P. 1
GESTÃO DA ESCOLA

GESTÃO DA ESCOLA

5.0

|Views: 12.954|Likes:
Publicado porBeatriz_Moires_5339

More info:

Published by: Beatriz_Moires_5339 on Sep 18, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOC, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

08/23/2015

pdf

text

original

Organização e Gestão da escola – Teoria e Prática José Carlos Libâneo Os estudos atuais sobre o sistema escolar e as políticas educacionais

têm colocado a escola, enquanto organização, co mo referência para a realização dos objetivos e metas dos sistema educativo. Nesse sentido, ela é vista como um ambiente educativo, como espaço de formação construído pelos seus componentes, um lugar em que os profissionais podem decidir sobre seu trabalho e aprender mais sobre sua profissão. Essa forma de ver a dinâmica da vida da escola leva a considerar a organização escolar como um_ organismo aberto, cuja estrutura e processos de organização e gestão são constantemente construídos pelos que nela trabalham (diretores, coordenadores, pedagogos, professores e funcionários) e pelos seus usuários (alunos, pais, comunidade próxima). Faz-se necessário, portanto, que esses educadores desenvolvam uma das competências profissionais básicas: participar na gestão e organização da escola, desempenhando um papel ativo nas decisões pedagógico-didáticas, organizacionais, administrativas. Para isso, precisam conhecer bem as políticas educacionais, os objetivos e as formas de organização e funcionamento de uma escola, bem como desenvolver competências para trabalhar em equipe, cooperar com outros profissionais, aprender a ter uma atitude investigativa. Essa qualificação teórica e prática possibilitará não apenas o exercício da participação mas, também, a análise da prática que levará a aprender idéias, saberes, experiências, na própria situação de trabalho, contribuindo para o desenvolvimento pessoal e

profissional. É para isso que este livro pretende contribuir. A ordenação dos capítulos foi pensada no sentido de familiarizar os estudantes nos conhecimentos básicos do processo organizacional das escolas e nos conhecimentos teóricos e práticos necessários para a participação consciente e ativa nas ações de organização e gestão da escola. O AUTOR José Carlos Libâneo é doutor em Filosofia e História da Educação pela PUC de São Paulo. Nasceu em Angatuba, Estado de São Paulo, em 1945. Formou-se em Filosofia na PUC de São Paulo, onde também obteve os títulos de mestre e doutor. Foi diretor de escola, desempenhou atividades nas Secretarias de Educação de São Paulo e Goiás, ensinou em várias instituições de ensino superior, tendo sido professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás durante 20 anos. Há muitos anos trabalha com formação de professores. Atualmente é Professor Titular da Universidade Católica de Goiás. Publicou cinco livros: Aceleração Escolar - Estudos sobre educação de adolescentes e adultos (1976), Democratização da escola pública - A pedagogia crítico-social dos conteúdos (Editora Loyola, 1 a edição em 1985, atualmente nas 17a edição), Didática (1 a edição em 1990, atualmente na 20a edição), Adeus professor, adeus professora? - Novas exigências educacionais e profissão doscente (4ª edição) e Pedagogia e pedagogos, para quê? (2ª edição), os três últimos publicados pela Editora Cortez. Também escreveu dez capítulos de livros em co-autoria e diversos artigos em revistas especializadas.

Para os diretores de escola, coordenadores pedagógicos, orientadores educacionais, professores que, entre tantas dificuldades que afligem a escola pública, sempre recobram o ânimo, se enchem de energia e de esperança, sabendo que o saber organizar e gerir sua escola, com determinação, energia e diálogo, produz um diferencial visível nas condições concretas pelas quais se pode garantir uma sólida formação de cidadãos, de profissionais, de usuários das mídias, de consumidores, de interlocutores sociais, para uma sociedade que requer cada vez mais sujeitos capazes de lidar com o conhecimento e que precisa ser muito mais includente do que tem sido. Para Maria Augusta de Oliveira, amiga e companheira de trabalho há muitos anos, cujo conhecimento práticoteórico sobre aqueles fazeres pedagógicos tem ajudado outras e outros a compreenderem que não é possível saber o que fazer sem saber o como fazer. SUMÁRIO Apresentação 9 Capítulo I - A escola como organização de trabalho e lugar de aprendizagem do professor 17 Capítulo II - Uma escola para novos tempos 31 Capítulo III - Buscando a qualidade social do ensino 51 Capítulo IV - O professor e a construção da sua identidade profissional 61 Capítulo V - Os conceitos de organização, gestão, participação e cultura organizacional 73 Capítulo VI - O sistema de organização e gestão da escola 93

Capítulo VII - Princípios e características da gestão escolar participativa 109 Capítulo VIII - O planejamento escolar e o projeto pedagógico-curricular 121 Capítulo IX - Organização geral do trabalho escolar 171 Capítulo X - As atividades de direção e coordenação 177 Capítulo XI - A formação continuada 187 Capítulo XII - Avaliação de sistemas escolares e de escolas 197 Capítulo XIII - Estratégias de coordenação do trabalho escolar e de participação na gestão da escola 221 Bibliografia - 243 Anexos - 249 Apresentação Este livro destina-se ao estudo da escola como instituição básica do sistema escolar e lugar de trabalho do professor. Foi escrito para ajudar os professores a conhecerem a estrutura e a organização das escolas e as condições de seu exercício profissional. Os capítulos desta publicação foram organizados a partir de textos didáticos provisórios, roteiros e notas de aulas, resenhas de livros, elaborados quando o autor ministrava, na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás, a disciplina Organização do Trabalho Pedagógico. Esse material foi reunido e reorganizado com base em novas pesquisas e leituras de obras recentes sobre o assunto. É necessário, entretanto, alertar os leitores de que muitas das idéias e opiniões aqui lançadas permanecem como objeto de investigação, pedindolhes que compartilhem com o autor as muitas indagações e dúvidas e que sejam também produtores de conhecimento. Estou de acordo com uma professora que disse assim:

"entre a teoria de um autor que queremos assumir, e a prática que queremos transformar com essa teoria, existe a nossa teoria" (in Christov, 1998). Tem sido divulgada boa bibliografia sobre organização e gestão dos sistemas de ensino. Tais estudos realizam análises bastante abalizadas sobre as formas de organização e gestão da educação neste momento de reestruturação produtiva capitalista, globalização 10 da economia, avanços tecnológicos, em que as políticas econômicas, sociais, educacionais são levadas a se ajustar ao modelo de desenvolvimento capitalista que ora se consolida. O impacto das transformações nos sistemas de ensino e nas escolas é direto: alteração no perfil de formação geral e profissional dos alunos, mudanças nos currículos e nas formas de gestão da escola, reavaliação das funções e responsabilidades do professorado, formas de participação das famílias etc. Ou seja, junto com a reestruturação produtiva vêm as reformas educacionais, pois há suficiente base histórica para sabermos que reajustes na realidade econômica e produtiva incidem em alterações no âmbito social, cultural e até pessoal. Não nos passa, pois, desapercebido o impacto dessas mudanças, especialmente o recondicionamento das escolas ao intentos do capitalismo internacional e dos interesses financeiros. Trata-se, de fato, de implantar políticas educacionais que subordinam o processo formativo aos interesses dos mercados e ao Estado gestor. No entanto, parece-nos crucial entender que, se por um lado, é absolutamente imprescindível denunciar essa formas de refuncionalização da escola, por outro, não se

Este livro quer contribuir. igualdade. condições e oportunidades iguais para toda a população. . criar e desenvolver uma estrutura organizacional (setores. precisam lutar pela escola. buscando formas eficazes de desenvolvê-la e colocá-la a serviço dos interesses de toda a coletividade. Na verdade. assim como a análise dos resultados que contribuem para o processo formativo e para o aperfeiçoamento da gestão. as forças progressistas da sociedade que continuam lutando por justiça. os educadores defrontam-se diariamente com decisões que precisam ser tomadas. pois elas continuam tendo uma função social insubstituível de formar os indivíduos para uma vida digna e para a compreensão e transformação da realidade.pode reduzir a importância das escolas. para o enfrentamento de importantes decisões dentro da escola. orientações a serem dadas. atribuições. normas). uma cultura organizacional. precisam dispor de meios operacionais. Para atingir seus objetivos sócio-políticos. 11 com um caráter profundamente democrático. Enfrentar os problemas e dilemas reais do cotidiano das escolas e dos professores talvez seja uma empreitada bem mais penosa do que fazer a denúncia dessa refuncionalização das escolas a serviço dos interesses das elites econômicas e financeiras. cargos. As escolas são organizações educativas que têm tarefas sociais e éticas peculiares. processos de gestão e tomada de decisões. Ou seja. uma tecnologia. portanto. isto é. não podendo contentar-se apenas em fazer a crítica da situação.

aos direitos de todos de uma educação de boa qualidade.inclusive sobre estratégias de ação indicadas nos documentos oficiais e das agências financeiras internacionais tipo Banco Mundial. sem ser uma autonomia imposta. Que se pode fazer o projeto pedagógico sem que ele represente uma forma de domesticar os professores. Que se pode ter uma avaliação do sistema escolar e dos alunos que orientem mudanças na qualidade das aprendizagens escolares. como a autonomia da escola. de avaliação etc. de fato. a profissionalização dos professores. de participação da comunidade escolar (professores. pais e alunos). a avaliação de sistemas. de desenvolvimento da profissionalização e profissionalidade. que considerem ao mesmo tempo a realidade sócio-econômica 12 . é nela que estão matriculados os filhos das camadas médias e pobres da população. são postos novos desafios às tarefas da docência. e é questão de justiça que elas atendam. a descentralização. poder ganhar capacidade reflexiva para atuar e transformar a realidade social. tocar suas vidas. Acreditamos que há formas de se buscar autonomia. participar da vida política e cultural. Os educadores comprometidos com a transformação social precisam dispor de conhecimentos para repensar formas de funcionamento das escolas. apta a preparar os alunos para a empregabilidade. assumindo que. sem que isso signifique controle do trabalho dos professores ou punição de escolas ineficientes. Que se pode pensar na profissionalidade dos professores e na melhoria do seu desempenho profissional. o planejamento. do melhor modo possível. a gestão. Uma coisa é certa: as escolas estão aí.

Em função disso. principalmente no curso de Pedagogia.e cultural em que se insere a escola e os professores e as condições concretas dentro da escola e da sala de aula que garantem a justiça social do ponto de vista da escolarização. os princípios. a cada tarde e a cada noite. métodos e procedimentos relacionados com o processo de trabalho na escola. a estrutura organizacional do sistema escolar. Organização do Trabalho Escolar. na formação de professores é importante o conhecimento da estrutura. oferecer conteúdos para disciplinas que aparecem nos currículos. assim. porque a cada manhã. o estudo do sistema educacional tem sido feito na disciplina Estrutura e Funcionamento do Ensino. econômicas. políticos. Organização Escolar. a qual. Educação Escolar. em alguns lugares. da organização e da gestão do sistema educacional e das escolas. É verdade que faltam coordenadas sociais. as . vem sendo substituída por Políticas educacionais e gestão da educação. este livro contempla mais diretamente o estudo da organização e da gestão por dentro da escola. sob várias denominações: Administração Escolar. em comum. Todavia. Essas disciplinas têm. Essas disciplinas estudam temas da educação sob um enfoque mais geral: as políticos educacionais. educacionais mais claras de um projeto político progressista. junto com seus professores e professoras. No currículo do curso de Pedagogia e dos cursos de Licenciatura. Pretende. Organização do Trabalho Pedagógico. as relações entre educação e sociedade etc. os alunos e as alunas estão chegando para mais uma jornada de aulas. mas os educadores que atuam na linha de frente do sistema escolar não podem esperar. os planos de educação.

objetivos. isto é. A elaboração deste livro teve a pretensão de oferecer o conteúdo básico dessas disciplinas que visam o estudo da escola. Em razão disso. será sempre necessário abordar as situações e os problemas da organização escolar nos seus aspectos internos e externos. De acordo com esse entendimento. práticas formativas. as relações internas entre os integrantes da escola. também. visando a qualidade cognitiva e operativa da aprendizagem dos alunos. das condições externas. sociais e . a educação escolar será abordada sob estes enfoques: a organização da escola. as relações da escola com a comunidade e a sociedade. os objetivos e práticas escolares não se limitam ao espaço escolar. relações humanas. nas relações entre o infra-escolar e o extra-escolar. o sistema de gestão. isto é. Ainda que o conteúdo aqui apresentado recaia sobre a escola enquanto organização. às suas condições internas de funcionamento. entre a micro e a macro-estrutura. procedimentos de avaliação. estrutura e dinâmica organizacional. Tem-se como pressuposto a crença de que a escola é o centro de referência tanto das políticas e planos da educação escolar quanto dos processos de ensino e aprendizagem na sala de aula e de que de nada adiantarão boas políticos e planos de ação e eficazes estruturas organizacionais se não se der atenção aos aspectos internos da escola. o processo 13 de tomada de decisões.formas de gestão e de tomada de decisões. isto é. dos fatores econômicos. as formas de participação do professor nos processos de organização e gestão. Eles dependem.

aprender idéias. Isso significa que cada situação escolar analisada. nenhum problema da organização escolar pode ser enfocado isoladamente. coordenadores. O estudo da organização e gestão da escola tem. seus problemas. comunidade próxima). como objetivos de aprendizagem: Conhecimento da organização escolar. alunos. das suas relações de poder. da sua cultura. pais. Essa forma de ver a dinâmica da vida da escola leva a considerar a organização escolar como uma instituição aberta. pedagogos. é necessária a qualificação teórica de seus integrantes de modo que todos estejam capacitados a fazer a análise da prática e. Para tanto. das condições materiais de vida e de trabalho dos professores. seu modo de funcionamento. antes. saberes. cada ocorrência cotidiana. assim. deve ser tratado sob múltiplos aspectos. professores e 14 funcionários) e pelos seus usuários (alunos. procurando detectar suas características dominantes em cada momento. com isso. das várias culturas que atravessam a escola. precisam ser analisadas na sua contextualização mais ampla. na própria situação de trabalho. pais. bem como as formas de gestão e as . das expectativas e interesses sociais dos grupos e classes sociais. cada atividade. cuja estrutura e processos de organização e gestão são constantemente construídos pelos que nela trabalham (diretor. dos condicionantes impostos por valores morais e ideológicos. Em termos práticos. experiências.políticos. das políticos educacionais e diretrizes oficiais para o sistema escolar.

sensibilidade ética e compromisso com a democratização das relações sociais na instituição escolar e fora dela. Desenvolvimento de saberes e competências para fazer análises de contextos de trabalho. identificar e solucionar problemas (previsíveis e imprevisíveis) e reinventar práticas frente a situações novas ou inesperadas. desenvolvendo saberes educacionais a partir de questões vividas na prática cotidiana. se atingidos. das funções e dos critérios de qualidade da instituição escolar e do papel imprescindível dos . organização e gestão da escola. Esses objetivos. Os capítulos foram pensados para familiarizar os estudantes nos conceitos básicos do processo organizacional das escolas e nos 15 conhecimentos teóricos e práticos que podem contribuir para a participação consciente e ativa na organização e gestão da escola. interdisciplinar e investigativa. dentro da idéia-mestra que tem orientado a pesquisa atual sobre o trabalho de professores: realizar o trabalho pedagógico de forma coletiva. Os capítulos I a IV tratam dos objetivos. na sala de aula e na organização escolar. especialmente no desenvolvimento do projeto pedagógico-curricular. propiciarão aos futuros professores e aos professores em exercício ajuda para participarem eficazmente na organização e gestão da sua escola.competências e procedimentos necessários para participação nas várias instâncias de decisão da instituição escolar. Capacitação para participação no planejamento. com competência técnico-científica.

Verbena M. Valter Soares Guimarães. Mirza Seabra Toschi.professores. Maria Augusta de Oliveira. Os capítulos VIII ao XIII oferecem uma orientação prática. para o funcionamento das escolas. o autor espera que este livro possa trazer uma contribuição eficaz para a formação inicial e continuada de professores nos cursos de Pedagogia. Lana de Souza Cavalcanti. nas Licenciaturas e nas próprias escolas. operacional. foi incluída uma ampla bibliografia sobre os temas tratados. Sandramara Matias Chaves. Por fim. sempre no sentido de ajudar futuros pedagogos e professores a desenvolverem saberes e competências para participar das ações de organização e gestão da escola. de Souza Lisita. José Carlos Libáneo Goiânia. convidando os professores e alunos a saber mais sobre eles e a aprofundá-los. Os capítulos V a VII abordam o sistema de organização e gestão da escola e o papel de seus atores. Alguns colegas tiveram a generosidade de oferecer idéias ou sugestões de alterações de partes do texto e a eles deixo meu agradecimento: João Ferreira de Oliveira. Selma Garrido Pimenta. Depois dos capítulos e anexos. janeiro de 2001 C A P Í T U L O A ESCOLA COMO ORGANIZAÇÃO DE TRABALHO E LUGAR DE APRENDIZAGEM DO PROFESSOR CAPÍTULO .19 Os estudos recentes sobre o sistema escolar e as políticas educacionais têm se centrado na escola como .

unidade básica e espaço de realização dos objetivos e metas do sistema educativo. O realce da escola como objeto de estudo não se explica apenas pela sua importância cultural mas. recorrem hoje. Foram feitos vários estudos mostrando os mecanismos pelos quais as escolas produziam desigualdades nas aprendizagens escolares. Com base nesse entendimento. Se. a escola voltou a ter sua importância social reconhecida. a termos como autonomia. projeto pedagógico. ela poderia ser culpabilizada pela discriminação e exclusão de alunos provenientes das camadas populares. por outro. Após esse período. O pedagogo português Antônio Nóvoa conta que nos anos de 1960-70 as pesquisas em educação se destacaram pela constatação da relação entre o funcionamento dos sistemas escolares e as desigualdades sociais. as leis e resoluções sobre o ensino. por um lado. passou-se a valorizar o estudo da escola como ponto de confluência entre as análises sócio-políticas mais . já por volta dos anos 80. É por essa razão que as reformas educativas de vários países. Uma dessas estratégias diz respeito à descentralização do ensino. avaliação institucional. pelas estratégias de modernização e de busca de eficácia do sistema educativo. ela poderia ser um meio indispensável de elevação do nível cultural. também. de 20 formação para a cidadania e de desenvolvimento de conhecimentos e capacidades para enfrentamento das condições adversas de vida. atribuindo às escolas maior poder de decisão e maior autonomia. gestão centrada na escola. cada vez mais. os projetos de investigação pedagógica. as propostas curriculares.

Nóvoa. de seus interesses. É assim que as escolas. com isso. Nessa segunda perspectiva. de suas interações (autonomia e participação) em função do interesse público dos serviços educacionais prestados sem. Há pelo menos duas maneiras de ver a gestão centrada na escola. decorrentes de sua iniciativa. deixando às comunidades e às escolas a iniciativa de planejar. embora não de forma igual. Ou seja.como um lugar onde também se tomam importantes decisões educativas. colocar a escola como centro das políticas significa liberar boa parte das responsabilidades do Estado. 1995). como espaço de formação. O estilo de gestão expressa o tipo de objetivos e de relações humanas que vigoram na instituição. Há muitos exemplos de que a organização da escola funciona como prática educativa. a escola é vista como um ambiente educativo. organizar e avaliar os serviços educacionais. Todas as pessoas que trabalham na escola participam de tarefas educativas.globais e as abordagens centradas na sala de aula. ganham dimensão própria . Conforme o ideário neoliberal. Na perspectiva sócio-crítica significa valorizar as ações concretas dos profissionais na escola. um lugar em que os profissionais podem decidir sobre seu trabalho e aprender mais sobre sua profissão. . construído pelos seus componentes. enquanto organizações educativas. curriculares e pedagógicas (Cf. pensa-se hoje que uma visão globalizada que não chega à escola ou uma visão de sala de aula sem referência à estrutura social mais ampla resultam de análises incompletas e parcializadas. dentro da lógica do mercado. desobrigar o Estado de suas responsabilidades.

respeitoso ou desrespeitoso. daquilo que presenciam e vivenciam no dia-a-dia da escola.O atendimento que a secretaria da escola dá às mães e aos pais pode ser atencioso ou mal-educado. a liderança organizacional compartilhada.tais como o estilo de direção. compartilhado. que as características organizacionais das escolas . A percepção e as atitudes da direção e dos professores em relação aos alunos são importantes fatores de sucesso ou insucesso escolar dos alunos. os valores e atitudes que os professores expressam como grupo. A escola pode ser organizada para funcionar "cada um por si". As reuniões pedagógicas coordenadas pelo diretor ou pelo coordenador pedagógico podem ser um espaço de participação de professores e pedagogos ou de manifestação do poder pessoal do diretor ou coordenador. tudo isso afeta o trabalho na sala de aula. O funcionamento da escola como organização. suas atitudes. 21 A preparação e distribuição da merenda pelas merendeiras envolvem atitudes e modos de agir que podem influenciar a educação das crianças de forma positiva ou negativa. O comportamento dos alunos. grosseiro ou delicado. o grau de responsabilidade dos seus profissionais. a cultura que se desenvolve no cotidiano entre professores. as relações humanas que vigoram nela. seus modos de agir dependem. solidário. alunos e funcionários. as decisões dos professores em suas reuniões. a solidão e a falta de comunicação ou pode estimular o trabalho coletivo. negociado. . portanto. estimulando o isolamento. Parece claro. em boa parte.

a estabilidade profissional. da estrutura hierárquica e das várias instâncias e formas de exercício do poder. o nível de preparo profissional dos professores etc. das normas oficiais. modos de convivência. formas de agir e resolver problemas. no entanto. Há todo um mundo de significados. Mas. a elaboração do projeto pedagógico e do currículo. as reuniões. o que faz gerar a cultura organizacional? É claro que há nela um papel acentuado do sistema de ensino. dos costumes já consolidados etc. . atitudes. invisível. Ou seja. Mas há. Não se compreende o funcionamento da escola apenas pelo que vemos. A pergunta é: haverá uma relação entre a organização da escola. uma característica das organizações escolares sumamente relevante para as práticas de gestão: a cultura 22 organizacional ou cultura da escola. a cultura organizacional e a sala de aula? A resposta é sim. o papel da subjetividade das pessoas. também. a cultura organizacional influencia o pensar e o modo de agir das pessoas que trabalham na escola. valores. que vão definindo uma cultura própria de cada escola.a participação coletiva. pelo que aparece mais diretamente à nossa observação (as formas de gestão. Há. dos modos como as pessoas pensam e agem. e que tende a permanecer oculta. as práticas e os comportamentos das pessoas na convivência diária de uma organização influem nas práticas e comportamentos dos professores nas salas de aula. dos regulamentos. as relações sociais entre os integrantes da escola etc. das crenças e valores elas .). o currículo.são determinantes da sua eficácia e do aproveitamento escolar dos alunos.

para além das prescrições administrativas e das rotinas burocráticas.vão formando ao longo de suas vidas. a organização educa os indivíduos que a compõem. nas relações sociais. 1994). Ou seja. os próprios indivíduos educam a organização. A participação do professor na organização e gestão da escola . Há. portanto. à medida que são eles que a constituem e. usos e costumes. E se estamos convictos de que as organizações educam. de modo que se pode dizer que os profissionais e usuários da escola aprendem com a organização e as próprias organizações aprendem. Por um lado. para compreendermos as mútuas interferências entre organização 23 da escola e organização da sala de aula. dois aspectos: a dinâmica organizacional e a cultura da organização escolar. Portanto. É importante compreender que por detrás do estilo e das práticas de organização e gestão. mudando junto com seus profissionais. também as pessoas constróem uma cultura organizacional. procedimentos. por outro. está uma cultura organizacional. ou seja. as formas de organização e gestão têm uma dimensão fortemente pedagógica. práticas. é preciso considerarmos. a definem com base nos seus valores. na família. uma trama de relações implicadas na escola. "Os indivíduos e os grupos mudam mudando o próprio contexto em que trabalham" (Amiguinho e Canário. no final de contas. há uma dimensão cultural que caracteriza cada escola. na formação escolar. conjuntamente.

no contexto de trabalho. assumir coletivamente a responsabilidade pela escola. Internalizar saberes e competências significa "saber encontrar e pôr em prática respostas apropriadas ao contexto na realização de atividades de um projeto". principalmente. na sua história pessoal como aluno. desenvolver o espírito de solidariedade. de fato. Mas. É claro que os professores desenvolvem sua profissionalidade primeiro no curso de formação inicial. aprendem sua profissão. dividir com os colegas as preocupações. Falar de "competências" não é a mesma coisa que falar de "qualificações". nos estágios etc. As qualificações referem-se à aquisição de saberes requeridos para o exercício de uma profissão e à confirmação legal 24 . o professor produz sua profissionalidade. É no exercício do trabalho que. seus problemas. Mas é imprescindível ter-se clareza hoje de que os professores aprendem muito compartilhando sua profissão. investir no seu desenvolvimento profissional. mediante um processo ao mesmo tempo individual e coletivo. Esta é hoje a idéia-chave do conceito de formação continuada. formular o projeto pedagógico. Colocar a escola como local de aprendizagem da profissão de professor significa entender que é na escola que o professor desenvolve os saberes e as competências do ensinar. os professores podem aprender várias coisas: tomar decisões coletivamente.Pela participação na organização e gestão do trabalho escolar.

mas considerada uma prática intelectual e autônoma. com no exercício profissional. no contexto do exercício profissional. certificados etc. A docência não estará reduzida a uma atividade meramente técnica. Se a formação de professores se restringisse ao domínio de técnicas formuladas por especialistas e à sua aplicação. A internalização de saberes e competências profissionais supõe conhecimentos científicos e uma valorização de elementos criativos voltados para a arte do ensino. não haveria necessidade de um currículo teoricamente consistente e nem preparação em nível universitário. O sentido de saberes e competências profissionais não pode ser reduzido a habilidades e destrezas técnicas. As competências referem-se a conhecimentos. Essa é a razão pela qual as escolas se constituem em locais de aprendizagem dos professores e de desenvolvimento profissional. pela ação e pela reflexão com seus pares no e sobre seu trabalho cotidiano. isto é. no confronto de experiências.dessa aquisição mediante diplomas. 1997). A competência profissional é a qualificação em ação. Essa contrastação entre a prática e os conhecimentos teóricos aparece já na formação inicial de professores. baseada na compreensão da prática e na transformação dessa prática. ao saber fazer. efetivamente. É na escola . através do estágio supervisionado mas ocorrerá. Não se quer um professor-técnico cujo conhecimento se restrinja ao domínio das aplicações do conhecimento cientifico e a regras de atuação. dentro de uma perspectiva crítico-reflexiva. são formas de desempenho profissional em que a qualificação se torna eficiente e atualizada nas situações concretas de trabalho (Canário. habilidades e atitudes obtidas nas situações de trabalho.

pode instrumentalizar-se para influir nas formas de . organizacionais. O professor participa ativamente da organização do trabalho escolar formando com os demais colegas a equipe de trabalho. Dessa forma. trabalhar em equipe e cooperar com os outros profissionais. Há uma concomitância entre o desenvolvimento profissional e o desenvolvimento organizacional. o professor estará capacitado a tirar proveito das condições já existentes e aprimorá-las. administrativas e pedagógico-didáticas da escola. a estrutura e a dinâmica organizacional atuam na produção de suas práticas profissionais. ou transformar ou criar outras pela sua iniciativa e iniciativa dos demais membros da escola. ele precisa conhecer bem os objetivos e o funcionamento de uma escola. Uma das funções profissionais básicas do professor é participar ativamente na gestão e organização da escola contribuindo nas decisões de cunho organizativo. na sua animação e no seu desenvolvimento. aprendendo coletivamente novos saberes e competências assim como um modo de agir coletivo. administrativo e pedagógico didático. O professor 25 é um ativo participante de uma comunidade profissional de aprendizagem atuando no seu funcionamento. dominar e exercer competentemente sua profissão de professor. Para isso. suas competências pessoais e profissionais. Por outro lado. Conhecendo as condições sociais. práticas. pelo conhecimento teórico e pela aquisição de competências operativas. seu conhecimento da realidade.que o professor coloca em prática suas convicções.

diálogo. culturais. conselho de classe. qualidade do equipamento físico das escolas e das condições materiais. Habilidades para obter informação em várias fontes. O desenvolvimento pessoal e profissional do professor para participar da gestão da escola requer os seguintes saberes. organizações sindicais. planos de aula. Elaboração e desenvolvimento de projetos de investigação. inclusive nos meios de comunicação e informática. solidariedade. respeito mútuo. assim como formas de participação na utilização e controle dos recursos financeiros recebidos pela escola. Estrutura organizacional e normas regimentais e disciplinares. Organização e distribuição do espaço físico. responsabilidade. 26 Habilidades de participação e intervenção em reuniões de professores. planos de ensino. Princípios e práticas de avaliação institucional e avaliação da aprendizagem dos alunos. e em outras ações de formação continuada no trabalho. entre outros: Elaboração e execução do planejamento escolar: projeto pedagógico-curricular. científicas. Atitudes necessárias à participação solidária e responsável na gestão da escola como cooperação. Enfrentando a mudança . encontros.organização e gestão na escola e em outras instâncias da sociedade das quais participa (por exemplo. Noções sobre financiamento da educação e controles contábeis. comunitárias).

introdução de novos recursos didáticos (televisão.. geográfico. valores e práticas das pessoas. ciclos de escolarização. concepção de avaliação etc). habilidades. valores que definem a especificidade do trabalho de professor.. elas sempre estão acontecendo ao nosso redor . o desenvolvimento da capacidade . Internet). que é o conjunto de conhecimentos. alteração de uma situação. político. O ensino tem sido afetado por uma série de fatores: mudanças nos currículos. mudam os costumes. atitudes. cultural. na organização das escolas (formas de gestão. atitudes. passagem de um estado a outro. ter uma atitude positiva frente à mudança. desvalorização da profissão docente. nossos amigos. em toda a nossa vida passamos por mudanças. As escolas precisam organizar-se para promover a mudança na compreensão. que ela não é uma ameaça mas uma oportunidade de desenvolvimento pessoal e profissional. mudam nossos filhos. Precisamos. isto é. computador. Na verdade.O que é a mudança? Mudança significa transformação. Isso leva a mudanças na organização escolar e na identidade profissional de professor. muda 27 a sociedade. educacional.nossa própria vida muda a cada dia. Uma das formas mais eficazes de aprender a enfrentar as mudanças e ir construindo uma nova identidade profissional é o desenvolvimento de uma atitude críticoreflexiva. vídeo. Os educadores enfrentam hoje mudanças profundas nos campos econômico. reconhecendo que ela faz parte da nossa vida e das instituições. pois.

a partir do estudo teórico das disciplinas pedagógicas e da disciplina em que é especialista. Sem teoria. encerrado em seu pequeno mundo . se a reflexão ou a ação. assim como não é possível qualquer reflexão sobre a prática se não há da parte do professor um domínio sólido dos saberes profissionais. sem 28 competência cognitiva. Os professores modificam suas práticas profissionais porque mudam suas opiniões. sem necessidade de teoria. tanto é que as duas idéias têm adeptos. pensar que é somente na prática que as pessoas aprendem. incluída aí uma boa cultura geral. Nem toda prática pode ser justificada como adequada. mais importante que isso. também. Em muitos cursos de formação de professores vigora a idéia de que uma boa teoria garantirá por si só a prática. sem desenvolvimento sistemático de processos de pensamento. também. não haverá muito avanço na competência profissional do professor se ele apenas pensar na sua prática corrente sem recorrer a um modo de pensar obtido sistematicamente. Mas é muito comum. de modo a associar o próprio fazer e o processo do pensar. seus valores ou só modificam suas opiniões e valores após terem sido bem sucedidos numa técnica ou procedimento? A questão não é inútil. o professor permanecerá atrelado ao seu cotidiano. não é verdade que basta uma boa teoria para que um profissional tenha êxito na prática.reflexiva com base na própria prática. não é verdade que a prática se basta por si mesma. suas percepções. É freqüente a discussão sobre o que vem primeiro. De fato. sem o desenvolvimento de habilidades profissionais. Mas. E.

um profissional que domina uma prática refletida. de modo a aplicar sua visão crítica ao trabalho concreto nos contextos específicos em que ele acontece. como processos de construção da identidade dos professores" (1997). a aquisição de uma sólida formação científica. de modo que o professor vá se transformando em um profissional crítico-reflexivo. Ao mesmo tempo. porque elas estão sempre entrelaçadas. recomenda "valorizar os processos de reflexão na ação e de reflexão sobre a reflexão na ação. apenas aos pesquisadores e docentes das universidades. Escreve ainda Pimenta: A formação de professores na tendência reflexiva se configura como uma política de valorização do desenvolvimento pessoal-profissional dos professores e das instituições escolares. uma vez que supõe condições .baseada na articulação entre a prática e a reflexão sobre a prática.pessoal e profissional. transformando nossa ação em pensamento. isto é. Seria uma má estratégia de formação de quadros docentes reservar a capacidade de pensar de forma mais elaborada. Podemos refletir sobre nossa ação. podemos traduzir idéias em ações. Propõe-se. Pensamos que. O trabalho de professor implica compreender criticamente o funcionamento da realidade e associar essa compreensão com o seu papel de educador. A busca da profissionalidade docente não pode transformar-se em mais uma forma de exclusão do professorado. A pesquisadora Selma Pimenta tem ressaltado em seus escritos que o trabalho de professor é um trabalho intelectual e não um trabalho de técnico executor. uma formação profissional . a capacidade de abstração. para enfrentar as mudanças. a ação e a reflexão atuam simultaneamente. assim. Para isso.tanto a inicial como a continuada .

como sujeitos pensantes e não como meros executores de decisões burocráticas. a colaborar na modificação dessas opiniões e valores tendo como referência as necessidades dos alunos e da sociedade e os processos de ensino e aprendizagem. O desenvolvimento profissional e a conquista da identidade profissional dependem de uma união entre os . então. Os dirigentes da escola precisam. propondo e gerindo o projeto pedagógico.de trabalho propiciadoras da formação contínua dos professores. um espaço de formação contínua onde os professores refletem. portanto. articulando o trabalho de vários profissionais. em redes de autoformação. liderando a inovação e favorecendo a constante reflexão na prática e sobre a prática. depende de uma boa estrutura de coordenação pedagógica que faça funcionar uma escola de qualidade. pensam. a examinar suas opiniões atuais e os valores que as sustentam. a construção da identidade profissional de professor depende em boa parte das formas de organização do trabalho escolar. e em parceria com outras instituições de formação (1999). criam novas práticas. analisam. Uma coisa é certa: as pessoas arrumam tempo para as coisas que compreendem. Em especial. ajudar os professores. 29 Nas escolas. O pedagogo escolar deverá ser o agente articulador das ações pedagógico-didáticas e curriculares. a partir da reflexão sobre a prática. assegurando que a organização escolar vá se tornando um ambiente de aprendizagem. nos locais de trabalho. que valoram e nas quais acreditam.

30 – CAPÍTULO II UMA ESCOLA PARA NOVOS TEMPOS 33 As instituições escolares vêm sendo pressionadas a repensar seu papel diante das transformações que caracterizam o acelerado processo de integração e reestruturação capitalista mundial. o processo de ensino e aprendizagem. na engenharia genética. com a discussão conjunta dos problemas da escola. por conseqüência. políticas. na automação industrial. Essas transformações. a reestruturação do sistema de produção e as mudanças no mundo do conhecimento. na biotecnologia. assumindo juntos a gestão do cotidiano da escola. ter-se-á uma organização preocupada com a formação continuada. articulando num todo o projeto pedagógico. o novo paradigma econômico. discussão que é de natureza organizacional. De fato.pedagogos especialistas e os professores. nas telecomunicações. econômicas. decorrem da conjugação de um conjunto de acontecimentos e processos que acabam por caracterizar novas realidades sociais. nos sistemas de ensino e nas escolas. repercutindo na qualificação profissional e. os avanços científicos e tecnológicos. Fazendo assim. Entre os aspectos mais visíveis desse fenômeno destacamse os seguintes: Notáveis avanços tecnológicos na micro-eletrônica. a avaliação. o sistema de gestão. . na informática. culturais. geográficas. afetam a organização do trabalho e o perfil dos trabalhadores. que ocorrem em escala mundial. mas principalmente pedagógica e didática.

caracterizando uma revolução tecnológica sem precedentes. Mudanças nos processos de produção. As mudanças na economia: novo paradigma produtivo Estão em curso mudanças na economia expressas em novas formas de produção baseadas nas novas tecnologias e no capitalismo financeiro. Trata-se de novas formas de funcionamento e reestruturação do capitalismo no quadro de um conjunto de transformações que vem sendo chamado de .entre outros setores. Dentre esses aspectos. Mudanças nos paradigmas da ciência e do conhecimento. 34 Difusão maciça da informação. afetando a produção. circulação e consumo da cultura. influindo na pesquisa. na produção de conhecimentos. reestruturação do sistema de produção e do desenvolvimento econômico. produção de novas tecnologias da comunicação e da informação. Alterações nas concepções de Estado e das suas funções. aumento da distância social e econômica entre incluídos e excluídos dos novos processos de produção e das novas formas de conhecimento. nas formas de organização dos trabalhadores. internacionalização do capital e dos mercados. nos processos de ensino e aprendizagem. prevalecendo o modelo neoliberal de diminuição do papel do Estado e fortalecimento das leis do mercado. Agravamento da exclusão social. nas qualificações profissionais. na organização do trabalho. serão destacados alguns que tocam mais de perto a escola e o trabalho dos professores. Globalização da sociedade.

rompem-se as fronteiras comerciais. "globalizar" primeiro o Brasil.) Devemos.. visando a lucratividade.globalização.) Globalizar um país pelo discurso fácil da modernidade sem preocupações sociais e realismo político. que não tem futuro. amplia-se a circulação do capital financeiro. portanto. o Estado não deve intervir na 35 economia e mesmo as empresas atualmente mantidas pelo Estado são privatizadas. (. Tal modelo econômico. O modelo econômico segue a lógica da subordinação da sociedade às leis do mercado. ligado à Companhia Siderúrgica Nacional e Companhia Vale do Rio Doce. pelos caminhos que hoje vemos.. Internacionais devemos ser. para que entreguemos o nosso mercado e eles fiquem com a produção . a produção e os empregos e ter um projeto de desenvolvimento nacional. ampliam-se as grandes fusões entre empresas transnacionais. é outra coisa bem diferente. priorizar o mercado doméstico. para o que se serve da eficiência. Mais miséria para os menos desfavorecidos. Globais. Para atingir esse objetivo. tem trazido conseqüências bastante prejudiciais às políticas sociais dos países e o empobrecimento da população. mais rentabilidade. dos índices de produtividade e competitividade.. vai ser a ampliação das diferenças entre ricos e pobres. como tem sido reconhecido por alguns dos organismos internacionais e por empresários. conhecido por neoliberalismo. escreveu: A herança da globalização. diminuir as desigualdades internas. (. mais qualidade. Nesse modelo.. menos oportunidades de emprego para os necessitados. O empresário Benjamim Steinbruch. na crença de que assim ganham mais eficiência.

no mercado de trabalho e a gerar seus meios de vida.Paulo. Segundo Faleiros (1999). definitivamente. 23. formarão o segmento dos excluídos sociais. aumenta o número de pessoas ocupadas em trabalhos eventuais (também chamados de trabalho precarizado) ou desempregadas. As incessantes modificações tecnológicas afetam os postos de trabalho e as competências profissionais. por si mesmas. na ótica neo liberal. cultura. No aspecto individual. Junto com isso. Essas mudanças atingem o sistema educacional. habilidades e atitudes necessários à qualificação profissional. tais modificações afetam a organização do trabalho nas empresas e o perfil de trabalhador necessário para novas formas 36 de produção e. as pessoas são estimuladas a se preparar para competir.11. preparo técnico. os conhecimentos.1999). Sendo assim. Com efeito.e o emprego. exigindolhe adequação aos interesses do mercado e formação de profissionais mais preparados para as modificações do processo de produção. não (Folha de S. Por outro lado. as garantias sociais e os direitos devem ser desmantelados para que o indivíduo sobreviva com seus recursos. em conseqüência. de modo que as pessoas precisam estar preparadas para mudar de profissão algumas vezes na sua vida. sem a proteção social pública. Aqueles que não conseguirem competir. o usufruto ou a falta da educação básica (incluindo novas habilidades cognitivas e competências sociais) passa a ser . é fato que as novas realidades do mundo do trabalho requerem trabalhadores com mais conhecimento.

sociedade da informação. sociedade tecnológica. sociedade do conhecimento. no telefone móvel. Dados da Organização Pari-Americana de Saúde e Organização Internacional do Trabalho informavam que. sociedade pósindustrial. Conforme o sociólogo francês Alain Tourraine (1995). 22. O mesmo se pode dizer . No setor terciário incluem-se os serviços informacionais. o setor quaternário ou informacional.6 por cento no setor primário ou agrícola. Esse crescimento leva os especialistas a antever para breve a institucionalização de um novo setor da economia. nas várias mídias .atinge a poucos. 37 A revolução tecnológica . deixando a maioria da população à margem da economia. a distribuição da força de trabalho apresentava os seguintes índices: 62 por cento no setor terciário ou de serviços. estamos vivendo presentemente a passagem da sociedade industrial para a sociedade informacional. A revolução informacional Este momento da história tem recebido várias denominações: sociedade pós-moderna.que aparece na comunicação instantânea pela TV. porque o mercado de trabalho não aceita mais mão-de-obra não qualificada. especialmente a informação. em 1997. na sociedade informacional o que se destaca é a produção e difusão de bens culturais. Se na sociedade industrial predominou a produção de objetos materiais.4 por cento no setor secundário ou industrial e 15.determinante da condição de inclusão ou exclusão social. na automação industrial. nos computadores. nas redes de informação.

portanto. adultos e adolescentes utilizam as mídias. Internet etc. um papel insubstituível da educação e das escolas de prover as condições intelectuais de avaliação crítica das condições de produção e da difusão do saber científico e da informação. Informação não é sinônimo de conhecimento. amplia a distância entre os que estão no cume da montanha e os que não saem do sopé. com baixa escolarização. metade da população mundial? Pode-se afirmar que a tecnologia da informação. Muitos entusiastas da Internet (redes de informação conectadas internacionalmente) falam de uma democratização do acesso às informações.em relação à divisão entre países desenvolvidos e os em desenvolvimento. sem a mínima capacidade de leitura crítica da informação recebida. com baixíssima capacidade crítica frente à avalanche informativa vinda especialmente pela televisão. Há. por si só ela . apesar de provocar mudanças nos modos de vida e nas percepções das pessoas. mas têm em relação a elas uma atitude eminentemente passiva. A tecnologia da informação promove um fenômeno sumamente segregador para a população de baixa renda. computadores.. mas o que acontecerá aos excluídos da rede. mas ela vem exercendo um domínio cada vez mais forte sobre as pessoas. Na classe média. Mas estará ela atingindo os 3 bilhões de pessoas no mundo que vivem com menos de 2 dólares por dia. Número grande de trabalhadores apenas vê televisão e só recebe imagens pré-fabricadas. A informação é necessária. chamadas de comércio eletrônico ou virtual. cada vez mais escravizadas por ela. isso seja verdade. Talvez. os sem-Internet? Uma das novidades mais excitantes na economia internacional são as transações comerciais via rede Internet. em parte.

determina a qualidade da participação popular nos processos decisórios existentes na sociedade civil. descrença nas formas convencionais de representação política. destacando novos movimentos sociais. que menor ou maior acesso à educação escolar e a outros bens culturais. aumento do individualismo. A despolitização da sociedade No campo político.não propicia o saber. é um instrumento de aquisição de 38 conhecimento. Isso significa. A crise ética . A informação é um caminho de acesso ao conhecimento. novas formas de organização que mostram novos caminhos de controle público sobre o Estado. Tais características levam a novas formas de fazer política. ressalta-se a diminuição da crença da ação pública na solução dos problemas. que possibilita a filtragem e a crítica da informação. uma vez que se faz necessário educar para a participação social. para o reconhecimento das diferenças entre os vários grupos sociais. de modo que ela não exerça o domínio sobre a consciência e a ação das pessoas. também. Esses fatos lançam novas perspectivas sobre o sentido da formação da cidadania. para os valores e direitos humanos. da insensibilidade social. mas ela precisa ser analisada e interpretada pelo conhecimento. para a diversidade cultural.

