Organização e Gestão da escola – Teoria e Prática José Carlos Libâneo Os estudos atuais sobre o sistema escolar e as políticas educacionais

têm colocado a escola, enquanto organização, co mo referência para a realização dos objetivos e metas dos sistema educativo. Nesse sentido, ela é vista como um ambiente educativo, como espaço de formação construído pelos seus componentes, um lugar em que os profissionais podem decidir sobre seu trabalho e aprender mais sobre sua profissão. Essa forma de ver a dinâmica da vida da escola leva a considerar a organização escolar como um_ organismo aberto, cuja estrutura e processos de organização e gestão são constantemente construídos pelos que nela trabalham (diretores, coordenadores, pedagogos, professores e funcionários) e pelos seus usuários (alunos, pais, comunidade próxima). Faz-se necessário, portanto, que esses educadores desenvolvam uma das competências profissionais básicas: participar na gestão e organização da escola, desempenhando um papel ativo nas decisões pedagógico-didáticas, organizacionais, administrativas. Para isso, precisam conhecer bem as políticas educacionais, os objetivos e as formas de organização e funcionamento de uma escola, bem como desenvolver competências para trabalhar em equipe, cooperar com outros profissionais, aprender a ter uma atitude investigativa. Essa qualificação teórica e prática possibilitará não apenas o exercício da participação mas, também, a análise da prática que levará a aprender idéias, saberes, experiências, na própria situação de trabalho, contribuindo para o desenvolvimento pessoal e

profissional. É para isso que este livro pretende contribuir. A ordenação dos capítulos foi pensada no sentido de familiarizar os estudantes nos conhecimentos básicos do processo organizacional das escolas e nos conhecimentos teóricos e práticos necessários para a participação consciente e ativa nas ações de organização e gestão da escola. O AUTOR José Carlos Libâneo é doutor em Filosofia e História da Educação pela PUC de São Paulo. Nasceu em Angatuba, Estado de São Paulo, em 1945. Formou-se em Filosofia na PUC de São Paulo, onde também obteve os títulos de mestre e doutor. Foi diretor de escola, desempenhou atividades nas Secretarias de Educação de São Paulo e Goiás, ensinou em várias instituições de ensino superior, tendo sido professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás durante 20 anos. Há muitos anos trabalha com formação de professores. Atualmente é Professor Titular da Universidade Católica de Goiás. Publicou cinco livros: Aceleração Escolar - Estudos sobre educação de adolescentes e adultos (1976), Democratização da escola pública - A pedagogia crítico-social dos conteúdos (Editora Loyola, 1 a edição em 1985, atualmente nas 17a edição), Didática (1 a edição em 1990, atualmente na 20a edição), Adeus professor, adeus professora? - Novas exigências educacionais e profissão doscente (4ª edição) e Pedagogia e pedagogos, para quê? (2ª edição), os três últimos publicados pela Editora Cortez. Também escreveu dez capítulos de livros em co-autoria e diversos artigos em revistas especializadas.

Para os diretores de escola, coordenadores pedagógicos, orientadores educacionais, professores que, entre tantas dificuldades que afligem a escola pública, sempre recobram o ânimo, se enchem de energia e de esperança, sabendo que o saber organizar e gerir sua escola, com determinação, energia e diálogo, produz um diferencial visível nas condições concretas pelas quais se pode garantir uma sólida formação de cidadãos, de profissionais, de usuários das mídias, de consumidores, de interlocutores sociais, para uma sociedade que requer cada vez mais sujeitos capazes de lidar com o conhecimento e que precisa ser muito mais includente do que tem sido. Para Maria Augusta de Oliveira, amiga e companheira de trabalho há muitos anos, cujo conhecimento práticoteórico sobre aqueles fazeres pedagógicos tem ajudado outras e outros a compreenderem que não é possível saber o que fazer sem saber o como fazer. SUMÁRIO Apresentação 9 Capítulo I - A escola como organização de trabalho e lugar de aprendizagem do professor 17 Capítulo II - Uma escola para novos tempos 31 Capítulo III - Buscando a qualidade social do ensino 51 Capítulo IV - O professor e a construção da sua identidade profissional 61 Capítulo V - Os conceitos de organização, gestão, participação e cultura organizacional 73 Capítulo VI - O sistema de organização e gestão da escola 93

Capítulo VII - Princípios e características da gestão escolar participativa 109 Capítulo VIII - O planejamento escolar e o projeto pedagógico-curricular 121 Capítulo IX - Organização geral do trabalho escolar 171 Capítulo X - As atividades de direção e coordenação 177 Capítulo XI - A formação continuada 187 Capítulo XII - Avaliação de sistemas escolares e de escolas 197 Capítulo XIII - Estratégias de coordenação do trabalho escolar e de participação na gestão da escola 221 Bibliografia - 243 Anexos - 249 Apresentação Este livro destina-se ao estudo da escola como instituição básica do sistema escolar e lugar de trabalho do professor. Foi escrito para ajudar os professores a conhecerem a estrutura e a organização das escolas e as condições de seu exercício profissional. Os capítulos desta publicação foram organizados a partir de textos didáticos provisórios, roteiros e notas de aulas, resenhas de livros, elaborados quando o autor ministrava, na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás, a disciplina Organização do Trabalho Pedagógico. Esse material foi reunido e reorganizado com base em novas pesquisas e leituras de obras recentes sobre o assunto. É necessário, entretanto, alertar os leitores de que muitas das idéias e opiniões aqui lançadas permanecem como objeto de investigação, pedindolhes que compartilhem com o autor as muitas indagações e dúvidas e que sejam também produtores de conhecimento. Estou de acordo com uma professora que disse assim:

"entre a teoria de um autor que queremos assumir, e a prática que queremos transformar com essa teoria, existe a nossa teoria" (in Christov, 1998). Tem sido divulgada boa bibliografia sobre organização e gestão dos sistemas de ensino. Tais estudos realizam análises bastante abalizadas sobre as formas de organização e gestão da educação neste momento de reestruturação produtiva capitalista, globalização 10 da economia, avanços tecnológicos, em que as políticas econômicas, sociais, educacionais são levadas a se ajustar ao modelo de desenvolvimento capitalista que ora se consolida. O impacto das transformações nos sistemas de ensino e nas escolas é direto: alteração no perfil de formação geral e profissional dos alunos, mudanças nos currículos e nas formas de gestão da escola, reavaliação das funções e responsabilidades do professorado, formas de participação das famílias etc. Ou seja, junto com a reestruturação produtiva vêm as reformas educacionais, pois há suficiente base histórica para sabermos que reajustes na realidade econômica e produtiva incidem em alterações no âmbito social, cultural e até pessoal. Não nos passa, pois, desapercebido o impacto dessas mudanças, especialmente o recondicionamento das escolas ao intentos do capitalismo internacional e dos interesses financeiros. Trata-se, de fato, de implantar políticas educacionais que subordinam o processo formativo aos interesses dos mercados e ao Estado gestor. No entanto, parece-nos crucial entender que, se por um lado, é absolutamente imprescindível denunciar essa formas de refuncionalização da escola, por outro, não se

precisam dispor de meios operacionais. precisam lutar pela escola. normas). pois elas continuam tendo uma função social insubstituível de formar os indivíduos para uma vida digna e para a compreensão e transformação da realidade. Para atingir seus objetivos sócio-políticos. Na verdade. orientações a serem dadas. igualdade.pode reduzir a importância das escolas. Enfrentar os problemas e dilemas reais do cotidiano das escolas e dos professores talvez seja uma empreitada bem mais penosa do que fazer a denúncia dessa refuncionalização das escolas a serviço dos interesses das elites econômicas e financeiras. uma tecnologia. os educadores defrontam-se diariamente com decisões que precisam ser tomadas. as forças progressistas da sociedade que continuam lutando por justiça. uma cultura organizacional. para o enfrentamento de importantes decisões dentro da escola. processos de gestão e tomada de decisões. cargos. condições e oportunidades iguais para toda a população. criar e desenvolver uma estrutura organizacional (setores. Este livro quer contribuir. assim como a análise dos resultados que contribuem para o processo formativo e para o aperfeiçoamento da gestão. . buscando formas eficazes de desenvolvê-la e colocá-la a serviço dos interesses de toda a coletividade. isto é. Ou seja. não podendo contentar-se apenas em fazer a crítica da situação. atribuições. As escolas são organizações educativas que têm tarefas sociais e éticas peculiares. 11 com um caráter profundamente democrático. portanto.

a profissionalização dos professores. a gestão. é nela que estão matriculados os filhos das camadas médias e pobres da população. e é questão de justiça que elas atendam. aos direitos de todos de uma educação de boa qualidade. do melhor modo possível. de fato. Que se pode fazer o projeto pedagógico sem que ele represente uma forma de domesticar os professores. participar da vida política e cultural. Uma coisa é certa: as escolas estão aí. assumindo que. pais e alunos). a avaliação de sistemas. Acreditamos que há formas de se buscar autonomia. Os educadores comprometidos com a transformação social precisam dispor de conhecimentos para repensar formas de funcionamento das escolas. o planejamento. Que se pode ter uma avaliação do sistema escolar e dos alunos que orientem mudanças na qualidade das aprendizagens escolares. são postos novos desafios às tarefas da docência. sem ser uma autonomia imposta. de participação da comunidade escolar (professores. sem que isso signifique controle do trabalho dos professores ou punição de escolas ineficientes. Que se pode pensar na profissionalidade dos professores e na melhoria do seu desempenho profissional. como a autonomia da escola. tocar suas vidas. de desenvolvimento da profissionalização e profissionalidade. que considerem ao mesmo tempo a realidade sócio-econômica 12 . a descentralização. poder ganhar capacidade reflexiva para atuar e transformar a realidade social. apta a preparar os alunos para a empregabilidade. de avaliação etc.inclusive sobre estratégias de ação indicadas nos documentos oficiais e das agências financeiras internacionais tipo Banco Mundial.

as . oferecer conteúdos para disciplinas que aparecem nos currículos. da organização e da gestão do sistema educacional e das escolas. porque a cada manhã. na formação de professores é importante o conhecimento da estrutura. Pretende. Todavia. É verdade que faltam coordenadas sociais. os princípios. os planos de educação. Educação Escolar. No currículo do curso de Pedagogia e dos cursos de Licenciatura. em comum. este livro contempla mais diretamente o estudo da organização e da gestão por dentro da escola. Organização do Trabalho Escolar. Em função disso. econômicas.e cultural em que se insere a escola e os professores e as condições concretas dentro da escola e da sala de aula que garantem a justiça social do ponto de vista da escolarização. a estrutura organizacional do sistema escolar. a qual. assim. métodos e procedimentos relacionados com o processo de trabalho na escola. políticos. a cada tarde e a cada noite. os alunos e as alunas estão chegando para mais uma jornada de aulas. educacionais mais claras de um projeto político progressista. principalmente no curso de Pedagogia. junto com seus professores e professoras. Organização do Trabalho Pedagógico. vem sendo substituída por Políticas educacionais e gestão da educação. Essas disciplinas estudam temas da educação sob um enfoque mais geral: as políticos educacionais. sob várias denominações: Administração Escolar. Organização Escolar. as relações entre educação e sociedade etc. o estudo do sistema educacional tem sido feito na disciplina Estrutura e Funcionamento do Ensino. em alguns lugares. mas os educadores que atuam na linha de frente do sistema escolar não podem esperar. Essas disciplinas têm.

entre a micro e a macro-estrutura. Eles dependem. a educação escolar será abordada sob estes enfoques: a organização da escola. Ainda que o conteúdo aqui apresentado recaia sobre a escola enquanto organização. as relações da escola com a comunidade e a sociedade. as relações internas entre os integrantes da escola. às suas condições internas de funcionamento. os objetivos e práticas escolares não se limitam ao espaço escolar. objetivos. as formas de participação do professor nos processos de organização e gestão. será sempre necessário abordar as situações e os problemas da organização escolar nos seus aspectos internos e externos. das condições externas. estrutura e dinâmica organizacional.formas de gestão e de tomada de decisões. o processo 13 de tomada de decisões. isto é. Em razão disso. A elaboração deste livro teve a pretensão de oferecer o conteúdo básico dessas disciplinas que visam o estudo da escola. Tem-se como pressuposto a crença de que a escola é o centro de referência tanto das políticas e planos da educação escolar quanto dos processos de ensino e aprendizagem na sala de aula e de que de nada adiantarão boas políticos e planos de ação e eficazes estruturas organizacionais se não se der atenção aos aspectos internos da escola. nas relações entre o infra-escolar e o extra-escolar. De acordo com esse entendimento. também. práticas formativas. sociais e . isto é. procedimentos de avaliação. visando a qualidade cognitiva e operativa da aprendizagem dos alunos. relações humanas. o sistema de gestão. dos fatores econômicos. isto é.

pais. com isso. alunos. experiências. antes. bem como as formas de gestão e as . saberes. seus problemas. seu modo de funcionamento. O estudo da organização e gestão da escola tem. das condições materiais de vida e de trabalho dos professores. Para tanto. procurando detectar suas características dominantes em cada momento. Essa forma de ver a dinâmica da vida da escola leva a considerar a organização escolar como uma instituição aberta. das expectativas e interesses sociais dos grupos e classes sociais. aprender idéias. cada atividade. cada ocorrência cotidiana. professores e 14 funcionários) e pelos seus usuários (alunos. coordenadores. pedagogos. precisam ser analisadas na sua contextualização mais ampla. assim. como objetivos de aprendizagem: Conhecimento da organização escolar. Em termos práticos. Isso significa que cada situação escolar analisada. nenhum problema da organização escolar pode ser enfocado isoladamente. pais. das várias culturas que atravessam a escola. das suas relações de poder. da sua cultura. cuja estrutura e processos de organização e gestão são constantemente construídos pelos que nela trabalham (diretor. dos condicionantes impostos por valores morais e ideológicos. deve ser tratado sob múltiplos aspectos. comunidade próxima).políticos. é necessária a qualificação teórica de seus integrantes de modo que todos estejam capacitados a fazer a análise da prática e. das políticos educacionais e diretrizes oficiais para o sistema escolar. na própria situação de trabalho.

Os capítulos I a IV tratam dos objetivos. Os capítulos foram pensados para familiarizar os estudantes nos conceitos básicos do processo organizacional das escolas e nos 15 conhecimentos teóricos e práticos que podem contribuir para a participação consciente e ativa na organização e gestão da escola. identificar e solucionar problemas (previsíveis e imprevisíveis) e reinventar práticas frente a situações novas ou inesperadas. organização e gestão da escola. especialmente no desenvolvimento do projeto pedagógico-curricular. se atingidos. Capacitação para participação no planejamento. dentro da idéia-mestra que tem orientado a pesquisa atual sobre o trabalho de professores: realizar o trabalho pedagógico de forma coletiva. Esses objetivos. desenvolvendo saberes educacionais a partir de questões vividas na prática cotidiana. das funções e dos critérios de qualidade da instituição escolar e do papel imprescindível dos . Desenvolvimento de saberes e competências para fazer análises de contextos de trabalho. com competência técnico-científica. propiciarão aos futuros professores e aos professores em exercício ajuda para participarem eficazmente na organização e gestão da sua escola. interdisciplinar e investigativa. na sala de aula e na organização escolar. sensibilidade ética e compromisso com a democratização das relações sociais na instituição escolar e fora dela.competências e procedimentos necessários para participação nas várias instâncias de decisão da instituição escolar.

o autor espera que este livro possa trazer uma contribuição eficaz para a formação inicial e continuada de professores nos cursos de Pedagogia. sempre no sentido de ajudar futuros pedagogos e professores a desenvolverem saberes e competências para participar das ações de organização e gestão da escola. operacional. Lana de Souza Cavalcanti. janeiro de 2001 C A P Í T U L O A ESCOLA COMO ORGANIZAÇÃO DE TRABALHO E LUGAR DE APRENDIZAGEM DO PROFESSOR CAPÍTULO . para o funcionamento das escolas. Selma Garrido Pimenta. convidando os professores e alunos a saber mais sobre eles e a aprofundá-los. Os capítulos VIII ao XIII oferecem uma orientação prática. Mirza Seabra Toschi. Por fim. Depois dos capítulos e anexos. José Carlos Libáneo Goiânia. Alguns colegas tiveram a generosidade de oferecer idéias ou sugestões de alterações de partes do texto e a eles deixo meu agradecimento: João Ferreira de Oliveira. Verbena M. foi incluída uma ampla bibliografia sobre os temas tratados. de Souza Lisita. Valter Soares Guimarães. Os capítulos V a VII abordam o sistema de organização e gestão da escola e o papel de seus atores.professores. Maria Augusta de Oliveira.19 Os estudos recentes sobre o sistema escolar e as políticas educacionais têm se centrado na escola como . nas Licenciaturas e nas próprias escolas. Sandramara Matias Chaves.

Após esse período. pelas estratégias de modernização e de busca de eficácia do sistema educativo. Uma dessas estratégias diz respeito à descentralização do ensino. Se.unidade básica e espaço de realização dos objetivos e metas do sistema educativo. já por volta dos anos 80. É por essa razão que as reformas educativas de vários países. ela poderia ser culpabilizada pela discriminação e exclusão de alunos provenientes das camadas populares. avaliação institucional. também. Com base nesse entendimento. cada vez mais. por outro. as propostas curriculares. O realce da escola como objeto de estudo não se explica apenas pela sua importância cultural mas. projeto pedagógico. recorrem hoje. Foram feitos vários estudos mostrando os mecanismos pelos quais as escolas produziam desigualdades nas aprendizagens escolares. por um lado. ela poderia ser um meio indispensável de elevação do nível cultural. a termos como autonomia. a escola voltou a ter sua importância social reconhecida. atribuindo às escolas maior poder de decisão e maior autonomia. gestão centrada na escola. passou-se a valorizar o estudo da escola como ponto de confluência entre as análises sócio-políticas mais . O pedagogo português Antônio Nóvoa conta que nos anos de 1960-70 as pesquisas em educação se destacaram pela constatação da relação entre o funcionamento dos sistemas escolares e as desigualdades sociais. de 20 formação para a cidadania e de desenvolvimento de conhecimentos e capacidades para enfrentamento das condições adversas de vida. as leis e resoluções sobre o ensino. os projetos de investigação pedagógica.

Ou seja. embora não de forma igual. organizar e avaliar os serviços educacionais. Nóvoa.como um lugar onde também se tomam importantes decisões educativas. 1995). Há pelo menos duas maneiras de ver a gestão centrada na escola. construído pelos seus componentes. deixando às comunidades e às escolas a iniciativa de planejar. como espaço de formação. decorrentes de sua iniciativa. pensa-se hoje que uma visão globalizada que não chega à escola ou uma visão de sala de aula sem referência à estrutura social mais ampla resultam de análises incompletas e parcializadas.globais e as abordagens centradas na sala de aula. É assim que as escolas. de suas interações (autonomia e participação) em função do interesse público dos serviços educacionais prestados sem. Na perspectiva sócio-crítica significa valorizar as ações concretas dos profissionais na escola. Todas as pessoas que trabalham na escola participam de tarefas educativas. enquanto organizações educativas. Nessa segunda perspectiva. um lugar em que os profissionais podem decidir sobre seu trabalho e aprender mais sobre sua profissão. Conforme o ideário neoliberal. O estilo de gestão expressa o tipo de objetivos e de relações humanas que vigoram na instituição. desobrigar o Estado de suas responsabilidades. dentro da lógica do mercado. . Há muitos exemplos de que a organização da escola funciona como prática educativa. de seus interesses. curriculares e pedagógicas (Cf. colocar a escola como centro das políticas significa liberar boa parte das responsabilidades do Estado. com isso. ganham dimensão própria . a escola é vista como um ambiente educativo.

O funcionamento da escola como organização. A escola pode ser organizada para funcionar "cada um por si". o grau de responsabilidade dos seus profissionais. a cultura que se desenvolve no cotidiano entre professores.tais como o estilo de direção. em boa parte. O comportamento dos alunos. daquilo que presenciam e vivenciam no dia-a-dia da escola. . A percepção e as atitudes da direção e dos professores em relação aos alunos são importantes fatores de sucesso ou insucesso escolar dos alunos. as relações humanas que vigoram nela. solidário.O atendimento que a secretaria da escola dá às mães e aos pais pode ser atencioso ou mal-educado. Parece claro. portanto. 21 A preparação e distribuição da merenda pelas merendeiras envolvem atitudes e modos de agir que podem influenciar a educação das crianças de forma positiva ou negativa. alunos e funcionários. negociado. suas atitudes. As reuniões pedagógicas coordenadas pelo diretor ou pelo coordenador pedagógico podem ser um espaço de participação de professores e pedagogos ou de manifestação do poder pessoal do diretor ou coordenador. compartilhado. estimulando o isolamento. os valores e atitudes que os professores expressam como grupo. respeitoso ou desrespeitoso. que as características organizacionais das escolas . tudo isso afeta o trabalho na sala de aula. seus modos de agir dependem. a solidão e a falta de comunicação ou pode estimular o trabalho coletivo. a liderança organizacional compartilhada. as decisões dos professores em suas reuniões. grosseiro ou delicado.

das normas oficiais. a estabilidade profissional. modos de convivência. no entanto.a participação coletiva. Há. a elaboração do projeto pedagógico e do currículo. A pergunta é: haverá uma relação entre a organização da escola. também. Há todo um mundo de significados. Não se compreende o funcionamento da escola apenas pelo que vemos. e que tende a permanecer oculta. uma característica das organizações escolares sumamente relevante para as práticas de gestão: a cultura 22 organizacional ou cultura da escola. da estrutura hierárquica e das várias instâncias e formas de exercício do poder. Mas há.são determinantes da sua eficácia e do aproveitamento escolar dos alunos. valores. dos regulamentos. dos costumes já consolidados etc. . que vão definindo uma cultura própria de cada escola. dos modos como as pessoas pensam e agem. as práticas e os comportamentos das pessoas na convivência diária de uma organização influem nas práticas e comportamentos dos professores nas salas de aula. pelo que aparece mais diretamente à nossa observação (as formas de gestão. a cultura organizacional influencia o pensar e o modo de agir das pessoas que trabalham na escola. o que faz gerar a cultura organizacional? É claro que há nela um papel acentuado do sistema de ensino. Ou seja. Mas. das crenças e valores elas . o nível de preparo profissional dos professores etc. invisível. a cultura organizacional e a sala de aula? A resposta é sim. atitudes. as reuniões. o papel da subjetividade das pessoas. as relações sociais entre os integrantes da escola etc. o currículo.). formas de agir e resolver problemas.

Portanto. Há. os próprios indivíduos educam a organização. uma trama de relações implicadas na escola. ou seja. A participação do professor na organização e gestão da escola . no final de contas. E se estamos convictos de que as organizações educam. há uma dimensão cultural que caracteriza cada escola. é preciso considerarmos. conjuntamente. por outro. para além das prescrições administrativas e das rotinas burocráticas. as formas de organização e gestão têm uma dimensão fortemente pedagógica. dois aspectos: a dinâmica organizacional e a cultura da organização escolar. para compreendermos as mútuas interferências entre organização 23 da escola e organização da sala de aula. procedimentos. portanto. à medida que são eles que a constituem e. Por um lado. está uma cultura organizacional.vão formando ao longo de suas vidas. "Os indivíduos e os grupos mudam mudando o próprio contexto em que trabalham" (Amiguinho e Canário. na formação escolar. usos e costumes. também as pessoas constróem uma cultura organizacional. 1994). na família. a definem com base nos seus valores. É importante compreender que por detrás do estilo e das práticas de organização e gestão. Ou seja. mudando junto com seus profissionais. práticas. a organização educa os indivíduos que a compõem. de modo que se pode dizer que os profissionais e usuários da escola aprendem com a organização e as próprias organizações aprendem. nas relações sociais.

assumir coletivamente a responsabilidade pela escola. na sua história pessoal como aluno. seus problemas. desenvolver o espírito de solidariedade. nos estágios etc. Internalizar saberes e competências significa "saber encontrar e pôr em prática respostas apropriadas ao contexto na realização de atividades de um projeto". É no exercício do trabalho que. de fato.Pela participação na organização e gestão do trabalho escolar. o professor produz sua profissionalidade. Falar de "competências" não é a mesma coisa que falar de "qualificações". Mas é imprescindível ter-se clareza hoje de que os professores aprendem muito compartilhando sua profissão. os professores podem aprender várias coisas: tomar decisões coletivamente. dividir com os colegas as preocupações. formular o projeto pedagógico. aprendem sua profissão. principalmente. Colocar a escola como local de aprendizagem da profissão de professor significa entender que é na escola que o professor desenvolve os saberes e as competências do ensinar. no contexto de trabalho. Esta é hoje a idéia-chave do conceito de formação continuada. É claro que os professores desenvolvem sua profissionalidade primeiro no curso de formação inicial. mediante um processo ao mesmo tempo individual e coletivo. investir no seu desenvolvimento profissional. Mas. As qualificações referem-se à aquisição de saberes requeridos para o exercício de uma profissão e à confirmação legal 24 .

As competências referem-se a conhecimentos. 1997). através do estágio supervisionado mas ocorrerá. ao saber fazer. A internalização de saberes e competências profissionais supõe conhecimentos científicos e uma valorização de elementos criativos voltados para a arte do ensino. no contexto do exercício profissional.dessa aquisição mediante diplomas. A docência não estará reduzida a uma atividade meramente técnica. pela ação e pela reflexão com seus pares no e sobre seu trabalho cotidiano. mas considerada uma prática intelectual e autônoma. efetivamente. no confronto de experiências. isto é. não haveria necessidade de um currículo teoricamente consistente e nem preparação em nível universitário. com no exercício profissional. Se a formação de professores se restringisse ao domínio de técnicas formuladas por especialistas e à sua aplicação. certificados etc. Essa é a razão pela qual as escolas se constituem em locais de aprendizagem dos professores e de desenvolvimento profissional. Essa contrastação entre a prática e os conhecimentos teóricos aparece já na formação inicial de professores. são formas de desempenho profissional em que a qualificação se torna eficiente e atualizada nas situações concretas de trabalho (Canário. dentro de uma perspectiva crítico-reflexiva. baseada na compreensão da prática e na transformação dessa prática. habilidades e atitudes obtidas nas situações de trabalho. A competência profissional é a qualificação em ação. O sentido de saberes e competências profissionais não pode ser reduzido a habilidades e destrezas técnicas. Não se quer um professor-técnico cujo conhecimento se restrinja ao domínio das aplicações do conhecimento cientifico e a regras de atuação. É na escola .

seu conhecimento da realidade.que o professor coloca em prática suas convicções. administrativo e pedagógico didático. ele precisa conhecer bem os objetivos e o funcionamento de uma escola. a estrutura e a dinâmica organizacional atuam na produção de suas práticas profissionais. Conhecendo as condições sociais. Dessa forma. Há uma concomitância entre o desenvolvimento profissional e o desenvolvimento organizacional. Por outro lado. ou transformar ou criar outras pela sua iniciativa e iniciativa dos demais membros da escola. suas competências pessoais e profissionais. O professor participa ativamente da organização do trabalho escolar formando com os demais colegas a equipe de trabalho. Uma das funções profissionais básicas do professor é participar ativamente na gestão e organização da escola contribuindo nas decisões de cunho organizativo. práticas. organizacionais. aprendendo coletivamente novos saberes e competências assim como um modo de agir coletivo. administrativas e pedagógico-didáticas da escola. pelo conhecimento teórico e pela aquisição de competências operativas. trabalhar em equipe e cooperar com os outros profissionais. pode instrumentalizar-se para influir nas formas de . na sua animação e no seu desenvolvimento. Para isso. dominar e exercer competentemente sua profissão de professor. O professor 25 é um ativo participante de uma comunidade profissional de aprendizagem atuando no seu funcionamento. o professor estará capacitado a tirar proveito das condições já existentes e aprimorá-las.

Habilidades para obter informação em várias fontes. qualidade do equipamento físico das escolas e das condições materiais. assim como formas de participação na utilização e controle dos recursos financeiros recebidos pela escola. solidariedade. organizações sindicais. encontros. responsabilidade. respeito mútuo. 26 Habilidades de participação e intervenção em reuniões de professores. Atitudes necessárias à participação solidária e responsável na gestão da escola como cooperação. comunitárias). Noções sobre financiamento da educação e controles contábeis. culturais. Estrutura organizacional e normas regimentais e disciplinares. planos de aula. e em outras ações de formação continuada no trabalho.organização e gestão na escola e em outras instâncias da sociedade das quais participa (por exemplo. Princípios e práticas de avaliação institucional e avaliação da aprendizagem dos alunos. inclusive nos meios de comunicação e informática. científicas. Elaboração e desenvolvimento de projetos de investigação. conselho de classe. entre outros: Elaboração e execução do planejamento escolar: projeto pedagógico-curricular. O desenvolvimento pessoal e profissional do professor para participar da gestão da escola requer os seguintes saberes. planos de ensino. diálogo. Organização e distribuição do espaço físico. Enfrentando a mudança .

atitudes. reconhecendo que ela faz parte da nossa vida e das instituições. atitudes.nossa própria vida muda a cada dia. O ensino tem sido afetado por uma série de fatores: mudanças nos currículos. o desenvolvimento da capacidade . habilidades. passagem de um estado a outro. educacional. Precisamos. que ela não é uma ameaça mas uma oportunidade de desenvolvimento pessoal e profissional. Os educadores enfrentam hoje mudanças profundas nos campos econômico. Isso leva a mudanças na organização escolar e na identidade profissional de professor. político. ciclos de escolarização. Internet). muda 27 a sociedade.. As escolas precisam organizar-se para promover a mudança na compreensão. Uma das formas mais eficazes de aprender a enfrentar as mudanças e ir construindo uma nova identidade profissional é o desenvolvimento de uma atitude críticoreflexiva. isto é. mudam nossos filhos. desvalorização da profissão docente. elas sempre estão acontecendo ao nosso redor . cultural. mudam os costumes.O que é a mudança? Mudança significa transformação. nossos amigos.. geográfico. alteração de uma situação. pois. computador. vídeo. em toda a nossa vida passamos por mudanças. na organização das escolas (formas de gestão. valores e práticas das pessoas. que é o conjunto de conhecimentos. Na verdade. introdução de novos recursos didáticos (televisão. ter uma atitude positiva frente à mudança. concepção de avaliação etc). valores que definem a especificidade do trabalho de professor.

encerrado em seu pequeno mundo . É freqüente a discussão sobre o que vem primeiro. tanto é que as duas idéias têm adeptos. assim como não é possível qualquer reflexão sobre a prática se não há da parte do professor um domínio sólido dos saberes profissionais. não é verdade que a prática se basta por si mesma. seus valores ou só modificam suas opiniões e valores após terem sido bem sucedidos numa técnica ou procedimento? A questão não é inútil. a partir do estudo teórico das disciplinas pedagógicas e da disciplina em que é especialista. Nem toda prática pode ser justificada como adequada. suas percepções. também. de modo a associar o próprio fazer e o processo do pensar. Mas.reflexiva com base na própria prática. sem desenvolvimento sistemático de processos de pensamento. Mas é muito comum. sem 28 competência cognitiva. mais importante que isso. De fato. sem o desenvolvimento de habilidades profissionais. incluída aí uma boa cultura geral. não haverá muito avanço na competência profissional do professor se ele apenas pensar na sua prática corrente sem recorrer a um modo de pensar obtido sistematicamente. Em muitos cursos de formação de professores vigora a idéia de que uma boa teoria garantirá por si só a prática. pensar que é somente na prática que as pessoas aprendem. Os professores modificam suas práticas profissionais porque mudam suas opiniões. também. não é verdade que basta uma boa teoria para que um profissional tenha êxito na prática. sem necessidade de teoria. Sem teoria. se a reflexão ou a ação. o professor permanecerá atrelado ao seu cotidiano. E.

a capacidade de abstração. A pesquisadora Selma Pimenta tem ressaltado em seus escritos que o trabalho de professor é um trabalho intelectual e não um trabalho de técnico executor. um profissional que domina uma prática refletida. recomenda "valorizar os processos de reflexão na ação e de reflexão sobre a reflexão na ação. Para isso.pessoal e profissional. como processos de construção da identidade dos professores" (1997). para enfrentar as mudanças. porque elas estão sempre entrelaçadas. A busca da profissionalidade docente não pode transformar-se em mais uma forma de exclusão do professorado. apenas aos pesquisadores e docentes das universidades. Propõe-se.tanto a inicial como a continuada . de modo que o professor vá se transformando em um profissional crítico-reflexivo. Seria uma má estratégia de formação de quadros docentes reservar a capacidade de pensar de forma mais elaborada. assim. O trabalho de professor implica compreender criticamente o funcionamento da realidade e associar essa compreensão com o seu papel de educador. uma formação profissional . a aquisição de uma sólida formação científica. uma vez que supõe condições .baseada na articulação entre a prática e a reflexão sobre a prática. Escreve ainda Pimenta: A formação de professores na tendência reflexiva se configura como uma política de valorização do desenvolvimento pessoal-profissional dos professores e das instituições escolares. a ação e a reflexão atuam simultaneamente. Pensamos que. Ao mesmo tempo. Podemos refletir sobre nossa ação. isto é. de modo a aplicar sua visão crítica ao trabalho concreto nos contextos específicos em que ele acontece. podemos traduzir idéias em ações. transformando nossa ação em pensamento.

portanto. O desenvolvimento profissional e a conquista da identidade profissional dependem de uma união entre os . assegurando que a organização escolar vá se tornando um ambiente de aprendizagem. articulando o trabalho de vários profissionais. como sujeitos pensantes e não como meros executores de decisões burocráticas. Em especial. criam novas práticas. e em parceria com outras instituições de formação (1999).de trabalho propiciadoras da formação contínua dos professores. a partir da reflexão sobre a prática. em redes de autoformação. analisam. ajudar os professores. propondo e gerindo o projeto pedagógico. a examinar suas opiniões atuais e os valores que as sustentam. Uma coisa é certa: as pessoas arrumam tempo para as coisas que compreendem. 29 Nas escolas. um espaço de formação contínua onde os professores refletem. a colaborar na modificação dessas opiniões e valores tendo como referência as necessidades dos alunos e da sociedade e os processos de ensino e aprendizagem. então. pensam. nos locais de trabalho. depende de uma boa estrutura de coordenação pedagógica que faça funcionar uma escola de qualidade. que valoram e nas quais acreditam. a construção da identidade profissional de professor depende em boa parte das formas de organização do trabalho escolar. Os dirigentes da escola precisam. liderando a inovação e favorecendo a constante reflexão na prática e sobre a prática. O pedagogo escolar deverá ser o agente articulador das ações pedagógico-didáticas e curriculares.

nas telecomunicações. econômicas. afetam a organização do trabalho e o perfil dos trabalhadores. com a discussão conjunta dos problemas da escola. o novo paradigma econômico. os avanços científicos e tecnológicos. assumindo juntos a gestão do cotidiano da escola. Entre os aspectos mais visíveis desse fenômeno destacamse os seguintes: Notáveis avanços tecnológicos na micro-eletrônica. articulando num todo o projeto pedagógico. 30 – CAPÍTULO II UMA ESCOLA PARA NOVOS TEMPOS 33 As instituições escolares vêm sendo pressionadas a repensar seu papel diante das transformações que caracterizam o acelerado processo de integração e reestruturação capitalista mundial. mas principalmente pedagógica e didática. De fato.pedagogos especialistas e os professores. na engenharia genética. decorrem da conjugação de um conjunto de acontecimentos e processos que acabam por caracterizar novas realidades sociais. culturais. . nos sistemas de ensino e nas escolas. o processo de ensino e aprendizagem. o sistema de gestão. repercutindo na qualificação profissional e. políticas. geográficas. na informática. Fazendo assim. Essas transformações. na biotecnologia. discussão que é de natureza organizacional. a reestruturação do sistema de produção e as mudanças no mundo do conhecimento. na automação industrial. que ocorrem em escala mundial. por conseqüência. a avaliação. ter-se-á uma organização preocupada com a formação continuada.

produção de novas tecnologias da comunicação e da informação.entre outros setores. internacionalização do capital e dos mercados. As mudanças na economia: novo paradigma produtivo Estão em curso mudanças na economia expressas em novas formas de produção baseadas nas novas tecnologias e no capitalismo financeiro. nas qualificações profissionais. prevalecendo o modelo neoliberal de diminuição do papel do Estado e fortalecimento das leis do mercado. aumento da distância social e econômica entre incluídos e excluídos dos novos processos de produção e das novas formas de conhecimento. influindo na pesquisa. Mudanças nos processos de produção. reestruturação do sistema de produção e do desenvolvimento econômico. afetando a produção. nas formas de organização dos trabalhadores. na produção de conhecimentos. na organização do trabalho. Dentre esses aspectos. Globalização da sociedade. Trata-se de novas formas de funcionamento e reestruturação do capitalismo no quadro de um conjunto de transformações que vem sendo chamado de . caracterizando uma revolução tecnológica sem precedentes. Mudanças nos paradigmas da ciência e do conhecimento. Alterações nas concepções de Estado e das suas funções. circulação e consumo da cultura. nos processos de ensino e aprendizagem. Agravamento da exclusão social. 34 Difusão maciça da informação. serão destacados alguns que tocam mais de perto a escola e o trabalho dos professores.

na crença de que assim ganham mais eficiência. tem trazido conseqüências bastante prejudiciais às políticas sociais dos países e o empobrecimento da população. amplia-se a circulação do capital financeiro.. que não tem futuro.. pelos caminhos que hoje vemos. (. escreveu: A herança da globalização. rompem-se as fronteiras comerciais. é outra coisa bem diferente. ligado à Companhia Siderúrgica Nacional e Companhia Vale do Rio Doce. o Estado não deve intervir na 35 economia e mesmo as empresas atualmente mantidas pelo Estado são privatizadas.) Devemos. conhecido por neoliberalismo. mais qualidade... Mais miséria para os menos desfavorecidos. (.globalização. Globais. visando a lucratividade. "globalizar" primeiro o Brasil. priorizar o mercado doméstico. O modelo econômico segue a lógica da subordinação da sociedade às leis do mercado. Internacionais devemos ser. menos oportunidades de emprego para os necessitados. ampliam-se as grandes fusões entre empresas transnacionais. Tal modelo econômico. vai ser a ampliação das diferenças entre ricos e pobres.) Globalizar um país pelo discurso fácil da modernidade sem preocupações sociais e realismo político. O empresário Benjamim Steinbruch. para que entreguemos o nosso mercado e eles fiquem com a produção . diminuir as desigualdades internas. portanto. para o que se serve da eficiência. Nesse modelo. como tem sido reconhecido por alguns dos organismos internacionais e por empresários. Para atingir esse objetivo. dos índices de produtividade e competitividade. mais rentabilidade. a produção e os empregos e ter um projeto de desenvolvimento nacional.

