Organização e Gestão da escola – Teoria e Prática José Carlos Libâneo Os estudos atuais sobre o sistema escolar e as políticas educacionais

têm colocado a escola, enquanto organização, co mo referência para a realização dos objetivos e metas dos sistema educativo. Nesse sentido, ela é vista como um ambiente educativo, como espaço de formação construído pelos seus componentes, um lugar em que os profissionais podem decidir sobre seu trabalho e aprender mais sobre sua profissão. Essa forma de ver a dinâmica da vida da escola leva a considerar a organização escolar como um_ organismo aberto, cuja estrutura e processos de organização e gestão são constantemente construídos pelos que nela trabalham (diretores, coordenadores, pedagogos, professores e funcionários) e pelos seus usuários (alunos, pais, comunidade próxima). Faz-se necessário, portanto, que esses educadores desenvolvam uma das competências profissionais básicas: participar na gestão e organização da escola, desempenhando um papel ativo nas decisões pedagógico-didáticas, organizacionais, administrativas. Para isso, precisam conhecer bem as políticas educacionais, os objetivos e as formas de organização e funcionamento de uma escola, bem como desenvolver competências para trabalhar em equipe, cooperar com outros profissionais, aprender a ter uma atitude investigativa. Essa qualificação teórica e prática possibilitará não apenas o exercício da participação mas, também, a análise da prática que levará a aprender idéias, saberes, experiências, na própria situação de trabalho, contribuindo para o desenvolvimento pessoal e

profissional. É para isso que este livro pretende contribuir. A ordenação dos capítulos foi pensada no sentido de familiarizar os estudantes nos conhecimentos básicos do processo organizacional das escolas e nos conhecimentos teóricos e práticos necessários para a participação consciente e ativa nas ações de organização e gestão da escola. O AUTOR José Carlos Libâneo é doutor em Filosofia e História da Educação pela PUC de São Paulo. Nasceu em Angatuba, Estado de São Paulo, em 1945. Formou-se em Filosofia na PUC de São Paulo, onde também obteve os títulos de mestre e doutor. Foi diretor de escola, desempenhou atividades nas Secretarias de Educação de São Paulo e Goiás, ensinou em várias instituições de ensino superior, tendo sido professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás durante 20 anos. Há muitos anos trabalha com formação de professores. Atualmente é Professor Titular da Universidade Católica de Goiás. Publicou cinco livros: Aceleração Escolar - Estudos sobre educação de adolescentes e adultos (1976), Democratização da escola pública - A pedagogia crítico-social dos conteúdos (Editora Loyola, 1 a edição em 1985, atualmente nas 17a edição), Didática (1 a edição em 1990, atualmente na 20a edição), Adeus professor, adeus professora? - Novas exigências educacionais e profissão doscente (4ª edição) e Pedagogia e pedagogos, para quê? (2ª edição), os três últimos publicados pela Editora Cortez. Também escreveu dez capítulos de livros em co-autoria e diversos artigos em revistas especializadas.

Para os diretores de escola, coordenadores pedagógicos, orientadores educacionais, professores que, entre tantas dificuldades que afligem a escola pública, sempre recobram o ânimo, se enchem de energia e de esperança, sabendo que o saber organizar e gerir sua escola, com determinação, energia e diálogo, produz um diferencial visível nas condições concretas pelas quais se pode garantir uma sólida formação de cidadãos, de profissionais, de usuários das mídias, de consumidores, de interlocutores sociais, para uma sociedade que requer cada vez mais sujeitos capazes de lidar com o conhecimento e que precisa ser muito mais includente do que tem sido. Para Maria Augusta de Oliveira, amiga e companheira de trabalho há muitos anos, cujo conhecimento práticoteórico sobre aqueles fazeres pedagógicos tem ajudado outras e outros a compreenderem que não é possível saber o que fazer sem saber o como fazer. SUMÁRIO Apresentação 9 Capítulo I - A escola como organização de trabalho e lugar de aprendizagem do professor 17 Capítulo II - Uma escola para novos tempos 31 Capítulo III - Buscando a qualidade social do ensino 51 Capítulo IV - O professor e a construção da sua identidade profissional 61 Capítulo V - Os conceitos de organização, gestão, participação e cultura organizacional 73 Capítulo VI - O sistema de organização e gestão da escola 93

Capítulo VII - Princípios e características da gestão escolar participativa 109 Capítulo VIII - O planejamento escolar e o projeto pedagógico-curricular 121 Capítulo IX - Organização geral do trabalho escolar 171 Capítulo X - As atividades de direção e coordenação 177 Capítulo XI - A formação continuada 187 Capítulo XII - Avaliação de sistemas escolares e de escolas 197 Capítulo XIII - Estratégias de coordenação do trabalho escolar e de participação na gestão da escola 221 Bibliografia - 243 Anexos - 249 Apresentação Este livro destina-se ao estudo da escola como instituição básica do sistema escolar e lugar de trabalho do professor. Foi escrito para ajudar os professores a conhecerem a estrutura e a organização das escolas e as condições de seu exercício profissional. Os capítulos desta publicação foram organizados a partir de textos didáticos provisórios, roteiros e notas de aulas, resenhas de livros, elaborados quando o autor ministrava, na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás, a disciplina Organização do Trabalho Pedagógico. Esse material foi reunido e reorganizado com base em novas pesquisas e leituras de obras recentes sobre o assunto. É necessário, entretanto, alertar os leitores de que muitas das idéias e opiniões aqui lançadas permanecem como objeto de investigação, pedindolhes que compartilhem com o autor as muitas indagações e dúvidas e que sejam também produtores de conhecimento. Estou de acordo com uma professora que disse assim:

"entre a teoria de um autor que queremos assumir, e a prática que queremos transformar com essa teoria, existe a nossa teoria" (in Christov, 1998). Tem sido divulgada boa bibliografia sobre organização e gestão dos sistemas de ensino. Tais estudos realizam análises bastante abalizadas sobre as formas de organização e gestão da educação neste momento de reestruturação produtiva capitalista, globalização 10 da economia, avanços tecnológicos, em que as políticas econômicas, sociais, educacionais são levadas a se ajustar ao modelo de desenvolvimento capitalista que ora se consolida. O impacto das transformações nos sistemas de ensino e nas escolas é direto: alteração no perfil de formação geral e profissional dos alunos, mudanças nos currículos e nas formas de gestão da escola, reavaliação das funções e responsabilidades do professorado, formas de participação das famílias etc. Ou seja, junto com a reestruturação produtiva vêm as reformas educacionais, pois há suficiente base histórica para sabermos que reajustes na realidade econômica e produtiva incidem em alterações no âmbito social, cultural e até pessoal. Não nos passa, pois, desapercebido o impacto dessas mudanças, especialmente o recondicionamento das escolas ao intentos do capitalismo internacional e dos interesses financeiros. Trata-se, de fato, de implantar políticas educacionais que subordinam o processo formativo aos interesses dos mercados e ao Estado gestor. No entanto, parece-nos crucial entender que, se por um lado, é absolutamente imprescindível denunciar essa formas de refuncionalização da escola, por outro, não se

as forças progressistas da sociedade que continuam lutando por justiça. As escolas são organizações educativas que têm tarefas sociais e éticas peculiares. cargos. assim como a análise dos resultados que contribuem para o processo formativo e para o aperfeiçoamento da gestão. buscando formas eficazes de desenvolvê-la e colocá-la a serviço dos interesses de toda a coletividade. portanto. igualdade. Na verdade. Este livro quer contribuir. para o enfrentamento de importantes decisões dentro da escola. precisam lutar pela escola. orientações a serem dadas. os educadores defrontam-se diariamente com decisões que precisam ser tomadas. pois elas continuam tendo uma função social insubstituível de formar os indivíduos para uma vida digna e para a compreensão e transformação da realidade.pode reduzir a importância das escolas. atribuições. uma cultura organizacional. precisam dispor de meios operacionais. Para atingir seus objetivos sócio-políticos. 11 com um caráter profundamente democrático. Enfrentar os problemas e dilemas reais do cotidiano das escolas e dos professores talvez seja uma empreitada bem mais penosa do que fazer a denúncia dessa refuncionalização das escolas a serviço dos interesses das elites econômicas e financeiras. isto é. Ou seja. condições e oportunidades iguais para toda a população. processos de gestão e tomada de decisões. uma tecnologia. criar e desenvolver uma estrutura organizacional (setores. não podendo contentar-se apenas em fazer a crítica da situação. . normas).

Que se pode ter uma avaliação do sistema escolar e dos alunos que orientem mudanças na qualidade das aprendizagens escolares. Acreditamos que há formas de se buscar autonomia. tocar suas vidas. poder ganhar capacidade reflexiva para atuar e transformar a realidade social. Uma coisa é certa: as escolas estão aí. o planejamento. a descentralização. do melhor modo possível. apta a preparar os alunos para a empregabilidade. sem que isso signifique controle do trabalho dos professores ou punição de escolas ineficientes. são postos novos desafios às tarefas da docência. aos direitos de todos de uma educação de boa qualidade. pais e alunos). de desenvolvimento da profissionalização e profissionalidade.inclusive sobre estratégias de ação indicadas nos documentos oficiais e das agências financeiras internacionais tipo Banco Mundial. Que se pode fazer o projeto pedagógico sem que ele represente uma forma de domesticar os professores. a avaliação de sistemas. participar da vida política e cultural. a gestão. de avaliação etc. de fato. como a autonomia da escola. Os educadores comprometidos com a transformação social precisam dispor de conhecimentos para repensar formas de funcionamento das escolas. sem ser uma autonomia imposta. que considerem ao mesmo tempo a realidade sócio-econômica 12 . assumindo que. a profissionalização dos professores. Que se pode pensar na profissionalidade dos professores e na melhoria do seu desempenho profissional. de participação da comunidade escolar (professores. e é questão de justiça que elas atendam. é nela que estão matriculados os filhos das camadas médias e pobres da população.

a estrutura organizacional do sistema escolar.e cultural em que se insere a escola e os professores e as condições concretas dentro da escola e da sala de aula que garantem a justiça social do ponto de vista da escolarização. Essas disciplinas estudam temas da educação sob um enfoque mais geral: as políticos educacionais. Organização Escolar. oferecer conteúdos para disciplinas que aparecem nos currículos. Em função disso. vem sendo substituída por Políticas educacionais e gestão da educação. da organização e da gestão do sistema educacional e das escolas. os planos de educação. na formação de professores é importante o conhecimento da estrutura. os princípios. assim. Organização do Trabalho Pedagógico. econômicas. este livro contempla mais diretamente o estudo da organização e da gestão por dentro da escola. No currículo do curso de Pedagogia e dos cursos de Licenciatura. junto com seus professores e professoras. Pretende. políticos. a cada tarde e a cada noite. o estudo do sistema educacional tem sido feito na disciplina Estrutura e Funcionamento do Ensino. Organização do Trabalho Escolar. É verdade que faltam coordenadas sociais. em comum. as . Essas disciplinas têm. métodos e procedimentos relacionados com o processo de trabalho na escola. em alguns lugares. Educação Escolar. os alunos e as alunas estão chegando para mais uma jornada de aulas. educacionais mais claras de um projeto político progressista. porque a cada manhã. a qual. principalmente no curso de Pedagogia. as relações entre educação e sociedade etc. mas os educadores que atuam na linha de frente do sistema escolar não podem esperar. Todavia. sob várias denominações: Administração Escolar.

visando a qualidade cognitiva e operativa da aprendizagem dos alunos. sociais e . isto é. as relações da escola com a comunidade e a sociedade. a educação escolar será abordada sob estes enfoques: a organização da escola. as formas de participação do professor nos processos de organização e gestão. relações humanas. o sistema de gestão. isto é. entre a micro e a macro-estrutura. isto é. estrutura e dinâmica organizacional. De acordo com esse entendimento. às suas condições internas de funcionamento. Tem-se como pressuposto a crença de que a escola é o centro de referência tanto das políticas e planos da educação escolar quanto dos processos de ensino e aprendizagem na sala de aula e de que de nada adiantarão boas políticos e planos de ação e eficazes estruturas organizacionais se não se der atenção aos aspectos internos da escola. dos fatores econômicos. as relações internas entre os integrantes da escola. A elaboração deste livro teve a pretensão de oferecer o conteúdo básico dessas disciplinas que visam o estudo da escola. nas relações entre o infra-escolar e o extra-escolar. os objetivos e práticas escolares não se limitam ao espaço escolar. procedimentos de avaliação. Ainda que o conteúdo aqui apresentado recaia sobre a escola enquanto organização. o processo 13 de tomada de decisões. será sempre necessário abordar as situações e os problemas da organização escolar nos seus aspectos internos e externos. práticas formativas.formas de gestão e de tomada de decisões. Eles dependem. Em razão disso. também. objetivos. das condições externas.

na própria situação de trabalho. procurando detectar suas características dominantes em cada momento. pais. Isso significa que cada situação escolar analisada. Em termos práticos. cada ocorrência cotidiana. como objetivos de aprendizagem: Conhecimento da organização escolar. das suas relações de poder. Para tanto. pais. comunidade próxima). cuja estrutura e processos de organização e gestão são constantemente construídos pelos que nela trabalham (diretor. das várias culturas que atravessam a escola. professores e 14 funcionários) e pelos seus usuários (alunos. é necessária a qualificação teórica de seus integrantes de modo que todos estejam capacitados a fazer a análise da prática e. alunos. da sua cultura. aprender idéias. coordenadores. nenhum problema da organização escolar pode ser enfocado isoladamente.políticos. antes. deve ser tratado sob múltiplos aspectos. precisam ser analisadas na sua contextualização mais ampla. saberes. bem como as formas de gestão e as . pedagogos. das expectativas e interesses sociais dos grupos e classes sociais. das políticos educacionais e diretrizes oficiais para o sistema escolar. cada atividade. dos condicionantes impostos por valores morais e ideológicos. assim. com isso. das condições materiais de vida e de trabalho dos professores. experiências. Essa forma de ver a dinâmica da vida da escola leva a considerar a organização escolar como uma instituição aberta. O estudo da organização e gestão da escola tem. seus problemas. seu modo de funcionamento.

Esses objetivos. Os capítulos I a IV tratam dos objetivos. especialmente no desenvolvimento do projeto pedagógico-curricular. das funções e dos critérios de qualidade da instituição escolar e do papel imprescindível dos . identificar e solucionar problemas (previsíveis e imprevisíveis) e reinventar práticas frente a situações novas ou inesperadas. desenvolvendo saberes educacionais a partir de questões vividas na prática cotidiana. propiciarão aos futuros professores e aos professores em exercício ajuda para participarem eficazmente na organização e gestão da sua escola. organização e gestão da escola. dentro da idéia-mestra que tem orientado a pesquisa atual sobre o trabalho de professores: realizar o trabalho pedagógico de forma coletiva. Capacitação para participação no planejamento. com competência técnico-científica. interdisciplinar e investigativa. Os capítulos foram pensados para familiarizar os estudantes nos conceitos básicos do processo organizacional das escolas e nos 15 conhecimentos teóricos e práticos que podem contribuir para a participação consciente e ativa na organização e gestão da escola. se atingidos. Desenvolvimento de saberes e competências para fazer análises de contextos de trabalho. na sala de aula e na organização escolar. sensibilidade ética e compromisso com a democratização das relações sociais na instituição escolar e fora dela.competências e procedimentos necessários para participação nas várias instâncias de decisão da instituição escolar.

Maria Augusta de Oliveira. Mirza Seabra Toschi. convidando os professores e alunos a saber mais sobre eles e a aprofundá-los. janeiro de 2001 C A P Í T U L O A ESCOLA COMO ORGANIZAÇÃO DE TRABALHO E LUGAR DE APRENDIZAGEM DO PROFESSOR CAPÍTULO . Verbena M. Selma Garrido Pimenta. nas Licenciaturas e nas próprias escolas. Os capítulos VIII ao XIII oferecem uma orientação prática. Lana de Souza Cavalcanti. Os capítulos V a VII abordam o sistema de organização e gestão da escola e o papel de seus atores. Alguns colegas tiveram a generosidade de oferecer idéias ou sugestões de alterações de partes do texto e a eles deixo meu agradecimento: João Ferreira de Oliveira. operacional. sempre no sentido de ajudar futuros pedagogos e professores a desenvolverem saberes e competências para participar das ações de organização e gestão da escola. para o funcionamento das escolas. Sandramara Matias Chaves.professores. de Souza Lisita. Depois dos capítulos e anexos. Por fim.19 Os estudos recentes sobre o sistema escolar e as políticas educacionais têm se centrado na escola como . o autor espera que este livro possa trazer uma contribuição eficaz para a formação inicial e continuada de professores nos cursos de Pedagogia. José Carlos Libáneo Goiânia. foi incluída uma ampla bibliografia sobre os temas tratados. Valter Soares Guimarães.

Com base nesse entendimento. de 20 formação para a cidadania e de desenvolvimento de conhecimentos e capacidades para enfrentamento das condições adversas de vida. a escola voltou a ter sua importância social reconhecida. O realce da escola como objeto de estudo não se explica apenas pela sua importância cultural mas. gestão centrada na escola. avaliação institucional. já por volta dos anos 80. Após esse período. atribuindo às escolas maior poder de decisão e maior autonomia. recorrem hoje. por outro. também. É por essa razão que as reformas educativas de vários países. cada vez mais.unidade básica e espaço de realização dos objetivos e metas do sistema educativo. Se. a termos como autonomia. projeto pedagógico. O pedagogo português Antônio Nóvoa conta que nos anos de 1960-70 as pesquisas em educação se destacaram pela constatação da relação entre o funcionamento dos sistemas escolares e as desigualdades sociais. ela poderia ser culpabilizada pela discriminação e exclusão de alunos provenientes das camadas populares. Foram feitos vários estudos mostrando os mecanismos pelos quais as escolas produziam desigualdades nas aprendizagens escolares. as leis e resoluções sobre o ensino. passou-se a valorizar o estudo da escola como ponto de confluência entre as análises sócio-políticas mais . pelas estratégias de modernização e de busca de eficácia do sistema educativo. as propostas curriculares. ela poderia ser um meio indispensável de elevação do nível cultural. os projetos de investigação pedagógica. Uma dessas estratégias diz respeito à descentralização do ensino. por um lado.

um lugar em que os profissionais podem decidir sobre seu trabalho e aprender mais sobre sua profissão. Na perspectiva sócio-crítica significa valorizar as ações concretas dos profissionais na escola. ganham dimensão própria . com isso. Todas as pessoas que trabalham na escola participam de tarefas educativas. Conforme o ideário neoliberal. curriculares e pedagógicas (Cf. como espaço de formação. construído pelos seus componentes. colocar a escola como centro das políticas significa liberar boa parte das responsabilidades do Estado. de suas interações (autonomia e participação) em função do interesse público dos serviços educacionais prestados sem. Ou seja. desobrigar o Estado de suas responsabilidades.como um lugar onde também se tomam importantes decisões educativas. Há pelo menos duas maneiras de ver a gestão centrada na escola. É assim que as escolas. deixando às comunidades e às escolas a iniciativa de planejar. organizar e avaliar os serviços educacionais. Há muitos exemplos de que a organização da escola funciona como prática educativa. dentro da lógica do mercado. enquanto organizações educativas. . Nessa segunda perspectiva. 1995). decorrentes de sua iniciativa. embora não de forma igual. a escola é vista como um ambiente educativo. pensa-se hoje que uma visão globalizada que não chega à escola ou uma visão de sala de aula sem referência à estrutura social mais ampla resultam de análises incompletas e parcializadas.globais e as abordagens centradas na sala de aula. O estilo de gestão expressa o tipo de objetivos e de relações humanas que vigoram na instituição. de seus interesses. Nóvoa.

a solidão e a falta de comunicação ou pode estimular o trabalho coletivo. respeitoso ou desrespeitoso. as decisões dos professores em suas reuniões. a cultura que se desenvolve no cotidiano entre professores. grosseiro ou delicado. . suas atitudes. negociado. compartilhado.O atendimento que a secretaria da escola dá às mães e aos pais pode ser atencioso ou mal-educado. a liderança organizacional compartilhada. que as características organizacionais das escolas . as relações humanas que vigoram nela. daquilo que presenciam e vivenciam no dia-a-dia da escola. portanto. em boa parte. estimulando o isolamento.tais como o estilo de direção. alunos e funcionários. os valores e atitudes que os professores expressam como grupo. 21 A preparação e distribuição da merenda pelas merendeiras envolvem atitudes e modos de agir que podem influenciar a educação das crianças de forma positiva ou negativa. A percepção e as atitudes da direção e dos professores em relação aos alunos são importantes fatores de sucesso ou insucesso escolar dos alunos. O funcionamento da escola como organização. A escola pode ser organizada para funcionar "cada um por si". solidário. Parece claro. tudo isso afeta o trabalho na sala de aula. o grau de responsabilidade dos seus profissionais. seus modos de agir dependem. As reuniões pedagógicas coordenadas pelo diretor ou pelo coordenador pedagógico podem ser um espaço de participação de professores e pedagogos ou de manifestação do poder pessoal do diretor ou coordenador. O comportamento dos alunos.

a participação coletiva. a elaboração do projeto pedagógico e do currículo. Há todo um mundo de significados. que vão definindo uma cultura própria de cada escola.). Ou seja. o papel da subjetividade das pessoas. as relações sociais entre os integrantes da escola etc. Não se compreende o funcionamento da escola apenas pelo que vemos.são determinantes da sua eficácia e do aproveitamento escolar dos alunos. o nível de preparo profissional dos professores etc. valores. invisível. a cultura organizacional influencia o pensar e o modo de agir das pessoas que trabalham na escola. atitudes. . a cultura organizacional e a sala de aula? A resposta é sim. as práticas e os comportamentos das pessoas na convivência diária de uma organização influem nas práticas e comportamentos dos professores nas salas de aula. modos de convivência. Mas há. pelo que aparece mais diretamente à nossa observação (as formas de gestão. da estrutura hierárquica e das várias instâncias e formas de exercício do poder. a estabilidade profissional. das crenças e valores elas . dos costumes já consolidados etc. formas de agir e resolver problemas. dos modos como as pessoas pensam e agem. A pergunta é: haverá uma relação entre a organização da escola. as reuniões. o currículo. no entanto. Mas. o que faz gerar a cultura organizacional? É claro que há nela um papel acentuado do sistema de ensino. e que tende a permanecer oculta. dos regulamentos. também. das normas oficiais. Há. uma característica das organizações escolares sumamente relevante para as práticas de gestão: a cultura 22 organizacional ou cultura da escola.

na família. nas relações sociais. por outro. "Os indivíduos e os grupos mudam mudando o próprio contexto em que trabalham" (Amiguinho e Canário. procedimentos. à medida que são eles que a constituem e. E se estamos convictos de que as organizações educam. uma trama de relações implicadas na escola. para compreendermos as mútuas interferências entre organização 23 da escola e organização da sala de aula. de modo que se pode dizer que os profissionais e usuários da escola aprendem com a organização e as próprias organizações aprendem. também as pessoas constróem uma cultura organizacional. É importante compreender que por detrás do estilo e das práticas de organização e gestão. no final de contas. na formação escolar. 1994). Portanto. conjuntamente. Há. usos e costumes. portanto. mudando junto com seus profissionais. A participação do professor na organização e gestão da escola . as formas de organização e gestão têm uma dimensão fortemente pedagógica. os próprios indivíduos educam a organização. Ou seja. ou seja. a organização educa os indivíduos que a compõem. há uma dimensão cultural que caracteriza cada escola. Por um lado. dois aspectos: a dinâmica organizacional e a cultura da organização escolar.vão formando ao longo de suas vidas. a definem com base nos seus valores. para além das prescrições administrativas e das rotinas burocráticas. práticas. é preciso considerarmos. está uma cultura organizacional.

nos estágios etc. É no exercício do trabalho que. seus problemas. Mas é imprescindível ter-se clareza hoje de que os professores aprendem muito compartilhando sua profissão. principalmente. Falar de "competências" não é a mesma coisa que falar de "qualificações". Mas. de fato. dividir com os colegas as preocupações. investir no seu desenvolvimento profissional. os professores podem aprender várias coisas: tomar decisões coletivamente. assumir coletivamente a responsabilidade pela escola. As qualificações referem-se à aquisição de saberes requeridos para o exercício de uma profissão e à confirmação legal 24 . Colocar a escola como local de aprendizagem da profissão de professor significa entender que é na escola que o professor desenvolve os saberes e as competências do ensinar. o professor produz sua profissionalidade. desenvolver o espírito de solidariedade. na sua história pessoal como aluno. no contexto de trabalho.Pela participação na organização e gestão do trabalho escolar. Esta é hoje a idéia-chave do conceito de formação continuada. mediante um processo ao mesmo tempo individual e coletivo. Internalizar saberes e competências significa "saber encontrar e pôr em prática respostas apropriadas ao contexto na realização de atividades de um projeto". formular o projeto pedagógico. É claro que os professores desenvolvem sua profissionalidade primeiro no curso de formação inicial. aprendem sua profissão.

certificados etc. pela ação e pela reflexão com seus pares no e sobre seu trabalho cotidiano. no contexto do exercício profissional. A internalização de saberes e competências profissionais supõe conhecimentos científicos e uma valorização de elementos criativos voltados para a arte do ensino. As competências referem-se a conhecimentos. ao saber fazer. A competência profissional é a qualificação em ação. através do estágio supervisionado mas ocorrerá. são formas de desempenho profissional em que a qualificação se torna eficiente e atualizada nas situações concretas de trabalho (Canário. O sentido de saberes e competências profissionais não pode ser reduzido a habilidades e destrezas técnicas. isto é. com no exercício profissional. É na escola .dessa aquisição mediante diplomas. mas considerada uma prática intelectual e autônoma. não haveria necessidade de um currículo teoricamente consistente e nem preparação em nível universitário. 1997). Se a formação de professores se restringisse ao domínio de técnicas formuladas por especialistas e à sua aplicação. Não se quer um professor-técnico cujo conhecimento se restrinja ao domínio das aplicações do conhecimento cientifico e a regras de atuação. efetivamente. A docência não estará reduzida a uma atividade meramente técnica. dentro de uma perspectiva crítico-reflexiva. habilidades e atitudes obtidas nas situações de trabalho. Essa é a razão pela qual as escolas se constituem em locais de aprendizagem dos professores e de desenvolvimento profissional. Essa contrastação entre a prática e os conhecimentos teóricos aparece já na formação inicial de professores. no confronto de experiências. baseada na compreensão da prática e na transformação dessa prática.

suas competências pessoais e profissionais. Para isso. Há uma concomitância entre o desenvolvimento profissional e o desenvolvimento organizacional. pelo conhecimento teórico e pela aquisição de competências operativas. O professor participa ativamente da organização do trabalho escolar formando com os demais colegas a equipe de trabalho. pode instrumentalizar-se para influir nas formas de . a estrutura e a dinâmica organizacional atuam na produção de suas práticas profissionais. Por outro lado. dominar e exercer competentemente sua profissão de professor. Uma das funções profissionais básicas do professor é participar ativamente na gestão e organização da escola contribuindo nas decisões de cunho organizativo. O professor 25 é um ativo participante de uma comunidade profissional de aprendizagem atuando no seu funcionamento. ele precisa conhecer bem os objetivos e o funcionamento de uma escola. o professor estará capacitado a tirar proveito das condições já existentes e aprimorá-las. administrativas e pedagógico-didáticas da escola. organizacionais. aprendendo coletivamente novos saberes e competências assim como um modo de agir coletivo. seu conhecimento da realidade.que o professor coloca em prática suas convicções. Dessa forma. na sua animação e no seu desenvolvimento. práticas. administrativo e pedagógico didático. ou transformar ou criar outras pela sua iniciativa e iniciativa dos demais membros da escola. Conhecendo as condições sociais. trabalhar em equipe e cooperar com os outros profissionais.