Além disso. o professor Gaudêncio Frigotto identifica várias características da . o respeito à vida. o aumento da distância social e econômica entre incluídos e excluídos desse processo. na vantagem. É preciso a colaboração da escola para a revitalização da formação ética. a solidariedade. Em janeiro de 2000. 50 por cento. na eficácia. também. A exclusão social As transformações em curso impulsionam avanços científicos e tecnológicos. no Fórum Econômico Mundial realizado na Suíça. etnias. ou seja. no sentido do reconhecimento das diferenças e das identidades culturais. vivem na pobreza. predominando um relativismo moral baseado no interesse pessoal. o mundo contemporâneo convive com uma crise de valores. foi divulgado que dos 6 bilhões de pessoas do mundo. entre outros. os direitos humanos. atingindo tanto as ações cotidianas quanto as formas de relações entre povos. ao lado do conhecimento científico e da preparação para o mundo tecnológico e comunicacional é necessária a difusão de saberes socialmente úteis. o racismo e a segregação social. grupos sociais. De acordo com informações recentes de entidades financeiras internacionais. 3 bilhões. a luta contra a violência. sem referência a valores humanos como a dignidade. novos processos de produção. vem aumentando significativamente a distância entre ricos e pobres. o desenvolvimento e a defesa do meio ambiente. ganhando até 2 dólares por dia. Referindo-se à crise deste final de século. a democracia. a justiça. novas formas de conhecimento e ação mas provocam.No campo da ética.

na formação para a cidadania crítica-participativa e na formação ética. A escola necessária para os novos tempos . No plano sócio-econômico. ao mesmo tempo que se acentua o dualismo educacional: diferentes qualidades de educação para ricos e pobres (1996). um currículo centrado na formação geral e continuada de sujeitos pensantes e críticos. uma sociedade que inclua todos. outras mediações. No plano educacional. 40 mas precisa ser um baluarte contra a exclusão social. A luta contra a exclusão social e por uma sociedade justa. para essa escola. passa pela escola e pelo trabalho dos professores. em mercadoria. a educação deixa de ser um direito e transforma-se em serviço. Esses aspectos mostram como a escola não pode mais ser considerada isoladamente de outros contextos. considerando-se esta como sacrifício inevitável no processo de modernização e globalização da sociedade. na preparação para uma sociedade técnica/científica/informacional. cultural. ligar-se ao mundo econômico. emprego. saúde. outras culturas. a ideologia neoliberal prega o individualismo e a naturalização da exclusão social. Propõe-se. o ajustamento de nossas sociedades à globalização significa a exclusão de dois terços da humanidade dos direitos básicos de sobrevivência.realidade contemporânea como estratégias de recomposição do capitalismo. político. educação. No plano cultural e ético-político. A escola contemporânea precisa voltar-se para as novas realidades.

Por outro lado. a educação acontece nos meios de comunicação. ainda assim há lugar para a escola na sociedade tecnológica e da informação. Além da família. pela linguagem. Mesmo considerando a imensa oferta de meios de comunicação social extra-escola. através de várias agências. na vida urbana. 1994). política. nos sindicatos. pedagógica. uma escola contra a exclusão econômica. de organização dos espaços e equipamentos públicos. desenvolvimento de capacidades cognitivas e operativas. pela estética. a transmitir 41 . Há hoje um reconhecimento de que a educação acontece em muitos lugares. que possibilita o contato dos alunos com a cultura. Especialmente. a escola vai se convertendo num "espaço de síntese" (Colom Cañellas. A escola de hoje não pode limitar-se a passar informação sobre as matérias. Ela cumpre funções que não são providas por nenhuma outra instância: formação geral básica . formação científica.A escola necessária para fazer frente a essas realidades é a que provê formação cultural e científica. a escola precisa ser repensada. porque ela não detém o monopólio do saber. cultural. uma escola de qualidade é aquela que inclui. nos clubes. As próprias cidades vão se transformando em agências educativas pelas iniciativas de participação da população na gestão de programas culturais. pela técnica.capacidade de ler. de meios informacionais. pela ética. estética e ética. aquela cultura provida pela ciência. gradativamente. Por isso. nas empresas. escrever. nas academias de ginástica.

o conhecimento do livro didático. os alunos aprendem a atribuir significados às mensagens e informações recebidas de fora.) mas. O valor da aprendizagem escolar. das habilidades de pensamento. é necessário que proporcione não só o domínio de linguagens para a busca da informação. no rádio. através do conhecimento e das habilidades cognitivas. com o papel insubstituível de provimento das condições cognitivas e afetivas que ajudarão o aluno a atribuir significados às mensagens e informações recebidas das mídias. no jornal. dos meios de comunicação. os instrumentos conceituais para analisarem essa informação criticamente e darem-lhe um significado pessoal e social. torna-se possível analisar e criticar a informação. Na escola. Ou seja. Os alunos vão aprendendo a buscar a informação (na TV. das multimídias e formas diversas de intervenção educativa urbana. pela comunidade. Ela é uma síntese entre a cultura experienciada que acontece na cidade. assim. a síntese entre a cultura formal (dos conhecimentos sistematizados) e a cultura experienciada. A escola fará. nos vídeos. e a cultura formal que é o domínio dos conhecimentos. Nela.. Por isso. O professor tem aí seu lugar. nos pontos de encontro. também. no trabalho etc. das formas de educação proporcionada pela cidade. na família. na rua. no livro didático. está justamente na sua capacidade de introduzir os alunos nos significados da cultura e da ciência por meio de mediações cognitivas e interacionais. com a ajuda pedagógica do professor. nas praças. nos meios de comunicação. a escola precisa articular sua capacidade de receber e . mas também para a criação da informação. da vida cotidiano. no computador etc.

Trata-se de investir numa combinação bem sucedida da assimilação consciente e ativa dos conteúdos com o desenvolvimento de capacidades cognitivas e afetivas pelos alunos. da sensibilidade.interpretar informação. 5. Formação ética (Libáneo. Em resumo. a internalização de instrumentos conceituais para lidar com os problemas. Os objetivos Para essa escola concebida como espaço de síntese. Em relação ao primeiro objetivo. 2. o que está em questão é uma formação que ajude o aluno a transformar-se num sujeito pensante. de modo que aprenda a utilizar seu potencial de pensamento na construção e reconstrução de conceitos. habilidades. pensamento crítico). a escola de . 1998). dilemas e situações da realidade. Desenvolvimento de capacidades cognitivas e operativas dos alunos (processos mentais. isto é. estratégias de aprendizagem. são propostos cinco objetivos: 42 1. habilidades do pensar. por meio dos conteúdos escolares. com a de produzi-Ia. visando o desenvolvimento do pensar. atitudes. no exercício de seu papel na construção da democracia social e política. Preparação para o processo produtivo e para o mundo tecnológico e comunicacional. da imaginação. 3. a partir do aluno como sujeito do seu próprio conhecimento. 4. Desenvolvimento da criatividade. Formação para a cidadania crítica. ou seja. um cidadão trabalhador capaz de interferir criticamente na realidade para transformá-la e não apenas formar para integrar o mercado de trabalho. valores.

A preparação tecnológica inclui o desenvolvimento de saberes e competências exigidas pelo novo processo produtivo como: compreender a totalidade do processo de produção. desenvolver capacidade de tomar decisões e de fazer análises globalizantes. da arte. promova a inserção competente e crítica no mundo do trabalho. O quarto objetivo refere-se à educação do trabalhadorcidadão. junto com o desenvolvimento de capacidades e habilidades de pensamento. sua autoconfiança. ou seja. da cultura. pensar estrategicamente. 43 O terceiro objetivo propõe que a escola contemporânea atenda às demandas produtivas e de emprego. O segundo objetivo visa a assegurar a ligação entre os aspectos cognitivo. para se engajarem na luta pela . social e afetivo da formação. interpretar informações de todo tipo. O ensino implica lidar com os sentimentos.qualidade promove para todos o domínio dos conhecimentos. o respeito consigo mesmos. da ciência. compreender o mundo cultural dos alunos e ajudá-los a se construírem como sujeitos. incluindo a preparação para o mundo tecnológico e comunicacional e para as complexas condições de exercício profissional no mercado de trabalho. a aumentar sua auto-estima. desenvolver flexibilidade mental para lidar com situações novas ou inesperadas. A escola deve continuar investindo na ajuda aos alunos para que se tornem críticos. A escola precisa torná-lo capaz de interferir criticamente na realidade para transformá-la e não apenas para integrar-se ao mercado de trabalho. respeitar as individualidades.

Se os alunos não aprenderam bem. colocada como foco central do projeto pedagógico e da gestão escolar.. Para o atendimento desses objetivos. educação. do consumo. A preparação para o exercício da cidadania. aquisição de novas tecnologias etc. procedimentos e situações para se pensar sobre valores e critérios de decisão e ação frente ao mundo da política e da economia. mudanças curriculares e organizacionais.justiça social e pela solidariedade humana. se continuam sendo reprovados ou mal escolarizados. do meio ambiente. envolve tanto os processos organizacionais internos da escola como a articulação com os movimentos e organizações da sociedade civil. incluindo a autonomia. às formas de exploração do trabalho humano que subsistem na sociedade. Muitas escolas adotam formas de gestão participativa e incorporam nos conteúdos escolares as lutas dos movimentos sociais organizados pela moradia. a participação e o diálogo como princípios educativos. tendo um baixíssimo rendimento escolar ou níveis insatisfatórios de aprendizagem. se os alunos continuam sendo reprovados. A democratização da sociedade e a inserção dos alunos no mundo da produção supõem o . O quinto objetivo visa a propiciar conhecimentos. salário. da violência e segregação social e. minorias culturais. a escola não vem servindo para nada. Não adianta defender a gestão democrática das escolas. põe-se a exigência de que os sistemas de ensino e as escolas prestem mais atenção à 44 qualidade cognitiva das aprendizagens. dos direitos humanos. envolvendo etnias. também. emprego etc. gênero. das relações humanas. eleições para diretor. saúde.

45 Ampliando os objetivos da escola Uma das importantes funções da escola é interagir e articular-se com as práticas sociais. Entre elas. Frente a essas exigências. A escola tem o compromisso de reduzir a distância entre a ciência cada vez mais complexa e a formação cultural básica a ser provida pela escolarização. É esse o desafio que se põe à educação escolar no início do terceiro milênio. a escola precisa oferecer serviços de qualidade e um produto de qualidade. dependem de ampliar. cada vez mais.ensino fundamental como necessidade imperativa para proporcionar às crianças e jovens os meios cognitivos e operacionais que atendam tanto as necessidades pessoais como as econômicas e sociais. Mas a escola tem um papel insubstituível quando se trata de preparação cultural e científica das novas gerações para enfrentamento das exigências postas pela sociedade contemporânea. O fortalecimento das lutas sociais. destacam-se alguns movimentos sociais. Isso tudo não significa conceber a escola como a impulsionadora das transformações sociais. a conquista da cidadania. e a escola é apenas uma delas. o número de pessoas que possam participar das decisões primordiais que dizem respeito aos seus interesses. Embora continuem existindo os partidos tradicionais e vigorem ainda as formas de representação política típicas da democracia e . As tarefas de construção de uma democracia econômica e política pertencem a várias esferas de atuação da sociedade. a fim de que os alunos que passem por ela ganhem condições de exercício da liberdade política e intelectual.

uma prática educativa na organização escolar. Trata-se. outras formas de ação política estão surgindo. "inteligência do homem e dos outros animais". entre homens e mulheres resultem de uma base natural. de evitar usar termos masculinos como tendo abrangência universal . diferenças sexuais (naturais) também levam a distribuição de papéis sociais entre mulheres e homens. os pais . por exemplo.. na comunidade.1994). o da igualdade de direitos entre homens e mulheres. o cidadão. Educação para a igualdade entre os sexos Entre os ideais da escola pública destaca-se o da igualdade de oportunidades em geral e. Contra essa idéia. ecológicos. (Henriques. advogam a luta pelo respeito entre os gêneros e reconhecimento de suas diferenças. de expressão de sentimentos. o aluno."ela porta-se como homem". no currículo e na sala de aula implicam atitudes que recusem a idéia de que as diferenças de trabalho.o homem.a representação sindical.. a sociedade masculina difunde a idéia de que diferenças de sexo resultam em diferenças de gênero. Os movimentos de mulheres ressaltam a distinção entre sexo e gênero. pacifistas etc. "relação do homem com a ciência". em particular. . Segundo esses movimentos. Vamos destacar alguns desses movimentos. como os movimentos feministas. Nesse sentido. Propõe-se também que as escolas e os professores não façam uso sexista da linguagem corrente. de papéis sociais.ou de expressões que ocultam o lugar da mulher . ou seja. mostrando que os gêneros masculino e feminino são noções estabelecidas numa cultura e numa sociedade organizada por homens.

caminhadas ecológicas. os médicos dos hospitais. A corrente conservavionista defende a preservação das matas. dentro de uma noção de natureza biofísica intocável. nas moradias inadequadas. A corrente da economia ecológica. entrar num hospital como doente ou como visitante. mas boa parte dos problemas não depende dessas pessoas mas de interesses econômicos privados. As autoridades. andar pelas ruas da cidade. principalmente pela indústria. A corrente naturalista propõe uma forma de educação pelo contato com a natureza. nos cortiços. dos seringueiros da Amazônia ou dos índios que resistem à exploração do seu território e à destruição de seu meio natural de vida). trilhas etc). A corrente da gestão ambiental incentiva ações de movimentos sociais. Frente a formas destruidoras da natureza e que retiram da população meios de ganhar a vida defenderia a manutenção de formas de vida primitivas (como é o caso.46 Educação ambiental A sociedade da informação é uma sociedade de constante risco devido à destruição da natureza e aos problemas humanos decorrentes da degradação ambiental. a vida ao ar livre (montanhismo. por exemplo. critica todas as formas de depredação da natureza. que agrupa organismos internacionais. tomar banho num rio ou numa praia. Além disso. o que levaria ao turismo ecológico. . Respirar o ar. dos animais. os órgãos públicos. Há diferentes entendimentos em relação à educação ambiental. de comunidades e de governos na luta pela despoluição das águas e do ar. são atividades que envolvem sistematicamente riscos. vivem prometendo segurança à população. a sobrevivência humana está ameaçada nas favelas.

pois os seres humanos compõem o conceito de natureza. e várias organizações não-governamentais e associações ambientalistas. elas não se excluem. a UNESCO. (b) a vertente das "sociedades sustentáveis" que. ensinando-os a promover o autoconhecimento. devidamente 47 reciclado. 1995). a integração com a natureza. introduzindo a ética da valorização e do respeito à diversidade das culturas. no uso da energia. no tratamento dos resíduos etc. questionam o modelo de progresso destruidor da natureza (Correntino. A educação ambiental contribui na formação humana: levando os alunos a refletirem sobre as questões do ambiente no sentido de que as relações do ser humano com a natureza e com as pessoas assegurem uma qualidade de vida no futuro. Essas quatro correntes enfatizam diferentes concepções e formas de fazer educação ambiental e. do ponto de vista pedagógico. conservar e preservar espécies. . a FAO. diferente do atual modelo economicista de progresso.incluindo o Banco Mundial. se caracteriza por defender tecnologias alternativas no trato da terra. educando as crianças e jovens para proteger. sem negar os avanços técnicos e o desenvolvimento ambiental. o ecossistema e o planeta como um todo. o conhecimento do universo. às diferenças entre as pessoas. Esta corrente se desdobra em duas vertentes muito diferentes entre si: (a) a vertente do "desenvolvimento sustentável" cujo modelo de desenvolvimento é o capitalista.

Educação multicultural A idéia de educação multicultural. Um outro sentido da atitude ecológica é o de recusar um conceito de progresso baseado na capacidade de possuir mais objetos e bens de consumo. As pessoas precisam ser convencidas a se engajar em campanhas para a coleta seletiva do lixo. que se projeta num currículo multicultural. exploradoras e depredadoras da natureza biofísica e da natureza humana. A educação ambiental não pode ser apenas uma tarefa da escola. Ao mesmo tempo que se precisa conhecer mais a respeito da natureza e mudar nossa relação com ela. levando a tomadas de posições sobre a conservação da biodiversidade. lutar contra a poluição ambiental etc. é preciso articular ações individuais com medidas mais gerais. ela envolve ações práticas que dizem respeito ao nosso comportamento nos vários ambientes (família. das formas comunitárias de discutir e resolver problemas. isto é.empenhando os alunos no fortalecimento da democracia. o reconhecimento dos outros como sujeitos de sua . contra o modelo capitalista de economia que gera sociedades individualistas.). não mutilar a natureza. assumindo uma visão de vida baseada mais na relação com a natureza e as pessoas do que com os objetos. cidade. não jogar papel na rua. escola. está assentada no princípio pedagógico mais amplo: o acolhimento da diversidade. da educação popular. 48 empresa etc. da cidadania.

Assumir o objetivo da educação multicultural não significa reduzir o currículo aos interesses dos vários grupos culturais que freqüentam a escola.ou seja. 1995). uma visão aberta e plural em relação às culturas existentes na . as crianças nas escolas convivem com pessoas diferentes.individualidade. no sentido de que toda cultura é plural. negros. brancos. o urbano e o rural. Com isso. Uma educação multicultural requer que as decisões da equipe escolar sobre objetivos escolares e organização curricular reflitam os 49 interesses e necessidades formativas dos diversos grupos sociais existentes na escola (a cultura popular. O que se propõe é que. a cultura de homens e mulheres. Vem aumentando a interação entre pessoas de diferentes lugares. às vezes com culturas e costumes diferentes. a cultura dos jovens. Uma prática. A presença da diversidade humana na sociedade resulta na multi-cultura. Acolher a diversidade é a primeira referência para a luta pelos direitos humanos. aceitar a presença de várias culturas e desenvolver hábitos mentais e atitude de abertura e diálogo com essas culturas (Gimeno. dos alunos com necessidades especiais). um comportamento multicultural. da pobreza. com base em uma atitude geral definida pela escola no sentido de um pluralismo cultural . em boa parte devido à intensificação da migração decorrente do aumento das desigualdades. significa reconhecer o pluralismo cultural. professores e alunos convivem com uma pluralidade crescente de pessoas e grupos sociais. De fato. diferentes etnias e diferentes linguagens. das minorias étnicas. da falta de terra. portadores de uma identidade cultural própria.

pensar apenas no currículo formal. que os alunos trazem para a escola e para as salas de aula um conjunto de significados. trata-se de uma mudança de mentalidade. além disso. Conforme escreve Gimeno: É o currículo comum para todos que a visão multicultural deve incorporar. de onde os alunos extraem sua forma de ver o mundo. de modo que adquiram instrumentos conceituais. as diferentes culturas. o rádio. povos etc. a TV os vídeos. modos de agir. Não basta. de sentir. É preciso considerar. o respeito a todas as pessoas que trabalham na escola. todavia. formas do pensar e de sentir. que muitos autores chamam de cultura paralela ou currículo extra-escolar.seja formulada uma proposta curricular que incorpore essa visão multicultural. as revistas populares. o tipo de relações humanas que existe entre os profissionais e usuários da escola. as pessoas. de transformação das formas de pensar. de comportar-se em relação aos outros. Ou seja. ajudar 50 os alunos a fazerem as ligações entre a cultura elaborada e a sua cultura cotidiana.sociedade e na comunidade . crenças. para interpretar a realidade e intervir nela. valores. resultante de aprendizagens informais. A educação multicultural perpassa a organização escolar. Fazem parte dessa cultura paralela o cinema. A organização escolar e os professores precisam saber como articular essas culturas. as conversas entre adultos e entre amigos. para que a integração de culturas se realize dentro de um sistema de escolarização única que favoreça a igualdade de oportunidades. .

excelente). com mecanismos de controle e avaliação dos resultados. Uma das palavras-chave é qualidade. Entre as medidas decorrentes dessa concepção organizacional destacam-se: a hipervalorização dos resultados da avaliação. visando a atender a imperativos econômicos e técnicos. a classificação das escolas em função desses resultados para estimular a competição entre elas. Aplicada ao sistema escolar e às escolas. os profissionais de cada escola precisam estabelecer um consenso mínimo sobre o padrão de qualidade que orientará seu trabalho. administradores e pais sobre critérios de qualidade das escolas. a qualidade total tem como objetivo o treinamento de pessoas para serem competentes no que fazem. a descentralização 54 . Quais seriam os critérios que definiriam uma qualidade social da escola? Tem se difundido bastante a noção de qualidade retirada da concepção neoliberal da economia. Embora haja uma grande diversidade de opiniões entre os educadores. a qualidade total.CAPÍTULO III – Buscando a Qualidade Social do Ensino 53 No mundo todo estão sendo implantadas reformas educacionais para adequar o sistema de ensino às mudanças na economia e na sociedade. Qualidade da escola refere-se tanto a atributos ou características da sua organização e funcionamento quanto ao grau de excelência baseado numa escala valorativa (a qualidade desta escola é ruim. dentro de uma gestão eficaz de meios. boa. medíocre.

Competência histórica significa capacidade de agir. O sociólogo Pedro Demo analisa o conceito de qualidade e chega a algumas conclusões. empresarial. Em resumo. à inserção no mundo do trabalho. e o que representa melhor a marca humana é o desenvolvimento humano. Em sintese. Dessa forma. de intervir na realidade. escola com qualidade social. a qualidade total decorre de uma concepção economicista. Em outras palavras.relação entre qualidade formal e política. um atributo humano. capacidade participativa. operativas e sociais necessários ao atendimento de necessidades individuais e sociais dos alunos. operativas e sociais. genuinamente. as parcerias com a iniciativa privada. tendo em vista a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Nesse sentido. o repasse das funções do Estado para a comunidade (pais) e para as empresas. é aquela baseada no conhecimento e na ampliação de capacidades cognitivas. pragmática. a educação é o melhor caminho para desenvolver a competência histórica de fazer-se sujeito. . buscar qualidade em qualquer instituição significa trabalhar com seres humanos para ajudálos a se construírem como sujeitos. portanto. à constituição da cidadania. deixando a condição de objeto ou de massa de manobra". com alto grau de inclusividade.administrativa e do repasse de recursos conforme o desempenho das escolas na avaliação externa. "qualidade essencial seria aquela que expressa a competência histórica de fazer-se sujeito. Educação de qualidade é aquela que promove para todos o domínio de conhecimentos e o desenvolvimento de capacidades cognitivas. A esse conceito opõe-se o de qualidade social. significa a inter. A qualidade é.

Demo distingue. A qualidade formal refere-se ao nível ótimo a que podem chegar os meios. 1998). a qualidade formal e a qualidade política. construa formação básica capaz de saber pensar para melhor intervir". ao objetivo ético de intervir na realidade visando o bem comum (Demo. participação. de modo a contribuir para o fortalecimento da sociedade civil e controle da gestão pública. cria situações para a educação da responsabilidade. Uma educação escolar de qualidade social tem as seguintes características: Assegura sólida formação de base que propicia o desenvolvimento de habilidades cognitivas. no campo educativo. a preparação para o mundo tecnológico e comunicacional. isto é. instrumentos e procedimentos. ou seja. Para isso. pela linguagem. principalmente o conhecimento. A qualidade política diz respeito aos fins e valores sociais do conhecimento. por isso. Desenvolve processos de formação para a cidadania. procedimentos. capacidade de liderança e tomada de decisões. incorporando novas práticas de gestão. o domínio dos conteúdos escolares (conceitos. iniciativa. possibilitando aos alunos a preparação para a participação nas organizações e movimentos populares. pela estética. que a criança aprenda de fato 55 na escola. operativas e sociais. O ser humano precisa manejar conhecimento. . pela ética. pela técnica. "Espera-se. valores). integrando a cultura provida pela ciência.

nesse caso. conforme ideais humanistas. condições de trabalho. no rumo de uma educação multicultural e comunitária. traços de caráter. moral etc. física. Dispõe de condições físicas. remuneração digna e formação continuada dos professores. . Cuida da formação de qualidades morais. no sentido de usufruir plenamente do direito de escolarização. convicções. 56 Incorpora no cotidiano escolar as novas tecnologias da comunicação e informação Como buscar a qualidade social? Quais estratégias e procedimentos possibilitam promover a qualidade social das escolas e do sistema escolar? Não é nada fácil estabelecer como critério de qualidade a igualdade quanto ao atendimento escolar. Promove a integração entre a cultura escolar e outras culturas. Por um lado. Por outro lado. em condições iguais de oferta dos meios de escolarização.Assegura a elevação do nível escolar para todas as crianças e jovens sem exceção. atitudes. todas as crianças têm direito ao sucesso escolar. materiais e financeiras de funcionamento. a qualidade para todos. ficam por resolver os direitos de alunos portadores de dificuldades escolares gerais ou específicas e portadores de outras necessidades que põem em questão a validade de parâmetros universais de desempenho.). é possível estabelecer para uma determinada população parâmetros de desempenho nas várias dimensões da educação (cognitiva.

a avaliação dos resultados por provas ou exames nacionais. O que as escolas precisam buscar. a modificação dos currículos. por mais que os resultados sejam um bom indicativo da qualidade dos processos e das condições da oferta dos serviços. no âmbito das escolas. etc. a aquisição de novos equipamentos. Também não é suficiente. é a qualidade cognitiva das experiências de aprendizagem dos alunos.todos são fatores imprescindíveis para promover a qualidade. apenas a aferição do desempenho intelectual dos alunos através de provas e exames. de pouca valia terão a gestão democrática. Em suma. também. ética. estética. às dimensões afetiva. as eleições para diretor. porque os resultados da aprendizagem dizem respeito não só à dimensão cognitiva mas. é insuficiente julgar a qualidade da escola apenas pelo nível de seus produtos. É necessário alertar que a reorganização das escolas. de fato. a participação da comunidade. mesmo que se baseiem na democratização nos processos organizativos e decisórios. se os alunos . as mudanças nas práticas de gestão. mas eles 57 devem ser considerados como meios. não resolvem os problemas do ensino e do baixo rendimento escolar dos alunos. os modernos equipamentos . se os objetivos de aprendizagem não forem conseguidos. os processos de organização e gestão das escolas. física. Do mesmo modo. Portanto. por si só.As considerações anteriores mostram que a busca da educação escolar de qualidade depende da conjugação de vários objetivos e estratégias. não como fins.

ganham importância as estratégias de realização da qualidade a saber: o currículo. 1986). se não desenvolvem seu potencial cognitivo. a escola se organiza para que ela readquira em plenitude sua função original de ensinar (Silva Júnior. a organização e a gestão. Atender às necessidades dos alunos em consonância com as exigências sociais e educacionais contemporâneas significa prestar atenção nos conteúdos que estão sendo ensinados. Com isso. Atualmente existem distintas posições sobre . diz respeito à qualidade cognitiva dos processos de aprendizagem numa escola que inclua todos. pois. os resultados juntamente com os elementos e processos que os determinam. Considerando. na efetividade desses conteúdos para a vida 58 cultural e prática. no modo como estão sendo ensinados. como aprendem e em que grau são capazes de pensar e atuar com o que aprendem.se. Celestino da Silva Júnior escreve que as escolas não existem para serem administradas ou inspecionadas. Daí o investimento necessário no aperfeiçoamento do currículo e das práticas metodológicas nas escolas.continuam tendo baixo rendimento escolar. portanto. o centro de referência dos critérios e estratégias de qualidade é o que os estudantes aprendem. ou seja. Eixos da qualidade social: o currículo e os processos de ensino e aprendizagem Qualidade social do ensino. o professor e avaliação. elas existem para que os alunos aprendam.

a fim de prestar serviços de melhor qualidade aos seus alunos. incentivar os professores de cada escola a melhorar o processo educativo. Também torna possível o agrupamento de várias escolas em torno de . A ênfase está colocada nos interesses mais amplos do sistema político e não nos interesses regionais e locais. em função de iniciativas e interesses locais. portanto.e à flexibilidade. em que o currículo deveria ser planejado. a uma certa unidade do sistema escolar em função de objetivos democráticos da educação nacional . principalmente. sistema de avaliação controlador. O principal argumento a favor desse modelo é que ele pode assegurar o máximo de participação do professor e demais integrantes da escola e um mínimo de interferência dos órgãos superiores. à liberdade e ao caráter participativo.formas de organização para o aperfeiçoamento do currículo. Uma terceira posição é o modelo misto que confere importância ao mesmo tempo aos órgãos de coordenação central . metodologias e técnicas a serem seguidas. oposta à primeira. Sustenta que o currículo é uma questão de cada escola e de cada professor em particular.visando. A segunda posição. a refletir sobre as práticas curriculares e metodológicas. Secretarias de Educação). administrado e controlado por órgãos superiores do sistema educacional (Ministério da Educação. as decisões que se tomam em âmbito local. Esse modelo busca. defende um modelo descentralizado de organização e aperfeiçoamento curricular. Nele são definidas metas a alcançar. A primeira é o modelo centralizado. portanto. bastante criticado pela maioria dos educadores. predominando.

a . Em síntese. As atividades-meio são as condições de realização desses objetivos. que se sobreporia à competência político-executiva dos Estados e Municípios. o currículo e os processos de ensino e aprendizagem correspondem aos objetivos da escolarização obrigatória. ou seja.. incluindo-se. a ser concretizada nas decisões regionais e locais sobre currículos e sobre programas de transformação da realidade educacional empreendidos pelas autoridades governamentais. portanto.projetos comuns de aperfeiçoamento curricular.. realizam as atividades-fim na educação escolar tais como a aquisição do conhecimento e da cultura.) Por sua natureza aberta. capacitação de professores. pelas escolas. o planejamento pedagógico e curricular. a inserção no mundo do trabalho. um modelo curricular homogêneo e impositivo. à diversidade sociocultural das diferentes regiões do País e à autonomia de professores e equipes pedagógicas. configuram uma proposta flexível. O principal critério de aferição dos resultados obtidos em relação a esses objetivos é o grau em que se obtém a qualidade cognitiva e operativa das aprendizagens escolares. a formação para a cidadania. No Brasil optou-se pelo terceiro modelo. o desenvolvimento da personalidade. pelos professores. conforme se pode concluir das seguintes considerações inseridas na Introdução dos Parâmetros Curriculares Nacionais: 59 Os PCN constituem um referencial de qualidade para a educação no Ensino Fundamental em todo o País. Sua função é orientar e garantir a coerência dos investimentos no sistema educacional (. entre essas condições. Não configuram.

implicando a relevância social desses conteúdos. Ele faz o ordenamento de todas as atividades pedagógicas. a obtenção de bons resultados escolares que evidenciem o trabalho da escola e dos professores.. CAPÍTULO IV – O Professor e a Construção da sua Identidade Profissional 63 O professor é um profissional cuja atividade principal é o ensino. é denominado profissionalidade. A garantia da qualidade social do ensino é. a crença na possibilidade de educar a todos como condição para a igualdade e inclusão social. a cultura organizacional. a atuação competente dos professores nos conteúdos e na metodologia de 60 ensino. um trabalho escolar integrado e articulado. o desenvolvimento profissional dos professores. as habilidades e as atitudes requeridas para levar adiante o processo de ensino e aprendizagem nas escolas. uma professora. com a participação coletiva na elaboração e desenvolvimento do projeto pedagógico e do currículo. tendo em vista os objetivos educacionais. Sua formação inicial visa a propiciar os conhecimentos. Esse conjunto de requisitos profissionais que tornam alguém um professor. portanto. O projeto pedagógico-curricular é o instrumento de articulação entre fins e meios. a tecnologia. A conquista da .organização e gestão da escola. curriculares e organizativas da escola.

ambiente e clima de trabalho. respeita os alunos. compromisso com um projeto político democrático. é assíduo ao trabalho. condições de trabalho (recursos físicos e materiais. A profissionalização refere-se às condições ideais que venham a garantir o exercício profissional de qualidade. As duas noções apresentadas se complementam. dedicação ao trabalho. Por outro lado. isso significa domínio da matéria e dos métodos de ensino. que ama sua profissão. práticas de organização e gestão). recebendo salários baixos. remuneração compatível com a natureza e as exigências da profissão.profissionalidade supõe a profissionalização e o profissionalismo. terá muito pouco êxito na sua atividade profissional se não tiver as . respeito à cultura de origem dos alunos. participação na construção coletiva do projeto pedagógico. Na prática. Essas condições são: formação inicial e formação continuada nas quais o professor aprende e desenvolve as competências. a profissionalização requer profissionalismo. O profissionalismo requer profissionalização. 64 rigor no preparo e na condução das aulas. assiduidade. terá dificuldades de atuar com profissionalismo. O profissionalismo refere-se ao desempenho competente e compromissado dos deveres e responsabilidades que constituem a especificidade de ser professor e ao comportamento ético e político expresso nas atitudes relacionadas à prática profissional. um professor muito dedicado. trabalhando em precárias condições. Um professor profissionalmente despreparado. habilidades e atitudes profissionais.

de lidar com essas duas noções de forma que a ausência de uma comprometa irremediavelmente a outra. formação profissional. que os professores são importantes etc. salários. investindo na sua formação continuada. ao mesmo tempo. carreira . os governos têm sido incapazes de garantir a valorização salarial dos professores levando a uma degradação social e econômica da profissão e a um rebaixamento evidente da qualificação profissional dos professores em todo o país. Um professor pode compensar uma fraca profissionalização estudando mais. interferindo na imagem da profissão. na prática. ao mesmo tempo em que se fala da valorização da 65 . seus valores em relação à prática profissional.cujo provimento é. isto é. alardeando que a educação é a prioridade. responsabilidade dos governos. é a responsabilidade que a tarefa educativa traz consigo. O que justifica essa atuação comprometida é a natureza da profissão de professor. É muito comum as autoridades governamentais fazerem autopromoção mediante discursos a favor da educação. É verdade que a profissão de professor vem sendo muito desvalorizada tanto social quanto economicamente. os requisitos da profissionalização. Não se trata. a buscar melhor qualificação. certamente. suas convicções. o que pode levá-lo. lutando por melhores salários.qualidades e competências tidas como ideais a um profissional. Em outros termos. mudar suas atitudes. Em boa parte isso se deve às condições precárias de profissionalização. No entanto. Pode. em boa parte. recursos materiais e didáticos. inclusive.

Isto acontece porque a identidade com a profissão diz respeito ao significado pessoal e social que a profissão tem para a pessoa. Se o professor perde o significado do trabalho tanto para si próprio como para a sociedade. Apesar dos problemas. a frustração. os professores continuam sendo os principais agentes da formação dos alunos e. O mal-estar. a qualidade dos resultados de aprendizagem dos alunos é inseparável da qualificação e competência dos professores. a baixa auto-estima. Os cursos de formação inicial têm um papel muito importante na construção dos .educação escolar para a competitividade. a construção e o fortalecimento da identidade profissional precisam fazer parte do currículo e das práticas de formação inicial e continuada. a ressignificação de sua identidade . As condições de trabalho e a desvalorização social da profissão de professor. Nos últimos anos. são algumas conseqüências que podem resultar dessa perda de identidade profissional. Paradoxalmente. ele perde a identidade com a sua profissão. no entanto. os estudiosos da formação de professores vêm insistindo na importância do desenvolvimento pessoal e profissional no contexto de trabalho. continuam vigorando salários baixos e um reduzido empenho na melhoria da qualidade da formação profissional dos professores.pode ser a garantia da recuperação do significado social da profissão. de fato.que passa pela luta por melhores salários e pela elevação da qualidade da formação . Por isso. para a cidadania. portanto. mediante a educação ou formação continuada. prejudicam a construção da identidade dos futuros professores com a profissão e de um quadro de referência teórico-prático que defina os conteúdos e as competências que caracterizam o ser professor. para o consumo.

atitudes e convicções dos futuros professores necessários à sua identificação com a profissão. 66 A formação continuada é uma maneira diferente de ver a capacitação profissional de professores. nas atividades de assistência pedagógico-didática junto com a coordenação pedagógica. atua como intelectual critico . Nesses cursos são passadas propostas para serem executadas ou os conferencistas dizem o que os professores devem fazer. a refletir sobre sua prática. como profissional reflexivo e pesquisador e elaborador de conhecimentos. uma vez que ela pode desenvolver-se no próprio trabalho. Ainda é muito comum nas Secretarias de Educação promover a capacitação dos professores através de cursos de treinamento ou de reciclagem. de grandes conferências para um grande número de pessoas. nas reuniões pedagógicas.do professor como intelectual crítico.o professor prepara-se teoricamente nos temas pedagógicos e nos conteúdos para poder realizar a reflexão sobre sua prática. sem tempo de refletir e avaliar o que faz. Ela visa ao desenvolvimento pessoal e profissional mediante práticas de envolvimento dos professores na organização da escola.conhecimentos. na organização e articulação do currículo. nos conselhos de classe etc. como participante qualificado na organização e gestão da escola . a investigar e construir teorias sobre seu trabalho. O professor não é instigado a ganhar autonomia profissional. O professor deixa de estar apenas cumprindo a rotina e executando tarefas. Na nova concepção de formação . Mas é na formação continuada que essa identidade se consolida.

um programa de educação continuada se faz necessário para atualizarmos nossos conhecimentos. Dessa forma. experimenta novas formas de trabalho. Esse é o sentido mais ampliado que assume a formação continuada. desenvolve habilidades de participação grupal e de tomada de decisões seja na elaboração do projeto pedagógico e da proposta curricular seja nas várias atividades da escola como execução de ações.na contextualização sociocultural de suas aulas e na transformação social mais ampla. A Educação Continuada se faz necessária pela própria natureza do saber e do fazer humanos como práticas que se transformam constantemente. . cria novas estratégias. inventa novos procedimentos. inventando novas soluções. 1998) Isso não quer dizer que o professor não necessita da teoria. principalmente para analisarmos as mudanças que ocorrem em nossa prática. discussão de pontos de vista. analise de problemas. isto é. ele vai ampliando a consciência sobre sua própria prática. do conhecimento científico. revê sua prática. A realidade muda e o saber que construímos sobre 67 ela precisa ser revisto e ampliado sempre. fazendo com que sua prática vire conteúdo de reflexão. Tematizando sua prática. O alargamento da consciência se dá pela reflexão que o professor realiza na ação. Significa que o professor analisa sua prática à luz da teoria. revendo as rotinas. Em suas atividades cotidianas. bem como para atribuirmos direções esperadas a essas mudanças (Christov. torna-se investigador em sua aula analisando suas práticas. avaliação de situações etc.

incertas e muitas vezes desconhecidas.. Neste ponto. a caminho de construir sua autonomia profissional. (. O que ele precisa é desenvolver a capacidade de dar respostas criativas conforme cada situação. Não precisa tanto saber aplicar regras já estabelecidas. mas construir estratégias. o professor precisa ser capaz de inventar suas próprias respostas. 68 criam uma cultura organizacional. discutem juntos. chegamos à necessidade do trabalho em equipe através do qual os professores formulam o projeto pedagógico. descobrir saídas. Para isso. Sabemos que boa parte das situações de ensino são singulares. 1998). por isso.) Mas a sua reflexão na ação precisa ultrapassar a situação imediata. inclusive aqueles imprevistos. inventar procedimentos. . enriquecendo-se de conhecimentos e práticas e aprendendo a resolver problemas. possibilitando uma elaboração teórica de seus saberes (Pimenta. interagem com seus colegas. Ou seja. congressos seminários de estudo. é necessário mobilizar a reflexão sobre a reflexão na ação. Ou seja. não basta o professor ter uma lista de métodos e técnicas a serem utilizados. Há muitas formas de realizar a formação continuada: cursos.. É assim que o professor transforma-se num pesquisador. pensam juntos. encontram soluções juntos. uma reflexão que se eleve da situação imediata.o professor toma decisões diante das situações concretas com as quais depara. com base nas quais constrói saberes na ação. assumem as responsabilidades coletivamente.

reunião pedagógica. descompromisso com atualização pedagógica. má qualidade das experiências de aprendizagem dos alunos. que se põe como requisito para a luta por melhores salários e melhores condições de trabalho. Sabemos que a profissão de professor vai assumindo determinadas características isto é. está bom (Guimarães. Identidade profissional e saberes e competencias profissionais Em que consiste a profissão de professor? O que significa ser professor? Como vimos. assim como para o exercício responsável da profissão. Enquanto agirmos em nossas escolas contentando-nos com níveis mínimos de profissionalização (qualificação mínima.) a luta pela profissionalidade se esvazia porque os professores continuarão pensando que como está. o profissionalismo. sociais. O importante é acreditar que a formação continuada é condição indispensável para a profissionalização. encontros com a Coordenação Pedagógica. atitudes. habilidades. políticas. 1999)...) e profissionalismo (insensibilidade ao insucesso escolar dos alunos. valores que definem e orientam a especificidade do trabalho de professor. A sociedade brasileira está passando por intensas transformações econômicas.conforme necessidades educacionais colocadas em cada momento da história e em cada contexto social (Pimenta.. autodesqualificação. 1998). culturais. determinada identidade . rotinização e desencanto com o trabalho.. As novas exigências educacionais frente a essas . identidade profissional é o conjunto de conhecimentos. estudos individuais.

da cultura e das artes. novos modos de pensar. Ou seja. dos meios de 69 comunicação e informação. Libâneo e Pimenta (1999) apontam duas dimensões da identidade profissional de professor: O desenvolvimento profissional envolve formação inicial e contínua articuladas a um processo de valorização identitária e profissional dos professores. sensibilidade pessoal e social). ou seja. 4. Há uma nítida mudança no desempenho dos papéis docentes. E identidade que é profissional. competências são as qualidades. vários estudos vêm pesquisando os saberes e competências profissionais que fazem parte da profissionalidade do professor. 3. . Com isso. do aluno. a docência constitui um campo específico de intervenção profissional na prática social não é qualquer um que pode ser professor. Identidade que é epistemológica. diretamente relacionados ao campo da prática profissional. No últimos anos. das ciências humanas e naturais. do conhecimento. surgem novas práticas profissionais. conteúdos ligados à explicitação do sentido da existência humana (individual. conteúdos didático-pedagógicos. Saberes são conhecimentos teóricos e práticos requeridos para o exercício profissional. que reconhece a docência como um campo de conhecimentos específicos configurados em quatro grandes conjuntos. agir e interagir.transformações pedem um professor capaz de exercer sua profissão em correspondência às novas realidades da sociedade. ou seja. a saber: 1. conteúdos das diversas áreas do saber e do ensino. 2. novas competências. conteúdos relacionados a saberes pedagógicos mais amplos do campo teórico da prática educacional.

com eficácia. uma ação compatível com a situação. o saber da experiência e o saber da ação pedagógica. Gauthier et al. comportamentos rotineiros e repetitivos. Essa capacidade geral ou capacidades não se confundem com objetivos comportamentais. Outros autores investigaram os saberes profissionais de professores. Perrenoud (2000a) sugere que os saberes estão contidos no termo "competências".capacidades. Ou seja. o saber curricular. Define "competência profissional" como uma capacidade de mobilizar diversos recursos cognitivos para enfrentar situações determinadas. o saber das ciências da educação. que permitem determinar e realizar. (1998) relacionam os vários saberes necessários ao ensino: o saber disciplinar. 70 que se torna elemento necessário na definição de competência. o saber da tradição pedagógica. numa visão cognitivista e não meramente instrumental. habilidades e atitudes relacionados com esses conhecimentos teóricos e práticos e que permitem a um profissional exercer adequadamente sua profissão. As competências vinculam-se não só a conhecimentos como também a uma atividade cognitiva. esquemas de pensamento. condutas e práticas observáveis. Perrenoud (2000b) apresenta dez famílias de competências para ensinar: organizar e dirigir situações de aprendizagem. administrar a progressão das aprendizagens. tal como entendidos no tecnicismo educacional. as competências correspondem a uma articulação entre capacidades cognitivas e habilidades. de modo que seu exercício implica operações mentais. envolver os alunos em suas . conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação.