Sendo assim. sem a proteção social pública. na ótica neo liberal.e o emprego. Essas mudanças atingem o sistema educacional. Aqueles que não conseguirem competir. exigindolhe adequação aos interesses do mercado e formação de profissionais mais preparados para as modificações do processo de produção. os conhecimentos. as garantias sociais e os direitos devem ser desmantelados para que o indivíduo sobreviva com seus recursos. definitivamente.11. por si mesmas. em conseqüência. 23. o usufruto ou a falta da educação básica (incluindo novas habilidades cognitivas e competências sociais) passa a ser . no mercado de trabalho e a gerar seus meios de vida. Por outro lado. cultura. habilidades e atitudes necessários à qualificação profissional.1999). aumenta o número de pessoas ocupadas em trabalhos eventuais (também chamados de trabalho precarizado) ou desempregadas. as pessoas são estimuladas a se preparar para competir.Paulo. As incessantes modificações tecnológicas afetam os postos de trabalho e as competências profissionais. formarão o segmento dos excluídos sociais. Segundo Faleiros (1999). é fato que as novas realidades do mundo do trabalho requerem trabalhadores com mais conhecimento. não (Folha de S. de modo que as pessoas precisam estar preparadas para mudar de profissão algumas vezes na sua vida. Com efeito. tais modificações afetam a organização do trabalho nas empresas e o perfil de trabalhador necessário para novas formas 36 de produção e. No aspecto individual. Junto com isso. preparo técnico.

estamos vivendo presentemente a passagem da sociedade industrial para a sociedade informacional. especialmente a informação. 22. A revolução informacional Este momento da história tem recebido várias denominações: sociedade pós-moderna. Dados da Organização Pari-Americana de Saúde e Organização Internacional do Trabalho informavam que. na sociedade informacional o que se destaca é a produção e difusão de bens culturais.6 por cento no setor primário ou agrícola. nas redes de informação. no telefone móvel.4 por cento no setor secundário ou industrial e 15. Conforme o sociólogo francês Alain Tourraine (1995). porque o mercado de trabalho não aceita mais mão-de-obra não qualificada. O mesmo se pode dizer . Esse crescimento leva os especialistas a antever para breve a institucionalização de um novo setor da economia. a distribuição da força de trabalho apresentava os seguintes índices: 62 por cento no setor terciário ou de serviços.que aparece na comunicação instantânea pela TV. sociedade pósindustrial. sociedade da informação. No setor terciário incluem-se os serviços informacionais.atinge a poucos. sociedade tecnológica. nos computadores. nas várias mídias . deixando a maioria da população à margem da economia. 37 A revolução tecnológica . sociedade do conhecimento. na automação industrial. Se na sociedade industrial predominou a produção de objetos materiais. em 1997. o setor quaternário ou informacional.determinante da condição de inclusão ou exclusão social.

com baixíssima capacidade crítica frente à avalanche informativa vinda especialmente pela televisão. chamadas de comércio eletrônico ou virtual.em relação à divisão entre países desenvolvidos e os em desenvolvimento. cada vez mais escravizadas por ela. mas ela vem exercendo um domínio cada vez mais forte sobre as pessoas. com baixa escolarização. Número grande de trabalhadores apenas vê televisão e só recebe imagens pré-fabricadas. A tecnologia da informação promove um fenômeno sumamente segregador para a população de baixa renda. computadores. mas têm em relação a elas uma atitude eminentemente passiva. Há. isso seja verdade. portanto. Informação não é sinônimo de conhecimento. Muitos entusiastas da Internet (redes de informação conectadas internacionalmente) falam de uma democratização do acesso às informações. adultos e adolescentes utilizam as mídias.. metade da população mundial? Pode-se afirmar que a tecnologia da informação. Na classe média. um papel insubstituível da educação e das escolas de prover as condições intelectuais de avaliação crítica das condições de produção e da difusão do saber científico e da informação. apesar de provocar mudanças nos modos de vida e nas percepções das pessoas. A informação é necessária. por si só ela . Internet etc. os sem-Internet? Uma das novidades mais excitantes na economia internacional são as transações comerciais via rede Internet. amplia a distância entre os que estão no cume da montanha e os que não saem do sopé. em parte. mas o que acontecerá aos excluídos da rede. Mas estará ela atingindo os 3 bilhões de pessoas no mundo que vivem com menos de 2 dólares por dia. sem a mínima capacidade de leitura crítica da informação recebida. Talvez.

que menor ou maior acesso à educação escolar e a outros bens culturais. A despolitização da sociedade No campo político. ressalta-se a diminuição da crença da ação pública na solução dos problemas. Esses fatos lançam novas perspectivas sobre o sentido da formação da cidadania. da insensibilidade social. A informação é um caminho de acesso ao conhecimento. também.não propicia o saber. novas formas de organização que mostram novos caminhos de controle público sobre o Estado. descrença nas formas convencionais de representação política. destacando novos movimentos sociais. que possibilita a filtragem e a crítica da informação. para a diversidade cultural. de modo que ela não exerça o domínio sobre a consciência e a ação das pessoas. Isso significa. para o reconhecimento das diferenças entre os vários grupos sociais. Tais características levam a novas formas de fazer política. aumento do individualismo. para os valores e direitos humanos. determina a qualidade da participação popular nos processos decisórios existentes na sociedade civil. mas ela precisa ser analisada e interpretada pelo conhecimento. uma vez que se faz necessário educar para a participação social. é um instrumento de aquisição de 38 conhecimento. A crise ética .

no sentido do reconhecimento das diferenças e das identidades culturais. a justiça. novas formas de conhecimento e ação mas provocam. A exclusão social As transformações em curso impulsionam avanços científicos e tecnológicos. entre outros. etnias. novos processos de produção. foi divulgado que dos 6 bilhões de pessoas do mundo. Referindo-se à crise deste final de século. na vantagem. predominando um relativismo moral baseado no interesse pessoal. atingindo tanto as ações cotidianas quanto as formas de relações entre povos. na eficácia. os direitos humanos.No campo da ética. o racismo e a segregação social. o aumento da distância social e econômica entre incluídos e excluídos desse processo. É preciso a colaboração da escola para a revitalização da formação ética. o mundo contemporâneo convive com uma crise de valores. De acordo com informações recentes de entidades financeiras internacionais. grupos sociais. Além disso. no Fórum Econômico Mundial realizado na Suíça. 50 por cento. o respeito à vida. o desenvolvimento e a defesa do meio ambiente. ao lado do conhecimento científico e da preparação para o mundo tecnológico e comunicacional é necessária a difusão de saberes socialmente úteis. ganhando até 2 dólares por dia. vivem na pobreza. a luta contra a violência. 3 bilhões. Em janeiro de 2000. a solidariedade. vem aumentando significativamente a distância entre ricos e pobres. também. a democracia. sem referência a valores humanos como a dignidade. o professor Gaudêncio Frigotto identifica várias características da . ou seja.

outras mediações. ao mesmo tempo que se acentua o dualismo educacional: diferentes qualidades de educação para ricos e pobres (1996). A escola necessária para os novos tempos . uma sociedade que inclua todos. considerando-se esta como sacrifício inevitável no processo de modernização e globalização da sociedade. A luta contra a exclusão social e por uma sociedade justa. ligar-se ao mundo econômico. cultural. passa pela escola e pelo trabalho dos professores. No plano cultural e ético-político. a ideologia neoliberal prega o individualismo e a naturalização da exclusão social. na formação para a cidadania crítica-participativa e na formação ética. 40 mas precisa ser um baluarte contra a exclusão social. No plano educacional. No plano sócio-econômico. a educação deixa de ser um direito e transforma-se em serviço. outras culturas. o ajustamento de nossas sociedades à globalização significa a exclusão de dois terços da humanidade dos direitos básicos de sobrevivência. na preparação para uma sociedade técnica/científica/informacional. um currículo centrado na formação geral e continuada de sujeitos pensantes e críticos. em mercadoria.realidade contemporânea como estratégias de recomposição do capitalismo. Esses aspectos mostram como a escola não pode mais ser considerada isoladamente de outros contextos. saúde. A escola contemporânea precisa voltar-se para as novas realidades. político. emprego. educação. para essa escola. Propõe-se.

a escola vai se convertendo num "espaço de síntese" (Colom Cañellas. estética e ética. escrever. 1994). pela técnica. a educação acontece nos meios de comunicação. nas empresas. ainda assim há lugar para a escola na sociedade tecnológica e da informação. que possibilita o contato dos alunos com a cultura. Por outro lado.A escola necessária para fazer frente a essas realidades é a que provê formação cultural e científica. formação científica. Por isso.capacidade de ler. pela linguagem. Ela cumpre funções que não são providas por nenhuma outra instância: formação geral básica . gradativamente. uma escola de qualidade é aquela que inclui. Especialmente. de organização dos espaços e equipamentos públicos. pela estética. Além da família. nos clubes. através de várias agências. nas academias de ginástica. A escola de hoje não pode limitar-se a passar informação sobre as matérias. Mesmo considerando a imensa oferta de meios de comunicação social extra-escola. Há hoje um reconhecimento de que a educação acontece em muitos lugares. aquela cultura provida pela ciência. porque ela não detém o monopólio do saber. cultural. a transmitir 41 . de meios informacionais. política. As próprias cidades vão se transformando em agências educativas pelas iniciativas de participação da população na gestão de programas culturais. uma escola contra a exclusão econômica. a escola precisa ser repensada. desenvolvimento de capacidades cognitivas e operativas. na vida urbana. nos sindicatos. pela ética. pedagógica.

no livro didático. a síntese entre a cultura formal (dos conhecimentos sistematizados) e a cultura experienciada. também. das habilidades de pensamento. com a ajuda pedagógica do professor. Nela. torna-se possível analisar e criticar a informação. Na escola. no trabalho etc. através do conhecimento e das habilidades cognitivas. a escola precisa articular sua capacidade de receber e . das multimídias e formas diversas de intervenção educativa urbana. pela comunidade.o conhecimento do livro didático. Ela é uma síntese entre a cultura experienciada que acontece na cidade. nos vídeos. O professor tem aí seu lugar. das formas de educação proporcionada pela cidade. com o papel insubstituível de provimento das condições cognitivas e afetivas que ajudarão o aluno a atribuir significados às mensagens e informações recebidas das mídias. os instrumentos conceituais para analisarem essa informação criticamente e darem-lhe um significado pessoal e social. Ou seja. Os alunos vão aprendendo a buscar a informação (na TV. no rádio. nos meios de comunicação. mas também para a criação da informação. na rua.. no computador etc. O valor da aprendizagem escolar. assim. da vida cotidiano.) mas. A escola fará. Por isso. está justamente na sua capacidade de introduzir os alunos nos significados da cultura e da ciência por meio de mediações cognitivas e interacionais. e a cultura formal que é o domínio dos conhecimentos. dos meios de comunicação. nas praças. nos pontos de encontro. é necessário que proporcione não só o domínio de linguagens para a busca da informação. no jornal. os alunos aprendem a atribuir significados às mensagens e informações recebidas de fora. na família.

Em resumo. pensamento crítico). Trata-se de investir numa combinação bem sucedida da assimilação consciente e ativa dos conteúdos com o desenvolvimento de capacidades cognitivas e afetivas pelos alunos. estratégias de aprendizagem. ou seja.interpretar informação. com a de produzi-Ia. a partir do aluno como sujeito do seu próprio conhecimento. a escola de . Formação ética (Libáneo. Desenvolvimento de capacidades cognitivas e operativas dos alunos (processos mentais. Os objetivos Para essa escola concebida como espaço de síntese. 1998). 3. da imaginação. valores. de modo que aprenda a utilizar seu potencial de pensamento na construção e reconstrução de conceitos. Em relação ao primeiro objetivo. por meio dos conteúdos escolares. são propostos cinco objetivos: 42 1. da sensibilidade. habilidades do pensar. Desenvolvimento da criatividade. 2. habilidades. atitudes. visando o desenvolvimento do pensar. o que está em questão é uma formação que ajude o aluno a transformar-se num sujeito pensante. isto é. no exercício de seu papel na construção da democracia social e política. Preparação para o processo produtivo e para o mundo tecnológico e comunicacional. 4. Formação para a cidadania crítica. 5. dilemas e situações da realidade. um cidadão trabalhador capaz de interferir criticamente na realidade para transformá-la e não apenas formar para integrar o mercado de trabalho. a internalização de instrumentos conceituais para lidar com os problemas.

A escola precisa torná-lo capaz de interferir criticamente na realidade para transformá-la e não apenas para integrar-se ao mercado de trabalho. da cultura. para se engajarem na luta pela . O ensino implica lidar com os sentimentos. da ciência. promova a inserção competente e crítica no mundo do trabalho. incluindo a preparação para o mundo tecnológico e comunicacional e para as complexas condições de exercício profissional no mercado de trabalho. junto com o desenvolvimento de capacidades e habilidades de pensamento. sua autoconfiança. desenvolver capacidade de tomar decisões e de fazer análises globalizantes. ou seja. A preparação tecnológica inclui o desenvolvimento de saberes e competências exigidas pelo novo processo produtivo como: compreender a totalidade do processo de produção. A escola deve continuar investindo na ajuda aos alunos para que se tornem críticos. desenvolver flexibilidade mental para lidar com situações novas ou inesperadas. O segundo objetivo visa a assegurar a ligação entre os aspectos cognitivo. o respeito consigo mesmos. 43 O terceiro objetivo propõe que a escola contemporânea atenda às demandas produtivas e de emprego. a aumentar sua auto-estima. da arte. compreender o mundo cultural dos alunos e ajudá-los a se construírem como sujeitos.qualidade promove para todos o domínio dos conhecimentos. social e afetivo da formação. O quarto objetivo refere-se à educação do trabalhadorcidadão. pensar estrategicamente. respeitar as individualidades. interpretar informações de todo tipo.

salário. a escola não vem servindo para nada. envolvendo etnias. se continuam sendo reprovados ou mal escolarizados. O quinto objetivo visa a propiciar conhecimentos. Para o atendimento desses objetivos.. mudanças curriculares e organizacionais. minorias culturais. põe-se a exigência de que os sistemas de ensino e as escolas prestem mais atenção à 44 qualidade cognitiva das aprendizagens. se os alunos continuam sendo reprovados. educação. Muitas escolas adotam formas de gestão participativa e incorporam nos conteúdos escolares as lutas dos movimentos sociais organizados pela moradia. envolve tanto os processos organizacionais internos da escola como a articulação com os movimentos e organizações da sociedade civil. do meio ambiente. Se os alunos não aprenderam bem. eleições para diretor. incluindo a autonomia. às formas de exploração do trabalho humano que subsistem na sociedade. A preparação para o exercício da cidadania. Não adianta defender a gestão democrática das escolas. colocada como foco central do projeto pedagógico e da gestão escolar.justiça social e pela solidariedade humana. também. tendo um baixíssimo rendimento escolar ou níveis insatisfatórios de aprendizagem. gênero. das relações humanas. A democratização da sociedade e a inserção dos alunos no mundo da produção supõem o . emprego etc. procedimentos e situações para se pensar sobre valores e critérios de decisão e ação frente ao mundo da política e da economia. do consumo. dos direitos humanos. a participação e o diálogo como princípios educativos. saúde. aquisição de novas tecnologias etc. da violência e segregação social e.

destacam-se alguns movimentos sociais. Mas a escola tem um papel insubstituível quando se trata de preparação cultural e científica das novas gerações para enfrentamento das exigências postas pela sociedade contemporânea. É esse o desafio que se põe à educação escolar no início do terceiro milênio. a escola precisa oferecer serviços de qualidade e um produto de qualidade. dependem de ampliar. O fortalecimento das lutas sociais. e a escola é apenas uma delas. As tarefas de construção de uma democracia econômica e política pertencem a várias esferas de atuação da sociedade. a fim de que os alunos que passem por ela ganhem condições de exercício da liberdade política e intelectual. a conquista da cidadania. A escola tem o compromisso de reduzir a distância entre a ciência cada vez mais complexa e a formação cultural básica a ser provida pela escolarização. 45 Ampliando os objetivos da escola Uma das importantes funções da escola é interagir e articular-se com as práticas sociais. Isso tudo não significa conceber a escola como a impulsionadora das transformações sociais.ensino fundamental como necessidade imperativa para proporcionar às crianças e jovens os meios cognitivos e operacionais que atendam tanto as necessidades pessoais como as econômicas e sociais. Entre elas. Frente a essas exigências. Embora continuem existindo os partidos tradicionais e vigorem ainda as formas de representação política típicas da democracia e . o número de pessoas que possam participar das decisões primordiais que dizem respeito aos seus interesses. cada vez mais.

mostrando que os gêneros masculino e feminino são noções estabelecidas numa cultura e numa sociedade organizada por homens. de papéis sociais. "inteligência do homem e dos outros animais". ou seja. Nesse sentido. outras formas de ação política estão surgindo. Os movimentos de mulheres ressaltam a distinção entre sexo e gênero. entre homens e mulheres resultem de uma base natural. (Henriques. de evitar usar termos masculinos como tendo abrangência universal .o homem. Segundo esses movimentos. na comunidade."ela porta-se como homem". "relação do homem com a ciência". diferenças sexuais (naturais) também levam a distribuição de papéis sociais entre mulheres e homens. ecológicos. o aluno. os pais . Propõe-se também que as escolas e os professores não façam uso sexista da linguagem corrente. o cidadão. no currículo e na sala de aula implicam atitudes que recusem a idéia de que as diferenças de trabalho. Vamos destacar alguns desses movimentos. uma prática educativa na organização escolar.ou de expressões que ocultam o lugar da mulher .. Contra essa idéia. advogam a luta pelo respeito entre os gêneros e reconhecimento de suas diferenças.a representação sindical. o da igualdade de direitos entre homens e mulheres. de expressão de sentimentos. a sociedade masculina difunde a idéia de que diferenças de sexo resultam em diferenças de gênero.. como os movimentos feministas. .1994). pacifistas etc. em particular. Educação para a igualdade entre os sexos Entre os ideais da escola pública destaca-se o da igualdade de oportunidades em geral e. por exemplo. Trata-se.

dos seringueiros da Amazônia ou dos índios que resistem à exploração do seu território e à destruição de seu meio natural de vida). o que levaria ao turismo ecológico. vivem prometendo segurança à população. são atividades que envolvem sistematicamente riscos. mas boa parte dos problemas não depende dessas pessoas mas de interesses econômicos privados. A corrente naturalista propõe uma forma de educação pelo contato com a natureza. As autoridades. os órgãos públicos. trilhas etc). Além disso. Há diferentes entendimentos em relação à educação ambiental. . dentro de uma noção de natureza biofísica intocável. Respirar o ar. principalmente pela indústria. de comunidades e de governos na luta pela despoluição das águas e do ar. A corrente da economia ecológica. tomar banho num rio ou numa praia. a vida ao ar livre (montanhismo. andar pelas ruas da cidade. Frente a formas destruidoras da natureza e que retiram da população meios de ganhar a vida defenderia a manutenção de formas de vida primitivas (como é o caso. a sobrevivência humana está ameaçada nas favelas. A corrente conservavionista defende a preservação das matas. que agrupa organismos internacionais. entrar num hospital como doente ou como visitante.46 Educação ambiental A sociedade da informação é uma sociedade de constante risco devido à destruição da natureza e aos problemas humanos decorrentes da degradação ambiental. dos animais. critica todas as formas de depredação da natureza. os médicos dos hospitais. por exemplo. nos cortiços. caminhadas ecológicas. nas moradias inadequadas. A corrente da gestão ambiental incentiva ações de movimentos sociais.

(b) a vertente das "sociedades sustentáveis" que. sem negar os avanços técnicos e o desenvolvimento ambiental. elas não se excluem. a UNESCO. educando as crianças e jovens para proteger. Esta corrente se desdobra em duas vertentes muito diferentes entre si: (a) a vertente do "desenvolvimento sustentável" cujo modelo de desenvolvimento é o capitalista. no tratamento dos resíduos etc. o ecossistema e o planeta como um todo. às diferenças entre as pessoas. a integração com a natureza. . introduzindo a ética da valorização e do respeito à diversidade das culturas. pois os seres humanos compõem o conceito de natureza.incluindo o Banco Mundial. devidamente 47 reciclado. Essas quatro correntes enfatizam diferentes concepções e formas de fazer educação ambiental e. o conhecimento do universo. a FAO. ensinando-os a promover o autoconhecimento. no uso da energia. diferente do atual modelo economicista de progresso. questionam o modelo de progresso destruidor da natureza (Correntino. A educação ambiental contribui na formação humana: levando os alunos a refletirem sobre as questões do ambiente no sentido de que as relações do ser humano com a natureza e com as pessoas assegurem uma qualidade de vida no futuro. se caracteriza por defender tecnologias alternativas no trato da terra. do ponto de vista pedagógico. conservar e preservar espécies. 1995). e várias organizações não-governamentais e associações ambientalistas.

empenhando os alunos no fortalecimento da democracia. das formas comunitárias de discutir e resolver problemas. contra o modelo capitalista de economia que gera sociedades individualistas. não mutilar a natureza. 48 empresa etc. o reconhecimento dos outros como sujeitos de sua . cidade. está assentada no princípio pedagógico mais amplo: o acolhimento da diversidade. exploradoras e depredadoras da natureza biofísica e da natureza humana.). isto é. levando a tomadas de posições sobre a conservação da biodiversidade. da cidadania. Ao mesmo tempo que se precisa conhecer mais a respeito da natureza e mudar nossa relação com ela. lutar contra a poluição ambiental etc. ela envolve ações práticas que dizem respeito ao nosso comportamento nos vários ambientes (família. que se projeta num currículo multicultural. escola. é preciso articular ações individuais com medidas mais gerais. As pessoas precisam ser convencidas a se engajar em campanhas para a coleta seletiva do lixo. Educação multicultural A idéia de educação multicultural. A educação ambiental não pode ser apenas uma tarefa da escola. Um outro sentido da atitude ecológica é o de recusar um conceito de progresso baseado na capacidade de possuir mais objetos e bens de consumo. assumindo uma visão de vida baseada mais na relação com a natureza e as pessoas do que com os objetos. não jogar papel na rua. da educação popular.

Assumir o objetivo da educação multicultural não significa reduzir o currículo aos interesses dos vários grupos culturais que freqüentam a escola. das minorias étnicas. Com isso. o urbano e o rural. aceitar a presença de várias culturas e desenvolver hábitos mentais e atitude de abertura e diálogo com essas culturas (Gimeno.individualidade. Uma prática. 1995). no sentido de que toda cultura é plural. as crianças nas escolas convivem com pessoas diferentes. professores e alunos convivem com uma pluralidade crescente de pessoas e grupos sociais. da pobreza. um comportamento multicultural. às vezes com culturas e costumes diferentes. da falta de terra. Uma educação multicultural requer que as decisões da equipe escolar sobre objetivos escolares e organização curricular reflitam os 49 interesses e necessidades formativas dos diversos grupos sociais existentes na escola (a cultura popular. dos alunos com necessidades especiais). De fato. a cultura de homens e mulheres. diferentes etnias e diferentes linguagens. significa reconhecer o pluralismo cultural.ou seja. O que se propõe é que. negros. com base em uma atitude geral definida pela escola no sentido de um pluralismo cultural . A presença da diversidade humana na sociedade resulta na multi-cultura. a cultura dos jovens. Acolher a diversidade é a primeira referência para a luta pelos direitos humanos. em boa parte devido à intensificação da migração decorrente do aumento das desigualdades. portadores de uma identidade cultural própria. Vem aumentando a interação entre pessoas de diferentes lugares. brancos. uma visão aberta e plural em relação às culturas existentes na .

seja formulada uma proposta curricular que incorpore essa visão multicultural. o tipo de relações humanas que existe entre os profissionais e usuários da escola. para que a integração de culturas se realize dentro de um sistema de escolarização única que favoreça a igualdade de oportunidades. as revistas populares. todavia. É preciso considerar. Fazem parte dessa cultura paralela o cinema. de sentir. Conforme escreve Gimeno: É o currículo comum para todos que a visão multicultural deve incorporar. trata-se de uma mudança de mentalidade. Ou seja. pensar apenas no currículo formal. de onde os alunos extraem sua forma de ver o mundo. a TV os vídeos. o respeito a todas as pessoas que trabalham na escola. as pessoas. . crenças.sociedade e na comunidade . modos de agir. de comportar-se em relação aos outros. resultante de aprendizagens informais. A educação multicultural perpassa a organização escolar. de modo que adquiram instrumentos conceituais. para interpretar a realidade e intervir nela. as diferentes culturas. A organização escolar e os professores precisam saber como articular essas culturas. povos etc. o rádio. ajudar 50 os alunos a fazerem as ligações entre a cultura elaborada e a sua cultura cotidiana. Não basta. as conversas entre adultos e entre amigos. além disso. valores. de transformação das formas de pensar. que muitos autores chamam de cultura paralela ou currículo extra-escolar. formas do pensar e de sentir. que os alunos trazem para a escola e para as salas de aula um conjunto de significados.

Aplicada ao sistema escolar e às escolas. dentro de uma gestão eficaz de meios.CAPÍTULO III – Buscando a Qualidade Social do Ensino 53 No mundo todo estão sendo implantadas reformas educacionais para adequar o sistema de ensino às mudanças na economia e na sociedade. com mecanismos de controle e avaliação dos resultados. Uma das palavras-chave é qualidade. excelente). Entre as medidas decorrentes dessa concepção organizacional destacam-se: a hipervalorização dos resultados da avaliação. os profissionais de cada escola precisam estabelecer um consenso mínimo sobre o padrão de qualidade que orientará seu trabalho. Embora haja uma grande diversidade de opiniões entre os educadores. a qualidade total tem como objetivo o treinamento de pessoas para serem competentes no que fazem. administradores e pais sobre critérios de qualidade das escolas. Qualidade da escola refere-se tanto a atributos ou características da sua organização e funcionamento quanto ao grau de excelência baseado numa escala valorativa (a qualidade desta escola é ruim. a qualidade total. Quais seriam os critérios que definiriam uma qualidade social da escola? Tem se difundido bastante a noção de qualidade retirada da concepção neoliberal da economia. a descentralização 54 . visando a atender a imperativos econômicos e técnicos. medíocre. a classificação das escolas em função desses resultados para estimular a competição entre elas. boa.

O sociólogo Pedro Demo analisa o conceito de qualidade e chega a algumas conclusões. operativas e sociais.relação entre qualidade formal e política. e o que representa melhor a marca humana é o desenvolvimento humano. o repasse das funções do Estado para a comunidade (pais) e para as empresas. de intervir na realidade. escola com qualidade social. buscar qualidade em qualquer instituição significa trabalhar com seres humanos para ajudálos a se construírem como sujeitos. Dessa forma. é aquela baseada no conhecimento e na ampliação de capacidades cognitivas. genuinamente. à constituição da cidadania. operativas e sociais necessários ao atendimento de necessidades individuais e sociais dos alunos. .administrativa e do repasse de recursos conforme o desempenho das escolas na avaliação externa. as parcerias com a iniciativa privada. com alto grau de inclusividade. A qualidade é. a qualidade total decorre de uma concepção economicista. Em resumo. a educação é o melhor caminho para desenvolver a competência histórica de fazer-se sujeito. capacidade participativa. Competência histórica significa capacidade de agir. tendo em vista a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. significa a inter. "qualidade essencial seria aquela que expressa a competência histórica de fazer-se sujeito. portanto. Em sintese. à inserção no mundo do trabalho. deixando a condição de objeto ou de massa de manobra". Em outras palavras. um atributo humano. Educação de qualidade é aquela que promove para todos o domínio de conhecimentos e o desenvolvimento de capacidades cognitivas. A esse conceito opõe-se o de qualidade social. empresarial. Nesse sentido. pragmática.

Uma educação escolar de qualidade social tem as seguintes características: Assegura sólida formação de base que propicia o desenvolvimento de habilidades cognitivas. cria situações para a educação da responsabilidade. iniciativa. no campo educativo. O ser humano precisa manejar conhecimento. principalmente o conhecimento. Desenvolve processos de formação para a cidadania. A qualidade política diz respeito aos fins e valores sociais do conhecimento. capacidade de liderança e tomada de decisões. de modo a contribuir para o fortalecimento da sociedade civil e controle da gestão pública. incorporando novas práticas de gestão. Para isso. por isso. construa formação básica capaz de saber pensar para melhor intervir". integrando a cultura provida pela ciência. a preparação para o mundo tecnológico e comunicacional. 1998). isto é. que a criança aprenda de fato 55 na escola. pela ética. valores). procedimentos. ao objetivo ético de intervir na realidade visando o bem comum (Demo. operativas e sociais. participação. A qualidade formal refere-se ao nível ótimo a que podem chegar os meios. o domínio dos conteúdos escolares (conceitos. possibilitando aos alunos a preparação para a participação nas organizações e movimentos populares. . pela estética.Demo distingue. pela técnica. pela linguagem. a qualidade formal e a qualidade política. ou seja. instrumentos e procedimentos. "Espera-se.

condições de trabalho. ficam por resolver os direitos de alunos portadores de dificuldades escolares gerais ou específicas e portadores de outras necessidades que põem em questão a validade de parâmetros universais de desempenho. moral etc. convicções. remuneração digna e formação continuada dos professores. .). 56 Incorpora no cotidiano escolar as novas tecnologias da comunicação e informação Como buscar a qualidade social? Quais estratégias e procedimentos possibilitam promover a qualidade social das escolas e do sistema escolar? Não é nada fácil estabelecer como critério de qualidade a igualdade quanto ao atendimento escolar. em condições iguais de oferta dos meios de escolarização. Cuida da formação de qualidades morais. todas as crianças têm direito ao sucesso escolar. materiais e financeiras de funcionamento. no rumo de uma educação multicultural e comunitária. Promove a integração entre a cultura escolar e outras culturas. Dispõe de condições físicas. atitudes. conforme ideais humanistas. nesse caso. Por um lado. é possível estabelecer para uma determinada população parâmetros de desempenho nas várias dimensões da educação (cognitiva. no sentido de usufruir plenamente do direito de escolarização. física. Por outro lado.Assegura a elevação do nível escolar para todas as crianças e jovens sem exceção. a qualidade para todos. traços de caráter.

de pouca valia terão a gestão democrática. as mudanças nas práticas de gestão. física. porque os resultados da aprendizagem dizem respeito não só à dimensão cognitiva mas. também. não como fins. os processos de organização e gestão das escolas. os modernos equipamentos . a avaliação dos resultados por provas ou exames nacionais. por si só. de fato. no âmbito das escolas. às dimensões afetiva. não resolvem os problemas do ensino e do baixo rendimento escolar dos alunos. Do mesmo modo. apenas a aferição do desempenho intelectual dos alunos através de provas e exames. as eleições para diretor. etc. mesmo que se baseiem na democratização nos processos organizativos e decisórios. é a qualidade cognitiva das experiências de aprendizagem dos alunos. é insuficiente julgar a qualidade da escola apenas pelo nível de seus produtos. mas eles 57 devem ser considerados como meios. por mais que os resultados sejam um bom indicativo da qualidade dos processos e das condições da oferta dos serviços. O que as escolas precisam buscar. Também não é suficiente. ética. É necessário alertar que a reorganização das escolas. a participação da comunidade.todos são fatores imprescindíveis para promover a qualidade.As considerações anteriores mostram que a busca da educação escolar de qualidade depende da conjugação de vários objetivos e estratégias. Portanto. Em suma. estética. se os objetivos de aprendizagem não forem conseguidos. se os alunos . a aquisição de novos equipamentos. a modificação dos currículos.

Eixos da qualidade social: o currículo e os processos de ensino e aprendizagem Qualidade social do ensino.continuam tendo baixo rendimento escolar. Atualmente existem distintas posições sobre . o centro de referência dos critérios e estratégias de qualidade é o que os estudantes aprendem. o professor e avaliação.se. Celestino da Silva Júnior escreve que as escolas não existem para serem administradas ou inspecionadas. os resultados juntamente com os elementos e processos que os determinam. elas existem para que os alunos aprendam. Atender às necessidades dos alunos em consonância com as exigências sociais e educacionais contemporâneas significa prestar atenção nos conteúdos que estão sendo ensinados. se não desenvolvem seu potencial cognitivo. ganham importância as estratégias de realização da qualidade a saber: o currículo. a organização e a gestão. pois. Daí o investimento necessário no aperfeiçoamento do currículo e das práticas metodológicas nas escolas. ou seja. diz respeito à qualidade cognitiva dos processos de aprendizagem numa escola que inclua todos. 1986). Considerando. no modo como estão sendo ensinados. na efetividade desses conteúdos para a vida 58 cultural e prática. a escola se organiza para que ela readquira em plenitude sua função original de ensinar (Silva Júnior. Com isso. como aprendem e em que grau são capazes de pensar e atuar com o que aprendem. portanto.

Sustenta que o currículo é uma questão de cada escola e de cada professor em particular. à liberdade e ao caráter participativo. em função de iniciativas e interesses locais. predominando. bastante criticado pela maioria dos educadores.visando. a uma certa unidade do sistema escolar em função de objetivos democráticos da educação nacional . A ênfase está colocada nos interesses mais amplos do sistema político e não nos interesses regionais e locais. as decisões que se tomam em âmbito local.e à flexibilidade. Também torna possível o agrupamento de várias escolas em torno de . Uma terceira posição é o modelo misto que confere importância ao mesmo tempo aos órgãos de coordenação central . Esse modelo busca. a refletir sobre as práticas curriculares e metodológicas. portanto. sistema de avaliação controlador. Nele são definidas metas a alcançar. A primeira é o modelo centralizado. A segunda posição. Secretarias de Educação). a fim de prestar serviços de melhor qualidade aos seus alunos. principalmente. em que o currículo deveria ser planejado. incentivar os professores de cada escola a melhorar o processo educativo. oposta à primeira. defende um modelo descentralizado de organização e aperfeiçoamento curricular. portanto. metodologias e técnicas a serem seguidas.formas de organização para o aperfeiçoamento do currículo. O principal argumento a favor desse modelo é que ele pode assegurar o máximo de participação do professor e demais integrantes da escola e um mínimo de interferência dos órgãos superiores. administrado e controlado por órgãos superiores do sistema educacional (Ministério da Educação.

entre essas condições. pelos professores. a ser concretizada nas decisões regionais e locais sobre currículos e sobre programas de transformação da realidade educacional empreendidos pelas autoridades governamentais. a . O principal critério de aferição dos resultados obtidos em relação a esses objetivos é o grau em que se obtém a qualidade cognitiva e operativa das aprendizagens escolares. o desenvolvimento da personalidade. As atividades-meio são as condições de realização desses objetivos. que se sobreporia à competência político-executiva dos Estados e Municípios. Em síntese. à diversidade sociocultural das diferentes regiões do País e à autonomia de professores e equipes pedagógicas.. a inserção no mundo do trabalho. ou seja. configuram uma proposta flexível.projetos comuns de aperfeiçoamento curricular. conforme se pode concluir das seguintes considerações inseridas na Introdução dos Parâmetros Curriculares Nacionais: 59 Os PCN constituem um referencial de qualidade para a educação no Ensino Fundamental em todo o País.) Por sua natureza aberta. capacitação de professores. portanto. Não configuram. a formação para a cidadania. Sua função é orientar e garantir a coerência dos investimentos no sistema educacional (. o currículo e os processos de ensino e aprendizagem correspondem aos objetivos da escolarização obrigatória. o planejamento pedagógico e curricular.. um modelo curricular homogêneo e impositivo. No Brasil optou-se pelo terceiro modelo. pelas escolas. realizam as atividades-fim na educação escolar tais como a aquisição do conhecimento e da cultura. incluindo-se.

. a crença na possibilidade de educar a todos como condição para a igualdade e inclusão social. a tecnologia. a atuação competente dos professores nos conteúdos e na metodologia de 60 ensino. é denominado profissionalidade. O projeto pedagógico-curricular é o instrumento de articulação entre fins e meios. A conquista da . uma professora.organização e gestão da escola. a obtenção de bons resultados escolares que evidenciem o trabalho da escola e dos professores. Sua formação inicial visa a propiciar os conhecimentos. o desenvolvimento profissional dos professores. com a participação coletiva na elaboração e desenvolvimento do projeto pedagógico e do currículo. A garantia da qualidade social do ensino é. um trabalho escolar integrado e articulado. curriculares e organizativas da escola. a cultura organizacional. CAPÍTULO IV – O Professor e a Construção da sua Identidade Profissional 63 O professor é um profissional cuja atividade principal é o ensino. Esse conjunto de requisitos profissionais que tornam alguém um professor. tendo em vista os objetivos educacionais. Ele faz o ordenamento de todas as atividades pedagógicas. portanto. as habilidades e as atitudes requeridas para levar adiante o processo de ensino e aprendizagem nas escolas. implicando a relevância social desses conteúdos.

isso significa domínio da matéria e dos métodos de ensino. Um professor profissionalmente despreparado. terá muito pouco êxito na sua atividade profissional se não tiver as . ambiente e clima de trabalho. remuneração compatível com a natureza e as exigências da profissão. assiduidade. participação na construção coletiva do projeto pedagógico. As duas noções apresentadas se complementam. condições de trabalho (recursos físicos e materiais. O profissionalismo requer profissionalização. trabalhando em precárias condições. A profissionalização refere-se às condições ideais que venham a garantir o exercício profissional de qualidade. a profissionalização requer profissionalismo. práticas de organização e gestão). compromisso com um projeto político democrático. dedicação ao trabalho. respeita os alunos. Na prática. que ama sua profissão. respeito à cultura de origem dos alunos. Por outro lado. 64 rigor no preparo e na condução das aulas. habilidades e atitudes profissionais. O profissionalismo refere-se ao desempenho competente e compromissado dos deveres e responsabilidades que constituem a especificidade de ser professor e ao comportamento ético e político expresso nas atitudes relacionadas à prática profissional. é assíduo ao trabalho. Essas condições são: formação inicial e formação continuada nas quais o professor aprende e desenvolve as competências. terá dificuldades de atuar com profissionalismo. recebendo salários baixos.profissionalidade supõe a profissionalização e o profissionalismo. um professor muito dedicado.

os requisitos da profissionalização. Em boa parte isso se deve às condições precárias de profissionalização. a buscar melhor qualificação. É verdade que a profissão de professor vem sendo muito desvalorizada tanto social quanto economicamente. formação profissional. isto é. seus valores em relação à prática profissional. na prática. inclusive. Não se trata. de lidar com essas duas noções de forma que a ausência de uma comprometa irremediavelmente a outra. O que justifica essa atuação comprometida é a natureza da profissão de professor. ao mesmo tempo. alardeando que a educação é a prioridade. carreira . investindo na sua formação continuada. ao mesmo tempo em que se fala da valorização da 65 . Pode. Em outros termos. os governos têm sido incapazes de garantir a valorização salarial dos professores levando a uma degradação social e econômica da profissão e a um rebaixamento evidente da qualificação profissional dos professores em todo o país. recursos materiais e didáticos. certamente. é a responsabilidade que a tarefa educativa traz consigo. responsabilidade dos governos. em boa parte. salários. interferindo na imagem da profissão. Um professor pode compensar uma fraca profissionalização estudando mais.cujo provimento é. mudar suas atitudes. lutando por melhores salários.qualidades e competências tidas como ideais a um profissional. No entanto. que os professores são importantes etc. suas convicções. o que pode levá-lo. É muito comum as autoridades governamentais fazerem autopromoção mediante discursos a favor da educação.

a baixa auto-estima. para a cidadania. portanto. mediante a educação ou formação continuada. As condições de trabalho e a desvalorização social da profissão de professor. a frustração. Por isso. os estudiosos da formação de professores vêm insistindo na importância do desenvolvimento pessoal e profissional no contexto de trabalho. ele perde a identidade com a sua profissão. a construção e o fortalecimento da identidade profissional precisam fazer parte do currículo e das práticas de formação inicial e continuada. Os cursos de formação inicial têm um papel muito importante na construção dos . a ressignificação de sua identidade . no entanto. para o consumo. Apesar dos problemas. Isto acontece porque a identidade com a profissão diz respeito ao significado pessoal e social que a profissão tem para a pessoa. os professores continuam sendo os principais agentes da formação dos alunos e.educação escolar para a competitividade. Paradoxalmente. O mal-estar. são algumas conseqüências que podem resultar dessa perda de identidade profissional. Se o professor perde o significado do trabalho tanto para si próprio como para a sociedade. continuam vigorando salários baixos e um reduzido empenho na melhoria da qualidade da formação profissional dos professores. prejudicam a construção da identidade dos futuros professores com a profissão e de um quadro de referência teórico-prático que defina os conteúdos e as competências que caracterizam o ser professor. Nos últimos anos.que passa pela luta por melhores salários e pela elevação da qualidade da formação . de fato.pode ser a garantia da recuperação do significado social da profissão. a qualidade dos resultados de aprendizagem dos alunos é inseparável da qualificação e competência dos professores.

Na nova concepção de formação . nos conselhos de classe etc. atitudes e convicções dos futuros professores necessários à sua identificação com a profissão. sem tempo de refletir e avaliar o que faz. Nesses cursos são passadas propostas para serem executadas ou os conferencistas dizem o que os professores devem fazer. Mas é na formação continuada que essa identidade se consolida.conhecimentos. Ainda é muito comum nas Secretarias de Educação promover a capacitação dos professores através de cursos de treinamento ou de reciclagem. de grandes conferências para um grande número de pessoas. a investigar e construir teorias sobre seu trabalho. na organização e articulação do currículo. uma vez que ela pode desenvolver-se no próprio trabalho.do professor como intelectual crítico. Ela visa ao desenvolvimento pessoal e profissional mediante práticas de envolvimento dos professores na organização da escola.o professor prepara-se teoricamente nos temas pedagógicos e nos conteúdos para poder realizar a reflexão sobre sua prática. como participante qualificado na organização e gestão da escola . O professor não é instigado a ganhar autonomia profissional. nas atividades de assistência pedagógico-didática junto com a coordenação pedagógica. atua como intelectual critico . como profissional reflexivo e pesquisador e elaborador de conhecimentos. a refletir sobre sua prática. 66 A formação continuada é uma maneira diferente de ver a capacitação profissional de professores. nas reuniões pedagógicas. O professor deixa de estar apenas cumprindo a rotina e executando tarefas.

experimenta novas formas de trabalho. Em suas atividades cotidianas. principalmente para analisarmos as mudanças que ocorrem em nossa prática. Significa que o professor analisa sua prática à luz da teoria. revendo as rotinas. desenvolve habilidades de participação grupal e de tomada de decisões seja na elaboração do projeto pedagógico e da proposta curricular seja nas várias atividades da escola como execução de ações. isto é. ele vai ampliando a consciência sobre sua própria prática. torna-se investigador em sua aula analisando suas práticas. cria novas estratégias. analise de problemas. A realidade muda e o saber que construímos sobre 67 ela precisa ser revisto e ampliado sempre. revê sua prática. Esse é o sentido mais ampliado que assume a formação continuada.na contextualização sociocultural de suas aulas e na transformação social mais ampla. . O alargamento da consciência se dá pela reflexão que o professor realiza na ação. discussão de pontos de vista. um programa de educação continuada se faz necessário para atualizarmos nossos conhecimentos. bem como para atribuirmos direções esperadas a essas mudanças (Christov. inventando novas soluções. A Educação Continuada se faz necessária pela própria natureza do saber e do fazer humanos como práticas que se transformam constantemente. 1998) Isso não quer dizer que o professor não necessita da teoria. Dessa forma. do conhecimento científico. avaliação de situações etc. Tematizando sua prática. fazendo com que sua prática vire conteúdo de reflexão. inventa novos procedimentos.

