Organização e Gestão da escola – Teoria e Prática José Carlos Libâneo Os estudos atuais sobre o sistema escolar e as políticas educacionais

têm colocado a escola, enquanto organização, co mo referência para a realização dos objetivos e metas dos sistema educativo. Nesse sentido, ela é vista como um ambiente educativo, como espaço de formação construído pelos seus componentes, um lugar em que os profissionais podem decidir sobre seu trabalho e aprender mais sobre sua profissão. Essa forma de ver a dinâmica da vida da escola leva a considerar a organização escolar como um_ organismo aberto, cuja estrutura e processos de organização e gestão são constantemente construídos pelos que nela trabalham (diretores, coordenadores, pedagogos, professores e funcionários) e pelos seus usuários (alunos, pais, comunidade próxima). Faz-se necessário, portanto, que esses educadores desenvolvam uma das competências profissionais básicas: participar na gestão e organização da escola, desempenhando um papel ativo nas decisões pedagógico-didáticas, organizacionais, administrativas. Para isso, precisam conhecer bem as políticas educacionais, os objetivos e as formas de organização e funcionamento de uma escola, bem como desenvolver competências para trabalhar em equipe, cooperar com outros profissionais, aprender a ter uma atitude investigativa. Essa qualificação teórica e prática possibilitará não apenas o exercício da participação mas, também, a análise da prática que levará a aprender idéias, saberes, experiências, na própria situação de trabalho, contribuindo para o desenvolvimento pessoal e

profissional. É para isso que este livro pretende contribuir. A ordenação dos capítulos foi pensada no sentido de familiarizar os estudantes nos conhecimentos básicos do processo organizacional das escolas e nos conhecimentos teóricos e práticos necessários para a participação consciente e ativa nas ações de organização e gestão da escola. O AUTOR José Carlos Libâneo é doutor em Filosofia e História da Educação pela PUC de São Paulo. Nasceu em Angatuba, Estado de São Paulo, em 1945. Formou-se em Filosofia na PUC de São Paulo, onde também obteve os títulos de mestre e doutor. Foi diretor de escola, desempenhou atividades nas Secretarias de Educação de São Paulo e Goiás, ensinou em várias instituições de ensino superior, tendo sido professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás durante 20 anos. Há muitos anos trabalha com formação de professores. Atualmente é Professor Titular da Universidade Católica de Goiás. Publicou cinco livros: Aceleração Escolar - Estudos sobre educação de adolescentes e adultos (1976), Democratização da escola pública - A pedagogia crítico-social dos conteúdos (Editora Loyola, 1 a edição em 1985, atualmente nas 17a edição), Didática (1 a edição em 1990, atualmente na 20a edição), Adeus professor, adeus professora? - Novas exigências educacionais e profissão doscente (4ª edição) e Pedagogia e pedagogos, para quê? (2ª edição), os três últimos publicados pela Editora Cortez. Também escreveu dez capítulos de livros em co-autoria e diversos artigos em revistas especializadas.

Para os diretores de escola, coordenadores pedagógicos, orientadores educacionais, professores que, entre tantas dificuldades que afligem a escola pública, sempre recobram o ânimo, se enchem de energia e de esperança, sabendo que o saber organizar e gerir sua escola, com determinação, energia e diálogo, produz um diferencial visível nas condições concretas pelas quais se pode garantir uma sólida formação de cidadãos, de profissionais, de usuários das mídias, de consumidores, de interlocutores sociais, para uma sociedade que requer cada vez mais sujeitos capazes de lidar com o conhecimento e que precisa ser muito mais includente do que tem sido. Para Maria Augusta de Oliveira, amiga e companheira de trabalho há muitos anos, cujo conhecimento práticoteórico sobre aqueles fazeres pedagógicos tem ajudado outras e outros a compreenderem que não é possível saber o que fazer sem saber o como fazer. SUMÁRIO Apresentação 9 Capítulo I - A escola como organização de trabalho e lugar de aprendizagem do professor 17 Capítulo II - Uma escola para novos tempos 31 Capítulo III - Buscando a qualidade social do ensino 51 Capítulo IV - O professor e a construção da sua identidade profissional 61 Capítulo V - Os conceitos de organização, gestão, participação e cultura organizacional 73 Capítulo VI - O sistema de organização e gestão da escola 93

Capítulo VII - Princípios e características da gestão escolar participativa 109 Capítulo VIII - O planejamento escolar e o projeto pedagógico-curricular 121 Capítulo IX - Organização geral do trabalho escolar 171 Capítulo X - As atividades de direção e coordenação 177 Capítulo XI - A formação continuada 187 Capítulo XII - Avaliação de sistemas escolares e de escolas 197 Capítulo XIII - Estratégias de coordenação do trabalho escolar e de participação na gestão da escola 221 Bibliografia - 243 Anexos - 249 Apresentação Este livro destina-se ao estudo da escola como instituição básica do sistema escolar e lugar de trabalho do professor. Foi escrito para ajudar os professores a conhecerem a estrutura e a organização das escolas e as condições de seu exercício profissional. Os capítulos desta publicação foram organizados a partir de textos didáticos provisórios, roteiros e notas de aulas, resenhas de livros, elaborados quando o autor ministrava, na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás, a disciplina Organização do Trabalho Pedagógico. Esse material foi reunido e reorganizado com base em novas pesquisas e leituras de obras recentes sobre o assunto. É necessário, entretanto, alertar os leitores de que muitas das idéias e opiniões aqui lançadas permanecem como objeto de investigação, pedindolhes que compartilhem com o autor as muitas indagações e dúvidas e que sejam também produtores de conhecimento. Estou de acordo com uma professora que disse assim:

"entre a teoria de um autor que queremos assumir, e a prática que queremos transformar com essa teoria, existe a nossa teoria" (in Christov, 1998). Tem sido divulgada boa bibliografia sobre organização e gestão dos sistemas de ensino. Tais estudos realizam análises bastante abalizadas sobre as formas de organização e gestão da educação neste momento de reestruturação produtiva capitalista, globalização 10 da economia, avanços tecnológicos, em que as políticas econômicas, sociais, educacionais são levadas a se ajustar ao modelo de desenvolvimento capitalista que ora se consolida. O impacto das transformações nos sistemas de ensino e nas escolas é direto: alteração no perfil de formação geral e profissional dos alunos, mudanças nos currículos e nas formas de gestão da escola, reavaliação das funções e responsabilidades do professorado, formas de participação das famílias etc. Ou seja, junto com a reestruturação produtiva vêm as reformas educacionais, pois há suficiente base histórica para sabermos que reajustes na realidade econômica e produtiva incidem em alterações no âmbito social, cultural e até pessoal. Não nos passa, pois, desapercebido o impacto dessas mudanças, especialmente o recondicionamento das escolas ao intentos do capitalismo internacional e dos interesses financeiros. Trata-se, de fato, de implantar políticas educacionais que subordinam o processo formativo aos interesses dos mercados e ao Estado gestor. No entanto, parece-nos crucial entender que, se por um lado, é absolutamente imprescindível denunciar essa formas de refuncionalização da escola, por outro, não se

assim como a análise dos resultados que contribuem para o processo formativo e para o aperfeiçoamento da gestão. 11 com um caráter profundamente democrático. Ou seja. buscando formas eficazes de desenvolvê-la e colocá-la a serviço dos interesses de toda a coletividade. não podendo contentar-se apenas em fazer a crítica da situação. Na verdade. pois elas continuam tendo uma função social insubstituível de formar os indivíduos para uma vida digna e para a compreensão e transformação da realidade. para o enfrentamento de importantes decisões dentro da escola. processos de gestão e tomada de decisões. uma cultura organizacional. precisam dispor de meios operacionais.pode reduzir a importância das escolas. criar e desenvolver uma estrutura organizacional (setores. As escolas são organizações educativas que têm tarefas sociais e éticas peculiares. orientações a serem dadas. atribuições. as forças progressistas da sociedade que continuam lutando por justiça. os educadores defrontam-se diariamente com decisões que precisam ser tomadas. igualdade. cargos. condições e oportunidades iguais para toda a população. Para atingir seus objetivos sócio-políticos. precisam lutar pela escola. normas). . isto é. portanto. uma tecnologia. Este livro quer contribuir. Enfrentar os problemas e dilemas reais do cotidiano das escolas e dos professores talvez seja uma empreitada bem mais penosa do que fazer a denúncia dessa refuncionalização das escolas a serviço dos interesses das elites econômicas e financeiras.

aos direitos de todos de uma educação de boa qualidade. é nela que estão matriculados os filhos das camadas médias e pobres da população. sem ser uma autonomia imposta. a profissionalização dos professores. apta a preparar os alunos para a empregabilidade. participar da vida política e cultural. de avaliação etc. pais e alunos).inclusive sobre estratégias de ação indicadas nos documentos oficiais e das agências financeiras internacionais tipo Banco Mundial. assumindo que. Que se pode pensar na profissionalidade dos professores e na melhoria do seu desempenho profissional. Uma coisa é certa: as escolas estão aí. são postos novos desafios às tarefas da docência. Que se pode ter uma avaliação do sistema escolar e dos alunos que orientem mudanças na qualidade das aprendizagens escolares. de desenvolvimento da profissionalização e profissionalidade. sem que isso signifique controle do trabalho dos professores ou punição de escolas ineficientes. o planejamento. poder ganhar capacidade reflexiva para atuar e transformar a realidade social. que considerem ao mesmo tempo a realidade sócio-econômica 12 . de participação da comunidade escolar (professores. a avaliação de sistemas. do melhor modo possível. Que se pode fazer o projeto pedagógico sem que ele represente uma forma de domesticar os professores. Os educadores comprometidos com a transformação social precisam dispor de conhecimentos para repensar formas de funcionamento das escolas. Acreditamos que há formas de se buscar autonomia. a gestão. de fato. tocar suas vidas. como a autonomia da escola. e é questão de justiça que elas atendam. a descentralização.

métodos e procedimentos relacionados com o processo de trabalho na escola. as relações entre educação e sociedade etc. Organização do Trabalho Escolar. da organização e da gestão do sistema educacional e das escolas. este livro contempla mais diretamente o estudo da organização e da gestão por dentro da escola. Organização do Trabalho Pedagógico.e cultural em que se insere a escola e os professores e as condições concretas dentro da escola e da sala de aula que garantem a justiça social do ponto de vista da escolarização. Essas disciplinas estudam temas da educação sob um enfoque mais geral: as políticos educacionais. os princípios. porque a cada manhã. vem sendo substituída por Políticas educacionais e gestão da educação. No currículo do curso de Pedagogia e dos cursos de Licenciatura. Todavia. educacionais mais claras de um projeto político progressista. a qual. em comum. mas os educadores que atuam na linha de frente do sistema escolar não podem esperar. Essas disciplinas têm. econômicas. os planos de educação. na formação de professores é importante o conhecimento da estrutura. as . o estudo do sistema educacional tem sido feito na disciplina Estrutura e Funcionamento do Ensino. Educação Escolar. Em função disso. em alguns lugares. Organização Escolar. políticos. sob várias denominações: Administração Escolar. Pretende. É verdade que faltam coordenadas sociais. oferecer conteúdos para disciplinas que aparecem nos currículos. a cada tarde e a cada noite. a estrutura organizacional do sistema escolar. os alunos e as alunas estão chegando para mais uma jornada de aulas. junto com seus professores e professoras. principalmente no curso de Pedagogia. assim.

também. objetivos. Eles dependem. práticas formativas. o sistema de gestão. as relações internas entre os integrantes da escola. procedimentos de avaliação. isto é.formas de gestão e de tomada de decisões. isto é. as formas de participação do professor nos processos de organização e gestão. De acordo com esse entendimento. Tem-se como pressuposto a crença de que a escola é o centro de referência tanto das políticas e planos da educação escolar quanto dos processos de ensino e aprendizagem na sala de aula e de que de nada adiantarão boas políticos e planos de ação e eficazes estruturas organizacionais se não se der atenção aos aspectos internos da escola. às suas condições internas de funcionamento. entre a micro e a macro-estrutura. isto é. sociais e . Ainda que o conteúdo aqui apresentado recaia sobre a escola enquanto organização. Em razão disso. A elaboração deste livro teve a pretensão de oferecer o conteúdo básico dessas disciplinas que visam o estudo da escola. os objetivos e práticas escolares não se limitam ao espaço escolar. estrutura e dinâmica organizacional. relações humanas. o processo 13 de tomada de decisões. visando a qualidade cognitiva e operativa da aprendizagem dos alunos. será sempre necessário abordar as situações e os problemas da organização escolar nos seus aspectos internos e externos. a educação escolar será abordada sob estes enfoques: a organização da escola. das condições externas. as relações da escola com a comunidade e a sociedade. dos fatores econômicos. nas relações entre o infra-escolar e o extra-escolar.

experiências. das várias culturas que atravessam a escola. precisam ser analisadas na sua contextualização mais ampla. na própria situação de trabalho. bem como as formas de gestão e as . professores e 14 funcionários) e pelos seus usuários (alunos. saberes. antes. como objetivos de aprendizagem: Conhecimento da organização escolar. pais. seus problemas. cuja estrutura e processos de organização e gestão são constantemente construídos pelos que nela trabalham (diretor. das políticos educacionais e diretrizes oficiais para o sistema escolar. das suas relações de poder. dos condicionantes impostos por valores morais e ideológicos. Para tanto. pais. O estudo da organização e gestão da escola tem. da sua cultura. das expectativas e interesses sociais dos grupos e classes sociais. Essa forma de ver a dinâmica da vida da escola leva a considerar a organização escolar como uma instituição aberta. cada ocorrência cotidiana. cada atividade. comunidade próxima). procurando detectar suas características dominantes em cada momento. Em termos práticos. coordenadores. é necessária a qualificação teórica de seus integrantes de modo que todos estejam capacitados a fazer a análise da prática e. com isso. deve ser tratado sob múltiplos aspectos. assim. das condições materiais de vida e de trabalho dos professores.políticos. alunos. seu modo de funcionamento. nenhum problema da organização escolar pode ser enfocado isoladamente. pedagogos. aprender idéias. Isso significa que cada situação escolar analisada.

competências e procedimentos necessários para participação nas várias instâncias de decisão da instituição escolar. Os capítulos I a IV tratam dos objetivos. desenvolvendo saberes educacionais a partir de questões vividas na prática cotidiana. Os capítulos foram pensados para familiarizar os estudantes nos conceitos básicos do processo organizacional das escolas e nos 15 conhecimentos teóricos e práticos que podem contribuir para a participação consciente e ativa na organização e gestão da escola. interdisciplinar e investigativa. Capacitação para participação no planejamento. especialmente no desenvolvimento do projeto pedagógico-curricular. se atingidos. organização e gestão da escola. das funções e dos critérios de qualidade da instituição escolar e do papel imprescindível dos . com competência técnico-científica. na sala de aula e na organização escolar. propiciarão aos futuros professores e aos professores em exercício ajuda para participarem eficazmente na organização e gestão da sua escola. identificar e solucionar problemas (previsíveis e imprevisíveis) e reinventar práticas frente a situações novas ou inesperadas. Desenvolvimento de saberes e competências para fazer análises de contextos de trabalho. sensibilidade ética e compromisso com a democratização das relações sociais na instituição escolar e fora dela. Esses objetivos. dentro da idéia-mestra que tem orientado a pesquisa atual sobre o trabalho de professores: realizar o trabalho pedagógico de forma coletiva.

Por fim.professores. sempre no sentido de ajudar futuros pedagogos e professores a desenvolverem saberes e competências para participar das ações de organização e gestão da escola.19 Os estudos recentes sobre o sistema escolar e as políticas educacionais têm se centrado na escola como . Verbena M. Mirza Seabra Toschi. Selma Garrido Pimenta. janeiro de 2001 C A P Í T U L O A ESCOLA COMO ORGANIZAÇÃO DE TRABALHO E LUGAR DE APRENDIZAGEM DO PROFESSOR CAPÍTULO . Valter Soares Guimarães. Depois dos capítulos e anexos. de Souza Lisita. Os capítulos VIII ao XIII oferecem uma orientação prática. nas Licenciaturas e nas próprias escolas. operacional. para o funcionamento das escolas. Os capítulos V a VII abordam o sistema de organização e gestão da escola e o papel de seus atores. Lana de Souza Cavalcanti. Sandramara Matias Chaves. o autor espera que este livro possa trazer uma contribuição eficaz para a formação inicial e continuada de professores nos cursos de Pedagogia. foi incluída uma ampla bibliografia sobre os temas tratados. Maria Augusta de Oliveira. José Carlos Libáneo Goiânia. convidando os professores e alunos a saber mais sobre eles e a aprofundá-los. Alguns colegas tiveram a generosidade de oferecer idéias ou sugestões de alterações de partes do texto e a eles deixo meu agradecimento: João Ferreira de Oliveira.

O realce da escola como objeto de estudo não se explica apenas pela sua importância cultural mas. a termos como autonomia. É por essa razão que as reformas educativas de vários países. os projetos de investigação pedagógica. avaliação institucional. pelas estratégias de modernização e de busca de eficácia do sistema educativo. gestão centrada na escola. passou-se a valorizar o estudo da escola como ponto de confluência entre as análises sócio-políticas mais . ela poderia ser culpabilizada pela discriminação e exclusão de alunos provenientes das camadas populares. O pedagogo português Antônio Nóvoa conta que nos anos de 1960-70 as pesquisas em educação se destacaram pela constatação da relação entre o funcionamento dos sistemas escolares e as desigualdades sociais. Após esse período. atribuindo às escolas maior poder de decisão e maior autonomia. ela poderia ser um meio indispensável de elevação do nível cultural. as propostas curriculares. por outro. Uma dessas estratégias diz respeito à descentralização do ensino. Se.unidade básica e espaço de realização dos objetivos e metas do sistema educativo. também. por um lado. a escola voltou a ter sua importância social reconhecida. Foram feitos vários estudos mostrando os mecanismos pelos quais as escolas produziam desigualdades nas aprendizagens escolares. recorrem hoje. Com base nesse entendimento. já por volta dos anos 80. de 20 formação para a cidadania e de desenvolvimento de conhecimentos e capacidades para enfrentamento das condições adversas de vida. projeto pedagógico. as leis e resoluções sobre o ensino. cada vez mais.

construído pelos seus componentes. Nessa segunda perspectiva.globais e as abordagens centradas na sala de aula. É assim que as escolas. deixando às comunidades e às escolas a iniciativa de planejar. de seus interesses. um lugar em que os profissionais podem decidir sobre seu trabalho e aprender mais sobre sua profissão. organizar e avaliar os serviços educacionais. a escola é vista como um ambiente educativo. Na perspectiva sócio-crítica significa valorizar as ações concretas dos profissionais na escola. . como espaço de formação. curriculares e pedagógicas (Cf. Há pelo menos duas maneiras de ver a gestão centrada na escola. dentro da lógica do mercado. embora não de forma igual. colocar a escola como centro das políticas significa liberar boa parte das responsabilidades do Estado. desobrigar o Estado de suas responsabilidades. de suas interações (autonomia e participação) em função do interesse público dos serviços educacionais prestados sem. pensa-se hoje que uma visão globalizada que não chega à escola ou uma visão de sala de aula sem referência à estrutura social mais ampla resultam de análises incompletas e parcializadas. O estilo de gestão expressa o tipo de objetivos e de relações humanas que vigoram na instituição. Todas as pessoas que trabalham na escola participam de tarefas educativas. 1995). enquanto organizações educativas.como um lugar onde também se tomam importantes decisões educativas. ganham dimensão própria . Há muitos exemplos de que a organização da escola funciona como prática educativa. Ou seja. decorrentes de sua iniciativa. Nóvoa. com isso. Conforme o ideário neoliberal.

portanto. seus modos de agir dependem. A percepção e as atitudes da direção e dos professores em relação aos alunos são importantes fatores de sucesso ou insucesso escolar dos alunos. 21 A preparação e distribuição da merenda pelas merendeiras envolvem atitudes e modos de agir que podem influenciar a educação das crianças de forma positiva ou negativa. que as características organizacionais das escolas . As reuniões pedagógicas coordenadas pelo diretor ou pelo coordenador pedagógico podem ser um espaço de participação de professores e pedagogos ou de manifestação do poder pessoal do diretor ou coordenador. respeitoso ou desrespeitoso. a solidão e a falta de comunicação ou pode estimular o trabalho coletivo.O atendimento que a secretaria da escola dá às mães e aos pais pode ser atencioso ou mal-educado. a cultura que se desenvolve no cotidiano entre professores. alunos e funcionários. as relações humanas que vigoram nela. os valores e atitudes que os professores expressam como grupo. tudo isso afeta o trabalho na sala de aula. o grau de responsabilidade dos seus profissionais. a liderança organizacional compartilhada. O comportamento dos alunos. em boa parte. Parece claro. as decisões dos professores em suas reuniões. A escola pode ser organizada para funcionar "cada um por si". daquilo que presenciam e vivenciam no dia-a-dia da escola. suas atitudes.tais como o estilo de direção. estimulando o isolamento. solidário. compartilhado. grosseiro ou delicado. . negociado. O funcionamento da escola como organização.

pelo que aparece mais diretamente à nossa observação (as formas de gestão. que vão definindo uma cultura própria de cada escola. Não se compreende o funcionamento da escola apenas pelo que vemos. no entanto. dos modos como as pessoas pensam e agem. Mas. o nível de preparo profissional dos professores etc. e que tende a permanecer oculta.). a cultura organizacional influencia o pensar e o modo de agir das pessoas que trabalham na escola.são determinantes da sua eficácia e do aproveitamento escolar dos alunos. o que faz gerar a cultura organizacional? É claro que há nela um papel acentuado do sistema de ensino.a participação coletiva. das crenças e valores elas . a estabilidade profissional. o papel da subjetividade das pessoas. Há. as práticas e os comportamentos das pessoas na convivência diária de uma organização influem nas práticas e comportamentos dos professores nas salas de aula. uma característica das organizações escolares sumamente relevante para as práticas de gestão: a cultura 22 organizacional ou cultura da escola. Mas há. formas de agir e resolver problemas. dos costumes já consolidados etc. a elaboração do projeto pedagógico e do currículo. as reuniões. das normas oficiais. invisível. . valores. também. as relações sociais entre os integrantes da escola etc. a cultura organizacional e a sala de aula? A resposta é sim. Há todo um mundo de significados. da estrutura hierárquica e das várias instâncias e formas de exercício do poder. o currículo. dos regulamentos. A pergunta é: haverá uma relação entre a organização da escola. Ou seja. atitudes. modos de convivência.

na formação escolar. mudando junto com seus profissionais. no final de contas. à medida que são eles que a constituem e. há uma dimensão cultural que caracteriza cada escola. as formas de organização e gestão têm uma dimensão fortemente pedagógica. por outro. procedimentos. práticas. É importante compreender que por detrás do estilo e das práticas de organização e gestão. usos e costumes.vão formando ao longo de suas vidas. conjuntamente. "Os indivíduos e os grupos mudam mudando o próprio contexto em que trabalham" (Amiguinho e Canário. para além das prescrições administrativas e das rotinas burocráticas. 1994). está uma cultura organizacional. os próprios indivíduos educam a organização. E se estamos convictos de que as organizações educam. Por um lado. Ou seja. Portanto. uma trama de relações implicadas na escola. A participação do professor na organização e gestão da escola . é preciso considerarmos. Há. ou seja. a definem com base nos seus valores. na família. nas relações sociais. dois aspectos: a dinâmica organizacional e a cultura da organização escolar. de modo que se pode dizer que os profissionais e usuários da escola aprendem com a organização e as próprias organizações aprendem. para compreendermos as mútuas interferências entre organização 23 da escola e organização da sala de aula. a organização educa os indivíduos que a compõem. também as pessoas constróem uma cultura organizacional. portanto.

Mas. dividir com os colegas as preocupações. nos estágios etc. aprendem sua profissão. Falar de "competências" não é a mesma coisa que falar de "qualificações". Internalizar saberes e competências significa "saber encontrar e pôr em prática respostas apropriadas ao contexto na realização de atividades de um projeto". mediante um processo ao mesmo tempo individual e coletivo.Pela participação na organização e gestão do trabalho escolar. formular o projeto pedagógico. o professor produz sua profissionalidade. É no exercício do trabalho que. assumir coletivamente a responsabilidade pela escola. desenvolver o espírito de solidariedade. seus problemas. Colocar a escola como local de aprendizagem da profissão de professor significa entender que é na escola que o professor desenvolve os saberes e as competências do ensinar. As qualificações referem-se à aquisição de saberes requeridos para o exercício de uma profissão e à confirmação legal 24 . na sua história pessoal como aluno. de fato. no contexto de trabalho. Esta é hoje a idéia-chave do conceito de formação continuada. os professores podem aprender várias coisas: tomar decisões coletivamente. investir no seu desenvolvimento profissional. Mas é imprescindível ter-se clareza hoje de que os professores aprendem muito compartilhando sua profissão. principalmente. É claro que os professores desenvolvem sua profissionalidade primeiro no curso de formação inicial.

As competências referem-se a conhecimentos. certificados etc. mas considerada uma prática intelectual e autônoma. isto é. efetivamente. A docência não estará reduzida a uma atividade meramente técnica. ao saber fazer. através do estágio supervisionado mas ocorrerá. Essa é a razão pela qual as escolas se constituem em locais de aprendizagem dos professores e de desenvolvimento profissional. no confronto de experiências. A internalização de saberes e competências profissionais supõe conhecimentos científicos e uma valorização de elementos criativos voltados para a arte do ensino. A competência profissional é a qualificação em ação. habilidades e atitudes obtidas nas situações de trabalho. dentro de uma perspectiva crítico-reflexiva. É na escola .dessa aquisição mediante diplomas. com no exercício profissional. não haveria necessidade de um currículo teoricamente consistente e nem preparação em nível universitário. 1997). no contexto do exercício profissional. pela ação e pela reflexão com seus pares no e sobre seu trabalho cotidiano. O sentido de saberes e competências profissionais não pode ser reduzido a habilidades e destrezas técnicas. Não se quer um professor-técnico cujo conhecimento se restrinja ao domínio das aplicações do conhecimento cientifico e a regras de atuação. são formas de desempenho profissional em que a qualificação se torna eficiente e atualizada nas situações concretas de trabalho (Canário. Se a formação de professores se restringisse ao domínio de técnicas formuladas por especialistas e à sua aplicação. Essa contrastação entre a prática e os conhecimentos teóricos aparece já na formação inicial de professores. baseada na compreensão da prática e na transformação dessa prática.

Por outro lado. O professor 25 é um ativo participante de uma comunidade profissional de aprendizagem atuando no seu funcionamento. pode instrumentalizar-se para influir nas formas de . O professor participa ativamente da organização do trabalho escolar formando com os demais colegas a equipe de trabalho. Dessa forma. administrativas e pedagógico-didáticas da escola. organizacionais. trabalhar em equipe e cooperar com os outros profissionais. suas competências pessoais e profissionais. aprendendo coletivamente novos saberes e competências assim como um modo de agir coletivo. práticas. a estrutura e a dinâmica organizacional atuam na produção de suas práticas profissionais. pelo conhecimento teórico e pela aquisição de competências operativas. dominar e exercer competentemente sua profissão de professor. seu conhecimento da realidade. Há uma concomitância entre o desenvolvimento profissional e o desenvolvimento organizacional. Uma das funções profissionais básicas do professor é participar ativamente na gestão e organização da escola contribuindo nas decisões de cunho organizativo. Conhecendo as condições sociais. na sua animação e no seu desenvolvimento. o professor estará capacitado a tirar proveito das condições já existentes e aprimorá-las. ele precisa conhecer bem os objetivos e o funcionamento de uma escola. Para isso. ou transformar ou criar outras pela sua iniciativa e iniciativa dos demais membros da escola.que o professor coloca em prática suas convicções. administrativo e pedagógico didático.

qualidade do equipamento físico das escolas e das condições materiais. entre outros: Elaboração e execução do planejamento escolar: projeto pedagógico-curricular. e em outras ações de formação continuada no trabalho. organizações sindicais. solidariedade. respeito mútuo. Enfrentando a mudança . encontros. responsabilidade. comunitárias). Organização e distribuição do espaço físico. científicas. planos de aula. O desenvolvimento pessoal e profissional do professor para participar da gestão da escola requer os seguintes saberes. Noções sobre financiamento da educação e controles contábeis.organização e gestão na escola e em outras instâncias da sociedade das quais participa (por exemplo. assim como formas de participação na utilização e controle dos recursos financeiros recebidos pela escola. inclusive nos meios de comunicação e informática. planos de ensino. Princípios e práticas de avaliação institucional e avaliação da aprendizagem dos alunos. conselho de classe. culturais. Habilidades para obter informação em várias fontes. Elaboração e desenvolvimento de projetos de investigação. Atitudes necessárias à participação solidária e responsável na gestão da escola como cooperação. diálogo. Estrutura organizacional e normas regimentais e disciplinares. 26 Habilidades de participação e intervenção em reuniões de professores.

ciclos de escolarização.nossa própria vida muda a cada dia. O ensino tem sido afetado por uma série de fatores: mudanças nos currículos. introdução de novos recursos didáticos (televisão. reconhecendo que ela faz parte da nossa vida e das instituições. político. valores que definem a especificidade do trabalho de professor. ter uma atitude positiva frente à mudança. mudam nossos filhos. desvalorização da profissão docente.. que ela não é uma ameaça mas uma oportunidade de desenvolvimento pessoal e profissional. educacional. cultural. muda 27 a sociedade. Os educadores enfrentam hoje mudanças profundas nos campos econômico. em toda a nossa vida passamos por mudanças. pois. na organização das escolas (formas de gestão. passagem de um estado a outro. alteração de uma situação. que é o conjunto de conhecimentos. Isso leva a mudanças na organização escolar e na identidade profissional de professor. o desenvolvimento da capacidade . Precisamos. geográfico. atitudes. Uma das formas mais eficazes de aprender a enfrentar as mudanças e ir construindo uma nova identidade profissional é o desenvolvimento de uma atitude críticoreflexiva. Internet). nossos amigos. elas sempre estão acontecendo ao nosso redor . atitudes. concepção de avaliação etc).O que é a mudança? Mudança significa transformação. vídeo. Na verdade. computador. habilidades. mudam os costumes.. valores e práticas das pessoas. As escolas precisam organizar-se para promover a mudança na compreensão. isto é.

sem desenvolvimento sistemático de processos de pensamento. Os professores modificam suas práticas profissionais porque mudam suas opiniões. mais importante que isso. não haverá muito avanço na competência profissional do professor se ele apenas pensar na sua prática corrente sem recorrer a um modo de pensar obtido sistematicamente. E. pensar que é somente na prática que as pessoas aprendem. também. Mas é muito comum. assim como não é possível qualquer reflexão sobre a prática se não há da parte do professor um domínio sólido dos saberes profissionais. Mas. tanto é que as duas idéias têm adeptos. De fato. É freqüente a discussão sobre o que vem primeiro. a partir do estudo teórico das disciplinas pedagógicas e da disciplina em que é especialista. Em muitos cursos de formação de professores vigora a idéia de que uma boa teoria garantirá por si só a prática. incluída aí uma boa cultura geral. encerrado em seu pequeno mundo .reflexiva com base na própria prática. Nem toda prática pode ser justificada como adequada. sem necessidade de teoria. sem 28 competência cognitiva. não é verdade que a prática se basta por si mesma. o professor permanecerá atrelado ao seu cotidiano. não é verdade que basta uma boa teoria para que um profissional tenha êxito na prática. seus valores ou só modificam suas opiniões e valores após terem sido bem sucedidos numa técnica ou procedimento? A questão não é inútil. se a reflexão ou a ação. também. suas percepções. Sem teoria. sem o desenvolvimento de habilidades profissionais. de modo a associar o próprio fazer e o processo do pensar.

recomenda "valorizar os processos de reflexão na ação e de reflexão sobre a reflexão na ação. A pesquisadora Selma Pimenta tem ressaltado em seus escritos que o trabalho de professor é um trabalho intelectual e não um trabalho de técnico executor. como processos de construção da identidade dos professores" (1997). Propõe-se. transformando nossa ação em pensamento. Podemos refletir sobre nossa ação. a ação e a reflexão atuam simultaneamente.baseada na articulação entre a prática e a reflexão sobre a prática. Escreve ainda Pimenta: A formação de professores na tendência reflexiva se configura como uma política de valorização do desenvolvimento pessoal-profissional dos professores e das instituições escolares. Pensamos que. apenas aos pesquisadores e docentes das universidades. a capacidade de abstração. isto é. Ao mesmo tempo. um profissional que domina uma prática refletida. de modo a aplicar sua visão crítica ao trabalho concreto nos contextos específicos em que ele acontece.pessoal e profissional. uma vez que supõe condições . a aquisição de uma sólida formação científica. para enfrentar as mudanças. A busca da profissionalidade docente não pode transformar-se em mais uma forma de exclusão do professorado. Para isso. de modo que o professor vá se transformando em um profissional crítico-reflexivo. Seria uma má estratégia de formação de quadros docentes reservar a capacidade de pensar de forma mais elaborada. porque elas estão sempre entrelaçadas. O trabalho de professor implica compreender criticamente o funcionamento da realidade e associar essa compreensão com o seu papel de educador.tanto a inicial como a continuada . assim. uma formação profissional . podemos traduzir idéias em ações.

nos locais de trabalho. assegurando que a organização escolar vá se tornando um ambiente de aprendizagem. a examinar suas opiniões atuais e os valores que as sustentam. O desenvolvimento profissional e a conquista da identidade profissional dependem de uma união entre os . propondo e gerindo o projeto pedagógico. Uma coisa é certa: as pessoas arrumam tempo para as coisas que compreendem. analisam. a partir da reflexão sobre a prática. como sujeitos pensantes e não como meros executores de decisões burocráticas. ajudar os professores.de trabalho propiciadoras da formação contínua dos professores. Os dirigentes da escola precisam. a construção da identidade profissional de professor depende em boa parte das formas de organização do trabalho escolar. a colaborar na modificação dessas opiniões e valores tendo como referência as necessidades dos alunos e da sociedade e os processos de ensino e aprendizagem. O pedagogo escolar deverá ser o agente articulador das ações pedagógico-didáticas e curriculares. depende de uma boa estrutura de coordenação pedagógica que faça funcionar uma escola de qualidade. liderando a inovação e favorecendo a constante reflexão na prática e sobre a prática. articulando o trabalho de vários profissionais. pensam. e em parceria com outras instituições de formação (1999). então. em redes de autoformação. portanto. um espaço de formação contínua onde os professores refletem. Em especial. criam novas práticas. que valoram e nas quais acreditam. 29 Nas escolas.

na informática. 30 – CAPÍTULO II UMA ESCOLA PARA NOVOS TEMPOS 33 As instituições escolares vêm sendo pressionadas a repensar seu papel diante das transformações que caracterizam o acelerado processo de integração e reestruturação capitalista mundial. afetam a organização do trabalho e o perfil dos trabalhadores. Fazendo assim. na biotecnologia. Essas transformações. repercutindo na qualificação profissional e. políticas. os avanços científicos e tecnológicos. culturais.pedagogos especialistas e os professores. o novo paradigma econômico. geográficas. por conseqüência. que ocorrem em escala mundial. o processo de ensino e aprendizagem. Entre os aspectos mais visíveis desse fenômeno destacamse os seguintes: Notáveis avanços tecnológicos na micro-eletrônica. a avaliação. econômicas. a reestruturação do sistema de produção e as mudanças no mundo do conhecimento. decorrem da conjugação de um conjunto de acontecimentos e processos que acabam por caracterizar novas realidades sociais. na automação industrial. na engenharia genética. nas telecomunicações. . articulando num todo o projeto pedagógico. ter-se-á uma organização preocupada com a formação continuada. com a discussão conjunta dos problemas da escola. discussão que é de natureza organizacional. De fato. nos sistemas de ensino e nas escolas. o sistema de gestão. assumindo juntos a gestão do cotidiano da escola. mas principalmente pedagógica e didática.

na produção de conhecimentos. Globalização da sociedade. produção de novas tecnologias da comunicação e da informação. nos processos de ensino e aprendizagem. caracterizando uma revolução tecnológica sem precedentes. Mudanças nos paradigmas da ciência e do conhecimento. Agravamento da exclusão social. 34 Difusão maciça da informação. prevalecendo o modelo neoliberal de diminuição do papel do Estado e fortalecimento das leis do mercado. na organização do trabalho.entre outros setores. aumento da distância social e econômica entre incluídos e excluídos dos novos processos de produção e das novas formas de conhecimento. As mudanças na economia: novo paradigma produtivo Estão em curso mudanças na economia expressas em novas formas de produção baseadas nas novas tecnologias e no capitalismo financeiro. serão destacados alguns que tocam mais de perto a escola e o trabalho dos professores. nas formas de organização dos trabalhadores. Mudanças nos processos de produção. influindo na pesquisa. Trata-se de novas formas de funcionamento e reestruturação do capitalismo no quadro de um conjunto de transformações que vem sendo chamado de . internacionalização do capital e dos mercados. Dentre esses aspectos. nas qualificações profissionais. afetando a produção. circulação e consumo da cultura. reestruturação do sistema de produção e do desenvolvimento econômico. Alterações nas concepções de Estado e das suas funções.

"globalizar" primeiro o Brasil.) Devemos. a produção e os empregos e ter um projeto de desenvolvimento nacional..globalização. Tal modelo econômico. é outra coisa bem diferente. para o que se serve da eficiência. escreveu: A herança da globalização. Globais. tem trazido conseqüências bastante prejudiciais às políticas sociais dos países e o empobrecimento da população. (. menos oportunidades de emprego para os necessitados. portanto. mais qualidade. Internacionais devemos ser.. como tem sido reconhecido por alguns dos organismos internacionais e por empresários. vai ser a ampliação das diferenças entre ricos e pobres. priorizar o mercado doméstico. pelos caminhos que hoje vemos. O modelo econômico segue a lógica da subordinação da sociedade às leis do mercado.) Globalizar um país pelo discurso fácil da modernidade sem preocupações sociais e realismo político. Nesse modelo.. para que entreguemos o nosso mercado e eles fiquem com a produção . (. O empresário Benjamim Steinbruch.. ampliam-se as grandes fusões entre empresas transnacionais. Para atingir esse objetivo. Mais miséria para os menos desfavorecidos. conhecido por neoliberalismo. na crença de que assim ganham mais eficiência. visando a lucratividade. amplia-se a circulação do capital financeiro. dos índices de produtividade e competitividade. mais rentabilidade. que não tem futuro. ligado à Companhia Siderúrgica Nacional e Companhia Vale do Rio Doce. diminuir as desigualdades internas. rompem-se as fronteiras comerciais. o Estado não deve intervir na 35 economia e mesmo as empresas atualmente mantidas pelo Estado são privatizadas.

definitivamente. formarão o segmento dos excluídos sociais.11. Com efeito. os conhecimentos. exigindolhe adequação aos interesses do mercado e formação de profissionais mais preparados para as modificações do processo de produção. por si mesmas.1999). aumenta o número de pessoas ocupadas em trabalhos eventuais (também chamados de trabalho precarizado) ou desempregadas. No aspecto individual. Por outro lado. Segundo Faleiros (1999). no mercado de trabalho e a gerar seus meios de vida.e o emprego. as garantias sociais e os direitos devem ser desmantelados para que o indivíduo sobreviva com seus recursos. o usufruto ou a falta da educação básica (incluindo novas habilidades cognitivas e competências sociais) passa a ser . tais modificações afetam a organização do trabalho nas empresas e o perfil de trabalhador necessário para novas formas 36 de produção e. em conseqüência. de modo que as pessoas precisam estar preparadas para mudar de profissão algumas vezes na sua vida. habilidades e atitudes necessários à qualificação profissional. As incessantes modificações tecnológicas afetam os postos de trabalho e as competências profissionais. Aqueles que não conseguirem competir. Sendo assim. na ótica neo liberal.Paulo. sem a proteção social pública. é fato que as novas realidades do mundo do trabalho requerem trabalhadores com mais conhecimento. Junto com isso. as pessoas são estimuladas a se preparar para competir. cultura. 23. Essas mudanças atingem o sistema educacional. preparo técnico. não (Folha de S.

em 1997. a distribuição da força de trabalho apresentava os seguintes índices: 62 por cento no setor terciário ou de serviços. sociedade da informação.atinge a poucos. sociedade tecnológica.que aparece na comunicação instantânea pela TV. o setor quaternário ou informacional. Se na sociedade industrial predominou a produção de objetos materiais. Conforme o sociólogo francês Alain Tourraine (1995). Dados da Organização Pari-Americana de Saúde e Organização Internacional do Trabalho informavam que.6 por cento no setor primário ou agrícola. 22. deixando a maioria da população à margem da economia. sociedade pósindustrial. sociedade do conhecimento. estamos vivendo presentemente a passagem da sociedade industrial para a sociedade informacional. No setor terciário incluem-se os serviços informacionais. O mesmo se pode dizer .determinante da condição de inclusão ou exclusão social. A revolução informacional Este momento da história tem recebido várias denominações: sociedade pós-moderna.4 por cento no setor secundário ou industrial e 15. nas várias mídias . no telefone móvel. Esse crescimento leva os especialistas a antever para breve a institucionalização de um novo setor da economia. 37 A revolução tecnológica . nas redes de informação. na sociedade informacional o que se destaca é a produção e difusão de bens culturais. especialmente a informação. nos computadores. porque o mercado de trabalho não aceita mais mão-de-obra não qualificada. na automação industrial.

em relação à divisão entre países desenvolvidos e os em desenvolvimento. Informação não é sinônimo de conhecimento. apesar de provocar mudanças nos modos de vida e nas percepções das pessoas. os sem-Internet? Uma das novidades mais excitantes na economia internacional são as transações comerciais via rede Internet. metade da população mundial? Pode-se afirmar que a tecnologia da informação. Talvez.. amplia a distância entre os que estão no cume da montanha e os que não saem do sopé. Muitos entusiastas da Internet (redes de informação conectadas internacionalmente) falam de uma democratização do acesso às informações. isso seja verdade. Internet etc. mas o que acontecerá aos excluídos da rede. Na classe média. cada vez mais escravizadas por ela. mas têm em relação a elas uma atitude eminentemente passiva. portanto. com baixa escolarização. Mas estará ela atingindo os 3 bilhões de pessoas no mundo que vivem com menos de 2 dólares por dia. sem a mínima capacidade de leitura crítica da informação recebida. chamadas de comércio eletrônico ou virtual. Há. Número grande de trabalhadores apenas vê televisão e só recebe imagens pré-fabricadas. por si só ela . mas ela vem exercendo um domínio cada vez mais forte sobre as pessoas. em parte. A tecnologia da informação promove um fenômeno sumamente segregador para a população de baixa renda. computadores. A informação é necessária. adultos e adolescentes utilizam as mídias. um papel insubstituível da educação e das escolas de prover as condições intelectuais de avaliação crítica das condições de produção e da difusão do saber científico e da informação. com baixíssima capacidade crítica frente à avalanche informativa vinda especialmente pela televisão.