(1999) organizam o conhecimento profissional dos professores em cinco âmbitos: conhecimentos sobre crianças. os conhecimentos específicos da matéria e os saberes pedagógicos. trabalhar em equipe. Laranjeira et al. jovens e adultos. política. conhecimento para a atuação pedagógica e conhecimento de experiência contextualizado na ação pedagógica. utilizar novas tecnologias. A professora Terezinha Rios (2000) associa o termo competência à qualidade do trabalho. Dominar e exercer a profissão de professor. 2. informar e envolver os pais.saberes de experiência. Para ela. 71 A relação de competências profissionais que reproduzimos a seguir ajudam a compreender as qualidades e capacidades exigidas hoje na formação profissional de professores. cultura geral e profissional.aprendizagens e em seu trabalho. inovar. Refletir sobre sua prática. enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão. conhecimentos sobre as dimensões culturais. auto-formar-se. participar da administração da escola. na realização dos direitos do coletivo de uma sociedade. administrar sua própria formação contínua. A competência envolve uma pluralidade de propriedades. ética e estética. sociais e políticas da educação. Pimenta (1999) aponta como saberes necessários à docência . COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS DE PROFESSOR l. . um conjunto de qualidades positivas fundadas no bem comum. na qual se reúnem as dimensões técnica. um profissional qualificado é aquele quem possui determinadas qualidades.

8.3. 14. Servir-se conscientemente das tecnologias. Assumir a dimensão educativa do ensino. Capacitar-se a realizar pesquisas e análises de situações educativas e de ensino. 16. 72 É sabido o quanto o desenvolvimento dessas características de professor pode ser prejudicado pelas atuais condições de exercício profissional tais como a baixa remuneração e as precárias condições de trabalho. aposta-se nas possibilidades de melhoria da . para tornar-se sujeito pensante e crítico. Dominar as disciplinas a ensinar e suas didáticas. Desenvolver sólida cultura geral. Todavia. 7. 4. Os itens de 1 a 12 foram extraídos do Guia de Estudos da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação de Genebra . Assumir as dimensões relacionais no ensino. Desenvolver sensibilidade aos problemas emergentes em situações práticas. Trabalhar em equipe e cooperar com outros profissionais. Conceber. Outras competências: 13. Considerar a diversidade dos alunos. 11. 6. construir e administrar situações de aprendizagem e de ensino. 12. 10. Integrar a componente ética à prática cotidiana.Suíça. Desenvolver competências do pensar. 15. saber diagnosticá-los e enfrentálos. 5. 9. Manter uma relação crítica e autônoma com os saberes. Servir-se das ciências humanas e sociais como base de análise de situações educativas complexas.

administração. racionalizar o uso de recursos (materiais. A expressão "organização escolar" é freqüentemente identificada com "administração escolar". termo que tradicionalmente caracteriza os princípios e procedimentos referentes à ação de planejar o trabalho da escola.fatos simples. Alguns autores utilizam essas duas expressões indistintamente. profissionalizando-se.Os Conceitos de Organização Gestão. CAPÍTULO V . ora o primeiro praticamente se confundindo com administração .se já existiram . ora tomados como sinônimos. Participação e Cultura Organizacional 75 Os especialistas não têm uma posição única sobre a utilização dos termos organização. coordenar e controlar o trabalho das pessoas.. gestão e participação. O mesmo acontece com os termos gestão e direção. as inúmeras mediações que provocam um turbilhão de estímulos que povoam a mente dos alunos. financeiros. aumentando-se a complexidade da profissão. o caráter de instantaneidade que os fatos adquiriram. intelectuais). desencadeiam enorme ampliação da prática profissional.) mais sólida. mais ampla e mais flexível para que o professor seja capaz de ir compondo sempre melhor as suas respostas.. exigindo-se conhecimentos mais refinados para uma atuação produtiva. A cada dia demanda-se uma formação (. outros atribuem maior amplitude a uma ou a outra. Deixam de existir em educação . É o que recomenda Guimarães (1999): A ampliação e eficiência dos meios de comunicação.qualificação profissional na formação inicial e formação continuada como um dos requisitos essenciais para a profissionalização.

por sua vez.) envolvem. (. Organização e administração A maioria dos autores que estudam as tarefas de administrar. podemos afirmar que a administração é a utilização racional de recursos para a realização de fins determinados. dirigir e controlar os serviços necessários à educação.) Os recursos (. na construção do currículo e nas formas de gestão. Nesse sentido.) A administração pode ser vista..e o segundo como um aspecto do processo administrativo. organizar. portanto. especialmente no projeto pedagógico. organizar. tanto na teoria como na prática. uma parte dela. configurando-se assim uma ciência da administração ou uma teoria da administração. os esforços despendidos pelos homens e que precisam ser coordenados com vistas a um propósito comum. a organização escolar (Santos. assim. no seu âmbito de ação. conforme o âmbito de análise) sendo a ação de organizar.. Em seu sentido geral. dirigir. .. por um lado. 1966). (. O termo "cultura organizacional". Tais tarefas remetidas 76 à escola configuram a administração escolar (ou educacional. Ela inclui. gerir. tomar decisões. vem suscitando cada vez mais interesse por causa de suas implicações no funcionamento da escola. são bem explicitas as seguintes definições: A administração escolar tem como objetivos essenciais planejar. os elementos materiais e conceptuais que o homem coloca entre si e a natureza para dominá-la em seu proveito. as reúnem todas no conceito de administração.. por outro...

1989). Nesse caso. seria mais adequado o uso do termo organização. que conduzem a fins determinados. demarcando esferas de responsabilidade e níveis de autoridade nas pessoas congregadas. constituída de pessoas que trabalham juntas) que existem para alcançar determinados objetivos (Chiavenato. 77 A organização escolar é o conjunto de disposições. fatores e meios de ação que regulam a obra da educação ou um aspecto ou grau da mesma. é útil a posição de Chiavenato (1989) distinguindo dois significados diferentes de organização: organizações como unidades sociais e organização como função administrativa. 1966). Esses meios ou fatores são de duas classes: administrativos e pedagógicos" (Aguayo in Santos. Organizar (.como dois amplos campos que se interpenetram: a "racionalização do trabalho" e a "coordenação (do esforço humano coletivo" (Paro. Outros autores.. portanto.) é bem dispor elementos (coisas e pessoas). Além disso. As organizações são unidades sociais (e. preferem atribuir ao termo organização maior abrangência. que a diferenciam das empresas convencionais. entendendo que a administração realiza-se no contexto de uma organização. entretanto.. sendo a instituição escolar eminentemente um sistema de relações. As seguintes definições permitem atribuir a abrangência maior ao termo organização. reconhecendo a especificidade das instituições educacionais. Administrar é regular tudo isso. com fortes características interativas. a fim de . 1986). dentro de condições operativas (modos de fazer).

1994). realizem seus objetivos. Paulo. das instituições. em relação à qual a administração é subordinada. Utilizamos. É este o processo que denominamos de gestão. a expressão organização e gestão da escola. colocados juntos. são mais abrangentes que administração. ou seja. enfatizando assim os indivíduos e os grupos interrelacionados. cooperativo. S. considerando que esses termos. Podemos ver a escola como uma organização na medida em que ela se constitui como unidade social `de agrupamentos humanos intencionalmente construídos ou reconstruídos' (Chiavenato. processos de sistematicidade e caráter pessoal direto e prolongado de que se reveste o ato educativo (Carvalho e Diogo. .que não se perca a coesão do trabalho e sua eficiência geral (Lourenço Filho. Para que as organizações funcionem e. adotamos o sentido amplo de organização. a fim de alcançar os objetivos da instituição. pois. assim. definindo 78 a organização como ação congregada entre duas ou mais pessoas. Edições Melhoramentos. 1976). unidade social que reúne pessoas que interagem entre si e que opera através de estruturas e processos organizativos próprios. Organização e Administração Escolar. o caráter de intencionalidade de seus atos. 1976. Seguindo de perto essas definições. Lourenço Filho também destaca o caráter grupal. requer-se a tomada de decisões e a direção e controle dessas decisões. 1983). Em uma de suas obras mais difundidas. as suas interações.

Na prática, os termos organização e administração, podem ser utilizados combinadamente, desde que se explicite o conteúdo de cada um. A definição de Paro, por exemplo, registrada acima, define com muita propriedade os âmbitos de estudo da Administração, que poderiam ser incluídos também como campo de estudos da Organização. Gestão e direção Alguns autores afirmam que o centro da organização e do processo administrativo e a tomada de decisão. Todas as demais funções da organização (o planejamento, a estrutura organizacional, a direção, a avaliação) estão referidas ao processo eficaz de tomada de decisões (Griffiths, 1974). Os processos intencionais e sistemáticos de se chegar a uma decisão e de fazer a decisão funcionar caracterizam a ação que denominamos gestão. Em outras palavras, a gestão é a atividade pela qual são mobilizados meios e procedimentos para se atingir os objetivos da organização, envolvendo, basicamente, os aspectos gerenciais e técnicoadministrativos. Nesse sentido, é sinônimo de administração. A direção é um princípio e atributo da gestão, mediante a qual é canalizado o trabalho conjunto das pessoas, orientando-as e 79 integrando-as no rumo dos objetivos. Basicamente, a direção põe em ação o processo de tomada de decisões na organização, e coordena os trabalhos, de modo que sejam executados da melhor maneira possível.

A organização e os processos de gestão, incluindo a direção, assumem diferentes significados conforme a concepção que se tenha dos objetivos da educação em relação à sociedade e à formação dos alunos. Por exemplo, numa concepção tecnicista de escola, a direção é centralizada numa pessoa, as decisões vêm de cima para baixo, bastando cumprir um plano previamente elaborado, sem participação dos professores, especialistas e usuários da escola. Já numa concepção democráticoparticipativa, o processo de tomada de decisões se dá coletivamente, participativamente. A direção pode, assim, estar centrada no indivíduo ou no coletivo, sendo possível uma direção individualizada ou uma direção coletiva ou participativa. Neste livro, será assumida a concepção da direção participativa ou democráticaparticipativa, conforme detalharemos adiante. Participação A participação é o principal meio de se assegurar a gestão democrática da escola, possibilitando o envolvimento de profissionais e usuários no processo de tomada de decisões e no funciona mento da organização escolar. Além disso, proporciona um melhor conhecimento dos objetivos e metas, da estrutura organizacional e de sua dinâmica, das relações da escola com a comunidade, e favorece uma aproximação maior entre professores, alunos, pais. Nas empresas, a participação nas decisões é quase sempre uma estratégia que visa a busca do aumento de produtividade. Nas escolas, esse objetivo não precisa ser descartado pois elas também buscam bons resultados. Entretanto, há aí um sentido mais forte de prática da democracia, de experimentar formas não-autoritárias de

exercício do poder, de intervir nas decisões da organização e definir coletivamente o rumo dos trabalhos. 80 O conceito de participação se fundamenta no de autonomia, que significa a capacidade das pessoas e dos grupos de livre determinação de si próprios, isto é, de conduzirem sua própria vida. Como a autonomia opõe-se às formas autoritárias de tomada de decisão, sua realização concreta nas instituições é a participação. Portanto, um modelo de gestão democrática-participativa tem na autonomia um dos seus mais importantes princípios, implicando a livre escolha de objetivos e processos de trabalho e a construção conjunta do ambiente de trabalho. Podemos citar cinco fundamentos do trabalho em equipe ou trabalho participativo: Em primeiro lugar, a equipe deve ter uma meta, propósito, causa ou objetivo que seja identificado, aceito, compreendido e desejado por todos os membros da equipe. Em segundo lugar, a equipe deve ter espírito, moral e desejo de triunfar ainda que seja ao custo de consideráveis sacrifícios individuais. Em terceiro lugar, as linhas de autoridade e responsabilidade devem estar claramente definidas e compreendidas perfeitamente por todos. Em quarto lugar, devem ser estabelecidos os canais de comunicação. Em quinto lugar, o líder deve descobrir e utilizar ao máximo as capacidades criadoras de cada uma das pessoas e uni-las numa equipe homogênea (In Neagley e Evans, 1969). Estes princípios expressam com muita clareza a necessidade de a organização escolar ter objetivos comuns e compartilhados, buscar o envolvimento da equipe de profissionais com esses objetivos, contar com uma

estrutura organizacional em que as responsabilidades estejam muito bem definidas, dispor de várias formas de comunicação entre a organização e as pessoas, ter uma liderança que consiga motivar e mobilizar as pessoas para uma atuação conjunta em torno de objetivos comuns. Em relação, ainda, ao trabalho em equipe, é importante assinalar que a liderança não é atributo exclusivo de diretores e coordenadores, nem está ligada apenas ao cargo e ao status da 81 pessoa. É uma qualidade que pode ser desenvolvida por todas as pessoas por meio de práticas participativas e de ações de desenvolvimento pessoal e profissional. Numa escoa existem, pois, vários tipos de liderança. Entretanto, não se pode negar que, mesmo na gestão democrática efetivada de forma cooperativa e participativa, o funcionamento e a eficácia da escola dependem em boa parte da capacidade de liderança de quem está exercendo a direção e a coordenação pedagógica. Cabe ressaltar, finalmente, que a prática da participação nos processos de gestão, por si só, não esgota as ações necessárias para que seja assegurada a qualidade do ensino. Tanto quanto os vários elementos do processo organizacional, e como um dos elementos deste, a participação é um meio de alcançar melhor e mais democraticamente os objetivos da escola, que se centram na qualidade dos processos de ensino e aprendizagem. Com efeito, na conquista da autonomia da escola, está presente a exigência da participação de professores, pais, alunos, funcionários e outros representantes da comunidade, bem como as formas dessa participação: a

interação comunicativa, a discussão pública dos problemas e soluções, a busca do consenso em pautas básicas, o diálogo intersubjetivo. Todavia, é preciso considerar que a participação implica processos de organização e gestão, procedimentos administrativos, modos adequados de fazer as coisas, a coordenação, o acompanhamento e a avaliação das atividades, a cobrança das responsabilidades. Ou seja, para atingir os objetivos de uma gestão democrática e participativa e o cumprimento de metas e responsabilidades decididas de forma colaborativa e compartilhada, é preciso uma mínima divisão de tarefas e a exigência de alto grau de profissionalismo de todos. Portanto, a organização escolar democrática implica não só a participação na gestão mas a gestão da participação, em função dos objetivos da escola. Essa é uma competência genuína da direção e da coordenação pedagógica da escola. 82 Para a gestão da participação, é preciso ter clareza de que a tarefa essencial da instituição escolar é a qualidade dos processos de ensino e aprendizagem que, mediante as práticas pedagógico didáticas e curriculares, propiciam melhores resultados de aprendizagem. Em síntese, a escola é uma instituição social com objetivos explícitos: o desenvolvimento das potencialidades dos alunos através de conteúdos (conhecimentos, habilidades, procedimentos, atitudes, valores), para constituírem-se em cidadãos participativos na sociedade em que vivem. A tarefa básica da escola é o ensino; que se cumpre pela atividade docente. A organização escolar necessária é aquela que melhor favorece aqueles objetivos e assegura as melhores condições de realização do trabalho docente. Há, assim,

há aspectos de natureza cultural que as diferenciam umas das outras. embora oculto. sendo que a maior parte deles não são claramente perceptíveis nem explícitos. a cultura organizacional (também chamada "cultura da escola' diz respeito ao conjunto de fatores sociais. a formas de participação. que para 83 além daquelas diretrizes. Esses aspectos tem sido denominados freqüentemente de "currículo oculto" mas que. no seu desenvolvimento profissional. o significado de cultura organizacional. representa hoje um elemento indissociável das práticas de organização e gestão. A cultura da escola. atua de forma poderosa nos modos de . procedimentos operacionais. a cultura organizacional. normas. Numa compreensão mais geral. a tecnologia (recursos e técnicas). culturais. tratando-se da escola. ou como preferem outros. como será explicitado mais adiante. A cultura organizacional Em outro capítulo deste livro referimo-nos à importância da cultura da escola na formação da identidade profissional do professor. entre atividades-fim e atividadesmeio. Vejamos. Isso significa. ao lado de outros como a estrutura organizacional. as relações de trabalho. inicialmente. psicológicos que influenciam os modos de agir da organização como um todo e do comportamento das pessoas em particular. portanto.uma interdependência entre os objetivos e funções da escola e a organização e gestão do processo de trabalho na escola. ou seja. rotinas administrativas.

“rotinizados”. organizados. “normalizados”. e seus quadros de referência. que é a cultura da escola (como se poderia falar.seus saberes. da cultura da prisão.que marcam fortemente as práticas docentes. expressão derivada do conceito sociológico de cultura (Forquin. seu 84 . Segundo Forquin: Forquin distingue a cultura da escola da cultura escolar. o que se quer destacar aqui. um mundo social. Tanto isso é verdade que os mesmos professores tendem a agir de forma diferente em cada escola em que trabalham. da cultura da fábrica) . que afetam sua participação nas aprendizagens. 1993). Sabemos que o trabalho nas escolas se defronta com características culturais dos alunos. sua linguagem. esta definida como "o conjunto dos conteúdos cognitivos e simbólicos que. sob efeito dos imperativos de didatização. Essa idéia de cultura organizacional remete à cultura da escola.funcionar das escolas e na prática dos professores. as formas com que lidam com a profissão . seus valores. pois cada escola tem o seu modo de fazer as coisas. é que as próprias práticas e situações escolares estão impregnadas de uma cultura. que tem suas características de vida próprias. selecionados. também. seus ritmos e seus ritos. afetando tanto professores quanto alunos. também. Mas. constituem habitualmente o objeto de uma transmissão deliberada no contexto das escolas" A escola é. Também os professores são portadores de características culturais .

no currículo e nos planos de ensino. Isso significa que a direção da escola pode promover a criação de uma cultura organizacional. escola japonesa. seu regime próprio de produção e de gestão de símbolos. existe uma cultura regional e local que influi nas várias atividades escolares. em outras palavras. o quanto seria prejudicial aos seus objetivos se o planejamento da escola desconhecesse as expectativas dos pais. implicando aí os aspectos culturais no sentido que apontamos. ou seja.imaginário. ganham importância as interações entre as pessoas e com o contexto social mais amplo. À medida que se considera uma organização como uma unidade social formada por grupos humanos intencionalmente constituídos. rural. faz diferença se a escola é urbana. Qual é o significado disto para o sistema de organização e gestão das escolas? Como a cultura da escola influi nos estilos de organização e gestão? A ênfase na cultura organizacional não chega a ser novidade na teoria das organizações. seus valores. Significa. que a cultura da escola pode ser modelada. seus modos próprios de regulação e de transgressão. com as expectativas da comunidade. por exemplo. de relações de confiança. Nesse sentido. de um clima favorável. escola brasileira Sabemos. na elaboração do projeto pedagógico. já aparece a preocupação com o contexto social e cultural da escola. suas maneiras de educar os filhos etc. . como condições para melhor funcionamento da organização. da capital ou do interior. Quando se pensa nas formas de administração escolar. Também já tem sido ressaltado nas teorias da organização escolar a importância da criação de um clima de trabalho favorável e do incentivo para que todas as pessoas da equipe escolar se envolvam com a escola.

Em resumo: a partir da interação entre diretores. Essa cultura própria vão sendo internalizada pelas pessoas e vai gerando um estilo coletivo de perceber as coisas. embora destaque a importância e o papel do 85 contexto sociocultural na organização escolar. traços culturais próprios. porque vai além de um sistema de gestão baseado apenas na autoridade do diretor e dos procedimentos burocráticos. de encontrar soluções. com base nos significados que dão ao seu trabalho. É o que estamos denominando de cultura da escola ou cultura organizacional. não considera que a própria escola é um mundo cultural. que este entendimento das relações entre a cultura e a escola. aos objetivos da escola. de pensar os problemas. discordâncias. práticas.planejada. às decisões que são tomadas. diferenças. Essa maneira de ver tem algum valor. valores. funcionários. vai formando crenças. Observe-se. porém. é construído pelos seus próprios membros. Mas há em cada escola uma . significados. conforme abordamos anteriormente. O sentido de cultura organizacional que queremos destacar é o de que a própria organização escolar é uma cultura. na vivência do dia-adia. modos de agir. tanto nas relações que se estabelecem no dia-a-dia quanto nas salas de aula. conformada para atender objetivos da direção. alunos. a escola vai adquirindo. que o modo de funcionar da escola. podendo haver até quem destoe dessa cultura. como a coesão e o espírito grupal. coordenadores pedagógicos e professores. É claro que isso não se dá sem conflitos.

mas este também é instituidor de uma cultura organizacional. num rumo que responda aos propósitos da direção. da gestão participativa. nos corredores. Essa cultura organizacional se projeta em todos as instâncias da escola: no tipo de reuniões. na metodologia de aula etc. na confecção de alimentos e distribuição da merenda. mas essa cultura pode ser modificada pelas próprias pessoas. A conseqüência prática disso é que precisa haver coerência entre os objetivos proclamados e a cultura organizacional. será preciso instituir formas de gestão e tomada de decisões participativas e . avaliada. Vem daí uma constatação muito importante: a escola tem uma cultura própria que permite entender tudo o que acontece nela. conforme veremos adiante. nas normas disciplinares. planejada. do corpo docente.forma dominante de ação e interação entre as pessoas que poderia ser resumida nesta expressão: "temos a nossa maneira de fazer as coisas por aqui". da coordenação pedagógica. ela pode ser discutida. A cultura 86 organizacional é elemento condicionante do projeto pedagógico-curricular. Se se define como um dos objetivos da escola a formação da cidadania. a argumentar numa discussão. a planejar e tomar decisões. Se o objetivo é estabelecer na escola formas democráticas de gestão. nas formas de tratamento com os pais. É isto que justifica a formulação conjunta do projeto pedagógicocurricular. na relação dos professores com os alunos na aula. é preciso criar uma estrutura em que os alunos aprendam a se organizar. na cantina.

os valores. os significados. religiosa. que levar em conta os significados subjetivos e as características culturais das pessoas nas práticas de organização e gestão da escola não significa excluir os conflitos. considera-se que na escola ocorre uma disputa de interesses sociais e individuais. dentro da . os significados. étnica. funcionários. alunos. pode ser construída intencionalmente uma cultura organizacional educativa com base em princípios sóciopedagógicos.transparentes. Ou seja. a partir da cultura organizacional existente. aprimorá-la. os diferentes modos de agir. Considera. em que a equipe escolar discute a realidade. as interpretações das pessoas em relação ao que precisa 87 ser feito. os valores. numa prática educativa e que seus membros. Se lutamos pelo reconhecimento das diferenças. cultural. Uma concepção realista da organização escolar considera. mas também considera os objetivos e os propósitos sociais da organização escolar. as diferentes visões de mundo. ela própria. ao mesmo tempo. as relações de poder externas e internas. de sexo. que a escola se insere num contexto sociocultural e político mais amplo. finalmente. É preciso considerar. para se chegar a definições e decisões em torno dos objetivos comuns. entre professores. Estes exemplos reforçam a idéia de que a organização escolar constitui-se. cuja influência na organização escolar é determinante. Na perspectiva sócio-crítica da cultura organizacional. também. é preciso que se tenha uma prática de respeito à diversidade social. podem modificá-la. as diferenças.

com a parte financeira. 3) que precisam ter clareza de que há interesses sócio-políticos e econômicos na definição de uma organização escolar. mais participativas. portanto. conhecer as teorias organizacionais. uma normatividade. especificamente.realidade sociocultural e política mais ampla. sobre se lhe cabem tarefas apenas administrativas ou também tarefas pedagógicas. Entretanto. e acreditar que há outras formas possíveis de organizar e gerir uma escola. Na prática. O papel do diretor de escola e da equipe de especialistas A implementação de práticas alternativas de organização e gestão da escola depende bastante da atuação da direção e da coordenação pedagógica da escola. ele desempenha predominantemente a gestão geral da escola e. Há uma diversidade de opiniões sobre o papel do diretor de escola. principalmente. as funções administrativas (relacionadas com o pessoal. Preferimos optar pela seguinte posição: o diretor de escola é o responsável pelo funcionamento administrativo e pedagógico da escola. nas formas de funcionamento. mais reflexivas. que moldam a formação e o funcionamento da organização. com o prédio da escola e os recursos materiais. mais efetivas. que requerem uma ação organizada. com a supervisão geral . racional. para que tomem consciência das condições de funcionamento da organização e que possam criar outras. 2) que precisam conhecer a escola. isso significa: 1) que os professores precisam desconfiar de que a organização escolar deva funcionar do jeito em que está funcionando. na escola. em sentido mais estrito. necessita de conhecimentos tanto administrativos quanto pedagógicos.

orientação para novas necessidades da vida urbana. uma vez que responsabilidades que antes correspondiam aos pais e mães. . especialistas e pais nos processos de tomada de decisões e na solução dos problemas. As mudanças na sociedade envolvendo uma ligação maior da escola com outras realidades tais como os meios de comunicação e informação. educação para o trânsito. 88 Mais adiante ver-se-á que a ênfase no processo de ensino e aprendizagem na sala de aula requer um acompanhamento e uma atenção especial. O crescimento da população e a urbanização da sociedade têm levado à instalação de escolas maiores. educação para o lazer. Mas essa acentuação da importância da coordenação pedagógica não significa diminuição do papel do diretor. Ele encarna um tipo de profissional com conhecimentos e habilidades para exercer liderança. orientação sexual. implicando uma ligação mais explicita da escola com outros organismos da comunidade. educação ambiental etc.das obrigações de rotina do pessoal. que somente pode ser assegurada com o trabalho do coordenador pedagógico. tornando mais complexas as tarefas de organização e gestão. Há outras razões para destacar o papel do diretor. a automação. vão sendo conferidas às escolas: orientação psicológica. professores. relações com a comunidade). iniciativa e utilizar práticas de trabalho em grupo para assegurar a participação de alunos. A necessidade de vínculo maior com as famílias. delegando a parte pedagógica ao coordenador ou coordenadores pedagógicos.

a nomeação arbitrária de diretores pelo governador ou prefeito. geralmente para atender conveniências e interesses político-partidários. uma pessoa que consegue aglutinar as aspirações. participativamente. as expectativas da comunidade escolar e articular a adesão e a participação de todos os segmentos da escola na gestão de um projeto comum. a escola precisa estar bem coordenada e administrada. Ao contrário. financeiros. Em razão disso. participação. . Uma vez tomadas as decisões coletivamente. Não se quer dizer com isso que o sucesso da escola 89 reside unicamente na pessoa do diretor ou numa estrutura administrativa autocrática . autonomia. Nessa hora. Como gestor da escola. democracia não significam ausência de responsabilidades. é preciso colocá-las em prática.O diretor ou diretora de escola tem. os desejos. Infelizmente. como dirigente. o diretor tem uma visão de conjunto e uma atuação que apreende a escola nos seus aspectos pedagógicos. predomina ainda no sistema escolar público brasileiro. pois. Essa prática torna o diretor o representante do poder executivo na escola. Outras formas de escolha são o concurso público e a eleição pelo voto direto ou representativo. uma importância muito significativa para que a escola seja respeitada pela comunidade. administrativos.aquela em que o diretor centraliza todas as decisões. trata-se de entender o papel do diretor como um líder. a escolha do diretor de escola requer muita responsabilidade do sistema de ensino e da comunidade escolar. culturais. Como temos insistido.

multiculturalismo. Eleições. 2. na Associação de Pais e Mestres (onde existir). Participação dos pais na vida da escola A exigência da participação dos pais na organização e gestão da escola corresponde a novas formas de relações entre escola. de forma delegada. apresentando um programa de trabalho (Romão e Padilha. nas quais participa a comunidade escolar. Exigência de que os candidatos submetam-se a provas escritas. embora esteja claro para a maioria que os pais participam. Além disso. no Conselho de Escola e outros órgãos colegiados que venham a existir. que repercutem na escola nas práticas de descentralização. Todavia. a escola não pode ser mais uma instituição isolada em si mesma. 90 sociedade e trabalho. mas integrada numa comunidade que interage com a vida social mais ampla. separada da realidade circundante. que é o procedimento mais prejudicial à gestão democrática na escola. 1997). Avaliação da formação profissional e competência técnica. De fato. Isso significa que a equipe escolar precisa estabelecer condições prévias para os candidatos. relacionadas à qualificação e competência profissional e experiência na área educacional. . a melhor forma de escolha é um sistema combinado: 1. não tem havido consenso entre os pesquisadores e educadores sobre as formas concretas dessa participação. os candidatos deverão comprovar liderança e capacidade de gestão. autonomia. coresponsabilização.Descartando-se a escolha por nomeação. 3.

Somente a prática pode ajudar a esclarecer estes problemas. implicando diferentes culturas e hábitos e diferentes visões das questões escolares. se estes forem seguros de seu papel. os professores podem fazer uma legítima reivindicação de uma competência profissional autônoma que pode colocar-se como barreira nas relações com pais. podem assumir uma atitude preconcebida de censura aos professores. projeto pedagógicocurricular. todavia. de modo a encontrar formas de . num campo em que. por outro lado. será necessário considerar que a escola tem funções sociais explicitas. não são especialistas. dentro do critério do respeito aos papéis e competências. pais. ao abordar problemas pedagógico-didáticos. Isso significa que não se pode pôr em dúvida o espaço específico e autônomo dos professores mas. a rigor. coordenadores. alunos. já que o envolvimento dos pais é não só legítimo 91 como necessário. Não se pode ignorar que cada categoria de sujeitos componentes da organização escolar (professores. objetivos próprios. funcionários) possui interesses específicos. sua dignidade profissional não ficará abalada com a discussão pública sobre seu trabalho. bloquear a discussão e até mesmo a comunicação. estrutura de gestão. formulados de forma coletiva e pública. como é o caso da presença dos pais (e estudantes) em órgãos colegiados da escola. Os pais. Resguardado o princípio da participação.Na realidade concreta. Por exemplo. surgem questões não desprezíveis referentes à possibilidade de síntese entre interesses e competências diversas. diretores.

simplesmente. nos anos 30. freqüentemente. com as discussões sobre reforma curricular dos cursos de Pedagogia e de Licenciaturas. estiveram marcados por uma concepção burocrática. os elementos constitutivos do processo organizacional. funcionalista.O SISTEMA DE ORGANIZAÇÃO E GESTÃO DA ESCOLA 95 Neste capítulo são apresentados alguns elementos básicos para o conhecimento da organização escolar e para a atuação dos professores e do pessoal técnicoadministrativo. Administração Escolar. há toda uma pesquisa sobre administração escolar que remonta aos pioneiros da educação nova. Nos anos 80. Serão abordados os seguintes itens: as concepções de organização e gestão escolar.acordo mútuo e organização do professores em social e ética de ajuda recíproca. adotando um enfoque . Esses estudos se deram no âmbito da Administração Escolar e. CAPÍTULO VI . do processo de ensino e aprendizagem. operativa. a disciplina passou em muitos lugares a ser denominada de Organização do Trabalho Pedagógico ou Organização do Trabalho Escolar. As concepções de organização e gestão escolar O estudo da escola como organização de trabalho não é novo. aproximando a organização escolar da organização empresarial. Tais estudos eram identificados com o campo de conhecimentos denominado Administração e Organização Escolar ou. a estrutura organizacional da escola. melhorando a trabalho escolar e o trabalho dos função da qualidade cognitiva.

o contexto sócio-político etc. com algumas exceções. técnica. não seria caracterizada pelo seu papel no mercado . com os aspectos propriamente organizacionais e técnico-administrativos da escola. No primeiro enfoque. de modo a alcançar maiores índices de eficácia e eficiência. pais e integrantes da comunidade próxima.crítico. centralização das decisões. a organização escolar é tomada como uma realidade objetiva. no estudo dessa questão. As escolas que operam nesse modelo dão muito peso à estrutura organizacional: organograma de cargos e funções. Houve pouca preocupação. A organização escolar não seria uma coisa totalmente objetiva e funcional. organizada e controlada. um enfoque científico-racional e um enfoque crítico. planos de ação feitos de cima para baixo. que funciona racionalmente. de cunho sócio-político. hierarquia de funções. Além disso. É sempre útil distinguir. um elemento neutro a ser observado. Este é o modelo mais comum de funcionamento da organização escolar. pode ser planejada. mas uma construção social levada a efeito pelos professores. normas e regulamentos. importando bastante a intencionalidade e as interações sociais que acontecem entre elas. O segundo enfoque vê a organização escolar basicamente como um sistema que agrega pessoas. Não é difícil aos futuros professores fazerem distinção entre essas duas concepções de organização e gestão da escola. portanto. freqüentemente restringido a uma análise crítica da escola dentro da organização do trabalho 96 no capitalismo. alunos. neutra. baixo grau de participação das pessoas que trabalham na organização.

às vezes descuidando-se dos objetivos específicos da instituição escolar. Ênfase na administração (sistema de normas. A visão crítica da escola resulta em diferentes formas de viabilização da gestão democrática. Com base nos estudos existentes no Brasil sobre a organização e gestão escolar e nas experiências levadas a efeito nos últimos anos.mas pelo interesse público. ausência de direção . baseada em normas e regras. procedimentos burocráticos de controle das atividades). regras. A concepção autogestionária baseia-se na responsabilidade coletiva. a eficiência dos serviços escolares. é possível apresentar. a autogestionária e a democrático-participativa. conforme veremos em seguida. esta concepção também é conhecida como gestão da qualidade total. acentuando-se a divisão técnica do trabalho escolar (tarefas especializadas). Tende a seguir princípios e métodos da administração empresarial. de forma esquemática. Atualmente. destacando-se as relações de subordinação em que uns têm mais autoridade do que outros. Poder centralizado no diretor. Comunicação linear (de cima para baixo). Maior ênfase nas tarefas do que nas pessoas. 97 A concepção técnico-científica baseia-se na hierarquia de cargos e funções visando a racionalização do trabalho. três das concepções de organização e gestão: a técnico-científica (ou funcionalista). Algumas características desse modelo são: Prescrição detalhada de funções.

centralizada e acentuação da participação direta e por igual de todos os membros de instituição. É necessário alertar que há diversos entendimentos do que deva ser a gestão participativa enquanto forma concreta de organização da escola. A concepção democrática-participativa baseia-se na relação orgânica entre a direção e a participação do pessoal da escola. eliminação de todas as formas de exercício de autoridade e poder. Crença no poder instituinte da instituição (vivência da experiência democrática no seio da instituição para expandi-Ia à sociedade) e recusa de todo poder instituído. O caráter instituinte se dá pela prática da participação e auto-gestão. Vínculo das formas de gestão interna com as formas de auto-gestão social (poder coletivo na escola para preparar formas de auto-gestão no plano político). Acentua a importância da busca de . Ênfase na auto-organização do grupo de pessoas da instituição. modos pelos quais se contesta o poder instituído. O autor apresenta aqui seu próprio entendimento. reuniões). Decisões coletivas (assembléias. Na bibliografia final apresentamos várias obras que expõem diferentes pontos de vista sobre essa questão. por meio de eleições e alternância no exercício de funções. acentuando-se a responsabilidade coletiva. 98 Recusa a normas e sistemas de controles. Outras características: Ênfase nas inter-relações mais do que nas tarefas.

objetivos comuns assumidos por todos. Atualmente. a gestão da participação. admitindose a coordenação e a avaliação sistemática da operacionalização das decisões tomadas dentro de uma real diferenciação de funções e saberes. uma vez tomadas as decisões coletivamente. Esta corrente afirma que a escola não é uma estrutura totalmente objetiva. tomada de decisões. mediante coleta de informações reais. advoga que cada membro da equipe assuma sua parte no trabalho. 99 A gestão é participativa mas espera-se. Entretanto. reorientação de rumos e ações. Defende uma forma coletiva de gestão em que as decisões são tomadas coletivamente e discutidas publicamente. o modelo democrático-participativo tem sido influenciado por uma corrente teórica que compreende a organização escolar como cultura. todos avaliam e são avaliados. mensurável. ao contrário. Acompanhamento e avaliação sistemáticos com finalidade pedagógica: diagnóstico. ela depende muito das experiências subjetivas das pessoas e . também. pela equipe escolar. Articulação entre a atividade de direção e a iniciativa e participação das pessoas da escola e das que se relacionam com ela. independente das pessoas. Outras características desse modelo: Definição explicita de objetivos sócio-políticos e pedagógicos da escola. acompanhamento dos trabalhos. Busca de objetividade no trato das questões da organização e gestão. Todos dirigem e são dirigidos. Qualificação e competência profissional.

o planejamento. as responsabilidades individuais dos membros da equipe e a ação organizacional coordenada e supervisionada. tais como as formas de poder externas e internas. O modo como uma escola se organiza e se estrutura tem um caráter pedagógico. por outro. e os próprios objetivos sociais e culturais definidos pela sociedade e pelo Estado. sempre contraditórios e às vezes conflitivos. ou seja. Busca relações solidárias. posições políticas e concepções de homem e sociedade. que essa construção não é um processo livre e voluntário. a organização. dizer que a organização é uma cultura significa que ela é construída pelos seus próprios membros. a gestão. Em outras palavras. em relação à escolarização da população. Uma visão sócio-crítica propõe considerar dois aspectos interligados: por um lado. já que precisa atender a objetivos sociais e políticos muito claros.de suas interações sociais. dos significados que as pessoas dão às coisas enquanto significados socialmente produzidos e mantidos. a estrutura organizacional. formas participativas. depende de objetivos mais . a direção. a avaliação. a partir da experiência subjetiva e cultural das pessoas. As concepções de gestão escolar refletem portanto. mas mediatizado pela realidade sociocultural e política mais ampla. compreende que a organização é uma construção social. incluindo a influência de forças externas e internas marcadas por interesses de grupos sociais. mas 100 também valoriza os elementos internos do processo organizacional . ou seja. Esta maneira de ver a organização escolar não exclui a presença de elementos objetivos.

As duas outras concepções valorizam o trabalho coletivo. valoriza o poder e a autoridade. Embora ambas tenham diferentes entendimentos das relações de poder dentro da escola. A concepção funcionalista. tende a retirar ou. o grau de envolvimento profissional fica enfraquecido.um tipo de gráfico que mostra as interrelações entre os vários 101 . Essa estrutura é comumente representada graficamente num organograma . A estrutura organizacional de uma escola Toda instituição escolar necessita de uma estrutura de organização interna. neste livro. no caso a escola. Enfatizando relações de subordinação. concebem a participação de todos nas decisões como importante ingrediente para a criação e desenvolvimento de relações democráticas e solidárias.amplos sobre a relação da escola com a conservação ou a transformação social. por exemplo. exercidas unilateralmente. hipervalorizando a racionalização do trabalho. ao menos. Adotamos. determinações rígidas de funções. implicando a participação de todos nas decisões. Com isso. O termo estrutura tem aqui o sentido de ordenamento e disposição das funções que asseguram o funcionamento de um todo. a concepção democrático-participativa. diminuir nas pessoas a faculdade de pensar e decidir sobre seu trabalho. geralmente prevista no Regimento Escolar ou em legislação específica estadual ou municipal.

A estrutura organizacional de escolas se diferencia conforme a legislação dos Estados e Municípios e. de Escola é chamado de "colegiado" e sua função básica é democratizar as relações de poder (Paro. administrativos e financeiros. em boa parte. mas podemos apresentar a estrutura básica com todas as unidades e funções típicas de uma escola. Ciseski e Romão. Evidentemente a forma do organograma reflete a concepção de organização e gestão. do livro de Vítor H. geralmente. 1997). 1998. a paridade entre integrantes da escola (50 por cento) e usuários (50 por cento). dos funcionários. Em alguns lugares o Conselho 102 A descrição das várias funções da estrutura organizacional das escolas foi retirada. observando-se. . em princípio. Em vários Estados o Conselho é eleito no início do ano letivo. dos especialistas em educação.setores e funções de uma organização ou serviço. envolvem aspectos pedagógicos. conforme as concepções de organização e gestão adotada. dos pais e alunos. Essas questões. Sua composição tem uma certa proporcionalidade de participação dos docentes. Por dentro da escola pública (1996). Paro. deliberativas e fiscais em questões definidas na legislação estadual ou municipal e no Regimento escolar. Conselho de Escola O Conselho de Escola tem atribuições consultivas. obviamente.

auxiliado pelos demais componentes do corpo de especialistas e de técnicos-administrativos. dos docentes. organiza e gerencia todas as atividades da escola. regulamentos e determinações dos órgãos superiores do sistema de ensino e às decisões no âmbito da escola assumidas pela equipe escolar e pela comunidade. pelos serviços auxiliares (Zeladoria. O setor técnico-administrativo responde. também. instalações e equipamentos. Vigilância e Atendimento ao público) e Mul timeios (biblioteca. A Secretaria Escolar cuida da documentação. Para a realização desses serviços. Responde também pelo atendimento ao público. videoteca etc. O Assistente de diretor desempenha as mesmas funções na condição de substituto eventual do diretor.Direção O diretor coordena. da guarda das dependências. laboratórios. escrituração e correspondência da escola. realizada pelos serventes. A Zeladoria. atendendo às leis.). da cozinha e da preparação e distribuição . conservação e limpeza 103 do prédio. demais funcionários e dos alunos. a escola conta com um secretário e escriturários ou auxiliares de secretaria. cuida da manutenção. Setor técnico-administrativo O setor técnico-administrativo responde pelas atividades-meio que asseguram o atendimento dos objetivos e funções da escola.

O serviço de Multimeios compreende a biblioteca. ver o livro Pedagogia e pedagogos. os laboratórios. Para melhor conhecimento do assunto. com diferenças marcantes de posições. para quê? (Libâneo. 104 . 1999. a videoteca e outros recursos didáticos. Como são funções especializadas. atendendo-os em caso de acidente ou enfermidade. ora são desempenhadas por professores. n. os equipamentos audiovisuais. recomenda-se que seus ocupantes sejam formados em cursos de Pedagogia ou adquiram formação pedagógicodidática específica. e o artigo de Libâneo e Pimenta. da execução de pequenos consertos e outros serviços rotineiros da escola. sendo que em muitos lugares suas atribuições ora são unificadas em apenas uma pessoa. Setor Pedagógico O setor pedagógico compreende as atividades de coordenação pedagógica e orientação educacional. 68.da merenda escolar. na revista Educação e Sociedade. orientando-os quanto a normas disciplinares. As funções desses es pecialistas variam conforme a legislação estadual e municipal. A Vigilância cuida do acompanhamento dos alunos em todas as dependências do edifício. envolvendo habilidades bastante especiais. A formação específica de supervisores ou coordenadores pedagógicos tem sido motivo de bastante polêmica entre os educadores. assistência e encaminhamento de alunos. 1999). menos na sala de aula. como também do atendimento às solicitações dos professores quanto a material escolar.

