 de produção e. não (Folha de S.Paulo. cultura.e o emprego. de modo que as pessoas precisam estar preparadas para mudar de profissão algumas vezes na sua vida.1999). as pessoas são estimuladas a se preparar para competir. exigindolhe adequação aos interesses do mercado e formação de profissionais mais preparados para as modificações do processo de produção. Segundo Faleiros (1999). 23. é fato que as novas realidades do mundo do trabalho requerem trabalhadores com mais conhecimento. Junto com isso.11. na ótica neo liberal. Sendo assim. Por outro lado. em conseqüência. os conhecimentos. Essas mudanças atingem o sistema educacional. formarão o segmento dos excluídos sociais. sem a proteção social pública. aumenta o número de pessoas ocupadas em trabalhos eventuais (também chamados de trabalho precarizado) ou desempregadas.

atinge a poucos. O mesmo se pode dizer . na automação industrial. sociedade do conhecimento. porque o mercado de trabalho não aceita mais mão-de-obra não qualificada. estamos vivendo presentemente a passagem da sociedade industrial para a sociedade informacional. 22. sociedade da informação. sociedade tecnológica. Dados da Organização Pari-Americana de Saúde e Organização Internacional do Trabalho informavam que.determinante da condição de inclusão ou exclusão social.que aparece na comunicação instantânea pela TV. em 1997. Se na sociedade industrial predominou a produção de objetos materiais. nas várias mídias . nas redes de informação.6 por cento no setor primário ou agrícola. na sociedade informacional o que se destaca é a produção e difusão de bens culturais. no telefone móvel. No setor terciário incluem-se os serviços informacionais.4 por cento no setor secundário ou industrial e 15. o setor quaternário ou informacional. 37 A revolução tecnológica . A revolução informacional Este momento da história tem recebido várias denominações: sociedade pós-moderna. a distribuição da força de trabalho apresentava os seguintes índices: 62 por cento no setor terciário ou de serviços. sociedade pósindustrial. Esse crescimento leva os especialistas a antever para breve a institucionalização de um novo setor da economia. deixando a maioria da população à margem da economia. Conforme o sociólogo francês Alain Tourraine (1995). especialmente a informação. nos computadores.

adultos e adolescentes utilizam as mídias. com baixíssima capacidade crítica frente à avalanche informativa vinda especialmente pela televisão. os sem-Internet? Uma das novidades mais excitantes na economia internacional são as transações comerciais via rede Internet. sem a mínima capacidade de leitura crítica da informação recebida. Informação não é sinônimo de conhecimento. Talvez. metade da população mundial? Pode-se afirmar que a tecnologia da informação. A informação é necessária. com baixa escolarização. A tecnologia da informação promove um fenômeno sumamente segregador para a população de baixa renda. mas o que acontecerá aos excluídos da rede. isso seja verdade. computadores. apesar de provocar mudanças nos modos de vida e nas percepções das pessoas. Há. Muitos entusiastas da Internet (redes de informação conectadas internacionalmente) falam de uma democratização do acesso às informações. mas têm em relação a elas uma atitude eminentemente passiva.. cada vez mais escravizadas por ela. mas ela vem exercendo um domínio cada vez mais forte sobre as pessoas. por si só ela . portanto. um papel insubstituível da educação e das escolas de prover as condições intelectuais de avaliação crítica das condições de produção e da difusão do saber científico e da informação.em relação à divisão entre países desenvolvidos e os em desenvolvimento. Internet etc. em parte. chamadas de comércio eletrônico ou virtual. amplia a distância entre os que estão no cume da montanha e os que não saem do sopé. Mas estará ela atingindo os 3 bilhões de pessoas no mundo que vivem com menos de 2 dólares por dia. Na classe média. Número grande de trabalhadores apenas vê televisão e só recebe imagens pré-fabricadas.

de modo que ela não exerça o domínio sobre a consciência e a ação das pessoas. determina a qualidade da participação popular nos processos decisórios existentes na sociedade civil. para o reconhecimento das diferenças entre os vários grupos sociais. também. destacando novos movimentos sociais.não propicia o saber. A crise ética . ressalta-se a diminuição da crença da ação pública na solução dos problemas. Esses fatos lançam novas perspectivas sobre o sentido da formação da cidadania. aumento do individualismo. Tais características levam a novas formas de fazer política. mas ela precisa ser analisada e interpretada pelo conhecimento. novas formas de organização que mostram novos caminhos de controle público sobre o Estado. descrença nas formas convencionais de representação política. para os valores e direitos humanos. para a diversidade cultural. da insensibilidade social. A despolitização da sociedade No campo político. Isso significa. uma vez que se faz necessário educar para a participação social. que possibilita a filtragem e a crítica da informação. é um instrumento de aquisição de 38 conhecimento. que menor ou maior acesso à educação escolar e a outros bens culturais. A informação é um caminho de acesso ao conhecimento.

o professor Gaudêncio Frigotto identifica várias características da . o respeito à vida. De acordo com informações recentes de entidades financeiras internacionais. atingindo tanto as ações cotidianas quanto as formas de relações entre povos. ganhando até 2 dólares por dia. na vantagem. sem referência a valores humanos como a dignidade. 3 bilhões.No campo da ética. no Fórum Econômico Mundial realizado na Suíça. predominando um relativismo moral baseado no interesse pessoal. o mundo contemporâneo convive com uma crise de valores. os direitos humanos. ao lado do conhecimento científico e da preparação para o mundo tecnológico e comunicacional é necessária a difusão de saberes socialmente úteis. vivem na pobreza. Em janeiro de 2000. a solidariedade. vem aumentando significativamente a distância entre ricos e pobres. também. o racismo e a segregação social. Referindo-se à crise deste final de século. a luta contra a violência. ou seja. grupos sociais. novos processos de produção. a democracia. etnias. o aumento da distância social e econômica entre incluídos e excluídos desse processo. a justiça. na eficácia. A exclusão social As transformações em curso impulsionam avanços científicos e tecnológicos. É preciso a colaboração da escola para a revitalização da formação ética. novas formas de conhecimento e ação mas provocam. foi divulgado que dos 6 bilhões de pessoas do mundo. no sentido do reconhecimento das diferenças e das identidades culturais. 50 por cento. o desenvolvimento e a defesa do meio ambiente. Além disso. entre outros.

emprego. No plano cultural e ético-político. a ideologia neoliberal prega o individualismo e a naturalização da exclusão social. ao mesmo tempo que se acentua o dualismo educacional: diferentes qualidades de educação para ricos e pobres (1996). 40 mas precisa ser um baluarte contra a exclusão social. considerando-se esta como sacrifício inevitável no processo de modernização e globalização da sociedade. saúde.realidade contemporânea como estratégias de recomposição do capitalismo. outras mediações. a educação deixa de ser um direito e transforma-se em serviço. A luta contra a exclusão social e por uma sociedade justa. em mercadoria. ligar-se ao mundo econômico. outras culturas. Esses aspectos mostram como a escola não pode mais ser considerada isoladamente de outros contextos. político. No plano sócio-econômico. A escola contemporânea precisa voltar-se para as novas realidades. um currículo centrado na formação geral e continuada de sujeitos pensantes e críticos. educação. uma sociedade que inclua todos. cultural. A escola necessária para os novos tempos . Propõe-se. na formação para a cidadania crítica-participativa e na formação ética. No plano educacional. o ajustamento de nossas sociedades à globalização significa a exclusão de dois terços da humanidade dos direitos básicos de sobrevivência. para essa escola. na preparação para uma sociedade técnica/científica/informacional. passa pela escola e pelo trabalho dos professores.

pela linguagem. Por isso.A escola necessária para fazer frente a essas realidades é a que provê formação cultural e científica. Ela cumpre funções que não são providas por nenhuma outra instância: formação geral básica . a educação acontece nos meios de comunicação. formação científica. desenvolvimento de capacidades cognitivas e operativas. cultural. nas academias de ginástica. política. escrever. nas empresas. na vida urbana. Mesmo considerando a imensa oferta de meios de comunicação social extra-escola. pela ética.capacidade de ler. a escola precisa ser repensada. Há hoje um reconhecimento de que a educação acontece em muitos lugares. que possibilita o contato dos alunos com a cultura. uma escola de qualidade é aquela que inclui. a escola vai se convertendo num "espaço de síntese" (Colom Cañellas. pela estética. através de várias agências. gradativamente. aquela cultura provida pela ciência. A escola de hoje não pode limitar-se a passar informação sobre as matérias. Especialmente. de organização dos espaços e equipamentos públicos. a transmitir 41 . pedagógica. nos sindicatos. As próprias cidades vão se transformando em agências educativas pelas iniciativas de participação da população na gestão de programas culturais. estética e ética. ainda assim há lugar para a escola na sociedade tecnológica e da informação. 1994). pela técnica. uma escola contra a exclusão econômica. porque ela não detém o monopólio do saber. Além da família. Por outro lado. de meios informacionais. nos clubes.

é necessário que proporcione não só o domínio de linguagens para a busca da informação. Ela é uma síntese entre a cultura experienciada que acontece na cidade. nos vídeos.) mas. também. O professor tem aí seu lugar.o conhecimento do livro didático. na família. Nela. através do conhecimento e das habilidades cognitivas. da vida cotidiano. torna-se possível analisar e criticar a informação. O valor da aprendizagem escolar. A escola fará. na rua. no trabalho etc. das multimídias e formas diversas de intervenção educativa urbana. nos pontos de encontro.. no livro didático. Os alunos vão aprendendo a buscar a informação (na TV. Na escola. nas praças. Por isso. no rádio. a escola precisa articular sua capacidade de receber e . nos meios de comunicação. com a ajuda pedagógica do professor. pela comunidade. a síntese entre a cultura formal (dos conhecimentos sistematizados) e a cultura experienciada. das formas de educação proporcionada pela cidade. os instrumentos conceituais para analisarem essa informação criticamente e darem-lhe um significado pessoal e social. Ou seja. assim. com o papel insubstituível de provimento das condições cognitivas e afetivas que ajudarão o aluno a atribuir significados às mensagens e informações recebidas das mídias. dos meios de comunicação. e a cultura formal que é o domínio dos conhecimentos. no jornal. está justamente na sua capacidade de introduzir os alunos nos significados da cultura e da ciência por meio de mediações cognitivas e interacionais. mas também para a criação da informação. das habilidades de pensamento. no computador etc. os alunos aprendem a atribuir significados às mensagens e informações recebidas de fora.

1998). Trata-se de investir numa combinação bem sucedida da assimilação consciente e ativa dos conteúdos com o desenvolvimento de capacidades cognitivas e afetivas pelos alunos. a escola de . no exercício de seu papel na construção da democracia social e política. valores. de modo que aprenda a utilizar seu potencial de pensamento na construção e reconstrução de conceitos. 4. Desenvolvimento de capacidades cognitivas e operativas dos alunos (processos mentais. a internalização de instrumentos conceituais para lidar com os problemas. ou seja. Desenvolvimento da criatividade. Formação para a cidadania crítica. Em relação ao primeiro objetivo. da imaginação. dilemas e situações da realidade. a partir do aluno como sujeito do seu próprio conhecimento. são propostos cinco objetivos: 42 1. estratégias de aprendizagem. habilidades do pensar.interpretar informação. Os objetivos Para essa escola concebida como espaço de síntese. com a de produzi-Ia. atitudes. Formação ética (Libáneo. o que está em questão é uma formação que ajude o aluno a transformar-se num sujeito pensante. Preparação para o processo produtivo e para o mundo tecnológico e comunicacional. por meio dos conteúdos escolares. isto é. um cidadão trabalhador capaz de interferir criticamente na realidade para transformá-la e não apenas formar para integrar o mercado de trabalho. 5. 3. visando o desenvolvimento do pensar. pensamento crítico). habilidades. da sensibilidade. Em resumo. 2.

O quarto objetivo refere-se à educação do trabalhadorcidadão. A escola deve continuar investindo na ajuda aos alunos para que se tornem críticos. da arte. O ensino implica lidar com os sentimentos. compreender o mundo cultural dos alunos e ajudá-los a se construírem como sujeitos. social e afetivo da formação. o respeito consigo mesmos. ou seja. interpretar informações de todo tipo. desenvolver flexibilidade mental para lidar com situações novas ou inesperadas. incluindo a preparação para o mundo tecnológico e comunicacional e para as complexas condições de exercício profissional no mercado de trabalho. A escola precisa torná-lo capaz de interferir criticamente na realidade para transformá-la e não apenas para integrar-se ao mercado de trabalho. para se engajarem na luta pela . respeitar as individualidades. promova a inserção competente e crítica no mundo do trabalho.qualidade promove para todos o domínio dos conhecimentos. desenvolver capacidade de tomar decisões e de fazer análises globalizantes. O segundo objetivo visa a assegurar a ligação entre os aspectos cognitivo. da ciência. da cultura. pensar estrategicamente. a aumentar sua auto-estima. 43 O terceiro objetivo propõe que a escola contemporânea atenda às demandas produtivas e de emprego. sua autoconfiança. A preparação tecnológica inclui o desenvolvimento de saberes e competências exigidas pelo novo processo produtivo como: compreender a totalidade do processo de produção. junto com o desenvolvimento de capacidades e habilidades de pensamento.

justiça social e pela solidariedade humana. Muitas escolas adotam formas de gestão participativa e incorporam nos conteúdos escolares as lutas dos movimentos sociais organizados pela moradia. saúde. tendo um baixíssimo rendimento escolar ou níveis insatisfatórios de aprendizagem. Se os alunos não aprenderam bem. salário. a escola não vem servindo para nada. gênero. se continuam sendo reprovados ou mal escolarizados. envolvendo etnias. Não adianta defender a gestão democrática das escolas. eleições para diretor. Para o atendimento desses objetivos. do meio ambiente.. da violência e segregação social e. das relações humanas. também. envolve tanto os processos organizacionais internos da escola como a articulação com os movimentos e organizações da sociedade civil. emprego etc. O quinto objetivo visa a propiciar conhecimentos. A preparação para o exercício da cidadania. põe-se a exigência de que os sistemas de ensino e as escolas prestem mais atenção à 44 qualidade cognitiva das aprendizagens. minorias culturais. mudanças curriculares e organizacionais. educação. a participação e o diálogo como princípios educativos. A democratização da sociedade e a inserção dos alunos no mundo da produção supõem o . incluindo a autonomia. colocada como foco central do projeto pedagógico e da gestão escolar. procedimentos e situações para se pensar sobre valores e critérios de decisão e ação frente ao mundo da política e da economia. aquisição de novas tecnologias etc. se os alunos continuam sendo reprovados. às formas de exploração do trabalho humano que subsistem na sociedade. do consumo. dos direitos humanos.

45 Ampliando os objetivos da escola Uma das importantes funções da escola é interagir e articular-se com as práticas sociais. A escola tem o compromisso de reduzir a distância entre a ciência cada vez mais complexa e a formação cultural básica a ser provida pela escolarização. É esse o desafio que se põe à educação escolar no início do terceiro milênio. dependem de ampliar. a fim de que os alunos que passem por ela ganhem condições de exercício da liberdade política e intelectual. o número de pessoas que possam participar das decisões primordiais que dizem respeito aos seus interesses. e a escola é apenas uma delas. destacam-se alguns movimentos sociais.ensino fundamental como necessidade imperativa para proporcionar às crianças e jovens os meios cognitivos e operacionais que atendam tanto as necessidades pessoais como as econômicas e sociais. a conquista da cidadania. O fortalecimento das lutas sociais. cada vez mais. As tarefas de construção de uma democracia econômica e política pertencem a várias esferas de atuação da sociedade. a escola precisa oferecer serviços de qualidade e um produto de qualidade. Mas a escola tem um papel insubstituível quando se trata de preparação cultural e científica das novas gerações para enfrentamento das exigências postas pela sociedade contemporânea. Entre elas. Embora continuem existindo os partidos tradicionais e vigorem ainda as formas de representação política típicas da democracia e . Frente a essas exigências. Isso tudo não significa conceber a escola como a impulsionadora das transformações sociais.

Os movimentos de mulheres ressaltam a distinção entre sexo e gênero. outras formas de ação política estão surgindo. o cidadão. Educação para a igualdade entre os sexos Entre os ideais da escola pública destaca-se o da igualdade de oportunidades em geral e. no currículo e na sala de aula implicam atitudes que recusem a idéia de que as diferenças de trabalho.. Vamos destacar alguns desses movimentos. entre homens e mulheres resultem de uma base natural. Nesse sentido. na comunidade.. Propõe-se também que as escolas e os professores não façam uso sexista da linguagem corrente. ou seja. mostrando que os gêneros masculino e feminino são noções estabelecidas numa cultura e numa sociedade organizada por homens.1994). de expressão de sentimentos. Contra essa idéia. a sociedade masculina difunde a idéia de que diferenças de sexo resultam em diferenças de gênero. uma prática educativa na organização escolar."ela porta-se como homem". "inteligência do homem e dos outros animais". o da igualdade de direitos entre homens e mulheres. diferenças sexuais (naturais) também levam a distribuição de papéis sociais entre mulheres e homens. em particular. os pais .a representação sindical. Trata-se. pacifistas etc. de evitar usar termos masculinos como tendo abrangência universal . por exemplo. advogam a luta pelo respeito entre os gêneros e reconhecimento de suas diferenças. (Henriques.o homem. de papéis sociais.ou de expressões que ocultam o lugar da mulher . como os movimentos feministas. "relação do homem com a ciência". . o aluno. Segundo esses movimentos. ecológicos.

46 Educação ambiental A sociedade da informação é uma sociedade de constante risco devido à destruição da natureza e aos problemas humanos decorrentes da degradação ambiental. tomar banho num rio ou numa praia. o que levaria ao turismo ecológico. Frente a formas destruidoras da natureza e que retiram da população meios de ganhar a vida defenderia a manutenção de formas de vida primitivas (como é o caso. Há diferentes entendimentos em relação à educação ambiental. são atividades que envolvem sistematicamente riscos. andar pelas ruas da cidade. Respirar o ar. A corrente da economia ecológica. Além disso. a vida ao ar livre (montanhismo. caminhadas ecológicas. As autoridades. A corrente conservavionista defende a preservação das matas. A corrente da gestão ambiental incentiva ações de movimentos sociais. vivem prometendo segurança à população. a sobrevivência humana está ameaçada nas favelas. os médicos dos hospitais. os órgãos públicos. dos animais. nos cortiços. trilhas etc). dentro de uma noção de natureza biofísica intocável. entrar num hospital como doente ou como visitante. . mas boa parte dos problemas não depende dessas pessoas mas de interesses econômicos privados. A corrente naturalista propõe uma forma de educação pelo contato com a natureza. principalmente pela indústria. critica todas as formas de depredação da natureza. nas moradias inadequadas. que agrupa organismos internacionais. dos seringueiros da Amazônia ou dos índios que resistem à exploração do seu território e à destruição de seu meio natural de vida). por exemplo. de comunidades e de governos na luta pela despoluição das águas e do ar.

Esta corrente se desdobra em duas vertentes muito diferentes entre si: (a) a vertente do "desenvolvimento sustentável" cujo modelo de desenvolvimento é o capitalista. educando as crianças e jovens para proteger. sem negar os avanços técnicos e o desenvolvimento ambiental. conservar e preservar espécies. questionam o modelo de progresso destruidor da natureza (Correntino. (b) a vertente das "sociedades sustentáveis" que. a integração com a natureza. a UNESCO. no tratamento dos resíduos etc. no uso da energia. o conhecimento do universo. às diferenças entre as pessoas. do ponto de vista pedagógico. o ecossistema e o planeta como um todo. e várias organizações não-governamentais e associações ambientalistas.incluindo o Banco Mundial. A educação ambiental contribui na formação humana: levando os alunos a refletirem sobre as questões do ambiente no sentido de que as relações do ser humano com a natureza e com as pessoas assegurem uma qualidade de vida no futuro. Essas quatro correntes enfatizam diferentes concepções e formas de fazer educação ambiental e. . devidamente 47 reciclado. pois os seres humanos compõem o conceito de natureza. ensinando-os a promover o autoconhecimento. elas não se excluem. introduzindo a ética da valorização e do respeito à diversidade das culturas. se caracteriza por defender tecnologias alternativas no trato da terra. 1995). a FAO. diferente do atual modelo economicista de progresso.

da educação popular. exploradoras e depredadoras da natureza biofísica e da natureza humana. 48 empresa etc. A educação ambiental não pode ser apenas uma tarefa da escola. não mutilar a natureza. é preciso articular ações individuais com medidas mais gerais. levando a tomadas de posições sobre a conservação da biodiversidade. isto é. Educação multicultural A idéia de educação multicultural. lutar contra a poluição ambiental etc. das formas comunitárias de discutir e resolver problemas. cidade.empenhando os alunos no fortalecimento da democracia. escola. o reconhecimento dos outros como sujeitos de sua . As pessoas precisam ser convencidas a se engajar em campanhas para a coleta seletiva do lixo. contra o modelo capitalista de economia que gera sociedades individualistas. que se projeta num currículo multicultural. ela envolve ações práticas que dizem respeito ao nosso comportamento nos vários ambientes (família.). Um outro sentido da atitude ecológica é o de recusar um conceito de progresso baseado na capacidade de possuir mais objetos e bens de consumo. Ao mesmo tempo que se precisa conhecer mais a respeito da natureza e mudar nossa relação com ela. não jogar papel na rua. da cidadania. assumindo uma visão de vida baseada mais na relação com a natureza e as pessoas do que com os objetos. está assentada no princípio pedagógico mais amplo: o acolhimento da diversidade.

em boa parte devido à intensificação da migração decorrente do aumento das desigualdades. portadores de uma identidade cultural própria. Uma educação multicultural requer que as decisões da equipe escolar sobre objetivos escolares e organização curricular reflitam os 49 interesses e necessidades formativas dos diversos grupos sociais existentes na escola (a cultura popular. aceitar a presença de várias culturas e desenvolver hábitos mentais e atitude de abertura e diálogo com essas culturas (Gimeno. dos alunos com necessidades especiais). um comportamento multicultural. uma visão aberta e plural em relação às culturas existentes na . diferentes etnias e diferentes linguagens. das minorias étnicas. da falta de terra. da pobreza. Vem aumentando a interação entre pessoas de diferentes lugares. Acolher a diversidade é a primeira referência para a luta pelos direitos humanos. 1995).ou seja. O que se propõe é que. Com isso. o urbano e o rural. no sentido de que toda cultura é plural. a cultura dos jovens. De fato.individualidade. Assumir o objetivo da educação multicultural não significa reduzir o currículo aos interesses dos vários grupos culturais que freqüentam a escola. negros. a cultura de homens e mulheres. A presença da diversidade humana na sociedade resulta na multi-cultura. significa reconhecer o pluralismo cultural. brancos. Uma prática. às vezes com culturas e costumes diferentes. com base em uma atitude geral definida pela escola no sentido de um pluralismo cultural . professores e alunos convivem com uma pluralidade crescente de pessoas e grupos sociais. as crianças nas escolas convivem com pessoas diferentes.

além disso. o respeito a todas as pessoas que trabalham na escola. É preciso considerar. de sentir. Não basta.seja formulada uma proposta curricular que incorpore essa visão multicultural. A organização escolar e os professores precisam saber como articular essas culturas. de modo que adquiram instrumentos conceituais. as revistas populares.sociedade e na comunidade . de comportar-se em relação aos outros. resultante de aprendizagens informais. . o tipo de relações humanas que existe entre os profissionais e usuários da escola. povos etc. trata-se de uma mudança de mentalidade. A educação multicultural perpassa a organização escolar. Fazem parte dessa cultura paralela o cinema. para que a integração de culturas se realize dentro de um sistema de escolarização única que favoreça a igualdade de oportunidades. todavia. de onde os alunos extraem sua forma de ver o mundo. Ou seja. para interpretar a realidade e intervir nela. o rádio. a TV os vídeos. formas do pensar e de sentir. as conversas entre adultos e entre amigos. as pessoas. que os alunos trazem para a escola e para as salas de aula um conjunto de significados. de transformação das formas de pensar. Conforme escreve Gimeno: É o currículo comum para todos que a visão multicultural deve incorporar. que muitos autores chamam de cultura paralela ou currículo extra-escolar. modos de agir. crenças. as diferentes culturas. valores. pensar apenas no currículo formal. ajudar 50 os alunos a fazerem as ligações entre a cultura elaborada e a sua cultura cotidiana.

Embora haja uma grande diversidade de opiniões entre os educadores. a descentralização 54 . com mecanismos de controle e avaliação dos resultados. os profissionais de cada escola precisam estabelecer um consenso mínimo sobre o padrão de qualidade que orientará seu trabalho. administradores e pais sobre critérios de qualidade das escolas. medíocre. Aplicada ao sistema escolar e às escolas. a classificação das escolas em função desses resultados para estimular a competição entre elas. visando a atender a imperativos econômicos e técnicos. boa. Entre as medidas decorrentes dessa concepção organizacional destacam-se: a hipervalorização dos resultados da avaliação. a qualidade total tem como objetivo o treinamento de pessoas para serem competentes no que fazem. a qualidade total. Quais seriam os critérios que definiriam uma qualidade social da escola? Tem se difundido bastante a noção de qualidade retirada da concepção neoliberal da economia. Uma das palavras-chave é qualidade.CAPÍTULO III – Buscando a Qualidade Social do Ensino 53 No mundo todo estão sendo implantadas reformas educacionais para adequar o sistema de ensino às mudanças na economia e na sociedade. dentro de uma gestão eficaz de meios. excelente). Qualidade da escola refere-se tanto a atributos ou características da sua organização e funcionamento quanto ao grau de excelência baseado numa escala valorativa (a qualidade desta escola é ruim.

relação entre qualidade formal e política. capacidade participativa. significa a inter. operativas e sociais. . portanto. um atributo humano. deixando a condição de objeto ou de massa de manobra". Dessa forma. com alto grau de inclusividade. as parcerias com a iniciativa privada. O sociólogo Pedro Demo analisa o conceito de qualidade e chega a algumas conclusões. Em resumo. é aquela baseada no conhecimento e na ampliação de capacidades cognitivas. pragmática. A qualidade é. à constituição da cidadania. a qualidade total decorre de uma concepção economicista. empresarial.administrativa e do repasse de recursos conforme o desempenho das escolas na avaliação externa. Em outras palavras. tendo em vista a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. "qualidade essencial seria aquela que expressa a competência histórica de fazer-se sujeito. a educação é o melhor caminho para desenvolver a competência histórica de fazer-se sujeito. A esse conceito opõe-se o de qualidade social. Educação de qualidade é aquela que promove para todos o domínio de conhecimentos e o desenvolvimento de capacidades cognitivas. escola com qualidade social. operativas e sociais necessários ao atendimento de necessidades individuais e sociais dos alunos. e o que representa melhor a marca humana é o desenvolvimento humano. Competência histórica significa capacidade de agir. Em sintese. buscar qualidade em qualquer instituição significa trabalhar com seres humanos para ajudálos a se construírem como sujeitos. o repasse das funções do Estado para a comunidade (pais) e para as empresas. à inserção no mundo do trabalho. Nesse sentido. genuinamente. de intervir na realidade.

por isso. que a criança aprenda de fato 55 na escola. o domínio dos conteúdos escolares (conceitos. A qualidade política diz respeito aos fins e valores sociais do conhecimento. Desenvolve processos de formação para a cidadania. de modo a contribuir para o fortalecimento da sociedade civil e controle da gestão pública. pela linguagem. instrumentos e procedimentos.Demo distingue. incorporando novas práticas de gestão. 1998). a preparação para o mundo tecnológico e comunicacional. ao objetivo ético de intervir na realidade visando o bem comum (Demo. procedimentos. O ser humano precisa manejar conhecimento. valores). iniciativa. no campo educativo. . construa formação básica capaz de saber pensar para melhor intervir". pela técnica. participação. A qualidade formal refere-se ao nível ótimo a que podem chegar os meios. cria situações para a educação da responsabilidade. ou seja. pela ética. possibilitando aos alunos a preparação para a participação nas organizações e movimentos populares. principalmente o conhecimento. Uma educação escolar de qualidade social tem as seguintes características: Assegura sólida formação de base que propicia o desenvolvimento de habilidades cognitivas. a qualidade formal e a qualidade política. capacidade de liderança e tomada de decisões. pela estética. isto é. Para isso. "Espera-se. integrando a cultura provida pela ciência. operativas e sociais.

conforme ideais humanistas. remuneração digna e formação continuada dos professores. 56 Incorpora no cotidiano escolar as novas tecnologias da comunicação e informação Como buscar a qualidade social? Quais estratégias e procedimentos possibilitam promover a qualidade social das escolas e do sistema escolar? Não é nada fácil estabelecer como critério de qualidade a igualdade quanto ao atendimento escolar. materiais e financeiras de funcionamento. todas as crianças têm direito ao sucesso escolar. em condições iguais de oferta dos meios de escolarização. Por outro lado. física. convicções. ficam por resolver os direitos de alunos portadores de dificuldades escolares gerais ou específicas e portadores de outras necessidades que põem em questão a validade de parâmetros universais de desempenho. traços de caráter. no sentido de usufruir plenamente do direito de escolarização. é possível estabelecer para uma determinada população parâmetros de desempenho nas várias dimensões da educação (cognitiva.Assegura a elevação do nível escolar para todas as crianças e jovens sem exceção. atitudes. nesse caso. . Promove a integração entre a cultura escolar e outras culturas. a qualidade para todos. no rumo de uma educação multicultural e comunitária. condições de trabalho. Dispõe de condições físicas. moral etc. Por um lado.). Cuida da formação de qualidades morais.

não como fins. também.As considerações anteriores mostram que a busca da educação escolar de qualidade depende da conjugação de vários objetivos e estratégias.todos são fatores imprescindíveis para promover a qualidade. a participação da comunidade. Portanto. física. por si só. ética. as eleições para diretor. se os alunos . é insuficiente julgar a qualidade da escola apenas pelo nível de seus produtos. mas eles 57 devem ser considerados como meios. mesmo que se baseiem na democratização nos processos organizativos e decisórios. às dimensões afetiva. etc. Em suma. as mudanças nas práticas de gestão. por mais que os resultados sejam um bom indicativo da qualidade dos processos e das condições da oferta dos serviços. os processos de organização e gestão das escolas. os modernos equipamentos . O que as escolas precisam buscar. no âmbito das escolas. estética. a modificação dos currículos. apenas a aferição do desempenho intelectual dos alunos através de provas e exames. de fato. Também não é suficiente. não resolvem os problemas do ensino e do baixo rendimento escolar dos alunos. de pouca valia terão a gestão democrática. a avaliação dos resultados por provas ou exames nacionais. Do mesmo modo. se os objetivos de aprendizagem não forem conseguidos. porque os resultados da aprendizagem dizem respeito não só à dimensão cognitiva mas. É necessário alertar que a reorganização das escolas. é a qualidade cognitiva das experiências de aprendizagem dos alunos. a aquisição de novos equipamentos.

os resultados juntamente com os elementos e processos que os determinam. pois. Atualmente existem distintas posições sobre . elas existem para que os alunos aprendam. o professor e avaliação. a escola se organiza para que ela readquira em plenitude sua função original de ensinar (Silva Júnior. portanto. se não desenvolvem seu potencial cognitivo. o centro de referência dos critérios e estratégias de qualidade é o que os estudantes aprendem. Com isso. Eixos da qualidade social: o currículo e os processos de ensino e aprendizagem Qualidade social do ensino. ganham importância as estratégias de realização da qualidade a saber: o currículo.se.continuam tendo baixo rendimento escolar. como aprendem e em que grau são capazes de pensar e atuar com o que aprendem. Celestino da Silva Júnior escreve que as escolas não existem para serem administradas ou inspecionadas. no modo como estão sendo ensinados. a organização e a gestão. ou seja. na efetividade desses conteúdos para a vida 58 cultural e prática. Atender às necessidades dos alunos em consonância com as exigências sociais e educacionais contemporâneas significa prestar atenção nos conteúdos que estão sendo ensinados. Daí o investimento necessário no aperfeiçoamento do currículo e das práticas metodológicas nas escolas. diz respeito à qualidade cognitiva dos processos de aprendizagem numa escola que inclua todos. 1986). Considerando.

em que o currículo deveria ser planejado. portanto. a fim de prestar serviços de melhor qualidade aos seus alunos. portanto. principalmente. Secretarias de Educação). incentivar os professores de cada escola a melhorar o processo educativo. a refletir sobre as práticas curriculares e metodológicas. em função de iniciativas e interesses locais. A ênfase está colocada nos interesses mais amplos do sistema político e não nos interesses regionais e locais. Nele são definidas metas a alcançar. predominando. Também torna possível o agrupamento de várias escolas em torno de .formas de organização para o aperfeiçoamento do currículo. metodologias e técnicas a serem seguidas. defende um modelo descentralizado de organização e aperfeiçoamento curricular. administrado e controlado por órgãos superiores do sistema educacional (Ministério da Educação.visando. a uma certa unidade do sistema escolar em função de objetivos democráticos da educação nacional . Sustenta que o currículo é uma questão de cada escola e de cada professor em particular. A segunda posição. Esse modelo busca. bastante criticado pela maioria dos educadores. à liberdade e ao caráter participativo. Uma terceira posição é o modelo misto que confere importância ao mesmo tempo aos órgãos de coordenação central . sistema de avaliação controlador. as decisões que se tomam em âmbito local.e à flexibilidade. oposta à primeira. A primeira é o modelo centralizado. O principal argumento a favor desse modelo é que ele pode assegurar o máximo de participação do professor e demais integrantes da escola e um mínimo de interferência dos órgãos superiores.

No Brasil optou-se pelo terceiro modelo. O principal critério de aferição dos resultados obtidos em relação a esses objetivos é o grau em que se obtém a qualidade cognitiva e operativa das aprendizagens escolares. a . ou seja. a ser concretizada nas decisões regionais e locais sobre currículos e sobre programas de transformação da realidade educacional empreendidos pelas autoridades governamentais.. entre essas condições. o currículo e os processos de ensino e aprendizagem correspondem aos objetivos da escolarização obrigatória. à diversidade sociocultural das diferentes regiões do País e à autonomia de professores e equipes pedagógicas. que se sobreporia à competência político-executiva dos Estados e Municípios. As atividades-meio são as condições de realização desses objetivos. Não configuram. realizam as atividades-fim na educação escolar tais como a aquisição do conhecimento e da cultura. Sua função é orientar e garantir a coerência dos investimentos no sistema educacional (.) Por sua natureza aberta. o planejamento pedagógico e curricular. Em síntese. o desenvolvimento da personalidade. a formação para a cidadania. configuram uma proposta flexível.. pelas escolas. pelos professores. capacitação de professores. conforme se pode concluir das seguintes considerações inseridas na Introdução dos Parâmetros Curriculares Nacionais: 59 Os PCN constituem um referencial de qualidade para a educação no Ensino Fundamental em todo o País. portanto. a inserção no mundo do trabalho.projetos comuns de aperfeiçoamento curricular. incluindo-se. um modelo curricular homogêneo e impositivo.

CAPÍTULO IV – O Professor e a Construção da sua Identidade Profissional 63 O professor é um profissional cuja atividade principal é o ensino. é denominado profissionalidade. a atuação competente dos professores nos conteúdos e na metodologia de 60 ensino. a cultura organizacional. Esse conjunto de requisitos profissionais que tornam alguém um professor. A garantia da qualidade social do ensino é. as habilidades e as atitudes requeridas para levar adiante o processo de ensino e aprendizagem nas escolas. Sua formação inicial visa a propiciar os conhecimentos. com a participação coletiva na elaboração e desenvolvimento do projeto pedagógico e do currículo. A conquista da .organização e gestão da escola. uma professora. Ele faz o ordenamento de todas as atividades pedagógicas. curriculares e organizativas da escola. O projeto pedagógico-curricular é o instrumento de articulação entre fins e meios. tendo em vista os objetivos educacionais. a tecnologia. a obtenção de bons resultados escolares que evidenciem o trabalho da escola e dos professores. a crença na possibilidade de educar a todos como condição para a igualdade e inclusão social.. implicando a relevância social desses conteúdos. portanto. um trabalho escolar integrado e articulado. o desenvolvimento profissional dos professores.

As duas noções apresentadas se complementam. terá muito pouco êxito na sua atividade profissional se não tiver as . O profissionalismo refere-se ao desempenho competente e compromissado dos deveres e responsabilidades que constituem a especificidade de ser professor e ao comportamento ético e político expresso nas atitudes relacionadas à prática profissional. condições de trabalho (recursos físicos e materiais. um professor muito dedicado. a profissionalização requer profissionalismo. compromisso com um projeto político democrático. respeito à cultura de origem dos alunos. O profissionalismo requer profissionalização. ambiente e clima de trabalho. A profissionalização refere-se às condições ideais que venham a garantir o exercício profissional de qualidade. terá dificuldades de atuar com profissionalismo. dedicação ao trabalho. isso significa domínio da matéria e dos métodos de ensino. assiduidade. 64 rigor no preparo e na condução das aulas. Um professor profissionalmente despreparado. Essas condições são: formação inicial e formação continuada nas quais o professor aprende e desenvolve as competências. Na prática. trabalhando em precárias condições. Por outro lado. participação na construção coletiva do projeto pedagógico. habilidades e atitudes profissionais. é assíduo ao trabalho. recebendo salários baixos. práticas de organização e gestão). respeita os alunos. que ama sua profissão. remuneração compatível com a natureza e as exigências da profissão.profissionalidade supõe a profissionalização e o profissionalismo.

os requisitos da profissionalização. carreira . seus valores em relação à prática profissional. É muito comum as autoridades governamentais fazerem autopromoção mediante discursos a favor da educação. na prática. suas convicções. Em boa parte isso se deve às condições precárias de profissionalização. É verdade que a profissão de professor vem sendo muito desvalorizada tanto social quanto economicamente. Não se trata. inclusive. responsabilidade dos governos. os governos têm sido incapazes de garantir a valorização salarial dos professores levando a uma degradação social e econômica da profissão e a um rebaixamento evidente da qualificação profissional dos professores em todo o país. a buscar melhor qualificação. isto é. alardeando que a educação é a prioridade. ao mesmo tempo. recursos materiais e didáticos. No entanto. Pode.cujo provimento é. lutando por melhores salários. formação profissional. interferindo na imagem da profissão. é a responsabilidade que a tarefa educativa traz consigo. Um professor pode compensar uma fraca profissionalização estudando mais. em boa parte.qualidades e competências tidas como ideais a um profissional. Em outros termos. O que justifica essa atuação comprometida é a natureza da profissão de professor. certamente. o que pode levá-lo. investindo na sua formação continuada. mudar suas atitudes. ao mesmo tempo em que se fala da valorização da 65 . salários. que os professores são importantes etc. de lidar com essas duas noções de forma que a ausência de uma comprometa irremediavelmente a outra.