Isso significa. que possibilita a filtragem e a crítica da informação. de modo que ela não exerça o domínio sobre a consciência e a ação das pessoas.não propicia o saber. para os valores e direitos humanos. uma vez que se faz necessário educar para a participação social. A crise ética . ressalta-se a diminuição da crença da ação pública na solução dos problemas. é um instrumento de aquisição de 38 conhecimento. para a diversidade cultural. Esses fatos lançam novas perspectivas sobre o sentido da formação da cidadania. para o reconhecimento das diferenças entre os vários grupos sociais. mas ela precisa ser analisada e interpretada pelo conhecimento. descrença nas formas convencionais de representação política. A informação é um caminho de acesso ao conhecimento. aumento do individualismo. que menor ou maior acesso à educação escolar e a outros bens culturais. novas formas de organização que mostram novos caminhos de controle público sobre o Estado. Tais características levam a novas formas de fazer política. também. determina a qualidade da participação popular nos processos decisórios existentes na sociedade civil. da insensibilidade social. A despolitização da sociedade No campo político. destacando novos movimentos sociais.

o respeito à vida. a justiça. também. os direitos humanos. Além disso. o racismo e a segregação social. ganhando até 2 dólares por dia. novas formas de conhecimento e ação mas provocam. É preciso a colaboração da escola para a revitalização da formação ética. o aumento da distância social e econômica entre incluídos e excluídos desse processo. o professor Gaudêncio Frigotto identifica várias características da . 3 bilhões. De acordo com informações recentes de entidades financeiras internacionais. ao lado do conhecimento científico e da preparação para o mundo tecnológico e comunicacional é necessária a difusão de saberes socialmente úteis. na vantagem. no Fórum Econômico Mundial realizado na Suíça. vivem na pobreza. a democracia. entre outros. no sentido do reconhecimento das diferenças e das identidades culturais. a luta contra a violência.No campo da ética. foi divulgado que dos 6 bilhões de pessoas do mundo. Em janeiro de 2000. o desenvolvimento e a defesa do meio ambiente. sem referência a valores humanos como a dignidade. 50 por cento. na eficácia. A exclusão social As transformações em curso impulsionam avanços científicos e tecnológicos. ou seja. a solidariedade. o mundo contemporâneo convive com uma crise de valores. predominando um relativismo moral baseado no interesse pessoal. novos processos de produção. Referindo-se à crise deste final de século. etnias. vem aumentando significativamente a distância entre ricos e pobres. atingindo tanto as ações cotidianas quanto as formas de relações entre povos. grupos sociais.

No plano educacional. na formação para a cidadania crítica-participativa e na formação ética. A escola necessária para os novos tempos . para essa escola. outras mediações. No plano cultural e ético-político. A luta contra a exclusão social e por uma sociedade justa. o ajustamento de nossas sociedades à globalização significa a exclusão de dois terços da humanidade dos direitos básicos de sobrevivência. a ideologia neoliberal prega o individualismo e a naturalização da exclusão social. na preparação para uma sociedade técnica/científica/informacional. um currículo centrado na formação geral e continuada de sujeitos pensantes e críticos. 40 mas precisa ser um baluarte contra a exclusão social. uma sociedade que inclua todos. ligar-se ao mundo econômico. saúde. passa pela escola e pelo trabalho dos professores. cultural. a educação deixa de ser um direito e transforma-se em serviço. No plano sócio-econômico. Esses aspectos mostram como a escola não pode mais ser considerada isoladamente de outros contextos. A escola contemporânea precisa voltar-se para as novas realidades.realidade contemporânea como estratégias de recomposição do capitalismo. considerando-se esta como sacrifício inevitável no processo de modernização e globalização da sociedade. em mercadoria. outras culturas. emprego. Propõe-se. educação. político. ao mesmo tempo que se acentua o dualismo educacional: diferentes qualidades de educação para ricos e pobres (1996).

uma escola de qualidade é aquela que inclui. estética e ética. Por outro lado. escrever. As próprias cidades vão se transformando em agências educativas pelas iniciativas de participação da população na gestão de programas culturais. porque ela não detém o monopólio do saber. Ela cumpre funções que não são providas por nenhuma outra instância: formação geral básica . 1994). pela ética. pela linguagem. nas empresas. nos clubes. a transmitir 41 . pela técnica. de meios informacionais. Mesmo considerando a imensa oferta de meios de comunicação social extra-escola. pedagógica. Há hoje um reconhecimento de que a educação acontece em muitos lugares. que possibilita o contato dos alunos com a cultura. aquela cultura provida pela ciência. através de várias agências. nas academias de ginástica. cultural. uma escola contra a exclusão econômica. formação científica. gradativamente. ainda assim há lugar para a escola na sociedade tecnológica e da informação. pela estética.A escola necessária para fazer frente a essas realidades é a que provê formação cultural e científica. política. desenvolvimento de capacidades cognitivas e operativas. a educação acontece nos meios de comunicação. Por isso. nos sindicatos. de organização dos espaços e equipamentos públicos. a escola precisa ser repensada. a escola vai se convertendo num "espaço de síntese" (Colom Cañellas. Além da família. Especialmente. na vida urbana.capacidade de ler. A escola de hoje não pode limitar-se a passar informação sobre as matérias.

nos pontos de encontro. a síntese entre a cultura formal (dos conhecimentos sistematizados) e a cultura experienciada. os alunos aprendem a atribuir significados às mensagens e informações recebidas de fora. da vida cotidiano. nos meios de comunicação. na família. está justamente na sua capacidade de introduzir os alunos nos significados da cultura e da ciência por meio de mediações cognitivas e interacionais. no trabalho etc. pela comunidade. é necessário que proporcione não só o domínio de linguagens para a busca da informação. com a ajuda pedagógica do professor. Ela é uma síntese entre a cultura experienciada que acontece na cidade. Nela. assim. Ou seja. através do conhecimento e das habilidades cognitivas. Os alunos vão aprendendo a buscar a informação (na TV. no computador etc. com o papel insubstituível de provimento das condições cognitivas e afetivas que ajudarão o aluno a atribuir significados às mensagens e informações recebidas das mídias. no jornal. na rua. torna-se possível analisar e criticar a informação. O professor tem aí seu lugar.o conhecimento do livro didático. e a cultura formal que é o domínio dos conhecimentos. também. O valor da aprendizagem escolar. das formas de educação proporcionada pela cidade. mas também para a criação da informação. das habilidades de pensamento. Na escola. os instrumentos conceituais para analisarem essa informação criticamente e darem-lhe um significado pessoal e social. Por isso. no livro didático. das multimídias e formas diversas de intervenção educativa urbana. dos meios de comunicação. no rádio. A escola fará. a escola precisa articular sua capacidade de receber e . nos vídeos..) mas. nas praças.

habilidades. da sensibilidade. por meio dos conteúdos escolares. Em resumo. Os objetivos Para essa escola concebida como espaço de síntese. o que está em questão é uma formação que ajude o aluno a transformar-se num sujeito pensante. um cidadão trabalhador capaz de interferir criticamente na realidade para transformá-la e não apenas formar para integrar o mercado de trabalho.interpretar informação. isto é. 1998). Formação para a cidadania crítica. a escola de . da imaginação. Desenvolvimento de capacidades cognitivas e operativas dos alunos (processos mentais. ou seja. atitudes. no exercício de seu papel na construção da democracia social e política. 2. são propostos cinco objetivos: 42 1. a internalização de instrumentos conceituais para lidar com os problemas. Preparação para o processo produtivo e para o mundo tecnológico e comunicacional. 3. habilidades do pensar. pensamento crítico). com a de produzi-Ia. valores. dilemas e situações da realidade. 4. de modo que aprenda a utilizar seu potencial de pensamento na construção e reconstrução de conceitos. visando o desenvolvimento do pensar. Em relação ao primeiro objetivo. Formação ética (Libáneo. Desenvolvimento da criatividade. Trata-se de investir numa combinação bem sucedida da assimilação consciente e ativa dos conteúdos com o desenvolvimento de capacidades cognitivas e afetivas pelos alunos. estratégias de aprendizagem. a partir do aluno como sujeito do seu próprio conhecimento. 5.

A escola precisa torná-lo capaz de interferir criticamente na realidade para transformá-la e não apenas para integrar-se ao mercado de trabalho. promova a inserção competente e crítica no mundo do trabalho. da ciência. O segundo objetivo visa a assegurar a ligação entre os aspectos cognitivo. da cultura. A preparação tecnológica inclui o desenvolvimento de saberes e competências exigidas pelo novo processo produtivo como: compreender a totalidade do processo de produção. respeitar as individualidades. da arte. O ensino implica lidar com os sentimentos. o respeito consigo mesmos. incluindo a preparação para o mundo tecnológico e comunicacional e para as complexas condições de exercício profissional no mercado de trabalho. desenvolver capacidade de tomar decisões e de fazer análises globalizantes. 43 O terceiro objetivo propõe que a escola contemporânea atenda às demandas produtivas e de emprego. desenvolver flexibilidade mental para lidar com situações novas ou inesperadas. pensar estrategicamente. junto com o desenvolvimento de capacidades e habilidades de pensamento. a aumentar sua auto-estima. O quarto objetivo refere-se à educação do trabalhadorcidadão. compreender o mundo cultural dos alunos e ajudá-los a se construírem como sujeitos. social e afetivo da formação. ou seja. sua autoconfiança. interpretar informações de todo tipo. para se engajarem na luta pela . A escola deve continuar investindo na ajuda aos alunos para que se tornem críticos.qualidade promove para todos o domínio dos conhecimentos.

mudanças curriculares e organizacionais. A democratização da sociedade e a inserção dos alunos no mundo da produção supõem o . envolvendo etnias. salário. do consumo. se continuam sendo reprovados ou mal escolarizados. emprego etc. A preparação para o exercício da cidadania. das relações humanas. da violência e segregação social e. a escola não vem servindo para nada. às formas de exploração do trabalho humano que subsistem na sociedade. eleições para diretor. aquisição de novas tecnologias etc. do meio ambiente. colocada como foco central do projeto pedagógico e da gestão escolar. gênero. Não adianta defender a gestão democrática das escolas. dos direitos humanos. Se os alunos não aprenderam bem. minorias culturais. saúde. O quinto objetivo visa a propiciar conhecimentos. Muitas escolas adotam formas de gestão participativa e incorporam nos conteúdos escolares as lutas dos movimentos sociais organizados pela moradia. educação. tendo um baixíssimo rendimento escolar ou níveis insatisfatórios de aprendizagem. incluindo a autonomia. procedimentos e situações para se pensar sobre valores e critérios de decisão e ação frente ao mundo da política e da economia.justiça social e pela solidariedade humana. também. a participação e o diálogo como princípios educativos. Para o atendimento desses objetivos. se os alunos continuam sendo reprovados. envolve tanto os processos organizacionais internos da escola como a articulação com os movimentos e organizações da sociedade civil. põe-se a exigência de que os sistemas de ensino e as escolas prestem mais atenção à 44 qualidade cognitiva das aprendizagens..

Isso tudo não significa conceber a escola como a impulsionadora das transformações sociais. Mas a escola tem um papel insubstituível quando se trata de preparação cultural e científica das novas gerações para enfrentamento das exigências postas pela sociedade contemporânea. Entre elas. destacam-se alguns movimentos sociais. e a escola é apenas uma delas. As tarefas de construção de uma democracia econômica e política pertencem a várias esferas de atuação da sociedade. 45 Ampliando os objetivos da escola Uma das importantes funções da escola é interagir e articular-se com as práticas sociais. É esse o desafio que se põe à educação escolar no início do terceiro milênio. Frente a essas exigências. a fim de que os alunos que passem por ela ganhem condições de exercício da liberdade política e intelectual. o número de pessoas que possam participar das decisões primordiais que dizem respeito aos seus interesses. cada vez mais. O fortalecimento das lutas sociais. dependem de ampliar. Embora continuem existindo os partidos tradicionais e vigorem ainda as formas de representação política típicas da democracia e . a escola precisa oferecer serviços de qualidade e um produto de qualidade. A escola tem o compromisso de reduzir a distância entre a ciência cada vez mais complexa e a formação cultural básica a ser provida pela escolarização. a conquista da cidadania.ensino fundamental como necessidade imperativa para proporcionar às crianças e jovens os meios cognitivos e operacionais que atendam tanto as necessidades pessoais como as econômicas e sociais.

. a sociedade masculina difunde a idéia de que diferenças de sexo resultam em diferenças de gênero. diferenças sexuais (naturais) também levam a distribuição de papéis sociais entre mulheres e homens. Vamos destacar alguns desses movimentos.. Contra essa idéia. "relação do homem com a ciência". (Henriques. advogam a luta pelo respeito entre os gêneros e reconhecimento de suas diferenças. o da igualdade de direitos entre homens e mulheres. pacifistas etc. de papéis sociais. o aluno. "inteligência do homem e dos outros animais". por exemplo. mostrando que os gêneros masculino e feminino são noções estabelecidas numa cultura e numa sociedade organizada por homens. o cidadão.o homem.1994). Nesse sentido. os pais . na comunidade. em particular.ou de expressões que ocultam o lugar da mulher . Os movimentos de mulheres ressaltam a distinção entre sexo e gênero. Trata-se. ou seja. como os movimentos feministas. Segundo esses movimentos. de evitar usar termos masculinos como tendo abrangência universal . . entre homens e mulheres resultem de uma base natural. Propõe-se também que as escolas e os professores não façam uso sexista da linguagem corrente. ecológicos. de expressão de sentimentos.a representação sindical."ela porta-se como homem". uma prática educativa na organização escolar. outras formas de ação política estão surgindo. Educação para a igualdade entre os sexos Entre os ideais da escola pública destaca-se o da igualdade de oportunidades em geral e. no currículo e na sala de aula implicam atitudes que recusem a idéia de que as diferenças de trabalho.

de comunidades e de governos na luta pela despoluição das águas e do ar. os órgãos públicos. mas boa parte dos problemas não depende dessas pessoas mas de interesses econômicos privados. A corrente da gestão ambiental incentiva ações de movimentos sociais.46 Educação ambiental A sociedade da informação é uma sociedade de constante risco devido à destruição da natureza e aos problemas humanos decorrentes da degradação ambiental. Frente a formas destruidoras da natureza e que retiram da população meios de ganhar a vida defenderia a manutenção de formas de vida primitivas (como é o caso. A corrente conservavionista defende a preservação das matas. vivem prometendo segurança à população. trilhas etc). entrar num hospital como doente ou como visitante. a sobrevivência humana está ameaçada nas favelas. dos animais. dos seringueiros da Amazônia ou dos índios que resistem à exploração do seu território e à destruição de seu meio natural de vida). o que levaria ao turismo ecológico. A corrente naturalista propõe uma forma de educação pelo contato com a natureza. As autoridades. são atividades que envolvem sistematicamente riscos. nas moradias inadequadas. critica todas as formas de depredação da natureza. Respirar o ar. os médicos dos hospitais. andar pelas ruas da cidade. Há diferentes entendimentos em relação à educação ambiental. . por exemplo. tomar banho num rio ou numa praia. que agrupa organismos internacionais. Além disso. dentro de uma noção de natureza biofísica intocável. a vida ao ar livre (montanhismo. principalmente pela indústria. A corrente da economia ecológica. nos cortiços. caminhadas ecológicas.

(b) a vertente das "sociedades sustentáveis" que. A educação ambiental contribui na formação humana: levando os alunos a refletirem sobre as questões do ambiente no sentido de que as relações do ser humano com a natureza e com as pessoas assegurem uma qualidade de vida no futuro. o conhecimento do universo. pois os seres humanos compõem o conceito de natureza. o ecossistema e o planeta como um todo. às diferenças entre as pessoas. a UNESCO. 1995). a integração com a natureza. devidamente 47 reciclado. conservar e preservar espécies. educando as crianças e jovens para proteger. diferente do atual modelo economicista de progresso. elas não se excluem. . Essas quatro correntes enfatizam diferentes concepções e formas de fazer educação ambiental e. introduzindo a ética da valorização e do respeito à diversidade das culturas. ensinando-os a promover o autoconhecimento. a FAO. se caracteriza por defender tecnologias alternativas no trato da terra. Esta corrente se desdobra em duas vertentes muito diferentes entre si: (a) a vertente do "desenvolvimento sustentável" cujo modelo de desenvolvimento é o capitalista. sem negar os avanços técnicos e o desenvolvimento ambiental.incluindo o Banco Mundial. no tratamento dos resíduos etc. do ponto de vista pedagógico. e várias organizações não-governamentais e associações ambientalistas. questionam o modelo de progresso destruidor da natureza (Correntino. no uso da energia.

levando a tomadas de posições sobre a conservação da biodiversidade. não mutilar a natureza. não jogar papel na rua. da educação popular. Educação multicultural A idéia de educação multicultural. A educação ambiental não pode ser apenas uma tarefa da escola. Ao mesmo tempo que se precisa conhecer mais a respeito da natureza e mudar nossa relação com ela. da cidadania.). cidade. exploradoras e depredadoras da natureza biofísica e da natureza humana. é preciso articular ações individuais com medidas mais gerais. que se projeta num currículo multicultural. Um outro sentido da atitude ecológica é o de recusar um conceito de progresso baseado na capacidade de possuir mais objetos e bens de consumo. das formas comunitárias de discutir e resolver problemas. contra o modelo capitalista de economia que gera sociedades individualistas. As pessoas precisam ser convencidas a se engajar em campanhas para a coleta seletiva do lixo.empenhando os alunos no fortalecimento da democracia. 48 empresa etc. o reconhecimento dos outros como sujeitos de sua . lutar contra a poluição ambiental etc. ela envolve ações práticas que dizem respeito ao nosso comportamento nos vários ambientes (família. está assentada no princípio pedagógico mais amplo: o acolhimento da diversidade. assumindo uma visão de vida baseada mais na relação com a natureza e as pessoas do que com os objetos. isto é. escola.

das minorias étnicas. as crianças nas escolas convivem com pessoas diferentes. da falta de terra. a cultura de homens e mulheres. Acolher a diversidade é a primeira referência para a luta pelos direitos humanos. negros. significa reconhecer o pluralismo cultural. A presença da diversidade humana na sociedade resulta na multi-cultura. De fato. em boa parte devido à intensificação da migração decorrente do aumento das desigualdades. professores e alunos convivem com uma pluralidade crescente de pessoas e grupos sociais. um comportamento multicultural. O que se propõe é que. uma visão aberta e plural em relação às culturas existentes na . Com isso. brancos. no sentido de que toda cultura é plural. a cultura dos jovens.individualidade. dos alunos com necessidades especiais). aceitar a presença de várias culturas e desenvolver hábitos mentais e atitude de abertura e diálogo com essas culturas (Gimeno. Assumir o objetivo da educação multicultural não significa reduzir o currículo aos interesses dos vários grupos culturais que freqüentam a escola. Uma educação multicultural requer que as decisões da equipe escolar sobre objetivos escolares e organização curricular reflitam os 49 interesses e necessidades formativas dos diversos grupos sociais existentes na escola (a cultura popular.ou seja. o urbano e o rural. 1995). Uma prática. da pobreza. diferentes etnias e diferentes linguagens. com base em uma atitude geral definida pela escola no sentido de um pluralismo cultural . portadores de uma identidade cultural própria. às vezes com culturas e costumes diferentes. Vem aumentando a interação entre pessoas de diferentes lugares.

trata-se de uma mudança de mentalidade. as diferentes culturas. que muitos autores chamam de cultura paralela ou currículo extra-escolar. o tipo de relações humanas que existe entre os profissionais e usuários da escola. a TV os vídeos. de transformação das formas de pensar. Conforme escreve Gimeno: É o currículo comum para todos que a visão multicultural deve incorporar. de sentir. Fazem parte dessa cultura paralela o cinema. resultante de aprendizagens informais. valores. de onde os alunos extraem sua forma de ver o mundo. o rádio. Não basta. Ou seja. as revistas populares. as pessoas. A educação multicultural perpassa a organização escolar. de modo que adquiram instrumentos conceituais. modos de agir. para interpretar a realidade e intervir nela. o respeito a todas as pessoas que trabalham na escola. formas do pensar e de sentir. pensar apenas no currículo formal. para que a integração de culturas se realize dentro de um sistema de escolarização única que favoreça a igualdade de oportunidades. de comportar-se em relação aos outros. que os alunos trazem para a escola e para as salas de aula um conjunto de significados. . todavia. as conversas entre adultos e entre amigos.sociedade e na comunidade . É preciso considerar. povos etc. crenças. além disso.seja formulada uma proposta curricular que incorpore essa visão multicultural. ajudar 50 os alunos a fazerem as ligações entre a cultura elaborada e a sua cultura cotidiana. A organização escolar e os professores precisam saber como articular essas culturas.

CAPÍTULO III – Buscando a Qualidade Social do Ensino 53 No mundo todo estão sendo implantadas reformas educacionais para adequar o sistema de ensino às mudanças na economia e na sociedade. os profissionais de cada escola precisam estabelecer um consenso mínimo sobre o padrão de qualidade que orientará seu trabalho. Embora haja uma grande diversidade de opiniões entre os educadores. a descentralização 54 . com mecanismos de controle e avaliação dos resultados. a qualidade total. Uma das palavras-chave é qualidade. Qualidade da escola refere-se tanto a atributos ou características da sua organização e funcionamento quanto ao grau de excelência baseado numa escala valorativa (a qualidade desta escola é ruim. Aplicada ao sistema escolar e às escolas. Entre as medidas decorrentes dessa concepção organizacional destacam-se: a hipervalorização dos resultados da avaliação. boa. visando a atender a imperativos econômicos e técnicos. Quais seriam os critérios que definiriam uma qualidade social da escola? Tem se difundido bastante a noção de qualidade retirada da concepção neoliberal da economia. medíocre. a classificação das escolas em função desses resultados para estimular a competição entre elas. a qualidade total tem como objetivo o treinamento de pessoas para serem competentes no que fazem. administradores e pais sobre critérios de qualidade das escolas. excelente). dentro de uma gestão eficaz de meios.

escola com qualidade social. A esse conceito opõe-se o de qualidade social. Em resumo. A qualidade é. as parcerias com a iniciativa privada. pragmática. um atributo humano. à constituição da cidadania. e o que representa melhor a marca humana é o desenvolvimento humano. é aquela baseada no conhecimento e na ampliação de capacidades cognitivas. à inserção no mundo do trabalho. de intervir na realidade. genuinamente. com alto grau de inclusividade. a qualidade total decorre de uma concepção economicista. "qualidade essencial seria aquela que expressa a competência histórica de fazer-se sujeito. significa a inter. buscar qualidade em qualquer instituição significa trabalhar com seres humanos para ajudálos a se construírem como sujeitos. Nesse sentido. Dessa forma. Em outras palavras. deixando a condição de objeto ou de massa de manobra".administrativa e do repasse de recursos conforme o desempenho das escolas na avaliação externa. . portanto. operativas e sociais necessários ao atendimento de necessidades individuais e sociais dos alunos. a educação é o melhor caminho para desenvolver a competência histórica de fazer-se sujeito. o repasse das funções do Estado para a comunidade (pais) e para as empresas. tendo em vista a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. capacidade participativa. Educação de qualidade é aquela que promove para todos o domínio de conhecimentos e o desenvolvimento de capacidades cognitivas. Em sintese. empresarial. Competência histórica significa capacidade de agir. operativas e sociais.relação entre qualidade formal e política. O sociólogo Pedro Demo analisa o conceito de qualidade e chega a algumas conclusões.

capacidade de liderança e tomada de decisões. o domínio dos conteúdos escolares (conceitos. de modo a contribuir para o fortalecimento da sociedade civil e controle da gestão pública. operativas e sociais. isto é. O ser humano precisa manejar conhecimento. a qualidade formal e a qualidade política. iniciativa. instrumentos e procedimentos. por isso. a preparação para o mundo tecnológico e comunicacional. possibilitando aos alunos a preparação para a participação nas organizações e movimentos populares. no campo educativo. Desenvolve processos de formação para a cidadania. pela ética. principalmente o conhecimento. construa formação básica capaz de saber pensar para melhor intervir". cria situações para a educação da responsabilidade. ao objetivo ético de intervir na realidade visando o bem comum (Demo. Uma educação escolar de qualidade social tem as seguintes características: Assegura sólida formação de base que propicia o desenvolvimento de habilidades cognitivas. ou seja. 1998). pela técnica.Demo distingue. A qualidade política diz respeito aos fins e valores sociais do conhecimento. pela estética. pela linguagem. A qualidade formal refere-se ao nível ótimo a que podem chegar os meios. . integrando a cultura provida pela ciência. valores). incorporando novas práticas de gestão. que a criança aprenda de fato 55 na escola. Para isso. participação. "Espera-se. procedimentos.

Assegura a elevação do nível escolar para todas as crianças e jovens sem exceção. Por um lado. condições de trabalho. no sentido de usufruir plenamente do direito de escolarização. materiais e financeiras de funcionamento. 56 Incorpora no cotidiano escolar as novas tecnologias da comunicação e informação Como buscar a qualidade social? Quais estratégias e procedimentos possibilitam promover a qualidade social das escolas e do sistema escolar? Não é nada fácil estabelecer como critério de qualidade a igualdade quanto ao atendimento escolar. Dispõe de condições físicas. Cuida da formação de qualidades morais. todas as crianças têm direito ao sucesso escolar. é possível estabelecer para uma determinada população parâmetros de desempenho nas várias dimensões da educação (cognitiva. . ficam por resolver os direitos de alunos portadores de dificuldades escolares gerais ou específicas e portadores de outras necessidades que põem em questão a validade de parâmetros universais de desempenho. convicções. a qualidade para todos. moral etc.). no rumo de uma educação multicultural e comunitária. traços de caráter. física. em condições iguais de oferta dos meios de escolarização. Por outro lado. conforme ideais humanistas. nesse caso. Promove a integração entre a cultura escolar e outras culturas. remuneração digna e formação continuada dos professores. atitudes.

porque os resultados da aprendizagem dizem respeito não só à dimensão cognitiva mas. os processos de organização e gestão das escolas. Do mesmo modo. É necessário alertar que a reorganização das escolas. a participação da comunidade. física. se os alunos . se os objetivos de aprendizagem não forem conseguidos. não como fins. apenas a aferição do desempenho intelectual dos alunos através de provas e exames.As considerações anteriores mostram que a busca da educação escolar de qualidade depende da conjugação de vários objetivos e estratégias. estética. é a qualidade cognitiva das experiências de aprendizagem dos alunos. mesmo que se baseiem na democratização nos processos organizativos e decisórios. de fato. por si só. Em suma. não resolvem os problemas do ensino e do baixo rendimento escolar dos alunos. ética. os modernos equipamentos . Também não é suficiente. as eleições para diretor.todos são fatores imprescindíveis para promover a qualidade. no âmbito das escolas. as mudanças nas práticas de gestão. mas eles 57 devem ser considerados como meios. O que as escolas precisam buscar. a aquisição de novos equipamentos. etc. é insuficiente julgar a qualidade da escola apenas pelo nível de seus produtos. a modificação dos currículos. por mais que os resultados sejam um bom indicativo da qualidade dos processos e das condições da oferta dos serviços. Portanto. às dimensões afetiva. também. a avaliação dos resultados por provas ou exames nacionais. de pouca valia terão a gestão democrática.

o professor e avaliação. portanto. pois. Celestino da Silva Júnior escreve que as escolas não existem para serem administradas ou inspecionadas. Daí o investimento necessário no aperfeiçoamento do currículo e das práticas metodológicas nas escolas. os resultados juntamente com os elementos e processos que os determinam. ganham importância as estratégias de realização da qualidade a saber: o currículo. Com isso. no modo como estão sendo ensinados. Atender às necessidades dos alunos em consonância com as exigências sociais e educacionais contemporâneas significa prestar atenção nos conteúdos que estão sendo ensinados. Atualmente existem distintas posições sobre . o centro de referência dos critérios e estratégias de qualidade é o que os estudantes aprendem.se. a escola se organiza para que ela readquira em plenitude sua função original de ensinar (Silva Júnior. 1986). Eixos da qualidade social: o currículo e os processos de ensino e aprendizagem Qualidade social do ensino. diz respeito à qualidade cognitiva dos processos de aprendizagem numa escola que inclua todos.continuam tendo baixo rendimento escolar. Considerando. se não desenvolvem seu potencial cognitivo. na efetividade desses conteúdos para a vida 58 cultural e prática. ou seja. a organização e a gestão. elas existem para que os alunos aprendam. como aprendem e em que grau são capazes de pensar e atuar com o que aprendem.

bastante criticado pela maioria dos educadores. Sustenta que o currículo é uma questão de cada escola e de cada professor em particular.e à flexibilidade. sistema de avaliação controlador. A primeira é o modelo centralizado. administrado e controlado por órgãos superiores do sistema educacional (Ministério da Educação. O principal argumento a favor desse modelo é que ele pode assegurar o máximo de participação do professor e demais integrantes da escola e um mínimo de interferência dos órgãos superiores. Nele são definidas metas a alcançar. em função de iniciativas e interesses locais. A segunda posição. principalmente. à liberdade e ao caráter participativo. as decisões que se tomam em âmbito local. a uma certa unidade do sistema escolar em função de objetivos democráticos da educação nacional . metodologias e técnicas a serem seguidas. defende um modelo descentralizado de organização e aperfeiçoamento curricular.visando. oposta à primeira. a fim de prestar serviços de melhor qualidade aos seus alunos. incentivar os professores de cada escola a melhorar o processo educativo. portanto. Esse modelo busca.formas de organização para o aperfeiçoamento do currículo. Secretarias de Educação). a refletir sobre as práticas curriculares e metodológicas. Uma terceira posição é o modelo misto que confere importância ao mesmo tempo aos órgãos de coordenação central . portanto. Também torna possível o agrupamento de várias escolas em torno de . A ênfase está colocada nos interesses mais amplos do sistema político e não nos interesses regionais e locais. em que o currículo deveria ser planejado. predominando.

Em síntese. a ser concretizada nas decisões regionais e locais sobre currículos e sobre programas de transformação da realidade educacional empreendidos pelas autoridades governamentais. No Brasil optou-se pelo terceiro modelo. pelos professores.projetos comuns de aperfeiçoamento curricular. o desenvolvimento da personalidade. Sua função é orientar e garantir a coerência dos investimentos no sistema educacional (. a formação para a cidadania. Não configuram.. incluindo-se. realizam as atividades-fim na educação escolar tais como a aquisição do conhecimento e da cultura. entre essas condições. a inserção no mundo do trabalho. As atividades-meio são as condições de realização desses objetivos. o planejamento pedagógico e curricular. um modelo curricular homogêneo e impositivo.. o currículo e os processos de ensino e aprendizagem correspondem aos objetivos da escolarização obrigatória. capacitação de professores. pelas escolas. a . ou seja. conforme se pode concluir das seguintes considerações inseridas na Introdução dos Parâmetros Curriculares Nacionais: 59 Os PCN constituem um referencial de qualidade para a educação no Ensino Fundamental em todo o País.) Por sua natureza aberta. que se sobreporia à competência político-executiva dos Estados e Municípios. configuram uma proposta flexível. portanto. O principal critério de aferição dos resultados obtidos em relação a esses objetivos é o grau em que se obtém a qualidade cognitiva e operativa das aprendizagens escolares. à diversidade sociocultural das diferentes regiões do País e à autonomia de professores e equipes pedagógicas.

A garantia da qualidade social do ensino é. curriculares e organizativas da escola. Ele faz o ordenamento de todas as atividades pedagógicas. Esse conjunto de requisitos profissionais que tornam alguém um professor. a obtenção de bons resultados escolares que evidenciem o trabalho da escola e dos professores. a atuação competente dos professores nos conteúdos e na metodologia de 60 ensino. Sua formação inicial visa a propiciar os conhecimentos. O projeto pedagógico-curricular é o instrumento de articulação entre fins e meios. um trabalho escolar integrado e articulado. o desenvolvimento profissional dos professores.organização e gestão da escola. é denominado profissionalidade. a tecnologia.. a crença na possibilidade de educar a todos como condição para a igualdade e inclusão social. uma professora. tendo em vista os objetivos educacionais. com a participação coletiva na elaboração e desenvolvimento do projeto pedagógico e do currículo. implicando a relevância social desses conteúdos. portanto. CAPÍTULO IV – O Professor e a Construção da sua Identidade Profissional 63 O professor é um profissional cuja atividade principal é o ensino. A conquista da . a cultura organizacional. as habilidades e as atitudes requeridas para levar adiante o processo de ensino e aprendizagem nas escolas.

assiduidade. 64 rigor no preparo e na condução das aulas. participação na construção coletiva do projeto pedagógico. um professor muito dedicado. recebendo salários baixos. As duas noções apresentadas se complementam. Um professor profissionalmente despreparado. respeito à cultura de origem dos alunos. Na prática. O profissionalismo requer profissionalização. que ama sua profissão. O profissionalismo refere-se ao desempenho competente e compromissado dos deveres e responsabilidades que constituem a especificidade de ser professor e ao comportamento ético e político expresso nas atitudes relacionadas à prática profissional. condições de trabalho (recursos físicos e materiais. a profissionalização requer profissionalismo. dedicação ao trabalho.profissionalidade supõe a profissionalização e o profissionalismo. práticas de organização e gestão). compromisso com um projeto político democrático. trabalhando em precárias condições. respeita os alunos. Por outro lado. ambiente e clima de trabalho. isso significa domínio da matéria e dos métodos de ensino. terá muito pouco êxito na sua atividade profissional se não tiver as . terá dificuldades de atuar com profissionalismo. Essas condições são: formação inicial e formação continuada nas quais o professor aprende e desenvolve as competências. A profissionalização refere-se às condições ideais que venham a garantir o exercício profissional de qualidade. habilidades e atitudes profissionais. remuneração compatível com a natureza e as exigências da profissão. é assíduo ao trabalho.

responsabilidade dos governos. alardeando que a educação é a prioridade. Pode. isto é. é a responsabilidade que a tarefa educativa traz consigo. na prática. É verdade que a profissão de professor vem sendo muito desvalorizada tanto social quanto economicamente. em boa parte. No entanto. Em boa parte isso se deve às condições precárias de profissionalização. É muito comum as autoridades governamentais fazerem autopromoção mediante discursos a favor da educação. suas convicções. a buscar melhor qualificação. inclusive. O que justifica essa atuação comprometida é a natureza da profissão de professor. recursos materiais e didáticos. seus valores em relação à prática profissional. certamente.qualidades e competências tidas como ideais a um profissional. investindo na sua formação continuada. lutando por melhores salários. os requisitos da profissionalização. que os professores são importantes etc. salários. os governos têm sido incapazes de garantir a valorização salarial dos professores levando a uma degradação social e econômica da profissão e a um rebaixamento evidente da qualificação profissional dos professores em todo o país. Em outros termos. de lidar com essas duas noções de forma que a ausência de uma comprometa irremediavelmente a outra. o que pode levá-lo. Um professor pode compensar uma fraca profissionalização estudando mais. interferindo na imagem da profissão. ao mesmo tempo em que se fala da valorização da 65 . mudar suas atitudes.cujo provimento é. ao mesmo tempo. Não se trata. carreira . formação profissional.

continuam vigorando salários baixos e um reduzido empenho na melhoria da qualidade da formação profissional dos professores. portanto. os professores continuam sendo os principais agentes da formação dos alunos e. Se o professor perde o significado do trabalho tanto para si próprio como para a sociedade. Paradoxalmente. O mal-estar. mediante a educação ou formação continuada. os estudiosos da formação de professores vêm insistindo na importância do desenvolvimento pessoal e profissional no contexto de trabalho. Isto acontece porque a identidade com a profissão diz respeito ao significado pessoal e social que a profissão tem para a pessoa. a baixa auto-estima. no entanto.pode ser a garantia da recuperação do significado social da profissão. são algumas conseqüências que podem resultar dessa perda de identidade profissional. Os cursos de formação inicial têm um papel muito importante na construção dos . a qualidade dos resultados de aprendizagem dos alunos é inseparável da qualificação e competência dos professores. a construção e o fortalecimento da identidade profissional precisam fazer parte do currículo e das práticas de formação inicial e continuada. de fato. para o consumo.que passa pela luta por melhores salários e pela elevação da qualidade da formação . a ressignificação de sua identidade . Por isso. ele perde a identidade com a sua profissão. Apesar dos problemas.educação escolar para a competitividade. As condições de trabalho e a desvalorização social da profissão de professor. prejudicam a construção da identidade dos futuros professores com a profissão e de um quadro de referência teórico-prático que defina os conteúdos e as competências que caracterizam o ser professor. para a cidadania. Nos últimos anos. a frustração.

Ela visa ao desenvolvimento pessoal e profissional mediante práticas de envolvimento dos professores na organização da escola. uma vez que ela pode desenvolver-se no próprio trabalho. 66 A formação continuada é uma maneira diferente de ver a capacitação profissional de professores. a investigar e construir teorias sobre seu trabalho. atitudes e convicções dos futuros professores necessários à sua identificação com a profissão. nos conselhos de classe etc. atua como intelectual critico . como profissional reflexivo e pesquisador e elaborador de conhecimentos. Na nova concepção de formação . Mas é na formação continuada que essa identidade se consolida. de grandes conferências para um grande número de pessoas. sem tempo de refletir e avaliar o que faz. nas atividades de assistência pedagógico-didática junto com a coordenação pedagógica. O professor deixa de estar apenas cumprindo a rotina e executando tarefas.do professor como intelectual crítico. nas reuniões pedagógicas. Nesses cursos são passadas propostas para serem executadas ou os conferencistas dizem o que os professores devem fazer. na organização e articulação do currículo. a refletir sobre sua prática. O professor não é instigado a ganhar autonomia profissional.o professor prepara-se teoricamente nos temas pedagógicos e nos conteúdos para poder realizar a reflexão sobre sua prática. Ainda é muito comum nas Secretarias de Educação promover a capacitação dos professores através de cursos de treinamento ou de reciclagem. como participante qualificado na organização e gestão da escola .conhecimentos.

O alargamento da consciência se dá pela reflexão que o professor realiza na ação. isto é. A Educação Continuada se faz necessária pela própria natureza do saber e do fazer humanos como práticas que se transformam constantemente. Significa que o professor analisa sua prática à luz da teoria. Esse é o sentido mais ampliado que assume a formação continuada. revendo as rotinas. Dessa forma. 1998) Isso não quer dizer que o professor não necessita da teoria. avaliação de situações etc.na contextualização sociocultural de suas aulas e na transformação social mais ampla. analise de problemas. Em suas atividades cotidianas. do conhecimento científico. torna-se investigador em sua aula analisando suas práticas. fazendo com que sua prática vire conteúdo de reflexão. cria novas estratégias. principalmente para analisarmos as mudanças que ocorrem em nossa prática. ele vai ampliando a consciência sobre sua própria prática. A realidade muda e o saber que construímos sobre 67 ela precisa ser revisto e ampliado sempre. experimenta novas formas de trabalho. revê sua prática. inventa novos procedimentos. um programa de educação continuada se faz necessário para atualizarmos nossos conhecimentos. Tematizando sua prática. desenvolve habilidades de participação grupal e de tomada de decisões seja na elaboração do projeto pedagógico e da proposta curricular seja nas várias atividades da escola como execução de ações. bem como para atribuirmos direções esperadas a essas mudanças (Christov. inventando novas soluções. . discussão de pontos de vista.

inclusive aqueles imprevistos. possibilitando uma elaboração teórica de seus saberes (Pimenta. 1998). interagem com seus colegas. Para isso. encontram soluções juntos.. uma reflexão que se eleve da situação imediata. 68 criam uma cultura organizacional. Sabemos que boa parte das situações de ensino são singulares. enriquecendo-se de conhecimentos e práticas e aprendendo a resolver problemas. mas construir estratégias.) Mas a sua reflexão na ação precisa ultrapassar a situação imediata. pensam juntos. chegamos à necessidade do trabalho em equipe através do qual os professores formulam o projeto pedagógico. discutem juntos. o professor precisa ser capaz de inventar suas próprias respostas. não basta o professor ter uma lista de métodos e técnicas a serem utilizados. por isso. O que ele precisa é desenvolver a capacidade de dar respostas criativas conforme cada situação.. . com base nas quais constrói saberes na ação. inventar procedimentos. incertas e muitas vezes desconhecidas. a caminho de construir sua autonomia profissional. Ou seja. Neste ponto. congressos seminários de estudo.o professor toma decisões diante das situações concretas com as quais depara. É assim que o professor transforma-se num pesquisador. Ou seja. descobrir saídas. Há muitas formas de realizar a formação continuada: cursos. (. Não precisa tanto saber aplicar regras já estabelecidas. é necessário mobilizar a reflexão sobre a reflexão na ação. assumem as responsabilidades coletivamente.

descompromisso com atualização pedagógica.) e profissionalismo (insensibilidade ao insucesso escolar dos alunos. culturais. habilidades. 1998). determinada identidade .. O importante é acreditar que a formação continuada é condição indispensável para a profissionalização.) a luta pela profissionalidade se esvazia porque os professores continuarão pensando que como está. valores que definem e orientam a especificidade do trabalho de professor.. políticas. que se põe como requisito para a luta por melhores salários e melhores condições de trabalho.. Identidade profissional e saberes e competencias profissionais Em que consiste a profissão de professor? O que significa ser professor? Como vimos. o profissionalismo. má qualidade das experiências de aprendizagem dos alunos.reunião pedagógica. A sociedade brasileira está passando por intensas transformações econômicas. atitudes. encontros com a Coordenação Pedagógica. As novas exigências educacionais frente a essas . sociais. está bom (Guimarães. identidade profissional é o conjunto de conhecimentos. assim como para o exercício responsável da profissão. 1999). estudos individuais.conforme necessidades educacionais colocadas em cada momento da história e em cada contexto social (Pimenta.. Sabemos que a profissão de professor vai assumindo determinadas características isto é. Enquanto agirmos em nossas escolas contentando-nos com níveis mínimos de profissionalização (qualificação mínima. rotinização e desencanto com o trabalho. autodesqualificação.

novos modos de pensar. do conhecimento. competências são as qualidades. a docência constitui um campo específico de intervenção profissional na prática social não é qualquer um que pode ser professor. Com isso. 2. 4. que reconhece a docência como um campo de conhecimentos específicos configurados em quatro grandes conjuntos. ou seja. diretamente relacionados ao campo da prática profissional. das ciências humanas e naturais. do aluno. dos meios de 69 comunicação e informação. a saber: 1. conteúdos relacionados a saberes pedagógicos mais amplos do campo teórico da prática educacional. surgem novas práticas profissionais. Saberes são conhecimentos teóricos e práticos requeridos para o exercício profissional. novas competências. conteúdos didático-pedagógicos. Libâneo e Pimenta (1999) apontam duas dimensões da identidade profissional de professor: O desenvolvimento profissional envolve formação inicial e contínua articuladas a um processo de valorização identitária e profissional dos professores. sensibilidade pessoal e social). vários estudos vêm pesquisando os saberes e competências profissionais que fazem parte da profissionalidade do professor. 3. Há uma nítida mudança no desempenho dos papéis docentes. E identidade que é profissional. No últimos anos. da cultura e das artes. ou seja.transformações pedem um professor capaz de exercer sua profissão em correspondência às novas realidades da sociedade. conteúdos ligados à explicitação do sentido da existência humana (individual. Identidade que é epistemológica. agir e interagir. conteúdos das diversas áreas do saber e do ensino. Ou seja. .

uma ação compatível com a situação. Outros autores investigaram os saberes profissionais de professores. esquemas de pensamento. tal como entendidos no tecnicismo educacional. conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação. o saber das ciências da educação. Ou seja. administrar a progressão das aprendizagens. habilidades e atitudes relacionados com esses conhecimentos teóricos e práticos e que permitem a um profissional exercer adequadamente sua profissão. numa visão cognitivista e não meramente instrumental. Perrenoud (2000a) sugere que os saberes estão contidos no termo "competências". Perrenoud (2000b) apresenta dez famílias de competências para ensinar: organizar e dirigir situações de aprendizagem. 70 que se torna elemento necessário na definição de competência. que permitem determinar e realizar. envolver os alunos em suas . Define "competência profissional" como uma capacidade de mobilizar diversos recursos cognitivos para enfrentar situações determinadas. condutas e práticas observáveis. as competências correspondem a uma articulação entre capacidades cognitivas e habilidades. (1998) relacionam os vários saberes necessários ao ensino: o saber disciplinar. Gauthier et al. As competências vinculam-se não só a conhecimentos como também a uma atividade cognitiva.capacidades. o saber da experiência e o saber da ação pedagógica. o saber da tradição pedagógica. de modo que seu exercício implica operações mentais. Essa capacidade geral ou capacidades não se confundem com objetivos comportamentais. o saber curricular. comportamentos rotineiros e repetitivos. com eficácia.

jovens e adultos. auto-formar-se. Para ela. Pimenta (1999) aponta como saberes necessários à docência . Dominar e exercer a profissão de professor. na qual se reúnem as dimensões técnica. Laranjeira et al. na realização dos direitos do coletivo de uma sociedade. inovar. 71 A relação de competências profissionais que reproduzimos a seguir ajudam a compreender as qualidades e capacidades exigidas hoje na formação profissional de professores.saberes de experiência. A competência envolve uma pluralidade de propriedades. política. (1999) organizam o conhecimento profissional dos professores em cinco âmbitos: conhecimentos sobre crianças. administrar sua própria formação contínua. Refletir sobre sua prática. COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS DE PROFESSOR l. informar e envolver os pais. os conhecimentos específicos da matéria e os saberes pedagógicos. sociais e políticas da educação. conhecimento para a atuação pedagógica e conhecimento de experiência contextualizado na ação pedagógica. um conjunto de qualidades positivas fundadas no bem comum. A professora Terezinha Rios (2000) associa o termo competência à qualidade do trabalho. 2.aprendizagens e em seu trabalho. um profissional qualificado é aquele quem possui determinadas qualidades. enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão. utilizar novas tecnologias. ética e estética. . trabalhar em equipe. conhecimentos sobre as dimensões culturais. participar da administração da escola. cultura geral e profissional.