Há lugares em que a coordenação restringe-se à disciplina em que o coordenador é especialista. especialmente no que se refere ao funcionamento pedagógico-curricular e didático da escola e comunicação e interpretação da avaliação dos alunos. Outra atribuição que cabe ao coordenador pedagógico é o relacionamento com os pais e a comunidade. A APM reúne os pais de alunos. a coordenação se faz em relação a todas as disciplinas. em outros. cuida do atendimento e do acompanhamento escolar dos alunos e também do relacionamento escola-pais-comunidade. às promoções e reprovações e a outras medidas concernentes à melhoria da qualidade da oferta dos serviços educacionais e ao melhor desempenho escolar dos alunos. . Instituições Auxiliares Paralelamente à estrutura organizacional. o Grêmio Estudantil e outras como Caixa Escolar. no que diz respeito ao trabalho interativo com os alunos. avalia as atividades pedagógico-curriculares. ao comportamento discente. O orientador educacional. assessora. decidindo sobre ações preventivas e corretivas em relação ao rendimento dos alunos. muitas escolas mantêm Instituições Auxiliares tais como: a APM (Associação de Pais e Mestres). O Conselho de Classe ou Série é um órgão de natureza deliberativa quanto à avaliação escolar dos alunos. vinculadas ao Conselho de Escola (onde este exista) ou ao Diretor. Sua atribuição prioritária é prestar assistência pedagógico-didática aos professores em suas respectivas disciplinas. acompanha. o pessoal docente e técnicoadministrativo e alunos maiores de 18 anos.O coordenador pedagógico ou professor-coordenador supervisiona. onde essa função existe. apoia.

alimentar. Ambas as instituições costumam ser regulamentadas no Regimento Escolar. culturais. médica e odontológica aos alunos carentes. Os professores de todas as disciplinas formam. Além de seu papel específico de docência das disciplinas. Corpo Docente O Corpo docente é constituído pelo conjunto dos professores em exercício na escola. variando sua composição e estrutura organizacional. das reuniões com pais (especialmente na . O Grêmio Estudantil é uma entidade representativa dos alunos criada pela lei federal n. Todavia. que tem como função básica realizar o objetivo prioritário da escola.Costuma funcionar mediante uma diretoria executiva e um conselho deliberativo. os professores também têm a responsabilidades de participar na elaboração do plano escolar ou projeto pedagógico-curricular.398/85. a equipe escolar. econômica. é recomendável que tenham autonomia de organização e funcionamento. cívicas e sociais. evitando-se qualquer tutelamento por parte da Secretaria da Educação ou da direção da escola. com finalidades educacionais. em outras um setor de assistência ao estudante. que presta assistência social. funciona a Caixa Escolar. que lhes confere autonomia 105 para se organizarem em torno de seus interesses. 7. na realização das atividades da escola e nas decisões dos Conselhos de Escola e de classe ou série. junto com a direção e os especialistas. Em algumas escolas. o ensino.

Em razão disso. por meio da dinâmica intersubjetiva. as relações humano-interacionais. o planejamento. tal como veremos adiante. como toda instituição. a avaliação do trabalho escolar. Tudo em função de atingir os objetivos. estruturada e coordenada. do diálogo. envolvendo os aspectos físicos e materiais. a formação continuada. o que implica uma ação racional. os conhecimentos e qualificações práticas do educador. Os elementos constitutivos do sistema de organização e gestão da escola A gestão democrática-participativa valoriza a participação da comunidade escolar no processo de tomada de decisão. faz-se necessário o emprego dos elementos ou funções do processo organizacional. da APM e das demais atividades cívicas. a administração.comunicação e interpretação da avaliação). à racionalização do trabalho e à coordenação do esforço coletivo do pessoal que atua na escola. Ou seja. sendo uma . aposta na construção coletiva dos objetivos e do funcionamento da escola. também. concebe a docência como trabalho interativo. do consenso. a organização e gestão refere-se aos meios de realização do trabalho escolar. culturais e recreativas da comunidade. De fato. isto é. as escolas buscam resultados. Ao mesmo tempo. as ações necessárias para colocá-la em prática. Nos itens anteriores 106 mostramos que o processo de tomada de decisão inclui.

não depende apenas das capacidades e responsabilidades individuais. Direção/Coordenação . Organização .Atividade através da qual se dá a racionalização de recursos. prevendo-se o que se deve fazer para atingi-los.Ações de capacitação e aperfeiçoamento dos profissionais da escola para que realizem com competência suas tarefas e se desenvolvam pessoal e profissionalmente. criando e viabilizando as condições e modos para se realizar o que foi planejado. Formação continuada .processo de explicitação de objetivos e antecipação de 107 decisões para orientar a instituição. instrumentos de ação mobilizados para atingir os objetivos escolares. Avaliação . mas de objetivos comuns e compartilhados e de ações coordenadas e controladas dos agentes do processo.comprovação e avaliação do funcionamento da escola.atividade coletiva. Esses elementos constitutivos da organização são designados. na verdade. Os autores geralmente mencionam as quatro funções estabelecidas nas teorias clássicas da . de funções administrativas ou etapas do processo administrativo. O processo de organização escolar dispõe de elementos constitutivos que são. Tais elementos ou instrumentos de ação são: Planejamento .Atividade de coordenação do esforço coletivo do pessoal da escola. na bibliografia especializada. também.

é assegurar o desenvolvimento das capacidades cognitivas. . pela ação mediadora dos professores e pela organização e gestão da escola. para propor processos de gestão democrática da sociedade e do ensino público. atitudes e valores por parte dos alunos. direção.f. de modo que aos objetivos sociais e políticos da escola correspondam estratégias compatíveis de organização e gestão. CAPÍTULO VII – PRINCÍPIOS E CARACTERÍSTICAS DA GESTÃO ESCOLAR PARTICIPATIVA 111 A educação escolar tem a tarefa de promover a apropriação de saberes. faz-se necessário superar as formas conservadoras de organização e gestão. hoje. na formação da cidadania participativa e na formação ética. procedimentos. entre a atuação das elites e a atuação dos movimentos populares. sociais e morais pelo seu empenho na dinamização do currículo. Para isso. Retomando os conceitos de gestão democrática.Administração Geral: planejamento. no desenvolvimento dos processos do pensar. organização. operativas. controle. Este autor desenvolve uma análise bastante apropriada sobre as diferenças entre as organizações e entidades das elites e as das camadas populares. participação e direção C. Romão (1997). criativas. O encargo das escolas. adotando formas alternativas.

medidas econômicas etc. as pessoas ficam na espera de que as decisões venham "de cima".Na história brasileira. mas sabemos que as camadas populares levam desvantagem na efetivação da participação política em relação às classes dominantes. isto é. As formas convencionais de representação política (escolha de representantes pelo voto) continuam em vigor. acaba por . as dificuldades de mobilização das camadas populares em torno de seus interesses. os professores dizem: 112 "O governador não nos paga". organizações. interesses coletivos.) têm se caracterizado por uma "cultura personalista". Com isso. Esses são alguns dos obstáculos à organização dos movimentos populares e. à participação popular nos processos decisórios. Quando as pessoas referem-se ao governo. planos de governo. ao prefeito. pelo poder financeiro das classes dominantes. pela falta de organização popular. entidades. pelo poder de manipulação dos meios de comunicação. pela desescolarização da população. entre outras razões. em detrimento da relação entre grupos. as formas de gestão da sociedade (legislação. ao governador. Essa capacidade de mobilização dos grupos sociais economicamente privilegiados (as classes média e alta) e. Se atrasa o salário. o poder governamental é personalizado. como se a pessoa que detém o cargo fosse a responsável solitária pelas decisões'. em conseqüência. A relação política transforma-se numa relação entre indivíduos. mesmo porque tem sido essa a prática das elites políticas e econômicas dominantes. por outro lado. inclusive na escola. elas se referem quase sempre ao presidente.

Colegiados ou Comissões que surgiram no início da década de 80. Evidentemente. acompanhar melhor a educação ali oferecida (1997).e os Conselhos de Escola. conhecer com mais profundidade os que nela estudam e trabalham. a participação influi na democratização da gestão e na melhoria da qualidade de ensino. as camadas populares levam aí desvantagem 113 considerável. as práticas de participação e controle. Em resumo. Há dois sentidos de participação articulados entre si.1977). intensificar seu envolvimento com ela e. em relação às ações praticadas pelas escolas. Entre as modalidades mais conhecidas de participação estão os Conselhos de classe .ressaltar diferenças entre o tipo de relações que as famílias de alunos das escolas particulares mantêm com os profissionais da escola e as relações que as famílias de alunos de escolas públicas com seus respetivos profissionais (Romão. inibindo as reivindicações. De acordo com Gadotti e Romão. A conquista da cidadania requer um esforço dos educadores em estimular instâncias e práticas de participação popular. funcionando em vários estados. Todos os segmentos da comunidade podem compreender melhor o funcionamento da escola.bastante difundidos no Brasil . participação significa a intervenção dos profissionais da educação e dos usuários (alunos e pais) na gestão da escola. Há . A participação da comunidade possibilita à população o conhecimento e a avaliação dos serviços oferecidos e a intervenção organizada na vida da escola. assim.

vão aprendendo a sentir-se responsáveis pelas decisões que os afetam num âmbito mais amplo da sociedade. afetivas. Há a participação como processo organizacional em que os profissionais e usuários da escola compartilham. éticas.a participação como meio de conquista da autonomia da escola. um lugar fechado e separado da realidade. os pais. para conquistar o status de uma comunidade educativa que interage com a sociedade civil. além de ser uma das funções do processo organizacional. sociais. por meio de canais de participação 114 da comunidade. Ele vai além daquele de mobilização das pessoas para a realização eficaz das . a escola deixa de ser uma redoma. tratando-se da escola. estéticas. A escola é lugar de aprender conhecimentos. No primeiro sentido. O significado do termo direção. constituindo-se como prática formativa. desenvolver capacidades intelectuais. dos alunos. os professores. como elemento pedagógico. especialmente os empresariais. dos professores. institucionalmente. os alunos. metodológico e curricular. No segundo sentido. Mas é também lugar de formação de competências para a participação na vida social. certos processos de tomada de decisão. a participação é ingrediente dos próprios objetivos da escola e da educação. é um imperativo social e pedagógico. econômica e cultural. A direção como princípio e atributo da gestão democrática A direção da escola. difere de outros processos de direção. Vivendo a prática da participação nos órgãos deliberativos da escola.

dirigir o comportamento para algo que tem significado para nós. numa sociedade concreta. inclui o conceito de direção. a organização do ensino. de integração e unidade de objetivos e ações. pois implica intencionalidade. influi significativamente na formação da personalidade humana e. a direção da ação. dão o rumo. uma tomada de posição frente a objetivos sociais e políticos da escola. à busca deliberada. planejada. ao cumprir sua função social de mediação. tendo em vista dar uma 115 direção consciente e planejada ao processo educacional. por sua vez. Essa peculiaridade das instituições educativas vem do caráter de intencionalidade presente nas ações educativas. O caráter pedagógico da ação educativa consiste precisamente na formulação de objetivos sócio-políticos e educativos e na criação de formas de viabilização organizativa e metodológica da educação (tais como a seleção e organização dos conteúdos e métodos. por parte da equipe escolar. por essa razão. Ou seja. consciente. definição de um rumo. não é possível estruturá-la sem levar em consideração objetivos políticos e pedagógicos. o trabalho escolar implica uma direção. Na escola isso leva. O processo educativo. A escola. A intencionalidade se projeta nos objetivos que. Não é preciso insistir que a prática da gestão e da direção participativas convergem para a elaboração e . pela sua natureza. e de um consenso em torno de normas e atitudes comuns.atividades. portanto. Sua adequada estruturação e seu ótimo funcionamento constituem fatores essenciais para se atingir eficazmente os objetivos de formação. Intencionalidade significa a resolução de fazer algo. a organização do trabalho escolar).

Qualquer modificação em sua estrutura ou no funcionamento de um dos seus elementos. interdependência entre a necessária racionalidade no uso dos recursos (materiais e conceituais) e a coordenação do esforço humano coletivo. Por ser um trabalho complexo.execução do projeto pedagógico e assunção de responsabilidades de forma cooperativa e solidária. projeta-se como influência benéfica ou prejudicial nos demais. as escolas podem traçar seu próprio caminho envolvendo professores. a organização e gestão escolar requerem o conhecimento e a adoção de alguns princípios básicos. pais e comunidade próxima que 116 . cuja aplicação deve estar subordinada às condições concretas de cada escola. de decidir sobre seu próprio destino. Ela é definida como faculdade das pessoas de autogovernar-se. administrar livremente recursos financeiros. Sendo assim. Alguns princípios da organização e gestão escolar participativa A escola é uma instituição social que apresenta unidade em seus objetivos (sócio-políticos e pedagógicos). São propostos os seguintes princípios da concepção de gestão democrática-participativa: 1. Autonomia das escolas e da comunidade educativa A autonomia é o fundamento da concepção democráticoparticipativa de gestão escolar. funcionários. Autonomia de uma instituição significa ter poder de decisão sobre seus objetivos e suas formas de organização. manter-se relativamente independente do poder central. razão de ser do projeto pedagógico. alunos.

o controle local e comunitário não podem prescindir das responsabilidades e da atuação dos órgãos centrais e intermediários do sistema escolar. Isso significa que a direção de uma escola deve ser exercida tendo em conta. As escolas públicas não são organismos isolados. a organização. com isso. sem levar em conta as condições reais de seu funcionamento. o planejamento. perdem-se de vista diretrizes gerais do sistema e sua articulação com a sociedade. pode acontecer que as escolas as apliquem mecanicamente. por sua vez. Ou. Por isso mesmo. a formação continuada não são originados na própria escola. de um lado. por outro. ainda. desobrigar o poder público de suas responsabilidades. O sistema de ensino pode estar desprovido de uma política global. a orientação e o controle de suas atividades internas conforme suas características particulares e sua realidade. a adequação e aplicação criadora das diretrizes gerais que recebe dos níveis superiores da administração do ensino. Se. as condições de trabalho. Essa articulação nem sempre se dá sem problemas. pode estar mal organizado e mal administrado. Os recursos que asseguram os salários. subordinando-se às diretrizes dos órgãos superiores. os critérios e diretrizes de organização são estabelecidos dentro de marcos estreitos de cada escola. espaço de trabalho coletivo e aprendizagem. a autonomia . As autoridades podem atribuir autonomia às escolas para. elas integram um sistema escolar e dependem das políticas públicas e da gestão pública. Portanto.se tornam co-responsáveis pelo êxito da instituição. Certamente trata-se de uma autonomia relativa. É assim que a organização da escola se transforma em instância educadora.

A partir daí.a formação cultural e científica dos alunos e o desenvolvimento das potencialidades cognitivas e operativas. Relação orgânica entre a direção e a participação dos membros da equipe escolar Esse princípio conjuga o exercício responsável e compartilhado da direção. aprova um documento orientador. presta contas e submete à avaliação da equipe o desenvolvimento das decisões tomadas coletivamente. os modos de . o diálogo intersubjetivo. entram em ação os elementos (instrumentos e procedimentos) do processo organizacional em que o diretor coordena. a participação implica os processos de gestão.precisa ser gerida. a busca do consenso em pautas básicas. partilhada. motiva. de modo a alcançar. Nesse princípio está presente a exigência da participação de professores. toma decisões por meio de discussão com a comunidade escolar mais ampla. a forma participativa da gestão e a responsabilidade individual de cada membro da equipe escolar. funcionários e outros representantes da comunidade bem como a forma de viabilização dessa participação: a interação comunicativa. os resultados de sua atividade . lidera. alunos. implicando uma co-responsabilidade consciente. 117 2. delega as responsabilidades decorrentes das decisões aos membros da equipe escolar conforme suas atribuições específicas. solidária. mobiliza. Sob supervisão e responsabilidade do diretor a equipe escolar formula o plano ou projeto pedagógicocurricular. pais. Por outro lado. eficazmente. de todos os membros da equipe escolar.

a coordenação e a cobrança dos trabalhos e. Adicionalmente. a adoção de práticas participativas não está livre de servir à manipulação e ao controle do comportamento das pessoas. As pessoas podem ser induzidas a pensar que estão 118 participando quando. Ela está a serviço dos objetivos do ensino. especialmente da qualidade cognitiva dos processos de ensino e aprendizagem. Desse modo. A presença da comunidade na escola. Conforme temos ressaltado. decididamente. as assembléias e reuniões. Além disso. os pais e outros representantes participam do Conselho de Escola. as entidades e organizações paralelas à escola. basicamente os pais. estão sendo manipuladas por interesses de grupos. na verdade. Prioritariamente. tem várias implicações. 3. o cumprimento de responsabilidades compartilhadas dentro de uma mínima divisão de tarefas e alto grau de profissionalismo de todos. da Associação de Pais e Mestres (ou organizações correlatas) para preparar o projeto pedagógico-curricular e acompanhar e avaliar a qualidade dos serviços prestados. a organização escolar democrática implica não só a participação na gestão mas a gestão da participação. especialmente dos pais. usufruem das práticas participativas para . a gestão democrática não pode ficar restrita ao discurso da participação e às suas formas externas: as eleições. Envolvimento da comunidade no processo escolar O princípio da autonomia requer vínculos mais estreitos com a comunidade educativa.fazer. facções partidárias etc.

convergindo na sua execução o interesse e o esforço coletivo dos membros da escola. mas é . as ações pedagógicas e administrativas buscam atingir objetivos. a participação das comunidades escolares em processos decisórios dão respaldo a governos estaduais e municipais para encaminhar ao Poder Legislativo projetos de lei que atendam melhor às necessidades educacionais da população (Ciseski e Romão. 1997). de minorias étnicas e culturais. a qualificação profissional e a competência técnica. A escola é um espaço educativo. provimento e ordenação dos recursos disponíveis. estruturada e coordenada de proposição de objetivos. estratégias de ação. 4. O plano de ação da escola ou projeto pedagógico. Além disso. 1997). Planejamento das tarefas O princípio do planejamento justifica-se porque as escolas buscam resultados. torna-se o instrumento unificador das atividades escolares. Formação continuada para o desenvolvimento pessoal e profissional dos integrantes da comunidade escolar A concepção democrática-participativa de gestão valoriza o desenvolvimento pessoal. movimentos de mulheres. lugar de aprendizagem em que todos aprendem a participar dos processos decisórios. Há necessidade de uma ação racional. contribuindo para o aumento da capacidade de fiscalização da sociedade civil sobre a execução da política educacional (Romão. cronogramas e formas de controle e avaliação. 5. movimentos de educação ambiental e outros).participarem de outras instâncias decisórias no âmbito da sociedade civil (organizações de bairro. discutido e analisado publicamente pela equipe escolar.

a qualificação e experiência dos professores. Avaliação compartilhada Todas as decisões e procedimentos organizativos precisam ser acompanhados e avaliados. os resultados do trabalho que a equipe se propôs a atingir. científico. O processo de tomada de decisões deve basear-se em informações concretas. seus aspectos mais fundamentais.político.de toda a equipe escolar. pedagógico . Analisar os problemas em seus múltiplos aspectos significa verificar a qualidade das aulas. suas causas. a partir do . A democratização da informação implica o acesso de todos às informações e canais de comunicação que agilizem a tomada de conhecimento das decisões e de sua execução. A organização e gestão do trabalho escolar requerem o constante aperfeiçoamento profissional . Dirigir uma escola implica conhecer bem seu estado real. analisando cada problema em seus múltiplos aspectos e na ampla democratização das informações Este princípio implica procedimentos de gestão baseados na coleta de dados e informações reais e seguras. o cumprimento dos programas.também o local em que os profissionais desenvolvem sua profissionalidade. fazer compartilhar as experiências docentes bem sucedidas. a adequação de métodos e procedimentos didáticos etc. 120 7. na análise global dos problemas (buscar sua essência. as características sócio-econômicas e culturais dos alunos. 6. observar e avaliar constantemente o desenvolvimento do processo de ensino. a saúde dos alunos. para além das aparências). analisar com objetividade os resultados.

tempo de execução e formas de avaliação. entre direção e funcionários técnicos e administrativos. procedimentos e recursos a serem empregados. de modo a prever e programar as ações e os resultados desejados. em função dos objetivos básicos da escola. Além disso. constituindo-se numa atividade necessária à tomada de decisões. Nas relações mútuas entre direção e professores. objetivos a atingir dentro das possibilidades. é preciso insistir que o conjunto das ações de organização do trabalho na escola estão voltados para as ações pedagógico-didáticas. severidade e tato humano. CAPÍTULO VIII – O Planejamento Escolar e o Projeto Pedagógico Curricular 123 O planejamento escolar consiste numa atividade de previsão da ação a ser realizada. do clima amistoso de trabalho. As . há que combinar exigência e respeito. da valorização da experiência individual. A equipe da escola precisa investir sistematicamente na mudança das relações autoritárias para relações baseadas no diálogo e no consenso.princípio da relação orgânica entre a direção e a participação dos membros da equipe escolar. O processo e o exercício de planejar referem-se a uma antecipação da prática. Relações humanas produtivas e criativas assentadas na busca de objetivos comuns Esse princípio indica a importância do sistema de relações interpessoais em função da qualidade do trabalho de cada educador. entre professoras e alunos. professores e comunidade. implicando definição de necessidades a atender. 8. O controle implica uma avaliação mútua entre direção.

também. 124 é uma prática de elaboração conjunta dos planos e sua discussão pública. O caráter de processo indica. as ações são improvisadas. Uma importante característica do planejamento é o seu caráter processual. um ob jetivo. mas a uma atividade permanente de reflexão e ação. fortemente determinadas por uma intencionalidade educativa envolvendo objetivos. de busca de alternativas para a solução de problemas e de tomada de decisões. os resultados não são avaliados. possibilitando a revisão dos planos e projetos. atitudes. meios de sua execução e critérios de avaliação da qualidade do trabalho que realizam. Em razão disso. o planejamento nunca é apenas individual. O ato de planejar não se reduz à elaboração dos planos de trabalho.instituições e organizações sociais precisam formular objetivos. Sem planejamento. ter um plano de ação. O planejamento é um processo contínuo de conhecimento e análise da realidade escolar em suas condições concretas. modos de agir dos educadores que atuam na escola. a gestão corre ao sabor das circunstâncias. uma seqüência de ações que irão orientar a prática. conteúdos. que um plano prévio é um roteiro para a . um esquema que representa uma idéia. No planejamento escolar. o que se planeja são as atividades de ensino e de aprendizagem. Um plano ou um projeto é um esboço. uma meta. a correção no rumo das ações. A ação de planejar subordina-se à natureza da atividade realizada. O planejamento se concretiza em planos e projetos. tanto da escola e do currículo quanto do ensino. valores.

diretrizes e ações do processo educativo a ser desenvolvido na escola. às seguintes funções: Diagnóstico e análise da realidade da escola: busca de informações reais e atualizadas que permitam identificar as dificuldades existentes. também. expressando a síntese das exigências sociais e legais do sistema de . causas que as originam. em geral. Determinação de atividades e tarefas a serem desenvolvidas em função de prioridades postas pelas condições concretas e compatibilização com os recursos disponíveis (elementos humanos e recursos materiais e financeiros). Consolida-se num documento que detalha objetivos. O planejamento escolar atende. em relação aos resultados obtidos até então. prevê os passos a seguir. mas não pode determinar rigidamente os resultados. O processo de planejamento inclui. a avaliação dos processos e resultados previstos no projeto. expectativas e decisões da equipe da escola.prática. pois estes vão se delineando no desenvolvimento do trabalho. 125 O projeto pedagógico-curricular .características gerais O projeto pedagógico-curricular é a concretização do processo de planejamento. tendo em vista a análise crítica e profunda do trabalho realizado e a reordenação de rumos. Definição de objetivos e metas compatibilizando a política e as diretrizes do sistema escolar com as intenções. implicando permanente ação. reflexão e deliberação dos educadores sobre a prática em curso. ele antecipa mentalmente a prática.

conteúdos. O projeto. A concepção de projeto pedagógico-curricular é diferente daquela prática de planejamento curricular que se consolidou nas escolas brasileiras sob influência do tecnicismo educacional a partir dos anos 70. Expressa a cultura da escola porque está assentado nas crenças. é um conjunto de princípios e práticas que reflete e recria essa cultura. bastando planejar bem para se ter resultados bons. depois não se mexia mais a não ser no ano seguinte. De certo modo. Ao mesmo tempo. . currículos.ensino e os propósitos e expectativas da comunidade escolar. Com isso. valores. Os planos consistiam na determinação de objetivos. portanto. Considera o que já está instituído (legislação. orienta a prática de produzir uma realidade: conhece-se a realidade presente. O projeto pedagógico-curricular deve ser compreendido como instrumento e processo de organização da escola. reflete-se sobre ela e traçam-se as coordenadas para a construção de uma nova realidade. métodos. modos de pensar e agir das pessoas que o elaboram. Tinha-se uma idéia de que a prática docente seria algo muito preciso e muito seguro. o planejamento curricular se restringia à semana de planejamento realizada no início do ano. estratégias e formas de avaliação dentro de uma seqüência de passos extremamente rígida. significados. o projeto pedagógicocurricular é tanto a expressão da cultura da escola (cultura organizacional) como sua recriação e desenvolvimento. projetando a cultura organizacional que se deseja visando a intervenção e transformação da realidade. em que o plano era mais um modelo do que um guia para a ação. propondose as formas mais adequadas de atender necessidades sociais e individuais dos alunos.

profissionais desta escola. o projeto é avaliado ao longo do ano letivo para verificar se as ações estão correspondendo ao que foi previsto. inconcluso. ou seja. os desejos. cria objetivos. ele sintetiza os interesses. respondendo estas perguntas: Que tipo de escola. Todo projeto é. modos de agir. dentro da prática da ação-reflexão-ação? Considerando o caráter processual do planejamento. o que leva a concluir que as situações de ensino não se repetem. nós. hábitos. A característica de instituinte significa que o projeto institui. . instrumentos. de forma a corrigir desvios. Por isso é que se diz que as organizações são sempre construídas e reconstruídas socialmente. valores. mas tem também uma característica de instituinte. participação? Como faremos para colocar o projeto em permanente avaliação. procedimentos.). no país. se as metas precisam ser alteradas em função de fatos inesperados. tomar novas decisões e replanejar o rumo do trabalho. estabelece. institui uma cultura organizacional. no mundo). pela interligação com o que acontece no mundo exterior (na comunidade. as propostas dos educadores que trabalham na escola. estruturas.126 formas organizativas da escola etc. portanto. queremos? Que objetivos e metas correspondem às necessidades e espectativas desta comunidade escolar? Que necessidades precisamos atender em termos de formação dos alunos e alunas para a autonomia. Isso é assim porque as escolas são instituições marcadas pela interação entre pessoas. as escolas não são iguais. pela sua intencionalidade. cidadania. Nesse sentido.

não se refere apenas ao "como se faz". Dessa reflexão resulta a formulação de objetivos e meios formativos para dar uma direção ao processo educativo. A elaboração e execução do projeto pedagógicocurricular. mas. de bom nível de desenvolvimento 127 profissional dos seus professores. um rumo. Uma visão crítica da Pedagogia assume que ter uma atitude pedagógica é dar uma direção de sentido. num trabalho cooperativo. prevê. nestes termos. São duas coisas diferentes. às práticas educativas. Por que a expressão projeto pedagógico-curricular? O termo pedagógico é representativo de uma concepção de educação que considera a Pedagogia como a reflexão sistemática sobre as práticas educativas. O projeto é um guia para a ação. dá mostras de maturidade de sua equipe. de modo que este é um instrumento da gestão. Atente-se que o projeto pedagógico-curricular não pode ser confundido com a organização escolar nem substitui a gestão. A ação pedagógica. A gestão põe em prática o processo organizacional para atender ao projeto. formula metas. de capacidade de liderança da direção e de envolvimento da comunidade escolar. portanto.A escola que conseguir elaborar e executar. é a melhor demonstração de autonomia da equipe escolar e uma oportunidade de desenvolvimento profissional dos professores. onde quer que elas sejam realizadas . ao "por que se faz". orientando o trabalho educativo para as finalidades sociais e políticas almejadas pelo grupo de educadores. seu projeto pedagógico-curricular. principalmente. institui procedimentos e instrumentos de ação. dá uma direção política e pedagógica para o trabalho escolar.

128 formula objetivos e implementa as condições organizativas e metodológicas para a viabilização da atividade educativa. portanto. no dizer de Gimeno Sacristán (1998). 1998). de entender a pedagogia como prática cultural. é a concretização da posição da escola face à cultura . contexto esse sempre em transformação. que. como mediação da cultura. forma de trabalho cultural. O termo curricular indica o referencial concreto da proposta pedagógica.(Libâneo. É esse caráter de mediação cultural da pedagogia que faz viabilizar várias modalidades e formas institucionais de educação. expressam intenções e ações logo materializadas nos currículos. que envolve uma prática intencional de produção e internalizafão de significados. entre elas a educação escolar. o desdobramento. Essa atitude tem as seguintes características: compreende a educação como prática social de assimilação ativa da experiência humana historicamente acumulada e culturalmente organizada. locais. Trata-se. regionais. conforme necessidades e exigências sociais concretas postas à humanização (emancipação humana) num determinado contexto histórico-social. Também daí decorrem as várias projeções das opções político-pedagógicas em planos ou projetos nacionais. do projeto pedagógico. essa prática de mediação cultural visa ao pleno desenvolvimento das capacidades humanas. Essas são as idéias-chave que esclarecem o caráter "pedagógico" de um projeto. O currículo. por sua vez. portanto. uma vez que o currículo é a projeção. o currículo.

Há muitas definições do termo currículo: resultados buscados na aprendizagem. culturais. o currículo comunica princípios essenciais de uma proposta educativa.produzida pela sociedade. Supõe-se. a projeção dos objetivos. "um modo pelo qual a cultura é representada e reproduzida no cotidiano das instituições escolares" (Pedra. 1997). As decisões a serem tomadas em função do projeto pedagógico-curricular podem considerar. aberta a um exame crítico para que possa ser traduzida na prática. o currículo também realimenta e modifica o projeto pedagógico. além da seleção da cultura da sociedade. princípios orientadores da prática. 1997). Hoje é bastante aceita a idéia de que currículo é. de modo a promover um entrecruzamento dos objetivos e estratégias para o ensino formulados a partir de necessidades e exigências da sociedade e do aluno com base em critérios filosóficos. Ou mais precisamente. Adotar uma ou várias delas dependerá de opção entre as muitas teorias em voga. ao pôr em prática o projeto pedagógico. 129 uma estreita articulação entre o projeto pedagógico e a proposta curricular. com as experiências educacionais a serem providas aos alunos por meio do currículo. portanto. Mas. assim. orientações e diretrizes operacionais previstas no projeto pedagógico. seleção e organização da cultura. pedagógicos. A proposta curricular e. os seguintes pontos: a) Princípios (pontos de partida comuns) . experiências que devem ser providas aos estudantes. Ou como diz Stenhouse (in Pedra. políticos. ao menos. uma ambientação para vivenciar experiências culturais.

Depois segue-se a tomada de decisões. define-se que as decisões são tomadas coletivamente. É desejável que a escola tenha uma linha .É desejável que os professores e especialistas formem um consenso mínimo em torno de opções sociais. A decisão é coletiva. Entretanto. c) Sistema e práticas de gestão negociadas A participação na gestão democrática implica decisões sobre as formas de organização e gestão. dos alunos. acompanhar e avaliar o trabalho de cada um. Aqui entra a importância do diagnóstico. que todos entrem em acordo sobre elas a partir de um consenso mínimo. do papel do professor e dos alunos. dos conteúdos e métodos. escolha de prioridades. o que é de responsabilidade de cada professor. das demandas a atender no mundo de hoje em função das necessidades pessoais. dos problemas. do papel da escola na sociedade. uma vez tomadas as decisões. cada membro assume sua parte no trabalho. sociais. É preciso que a direção e os professores entrem em acordo sobre as práticas de gestão. 130 d) Unidade teórico-metodológica no trabalho pedagógicodidático A unidade teórico-metodológica começa pela definição de objetivos comuns e é assegurada pela coordenação pedagógica e pelo trabalho conjunto e articulado dos professores. profissionais. Por exemplo. o que se atacará em conjunto com toda a equipe. políticas e pedagógicas. b) Objetivos (pontos de chegada comuns) Os objetivos expressam intenções bem concretas. que é um retrato realista da situação. mas implica responsabilidades. admitindo o exercício da direção para coordenar.

O projeto pedagógico-curricular expressa as decisões da escola e o seu conteúdo varia de sistema para sistema.). Nenhum membro da equipe escolar deveria estranhar uma cobrança de trabalho feita pelo diretor se esse trabalho foi decidido coletivamente. os vários entendimentos sobre a noção de projeto. presença dos pais na escola etc. A avaliação depende de informações concretas e objetivas. o projeto está . o que supõe o acompanhamento. um requisito para a escola trabalhar com a interdisciplinaridade.) e qualitativa (grau de atendimento das necessidades e expectativas. Em estudos especializados. A avaliação da organização e gestão escolar pode ser quantitativa (matrículas/evasão. A importância do projeto na organização e gestão da escola Consideremos. cumprimento de prazos. nível de satisfação dos alunos e das famílias. Este é. também.pedagógico-didática com a qual todos possam compartilhar. os resultados. mas também as dificuldades surgidas na implantação e execução dos planos. evidências de comportamento dos alunos etc. Os integrantes da escola escolherão o conteúdo do projeto. inicialmente. sua extensão e sua profundidade. de escola para escola. rendimento escolar dos alunos. e) Sistema explicito e transparente de acompanhamento e avaliação do projeto e das atividades da escola O acompanhamento e a avaliação põem em evidência os êxitos. confrontando o que foi decidido e o que está sendo feito. ainda que ela expresse princípios e orientações mais gerais.

. no Brasil.) O plano difere do projeto essencialmente no que se refere à a amplitude do objeto.. regional.. um conhecido especialista em teoria do planejamento. (. o projeto objetiva o estudo do uso mais racional dos recursos econômicos (escassos) para a produção de um bem ou serviço. sendo o plano. Esse entendimento vigorou durante anos. o programa e o projeto documentos. procedimentos como forma de racionalização da ação.) O programa (é) componente do plano. como por exemplo. Os programas explicitariam uma linha de ações globais e cada programa seria detalhado em projetos. em sucessivos governos. Plano seria o documento mais abrangente que resulta do processo de planejamento. estadual ou da empresa. Dessa compreensão de conjunto do processo de planejamento.. (. nacional. Planejamento seria o processo de previsão de objetivos.) Quando variam os níveis de decisão. podem variar também os elementos componentes do projeto. uma subdivisão que permite agrupar as decisões por áreas de ação semelhantes sob o mesmo título" (1979).. ou seja. Enquanto o plano procura reunir um conjunto de elementos de decisão necessários para concretizar racionalmente a conduta de um grupo humano ou de um conjunto e unidade de produção. podem resultar para as escolas várias concepções de planejamento escolar: Se as escolas forem consideradas unidades administrativas dentro do planejamento geral do Ministério da Educação ou da Secretaria da Educação.. elas . ações. por sua vez subdividido em programas. Carvalho. O planejamento é um processo sistematizado. (.131 incluído na noção mais ampla de planejamento. faz uma distinção clara entre esses termos. metas.

Um dos temas mais recorrentes dos estudos atuais sobre a escola é a descentralização dos serviços educacionais. a nosso ver. programas e projetos específicos). Se as escolas forem consideradas unidades relativamente autônomas. cada escola configuraria um projeto. ora com diferentes graus de complexidade (ter um plano global. ora simplesmente um projeto. Ainda consideradas como relativamente autônomas. as tendências atuais sobre o assunto e a apresentar uma solução que. dentro da estrutura hierárquica do sistema.seriam a última instância do processo de planejamento. as escolas poderiam configurar-se como um projeto sem. Observe-se que essas situações refletem diferentes percepções das formas de gestão e direção. portanto. os programas e os projetos. manter uma excessiva dependência das instâncias do sistema escolar (considere-se que sempre haverá uma certa subordinação às políticas educacionais e curriculares do sistema). é mais compatível com a realidade educacional brasileira. em interação crítica com as orientações dos sistemas de ensino. Limitamo-nos a comentar. resumidamente. ora com uma dependência maior ou menor da hierarquia do sistema escolar. A escolha de uma dessas alternativas envolve uma gama de considerações que não podem ser esgotadas apenas em um capítulo. a adoção da prática do projeto pedagógico-curricular. elas poderiam realizar em si mesmas todas 132 as características de um processo de planejamento: teriam o plano. . ora fazendo um plano e alguns projetos específicos. Também indicam diferentes modelos operacionais já que as escolas poderiam trabalhar. qual seja. todavia. todavia.

Essa tese já foi muito bem aceita pelos educadores progressistas. Resulta. dentro de uma estratégia de diminuir o papel do Estado na sociedade. mas hoje há forte desconfiança de que a descentralização e a autonomia das escolas seria uma forma de o Estado livrar-se de suas responsabilidades públicas. 133 Apesar dessa desconfiança ser bastante pertinente há. em lugar onde todos podem aprender permanentemente. . acentua o espírito de equipe. mediante a autonomia pedagógica e financeira. isto é. É desse esforço que pode resultar a participação do conjunto dos membros da escola. a autonomia fortalece as escolas. a organização escolar transforma-se em espaço educativo. envolvendo os professores e demais educadores na responsabilidade em assumir um papel na organização do trabalho escolar não apenas na sala de aula mas na escola como um todo.A descentralização implica a autonomia da escola. de fato. uma tendência forte em favor da autonomia e da prerrogativa das escolas e professores de decidirem acerca dos objetivos e das formas de trabalhar. Sem dúvida. Tomando-se a gestão e a autonomia nesse sentido. as escolas e os professores estariam assumindo seu poder de decisão. também. difundindo-se a idéia de que as responsabilidades do governo e da sociedade civil se equivalem. A autonomia propicia aos professores mais liberdade para travar relações com a comunidade local e fazer outras parcerias. a co-responsabilização pelas ações de ensino e aprendizagem e um bom projeto pedagógico. do empenho nas formas de gestão da escola um vínculo mais estreito com a comunidade.

Para isso. precisamente. O projeto surge como forma de superação de um paradigma técnico (ou tecnicista) em que tudo o que a escola e os professores precisam fazer já vem estabelecido de cima. que o projeto representa a oportunidade de a direção. o que desejamos. então. visando a atingir os objetivos que se propõem. . é mutável. uma utopia. na produção social do futuro (da escola. o que faremos em função do que desejamos. É o ordenador. definir seu papel estratégico na educação das crianças e jovens. tomarem sua escola nas mãos.Aceita essa justificativa. da comunidade. isto é. os professores e a comunidade. e uma concretização. pela sua 134 natureza. o norteador da vida escolar. Melhor dizendo. a idéia de projeto pedagógico ganha força. Isso significa que o projeto é ao mesmo tempo um desejo. numa perspectiva progressista. é o meio pelo qual os agentes diretos da escola tornam-se sujeitos históricos. é preciso prever e antecipar ações. O projeto. a forma de concretizar as intenções e as expectativas da equipe escolar. O projeto sintetiza: o que temos. já que ele é. Pode-se dizer. a coordenação pedagógica. da sociedade). sujeitos capazes de intervir conscientemente e coletivamente nos objetivos e nas práticas de sua escola. organizando as formas de intervenção e atuação numa realidade que. por isso precisa ser sempre operacional. organizar suas ações. o projeto incorpora a utopia mas sua característica é organizar a ação.

outros colocam o projeto curricular antes do pedagógico e há os que preferem chamar tudo de plano da escola. funcionários) aprendem através da organização. Os indivíduos e os grupos mudam mudando o próprio contexto em que trabalham. Todavia. projeto pedagógico. no qual está implícito um plano. O projeto pedagógico assim entendido. é um ingrediente do potencial formativo das situações de trabalho. Trata-se de um documento só. do ambiente de trabalho. projeto curricular. Todos podemos aprender afazer do exercício do trabalho um objeto de reflexão e pesquisa.como saber se o que estamos fazendo corresponde ao que desejamos. Por sua vez. integrando e articulando o ideário. o que importa é o processo de ação-reflexão-ação que se instaura na escola envolvendo todos os seus integrantes. Como se denomina esse projeto? Projeto educativo. coordenação pedagógica. Os profissionais (direção. as organizações também aprendem. projeto pedagógico-curricular. plano de escola? Não há uma denominação que tenha unanimidade entre os educadores. professores. A rigor. este incluindo-se naquele. mudando junto com seus profissionais. objetivos. O ideário é a concepção de 135 . optamos pela denominação projeto pedagógico-curricular. Outros entendem que projeto pedagógico é a mesma coisa que projeto curricular. projeto político-pedagógico. há quem considere o projeto educativo mais amplo que o projeto pedagógico. ações e meios. Sem descartar outras possibilidades.

abordagens metodológicas e . de modo que "fazer planejamento" é ir percorrendo as várias fases de elaboração do projeto. podem ser indicados alguns princípios e algumas formas de sua operacionalização. com vários roteiros e indicações de tópicos (consultar o Capítulo XIII e os Anexos). Todavia. O segundo nível é a utilização dos PCN para as propostas das secretarias de educação nos estados e municípios "como recursos para revisões. seu modo de planejar. O primeiro nível corresponde à proposição de subsídios para a discussão e elaboração de propostas curriculares nos diferentes estados e municípios. estipula quatro níveis de concretização do planejamento escolar. Não há uma única maneira de elaborar o projeto pedagógico-curricular. que e o conteúdo dos próprios Parâmetros Curriculares. O processo de elaboração do projeto pedagógico-curricular Conforme vimos mencionando. o projeto concretiza o processo de planejamento. têm sua diversidade. as ações e meios de realização do trabalho. Há neste livro uma variedade de possibilidades de sistematização. 1994). sua singularidade. cada escola. O documento Parâmetros Curriculares Nacionais (1998). O terceiro nível refere-se ao uso dos PCN na elaboração do projeto educativo da escola. adaptações ou elaborações curriculares" de modo que possam dialogar com as propostas e experiências já existentes. do Ministério da Educação. em que os professores e equipe escolar discutem e definem objetivos. cada situação.educação que determina "o sentido e a natureza das decisões e das ações a desenvolver junto dos alunos" (Carvalho e Diogo. ao qual se seguem os objetivos. conteúdos.

são distribuídas as . organizados em quatro ciclos de escolarização. formulado por uma comissão de pedagogos e professores. que compõem o ensino fundamental. de forma a expressar a formação básica necessária para o exercício da cidadania e nortear a seleção de conteúdos". Orientações didáticas. físico. Objetivos gerais de áreas. ético. Objetivos e conteúdos. o projeto pedagógico-curricular e os planos de ensino das disciplinas. que "indicam capacidades relativas aos aspectos cognitivo. A partir desses tópicos gerais. em que o professor compatibiliza seu plano de ensino conforme as metas estabelecidas na fase anterior e às características de seu grupo específico de alunos. Na escola realizam-se o terceiro e o quarto nível de concretização curricular. "que expressam capacidades que os alunos devem desenvolver ao longo da escolaridade obrigatória. afetivo. esquemático. O quarto nível é a realização do currículo na sala de aula. estético. de atuação e inserção social. Critérios de avaliação das aprendizagens fundamentais. os PCN propõem: Objetivos gerais do ensino fundamental.critérios de avaliação para cada ciclo. por ciclo. explicitando a contribuição especifica dos diferentes âmbitos do conhecimento". considerando-se sucessivamente. em blocos de duas séries. 136 Para isso. Este esboço prévio tem a finalidade de deslanchar o processo e mobilizar as pessoas para a discussão pública e elaboração do projeto. O processo de elaboração do projeto pode iniciar-se com um plano geral.