(. assumem as responsabilidades coletivamente. Há muitas formas de realizar a formação continuada: cursos. inclusive aqueles imprevistos. incertas e muitas vezes desconhecidas. pensam juntos.o professor toma decisões diante das situações concretas com as quais depara. é necessário mobilizar a reflexão sobre a reflexão na ação. enriquecendo-se de conhecimentos e práticas e aprendendo a resolver problemas. Sabemos que boa parte das situações de ensino são singulares. Não precisa tanto saber aplicar regras já estabelecidas. Ou seja. uma reflexão que se eleve da situação imediata. 68 criam uma cultura organizacional.. mas construir estratégias. a caminho de construir sua autonomia profissional. Neste ponto.. Ou seja. por isso. descobrir saídas. chegamos à necessidade do trabalho em equipe através do qual os professores formulam o projeto pedagógico. interagem com seus colegas. o professor precisa ser capaz de inventar suas próprias respostas. congressos seminários de estudo. . O que ele precisa é desenvolver a capacidade de dar respostas criativas conforme cada situação. discutem juntos. 1998).) Mas a sua reflexão na ação precisa ultrapassar a situação imediata. não basta o professor ter uma lista de métodos e técnicas a serem utilizados. encontram soluções juntos. É assim que o professor transforma-se num pesquisador. possibilitando uma elaboração teórica de seus saberes (Pimenta. Para isso. com base nas quais constrói saberes na ação. inventar procedimentos.

culturais. Sabemos que a profissão de professor vai assumindo determinadas características isto é.) e profissionalismo (insensibilidade ao insucesso escolar dos alunos. má qualidade das experiências de aprendizagem dos alunos. encontros com a Coordenação Pedagógica. autodesqualificação.) a luta pela profissionalidade se esvazia porque os professores continuarão pensando que como está. o profissionalismo. As novas exigências educacionais frente a essas . atitudes.. determinada identidade .conforme necessidades educacionais colocadas em cada momento da história e em cada contexto social (Pimenta.. Enquanto agirmos em nossas escolas contentando-nos com níveis mínimos de profissionalização (qualificação mínima. sociais. estudos individuais. que se põe como requisito para a luta por melhores salários e melhores condições de trabalho. 1999). assim como para o exercício responsável da profissão..reunião pedagógica. descompromisso com atualização pedagógica.. valores que definem e orientam a especificidade do trabalho de professor. está bom (Guimarães. Identidade profissional e saberes e competencias profissionais Em que consiste a profissão de professor? O que significa ser professor? Como vimos. políticas. identidade profissional é o conjunto de conhecimentos. A sociedade brasileira está passando por intensas transformações econômicas. rotinização e desencanto com o trabalho. 1998). O importante é acreditar que a formação continuada é condição indispensável para a profissionalização. habilidades.

que reconhece a docência como um campo de conhecimentos específicos configurados em quatro grandes conjuntos. Com isso. No últimos anos. surgem novas práticas profissionais. novos modos de pensar. 3. da cultura e das artes. . conteúdos relacionados a saberes pedagógicos mais amplos do campo teórico da prática educacional. competências são as qualidades. agir e interagir. vários estudos vêm pesquisando os saberes e competências profissionais que fazem parte da profissionalidade do professor. sensibilidade pessoal e social). do conhecimento. conteúdos das diversas áreas do saber e do ensino. Identidade que é epistemológica. Ou seja. do aluno. dos meios de 69 comunicação e informação. 4. Libâneo e Pimenta (1999) apontam duas dimensões da identidade profissional de professor: O desenvolvimento profissional envolve formação inicial e contínua articuladas a um processo de valorização identitária e profissional dos professores. das ciências humanas e naturais. novas competências. a docência constitui um campo específico de intervenção profissional na prática social não é qualquer um que pode ser professor. diretamente relacionados ao campo da prática profissional. 2. Saberes são conhecimentos teóricos e práticos requeridos para o exercício profissional. conteúdos ligados à explicitação do sentido da existência humana (individual. a saber: 1. conteúdos didático-pedagógicos. ou seja. Há uma nítida mudança no desempenho dos papéis docentes.transformações pedem um professor capaz de exercer sua profissão em correspondência às novas realidades da sociedade. ou seja. E identidade que é profissional.

Outros autores investigaram os saberes profissionais de professores. esquemas de pensamento. (1998) relacionam os vários saberes necessários ao ensino: o saber disciplinar. o saber curricular. Perrenoud (2000a) sugere que os saberes estão contidos no termo "competências". conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação. envolver os alunos em suas . o saber da tradição pedagógica. administrar a progressão das aprendizagens. Define "competência profissional" como uma capacidade de mobilizar diversos recursos cognitivos para enfrentar situações determinadas. Essa capacidade geral ou capacidades não se confundem com objetivos comportamentais. comportamentos rotineiros e repetitivos. numa visão cognitivista e não meramente instrumental. 70 que se torna elemento necessário na definição de competência. Perrenoud (2000b) apresenta dez famílias de competências para ensinar: organizar e dirigir situações de aprendizagem. as competências correspondem a uma articulação entre capacidades cognitivas e habilidades. tal como entendidos no tecnicismo educacional. uma ação compatível com a situação.capacidades. de modo que seu exercício implica operações mentais. habilidades e atitudes relacionados com esses conhecimentos teóricos e práticos e que permitem a um profissional exercer adequadamente sua profissão. As competências vinculam-se não só a conhecimentos como também a uma atividade cognitiva. o saber das ciências da educação. Ou seja. com eficácia. Gauthier et al. que permitem determinar e realizar. o saber da experiência e o saber da ação pedagógica. condutas e práticas observáveis.

(1999) organizam o conhecimento profissional dos professores em cinco âmbitos: conhecimentos sobre crianças. sociais e políticas da educação. na realização dos direitos do coletivo de uma sociedade. trabalhar em equipe. 71 A relação de competências profissionais que reproduzimos a seguir ajudam a compreender as qualidades e capacidades exigidas hoje na formação profissional de professores.aprendizagens e em seu trabalho. ética e estética. 2. participar da administração da escola. os conhecimentos específicos da matéria e os saberes pedagógicos. . política. jovens e adultos. conhecimentos sobre as dimensões culturais. Laranjeira et al. utilizar novas tecnologias. A competência envolve uma pluralidade de propriedades. auto-formar-se. Refletir sobre sua prática. administrar sua própria formação contínua. na qual se reúnem as dimensões técnica. COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS DE PROFESSOR l. um profissional qualificado é aquele quem possui determinadas qualidades.saberes de experiência. Para ela. A professora Terezinha Rios (2000) associa o termo competência à qualidade do trabalho. enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão. inovar. conhecimento para a atuação pedagógica e conhecimento de experiência contextualizado na ação pedagógica. um conjunto de qualidades positivas fundadas no bem comum. Dominar e exercer a profissão de professor. Pimenta (1999) aponta como saberes necessários à docência . informar e envolver os pais. cultura geral e profissional.

8. Servir-se das ciências humanas e sociais como base de análise de situações educativas complexas. Todavia. Desenvolver sensibilidade aos problemas emergentes em situações práticas. Os itens de 1 a 12 foram extraídos do Guia de Estudos da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação de Genebra . 4. Trabalhar em equipe e cooperar com outros profissionais. Considerar a diversidade dos alunos. Integrar a componente ética à prática cotidiana. Desenvolver competências do pensar. 12. aposta-se nas possibilidades de melhoria da . para tornar-se sujeito pensante e crítico. 5.Suíça. Capacitar-se a realizar pesquisas e análises de situações educativas e de ensino. 16. saber diagnosticá-los e enfrentálos. Conceber. Servir-se conscientemente das tecnologias. 15. 6. Assumir a dimensão educativa do ensino. construir e administrar situações de aprendizagem e de ensino. 72 É sabido o quanto o desenvolvimento dessas características de professor pode ser prejudicado pelas atuais condições de exercício profissional tais como a baixa remuneração e as precárias condições de trabalho. 14. 9.3. Desenvolver sólida cultura geral. 7. Dominar as disciplinas a ensinar e suas didáticas. Outras competências: 13. Manter uma relação crítica e autônoma com os saberes. Assumir as dimensões relacionais no ensino. 10. 11.

ora tomados como sinônimos. É o que recomenda Guimarães (1999): A ampliação e eficiência dos meios de comunicação. mais ampla e mais flexível para que o professor seja capaz de ir compondo sempre melhor as suas respostas. desencadeiam enorme ampliação da prática profissional. CAPÍTULO V . ora o primeiro praticamente se confundindo com administração . administração. aumentando-se a complexidade da profissão. racionalizar o uso de recursos (materiais. exigindo-se conhecimentos mais refinados para uma atuação produtiva. financeiros. Participação e Cultura Organizacional 75 Os especialistas não têm uma posição única sobre a utilização dos termos organização. A expressão "organização escolar" é freqüentemente identificada com "administração escolar".. profissionalizando-se.Os Conceitos de Organização Gestão. outros atribuem maior amplitude a uma ou a outra.fatos simples. intelectuais).se já existiram . termo que tradicionalmente caracteriza os princípios e procedimentos referentes à ação de planejar o trabalho da escola. O mesmo acontece com os termos gestão e direção. gestão e participação. Alguns autores utilizam essas duas expressões indistintamente. as inúmeras mediações que provocam um turbilhão de estímulos que povoam a mente dos alunos. coordenar e controlar o trabalho das pessoas..) mais sólida. Deixam de existir em educação . o caráter de instantaneidade que os fatos adquiriram.qualificação profissional na formação inicial e formação continuada como um dos requisitos essenciais para a profissionalização. A cada dia demanda-se uma formação (.

. as reúnem todas no conceito de administração. gerir.. assim. especialmente no projeto pedagógico. por um lado. os elementos materiais e conceptuais que o homem coloca entre si e a natureza para dominá-la em seu proveito. .) envolvem. Tais tarefas remetidas 76 à escola configuram a administração escolar (ou educacional. portanto. tomar decisões. são bem explicitas as seguintes definições: A administração escolar tem como objetivos essenciais planejar. na construção do currículo e nas formas de gestão..e o segundo como um aspecto do processo administrativo. conforme o âmbito de análise) sendo a ação de organizar. uma parte dela. tanto na teoria como na prática. Nesse sentido. a organização escolar (Santos. 1966)..) A administração pode ser vista. configurando-se assim uma ciência da administração ou uma teoria da administração. no seu âmbito de ação. dirigir e controlar os serviços necessários à educação. dirigir. podemos afirmar que a administração é a utilização racional de recursos para a realização de fins determinados. Em seu sentido geral. (..) Os recursos (. organizar. (. Ela inclui. organizar. O termo "cultura organizacional". por sua vez. vem suscitando cada vez mais interesse por causa de suas implicações no funcionamento da escola. Organização e administração A maioria dos autores que estudam as tarefas de administrar.. os esforços despendidos pelos homens e que precisam ser coordenados com vistas a um propósito comum. por outro.

demarcando esferas de responsabilidade e níveis de autoridade nas pessoas congregadas. Nesse caso.. constituída de pessoas que trabalham juntas) que existem para alcançar determinados objetivos (Chiavenato. entendendo que a administração realiza-se no contexto de uma organização. Outros autores. Esses meios ou fatores são de duas classes: administrativos e pedagógicos" (Aguayo in Santos. a fim de . sendo a instituição escolar eminentemente um sistema de relações. entretanto..) é bem dispor elementos (coisas e pessoas). com fortes características interativas. seria mais adequado o uso do termo organização. 1966). Além disso. preferem atribuir ao termo organização maior abrangência. dentro de condições operativas (modos de fazer). 1986). As organizações são unidades sociais (e.como dois amplos campos que se interpenetram: a "racionalização do trabalho" e a "coordenação (do esforço humano coletivo" (Paro. Administrar é regular tudo isso. fatores e meios de ação que regulam a obra da educação ou um aspecto ou grau da mesma. 77 A organização escolar é o conjunto de disposições. Organizar (. é útil a posição de Chiavenato (1989) distinguindo dois significados diferentes de organização: organizações como unidades sociais e organização como função administrativa. As seguintes definições permitem atribuir a abrangência maior ao termo organização. que a diferenciam das empresas convencionais.1989). reconhecendo a especificidade das instituições educacionais. que conduzem a fins determinados. portanto.

É este o processo que denominamos de gestão. processos de sistematicidade e caráter pessoal direto e prolongado de que se reveste o ato educativo (Carvalho e Diogo. as suas interações. são mais abrangentes que administração. adotamos o sentido amplo de organização. a fim de alcançar os objetivos da instituição. considerando que esses termos. Lourenço Filho também destaca o caráter grupal. a expressão organização e gestão da escola. requer-se a tomada de decisões e a direção e controle dessas decisões.que não se perca a coesão do trabalho e sua eficiência geral (Lourenço Filho. realizem seus objetivos. Organização e Administração Escolar. Paulo. Seguindo de perto essas definições. 1976). colocados juntos. pois. Edições Melhoramentos. em relação à qual a administração é subordinada. definindo 78 a organização como ação congregada entre duas ou mais pessoas. cooperativo. Podemos ver a escola como uma organização na medida em que ela se constitui como unidade social `de agrupamentos humanos intencionalmente construídos ou reconstruídos' (Chiavenato. ou seja. . 1983). assim. Utilizamos. 1976. S. Para que as organizações funcionem e.1994). das instituições. o caráter de intencionalidade de seus atos. enfatizando assim os indivíduos e os grupos interrelacionados. Em uma de suas obras mais difundidas. unidade social que reúne pessoas que interagem entre si e que opera através de estruturas e processos organizativos próprios.

Na prática, os termos organização e administração, podem ser utilizados combinadamente, desde que se explicite o conteúdo de cada um. A definição de Paro, por exemplo, registrada acima, define com muita propriedade os âmbitos de estudo da Administração, que poderiam ser incluídos também como campo de estudos da Organização. Gestão e direção Alguns autores afirmam que o centro da organização e do processo administrativo e a tomada de decisão. Todas as demais funções da organização (o planejamento, a estrutura organizacional, a direção, a avaliação) estão referidas ao processo eficaz de tomada de decisões (Griffiths, 1974). Os processos intencionais e sistemáticos de se chegar a uma decisão e de fazer a decisão funcionar caracterizam a ação que denominamos gestão. Em outras palavras, a gestão é a atividade pela qual são mobilizados meios e procedimentos para se atingir os objetivos da organização, envolvendo, basicamente, os aspectos gerenciais e técnicoadministrativos. Nesse sentido, é sinônimo de administração. A direção é um princípio e atributo da gestão, mediante a qual é canalizado o trabalho conjunto das pessoas, orientando-as e 79 integrando-as no rumo dos objetivos. Basicamente, a direção põe em ação o processo de tomada de decisões na organização, e coordena os trabalhos, de modo que sejam executados da melhor maneira possível.

A organização e os processos de gestão, incluindo a direção, assumem diferentes significados conforme a concepção que se tenha dos objetivos da educação em relação à sociedade e à formação dos alunos. Por exemplo, numa concepção tecnicista de escola, a direção é centralizada numa pessoa, as decisões vêm de cima para baixo, bastando cumprir um plano previamente elaborado, sem participação dos professores, especialistas e usuários da escola. Já numa concepção democráticoparticipativa, o processo de tomada de decisões se dá coletivamente, participativamente. A direção pode, assim, estar centrada no indivíduo ou no coletivo, sendo possível uma direção individualizada ou uma direção coletiva ou participativa. Neste livro, será assumida a concepção da direção participativa ou democráticaparticipativa, conforme detalharemos adiante. Participação A participação é o principal meio de se assegurar a gestão democrática da escola, possibilitando o envolvimento de profissionais e usuários no processo de tomada de decisões e no funciona mento da organização escolar. Além disso, proporciona um melhor conhecimento dos objetivos e metas, da estrutura organizacional e de sua dinâmica, das relações da escola com a comunidade, e favorece uma aproximação maior entre professores, alunos, pais. Nas empresas, a participação nas decisões é quase sempre uma estratégia que visa a busca do aumento de produtividade. Nas escolas, esse objetivo não precisa ser descartado pois elas também buscam bons resultados. Entretanto, há aí um sentido mais forte de prática da democracia, de experimentar formas não-autoritárias de

exercício do poder, de intervir nas decisões da organização e definir coletivamente o rumo dos trabalhos. 80 O conceito de participação se fundamenta no de autonomia, que significa a capacidade das pessoas e dos grupos de livre determinação de si próprios, isto é, de conduzirem sua própria vida. Como a autonomia opõe-se às formas autoritárias de tomada de decisão, sua realização concreta nas instituições é a participação. Portanto, um modelo de gestão democrática-participativa tem na autonomia um dos seus mais importantes princípios, implicando a livre escolha de objetivos e processos de trabalho e a construção conjunta do ambiente de trabalho. Podemos citar cinco fundamentos do trabalho em equipe ou trabalho participativo: Em primeiro lugar, a equipe deve ter uma meta, propósito, causa ou objetivo que seja identificado, aceito, compreendido e desejado por todos os membros da equipe. Em segundo lugar, a equipe deve ter espírito, moral e desejo de triunfar ainda que seja ao custo de consideráveis sacrifícios individuais. Em terceiro lugar, as linhas de autoridade e responsabilidade devem estar claramente definidas e compreendidas perfeitamente por todos. Em quarto lugar, devem ser estabelecidos os canais de comunicação. Em quinto lugar, o líder deve descobrir e utilizar ao máximo as capacidades criadoras de cada uma das pessoas e uni-las numa equipe homogênea (In Neagley e Evans, 1969). Estes princípios expressam com muita clareza a necessidade de a organização escolar ter objetivos comuns e compartilhados, buscar o envolvimento da equipe de profissionais com esses objetivos, contar com uma

estrutura organizacional em que as responsabilidades estejam muito bem definidas, dispor de várias formas de comunicação entre a organização e as pessoas, ter uma liderança que consiga motivar e mobilizar as pessoas para uma atuação conjunta em torno de objetivos comuns. Em relação, ainda, ao trabalho em equipe, é importante assinalar que a liderança não é atributo exclusivo de diretores e coordenadores, nem está ligada apenas ao cargo e ao status da 81 pessoa. É uma qualidade que pode ser desenvolvida por todas as pessoas por meio de práticas participativas e de ações de desenvolvimento pessoal e profissional. Numa escoa existem, pois, vários tipos de liderança. Entretanto, não se pode negar que, mesmo na gestão democrática efetivada de forma cooperativa e participativa, o funcionamento e a eficácia da escola dependem em boa parte da capacidade de liderança de quem está exercendo a direção e a coordenação pedagógica. Cabe ressaltar, finalmente, que a prática da participação nos processos de gestão, por si só, não esgota as ações necessárias para que seja assegurada a qualidade do ensino. Tanto quanto os vários elementos do processo organizacional, e como um dos elementos deste, a participação é um meio de alcançar melhor e mais democraticamente os objetivos da escola, que se centram na qualidade dos processos de ensino e aprendizagem. Com efeito, na conquista da autonomia da escola, está presente a exigência da participação de professores, pais, alunos, funcionários e outros representantes da comunidade, bem como as formas dessa participação: a

interação comunicativa, a discussão pública dos problemas e soluções, a busca do consenso em pautas básicas, o diálogo intersubjetivo. Todavia, é preciso considerar que a participação implica processos de organização e gestão, procedimentos administrativos, modos adequados de fazer as coisas, a coordenação, o acompanhamento e a avaliação das atividades, a cobrança das responsabilidades. Ou seja, para atingir os objetivos de uma gestão democrática e participativa e o cumprimento de metas e responsabilidades decididas de forma colaborativa e compartilhada, é preciso uma mínima divisão de tarefas e a exigência de alto grau de profissionalismo de todos. Portanto, a organização escolar democrática implica não só a participação na gestão mas a gestão da participação, em função dos objetivos da escola. Essa é uma competência genuína da direção e da coordenação pedagógica da escola. 82 Para a gestão da participação, é preciso ter clareza de que a tarefa essencial da instituição escolar é a qualidade dos processos de ensino e aprendizagem que, mediante as práticas pedagógico didáticas e curriculares, propiciam melhores resultados de aprendizagem. Em síntese, a escola é uma instituição social com objetivos explícitos: o desenvolvimento das potencialidades dos alunos através de conteúdos (conhecimentos, habilidades, procedimentos, atitudes, valores), para constituírem-se em cidadãos participativos na sociedade em que vivem. A tarefa básica da escola é o ensino; que se cumpre pela atividade docente. A organização escolar necessária é aquela que melhor favorece aqueles objetivos e assegura as melhores condições de realização do trabalho docente. Há, assim,

uma interdependência entre os objetivos e funções da escola e a organização e gestão do processo de trabalho na escola. o significado de cultura organizacional. a tecnologia (recursos e técnicas). no seu desenvolvimento profissional. ao lado de outros como a estrutura organizacional. culturais. Vejamos. a formas de participação. procedimentos operacionais. a cultura organizacional. as relações de trabalho. ou seja. a cultura organizacional (também chamada "cultura da escola' diz respeito ao conjunto de fatores sociais. tratando-se da escola. psicológicos que influenciam os modos de agir da organização como um todo e do comportamento das pessoas em particular. normas. Isso significa. como será explicitado mais adiante. inicialmente. Esses aspectos tem sido denominados freqüentemente de "currículo oculto" mas que. entre atividades-fim e atividadesmeio. Numa compreensão mais geral. A cultura organizacional Em outro capítulo deste livro referimo-nos à importância da cultura da escola na formação da identidade profissional do professor. ou como preferem outros. atua de forma poderosa nos modos de . A cultura da escola. sendo que a maior parte deles não são claramente perceptíveis nem explícitos. portanto. rotinas administrativas. que para 83 além daquelas diretrizes. há aspectos de natureza cultural que as diferenciam umas das outras. embora oculto. representa hoje um elemento indissociável das práticas de organização e gestão.

seus valores. 1993). expressão derivada do conceito sociológico de cultura (Forquin. também. seu 84 . e seus quadros de referência. selecionados. Essa idéia de cultura organizacional remete à cultura da escola.seus saberes. da cultura da prisão. da cultura da fábrica) . pois cada escola tem o seu modo de fazer as coisas. que afetam sua participação nas aprendizagens. afetando tanto professores quanto alunos. organizados. seus ritmos e seus ritos. Tanto isso é verdade que os mesmos professores tendem a agir de forma diferente em cada escola em que trabalham. também. um mundo social. “normalizados”. esta definida como "o conjunto dos conteúdos cognitivos e simbólicos que. sob efeito dos imperativos de didatização. que tem suas características de vida próprias. “rotinizados”. que é a cultura da escola (como se poderia falar.funcionar das escolas e na prática dos professores. constituem habitualmente o objeto de uma transmissão deliberada no contexto das escolas" A escola é. Também os professores são portadores de características culturais . Mas. Segundo Forquin: Forquin distingue a cultura da escola da cultura escolar. Sabemos que o trabalho nas escolas se defronta com características culturais dos alunos. o que se quer destacar aqui. as formas com que lidam com a profissão .que marcam fortemente as práticas docentes. é que as próprias práticas e situações escolares estão impregnadas de uma cultura. sua linguagem.

seus modos próprios de regulação e de transgressão. À medida que se considera uma organização como uma unidade social formada por grupos humanos intencionalmente constituídos. Isso significa que a direção da escola pode promover a criação de uma cultura organizacional. existe uma cultura regional e local que influi nas várias atividades escolares. escola brasileira Sabemos. ganham importância as interações entre as pessoas e com o contexto social mais amplo. implicando aí os aspectos culturais no sentido que apontamos. o quanto seria prejudicial aos seus objetivos se o planejamento da escola desconhecesse as expectativas dos pais. com as expectativas da comunidade. no currículo e nos planos de ensino. seu regime próprio de produção e de gestão de símbolos. da capital ou do interior. por exemplo. rural. . Qual é o significado disto para o sistema de organização e gestão das escolas? Como a cultura da escola influi nos estilos de organização e gestão? A ênfase na cultura organizacional não chega a ser novidade na teoria das organizações. ou seja. Nesse sentido. Significa. Quando se pensa nas formas de administração escolar. que a cultura da escola pode ser modelada. seus valores. escola japonesa. em outras palavras. Também já tem sido ressaltado nas teorias da organização escolar a importância da criação de um clima de trabalho favorável e do incentivo para que todas as pessoas da equipe escolar se envolvam com a escola. como condições para melhor funcionamento da organização. suas maneiras de educar os filhos etc. já aparece a preocupação com o contexto social e cultural da escola. de relações de confiança.imaginário. na elaboração do projeto pedagógico. faz diferença se a escola é urbana. de um clima favorável.

O sentido de cultura organizacional que queremos destacar é o de que a própria organização escolar é uma cultura. Em resumo: a partir da interação entre diretores. aos objetivos da escola. discordâncias. valores. Essa cultura própria vão sendo internalizada pelas pessoas e vai gerando um estilo coletivo de perceber as coisas. porém. significados. É claro que isso não se dá sem conflitos. Essa maneira de ver tem algum valor. embora destaque a importância e o papel do 85 contexto sociocultural na organização escolar. Mas há em cada escola uma . é construído pelos seus próprios membros. alunos. conformada para atender objetivos da direção. coordenadores pedagógicos e professores. na vivência do dia-adia. com base nos significados que dão ao seu trabalho. que o modo de funcionar da escola. não considera que a própria escola é um mundo cultural. Observe-se. porque vai além de um sistema de gestão baseado apenas na autoridade do diretor e dos procedimentos burocráticos. podendo haver até quem destoe dessa cultura. conforme abordamos anteriormente. vai formando crenças. tanto nas relações que se estabelecem no dia-a-dia quanto nas salas de aula. diferenças. como a coesão e o espírito grupal. de pensar os problemas. que este entendimento das relações entre a cultura e a escola. traços culturais próprios. às decisões que são tomadas. a escola vai adquirindo.planejada. É o que estamos denominando de cultura da escola ou cultura organizacional. de encontrar soluções. funcionários. modos de agir. práticas.

será preciso instituir formas de gestão e tomada de decisões participativas e . avaliada. na relação dos professores com os alunos na aula. na cantina. nos corredores. Vem daí uma constatação muito importante: a escola tem uma cultura própria que permite entender tudo o que acontece nela. nas normas disciplinares. mas essa cultura pode ser modificada pelas próprias pessoas. a planejar e tomar decisões. A cultura 86 organizacional é elemento condicionante do projeto pedagógico-curricular. Se se define como um dos objetivos da escola a formação da cidadania. ela pode ser discutida. num rumo que responda aos propósitos da direção. Se o objetivo é estabelecer na escola formas democráticas de gestão. Essa cultura organizacional se projeta em todos as instâncias da escola: no tipo de reuniões. da gestão participativa. A conseqüência prática disso é que precisa haver coerência entre os objetivos proclamados e a cultura organizacional.forma dominante de ação e interação entre as pessoas que poderia ser resumida nesta expressão: "temos a nossa maneira de fazer as coisas por aqui". na metodologia de aula etc. nas formas de tratamento com os pais. é preciso criar uma estrutura em que os alunos aprendam a se organizar. do corpo docente. conforme veremos adiante. É isto que justifica a formulação conjunta do projeto pedagógicocurricular. na confecção de alimentos e distribuição da merenda. planejada. da coordenação pedagógica. a argumentar numa discussão. mas este também é instituidor de uma cultura organizacional.

Estes exemplos reforçam a idéia de que a organização escolar constitui-se. para se chegar a definições e decisões em torno dos objetivos comuns. os diferentes modos de agir. também. os valores. Se lutamos pelo reconhecimento das diferenças. de sexo. considera-se que na escola ocorre uma disputa de interesses sociais e individuais. é preciso que se tenha uma prática de respeito à diversidade social. podem modificá-la. os significados. as diferenças. pode ser construída intencionalmente uma cultura organizacional educativa com base em princípios sóciopedagógicos. Na perspectiva sócio-crítica da cultura organizacional. os significados. cuja influência na organização escolar é determinante. religiosa. que levar em conta os significados subjetivos e as características culturais das pessoas nas práticas de organização e gestão da escola não significa excluir os conflitos. alunos. étnica. aprimorá-la. cultural. que a escola se insere num contexto sociocultural e político mais amplo. numa prática educativa e que seus membros. Considera. ela própria. os valores. ao mesmo tempo. finalmente. em que a equipe escolar discute a realidade. mas também considera os objetivos e os propósitos sociais da organização escolar. as relações de poder externas e internas. Uma concepção realista da organização escolar considera. dentro da . Ou seja.transparentes. entre professores. funcionários. É preciso considerar. a partir da cultura organizacional existente. as diferentes visões de mundo. as interpretações das pessoas em relação ao que precisa 87 ser feito.

O papel do diretor de escola e da equipe de especialistas A implementação de práticas alternativas de organização e gestão da escola depende bastante da atuação da direção e da coordenação pedagógica da escola. que moldam a formação e o funcionamento da organização. na escola. nas formas de funcionamento. Entretanto. com o prédio da escola e os recursos materiais. com a supervisão geral . Na prática.realidade sociocultural e política mais ampla. 2) que precisam conhecer a escola. sobre se lhe cabem tarefas apenas administrativas ou também tarefas pedagógicas. que requerem uma ação organizada. Preferimos optar pela seguinte posição: o diretor de escola é o responsável pelo funcionamento administrativo e pedagógico da escola. principalmente. com a parte financeira. portanto. necessita de conhecimentos tanto administrativos quanto pedagógicos. ele desempenha predominantemente a gestão geral da escola e. mais reflexivas. as funções administrativas (relacionadas com o pessoal. racional. 3) que precisam ter clareza de que há interesses sócio-políticos e econômicos na definição de uma organização escolar. especificamente. mais participativas. e acreditar que há outras formas possíveis de organizar e gerir uma escola. conhecer as teorias organizacionais. Há uma diversidade de opiniões sobre o papel do diretor de escola. mais efetivas. uma normatividade. em sentido mais estrito. isso significa: 1) que os professores precisam desconfiar de que a organização escolar deva funcionar do jeito em que está funcionando. para que tomem consciência das condições de funcionamento da organização e que possam criar outras.

educação para o trânsito. uma vez que responsabilidades que antes correspondiam aos pais e mães. implicando uma ligação mais explicita da escola com outros organismos da comunidade. tornando mais complexas as tarefas de organização e gestão. orientação sexual. relações com a comunidade). especialistas e pais nos processos de tomada de decisões e na solução dos problemas. Ele encarna um tipo de profissional com conhecimentos e habilidades para exercer liderança. orientação para novas necessidades da vida urbana. a automação.das obrigações de rotina do pessoal. Há outras razões para destacar o papel do diretor. O crescimento da população e a urbanização da sociedade têm levado à instalação de escolas maiores. educação ambiental etc. delegando a parte pedagógica ao coordenador ou coordenadores pedagógicos. que somente pode ser assegurada com o trabalho do coordenador pedagógico. 88 Mais adiante ver-se-á que a ênfase no processo de ensino e aprendizagem na sala de aula requer um acompanhamento e uma atenção especial. As mudanças na sociedade envolvendo uma ligação maior da escola com outras realidades tais como os meios de comunicação e informação. Mas essa acentuação da importância da coordenação pedagógica não significa diminuição do papel do diretor. iniciativa e utilizar práticas de trabalho em grupo para assegurar a participação de alunos. professores. . A necessidade de vínculo maior com as famílias. vão sendo conferidas às escolas: orientação psicológica. educação para o lazer.

Essa prática torna o diretor o representante do poder executivo na escola. o diretor tem uma visão de conjunto e uma atuação que apreende a escola nos seus aspectos pedagógicos. Nessa hora. a escolha do diretor de escola requer muita responsabilidade do sistema de ensino e da comunidade escolar. trata-se de entender o papel do diretor como um líder. as expectativas da comunidade escolar e articular a adesão e a participação de todos os segmentos da escola na gestão de um projeto comum. Outras formas de escolha são o concurso público e a eleição pelo voto direto ou representativo.O diretor ou diretora de escola tem. predomina ainda no sistema escolar público brasileiro. administrativos. Infelizmente. . Em razão disso. a nomeação arbitrária de diretores pelo governador ou prefeito. pois. é preciso colocá-las em prática. uma pessoa que consegue aglutinar as aspirações. uma importância muito significativa para que a escola seja respeitada pela comunidade. democracia não significam ausência de responsabilidades. autonomia. geralmente para atender conveniências e interesses político-partidários. culturais. os desejos. Como temos insistido.aquela em que o diretor centraliza todas as decisões. participação. Ao contrário. Uma vez tomadas as decisões coletivamente. como dirigente. Não se quer dizer com isso que o sucesso da escola 89 reside unicamente na pessoa do diretor ou numa estrutura administrativa autocrática . a escola precisa estar bem coordenada e administrada. financeiros. participativamente. Como gestor da escola.

Eleições. 90 sociedade e trabalho. Além disso. 1997). separada da realidade circundante. Todavia. Isso significa que a equipe escolar precisa estabelecer condições prévias para os candidatos. os candidatos deverão comprovar liderança e capacidade de gestão. autonomia. . Participação dos pais na vida da escola A exigência da participação dos pais na organização e gestão da escola corresponde a novas formas de relações entre escola. multiculturalismo. na Associação de Pais e Mestres (onde existir). no Conselho de Escola e outros órgãos colegiados que venham a existir. coresponsabilização. que é o procedimento mais prejudicial à gestão democrática na escola. Avaliação da formação profissional e competência técnica. a melhor forma de escolha é um sistema combinado: 1. mas integrada numa comunidade que interage com a vida social mais ampla. De fato. Exigência de que os candidatos submetam-se a provas escritas. embora esteja claro para a maioria que os pais participam.Descartando-se a escolha por nomeação. que repercutem na escola nas práticas de descentralização. nas quais participa a comunidade escolar. 3. relacionadas à qualificação e competência profissional e experiência na área educacional. a escola não pode ser mais uma instituição isolada em si mesma. de forma delegada. 2. apresentando um programa de trabalho (Romão e Padilha. não tem havido consenso entre os pesquisadores e educadores sobre as formas concretas dessa participação.

Somente a prática pode ajudar a esclarecer estes problemas. surgem questões não desprezíveis referentes à possibilidade de síntese entre interesses e competências diversas. diretores. não são especialistas. dentro do critério do respeito aos papéis e competências. Isso significa que não se pode pôr em dúvida o espaço específico e autônomo dos professores mas. ao abordar problemas pedagógico-didáticos. a rigor. num campo em que.Na realidade concreta. Resguardado o princípio da participação. se estes forem seguros de seu papel. podem assumir uma atitude preconcebida de censura aos professores. bloquear a discussão e até mesmo a comunicação. todavia. estrutura de gestão. Os pais. como é o caso da presença dos pais (e estudantes) em órgãos colegiados da escola. objetivos próprios. pais. por outro lado. sua dignidade profissional não ficará abalada com a discussão pública sobre seu trabalho. projeto pedagógicocurricular. implicando diferentes culturas e hábitos e diferentes visões das questões escolares. de modo a encontrar formas de . será necessário considerar que a escola tem funções sociais explicitas. os professores podem fazer uma legítima reivindicação de uma competência profissional autônoma que pode colocar-se como barreira nas relações com pais. já que o envolvimento dos pais é não só legítimo 91 como necessário. coordenadores. Não se pode ignorar que cada categoria de sujeitos componentes da organização escolar (professores. Por exemplo. funcionários) possui interesses específicos. alunos. formulados de forma coletiva e pública.

há toda uma pesquisa sobre administração escolar que remonta aos pioneiros da educação nova. nos anos 30. adotando um enfoque . os elementos constitutivos do processo organizacional. melhorando a trabalho escolar e o trabalho dos função da qualidade cognitiva. aproximando a organização escolar da organização empresarial. simplesmente. Serão abordados os seguintes itens: as concepções de organização e gestão escolar. com as discussões sobre reforma curricular dos cursos de Pedagogia e de Licenciaturas. do processo de ensino e aprendizagem. a estrutura organizacional da escola. Esses estudos se deram no âmbito da Administração Escolar e. Nos anos 80.O SISTEMA DE ORGANIZAÇÃO E GESTÃO DA ESCOLA 95 Neste capítulo são apresentados alguns elementos básicos para o conhecimento da organização escolar e para a atuação dos professores e do pessoal técnicoadministrativo. freqüentemente. Tais estudos eram identificados com o campo de conhecimentos denominado Administração e Organização Escolar ou. funcionalista. a disciplina passou em muitos lugares a ser denominada de Organização do Trabalho Pedagógico ou Organização do Trabalho Escolar. operativa.acordo mútuo e organização do professores em social e ética de ajuda recíproca. estiveram marcados por uma concepção burocrática. Administração Escolar. As concepções de organização e gestão escolar O estudo da escola como organização de trabalho não é novo. CAPÍTULO VI .

não seria caracterizada pelo seu papel no mercado . de cunho sócio-político. baixo grau de participação das pessoas que trabalham na organização. técnica. Houve pouca preocupação. que funciona racionalmente. o contexto sócio-político etc. hierarquia de funções.crítico. um elemento neutro a ser observado. Além disso. Este é o modelo mais comum de funcionamento da organização escolar. importando bastante a intencionalidade e as interações sociais que acontecem entre elas. mas uma construção social levada a efeito pelos professores. planos de ação feitos de cima para baixo. no estudo dessa questão. de modo a alcançar maiores índices de eficácia e eficiência. As escolas que operam nesse modelo dão muito peso à estrutura organizacional: organograma de cargos e funções. freqüentemente restringido a uma análise crítica da escola dentro da organização do trabalho 96 no capitalismo. Não é difícil aos futuros professores fazerem distinção entre essas duas concepções de organização e gestão da escola. O segundo enfoque vê a organização escolar basicamente como um sistema que agrega pessoas. No primeiro enfoque. portanto. normas e regulamentos. um enfoque científico-racional e um enfoque crítico. com algumas exceções. É sempre útil distinguir. organizada e controlada. neutra. pode ser planejada. com os aspectos propriamente organizacionais e técnico-administrativos da escola. A organização escolar não seria uma coisa totalmente objetiva e funcional. centralização das decisões. a organização escolar é tomada como uma realidade objetiva. pais e integrantes da comunidade próxima. alunos.

acentuando-se a divisão técnica do trabalho escolar (tarefas especializadas).mas pelo interesse público. Algumas características desse modelo são: Prescrição detalhada de funções. Tende a seguir princípios e métodos da administração empresarial. Maior ênfase nas tarefas do que nas pessoas. de forma esquemática. procedimentos burocráticos de controle das atividades). conforme veremos em seguida. Poder centralizado no diretor. esta concepção também é conhecida como gestão da qualidade total. é possível apresentar. ausência de direção . A concepção autogestionária baseia-se na responsabilidade coletiva. Com base nos estudos existentes no Brasil sobre a organização e gestão escolar e nas experiências levadas a efeito nos últimos anos. destacando-se as relações de subordinação em que uns têm mais autoridade do que outros. regras. Comunicação linear (de cima para baixo). A visão crítica da escola resulta em diferentes formas de viabilização da gestão democrática. 97 A concepção técnico-científica baseia-se na hierarquia de cargos e funções visando a racionalização do trabalho. três das concepções de organização e gestão: a técnico-científica (ou funcionalista). Atualmente. a eficiência dos serviços escolares. às vezes descuidando-se dos objetivos específicos da instituição escolar. a autogestionária e a democrático-participativa. baseada em normas e regras. Ênfase na administração (sistema de normas.

Decisões coletivas (assembléias. por meio de eleições e alternância no exercício de funções.centralizada e acentuação da participação direta e por igual de todos os membros de instituição. Outras características: Ênfase nas inter-relações mais do que nas tarefas. O autor apresenta aqui seu próprio entendimento. Ênfase na auto-organização do grupo de pessoas da instituição. 98 Recusa a normas e sistemas de controles. A concepção democrática-participativa baseia-se na relação orgânica entre a direção e a participação do pessoal da escola. reuniões). É necessário alertar que há diversos entendimentos do que deva ser a gestão participativa enquanto forma concreta de organização da escola. Na bibliografia final apresentamos várias obras que expõem diferentes pontos de vista sobre essa questão. O caráter instituinte se dá pela prática da participação e auto-gestão. modos pelos quais se contesta o poder instituído. Crença no poder instituinte da instituição (vivência da experiência democrática no seio da instituição para expandi-Ia à sociedade) e recusa de todo poder instituído. Acentua a importância da busca de . Vínculo das formas de gestão interna com as formas de auto-gestão social (poder coletivo na escola para preparar formas de auto-gestão no plano político). eliminação de todas as formas de exercício de autoridade e poder. acentuando-se a responsabilidade coletiva.

99 A gestão é participativa mas espera-se. Busca de objetividade no trato das questões da organização e gestão. independente das pessoas. Atualmente. tomada de decisões.objetivos comuns assumidos por todos. advoga que cada membro da equipe assuma sua parte no trabalho. Qualificação e competência profissional. ao contrário. Acompanhamento e avaliação sistemáticos com finalidade pedagógica: diagnóstico. ela depende muito das experiências subjetivas das pessoas e . Articulação entre a atividade de direção e a iniciativa e participação das pessoas da escola e das que se relacionam com ela. Esta corrente afirma que a escola não é uma estrutura totalmente objetiva. acompanhamento dos trabalhos. admitindose a coordenação e a avaliação sistemática da operacionalização das decisões tomadas dentro de uma real diferenciação de funções e saberes. Defende uma forma coletiva de gestão em que as decisões são tomadas coletivamente e discutidas publicamente. mediante coleta de informações reais. o modelo democrático-participativo tem sido influenciado por uma corrente teórica que compreende a organização escolar como cultura. Entretanto. mensurável. também. uma vez tomadas as decisões coletivamente. a gestão da participação. Outras características desse modelo: Definição explicita de objetivos sócio-políticos e pedagógicos da escola. pela equipe escolar. reorientação de rumos e ações. todos avaliam e são avaliados. Todos dirigem e são dirigidos.

a organização. Busca relações solidárias. e os próprios objetivos sociais e culturais definidos pela sociedade e pelo Estado. dos significados que as pessoas dão às coisas enquanto significados socialmente produzidos e mantidos. a gestão. compreende que a organização é uma construção social.de suas interações sociais. a partir da experiência subjetiva e cultural das pessoas. Esta maneira de ver a organização escolar não exclui a presença de elementos objetivos.o planejamento. tais como as formas de poder externas e internas. a avaliação. já que precisa atender a objetivos sociais e políticos muito claros. mas mediatizado pela realidade sociocultural e política mais ampla. formas participativas. depende de objetivos mais . Uma visão sócio-crítica propõe considerar dois aspectos interligados: por um lado. a estrutura organizacional. ou seja. por outro. mas 100 também valoriza os elementos internos do processo organizacional . O modo como uma escola se organiza e se estrutura tem um caráter pedagógico. dizer que a organização é uma cultura significa que ela é construída pelos seus próprios membros. Em outras palavras. que essa construção não é um processo livre e voluntário. incluindo a influência de forças externas e internas marcadas por interesses de grupos sociais. em relação à escolarização da população. a direção. As concepções de gestão escolar refletem portanto. sempre contraditórios e às vezes conflitivos. ou seja. as responsabilidades individuais dos membros da equipe e a ação organizacional coordenada e supervisionada. posições políticas e concepções de homem e sociedade.

O termo estrutura tem aqui o sentido de ordenamento e disposição das funções que asseguram o funcionamento de um todo. valoriza o poder e a autoridade. As duas outras concepções valorizam o trabalho coletivo. hipervalorizando a racionalização do trabalho. no caso a escola.um tipo de gráfico que mostra as interrelações entre os vários 101 . A estrutura organizacional de uma escola Toda instituição escolar necessita de uma estrutura de organização interna. Adotamos. Com isso. implicando a participação de todos nas decisões. exercidas unilateralmente. geralmente prevista no Regimento Escolar ou em legislação específica estadual ou municipal. por exemplo. A concepção funcionalista. determinações rígidas de funções. neste livro. diminuir nas pessoas a faculdade de pensar e decidir sobre seu trabalho. Essa estrutura é comumente representada graficamente num organograma . a concepção democrático-participativa. Embora ambas tenham diferentes entendimentos das relações de poder dentro da escola. concebem a participação de todos nas decisões como importante ingrediente para a criação e desenvolvimento de relações democráticas e solidárias. ao menos. o grau de envolvimento profissional fica enfraquecido. tende a retirar ou.amplos sobre a relação da escola com a conservação ou a transformação social. Enfatizando relações de subordinação.