Desenvolver sólida cultura geral. 72 É sabido o quanto o desenvolvimento dessas características de professor pode ser prejudicado pelas atuais condições de exercício profissional tais como a baixa remuneração e as precárias condições de trabalho. aposta-se nas possibilidades de melhoria da . Trabalhar em equipe e cooperar com outros profissionais. Desenvolver competências do pensar. 9. Servir-se conscientemente das tecnologias. 10. Servir-se das ciências humanas e sociais como base de análise de situações educativas complexas. 8.Suíça. Desenvolver sensibilidade aos problemas emergentes em situações práticas. 15. 14. 16. 4. 6. para tornar-se sujeito pensante e crítico. Assumir a dimensão educativa do ensino.3. Capacitar-se a realizar pesquisas e análises de situações educativas e de ensino. Dominar as disciplinas a ensinar e suas didáticas. Conceber. Outras competências: 13. Os itens de 1 a 12 foram extraídos do Guia de Estudos da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação de Genebra . Assumir as dimensões relacionais no ensino. construir e administrar situações de aprendizagem e de ensino. 7. Considerar a diversidade dos alunos. 5. 11. 12. saber diagnosticá-los e enfrentálos. Manter uma relação crítica e autônoma com os saberes. Todavia. Integrar a componente ética à prática cotidiana.

CAPÍTULO V .qualificação profissional na formação inicial e formação continuada como um dos requisitos essenciais para a profissionalização. O mesmo acontece com os termos gestão e direção. as inúmeras mediações que provocam um turbilhão de estímulos que povoam a mente dos alunos.se já existiram . mais ampla e mais flexível para que o professor seja capaz de ir compondo sempre melhor as suas respostas. aumentando-se a complexidade da profissão. Deixam de existir em educação .) mais sólida. ora tomados como sinônimos. coordenar e controlar o trabalho das pessoas. o caráter de instantaneidade que os fatos adquiriram. gestão e participação.fatos simples.Os Conceitos de Organização Gestão. É o que recomenda Guimarães (1999): A ampliação e eficiência dos meios de comunicação. desencadeiam enorme ampliação da prática profissional. Participação e Cultura Organizacional 75 Os especialistas não têm uma posição única sobre a utilização dos termos organização. administração. racionalizar o uso de recursos (materiais. A cada dia demanda-se uma formação (. financeiros. termo que tradicionalmente caracteriza os princípios e procedimentos referentes à ação de planejar o trabalho da escola. profissionalizando-se.. intelectuais). exigindo-se conhecimentos mais refinados para uma atuação produtiva. Alguns autores utilizam essas duas expressões indistintamente. ora o primeiro praticamente se confundindo com administração .. outros atribuem maior amplitude a uma ou a outra. A expressão "organização escolar" é freqüentemente identificada com "administração escolar".

. conforme o âmbito de análise) sendo a ação de organizar. assim.) envolvem. os elementos materiais e conceptuais que o homem coloca entre si e a natureza para dominá-la em seu proveito.) Os recursos (. (. os esforços despendidos pelos homens e que precisam ser coordenados com vistas a um propósito comum. organizar. gerir.. O termo "cultura organizacional". Ela inclui. .. Organização e administração A maioria dos autores que estudam as tarefas de administrar. Tais tarefas remetidas 76 à escola configuram a administração escolar (ou educacional. portanto. Em seu sentido geral. a organização escolar (Santos. tomar decisões.) A administração pode ser vista.. as reúnem todas no conceito de administração. são bem explicitas as seguintes definições: A administração escolar tem como objetivos essenciais planejar.. por outro.. configurando-se assim uma ciência da administração ou uma teoria da administração. uma parte dela. dirigir e controlar os serviços necessários à educação. especialmente no projeto pedagógico. vem suscitando cada vez mais interesse por causa de suas implicações no funcionamento da escola.e o segundo como um aspecto do processo administrativo. por um lado. dirigir. podemos afirmar que a administração é a utilização racional de recursos para a realização de fins determinados. no seu âmbito de ação. na construção do currículo e nas formas de gestão. 1966). tanto na teoria como na prática. por sua vez. organizar. (. Nesse sentido.

constituída de pessoas que trabalham juntas) que existem para alcançar determinados objetivos (Chiavenato. Administrar é regular tudo isso. As organizações são unidades sociais (e. demarcando esferas de responsabilidade e níveis de autoridade nas pessoas congregadas. que a diferenciam das empresas convencionais.como dois amplos campos que se interpenetram: a "racionalização do trabalho" e a "coordenação (do esforço humano coletivo" (Paro. preferem atribuir ao termo organização maior abrangência. Além disso. seria mais adequado o uso do termo organização. 1966). entendendo que a administração realiza-se no contexto de uma organização.. é útil a posição de Chiavenato (1989) distinguindo dois significados diferentes de organização: organizações como unidades sociais e organização como função administrativa. entretanto. Outros autores.1989). sendo a instituição escolar eminentemente um sistema de relações. Esses meios ou fatores são de duas classes: administrativos e pedagógicos" (Aguayo in Santos. a fim de . que conduzem a fins determinados. As seguintes definições permitem atribuir a abrangência maior ao termo organização. portanto.) é bem dispor elementos (coisas e pessoas). Organizar (. 1986). Nesse caso. dentro de condições operativas (modos de fazer). reconhecendo a especificidade das instituições educacionais.. com fortes características interativas. 77 A organização escolar é o conjunto de disposições. fatores e meios de ação que regulam a obra da educação ou um aspecto ou grau da mesma.

1983). definindo 78 a organização como ação congregada entre duas ou mais pessoas. Edições Melhoramentos. ou seja. É este o processo que denominamos de gestão. são mais abrangentes que administração. Organização e Administração Escolar. a expressão organização e gestão da escola. Utilizamos. pois. Seguindo de perto essas definições. S.1994). 1976.que não se perca a coesão do trabalho e sua eficiência geral (Lourenço Filho. realizem seus objetivos. a fim de alcançar os objetivos da instituição. assim. considerando que esses termos. Podemos ver a escola como uma organização na medida em que ela se constitui como unidade social `de agrupamentos humanos intencionalmente construídos ou reconstruídos' (Chiavenato. as suas interações. cooperativo. Paulo. o caráter de intencionalidade de seus atos. unidade social que reúne pessoas que interagem entre si e que opera através de estruturas e processos organizativos próprios. requer-se a tomada de decisões e a direção e controle dessas decisões. Lourenço Filho também destaca o caráter grupal. das instituições. enfatizando assim os indivíduos e os grupos interrelacionados. colocados juntos. 1976). Em uma de suas obras mais difundidas. processos de sistematicidade e caráter pessoal direto e prolongado de que se reveste o ato educativo (Carvalho e Diogo. . em relação à qual a administração é subordinada. adotamos o sentido amplo de organização. Para que as organizações funcionem e.

Na prática, os termos organização e administração, podem ser utilizados combinadamente, desde que se explicite o conteúdo de cada um. A definição de Paro, por exemplo, registrada acima, define com muita propriedade os âmbitos de estudo da Administração, que poderiam ser incluídos também como campo de estudos da Organização. Gestão e direção Alguns autores afirmam que o centro da organização e do processo administrativo e a tomada de decisão. Todas as demais funções da organização (o planejamento, a estrutura organizacional, a direção, a avaliação) estão referidas ao processo eficaz de tomada de decisões (Griffiths, 1974). Os processos intencionais e sistemáticos de se chegar a uma decisão e de fazer a decisão funcionar caracterizam a ação que denominamos gestão. Em outras palavras, a gestão é a atividade pela qual são mobilizados meios e procedimentos para se atingir os objetivos da organização, envolvendo, basicamente, os aspectos gerenciais e técnicoadministrativos. Nesse sentido, é sinônimo de administração. A direção é um princípio e atributo da gestão, mediante a qual é canalizado o trabalho conjunto das pessoas, orientando-as e 79 integrando-as no rumo dos objetivos. Basicamente, a direção põe em ação o processo de tomada de decisões na organização, e coordena os trabalhos, de modo que sejam executados da melhor maneira possível.

A organização e os processos de gestão, incluindo a direção, assumem diferentes significados conforme a concepção que se tenha dos objetivos da educação em relação à sociedade e à formação dos alunos. Por exemplo, numa concepção tecnicista de escola, a direção é centralizada numa pessoa, as decisões vêm de cima para baixo, bastando cumprir um plano previamente elaborado, sem participação dos professores, especialistas e usuários da escola. Já numa concepção democráticoparticipativa, o processo de tomada de decisões se dá coletivamente, participativamente. A direção pode, assim, estar centrada no indivíduo ou no coletivo, sendo possível uma direção individualizada ou uma direção coletiva ou participativa. Neste livro, será assumida a concepção da direção participativa ou democráticaparticipativa, conforme detalharemos adiante. Participação A participação é o principal meio de se assegurar a gestão democrática da escola, possibilitando o envolvimento de profissionais e usuários no processo de tomada de decisões e no funciona mento da organização escolar. Além disso, proporciona um melhor conhecimento dos objetivos e metas, da estrutura organizacional e de sua dinâmica, das relações da escola com a comunidade, e favorece uma aproximação maior entre professores, alunos, pais. Nas empresas, a participação nas decisões é quase sempre uma estratégia que visa a busca do aumento de produtividade. Nas escolas, esse objetivo não precisa ser descartado pois elas também buscam bons resultados. Entretanto, há aí um sentido mais forte de prática da democracia, de experimentar formas não-autoritárias de

exercício do poder, de intervir nas decisões da organização e definir coletivamente o rumo dos trabalhos. 80 O conceito de participação se fundamenta no de autonomia, que significa a capacidade das pessoas e dos grupos de livre determinação de si próprios, isto é, de conduzirem sua própria vida. Como a autonomia opõe-se às formas autoritárias de tomada de decisão, sua realização concreta nas instituições é a participação. Portanto, um modelo de gestão democrática-participativa tem na autonomia um dos seus mais importantes princípios, implicando a livre escolha de objetivos e processos de trabalho e a construção conjunta do ambiente de trabalho. Podemos citar cinco fundamentos do trabalho em equipe ou trabalho participativo: Em primeiro lugar, a equipe deve ter uma meta, propósito, causa ou objetivo que seja identificado, aceito, compreendido e desejado por todos os membros da equipe. Em segundo lugar, a equipe deve ter espírito, moral e desejo de triunfar ainda que seja ao custo de consideráveis sacrifícios individuais. Em terceiro lugar, as linhas de autoridade e responsabilidade devem estar claramente definidas e compreendidas perfeitamente por todos. Em quarto lugar, devem ser estabelecidos os canais de comunicação. Em quinto lugar, o líder deve descobrir e utilizar ao máximo as capacidades criadoras de cada uma das pessoas e uni-las numa equipe homogênea (In Neagley e Evans, 1969). Estes princípios expressam com muita clareza a necessidade de a organização escolar ter objetivos comuns e compartilhados, buscar o envolvimento da equipe de profissionais com esses objetivos, contar com uma

estrutura organizacional em que as responsabilidades estejam muito bem definidas, dispor de várias formas de comunicação entre a organização e as pessoas, ter uma liderança que consiga motivar e mobilizar as pessoas para uma atuação conjunta em torno de objetivos comuns. Em relação, ainda, ao trabalho em equipe, é importante assinalar que a liderança não é atributo exclusivo de diretores e coordenadores, nem está ligada apenas ao cargo e ao status da 81 pessoa. É uma qualidade que pode ser desenvolvida por todas as pessoas por meio de práticas participativas e de ações de desenvolvimento pessoal e profissional. Numa escoa existem, pois, vários tipos de liderança. Entretanto, não se pode negar que, mesmo na gestão democrática efetivada de forma cooperativa e participativa, o funcionamento e a eficácia da escola dependem em boa parte da capacidade de liderança de quem está exercendo a direção e a coordenação pedagógica. Cabe ressaltar, finalmente, que a prática da participação nos processos de gestão, por si só, não esgota as ações necessárias para que seja assegurada a qualidade do ensino. Tanto quanto os vários elementos do processo organizacional, e como um dos elementos deste, a participação é um meio de alcançar melhor e mais democraticamente os objetivos da escola, que se centram na qualidade dos processos de ensino e aprendizagem. Com efeito, na conquista da autonomia da escola, está presente a exigência da participação de professores, pais, alunos, funcionários e outros representantes da comunidade, bem como as formas dessa participação: a

interação comunicativa, a discussão pública dos problemas e soluções, a busca do consenso em pautas básicas, o diálogo intersubjetivo. Todavia, é preciso considerar que a participação implica processos de organização e gestão, procedimentos administrativos, modos adequados de fazer as coisas, a coordenação, o acompanhamento e a avaliação das atividades, a cobrança das responsabilidades. Ou seja, para atingir os objetivos de uma gestão democrática e participativa e o cumprimento de metas e responsabilidades decididas de forma colaborativa e compartilhada, é preciso uma mínima divisão de tarefas e a exigência de alto grau de profissionalismo de todos. Portanto, a organização escolar democrática implica não só a participação na gestão mas a gestão da participação, em função dos objetivos da escola. Essa é uma competência genuína da direção e da coordenação pedagógica da escola. 82 Para a gestão da participação, é preciso ter clareza de que a tarefa essencial da instituição escolar é a qualidade dos processos de ensino e aprendizagem que, mediante as práticas pedagógico didáticas e curriculares, propiciam melhores resultados de aprendizagem. Em síntese, a escola é uma instituição social com objetivos explícitos: o desenvolvimento das potencialidades dos alunos através de conteúdos (conhecimentos, habilidades, procedimentos, atitudes, valores), para constituírem-se em cidadãos participativos na sociedade em que vivem. A tarefa básica da escola é o ensino; que se cumpre pela atividade docente. A organização escolar necessária é aquela que melhor favorece aqueles objetivos e assegura as melhores condições de realização do trabalho docente. Há, assim,

Isso significa. Numa compreensão mais geral. a cultura organizacional. tratando-se da escola. as relações de trabalho. a formas de participação. Esses aspectos tem sido denominados freqüentemente de "currículo oculto" mas que. representa hoje um elemento indissociável das práticas de organização e gestão. ao lado de outros como a estrutura organizacional. culturais. embora oculto. como será explicitado mais adiante. psicológicos que influenciam os modos de agir da organização como um todo e do comportamento das pessoas em particular. sendo que a maior parte deles não são claramente perceptíveis nem explícitos. normas. ou seja. a tecnologia (recursos e técnicas). o significado de cultura organizacional. A cultura da escola. no seu desenvolvimento profissional. que para 83 além daquelas diretrizes. inicialmente. procedimentos operacionais. rotinas administrativas.uma interdependência entre os objetivos e funções da escola e a organização e gestão do processo de trabalho na escola. ou como preferem outros. atua de forma poderosa nos modos de . portanto. entre atividades-fim e atividadesmeio. há aspectos de natureza cultural que as diferenciam umas das outras. Vejamos. a cultura organizacional (também chamada "cultura da escola' diz respeito ao conjunto de fatores sociais. A cultura organizacional Em outro capítulo deste livro referimo-nos à importância da cultura da escola na formação da identidade profissional do professor.

seus valores. também. as formas com que lidam com a profissão .que marcam fortemente as práticas docentes. “rotinizados”.funcionar das escolas e na prática dos professores. Mas. da cultura da prisão. seus ritmos e seus ritos. também. Segundo Forquin: Forquin distingue a cultura da escola da cultura escolar. Sabemos que o trabalho nas escolas se defronta com características culturais dos alunos. o que se quer destacar aqui. 1993). e seus quadros de referência. organizados. Tanto isso é verdade que os mesmos professores tendem a agir de forma diferente em cada escola em que trabalham. Essa idéia de cultura organizacional remete à cultura da escola.seus saberes. constituem habitualmente o objeto de uma transmissão deliberada no contexto das escolas" A escola é. que tem suas características de vida próprias. sob efeito dos imperativos de didatização. Também os professores são portadores de características culturais . que é a cultura da escola (como se poderia falar. da cultura da fábrica) . “normalizados”. seu 84 . sua linguagem. que afetam sua participação nas aprendizagens. selecionados. afetando tanto professores quanto alunos. pois cada escola tem o seu modo de fazer as coisas. um mundo social. expressão derivada do conceito sociológico de cultura (Forquin. é que as próprias práticas e situações escolares estão impregnadas de uma cultura. esta definida como "o conjunto dos conteúdos cognitivos e simbólicos que.

. da capital ou do interior. À medida que se considera uma organização como uma unidade social formada por grupos humanos intencionalmente constituídos. Nesse sentido. por exemplo. no currículo e nos planos de ensino. como condições para melhor funcionamento da organização. escola japonesa. Isso significa que a direção da escola pode promover a criação de uma cultura organizacional. escola brasileira Sabemos. existe uma cultura regional e local que influi nas várias atividades escolares. faz diferença se a escola é urbana.imaginário. seus modos próprios de regulação e de transgressão. implicando aí os aspectos culturais no sentido que apontamos. rural. Qual é o significado disto para o sistema de organização e gestão das escolas? Como a cultura da escola influi nos estilos de organização e gestão? A ênfase na cultura organizacional não chega a ser novidade na teoria das organizações. que a cultura da escola pode ser modelada. na elaboração do projeto pedagógico. Significa. seu regime próprio de produção e de gestão de símbolos. suas maneiras de educar os filhos etc. seus valores. com as expectativas da comunidade. Quando se pensa nas formas de administração escolar. ou seja. de um clima favorável. em outras palavras. de relações de confiança. já aparece a preocupação com o contexto social e cultural da escola. o quanto seria prejudicial aos seus objetivos se o planejamento da escola desconhecesse as expectativas dos pais. Também já tem sido ressaltado nas teorias da organização escolar a importância da criação de um clima de trabalho favorável e do incentivo para que todas as pessoas da equipe escolar se envolvam com a escola. ganham importância as interações entre as pessoas e com o contexto social mais amplo.

conforme abordamos anteriormente. não considera que a própria escola é um mundo cultural. diferenças. Essa cultura própria vão sendo internalizada pelas pessoas e vai gerando um estilo coletivo de perceber as coisas. práticas. a escola vai adquirindo. com base nos significados que dão ao seu trabalho. Essa maneira de ver tem algum valor. podendo haver até quem destoe dessa cultura. É claro que isso não se dá sem conflitos. embora destaque a importância e o papel do 85 contexto sociocultural na organização escolar. de encontrar soluções. é construído pelos seus próprios membros. traços culturais próprios. aos objetivos da escola. Mas há em cada escola uma . na vivência do dia-adia. valores. que este entendimento das relações entre a cultura e a escola. É o que estamos denominando de cultura da escola ou cultura organizacional.planejada. de pensar os problemas. alunos. tanto nas relações que se estabelecem no dia-a-dia quanto nas salas de aula. modos de agir. como a coesão e o espírito grupal. porque vai além de um sistema de gestão baseado apenas na autoridade do diretor e dos procedimentos burocráticos. funcionários. que o modo de funcionar da escola. significados. às decisões que são tomadas. Em resumo: a partir da interação entre diretores. discordâncias. porém. Observe-se. vai formando crenças. O sentido de cultura organizacional que queremos destacar é o de que a própria organização escolar é uma cultura. coordenadores pedagógicos e professores. conformada para atender objetivos da direção.

Essa cultura organizacional se projeta em todos as instâncias da escola: no tipo de reuniões. mas essa cultura pode ser modificada pelas próprias pessoas.forma dominante de ação e interação entre as pessoas que poderia ser resumida nesta expressão: "temos a nossa maneira de fazer as coisas por aqui". na confecção de alimentos e distribuição da merenda. nas normas disciplinares. ela pode ser discutida. num rumo que responda aos propósitos da direção. é preciso criar uma estrutura em que os alunos aprendam a se organizar. Se se define como um dos objetivos da escola a formação da cidadania. da coordenação pedagógica. a planejar e tomar decisões. na metodologia de aula etc. avaliada. da gestão participativa. será preciso instituir formas de gestão e tomada de decisões participativas e . nas formas de tratamento com os pais. É isto que justifica a formulação conjunta do projeto pedagógicocurricular. a argumentar numa discussão. Vem daí uma constatação muito importante: a escola tem uma cultura própria que permite entender tudo o que acontece nela. nos corredores. na cantina. do corpo docente. conforme veremos adiante. Se o objetivo é estabelecer na escola formas democráticas de gestão. mas este também é instituidor de uma cultura organizacional. planejada. A conseqüência prática disso é que precisa haver coerência entre os objetivos proclamados e a cultura organizacional. A cultura 86 organizacional é elemento condicionante do projeto pedagógico-curricular. na relação dos professores com os alunos na aula.

as diferentes visões de mundo. que levar em conta os significados subjetivos e as características culturais das pessoas nas práticas de organização e gestão da escola não significa excluir os conflitos. finalmente. Estes exemplos reforçam a idéia de que a organização escolar constitui-se. Ou seja. cultural. entre professores. em que a equipe escolar discute a realidade. os diferentes modos de agir. mas também considera os objetivos e os propósitos sociais da organização escolar. é preciso que se tenha uma prática de respeito à diversidade social. para se chegar a definições e decisões em torno dos objetivos comuns. étnica. de sexo. aprimorá-la.transparentes. religiosa. considera-se que na escola ocorre uma disputa de interesses sociais e individuais. podem modificá-la. Na perspectiva sócio-crítica da cultura organizacional. as interpretações das pessoas em relação ao que precisa 87 ser feito. numa prática educativa e que seus membros. Se lutamos pelo reconhecimento das diferenças. Considera. que a escola se insere num contexto sociocultural e político mais amplo. também. os significados. os valores. Uma concepção realista da organização escolar considera. alunos. os significados. ela própria. as diferenças. É preciso considerar. cuja influência na organização escolar é determinante. pode ser construída intencionalmente uma cultura organizacional educativa com base em princípios sóciopedagógicos. a partir da cultura organizacional existente. dentro da . funcionários. os valores. as relações de poder externas e internas. ao mesmo tempo.

Entretanto. racional. e acreditar que há outras formas possíveis de organizar e gerir uma escola. as funções administrativas (relacionadas com o pessoal. na escola.realidade sociocultural e política mais ampla. 3) que precisam ter clareza de que há interesses sócio-políticos e econômicos na definição de uma organização escolar. Preferimos optar pela seguinte posição: o diretor de escola é o responsável pelo funcionamento administrativo e pedagógico da escola. que requerem uma ação organizada. Há uma diversidade de opiniões sobre o papel do diretor de escola. O papel do diretor de escola e da equipe de especialistas A implementação de práticas alternativas de organização e gestão da escola depende bastante da atuação da direção e da coordenação pedagógica da escola. mais reflexivas. 2) que precisam conhecer a escola. Na prática. nas formas de funcionamento. que moldam a formação e o funcionamento da organização. isso significa: 1) que os professores precisam desconfiar de que a organização escolar deva funcionar do jeito em que está funcionando. necessita de conhecimentos tanto administrativos quanto pedagógicos. portanto. especificamente. sobre se lhe cabem tarefas apenas administrativas ou também tarefas pedagógicas. principalmente. com a supervisão geral . com a parte financeira. conhecer as teorias organizacionais. ele desempenha predominantemente a gestão geral da escola e. com o prédio da escola e os recursos materiais. mais participativas. mais efetivas. em sentido mais estrito. para que tomem consciência das condições de funcionamento da organização e que possam criar outras. uma normatividade.

Mas essa acentuação da importância da coordenação pedagógica não significa diminuição do papel do diretor. implicando uma ligação mais explicita da escola com outros organismos da comunidade. educação para o lazer.das obrigações de rotina do pessoal. vão sendo conferidas às escolas: orientação psicológica. educação ambiental etc. tornando mais complexas as tarefas de organização e gestão. delegando a parte pedagógica ao coordenador ou coordenadores pedagógicos. que somente pode ser assegurada com o trabalho do coordenador pedagógico. O crescimento da população e a urbanização da sociedade têm levado à instalação de escolas maiores. a automação. relações com a comunidade). orientação sexual. As mudanças na sociedade envolvendo uma ligação maior da escola com outras realidades tais como os meios de comunicação e informação. Ele encarna um tipo de profissional com conhecimentos e habilidades para exercer liderança. professores. A necessidade de vínculo maior com as famílias. Há outras razões para destacar o papel do diretor. educação para o trânsito. iniciativa e utilizar práticas de trabalho em grupo para assegurar a participação de alunos. uma vez que responsabilidades que antes correspondiam aos pais e mães. orientação para novas necessidades da vida urbana. 88 Mais adiante ver-se-á que a ênfase no processo de ensino e aprendizagem na sala de aula requer um acompanhamento e uma atenção especial. . especialistas e pais nos processos de tomada de decisões e na solução dos problemas.

Ao contrário. a nomeação arbitrária de diretores pelo governador ou prefeito. uma importância muito significativa para que a escola seja respeitada pela comunidade. Nessa hora. pois. Não se quer dizer com isso que o sucesso da escola 89 reside unicamente na pessoa do diretor ou numa estrutura administrativa autocrática . os desejos. como dirigente. . é preciso colocá-las em prática. Como gestor da escola. o diretor tem uma visão de conjunto e uma atuação que apreende a escola nos seus aspectos pedagógicos. predomina ainda no sistema escolar público brasileiro.O diretor ou diretora de escola tem. as expectativas da comunidade escolar e articular a adesão e a participação de todos os segmentos da escola na gestão de um projeto comum. Como temos insistido. autonomia. democracia não significam ausência de responsabilidades. culturais. Em razão disso. Uma vez tomadas as decisões coletivamente. a escola precisa estar bem coordenada e administrada. trata-se de entender o papel do diretor como um líder. a escolha do diretor de escola requer muita responsabilidade do sistema de ensino e da comunidade escolar. uma pessoa que consegue aglutinar as aspirações. Essa prática torna o diretor o representante do poder executivo na escola. Infelizmente. Outras formas de escolha são o concurso público e a eleição pelo voto direto ou representativo. participativamente. financeiros.aquela em que o diretor centraliza todas as decisões. participação. administrativos. geralmente para atender conveniências e interesses político-partidários.

não tem havido consenso entre os pesquisadores e educadores sobre as formas concretas dessa participação. Todavia. que é o procedimento mais prejudicial à gestão democrática na escola. autonomia. relacionadas à qualificação e competência profissional e experiência na área educacional. na Associação de Pais e Mestres (onde existir). separada da realidade circundante. De fato. 90 sociedade e trabalho. a melhor forma de escolha é um sistema combinado: 1. Isso significa que a equipe escolar precisa estabelecer condições prévias para os candidatos. Avaliação da formação profissional e competência técnica. Participação dos pais na vida da escola A exigência da participação dos pais na organização e gestão da escola corresponde a novas formas de relações entre escola. . que repercutem na escola nas práticas de descentralização. os candidatos deverão comprovar liderança e capacidade de gestão. Exigência de que os candidatos submetam-se a provas escritas. de forma delegada. apresentando um programa de trabalho (Romão e Padilha. coresponsabilização. no Conselho de Escola e outros órgãos colegiados que venham a existir. nas quais participa a comunidade escolar. 2. 1997). a escola não pode ser mais uma instituição isolada em si mesma.Descartando-se a escolha por nomeação. multiculturalismo. embora esteja claro para a maioria que os pais participam. 3. Além disso. mas integrada numa comunidade que interage com a vida social mais ampla. Eleições.

diretores. já que o envolvimento dos pais é não só legítimo 91 como necessário. alunos. a rigor. Por exemplo. como é o caso da presença dos pais (e estudantes) em órgãos colegiados da escola. será necessário considerar que a escola tem funções sociais explicitas. não são especialistas. ao abordar problemas pedagógico-didáticos. se estes forem seguros de seu papel. de modo a encontrar formas de . objetivos próprios. bloquear a discussão e até mesmo a comunicação. Somente a prática pode ajudar a esclarecer estes problemas. estrutura de gestão. implicando diferentes culturas e hábitos e diferentes visões das questões escolares. Isso significa que não se pode pôr em dúvida o espaço específico e autônomo dos professores mas. Os pais. coordenadores. dentro do critério do respeito aos papéis e competências. podem assumir uma atitude preconcebida de censura aos professores. Não se pode ignorar que cada categoria de sujeitos componentes da organização escolar (professores. pais. formulados de forma coletiva e pública. projeto pedagógicocurricular. os professores podem fazer uma legítima reivindicação de uma competência profissional autônoma que pode colocar-se como barreira nas relações com pais. surgem questões não desprezíveis referentes à possibilidade de síntese entre interesses e competências diversas. funcionários) possui interesses específicos. todavia.Na realidade concreta. Resguardado o princípio da participação. por outro lado. sua dignidade profissional não ficará abalada com a discussão pública sobre seu trabalho. num campo em que.

há toda uma pesquisa sobre administração escolar que remonta aos pioneiros da educação nova. os elementos constitutivos do processo organizacional. simplesmente.acordo mútuo e organização do professores em social e ética de ajuda recíproca. do processo de ensino e aprendizagem. Serão abordados os seguintes itens: as concepções de organização e gestão escolar. com as discussões sobre reforma curricular dos cursos de Pedagogia e de Licenciaturas. CAPÍTULO VI . a disciplina passou em muitos lugares a ser denominada de Organização do Trabalho Pedagógico ou Organização do Trabalho Escolar. funcionalista. Nos anos 80. Tais estudos eram identificados com o campo de conhecimentos denominado Administração e Organização Escolar ou. operativa. Esses estudos se deram no âmbito da Administração Escolar e. nos anos 30.O SISTEMA DE ORGANIZAÇÃO E GESTÃO DA ESCOLA 95 Neste capítulo são apresentados alguns elementos básicos para o conhecimento da organização escolar e para a atuação dos professores e do pessoal técnicoadministrativo. aproximando a organização escolar da organização empresarial. freqüentemente. a estrutura organizacional da escola. Administração Escolar. As concepções de organização e gestão escolar O estudo da escola como organização de trabalho não é novo. estiveram marcados por uma concepção burocrática. melhorando a trabalho escolar e o trabalho dos função da qualidade cognitiva. adotando um enfoque .

que funciona racionalmente. de cunho sócio-político. A organização escolar não seria uma coisa totalmente objetiva e funcional. não seria caracterizada pelo seu papel no mercado . neutra. pais e integrantes da comunidade próxima. portanto. hierarquia de funções. Não é difícil aos futuros professores fazerem distinção entre essas duas concepções de organização e gestão da escola. organizada e controlada. mas uma construção social levada a efeito pelos professores. um enfoque científico-racional e um enfoque crítico. alunos. Houve pouca preocupação. É sempre útil distinguir. com os aspectos propriamente organizacionais e técnico-administrativos da escola. baixo grau de participação das pessoas que trabalham na organização. importando bastante a intencionalidade e as interações sociais que acontecem entre elas. no estudo dessa questão. planos de ação feitos de cima para baixo. o contexto sócio-político etc. um elemento neutro a ser observado. freqüentemente restringido a uma análise crítica da escola dentro da organização do trabalho 96 no capitalismo. As escolas que operam nesse modelo dão muito peso à estrutura organizacional: organograma de cargos e funções. Além disso. com algumas exceções. No primeiro enfoque. centralização das decisões. a organização escolar é tomada como uma realidade objetiva. pode ser planejada. de modo a alcançar maiores índices de eficácia e eficiência. técnica. O segundo enfoque vê a organização escolar basicamente como um sistema que agrega pessoas. Este é o modelo mais comum de funcionamento da organização escolar. normas e regulamentos.crítico.

mas pelo interesse público. esta concepção também é conhecida como gestão da qualidade total. Maior ênfase nas tarefas do que nas pessoas. Tende a seguir princípios e métodos da administração empresarial. baseada em normas e regras. a autogestionária e a democrático-participativa. Comunicação linear (de cima para baixo). destacando-se as relações de subordinação em que uns têm mais autoridade do que outros. regras. de forma esquemática. Ênfase na administração (sistema de normas. Com base nos estudos existentes no Brasil sobre a organização e gestão escolar e nas experiências levadas a efeito nos últimos anos. é possível apresentar. Atualmente. conforme veremos em seguida. três das concepções de organização e gestão: a técnico-científica (ou funcionalista). ausência de direção . 97 A concepção técnico-científica baseia-se na hierarquia de cargos e funções visando a racionalização do trabalho. procedimentos burocráticos de controle das atividades). acentuando-se a divisão técnica do trabalho escolar (tarefas especializadas). Poder centralizado no diretor. A visão crítica da escola resulta em diferentes formas de viabilização da gestão democrática. a eficiência dos serviços escolares. A concepção autogestionária baseia-se na responsabilidade coletiva. Algumas características desse modelo são: Prescrição detalhada de funções. às vezes descuidando-se dos objetivos específicos da instituição escolar.

modos pelos quais se contesta o poder instituído. O caráter instituinte se dá pela prática da participação e auto-gestão. Acentua a importância da busca de . Crença no poder instituinte da instituição (vivência da experiência democrática no seio da instituição para expandi-Ia à sociedade) e recusa de todo poder instituído. 98 Recusa a normas e sistemas de controles. Vínculo das formas de gestão interna com as formas de auto-gestão social (poder coletivo na escola para preparar formas de auto-gestão no plano político). Outras características: Ênfase nas inter-relações mais do que nas tarefas. acentuando-se a responsabilidade coletiva. reuniões). Decisões coletivas (assembléias. Ênfase na auto-organização do grupo de pessoas da instituição. eliminação de todas as formas de exercício de autoridade e poder. por meio de eleições e alternância no exercício de funções. O autor apresenta aqui seu próprio entendimento. É necessário alertar que há diversos entendimentos do que deva ser a gestão participativa enquanto forma concreta de organização da escola.centralizada e acentuação da participação direta e por igual de todos os membros de instituição. A concepção democrática-participativa baseia-se na relação orgânica entre a direção e a participação do pessoal da escola. Na bibliografia final apresentamos várias obras que expõem diferentes pontos de vista sobre essa questão.

todos avaliam e são avaliados. Busca de objetividade no trato das questões da organização e gestão. Todos dirigem e são dirigidos.objetivos comuns assumidos por todos. o modelo democrático-participativo tem sido influenciado por uma corrente teórica que compreende a organização escolar como cultura. a gestão da participação. independente das pessoas. ao contrário. Acompanhamento e avaliação sistemáticos com finalidade pedagógica: diagnóstico. uma vez tomadas as decisões coletivamente. também. acompanhamento dos trabalhos. mediante coleta de informações reais. Atualmente. Articulação entre a atividade de direção e a iniciativa e participação das pessoas da escola e das que se relacionam com ela. Esta corrente afirma que a escola não é uma estrutura totalmente objetiva. mensurável. Entretanto. admitindose a coordenação e a avaliação sistemática da operacionalização das decisões tomadas dentro de uma real diferenciação de funções e saberes. Outras características desse modelo: Definição explicita de objetivos sócio-políticos e pedagógicos da escola. Qualificação e competência profissional. reorientação de rumos e ações. ela depende muito das experiências subjetivas das pessoas e . 99 A gestão é participativa mas espera-se. pela equipe escolar. tomada de decisões. advoga que cada membro da equipe assuma sua parte no trabalho. Defende uma forma coletiva de gestão em que as decisões são tomadas coletivamente e discutidas publicamente.

as responsabilidades individuais dos membros da equipe e a ação organizacional coordenada e supervisionada.o planejamento. dos significados que as pessoas dão às coisas enquanto significados socialmente produzidos e mantidos. mas 100 também valoriza os elementos internos do processo organizacional . a organização. a partir da experiência subjetiva e cultural das pessoas. compreende que a organização é uma construção social. dizer que a organização é uma cultura significa que ela é construída pelos seus próprios membros. Uma visão sócio-crítica propõe considerar dois aspectos interligados: por um lado. a gestão. O modo como uma escola se organiza e se estrutura tem um caráter pedagógico. depende de objetivos mais . em relação à escolarização da população. Esta maneira de ver a organização escolar não exclui a presença de elementos objetivos. já que precisa atender a objetivos sociais e políticos muito claros. ou seja. por outro. a estrutura organizacional. Em outras palavras. que essa construção não é um processo livre e voluntário. formas participativas. e os próprios objetivos sociais e culturais definidos pela sociedade e pelo Estado. sempre contraditórios e às vezes conflitivos. ou seja.de suas interações sociais. posições políticas e concepções de homem e sociedade. tais como as formas de poder externas e internas. As concepções de gestão escolar refletem portanto. a direção. a avaliação. mas mediatizado pela realidade sociocultural e política mais ampla. incluindo a influência de forças externas e internas marcadas por interesses de grupos sociais. Busca relações solidárias.

As duas outras concepções valorizam o trabalho coletivo. determinações rígidas de funções. Embora ambas tenham diferentes entendimentos das relações de poder dentro da escola. a concepção democrático-participativa. Com isso. valoriza o poder e a autoridade. neste livro. geralmente prevista no Regimento Escolar ou em legislação específica estadual ou municipal. o grau de envolvimento profissional fica enfraquecido.um tipo de gráfico que mostra as interrelações entre os vários 101 . concebem a participação de todos nas decisões como importante ingrediente para a criação e desenvolvimento de relações democráticas e solidárias. O termo estrutura tem aqui o sentido de ordenamento e disposição das funções que asseguram o funcionamento de um todo. tende a retirar ou. diminuir nas pessoas a faculdade de pensar e decidir sobre seu trabalho. hipervalorizando a racionalização do trabalho. por exemplo. ao menos. Adotamos. Essa estrutura é comumente representada graficamente num organograma . exercidas unilateralmente.amplos sobre a relação da escola com a conservação ou a transformação social. A concepção funcionalista. implicando a participação de todos nas decisões. A estrutura organizacional de uma escola Toda instituição escolar necessita de uma estrutura de organização interna. Enfatizando relações de subordinação. no caso a escola.

Conselho de Escola O Conselho de Escola tem atribuições consultivas. envolvem aspectos pedagógicos. 1997).setores e funções de uma organização ou serviço. A estrutura organizacional de escolas se diferencia conforme a legislação dos Estados e Municípios e. de Escola é chamado de "colegiado" e sua função básica é democratizar as relações de poder (Paro. deliberativas e fiscais em questões definidas na legislação estadual ou municipal e no Regimento escolar. em princípio. dos especialistas em educação. Essas questões. em boa parte. do livro de Vítor H. Sua composição tem uma certa proporcionalidade de participação dos docentes. Ciseski e Romão. dos funcionários. Em alguns lugares o Conselho 102 A descrição das várias funções da estrutura organizacional das escolas foi retirada. Em vários Estados o Conselho é eleito no início do ano letivo. obviamente. conforme as concepções de organização e gestão adotada. Paro. Evidentemente a forma do organograma reflete a concepção de organização e gestão. 1998. geralmente. administrativos e financeiros. Por dentro da escola pública (1996). . a paridade entre integrantes da escola (50 por cento) e usuários (50 por cento). dos pais e alunos. mas podemos apresentar a estrutura básica com todas as unidades e funções típicas de uma escola. observando-se.

laboratórios. Vigilância e Atendimento ao público) e Mul timeios (biblioteca. conservação e limpeza 103 do prédio. Responde também pelo atendimento ao público. A Secretaria Escolar cuida da documentação. auxiliado pelos demais componentes do corpo de especialistas e de técnicos-administrativos. dos docentes. demais funcionários e dos alunos.Direção O diretor coordena. O Assistente de diretor desempenha as mesmas funções na condição de substituto eventual do diretor. também. escrituração e correspondência da escola. a escola conta com um secretário e escriturários ou auxiliares de secretaria. da guarda das dependências. A Zeladoria. atendendo às leis. da cozinha e da preparação e distribuição . Para a realização desses serviços. organiza e gerencia todas as atividades da escola. instalações e equipamentos. realizada pelos serventes.). Setor técnico-administrativo O setor técnico-administrativo responde pelas atividades-meio que asseguram o atendimento dos objetivos e funções da escola. cuida da manutenção. pelos serviços auxiliares (Zeladoria. videoteca etc. O setor técnico-administrativo responde. regulamentos e determinações dos órgãos superiores do sistema de ensino e às decisões no âmbito da escola assumidas pela equipe escolar e pela comunidade.

orientando-os quanto a normas disciplinares. 1999. a videoteca e outros recursos didáticos. menos na sala de aula. A formação específica de supervisores ou coordenadores pedagógicos tem sido motivo de bastante polêmica entre os educadores. os laboratórios. atendendo-os em caso de acidente ou enfermidade. para quê? (Libâneo. 104 . da execução de pequenos consertos e outros serviços rotineiros da escola. e o artigo de Libâneo e Pimenta. recomenda-se que seus ocupantes sejam formados em cursos de Pedagogia ou adquiram formação pedagógicodidática específica. os equipamentos audiovisuais. Setor Pedagógico O setor pedagógico compreende as atividades de coordenação pedagógica e orientação educacional. 1999). 68. A Vigilância cuida do acompanhamento dos alunos em todas as dependências do edifício. envolvendo habilidades bastante especiais. sendo que em muitos lugares suas atribuições ora são unificadas em apenas uma pessoa. Para melhor conhecimento do assunto. Como são funções especializadas. assistência e encaminhamento de alunos. ver o livro Pedagogia e pedagogos. O serviço de Multimeios compreende a biblioteca. As funções desses es pecialistas variam conforme a legislação estadual e municipal.da merenda escolar. na revista Educação e Sociedade. ora são desempenhadas por professores. como também do atendimento às solicitações dos professores quanto a material escolar. n. com diferenças marcantes de posições.