Contextualização e caracterização da escola 1. gestão. sem necessidade de votação. elaborase e aprova-se o documento final. Princípios norteadores da ação pedagógico-didática . identificação de problemas e prioridades.responsabilidades das sub-comissões para coleta de dados.1. administração. Aspectos sociais. Finalmente. geográficos 1. econômicos. a correspondência entre os resultados e os objetivos previstos. identificar necessidades e problemas e sugerir soluções.2. Concepção de escola e de perfil de formação dos alunos 2. Uma comissão de acompanhamento e avaliação do projeto reunirse-á periodicamente para verificar o cumprimento das metas.2.1. escola e comunidade). Os seguintes tópicos compõem a sugestão de um roteiro para formulação do projeto pedagógico-curricular: 1. também elaborado por uma comissão. visão que os alunos têm da escola. estabelecimento de metas e atividades etc. pais. participação dos professores. Breve história da escola (como surgiu. A fase seguinte pode ser a elaboração de um documento gerador. análise. como vem funcionando. Concepção de educação e de práticas escolares 2.3. a ser estudado previamente por toda a equipe de trabalho e depois discutido e aprovado. Recomenda-se que a discussão vá caminhando 137 para um consenso em torno de pontos que possam ser compartilhados por todos. mais detalhado. Caracterização dos elementos humanos 1. Condições físicas e materiais 1. 2. culturais.4.

Organização curricular (da escola. Formas de avaliação do projeto Apresenta-se. escolha de soluções 4. Proposta curricular 6. conteúdos. Diagnóstico da situação atual 3. plano de ensino da disciplina): Objetivos. a descrição do conteúdo de cada tópico: Contextualização e caracterização da escola Este tópico visa caracterizar o contexto econômico e sociocultural em que a escola está inserida. Levantamento e identificação de problemas e necessidades a atender 3.3. as necessidades da comunidade. a origem social e cultural dos alunos etc. desenvolvimento metodológico. Aspectos organizacionais 5. Aspectos administrativos 5. Proposta de trabalho com pais. . culturais. Fundamentos sociológicos. avaliação da aprendizagem 7. a fim de avaliar as condições existentes.1. psicológicos. das séries ou ciclos. epistemológicos. a seguir.1. físicos e materiais. Proposta de formação continuada de professores 8. descrever os aspectos humanos.3.2.1. Objetivos gerais 5.2. Aspectos financeiros 138 6. pedagógicos 6.3 Estratégias de ação. Definição de prioridades 3.2. Estas informações são sumamente relevantes para o projeto. Estrutura de organização e gestão 5. comunidade e outras escolas de uma mesma área geográfica 9.

administrativos. visa analisar e explicar a situação. Nesse caso. Todavia. 139 Diagnóstico e análise dos problemas e necessidades Essa fase corresponde à caracterização sócio-econômica e cultural do contexto da ação escolar.Concepção de educação e de práticas escolares A finalidade deste tópico é apresentar uma síntese do "pensamento" da equipe de professores e pedagogos sobre educação e currículo. tipo de gestão. cultural. Os problemas podem ser agrupados em pedagógicos. financeiros. O diagnóstico. cabe uma caracterização sócio-económica. relacionamento com pais e comunidade etc. Há uma grande variedade de problemas administrativos e pedagógicos que as escolas podem apresentar: falta de . jurídica. O projeto pedagógico-curricular reflete expectativas da sociedade e dos próprios educadores sobre o significado de "aluno educado" e para que tipo de sociedade se educa. realizado a partir do levantamento de dados. do pessoal técnico e docente. significados. O diagnóstico terá a extensão que se julgar mais conveniente. do clima da escola. das condições físicas e materiais. As questões e problemas podem ser levantadas em reunião ou podem ser listadas por uma comissão de professores e pedagogos e discutidas. é bom que o faça uma primeira vez e o refaça de tempos em tempos. articulando o problema e suas causas internas e externas. se a escola nunca fez um diagnóstico completo. com base nas exigências e necessidades sociais e nas suas próprias crenças. valores.

Após o levantamento de muitas idéias. dificuldade generalizada de leitura e interpretação de textos pelos alunos etc. inexistência de critérios de reprovação de alunos por parte da escola. custo. . falta de entrosamento entre os planos de ensino das matérias. entrada e saída dos alunos de forma desordenada. deixando os objetivos específicos para o tópico referente à proposta curricular. responsabilidades. entrevistas. a cada momento do desenvolvimento das atividades escolares. de vários caminhos. Considere-se que. É óbvio que seleção depende de condições reais como espaço físico.comunicação entre direção e professores. 140 Objetivos gerais Nesta fase são propostas as metas mais amplas que se deseja alcançar. excesso de agressões verbais ou violência física no recreio. Estrutura Organizacional Refere-se à descrição da estrutura de funcionamento e dos meios de organização e gestão. aplicação de questionários. Há vários meios de se fazer o diagnóstico e o levantamento de problemas: observações. capacidade da equipe de profissionais. falta de definição de responsabilidades na equipe. procede-se à seleção dos objetivos ou metas. coleta de opiniões em situação grupal. tempo etc. o diagnóstico vai sendo refeito. falta de atenção do pessoal de secretaria em relação às mães. distribuição da merenda de forma inadequada com prejuízo para o andamento das aulas.

a eficiência (gestão e administração dos recursos e meios) e eficácia (relação entre a ação e os resultados)" (Carvalho e Diogo. à definição da atuação da escola no processo de ensino e aprendizagem. 141 A proposta curricular .a organização e o desenvolvimento do currículo O currículo constitui o elemento nuclear do projeto pedagógico. o currículo é um desdobramento necessário do projeto pedagógico.formas de dinamizar o processo de gestão. através do currículo. "A avaliação deverá fornecer os dados necessários para intervir no sentido de corrigir a coerência (relação entre o projeto e o problema). a proposta curricular define-se como projeção do projeto pedagógico. ou seja. Dentro do marco teórico adotado neste livro. a redefinição permanente de objetivos e meios. especificamente. 1994). será detalhado à parte em tópico específico. a análise dos resultados. é ele que viabiliza o processo de ensino e aprendizagem. A proposta curricular inclui a organização curricular propriamente dita e a organização pedagógico-didática. incluindo a coleta de dados. Avaliação do projeto A avaliação será processual-somativa. materializando intenções e orientações previstas no . tal como descreveremos nos capítulos seguintes. Pela importância deste item no projeto pedagógico-curricular. A proposta curricular Este tópico do projeto destina-se.

especialmente na Inglaterra e nos Estados Unidos. Etimologicamente. apresentamos nossa "carreira da vida". é um nível do planejamento entre o projeto pedagógico e a ação prática. Enquanto projeção do projeto pedagógico. a fim de obter uma titulação. Algumas dessas teorias trouxeram contribuições decisivas 142 . Nesse sentido. Antes das sugestões sobre o que deve conter a proposta de organização curricular. Desde o início dos anos 70. nosso "percurso de vida". a proposta curricular é a orientação prática da ação de acordo com um plano mais amplo. O termo currículo possui vários sentidos. em estreita colaboração com a didática.projeto em objetivos e conteúdos. percurso" (do verbo latino currere = correr). No linguajar comum ainda predomina a idéia de currículo como o conjunto das disciplinas que o aluno deve percorrer. Quando elaboramos um curriculum vitae. o currículo define o que ensinar. o para quê ensinar. ou seja. apresentamos algumas idéias sobre o conceito de currículo. significa "ato de correr. originando-se daí novas tendências teóricas que. superando as anteriores concepções positivistas. Significados mais ampliados do termo surgem no início do século XX. introduziram referências de cunho crítico para a investigação do currículo. um diploma. identificando quase sempre o conjunto de saberes e/ou experiências que alunos precisam adquirir e/ou vivenciar em função de sua formação. o como ensinar e as formas de avaliação. o plano de estudos ou a grade curricular. os estudos sobre currículo tiveram um desenvolvimento considerável.

1992). intenções e práticas sociais que estão por detrás dos currículos. não nos impede de compreendê-los como seleção de saberes e experiências. complementares: O currículo é a representação da cultura no cotidiano escolar (.) um modo pelo qual a cultura é representada e reproduzida no cotidiano das instituições escolares. entre o conhecimento e cultura herdados e a aprendizagem dos alunos. acompanhados de sua comunicação na escola.. (Pedra. propomos ficar com duas definições bem pontuais que são. transmite e avalia os saberes educacionais destinados ao ensino. se é verdade que o currículo quase sempre expressa interesses dos grupos sociais com mais poder econômico.para a compreensão do papel ideológico e político do currículo. também. Essa afirmação expressa. Isso. seleção essa feita a partir do que a sociedade julga necessário ser incorporado pelos alunos. distribuem e avaliam conhecimentos no espaço das instituições escolares. classificam. distribui. com o que as escolas acabam por conformar-se. político. todavia. entre a .. (. por tentarem esclarecer a seguinte tese de Basil Bernstein: A maneira pela qual uma sociedade seleciona.. é verdade. de fato. 1999) O currículo é a ligação entre a cultura e a sociedade exterior à escola e à educação. Consideradas essas questões. classifica. também. o modo pelo qual se selecionam. social.).. reflete a distribuição do poder em seu interior e a maneira pela qual se encontra aí assegurado o controle social dos comportamentos individuais (In Forquin. que pode concretizar objetivos e práticas que representam interesses sociais e políticos dos segmentos majoritários mais excluídos e mais explorados da sociedade. Ou seja.

que devem ser reproduzidos e produzidos para se assegurar o funcionamento de um tipo de sociedade. para que aprender. valores.). entendidas como idéias. aqui. em função de que aprender? Há aí uma espécie de diálogo com a sociedade e entre a própria equipe de professores. o currículo representa a seleção e organização da cultura. tornadas realidade pelo trabalho dos professores e sob determinadas condições providas pela organização escolar. Quando os professores e a equipe escolar planejam o currículo. tendo em vista a . o currículo reflete intenções (objetivos) e ações (conhecimentos. e o currículo é a seleção e organização dessa cultura. modos de agir. de avaliação etc. suposições e aspirações) e a prática possível. conhecimentos.1999). eles realizam uma escolha para responder a estas indagações: o que nossos alunos precisam aprender. Em síntese. A primeira definição destaca a idéia de que o currículo se sustenta em representações sociais presentes na cultura na qual se 143 dá a teoria e a prática do currículo. Existe ensino porque existe uma cultura. sobre o que é relevante que os alunos aprendam em função de suas necessidades pessoais e das necessidades e exigências de interesses em jogo na sociedade. dadas determinadas condições (Gimeno Sacristán. o papel social da escola se realiza por meio do currículo.teoria (idéias. procedimentos. Ou seja. Representações. A segunda mostra que o currículo é a concretização do posicionamento da escola face à cultura produzida pela sociedade. Para Gimeno. formas de gestão.

depende de muitos fatores e não apenas das disciplinas previstas na grade curricular. Explicitamos. a seguir. objetivos e conteúdos das áreas ou disciplinas de estudo. É o currículo legal expresso em diretrizes curriculares. as características desses vários níveis. currículo real. É o currículo que . por exemplo. mesmo que nesse caminho do planejar e do executar aconteçam mudanças.melhor qualidade do processo de ensino e aprendizagem (Carvalho e Diogo. É a execução de um plano. como. as propostas curriculares dos Estado e Municípios. crenças. de fato. 1994). Currículo Real . A distinção entre esses vários níveis de currículo serve para mostrar que o que os alunos aprendem na escola ou o que deixam de aprender. 144 Currículo formal . real.é o currículo que.refere-se ao currículo estabelecido pelos sistemas de ensino ou instituição educacional. O currículo formal ou oficial é aquele conjunto de diretrizes normativas prescritas institucionalmente. currículo oculto Os estudos sobre currículo realizados a partir das décadas 1960-70 destacam a existência nas escolas de vários níveis de currículo: formal. é a efetivação do que foi planejado. os Parâmetros Curriculares Nacionais divulgados pelo Ministério da Educação. Níveis de currículo: currículo formal. intervenção da própria experiência dos professores. decorrentes do seus valores. significados. oculto. acontece na sala de aula em decorrência de um projeto pedagógico e dos planos de ensino.

Currículo oculto . cruzando-se entre si. Alguns autores chamam de currículo experienciado essas percepções dos alunos que resultam de sua reação ao que está sendo ensinado ou vivenciado. até chegar aos alunos. comportamentos. valores. O currículo está "oculto" porque 145 ele não é prescrito. Primeiramente. passa pelas crenças. Esses vários sentidos aparecem de alguma forma na prática escolar. significados. é retrabalhado pelos professores. não aparece no planejamento. gestos.sai da prática dos professores. comportamentos existentes na cultura. assim como o que fica na percepção dos alunos. ou seja. . Freqüentemente. ou seja. percepções. compreendido e retido pelos alunos não corresponde ao que os professores ensinam ou crêem estar ensinando.Essa denominação refere-se àquelas influências que afetam a aprendizagem dos alunos e o trabalho dos professores provenientes da experiência cultural. dos valores e significados trazidos pelas pessoas de seu meio social e vivenciados na própria escola. ele segue uma seqüência que começa quase sempre na esfera política e administrativa do sistema escolar. embora se constitua como importante fator de aprendizagem. da percepção e do uso que os professores fazem do currículo formal. das práticas e experiências compartilhadas na escola e na sala de aula. o que é realmente aprendido. é razoável supor que o currículo tem sempre uma dimensão externa. que vigoram no meio social e escolar. atitudes. O currículo oculto representa tudo o que os alunos aprendem pela convivência espontânea em meio às várias práticas.

as atitudes que tomam em relação às diferenças individuais dos alunos..cultura organizacional . distorções de conteúdo. atitudes. até. Em segundo lugar. o desejo dos professores e da equipe escolar. 146 O que significa que o currículo escolar conhecimentos. suas atitudes nas brincadeiras e jogos. O currículo real obriga a escola a considerar a cultura proposta pelo currículo formal e as situações de fato vividas na escola e nas salas de aula. os objetivos dos integrantes da escola. É por esta razão que temos insistido na consideração da cultura da escola . o currículo representa.Isso significa que ele está impregnado de influências sociais. o modo como os alunos se relacionam entre si.). de forma que ele tanto pode expressar a autonomia da escola. quanto diferentes interpretações. em relação às ciências que dão origem às matérias escolares. professores. Em terceiro lugar. hábitos . procedimentos.como importante elemento curricular. pois é no âmbito dessa cultura que observamos a linguagem dos professores.. o conjunto das aprendizagens que os alunos precisam internalizar. que precisam ser detectadas pelos professores. há aprendizagens consumadas fora do previsto formalmente (currículo oculto) desejadas ou não pelos agentes escolares (direção. políticas. valores. econômicas. a higiene e limpeza nas dependências da escola etc. de forma intencional e programada mas. inclusive para que compreendam que essas influências limitam o poder de intervenção da escola. de fato. ênfases e. à primeira vista. pais. o currículo é submetido a transformações pelos professores e alunos (currículo real).

razão pela qual a avaliação somativa tem . O papel do aluno.expressa certo recorte da cultura de um povo. Importam mais freqüentemente os produtos da aprendizagem. alunos. Currículo tradicional O currículo tradicional é o mais utilizado e suas características mais visíveis são conhecidas: organização do conhecimento por disciplinas compartimentalizadas. mas também aqueles valores. algumas concepções mais conhecidas de organização curricular que expressam formas de concretização das intenções pedagógicas. centrado no professor e na matéria. não os processos. na maior parte das correntes pedagógicas tradicionais. na interação entre professores. comportamentos. a construção e elaboração da proposta curricular implica compreender que o currículo é mais do que os conteúdos escolares inscritos nas disciplinas. O currículo é o conjunto dos vários tipos de aprendizagens. Em resumo. que acaba por incorporar outros aspectos como a cultura das mídias. aquelas exigidas pelo processo de escolarização. a cultura dos alunos. caráter livresco e verbalista. funcionários. . a cultura social. escola como responsável pelo ajustamento social dos alunos sem preocupação com uma visão critica da sociedade. atitudes que se adquirem nas vivências cotidianas na comunidade. sinteticamente. 1. ensino meramente transmissivo.etc. nos jogos e no recreio e outras atividades concretas que acontecem na escola que denominamos ora de currículo real ora de currículo oculto. Concepções de organização curricular Apresentamos. é o de armazenador de informações.

grande peso. a partir de critérios científicos e técnicos. busca de . Definido por especialistas. Ignoram-se as diferenças individuais. organizados numa "grade curricular". isto é. habilidades considerados úteis e desejados pela sociedade. incapazes de refazerem seu próprio percurso de aprendizagem. ela cuida apenas do "como". os computadores. incluindo hoje. Metodologicamente. A escola não discute sobre "o que ensinar". O currículo é reduzido a um conjunto de disciplinas e de conteúdos a serem "passados" aos alunos. 2. as mídias. o currículo racionaltecnológico não precisa ser discutido e elaborado pelos agentes diretos envolvidos com o ensino e aprendizagem. formulam objetivos e conteúdos. o aluno um receptor de conhecimentos. Diferentemente do cunho acadêmico do currículo tradicional. o currículo racional tecnológico se firma na racionalidade técnica e instrumental. Currículo racional-tecnológico (tecnicista) É o currículo proposto para a transmissão de conteúdos e desenvolvimento de habilidades a serviço do sistema de produção. caracteriza-se pela introdução de técnicas mais refinadas de transmissão. visando a desenvolver habilidades e destrezas para formar o técnico. os professores. Os alunos são tidos quase sempre 147 como imaturos. Parte-se de um currículo previamente prescrito por especialistas que. O professor é o detentor da autoridade intelectual e moral (mesmo que não as tenha). padrões de desempenho.

Por isso. de tecnicismo educacional. no ritmo de cada um. com o menor custo. de contínua adequação ao meio. não como verdades estabelecidas. Daí a ênfase nas necessidades e interesses dos alunos. sem acentuar os saberes. O professor é o facilitador da aprendizagem. Atualmente. A crítica que se faz a esse tipo de currículo é a sua definição muito estreita de competência. Identificado com as idéias de John Dewey. esse modelo de currículo compreende a educação como um processo interno de desenvolvimento. o conteúdo vem das experiências dos alunos. apenas restrita ao saber-fazer. uma derivação dessa concepção é o currículo por competências. valoriza-se bastante a atividade de .maior eficiência em função dos produtos da aprendizagem. as atitudes e os processos cognitivos. 148 3. colocando os conteúdos escolares como instrumentos para o desenvolvimento de processos mentais. identificando ensino com métodos e tecnologia educativa. na atividade. valores etc. Currículo escolanovista (ou progressivista) O enfoque escolanovista coincide quase sempre com a idéia de currículo centrado no aluno e no provimento de experiências de aprendizagem como forma de ligar a escola com a vida e adaptar os alunos ao meio. liberado de qualquer consideração em torno de finalidades. Esta corrente tem sido denominada. em que a organização curricular resulta de objetivos assentados em habilidades e destrezas a serem dominados pelos alunos no percurso de formação. os conteúdos são subordinados às necessidades e interesses dos alunos no seu processo de adaptação ao meio. também.

a inteligência artificial).pesquisa do aluno e o clima psicológico e social da escola e da sala de aula. o currículo construtivista está diretamente associado à influência de Jean Piaget e seguidores. derivando-se daí conseqüências para a organização curricular. a neurociências. no desenvolvimento dos processos de aprendizagem ativa. valorizando mais a construção do conhecimento pelo próprio aluno do que a influência da cultura e do professor. portanto. o construtivismo tem influenciado as chamadas ciências da cognição (entre elas a neurofisiologia. Atualmente. a lingüística. Currículo construtivista No Brasil. O professor tem o papel justamente de organizador e facilitador da aprendizagem visando a assegurar a interação do aluno com os objetos de conhecimento. que alguns autores chamam de neo-cognitivismo. de modo a possibilitar a construção pessoal dos conhecimentos. Nas concepções fundamentadas em Piaget. O currículo deve prever atividades que correspondam ao nível de desenvolvimento intelectual dos alunos e organizar situações que estimulem suas capacidades cognitivas e sociais. A partir da . Seu objetivo é buscar novos modelos e referências para avançar na investigação sobre os processos psicológicos e a cognição. Umas das idéias-chave do construtivismo é a crença no papel ativo do sujeito no processo de aprendizagem e. recai um peso maior na aprendizagem subordinada ao processo de desenvolvimento 149 cognitivo. 4.

surgem duas versões: a) Psicologia cognitiva que estuda diretamente o comportamento inteligente de sujeitos humanos. capacidade de comparar. Nesse sentido. isto é. Por isso. memória. o que remete. considerando este como algo mais do que uma simples ferramenta conceitual. cujas bases teóricas se apóiam no psicólogo russo Vigotsky.) são ações internalizadas de algo socialmente constituído. b) Ciência cognitiva. no sentido de uma relação do sujeito com o outro. A maior parte dos educadores que trabalham com esta posição. Mais especificamente. atribuindo-se peso significativo à cultura e às relações sociais. A atividade do sujeito supõe a ação entre sujeitos. ao papel do ensino na aprendizagem. da teoria da comunicação e da cibernética (ciência dos computadores). desenvolve-se entre nós um interacionismo de orientação histórico-social.psicolinguística. do professor. em ultima instância. diferenciar. as funções mentais superiores (linguagem. etc. com seus parceiros. da cultura. bem como do outro. dos colegas. Nessa orientação. postula a origem social das funções mentais superiores. dos conhecimentos anteriores e do professor. a aprendizagem resulta da interação sujeito-objeto. percepção. Isso significa admitir um papel essencial do ensino na promoção do desenvolvimento cognitivo e social dos alunos. que leva ao extremo as analogias entre mente e computador. Uma das principais diferenças entre os vários construtivismos diz respeito ao papel da cultura. mas a ação do sujeito sobre o meio é socialmente mediada. abstração. justamente porque destaca o papel do meio. essa posição é . atenção voluntária. a conhecem como sócio-interacionismo.

Currículo sócio-crítico (ou histórico-social) A abordagem sócio-crítica possui várias correntes. o desemprego. As abordagens críticas convergem na concepção de ensino como compreensão da realidade para transformá-la. Metodologicamente. Em razão disso. visando a construção de novas relações sociais. . a educação cobre a função de transmissão cultural mas também é responsável pela ajuda ao aluno no desenvolvimento de suas próprias capacidades de aprender e na sua inserção crítica e participativa na sociedade em função da formação da cidadania. enfim. as desigualdades sociais e econômicas. da compreensão do conhecimento como ligado à prática e à solução de problemas. destaca-se a importância da responsabilidade social e da busca do interesse coletivo. algumas dão mais ênfase às questões políticas do processo de formação. Neste segundo caso. diretamente associada ao currículo sóciocrítico. a violência. considera especialmente os efeitos do currículo oculto e do contexto da ação educativa nos processos de ensino e aprendizagem.150 também denominada concepção sócio-cultural ou sóciohistórica. junto com os requisitos de se ajudar o aluno a adquirir autonomia de pensamento. inclusive para submeter os conteúdos a uma análise ideológica e política. outras colocam a relação pedagógica como mediação da formação política. 5. a destruição do meio ambiente. às vezes divergentes entre si. adere à idéia da aprendizagem como construção do sujeito. de modo a eliminar as mazelas sociais existentes como a pobreza.

minimizando ou até recusando um currículo formal.Algumas correntes da abordagem crítica defendem um tipo de currículo mais informal. Currículo integrado ou globalizado O movimento por um modelo de currículo integrado tem chegado até nós por meio de autores espanhóis (Torres Santomé. São duas as idéias norteadoras desse modelo curricular: a) buscar a integração de conhecimentos e experiências que facilitem uma compreensão mais reflexiva e crítica da realidade. dificilmente os alunos estarão aptos a analisar a realidade e formular estratégias de atuação. simultaneamente. superando a separação e falta de comunicação entre as disciplinas escolares. o domínio dos processos necessários ao acesso aos conhecimentos e. ao lado dos conteúdos culturais. Sem os conceitos. Entendemos que essa concepção de currículo é insuficiente para atingir os objetivos emancipatórios que a escola busca. se elaboram e se . a compreensão de como se produzem. O termo globalização está associado a características da estrutura cognitiva e afetiva dos alunos que acentuam uma maneira própria de atribuir significados e construir e integrar conhecimentos. fortuitos. O termo interdisciplinaridade acentua a inter-relação entre conhecimentos. entre outros). destacando a globalização das aprendizagens e a interdisciplinaridade. Hernandez. da convivência social na escola. 151 6. a teoria e os conteúdos culturais sistematizados. centrado na valorização de elementos casuais. b) ressaltar.

1989). também. dos conteúdos culturais. síntese. visitas. A ênfase aos processos não significa minimizar a importância dos conceitos. o aprender a aprender (Torres Santomé. Na prática curricular. Para se chegar a esses objetivos. Com essa orientação. tomada de decisões. adota-se o currículo experiencial. o currículo globalizado articula várias práticas educativas que possam contribuir para os processos de ensino e aprendizagem. a ligação dos conteúdos culturais com a realidade. mediante o método de projetos. comparação etc. a interdisciplinaridade. no currículo oculto. a vivência cultural dos alunos. neste modelo. laboratórios. epistemológicos ou sociológicos. vídeos.transformam esses conhecimentos. das teorias. a seleção de experiências de aprendizagem verdadeiramente interessantes. comunicação. pelo qual a escola torna-se um espaço de reconstrução. análise. nas várias experiências de aprendizagem tipo biblioteca. classificação. Tipos de currículo Os tipos ou modelos de currículo decorrem das concepções e posicionamentos teóricos sobre conhecimento . no currículo em ação. a importância dos processos mentais na 152 aprendizagem (observação. o valor da atividade do próprio sujeito na aprendizagem. superando os reducionismos psicológicos. das experiências e conhecimentos próprios de sua comunidade. pretende-se que.). ou seja. pelos alunos. Incorpora-se. se preste atenção a tudo o que acontece na escola e nas aulas. inclusive naquilo que não foi previsto pelos professores.

isto é. O currículo numa perspectiva cognitiva acentua o desenvolvimento das capacidades cognitivas. O conhecimento destas concepções contribui para a elaboração da proposta curricular. quais técnicas devem utilizadas pelos professores. inscritos numa grade curricular. um conjunto de disciplinas a serem estudadas pelos alunos ao longo das séries escolares. como também. o formato do currículo tradicional corresponde melhor à idéia de plano de estudos. das estratégias de aprendizagem. atribuem importância à prática. importa distinguir para decidir entre currículos fechados e currículos abertos. no exercício prático de tomada de decisões. o que se busca com o currículo. tanto no sentido de a prática ser a referência para a elaboração e desenvolvimento curricular como no sentido de entender a prática curricular como um processo de investigação. ou seja. acentuando mais o "como" do que o "o quê". as 153 . O currículo sócio-crítico. a relação do currículo com a prática. Geralmente os objetivos e conteúdos são prescritos.e ensino. o integrado. O currículo tecnicista gera um formato de currículo baseado na tecnologia de elaboração e de aplicação de programas curriculares: como selecionar e organizar objetivos e experiências de aprendizagem. o papel da educação e do ensino na sociedade e para os indivíduos. quais materiais de ensino e instrumentos de avaliação são mais eficazes. Dessa forma. as disciplinas aparecem apenas como valor instrumental para a aprendizagem das habilidades cognitivas. no entanto. Nos currículos fechados tem-se o currículo por disciplinas isoladas.

procedimentos. seus saberes de experiência e saberes profissionais (Carvalho e Diogo. A elaboração e o desenvolvimento curricular contam com a participação dos professores. como cidadão). didático e pedagógico). que atualmente é um dos mais importantes elementos do formato de currículo que corresponde melhor a uma proposta curricular de cunho cognitivo e social. respeitando-se sua autonomia. Suscitar e garantir processos integradores e a apropriação de saberes enquanto produtos cognitivos dos alunos (implica a organização de saberes sob o ponto de vista curricular.escolas e os professores limitam-se a segui-los. Entre as caraterísticas assinaladas nos currículos abertos está a interdisciplinaridade. O resultado prático da interdisciplinaridade é o estabelecimento de ligações de complementaridade entre as matérias escolares. têm mais flexibilidade na definição de objetivos e competências. não se consideram os saberes e competências profissionais dos professores. sejam integrados na estrutura mental do aluno. sem autonomia para tomar decisões. Estabelecer ligações entre teoria e prática. atitudes. de modo que os conhecimentos. 1994). ou seja. Interdisciplinaridade é um procedimento de organização da escola e do ensino que favorece a integração de aprendizagens e de saberes e a busca de saberes úteis para lidar com questões e problemas da realidade (levar o aluno a confrontar-se com a realidade. Alguns princípios da interdisciplinaridade são: Ter como referência o sujeito que aprende e sua relação com o saber. os conteúdos podem ser organizados em áreas e temas geradores. . Os currículos abertos preocupam-se com a integração entre as disciplinas.

sem dúvida.Estabelecer ligações entre pontos de vista distintos acerca de um objeto de conhecimento. Evidentemente.A escolarização básica obrigatória tem um significado educativo. ela pode gerar . a melhoria da qualidade da vida. 1 . Os tópicos que apresentamos não cobrem o conjunto dos fatores e exigências de um currículo sensível aos problemas da nossa época. ao desenvolvimento das capacidades individuais e sociais. Este princípio se baseia na crença do poder da educação para propiciar o desenvolvimento da razão critica pelo exercício da racionalidade. torna-se relevante considerar alguns princípios na construção de um currículo de cunho sócio-crítico. a compreensão e a solidariedade entre os seres humanos. disciplinar e a integração interdisciplinar e vice-versa. à formação da cidadania. Mas. o desen volvimento da subjetividade e sensibilidade. apenas indicam algumas idéias a serem consideradas. 154 Fazer o caminho entre a especialização. ela está condicionada por uma multiplicidade de fatores como os econômicos e políticos. Alguns princípios orientadores da proposta curricular Se a organização curricular expressa os objetivos e estratégias de ação do projeto pedagógico-curricular. implicando o direito de todos. político e social. a inserção no trabalho e na vida social. ao acesso aos bens culturais. em condições iguais de oportunidades. à conquista da dignidade humana e da liberdade intelectual e política. a educação não atua sozinha.

A escolarização obrigatória requer criteriosa seleção de conteúdos e adoção de adequadas práticas pedagógicas. um caminho para a igualdade e a inclusão social. conforme uma pedagogia diferenciada. a ciência. Este é um dever de justiça social. 2000). Ao mesmo tempo que se propicia uma cultura geral comum. as escolas têm uma responsabilidade concreta e real: propiciar a assimilação e a reconstrução dos conteúdos escolares e. ao mesmo tempo que possibilita a internalização de um conteúdo significativo e útil. O termo "conteúdos" refere-se aos conhecimentos sistematizados. selecionados das bases das ciências e dos modos de ação acumulados pela experiência social da humanidade e organizados para serem ensinados na escola. através deles. Aprender a cultura. portanto. busca-se incorporar no currículo os interesses de todos os alunos em sua diversidade tanto no âmbito psicológico quanto no âmbito social e cultural. 2 . a arte através de um ensino que forme sujeitos pensantes e críticos não é nada muito mais do que a sempre proclamada formação geral que. proporciona também as ferramentas mentais para lidar praticamente com os conceitos nas situações 155 concretas da vida cotidiana. . Não há que se alimentar ilusões. do trabalho e do exercício da cidadania. Essa tarefa deve ser concretizada nas escolas e nas salas de aula. os processos de desenvolvimento das capacidades cognitivas e operativas.melhores condições de vida e de realização humana tanto para os indivíduos quanto para o conjunto da sociedade sendo. pondo-se em prática o lema: uma escolaridade igual para sujeitos diferentes em uma escola comum (Gimeno.

na rua. 156 Os objetivos de formação cultural e de desenvolvimento curricular precisam considerar hoje a nova configuração econômica e política e as novas realidades sociais e culturais do mundo contemporâneo. Isso significa propiciar aos alunos conhecimentos e experiências diversificadas.são habilidades e hábitos. 3 . a cultura das mídias. envolvendo modos de agir. na cidade. integrando no currículo a variedade de culturas que perpassa a escola: a cultura científica. de sentir e de enfrentar o mundo. o que implica formular . incluindo métodos e procedimentos de aprendizagem e de estudo. valores. a partir da diversificação de metodologias e procedimentos. convicções. com a cultura dos meios de comunicação. são atitudes. vinculados aos conhecimentos. supõe-se uma pedagogia diferenciada em que. Trata-se de compreender a escola como lugar de síntese entre a cultura formal. a cultura social.O currículo escolar representa o cruzamento de culturas. e a cultura experienciada que acontece na família. constituindo-se num espaço de síntese em que a cultura elaborada se articula com os conhecimentos e experiências concretas dos alunos vividas no seu meio social. a cultura acadêmica expressa no currículo. a cultura dos alunos. a cultura da escola (organizacional). sistematizada. cada aluno sinta-se valorizado e respeitado em sua subjetividade. nas mídias e outros contextos culturais. em quaisquer situações de aprendizagem e de convivência social. Além disso. da cidade e de suas práticas sociais.

mediante a condução pedagógica do professor que disporá de práticas de ensino intencionais e sistemáticas de promover o "ensinar a aprender a pensar".O processo de ensino e aprendizagem deverá estar centrado no ensino do aprender a pensar e do aprender a aprender.coletivamente formas pedagógico-didáticas de assegurar essa articulação. instrumentos conceituais de apreensão dos objetos de conhecimento. 4 . atitudes. 157 5 . valores. ou seja. Há um razoável consenso hoje em torno de proposições sócio-interacionistas: o papel ativo do sujeito na aprendizagem escolar. tendo como referência a internalização e reconstrução dos conteúdos culturais. Trata-se de investir numa combinação bem sucedida da assimilação consciente e ativa desses conteúdos com o desenvolvimento de capacidades cognitivas e afetivas pelos alunos visando a formação de estruturas próprias de pensamento. de modo que aprenda a utilizar seu potencial de pensamento pelos meios cognitivos de construção e reconstrução de conceitos. A equipe escolar precisa incluir na definição e na discussão pública da proposta curricular a educação para os valores. habilidades. a aprendizagem interdisciplinar. a interligação das várias culturas que perpassam a escola etc.A organização e desenvolvimento do currículo implica a inserção da educação moral . Uma pedagogia do pensar é aquela que ajuda o aluno a transformar-se num sujeito pensante. o desenvolvimento de competências do pensar.compreensão e clarificação de valores e atitudes. mediante formulação explicita de conteúdos e competências e de formas metodológicas que suscitem nas .

significa pôr em prática não apenas as competências do pensar sobre valores. A associação entre os conteúdos de ensino e os objetivos e competências. mas de propiciar aos alunos estratégias e procedimentos de pensar sobre valores e critérios orientadores sobre modos de decidir e agir (Libâneo. cultural e educacional estão requerendo um vínculo mais estreito entre os saberes propiciados pela escola e as capacidades e competências internalizadas pelos alunos que expressam a relação entre conhecimento e ação. também. a todo momento. a partir da busca de sentidos de sua própria experiência e da cultura organizacional que vivenciam na escola. Certamente.salas de aula o "pensar" sobre valores e práticas morais. mas levando a escola. de inculcar valores. os alunos a praticá-los em contextos e situações concretas. Mas o trabalho com valores ligase. 2000). Nesse sentido. com a cultura da escola. quanto ao tema da dimensão moral do ensino. corresponde à exigência atual de atribuição de sentido . como parte do chamado currículo oculto. Não se trata. O currículo em ação. passam valores. os professores.As transformações em curso na esfera econômica. os professores. a escola. Mas é justamente por isso que o grupo de professores e especialistas de uma escola precisa explicitar princípios norteadores para a vida prática decorrentes de um consenso mínimo. há que se considerar formas criativas de lidar com os temas transversais propostos nos Parâmetros Curriculares Nacionais. de doutrinação política ou religiosa. nas várias disciplinas. 6 . obviamente. o ambiente.

dominar regras de atuação. habilidades para resolver problemas práticos e imediatos. ou mais precisamente.diálogo entre vários especialistas. 7 – É preciso que as escolas vão buscando formas de superação do currículo pluridisciplinar. definem-se os objetivos e conteúdos da disciplina e as possibilidades de articulação com as demais disciplinas de uma mesma série de modo a atender os objetivos. isto é. O currículo pluridisciplinar é aquele em que as disciplinas encontram-se justapostas e isoladas entre si. horizontal e verticalmente. favorecendo a integração interdisciplinar. cuidar para que os conhecimentos e modos de ação contribuam para a internalização de determinadas capacidades e competências. a partir da especificidade das disciplinas. permuta de experiências e . Trata-se aqui de articular a seleção de conteúdos com objetivos e competências exigíveis como resultados do processo de ensino e aprendizagem. Uma vez formulados os objetivos do projeto pedagógicocurricular e as capacidades e competências desejadas. Há que se pensar numa estrutura curricular em que os vários campos do conhecimento se articulem num todo orgânico e se integrem. A interdisciplinaridade como forma de compreensão do processo de construção do conhecimento é ao mesmo tempo uma atitude . para além da mera instrumentação dos conteúdos da perspectiva tecnicista que reduz as aprendizagens ao "saber fazer". capacidades e competências definidos pelo conjunto dos professores. técnicas.158 aos saberes escolares.

de modo a representar num currículo comum os interesses de todos os alunos. Um dos mais relevantes objetivos democráticos no ensino será fazer da escola um lugar em que todos os alunos possam experimentar sua própria forma de realização e sucesso. . 9 . uma forma de organização administrativa e pedagógica elaboração coletiva do projeto pedagógico e participação na gestão da escola. a partir de uma base comum de cultura geral para todos. 159 8 .conhecimentos. na escola e dentro das salas de aula. o combate ao racismo e a outros tipos de discriminação e preconceito.A qualidade social do currículo se expressa no provimento das condições pedagógico-didáticas que asseguram melhor qualidade cognitiva e operativa das experiências de aprendizagem. O provimento da cultura escolar aos alunos e a constituição de um espaço democrático na organização escolar devem incluir a interculturalidade: o respeito e valorização da diversidade cultural e das diferentes origens sociais dos alunos.construção conjunta de uma proposta curricular baseada na integração entre as disciplinas e envolvimento em projetos comuns de desenvolvimento do currículo. produção conjunta de conhecimentos.A escola voltada para uma sociedade que inclua todos precisa considerar a diversidade cultural e as diferenças. uma prática curricular . acolhe a diversidade e a experiência particular dos diferentes grupos de alunos e que propicia. O currículo intercultural é o que. um espaço de diálogo e comunicação entre grupos sociais diversos.

O êxito da escola. 160 É preciso dar instrução.1986). com maior capacidade operativa (saber fazer. Passa pelo conhecimento teórico-prático. saber agir) e maior participação democrática. depende não apenas do exercício da democracia nas escolas. . social e afetiva da aprendizagem.que os filhos das camadas médias e pobres da população podem participar de uma vida mais digna e mais completa. a gestão e o desenvolvimento profissional dos professores. conhecimento e uso de novos instrumentos de produção e comunicação entre os homens. A cultura hoje não passa somente pelo ler. da introdução de inovações técnicas mas. de capacidade operativa.O currículo escolar deve propiciar no processo educativo a articulação entre as dimensões cognitiva. especialmente da escola pública. da qualidade cognitiva e operativa das aprendizagens. propiciada a todos os alunos em condições iguais. Portanto. da gestão participativa. É através das formação cultural de sólidos conhecimentos e capacidades cognitivas fortemente desenvolvidas . a justiça social em matéria de educação. produtiva. escrever e fazer contas. para o que se mobiliza o currículo. a qualidade social da escola se manifesta na garantia da qualidade cognitiva e operativa das aprendizagens para a produção de saberes. mas como instrumento concreto de conhecimento. 10 . e de capacidade cognoscitiva (Manacorda. como professores. basicamente. É na sala de aula que podemos realizar. sim.

Isso implica em conhecer e compreender motivações. expor seus sentimentos. Implica. seus desejos. de tornar as experiências de sala de aula mais agradáveis. que possibilitem aos professores conversar mais com alunos. 11 . um clima de trabalho receptivo seja promovendo ações de formação continuada. necessidades de alunos diferentes entre si. A busca de condições de exercício da profissão aponta para a necessidade de as escolas assegurarem um ambiente . condicionados por culturas particulares da sua origem social. mobilizar procedimentos. mas no desenvolvimento do currículo e das práticas de ensino é preciso especial atenção para o fato de que os alunos são sujeitos concretos. A busca da articulação entre o cognitivo. mais prazerosas. também. na escola. de forma organizada. portadores de saberes decorrentes de suas experiências vividas. interesses.Essas dimensões estão presentes no comportamento dos sujeitos que aprendem. o social e o afetivo possibilita compreender o papel da escola e da equipe docente em ajudar os alunos a construírem sua subjetividade como pessoas humanas e como sujeitos portadores de uma identidade cultural e pertencentes à humanidade. meios. ter sensibilidade para situar a relação docente no contexto físico. seja propiciando 161 se. ajudá-los na capacidade de comunicação com o mundo do outro.É necessário um incessante investimento no desenvolvimento pessoal e profissional dos professores. técnicas. social e cultural. deixá-los falar.

liderança. convivência e tomada de decisões. A par disso. Mas não basta a participação. também. cultivar os processos democráticos e solidários de trabalho. elabore e critique todas as modalidades de informação que afeta o trabalho do professor. não pode ensinar cultura. Para isso.de trabalho em que as pessoas se sintam bem e que possam crescer pessoal e profissionalmente. precisa prover . participação nas decisões. mas também por ser ela própria um lugar onde se põe em prática a vivência do que se propõe nos objetivos: desenvolvimento da autonomia de pensamento. 12 . No terreno da cultura e da ciência. Para isso. Quanto mais se admite estarmos vivendo numa sociedade do conhecimento. Professor que não se cultiva. é indispensável que o desenvolvimento do currículo esteja vinculado ao desenvolvimento profissional dos professores. mais se requer um conhecimento que interprete. e preciso que na organização da escola e no processo de elaboração curricular se invista em ações de formação continuada. O ideal de um currículo que visa a emancipação intelectual e política das pessoas é propiciar a todos condições iguais de exercício da cidadania. iniciativa. ninguém dá o que não tem. A educação escolar pode contribuir para a democracia não apenas pela formação do cidadão crítico e participativo. o que implica a reordenação de formas de organização do trabalho na direção de relações sociais interativas e solidárias.As escolas precisam. que não está seguro ao menos no campo de conhecimento em que se especializa e na metodologia de ensino. A elaboração e desenvolvimento do currículo é um exercício de reflexão coletiva sobre a prática.