As condições de trabalho e a desvalorização social da profissão de professor. portanto. mediante a educação ou formação continuada. os professores continuam sendo os principais agentes da formação dos alunos e. Isto acontece porque a identidade com a profissão diz respeito ao significado pessoal e social que a profissão tem para a pessoa. Os cursos de formação inicial têm um papel muito importante na construção dos . Apesar dos problemas.educação escolar para a competitividade.pode ser a garantia da recuperação do significado social da profissão. Por isso. são algumas conseqüências que podem resultar dessa perda de identidade profissional. a ressignificação de sua identidade . a construção e o fortalecimento da identidade profissional precisam fazer parte do currículo e das práticas de formação inicial e continuada. para o consumo. de fato. Nos últimos anos. ele perde a identidade com a sua profissão. no entanto. a frustração. prejudicam a construção da identidade dos futuros professores com a profissão e de um quadro de referência teórico-prático que defina os conteúdos e as competências que caracterizam o ser professor. Se o professor perde o significado do trabalho tanto para si próprio como para a sociedade. O mal-estar. os estudiosos da formação de professores vêm insistindo na importância do desenvolvimento pessoal e profissional no contexto de trabalho. Paradoxalmente. continuam vigorando salários baixos e um reduzido empenho na melhoria da qualidade da formação profissional dos professores. a baixa auto-estima.que passa pela luta por melhores salários e pela elevação da qualidade da formação . a qualidade dos resultados de aprendizagem dos alunos é inseparável da qualificação e competência dos professores. para a cidadania.

Nesses cursos são passadas propostas para serem executadas ou os conferencistas dizem o que os professores devem fazer. na organização e articulação do currículo. como participante qualificado na organização e gestão da escola . sem tempo de refletir e avaliar o que faz.conhecimentos. Ela visa ao desenvolvimento pessoal e profissional mediante práticas de envolvimento dos professores na organização da escola. atua como intelectual critico . a refletir sobre sua prática. Ainda é muito comum nas Secretarias de Educação promover a capacitação dos professores através de cursos de treinamento ou de reciclagem. O professor deixa de estar apenas cumprindo a rotina e executando tarefas. nos conselhos de classe etc. de grandes conferências para um grande número de pessoas. a investigar e construir teorias sobre seu trabalho. nas reuniões pedagógicas. nas atividades de assistência pedagógico-didática junto com a coordenação pedagógica. como profissional reflexivo e pesquisador e elaborador de conhecimentos. Na nova concepção de formação . uma vez que ela pode desenvolver-se no próprio trabalho. O professor não é instigado a ganhar autonomia profissional.do professor como intelectual crítico. atitudes e convicções dos futuros professores necessários à sua identificação com a profissão.o professor prepara-se teoricamente nos temas pedagógicos e nos conteúdos para poder realizar a reflexão sobre sua prática. 66 A formação continuada é uma maneira diferente de ver a capacitação profissional de professores. Mas é na formação continuada que essa identidade se consolida.

inventa novos procedimentos. . 1998) Isso não quer dizer que o professor não necessita da teoria. analise de problemas. A realidade muda e o saber que construímos sobre 67 ela precisa ser revisto e ampliado sempre. A Educação Continuada se faz necessária pela própria natureza do saber e do fazer humanos como práticas que se transformam constantemente. bem como para atribuirmos direções esperadas a essas mudanças (Christov. revê sua prática. O alargamento da consciência se dá pela reflexão que o professor realiza na ação. fazendo com que sua prática vire conteúdo de reflexão. discussão de pontos de vista. inventando novas soluções. avaliação de situações etc. um programa de educação continuada se faz necessário para atualizarmos nossos conhecimentos. isto é. desenvolve habilidades de participação grupal e de tomada de decisões seja na elaboração do projeto pedagógico e da proposta curricular seja nas várias atividades da escola como execução de ações. revendo as rotinas. cria novas estratégias. Dessa forma. do conhecimento científico. principalmente para analisarmos as mudanças que ocorrem em nossa prática. Em suas atividades cotidianas. Significa que o professor analisa sua prática à luz da teoria. experimenta novas formas de trabalho. torna-se investigador em sua aula analisando suas práticas. Tematizando sua prática. ele vai ampliando a consciência sobre sua própria prática. Esse é o sentido mais ampliado que assume a formação continuada.na contextualização sociocultural de suas aulas e na transformação social mais ampla.

pensam juntos. inclusive aqueles imprevistos. enriquecendo-se de conhecimentos e práticas e aprendendo a resolver problemas. o professor precisa ser capaz de inventar suas próprias respostas. incertas e muitas vezes desconhecidas. 68 criam uma cultura organizacional. Há muitas formas de realizar a formação continuada: cursos. chegamos à necessidade do trabalho em equipe através do qual os professores formulam o projeto pedagógico. Ou seja. 1998). não basta o professor ter uma lista de métodos e técnicas a serem utilizados. é necessário mobilizar a reflexão sobre a reflexão na ação. Ou seja. .. mas construir estratégias. por isso. descobrir saídas. inventar procedimentos. (. Neste ponto. É assim que o professor transforma-se num pesquisador. possibilitando uma elaboração teórica de seus saberes (Pimenta.) Mas a sua reflexão na ação precisa ultrapassar a situação imediata. congressos seminários de estudo. encontram soluções juntos. Sabemos que boa parte das situações de ensino são singulares.. assumem as responsabilidades coletivamente. Para isso. O que ele precisa é desenvolver a capacidade de dar respostas criativas conforme cada situação.o professor toma decisões diante das situações concretas com as quais depara. com base nas quais constrói saberes na ação. a caminho de construir sua autonomia profissional. discutem juntos. interagem com seus colegas. uma reflexão que se eleve da situação imediata. Não precisa tanto saber aplicar regras já estabelecidas.

O importante é acreditar que a formação continuada é condição indispensável para a profissionalização. identidade profissional é o conjunto de conhecimentos.) a luta pela profissionalidade se esvazia porque os professores continuarão pensando que como está. 1998). o profissionalismo. determinada identidade ... habilidades. Enquanto agirmos em nossas escolas contentando-nos com níveis mínimos de profissionalização (qualificação mínima. 1999). valores que definem e orientam a especificidade do trabalho de professor. que se põe como requisito para a luta por melhores salários e melhores condições de trabalho. assim como para o exercício responsável da profissão..) e profissionalismo (insensibilidade ao insucesso escolar dos alunos. políticas. está bom (Guimarães. autodesqualificação. atitudes. sociais. culturais. má qualidade das experiências de aprendizagem dos alunos. estudos individuais. As novas exigências educacionais frente a essas . Identidade profissional e saberes e competencias profissionais Em que consiste a profissão de professor? O que significa ser professor? Como vimos. A sociedade brasileira está passando por intensas transformações econômicas.conforme necessidades educacionais colocadas em cada momento da história e em cada contexto social (Pimenta. rotinização e desencanto com o trabalho. Sabemos que a profissão de professor vai assumindo determinadas características isto é. descompromisso com atualização pedagógica. encontros com a Coordenação Pedagógica.reunião pedagógica..

conteúdos relacionados a saberes pedagógicos mais amplos do campo teórico da prática educacional. E identidade que é profissional. novos modos de pensar. ou seja. conteúdos ligados à explicitação do sentido da existência humana (individual. que reconhece a docência como um campo de conhecimentos específicos configurados em quatro grandes conjuntos. Libâneo e Pimenta (1999) apontam duas dimensões da identidade profissional de professor: O desenvolvimento profissional envolve formação inicial e contínua articuladas a um processo de valorização identitária e profissional dos professores. 2. sensibilidade pessoal e social). a docência constitui um campo específico de intervenção profissional na prática social não é qualquer um que pode ser professor. competências são as qualidades. agir e interagir. Identidade que é epistemológica. 3. surgem novas práticas profissionais. diretamente relacionados ao campo da prática profissional. Há uma nítida mudança no desempenho dos papéis docentes. a saber: 1. do aluno. do conhecimento. conteúdos didático-pedagógicos. vários estudos vêm pesquisando os saberes e competências profissionais que fazem parte da profissionalidade do professor. conteúdos das diversas áreas do saber e do ensino. . Saberes são conhecimentos teóricos e práticos requeridos para o exercício profissional. das ciências humanas e naturais. Ou seja. ou seja. dos meios de 69 comunicação e informação. novas competências. No últimos anos.transformações pedem um professor capaz de exercer sua profissão em correspondência às novas realidades da sociedade. da cultura e das artes. Com isso. 4.

Outros autores investigaram os saberes profissionais de professores. o saber da tradição pedagógica. uma ação compatível com a situação. Perrenoud (2000a) sugere que os saberes estão contidos no termo "competências". esquemas de pensamento. o saber da experiência e o saber da ação pedagógica.capacidades. As competências vinculam-se não só a conhecimentos como também a uma atividade cognitiva. Ou seja. com eficácia. que permitem determinar e realizar. Define "competência profissional" como uma capacidade de mobilizar diversos recursos cognitivos para enfrentar situações determinadas. numa visão cognitivista e não meramente instrumental. 70 que se torna elemento necessário na definição de competência. as competências correspondem a uma articulação entre capacidades cognitivas e habilidades. de modo que seu exercício implica operações mentais. conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação. envolver os alunos em suas . comportamentos rotineiros e repetitivos. o saber das ciências da educação. administrar a progressão das aprendizagens. Gauthier et al. o saber curricular. tal como entendidos no tecnicismo educacional. Essa capacidade geral ou capacidades não se confundem com objetivos comportamentais. condutas e práticas observáveis. Perrenoud (2000b) apresenta dez famílias de competências para ensinar: organizar e dirigir situações de aprendizagem. habilidades e atitudes relacionados com esses conhecimentos teóricos e práticos e que permitem a um profissional exercer adequadamente sua profissão. (1998) relacionam os vários saberes necessários ao ensino: o saber disciplinar.

política. (1999) organizam o conhecimento profissional dos professores em cinco âmbitos: conhecimentos sobre crianças. na qual se reúnem as dimensões técnica.aprendizagens e em seu trabalho. A competência envolve uma pluralidade de propriedades. trabalhar em equipe. conhecimentos sobre as dimensões culturais. auto-formar-se. um conjunto de qualidades positivas fundadas no bem comum. jovens e adultos. inovar. na realização dos direitos do coletivo de uma sociedade. Para ela. ética e estética. enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão. participar da administração da escola.saberes de experiência. Dominar e exercer a profissão de professor. utilizar novas tecnologias. um profissional qualificado é aquele quem possui determinadas qualidades. 2. informar e envolver os pais. Laranjeira et al. . A professora Terezinha Rios (2000) associa o termo competência à qualidade do trabalho. COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS DE PROFESSOR l. sociais e políticas da educação. administrar sua própria formação contínua. conhecimento para a atuação pedagógica e conhecimento de experiência contextualizado na ação pedagógica. Refletir sobre sua prática. 71 A relação de competências profissionais que reproduzimos a seguir ajudam a compreender as qualidades e capacidades exigidas hoje na formação profissional de professores. os conhecimentos específicos da matéria e os saberes pedagógicos. Pimenta (1999) aponta como saberes necessários à docência . cultura geral e profissional.

para tornar-se sujeito pensante e crítico. Desenvolver competências do pensar. Desenvolver sensibilidade aos problemas emergentes em situações práticas. Servir-se conscientemente das tecnologias. 5. 7. Servir-se das ciências humanas e sociais como base de análise de situações educativas complexas. Manter uma relação crítica e autônoma com os saberes. Todavia. 4. Dominar as disciplinas a ensinar e suas didáticas.3. Outras competências: 13. Considerar a diversidade dos alunos.Suíça. Integrar a componente ética à prática cotidiana. construir e administrar situações de aprendizagem e de ensino. 15. Assumir a dimensão educativa do ensino. Conceber. Os itens de 1 a 12 foram extraídos do Guia de Estudos da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação de Genebra . Capacitar-se a realizar pesquisas e análises de situações educativas e de ensino. Assumir as dimensões relacionais no ensino. 12. 10. 14. saber diagnosticá-los e enfrentálos. aposta-se nas possibilidades de melhoria da . Desenvolver sólida cultura geral. 16. 11. 9. 8. 72 É sabido o quanto o desenvolvimento dessas características de professor pode ser prejudicado pelas atuais condições de exercício profissional tais como a baixa remuneração e as precárias condições de trabalho. 6. Trabalhar em equipe e cooperar com outros profissionais.

outros atribuem maior amplitude a uma ou a outra. desencadeiam enorme ampliação da prática profissional. ora o primeiro praticamente se confundindo com administração . exigindo-se conhecimentos mais refinados para uma atuação produtiva. Deixam de existir em educação . racionalizar o uso de recursos (materiais. gestão e participação. ora tomados como sinônimos. A cada dia demanda-se uma formação (. O mesmo acontece com os termos gestão e direção. coordenar e controlar o trabalho das pessoas. A expressão "organização escolar" é freqüentemente identificada com "administração escolar". aumentando-se a complexidade da profissão.se já existiram . financeiros. profissionalizando-se. intelectuais).Os Conceitos de Organização Gestão.qualificação profissional na formação inicial e formação continuada como um dos requisitos essenciais para a profissionalização. as inúmeras mediações que provocam um turbilhão de estímulos que povoam a mente dos alunos. CAPÍTULO V . Participação e Cultura Organizacional 75 Os especialistas não têm uma posição única sobre a utilização dos termos organização. termo que tradicionalmente caracteriza os princípios e procedimentos referentes à ação de planejar o trabalho da escola. Alguns autores utilizam essas duas expressões indistintamente. o caráter de instantaneidade que os fatos adquiriram. administração.) mais sólida.. É o que recomenda Guimarães (1999): A ampliação e eficiência dos meios de comunicação..fatos simples. mais ampla e mais flexível para que o professor seja capaz de ir compondo sempre melhor as suas respostas.

os elementos materiais e conceptuais que o homem coloca entre si e a natureza para dominá-la em seu proveito. especialmente no projeto pedagógico. (.) A administração pode ser vista.. (.. Organização e administração A maioria dos autores que estudam as tarefas de administrar. gerir. a organização escolar (Santos. Ela inclui.) envolvem. uma parte dela. dirigir.) Os recursos (...e o segundo como um aspecto do processo administrativo. O termo "cultura organizacional". organizar.. conforme o âmbito de análise) sendo a ação de organizar. os esforços despendidos pelos homens e que precisam ser coordenados com vistas a um propósito comum. tomar decisões. por sua vez. Tais tarefas remetidas 76 à escola configuram a administração escolar (ou educacional. no seu âmbito de ação. configurando-se assim uma ciência da administração ou uma teoria da administração. vem suscitando cada vez mais interesse por causa de suas implicações no funcionamento da escola. Nesse sentido. organizar. podemos afirmar que a administração é a utilização racional de recursos para a realização de fins determinados. na construção do currículo e nas formas de gestão. dirigir e controlar os serviços necessários à educação. tanto na teoria como na prática.. por um lado. 1966). são bem explicitas as seguintes definições: A administração escolar tem como objetivos essenciais planejar. Em seu sentido geral. as reúnem todas no conceito de administração. assim. . por outro. portanto.

Esses meios ou fatores são de duas classes: administrativos e pedagógicos" (Aguayo in Santos. preferem atribuir ao termo organização maior abrangência. que a diferenciam das empresas convencionais. constituída de pessoas que trabalham juntas) que existem para alcançar determinados objetivos (Chiavenato. Outros autores. seria mais adequado o uso do termo organização. 1986). reconhecendo a especificidade das instituições educacionais. Nesse caso. 1966). fatores e meios de ação que regulam a obra da educação ou um aspecto ou grau da mesma. entretanto. entendendo que a administração realiza-se no contexto de uma organização. demarcando esferas de responsabilidade e níveis de autoridade nas pessoas congregadas. 77 A organização escolar é o conjunto de disposições. que conduzem a fins determinados. com fortes características interativas. As organizações são unidades sociais (e.1989). Além disso..) é bem dispor elementos (coisas e pessoas). Organizar (. portanto. Administrar é regular tudo isso. a fim de . sendo a instituição escolar eminentemente um sistema de relações. dentro de condições operativas (modos de fazer). As seguintes definições permitem atribuir a abrangência maior ao termo organização. é útil a posição de Chiavenato (1989) distinguindo dois significados diferentes de organização: organizações como unidades sociais e organização como função administrativa.como dois amplos campos que se interpenetram: a "racionalização do trabalho" e a "coordenação (do esforço humano coletivo" (Paro..

S.1994). pois. o caráter de intencionalidade de seus atos. Podemos ver a escola como uma organização na medida em que ela se constitui como unidade social `de agrupamentos humanos intencionalmente construídos ou reconstruídos' (Chiavenato. cooperativo. Em uma de suas obras mais difundidas. Organização e Administração Escolar. as suas interações. unidade social que reúne pessoas que interagem entre si e que opera através de estruturas e processos organizativos próprios. colocados juntos. Utilizamos. 1976. . adotamos o sentido amplo de organização. definindo 78 a organização como ação congregada entre duas ou mais pessoas. das instituições. são mais abrangentes que administração. É este o processo que denominamos de gestão. 1976). processos de sistematicidade e caráter pessoal direto e prolongado de que se reveste o ato educativo (Carvalho e Diogo. Edições Melhoramentos. em relação à qual a administração é subordinada. enfatizando assim os indivíduos e os grupos interrelacionados. considerando que esses termos. assim. ou seja. 1983). realizem seus objetivos.que não se perca a coesão do trabalho e sua eficiência geral (Lourenço Filho. Seguindo de perto essas definições. a expressão organização e gestão da escola. a fim de alcançar os objetivos da instituição. Lourenço Filho também destaca o caráter grupal. Paulo. Para que as organizações funcionem e. requer-se a tomada de decisões e a direção e controle dessas decisões.

Na prática, os termos organização e administração, podem ser utilizados combinadamente, desde que se explicite o conteúdo de cada um. A definição de Paro, por exemplo, registrada acima, define com muita propriedade os âmbitos de estudo da Administração, que poderiam ser incluídos também como campo de estudos da Organização. Gestão e direção Alguns autores afirmam que o centro da organização e do processo administrativo e a tomada de decisão. Todas as demais funções da organização (o planejamento, a estrutura organizacional, a direção, a avaliação) estão referidas ao processo eficaz de tomada de decisões (Griffiths, 1974). Os processos intencionais e sistemáticos de se chegar a uma decisão e de fazer a decisão funcionar caracterizam a ação que denominamos gestão. Em outras palavras, a gestão é a atividade pela qual são mobilizados meios e procedimentos para se atingir os objetivos da organização, envolvendo, basicamente, os aspectos gerenciais e técnicoadministrativos. Nesse sentido, é sinônimo de administração. A direção é um princípio e atributo da gestão, mediante a qual é canalizado o trabalho conjunto das pessoas, orientando-as e 79 integrando-as no rumo dos objetivos. Basicamente, a direção põe em ação o processo de tomada de decisões na organização, e coordena os trabalhos, de modo que sejam executados da melhor maneira possível.

A organização e os processos de gestão, incluindo a direção, assumem diferentes significados conforme a concepção que se tenha dos objetivos da educação em relação à sociedade e à formação dos alunos. Por exemplo, numa concepção tecnicista de escola, a direção é centralizada numa pessoa, as decisões vêm de cima para baixo, bastando cumprir um plano previamente elaborado, sem participação dos professores, especialistas e usuários da escola. Já numa concepção democráticoparticipativa, o processo de tomada de decisões se dá coletivamente, participativamente. A direção pode, assim, estar centrada no indivíduo ou no coletivo, sendo possível uma direção individualizada ou uma direção coletiva ou participativa. Neste livro, será assumida a concepção da direção participativa ou democráticaparticipativa, conforme detalharemos adiante. Participação A participação é o principal meio de se assegurar a gestão democrática da escola, possibilitando o envolvimento de profissionais e usuários no processo de tomada de decisões e no funciona mento da organização escolar. Além disso, proporciona um melhor conhecimento dos objetivos e metas, da estrutura organizacional e de sua dinâmica, das relações da escola com a comunidade, e favorece uma aproximação maior entre professores, alunos, pais. Nas empresas, a participação nas decisões é quase sempre uma estratégia que visa a busca do aumento de produtividade. Nas escolas, esse objetivo não precisa ser descartado pois elas também buscam bons resultados. Entretanto, há aí um sentido mais forte de prática da democracia, de experimentar formas não-autoritárias de

exercício do poder, de intervir nas decisões da organização e definir coletivamente o rumo dos trabalhos. 80 O conceito de participação se fundamenta no de autonomia, que significa a capacidade das pessoas e dos grupos de livre determinação de si próprios, isto é, de conduzirem sua própria vida. Como a autonomia opõe-se às formas autoritárias de tomada de decisão, sua realização concreta nas instituições é a participação. Portanto, um modelo de gestão democrática-participativa tem na autonomia um dos seus mais importantes princípios, implicando a livre escolha de objetivos e processos de trabalho e a construção conjunta do ambiente de trabalho. Podemos citar cinco fundamentos do trabalho em equipe ou trabalho participativo: Em primeiro lugar, a equipe deve ter uma meta, propósito, causa ou objetivo que seja identificado, aceito, compreendido e desejado por todos os membros da equipe. Em segundo lugar, a equipe deve ter espírito, moral e desejo de triunfar ainda que seja ao custo de consideráveis sacrifícios individuais. Em terceiro lugar, as linhas de autoridade e responsabilidade devem estar claramente definidas e compreendidas perfeitamente por todos. Em quarto lugar, devem ser estabelecidos os canais de comunicação. Em quinto lugar, o líder deve descobrir e utilizar ao máximo as capacidades criadoras de cada uma das pessoas e uni-las numa equipe homogênea (In Neagley e Evans, 1969). Estes princípios expressam com muita clareza a necessidade de a organização escolar ter objetivos comuns e compartilhados, buscar o envolvimento da equipe de profissionais com esses objetivos, contar com uma

estrutura organizacional em que as responsabilidades estejam muito bem definidas, dispor de várias formas de comunicação entre a organização e as pessoas, ter uma liderança que consiga motivar e mobilizar as pessoas para uma atuação conjunta em torno de objetivos comuns. Em relação, ainda, ao trabalho em equipe, é importante assinalar que a liderança não é atributo exclusivo de diretores e coordenadores, nem está ligada apenas ao cargo e ao status da 81 pessoa. É uma qualidade que pode ser desenvolvida por todas as pessoas por meio de práticas participativas e de ações de desenvolvimento pessoal e profissional. Numa escoa existem, pois, vários tipos de liderança. Entretanto, não se pode negar que, mesmo na gestão democrática efetivada de forma cooperativa e participativa, o funcionamento e a eficácia da escola dependem em boa parte da capacidade de liderança de quem está exercendo a direção e a coordenação pedagógica. Cabe ressaltar, finalmente, que a prática da participação nos processos de gestão, por si só, não esgota as ações necessárias para que seja assegurada a qualidade do ensino. Tanto quanto os vários elementos do processo organizacional, e como um dos elementos deste, a participação é um meio de alcançar melhor e mais democraticamente os objetivos da escola, que se centram na qualidade dos processos de ensino e aprendizagem. Com efeito, na conquista da autonomia da escola, está presente a exigência da participação de professores, pais, alunos, funcionários e outros representantes da comunidade, bem como as formas dessa participação: a

interação comunicativa, a discussão pública dos problemas e soluções, a busca do consenso em pautas básicas, o diálogo intersubjetivo. Todavia, é preciso considerar que a participação implica processos de organização e gestão, procedimentos administrativos, modos adequados de fazer as coisas, a coordenação, o acompanhamento e a avaliação das atividades, a cobrança das responsabilidades. Ou seja, para atingir os objetivos de uma gestão democrática e participativa e o cumprimento de metas e responsabilidades decididas de forma colaborativa e compartilhada, é preciso uma mínima divisão de tarefas e a exigência de alto grau de profissionalismo de todos. Portanto, a organização escolar democrática implica não só a participação na gestão mas a gestão da participação, em função dos objetivos da escola. Essa é uma competência genuína da direção e da coordenação pedagógica da escola. 82 Para a gestão da participação, é preciso ter clareza de que a tarefa essencial da instituição escolar é a qualidade dos processos de ensino e aprendizagem que, mediante as práticas pedagógico didáticas e curriculares, propiciam melhores resultados de aprendizagem. Em síntese, a escola é uma instituição social com objetivos explícitos: o desenvolvimento das potencialidades dos alunos através de conteúdos (conhecimentos, habilidades, procedimentos, atitudes, valores), para constituírem-se em cidadãos participativos na sociedade em que vivem. A tarefa básica da escola é o ensino; que se cumpre pela atividade docente. A organização escolar necessária é aquela que melhor favorece aqueles objetivos e assegura as melhores condições de realização do trabalho docente. Há, assim,

como será explicitado mais adiante. Esses aspectos tem sido denominados freqüentemente de "currículo oculto" mas que. sendo que a maior parte deles não são claramente perceptíveis nem explícitos. Isso significa. ou como preferem outros. normas. a formas de participação. ou seja. a tecnologia (recursos e técnicas). A cultura da escola. há aspectos de natureza cultural que as diferenciam umas das outras. ao lado de outros como a estrutura organizacional. entre atividades-fim e atividadesmeio. Vejamos. procedimentos operacionais. no seu desenvolvimento profissional. A cultura organizacional Em outro capítulo deste livro referimo-nos à importância da cultura da escola na formação da identidade profissional do professor. representa hoje um elemento indissociável das práticas de organização e gestão. embora oculto. culturais. portanto. que para 83 além daquelas diretrizes. psicológicos que influenciam os modos de agir da organização como um todo e do comportamento das pessoas em particular.uma interdependência entre os objetivos e funções da escola e a organização e gestão do processo de trabalho na escola. rotinas administrativas. o significado de cultura organizacional. as relações de trabalho. a cultura organizacional. a cultura organizacional (também chamada "cultura da escola' diz respeito ao conjunto de fatores sociais. tratando-se da escola. inicialmente. Numa compreensão mais geral. atua de forma poderosa nos modos de .

o que se quer destacar aqui. da cultura da prisão. é que as próprias práticas e situações escolares estão impregnadas de uma cultura. seu 84 . Tanto isso é verdade que os mesmos professores tendem a agir de forma diferente em cada escola em que trabalham. Mas. Essa idéia de cultura organizacional remete à cultura da escola.seus saberes. Também os professores são portadores de características culturais . Segundo Forquin: Forquin distingue a cultura da escola da cultura escolar. “rotinizados”. também. pois cada escola tem o seu modo de fazer as coisas. um mundo social. esta definida como "o conjunto dos conteúdos cognitivos e simbólicos que. da cultura da fábrica) . que é a cultura da escola (como se poderia falar. expressão derivada do conceito sociológico de cultura (Forquin. que tem suas características de vida próprias. afetando tanto professores quanto alunos. seus ritmos e seus ritos. constituem habitualmente o objeto de uma transmissão deliberada no contexto das escolas" A escola é. que afetam sua participação nas aprendizagens. “normalizados”. sob efeito dos imperativos de didatização. as formas com que lidam com a profissão .que marcam fortemente as práticas docentes. e seus quadros de referência. sua linguagem. também. 1993).funcionar das escolas e na prática dos professores. organizados. Sabemos que o trabalho nas escolas se defronta com características culturais dos alunos. selecionados. seus valores.

faz diferença se a escola é urbana. Qual é o significado disto para o sistema de organização e gestão das escolas? Como a cultura da escola influi nos estilos de organização e gestão? A ênfase na cultura organizacional não chega a ser novidade na teoria das organizações. o quanto seria prejudicial aos seus objetivos se o planejamento da escola desconhecesse as expectativas dos pais. escola japonesa. .imaginário. Isso significa que a direção da escola pode promover a criação de uma cultura organizacional. na elaboração do projeto pedagógico. em outras palavras. que a cultura da escola pode ser modelada. com as expectativas da comunidade. escola brasileira Sabemos. como condições para melhor funcionamento da organização. seu regime próprio de produção e de gestão de símbolos. Significa. Também já tem sido ressaltado nas teorias da organização escolar a importância da criação de um clima de trabalho favorável e do incentivo para que todas as pessoas da equipe escolar se envolvam com a escola. da capital ou do interior. por exemplo. À medida que se considera uma organização como uma unidade social formada por grupos humanos intencionalmente constituídos. rural. seus valores. de um clima favorável. no currículo e nos planos de ensino. Quando se pensa nas formas de administração escolar. existe uma cultura regional e local que influi nas várias atividades escolares. suas maneiras de educar os filhos etc. implicando aí os aspectos culturais no sentido que apontamos. ou seja. seus modos próprios de regulação e de transgressão. Nesse sentido. de relações de confiança. ganham importância as interações entre as pessoas e com o contexto social mais amplo. já aparece a preocupação com o contexto social e cultural da escola.

É claro que isso não se dá sem conflitos. porém. conforme abordamos anteriormente. com base nos significados que dão ao seu trabalho. significados. Mas há em cada escola uma . tanto nas relações que se estabelecem no dia-a-dia quanto nas salas de aula. às decisões que são tomadas.planejada. é construído pelos seus próprios membros. como a coesão e o espírito grupal. Essa maneira de ver tem algum valor. porque vai além de um sistema de gestão baseado apenas na autoridade do diretor e dos procedimentos burocráticos. embora destaque a importância e o papel do 85 contexto sociocultural na organização escolar. conformada para atender objetivos da direção. não considera que a própria escola é um mundo cultural. Essa cultura própria vão sendo internalizada pelas pessoas e vai gerando um estilo coletivo de perceber as coisas. diferenças. a escola vai adquirindo. funcionários. valores. que este entendimento das relações entre a cultura e a escola. práticas. alunos. traços culturais próprios. de pensar os problemas. podendo haver até quem destoe dessa cultura. É o que estamos denominando de cultura da escola ou cultura organizacional. Em resumo: a partir da interação entre diretores. na vivência do dia-adia. O sentido de cultura organizacional que queremos destacar é o de que a própria organização escolar é uma cultura. vai formando crenças. que o modo de funcionar da escola. discordâncias. coordenadores pedagógicos e professores. Observe-se. de encontrar soluções. modos de agir. aos objetivos da escola.

a argumentar numa discussão. da gestão participativa. do corpo docente. nas normas disciplinares. mas essa cultura pode ser modificada pelas próprias pessoas. nos corredores. na relação dos professores com os alunos na aula.forma dominante de ação e interação entre as pessoas que poderia ser resumida nesta expressão: "temos a nossa maneira de fazer as coisas por aqui". Vem daí uma constatação muito importante: a escola tem uma cultura própria que permite entender tudo o que acontece nela. na metodologia de aula etc. A conseqüência prática disso é que precisa haver coerência entre os objetivos proclamados e a cultura organizacional. Se se define como um dos objetivos da escola a formação da cidadania. avaliada. nas formas de tratamento com os pais. da coordenação pedagógica. mas este também é instituidor de uma cultura organizacional. É isto que justifica a formulação conjunta do projeto pedagógicocurricular. ela pode ser discutida. é preciso criar uma estrutura em que os alunos aprendam a se organizar. na confecção de alimentos e distribuição da merenda. na cantina. conforme veremos adiante. a planejar e tomar decisões. A cultura 86 organizacional é elemento condicionante do projeto pedagógico-curricular. num rumo que responda aos propósitos da direção. será preciso instituir formas de gestão e tomada de decisões participativas e . planejada. Essa cultura organizacional se projeta em todos as instâncias da escola: no tipo de reuniões. Se o objetivo é estabelecer na escola formas democráticas de gestão.

Uma concepção realista da organização escolar considera. cuja influência na organização escolar é determinante. considera-se que na escola ocorre uma disputa de interesses sociais e individuais. os valores. ao mesmo tempo. entre professores. os significados. a partir da cultura organizacional existente. funcionários. os valores. finalmente. alunos. é preciso que se tenha uma prática de respeito à diversidade social. Na perspectiva sócio-crítica da cultura organizacional. cultural. as interpretações das pessoas em relação ao que precisa 87 ser feito. Estes exemplos reforçam a idéia de que a organização escolar constitui-se. Considera. de sexo. É preciso considerar.transparentes. religiosa. os significados. étnica. dentro da . para se chegar a definições e decisões em torno dos objetivos comuns. ela própria. pode ser construída intencionalmente uma cultura organizacional educativa com base em princípios sóciopedagógicos. as relações de poder externas e internas. em que a equipe escolar discute a realidade. Se lutamos pelo reconhecimento das diferenças. mas também considera os objetivos e os propósitos sociais da organização escolar. as diferentes visões de mundo. também. as diferenças. podem modificá-la. numa prática educativa e que seus membros. que a escola se insere num contexto sociocultural e político mais amplo. Ou seja. que levar em conta os significados subjetivos e as características culturais das pessoas nas práticas de organização e gestão da escola não significa excluir os conflitos. aprimorá-la. os diferentes modos de agir.

e acreditar que há outras formas possíveis de organizar e gerir uma escola. conhecer as teorias organizacionais. em sentido mais estrito. Na prática. com o prédio da escola e os recursos materiais. 2) que precisam conhecer a escola. Preferimos optar pela seguinte posição: o diretor de escola é o responsável pelo funcionamento administrativo e pedagógico da escola. com a parte financeira. que moldam a formação e o funcionamento da organização. isso significa: 1) que os professores precisam desconfiar de que a organização escolar deva funcionar do jeito em que está funcionando. ele desempenha predominantemente a gestão geral da escola e. que requerem uma ação organizada. Há uma diversidade de opiniões sobre o papel do diretor de escola. principalmente. mais efetivas. portanto. racional. para que tomem consciência das condições de funcionamento da organização e que possam criar outras.realidade sociocultural e política mais ampla. nas formas de funcionamento. 3) que precisam ter clareza de que há interesses sócio-políticos e econômicos na definição de uma organização escolar. uma normatividade. especificamente. Entretanto. na escola. necessita de conhecimentos tanto administrativos quanto pedagógicos. as funções administrativas (relacionadas com o pessoal. sobre se lhe cabem tarefas apenas administrativas ou também tarefas pedagógicas. O papel do diretor de escola e da equipe de especialistas A implementação de práticas alternativas de organização e gestão da escola depende bastante da atuação da direção e da coordenação pedagógica da escola. com a supervisão geral . mais reflexivas. mais participativas.

O crescimento da população e a urbanização da sociedade têm levado à instalação de escolas maiores. educação para o lazer. que somente pode ser assegurada com o trabalho do coordenador pedagógico. vão sendo conferidas às escolas: orientação psicológica. professores. uma vez que responsabilidades que antes correspondiam aos pais e mães. 88 Mais adiante ver-se-á que a ênfase no processo de ensino e aprendizagem na sala de aula requer um acompanhamento e uma atenção especial. A necessidade de vínculo maior com as famílias. relações com a comunidade). iniciativa e utilizar práticas de trabalho em grupo para assegurar a participação de alunos. implicando uma ligação mais explicita da escola com outros organismos da comunidade. orientação para novas necessidades da vida urbana. educação ambiental etc. especialistas e pais nos processos de tomada de decisões e na solução dos problemas. As mudanças na sociedade envolvendo uma ligação maior da escola com outras realidades tais como os meios de comunicação e informação. delegando a parte pedagógica ao coordenador ou coordenadores pedagógicos. a automação. Há outras razões para destacar o papel do diretor.das obrigações de rotina do pessoal. educação para o trânsito. tornando mais complexas as tarefas de organização e gestão. Ele encarna um tipo de profissional com conhecimentos e habilidades para exercer liderança. . Mas essa acentuação da importância da coordenação pedagógica não significa diminuição do papel do diretor. orientação sexual.

Nessa hora. os desejos. Como temos insistido. participação. financeiros. autonomia. Infelizmente. Essa prática torna o diretor o representante do poder executivo na escola. Ao contrário. Como gestor da escola. Outras formas de escolha são o concurso público e a eleição pelo voto direto ou representativo. Em razão disso.aquela em que o diretor centraliza todas as decisões. é preciso colocá-las em prática. democracia não significam ausência de responsabilidades. predomina ainda no sistema escolar público brasileiro. pois. as expectativas da comunidade escolar e articular a adesão e a participação de todos os segmentos da escola na gestão de um projeto comum. culturais. uma importância muito significativa para que a escola seja respeitada pela comunidade. participativamente. uma pessoa que consegue aglutinar as aspirações. o diretor tem uma visão de conjunto e uma atuação que apreende a escola nos seus aspectos pedagógicos. como dirigente. a escolha do diretor de escola requer muita responsabilidade do sistema de ensino e da comunidade escolar. a escola precisa estar bem coordenada e administrada. administrativos. Uma vez tomadas as decisões coletivamente. trata-se de entender o papel do diretor como um líder. geralmente para atender conveniências e interesses político-partidários.O diretor ou diretora de escola tem. Não se quer dizer com isso que o sucesso da escola 89 reside unicamente na pessoa do diretor ou numa estrutura administrativa autocrática . . a nomeação arbitrária de diretores pelo governador ou prefeito.