O orientador educacional. no que diz respeito ao trabalho interativo com os alunos. em outros.O coordenador pedagógico ou professor-coordenador supervisiona. o Grêmio Estudantil e outras como Caixa Escolar. assessora. Outra atribuição que cabe ao coordenador pedagógico é o relacionamento com os pais e a comunidade. vinculadas ao Conselho de Escola (onde este exista) ou ao Diretor. Sua atribuição prioritária é prestar assistência pedagógico-didática aos professores em suas respectivas disciplinas. avalia as atividades pedagógico-curriculares. o pessoal docente e técnicoadministrativo e alunos maiores de 18 anos. decidindo sobre ações preventivas e corretivas em relação ao rendimento dos alunos. ao comportamento discente. cuida do atendimento e do acompanhamento escolar dos alunos e também do relacionamento escola-pais-comunidade. especialmente no que se refere ao funcionamento pedagógico-curricular e didático da escola e comunicação e interpretação da avaliação dos alunos. . às promoções e reprovações e a outras medidas concernentes à melhoria da qualidade da oferta dos serviços educacionais e ao melhor desempenho escolar dos alunos. Instituições Auxiliares Paralelamente à estrutura organizacional. acompanha. O Conselho de Classe ou Série é um órgão de natureza deliberativa quanto à avaliação escolar dos alunos. onde essa função existe. A APM reúne os pais de alunos. Há lugares em que a coordenação restringe-se à disciplina em que o coordenador é especialista. muitas escolas mantêm Instituições Auxiliares tais como: a APM (Associação de Pais e Mestres). apoia. a coordenação se faz em relação a todas as disciplinas.

Ambas as instituições costumam ser regulamentadas no Regimento Escolar. cívicas e sociais.398/85.Costuma funcionar mediante uma diretoria executiva e um conselho deliberativo. Todavia. na realização das atividades da escola e nas decisões dos Conselhos de Escola e de classe ou série. médica e odontológica aos alunos carentes. evitando-se qualquer tutelamento por parte da Secretaria da Educação ou da direção da escola. Os professores de todas as disciplinas formam. junto com a direção e os especialistas. a equipe escolar. Em algumas escolas. que tem como função básica realizar o objetivo prioritário da escola. 7. alimentar. os professores também têm a responsabilidades de participar na elaboração do plano escolar ou projeto pedagógico-curricular. o ensino. culturais. que presta assistência social. econômica. com finalidades educacionais. é recomendável que tenham autonomia de organização e funcionamento. em outras um setor de assistência ao estudante. variando sua composição e estrutura organizacional. das reuniões com pais (especialmente na . Além de seu papel específico de docência das disciplinas. O Grêmio Estudantil é uma entidade representativa dos alunos criada pela lei federal n. que lhes confere autonomia 105 para se organizarem em torno de seus interesses. funciona a Caixa Escolar. Corpo Docente O Corpo docente é constituído pelo conjunto dos professores em exercício na escola.

o que implica uma ação racional. do diálogo. concebe a docência como trabalho interativo. Tudo em função de atingir os objetivos. as relações humano-interacionais. a administração. as escolas buscam resultados. Nos itens anteriores 106 mostramos que o processo de tomada de decisão inclui. por meio da dinâmica intersubjetiva. as ações necessárias para colocá-la em prática. aposta na construção coletiva dos objetivos e do funcionamento da escola. Ou seja. o planejamento. Os elementos constitutivos do sistema de organização e gestão da escola A gestão democrática-participativa valoriza a participação da comunidade escolar no processo de tomada de decisão.comunicação e interpretação da avaliação). a organização e gestão refere-se aos meios de realização do trabalho escolar. faz-se necessário o emprego dos elementos ou funções do processo organizacional. da APM e das demais atividades cívicas. estruturada e coordenada. os conhecimentos e qualificações práticas do educador. Em razão disso. envolvendo os aspectos físicos e materiais. isto é. também. como toda instituição. culturais e recreativas da comunidade. Ao mesmo tempo. do consenso. à racionalização do trabalho e à coordenação do esforço coletivo do pessoal que atua na escola. a avaliação do trabalho escolar. sendo uma . tal como veremos adiante. a formação continuada. De fato.

Formação continuada . Tais elementos ou instrumentos de ação são: Planejamento .comprovação e avaliação do funcionamento da escola.processo de explicitação de objetivos e antecipação de 107 decisões para orientar a instituição. Os autores geralmente mencionam as quatro funções estabelecidas nas teorias clássicas da . O processo de organização escolar dispõe de elementos constitutivos que são. na verdade. não depende apenas das capacidades e responsabilidades individuais. Esses elementos constitutivos da organização são designados. Direção/Coordenação . na bibliografia especializada. criando e viabilizando as condições e modos para se realizar o que foi planejado. também. Organização . instrumentos de ação mobilizados para atingir os objetivos escolares. mas de objetivos comuns e compartilhados e de ações coordenadas e controladas dos agentes do processo.Atividade através da qual se dá a racionalização de recursos. Avaliação .atividade coletiva. de funções administrativas ou etapas do processo administrativo.Atividade de coordenação do esforço coletivo do pessoal da escola.Ações de capacitação e aperfeiçoamento dos profissionais da escola para que realizem com competência suas tarefas e se desenvolvam pessoal e profissionalmente. prevendo-se o que se deve fazer para atingi-los.

CAPÍTULO VII – PRINCÍPIOS E CARACTERÍSTICAS DA GESTÃO ESCOLAR PARTICIPATIVA 111 A educação escolar tem a tarefa de promover a apropriação de saberes. participação e direção C. O encargo das escolas.f. controle. criativas. procedimentos. atitudes e valores por parte dos alunos. operativas. adotando formas alternativas. de modo que aos objetivos sociais e políticos da escola correspondam estratégias compatíveis de organização e gestão. para propor processos de gestão democrática da sociedade e do ensino público. sociais e morais pelo seu empenho na dinamização do currículo. entre a atuação das elites e a atuação dos movimentos populares. faz-se necessário superar as formas conservadoras de organização e gestão. . Para isso.Administração Geral: planejamento. pela ação mediadora dos professores e pela organização e gestão da escola. no desenvolvimento dos processos do pensar. na formação da cidadania participativa e na formação ética. Romão (1997). é assegurar o desenvolvimento das capacidades cognitivas. Retomando os conceitos de gestão democrática. organização. hoje. direção. Este autor desenvolve uma análise bastante apropriada sobre as diferenças entre as organizações e entidades das elites e as das camadas populares.

medidas econômicas etc. Se atrasa o salário. inclusive na escola. as pessoas ficam na espera de que as decisões venham "de cima". o poder governamental é personalizado. à participação popular nos processos decisórios. pelo poder de manipulação dos meios de comunicação.) têm se caracterizado por uma "cultura personalista". isto é. os professores dizem: 112 "O governador não nos paga". mesmo porque tem sido essa a prática das elites políticas e econômicas dominantes. as formas de gestão da sociedade (legislação. elas se referem quase sempre ao presidente. organizações. ao governador. as dificuldades de mobilização das camadas populares em torno de seus interesses. pela desescolarização da população. A relação política transforma-se numa relação entre indivíduos. Com isso. Essa capacidade de mobilização dos grupos sociais economicamente privilegiados (as classes média e alta) e. planos de governo. acaba por . Esses são alguns dos obstáculos à organização dos movimentos populares e.Na história brasileira. por outro lado. mas sabemos que as camadas populares levam desvantagem na efetivação da participação política em relação às classes dominantes. interesses coletivos. em detrimento da relação entre grupos. entre outras razões. ao prefeito. como se a pessoa que detém o cargo fosse a responsável solitária pelas decisões'. As formas convencionais de representação política (escolha de representantes pelo voto) continuam em vigor. em conseqüência. pela falta de organização popular. entidades. pelo poder financeiro das classes dominantes. Quando as pessoas referem-se ao governo.

ressaltar diferenças entre o tipo de relações que as famílias de alunos das escolas particulares mantêm com os profissionais da escola e as relações que as famílias de alunos de escolas públicas com seus respetivos profissionais (Romão. participação significa a intervenção dos profissionais da educação e dos usuários (alunos e pais) na gestão da escola. funcionando em vários estados.1977). as camadas populares levam aí desvantagem 113 considerável. Todos os segmentos da comunidade podem compreender melhor o funcionamento da escola. Em resumo. Entre as modalidades mais conhecidas de participação estão os Conselhos de classe . Há dois sentidos de participação articulados entre si. Evidentemente. Colegiados ou Comissões que surgiram no início da década de 80.bastante difundidos no Brasil . assim. em relação às ações praticadas pelas escolas. A participação da comunidade possibilita à população o conhecimento e a avaliação dos serviços oferecidos e a intervenção organizada na vida da escola. inibindo as reivindicações.e os Conselhos de Escola. De acordo com Gadotti e Romão. as práticas de participação e controle. conhecer com mais profundidade os que nela estudam e trabalham. a participação influi na democratização da gestão e na melhoria da qualidade de ensino. A conquista da cidadania requer um esforço dos educadores em estimular instâncias e práticas de participação popular. intensificar seu envolvimento com ela e. Há . acompanhar melhor a educação ali oferecida (1997).

é um imperativo social e pedagógico. econômica e cultural. sociais. constituindo-se como prática formativa. além de ser uma das funções do processo organizacional. A escola é lugar de aprender conhecimentos. metodológico e curricular. afetivas. estéticas. a participação é ingrediente dos próprios objetivos da escola e da educação. No primeiro sentido. especialmente os empresariais. A direção como princípio e atributo da gestão democrática A direção da escola. dos professores. para conquistar o status de uma comunidade educativa que interage com a sociedade civil. dos alunos. desenvolver capacidades intelectuais. O significado do termo direção. No segundo sentido. um lugar fechado e separado da realidade. por meio de canais de participação 114 da comunidade. Vivendo a prática da participação nos órgãos deliberativos da escola. como elemento pedagógico. a escola deixa de ser uma redoma. institucionalmente. Mas é também lugar de formação de competências para a participação na vida social. vão aprendendo a sentir-se responsáveis pelas decisões que os afetam num âmbito mais amplo da sociedade. tratando-se da escola. os pais. éticas. Há a participação como processo organizacional em que os profissionais e usuários da escola compartilham. certos processos de tomada de decisão. os professores. os alunos. Ele vai além daquele de mobilização das pessoas para a realização eficaz das .a participação como meio de conquista da autonomia da escola. difere de outros processos de direção.

Sua adequada estruturação e seu ótimo funcionamento constituem fatores essenciais para se atingir eficazmente os objetivos de formação. pela sua natureza.atividades. Essa peculiaridade das instituições educativas vem do caráter de intencionalidade presente nas ações educativas. planejada. uma tomada de posição frente a objetivos sociais e políticos da escola. A escola. por parte da equipe escolar. influi significativamente na formação da personalidade humana e. A intencionalidade se projeta nos objetivos que. Ou seja. Na escola isso leva. consciente. inclui o conceito de direção. a organização do ensino. ao cumprir sua função social de mediação. numa sociedade concreta. Intencionalidade significa a resolução de fazer algo. O caráter pedagógico da ação educativa consiste precisamente na formulação de objetivos sócio-políticos e educativos e na criação de formas de viabilização organizativa e metodológica da educação (tais como a seleção e organização dos conteúdos e métodos. Não é preciso insistir que a prática da gestão e da direção participativas convergem para a elaboração e . pois implica intencionalidade. a organização do trabalho escolar). não é possível estruturá-la sem levar em consideração objetivos políticos e pedagógicos. de integração e unidade de objetivos e ações. portanto. dão o rumo. à busca deliberada. tendo em vista dar uma 115 direção consciente e planejada ao processo educacional. O processo educativo. definição de um rumo. por essa razão. o trabalho escolar implica uma direção. por sua vez. dirigir o comportamento para algo que tem significado para nós. a direção da ação. e de um consenso em torno de normas e atitudes comuns.

as escolas podem traçar seu próprio caminho envolvendo professores. manter-se relativamente independente do poder central. administrar livremente recursos financeiros. Autonomia de uma instituição significa ter poder de decisão sobre seus objetivos e suas formas de organização.execução do projeto pedagógico e assunção de responsabilidades de forma cooperativa e solidária. funcionários. Ela é definida como faculdade das pessoas de autogovernar-se. Qualquer modificação em sua estrutura ou no funcionamento de um dos seus elementos. São propostos os seguintes princípios da concepção de gestão democrática-participativa: 1. razão de ser do projeto pedagógico. Alguns princípios da organização e gestão escolar participativa A escola é uma instituição social que apresenta unidade em seus objetivos (sócio-políticos e pedagógicos). projeta-se como influência benéfica ou prejudicial nos demais. Por ser um trabalho complexo. cuja aplicação deve estar subordinada às condições concretas de cada escola. pais e comunidade próxima que 116 . Autonomia das escolas e da comunidade educativa A autonomia é o fundamento da concepção democráticoparticipativa de gestão escolar. a organização e gestão escolar requerem o conhecimento e a adoção de alguns princípios básicos. de decidir sobre seu próprio destino. interdependência entre a necessária racionalidade no uso dos recursos (materiais e conceituais) e a coordenação do esforço humano coletivo. alunos. Sendo assim.

sem levar em conta as condições reais de seu funcionamento. a orientação e o controle de suas atividades internas conforme suas características particulares e sua realidade. por outro. elas integram um sistema escolar e dependem das políticas públicas e da gestão pública. de um lado. a adequação e aplicação criadora das diretrizes gerais que recebe dos níveis superiores da administração do ensino. os critérios e diretrizes de organização são estabelecidos dentro de marcos estreitos de cada escola. Isso significa que a direção de uma escola deve ser exercida tendo em conta. Portanto. O sistema de ensino pode estar desprovido de uma política global. o planejamento. pode acontecer que as escolas as apliquem mecanicamente. Se. Ou. As autoridades podem atribuir autonomia às escolas para. ainda. a autonomia . subordinando-se às diretrizes dos órgãos superiores. a formação continuada não são originados na própria escola. o controle local e comunitário não podem prescindir das responsabilidades e da atuação dos órgãos centrais e intermediários do sistema escolar. por sua vez. É assim que a organização da escola se transforma em instância educadora. perdem-se de vista diretrizes gerais do sistema e sua articulação com a sociedade. Certamente trata-se de uma autonomia relativa. Por isso mesmo. Os recursos que asseguram os salários. desobrigar o poder público de suas responsabilidades. pode estar mal organizado e mal administrado.se tornam co-responsáveis pelo êxito da instituição. As escolas públicas não são organismos isolados. espaço de trabalho coletivo e aprendizagem. a organização. as condições de trabalho. Essa articulação nem sempre se dá sem problemas. com isso.

motiva. lidera. o diálogo intersubjetivo. implicando uma co-responsabilidade consciente. a participação implica os processos de gestão. A partir daí. a busca do consenso em pautas básicas. Por outro lado. aprova um documento orientador. partilhada. pais. solidária. alunos. 117 2. Relação orgânica entre a direção e a participação dos membros da equipe escolar Esse princípio conjuga o exercício responsável e compartilhado da direção. os modos de . entram em ação os elementos (instrumentos e procedimentos) do processo organizacional em que o diretor coordena. Nesse princípio está presente a exigência da participação de professores. eficazmente. a forma participativa da gestão e a responsabilidade individual de cada membro da equipe escolar. de todos os membros da equipe escolar. mobiliza.a formação cultural e científica dos alunos e o desenvolvimento das potencialidades cognitivas e operativas. os resultados de sua atividade . funcionários e outros representantes da comunidade bem como a forma de viabilização dessa participação: a interação comunicativa. de modo a alcançar. delega as responsabilidades decorrentes das decisões aos membros da equipe escolar conforme suas atribuições específicas.precisa ser gerida. toma decisões por meio de discussão com a comunidade escolar mais ampla. presta contas e submete à avaliação da equipe o desenvolvimento das decisões tomadas coletivamente. Sob supervisão e responsabilidade do diretor a equipe escolar formula o plano ou projeto pedagógicocurricular.

os pais e outros representantes participam do Conselho de Escola. tem várias implicações. especialmente da qualidade cognitiva dos processos de ensino e aprendizagem. Ela está a serviço dos objetivos do ensino. na verdade. basicamente os pais. especialmente dos pais. as assembléias e reuniões. Prioritariamente. Adicionalmente. a gestão democrática não pode ficar restrita ao discurso da participação e às suas formas externas: as eleições. usufruem das práticas participativas para . Conforme temos ressaltado. a coordenação e a cobrança dos trabalhos e. A presença da comunidade na escola. a adoção de práticas participativas não está livre de servir à manipulação e ao controle do comportamento das pessoas. facções partidárias etc. decididamente.fazer. 3. As pessoas podem ser induzidas a pensar que estão 118 participando quando. Desse modo. estão sendo manipuladas por interesses de grupos. a organização escolar democrática implica não só a participação na gestão mas a gestão da participação. o cumprimento de responsabilidades compartilhadas dentro de uma mínima divisão de tarefas e alto grau de profissionalismo de todos. Envolvimento da comunidade no processo escolar O princípio da autonomia requer vínculos mais estreitos com a comunidade educativa. as entidades e organizações paralelas à escola. da Associação de Pais e Mestres (ou organizações correlatas) para preparar o projeto pedagógico-curricular e acompanhar e avaliar a qualidade dos serviços prestados. Além disso.

as ações pedagógicas e administrativas buscam atingir objetivos. a participação das comunidades escolares em processos decisórios dão respaldo a governos estaduais e municipais para encaminhar ao Poder Legislativo projetos de lei que atendam melhor às necessidades educacionais da população (Ciseski e Romão. mas é . 5. estratégias de ação. torna-se o instrumento unificador das atividades escolares. convergindo na sua execução o interesse e o esforço coletivo dos membros da escola. 4. a qualificação profissional e a competência técnica. 1997). 1997). cronogramas e formas de controle e avaliação. provimento e ordenação dos recursos disponíveis.participarem de outras instâncias decisórias no âmbito da sociedade civil (organizações de bairro. movimentos de educação ambiental e outros). estruturada e coordenada de proposição de objetivos. O plano de ação da escola ou projeto pedagógico. Planejamento das tarefas O princípio do planejamento justifica-se porque as escolas buscam resultados. Há necessidade de uma ação racional. Além disso. de minorias étnicas e culturais. discutido e analisado publicamente pela equipe escolar. A escola é um espaço educativo. contribuindo para o aumento da capacidade de fiscalização da sociedade civil sobre a execução da política educacional (Romão. Formação continuada para o desenvolvimento pessoal e profissional dos integrantes da comunidade escolar A concepção democrática-participativa de gestão valoriza o desenvolvimento pessoal. movimentos de mulheres. lugar de aprendizagem em que todos aprendem a participar dos processos decisórios.

fazer compartilhar as experiências docentes bem sucedidas. analisando cada problema em seus múltiplos aspectos e na ampla democratização das informações Este princípio implica procedimentos de gestão baseados na coleta de dados e informações reais e seguras. seus aspectos mais fundamentais. Analisar os problemas em seus múltiplos aspectos significa verificar a qualidade das aulas. Avaliação compartilhada Todas as decisões e procedimentos organizativos precisam ser acompanhados e avaliados. as características sócio-econômicas e culturais dos alunos. 120 7. para além das aparências). o cumprimento dos programas. científico. observar e avaliar constantemente o desenvolvimento do processo de ensino. a partir do . pedagógico . suas causas. na análise global dos problemas (buscar sua essência. O processo de tomada de decisões deve basear-se em informações concretas. os resultados do trabalho que a equipe se propôs a atingir. a qualificação e experiência dos professores. A democratização da informação implica o acesso de todos às informações e canais de comunicação que agilizem a tomada de conhecimento das decisões e de sua execução.de toda a equipe escolar. 6. A organização e gestão do trabalho escolar requerem o constante aperfeiçoamento profissional . analisar com objetividade os resultados.político. a adequação de métodos e procedimentos didáticos etc.também o local em que os profissionais desenvolvem sua profissionalidade. a saúde dos alunos. Dirigir uma escola implica conhecer bem seu estado real.

A equipe da escola precisa investir sistematicamente na mudança das relações autoritárias para relações baseadas no diálogo e no consenso. em função dos objetivos básicos da escola. objetivos a atingir dentro das possibilidades. severidade e tato humano. O controle implica uma avaliação mútua entre direção.princípio da relação orgânica entre a direção e a participação dos membros da equipe escolar. CAPÍTULO VIII – O Planejamento Escolar e o Projeto Pedagógico Curricular 123 O planejamento escolar consiste numa atividade de previsão da ação a ser realizada. há que combinar exigência e respeito. entre direção e funcionários técnicos e administrativos. Nas relações mútuas entre direção e professores. 8. do clima amistoso de trabalho. tempo de execução e formas de avaliação. implicando definição de necessidades a atender. de modo a prever e programar as ações e os resultados desejados. As . é preciso insistir que o conjunto das ações de organização do trabalho na escola estão voltados para as ações pedagógico-didáticas. entre professoras e alunos. Além disso. professores e comunidade. constituindo-se numa atividade necessária à tomada de decisões. da valorização da experiência individual. procedimentos e recursos a serem empregados. O processo e o exercício de planejar referem-se a uma antecipação da prática. Relações humanas produtivas e criativas assentadas na busca de objetivos comuns Esse princípio indica a importância do sistema de relações interpessoais em função da qualidade do trabalho de cada educador.

O planejamento se concretiza em planos e projetos. conteúdos. Uma importante característica do planejamento é o seu caráter processual. também. o que se planeja são as atividades de ensino e de aprendizagem. Sem planejamento. uma seqüência de ações que irão orientar a prática. um ob jetivo. Um plano ou um projeto é um esboço. atitudes. tanto da escola e do currículo quanto do ensino. que um plano prévio é um roteiro para a .instituições e organizações sociais precisam formular objetivos. o planejamento nunca é apenas individual. as ações são improvisadas. No planejamento escolar. mas a uma atividade permanente de reflexão e ação. uma meta. O ato de planejar não se reduz à elaboração dos planos de trabalho. fortemente determinadas por uma intencionalidade educativa envolvendo objetivos. 124 é uma prática de elaboração conjunta dos planos e sua discussão pública. os resultados não são avaliados. meios de sua execução e critérios de avaliação da qualidade do trabalho que realizam. modos de agir dos educadores que atuam na escola. a correção no rumo das ações. a gestão corre ao sabor das circunstâncias. de busca de alternativas para a solução de problemas e de tomada de decisões. ter um plano de ação. Em razão disso. possibilitando a revisão dos planos e projetos. O caráter de processo indica. um esquema que representa uma idéia. O planejamento é um processo contínuo de conhecimento e análise da realidade escolar em suas condições concretas. valores. A ação de planejar subordina-se à natureza da atividade realizada.

expressando a síntese das exigências sociais e legais do sistema de . expectativas e decisões da equipe da escola. O planejamento escolar atende.características gerais O projeto pedagógico-curricular é a concretização do processo de planejamento. prevê os passos a seguir. causas que as originam. reflexão e deliberação dos educadores sobre a prática em curso. mas não pode determinar rigidamente os resultados. a avaliação dos processos e resultados previstos no projeto. em geral. O processo de planejamento inclui. Definição de objetivos e metas compatibilizando a política e as diretrizes do sistema escolar com as intenções. implicando permanente ação. em relação aos resultados obtidos até então. 125 O projeto pedagógico-curricular . tendo em vista a análise crítica e profunda do trabalho realizado e a reordenação de rumos.prática. Determinação de atividades e tarefas a serem desenvolvidas em função de prioridades postas pelas condições concretas e compatibilização com os recursos disponíveis (elementos humanos e recursos materiais e financeiros). Consolida-se num documento que detalha objetivos. às seguintes funções: Diagnóstico e análise da realidade da escola: busca de informações reais e atualizadas que permitam identificar as dificuldades existentes. ele antecipa mentalmente a prática. também. pois estes vão se delineando no desenvolvimento do trabalho. diretrizes e ações do processo educativo a ser desenvolvido na escola.

Os planos consistiam na determinação de objetivos. Ao mesmo tempo. o projeto pedagógicocurricular é tanto a expressão da cultura da escola (cultura organizacional) como sua recriação e desenvolvimento. reflete-se sobre ela e traçam-se as coordenadas para a construção de uma nova realidade. Com isso. De certo modo. projetando a cultura organizacional que se deseja visando a intervenção e transformação da realidade. é um conjunto de princípios e práticas que reflete e recria essa cultura. em que o plano era mais um modelo do que um guia para a ação.ensino e os propósitos e expectativas da comunidade escolar. Expressa a cultura da escola porque está assentado nas crenças. modos de pensar e agir das pessoas que o elaboram. orienta a prática de produzir uma realidade: conhece-se a realidade presente. o planejamento curricular se restringia à semana de planejamento realizada no início do ano. bastando planejar bem para se ter resultados bons. significados. estratégias e formas de avaliação dentro de uma seqüência de passos extremamente rígida. Tinha-se uma idéia de que a prática docente seria algo muito preciso e muito seguro. Considera o que já está instituído (legislação. A concepção de projeto pedagógico-curricular é diferente daquela prática de planejamento curricular que se consolidou nas escolas brasileiras sob influência do tecnicismo educacional a partir dos anos 70. propondose as formas mais adequadas de atender necessidades sociais e individuais dos alunos. valores. métodos. conteúdos. . depois não se mexia mais a não ser no ano seguinte. O projeto pedagógico-curricular deve ser compreendido como instrumento e processo de organização da escola. currículos. portanto. O projeto.

instrumentos. o que leva a concluir que as situações de ensino não se repetem. ele sintetiza os interesses. respondendo estas perguntas: Que tipo de escola.126 formas organizativas da escola etc. Nesse sentido. se as metas precisam ser alteradas em função de fatos inesperados. . Todo projeto é. institui uma cultura organizacional. estabelece. Isso é assim porque as escolas são instituições marcadas pela interação entre pessoas. as propostas dos educadores que trabalham na escola. queremos? Que objetivos e metas correspondem às necessidades e espectativas desta comunidade escolar? Que necessidades precisamos atender em termos de formação dos alunos e alunas para a autonomia. no mundo). os desejos. pela interligação com o que acontece no mundo exterior (na comunidade. modos de agir. cria objetivos. ou seja. A característica de instituinte significa que o projeto institui. inconcluso. profissionais desta escola. pela sua intencionalidade. participação? Como faremos para colocar o projeto em permanente avaliação. de forma a corrigir desvios. valores. o projeto é avaliado ao longo do ano letivo para verificar se as ações estão correspondendo ao que foi previsto. tomar novas decisões e replanejar o rumo do trabalho. portanto. dentro da prática da ação-reflexão-ação? Considerando o caráter processual do planejamento. hábitos. no país. mas tem também uma característica de instituinte. procedimentos.). Por isso é que se diz que as organizações são sempre construídas e reconstruídas socialmente. nós. estruturas. cidadania. as escolas não são iguais.

O projeto é um guia para a ação. formula metas. de modo que este é um instrumento da gestão. um rumo. onde quer que elas sejam realizadas . Atente-se que o projeto pedagógico-curricular não pode ser confundido com a organização escolar nem substitui a gestão. institui procedimentos e instrumentos de ação. A gestão põe em prática o processo organizacional para atender ao projeto. é a melhor demonstração de autonomia da equipe escolar e uma oportunidade de desenvolvimento profissional dos professores. dá mostras de maturidade de sua equipe. às práticas educativas. ao "por que se faz". Dessa reflexão resulta a formulação de objetivos e meios formativos para dar uma direção ao processo educativo. orientando o trabalho educativo para as finalidades sociais e políticas almejadas pelo grupo de educadores. num trabalho cooperativo. de capacidade de liderança da direção e de envolvimento da comunidade escolar. Por que a expressão projeto pedagógico-curricular? O termo pedagógico é representativo de uma concepção de educação que considera a Pedagogia como a reflexão sistemática sobre as práticas educativas. portanto. prevê. Uma visão crítica da Pedagogia assume que ter uma atitude pedagógica é dar uma direção de sentido. de bom nível de desenvolvimento 127 profissional dos seus professores. A elaboração e execução do projeto pedagógicocurricular. dá uma direção política e pedagógica para o trabalho escolar. nestes termos. São duas coisas diferentes.A escola que conseguir elaborar e executar. mas. seu projeto pedagógico-curricular. não se refere apenas ao "como se faz". A ação pedagógica. principalmente.

Também daí decorrem as várias projeções das opções político-pedagógicas em planos ou projetos nacionais. forma de trabalho cultural. regionais. contexto esse sempre em transformação. do projeto pedagógico. expressam intenções e ações logo materializadas nos currículos. É esse caráter de mediação cultural da pedagogia que faz viabilizar várias modalidades e formas institucionais de educação. Essa atitude tem as seguintes características: compreende a educação como prática social de assimilação ativa da experiência humana historicamente acumulada e culturalmente organizada. Essas são as idéias-chave que esclarecem o caráter "pedagógico" de um projeto. 1998). O termo curricular indica o referencial concreto da proposta pedagógica. que. é a concretização da posição da escola face à cultura . o currículo. 128 formula objetivos e implementa as condições organizativas e metodológicas para a viabilização da atividade educativa. Trata-se. O currículo. que envolve uma prática intencional de produção e internalizafão de significados. por sua vez. portanto. no dizer de Gimeno Sacristán (1998). portanto. entre elas a educação escolar. conforme necessidades e exigências sociais concretas postas à humanização (emancipação humana) num determinado contexto histórico-social. de entender a pedagogia como prática cultural. como mediação da cultura. locais. essa prática de mediação cultural visa ao pleno desenvolvimento das capacidades humanas. uma vez que o currículo é a projeção. o desdobramento.(Libâneo.

princípios orientadores da prática. As decisões a serem tomadas em função do projeto pedagógico-curricular podem considerar. ao pôr em prática o projeto pedagógico. Hoje é bastante aceita a idéia de que currículo é. Mas. os seguintes pontos: a) Princípios (pontos de partida comuns) . A proposta curricular e. Ou como diz Stenhouse (in Pedra. Ou mais precisamente. experiências que devem ser providas aos estudantes. 1997). 1997). Adotar uma ou várias delas dependerá de opção entre as muitas teorias em voga. a projeção dos objetivos. "um modo pelo qual a cultura é representada e reproduzida no cotidiano das instituições escolares" (Pedra. assim. aberta a um exame crítico para que possa ser traduzida na prática. o currículo comunica princípios essenciais de uma proposta educativa. com as experiências educacionais a serem providas aos alunos por meio do currículo.produzida pela sociedade. ao menos. de modo a promover um entrecruzamento dos objetivos e estratégias para o ensino formulados a partir de necessidades e exigências da sociedade e do aluno com base em critérios filosóficos. além da seleção da cultura da sociedade. uma ambientação para vivenciar experiências culturais. culturais. pedagógicos. o currículo também realimenta e modifica o projeto pedagógico. políticos. orientações e diretrizes operacionais previstas no projeto pedagógico. Supõe-se. 129 uma estreita articulação entre o projeto pedagógico e a proposta curricular. seleção e organização da cultura. Há muitas definições do termo currículo: resultados buscados na aprendizagem. portanto.

do papel do professor e dos alunos. cada membro assume sua parte no trabalho. dos problemas. Depois segue-se a tomada de decisões. do papel da escola na sociedade. dos alunos. uma vez tomadas as decisões. É preciso que a direção e os professores entrem em acordo sobre as práticas de gestão. mas implica responsabilidades. Por exemplo. das demandas a atender no mundo de hoje em função das necessidades pessoais. o que se atacará em conjunto com toda a equipe. Aqui entra a importância do diagnóstico. dos conteúdos e métodos. b) Objetivos (pontos de chegada comuns) Os objetivos expressam intenções bem concretas. define-se que as decisões são tomadas coletivamente. É desejável que a escola tenha uma linha . A decisão é coletiva. Entretanto. o que é de responsabilidade de cada professor. acompanhar e avaliar o trabalho de cada um. c) Sistema e práticas de gestão negociadas A participação na gestão democrática implica decisões sobre as formas de organização e gestão. políticas e pedagógicas. escolha de prioridades. sociais. que todos entrem em acordo sobre elas a partir de um consenso mínimo. 130 d) Unidade teórico-metodológica no trabalho pedagógicodidático A unidade teórico-metodológica começa pela definição de objetivos comuns e é assegurada pela coordenação pedagógica e pelo trabalho conjunto e articulado dos professores.É desejável que os professores e especialistas formem um consenso mínimo em torno de opções sociais. profissionais. que é um retrato realista da situação. admitindo o exercício da direção para coordenar.

nível de satisfação dos alunos e das famílias. cumprimento de prazos. A avaliação da organização e gestão escolar pode ser quantitativa (matrículas/evasão. o projeto está . A importância do projeto na organização e gestão da escola Consideremos. e) Sistema explicito e transparente de acompanhamento e avaliação do projeto e das atividades da escola O acompanhamento e a avaliação põem em evidência os êxitos. Os integrantes da escola escolherão o conteúdo do projeto. Em estudos especializados. inicialmente. um requisito para a escola trabalhar com a interdisciplinaridade. Este é. Nenhum membro da equipe escolar deveria estranhar uma cobrança de trabalho feita pelo diretor se esse trabalho foi decidido coletivamente. também. de escola para escola.) e qualitativa (grau de atendimento das necessidades e expectativas. o que supõe o acompanhamento. os resultados. evidências de comportamento dos alunos etc. A avaliação depende de informações concretas e objetivas. O projeto pedagógico-curricular expressa as decisões da escola e o seu conteúdo varia de sistema para sistema.). ainda que ela expresse princípios e orientações mais gerais. rendimento escolar dos alunos. confrontando o que foi decidido e o que está sendo feito. mas também as dificuldades surgidas na implantação e execução dos planos. sua extensão e sua profundidade.pedagógico-didática com a qual todos possam compartilhar. os vários entendimentos sobre a noção de projeto. presença dos pais na escola etc.

elas . Enquanto o plano procura reunir um conjunto de elementos de decisão necessários para concretizar racionalmente a conduta de um grupo humano ou de um conjunto e unidade de produção. Os programas explicitariam uma linha de ações globais e cada programa seria detalhado em projetos. Dessa compreensão de conjunto do processo de planejamento. procedimentos como forma de racionalização da ação. (. o projeto objetiva o estudo do uso mais racional dos recursos econômicos (escassos) para a produção de um bem ou serviço. podem resultar para as escolas várias concepções de planejamento escolar: Se as escolas forem consideradas unidades administrativas dentro do planejamento geral do Ministério da Educação ou da Secretaria da Educação. o programa e o projeto documentos. podem variar também os elementos componentes do projeto. O planejamento é um processo sistematizado.) Quando variam os níveis de decisão.131 incluído na noção mais ampla de planejamento. no Brasil. (. metas. sendo o plano. Planejamento seria o processo de previsão de objetivos. Plano seria o documento mais abrangente que resulta do processo de planejamento. regional.) O programa (é) componente do plano..) O plano difere do projeto essencialmente no que se refere à a amplitude do objeto. ações. um conhecido especialista em teoria do planejamento. faz uma distinção clara entre esses termos. em sucessivos governos.. nacional. uma subdivisão que permite agrupar as decisões por áreas de ação semelhantes sob o mesmo título" (1979). (.. por sua vez subdividido em programas. ou seja... como por exemplo. Esse entendimento vigorou durante anos.. estadual ou da empresa. Carvalho.

a nosso ver. dentro da estrutura hierárquica do sistema.seriam a última instância do processo de planejamento. todavia. qual seja. ora simplesmente um projeto. portanto. ora com diferentes graus de complexidade (ter um plano global. Observe-se que essas situações refletem diferentes percepções das formas de gestão e direção. manter uma excessiva dependência das instâncias do sistema escolar (considere-se que sempre haverá uma certa subordinação às políticas educacionais e curriculares do sistema). os programas e os projetos. todavia. ora com uma dependência maior ou menor da hierarquia do sistema escolar. cada escola configuraria um projeto. A escolha de uma dessas alternativas envolve uma gama de considerações que não podem ser esgotadas apenas em um capítulo. resumidamente. as escolas poderiam configurar-se como um projeto sem. em interação crítica com as orientações dos sistemas de ensino. . as tendências atuais sobre o assunto e a apresentar uma solução que. Limitamo-nos a comentar. é mais compatível com a realidade educacional brasileira. elas poderiam realizar em si mesmas todas 132 as características de um processo de planejamento: teriam o plano. Se as escolas forem consideradas unidades relativamente autônomas. Ainda consideradas como relativamente autônomas. ora fazendo um plano e alguns projetos específicos. Também indicam diferentes modelos operacionais já que as escolas poderiam trabalhar. Um dos temas mais recorrentes dos estudos atuais sobre a escola é a descentralização dos serviços educacionais. a adoção da prática do projeto pedagógico-curricular. programas e projetos específicos).

Resulta. mediante a autonomia pedagógica e financeira. É desse esforço que pode resultar a participação do conjunto dos membros da escola. isto é. 133 Apesar dessa desconfiança ser bastante pertinente há.A descentralização implica a autonomia da escola. também. de fato. . uma tendência forte em favor da autonomia e da prerrogativa das escolas e professores de decidirem acerca dos objetivos e das formas de trabalhar. do empenho nas formas de gestão da escola um vínculo mais estreito com a comunidade. as escolas e os professores estariam assumindo seu poder de decisão. acentua o espírito de equipe. envolvendo os professores e demais educadores na responsabilidade em assumir um papel na organização do trabalho escolar não apenas na sala de aula mas na escola como um todo. Essa tese já foi muito bem aceita pelos educadores progressistas. dentro de uma estratégia de diminuir o papel do Estado na sociedade. em lugar onde todos podem aprender permanentemente. A autonomia propicia aos professores mais liberdade para travar relações com a comunidade local e fazer outras parcerias. a organização escolar transforma-se em espaço educativo. Sem dúvida. mas hoje há forte desconfiança de que a descentralização e a autonomia das escolas seria uma forma de o Estado livrar-se de suas responsabilidades públicas. difundindo-se a idéia de que as responsabilidades do governo e da sociedade civil se equivalem. a co-responsabilização pelas ações de ensino e aprendizagem e um bom projeto pedagógico. a autonomia fortalece as escolas. Tomando-se a gestão e a autonomia nesse sentido.

organizar suas ações. É o ordenador. a coordenação pedagógica. uma utopia. já que ele é.Aceita essa justificativa. é o meio pelo qual os agentes diretos da escola tornam-se sujeitos históricos. numa perspectiva progressista. isto é. Melhor dizendo. pela sua 134 natureza. que o projeto representa a oportunidade de a direção. O projeto surge como forma de superação de um paradigma técnico (ou tecnicista) em que tudo o que a escola e os professores precisam fazer já vem estabelecido de cima. precisamente. o que desejamos. o que faremos em função do que desejamos. é mutável. definir seu papel estratégico na educação das crianças e jovens. o norteador da vida escolar. da sociedade). os professores e a comunidade. organizando as formas de intervenção e atuação numa realidade que. O projeto sintetiza: o que temos. da comunidade. Pode-se dizer. tomarem sua escola nas mãos. então. visando a atingir os objetivos que se propõem. a idéia de projeto pedagógico ganha força. Isso significa que o projeto é ao mesmo tempo um desejo. O projeto. na produção social do futuro (da escola. . Para isso. o projeto incorpora a utopia mas sua característica é organizar a ação. e uma concretização. sujeitos capazes de intervir conscientemente e coletivamente nos objetivos e nas práticas de sua escola. por isso precisa ser sempre operacional. a forma de concretizar as intenções e as expectativas da equipe escolar. é preciso prever e antecipar ações.

funcionários) aprendem através da organização. Todos podemos aprender afazer do exercício do trabalho um objeto de reflexão e pesquisa. Por sua vez. Sem descartar outras possibilidades. ações e meios.como saber se o que estamos fazendo corresponde ao que desejamos. projeto pedagógico-curricular. professores. projeto político-pedagógico. Outros entendem que projeto pedagógico é a mesma coisa que projeto curricular. integrando e articulando o ideário. optamos pela denominação projeto pedagógico-curricular. O projeto pedagógico assim entendido. este incluindo-se naquele. as organizações também aprendem. objetivos. mudando junto com seus profissionais. Os indivíduos e os grupos mudam mudando o próprio contexto em que trabalham. do ambiente de trabalho. projeto pedagógico. outros colocam o projeto curricular antes do pedagógico e há os que preferem chamar tudo de plano da escola. projeto curricular. o que importa é o processo de ação-reflexão-ação que se instaura na escola envolvendo todos os seus integrantes. O ideário é a concepção de 135 . A rigor. é um ingrediente do potencial formativo das situações de trabalho. Como se denomina esse projeto? Projeto educativo. há quem considere o projeto educativo mais amplo que o projeto pedagógico. Os profissionais (direção. Trata-se de um documento só. Todavia. no qual está implícito um plano. coordenação pedagógica. plano de escola? Não há uma denominação que tenha unanimidade entre os educadores.