Enfrentando a mudança . Princípios e práticas de avaliação institucional e avaliação da aprendizagem dos alunos. culturais. diálogo. conselho de classe. organizações sindicais.organização e gestão na escola e em outras instâncias da sociedade das quais participa (por exemplo. encontros. Noções sobre financiamento da educação e controles contábeis. respeito mútuo. inclusive nos meios de comunicação e informática. assim como formas de participação na utilização e controle dos recursos financeiros recebidos pela escola. Estrutura organizacional e normas regimentais e disciplinares. Elaboração e desenvolvimento de projetos de investigação. planos de ensino. responsabilidade. científicas. O desenvolvimento pessoal e profissional do professor para participar da gestão da escola requer os seguintes saberes. e em outras ações de formação continuada no trabalho. Atitudes necessárias à participação solidária e responsável na gestão da escola como cooperação. qualidade do equipamento físico das escolas e das condições materiais. entre outros: Elaboração e execução do planejamento escolar: projeto pedagógico-curricular. Habilidades para obter informação em várias fontes. solidariedade. planos de aula. Organização e distribuição do espaço físico. 26 Habilidades de participação e intervenção em reuniões de professores. comunitárias).

geográfico. As escolas precisam organizar-se para promover a mudança na compreensão. alteração de uma situação. habilidades.. pois.. mudam nossos filhos. em toda a nossa vida passamos por mudanças. mudam os costumes. elas sempre estão acontecendo ao nosso redor . que ela não é uma ameaça mas uma oportunidade de desenvolvimento pessoal e profissional. Uma das formas mais eficazes de aprender a enfrentar as mudanças e ir construindo uma nova identidade profissional é o desenvolvimento de uma atitude críticoreflexiva.O que é a mudança? Mudança significa transformação. O ensino tem sido afetado por uma série de fatores: mudanças nos currículos. Internet). vídeo. computador. nossos amigos. na organização das escolas (formas de gestão. isto é. que é o conjunto de conhecimentos. atitudes. político. Os educadores enfrentam hoje mudanças profundas nos campos econômico. introdução de novos recursos didáticos (televisão. Precisamos. valores e práticas das pessoas. Isso leva a mudanças na organização escolar e na identidade profissional de professor. o desenvolvimento da capacidade . atitudes. valores que definem a especificidade do trabalho de professor. concepção de avaliação etc). muda 27 a sociedade. reconhecendo que ela faz parte da nossa vida e das instituições.nossa própria vida muda a cada dia. educacional. Na verdade. ciclos de escolarização. desvalorização da profissão docente. passagem de um estado a outro. cultural. ter uma atitude positiva frente à mudança.

de modo a associar o próprio fazer e o processo do pensar. sem desenvolvimento sistemático de processos de pensamento. não haverá muito avanço na competência profissional do professor se ele apenas pensar na sua prática corrente sem recorrer a um modo de pensar obtido sistematicamente. incluída aí uma boa cultura geral. pensar que é somente na prática que as pessoas aprendem. também. não é verdade que a prática se basta por si mesma. Nem toda prática pode ser justificada como adequada. Em muitos cursos de formação de professores vigora a idéia de que uma boa teoria garantirá por si só a prática. Mas. E. sem 28 competência cognitiva. De fato. também. assim como não é possível qualquer reflexão sobre a prática se não há da parte do professor um domínio sólido dos saberes profissionais. tanto é que as duas idéias têm adeptos. sem necessidade de teoria. não é verdade que basta uma boa teoria para que um profissional tenha êxito na prática. seus valores ou só modificam suas opiniões e valores após terem sido bem sucedidos numa técnica ou procedimento? A questão não é inútil. se a reflexão ou a ação. Sem teoria. sem o desenvolvimento de habilidades profissionais. o professor permanecerá atrelado ao seu cotidiano. Mas é muito comum. encerrado em seu pequeno mundo .reflexiva com base na própria prática. É freqüente a discussão sobre o que vem primeiro. a partir do estudo teórico das disciplinas pedagógicas e da disciplina em que é especialista. suas percepções. mais importante que isso. Os professores modificam suas práticas profissionais porque mudam suas opiniões.

porque elas estão sempre entrelaçadas. Para isso. a aquisição de uma sólida formação científica.baseada na articulação entre a prática e a reflexão sobre a prática. assim. apenas aos pesquisadores e docentes das universidades. podemos traduzir idéias em ações. a ação e a reflexão atuam simultaneamente. recomenda "valorizar os processos de reflexão na ação e de reflexão sobre a reflexão na ação. Escreve ainda Pimenta: A formação de professores na tendência reflexiva se configura como uma política de valorização do desenvolvimento pessoal-profissional dos professores e das instituições escolares.pessoal e profissional. O trabalho de professor implica compreender criticamente o funcionamento da realidade e associar essa compreensão com o seu papel de educador. Podemos refletir sobre nossa ação. transformando nossa ação em pensamento. a capacidade de abstração. um profissional que domina uma prática refletida. isto é. para enfrentar as mudanças. A busca da profissionalidade docente não pode transformar-se em mais uma forma de exclusão do professorado. Ao mesmo tempo. uma formação profissional . Pensamos que. uma vez que supõe condições . Propõe-se. de modo que o professor vá se transformando em um profissional crítico-reflexivo. como processos de construção da identidade dos professores" (1997). Seria uma má estratégia de formação de quadros docentes reservar a capacidade de pensar de forma mais elaborada. de modo a aplicar sua visão crítica ao trabalho concreto nos contextos específicos em que ele acontece. A pesquisadora Selma Pimenta tem ressaltado em seus escritos que o trabalho de professor é um trabalho intelectual e não um trabalho de técnico executor.tanto a inicial como a continuada .

Uma coisa é certa: as pessoas arrumam tempo para as coisas que compreendem. analisam. depende de uma boa estrutura de coordenação pedagógica que faça funcionar uma escola de qualidade. a examinar suas opiniões atuais e os valores que as sustentam. a partir da reflexão sobre a prática. pensam. que valoram e nas quais acreditam. a construção da identidade profissional de professor depende em boa parte das formas de organização do trabalho escolar. O desenvolvimento profissional e a conquista da identidade profissional dependem de uma união entre os . um espaço de formação contínua onde os professores refletem. como sujeitos pensantes e não como meros executores de decisões burocráticas. criam novas práticas. em redes de autoformação.de trabalho propiciadoras da formação contínua dos professores. então. portanto. propondo e gerindo o projeto pedagógico. nos locais de trabalho. e em parceria com outras instituições de formação (1999). assegurando que a organização escolar vá se tornando um ambiente de aprendizagem. Em especial. Os dirigentes da escola precisam. a colaborar na modificação dessas opiniões e valores tendo como referência as necessidades dos alunos e da sociedade e os processos de ensino e aprendizagem. 29 Nas escolas. ajudar os professores. liderando a inovação e favorecendo a constante reflexão na prática e sobre a prática. articulando o trabalho de vários profissionais. O pedagogo escolar deverá ser o agente articulador das ações pedagógico-didáticas e curriculares.

na biotecnologia. a reestruturação do sistema de produção e as mudanças no mundo do conhecimento. na automação industrial. mas principalmente pedagógica e didática. nos sistemas de ensino e nas escolas. De fato. por conseqüência. decorrem da conjugação de um conjunto de acontecimentos e processos que acabam por caracterizar novas realidades sociais. o sistema de gestão. discussão que é de natureza organizacional. com a discussão conjunta dos problemas da escola. Essas transformações. geográficas. políticas. Fazendo assim. articulando num todo o projeto pedagógico. nas telecomunicações. culturais. o processo de ensino e aprendizagem. a avaliação. o novo paradigma econômico.pedagogos especialistas e os professores. econômicas. 30 – CAPÍTULO II UMA ESCOLA PARA NOVOS TEMPOS 33 As instituições escolares vêm sendo pressionadas a repensar seu papel diante das transformações que caracterizam o acelerado processo de integração e reestruturação capitalista mundial. Entre os aspectos mais visíveis desse fenômeno destacamse os seguintes: Notáveis avanços tecnológicos na micro-eletrônica. . na engenharia genética. afetam a organização do trabalho e o perfil dos trabalhadores. na informática. repercutindo na qualificação profissional e. ter-se-á uma organização preocupada com a formação continuada. os avanços científicos e tecnológicos. que ocorrem em escala mundial. assumindo juntos a gestão do cotidiano da escola.

nas qualificações profissionais. na organização do trabalho.entre outros setores. Globalização da sociedade. Mudanças nos processos de produção. nos processos de ensino e aprendizagem. afetando a produção. aumento da distância social e econômica entre incluídos e excluídos dos novos processos de produção e das novas formas de conhecimento. circulação e consumo da cultura. produção de novas tecnologias da comunicação e da informação. influindo na pesquisa. Trata-se de novas formas de funcionamento e reestruturação do capitalismo no quadro de um conjunto de transformações que vem sendo chamado de . reestruturação do sistema de produção e do desenvolvimento econômico. internacionalização do capital e dos mercados. serão destacados alguns que tocam mais de perto a escola e o trabalho dos professores. prevalecendo o modelo neoliberal de diminuição do papel do Estado e fortalecimento das leis do mercado. As mudanças na economia: novo paradigma produtivo Estão em curso mudanças na economia expressas em novas formas de produção baseadas nas novas tecnologias e no capitalismo financeiro. Dentre esses aspectos. nas formas de organização dos trabalhadores. na produção de conhecimentos. 34 Difusão maciça da informação. Mudanças nos paradigmas da ciência e do conhecimento. caracterizando uma revolução tecnológica sem precedentes. Agravamento da exclusão social. Alterações nas concepções de Estado e das suas funções.

tem trazido conseqüências bastante prejudiciais às políticas sociais dos países e o empobrecimento da população. O modelo econômico segue a lógica da subordinação da sociedade às leis do mercado.. (. rompem-se as fronteiras comerciais. visando a lucratividade. conhecido por neoliberalismo... Mais miséria para os menos desfavorecidos. vai ser a ampliação das diferenças entre ricos e pobres. menos oportunidades de emprego para os necessitados. diminuir as desigualdades internas..globalização.) Globalizar um país pelo discurso fácil da modernidade sem preocupações sociais e realismo político. que não tem futuro. O empresário Benjamim Steinbruch. mais rentabilidade. priorizar o mercado doméstico. ampliam-se as grandes fusões entre empresas transnacionais. amplia-se a circulação do capital financeiro. mais qualidade. Globais. ligado à Companhia Siderúrgica Nacional e Companhia Vale do Rio Doce. é outra coisa bem diferente. Para atingir esse objetivo. dos índices de produtividade e competitividade. como tem sido reconhecido por alguns dos organismos internacionais e por empresários. Tal modelo econômico. "globalizar" primeiro o Brasil. para que entreguemos o nosso mercado e eles fiquem com a produção . Internacionais devemos ser. pelos caminhos que hoje vemos. o Estado não deve intervir na 35 economia e mesmo as empresas atualmente mantidas pelo Estado são privatizadas. (.) Devemos. escreveu: A herança da globalização. portanto. para o que se serve da eficiência. na crença de que assim ganham mais eficiência. a produção e os empregos e ter um projeto de desenvolvimento nacional. Nesse modelo.

Sendo assim.e o emprego. No aspecto individual. As incessantes modificações tecnológicas afetam os postos de trabalho e as competências profissionais. o usufruto ou a falta da educação básica (incluindo novas habilidades cognitivas e competências sociais) passa a ser . Essas mudanças atingem o sistema educacional. de modo que as pessoas precisam estar preparadas para mudar de profissão algumas vezes na sua vida. os conhecimentos.Paulo. é fato que as novas realidades do mundo do trabalho requerem trabalhadores com mais conhecimento. exigindolhe adequação aos interesses do mercado e formação de profissionais mais preparados para as modificações do processo de produção.1999).11. 23. na ótica neo liberal. formarão o segmento dos excluídos sociais. as garantias sociais e os direitos devem ser desmantelados para que o indivíduo sobreviva com seus recursos. Aqueles que não conseguirem competir. em conseqüência. as pessoas são estimuladas a se preparar para competir. Segundo Faleiros (1999). Junto com isso. aumenta o número de pessoas ocupadas em trabalhos eventuais (também chamados de trabalho precarizado) ou desempregadas. preparo técnico. habilidades e atitudes necessários à qualificação profissional. não (Folha de S. Com efeito. Por outro lado. sem a proteção social pública. no mercado de trabalho e a gerar seus meios de vida. por si mesmas. cultura. definitivamente. tais modificações afetam a organização do trabalho nas empresas e o perfil de trabalhador necessário para novas formas 36 de produção e.

especialmente a informação.que aparece na comunicação instantânea pela TV.4 por cento no setor secundário ou industrial e 15. sociedade da informação. em 1997. O mesmo se pode dizer . na sociedade informacional o que se destaca é a produção e difusão de bens culturais. Conforme o sociólogo francês Alain Tourraine (1995). sociedade pósindustrial. sociedade do conhecimento.atinge a poucos. nas várias mídias . o setor quaternário ou informacional. deixando a maioria da população à margem da economia. sociedade tecnológica. 37 A revolução tecnológica . a distribuição da força de trabalho apresentava os seguintes índices: 62 por cento no setor terciário ou de serviços. Dados da Organização Pari-Americana de Saúde e Organização Internacional do Trabalho informavam que. na automação industrial. estamos vivendo presentemente a passagem da sociedade industrial para a sociedade informacional. Esse crescimento leva os especialistas a antever para breve a institucionalização de um novo setor da economia. no telefone móvel. porque o mercado de trabalho não aceita mais mão-de-obra não qualificada.6 por cento no setor primário ou agrícola. A revolução informacional Este momento da história tem recebido várias denominações: sociedade pós-moderna. Se na sociedade industrial predominou a produção de objetos materiais. nos computadores. 22. No setor terciário incluem-se os serviços informacionais. nas redes de informação.determinante da condição de inclusão ou exclusão social.

os sem-Internet? Uma das novidades mais excitantes na economia internacional são as transações comerciais via rede Internet.. mas o que acontecerá aos excluídos da rede. metade da população mundial? Pode-se afirmar que a tecnologia da informação. Na classe média. Muitos entusiastas da Internet (redes de informação conectadas internacionalmente) falam de uma democratização do acesso às informações. Há. portanto. Número grande de trabalhadores apenas vê televisão e só recebe imagens pré-fabricadas. Internet etc. sem a mínima capacidade de leitura crítica da informação recebida. mas ela vem exercendo um domínio cada vez mais forte sobre as pessoas. um papel insubstituível da educação e das escolas de prover as condições intelectuais de avaliação crítica das condições de produção e da difusão do saber científico e da informação. por si só ela . Mas estará ela atingindo os 3 bilhões de pessoas no mundo que vivem com menos de 2 dólares por dia. com baixíssima capacidade crítica frente à avalanche informativa vinda especialmente pela televisão. cada vez mais escravizadas por ela. computadores. amplia a distância entre os que estão no cume da montanha e os que não saem do sopé.em relação à divisão entre países desenvolvidos e os em desenvolvimento. chamadas de comércio eletrônico ou virtual. com baixa escolarização. A tecnologia da informação promove um fenômeno sumamente segregador para a população de baixa renda. apesar de provocar mudanças nos modos de vida e nas percepções das pessoas. adultos e adolescentes utilizam as mídias. em parte. A informação é necessária. isso seja verdade. mas têm em relação a elas uma atitude eminentemente passiva. Talvez. Informação não é sinônimo de conhecimento.

de modo que ela não exerça o domínio sobre a consciência e a ação das pessoas. A despolitização da sociedade No campo político. determina a qualidade da participação popular nos processos decisórios existentes na sociedade civil. para os valores e direitos humanos. aumento do individualismo. para o reconhecimento das diferenças entre os vários grupos sociais. ressalta-se a diminuição da crença da ação pública na solução dos problemas. da insensibilidade social. Isso significa.não propicia o saber. que menor ou maior acesso à educação escolar e a outros bens culturais. novas formas de organização que mostram novos caminhos de controle público sobre o Estado. mas ela precisa ser analisada e interpretada pelo conhecimento. A informação é um caminho de acesso ao conhecimento. destacando novos movimentos sociais. é um instrumento de aquisição de 38 conhecimento. também. uma vez que se faz necessário educar para a participação social. A crise ética . Esses fatos lançam novas perspectivas sobre o sentido da formação da cidadania. Tais características levam a novas formas de fazer política. que possibilita a filtragem e a crítica da informação. para a diversidade cultural. descrença nas formas convencionais de representação política.

De acordo com informações recentes de entidades financeiras internacionais. ou seja. Além disso. o racismo e a segregação social. a luta contra a violência. a justiça. atingindo tanto as ações cotidianas quanto as formas de relações entre povos. A exclusão social As transformações em curso impulsionam avanços científicos e tecnológicos. o desenvolvimento e a defesa do meio ambiente. na vantagem. os direitos humanos. etnias. também. predominando um relativismo moral baseado no interesse pessoal. na eficácia. vem aumentando significativamente a distância entre ricos e pobres. É preciso a colaboração da escola para a revitalização da formação ética. no sentido do reconhecimento das diferenças e das identidades culturais. no Fórum Econômico Mundial realizado na Suíça. o professor Gaudêncio Frigotto identifica várias características da . 50 por cento. novas formas de conhecimento e ação mas provocam.No campo da ética. o respeito à vida. a democracia. vivem na pobreza. 3 bilhões. novos processos de produção. Referindo-se à crise deste final de século. a solidariedade. foi divulgado que dos 6 bilhões de pessoas do mundo. ao lado do conhecimento científico e da preparação para o mundo tecnológico e comunicacional é necessária a difusão de saberes socialmente úteis. o mundo contemporâneo convive com uma crise de valores. grupos sociais. o aumento da distância social e econômica entre incluídos e excluídos desse processo. sem referência a valores humanos como a dignidade. ganhando até 2 dólares por dia. Em janeiro de 2000. entre outros.

40 mas precisa ser um baluarte contra a exclusão social. cultural. A luta contra a exclusão social e por uma sociedade justa. para essa escola. Propõe-se. considerando-se esta como sacrifício inevitável no processo de modernização e globalização da sociedade. uma sociedade que inclua todos. outras culturas. saúde. a educação deixa de ser um direito e transforma-se em serviço. na formação para a cidadania crítica-participativa e na formação ética. educação. No plano sócio-econômico. político. ligar-se ao mundo econômico. No plano cultural e ético-político. outras mediações. um currículo centrado na formação geral e continuada de sujeitos pensantes e críticos. a ideologia neoliberal prega o individualismo e a naturalização da exclusão social. emprego. A escola contemporânea precisa voltar-se para as novas realidades.realidade contemporânea como estratégias de recomposição do capitalismo. A escola necessária para os novos tempos . No plano educacional. ao mesmo tempo que se acentua o dualismo educacional: diferentes qualidades de educação para ricos e pobres (1996). na preparação para uma sociedade técnica/científica/informacional. passa pela escola e pelo trabalho dos professores. o ajustamento de nossas sociedades à globalização significa a exclusão de dois terços da humanidade dos direitos básicos de sobrevivência. Esses aspectos mostram como a escola não pode mais ser considerada isoladamente de outros contextos. em mercadoria.

As próprias cidades vão se transformando em agências educativas pelas iniciativas de participação da população na gestão de programas culturais. Ela cumpre funções que não são providas por nenhuma outra instância: formação geral básica . estética e ética. pela técnica.A escola necessária para fazer frente a essas realidades é a que provê formação cultural e científica. cultural. a escola vai se convertendo num "espaço de síntese" (Colom Cañellas. a educação acontece nos meios de comunicação. Especialmente. Por outro lado. ainda assim há lugar para a escola na sociedade tecnológica e da informação. porque ela não detém o monopólio do saber. Por isso. política. nos sindicatos. através de várias agências. escrever. Há hoje um reconhecimento de que a educação acontece em muitos lugares. de meios informacionais. uma escola de qualidade é aquela que inclui. nos clubes. na vida urbana. de organização dos espaços e equipamentos públicos. que possibilita o contato dos alunos com a cultura. Mesmo considerando a imensa oferta de meios de comunicação social extra-escola. uma escola contra a exclusão econômica. a transmitir 41 . pela linguagem. aquela cultura provida pela ciência. 1994). Além da família.capacidade de ler. pedagógica. nas empresas. desenvolvimento de capacidades cognitivas e operativas. nas academias de ginástica. pela estética. formação científica. pela ética. A escola de hoje não pode limitar-se a passar informação sobre as matérias. gradativamente. a escola precisa ser repensada.

no trabalho etc. com o papel insubstituível de provimento das condições cognitivas e afetivas que ajudarão o aluno a atribuir significados às mensagens e informações recebidas das mídias. dos meios de comunicação. nos pontos de encontro. com a ajuda pedagógica do professor. no computador etc. os alunos aprendem a atribuir significados às mensagens e informações recebidas de fora. a síntese entre a cultura formal (dos conhecimentos sistematizados) e a cultura experienciada. é necessário que proporcione não só o domínio de linguagens para a busca da informação. através do conhecimento e das habilidades cognitivas. está justamente na sua capacidade de introduzir os alunos nos significados da cultura e da ciência por meio de mediações cognitivas e interacionais. nos vídeos. A escola fará. assim. no jornal. Ou seja. mas também para a criação da informação.. Ela é uma síntese entre a cultura experienciada que acontece na cidade. Os alunos vão aprendendo a buscar a informação (na TV. O professor tem aí seu lugar. no rádio. também. torna-se possível analisar e criticar a informação. das habilidades de pensamento. das multimídias e formas diversas de intervenção educativa urbana. pela comunidade.o conhecimento do livro didático. a escola precisa articular sua capacidade de receber e . da vida cotidiano. na família. nos meios de comunicação. e a cultura formal que é o domínio dos conhecimentos. os instrumentos conceituais para analisarem essa informação criticamente e darem-lhe um significado pessoal e social. no livro didático. na rua. O valor da aprendizagem escolar. Na escola.) mas. nas praças. Nela. das formas de educação proporcionada pela cidade. Por isso.

1998). Os objetivos Para essa escola concebida como espaço de síntese. habilidades. por meio dos conteúdos escolares.interpretar informação. atitudes. da imaginação. Formação para a cidadania crítica. Em resumo. um cidadão trabalhador capaz de interferir criticamente na realidade para transformá-la e não apenas formar para integrar o mercado de trabalho. pensamento crítico). estratégias de aprendizagem. a internalização de instrumentos conceituais para lidar com os problemas. 3. a partir do aluno como sujeito do seu próprio conhecimento. 4. são propostos cinco objetivos: 42 1. de modo que aprenda a utilizar seu potencial de pensamento na construção e reconstrução de conceitos. a escola de . Desenvolvimento de capacidades cognitivas e operativas dos alunos (processos mentais. 5. visando o desenvolvimento do pensar. ou seja. com a de produzi-Ia. o que está em questão é uma formação que ajude o aluno a transformar-se num sujeito pensante. habilidades do pensar. isto é. Em relação ao primeiro objetivo. valores. da sensibilidade. dilemas e situações da realidade. Trata-se de investir numa combinação bem sucedida da assimilação consciente e ativa dos conteúdos com o desenvolvimento de capacidades cognitivas e afetivas pelos alunos. 2. Formação ética (Libáneo. Preparação para o processo produtivo e para o mundo tecnológico e comunicacional. Desenvolvimento da criatividade. no exercício de seu papel na construção da democracia social e política.

A escola precisa torná-lo capaz de interferir criticamente na realidade para transformá-la e não apenas para integrar-se ao mercado de trabalho. social e afetivo da formação. O ensino implica lidar com os sentimentos. da ciência. o respeito consigo mesmos. a aumentar sua auto-estima. para se engajarem na luta pela . junto com o desenvolvimento de capacidades e habilidades de pensamento. da arte. ou seja. A preparação tecnológica inclui o desenvolvimento de saberes e competências exigidas pelo novo processo produtivo como: compreender a totalidade do processo de produção. pensar estrategicamente. respeitar as individualidades. promova a inserção competente e crítica no mundo do trabalho. da cultura. desenvolver capacidade de tomar decisões e de fazer análises globalizantes. O segundo objetivo visa a assegurar a ligação entre os aspectos cognitivo. O quarto objetivo refere-se à educação do trabalhadorcidadão. 43 O terceiro objetivo propõe que a escola contemporânea atenda às demandas produtivas e de emprego. interpretar informações de todo tipo. compreender o mundo cultural dos alunos e ajudá-los a se construírem como sujeitos. sua autoconfiança. incluindo a preparação para o mundo tecnológico e comunicacional e para as complexas condições de exercício profissional no mercado de trabalho. A escola deve continuar investindo na ajuda aos alunos para que se tornem críticos. desenvolver flexibilidade mental para lidar com situações novas ou inesperadas.qualidade promove para todos o domínio dos conhecimentos.

às formas de exploração do trabalho humano que subsistem na sociedade. dos direitos humanos. envolvendo etnias. colocada como foco central do projeto pedagógico e da gestão escolar. põe-se a exigência de que os sistemas de ensino e as escolas prestem mais atenção à 44 qualidade cognitiva das aprendizagens. Muitas escolas adotam formas de gestão participativa e incorporam nos conteúdos escolares as lutas dos movimentos sociais organizados pela moradia. a participação e o diálogo como princípios educativos. educação. do meio ambiente. A democratização da sociedade e a inserção dos alunos no mundo da produção supõem o . O quinto objetivo visa a propiciar conhecimentos. saúde. salário. minorias culturais.justiça social e pela solidariedade humana. se continuam sendo reprovados ou mal escolarizados. procedimentos e situações para se pensar sobre valores e critérios de decisão e ação frente ao mundo da política e da economia. Para o atendimento desses objetivos. tendo um baixíssimo rendimento escolar ou níveis insatisfatórios de aprendizagem. se os alunos continuam sendo reprovados. envolve tanto os processos organizacionais internos da escola como a articulação com os movimentos e organizações da sociedade civil. gênero. também. das relações humanas. emprego etc. do consumo. Não adianta defender a gestão democrática das escolas. incluindo a autonomia. da violência e segregação social e. aquisição de novas tecnologias etc. mudanças curriculares e organizacionais. A preparação para o exercício da cidadania. a escola não vem servindo para nada.. Se os alunos não aprenderam bem. eleições para diretor.

As tarefas de construção de uma democracia econômica e política pertencem a várias esferas de atuação da sociedade.ensino fundamental como necessidade imperativa para proporcionar às crianças e jovens os meios cognitivos e operacionais que atendam tanto as necessidades pessoais como as econômicas e sociais. 45 Ampliando os objetivos da escola Uma das importantes funções da escola é interagir e articular-se com as práticas sociais. Isso tudo não significa conceber a escola como a impulsionadora das transformações sociais. É esse o desafio que se põe à educação escolar no início do terceiro milênio. O fortalecimento das lutas sociais. e a escola é apenas uma delas. Embora continuem existindo os partidos tradicionais e vigorem ainda as formas de representação política típicas da democracia e . Frente a essas exigências. A escola tem o compromisso de reduzir a distância entre a ciência cada vez mais complexa e a formação cultural básica a ser provida pela escolarização. Mas a escola tem um papel insubstituível quando se trata de preparação cultural e científica das novas gerações para enfrentamento das exigências postas pela sociedade contemporânea. o número de pessoas que possam participar das decisões primordiais que dizem respeito aos seus interesses. destacam-se alguns movimentos sociais. a fim de que os alunos que passem por ela ganhem condições de exercício da liberdade política e intelectual. a conquista da cidadania. dependem de ampliar. cada vez mais. a escola precisa oferecer serviços de qualidade e um produto de qualidade. Entre elas.

Trata-se.ou de expressões que ocultam o lugar da mulher .1994). o da igualdade de direitos entre homens e mulheres. entre homens e mulheres resultem de uma base natural. ecológicos. mostrando que os gêneros masculino e feminino são noções estabelecidas numa cultura e numa sociedade organizada por homens. "inteligência do homem e dos outros animais". advogam a luta pelo respeito entre os gêneros e reconhecimento de suas diferenças. Segundo esses movimentos. de expressão de sentimentos. Propõe-se também que as escolas e os professores não façam uso sexista da linguagem corrente. no currículo e na sala de aula implicam atitudes que recusem a idéia de que as diferenças de trabalho.. (Henriques. como os movimentos feministas. por exemplo. diferenças sexuais (naturais) também levam a distribuição de papéis sociais entre mulheres e homens.a representação sindical.o homem. de papéis sociais. ou seja. a sociedade masculina difunde a idéia de que diferenças de sexo resultam em diferenças de gênero. Nesse sentido. Vamos destacar alguns desses movimentos."ela porta-se como homem".. o cidadão. pacifistas etc. o aluno. em particular. Os movimentos de mulheres ressaltam a distinção entre sexo e gênero. Contra essa idéia. "relação do homem com a ciência". na comunidade. . uma prática educativa na organização escolar. de evitar usar termos masculinos como tendo abrangência universal . os pais . outras formas de ação política estão surgindo. Educação para a igualdade entre os sexos Entre os ideais da escola pública destaca-se o da igualdade de oportunidades em geral e.