Evidentemente a forma do organograma reflete a concepção de organização e gestão. geralmente. dos funcionários. 1997). Sua composição tem uma certa proporcionalidade de participação dos docentes. Em alguns lugares o Conselho 102 A descrição das várias funções da estrutura organizacional das escolas foi retirada. dos especialistas em educação. Em vários Estados o Conselho é eleito no início do ano letivo. Conselho de Escola O Conselho de Escola tem atribuições consultivas. a paridade entre integrantes da escola (50 por cento) e usuários (50 por cento). observando-se. conforme as concepções de organização e gestão adotada. mas podemos apresentar a estrutura básica com todas as unidades e funções típicas de uma escola. deliberativas e fiscais em questões definidas na legislação estadual ou municipal e no Regimento escolar. em boa parte. A estrutura organizacional de escolas se diferencia conforme a legislação dos Estados e Municípios e. dos pais e alunos. envolvem aspectos pedagógicos. administrativos e financeiros. . Paro. de Escola é chamado de "colegiado" e sua função básica é democratizar as relações de poder (Paro.setores e funções de uma organização ou serviço. em princípio. Essas questões. Por dentro da escola pública (1996). do livro de Vítor H. obviamente. Ciseski e Romão. 1998.

também. O setor técnico-administrativo responde. pelos serviços auxiliares (Zeladoria.). cuida da manutenção. a escola conta com um secretário e escriturários ou auxiliares de secretaria. Responde também pelo atendimento ao público. A Secretaria Escolar cuida da documentação. da cozinha e da preparação e distribuição . instalações e equipamentos. A Zeladoria. dos docentes. atendendo às leis. realizada pelos serventes. conservação e limpeza 103 do prédio.Direção O diretor coordena. escrituração e correspondência da escola. Para a realização desses serviços. Setor técnico-administrativo O setor técnico-administrativo responde pelas atividades-meio que asseguram o atendimento dos objetivos e funções da escola. demais funcionários e dos alunos. Vigilância e Atendimento ao público) e Mul timeios (biblioteca. regulamentos e determinações dos órgãos superiores do sistema de ensino e às decisões no âmbito da escola assumidas pela equipe escolar e pela comunidade. O Assistente de diretor desempenha as mesmas funções na condição de substituto eventual do diretor. da guarda das dependências. laboratórios. videoteca etc. auxiliado pelos demais componentes do corpo de especialistas e de técnicos-administrativos. organiza e gerencia todas as atividades da escola.

Como são funções especializadas. 68. atendendo-os em caso de acidente ou enfermidade. ora são desempenhadas por professores. O serviço de Multimeios compreende a biblioteca. os equipamentos audiovisuais. recomenda-se que seus ocupantes sejam formados em cursos de Pedagogia ou adquiram formação pedagógicodidática específica. como também do atendimento às solicitações dos professores quanto a material escolar. com diferenças marcantes de posições. n. para quê? (Libâneo. envolvendo habilidades bastante especiais. sendo que em muitos lugares suas atribuições ora são unificadas em apenas uma pessoa. menos na sala de aula.da merenda escolar. os laboratórios. As funções desses es pecialistas variam conforme a legislação estadual e municipal. Para melhor conhecimento do assunto. a videoteca e outros recursos didáticos. A formação específica de supervisores ou coordenadores pedagógicos tem sido motivo de bastante polêmica entre os educadores. orientando-os quanto a normas disciplinares. e o artigo de Libâneo e Pimenta. Setor Pedagógico O setor pedagógico compreende as atividades de coordenação pedagógica e orientação educacional. ver o livro Pedagogia e pedagogos. assistência e encaminhamento de alunos. na revista Educação e Sociedade. A Vigilância cuida do acompanhamento dos alunos em todas as dependências do edifício. 1999. 104 . da execução de pequenos consertos e outros serviços rotineiros da escola. 1999).

A APM reúne os pais de alunos. O Conselho de Classe ou Série é um órgão de natureza deliberativa quanto à avaliação escolar dos alunos. onde essa função existe. apoia. Outra atribuição que cabe ao coordenador pedagógico é o relacionamento com os pais e a comunidade. ao comportamento discente. especialmente no que se refere ao funcionamento pedagógico-curricular e didático da escola e comunicação e interpretação da avaliação dos alunos. o Grêmio Estudantil e outras como Caixa Escolar.O coordenador pedagógico ou professor-coordenador supervisiona. Há lugares em que a coordenação restringe-se à disciplina em que o coordenador é especialista. assessora. o pessoal docente e técnicoadministrativo e alunos maiores de 18 anos. cuida do atendimento e do acompanhamento escolar dos alunos e também do relacionamento escola-pais-comunidade. avalia as atividades pedagógico-curriculares. . acompanha. decidindo sobre ações preventivas e corretivas em relação ao rendimento dos alunos. muitas escolas mantêm Instituições Auxiliares tais como: a APM (Associação de Pais e Mestres). às promoções e reprovações e a outras medidas concernentes à melhoria da qualidade da oferta dos serviços educacionais e ao melhor desempenho escolar dos alunos. no que diz respeito ao trabalho interativo com os alunos. a coordenação se faz em relação a todas as disciplinas. vinculadas ao Conselho de Escola (onde este exista) ou ao Diretor. em outros. O orientador educacional. Instituições Auxiliares Paralelamente à estrutura organizacional. Sua atribuição prioritária é prestar assistência pedagógico-didática aos professores em suas respectivas disciplinas.

O Grêmio Estudantil é uma entidade representativa dos alunos criada pela lei federal n.Costuma funcionar mediante uma diretoria executiva e um conselho deliberativo. na realização das atividades da escola e nas decisões dos Conselhos de Escola e de classe ou série. em outras um setor de assistência ao estudante. das reuniões com pais (especialmente na . evitando-se qualquer tutelamento por parte da Secretaria da Educação ou da direção da escola. médica e odontológica aos alunos carentes. variando sua composição e estrutura organizacional. Em algumas escolas. que lhes confere autonomia 105 para se organizarem em torno de seus interesses. é recomendável que tenham autonomia de organização e funcionamento. 7.398/85. os professores também têm a responsabilidades de participar na elaboração do plano escolar ou projeto pedagógico-curricular. com finalidades educacionais. Todavia. junto com a direção e os especialistas. alimentar. o ensino. econômica. a equipe escolar. Além de seu papel específico de docência das disciplinas. cívicas e sociais. Os professores de todas as disciplinas formam. que tem como função básica realizar o objetivo prioritário da escola. Ambas as instituições costumam ser regulamentadas no Regimento Escolar. Corpo Docente O Corpo docente é constituído pelo conjunto dos professores em exercício na escola. funciona a Caixa Escolar. culturais. que presta assistência social.

estruturada e coordenada. concebe a docência como trabalho interativo. as escolas buscam resultados. sendo uma . aposta na construção coletiva dos objetivos e do funcionamento da escola. os conhecimentos e qualificações práticas do educador. faz-se necessário o emprego dos elementos ou funções do processo organizacional. do diálogo. a formação continuada. também. como toda instituição. o planejamento.comunicação e interpretação da avaliação). Nos itens anteriores 106 mostramos que o processo de tomada de decisão inclui. Ao mesmo tempo. a administração. à racionalização do trabalho e à coordenação do esforço coletivo do pessoal que atua na escola. Em razão disso. Tudo em função de atingir os objetivos. envolvendo os aspectos físicos e materiais. do consenso. tal como veremos adiante. a organização e gestão refere-se aos meios de realização do trabalho escolar. Ou seja. culturais e recreativas da comunidade. a avaliação do trabalho escolar. por meio da dinâmica intersubjetiva. isto é. da APM e das demais atividades cívicas. as ações necessárias para colocá-la em prática. o que implica uma ação racional. Os elementos constitutivos do sistema de organização e gestão da escola A gestão democrática-participativa valoriza a participação da comunidade escolar no processo de tomada de decisão. De fato. as relações humano-interacionais.

Esses elementos constitutivos da organização são designados.Atividade através da qual se dá a racionalização de recursos. na verdade. Avaliação .atividade coletiva. criando e viabilizando as condições e modos para se realizar o que foi planejado. Formação continuada . também.Ações de capacitação e aperfeiçoamento dos profissionais da escola para que realizem com competência suas tarefas e se desenvolvam pessoal e profissionalmente. na bibliografia especializada. de funções administrativas ou etapas do processo administrativo.processo de explicitação de objetivos e antecipação de 107 decisões para orientar a instituição. Direção/Coordenação .Atividade de coordenação do esforço coletivo do pessoal da escola. Os autores geralmente mencionam as quatro funções estabelecidas nas teorias clássicas da . não depende apenas das capacidades e responsabilidades individuais. prevendo-se o que se deve fazer para atingi-los. Organização . O processo de organização escolar dispõe de elementos constitutivos que são. Tais elementos ou instrumentos de ação são: Planejamento . mas de objetivos comuns e compartilhados e de ações coordenadas e controladas dos agentes do processo.comprovação e avaliação do funcionamento da escola. instrumentos de ação mobilizados para atingir os objetivos escolares.

controle. operativas. é assegurar o desenvolvimento das capacidades cognitivas. participação e direção C. atitudes e valores por parte dos alunos. Romão (1997). para propor processos de gestão democrática da sociedade e do ensino público. hoje. CAPÍTULO VII – PRINCÍPIOS E CARACTERÍSTICAS DA GESTÃO ESCOLAR PARTICIPATIVA 111 A educação escolar tem a tarefa de promover a apropriação de saberes. adotando formas alternativas. faz-se necessário superar as formas conservadoras de organização e gestão. organização.f. Retomando os conceitos de gestão democrática. Para isso. no desenvolvimento dos processos do pensar. entre a atuação das elites e a atuação dos movimentos populares.Administração Geral: planejamento. de modo que aos objetivos sociais e políticos da escola correspondam estratégias compatíveis de organização e gestão. criativas. sociais e morais pelo seu empenho na dinamização do currículo. direção. na formação da cidadania participativa e na formação ética. O encargo das escolas. procedimentos. . pela ação mediadora dos professores e pela organização e gestão da escola. Este autor desenvolve uma análise bastante apropriada sobre as diferenças entre as organizações e entidades das elites e as das camadas populares.

pelo poder de manipulação dos meios de comunicação. Se atrasa o salário. à participação popular nos processos decisórios. Esses são alguns dos obstáculos à organização dos movimentos populares e. planos de governo. em conseqüência. entre outras razões. isto é. pela falta de organização popular.) têm se caracterizado por uma "cultura personalista". o poder governamental é personalizado. inclusive na escola. pela desescolarização da população. por outro lado. pelo poder financeiro das classes dominantes. ao prefeito. em detrimento da relação entre grupos. A relação política transforma-se numa relação entre indivíduos. As formas convencionais de representação política (escolha de representantes pelo voto) continuam em vigor. como se a pessoa que detém o cargo fosse a responsável solitária pelas decisões'. as pessoas ficam na espera de que as decisões venham "de cima". Quando as pessoas referem-se ao governo. medidas econômicas etc. mas sabemos que as camadas populares levam desvantagem na efetivação da participação política em relação às classes dominantes. as formas de gestão da sociedade (legislação. os professores dizem: 112 "O governador não nos paga". elas se referem quase sempre ao presidente. Com isso. mesmo porque tem sido essa a prática das elites políticas e econômicas dominantes. organizações.Na história brasileira. ao governador. entidades. interesses coletivos. acaba por . as dificuldades de mobilização das camadas populares em torno de seus interesses. Essa capacidade de mobilização dos grupos sociais economicamente privilegiados (as classes média e alta) e.

Evidentemente. conhecer com mais profundidade os que nela estudam e trabalham.e os Conselhos de Escola. assim. as camadas populares levam aí desvantagem 113 considerável. A conquista da cidadania requer um esforço dos educadores em estimular instâncias e práticas de participação popular. Colegiados ou Comissões que surgiram no início da década de 80. as práticas de participação e controle. Há . a participação influi na democratização da gestão e na melhoria da qualidade de ensino. participação significa a intervenção dos profissionais da educação e dos usuários (alunos e pais) na gestão da escola.ressaltar diferenças entre o tipo de relações que as famílias de alunos das escolas particulares mantêm com os profissionais da escola e as relações que as famílias de alunos de escolas públicas com seus respetivos profissionais (Romão. Todos os segmentos da comunidade podem compreender melhor o funcionamento da escola.bastante difundidos no Brasil . De acordo com Gadotti e Romão. Em resumo.1977). funcionando em vários estados. Entre as modalidades mais conhecidas de participação estão os Conselhos de classe . em relação às ações praticadas pelas escolas. Há dois sentidos de participação articulados entre si. inibindo as reivindicações. A participação da comunidade possibilita à população o conhecimento e a avaliação dos serviços oferecidos e a intervenção organizada na vida da escola. intensificar seu envolvimento com ela e. acompanhar melhor a educação ali oferecida (1997).

Ele vai além daquele de mobilização das pessoas para a realização eficaz das . A direção como princípio e atributo da gestão democrática A direção da escola. O significado do termo direção. é um imperativo social e pedagógico. afetivas. a participação é ingrediente dos próprios objetivos da escola e da educação. Há a participação como processo organizacional em que os profissionais e usuários da escola compartilham.a participação como meio de conquista da autonomia da escola. além de ser uma das funções do processo organizacional. um lugar fechado e separado da realidade. econômica e cultural. No segundo sentido. por meio de canais de participação 114 da comunidade. tratando-se da escola. metodológico e curricular. dos alunos. os pais. como elemento pedagógico. éticas. para conquistar o status de uma comunidade educativa que interage com a sociedade civil. os professores. A escola é lugar de aprender conhecimentos. estéticas. dos professores. vão aprendendo a sentir-se responsáveis pelas decisões que os afetam num âmbito mais amplo da sociedade. desenvolver capacidades intelectuais. Mas é também lugar de formação de competências para a participação na vida social. No primeiro sentido. Vivendo a prática da participação nos órgãos deliberativos da escola. constituindo-se como prática formativa. certos processos de tomada de decisão. sociais. os alunos. difere de outros processos de direção. a escola deixa de ser uma redoma. especialmente os empresariais. institucionalmente.

dão o rumo. O caráter pedagógico da ação educativa consiste precisamente na formulação de objetivos sócio-políticos e educativos e na criação de formas de viabilização organizativa e metodológica da educação (tais como a seleção e organização dos conteúdos e métodos. o trabalho escolar implica uma direção. a organização do ensino. Ou seja. definição de um rumo. por parte da equipe escolar. pela sua natureza. de integração e unidade de objetivos e ações. à busca deliberada. planejada. Sua adequada estruturação e seu ótimo funcionamento constituem fatores essenciais para se atingir eficazmente os objetivos de formação. a organização do trabalho escolar). Intencionalidade significa a resolução de fazer algo. numa sociedade concreta. uma tomada de posição frente a objetivos sociais e políticos da escola. por sua vez. A intencionalidade se projeta nos objetivos que. A escola. Na escola isso leva. Essa peculiaridade das instituições educativas vem do caráter de intencionalidade presente nas ações educativas. não é possível estruturá-la sem levar em consideração objetivos políticos e pedagógicos. dirigir o comportamento para algo que tem significado para nós. consciente. Não é preciso insistir que a prática da gestão e da direção participativas convergem para a elaboração e . e de um consenso em torno de normas e atitudes comuns. O processo educativo. ao cumprir sua função social de mediação. por essa razão. pois implica intencionalidade. portanto. inclui o conceito de direção.atividades. influi significativamente na formação da personalidade humana e. tendo em vista dar uma 115 direção consciente e planejada ao processo educacional. a direção da ação.

de decidir sobre seu próprio destino. as escolas podem traçar seu próprio caminho envolvendo professores. Qualquer modificação em sua estrutura ou no funcionamento de um dos seus elementos. razão de ser do projeto pedagógico. Autonomia das escolas e da comunidade educativa A autonomia é o fundamento da concepção democráticoparticipativa de gestão escolar. São propostos os seguintes princípios da concepção de gestão democrática-participativa: 1. Por ser um trabalho complexo. Ela é definida como faculdade das pessoas de autogovernar-se. projeta-se como influência benéfica ou prejudicial nos demais. interdependência entre a necessária racionalidade no uso dos recursos (materiais e conceituais) e a coordenação do esforço humano coletivo.execução do projeto pedagógico e assunção de responsabilidades de forma cooperativa e solidária. cuja aplicação deve estar subordinada às condições concretas de cada escola. alunos. Alguns princípios da organização e gestão escolar participativa A escola é uma instituição social que apresenta unidade em seus objetivos (sócio-políticos e pedagógicos). manter-se relativamente independente do poder central. Autonomia de uma instituição significa ter poder de decisão sobre seus objetivos e suas formas de organização. Sendo assim. funcionários. a organização e gestão escolar requerem o conhecimento e a adoção de alguns princípios básicos. administrar livremente recursos financeiros. pais e comunidade próxima que 116 .

de um lado. Por isso mesmo. Essa articulação nem sempre se dá sem problemas. a formação continuada não são originados na própria escola. a orientação e o controle de suas atividades internas conforme suas características particulares e sua realidade. Isso significa que a direção de uma escola deve ser exercida tendo em conta. por sua vez. Os recursos que asseguram os salários. elas integram um sistema escolar e dependem das políticas públicas e da gestão pública. a adequação e aplicação criadora das diretrizes gerais que recebe dos níveis superiores da administração do ensino. o planejamento. Ou. Certamente trata-se de uma autonomia relativa. As escolas públicas não são organismos isolados. com isso. Portanto. subordinando-se às diretrizes dos órgãos superiores. O sistema de ensino pode estar desprovido de uma política global. ainda.se tornam co-responsáveis pelo êxito da instituição. pode acontecer que as escolas as apliquem mecanicamente. Se. as condições de trabalho. o controle local e comunitário não podem prescindir das responsabilidades e da atuação dos órgãos centrais e intermediários do sistema escolar. por outro. a autonomia . perdem-se de vista diretrizes gerais do sistema e sua articulação com a sociedade. sem levar em conta as condições reais de seu funcionamento. espaço de trabalho coletivo e aprendizagem. As autoridades podem atribuir autonomia às escolas para. a organização. É assim que a organização da escola se transforma em instância educadora. os critérios e diretrizes de organização são estabelecidos dentro de marcos estreitos de cada escola. pode estar mal organizado e mal administrado. desobrigar o poder público de suas responsabilidades.

a busca do consenso em pautas básicas. Por outro lado. Relação orgânica entre a direção e a participação dos membros da equipe escolar Esse princípio conjuga o exercício responsável e compartilhado da direção. mobiliza. Nesse princípio está presente a exigência da participação de professores.precisa ser gerida. os modos de . a forma participativa da gestão e a responsabilidade individual de cada membro da equipe escolar. entram em ação os elementos (instrumentos e procedimentos) do processo organizacional em que o diretor coordena. pais. 117 2. os resultados de sua atividade . eficazmente.a formação cultural e científica dos alunos e o desenvolvimento das potencialidades cognitivas e operativas. o diálogo intersubjetivo. funcionários e outros representantes da comunidade bem como a forma de viabilização dessa participação: a interação comunicativa. A partir daí. de modo a alcançar. aprova um documento orientador. alunos. partilhada. motiva. delega as responsabilidades decorrentes das decisões aos membros da equipe escolar conforme suas atribuições específicas. implicando uma co-responsabilidade consciente. solidária. a participação implica os processos de gestão. toma decisões por meio de discussão com a comunidade escolar mais ampla. de todos os membros da equipe escolar. lidera. presta contas e submete à avaliação da equipe o desenvolvimento das decisões tomadas coletivamente. Sob supervisão e responsabilidade do diretor a equipe escolar formula o plano ou projeto pedagógicocurricular.

fazer. A presença da comunidade na escola. a gestão democrática não pode ficar restrita ao discurso da participação e às suas formas externas: as eleições. Desse modo. a organização escolar democrática implica não só a participação na gestão mas a gestão da participação. da Associação de Pais e Mestres (ou organizações correlatas) para preparar o projeto pedagógico-curricular e acompanhar e avaliar a qualidade dos serviços prestados. tem várias implicações. na verdade. Ela está a serviço dos objetivos do ensino. Adicionalmente. especialmente da qualidade cognitiva dos processos de ensino e aprendizagem. Conforme temos ressaltado. as entidades e organizações paralelas à escola. basicamente os pais. 3. especialmente dos pais. As pessoas podem ser induzidas a pensar que estão 118 participando quando. as assembléias e reuniões. os pais e outros representantes participam do Conselho de Escola. Prioritariamente. o cumprimento de responsabilidades compartilhadas dentro de uma mínima divisão de tarefas e alto grau de profissionalismo de todos. decididamente. usufruem das práticas participativas para . Além disso. facções partidárias etc. estão sendo manipuladas por interesses de grupos. Envolvimento da comunidade no processo escolar O princípio da autonomia requer vínculos mais estreitos com a comunidade educativa. a adoção de práticas participativas não está livre de servir à manipulação e ao controle do comportamento das pessoas. a coordenação e a cobrança dos trabalhos e.

Formação continuada para o desenvolvimento pessoal e profissional dos integrantes da comunidade escolar A concepção democrática-participativa de gestão valoriza o desenvolvimento pessoal. 5. contribuindo para o aumento da capacidade de fiscalização da sociedade civil sobre a execução da política educacional (Romão. O plano de ação da escola ou projeto pedagógico. 1997). convergindo na sua execução o interesse e o esforço coletivo dos membros da escola. de minorias étnicas e culturais. mas é . estratégias de ação. cronogramas e formas de controle e avaliação. 1997). as ações pedagógicas e administrativas buscam atingir objetivos.participarem de outras instâncias decisórias no âmbito da sociedade civil (organizações de bairro. estruturada e coordenada de proposição de objetivos. a qualificação profissional e a competência técnica. A escola é um espaço educativo. Além disso. movimentos de mulheres. lugar de aprendizagem em que todos aprendem a participar dos processos decisórios. Planejamento das tarefas O princípio do planejamento justifica-se porque as escolas buscam resultados. movimentos de educação ambiental e outros). torna-se o instrumento unificador das atividades escolares. discutido e analisado publicamente pela equipe escolar. a participação das comunidades escolares em processos decisórios dão respaldo a governos estaduais e municipais para encaminhar ao Poder Legislativo projetos de lei que atendam melhor às necessidades educacionais da população (Ciseski e Romão. provimento e ordenação dos recursos disponíveis. Há necessidade de uma ação racional. 4.

seus aspectos mais fundamentais.político. A democratização da informação implica o acesso de todos às informações e canais de comunicação que agilizem a tomada de conhecimento das decisões e de sua execução. 120 7. para além das aparências). observar e avaliar constantemente o desenvolvimento do processo de ensino. A organização e gestão do trabalho escolar requerem o constante aperfeiçoamento profissional . a qualificação e experiência dos professores. a adequação de métodos e procedimentos didáticos etc. científico. O processo de tomada de decisões deve basear-se em informações concretas. Analisar os problemas em seus múltiplos aspectos significa verificar a qualidade das aulas. o cumprimento dos programas. analisar com objetividade os resultados.de toda a equipe escolar. pedagógico . Dirigir uma escola implica conhecer bem seu estado real. analisando cada problema em seus múltiplos aspectos e na ampla democratização das informações Este princípio implica procedimentos de gestão baseados na coleta de dados e informações reais e seguras. a saúde dos alunos. Avaliação compartilhada Todas as decisões e procedimentos organizativos precisam ser acompanhados e avaliados. 6. os resultados do trabalho que a equipe se propôs a atingir. as características sócio-econômicas e culturais dos alunos.também o local em que os profissionais desenvolvem sua profissionalidade. na análise global dos problemas (buscar sua essência. fazer compartilhar as experiências docentes bem sucedidas. a partir do . suas causas.

As . de modo a prever e programar as ações e os resultados desejados. Além disso. O controle implica uma avaliação mútua entre direção. da valorização da experiência individual. Nas relações mútuas entre direção e professores. CAPÍTULO VIII – O Planejamento Escolar e o Projeto Pedagógico Curricular 123 O planejamento escolar consiste numa atividade de previsão da ação a ser realizada. entre professoras e alunos. professores e comunidade. O processo e o exercício de planejar referem-se a uma antecipação da prática. constituindo-se numa atividade necessária à tomada de decisões. 8. em função dos objetivos básicos da escola.princípio da relação orgânica entre a direção e a participação dos membros da equipe escolar. implicando definição de necessidades a atender. objetivos a atingir dentro das possibilidades. tempo de execução e formas de avaliação. procedimentos e recursos a serem empregados. A equipe da escola precisa investir sistematicamente na mudança das relações autoritárias para relações baseadas no diálogo e no consenso. severidade e tato humano. entre direção e funcionários técnicos e administrativos. há que combinar exigência e respeito. do clima amistoso de trabalho. Relações humanas produtivas e criativas assentadas na busca de objetivos comuns Esse princípio indica a importância do sistema de relações interpessoais em função da qualidade do trabalho de cada educador. é preciso insistir que o conjunto das ações de organização do trabalho na escola estão voltados para as ações pedagógico-didáticas.

possibilitando a revisão dos planos e projetos. também. conteúdos. Um plano ou um projeto é um esboço. um esquema que representa uma idéia. que um plano prévio é um roteiro para a . O planejamento se concretiza em planos e projetos. Em razão disso. tanto da escola e do currículo quanto do ensino. meios de sua execução e critérios de avaliação da qualidade do trabalho que realizam. valores. um ob jetivo. os resultados não são avaliados. o que se planeja são as atividades de ensino e de aprendizagem. fortemente determinadas por uma intencionalidade educativa envolvendo objetivos. 124 é uma prática de elaboração conjunta dos planos e sua discussão pública. uma meta. O ato de planejar não se reduz à elaboração dos planos de trabalho. modos de agir dos educadores que atuam na escola. de busca de alternativas para a solução de problemas e de tomada de decisões. mas a uma atividade permanente de reflexão e ação.instituições e organizações sociais precisam formular objetivos. O caráter de processo indica. Sem planejamento. a gestão corre ao sabor das circunstâncias. a correção no rumo das ações. No planejamento escolar. ter um plano de ação. Uma importante característica do planejamento é o seu caráter processual. atitudes. as ações são improvisadas. o planejamento nunca é apenas individual. A ação de planejar subordina-se à natureza da atividade realizada. uma seqüência de ações que irão orientar a prática. O planejamento é um processo contínuo de conhecimento e análise da realidade escolar em suas condições concretas.

prática. pois estes vão se delineando no desenvolvimento do trabalho. Definição de objetivos e metas compatibilizando a política e as diretrizes do sistema escolar com as intenções. expectativas e decisões da equipe da escola. expressando a síntese das exigências sociais e legais do sistema de . prevê os passos a seguir. também. Determinação de atividades e tarefas a serem desenvolvidas em função de prioridades postas pelas condições concretas e compatibilização com os recursos disponíveis (elementos humanos e recursos materiais e financeiros). às seguintes funções: Diagnóstico e análise da realidade da escola: busca de informações reais e atualizadas que permitam identificar as dificuldades existentes. a avaliação dos processos e resultados previstos no projeto. 125 O projeto pedagógico-curricular . tendo em vista a análise crítica e profunda do trabalho realizado e a reordenação de rumos. Consolida-se num documento que detalha objetivos. ele antecipa mentalmente a prática. O processo de planejamento inclui.características gerais O projeto pedagógico-curricular é a concretização do processo de planejamento. em relação aos resultados obtidos até então. causas que as originam. reflexão e deliberação dos educadores sobre a prática em curso. mas não pode determinar rigidamente os resultados. diretrizes e ações do processo educativo a ser desenvolvido na escola. em geral. O planejamento escolar atende. implicando permanente ação.

currículos. De certo modo. métodos. estratégias e formas de avaliação dentro de uma seqüência de passos extremamente rígida. Os planos consistiam na determinação de objetivos. modos de pensar e agir das pessoas que o elaboram. . Com isso. O projeto pedagógico-curricular deve ser compreendido como instrumento e processo de organização da escola. projetando a cultura organizacional que se deseja visando a intervenção e transformação da realidade. valores. O projeto. significados. propondose as formas mais adequadas de atender necessidades sociais e individuais dos alunos. orienta a prática de produzir uma realidade: conhece-se a realidade presente. reflete-se sobre ela e traçam-se as coordenadas para a construção de uma nova realidade. o projeto pedagógicocurricular é tanto a expressão da cultura da escola (cultura organizacional) como sua recriação e desenvolvimento.ensino e os propósitos e expectativas da comunidade escolar. é um conjunto de princípios e práticas que reflete e recria essa cultura. Ao mesmo tempo. depois não se mexia mais a não ser no ano seguinte. conteúdos. bastando planejar bem para se ter resultados bons. Tinha-se uma idéia de que a prática docente seria algo muito preciso e muito seguro. portanto. o planejamento curricular se restringia à semana de planejamento realizada no início do ano. em que o plano era mais um modelo do que um guia para a ação. A concepção de projeto pedagógico-curricular é diferente daquela prática de planejamento curricular que se consolidou nas escolas brasileiras sob influência do tecnicismo educacional a partir dos anos 70. Expressa a cultura da escola porque está assentado nas crenças. Considera o que já está instituído (legislação.

profissionais desta escola. ele sintetiza os interesses. dentro da prática da ação-reflexão-ação? Considerando o caráter processual do planejamento. Por isso é que se diz que as organizações são sempre construídas e reconstruídas socialmente. no país. tomar novas decisões e replanejar o rumo do trabalho. Nesse sentido. institui uma cultura organizacional. no mundo).126 formas organizativas da escola etc. respondendo estas perguntas: Que tipo de escola. ou seja. o projeto é avaliado ao longo do ano letivo para verificar se as ações estão correspondendo ao que foi previsto. Todo projeto é. os desejos. se as metas precisam ser alteradas em função de fatos inesperados. cria objetivos. modos de agir. A característica de instituinte significa que o projeto institui. cidadania. procedimentos. queremos? Que objetivos e metas correspondem às necessidades e espectativas desta comunidade escolar? Que necessidades precisamos atender em termos de formação dos alunos e alunas para a autonomia. pela interligação com o que acontece no mundo exterior (na comunidade. participação? Como faremos para colocar o projeto em permanente avaliação. as escolas não são iguais. portanto. Isso é assim porque as escolas são instituições marcadas pela interação entre pessoas. mas tem também uma característica de instituinte. . valores. pela sua intencionalidade. de forma a corrigir desvios. o que leva a concluir que as situações de ensino não se repetem.). estruturas. inconcluso. as propostas dos educadores que trabalham na escola. estabelece. nós. hábitos. instrumentos.

Uma visão crítica da Pedagogia assume que ter uma atitude pedagógica é dar uma direção de sentido. orientando o trabalho educativo para as finalidades sociais e políticas almejadas pelo grupo de educadores. A ação pedagógica. dá mostras de maturidade de sua equipe. O projeto é um guia para a ação. de modo que este é um instrumento da gestão. num trabalho cooperativo. prevê. de bom nível de desenvolvimento 127 profissional dos seus professores. mas. Por que a expressão projeto pedagógico-curricular? O termo pedagógico é representativo de uma concepção de educação que considera a Pedagogia como a reflexão sistemática sobre as práticas educativas. A gestão põe em prática o processo organizacional para atender ao projeto. formula metas. institui procedimentos e instrumentos de ação. um rumo. de capacidade de liderança da direção e de envolvimento da comunidade escolar. às práticas educativas. São duas coisas diferentes. ao "por que se faz".A escola que conseguir elaborar e executar. principalmente. nestes termos. A elaboração e execução do projeto pedagógicocurricular. seu projeto pedagógico-curricular. onde quer que elas sejam realizadas . dá uma direção política e pedagógica para o trabalho escolar. Dessa reflexão resulta a formulação de objetivos e meios formativos para dar uma direção ao processo educativo. não se refere apenas ao "como se faz". portanto. Atente-se que o projeto pedagógico-curricular não pode ser confundido com a organização escolar nem substitui a gestão. é a melhor demonstração de autonomia da equipe escolar e uma oportunidade de desenvolvimento profissional dos professores.

128 formula objetivos e implementa as condições organizativas e metodológicas para a viabilização da atividade educativa. é a concretização da posição da escola face à cultura . O currículo. do projeto pedagógico.(Libâneo. o currículo. no dizer de Gimeno Sacristán (1998). expressam intenções e ações logo materializadas nos currículos. O termo curricular indica o referencial concreto da proposta pedagógica. uma vez que o currículo é a projeção. conforme necessidades e exigências sociais concretas postas à humanização (emancipação humana) num determinado contexto histórico-social. como mediação da cultura. Trata-se. que envolve uma prática intencional de produção e internalizafão de significados. contexto esse sempre em transformação. É esse caráter de mediação cultural da pedagogia que faz viabilizar várias modalidades e formas institucionais de educação. de entender a pedagogia como prática cultural. portanto. essa prática de mediação cultural visa ao pleno desenvolvimento das capacidades humanas. Essa atitude tem as seguintes características: compreende a educação como prática social de assimilação ativa da experiência humana historicamente acumulada e culturalmente organizada. que. portanto. forma de trabalho cultural. entre elas a educação escolar. 1998). por sua vez. Também daí decorrem as várias projeções das opções político-pedagógicas em planos ou projetos nacionais. locais. o desdobramento. regionais. Essas são as idéias-chave que esclarecem o caráter "pedagógico" de um projeto.

1997). além da seleção da cultura da sociedade. Mas. 129 uma estreita articulação entre o projeto pedagógico e a proposta curricular. Ou mais precisamente. Ou como diz Stenhouse (in Pedra. Supõe-se. "um modo pelo qual a cultura é representada e reproduzida no cotidiano das instituições escolares" (Pedra. Há muitas definições do termo currículo: resultados buscados na aprendizagem. culturais. pedagógicos. políticos. assim. Adotar uma ou várias delas dependerá de opção entre as muitas teorias em voga. Hoje é bastante aceita a idéia de que currículo é. uma ambientação para vivenciar experiências culturais. experiências que devem ser providas aos estudantes. seleção e organização da cultura. portanto. orientações e diretrizes operacionais previstas no projeto pedagógico. com as experiências educacionais a serem providas aos alunos por meio do currículo. o currículo comunica princípios essenciais de uma proposta educativa. ao pôr em prática o projeto pedagógico. os seguintes pontos: a) Princípios (pontos de partida comuns) . o currículo também realimenta e modifica o projeto pedagógico. princípios orientadores da prática. A proposta curricular e. aberta a um exame crítico para que possa ser traduzida na prática. As decisões a serem tomadas em função do projeto pedagógico-curricular podem considerar. de modo a promover um entrecruzamento dos objetivos e estratégias para o ensino formulados a partir de necessidades e exigências da sociedade e do aluno com base em critérios filosóficos.produzida pela sociedade. ao menos. a projeção dos objetivos. 1997).

É preciso que a direção e os professores entrem em acordo sobre as práticas de gestão. dos conteúdos e métodos. que todos entrem em acordo sobre elas a partir de um consenso mínimo. cada membro assume sua parte no trabalho. o que é de responsabilidade de cada professor. A decisão é coletiva. acompanhar e avaliar o trabalho de cada um. admitindo o exercício da direção para coordenar.É desejável que os professores e especialistas formem um consenso mínimo em torno de opções sociais. escolha de prioridades. dos problemas. do papel da escola na sociedade. Aqui entra a importância do diagnóstico. das demandas a atender no mundo de hoje em função das necessidades pessoais. políticas e pedagógicas. define-se que as decisões são tomadas coletivamente. 130 d) Unidade teórico-metodológica no trabalho pedagógicodidático A unidade teórico-metodológica começa pela definição de objetivos comuns e é assegurada pela coordenação pedagógica e pelo trabalho conjunto e articulado dos professores. c) Sistema e práticas de gestão negociadas A participação na gestão democrática implica decisões sobre as formas de organização e gestão. b) Objetivos (pontos de chegada comuns) Os objetivos expressam intenções bem concretas. do papel do professor e dos alunos. uma vez tomadas as decisões. que é um retrato realista da situação. Entretanto. mas implica responsabilidades. Depois segue-se a tomada de decisões. É desejável que a escola tenha uma linha . dos alunos. Por exemplo. o que se atacará em conjunto com toda a equipe. profissionais. sociais.

A importância do projeto na organização e gestão da escola Consideremos. os vários entendimentos sobre a noção de projeto. confrontando o que foi decidido e o que está sendo feito. um requisito para a escola trabalhar com a interdisciplinaridade. e) Sistema explicito e transparente de acompanhamento e avaliação do projeto e das atividades da escola O acompanhamento e a avaliação põem em evidência os êxitos. Este é. os resultados. mas também as dificuldades surgidas na implantação e execução dos planos. rendimento escolar dos alunos. o projeto está . Em estudos especializados. ainda que ela expresse princípios e orientações mais gerais. O projeto pedagógico-curricular expressa as decisões da escola e o seu conteúdo varia de sistema para sistema. presença dos pais na escola etc. evidências de comportamento dos alunos etc.). o que supõe o acompanhamento.) e qualitativa (grau de atendimento das necessidades e expectativas. Nenhum membro da equipe escolar deveria estranhar uma cobrança de trabalho feita pelo diretor se esse trabalho foi decidido coletivamente. nível de satisfação dos alunos e das famílias. A avaliação da organização e gestão escolar pode ser quantitativa (matrículas/evasão. Os integrantes da escola escolherão o conteúdo do projeto.pedagógico-didática com a qual todos possam compartilhar. inicialmente. de escola para escola. cumprimento de prazos. também. sua extensão e sua profundidade. A avaliação depende de informações concretas e objetivas.

um conhecido especialista em teoria do planejamento. Esse entendimento vigorou durante anos. (.) O programa (é) componente do plano... (. metas.) Quando variam os níveis de decisão. por sua vez subdividido em programas.131 incluído na noção mais ampla de planejamento. como por exemplo. (.. Carvalho. no Brasil.. O planejamento é um processo sistematizado. faz uma distinção clara entre esses termos. podem resultar para as escolas várias concepções de planejamento escolar: Se as escolas forem consideradas unidades administrativas dentro do planejamento geral do Ministério da Educação ou da Secretaria da Educação. sendo o plano. uma subdivisão que permite agrupar as decisões por áreas de ação semelhantes sob o mesmo título" (1979). nacional. Os programas explicitariam uma linha de ações globais e cada programa seria detalhado em projetos. o programa e o projeto documentos. Plano seria o documento mais abrangente que resulta do processo de planejamento.. regional.) O plano difere do projeto essencialmente no que se refere à a amplitude do objeto. procedimentos como forma de racionalização da ação. ou seja. estadual ou da empresa. ações. podem variar também os elementos componentes do projeto. o projeto objetiva o estudo do uso mais racional dos recursos econômicos (escassos) para a produção de um bem ou serviço. Enquanto o plano procura reunir um conjunto de elementos de decisão necessários para concretizar racionalmente a conduta de um grupo humano ou de um conjunto e unidade de produção. elas . Planejamento seria o processo de previsão de objetivos. Dessa compreensão de conjunto do processo de planejamento.. em sucessivos governos.

Um dos temas mais recorrentes dos estudos atuais sobre a escola é a descentralização dos serviços educacionais. os programas e os projetos. . é mais compatível com a realidade educacional brasileira. resumidamente. todavia. Se as escolas forem consideradas unidades relativamente autônomas. elas poderiam realizar em si mesmas todas 132 as características de um processo de planejamento: teriam o plano. qual seja.seriam a última instância do processo de planejamento. Ainda consideradas como relativamente autônomas. Limitamo-nos a comentar. portanto. cada escola configuraria um projeto. A escolha de uma dessas alternativas envolve uma gama de considerações que não podem ser esgotadas apenas em um capítulo. a nosso ver. dentro da estrutura hierárquica do sistema. ora com diferentes graus de complexidade (ter um plano global. manter uma excessiva dependência das instâncias do sistema escolar (considere-se que sempre haverá uma certa subordinação às políticas educacionais e curriculares do sistema). ora simplesmente um projeto. a adoção da prática do projeto pedagógico-curricular. todavia. ora fazendo um plano e alguns projetos específicos. ora com uma dependência maior ou menor da hierarquia do sistema escolar. as tendências atuais sobre o assunto e a apresentar uma solução que. em interação crítica com as orientações dos sistemas de ensino. as escolas poderiam configurar-se como um projeto sem. programas e projetos específicos). Observe-se que essas situações refletem diferentes percepções das formas de gestão e direção. Também indicam diferentes modelos operacionais já que as escolas poderiam trabalhar.

isto é. do empenho nas formas de gestão da escola um vínculo mais estreito com a comunidade. dentro de uma estratégia de diminuir o papel do Estado na sociedade. . difundindo-se a idéia de que as responsabilidades do governo e da sociedade civil se equivalem. Essa tese já foi muito bem aceita pelos educadores progressistas. É desse esforço que pode resultar a participação do conjunto dos membros da escola. em lugar onde todos podem aprender permanentemente. de fato. mas hoje há forte desconfiança de que a descentralização e a autonomia das escolas seria uma forma de o Estado livrar-se de suas responsabilidades públicas. acentua o espírito de equipe. Tomando-se a gestão e a autonomia nesse sentido. a organização escolar transforma-se em espaço educativo. Sem dúvida. 133 Apesar dessa desconfiança ser bastante pertinente há. mediante a autonomia pedagógica e financeira. envolvendo os professores e demais educadores na responsabilidade em assumir um papel na organização do trabalho escolar não apenas na sala de aula mas na escola como um todo. Resulta. também. a autonomia fortalece as escolas.A descentralização implica a autonomia da escola. A autonomia propicia aos professores mais liberdade para travar relações com a comunidade local e fazer outras parcerias. a co-responsabilização pelas ações de ensino e aprendizagem e um bom projeto pedagógico. uma tendência forte em favor da autonomia e da prerrogativa das escolas e professores de decidirem acerca dos objetivos e das formas de trabalhar. as escolas e os professores estariam assumindo seu poder de decisão.