De fato. 3. a escola não pode ser mais uma instituição isolada em si mesma. na Associação de Pais e Mestres (onde existir).Descartando-se a escolha por nomeação. embora esteja claro para a maioria que os pais participam. Isso significa que a equipe escolar precisa estabelecer condições prévias para os candidatos. relacionadas à qualificação e competência profissional e experiência na área educacional. separada da realidade circundante. multiculturalismo. Eleições. não tem havido consenso entre os pesquisadores e educadores sobre as formas concretas dessa participação. mas integrada numa comunidade que interage com a vida social mais ampla. 2. a melhor forma de escolha é um sistema combinado: 1. no Conselho de Escola e outros órgãos colegiados que venham a existir. que é o procedimento mais prejudicial à gestão democrática na escola. de forma delegada. Participação dos pais na vida da escola A exigência da participação dos pais na organização e gestão da escola corresponde a novas formas de relações entre escola. Além disso. nas quais participa a comunidade escolar. os candidatos deverão comprovar liderança e capacidade de gestão. . coresponsabilização. Todavia. autonomia. Avaliação da formação profissional e competência técnica. 1997). 90 sociedade e trabalho. Exigência de que os candidatos submetam-se a provas escritas. apresentando um programa de trabalho (Romão e Padilha. que repercutem na escola nas práticas de descentralização.

podem assumir uma atitude preconcebida de censura aos professores. implicando diferentes culturas e hábitos e diferentes visões das questões escolares. sua dignidade profissional não ficará abalada com a discussão pública sobre seu trabalho. como é o caso da presença dos pais (e estudantes) em órgãos colegiados da escola. Por exemplo. num campo em que. se estes forem seguros de seu papel. bloquear a discussão e até mesmo a comunicação. projeto pedagógicocurricular. ao abordar problemas pedagógico-didáticos. os professores podem fazer uma legítima reivindicação de uma competência profissional autônoma que pode colocar-se como barreira nas relações com pais. coordenadores. por outro lado. de modo a encontrar formas de . Somente a prática pode ajudar a esclarecer estes problemas. não são especialistas. formulados de forma coletiva e pública. alunos. surgem questões não desprezíveis referentes à possibilidade de síntese entre interesses e competências diversas. todavia. Os pais.Na realidade concreta. Isso significa que não se pode pôr em dúvida o espaço específico e autônomo dos professores mas. pais. dentro do critério do respeito aos papéis e competências. objetivos próprios. diretores. estrutura de gestão. Não se pode ignorar que cada categoria de sujeitos componentes da organização escolar (professores. já que o envolvimento dos pais é não só legítimo 91 como necessário. a rigor. funcionários) possui interesses específicos. será necessário considerar que a escola tem funções sociais explicitas. Resguardado o princípio da participação.

funcionalista. a estrutura organizacional da escola. CAPÍTULO VI . com as discussões sobre reforma curricular dos cursos de Pedagogia e de Licenciaturas. operativa. estiveram marcados por uma concepção burocrática. simplesmente. Esses estudos se deram no âmbito da Administração Escolar e. Tais estudos eram identificados com o campo de conhecimentos denominado Administração e Organização Escolar ou. As concepções de organização e gestão escolar O estudo da escola como organização de trabalho não é novo. nos anos 30. adotando um enfoque .acordo mútuo e organização do professores em social e ética de ajuda recíproca. aproximando a organização escolar da organização empresarial. Nos anos 80. os elementos constitutivos do processo organizacional. do processo de ensino e aprendizagem. há toda uma pesquisa sobre administração escolar que remonta aos pioneiros da educação nova. freqüentemente. Serão abordados os seguintes itens: as concepções de organização e gestão escolar.O SISTEMA DE ORGANIZAÇÃO E GESTÃO DA ESCOLA 95 Neste capítulo são apresentados alguns elementos básicos para o conhecimento da organização escolar e para a atuação dos professores e do pessoal técnicoadministrativo. melhorando a trabalho escolar e o trabalho dos função da qualidade cognitiva. a disciplina passou em muitos lugares a ser denominada de Organização do Trabalho Pedagógico ou Organização do Trabalho Escolar. Administração Escolar.

técnica. baixo grau de participação das pessoas que trabalham na organização. A organização escolar não seria uma coisa totalmente objetiva e funcional. um enfoque científico-racional e um enfoque crítico. não seria caracterizada pelo seu papel no mercado . portanto. mas uma construção social levada a efeito pelos professores. neutra. de modo a alcançar maiores índices de eficácia e eficiência. que funciona racionalmente. organizada e controlada. alunos. a organização escolar é tomada como uma realidade objetiva. hierarquia de funções. Além disso. pais e integrantes da comunidade próxima. com os aspectos propriamente organizacionais e técnico-administrativos da escola. O segundo enfoque vê a organização escolar basicamente como um sistema que agrega pessoas. No primeiro enfoque.crítico. pode ser planejada. centralização das decisões. o contexto sócio-político etc. no estudo dessa questão. É sempre útil distinguir. Houve pouca preocupação. de cunho sócio-político. Este é o modelo mais comum de funcionamento da organização escolar. As escolas que operam nesse modelo dão muito peso à estrutura organizacional: organograma de cargos e funções. Não é difícil aos futuros professores fazerem distinção entre essas duas concepções de organização e gestão da escola. freqüentemente restringido a uma análise crítica da escola dentro da organização do trabalho 96 no capitalismo. importando bastante a intencionalidade e as interações sociais que acontecem entre elas. com algumas exceções. planos de ação feitos de cima para baixo. um elemento neutro a ser observado. normas e regulamentos.

acentuando-se a divisão técnica do trabalho escolar (tarefas especializadas). baseada em normas e regras. A visão crítica da escola resulta em diferentes formas de viabilização da gestão democrática.mas pelo interesse público. esta concepção também é conhecida como gestão da qualidade total. de forma esquemática. Com base nos estudos existentes no Brasil sobre a organização e gestão escolar e nas experiências levadas a efeito nos últimos anos. Atualmente. é possível apresentar. regras. Ênfase na administração (sistema de normas. ausência de direção . Algumas características desse modelo são: Prescrição detalhada de funções. a autogestionária e a democrático-participativa. Tende a seguir princípios e métodos da administração empresarial. a eficiência dos serviços escolares. destacando-se as relações de subordinação em que uns têm mais autoridade do que outros. A concepção autogestionária baseia-se na responsabilidade coletiva. conforme veremos em seguida. às vezes descuidando-se dos objetivos específicos da instituição escolar. Maior ênfase nas tarefas do que nas pessoas. 97 A concepção técnico-científica baseia-se na hierarquia de cargos e funções visando a racionalização do trabalho. três das concepções de organização e gestão: a técnico-científica (ou funcionalista). procedimentos burocráticos de controle das atividades). Poder centralizado no diretor. Comunicação linear (de cima para baixo).

A concepção democrática-participativa baseia-se na relação orgânica entre a direção e a participação do pessoal da escola.centralizada e acentuação da participação direta e por igual de todos os membros de instituição. Ênfase na auto-organização do grupo de pessoas da instituição. O autor apresenta aqui seu próprio entendimento. por meio de eleições e alternância no exercício de funções. modos pelos quais se contesta o poder instituído. reuniões). Crença no poder instituinte da instituição (vivência da experiência democrática no seio da instituição para expandi-Ia à sociedade) e recusa de todo poder instituído. acentuando-se a responsabilidade coletiva. Na bibliografia final apresentamos várias obras que expõem diferentes pontos de vista sobre essa questão. 98 Recusa a normas e sistemas de controles. É necessário alertar que há diversos entendimentos do que deva ser a gestão participativa enquanto forma concreta de organização da escola. Vínculo das formas de gestão interna com as formas de auto-gestão social (poder coletivo na escola para preparar formas de auto-gestão no plano político). Decisões coletivas (assembléias. Outras características: Ênfase nas inter-relações mais do que nas tarefas. eliminação de todas as formas de exercício de autoridade e poder. O caráter instituinte se dá pela prática da participação e auto-gestão. Acentua a importância da busca de .

mensurável. independente das pessoas. mediante coleta de informações reais. Defende uma forma coletiva de gestão em que as decisões são tomadas coletivamente e discutidas publicamente. todos avaliam e são avaliados. Acompanhamento e avaliação sistemáticos com finalidade pedagógica: diagnóstico. Articulação entre a atividade de direção e a iniciativa e participação das pessoas da escola e das que se relacionam com ela. Outras características desse modelo: Definição explicita de objetivos sócio-políticos e pedagógicos da escola. Atualmente. Esta corrente afirma que a escola não é uma estrutura totalmente objetiva. advoga que cada membro da equipe assuma sua parte no trabalho. também. Entretanto. Todos dirigem e são dirigidos. pela equipe escolar. reorientação de rumos e ações. admitindose a coordenação e a avaliação sistemática da operacionalização das decisões tomadas dentro de uma real diferenciação de funções e saberes. tomada de decisões. a gestão da participação.objetivos comuns assumidos por todos. Qualificação e competência profissional. uma vez tomadas as decisões coletivamente. 99 A gestão é participativa mas espera-se. ela depende muito das experiências subjetivas das pessoas e . Busca de objetividade no trato das questões da organização e gestão. ao contrário. o modelo democrático-participativo tem sido influenciado por uma corrente teórica que compreende a organização escolar como cultura. acompanhamento dos trabalhos.

mas mediatizado pela realidade sociocultural e política mais ampla. e os próprios objetivos sociais e culturais definidos pela sociedade e pelo Estado. por outro. as responsabilidades individuais dos membros da equipe e a ação organizacional coordenada e supervisionada. a organização. compreende que a organização é uma construção social. dos significados que as pessoas dão às coisas enquanto significados socialmente produzidos e mantidos. a estrutura organizacional. a gestão. Esta maneira de ver a organização escolar não exclui a presença de elementos objetivos. sempre contraditórios e às vezes conflitivos. depende de objetivos mais . Uma visão sócio-crítica propõe considerar dois aspectos interligados: por um lado. a avaliação. já que precisa atender a objetivos sociais e políticos muito claros. tais como as formas de poder externas e internas. ou seja. Busca relações solidárias. posições políticas e concepções de homem e sociedade. ou seja. incluindo a influência de forças externas e internas marcadas por interesses de grupos sociais. O modo como uma escola se organiza e se estrutura tem um caráter pedagógico.o planejamento. que essa construção não é um processo livre e voluntário. a partir da experiência subjetiva e cultural das pessoas. Em outras palavras. As concepções de gestão escolar refletem portanto. em relação à escolarização da população. dizer que a organização é uma cultura significa que ela é construída pelos seus próprios membros.de suas interações sociais. formas participativas. mas 100 também valoriza os elementos internos do processo organizacional . a direção.

implicando a participação de todos nas decisões.um tipo de gráfico que mostra as interrelações entre os vários 101 . por exemplo. no caso a escola. Adotamos.amplos sobre a relação da escola com a conservação ou a transformação social. valoriza o poder e a autoridade. geralmente prevista no Regimento Escolar ou em legislação específica estadual ou municipal. a concepção democrático-participativa. Essa estrutura é comumente representada graficamente num organograma . determinações rígidas de funções. concebem a participação de todos nas decisões como importante ingrediente para a criação e desenvolvimento de relações democráticas e solidárias. Enfatizando relações de subordinação. Embora ambas tenham diferentes entendimentos das relações de poder dentro da escola. diminuir nas pessoas a faculdade de pensar e decidir sobre seu trabalho. A estrutura organizacional de uma escola Toda instituição escolar necessita de uma estrutura de organização interna. O termo estrutura tem aqui o sentido de ordenamento e disposição das funções que asseguram o funcionamento de um todo. ao menos. As duas outras concepções valorizam o trabalho coletivo. o grau de envolvimento profissional fica enfraquecido. A concepção funcionalista. tende a retirar ou. neste livro. Com isso. exercidas unilateralmente. hipervalorizando a racionalização do trabalho.

dos pais e alunos. do livro de Vítor H. dos funcionários. Em alguns lugares o Conselho 102 A descrição das várias funções da estrutura organizacional das escolas foi retirada. geralmente. deliberativas e fiscais em questões definidas na legislação estadual ou municipal e no Regimento escolar. Ciseski e Romão. Conselho de Escola O Conselho de Escola tem atribuições consultivas. em princípio. conforme as concepções de organização e gestão adotada. . mas podemos apresentar a estrutura básica com todas as unidades e funções típicas de uma escola. Em vários Estados o Conselho é eleito no início do ano letivo. obviamente. 1998. a paridade entre integrantes da escola (50 por cento) e usuários (50 por cento). administrativos e financeiros. A estrutura organizacional de escolas se diferencia conforme a legislação dos Estados e Municípios e. Evidentemente a forma do organograma reflete a concepção de organização e gestão. de Escola é chamado de "colegiado" e sua função básica é democratizar as relações de poder (Paro. Por dentro da escola pública (1996). dos especialistas em educação.setores e funções de uma organização ou serviço. Paro. Sua composição tem uma certa proporcionalidade de participação dos docentes. observando-se. Essas questões. envolvem aspectos pedagógicos. em boa parte. 1997).

conservação e limpeza 103 do prédio. realizada pelos serventes. atendendo às leis. também. dos docentes. demais funcionários e dos alunos. Responde também pelo atendimento ao público. escrituração e correspondência da escola. da cozinha e da preparação e distribuição . Setor técnico-administrativo O setor técnico-administrativo responde pelas atividades-meio que asseguram o atendimento dos objetivos e funções da escola. A Zeladoria. a escola conta com um secretário e escriturários ou auxiliares de secretaria. laboratórios. organiza e gerencia todas as atividades da escola. regulamentos e determinações dos órgãos superiores do sistema de ensino e às decisões no âmbito da escola assumidas pela equipe escolar e pela comunidade. Vigilância e Atendimento ao público) e Mul timeios (biblioteca. pelos serviços auxiliares (Zeladoria.Direção O diretor coordena. instalações e equipamentos. auxiliado pelos demais componentes do corpo de especialistas e de técnicos-administrativos. Para a realização desses serviços.). O setor técnico-administrativo responde. cuida da manutenção. A Secretaria Escolar cuida da documentação. videoteca etc. da guarda das dependências. O Assistente de diretor desempenha as mesmas funções na condição de substituto eventual do diretor.

O serviço de Multimeios compreende a biblioteca. como também do atendimento às solicitações dos professores quanto a material escolar. na revista Educação e Sociedade. Como são funções especializadas. A formação específica de supervisores ou coordenadores pedagógicos tem sido motivo de bastante polêmica entre os educadores. os laboratórios. A Vigilância cuida do acompanhamento dos alunos em todas as dependências do edifício.da merenda escolar. envolvendo habilidades bastante especiais. orientando-os quanto a normas disciplinares. Setor Pedagógico O setor pedagógico compreende as atividades de coordenação pedagógica e orientação educacional. 1999). 68. n. ora são desempenhadas por professores. da execução de pequenos consertos e outros serviços rotineiros da escola. menos na sala de aula. atendendo-os em caso de acidente ou enfermidade. os equipamentos audiovisuais. As funções desses es pecialistas variam conforme a legislação estadual e municipal. sendo que em muitos lugares suas atribuições ora são unificadas em apenas uma pessoa. com diferenças marcantes de posições. Para melhor conhecimento do assunto. para quê? (Libâneo. 104 . recomenda-se que seus ocupantes sejam formados em cursos de Pedagogia ou adquiram formação pedagógicodidática específica. ver o livro Pedagogia e pedagogos. a videoteca e outros recursos didáticos. 1999. e o artigo de Libâneo e Pimenta. assistência e encaminhamento de alunos.

Outra atribuição que cabe ao coordenador pedagógico é o relacionamento com os pais e a comunidade. apoia. acompanha. o Grêmio Estudantil e outras como Caixa Escolar. Sua atribuição prioritária é prestar assistência pedagógico-didática aos professores em suas respectivas disciplinas. muitas escolas mantêm Instituições Auxiliares tais como: a APM (Associação de Pais e Mestres). O Conselho de Classe ou Série é um órgão de natureza deliberativa quanto à avaliação escolar dos alunos. decidindo sobre ações preventivas e corretivas em relação ao rendimento dos alunos. especialmente no que se refere ao funcionamento pedagógico-curricular e didático da escola e comunicação e interpretação da avaliação dos alunos.O coordenador pedagógico ou professor-coordenador supervisiona. O orientador educacional. assessora. às promoções e reprovações e a outras medidas concernentes à melhoria da qualidade da oferta dos serviços educacionais e ao melhor desempenho escolar dos alunos. cuida do atendimento e do acompanhamento escolar dos alunos e também do relacionamento escola-pais-comunidade. Há lugares em que a coordenação restringe-se à disciplina em que o coordenador é especialista. a coordenação se faz em relação a todas as disciplinas. o pessoal docente e técnicoadministrativo e alunos maiores de 18 anos. avalia as atividades pedagógico-curriculares. A APM reúne os pais de alunos. Instituições Auxiliares Paralelamente à estrutura organizacional. ao comportamento discente. . no que diz respeito ao trabalho interativo com os alunos. vinculadas ao Conselho de Escola (onde este exista) ou ao Diretor. em outros. onde essa função existe.

O Grêmio Estudantil é uma entidade representativa dos alunos criada pela lei federal n. em outras um setor de assistência ao estudante. que tem como função básica realizar o objetivo prioritário da escola. na realização das atividades da escola e nas decisões dos Conselhos de Escola e de classe ou série. cívicas e sociais. Todavia. que lhes confere autonomia 105 para se organizarem em torno de seus interesses. alimentar. com finalidades educacionais. Corpo Docente O Corpo docente é constituído pelo conjunto dos professores em exercício na escola. Em algumas escolas. o ensino. evitando-se qualquer tutelamento por parte da Secretaria da Educação ou da direção da escola. funciona a Caixa Escolar. os professores também têm a responsabilidades de participar na elaboração do plano escolar ou projeto pedagógico-curricular. 7. que presta assistência social.Costuma funcionar mediante uma diretoria executiva e um conselho deliberativo. variando sua composição e estrutura organizacional. Além de seu papel específico de docência das disciplinas. Os professores de todas as disciplinas formam. médica e odontológica aos alunos carentes. junto com a direção e os especialistas.398/85. é recomendável que tenham autonomia de organização e funcionamento. culturais. econômica. a equipe escolar. das reuniões com pais (especialmente na . Ambas as instituições costumam ser regulamentadas no Regimento Escolar.

Ao mesmo tempo. culturais e recreativas da comunidade. como toda instituição. Os elementos constitutivos do sistema de organização e gestão da escola A gestão democrática-participativa valoriza a participação da comunidade escolar no processo de tomada de decisão. a avaliação do trabalho escolar. os conhecimentos e qualificações práticas do educador. também. Nos itens anteriores 106 mostramos que o processo de tomada de decisão inclui. estruturada e coordenada. à racionalização do trabalho e à coordenação do esforço coletivo do pessoal que atua na escola.comunicação e interpretação da avaliação). Ou seja. Tudo em função de atingir os objetivos. Em razão disso. o que implica uma ação racional. do consenso. De fato. da APM e das demais atividades cívicas. do diálogo. as ações necessárias para colocá-la em prática. as escolas buscam resultados. as relações humano-interacionais. a administração. o planejamento. faz-se necessário o emprego dos elementos ou funções do processo organizacional. isto é. envolvendo os aspectos físicos e materiais. aposta na construção coletiva dos objetivos e do funcionamento da escola. por meio da dinâmica intersubjetiva. concebe a docência como trabalho interativo. a formação continuada. a organização e gestão refere-se aos meios de realização do trabalho escolar. tal como veremos adiante. sendo uma .

Ações de capacitação e aperfeiçoamento dos profissionais da escola para que realizem com competência suas tarefas e se desenvolvam pessoal e profissionalmente. de funções administrativas ou etapas do processo administrativo. Direção/Coordenação . também. instrumentos de ação mobilizados para atingir os objetivos escolares. Tais elementos ou instrumentos de ação são: Planejamento . criando e viabilizando as condições e modos para se realizar o que foi planejado.atividade coletiva. não depende apenas das capacidades e responsabilidades individuais. O processo de organização escolar dispõe de elementos constitutivos que são.Atividade de coordenação do esforço coletivo do pessoal da escola. na verdade. Organização . Formação continuada .processo de explicitação de objetivos e antecipação de 107 decisões para orientar a instituição. Avaliação . na bibliografia especializada.Atividade através da qual se dá a racionalização de recursos. Os autores geralmente mencionam as quatro funções estabelecidas nas teorias clássicas da . mas de objetivos comuns e compartilhados e de ações coordenadas e controladas dos agentes do processo. prevendo-se o que se deve fazer para atingi-los.comprovação e avaliação do funcionamento da escola. Esses elementos constitutivos da organização são designados.

Para isso. CAPÍTULO VII – PRINCÍPIOS E CARACTERÍSTICAS DA GESTÃO ESCOLAR PARTICIPATIVA 111 A educação escolar tem a tarefa de promover a apropriação de saberes. adotando formas alternativas. atitudes e valores por parte dos alunos. participação e direção C. para propor processos de gestão democrática da sociedade e do ensino público. de modo que aos objetivos sociais e políticos da escola correspondam estratégias compatíveis de organização e gestão. . Este autor desenvolve uma análise bastante apropriada sobre as diferenças entre as organizações e entidades das elites e as das camadas populares. Romão (1997). sociais e morais pelo seu empenho na dinamização do currículo. O encargo das escolas. controle. direção. entre a atuação das elites e a atuação dos movimentos populares. operativas.f. faz-se necessário superar as formas conservadoras de organização e gestão. hoje. pela ação mediadora dos professores e pela organização e gestão da escola. criativas. é assegurar o desenvolvimento das capacidades cognitivas. Retomando os conceitos de gestão democrática. procedimentos. no desenvolvimento dos processos do pensar.Administração Geral: planejamento. organização. na formação da cidadania participativa e na formação ética.

entidades. Com isso. ao prefeito. em detrimento da relação entre grupos. o poder governamental é personalizado. planos de governo. Quando as pessoas referem-se ao governo. pela falta de organização popular. A relação política transforma-se numa relação entre indivíduos. os professores dizem: 112 "O governador não nos paga". por outro lado. As formas convencionais de representação política (escolha de representantes pelo voto) continuam em vigor. pelo poder de manipulação dos meios de comunicação. ao governador. pela desescolarização da população. organizações. como se a pessoa que detém o cargo fosse a responsável solitária pelas decisões'. Essa capacidade de mobilização dos grupos sociais economicamente privilegiados (as classes média e alta) e. mesmo porque tem sido essa a prática das elites políticas e econômicas dominantes. as formas de gestão da sociedade (legislação. medidas econômicas etc. em conseqüência. elas se referem quase sempre ao presidente. à participação popular nos processos decisórios. isto é. as pessoas ficam na espera de que as decisões venham "de cima".) têm se caracterizado por uma "cultura personalista". acaba por . mas sabemos que as camadas populares levam desvantagem na efetivação da participação política em relação às classes dominantes. interesses coletivos. Se atrasa o salário. pelo poder financeiro das classes dominantes. Esses são alguns dos obstáculos à organização dos movimentos populares e.Na história brasileira. as dificuldades de mobilização das camadas populares em torno de seus interesses. inclusive na escola. entre outras razões.

Todos os segmentos da comunidade podem compreender melhor o funcionamento da escola.ressaltar diferenças entre o tipo de relações que as famílias de alunos das escolas particulares mantêm com os profissionais da escola e as relações que as famílias de alunos de escolas públicas com seus respetivos profissionais (Romão. Entre as modalidades mais conhecidas de participação estão os Conselhos de classe . acompanhar melhor a educação ali oferecida (1997). participação significa a intervenção dos profissionais da educação e dos usuários (alunos e pais) na gestão da escola. conhecer com mais profundidade os que nela estudam e trabalham. funcionando em vários estados. assim. inibindo as reivindicações. em relação às ações praticadas pelas escolas. Evidentemente. as camadas populares levam aí desvantagem 113 considerável. as práticas de participação e controle.e os Conselhos de Escola. Colegiados ou Comissões que surgiram no início da década de 80. intensificar seu envolvimento com ela e.bastante difundidos no Brasil . De acordo com Gadotti e Romão. A participação da comunidade possibilita à população o conhecimento e a avaliação dos serviços oferecidos e a intervenção organizada na vida da escola. Em resumo.1977). Há . Há dois sentidos de participação articulados entre si. a participação influi na democratização da gestão e na melhoria da qualidade de ensino. A conquista da cidadania requer um esforço dos educadores em estimular instâncias e práticas de participação popular.

desenvolver capacidades intelectuais. dos alunos. Há a participação como processo organizacional em que os profissionais e usuários da escola compartilham. para conquistar o status de uma comunidade educativa que interage com a sociedade civil. estéticas. O significado do termo direção. especialmente os empresariais. por meio de canais de participação 114 da comunidade. além de ser uma das funções do processo organizacional. os alunos. No segundo sentido. sociais. A direção como princípio e atributo da gestão democrática A direção da escola. constituindo-se como prática formativa. a escola deixa de ser uma redoma. Ele vai além daquele de mobilização das pessoas para a realização eficaz das . os professores. éticas. A escola é lugar de aprender conhecimentos. os pais. certos processos de tomada de decisão. institucionalmente. é um imperativo social e pedagógico. difere de outros processos de direção. Mas é também lugar de formação de competências para a participação na vida social. dos professores. Vivendo a prática da participação nos órgãos deliberativos da escola. vão aprendendo a sentir-se responsáveis pelas decisões que os afetam num âmbito mais amplo da sociedade. No primeiro sentido. a participação é ingrediente dos próprios objetivos da escola e da educação. tratando-se da escola. metodológico e curricular. econômica e cultural. como elemento pedagógico. afetivas.a participação como meio de conquista da autonomia da escola. um lugar fechado e separado da realidade.

dão o rumo. ao cumprir sua função social de mediação. de integração e unidade de objetivos e ações. Sua adequada estruturação e seu ótimo funcionamento constituem fatores essenciais para se atingir eficazmente os objetivos de formação. e de um consenso em torno de normas e atitudes comuns. O processo educativo. a organização do ensino.atividades. a organização do trabalho escolar). A escola. inclui o conceito de direção. A intencionalidade se projeta nos objetivos que. por parte da equipe escolar. Não é preciso insistir que a prática da gestão e da direção participativas convergem para a elaboração e . dirigir o comportamento para algo que tem significado para nós. a direção da ação. pela sua natureza. por essa razão. planejada. numa sociedade concreta. portanto. tendo em vista dar uma 115 direção consciente e planejada ao processo educacional. definição de um rumo. O caráter pedagógico da ação educativa consiste precisamente na formulação de objetivos sócio-políticos e educativos e na criação de formas de viabilização organizativa e metodológica da educação (tais como a seleção e organização dos conteúdos e métodos. o trabalho escolar implica uma direção. não é possível estruturá-la sem levar em consideração objetivos políticos e pedagógicos. influi significativamente na formação da personalidade humana e. uma tomada de posição frente a objetivos sociais e políticos da escola. Na escola isso leva. Essa peculiaridade das instituições educativas vem do caráter de intencionalidade presente nas ações educativas. à busca deliberada. por sua vez. Ou seja. Intencionalidade significa a resolução de fazer algo. pois implica intencionalidade. consciente.

alunos. manter-se relativamente independente do poder central. pais e comunidade próxima que 116 . Alguns princípios da organização e gestão escolar participativa A escola é uma instituição social que apresenta unidade em seus objetivos (sócio-políticos e pedagógicos). a organização e gestão escolar requerem o conhecimento e a adoção de alguns princípios básicos. Autonomia de uma instituição significa ter poder de decisão sobre seus objetivos e suas formas de organização. interdependência entre a necessária racionalidade no uso dos recursos (materiais e conceituais) e a coordenação do esforço humano coletivo. projeta-se como influência benéfica ou prejudicial nos demais. cuja aplicação deve estar subordinada às condições concretas de cada escola. funcionários. de decidir sobre seu próprio destino. as escolas podem traçar seu próprio caminho envolvendo professores. Ela é definida como faculdade das pessoas de autogovernar-se. Autonomia das escolas e da comunidade educativa A autonomia é o fundamento da concepção democráticoparticipativa de gestão escolar. razão de ser do projeto pedagógico.execução do projeto pedagógico e assunção de responsabilidades de forma cooperativa e solidária. Qualquer modificação em sua estrutura ou no funcionamento de um dos seus elementos. administrar livremente recursos financeiros. Sendo assim. São propostos os seguintes princípios da concepção de gestão democrática-participativa: 1. Por ser um trabalho complexo.

o planejamento. de um lado. as condições de trabalho. perdem-se de vista diretrizes gerais do sistema e sua articulação com a sociedade. a adequação e aplicação criadora das diretrizes gerais que recebe dos níveis superiores da administração do ensino. elas integram um sistema escolar e dependem das políticas públicas e da gestão pública. pode acontecer que as escolas as apliquem mecanicamente. Isso significa que a direção de uma escola deve ser exercida tendo em conta. Portanto. desobrigar o poder público de suas responsabilidades. a organização. os critérios e diretrizes de organização são estabelecidos dentro de marcos estreitos de cada escola. pode estar mal organizado e mal administrado. com isso. Por isso mesmo. O sistema de ensino pode estar desprovido de uma política global. a orientação e o controle de suas atividades internas conforme suas características particulares e sua realidade. Certamente trata-se de uma autonomia relativa. por sua vez. Essa articulação nem sempre se dá sem problemas. As autoridades podem atribuir autonomia às escolas para. a autonomia . As escolas públicas não são organismos isolados. sem levar em conta as condições reais de seu funcionamento. espaço de trabalho coletivo e aprendizagem. a formação continuada não são originados na própria escola. É assim que a organização da escola se transforma em instância educadora. por outro. Ou. subordinando-se às diretrizes dos órgãos superiores. ainda.se tornam co-responsáveis pelo êxito da instituição. Os recursos que asseguram os salários. o controle local e comunitário não podem prescindir das responsabilidades e da atuação dos órgãos centrais e intermediários do sistema escolar. Se.

os resultados de sua atividade . a busca do consenso em pautas básicas. Nesse princípio está presente a exigência da participação de professores. de todos os membros da equipe escolar. Por outro lado.a formação cultural e científica dos alunos e o desenvolvimento das potencialidades cognitivas e operativas. mobiliza. partilhada. de modo a alcançar. Sob supervisão e responsabilidade do diretor a equipe escolar formula o plano ou projeto pedagógicocurricular.precisa ser gerida. Relação orgânica entre a direção e a participação dos membros da equipe escolar Esse princípio conjuga o exercício responsável e compartilhado da direção. a participação implica os processos de gestão. os modos de . lidera. a forma participativa da gestão e a responsabilidade individual de cada membro da equipe escolar. presta contas e submete à avaliação da equipe o desenvolvimento das decisões tomadas coletivamente. solidária. funcionários e outros representantes da comunidade bem como a forma de viabilização dessa participação: a interação comunicativa. A partir daí. 117 2. entram em ação os elementos (instrumentos e procedimentos) do processo organizacional em que o diretor coordena. aprova um documento orientador. pais. alunos. toma decisões por meio de discussão com a comunidade escolar mais ampla. delega as responsabilidades decorrentes das decisões aos membros da equipe escolar conforme suas atribuições específicas. o diálogo intersubjetivo. motiva. eficazmente. implicando uma co-responsabilidade consciente.

facções partidárias etc. da Associação de Pais e Mestres (ou organizações correlatas) para preparar o projeto pedagógico-curricular e acompanhar e avaliar a qualidade dos serviços prestados. os pais e outros representantes participam do Conselho de Escola. a gestão democrática não pode ficar restrita ao discurso da participação e às suas formas externas: as eleições. decididamente. Envolvimento da comunidade no processo escolar O princípio da autonomia requer vínculos mais estreitos com a comunidade educativa.fazer. a coordenação e a cobrança dos trabalhos e. na verdade. estão sendo manipuladas por interesses de grupos. tem várias implicações. Desse modo. Além disso. As pessoas podem ser induzidas a pensar que estão 118 participando quando. 3. especialmente dos pais. a organização escolar democrática implica não só a participação na gestão mas a gestão da participação. basicamente os pais. Conforme temos ressaltado. A presença da comunidade na escola. Adicionalmente. especialmente da qualidade cognitiva dos processos de ensino e aprendizagem. a adoção de práticas participativas não está livre de servir à manipulação e ao controle do comportamento das pessoas. Prioritariamente. Ela está a serviço dos objetivos do ensino. as entidades e organizações paralelas à escola. o cumprimento de responsabilidades compartilhadas dentro de uma mínima divisão de tarefas e alto grau de profissionalismo de todos. usufruem das práticas participativas para . as assembléias e reuniões.

cronogramas e formas de controle e avaliação. contribuindo para o aumento da capacidade de fiscalização da sociedade civil sobre a execução da política educacional (Romão. estruturada e coordenada de proposição de objetivos.participarem de outras instâncias decisórias no âmbito da sociedade civil (organizações de bairro. lugar de aprendizagem em que todos aprendem a participar dos processos decisórios. movimentos de educação ambiental e outros). 4. 1997). estratégias de ação. a participação das comunidades escolares em processos decisórios dão respaldo a governos estaduais e municipais para encaminhar ao Poder Legislativo projetos de lei que atendam melhor às necessidades educacionais da população (Ciseski e Romão. discutido e analisado publicamente pela equipe escolar. 1997). torna-se o instrumento unificador das atividades escolares. 5. movimentos de mulheres. as ações pedagógicas e administrativas buscam atingir objetivos. A escola é um espaço educativo. provimento e ordenação dos recursos disponíveis. Formação continuada para o desenvolvimento pessoal e profissional dos integrantes da comunidade escolar A concepção democrática-participativa de gestão valoriza o desenvolvimento pessoal. Além disso. Há necessidade de uma ação racional. O plano de ação da escola ou projeto pedagógico. mas é . a qualificação profissional e a competência técnica. de minorias étnicas e culturais. Planejamento das tarefas O princípio do planejamento justifica-se porque as escolas buscam resultados. convergindo na sua execução o interesse e o esforço coletivo dos membros da escola.

para além das aparências). a saúde dos alunos. a adequação de métodos e procedimentos didáticos etc. na análise global dos problemas (buscar sua essência. A democratização da informação implica o acesso de todos às informações e canais de comunicação que agilizem a tomada de conhecimento das decisões e de sua execução. O processo de tomada de decisões deve basear-se em informações concretas.de toda a equipe escolar. suas causas. Analisar os problemas em seus múltiplos aspectos significa verificar a qualidade das aulas. os resultados do trabalho que a equipe se propôs a atingir. Dirigir uma escola implica conhecer bem seu estado real. observar e avaliar constantemente o desenvolvimento do processo de ensino. seus aspectos mais fundamentais. o cumprimento dos programas. pedagógico . a partir do . 120 7.político. analisar com objetividade os resultados. as características sócio-econômicas e culturais dos alunos. A organização e gestão do trabalho escolar requerem o constante aperfeiçoamento profissional . fazer compartilhar as experiências docentes bem sucedidas. a qualificação e experiência dos professores. Avaliação compartilhada Todas as decisões e procedimentos organizativos precisam ser acompanhados e avaliados. 6. científico. analisando cada problema em seus múltiplos aspectos e na ampla democratização das informações Este princípio implica procedimentos de gestão baseados na coleta de dados e informações reais e seguras.também o local em que os profissionais desenvolvem sua profissionalidade.

do clima amistoso de trabalho. O controle implica uma avaliação mútua entre direção. O processo e o exercício de planejar referem-se a uma antecipação da prática. Relações humanas produtivas e criativas assentadas na busca de objetivos comuns Esse princípio indica a importância do sistema de relações interpessoais em função da qualidade do trabalho de cada educador. As . CAPÍTULO VIII – O Planejamento Escolar e o Projeto Pedagógico Curricular 123 O planejamento escolar consiste numa atividade de previsão da ação a ser realizada. constituindo-se numa atividade necessária à tomada de decisões. implicando definição de necessidades a atender. há que combinar exigência e respeito. Nas relações mútuas entre direção e professores. objetivos a atingir dentro das possibilidades.princípio da relação orgânica entre a direção e a participação dos membros da equipe escolar. em função dos objetivos básicos da escola. tempo de execução e formas de avaliação. professores e comunidade. de modo a prever e programar as ações e os resultados desejados. da valorização da experiência individual. procedimentos e recursos a serem empregados. severidade e tato humano. 8. A equipe da escola precisa investir sistematicamente na mudança das relações autoritárias para relações baseadas no diálogo e no consenso. entre professoras e alunos. entre direção e funcionários técnicos e administrativos. Além disso. é preciso insistir que o conjunto das ações de organização do trabalho na escola estão voltados para as ações pedagógico-didáticas.