Frente a formas destruidoras da natureza e que retiram da população meios de ganhar a vida defenderia a manutenção de formas de vida primitivas (como é o caso.46 Educação ambiental A sociedade da informação é uma sociedade de constante risco devido à destruição da natureza e aos problemas humanos decorrentes da degradação ambiental. caminhadas ecológicas. Além disso. A corrente da economia ecológica. dentro de uma noção de natureza biofísica intocável. entrar num hospital como doente ou como visitante. os órgãos públicos. tomar banho num rio ou numa praia. dos seringueiros da Amazônia ou dos índios que resistem à exploração do seu território e à destruição de seu meio natural de vida). A corrente da gestão ambiental incentiva ações de movimentos sociais. A corrente naturalista propõe uma forma de educação pelo contato com a natureza. são atividades que envolvem sistematicamente riscos. mas boa parte dos problemas não depende dessas pessoas mas de interesses econômicos privados. As autoridades. que agrupa organismos internacionais. nos cortiços. vivem prometendo segurança à população. a sobrevivência humana está ameaçada nas favelas. Há diferentes entendimentos em relação à educação ambiental. dos animais. nas moradias inadequadas. principalmente pela indústria. A corrente conservavionista defende a preservação das matas. a vida ao ar livre (montanhismo. o que levaria ao turismo ecológico. os médicos dos hospitais. de comunidades e de governos na luta pela despoluição das águas e do ar. . por exemplo. critica todas as formas de depredação da natureza. Respirar o ar. andar pelas ruas da cidade. trilhas etc).

incluindo o Banco Mundial. 1995). se caracteriza por defender tecnologias alternativas no trato da terra. do ponto de vista pedagógico. no uso da energia. a UNESCO. introduzindo a ética da valorização e do respeito à diversidade das culturas. conservar e preservar espécies. educando as crianças e jovens para proteger. questionam o modelo de progresso destruidor da natureza (Correntino. A educação ambiental contribui na formação humana: levando os alunos a refletirem sobre as questões do ambiente no sentido de que as relações do ser humano com a natureza e com as pessoas assegurem uma qualidade de vida no futuro. elas não se excluem. e várias organizações não-governamentais e associações ambientalistas. a integração com a natureza. às diferenças entre as pessoas. no tratamento dos resíduos etc. . sem negar os avanços técnicos e o desenvolvimento ambiental. (b) a vertente das "sociedades sustentáveis" que. o conhecimento do universo. Esta corrente se desdobra em duas vertentes muito diferentes entre si: (a) a vertente do "desenvolvimento sustentável" cujo modelo de desenvolvimento é o capitalista. ensinando-os a promover o autoconhecimento. devidamente 47 reciclado. a FAO. Essas quatro correntes enfatizam diferentes concepções e formas de fazer educação ambiental e. o ecossistema e o planeta como um todo. diferente do atual modelo economicista de progresso. pois os seres humanos compõem o conceito de natureza.

da cidadania. contra o modelo capitalista de economia que gera sociedades individualistas. assumindo uma visão de vida baseada mais na relação com a natureza e as pessoas do que com os objetos. A educação ambiental não pode ser apenas uma tarefa da escola. ela envolve ações práticas que dizem respeito ao nosso comportamento nos vários ambientes (família. Educação multicultural A idéia de educação multicultural. da educação popular. As pessoas precisam ser convencidas a se engajar em campanhas para a coleta seletiva do lixo. que se projeta num currículo multicultural. o reconhecimento dos outros como sujeitos de sua . cidade. exploradoras e depredadoras da natureza biofísica e da natureza humana. Um outro sentido da atitude ecológica é o de recusar um conceito de progresso baseado na capacidade de possuir mais objetos e bens de consumo. 48 empresa etc. lutar contra a poluição ambiental etc. levando a tomadas de posições sobre a conservação da biodiversidade. é preciso articular ações individuais com medidas mais gerais. escola. não mutilar a natureza. está assentada no princípio pedagógico mais amplo: o acolhimento da diversidade. das formas comunitárias de discutir e resolver problemas.).empenhando os alunos no fortalecimento da democracia. isto é. não jogar papel na rua. Ao mesmo tempo que se precisa conhecer mais a respeito da natureza e mudar nossa relação com ela.

Uma prática. as crianças nas escolas convivem com pessoas diferentes. uma visão aberta e plural em relação às culturas existentes na . Assumir o objetivo da educação multicultural não significa reduzir o currículo aos interesses dos vários grupos culturais que freqüentam a escola. Acolher a diversidade é a primeira referência para a luta pelos direitos humanos. portadores de uma identidade cultural própria. a cultura dos jovens. com base em uma atitude geral definida pela escola no sentido de um pluralismo cultural . o urbano e o rural. professores e alunos convivem com uma pluralidade crescente de pessoas e grupos sociais. às vezes com culturas e costumes diferentes. Uma educação multicultural requer que as decisões da equipe escolar sobre objetivos escolares e organização curricular reflitam os 49 interesses e necessidades formativas dos diversos grupos sociais existentes na escola (a cultura popular. a cultura de homens e mulheres. 1995). um comportamento multicultural. em boa parte devido à intensificação da migração decorrente do aumento das desigualdades.ou seja. negros.individualidade. De fato. no sentido de que toda cultura é plural. Com isso. O que se propõe é que. da falta de terra. das minorias étnicas. da pobreza. aceitar a presença de várias culturas e desenvolver hábitos mentais e atitude de abertura e diálogo com essas culturas (Gimeno. significa reconhecer o pluralismo cultural. dos alunos com necessidades especiais). A presença da diversidade humana na sociedade resulta na multi-cultura. brancos. Vem aumentando a interação entre pessoas de diferentes lugares. diferentes etnias e diferentes linguagens.

de transformação das formas de pensar. crenças. povos etc. para que a integração de culturas se realize dentro de um sistema de escolarização única que favoreça a igualdade de oportunidades. de modo que adquiram instrumentos conceituais. todavia. valores. É preciso considerar. para interpretar a realidade e intervir nela. Não basta. pensar apenas no currículo formal. as revistas populares. que muitos autores chamam de cultura paralela ou currículo extra-escolar. de sentir. Conforme escreve Gimeno: É o currículo comum para todos que a visão multicultural deve incorporar. A organização escolar e os professores precisam saber como articular essas culturas. as conversas entre adultos e entre amigos. formas do pensar e de sentir. ajudar 50 os alunos a fazerem as ligações entre a cultura elaborada e a sua cultura cotidiana. o respeito a todas as pessoas que trabalham na escola. as pessoas. A educação multicultural perpassa a organização escolar. a TV os vídeos. trata-se de uma mudança de mentalidade. o rádio. além disso. Ou seja. Fazem parte dessa cultura paralela o cinema. que os alunos trazem para a escola e para as salas de aula um conjunto de significados. .sociedade e na comunidade . de onde os alunos extraem sua forma de ver o mundo. de comportar-se em relação aos outros. resultante de aprendizagens informais. as diferentes culturas.seja formulada uma proposta curricular que incorpore essa visão multicultural. modos de agir. o tipo de relações humanas que existe entre os profissionais e usuários da escola.

com mecanismos de controle e avaliação dos resultados. visando a atender a imperativos econômicos e técnicos. a classificação das escolas em função desses resultados para estimular a competição entre elas. Aplicada ao sistema escolar e às escolas. dentro de uma gestão eficaz de meios. Entre as medidas decorrentes dessa concepção organizacional destacam-se: a hipervalorização dos resultados da avaliação. a qualidade total tem como objetivo o treinamento de pessoas para serem competentes no que fazem. boa. os profissionais de cada escola precisam estabelecer um consenso mínimo sobre o padrão de qualidade que orientará seu trabalho. a qualidade total. Quais seriam os critérios que definiriam uma qualidade social da escola? Tem se difundido bastante a noção de qualidade retirada da concepção neoliberal da economia. administradores e pais sobre critérios de qualidade das escolas. medíocre. Qualidade da escola refere-se tanto a atributos ou características da sua organização e funcionamento quanto ao grau de excelência baseado numa escala valorativa (a qualidade desta escola é ruim. a descentralização 54 . excelente).CAPÍTULO III – Buscando a Qualidade Social do Ensino 53 No mundo todo estão sendo implantadas reformas educacionais para adequar o sistema de ensino às mudanças na economia e na sociedade. Embora haja uma grande diversidade de opiniões entre os educadores. Uma das palavras-chave é qualidade.

empresarial. Nesse sentido. pragmática. . Dessa forma. a educação é o melhor caminho para desenvolver a competência histórica de fazer-se sujeito. A esse conceito opõe-se o de qualidade social. e o que representa melhor a marca humana é o desenvolvimento humano.relação entre qualidade formal e política. "qualidade essencial seria aquela que expressa a competência histórica de fazer-se sujeito. o repasse das funções do Estado para a comunidade (pais) e para as empresas. buscar qualidade em qualquer instituição significa trabalhar com seres humanos para ajudálos a se construírem como sujeitos.administrativa e do repasse de recursos conforme o desempenho das escolas na avaliação externa. significa a inter. tendo em vista a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. as parcerias com a iniciativa privada. deixando a condição de objeto ou de massa de manobra". Educação de qualidade é aquela que promove para todos o domínio de conhecimentos e o desenvolvimento de capacidades cognitivas. à constituição da cidadania. escola com qualidade social. capacidade participativa. A qualidade é. de intervir na realidade. Competência histórica significa capacidade de agir. O sociólogo Pedro Demo analisa o conceito de qualidade e chega a algumas conclusões. com alto grau de inclusividade. a qualidade total decorre de uma concepção economicista. um atributo humano. é aquela baseada no conhecimento e na ampliação de capacidades cognitivas. Em sintese. operativas e sociais. genuinamente. operativas e sociais necessários ao atendimento de necessidades individuais e sociais dos alunos. Em resumo. portanto. à inserção no mundo do trabalho. Em outras palavras.

pela ética. 1998). pela linguagem. a preparação para o mundo tecnológico e comunicacional. construa formação básica capaz de saber pensar para melhor intervir". isto é. instrumentos e procedimentos. que a criança aprenda de fato 55 na escola. procedimentos. Para isso. incorporando novas práticas de gestão. pela estética. "Espera-se. cria situações para a educação da responsabilidade. Uma educação escolar de qualidade social tem as seguintes características: Assegura sólida formação de base que propicia o desenvolvimento de habilidades cognitivas. o domínio dos conteúdos escolares (conceitos. a qualidade formal e a qualidade política. participação. ou seja. A qualidade formal refere-se ao nível ótimo a que podem chegar os meios. ao objetivo ético de intervir na realidade visando o bem comum (Demo. O ser humano precisa manejar conhecimento. capacidade de liderança e tomada de decisões. iniciativa. integrando a cultura provida pela ciência. por isso. operativas e sociais. valores). no campo educativo. possibilitando aos alunos a preparação para a participação nas organizações e movimentos populares. A qualidade política diz respeito aos fins e valores sociais do conhecimento.Demo distingue. Desenvolve processos de formação para a cidadania. . principalmente o conhecimento. pela técnica. de modo a contribuir para o fortalecimento da sociedade civil e controle da gestão pública.

Promove a integração entre a cultura escolar e outras culturas.Assegura a elevação do nível escolar para todas as crianças e jovens sem exceção. moral etc. Cuida da formação de qualidades morais. é possível estabelecer para uma determinada população parâmetros de desempenho nas várias dimensões da educação (cognitiva. traços de caráter. no rumo de uma educação multicultural e comunitária. Por outro lado. materiais e financeiras de funcionamento. 56 Incorpora no cotidiano escolar as novas tecnologias da comunicação e informação Como buscar a qualidade social? Quais estratégias e procedimentos possibilitam promover a qualidade social das escolas e do sistema escolar? Não é nada fácil estabelecer como critério de qualidade a igualdade quanto ao atendimento escolar. convicções. ficam por resolver os direitos de alunos portadores de dificuldades escolares gerais ou específicas e portadores de outras necessidades que põem em questão a validade de parâmetros universais de desempenho. conforme ideais humanistas.). física. a qualidade para todos. atitudes. nesse caso. . todas as crianças têm direito ao sucesso escolar. remuneração digna e formação continuada dos professores. condições de trabalho. Dispõe de condições físicas. no sentido de usufruir plenamente do direito de escolarização. Por um lado. em condições iguais de oferta dos meios de escolarização.

porque os resultados da aprendizagem dizem respeito não só à dimensão cognitiva mas. é insuficiente julgar a qualidade da escola apenas pelo nível de seus produtos. mesmo que se baseiem na democratização nos processos organizativos e decisórios. Do mesmo modo. no âmbito das escolas. as mudanças nas práticas de gestão. a avaliação dos resultados por provas ou exames nacionais. ética. não resolvem os problemas do ensino e do baixo rendimento escolar dos alunos. apenas a aferição do desempenho intelectual dos alunos através de provas e exames. é a qualidade cognitiva das experiências de aprendizagem dos alunos.As considerações anteriores mostram que a busca da educação escolar de qualidade depende da conjugação de vários objetivos e estratégias. etc. não como fins. os modernos equipamentos . Em suma. É necessário alertar que a reorganização das escolas. física. estética. os processos de organização e gestão das escolas. a participação da comunidade. por si só. por mais que os resultados sejam um bom indicativo da qualidade dos processos e das condições da oferta dos serviços. de fato.todos são fatores imprescindíveis para promover a qualidade. às dimensões afetiva. de pouca valia terão a gestão democrática. se os objetivos de aprendizagem não forem conseguidos. as eleições para diretor. se os alunos . também. O que as escolas precisam buscar. a modificação dos currículos. Portanto. mas eles 57 devem ser considerados como meios. a aquisição de novos equipamentos. Também não é suficiente.

portanto.continuam tendo baixo rendimento escolar. elas existem para que os alunos aprendam. os resultados juntamente com os elementos e processos que os determinam. Atender às necessidades dos alunos em consonância com as exigências sociais e educacionais contemporâneas significa prestar atenção nos conteúdos que estão sendo ensinados. Celestino da Silva Júnior escreve que as escolas não existem para serem administradas ou inspecionadas. a organização e a gestão. o professor e avaliação. na efetividade desses conteúdos para a vida 58 cultural e prática. a escola se organiza para que ela readquira em plenitude sua função original de ensinar (Silva Júnior. Considerando. ganham importância as estratégias de realização da qualidade a saber: o currículo. Eixos da qualidade social: o currículo e os processos de ensino e aprendizagem Qualidade social do ensino. Daí o investimento necessário no aperfeiçoamento do currículo e das práticas metodológicas nas escolas. Atualmente existem distintas posições sobre . pois. o centro de referência dos critérios e estratégias de qualidade é o que os estudantes aprendem. no modo como estão sendo ensinados.se. Com isso. 1986). se não desenvolvem seu potencial cognitivo. como aprendem e em que grau são capazes de pensar e atuar com o que aprendem. diz respeito à qualidade cognitiva dos processos de aprendizagem numa escola que inclua todos. ou seja.

incentivar os professores de cada escola a melhorar o processo educativo. à liberdade e ao caráter participativo. em função de iniciativas e interesses locais. metodologias e técnicas a serem seguidas. principalmente. as decisões que se tomam em âmbito local. predominando. A segunda posição.formas de organização para o aperfeiçoamento do currículo.visando. Sustenta que o currículo é uma questão de cada escola e de cada professor em particular. A ênfase está colocada nos interesses mais amplos do sistema político e não nos interesses regionais e locais. portanto. a refletir sobre as práticas curriculares e metodológicas. A primeira é o modelo centralizado. a uma certa unidade do sistema escolar em função de objetivos democráticos da educação nacional . em que o currículo deveria ser planejado. Secretarias de Educação).e à flexibilidade. oposta à primeira. Esse modelo busca. bastante criticado pela maioria dos educadores. a fim de prestar serviços de melhor qualidade aos seus alunos. defende um modelo descentralizado de organização e aperfeiçoamento curricular. portanto. administrado e controlado por órgãos superiores do sistema educacional (Ministério da Educação. Uma terceira posição é o modelo misto que confere importância ao mesmo tempo aos órgãos de coordenação central . Nele são definidas metas a alcançar. Também torna possível o agrupamento de várias escolas em torno de . sistema de avaliação controlador. O principal argumento a favor desse modelo é que ele pode assegurar o máximo de participação do professor e demais integrantes da escola e um mínimo de interferência dos órgãos superiores.

o currículo e os processos de ensino e aprendizagem correspondem aos objetivos da escolarização obrigatória. a inserção no mundo do trabalho. As atividades-meio são as condições de realização desses objetivos. realizam as atividades-fim na educação escolar tais como a aquisição do conhecimento e da cultura. Não configuram. ou seja. a ser concretizada nas decisões regionais e locais sobre currículos e sobre programas de transformação da realidade educacional empreendidos pelas autoridades governamentais.. a formação para a cidadania. Sua função é orientar e garantir a coerência dos investimentos no sistema educacional (. capacitação de professores. Em síntese. à diversidade sociocultural das diferentes regiões do País e à autonomia de professores e equipes pedagógicas.. entre essas condições. que se sobreporia à competência político-executiva dos Estados e Municípios. pelos professores. o planejamento pedagógico e curricular. conforme se pode concluir das seguintes considerações inseridas na Introdução dos Parâmetros Curriculares Nacionais: 59 Os PCN constituem um referencial de qualidade para a educação no Ensino Fundamental em todo o País. portanto. a . O principal critério de aferição dos resultados obtidos em relação a esses objetivos é o grau em que se obtém a qualidade cognitiva e operativa das aprendizagens escolares. o desenvolvimento da personalidade. incluindo-se. um modelo curricular homogêneo e impositivo. pelas escolas. No Brasil optou-se pelo terceiro modelo.) Por sua natureza aberta.projetos comuns de aperfeiçoamento curricular. configuram uma proposta flexível.

O projeto pedagógico-curricular é o instrumento de articulação entre fins e meios. a atuação competente dos professores nos conteúdos e na metodologia de 60 ensino. CAPÍTULO IV – O Professor e a Construção da sua Identidade Profissional 63 O professor é um profissional cuja atividade principal é o ensino. uma professora. a crença na possibilidade de educar a todos como condição para a igualdade e inclusão social. A garantia da qualidade social do ensino é. implicando a relevância social desses conteúdos. A conquista da . a obtenção de bons resultados escolares que evidenciem o trabalho da escola e dos professores. Ele faz o ordenamento de todas as atividades pedagógicas. Esse conjunto de requisitos profissionais que tornam alguém um professor. a cultura organizacional. Sua formação inicial visa a propiciar os conhecimentos. as habilidades e as atitudes requeridas para levar adiante o processo de ensino e aprendizagem nas escolas. um trabalho escolar integrado e articulado. a tecnologia. é denominado profissionalidade.. com a participação coletiva na elaboração e desenvolvimento do projeto pedagógico e do currículo.organização e gestão da escola. o desenvolvimento profissional dos professores. tendo em vista os objetivos educacionais. portanto. curriculares e organizativas da escola.

Um professor profissionalmente despreparado. respeita os alunos. Por outro lado. assiduidade. práticas de organização e gestão). Essas condições são: formação inicial e formação continuada nas quais o professor aprende e desenvolve as competências. terá dificuldades de atuar com profissionalismo. a profissionalização requer profissionalismo. recebendo salários baixos. compromisso com um projeto político democrático.profissionalidade supõe a profissionalização e o profissionalismo. trabalhando em precárias condições. Na prática. remuneração compatível com a natureza e as exigências da profissão. respeito à cultura de origem dos alunos. um professor muito dedicado. dedicação ao trabalho. O profissionalismo requer profissionalização. 64 rigor no preparo e na condução das aulas. habilidades e atitudes profissionais. participação na construção coletiva do projeto pedagógico. A profissionalização refere-se às condições ideais que venham a garantir o exercício profissional de qualidade. ambiente e clima de trabalho. O profissionalismo refere-se ao desempenho competente e compromissado dos deveres e responsabilidades que constituem a especificidade de ser professor e ao comportamento ético e político expresso nas atitudes relacionadas à prática profissional. As duas noções apresentadas se complementam. é assíduo ao trabalho. condições de trabalho (recursos físicos e materiais. que ama sua profissão. terá muito pouco êxito na sua atividade profissional se não tiver as . isso significa domínio da matéria e dos métodos de ensino.

Em boa parte isso se deve às condições precárias de profissionalização. de lidar com essas duas noções de forma que a ausência de uma comprometa irremediavelmente a outra. os governos têm sido incapazes de garantir a valorização salarial dos professores levando a uma degradação social e econômica da profissão e a um rebaixamento evidente da qualificação profissional dos professores em todo o país. investindo na sua formação continuada. ao mesmo tempo em que se fala da valorização da 65 . lutando por melhores salários. alardeando que a educação é a prioridade. a buscar melhor qualificação. isto é. salários. ao mesmo tempo. suas convicções. mudar suas atitudes. recursos materiais e didáticos. carreira . inclusive. É verdade que a profissão de professor vem sendo muito desvalorizada tanto social quanto economicamente. em boa parte. é a responsabilidade que a tarefa educativa traz consigo. na prática. que os professores são importantes etc. No entanto. formação profissional. Não se trata. os requisitos da profissionalização. Pode. o que pode levá-lo. seus valores em relação à prática profissional.qualidades e competências tidas como ideais a um profissional. É muito comum as autoridades governamentais fazerem autopromoção mediante discursos a favor da educação. Um professor pode compensar uma fraca profissionalização estudando mais. Em outros termos. interferindo na imagem da profissão.cujo provimento é. certamente. responsabilidade dos governos. O que justifica essa atuação comprometida é a natureza da profissão de professor.

a ressignificação de sua identidade . Os cursos de formação inicial têm um papel muito importante na construção dos .pode ser a garantia da recuperação do significado social da profissão. Por isso. continuam vigorando salários baixos e um reduzido empenho na melhoria da qualidade da formação profissional dos professores. O mal-estar. Isto acontece porque a identidade com a profissão diz respeito ao significado pessoal e social que a profissão tem para a pessoa. os estudiosos da formação de professores vêm insistindo na importância do desenvolvimento pessoal e profissional no contexto de trabalho. no entanto. Paradoxalmente. são algumas conseqüências que podem resultar dessa perda de identidade profissional.que passa pela luta por melhores salários e pela elevação da qualidade da formação . Se o professor perde o significado do trabalho tanto para si próprio como para a sociedade. portanto. Nos últimos anos. a construção e o fortalecimento da identidade profissional precisam fazer parte do currículo e das práticas de formação inicial e continuada. mediante a educação ou formação continuada. Apesar dos problemas. prejudicam a construção da identidade dos futuros professores com a profissão e de um quadro de referência teórico-prático que defina os conteúdos e as competências que caracterizam o ser professor. para a cidadania. a baixa auto-estima. a frustração. As condições de trabalho e a desvalorização social da profissão de professor. a qualidade dos resultados de aprendizagem dos alunos é inseparável da qualificação e competência dos professores.educação escolar para a competitividade. os professores continuam sendo os principais agentes da formação dos alunos e. para o consumo. ele perde a identidade com a sua profissão. de fato.

nas reuniões pedagógicas. nas atividades de assistência pedagógico-didática junto com a coordenação pedagógica. Nesses cursos são passadas propostas para serem executadas ou os conferencistas dizem o que os professores devem fazer. nos conselhos de classe etc. Ela visa ao desenvolvimento pessoal e profissional mediante práticas de envolvimento dos professores na organização da escola. na organização e articulação do currículo. O professor deixa de estar apenas cumprindo a rotina e executando tarefas. a refletir sobre sua prática.conhecimentos. Mas é na formação continuada que essa identidade se consolida. 66 A formação continuada é uma maneira diferente de ver a capacitação profissional de professores. como participante qualificado na organização e gestão da escola . sem tempo de refletir e avaliar o que faz. atitudes e convicções dos futuros professores necessários à sua identificação com a profissão. atua como intelectual critico . Ainda é muito comum nas Secretarias de Educação promover a capacitação dos professores através de cursos de treinamento ou de reciclagem. a investigar e construir teorias sobre seu trabalho. de grandes conferências para um grande número de pessoas. uma vez que ela pode desenvolver-se no próprio trabalho. O professor não é instigado a ganhar autonomia profissional.o professor prepara-se teoricamente nos temas pedagógicos e nos conteúdos para poder realizar a reflexão sobre sua prática.do professor como intelectual crítico. Na nova concepção de formação . como profissional reflexivo e pesquisador e elaborador de conhecimentos.

Em suas atividades cotidianas. revê sua prática. analise de problemas. avaliação de situações etc. bem como para atribuirmos direções esperadas a essas mudanças (Christov. desenvolve habilidades de participação grupal e de tomada de decisões seja na elaboração do projeto pedagógico e da proposta curricular seja nas várias atividades da escola como execução de ações. principalmente para analisarmos as mudanças que ocorrem em nossa prática. um programa de educação continuada se faz necessário para atualizarmos nossos conhecimentos. fazendo com que sua prática vire conteúdo de reflexão. 1998) Isso não quer dizer que o professor não necessita da teoria. A realidade muda e o saber que construímos sobre 67 ela precisa ser revisto e ampliado sempre. do conhecimento científico. O alargamento da consciência se dá pela reflexão que o professor realiza na ação. inventando novas soluções. Tematizando sua prática. cria novas estratégias. A Educação Continuada se faz necessária pela própria natureza do saber e do fazer humanos como práticas que se transformam constantemente.na contextualização sociocultural de suas aulas e na transformação social mais ampla. . Esse é o sentido mais ampliado que assume a formação continuada. inventa novos procedimentos. Dessa forma. discussão de pontos de vista. isto é. ele vai ampliando a consciência sobre sua própria prática. experimenta novas formas de trabalho. torna-se investigador em sua aula analisando suas práticas. revendo as rotinas. Significa que o professor analisa sua prática à luz da teoria.

mas construir estratégias. inclusive aqueles imprevistos... O que ele precisa é desenvolver a capacidade de dar respostas criativas conforme cada situação. encontram soluções juntos. Ou seja. Sabemos que boa parte das situações de ensino são singulares. pensam juntos. descobrir saídas. . chegamos à necessidade do trabalho em equipe através do qual os professores formulam o projeto pedagógico. não basta o professor ter uma lista de métodos e técnicas a serem utilizados. por isso. congressos seminários de estudo. Ou seja.o professor toma decisões diante das situações concretas com as quais depara. 68 criam uma cultura organizacional. Para isso. 1998). Há muitas formas de realizar a formação continuada: cursos. (. uma reflexão que se eleve da situação imediata. o professor precisa ser capaz de inventar suas próprias respostas. enriquecendo-se de conhecimentos e práticas e aprendendo a resolver problemas. É assim que o professor transforma-se num pesquisador. com base nas quais constrói saberes na ação. discutem juntos. Não precisa tanto saber aplicar regras já estabelecidas.) Mas a sua reflexão na ação precisa ultrapassar a situação imediata. Neste ponto. interagem com seus colegas. assumem as responsabilidades coletivamente. incertas e muitas vezes desconhecidas. a caminho de construir sua autonomia profissional. possibilitando uma elaboração teórica de seus saberes (Pimenta. inventar procedimentos. é necessário mobilizar a reflexão sobre a reflexão na ação.

políticas.. Enquanto agirmos em nossas escolas contentando-nos com níveis mínimos de profissionalização (qualificação mínima... Identidade profissional e saberes e competencias profissionais Em que consiste a profissão de professor? O que significa ser professor? Como vimos. sociais. identidade profissional é o conjunto de conhecimentos. As novas exigências educacionais frente a essas . 1998). está bom (Guimarães. má qualidade das experiências de aprendizagem dos alunos.) e profissionalismo (insensibilidade ao insucesso escolar dos alunos. 1999). o profissionalismo. A sociedade brasileira está passando por intensas transformações econômicas. habilidades. estudos individuais.) a luta pela profissionalidade se esvazia porque os professores continuarão pensando que como está. descompromisso com atualização pedagógica. valores que definem e orientam a especificidade do trabalho de professor. assim como para o exercício responsável da profissão. culturais..reunião pedagógica. determinada identidade . encontros com a Coordenação Pedagógica.conforme necessidades educacionais colocadas em cada momento da história e em cada contexto social (Pimenta. atitudes. autodesqualificação. Sabemos que a profissão de professor vai assumindo determinadas características isto é. O importante é acreditar que a formação continuada é condição indispensável para a profissionalização. rotinização e desencanto com o trabalho. que se põe como requisito para a luta por melhores salários e melhores condições de trabalho.

No últimos anos. conteúdos das diversas áreas do saber e do ensino. novos modos de pensar. vários estudos vêm pesquisando os saberes e competências profissionais que fazem parte da profissionalidade do professor. 3. Identidade que é epistemológica. . 4. Há uma nítida mudança no desempenho dos papéis docentes. surgem novas práticas profissionais. sensibilidade pessoal e social). diretamente relacionados ao campo da prática profissional. Ou seja. Saberes são conhecimentos teóricos e práticos requeridos para o exercício profissional. novas competências. conteúdos ligados à explicitação do sentido da existência humana (individual. a docência constitui um campo específico de intervenção profissional na prática social não é qualquer um que pode ser professor. competências são as qualidades. do conhecimento. dos meios de 69 comunicação e informação. Libâneo e Pimenta (1999) apontam duas dimensões da identidade profissional de professor: O desenvolvimento profissional envolve formação inicial e contínua articuladas a um processo de valorização identitária e profissional dos professores. E identidade que é profissional. da cultura e das artes. das ciências humanas e naturais. a saber: 1. ou seja. que reconhece a docência como um campo de conhecimentos específicos configurados em quatro grandes conjuntos. ou seja. conteúdos relacionados a saberes pedagógicos mais amplos do campo teórico da prática educacional.transformações pedem um professor capaz de exercer sua profissão em correspondência às novas realidades da sociedade. 2. do aluno. agir e interagir. conteúdos didático-pedagógicos. Com isso.

(1998) relacionam os vários saberes necessários ao ensino: o saber disciplinar. conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação. condutas e práticas observáveis. que permitem determinar e realizar. numa visão cognitivista e não meramente instrumental. o saber curricular. tal como entendidos no tecnicismo educacional. administrar a progressão das aprendizagens. as competências correspondem a uma articulação entre capacidades cognitivas e habilidades. Gauthier et al. o saber da experiência e o saber da ação pedagógica. esquemas de pensamento. habilidades e atitudes relacionados com esses conhecimentos teóricos e práticos e que permitem a um profissional exercer adequadamente sua profissão. Outros autores investigaram os saberes profissionais de professores. Define "competência profissional" como uma capacidade de mobilizar diversos recursos cognitivos para enfrentar situações determinadas. envolver os alunos em suas . o saber da tradição pedagógica. de modo que seu exercício implica operações mentais. o saber das ciências da educação. Perrenoud (2000b) apresenta dez famílias de competências para ensinar: organizar e dirigir situações de aprendizagem. 70 que se torna elemento necessário na definição de competência. uma ação compatível com a situação. com eficácia. As competências vinculam-se não só a conhecimentos como também a uma atividade cognitiva. Perrenoud (2000a) sugere que os saberes estão contidos no termo "competências". Ou seja.capacidades. Essa capacidade geral ou capacidades não se confundem com objetivos comportamentais. comportamentos rotineiros e repetitivos.

auto-formar-se. participar da administração da escola. Dominar e exercer a profissão de professor. Para ela. 2. utilizar novas tecnologias. (1999) organizam o conhecimento profissional dos professores em cinco âmbitos: conhecimentos sobre crianças. conhecimentos sobre as dimensões culturais. um conjunto de qualidades positivas fundadas no bem comum. na realização dos direitos do coletivo de uma sociedade. ética e estética.saberes de experiência. jovens e adultos. Laranjeira et al. um profissional qualificado é aquele quem possui determinadas qualidades. os conhecimentos específicos da matéria e os saberes pedagógicos. cultura geral e profissional. política. administrar sua própria formação contínua. conhecimento para a atuação pedagógica e conhecimento de experiência contextualizado na ação pedagógica. 71 A relação de competências profissionais que reproduzimos a seguir ajudam a compreender as qualidades e capacidades exigidas hoje na formação profissional de professores. Pimenta (1999) aponta como saberes necessários à docência . COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS DE PROFESSOR l. sociais e políticas da educação. na qual se reúnem as dimensões técnica. . A competência envolve uma pluralidade de propriedades. trabalhar em equipe.aprendizagens e em seu trabalho. inovar. Refletir sobre sua prática. A professora Terezinha Rios (2000) associa o termo competência à qualidade do trabalho. informar e envolver os pais. enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão.