é preciso prever e antecipar ações. da comunidade. definir seu papel estratégico na educação das crianças e jovens. numa perspectiva progressista. é o meio pelo qual os agentes diretos da escola tornam-se sujeitos históricos. da sociedade). o que desejamos. organizar suas ações. Pode-se dizer.Aceita essa justificativa. sujeitos capazes de intervir conscientemente e coletivamente nos objetivos e nas práticas de sua escola. pela sua 134 natureza. O projeto. precisamente. isto é. o que faremos em função do que desejamos. os professores e a comunidade. O projeto sintetiza: o que temos. que o projeto representa a oportunidade de a direção. o norteador da vida escolar. Melhor dizendo. então. visando a atingir os objetivos que se propõem. a idéia de projeto pedagógico ganha força. o projeto incorpora a utopia mas sua característica é organizar a ação. e uma concretização. . Isso significa que o projeto é ao mesmo tempo um desejo. Para isso. por isso precisa ser sempre operacional. uma utopia. na produção social do futuro (da escola. a forma de concretizar as intenções e as expectativas da equipe escolar. tomarem sua escola nas mãos. O projeto surge como forma de superação de um paradigma técnico (ou tecnicista) em que tudo o que a escola e os professores precisam fazer já vem estabelecido de cima. organizando as formas de intervenção e atuação numa realidade que. já que ele é. é mutável. a coordenação pedagógica. É o ordenador.

Por sua vez. projeto pedagógico-curricular. Os profissionais (direção. o que importa é o processo de ação-reflexão-ação que se instaura na escola envolvendo todos os seus integrantes. Todavia. ações e meios. A rigor. Outros entendem que projeto pedagógico é a mesma coisa que projeto curricular. do ambiente de trabalho. plano de escola? Não há uma denominação que tenha unanimidade entre os educadores. O ideário é a concepção de 135 . Sem descartar outras possibilidades. projeto político-pedagógico. coordenação pedagógica. este incluindo-se naquele. Trata-se de um documento só. outros colocam o projeto curricular antes do pedagógico e há os que preferem chamar tudo de plano da escola. Todos podemos aprender afazer do exercício do trabalho um objeto de reflexão e pesquisa. integrando e articulando o ideário.como saber se o que estamos fazendo corresponde ao que desejamos. Os indivíduos e os grupos mudam mudando o próprio contexto em que trabalham. Como se denomina esse projeto? Projeto educativo. projeto pedagógico. no qual está implícito um plano. mudando junto com seus profissionais. funcionários) aprendem através da organização. as organizações também aprendem. optamos pela denominação projeto pedagógico-curricular. objetivos. há quem considere o projeto educativo mais amplo que o projeto pedagógico. é um ingrediente do potencial formativo das situações de trabalho. O projeto pedagógico assim entendido. professores. projeto curricular.

Há neste livro uma variedade de possibilidades de sistematização. em que os professores e equipe escolar discutem e definem objetivos. conteúdos. o projeto concretiza o processo de planejamento. que e o conteúdo dos próprios Parâmetros Curriculares. adaptações ou elaborações curriculares" de modo que possam dialogar com as propostas e experiências já existentes. sua singularidade. as ações e meios de realização do trabalho. do Ministério da Educação. cada situação. O terceiro nível refere-se ao uso dos PCN na elaboração do projeto educativo da escola. têm sua diversidade. Não há uma única maneira de elaborar o projeto pedagógico-curricular. O documento Parâmetros Curriculares Nacionais (1998). O segundo nível é a utilização dos PCN para as propostas das secretarias de educação nos estados e municípios "como recursos para revisões. Todavia. O primeiro nível corresponde à proposição de subsídios para a discussão e elaboração de propostas curriculares nos diferentes estados e municípios. seu modo de planejar. O processo de elaboração do projeto pedagógico-curricular Conforme vimos mencionando. com vários roteiros e indicações de tópicos (consultar o Capítulo XIII e os Anexos). 1994).educação que determina "o sentido e a natureza das decisões e das ações a desenvolver junto dos alunos" (Carvalho e Diogo. ao qual se seguem os objetivos. abordagens metodológicas e . cada escola. de modo que "fazer planejamento" é ir percorrendo as várias fases de elaboração do projeto. estipula quatro níveis de concretização do planejamento escolar. podem ser indicados alguns princípios e algumas formas de sua operacionalização.

os PCN propõem: Objetivos gerais do ensino fundamental. O quarto nível é a realização do currículo na sala de aula. considerando-se sucessivamente. esquemático. Orientações didáticas. ético. o projeto pedagógico-curricular e os planos de ensino das disciplinas. que "indicam capacidades relativas aos aspectos cognitivo. de forma a expressar a formação básica necessária para o exercício da cidadania e nortear a seleção de conteúdos". por ciclo. físico. A partir desses tópicos gerais.critérios de avaliação para cada ciclo. explicitando a contribuição especifica dos diferentes âmbitos do conhecimento". afetivo. em que o professor compatibiliza seu plano de ensino conforme as metas estabelecidas na fase anterior e às características de seu grupo específico de alunos. O processo de elaboração do projeto pode iniciar-se com um plano geral. estético. Objetivos e conteúdos. formulado por uma comissão de pedagogos e professores. em blocos de duas séries. de atuação e inserção social. Critérios de avaliação das aprendizagens fundamentais. "que expressam capacidades que os alunos devem desenvolver ao longo da escolaridade obrigatória. Objetivos gerais de áreas. organizados em quatro ciclos de escolarização. que compõem o ensino fundamental. Este esboço prévio tem a finalidade de deslanchar o processo e mobilizar as pessoas para a discussão pública e elaboração do projeto. são distribuídas as . 136 Para isso. Na escola realizam-se o terceiro e o quarto nível de concretização curricular.

participação dos professores.2. estabelecimento de metas e atividades etc. análise. gestão. escola e comunidade). identificação de problemas e prioridades. A fase seguinte pode ser a elaboração de um documento gerador. geográficos 1. 2. sem necessidade de votação. Breve história da escola (como surgiu. Aspectos sociais. Princípios norteadores da ação pedagógico-didática . também elaborado por uma comissão. pais. Os seguintes tópicos compõem a sugestão de um roteiro para formulação do projeto pedagógico-curricular: 1. a correspondência entre os resultados e os objetivos previstos. Recomenda-se que a discussão vá caminhando 137 para um consenso em torno de pontos que possam ser compartilhados por todos. Contextualização e caracterização da escola 1. Uma comissão de acompanhamento e avaliação do projeto reunirse-á periodicamente para verificar o cumprimento das metas. Condições físicas e materiais 1.1. Concepção de educação e de práticas escolares 2. Finalmente. como vem funcionando.3.1. Caracterização dos elementos humanos 1. mais detalhado. a ser estudado previamente por toda a equipe de trabalho e depois discutido e aprovado.2. econômicos. Concepção de escola e de perfil de formação dos alunos 2. culturais. administração. visão que os alunos têm da escola. identificar necessidades e problemas e sugerir soluções.responsabilidades das sub-comissões para coleta de dados.4. elaborase e aprova-se o documento final.

1. Proposta de trabalho com pais. culturais.1.2. físicos e materiais. avaliação da aprendizagem 7. as necessidades da comunidade. Aspectos organizacionais 5.3 Estratégias de ação. Aspectos administrativos 5. Proposta curricular 6. a seguir. a origem social e cultural dos alunos etc.3.1. plano de ensino da disciplina): Objetivos. psicológicos. Estrutura de organização e gestão 5. Formas de avaliação do projeto Apresenta-se. Definição de prioridades 3. das séries ou ciclos. Objetivos gerais 5. epistemológicos. conteúdos. a descrição do conteúdo de cada tópico: Contextualização e caracterização da escola Este tópico visa caracterizar o contexto econômico e sociocultural em que a escola está inserida.2. a fim de avaliar as condições existentes. Organização curricular (da escola. descrever os aspectos humanos. Estas informações são sumamente relevantes para o projeto. Diagnóstico da situação atual 3.3. Fundamentos sociológicos. Proposta de formação continuada de professores 8. comunidade e outras escolas de uma mesma área geográfica 9. pedagógicos 6. desenvolvimento metodológico. escolha de soluções 4. .2. Aspectos financeiros 138 6. Levantamento e identificação de problemas e necessidades a atender 3.

cultural. jurídica. significados. realizado a partir do levantamento de dados. com base nas exigências e necessidades sociais e nas suas próprias crenças. visa analisar e explicar a situação. O diagnóstico terá a extensão que se julgar mais conveniente. do clima da escola. As questões e problemas podem ser levantadas em reunião ou podem ser listadas por uma comissão de professores e pedagogos e discutidas. administrativos. tipo de gestão. relacionamento com pais e comunidade etc. Nesse caso. Há uma grande variedade de problemas administrativos e pedagógicos que as escolas podem apresentar: falta de . 139 Diagnóstico e análise dos problemas e necessidades Essa fase corresponde à caracterização sócio-econômica e cultural do contexto da ação escolar. O projeto pedagógico-curricular reflete expectativas da sociedade e dos próprios educadores sobre o significado de "aluno educado" e para que tipo de sociedade se educa. valores. cabe uma caracterização sócio-económica. do pessoal técnico e docente. O diagnóstico. é bom que o faça uma primeira vez e o refaça de tempos em tempos. se a escola nunca fez um diagnóstico completo. articulando o problema e suas causas internas e externas.Concepção de educação e de práticas escolares A finalidade deste tópico é apresentar uma síntese do "pensamento" da equipe de professores e pedagogos sobre educação e currículo. Os problemas podem ser agrupados em pedagógicos. financeiros. Todavia. das condições físicas e materiais.

capacidade da equipe de profissionais. coleta de opiniões em situação grupal. inexistência de critérios de reprovação de alunos por parte da escola. falta de atenção do pessoal de secretaria em relação às mães. Após o levantamento de muitas idéias.comunicação entre direção e professores. excesso de agressões verbais ou violência física no recreio. a cada momento do desenvolvimento das atividades escolares. entrevistas. tempo etc. custo. deixando os objetivos específicos para o tópico referente à proposta curricular. distribuição da merenda de forma inadequada com prejuízo para o andamento das aulas. Estrutura Organizacional Refere-se à descrição da estrutura de funcionamento e dos meios de organização e gestão. aplicação de questionários. entrada e saída dos alunos de forma desordenada. Há vários meios de se fazer o diagnóstico e o levantamento de problemas: observações. responsabilidades. . 140 Objetivos gerais Nesta fase são propostas as metas mais amplas que se deseja alcançar. Considere-se que. É óbvio que seleção depende de condições reais como espaço físico. procede-se à seleção dos objetivos ou metas. o diagnóstico vai sendo refeito. falta de definição de responsabilidades na equipe. falta de entrosamento entre os planos de ensino das matérias. dificuldade generalizada de leitura e interpretação de textos pelos alunos etc. de vários caminhos.

Avaliação do projeto A avaliação será processual-somativa. a redefinição permanente de objetivos e meios. 141 A proposta curricular . A proposta curricular Este tópico do projeto destina-se.formas de dinamizar o processo de gestão. o currículo é um desdobramento necessário do projeto pedagógico. incluindo a coleta de dados. através do currículo. ou seja.a organização e o desenvolvimento do currículo O currículo constitui o elemento nuclear do projeto pedagógico. 1994). A proposta curricular inclui a organização curricular propriamente dita e a organização pedagógico-didática. a eficiência (gestão e administração dos recursos e meios) e eficácia (relação entre a ação e os resultados)" (Carvalho e Diogo. especificamente. "A avaliação deverá fornecer os dados necessários para intervir no sentido de corrigir a coerência (relação entre o projeto e o problema). será detalhado à parte em tópico específico. à definição da atuação da escola no processo de ensino e aprendizagem. Dentro do marco teórico adotado neste livro. a proposta curricular define-se como projeção do projeto pedagógico. é ele que viabiliza o processo de ensino e aprendizagem. Pela importância deste item no projeto pedagógico-curricular. materializando intenções e orientações previstas no . a análise dos resultados. tal como descreveremos nos capítulos seguintes.

o para quê ensinar. Significados mais ampliados do termo surgem no início do século XX. identificando quase sempre o conjunto de saberes e/ou experiências que alunos precisam adquirir e/ou vivenciar em função de sua formação. Enquanto projeção do projeto pedagógico. nosso "percurso de vida". apresentamos algumas idéias sobre o conceito de currículo. a proposta curricular é a orientação prática da ação de acordo com um plano mais amplo. em estreita colaboração com a didática. a fim de obter uma titulação. um diploma. Antes das sugestões sobre o que deve conter a proposta de organização curricular. Quando elaboramos um curriculum vitae. Algumas dessas teorias trouxeram contribuições decisivas 142 . o plano de estudos ou a grade curricular. O termo currículo possui vários sentidos. apresentamos nossa "carreira da vida". originando-se daí novas tendências teóricas que. No linguajar comum ainda predomina a idéia de currículo como o conjunto das disciplinas que o aluno deve percorrer.projeto em objetivos e conteúdos. o como ensinar e as formas de avaliação. o currículo define o que ensinar. percurso" (do verbo latino currere = correr). ou seja. superando as anteriores concepções positivistas. especialmente na Inglaterra e nos Estados Unidos. Etimologicamente. significa "ato de correr. os estudos sobre currículo tiveram um desenvolvimento considerável. Nesse sentido. Desde o início dos anos 70. é um nível do planejamento entre o projeto pedagógico e a ação prática. introduziram referências de cunho crítico para a investigação do currículo.

é verdade. que pode concretizar objetivos e práticas que representam interesses sociais e políticos dos segmentos majoritários mais excluídos e mais explorados da sociedade. 1999) O currículo é a ligação entre a cultura e a sociedade exterior à escola e à educação. seleção essa feita a partir do que a sociedade julga necessário ser incorporado pelos alunos.. político. intenções e práticas sociais que estão por detrás dos currículos. de fato. Consideradas essas questões. se é verdade que o currículo quase sempre expressa interesses dos grupos sociais com mais poder econômico. classificam.. entre o conhecimento e cultura herdados e a aprendizagem dos alunos. Isso. complementares: O currículo é a representação da cultura no cotidiano escolar (.para a compreensão do papel ideológico e político do currículo. por tentarem esclarecer a seguinte tese de Basil Bernstein: A maneira pela qual uma sociedade seleciona. também.) um modo pelo qual a cultura é representada e reproduzida no cotidiano das instituições escolares. com o que as escolas acabam por conformar-se. todavia. classifica. entre a .).. Essa afirmação expressa. social. transmite e avalia os saberes educacionais destinados ao ensino. 1992). acompanhados de sua comunicação na escola.. propomos ficar com duas definições bem pontuais que são. Ou seja. (Pedra. (. distribuem e avaliam conhecimentos no espaço das instituições escolares. reflete a distribuição do poder em seu interior e a maneira pela qual se encontra aí assegurado o controle social dos comportamentos individuais (In Forquin. não nos impede de compreendê-los como seleção de saberes e experiências. o modo pelo qual se selecionam. também. distribui.

1999). A primeira definição destaca a idéia de que o currículo se sustenta em representações sociais presentes na cultura na qual se 143 dá a teoria e a prática do currículo. entendidas como idéias. A segunda mostra que o currículo é a concretização do posicionamento da escola face à cultura produzida pela sociedade. suposições e aspirações) e a prática possível. Existe ensino porque existe uma cultura. sobre o que é relevante que os alunos aprendam em função de suas necessidades pessoais e das necessidades e exigências de interesses em jogo na sociedade. formas de gestão. procedimentos. para que aprender. Quando os professores e a equipe escolar planejam o currículo. dadas determinadas condições (Gimeno Sacristán. Para Gimeno. e o currículo é a seleção e organização dessa cultura. conhecimentos. o currículo reflete intenções (objetivos) e ações (conhecimentos. o currículo representa a seleção e organização da cultura. tendo em vista a . que devem ser reproduzidos e produzidos para se assegurar o funcionamento de um tipo de sociedade. eles realizam uma escolha para responder a estas indagações: o que nossos alunos precisam aprender.). modos de agir. Em síntese. Ou seja. aqui. em função de que aprender? Há aí uma espécie de diálogo com a sociedade e entre a própria equipe de professores. tornadas realidade pelo trabalho dos professores e sob determinadas condições providas pela organização escolar. de avaliação etc. Representações.teoria (idéias. o papel social da escola se realiza por meio do currículo. valores.

É o currículo legal expresso em diretrizes curriculares.é o currículo que. as propostas curriculares dos Estado e Municípios. 144 Currículo formal . como. é a efetivação do que foi planejado. É o currículo que .melhor qualidade do processo de ensino e aprendizagem (Carvalho e Diogo. O currículo formal ou oficial é aquele conjunto de diretrizes normativas prescritas institucionalmente. intervenção da própria experiência dos professores. de fato. currículo oculto Os estudos sobre currículo realizados a partir das décadas 1960-70 destacam a existência nas escolas de vários níveis de currículo: formal. objetivos e conteúdos das áreas ou disciplinas de estudo. por exemplo. currículo real. real. Níveis de currículo: currículo formal. significados. mesmo que nesse caminho do planejar e do executar aconteçam mudanças. acontece na sala de aula em decorrência de um projeto pedagógico e dos planos de ensino.refere-se ao currículo estabelecido pelos sistemas de ensino ou instituição educacional. 1994). decorrentes do seus valores. os Parâmetros Curriculares Nacionais divulgados pelo Ministério da Educação. as características desses vários níveis. oculto. a seguir. depende de muitos fatores e não apenas das disciplinas previstas na grade curricular. A distinção entre esses vários níveis de currículo serve para mostrar que o que os alunos aprendem na escola ou o que deixam de aprender. crenças. Currículo Real . É a execução de um plano. Explicitamos.

até chegar aos alunos. compreendido e retido pelos alunos não corresponde ao que os professores ensinam ou crêem estar ensinando. percepções. valores.Essa denominação refere-se àquelas influências que afetam a aprendizagem dos alunos e o trabalho dos professores provenientes da experiência cultural. Primeiramente. Alguns autores chamam de currículo experienciado essas percepções dos alunos que resultam de sua reação ao que está sendo ensinado ou vivenciado. Esses vários sentidos aparecem de alguma forma na prática escolar. . Freqüentemente. é razoável supor que o currículo tem sempre uma dimensão externa. cruzando-se entre si. das práticas e experiências compartilhadas na escola e na sala de aula. significados. embora se constitua como importante fator de aprendizagem. Currículo oculto . O currículo está "oculto" porque 145 ele não é prescrito. comportamentos existentes na cultura. o que é realmente aprendido. passa pelas crenças. assim como o que fica na percepção dos alunos. não aparece no planejamento. comportamentos. gestos. O currículo oculto representa tudo o que os alunos aprendem pela convivência espontânea em meio às várias práticas. ou seja. é retrabalhado pelos professores. ou seja. que vigoram no meio social e escolar. dos valores e significados trazidos pelas pessoas de seu meio social e vivenciados na própria escola.sai da prática dos professores. da percepção e do uso que os professores fazem do currículo formal. ele segue uma seqüência que começa quase sempre na esfera política e administrativa do sistema escolar. atitudes.

suas atitudes nas brincadeiras e jogos. o currículo representa. que precisam ser detectadas pelos professores. em relação às ciências que dão origem às matérias escolares. até. de forma intencional e programada mas. as atitudes que tomam em relação às diferenças individuais dos alunos. de fato. quanto diferentes interpretações. atitudes.. valores. Em terceiro lugar. inclusive para que compreendam que essas influências limitam o poder de intervenção da escola. O currículo real obriga a escola a considerar a cultura proposta pelo currículo formal e as situações de fato vividas na escola e nas salas de aula. de forma que ele tanto pode expressar a autonomia da escola. procedimentos. o modo como os alunos se relacionam entre si.como importante elemento curricular. o conjunto das aprendizagens que os alunos precisam internalizar. há aprendizagens consumadas fora do previsto formalmente (currículo oculto) desejadas ou não pelos agentes escolares (direção.. à primeira vista. 146 O que significa que o currículo escolar conhecimentos. políticas. os objetivos dos integrantes da escola. a higiene e limpeza nas dependências da escola etc. pois é no âmbito dessa cultura que observamos a linguagem dos professores. o desejo dos professores e da equipe escolar. distorções de conteúdo. ênfases e.).cultura organizacional . pais. É por esta razão que temos insistido na consideração da cultura da escola . o currículo é submetido a transformações pelos professores e alunos (currículo real). professores. econômicas. hábitos . Em segundo lugar.Isso significa que ele está impregnado de influências sociais.

comportamentos. Em resumo. mas também aqueles valores. O currículo é o conjunto dos vários tipos de aprendizagens. algumas concepções mais conhecidas de organização curricular que expressam formas de concretização das intenções pedagógicas. funcionários. sinteticamente. é o de armazenador de informações. a cultura social. caráter livresco e verbalista. . atitudes que se adquirem nas vivências cotidianas na comunidade. Concepções de organização curricular Apresentamos.etc. a cultura dos alunos. aquelas exigidas pelo processo de escolarização.expressa certo recorte da cultura de um povo. centrado no professor e na matéria. a construção e elaboração da proposta curricular implica compreender que o currículo é mais do que os conteúdos escolares inscritos nas disciplinas. na maior parte das correntes pedagógicas tradicionais. escola como responsável pelo ajustamento social dos alunos sem preocupação com uma visão critica da sociedade. na interação entre professores. não os processos. Importam mais freqüentemente os produtos da aprendizagem. O papel do aluno. nos jogos e no recreio e outras atividades concretas que acontecem na escola que denominamos ora de currículo real ora de currículo oculto. que acaba por incorporar outros aspectos como a cultura das mídias. Currículo tradicional O currículo tradicional é o mais utilizado e suas características mais visíveis são conhecidas: organização do conhecimento por disciplinas compartimentalizadas. razão pela qual a avaliação somativa tem . 1. ensino meramente transmissivo. alunos.

visando a desenvolver habilidades e destrezas para formar o técnico.grande peso. 2. os computadores. formulam objetivos e conteúdos. o currículo racionaltecnológico não precisa ser discutido e elaborado pelos agentes diretos envolvidos com o ensino e aprendizagem. Os alunos são tidos quase sempre 147 como imaturos. Parte-se de um currículo previamente prescrito por especialistas que. Metodologicamente. padrões de desempenho. incluindo hoje. caracteriza-se pela introdução de técnicas mais refinadas de transmissão. O currículo é reduzido a um conjunto de disciplinas e de conteúdos a serem "passados" aos alunos. ela cuida apenas do "como". busca de . a partir de critérios científicos e técnicos. o currículo racional tecnológico se firma na racionalidade técnica e instrumental. o aluno um receptor de conhecimentos. Diferentemente do cunho acadêmico do currículo tradicional. habilidades considerados úteis e desejados pela sociedade. A escola não discute sobre "o que ensinar". Currículo racional-tecnológico (tecnicista) É o currículo proposto para a transmissão de conteúdos e desenvolvimento de habilidades a serviço do sistema de produção. os professores. organizados numa "grade curricular". O professor é o detentor da autoridade intelectual e moral (mesmo que não as tenha). incapazes de refazerem seu próprio percurso de aprendizagem. Ignoram-se as diferenças individuais. isto é. Definido por especialistas. as mídias.

não como verdades estabelecidas. também. de contínua adequação ao meio. Daí a ênfase nas necessidades e interesses dos alunos. com o menor custo. sem acentuar os saberes. Currículo escolanovista (ou progressivista) O enfoque escolanovista coincide quase sempre com a idéia de currículo centrado no aluno e no provimento de experiências de aprendizagem como forma de ligar a escola com a vida e adaptar os alunos ao meio. liberado de qualquer consideração em torno de finalidades. esse modelo de currículo compreende a educação como um processo interno de desenvolvimento. na atividade.maior eficiência em função dos produtos da aprendizagem. em que a organização curricular resulta de objetivos assentados em habilidades e destrezas a serem dominados pelos alunos no percurso de formação. no ritmo de cada um. valoriza-se bastante a atividade de . valores etc. identificando ensino com métodos e tecnologia educativa. 148 3. apenas restrita ao saber-fazer. de tecnicismo educacional. uma derivação dessa concepção é o currículo por competências. A crítica que se faz a esse tipo de currículo é a sua definição muito estreita de competência. Esta corrente tem sido denominada. colocando os conteúdos escolares como instrumentos para o desenvolvimento de processos mentais. Identificado com as idéias de John Dewey. os conteúdos são subordinados às necessidades e interesses dos alunos no seu processo de adaptação ao meio. Atualmente. o conteúdo vem das experiências dos alunos. Por isso. O professor é o facilitador da aprendizagem. as atitudes e os processos cognitivos.

Umas das idéias-chave do construtivismo é a crença no papel ativo do sujeito no processo de aprendizagem e. o currículo construtivista está diretamente associado à influência de Jean Piaget e seguidores. que alguns autores chamam de neo-cognitivismo. Atualmente. o construtivismo tem influenciado as chamadas ciências da cognição (entre elas a neurofisiologia. a neurociências.pesquisa do aluno e o clima psicológico e social da escola e da sala de aula. Nas concepções fundamentadas em Piaget. no desenvolvimento dos processos de aprendizagem ativa. a inteligência artificial). O professor tem o papel justamente de organizador e facilitador da aprendizagem visando a assegurar a interação do aluno com os objetos de conhecimento. a lingüística. 4. Currículo construtivista No Brasil. A partir da . valorizando mais a construção do conhecimento pelo próprio aluno do que a influência da cultura e do professor. derivando-se daí conseqüências para a organização curricular. portanto. Seu objetivo é buscar novos modelos e referências para avançar na investigação sobre os processos psicológicos e a cognição. recai um peso maior na aprendizagem subordinada ao processo de desenvolvimento 149 cognitivo. O currículo deve prever atividades que correspondam ao nível de desenvolvimento intelectual dos alunos e organizar situações que estimulem suas capacidades cognitivas e sociais. de modo a possibilitar a construção pessoal dos conhecimentos.

com seus parceiros.psicolinguística. dos colegas. etc. desenvolve-se entre nós um interacionismo de orientação histórico-social. cujas bases teóricas se apóiam no psicólogo russo Vigotsky. percepção. A maior parte dos educadores que trabalham com esta posição. a conhecem como sócio-interacionismo. justamente porque destaca o papel do meio. atribuindo-se peso significativo à cultura e às relações sociais. dos conhecimentos anteriores e do professor. as funções mentais superiores (linguagem. considerando este como algo mais do que uma simples ferramenta conceitual. ao papel do ensino na aprendizagem. Por isso. da cultura. bem como do outro. que leva ao extremo as analogias entre mente e computador. Isso significa admitir um papel essencial do ensino na promoção do desenvolvimento cognitivo e social dos alunos. mas a ação do sujeito sobre o meio é socialmente mediada. Uma das principais diferenças entre os vários construtivismos diz respeito ao papel da cultura. no sentido de uma relação do sujeito com o outro. do professor. Nesse sentido. atenção voluntária. Nessa orientação. o que remete. abstração. A atividade do sujeito supõe a ação entre sujeitos. isto é. Mais especificamente. memória. capacidade de comparar. surgem duas versões: a) Psicologia cognitiva que estuda diretamente o comportamento inteligente de sujeitos humanos. da teoria da comunicação e da cibernética (ciência dos computadores). essa posição é . b) Ciência cognitiva. a aprendizagem resulta da interação sujeito-objeto. diferenciar. em ultima instância. postula a origem social das funções mentais superiores.) são ações internalizadas de algo socialmente constituído.

150 também denominada concepção sócio-cultural ou sóciohistórica. adere à idéia da aprendizagem como construção do sujeito. enfim. 5. visando a construção de novas relações sociais. junto com os requisitos de se ajudar o aluno a adquirir autonomia de pensamento. às vezes divergentes entre si. a educação cobre a função de transmissão cultural mas também é responsável pela ajuda ao aluno no desenvolvimento de suas próprias capacidades de aprender e na sua inserção crítica e participativa na sociedade em função da formação da cidadania. Neste segundo caso. da compreensão do conhecimento como ligado à prática e à solução de problemas. diretamente associada ao currículo sóciocrítico. as desigualdades sociais e econômicas. algumas dão mais ênfase às questões políticas do processo de formação. inclusive para submeter os conteúdos a uma análise ideológica e política. o desemprego. Metodologicamente. de modo a eliminar as mazelas sociais existentes como a pobreza. Currículo sócio-crítico (ou histórico-social) A abordagem sócio-crítica possui várias correntes. considera especialmente os efeitos do currículo oculto e do contexto da ação educativa nos processos de ensino e aprendizagem. a violência. Em razão disso. a destruição do meio ambiente. destaca-se a importância da responsabilidade social e da busca do interesse coletivo. . As abordagens críticas convergem na concepção de ensino como compreensão da realidade para transformá-la. outras colocam a relação pedagógica como mediação da formação política.

Algumas correntes da abordagem crítica defendem um tipo de currículo mais informal. Entendemos que essa concepção de currículo é insuficiente para atingir os objetivos emancipatórios que a escola busca. se elaboram e se . da convivência social na escola. fortuitos. b) ressaltar. minimizando ou até recusando um currículo formal. ao lado dos conteúdos culturais. a teoria e os conteúdos culturais sistematizados. São duas as idéias norteadoras desse modelo curricular: a) buscar a integração de conhecimentos e experiências que facilitem uma compreensão mais reflexiva e crítica da realidade. destacando a globalização das aprendizagens e a interdisciplinaridade. a compreensão de como se produzem. Currículo integrado ou globalizado O movimento por um modelo de currículo integrado tem chegado até nós por meio de autores espanhóis (Torres Santomé. O termo interdisciplinaridade acentua a inter-relação entre conhecimentos. o domínio dos processos necessários ao acesso aos conhecimentos e. 151 6. centrado na valorização de elementos casuais. Sem os conceitos. entre outros). dificilmente os alunos estarão aptos a analisar a realidade e formular estratégias de atuação. Hernandez. simultaneamente. superando a separação e falta de comunicação entre as disciplinas escolares. O termo globalização está associado a características da estrutura cognitiva e afetiva dos alunos que acentuam uma maneira própria de atribuir significados e construir e integrar conhecimentos.

comunicação. dos conteúdos culturais.transformam esses conhecimentos. nas várias experiências de aprendizagem tipo biblioteca. a seleção de experiências de aprendizagem verdadeiramente interessantes.). inclusive naquilo que não foi previsto pelos professores. 1989). superando os reducionismos psicológicos. pelos alunos. pelo qual a escola torna-se um espaço de reconstrução. a importância dos processos mentais na 152 aprendizagem (observação. comparação etc. mediante o método de projetos. Com essa orientação. no currículo em ação. classificação. o valor da atividade do próprio sujeito na aprendizagem. a vivência cultural dos alunos. adota-se o currículo experiencial. o aprender a aprender (Torres Santomé. Tipos de currículo Os tipos ou modelos de currículo decorrem das concepções e posicionamentos teóricos sobre conhecimento . se preste atenção a tudo o que acontece na escola e nas aulas. síntese. a ligação dos conteúdos culturais com a realidade. epistemológicos ou sociológicos. no currículo oculto. vídeos. também. neste modelo. análise. Incorpora-se. das experiências e conhecimentos próprios de sua comunidade. ou seja. o currículo globalizado articula várias práticas educativas que possam contribuir para os processos de ensino e aprendizagem. tomada de decisões. visitas. pretende-se que. das teorias. Na prática curricular. Para se chegar a esses objetivos. laboratórios. a interdisciplinaridade. A ênfase aos processos não significa minimizar a importância dos conceitos.

no exercício prático de tomada de decisões. das estratégias de aprendizagem. o que se busca com o currículo. tanto no sentido de a prática ser a referência para a elaboração e desenvolvimento curricular como no sentido de entender a prática curricular como um processo de investigação. ou seja. o integrado. isto é. O currículo tecnicista gera um formato de currículo baseado na tecnologia de elaboração e de aplicação de programas curriculares: como selecionar e organizar objetivos e experiências de aprendizagem. o formato do currículo tradicional corresponde melhor à idéia de plano de estudos. O conhecimento destas concepções contribui para a elaboração da proposta curricular. importa distinguir para decidir entre currículos fechados e currículos abertos.e ensino. quais materiais de ensino e instrumentos de avaliação são mais eficazes. atribuem importância à prática. o papel da educação e do ensino na sociedade e para os indivíduos. O currículo numa perspectiva cognitiva acentua o desenvolvimento das capacidades cognitivas. Dessa forma. acentuando mais o "como" do que o "o quê". a relação do currículo com a prática. as disciplinas aparecem apenas como valor instrumental para a aprendizagem das habilidades cognitivas. Geralmente os objetivos e conteúdos são prescritos. inscritos numa grade curricular. um conjunto de disciplinas a serem estudadas pelos alunos ao longo das séries escolares. no entanto. Nos currículos fechados tem-se o currículo por disciplinas isoladas. quais técnicas devem utilizadas pelos professores. como também. O currículo sócio-crítico. as 153 .

didático e pedagógico). não se consideram os saberes e competências profissionais dos professores. Entre as caraterísticas assinaladas nos currículos abertos está a interdisciplinaridade. como cidadão). atitudes. ou seja. O resultado prático da interdisciplinaridade é o estabelecimento de ligações de complementaridade entre as matérias escolares. têm mais flexibilidade na definição de objetivos e competências. Estabelecer ligações entre teoria e prática. 1994). Os currículos abertos preocupam-se com a integração entre as disciplinas. seus saberes de experiência e saberes profissionais (Carvalho e Diogo. sem autonomia para tomar decisões. A elaboração e o desenvolvimento curricular contam com a participação dos professores. Suscitar e garantir processos integradores e a apropriação de saberes enquanto produtos cognitivos dos alunos (implica a organização de saberes sob o ponto de vista curricular. sejam integrados na estrutura mental do aluno. procedimentos.escolas e os professores limitam-se a segui-los. Alguns princípios da interdisciplinaridade são: Ter como referência o sujeito que aprende e sua relação com o saber. Interdisciplinaridade é um procedimento de organização da escola e do ensino que favorece a integração de aprendizagens e de saberes e a busca de saberes úteis para lidar com questões e problemas da realidade (levar o aluno a confrontar-se com a realidade. que atualmente é um dos mais importantes elementos do formato de currículo que corresponde melhor a uma proposta curricular de cunho cognitivo e social. os conteúdos podem ser organizados em áreas e temas geradores. de modo que os conhecimentos. respeitando-se sua autonomia. .

ao acesso aos bens culturais. disciplinar e a integração interdisciplinar e vice-versa. Alguns princípios orientadores da proposta curricular Se a organização curricular expressa os objetivos e estratégias de ação do projeto pedagógico-curricular. à conquista da dignidade humana e da liberdade intelectual e política. a melhoria da qualidade da vida. apenas indicam algumas idéias a serem consideradas. o desen volvimento da subjetividade e sensibilidade. Os tópicos que apresentamos não cobrem o conjunto dos fatores e exigências de um currículo sensível aos problemas da nossa época.Estabelecer ligações entre pontos de vista distintos acerca de um objeto de conhecimento. ela pode gerar .A escolarização básica obrigatória tem um significado educativo. ao desenvolvimento das capacidades individuais e sociais. Mas. a inserção no trabalho e na vida social. político e social. torna-se relevante considerar alguns princípios na construção de um currículo de cunho sócio-crítico. 154 Fazer o caminho entre a especialização. Evidentemente. ela está condicionada por uma multiplicidade de fatores como os econômicos e políticos. implicando o direito de todos. a compreensão e a solidariedade entre os seres humanos. em condições iguais de oportunidades. Este princípio se baseia na crença do poder da educação para propiciar o desenvolvimento da razão critica pelo exercício da racionalidade. a educação não atua sozinha. 1 . à formação da cidadania. sem dúvida.

portanto. do trabalho e do exercício da cidadania. 2 . O termo "conteúdos" refere-se aos conhecimentos sistematizados. selecionados das bases das ciências e dos modos de ação acumulados pela experiência social da humanidade e organizados para serem ensinados na escola. através deles. Não há que se alimentar ilusões.A escolarização obrigatória requer criteriosa seleção de conteúdos e adoção de adequadas práticas pedagógicas. busca-se incorporar no currículo os interesses de todos os alunos em sua diversidade tanto no âmbito psicológico quanto no âmbito social e cultural. Aprender a cultura. a arte através de um ensino que forme sujeitos pensantes e críticos não é nada muito mais do que a sempre proclamada formação geral que. as escolas têm uma responsabilidade concreta e real: propiciar a assimilação e a reconstrução dos conteúdos escolares e. ao mesmo tempo que possibilita a internalização de um conteúdo significativo e útil. conforme uma pedagogia diferenciada. Ao mesmo tempo que se propicia uma cultura geral comum. pondo-se em prática o lema: uma escolaridade igual para sujeitos diferentes em uma escola comum (Gimeno.melhores condições de vida e de realização humana tanto para os indivíduos quanto para o conjunto da sociedade sendo. Este é um dever de justiça social. Essa tarefa deve ser concretizada nas escolas e nas salas de aula. proporciona também as ferramentas mentais para lidar praticamente com os conceitos nas situações 155 concretas da vida cotidiana. os processos de desenvolvimento das capacidades cognitivas e operativas. . 2000). a ciência. um caminho para a igualdade e a inclusão social.

convicções.O currículo escolar representa o cruzamento de culturas. sistematizada. cada aluno sinta-se valorizado e respeitado em sua subjetividade. constituindo-se num espaço de síntese em que a cultura elaborada se articula com os conhecimentos e experiências concretas dos alunos vividas no seu meio social. e a cultura experienciada que acontece na família. Trata-se de compreender a escola como lugar de síntese entre a cultura formal. são atitudes. de sentir e de enfrentar o mundo. 3 . a cultura social. o que implica formular . a cultura acadêmica expressa no currículo. a cultura da escola (organizacional). na cidade. nas mídias e outros contextos culturais. a cultura dos alunos. valores. 156 Os objetivos de formação cultural e de desenvolvimento curricular precisam considerar hoje a nova configuração econômica e política e as novas realidades sociais e culturais do mundo contemporâneo. incluindo métodos e procedimentos de aprendizagem e de estudo. a partir da diversificação de metodologias e procedimentos.são habilidades e hábitos. integrando no currículo a variedade de culturas que perpassa a escola: a cultura científica. envolvendo modos de agir. com a cultura dos meios de comunicação. Isso significa propiciar aos alunos conhecimentos e experiências diversificadas. em quaisquer situações de aprendizagem e de convivência social. Além disso. supõe-se uma pedagogia diferenciada em que. a cultura das mídias. da cidade e de suas práticas sociais. na rua. vinculados aos conhecimentos.

instrumentos conceituais de apreensão dos objetos de conhecimento. Uma pedagogia do pensar é aquela que ajuda o aluno a transformar-se num sujeito pensante.coletivamente formas pedagógico-didáticas de assegurar essa articulação. 4 . Há um razoável consenso hoje em torno de proposições sócio-interacionistas: o papel ativo do sujeito na aprendizagem escolar. tendo como referência a internalização e reconstrução dos conteúdos culturais. 157 5 . de modo que aprenda a utilizar seu potencial de pensamento pelos meios cognitivos de construção e reconstrução de conceitos. mediante a condução pedagógica do professor que disporá de práticas de ensino intencionais e sistemáticas de promover o "ensinar a aprender a pensar".O processo de ensino e aprendizagem deverá estar centrado no ensino do aprender a pensar e do aprender a aprender. a interligação das várias culturas que perpassam a escola etc. A equipe escolar precisa incluir na definição e na discussão pública da proposta curricular a educação para os valores. atitudes. mediante formulação explicita de conteúdos e competências e de formas metodológicas que suscitem nas . ou seja. valores. Trata-se de investir numa combinação bem sucedida da assimilação consciente e ativa desses conteúdos com o desenvolvimento de capacidades cognitivas e afetivas pelos alunos visando a formação de estruturas próprias de pensamento.compreensão e clarificação de valores e atitudes. a aprendizagem interdisciplinar. habilidades. o desenvolvimento de competências do pensar.A organização e desenvolvimento do currículo implica a inserção da educação moral .