. propriamente dita. para o que se requer: 1. por áreas curriculares ou disciplinas. os objetivos gerais. concretiza essas grandes linhas em objetivos. O processo de elaboração da proposta curricular No projeto pedagógico-curricular são formulados. competências. discussão publica de pontos de vista. A proposta curricular da escola implica decisões conjuntas dos professores. processos organizados de tomada de decisões. Explicitação dos princípios norteadores de formação expressando expectativas em relação à formação esperada (perfil) dos alunos. para definir a proposta curricular da escola: qual modelo curricular adotar? Quais objetivos e conteúdos? Quais os critérios de seleção e organização dos conteúdos? 2. A proposta curricular. tendo em vista os resultados da aprendizagem. de forma mais abrangente. considerado o contexto sóciocultural. expressando intenções e expectativas sobre a formação dos alunos.oportunidades em que os alunos possam exercer a democracia mediante formas de 162 participação. Conhecimento e análise critica das orientações normativas do sistema nacional de ensino e das diretrizes estaduais ou municipais (LDB e normas legais regionais). capacitação para tomar iniciativas. A elaboração da proposta curricular supõe dois momentos articulados entre si: a proposta curricular formulada pela escola e os planos de ensino dos professores. métodos e formas organizativas do ensino. conteúdos.

do currículo. Definição de formas e propostas trabalho entre as disciplinas que envolvam assuntos mais significativos para os alunos. através de projetos. que sejam consensuais. Seleção e organização das disciplinas que irão compor o currículo e de outras atividades curriculares. habilidades/ procedimentos e de atitudes/valores. 4. bem como de atividades curriculares complementares. Concepções e procedimentos de avaliação da escola. de modo que os professores possam tomar decisões mais pontuais em suas próprias disciplinas e no . Tais "intenções" devem ser expressas. 5. 6. Definição de sistemáticas comuns de avaliação dos alunos. Explicitação de formas de participação dos alunos no planejamento do currículo e nas instâncias de organização e gestão. incluindo decisões como: 163 Definição de temas comuns a serem tratados por diferentes disciplinas. de preferência. contemplando as dimensões dos conteúdos: conhecimentos/conceitos.3. atitudes. Formulação de objetivos e competências gerais por séries. dos professores e da aprendizagem dos alunos. incluindo a inserção deles nos processos de tomada de decisão. práticas. consideradas as várias áreas e/ou disciplinas. em linhas gerais. Definição de normas de funcionamento. Escolha de metodologias e procedimentos compatíveis com os objetivos e com a proposta curricular.

da cultura organizacional. de modo a conferir sua relevância frente a necessidades e demandas concretas da escola e aos significados. o desenvolvimento metodológico. Cada disciplina define seus objetivos. recursos didáticos). Convém. os conteúdos. da cultura local. explicitação das interfaces com outras disciplinas. cotejando-os com os contextos particulares em que são aplicados. mas as escolas precisam desenvolver uma interação crítica com os dispositivos normativos. Algumas recomendações: 1. as competências. 3. 164 Os planos de ensino são elaborados pelos professores. procedimentais.âmbito das séries. competências em relação aos objetivos e conteúdos e desenvolvimento metodológico (condições para a aprendizagem ocorrer: ações pedagógico-didáticas. O plano de ensino compreende os objetivos. A legislação e as orientações oficiais são legítimas. atitudinais). compatibilização com a proposta curricular da escola e os objetivos terminais por série. O plano deve conter uma justificativa do papel da disciplina no currículo de formação geral. Trata-se de promover a reflexão crítica sobre esses dispositivos. em consonância com a proposta curricular da escola. expectativas e sentimentos compartilhados pelo grupo social que constitui a escola. conteúdos (conceituais. a avaliação. métodos. procedimentos de avaliação. considerar que é sumamente imprescindível que a elaboração do currículo leve em conta a situação concreta de cada escola. ainda. 2. .

fazem-se necessárias algumas observações. Hoje não há mais lugar para a quantificação de objetivos de ensino. em função de certa obsessão pela objetividade e eficiência. O planejamento curricular coletivo deve assegurar. Os objetivos esclarecem o que se pretende fazer. Os professores estão sendo solicitados a trabalhar com mais um termo do vocabulário pedagógico. Ainda não se tem muita clareza sobre o modo de inserção das competências na elaboração da proposta curricular e dos planos de ensino. porque o 165 processo pedagógico-didático que movimenta o currículo implica intencionalidade. adotados no Brasil com base na teoria behaviorista aplicada ao ensino. A crítica refere-se a um excesso de quantificação na definição e detalhamento de objetivos operacionais. Sendo o ensino uma prática intencional e supondo-se que os professores precisam saber se seus objetivos estão sendo atingidos. é preciso que explicitem o que esperam conseguir da aprendizagem dos alunos. as competências. Há quem critique esse termo e sua utilização nas escolas devido à sua semelhança com os chamados "objetivos comportamentais". a articulação vertical e horizontal entre as áreas/disciplina do currículo. Em relação aos objetivos e competências. dentro da concepção e formato de currículo escolhidos.4. É justamente aqui que aparecem as competências. constituindo-se em guia para a ação da escola e da equipe de professores. mas objetivos continuam sendo imprescindíveis. Há vários sentidos de competência e o mais conhecido está ligado a uma visão economicista segundo a . teoria essa que recebeu a denominação de tecnicismo educacional.

uma atividade prática. O sentido que assumimos aqui é outro: competência refere-se à mobilização de recursos cognitivos (saberes. utilizam. a questão aqui é a da relação significativa e operativa que o aluno estabelece com os conteúdos. Compreendidas nesses termos. portanto. atitudes) para enfrentar situações referentes a conhecimentos aprendidos (Perrenoud. pessoas tecnicamente eficientes. ter competência é saber mobilizar recursos cognitivos diante de um problema. diferentemente dos antigos "objetivos comportamentais". representam uma transferência de conhecimentos e uma capacidade para lidar com situações complexas ou não previstas.qual a busca da produtividade econômica requer pessoas competentes. porque as competências estão apoiadas em conhecimentos e numa variedade de outros recursos cognitivos. Nesse sentido. integram ou mobilizam conhecimentos. ou seja. As competências. as competências são compatíveis com uma teoria sócio-interacionista em que o ensino impulsiona as capacidades cognitivas dos alunos de modo a mobilizar formas de apropriação e utilização de conteúdos. Ou seja. um dilema. 2000). formular competências a serem dominadas pelos alunos no final de uma série ou ciclo escolar não é muito diferente de definir objetivos em termos de práticas observáveis. procedimentos. as competências expressam metas claras comunicáveis aos estudantes. 166 No plano de ensino. técnicas. pode-se entender que os objetivos de ensino referem-se a uma explicitação mais geral . isto é. é falso o dilema sobre se é mais importante a aquisição de conhecimentos ou o desenvolvimento de competências. Segundo Perrenoud. Todavia.

habilidades. por sua vez. bem como as condições de aprendizagem das crianças e . operacionais e técnicos necessários ao atendimento universal da demanda por escolarização. as competências. consideradas a heterogeneidade social e cultural e as disparidades econômicas do país. Os PCN foram elaborados para fornecer uma orientação geral e coerente do currículo. será útil a consulta aos Parâmetros Curriculares Nacionais. em âmbito nacional. Um currículo básico comum representa um benefício para a democratização do acesso e permanência na escola. Em alguns lugares. como referencial para a organização curricular das escolas. em relação aos conhecimentos teóricos e práticos correspondentes. Este é o princípio que justifica o dever social e ético do governo em oferecer subsídios para um currículo básico comum e propiciar os suportes financeiros. conteúdos e desenvolvimento metodológico. formulado pela Secretaria de Educação Fundamental do MEC. visando a melhoria da qualidade de ensino.".. A escolarização obrigatória é um requisito indispensável do processo de democratização da sociedade e a escola convencional o lugar próprio para proporcionar as bases de cultura geral extensiva a todos os brasileiros. modos de fazer. referem-se ao detalhamento de ações. Há boas razões que justificam a proposição de orientações curriculares para o sistema de ensino. O papel dos Parâmetros Curriculares Nacionais Para a definição de objetivos..daquela fórmula conhecida dos professores: "O aluno deverá ser capaz de. também a Secretaria Estadual da Educação (ou municipal) dispõe de uma proposta curricular para o sistema de ensino.

jovens que se apresentam desiguais conforme cada contexto social. Obviamente, está-se considerando que os PCN são, de fato, parâmetros, isto é, oferecem orientações pedagógicas e curriculares 167 gerais, enquanto subsídios aos professores para refletirem e tomarem decisões, em nível local, sobre objetivos e conteúdos, formas metodológicas de atuação docente. Além disso, não se pode acreditar que tais subsídios curriculares sejam suficientes para elevar o nível de qualidade da educação escolar. Uma coisa é a letra do documento, outra são as práticas de aprendizagem na sala de aula que precisam ser consideradas em relação a outros fatores como o salário, a carreira docente, as condições de trabalho, o reconhecimento social da profissão de professor. Os PCN são, pois, uma referência, um ponto de partida, para que se possa articular objetivos e conteúdos com a cultura das escolas e das salas de aula envolvendo tudo o que um documento geral como este não pode nem deve prever: a diversidade regional, as decisões do professor, a dinâmica das interações na sala de aula, o currículo oculto, a adequação local de conteúdos, o significado social dos conteúdos, as práticas de avaliação, os desenvolvimentos metodológicos etc. Cabe, portanto, aos sistemas de ensino, aos coordenadores pedagógicos, orientadores educacionais e responsáveis por sistemas de formação continuada, uma multiplicidade de tarefas que complementam a proposta curricular. Afinal, sabemos que é na escola que se criam os espaços de diálogo e comunicação entre grupos sociais diversos, o que pode ser

perfeitamente contemplado no projeto pedagógicocurricular da escola. Todavia, a defesa da adequação do currículo às realidades regionais e locais não nos leva a ceder a propostas que postulam currículos exclusivos das escolas, à margem de um currículo básico nacional. Tais currículos levariam, de fato, a uma atitude discriminadora, já que estariam sonegando aos alunos aqueles conteúdos e instrumentos conceituais mais universais necessários para melhor compreender o mundo e a sociedade de que fazem parte e a potencializar suas formas de atuação na realidade. Se poderia ser legítimo o argumento de que o currículo oficial não contempla os aspectos da cultura local já que são os sujeitos reais que dão significados aos 168 conteúdos, também se poderia dizer que estaríamos frente a uma desigualdade de oportunidades quando as crianças não têm acesso a um conhecimento mais sistematizado e mais científico. Fica difícil pensar-se num currículo local deixando toda a iniciativa à comunidade escolar num momento em que o ensino fundamental torna-se crucial na capacidade de aprender e do provimento dos instrumentos básicos de pensamento. Os PCN e a organização curricular. Os Parâmetros Curriculares Nacionais definem a organização curricular considerando a especificidade das áreas e disciplinas dentro de um todo integrado e a organização da escolaridade por ciclos.

A organização do conhecimento escolar em áreas, os respectivos conteúdos e o tratamento transversal de questões sociais constituem os elementos básicos da organização curricular, integrando conhecimentos de diferentes disciplinas. Diz o documento: A concepção da área evidencia a natureza dos conteúdos tratados, definindo claramente o corpo de conhecimentos e o objeto de aprendizagem, favorecendo aos alunos a construção de representações sobre o que estudam. Essa caracterização da área é importante também para que os professores possam se situar dentro de um conjunto definido e conceitualizado de conhecimentos que pretendam que seus alunos aprendam, condição necessária para proceder a encaminhamentos que auxiliem as aprendizagens com sucesso. Os temas transversais referem-se a questões que interferem na vida dos alunos e com as quais se vêem confrontados no seu dia-adia. São apresentados como temas transversais: ética, saúde, meio ambiente, orientação sexual e pluralidade cultural. Em algumas escolas, as temáticas sociais já vinham sendo tratadas em Estudos sociais, Ensino Religioso e outras disciplinas específicas. Os PCN adotam o tratamento transversal, sem restringi-las a uma única área. De acordo com o documento, os temas transversais são assim definidos: 169 (...) um conjunto de temas que aparecem transversalizados nas áreas definidas, isto é, permeando a concepção, os objetivos, os conteúdos e as orientações didáticas de cada área, no decorrer de toda a escolaridade obrigatória.

A transversalidade pressupõe, portanto, um tratamento integrado das áreas e uma vivência no âmbito da organização da escola dos valores trabalhados em sala de aula. Implica, também, adaptações a contextos locais. Por exemplo, ao se tratar da educação ambiental, serão contemplados conteúdos e vivências conforme peculiaridades locais, por exemplo, nos seringais da Amazônia ou na periferia das grandes cidades. A organização em ciclos é uma tentativa de superar a segmentação excessiva produzida pelo regime seriado e minimizar a ocorrência da repetência e da evasão escolar. A flexibilização da seriação permitiria trabalhar o currículo ao longo de um período de tempo maior, respeitando-se os diferentes ritmos de aprendizagem dos alunos. Os Parâmetros Curriculares Nacionais estão organizados em ciclos de dois anos. O primeiro ciclo se refere às primeira e segunda séries; o segundo ciclo, às terceira e quarta séries; e assim subseqüentemente para as outras quatro séries. O documento alerta que a estruturação por ciclos não contempla os principais problemas da escolaridade no ensino fundamental como a ruptura entre a quarta e quinta séries, início tardio da escolarização, entre outros. Trata-se de uma das possíveis estratégias de intervenção na problemática educacional do país, necessitando de ações cautelosas para sua adoção. CAPÍTULO - IX ORGANIZAÇÃO GERAL DO TRABALHO ESCOLAR 173

O segundo elemento do processo organizacional é a organização propriamente dita, isto é, a racionalização do uso de recursos materiais, físicos, financeiros, informacionais e das atividades desempenhadas pelas pessoas. A organização incide diretamente na eficiência e na eficácia do processo de ensino e aprendizagem, à medida que garante as condições de funcionamento da escola e uma ação unificada da equipe escolar. A falta de unidade da ação educativa em torno de diretrizes, normas, desempenho de funções, rotinas, pode resultar em situações que comprometem o trabalho. Por exemplo: um professor exige cuidado com o mobiliário escolar, enquanto outro permite que as crianças façam rabiscos na carteira; um professor exige dos alunos a utilização da linguagem padrão, outro permite ou utiliza expressões fora da linguagem padrão; um professor nunca dá tarefas, outro sobrecarrega os alunos de exercícios; bate o sinal, alguns professores permanecem na sala de professores; 174 a qualquer pretexto, em qualquer hora, a coordenação ou um funcionário entra na sala de aula para dar avisos, deixar a merenda, chamar um aluno etc.; a professora precisa do retro-projetor mas a servente faltou e ficou com a chave. Essas situações revelam falta de organização adequada, afetando as atividades de ensino. Para se evitar isso, é necessário que todos os aspectos da vida escolar sejam devidamente contemplados na organização geral da escola, antes do início do ano letivo. A organização geral diz

c) a organização das atividades de apoio técnicoadministrativo. matrícula. Essas várias atividades são agrupadas em quatro áreas de ação: a) a organização da vida escolar (a escola como um todo). sistema 175 participativo de tomada de decisões.respeito a: horário. clima de trabalho. docente).que concorrem para o desenvolvimento e alto rendimento escolar dos alunos. serviços de limpeza e conservação. . contatos com pais. relações humanas satisfatórias. entrada e saída da classe. condições de higiene e limpeza etc. sem comprometer a gestão democrática. a) Organização da vida escolar Trata-se da organização do trabalho escolar em função de sua especificidade e de seus objetivos. O que se . distribuição de alunos por classes. sistema de assistência pedagógico-didática ao professor. Um mínimo de divisão de funções faz parte da lógica da organização educativa. d) a organização de atividades que vinculam a escola com a comunidade. organização do espaço físico. controle de freqüência do pessoal (técnico.correta distribuição de tarefas. A estrutura organizacional e o cumprimento das atribuições de cada membro da equipe é um elemento indispensável para o funcionamento da escola. É a criação de condições ótimas . serviços administrativos etc. administrativo. b) a organização do processo de ensino e aprendizagem (trabalho do professor e dos alunos em sala de aula). normas disciplinares.

A organização do trabalho na sala de aula não visa apenas ao cumprimento dos programas. Aqui intervêm a imprescindível colaboração da coordenação pedagógica (e da orientação educacional onde houver). sua participação ativa. mas ao envolvimento dos alunos. Um importante aspecto da organização escolar é o regime de trabalho diário. basicamente. 176 c) Organização das atividades de apoio técnicoadministrativo . as horas de descanso. dos planos de ensino e sua estrutura didático-pedagógica. os valores e a experiência dos professores. as atividades de Educação Física e recreação etc. Implica a distribuição de disciplinas com sua carga horária correspondente. impedindo a participação e discussão e não levando em conta as idéias. expresso no horário escolar. Supõe a elaboração do projeto pedagógico-curricular. o trabalho independente. b) Organização do processo de ensino e aprendizagem Refere-se. orientada por uma concepção de ensino como direção da atividade cognoscitiva dos alunos sob orientação do professor.deve evitar é a redução da estrutura organizacional a uma concepção estritamente funcional e hierarquizada de gestão subordinando o pedagógico ao administrativo. Sua função essencial é a de distribuir racionalmente as atividades da escola pelos dias da semana. aos aspectos de organização do trabalho do professor e dos alunos na sala de aula. o desenvolvimento de habilidades e capacidades intelectuais.

As tarefas administrativas têm a função de fornecer o apoio necessário ao trabalho docente. Abrangem as atividades de Secretaria (prontuário de alunos e professores, registro escolar, arquivos, livros de registro etc.), serviços gerais (inspetores de alunos, serventes, merendeira, porteiros e vigias etc.), atividades de limpeza e conservação do prédio, do mobiliário escolar e do material didático. d) Organização de atividades que vinculam escola e comunidade Essa área de ação refere-se às relações entre a escola e o ambiente externo: com os níveis superiores de gestão do sistema escolar, com os pais, com as organizações políticas e comunitárias, com a vida da cidade etc. O objetivo dessas atividades é estender a ação educativa da escola onde for possível e adequado e, ao mesmo tempo, buscar cooperação e apoio das diferentes instituições civis, sociais, culturais que possam contribuir para o aprimoramento das atividades de ensino e educação dos alunos. Em especial, espera-se que os pais participem ativamente da gestão da escola, mediante canais de participação bem definidos. A participação dos pais, de instituições e de organizações da comunidade na escola supõe uma definição clara das formas de participação. São distintas as responsabilidades e tarefas dos profissionais da escola (direção, professores, funcionários) daquelas dos pais e instituições da comunidade. Não cabe aos pais, por exemplo, interferir diretamente nas atividades de sala de aula. As formas de participação da comunidade devem estar subordinadas aos objetivos e tarefas da escola, à

observância de certas normas e diretrizes próprias da instituição escolar. CAPÍTULO X - 179 A direção e coordenação são funções típicas dos profissionais que respondem por uma área ou setor da escola tanto no âmbito administrativo quanto no âmbito pedagógico. Dirigir e coordenar são tarefas que canalizam o esforço coletivo das pessoas para os objetivos e metas estabelecidos. Tanto os pedagogos especialistas quanto os professores precisam estar aptos para dirigir e coordenar, em alguma instância de seu exercício profissional. A direção, conforme já foi estudado, é pôr em ação, de forma integrada e articulada, todos os elementos do processo organizacional (planejamento, organização, avaliação), envolvendo atividades de mobilização, liderança, motivação, comunicação, coordenação. A coordenação é um aspecto da direção, significando a articulação e a convergência do esforço de cada integrante de um grupo visando a atingir os objetivos. Quem coordena tem a responsabilidade de integrar, reunir esforços, liderar, concatenar o trabalho de diversas pessoas. A tarefa de direção visa a: dirigir e coordenar o andamento dos trabalhos, o clima de trabalho, a eficácia na utilização dos recursos e meios, em função dos objetivos da escola, assegurar o processo participativo de tomada de decisões e, ao mesmo tempo, cuidar para que essas decisões se convertam em ações concretas; 180

assegurar a execução coordenada e integral das atividades dos setores e elementos da escola, com base nas decisões tomadas coletivamente; articular as relações interpessoais na escola e entre a escola e a comunidade (incluindo especialmente os pais). O exercício da direção e coordenação depende de alguns fatores, tais como: autoridade, responsabilidade, decisão, disciplina e iniciativa. A autoridade é o exercício de um poder delegado a alguém para dirigir e coordenar as medidas tomadas coletivamente, implicando determinadas qualidades e conhecimento de suas funções. É recomendável que a autoridade seja descentralizada, delegando-se tarefas aos demais membros da equipe escolar. A responsabilidade é uma exigência inerente à autoridade. Mesmo no caso de procedimentos grupais de tomada de decisões e descentralização das tarefas, a responsabilidade final é de quem dirige/coordena. A decisão é a capacidade de selecionar, diante de várias alternativas, a medida mais adequada conforme as situações concretas. Com base em um plano de trabalho, de objetivos e tarefas estabelecidas mediante a participação da equipe escolar, o diretor ou coordenador não pode furtar-se de tomar as decisões necessárias. A disciplina implica compatibilizar a conduta individual com as normas, regulamentos, interesses da vida social e escolar, assumidos coletivamente. A iniciativa é a capacidade crítica e criadora de encontrar soluções aos problemas que se apresentam no desenvolvimento do processo de direção, o que implica a capacidade de enfrentar o imprevisto e situações inusitadas ou embaraçosas.

Para atender a uma necessária divisão de trabalho, tem sido comum nas escolas brasileiras diferenciar as funções de diretor e de coordenador pedagógico. Ambos assumem atividades de direção e coordenação, ambos recebem a delegação de coordenar o trabalho coletivo e a manutenção do clima, das condições de trabalho e do ambiente formativo para o desenvolvimento pessoal e profissional das pessoas da escola. Para isso, precisam reconhecer que seu trabalho tem uma característica genuinamente interativa, ou seja, seu trabalho está a serviço das pessoas e da organização, requerendo deles uma formação específica para buscar soluções para os problemas, saber coordenar o trabalho conjunto, discutir e avaliar a prática, assessorar e prestar apoio logístico aos professores na sala de aula. Todavia, cada um desempenha funções específicas implicando, também, uma formação profissional específica. O diretor de escola é o dirigente e principal responsável pela escola, tem a visão de conjunto, articula e integra os vários setores (setor administrativo, setor pedagógico, secretaria, serviços gerais, relacionamento com a comunidade etc.). Em outros tempos, muitos dirigentes escolares foram alvo de criticas por práticas excessivamente burocráticas, conservadoras, autoritárias, centralizadoras. Embora aqui e ali continuem existindo profissionais com esse perfil, hoje estão disseminadas práticas de gestão participativa, liderança participativa, atitudes flexíveis e compromisso com as necessárias mudanças na educação. As funções do diretor são, predominantemente, gestoras e administrativas, entendendo-se, todavia, que elas têm conotação pedagógica, uma vez que referem-se a uma

instituição e a um projeto educativos e existem em função do campo educativo. A título de ilustração, apresentamos uma lista de atribuições do diretor de escola: 1. Supervisionar e responder por todas as atividades administrativas e pedagógicas da escola bem como as atividades com os pais e a comunidade e com outras instâncias da sociedade civil. 2. Assegurar as condições e meios de manutenção de um ambiente de trabalho favorável e de condições materiais 182 necessárias à consecução dos objetivos da escola, incluindo a responsabilidade pelo patrimônio e sua adequada utilização. 3. Promover a integração e a articulação entre a escola e a comunidade próxima, com o apoio e iniciativa do Conselho de Escola, mediante atividades de cunho pedagógico, científico, social, esportivo, cultural. 4. Organizar e coordenar as atividades de planejamento e do projeto pedagógico.-curricular, juntamente com a coordenação pedagógica, bem como fazer o acompanhamento, avaliação e controle de sua execução. 5. Conhecer a legislação educacional e do ensino, as normas emitidas pelos órgãos competentes e o Regimento Escolar, assegurando o seu cumprimento. 6. Garantir a aplicação das diretrizes de funcionamento da instituição e das normas disciplinares, apurando ou fazendo apurar irregularidades de qualquer natureza, de forma transparente e explicita, mantendo a comunidade escolar sistematicamente informada das medidas.

integração e articulação.7. do trabalho pedagógico-didático em ligação direta com os professores. 9. de comum acordo com a secretaria escolar. a seguir. Supervisionar e responsabilizar-se pela organização financeira e controle das despesas da escola. do currículo e dos professores. Buscar todos os meios e condições que favoreçam a atividade profissional dos pedagogos especialistas. Supervisionar a avaliação da produtividade da escola em seu conjunto. O coordenador pedagógico responde pela viabilização. 183 10. De acordo com estudos recentes sobre formação continuada de professores. construir e administrar situações de aprendizagem adequadas às necessidades educacionais dos alunos. pedagogos especialistas e professores. auxiliando-os a conceber. visando a boa qualidade do ensino. para se chegar a uma situação ideal de qualidade de ensino (considerando o ideal e o possível). o papel do coordenador pedagógico é de monitoração sistemática da prática pedagógica dos professores. Registramos. incluindo a avaliação do projeto pedagógico. sobretudo mediante procedimentos de reflexão e investigação. encaminhar processos ou correspondências e expedientes da escola. A coordenação pedagógica tem como principal atribuição a assistência pedagógico-didática aos professores. 8. da organização escolar. Conferir e assinar documentos escolares. em função da qualidade do ensino. dos professores. uma lista de atribuições de coordenação pedagógica: . em comum acordo com o Conselho de Escola. dos funcionários.

2. práticas avaliativas. diagnósticos de dificuldades etc. Prestar assistência pedagógico-didática direta aos professores. estimular a realização de projetos conjuntos entre os professores. Orientar a organização curricular e o desenvolvimento do currículo. Supervisionar a elaboração de diagnósticos e projetos para a elaboração do projeto pedagógicocurricular da escola e outros planos e projetos. o projeto pedagógico-curricular da unidade escolar. adequação de conteúdos. Coordenar reuniões pedagógicas e entrevistas com professores visando a promover inter-relação horizontal e vertical entre disciplinas. 4. desenvolvimento de competências metodológicas.. Propor para discussão. incluindo a assistência direta aos professores na elaboração dos planos de ensino. escolha de livros didáticos. . orientação da aprendizagem. acompanhar e supervisionar suas atividades tais como: desenvolvimento dos planos de ensino. diagnosticar problemas de ensino e aprendizagem e adotar medidas pedagógicas preventivas. 184 5. visando a níveis satisfatórios de qualidade cognitiva e operativa do processo de ensino e aprendizagem. Responder por todas as atividades pedagógicodidáticas e curriculares da escola e pelo acompanhamento das atividades de sala de aula. gestão da classe. práticas de avaliação da aprendizagem. adequar conteúdos. 6. metodologias e práticas avaliativas.1. junto ao corpo docente. 3.

designar professores para as turmas. a docente. 8. Tanto o diretor de escola quanto o coordenador pedagógico desempenham. Cuidar da avaliação processual do corpo docente. Nesse caso. resultados. formas de superação de problemas etc. Defendemos uma posição diferente. 11. especialmente de cunho científico e cultural. coordenação . Em outras palavras. 12. que requerem formação profissional também específica. 10. difundiu-se bastante a idéia de que a direção e a coordenação pedagógica são formas diferenciadas de uma única função. Elaborar e executar programas e atividades com pais e comunidade. elaborar o horário escolar. distinta daquela provida aos professores. embora deva receber formação para lidar com questões de ensino. Organizar as turmas de alunos. Propor e coordenar atividades de formação continuada e de desenvolvimento profissional dos professores. cada um. 9. o diretor não precisa exercer nem ter exercido a docência.).7. Acompanhar e avaliar o desenvolvimento do plano pedagógico-curricular e dos planos de ensino e outras formas de avaliação institucional. funções específicas. Há divergências significativas sobre se a atividade "administrativa" distingue-se da atividade "pedagógica" e sobre se a direção 185 administrativa e direção pedagógica devem ser exercidas necessariamente por um professor. Acompanhar o processo de avaliação da aprendizagem (procedimentos. planejar e coordenar o Conselho de Classe. as funções de direção. No Brasil.

A formação inicial refere-se ao ensino de conhecimentos teóricos e práticos destinados à formação profissional. A FORMACÃO CONTINUADA CAPÍTULO XI . modificam-se os comportamentos da infância e da juventude. vão promovendo mudanças pessoais e profissionais.pedagógica e docente não precisam coincidir necessariamente. É na escola. De modo especial para os professores. no contexto de trabalho. introduzem-se novas tecnologias. numa época em que se renovam os currículos. para além do exercício profissional. acentuam-se os problemas sociais e econômicos. Uma formação permanente.189 A formação continuada é outra das funções da organização escolar. elaboram e modificam procedimentos. torna-se crucial numa profissão que lida com saberes e com a formação humana. criam e recriam estratégias de trabalho e. A formação continuada é o prolongamento da formação inicial visando ao aperfeiçoamento profissional teórico e prático no próprio contexto de trabalho. que se prolonga por toda a vida. envolvendo tanto o setor pedagógico como o técnico e administrativo. e ao desenvolvimento de uma cultura geral mais ampla. As escolas passam por inovações estruturais como as . que os professores enfrentam e resolvem problemas. a formação inicial. O termo formação continuada vem sempre acompanhado de outro. cultural e profissional. com isso. a formação continuada é condição para a aprendizagem permanente e o desenvolvimento pessoal. freqüentemente completados por estágios.

compreendendo-as e elaborando formas de enfrentá-las. dos impactos da informação. de preferência. não basta saber sobre as dificuldades da profissão. a avaliação formativa. com evidentes repercussões na sala de aula. em problemas. da urbanização. uma prática reflexiva . É em relação a essas novas e difíceis condições de exercício da profissão que a formação continuada pode possibilitar práticas reflexivas. o interculturalismo. Ou seja. a elaboração coletiva do projeto pedagógico. os quais podem ser diagnosticados. Segundo Philippe Perrenoud. as mídias. da propaganda. a revolta. explicados e até resolvidos com mais consciência. o desânimo. De fato. Esse mesmo autor escreve que. do crescimento dos problemas sociais e da violência. a reflexão possibilita transformar o mal-estar. Também o perfil dos alunos se modifica em decorrência da assimilação de novos valores. os ciclos de escolarização. a cidade.nas reuniões pedagógicas. nos conselhos de classe etc. nos cursos de aperfeiçoamento. ajudando os professores a tomarem consciência delas. . nas entrevistas com a coordenação pedagógica. para enfrentar a complexidade do trabalho de ensinar. com mais método. os currículos interdisciplinares ou globalizados.190 novas formas de gestão. a interligação entre a escola e a comunidade. não basta somente a prática reflexiva como não é suficiente apenas a experiência: .leva a uma relação ativa e não queixosa com os problemas e dificuldades. é preciso refletir sobre elas e buscar soluções. mediante ações coletivas.

Todavia. participação no projeto pedagógico da escola. estudos de caso.) e fora da jornada de trabalho (congressos. conselhos de classe. A formação continuada consiste de ações de formação dentro da jornada de trabalho (ajuda a professores iniciantes. entrevistas e reuniões de orientação pedagógico-didática. porque o compromisso com a profissão requer que ele tome para si a responsabilidade com a própria formação. programas de educação à distância etc. cabe um papel decisivo às equipes técnicas das escolas (especialmente os coordenadores pedagógicos e orientadores educacionais) que prestam assistência . Ela se faz por meio do estudo. da discussão e da confrontação das experiências dos professores. mini-cursos de atualização. visando apresentar diretrizes gerais de trabalho.Uma prática reflexiva limitada ao bom senso e à experiência pessoal de cada um não vai muito longe. cursos. encontros e palestras). grupos de estudo. reuniões de 191 trabalho para discutir a prática com colegas. pesquisas. É responsabilidade da instituição. pois o professor em exercício precisa de saberes que não pode inventar em cima do nada e que sua reflexão será mais poderosa quanto mais se ancorar numa ampla cultura em ciências humanas (1999). seminários. mas também do próprio professor. oferecer assistência técnica especializada ou programas de atualização e aprimoramento profissional. da reflexão. Também fazem parte das práticas de formação continuada aquelas ações de acompanhamento das equipes das escolas promovidas pelas Secretarias de Educação.

192 A organização das práticas de formação inicial e continuada As investigações recentes sobre formação de professores apontam como questão chave o fato de que os professores desempenham uma atividade teórico-prática. a ênfase na prática como atividade formadora aparece. Os sistemas de ensino e as escolas precisam assegurar condições institucionais.). trazem materiais e propostas inovadoras. auxiliam na avaliação da organização escolar e do rendimento escolar dos alunos. a Internet. supervisionam e dinamizam o projeto pedagógico. É difícil pensar na possibilidade de educar fora de uma situação concreta e de uma realidade definida. Por essa razão. ao se pensar um currículo de formação. onde possam compartilhar e refletir sobre a prática com colegas. participar da elaboração do projeto pedagógico-curricular. A profissão de professor combina sistematicamente elementos teóricos com situações práticas reais. Especialmente. apresentar seu trabalho publicamente (contar como trabalham. à primeira vista.pedagógico-didática aos professores. o que funciona. acompanham as aulas. A formação em serviço ganha hoje tamanha relevância que constitui parte das condições de trabalho profissional. técnicas e materiais para o desenvolvimento profissional permanente do professor. seminários de estudo e reflexões coletivas. prestam assistência na utilização de novos recursos tecnológicos como o computador. as dificuldades etc. reunirse com pais e outros membros da comunidade. como exercício . é imprescindível assegurar aos professores horas remuneradas para realização de reuniões semanais. coordenam reuniões e grupos de estudo.

Desde o ingresso dos alunos no curso. a formação inicial estaria estreitamente vinculada aos contextos de trabalho. Significa. como referente direto para contrastar seus estudos e formar seus próprios conhecimentos e convicções.formativo para o futuro professor. Por outro. em razão do que traz conseqüências decisivas para a formação profissional. Significa tomar a prática profissional como instância permanente e sistemática na aprendizagem do futuro professor e como referência para a organização curricular. Atualmente. O caminho deve ser outro. é um dos aspectos centrais na formação do professor. Isso significa ter a prática. é preciso integrar os conteúdos das disciplinas em situações da prática que coloquem problemas aos futuros professores e lhes possibilitem experimentar soluções. a articulação entre formação inicial e formação continuada. cai por terra aquela idéia de que o estágio se destina à aplicação mecânica da teoria. Entretanto. também. em termos mais amplos. em boa parte dos cursos de licenciatura. a aproximação do futuro professor à realidade escolar acontece após ter passado pela formação "teórica" tanto na disciplina específica como nas disciplinas pedagógicas. ao longo do curso. a formação continuada. Isso quer dizer que os alunos precisam conhecer o mais cedo possível os sujeitos e as situações com que irão trabalhar. a par de ser 193 . Por um lado. possibilitando pensar os conteúdos das disciplinas com base no que pede a prática.

aparelhagem de som e imagem. salas para vídeo e cinema. ofereceriam não apenas orientação profissional (cursos. Iniciativas como essa contribuiriam para resolver a sempre difícil alternância entre a formação teórica e a experiência em situação real (estágios) e as práticas reflexivas. pode articular-se com a formação inicial. centro de documentação.feita na escola com base em saberes e experiências adquiridos pelos professores na situação de trabalho. num sistema de alternância entre as escolas e as instituições formadoras de professores. A manutenção desse Centro poderia ter apoio financeiro e material das Secretarias de Educação estaduais e municipais mediante convênios de parceria. representa uma modalidade de formação em que há interação entre as práticas formativas e os contextos reais de trabalho. criassem. mas também recursos materiais de apoio (biblioteca. rede Internet. computadores. jornais. exposições. Trata-se de uma concepção de formação centrada . oficinas). algo como um Centro de Apoio à Formação Continuada. debates. Esse Centro. seria desejável que as instituições de formação de professores ou as delegacias de ensino. A articulação entre formação inicial e formação continuada. além de receber professores da rede de escolas para atividades de formação e capacitação dentro do espírito de associar práticas formativas aos contextos reais de trabalho.). poderão ser criadas as condições para que os professores em exercício retornem à faculdade para atualizar seus conhecimentos e ganhar suporte teórico para uma reflexão mais apurada sobre a prática. material de esportes. videoteca. na sua estrutura organizacional. etc. Para isso. Nesse sentido. já que a rede pública de ensino seria a mais beneficiada.

por isso mesmo. como contextos privilegiados para a formação contínua de professores" (Escudero e Botia. Não estamos afirmando que na escola não devem existir conflitos. no que acontece efetivamente nas salas de aula. 1994). estaria bastante vinculado à ajuda dos formadores de professores. simultaneamente.nas demandas da prática. assumindo a idéia de escola como unidade básica da mudança educativa. interesses pessoais. Vimos que as escolas têm traços culturais próprios a partir dos significados pessoais. valores. interesses de poder. de forma a compreendermos como a organização escolar constitui-se num local de aprendizagem: as pessoas podem mudar aprendendo com a organização e a organização também pode mudar aprendendo com as pessoas. para possibilitar o trabalho reflexivo. é que convém instalar uma prática de participação. Entender a organização escolar como cultura. A organização da escola e a formação continuada Em vários lugares deste livro mostramos a relação entre as formas de organização da escola e o desenvolvimento pessoal e profissional dos professores. práticas e comportamentos das pessoas que nela trabalham e convivem. significa dizer que ela é construída pelos seus próprios membros que tanto podem criar um espaço de trabalho produtivo e até prazeroso ou um espaço hostil e estressante. Eles existem e. de negociação dos . diferenças. em que as escolas são consideradas "espaços institucionais para a inovação e melhoria e. O êxito desta 194 concepção.

portanto. seu envolvimento com o trabalho. significados. as experiências subjetivas. há uma estrutura administrativa e pedagógica que é visível e outra estrutura não formalizada. também. maneiras de pensar e agir. que faz parte da cultura da escola. O sistema de organização e gestão. com muita perspicácia. é toda ela uma prática educativa. o papel da escola como contexto de ação e de formação continuada do professor. experiências subjetivas etc. as perspectivas dos professores. não visível. A organização escolar. Isso quer dizer que. A professora M. constitui-se de um espaço não apenas de relações de poder mas. de todas as relações que derivam das características do grupo social que atua nela. Isso significa 195 que as próprias formas de organização da escola não só têm a ver com esses comportamentos (ou habitus) como a própria escola vai formando uma cultura própria a partir desses comportamentos. de discussão pública dos compromissos e dificuldades. 3. interesses. Fátima Abdalla (1999) analisou em sua tese de doutorado. valores. de debate. obviamente articuladas com a cultura da comunidade e da sociedade como um todo. modos de pensar que vão se formando na vivência da cultura dos grupos dos quais fazem parte e se expressam em comportamentos e modos de agir. As necessidades. afetam seu desempenho profissional. 2. que é o conjunto das relações sociais. é o seguinte: 1. Essas características provêem das crenças.significados e valores. nas escolas. Seu pensamento. Essa cultura interna influi no desenvolvimento pessoal e profissional do professor (positivamente ou . em resumo.

em que os professores podem desenvolver novas necessidades. objetivos e exigências externas postos pela realidade sociocultural e política mais ampla. A organização desse espaço implica a criação de lugares e tempos que incentivem as trocas de experiências entre os professores e professores e alunos. intersubjetivas e objetivas. Há um papel de destaque nisso da direção e coordenação pedagógica da escola para apoiar e sustentar esses .negativamente) mas os professores também podem produzir esse espaço cultural da escola. Ou seja. aí. Reaparece. de modo a se implantar uma cultura colaborativa. novas perspectivas. nesse espaço é possível a criação e desenvolvimento de novos comportamentos. novos habitus. podendo produzir conjuntamente sua 196 profissionalidade. os coordenadores pedagógicos e os professores a pensar em estratégias de organização e gestão que possibilitem a construção de uma cultura escolar. a necessidade de as escolas cultivarem momentos de prática reflexiva. Essa cultura escolar seria o espaço de possibilidades de mudança. um espaço de mudança e inovação. Isto acontece desse jeito porque em todas as instituições há sempre um campo de relações. onde os professores vão tornando conscientes suas necessidades subjetivas. pois dessa reflexão sobre ação podem nascer mudanças na estrutura de relações vigente na escola visando criar uma nova cultura organizacional. é claro. considerando-se. O estudo de Fátima Abdalla ajuda os diretores de escola.

tendo em vista a tomada de decisões para novas ações. A cultura colaborativa será a síntese dos elementos que asseguram a relação entre a organização escolar e o desenvolvimento pessoal e profissional dos professores: o projeto pedagógico curricular. através de diferentes instrumentos de verificação. investigação. uma situação. em geral. Esses três elementos . que os processos de avaliação implicam a coleta da dados (de informação). Considerase.coleta de dados. nessa formulação. que é preciso fazer distinção entre avaliação. Está claro. negociação e tomadas de decisão colaborativas. CAPÍTULO XII 199 A avaliação de Sistemas Escolares e de Escolas A avaliação é um termo geral que diz respeito a um conjunto de ações voltadas para o estudo sistemático de um fenômeno. juízos de valor e quantificação ou notação. a análise e uma apreciação (juízo) valorativa com base em critérios prévios. visando a emitir um juízo valorativo. um evento. refere-se à utilização de alguma forma de medida a partir de critérios explicitados previamente. a organização e articulação do currículo e a formação continuada. atividade ou pessoa. um processo. uma pessoa. A avaliação supõe uma a coleta de dados e informações.espaços de reflexão. para saber se os objetivos previstos estão sendo atingidos. Os juízos de valor (ou valoração) referem-se a uma apreciação valorativa sobre o evento. A quantificação. juízos de valor e . a gestão. como conclusão do processo avaliativo. ou menção qualitativa.

isto é. a prática da avaliação era mais conhecida como atividade da escola. O que se avalia é o rendimento do sistema por meio das respostas dos alunos. as interrogações . Esse autor esclarece mais: Embora sejam os alunos os que respondem a provas e questionários. da competitividade. ganha grande peso a avaliação dos sistemas educacionais e do conjunto de escolas. com a acentuação das análises mais globalizantes das relações entre 200 a educação e desenvolvimento econômico. ou seja. Conforme Casassus (1997) deve ficar clara a distinção entre a avaliação do sistema e a avaliação do aluno. do consumo. como avaliação da aprendizagem dos alunos na sala de aula. No campo da educação. Por isso. Atualmente. Com a globalização da economia e a acelerada revolução tecnológica.quantificação ou menção qualitativa . na realidade não são os alunos que são avaliados. até há alguns anos. faz-se cada vez mais necessária a distinção entre a avaliação do aproveitamento escolar dos alunos e a avaliação institucional. dos mercados. A avaliação que fazem os organismos internacionais e os sistemas nacionais de medição é a avaliação dos sistemas educacionais e não a avaliação dos alunos.são componentes necessários da definição de avaliação. entre a avaliação feita pelos professores e a avaliação da eficácia dos sistemas de ensino e do conjunto de escolas. as organizações financeiras internacionais voltam-se para o planejamento das políticas educacionais dos países a fim de ajustá-las às exigências da produção. Então.