Desenvolver sólida cultura geral. para tornar-se sujeito pensante e crítico. Manter uma relação crítica e autônoma com os saberes. saber diagnosticá-los e enfrentálos. 16. Capacitar-se a realizar pesquisas e análises de situações educativas e de ensino. Desenvolver competências do pensar. 10. Dominar as disciplinas a ensinar e suas didáticas.3. construir e administrar situações de aprendizagem e de ensino.Suíça. Todavia. 7. 5. Assumir a dimensão educativa do ensino. 15. 11. 72 É sabido o quanto o desenvolvimento dessas características de professor pode ser prejudicado pelas atuais condições de exercício profissional tais como a baixa remuneração e as precárias condições de trabalho. 14. Os itens de 1 a 12 foram extraídos do Guia de Estudos da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação de Genebra . Outras competências: 13. Integrar a componente ética à prática cotidiana. Desenvolver sensibilidade aos problemas emergentes em situações práticas. Trabalhar em equipe e cooperar com outros profissionais. 4. aposta-se nas possibilidades de melhoria da . Servir-se das ciências humanas e sociais como base de análise de situações educativas complexas. Conceber. Considerar a diversidade dos alunos. 6. 12. Assumir as dimensões relacionais no ensino. Servir-se conscientemente das tecnologias. 9. 8.

se já existiram . mais ampla e mais flexível para que o professor seja capaz de ir compondo sempre melhor as suas respostas.Os Conceitos de Organização Gestão.fatos simples. gestão e participação. ora tomados como sinônimos. termo que tradicionalmente caracteriza os princípios e procedimentos referentes à ação de planejar o trabalho da escola. Deixam de existir em educação . A cada dia demanda-se uma formação (. ora o primeiro praticamente se confundindo com administração . Participação e Cultura Organizacional 75 Os especialistas não têm uma posição única sobre a utilização dos termos organização. outros atribuem maior amplitude a uma ou a outra. O mesmo acontece com os termos gestão e direção. financeiros. aumentando-se a complexidade da profissão. racionalizar o uso de recursos (materiais. administração. A expressão "organização escolar" é freqüentemente identificada com "administração escolar". as inúmeras mediações que provocam um turbilhão de estímulos que povoam a mente dos alunos. intelectuais). Alguns autores utilizam essas duas expressões indistintamente. profissionalizando-se. É o que recomenda Guimarães (1999): A ampliação e eficiência dos meios de comunicação.) mais sólida.. desencadeiam enorme ampliação da prática profissional.. CAPÍTULO V . o caráter de instantaneidade que os fatos adquiriram.qualificação profissional na formação inicial e formação continuada como um dos requisitos essenciais para a profissionalização. exigindo-se conhecimentos mais refinados para uma atuação produtiva. coordenar e controlar o trabalho das pessoas.

Ela inclui. (. especialmente no projeto pedagógico. são bem explicitas as seguintes definições: A administração escolar tem como objetivos essenciais planejar.. Nesse sentido. no seu âmbito de ação. Tais tarefas remetidas 76 à escola configuram a administração escolar (ou educacional. vem suscitando cada vez mais interesse por causa de suas implicações no funcionamento da escola. podemos afirmar que a administração é a utilização racional de recursos para a realização de fins determinados.. na construção do currículo e nas formas de gestão. ..) A administração pode ser vista. por um lado. a organização escolar (Santos. gerir..e o segundo como um aspecto do processo administrativo. por outro. as reúnem todas no conceito de administração.) envolvem. os esforços despendidos pelos homens e que precisam ser coordenados com vistas a um propósito comum. organizar. assim. os elementos materiais e conceptuais que o homem coloca entre si e a natureza para dominá-la em seu proveito. por sua vez. tanto na teoria como na prática. dirigir. tomar decisões. 1966).. Organização e administração A maioria dos autores que estudam as tarefas de administrar. configurando-se assim uma ciência da administração ou uma teoria da administração. organizar.) Os recursos (. dirigir e controlar os serviços necessários à educação. conforme o âmbito de análise) sendo a ação de organizar.. uma parte dela. (. O termo "cultura organizacional". portanto. Em seu sentido geral.

seria mais adequado o uso do termo organização. que a diferenciam das empresas convencionais. Organizar (. constituída de pessoas que trabalham juntas) que existem para alcançar determinados objetivos (Chiavenato. a fim de . 1986). entretanto. portanto. com fortes características interativas. Administrar é regular tudo isso. As organizações são unidades sociais (e.. demarcando esferas de responsabilidade e níveis de autoridade nas pessoas congregadas. Esses meios ou fatores são de duas classes: administrativos e pedagógicos" (Aguayo in Santos.) é bem dispor elementos (coisas e pessoas). 77 A organização escolar é o conjunto de disposições. sendo a instituição escolar eminentemente um sistema de relações. Além disso. que conduzem a fins determinados. Outros autores. preferem atribuir ao termo organização maior abrangência. 1966). dentro de condições operativas (modos de fazer). As seguintes definições permitem atribuir a abrangência maior ao termo organização. entendendo que a administração realiza-se no contexto de uma organização.. reconhecendo a especificidade das instituições educacionais.1989). é útil a posição de Chiavenato (1989) distinguindo dois significados diferentes de organização: organizações como unidades sociais e organização como função administrativa. Nesse caso. fatores e meios de ação que regulam a obra da educação ou um aspecto ou grau da mesma.como dois amplos campos que se interpenetram: a "racionalização do trabalho" e a "coordenação (do esforço humano coletivo" (Paro.

Seguindo de perto essas definições. S. ou seja. Lourenço Filho também destaca o caráter grupal. considerando que esses termos. adotamos o sentido amplo de organização. cooperativo. Utilizamos. colocados juntos. Paulo. a fim de alcançar os objetivos da instituição. 1976. 1983). Em uma de suas obras mais difundidas. 1976). requer-se a tomada de decisões e a direção e controle dessas decisões.que não se perca a coesão do trabalho e sua eficiência geral (Lourenço Filho. a expressão organização e gestão da escola. o caráter de intencionalidade de seus atos. realizem seus objetivos. É este o processo que denominamos de gestão. assim. pois. enfatizando assim os indivíduos e os grupos interrelacionados. são mais abrangentes que administração.1994). das instituições. definindo 78 a organização como ação congregada entre duas ou mais pessoas. em relação à qual a administração é subordinada. processos de sistematicidade e caráter pessoal direto e prolongado de que se reveste o ato educativo (Carvalho e Diogo. as suas interações. unidade social que reúne pessoas que interagem entre si e que opera através de estruturas e processos organizativos próprios. Para que as organizações funcionem e. Edições Melhoramentos. . Organização e Administração Escolar. Podemos ver a escola como uma organização na medida em que ela se constitui como unidade social `de agrupamentos humanos intencionalmente construídos ou reconstruídos' (Chiavenato.

Na prática, os termos organização e administração, podem ser utilizados combinadamente, desde que se explicite o conteúdo de cada um. A definição de Paro, por exemplo, registrada acima, define com muita propriedade os âmbitos de estudo da Administração, que poderiam ser incluídos também como campo de estudos da Organização. Gestão e direção Alguns autores afirmam que o centro da organização e do processo administrativo e a tomada de decisão. Todas as demais funções da organização (o planejamento, a estrutura organizacional, a direção, a avaliação) estão referidas ao processo eficaz de tomada de decisões (Griffiths, 1974). Os processos intencionais e sistemáticos de se chegar a uma decisão e de fazer a decisão funcionar caracterizam a ação que denominamos gestão. Em outras palavras, a gestão é a atividade pela qual são mobilizados meios e procedimentos para se atingir os objetivos da organização, envolvendo, basicamente, os aspectos gerenciais e técnicoadministrativos. Nesse sentido, é sinônimo de administração. A direção é um princípio e atributo da gestão, mediante a qual é canalizado o trabalho conjunto das pessoas, orientando-as e 79 integrando-as no rumo dos objetivos. Basicamente, a direção põe em ação o processo de tomada de decisões na organização, e coordena os trabalhos, de modo que sejam executados da melhor maneira possível.

A organização e os processos de gestão, incluindo a direção, assumem diferentes significados conforme a concepção que se tenha dos objetivos da educação em relação à sociedade e à formação dos alunos. Por exemplo, numa concepção tecnicista de escola, a direção é centralizada numa pessoa, as decisões vêm de cima para baixo, bastando cumprir um plano previamente elaborado, sem participação dos professores, especialistas e usuários da escola. Já numa concepção democráticoparticipativa, o processo de tomada de decisões se dá coletivamente, participativamente. A direção pode, assim, estar centrada no indivíduo ou no coletivo, sendo possível uma direção individualizada ou uma direção coletiva ou participativa. Neste livro, será assumida a concepção da direção participativa ou democráticaparticipativa, conforme detalharemos adiante. Participação A participação é o principal meio de se assegurar a gestão democrática da escola, possibilitando o envolvimento de profissionais e usuários no processo de tomada de decisões e no funciona mento da organização escolar. Além disso, proporciona um melhor conhecimento dos objetivos e metas, da estrutura organizacional e de sua dinâmica, das relações da escola com a comunidade, e favorece uma aproximação maior entre professores, alunos, pais. Nas empresas, a participação nas decisões é quase sempre uma estratégia que visa a busca do aumento de produtividade. Nas escolas, esse objetivo não precisa ser descartado pois elas também buscam bons resultados. Entretanto, há aí um sentido mais forte de prática da democracia, de experimentar formas não-autoritárias de

exercício do poder, de intervir nas decisões da organização e definir coletivamente o rumo dos trabalhos. 80 O conceito de participação se fundamenta no de autonomia, que significa a capacidade das pessoas e dos grupos de livre determinação de si próprios, isto é, de conduzirem sua própria vida. Como a autonomia opõe-se às formas autoritárias de tomada de decisão, sua realização concreta nas instituições é a participação. Portanto, um modelo de gestão democrática-participativa tem na autonomia um dos seus mais importantes princípios, implicando a livre escolha de objetivos e processos de trabalho e a construção conjunta do ambiente de trabalho. Podemos citar cinco fundamentos do trabalho em equipe ou trabalho participativo: Em primeiro lugar, a equipe deve ter uma meta, propósito, causa ou objetivo que seja identificado, aceito, compreendido e desejado por todos os membros da equipe. Em segundo lugar, a equipe deve ter espírito, moral e desejo de triunfar ainda que seja ao custo de consideráveis sacrifícios individuais. Em terceiro lugar, as linhas de autoridade e responsabilidade devem estar claramente definidas e compreendidas perfeitamente por todos. Em quarto lugar, devem ser estabelecidos os canais de comunicação. Em quinto lugar, o líder deve descobrir e utilizar ao máximo as capacidades criadoras de cada uma das pessoas e uni-las numa equipe homogênea (In Neagley e Evans, 1969). Estes princípios expressam com muita clareza a necessidade de a organização escolar ter objetivos comuns e compartilhados, buscar o envolvimento da equipe de profissionais com esses objetivos, contar com uma

estrutura organizacional em que as responsabilidades estejam muito bem definidas, dispor de várias formas de comunicação entre a organização e as pessoas, ter uma liderança que consiga motivar e mobilizar as pessoas para uma atuação conjunta em torno de objetivos comuns. Em relação, ainda, ao trabalho em equipe, é importante assinalar que a liderança não é atributo exclusivo de diretores e coordenadores, nem está ligada apenas ao cargo e ao status da 81 pessoa. É uma qualidade que pode ser desenvolvida por todas as pessoas por meio de práticas participativas e de ações de desenvolvimento pessoal e profissional. Numa escoa existem, pois, vários tipos de liderança. Entretanto, não se pode negar que, mesmo na gestão democrática efetivada de forma cooperativa e participativa, o funcionamento e a eficácia da escola dependem em boa parte da capacidade de liderança de quem está exercendo a direção e a coordenação pedagógica. Cabe ressaltar, finalmente, que a prática da participação nos processos de gestão, por si só, não esgota as ações necessárias para que seja assegurada a qualidade do ensino. Tanto quanto os vários elementos do processo organizacional, e como um dos elementos deste, a participação é um meio de alcançar melhor e mais democraticamente os objetivos da escola, que se centram na qualidade dos processos de ensino e aprendizagem. Com efeito, na conquista da autonomia da escola, está presente a exigência da participação de professores, pais, alunos, funcionários e outros representantes da comunidade, bem como as formas dessa participação: a

interação comunicativa, a discussão pública dos problemas e soluções, a busca do consenso em pautas básicas, o diálogo intersubjetivo. Todavia, é preciso considerar que a participação implica processos de organização e gestão, procedimentos administrativos, modos adequados de fazer as coisas, a coordenação, o acompanhamento e a avaliação das atividades, a cobrança das responsabilidades. Ou seja, para atingir os objetivos de uma gestão democrática e participativa e o cumprimento de metas e responsabilidades decididas de forma colaborativa e compartilhada, é preciso uma mínima divisão de tarefas e a exigência de alto grau de profissionalismo de todos. Portanto, a organização escolar democrática implica não só a participação na gestão mas a gestão da participação, em função dos objetivos da escola. Essa é uma competência genuína da direção e da coordenação pedagógica da escola. 82 Para a gestão da participação, é preciso ter clareza de que a tarefa essencial da instituição escolar é a qualidade dos processos de ensino e aprendizagem que, mediante as práticas pedagógico didáticas e curriculares, propiciam melhores resultados de aprendizagem. Em síntese, a escola é uma instituição social com objetivos explícitos: o desenvolvimento das potencialidades dos alunos através de conteúdos (conhecimentos, habilidades, procedimentos, atitudes, valores), para constituírem-se em cidadãos participativos na sociedade em que vivem. A tarefa básica da escola é o ensino; que se cumpre pela atividade docente. A organização escolar necessária é aquela que melhor favorece aqueles objetivos e assegura as melhores condições de realização do trabalho docente. Há, assim,

A cultura da escola. Vejamos. portanto. embora oculto. as relações de trabalho. Numa compreensão mais geral. psicológicos que influenciam os modos de agir da organização como um todo e do comportamento das pessoas em particular. ou seja. tratando-se da escola. sendo que a maior parte deles não são claramente perceptíveis nem explícitos. inicialmente. ao lado de outros como a estrutura organizacional. procedimentos operacionais. A cultura organizacional Em outro capítulo deste livro referimo-nos à importância da cultura da escola na formação da identidade profissional do professor. entre atividades-fim e atividadesmeio. rotinas administrativas. o significado de cultura organizacional. há aspectos de natureza cultural que as diferenciam umas das outras. culturais. atua de forma poderosa nos modos de . a formas de participação. Esses aspectos tem sido denominados freqüentemente de "currículo oculto" mas que.uma interdependência entre os objetivos e funções da escola e a organização e gestão do processo de trabalho na escola. como será explicitado mais adiante. a cultura organizacional. representa hoje um elemento indissociável das práticas de organização e gestão. no seu desenvolvimento profissional. a tecnologia (recursos e técnicas). a cultura organizacional (também chamada "cultura da escola' diz respeito ao conjunto de fatores sociais. que para 83 além daquelas diretrizes. ou como preferem outros. Isso significa. normas.

Sabemos que o trabalho nas escolas se defronta com características culturais dos alunos. também. e seus quadros de referência. constituem habitualmente o objeto de uma transmissão deliberada no contexto das escolas" A escola é. sua linguagem. Essa idéia de cultura organizacional remete à cultura da escola. da cultura da prisão. o que se quer destacar aqui. pois cada escola tem o seu modo de fazer as coisas.que marcam fortemente as práticas docentes. da cultura da fábrica) . “rotinizados”. Tanto isso é verdade que os mesmos professores tendem a agir de forma diferente em cada escola em que trabalham. que tem suas características de vida próprias. “normalizados”. afetando tanto professores quanto alunos. Também os professores são portadores de características culturais . um mundo social. seu 84 . é que as próprias práticas e situações escolares estão impregnadas de uma cultura. as formas com que lidam com a profissão . organizados. 1993).funcionar das escolas e na prática dos professores. sob efeito dos imperativos de didatização.seus saberes. Segundo Forquin: Forquin distingue a cultura da escola da cultura escolar. expressão derivada do conceito sociológico de cultura (Forquin. que afetam sua participação nas aprendizagens. Mas. também. selecionados. seus ritmos e seus ritos. seus valores. esta definida como "o conjunto dos conteúdos cognitivos e simbólicos que. que é a cultura da escola (como se poderia falar.

na elaboração do projeto pedagógico. escola japonesa. Isso significa que a direção da escola pode promover a criação de uma cultura organizacional. de um clima favorável. Também já tem sido ressaltado nas teorias da organização escolar a importância da criação de um clima de trabalho favorável e do incentivo para que todas as pessoas da equipe escolar se envolvam com a escola. Significa.imaginário. faz diferença se a escola é urbana. com as expectativas da comunidade. existe uma cultura regional e local que influi nas várias atividades escolares. da capital ou do interior. em outras palavras. de relações de confiança. Nesse sentido. seus valores. ganham importância as interações entre as pessoas e com o contexto social mais amplo. já aparece a preocupação com o contexto social e cultural da escola. ou seja. o quanto seria prejudicial aos seus objetivos se o planejamento da escola desconhecesse as expectativas dos pais. rural. por exemplo. Qual é o significado disto para o sistema de organização e gestão das escolas? Como a cultura da escola influi nos estilos de organização e gestão? A ênfase na cultura organizacional não chega a ser novidade na teoria das organizações. no currículo e nos planos de ensino. que a cultura da escola pode ser modelada. implicando aí os aspectos culturais no sentido que apontamos. Quando se pensa nas formas de administração escolar. . seu regime próprio de produção e de gestão de símbolos. À medida que se considera uma organização como uma unidade social formada por grupos humanos intencionalmente constituídos. escola brasileira Sabemos. seus modos próprios de regulação e de transgressão. suas maneiras de educar os filhos etc. como condições para melhor funcionamento da organização.

O sentido de cultura organizacional que queremos destacar é o de que a própria organização escolar é uma cultura.planejada. que o modo de funcionar da escola. de pensar os problemas. que este entendimento das relações entre a cultura e a escola. embora destaque a importância e o papel do 85 contexto sociocultural na organização escolar. significados. porém. coordenadores pedagógicos e professores. tanto nas relações que se estabelecem no dia-a-dia quanto nas salas de aula. funcionários. práticas. traços culturais próprios. vai formando crenças. Observe-se. diferenças. com base nos significados que dão ao seu trabalho. porque vai além de um sistema de gestão baseado apenas na autoridade do diretor e dos procedimentos burocráticos. é construído pelos seus próprios membros. Mas há em cada escola uma . na vivência do dia-adia. conformada para atender objetivos da direção. podendo haver até quem destoe dessa cultura. valores. alunos. Essa maneira de ver tem algum valor. Essa cultura própria vão sendo internalizada pelas pessoas e vai gerando um estilo coletivo de perceber as coisas. não considera que a própria escola é um mundo cultural. às decisões que são tomadas. como a coesão e o espírito grupal. discordâncias. É claro que isso não se dá sem conflitos. modos de agir. aos objetivos da escola. É o que estamos denominando de cultura da escola ou cultura organizacional. a escola vai adquirindo. Em resumo: a partir da interação entre diretores. de encontrar soluções. conforme abordamos anteriormente.

é preciso criar uma estrutura em que os alunos aprendam a se organizar. A conseqüência prática disso é que precisa haver coerência entre os objetivos proclamados e a cultura organizacional. avaliada. mas essa cultura pode ser modificada pelas próprias pessoas. da coordenação pedagógica. num rumo que responda aos propósitos da direção. Vem daí uma constatação muito importante: a escola tem uma cultura própria que permite entender tudo o que acontece nela. É isto que justifica a formulação conjunta do projeto pedagógicocurricular. planejada. na cantina. na confecção de alimentos e distribuição da merenda.forma dominante de ação e interação entre as pessoas que poderia ser resumida nesta expressão: "temos a nossa maneira de fazer as coisas por aqui". a argumentar numa discussão. do corpo docente. conforme veremos adiante. da gestão participativa. Se se define como um dos objetivos da escola a formação da cidadania. nas formas de tratamento com os pais. A cultura 86 organizacional é elemento condicionante do projeto pedagógico-curricular. mas este também é instituidor de uma cultura organizacional. nas normas disciplinares. será preciso instituir formas de gestão e tomada de decisões participativas e . na metodologia de aula etc. ela pode ser discutida. na relação dos professores com os alunos na aula. Se o objetivo é estabelecer na escola formas democráticas de gestão. nos corredores. Essa cultura organizacional se projeta em todos as instâncias da escola: no tipo de reuniões. a planejar e tomar decisões.

pode ser construída intencionalmente uma cultura organizacional educativa com base em princípios sóciopedagógicos. as relações de poder externas e internas. em que a equipe escolar discute a realidade. cuja influência na organização escolar é determinante. cultural. numa prática educativa e que seus membros. os valores. os significados. as diferentes visões de mundo. entre professores. Estes exemplos reforçam a idéia de que a organização escolar constitui-se. mas também considera os objetivos e os propósitos sociais da organização escolar. é preciso que se tenha uma prática de respeito à diversidade social. para se chegar a definições e decisões em torno dos objetivos comuns. Na perspectiva sócio-crítica da cultura organizacional. ela própria. que a escola se insere num contexto sociocultural e político mais amplo. alunos. É preciso considerar. Uma concepção realista da organização escolar considera. funcionários. podem modificá-la.transparentes. finalmente. Se lutamos pelo reconhecimento das diferenças. Considera. também. os diferentes modos de agir. os valores. considera-se que na escola ocorre uma disputa de interesses sociais e individuais. a partir da cultura organizacional existente. que levar em conta os significados subjetivos e as características culturais das pessoas nas práticas de organização e gestão da escola não significa excluir os conflitos. de sexo. ao mesmo tempo. as interpretações das pessoas em relação ao que precisa 87 ser feito. Ou seja. as diferenças. dentro da . étnica. religiosa. aprimorá-la. os significados.

necessita de conhecimentos tanto administrativos quanto pedagógicos. com a supervisão geral . racional. com o prédio da escola e os recursos materiais. sobre se lhe cabem tarefas apenas administrativas ou também tarefas pedagógicas. para que tomem consciência das condições de funcionamento da organização e que possam criar outras. mais efetivas. com a parte financeira. especificamente. 2) que precisam conhecer a escola. mais participativas. em sentido mais estrito. O papel do diretor de escola e da equipe de especialistas A implementação de práticas alternativas de organização e gestão da escola depende bastante da atuação da direção e da coordenação pedagógica da escola. mais reflexivas. uma normatividade. 3) que precisam ter clareza de que há interesses sócio-políticos e econômicos na definição de uma organização escolar. Preferimos optar pela seguinte posição: o diretor de escola é o responsável pelo funcionamento administrativo e pedagógico da escola. ele desempenha predominantemente a gestão geral da escola e. isso significa: 1) que os professores precisam desconfiar de que a organização escolar deva funcionar do jeito em que está funcionando.realidade sociocultural e política mais ampla. portanto. Há uma diversidade de opiniões sobre o papel do diretor de escola. principalmente. conhecer as teorias organizacionais. Na prática. na escola. Entretanto. que requerem uma ação organizada. nas formas de funcionamento. e acreditar que há outras formas possíveis de organizar e gerir uma escola. que moldam a formação e o funcionamento da organização. as funções administrativas (relacionadas com o pessoal.

vão sendo conferidas às escolas: orientação psicológica.das obrigações de rotina do pessoal. uma vez que responsabilidades que antes correspondiam aos pais e mães. orientação sexual. tornando mais complexas as tarefas de organização e gestão. que somente pode ser assegurada com o trabalho do coordenador pedagógico. iniciativa e utilizar práticas de trabalho em grupo para assegurar a participação de alunos. As mudanças na sociedade envolvendo uma ligação maior da escola com outras realidades tais como os meios de comunicação e informação. Ele encarna um tipo de profissional com conhecimentos e habilidades para exercer liderança. O crescimento da população e a urbanização da sociedade têm levado à instalação de escolas maiores. a automação. Há outras razões para destacar o papel do diretor. educação para o trânsito. orientação para novas necessidades da vida urbana. relações com a comunidade). Mas essa acentuação da importância da coordenação pedagógica não significa diminuição do papel do diretor. professores. educação para o lazer. delegando a parte pedagógica ao coordenador ou coordenadores pedagógicos. A necessidade de vínculo maior com as famílias. implicando uma ligação mais explicita da escola com outros organismos da comunidade. 88 Mais adiante ver-se-á que a ênfase no processo de ensino e aprendizagem na sala de aula requer um acompanhamento e uma atenção especial. . especialistas e pais nos processos de tomada de decisões e na solução dos problemas. educação ambiental etc.

Não se quer dizer com isso que o sucesso da escola 89 reside unicamente na pessoa do diretor ou numa estrutura administrativa autocrática . o diretor tem uma visão de conjunto e uma atuação que apreende a escola nos seus aspectos pedagógicos. uma importância muito significativa para que a escola seja respeitada pela comunidade. participativamente. Outras formas de escolha são o concurso público e a eleição pelo voto direto ou representativo. geralmente para atender conveniências e interesses político-partidários. como dirigente. Como temos insistido. participação. Ao contrário.O diretor ou diretora de escola tem. democracia não significam ausência de responsabilidades. culturais. financeiros. a escola precisa estar bem coordenada e administrada. Essa prática torna o diretor o representante do poder executivo na escola. . trata-se de entender o papel do diretor como um líder. Em razão disso. pois. autonomia.aquela em que o diretor centraliza todas as decisões. a nomeação arbitrária de diretores pelo governador ou prefeito. as expectativas da comunidade escolar e articular a adesão e a participação de todos os segmentos da escola na gestão de um projeto comum. Infelizmente. é preciso colocá-las em prática. Como gestor da escola. predomina ainda no sistema escolar público brasileiro. uma pessoa que consegue aglutinar as aspirações. Uma vez tomadas as decisões coletivamente. a escolha do diretor de escola requer muita responsabilidade do sistema de ensino e da comunidade escolar. administrativos. os desejos. Nessa hora.