Mas o trabalho com valores ligase. o ambiente. de doutrinação política ou religiosa. cultural e educacional estão requerendo um vínculo mais estreito entre os saberes propiciados pela escola e as capacidades e competências internalizadas pelos alunos que expressam a relação entre conhecimento e ação. nas várias disciplinas. também. A associação entre os conteúdos de ensino e os objetivos e competências. os alunos a praticá-los em contextos e situações concretas. significa pôr em prática não apenas as competências do pensar sobre valores. mas de propiciar aos alunos estratégias e procedimentos de pensar sobre valores e critérios orientadores sobre modos de decidir e agir (Libâneo. O currículo em ação. os professores. Mas é justamente por isso que o grupo de professores e especialistas de uma escola precisa explicitar princípios norteadores para a vida prática decorrentes de um consenso mínimo. passam valores. os professores. mas levando a escola. a partir da busca de sentidos de sua própria experiência e da cultura organizacional que vivenciam na escola. a escola. Não se trata. com a cultura da escola. a todo momento. Certamente. 6 . há que se considerar formas criativas de lidar com os temas transversais propostos nos Parâmetros Curriculares Nacionais. Nesse sentido. corresponde à exigência atual de atribuição de sentido . 2000). quanto ao tema da dimensão moral do ensino.As transformações em curso na esfera econômica. de inculcar valores. como parte do chamado currículo oculto. obviamente.salas de aula o "pensar" sobre valores e práticas morais.

favorecendo a integração interdisciplinar. cuidar para que os conhecimentos e modos de ação contribuam para a internalização de determinadas capacidades e competências. isto é. permuta de experiências e .diálogo entre vários especialistas. definem-se os objetivos e conteúdos da disciplina e as possibilidades de articulação com as demais disciplinas de uma mesma série de modo a atender os objetivos. ou mais precisamente. técnicas. O currículo pluridisciplinar é aquele em que as disciplinas encontram-se justapostas e isoladas entre si.158 aos saberes escolares. Uma vez formulados os objetivos do projeto pedagógicocurricular e as capacidades e competências desejadas. 7 – É preciso que as escolas vão buscando formas de superação do currículo pluridisciplinar. A interdisciplinaridade como forma de compreensão do processo de construção do conhecimento é ao mesmo tempo uma atitude . capacidades e competências definidos pelo conjunto dos professores. horizontal e verticalmente. habilidades para resolver problemas práticos e imediatos. a partir da especificidade das disciplinas. Há que se pensar numa estrutura curricular em que os vários campos do conhecimento se articulem num todo orgânico e se integrem. Trata-se aqui de articular a seleção de conteúdos com objetivos e competências exigíveis como resultados do processo de ensino e aprendizagem. para além da mera instrumentação dos conteúdos da perspectiva tecnicista que reduz as aprendizagens ao "saber fazer". dominar regras de atuação.

a partir de uma base comum de cultura geral para todos. o combate ao racismo e a outros tipos de discriminação e preconceito. .A qualidade social do currículo se expressa no provimento das condições pedagógico-didáticas que asseguram melhor qualidade cognitiva e operativa das experiências de aprendizagem. Um dos mais relevantes objetivos democráticos no ensino será fazer da escola um lugar em que todos os alunos possam experimentar sua própria forma de realização e sucesso. na escola e dentro das salas de aula. um espaço de diálogo e comunicação entre grupos sociais diversos. O provimento da cultura escolar aos alunos e a constituição de um espaço democrático na organização escolar devem incluir a interculturalidade: o respeito e valorização da diversidade cultural e das diferentes origens sociais dos alunos.conhecimentos. 159 8 . uma forma de organização administrativa e pedagógica elaboração coletiva do projeto pedagógico e participação na gestão da escola. de modo a representar num currículo comum os interesses de todos os alunos. uma prática curricular . acolhe a diversidade e a experiência particular dos diferentes grupos de alunos e que propicia. produção conjunta de conhecimentos. 9 .construção conjunta de uma proposta curricular baseada na integração entre as disciplinas e envolvimento em projetos comuns de desenvolvimento do currículo.A escola voltada para uma sociedade que inclua todos precisa considerar a diversidade cultural e as diferenças. O currículo intercultural é o que.

conhecimento e uso de novos instrumentos de produção e comunicação entre os homens. depende não apenas do exercício da democracia nas escolas. da qualidade cognitiva e operativa das aprendizagens. escrever e fazer contas. para o que se mobiliza o currículo. como professores. sim. de capacidade operativa. É na sala de aula que podemos realizar. . a justiça social em matéria de educação. social e afetiva da aprendizagem. da gestão participativa. especialmente da escola pública. produtiva. mas como instrumento concreto de conhecimento. Portanto. propiciada a todos os alunos em condições iguais.que os filhos das camadas médias e pobres da população podem participar de uma vida mais digna e mais completa. a gestão e o desenvolvimento profissional dos professores. e de capacidade cognoscitiva (Manacorda.1986). saber agir) e maior participação democrática.O currículo escolar deve propiciar no processo educativo a articulação entre as dimensões cognitiva. 160 É preciso dar instrução. da introdução de inovações técnicas mas. A cultura hoje não passa somente pelo ler.O êxito da escola. 10 . basicamente. a qualidade social da escola se manifesta na garantia da qualidade cognitiva e operativa das aprendizagens para a produção de saberes. com maior capacidade operativa (saber fazer. É através das formação cultural de sólidos conhecimentos e capacidades cognitivas fortemente desenvolvidas . Passa pelo conhecimento teórico-prático.

11 . Implica. seus desejos. condicionados por culturas particulares da sua origem social. de forma organizada. na escola. A busca de condições de exercício da profissão aponta para a necessidade de as escolas assegurarem um ambiente . também. interesses.É necessário um incessante investimento no desenvolvimento pessoal e profissional dos professores. um clima de trabalho receptivo seja promovendo ações de formação continuada. meios. mas no desenvolvimento do currículo e das práticas de ensino é preciso especial atenção para o fato de que os alunos são sujeitos concretos. necessidades de alunos diferentes entre si. de tornar as experiências de sala de aula mais agradáveis. A busca da articulação entre o cognitivo. mais prazerosas.Essas dimensões estão presentes no comportamento dos sujeitos que aprendem. social e cultural. portadores de saberes decorrentes de suas experiências vividas. o social e o afetivo possibilita compreender o papel da escola e da equipe docente em ajudar os alunos a construírem sua subjetividade como pessoas humanas e como sujeitos portadores de uma identidade cultural e pertencentes à humanidade. deixá-los falar. ter sensibilidade para situar a relação docente no contexto físico. expor seus sentimentos. técnicas. Isso implica em conhecer e compreender motivações. mobilizar procedimentos. ajudá-los na capacidade de comunicação com o mundo do outro. seja propiciando 161 se. que possibilitem aos professores conversar mais com alunos.

não pode ensinar cultura. Quanto mais se admite estarmos vivendo numa sociedade do conhecimento.As escolas precisam. elabore e critique todas as modalidades de informação que afeta o trabalho do professor. precisa prover . O ideal de um currículo que visa a emancipação intelectual e política das pessoas é propiciar a todos condições iguais de exercício da cidadania. Para isso. o que implica a reordenação de formas de organização do trabalho na direção de relações sociais interativas e solidárias. convivência e tomada de decisões. também. Professor que não se cultiva. ninguém dá o que não tem.de trabalho em que as pessoas se sintam bem e que possam crescer pessoal e profissionalmente. é indispensável que o desenvolvimento do currículo esteja vinculado ao desenvolvimento profissional dos professores. Para isso. liderança. No terreno da cultura e da ciência. A par disso. mas também por ser ela própria um lugar onde se põe em prática a vivência do que se propõe nos objetivos: desenvolvimento da autonomia de pensamento. A elaboração e desenvolvimento do currículo é um exercício de reflexão coletiva sobre a prática. A educação escolar pode contribuir para a democracia não apenas pela formação do cidadão crítico e participativo. participação nas decisões. e preciso que na organização da escola e no processo de elaboração curricular se invista em ações de formação continuada. mais se requer um conhecimento que interprete. que não está seguro ao menos no campo de conhecimento em que se especializa e na metodologia de ensino. iniciativa. 12 . Mas não basta a participação. cultivar os processos democráticos e solidários de trabalho.

Explicitação dos princípios norteadores de formação expressando expectativas em relação à formação esperada (perfil) dos alunos. discussão publica de pontos de vista. conteúdos. O processo de elaboração da proposta curricular No projeto pedagógico-curricular são formulados. capacitação para tomar iniciativas. para definir a proposta curricular da escola: qual modelo curricular adotar? Quais objetivos e conteúdos? Quais os critérios de seleção e organização dos conteúdos? 2. tendo em vista os resultados da aprendizagem. . A proposta curricular da escola implica decisões conjuntas dos professores. métodos e formas organizativas do ensino. por áreas curriculares ou disciplinas. de forma mais abrangente. A elaboração da proposta curricular supõe dois momentos articulados entre si: a proposta curricular formulada pela escola e os planos de ensino dos professores. concretiza essas grandes linhas em objetivos. considerado o contexto sóciocultural. para o que se requer: 1. propriamente dita. expressando intenções e expectativas sobre a formação dos alunos.oportunidades em que os alunos possam exercer a democracia mediante formas de 162 participação. os objetivos gerais. Conhecimento e análise critica das orientações normativas do sistema nacional de ensino e das diretrizes estaduais ou municipais (LDB e normas legais regionais). A proposta curricular. processos organizados de tomada de decisões. competências.

Escolha de metodologias e procedimentos compatíveis com os objetivos e com a proposta curricular. 5. Seleção e organização das disciplinas que irão compor o currículo e de outras atividades curriculares. de modo que os professores possam tomar decisões mais pontuais em suas próprias disciplinas e no . Definição de sistemáticas comuns de avaliação dos alunos. através de projetos. bem como de atividades curriculares complementares. Tais "intenções" devem ser expressas. práticas. consideradas as várias áreas e/ou disciplinas. Explicitação de formas de participação dos alunos no planejamento do currículo e nas instâncias de organização e gestão. em linhas gerais. habilidades/ procedimentos e de atitudes/valores. 6.3. dos professores e da aprendizagem dos alunos. de preferência. incluindo a inserção deles nos processos de tomada de decisão. Definição de normas de funcionamento. Concepções e procedimentos de avaliação da escola. atitudes. contemplando as dimensões dos conteúdos: conhecimentos/conceitos. que sejam consensuais. do currículo. Definição de formas e propostas trabalho entre as disciplinas que envolvam assuntos mais significativos para os alunos. Formulação de objetivos e competências gerais por séries. incluindo decisões como: 163 Definição de temas comuns a serem tratados por diferentes disciplinas. 4.

ainda.âmbito das séries. expectativas e sentimentos compartilhados pelo grupo social que constitui a escola. procedimentos de avaliação. considerar que é sumamente imprescindível que a elaboração do currículo leve em conta a situação concreta de cada escola. O plano de ensino compreende os objetivos. em consonância com a proposta curricular da escola. mas as escolas precisam desenvolver uma interação crítica com os dispositivos normativos. competências em relação aos objetivos e conteúdos e desenvolvimento metodológico (condições para a aprendizagem ocorrer: ações pedagógico-didáticas. métodos. Cada disciplina define seus objetivos. atitudinais). procedimentais. Algumas recomendações: 1. compatibilização com a proposta curricular da escola e os objetivos terminais por série. o desenvolvimento metodológico. 3. conteúdos (conceituais. da cultura local. as competências. O plano deve conter uma justificativa do papel da disciplina no currículo de formação geral. recursos didáticos). de modo a conferir sua relevância frente a necessidades e demandas concretas da escola e aos significados. 164 Os planos de ensino são elaborados pelos professores. a avaliação. Trata-se de promover a reflexão crítica sobre esses dispositivos. cotejando-os com os contextos particulares em que são aplicados. os conteúdos. A legislação e as orientações oficiais são legítimas. . Convém. 2. explicitação das interfaces com outras disciplinas. da cultura organizacional.

a articulação vertical e horizontal entre as áreas/disciplina do currículo. em função de certa obsessão pela objetividade e eficiência. teoria essa que recebeu a denominação de tecnicismo educacional. Sendo o ensino uma prática intencional e supondo-se que os professores precisam saber se seus objetivos estão sendo atingidos. fazem-se necessárias algumas observações.4. é preciso que explicitem o que esperam conseguir da aprendizagem dos alunos. porque o 165 processo pedagógico-didático que movimenta o currículo implica intencionalidade. Ainda não se tem muita clareza sobre o modo de inserção das competências na elaboração da proposta curricular e dos planos de ensino. A crítica refere-se a um excesso de quantificação na definição e detalhamento de objetivos operacionais. Há quem critique esse termo e sua utilização nas escolas devido à sua semelhança com os chamados "objetivos comportamentais". adotados no Brasil com base na teoria behaviorista aplicada ao ensino. Os professores estão sendo solicitados a trabalhar com mais um termo do vocabulário pedagógico. mas objetivos continuam sendo imprescindíveis. Os objetivos esclarecem o que se pretende fazer. dentro da concepção e formato de currículo escolhidos. as competências. Hoje não há mais lugar para a quantificação de objetivos de ensino. Em relação aos objetivos e competências. constituindo-se em guia para a ação da escola e da equipe de professores. É justamente aqui que aparecem as competências. Há vários sentidos de competência e o mais conhecido está ligado a uma visão economicista segundo a . O planejamento curricular coletivo deve assegurar.

um dilema. Segundo Perrenoud. O sentido que assumimos aqui é outro: competência refere-se à mobilização de recursos cognitivos (saberes. pode-se entender que os objetivos de ensino referem-se a uma explicitação mais geral . uma atividade prática. atitudes) para enfrentar situações referentes a conhecimentos aprendidos (Perrenoud. isto é. técnicas. utilizam. as competências expressam metas claras comunicáveis aos estudantes. formular competências a serem dominadas pelos alunos no final de uma série ou ciclo escolar não é muito diferente de definir objetivos em termos de práticas observáveis. representam uma transferência de conhecimentos e uma capacidade para lidar com situações complexas ou não previstas. 2000). é falso o dilema sobre se é mais importante a aquisição de conhecimentos ou o desenvolvimento de competências. a questão aqui é a da relação significativa e operativa que o aluno estabelece com os conteúdos. ter competência é saber mobilizar recursos cognitivos diante de um problema. pessoas tecnicamente eficientes. procedimentos. As competências. diferentemente dos antigos "objetivos comportamentais". Ou seja. as competências são compatíveis com uma teoria sócio-interacionista em que o ensino impulsiona as capacidades cognitivas dos alunos de modo a mobilizar formas de apropriação e utilização de conteúdos.qual a busca da produtividade econômica requer pessoas competentes. Nesse sentido. ou seja. Todavia. porque as competências estão apoiadas em conhecimentos e numa variedade de outros recursos cognitivos. portanto. 166 No plano de ensino. Compreendidas nesses termos. integram ou mobilizam conhecimentos.

referem-se ao detalhamento de ações. como referencial para a organização curricular das escolas. visando a melhoria da qualidade de ensino. em âmbito nacional. formulado pela Secretaria de Educação Fundamental do MEC. por sua vez.daquela fórmula conhecida dos professores: "O aluno deverá ser capaz de.. em relação aos conhecimentos teóricos e práticos correspondentes.". Em alguns lugares. Um currículo básico comum representa um benefício para a democratização do acesso e permanência na escola. conteúdos e desenvolvimento metodológico. será útil a consulta aos Parâmetros Curriculares Nacionais. O papel dos Parâmetros Curriculares Nacionais Para a definição de objetivos. operacionais e técnicos necessários ao atendimento universal da demanda por escolarização. também a Secretaria Estadual da Educação (ou municipal) dispõe de uma proposta curricular para o sistema de ensino. Há boas razões que justificam a proposição de orientações curriculares para o sistema de ensino. habilidades. as competências. modos de fazer. Este é o princípio que justifica o dever social e ético do governo em oferecer subsídios para um currículo básico comum e propiciar os suportes financeiros. A escolarização obrigatória é um requisito indispensável do processo de democratização da sociedade e a escola convencional o lugar próprio para proporcionar as bases de cultura geral extensiva a todos os brasileiros. Os PCN foram elaborados para fornecer uma orientação geral e coerente do currículo.. consideradas a heterogeneidade social e cultural e as disparidades econômicas do país. bem como as condições de aprendizagem das crianças e .

jovens que se apresentam desiguais conforme cada contexto social. Obviamente, está-se considerando que os PCN são, de fato, parâmetros, isto é, oferecem orientações pedagógicas e curriculares 167 gerais, enquanto subsídios aos professores para refletirem e tomarem decisões, em nível local, sobre objetivos e conteúdos, formas metodológicas de atuação docente. Além disso, não se pode acreditar que tais subsídios curriculares sejam suficientes para elevar o nível de qualidade da educação escolar. Uma coisa é a letra do documento, outra são as práticas de aprendizagem na sala de aula que precisam ser consideradas em relação a outros fatores como o salário, a carreira docente, as condições de trabalho, o reconhecimento social da profissão de professor. Os PCN são, pois, uma referência, um ponto de partida, para que se possa articular objetivos e conteúdos com a cultura das escolas e das salas de aula envolvendo tudo o que um documento geral como este não pode nem deve prever: a diversidade regional, as decisões do professor, a dinâmica das interações na sala de aula, o currículo oculto, a adequação local de conteúdos, o significado social dos conteúdos, as práticas de avaliação, os desenvolvimentos metodológicos etc. Cabe, portanto, aos sistemas de ensino, aos coordenadores pedagógicos, orientadores educacionais e responsáveis por sistemas de formação continuada, uma multiplicidade de tarefas que complementam a proposta curricular. Afinal, sabemos que é na escola que se criam os espaços de diálogo e comunicação entre grupos sociais diversos, o que pode ser

perfeitamente contemplado no projeto pedagógicocurricular da escola. Todavia, a defesa da adequação do currículo às realidades regionais e locais não nos leva a ceder a propostas que postulam currículos exclusivos das escolas, à margem de um currículo básico nacional. Tais currículos levariam, de fato, a uma atitude discriminadora, já que estariam sonegando aos alunos aqueles conteúdos e instrumentos conceituais mais universais necessários para melhor compreender o mundo e a sociedade de que fazem parte e a potencializar suas formas de atuação na realidade. Se poderia ser legítimo o argumento de que o currículo oficial não contempla os aspectos da cultura local já que são os sujeitos reais que dão significados aos 168 conteúdos, também se poderia dizer que estaríamos frente a uma desigualdade de oportunidades quando as crianças não têm acesso a um conhecimento mais sistematizado e mais científico. Fica difícil pensar-se num currículo local deixando toda a iniciativa à comunidade escolar num momento em que o ensino fundamental torna-se crucial na capacidade de aprender e do provimento dos instrumentos básicos de pensamento. Os PCN e a organização curricular. Os Parâmetros Curriculares Nacionais definem a organização curricular considerando a especificidade das áreas e disciplinas dentro de um todo integrado e a organização da escolaridade por ciclos.

A organização do conhecimento escolar em áreas, os respectivos conteúdos e o tratamento transversal de questões sociais constituem os elementos básicos da organização curricular, integrando conhecimentos de diferentes disciplinas. Diz o documento: A concepção da área evidencia a natureza dos conteúdos tratados, definindo claramente o corpo de conhecimentos e o objeto de aprendizagem, favorecendo aos alunos a construção de representações sobre o que estudam. Essa caracterização da área é importante também para que os professores possam se situar dentro de um conjunto definido e conceitualizado de conhecimentos que pretendam que seus alunos aprendam, condição necessária para proceder a encaminhamentos que auxiliem as aprendizagens com sucesso. Os temas transversais referem-se a questões que interferem na vida dos alunos e com as quais se vêem confrontados no seu dia-adia. São apresentados como temas transversais: ética, saúde, meio ambiente, orientação sexual e pluralidade cultural. Em algumas escolas, as temáticas sociais já vinham sendo tratadas em Estudos sociais, Ensino Religioso e outras disciplinas específicas. Os PCN adotam o tratamento transversal, sem restringi-las a uma única área. De acordo com o documento, os temas transversais são assim definidos: 169 (...) um conjunto de temas que aparecem transversalizados nas áreas definidas, isto é, permeando a concepção, os objetivos, os conteúdos e as orientações didáticas de cada área, no decorrer de toda a escolaridade obrigatória.

A transversalidade pressupõe, portanto, um tratamento integrado das áreas e uma vivência no âmbito da organização da escola dos valores trabalhados em sala de aula. Implica, também, adaptações a contextos locais. Por exemplo, ao se tratar da educação ambiental, serão contemplados conteúdos e vivências conforme peculiaridades locais, por exemplo, nos seringais da Amazônia ou na periferia das grandes cidades. A organização em ciclos é uma tentativa de superar a segmentação excessiva produzida pelo regime seriado e minimizar a ocorrência da repetência e da evasão escolar. A flexibilização da seriação permitiria trabalhar o currículo ao longo de um período de tempo maior, respeitando-se os diferentes ritmos de aprendizagem dos alunos. Os Parâmetros Curriculares Nacionais estão organizados em ciclos de dois anos. O primeiro ciclo se refere às primeira e segunda séries; o segundo ciclo, às terceira e quarta séries; e assim subseqüentemente para as outras quatro séries. O documento alerta que a estruturação por ciclos não contempla os principais problemas da escolaridade no ensino fundamental como a ruptura entre a quarta e quinta séries, início tardio da escolarização, entre outros. Trata-se de uma das possíveis estratégias de intervenção na problemática educacional do país, necessitando de ações cautelosas para sua adoção. CAPÍTULO - IX ORGANIZAÇÃO GERAL DO TRABALHO ESCOLAR 173

O segundo elemento do processo organizacional é a organização propriamente dita, isto é, a racionalização do uso de recursos materiais, físicos, financeiros, informacionais e das atividades desempenhadas pelas pessoas. A organização incide diretamente na eficiência e na eficácia do processo de ensino e aprendizagem, à medida que garante as condições de funcionamento da escola e uma ação unificada da equipe escolar. A falta de unidade da ação educativa em torno de diretrizes, normas, desempenho de funções, rotinas, pode resultar em situações que comprometem o trabalho. Por exemplo: um professor exige cuidado com o mobiliário escolar, enquanto outro permite que as crianças façam rabiscos na carteira; um professor exige dos alunos a utilização da linguagem padrão, outro permite ou utiliza expressões fora da linguagem padrão; um professor nunca dá tarefas, outro sobrecarrega os alunos de exercícios; bate o sinal, alguns professores permanecem na sala de professores; 174 a qualquer pretexto, em qualquer hora, a coordenação ou um funcionário entra na sala de aula para dar avisos, deixar a merenda, chamar um aluno etc.; a professora precisa do retro-projetor mas a servente faltou e ficou com a chave. Essas situações revelam falta de organização adequada, afetando as atividades de ensino. Para se evitar isso, é necessário que todos os aspectos da vida escolar sejam devidamente contemplados na organização geral da escola, antes do início do ano letivo. A organização geral diz

serviços de limpeza e conservação.respeito a: horário. relações humanas satisfatórias. entrada e saída da classe. O que se . administrativo. normas disciplinares. sem comprometer a gestão democrática. clima de trabalho.que concorrem para o desenvolvimento e alto rendimento escolar dos alunos. c) a organização das atividades de apoio técnicoadministrativo. É a criação de condições ótimas . contatos com pais. docente). A estrutura organizacional e o cumprimento das atribuições de cada membro da equipe é um elemento indispensável para o funcionamento da escola. sistema 175 participativo de tomada de decisões. Essas várias atividades são agrupadas em quatro áreas de ação: a) a organização da vida escolar (a escola como um todo). b) a organização do processo de ensino e aprendizagem (trabalho do professor e dos alunos em sala de aula). a) Organização da vida escolar Trata-se da organização do trabalho escolar em função de sua especificidade e de seus objetivos. serviços administrativos etc. .correta distribuição de tarefas. Um mínimo de divisão de funções faz parte da lógica da organização educativa. condições de higiene e limpeza etc. sistema de assistência pedagógico-didática ao professor. d) a organização de atividades que vinculam a escola com a comunidade. matrícula. distribuição de alunos por classes. organização do espaço físico. controle de freqüência do pessoal (técnico.

impedindo a participação e discussão e não levando em conta as idéias. Um importante aspecto da organização escolar é o regime de trabalho diário. sua participação ativa.deve evitar é a redução da estrutura organizacional a uma concepção estritamente funcional e hierarquizada de gestão subordinando o pedagógico ao administrativo. aos aspectos de organização do trabalho do professor e dos alunos na sala de aula. as horas de descanso. as atividades de Educação Física e recreação etc. o trabalho independente. dos planos de ensino e sua estrutura didático-pedagógica. orientada por uma concepção de ensino como direção da atividade cognoscitiva dos alunos sob orientação do professor. o desenvolvimento de habilidades e capacidades intelectuais. Aqui intervêm a imprescindível colaboração da coordenação pedagógica (e da orientação educacional onde houver). A organização do trabalho na sala de aula não visa apenas ao cumprimento dos programas. 176 c) Organização das atividades de apoio técnicoadministrativo . b) Organização do processo de ensino e aprendizagem Refere-se. mas ao envolvimento dos alunos. os valores e a experiência dos professores. Implica a distribuição de disciplinas com sua carga horária correspondente. Supõe a elaboração do projeto pedagógico-curricular. Sua função essencial é a de distribuir racionalmente as atividades da escola pelos dias da semana. expresso no horário escolar. basicamente.

As tarefas administrativas têm a função de fornecer o apoio necessário ao trabalho docente. Abrangem as atividades de Secretaria (prontuário de alunos e professores, registro escolar, arquivos, livros de registro etc.), serviços gerais (inspetores de alunos, serventes, merendeira, porteiros e vigias etc.), atividades de limpeza e conservação do prédio, do mobiliário escolar e do material didático. d) Organização de atividades que vinculam escola e comunidade Essa área de ação refere-se às relações entre a escola e o ambiente externo: com os níveis superiores de gestão do sistema escolar, com os pais, com as organizações políticas e comunitárias, com a vida da cidade etc. O objetivo dessas atividades é estender a ação educativa da escola onde for possível e adequado e, ao mesmo tempo, buscar cooperação e apoio das diferentes instituições civis, sociais, culturais que possam contribuir para o aprimoramento das atividades de ensino e educação dos alunos. Em especial, espera-se que os pais participem ativamente da gestão da escola, mediante canais de participação bem definidos. A participação dos pais, de instituições e de organizações da comunidade na escola supõe uma definição clara das formas de participação. São distintas as responsabilidades e tarefas dos profissionais da escola (direção, professores, funcionários) daquelas dos pais e instituições da comunidade. Não cabe aos pais, por exemplo, interferir diretamente nas atividades de sala de aula. As formas de participação da comunidade devem estar subordinadas aos objetivos e tarefas da escola, à

observância de certas normas e diretrizes próprias da instituição escolar. CAPÍTULO X - 179 A direção e coordenação são funções típicas dos profissionais que respondem por uma área ou setor da escola tanto no âmbito administrativo quanto no âmbito pedagógico. Dirigir e coordenar são tarefas que canalizam o esforço coletivo das pessoas para os objetivos e metas estabelecidos. Tanto os pedagogos especialistas quanto os professores precisam estar aptos para dirigir e coordenar, em alguma instância de seu exercício profissional. A direção, conforme já foi estudado, é pôr em ação, de forma integrada e articulada, todos os elementos do processo organizacional (planejamento, organização, avaliação), envolvendo atividades de mobilização, liderança, motivação, comunicação, coordenação. A coordenação é um aspecto da direção, significando a articulação e a convergência do esforço de cada integrante de um grupo visando a atingir os objetivos. Quem coordena tem a responsabilidade de integrar, reunir esforços, liderar, concatenar o trabalho de diversas pessoas. A tarefa de direção visa a: dirigir e coordenar o andamento dos trabalhos, o clima de trabalho, a eficácia na utilização dos recursos e meios, em função dos objetivos da escola, assegurar o processo participativo de tomada de decisões e, ao mesmo tempo, cuidar para que essas decisões se convertam em ações concretas; 180

assegurar a execução coordenada e integral das atividades dos setores e elementos da escola, com base nas decisões tomadas coletivamente; articular as relações interpessoais na escola e entre a escola e a comunidade (incluindo especialmente os pais). O exercício da direção e coordenação depende de alguns fatores, tais como: autoridade, responsabilidade, decisão, disciplina e iniciativa. A autoridade é o exercício de um poder delegado a alguém para dirigir e coordenar as medidas tomadas coletivamente, implicando determinadas qualidades e conhecimento de suas funções. É recomendável que a autoridade seja descentralizada, delegando-se tarefas aos demais membros da equipe escolar. A responsabilidade é uma exigência inerente à autoridade. Mesmo no caso de procedimentos grupais de tomada de decisões e descentralização das tarefas, a responsabilidade final é de quem dirige/coordena. A decisão é a capacidade de selecionar, diante de várias alternativas, a medida mais adequada conforme as situações concretas. Com base em um plano de trabalho, de objetivos e tarefas estabelecidas mediante a participação da equipe escolar, o diretor ou coordenador não pode furtar-se de tomar as decisões necessárias. A disciplina implica compatibilizar a conduta individual com as normas, regulamentos, interesses da vida social e escolar, assumidos coletivamente. A iniciativa é a capacidade crítica e criadora de encontrar soluções aos problemas que se apresentam no desenvolvimento do processo de direção, o que implica a capacidade de enfrentar o imprevisto e situações inusitadas ou embaraçosas.

Para atender a uma necessária divisão de trabalho, tem sido comum nas escolas brasileiras diferenciar as funções de diretor e de coordenador pedagógico. Ambos assumem atividades de direção e coordenação, ambos recebem a delegação de coordenar o trabalho coletivo e a manutenção do clima, das condições de trabalho e do ambiente formativo para o desenvolvimento pessoal e profissional das pessoas da escola. Para isso, precisam reconhecer que seu trabalho tem uma característica genuinamente interativa, ou seja, seu trabalho está a serviço das pessoas e da organização, requerendo deles uma formação específica para buscar soluções para os problemas, saber coordenar o trabalho conjunto, discutir e avaliar a prática, assessorar e prestar apoio logístico aos professores na sala de aula. Todavia, cada um desempenha funções específicas implicando, também, uma formação profissional específica. O diretor de escola é o dirigente e principal responsável pela escola, tem a visão de conjunto, articula e integra os vários setores (setor administrativo, setor pedagógico, secretaria, serviços gerais, relacionamento com a comunidade etc.). Em outros tempos, muitos dirigentes escolares foram alvo de criticas por práticas excessivamente burocráticas, conservadoras, autoritárias, centralizadoras. Embora aqui e ali continuem existindo profissionais com esse perfil, hoje estão disseminadas práticas de gestão participativa, liderança participativa, atitudes flexíveis e compromisso com as necessárias mudanças na educação. As funções do diretor são, predominantemente, gestoras e administrativas, entendendo-se, todavia, que elas têm conotação pedagógica, uma vez que referem-se a uma

instituição e a um projeto educativos e existem em função do campo educativo. A título de ilustração, apresentamos uma lista de atribuições do diretor de escola: 1. Supervisionar e responder por todas as atividades administrativas e pedagógicas da escola bem como as atividades com os pais e a comunidade e com outras instâncias da sociedade civil. 2. Assegurar as condições e meios de manutenção de um ambiente de trabalho favorável e de condições materiais 182 necessárias à consecução dos objetivos da escola, incluindo a responsabilidade pelo patrimônio e sua adequada utilização. 3. Promover a integração e a articulação entre a escola e a comunidade próxima, com o apoio e iniciativa do Conselho de Escola, mediante atividades de cunho pedagógico, científico, social, esportivo, cultural. 4. Organizar e coordenar as atividades de planejamento e do projeto pedagógico.-curricular, juntamente com a coordenação pedagógica, bem como fazer o acompanhamento, avaliação e controle de sua execução. 5. Conhecer a legislação educacional e do ensino, as normas emitidas pelos órgãos competentes e o Regimento Escolar, assegurando o seu cumprimento. 6. Garantir a aplicação das diretrizes de funcionamento da instituição e das normas disciplinares, apurando ou fazendo apurar irregularidades de qualquer natureza, de forma transparente e explicita, mantendo a comunidade escolar sistematicamente informada das medidas.

dos funcionários.7. o papel do coordenador pedagógico é de monitoração sistemática da prática pedagógica dos professores. de comum acordo com a secretaria escolar. visando a boa qualidade do ensino. 183 10. em função da qualidade do ensino. pedagogos especialistas e professores. integração e articulação. da organização escolar. Registramos. 8. O coordenador pedagógico responde pela viabilização. Supervisionar e responsabilizar-se pela organização financeira e controle das despesas da escola. De acordo com estudos recentes sobre formação continuada de professores. sobretudo mediante procedimentos de reflexão e investigação. construir e administrar situações de aprendizagem adequadas às necessidades educacionais dos alunos. do currículo e dos professores. Conferir e assinar documentos escolares. uma lista de atribuições de coordenação pedagógica: . para se chegar a uma situação ideal de qualidade de ensino (considerando o ideal e o possível). incluindo a avaliação do projeto pedagógico. A coordenação pedagógica tem como principal atribuição a assistência pedagógico-didática aos professores. Supervisionar a avaliação da produtividade da escola em seu conjunto. dos professores. do trabalho pedagógico-didático em ligação direta com os professores. encaminhar processos ou correspondências e expedientes da escola. em comum acordo com o Conselho de Escola. a seguir. 9. Buscar todos os meios e condições que favoreçam a atividade profissional dos pedagogos especialistas. auxiliando-os a conceber.

6. 184 5. 2. o projeto pedagógico-curricular da unidade escolar. Propor para discussão. acompanhar e supervisionar suas atividades tais como: desenvolvimento dos planos de ensino. Orientar a organização curricular e o desenvolvimento do currículo. adequação de conteúdos. Prestar assistência pedagógico-didática direta aos professores. práticas avaliativas. visando a níveis satisfatórios de qualidade cognitiva e operativa do processo de ensino e aprendizagem. 3. 4. adequar conteúdos. metodologias e práticas avaliativas. desenvolvimento de competências metodológicas. orientação da aprendizagem. junto ao corpo docente.. Supervisionar a elaboração de diagnósticos e projetos para a elaboração do projeto pedagógicocurricular da escola e outros planos e projetos. diagnósticos de dificuldades etc. gestão da classe. estimular a realização de projetos conjuntos entre os professores. práticas de avaliação da aprendizagem. diagnosticar problemas de ensino e aprendizagem e adotar medidas pedagógicas preventivas. incluindo a assistência direta aos professores na elaboração dos planos de ensino. Responder por todas as atividades pedagógicodidáticas e curriculares da escola e pelo acompanhamento das atividades de sala de aula. escolha de livros didáticos.1. Coordenar reuniões pedagógicas e entrevistas com professores visando a promover inter-relação horizontal e vertical entre disciplinas. .

designar professores para as turmas. No Brasil. planejar e coordenar o Conselho de Classe. distinta daquela provida aos professores. Há divergências significativas sobre se a atividade "administrativa" distingue-se da atividade "pedagógica" e sobre se a direção 185 administrativa e direção pedagógica devem ser exercidas necessariamente por um professor. Nesse caso. especialmente de cunho científico e cultural. Cuidar da avaliação processual do corpo docente. resultados.). o diretor não precisa exercer nem ter exercido a docência. 11. 12. que requerem formação profissional também específica. a docente. as funções de direção.7. Acompanhar o processo de avaliação da aprendizagem (procedimentos. 9. cada um. 10. Elaborar e executar programas e atividades com pais e comunidade. coordenação . formas de superação de problemas etc. difundiu-se bastante a idéia de que a direção e a coordenação pedagógica são formas diferenciadas de uma única função. 8. Tanto o diretor de escola quanto o coordenador pedagógico desempenham. Acompanhar e avaliar o desenvolvimento do plano pedagógico-curricular e dos planos de ensino e outras formas de avaliação institucional. embora deva receber formação para lidar com questões de ensino. elaborar o horário escolar. Defendemos uma posição diferente. Em outras palavras. funções específicas. Propor e coordenar atividades de formação continuada e de desenvolvimento profissional dos professores. Organizar as turmas de alunos.

com isso. numa época em que se renovam os currículos. O termo formação continuada vem sempre acompanhado de outro. que se prolonga por toda a vida.189 A formação continuada é outra das funções da organização escolar. freqüentemente completados por estágios. Uma formação permanente. elaboram e modificam procedimentos. criam e recriam estratégias de trabalho e. e ao desenvolvimento de uma cultura geral mais ampla. a formação continuada é condição para a aprendizagem permanente e o desenvolvimento pessoal. para além do exercício profissional. modificam-se os comportamentos da infância e da juventude. introduzem-se novas tecnologias. A formação continuada é o prolongamento da formação inicial visando ao aperfeiçoamento profissional teórico e prático no próprio contexto de trabalho. no contexto de trabalho. A formação inicial refere-se ao ensino de conhecimentos teóricos e práticos destinados à formação profissional. que os professores enfrentam e resolvem problemas. A FORMACÃO CONTINUADA CAPÍTULO XI . a formação inicial. vão promovendo mudanças pessoais e profissionais. As escolas passam por inovações estruturais como as . envolvendo tanto o setor pedagógico como o técnico e administrativo. acentuam-se os problemas sociais e econômicos.pedagógica e docente não precisam coincidir necessariamente. cultural e profissional. É na escola. torna-se crucial numa profissão que lida com saberes e com a formação humana. De modo especial para os professores.

Segundo Philippe Perrenoud. a avaliação formativa. ajudando os professores a tomarem consciência delas. a revolta. com evidentes repercussões na sala de aula. mediante ações coletivas. É em relação a essas novas e difíceis condições de exercício da profissão que a formação continuada pode possibilitar práticas reflexivas. explicados e até resolvidos com mais consciência. o interculturalismo. os ciclos de escolarização. as mídias. de preferência.190 novas formas de gestão. a reflexão possibilita transformar o mal-estar. dos impactos da informação. Ou seja. . nos cursos de aperfeiçoamento. do crescimento dos problemas sociais e da violência. os quais podem ser diagnosticados. Esse mesmo autor escreve que. não basta saber sobre as dificuldades da profissão. uma prática reflexiva . a elaboração coletiva do projeto pedagógico. Também o perfil dos alunos se modifica em decorrência da assimilação de novos valores. De fato. da propaganda. para enfrentar a complexidade do trabalho de ensinar. com mais método. a cidade. compreendendo-as e elaborando formas de enfrentá-las.nas reuniões pedagógicas. em problemas.leva a uma relação ativa e não queixosa com os problemas e dificuldades. os currículos interdisciplinares ou globalizados. é preciso refletir sobre elas e buscar soluções. a interligação entre a escola e a comunidade. o desânimo. não basta somente a prática reflexiva como não é suficiente apenas a experiência: . nos conselhos de classe etc. da urbanização. nas entrevistas com a coordenação pedagógica.

oferecer assistência técnica especializada ou programas de atualização e aprimoramento profissional.Uma prática reflexiva limitada ao bom senso e à experiência pessoal de cada um não vai muito longe. visando apresentar diretrizes gerais de trabalho. entrevistas e reuniões de orientação pedagógico-didática. Ela se faz por meio do estudo. pesquisas. porque o compromisso com a profissão requer que ele tome para si a responsabilidade com a própria formação. É responsabilidade da instituição. da reflexão. seminários. conselhos de classe. reuniões de 191 trabalho para discutir a prática com colegas. cursos. programas de educação à distância etc. A formação continuada consiste de ações de formação dentro da jornada de trabalho (ajuda a professores iniciantes. pois o professor em exercício precisa de saberes que não pode inventar em cima do nada e que sua reflexão será mais poderosa quanto mais se ancorar numa ampla cultura em ciências humanas (1999). grupos de estudo. encontros e palestras). cabe um papel decisivo às equipes técnicas das escolas (especialmente os coordenadores pedagógicos e orientadores educacionais) que prestam assistência . Todavia. participação no projeto pedagógico da escola.) e fora da jornada de trabalho (congressos. mas também do próprio professor. Também fazem parte das práticas de formação continuada aquelas ações de acompanhamento das equipes das escolas promovidas pelas Secretarias de Educação. estudos de caso. mini-cursos de atualização. da discussão e da confrontação das experiências dos professores.

). É difícil pensar na possibilidade de educar fora de uma situação concreta e de uma realidade definida. a Internet. a ênfase na prática como atividade formadora aparece. acompanham as aulas. A profissão de professor combina sistematicamente elementos teóricos com situações práticas reais. Especialmente. como exercício . participar da elaboração do projeto pedagógico-curricular. Por essa razão.pedagógico-didática aos professores. coordenam reuniões e grupos de estudo. auxiliam na avaliação da organização escolar e do rendimento escolar dos alunos. 192 A organização das práticas de formação inicial e continuada As investigações recentes sobre formação de professores apontam como questão chave o fato de que os professores desempenham uma atividade teórico-prática. trazem materiais e propostas inovadoras. apresentar seu trabalho publicamente (contar como trabalham. ao se pensar um currículo de formação. A formação em serviço ganha hoje tamanha relevância que constitui parte das condições de trabalho profissional. reunirse com pais e outros membros da comunidade. onde possam compartilhar e refletir sobre a prática com colegas. prestam assistência na utilização de novos recursos tecnológicos como o computador. as dificuldades etc. é imprescindível assegurar aos professores horas remuneradas para realização de reuniões semanais. o que funciona. técnicas e materiais para o desenvolvimento profissional permanente do professor. à primeira vista. supervisionam e dinamizam o projeto pedagógico. Os sistemas de ensino e as escolas precisam assegurar condições institucionais. seminários de estudo e reflexões coletivas.

Significa. é um dos aspectos centrais na formação do professor. a articulação entre formação inicial e formação continuada. é preciso integrar os conteúdos das disciplinas em situações da prática que coloquem problemas aos futuros professores e lhes possibilitem experimentar soluções. Entretanto. Isso significa ter a prática.formativo para o futuro professor. a formação inicial estaria estreitamente vinculada aos contextos de trabalho. Isso quer dizer que os alunos precisam conhecer o mais cedo possível os sujeitos e as situações com que irão trabalhar. a aproximação do futuro professor à realidade escolar acontece após ter passado pela formação "teórica" tanto na disciplina específica como nas disciplinas pedagógicas. Desde o ingresso dos alunos no curso. Por um lado. em termos mais amplos. também. Por outro. possibilitando pensar os conteúdos das disciplinas com base no que pede a prática. em boa parte dos cursos de licenciatura. ao longo do curso. a par de ser 193 . Significa tomar a prática profissional como instância permanente e sistemática na aprendizagem do futuro professor e como referência para a organização curricular. a formação continuada. cai por terra aquela idéia de que o estágio se destina à aplicação mecânica da teoria. como referente direto para contrastar seus estudos e formar seus próprios conhecimentos e convicções. O caminho deve ser outro. Atualmente. em razão do que traz conseqüências decisivas para a formação profissional.

Para isso. debates. algo como um Centro de Apoio à Formação Continuada. Iniciativas como essa contribuiriam para resolver a sempre difícil alternância entre a formação teórica e a experiência em situação real (estágios) e as práticas reflexivas. oficinas). além de receber professores da rede de escolas para atividades de formação e capacitação dentro do espírito de associar práticas formativas aos contextos reais de trabalho. representa uma modalidade de formação em que há interação entre as práticas formativas e os contextos reais de trabalho. pode articular-se com a formação inicial. salas para vídeo e cinema.feita na escola com base em saberes e experiências adquiridos pelos professores na situação de trabalho. A manutenção desse Centro poderia ter apoio financeiro e material das Secretarias de Educação estaduais e municipais mediante convênios de parceria. mas também recursos materiais de apoio (biblioteca. etc. material de esportes. Trata-se de uma concepção de formação centrada . criassem. poderão ser criadas as condições para que os professores em exercício retornem à faculdade para atualizar seus conhecimentos e ganhar suporte teórico para uma reflexão mais apurada sobre a prática. exposições. Nesse sentido. aparelhagem de som e imagem. num sistema de alternância entre as escolas e as instituições formadoras de professores. ofereceriam não apenas orientação profissional (cursos. A articulação entre formação inicial e formação continuada. rede Internet. já que a rede pública de ensino seria a mais beneficiada. na sua estrutura organizacional. jornais. centro de documentação. Esse Centro.). computadores. seria desejável que as instituições de formação de professores ou as delegacias de ensino. videoteca.