Todavia.educação que determina "o sentido e a natureza das decisões e das ações a desenvolver junto dos alunos" (Carvalho e Diogo. Há neste livro uma variedade de possibilidades de sistematização. adaptações ou elaborações curriculares" de modo que possam dialogar com as propostas e experiências já existentes. O processo de elaboração do projeto pedagógico-curricular Conforme vimos mencionando. conteúdos. estipula quatro níveis de concretização do planejamento escolar. O segundo nível é a utilização dos PCN para as propostas das secretarias de educação nos estados e municípios "como recursos para revisões. podem ser indicados alguns princípios e algumas formas de sua operacionalização. do Ministério da Educação. de modo que "fazer planejamento" é ir percorrendo as várias fases de elaboração do projeto. sua singularidade. em que os professores e equipe escolar discutem e definem objetivos. que e o conteúdo dos próprios Parâmetros Curriculares. 1994). O terceiro nível refere-se ao uso dos PCN na elaboração do projeto educativo da escola. com vários roteiros e indicações de tópicos (consultar o Capítulo XIII e os Anexos). o projeto concretiza o processo de planejamento. cada situação. O documento Parâmetros Curriculares Nacionais (1998). as ações e meios de realização do trabalho. seu modo de planejar. Não há uma única maneira de elaborar o projeto pedagógico-curricular. abordagens metodológicas e . têm sua diversidade. ao qual se seguem os objetivos. cada escola. O primeiro nível corresponde à proposição de subsídios para a discussão e elaboração de propostas curriculares nos diferentes estados e municípios.

que "indicam capacidades relativas aos aspectos cognitivo. "que expressam capacidades que os alunos devem desenvolver ao longo da escolaridade obrigatória. afetivo. Orientações didáticas. são distribuídas as . A partir desses tópicos gerais. Na escola realizam-se o terceiro e o quarto nível de concretização curricular. estético. ético. O processo de elaboração do projeto pode iniciar-se com um plano geral. O quarto nível é a realização do currículo na sala de aula. em blocos de duas séries. o projeto pedagógico-curricular e os planos de ensino das disciplinas. Critérios de avaliação das aprendizagens fundamentais. por ciclo.critérios de avaliação para cada ciclo. de forma a expressar a formação básica necessária para o exercício da cidadania e nortear a seleção de conteúdos". Objetivos gerais de áreas. que compõem o ensino fundamental. em que o professor compatibiliza seu plano de ensino conforme as metas estabelecidas na fase anterior e às características de seu grupo específico de alunos. Este esboço prévio tem a finalidade de deslanchar o processo e mobilizar as pessoas para a discussão pública e elaboração do projeto. os PCN propõem: Objetivos gerais do ensino fundamental. 136 Para isso. formulado por uma comissão de pedagogos e professores. organizados em quatro ciclos de escolarização. explicitando a contribuição especifica dos diferentes âmbitos do conhecimento". de atuação e inserção social. físico. considerando-se sucessivamente. Objetivos e conteúdos. esquemático.

gestão. geográficos 1. Concepção de educação e de práticas escolares 2. Concepção de escola e de perfil de formação dos alunos 2.1. Princípios norteadores da ação pedagógico-didática . Condições físicas e materiais 1. Contextualização e caracterização da escola 1. a correspondência entre os resultados e os objetivos previstos. administração. visão que os alunos têm da escola. Recomenda-se que a discussão vá caminhando 137 para um consenso em torno de pontos que possam ser compartilhados por todos.2. também elaborado por uma comissão. a ser estudado previamente por toda a equipe de trabalho e depois discutido e aprovado. pais. 2. Uma comissão de acompanhamento e avaliação do projeto reunirse-á periodicamente para verificar o cumprimento das metas. como vem funcionando.responsabilidades das sub-comissões para coleta de dados.1. participação dos professores.3. análise. A fase seguinte pode ser a elaboração de um documento gerador. Breve história da escola (como surgiu.2.4. elaborase e aprova-se o documento final. mais detalhado. escola e comunidade). Finalmente. identificação de problemas e prioridades. econômicos. Caracterização dos elementos humanos 1. identificar necessidades e problemas e sugerir soluções. culturais. Os seguintes tópicos compõem a sugestão de um roteiro para formulação do projeto pedagógico-curricular: 1. estabelecimento de metas e atividades etc. sem necessidade de votação. Aspectos sociais.

Organização curricular (da escola. Estrutura de organização e gestão 5. Proposta curricular 6. descrever os aspectos humanos. Estas informações são sumamente relevantes para o projeto.3. comunidade e outras escolas de uma mesma área geográfica 9.2. culturais. a origem social e cultural dos alunos etc. Aspectos administrativos 5.1. conteúdos. Proposta de formação continuada de professores 8.2.1. psicológicos. escolha de soluções 4. Fundamentos sociológicos. . Definição de prioridades 3. desenvolvimento metodológico.3 Estratégias de ação. Objetivos gerais 5. Aspectos financeiros 138 6. as necessidades da comunidade. Proposta de trabalho com pais. Formas de avaliação do projeto Apresenta-se. Diagnóstico da situação atual 3. pedagógicos 6.3. Levantamento e identificação de problemas e necessidades a atender 3. físicos e materiais. a fim de avaliar as condições existentes. epistemológicos. a descrição do conteúdo de cada tópico: Contextualização e caracterização da escola Este tópico visa caracterizar o contexto econômico e sociocultural em que a escola está inserida. plano de ensino da disciplina): Objetivos. avaliação da aprendizagem 7. Aspectos organizacionais 5.1.2. das séries ou ciclos. a seguir.

se a escola nunca fez um diagnóstico completo. 139 Diagnóstico e análise dos problemas e necessidades Essa fase corresponde à caracterização sócio-econômica e cultural do contexto da ação escolar. Os problemas podem ser agrupados em pedagógicos. relacionamento com pais e comunidade etc. cabe uma caracterização sócio-económica. do clima da escola. do pessoal técnico e docente. é bom que o faça uma primeira vez e o refaça de tempos em tempos. com base nas exigências e necessidades sociais e nas suas próprias crenças. articulando o problema e suas causas internas e externas. As questões e problemas podem ser levantadas em reunião ou podem ser listadas por uma comissão de professores e pedagogos e discutidas. valores. das condições físicas e materiais. tipo de gestão. cultural. O diagnóstico terá a extensão que se julgar mais conveniente. realizado a partir do levantamento de dados. jurídica. Há uma grande variedade de problemas administrativos e pedagógicos que as escolas podem apresentar: falta de .Concepção de educação e de práticas escolares A finalidade deste tópico é apresentar uma síntese do "pensamento" da equipe de professores e pedagogos sobre educação e currículo. financeiros. significados. administrativos. Nesse caso. visa analisar e explicar a situação. O projeto pedagógico-curricular reflete expectativas da sociedade e dos próprios educadores sobre o significado de "aluno educado" e para que tipo de sociedade se educa. O diagnóstico. Todavia.

entrevistas. distribuição da merenda de forma inadequada com prejuízo para o andamento das aulas. excesso de agressões verbais ou violência física no recreio. falta de atenção do pessoal de secretaria em relação às mães. . a cada momento do desenvolvimento das atividades escolares. capacidade da equipe de profissionais. É óbvio que seleção depende de condições reais como espaço físico. tempo etc. procede-se à seleção dos objetivos ou metas. Há vários meios de se fazer o diagnóstico e o levantamento de problemas: observações. o diagnóstico vai sendo refeito. aplicação de questionários. 140 Objetivos gerais Nesta fase são propostas as metas mais amplas que se deseja alcançar. de vários caminhos. Após o levantamento de muitas idéias. coleta de opiniões em situação grupal. entrada e saída dos alunos de forma desordenada. responsabilidades.comunicação entre direção e professores. falta de definição de responsabilidades na equipe. custo. Estrutura Organizacional Refere-se à descrição da estrutura de funcionamento e dos meios de organização e gestão. Considere-se que. deixando os objetivos específicos para o tópico referente à proposta curricular. falta de entrosamento entre os planos de ensino das matérias. inexistência de critérios de reprovação de alunos por parte da escola. dificuldade generalizada de leitura e interpretação de textos pelos alunos etc.

Dentro do marco teórico adotado neste livro. Pela importância deste item no projeto pedagógico-curricular. ou seja. Avaliação do projeto A avaliação será processual-somativa. através do currículo. "A avaliação deverá fornecer os dados necessários para intervir no sentido de corrigir a coerência (relação entre o projeto e o problema). a eficiência (gestão e administração dos recursos e meios) e eficácia (relação entre a ação e os resultados)" (Carvalho e Diogo. a proposta curricular define-se como projeção do projeto pedagógico. especificamente.formas de dinamizar o processo de gestão.a organização e o desenvolvimento do currículo O currículo constitui o elemento nuclear do projeto pedagógico. incluindo a coleta de dados. o currículo é um desdobramento necessário do projeto pedagógico. materializando intenções e orientações previstas no . é ele que viabiliza o processo de ensino e aprendizagem. à definição da atuação da escola no processo de ensino e aprendizagem. A proposta curricular Este tópico do projeto destina-se. 1994). será detalhado à parte em tópico específico. a redefinição permanente de objetivos e meios. 141 A proposta curricular . A proposta curricular inclui a organização curricular propriamente dita e a organização pedagógico-didática. a análise dos resultados. tal como descreveremos nos capítulos seguintes.

os estudos sobre currículo tiveram um desenvolvimento considerável. o como ensinar e as formas de avaliação. apresentamos nossa "carreira da vida". a proposta curricular é a orientação prática da ação de acordo com um plano mais amplo. Significados mais ampliados do termo surgem no início do século XX. Enquanto projeção do projeto pedagógico. um diploma. Nesse sentido. originando-se daí novas tendências teóricas que. apresentamos algumas idéias sobre o conceito de currículo. significa "ato de correr. nosso "percurso de vida". o currículo define o que ensinar. No linguajar comum ainda predomina a idéia de currículo como o conjunto das disciplinas que o aluno deve percorrer. Etimologicamente. o plano de estudos ou a grade curricular. Antes das sugestões sobre o que deve conter a proposta de organização curricular. ou seja. superando as anteriores concepções positivistas.projeto em objetivos e conteúdos. a fim de obter uma titulação. Algumas dessas teorias trouxeram contribuições decisivas 142 . é um nível do planejamento entre o projeto pedagógico e a ação prática. Desde o início dos anos 70. especialmente na Inglaterra e nos Estados Unidos. em estreita colaboração com a didática. percurso" (do verbo latino currere = correr). Quando elaboramos um curriculum vitae. o para quê ensinar. introduziram referências de cunho crítico para a investigação do currículo. O termo currículo possui vários sentidos. identificando quase sempre o conjunto de saberes e/ou experiências que alunos precisam adquirir e/ou vivenciar em função de sua formação.

reflete a distribuição do poder em seu interior e a maneira pela qual se encontra aí assegurado o controle social dos comportamentos individuais (In Forquin. todavia. 1999) O currículo é a ligação entre a cultura e a sociedade exterior à escola e à educação.. não nos impede de compreendê-los como seleção de saberes e experiências.) um modo pelo qual a cultura é representada e reproduzida no cotidiano das instituições escolares. político. também..). classifica. propomos ficar com duas definições bem pontuais que são. se é verdade que o currículo quase sempre expressa interesses dos grupos sociais com mais poder econômico. complementares: O currículo é a representação da cultura no cotidiano escolar (. Ou seja. distribuem e avaliam conhecimentos no espaço das instituições escolares.. de fato. que pode concretizar objetivos e práticas que representam interesses sociais e políticos dos segmentos majoritários mais excluídos e mais explorados da sociedade. classificam. distribui. também. Essa afirmação expressa. (Pedra. Consideradas essas questões. seleção essa feita a partir do que a sociedade julga necessário ser incorporado pelos alunos. o modo pelo qual se selecionam. social. intenções e práticas sociais que estão por detrás dos currículos. Isso. com o que as escolas acabam por conformar-se. 1992). acompanhados de sua comunicação na escola. por tentarem esclarecer a seguinte tese de Basil Bernstein: A maneira pela qual uma sociedade seleciona. entre o conhecimento e cultura herdados e a aprendizagem dos alunos. (.. transmite e avalia os saberes educacionais destinados ao ensino. entre a . é verdade.para a compreensão do papel ideológico e político do currículo.

teoria (idéias. em função de que aprender? Há aí uma espécie de diálogo com a sociedade e entre a própria equipe de professores. Ou seja. o papel social da escola se realiza por meio do currículo. conhecimentos. aqui.1999). entendidas como idéias. dadas determinadas condições (Gimeno Sacristán. que devem ser reproduzidos e produzidos para se assegurar o funcionamento de um tipo de sociedade. Representações. procedimentos. A primeira definição destaca a idéia de que o currículo se sustenta em representações sociais presentes na cultura na qual se 143 dá a teoria e a prática do currículo. eles realizam uma escolha para responder a estas indagações: o que nossos alunos precisam aprender. e o currículo é a seleção e organização dessa cultura. Para Gimeno. de avaliação etc. tendo em vista a . Existe ensino porque existe uma cultura. o currículo reflete intenções (objetivos) e ações (conhecimentos. valores. o currículo representa a seleção e organização da cultura. formas de gestão. tornadas realidade pelo trabalho dos professores e sob determinadas condições providas pela organização escolar. A segunda mostra que o currículo é a concretização do posicionamento da escola face à cultura produzida pela sociedade. suposições e aspirações) e a prática possível. Quando os professores e a equipe escolar planejam o currículo. modos de agir. para que aprender. sobre o que é relevante que os alunos aprendam em função de suas necessidades pessoais e das necessidades e exigências de interesses em jogo na sociedade. Em síntese.).

acontece na sala de aula em decorrência de um projeto pedagógico e dos planos de ensino. É o currículo que . Níveis de currículo: currículo formal. mesmo que nesse caminho do planejar e do executar aconteçam mudanças. currículo oculto Os estudos sobre currículo realizados a partir das décadas 1960-70 destacam a existência nas escolas de vários níveis de currículo: formal. é a efetivação do que foi planejado. real. Currículo Real . crenças. currículo real.melhor qualidade do processo de ensino e aprendizagem (Carvalho e Diogo. por exemplo. Explicitamos. os Parâmetros Curriculares Nacionais divulgados pelo Ministério da Educação.refere-se ao currículo estabelecido pelos sistemas de ensino ou instituição educacional. objetivos e conteúdos das áreas ou disciplinas de estudo. 1994).é o currículo que. significados. 144 Currículo formal . É o currículo legal expresso em diretrizes curriculares. É a execução de um plano. depende de muitos fatores e não apenas das disciplinas previstas na grade curricular. como. O currículo formal ou oficial é aquele conjunto de diretrizes normativas prescritas institucionalmente. as características desses vários níveis. as propostas curriculares dos Estado e Municípios. oculto. a seguir. de fato. decorrentes do seus valores. intervenção da própria experiência dos professores. A distinção entre esses vários níveis de currículo serve para mostrar que o que os alunos aprendem na escola ou o que deixam de aprender.

Primeiramente.Essa denominação refere-se àquelas influências que afetam a aprendizagem dos alunos e o trabalho dos professores provenientes da experiência cultural. cruzando-se entre si. o que é realmente aprendido. comportamentos existentes na cultura. passa pelas crenças. que vigoram no meio social e escolar. O currículo oculto representa tudo o que os alunos aprendem pela convivência espontânea em meio às várias práticas. . é retrabalhado pelos professores. gestos. da percepção e do uso que os professores fazem do currículo formal. Alguns autores chamam de currículo experienciado essas percepções dos alunos que resultam de sua reação ao que está sendo ensinado ou vivenciado. dos valores e significados trazidos pelas pessoas de seu meio social e vivenciados na própria escola. ou seja. assim como o que fica na percepção dos alunos. compreendido e retido pelos alunos não corresponde ao que os professores ensinam ou crêem estar ensinando. atitudes. até chegar aos alunos. embora se constitua como importante fator de aprendizagem. ele segue uma seqüência que começa quase sempre na esfera política e administrativa do sistema escolar. O currículo está "oculto" porque 145 ele não é prescrito. valores. comportamentos. percepções. significados. das práticas e experiências compartilhadas na escola e na sala de aula.sai da prática dos professores. é razoável supor que o currículo tem sempre uma dimensão externa. Freqüentemente. não aparece no planejamento. ou seja. Esses vários sentidos aparecem de alguma forma na prática escolar. Currículo oculto .

Isso significa que ele está impregnado de influências sociais. suas atitudes nas brincadeiras e jogos. valores. Em segundo lugar. que precisam ser detectadas pelos professores. de fato. de forma que ele tanto pode expressar a autonomia da escola. ênfases e..). os objetivos dos integrantes da escola. à primeira vista. a higiene e limpeza nas dependências da escola etc.como importante elemento curricular. É por esta razão que temos insistido na consideração da cultura da escola . até. em relação às ciências que dão origem às matérias escolares. O currículo real obriga a escola a considerar a cultura proposta pelo currículo formal e as situações de fato vividas na escola e nas salas de aula. as atitudes que tomam em relação às diferenças individuais dos alunos. hábitos .cultura organizacional . o modo como os alunos se relacionam entre si. distorções de conteúdo. econômicas. atitudes. políticas. pais. de forma intencional e programada mas. professores. procedimentos. o currículo é submetido a transformações pelos professores e alunos (currículo real).. o currículo representa. inclusive para que compreendam que essas influências limitam o poder de intervenção da escola. 146 O que significa que o currículo escolar conhecimentos. pois é no âmbito dessa cultura que observamos a linguagem dos professores. o conjunto das aprendizagens que os alunos precisam internalizar. o desejo dos professores e da equipe escolar. Em terceiro lugar. quanto diferentes interpretações. há aprendizagens consumadas fora do previsto formalmente (currículo oculto) desejadas ou não pelos agentes escolares (direção.

a construção e elaboração da proposta curricular implica compreender que o currículo é mais do que os conteúdos escolares inscritos nas disciplinas. O currículo é o conjunto dos vários tipos de aprendizagens. Em resumo. nos jogos e no recreio e outras atividades concretas que acontecem na escola que denominamos ora de currículo real ora de currículo oculto. comportamentos. 1. Concepções de organização curricular Apresentamos. a cultura dos alunos. Currículo tradicional O currículo tradicional é o mais utilizado e suas características mais visíveis são conhecidas: organização do conhecimento por disciplinas compartimentalizadas. razão pela qual a avaliação somativa tem . caráter livresco e verbalista. mas também aqueles valores. . Importam mais freqüentemente os produtos da aprendizagem. alunos. não os processos. centrado no professor e na matéria. aquelas exigidas pelo processo de escolarização. atitudes que se adquirem nas vivências cotidianas na comunidade. é o de armazenador de informações. algumas concepções mais conhecidas de organização curricular que expressam formas de concretização das intenções pedagógicas. que acaba por incorporar outros aspectos como a cultura das mídias. ensino meramente transmissivo.etc. na interação entre professores. funcionários. escola como responsável pelo ajustamento social dos alunos sem preocupação com uma visão critica da sociedade. sinteticamente. a cultura social. na maior parte das correntes pedagógicas tradicionais. O papel do aluno.expressa certo recorte da cultura de um povo.

os computadores. isto é. Definido por especialistas. o aluno um receptor de conhecimentos. o currículo racional tecnológico se firma na racionalidade técnica e instrumental. padrões de desempenho.grande peso. Diferentemente do cunho acadêmico do currículo tradicional. Ignoram-se as diferenças individuais. Os alunos são tidos quase sempre 147 como imaturos. as mídias. A escola não discute sobre "o que ensinar". Metodologicamente. habilidades considerados úteis e desejados pela sociedade. ela cuida apenas do "como". incapazes de refazerem seu próprio percurso de aprendizagem. o currículo racionaltecnológico não precisa ser discutido e elaborado pelos agentes diretos envolvidos com o ensino e aprendizagem. visando a desenvolver habilidades e destrezas para formar o técnico. busca de . organizados numa "grade curricular". caracteriza-se pela introdução de técnicas mais refinadas de transmissão. Currículo racional-tecnológico (tecnicista) É o currículo proposto para a transmissão de conteúdos e desenvolvimento de habilidades a serviço do sistema de produção. O professor é o detentor da autoridade intelectual e moral (mesmo que não as tenha). a partir de critérios científicos e técnicos. os professores. Parte-se de um currículo previamente prescrito por especialistas que. incluindo hoje. 2. O currículo é reduzido a um conjunto de disciplinas e de conteúdos a serem "passados" aos alunos. formulam objetivos e conteúdos.

valores etc. apenas restrita ao saber-fazer. Identificado com as idéias de John Dewey. identificando ensino com métodos e tecnologia educativa. 148 3. liberado de qualquer consideração em torno de finalidades. de contínua adequação ao meio. Daí a ênfase nas necessidades e interesses dos alunos. Atualmente. valoriza-se bastante a atividade de . no ritmo de cada um. sem acentuar os saberes. Por isso.maior eficiência em função dos produtos da aprendizagem. não como verdades estabelecidas. A crítica que se faz a esse tipo de currículo é a sua definição muito estreita de competência. Esta corrente tem sido denominada. os conteúdos são subordinados às necessidades e interesses dos alunos no seu processo de adaptação ao meio. com o menor custo. O professor é o facilitador da aprendizagem. o conteúdo vem das experiências dos alunos. na atividade. em que a organização curricular resulta de objetivos assentados em habilidades e destrezas a serem dominados pelos alunos no percurso de formação. também. colocando os conteúdos escolares como instrumentos para o desenvolvimento de processos mentais. de tecnicismo educacional. Currículo escolanovista (ou progressivista) O enfoque escolanovista coincide quase sempre com a idéia de currículo centrado no aluno e no provimento de experiências de aprendizagem como forma de ligar a escola com a vida e adaptar os alunos ao meio. uma derivação dessa concepção é o currículo por competências. as atitudes e os processos cognitivos. esse modelo de currículo compreende a educação como um processo interno de desenvolvimento.

O professor tem o papel justamente de organizador e facilitador da aprendizagem visando a assegurar a interação do aluno com os objetos de conhecimento. Seu objetivo é buscar novos modelos e referências para avançar na investigação sobre os processos psicológicos e a cognição. a lingüística. de modo a possibilitar a construção pessoal dos conhecimentos. a neurociências. derivando-se daí conseqüências para a organização curricular. Nas concepções fundamentadas em Piaget. a inteligência artificial). Umas das idéias-chave do construtivismo é a crença no papel ativo do sujeito no processo de aprendizagem e. A partir da . portanto. o currículo construtivista está diretamente associado à influência de Jean Piaget e seguidores. o construtivismo tem influenciado as chamadas ciências da cognição (entre elas a neurofisiologia. valorizando mais a construção do conhecimento pelo próprio aluno do que a influência da cultura e do professor.pesquisa do aluno e o clima psicológico e social da escola e da sala de aula. que alguns autores chamam de neo-cognitivismo. no desenvolvimento dos processos de aprendizagem ativa. O currículo deve prever atividades que correspondam ao nível de desenvolvimento intelectual dos alunos e organizar situações que estimulem suas capacidades cognitivas e sociais. recai um peso maior na aprendizagem subordinada ao processo de desenvolvimento 149 cognitivo. Atualmente. 4. Currículo construtivista No Brasil.

psicolinguística. a conhecem como sócio-interacionismo. no sentido de uma relação do sujeito com o outro. isto é. etc. cujas bases teóricas se apóiam no psicólogo russo Vigotsky. capacidade de comparar. percepção. memória. as funções mentais superiores (linguagem. Mais especificamente. ao papel do ensino na aprendizagem. da teoria da comunicação e da cibernética (ciência dos computadores). Nessa orientação. dos colegas. da cultura. com seus parceiros. Isso significa admitir um papel essencial do ensino na promoção do desenvolvimento cognitivo e social dos alunos. diferenciar. desenvolve-se entre nós um interacionismo de orientação histórico-social. atribuindo-se peso significativo à cultura e às relações sociais. atenção voluntária. abstração. a aprendizagem resulta da interação sujeito-objeto. b) Ciência cognitiva. o que remete. justamente porque destaca o papel do meio. que leva ao extremo as analogias entre mente e computador. Nesse sentido. A atividade do sujeito supõe a ação entre sujeitos.) são ações internalizadas de algo socialmente constituído. surgem duas versões: a) Psicologia cognitiva que estuda diretamente o comportamento inteligente de sujeitos humanos. A maior parte dos educadores que trabalham com esta posição. Por isso. essa posição é . considerando este como algo mais do que uma simples ferramenta conceitual. do professor. mas a ação do sujeito sobre o meio é socialmente mediada. em ultima instância. postula a origem social das funções mentais superiores. bem como do outro. Uma das principais diferenças entre os vários construtivismos diz respeito ao papel da cultura. dos conhecimentos anteriores e do professor.

destaca-se a importância da responsabilidade social e da busca do interesse coletivo. inclusive para submeter os conteúdos a uma análise ideológica e política. . 5.150 também denominada concepção sócio-cultural ou sóciohistórica. diretamente associada ao currículo sóciocrítico. considera especialmente os efeitos do currículo oculto e do contexto da ação educativa nos processos de ensino e aprendizagem. Currículo sócio-crítico (ou histórico-social) A abordagem sócio-crítica possui várias correntes. outras colocam a relação pedagógica como mediação da formação política. às vezes divergentes entre si. a destruição do meio ambiente. enfim. a educação cobre a função de transmissão cultural mas também é responsável pela ajuda ao aluno no desenvolvimento de suas próprias capacidades de aprender e na sua inserção crítica e participativa na sociedade em função da formação da cidadania. Metodologicamente. as desigualdades sociais e econômicas. adere à idéia da aprendizagem como construção do sujeito. As abordagens críticas convergem na concepção de ensino como compreensão da realidade para transformá-la. visando a construção de novas relações sociais. Neste segundo caso. junto com os requisitos de se ajudar o aluno a adquirir autonomia de pensamento. Em razão disso. da compreensão do conhecimento como ligado à prática e à solução de problemas. de modo a eliminar as mazelas sociais existentes como a pobreza. algumas dão mais ênfase às questões políticas do processo de formação. a violência. o desemprego.

a teoria e os conteúdos culturais sistematizados. Currículo integrado ou globalizado O movimento por um modelo de currículo integrado tem chegado até nós por meio de autores espanhóis (Torres Santomé. dificilmente os alunos estarão aptos a analisar a realidade e formular estratégias de atuação. São duas as idéias norteadoras desse modelo curricular: a) buscar a integração de conhecimentos e experiências que facilitem uma compreensão mais reflexiva e crítica da realidade. centrado na valorização de elementos casuais. se elaboram e se .Algumas correntes da abordagem crítica defendem um tipo de currículo mais informal. Hernandez. Sem os conceitos. minimizando ou até recusando um currículo formal. O termo globalização está associado a características da estrutura cognitiva e afetiva dos alunos que acentuam uma maneira própria de atribuir significados e construir e integrar conhecimentos. superando a separação e falta de comunicação entre as disciplinas escolares. entre outros). 151 6. fortuitos. Entendemos que essa concepção de currículo é insuficiente para atingir os objetivos emancipatórios que a escola busca. O termo interdisciplinaridade acentua a inter-relação entre conhecimentos. da convivência social na escola. a compreensão de como se produzem. b) ressaltar. ao lado dos conteúdos culturais. destacando a globalização das aprendizagens e a interdisciplinaridade. o domínio dos processos necessários ao acesso aos conhecimentos e. simultaneamente.

pelos alunos. epistemológicos ou sociológicos. tomada de decisões. no currículo oculto. superando os reducionismos psicológicos.transformam esses conhecimentos. comunicação. 1989). Para se chegar a esses objetivos. inclusive naquilo que não foi previsto pelos professores. o valor da atividade do próprio sujeito na aprendizagem. síntese. A ênfase aos processos não significa minimizar a importância dos conceitos. a importância dos processos mentais na 152 aprendizagem (observação. comparação etc. no currículo em ação. se preste atenção a tudo o que acontece na escola e nas aulas. Com essa orientação. das teorias. o currículo globalizado articula várias práticas educativas que possam contribuir para os processos de ensino e aprendizagem. ou seja. dos conteúdos culturais. neste modelo. análise. Tipos de currículo Os tipos ou modelos de currículo decorrem das concepções e posicionamentos teóricos sobre conhecimento . também. a interdisciplinaridade. mediante o método de projetos. vídeos. pretende-se que. a ligação dos conteúdos culturais com a realidade. nas várias experiências de aprendizagem tipo biblioteca. a vivência cultural dos alunos. das experiências e conhecimentos próprios de sua comunidade. o aprender a aprender (Torres Santomé. laboratórios.). pelo qual a escola torna-se um espaço de reconstrução. adota-se o currículo experiencial. classificação. a seleção de experiências de aprendizagem verdadeiramente interessantes. Na prática curricular. visitas. Incorpora-se.

um conjunto de disciplinas a serem estudadas pelos alunos ao longo das séries escolares. a relação do currículo com a prática. das estratégias de aprendizagem. O currículo numa perspectiva cognitiva acentua o desenvolvimento das capacidades cognitivas. as disciplinas aparecem apenas como valor instrumental para a aprendizagem das habilidades cognitivas. Dessa forma. o que se busca com o currículo. Geralmente os objetivos e conteúdos são prescritos. o integrado. inscritos numa grade curricular. quais materiais de ensino e instrumentos de avaliação são mais eficazes. como também. Nos currículos fechados tem-se o currículo por disciplinas isoladas. isto é. o papel da educação e do ensino na sociedade e para os indivíduos. importa distinguir para decidir entre currículos fechados e currículos abertos. tanto no sentido de a prática ser a referência para a elaboração e desenvolvimento curricular como no sentido de entender a prática curricular como um processo de investigação. O conhecimento destas concepções contribui para a elaboração da proposta curricular. atribuem importância à prática. no exercício prático de tomada de decisões. O currículo tecnicista gera um formato de currículo baseado na tecnologia de elaboração e de aplicação de programas curriculares: como selecionar e organizar objetivos e experiências de aprendizagem.e ensino. acentuando mais o "como" do que o "o quê". ou seja. o formato do currículo tradicional corresponde melhor à idéia de plano de estudos. O currículo sócio-crítico. as 153 . no entanto. quais técnicas devem utilizadas pelos professores.

seus saberes de experiência e saberes profissionais (Carvalho e Diogo. A elaboração e o desenvolvimento curricular contam com a participação dos professores. 1994). procedimentos. sem autonomia para tomar decisões. respeitando-se sua autonomia. como cidadão). Interdisciplinaridade é um procedimento de organização da escola e do ensino que favorece a integração de aprendizagens e de saberes e a busca de saberes úteis para lidar com questões e problemas da realidade (levar o aluno a confrontar-se com a realidade. ou seja. . de modo que os conhecimentos. Alguns princípios da interdisciplinaridade são: Ter como referência o sujeito que aprende e sua relação com o saber. Os currículos abertos preocupam-se com a integração entre as disciplinas. os conteúdos podem ser organizados em áreas e temas geradores. têm mais flexibilidade na definição de objetivos e competências. sejam integrados na estrutura mental do aluno. Suscitar e garantir processos integradores e a apropriação de saberes enquanto produtos cognitivos dos alunos (implica a organização de saberes sob o ponto de vista curricular. O resultado prático da interdisciplinaridade é o estabelecimento de ligações de complementaridade entre as matérias escolares. Estabelecer ligações entre teoria e prática. atitudes. Entre as caraterísticas assinaladas nos currículos abertos está a interdisciplinaridade. didático e pedagógico). não se consideram os saberes e competências profissionais dos professores. que atualmente é um dos mais importantes elementos do formato de currículo que corresponde melhor a uma proposta curricular de cunho cognitivo e social.escolas e os professores limitam-se a segui-los.

em condições iguais de oportunidades. Este princípio se baseia na crença do poder da educação para propiciar o desenvolvimento da razão critica pelo exercício da racionalidade. implicando o direito de todos. o desen volvimento da subjetividade e sensibilidade. Os tópicos que apresentamos não cobrem o conjunto dos fatores e exigências de um currículo sensível aos problemas da nossa época. a compreensão e a solidariedade entre os seres humanos. ela está condicionada por uma multiplicidade de fatores como os econômicos e políticos. apenas indicam algumas idéias a serem consideradas. a inserção no trabalho e na vida social. político e social. Alguns princípios orientadores da proposta curricular Se a organização curricular expressa os objetivos e estratégias de ação do projeto pedagógico-curricular. a educação não atua sozinha. a melhoria da qualidade da vida. ela pode gerar . à conquista da dignidade humana e da liberdade intelectual e política.A escolarização básica obrigatória tem um significado educativo. Mas. torna-se relevante considerar alguns princípios na construção de um currículo de cunho sócio-crítico. ao desenvolvimento das capacidades individuais e sociais. ao acesso aos bens culturais. 1 . à formação da cidadania. disciplinar e a integração interdisciplinar e vice-versa. sem dúvida. 154 Fazer o caminho entre a especialização.Estabelecer ligações entre pontos de vista distintos acerca de um objeto de conhecimento. Evidentemente.

conforme uma pedagogia diferenciada. proporciona também as ferramentas mentais para lidar praticamente com os conceitos nas situações 155 concretas da vida cotidiana. do trabalho e do exercício da cidadania. 2000). ao mesmo tempo que possibilita a internalização de um conteúdo significativo e útil.melhores condições de vida e de realização humana tanto para os indivíduos quanto para o conjunto da sociedade sendo. Este é um dever de justiça social. 2 .A escolarização obrigatória requer criteriosa seleção de conteúdos e adoção de adequadas práticas pedagógicas. a ciência. Ao mesmo tempo que se propicia uma cultura geral comum. O termo "conteúdos" refere-se aos conhecimentos sistematizados. selecionados das bases das ciências e dos modos de ação acumulados pela experiência social da humanidade e organizados para serem ensinados na escola. através deles. a arte através de um ensino que forme sujeitos pensantes e críticos não é nada muito mais do que a sempre proclamada formação geral que. . portanto. Aprender a cultura. os processos de desenvolvimento das capacidades cognitivas e operativas. pondo-se em prática o lema: uma escolaridade igual para sujeitos diferentes em uma escola comum (Gimeno. busca-se incorporar no currículo os interesses de todos os alunos em sua diversidade tanto no âmbito psicológico quanto no âmbito social e cultural. Não há que se alimentar ilusões. as escolas têm uma responsabilidade concreta e real: propiciar a assimilação e a reconstrução dos conteúdos escolares e. Essa tarefa deve ser concretizada nas escolas e nas salas de aula. um caminho para a igualdade e a inclusão social.

O currículo escolar representa o cruzamento de culturas. o que implica formular . na rua.são habilidades e hábitos. 3 . em quaisquer situações de aprendizagem e de convivência social. na cidade. de sentir e de enfrentar o mundo. a cultura da escola (organizacional). a cultura das mídias. vinculados aos conhecimentos. envolvendo modos de agir. a cultura dos alunos. supõe-se uma pedagogia diferenciada em que. a partir da diversificação de metodologias e procedimentos. são atitudes. e a cultura experienciada que acontece na família. sistematizada. convicções. Trata-se de compreender a escola como lugar de síntese entre a cultura formal. a cultura acadêmica expressa no currículo. valores. constituindo-se num espaço de síntese em que a cultura elaborada se articula com os conhecimentos e experiências concretas dos alunos vividas no seu meio social. nas mídias e outros contextos culturais. Isso significa propiciar aos alunos conhecimentos e experiências diversificadas. cada aluno sinta-se valorizado e respeitado em sua subjetividade. integrando no currículo a variedade de culturas que perpassa a escola: a cultura científica. 156 Os objetivos de formação cultural e de desenvolvimento curricular precisam considerar hoje a nova configuração econômica e política e as novas realidades sociais e culturais do mundo contemporâneo. incluindo métodos e procedimentos de aprendizagem e de estudo. Além disso. a cultura social. com a cultura dos meios de comunicação. da cidade e de suas práticas sociais.

a interligação das várias culturas que perpassam a escola etc. ou seja. Trata-se de investir numa combinação bem sucedida da assimilação consciente e ativa desses conteúdos com o desenvolvimento de capacidades cognitivas e afetivas pelos alunos visando a formação de estruturas próprias de pensamento. 157 5 . instrumentos conceituais de apreensão dos objetos de conhecimento. tendo como referência a internalização e reconstrução dos conteúdos culturais. o desenvolvimento de competências do pensar. mediante a condução pedagógica do professor que disporá de práticas de ensino intencionais e sistemáticas de promover o "ensinar a aprender a pensar". de modo que aprenda a utilizar seu potencial de pensamento pelos meios cognitivos de construção e reconstrução de conceitos. A equipe escolar precisa incluir na definição e na discussão pública da proposta curricular a educação para os valores.compreensão e clarificação de valores e atitudes.A organização e desenvolvimento do currículo implica a inserção da educação moral . 4 . valores. Uma pedagogia do pensar é aquela que ajuda o aluno a transformar-se num sujeito pensante.coletivamente formas pedagógico-didáticas de assegurar essa articulação. atitudes. a aprendizagem interdisciplinar. mediante formulação explicita de conteúdos e competências e de formas metodológicas que suscitem nas . Há um razoável consenso hoje em torno de proposições sócio-interacionistas: o papel ativo do sujeito na aprendizagem escolar. habilidades.O processo de ensino e aprendizagem deverá estar centrado no ensino do aprender a pensar e do aprender a aprender.

salas de aula o "pensar" sobre valores e práticas morais. mas de propiciar aos alunos estratégias e procedimentos de pensar sobre valores e critérios orientadores sobre modos de decidir e agir (Libâneo. também. a todo momento. Nesse sentido. os professores. Não se trata. Mas é justamente por isso que o grupo de professores e especialistas de uma escola precisa explicitar princípios norteadores para a vida prática decorrentes de um consenso mínimo. O currículo em ação. cultural e educacional estão requerendo um vínculo mais estreito entre os saberes propiciados pela escola e as capacidades e competências internalizadas pelos alunos que expressam a relação entre conhecimento e ação. de doutrinação política ou religiosa. com a cultura da escola. os alunos a praticá-los em contextos e situações concretas. de inculcar valores. 2000). nas várias disciplinas. como parte do chamado currículo oculto. a partir da busca de sentidos de sua própria experiência e da cultura organizacional que vivenciam na escola. 6 . corresponde à exigência atual de atribuição de sentido . obviamente. significa pôr em prática não apenas as competências do pensar sobre valores. mas levando a escola. A associação entre os conteúdos de ensino e os objetivos e competências. Certamente.As transformações em curso na esfera econômica. passam valores. os professores. Mas o trabalho com valores ligase. há que se considerar formas criativas de lidar com os temas transversais propostos nos Parâmetros Curriculares Nacionais. quanto ao tema da dimensão moral do ensino. o ambiente. a escola.

horizontal e verticalmente. Uma vez formulados os objetivos do projeto pedagógicocurricular e as capacidades e competências desejadas. A interdisciplinaridade como forma de compreensão do processo de construção do conhecimento é ao mesmo tempo uma atitude .diálogo entre vários especialistas. ou mais precisamente. para além da mera instrumentação dos conteúdos da perspectiva tecnicista que reduz as aprendizagens ao "saber fazer". Há que se pensar numa estrutura curricular em que os vários campos do conhecimento se articulem num todo orgânico e se integrem. cuidar para que os conhecimentos e modos de ação contribuam para a internalização de determinadas capacidades e competências. dominar regras de atuação. permuta de experiências e . a partir da especificidade das disciplinas. Trata-se aqui de articular a seleção de conteúdos com objetivos e competências exigíveis como resultados do processo de ensino e aprendizagem. O currículo pluridisciplinar é aquele em que as disciplinas encontram-se justapostas e isoladas entre si. capacidades e competências definidos pelo conjunto dos professores. favorecendo a integração interdisciplinar.158 aos saberes escolares. técnicas. definem-se os objetivos e conteúdos da disciplina e as possibilidades de articulação com as demais disciplinas de uma mesma série de modo a atender os objetivos. habilidades para resolver problemas práticos e imediatos. 7 – É preciso que as escolas vão buscando formas de superação do currículo pluridisciplinar. isto é.

uma prática curricular .construção conjunta de uma proposta curricular baseada na integração entre as disciplinas e envolvimento em projetos comuns de desenvolvimento do currículo. o combate ao racismo e a outros tipos de discriminação e preconceito. de modo a representar num currículo comum os interesses de todos os alunos.conhecimentos. O provimento da cultura escolar aos alunos e a constituição de um espaço democrático na organização escolar devem incluir a interculturalidade: o respeito e valorização da diversidade cultural e das diferentes origens sociais dos alunos. 9 .A escola voltada para uma sociedade que inclua todos precisa considerar a diversidade cultural e as diferenças. produção conjunta de conhecimentos. 159 8 . a partir de uma base comum de cultura geral para todos. Um dos mais relevantes objetivos democráticos no ensino será fazer da escola um lugar em que todos os alunos possam experimentar sua própria forma de realização e sucesso. um espaço de diálogo e comunicação entre grupos sociais diversos. acolhe a diversidade e a experiência particular dos diferentes grupos de alunos e que propicia. uma forma de organização administrativa e pedagógica elaboração coletiva do projeto pedagógico e participação na gestão da escola. na escola e dentro das salas de aula. .A qualidade social do currículo se expressa no provimento das condições pedagógico-didáticas que asseguram melhor qualidade cognitiva e operativa das experiências de aprendizagem. O currículo intercultural é o que.

É através das formação cultural de sólidos conhecimentos e capacidades cognitivas fortemente desenvolvidas . da introdução de inovações técnicas mas. de capacidade operativa. sim.que os filhos das camadas médias e pobres da população podem participar de uma vida mais digna e mais completa.O êxito da escola.O currículo escolar deve propiciar no processo educativo a articulação entre as dimensões cognitiva. 160 É preciso dar instrução. especialmente da escola pública. Portanto. social e afetiva da aprendizagem. A cultura hoje não passa somente pelo ler. com maior capacidade operativa (saber fazer. depende não apenas do exercício da democracia nas escolas. a justiça social em matéria de educação. e de capacidade cognoscitiva (Manacorda. para o que se mobiliza o currículo. É na sala de aula que podemos realizar. conhecimento e uso de novos instrumentos de produção e comunicação entre os homens. da qualidade cognitiva e operativa das aprendizagens. saber agir) e maior participação democrática. 10 .1986). Passa pelo conhecimento teórico-prático. mas como instrumento concreto de conhecimento. produtiva. propiciada a todos os alunos em condições iguais. a gestão e o desenvolvimento profissional dos professores. escrever e fazer contas. basicamente. da gestão participativa. como professores. a qualidade social da escola se manifesta na garantia da qualidade cognitiva e operativa das aprendizagens para a produção de saberes. .

mas no desenvolvimento do currículo e das práticas de ensino é preciso especial atenção para o fato de que os alunos são sujeitos concretos. de tornar as experiências de sala de aula mais agradáveis. na escola. seus desejos. A busca da articulação entre o cognitivo. mais prazerosas. que possibilitem aos professores conversar mais com alunos. ajudá-los na capacidade de comunicação com o mundo do outro. deixá-los falar. A busca de condições de exercício da profissão aponta para a necessidade de as escolas assegurarem um ambiente . técnicas. Implica. expor seus sentimentos.Essas dimensões estão presentes no comportamento dos sujeitos que aprendem. condicionados por culturas particulares da sua origem social. ter sensibilidade para situar a relação docente no contexto físico. social e cultural. também. necessidades de alunos diferentes entre si. seja propiciando 161 se. interesses. o social e o afetivo possibilita compreender o papel da escola e da equipe docente em ajudar os alunos a construírem sua subjetividade como pessoas humanas e como sujeitos portadores de uma identidade cultural e pertencentes à humanidade. Isso implica em conhecer e compreender motivações. 11 . um clima de trabalho receptivo seja promovendo ações de formação continuada. mobilizar procedimentos.É necessário um incessante investimento no desenvolvimento pessoal e profissional dos professores. meios. de forma organizada. portadores de saberes decorrentes de suas experiências vividas.