Descartando-se a escolha por nomeação. Além disso. nas quais participa a comunidade escolar. relacionadas à qualificação e competência profissional e experiência na área educacional. separada da realidade circundante. 90 sociedade e trabalho. no Conselho de Escola e outros órgãos colegiados que venham a existir. a melhor forma de escolha é um sistema combinado: 1. . multiculturalismo. que repercutem na escola nas práticas de descentralização. os candidatos deverão comprovar liderança e capacidade de gestão. 3. 2. embora esteja claro para a maioria que os pais participam. Exigência de que os candidatos submetam-se a provas escritas. a escola não pode ser mais uma instituição isolada em si mesma. autonomia. Eleições. 1997). Participação dos pais na vida da escola A exigência da participação dos pais na organização e gestão da escola corresponde a novas formas de relações entre escola. mas integrada numa comunidade que interage com a vida social mais ampla. não tem havido consenso entre os pesquisadores e educadores sobre as formas concretas dessa participação. de forma delegada. na Associação de Pais e Mestres (onde existir). De fato. Avaliação da formação profissional e competência técnica. apresentando um programa de trabalho (Romão e Padilha. Todavia. Isso significa que a equipe escolar precisa estabelecer condições prévias para os candidatos. que é o procedimento mais prejudicial à gestão democrática na escola. coresponsabilização.

não são especialistas. Resguardado o princípio da participação. num campo em que. alunos. sua dignidade profissional não ficará abalada com a discussão pública sobre seu trabalho. ao abordar problemas pedagógico-didáticos. de modo a encontrar formas de . Por exemplo. como é o caso da presença dos pais (e estudantes) em órgãos colegiados da escola. pais. Não se pode ignorar que cada categoria de sujeitos componentes da organização escolar (professores. diretores.Na realidade concreta. surgem questões não desprezíveis referentes à possibilidade de síntese entre interesses e competências diversas. já que o envolvimento dos pais é não só legítimo 91 como necessário. se estes forem seguros de seu papel. todavia. objetivos próprios. Os pais. projeto pedagógicocurricular. os professores podem fazer uma legítima reivindicação de uma competência profissional autônoma que pode colocar-se como barreira nas relações com pais. Somente a prática pode ajudar a esclarecer estes problemas. estrutura de gestão. será necessário considerar que a escola tem funções sociais explicitas. por outro lado. Isso significa que não se pode pôr em dúvida o espaço específico e autônomo dos professores mas. bloquear a discussão e até mesmo a comunicação. formulados de forma coletiva e pública. dentro do critério do respeito aos papéis e competências. funcionários) possui interesses específicos. a rigor. implicando diferentes culturas e hábitos e diferentes visões das questões escolares. podem assumir uma atitude preconcebida de censura aos professores. coordenadores.

aproximando a organização escolar da organização empresarial. nos anos 30. simplesmente. há toda uma pesquisa sobre administração escolar que remonta aos pioneiros da educação nova. do processo de ensino e aprendizagem. estiveram marcados por uma concepção burocrática. a estrutura organizacional da escola.acordo mútuo e organização do professores em social e ética de ajuda recíproca.O SISTEMA DE ORGANIZAÇÃO E GESTÃO DA ESCOLA 95 Neste capítulo são apresentados alguns elementos básicos para o conhecimento da organização escolar e para a atuação dos professores e do pessoal técnicoadministrativo. Esses estudos se deram no âmbito da Administração Escolar e. com as discussões sobre reforma curricular dos cursos de Pedagogia e de Licenciaturas. operativa. Nos anos 80. Tais estudos eram identificados com o campo de conhecimentos denominado Administração e Organização Escolar ou. melhorando a trabalho escolar e o trabalho dos função da qualidade cognitiva. As concepções de organização e gestão escolar O estudo da escola como organização de trabalho não é novo. a disciplina passou em muitos lugares a ser denominada de Organização do Trabalho Pedagógico ou Organização do Trabalho Escolar. os elementos constitutivos do processo organizacional. funcionalista. Serão abordados os seguintes itens: as concepções de organização e gestão escolar. adotando um enfoque . freqüentemente. CAPÍTULO VI . Administração Escolar.

normas e regulamentos. A organização escolar não seria uma coisa totalmente objetiva e funcional. alunos. O segundo enfoque vê a organização escolar basicamente como um sistema que agrega pessoas. Além disso. neutra. com os aspectos propriamente organizacionais e técnico-administrativos da escola. de modo a alcançar maiores índices de eficácia e eficiência.crítico. Não é difícil aos futuros professores fazerem distinção entre essas duas concepções de organização e gestão da escola. o contexto sócio-político etc. Houve pouca preocupação. mas uma construção social levada a efeito pelos professores. um enfoque científico-racional e um enfoque crítico. no estudo dessa questão. pais e integrantes da comunidade próxima. organizada e controlada. baixo grau de participação das pessoas que trabalham na organização. É sempre útil distinguir. de cunho sócio-político. No primeiro enfoque. importando bastante a intencionalidade e as interações sociais que acontecem entre elas. pode ser planejada. técnica. As escolas que operam nesse modelo dão muito peso à estrutura organizacional: organograma de cargos e funções. que funciona racionalmente. centralização das decisões. um elemento neutro a ser observado. não seria caracterizada pelo seu papel no mercado . freqüentemente restringido a uma análise crítica da escola dentro da organização do trabalho 96 no capitalismo. com algumas exceções. a organização escolar é tomada como uma realidade objetiva. hierarquia de funções. portanto. Este é o modelo mais comum de funcionamento da organização escolar. planos de ação feitos de cima para baixo.

três das concepções de organização e gestão: a técnico-científica (ou funcionalista).mas pelo interesse público. de forma esquemática. destacando-se as relações de subordinação em que uns têm mais autoridade do que outros. a eficiência dos serviços escolares. A visão crítica da escola resulta em diferentes formas de viabilização da gestão democrática. Maior ênfase nas tarefas do que nas pessoas. a autogestionária e a democrático-participativa. às vezes descuidando-se dos objetivos específicos da instituição escolar. A concepção autogestionária baseia-se na responsabilidade coletiva. é possível apresentar. Atualmente. Comunicação linear (de cima para baixo). regras. baseada em normas e regras. Algumas características desse modelo são: Prescrição detalhada de funções. acentuando-se a divisão técnica do trabalho escolar (tarefas especializadas). 97 A concepção técnico-científica baseia-se na hierarquia de cargos e funções visando a racionalização do trabalho. ausência de direção . Com base nos estudos existentes no Brasil sobre a organização e gestão escolar e nas experiências levadas a efeito nos últimos anos. Ênfase na administração (sistema de normas. procedimentos burocráticos de controle das atividades). Poder centralizado no diretor. esta concepção também é conhecida como gestão da qualidade total. conforme veremos em seguida. Tende a seguir princípios e métodos da administração empresarial.

acentuando-se a responsabilidade coletiva. É necessário alertar que há diversos entendimentos do que deva ser a gestão participativa enquanto forma concreta de organização da escola. Vínculo das formas de gestão interna com as formas de auto-gestão social (poder coletivo na escola para preparar formas de auto-gestão no plano político). reuniões). Na bibliografia final apresentamos várias obras que expõem diferentes pontos de vista sobre essa questão. Ênfase na auto-organização do grupo de pessoas da instituição. O autor apresenta aqui seu próprio entendimento. Acentua a importância da busca de . Crença no poder instituinte da instituição (vivência da experiência democrática no seio da instituição para expandi-Ia à sociedade) e recusa de todo poder instituído. por meio de eleições e alternância no exercício de funções. Decisões coletivas (assembléias. modos pelos quais se contesta o poder instituído. 98 Recusa a normas e sistemas de controles. O caráter instituinte se dá pela prática da participação e auto-gestão. Outras características: Ênfase nas inter-relações mais do que nas tarefas. eliminação de todas as formas de exercício de autoridade e poder.centralizada e acentuação da participação direta e por igual de todos os membros de instituição. A concepção democrática-participativa baseia-se na relação orgânica entre a direção e a participação do pessoal da escola.

Defende uma forma coletiva de gestão em que as decisões são tomadas coletivamente e discutidas publicamente. acompanhamento dos trabalhos. Acompanhamento e avaliação sistemáticos com finalidade pedagógica: diagnóstico. Qualificação e competência profissional. Atualmente.objetivos comuns assumidos por todos. todos avaliam e são avaliados. advoga que cada membro da equipe assuma sua parte no trabalho. pela equipe escolar. admitindose a coordenação e a avaliação sistemática da operacionalização das decisões tomadas dentro de uma real diferenciação de funções e saberes. reorientação de rumos e ações. tomada de decisões. Articulação entre a atividade de direção e a iniciativa e participação das pessoas da escola e das que se relacionam com ela. Todos dirigem e são dirigidos. o modelo democrático-participativo tem sido influenciado por uma corrente teórica que compreende a organização escolar como cultura. ao contrário. 99 A gestão é participativa mas espera-se. independente das pessoas. Entretanto. uma vez tomadas as decisões coletivamente. Esta corrente afirma que a escola não é uma estrutura totalmente objetiva. Busca de objetividade no trato das questões da organização e gestão. ela depende muito das experiências subjetivas das pessoas e . mediante coleta de informações reais. a gestão da participação. mensurável. Outras características desse modelo: Definição explicita de objetivos sócio-políticos e pedagógicos da escola. também.

tais como as formas de poder externas e internas. depende de objetivos mais . Em outras palavras. que essa construção não é um processo livre e voluntário. a gestão. Busca relações solidárias. em relação à escolarização da população.o planejamento. a partir da experiência subjetiva e cultural das pessoas. dos significados que as pessoas dão às coisas enquanto significados socialmente produzidos e mantidos. as responsabilidades individuais dos membros da equipe e a ação organizacional coordenada e supervisionada. ou seja. O modo como uma escola se organiza e se estrutura tem um caráter pedagógico. por outro. dizer que a organização é uma cultura significa que ela é construída pelos seus próprios membros. a direção. incluindo a influência de forças externas e internas marcadas por interesses de grupos sociais. e os próprios objetivos sociais e culturais definidos pela sociedade e pelo Estado. formas participativas. Esta maneira de ver a organização escolar não exclui a presença de elementos objetivos. a estrutura organizacional. mas mediatizado pela realidade sociocultural e política mais ampla. As concepções de gestão escolar refletem portanto. Uma visão sócio-crítica propõe considerar dois aspectos interligados: por um lado. ou seja. posições políticas e concepções de homem e sociedade. mas 100 também valoriza os elementos internos do processo organizacional . compreende que a organização é uma construção social. a avaliação. a organização. já que precisa atender a objetivos sociais e políticos muito claros. sempre contraditórios e às vezes conflitivos.de suas interações sociais.

tende a retirar ou. por exemplo. concebem a participação de todos nas decisões como importante ingrediente para a criação e desenvolvimento de relações democráticas e solidárias. A estrutura organizacional de uma escola Toda instituição escolar necessita de uma estrutura de organização interna. A concepção funcionalista. Com isso. Essa estrutura é comumente representada graficamente num organograma . no caso a escola. diminuir nas pessoas a faculdade de pensar e decidir sobre seu trabalho. valoriza o poder e a autoridade.um tipo de gráfico que mostra as interrelações entre os vários 101 . O termo estrutura tem aqui o sentido de ordenamento e disposição das funções que asseguram o funcionamento de um todo.amplos sobre a relação da escola com a conservação ou a transformação social. o grau de envolvimento profissional fica enfraquecido. implicando a participação de todos nas decisões. geralmente prevista no Regimento Escolar ou em legislação específica estadual ou municipal. Adotamos. determinações rígidas de funções. Enfatizando relações de subordinação. As duas outras concepções valorizam o trabalho coletivo. hipervalorizando a racionalização do trabalho. Embora ambas tenham diferentes entendimentos das relações de poder dentro da escola. neste livro. a concepção democrático-participativa. ao menos. exercidas unilateralmente.

a paridade entre integrantes da escola (50 por cento) e usuários (50 por cento). em boa parte. dos especialistas em educação. do livro de Vítor H. Por dentro da escola pública (1996). Conselho de Escola O Conselho de Escola tem atribuições consultivas. de Escola é chamado de "colegiado" e sua função básica é democratizar as relações de poder (Paro. deliberativas e fiscais em questões definidas na legislação estadual ou municipal e no Regimento escolar. 1998. A estrutura organizacional de escolas se diferencia conforme a legislação dos Estados e Municípios e. Evidentemente a forma do organograma reflete a concepção de organização e gestão. Paro. envolvem aspectos pedagógicos. obviamente. Ciseski e Romão. geralmente. administrativos e financeiros. observando-se. Sua composição tem uma certa proporcionalidade de participação dos docentes. conforme as concepções de organização e gestão adotada. dos pais e alunos. Em vários Estados o Conselho é eleito no início do ano letivo.setores e funções de uma organização ou serviço. dos funcionários. Essas questões. . mas podemos apresentar a estrutura básica com todas as unidades e funções típicas de uma escola. em princípio. Em alguns lugares o Conselho 102 A descrição das várias funções da estrutura organizacional das escolas foi retirada. 1997).

pelos serviços auxiliares (Zeladoria. realizada pelos serventes. atendendo às leis. A Secretaria Escolar cuida da documentação. organiza e gerencia todas as atividades da escola. auxiliado pelos demais componentes do corpo de especialistas e de técnicos-administrativos. cuida da manutenção. dos docentes.Direção O diretor coordena. O setor técnico-administrativo responde. demais funcionários e dos alunos. instalações e equipamentos. da guarda das dependências. da cozinha e da preparação e distribuição . conservação e limpeza 103 do prédio. A Zeladoria. Setor técnico-administrativo O setor técnico-administrativo responde pelas atividades-meio que asseguram o atendimento dos objetivos e funções da escola. Vigilância e Atendimento ao público) e Mul timeios (biblioteca. também. escrituração e correspondência da escola. videoteca etc. laboratórios. O Assistente de diretor desempenha as mesmas funções na condição de substituto eventual do diretor. regulamentos e determinações dos órgãos superiores do sistema de ensino e às decisões no âmbito da escola assumidas pela equipe escolar e pela comunidade. Responde também pelo atendimento ao público.). a escola conta com um secretário e escriturários ou auxiliares de secretaria. Para a realização desses serviços.

com diferenças marcantes de posições. orientando-os quanto a normas disciplinares. 1999). como também do atendimento às solicitações dos professores quanto a material escolar. da execução de pequenos consertos e outros serviços rotineiros da escola. As funções desses es pecialistas variam conforme a legislação estadual e municipal. assistência e encaminhamento de alunos. os equipamentos audiovisuais. 1999. os laboratórios. a videoteca e outros recursos didáticos. ver o livro Pedagogia e pedagogos. 68.da merenda escolar. n. 104 . na revista Educação e Sociedade. ora são desempenhadas por professores. Setor Pedagógico O setor pedagógico compreende as atividades de coordenação pedagógica e orientação educacional. A Vigilância cuida do acompanhamento dos alunos em todas as dependências do edifício. para quê? (Libâneo. Para melhor conhecimento do assunto. envolvendo habilidades bastante especiais. menos na sala de aula. atendendo-os em caso de acidente ou enfermidade. A formação específica de supervisores ou coordenadores pedagógicos tem sido motivo de bastante polêmica entre os educadores. O serviço de Multimeios compreende a biblioteca. sendo que em muitos lugares suas atribuições ora são unificadas em apenas uma pessoa. Como são funções especializadas. recomenda-se que seus ocupantes sejam formados em cursos de Pedagogia ou adquiram formação pedagógicodidática específica. e o artigo de Libâneo e Pimenta.

Há lugares em que a coordenação restringe-se à disciplina em que o coordenador é especialista. em outros. vinculadas ao Conselho de Escola (onde este exista) ou ao Diretor. A APM reúne os pais de alunos. muitas escolas mantêm Instituições Auxiliares tais como: a APM (Associação de Pais e Mestres).O coordenador pedagógico ou professor-coordenador supervisiona. O Conselho de Classe ou Série é um órgão de natureza deliberativa quanto à avaliação escolar dos alunos. onde essa função existe. às promoções e reprovações e a outras medidas concernentes à melhoria da qualidade da oferta dos serviços educacionais e ao melhor desempenho escolar dos alunos. acompanha. Outra atribuição que cabe ao coordenador pedagógico é o relacionamento com os pais e a comunidade. o Grêmio Estudantil e outras como Caixa Escolar. no que diz respeito ao trabalho interativo com os alunos. avalia as atividades pedagógico-curriculares. . especialmente no que se refere ao funcionamento pedagógico-curricular e didático da escola e comunicação e interpretação da avaliação dos alunos. Instituições Auxiliares Paralelamente à estrutura organizacional. decidindo sobre ações preventivas e corretivas em relação ao rendimento dos alunos. assessora. O orientador educacional. o pessoal docente e técnicoadministrativo e alunos maiores de 18 anos. Sua atribuição prioritária é prestar assistência pedagógico-didática aos professores em suas respectivas disciplinas. cuida do atendimento e do acompanhamento escolar dos alunos e também do relacionamento escola-pais-comunidade. a coordenação se faz em relação a todas as disciplinas. apoia. ao comportamento discente.

junto com a direção e os especialistas. com finalidades educacionais. O Grêmio Estudantil é uma entidade representativa dos alunos criada pela lei federal n. Além de seu papel específico de docência das disciplinas. Em algumas escolas. o ensino. das reuniões com pais (especialmente na . que presta assistência social. que tem como função básica realizar o objetivo prioritário da escola. os professores também têm a responsabilidades de participar na elaboração do plano escolar ou projeto pedagógico-curricular. Todavia. médica e odontológica aos alunos carentes. culturais. que lhes confere autonomia 105 para se organizarem em torno de seus interesses. em outras um setor de assistência ao estudante. é recomendável que tenham autonomia de organização e funcionamento. funciona a Caixa Escolar. a equipe escolar. Corpo Docente O Corpo docente é constituído pelo conjunto dos professores em exercício na escola. Os professores de todas as disciplinas formam. 7. cívicas e sociais. Ambas as instituições costumam ser regulamentadas no Regimento Escolar.398/85. variando sua composição e estrutura organizacional. na realização das atividades da escola e nas decisões dos Conselhos de Escola e de classe ou série. econômica. evitando-se qualquer tutelamento por parte da Secretaria da Educação ou da direção da escola.Costuma funcionar mediante uma diretoria executiva e um conselho deliberativo. alimentar.

concebe a docência como trabalho interativo. da APM e das demais atividades cívicas. a avaliação do trabalho escolar. faz-se necessário o emprego dos elementos ou funções do processo organizacional. Nos itens anteriores 106 mostramos que o processo de tomada de decisão inclui. à racionalização do trabalho e à coordenação do esforço coletivo do pessoal que atua na escola. as escolas buscam resultados. Tudo em função de atingir os objetivos. o planejamento. isto é. Os elementos constitutivos do sistema de organização e gestão da escola A gestão democrática-participativa valoriza a participação da comunidade escolar no processo de tomada de decisão. o que implica uma ação racional. a formação continuada. sendo uma . aposta na construção coletiva dos objetivos e do funcionamento da escola.comunicação e interpretação da avaliação). envolvendo os aspectos físicos e materiais. do diálogo. tal como veremos adiante. a administração. a organização e gestão refere-se aos meios de realização do trabalho escolar. Ao mesmo tempo. Em razão disso. Ou seja. do consenso. também. as relações humano-interacionais. culturais e recreativas da comunidade. as ações necessárias para colocá-la em prática. os conhecimentos e qualificações práticas do educador. estruturada e coordenada. De fato. como toda instituição. por meio da dinâmica intersubjetiva.

O processo de organização escolar dispõe de elementos constitutivos que são. Os autores geralmente mencionam as quatro funções estabelecidas nas teorias clássicas da . criando e viabilizando as condições e modos para se realizar o que foi planejado. na verdade. prevendo-se o que se deve fazer para atingi-los. Esses elementos constitutivos da organização são designados. não depende apenas das capacidades e responsabilidades individuais.Ações de capacitação e aperfeiçoamento dos profissionais da escola para que realizem com competência suas tarefas e se desenvolvam pessoal e profissionalmente.atividade coletiva. Formação continuada . Direção/Coordenação . Organização . instrumentos de ação mobilizados para atingir os objetivos escolares.Atividade através da qual se dá a racionalização de recursos. também.comprovação e avaliação do funcionamento da escola. mas de objetivos comuns e compartilhados e de ações coordenadas e controladas dos agentes do processo.Atividade de coordenação do esforço coletivo do pessoal da escola. Avaliação .processo de explicitação de objetivos e antecipação de 107 decisões para orientar a instituição. Tais elementos ou instrumentos de ação são: Planejamento . de funções administrativas ou etapas do processo administrativo. na bibliografia especializada.

O encargo das escolas. CAPÍTULO VII – PRINCÍPIOS E CARACTERÍSTICAS DA GESTÃO ESCOLAR PARTICIPATIVA 111 A educação escolar tem a tarefa de promover a apropriação de saberes.Administração Geral: planejamento. no desenvolvimento dos processos do pensar. adotando formas alternativas. hoje. pela ação mediadora dos professores e pela organização e gestão da escola. Este autor desenvolve uma análise bastante apropriada sobre as diferenças entre as organizações e entidades das elites e as das camadas populares. Para isso. entre a atuação das elites e a atuação dos movimentos populares. participação e direção C. criativas. faz-se necessário superar as formas conservadoras de organização e gestão. sociais e morais pelo seu empenho na dinamização do currículo. direção. Retomando os conceitos de gestão democrática. . é assegurar o desenvolvimento das capacidades cognitivas. atitudes e valores por parte dos alunos. operativas. organização. controle. procedimentos.f. Romão (1997). na formação da cidadania participativa e na formação ética. para propor processos de gestão democrática da sociedade e do ensino público. de modo que aos objetivos sociais e políticos da escola correspondam estratégias compatíveis de organização e gestão.

interesses coletivos. as dificuldades de mobilização das camadas populares em torno de seus interesses. mesmo porque tem sido essa a prática das elites políticas e econômicas dominantes. isto é. ao governador. pelo poder de manipulação dos meios de comunicação. acaba por . as formas de gestão da sociedade (legislação. planos de governo. Essa capacidade de mobilização dos grupos sociais economicamente privilegiados (as classes média e alta) e. elas se referem quase sempre ao presidente. o poder governamental é personalizado. por outro lado. Se atrasa o salário. os professores dizem: 112 "O governador não nos paga". entidades. inclusive na escola. medidas econômicas etc. como se a pessoa que detém o cargo fosse a responsável solitária pelas decisões'.) têm se caracterizado por uma "cultura personalista". pela desescolarização da população. As formas convencionais de representação política (escolha de representantes pelo voto) continuam em vigor.Na história brasileira. Quando as pessoas referem-se ao governo. organizações. pelo poder financeiro das classes dominantes. as pessoas ficam na espera de que as decisões venham "de cima". Com isso. em conseqüência. em detrimento da relação entre grupos. ao prefeito. A relação política transforma-se numa relação entre indivíduos. pela falta de organização popular. entre outras razões. Esses são alguns dos obstáculos à organização dos movimentos populares e. mas sabemos que as camadas populares levam desvantagem na efetivação da participação política em relação às classes dominantes. à participação popular nos processos decisórios.

Há dois sentidos de participação articulados entre si. acompanhar melhor a educação ali oferecida (1997). conhecer com mais profundidade os que nela estudam e trabalham. Entre as modalidades mais conhecidas de participação estão os Conselhos de classe . Evidentemente. participação significa a intervenção dos profissionais da educação e dos usuários (alunos e pais) na gestão da escola. as práticas de participação e controle.1977). Todos os segmentos da comunidade podem compreender melhor o funcionamento da escola. funcionando em vários estados.e os Conselhos de Escola. De acordo com Gadotti e Romão. assim. em relação às ações praticadas pelas escolas. as camadas populares levam aí desvantagem 113 considerável. A conquista da cidadania requer um esforço dos educadores em estimular instâncias e práticas de participação popular. a participação influi na democratização da gestão e na melhoria da qualidade de ensino.bastante difundidos no Brasil . Em resumo.ressaltar diferenças entre o tipo de relações que as famílias de alunos das escolas particulares mantêm com os profissionais da escola e as relações que as famílias de alunos de escolas públicas com seus respetivos profissionais (Romão. intensificar seu envolvimento com ela e. A participação da comunidade possibilita à população o conhecimento e a avaliação dos serviços oferecidos e a intervenção organizada na vida da escola. Colegiados ou Comissões que surgiram no início da década de 80. Há . inibindo as reivindicações.

a participação como meio de conquista da autonomia da escola. metodológico e curricular. afetivas. a escola deixa de ser uma redoma. Mas é também lugar de formação de competências para a participação na vida social. como elemento pedagógico. além de ser uma das funções do processo organizacional. éticas. um lugar fechado e separado da realidade. certos processos de tomada de decisão. constituindo-se como prática formativa. Há a participação como processo organizacional em que os profissionais e usuários da escola compartilham. O significado do termo direção. A direção como princípio e atributo da gestão democrática A direção da escola. os alunos. tratando-se da escola. por meio de canais de participação 114 da comunidade. difere de outros processos de direção. Ele vai além daquele de mobilização das pessoas para a realização eficaz das . institucionalmente. dos alunos. os pais. Vivendo a prática da participação nos órgãos deliberativos da escola. é um imperativo social e pedagógico. os professores. No segundo sentido. sociais. No primeiro sentido. especialmente os empresariais. econômica e cultural. estéticas. A escola é lugar de aprender conhecimentos. desenvolver capacidades intelectuais. dos professores. vão aprendendo a sentir-se responsáveis pelas decisões que os afetam num âmbito mais amplo da sociedade. para conquistar o status de uma comunidade educativa que interage com a sociedade civil. a participação é ingrediente dos próprios objetivos da escola e da educação.

tendo em vista dar uma 115 direção consciente e planejada ao processo educacional. uma tomada de posição frente a objetivos sociais e políticos da escola. portanto. Intencionalidade significa a resolução de fazer algo. Essa peculiaridade das instituições educativas vem do caráter de intencionalidade presente nas ações educativas. por essa razão. A escola. O caráter pedagógico da ação educativa consiste precisamente na formulação de objetivos sócio-políticos e educativos e na criação de formas de viabilização organizativa e metodológica da educação (tais como a seleção e organização dos conteúdos e métodos. consciente. Não é preciso insistir que a prática da gestão e da direção participativas convergem para a elaboração e . por sua vez. a organização do ensino. Na escola isso leva. O processo educativo. pela sua natureza. Sua adequada estruturação e seu ótimo funcionamento constituem fatores essenciais para se atingir eficazmente os objetivos de formação. Ou seja. e de um consenso em torno de normas e atitudes comuns. A intencionalidade se projeta nos objetivos que. numa sociedade concreta. de integração e unidade de objetivos e ações. por parte da equipe escolar. a direção da ação. dão o rumo. o trabalho escolar implica uma direção. definição de um rumo. ao cumprir sua função social de mediação.atividades. a organização do trabalho escolar). inclui o conceito de direção. planejada. não é possível estruturá-la sem levar em consideração objetivos políticos e pedagógicos. pois implica intencionalidade. dirigir o comportamento para algo que tem significado para nós. influi significativamente na formação da personalidade humana e. à busca deliberada.

funcionários. razão de ser do projeto pedagógico. cuja aplicação deve estar subordinada às condições concretas de cada escola. a organização e gestão escolar requerem o conhecimento e a adoção de alguns princípios básicos.execução do projeto pedagógico e assunção de responsabilidades de forma cooperativa e solidária. interdependência entre a necessária racionalidade no uso dos recursos (materiais e conceituais) e a coordenação do esforço humano coletivo. Qualquer modificação em sua estrutura ou no funcionamento de um dos seus elementos. Sendo assim. administrar livremente recursos financeiros. Por ser um trabalho complexo. de decidir sobre seu próprio destino. alunos. as escolas podem traçar seu próprio caminho envolvendo professores. Autonomia de uma instituição significa ter poder de decisão sobre seus objetivos e suas formas de organização. Autonomia das escolas e da comunidade educativa A autonomia é o fundamento da concepção democráticoparticipativa de gestão escolar. pais e comunidade próxima que 116 . Ela é definida como faculdade das pessoas de autogovernar-se. São propostos os seguintes princípios da concepção de gestão democrática-participativa: 1. Alguns princípios da organização e gestão escolar participativa A escola é uma instituição social que apresenta unidade em seus objetivos (sócio-políticos e pedagógicos). manter-se relativamente independente do poder central. projeta-se como influência benéfica ou prejudicial nos demais.

o controle local e comunitário não podem prescindir das responsabilidades e da atuação dos órgãos centrais e intermediários do sistema escolar.se tornam co-responsáveis pelo êxito da instituição. espaço de trabalho coletivo e aprendizagem. O sistema de ensino pode estar desprovido de uma política global. elas integram um sistema escolar e dependem das políticas públicas e da gestão pública. Essa articulação nem sempre se dá sem problemas. Isso significa que a direção de uma escola deve ser exercida tendo em conta. Por isso mesmo. As escolas públicas não são organismos isolados. Os recursos que asseguram os salários. É assim que a organização da escola se transforma em instância educadora. as condições de trabalho. pode estar mal organizado e mal administrado. subordinando-se às diretrizes dos órgãos superiores. Portanto. Ou. a organização. As autoridades podem atribuir autonomia às escolas para. desobrigar o poder público de suas responsabilidades. Certamente trata-se de uma autonomia relativa. a adequação e aplicação criadora das diretrizes gerais que recebe dos níveis superiores da administração do ensino. a formação continuada não são originados na própria escola. por sua vez. pode acontecer que as escolas as apliquem mecanicamente. a orientação e o controle de suas atividades internas conforme suas características particulares e sua realidade. o planejamento. perdem-se de vista diretrizes gerais do sistema e sua articulação com a sociedade. os critérios e diretrizes de organização são estabelecidos dentro de marcos estreitos de cada escola. a autonomia . sem levar em conta as condições reais de seu funcionamento. de um lado. Se. por outro. ainda. com isso.

o diálogo intersubjetivo. partilhada. delega as responsabilidades decorrentes das decisões aos membros da equipe escolar conforme suas atribuições específicas. presta contas e submete à avaliação da equipe o desenvolvimento das decisões tomadas coletivamente. Por outro lado. a busca do consenso em pautas básicas.precisa ser gerida. Relação orgânica entre a direção e a participação dos membros da equipe escolar Esse princípio conjuga o exercício responsável e compartilhado da direção. toma decisões por meio de discussão com a comunidade escolar mais ampla. Nesse princípio está presente a exigência da participação de professores. lidera.a formação cultural e científica dos alunos e o desenvolvimento das potencialidades cognitivas e operativas. Sob supervisão e responsabilidade do diretor a equipe escolar formula o plano ou projeto pedagógicocurricular. eficazmente. de todos os membros da equipe escolar. aprova um documento orientador. motiva. a forma participativa da gestão e a responsabilidade individual de cada membro da equipe escolar. 117 2. entram em ação os elementos (instrumentos e procedimentos) do processo organizacional em que o diretor coordena. alunos. funcionários e outros representantes da comunidade bem como a forma de viabilização dessa participação: a interação comunicativa. os modos de . A partir daí. os resultados de sua atividade . mobiliza. implicando uma co-responsabilidade consciente. solidária. de modo a alcançar. pais. a participação implica os processos de gestão.