O êxito desta 194 concepção. A organização da escola e a formação continuada Em vários lugares deste livro mostramos a relação entre as formas de organização da escola e o desenvolvimento pessoal e profissional dos professores. simultaneamente. estaria bastante vinculado à ajuda dos formadores de professores. significa dizer que ela é construída pelos seus próprios membros que tanto podem criar um espaço de trabalho produtivo e até prazeroso ou um espaço hostil e estressante. Eles existem e. assumindo a idéia de escola como unidade básica da mudança educativa. em que as escolas são consideradas "espaços institucionais para a inovação e melhoria e. valores. como contextos privilegiados para a formação contínua de professores" (Escudero e Botia. no que acontece efetivamente nas salas de aula. 1994). interesses pessoais. Não estamos afirmando que na escola não devem existir conflitos. interesses de poder. por isso mesmo. é que convém instalar uma prática de participação. de negociação dos . de forma a compreendermos como a organização escolar constitui-se num local de aprendizagem: as pessoas podem mudar aprendendo com a organização e a organização também pode mudar aprendendo com as pessoas. práticas e comportamentos das pessoas que nela trabalham e convivem. para possibilitar o trabalho reflexivo. Vimos que as escolas têm traços culturais próprios a partir dos significados pessoais. Entender a organização escolar como cultura. diferenças.nas demandas da prática.

de discussão pública dos compromissos e dificuldades. Isso significa 195 que as próprias formas de organização da escola não só têm a ver com esses comportamentos (ou habitus) como a própria escola vai formando uma cultura própria a partir desses comportamentos. o papel da escola como contexto de ação e de formação continuada do professor. não visível. A organização escolar. modos de pensar que vão se formando na vivência da cultura dos grupos dos quais fazem parte e se expressam em comportamentos e modos de agir. portanto. Essas características provêem das crenças. O sistema de organização e gestão. é toda ela uma prática educativa. Seu pensamento. Isso quer dizer que. afetam seu desempenho profissional. de todas as relações que derivam das características do grupo social que atua nela. 2. com muita perspicácia. maneiras de pensar e agir. é o seguinte: 1. 3. interesses. Fátima Abdalla (1999) analisou em sua tese de doutorado. há uma estrutura administrativa e pedagógica que é visível e outra estrutura não formalizada. significados. de debate. obviamente articuladas com a cultura da comunidade e da sociedade como um todo.significados e valores. As necessidades. que faz parte da cultura da escola. experiências subjetivas etc. constitui-se de um espaço não apenas de relações de poder mas. também. nas escolas. seu envolvimento com o trabalho. que é o conjunto das relações sociais. as experiências subjetivas. A professora M. valores. Essa cultura interna influi no desenvolvimento pessoal e profissional do professor (positivamente ou . em resumo. as perspectivas dos professores.

de modo a se implantar uma cultura colaborativa. objetivos e exigências externas postos pela realidade sociocultural e política mais ampla. Essa cultura escolar seria o espaço de possibilidades de mudança. A organização desse espaço implica a criação de lugares e tempos que incentivem as trocas de experiências entre os professores e professores e alunos. nesse espaço é possível a criação e desenvolvimento de novos comportamentos. intersubjetivas e objetivas. O estudo de Fátima Abdalla ajuda os diretores de escola. aí. considerando-se. pois dessa reflexão sobre ação podem nascer mudanças na estrutura de relações vigente na escola visando criar uma nova cultura organizacional.negativamente) mas os professores também podem produzir esse espaço cultural da escola. é claro. podendo produzir conjuntamente sua 196 profissionalidade. novos habitus. os coordenadores pedagógicos e os professores a pensar em estratégias de organização e gestão que possibilitem a construção de uma cultura escolar. novas perspectivas. Reaparece. Ou seja. em que os professores podem desenvolver novas necessidades. Há um papel de destaque nisso da direção e coordenação pedagógica da escola para apoiar e sustentar esses . um espaço de mudança e inovação. onde os professores vão tornando conscientes suas necessidades subjetivas. Isto acontece desse jeito porque em todas as instituições há sempre um campo de relações. a necessidade de as escolas cultivarem momentos de prática reflexiva.

a gestão. Considerase. juízos de valor e . um processo. atividade ou pessoa. que é preciso fazer distinção entre avaliação. para saber se os objetivos previstos estão sendo atingidos. Esses três elementos . A quantificação. ou menção qualitativa. investigação. através de diferentes instrumentos de verificação. Está claro. como conclusão do processo avaliativo.coleta de dados. Os juízos de valor (ou valoração) referem-se a uma apreciação valorativa sobre o evento. juízos de valor e quantificação ou notação. A avaliação supõe uma a coleta de dados e informações. uma situação. refere-se à utilização de alguma forma de medida a partir de critérios explicitados previamente. tendo em vista a tomada de decisões para novas ações. uma pessoa. A cultura colaborativa será a síntese dos elementos que asseguram a relação entre a organização escolar e o desenvolvimento pessoal e profissional dos professores: o projeto pedagógico curricular.espaços de reflexão. visando a emitir um juízo valorativo. a organização e articulação do currículo e a formação continuada. negociação e tomadas de decisão colaborativas. CAPÍTULO XII 199 A avaliação de Sistemas Escolares e de Escolas A avaliação é um termo geral que diz respeito a um conjunto de ações voltadas para o estudo sistemático de um fenômeno. que os processos de avaliação implicam a coleta da dados (de informação). nessa formulação. um evento. a análise e uma apreciação (juízo) valorativa com base em critérios prévios. em geral.

No campo da educação. dos mercados. A avaliação que fazem os organismos internacionais e os sistemas nacionais de medição é a avaliação dos sistemas educacionais e não a avaliação dos alunos. Atualmente. ou seja. como avaliação da aprendizagem dos alunos na sala de aula. a prática da avaliação era mais conhecida como atividade da escola. Por isso.são componentes necessários da definição de avaliação. até há alguns anos. do consumo. Conforme Casassus (1997) deve ficar clara a distinção entre a avaliação do sistema e a avaliação do aluno. Com a globalização da economia e a acelerada revolução tecnológica. ganha grande peso a avaliação dos sistemas educacionais e do conjunto de escolas. entre a avaliação feita pelos professores e a avaliação da eficácia dos sistemas de ensino e do conjunto de escolas. as organizações financeiras internacionais voltam-se para o planejamento das políticas educacionais dos países a fim de ajustá-las às exigências da produção. Então. faz-se cada vez mais necessária a distinção entre a avaliação do aproveitamento escolar dos alunos e a avaliação institucional. isto é. as interrogações . da competitividade. na realidade não são os alunos que são avaliados. Esse autor esclarece mais: Embora sejam os alunos os que respondem a provas e questionários. O que se avalia é o rendimento do sistema por meio das respostas dos alunos.quantificação ou menção qualitativa . com a acentuação das análises mais globalizantes das relações entre 200 a educação e desenvolvimento econômico.

dos estudos deveriam consistentemente orientar-se, não às pessoas que são os alunos, mas ao sistema no qual estão inseridos esses alunos. É importante registrar essa distinção porque estamos frente a formas diferentes de avaliação. Na avaliação dos sistemas de ensino, embora também sejam avaliados os resultados obtidos pelos alunos (geralmente mediante testes padronizados), a avaliação tem como objetivo fazer um diagnóstico mais amplo do sistema escolar e do conjunto de escolas, em âmbito nacional ou regional, visando a reorientar a política educacional, a gestão do sistema e das escolas e a pesquisa. Na avaliação do aluno pelos professores, estes avaliam a aprendizagem dos alunos e são também avaliados por eles, com base nos processos de ensino e aprendizagem realizados na sala de aula. As duas formas de avaliação estão, obviamente, ligadas entre si, de modo que os professores podem utilizar resultados da 201 avaliação de sistema feita em escala nacional ou regional para realizar seu trabalho e os sistemas escolares realizam sua avaliação considerando as realidades locais do ensino no país e nas suas várias regiões. A avaliação do sistema escolar e das escolas, através da avaliação externa e/ou interna das instituições, se desdobra em duas modalidades: a avaliação institucional (ou administrativa ou, ainda, organizacional) e a avaliação acadêmica ou cientifica (denominada no Brasil de Exame Nacional ou avaliação de resultados). A avaliação institucional é uma função primordial do sistema de organização e gestão dos sistemas escolares e

das escolas. Essa avaliação, também chamada de administrativa, visa a obtenção de dados quantitativos e qualitativos sobre os alunos, os professores, a estrutura organizacional, os recursos físicos e materiais, as práticas de gestão, a produtividade dos cursos e dos professores etc., com o objetivo de emitir juízos valorativos e tomar decisões em relação ao desenvolvimento da instituição. A avaliação acadêmica ou científica visa a produção de informações sobre os resultados da aprendizagem escolar em função do acompanhamento e revisão das políticas educacionais, do sistema escolar e das escolas, tendo em vista formular indicadores de qualidade dos resultados do ensino. Essas duas modalidades de avaliação do sistema estão, portanto, centradas na obtenção de dados e informações relacionados com a eficiência e a eficácia dos sistemas de ensino e das escolas. A avaliação da aprendizagem escolar feita pelos professores deverá estar a serviço das funções sociais da escola, dos objetivos de ensino, do projeto pedagógico da escola, do currículo, das metodologias. Além disso, ela se assenta no respeito ao direito de todos os alunos de usufruírem de um ensino de qualidade. Os critérios de relevância da avaliação dos alunos centram-se, portanto, em dimensões qualitativas e quantitativas, ou seja, melhor qualidade 202 da aprendizagem para todos os alunos, em condições iguais. Desse modo, a justa medida da eficácia das escolas está no grau em que todos os alunos incorporam capacidades e competências cognitivas, operativas,

afetivas, morais, para sua inserção produtiva, criativa e crítica na sociedade contemporânea. Compreendida nestes termos, a avaliação dos alunos pelos professores, em cada sala de aula, em hipótese alguma pode ser substituída pela avaliação do sistema de ensino. Ao contrário, a avaliação do sistema é que deve buscar seus critérios de relevância na avaliação feita pelos professores, ou seja, a serviço da melhoria da qualidade cognitivas das aprendizagens. Os rumos que as práticas avaliativas vem tomando no âmbito do sistema de ensino brasileiro, ao contrário da posição formulada anteriormente, encaminham-se para a subordinação do trabalho dos professores e, portanto, da avaliação que fazem, aos critérios da avaliação do sistema. Nesse caso, não são os objetivos de ensino que irão determinar as formas de avaliação, mas a avaliação é que acabará por determinar os objetivos, ou seja, dependendo das finalidades postas pelos governos em relação à avaliação do sistema de ensino, ter-se-á uma escola funcional a serviço dos interesses de agências externas à escola. Vejamos essas questões mais de perto. As reformas educativas mundiais e a avaliação dos sistemas de ensino Reforma Institucional: redefinição das responsabilidades do MEC, revisão de padrões de financiamento e repasse de recursos aos municípios e estados; As políticas educacionais em âmbito internacional passam por intensas mudanças, visando ajustá-las às demandas da atual fase do capitalismo, conforme necessidades e realidades de cada país. A ordem é sintonizar os sistemas educacionais ao modelo neoliberal. A tendência das reformas educativas é de reagregar a educação à economia, numa versão modificada

em relação ao que propunham os economistas da educação a partir dos anos 50 com a chamada "teoria do capital humano". Quer-se subordinar os sistemas educacionais à economia já que, no novo paradigma de 203 produção, as novas tecnologias requerem trabalhadores mais qualificados, com mais flexibilidade profissional para atender novas demandas do mercado de trabalho e com mais espírito empreendedor para fazer frente à competitividade econômica internacional. Foi muito em função disso que surgiram as reformas educativas em vários países do mundo, primeiramente na Inglaterra e Estados Unidos no inicio dos anos 80, depois estendidas praticamente ao mundo todo (por exemplo, Espanha e Portugal, 1986; França, 1989; México, 1992; Argentina, 1993; Brasil, 197898). Foram formuladas em boa parte sob a égide dos organismos internacionais como o BIRD (Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento - Banco Mundial), o FMI (Fundo Monetário Internacional), o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciências e Cultura), entre outros. A reforma educativa brasileira ensaiou seus primeiros passos com a formulação e divulgação do Plano Decenal de Educação para Todos no período 1993-94. Medidas mais concretas foram anunciadas na proposta de governo de Fernando Henrique Cardoso para a educação básica: Estabelecimento de novos padrões de gestão: descentralização, autonomia das escolas, participação da comunidade; Educação básica: ampliação do acesso, conteúdos curriculares básicos e padrões de aprendizagem a nível

nacional, formação de professores, ensino a distância, sistema nacional de avaliação do desempenho das escolas e dos sistemas educacionais, padrões de qualidade para o livro didático, descentralização da merenda. 204 Esses pontos, cujas ações vem sendo consolidadas, acompanham as tendências das reformas educativas dos vários países, internacionais a partir das orientações econômicas e técnicas dos organismos financeiros internacionais, principalmente o Banco Mundial. As reformas educacionais acopladas às reformas econômicas têm um caráter notoriamente economicista, em que prevalecem a lógica financeira e a lógica do mercado, desconsiderando-se as implicações sociais e humanas no desenvolvimento econômico. A competitividade decorrente das novas formas de funcionamento do capitalismo só pode seguir a lógica do mercado, pela qual pouco interessa em considerar o desemprego, a pauperização, a degradação da qualidade de vida, a degradação dos serviços públicos. Há análises bastante sólidas mostrando a inserção do Brasil nas políticas de ajuste aos interesses da mundialização do capitalismo expressos no processo de globalização da economia e da política e os efeitos sociais decorrentes (De Tommasi & Outros, 1996). A avaliação educacional dos sistemas de ensino encaixase bem na lógica dessas reformas, já que a aferição dos resultados do rendimento escolar possibilita informações relativamente precisas e confiáveis sobre a realização dos programas e projetos no campo da educação, de modo a contribuir na tomada de decisões dos governos. Em outras palavras, num quadro de parcos recursos financeiros, principalmente nos países menos desenvolvidos, aumenta a

realiza uma pesquisa por amostragem do ensino fundamental e médio destinada a acompanhar a evolução do desempenho dos alunos e dos diversos fatores incidentes na qualidade do ensino ministrado. . com sede em Santiago do Chile. com os seguintes instrumentos de ação: Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB) que. Praticamente todos os países da Europa e das Américas contam com organismos para realizar estudos sobre avaliação e medição dos sistemas de ensino.necessidade de verificar se os resultados desejados pelo sistema de ensino estão compensando o volume de investimentos aplicados. com caráter obrigatório para os formandos. desenvolvimento de programas de pesquisa sobre a avaliação e variáveis associadas ao rendimento escolar de alunos. há o Laboratório Latino americano de Avaliação da Qualidade da Educação. vinculado à UNESCO. formação de técnicos e assistência técnica aos países-membros. que agrupa o conjunto dos sistemas de educação da América Latina e do Caribe. Exame Nacional de Cursos (ENC). Na América Latina. No Brasil. do qual 205 participam todos os países de fala portuguesa e espanhola (à exceção do Uruguai). a cada dois anos. criado em 1996 para avaliar os cursos de graduação. Os objetivos desse Laboratório são: estudos comparativos internacionais. a avaliação global do sistema escolar é feita pelo Ministério da Educação por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP). geração de padrões regionais de avaliação.

além de propiciar a integração das demais bases do INEP Com isso. Esse órgão federal realiza. Em documento recente do MEC-INEP (1998). públicas e particulares. que promove a descentralização da coleta do Censo Escolar e do acesso a seus resultados. que foi aplicado pela primeira vez em 1998. e 50 milhões de estudantes. exame facultativo aos que já concluíram e aos concluintes do ensino médio. que traz a receita e o gasto das diversas esferas de governo no componente educação. 206 As informações censitárias são anuais e subsidiam os órgãos formuladores e implementadores de políticas educacionais nos três níveis de governo. INEP. das secretarias estaduais e municipais de educação e do próprio MEC (Cf. Censo do Ensino Superior. pesquisas censitárias nacionais por meio de: Censo Escolar que abrange um universo de cerca de 250 mil escolas.Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). pretende-se fortalecer a capacidade gerencial das escolas. Censo Financeiro da Educação. também. democrática e . englobando aproximadamente 1. Desde 1996 está sendo desenvolvido o Sistema Integrado de Informações Educacionais (SIEd). ressalta-se a necessidade de um sistema de informações e de processos de avaliação para o monitoramento das reformas e das políticas educacionais tendo em vista a formação do cidadão para o próximo milênio: É cada vez mais evidente que a preparação de cidadãos competentes para atuar de forma crítica e responsável na construção de uma sociedade mais justa.000 instituições desse ensino do País. 1999).

portanto. É preciso ainda desenvolver sua capacidade de resolver problemas. É basicamente a esse objetivo que as reformas educativas atendem. do sistema financeiro internacional. são mais conhecidos dois sistemas de avaliação educacionais: o Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo SARESP e o Programa de Avaliação da Escola Pública de Minas Gerais (Bitar e Outros. ou seja. a critérios . 207 Uma avaliação crítica da avaliação dos sistemas educacionais: duas faces Um primeiro olhar crítico sobre a avaliação dos sistemas e suas formas de operacionalização refere-se ao fato de que as agências financeiras internacionais estão interessadas na qualidade da educação escolar. É preciso.desenvolvida. exige um perfil de qualificação em que o desenvolvimento das inteligências cognitiva. No âmbito dos Estados brasileiros. Esta é a primeira face da questão que analisaremos a seguir. assegurar-lhes uma formação ética e solidária. emocional e afetiva será decisivo na formação das crianças e jovens para a sua plena inserção social e no mundo do trabalho. selecionar e processar informações com autonomia e raciocínio crítico. É preciso dar-lhes condições de utilizar os conhecimentos adquiridos para que tenham novas oportunidades num mundo cada vez mais complexo e competitivo (Castro. das infra-estruturas e dos serviços de informação e comunicação. como estratégia de êxito da globalização econômica. Analisada sob esse prisma. 1998). dos mercados de consumo. a avaliação educacional está atrelada a um viés economicista. da transformação dos processos de produção. 1998). ou seja.

número de alunos por classe. gestão da escolas etc. sem levar em conta que a verdadeira competitividade. fornecimento de merenda escolar. .econômicos de análise do desempenho da educação escolar e. a partir de testes nacionais padronizados. como é o caso. por exemplo. qualidade "por dentro" dos processos de ensino e aprendizagem e não apenas dos resultados. Essas relações são estabelecidas a partir da relação custo-benefício. diagnosticados. avaliação da aprendizagem. bem longe de critérios pedagógicos. a médio e longo prazo. aumento do tempo de permanência na escola.) seriam mais 208 eficazes para se obter um certo nível de aprendizado? Sendo assim. na idéia de que as relações pedagógicas podem ser entendidas como relações entre insumos educacionais e a produção de alunos educados. da formação e da remuneração dos professores. capacitação do professor em serviço ou formação inicial. por exemplo. depende da qualidade do sistema educativo. mas a aplicação das reformas não tem levado ao atendimento das condições necessárias à efetivação das mudanças educativas. salário dos docentes. Os problemas são razoavelmente bem identificados. pode-se fazer relações entre variações no aprendizado considerando-se fatores como: presença ou ausência de livros didáticos. O viés economicista aparece. A pergunta seria: que tipo de insumos escolares (livros didáticos. em muitos casos. capacitação docente. O que tem acontecido é que as reformas acontecem num momento em que os recursos públicos destinados à educação tendem a ser submetidos a critérios de competitividade imediata.

discutiremos os elementos do processo de planejamento e as várias denominações que tem recebido quando aplicado à instituição escolar. Entretanto. já que a ênfase recai nos resultados. Outras considerações precisam ser feitas. em muitos casos. pode-se supor que. Como se sabe. facilitar insumos que influenciam no rendimento escolar. Daí a importância da avaliação externa pelo próprio governo. a avaliação educacional deve estar articulada com as formas de gestão (descentralização. . ao qual cabe fixar padrões nacionais de desempenho. neste capítulo. com o projeto pedagógico e com o currículo. portanto. monitorar o desempenho escolar. é melhor investir em livros didáticos e não em salários? Ou em capacitação de professores pela Educação a Distância e não pela formação inicial nas universidades? É melhor reduzir o número de alunos nas classes ou ampliar a duração do ano letivo? São opções que acabam sendo tomadas pelo critério econômico. A partir daí podem ser extraídas conclusões sobre onde aplicar ou não aplicar recursos. Por exemplo.Mais adiante. Entretanto. O objetivo da avaliação educacional do sistema seria a melhoria da qualidade. não se está considerando os processos que levam a uma qualidade do aprendizado. melhorar os resultados do rendimento escolar. que seriam as estratégias que podem assegurar bons resultados de rendimento escolar dos alunos. autonomia). quase nunca pelo critério social e pedagógico. pelas orientações das reformas 209 educativas.

Os controles levariam. materiais e financeiros da escola. da educação escolar visando exclusivamente os vínculos com o mercado. os diretores criariam mecanismos de seletividade prévia na própria matrícula de alunos. moral. as práticas de ensino. por exemplo. reestruturadora. É preciso recusarmos a noção de aluno-cliente e continuarmos apostando no papel da escola na formação integral dos alunos (cognitiva. o currículo. que as escolas estariam mais preocupadas em atender aos critérios de controle externo do que aos objetivos pedagógicos. física.já mostramos que a avaliação do sistema escolar pode prestar-se apenas a estabelecer mecanismos externos de controle. nesse caso. através dos testes padronizados. inclusive usando expedientes para escamotear resultados. afetiva. a competitividade entre as escolas e entre os alunos. . estética) e a avaliação dessa formação não pode ser aferida pela avaliação do sistema de ensino de cunho economicista pautada nos resultados. prejudicando os índices de avaliação a serem alcançados pela escola. Ou seja. As escolas estariam sujeitas a um "ranking" e. O problema está na redução do processo avaliativo ao produto final sem considerar aspectos internos do processo de ensino tais como os recursos físicos. controladora. Não se trata de nos opormos à avaliação institucional externa ou interna. Poderia ocorrer. certas escolas a criar internamente dispositivos pelos quais as crianças com problemas de rendimento escolar teriam cerceada sua entrada na escola. para obter boa classificação. as condições salariais dos professores. a estreita preparação/qualificação para o mercado de trabalho. o que os educadores devem recusar é o tipo de avaliação em que predomine a justificativa econômica.

a necessidade de formação geral mais sólida e uma demanda acentuada por educação de qualidade. Oliveira e Libâneo. justa e solidária. nem na criação de um mercado educacional. no mínimo. são fundamentais para toda a sociedade. Numa sociedade de conhecimento e de aprendizagem é preciso dotar os sujeitos sociais de competências e habilidades para a participação na vida social. é inegável a 210 crescente intelectualização do trabalho. é um requisito para a melhoria das condições que afetam . analisar a segunda face da questão. a garantia da igualdade de oportunidades. para os educadores progressistas é bastante razoável supor que a avaliação educacional. a preparação tecnológica e a formação geral. Em razão disso. nem na ampliação da esfera privada no campo da educação. tanto do sistema escolar como da aprendizagem. econômica e cultural. Isso não deve significar a aniquilação da diversidade e das singularidades dos sujeitos. Com a revolução tecnológica e as demais mudanças globais. abrangente e polivalente dos trabalhadores. no entanto. os impactos da revolução tecnológica no campo da educação podem e devem ser absorvidos de modo a gerar perspectivas democráticas de construção de uma sociedade moderna.Cumpre. Nesse sentido. de modo que esses não venham a contribuir para novas formas de divisão social mas sim para a construção de uma sociedade democrática na forma e no conteúdo (Cf. A universalização e melhoria da qualidade de ensino. todavia. não pode resultar num projeto educacional competitivo e seletivo socialmente. a elevação da escolaridade. Isso. 1998). abstrata. especialmente quando se tem em vista.

o que é totalmente inaceitável). Daí que se fazem necessárias políticas educativas que contribuam para o desenvolvimento sustentável do país. podem analisar conjuntamente os problemas. Nesse sentido. reforçando o entendimento da escola como local em que se pensa o trabalho escolar e onde professores e especialistas aprendem em conjunto. A avaliação externa. favorecendo a identificação de necessidades locais. as práticas de avaliação podem propiciar mais auto-regulação institucional. a descentralização das escolas. em conexão com a avaliação dos professores. por mais que se considere as críticas às orientações economicistas dos organismos financeiros internacionais. uma proposta pedagógica progressista pode assumir a avaliação dos estabelecimento escolares por meio dos resultados do aprendizado dos alunos (embora essa aferição não deva ser utilizada para classificar as escolas que serão beneficiadas por recursos públicos. em função da organização escolar e do projeto pedagógico da escola. para além do seu trabalho isolado na sua matéria. Os professores. pode ser uma ajuda à organização do trabalho na escola e nas salas de aula. Seria extremamente prejudicial negar aos segmentos empobrecidos da população brasileira um ensino de qualidade. o envolvimento dos professores e pais etc. em razão da 211 exigência de se prestar contas de um serviço público à comunidade. gerando uma "cultura da responsabilização" por parte da equipe escolar. Numa visão progressista. fazer diagnósticos mais amplos. incluindo um posicionamento sobre a avaliação educacional.diretamente a qualidade do ensino. (embora isso não deva ser usado para a redução do poder .

transformam-se em conteúdos curriculares e estratégias de aprendizagem na escola? São questões relacionadas com o projeto pedagógico-curricular e os processos de ensino e aprendizagem. . enquanto cidadão e profissional. além de tomarem a avaliação como importante meio de diagnóstico do seu trabalho. emocional. é óbvio que as práticas de avaliação precisam ser encaradas com mais seriedade. é preciso que os educadores. procedimentos. em seguida. atitudes. saibam mais sobre a elaboração de instrumentos mais diretos de aferição da qualidade da oferta dos serviços de ensino junto com a qualidade do "aluno que se quer formar". Admitindo-se que hoje a justiça social em termos de democratização do ensino seja a qualidade cognitiva dos processos de ensino e aprendizagem e dos seus resultados.de mobilização dos sindicatos e da participação política de professores). valores) precisam ser colocadas no projeto pedagógicocurricular e que. tendo como referência a prática social? Como definir o perfil de aluno egresso. Como avaliar o 212 nível de competência cognitivo. Outras questões precisam ser consideradas com mais empenho pelos pesquisadores visando o aprimoramento da qualidade do ensino. a ênfase no desenvolvimento de capacidades básicas de aprendizagem (embora não se aceite um mero treinamento de habilidades). que cada escola formula coletivamente entre seus professores e equipe técnica? Como definir quais competências profissionais e éticas (desdobradas em conhecimentos. seus processos e resultados. Para isso. ético. esperado dos alunos.

mas também compreender os processos de construção da desigualdade escolar (.) tendem a ficar perdidos com os programas introduzidos pelos Estados hoje praticamente atrelados aquelas orientações do Banco Mundial.. o nível de ensino que os alunos irão receber (Souza. .. de suas 213 atuações... no seu cotidiano.) Neste sentido. os problemas envolvidos na avaliação educacional são muitos.entre a avaliação de sistemas educacionais e as avaliações do professor na sala de aula Como se pode ver. por sua vez. (.Avaliação educacional . de suas relações. emancipadora etc. a partir de suas representações. Boa parte dos especialistas em avaliação concordariam com este desafio posto aos educadores e especialistas em avaliação escolar: integrar as contribuições criticas destas ultimas décadas e construir no cotidiano instrumentos que nos permitissem não somente analisar o rendimento escolar. principalmente os interessados no bom funcionamento da escola (uma escola democrática. 1998).) Avaliar com equidade significa analisar se a qualidade da educação que está sendo oferecida atende igualmente a todos os setores sociais. Os educadores progressistas. A dependência econômica do Banco Mundial força a submissão dos sistemas de ensino e das escolas às suas orientações técnicas. é tão importante avaliar como o sistema educacional condiciona a qualidade do ensino oferecido nas escolas quanto analisar como os educadores constroem.

avaliandose o universo inteiro de uma rede de ensino. segregação social ou excesso ou falta de rigor na avaliação feita por professores). O objetivo desses programas: "identificação dos conteúdos e habilidades dominados pelo aluno e a busca de elementos que possam subsidiar o planejar na perspectiva de levar a escola e os professores a superar as defasagens fragrantes nos alunos (. Neste último caso. por amostra. os sistemas de ensino podem aferir a qualidade do ensino em termos de sua equidade e verificar o que a macro estrutura pode fazer para aprimorá-la.. dentro da escola (por exemplo." Este segundo tipo de avaliação externa é melhor porque as escolas participam . 168). inclusive para tentar diagnosticar disparidades de rendimento entre alunos que não podem ser captadas pelos professores. adequação do ensino às exigências contemporâneas. efeitos de migração. Pode ser regional. diversidade cultural. o objetivo dos programas de avaliação deve ser o de obter informações sobre o desempenho de alunos de um sistema. Esses programas utilizam testes padronizados visando ao maior controle da qualidade do ensino.. individualmente.) (Souza. Com os programas nacionais ou estaduais. A avaliação externa pode ser nacional. de modo que os envolvidos no processo educacional reflitam sobre os problemas de ensino e aprendizagem e tomem decisões sobre a melhoria da qualidade da educação. visando orientar as políticas educacionais e os órgãos gestores dessas políticas. e importante a implantação de programas de avaliação dos sistemas educacionais.Aceita essa premissa.

. como aparecem estas defasagens e.214 diretamente do processo avaliativo e usufruem diretamente dos resultados obtidos. O SAEB e ENEM têm uma limitação: trabalham com amostras. da sistemática de avaliação. efeitos das formas de gestão na aprendizagem dos alunos. podem provocar essas dificuldades nos alunos para vencerem as tarefas exigidas pela escola. pensar na possibilidade de que um conjunto de escolas (de uma área limitada) façam a avaliação conjuntamente. sólida formação cultural e cientifica a todos. das necessidades de capacitação docente. Também a avaliação do aluno pelos professores precisa ter esse caráter de diagnóstico. o que não leva as escolas a usufruírem dos dados que coletam. dos processos pedagógicodidáticos. Por exemplo. que propiciem melhor qualidade da aprendizagem escolar para todos os alunos. em condições iguais. Pode-se. A avaliação da aprendizagem precisa ajudar a identificar disciplinas ou outros aspectos em que o aluno apresenta maiores dificuldades. também. pais com baixa escolaridade. permitindo uma definição mais realista do projeto pedagógico. falta de apoio afetivo em casa ou na escola. as avaliações externas precisam estar voltadas para levantamento dos elementos que propiciem a democratização do acesso e a permanência na escola. dificuldades econômicas em casa. de reorganização da trajetória escolar dos alunos. condições de salário e trabalho dos professores. de tal maneira que cada uma receba informações sobre o desempenho de seus próprios alunos nas principais disciplinas. em síntese. Em qualquer caso. especialmente. porque elas aparecem.

coordenador pedagógico) e os professores discutem e avaliam sua escola em função do aprimoramento pedagógico curricular e da qualidade do ensino. Nas últimas décadas houve pouco interesse dos pesquisadores em programas de avaliação da escola. O grande problema (.Algumas medidas precisariam ser tomadas nas escolas para enfrentar os problemas de avaliação. o porque determinado aluno vai bem e outro não. (. ela apenas dá indícios de onde estão os problemas de aprendizagem. Provocar reflexões conjuntas dos professores sobre suas preocupações na sala de aula. mas sim o como ensinar. A avaliação do projeto pedagógico-curricular. da .) Nosso problema é justamente como identificar.). alunos com mais dificuldades.. organização escolar e dos planos de ensino A avaliação da escola é um processo pelo qual os especialistas (diretor. (..) não é o como avaliar.). Compreender que a avaliação é instrumento.. 215 Ligar a "teoria" sobre avaliação com o "saber-fazer" a avaliação. compreender e neutralizar as causas dos insucessos escolares" (Ibid.) o porque o aluno não está apreendendo. fatores que prejudicam o andamento das aulas etc. para melhorar o ensino. Definir com clareza as competências do professor e saberes necessários para "diagnosticar. analisar... o processo de aprendizagem do aluno e oferecer um ensino de qualidade (Ibid.. dificuldades que estão tendo.

Os sistemas de ensino e as escolas se vêem hoje frente à avaliação dos resultados dos alunos como critério para a avaliação da produtividade da escola. currículo profissional). composição do corpo docente (tempo de trabalho. recursos físicos e materiais. De fato. Se os testes e outras formas de aferição do rendimento forem bem elaborados. idade. é preciso organizá-los e analisálos como prática de avaliação diagnóstica. Mas todo cuidado é pouco para que os resultados do desempenho escolar dos alunos não sejam tomados como único parâmetro de análise da escola. Nesse sentido. dos professores. Mas isso não é suficiente. a avaliação da escola precisa considerar os elementos determinantes da qualidade da oferta de serviços de ensino e do sucesso escolar dos alunos. Hoje essa necessidade torna-se cada vez mais premente. os resultados do rendimento escolar dos alunos) em função das responsabilidades sociais da escola. é preciso considerar o conjunto de fatores que levaram a eles.direção. condições de trabalho e motivação dos professores. as relações entre professores e . Tais dados já estão disponíveis na escola. tais como: características dos alunos. do projeto pedagógico. É preciso chegar até a sala de aula para obter conhecimentos mais precisos sobre os processos de ensino e aprendizagem. rendimento escolar por classe. materiais didáticos e informacionais. é possível detectar problemas e dificuldades no ensino 216 das matérias de forma que a escola e os professores tomem providências para saná-los. é indispensável verificar a efetividade dos serviços prestados (o comportamento profissional dos professores e especialistas.

Há uma outra razão para se considerar este alerta. que utilizam instrumentos estandardizados de verificação do aproveitamento escolar. Os professores precisam estar familiarizados com as práticas de avaliação externa para poderem inclusive ler as análises e tirar proveito delas para o seu trabalho. ENEM. mas é importante sua utilização. Cada vez mais aparecem na imprensa. capacitados. Aspectos a serem avaliados no âmbito da organização escolar . a qualidade cognitiva das aprendizagens. É claro que esta avaliação global da escola indicará elementos de mudança nas práticas dos próprios professores. Dada a importância da avaliação escolar. Eles não dão uma informação absolutamente fiel do rendimento dos alunos em face dos objetivos pedagógico-didáticos. os resultados das avaliações 217 feitas pelo sistema.alunos. tipo SAEB. especialmente no que diz respeito ao domínio dos conhecimentos e metodologias e procedimentos de ensino e procedimentos de avaliação. as práticas de avaliação. mas permitem evidenciar uma "pista" de onde os alunos estão. Isso leva a que os professores sejam formados. verificar falhas na aquisição de conhecimentos e habilidades e possibilitar formas de recuperação. A avaliação não pode ser reduzida a testes. o controle do rendimento escolar precisa ter maior rigor cientifico e método lógico. nas escolas. a construir testes de verificação de aproveitamento.

hostil. autoritária. tolerante). reprovações. democrática. currículo. processos de ensino e aprendizagem. estrutura de coordenação pedagógica e assistência aos professores. situação sócio-econômica dos pais etc. tipo de organização (organizada. desorganizada. relações humanas (solidárias. exigente. da escola como referência básica do sistema de ensino. Clima organizacional da escola Inclui: tipo de direção (acolhedora. dentro da concepção que vem sendo desenvolvida neste livro. etc). Um investimento importante é acertar entre os professores métodos mais eficazes de diagnóstico das dificuldades escolares dos alunos. abandono da escola. relações interpessoais. A ênfase da avaliação não recai somente nos professores e nos alunos mas nos elementos e na dinâmica de funcionamento da organização escolar: projeto 218 pedagógico.É sempre útil relembrar as principais variáveis em torno das quais pode incidir a avaliação: Dados estatísticos sobre a população escolar. A análise dos resultados. dentro da escola. separadas. Avaliação da execução do projeto pedagógico-curricular Esta é uma forma de avaliar a escola no seu conjunto. pode ajudar os professores a modificarem suas formas de trabalho. . práticas participativas). envolvimento da equipe pedagógica e professores com os objetivos e com as ações da escola Acompanhamento do rendimento escolar dos alunos Aplicar métodos e procedimentos para acompanhar e analisar sistematicamente os resultados escolares nas varias turmas.

Avaliação de desempenho dos professores É cada vez mais crescente na pesquisa pedagógica a insistência na avaliação dos professores. Por outro lado. isso não pode levar a descartar a avaliação das características. é dele que depende o êxito escolar dos alunos e a realização dos objetivos essenciais da escola. Boa parte das ações docentes não está constantemente sob controle da consciência porque resultam de modos de agir e hábitos já consolidados. enfrentar o desafio de avaliação qualitativa da atividade docente através da observação sistemática de aulas e do diálogo e da reflexão conjunta com os professores. da qualidade e da eficácia do trabalho do professor. todavia. É preciso. como uma das condições do desenvolvimento profissional. há uma boa dose de imprevisibilidade e improvisação. não é uma profissão na qual basta seguir uma seqüência de atos automatizados. enfrentar esse tipo de avaliação de uma forma decidida porém cautelosa. Não há dúvida de que o professor é o fator mais significativo na determinação da produtividade de uma escola. porque. Educadores que conhecem de perto o funcionamento de escolas e de salas de aula sabem que os principais pontos de um programa de observação da prática docente na sala . inclusive pelo caráter de imprevisibilidade que têm muitas das ações escolares. Há muito pouco progresso concreto na investigação dos instrumentos de avaliação de professor (ainda que reconhecendo avanços na concepção do professor crítico-reflexivo). em boa parte. etc. O trabalho de professor não se presta a análises meramente quantitativas.sistema de gestão. Além disso. todavia. Os diretores de escola e os coordenadores pedagógicos precisam. Não é tarefa fácil.

Para finalizar: a avaliação emancipatória . Ações de formação continuada de professores. Critérios de organização de turmas. utilização dos recursos materiais e didáticos. conforme o nível de ensino atendido. como organização e desenvolvimento das aulas. incluindo instalações e equipamentos.de aula são os seguintes (Cf. organização. gestão da classe em vários aspectos. preparo profissional do professor no conhecimento da disciplina e dos métodos e procedimentos de ensino e avaliação. pedagogos. funcionários. Estratégias de relacionamento com os pais e as formas de comunicação. Outros fatores também precisam ser considerados na avaliação do professor relacionados com a organização e funcionamento da escola como um todo: Disponibilidade. horário de aulas e distribuição de disciplinas. procedimentos e instrumentos de avaliação da aprendizagem. Ghilardi e Spallarossa. Encontros e reuniões de professores. qualidade da comunicação com os alunos. 1991): 219 qualidade das relações sociais e afetivas com os alunos. Atividades administrativas e de apoio pedagógicodidático ao professor.

1994). em que o professor é também um investigador (Hernandez e Sancho. Auto-avaliação. A avaliação emancipatória tem três características: Avaliação compreensiva e global do processo de ensino e aprendizagem Avaliação democrática em que os resultados da avaliação são discutidos e negociados entre os participantes do trabalho escolar.de modo que tome decisões com maior conhecimento de causa. Estudando o assunto. a gestão de uma escola pode ser analisada por meio de duas atividades básicas: a racionalização do trabalho e coordenação do esforço humano coletivo. Por sua vez. o professor Vítor Paro escreve que a racionalização do trabalho engloba as ações. é assegurar cada vez mais nas instituições 220 o caráter educativo da avaliação: meio de revisão das ações do professor .práticas de ensino.A tendência nas práticas de avaliação. CAPÍTULO XIII – Estratégias de Coordenação do Trabalho Escolar e de Participação na Gestão da Escola 223 Conforme vimos nos capítulos anteriores. processos e relações referentes à utilização racional dos recursos materiais e de conhecimentos. mediante um processo reflexivo rigoroso de planejamento-observação-análise-reflexão-planejamento. a coordenação do esforço . numa perspectiva de educação emancipatória. interação com os alunos .

Parece não haver dúvidas de que. o esforço humano coletivo necessita dos elementos materiais e conceituais para ser aplicado racionalmente" (Paro. assim como a garantia da coordenação 224 do esforço humano coletivo através da participação coletiva. não podendo. técnicas e habilidades em níveis e padrões que possibilitem o oferecimento de um ensino de boa qualidade a um número maior de alunos. ser separados. da mesma forma. considerando a natureza dos fins buscados pela escola. Dessa forma. Com igual razão. Ainda segundo Paro. os dois tipos de recursos funcionam em mútua dependência. faz-se necessária aposse de um conjunto de conhecimentos.humano coletivo diz respeito à utilização racional das relações entre os profissionais da instituição. 1988). na prática. sempre avaliadas pela prática reflexiva. métodos e técnicas adequados à especificidade dos seus objetivos e à especificidade do processo pedagógico escolar. uma escola comprometida com a transformação social precisa lançar mão de princípios. para um razoável desempenho do pessoal escolar. em especial do corpo docente. "Os elementos materiais e conceituais não cumprem sua função no processo se não estiverem associados ao esforço humano coletivo. Para o autor. as pessoas envolvidas na administração da escola deverão exibir uma competência técnica que deve dizer respeito tanto ao . Escreve o autor: A utilização racional dos recursos coloca o problema da competência técnica no interior da escola. são imprescindíveis os conhecimentos. as técnicas e instrumentos que assegurem a utilização racional de recursos materiais e conceituais.

mas na de grupos ou equipes representativos de todos. Nesta nova situação. (. esta identificada com os interesses da classe trabalhadora (Paro. (. quanto aos processos.) Esse fato coloca novamente a importância do conhecimento e familiaridade que o educador deve ter não apenas com os aspectos mais propriamente pedagógicos da escola. 1988). métodos e técnicas relacionados à atividade administrativa. Numa administração escolar autoritária e centralizada na figura do diretor. professores. alunos e pais. é importante que todos saibam os princípios e os métodos de uma nova administração. O mesmo não acontece numa administração democrática. pessoal técnico-pedagógico. basta que este e mais alguns de seus auxiliares mais diretos dominem os conhecimentos e técnicas de gerência e administração.. fundamentada na participação coletiva. ou seja. visto que as responsabilidades administrativas foram distribuídas juntamente com a autoridade..conhecimento da coisa administrada. mas também com os métodos e técnicas administrativos mais adequados à promoção da racionalidade interna e externa da mesma. É através dela que são fornecidas as melhores condições para que os diversos setores participem efetivamente da tomada de decisões.) A "coordenação" do esforço de funcionários. aos aspectos mais propriamente pedagógicos.. é de extrema relevância na instalação de uma administração democrática no interior da escola. 225 .. já que estas não se concentram mais nas mãos de uma única pessoa. em que não existem chefes colocados autoritariamente sobre os demais.