dos estudos deveriam consistentemente orientar-se, não às pessoas que são os alunos, mas ao sistema no qual estão inseridos esses alunos. É importante registrar essa distinção porque estamos frente a formas diferentes de avaliação. Na avaliação dos sistemas de ensino, embora também sejam avaliados os resultados obtidos pelos alunos (geralmente mediante testes padronizados), a avaliação tem como objetivo fazer um diagnóstico mais amplo do sistema escolar e do conjunto de escolas, em âmbito nacional ou regional, visando a reorientar a política educacional, a gestão do sistema e das escolas e a pesquisa. Na avaliação do aluno pelos professores, estes avaliam a aprendizagem dos alunos e são também avaliados por eles, com base nos processos de ensino e aprendizagem realizados na sala de aula. As duas formas de avaliação estão, obviamente, ligadas entre si, de modo que os professores podem utilizar resultados da 201 avaliação de sistema feita em escala nacional ou regional para realizar seu trabalho e os sistemas escolares realizam sua avaliação considerando as realidades locais do ensino no país e nas suas várias regiões. A avaliação do sistema escolar e das escolas, através da avaliação externa e/ou interna das instituições, se desdobra em duas modalidades: a avaliação institucional (ou administrativa ou, ainda, organizacional) e a avaliação acadêmica ou cientifica (denominada no Brasil de Exame Nacional ou avaliação de resultados). A avaliação institucional é uma função primordial do sistema de organização e gestão dos sistemas escolares e

das escolas. Essa avaliação, também chamada de administrativa, visa a obtenção de dados quantitativos e qualitativos sobre os alunos, os professores, a estrutura organizacional, os recursos físicos e materiais, as práticas de gestão, a produtividade dos cursos e dos professores etc., com o objetivo de emitir juízos valorativos e tomar decisões em relação ao desenvolvimento da instituição. A avaliação acadêmica ou científica visa a produção de informações sobre os resultados da aprendizagem escolar em função do acompanhamento e revisão das políticas educacionais, do sistema escolar e das escolas, tendo em vista formular indicadores de qualidade dos resultados do ensino. Essas duas modalidades de avaliação do sistema estão, portanto, centradas na obtenção de dados e informações relacionados com a eficiência e a eficácia dos sistemas de ensino e das escolas. A avaliação da aprendizagem escolar feita pelos professores deverá estar a serviço das funções sociais da escola, dos objetivos de ensino, do projeto pedagógico da escola, do currículo, das metodologias. Além disso, ela se assenta no respeito ao direito de todos os alunos de usufruírem de um ensino de qualidade. Os critérios de relevância da avaliação dos alunos centram-se, portanto, em dimensões qualitativas e quantitativas, ou seja, melhor qualidade 202 da aprendizagem para todos os alunos, em condições iguais. Desse modo, a justa medida da eficácia das escolas está no grau em que todos os alunos incorporam capacidades e competências cognitivas, operativas,

afetivas, morais, para sua inserção produtiva, criativa e crítica na sociedade contemporânea. Compreendida nestes termos, a avaliação dos alunos pelos professores, em cada sala de aula, em hipótese alguma pode ser substituída pela avaliação do sistema de ensino. Ao contrário, a avaliação do sistema é que deve buscar seus critérios de relevância na avaliação feita pelos professores, ou seja, a serviço da melhoria da qualidade cognitivas das aprendizagens. Os rumos que as práticas avaliativas vem tomando no âmbito do sistema de ensino brasileiro, ao contrário da posição formulada anteriormente, encaminham-se para a subordinação do trabalho dos professores e, portanto, da avaliação que fazem, aos critérios da avaliação do sistema. Nesse caso, não são os objetivos de ensino que irão determinar as formas de avaliação, mas a avaliação é que acabará por determinar os objetivos, ou seja, dependendo das finalidades postas pelos governos em relação à avaliação do sistema de ensino, ter-se-á uma escola funcional a serviço dos interesses de agências externas à escola. Vejamos essas questões mais de perto. As reformas educativas mundiais e a avaliação dos sistemas de ensino Reforma Institucional: redefinição das responsabilidades do MEC, revisão de padrões de financiamento e repasse de recursos aos municípios e estados; As políticas educacionais em âmbito internacional passam por intensas mudanças, visando ajustá-las às demandas da atual fase do capitalismo, conforme necessidades e realidades de cada país. A ordem é sintonizar os sistemas educacionais ao modelo neoliberal. A tendência das reformas educativas é de reagregar a educação à economia, numa versão modificada

em relação ao que propunham os economistas da educação a partir dos anos 50 com a chamada "teoria do capital humano". Quer-se subordinar os sistemas educacionais à economia já que, no novo paradigma de 203 produção, as novas tecnologias requerem trabalhadores mais qualificados, com mais flexibilidade profissional para atender novas demandas do mercado de trabalho e com mais espírito empreendedor para fazer frente à competitividade econômica internacional. Foi muito em função disso que surgiram as reformas educativas em vários países do mundo, primeiramente na Inglaterra e Estados Unidos no inicio dos anos 80, depois estendidas praticamente ao mundo todo (por exemplo, Espanha e Portugal, 1986; França, 1989; México, 1992; Argentina, 1993; Brasil, 197898). Foram formuladas em boa parte sob a égide dos organismos internacionais como o BIRD (Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento - Banco Mundial), o FMI (Fundo Monetário Internacional), o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciências e Cultura), entre outros. A reforma educativa brasileira ensaiou seus primeiros passos com a formulação e divulgação do Plano Decenal de Educação para Todos no período 1993-94. Medidas mais concretas foram anunciadas na proposta de governo de Fernando Henrique Cardoso para a educação básica: Estabelecimento de novos padrões de gestão: descentralização, autonomia das escolas, participação da comunidade; Educação básica: ampliação do acesso, conteúdos curriculares básicos e padrões de aprendizagem a nível

nacional, formação de professores, ensino a distância, sistema nacional de avaliação do desempenho das escolas e dos sistemas educacionais, padrões de qualidade para o livro didático, descentralização da merenda. 204 Esses pontos, cujas ações vem sendo consolidadas, acompanham as tendências das reformas educativas dos vários países, internacionais a partir das orientações econômicas e técnicas dos organismos financeiros internacionais, principalmente o Banco Mundial. As reformas educacionais acopladas às reformas econômicas têm um caráter notoriamente economicista, em que prevalecem a lógica financeira e a lógica do mercado, desconsiderando-se as implicações sociais e humanas no desenvolvimento econômico. A competitividade decorrente das novas formas de funcionamento do capitalismo só pode seguir a lógica do mercado, pela qual pouco interessa em considerar o desemprego, a pauperização, a degradação da qualidade de vida, a degradação dos serviços públicos. Há análises bastante sólidas mostrando a inserção do Brasil nas políticas de ajuste aos interesses da mundialização do capitalismo expressos no processo de globalização da economia e da política e os efeitos sociais decorrentes (De Tommasi & Outros, 1996). A avaliação educacional dos sistemas de ensino encaixase bem na lógica dessas reformas, já que a aferição dos resultados do rendimento escolar possibilita informações relativamente precisas e confiáveis sobre a realização dos programas e projetos no campo da educação, de modo a contribuir na tomada de decisões dos governos. Em outras palavras, num quadro de parcos recursos financeiros, principalmente nos países menos desenvolvidos, aumenta a

desenvolvimento de programas de pesquisa sobre a avaliação e variáveis associadas ao rendimento escolar de alunos. formação de técnicos e assistência técnica aos países-membros. Exame Nacional de Cursos (ENC). vinculado à UNESCO. a cada dois anos. Na América Latina. que agrupa o conjunto dos sistemas de educação da América Latina e do Caribe. há o Laboratório Latino americano de Avaliação da Qualidade da Educação. com caráter obrigatório para os formandos. a avaliação global do sistema escolar é feita pelo Ministério da Educação por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP). Os objetivos desse Laboratório são: estudos comparativos internacionais. com sede em Santiago do Chile. geração de padrões regionais de avaliação.necessidade de verificar se os resultados desejados pelo sistema de ensino estão compensando o volume de investimentos aplicados. Praticamente todos os países da Europa e das Américas contam com organismos para realizar estudos sobre avaliação e medição dos sistemas de ensino. realiza uma pesquisa por amostragem do ensino fundamental e médio destinada a acompanhar a evolução do desempenho dos alunos e dos diversos fatores incidentes na qualidade do ensino ministrado. com os seguintes instrumentos de ação: Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB) que. do qual 205 participam todos os países de fala portuguesa e espanhola (à exceção do Uruguai). criado em 1996 para avaliar os cursos de graduação. . No Brasil.

Em documento recente do MEC-INEP (1998). 1999). Desde 1996 está sendo desenvolvido o Sistema Integrado de Informações Educacionais (SIEd). Censo Financeiro da Educação.000 instituições desse ensino do País. ressalta-se a necessidade de um sistema de informações e de processos de avaliação para o monitoramento das reformas e das políticas educacionais tendo em vista a formação do cidadão para o próximo milênio: É cada vez mais evidente que a preparação de cidadãos competentes para atuar de forma crítica e responsável na construção de uma sociedade mais justa. que foi aplicado pela primeira vez em 1998. Esse órgão federal realiza. e 50 milhões de estudantes. públicas e particulares. também. INEP. pretende-se fortalecer a capacidade gerencial das escolas. exame facultativo aos que já concluíram e aos concluintes do ensino médio. além de propiciar a integração das demais bases do INEP Com isso. das secretarias estaduais e municipais de educação e do próprio MEC (Cf.Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). que promove a descentralização da coleta do Censo Escolar e do acesso a seus resultados. democrática e . pesquisas censitárias nacionais por meio de: Censo Escolar que abrange um universo de cerca de 250 mil escolas. que traz a receita e o gasto das diversas esferas de governo no componente educação. Censo do Ensino Superior. englobando aproximadamente 1. 206 As informações censitárias são anuais e subsidiam os órgãos formuladores e implementadores de políticas educacionais nos três níveis de governo.

do sistema financeiro internacional. das infra-estruturas e dos serviços de informação e comunicação. a avaliação educacional está atrelada a um viés economicista. 1998). exige um perfil de qualificação em que o desenvolvimento das inteligências cognitiva. selecionar e processar informações com autonomia e raciocínio crítico. emocional e afetiva será decisivo na formação das crianças e jovens para a sua plena inserção social e no mundo do trabalho. É preciso dar-lhes condições de utilizar os conhecimentos adquiridos para que tenham novas oportunidades num mundo cada vez mais complexo e competitivo (Castro. são mais conhecidos dois sistemas de avaliação educacionais: o Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo SARESP e o Programa de Avaliação da Escola Pública de Minas Gerais (Bitar e Outros. ou seja. É basicamente a esse objetivo que as reformas educativas atendem. dos mercados de consumo. a critérios . No âmbito dos Estados brasileiros. 1998). como estratégia de êxito da globalização econômica.desenvolvida. Esta é a primeira face da questão que analisaremos a seguir. portanto. ou seja. da transformação dos processos de produção. É preciso. É preciso ainda desenvolver sua capacidade de resolver problemas. Analisada sob esse prisma. 207 Uma avaliação crítica da avaliação dos sistemas educacionais: duas faces Um primeiro olhar crítico sobre a avaliação dos sistemas e suas formas de operacionalização refere-se ao fato de que as agências financeiras internacionais estão interessadas na qualidade da educação escolar. assegurar-lhes uma formação ética e solidária.

pode-se fazer relações entre variações no aprendizado considerando-se fatores como: presença ou ausência de livros didáticos. Os problemas são razoavelmente bem identificados. mas a aplicação das reformas não tem levado ao atendimento das condições necessárias à efetivação das mudanças educativas. capacitação do professor em serviço ou formação inicial. bem longe de critérios pedagógicos. depende da qualidade do sistema educativo. como é o caso. salário dos docentes.) seriam mais 208 eficazes para se obter um certo nível de aprendizado? Sendo assim. capacitação docente. por exemplo. em muitos casos.econômicos de análise do desempenho da educação escolar e. gestão da escolas etc. número de alunos por classe. avaliação da aprendizagem. qualidade "por dentro" dos processos de ensino e aprendizagem e não apenas dos resultados. A pergunta seria: que tipo de insumos escolares (livros didáticos. . aumento do tempo de permanência na escola. da formação e da remuneração dos professores. a médio e longo prazo. na idéia de que as relações pedagógicas podem ser entendidas como relações entre insumos educacionais e a produção de alunos educados. a partir de testes nacionais padronizados. O que tem acontecido é que as reformas acontecem num momento em que os recursos públicos destinados à educação tendem a ser submetidos a critérios de competitividade imediata. por exemplo. sem levar em conta que a verdadeira competitividade. fornecimento de merenda escolar. diagnosticados. O viés economicista aparece. Essas relações são estabelecidas a partir da relação custo-benefício.

monitorar o desempenho escolar. Por exemplo. . não se está considerando os processos que levam a uma qualidade do aprendizado.Mais adiante. discutiremos os elementos do processo de planejamento e as várias denominações que tem recebido quando aplicado à instituição escolar. pelas orientações das reformas 209 educativas. neste capítulo. Como se sabe. a avaliação educacional deve estar articulada com as formas de gestão (descentralização. autonomia). pode-se supor que. já que a ênfase recai nos resultados. ao qual cabe fixar padrões nacionais de desempenho. Entretanto. que seriam as estratégias que podem assegurar bons resultados de rendimento escolar dos alunos. O objetivo da avaliação educacional do sistema seria a melhoria da qualidade. quase nunca pelo critério social e pedagógico. Daí a importância da avaliação externa pelo próprio governo. portanto. melhorar os resultados do rendimento escolar. com o projeto pedagógico e com o currículo. em muitos casos. Outras considerações precisam ser feitas. Entretanto. A partir daí podem ser extraídas conclusões sobre onde aplicar ou não aplicar recursos. facilitar insumos que influenciam no rendimento escolar. é melhor investir em livros didáticos e não em salários? Ou em capacitação de professores pela Educação a Distância e não pela formação inicial nas universidades? É melhor reduzir o número de alunos nas classes ou ampliar a duração do ano letivo? São opções que acabam sendo tomadas pelo critério econômico.

estética) e a avaliação dessa formação não pode ser aferida pela avaliação do sistema de ensino de cunho economicista pautada nos resultados. o que os educadores devem recusar é o tipo de avaliação em que predomine a justificativa econômica. que as escolas estariam mais preocupadas em atender aos critérios de controle externo do que aos objetivos pedagógicos. Ou seja. materiais e financeiros da escola. É preciso recusarmos a noção de aluno-cliente e continuarmos apostando no papel da escola na formação integral dos alunos (cognitiva. moral. através dos testes padronizados. reestruturadora. o currículo. controladora. As escolas estariam sujeitas a um "ranking" e. certas escolas a criar internamente dispositivos pelos quais as crianças com problemas de rendimento escolar teriam cerceada sua entrada na escola. a estreita preparação/qualificação para o mercado de trabalho. as condições salariais dos professores. Poderia ocorrer. Não se trata de nos opormos à avaliação institucional externa ou interna. física.já mostramos que a avaliação do sistema escolar pode prestar-se apenas a estabelecer mecanismos externos de controle. . os diretores criariam mecanismos de seletividade prévia na própria matrícula de alunos. O problema está na redução do processo avaliativo ao produto final sem considerar aspectos internos do processo de ensino tais como os recursos físicos. por exemplo. inclusive usando expedientes para escamotear resultados. Os controles levariam. da educação escolar visando exclusivamente os vínculos com o mercado. as práticas de ensino. prejudicando os índices de avaliação a serem alcançados pela escola. a competitividade entre as escolas e entre os alunos. nesse caso. afetiva. para obter boa classificação.

a necessidade de formação geral mais sólida e uma demanda acentuada por educação de qualidade. é um requisito para a melhoria das condições que afetam . justa e solidária. abstrata.Cumpre. Isso. Numa sociedade de conhecimento e de aprendizagem é preciso dotar os sujeitos sociais de competências e habilidades para a participação na vida social. tanto do sistema escolar como da aprendizagem. no mínimo. abrangente e polivalente dos trabalhadores. os impactos da revolução tecnológica no campo da educação podem e devem ser absorvidos de modo a gerar perspectivas democráticas de construção de uma sociedade moderna. Nesse sentido. a preparação tecnológica e a formação geral. todavia. nem na criação de um mercado educacional. Com a revolução tecnológica e as demais mudanças globais. A universalização e melhoria da qualidade de ensino. nem na ampliação da esfera privada no campo da educação. a elevação da escolaridade. Isso não deve significar a aniquilação da diversidade e das singularidades dos sujeitos. econômica e cultural. analisar a segunda face da questão. são fundamentais para toda a sociedade. 1998). não pode resultar num projeto educacional competitivo e seletivo socialmente. especialmente quando se tem em vista. no entanto. é inegável a 210 crescente intelectualização do trabalho. de modo que esses não venham a contribuir para novas formas de divisão social mas sim para a construção de uma sociedade democrática na forma e no conteúdo (Cf. para os educadores progressistas é bastante razoável supor que a avaliação educacional. Oliveira e Libâneo. Em razão disso. a garantia da igualdade de oportunidades.

Daí que se fazem necessárias políticas educativas que contribuam para o desenvolvimento sustentável do país. Numa visão progressista. em razão da 211 exigência de se prestar contas de um serviço público à comunidade. fazer diagnósticos mais amplos. para além do seu trabalho isolado na sua matéria. uma proposta pedagógica progressista pode assumir a avaliação dos estabelecimento escolares por meio dos resultados do aprendizado dos alunos (embora essa aferição não deva ser utilizada para classificar as escolas que serão beneficiadas por recursos públicos. a descentralização das escolas. podem analisar conjuntamente os problemas. pode ser uma ajuda à organização do trabalho na escola e nas salas de aula. reforçando o entendimento da escola como local em que se pensa o trabalho escolar e onde professores e especialistas aprendem em conjunto. A avaliação externa. em conexão com a avaliação dos professores. gerando uma "cultura da responsabilização" por parte da equipe escolar. por mais que se considere as críticas às orientações economicistas dos organismos financeiros internacionais. (embora isso não deva ser usado para a redução do poder . o que é totalmente inaceitável). incluindo um posicionamento sobre a avaliação educacional. favorecendo a identificação de necessidades locais. o envolvimento dos professores e pais etc. Seria extremamente prejudicial negar aos segmentos empobrecidos da população brasileira um ensino de qualidade.diretamente a qualidade do ensino. as práticas de avaliação podem propiciar mais auto-regulação institucional. Nesse sentido. em função da organização escolar e do projeto pedagógico da escola. Os professores.

em seguida. a ênfase no desenvolvimento de capacidades básicas de aprendizagem (embora não se aceite um mero treinamento de habilidades). . é preciso que os educadores. enquanto cidadão e profissional. ético. Outras questões precisam ser consideradas com mais empenho pelos pesquisadores visando o aprimoramento da qualidade do ensino. Como avaliar o 212 nível de competência cognitivo. transformam-se em conteúdos curriculares e estratégias de aprendizagem na escola? São questões relacionadas com o projeto pedagógico-curricular e os processos de ensino e aprendizagem. valores) precisam ser colocadas no projeto pedagógicocurricular e que. Para isso. é óbvio que as práticas de avaliação precisam ser encaradas com mais seriedade. que cada escola formula coletivamente entre seus professores e equipe técnica? Como definir quais competências profissionais e éticas (desdobradas em conhecimentos.de mobilização dos sindicatos e da participação política de professores). procedimentos. esperado dos alunos. atitudes. emocional. tendo como referência a prática social? Como definir o perfil de aluno egresso. seus processos e resultados. saibam mais sobre a elaboração de instrumentos mais diretos de aferição da qualidade da oferta dos serviços de ensino junto com a qualidade do "aluno que se quer formar". Admitindo-se que hoje a justiça social em termos de democratização do ensino seja a qualidade cognitiva dos processos de ensino e aprendizagem e dos seus resultados. além de tomarem a avaliação como importante meio de diagnóstico do seu trabalho.

) Neste sentido. A dependência econômica do Banco Mundial força a submissão dos sistemas de ensino e das escolas às suas orientações técnicas.. . 1998). de suas relações.) Avaliar com equidade significa analisar se a qualidade da educação que está sendo oferecida atende igualmente a todos os setores sociais. o nível de ensino que os alunos irão receber (Souza.. emancipadora etc.. Os educadores progressistas. principalmente os interessados no bom funcionamento da escola (uma escola democrática. por sua vez.) tendem a ficar perdidos com os programas introduzidos pelos Estados hoje praticamente atrelados aquelas orientações do Banco Mundial. no seu cotidiano.Avaliação educacional . (. de suas 213 atuações. é tão importante avaliar como o sistema educacional condiciona a qualidade do ensino oferecido nas escolas quanto analisar como os educadores constroem. a partir de suas representações.entre a avaliação de sistemas educacionais e as avaliações do professor na sala de aula Como se pode ver. mas também compreender os processos de construção da desigualdade escolar (. os problemas envolvidos na avaliação educacional são muitos.. Boa parte dos especialistas em avaliação concordariam com este desafio posto aos educadores e especialistas em avaliação escolar: integrar as contribuições criticas destas ultimas décadas e construir no cotidiano instrumentos que nos permitissem não somente analisar o rendimento escolar.

O objetivo desses programas: "identificação dos conteúdos e habilidades dominados pelo aluno e a busca de elementos que possam subsidiar o planejar na perspectiva de levar a escola e os professores a superar as defasagens fragrantes nos alunos (. diversidade cultural. efeitos de migração. de modo que os envolvidos no processo educacional reflitam sobre os problemas de ensino e aprendizagem e tomem decisões sobre a melhoria da qualidade da educação. visando orientar as políticas educacionais e os órgãos gestores dessas políticas. 168). individualmente. os sistemas de ensino podem aferir a qualidade do ensino em termos de sua equidade e verificar o que a macro estrutura pode fazer para aprimorá-la. Pode ser regional.. adequação do ensino às exigências contemporâneas. avaliandose o universo inteiro de uma rede de ensino. A avaliação externa pode ser nacional.Aceita essa premissa. Esses programas utilizam testes padronizados visando ao maior controle da qualidade do ensino. inclusive para tentar diagnosticar disparidades de rendimento entre alunos que não podem ser captadas pelos professores. e importante a implantação de programas de avaliação dos sistemas educacionais." Este segundo tipo de avaliação externa é melhor porque as escolas participam . por amostra. Neste último caso. dentro da escola (por exemplo.) (Souza. o objetivo dos programas de avaliação deve ser o de obter informações sobre o desempenho de alunos de um sistema. Com os programas nacionais ou estaduais. segregação social ou excesso ou falta de rigor na avaliação feita por professores)..

em condições iguais. em síntese.214 diretamente do processo avaliativo e usufruem diretamente dos resultados obtidos. especialmente. Pode-se. porque elas aparecem. Por exemplo. como aparecem estas defasagens e. pensar na possibilidade de que um conjunto de escolas (de uma área limitada) façam a avaliação conjuntamente. . falta de apoio afetivo em casa ou na escola. o que não leva as escolas a usufruírem dos dados que coletam. Também a avaliação do aluno pelos professores precisa ter esse caráter de diagnóstico. Em qualquer caso. condições de salário e trabalho dos professores. das necessidades de capacitação docente. A avaliação da aprendizagem precisa ajudar a identificar disciplinas ou outros aspectos em que o aluno apresenta maiores dificuldades. O SAEB e ENEM têm uma limitação: trabalham com amostras. dos processos pedagógicodidáticos. de tal maneira que cada uma receba informações sobre o desempenho de seus próprios alunos nas principais disciplinas. dificuldades econômicas em casa. de reorganização da trajetória escolar dos alunos. as avaliações externas precisam estar voltadas para levantamento dos elementos que propiciem a democratização do acesso e a permanência na escola. sólida formação cultural e cientifica a todos. também. permitindo uma definição mais realista do projeto pedagógico. da sistemática de avaliação. podem provocar essas dificuldades nos alunos para vencerem as tarefas exigidas pela escola. que propiciem melhor qualidade da aprendizagem escolar para todos os alunos. pais com baixa escolaridade. efeitos das formas de gestão na aprendizagem dos alunos.

. fatores que prejudicam o andamento das aulas etc. (. (...) Nosso problema é justamente como identificar. Provocar reflexões conjuntas dos professores sobre suas preocupações na sala de aula. dificuldades que estão tendo. alunos com mais dificuldades.. Definir com clareza as competências do professor e saberes necessários para "diagnosticar. compreender e neutralizar as causas dos insucessos escolares" (Ibid. O grande problema (. Compreender que a avaliação é instrumento. ela apenas dá indícios de onde estão os problemas de aprendizagem.Algumas medidas precisariam ser tomadas nas escolas para enfrentar os problemas de avaliação. 215 Ligar a "teoria" sobre avaliação com o "saber-fazer" a avaliação. A avaliação do projeto pedagógico-curricular. Nas últimas décadas houve pouco interesse dos pesquisadores em programas de avaliação da escola. o porque determinado aluno vai bem e outro não.) não é o como avaliar.). organização escolar e dos planos de ensino A avaliação da escola é um processo pelo qual os especialistas (diretor. o processo de aprendizagem do aluno e oferecer um ensino de qualidade (Ibid. coordenador pedagógico) e os professores discutem e avaliam sua escola em função do aprimoramento pedagógico curricular e da qualidade do ensino..). para melhorar o ensino.) o porque o aluno não está apreendendo. mas sim o como ensinar. da . analisar..

rendimento escolar por classe. Nesse sentido. recursos físicos e materiais. Se os testes e outras formas de aferição do rendimento forem bem elaborados. materiais didáticos e informacionais. Mas isso não é suficiente. é possível detectar problemas e dificuldades no ensino 216 das matérias de forma que a escola e os professores tomem providências para saná-los. é preciso organizá-los e analisálos como prática de avaliação diagnóstica. De fato. a avaliação da escola precisa considerar os elementos determinantes da qualidade da oferta de serviços de ensino e do sucesso escolar dos alunos.direção. os resultados do rendimento escolar dos alunos) em função das responsabilidades sociais da escola. do projeto pedagógico. currículo profissional). Hoje essa necessidade torna-se cada vez mais premente. Mas todo cuidado é pouco para que os resultados do desempenho escolar dos alunos não sejam tomados como único parâmetro de análise da escola. é indispensável verificar a efetividade dos serviços prestados (o comportamento profissional dos professores e especialistas. É preciso chegar até a sala de aula para obter conhecimentos mais precisos sobre os processos de ensino e aprendizagem. dos professores. as relações entre professores e . condições de trabalho e motivação dos professores. Tais dados já estão disponíveis na escola. composição do corpo docente (tempo de trabalho. Os sistemas de ensino e as escolas se vêem hoje frente à avaliação dos resultados dos alunos como critério para a avaliação da produtividade da escola. idade. é preciso considerar o conjunto de fatores que levaram a eles. tais como: características dos alunos.

que utilizam instrumentos estandardizados de verificação do aproveitamento escolar. nas escolas. Aspectos a serem avaliados no âmbito da organização escolar . Dada a importância da avaliação escolar. Eles não dão uma informação absolutamente fiel do rendimento dos alunos em face dos objetivos pedagógico-didáticos. mas é importante sua utilização. a construir testes de verificação de aproveitamento. especialmente no que diz respeito ao domínio dos conhecimentos e metodologias e procedimentos de ensino e procedimentos de avaliação. Os professores precisam estar familiarizados com as práticas de avaliação externa para poderem inclusive ler as análises e tirar proveito delas para o seu trabalho. Há uma outra razão para se considerar este alerta. os resultados das avaliações 217 feitas pelo sistema. a qualidade cognitiva das aprendizagens. mas permitem evidenciar uma "pista" de onde os alunos estão. ENEM. o controle do rendimento escolar precisa ter maior rigor cientifico e método lógico. capacitados. as práticas de avaliação. Cada vez mais aparecem na imprensa. Isso leva a que os professores sejam formados. A avaliação não pode ser reduzida a testes. tipo SAEB.alunos. É claro que esta avaliação global da escola indicará elementos de mudança nas práticas dos próprios professores. verificar falhas na aquisição de conhecimentos e habilidades e possibilitar formas de recuperação.

É sempre útil relembrar as principais variáveis em torno das quais pode incidir a avaliação: Dados estatísticos sobre a população escolar. autoritária. estrutura de coordenação pedagógica e assistência aos professores. relações interpessoais. . pode ajudar os professores a modificarem suas formas de trabalho. desorganizada. Clima organizacional da escola Inclui: tipo de direção (acolhedora. A ênfase da avaliação não recai somente nos professores e nos alunos mas nos elementos e na dinâmica de funcionamento da organização escolar: projeto 218 pedagógico. situação sócio-econômica dos pais etc. envolvimento da equipe pedagógica e professores com os objetivos e com as ações da escola Acompanhamento do rendimento escolar dos alunos Aplicar métodos e procedimentos para acompanhar e analisar sistematicamente os resultados escolares nas varias turmas. tipo de organização (organizada. Um investimento importante é acertar entre os professores métodos mais eficazes de diagnóstico das dificuldades escolares dos alunos. relações humanas (solidárias. exigente. dentro da concepção que vem sendo desenvolvida neste livro. processos de ensino e aprendizagem. etc). reprovações. currículo. da escola como referência básica do sistema de ensino. separadas. hostil. A análise dos resultados. democrática. Avaliação da execução do projeto pedagógico-curricular Esta é uma forma de avaliar a escola no seu conjunto. tolerante). dentro da escola. abandono da escola. práticas participativas).

como uma das condições do desenvolvimento profissional. Avaliação de desempenho dos professores É cada vez mais crescente na pesquisa pedagógica a insistência na avaliação dos professores. enfrentar o desafio de avaliação qualitativa da atividade docente através da observação sistemática de aulas e do diálogo e da reflexão conjunta com os professores. da qualidade e da eficácia do trabalho do professor. etc. Há muito pouco progresso concreto na investigação dos instrumentos de avaliação de professor (ainda que reconhecendo avanços na concepção do professor crítico-reflexivo). porque.sistema de gestão. Não é tarefa fácil. enfrentar esse tipo de avaliação de uma forma decidida porém cautelosa. é dele que depende o êxito escolar dos alunos e a realização dos objetivos essenciais da escola. Além disso. há uma boa dose de imprevisibilidade e improvisação. isso não pode levar a descartar a avaliação das características. todavia. Boa parte das ações docentes não está constantemente sob controle da consciência porque resultam de modos de agir e hábitos já consolidados. O trabalho de professor não se presta a análises meramente quantitativas. Por outro lado. É preciso. não é uma profissão na qual basta seguir uma seqüência de atos automatizados. Os diretores de escola e os coordenadores pedagógicos precisam. Não há dúvida de que o professor é o fator mais significativo na determinação da produtividade de uma escola. em boa parte. inclusive pelo caráter de imprevisibilidade que têm muitas das ações escolares. todavia. Educadores que conhecem de perto o funcionamento de escolas e de salas de aula sabem que os principais pontos de um programa de observação da prática docente na sala .

1991): 219 qualidade das relações sociais e afetivas com os alunos. como organização e desenvolvimento das aulas. Critérios de organização de turmas. Encontros e reuniões de professores. horário de aulas e distribuição de disciplinas. Outros fatores também precisam ser considerados na avaliação do professor relacionados com a organização e funcionamento da escola como um todo: Disponibilidade. organização. procedimentos e instrumentos de avaliação da aprendizagem. Ações de formação continuada de professores. Ghilardi e Spallarossa. Estratégias de relacionamento com os pais e as formas de comunicação.de aula são os seguintes (Cf. conforme o nível de ensino atendido. utilização dos recursos materiais e didáticos. pedagogos. qualidade da comunicação com os alunos. funcionários. Para finalizar: a avaliação emancipatória . gestão da classe em vários aspectos. Atividades administrativas e de apoio pedagógicodidático ao professor. preparo profissional do professor no conhecimento da disciplina e dos métodos e procedimentos de ensino e avaliação. incluindo instalações e equipamentos.

em que o professor é também um investigador (Hernandez e Sancho. 1994). Estudando o assunto. CAPÍTULO XIII – Estratégias de Coordenação do Trabalho Escolar e de Participação na Gestão da Escola 223 Conforme vimos nos capítulos anteriores. numa perspectiva de educação emancipatória. Auto-avaliação. é assegurar cada vez mais nas instituições 220 o caráter educativo da avaliação: meio de revisão das ações do professor . Por sua vez. processos e relações referentes à utilização racional dos recursos materiais e de conhecimentos.A tendência nas práticas de avaliação. o professor Vítor Paro escreve que a racionalização do trabalho engloba as ações. a coordenação do esforço . interação com os alunos .de modo que tome decisões com maior conhecimento de causa. mediante um processo reflexivo rigoroso de planejamento-observação-análise-reflexão-planejamento.práticas de ensino. a gestão de uma escola pode ser analisada por meio de duas atividades básicas: a racionalização do trabalho e coordenação do esforço humano coletivo. A avaliação emancipatória tem três características: Avaliação compreensiva e global do processo de ensino e aprendizagem Avaliação democrática em que os resultados da avaliação são discutidos e negociados entre os participantes do trabalho escolar.

o esforço humano coletivo necessita dos elementos materiais e conceituais para ser aplicado racionalmente" (Paro. faz-se necessária aposse de um conjunto de conhecimentos. "Os elementos materiais e conceituais não cumprem sua função no processo se não estiverem associados ao esforço humano coletivo. 1988). na prática. ser separados. uma escola comprometida com a transformação social precisa lançar mão de princípios. Dessa forma. Parece não haver dúvidas de que. para um razoável desempenho do pessoal escolar. sempre avaliadas pela prática reflexiva. métodos e técnicas adequados à especificidade dos seus objetivos e à especificidade do processo pedagógico escolar. Para o autor. técnicas e habilidades em níveis e padrões que possibilitem o oferecimento de um ensino de boa qualidade a um número maior de alunos. em especial do corpo docente. Com igual razão.humano coletivo diz respeito à utilização racional das relações entre os profissionais da instituição. Escreve o autor: A utilização racional dos recursos coloca o problema da competência técnica no interior da escola. são imprescindíveis os conhecimentos. não podendo. os dois tipos de recursos funcionam em mútua dependência. assim como a garantia da coordenação 224 do esforço humano coletivo através da participação coletiva. considerando a natureza dos fins buscados pela escola. as pessoas envolvidas na administração da escola deverão exibir uma competência técnica que deve dizer respeito tanto ao . Ainda segundo Paro. da mesma forma. as técnicas e instrumentos que assegurem a utilização racional de recursos materiais e conceituais.

conhecimento da coisa administrada.. professores. métodos e técnicas relacionados à atividade administrativa. Numa administração escolar autoritária e centralizada na figura do diretor. ou seja. mas também com os métodos e técnicas administrativos mais adequados à promoção da racionalidade interna e externa da mesma. pessoal técnico-pedagógico. aos aspectos mais propriamente pedagógicos.. fundamentada na participação coletiva. visto que as responsabilidades administrativas foram distribuídas juntamente com a autoridade. (. esta identificada com os interesses da classe trabalhadora (Paro. mas na de grupos ou equipes representativos de todos. alunos e pais. Nesta nova situação. 225 . É através dela que são fornecidas as melhores condições para que os diversos setores participem efetivamente da tomada de decisões. já que estas não se concentram mais nas mãos de uma única pessoa. O mesmo não acontece numa administração democrática. basta que este e mais alguns de seus auxiliares mais diretos dominem os conhecimentos e técnicas de gerência e administração. em que não existem chefes colocados autoritariamente sobre os demais.. (. é de extrema relevância na instalação de uma administração democrática no interior da escola. quanto aos processos. é importante que todos saibam os princípios e os métodos de uma nova administração. 1988).) Esse fato coloca novamente a importância do conhecimento e familiaridade que o educador deve ter não apenas com os aspectos mais propriamente pedagógicos da escola.) A "coordenação" do esforço de funcionários..

cada reunião pode ser dedicada a um desses setores. Etapas para a elaboração de projetos. Informativa . de comunicação e de construção coletiva da organização e gestão da escola.Destinada à transmissão de informações ou medidas a serem cumpridas. Conselho de Classe. Evidentemente. de promoção da participação. 1. 4. Reuniões de professores. administrativas e financeiras da escola. 5.É em razão desses argumentos que foram selecionados alguns procedimentos e técnicas úteis para viabilização do trabalho escolar. Tipos de reunião Há vários tipos de reunião de professores. Entrevistas. Nesse caso. A reunião de professores é uma necessidade da organização escolar mas é também um espaço de formação continuada. . etc. Seminários. trata de questões já decididas que serão apenas comunicadas. REUNIÕES DE PROFESSORES Por "reunião de professores" entende-se o encontro formal entre a direção. reunião administrativa. 3. daí poder-se falar de reunião pedagógica. Modelo clínico de formação continuada. Apresentamos a seguir alguns deles. referentes especialmente à coordenação pedagógica e aos professores. portanto. 2. a coordenação pedagógica e os professores para trocar idéias e tomar decisões sobre questões pedagógicas. sem preocupação de esgotá-los. 6. visando o aprimoramento das práticas de organização e gestão da escola: 1.

foram aproveitadas idéias de vários autores. preparação conjunta de aulas etc. Convém que o coordenador desse tipo de reunião prepare de antemão pontos polêmicos da comunicação. especialmente. Para . 1973 e Grisi. As reuniões de estudo são denominadas. projeto ou para subsidiar uma tomada de decisão. deverá aceitar todos os pedidos de esclarecimentos. Na reunião. Geralmente esse tipo de reunião sucede a uma decisão já tomada em reunião formal e aqui o coordenador irá pedir sugestões e informações para concretizá-la. Sobre o tipo e formas de reunião. 1980.Visa a leitura e discussão de um texto.O objetivo é ouvir as pessoas para a elaboração de um documento. Nérici. precisam levar a sério a organização das reuniões. Tem caráter oficial.O objetivo é a discussão de um assunto ou a busca de solução de problemas.226 pode-se usar de bastante objetividade. aprofundamento da leitura de documentos. pois o que se decidir deverá ser assumido por todos os membros da escola. pode tornar-se uma atividade malvista e desconfortável. De estudo . os professores. a coordenação pedagógica. a reunião é um procedimento administrativo indispensável ao sistema de gestão da escola. Coleta de opiniões . Não tem caráter oficial. às vezes. de seminários. Opinativa-deliberativa . Observação importante: conforme afirmamos anteriormente. A 227 direção. Entretanto.

Sugestões para o planejamento e organização de reuniões Escolher o local e verificar as condições físicas e materiais: iluminação. Manter rigorosamente o horário de início e de término da reunião. local e horário. esclarecendo quais questões são mais urgentes. Submeter a pauta à aprovação dos participantes. especialmente o que já está previsto em leis. medidas e normas já estabelecidas na legislação. em círculo. Da mesma forma. Evitar colocar na mesma sala pessoas com interesses muito divergentes ou de nível cultural ou de escolaridade muito diferenciados.isso. muito bem organizadas e muito bem conduzidas. elas precisam ser planejadas. preferentemente. quadronegro. cuidando para não torná-la excessivamente longa 228 . material didático e audiovisual etc. Preparar rigorosamente a reunião: definir objetivos e pauta. Evitar colocar em pauta assuntos e questões que podem ser resolvidas individualmente com os interessados. arejamento. divergências de opinião etc. regulamentos ou rotinas. visando a facilitar a comunicação e o diálogo. prevenir-se para perguntas embaraçosas. conforto. Reunir pessoas mais ou menos do mesmo nível hierárquico. Programar uma pauta possível de ser cumprida. com os mesmos interesses. recomenda-se que não se façam reuniões improvisadas. Dispor os assentos. ou questões que já fazem parte dos deveres e obrigações profissionais. não levar para a reunião assuntos sobre os quais já se tomou uma decisão.

Discussão. 4. Pode ser útil cada participante escrever seu nome numa folha e afixar na carteira. 6. Iniciar a reunião apresentando os assuntos e os objetivos da discussão... 2. promover uma breve apresentação dos presentes. há a Tempestade Mental (Brainstorming). conforme os tipos apontados acima. Entre elas. que pode ser conduzida da seguinte forma: 1. Apresentação dos assuntos. seminários de estudo. Recomendações úteis ao coordenador de reunião Apresentar-se na reunião com bastante segurança e confiança em si para passar segurança aos participantes. o grupo operativo (discussão dirigida de solução de problemas). 5. Apresentação de soluções alternativas. Há muitas outras técnicas de realizar uma reunião. discussão livre. Delegação de responsabilidades (quem fará o quê. 229 . para quando. Definição bem clara dos assuntos ou problemas. 3.Não abusar no número de reuniões. O coordenador ou alguém do grupo apresenta o problema. Se for grupo novo em que as pessoas não se conhecem.). Conclusões. Técnicas de condução da reunião A técnica mais comum é a reunião de trabalho.

que podem dificultar a busca de soluções positivas para os problemas. Ter paciência para ouvir todos. Estar atento para posições ou opiniões "proteladoras". usando argumentos seguros. mantendo o grupo dentro do assunto. fazer voltar sempre ao tema em discussão. Não monopolizar a palavra ou a discussão. Assegurar a condução da reunião. Estimular a participação de todos os membros do grupo. dados concretos. pontuar as conclusões a que o grupo vai chegando. Não permitir que a reunião prossiga enquanto todo o grupo não estiver atento. a convencer. Se for necessário.Fazer perguntas iniciais aos participantes. oferecendo dados concretos. Após uma rodada de discussão sintetizar os pontos já tratados. Estimular todos os participantes a expressarem sua opinião. envolventes. tomando especial cuidado com as pessoas que falam demais e com as que falam pouco ou não se manifestam. 230 2. Pedir esclarecimentos. provocar a participação chamando as pessoas pelo nome. de modo que se mantenha o clima de debate e se aprofunde mais a discussão. ENTREVISTAS INDIVIDUAIS . Se as pessoas não falarem espontaneamente. não permitir em nenhuma hipótese conversas paralelas. sem antecipar ou precipitar as conclusões. informações. aprender a persuadir. diversionistas.