Além disso. Adicionalmente. o cumprimento de responsabilidades compartilhadas dentro de uma mínima divisão de tarefas e alto grau de profissionalismo de todos. facções partidárias etc. a adoção de práticas participativas não está livre de servir à manipulação e ao controle do comportamento das pessoas. Desse modo. Envolvimento da comunidade no processo escolar O princípio da autonomia requer vínculos mais estreitos com a comunidade educativa. especialmente dos pais. a coordenação e a cobrança dos trabalhos e.fazer. tem várias implicações. As pessoas podem ser induzidas a pensar que estão 118 participando quando. especialmente da qualidade cognitiva dos processos de ensino e aprendizagem. os pais e outros representantes participam do Conselho de Escola. Prioritariamente. basicamente os pais. da Associação de Pais e Mestres (ou organizações correlatas) para preparar o projeto pedagógico-curricular e acompanhar e avaliar a qualidade dos serviços prestados. 3. estão sendo manipuladas por interesses de grupos. na verdade. a organização escolar democrática implica não só a participação na gestão mas a gestão da participação. A presença da comunidade na escola. decididamente. Conforme temos ressaltado. a gestão democrática não pode ficar restrita ao discurso da participação e às suas formas externas: as eleições. as assembléias e reuniões. Ela está a serviço dos objetivos do ensino. usufruem das práticas participativas para . as entidades e organizações paralelas à escola.

cronogramas e formas de controle e avaliação. 1997). a participação das comunidades escolares em processos decisórios dão respaldo a governos estaduais e municipais para encaminhar ao Poder Legislativo projetos de lei que atendam melhor às necessidades educacionais da população (Ciseski e Romão. convergindo na sua execução o interesse e o esforço coletivo dos membros da escola. 4. provimento e ordenação dos recursos disponíveis. A escola é um espaço educativo. Planejamento das tarefas O princípio do planejamento justifica-se porque as escolas buscam resultados. as ações pedagógicas e administrativas buscam atingir objetivos. movimentos de mulheres. estruturada e coordenada de proposição de objetivos. contribuindo para o aumento da capacidade de fiscalização da sociedade civil sobre a execução da política educacional (Romão. Além disso. de minorias étnicas e culturais. movimentos de educação ambiental e outros). Formação continuada para o desenvolvimento pessoal e profissional dos integrantes da comunidade escolar A concepção democrática-participativa de gestão valoriza o desenvolvimento pessoal. Há necessidade de uma ação racional. lugar de aprendizagem em que todos aprendem a participar dos processos decisórios. a qualificação profissional e a competência técnica. 1997). O plano de ação da escola ou projeto pedagógico.participarem de outras instâncias decisórias no âmbito da sociedade civil (organizações de bairro. estratégias de ação. mas é . 5. discutido e analisado publicamente pela equipe escolar. torna-se o instrumento unificador das atividades escolares.

seus aspectos mais fundamentais. analisando cada problema em seus múltiplos aspectos e na ampla democratização das informações Este princípio implica procedimentos de gestão baseados na coleta de dados e informações reais e seguras. A organização e gestão do trabalho escolar requerem o constante aperfeiçoamento profissional .político.também o local em que os profissionais desenvolvem sua profissionalidade. a adequação de métodos e procedimentos didáticos etc. suas causas. analisar com objetividade os resultados. A democratização da informação implica o acesso de todos às informações e canais de comunicação que agilizem a tomada de conhecimento das decisões e de sua execução. 120 7. a partir do . fazer compartilhar as experiências docentes bem sucedidas. os resultados do trabalho que a equipe se propôs a atingir. a qualificação e experiência dos professores. a saúde dos alunos. na análise global dos problemas (buscar sua essência. observar e avaliar constantemente o desenvolvimento do processo de ensino. pedagógico . Avaliação compartilhada Todas as decisões e procedimentos organizativos precisam ser acompanhados e avaliados. o cumprimento dos programas.de toda a equipe escolar. científico. as características sócio-econômicas e culturais dos alunos. Analisar os problemas em seus múltiplos aspectos significa verificar a qualidade das aulas. Dirigir uma escola implica conhecer bem seu estado real. O processo de tomada de decisões deve basear-se em informações concretas. 6. para além das aparências).

Relações humanas produtivas e criativas assentadas na busca de objetivos comuns Esse princípio indica a importância do sistema de relações interpessoais em função da qualidade do trabalho de cada educador. CAPÍTULO VIII – O Planejamento Escolar e o Projeto Pedagógico Curricular 123 O planejamento escolar consiste numa atividade de previsão da ação a ser realizada. há que combinar exigência e respeito. entre direção e funcionários técnicos e administrativos. da valorização da experiência individual. professores e comunidade. Além disso. 8. Nas relações mútuas entre direção e professores. procedimentos e recursos a serem empregados. tempo de execução e formas de avaliação. O processo e o exercício de planejar referem-se a uma antecipação da prática. é preciso insistir que o conjunto das ações de organização do trabalho na escola estão voltados para as ações pedagógico-didáticas. implicando definição de necessidades a atender.princípio da relação orgânica entre a direção e a participação dos membros da equipe escolar. de modo a prever e programar as ações e os resultados desejados. em função dos objetivos básicos da escola. do clima amistoso de trabalho. O controle implica uma avaliação mútua entre direção. objetivos a atingir dentro das possibilidades. As . severidade e tato humano. entre professoras e alunos. A equipe da escola precisa investir sistematicamente na mudança das relações autoritárias para relações baseadas no diálogo e no consenso. constituindo-se numa atividade necessária à tomada de decisões.

conteúdos. fortemente determinadas por uma intencionalidade educativa envolvendo objetivos. Uma importante característica do planejamento é o seu caráter processual. ter um plano de ação. meios de sua execução e critérios de avaliação da qualidade do trabalho que realizam. atitudes. mas a uma atividade permanente de reflexão e ação. modos de agir dos educadores que atuam na escola. a correção no rumo das ações. O planejamento é um processo contínuo de conhecimento e análise da realidade escolar em suas condições concretas. o que se planeja são as atividades de ensino e de aprendizagem. Sem planejamento. uma seqüência de ações que irão orientar a prática. as ações são improvisadas. de busca de alternativas para a solução de problemas e de tomada de decisões. os resultados não são avaliados. A ação de planejar subordina-se à natureza da atividade realizada. uma meta. O ato de planejar não se reduz à elaboração dos planos de trabalho. Um plano ou um projeto é um esboço. Em razão disso. um esquema que representa uma idéia. No planejamento escolar. O planejamento se concretiza em planos e projetos. que um plano prévio é um roteiro para a . o planejamento nunca é apenas individual. tanto da escola e do currículo quanto do ensino. valores. possibilitando a revisão dos planos e projetos. a gestão corre ao sabor das circunstâncias. 124 é uma prática de elaboração conjunta dos planos e sua discussão pública.instituições e organizações sociais precisam formular objetivos. um ob jetivo. também. O caráter de processo indica.

em geral. O planejamento escolar atende. Consolida-se num documento que detalha objetivos. diretrizes e ações do processo educativo a ser desenvolvido na escola.características gerais O projeto pedagógico-curricular é a concretização do processo de planejamento. Determinação de atividades e tarefas a serem desenvolvidas em função de prioridades postas pelas condições concretas e compatibilização com os recursos disponíveis (elementos humanos e recursos materiais e financeiros). em relação aos resultados obtidos até então.prática. mas não pode determinar rigidamente os resultados. reflexão e deliberação dos educadores sobre a prática em curso. causas que as originam. Definição de objetivos e metas compatibilizando a política e as diretrizes do sistema escolar com as intenções. tendo em vista a análise crítica e profunda do trabalho realizado e a reordenação de rumos. pois estes vão se delineando no desenvolvimento do trabalho. a avaliação dos processos e resultados previstos no projeto. às seguintes funções: Diagnóstico e análise da realidade da escola: busca de informações reais e atualizadas que permitam identificar as dificuldades existentes. prevê os passos a seguir. ele antecipa mentalmente a prática. implicando permanente ação. expressando a síntese das exigências sociais e legais do sistema de . O processo de planejamento inclui. também. expectativas e decisões da equipe da escola. 125 O projeto pedagógico-curricular .

é um conjunto de princípios e práticas que reflete e recria essa cultura. estratégias e formas de avaliação dentro de uma seqüência de passos extremamente rígida. currículos. A concepção de projeto pedagógico-curricular é diferente daquela prática de planejamento curricular que se consolidou nas escolas brasileiras sob influência do tecnicismo educacional a partir dos anos 70. Ao mesmo tempo. o projeto pedagógicocurricular é tanto a expressão da cultura da escola (cultura organizacional) como sua recriação e desenvolvimento. orienta a prática de produzir uma realidade: conhece-se a realidade presente. modos de pensar e agir das pessoas que o elaboram. reflete-se sobre ela e traçam-se as coordenadas para a construção de uma nova realidade. Considera o que já está instituído (legislação. Tinha-se uma idéia de que a prática docente seria algo muito preciso e muito seguro. Com isso. Os planos consistiam na determinação de objetivos. métodos. em que o plano era mais um modelo do que um guia para a ação. propondose as formas mais adequadas de atender necessidades sociais e individuais dos alunos. projetando a cultura organizacional que se deseja visando a intervenção e transformação da realidade. bastando planejar bem para se ter resultados bons. significados. De certo modo. Expressa a cultura da escola porque está assentado nas crenças. portanto. valores. depois não se mexia mais a não ser no ano seguinte. . O projeto. O projeto pedagógico-curricular deve ser compreendido como instrumento e processo de organização da escola.ensino e os propósitos e expectativas da comunidade escolar. conteúdos. o planejamento curricular se restringia à semana de planejamento realizada no início do ano.

pela interligação com o que acontece no mundo exterior (na comunidade. modos de agir. . Isso é assim porque as escolas são instituições marcadas pela interação entre pessoas. o projeto é avaliado ao longo do ano letivo para verificar se as ações estão correspondendo ao que foi previsto. no país. participação? Como faremos para colocar o projeto em permanente avaliação. valores. instrumentos.126 formas organizativas da escola etc. procedimentos. portanto. mas tem também uma característica de instituinte. pela sua intencionalidade. o que leva a concluir que as situações de ensino não se repetem. respondendo estas perguntas: Que tipo de escola. dentro da prática da ação-reflexão-ação? Considerando o caráter processual do planejamento. as escolas não são iguais. institui uma cultura organizacional. Por isso é que se diz que as organizações são sempre construídas e reconstruídas socialmente. hábitos. de forma a corrigir desvios.). os desejos. se as metas precisam ser alteradas em função de fatos inesperados. queremos? Que objetivos e metas correspondem às necessidades e espectativas desta comunidade escolar? Que necessidades precisamos atender em termos de formação dos alunos e alunas para a autonomia. Nesse sentido. tomar novas decisões e replanejar o rumo do trabalho. estruturas. cria objetivos. estabelece. nós. cidadania. Todo projeto é. ele sintetiza os interesses. inconcluso. no mundo). profissionais desta escola. ou seja. A característica de instituinte significa que o projeto institui. as propostas dos educadores que trabalham na escola.

A gestão põe em prática o processo organizacional para atender ao projeto. é a melhor demonstração de autonomia da equipe escolar e uma oportunidade de desenvolvimento profissional dos professores. um rumo. não se refere apenas ao "como se faz". A ação pedagógica. A elaboração e execução do projeto pedagógicocurricular. Por que a expressão projeto pedagógico-curricular? O termo pedagógico é representativo de uma concepção de educação que considera a Pedagogia como a reflexão sistemática sobre as práticas educativas. portanto. São duas coisas diferentes. Uma visão crítica da Pedagogia assume que ter uma atitude pedagógica é dar uma direção de sentido. de modo que este é um instrumento da gestão. institui procedimentos e instrumentos de ação. principalmente. orientando o trabalho educativo para as finalidades sociais e políticas almejadas pelo grupo de educadores. Atente-se que o projeto pedagógico-curricular não pode ser confundido com a organização escolar nem substitui a gestão. dá mostras de maturidade de sua equipe. onde quer que elas sejam realizadas . ao "por que se faz". de bom nível de desenvolvimento 127 profissional dos seus professores. O projeto é um guia para a ação. dá uma direção política e pedagógica para o trabalho escolar. prevê. nestes termos. formula metas. de capacidade de liderança da direção e de envolvimento da comunidade escolar.A escola que conseguir elaborar e executar. seu projeto pedagógico-curricular. num trabalho cooperativo. Dessa reflexão resulta a formulação de objetivos e meios formativos para dar uma direção ao processo educativo. mas. às práticas educativas.

portanto. Essa atitude tem as seguintes características: compreende a educação como prática social de assimilação ativa da experiência humana historicamente acumulada e culturalmente organizada. Trata-se. essa prática de mediação cultural visa ao pleno desenvolvimento das capacidades humanas. que envolve uma prática intencional de produção e internalizafão de significados. 1998). contexto esse sempre em transformação. forma de trabalho cultural. É esse caráter de mediação cultural da pedagogia que faz viabilizar várias modalidades e formas institucionais de educação. 128 formula objetivos e implementa as condições organizativas e metodológicas para a viabilização da atividade educativa. do projeto pedagógico. no dizer de Gimeno Sacristán (1998). Essas são as idéias-chave que esclarecem o caráter "pedagógico" de um projeto. conforme necessidades e exigências sociais concretas postas à humanização (emancipação humana) num determinado contexto histórico-social. de entender a pedagogia como prática cultural. que. o currículo. entre elas a educação escolar. Também daí decorrem as várias projeções das opções político-pedagógicas em planos ou projetos nacionais. O currículo. O termo curricular indica o referencial concreto da proposta pedagógica. uma vez que o currículo é a projeção. como mediação da cultura. o desdobramento. regionais. por sua vez. portanto. expressam intenções e ações logo materializadas nos currículos. locais.(Libâneo. é a concretização da posição da escola face à cultura .

de modo a promover um entrecruzamento dos objetivos e estratégias para o ensino formulados a partir de necessidades e exigências da sociedade e do aluno com base em critérios filosóficos. além da seleção da cultura da sociedade. portanto. experiências que devem ser providas aos estudantes. a projeção dos objetivos. uma ambientação para vivenciar experiências culturais.produzida pela sociedade. ao pôr em prática o projeto pedagógico. Ou mais precisamente. políticos. princípios orientadores da prática. ao menos. culturais. 1997). As decisões a serem tomadas em função do projeto pedagógico-curricular podem considerar. Hoje é bastante aceita a idéia de que currículo é. Mas. pedagógicos. seleção e organização da cultura. assim. Supõe-se. Adotar uma ou várias delas dependerá de opção entre as muitas teorias em voga. "um modo pelo qual a cultura é representada e reproduzida no cotidiano das instituições escolares" (Pedra. os seguintes pontos: a) Princípios (pontos de partida comuns) . com as experiências educacionais a serem providas aos alunos por meio do currículo. A proposta curricular e. 1997). Ou como diz Stenhouse (in Pedra. aberta a um exame crítico para que possa ser traduzida na prática. 129 uma estreita articulação entre o projeto pedagógico e a proposta curricular. o currículo também realimenta e modifica o projeto pedagógico. Há muitas definições do termo currículo: resultados buscados na aprendizagem. o currículo comunica princípios essenciais de uma proposta educativa. orientações e diretrizes operacionais previstas no projeto pedagógico.

É desejável que a escola tenha uma linha .É desejável que os professores e especialistas formem um consenso mínimo em torno de opções sociais. acompanhar e avaliar o trabalho de cada um. que todos entrem em acordo sobre elas a partir de um consenso mínimo. dos alunos. define-se que as decisões são tomadas coletivamente. A decisão é coletiva. Aqui entra a importância do diagnóstico. o que se atacará em conjunto com toda a equipe. profissionais. uma vez tomadas as decisões. c) Sistema e práticas de gestão negociadas A participação na gestão democrática implica decisões sobre as formas de organização e gestão. dos conteúdos e métodos. Depois segue-se a tomada de decisões. sociais. 130 d) Unidade teórico-metodológica no trabalho pedagógicodidático A unidade teórico-metodológica começa pela definição de objetivos comuns e é assegurada pela coordenação pedagógica e pelo trabalho conjunto e articulado dos professores. do papel do professor e dos alunos. políticas e pedagógicas. admitindo o exercício da direção para coordenar. que é um retrato realista da situação. mas implica responsabilidades. o que é de responsabilidade de cada professor. Entretanto. cada membro assume sua parte no trabalho. do papel da escola na sociedade. das demandas a atender no mundo de hoje em função das necessidades pessoais. escolha de prioridades. b) Objetivos (pontos de chegada comuns) Os objetivos expressam intenções bem concretas. Por exemplo. É preciso que a direção e os professores entrem em acordo sobre as práticas de gestão. dos problemas.

pedagógico-didática com a qual todos possam compartilhar. o que supõe o acompanhamento. O projeto pedagógico-curricular expressa as decisões da escola e o seu conteúdo varia de sistema para sistema. A avaliação depende de informações concretas e objetivas. o projeto está . Os integrantes da escola escolherão o conteúdo do projeto.). ainda que ela expresse princípios e orientações mais gerais. um requisito para a escola trabalhar com a interdisciplinaridade. de escola para escola. também. os vários entendimentos sobre a noção de projeto.) e qualitativa (grau de atendimento das necessidades e expectativas. os resultados. A importância do projeto na organização e gestão da escola Consideremos. confrontando o que foi decidido e o que está sendo feito. cumprimento de prazos. Em estudos especializados. nível de satisfação dos alunos e das famílias. sua extensão e sua profundidade. evidências de comportamento dos alunos etc. rendimento escolar dos alunos. Este é. mas também as dificuldades surgidas na implantação e execução dos planos. presença dos pais na escola etc. e) Sistema explicito e transparente de acompanhamento e avaliação do projeto e das atividades da escola O acompanhamento e a avaliação põem em evidência os êxitos. Nenhum membro da equipe escolar deveria estranhar uma cobrança de trabalho feita pelo diretor se esse trabalho foi decidido coletivamente. A avaliação da organização e gestão escolar pode ser quantitativa (matrículas/evasão. inicialmente.

faz uma distinção clara entre esses termos. Carvalho. (. O planejamento é um processo sistematizado. elas . podem resultar para as escolas várias concepções de planejamento escolar: Se as escolas forem consideradas unidades administrativas dentro do planejamento geral do Ministério da Educação ou da Secretaria da Educação. Planejamento seria o processo de previsão de objetivos. ações. regional.) Quando variam os níveis de decisão..) O programa (é) componente do plano. (. uma subdivisão que permite agrupar as decisões por áreas de ação semelhantes sob o mesmo título" (1979). Enquanto o plano procura reunir um conjunto de elementos de decisão necessários para concretizar racionalmente a conduta de um grupo humano ou de um conjunto e unidade de produção. Os programas explicitariam uma linha de ações globais e cada programa seria detalhado em projetos.. um conhecido especialista em teoria do planejamento. procedimentos como forma de racionalização da ação. o programa e o projeto documentos..131 incluído na noção mais ampla de planejamento. o projeto objetiva o estudo do uso mais racional dos recursos econômicos (escassos) para a produção de um bem ou serviço. metas. podem variar também os elementos componentes do projeto. como por exemplo. estadual ou da empresa. ou seja. sendo o plano. por sua vez subdividido em programas.. em sucessivos governos. Plano seria o documento mais abrangente que resulta do processo de planejamento.. Esse entendimento vigorou durante anos. nacional. (.) O plano difere do projeto essencialmente no que se refere à a amplitude do objeto. Dessa compreensão de conjunto do processo de planejamento. no Brasil..

portanto. Também indicam diferentes modelos operacionais já que as escolas poderiam trabalhar. todavia. os programas e os projetos. Um dos temas mais recorrentes dos estudos atuais sobre a escola é a descentralização dos serviços educacionais. manter uma excessiva dependência das instâncias do sistema escolar (considere-se que sempre haverá uma certa subordinação às políticas educacionais e curriculares do sistema). Limitamo-nos a comentar. ora fazendo um plano e alguns projetos específicos. ora simplesmente um projeto. as escolas poderiam configurar-se como um projeto sem. em interação crítica com as orientações dos sistemas de ensino.seriam a última instância do processo de planejamento. todavia. ora com diferentes graus de complexidade (ter um plano global. é mais compatível com a realidade educacional brasileira. cada escola configuraria um projeto. A escolha de uma dessas alternativas envolve uma gama de considerações que não podem ser esgotadas apenas em um capítulo. Observe-se que essas situações refletem diferentes percepções das formas de gestão e direção. dentro da estrutura hierárquica do sistema. resumidamente. a adoção da prática do projeto pedagógico-curricular. a nosso ver. Ainda consideradas como relativamente autônomas. ora com uma dependência maior ou menor da hierarquia do sistema escolar. as tendências atuais sobre o assunto e a apresentar uma solução que. Se as escolas forem consideradas unidades relativamente autônomas. programas e projetos específicos). . elas poderiam realizar em si mesmas todas 132 as características de um processo de planejamento: teriam o plano. qual seja.

envolvendo os professores e demais educadores na responsabilidade em assumir um papel na organização do trabalho escolar não apenas na sala de aula mas na escola como um todo. a organização escolar transforma-se em espaço educativo. do empenho nas formas de gestão da escola um vínculo mais estreito com a comunidade. É desse esforço que pode resultar a participação do conjunto dos membros da escola. também. mediante a autonomia pedagógica e financeira. a co-responsabilização pelas ações de ensino e aprendizagem e um bom projeto pedagógico. . a autonomia fortalece as escolas. Sem dúvida. 133 Apesar dessa desconfiança ser bastante pertinente há. difundindo-se a idéia de que as responsabilidades do governo e da sociedade civil se equivalem. uma tendência forte em favor da autonomia e da prerrogativa das escolas e professores de decidirem acerca dos objetivos e das formas de trabalhar. A autonomia propicia aos professores mais liberdade para travar relações com a comunidade local e fazer outras parcerias. mas hoje há forte desconfiança de que a descentralização e a autonomia das escolas seria uma forma de o Estado livrar-se de suas responsabilidades públicas. dentro de uma estratégia de diminuir o papel do Estado na sociedade. em lugar onde todos podem aprender permanentemente. de fato. Tomando-se a gestão e a autonomia nesse sentido. Resulta. acentua o espírito de equipe. Essa tese já foi muito bem aceita pelos educadores progressistas.A descentralização implica a autonomia da escola. as escolas e os professores estariam assumindo seu poder de decisão. isto é.

a idéia de projeto pedagógico ganha força. visando a atingir os objetivos que se propõem. e uma concretização. o que desejamos. os professores e a comunidade. na produção social do futuro (da escola. sujeitos capazes de intervir conscientemente e coletivamente nos objetivos e nas práticas de sua escola. por isso precisa ser sempre operacional.Aceita essa justificativa. o norteador da vida escolar. a coordenação pedagógica. então. O projeto surge como forma de superação de um paradigma técnico (ou tecnicista) em que tudo o que a escola e os professores precisam fazer já vem estabelecido de cima. da comunidade. o projeto incorpora a utopia mas sua característica é organizar a ação. Isso significa que o projeto é ao mesmo tempo um desejo. tomarem sua escola nas mãos. é o meio pelo qual os agentes diretos da escola tornam-se sujeitos históricos. O projeto. precisamente. é mutável. da sociedade). organizando as formas de intervenção e atuação numa realidade que. já que ele é. Pode-se dizer. . Melhor dizendo. definir seu papel estratégico na educação das crianças e jovens. isto é. que o projeto representa a oportunidade de a direção. a forma de concretizar as intenções e as expectativas da equipe escolar. pela sua 134 natureza. Para isso. organizar suas ações. É o ordenador. numa perspectiva progressista. é preciso prever e antecipar ações. uma utopia. O projeto sintetiza: o que temos. o que faremos em função do que desejamos.

Todos podemos aprender afazer do exercício do trabalho um objeto de reflexão e pesquisa. funcionários) aprendem através da organização. o que importa é o processo de ação-reflexão-ação que se instaura na escola envolvendo todos os seus integrantes. Por sua vez. objetivos. Trata-se de um documento só. plano de escola? Não há uma denominação que tenha unanimidade entre os educadores. este incluindo-se naquele. professores. O projeto pedagógico assim entendido. no qual está implícito um plano. projeto político-pedagógico. é um ingrediente do potencial formativo das situações de trabalho. integrando e articulando o ideário. A rigor. projeto curricular. mudando junto com seus profissionais. optamos pela denominação projeto pedagógico-curricular. do ambiente de trabalho. Como se denomina esse projeto? Projeto educativo. O ideário é a concepção de 135 . Outros entendem que projeto pedagógico é a mesma coisa que projeto curricular. outros colocam o projeto curricular antes do pedagógico e há os que preferem chamar tudo de plano da escola. Os profissionais (direção. há quem considere o projeto educativo mais amplo que o projeto pedagógico. projeto pedagógico-curricular. Os indivíduos e os grupos mudam mudando o próprio contexto em que trabalham. projeto pedagógico. Todavia.como saber se o que estamos fazendo corresponde ao que desejamos. coordenação pedagógica. Sem descartar outras possibilidades. as organizações também aprendem. ações e meios.

que e o conteúdo dos próprios Parâmetros Curriculares. ao qual se seguem os objetivos. cada situação. Não há uma única maneira de elaborar o projeto pedagógico-curricular. podem ser indicados alguns princípios e algumas formas de sua operacionalização. O processo de elaboração do projeto pedagógico-curricular Conforme vimos mencionando. O primeiro nível corresponde à proposição de subsídios para a discussão e elaboração de propostas curriculares nos diferentes estados e municípios. Todavia. o projeto concretiza o processo de planejamento. Há neste livro uma variedade de possibilidades de sistematização. as ações e meios de realização do trabalho. O terceiro nível refere-se ao uso dos PCN na elaboração do projeto educativo da escola. abordagens metodológicas e . com vários roteiros e indicações de tópicos (consultar o Capítulo XIII e os Anexos). seu modo de planejar. O segundo nível é a utilização dos PCN para as propostas das secretarias de educação nos estados e municípios "como recursos para revisões. O documento Parâmetros Curriculares Nacionais (1998).educação que determina "o sentido e a natureza das decisões e das ações a desenvolver junto dos alunos" (Carvalho e Diogo. estipula quatro níveis de concretização do planejamento escolar. de modo que "fazer planejamento" é ir percorrendo as várias fases de elaboração do projeto. 1994). conteúdos. cada escola. sua singularidade. adaptações ou elaborações curriculares" de modo que possam dialogar com as propostas e experiências já existentes. em que os professores e equipe escolar discutem e definem objetivos. do Ministério da Educação. têm sua diversidade.

considerando-se sucessivamente. 136 Para isso. ético. de forma a expressar a formação básica necessária para o exercício da cidadania e nortear a seleção de conteúdos". formulado por uma comissão de pedagogos e professores. de atuação e inserção social. em blocos de duas séries. Critérios de avaliação das aprendizagens fundamentais.critérios de avaliação para cada ciclo. por ciclo. Objetivos e conteúdos. "que expressam capacidades que os alunos devem desenvolver ao longo da escolaridade obrigatória. o projeto pedagógico-curricular e os planos de ensino das disciplinas. físico. afetivo. são distribuídas as . Orientações didáticas. explicitando a contribuição especifica dos diferentes âmbitos do conhecimento". que compõem o ensino fundamental. Na escola realizam-se o terceiro e o quarto nível de concretização curricular. Este esboço prévio tem a finalidade de deslanchar o processo e mobilizar as pessoas para a discussão pública e elaboração do projeto. Objetivos gerais de áreas. O quarto nível é a realização do currículo na sala de aula. esquemático. A partir desses tópicos gerais. os PCN propõem: Objetivos gerais do ensino fundamental. organizados em quatro ciclos de escolarização. O processo de elaboração do projeto pode iniciar-se com um plano geral. em que o professor compatibiliza seu plano de ensino conforme as metas estabelecidas na fase anterior e às características de seu grupo específico de alunos. estético. que "indicam capacidades relativas aos aspectos cognitivo.

análise.1. elaborase e aprova-se o documento final. Condições físicas e materiais 1. também elaborado por uma comissão. Finalmente. econômicos. Concepção de escola e de perfil de formação dos alunos 2. sem necessidade de votação. como vem funcionando. mais detalhado. Princípios norteadores da ação pedagógico-didática . identificar necessidades e problemas e sugerir soluções. identificação de problemas e prioridades. A fase seguinte pode ser a elaboração de um documento gerador. Uma comissão de acompanhamento e avaliação do projeto reunirse-á periodicamente para verificar o cumprimento das metas.2. geográficos 1. Concepção de educação e de práticas escolares 2.responsabilidades das sub-comissões para coleta de dados.1.2. gestão. a correspondência entre os resultados e os objetivos previstos.3. culturais. Recomenda-se que a discussão vá caminhando 137 para um consenso em torno de pontos que possam ser compartilhados por todos. pais. estabelecimento de metas e atividades etc. 2. administração. Contextualização e caracterização da escola 1. Breve história da escola (como surgiu. Aspectos sociais. escola e comunidade). a ser estudado previamente por toda a equipe de trabalho e depois discutido e aprovado. visão que os alunos têm da escola. Caracterização dos elementos humanos 1. Os seguintes tópicos compõem a sugestão de um roteiro para formulação do projeto pedagógico-curricular: 1. participação dos professores.4.

psicológicos. plano de ensino da disciplina): Objetivos.1.2. Proposta de trabalho com pais. as necessidades da comunidade. epistemológicos. Aspectos administrativos 5.1. Fundamentos sociológicos. Formas de avaliação do projeto Apresenta-se. a fim de avaliar as condições existentes. Estrutura de organização e gestão 5. das séries ou ciclos. Organização curricular (da escola. desenvolvimento metodológico. pedagógicos 6. Proposta de formação continuada de professores 8.2. Aspectos organizacionais 5. comunidade e outras escolas de uma mesma área geográfica 9. a origem social e cultural dos alunos etc. avaliação da aprendizagem 7. Objetivos gerais 5. Aspectos financeiros 138 6. a descrição do conteúdo de cada tópico: Contextualização e caracterização da escola Este tópico visa caracterizar o contexto econômico e sociocultural em que a escola está inserida. a seguir.2.3. Estas informações são sumamente relevantes para o projeto. Diagnóstico da situação atual 3. Definição de prioridades 3. . escolha de soluções 4. conteúdos. físicos e materiais. Proposta curricular 6.1.3. culturais. Levantamento e identificação de problemas e necessidades a atender 3. descrever os aspectos humanos.3 Estratégias de ação.