Uma importante característica do planejamento é o seu caráter processual. fortemente determinadas por uma intencionalidade educativa envolvendo objetivos. possibilitando a revisão dos planos e projetos. No planejamento escolar. valores. tanto da escola e do currículo quanto do ensino. a correção no rumo das ações. modos de agir dos educadores que atuam na escola. O planejamento se concretiza em planos e projetos. mas a uma atividade permanente de reflexão e ação. 124 é uma prática de elaboração conjunta dos planos e sua discussão pública. O caráter de processo indica. Em razão disso. Um plano ou um projeto é um esboço. os resultados não são avaliados. ter um plano de ação. um ob jetivo. uma seqüência de ações que irão orientar a prática. A ação de planejar subordina-se à natureza da atividade realizada. de busca de alternativas para a solução de problemas e de tomada de decisões. uma meta. Sem planejamento. meios de sua execução e critérios de avaliação da qualidade do trabalho que realizam. conteúdos. as ações são improvisadas. o que se planeja são as atividades de ensino e de aprendizagem. O ato de planejar não se reduz à elaboração dos planos de trabalho. a gestão corre ao sabor das circunstâncias. O planejamento é um processo contínuo de conhecimento e análise da realidade escolar em suas condições concretas. o planejamento nunca é apenas individual. também. atitudes. que um plano prévio é um roteiro para a . um esquema que representa uma idéia.instituições e organizações sociais precisam formular objetivos.

em relação aos resultados obtidos até então. 125 O projeto pedagógico-curricular . prevê os passos a seguir. reflexão e deliberação dos educadores sobre a prática em curso. O planejamento escolar atende. expectativas e decisões da equipe da escola. ele antecipa mentalmente a prática. tendo em vista a análise crítica e profunda do trabalho realizado e a reordenação de rumos. também.características gerais O projeto pedagógico-curricular é a concretização do processo de planejamento. Determinação de atividades e tarefas a serem desenvolvidas em função de prioridades postas pelas condições concretas e compatibilização com os recursos disponíveis (elementos humanos e recursos materiais e financeiros). diretrizes e ações do processo educativo a ser desenvolvido na escola. mas não pode determinar rigidamente os resultados. a avaliação dos processos e resultados previstos no projeto. Definição de objetivos e metas compatibilizando a política e as diretrizes do sistema escolar com as intenções. implicando permanente ação.prática. O processo de planejamento inclui. pois estes vão se delineando no desenvolvimento do trabalho. em geral. causas que as originam. às seguintes funções: Diagnóstico e análise da realidade da escola: busca de informações reais e atualizadas que permitam identificar as dificuldades existentes. Consolida-se num documento que detalha objetivos. expressando a síntese das exigências sociais e legais do sistema de .

depois não se mexia mais a não ser no ano seguinte. o projeto pedagógicocurricular é tanto a expressão da cultura da escola (cultura organizacional) como sua recriação e desenvolvimento. projetando a cultura organizacional que se deseja visando a intervenção e transformação da realidade. valores.ensino e os propósitos e expectativas da comunidade escolar. portanto. em que o plano era mais um modelo do que um guia para a ação. O projeto. Ao mesmo tempo. A concepção de projeto pedagógico-curricular é diferente daquela prática de planejamento curricular que se consolidou nas escolas brasileiras sob influência do tecnicismo educacional a partir dos anos 70. De certo modo. Os planos consistiam na determinação de objetivos. . bastando planejar bem para se ter resultados bons. O projeto pedagógico-curricular deve ser compreendido como instrumento e processo de organização da escola. Considera o que já está instituído (legislação. conteúdos. o planejamento curricular se restringia à semana de planejamento realizada no início do ano. métodos. Tinha-se uma idéia de que a prática docente seria algo muito preciso e muito seguro. Com isso. currículos. é um conjunto de princípios e práticas que reflete e recria essa cultura. reflete-se sobre ela e traçam-se as coordenadas para a construção de uma nova realidade. orienta a prática de produzir uma realidade: conhece-se a realidade presente. Expressa a cultura da escola porque está assentado nas crenças. modos de pensar e agir das pessoas que o elaboram. propondose as formas mais adequadas de atender necessidades sociais e individuais dos alunos. estratégias e formas de avaliação dentro de uma seqüência de passos extremamente rígida. significados.

pela sua intencionalidade. estabelece. as propostas dos educadores que trabalham na escola.). dentro da prática da ação-reflexão-ação? Considerando o caráter processual do planejamento. procedimentos. no país. valores. . A característica de instituinte significa que o projeto institui. de forma a corrigir desvios. tomar novas decisões e replanejar o rumo do trabalho. hábitos. ou seja. cidadania. Nesse sentido. o projeto é avaliado ao longo do ano letivo para verificar se as ações estão correspondendo ao que foi previsto. ele sintetiza os interesses. Por isso é que se diz que as organizações são sempre construídas e reconstruídas socialmente. participação? Como faremos para colocar o projeto em permanente avaliação. os desejos. no mundo). se as metas precisam ser alteradas em função de fatos inesperados. queremos? Que objetivos e metas correspondem às necessidades e espectativas desta comunidade escolar? Que necessidades precisamos atender em termos de formação dos alunos e alunas para a autonomia. nós. Todo projeto é. pela interligação com o que acontece no mundo exterior (na comunidade. mas tem também uma característica de instituinte. institui uma cultura organizacional. o que leva a concluir que as situações de ensino não se repetem. cria objetivos. modos de agir. Isso é assim porque as escolas são instituições marcadas pela interação entre pessoas. as escolas não são iguais.126 formas organizativas da escola etc. instrumentos. respondendo estas perguntas: Que tipo de escola. estruturas. portanto. profissionais desta escola. inconcluso.

onde quer que elas sejam realizadas . A gestão põe em prática o processo organizacional para atender ao projeto. nestes termos. Dessa reflexão resulta a formulação de objetivos e meios formativos para dar uma direção ao processo educativo. de bom nível de desenvolvimento 127 profissional dos seus professores. formula metas. São duas coisas diferentes. orientando o trabalho educativo para as finalidades sociais e políticas almejadas pelo grupo de educadores. dá uma direção política e pedagógica para o trabalho escolar. Atente-se que o projeto pedagógico-curricular não pode ser confundido com a organização escolar nem substitui a gestão. portanto. um rumo. seu projeto pedagógico-curricular. às práticas educativas. não se refere apenas ao "como se faz". de capacidade de liderança da direção e de envolvimento da comunidade escolar. é a melhor demonstração de autonomia da equipe escolar e uma oportunidade de desenvolvimento profissional dos professores. A ação pedagógica. num trabalho cooperativo. institui procedimentos e instrumentos de ação. de modo que este é um instrumento da gestão. principalmente.A escola que conseguir elaborar e executar. Por que a expressão projeto pedagógico-curricular? O termo pedagógico é representativo de uma concepção de educação que considera a Pedagogia como a reflexão sistemática sobre as práticas educativas. ao "por que se faz". A elaboração e execução do projeto pedagógicocurricular. mas. Uma visão crítica da Pedagogia assume que ter uma atitude pedagógica é dar uma direção de sentido. prevê. dá mostras de maturidade de sua equipe. O projeto é um guia para a ação.

forma de trabalho cultural. uma vez que o currículo é a projeção. essa prática de mediação cultural visa ao pleno desenvolvimento das capacidades humanas. no dizer de Gimeno Sacristán (1998). Também daí decorrem as várias projeções das opções político-pedagógicas em planos ou projetos nacionais. do projeto pedagógico. O currículo. o currículo. entre elas a educação escolar. por sua vez. O termo curricular indica o referencial concreto da proposta pedagógica. Essa atitude tem as seguintes características: compreende a educação como prática social de assimilação ativa da experiência humana historicamente acumulada e culturalmente organizada. conforme necessidades e exigências sociais concretas postas à humanização (emancipação humana) num determinado contexto histórico-social. expressam intenções e ações logo materializadas nos currículos. contexto esse sempre em transformação. de entender a pedagogia como prática cultural. como mediação da cultura. portanto. Trata-se.(Libâneo. portanto. É esse caráter de mediação cultural da pedagogia que faz viabilizar várias modalidades e formas institucionais de educação. que envolve uma prática intencional de produção e internalizafão de significados. 128 formula objetivos e implementa as condições organizativas e metodológicas para a viabilização da atividade educativa. Essas são as idéias-chave que esclarecem o caráter "pedagógico" de um projeto. locais. é a concretização da posição da escola face à cultura . 1998). que. regionais. o desdobramento.

a projeção dos objetivos. Ou como diz Stenhouse (in Pedra. Adotar uma ou várias delas dependerá de opção entre as muitas teorias em voga. culturais. políticos. As decisões a serem tomadas em função do projeto pedagógico-curricular podem considerar. pedagógicos. assim. o currículo comunica princípios essenciais de uma proposta educativa. experiências que devem ser providas aos estudantes.produzida pela sociedade. Há muitas definições do termo currículo: resultados buscados na aprendizagem. 1997). 1997). Supõe-se. além da seleção da cultura da sociedade. aberta a um exame crítico para que possa ser traduzida na prática. o currículo também realimenta e modifica o projeto pedagógico. "um modo pelo qual a cultura é representada e reproduzida no cotidiano das instituições escolares" (Pedra. ao menos. Hoje é bastante aceita a idéia de que currículo é. ao pôr em prática o projeto pedagógico. portanto. orientações e diretrizes operacionais previstas no projeto pedagógico. 129 uma estreita articulação entre o projeto pedagógico e a proposta curricular. Mas. de modo a promover um entrecruzamento dos objetivos e estratégias para o ensino formulados a partir de necessidades e exigências da sociedade e do aluno com base em critérios filosóficos. os seguintes pontos: a) Princípios (pontos de partida comuns) . Ou mais precisamente. uma ambientação para vivenciar experiências culturais. princípios orientadores da prática. A proposta curricular e. com as experiências educacionais a serem providas aos alunos por meio do currículo. seleção e organização da cultura.

o que é de responsabilidade de cada professor. escolha de prioridades. É desejável que a escola tenha uma linha . que todos entrem em acordo sobre elas a partir de um consenso mínimo. c) Sistema e práticas de gestão negociadas A participação na gestão democrática implica decisões sobre as formas de organização e gestão. o que se atacará em conjunto com toda a equipe. A decisão é coletiva. admitindo o exercício da direção para coordenar. cada membro assume sua parte no trabalho. políticas e pedagógicas. Aqui entra a importância do diagnóstico. b) Objetivos (pontos de chegada comuns) Os objetivos expressam intenções bem concretas. dos conteúdos e métodos. do papel da escola na sociedade. É preciso que a direção e os professores entrem em acordo sobre as práticas de gestão.É desejável que os professores e especialistas formem um consenso mínimo em torno de opções sociais. acompanhar e avaliar o trabalho de cada um. uma vez tomadas as decisões. sociais. 130 d) Unidade teórico-metodológica no trabalho pedagógicodidático A unidade teórico-metodológica começa pela definição de objetivos comuns e é assegurada pela coordenação pedagógica e pelo trabalho conjunto e articulado dos professores. dos problemas. mas implica responsabilidades. profissionais. das demandas a atender no mundo de hoje em função das necessidades pessoais. do papel do professor e dos alunos. Entretanto. dos alunos. Por exemplo. Depois segue-se a tomada de decisões. que é um retrato realista da situação. define-se que as decisões são tomadas coletivamente.

de escola para escola. e) Sistema explicito e transparente de acompanhamento e avaliação do projeto e das atividades da escola O acompanhamento e a avaliação põem em evidência os êxitos. o projeto está . ainda que ela expresse princípios e orientações mais gerais.) e qualitativa (grau de atendimento das necessidades e expectativas. O projeto pedagógico-curricular expressa as decisões da escola e o seu conteúdo varia de sistema para sistema. sua extensão e sua profundidade. presença dos pais na escola etc. Este é. Nenhum membro da equipe escolar deveria estranhar uma cobrança de trabalho feita pelo diretor se esse trabalho foi decidido coletivamente.pedagógico-didática com a qual todos possam compartilhar. A avaliação depende de informações concretas e objetivas.). os resultados. o que supõe o acompanhamento. um requisito para a escola trabalhar com a interdisciplinaridade. os vários entendimentos sobre a noção de projeto. evidências de comportamento dos alunos etc. inicialmente. A avaliação da organização e gestão escolar pode ser quantitativa (matrículas/evasão. Os integrantes da escola escolherão o conteúdo do projeto. Em estudos especializados. também. confrontando o que foi decidido e o que está sendo feito. rendimento escolar dos alunos. A importância do projeto na organização e gestão da escola Consideremos. nível de satisfação dos alunos e das famílias. cumprimento de prazos. mas também as dificuldades surgidas na implantação e execução dos planos.

Planejamento seria o processo de previsão de objetivos. Os programas explicitariam uma linha de ações globais e cada programa seria detalhado em projetos. O planejamento é um processo sistematizado. estadual ou da empresa.. o programa e o projeto documentos. regional. podem resultar para as escolas várias concepções de planejamento escolar: Se as escolas forem consideradas unidades administrativas dentro do planejamento geral do Ministério da Educação ou da Secretaria da Educação.) O plano difere do projeto essencialmente no que se refere à a amplitude do objeto. (. podem variar também os elementos componentes do projeto. Dessa compreensão de conjunto do processo de planejamento. o projeto objetiva o estudo do uso mais racional dos recursos econômicos (escassos) para a produção de um bem ou serviço. como por exemplo. ações. Enquanto o plano procura reunir um conjunto de elementos de decisão necessários para concretizar racionalmente a conduta de um grupo humano ou de um conjunto e unidade de produção.. (.) Quando variam os níveis de decisão.. procedimentos como forma de racionalização da ação.. (. por sua vez subdividido em programas. Plano seria o documento mais abrangente que resulta do processo de planejamento.. Esse entendimento vigorou durante anos. sendo o plano. em sucessivos governos. um conhecido especialista em teoria do planejamento. elas . uma subdivisão que permite agrupar as decisões por áreas de ação semelhantes sob o mesmo título" (1979).) O programa (é) componente do plano. metas. Carvalho. nacional.. faz uma distinção clara entre esses termos.131 incluído na noção mais ampla de planejamento. no Brasil. ou seja.

Também indicam diferentes modelos operacionais já que as escolas poderiam trabalhar. em interação crítica com as orientações dos sistemas de ensino. portanto. os programas e os projetos. resumidamente. programas e projetos específicos). qual seja. A escolha de uma dessas alternativas envolve uma gama de considerações que não podem ser esgotadas apenas em um capítulo. todavia. Se as escolas forem consideradas unidades relativamente autônomas. manter uma excessiva dependência das instâncias do sistema escolar (considere-se que sempre haverá uma certa subordinação às políticas educacionais e curriculares do sistema).seriam a última instância do processo de planejamento. todavia. ora com diferentes graus de complexidade (ter um plano global. elas poderiam realizar em si mesmas todas 132 as características de um processo de planejamento: teriam o plano. Ainda consideradas como relativamente autônomas. Um dos temas mais recorrentes dos estudos atuais sobre a escola é a descentralização dos serviços educacionais. é mais compatível com a realidade educacional brasileira. . a nosso ver. a adoção da prática do projeto pedagógico-curricular. Observe-se que essas situações refletem diferentes percepções das formas de gestão e direção. as tendências atuais sobre o assunto e a apresentar uma solução que. as escolas poderiam configurar-se como um projeto sem. dentro da estrutura hierárquica do sistema. ora com uma dependência maior ou menor da hierarquia do sistema escolar. cada escola configuraria um projeto. ora simplesmente um projeto. ora fazendo um plano e alguns projetos específicos. Limitamo-nos a comentar.

Resulta.A descentralização implica a autonomia da escola. de fato. dentro de uma estratégia de diminuir o papel do Estado na sociedade. a autonomia fortalece as escolas. 133 Apesar dessa desconfiança ser bastante pertinente há. mediante a autonomia pedagógica e financeira. a co-responsabilização pelas ações de ensino e aprendizagem e um bom projeto pedagógico. Sem dúvida. . Essa tese já foi muito bem aceita pelos educadores progressistas. a organização escolar transforma-se em espaço educativo. É desse esforço que pode resultar a participação do conjunto dos membros da escola. Tomando-se a gestão e a autonomia nesse sentido. as escolas e os professores estariam assumindo seu poder de decisão. uma tendência forte em favor da autonomia e da prerrogativa das escolas e professores de decidirem acerca dos objetivos e das formas de trabalhar. acentua o espírito de equipe. envolvendo os professores e demais educadores na responsabilidade em assumir um papel na organização do trabalho escolar não apenas na sala de aula mas na escola como um todo. em lugar onde todos podem aprender permanentemente. difundindo-se a idéia de que as responsabilidades do governo e da sociedade civil se equivalem. mas hoje há forte desconfiança de que a descentralização e a autonomia das escolas seria uma forma de o Estado livrar-se de suas responsabilidades públicas. do empenho nas formas de gestão da escola um vínculo mais estreito com a comunidade. A autonomia propicia aos professores mais liberdade para travar relações com a comunidade local e fazer outras parcerias. isto é. também.

é preciso prever e antecipar ações. sujeitos capazes de intervir conscientemente e coletivamente nos objetivos e nas práticas de sua escola. já que ele é. O projeto surge como forma de superação de um paradigma técnico (ou tecnicista) em que tudo o que a escola e os professores precisam fazer já vem estabelecido de cima. O projeto sintetiza: o que temos. . Melhor dizendo. É o ordenador. visando a atingir os objetivos que se propõem. organizar suas ações. da sociedade). isto é. organizando as formas de intervenção e atuação numa realidade que. o projeto incorpora a utopia mas sua característica é organizar a ação. é mutável. que o projeto representa a oportunidade de a direção. então. numa perspectiva progressista. tomarem sua escola nas mãos. a idéia de projeto pedagógico ganha força. é o meio pelo qual os agentes diretos da escola tornam-se sujeitos históricos. e uma concretização. uma utopia. pela sua 134 natureza. Pode-se dizer. a coordenação pedagógica. definir seu papel estratégico na educação das crianças e jovens.Aceita essa justificativa. na produção social do futuro (da escola. por isso precisa ser sempre operacional. os professores e a comunidade. O projeto. da comunidade. Isso significa que o projeto é ao mesmo tempo um desejo. o norteador da vida escolar. a forma de concretizar as intenções e as expectativas da equipe escolar. Para isso. o que desejamos. precisamente. o que faremos em função do que desejamos.

Sem descartar outras possibilidades. Os profissionais (direção. coordenação pedagógica. plano de escola? Não há uma denominação que tenha unanimidade entre os educadores. optamos pela denominação projeto pedagógico-curricular. há quem considere o projeto educativo mais amplo que o projeto pedagógico. ações e meios. integrando e articulando o ideário. outros colocam o projeto curricular antes do pedagógico e há os que preferem chamar tudo de plano da escola. O projeto pedagógico assim entendido. Como se denomina esse projeto? Projeto educativo. Por sua vez. Trata-se de um documento só. professores. funcionários) aprendem através da organização. este incluindo-se naquele. objetivos. projeto político-pedagógico. Outros entendem que projeto pedagógico é a mesma coisa que projeto curricular. no qual está implícito um plano. projeto pedagógico-curricular. O ideário é a concepção de 135 . Os indivíduos e os grupos mudam mudando o próprio contexto em que trabalham. do ambiente de trabalho. mudando junto com seus profissionais. as organizações também aprendem. é um ingrediente do potencial formativo das situações de trabalho. A rigor.como saber se o que estamos fazendo corresponde ao que desejamos. Todavia. o que importa é o processo de ação-reflexão-ação que se instaura na escola envolvendo todos os seus integrantes. projeto curricular. projeto pedagógico. Todos podemos aprender afazer do exercício do trabalho um objeto de reflexão e pesquisa.

que e o conteúdo dos próprios Parâmetros Curriculares. conteúdos. têm sua diversidade. ao qual se seguem os objetivos. do Ministério da Educação. com vários roteiros e indicações de tópicos (consultar o Capítulo XIII e os Anexos). de modo que "fazer planejamento" é ir percorrendo as várias fases de elaboração do projeto. o projeto concretiza o processo de planejamento. adaptações ou elaborações curriculares" de modo que possam dialogar com as propostas e experiências já existentes. em que os professores e equipe escolar discutem e definem objetivos. abordagens metodológicas e . as ações e meios de realização do trabalho.educação que determina "o sentido e a natureza das decisões e das ações a desenvolver junto dos alunos" (Carvalho e Diogo. Não há uma única maneira de elaborar o projeto pedagógico-curricular. estipula quatro níveis de concretização do planejamento escolar. O segundo nível é a utilização dos PCN para as propostas das secretarias de educação nos estados e municípios "como recursos para revisões. Todavia. cada situação. O documento Parâmetros Curriculares Nacionais (1998). 1994). O processo de elaboração do projeto pedagógico-curricular Conforme vimos mencionando. sua singularidade. seu modo de planejar. O terceiro nível refere-se ao uso dos PCN na elaboração do projeto educativo da escola. O primeiro nível corresponde à proposição de subsídios para a discussão e elaboração de propostas curriculares nos diferentes estados e municípios. Há neste livro uma variedade de possibilidades de sistematização. podem ser indicados alguns princípios e algumas formas de sua operacionalização. cada escola.

em blocos de duas séries. em que o professor compatibiliza seu plano de ensino conforme as metas estabelecidas na fase anterior e às características de seu grupo específico de alunos. afetivo.critérios de avaliação para cada ciclo. Critérios de avaliação das aprendizagens fundamentais. ético. físico. Orientações didáticas. O processo de elaboração do projeto pode iniciar-se com um plano geral. Este esboço prévio tem a finalidade de deslanchar o processo e mobilizar as pessoas para a discussão pública e elaboração do projeto. 136 Para isso. de atuação e inserção social. explicitando a contribuição especifica dos diferentes âmbitos do conhecimento". esquemático. Objetivos gerais de áreas. que compõem o ensino fundamental. "que expressam capacidades que os alunos devem desenvolver ao longo da escolaridade obrigatória. A partir desses tópicos gerais. os PCN propõem: Objetivos gerais do ensino fundamental. por ciclo. são distribuídas as . o projeto pedagógico-curricular e os planos de ensino das disciplinas. Na escola realizam-se o terceiro e o quarto nível de concretização curricular. organizados em quatro ciclos de escolarização. Objetivos e conteúdos. considerando-se sucessivamente. que "indicam capacidades relativas aos aspectos cognitivo. O quarto nível é a realização do currículo na sala de aula. de forma a expressar a formação básica necessária para o exercício da cidadania e nortear a seleção de conteúdos". formulado por uma comissão de pedagogos e professores. estético.

econômicos. identificação de problemas e prioridades.1. a correspondência entre os resultados e os objetivos previstos. participação dos professores. análise. sem necessidade de votação.1. Breve história da escola (como surgiu. Concepção de educação e de práticas escolares 2. Princípios norteadores da ação pedagógico-didática .4. elaborase e aprova-se o documento final. Finalmente. gestão.2. pais. Concepção de escola e de perfil de formação dos alunos 2. A fase seguinte pode ser a elaboração de um documento gerador. geográficos 1. Aspectos sociais.3. Caracterização dos elementos humanos 1. identificar necessidades e problemas e sugerir soluções. mais detalhado. 2. Recomenda-se que a discussão vá caminhando 137 para um consenso em torno de pontos que possam ser compartilhados por todos. também elaborado por uma comissão. culturais. a ser estudado previamente por toda a equipe de trabalho e depois discutido e aprovado. Os seguintes tópicos compõem a sugestão de um roteiro para formulação do projeto pedagógico-curricular: 1. escola e comunidade).2. Condições físicas e materiais 1. estabelecimento de metas e atividades etc. Contextualização e caracterização da escola 1. visão que os alunos têm da escola.responsabilidades das sub-comissões para coleta de dados. como vem funcionando. Uma comissão de acompanhamento e avaliação do projeto reunirse-á periodicamente para verificar o cumprimento das metas. administração.

Proposta curricular 6. pedagógicos 6.3. conteúdos. Definição de prioridades 3. Levantamento e identificação de problemas e necessidades a atender 3.1. a fim de avaliar as condições existentes.1.2. plano de ensino da disciplina): Objetivos.1. Organização curricular (da escola.3 Estratégias de ação. epistemológicos. Estas informações são sumamente relevantes para o projeto. Estrutura de organização e gestão 5.2. Proposta de trabalho com pais. as necessidades da comunidade. desenvolvimento metodológico. escolha de soluções 4. a descrição do conteúdo de cada tópico: Contextualização e caracterização da escola Este tópico visa caracterizar o contexto econômico e sociocultural em que a escola está inserida. Aspectos administrativos 5. Formas de avaliação do projeto Apresenta-se. Diagnóstico da situação atual 3. Fundamentos sociológicos. Objetivos gerais 5. a seguir. das séries ou ciclos. físicos e materiais. culturais. avaliação da aprendizagem 7. a origem social e cultural dos alunos etc.2. Aspectos financeiros 138 6. descrever os aspectos humanos. psicológicos. . Aspectos organizacionais 5. comunidade e outras escolas de uma mesma área geográfica 9. Proposta de formação continuada de professores 8.3.

As questões e problemas podem ser levantadas em reunião ou podem ser listadas por uma comissão de professores e pedagogos e discutidas. significados. com base nas exigências e necessidades sociais e nas suas próprias crenças. realizado a partir do levantamento de dados. Todavia.Concepção de educação e de práticas escolares A finalidade deste tópico é apresentar uma síntese do "pensamento" da equipe de professores e pedagogos sobre educação e currículo. financeiros. Nesse caso. Os problemas podem ser agrupados em pedagógicos. valores. das condições físicas e materiais. do clima da escola. administrativos. O diagnóstico terá a extensão que se julgar mais conveniente. O diagnóstico. cabe uma caracterização sócio-económica. articulando o problema e suas causas internas e externas. do pessoal técnico e docente. é bom que o faça uma primeira vez e o refaça de tempos em tempos. 139 Diagnóstico e análise dos problemas e necessidades Essa fase corresponde à caracterização sócio-econômica e cultural do contexto da ação escolar. relacionamento com pais e comunidade etc. visa analisar e explicar a situação. Há uma grande variedade de problemas administrativos e pedagógicos que as escolas podem apresentar: falta de . jurídica. se a escola nunca fez um diagnóstico completo. tipo de gestão. O projeto pedagógico-curricular reflete expectativas da sociedade e dos próprios educadores sobre o significado de "aluno educado" e para que tipo de sociedade se educa. cultural.

entrevistas. capacidade da equipe de profissionais. inexistência de critérios de reprovação de alunos por parte da escola. Há vários meios de se fazer o diagnóstico e o levantamento de problemas: observações. aplicação de questionários. coleta de opiniões em situação grupal. procede-se à seleção dos objetivos ou metas. Considere-se que. falta de atenção do pessoal de secretaria em relação às mães. dificuldade generalizada de leitura e interpretação de textos pelos alunos etc. tempo etc. distribuição da merenda de forma inadequada com prejuízo para o andamento das aulas. entrada e saída dos alunos de forma desordenada.comunicação entre direção e professores. . deixando os objetivos específicos para o tópico referente à proposta curricular. Estrutura Organizacional Refere-se à descrição da estrutura de funcionamento e dos meios de organização e gestão. a cada momento do desenvolvimento das atividades escolares. de vários caminhos. falta de entrosamento entre os planos de ensino das matérias. excesso de agressões verbais ou violência física no recreio. custo. Após o levantamento de muitas idéias. falta de definição de responsabilidades na equipe. responsabilidades. É óbvio que seleção depende de condições reais como espaço físico. 140 Objetivos gerais Nesta fase são propostas as metas mais amplas que se deseja alcançar. o diagnóstico vai sendo refeito.

Pela importância deste item no projeto pedagógico-curricular. é ele que viabiliza o processo de ensino e aprendizagem. especificamente. A proposta curricular Este tópico do projeto destina-se. 141 A proposta curricular . ou seja. tal como descreveremos nos capítulos seguintes.formas de dinamizar o processo de gestão. Dentro do marco teórico adotado neste livro. a análise dos resultados. o currículo é um desdobramento necessário do projeto pedagógico. à definição da atuação da escola no processo de ensino e aprendizagem. será detalhado à parte em tópico específico.a organização e o desenvolvimento do currículo O currículo constitui o elemento nuclear do projeto pedagógico. a eficiência (gestão e administração dos recursos e meios) e eficácia (relação entre a ação e os resultados)" (Carvalho e Diogo. Avaliação do projeto A avaliação será processual-somativa. materializando intenções e orientações previstas no . através do currículo. incluindo a coleta de dados. A proposta curricular inclui a organização curricular propriamente dita e a organização pedagógico-didática. a redefinição permanente de objetivos e meios. a proposta curricular define-se como projeção do projeto pedagógico. 1994). "A avaliação deverá fornecer os dados necessários para intervir no sentido de corrigir a coerência (relação entre o projeto e o problema).

o plano de estudos ou a grade curricular. Quando elaboramos um curriculum vitae. Algumas dessas teorias trouxeram contribuições decisivas 142 . a fim de obter uma titulação. um diploma. Nesse sentido. nosso "percurso de vida". o como ensinar e as formas de avaliação. Enquanto projeção do projeto pedagógico. O termo currículo possui vários sentidos. introduziram referências de cunho crítico para a investigação do currículo. especialmente na Inglaterra e nos Estados Unidos. Antes das sugestões sobre o que deve conter a proposta de organização curricular. No linguajar comum ainda predomina a idéia de currículo como o conjunto das disciplinas que o aluno deve percorrer. em estreita colaboração com a didática. é um nível do planejamento entre o projeto pedagógico e a ação prática. percurso" (do verbo latino currere = correr). significa "ato de correr. Etimologicamente. apresentamos nossa "carreira da vida". ou seja. o currículo define o que ensinar.projeto em objetivos e conteúdos. originando-se daí novas tendências teóricas que. o para quê ensinar. apresentamos algumas idéias sobre o conceito de currículo. superando as anteriores concepções positivistas. a proposta curricular é a orientação prática da ação de acordo com um plano mais amplo. Significados mais ampliados do termo surgem no início do século XX. Desde o início dos anos 70. os estudos sobre currículo tiveram um desenvolvimento considerável. identificando quase sempre o conjunto de saberes e/ou experiências que alunos precisam adquirir e/ou vivenciar em função de sua formação.

por tentarem esclarecer a seguinte tese de Basil Bernstein: A maneira pela qual uma sociedade seleciona. seleção essa feita a partir do que a sociedade julga necessário ser incorporado pelos alunos.. se é verdade que o currículo quase sempre expressa interesses dos grupos sociais com mais poder econômico. com o que as escolas acabam por conformar-se. político. entre o conhecimento e cultura herdados e a aprendizagem dos alunos. Isso. acompanhados de sua comunicação na escola. também. todavia. distribuem e avaliam conhecimentos no espaço das instituições escolares.. transmite e avalia os saberes educacionais destinados ao ensino. classifica. entre a .. é verdade. de fato.. também. propomos ficar com duas definições bem pontuais que são. social. intenções e práticas sociais que estão por detrás dos currículos. classificam. (. 1999) O currículo é a ligação entre a cultura e a sociedade exterior à escola e à educação. reflete a distribuição do poder em seu interior e a maneira pela qual se encontra aí assegurado o controle social dos comportamentos individuais (In Forquin. (Pedra. Ou seja.) um modo pelo qual a cultura é representada e reproduzida no cotidiano das instituições escolares. distribui. Essa afirmação expressa.para a compreensão do papel ideológico e político do currículo. complementares: O currículo é a representação da cultura no cotidiano escolar (.). que pode concretizar objetivos e práticas que representam interesses sociais e políticos dos segmentos majoritários mais excluídos e mais explorados da sociedade. não nos impede de compreendê-los como seleção de saberes e experiências. Consideradas essas questões. 1992). o modo pelo qual se selecionam.

formas de gestão. A primeira definição destaca a idéia de que o currículo se sustenta em representações sociais presentes na cultura na qual se 143 dá a teoria e a prática do currículo. Representações. de avaliação etc. o currículo representa a seleção e organização da cultura.). eles realizam uma escolha para responder a estas indagações: o que nossos alunos precisam aprender. aqui. que devem ser reproduzidos e produzidos para se assegurar o funcionamento de um tipo de sociedade. dadas determinadas condições (Gimeno Sacristán. Em síntese. para que aprender. modos de agir. o currículo reflete intenções (objetivos) e ações (conhecimentos. sobre o que é relevante que os alunos aprendam em função de suas necessidades pessoais e das necessidades e exigências de interesses em jogo na sociedade. o papel social da escola se realiza por meio do currículo. entendidas como idéias. A segunda mostra que o currículo é a concretização do posicionamento da escola face à cultura produzida pela sociedade. conhecimentos. Ou seja. em função de que aprender? Há aí uma espécie de diálogo com a sociedade e entre a própria equipe de professores.teoria (idéias. tendo em vista a .1999). tornadas realidade pelo trabalho dos professores e sob determinadas condições providas pela organização escolar. Existe ensino porque existe uma cultura. Para Gimeno. valores. suposições e aspirações) e a prática possível. e o currículo é a seleção e organização dessa cultura. Quando os professores e a equipe escolar planejam o currículo. procedimentos.

depende de muitos fatores e não apenas das disciplinas previstas na grade curricular. as propostas curriculares dos Estado e Municípios. de fato. crenças.é o currículo que. currículo real. como. A distinção entre esses vários níveis de currículo serve para mostrar que o que os alunos aprendem na escola ou o que deixam de aprender.refere-se ao currículo estabelecido pelos sistemas de ensino ou instituição educacional. mesmo que nesse caminho do planejar e do executar aconteçam mudanças. É o currículo que . oculto. as características desses vários níveis. É o currículo legal expresso em diretrizes curriculares. acontece na sala de aula em decorrência de um projeto pedagógico e dos planos de ensino. Explicitamos. currículo oculto Os estudos sobre currículo realizados a partir das décadas 1960-70 destacam a existência nas escolas de vários níveis de currículo: formal. significados. intervenção da própria experiência dos professores.melhor qualidade do processo de ensino e aprendizagem (Carvalho e Diogo. É a execução de um plano. decorrentes do seus valores. os Parâmetros Curriculares Nacionais divulgados pelo Ministério da Educação. 144 Currículo formal . Currículo Real . a seguir. O currículo formal ou oficial é aquele conjunto de diretrizes normativas prescritas institucionalmente. objetivos e conteúdos das áreas ou disciplinas de estudo. Níveis de currículo: currículo formal. 1994). por exemplo. real. é a efetivação do que foi planejado.

da percepção e do uso que os professores fazem do currículo formal. dos valores e significados trazidos pelas pessoas de seu meio social e vivenciados na própria escola. não aparece no planejamento. embora se constitua como importante fator de aprendizagem. Primeiramente. Freqüentemente. ele segue uma seqüência que começa quase sempre na esfera política e administrativa do sistema escolar. O currículo está "oculto" porque 145 ele não é prescrito. comportamentos existentes na cultura. . é retrabalhado pelos professores. gestos. valores. ou seja.Essa denominação refere-se àquelas influências que afetam a aprendizagem dos alunos e o trabalho dos professores provenientes da experiência cultural. comportamentos. compreendido e retido pelos alunos não corresponde ao que os professores ensinam ou crêem estar ensinando. Currículo oculto . O currículo oculto representa tudo o que os alunos aprendem pela convivência espontânea em meio às várias práticas. que vigoram no meio social e escolar. percepções. é razoável supor que o currículo tem sempre uma dimensão externa. das práticas e experiências compartilhadas na escola e na sala de aula. assim como o que fica na percepção dos alunos.sai da prática dos professores. ou seja. o que é realmente aprendido. até chegar aos alunos. Alguns autores chamam de currículo experienciado essas percepções dos alunos que resultam de sua reação ao que está sendo ensinado ou vivenciado. significados. atitudes. Esses vários sentidos aparecem de alguma forma na prática escolar. passa pelas crenças. cruzando-se entre si.

de forma intencional e programada mas. suas atitudes nas brincadeiras e jogos. de fato. que precisam ser detectadas pelos professores. procedimentos. há aprendizagens consumadas fora do previsto formalmente (currículo oculto) desejadas ou não pelos agentes escolares (direção. inclusive para que compreendam que essas influências limitam o poder de intervenção da escola. até. econômicas. o currículo é submetido a transformações pelos professores e alunos (currículo real). pais. o modo como os alunos se relacionam entre si. Em segundo lugar. valores. à primeira vista. hábitos . professores. o desejo dos professores e da equipe escolar. Em terceiro lugar. políticas. o currículo representa. O currículo real obriga a escola a considerar a cultura proposta pelo currículo formal e as situações de fato vividas na escola e nas salas de aula.). as atitudes que tomam em relação às diferenças individuais dos alunos. a higiene e limpeza nas dependências da escola etc.Isso significa que ele está impregnado de influências sociais. quanto diferentes interpretações. o conjunto das aprendizagens que os alunos precisam internalizar. pois é no âmbito dessa cultura que observamos a linguagem dos professores. os objetivos dos integrantes da escola. em relação às ciências que dão origem às matérias escolares.. de forma que ele tanto pode expressar a autonomia da escola. 146 O que significa que o currículo escolar conhecimentos.como importante elemento curricular.. ênfases e. atitudes. É por esta razão que temos insistido na consideração da cultura da escola .cultura organizacional . distorções de conteúdo.