A entrevista pode ser. Procedimentos . Chamar um aluno para conversar sobre seu rendimento escolar. utilizada como técnica de ensino e aprendizagem na sala de aula. Orientações gerais sobre a técnica de entrevista A entrevista. Por isso. utilizando ambos os procedimentos. geralmente. É importante destacar que a entrevista deve centrar-se na análise da situação ou na solução do problema e não em uma das pessoas envolvidas. alguma observação ou solicitação. mais flexível. a conversa flui livremente entre os participantes. resolver um problema. Conversar com uma professora sobre problemas de disciplina na classe. b) Não-dirigida. é importante que seja uma troca de pontos de vista. c) Mista. a entrevista na escola é um encontro de duas ou mais pessoas interessadas em melhorar uma situação. Segundo especialistas.Os professores e professoras são sempre solicitados a entrevistar alunos. chamar a mãe para conversar sobre dificuldades dos alunos. é provocada por algum fato. pais. um cotejamento de modos de ver uma situação. na qual não há um roteiro prévio. Por exemplo. Também os coordenadores pedagógicos utilizam a entrevista para reuniões de trabalho com os professores. para se chegar a uma conclusão. na qual há um roteiro prévio de questões ou perguntas dirigidas ao entrevistado. Tipos de entrevistas a) Dirigida. um problema. ainda.

a entrevista precisa acontecer imediatamente após o ocorrido. . É um trabalho integrado. Visa o acompanhamento do trabalho em sala de aula para aprimoramento do ensino. munidos de informações. Isso significa que podem existir pontos da conversa que são inegociáveis. após a realização de um evento. quase sempre. compromissos. Os entrevistados precisam levar em conta que trabalham numa organização que tem uma filosofia de trabalho. A informalidade é um importante requisito para uma boa entrevista. também. Mas podem ser sugeridos alguns procedimentos: O entrevistador e o entrevistado devem ir à entrevista com objetivos claros. pela sua natureza. o diálogo e a tomada de novas decisões. após uma observação de classe. Nesse caso. é um importante momento de formação continuada para ambos. com um roteiro mínimo de perguntas ou questões. um procedimento útil para reunir o coordenador pedagógico e o professor. mediante a reflexão. de cooperação mutua. uma troca de impressões de modos de ver.A entrevista é. Se o objetivo é. Por isso entrevista é peculiar. tem um 231 desenvolvimento compatível com a situação que está sendo analisada. de idéias. normas. resolver problemas. A entrevista do coordenador pedagógico com os professores A entrevista individual é. objetivos. Convém que na convocação ou convite para a entrevista já seja informado o motivo da sua realização.

procedimentos etc. As entrevistas precisam ocorrer imediatamente após a observação de aulas do professor. por si próprios.Essa entrevista tem por objetivos: a) Ajudar os professores a tomarem consciência do seu desempenho e a encontrarem. levando a tornar mais eficaz a ação docente. suas limitações quanto à motivação dos alunos. considerando-se portanto o trabalho . Observações importantes: As entrevistas entre coordenador pedagógico e professores precisam estar fundamentadas em informações. 232 b) Auxiliar no desenvolvimento de habilidades de analisar. metodologia de ensino. a partir das dificuldades apontadas. c) Ouvir o professor sobre suas dificuldades. de lado a lado. avaliação. avaliar e interpretar o que se passa consigo e na sala de aula. e) Análise e interpretação dos dados colhidos durante a observação junto com o professor para verificar pontos fortes e fracos da sua atuação. f) Acerto de novas observações. A entrevista deve ter caráter eminentemente profissional. dados. os caminhos necessários para a melhoria da sua atuação. d) Combinar com o professor a ida do coordenador à sua classe para observação de aula. novas discussões. para evitar desconfianças. disciplina. temores. evidências. visando a um plano de auto-aperfeiçoamento.

atitudes. câmara de vídeo. SEMINÁRIOS O objetivo do "Seminário" é o estudo de um tema juntamente com outras pessoas. visando melhorar uma situação. O coordenador poderá. aprimorar o processo de ensino e aprendizagem. obviamente. mas a estruturação de . em reuniões previamente planejadas. pode ser útil a elaboração prévia de uma ficha de observação dos aspectos a serem observados. professores com mais dificuldades na sala de aula. pais). a professores iniciantes ou inexperientes. Considerar que a reunião entre coordenadores e professores acontece entre duas pessoas. sempre com o consentimento do professor. A idéia básica dessa técnica é promover a aprendizagem ativa entre os membros (professores. discutida antes com o professor. valores. ignorar as relações pessoais). num clima de colaboração recíproca.realizado ou a ser iniciado (o que não significa. apontamentos. 3. Diferentemente do que tem sido feito nas escolas. professores sem formação pedagógica. utilizar gravador. nas entrevistas. alunos. portanto. Se a entrevista se destina a conversar com o professor sobre situações observadas em aula. habilidades dos envolvidos na percepção e compreensão do outro. também. A entrevista é um encontro entre pessoas. para serem discutidos posteriormente. motivações. 233 Os coordenadores precisam dedicar especial atenção. cada um com sua especialidade. havendo um intercâmbio de pontos de vista. o objetivo do seminário não é apresentar as conclusões para uma classe ou grupo maior. implicando.

pais e alunos. O estudo conjunto exige a investigação e a pesquisa de diversas fontes e recursos de informação (o estudo de um livro ou capítulo de livro não justifica um seminário. em alguns casos. por representantes dos alunos e. fazer nova discussão. Todos os membros precisam participar igualmente do trabalho. o Conselho de Classe também é competente para formular propostas para a coordenação pedagógico-didática. 4. Tem a responsabilidade de formular propostas referentes à ação educativa e didática. o debate e a verbalização de idéias dentro do pequeno grupo. facilitar e ampliar as relações mútuas entre os professores. visando a um conhecimento mais minucioso da turma e de cada um e análise do desempenho do professor com base nos resultados alcançados. Algumas recomendações Os participantes devem ter interesses comuns quanto ao tema e um nível de conhecimentos semelhante. para socializar as conclusões.conceitos. podendo. atividades de integração . Em algumas experiências. daí. É o resultado do trabalho desse pequeno grupo que será apresentado para toda a classe. CONSELHO DE CLASSE O Conselho de Classe é um órgão colegiado composto pelos professores da classe. e incentivar projetos de investigação. 234 O seminário deve ser apresentado para a classe como síntese do trabalho do grupo. dos pais. o importante é a diversificação de fontes). É a instância que permite o acompanhamento dos alunos.

os ajustes necessários. . após o Conselho de Escola.). tal como já alertamos quando tratamos do Conselho de Escola. e verificar periodicamente o andamento geral dessas atividades. o Conselho de Classe poderá tornar-se o órgão colegiado mais interessante sob o ponto de vista pedagógico-didático. pode trazer conflitos de interesses e competências.e iniciativas de apoio. Reformulação do plano de ensino (revisão. Os objetivos do conselho de classe são: Aprimoramento do diagnóstico dos problemas e dificuldades. Busca de soluções alternativas para as dificuldades que aparecerem. 235 Obtenção de informações para facilitar o aconselhamento ao aluno. Se essas competências forem levadas a sério. A participação no Conselho de classe requer dos professores e coordenação pedagógica a consulta a informações e registros que possam subsidiar as decisões. de estabelecimento de limites e competências. Há que se buscar as possibilidades de acordo mútuo. A presença de pais e estudantes no Conselho de Classe. Identificação de progressos e mudanças de comportamento de alunos. Elaboração de programas de recuperação e outras atividades de apoio. retomada da matéria etc. mas isso não deve ser motivo de não incluí-los nas reuniões.

A idéia-chave desse modelo é considerar o professor como alguém que reflete sobre sua prática a partir da própria investigação sobre essa prática.5. principalmente. Ele supõe levantamento de necessidades de desenvolvimento profissional através. de observação de aulas. O modelo clínico pode ser aplicado a um ou mais professores. 236 Ainda segundo Perrenoud. decidir e agir tirando conclusões ou para antecipar resultados de determinadas decisões ou atitudes. Conforme o pedagogo suíço Philippe Perrenoud. O termo "clinico" refere-se a um modelo de funcionamento intelectual basicamente assentado na metodologia de solução de problemas. de um projeto organizado de ação e da análise dessa prática. O professor "clínico" é aquele que. MODELO CLÍNICO DE FORMAÇÃO CONTINUADA O modelo clínico é assim chamado por tratar-se de um trabalho preventivo de orientação do professor na sala de aula. Daí a necessidade de que cada professor tenha disposição e competência para análise individual ou coletiva de suas práticas para pensar. pensar numa intervenção eficaz. . o método clinico é baseado na articulação entre prática e reflexão sobre a prática. mas é melhor que seja feito com o grupo todo. possui as regras e dispõe dos meios teóricos e práticos para: avaliar a situação. que permite a prática reflexiva sobre o trabalho em desenvolvimento e previne para que as dificuldades encontradas sejam superadas. a formação clínica é uma formação orientada pela prática a partir de uma formação pedagógica. frente a uma situação problemática complexa.

nem em conformar-se com um modelo. utiliza-se da investigação para selecionar experiências pertinentes (tendo em vista uma construção mais rigorosa do objeto)... e. É. realizar outros ensaios e passar a agir de forma diferente (1993). para que os problemas a serem resolvidos estejam à altura das pessoas em formação. A formação clinica. baseada na prática refletida. No dizer do próprio Perrenoud: Ensinar não consiste em aplicar cegamente uma teoria. antes de mais nada. (. muitas vezes. centradas em suas necessidades). Essa formação é feita. mas uma prática planejada. ou mal 237 sucedidas. tomar decisões. agir em situação de incerteza e. Mas não uma prática qualquer. essencialmente. resolver problemas. seguir uma lógica de construção de conhecimento. Sem. afundar no pragmatismo absoluto ou em ações pontuais.) Para que a experiência prática resulte numa verdadeira maestria profissional é preciso que o professor possa analisar a prática. para tanto. compreender como e porque esta atividade ou aquela intervenção foram bem. corrigir o rumo.colocá-la em prática.e. bem organizada. através da prática. partindo do que os professores acham significativo (i. definindo-se antecipadamente uma problemática.. avaliar a sua eficácia aparente. Este tópico é uma adaptação livre do capítulo "Técnica de projeto" do livro Planejamento e organização do . de emergência.

ETAPAS PARA A ELABORAÇÃO DE PROJETOS 2 Observações prévias O projeto é o resultado de um processo de planejamento e negociação entre os membros de uma equipe escolar. É preciso ter o projeto e o sistema de gestão. Editora Globo/INL. A instituição . também. Isso. Não foi por acaso que insistimos bastante na importância do sistema de gestão e direção da escola. necessidade da instituição) de um projeto (Carvalho. Os profissionais de uma escola precisam. nenhum projeto resolve os problemas de gestão de uma escola. coordenado por Loureimi Ercolani Saldanha. Um bom diagnóstico da situação. mesmo. uma adequada distribuição de cargos e responsabilidades e a institucionalização de condições de diálogo e comunicação (por exemplo.ensino. de forma a estabelecer uma ponte entre a situação atual e os cenários desejáveis. levado junto 237 com a equipe. 6. tal como apresentamos a seguir. pode ser um bom começo de conversa. iniciativa e motivação dos dirigentes. horas pagas para reuniões de trabalho). 1993). De pouco resolverá uma seqüência de passos. 1974. de forma alguma. até que as pessoas assumam a necessidade do projeto pedagógico coletivo. ter consciência de que nem sempre a necessidade real do grupo coincide com a necessidade impositiva (ou. Além disso. Porto Alegre. sem que o projeto seja uma necessidade sentida por um grupo. significa "deixar o barco correr". Cabe aos dirigentes das instituições ter lucidez e competência para formular as melhores estratégias de introduzir a prática do projeto. implicando capacidade de liderança.

as posições. dando mais solidez às possibilidades de êxito do projeto. O processo de elaboração do projeto O projeto é uma importante técnica de identificação (diagnóstico) e solução de problemas. os pontos de vista). de alguma forma. A busca de consenso é mais democrática. 239 6) Acompanhamento. 2) Determinar objetivos e necessidades. É até recomendável que se crie um grupo de trabalho ou comissão com a função de protagonizar. convém que as decisões sejam tomadas por consenso e não por maioria. mobilizar estratégias de mudança. permite uma maior coesão do grupo (inclusive por deixar claras as diferenças. Em resumo. numa estratégia de busca de consenso ao invés de submeter as decisões ao voto. 3) Levantar alternativas de solução possíveis e coerentes com o problema. nas práticas de gestão da escola. 4) Organização do projeto. O projeto consiste na colocação clara do problema e no planejamento do curso da ação para solucioná-lo. a introdução do projeto. avaliação e realimentação do projeto .sempre contará com algumas pessoas interessadas e motivadas pelo projeto e a elas cabe. através da reflexão e da implementação de estratégias concretas e de sua avaliação. A seqüência de passos sugerida para se chegar ao projeto é a seguinte: 1) Definir o problema. 5) Implementação do projeto. Cabe insistir.

Em seguida. Definir o problema Primeiro momento . Sempre considerar as condições existentes 240 (viabilidade) ou as condições ainda inexistentes mas que sejam possíveis de serem criadas.Formular o problema de forma clara. operacional. chega-se à delimitação e definição do problema. Um problema é uma situação não satisfatória.1. Determinar objetivos e necessidades Definido o problema de forma explicita e operacional é preciso pensar qual será a situação desejada para resolver o problema. refletir e buscar uma situação mais satisfatória. possíveis de ser atingidos. recursos físicos. os objetivos precisam ser realistas. Analisar o problema levando em conta suas possíveis causas.Diagnóstico da situação para obtenção de informações relevantes. financeiros. 2. Obviamente. Para isso. o objetivo imediato. Trata-se de aprofundar o conhecimento da situação. e que precisa ser alterado. os vários fatores da situação e do contexto mais geral. algo que não anda bem. Em síntese: Segundo momento . cabe determinar necessidades. O que é necessário para atingir os objetivos propostos? As necessidades podem ser pensadas em termos de pessoal. tempo. Com isso. O resultado final desejado é o objetivo geral. são definidos objetivos intermediários. materiais. um desafio. .

. O problema dessa tendência é reduzir o funcionamento das instituições a critérios exclusivamente de eficácia. a negociação. a participação etc.se: 241 menor custo. também.necessidades . (por causa de sua vinculação ao tecnicismo educacional). considerando. é verdade. a imprevisibilidade. Ainda há. da parte de alguns educadores. de forma que ninguém tenha dúvida dos resultados desejados a partir das ações levadas a efeito. que precisam funcionar competentemente. coerentes e operacionalizados. Levantar alternativas de solução possíveis e coerentes com o problema É a fase do exame das soluções possíveis. isto é. o compromisso das pessoas. produtividade. às necessidades e aos objetivos propostos.negociação . certa resistência a objetivos operacionalizados. Entretanto.objetivos 3. Daí a importância de objetivos muito claros. a maioria eficiência. Diagnóstico . controle. sem prejuízo da qualidade. se é verdade que as organizações escolares precisam ter um projeto. sem prejuízo dos objetivos. o diálogo. Levantadas várias alternativas. bem como práticas avaliativas visando a reformulação dos processos e do próprio projeto. sem considerar a flexibilidade.A identificação de necessidades e a avaliação das condições existentes podem levar à modificação dos objetivos. as que melhor se ajustam ao problema. elas podem passar pelo crivo dos critérios de seleção.

242 . Acima de tudo. conteúdos. também. Obviamente. procedimentos. sem prejuízo da capacidade de inovar e ousar. metodológicos). é preciso considerar.menor risco. materiais. Curricular e metodológica (no caso de escola) objetivos. concretizados em atividades a serem realizadas. metodologias. humanos e da própria coordenação do esforço humano coletivo.organização e gestão de recursos físicos. psicológicos. mobilizar esforços para atingir os objetivos previstos. A implementação levará em conta os seguintes aspectos: organizacional . sistemática de gestão) e os aspectos conceituais (pedagógicos. éticos. É importante preparar um cronograma de execução (plano de gestão do tempo). formas de acompanhamento e avaliação. materiais. humanas. critérios sociológicos. Organização do projeto O projeto é um guia para a ação. O projeto prevê o processo de trabalho dirigido ao atendimento dos objetivos. 4. 5. O projeto sempre tem os aspectos técnico-administrativos (condições físicas. Implementação do projeto Implementar significa criar as condições. estratégias. as alternativas precisam considerar os critérios de qualidade humana e educacional (Capitulo 111 deste livro). visando a implantação da alternativa selecionada em função dos objetivos. pôr em ação o projeto.

As várias formas de avaliação processual.). Tese de doutorado. 1994. Lisboa. avaliação e realimentação do projeto Estes aspectos. . para se verificar até que ponto em que nível de qualidade os objetivos foram atingidos. Formação e desenvolvimento profissional do professor: o aprender a profissão (um estudo em escola publica). Definir o problema Determinar objetivos e necessidades Levantar alternativas de solução possíveis e coerentes com o problema Organização Implementação Acompanhamento. Maria de Fátima B. São Paulo: Faculdade de Educação da USP. Acompanhamento. em função dos objetivos. através dos resultados. O exame e análise dos dados podem exigir correções no processo. a qualidade do projeto. levará à avaliação somativa. Abílio. incluindo a utilização de instrumentos de medida. Escolas e Mudança: O papel dos Centros de Formação. Rui. e CANÁRIO. É o que se denomina "retroalimentação". avaliação e realimentação do projeto BIBLIOGRAFIA ABDALLA. que podemos sintetizar no termo AVALIAÇÃO. Os resultados precisam ser analisados criteriosamente. AMIGUINHO.6. permitem verificar. (Orgs. 2000. Educa. tendo como critério os objetivos previstos. O acompanhamento permite ir controlando as várias fases de implantação. a organização e as condições em que está sendo implantado o projeto.

Brasilia. Brasília. CARVALHO.. Angelina. José E. e DIOGO.).BRASIL MEC-SEE Parâmetros curriculares nacionais. e outros. CARVALHO.. da S. Fernando. Rio de janeiro. . Idalberto. Brasília: INEP.MEC/INEP. 1998.1997. Portugal: Porto Editora. In: Guimarães. 244 CHRISTOV. MEC/ SEF. O coordenador pedagógico e a educação continuada. I Congresso Nacional de Supervisão na Formação. São Paulo: McGrawHill. 1999. Brasília. São Paulo: Edições Loyola. CASTRO. Avaliação do sistema educacional brasileiro: tendências e perspectivas. Autonomia da . Onze dilemas com que se defrontam os estudos internacionais. (Orgs. CANÁRIO. de. Educação continuada: função essencial do coordenador pedagógico. 1993. Aveiro. Ângela A. 1979. Luiza H. CISESKI. 1997. ed. In: Anais do Seminário de Avaliação Educacional. São Paulo: Brasiliense. Moacir e Romão. Maria Helena G. e ROMÃO. Conselhos de Escola: coletivos instituintes da escola cidadã. BRASIL. 1989. 1997 (digitado). A construção do projecto de escola. 1998. Horácio M. Iniciação à organização e controle. Adalberto D. Juan. CASASSUS. José E. Projecto educativo. Introdução à teoria do planejamento. CHIAVENATO. A escola: o lugar onde os professores aprendem. jan. Rui. Bases para um ensino de qualidade. . Ana A. 1999. Porto: Edições Afrontamento. In: Gadottti. CARVALHO.MEC/SEF. Referenciais para a formação de professores. Introdução. 3. de. 1994. de. BRASIL.

Moacir e ROMÂO.escola . São Paulo: Companhia Editora Nacional. FALEIROS. 1998. Educação e a crise do capitalismo real. Petrópolis: Vozes. María T Profesores y escuela -Hacia una reconversión de los centros y la función docente? Madrid: Ediciones Pedagógicas. Porto Alegre: Artes Médicos. 1974. La educación como comunicación. . Fragmentos de Cultura. A . I. In: GIMENO SACRISTÁN. Currículo e diversidade cultural. La educación obligatoria: su sentido educativo y social. COLOM CAÑELAS. José E. Compreender e transformar o ensino. Vicente de P Desafios do Serviço Social na era da globalização. FRIGOTTO. Teoria da Administração Escolar. e Moreira. São Paulo: Cortez. 1998. In: Castillejo. 1995. Porto Alegre: Artes Médicas. GADOTTI. J. Territórios contestados . FORQUIN.). (Orgs. José Luis e outros. Escola e Cultura . Qualidade: definição preliminar. São Paulo: Cortez. 1994. e GONZÁLEZ. 1995.O currículo e os novos mapas políticos e culturais. Daniel E. A avaliação no ensino.. Juan M. GRIFFITHS. 1993. 1999. Pedro. GIMENO SACRISTÁN. São Paulo: Cortez. 2000.).Princípios e proposições. Teoría de la educación.As bases sociais e epistemológicas do conhecimento escolar. In: Serviço Social e Sociedade 61. Goiânia. ESCUDERO. 1997. 8 (3). Madrid: Morata. Jean-Claude. DEMO. Autonomiada escola -Princípios e proposições. 1993. e PÉREZ GÓMEZ. 1997. Antonio J. Madrid.. Antônio F. Tomaz T. Gaudêncio. In: Silva. (Orgs. J.

Selma G. n. adeus professora? Novas exigências educacionais e profissão docente. 1991. LIBÂNEO. Valter S. 245 HENRIQUES. Buenos Aires: Ediciones Troquel. Formação dos profissionais da educação -visão crítica e perspectivas de mudança. São Paulo: Unesp. MARTINS. Maria A. B. LIBÂNEO. LOURENÇO FILHO. 1976. GUIMARÃES. Mario. 1991. José C. LARANJEIRA. N. A profissionalização docente. In: Educação e Sociedade. José do P Administração Escolar. Goiânia: UFG. Adeus professor. Ross L. Referências para a formação de professores. Viggiani. Igualdades e diferenças. 1999. São Paulo: Melhoramentos. 1994. Formação do educador e avaliação educacional: formação inicial e continua. et alii. M.. e PIMENTA. Carlo.GHILARDI. In: BICUDO. Portugal: Edições ASA. e SILVA JR. NEAGLEY. para quê? São Paulo: Cortez. 10. . Pedagogia e pedagogos.1999 (Texto avulso). Para enseñar no basta con saber la asignatura. MANACORDA. José C. 1994.). Organização e Administração Escolar. São Paulo: Cortez. (Orgs. 1969. Fernando & SANCHO. Porto: Porto Editora. Dean. Barcelona: Paidós. Franco e SPALLAROSSA. 1986. Fernanda. São Paulo. e EVANS. Guia para a organização da escola. HERNÁNDEZ. Maria I. Entrevista concedida à Revista ANDE. 1998. 1999. Técnicas de la moderna supervisión escolar. São Paulo: Atlas. 68. 1998. Juana M. Celestino A.

Imideo G. 1995. Belo 1989. 1973. NÓVOA. Perspectivas sociológicas. São Paulo: Atlas. OLIVEIRA. Lisboa: Publicações Dom Quixote/Instituto de Inovação Educacional. Luís C. Lisboa: Publicações Dom Quixote. FREITAS.. Mimeo. Haddad.). FUSARI. 1999. As organizações escolares em análise. 10 novas competências para ensinar. Supervisão educacional para uma escola Cortez. 246 De Tommasi. 1995. (Org. profissão docente e formação. José C. Vitor H. n. 8. A organização do trabalho pedag pesquisa de novas formas de organização. O planejamento do trabalho pedagógí tentativas de respostas. Warde. Livia. 1997. São Paulo: Cortez. 199 FERREIRA. e LIBÂNEO. São Paulo: Xamã. Antônio (Coord. p. Gestão democrática da ed novos desafios. Currículo. São Paulo: Cortez. São Paulo: Cortez. . PARO. Idéias. 1993. de. 1988. Goiânia. In: Fragmentos de Cultura. Naura S.. João F.NÉRICI. Introdução d supervisão escolar. Práticas pedagógicas.). Mirian J. Por dentro da escola pública. Porto Alegre: Artes Médicas. 1998. 1998). José A. PEDRA. 8 (3):597-612. Sérgio (Ç e as políticas educacionais. C. José C. Philippe.). A educação escolar e a sociedade contemporânea. PERRENOUD. Crítica da organização do trabalho pedagógico Papirus. Administração Escolar -Introdução crítica. São Paulo. (Org. 1996. Campinas: Papirus. conhecimento e suas representações. 2000.

1993. Cadernos de Pesquisa (Fundação Carlos Ch 5-10. Danilo. A prática (e a teoria docente) . Plano escolar -Camin Paulo: Cooperativa Técnico-educacional. 8. Eny. As escolas e a qualidade. Didática e Formação de professores: percursos e perspectivas no Brasil e em Ibrtugal. GATTI. OYAFUSO. Dalila A. S.). LUCK.). La cultura escolar en la sociedad n. Poderes instáveis em educa Médicas. p. (Org. pedagogia e didática. Morata. Faculdade de Educação/ Universidade Federal do mestrado. A construção do projeto pedagó Idéias. In: Pimenta (Org. Temas para um p Petrópolis: Vozes. uma síntese provisória. Enfrentando o desafio da escola: p a ação. n. 417-424.Resignificando a didática. e GANDIN. da C. PÉRES GÓMEZ. José. Heloísa et al. GIMENO SACRISTÁN. PIMENTA.). PIMENTA. A escola participativa . Alciko. Gestão democrática contemporâneos. São Paulo. 1999. LIMA. uma revisão conceitual. 1998. Goiânia. (Org. Luís A. . Selma G.1. 1999. Para uma re-significação da Didática: ciências da educação. 1997. Selma G. A. In: Oliveira. 1998.O trabal Rio de janeiro: DP-A.GANDIN. S. Portugal: Edições AS OLIVEIRA. 1999. Bernadete. OCDE. 1997. 1995. e MAIA. 41 i ten por cento 41 1Q Construir as competências desde a escola. Porto Alegre: Artes Médicas. Maria Rita N. Organização da escola e do et. 1999. São Paulo: Cortez. São Paulo: Cortez. 1990. Sueli A.

Gestão da escola fundamental. José E. BARROSO. José E. 1997. Educação e poder local. Autonomia da escola . São Paulo: Companhia Editora Nacional. São Paulo: Cortez. Outras indicações bibliográficas APPLE. . 1997. Escolas democráticas. Os conselhos escolares da rede municipal de ensino de Goiânia. 1998. 1999. Formação de professores: saberes e identidade da docência. RIOS. Louremi E. do. Terezinha A .). 1996. Moacir e Romão. Planejamento e organização do ensino. Teobaldo M. Celestino da. (Orgs. Paulo R. 30. In: Idéias. 1997. João. Portugal: Porto Editora. Claríza P Descrição de uma trajetória na/da Avaliação Educacional. O estudo da escola.Paulo. 1998. (Org. Saberes pedagógicos e atividade docente. Campinas: Papirus. 1996. 1997. SOUSA. CARMO. Alberto R. 1966. UNESCO-MEC.Princípios e proposições. (Orgs. São Paulo: Cortez. A escola pública como local de trabalho. SANTOS. Dissertação de Mestrado. Marlene S. SILVA JUNIOR.). 1974. 2000. (Coord.). Noções de Administração Escolar. James.. Michael. Cortez. Porto Alegre: Globo/INL. SALDANHA.Confluências e divergências entre didática e currículo. SANTOS. São Paulo: Faculdade de Educação da USP. São Paulo: Cortez.). Cuiabá: Entrelinhas Editora.). In: Pimenta (Org. ROMÃO. 1990. Diretores escolares e gestão democrática da escola (In: Gadotti. Tese de doutorado. São Paulo: Cortez/Autores Associados. e BERNE. e PADILHA. S. O. Goiânia: UFG.Por uma docência da melhor qualidade.

SANTOS. Educação e qualidade.). Por uma docência da melhor qualidade.).Resignificando a didática. Maria Rita N. e PADILHA. 2000. Moacir e Romão. ROMÃO. Porto Alegre: Artes Médicas. Para uma re-significação da Didática: ciências da educação. São Paulo: Faculdade de Educação da USP. São Paulo: Cortez. 1974. Formação de professores: saberes e identidade da docência. Diretores escolares e gestão democrática da escola (In: Gadotti. 1994. RIOS. 1997. Cortez. (Orgs. José E. Pedro.). Selma G. Terezinha A . . Tese de doutorado. In: Oliveira. S. O. S. Cuiabá: Entrelinhas Editora. 1997. Marlene S. Confluências e divergências entre didática e currículo. José E.Paulo. UNESCO-MEC.DEMO. Planejamento e organização do ensino. PIMENTA. Gestão da escola fundamental. A prática (e a teoria docente) . 1997. 1997.). pedagogia e didática. Educação e poder local. 1999. In: Pimenta (Org. Autonomia da escola . uma revisão conceitual. SALDANHA.. Campinas: Papirus. (Coord. São Paulo: Cortez. (Org. 247 Construir as competências desde a escola.). Paulo R. uma síntese provisória. Porto Alegre: Globo/INL. 1999. Louremi E. Saberes pedagógicos e atividade docente. Didática e Formação de professores: percursos e perspectivas no Brasil e em Ibrtugal. In: Pimenta (Org. Campinas: Papirus. 1998. São Paulo: Cortez.Princípios e proposições.

Outras indicações bibliográficas APPLE. Crítica da organização do trabalho pedagógico e da didática. Luís C. FREITAS.). 1998. O planejamento do trabalho pedagógico: algumas indagações e tentativas de respostas. São Paulo: Cortez/Autores Associados. (Org. Belo Horizonte: V ENDIPE. p. 1990. C.). Os conselhos escolares da rede municipal de ensino de Goiânia. Teobaldo M. James. Dissertação de Mestrado. Escolas democráticas. São Paulo: Cortez.). São Paulo: Companhia Editora Nacional. SILVA JUNIOR. do. Mirian J. 1995. 1999. Educação e qualidade. Clarfza P Descrição de uma trajetória na/da Avaliação Educacional. Haddad. Livia. FERREIRA. 30. Sérgio (Orgs. São Paulo: Cortez. Gestão democrática da educação: atuais tendências. João. 1996. São Paulo: Cortez. (Org. Celestino da. (Orgs.. De Tommasi. 1990. Portugal: Porto Editora. Noções de Administração Escolar. Campinas: Papirus. A organização do trabalho pedagógico Elementos para pesquisa de novas formas de organização. 1998. 1966. Alberto R. 8. 1996. Michael. José C. 1997.). novos desafios. e BEANE. O estudo da escola. FUSARI. CARMO.SANTOS. 1989. 1996. O Banco Mundial e as políticas educacionais.). In: Idéias. BARROSO. SOUSA. 44-53. Naura S. Goiânia: UFG. Warde. (Org. Supervisão educacional para uma escola de qualidade. n. São Paulo: Cortez. 1994. Mimeo. . Idéias. São Paulo. DEMO. A escola pública como local de trabalho. Pedro. Campinas: Papirus.

A. 8. 1990. 5-10. 1999. Portugal: Edições ASA. Eny. Heloísa et al. Cadernos de Pesquisa (Fundação Carlos Chagas). São Paulo. Petrópolis: Vozes. 1999. 1998. Faculdade de Educação/ Universidade Federal de Goiás. p. 1995. Rio de janeiro: DP&A. 1998. La cultura escolar en la sociedad neoliberal. S. PÉRES GÓMEZ. GIMENO SACRISTÁN.GANDIN. LIMA. Temas para um projeto político pedagógico. Akiko.). Campinas: Papirus. 417-424. José. São Paulo: Cortez. OLIVEIRA. 1992. Selma G. Poderes instáveis em educação. Dalila A. 1990. Sueli A. 85. da C. Porto Alegre: Artes Médicas. (Org. Danilo. Dissertação de mestrado. São Paulo. Bernadete. Administração colegiada na escola pública. Plano escolar -Caminho para a autonomia. OCDE. 1997. LUCK. A construção do projeto pedagógico na escola de 1. A escola participativa . Organização da escola e do ensino e atuação do diretor. Enfrentando o desafio da escola: princípios e diretrizes para a ação. Madrid: Editora Morata. São Paulo: Cooperativa Técnicoeducacional. Gestão democrática da educação . n. 1993. .grau. OYAFUSO. p. 2. I. Luís A. 1999. 248 ANEXOS PRAIS. e GANDIN. n. Goiânia. ed. e MAIA. GATTI. PIMENTA.O trabalho do gestor escolar.Desafios contemporâneos. As escolas e a qualidade. Idéias. Maria de Lourdes M.

Planejamento participativo na escola. 15. (Org. Novos olhares sobre a supervisão. SILVA JR. nosso trabalho. 1990. 1995. 73-77. n. 1995. Campinas: Papirus. 1986. uma atividade de reflexão acerca de nossas ações e opções. ANEXO I PLANEJAMENTO ESCOLAR . Ele implica intencionalidade. São Paulo.). . ao mesmo tempo. Idéias. VEIGA. O planejamento é um instrumento de trabalho e. Gestão da escola fundamental. isto é. explicitação de objetivos. Mary Silva. intenções. Piracicaba: Unimep.). meios de ação.DIAGNÓSTICO VIANNA. p. Educação: a outra qualidade. Celestino A da. Terezinha. Silva. 1997. Planeja-se para decidir melhor.RIOS. Anexos Planejamento escolar – Diagnóstico O planejamento escolar é um processo de tomada de decisões. UNESP-PRó-REITORIA DE GRADUAÇÃO. para racionalizar nossas ações. O projeto pedagógico de seu curso está sendo construído por você? ANAIS DOEI CIRCUITOPROGRAD. Significado e pressupostos do projeto pedagógico. 1995. O homem é o único animal capaz de antecipar na sua mente o que pretende fazer. (Org. Rinalva. São Paulo: EPU. O. UNESCO-MEC. em função de objetivos. 1995.). Campinas: Papirus. fica A. 1997. São Paulo. e RANGEL. Ilma A. (Orgs.. São Paulo: Cortez. Campinas: Papirus. realizar. Projeto político-pedagógico da escola. Caminhos da profissionalização do magistério.

250 O planejamento cumpre. correção dos desvios e adequação do trabalho em função dos objetivos e com base em padrões mínimos de desempenho. Seu processo de elaboração requer a participação do pessoal técnico e docente. execução e avaliação do Projeto pedagógico-curricular. Tomada de decisões com base na escolha de prioridades e das formas mais eficazes de produzir mudanças na instituição em função dos objetivos. O processo de planejamento obedece à seguinte lógica: 1. o plano é um documento. Análise e interpretação dos dados com base nos objetivos da instituição. O planejamento é um processo. viabilizado e avaliado pelo diretor e sua equipe técnica. Planejamento não pode ser proposta individual ou de algumas pessoas. três funções: previsão de resultados e meios de atingi-los. Elaboração e divulgação do projeto . O Projeto pedagógicocurricular deve ser o resultado de um trabalho conjunto da equipe escolar. de forma integrada e participativa. Diagnóstico da escola para coleta de informações úteis para a elaboração do Projeto pedagógico-curricular 2. O Projeto pedagógico-curricular deve ser coordenado.Na escola. pelo menos. o planejamento tem como objetivo prever a organização do trabalho a ser desenvolvido. reflexão. para revisão das decisões tomadas e das ações. 3. tendo em vista a elaboração.

ao menos. verificam-se os problemas existentes. registro de observações e entrevistas. Descrição dos dados coletados e observados: o que acontece e como acontecem as coisas na escola. indicando elementos para tomada de decisões. que afetam o processo de ensino e aprendizagem. isto é. mediante registro de dados. expectativas e necessidades da escola e da comunidade. para se saber como e com que meios a escola vem atendendo sua tarefa principal: ensinar. O Diagnóstico tem. O Diagnóstico consiste no levantamento de dados e informações para se ter uma visão de conjunto das necessidades e problemas da escola e facilitar a escolha de alternativas de solução. Cumpre. 3. um papel básico na definição de diretrizes e metas para a organização pedagógico-didática e administrativa da escola. Possibilita o conhecimento das características. duas funções: Coletar informações quantitativas e qualitativas. Levantamento de dados. em termos da qualidade do serviço oferecido à população. . para o planejamento. Análise e interpretação dos dados: apreciação qualitativa com base no conhecimento teórico dos elementos constitutivos da organização escolar e nos objetivos esperados da instituição escolar. as causas mais . de acordo com um Roteiro. Os passos para se fazer um Diagnóstico são os seguintes: 1.Possibilitara análise das informações coletadas.A atividade inicial do processo de planejamento é o Diagnóstico da escola. portanto. O Diagnóstico alimenta o Projeto pedagógico-curricular. 2. Neste tópico.

tipo de comércio. transporte urbano etc. destinação de uso. 252 ANEXOS II ANEXOU ROTEIRO PARA A COLETA DE DADOS PARA O DIAGNÓSTICO 1. Características gerais da comunidade e sua influência na composição da clientela escolar: caracterização do setor ou bairro em termos de urbanização (tipo de casas. ESTRUTURA FÍSICA E MATERIAL 2.1. igrejas. 2. 4. dimensões (ideal: 1m2 por aluno). nível sócio-econômico das famílias. Salas de aula: quantidade. outras escolas existentes.). ruas. aspectos culturais e de lazer.prováveis desses problemas e marcam-se as alternativas de solução.). indústrias. vice-diretoria. Salas da administração: quantidade. condições ambientais (iluminação. se o número de salas é suficiente (diretoria. dimensões. 253 . assistência social e saúde. CARACTERIZAÇÃO SÓCIO-ECONÔMICA Breve histórico da criação da escola. Edifício escolar Tipo de construção. aspecto físico geral. ventilação etc. Indicações de medidas a serem tomadas: pontos a serem considerados no Projeto pedagógico-curricular para modificar as condições de funcionamento detectadas no Diagnóstico.

vídeo. 2. . . refeitório. escrivaninhas. retro-projetor.Material didático (mimeógrafo. despensa.2. almoxarifado. Mobiliário . estado de conservação. descobertas. estado de conservação. . sala de professores. 2. a que se destinam. água tratada ou não. slides). copiadora.secretaria.4. . suficientes ou não.Bebedouros e lavatórios: quantidade. salas de projeção (filmes. condições de uso. auditório etc. .Área disponível para lazer.Mesas. cartazes. vídeos.Carteiras: tipo. adequação ao uso.Instalações sanitárias: quantidade conforme o número de usuários.Salas e ambientes especiais: verificar os mesmos aspectos nas salas para: laboratórios. televisores. quantidade. coordenador de turno.3. armários e outros: tipo. .Áreas livres: cobertas. condições higiênicas. como são adquiridos. quantidade. coordenação pedagógica. 2. cozinha. Recursos financeiros . . Espaços de lazer e recreação . quantidade. biblioteca.): tipo.Sistemática de efetuação das despesas. forma de escoamento dos detritos. mapas etc. orientação educacional).Verbas de que dispõe a escola . condições de uso. recreação e esportes: dimensões. formas de controle.

Organograma da escola. 254 3. Aspectos organizacionais .2. 3. pessoal docente. coordenadores pedagógicos. qualificação. Professores: Número.Principais atribuições de cada setor. Alunos: Número por série.4. PESSOAL 3. pessoal administrativo.Formas de gestão e formas de relacionamento entre o pessoal técnico. .1. merendeiras. orientadores educacionais. vice-diretor.3. diretor. 4. . 3. Coordenação pedagógica e orientação educacional ANEXOS Há um programa de formação continuada dos professores e pessoal administrativo? Existe o trabalho de assistência pedagógico-didática ao professor? Há uma unidade de ação da equipe técnica ou o trabalho é fragmentado? Há conflitos de funções entre direção e equipe técnica? O trabalho do pessoal técnico funciona em termos de garantir a qualidade do trabalho dos professores em sala .2.Existe Regimento Escolar? É do conhecimento de todos os membros da escola? É utilizado? Em que circunstâncias? 4. qualificação. ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO 4.Funcionários: Número por cargo (inspetores de alunos. . Especialistas: Número. ESTRUTURA.3. pessoal auxiliar .1. número por sala. porteiros. serventes. vigias. adequação idade/série.

3.? Os registros e controles do rendimento escolar estão corretamente organizados? Os arquivos estão organizados corretamente? Há normas da Secretaria da Educação sobre a organização e funcionamento da secretaria escolar? 4.A Delegacia traz para a escola instruções e procedimentos a serem cumpridos pela escola? Quem é o portador dessas instruções? . Relacionamento com pais e comunidade A escola tem APM (Associação de Pais e Mestres)? Conselho de Escola? .de aula? Há acompanhamento do trabalho do professor na sala de aula.A secretaria está bem organizada? Há pessoal suficiente? 255 Há prontuários de cada aluno? Há ficha cadastral com dados de identificação.4. do rendimento dos alunos (análise dos resultados das avaliações) por classe? 4.Que tipo de atuação tem a Delegacia na parte administrativa e pedagógica da escola? O acompanhamento é freqüente ou esporádico? Qual é o grau de autonomia da escola para tomar decisões? 4. residência. Relacionamento com a Secretaria da Educação e Delegacia de ensino . profissão dos pais etc.5. Secretaria escolar .

prática de esporte.Tipo de gestão existente na escola (colegiada. por classe. participativa.Há o Plano da escola? Quando e como é feito? Existe um documento escrito? Há definição de objetivos e metas para o ano letivo e explicitação de atividades administrativas. O PLANEJAMENTO ESCOLAR . .Relacionamento do diretor com o pessoal da escola (técnico.. democrática. ORGANIZAÇÃO GERAL DA ESCOLA 6. docente. empresários e outros? A escola cede suas instalações para a comunidade (reuniões. .)? 256 5.)..)? Os pais comparecem? A escola mantém relacionamento com outras instâncias da comunidade (políticos. lazer etc.Existe um trabalho sistemático com os pais? São feitas reuniões? Com que freqüência (mensal..Há uma sistemática de levantamento de dados e informações para o diagnóstico? . administrativo) a respeito das decisões a serem tomadas...1. . centralizada.. semestral. associações de bairro. anual. financeiras e pedagógico-didáticas? . autoritária. Aspectos administrativos gerais .)? Que tipo de reuniões (com todos os pais.Facilidade de execução das atividades ou excesso de burocracia.O Plano é utilizado para a elaboração de Planos de ensino? 6.

acompanhamento e avaliação do trabalho de cada setor etc.Como é feita a distribuição de alunos por classe? Há critérios de distribuição por idade..).Como é feita a distribuição de classes entre os professores? Quais são os critérios? . contatos com professores/ funcionários/ alunos.Como é feita a recuperação? Quais os objetivos das aulas de recuperação? Funciona? Dentro do horário ou fora do horário? . .Como é controlada a freqüência dos alunos? Há muitas faltas? A escola verifica causas de ausência de alunos .Há remanejamento de alunos durante o ano letivo? Quais são os critérios? .Como é fixado o número de vagas? Existem critérios explícitos de seleção de alunos? Quais são os critérios de distribuição de alunos pelos turnos em que funciona a escola? São levadas em conta necessidades da comunidade? Há restrições a matrículas? São feitas exigências descabidas? .Há Conselho de classe? Quando e como são feitos? 6. rendimento escolar ou outros? .2.Funcionamento da rotina da escola . . reuniões. contatos com a comunidade/ delegacia de ensino/ políticos.Em que e como o diretor ocupa seu tempo (administração.Há Conselho de Classe? Quando e como são feitos? Funciona em termos de uma avaliação diagnóstica? . supervisão pedagógica.Como é organizado o horário? Quem organiza? Como é a distribuição das atividades (disciplinas)? Há uma fixação de horas semanais para cada atividade ou disciplina? .

Os professores têm assistência pedagógica efetiva da equipe técnica? .Há atividades extra-classe (visitas a locais da comunidade para estudo do meio. exposições.A escola exige uniforme? Controla o uso do uniforme? Há reclamações dos pais nesse sentido? 6. Aspectos da organização pedagógico-didática .Como é organizada a Semana de planejamento? Como são elaborados os planos de ensino (os professores isoladamente ou em conjunto)? 258 .)? .Há reuniões pedagógicas freqüentes? Que tipo de assuntos são tratados nessas reuniões? Há algum tipo de encontro para estudo.O Plano da escola é utilizado para elaboração dos planos de ensino? .Qual é o procedimento utilizado na escolha dos livros didáticos? .Quais os problemas mais constantes em termos de controle da disciplina e infrações disciplinares? .faltosos? Há controle da evasão escolar e uma análise de suas causas? . competições esportivas etc.Existe uma articulação entre as séries em termos de programação de objetivos e conteúdos? .3. reflexão ou discussão sobre a prática docente? .Há merenda escolar? Quem fornece? A escola complementa? Os alunos gostam da merenda? Em que horário é servida? A distribuição dos alimentos interfere nas atividades de sala de aula? .

dificuldades.Há um clima de trabalho positivo. para detectar desvios.Há liderança efetiva da direção? Como é o relacionamento pessoal da direção com o pessoal técnico. que estimula e incentiva a equipe escolar? 259 8.Qual é o tipo de gestão adotado na escola? . em termos de sua eficácia e realização de objetivos? .. AVALIAÇÃO . e reorientar os trabalhos? .É feita a avaliação da execução do Plano da escola? Como se faz essa avaliação? Que procedimentos são utilizados? .Há um efetivo acompanhamento das atividades pedagógicas e administrativas.Quem realiza a avaliação? Há uma reflexão conjunta sobre a prática desenvolvida. controle e avaliação das decisões tomadas? .Há uma sistemática de capacitação em serviço (treinamento)? É feita pelo pessoal técnico da escola ou pela Secretaria da Educação? 7.As responsabilidades estão claramente definidas? . administrativo e auxiliar? . DIREÇÃO E GESTÃO DA ESCOLA .Há uma sistemática de acompanhamento.Qual é a sistemática de tomada de decisões? Há ordens prontas ou há uma prática participativa? .

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->