Os problemas podem ser agrupados em pedagógicos. do clima da escola. é bom que o faça uma primeira vez e o refaça de tempos em tempos. cultural. se a escola nunca fez um diagnóstico completo. Há uma grande variedade de problemas administrativos e pedagógicos que as escolas podem apresentar: falta de . valores. jurídica. visa analisar e explicar a situação. O diagnóstico terá a extensão que se julgar mais conveniente. Todavia. 139 Diagnóstico e análise dos problemas e necessidades Essa fase corresponde à caracterização sócio-econômica e cultural do contexto da ação escolar. cabe uma caracterização sócio-económica. significados. do pessoal técnico e docente. realizado a partir do levantamento de dados.Concepção de educação e de práticas escolares A finalidade deste tópico é apresentar uma síntese do "pensamento" da equipe de professores e pedagogos sobre educação e currículo. As questões e problemas podem ser levantadas em reunião ou podem ser listadas por uma comissão de professores e pedagogos e discutidas. O diagnóstico. relacionamento com pais e comunidade etc. articulando o problema e suas causas internas e externas. O projeto pedagógico-curricular reflete expectativas da sociedade e dos próprios educadores sobre o significado de "aluno educado" e para que tipo de sociedade se educa. Nesse caso. com base nas exigências e necessidades sociais e nas suas próprias crenças. financeiros. das condições físicas e materiais. tipo de gestão. administrativos.

comunicação entre direção e professores. . 140 Objetivos gerais Nesta fase são propostas as metas mais amplas que se deseja alcançar. É óbvio que seleção depende de condições reais como espaço físico. aplicação de questionários. falta de atenção do pessoal de secretaria em relação às mães. entrevistas. falta de definição de responsabilidades na equipe. custo. excesso de agressões verbais ou violência física no recreio. Estrutura Organizacional Refere-se à descrição da estrutura de funcionamento e dos meios de organização e gestão. Considere-se que. coleta de opiniões em situação grupal. o diagnóstico vai sendo refeito. a cada momento do desenvolvimento das atividades escolares. entrada e saída dos alunos de forma desordenada. deixando os objetivos específicos para o tópico referente à proposta curricular. dificuldade generalizada de leitura e interpretação de textos pelos alunos etc. Após o levantamento de muitas idéias. capacidade da equipe de profissionais. tempo etc. de vários caminhos. procede-se à seleção dos objetivos ou metas. distribuição da merenda de forma inadequada com prejuízo para o andamento das aulas. Há vários meios de se fazer o diagnóstico e o levantamento de problemas: observações. inexistência de critérios de reprovação de alunos por parte da escola. falta de entrosamento entre os planos de ensino das matérias. responsabilidades.

formas de dinamizar o processo de gestão. a proposta curricular define-se como projeção do projeto pedagógico. 1994). ou seja. a redefinição permanente de objetivos e meios. 141 A proposta curricular . tal como descreveremos nos capítulos seguintes.a organização e o desenvolvimento do currículo O currículo constitui o elemento nuclear do projeto pedagógico. é ele que viabiliza o processo de ensino e aprendizagem. A proposta curricular inclui a organização curricular propriamente dita e a organização pedagógico-didática. a eficiência (gestão e administração dos recursos e meios) e eficácia (relação entre a ação e os resultados)" (Carvalho e Diogo. "A avaliação deverá fornecer os dados necessários para intervir no sentido de corrigir a coerência (relação entre o projeto e o problema). o currículo é um desdobramento necessário do projeto pedagógico. especificamente. incluindo a coleta de dados. A proposta curricular Este tópico do projeto destina-se. Pela importância deste item no projeto pedagógico-curricular. Avaliação do projeto A avaliação será processual-somativa. será detalhado à parte em tópico específico. a análise dos resultados. à definição da atuação da escola no processo de ensino e aprendizagem. Dentro do marco teórico adotado neste livro. através do currículo. materializando intenções e orientações previstas no .

Antes das sugestões sobre o que deve conter a proposta de organização curricular. identificando quase sempre o conjunto de saberes e/ou experiências que alunos precisam adquirir e/ou vivenciar em função de sua formação. o currículo define o que ensinar. a proposta curricular é a orientação prática da ação de acordo com um plano mais amplo. apresentamos algumas idéias sobre o conceito de currículo. o como ensinar e as formas de avaliação. a fim de obter uma titulação.projeto em objetivos e conteúdos. Enquanto projeção do projeto pedagógico. superando as anteriores concepções positivistas. nosso "percurso de vida". apresentamos nossa "carreira da vida". especialmente na Inglaterra e nos Estados Unidos. Nesse sentido. significa "ato de correr. em estreita colaboração com a didática. percurso" (do verbo latino currere = correr). o para quê ensinar. Desde o início dos anos 70. introduziram referências de cunho crítico para a investigação do currículo. Algumas dessas teorias trouxeram contribuições decisivas 142 . originando-se daí novas tendências teóricas que. é um nível do planejamento entre o projeto pedagógico e a ação prática. um diploma. O termo currículo possui vários sentidos. Quando elaboramos um curriculum vitae. ou seja. Significados mais ampliados do termo surgem no início do século XX. Etimologicamente. os estudos sobre currículo tiveram um desenvolvimento considerável. o plano de estudos ou a grade curricular. No linguajar comum ainda predomina a idéia de currículo como o conjunto das disciplinas que o aluno deve percorrer.

Ou seja. propomos ficar com duas definições bem pontuais que são. é verdade.) um modo pelo qual a cultura é representada e reproduzida no cotidiano das instituições escolares. (Pedra. por tentarem esclarecer a seguinte tese de Basil Bernstein: A maneira pela qual uma sociedade seleciona. complementares: O currículo é a representação da cultura no cotidiano escolar (. também. 1999) O currículo é a ligação entre a cultura e a sociedade exterior à escola e à educação. de fato. o modo pelo qual se selecionam. seleção essa feita a partir do que a sociedade julga necessário ser incorporado pelos alunos.. classificam. se é verdade que o currículo quase sempre expressa interesses dos grupos sociais com mais poder econômico. distribui.. todavia. acompanhados de sua comunicação na escola. distribuem e avaliam conhecimentos no espaço das instituições escolares. social. 1992).). Essa afirmação expressa. que pode concretizar objetivos e práticas que representam interesses sociais e políticos dos segmentos majoritários mais excluídos e mais explorados da sociedade. também. entre o conhecimento e cultura herdados e a aprendizagem dos alunos. reflete a distribuição do poder em seu interior e a maneira pela qual se encontra aí assegurado o controle social dos comportamentos individuais (In Forquin. Consideradas essas questões. Isso..para a compreensão do papel ideológico e político do currículo. não nos impede de compreendê-los como seleção de saberes e experiências. transmite e avalia os saberes educacionais destinados ao ensino. com o que as escolas acabam por conformar-se. político. classifica. intenções e práticas sociais que estão por detrás dos currículos. entre a .. (.

Representações. Ou seja. procedimentos. o currículo representa a seleção e organização da cultura. de avaliação etc. eles realizam uma escolha para responder a estas indagações: o que nossos alunos precisam aprender. Existe ensino porque existe uma cultura. formas de gestão. valores. tornadas realidade pelo trabalho dos professores e sob determinadas condições providas pela organização escolar. dadas determinadas condições (Gimeno Sacristán. Para Gimeno. sobre o que é relevante que os alunos aprendam em função de suas necessidades pessoais e das necessidades e exigências de interesses em jogo na sociedade. para que aprender. Quando os professores e a equipe escolar planejam o currículo. A segunda mostra que o currículo é a concretização do posicionamento da escola face à cultura produzida pela sociedade. e o currículo é a seleção e organização dessa cultura. aqui.1999). conhecimentos. que devem ser reproduzidos e produzidos para se assegurar o funcionamento de um tipo de sociedade. modos de agir. entendidas como idéias. em função de que aprender? Há aí uma espécie de diálogo com a sociedade e entre a própria equipe de professores. Em síntese. A primeira definição destaca a idéia de que o currículo se sustenta em representações sociais presentes na cultura na qual se 143 dá a teoria e a prática do currículo.teoria (idéias. tendo em vista a . o currículo reflete intenções (objetivos) e ações (conhecimentos. o papel social da escola se realiza por meio do currículo. suposições e aspirações) e a prática possível.).

O currículo formal ou oficial é aquele conjunto de diretrizes normativas prescritas institucionalmente.refere-se ao currículo estabelecido pelos sistemas de ensino ou instituição educacional. crenças. É o currículo que . as propostas curriculares dos Estado e Municípios. intervenção da própria experiência dos professores. os Parâmetros Curriculares Nacionais divulgados pelo Ministério da Educação. mesmo que nesse caminho do planejar e do executar aconteçam mudanças. como. currículo real. É o currículo legal expresso em diretrizes curriculares.melhor qualidade do processo de ensino e aprendizagem (Carvalho e Diogo. de fato. currículo oculto Os estudos sobre currículo realizados a partir das décadas 1960-70 destacam a existência nas escolas de vários níveis de currículo: formal. depende de muitos fatores e não apenas das disciplinas previstas na grade curricular. as características desses vários níveis. a seguir. decorrentes do seus valores. por exemplo. significados. oculto. é a efetivação do que foi planejado.é o currículo que. É a execução de um plano. real. Níveis de currículo: currículo formal. Explicitamos. 1994). A distinção entre esses vários níveis de currículo serve para mostrar que o que os alunos aprendem na escola ou o que deixam de aprender. 144 Currículo formal . objetivos e conteúdos das áreas ou disciplinas de estudo. Currículo Real . acontece na sala de aula em decorrência de um projeto pedagógico e dos planos de ensino.

atitudes. é retrabalhado pelos professores. até chegar aos alunos. O currículo oculto representa tudo o que os alunos aprendem pela convivência espontânea em meio às várias práticas. Primeiramente. das práticas e experiências compartilhadas na escola e na sala de aula. gestos. ele segue uma seqüência que começa quase sempre na esfera política e administrativa do sistema escolar. O currículo está "oculto" porque 145 ele não é prescrito.sai da prática dos professores. significados. Freqüentemente. .Essa denominação refere-se àquelas influências que afetam a aprendizagem dos alunos e o trabalho dos professores provenientes da experiência cultural. cruzando-se entre si. percepções. ou seja. compreendido e retido pelos alunos não corresponde ao que os professores ensinam ou crêem estar ensinando. assim como o que fica na percepção dos alunos. comportamentos existentes na cultura. dos valores e significados trazidos pelas pessoas de seu meio social e vivenciados na própria escola. o que é realmente aprendido. da percepção e do uso que os professores fazem do currículo formal. embora se constitua como importante fator de aprendizagem. passa pelas crenças. Esses vários sentidos aparecem de alguma forma na prática escolar. Alguns autores chamam de currículo experienciado essas percepções dos alunos que resultam de sua reação ao que está sendo ensinado ou vivenciado. que vigoram no meio social e escolar. é razoável supor que o currículo tem sempre uma dimensão externa. não aparece no planejamento. ou seja. Currículo oculto . valores. comportamentos.

Isso significa que ele está impregnado de influências sociais. que precisam ser detectadas pelos professores. pais. de forma que ele tanto pode expressar a autonomia da escola. O currículo real obriga a escola a considerar a cultura proposta pelo currículo formal e as situações de fato vividas na escola e nas salas de aula. até. Em terceiro lugar. quanto diferentes interpretações. hábitos . professores. atitudes.cultura organizacional . Em segundo lugar. 146 O que significa que o currículo escolar conhecimentos. há aprendizagens consumadas fora do previsto formalmente (currículo oculto) desejadas ou não pelos agentes escolares (direção. pois é no âmbito dessa cultura que observamos a linguagem dos professores. o modo como os alunos se relacionam entre si. o conjunto das aprendizagens que os alunos precisam internalizar. a higiene e limpeza nas dependências da escola etc. econômicas. o desejo dos professores e da equipe escolar. valores. à primeira vista. procedimentos. políticas.. suas atitudes nas brincadeiras e jogos. ênfases e.como importante elemento curricular. inclusive para que compreendam que essas influências limitam o poder de intervenção da escola.). de forma intencional e programada mas. de fato. em relação às ciências que dão origem às matérias escolares. distorções de conteúdo.. o currículo representa. as atitudes que tomam em relação às diferenças individuais dos alunos. os objetivos dos integrantes da escola. É por esta razão que temos insistido na consideração da cultura da escola . o currículo é submetido a transformações pelos professores e alunos (currículo real).

razão pela qual a avaliação somativa tem . 1. aquelas exigidas pelo processo de escolarização. caráter livresco e verbalista. mas também aqueles valores. a construção e elaboração da proposta curricular implica compreender que o currículo é mais do que os conteúdos escolares inscritos nas disciplinas. . O currículo é o conjunto dos vários tipos de aprendizagens. centrado no professor e na matéria. na interação entre professores. a cultura social. sinteticamente. alunos. Importam mais freqüentemente os produtos da aprendizagem. Currículo tradicional O currículo tradicional é o mais utilizado e suas características mais visíveis são conhecidas: organização do conhecimento por disciplinas compartimentalizadas. não os processos. atitudes que se adquirem nas vivências cotidianas na comunidade. é o de armazenador de informações.expressa certo recorte da cultura de um povo. Concepções de organização curricular Apresentamos. nos jogos e no recreio e outras atividades concretas que acontecem na escola que denominamos ora de currículo real ora de currículo oculto. escola como responsável pelo ajustamento social dos alunos sem preocupação com uma visão critica da sociedade. Em resumo. a cultura dos alunos. na maior parte das correntes pedagógicas tradicionais. que acaba por incorporar outros aspectos como a cultura das mídias. O papel do aluno. funcionários.etc. algumas concepções mais conhecidas de organização curricular que expressam formas de concretização das intenções pedagógicas. comportamentos. ensino meramente transmissivo.

os professores. O professor é o detentor da autoridade intelectual e moral (mesmo que não as tenha). os computadores. o aluno um receptor de conhecimentos. incluindo hoje. as mídias. a partir de critérios científicos e técnicos. busca de . Metodologicamente. Diferentemente do cunho acadêmico do currículo tradicional. o currículo racional tecnológico se firma na racionalidade técnica e instrumental. ela cuida apenas do "como". 2. A escola não discute sobre "o que ensinar". Definido por especialistas. habilidades considerados úteis e desejados pela sociedade. visando a desenvolver habilidades e destrezas para formar o técnico.grande peso. organizados numa "grade curricular". Currículo racional-tecnológico (tecnicista) É o currículo proposto para a transmissão de conteúdos e desenvolvimento de habilidades a serviço do sistema de produção. Ignoram-se as diferenças individuais. padrões de desempenho. caracteriza-se pela introdução de técnicas mais refinadas de transmissão. O currículo é reduzido a um conjunto de disciplinas e de conteúdos a serem "passados" aos alunos. Parte-se de um currículo previamente prescrito por especialistas que. incapazes de refazerem seu próprio percurso de aprendizagem. o currículo racionaltecnológico não precisa ser discutido e elaborado pelos agentes diretos envolvidos com o ensino e aprendizagem. Os alunos são tidos quase sempre 147 como imaturos. formulam objetivos e conteúdos. isto é.

valores etc. em que a organização curricular resulta de objetivos assentados em habilidades e destrezas a serem dominados pelos alunos no percurso de formação. Esta corrente tem sido denominada. não como verdades estabelecidas. as atitudes e os processos cognitivos. os conteúdos são subordinados às necessidades e interesses dos alunos no seu processo de adaptação ao meio. valoriza-se bastante a atividade de . identificando ensino com métodos e tecnologia educativa. o conteúdo vem das experiências dos alunos. Por isso. uma derivação dessa concepção é o currículo por competências. esse modelo de currículo compreende a educação como um processo interno de desenvolvimento. 148 3. com o menor custo. Currículo escolanovista (ou progressivista) O enfoque escolanovista coincide quase sempre com a idéia de currículo centrado no aluno e no provimento de experiências de aprendizagem como forma de ligar a escola com a vida e adaptar os alunos ao meio. O professor é o facilitador da aprendizagem. apenas restrita ao saber-fazer. Atualmente. também. liberado de qualquer consideração em torno de finalidades. Daí a ênfase nas necessidades e interesses dos alunos. de contínua adequação ao meio.maior eficiência em função dos produtos da aprendizagem. no ritmo de cada um. Identificado com as idéias de John Dewey. colocando os conteúdos escolares como instrumentos para o desenvolvimento de processos mentais. A crítica que se faz a esse tipo de currículo é a sua definição muito estreita de competência. de tecnicismo educacional. sem acentuar os saberes. na atividade.

valorizando mais a construção do conhecimento pelo próprio aluno do que a influência da cultura e do professor. derivando-se daí conseqüências para a organização curricular. Nas concepções fundamentadas em Piaget. portanto. a lingüística. A partir da . O professor tem o papel justamente de organizador e facilitador da aprendizagem visando a assegurar a interação do aluno com os objetos de conhecimento. O currículo deve prever atividades que correspondam ao nível de desenvolvimento intelectual dos alunos e organizar situações que estimulem suas capacidades cognitivas e sociais. Currículo construtivista No Brasil. Seu objetivo é buscar novos modelos e referências para avançar na investigação sobre os processos psicológicos e a cognição. Atualmente. a inteligência artificial). de modo a possibilitar a construção pessoal dos conhecimentos. que alguns autores chamam de neo-cognitivismo. o construtivismo tem influenciado as chamadas ciências da cognição (entre elas a neurofisiologia. 4.pesquisa do aluno e o clima psicológico e social da escola e da sala de aula. Umas das idéias-chave do construtivismo é a crença no papel ativo do sujeito no processo de aprendizagem e. a neurociências. recai um peso maior na aprendizagem subordinada ao processo de desenvolvimento 149 cognitivo. no desenvolvimento dos processos de aprendizagem ativa. o currículo construtivista está diretamente associado à influência de Jean Piaget e seguidores.

da teoria da comunicação e da cibernética (ciência dos computadores). Uma das principais diferenças entre os vários construtivismos diz respeito ao papel da cultura. cujas bases teóricas se apóiam no psicólogo russo Vigotsky. Nesse sentido. da cultura. capacidade de comparar. a conhecem como sócio-interacionismo. em ultima instância. A atividade do sujeito supõe a ação entre sujeitos. dos conhecimentos anteriores e do professor. que leva ao extremo as analogias entre mente e computador. as funções mentais superiores (linguagem. Isso significa admitir um papel essencial do ensino na promoção do desenvolvimento cognitivo e social dos alunos. bem como do outro. dos colegas. Por isso. mas a ação do sujeito sobre o meio é socialmente mediada. percepção. b) Ciência cognitiva. do professor. isto é.psicolinguística. atenção voluntária. considerando este como algo mais do que uma simples ferramenta conceitual. atribuindo-se peso significativo à cultura e às relações sociais. memória. essa posição é . ao papel do ensino na aprendizagem. o que remete. Nessa orientação. etc. no sentido de uma relação do sujeito com o outro. diferenciar. Mais especificamente.) são ações internalizadas de algo socialmente constituído. postula a origem social das funções mentais superiores. surgem duas versões: a) Psicologia cognitiva que estuda diretamente o comportamento inteligente de sujeitos humanos. A maior parte dos educadores que trabalham com esta posição. a aprendizagem resulta da interação sujeito-objeto. com seus parceiros. abstração. justamente porque destaca o papel do meio. desenvolve-se entre nós um interacionismo de orientação histórico-social.

Em razão disso. inclusive para submeter os conteúdos a uma análise ideológica e política. visando a construção de novas relações sociais. de modo a eliminar as mazelas sociais existentes como a pobreza. adere à idéia da aprendizagem como construção do sujeito. junto com os requisitos de se ajudar o aluno a adquirir autonomia de pensamento. . considera especialmente os efeitos do currículo oculto e do contexto da ação educativa nos processos de ensino e aprendizagem. Currículo sócio-crítico (ou histórico-social) A abordagem sócio-crítica possui várias correntes. enfim. as desigualdades sociais e econômicas. o desemprego. da compreensão do conhecimento como ligado à prática e à solução de problemas. destaca-se a importância da responsabilidade social e da busca do interesse coletivo. outras colocam a relação pedagógica como mediação da formação política. As abordagens críticas convergem na concepção de ensino como compreensão da realidade para transformá-la. 5. a destruição do meio ambiente.150 também denominada concepção sócio-cultural ou sóciohistórica. Metodologicamente. a violência. diretamente associada ao currículo sóciocrítico. Neste segundo caso. às vezes divergentes entre si. algumas dão mais ênfase às questões políticas do processo de formação. a educação cobre a função de transmissão cultural mas também é responsável pela ajuda ao aluno no desenvolvimento de suas próprias capacidades de aprender e na sua inserção crítica e participativa na sociedade em função da formação da cidadania.

ao lado dos conteúdos culturais. se elaboram e se . superando a separação e falta de comunicação entre as disciplinas escolares. fortuitos. 151 6. dificilmente os alunos estarão aptos a analisar a realidade e formular estratégias de atuação. O termo globalização está associado a características da estrutura cognitiva e afetiva dos alunos que acentuam uma maneira própria de atribuir significados e construir e integrar conhecimentos. a compreensão de como se produzem. São duas as idéias norteadoras desse modelo curricular: a) buscar a integração de conhecimentos e experiências que facilitem uma compreensão mais reflexiva e crítica da realidade. simultaneamente. Hernandez. entre outros). centrado na valorização de elementos casuais. a teoria e os conteúdos culturais sistematizados. o domínio dos processos necessários ao acesso aos conhecimentos e. Currículo integrado ou globalizado O movimento por um modelo de currículo integrado tem chegado até nós por meio de autores espanhóis (Torres Santomé. Sem os conceitos.Algumas correntes da abordagem crítica defendem um tipo de currículo mais informal. b) ressaltar. destacando a globalização das aprendizagens e a interdisciplinaridade. da convivência social na escola. Entendemos que essa concepção de currículo é insuficiente para atingir os objetivos emancipatórios que a escola busca. minimizando ou até recusando um currículo formal. O termo interdisciplinaridade acentua a inter-relação entre conhecimentos.

visitas. dos conteúdos culturais.). neste modelo. vídeos. a interdisciplinaridade. laboratórios. das experiências e conhecimentos próprios de sua comunidade. no currículo em ação. a importância dos processos mentais na 152 aprendizagem (observação.transformam esses conhecimentos. inclusive naquilo que não foi previsto pelos professores. a vivência cultural dos alunos. o valor da atividade do próprio sujeito na aprendizagem. também. mediante o método de projetos. análise. pelos alunos. Para se chegar a esses objetivos. tomada de decisões. o currículo globalizado articula várias práticas educativas que possam contribuir para os processos de ensino e aprendizagem. das teorias. Incorpora-se. no currículo oculto. a ligação dos conteúdos culturais com a realidade. nas várias experiências de aprendizagem tipo biblioteca. o aprender a aprender (Torres Santomé. classificação. epistemológicos ou sociológicos. pelo qual a escola torna-se um espaço de reconstrução. Na prática curricular. adota-se o currículo experiencial. comparação etc. síntese. pretende-se que. superando os reducionismos psicológicos. Tipos de currículo Os tipos ou modelos de currículo decorrem das concepções e posicionamentos teóricos sobre conhecimento . Com essa orientação. a seleção de experiências de aprendizagem verdadeiramente interessantes. 1989). A ênfase aos processos não significa minimizar a importância dos conceitos. ou seja. se preste atenção a tudo o que acontece na escola e nas aulas. comunicação.

O currículo sócio-crítico. a relação do currículo com a prática. o formato do currículo tradicional corresponde melhor à idéia de plano de estudos. Nos currículos fechados tem-se o currículo por disciplinas isoladas. O currículo numa perspectiva cognitiva acentua o desenvolvimento das capacidades cognitivas. quais materiais de ensino e instrumentos de avaliação são mais eficazes. Geralmente os objetivos e conteúdos são prescritos. um conjunto de disciplinas a serem estudadas pelos alunos ao longo das séries escolares. o papel da educação e do ensino na sociedade e para os indivíduos. as 153 . no entanto.e ensino. como também. Dessa forma. das estratégias de aprendizagem. O conhecimento destas concepções contribui para a elaboração da proposta curricular. acentuando mais o "como" do que o "o quê". atribuem importância à prática. quais técnicas devem utilizadas pelos professores. O currículo tecnicista gera um formato de currículo baseado na tecnologia de elaboração e de aplicação de programas curriculares: como selecionar e organizar objetivos e experiências de aprendizagem. inscritos numa grade curricular. o que se busca com o currículo. tanto no sentido de a prática ser a referência para a elaboração e desenvolvimento curricular como no sentido de entender a prática curricular como um processo de investigação. ou seja. importa distinguir para decidir entre currículos fechados e currículos abertos. isto é. o integrado. no exercício prático de tomada de decisões. as disciplinas aparecem apenas como valor instrumental para a aprendizagem das habilidades cognitivas.

os conteúdos podem ser organizados em áreas e temas geradores. Interdisciplinaridade é um procedimento de organização da escola e do ensino que favorece a integração de aprendizagens e de saberes e a busca de saberes úteis para lidar com questões e problemas da realidade (levar o aluno a confrontar-se com a realidade. Entre as caraterísticas assinaladas nos currículos abertos está a interdisciplinaridade. seus saberes de experiência e saberes profissionais (Carvalho e Diogo. A elaboração e o desenvolvimento curricular contam com a participação dos professores.escolas e os professores limitam-se a segui-los. de modo que os conhecimentos. ou seja. 1994). sejam integrados na estrutura mental do aluno. procedimentos. como cidadão). Estabelecer ligações entre teoria e prática. que atualmente é um dos mais importantes elementos do formato de currículo que corresponde melhor a uma proposta curricular de cunho cognitivo e social. didático e pedagógico). não se consideram os saberes e competências profissionais dos professores. Suscitar e garantir processos integradores e a apropriação de saberes enquanto produtos cognitivos dos alunos (implica a organização de saberes sob o ponto de vista curricular. atitudes. O resultado prático da interdisciplinaridade é o estabelecimento de ligações de complementaridade entre as matérias escolares. respeitando-se sua autonomia. Os currículos abertos preocupam-se com a integração entre as disciplinas. têm mais flexibilidade na definição de objetivos e competências. Alguns princípios da interdisciplinaridade são: Ter como referência o sujeito que aprende e sua relação com o saber. . sem autonomia para tomar decisões.

a educação não atua sozinha. Alguns princípios orientadores da proposta curricular Se a organização curricular expressa os objetivos e estratégias de ação do projeto pedagógico-curricular. à formação da cidadania. 1 . sem dúvida. disciplinar e a integração interdisciplinar e vice-versa.Estabelecer ligações entre pontos de vista distintos acerca de um objeto de conhecimento. a compreensão e a solidariedade entre os seres humanos. ao acesso aos bens culturais. Evidentemente. Mas. ela pode gerar .A escolarização básica obrigatória tem um significado educativo. Os tópicos que apresentamos não cobrem o conjunto dos fatores e exigências de um currículo sensível aos problemas da nossa época. ao desenvolvimento das capacidades individuais e sociais. Este princípio se baseia na crença do poder da educação para propiciar o desenvolvimento da razão critica pelo exercício da racionalidade. a inserção no trabalho e na vida social. à conquista da dignidade humana e da liberdade intelectual e política. ela está condicionada por uma multiplicidade de fatores como os econômicos e políticos. o desen volvimento da subjetividade e sensibilidade. político e social. implicando o direito de todos. 154 Fazer o caminho entre a especialização. torna-se relevante considerar alguns princípios na construção de um currículo de cunho sócio-crítico. em condições iguais de oportunidades. a melhoria da qualidade da vida. apenas indicam algumas idéias a serem consideradas.

do trabalho e do exercício da cidadania. proporciona também as ferramentas mentais para lidar praticamente com os conceitos nas situações 155 concretas da vida cotidiana. conforme uma pedagogia diferenciada. ao mesmo tempo que possibilita a internalização de um conteúdo significativo e útil. através deles. O termo "conteúdos" refere-se aos conhecimentos sistematizados. Aprender a cultura. selecionados das bases das ciências e dos modos de ação acumulados pela experiência social da humanidade e organizados para serem ensinados na escola. a ciência.melhores condições de vida e de realização humana tanto para os indivíduos quanto para o conjunto da sociedade sendo. os processos de desenvolvimento das capacidades cognitivas e operativas. .A escolarização obrigatória requer criteriosa seleção de conteúdos e adoção de adequadas práticas pedagógicas. um caminho para a igualdade e a inclusão social. Ao mesmo tempo que se propicia uma cultura geral comum. 2000). as escolas têm uma responsabilidade concreta e real: propiciar a assimilação e a reconstrução dos conteúdos escolares e. Essa tarefa deve ser concretizada nas escolas e nas salas de aula. a arte através de um ensino que forme sujeitos pensantes e críticos não é nada muito mais do que a sempre proclamada formação geral que. 2 . portanto. busca-se incorporar no currículo os interesses de todos os alunos em sua diversidade tanto no âmbito psicológico quanto no âmbito social e cultural. pondo-se em prática o lema: uma escolaridade igual para sujeitos diferentes em uma escola comum (Gimeno. Este é um dever de justiça social. Não há que se alimentar ilusões.

na cidade. o que implica formular . integrando no currículo a variedade de culturas que perpassa a escola: a cultura científica. com a cultura dos meios de comunicação. de sentir e de enfrentar o mundo. a cultura social. Além disso. supõe-se uma pedagogia diferenciada em que. Trata-se de compreender a escola como lugar de síntese entre a cultura formal.são habilidades e hábitos. a cultura acadêmica expressa no currículo. a partir da diversificação de metodologias e procedimentos. a cultura da escola (organizacional). nas mídias e outros contextos culturais. 3 . cada aluno sinta-se valorizado e respeitado em sua subjetividade. em quaisquer situações de aprendizagem e de convivência social. são atitudes. a cultura das mídias.O currículo escolar representa o cruzamento de culturas. valores. Isso significa propiciar aos alunos conhecimentos e experiências diversificadas. na rua. incluindo métodos e procedimentos de aprendizagem e de estudo. da cidade e de suas práticas sociais. 156 Os objetivos de formação cultural e de desenvolvimento curricular precisam considerar hoje a nova configuração econômica e política e as novas realidades sociais e culturais do mundo contemporâneo. convicções. vinculados aos conhecimentos. constituindo-se num espaço de síntese em que a cultura elaborada se articula com os conhecimentos e experiências concretas dos alunos vividas no seu meio social. envolvendo modos de agir. e a cultura experienciada que acontece na família. sistematizada. a cultura dos alunos.