. escola como responsável pelo ajustamento social dos alunos sem preocupação com uma visão critica da sociedade. alunos. que acaba por incorporar outros aspectos como a cultura das mídias. Em resumo. ensino meramente transmissivo. comportamentos. Importam mais freqüentemente os produtos da aprendizagem. O papel do aluno. mas também aqueles valores. caráter livresco e verbalista. é o de armazenador de informações. sinteticamente. a cultura social. a cultura dos alunos. a construção e elaboração da proposta curricular implica compreender que o currículo é mais do que os conteúdos escolares inscritos nas disciplinas. na interação entre professores. O currículo é o conjunto dos vários tipos de aprendizagens. nos jogos e no recreio e outras atividades concretas que acontecem na escola que denominamos ora de currículo real ora de currículo oculto. 1. funcionários. razão pela qual a avaliação somativa tem . Currículo tradicional O currículo tradicional é o mais utilizado e suas características mais visíveis são conhecidas: organização do conhecimento por disciplinas compartimentalizadas.expressa certo recorte da cultura de um povo.etc. na maior parte das correntes pedagógicas tradicionais. não os processos. atitudes que se adquirem nas vivências cotidianas na comunidade. centrado no professor e na matéria. aquelas exigidas pelo processo de escolarização. algumas concepções mais conhecidas de organização curricular que expressam formas de concretização das intenções pedagógicas. Concepções de organização curricular Apresentamos.

as mídias. Os alunos são tidos quase sempre 147 como imaturos. Metodologicamente. o currículo racionaltecnológico não precisa ser discutido e elaborado pelos agentes diretos envolvidos com o ensino e aprendizagem. busca de . Ignoram-se as diferenças individuais. isto é. formulam objetivos e conteúdos. 2. visando a desenvolver habilidades e destrezas para formar o técnico. caracteriza-se pela introdução de técnicas mais refinadas de transmissão. o aluno um receptor de conhecimentos. padrões de desempenho.grande peso. A escola não discute sobre "o que ensinar". o currículo racional tecnológico se firma na racionalidade técnica e instrumental. incapazes de refazerem seu próprio percurso de aprendizagem. os professores. O currículo é reduzido a um conjunto de disciplinas e de conteúdos a serem "passados" aos alunos. a partir de critérios científicos e técnicos. organizados numa "grade curricular". Diferentemente do cunho acadêmico do currículo tradicional. habilidades considerados úteis e desejados pela sociedade. os computadores. incluindo hoje. O professor é o detentor da autoridade intelectual e moral (mesmo que não as tenha). Currículo racional-tecnológico (tecnicista) É o currículo proposto para a transmissão de conteúdos e desenvolvimento de habilidades a serviço do sistema de produção. Parte-se de um currículo previamente prescrito por especialistas que. ela cuida apenas do "como". Definido por especialistas.

de contínua adequação ao meio. valoriza-se bastante a atividade de . em que a organização curricular resulta de objetivos assentados em habilidades e destrezas a serem dominados pelos alunos no percurso de formação. Identificado com as idéias de John Dewey. apenas restrita ao saber-fazer. de tecnicismo educacional. valores etc. Currículo escolanovista (ou progressivista) O enfoque escolanovista coincide quase sempre com a idéia de currículo centrado no aluno e no provimento de experiências de aprendizagem como forma de ligar a escola com a vida e adaptar os alunos ao meio. Esta corrente tem sido denominada. sem acentuar os saberes. não como verdades estabelecidas. Por isso. Atualmente. O professor é o facilitador da aprendizagem. A crítica que se faz a esse tipo de currículo é a sua definição muito estreita de competência. com o menor custo. os conteúdos são subordinados às necessidades e interesses dos alunos no seu processo de adaptação ao meio. também. uma derivação dessa concepção é o currículo por competências. o conteúdo vem das experiências dos alunos. colocando os conteúdos escolares como instrumentos para o desenvolvimento de processos mentais. identificando ensino com métodos e tecnologia educativa. Daí a ênfase nas necessidades e interesses dos alunos. na atividade. 148 3. as atitudes e os processos cognitivos. liberado de qualquer consideração em torno de finalidades. esse modelo de currículo compreende a educação como um processo interno de desenvolvimento. no ritmo de cada um.maior eficiência em função dos produtos da aprendizagem.

o construtivismo tem influenciado as chamadas ciências da cognição (entre elas a neurofisiologia. a lingüística. Umas das idéias-chave do construtivismo é a crença no papel ativo do sujeito no processo de aprendizagem e. O professor tem o papel justamente de organizador e facilitador da aprendizagem visando a assegurar a interação do aluno com os objetos de conhecimento. A partir da . recai um peso maior na aprendizagem subordinada ao processo de desenvolvimento 149 cognitivo. no desenvolvimento dos processos de aprendizagem ativa. o currículo construtivista está diretamente associado à influência de Jean Piaget e seguidores. Seu objetivo é buscar novos modelos e referências para avançar na investigação sobre os processos psicológicos e a cognição. valorizando mais a construção do conhecimento pelo próprio aluno do que a influência da cultura e do professor. de modo a possibilitar a construção pessoal dos conhecimentos. que alguns autores chamam de neo-cognitivismo. a neurociências. 4.pesquisa do aluno e o clima psicológico e social da escola e da sala de aula. Atualmente. Nas concepções fundamentadas em Piaget. portanto. O currículo deve prever atividades que correspondam ao nível de desenvolvimento intelectual dos alunos e organizar situações que estimulem suas capacidades cognitivas e sociais. a inteligência artificial). Currículo construtivista No Brasil. derivando-se daí conseqüências para a organização curricular.

as funções mentais superiores (linguagem. surgem duas versões: a) Psicologia cognitiva que estuda diretamente o comportamento inteligente de sujeitos humanos. desenvolve-se entre nós um interacionismo de orientação histórico-social. A maior parte dos educadores que trabalham com esta posição. atenção voluntária. justamente porque destaca o papel do meio. capacidade de comparar. Nessa orientação. Por isso. com seus parceiros. o que remete.psicolinguística. percepção. a aprendizagem resulta da interação sujeito-objeto. em ultima instância. atribuindo-se peso significativo à cultura e às relações sociais. etc.) são ações internalizadas de algo socialmente constituído. que leva ao extremo as analogias entre mente e computador. Mais especificamente. b) Ciência cognitiva. Uma das principais diferenças entre os vários construtivismos diz respeito ao papel da cultura. Nesse sentido. ao papel do ensino na aprendizagem. A atividade do sujeito supõe a ação entre sujeitos. abstração. no sentido de uma relação do sujeito com o outro. da teoria da comunicação e da cibernética (ciência dos computadores). cujas bases teóricas se apóiam no psicólogo russo Vigotsky. essa posição é . da cultura. Isso significa admitir um papel essencial do ensino na promoção do desenvolvimento cognitivo e social dos alunos. dos colegas. considerando este como algo mais do que uma simples ferramenta conceitual. mas a ação do sujeito sobre o meio é socialmente mediada. a conhecem como sócio-interacionismo. memória. bem como do outro. dos conhecimentos anteriores e do professor. isto é. postula a origem social das funções mentais superiores. diferenciar. do professor.

150 também denominada concepção sócio-cultural ou sóciohistórica. Metodologicamente. Em razão disso. inclusive para submeter os conteúdos a uma análise ideológica e política. enfim. outras colocam a relação pedagógica como mediação da formação política. a destruição do meio ambiente. o desemprego. diretamente associada ao currículo sóciocrítico. As abordagens críticas convergem na concepção de ensino como compreensão da realidade para transformá-la. algumas dão mais ênfase às questões políticas do processo de formação. 5. Currículo sócio-crítico (ou histórico-social) A abordagem sócio-crítica possui várias correntes. Neste segundo caso. destaca-se a importância da responsabilidade social e da busca do interesse coletivo. as desigualdades sociais e econômicas. . da compreensão do conhecimento como ligado à prática e à solução de problemas. adere à idéia da aprendizagem como construção do sujeito. considera especialmente os efeitos do currículo oculto e do contexto da ação educativa nos processos de ensino e aprendizagem. visando a construção de novas relações sociais. às vezes divergentes entre si. de modo a eliminar as mazelas sociais existentes como a pobreza. a educação cobre a função de transmissão cultural mas também é responsável pela ajuda ao aluno no desenvolvimento de suas próprias capacidades de aprender e na sua inserção crítica e participativa na sociedade em função da formação da cidadania. junto com os requisitos de se ajudar o aluno a adquirir autonomia de pensamento. a violência.

entre outros). a compreensão de como se produzem. b) ressaltar. minimizando ou até recusando um currículo formal. dificilmente os alunos estarão aptos a analisar a realidade e formular estratégias de atuação. se elaboram e se . Currículo integrado ou globalizado O movimento por um modelo de currículo integrado tem chegado até nós por meio de autores espanhóis (Torres Santomé. O termo globalização está associado a características da estrutura cognitiva e afetiva dos alunos que acentuam uma maneira própria de atribuir significados e construir e integrar conhecimentos. Hernandez. o domínio dos processos necessários ao acesso aos conhecimentos e. Sem os conceitos. simultaneamente. São duas as idéias norteadoras desse modelo curricular: a) buscar a integração de conhecimentos e experiências que facilitem uma compreensão mais reflexiva e crítica da realidade. destacando a globalização das aprendizagens e a interdisciplinaridade.Algumas correntes da abordagem crítica defendem um tipo de currículo mais informal. da convivência social na escola. superando a separação e falta de comunicação entre as disciplinas escolares. ao lado dos conteúdos culturais. centrado na valorização de elementos casuais. a teoria e os conteúdos culturais sistematizados. O termo interdisciplinaridade acentua a inter-relação entre conhecimentos. fortuitos. Entendemos que essa concepção de currículo é insuficiente para atingir os objetivos emancipatórios que a escola busca. 151 6.

o aprender a aprender (Torres Santomé. comparação etc. a seleção de experiências de aprendizagem verdadeiramente interessantes. o currículo globalizado articula várias práticas educativas que possam contribuir para os processos de ensino e aprendizagem. visitas. a ligação dos conteúdos culturais com a realidade. Com essa orientação. a importância dos processos mentais na 152 aprendizagem (observação. também. pretende-se que. a vivência cultural dos alunos. o valor da atividade do próprio sujeito na aprendizagem. no currículo em ação. Tipos de currículo Os tipos ou modelos de currículo decorrem das concepções e posicionamentos teóricos sobre conhecimento . neste modelo. pelos alunos. análise. das experiências e conhecimentos próprios de sua comunidade. vídeos. pelo qual a escola torna-se um espaço de reconstrução. a interdisciplinaridade. inclusive naquilo que não foi previsto pelos professores. no currículo oculto. classificação. superando os reducionismos psicológicos. Na prática curricular. tomada de decisões. epistemológicos ou sociológicos. das teorias. nas várias experiências de aprendizagem tipo biblioteca.transformam esses conhecimentos. ou seja. comunicação. mediante o método de projetos. se preste atenção a tudo o que acontece na escola e nas aulas. adota-se o currículo experiencial. laboratórios. Para se chegar a esses objetivos. 1989). Incorpora-se. dos conteúdos culturais. A ênfase aos processos não significa minimizar a importância dos conceitos. síntese.).

isto é. atribuem importância à prática. O currículo numa perspectiva cognitiva acentua o desenvolvimento das capacidades cognitivas. O currículo sócio-crítico. no entanto. como também. Dessa forma. O conhecimento destas concepções contribui para a elaboração da proposta curricular. inscritos numa grade curricular. o integrado. quais técnicas devem utilizadas pelos professores. Nos currículos fechados tem-se o currículo por disciplinas isoladas. quais materiais de ensino e instrumentos de avaliação são mais eficazes. no exercício prático de tomada de decisões. O currículo tecnicista gera um formato de currículo baseado na tecnologia de elaboração e de aplicação de programas curriculares: como selecionar e organizar objetivos e experiências de aprendizagem. acentuando mais o "como" do que o "o quê". das estratégias de aprendizagem.e ensino. Geralmente os objetivos e conteúdos são prescritos. importa distinguir para decidir entre currículos fechados e currículos abertos. o formato do currículo tradicional corresponde melhor à idéia de plano de estudos. a relação do currículo com a prática. tanto no sentido de a prática ser a referência para a elaboração e desenvolvimento curricular como no sentido de entender a prática curricular como um processo de investigação. um conjunto de disciplinas a serem estudadas pelos alunos ao longo das séries escolares. as disciplinas aparecem apenas como valor instrumental para a aprendizagem das habilidades cognitivas. ou seja. o papel da educação e do ensino na sociedade e para os indivíduos. o que se busca com o currículo. as 153 .

Entre as caraterísticas assinaladas nos currículos abertos está a interdisciplinaridade. didático e pedagógico). ou seja. seus saberes de experiência e saberes profissionais (Carvalho e Diogo. que atualmente é um dos mais importantes elementos do formato de currículo que corresponde melhor a uma proposta curricular de cunho cognitivo e social. A elaboração e o desenvolvimento curricular contam com a participação dos professores. sem autonomia para tomar decisões. atitudes. Suscitar e garantir processos integradores e a apropriação de saberes enquanto produtos cognitivos dos alunos (implica a organização de saberes sob o ponto de vista curricular. como cidadão). Alguns princípios da interdisciplinaridade são: Ter como referência o sujeito que aprende e sua relação com o saber.escolas e os professores limitam-se a segui-los. os conteúdos podem ser organizados em áreas e temas geradores. sejam integrados na estrutura mental do aluno. respeitando-se sua autonomia. . têm mais flexibilidade na definição de objetivos e competências. Os currículos abertos preocupam-se com a integração entre as disciplinas. de modo que os conhecimentos. não se consideram os saberes e competências profissionais dos professores. 1994). procedimentos. Interdisciplinaridade é um procedimento de organização da escola e do ensino que favorece a integração de aprendizagens e de saberes e a busca de saberes úteis para lidar com questões e problemas da realidade (levar o aluno a confrontar-se com a realidade. O resultado prático da interdisciplinaridade é o estabelecimento de ligações de complementaridade entre as matérias escolares. Estabelecer ligações entre teoria e prática.

torna-se relevante considerar alguns princípios na construção de um currículo de cunho sócio-crítico. implicando o direito de todos.Estabelecer ligações entre pontos de vista distintos acerca de um objeto de conhecimento. sem dúvida. Mas.A escolarização básica obrigatória tem um significado educativo. a inserção no trabalho e na vida social. Evidentemente. apenas indicam algumas idéias a serem consideradas. a compreensão e a solidariedade entre os seres humanos. o desen volvimento da subjetividade e sensibilidade. a educação não atua sozinha. ao desenvolvimento das capacidades individuais e sociais. Alguns princípios orientadores da proposta curricular Se a organização curricular expressa os objetivos e estratégias de ação do projeto pedagógico-curricular. a melhoria da qualidade da vida. Os tópicos que apresentamos não cobrem o conjunto dos fatores e exigências de um currículo sensível aos problemas da nossa época. à conquista da dignidade humana e da liberdade intelectual e política. ela pode gerar . Este princípio se baseia na crença do poder da educação para propiciar o desenvolvimento da razão critica pelo exercício da racionalidade. político e social. à formação da cidadania. 154 Fazer o caminho entre a especialização. ela está condicionada por uma multiplicidade de fatores como os econômicos e políticos. disciplinar e a integração interdisciplinar e vice-versa. ao acesso aos bens culturais. em condições iguais de oportunidades. 1 .

proporciona também as ferramentas mentais para lidar praticamente com os conceitos nas situações 155 concretas da vida cotidiana. busca-se incorporar no currículo os interesses de todos os alunos em sua diversidade tanto no âmbito psicológico quanto no âmbito social e cultural. a ciência. O termo "conteúdos" refere-se aos conhecimentos sistematizados. 2000). selecionados das bases das ciências e dos modos de ação acumulados pela experiência social da humanidade e organizados para serem ensinados na escola. as escolas têm uma responsabilidade concreta e real: propiciar a assimilação e a reconstrução dos conteúdos escolares e. pondo-se em prática o lema: uma escolaridade igual para sujeitos diferentes em uma escola comum (Gimeno. portanto. os processos de desenvolvimento das capacidades cognitivas e operativas. 2 . conforme uma pedagogia diferenciada. Este é um dever de justiça social. Não há que se alimentar ilusões. através deles. um caminho para a igualdade e a inclusão social. a arte através de um ensino que forme sujeitos pensantes e críticos não é nada muito mais do que a sempre proclamada formação geral que.melhores condições de vida e de realização humana tanto para os indivíduos quanto para o conjunto da sociedade sendo. Aprender a cultura. Essa tarefa deve ser concretizada nas escolas e nas salas de aula.A escolarização obrigatória requer criteriosa seleção de conteúdos e adoção de adequadas práticas pedagógicas. Ao mesmo tempo que se propicia uma cultura geral comum. do trabalho e do exercício da cidadania. . ao mesmo tempo que possibilita a internalização de um conteúdo significativo e útil.

são habilidades e hábitos.O currículo escolar representa o cruzamento de culturas. envolvendo modos de agir. supõe-se uma pedagogia diferenciada em que. são atitudes. nas mídias e outros contextos culturais. a cultura das mídias. Isso significa propiciar aos alunos conhecimentos e experiências diversificadas. vinculados aos conhecimentos. na cidade. com a cultura dos meios de comunicação. a cultura social. cada aluno sinta-se valorizado e respeitado em sua subjetividade. valores. constituindo-se num espaço de síntese em que a cultura elaborada se articula com os conhecimentos e experiências concretas dos alunos vividas no seu meio social. Trata-se de compreender a escola como lugar de síntese entre a cultura formal. convicções. incluindo métodos e procedimentos de aprendizagem e de estudo. a cultura acadêmica expressa no currículo. a cultura da escola (organizacional). sistematizada. de sentir e de enfrentar o mundo. em quaisquer situações de aprendizagem e de convivência social. integrando no currículo a variedade de culturas que perpassa a escola: a cultura científica. 156 Os objetivos de formação cultural e de desenvolvimento curricular precisam considerar hoje a nova configuração econômica e política e as novas realidades sociais e culturais do mundo contemporâneo. a cultura dos alunos. o que implica formular . na rua. da cidade e de suas práticas sociais. e a cultura experienciada que acontece na família. 3 . Além disso. a partir da diversificação de metodologias e procedimentos.

a interligação das várias culturas que perpassam a escola etc. Uma pedagogia do pensar é aquela que ajuda o aluno a transformar-se num sujeito pensante. Há um razoável consenso hoje em torno de proposições sócio-interacionistas: o papel ativo do sujeito na aprendizagem escolar. habilidades. instrumentos conceituais de apreensão dos objetos de conhecimento. mediante a condução pedagógica do professor que disporá de práticas de ensino intencionais e sistemáticas de promover o "ensinar a aprender a pensar". ou seja.compreensão e clarificação de valores e atitudes.A organização e desenvolvimento do currículo implica a inserção da educação moral . mediante formulação explicita de conteúdos e competências e de formas metodológicas que suscitem nas .O processo de ensino e aprendizagem deverá estar centrado no ensino do aprender a pensar e do aprender a aprender. 157 5 . tendo como referência a internalização e reconstrução dos conteúdos culturais. a aprendizagem interdisciplinar. A equipe escolar precisa incluir na definição e na discussão pública da proposta curricular a educação para os valores. atitudes. de modo que aprenda a utilizar seu potencial de pensamento pelos meios cognitivos de construção e reconstrução de conceitos. o desenvolvimento de competências do pensar. 4 . Trata-se de investir numa combinação bem sucedida da assimilação consciente e ativa desses conteúdos com o desenvolvimento de capacidades cognitivas e afetivas pelos alunos visando a formação de estruturas próprias de pensamento.coletivamente formas pedagógico-didáticas de assegurar essa articulação. valores.

os professores. quanto ao tema da dimensão moral do ensino. como parte do chamado currículo oculto. A associação entre os conteúdos de ensino e os objetivos e competências. significa pôr em prática não apenas as competências do pensar sobre valores. o ambiente. cultural e educacional estão requerendo um vínculo mais estreito entre os saberes propiciados pela escola e as capacidades e competências internalizadas pelos alunos que expressam a relação entre conhecimento e ação. mas levando a escola. 6 . de inculcar valores.salas de aula o "pensar" sobre valores e práticas morais. Nesse sentido. Não se trata. a partir da busca de sentidos de sua própria experiência e da cultura organizacional que vivenciam na escola.As transformações em curso na esfera econômica. corresponde à exigência atual de atribuição de sentido . a todo momento. também. mas de propiciar aos alunos estratégias e procedimentos de pensar sobre valores e critérios orientadores sobre modos de decidir e agir (Libâneo. nas várias disciplinas. os professores. passam valores. a escola. há que se considerar formas criativas de lidar com os temas transversais propostos nos Parâmetros Curriculares Nacionais. Mas é justamente por isso que o grupo de professores e especialistas de uma escola precisa explicitar princípios norteadores para a vida prática decorrentes de um consenso mínimo. obviamente. com a cultura da escola. Certamente. Mas o trabalho com valores ligase. O currículo em ação. 2000). de doutrinação política ou religiosa. os alunos a praticá-los em contextos e situações concretas.

a partir da especificidade das disciplinas. dominar regras de atuação. técnicas. cuidar para que os conhecimentos e modos de ação contribuam para a internalização de determinadas capacidades e competências. Uma vez formulados os objetivos do projeto pedagógicocurricular e as capacidades e competências desejadas. permuta de experiências e . favorecendo a integração interdisciplinar.diálogo entre vários especialistas.158 aos saberes escolares. isto é. O currículo pluridisciplinar é aquele em que as disciplinas encontram-se justapostas e isoladas entre si. definem-se os objetivos e conteúdos da disciplina e as possibilidades de articulação com as demais disciplinas de uma mesma série de modo a atender os objetivos. capacidades e competências definidos pelo conjunto dos professores. ou mais precisamente. Há que se pensar numa estrutura curricular em que os vários campos do conhecimento se articulem num todo orgânico e se integrem. horizontal e verticalmente. A interdisciplinaridade como forma de compreensão do processo de construção do conhecimento é ao mesmo tempo uma atitude . habilidades para resolver problemas práticos e imediatos. 7 – É preciso que as escolas vão buscando formas de superação do currículo pluridisciplinar. para além da mera instrumentação dos conteúdos da perspectiva tecnicista que reduz as aprendizagens ao "saber fazer". Trata-se aqui de articular a seleção de conteúdos com objetivos e competências exigíveis como resultados do processo de ensino e aprendizagem.

Um dos mais relevantes objetivos democráticos no ensino será fazer da escola um lugar em que todos os alunos possam experimentar sua própria forma de realização e sucesso. 159 8 . de modo a representar num currículo comum os interesses de todos os alunos. O currículo intercultural é o que. 9 . acolhe a diversidade e a experiência particular dos diferentes grupos de alunos e que propicia. um espaço de diálogo e comunicação entre grupos sociais diversos.A qualidade social do currículo se expressa no provimento das condições pedagógico-didáticas que asseguram melhor qualidade cognitiva e operativa das experiências de aprendizagem.A escola voltada para uma sociedade que inclua todos precisa considerar a diversidade cultural e as diferenças. uma prática curricular . uma forma de organização administrativa e pedagógica elaboração coletiva do projeto pedagógico e participação na gestão da escola.conhecimentos. . produção conjunta de conhecimentos. o combate ao racismo e a outros tipos de discriminação e preconceito.construção conjunta de uma proposta curricular baseada na integração entre as disciplinas e envolvimento em projetos comuns de desenvolvimento do currículo. a partir de uma base comum de cultura geral para todos. O provimento da cultura escolar aos alunos e a constituição de um espaço democrático na organização escolar devem incluir a interculturalidade: o respeito e valorização da diversidade cultural e das diferentes origens sociais dos alunos. na escola e dentro das salas de aula.

depende não apenas do exercício da democracia nas escolas. . a qualidade social da escola se manifesta na garantia da qualidade cognitiva e operativa das aprendizagens para a produção de saberes. saber agir) e maior participação democrática. de capacidade operativa. produtiva.que os filhos das camadas médias e pobres da população podem participar de uma vida mais digna e mais completa. a gestão e o desenvolvimento profissional dos professores. da gestão participativa. da introdução de inovações técnicas mas. da qualidade cognitiva e operativa das aprendizagens. para o que se mobiliza o currículo. sim. Passa pelo conhecimento teórico-prático. social e afetiva da aprendizagem. conhecimento e uso de novos instrumentos de produção e comunicação entre os homens.O currículo escolar deve propiciar no processo educativo a articulação entre as dimensões cognitiva. a justiça social em matéria de educação. e de capacidade cognoscitiva (Manacorda. Portanto. como professores. propiciada a todos os alunos em condições iguais.1986). mas como instrumento concreto de conhecimento. basicamente. escrever e fazer contas. especialmente da escola pública. 160 É preciso dar instrução. É através das formação cultural de sólidos conhecimentos e capacidades cognitivas fortemente desenvolvidas .O êxito da escola. 10 . com maior capacidade operativa (saber fazer. A cultura hoje não passa somente pelo ler. É na sala de aula que podemos realizar.

seja propiciando 161 se. interesses. técnicas. mais prazerosas. seus desejos. social e cultural. necessidades de alunos diferentes entre si. A busca de condições de exercício da profissão aponta para a necessidade de as escolas assegurarem um ambiente . na escola. 11 . mobilizar procedimentos. expor seus sentimentos. Implica. portadores de saberes decorrentes de suas experiências vividas. de forma organizada. condicionados por culturas particulares da sua origem social.É necessário um incessante investimento no desenvolvimento pessoal e profissional dos professores. mas no desenvolvimento do currículo e das práticas de ensino é preciso especial atenção para o fato de que os alunos são sujeitos concretos. o social e o afetivo possibilita compreender o papel da escola e da equipe docente em ajudar os alunos a construírem sua subjetividade como pessoas humanas e como sujeitos portadores de uma identidade cultural e pertencentes à humanidade. ajudá-los na capacidade de comunicação com o mundo do outro.Essas dimensões estão presentes no comportamento dos sujeitos que aprendem. que possibilitem aos professores conversar mais com alunos. de tornar as experiências de sala de aula mais agradáveis. também. meios. ter sensibilidade para situar a relação docente no contexto físico. deixá-los falar. A busca da articulação entre o cognitivo. um clima de trabalho receptivo seja promovendo ações de formação continuada. Isso implica em conhecer e compreender motivações.

12 . precisa prover . A educação escolar pode contribuir para a democracia não apenas pela formação do cidadão crítico e participativo. o que implica a reordenação de formas de organização do trabalho na direção de relações sociais interativas e solidárias. é indispensável que o desenvolvimento do currículo esteja vinculado ao desenvolvimento profissional dos professores. Para isso. Professor que não se cultiva. cultivar os processos democráticos e solidários de trabalho. que não está seguro ao menos no campo de conhecimento em que se especializa e na metodologia de ensino. No terreno da cultura e da ciência.As escolas precisam. mais se requer um conhecimento que interprete. Quanto mais se admite estarmos vivendo numa sociedade do conhecimento. participação nas decisões. iniciativa. convivência e tomada de decisões. também. O ideal de um currículo que visa a emancipação intelectual e política das pessoas é propiciar a todos condições iguais de exercício da cidadania. liderança. ninguém dá o que não tem. e preciso que na organização da escola e no processo de elaboração curricular se invista em ações de formação continuada. não pode ensinar cultura.de trabalho em que as pessoas se sintam bem e que possam crescer pessoal e profissionalmente. A par disso. elabore e critique todas as modalidades de informação que afeta o trabalho do professor. Para isso. Mas não basta a participação. A elaboração e desenvolvimento do currículo é um exercício de reflexão coletiva sobre a prática. mas também por ser ela própria um lugar onde se põe em prática a vivência do que se propõe nos objetivos: desenvolvimento da autonomia de pensamento.

os objetivos gerais. expressando intenções e expectativas sobre a formação dos alunos. capacitação para tomar iniciativas.oportunidades em que os alunos possam exercer a democracia mediante formas de 162 participação. de forma mais abrangente. discussão publica de pontos de vista. considerado o contexto sóciocultural. . concretiza essas grandes linhas em objetivos. propriamente dita. para o que se requer: 1. A elaboração da proposta curricular supõe dois momentos articulados entre si: a proposta curricular formulada pela escola e os planos de ensino dos professores. competências. para definir a proposta curricular da escola: qual modelo curricular adotar? Quais objetivos e conteúdos? Quais os critérios de seleção e organização dos conteúdos? 2. Explicitação dos princípios norteadores de formação expressando expectativas em relação à formação esperada (perfil) dos alunos. conteúdos. A proposta curricular da escola implica decisões conjuntas dos professores. Conhecimento e análise critica das orientações normativas do sistema nacional de ensino e das diretrizes estaduais ou municipais (LDB e normas legais regionais). O processo de elaboração da proposta curricular No projeto pedagógico-curricular são formulados. processos organizados de tomada de decisões. métodos e formas organizativas do ensino. por áreas curriculares ou disciplinas. tendo em vista os resultados da aprendizagem. A proposta curricular.

de preferência. Escolha de metodologias e procedimentos compatíveis com os objetivos e com a proposta curricular. Explicitação de formas de participação dos alunos no planejamento do currículo e nas instâncias de organização e gestão. do currículo.3. incluindo a inserção deles nos processos de tomada de decisão. 6. práticas. dos professores e da aprendizagem dos alunos. incluindo decisões como: 163 Definição de temas comuns a serem tratados por diferentes disciplinas. Formulação de objetivos e competências gerais por séries. através de projetos. Definição de normas de funcionamento. que sejam consensuais. de modo que os professores possam tomar decisões mais pontuais em suas próprias disciplinas e no . habilidades/ procedimentos e de atitudes/valores. Definição de formas e propostas trabalho entre as disciplinas que envolvam assuntos mais significativos para os alunos. bem como de atividades curriculares complementares. 5. Definição de sistemáticas comuns de avaliação dos alunos. consideradas as várias áreas e/ou disciplinas. Concepções e procedimentos de avaliação da escola. atitudes. contemplando as dimensões dos conteúdos: conhecimentos/conceitos. em linhas gerais. Seleção e organização das disciplinas que irão compor o currículo e de outras atividades curriculares. Tais "intenções" devem ser expressas. 4.

compatibilização com a proposta curricular da escola e os objetivos terminais por série. expectativas e sentimentos compartilhados pelo grupo social que constitui a escola. considerar que é sumamente imprescindível que a elaboração do currículo leve em conta a situação concreta de cada escola. métodos. atitudinais). mas as escolas precisam desenvolver uma interação crítica com os dispositivos normativos. Convém. as competências. explicitação das interfaces com outras disciplinas. Algumas recomendações: 1. em consonância com a proposta curricular da escola. A legislação e as orientações oficiais são legítimas. a avaliação. da cultura local. 3. O plano de ensino compreende os objetivos. O plano deve conter uma justificativa do papel da disciplina no currículo de formação geral. o desenvolvimento metodológico. os conteúdos. 2. competências em relação aos objetivos e conteúdos e desenvolvimento metodológico (condições para a aprendizagem ocorrer: ações pedagógico-didáticas. cotejando-os com os contextos particulares em que são aplicados. da cultura organizacional. Trata-se de promover a reflexão crítica sobre esses dispositivos. procedimentais. de modo a conferir sua relevância frente a necessidades e demandas concretas da escola e aos significados. .âmbito das séries. procedimentos de avaliação. Cada disciplina define seus objetivos. 164 Os planos de ensino são elaborados pelos professores. recursos didáticos). ainda. conteúdos (conceituais.

Há vários sentidos de competência e o mais conhecido está ligado a uma visão economicista segundo a . Os professores estão sendo solicitados a trabalhar com mais um termo do vocabulário pedagógico. porque o 165 processo pedagógico-didático que movimenta o currículo implica intencionalidade. adotados no Brasil com base na teoria behaviorista aplicada ao ensino. dentro da concepção e formato de currículo escolhidos.4. fazem-se necessárias algumas observações. em função de certa obsessão pela objetividade e eficiência. constituindo-se em guia para a ação da escola e da equipe de professores. A crítica refere-se a um excesso de quantificação na definição e detalhamento de objetivos operacionais. Ainda não se tem muita clareza sobre o modo de inserção das competências na elaboração da proposta curricular e dos planos de ensino. é preciso que explicitem o que esperam conseguir da aprendizagem dos alunos. Os objetivos esclarecem o que se pretende fazer. O planejamento curricular coletivo deve assegurar. É justamente aqui que aparecem as competências. teoria essa que recebeu a denominação de tecnicismo educacional. a articulação vertical e horizontal entre as áreas/disciplina do currículo. Sendo o ensino uma prática intencional e supondo-se que os professores precisam saber se seus objetivos estão sendo atingidos. Hoje não há mais lugar para a quantificação de objetivos de ensino. mas objetivos continuam sendo imprescindíveis. Em relação aos objetivos e competências. as competências. Há quem critique esse termo e sua utilização nas escolas devido à sua semelhança com os chamados "objetivos comportamentais".

pode-se entender que os objetivos de ensino referem-se a uma explicitação mais geral . um dilema. integram ou mobilizam conhecimentos. 166 No plano de ensino. ter competência é saber mobilizar recursos cognitivos diante de um problema. técnicas. Ou seja. As competências. formular competências a serem dominadas pelos alunos no final de uma série ou ciclo escolar não é muito diferente de definir objetivos em termos de práticas observáveis. as competências expressam metas claras comunicáveis aos estudantes. procedimentos.qual a busca da produtividade econômica requer pessoas competentes. diferentemente dos antigos "objetivos comportamentais". as competências são compatíveis com uma teoria sócio-interacionista em que o ensino impulsiona as capacidades cognitivas dos alunos de modo a mobilizar formas de apropriação e utilização de conteúdos. portanto. 2000). Segundo Perrenoud. Todavia. ou seja. porque as competências estão apoiadas em conhecimentos e numa variedade de outros recursos cognitivos. a questão aqui é a da relação significativa e operativa que o aluno estabelece com os conteúdos. atitudes) para enfrentar situações referentes a conhecimentos aprendidos (Perrenoud. uma atividade prática. utilizam. pessoas tecnicamente eficientes. isto é. representam uma transferência de conhecimentos e uma capacidade para lidar com situações complexas ou não previstas. Nesse sentido. O sentido que assumimos aqui é outro: competência refere-se à mobilização de recursos cognitivos (saberes. é falso o dilema sobre se é mais importante a aquisição de conhecimentos ou o desenvolvimento de competências. Compreendidas nesses termos.

". Os PCN foram elaborados para fornecer uma orientação geral e coerente do currículo. conteúdos e desenvolvimento metodológico.. A escolarização obrigatória é um requisito indispensável do processo de democratização da sociedade e a escola convencional o lugar próprio para proporcionar as bases de cultura geral extensiva a todos os brasileiros. formulado pela Secretaria de Educação Fundamental do MEC. Em alguns lugares. modos de fazer. bem como as condições de aprendizagem das crianças e . visando a melhoria da qualidade de ensino. operacionais e técnicos necessários ao atendimento universal da demanda por escolarização. Um currículo básico comum representa um benefício para a democratização do acesso e permanência na escola. habilidades.. como referencial para a organização curricular das escolas. será útil a consulta aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Este é o princípio que justifica o dever social e ético do governo em oferecer subsídios para um currículo básico comum e propiciar os suportes financeiros.daquela fórmula conhecida dos professores: "O aluno deverá ser capaz de. Há boas razões que justificam a proposição de orientações curriculares para o sistema de ensino. em relação aos conhecimentos teóricos e práticos correspondentes. referem-se ao detalhamento de ações. em âmbito nacional. por sua vez. O papel dos Parâmetros Curriculares Nacionais Para a definição de objetivos. as competências. também a Secretaria Estadual da Educação (ou municipal) dispõe de uma proposta curricular para o sistema de ensino. consideradas a heterogeneidade social e cultural e as disparidades econômicas do país.

jovens que se apresentam desiguais conforme cada contexto social. Obviamente, está-se considerando que os PCN são, de fato, parâmetros, isto é, oferecem orientações pedagógicas e curriculares 167 gerais, enquanto subsídios aos professores para refletirem e tomarem decisões, em nível local, sobre objetivos e conteúdos, formas metodológicas de atuação docente. Além disso, não se pode acreditar que tais subsídios curriculares sejam suficientes para elevar o nível de qualidade da educação escolar. Uma coisa é a letra do documento, outra são as práticas de aprendizagem na sala de aula que precisam ser consideradas em relação a outros fatores como o salário, a carreira docente, as condições de trabalho, o reconhecimento social da profissão de professor. Os PCN são, pois, uma referência, um ponto de partida, para que se possa articular objetivos e conteúdos com a cultura das escolas e das salas de aula envolvendo tudo o que um documento geral como este não pode nem deve prever: a diversidade regional, as decisões do professor, a dinâmica das interações na sala de aula, o currículo oculto, a adequação local de conteúdos, o significado social dos conteúdos, as práticas de avaliação, os desenvolvimentos metodológicos etc. Cabe, portanto, aos sistemas de ensino, aos coordenadores pedagógicos, orientadores educacionais e responsáveis por sistemas de formação continuada, uma multiplicidade de tarefas que complementam a proposta curricular. Afinal, sabemos que é na escola que se criam os espaços de diálogo e comunicação entre grupos sociais diversos, o que pode ser

perfeitamente contemplado no projeto pedagógicocurricular da escola. Todavia, a defesa da adequação do currículo às realidades regionais e locais não nos leva a ceder a propostas que postulam currículos exclusivos das escolas, à margem de um currículo básico nacional. Tais currículos levariam, de fato, a uma atitude discriminadora, já que estariam sonegando aos alunos aqueles conteúdos e instrumentos conceituais mais universais necessários para melhor compreender o mundo e a sociedade de que fazem parte e a potencializar suas formas de atuação na realidade. Se poderia ser legítimo o argumento de que o currículo oficial não contempla os aspectos da cultura local já que são os sujeitos reais que dão significados aos 168 conteúdos, também se poderia dizer que estaríamos frente a uma desigualdade de oportunidades quando as crianças não têm acesso a um conhecimento mais sistematizado e mais científico. Fica difícil pensar-se num currículo local deixando toda a iniciativa à comunidade escolar num momento em que o ensino fundamental torna-se crucial na capacidade de aprender e do provimento dos instrumentos básicos de pensamento. Os PCN e a organização curricular. Os Parâmetros Curriculares Nacionais definem a organização curricular considerando a especificidade das áreas e disciplinas dentro de um todo integrado e a organização da escolaridade por ciclos.

A organização do conhecimento escolar em áreas, os respectivos conteúdos e o tratamento transversal de questões sociais constituem os elementos básicos da organização curricular, integrando conhecimentos de diferentes disciplinas. Diz o documento: A concepção da área evidencia a natureza dos conteúdos tratados, definindo claramente o corpo de conhecimentos e o objeto de aprendizagem, favorecendo aos alunos a construção de representações sobre o que estudam. Essa caracterização da área é importante também para que os professores possam se situar dentro de um conjunto definido e conceitualizado de conhecimentos que pretendam que seus alunos aprendam, condição necessária para proceder a encaminhamentos que auxiliem as aprendizagens com sucesso. Os temas transversais referem-se a questões que interferem na vida dos alunos e com as quais se vêem confrontados no seu dia-adia. São apresentados como temas transversais: ética, saúde, meio ambiente, orientação sexual e pluralidade cultural. Em algumas escolas, as temáticas sociais já vinham sendo tratadas em Estudos sociais, Ensino Religioso e outras disciplinas específicas. Os PCN adotam o tratamento transversal, sem restringi-las a uma única área. De acordo com o documento, os temas transversais são assim definidos: 169 (...) um conjunto de temas que aparecem transversalizados nas áreas definidas, isto é, permeando a concepção, os objetivos, os conteúdos e as orientações didáticas de cada área, no decorrer de toda a escolaridade obrigatória.