Professor que não se cultiva. Quanto mais se admite estarmos vivendo numa sociedade do conhecimento. que não está seguro ao menos no campo de conhecimento em que se especializa e na metodologia de ensino. O ideal de um currículo que visa a emancipação intelectual e política das pessoas é propiciar a todos condições iguais de exercício da cidadania. 12 . precisa prover . A par disso. e preciso que na organização da escola e no processo de elaboração curricular se invista em ações de formação continuada. não pode ensinar cultura. também.As escolas precisam. liderança. A elaboração e desenvolvimento do currículo é um exercício de reflexão coletiva sobre a prática. No terreno da cultura e da ciência. ninguém dá o que não tem. o que implica a reordenação de formas de organização do trabalho na direção de relações sociais interativas e solidárias. elabore e critique todas as modalidades de informação que afeta o trabalho do professor. convivência e tomada de decisões. é indispensável que o desenvolvimento do currículo esteja vinculado ao desenvolvimento profissional dos professores. A educação escolar pode contribuir para a democracia não apenas pela formação do cidadão crítico e participativo. Para isso. Mas não basta a participação. iniciativa. Para isso. cultivar os processos democráticos e solidários de trabalho. participação nas decisões. mas também por ser ela própria um lugar onde se põe em prática a vivência do que se propõe nos objetivos: desenvolvimento da autonomia de pensamento.de trabalho em que as pessoas se sintam bem e que possam crescer pessoal e profissionalmente. mais se requer um conhecimento que interprete.

Conhecimento e análise critica das orientações normativas do sistema nacional de ensino e das diretrizes estaduais ou municipais (LDB e normas legais regionais). capacitação para tomar iniciativas. para o que se requer: 1. A proposta curricular da escola implica decisões conjuntas dos professores. A proposta curricular. Explicitação dos princípios norteadores de formação expressando expectativas em relação à formação esperada (perfil) dos alunos. tendo em vista os resultados da aprendizagem. conteúdos. para definir a proposta curricular da escola: qual modelo curricular adotar? Quais objetivos e conteúdos? Quais os critérios de seleção e organização dos conteúdos? 2. discussão publica de pontos de vista. competências. . O processo de elaboração da proposta curricular No projeto pedagógico-curricular são formulados. considerado o contexto sóciocultural. A elaboração da proposta curricular supõe dois momentos articulados entre si: a proposta curricular formulada pela escola e os planos de ensino dos professores. de forma mais abrangente. por áreas curriculares ou disciplinas. os objetivos gerais. concretiza essas grandes linhas em objetivos. expressando intenções e expectativas sobre a formação dos alunos.oportunidades em que os alunos possam exercer a democracia mediante formas de 162 participação. propriamente dita. métodos e formas organizativas do ensino. processos organizados de tomada de decisões.

de modo que os professores possam tomar decisões mais pontuais em suas próprias disciplinas e no . em linhas gerais. bem como de atividades curriculares complementares. Definição de formas e propostas trabalho entre as disciplinas que envolvam assuntos mais significativos para os alunos. Explicitação de formas de participação dos alunos no planejamento do currículo e nas instâncias de organização e gestão. habilidades/ procedimentos e de atitudes/valores. de preferência. Seleção e organização das disciplinas que irão compor o currículo e de outras atividades curriculares. Formulação de objetivos e competências gerais por séries. Concepções e procedimentos de avaliação da escola. dos professores e da aprendizagem dos alunos. atitudes. Tais "intenções" devem ser expressas. Definição de normas de funcionamento. 5. contemplando as dimensões dos conteúdos: conhecimentos/conceitos. através de projetos. Escolha de metodologias e procedimentos compatíveis com os objetivos e com a proposta curricular. consideradas as várias áreas e/ou disciplinas. do currículo. Definição de sistemáticas comuns de avaliação dos alunos. que sejam consensuais. incluindo decisões como: 163 Definição de temas comuns a serem tratados por diferentes disciplinas. 4. incluindo a inserção deles nos processos de tomada de decisão. 6.3. práticas.

164 Os planos de ensino são elaborados pelos professores. ainda. atitudinais). cotejando-os com os contextos particulares em que são aplicados. da cultura organizacional. mas as escolas precisam desenvolver uma interação crítica com os dispositivos normativos. as competências. expectativas e sentimentos compartilhados pelo grupo social que constitui a escola. Cada disciplina define seus objetivos. Algumas recomendações: 1.âmbito das séries. O plano de ensino compreende os objetivos. Convém. considerar que é sumamente imprescindível que a elaboração do currículo leve em conta a situação concreta de cada escola. explicitação das interfaces com outras disciplinas. A legislação e as orientações oficiais são legítimas. em consonância com a proposta curricular da escola. 3. . 2. recursos didáticos). da cultura local. os conteúdos. O plano deve conter uma justificativa do papel da disciplina no currículo de formação geral. procedimentais. de modo a conferir sua relevância frente a necessidades e demandas concretas da escola e aos significados. o desenvolvimento metodológico. métodos. competências em relação aos objetivos e conteúdos e desenvolvimento metodológico (condições para a aprendizagem ocorrer: ações pedagógico-didáticas. Trata-se de promover a reflexão crítica sobre esses dispositivos. procedimentos de avaliação. a avaliação. conteúdos (conceituais. compatibilização com a proposta curricular da escola e os objetivos terminais por série.

Em relação aos objetivos e competências. É justamente aqui que aparecem as competências. dentro da concepção e formato de currículo escolhidos.4. Os professores estão sendo solicitados a trabalhar com mais um termo do vocabulário pedagógico. O planejamento curricular coletivo deve assegurar. Os objetivos esclarecem o que se pretende fazer. é preciso que explicitem o que esperam conseguir da aprendizagem dos alunos. teoria essa que recebeu a denominação de tecnicismo educacional. porque o 165 processo pedagógico-didático que movimenta o currículo implica intencionalidade. Há vários sentidos de competência e o mais conhecido está ligado a uma visão economicista segundo a . constituindo-se em guia para a ação da escola e da equipe de professores. mas objetivos continuam sendo imprescindíveis. fazem-se necessárias algumas observações. Sendo o ensino uma prática intencional e supondo-se que os professores precisam saber se seus objetivos estão sendo atingidos. A crítica refere-se a um excesso de quantificação na definição e detalhamento de objetivos operacionais. Hoje não há mais lugar para a quantificação de objetivos de ensino. a articulação vertical e horizontal entre as áreas/disciplina do currículo. em função de certa obsessão pela objetividade e eficiência. Ainda não se tem muita clareza sobre o modo de inserção das competências na elaboração da proposta curricular e dos planos de ensino. adotados no Brasil com base na teoria behaviorista aplicada ao ensino. Há quem critique esse termo e sua utilização nas escolas devido à sua semelhança com os chamados "objetivos comportamentais". as competências.

integram ou mobilizam conhecimentos. diferentemente dos antigos "objetivos comportamentais". uma atividade prática. 2000). As competências. as competências são compatíveis com uma teoria sócio-interacionista em que o ensino impulsiona as capacidades cognitivas dos alunos de modo a mobilizar formas de apropriação e utilização de conteúdos. procedimentos. um dilema. ter competência é saber mobilizar recursos cognitivos diante de um problema. é falso o dilema sobre se é mais importante a aquisição de conhecimentos ou o desenvolvimento de competências. portanto. Ou seja. 166 No plano de ensino. Compreendidas nesses termos. a questão aqui é a da relação significativa e operativa que o aluno estabelece com os conteúdos. ou seja. isto é. Todavia. representam uma transferência de conhecimentos e uma capacidade para lidar com situações complexas ou não previstas.qual a busca da produtividade econômica requer pessoas competentes. pode-se entender que os objetivos de ensino referem-se a uma explicitação mais geral . porque as competências estão apoiadas em conhecimentos e numa variedade de outros recursos cognitivos. utilizam. Segundo Perrenoud. O sentido que assumimos aqui é outro: competência refere-se à mobilização de recursos cognitivos (saberes. pessoas tecnicamente eficientes. técnicas. as competências expressam metas claras comunicáveis aos estudantes. atitudes) para enfrentar situações referentes a conhecimentos aprendidos (Perrenoud. Nesse sentido. formular competências a serem dominadas pelos alunos no final de uma série ou ciclo escolar não é muito diferente de definir objetivos em termos de práticas observáveis.

também a Secretaria Estadual da Educação (ou municipal) dispõe de uma proposta curricular para o sistema de ensino. formulado pela Secretaria de Educação Fundamental do MEC. habilidades.daquela fórmula conhecida dos professores: "O aluno deverá ser capaz de. será útil a consulta aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Os PCN foram elaborados para fornecer uma orientação geral e coerente do currículo. as competências.. em relação aos conhecimentos teóricos e práticos correspondentes. Há boas razões que justificam a proposição de orientações curriculares para o sistema de ensino. Um currículo básico comum representa um benefício para a democratização do acesso e permanência na escola. Este é o princípio que justifica o dever social e ético do governo em oferecer subsídios para um currículo básico comum e propiciar os suportes financeiros. conteúdos e desenvolvimento metodológico. modos de fazer. como referencial para a organização curricular das escolas. A escolarização obrigatória é um requisito indispensável do processo de democratização da sociedade e a escola convencional o lugar próprio para proporcionar as bases de cultura geral extensiva a todos os brasileiros. Em alguns lugares. por sua vez. O papel dos Parâmetros Curriculares Nacionais Para a definição de objetivos. visando a melhoria da qualidade de ensino. em âmbito nacional. bem como as condições de aprendizagem das crianças e .". operacionais e técnicos necessários ao atendimento universal da demanda por escolarização.. consideradas a heterogeneidade social e cultural e as disparidades econômicas do país. referem-se ao detalhamento de ações.

jovens que se apresentam desiguais conforme cada contexto social. Obviamente, está-se considerando que os PCN são, de fato, parâmetros, isto é, oferecem orientações pedagógicas e curriculares 167 gerais, enquanto subsídios aos professores para refletirem e tomarem decisões, em nível local, sobre objetivos e conteúdos, formas metodológicas de atuação docente. Além disso, não se pode acreditar que tais subsídios curriculares sejam suficientes para elevar o nível de qualidade da educação escolar. Uma coisa é a letra do documento, outra são as práticas de aprendizagem na sala de aula que precisam ser consideradas em relação a outros fatores como o salário, a carreira docente, as condições de trabalho, o reconhecimento social da profissão de professor. Os PCN são, pois, uma referência, um ponto de partida, para que se possa articular objetivos e conteúdos com a cultura das escolas e das salas de aula envolvendo tudo o que um documento geral como este não pode nem deve prever: a diversidade regional, as decisões do professor, a dinâmica das interações na sala de aula, o currículo oculto, a adequação local de conteúdos, o significado social dos conteúdos, as práticas de avaliação, os desenvolvimentos metodológicos etc. Cabe, portanto, aos sistemas de ensino, aos coordenadores pedagógicos, orientadores educacionais e responsáveis por sistemas de formação continuada, uma multiplicidade de tarefas que complementam a proposta curricular. Afinal, sabemos que é na escola que se criam os espaços de diálogo e comunicação entre grupos sociais diversos, o que pode ser

perfeitamente contemplado no projeto pedagógicocurricular da escola. Todavia, a defesa da adequação do currículo às realidades regionais e locais não nos leva a ceder a propostas que postulam currículos exclusivos das escolas, à margem de um currículo básico nacional. Tais currículos levariam, de fato, a uma atitude discriminadora, já que estariam sonegando aos alunos aqueles conteúdos e instrumentos conceituais mais universais necessários para melhor compreender o mundo e a sociedade de que fazem parte e a potencializar suas formas de atuação na realidade. Se poderia ser legítimo o argumento de que o currículo oficial não contempla os aspectos da cultura local já que são os sujeitos reais que dão significados aos 168 conteúdos, também se poderia dizer que estaríamos frente a uma desigualdade de oportunidades quando as crianças não têm acesso a um conhecimento mais sistematizado e mais científico. Fica difícil pensar-se num currículo local deixando toda a iniciativa à comunidade escolar num momento em que o ensino fundamental torna-se crucial na capacidade de aprender e do provimento dos instrumentos básicos de pensamento. Os PCN e a organização curricular. Os Parâmetros Curriculares Nacionais definem a organização curricular considerando a especificidade das áreas e disciplinas dentro de um todo integrado e a organização da escolaridade por ciclos.

A organização do conhecimento escolar em áreas, os respectivos conteúdos e o tratamento transversal de questões sociais constituem os elementos básicos da organização curricular, integrando conhecimentos de diferentes disciplinas. Diz o documento: A concepção da área evidencia a natureza dos conteúdos tratados, definindo claramente o corpo de conhecimentos e o objeto de aprendizagem, favorecendo aos alunos a construção de representações sobre o que estudam. Essa caracterização da área é importante também para que os professores possam se situar dentro de um conjunto definido e conceitualizado de conhecimentos que pretendam que seus alunos aprendam, condição necessária para proceder a encaminhamentos que auxiliem as aprendizagens com sucesso. Os temas transversais referem-se a questões que interferem na vida dos alunos e com as quais se vêem confrontados no seu dia-adia. São apresentados como temas transversais: ética, saúde, meio ambiente, orientação sexual e pluralidade cultural. Em algumas escolas, as temáticas sociais já vinham sendo tratadas em Estudos sociais, Ensino Religioso e outras disciplinas específicas. Os PCN adotam o tratamento transversal, sem restringi-las a uma única área. De acordo com o documento, os temas transversais são assim definidos: 169 (...) um conjunto de temas que aparecem transversalizados nas áreas definidas, isto é, permeando a concepção, os objetivos, os conteúdos e as orientações didáticas de cada área, no decorrer de toda a escolaridade obrigatória.

A transversalidade pressupõe, portanto, um tratamento integrado das áreas e uma vivência no âmbito da organização da escola dos valores trabalhados em sala de aula. Implica, também, adaptações a contextos locais. Por exemplo, ao se tratar da educação ambiental, serão contemplados conteúdos e vivências conforme peculiaridades locais, por exemplo, nos seringais da Amazônia ou na periferia das grandes cidades. A organização em ciclos é uma tentativa de superar a segmentação excessiva produzida pelo regime seriado e minimizar a ocorrência da repetência e da evasão escolar. A flexibilização da seriação permitiria trabalhar o currículo ao longo de um período de tempo maior, respeitando-se os diferentes ritmos de aprendizagem dos alunos. Os Parâmetros Curriculares Nacionais estão organizados em ciclos de dois anos. O primeiro ciclo se refere às primeira e segunda séries; o segundo ciclo, às terceira e quarta séries; e assim subseqüentemente para as outras quatro séries. O documento alerta que a estruturação por ciclos não contempla os principais problemas da escolaridade no ensino fundamental como a ruptura entre a quarta e quinta séries, início tardio da escolarização, entre outros. Trata-se de uma das possíveis estratégias de intervenção na problemática educacional do país, necessitando de ações cautelosas para sua adoção. CAPÍTULO - IX ORGANIZAÇÃO GERAL DO TRABALHO ESCOLAR 173

O segundo elemento do processo organizacional é a organização propriamente dita, isto é, a racionalização do uso de recursos materiais, físicos, financeiros, informacionais e das atividades desempenhadas pelas pessoas. A organização incide diretamente na eficiência e na eficácia do processo de ensino e aprendizagem, à medida que garante as condições de funcionamento da escola e uma ação unificada da equipe escolar. A falta de unidade da ação educativa em torno de diretrizes, normas, desempenho de funções, rotinas, pode resultar em situações que comprometem o trabalho. Por exemplo: um professor exige cuidado com o mobiliário escolar, enquanto outro permite que as crianças façam rabiscos na carteira; um professor exige dos alunos a utilização da linguagem padrão, outro permite ou utiliza expressões fora da linguagem padrão; um professor nunca dá tarefas, outro sobrecarrega os alunos de exercícios; bate o sinal, alguns professores permanecem na sala de professores; 174 a qualquer pretexto, em qualquer hora, a coordenação ou um funcionário entra na sala de aula para dar avisos, deixar a merenda, chamar um aluno etc.; a professora precisa do retro-projetor mas a servente faltou e ficou com a chave. Essas situações revelam falta de organização adequada, afetando as atividades de ensino. Para se evitar isso, é necessário que todos os aspectos da vida escolar sejam devidamente contemplados na organização geral da escola, antes do início do ano letivo. A organização geral diz

que concorrem para o desenvolvimento e alto rendimento escolar dos alunos. sistema 175 participativo de tomada de decisões. Essas várias atividades são agrupadas em quatro áreas de ação: a) a organização da vida escolar (a escola como um todo). entrada e saída da classe. a) Organização da vida escolar Trata-se da organização do trabalho escolar em função de sua especificidade e de seus objetivos. matrícula.correta distribuição de tarefas. sistema de assistência pedagógico-didática ao professor. contatos com pais. A estrutura organizacional e o cumprimento das atribuições de cada membro da equipe é um elemento indispensável para o funcionamento da escola. relações humanas satisfatórias. c) a organização das atividades de apoio técnicoadministrativo. organização do espaço físico. docente). normas disciplinares. O que se . sem comprometer a gestão democrática. . d) a organização de atividades que vinculam a escola com a comunidade. administrativo. controle de freqüência do pessoal (técnico.respeito a: horário. serviços administrativos etc. distribuição de alunos por classes. clima de trabalho. b) a organização do processo de ensino e aprendizagem (trabalho do professor e dos alunos em sala de aula). É a criação de condições ótimas . Um mínimo de divisão de funções faz parte da lógica da organização educativa. condições de higiene e limpeza etc. serviços de limpeza e conservação.

Um importante aspecto da organização escolar é o regime de trabalho diário. mas ao envolvimento dos alunos. orientada por uma concepção de ensino como direção da atividade cognoscitiva dos alunos sob orientação do professor.deve evitar é a redução da estrutura organizacional a uma concepção estritamente funcional e hierarquizada de gestão subordinando o pedagógico ao administrativo. A organização do trabalho na sala de aula não visa apenas ao cumprimento dos programas. Sua função essencial é a de distribuir racionalmente as atividades da escola pelos dias da semana. b) Organização do processo de ensino e aprendizagem Refere-se. as atividades de Educação Física e recreação etc. sua participação ativa. os valores e a experiência dos professores. Supõe a elaboração do projeto pedagógico-curricular. Aqui intervêm a imprescindível colaboração da coordenação pedagógica (e da orientação educacional onde houver). basicamente. dos planos de ensino e sua estrutura didático-pedagógica. as horas de descanso. o desenvolvimento de habilidades e capacidades intelectuais. aos aspectos de organização do trabalho do professor e dos alunos na sala de aula. impedindo a participação e discussão e não levando em conta as idéias. 176 c) Organização das atividades de apoio técnicoadministrativo . Implica a distribuição de disciplinas com sua carga horária correspondente. expresso no horário escolar. o trabalho independente.

As tarefas administrativas têm a função de fornecer o apoio necessário ao trabalho docente. Abrangem as atividades de Secretaria (prontuário de alunos e professores, registro escolar, arquivos, livros de registro etc.), serviços gerais (inspetores de alunos, serventes, merendeira, porteiros e vigias etc.), atividades de limpeza e conservação do prédio, do mobiliário escolar e do material didático. d) Organização de atividades que vinculam escola e comunidade Essa área de ação refere-se às relações entre a escola e o ambiente externo: com os níveis superiores de gestão do sistema escolar, com os pais, com as organizações políticas e comunitárias, com a vida da cidade etc. O objetivo dessas atividades é estender a ação educativa da escola onde for possível e adequado e, ao mesmo tempo, buscar cooperação e apoio das diferentes instituições civis, sociais, culturais que possam contribuir para o aprimoramento das atividades de ensino e educação dos alunos. Em especial, espera-se que os pais participem ativamente da gestão da escola, mediante canais de participação bem definidos. A participação dos pais, de instituições e de organizações da comunidade na escola supõe uma definição clara das formas de participação. São distintas as responsabilidades e tarefas dos profissionais da escola (direção, professores, funcionários) daquelas dos pais e instituições da comunidade. Não cabe aos pais, por exemplo, interferir diretamente nas atividades de sala de aula. As formas de participação da comunidade devem estar subordinadas aos objetivos e tarefas da escola, à

observância de certas normas e diretrizes próprias da instituição escolar. CAPÍTULO X - 179 A direção e coordenação são funções típicas dos profissionais que respondem por uma área ou setor da escola tanto no âmbito administrativo quanto no âmbito pedagógico. Dirigir e coordenar são tarefas que canalizam o esforço coletivo das pessoas para os objetivos e metas estabelecidos. Tanto os pedagogos especialistas quanto os professores precisam estar aptos para dirigir e coordenar, em alguma instância de seu exercício profissional. A direção, conforme já foi estudado, é pôr em ação, de forma integrada e articulada, todos os elementos do processo organizacional (planejamento, organização, avaliação), envolvendo atividades de mobilização, liderança, motivação, comunicação, coordenação. A coordenação é um aspecto da direção, significando a articulação e a convergência do esforço de cada integrante de um grupo visando a atingir os objetivos. Quem coordena tem a responsabilidade de integrar, reunir esforços, liderar, concatenar o trabalho de diversas pessoas. A tarefa de direção visa a: dirigir e coordenar o andamento dos trabalhos, o clima de trabalho, a eficácia na utilização dos recursos e meios, em função dos objetivos da escola, assegurar o processo participativo de tomada de decisões e, ao mesmo tempo, cuidar para que essas decisões se convertam em ações concretas; 180

assegurar a execução coordenada e integral das atividades dos setores e elementos da escola, com base nas decisões tomadas coletivamente; articular as relações interpessoais na escola e entre a escola e a comunidade (incluindo especialmente os pais). O exercício da direção e coordenação depende de alguns fatores, tais como: autoridade, responsabilidade, decisão, disciplina e iniciativa. A autoridade é o exercício de um poder delegado a alguém para dirigir e coordenar as medidas tomadas coletivamente, implicando determinadas qualidades e conhecimento de suas funções. É recomendável que a autoridade seja descentralizada, delegando-se tarefas aos demais membros da equipe escolar. A responsabilidade é uma exigência inerente à autoridade. Mesmo no caso de procedimentos grupais de tomada de decisões e descentralização das tarefas, a responsabilidade final é de quem dirige/coordena. A decisão é a capacidade de selecionar, diante de várias alternativas, a medida mais adequada conforme as situações concretas. Com base em um plano de trabalho, de objetivos e tarefas estabelecidas mediante a participação da equipe escolar, o diretor ou coordenador não pode furtar-se de tomar as decisões necessárias. A disciplina implica compatibilizar a conduta individual com as normas, regulamentos, interesses da vida social e escolar, assumidos coletivamente. A iniciativa é a capacidade crítica e criadora de encontrar soluções aos problemas que se apresentam no desenvolvimento do processo de direção, o que implica a capacidade de enfrentar o imprevisto e situações inusitadas ou embaraçosas.

Para atender a uma necessária divisão de trabalho, tem sido comum nas escolas brasileiras diferenciar as funções de diretor e de coordenador pedagógico. Ambos assumem atividades de direção e coordenação, ambos recebem a delegação de coordenar o trabalho coletivo e a manutenção do clima, das condições de trabalho e do ambiente formativo para o desenvolvimento pessoal e profissional das pessoas da escola. Para isso, precisam reconhecer que seu trabalho tem uma característica genuinamente interativa, ou seja, seu trabalho está a serviço das pessoas e da organização, requerendo deles uma formação específica para buscar soluções para os problemas, saber coordenar o trabalho conjunto, discutir e avaliar a prática, assessorar e prestar apoio logístico aos professores na sala de aula. Todavia, cada um desempenha funções específicas implicando, também, uma formação profissional específica. O diretor de escola é o dirigente e principal responsável pela escola, tem a visão de conjunto, articula e integra os vários setores (setor administrativo, setor pedagógico, secretaria, serviços gerais, relacionamento com a comunidade etc.). Em outros tempos, muitos dirigentes escolares foram alvo de criticas por práticas excessivamente burocráticas, conservadoras, autoritárias, centralizadoras. Embora aqui e ali continuem existindo profissionais com esse perfil, hoje estão disseminadas práticas de gestão participativa, liderança participativa, atitudes flexíveis e compromisso com as necessárias mudanças na educação. As funções do diretor são, predominantemente, gestoras e administrativas, entendendo-se, todavia, que elas têm conotação pedagógica, uma vez que referem-se a uma

instituição e a um projeto educativos e existem em função do campo educativo. A título de ilustração, apresentamos uma lista de atribuições do diretor de escola: 1. Supervisionar e responder por todas as atividades administrativas e pedagógicas da escola bem como as atividades com os pais e a comunidade e com outras instâncias da sociedade civil. 2. Assegurar as condições e meios de manutenção de um ambiente de trabalho favorável e de condições materiais 182 necessárias à consecução dos objetivos da escola, incluindo a responsabilidade pelo patrimônio e sua adequada utilização. 3. Promover a integração e a articulação entre a escola e a comunidade próxima, com o apoio e iniciativa do Conselho de Escola, mediante atividades de cunho pedagógico, científico, social, esportivo, cultural. 4. Organizar e coordenar as atividades de planejamento e do projeto pedagógico.-curricular, juntamente com a coordenação pedagógica, bem como fazer o acompanhamento, avaliação e controle de sua execução. 5. Conhecer a legislação educacional e do ensino, as normas emitidas pelos órgãos competentes e o Regimento Escolar, assegurando o seu cumprimento. 6. Garantir a aplicação das diretrizes de funcionamento da instituição e das normas disciplinares, apurando ou fazendo apurar irregularidades de qualquer natureza, de forma transparente e explicita, mantendo a comunidade escolar sistematicamente informada das medidas.

8. a seguir. dos funcionários. construir e administrar situações de aprendizagem adequadas às necessidades educacionais dos alunos. auxiliando-os a conceber. Buscar todos os meios e condições que favoreçam a atividade profissional dos pedagogos especialistas. de comum acordo com a secretaria escolar. A coordenação pedagógica tem como principal atribuição a assistência pedagógico-didática aos professores. uma lista de atribuições de coordenação pedagógica: . da organização escolar. 9. encaminhar processos ou correspondências e expedientes da escola. em função da qualidade do ensino. O coordenador pedagógico responde pela viabilização. do trabalho pedagógico-didático em ligação direta com os professores. Supervisionar a avaliação da produtividade da escola em seu conjunto. o papel do coordenador pedagógico é de monitoração sistemática da prática pedagógica dos professores. Registramos. em comum acordo com o Conselho de Escola. do currículo e dos professores. 183 10. Supervisionar e responsabilizar-se pela organização financeira e controle das despesas da escola.7. incluindo a avaliação do projeto pedagógico. sobretudo mediante procedimentos de reflexão e investigação. dos professores. integração e articulação. Conferir e assinar documentos escolares. visando a boa qualidade do ensino. De acordo com estudos recentes sobre formação continuada de professores. para se chegar a uma situação ideal de qualidade de ensino (considerando o ideal e o possível). pedagogos especialistas e professores.

incluindo a assistência direta aos professores na elaboração dos planos de ensino. estimular a realização de projetos conjuntos entre os professores. adequação de conteúdos. 3. Propor para discussão. adequar conteúdos.. diagnósticos de dificuldades etc. Supervisionar a elaboração de diagnósticos e projetos para a elaboração do projeto pedagógicocurricular da escola e outros planos e projetos. orientação da aprendizagem. . o projeto pedagógico-curricular da unidade escolar. Orientar a organização curricular e o desenvolvimento do currículo. 6. 4. Prestar assistência pedagógico-didática direta aos professores. Coordenar reuniões pedagógicas e entrevistas com professores visando a promover inter-relação horizontal e vertical entre disciplinas. 184 5. 2. acompanhar e supervisionar suas atividades tais como: desenvolvimento dos planos de ensino. Responder por todas as atividades pedagógicodidáticas e curriculares da escola e pelo acompanhamento das atividades de sala de aula. escolha de livros didáticos.1. desenvolvimento de competências metodológicas. práticas de avaliação da aprendizagem. visando a níveis satisfatórios de qualidade cognitiva e operativa do processo de ensino e aprendizagem. diagnosticar problemas de ensino e aprendizagem e adotar medidas pedagógicas preventivas. práticas avaliativas. metodologias e práticas avaliativas. junto ao corpo docente. gestão da classe.

10. que requerem formação profissional também específica. coordenação . Há divergências significativas sobre se a atividade "administrativa" distingue-se da atividade "pedagógica" e sobre se a direção 185 administrativa e direção pedagógica devem ser exercidas necessariamente por um professor. a docente. No Brasil. Em outras palavras. especialmente de cunho científico e cultural. 12. Elaborar e executar programas e atividades com pais e comunidade. 11. Defendemos uma posição diferente. Acompanhar e avaliar o desenvolvimento do plano pedagógico-curricular e dos planos de ensino e outras formas de avaliação institucional.7. embora deva receber formação para lidar com questões de ensino. as funções de direção. Cuidar da avaliação processual do corpo docente. Organizar as turmas de alunos. Acompanhar o processo de avaliação da aprendizagem (procedimentos. o diretor não precisa exercer nem ter exercido a docência. distinta daquela provida aos professores. 9. difundiu-se bastante a idéia de que a direção e a coordenação pedagógica são formas diferenciadas de uma única função. 8. planejar e coordenar o Conselho de Classe. Tanto o diretor de escola quanto o coordenador pedagógico desempenham. formas de superação de problemas etc.). funções específicas. elaborar o horário escolar. cada um. Propor e coordenar atividades de formação continuada e de desenvolvimento profissional dos professores. Nesse caso. resultados. designar professores para as turmas.

modificam-se os comportamentos da infância e da juventude. A formação inicial refere-se ao ensino de conhecimentos teóricos e práticos destinados à formação profissional.189 A formação continuada é outra das funções da organização escolar. criam e recriam estratégias de trabalho e. e ao desenvolvimento de uma cultura geral mais ampla. com isso. freqüentemente completados por estágios. O termo formação continuada vem sempre acompanhado de outro. envolvendo tanto o setor pedagógico como o técnico e administrativo. que os professores enfrentam e resolvem problemas. acentuam-se os problemas sociais e econômicos. A formação continuada é o prolongamento da formação inicial visando ao aperfeiçoamento profissional teórico e prático no próprio contexto de trabalho. no contexto de trabalho. vão promovendo mudanças pessoais e profissionais. que se prolonga por toda a vida. para além do exercício profissional. elaboram e modificam procedimentos. De modo especial para os professores. introduzem-se novas tecnologias. numa época em que se renovam os currículos. a formação inicial. Uma formação permanente. É na escola. cultural e profissional. a formação continuada é condição para a aprendizagem permanente e o desenvolvimento pessoal. A FORMACÃO CONTINUADA CAPÍTULO XI .pedagógica e docente não precisam coincidir necessariamente. As escolas passam por inovações estruturais como as . torna-se crucial numa profissão que lida com saberes e com a formação humana.

a avaliação formativa. a reflexão possibilita transformar o mal-estar. Ou seja. mediante ações coletivas. as mídias. os quais podem ser diagnosticados. é preciso refletir sobre elas e buscar soluções. dos impactos da informação.190 novas formas de gestão. de preferência. da propaganda. não basta saber sobre as dificuldades da profissão. nas entrevistas com a coordenação pedagógica. compreendendo-as e elaborando formas de enfrentá-las. Também o perfil dos alunos se modifica em decorrência da assimilação de novos valores. a interligação entre a escola e a comunidade. com mais método. não basta somente a prática reflexiva como não é suficiente apenas a experiência: . nos conselhos de classe etc. a cidade. De fato. os currículos interdisciplinares ou globalizados.leva a uma relação ativa e não queixosa com os problemas e dificuldades. da urbanização. nos cursos de aperfeiçoamento. a revolta. em problemas. É em relação a essas novas e difíceis condições de exercício da profissão que a formação continuada pode possibilitar práticas reflexivas. Esse mesmo autor escreve que. Segundo Philippe Perrenoud. ajudando os professores a tomarem consciência delas. com evidentes repercussões na sala de aula. o desânimo. para enfrentar a complexidade do trabalho de ensinar. os ciclos de escolarização. a elaboração coletiva do projeto pedagógico. do crescimento dos problemas sociais e da violência. explicados e até resolvidos com mais consciência.nas reuniões pedagógicas. . o interculturalismo. uma prática reflexiva .

oferecer assistência técnica especializada ou programas de atualização e aprimoramento profissional. seminários. pois o professor em exercício precisa de saberes que não pode inventar em cima do nada e que sua reflexão será mais poderosa quanto mais se ancorar numa ampla cultura em ciências humanas (1999). pesquisas. reuniões de 191 trabalho para discutir a prática com colegas. porque o compromisso com a profissão requer que ele tome para si a responsabilidade com a própria formação. encontros e palestras). mini-cursos de atualização. A formação continuada consiste de ações de formação dentro da jornada de trabalho (ajuda a professores iniciantes. visando apresentar diretrizes gerais de trabalho. Ela se faz por meio do estudo. mas também do próprio professor.Uma prática reflexiva limitada ao bom senso e à experiência pessoal de cada um não vai muito longe. É responsabilidade da instituição. entrevistas e reuniões de orientação pedagógico-didática. Todavia. participação no projeto pedagógico da escola. cabe um papel decisivo às equipes técnicas das escolas (especialmente os coordenadores pedagógicos e orientadores educacionais) que prestam assistência . estudos de caso. da reflexão.) e fora da jornada de trabalho (congressos. da discussão e da confrontação das experiências dos professores. conselhos de classe. Também fazem parte das práticas de formação continuada aquelas ações de acompanhamento das equipes das escolas promovidas pelas Secretarias de Educação. grupos de estudo. programas de educação à distância etc. cursos.

acompanham as aulas. ao se pensar um currículo de formação. É difícil pensar na possibilidade de educar fora de uma situação concreta e de uma realidade definida. Por essa razão. onde possam compartilhar e refletir sobre a prática com colegas. apresentar seu trabalho publicamente (contar como trabalham. técnicas e materiais para o desenvolvimento profissional permanente do professor. como exercício . Especialmente. A profissão de professor combina sistematicamente elementos teóricos com situações práticas reais. o que funciona. prestam assistência na utilização de novos recursos tecnológicos como o computador. à primeira vista. auxiliam na avaliação da organização escolar e do rendimento escolar dos alunos. participar da elaboração do projeto pedagógico-curricular. 192 A organização das práticas de formação inicial e continuada As investigações recentes sobre formação de professores apontam como questão chave o fato de que os professores desempenham uma atividade teórico-prática. seminários de estudo e reflexões coletivas. a Internet. trazem materiais e propostas inovadoras. reunirse com pais e outros membros da comunidade.). Os sistemas de ensino e as escolas precisam assegurar condições institucionais. supervisionam e dinamizam o projeto pedagógico. A formação em serviço ganha hoje tamanha relevância que constitui parte das condições de trabalho profissional. as dificuldades etc.pedagógico-didática aos professores. é imprescindível assegurar aos professores horas remuneradas para realização de reuniões semanais. coordenam reuniões e grupos de estudo. a ênfase na prática como atividade formadora aparece.

a par de ser 193 . a formação continuada. a formação inicial estaria estreitamente vinculada aos contextos de trabalho. Isso significa ter a prática. cai por terra aquela idéia de que o estágio se destina à aplicação mecânica da teoria. como referente direto para contrastar seus estudos e formar seus próprios conhecimentos e convicções. a articulação entre formação inicial e formação continuada. Entretanto. em termos mais amplos. Desde o ingresso dos alunos no curso. é um dos aspectos centrais na formação do professor. em razão do que traz conseqüências decisivas para a formação profissional. também. em boa parte dos cursos de licenciatura. ao longo do curso. Por outro. Por um lado. Atualmente. possibilitando pensar os conteúdos das disciplinas com base no que pede a prática. O caminho deve ser outro. Significa.formativo para o futuro professor. Significa tomar a prática profissional como instância permanente e sistemática na aprendizagem do futuro professor e como referência para a organização curricular. a aproximação do futuro professor à realidade escolar acontece após ter passado pela formação "teórica" tanto na disciplina específica como nas disciplinas pedagógicas. Isso quer dizer que os alunos precisam conhecer o mais cedo possível os sujeitos e as situações com que irão trabalhar. é preciso integrar os conteúdos das disciplinas em situações da prática que coloquem problemas aos futuros professores e lhes possibilitem experimentar soluções.

debates. Trata-se de uma concepção de formação centrada . salas para vídeo e cinema. Iniciativas como essa contribuiriam para resolver a sempre difícil alternância entre a formação teórica e a experiência em situação real (estágios) e as práticas reflexivas. num sistema de alternância entre as escolas e as instituições formadoras de professores. mas também recursos materiais de apoio (biblioteca.). na sua estrutura organizacional. A manutenção desse Centro poderia ter apoio financeiro e material das Secretarias de Educação estaduais e municipais mediante convênios de parceria. etc. poderão ser criadas as condições para que os professores em exercício retornem à faculdade para atualizar seus conhecimentos e ganhar suporte teórico para uma reflexão mais apurada sobre a prática. A articulação entre formação inicial e formação continuada. rede Internet. seria desejável que as instituições de formação de professores ou as delegacias de ensino. oficinas). algo como um Centro de Apoio à Formação Continuada. criassem. pode articular-se com a formação inicial. além de receber professores da rede de escolas para atividades de formação e capacitação dentro do espírito de associar práticas formativas aos contextos reais de trabalho. material de esportes. videoteca.feita na escola com base em saberes e experiências adquiridos pelos professores na situação de trabalho. computadores. Nesse sentido. Para isso. ofereceriam não apenas orientação profissional (cursos. centro de documentação. aparelhagem de som e imagem. Esse Centro. exposições. jornais. representa uma modalidade de formação em que há interação entre as práticas formativas e os contextos reais de trabalho. já que a rede pública de ensino seria a mais beneficiada.

nas demandas da prática. Entender a organização escolar como cultura. interesses de poder. no que acontece efetivamente nas salas de aula. A organização da escola e a formação continuada Em vários lugares deste livro mostramos a relação entre as formas de organização da escola e o desenvolvimento pessoal e profissional dos professores. de negociação dos . interesses pessoais. é que convém instalar uma prática de participação. Eles existem e. O êxito desta 194 concepção. 1994). de forma a compreendermos como a organização escolar constitui-se num local de aprendizagem: as pessoas podem mudar aprendendo com a organização e a organização também pode mudar aprendendo com as pessoas. diferenças. como contextos privilegiados para a formação contínua de professores" (Escudero e Botia. Não estamos afirmando que na escola não devem existir conflitos. valores. significa dizer que ela é construída pelos seus próprios membros que tanto podem criar um espaço de trabalho produtivo e até prazeroso ou um espaço hostil e estressante. estaria bastante vinculado à ajuda dos formadores de professores. para possibilitar o trabalho reflexivo. assumindo a idéia de escola como unidade básica da mudança educativa. por isso mesmo. Vimos que as escolas têm traços culturais próprios a partir dos significados pessoais. em que as escolas são consideradas "espaços institucionais para a inovação e melhoria e. simultaneamente. práticas e comportamentos das pessoas que nela trabalham e convivem.

de todas as relações que derivam das características do grupo social que atua nela. portanto. há uma estrutura administrativa e pedagógica que é visível e outra estrutura não formalizada. não visível. que faz parte da cultura da escola. é toda ela uma prática educativa. Seu pensamento. 2. também. afetam seu desempenho profissional. significados. seu envolvimento com o trabalho. em resumo. valores. A organização escolar. Fátima Abdalla (1999) analisou em sua tese de doutorado. as perspectivas dos professores. O sistema de organização e gestão. A professora M. 3. as experiências subjetivas. maneiras de pensar e agir. Essas características provêem das crenças.significados e valores. nas escolas. de discussão pública dos compromissos e dificuldades. modos de pensar que vão se formando na vivência da cultura dos grupos dos quais fazem parte e se expressam em comportamentos e modos de agir. Essa cultura interna influi no desenvolvimento pessoal e profissional do professor (positivamente ou . de debate. As necessidades. com muita perspicácia. o papel da escola como contexto de ação e de formação continuada do professor. constitui-se de um espaço não apenas de relações de poder mas. experiências subjetivas etc. Isso quer dizer que. Isso significa 195 que as próprias formas de organização da escola não só têm a ver com esses comportamentos (ou habitus) como a própria escola vai formando uma cultura própria a partir desses comportamentos. obviamente articuladas com a cultura da comunidade e da sociedade como um todo. interesses. é o seguinte: 1. que é o conjunto das relações sociais.

Há um papel de destaque nisso da direção e coordenação pedagógica da escola para apoiar e sustentar esses . aí. um espaço de mudança e inovação. O estudo de Fátima Abdalla ajuda os diretores de escola. podendo produzir conjuntamente sua 196 profissionalidade. é claro.negativamente) mas os professores também podem produzir esse espaço cultural da escola. A organização desse espaço implica a criação de lugares e tempos que incentivem as trocas de experiências entre os professores e professores e alunos. a necessidade de as escolas cultivarem momentos de prática reflexiva. Reaparece. em que os professores podem desenvolver novas necessidades. Ou seja. de modo a se implantar uma cultura colaborativa. onde os professores vão tornando conscientes suas necessidades subjetivas. intersubjetivas e objetivas. Essa cultura escolar seria o espaço de possibilidades de mudança. pois dessa reflexão sobre ação podem nascer mudanças na estrutura de relações vigente na escola visando criar uma nova cultura organizacional. novos habitus. nesse espaço é possível a criação e desenvolvimento de novos comportamentos. considerando-se. os coordenadores pedagógicos e os professores a pensar em estratégias de organização e gestão que possibilitem a construção de uma cultura escolar. Isto acontece desse jeito porque em todas as instituições há sempre um campo de relações. objetivos e exigências externas postos pela realidade sociocultural e política mais ampla. novas perspectivas.

tendo em vista a tomada de decisões para novas ações. um evento. que é preciso fazer distinção entre avaliação. Esses três elementos . a análise e uma apreciação (juízo) valorativa com base em critérios prévios. refere-se à utilização de alguma forma de medida a partir de critérios explicitados previamente. Os juízos de valor (ou valoração) referem-se a uma apreciação valorativa sobre o evento. A quantificação. A cultura colaborativa será a síntese dos elementos que asseguram a relação entre a organização escolar e o desenvolvimento pessoal e profissional dos professores: o projeto pedagógico curricular. Considerase.coleta de dados. CAPÍTULO XII 199 A avaliação de Sistemas Escolares e de Escolas A avaliação é um termo geral que diz respeito a um conjunto de ações voltadas para o estudo sistemático de um fenômeno. nessa formulação. a gestão. para saber se os objetivos previstos estão sendo atingidos. juízos de valor e quantificação ou notação. uma pessoa. A avaliação supõe uma a coleta de dados e informações. uma situação. ou menção qualitativa. a organização e articulação do currículo e a formação continuada. investigação. visando a emitir um juízo valorativo. negociação e tomadas de decisão colaborativas. em geral. juízos de valor e . um processo. atividade ou pessoa. que os processos de avaliação implicam a coleta da dados (de informação). Está claro.espaços de reflexão. através de diferentes instrumentos de verificação. como conclusão do processo avaliativo.