Tipos de reunião Há vários tipos de reunião de professores. daí poder-se falar de reunião pedagógica. de comunicação e de construção coletiva da organização e gestão da escola. Etapas para a elaboração de projetos. Conselho de Classe. Seminários. Modelo clínico de formação continuada.É em razão desses argumentos que foram selecionados alguns procedimentos e técnicas úteis para viabilização do trabalho escolar. Apresentamos a seguir alguns deles. referentes especialmente à coordenação pedagógica e aos professores. REUNIÕES DE PROFESSORES Por "reunião de professores" entende-se o encontro formal entre a direção. administrativas e financeiras da escola. Informativa . cada reunião pode ser dedicada a um desses setores.Destinada à transmissão de informações ou medidas a serem cumpridas. de promoção da participação. . a coordenação pedagógica e os professores para trocar idéias e tomar decisões sobre questões pedagógicas. 2. 5. portanto. trata de questões já decididas que serão apenas comunicadas. 1. Evidentemente. A reunião de professores é uma necessidade da organização escolar mas é também um espaço de formação continuada. Reuniões de professores. reunião administrativa. Entrevistas. visando o aprimoramento das práticas de organização e gestão da escola: 1. 3. 6. 4. Nesse caso. etc. sem preocupação de esgotá-los.

Entretanto.226 pode-se usar de bastante objetividade. Tem caráter oficial. Na reunião. a reunião é um procedimento administrativo indispensável ao sistema de gestão da escola. projeto ou para subsidiar uma tomada de decisão. especialmente. os professores. pode tornar-se uma atividade malvista e desconfortável. Nérici. a coordenação pedagógica. A 227 direção. Opinativa-deliberativa . Não tem caráter oficial. de seminários. Para . Geralmente esse tipo de reunião sucede a uma decisão já tomada em reunião formal e aqui o coordenador irá pedir sugestões e informações para concretizá-la. Convém que o coordenador desse tipo de reunião prepare de antemão pontos polêmicos da comunicação. foram aproveitadas idéias de vários autores. As reuniões de estudo são denominadas. preparação conjunta de aulas etc. De estudo . Observação importante: conforme afirmamos anteriormente. Coleta de opiniões . 1973 e Grisi.Visa a leitura e discussão de um texto. às vezes. aprofundamento da leitura de documentos. 1980. deverá aceitar todos os pedidos de esclarecimentos. Sobre o tipo e formas de reunião.O objetivo é a discussão de um assunto ou a busca de solução de problemas. pois o que se decidir deverá ser assumido por todos os membros da escola.O objetivo é ouvir as pessoas para a elaboração de um documento. precisam levar a sério a organização das reuniões.

visando a facilitar a comunicação e o diálogo.isso. prevenir-se para perguntas embaraçosas. conforto. especialmente o que já está previsto em leis. com os mesmos interesses. Evitar colocar na mesma sala pessoas com interesses muito divergentes ou de nível cultural ou de escolaridade muito diferenciados. cuidando para não torná-la excessivamente longa 228 . recomenda-se que não se façam reuniões improvisadas. esclarecendo quais questões são mais urgentes. ou questões que já fazem parte dos deveres e obrigações profissionais. elas precisam ser planejadas. Submeter a pauta à aprovação dos participantes. Preparar rigorosamente a reunião: definir objetivos e pauta. Reunir pessoas mais ou menos do mesmo nível hierárquico. Da mesma forma. local e horário. Dispor os assentos. Sugestões para o planejamento e organização de reuniões Escolher o local e verificar as condições físicas e materiais: iluminação. Evitar colocar em pauta assuntos e questões que podem ser resolvidas individualmente com os interessados. quadronegro. material didático e audiovisual etc. divergências de opinião etc. preferentemente. regulamentos ou rotinas. Programar uma pauta possível de ser cumprida. Manter rigorosamente o horário de início e de término da reunião. medidas e normas já estabelecidas na legislação. arejamento. não levar para a reunião assuntos sobre os quais já se tomou uma decisão. em círculo. muito bem organizadas e muito bem conduzidas.

5. Pode ser útil cada participante escrever seu nome numa folha e afixar na carteira. seminários de estudo. Apresentação de soluções alternativas. discussão livre. para quando. há a Tempestade Mental (Brainstorming). Entre elas. Discussão. 229 . promover uma breve apresentação dos presentes. Definição bem clara dos assuntos ou problemas. Se for grupo novo em que as pessoas não se conhecem. conforme os tipos apontados acima.. 3. 4. que pode ser conduzida da seguinte forma: 1. Iniciar a reunião apresentando os assuntos e os objetivos da discussão.). Recomendações úteis ao coordenador de reunião Apresentar-se na reunião com bastante segurança e confiança em si para passar segurança aos participantes. Há muitas outras técnicas de realizar uma reunião.. Delegação de responsabilidades (quem fará o quê. Conclusões. Técnicas de condução da reunião A técnica mais comum é a reunião de trabalho.Não abusar no número de reuniões. 6. 2. O coordenador ou alguém do grupo apresenta o problema. o grupo operativo (discussão dirigida de solução de problemas). Apresentação dos assuntos.

diversionistas. que podem dificultar a busca de soluções positivas para os problemas. 230 2. não permitir em nenhuma hipótese conversas paralelas. fazer voltar sempre ao tema em discussão. aprender a persuadir. de modo que se mantenha o clima de debate e se aprofunde mais a discussão. Após uma rodada de discussão sintetizar os pontos já tratados. Estimular todos os participantes a expressarem sua opinião. Ter paciência para ouvir todos. usando argumentos seguros. provocar a participação chamando as pessoas pelo nome. informações. dados concretos. oferecendo dados concretos. pontuar as conclusões a que o grupo vai chegando. Assegurar a condução da reunião. Não monopolizar a palavra ou a discussão. ENTREVISTAS INDIVIDUAIS . Pedir esclarecimentos. mantendo o grupo dentro do assunto. Se for necessário. Se as pessoas não falarem espontaneamente.Fazer perguntas iniciais aos participantes. envolventes. sem antecipar ou precipitar as conclusões. tomando especial cuidado com as pessoas que falam demais e com as que falam pouco ou não se manifestam. Não permitir que a reunião prossiga enquanto todo o grupo não estiver atento. Estar atento para posições ou opiniões "proteladoras". a convencer. Estimular a participação de todos os membros do grupo.

mais flexível. Procedimentos . É importante destacar que a entrevista deve centrar-se na análise da situação ou na solução do problema e não em uma das pessoas envolvidas. para se chegar a uma conclusão. é provocada por algum fato. a entrevista na escola é um encontro de duas ou mais pessoas interessadas em melhorar uma situação. A entrevista pode ser. Orientações gerais sobre a técnica de entrevista A entrevista. um cotejamento de modos de ver uma situação. b) Não-dirigida. chamar a mãe para conversar sobre dificuldades dos alunos. na qual não há um roteiro prévio. c) Mista. Por exemplo. pais. Por isso. alguma observação ou solicitação.Os professores e professoras são sempre solicitados a entrevistar alunos. um problema. resolver um problema. na qual há um roteiro prévio de questões ou perguntas dirigidas ao entrevistado. Também os coordenadores pedagógicos utilizam a entrevista para reuniões de trabalho com os professores. Conversar com uma professora sobre problemas de disciplina na classe. utilizada como técnica de ensino e aprendizagem na sala de aula. a conversa flui livremente entre os participantes. Chamar um aluno para conversar sobre seu rendimento escolar. geralmente. Segundo especialistas. é importante que seja uma troca de pontos de vista. Tipos de entrevistas a) Dirigida. ainda. utilizando ambos os procedimentos.

de cooperação mutua. Nesse caso. Convém que na convocação ou convite para a entrevista já seja informado o motivo da sua realização.A entrevista é. É um trabalho integrado. um procedimento útil para reunir o coordenador pedagógico e o professor. munidos de informações. A entrevista do coordenador pedagógico com os professores A entrevista individual é. Por isso entrevista é peculiar. com um roteiro mínimo de perguntas ou questões. Mas podem ser sugeridos alguns procedimentos: O entrevistador e o entrevistado devem ir à entrevista com objetivos claros. compromissos. Isso significa que podem existir pontos da conversa que são inegociáveis. uma troca de impressões de modos de ver. é um importante momento de formação continuada para ambos. normas. . após a realização de um evento. resolver problemas. quase sempre. pela sua natureza. objetivos. após uma observação de classe. tem um 231 desenvolvimento compatível com a situação que está sendo analisada. A informalidade é um importante requisito para uma boa entrevista. de idéias. o diálogo e a tomada de novas decisões. Os entrevistados precisam levar em conta que trabalham numa organização que tem uma filosofia de trabalho. a entrevista precisa acontecer imediatamente após o ocorrido. também. mediante a reflexão. Se o objetivo é. Visa o acompanhamento do trabalho em sala de aula para aprimoramento do ensino.

novas discussões. 232 b) Auxiliar no desenvolvimento de habilidades de analisar. procedimentos etc. visando a um plano de auto-aperfeiçoamento. f) Acerto de novas observações.Essa entrevista tem por objetivos: a) Ajudar os professores a tomarem consciência do seu desempenho e a encontrarem. para evitar desconfianças. evidências. por si próprios. disciplina. avaliação. e) Análise e interpretação dos dados colhidos durante a observação junto com o professor para verificar pontos fortes e fracos da sua atuação. As entrevistas precisam ocorrer imediatamente após a observação de aulas do professor. metodologia de ensino. dados. a partir das dificuldades apontadas. A entrevista deve ter caráter eminentemente profissional. levando a tornar mais eficaz a ação docente. de lado a lado. avaliar e interpretar o que se passa consigo e na sala de aula. Observações importantes: As entrevistas entre coordenador pedagógico e professores precisam estar fundamentadas em informações. suas limitações quanto à motivação dos alunos. d) Combinar com o professor a ida do coordenador à sua classe para observação de aula. temores. os caminhos necessários para a melhoria da sua atuação. considerando-se portanto o trabalho . c) Ouvir o professor sobre suas dificuldades.

para serem discutidos posteriormente. o objetivo do seminário não é apresentar as conclusões para uma classe ou grupo maior. apontamentos. motivações. visando melhorar uma situação. professores com mais dificuldades na sala de aula. também. pode ser útil a elaboração prévia de uma ficha de observação dos aspectos a serem observados. cada um com sua especialidade.realizado ou a ser iniciado (o que não significa. professores sem formação pedagógica. O coordenador poderá. atitudes. 3. aprimorar o processo de ensino e aprendizagem. Considerar que a reunião entre coordenadores e professores acontece entre duas pessoas. discutida antes com o professor. obviamente. alunos. pais). 233 Os coordenadores precisam dedicar especial atenção. SEMINÁRIOS O objetivo do "Seminário" é o estudo de um tema juntamente com outras pessoas. Diferentemente do que tem sido feito nas escolas. mas a estruturação de . A idéia básica dessa técnica é promover a aprendizagem ativa entre os membros (professores. Se a entrevista se destina a conversar com o professor sobre situações observadas em aula. havendo um intercâmbio de pontos de vista. A entrevista é um encontro entre pessoas. implicando. ignorar as relações pessoais). nas entrevistas. a professores iniciantes ou inexperientes. em reuniões previamente planejadas. habilidades dos envolvidos na percepção e compreensão do outro. portanto. valores. câmara de vídeo. sempre com o consentimento do professor. num clima de colaboração recíproca. utilizar gravador.

É a instância que permite o acompanhamento dos alunos. e incentivar projetos de investigação. dos pais. visando a um conhecimento mais minucioso da turma e de cada um e análise do desempenho do professor com base nos resultados alcançados. Tem a responsabilidade de formular propostas referentes à ação educativa e didática. em alguns casos. CONSELHO DE CLASSE O Conselho de Classe é um órgão colegiado composto pelos professores da classe. 4. o debate e a verbalização de idéias dentro do pequeno grupo. atividades de integração . o Conselho de Classe também é competente para formular propostas para a coordenação pedagógico-didática.conceitos. para socializar as conclusões. por representantes dos alunos e. É o resultado do trabalho desse pequeno grupo que será apresentado para toda a classe. podendo. o importante é a diversificação de fontes). facilitar e ampliar as relações mútuas entre os professores. daí. Todos os membros precisam participar igualmente do trabalho. 234 O seminário deve ser apresentado para a classe como síntese do trabalho do grupo. Em algumas experiências. pais e alunos. O estudo conjunto exige a investigação e a pesquisa de diversas fontes e recursos de informação (o estudo de um livro ou capítulo de livro não justifica um seminário. Algumas recomendações Os participantes devem ter interesses comuns quanto ao tema e um nível de conhecimentos semelhante. fazer nova discussão.

. A presença de pais e estudantes no Conselho de Classe. após o Conselho de Escola.). mas isso não deve ser motivo de não incluí-los nas reuniões. Elaboração de programas de recuperação e outras atividades de apoio. o Conselho de Classe poderá tornar-se o órgão colegiado mais interessante sob o ponto de vista pedagógico-didático. A participação no Conselho de classe requer dos professores e coordenação pedagógica a consulta a informações e registros que possam subsidiar as decisões.e iniciativas de apoio. os ajustes necessários. Se essas competências forem levadas a sério. Identificação de progressos e mudanças de comportamento de alunos. e verificar periodicamente o andamento geral dessas atividades. Busca de soluções alternativas para as dificuldades que aparecerem. Os objetivos do conselho de classe são: Aprimoramento do diagnóstico dos problemas e dificuldades. de estabelecimento de limites e competências. retomada da matéria etc. tal como já alertamos quando tratamos do Conselho de Escola. 235 Obtenção de informações para facilitar o aconselhamento ao aluno. Reformulação do plano de ensino (revisão. pode trazer conflitos de interesses e competências. Há que se buscar as possibilidades de acordo mútuo.

o método clinico é baseado na articulação entre prática e reflexão sobre a prática. principalmente. Conforme o pedagogo suíço Philippe Perrenoud. O professor "clínico" é aquele que. MODELO CLÍNICO DE FORMAÇÃO CONTINUADA O modelo clínico é assim chamado por tratar-se de um trabalho preventivo de orientação do professor na sala de aula. mas é melhor que seja feito com o grupo todo. a formação clínica é uma formação orientada pela prática a partir de uma formação pedagógica. A idéia-chave desse modelo é considerar o professor como alguém que reflete sobre sua prática a partir da própria investigação sobre essa prática. O termo "clinico" refere-se a um modelo de funcionamento intelectual basicamente assentado na metodologia de solução de problemas. que permite a prática reflexiva sobre o trabalho em desenvolvimento e previne para que as dificuldades encontradas sejam superadas. de um projeto organizado de ação e da análise dessa prática. decidir e agir tirando conclusões ou para antecipar resultados de determinadas decisões ou atitudes. frente a uma situação problemática complexa. O modelo clínico pode ser aplicado a um ou mais professores. . Daí a necessidade de que cada professor tenha disposição e competência para análise individual ou coletiva de suas práticas para pensar.5. de observação de aulas. 236 Ainda segundo Perrenoud. pensar numa intervenção eficaz. possui as regras e dispõe dos meios teóricos e práticos para: avaliar a situação. Ele supõe levantamento de necessidades de desenvolvimento profissional através.

definindo-se antecipadamente uma problemática. utiliza-se da investigação para selecionar experiências pertinentes (tendo em vista uma construção mais rigorosa do objeto). mas uma prática planejada.) Para que a experiência prática resulte numa verdadeira maestria profissional é preciso que o professor possa analisar a prática. para que os problemas a serem resolvidos estejam à altura das pessoas em formação. essencialmente. afundar no pragmatismo absoluto ou em ações pontuais.. nem em conformar-se com um modelo. de emergência. e. compreender como e porque esta atividade ou aquela intervenção foram bem. Mas não uma prática qualquer. avaliar a sua eficácia aparente. Essa formação é feita.. No dizer do próprio Perrenoud: Ensinar não consiste em aplicar cegamente uma teoria. muitas vezes. bem organizada. resolver problemas. ou mal 237 sucedidas. centradas em suas necessidades). através da prática.e. para tanto.. partindo do que os professores acham significativo (i. Este tópico é uma adaptação livre do capítulo "Técnica de projeto" do livro Planejamento e organização do . antes de mais nada.colocá-la em prática. realizar outros ensaios e passar a agir de forma diferente (1993). seguir uma lógica de construção de conhecimento. corrigir o rumo. Sem. A formação clinica. (. baseada na prática refletida. É. agir em situação de incerteza e. tomar decisões.

Editora Globo/INL. Os profissionais de uma escola precisam. implicando capacidade de liderança. Além disso. ETAPAS PARA A ELABORAÇÃO DE PROJETOS 2 Observações prévias O projeto é o resultado de um processo de planejamento e negociação entre os membros de uma equipe escolar. mesmo.ensino. Porto Alegre. de forma a estabelecer uma ponte entre a situação atual e os cenários desejáveis. Isso. horas pagas para reuniões de trabalho). levado junto 237 com a equipe. iniciativa e motivação dos dirigentes. necessidade da instituição) de um projeto (Carvalho. pode ser um bom começo de conversa. até que as pessoas assumam a necessidade do projeto pedagógico coletivo. Cabe aos dirigentes das instituições ter lucidez e competência para formular as melhores estratégias de introduzir a prática do projeto. A instituição . ter consciência de que nem sempre a necessidade real do grupo coincide com a necessidade impositiva (ou. sem que o projeto seja uma necessidade sentida por um grupo. 6. É preciso ter o projeto e o sistema de gestão. De pouco resolverá uma seqüência de passos. Um bom diagnóstico da situação. 1974. coordenado por Loureimi Ercolani Saldanha. também. 1993). nenhum projeto resolve os problemas de gestão de uma escola. Não foi por acaso que insistimos bastante na importância do sistema de gestão e direção da escola. significa "deixar o barco correr". de forma alguma. uma adequada distribuição de cargos e responsabilidades e a institucionalização de condições de diálogo e comunicação (por exemplo. tal como apresentamos a seguir.

convém que as decisões sejam tomadas por consenso e não por maioria. É até recomendável que se crie um grupo de trabalho ou comissão com a função de protagonizar. O processo de elaboração do projeto O projeto é uma importante técnica de identificação (diagnóstico) e solução de problemas. através da reflexão e da implementação de estratégias concretas e de sua avaliação. 239 6) Acompanhamento. Em resumo. 5) Implementação do projeto. dando mais solidez às possibilidades de êxito do projeto. permite uma maior coesão do grupo (inclusive por deixar claras as diferenças. 2) Determinar objetivos e necessidades. 4) Organização do projeto. O projeto consiste na colocação clara do problema e no planejamento do curso da ação para solucioná-lo. nas práticas de gestão da escola. A seqüência de passos sugerida para se chegar ao projeto é a seguinte: 1) Definir o problema. Cabe insistir. a introdução do projeto. avaliação e realimentação do projeto . os pontos de vista). numa estratégia de busca de consenso ao invés de submeter as decisões ao voto. de alguma forma. A busca de consenso é mais democrática. 3) Levantar alternativas de solução possíveis e coerentes com o problema.sempre contará com algumas pessoas interessadas e motivadas pelo projeto e a elas cabe. as posições. mobilizar estratégias de mudança.

O que é necessário para atingir os objetivos propostos? As necessidades podem ser pensadas em termos de pessoal. Trata-se de aprofundar o conhecimento da situação. os objetivos precisam ser realistas. Em seguida. O resultado final desejado é o objetivo geral. refletir e buscar uma situação mais satisfatória. materiais. Em síntese: Segundo momento . são definidos objetivos intermediários. possíveis de ser atingidos. . Sempre considerar as condições existentes 240 (viabilidade) ou as condições ainda inexistentes mas que sejam possíveis de serem criadas. Obviamente. os vários fatores da situação e do contexto mais geral. cabe determinar necessidades. tempo.1. financeiros. Um problema é uma situação não satisfatória. Com isso. Analisar o problema levando em conta suas possíveis causas. algo que não anda bem. operacional.Formular o problema de forma clara. Determinar objetivos e necessidades Definido o problema de forma explicita e operacional é preciso pensar qual será a situação desejada para resolver o problema. 2. chega-se à delimitação e definição do problema. recursos físicos.Diagnóstico da situação para obtenção de informações relevantes. Para isso. o objetivo imediato. e que precisa ser alterado. um desafio. Definir o problema Primeiro momento .

controle. também. da parte de alguns educadores. às necessidades e aos objetivos propostos. a negociação. (por causa de sua vinculação ao tecnicismo educacional). coerentes e operacionalizados.negociação . sem prejuízo da qualidade.objetivos 3. considerando. . Entretanto. Levantar alternativas de solução possíveis e coerentes com o problema É a fase do exame das soluções possíveis. Diagnóstico . Ainda há. sem considerar a flexibilidade. Daí a importância de objetivos muito claros. Levantadas várias alternativas. a imprevisibilidade.necessidades . bem como práticas avaliativas visando a reformulação dos processos e do próprio projeto. sem prejuízo dos objetivos. o compromisso das pessoas. produtividade. se é verdade que as organizações escolares precisam ter um projeto. o diálogo. elas podem passar pelo crivo dos critérios de seleção. O problema dessa tendência é reduzir o funcionamento das instituições a critérios exclusivamente de eficácia. de forma que ninguém tenha dúvida dos resultados desejados a partir das ações levadas a efeito.se: 241 menor custo. isto é. é verdade. que precisam funcionar competentemente. a maioria eficiência. a participação etc. as que melhor se ajustam ao problema.A identificação de necessidades e a avaliação das condições existentes podem levar à modificação dos objetivos. certa resistência a objetivos operacionalizados.

pôr em ação o projeto.organização e gestão de recursos físicos. 242 . é preciso considerar. humanas. metodológicos). critérios sociológicos. materiais. Implementação do projeto Implementar significa criar as condições. formas de acompanhamento e avaliação. Organização do projeto O projeto é um guia para a ação. Obviamente. 4.menor risco. sem prejuízo da capacidade de inovar e ousar. É importante preparar um cronograma de execução (plano de gestão do tempo). sistemática de gestão) e os aspectos conceituais (pedagógicos. conteúdos. materiais. metodologias. também. éticos. Acima de tudo. concretizados em atividades a serem realizadas. visando a implantação da alternativa selecionada em função dos objetivos. A implementação levará em conta os seguintes aspectos: organizacional . O projeto prevê o processo de trabalho dirigido ao atendimento dos objetivos. estratégias. procedimentos. humanos e da própria coordenação do esforço humano coletivo. psicológicos. mobilizar esforços para atingir os objetivos previstos. O projeto sempre tem os aspectos técnico-administrativos (condições físicas. Curricular e metodológica (no caso de escola) objetivos. as alternativas precisam considerar os critérios de qualidade humana e educacional (Capitulo 111 deste livro). 5.

a organização e as condições em que está sendo implantado o projeto. Educa. . Lisboa. Definir o problema Determinar objetivos e necessidades Levantar alternativas de solução possíveis e coerentes com o problema Organização Implementação Acompanhamento. avaliação e realimentação do projeto BIBLIOGRAFIA ABDALLA. para se verificar até que ponto em que nível de qualidade os objetivos foram atingidos. Abílio. São Paulo: Faculdade de Educação da USP. tendo como critério os objetivos previstos. Acompanhamento. 1994. Os resultados precisam ser analisados criteriosamente. O acompanhamento permite ir controlando as várias fases de implantação. em função dos objetivos. permitem verificar. As várias formas de avaliação processual. incluindo a utilização de instrumentos de medida. Formação e desenvolvimento profissional do professor: o aprender a profissão (um estudo em escola publica). Maria de Fátima B. Tese de doutorado. avaliação e realimentação do projeto Estes aspectos. 2000. a qualidade do projeto. levará à avaliação somativa.). É o que se denomina "retroalimentação". AMIGUINHO. Escolas e Mudança: O papel dos Centros de Formação. Rui. que podemos sintetizar no termo AVALIAÇÃO. através dos resultados. O exame e análise dos dados podem exigir correções no processo. e CANÁRIO.6. (Orgs.

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Cuiabá: Entrelinhas Editora. Confluências e divergências entre didática e currículo. pedagogia e didática. Marlene S. 1994.).). Diretores escolares e gestão democrática da escola (In: Gadotti. Formação de professores: saberes e identidade da docência. São Paulo: Faculdade de Educação da USP. Louremi E. UNESCO-MEC. Planejamento e organização do ensino. Autonomia da escola . (Orgs.. Didática e Formação de professores: percursos e perspectivas no Brasil e em Ibrtugal.). 1998. 1974. A prática (e a teoria docente) . O. SANTOS. PIMENTA.DEMO.Paulo. Maria Rita N. Educação e qualidade.Princípios e proposições. 1999. 1999. In: Oliveira. 1997. São Paulo: Cortez. Cortez. 1997. São Paulo: Cortez. José E. Porto Alegre: Artes Médicas. e PADILHA. 1997. uma revisão conceitual. SALDANHA. S. In: Pimenta (Org. São Paulo: Cortez. . In: Pimenta (Org. Por uma docência da melhor qualidade. Moacir e Romão.). Educação e poder local. Para uma re-significação da Didática: ciências da educação. Tese de doutorado. Campinas: Papirus. Saberes pedagógicos e atividade docente. 2000. Selma G. uma síntese provisória. Gestão da escola fundamental. Porto Alegre: Globo/INL. Terezinha A . Campinas: Papirus. (Org. 247 Construir as competências desde a escola. Paulo R. Pedro. José E. RIOS.). S. ROMÃO. (Coord.Resignificando a didática. 1997.

). Dissertação de Mestrado. FUSARI. Haddad. (Orgs. Goiânia: UFG. CARMO. (Org. SOUSA. 1999. 1998. José C. Gestão democrática da educação: atuais tendências. Pedro. 1990. Belo Horizonte: V ENDIPE. 1998. BARROSO. FERREIRA. Mirian J. C. Campinas: Papirus. Supervisão educacional para uma escola de qualidade. Luís C. Campinas: Papirus. FREITAS. Naura S. São Paulo: Cortez.SANTOS. (Org. do. DEMO. Crítica da organização do trabalho pedagógico e da didática. São Paulo. Educação e qualidade. 1990. 1997. n. Warde. 1996. Sérgio (Orgs. 1996.). 44-53. O estudo da escola. Os conselhos escolares da rede municipal de ensino de Goiânia. São Paulo: Companhia Editora Nacional. p. SILVA JUNIOR. A escola pública como local de trabalho.).). Michael. O Banco Mundial e as políticas educacionais. João. 1966. 8. novos desafios. 1995. James. Teobaldo M.. 30. Outras indicações bibliográficas APPLE. A organização do trabalho pedagógico Elementos para pesquisa de novas formas de organização. Alberto R. e BEANE. São Paulo: Cortez. São Paulo: Cortez. Clarfza P Descrição de uma trajetória na/da Avaliação Educacional. 1996. (Org. São Paulo: Cortez/Autores Associados. 1994. Mimeo. Portugal: Porto Editora. De Tommasi. Celestino da. Escolas democráticas. Noções de Administração Escolar. . 1989. Livia. Idéias.). São Paulo: Cortez. O planejamento do trabalho pedagógico: algumas indagações e tentativas de respostas. In: Idéias.

1998. Dalila A. São Paulo. Portugal: Edições ASA. Administração colegiada na escola pública. Petrópolis: Vozes. São Paulo: Cooperativa Técnicoeducacional. 1992.grau. Selma G. PÉRES GÓMEZ. ed. Sueli A. p. Maria de Lourdes M. I. p. Madrid: Editora Morata. Danilo.GANDIN. OLIVEIRA. Faculdade de Educação/ Universidade Federal de Goiás. PIMENTA. José. A. GIMENO SACRISTÁN. As escolas e a qualidade. Eny. Luís A. 1999. 1990. 8. Dissertação de mestrado. La cultura escolar en la sociedad neoliberal. GATTI. Cadernos de Pesquisa (Fundação Carlos Chagas). Temas para um projeto político pedagógico. Enfrentando o desafio da escola: princípios e diretrizes para a ação. OCDE. 1997. e GANDIN. Campinas: Papirus. da C. 1999. 1995. 1999. Plano escolar -Caminho para a autonomia. São Paulo: Cortez. e MAIA. 1993. . Poderes instáveis em educação. Rio de janeiro: DP&A. Akiko. Porto Alegre: Artes Médicas. A escola participativa . 1998. (Org. 2. Goiânia. São Paulo. 85. 417-424. Gestão democrática da educação . A construção do projeto pedagógico na escola de 1. 5-10. n. Idéias. 1990.Desafios contemporâneos. S. Heloísa et al. LUCK. Organização da escola e do ensino e atuação do diretor. Bernadete. 248 ANEXOS PRAIS. n. LIMA.).O trabalho do gestor escolar. OYAFUSO.

UNESCO-MEC. realizar. isto é. Terezinha. uma atividade de reflexão acerca de nossas ações e opções. em função de objetivos. 1995. Ilma A. (Org. VEIGA. 1995. intenções. Educação: a outra qualidade. 73-77. Silva. Anexos Planejamento escolar – Diagnóstico O planejamento escolar é um processo de tomada de decisões.RIOS. Planejamento participativo na escola. 1986. 1995. Piracicaba: Unimep.). n. São Paulo: Cortez. explicitação de objetivos. São Paulo: EPU. (Orgs. SILVA JR.). para racionalizar nossas ações. Celestino A da. Projeto político-pedagógico da escola. p. UNESP-PRó-REITORIA DE GRADUAÇÃO. São Paulo. ao mesmo tempo. O. Mary Silva.DIAGNÓSTICO VIANNA. São Paulo. (Org. nosso trabalho. Ele implica intencionalidade. Planeja-se para decidir melhor. Significado e pressupostos do projeto pedagógico. fica A. 1997. Gestão da escola fundamental. Caminhos da profissionalização do magistério. 15. Rinalva. Novos olhares sobre a supervisão. Campinas: Papirus. ANEXO I PLANEJAMENTO ESCOLAR . 1990. O planejamento é um instrumento de trabalho e.). Campinas: Papirus. O homem é o único animal capaz de antecipar na sua mente o que pretende fazer. Idéias. e RANGEL. Campinas: Papirus.. . 1995. meios de ação. 1997. O projeto pedagógico de seu curso está sendo construído por você? ANAIS DOEI CIRCUITOPROGRAD.

de forma integrada e participativa. o planejamento tem como objetivo prever a organização do trabalho a ser desenvolvido. reflexão. Planejamento não pode ser proposta individual ou de algumas pessoas. pelo menos. 3. Diagnóstico da escola para coleta de informações úteis para a elaboração do Projeto pedagógico-curricular 2. O planejamento é um processo. tendo em vista a elaboração. Seu processo de elaboração requer a participação do pessoal técnico e docente. o plano é um documento. Tomada de decisões com base na escolha de prioridades e das formas mais eficazes de produzir mudanças na instituição em função dos objetivos. correção dos desvios e adequação do trabalho em função dos objetivos e com base em padrões mínimos de desempenho. para revisão das decisões tomadas e das ações.Na escola. três funções: previsão de resultados e meios de atingi-los. O Projeto pedagógicocurricular deve ser o resultado de um trabalho conjunto da equipe escolar. O processo de planejamento obedece à seguinte lógica: 1. execução e avaliação do Projeto pedagógico-curricular. O Projeto pedagógico-curricular deve ser coordenado. Análise e interpretação dos dados com base nos objetivos da instituição. 250 O planejamento cumpre. Elaboração e divulgação do projeto . viabilizado e avaliado pelo diretor e sua equipe técnica.

Levantamento de dados. O Diagnóstico tem.A atividade inicial do processo de planejamento é o Diagnóstico da escola. isto é. expectativas e necessidades da escola e da comunidade.Possibilitara análise das informações coletadas. . portanto. de acordo com um Roteiro. para o planejamento. O Diagnóstico alimenta o Projeto pedagógico-curricular. 2. registro de observações e entrevistas. para se saber como e com que meios a escola vem atendendo sua tarefa principal: ensinar. as causas mais . Possibilita o conhecimento das características. mediante registro de dados. indicando elementos para tomada de decisões. 3. Neste tópico. Os passos para se fazer um Diagnóstico são os seguintes: 1. ao menos. duas funções: Coletar informações quantitativas e qualitativas. Análise e interpretação dos dados: apreciação qualitativa com base no conhecimento teórico dos elementos constitutivos da organização escolar e nos objetivos esperados da instituição escolar. Descrição dos dados coletados e observados: o que acontece e como acontecem as coisas na escola. em termos da qualidade do serviço oferecido à população. Cumpre. verificam-se os problemas existentes. O Diagnóstico consiste no levantamento de dados e informações para se ter uma visão de conjunto das necessidades e problemas da escola e facilitar a escolha de alternativas de solução. que afetam o processo de ensino e aprendizagem. um papel básico na definição de diretrizes e metas para a organização pedagógico-didática e administrativa da escola.

). condições ambientais (iluminação.1. tipo de comércio. igrejas. transporte urbano etc. 253 . ventilação etc. assistência social e saúde. Salas da administração: quantidade. Indicações de medidas a serem tomadas: pontos a serem considerados no Projeto pedagógico-curricular para modificar as condições de funcionamento detectadas no Diagnóstico. aspecto físico geral. destinação de uso. indústrias.prováveis desses problemas e marcam-se as alternativas de solução. nível sócio-econômico das famílias. 252 ANEXOS II ANEXOU ROTEIRO PARA A COLETA DE DADOS PARA O DIAGNÓSTICO 1.). ruas. dimensões (ideal: 1m2 por aluno). Salas de aula: quantidade. Características gerais da comunidade e sua influência na composição da clientela escolar: caracterização do setor ou bairro em termos de urbanização (tipo de casas. 2. dimensões. ESTRUTURA FÍSICA E MATERIAL 2. vice-diretoria. aspectos culturais e de lazer. CARACTERIZAÇÃO SÓCIO-ECONÔMICA Breve histórico da criação da escola. outras escolas existentes. 4. se o número de salas é suficiente (diretoria. Edifício escolar Tipo de construção.

2.Área disponível para lazer. Mobiliário .4. . televisores. .Bebedouros e lavatórios: quantidade.3. vídeos. 2. descobertas. condições de uso. . mapas etc.): tipo. almoxarifado. . água tratada ou não. salas de projeção (filmes.secretaria. . coordenador de turno. orientação educacional).Salas e ambientes especiais: verificar os mesmos aspectos nas salas para: laboratórios.Mesas. quantidade. condições higiênicas. quantidade.Sistemática de efetuação das despesas. cartazes. 2. vídeo. slides). Recursos financeiros .Material didático (mimeógrafo. copiadora. suficientes ou não. formas de controle. sala de professores. 2. . coordenação pedagógica. despensa.Áreas livres: cobertas. condições de uso. adequação ao uso. como são adquiridos. .Verbas de que dispõe a escola . escrivaninhas. armários e outros: tipo. refeitório. Espaços de lazer e recreação . retro-projetor. estado de conservação. a que se destinam.Instalações sanitárias: quantidade conforme o número de usuários. forma de escoamento dos detritos. auditório etc. cozinha.Carteiras: tipo. quantidade. biblioteca. recreação e esportes: dimensões. estado de conservação.

qualificação.2. vice-diretor. diretor.Funcionários: Número por cargo (inspetores de alunos.Existe Regimento Escolar? É do conhecimento de todos os membros da escola? É utilizado? Em que circunstâncias? 4.1. 3. Especialistas: Número. orientadores educacionais. serventes. merendeiras. porteiros. adequação idade/série.4. pessoal administrativo.3.Formas de gestão e formas de relacionamento entre o pessoal técnico.Organograma da escola. ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO 4. número por sala. coordenadores pedagógicos. . pessoal auxiliar . 3. Aspectos organizacionais .1. vigias. qualificação.2.3. Coordenação pedagógica e orientação educacional ANEXOS Há um programa de formação continuada dos professores e pessoal administrativo? Existe o trabalho de assistência pedagógico-didática ao professor? Há uma unidade de ação da equipe técnica ou o trabalho é fragmentado? Há conflitos de funções entre direção e equipe técnica? O trabalho do pessoal técnico funciona em termos de garantir a qualidade do trabalho dos professores em sala . Professores: Número. . . PESSOAL 3. pessoal docente. 254 3. ESTRUTURA.Principais atribuições de cada setor. Alunos: Número por série. 4.

residência. profissão dos pais etc.? Os registros e controles do rendimento escolar estão corretamente organizados? Os arquivos estão organizados corretamente? Há normas da Secretaria da Educação sobre a organização e funcionamento da secretaria escolar? 4. Secretaria escolar .5.3.4. do rendimento dos alunos (análise dos resultados das avaliações) por classe? 4.Que tipo de atuação tem a Delegacia na parte administrativa e pedagógica da escola? O acompanhamento é freqüente ou esporádico? Qual é o grau de autonomia da escola para tomar decisões? 4.A secretaria está bem organizada? Há pessoal suficiente? 255 Há prontuários de cada aluno? Há ficha cadastral com dados de identificação. Relacionamento com pais e comunidade A escola tem APM (Associação de Pais e Mestres)? Conselho de Escola? . Relacionamento com a Secretaria da Educação e Delegacia de ensino .de aula? Há acompanhamento do trabalho do professor na sala de aula.A Delegacia traz para a escola instruções e procedimentos a serem cumpridos pela escola? Quem é o portador dessas instruções? .

docente..Existe um trabalho sistemático com os pais? São feitas reuniões? Com que freqüência (mensal..). empresários e outros? A escola cede suas instalações para a comunidade (reuniões.1. ORGANIZAÇÃO GERAL DA ESCOLA 6. . lazer etc. anual. democrática. O PLANEJAMENTO ESCOLAR . Aspectos administrativos gerais .)? Os pais comparecem? A escola mantém relacionamento com outras instâncias da comunidade (políticos.. participativa.Tipo de gestão existente na escola (colegiada. administrativo) a respeito das decisões a serem tomadas....Há o Plano da escola? Quando e como é feito? Existe um documento escrito? Há definição de objetivos e metas para o ano letivo e explicitação de atividades administrativas. .Relacionamento do diretor com o pessoal da escola (técnico. por classe. . financeiras e pedagógico-didáticas? .)? Que tipo de reuniões (com todos os pais. autoritária. prática de esporte.)? 256 5.O Plano é utilizado para a elaboração de Planos de ensino? 6.Facilidade de execução das atividades ou excesso de burocracia. centralizada.Há uma sistemática de levantamento de dados e informações para o diagnóstico? . associações de bairro. semestral.

Há remanejamento de alunos durante o ano letivo? Quais são os critérios? .2. supervisão pedagógica.Há Conselho de classe? Quando e como são feitos? 6.Há Conselho de Classe? Quando e como são feitos? Funciona em termos de uma avaliação diagnóstica? . rendimento escolar ou outros? .Como é feita a distribuição de alunos por classe? Há critérios de distribuição por idade.Como é controlada a freqüência dos alunos? Há muitas faltas? A escola verifica causas de ausência de alunos .). contatos com professores/ funcionários/ alunos. . reuniões. contatos com a comunidade/ delegacia de ensino/ políticos.Funcionamento da rotina da escola . .Como é organizado o horário? Quem organiza? Como é a distribuição das atividades (disciplinas)? Há uma fixação de horas semanais para cada atividade ou disciplina? .Em que e como o diretor ocupa seu tempo (administração. acompanhamento e avaliação do trabalho de cada setor etc.Como é feita a distribuição de classes entre os professores? Quais são os critérios? .Como é feita a recuperação? Quais os objetivos das aulas de recuperação? Funciona? Dentro do horário ou fora do horário? .Como é fixado o número de vagas? Existem critérios explícitos de seleção de alunos? Quais são os critérios de distribuição de alunos pelos turnos em que funciona a escola? São levadas em conta necessidades da comunidade? Há restrições a matrículas? São feitas exigências descabidas? ..

faltosos? Há controle da evasão escolar e uma análise de suas causas? .)? .Há merenda escolar? Quem fornece? A escola complementa? Os alunos gostam da merenda? Em que horário é servida? A distribuição dos alimentos interfere nas atividades de sala de aula? .O Plano da escola é utilizado para elaboração dos planos de ensino? .3. competições esportivas etc. reflexão ou discussão sobre a prática docente? .A escola exige uniforme? Controla o uso do uniforme? Há reclamações dos pais nesse sentido? 6. exposições.Há reuniões pedagógicas freqüentes? Que tipo de assuntos são tratados nessas reuniões? Há algum tipo de encontro para estudo.Qual é o procedimento utilizado na escolha dos livros didáticos? . Aspectos da organização pedagógico-didática .Quais os problemas mais constantes em termos de controle da disciplina e infrações disciplinares? .Os professores têm assistência pedagógica efetiva da equipe técnica? .Existe uma articulação entre as séries em termos de programação de objetivos e conteúdos? .Como é organizada a Semana de planejamento? Como são elaborados os planos de ensino (os professores isoladamente ou em conjunto)? 258 .Há atividades extra-classe (visitas a locais da comunidade para estudo do meio.

É feita a avaliação da execução do Plano da escola? Como se faz essa avaliação? Que procedimentos são utilizados? . DIREÇÃO E GESTÃO DA ESCOLA . e reorientar os trabalhos? .Qual é o tipo de gestão adotado na escola? .Há uma sistemática de capacitação em serviço (treinamento)? É feita pelo pessoal técnico da escola ou pela Secretaria da Educação? 7. em termos de sua eficácia e realização de objetivos? . AVALIAÇÃO .Há liderança efetiva da direção? Como é o relacionamento pessoal da direção com o pessoal técnico.Quem realiza a avaliação? Há uma reflexão conjunta sobre a prática desenvolvida.. dificuldades.As responsabilidades estão claramente definidas? . que estimula e incentiva a equipe escolar? 259 8.Há uma sistemática de acompanhamento.Qual é a sistemática de tomada de decisões? Há ordens prontas ou há uma prática participativa? . controle e avaliação das decisões tomadas? .Há um efetivo acompanhamento das atividades pedagógicas e administrativas. para detectar desvios. administrativo e auxiliar? .Há um clima de trabalho positivo.

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