A transversalidade pressupõe, portanto, um tratamento integrado das áreas e uma vivência no âmbito da organização da escola dos valores trabalhados em sala de aula. Implica, também, adaptações a contextos locais. Por exemplo, ao se tratar da educação ambiental, serão contemplados conteúdos e vivências conforme peculiaridades locais, por exemplo, nos seringais da Amazônia ou na periferia das grandes cidades. A organização em ciclos é uma tentativa de superar a segmentação excessiva produzida pelo regime seriado e minimizar a ocorrência da repetência e da evasão escolar. A flexibilização da seriação permitiria trabalhar o currículo ao longo de um período de tempo maior, respeitando-se os diferentes ritmos de aprendizagem dos alunos. Os Parâmetros Curriculares Nacionais estão organizados em ciclos de dois anos. O primeiro ciclo se refere às primeira e segunda séries; o segundo ciclo, às terceira e quarta séries; e assim subseqüentemente para as outras quatro séries. O documento alerta que a estruturação por ciclos não contempla os principais problemas da escolaridade no ensino fundamental como a ruptura entre a quarta e quinta séries, início tardio da escolarização, entre outros. Trata-se de uma das possíveis estratégias de intervenção na problemática educacional do país, necessitando de ações cautelosas para sua adoção. CAPÍTULO - IX ORGANIZAÇÃO GERAL DO TRABALHO ESCOLAR 173

O segundo elemento do processo organizacional é a organização propriamente dita, isto é, a racionalização do uso de recursos materiais, físicos, financeiros, informacionais e das atividades desempenhadas pelas pessoas. A organização incide diretamente na eficiência e na eficácia do processo de ensino e aprendizagem, à medida que garante as condições de funcionamento da escola e uma ação unificada da equipe escolar. A falta de unidade da ação educativa em torno de diretrizes, normas, desempenho de funções, rotinas, pode resultar em situações que comprometem o trabalho. Por exemplo: um professor exige cuidado com o mobiliário escolar, enquanto outro permite que as crianças façam rabiscos na carteira; um professor exige dos alunos a utilização da linguagem padrão, outro permite ou utiliza expressões fora da linguagem padrão; um professor nunca dá tarefas, outro sobrecarrega os alunos de exercícios; bate o sinal, alguns professores permanecem na sala de professores; 174 a qualquer pretexto, em qualquer hora, a coordenação ou um funcionário entra na sala de aula para dar avisos, deixar a merenda, chamar um aluno etc.; a professora precisa do retro-projetor mas a servente faltou e ficou com a chave. Essas situações revelam falta de organização adequada, afetando as atividades de ensino. Para se evitar isso, é necessário que todos os aspectos da vida escolar sejam devidamente contemplados na organização geral da escola, antes do início do ano letivo. A organização geral diz

serviços administrativos etc.que concorrem para o desenvolvimento e alto rendimento escolar dos alunos. a) Organização da vida escolar Trata-se da organização do trabalho escolar em função de sua especificidade e de seus objetivos. sem comprometer a gestão democrática. distribuição de alunos por classes. entrada e saída da classe. administrativo. relações humanas satisfatórias. condições de higiene e limpeza etc. organização do espaço físico. A estrutura organizacional e o cumprimento das atribuições de cada membro da equipe é um elemento indispensável para o funcionamento da escola. sistema 175 participativo de tomada de decisões.respeito a: horário. b) a organização do processo de ensino e aprendizagem (trabalho do professor e dos alunos em sala de aula). matrícula. docente). controle de freqüência do pessoal (técnico. sistema de assistência pedagógico-didática ao professor. O que se . contatos com pais. Essas várias atividades são agrupadas em quatro áreas de ação: a) a organização da vida escolar (a escola como um todo). Um mínimo de divisão de funções faz parte da lógica da organização educativa. c) a organização das atividades de apoio técnicoadministrativo.correta distribuição de tarefas. d) a organização de atividades que vinculam a escola com a comunidade. . É a criação de condições ótimas . clima de trabalho. normas disciplinares. serviços de limpeza e conservação.

as horas de descanso. mas ao envolvimento dos alunos. impedindo a participação e discussão e não levando em conta as idéias. A organização do trabalho na sala de aula não visa apenas ao cumprimento dos programas. o desenvolvimento de habilidades e capacidades intelectuais. dos planos de ensino e sua estrutura didático-pedagógica. orientada por uma concepção de ensino como direção da atividade cognoscitiva dos alunos sob orientação do professor. aos aspectos de organização do trabalho do professor e dos alunos na sala de aula. sua participação ativa. expresso no horário escolar. as atividades de Educação Física e recreação etc. Supõe a elaboração do projeto pedagógico-curricular. basicamente.deve evitar é a redução da estrutura organizacional a uma concepção estritamente funcional e hierarquizada de gestão subordinando o pedagógico ao administrativo. Sua função essencial é a de distribuir racionalmente as atividades da escola pelos dias da semana. Um importante aspecto da organização escolar é o regime de trabalho diário. 176 c) Organização das atividades de apoio técnicoadministrativo . o trabalho independente. Implica a distribuição de disciplinas com sua carga horária correspondente. os valores e a experiência dos professores. b) Organização do processo de ensino e aprendizagem Refere-se. Aqui intervêm a imprescindível colaboração da coordenação pedagógica (e da orientação educacional onde houver).

As tarefas administrativas têm a função de fornecer o apoio necessário ao trabalho docente. Abrangem as atividades de Secretaria (prontuário de alunos e professores, registro escolar, arquivos, livros de registro etc.), serviços gerais (inspetores de alunos, serventes, merendeira, porteiros e vigias etc.), atividades de limpeza e conservação do prédio, do mobiliário escolar e do material didático. d) Organização de atividades que vinculam escola e comunidade Essa área de ação refere-se às relações entre a escola e o ambiente externo: com os níveis superiores de gestão do sistema escolar, com os pais, com as organizações políticas e comunitárias, com a vida da cidade etc. O objetivo dessas atividades é estender a ação educativa da escola onde for possível e adequado e, ao mesmo tempo, buscar cooperação e apoio das diferentes instituições civis, sociais, culturais que possam contribuir para o aprimoramento das atividades de ensino e educação dos alunos. Em especial, espera-se que os pais participem ativamente da gestão da escola, mediante canais de participação bem definidos. A participação dos pais, de instituições e de organizações da comunidade na escola supõe uma definição clara das formas de participação. São distintas as responsabilidades e tarefas dos profissionais da escola (direção, professores, funcionários) daquelas dos pais e instituições da comunidade. Não cabe aos pais, por exemplo, interferir diretamente nas atividades de sala de aula. As formas de participação da comunidade devem estar subordinadas aos objetivos e tarefas da escola, à

observância de certas normas e diretrizes próprias da instituição escolar. CAPÍTULO X - 179 A direção e coordenação são funções típicas dos profissionais que respondem por uma área ou setor da escola tanto no âmbito administrativo quanto no âmbito pedagógico. Dirigir e coordenar são tarefas que canalizam o esforço coletivo das pessoas para os objetivos e metas estabelecidos. Tanto os pedagogos especialistas quanto os professores precisam estar aptos para dirigir e coordenar, em alguma instância de seu exercício profissional. A direção, conforme já foi estudado, é pôr em ação, de forma integrada e articulada, todos os elementos do processo organizacional (planejamento, organização, avaliação), envolvendo atividades de mobilização, liderança, motivação, comunicação, coordenação. A coordenação é um aspecto da direção, significando a articulação e a convergência do esforço de cada integrante de um grupo visando a atingir os objetivos. Quem coordena tem a responsabilidade de integrar, reunir esforços, liderar, concatenar o trabalho de diversas pessoas. A tarefa de direção visa a: dirigir e coordenar o andamento dos trabalhos, o clima de trabalho, a eficácia na utilização dos recursos e meios, em função dos objetivos da escola, assegurar o processo participativo de tomada de decisões e, ao mesmo tempo, cuidar para que essas decisões se convertam em ações concretas; 180

assegurar a execução coordenada e integral das atividades dos setores e elementos da escola, com base nas decisões tomadas coletivamente; articular as relações interpessoais na escola e entre a escola e a comunidade (incluindo especialmente os pais). O exercício da direção e coordenação depende de alguns fatores, tais como: autoridade, responsabilidade, decisão, disciplina e iniciativa. A autoridade é o exercício de um poder delegado a alguém para dirigir e coordenar as medidas tomadas coletivamente, implicando determinadas qualidades e conhecimento de suas funções. É recomendável que a autoridade seja descentralizada, delegando-se tarefas aos demais membros da equipe escolar. A responsabilidade é uma exigência inerente à autoridade. Mesmo no caso de procedimentos grupais de tomada de decisões e descentralização das tarefas, a responsabilidade final é de quem dirige/coordena. A decisão é a capacidade de selecionar, diante de várias alternativas, a medida mais adequada conforme as situações concretas. Com base em um plano de trabalho, de objetivos e tarefas estabelecidas mediante a participação da equipe escolar, o diretor ou coordenador não pode furtar-se de tomar as decisões necessárias. A disciplina implica compatibilizar a conduta individual com as normas, regulamentos, interesses da vida social e escolar, assumidos coletivamente. A iniciativa é a capacidade crítica e criadora de encontrar soluções aos problemas que se apresentam no desenvolvimento do processo de direção, o que implica a capacidade de enfrentar o imprevisto e situações inusitadas ou embaraçosas.

Para atender a uma necessária divisão de trabalho, tem sido comum nas escolas brasileiras diferenciar as funções de diretor e de coordenador pedagógico. Ambos assumem atividades de direção e coordenação, ambos recebem a delegação de coordenar o trabalho coletivo e a manutenção do clima, das condições de trabalho e do ambiente formativo para o desenvolvimento pessoal e profissional das pessoas da escola. Para isso, precisam reconhecer que seu trabalho tem uma característica genuinamente interativa, ou seja, seu trabalho está a serviço das pessoas e da organização, requerendo deles uma formação específica para buscar soluções para os problemas, saber coordenar o trabalho conjunto, discutir e avaliar a prática, assessorar e prestar apoio logístico aos professores na sala de aula. Todavia, cada um desempenha funções específicas implicando, também, uma formação profissional específica. O diretor de escola é o dirigente e principal responsável pela escola, tem a visão de conjunto, articula e integra os vários setores (setor administrativo, setor pedagógico, secretaria, serviços gerais, relacionamento com a comunidade etc.). Em outros tempos, muitos dirigentes escolares foram alvo de criticas por práticas excessivamente burocráticas, conservadoras, autoritárias, centralizadoras. Embora aqui e ali continuem existindo profissionais com esse perfil, hoje estão disseminadas práticas de gestão participativa, liderança participativa, atitudes flexíveis e compromisso com as necessárias mudanças na educação. As funções do diretor são, predominantemente, gestoras e administrativas, entendendo-se, todavia, que elas têm conotação pedagógica, uma vez que referem-se a uma

instituição e a um projeto educativos e existem em função do campo educativo. A título de ilustração, apresentamos uma lista de atribuições do diretor de escola: 1. Supervisionar e responder por todas as atividades administrativas e pedagógicas da escola bem como as atividades com os pais e a comunidade e com outras instâncias da sociedade civil. 2. Assegurar as condições e meios de manutenção de um ambiente de trabalho favorável e de condições materiais 182 necessárias à consecução dos objetivos da escola, incluindo a responsabilidade pelo patrimônio e sua adequada utilização. 3. Promover a integração e a articulação entre a escola e a comunidade próxima, com o apoio e iniciativa do Conselho de Escola, mediante atividades de cunho pedagógico, científico, social, esportivo, cultural. 4. Organizar e coordenar as atividades de planejamento e do projeto pedagógico.-curricular, juntamente com a coordenação pedagógica, bem como fazer o acompanhamento, avaliação e controle de sua execução. 5. Conhecer a legislação educacional e do ensino, as normas emitidas pelos órgãos competentes e o Regimento Escolar, assegurando o seu cumprimento. 6. Garantir a aplicação das diretrizes de funcionamento da instituição e das normas disciplinares, apurando ou fazendo apurar irregularidades de qualquer natureza, de forma transparente e explicita, mantendo a comunidade escolar sistematicamente informada das medidas.

o papel do coordenador pedagógico é de monitoração sistemática da prática pedagógica dos professores. De acordo com estudos recentes sobre formação continuada de professores. da organização escolar. sobretudo mediante procedimentos de reflexão e investigação. construir e administrar situações de aprendizagem adequadas às necessidades educacionais dos alunos. de comum acordo com a secretaria escolar. Buscar todos os meios e condições que favoreçam a atividade profissional dos pedagogos especialistas. integração e articulação. auxiliando-os a conceber. pedagogos especialistas e professores. 8. 9. encaminhar processos ou correspondências e expedientes da escola. uma lista de atribuições de coordenação pedagógica: . incluindo a avaliação do projeto pedagógico. 183 10. em comum acordo com o Conselho de Escola. a seguir. Supervisionar e responsabilizar-se pela organização financeira e controle das despesas da escola. do currículo e dos professores. dos professores. para se chegar a uma situação ideal de qualidade de ensino (considerando o ideal e o possível). dos funcionários. Conferir e assinar documentos escolares. visando a boa qualidade do ensino. O coordenador pedagógico responde pela viabilização.7. Supervisionar a avaliação da produtividade da escola em seu conjunto. do trabalho pedagógico-didático em ligação direta com os professores. A coordenação pedagógica tem como principal atribuição a assistência pedagógico-didática aos professores. em função da qualidade do ensino. Registramos.

184 5. adequar conteúdos. diagnósticos de dificuldades etc. escolha de livros didáticos. metodologias e práticas avaliativas. o projeto pedagógico-curricular da unidade escolar. diagnosticar problemas de ensino e aprendizagem e adotar medidas pedagógicas preventivas. ..1. acompanhar e supervisionar suas atividades tais como: desenvolvimento dos planos de ensino. práticas avaliativas. visando a níveis satisfatórios de qualidade cognitiva e operativa do processo de ensino e aprendizagem. Propor para discussão. 2. Supervisionar a elaboração de diagnósticos e projetos para a elaboração do projeto pedagógicocurricular da escola e outros planos e projetos. junto ao corpo docente. desenvolvimento de competências metodológicas. Prestar assistência pedagógico-didática direta aos professores. Coordenar reuniões pedagógicas e entrevistas com professores visando a promover inter-relação horizontal e vertical entre disciplinas. Orientar a organização curricular e o desenvolvimento do currículo. práticas de avaliação da aprendizagem. incluindo a assistência direta aos professores na elaboração dos planos de ensino. Responder por todas as atividades pedagógicodidáticas e curriculares da escola e pelo acompanhamento das atividades de sala de aula. estimular a realização de projetos conjuntos entre os professores. 3. adequação de conteúdos. 6. orientação da aprendizagem. 4. gestão da classe.

difundiu-se bastante a idéia de que a direção e a coordenação pedagógica são formas diferenciadas de uma única função. designar professores para as turmas. formas de superação de problemas etc. 10. Cuidar da avaliação processual do corpo docente. elaborar o horário escolar. funções específicas. Organizar as turmas de alunos. Propor e coordenar atividades de formação continuada e de desenvolvimento profissional dos professores. No Brasil. especialmente de cunho científico e cultural.7. planejar e coordenar o Conselho de Classe. 11. Tanto o diretor de escola quanto o coordenador pedagógico desempenham. Acompanhar o processo de avaliação da aprendizagem (procedimentos. Defendemos uma posição diferente. 12. distinta daquela provida aos professores. embora deva receber formação para lidar com questões de ensino. Há divergências significativas sobre se a atividade "administrativa" distingue-se da atividade "pedagógica" e sobre se a direção 185 administrativa e direção pedagógica devem ser exercidas necessariamente por um professor. 9. a docente. Acompanhar e avaliar o desenvolvimento do plano pedagógico-curricular e dos planos de ensino e outras formas de avaliação institucional. o diretor não precisa exercer nem ter exercido a docência. que requerem formação profissional também específica. as funções de direção. Nesse caso. resultados. Em outras palavras. Elaborar e executar programas e atividades com pais e comunidade.). coordenação . 8. cada um.

que os professores enfrentam e resolvem problemas. As escolas passam por inovações estruturais como as . acentuam-se os problemas sociais e econômicos. O termo formação continuada vem sempre acompanhado de outro. que se prolonga por toda a vida. a formação continuada é condição para a aprendizagem permanente e o desenvolvimento pessoal. com isso. elaboram e modificam procedimentos. torna-se crucial numa profissão que lida com saberes e com a formação humana. no contexto de trabalho. para além do exercício profissional. É na escola. De modo especial para os professores. a formação inicial. criam e recriam estratégias de trabalho e. modificam-se os comportamentos da infância e da juventude. envolvendo tanto o setor pedagógico como o técnico e administrativo. A formação continuada é o prolongamento da formação inicial visando ao aperfeiçoamento profissional teórico e prático no próprio contexto de trabalho. e ao desenvolvimento de uma cultura geral mais ampla.189 A formação continuada é outra das funções da organização escolar. cultural e profissional. vão promovendo mudanças pessoais e profissionais. Uma formação permanente. numa época em que se renovam os currículos. A FORMACÃO CONTINUADA CAPÍTULO XI . introduzem-se novas tecnologias.pedagógica e docente não precisam coincidir necessariamente. freqüentemente completados por estágios. A formação inicial refere-se ao ensino de conhecimentos teóricos e práticos destinados à formação profissional.

do crescimento dos problemas sociais e da violência. . a avaliação formativa. De fato. a elaboração coletiva do projeto pedagógico. da urbanização. nos conselhos de classe etc. a cidade. a interligação entre a escola e a comunidade.leva a uma relação ativa e não queixosa com os problemas e dificuldades. Ou seja.nas reuniões pedagógicas. as mídias. de preferência. Segundo Philippe Perrenoud. É em relação a essas novas e difíceis condições de exercício da profissão que a formação continuada pode possibilitar práticas reflexivas. uma prática reflexiva . Esse mesmo autor escreve que. dos impactos da informação. para enfrentar a complexidade do trabalho de ensinar. os ciclos de escolarização. nas entrevistas com a coordenação pedagógica. a reflexão possibilita transformar o mal-estar. o desânimo. o interculturalismo. mediante ações coletivas. não basta saber sobre as dificuldades da profissão.190 novas formas de gestão. da propaganda. nos cursos de aperfeiçoamento. os quais podem ser diagnosticados. explicados e até resolvidos com mais consciência. com evidentes repercussões na sala de aula. é preciso refletir sobre elas e buscar soluções. em problemas. os currículos interdisciplinares ou globalizados. não basta somente a prática reflexiva como não é suficiente apenas a experiência: . compreendendo-as e elaborando formas de enfrentá-las. ajudando os professores a tomarem consciência delas. com mais método. a revolta. Também o perfil dos alunos se modifica em decorrência da assimilação de novos valores.

cabe um papel decisivo às equipes técnicas das escolas (especialmente os coordenadores pedagógicos e orientadores educacionais) que prestam assistência . pesquisas. programas de educação à distância etc. participação no projeto pedagógico da escola. A formação continuada consiste de ações de formação dentro da jornada de trabalho (ajuda a professores iniciantes. pois o professor em exercício precisa de saberes que não pode inventar em cima do nada e que sua reflexão será mais poderosa quanto mais se ancorar numa ampla cultura em ciências humanas (1999). mini-cursos de atualização. mas também do próprio professor. grupos de estudo. reuniões de 191 trabalho para discutir a prática com colegas. Ela se faz por meio do estudo. da discussão e da confrontação das experiências dos professores. cursos.Uma prática reflexiva limitada ao bom senso e à experiência pessoal de cada um não vai muito longe. Também fazem parte das práticas de formação continuada aquelas ações de acompanhamento das equipes das escolas promovidas pelas Secretarias de Educação. conselhos de classe. encontros e palestras). da reflexão. Todavia. visando apresentar diretrizes gerais de trabalho. estudos de caso.) e fora da jornada de trabalho (congressos. entrevistas e reuniões de orientação pedagógico-didática. oferecer assistência técnica especializada ou programas de atualização e aprimoramento profissional. É responsabilidade da instituição. seminários. porque o compromisso com a profissão requer que ele tome para si a responsabilidade com a própria formação.

à primeira vista. Os sistemas de ensino e as escolas precisam assegurar condições institucionais. Por essa razão. é imprescindível assegurar aos professores horas remuneradas para realização de reuniões semanais. ao se pensar um currículo de formação. a Internet. auxiliam na avaliação da organização escolar e do rendimento escolar dos alunos. as dificuldades etc. participar da elaboração do projeto pedagógico-curricular. 192 A organização das práticas de formação inicial e continuada As investigações recentes sobre formação de professores apontam como questão chave o fato de que os professores desempenham uma atividade teórico-prática. A formação em serviço ganha hoje tamanha relevância que constitui parte das condições de trabalho profissional.). o que funciona. onde possam compartilhar e refletir sobre a prática com colegas.pedagógico-didática aos professores. supervisionam e dinamizam o projeto pedagógico. apresentar seu trabalho publicamente (contar como trabalham. seminários de estudo e reflexões coletivas. a ênfase na prática como atividade formadora aparece. técnicas e materiais para o desenvolvimento profissional permanente do professor. como exercício . trazem materiais e propostas inovadoras. prestam assistência na utilização de novos recursos tecnológicos como o computador. acompanham as aulas. coordenam reuniões e grupos de estudo. Especialmente. É difícil pensar na possibilidade de educar fora de uma situação concreta e de uma realidade definida. reunirse com pais e outros membros da comunidade. A profissão de professor combina sistematicamente elementos teóricos com situações práticas reais.

a formação continuada. a articulação entre formação inicial e formação continuada. Por outro. em termos mais amplos. Isso significa ter a prática. a formação inicial estaria estreitamente vinculada aos contextos de trabalho. Atualmente. Significa tomar a prática profissional como instância permanente e sistemática na aprendizagem do futuro professor e como referência para a organização curricular. em boa parte dos cursos de licenciatura. a aproximação do futuro professor à realidade escolar acontece após ter passado pela formação "teórica" tanto na disciplina específica como nas disciplinas pedagógicas. possibilitando pensar os conteúdos das disciplinas com base no que pede a prática. em razão do que traz conseqüências decisivas para a formação profissional. cai por terra aquela idéia de que o estágio se destina à aplicação mecânica da teoria. O caminho deve ser outro. Significa. é um dos aspectos centrais na formação do professor. ao longo do curso. a par de ser 193 . como referente direto para contrastar seus estudos e formar seus próprios conhecimentos e convicções. é preciso integrar os conteúdos das disciplinas em situações da prática que coloquem problemas aos futuros professores e lhes possibilitem experimentar soluções. Entretanto. também. Isso quer dizer que os alunos precisam conhecer o mais cedo possível os sujeitos e as situações com que irão trabalhar. Desde o ingresso dos alunos no curso. Por um lado.formativo para o futuro professor.

Para isso. Esse Centro. computadores. oficinas). rede Internet. ofereceriam não apenas orientação profissional (cursos. além de receber professores da rede de escolas para atividades de formação e capacitação dentro do espírito de associar práticas formativas aos contextos reais de trabalho. A manutenção desse Centro poderia ter apoio financeiro e material das Secretarias de Educação estaduais e municipais mediante convênios de parceria. representa uma modalidade de formação em que há interação entre as práticas formativas e os contextos reais de trabalho. aparelhagem de som e imagem.feita na escola com base em saberes e experiências adquiridos pelos professores na situação de trabalho. num sistema de alternância entre as escolas e as instituições formadoras de professores. criassem. na sua estrutura organizacional. salas para vídeo e cinema. debates. jornais. material de esportes. pode articular-se com a formação inicial. seria desejável que as instituições de formação de professores ou as delegacias de ensino. Trata-se de uma concepção de formação centrada . A articulação entre formação inicial e formação continuada. Nesse sentido.). videoteca. poderão ser criadas as condições para que os professores em exercício retornem à faculdade para atualizar seus conhecimentos e ganhar suporte teórico para uma reflexão mais apurada sobre a prática. Iniciativas como essa contribuiriam para resolver a sempre difícil alternância entre a formação teórica e a experiência em situação real (estágios) e as práticas reflexivas. já que a rede pública de ensino seria a mais beneficiada. algo como um Centro de Apoio à Formação Continuada. exposições. centro de documentação. etc. mas também recursos materiais de apoio (biblioteca.

no que acontece efetivamente nas salas de aula. A organização da escola e a formação continuada Em vários lugares deste livro mostramos a relação entre as formas de organização da escola e o desenvolvimento pessoal e profissional dos professores. como contextos privilegiados para a formação contínua de professores" (Escudero e Botia. significa dizer que ela é construída pelos seus próprios membros que tanto podem criar um espaço de trabalho produtivo e até prazeroso ou um espaço hostil e estressante. valores. Entender a organização escolar como cultura. práticas e comportamentos das pessoas que nela trabalham e convivem. O êxito desta 194 concepção. de negociação dos . para possibilitar o trabalho reflexivo.nas demandas da prática. Eles existem e. em que as escolas são consideradas "espaços institucionais para a inovação e melhoria e. assumindo a idéia de escola como unidade básica da mudança educativa. 1994). interesses de poder. de forma a compreendermos como a organização escolar constitui-se num local de aprendizagem: as pessoas podem mudar aprendendo com a organização e a organização também pode mudar aprendendo com as pessoas. Não estamos afirmando que na escola não devem existir conflitos. simultaneamente. diferenças. estaria bastante vinculado à ajuda dos formadores de professores. por isso mesmo. é que convém instalar uma prática de participação. Vimos que as escolas têm traços culturais próprios a partir dos significados pessoais. interesses pessoais.

há uma estrutura administrativa e pedagógica que é visível e outra estrutura não formalizada. o papel da escola como contexto de ação e de formação continuada do professor. maneiras de pensar e agir. de todas as relações que derivam das características do grupo social que atua nela. portanto. modos de pensar que vão se formando na vivência da cultura dos grupos dos quais fazem parte e se expressam em comportamentos e modos de agir. A professora M. que é o conjunto das relações sociais. Fátima Abdalla (1999) analisou em sua tese de doutorado. Seu pensamento. significados. valores. O sistema de organização e gestão. 3. 2. seu envolvimento com o trabalho. constitui-se de um espaço não apenas de relações de poder mas. Isso significa 195 que as próprias formas de organização da escola não só têm a ver com esses comportamentos (ou habitus) como a própria escola vai formando uma cultura própria a partir desses comportamentos. Essas características provêem das crenças. é o seguinte: 1. também. em resumo. experiências subjetivas etc. interesses. com muita perspicácia.significados e valores. Essa cultura interna influi no desenvolvimento pessoal e profissional do professor (positivamente ou . nas escolas. As necessidades. obviamente articuladas com a cultura da comunidade e da sociedade como um todo. de debate. A organização escolar. não visível. as experiências subjetivas. Isso quer dizer que. as perspectivas dos professores. de discussão pública dos compromissos e dificuldades. que faz parte da cultura da escola. afetam seu desempenho profissional. é toda ela uma prática educativa.

em que os professores podem desenvolver novas necessidades. Ou seja. os coordenadores pedagógicos e os professores a pensar em estratégias de organização e gestão que possibilitem a construção de uma cultura escolar. Reaparece. objetivos e exigências externas postos pela realidade sociocultural e política mais ampla. onde os professores vão tornando conscientes suas necessidades subjetivas. intersubjetivas e objetivas. um espaço de mudança e inovação. novas perspectivas. nesse espaço é possível a criação e desenvolvimento de novos comportamentos. Há um papel de destaque nisso da direção e coordenação pedagógica da escola para apoiar e sustentar esses . Isto acontece desse jeito porque em todas as instituições há sempre um campo de relações. podendo produzir conjuntamente sua 196 profissionalidade. Essa cultura escolar seria o espaço de possibilidades de mudança. aí. considerando-se. O estudo de Fátima Abdalla ajuda os diretores de escola. é claro.negativamente) mas os professores também podem produzir esse espaço cultural da escola. novos habitus. de modo a se implantar uma cultura colaborativa. a necessidade de as escolas cultivarem momentos de prática reflexiva. A organização desse espaço implica a criação de lugares e tempos que incentivem as trocas de experiências entre os professores e professores e alunos. pois dessa reflexão sobre ação podem nascer mudanças na estrutura de relações vigente na escola visando criar uma nova cultura organizacional.

uma situação. que é preciso fazer distinção entre avaliação. Considerase. tendo em vista a tomada de decisões para novas ações.coleta de dados. a gestão. a organização e articulação do currículo e a formação continuada. como conclusão do processo avaliativo. juízos de valor e . Está claro. negociação e tomadas de decisão colaborativas. para saber se os objetivos previstos estão sendo atingidos. nessa formulação. A avaliação supõe uma a coleta de dados e informações. a análise e uma apreciação (juízo) valorativa com base em critérios prévios. visando a emitir um juízo valorativo.espaços de reflexão. A quantificação. refere-se à utilização de alguma forma de medida a partir de critérios explicitados previamente. Os juízos de valor (ou valoração) referem-se a uma apreciação valorativa sobre o evento. CAPÍTULO XII 199 A avaliação de Sistemas Escolares e de Escolas A avaliação é um termo geral que diz respeito a um conjunto de ações voltadas para o estudo sistemático de um fenômeno. um processo. que os processos de avaliação implicam a coleta da dados (de informação). juízos de valor e quantificação ou notação. um evento. através de diferentes instrumentos de verificação. investigação. atividade ou pessoa. em geral. ou menção qualitativa. Esses três elementos . uma pessoa. A cultura colaborativa será a síntese dos elementos que asseguram a relação entre a organização escolar e o desenvolvimento pessoal e profissional dos professores: o projeto pedagógico curricular.

na realidade não são os alunos que são avaliados. a prática da avaliação era mais conhecida como atividade da escola. A avaliação que fazem os organismos internacionais e os sistemas nacionais de medição é a avaliação dos sistemas educacionais e não a avaliação dos alunos. como avaliação da aprendizagem dos alunos na sala de aula. Por isso. da competitividade. do consumo. as interrogações . com a acentuação das análises mais globalizantes das relações entre 200 a educação e desenvolvimento econômico. entre a avaliação feita pelos professores e a avaliação da eficácia dos sistemas de ensino e do conjunto de escolas. No campo da educação.são componentes necessários da definição de avaliação. faz-se cada vez mais necessária a distinção entre a avaliação do aproveitamento escolar dos alunos e a avaliação institucional. dos mercados. Conforme Casassus (1997) deve ficar clara a distinção entre a avaliação do sistema e a avaliação do aluno. Esse autor esclarece mais: Embora sejam os alunos os que respondem a provas e questionários. Atualmente. O que se avalia é o rendimento do sistema por meio das respostas dos alunos. isto é. ou seja.quantificação ou menção qualitativa . Com a globalização da economia e a acelerada revolução tecnológica. até há alguns anos. as organizações financeiras internacionais voltam-se para o planejamento das políticas educacionais dos países a fim de ajustá-las às exigências da produção. ganha grande peso a avaliação dos sistemas educacionais e do conjunto de escolas. Então.

dos estudos deveriam consistentemente orientar-se, não às pessoas que são os alunos, mas ao sistema no qual estão inseridos esses alunos. É importante registrar essa distinção porque estamos frente a formas diferentes de avaliação. Na avaliação dos sistemas de ensino, embora também sejam avaliados os resultados obtidos pelos alunos (geralmente mediante testes padronizados), a avaliação tem como objetivo fazer um diagnóstico mais amplo do sistema escolar e do conjunto de escolas, em âmbito nacional ou regional, visando a reorientar a política educacional, a gestão do sistema e das escolas e a pesquisa. Na avaliação do aluno pelos professores, estes avaliam a aprendizagem dos alunos e são também avaliados por eles, com base nos processos de ensino e aprendizagem realizados na sala de aula. As duas formas de avaliação estão, obviamente, ligadas entre si, de modo que os professores podem utilizar resultados da 201 avaliação de sistema feita em escala nacional ou regional para realizar seu trabalho e os sistemas escolares realizam sua avaliação considerando as realidades locais do ensino no país e nas suas várias regiões. A avaliação do sistema escolar e das escolas, através da avaliação externa e/ou interna das instituições, se desdobra em duas modalidades: a avaliação institucional (ou administrativa ou, ainda, organizacional) e a avaliação acadêmica ou cientifica (denominada no Brasil de Exame Nacional ou avaliação de resultados). A avaliação institucional é uma função primordial do sistema de organização e gestão dos sistemas escolares e

das escolas. Essa avaliação, também chamada de administrativa, visa a obtenção de dados quantitativos e qualitativos sobre os alunos, os professores, a estrutura organizacional, os recursos físicos e materiais, as práticas de gestão, a produtividade dos cursos e dos professores etc., com o objetivo de emitir juízos valorativos e tomar decisões em relação ao desenvolvimento da instituição. A avaliação acadêmica ou científica visa a produção de informações sobre os resultados da aprendizagem escolar em função do acompanhamento e revisão das políticas educacionais, do sistema escolar e das escolas, tendo em vista formular indicadores de qualidade dos resultados do ensino. Essas duas modalidades de avaliação do sistema estão, portanto, centradas na obtenção de dados e informações relacionados com a eficiência e a eficácia dos sistemas de ensino e das escolas. A avaliação da aprendizagem escolar feita pelos professores deverá estar a serviço das funções sociais da escola, dos objetivos de ensino, do projeto pedagógico da escola, do currículo, das metodologias. Além disso, ela se assenta no respeito ao direito de todos os alunos de usufruírem de um ensino de qualidade. Os critérios de relevância da avaliação dos alunos centram-se, portanto, em dimensões qualitativas e quantitativas, ou seja, melhor qualidade 202 da aprendizagem para todos os alunos, em condições iguais. Desse modo, a justa medida da eficácia das escolas está no grau em que todos os alunos incorporam capacidades e competências cognitivas, operativas,

afetivas, morais, para sua inserção produtiva, criativa e crítica na sociedade contemporânea. Compreendida nestes termos, a avaliação dos alunos pelos professores, em cada sala de aula, em hipótese alguma pode ser substituída pela avaliação do sistema de ensino. Ao contrário, a avaliação do sistema é que deve buscar seus critérios de relevância na avaliação feita pelos professores, ou seja, a serviço da melhoria da qualidade cognitivas das aprendizagens. Os rumos que as práticas avaliativas vem tomando no âmbito do sistema de ensino brasileiro, ao contrário da posição formulada anteriormente, encaminham-se para a subordinação do trabalho dos professores e, portanto, da avaliação que fazem, aos critérios da avaliação do sistema. Nesse caso, não são os objetivos de ensino que irão determinar as formas de avaliação, mas a avaliação é que acabará por determinar os objetivos, ou seja, dependendo das finalidades postas pelos governos em relação à avaliação do sistema de ensino, ter-se-á uma escola funcional a serviço dos interesses de agências externas à escola. Vejamos essas questões mais de perto. As reformas educativas mundiais e a avaliação dos sistemas de ensino Reforma Institucional: redefinição das responsabilidades do MEC, revisão de padrões de financiamento e repasse de recursos aos municípios e estados; As políticas educacionais em âmbito internacional passam por intensas mudanças, visando ajustá-las às demandas da atual fase do capitalismo, conforme necessidades e realidades de cada país. A ordem é sintonizar os sistemas educacionais ao modelo neoliberal. A tendência das reformas educativas é de reagregar a educação à economia, numa versão modificada

em relação ao que propunham os economistas da educação a partir dos anos 50 com a chamada "teoria do capital humano". Quer-se subordinar os sistemas educacionais à economia já que, no novo paradigma de 203 produção, as novas tecnologias requerem trabalhadores mais qualificados, com mais flexibilidade profissional para atender novas demandas do mercado de trabalho e com mais espírito empreendedor para fazer frente à competitividade econômica internacional. Foi muito em função disso que surgiram as reformas educativas em vários países do mundo, primeiramente na Inglaterra e Estados Unidos no inicio dos anos 80, depois estendidas praticamente ao mundo todo (por exemplo, Espanha e Portugal, 1986; França, 1989; México, 1992; Argentina, 1993; Brasil, 197898). Foram formuladas em boa parte sob a égide dos organismos internacionais como o BIRD (Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento - Banco Mundial), o FMI (Fundo Monetário Internacional), o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciências e Cultura), entre outros. A reforma educativa brasileira ensaiou seus primeiros passos com a formulação e divulgação do Plano Decenal de Educação para Todos no período 1993-94. Medidas mais concretas foram anunciadas na proposta de governo de Fernando Henrique Cardoso para a educação básica: Estabelecimento de novos padrões de gestão: descentralização, autonomia das escolas, participação da comunidade; Educação básica: ampliação do acesso, conteúdos curriculares básicos e padrões de aprendizagem a nível

nacional, formação de professores, ensino a distância, sistema nacional de avaliação do desempenho das escolas e dos sistemas educacionais, padrões de qualidade para o livro didático, descentralização da merenda. 204 Esses pontos, cujas ações vem sendo consolidadas, acompanham as tendências das reformas educativas dos vários países, internacionais a partir das orientações econômicas e técnicas dos organismos financeiros internacionais, principalmente o Banco Mundial. As reformas educacionais acopladas às reformas econômicas têm um caráter notoriamente economicista, em que prevalecem a lógica financeira e a lógica do mercado, desconsiderando-se as implicações sociais e humanas no desenvolvimento econômico. A competitividade decorrente das novas formas de funcionamento do capitalismo só pode seguir a lógica do mercado, pela qual pouco interessa em considerar o desemprego, a pauperização, a degradação da qualidade de vida, a degradação dos serviços públicos. Há análises bastante sólidas mostrando a inserção do Brasil nas políticas de ajuste aos interesses da mundialização do capitalismo expressos no processo de globalização da economia e da política e os efeitos sociais decorrentes (De Tommasi & Outros, 1996). A avaliação educacional dos sistemas de ensino encaixase bem na lógica dessas reformas, já que a aferição dos resultados do rendimento escolar possibilita informações relativamente precisas e confiáveis sobre a realização dos programas e projetos no campo da educação, de modo a contribuir na tomada de decisões dos governos. Em outras palavras, num quadro de parcos recursos financeiros, principalmente nos países menos desenvolvidos, aumenta a

a avaliação global do sistema escolar é feita pelo Ministério da Educação por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP). formação de técnicos e assistência técnica aos países-membros.necessidade de verificar se os resultados desejados pelo sistema de ensino estão compensando o volume de investimentos aplicados. há o Laboratório Latino americano de Avaliação da Qualidade da Educação. Na América Latina. com os seguintes instrumentos de ação: Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB) que. No Brasil. realiza uma pesquisa por amostragem do ensino fundamental e médio destinada a acompanhar a evolução do desempenho dos alunos e dos diversos fatores incidentes na qualidade do ensino ministrado. Praticamente todos os países da Europa e das Américas contam com organismos para realizar estudos sobre avaliação e medição dos sistemas de ensino. com sede em Santiago do Chile. . criado em 1996 para avaliar os cursos de graduação. desenvolvimento de programas de pesquisa sobre a avaliação e variáveis associadas ao rendimento escolar de alunos. Exame Nacional de Cursos (ENC). geração de padrões regionais de avaliação. vinculado à UNESCO. a cada dois anos. com caráter obrigatório para os formandos. do qual 205 participam todos os países de fala portuguesa e espanhola (à exceção do Uruguai). Os objetivos desse Laboratório são: estudos comparativos internacionais. que agrupa o conjunto dos sistemas de educação da América Latina e do Caribe.

exame facultativo aos que já concluíram e aos concluintes do ensino médio. que traz a receita e o gasto das diversas esferas de governo no componente educação. que foi aplicado pela primeira vez em 1998. 206 As informações censitárias são anuais e subsidiam os órgãos formuladores e implementadores de políticas educacionais nos três níveis de governo. englobando aproximadamente 1. pesquisas censitárias nacionais por meio de: Censo Escolar que abrange um universo de cerca de 250 mil escolas. públicas e particulares. ressalta-se a necessidade de um sistema de informações e de processos de avaliação para o monitoramento das reformas e das políticas educacionais tendo em vista a formação do cidadão para o próximo milênio: É cada vez mais evidente que a preparação de cidadãos competentes para atuar de forma crítica e responsável na construção de uma sociedade mais justa. Censo do Ensino Superior. Esse órgão federal realiza. além de propiciar a integração das demais bases do INEP Com isso. e 50 milhões de estudantes. democrática e . das secretarias estaduais e municipais de educação e do próprio MEC (Cf. 1999). também. Censo Financeiro da Educação. pretende-se fortalecer a capacidade gerencial das escolas.000 instituições desse ensino do País. Desde 1996 está sendo desenvolvido o Sistema Integrado de Informações Educacionais (SIEd). Em documento recente do MEC-INEP (1998). que promove a descentralização da coleta do Censo Escolar e do acesso a seus resultados.Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). INEP.