Então.são componentes necessários da definição de avaliação. Por isso. dos mercados. a prática da avaliação era mais conhecida como atividade da escola. A avaliação que fazem os organismos internacionais e os sistemas nacionais de medição é a avaliação dos sistemas educacionais e não a avaliação dos alunos. No campo da educação. até há alguns anos. O que se avalia é o rendimento do sistema por meio das respostas dos alunos. ganha grande peso a avaliação dos sistemas educacionais e do conjunto de escolas. faz-se cada vez mais necessária a distinção entre a avaliação do aproveitamento escolar dos alunos e a avaliação institucional. com a acentuação das análises mais globalizantes das relações entre 200 a educação e desenvolvimento econômico. Esse autor esclarece mais: Embora sejam os alunos os que respondem a provas e questionários.quantificação ou menção qualitativa . ou seja. as organizações financeiras internacionais voltam-se para o planejamento das políticas educacionais dos países a fim de ajustá-las às exigências da produção. do consumo. da competitividade. Com a globalização da economia e a acelerada revolução tecnológica. as interrogações . isto é. entre a avaliação feita pelos professores e a avaliação da eficácia dos sistemas de ensino e do conjunto de escolas. Atualmente. na realidade não são os alunos que são avaliados. Conforme Casassus (1997) deve ficar clara a distinção entre a avaliação do sistema e a avaliação do aluno. como avaliação da aprendizagem dos alunos na sala de aula.

dos estudos deveriam consistentemente orientar-se, não às pessoas que são os alunos, mas ao sistema no qual estão inseridos esses alunos. É importante registrar essa distinção porque estamos frente a formas diferentes de avaliação. Na avaliação dos sistemas de ensino, embora também sejam avaliados os resultados obtidos pelos alunos (geralmente mediante testes padronizados), a avaliação tem como objetivo fazer um diagnóstico mais amplo do sistema escolar e do conjunto de escolas, em âmbito nacional ou regional, visando a reorientar a política educacional, a gestão do sistema e das escolas e a pesquisa. Na avaliação do aluno pelos professores, estes avaliam a aprendizagem dos alunos e são também avaliados por eles, com base nos processos de ensino e aprendizagem realizados na sala de aula. As duas formas de avaliação estão, obviamente, ligadas entre si, de modo que os professores podem utilizar resultados da 201 avaliação de sistema feita em escala nacional ou regional para realizar seu trabalho e os sistemas escolares realizam sua avaliação considerando as realidades locais do ensino no país e nas suas várias regiões. A avaliação do sistema escolar e das escolas, através da avaliação externa e/ou interna das instituições, se desdobra em duas modalidades: a avaliação institucional (ou administrativa ou, ainda, organizacional) e a avaliação acadêmica ou cientifica (denominada no Brasil de Exame Nacional ou avaliação de resultados). A avaliação institucional é uma função primordial do sistema de organização e gestão dos sistemas escolares e

das escolas. Essa avaliação, também chamada de administrativa, visa a obtenção de dados quantitativos e qualitativos sobre os alunos, os professores, a estrutura organizacional, os recursos físicos e materiais, as práticas de gestão, a produtividade dos cursos e dos professores etc., com o objetivo de emitir juízos valorativos e tomar decisões em relação ao desenvolvimento da instituição. A avaliação acadêmica ou científica visa a produção de informações sobre os resultados da aprendizagem escolar em função do acompanhamento e revisão das políticas educacionais, do sistema escolar e das escolas, tendo em vista formular indicadores de qualidade dos resultados do ensino. Essas duas modalidades de avaliação do sistema estão, portanto, centradas na obtenção de dados e informações relacionados com a eficiência e a eficácia dos sistemas de ensino e das escolas. A avaliação da aprendizagem escolar feita pelos professores deverá estar a serviço das funções sociais da escola, dos objetivos de ensino, do projeto pedagógico da escola, do currículo, das metodologias. Além disso, ela se assenta no respeito ao direito de todos os alunos de usufruírem de um ensino de qualidade. Os critérios de relevância da avaliação dos alunos centram-se, portanto, em dimensões qualitativas e quantitativas, ou seja, melhor qualidade 202 da aprendizagem para todos os alunos, em condições iguais. Desse modo, a justa medida da eficácia das escolas está no grau em que todos os alunos incorporam capacidades e competências cognitivas, operativas,

afetivas, morais, para sua inserção produtiva, criativa e crítica na sociedade contemporânea. Compreendida nestes termos, a avaliação dos alunos pelos professores, em cada sala de aula, em hipótese alguma pode ser substituída pela avaliação do sistema de ensino. Ao contrário, a avaliação do sistema é que deve buscar seus critérios de relevância na avaliação feita pelos professores, ou seja, a serviço da melhoria da qualidade cognitivas das aprendizagens. Os rumos que as práticas avaliativas vem tomando no âmbito do sistema de ensino brasileiro, ao contrário da posição formulada anteriormente, encaminham-se para a subordinação do trabalho dos professores e, portanto, da avaliação que fazem, aos critérios da avaliação do sistema. Nesse caso, não são os objetivos de ensino que irão determinar as formas de avaliação, mas a avaliação é que acabará por determinar os objetivos, ou seja, dependendo das finalidades postas pelos governos em relação à avaliação do sistema de ensino, ter-se-á uma escola funcional a serviço dos interesses de agências externas à escola. Vejamos essas questões mais de perto. As reformas educativas mundiais e a avaliação dos sistemas de ensino Reforma Institucional: redefinição das responsabilidades do MEC, revisão de padrões de financiamento e repasse de recursos aos municípios e estados; As políticas educacionais em âmbito internacional passam por intensas mudanças, visando ajustá-las às demandas da atual fase do capitalismo, conforme necessidades e realidades de cada país. A ordem é sintonizar os sistemas educacionais ao modelo neoliberal. A tendência das reformas educativas é de reagregar a educação à economia, numa versão modificada

em relação ao que propunham os economistas da educação a partir dos anos 50 com a chamada "teoria do capital humano". Quer-se subordinar os sistemas educacionais à economia já que, no novo paradigma de 203 produção, as novas tecnologias requerem trabalhadores mais qualificados, com mais flexibilidade profissional para atender novas demandas do mercado de trabalho e com mais espírito empreendedor para fazer frente à competitividade econômica internacional. Foi muito em função disso que surgiram as reformas educativas em vários países do mundo, primeiramente na Inglaterra e Estados Unidos no inicio dos anos 80, depois estendidas praticamente ao mundo todo (por exemplo, Espanha e Portugal, 1986; França, 1989; México, 1992; Argentina, 1993; Brasil, 197898). Foram formuladas em boa parte sob a égide dos organismos internacionais como o BIRD (Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento - Banco Mundial), o FMI (Fundo Monetário Internacional), o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciências e Cultura), entre outros. A reforma educativa brasileira ensaiou seus primeiros passos com a formulação e divulgação do Plano Decenal de Educação para Todos no período 1993-94. Medidas mais concretas foram anunciadas na proposta de governo de Fernando Henrique Cardoso para a educação básica: Estabelecimento de novos padrões de gestão: descentralização, autonomia das escolas, participação da comunidade; Educação básica: ampliação do acesso, conteúdos curriculares básicos e padrões de aprendizagem a nível

nacional, formação de professores, ensino a distância, sistema nacional de avaliação do desempenho das escolas e dos sistemas educacionais, padrões de qualidade para o livro didático, descentralização da merenda. 204 Esses pontos, cujas ações vem sendo consolidadas, acompanham as tendências das reformas educativas dos vários países, internacionais a partir das orientações econômicas e técnicas dos organismos financeiros internacionais, principalmente o Banco Mundial. As reformas educacionais acopladas às reformas econômicas têm um caráter notoriamente economicista, em que prevalecem a lógica financeira e a lógica do mercado, desconsiderando-se as implicações sociais e humanas no desenvolvimento econômico. A competitividade decorrente das novas formas de funcionamento do capitalismo só pode seguir a lógica do mercado, pela qual pouco interessa em considerar o desemprego, a pauperização, a degradação da qualidade de vida, a degradação dos serviços públicos. Há análises bastante sólidas mostrando a inserção do Brasil nas políticas de ajuste aos interesses da mundialização do capitalismo expressos no processo de globalização da economia e da política e os efeitos sociais decorrentes (De Tommasi & Outros, 1996). A avaliação educacional dos sistemas de ensino encaixase bem na lógica dessas reformas, já que a aferição dos resultados do rendimento escolar possibilita informações relativamente precisas e confiáveis sobre a realização dos programas e projetos no campo da educação, de modo a contribuir na tomada de decisões dos governos. Em outras palavras, num quadro de parcos recursos financeiros, principalmente nos países menos desenvolvidos, aumenta a

Na América Latina. Exame Nacional de Cursos (ENC). No Brasil. a avaliação global do sistema escolar é feita pelo Ministério da Educação por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP). há o Laboratório Latino americano de Avaliação da Qualidade da Educação. com caráter obrigatório para os formandos. Os objetivos desse Laboratório são: estudos comparativos internacionais. vinculado à UNESCO. criado em 1996 para avaliar os cursos de graduação. Praticamente todos os países da Europa e das Américas contam com organismos para realizar estudos sobre avaliação e medição dos sistemas de ensino. do qual 205 participam todos os países de fala portuguesa e espanhola (à exceção do Uruguai). com sede em Santiago do Chile. a cada dois anos.necessidade de verificar se os resultados desejados pelo sistema de ensino estão compensando o volume de investimentos aplicados. . realiza uma pesquisa por amostragem do ensino fundamental e médio destinada a acompanhar a evolução do desempenho dos alunos e dos diversos fatores incidentes na qualidade do ensino ministrado. que agrupa o conjunto dos sistemas de educação da América Latina e do Caribe. com os seguintes instrumentos de ação: Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB) que. geração de padrões regionais de avaliação. formação de técnicos e assistência técnica aos países-membros. desenvolvimento de programas de pesquisa sobre a avaliação e variáveis associadas ao rendimento escolar de alunos.

ressalta-se a necessidade de um sistema de informações e de processos de avaliação para o monitoramento das reformas e das políticas educacionais tendo em vista a formação do cidadão para o próximo milênio: É cada vez mais evidente que a preparação de cidadãos competentes para atuar de forma crítica e responsável na construção de uma sociedade mais justa. 206 As informações censitárias são anuais e subsidiam os órgãos formuladores e implementadores de políticas educacionais nos três níveis de governo. que foi aplicado pela primeira vez em 1998. pretende-se fortalecer a capacidade gerencial das escolas. também. democrática e . Em documento recente do MEC-INEP (1998). 1999). além de propiciar a integração das demais bases do INEP Com isso. INEP. que traz a receita e o gasto das diversas esferas de governo no componente educação. Censo do Ensino Superior.000 instituições desse ensino do País. Censo Financeiro da Educação. Esse órgão federal realiza.Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). englobando aproximadamente 1. que promove a descentralização da coleta do Censo Escolar e do acesso a seus resultados. e 50 milhões de estudantes. exame facultativo aos que já concluíram e aos concluintes do ensino médio. públicas e particulares. Desde 1996 está sendo desenvolvido o Sistema Integrado de Informações Educacionais (SIEd). pesquisas censitárias nacionais por meio de: Censo Escolar que abrange um universo de cerca de 250 mil escolas. das secretarias estaduais e municipais de educação e do próprio MEC (Cf.

É preciso ainda desenvolver sua capacidade de resolver problemas. Analisada sob esse prisma. emocional e afetiva será decisivo na formação das crianças e jovens para a sua plena inserção social e no mundo do trabalho. selecionar e processar informações com autonomia e raciocínio crítico. No âmbito dos Estados brasileiros. É preciso. ou seja. exige um perfil de qualificação em que o desenvolvimento das inteligências cognitiva. assegurar-lhes uma formação ética e solidária. como estratégia de êxito da globalização econômica. 1998). 207 Uma avaliação crítica da avaliação dos sistemas educacionais: duas faces Um primeiro olhar crítico sobre a avaliação dos sistemas e suas formas de operacionalização refere-se ao fato de que as agências financeiras internacionais estão interessadas na qualidade da educação escolar.desenvolvida. dos mercados de consumo. a avaliação educacional está atrelada a um viés economicista. 1998). portanto. são mais conhecidos dois sistemas de avaliação educacionais: o Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo SARESP e o Programa de Avaliação da Escola Pública de Minas Gerais (Bitar e Outros. a critérios . do sistema financeiro internacional. É preciso dar-lhes condições de utilizar os conhecimentos adquiridos para que tenham novas oportunidades num mundo cada vez mais complexo e competitivo (Castro. ou seja. das infra-estruturas e dos serviços de informação e comunicação. da transformação dos processos de produção. Esta é a primeira face da questão que analisaremos a seguir. É basicamente a esse objetivo que as reformas educativas atendem.

sem levar em conta que a verdadeira competitividade. por exemplo. depende da qualidade do sistema educativo. gestão da escolas etc. da formação e da remuneração dos professores.econômicos de análise do desempenho da educação escolar e. . A pergunta seria: que tipo de insumos escolares (livros didáticos. na idéia de que as relações pedagógicas podem ser entendidas como relações entre insumos educacionais e a produção de alunos educados. por exemplo. avaliação da aprendizagem.) seriam mais 208 eficazes para se obter um certo nível de aprendizado? Sendo assim. qualidade "por dentro" dos processos de ensino e aprendizagem e não apenas dos resultados. a partir de testes nacionais padronizados. como é o caso. número de alunos por classe. mas a aplicação das reformas não tem levado ao atendimento das condições necessárias à efetivação das mudanças educativas. capacitação do professor em serviço ou formação inicial. diagnosticados. salário dos docentes. a médio e longo prazo. O que tem acontecido é que as reformas acontecem num momento em que os recursos públicos destinados à educação tendem a ser submetidos a critérios de competitividade imediata. Essas relações são estabelecidas a partir da relação custo-benefício. em muitos casos. fornecimento de merenda escolar. capacitação docente. Os problemas são razoavelmente bem identificados. pode-se fazer relações entre variações no aprendizado considerando-se fatores como: presença ou ausência de livros didáticos. bem longe de critérios pedagógicos. aumento do tempo de permanência na escola. O viés economicista aparece.

Por exemplo. é melhor investir em livros didáticos e não em salários? Ou em capacitação de professores pela Educação a Distância e não pela formação inicial nas universidades? É melhor reduzir o número de alunos nas classes ou ampliar a duração do ano letivo? São opções que acabam sendo tomadas pelo critério econômico. que seriam as estratégias que podem assegurar bons resultados de rendimento escolar dos alunos.Mais adiante. já que a ênfase recai nos resultados. em muitos casos. Outras considerações precisam ser feitas. com o projeto pedagógico e com o currículo. pelas orientações das reformas 209 educativas. não se está considerando os processos que levam a uma qualidade do aprendizado. a avaliação educacional deve estar articulada com as formas de gestão (descentralização. . facilitar insumos que influenciam no rendimento escolar. ao qual cabe fixar padrões nacionais de desempenho. portanto. discutiremos os elementos do processo de planejamento e as várias denominações que tem recebido quando aplicado à instituição escolar. autonomia). quase nunca pelo critério social e pedagógico. Entretanto. Entretanto. A partir daí podem ser extraídas conclusões sobre onde aplicar ou não aplicar recursos. Daí a importância da avaliação externa pelo próprio governo. pode-se supor que. Como se sabe. monitorar o desempenho escolar. O objetivo da avaliação educacional do sistema seria a melhoria da qualidade. neste capítulo. melhorar os resultados do rendimento escolar.

a estreita preparação/qualificação para o mercado de trabalho. Não se trata de nos opormos à avaliação institucional externa ou interna. inclusive usando expedientes para escamotear resultados. moral. É preciso recusarmos a noção de aluno-cliente e continuarmos apostando no papel da escola na formação integral dos alunos (cognitiva. que as escolas estariam mais preocupadas em atender aos critérios de controle externo do que aos objetivos pedagógicos. estética) e a avaliação dessa formação não pode ser aferida pela avaliação do sistema de ensino de cunho economicista pautada nos resultados. Ou seja. Poderia ocorrer. nesse caso.já mostramos que a avaliação do sistema escolar pode prestar-se apenas a estabelecer mecanismos externos de controle. controladora. física. os diretores criariam mecanismos de seletividade prévia na própria matrícula de alunos. o que os educadores devem recusar é o tipo de avaliação em que predomine a justificativa econômica. materiais e financeiros da escola. . através dos testes padronizados. da educação escolar visando exclusivamente os vínculos com o mercado. certas escolas a criar internamente dispositivos pelos quais as crianças com problemas de rendimento escolar teriam cerceada sua entrada na escola. As escolas estariam sujeitas a um "ranking" e. O problema está na redução do processo avaliativo ao produto final sem considerar aspectos internos do processo de ensino tais como os recursos físicos. a competitividade entre as escolas e entre os alunos. Os controles levariam. afetiva. reestruturadora. o currículo. por exemplo. as condições salariais dos professores. as práticas de ensino. prejudicando os índices de avaliação a serem alcançados pela escola. para obter boa classificação.

nem na ampliação da esfera privada no campo da educação. Oliveira e Libâneo. analisar a segunda face da questão. Nesse sentido. os impactos da revolução tecnológica no campo da educação podem e devem ser absorvidos de modo a gerar perspectivas democráticas de construção de uma sociedade moderna. no entanto.Cumpre. Com a revolução tecnológica e as demais mudanças globais. abstrata. é um requisito para a melhoria das condições que afetam . é inegável a 210 crescente intelectualização do trabalho. a elevação da escolaridade. 1998). são fundamentais para toda a sociedade. tanto do sistema escolar como da aprendizagem. não pode resultar num projeto educacional competitivo e seletivo socialmente. justa e solidária. a preparação tecnológica e a formação geral. todavia. a garantia da igualdade de oportunidades. nem na criação de um mercado educacional. econômica e cultural. Numa sociedade de conhecimento e de aprendizagem é preciso dotar os sujeitos sociais de competências e habilidades para a participação na vida social. de modo que esses não venham a contribuir para novas formas de divisão social mas sim para a construção de uma sociedade democrática na forma e no conteúdo (Cf. a necessidade de formação geral mais sólida e uma demanda acentuada por educação de qualidade. para os educadores progressistas é bastante razoável supor que a avaliação educacional. especialmente quando se tem em vista. abrangente e polivalente dos trabalhadores. Isso não deve significar a aniquilação da diversidade e das singularidades dos sujeitos. Em razão disso. A universalização e melhoria da qualidade de ensino. no mínimo. Isso.

o que é totalmente inaceitável). gerando uma "cultura da responsabilização" por parte da equipe escolar. as práticas de avaliação podem propiciar mais auto-regulação institucional. Daí que se fazem necessárias políticas educativas que contribuam para o desenvolvimento sustentável do país. Seria extremamente prejudicial negar aos segmentos empobrecidos da população brasileira um ensino de qualidade. para além do seu trabalho isolado na sua matéria. por mais que se considere as críticas às orientações economicistas dos organismos financeiros internacionais. Numa visão progressista. o envolvimento dos professores e pais etc. favorecendo a identificação de necessidades locais. fazer diagnósticos mais amplos. reforçando o entendimento da escola como local em que se pensa o trabalho escolar e onde professores e especialistas aprendem em conjunto. A avaliação externa. Os professores. a descentralização das escolas. incluindo um posicionamento sobre a avaliação educacional. uma proposta pedagógica progressista pode assumir a avaliação dos estabelecimento escolares por meio dos resultados do aprendizado dos alunos (embora essa aferição não deva ser utilizada para classificar as escolas que serão beneficiadas por recursos públicos. pode ser uma ajuda à organização do trabalho na escola e nas salas de aula. em função da organização escolar e do projeto pedagógico da escola. em razão da 211 exigência de se prestar contas de um serviço público à comunidade. Nesse sentido. em conexão com a avaliação dos professores. (embora isso não deva ser usado para a redução do poder . podem analisar conjuntamente os problemas.diretamente a qualidade do ensino.

além de tomarem a avaliação como importante meio de diagnóstico do seu trabalho. procedimentos.de mobilização dos sindicatos e da participação política de professores). Admitindo-se que hoje a justiça social em termos de democratização do ensino seja a qualidade cognitiva dos processos de ensino e aprendizagem e dos seus resultados. atitudes. Para isso. em seguida. valores) precisam ser colocadas no projeto pedagógicocurricular e que. esperado dos alunos. Outras questões precisam ser consideradas com mais empenho pelos pesquisadores visando o aprimoramento da qualidade do ensino. é preciso que os educadores. é óbvio que as práticas de avaliação precisam ser encaradas com mais seriedade. tendo como referência a prática social? Como definir o perfil de aluno egresso. seus processos e resultados. Como avaliar o 212 nível de competência cognitivo. ético. a ênfase no desenvolvimento de capacidades básicas de aprendizagem (embora não se aceite um mero treinamento de habilidades). transformam-se em conteúdos curriculares e estratégias de aprendizagem na escola? São questões relacionadas com o projeto pedagógico-curricular e os processos de ensino e aprendizagem. enquanto cidadão e profissional. saibam mais sobre a elaboração de instrumentos mais diretos de aferição da qualidade da oferta dos serviços de ensino junto com a qualidade do "aluno que se quer formar". . que cada escola formula coletivamente entre seus professores e equipe técnica? Como definir quais competências profissionais e éticas (desdobradas em conhecimentos. emocional.

principalmente os interessados no bom funcionamento da escola (uma escola democrática.Avaliação educacional . por sua vez. Boa parte dos especialistas em avaliação concordariam com este desafio posto aos educadores e especialistas em avaliação escolar: integrar as contribuições criticas destas ultimas décadas e construir no cotidiano instrumentos que nos permitissem não somente analisar o rendimento escolar. emancipadora etc.) tendem a ficar perdidos com os programas introduzidos pelos Estados hoje praticamente atrelados aquelas orientações do Banco Mundial. 1998). de suas relações. a partir de suas representações.. (. de suas 213 atuações.) Neste sentido. no seu cotidiano.. Os educadores progressistas.. é tão importante avaliar como o sistema educacional condiciona a qualidade do ensino oferecido nas escolas quanto analisar como os educadores constroem. A dependência econômica do Banco Mundial força a submissão dos sistemas de ensino e das escolas às suas orientações técnicas. . os problemas envolvidos na avaliação educacional são muitos.entre a avaliação de sistemas educacionais e as avaliações do professor na sala de aula Como se pode ver. mas também compreender os processos de construção da desigualdade escolar (.. o nível de ensino que os alunos irão receber (Souza.) Avaliar com equidade significa analisar se a qualidade da educação que está sendo oferecida atende igualmente a todos os setores sociais.

adequação do ensino às exigências contemporâneas." Este segundo tipo de avaliação externa é melhor porque as escolas participam .. por amostra. dentro da escola (por exemplo. visando orientar as políticas educacionais e os órgãos gestores dessas políticas. segregação social ou excesso ou falta de rigor na avaliação feita por professores). e importante a implantação de programas de avaliação dos sistemas educacionais. avaliandose o universo inteiro de uma rede de ensino. Neste último caso. Com os programas nacionais ou estaduais.. Pode ser regional. inclusive para tentar diagnosticar disparidades de rendimento entre alunos que não podem ser captadas pelos professores.Aceita essa premissa. efeitos de migração.) (Souza. 168). O objetivo desses programas: "identificação dos conteúdos e habilidades dominados pelo aluno e a busca de elementos que possam subsidiar o planejar na perspectiva de levar a escola e os professores a superar as defasagens fragrantes nos alunos (. o objetivo dos programas de avaliação deve ser o de obter informações sobre o desempenho de alunos de um sistema. A avaliação externa pode ser nacional. de modo que os envolvidos no processo educacional reflitam sobre os problemas de ensino e aprendizagem e tomem decisões sobre a melhoria da qualidade da educação. diversidade cultural. os sistemas de ensino podem aferir a qualidade do ensino em termos de sua equidade e verificar o que a macro estrutura pode fazer para aprimorá-la. individualmente. Esses programas utilizam testes padronizados visando ao maior controle da qualidade do ensino.

pais com baixa escolaridade. Também a avaliação do aluno pelos professores precisa ter esse caráter de diagnóstico. podem provocar essas dificuldades nos alunos para vencerem as tarefas exigidas pela escola. falta de apoio afetivo em casa ou na escola. dificuldades econômicas em casa. especialmente. como aparecem estas defasagens e. . Pode-se. em síntese. as avaliações externas precisam estar voltadas para levantamento dos elementos que propiciem a democratização do acesso e a permanência na escola. permitindo uma definição mais realista do projeto pedagógico. de tal maneira que cada uma receba informações sobre o desempenho de seus próprios alunos nas principais disciplinas. A avaliação da aprendizagem precisa ajudar a identificar disciplinas ou outros aspectos em que o aluno apresenta maiores dificuldades. das necessidades de capacitação docente. de reorganização da trajetória escolar dos alunos. Em qualquer caso. em condições iguais. porque elas aparecem. pensar na possibilidade de que um conjunto de escolas (de uma área limitada) façam a avaliação conjuntamente. o que não leva as escolas a usufruírem dos dados que coletam. efeitos das formas de gestão na aprendizagem dos alunos. sólida formação cultural e cientifica a todos. O SAEB e ENEM têm uma limitação: trabalham com amostras. que propiciem melhor qualidade da aprendizagem escolar para todos os alunos. da sistemática de avaliação. condições de salário e trabalho dos professores. também. Por exemplo. dos processos pedagógicodidáticos.214 diretamente do processo avaliativo e usufruem diretamente dos resultados obtidos.

ela apenas dá indícios de onde estão os problemas de aprendizagem. dificuldades que estão tendo. organização escolar e dos planos de ensino A avaliação da escola é um processo pelo qual os especialistas (diretor. Nas últimas décadas houve pouco interesse dos pesquisadores em programas de avaliação da escola.). fatores que prejudicam o andamento das aulas etc. compreender e neutralizar as causas dos insucessos escolares" (Ibid. analisar. para melhorar o ensino.) não é o como avaliar. 215 Ligar a "teoria" sobre avaliação com o "saber-fazer" a avaliação. o porque determinado aluno vai bem e outro não. mas sim o como ensinar. (. o processo de aprendizagem do aluno e oferecer um ensino de qualidade (Ibid. Definir com clareza as competências do professor e saberes necessários para "diagnosticar. A avaliação do projeto pedagógico-curricular. da . Provocar reflexões conjuntas dos professores sobre suas preocupações na sala de aula...) o porque o aluno não está apreendendo.).... coordenador pedagógico) e os professores discutem e avaliam sua escola em função do aprimoramento pedagógico curricular e da qualidade do ensino.) Nosso problema é justamente como identificar. Compreender que a avaliação é instrumento.Algumas medidas precisariam ser tomadas nas escolas para enfrentar os problemas de avaliação.. alunos com mais dificuldades. O grande problema (. (.

idade. a avaliação da escola precisa considerar os elementos determinantes da qualidade da oferta de serviços de ensino e do sucesso escolar dos alunos. currículo profissional). os resultados do rendimento escolar dos alunos) em função das responsabilidades sociais da escola. rendimento escolar por classe. Nesse sentido. recursos físicos e materiais.direção. as relações entre professores e . materiais didáticos e informacionais. Se os testes e outras formas de aferição do rendimento forem bem elaborados. é indispensável verificar a efetividade dos serviços prestados (o comportamento profissional dos professores e especialistas. composição do corpo docente (tempo de trabalho. Tais dados já estão disponíveis na escola. dos professores. é preciso organizá-los e analisálos como prática de avaliação diagnóstica. É preciso chegar até a sala de aula para obter conhecimentos mais precisos sobre os processos de ensino e aprendizagem. De fato. tais como: características dos alunos. é preciso considerar o conjunto de fatores que levaram a eles. condições de trabalho e motivação dos professores. Mas isso não é suficiente. Mas todo cuidado é pouco para que os resultados do desempenho escolar dos alunos não sejam tomados como único parâmetro de análise da escola. do projeto pedagógico. Hoje essa necessidade torna-se cada vez mais premente. Os sistemas de ensino e as escolas se vêem hoje frente à avaliação dos resultados dos alunos como critério para a avaliação da produtividade da escola. é possível detectar problemas e dificuldades no ensino 216 das matérias de forma que a escola e os professores tomem providências para saná-los.

Isso leva a que os professores sejam formados. especialmente no que diz respeito ao domínio dos conhecimentos e metodologias e procedimentos de ensino e procedimentos de avaliação. o controle do rendimento escolar precisa ter maior rigor cientifico e método lógico. as práticas de avaliação. a qualidade cognitiva das aprendizagens. ENEM. Aspectos a serem avaliados no âmbito da organização escolar . É claro que esta avaliação global da escola indicará elementos de mudança nas práticas dos próprios professores. a construir testes de verificação de aproveitamento. nas escolas. que utilizam instrumentos estandardizados de verificação do aproveitamento escolar. Dada a importância da avaliação escolar. Há uma outra razão para se considerar este alerta. tipo SAEB. Eles não dão uma informação absolutamente fiel do rendimento dos alunos em face dos objetivos pedagógico-didáticos. Os professores precisam estar familiarizados com as práticas de avaliação externa para poderem inclusive ler as análises e tirar proveito delas para o seu trabalho.alunos. mas é importante sua utilização. Cada vez mais aparecem na imprensa. os resultados das avaliações 217 feitas pelo sistema. capacitados. A avaliação não pode ser reduzida a testes. mas permitem evidenciar uma "pista" de onde os alunos estão. verificar falhas na aquisição de conhecimentos e habilidades e possibilitar formas de recuperação.

dentro da concepção que vem sendo desenvolvida neste livro. hostil. relações interpessoais. tolerante). relações humanas (solidárias. currículo. estrutura de coordenação pedagógica e assistência aos professores. reprovações. tipo de organização (organizada. autoritária. envolvimento da equipe pedagógica e professores com os objetivos e com as ações da escola Acompanhamento do rendimento escolar dos alunos Aplicar métodos e procedimentos para acompanhar e analisar sistematicamente os resultados escolares nas varias turmas. Um investimento importante é acertar entre os professores métodos mais eficazes de diagnóstico das dificuldades escolares dos alunos. desorganizada. democrática. exigente.É sempre útil relembrar as principais variáveis em torno das quais pode incidir a avaliação: Dados estatísticos sobre a população escolar. Avaliação da execução do projeto pedagógico-curricular Esta é uma forma de avaliar a escola no seu conjunto. práticas participativas). dentro da escola. A ênfase da avaliação não recai somente nos professores e nos alunos mas nos elementos e na dinâmica de funcionamento da organização escolar: projeto 218 pedagógico. etc). da escola como referência básica do sistema de ensino. pode ajudar os professores a modificarem suas formas de trabalho. A análise dos resultados. abandono da escola. separadas. processos de ensino e aprendizagem. . Clima organizacional da escola Inclui: tipo de direção (acolhedora. situação sócio-econômica dos pais etc.

Além disso. todavia. da qualidade e da eficácia do trabalho do professor. porque. não é uma profissão na qual basta seguir uma seqüência de atos automatizados. como uma das condições do desenvolvimento profissional. Educadores que conhecem de perto o funcionamento de escolas e de salas de aula sabem que os principais pontos de um programa de observação da prática docente na sala . é dele que depende o êxito escolar dos alunos e a realização dos objetivos essenciais da escola. Por outro lado. em boa parte. É preciso. isso não pode levar a descartar a avaliação das características. inclusive pelo caráter de imprevisibilidade que têm muitas das ações escolares. etc. Não há dúvida de que o professor é o fator mais significativo na determinação da produtividade de uma escola. há uma boa dose de imprevisibilidade e improvisação. Avaliação de desempenho dos professores É cada vez mais crescente na pesquisa pedagógica a insistência na avaliação dos professores. Boa parte das ações docentes não está constantemente sob controle da consciência porque resultam de modos de agir e hábitos já consolidados. Não é tarefa fácil.sistema de gestão. Os diretores de escola e os coordenadores pedagógicos precisam. O trabalho de professor não se presta a análises meramente quantitativas. todavia. enfrentar esse tipo de avaliação de uma forma decidida porém cautelosa. Há muito pouco progresso concreto na investigação dos instrumentos de avaliação de professor (ainda que reconhecendo avanços na concepção do professor crítico-reflexivo). enfrentar o desafio de avaliação qualitativa da atividade docente através da observação sistemática de aulas e do diálogo e da reflexão conjunta com os professores.

organização. utilização dos recursos materiais e didáticos. Para finalizar: a avaliação emancipatória . como organização e desenvolvimento das aulas. horário de aulas e distribuição de disciplinas. pedagogos. procedimentos e instrumentos de avaliação da aprendizagem. preparo profissional do professor no conhecimento da disciplina e dos métodos e procedimentos de ensino e avaliação. funcionários. 1991): 219 qualidade das relações sociais e afetivas com os alunos. gestão da classe em vários aspectos. Encontros e reuniões de professores. conforme o nível de ensino atendido.de aula são os seguintes (Cf. Outros fatores também precisam ser considerados na avaliação do professor relacionados com a organização e funcionamento da escola como um todo: Disponibilidade. Estratégias de relacionamento com os pais e as formas de comunicação. incluindo instalações e equipamentos. Atividades administrativas e de apoio pedagógicodidático ao professor. qualidade da comunicação com os alunos. Ações de formação continuada de professores. Ghilardi e Spallarossa. Critérios de organização de turmas.

A tendência nas práticas de avaliação. em que o professor é também um investigador (Hernandez e Sancho. a coordenação do esforço . interação com os alunos .de modo que tome decisões com maior conhecimento de causa. é assegurar cada vez mais nas instituições 220 o caráter educativo da avaliação: meio de revisão das ações do professor . processos e relações referentes à utilização racional dos recursos materiais e de conhecimentos. Auto-avaliação. mediante um processo reflexivo rigoroso de planejamento-observação-análise-reflexão-planejamento. Estudando o assunto. CAPÍTULO XIII – Estratégias de Coordenação do Trabalho Escolar e de Participação na Gestão da Escola 223 Conforme vimos nos capítulos anteriores.práticas de ensino. A avaliação emancipatória tem três características: Avaliação compreensiva e global do processo de ensino e aprendizagem Avaliação democrática em que os resultados da avaliação são discutidos e negociados entre os participantes do trabalho escolar. a gestão de uma escola pode ser analisada por meio de duas atividades básicas: a racionalização do trabalho e coordenação do esforço humano coletivo. o professor Vítor Paro escreve que a racionalização do trabalho engloba as ações. 1994). Por sua vez. numa perspectiva de educação emancipatória.

Ainda segundo Paro. 1988). Parece não haver dúvidas de que. técnicas e habilidades em níveis e padrões que possibilitem o oferecimento de um ensino de boa qualidade a um número maior de alunos. Escreve o autor: A utilização racional dos recursos coloca o problema da competência técnica no interior da escola. Com igual razão. para um razoável desempenho do pessoal escolar. em especial do corpo docente. Dessa forma. métodos e técnicas adequados à especificidade dos seus objetivos e à especificidade do processo pedagógico escolar. uma escola comprometida com a transformação social precisa lançar mão de princípios. considerando a natureza dos fins buscados pela escola. as técnicas e instrumentos que assegurem a utilização racional de recursos materiais e conceituais. Para o autor. são imprescindíveis os conhecimentos. as pessoas envolvidas na administração da escola deverão exibir uma competência técnica que deve dizer respeito tanto ao . ser separados.humano coletivo diz respeito à utilização racional das relações entre os profissionais da instituição. na prática. "Os elementos materiais e conceituais não cumprem sua função no processo se não estiverem associados ao esforço humano coletivo. da mesma forma. faz-se necessária aposse de um conjunto de conhecimentos. os dois tipos de recursos funcionam em mútua dependência. não podendo. o esforço humano coletivo necessita dos elementos materiais e conceituais para ser aplicado racionalmente" (Paro. sempre avaliadas pela prática reflexiva. assim como a garantia da coordenação 224 do esforço humano coletivo através da participação coletiva.

) A "coordenação" do esforço de funcionários. É através dela que são fornecidas as melhores condições para que os diversos setores participem efetivamente da tomada de decisões. visto que as responsabilidades administrativas foram distribuídas juntamente com a autoridade. basta que este e mais alguns de seus auxiliares mais diretos dominem os conhecimentos e técnicas de gerência e administração.. professores. ou seja. 225 .conhecimento da coisa administrada. (. aos aspectos mais propriamente pedagógicos.. é de extrema relevância na instalação de uma administração democrática no interior da escola. métodos e técnicas relacionados à atividade administrativa.. fundamentada na participação coletiva. O mesmo não acontece numa administração democrática. é importante que todos saibam os princípios e os métodos de uma nova administração. (. mas na de grupos ou equipes representativos de todos. quanto aos processos. Nesta nova situação. em que não existem chefes colocados autoritariamente sobre os demais. já que estas não se concentram mais nas mãos de uma única pessoa. pessoal técnico-pedagógico. alunos e pais.) Esse fato coloca novamente a importância do conhecimento e familiaridade que o educador deve ter não apenas com os aspectos mais propriamente pedagógicos da escola. esta identificada com os interesses da classe trabalhadora (Paro.. 1988). mas também com os métodos e técnicas administrativos mais adequados à promoção da racionalidade interna e externa da mesma. Numa administração escolar autoritária e centralizada na figura do diretor.

portanto. a coordenação pedagógica e os professores para trocar idéias e tomar decisões sobre questões pedagógicas. REUNIÕES DE PROFESSORES Por "reunião de professores" entende-se o encontro formal entre a direção. referentes especialmente à coordenação pedagógica e aos professores. reunião administrativa. Nesse caso. A reunião de professores é uma necessidade da organização escolar mas é também um espaço de formação continuada. sem preocupação de esgotá-los. visando o aprimoramento das práticas de organização e gestão da escola: 1. Apresentamos a seguir alguns deles. Entrevistas. Etapas para a elaboração de projetos. . Modelo clínico de formação continuada. Reuniões de professores. de promoção da participação. 1. 6. 3.É em razão desses argumentos que foram selecionados alguns procedimentos e técnicas úteis para viabilização do trabalho escolar. 5.Destinada à transmissão de informações ou medidas a serem cumpridas. 2. Informativa . daí poder-se falar de reunião pedagógica. 4. administrativas e financeiras da escola. de comunicação e de construção coletiva da organização e gestão da escola. trata de questões já decididas que serão apenas comunicadas. Evidentemente. Tipos de reunião Há vários tipos de reunião de professores. Conselho de Classe. cada reunião pode ser dedicada a um desses setores. etc. Seminários.

Nérici.Visa a leitura e discussão de um texto. a reunião é um procedimento administrativo indispensável ao sistema de gestão da escola. pode tornar-se uma atividade malvista e desconfortável. projeto ou para subsidiar uma tomada de decisão. às vezes. 1980. Entretanto. deverá aceitar todos os pedidos de esclarecimentos. De estudo .O objetivo é a discussão de um assunto ou a busca de solução de problemas. Coleta de opiniões . Observação importante: conforme afirmamos anteriormente. 1973 e Grisi. os professores. Não tem caráter oficial. a coordenação pedagógica.O objetivo é ouvir as pessoas para a elaboração de um documento. aprofundamento da leitura de documentos. Geralmente esse tipo de reunião sucede a uma decisão já tomada em reunião formal e aqui o coordenador irá pedir sugestões e informações para concretizá-la.226 pode-se usar de bastante objetividade. foram aproveitadas idéias de vários autores. Sobre o tipo e formas de reunião. pois o que se decidir deverá ser assumido por todos os membros da escola. Na reunião. As reuniões de estudo são denominadas. precisam levar a sério a organização das reuniões. de seminários. especialmente. Para . Opinativa-deliberativa . A 227 direção. Convém que o coordenador desse tipo de reunião prepare de antemão pontos polêmicos da comunicação. Tem caráter oficial. preparação conjunta de aulas etc.

preferentemente. medidas e normas já estabelecidas na legislação. Evitar colocar na mesma sala pessoas com interesses muito divergentes ou de nível cultural ou de escolaridade muito diferenciados. divergências de opinião etc. especialmente o que já está previsto em leis. Da mesma forma. quadronegro. conforto. Sugestões para o planejamento e organização de reuniões Escolher o local e verificar as condições físicas e materiais: iluminação. em círculo. ou questões que já fazem parte dos deveres e obrigações profissionais. arejamento. visando a facilitar a comunicação e o diálogo. não levar para a reunião assuntos sobre os quais já se tomou uma decisão. Submeter a pauta à aprovação dos participantes. com os mesmos interesses. Manter rigorosamente o horário de início e de término da reunião. Programar uma pauta possível de ser cumprida.isso. Dispor os assentos. Evitar colocar em pauta assuntos e questões que podem ser resolvidas individualmente com os interessados. local e horário. Preparar rigorosamente a reunião: definir objetivos e pauta. cuidando para não torná-la excessivamente longa 228 . muito bem organizadas e muito bem conduzidas. esclarecendo quais questões são mais urgentes. regulamentos ou rotinas. prevenir-se para perguntas embaraçosas. elas precisam ser planejadas. Reunir pessoas mais ou menos do mesmo nível hierárquico. material didático e audiovisual etc. recomenda-se que não se façam reuniões improvisadas.

O coordenador ou alguém do grupo apresenta o problema. Há muitas outras técnicas de realizar uma reunião. 2. 4.Não abusar no número de reuniões. Se for grupo novo em que as pessoas não se conhecem.). 5. para quando. o grupo operativo (discussão dirigida de solução de problemas). Iniciar a reunião apresentando os assuntos e os objetivos da discussão. 6. promover uma breve apresentação dos presentes. Pode ser útil cada participante escrever seu nome numa folha e afixar na carteira. Recomendações úteis ao coordenador de reunião Apresentar-se na reunião com bastante segurança e confiança em si para passar segurança aos participantes. Discussão. 3. Técnicas de condução da reunião A técnica mais comum é a reunião de trabalho. há a Tempestade Mental (Brainstorming). Apresentação de soluções alternativas. seminários de estudo. que pode ser conduzida da seguinte forma: 1. Definição bem clara dos assuntos ou problemas... Apresentação dos assuntos. discussão livre. conforme os tipos apontados acima. Entre elas. Delegação de responsabilidades (quem fará o quê. Conclusões. 229 .

Após uma rodada de discussão sintetizar os pontos já tratados. não permitir em nenhuma hipótese conversas paralelas. Não permitir que a reunião prossiga enquanto todo o grupo não estiver atento. Ter paciência para ouvir todos. Pedir esclarecimentos. envolventes. Não monopolizar a palavra ou a discussão. Se for necessário. ENTREVISTAS INDIVIDUAIS . fazer voltar sempre ao tema em discussão. 230 2. Estar atento para posições ou opiniões "proteladoras". pontuar as conclusões a que o grupo vai chegando. diversionistas. provocar a participação chamando as pessoas pelo nome. aprender a persuadir. mantendo o grupo dentro do assunto. Se as pessoas não falarem espontaneamente. sem antecipar ou precipitar as conclusões. dados concretos.Fazer perguntas iniciais aos participantes. informações. oferecendo dados concretos. Assegurar a condução da reunião. usando argumentos seguros. a convencer. que podem dificultar a busca de soluções positivas para os problemas. tomando especial cuidado com as pessoas que falam demais e com as que falam pouco ou não se manifestam. Estimular todos os participantes a expressarem sua opinião. de modo que se mantenha o clima de debate e se aprofunde mais a discussão. Estimular a participação de todos os membros do grupo.

pais. a entrevista na escola é um encontro de duas ou mais pessoas interessadas em melhorar uma situação. A entrevista pode ser. na qual não há um roteiro prévio. Por isso. c) Mista. na qual há um roteiro prévio de questões ou perguntas dirigidas ao entrevistado. chamar a mãe para conversar sobre dificuldades dos alunos. é provocada por algum fato. É importante destacar que a entrevista deve centrar-se na análise da situação ou na solução do problema e não em uma das pessoas envolvidas. alguma observação ou solicitação. um cotejamento de modos de ver uma situação.Os professores e professoras são sempre solicitados a entrevistar alunos. ainda. utilizada como técnica de ensino e aprendizagem na sala de aula. a conversa flui livremente entre os participantes. utilizando ambos os procedimentos. geralmente. para se chegar a uma conclusão. Chamar um aluno para conversar sobre seu rendimento escolar. b) Não-dirigida. Conversar com uma professora sobre problemas de disciplina na classe. um problema. Orientações gerais sobre a técnica de entrevista A entrevista. resolver um problema. Procedimentos . mais flexível. Também os coordenadores pedagógicos utilizam a entrevista para reuniões de trabalho com os professores. Segundo especialistas. Tipos de entrevistas a) Dirigida. Por exemplo. é importante que seja uma troca de pontos de vista.

após uma observação de classe. É um trabalho integrado. quase sempre. munidos de informações. após a realização de um evento. tem um 231 desenvolvimento compatível com a situação que está sendo analisada. Convém que na convocação ou convite para a entrevista já seja informado o motivo da sua realização. compromissos. Isso significa que podem existir pontos da conversa que são inegociáveis. Por isso entrevista é peculiar. uma troca de impressões de modos de ver. também. Os entrevistados precisam levar em conta que trabalham numa organização que tem uma filosofia de trabalho. pela sua natureza. mediante a reflexão. de cooperação mutua. normas. resolver problemas. objetivos. A entrevista do coordenador pedagógico com os professores A entrevista individual é.A entrevista é. . Se o objetivo é. Mas podem ser sugeridos alguns procedimentos: O entrevistador e o entrevistado devem ir à entrevista com objetivos claros. um procedimento útil para reunir o coordenador pedagógico e o professor. Visa o acompanhamento do trabalho em sala de aula para aprimoramento do ensino. Nesse caso. a entrevista precisa acontecer imediatamente após o ocorrido. A informalidade é um importante requisito para uma boa entrevista. de idéias. o diálogo e a tomada de novas decisões. com um roteiro mínimo de perguntas ou questões. é um importante momento de formação continuada para ambos.

As entrevistas precisam ocorrer imediatamente após a observação de aulas do professor. evidências. levando a tornar mais eficaz a ação docente. a partir das dificuldades apontadas. por si próprios.Essa entrevista tem por objetivos: a) Ajudar os professores a tomarem consciência do seu desempenho e a encontrarem. d) Combinar com o professor a ida do coordenador à sua classe para observação de aula. novas discussões. suas limitações quanto à motivação dos alunos. visando a um plano de auto-aperfeiçoamento. 232 b) Auxiliar no desenvolvimento de habilidades de analisar. e) Análise e interpretação dos dados colhidos durante a observação junto com o professor para verificar pontos fortes e fracos da sua atuação. A entrevista deve ter caráter eminentemente profissional. os caminhos necessários para a melhoria da sua atuação. f) Acerto de novas observações. de lado a lado. procedimentos etc. avaliação. dados. para evitar desconfianças. c) Ouvir o professor sobre suas dificuldades. temores. avaliar e interpretar o que se passa consigo e na sala de aula. Observações importantes: As entrevistas entre coordenador pedagógico e professores precisam estar fundamentadas em informações. disciplina. metodologia de ensino. considerando-se portanto o trabalho .

Se a entrevista se destina a conversar com o professor sobre situações observadas em aula. 3. a professores iniciantes ou inexperientes. Diferentemente do que tem sido feito nas escolas. também. havendo um intercâmbio de pontos de vista. para serem discutidos posteriormente. mas a estruturação de . obviamente. ignorar as relações pessoais). pode ser útil a elaboração prévia de uma ficha de observação dos aspectos a serem observados. o objetivo do seminário não é apresentar as conclusões para uma classe ou grupo maior. apontamentos. num clima de colaboração recíproca. O coordenador poderá. atitudes. valores. 233 Os coordenadores precisam dedicar especial atenção. implicando. nas entrevistas. alunos. utilizar gravador. câmara de vídeo. A idéia básica dessa técnica é promover a aprendizagem ativa entre os membros (professores. motivações. professores sem formação pedagógica. portanto. SEMINÁRIOS O objetivo do "Seminário" é o estudo de um tema juntamente com outras pessoas. professores com mais dificuldades na sala de aula. sempre com o consentimento do professor. aprimorar o processo de ensino e aprendizagem. em reuniões previamente planejadas. A entrevista é um encontro entre pessoas. cada um com sua especialidade.realizado ou a ser iniciado (o que não significa. Considerar que a reunião entre coordenadores e professores acontece entre duas pessoas. visando melhorar uma situação. discutida antes com o professor. pais). habilidades dos envolvidos na percepção e compreensão do outro.

conceitos. O estudo conjunto exige a investigação e a pesquisa de diversas fontes e recursos de informação (o estudo de um livro ou capítulo de livro não justifica um seminário. atividades de integração . visando a um conhecimento mais minucioso da turma e de cada um e análise do desempenho do professor com base nos resultados alcançados. daí. É a instância que permite o acompanhamento dos alunos. dos pais. fazer nova discussão. Algumas recomendações Os participantes devem ter interesses comuns quanto ao tema e um nível de conhecimentos semelhante. É o resultado do trabalho desse pequeno grupo que será apresentado para toda a classe. CONSELHO DE CLASSE O Conselho de Classe é um órgão colegiado composto pelos professores da classe. o debate e a verbalização de idéias dentro do pequeno grupo. o Conselho de Classe também é competente para formular propostas para a coordenação pedagógico-didática. Todos os membros precisam participar igualmente do trabalho. para socializar as conclusões. facilitar e ampliar as relações mútuas entre os professores. o importante é a diversificação de fontes). pais e alunos. em alguns casos. Em algumas experiências. podendo. e incentivar projetos de investigação. por representantes dos alunos e. 234 O seminário deve ser apresentado para a classe como síntese do trabalho do grupo. Tem a responsabilidade de formular propostas referentes à ação educativa e didática. 4.

). . retomada da matéria etc. após o Conselho de Escola. A participação no Conselho de classe requer dos professores e coordenação pedagógica a consulta a informações e registros que possam subsidiar as decisões. pode trazer conflitos de interesses e competências. mas isso não deve ser motivo de não incluí-los nas reuniões. e verificar periodicamente o andamento geral dessas atividades. Há que se buscar as possibilidades de acordo mútuo. os ajustes necessários. tal como já alertamos quando tratamos do Conselho de Escola. Os objetivos do conselho de classe são: Aprimoramento do diagnóstico dos problemas e dificuldades.e iniciativas de apoio. 235 Obtenção de informações para facilitar o aconselhamento ao aluno. Identificação de progressos e mudanças de comportamento de alunos. Elaboração de programas de recuperação e outras atividades de apoio. Reformulação do plano de ensino (revisão. Se essas competências forem levadas a sério. A presença de pais e estudantes no Conselho de Classe. Busca de soluções alternativas para as dificuldades que aparecerem. de estabelecimento de limites e competências. o Conselho de Classe poderá tornar-se o órgão colegiado mais interessante sob o ponto de vista pedagógico-didático.

decidir e agir tirando conclusões ou para antecipar resultados de determinadas decisões ou atitudes. principalmente. o método clinico é baseado na articulação entre prática e reflexão sobre a prática. O professor "clínico" é aquele que. O termo "clinico" refere-se a um modelo de funcionamento intelectual basicamente assentado na metodologia de solução de problemas. Ele supõe levantamento de necessidades de desenvolvimento profissional através. A idéia-chave desse modelo é considerar o professor como alguém que reflete sobre sua prática a partir da própria investigação sobre essa prática.5. O modelo clínico pode ser aplicado a um ou mais professores. . 236 Ainda segundo Perrenoud. de um projeto organizado de ação e da análise dessa prática. mas é melhor que seja feito com o grupo todo. a formação clínica é uma formação orientada pela prática a partir de uma formação pedagógica. frente a uma situação problemática complexa. Daí a necessidade de que cada professor tenha disposição e competência para análise individual ou coletiva de suas práticas para pensar. possui as regras e dispõe dos meios teóricos e práticos para: avaliar a situação. pensar numa intervenção eficaz. de observação de aulas. Conforme o pedagogo suíço Philippe Perrenoud. MODELO CLÍNICO DE FORMAÇÃO CONTINUADA O modelo clínico é assim chamado por tratar-se de um trabalho preventivo de orientação do professor na sala de aula. que permite a prática reflexiva sobre o trabalho em desenvolvimento e previne para que as dificuldades encontradas sejam superadas.

seguir uma lógica de construção de conhecimento. Sem. nem em conformar-se com um modelo. partindo do que os professores acham significativo (i.) Para que a experiência prática resulte numa verdadeira maestria profissional é preciso que o professor possa analisar a prática. No dizer do próprio Perrenoud: Ensinar não consiste em aplicar cegamente uma teoria. através da prática. ou mal 237 sucedidas. mas uma prática planejada. essencialmente. Essa formação é feita. avaliar a sua eficácia aparente. realizar outros ensaios e passar a agir de forma diferente (1993). baseada na prática refletida.colocá-la em prática. centradas em suas necessidades). compreender como e porque esta atividade ou aquela intervenção foram bem. resolver problemas.. corrigir o rumo. de emergência. tomar decisões. (. definindo-se antecipadamente uma problemática. para tanto. utiliza-se da investigação para selecionar experiências pertinentes (tendo em vista uma construção mais rigorosa do objeto). A formação clinica.e. e. agir em situação de incerteza e. para que os problemas a serem resolvidos estejam à altura das pessoas em formação. antes de mais nada. É... afundar no pragmatismo absoluto ou em ações pontuais. Mas não uma prática qualquer. Este tópico é uma adaptação livre do capítulo "Técnica de projeto" do livro Planejamento e organização do . muitas vezes. bem organizada.

ETAPAS PARA A ELABORAÇÃO DE PROJETOS 2 Observações prévias O projeto é o resultado de um processo de planejamento e negociação entre os membros de uma equipe escolar. iniciativa e motivação dos dirigentes. Cabe aos dirigentes das instituições ter lucidez e competência para formular as melhores estratégias de introduzir a prática do projeto. Porto Alegre. implicando capacidade de liderança. 6. ter consciência de que nem sempre a necessidade real do grupo coincide com a necessidade impositiva (ou. uma adequada distribuição de cargos e responsabilidades e a institucionalização de condições de diálogo e comunicação (por exemplo. sem que o projeto seja uma necessidade sentida por um grupo. De pouco resolverá uma seqüência de passos. Os profissionais de uma escola precisam. horas pagas para reuniões de trabalho). tal como apresentamos a seguir. Um bom diagnóstico da situação. também. A instituição . levado junto 237 com a equipe. de forma alguma. mesmo. 1993). 1974. até que as pessoas assumam a necessidade do projeto pedagógico coletivo. Além disso. É preciso ter o projeto e o sistema de gestão. significa "deixar o barco correr". necessidade da instituição) de um projeto (Carvalho. nenhum projeto resolve os problemas de gestão de uma escola. Não foi por acaso que insistimos bastante na importância do sistema de gestão e direção da escola.ensino. coordenado por Loureimi Ercolani Saldanha. de forma a estabelecer uma ponte entre a situação atual e os cenários desejáveis. pode ser um bom começo de conversa. Isso. Editora Globo/INL.

numa estratégia de busca de consenso ao invés de submeter as decisões ao voto. de alguma forma. A busca de consenso é mais democrática. avaliação e realimentação do projeto . Em resumo. Cabe insistir. nas práticas de gestão da escola. O projeto consiste na colocação clara do problema e no planejamento do curso da ação para solucioná-lo. 5) Implementação do projeto. É até recomendável que se crie um grupo de trabalho ou comissão com a função de protagonizar. permite uma maior coesão do grupo (inclusive por deixar claras as diferenças. dando mais solidez às possibilidades de êxito do projeto. 239 6) Acompanhamento. 2) Determinar objetivos e necessidades.sempre contará com algumas pessoas interessadas e motivadas pelo projeto e a elas cabe. as posições. através da reflexão e da implementação de estratégias concretas e de sua avaliação. 4) Organização do projeto. convém que as decisões sejam tomadas por consenso e não por maioria. os pontos de vista). A seqüência de passos sugerida para se chegar ao projeto é a seguinte: 1) Definir o problema. O processo de elaboração do projeto O projeto é uma importante técnica de identificação (diagnóstico) e solução de problemas. mobilizar estratégias de mudança. 3) Levantar alternativas de solução possíveis e coerentes com o problema. a introdução do projeto.

os vários fatores da situação e do contexto mais geral. cabe determinar necessidades. Analisar o problema levando em conta suas possíveis causas. e que precisa ser alterado. Para isso. um desafio. 2. operacional. Obviamente. Sempre considerar as condições existentes 240 (viabilidade) ou as condições ainda inexistentes mas que sejam possíveis de serem criadas. O resultado final desejado é o objetivo geral. O que é necessário para atingir os objetivos propostos? As necessidades podem ser pensadas em termos de pessoal. são definidos objetivos intermediários. os objetivos precisam ser realistas. Determinar objetivos e necessidades Definido o problema de forma explicita e operacional é preciso pensar qual será a situação desejada para resolver o problema. o objetivo imediato. Um problema é uma situação não satisfatória.Formular o problema de forma clara. Definir o problema Primeiro momento . Trata-se de aprofundar o conhecimento da situação. tempo. Em seguida. refletir e buscar uma situação mais satisfatória. chega-se à delimitação e definição do problema. materiais. Com isso. Em síntese: Segundo momento .1. . financeiros. algo que não anda bem.Diagnóstico da situação para obtenção de informações relevantes. recursos físicos. possíveis de ser atingidos.

sem prejuízo da qualidade. sem prejuízo dos objetivos. o diálogo. Ainda há. Levantadas várias alternativas.necessidades .A identificação de necessidades e a avaliação das condições existentes podem levar à modificação dos objetivos. Entretanto. é verdade. . a participação etc. produtividade. também. isto é. de forma que ninguém tenha dúvida dos resultados desejados a partir das ações levadas a efeito. as que melhor se ajustam ao problema. a maioria eficiência. da parte de alguns educadores. (por causa de sua vinculação ao tecnicismo educacional). a negociação. coerentes e operacionalizados. às necessidades e aos objetivos propostos. O problema dessa tendência é reduzir o funcionamento das instituições a critérios exclusivamente de eficácia. Diagnóstico . Daí a importância de objetivos muito claros.negociação . considerando.se: 241 menor custo.objetivos 3. se é verdade que as organizações escolares precisam ter um projeto. bem como práticas avaliativas visando a reformulação dos processos e do próprio projeto. sem considerar a flexibilidade. certa resistência a objetivos operacionalizados. controle. elas podem passar pelo crivo dos critérios de seleção. o compromisso das pessoas. a imprevisibilidade. Levantar alternativas de solução possíveis e coerentes com o problema É a fase do exame das soluções possíveis. que precisam funcionar competentemente.

Acima de tudo. Organização do projeto O projeto é um guia para a ação. 242 . materiais. estratégias. humanos e da própria coordenação do esforço humano coletivo. é preciso considerar. procedimentos. éticos. Curricular e metodológica (no caso de escola) objetivos. materiais. também. O projeto sempre tem os aspectos técnico-administrativos (condições físicas. 4. pôr em ação o projeto.organização e gestão de recursos físicos. metodologias. O projeto prevê o processo de trabalho dirigido ao atendimento dos objetivos. critérios sociológicos. humanas. conteúdos. mobilizar esforços para atingir os objetivos previstos. psicológicos. Implementação do projeto Implementar significa criar as condições. concretizados em atividades a serem realizadas. as alternativas precisam considerar os critérios de qualidade humana e educacional (Capitulo 111 deste livro). metodológicos).menor risco. A implementação levará em conta os seguintes aspectos: organizacional . É importante preparar um cronograma de execução (plano de gestão do tempo). sem prejuízo da capacidade de inovar e ousar. sistemática de gestão) e os aspectos conceituais (pedagógicos. formas de acompanhamento e avaliação. Obviamente. 5. visando a implantação da alternativa selecionada em função dos objetivos.

Rui. a qualidade do projeto. O exame e análise dos dados podem exigir correções no processo. 2000. Tese de doutorado. Acompanhamento. para se verificar até que ponto em que nível de qualidade os objetivos foram atingidos.6. em função dos objetivos. . Formação e desenvolvimento profissional do professor: o aprender a profissão (um estudo em escola publica). Educa. através dos resultados. incluindo a utilização de instrumentos de medida. É o que se denomina "retroalimentação". As várias formas de avaliação processual. Definir o problema Determinar objetivos e necessidades Levantar alternativas de solução possíveis e coerentes com o problema Organização Implementação Acompanhamento. AMIGUINHO. 1994. permitem verificar. Escolas e Mudança: O papel dos Centros de Formação. que podemos sintetizar no termo AVALIAÇÃO. Maria de Fátima B. a organização e as condições em que está sendo implantado o projeto. avaliação e realimentação do projeto BIBLIOGRAFIA ABDALLA.). avaliação e realimentação do projeto Estes aspectos. Abílio. São Paulo: Faculdade de Educação da USP. e CANÁRIO. levará à avaliação somativa. tendo como critério os objetivos previstos. Os resultados precisam ser analisados criteriosamente. (Orgs. O acompanhamento permite ir controlando as várias fases de implantação. Lisboa.

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68. 1999. GUIMARÃES. 1994. Técnicas de la moderna supervisión escolar.). Viggiani. 1998. e EVANS. Mario. 1999. M. A profissionalização docente. para quê? São Paulo: Cortez.. N. .GHILARDI. Buenos Aires: Ediciones Troquel. São Paulo: Melhoramentos. (Orgs. 1994. e SILVA JR. LOURENÇO FILHO.1999 (Texto avulso). São Paulo: Unesp. Selma G. 1998. Guia para a organização da escola. 10. B. José C. Entrevista concedida à Revista ANDE. LARANJEIRA. Maria A. NEAGLEY. 245 HENRIQUES. 1991. MANACORDA. Portugal: Edições ASA. LIBÂNEO. 1969. Maria I. Juana M. LIBÂNEO. Adeus professor. In: BICUDO. Celestino A. Referências para a formação de professores. Valter S. São Paulo: Cortez. Goiânia: UFG. Dean. Carlo. adeus professora? Novas exigências educacionais e profissão docente. 1976. Porto: Porto Editora. 1986. Barcelona: Paidós. Fernando & SANCHO. In: Educação e Sociedade. Formação do educador e avaliação educacional: formação inicial e continua. Formação dos profissionais da educação -visão crítica e perspectivas de mudança. Pedagogia e pedagogos. São Paulo. Organização e Administração Escolar. 1991. José C. e PIMENTA. Ross L. Igualdades e diferenças. MARTINS. José do P Administração Escolar. n. Fernanda. Franco e SPALLAROSSA. et alii. São Paulo: Atlas. HERNÁNDEZ. Para enseñar no basta con saber la asignatura.

O planejamento do trabalho pedagógí tentativas de respostas. Warde. 1973. Administração Escolar -Introdução crítica. Haddad.NÉRICI. Práticas pedagógicas. Mimeo. Antônio (Coord. São Paulo: Xamã. PERRENOUD. profissão docente e formação. 246 De Tommasi. 1999. João F. e LIBÂNEO. Porto Alegre: Artes Médicas. José C. Lisboa: Publicações Dom Quixote/Instituto de Inovação Educacional. A educação escolar e a sociedade contemporânea. Crítica da organização do trabalho pedagógico Papirus.. As organizações escolares em análise. (Org. Philippe. 1995. (Org. A organização do trabalho pedag pesquisa de novas formas de organização.. São Paulo. In: Fragmentos de Cultura. José A. OLIVEIRA. p. 2000. PEDRA. Por dentro da escola pública. Sérgio (Ç e as políticas educacionais. Perspectivas sociológicas. PARO. São Paulo: Cortez. 1998. Belo 1989. FUSARI.). . n. 1995.). 1997. 8. Lisboa: Publicações Dom Quixote. Currículo. Goiânia. São Paulo: Atlas. conhecimento e suas representações. Mirian J.). FREITAS. Supervisão educacional para uma escola Cortez. Imideo G. Livia. 1988. de. Gestão democrática da ed novos desafios. São Paulo: Cortez. Campinas: Papirus. Luís C. 1996. São Paulo: Cortez. NÓVOA. Introdução d supervisão escolar. 1993. 1998). José C. 199 FERREIRA. Naura S. 8 (3):597-612. Idéias. C. 10 novas competências para ensinar. Vitor H.

Goiânia. (Org. PIMENTA. Selma G. 1999. e MAIA. Luís A. Plano escolar -Camin Paulo: Cooperativa Técnico-educacional. La cultura escolar en la sociedad n. p. da C. Didática e Formação de professores: percursos e perspectivas no Brasil e em Ibrtugal. Gestão democrática contemporâneos. 1997. Faculdade de Educação/ Universidade Federal do mestrado. 1997.1. Temas para um p Petrópolis: Vozes. LUCK. . Danilo. pedagogia e didática. 1999. Dalila A. 417-424. Selma G. n. PIMENTA. Porto Alegre: Artes Médicas. S. OYAFUSO. LIMA. 1999. 1998. São Paulo: Cortez.). OCDE. José. Heloísa et al. São Paulo. Maria Rita N.). 1990. Portugal: Edições AS OLIVEIRA.). 1995. e GANDIN. S. A construção do projeto pedagó Idéias. 1993. Cadernos de Pesquisa (Fundação Carlos Ch 5-10. Poderes instáveis em educa Médicas. As escolas e a qualidade. Enfrentando o desafio da escola: p a ação. 8. A. 41 i ten por cento 41 1Q Construir as competências desde a escola. (Org. Sueli A. Morata. 1998. GIMENO SACRISTÁN. uma síntese provisória.GANDIN. In: Pimenta (Org. Alciko.O trabal Rio de janeiro: DP-A. São Paulo: Cortez. GATTI. A prática (e a teoria docente) . In: Oliveira. 1999. Para uma re-significação da Didática: ciências da educação. PÉRES GÓMEZ. Organização da escola e do et. A escola participativa .Resignificando a didática. uma revisão conceitual. Eny. Bernadete.

1996. São Paulo: Cortez. e PADILHA. Cortez. Os conselhos escolares da rede municipal de ensino de Goiânia. 30. São Paulo: Cortez. (Org.). Teobaldo M. 1997. 1997.Princípios e proposições.). Cuiabá: Entrelinhas Editora. 2000.Confluências e divergências entre didática e currículo. SILVA JUNIOR. Louremi E. Noções de Administração Escolar. In: Pimenta (Org. (Orgs. Saberes pedagógicos e atividade docente.). Marlene S. CARMO. Educação e poder local. Formação de professores: saberes e identidade da docência. S.. e BERNE. Planejamento e organização do ensino. SANTOS. 1998. O. A escola pública como local de trabalho. Gestão da escola fundamental. Porto Alegre: Globo/INL. Goiânia: UFG. SANTOS. Tese de doutorado. O estudo da escola. In: Idéias. RIOS. Celestino da. 1997. São Paulo: Cortez. (Coord. SOUSA. do. Paulo R.). BARROSO. 1998. João.Paulo. ROMÃO. Alberto R. Portugal: Porto Editora.). Outras indicações bibliográficas APPLE.Por uma docência da melhor qualidade. 1996. Michael. 1999. Claríza P Descrição de uma trajetória na/da Avaliação Educacional. São Paulo: Faculdade de Educação da USP. Autonomia da escola . (Orgs. José E. São Paulo: Cortez/Autores Associados. Dissertação de Mestrado. Moacir e Romão. . São Paulo: Companhia Editora Nacional. José E. 1974. Campinas: Papirus. SALDANHA. 1990. 1966. Terezinha A . Diretores escolares e gestão democrática da escola (In: Gadotti. James. UNESCO-MEC. Escolas democráticas. 1997.

1997. Autonomia da escola . UNESCO-MEC.). São Paulo: Faculdade de Educação da USP. Tese de doutorado. In: Pimenta (Org. 1997. 1998. Porto Alegre: Artes Médicas. Selma G. Campinas: Papirus. (Orgs.). Educação e qualidade. Didática e Formação de professores: percursos e perspectivas no Brasil e em Ibrtugal. uma síntese provisória. Confluências e divergências entre didática e currículo. PIMENTA. S. Cuiabá: Entrelinhas Editora. Planejamento e organização do ensino.). 247 Construir as competências desde a escola.DEMO. São Paulo: Cortez. Saberes pedagógicos e atividade docente. e PADILHA. RIOS. Moacir e Romão. Por uma docência da melhor qualidade. 1997.). Educação e poder local. Cortez. In: Pimenta (Org. Louremi E. Diretores escolares e gestão democrática da escola (In: Gadotti. A prática (e a teoria docente) . Marlene S. 2000. O.Resignificando a didática. Porto Alegre: Globo/INL. 1999. In: Oliveira. (Coord. .Princípios e proposições. Paulo R. Pedro. Campinas: Papirus. José E. S. pedagogia e didática. Para uma re-significação da Didática: ciências da educação. Maria Rita N. Formação de professores: saberes e identidade da docência. ROMÃO.. Terezinha A . Gestão da escola fundamental. São Paulo: Cortez. SANTOS.).Paulo. São Paulo: Cortez. SALDANHA. 1974. 1994. 1997. uma revisão conceitual. José E. 1999. (Org.

James. Celestino da. Mimeo. 44-53. Warde. A organização do trabalho pedagógico Elementos para pesquisa de novas formas de organização. São Paulo: Cortez. O planejamento do trabalho pedagógico: algumas indagações e tentativas de respostas. (Org. A escola pública como local de trabalho. Luís C. 1996. São Paulo: Cortez. Michael. José C. 1989. SOUSA.). Haddad. De Tommasi. 1997. Goiânia: UFG. 8. novos desafios.). Crítica da organização do trabalho pedagógico e da didática. Campinas: Papirus. Noções de Administração Escolar. e BEANE. FUSARI. Belo Horizonte: V ENDIPE. Mirian J.. In: Idéias.). Gestão democrática da educação: atuais tendências. O estudo da escola. Sérgio (Orgs. 1998. João. 30. Alberto R. 1990. 1996. São Paulo: Cortez/Autores Associados. 1995. SILVA JUNIOR. Idéias.). O Banco Mundial e as políticas educacionais. Escolas democráticas. C. CARMO. São Paulo. Supervisão educacional para uma escola de qualidade. Portugal: Porto Editora. (Org. Clarfza P Descrição de uma trajetória na/da Avaliação Educacional. Dissertação de Mestrado. 1998. p. São Paulo: Cortez. Naura S. São Paulo: Companhia Editora Nacional. 1990. DEMO. Teobaldo M. 1999. Educação e qualidade.). Os conselhos escolares da rede municipal de ensino de Goiânia. (Orgs. Outras indicações bibliográficas APPLE. do. . (Org. n. FERREIRA.SANTOS. BARROSO. Pedro. 1994. São Paulo: Cortez. Campinas: Papirus. Livia. 1966. 1996. FREITAS.

1993. 1999. São Paulo: Cooperativa Técnicoeducacional. 248 ANEXOS PRAIS. Maria de Lourdes M. Portugal: Edições ASA. 1999. Sueli A. Danilo. José.grau. p. A construção do projeto pedagógico na escola de 1. 417-424. n. Organização da escola e do ensino e atuação do diretor. S. Poderes instáveis em educação. Selma G.Desafios contemporâneos. (Org. 8. Plano escolar -Caminho para a autonomia. Rio de janeiro: DP&A. Campinas: Papirus. da C. As escolas e a qualidade.O trabalho do gestor escolar. OCDE. 1995. LUCK. GIMENO SACRISTÁN. A escola participativa . 1990. Petrópolis: Vozes. LIMA. GATTI. PÉRES GÓMEZ. . 1998. La cultura escolar en la sociedad neoliberal. Goiânia. ed. e GANDIN. Idéias. Administração colegiada na escola pública. Porto Alegre: Artes Médicas. Madrid: Editora Morata. Dalila A. Dissertação de mestrado. e MAIA. OYAFUSO. Bernadete.). São Paulo. 1990. Temas para um projeto político pedagógico. 1992. Enfrentando o desafio da escola: princípios e diretrizes para a ação. Faculdade de Educação/ Universidade Federal de Goiás. São Paulo. São Paulo: Cortez. 2. OLIVEIRA.GANDIN. PIMENTA. I. 1998. p. Eny. Luís A. 1997. Gestão democrática da educação . A. 85. n. 1999. Cadernos de Pesquisa (Fundação Carlos Chagas). Heloísa et al. 5-10. Akiko.

). O homem é o único animal capaz de antecipar na sua mente o que pretende fazer. ANEXO I PLANEJAMENTO ESCOLAR . Rinalva. . Campinas: Papirus. São Paulo: Cortez. (Orgs. SILVA JR. 1995. isto é. São Paulo. 1995. meios de ação. 1997. Novos olhares sobre a supervisão. Campinas: Papirus. Significado e pressupostos do projeto pedagógico. Silva. uma atividade de reflexão acerca de nossas ações e opções. UNESP-PRó-REITORIA DE GRADUAÇÃO. UNESCO-MEC. Ilma A. para racionalizar nossas ações. ao mesmo tempo. 1995. Idéias. (Org. 1986. Planeja-se para decidir melhor. realizar.RIOS. Educação: a outra qualidade. nosso trabalho. O projeto pedagógico de seu curso está sendo construído por você? ANAIS DOEI CIRCUITOPROGRAD. Anexos Planejamento escolar – Diagnóstico O planejamento escolar é um processo de tomada de decisões. O planejamento é um instrumento de trabalho e. Terezinha. Planejamento participativo na escola. 1995. p. explicitação de objetivos. Campinas: Papirus. São Paulo: EPU. fica A. e RANGEL. 1990. 15. Ele implica intencionalidade. VEIGA. O. intenções. Projeto político-pedagógico da escola. Gestão da escola fundamental.DIAGNÓSTICO VIANNA. Mary Silva. 73-77. Piracicaba: Unimep. Celestino A da.). (Org. n.). 1997. Caminhos da profissionalização do magistério.. São Paulo. em função de objetivos.

Seu processo de elaboração requer a participação do pessoal técnico e docente. 3. para revisão das decisões tomadas e das ações. O Projeto pedagógico-curricular deve ser coordenado. o planejamento tem como objetivo prever a organização do trabalho a ser desenvolvido. O processo de planejamento obedece à seguinte lógica: 1. Diagnóstico da escola para coleta de informações úteis para a elaboração do Projeto pedagógico-curricular 2. 250 O planejamento cumpre. Elaboração e divulgação do projeto . Planejamento não pode ser proposta individual ou de algumas pessoas. reflexão. viabilizado e avaliado pelo diretor e sua equipe técnica. O planejamento é um processo. três funções: previsão de resultados e meios de atingi-los. execução e avaliação do Projeto pedagógico-curricular. Tomada de decisões com base na escolha de prioridades e das formas mais eficazes de produzir mudanças na instituição em função dos objetivos. correção dos desvios e adequação do trabalho em função dos objetivos e com base em padrões mínimos de desempenho. Análise e interpretação dos dados com base nos objetivos da instituição. o plano é um documento. de forma integrada e participativa. pelo menos.Na escola. tendo em vista a elaboração. O Projeto pedagógicocurricular deve ser o resultado de um trabalho conjunto da equipe escolar.

Possibilita o conhecimento das características. para se saber como e com que meios a escola vem atendendo sua tarefa principal: ensinar. O Diagnóstico tem.A atividade inicial do processo de planejamento é o Diagnóstico da escola. 3. O Diagnóstico consiste no levantamento de dados e informações para se ter uma visão de conjunto das necessidades e problemas da escola e facilitar a escolha de alternativas de solução. Cumpre.Possibilitara análise das informações coletadas. isto é. que afetam o processo de ensino e aprendizagem. O Diagnóstico alimenta o Projeto pedagógico-curricular. Análise e interpretação dos dados: apreciação qualitativa com base no conhecimento teórico dos elementos constitutivos da organização escolar e nos objetivos esperados da instituição escolar. de acordo com um Roteiro. . um papel básico na definição de diretrizes e metas para a organização pedagógico-didática e administrativa da escola. registro de observações e entrevistas. verificam-se os problemas existentes. indicando elementos para tomada de decisões. Neste tópico. para o planejamento. ao menos. 2. duas funções: Coletar informações quantitativas e qualitativas. Levantamento de dados. as causas mais . Descrição dos dados coletados e observados: o que acontece e como acontecem as coisas na escola. portanto. expectativas e necessidades da escola e da comunidade. em termos da qualidade do serviço oferecido à população. mediante registro de dados. Os passos para se fazer um Diagnóstico são os seguintes: 1.

4. dimensões. 2. destinação de uso. Indicações de medidas a serem tomadas: pontos a serem considerados no Projeto pedagógico-curricular para modificar as condições de funcionamento detectadas no Diagnóstico. nível sócio-econômico das famílias. aspecto físico geral. ruas. outras escolas existentes. ESTRUTURA FÍSICA E MATERIAL 2. vice-diretoria. indústrias. 252 ANEXOS II ANEXOU ROTEIRO PARA A COLETA DE DADOS PARA O DIAGNÓSTICO 1. tipo de comércio. Salas de aula: quantidade. condições ambientais (iluminação.prováveis desses problemas e marcam-se as alternativas de solução. igrejas. Salas da administração: quantidade.). se o número de salas é suficiente (diretoria.). Características gerais da comunidade e sua influência na composição da clientela escolar: caracterização do setor ou bairro em termos de urbanização (tipo de casas. aspectos culturais e de lazer. ventilação etc. CARACTERIZAÇÃO SÓCIO-ECONÔMICA Breve histórico da criação da escola. Edifício escolar Tipo de construção. 253 . assistência social e saúde. dimensões (ideal: 1m2 por aluno). transporte urbano etc.1.

): tipo. quantidade. condições de uso. . a que se destinam. . escrivaninhas. armários e outros: tipo. biblioteca. 2.3. despensa. cartazes. .Salas e ambientes especiais: verificar os mesmos aspectos nas salas para: laboratórios.Sistemática de efetuação das despesas. Recursos financeiros . cozinha. forma de escoamento dos detritos. televisores. mapas etc.Material didático (mimeógrafo. retro-projetor. slides). .secretaria. orientação educacional). . estado de conservação. condições de uso.Carteiras: tipo. descobertas. refeitório. copiadora. quantidade. vídeos.Instalações sanitárias: quantidade conforme o número de usuários.Área disponível para lazer. auditório etc. . Espaços de lazer e recreação .2. coordenador de turno. vídeo. almoxarifado.4.Bebedouros e lavatórios: quantidade. como são adquiridos. água tratada ou não. sala de professores. . formas de controle. 2. adequação ao uso. coordenação pedagógica. condições higiênicas.Mesas. suficientes ou não.Verbas de que dispõe a escola . salas de projeção (filmes. estado de conservação. 2. Mobiliário . quantidade. recreação e esportes: dimensões.Áreas livres: cobertas.

PESSOAL 3. qualificação.3. número por sala. Professores: Número. qualificação. diretor. 3.Existe Regimento Escolar? É do conhecimento de todos os membros da escola? É utilizado? Em que circunstâncias? 4.1. Aspectos organizacionais . ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO 4. . serventes.Principais atribuições de cada setor.2. coordenadores pedagógicos.Formas de gestão e formas de relacionamento entre o pessoal técnico. Alunos: Número por série. .2. vice-diretor.Organograma da escola.4. pessoal auxiliar . porteiros. adequação idade/série. Especialistas: Número. pessoal administrativo. . merendeiras. 254 3. 4.1.Funcionários: Número por cargo (inspetores de alunos. vigias. Coordenação pedagógica e orientação educacional ANEXOS Há um programa de formação continuada dos professores e pessoal administrativo? Existe o trabalho de assistência pedagógico-didática ao professor? Há uma unidade de ação da equipe técnica ou o trabalho é fragmentado? Há conflitos de funções entre direção e equipe técnica? O trabalho do pessoal técnico funciona em termos de garantir a qualidade do trabalho dos professores em sala . pessoal docente. orientadores educacionais.3. 3. ESTRUTURA.

Secretaria escolar . profissão dos pais etc.Que tipo de atuação tem a Delegacia na parte administrativa e pedagógica da escola? O acompanhamento é freqüente ou esporádico? Qual é o grau de autonomia da escola para tomar decisões? 4.de aula? Há acompanhamento do trabalho do professor na sala de aula.4. do rendimento dos alunos (análise dos resultados das avaliações) por classe? 4.A secretaria está bem organizada? Há pessoal suficiente? 255 Há prontuários de cada aluno? Há ficha cadastral com dados de identificação.A Delegacia traz para a escola instruções e procedimentos a serem cumpridos pela escola? Quem é o portador dessas instruções? . Relacionamento com a Secretaria da Educação e Delegacia de ensino .? Os registros e controles do rendimento escolar estão corretamente organizados? Os arquivos estão organizados corretamente? Há normas da Secretaria da Educação sobre a organização e funcionamento da secretaria escolar? 4. residência.5.3. Relacionamento com pais e comunidade A escola tem APM (Associação de Pais e Mestres)? Conselho de Escola? .

)? Que tipo de reuniões (com todos os pais. empresários e outros? A escola cede suas instalações para a comunidade (reuniões. participativa. ORGANIZAÇÃO GERAL DA ESCOLA 6. autoritária. administrativo) a respeito das decisões a serem tomadas.)? 256 5. financeiras e pedagógico-didáticas? .Relacionamento do diretor com o pessoal da escola (técnico. docente.Existe um trabalho sistemático com os pais? São feitas reuniões? Com que freqüência (mensal...). associações de bairro.Tipo de gestão existente na escola (colegiada. prática de esporte. democrática. .Facilidade de execução das atividades ou excesso de burocracia.1.. ..Há o Plano da escola? Quando e como é feito? Existe um documento escrito? Há definição de objetivos e metas para o ano letivo e explicitação de atividades administrativas.)? Os pais comparecem? A escola mantém relacionamento com outras instâncias da comunidade (políticos. centralizada.Há uma sistemática de levantamento de dados e informações para o diagnóstico? .. . semestral. O PLANEJAMENTO ESCOLAR ..O Plano é utilizado para a elaboração de Planos de ensino? 6. por classe. lazer etc. Aspectos administrativos gerais . anual.

Há Conselho de classe? Quando e como são feitos? 6.Há remanejamento de alunos durante o ano letivo? Quais são os critérios? . supervisão pedagógica. contatos com professores/ funcionários/ alunos.Como é feita a recuperação? Quais os objetivos das aulas de recuperação? Funciona? Dentro do horário ou fora do horário? . rendimento escolar ou outros? .Como é feita a distribuição de alunos por classe? Há critérios de distribuição por idade. acompanhamento e avaliação do trabalho de cada setor etc.Como é fixado o número de vagas? Existem critérios explícitos de seleção de alunos? Quais são os critérios de distribuição de alunos pelos turnos em que funciona a escola? São levadas em conta necessidades da comunidade? Há restrições a matrículas? São feitas exigências descabidas? . .Funcionamento da rotina da escola .Como é controlada a freqüência dos alunos? Há muitas faltas? A escola verifica causas de ausência de alunos .2.Em que e como o diretor ocupa seu tempo (administração. contatos com a comunidade/ delegacia de ensino/ políticos.).Há Conselho de Classe? Quando e como são feitos? Funciona em termos de uma avaliação diagnóstica? . reuniões.Como é feita a distribuição de classes entre os professores? Quais são os critérios? .. .Como é organizado o horário? Quem organiza? Como é a distribuição das atividades (disciplinas)? Há uma fixação de horas semanais para cada atividade ou disciplina? .

Há merenda escolar? Quem fornece? A escola complementa? Os alunos gostam da merenda? Em que horário é servida? A distribuição dos alimentos interfere nas atividades de sala de aula? .faltosos? Há controle da evasão escolar e uma análise de suas causas? .Como é organizada a Semana de planejamento? Como são elaborados os planos de ensino (os professores isoladamente ou em conjunto)? 258 .A escola exige uniforme? Controla o uso do uniforme? Há reclamações dos pais nesse sentido? 6.Qual é o procedimento utilizado na escolha dos livros didáticos? .)? . reflexão ou discussão sobre a prática docente? .Há atividades extra-classe (visitas a locais da comunidade para estudo do meio.Os professores têm assistência pedagógica efetiva da equipe técnica? . Aspectos da organização pedagógico-didática . exposições.Há reuniões pedagógicas freqüentes? Que tipo de assuntos são tratados nessas reuniões? Há algum tipo de encontro para estudo.Quais os problemas mais constantes em termos de controle da disciplina e infrações disciplinares? .O Plano da escola é utilizado para elaboração dos planos de ensino? . competições esportivas etc.Existe uma articulação entre as séries em termos de programação de objetivos e conteúdos? .3.

AVALIAÇÃO .Quem realiza a avaliação? Há uma reflexão conjunta sobre a prática desenvolvida. dificuldades.. para detectar desvios.É feita a avaliação da execução do Plano da escola? Como se faz essa avaliação? Que procedimentos são utilizados? . em termos de sua eficácia e realização de objetivos? .Há uma sistemática de acompanhamento.Há uma sistemática de capacitação em serviço (treinamento)? É feita pelo pessoal técnico da escola ou pela Secretaria da Educação? 7. administrativo e auxiliar? . controle e avaliação das decisões tomadas? . DIREÇÃO E GESTÃO DA ESCOLA .Há liderança efetiva da direção? Como é o relacionamento pessoal da direção com o pessoal técnico.As responsabilidades estão claramente definidas? . que estimula e incentiva a equipe escolar? 259 8. e reorientar os trabalhos? .Qual é o tipo de gestão adotado na escola? .Qual é a sistemática de tomada de decisões? Há ordens prontas ou há uma prática participativa? .Há um clima de trabalho positivo.Há um efetivo acompanhamento das atividades pedagógicas e administrativas.

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