Esta é a primeira face da questão que analisaremos a seguir.desenvolvida. a avaliação educacional está atrelada a um viés economicista. como estratégia de êxito da globalização econômica. É preciso ainda desenvolver sua capacidade de resolver problemas. do sistema financeiro internacional. portanto. emocional e afetiva será decisivo na formação das crianças e jovens para a sua plena inserção social e no mundo do trabalho. selecionar e processar informações com autonomia e raciocínio crítico. ou seja. 1998). são mais conhecidos dois sistemas de avaliação educacionais: o Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo SARESP e o Programa de Avaliação da Escola Pública de Minas Gerais (Bitar e Outros. 207 Uma avaliação crítica da avaliação dos sistemas educacionais: duas faces Um primeiro olhar crítico sobre a avaliação dos sistemas e suas formas de operacionalização refere-se ao fato de que as agências financeiras internacionais estão interessadas na qualidade da educação escolar. exige um perfil de qualificação em que o desenvolvimento das inteligências cognitiva. 1998). É preciso dar-lhes condições de utilizar os conhecimentos adquiridos para que tenham novas oportunidades num mundo cada vez mais complexo e competitivo (Castro. dos mercados de consumo. da transformação dos processos de produção. das infra-estruturas e dos serviços de informação e comunicação. assegurar-lhes uma formação ética e solidária. a critérios . ou seja. É preciso. Analisada sob esse prisma. É basicamente a esse objetivo que as reformas educativas atendem. No âmbito dos Estados brasileiros.

A pergunta seria: que tipo de insumos escolares (livros didáticos. como é o caso. diagnosticados. a partir de testes nacionais padronizados. depende da qualidade do sistema educativo. por exemplo. aumento do tempo de permanência na escola. capacitação do professor em serviço ou formação inicial. . da formação e da remuneração dos professores.econômicos de análise do desempenho da educação escolar e. gestão da escolas etc. Essas relações são estabelecidas a partir da relação custo-benefício. fornecimento de merenda escolar. bem longe de critérios pedagógicos.) seriam mais 208 eficazes para se obter um certo nível de aprendizado? Sendo assim. qualidade "por dentro" dos processos de ensino e aprendizagem e não apenas dos resultados. em muitos casos. salário dos docentes. mas a aplicação das reformas não tem levado ao atendimento das condições necessárias à efetivação das mudanças educativas. número de alunos por classe. sem levar em conta que a verdadeira competitividade. capacitação docente. pode-se fazer relações entre variações no aprendizado considerando-se fatores como: presença ou ausência de livros didáticos. O viés economicista aparece. na idéia de que as relações pedagógicas podem ser entendidas como relações entre insumos educacionais e a produção de alunos educados. avaliação da aprendizagem. a médio e longo prazo. por exemplo. O que tem acontecido é que as reformas acontecem num momento em que os recursos públicos destinados à educação tendem a ser submetidos a critérios de competitividade imediata. Os problemas são razoavelmente bem identificados.

é melhor investir em livros didáticos e não em salários? Ou em capacitação de professores pela Educação a Distância e não pela formação inicial nas universidades? É melhor reduzir o número de alunos nas classes ou ampliar a duração do ano letivo? São opções que acabam sendo tomadas pelo critério econômico. em muitos casos. Entretanto. melhorar os resultados do rendimento escolar. A partir daí podem ser extraídas conclusões sobre onde aplicar ou não aplicar recursos. O objetivo da avaliação educacional do sistema seria a melhoria da qualidade. ao qual cabe fixar padrões nacionais de desempenho. neste capítulo. pode-se supor que. quase nunca pelo critério social e pedagógico. . autonomia). já que a ênfase recai nos resultados. Por exemplo. portanto. não se está considerando os processos que levam a uma qualidade do aprendizado. facilitar insumos que influenciam no rendimento escolar.Mais adiante. monitorar o desempenho escolar. discutiremos os elementos do processo de planejamento e as várias denominações que tem recebido quando aplicado à instituição escolar. com o projeto pedagógico e com o currículo. Outras considerações precisam ser feitas. Como se sabe. que seriam as estratégias que podem assegurar bons resultados de rendimento escolar dos alunos. a avaliação educacional deve estar articulada com as formas de gestão (descentralização. Daí a importância da avaliação externa pelo próprio governo. Entretanto. pelas orientações das reformas 209 educativas.

prejudicando os índices de avaliação a serem alcançados pela escola. controladora. os diretores criariam mecanismos de seletividade prévia na própria matrícula de alunos. a competitividade entre as escolas e entre os alunos. materiais e financeiros da escola. afetiva. moral. para obter boa classificação. certas escolas a criar internamente dispositivos pelos quais as crianças com problemas de rendimento escolar teriam cerceada sua entrada na escola. É preciso recusarmos a noção de aluno-cliente e continuarmos apostando no papel da escola na formação integral dos alunos (cognitiva. as condições salariais dos professores. as práticas de ensino. que as escolas estariam mais preocupadas em atender aos critérios de controle externo do que aos objetivos pedagógicos. da educação escolar visando exclusivamente os vínculos com o mercado. . reestruturadora. estética) e a avaliação dessa formação não pode ser aferida pela avaliação do sistema de ensino de cunho economicista pautada nos resultados.já mostramos que a avaliação do sistema escolar pode prestar-se apenas a estabelecer mecanismos externos de controle. Não se trata de nos opormos à avaliação institucional externa ou interna. O problema está na redução do processo avaliativo ao produto final sem considerar aspectos internos do processo de ensino tais como os recursos físicos. a estreita preparação/qualificação para o mercado de trabalho. através dos testes padronizados. nesse caso. inclusive usando expedientes para escamotear resultados. o currículo. Ou seja. Os controles levariam. Poderia ocorrer. física. As escolas estariam sujeitas a um "ranking" e. por exemplo. o que os educadores devem recusar é o tipo de avaliação em que predomine a justificativa econômica.

no mínimo. nem na ampliação da esfera privada no campo da educação. Com a revolução tecnológica e as demais mudanças globais. é um requisito para a melhoria das condições que afetam . Isso. abstrata. Nesse sentido. de modo que esses não venham a contribuir para novas formas de divisão social mas sim para a construção de uma sociedade democrática na forma e no conteúdo (Cf. no entanto. analisar a segunda face da questão. A universalização e melhoria da qualidade de ensino. Isso não deve significar a aniquilação da diversidade e das singularidades dos sujeitos. justa e solidária. não pode resultar num projeto educacional competitivo e seletivo socialmente. os impactos da revolução tecnológica no campo da educação podem e devem ser absorvidos de modo a gerar perspectivas democráticas de construção de uma sociedade moderna. abrangente e polivalente dos trabalhadores. Em razão disso.Cumpre. econômica e cultural. é inegável a 210 crescente intelectualização do trabalho. Oliveira e Libâneo. especialmente quando se tem em vista. a necessidade de formação geral mais sólida e uma demanda acentuada por educação de qualidade. para os educadores progressistas é bastante razoável supor que a avaliação educacional. 1998). Numa sociedade de conhecimento e de aprendizagem é preciso dotar os sujeitos sociais de competências e habilidades para a participação na vida social. tanto do sistema escolar como da aprendizagem. todavia. nem na criação de um mercado educacional. a garantia da igualdade de oportunidades. a elevação da escolaridade. são fundamentais para toda a sociedade. a preparação tecnológica e a formação geral.

reforçando o entendimento da escola como local em que se pensa o trabalho escolar e onde professores e especialistas aprendem em conjunto. uma proposta pedagógica progressista pode assumir a avaliação dos estabelecimento escolares por meio dos resultados do aprendizado dos alunos (embora essa aferição não deva ser utilizada para classificar as escolas que serão beneficiadas por recursos públicos. Daí que se fazem necessárias políticas educativas que contribuam para o desenvolvimento sustentável do país. por mais que se considere as críticas às orientações economicistas dos organismos financeiros internacionais. a descentralização das escolas. favorecendo a identificação de necessidades locais. o que é totalmente inaceitável). (embora isso não deva ser usado para a redução do poder . Seria extremamente prejudicial negar aos segmentos empobrecidos da população brasileira um ensino de qualidade. gerando uma "cultura da responsabilização" por parte da equipe escolar. A avaliação externa. em razão da 211 exigência de se prestar contas de um serviço público à comunidade. Numa visão progressista. Os professores. podem analisar conjuntamente os problemas. fazer diagnósticos mais amplos. o envolvimento dos professores e pais etc. pode ser uma ajuda à organização do trabalho na escola e nas salas de aula. em conexão com a avaliação dos professores. incluindo um posicionamento sobre a avaliação educacional.diretamente a qualidade do ensino. para além do seu trabalho isolado na sua matéria. Nesse sentido. em função da organização escolar e do projeto pedagógico da escola. as práticas de avaliação podem propiciar mais auto-regulação institucional.

atitudes. que cada escola formula coletivamente entre seus professores e equipe técnica? Como definir quais competências profissionais e éticas (desdobradas em conhecimentos. em seguida. seus processos e resultados. é preciso que os educadores. Para isso. saibam mais sobre a elaboração de instrumentos mais diretos de aferição da qualidade da oferta dos serviços de ensino junto com a qualidade do "aluno que se quer formar". . ético. tendo como referência a prática social? Como definir o perfil de aluno egresso. valores) precisam ser colocadas no projeto pedagógicocurricular e que. transformam-se em conteúdos curriculares e estratégias de aprendizagem na escola? São questões relacionadas com o projeto pedagógico-curricular e os processos de ensino e aprendizagem. Admitindo-se que hoje a justiça social em termos de democratização do ensino seja a qualidade cognitiva dos processos de ensino e aprendizagem e dos seus resultados. enquanto cidadão e profissional.de mobilização dos sindicatos e da participação política de professores). é óbvio que as práticas de avaliação precisam ser encaradas com mais seriedade. emocional. procedimentos. além de tomarem a avaliação como importante meio de diagnóstico do seu trabalho. a ênfase no desenvolvimento de capacidades básicas de aprendizagem (embora não se aceite um mero treinamento de habilidades). Como avaliar o 212 nível de competência cognitivo. esperado dos alunos. Outras questões precisam ser consideradas com mais empenho pelos pesquisadores visando o aprimoramento da qualidade do ensino.

Boa parte dos especialistas em avaliação concordariam com este desafio posto aos educadores e especialistas em avaliação escolar: integrar as contribuições criticas destas ultimas décadas e construir no cotidiano instrumentos que nos permitissem não somente analisar o rendimento escolar..) Avaliar com equidade significa analisar se a qualidade da educação que está sendo oferecida atende igualmente a todos os setores sociais. . emancipadora etc. principalmente os interessados no bom funcionamento da escola (uma escola democrática. Os educadores progressistas. é tão importante avaliar como o sistema educacional condiciona a qualidade do ensino oferecido nas escolas quanto analisar como os educadores constroem. A dependência econômica do Banco Mundial força a submissão dos sistemas de ensino e das escolas às suas orientações técnicas. por sua vez.. mas também compreender os processos de construção da desigualdade escolar (.) Neste sentido. o nível de ensino que os alunos irão receber (Souza. 1998).. (. de suas 213 atuações. os problemas envolvidos na avaliação educacional são muitos.) tendem a ficar perdidos com os programas introduzidos pelos Estados hoje praticamente atrelados aquelas orientações do Banco Mundial.. a partir de suas representações.entre a avaliação de sistemas educacionais e as avaliações do professor na sala de aula Como se pode ver. no seu cotidiano. de suas relações.Avaliação educacional .

por amostra.Aceita essa premissa. adequação do ensino às exigências contemporâneas. Com os programas nacionais ou estaduais. individualmente. dentro da escola (por exemplo.. O objetivo desses programas: "identificação dos conteúdos e habilidades dominados pelo aluno e a busca de elementos que possam subsidiar o planejar na perspectiva de levar a escola e os professores a superar as defasagens fragrantes nos alunos (. Esses programas utilizam testes padronizados visando ao maior controle da qualidade do ensino. segregação social ou excesso ou falta de rigor na avaliação feita por professores). visando orientar as políticas educacionais e os órgãos gestores dessas políticas. inclusive para tentar diagnosticar disparidades de rendimento entre alunos que não podem ser captadas pelos professores. diversidade cultural. 168). de modo que os envolvidos no processo educacional reflitam sobre os problemas de ensino e aprendizagem e tomem decisões sobre a melhoria da qualidade da educação." Este segundo tipo de avaliação externa é melhor porque as escolas participam .. os sistemas de ensino podem aferir a qualidade do ensino em termos de sua equidade e verificar o que a macro estrutura pode fazer para aprimorá-la. A avaliação externa pode ser nacional. Neste último caso. avaliandose o universo inteiro de uma rede de ensino. o objetivo dos programas de avaliação deve ser o de obter informações sobre o desempenho de alunos de um sistema. efeitos de migração. e importante a implantação de programas de avaliação dos sistemas educacionais.) (Souza. Pode ser regional.

em condições iguais. como aparecem estas defasagens e. o que não leva as escolas a usufruírem dos dados que coletam. especialmente. porque elas aparecem. efeitos das formas de gestão na aprendizagem dos alunos. Pode-se. . pais com baixa escolaridade. dificuldades econômicas em casa. podem provocar essas dificuldades nos alunos para vencerem as tarefas exigidas pela escola. de tal maneira que cada uma receba informações sobre o desempenho de seus próprios alunos nas principais disciplinas. pensar na possibilidade de que um conjunto de escolas (de uma área limitada) façam a avaliação conjuntamente.214 diretamente do processo avaliativo e usufruem diretamente dos resultados obtidos. que propiciem melhor qualidade da aprendizagem escolar para todos os alunos. de reorganização da trajetória escolar dos alunos. A avaliação da aprendizagem precisa ajudar a identificar disciplinas ou outros aspectos em que o aluno apresenta maiores dificuldades. O SAEB e ENEM têm uma limitação: trabalham com amostras. dos processos pedagógicodidáticos. Em qualquer caso. as avaliações externas precisam estar voltadas para levantamento dos elementos que propiciem a democratização do acesso e a permanência na escola. condições de salário e trabalho dos professores. permitindo uma definição mais realista do projeto pedagógico. Também a avaliação do aluno pelos professores precisa ter esse caráter de diagnóstico. falta de apoio afetivo em casa ou na escola. das necessidades de capacitação docente. também. sólida formação cultural e cientifica a todos. Por exemplo. da sistemática de avaliação. em síntese.

fatores que prejudicam o andamento das aulas etc.. compreender e neutralizar as causas dos insucessos escolares" (Ibid.. Provocar reflexões conjuntas dos professores sobre suas preocupações na sala de aula.). O grande problema (. analisar. para melhorar o ensino. (.. mas sim o como ensinar. Compreender que a avaliação é instrumento. dificuldades que estão tendo..). da . (.. Definir com clareza as competências do professor e saberes necessários para "diagnosticar. 215 Ligar a "teoria" sobre avaliação com o "saber-fazer" a avaliação. alunos com mais dificuldades.. o processo de aprendizagem do aluno e oferecer um ensino de qualidade (Ibid.Algumas medidas precisariam ser tomadas nas escolas para enfrentar os problemas de avaliação. coordenador pedagógico) e os professores discutem e avaliam sua escola em função do aprimoramento pedagógico curricular e da qualidade do ensino.) não é o como avaliar. organização escolar e dos planos de ensino A avaliação da escola é um processo pelo qual os especialistas (diretor. A avaliação do projeto pedagógico-curricular. ela apenas dá indícios de onde estão os problemas de aprendizagem. o porque determinado aluno vai bem e outro não. Nas últimas décadas houve pouco interesse dos pesquisadores em programas de avaliação da escola.) o porque o aluno não está apreendendo.) Nosso problema é justamente como identificar.

composição do corpo docente (tempo de trabalho. De fato. do projeto pedagógico. as relações entre professores e . os resultados do rendimento escolar dos alunos) em função das responsabilidades sociais da escola.direção. Tais dados já estão disponíveis na escola. Os sistemas de ensino e as escolas se vêem hoje frente à avaliação dos resultados dos alunos como critério para a avaliação da produtividade da escola. Mas todo cuidado é pouco para que os resultados do desempenho escolar dos alunos não sejam tomados como único parâmetro de análise da escola. dos professores. Nesse sentido. a avaliação da escola precisa considerar os elementos determinantes da qualidade da oferta de serviços de ensino e do sucesso escolar dos alunos. Mas isso não é suficiente. currículo profissional). Se os testes e outras formas de aferição do rendimento forem bem elaborados. recursos físicos e materiais. é preciso organizá-los e analisálos como prática de avaliação diagnóstica. materiais didáticos e informacionais. é preciso considerar o conjunto de fatores que levaram a eles. idade. é possível detectar problemas e dificuldades no ensino 216 das matérias de forma que a escola e os professores tomem providências para saná-los. tais como: características dos alunos. rendimento escolar por classe. é indispensável verificar a efetividade dos serviços prestados (o comportamento profissional dos professores e especialistas. É preciso chegar até a sala de aula para obter conhecimentos mais precisos sobre os processos de ensino e aprendizagem. condições de trabalho e motivação dos professores. Hoje essa necessidade torna-se cada vez mais premente.

alunos. tipo SAEB. o controle do rendimento escolar precisa ter maior rigor cientifico e método lógico. Dada a importância da avaliação escolar. capacitados. Cada vez mais aparecem na imprensa. que utilizam instrumentos estandardizados de verificação do aproveitamento escolar. nas escolas. mas permitem evidenciar uma "pista" de onde os alunos estão. a construir testes de verificação de aproveitamento. Há uma outra razão para se considerar este alerta. Eles não dão uma informação absolutamente fiel do rendimento dos alunos em face dos objetivos pedagógico-didáticos. ENEM. É claro que esta avaliação global da escola indicará elementos de mudança nas práticas dos próprios professores. Os professores precisam estar familiarizados com as práticas de avaliação externa para poderem inclusive ler as análises e tirar proveito delas para o seu trabalho. os resultados das avaliações 217 feitas pelo sistema. a qualidade cognitiva das aprendizagens. verificar falhas na aquisição de conhecimentos e habilidades e possibilitar formas de recuperação. A avaliação não pode ser reduzida a testes. especialmente no que diz respeito ao domínio dos conhecimentos e metodologias e procedimentos de ensino e procedimentos de avaliação. mas é importante sua utilização. Aspectos a serem avaliados no âmbito da organização escolar . as práticas de avaliação. Isso leva a que os professores sejam formados.

Clima organizacional da escola Inclui: tipo de direção (acolhedora. currículo. envolvimento da equipe pedagógica e professores com os objetivos e com as ações da escola Acompanhamento do rendimento escolar dos alunos Aplicar métodos e procedimentos para acompanhar e analisar sistematicamente os resultados escolares nas varias turmas. relações interpessoais. reprovações. tolerante). separadas. A ênfase da avaliação não recai somente nos professores e nos alunos mas nos elementos e na dinâmica de funcionamento da organização escolar: projeto 218 pedagógico. práticas participativas). da escola como referência básica do sistema de ensino. autoritária. democrática. pode ajudar os professores a modificarem suas formas de trabalho. hostil. Avaliação da execução do projeto pedagógico-curricular Esta é uma forma de avaliar a escola no seu conjunto. tipo de organização (organizada. etc). Um investimento importante é acertar entre os professores métodos mais eficazes de diagnóstico das dificuldades escolares dos alunos. estrutura de coordenação pedagógica e assistência aos professores. abandono da escola. relações humanas (solidárias. A análise dos resultados. desorganizada. . situação sócio-econômica dos pais etc. dentro da escola. processos de ensino e aprendizagem.É sempre útil relembrar as principais variáveis em torno das quais pode incidir a avaliação: Dados estatísticos sobre a população escolar. dentro da concepção que vem sendo desenvolvida neste livro. exigente.

Educadores que conhecem de perto o funcionamento de escolas e de salas de aula sabem que os principais pontos de um programa de observação da prática docente na sala . Por outro lado. Os diretores de escola e os coordenadores pedagógicos precisam. Além disso. todavia. enfrentar o desafio de avaliação qualitativa da atividade docente através da observação sistemática de aulas e do diálogo e da reflexão conjunta com os professores. em boa parte.sistema de gestão. todavia. isso não pode levar a descartar a avaliação das características. é dele que depende o êxito escolar dos alunos e a realização dos objetivos essenciais da escola. enfrentar esse tipo de avaliação de uma forma decidida porém cautelosa. É preciso. da qualidade e da eficácia do trabalho do professor. não é uma profissão na qual basta seguir uma seqüência de atos automatizados. Há muito pouco progresso concreto na investigação dos instrumentos de avaliação de professor (ainda que reconhecendo avanços na concepção do professor crítico-reflexivo). Boa parte das ações docentes não está constantemente sob controle da consciência porque resultam de modos de agir e hábitos já consolidados. inclusive pelo caráter de imprevisibilidade que têm muitas das ações escolares. porque. Não há dúvida de que o professor é o fator mais significativo na determinação da produtividade de uma escola. como uma das condições do desenvolvimento profissional. há uma boa dose de imprevisibilidade e improvisação. Não é tarefa fácil. Avaliação de desempenho dos professores É cada vez mais crescente na pesquisa pedagógica a insistência na avaliação dos professores. etc. O trabalho de professor não se presta a análises meramente quantitativas.

Para finalizar: a avaliação emancipatória . preparo profissional do professor no conhecimento da disciplina e dos métodos e procedimentos de ensino e avaliação. qualidade da comunicação com os alunos. Outros fatores também precisam ser considerados na avaliação do professor relacionados com a organização e funcionamento da escola como um todo: Disponibilidade. pedagogos. Critérios de organização de turmas. Ações de formação continuada de professores. Encontros e reuniões de professores. 1991): 219 qualidade das relações sociais e afetivas com os alunos. procedimentos e instrumentos de avaliação da aprendizagem. Estratégias de relacionamento com os pais e as formas de comunicação. utilização dos recursos materiais e didáticos. incluindo instalações e equipamentos. como organização e desenvolvimento das aulas. Atividades administrativas e de apoio pedagógicodidático ao professor. organização. gestão da classe em vários aspectos. conforme o nível de ensino atendido. horário de aulas e distribuição de disciplinas.de aula são os seguintes (Cf. Ghilardi e Spallarossa. funcionários.

Por sua vez. Estudando o assunto.de modo que tome decisões com maior conhecimento de causa. interação com os alunos . o professor Vítor Paro escreve que a racionalização do trabalho engloba as ações. a gestão de uma escola pode ser analisada por meio de duas atividades básicas: a racionalização do trabalho e coordenação do esforço humano coletivo.práticas de ensino. Auto-avaliação. CAPÍTULO XIII – Estratégias de Coordenação do Trabalho Escolar e de Participação na Gestão da Escola 223 Conforme vimos nos capítulos anteriores. processos e relações referentes à utilização racional dos recursos materiais e de conhecimentos. em que o professor é também um investigador (Hernandez e Sancho.A tendência nas práticas de avaliação. A avaliação emancipatória tem três características: Avaliação compreensiva e global do processo de ensino e aprendizagem Avaliação democrática em que os resultados da avaliação são discutidos e negociados entre os participantes do trabalho escolar. a coordenação do esforço . mediante um processo reflexivo rigoroso de planejamento-observação-análise-reflexão-planejamento. é assegurar cada vez mais nas instituições 220 o caráter educativo da avaliação: meio de revisão das ações do professor . 1994). numa perspectiva de educação emancipatória.

Ainda segundo Paro. ser separados.humano coletivo diz respeito à utilização racional das relações entre os profissionais da instituição. considerando a natureza dos fins buscados pela escola. Com igual razão. uma escola comprometida com a transformação social precisa lançar mão de princípios. Parece não haver dúvidas de que. "Os elementos materiais e conceituais não cumprem sua função no processo se não estiverem associados ao esforço humano coletivo. para um razoável desempenho do pessoal escolar. em especial do corpo docente. o esforço humano coletivo necessita dos elementos materiais e conceituais para ser aplicado racionalmente" (Paro. 1988). sempre avaliadas pela prática reflexiva. Escreve o autor: A utilização racional dos recursos coloca o problema da competência técnica no interior da escola. da mesma forma. Para o autor. os dois tipos de recursos funcionam em mútua dependência. faz-se necessária aposse de um conjunto de conhecimentos. assim como a garantia da coordenação 224 do esforço humano coletivo através da participação coletiva. são imprescindíveis os conhecimentos. as técnicas e instrumentos que assegurem a utilização racional de recursos materiais e conceituais. as pessoas envolvidas na administração da escola deverão exibir uma competência técnica que deve dizer respeito tanto ao . não podendo. Dessa forma. métodos e técnicas adequados à especificidade dos seus objetivos e à especificidade do processo pedagógico escolar. na prática. técnicas e habilidades em níveis e padrões que possibilitem o oferecimento de um ensino de boa qualidade a um número maior de alunos.

225 . professores. fundamentada na participação coletiva. quanto aos processos. Numa administração escolar autoritária e centralizada na figura do diretor.. esta identificada com os interesses da classe trabalhadora (Paro. (. é de extrema relevância na instalação de uma administração democrática no interior da escola.conhecimento da coisa administrada. O mesmo não acontece numa administração democrática. alunos e pais.. métodos e técnicas relacionados à atividade administrativa.. pessoal técnico-pedagógico.) A "coordenação" do esforço de funcionários. mas na de grupos ou equipes representativos de todos. basta que este e mais alguns de seus auxiliares mais diretos dominem os conhecimentos e técnicas de gerência e administração. 1988). é importante que todos saibam os princípios e os métodos de uma nova administração. (. Nesta nova situação. em que não existem chefes colocados autoritariamente sobre os demais.. já que estas não se concentram mais nas mãos de uma única pessoa. É através dela que são fornecidas as melhores condições para que os diversos setores participem efetivamente da tomada de decisões. mas também com os métodos e técnicas administrativos mais adequados à promoção da racionalidade interna e externa da mesma. ou seja.) Esse fato coloca novamente a importância do conhecimento e familiaridade que o educador deve ter não apenas com os aspectos mais propriamente pedagógicos da escola. aos aspectos mais propriamente pedagógicos. visto que as responsabilidades administrativas foram distribuídas juntamente com a autoridade.

Apresentamos a seguir alguns deles. cada reunião pode ser dedicada a um desses setores. Informativa . . Evidentemente. reunião administrativa. Modelo clínico de formação continuada. a coordenação pedagógica e os professores para trocar idéias e tomar decisões sobre questões pedagógicas. Nesse caso. 4. sem preocupação de esgotá-los. 3. Seminários.É em razão desses argumentos que foram selecionados alguns procedimentos e técnicas úteis para viabilização do trabalho escolar. referentes especialmente à coordenação pedagógica e aos professores. de comunicação e de construção coletiva da organização e gestão da escola. Entrevistas. etc. portanto. A reunião de professores é uma necessidade da organização escolar mas é também um espaço de formação continuada. trata de questões já decididas que serão apenas comunicadas. de promoção da participação. Conselho de Classe. 2. 1. Reuniões de professores. 5. Tipos de reunião Há vários tipos de reunião de professores. visando o aprimoramento das práticas de organização e gestão da escola: 1. Etapas para a elaboração de projetos.Destinada à transmissão de informações ou medidas a serem cumpridas. 6. daí poder-se falar de reunião pedagógica. REUNIÕES DE PROFESSORES Por "reunião de professores" entende-se o encontro formal entre a direção. administrativas e financeiras da escola.

pois o que se decidir deverá ser assumido por todos os membros da escola. Não tem caráter oficial. De estudo . A 227 direção. precisam levar a sério a organização das reuniões. Tem caráter oficial. especialmente. a coordenação pedagógica.O objetivo é a discussão de um assunto ou a busca de solução de problemas.Visa a leitura e discussão de um texto. a reunião é um procedimento administrativo indispensável ao sistema de gestão da escola. Observação importante: conforme afirmamos anteriormente. pode tornar-se uma atividade malvista e desconfortável. aprofundamento da leitura de documentos. de seminários. 1980. às vezes. Convém que o coordenador desse tipo de reunião prepare de antemão pontos polêmicos da comunicação. Nérici. Entretanto.226 pode-se usar de bastante objetividade. Geralmente esse tipo de reunião sucede a uma decisão já tomada em reunião formal e aqui o coordenador irá pedir sugestões e informações para concretizá-la. Na reunião. Para . deverá aceitar todos os pedidos de esclarecimentos. Sobre o tipo e formas de reunião. foram aproveitadas idéias de vários autores. os professores. Opinativa-deliberativa .O objetivo é ouvir as pessoas para a elaboração de um documento. Coleta de opiniões . projeto ou para subsidiar uma tomada de decisão. 1973 e Grisi. preparação conjunta de aulas etc. As reuniões de estudo são denominadas.

divergências de opinião etc. Evitar colocar em pauta assuntos e questões que podem ser resolvidas individualmente com os interessados. Submeter a pauta à aprovação dos participantes. com os mesmos interesses. elas precisam ser planejadas. material didático e audiovisual etc. Programar uma pauta possível de ser cumprida. preferentemente. prevenir-se para perguntas embaraçosas. em círculo. conforto. esclarecendo quais questões são mais urgentes. recomenda-se que não se façam reuniões improvisadas. especialmente o que já está previsto em leis. Manter rigorosamente o horário de início e de término da reunião. não levar para a reunião assuntos sobre os quais já se tomou uma decisão. quadronegro. Preparar rigorosamente a reunião: definir objetivos e pauta. regulamentos ou rotinas. arejamento. medidas e normas já estabelecidas na legislação. Evitar colocar na mesma sala pessoas com interesses muito divergentes ou de nível cultural ou de escolaridade muito diferenciados. Dispor os assentos. muito bem organizadas e muito bem conduzidas. Sugestões para o planejamento e organização de reuniões Escolher o local e verificar as condições físicas e materiais: iluminação. Reunir pessoas mais ou menos do mesmo nível hierárquico. local e horário. cuidando para não torná-la excessivamente longa 228 . visando a facilitar a comunicação e o diálogo. ou questões que já fazem parte dos deveres e obrigações profissionais.isso. Da mesma forma.

o grupo operativo (discussão dirigida de solução de problemas). Definição bem clara dos assuntos ou problemas. O coordenador ou alguém do grupo apresenta o problema. Apresentação dos assuntos. 4. Iniciar a reunião apresentando os assuntos e os objetivos da discussão. 5. seminários de estudo. Delegação de responsabilidades (quem fará o quê. Apresentação de soluções alternativas. 229 . Recomendações úteis ao coordenador de reunião Apresentar-se na reunião com bastante segurança e confiança em si para passar segurança aos participantes. discussão livre. Se for grupo novo em que as pessoas não se conhecem. 3. Há muitas outras técnicas de realizar uma reunião. Pode ser útil cada participante escrever seu nome numa folha e afixar na carteira. Técnicas de condução da reunião A técnica mais comum é a reunião de trabalho. para quando..Não abusar no número de reuniões. que pode ser conduzida da seguinte forma: 1. Discussão. conforme os tipos apontados acima. Conclusões.). há a Tempestade Mental (Brainstorming).. promover uma breve apresentação dos presentes. 6. Entre elas. 2.

ENTREVISTAS INDIVIDUAIS . envolventes. fazer voltar sempre ao tema em discussão. diversionistas. sem antecipar ou precipitar as conclusões. Não permitir que a reunião prossiga enquanto todo o grupo não estiver atento. provocar a participação chamando as pessoas pelo nome. não permitir em nenhuma hipótese conversas paralelas.Fazer perguntas iniciais aos participantes. pontuar as conclusões a que o grupo vai chegando. a convencer. usando argumentos seguros. Se as pessoas não falarem espontaneamente. aprender a persuadir. Assegurar a condução da reunião. de modo que se mantenha o clima de debate e se aprofunde mais a discussão. Pedir esclarecimentos. oferecendo dados concretos. Se for necessário. Após uma rodada de discussão sintetizar os pontos já tratados. Ter paciência para ouvir todos. tomando especial cuidado com as pessoas que falam demais e com as que falam pouco ou não se manifestam. mantendo o grupo dentro do assunto. Estar atento para posições ou opiniões "proteladoras". que podem dificultar a busca de soluções positivas para os problemas. dados concretos. informações. Estimular a participação de todos os membros do grupo. Estimular todos os participantes a expressarem sua opinião. Não monopolizar a palavra ou a discussão. 230 2.

Chamar um aluno para conversar sobre seu rendimento escolar. um cotejamento de modos de ver uma situação. alguma observação ou solicitação. chamar a mãe para conversar sobre dificuldades dos alunos. a conversa flui livremente entre os participantes. pais. na qual não há um roteiro prévio. ainda. utilizando ambos os procedimentos. geralmente. mais flexível. Procedimentos . É importante destacar que a entrevista deve centrar-se na análise da situação ou na solução do problema e não em uma das pessoas envolvidas. é provocada por algum fato. Também os coordenadores pedagógicos utilizam a entrevista para reuniões de trabalho com os professores. c) Mista. b) Não-dirigida. Segundo especialistas. é importante que seja uma troca de pontos de vista.Os professores e professoras são sempre solicitados a entrevistar alunos. para se chegar a uma conclusão. utilizada como técnica de ensino e aprendizagem na sala de aula. Tipos de entrevistas a) Dirigida. um problema. a entrevista na escola é um encontro de duas ou mais pessoas interessadas em melhorar uma situação. A entrevista pode ser. Orientações gerais sobre a técnica de entrevista A entrevista. na qual há um roteiro prévio de questões ou perguntas dirigidas ao entrevistado. Por exemplo. Conversar com uma professora sobre problemas de disciplina na classe. resolver um problema. Por isso.

após a realização de um evento. a entrevista precisa acontecer imediatamente após o ocorrido. Nesse caso. tem um 231 desenvolvimento compatível com a situação que está sendo analisada. é um importante momento de formação continuada para ambos. um procedimento útil para reunir o coordenador pedagógico e o professor. quase sempre. É um trabalho integrado. Convém que na convocação ou convite para a entrevista já seja informado o motivo da sua realização. compromissos. Visa o acompanhamento do trabalho em sala de aula para aprimoramento do ensino. também. Se o objetivo é. objetivos. após uma observação de classe. mediante a reflexão. Mas podem ser sugeridos alguns procedimentos: O entrevistador e o entrevistado devem ir à entrevista com objetivos claros. resolver problemas. com um roteiro mínimo de perguntas ou questões. munidos de informações. uma troca de impressões de modos de ver. de idéias. o diálogo e a tomada de novas decisões. Por isso entrevista é peculiar. A entrevista do coordenador pedagógico com os professores A entrevista individual é. pela sua natureza. Os entrevistados precisam levar em conta que trabalham numa organização que tem uma filosofia de trabalho. de cooperação mutua. . normas.A entrevista é. Isso significa que podem existir pontos da conversa que são inegociáveis. A informalidade é um importante requisito para uma boa entrevista.

novas discussões. os caminhos necessários para a melhoria da sua atuação. d) Combinar com o professor a ida do coordenador à sua classe para observação de aula. e) Análise e interpretação dos dados colhidos durante a observação junto com o professor para verificar pontos fortes e fracos da sua atuação. disciplina.Essa entrevista tem por objetivos: a) Ajudar os professores a tomarem consciência do seu desempenho e a encontrarem. As entrevistas precisam ocorrer imediatamente após a observação de aulas do professor. procedimentos etc. para evitar desconfianças. levando a tornar mais eficaz a ação docente. temores. f) Acerto de novas observações. A entrevista deve ter caráter eminentemente profissional. suas limitações quanto à motivação dos alunos. avaliação. avaliar e interpretar o que se passa consigo e na sala de aula. a partir das dificuldades apontadas. visando a um plano de auto-aperfeiçoamento. por si próprios. Observações importantes: As entrevistas entre coordenador pedagógico e professores precisam estar fundamentadas em informações. de lado a lado. evidências. considerando-se portanto o trabalho . metodologia de ensino. 232 b) Auxiliar no desenvolvimento de habilidades de analisar. dados. c) Ouvir o professor sobre suas dificuldades.

3. também. atitudes. A entrevista é um encontro entre pessoas. em reuniões previamente planejadas. visando melhorar uma situação. pode ser útil a elaboração prévia de uma ficha de observação dos aspectos a serem observados. apontamentos. Diferentemente do que tem sido feito nas escolas. Considerar que a reunião entre coordenadores e professores acontece entre duas pessoas. cada um com sua especialidade. havendo um intercâmbio de pontos de vista. pais). discutida antes com o professor. utilizar gravador. Se a entrevista se destina a conversar com o professor sobre situações observadas em aula. O coordenador poderá. mas a estruturação de . SEMINÁRIOS O objetivo do "Seminário" é o estudo de um tema juntamente com outras pessoas. num clima de colaboração recíproca. 233 Os coordenadores precisam dedicar especial atenção. sempre com o consentimento do professor. a professores iniciantes ou inexperientes. portanto. habilidades dos envolvidos na percepção e compreensão do outro. para serem discutidos posteriormente. professores sem formação pedagógica. ignorar as relações pessoais). implicando. professores com mais dificuldades na sala de aula. A idéia básica dessa técnica é promover a aprendizagem ativa entre os membros (professores. motivações. câmara de vídeo. aprimorar o processo de ensino e aprendizagem.realizado ou a ser iniciado (o que não significa. obviamente. valores. alunos. o objetivo do seminário não é apresentar as conclusões para uma classe ou grupo maior. nas entrevistas.

É a instância que permite o acompanhamento dos alunos. 4. em alguns casos. daí. atividades de integração .conceitos. pais e alunos. por representantes dos alunos e. É o resultado do trabalho desse pequeno grupo que será apresentado para toda a classe. Algumas recomendações Os participantes devem ter interesses comuns quanto ao tema e um nível de conhecimentos semelhante. Em algumas experiências. fazer nova discussão. para socializar as conclusões. Tem a responsabilidade de formular propostas referentes à ação educativa e didática. O estudo conjunto exige a investigação e a pesquisa de diversas fontes e recursos de informação (o estudo de um livro ou capítulo de livro não justifica um seminário. Todos os membros precisam participar igualmente do trabalho. 234 O seminário deve ser apresentado para a classe como síntese do trabalho do grupo. CONSELHO DE CLASSE O Conselho de Classe é um órgão colegiado composto pelos professores da classe. o importante é a diversificação de fontes). e incentivar projetos de investigação. visando a um conhecimento mais minucioso da turma e de cada um e análise do desempenho do professor com base nos resultados alcançados. o debate e a verbalização de idéias dentro do pequeno grupo. dos pais. facilitar e ampliar as relações mútuas entre os professores. podendo. o Conselho de Classe também é competente para formular propostas para a coordenação pedagógico-didática.

mas isso não deve ser motivo de não incluí-los nas reuniões.). tal como já alertamos quando tratamos do Conselho de Escola. de estabelecimento de limites e competências. A participação no Conselho de classe requer dos professores e coordenação pedagógica a consulta a informações e registros que possam subsidiar as decisões. após o Conselho de Escola. Há que se buscar as possibilidades de acordo mútuo. . Busca de soluções alternativas para as dificuldades que aparecerem. Se essas competências forem levadas a sério. Reformulação do plano de ensino (revisão. A presença de pais e estudantes no Conselho de Classe. Elaboração de programas de recuperação e outras atividades de apoio. e verificar periodicamente o andamento geral dessas atividades. o Conselho de Classe poderá tornar-se o órgão colegiado mais interessante sob o ponto de vista pedagógico-didático. pode trazer conflitos de interesses e competências. os ajustes necessários. 235 Obtenção de informações para facilitar o aconselhamento ao aluno. retomada da matéria etc. Identificação de progressos e mudanças de comportamento de alunos. Os objetivos do conselho de classe são: Aprimoramento do diagnóstico dos problemas e dificuldades.e iniciativas de apoio.

decidir e agir tirando conclusões ou para antecipar resultados de determinadas decisões ou atitudes. Ele supõe levantamento de necessidades de desenvolvimento profissional através. o método clinico é baseado na articulação entre prática e reflexão sobre a prática. 236 Ainda segundo Perrenoud. MODELO CLÍNICO DE FORMAÇÃO CONTINUADA O modelo clínico é assim chamado por tratar-se de um trabalho preventivo de orientação do professor na sala de aula. O termo "clinico" refere-se a um modelo de funcionamento intelectual basicamente assentado na metodologia de solução de problemas. O modelo clínico pode ser aplicado a um ou mais professores. que permite a prática reflexiva sobre o trabalho em desenvolvimento e previne para que as dificuldades encontradas sejam superadas. principalmente. Daí a necessidade de que cada professor tenha disposição e competência para análise individual ou coletiva de suas práticas para pensar. pensar numa intervenção eficaz. . O professor "clínico" é aquele que. frente a uma situação problemática complexa. mas é melhor que seja feito com o grupo todo. Conforme o pedagogo suíço Philippe Perrenoud. de um projeto organizado de ação e da análise dessa prática.5. A idéia-chave desse modelo é considerar o professor como alguém que reflete sobre sua prática a partir da própria investigação sobre essa prática. de observação de aulas. possui as regras e dispõe dos meios teóricos e práticos para: avaliar a situação. a formação clínica é uma formação orientada pela prática a partir de uma formação pedagógica.

nem em conformar-se com um modelo. avaliar a sua eficácia aparente. afundar no pragmatismo absoluto ou em ações pontuais. muitas vezes. resolver problemas. A formação clinica.. definindo-se antecipadamente uma problemática. É. bem organizada. baseada na prática refletida. para tanto. centradas em suas necessidades). e. compreender como e porque esta atividade ou aquela intervenção foram bem. (. seguir uma lógica de construção de conhecimento. para que os problemas a serem resolvidos estejam à altura das pessoas em formação. partindo do que os professores acham significativo (i. Sem. de emergência..) Para que a experiência prática resulte numa verdadeira maestria profissional é preciso que o professor possa analisar a prática. Este tópico é uma adaptação livre do capítulo "Técnica de projeto" do livro Planejamento e organização do . utiliza-se da investigação para selecionar experiências pertinentes (tendo em vista uma construção mais rigorosa do objeto).. ou mal 237 sucedidas. realizar outros ensaios e passar a agir de forma diferente (1993). essencialmente. No dizer do próprio Perrenoud: Ensinar não consiste em aplicar cegamente uma teoria. antes de mais nada. Essa formação é feita. através da prática. agir em situação de incerteza e. mas uma prática planejada. corrigir o rumo.e.colocá-la em prática. tomar decisões. Mas não uma prática qualquer.

mesmo. também. até que as pessoas assumam a necessidade do projeto pedagógico coletivo. horas pagas para reuniões de trabalho). Além disso. 6. Isso. Um bom diagnóstico da situação. coordenado por Loureimi Ercolani Saldanha. Editora Globo/INL. Os profissionais de uma escola precisam.ensino. nenhum projeto resolve os problemas de gestão de uma escola. É preciso ter o projeto e o sistema de gestão. Não foi por acaso que insistimos bastante na importância do sistema de gestão e direção da escola. de forma alguma. significa "deixar o barco correr". De pouco resolverá uma seqüência de passos. sem que o projeto seja uma necessidade sentida por um grupo. tal como apresentamos a seguir. implicando capacidade de liderança. Cabe aos dirigentes das instituições ter lucidez e competência para formular as melhores estratégias de introduzir a prática do projeto. uma adequada distribuição de cargos e responsabilidades e a institucionalização de condições de diálogo e comunicação (por exemplo. iniciativa e motivação dos dirigentes. 1974. necessidade da instituição) de um projeto (Carvalho. 1993). Porto Alegre. A instituição . de forma a estabelecer uma ponte entre a situação atual e os cenários desejáveis. ETAPAS PARA A ELABORAÇÃO DE PROJETOS 2 Observações prévias O projeto é o resultado de um processo de planejamento e negociação entre os membros de uma equipe escolar. ter consciência de que nem sempre a necessidade real do grupo coincide com a necessidade impositiva (ou. levado junto 237 com a equipe. pode ser um bom começo de conversa.

a introdução do projeto. dando mais solidez às possibilidades de êxito do projeto.sempre contará com algumas pessoas interessadas e motivadas pelo projeto e a elas cabe. através da reflexão e da implementação de estratégias concretas e de sua avaliação. permite uma maior coesão do grupo (inclusive por deixar claras as diferenças. os pontos de vista). 3) Levantar alternativas de solução possíveis e coerentes com o problema. 5) Implementação do projeto. as posições. numa estratégia de busca de consenso ao invés de submeter as decisões ao voto. O projeto consiste na colocação clara do problema e no planejamento do curso da ação para solucioná-lo. O processo de elaboração do projeto O projeto é uma importante técnica de identificação (diagnóstico) e solução de problemas. A busca de consenso é mais democrática. A seqüência de passos sugerida para se chegar ao projeto é a seguinte: 1) Definir o problema. Cabe insistir. de alguma forma. 4) Organização do projeto. convém que as decisões sejam tomadas por consenso e não por maioria. mobilizar estratégias de mudança. É até recomendável que se crie um grupo de trabalho ou comissão com a função de protagonizar. 239 6) Acompanhamento. avaliação e realimentação do projeto . Em resumo. nas práticas de gestão da escola. 2) Determinar objetivos e necessidades.

o objetivo imediato. materiais.Formular o problema de forma clara. Um problema é uma situação não satisfatória. recursos físicos. algo que não anda bem. Definir o problema Primeiro momento . os objetivos precisam ser realistas. chega-se à delimitação e definição do problema. . 2. um desafio. Para isso. refletir e buscar uma situação mais satisfatória. possíveis de ser atingidos. Obviamente. O que é necessário para atingir os objetivos propostos? As necessidades podem ser pensadas em termos de pessoal. são definidos objetivos intermediários. Determinar objetivos e necessidades Definido o problema de forma explicita e operacional é preciso pensar qual será a situação desejada para resolver o problema. os vários fatores da situação e do contexto mais geral. cabe determinar necessidades. Trata-se de aprofundar o conhecimento da situação.1. Em síntese: Segundo momento . O resultado final desejado é o objetivo geral. Sempre considerar as condições existentes 240 (viabilidade) ou as condições ainda inexistentes mas que sejam possíveis de serem criadas.Diagnóstico da situação para obtenção de informações relevantes. e que precisa ser alterado. Em seguida. tempo. financeiros. Analisar o problema levando em conta suas possíveis causas. Com isso. operacional.

de forma que ninguém tenha dúvida dos resultados desejados a partir das ações levadas a efeito. considerando. isto é. da parte de alguns educadores. se é verdade que as organizações escolares precisam ter um projeto.se: 241 menor custo. Entretanto. Levantar alternativas de solução possíveis e coerentes com o problema É a fase do exame das soluções possíveis. controle. Daí a importância de objetivos muito claros. O problema dessa tendência é reduzir o funcionamento das instituições a critérios exclusivamente de eficácia. sem prejuízo dos objetivos.negociação . a imprevisibilidade. é verdade. a maioria eficiência. Levantadas várias alternativas. o diálogo. elas podem passar pelo crivo dos critérios de seleção. produtividade. Diagnóstico . também. coerentes e operacionalizados. a participação etc. sem considerar a flexibilidade. Ainda há. a negociação.objetivos 3. . bem como práticas avaliativas visando a reformulação dos processos e do próprio projeto. que precisam funcionar competentemente. o compromisso das pessoas. certa resistência a objetivos operacionalizados. sem prejuízo da qualidade.A identificação de necessidades e a avaliação das condições existentes podem levar à modificação dos objetivos. às necessidades e aos objetivos propostos. (por causa de sua vinculação ao tecnicismo educacional).necessidades . as que melhor se ajustam ao problema.

mobilizar esforços para atingir os objetivos previstos. pôr em ação o projeto. Obviamente. sem prejuízo da capacidade de inovar e ousar. éticos. 4. metodológicos). conteúdos. É importante preparar um cronograma de execução (plano de gestão do tempo). as alternativas precisam considerar os critérios de qualidade humana e educacional (Capitulo 111 deste livro). O projeto prevê o processo de trabalho dirigido ao atendimento dos objetivos. psicológicos.organização e gestão de recursos físicos. materiais. materiais. critérios sociológicos. procedimentos. 5. visando a implantação da alternativa selecionada em função dos objetivos. Acima de tudo. metodologias. Implementação do projeto Implementar significa criar as condições. formas de acompanhamento e avaliação. concretizados em atividades a serem realizadas. é preciso considerar.menor risco. O projeto sempre tem os aspectos técnico-administrativos (condições físicas. Organização do projeto O projeto é um guia para a ação. estratégias. A implementação levará em conta os seguintes aspectos: organizacional . sistemática de gestão) e os aspectos conceituais (pedagógicos. humanos e da própria coordenação do esforço humano coletivo. também. Curricular e metodológica (no caso de escola) objetivos. 242 . humanas.

avaliação e realimentação do projeto BIBLIOGRAFIA ABDALLA. a organização e as condições em que está sendo implantado o projeto. É o que se denomina "retroalimentação". avaliação e realimentação do projeto Estes aspectos. Rui. AMIGUINHO. 1994. tendo como critério os objetivos previstos. (Orgs. O exame e análise dos dados podem exigir correções no processo. e CANÁRIO. Os resultados precisam ser analisados criteriosamente.6. Acompanhamento. Abílio. permitem verificar. . O acompanhamento permite ir controlando as várias fases de implantação. Lisboa. para se verificar até que ponto em que nível de qualidade os objetivos foram atingidos. 2000. através dos resultados. As várias formas de avaliação processual. incluindo a utilização de instrumentos de medida. Definir o problema Determinar objetivos e necessidades Levantar alternativas de solução possíveis e coerentes com o problema Organização Implementação Acompanhamento. em função dos objetivos. a qualidade do projeto.). Educa. Maria de Fátima B. São Paulo: Faculdade de Educação da USP. Formação e desenvolvimento profissional do professor: o aprender a profissão (um estudo em escola publica). levará à avaliação somativa. que podemos sintetizar no termo AVALIAÇÃO. Tese de doutorado. Escolas e Mudança: O papel dos Centros de Formação.

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Porto: Porto Editora. Referências para a formação de professores. LARANJEIRA. José do P Administração Escolar. Portugal: Edições ASA. São Paulo: Cortez. Celestino A. Selma G.GHILARDI. Mario. 1991. Ross L. M. Carlo. Entrevista concedida à Revista ANDE. e PIMENTA. 1998. Maria A. São Paulo: Unesp. Para enseñar no basta con saber la asignatura. 1994. José C. São Paulo. . Fernanda. A profissionalização docente. Formação do educador e avaliação educacional: formação inicial e continua. São Paulo: Melhoramentos.. In: BICUDO. 1969. 10. e EVANS.1999 (Texto avulso). Adeus professor. Técnicas de la moderna supervisión escolar. Barcelona: Paidós. Formação dos profissionais da educação -visão crítica e perspectivas de mudança. 1999. Viggiani. adeus professora? Novas exigências educacionais e profissão docente.). N. MARTINS. B. 245 HENRIQUES. São Paulo: Atlas. Igualdades e diferenças. 1999. Pedagogia e pedagogos. José C. LOURENÇO FILHO. 1994. Goiânia: UFG. Juana M. MANACORDA. 1986. n. et alii. Buenos Aires: Ediciones Troquel. GUIMARÃES. LIBÂNEO. Valter S. Maria I. e SILVA JR. Franco e SPALLAROSSA. 1998. Guia para a organização da escola. 68. In: Educação e Sociedade. (Orgs. 1991. NEAGLEY. Dean. 1976. Fernando & SANCHO. para quê? São Paulo: Cortez. HERNÁNDEZ. LIBÂNEO. Organização e Administração Escolar.

NÓVOA. p. de.). OLIVEIRA. 199 FERREIRA. 10 novas competências para ensinar. Por dentro da escola pública. 1998. O planejamento do trabalho pedagógí tentativas de respostas. 8. Mirian J. Goiânia. Mimeo. Naura S. Warde.). As organizações escolares em análise. Lisboa: Publicações Dom Quixote. profissão docente e formação. 1993. São Paulo: Xamã. Administração Escolar -Introdução crítica. Supervisão educacional para uma escola Cortez. Luís C. FUSARI. PEDRA. Vitor H. . 1995. (Org. Campinas: Papirus. Práticas pedagógicas. PERRENOUD. Sérgio (Ç e as políticas educacionais. José C. José C. C. José A. Introdução d supervisão escolar. 1995. FREITAS. Lisboa: Publicações Dom Quixote/Instituto de Inovação Educacional. Livia. 1973. 2000. São Paulo: Cortez. São Paulo: Cortez. João F. 1997. São Paulo: Atlas. Belo 1989. A organização do trabalho pedag pesquisa de novas formas de organização. A educação escolar e a sociedade contemporânea. PARO. 246 De Tommasi. 8 (3):597-612.. Porto Alegre: Artes Médicas. São Paulo. n. Idéias. Perspectivas sociológicas. Haddad. 1998). 1999.. São Paulo: Cortez. Imideo G. Crítica da organização do trabalho pedagógico Papirus. Philippe. Gestão democrática da ed novos desafios. e LIBÂNEO.). Antônio (Coord. conhecimento e suas representações. (Org. In: Fragmentos de Cultura.NÉRICI. 1988. 1996. Currículo.

PIMENTA. Selma G. 41 i ten por cento 41 1Q Construir as competências desde a escola. . São Paulo: Cortez. Heloísa et al. 1995. Plano escolar -Camin Paulo: Cooperativa Técnico-educacional. (Org. S. OCDE. 417-424. e GANDIN. Didática e Formação de professores: percursos e perspectivas no Brasil e em Ibrtugal. uma síntese provisória. In: Oliveira. Alciko. As escolas e a qualidade. 8.). 1990. Poderes instáveis em educa Médicas. (Org. Sueli A. p. LUCK. Enfrentando o desafio da escola: p a ação.Resignificando a didática. Luís A. Organização da escola e do et.1. pedagogia e didática.). Para uma re-significação da Didática: ciências da educação. S. PÉRES GÓMEZ. 1997. Danilo. Faculdade de Educação/ Universidade Federal do mestrado. Temas para um p Petrópolis: Vozes. e MAIA. 1993. PIMENTA. Goiânia. OYAFUSO. Morata. Eny. 1999. Dalila A. A prática (e a teoria docente) . Porto Alegre: Artes Médicas. GIMENO SACRISTÁN.O trabal Rio de janeiro: DP-A. 1999. 1998. uma revisão conceitual. A escola participativa . A. 1997. 1998. In: Pimenta (Org. A construção do projeto pedagó Idéias. São Paulo. LIMA. Maria Rita N. da C. Gestão democrática contemporâneos. GATTI. José. Cadernos de Pesquisa (Fundação Carlos Ch 5-10. Portugal: Edições AS OLIVEIRA.). São Paulo: Cortez. Selma G. n.GANDIN. 1999. 1999. La cultura escolar en la sociedad n. Bernadete.

). UNESCO-MEC. O estudo da escola. 1996. São Paulo: Companhia Editora Nacional. CARMO. José E. 2000. São Paulo: Cortez. In: Pimenta (Org. 1990. São Paulo: Cortez. João. S.). Planejamento e organização do ensino. 1998. 1999. Saberes pedagógicos e atividade docente. Diretores escolares e gestão democrática da escola (In: Gadotti.). Porto Alegre: Globo/INL.). Dissertação de Mestrado. SILVA JUNIOR. Autonomia da escola . 1997. Louremi E. SANTOS. RIOS. Alberto R. Escolas democráticas. 1997. BARROSO. Outras indicações bibliográficas APPLE. 1998. 1997. 1974. São Paulo: Cortez. Cortez. A escola pública como local de trabalho. Goiânia: UFG. 1966. Noções de Administração Escolar.Paulo. SOUSA. e BERNE. 1996. SALDANHA.. ROMÃO. Gestão da escola fundamental. Teobaldo M. Paulo R. Tese de doutorado. Michael. Campinas: Papirus. São Paulo: Faculdade de Educação da USP.). 1997. Terezinha A . Claríza P Descrição de uma trajetória na/da Avaliação Educacional. SANTOS. 30. e PADILHA. (Orgs. São Paulo: Cortez/Autores Associados. Moacir e Romão. Celestino da. Formação de professores: saberes e identidade da docência. (Org. José E. Portugal: Porto Editora. Os conselhos escolares da rede municipal de ensino de Goiânia.Por uma docência da melhor qualidade. In: Idéias. Marlene S. (Coord.Princípios e proposições.Confluências e divergências entre didática e currículo. James. do. (Orgs. . Cuiabá: Entrelinhas Editora. Educação e poder local. O.

. Campinas: Papirus. O.). S. Tese de doutorado. 1999. Para uma re-significação da Didática: ciências da educação. Educação e poder local. 1999. In: Pimenta (Org. 1997. Didática e Formação de professores: percursos e perspectivas no Brasil e em Ibrtugal. In: Pimenta (Org. Educação e qualidade. A prática (e a teoria docente) . 1997. 2000. São Paulo: Faculdade de Educação da USP. Por uma docência da melhor qualidade. ROMÃO. São Paulo: Cortez. (Orgs. Porto Alegre: Globo/INL. Planejamento e organização do ensino. UNESCO-MEC. Cortez. Louremi E. Marlene S. e PADILHA. Paulo R. Porto Alegre: Artes Médicas. uma revisão conceitual. pedagogia e didática. PIMENTA. (Coord. 247 Construir as competências desde a escola.. 1994. Saberes pedagógicos e atividade docente. Confluências e divergências entre didática e currículo. Gestão da escola fundamental.Princípios e proposições. Formação de professores: saberes e identidade da docência. RIOS. Autonomia da escola .). José E. Pedro. SANTOS. Diretores escolares e gestão democrática da escola (In: Gadotti.Resignificando a didática.). São Paulo: Cortez.). (Org. José E. uma síntese provisória.). 1974. Maria Rita N. Terezinha A .Paulo. 1998. São Paulo: Cortez. Campinas: Papirus. Cuiabá: Entrelinhas Editora. 1997. Moacir e Romão. In: Oliveira. Selma G. 1997.DEMO. S. SALDANHA.

Haddad. São Paulo: Cortez. FERREIRA. Supervisão educacional para uma escola de qualidade. 1996. e BEANE. SILVA JUNIOR. Alberto R. (Org. Portugal: Porto Editora.SANTOS. Sérgio (Orgs. São Paulo. João. 1994. p. São Paulo: Cortez.). Idéias. 1966. Mimeo. Os conselhos escolares da rede municipal de ensino de Goiânia. 1998. 1998. 1995. Mirian J. CARMO. De Tommasi. FUSARI. Gestão democrática da educação: atuais tendências. C. A escola pública como local de trabalho.). Luís C. DEMO. São Paulo: Cortez. Campinas: Papirus. São Paulo: Companhia Editora Nacional. (Org. Livia. 30. . 1990. 1996. Belo Horizonte: V ENDIPE. Goiânia: UFG. SOUSA. James. 44-53. Escolas democráticas. Campinas: Papirus.. (Orgs. 1990. São Paulo: Cortez. Educação e qualidade.). In: Idéias. Dissertação de Mestrado. Noções de Administração Escolar. 1989. O estudo da escola. 1997.). do. Pedro. José C.). Michael. Clarfza P Descrição de uma trajetória na/da Avaliação Educacional. O planejamento do trabalho pedagógico: algumas indagações e tentativas de respostas. O Banco Mundial e as políticas educacionais. BARROSO. Celestino da. A organização do trabalho pedagógico Elementos para pesquisa de novas formas de organização. 1999. novos desafios. n. Crítica da organização do trabalho pedagógico e da didática. Outras indicações bibliográficas APPLE. 1996. 8. São Paulo: Cortez/Autores Associados. FREITAS. Warde. Naura S. Teobaldo M. (Org.

Plano escolar -Caminho para a autonomia. São Paulo: Cortez.Desafios contemporâneos. 1997. Rio de janeiro: DP&A. 1999. 85. Enfrentando o desafio da escola: princípios e diretrizes para a ação. 1999.GANDIN. José. Akiko. n. GATTI. 1993. Administração colegiada na escola pública. OYAFUSO. Dissertação de mestrado. A escola participativa . Maria de Lourdes M. Dalila A. PIMENTA.grau. A construção do projeto pedagógico na escola de 1. 248 ANEXOS PRAIS. . Campinas: Papirus. 417-424. 1999. 1992. Petrópolis: Vozes. S. OLIVEIRA. São Paulo. n. p. Organização da escola e do ensino e atuação do diretor. Heloísa et al.). Sueli A. Madrid: Editora Morata. Poderes instáveis em educação. (Org. 8. Temas para um projeto político pedagógico. Selma G. LIMA. Luís A. ed. Faculdade de Educação/ Universidade Federal de Goiás.O trabalho do gestor escolar. e GANDIN. Cadernos de Pesquisa (Fundação Carlos Chagas). 1998. LUCK. 2. Danilo. A. Portugal: Edições ASA. Bernadete. Idéias. 1990. 5-10. e MAIA. PÉRES GÓMEZ. OCDE. 1990. p. Porto Alegre: Artes Médicas. São Paulo: Cooperativa Técnicoeducacional. I. da C. Goiânia. Gestão democrática da educação . As escolas e a qualidade. La cultura escolar en la sociedad neoliberal. Eny. São Paulo. 1998. GIMENO SACRISTÁN. 1995.

Celestino A da. Idéias. Campinas: Papirus. 1995. realizar. Ilma A. São Paulo. 1995. O. (Org. meios de ação. Terezinha. UNESCO-MEC. Campinas: Papirus. Planeja-se para decidir melhor. 1995. Silva. Caminhos da profissionalização do magistério. Ele implica intencionalidade. Campinas: Papirus. ANEXO I PLANEJAMENTO ESCOLAR . 1997. explicitação de objetivos. Mary Silva. 1990. (Org.DIAGNÓSTICO VIANNA. (Orgs. uma atividade de reflexão acerca de nossas ações e opções. Gestão da escola fundamental. em função de objetivos. Projeto político-pedagógico da escola. p. e RANGEL. n. Piracicaba: Unimep. 1986.). VEIGA. 1997.). nosso trabalho. ao mesmo tempo. isto é. O planejamento é um instrumento de trabalho e. São Paulo: Cortez. Novos olhares sobre a supervisão.. 73-77.). Rinalva. intenções. 1995. O projeto pedagógico de seu curso está sendo construído por você? ANAIS DOEI CIRCUITOPROGRAD. São Paulo: EPU. . Anexos Planejamento escolar – Diagnóstico O planejamento escolar é um processo de tomada de decisões. 15. para racionalizar nossas ações. Educação: a outra qualidade. Significado e pressupostos do projeto pedagógico. São Paulo. Planejamento participativo na escola.RIOS. SILVA JR. O homem é o único animal capaz de antecipar na sua mente o que pretende fazer. UNESP-PRó-REITORIA DE GRADUAÇÃO. fica A.

correção dos desvios e adequação do trabalho em função dos objetivos e com base em padrões mínimos de desempenho. três funções: previsão de resultados e meios de atingi-los. Planejamento não pode ser proposta individual ou de algumas pessoas. 250 O planejamento cumpre. O planejamento é um processo. de forma integrada e participativa. o plano é um documento. O Projeto pedagógicocurricular deve ser o resultado de um trabalho conjunto da equipe escolar. 3. O Projeto pedagógico-curricular deve ser coordenado. viabilizado e avaliado pelo diretor e sua equipe técnica. Seu processo de elaboração requer a participação do pessoal técnico e docente. execução e avaliação do Projeto pedagógico-curricular. Tomada de decisões com base na escolha de prioridades e das formas mais eficazes de produzir mudanças na instituição em função dos objetivos. o planejamento tem como objetivo prever a organização do trabalho a ser desenvolvido. reflexão. tendo em vista a elaboração. para revisão das decisões tomadas e das ações.Na escola. Elaboração e divulgação do projeto . Diagnóstico da escola para coleta de informações úteis para a elaboração do Projeto pedagógico-curricular 2. Análise e interpretação dos dados com base nos objetivos da instituição. O processo de planejamento obedece à seguinte lógica: 1. pelo menos.

isto é. 3. as causas mais . que afetam o processo de ensino e aprendizagem. para o planejamento.A atividade inicial do processo de planejamento é o Diagnóstico da escola. portanto. um papel básico na definição de diretrizes e metas para a organização pedagógico-didática e administrativa da escola. O Diagnóstico tem. para se saber como e com que meios a escola vem atendendo sua tarefa principal: ensinar. registro de observações e entrevistas. Os passos para se fazer um Diagnóstico são os seguintes: 1. mediante registro de dados. ao menos. O Diagnóstico consiste no levantamento de dados e informações para se ter uma visão de conjunto das necessidades e problemas da escola e facilitar a escolha de alternativas de solução. de acordo com um Roteiro. Levantamento de dados. 2. duas funções: Coletar informações quantitativas e qualitativas. Análise e interpretação dos dados: apreciação qualitativa com base no conhecimento teórico dos elementos constitutivos da organização escolar e nos objetivos esperados da instituição escolar. expectativas e necessidades da escola e da comunidade. Possibilita o conhecimento das características. verificam-se os problemas existentes.Possibilitara análise das informações coletadas. . Cumpre. Neste tópico. O Diagnóstico alimenta o Projeto pedagógico-curricular. em termos da qualidade do serviço oferecido à população. Descrição dos dados coletados e observados: o que acontece e como acontecem as coisas na escola. indicando elementos para tomada de decisões.

1. dimensões. nível sócio-econômico das famílias. 252 ANEXOS II ANEXOU ROTEIRO PARA A COLETA DE DADOS PARA O DIAGNÓSTICO 1. ruas. CARACTERIZAÇÃO SÓCIO-ECONÔMICA Breve histórico da criação da escola. Salas de aula: quantidade. Salas da administração: quantidade. aspectos culturais e de lazer. 2. dimensões (ideal: 1m2 por aluno). assistência social e saúde. se o número de salas é suficiente (diretoria.prováveis desses problemas e marcam-se as alternativas de solução. aspecto físico geral. 253 .).). Indicações de medidas a serem tomadas: pontos a serem considerados no Projeto pedagógico-curricular para modificar as condições de funcionamento detectadas no Diagnóstico. ESTRUTURA FÍSICA E MATERIAL 2. 4. condições ambientais (iluminação. outras escolas existentes. igrejas. tipo de comércio. vice-diretoria. indústrias. Características gerais da comunidade e sua influência na composição da clientela escolar: caracterização do setor ou bairro em termos de urbanização (tipo de casas. transporte urbano etc. Edifício escolar Tipo de construção. ventilação etc. destinação de uso.

. adequação ao uso. . biblioteca. armários e outros: tipo. slides). despensa.Salas e ambientes especiais: verificar os mesmos aspectos nas salas para: laboratórios. Recursos financeiros . água tratada ou não. quantidade. condições higiênicas. .Verbas de que dispõe a escola . cartazes.Sistemática de efetuação das despesas. quantidade.Áreas livres: cobertas. Mobiliário . estado de conservação. a que se destinam. recreação e esportes: dimensões. quantidade. 2. vídeos. . almoxarifado. copiadora. sala de professores. condições de uso.2. Espaços de lazer e recreação . escrivaninhas.Área disponível para lazer. refeitório. televisores. suficientes ou não. . retro-projetor. como são adquiridos. forma de escoamento dos detritos. formas de controle.Mesas.Instalações sanitárias: quantidade conforme o número de usuários. orientação educacional). cozinha.3.Material didático (mimeógrafo.): tipo. 2.Bebedouros e lavatórios: quantidade. 2. . salas de projeção (filmes. coordenação pedagógica. vídeo. descobertas. estado de conservação. auditório etc. mapas etc.4. condições de uso. .Carteiras: tipo. coordenador de turno.secretaria.

porteiros. qualificação. vice-diretor. .Formas de gestão e formas de relacionamento entre o pessoal técnico. .1. pessoal administrativo. Especialistas: Número. 4. pessoal auxiliar . adequação idade/série. Aspectos organizacionais .Principais atribuições de cada setor.Organograma da escola.3. Professores: Número. ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO 4. serventes. Coordenação pedagógica e orientação educacional ANEXOS Há um programa de formação continuada dos professores e pessoal administrativo? Existe o trabalho de assistência pedagógico-didática ao professor? Há uma unidade de ação da equipe técnica ou o trabalho é fragmentado? Há conflitos de funções entre direção e equipe técnica? O trabalho do pessoal técnico funciona em termos de garantir a qualidade do trabalho dos professores em sala .2. coordenadores pedagógicos.3.1. Alunos: Número por série.4. qualificação.2. ESTRUTURA. número por sala. 3.Existe Regimento Escolar? É do conhecimento de todos os membros da escola? É utilizado? Em que circunstâncias? 4. orientadores educacionais. diretor. PESSOAL 3.Funcionários: Número por cargo (inspetores de alunos. vigias. 3. 254 3. merendeiras. pessoal docente. .

Relacionamento com a Secretaria da Educação e Delegacia de ensino . Secretaria escolar .4.5.A Delegacia traz para a escola instruções e procedimentos a serem cumpridos pela escola? Quem é o portador dessas instruções? .A secretaria está bem organizada? Há pessoal suficiente? 255 Há prontuários de cada aluno? Há ficha cadastral com dados de identificação.Que tipo de atuação tem a Delegacia na parte administrativa e pedagógica da escola? O acompanhamento é freqüente ou esporádico? Qual é o grau de autonomia da escola para tomar decisões? 4. Relacionamento com pais e comunidade A escola tem APM (Associação de Pais e Mestres)? Conselho de Escola? .? Os registros e controles do rendimento escolar estão corretamente organizados? Os arquivos estão organizados corretamente? Há normas da Secretaria da Educação sobre a organização e funcionamento da secretaria escolar? 4.3. profissão dos pais etc. do rendimento dos alunos (análise dos resultados das avaliações) por classe? 4. residência.de aula? Há acompanhamento do trabalho do professor na sala de aula.

Existe um trabalho sistemático com os pais? São feitas reuniões? Com que freqüência (mensal. associações de bairro. ORGANIZAÇÃO GERAL DA ESCOLA 6. anual.)? 256 5.O Plano é utilizado para a elaboração de Planos de ensino? 6. O PLANEJAMENTO ESCOLAR . por classe..Há uma sistemática de levantamento de dados e informações para o diagnóstico? . democrática. participativa. prática de esporte... autoritária.. . semestral.)? Os pais comparecem? A escola mantém relacionamento com outras instâncias da comunidade (políticos. Aspectos administrativos gerais .Facilidade de execução das atividades ou excesso de burocracia. administrativo) a respeito das decisões a serem tomadas. .1. empresários e outros? A escola cede suas instalações para a comunidade (reuniões. financeiras e pedagógico-didáticas? .Há o Plano da escola? Quando e como é feito? Existe um documento escrito? Há definição de objetivos e metas para o ano letivo e explicitação de atividades administrativas..)? Que tipo de reuniões (com todos os pais. . centralizada..Relacionamento do diretor com o pessoal da escola (técnico.). lazer etc. docente.Tipo de gestão existente na escola (colegiada.

contatos com a comunidade/ delegacia de ensino/ políticos. supervisão pedagógica.Funcionamento da rotina da escola . . reuniões. contatos com professores/ funcionários/ alunos.Há remanejamento de alunos durante o ano letivo? Quais são os critérios? ..Há Conselho de Classe? Quando e como são feitos? Funciona em termos de uma avaliação diagnóstica? .). .2.Como é feita a recuperação? Quais os objetivos das aulas de recuperação? Funciona? Dentro do horário ou fora do horário? .Como é controlada a freqüência dos alunos? Há muitas faltas? A escola verifica causas de ausência de alunos . acompanhamento e avaliação do trabalho de cada setor etc.Como é organizado o horário? Quem organiza? Como é a distribuição das atividades (disciplinas)? Há uma fixação de horas semanais para cada atividade ou disciplina? . rendimento escolar ou outros? .Como é fixado o número de vagas? Existem critérios explícitos de seleção de alunos? Quais são os critérios de distribuição de alunos pelos turnos em que funciona a escola? São levadas em conta necessidades da comunidade? Há restrições a matrículas? São feitas exigências descabidas? .Como é feita a distribuição de classes entre os professores? Quais são os critérios? .Há Conselho de classe? Quando e como são feitos? 6.Como é feita a distribuição de alunos por classe? Há critérios de distribuição por idade.Em que e como o diretor ocupa seu tempo (administração.

Há reuniões pedagógicas freqüentes? Que tipo de assuntos são tratados nessas reuniões? Há algum tipo de encontro para estudo.faltosos? Há controle da evasão escolar e uma análise de suas causas? .A escola exige uniforme? Controla o uso do uniforme? Há reclamações dos pais nesse sentido? 6.Qual é o procedimento utilizado na escolha dos livros didáticos? .O Plano da escola é utilizado para elaboração dos planos de ensino? . competições esportivas etc.Como é organizada a Semana de planejamento? Como são elaborados os planos de ensino (os professores isoladamente ou em conjunto)? 258 .Existe uma articulação entre as séries em termos de programação de objetivos e conteúdos? .Os professores têm assistência pedagógica efetiva da equipe técnica? .Há atividades extra-classe (visitas a locais da comunidade para estudo do meio.Quais os problemas mais constantes em termos de controle da disciplina e infrações disciplinares? . Aspectos da organização pedagógico-didática .)? .3. reflexão ou discussão sobre a prática docente? .Há merenda escolar? Quem fornece? A escola complementa? Os alunos gostam da merenda? Em que horário é servida? A distribuição dos alimentos interfere nas atividades de sala de aula? . exposições.

Qual é o tipo de gestão adotado na escola? . e reorientar os trabalhos? ..Há uma sistemática de acompanhamento.Há um efetivo acompanhamento das atividades pedagógicas e administrativas. AVALIAÇÃO . para detectar desvios.Há liderança efetiva da direção? Como é o relacionamento pessoal da direção com o pessoal técnico.As responsabilidades estão claramente definidas? . em termos de sua eficácia e realização de objetivos? . controle e avaliação das decisões tomadas? .Há uma sistemática de capacitação em serviço (treinamento)? É feita pelo pessoal técnico da escola ou pela Secretaria da Educação? 7.É feita a avaliação da execução do Plano da escola? Como se faz essa avaliação? Que procedimentos são utilizados? . administrativo e auxiliar? .Quem realiza a avaliação? Há uma reflexão conjunta sobre a prática desenvolvida. dificuldades.Qual é a sistemática de tomada de decisões? Há ordens prontas ou há uma prática participativa? . DIREÇÃO E GESTÃO DA ESCOLA .Há um clima de trabalho positivo. que estimula e incentiva a equipe escolar? 259 8.

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