4 . mediante formulação explicita de conteúdos e competências e de formas metodológicas que suscitem nas .A organização e desenvolvimento do currículo implica a inserção da educação moral . A equipe escolar precisa incluir na definição e na discussão pública da proposta curricular a educação para os valores. Há um razoável consenso hoje em torno de proposições sócio-interacionistas: o papel ativo do sujeito na aprendizagem escolar. a interligação das várias culturas que perpassam a escola etc.compreensão e clarificação de valores e atitudes. atitudes. ou seja. habilidades. mediante a condução pedagógica do professor que disporá de práticas de ensino intencionais e sistemáticas de promover o "ensinar a aprender a pensar". instrumentos conceituais de apreensão dos objetos de conhecimento. valores.coletivamente formas pedagógico-didáticas de assegurar essa articulação.O processo de ensino e aprendizagem deverá estar centrado no ensino do aprender a pensar e do aprender a aprender. 157 5 . o desenvolvimento de competências do pensar. de modo que aprenda a utilizar seu potencial de pensamento pelos meios cognitivos de construção e reconstrução de conceitos. Trata-se de investir numa combinação bem sucedida da assimilação consciente e ativa desses conteúdos com o desenvolvimento de capacidades cognitivas e afetivas pelos alunos visando a formação de estruturas próprias de pensamento. a aprendizagem interdisciplinar. tendo como referência a internalização e reconstrução dos conteúdos culturais. Uma pedagogia do pensar é aquela que ajuda o aluno a transformar-se num sujeito pensante.

com a cultura da escola. obviamente. de inculcar valores.salas de aula o "pensar" sobre valores e práticas morais. Mas o trabalho com valores ligase. A associação entre os conteúdos de ensino e os objetivos e competências. a todo momento. Nesse sentido. como parte do chamado currículo oculto. cultural e educacional estão requerendo um vínculo mais estreito entre os saberes propiciados pela escola e as capacidades e competências internalizadas pelos alunos que expressam a relação entre conhecimento e ação. Não se trata. 2000). os alunos a praticá-los em contextos e situações concretas. passam valores. a escola. os professores. 6 .As transformações em curso na esfera econômica. há que se considerar formas criativas de lidar com os temas transversais propostos nos Parâmetros Curriculares Nacionais. o ambiente. Mas é justamente por isso que o grupo de professores e especialistas de uma escola precisa explicitar princípios norteadores para a vida prática decorrentes de um consenso mínimo. também. de doutrinação política ou religiosa. significa pôr em prática não apenas as competências do pensar sobre valores. O currículo em ação. a partir da busca de sentidos de sua própria experiência e da cultura organizacional que vivenciam na escola. nas várias disciplinas. mas levando a escola. os professores. mas de propiciar aos alunos estratégias e procedimentos de pensar sobre valores e critérios orientadores sobre modos de decidir e agir (Libâneo. Certamente. quanto ao tema da dimensão moral do ensino. corresponde à exigência atual de atribuição de sentido .

O currículo pluridisciplinar é aquele em que as disciplinas encontram-se justapostas e isoladas entre si. horizontal e verticalmente. permuta de experiências e . 7 – É preciso que as escolas vão buscando formas de superação do currículo pluridisciplinar.diálogo entre vários especialistas. dominar regras de atuação. isto é. ou mais precisamente. favorecendo a integração interdisciplinar. Uma vez formulados os objetivos do projeto pedagógicocurricular e as capacidades e competências desejadas. técnicas. A interdisciplinaridade como forma de compreensão do processo de construção do conhecimento é ao mesmo tempo uma atitude . Trata-se aqui de articular a seleção de conteúdos com objetivos e competências exigíveis como resultados do processo de ensino e aprendizagem. habilidades para resolver problemas práticos e imediatos. definem-se os objetivos e conteúdos da disciplina e as possibilidades de articulação com as demais disciplinas de uma mesma série de modo a atender os objetivos. cuidar para que os conhecimentos e modos de ação contribuam para a internalização de determinadas capacidades e competências.158 aos saberes escolares. capacidades e competências definidos pelo conjunto dos professores. para além da mera instrumentação dos conteúdos da perspectiva tecnicista que reduz as aprendizagens ao "saber fazer". a partir da especificidade das disciplinas. Há que se pensar numa estrutura curricular em que os vários campos do conhecimento se articulem num todo orgânico e se integrem.

O provimento da cultura escolar aos alunos e a constituição de um espaço democrático na organização escolar devem incluir a interculturalidade: o respeito e valorização da diversidade cultural e das diferentes origens sociais dos alunos. O currículo intercultural é o que. . um espaço de diálogo e comunicação entre grupos sociais diversos. o combate ao racismo e a outros tipos de discriminação e preconceito. na escola e dentro das salas de aula. Um dos mais relevantes objetivos democráticos no ensino será fazer da escola um lugar em que todos os alunos possam experimentar sua própria forma de realização e sucesso. 9 . uma forma de organização administrativa e pedagógica elaboração coletiva do projeto pedagógico e participação na gestão da escola. de modo a representar num currículo comum os interesses de todos os alunos.conhecimentos.A escola voltada para uma sociedade que inclua todos precisa considerar a diversidade cultural e as diferenças. uma prática curricular .A qualidade social do currículo se expressa no provimento das condições pedagógico-didáticas que asseguram melhor qualidade cognitiva e operativa das experiências de aprendizagem.construção conjunta de uma proposta curricular baseada na integração entre as disciplinas e envolvimento em projetos comuns de desenvolvimento do currículo. produção conjunta de conhecimentos. a partir de uma base comum de cultura geral para todos. 159 8 . acolhe a diversidade e a experiência particular dos diferentes grupos de alunos e que propicia.

propiciada a todos os alunos em condições iguais. 10 . Portanto. e de capacidade cognoscitiva (Manacorda. a qualidade social da escola se manifesta na garantia da qualidade cognitiva e operativa das aprendizagens para a produção de saberes. social e afetiva da aprendizagem. sim. como professores. A cultura hoje não passa somente pelo ler. produtiva. a gestão e o desenvolvimento profissional dos professores. a justiça social em matéria de educação. mas como instrumento concreto de conhecimento. 160 É preciso dar instrução. com maior capacidade operativa (saber fazer. Passa pelo conhecimento teórico-prático.O currículo escolar deve propiciar no processo educativo a articulação entre as dimensões cognitiva. É na sala de aula que podemos realizar. de capacidade operativa. . da introdução de inovações técnicas mas. depende não apenas do exercício da democracia nas escolas. basicamente.1986). escrever e fazer contas.que os filhos das camadas médias e pobres da população podem participar de uma vida mais digna e mais completa. especialmente da escola pública.O êxito da escola. da gestão participativa. da qualidade cognitiva e operativa das aprendizagens. saber agir) e maior participação democrática. É através das formação cultural de sólidos conhecimentos e capacidades cognitivas fortemente desenvolvidas . para o que se mobiliza o currículo. conhecimento e uso de novos instrumentos de produção e comunicação entre os homens.

de forma organizada. um clima de trabalho receptivo seja promovendo ações de formação continuada. portadores de saberes decorrentes de suas experiências vividas. mobilizar procedimentos. também. condicionados por culturas particulares da sua origem social. seus desejos. social e cultural. expor seus sentimentos. mais prazerosas.Essas dimensões estão presentes no comportamento dos sujeitos que aprendem. ter sensibilidade para situar a relação docente no contexto físico. A busca de condições de exercício da profissão aponta para a necessidade de as escolas assegurarem um ambiente . interesses. necessidades de alunos diferentes entre si. mas no desenvolvimento do currículo e das práticas de ensino é preciso especial atenção para o fato de que os alunos são sujeitos concretos. que possibilitem aos professores conversar mais com alunos. deixá-los falar. meios. ajudá-los na capacidade de comunicação com o mundo do outro. técnicas.É necessário um incessante investimento no desenvolvimento pessoal e profissional dos professores. o social e o afetivo possibilita compreender o papel da escola e da equipe docente em ajudar os alunos a construírem sua subjetividade como pessoas humanas e como sujeitos portadores de uma identidade cultural e pertencentes à humanidade. 11 . seja propiciando 161 se. Isso implica em conhecer e compreender motivações. na escola. de tornar as experiências de sala de aula mais agradáveis. A busca da articulação entre o cognitivo. Implica.

Professor que não se cultiva. No terreno da cultura e da ciência. e preciso que na organização da escola e no processo de elaboração curricular se invista em ações de formação continuada. ninguém dá o que não tem. precisa prover . A par disso. participação nas decisões. 12 . também. mas também por ser ela própria um lugar onde se põe em prática a vivência do que se propõe nos objetivos: desenvolvimento da autonomia de pensamento. mais se requer um conhecimento que interprete. Para isso. A educação escolar pode contribuir para a democracia não apenas pela formação do cidadão crítico e participativo. A elaboração e desenvolvimento do currículo é um exercício de reflexão coletiva sobre a prática. cultivar os processos democráticos e solidários de trabalho. Para isso. o que implica a reordenação de formas de organização do trabalho na direção de relações sociais interativas e solidárias. convivência e tomada de decisões. iniciativa. não pode ensinar cultura.As escolas precisam. que não está seguro ao menos no campo de conhecimento em que se especializa e na metodologia de ensino. Mas não basta a participação. liderança. elabore e critique todas as modalidades de informação que afeta o trabalho do professor. O ideal de um currículo que visa a emancipação intelectual e política das pessoas é propiciar a todos condições iguais de exercício da cidadania. é indispensável que o desenvolvimento do currículo esteja vinculado ao desenvolvimento profissional dos professores.de trabalho em que as pessoas se sintam bem e que possam crescer pessoal e profissionalmente. Quanto mais se admite estarmos vivendo numa sociedade do conhecimento.

métodos e formas organizativas do ensino. Explicitação dos princípios norteadores de formação expressando expectativas em relação à formação esperada (perfil) dos alunos. O processo de elaboração da proposta curricular No projeto pedagógico-curricular são formulados. processos organizados de tomada de decisões. conteúdos. competências. A elaboração da proposta curricular supõe dois momentos articulados entre si: a proposta curricular formulada pela escola e os planos de ensino dos professores. capacitação para tomar iniciativas. Conhecimento e análise critica das orientações normativas do sistema nacional de ensino e das diretrizes estaduais ou municipais (LDB e normas legais regionais). discussão publica de pontos de vista. para definir a proposta curricular da escola: qual modelo curricular adotar? Quais objetivos e conteúdos? Quais os critérios de seleção e organização dos conteúdos? 2. tendo em vista os resultados da aprendizagem. A proposta curricular da escola implica decisões conjuntas dos professores. propriamente dita.oportunidades em que os alunos possam exercer a democracia mediante formas de 162 participação. considerado o contexto sóciocultural. de forma mais abrangente. para o que se requer: 1. os objetivos gerais. . por áreas curriculares ou disciplinas. A proposta curricular. concretiza essas grandes linhas em objetivos. expressando intenções e expectativas sobre a formação dos alunos.

de modo que os professores possam tomar decisões mais pontuais em suas próprias disciplinas e no . incluindo decisões como: 163 Definição de temas comuns a serem tratados por diferentes disciplinas. 5. Formulação de objetivos e competências gerais por séries. 6. Escolha de metodologias e procedimentos compatíveis com os objetivos e com a proposta curricular. práticas. 4. que sejam consensuais. Seleção e organização das disciplinas que irão compor o currículo e de outras atividades curriculares. Explicitação de formas de participação dos alunos no planejamento do currículo e nas instâncias de organização e gestão. Definição de formas e propostas trabalho entre as disciplinas que envolvam assuntos mais significativos para os alunos. atitudes. Definição de sistemáticas comuns de avaliação dos alunos. bem como de atividades curriculares complementares. do currículo. incluindo a inserção deles nos processos de tomada de decisão. habilidades/ procedimentos e de atitudes/valores. dos professores e da aprendizagem dos alunos. Tais "intenções" devem ser expressas. contemplando as dimensões dos conteúdos: conhecimentos/conceitos. de preferência. em linhas gerais. através de projetos. consideradas as várias áreas e/ou disciplinas.3. Concepções e procedimentos de avaliação da escola. Definição de normas de funcionamento.

da cultura organizacional. cotejando-os com os contextos particulares em que são aplicados. ainda. . recursos didáticos). procedimentais. conteúdos (conceituais. as competências. os conteúdos. a avaliação. 164 Os planos de ensino são elaborados pelos professores. explicitação das interfaces com outras disciplinas. competências em relação aos objetivos e conteúdos e desenvolvimento metodológico (condições para a aprendizagem ocorrer: ações pedagógico-didáticas. atitudinais). de modo a conferir sua relevância frente a necessidades e demandas concretas da escola e aos significados. 2. métodos. Convém. da cultura local. O plano de ensino compreende os objetivos. A legislação e as orientações oficiais são legítimas. O plano deve conter uma justificativa do papel da disciplina no currículo de formação geral. expectativas e sentimentos compartilhados pelo grupo social que constitui a escola. mas as escolas precisam desenvolver uma interação crítica com os dispositivos normativos.âmbito das séries. o desenvolvimento metodológico. Trata-se de promover a reflexão crítica sobre esses dispositivos. Algumas recomendações: 1. procedimentos de avaliação. Cada disciplina define seus objetivos. compatibilização com a proposta curricular da escola e os objetivos terminais por série. em consonância com a proposta curricular da escola. 3. considerar que é sumamente imprescindível que a elaboração do currículo leve em conta a situação concreta de cada escola.

Há vários sentidos de competência e o mais conhecido está ligado a uma visão economicista segundo a . É justamente aqui que aparecem as competências. porque o 165 processo pedagógico-didático que movimenta o currículo implica intencionalidade. Há quem critique esse termo e sua utilização nas escolas devido à sua semelhança com os chamados "objetivos comportamentais". O planejamento curricular coletivo deve assegurar. dentro da concepção e formato de currículo escolhidos.4. Em relação aos objetivos e competências. adotados no Brasil com base na teoria behaviorista aplicada ao ensino. mas objetivos continuam sendo imprescindíveis. a articulação vertical e horizontal entre as áreas/disciplina do currículo. as competências. constituindo-se em guia para a ação da escola e da equipe de professores. Sendo o ensino uma prática intencional e supondo-se que os professores precisam saber se seus objetivos estão sendo atingidos. teoria essa que recebeu a denominação de tecnicismo educacional. Os objetivos esclarecem o que se pretende fazer. Ainda não se tem muita clareza sobre o modo de inserção das competências na elaboração da proposta curricular e dos planos de ensino. é preciso que explicitem o que esperam conseguir da aprendizagem dos alunos. em função de certa obsessão pela objetividade e eficiência. Hoje não há mais lugar para a quantificação de objetivos de ensino. Os professores estão sendo solicitados a trabalhar com mais um termo do vocabulário pedagógico. fazem-se necessárias algumas observações. A crítica refere-se a um excesso de quantificação na definição e detalhamento de objetivos operacionais.

As competências. utilizam. 2000). integram ou mobilizam conhecimentos. pessoas tecnicamente eficientes. técnicas. ou seja. as competências expressam metas claras comunicáveis aos estudantes. 166 No plano de ensino. ter competência é saber mobilizar recursos cognitivos diante de um problema. formular competências a serem dominadas pelos alunos no final de uma série ou ciclo escolar não é muito diferente de definir objetivos em termos de práticas observáveis. uma atividade prática. pode-se entender que os objetivos de ensino referem-se a uma explicitação mais geral . procedimentos. Ou seja. um dilema. Compreendidas nesses termos. isto é. O sentido que assumimos aqui é outro: competência refere-se à mobilização de recursos cognitivos (saberes. portanto.qual a busca da produtividade econômica requer pessoas competentes. as competências são compatíveis com uma teoria sócio-interacionista em que o ensino impulsiona as capacidades cognitivas dos alunos de modo a mobilizar formas de apropriação e utilização de conteúdos. a questão aqui é a da relação significativa e operativa que o aluno estabelece com os conteúdos. Segundo Perrenoud. atitudes) para enfrentar situações referentes a conhecimentos aprendidos (Perrenoud. Todavia. Nesse sentido. é falso o dilema sobre se é mais importante a aquisição de conhecimentos ou o desenvolvimento de competências. porque as competências estão apoiadas em conhecimentos e numa variedade de outros recursos cognitivos. representam uma transferência de conhecimentos e uma capacidade para lidar com situações complexas ou não previstas. diferentemente dos antigos "objetivos comportamentais".

". as competências. Em alguns lugares. também a Secretaria Estadual da Educação (ou municipal) dispõe de uma proposta curricular para o sistema de ensino. habilidades. Este é o princípio que justifica o dever social e ético do governo em oferecer subsídios para um currículo básico comum e propiciar os suportes financeiros.. Os PCN foram elaborados para fornecer uma orientação geral e coerente do currículo. bem como as condições de aprendizagem das crianças e . em relação aos conhecimentos teóricos e práticos correspondentes. O papel dos Parâmetros Curriculares Nacionais Para a definição de objetivos. referem-se ao detalhamento de ações. em âmbito nacional.. modos de fazer. Um currículo básico comum representa um benefício para a democratização do acesso e permanência na escola.daquela fórmula conhecida dos professores: "O aluno deverá ser capaz de. Há boas razões que justificam a proposição de orientações curriculares para o sistema de ensino. como referencial para a organização curricular das escolas. por sua vez. consideradas a heterogeneidade social e cultural e as disparidades econômicas do país. visando a melhoria da qualidade de ensino. conteúdos e desenvolvimento metodológico. formulado pela Secretaria de Educação Fundamental do MEC. operacionais e técnicos necessários ao atendimento universal da demanda por escolarização. A escolarização obrigatória é um requisito indispensável do processo de democratização da sociedade e a escola convencional o lugar próprio para proporcionar as bases de cultura geral extensiva a todos os brasileiros. será útil a consulta aos Parâmetros Curriculares Nacionais.

jovens que se apresentam desiguais conforme cada contexto social. Obviamente, está-se considerando que os PCN são, de fato, parâmetros, isto é, oferecem orientações pedagógicas e curriculares 167 gerais, enquanto subsídios aos professores para refletirem e tomarem decisões, em nível local, sobre objetivos e conteúdos, formas metodológicas de atuação docente. Além disso, não se pode acreditar que tais subsídios curriculares sejam suficientes para elevar o nível de qualidade da educação escolar. Uma coisa é a letra do documento, outra são as práticas de aprendizagem na sala de aula que precisam ser consideradas em relação a outros fatores como o salário, a carreira docente, as condições de trabalho, o reconhecimento social da profissão de professor. Os PCN são, pois, uma referência, um ponto de partida, para que se possa articular objetivos e conteúdos com a cultura das escolas e das salas de aula envolvendo tudo o que um documento geral como este não pode nem deve prever: a diversidade regional, as decisões do professor, a dinâmica das interações na sala de aula, o currículo oculto, a adequação local de conteúdos, o significado social dos conteúdos, as práticas de avaliação, os desenvolvimentos metodológicos etc. Cabe, portanto, aos sistemas de ensino, aos coordenadores pedagógicos, orientadores educacionais e responsáveis por sistemas de formação continuada, uma multiplicidade de tarefas que complementam a proposta curricular. Afinal, sabemos que é na escola que se criam os espaços de diálogo e comunicação entre grupos sociais diversos, o que pode ser

perfeitamente contemplado no projeto pedagógicocurricular da escola. Todavia, a defesa da adequação do currículo às realidades regionais e locais não nos leva a ceder a propostas que postulam currículos exclusivos das escolas, à margem de um currículo básico nacional. Tais currículos levariam, de fato, a uma atitude discriminadora, já que estariam sonegando aos alunos aqueles conteúdos e instrumentos conceituais mais universais necessários para melhor compreender o mundo e a sociedade de que fazem parte e a potencializar suas formas de atuação na realidade. Se poderia ser legítimo o argumento de que o currículo oficial não contempla os aspectos da cultura local já que são os sujeitos reais que dão significados aos 168 conteúdos, também se poderia dizer que estaríamos frente a uma desigualdade de oportunidades quando as crianças não têm acesso a um conhecimento mais sistematizado e mais científico. Fica difícil pensar-se num currículo local deixando toda a iniciativa à comunidade escolar num momento em que o ensino fundamental torna-se crucial na capacidade de aprender e do provimento dos instrumentos básicos de pensamento. Os PCN e a organização curricular. Os Parâmetros Curriculares Nacionais definem a organização curricular considerando a especificidade das áreas e disciplinas dentro de um todo integrado e a organização da escolaridade por ciclos.

A organização do conhecimento escolar em áreas, os respectivos conteúdos e o tratamento transversal de questões sociais constituem os elementos básicos da organização curricular, integrando conhecimentos de diferentes disciplinas. Diz o documento: A concepção da área evidencia a natureza dos conteúdos tratados, definindo claramente o corpo de conhecimentos e o objeto de aprendizagem, favorecendo aos alunos a construção de representações sobre o que estudam. Essa caracterização da área é importante também para que os professores possam se situar dentro de um conjunto definido e conceitualizado de conhecimentos que pretendam que seus alunos aprendam, condição necessária para proceder a encaminhamentos que auxiliem as aprendizagens com sucesso. Os temas transversais referem-se a questões que interferem na vida dos alunos e com as quais se vêem confrontados no seu dia-adia. São apresentados como temas transversais: ética, saúde, meio ambiente, orientação sexual e pluralidade cultural. Em algumas escolas, as temáticas sociais já vinham sendo tratadas em Estudos sociais, Ensino Religioso e outras disciplinas específicas. Os PCN adotam o tratamento transversal, sem restringi-las a uma única área. De acordo com o documento, os temas transversais são assim definidos: 169 (...) um conjunto de temas que aparecem transversalizados nas áreas definidas, isto é, permeando a concepção, os objetivos, os conteúdos e as orientações didáticas de cada área, no decorrer de toda a escolaridade obrigatória.

A transversalidade pressupõe, portanto, um tratamento integrado das áreas e uma vivência no âmbito da organização da escola dos valores trabalhados em sala de aula. Implica, também, adaptações a contextos locais. Por exemplo, ao se tratar da educação ambiental, serão contemplados conteúdos e vivências conforme peculiaridades locais, por exemplo, nos seringais da Amazônia ou na periferia das grandes cidades. A organização em ciclos é uma tentativa de superar a segmentação excessiva produzida pelo regime seriado e minimizar a ocorrência da repetência e da evasão escolar. A flexibilização da seriação permitiria trabalhar o currículo ao longo de um período de tempo maior, respeitando-se os diferentes ritmos de aprendizagem dos alunos. Os Parâmetros Curriculares Nacionais estão organizados em ciclos de dois anos. O primeiro ciclo se refere às primeira e segunda séries; o segundo ciclo, às terceira e quarta séries; e assim subseqüentemente para as outras quatro séries. O documento alerta que a estruturação por ciclos não contempla os principais problemas da escolaridade no ensino fundamental como a ruptura entre a quarta e quinta séries, início tardio da escolarização, entre outros. Trata-se de uma das possíveis estratégias de intervenção na problemática educacional do país, necessitando de ações cautelosas para sua adoção. CAPÍTULO - IX ORGANIZAÇÃO GERAL DO TRABALHO ESCOLAR 173

O segundo elemento do processo organizacional é a organização propriamente dita, isto é, a racionalização do uso de recursos materiais, físicos, financeiros, informacionais e das atividades desempenhadas pelas pessoas. A organização incide diretamente na eficiência e na eficácia do processo de ensino e aprendizagem, à medida que garante as condições de funcionamento da escola e uma ação unificada da equipe escolar. A falta de unidade da ação educativa em torno de diretrizes, normas, desempenho de funções, rotinas, pode resultar em situações que comprometem o trabalho. Por exemplo: um professor exige cuidado com o mobiliário escolar, enquanto outro permite que as crianças façam rabiscos na carteira; um professor exige dos alunos a utilização da linguagem padrão, outro permite ou utiliza expressões fora da linguagem padrão; um professor nunca dá tarefas, outro sobrecarrega os alunos de exercícios; bate o sinal, alguns professores permanecem na sala de professores; 174 a qualquer pretexto, em qualquer hora, a coordenação ou um funcionário entra na sala de aula para dar avisos, deixar a merenda, chamar um aluno etc.; a professora precisa do retro-projetor mas a servente faltou e ficou com a chave. Essas situações revelam falta de organização adequada, afetando as atividades de ensino. Para se evitar isso, é necessário que todos os aspectos da vida escolar sejam devidamente contemplados na organização geral da escola, antes do início do ano letivo. A organização geral diz

matrícula. sistema de assistência pedagógico-didática ao professor.correta distribuição de tarefas.que concorrem para o desenvolvimento e alto rendimento escolar dos alunos. O que se . sistema 175 participativo de tomada de decisões. serviços administrativos etc. sem comprometer a gestão democrática. entrada e saída da classe. c) a organização das atividades de apoio técnicoadministrativo. Essas várias atividades são agrupadas em quatro áreas de ação: a) a organização da vida escolar (a escola como um todo). . contatos com pais. d) a organização de atividades que vinculam a escola com a comunidade. relações humanas satisfatórias. docente). É a criação de condições ótimas . condições de higiene e limpeza etc. serviços de limpeza e conservação. Um mínimo de divisão de funções faz parte da lógica da organização educativa. organização do espaço físico. clima de trabalho. b) a organização do processo de ensino e aprendizagem (trabalho do professor e dos alunos em sala de aula). administrativo. a) Organização da vida escolar Trata-se da organização do trabalho escolar em função de sua especificidade e de seus objetivos. A estrutura organizacional e o cumprimento das atribuições de cada membro da equipe é um elemento indispensável para o funcionamento da escola. controle de freqüência do pessoal (técnico.respeito a: horário. distribuição de alunos por classes. normas disciplinares.

Implica a distribuição de disciplinas com sua carga horária correspondente. Um importante aspecto da organização escolar é o regime de trabalho diário. Supõe a elaboração do projeto pedagógico-curricular. os valores e a experiência dos professores. Sua função essencial é a de distribuir racionalmente as atividades da escola pelos dias da semana. dos planos de ensino e sua estrutura didático-pedagógica. mas ao envolvimento dos alunos. 176 c) Organização das atividades de apoio técnicoadministrativo . as horas de descanso. as atividades de Educação Física e recreação etc. b) Organização do processo de ensino e aprendizagem Refere-se. o desenvolvimento de habilidades e capacidades intelectuais. Aqui intervêm a imprescindível colaboração da coordenação pedagógica (e da orientação educacional onde houver). basicamente. expresso no horário escolar.deve evitar é a redução da estrutura organizacional a uma concepção estritamente funcional e hierarquizada de gestão subordinando o pedagógico ao administrativo. orientada por uma concepção de ensino como direção da atividade cognoscitiva dos alunos sob orientação do professor. A organização do trabalho na sala de aula não visa apenas ao cumprimento dos programas. impedindo a participação e discussão e não levando em conta as idéias. sua participação ativa. o trabalho independente. aos aspectos de organização do trabalho do professor e dos alunos na sala de aula.

As tarefas administrativas têm a função de fornecer o apoio necessário ao trabalho docente. Abrangem as atividades de Secretaria (prontuário de alunos e professores, registro escolar, arquivos, livros de registro etc.), serviços gerais (inspetores de alunos, serventes, merendeira, porteiros e vigias etc.), atividades de limpeza e conservação do prédio, do mobiliário escolar e do material didático. d) Organização de atividades que vinculam escola e comunidade Essa área de ação refere-se às relações entre a escola e o ambiente externo: com os níveis superiores de gestão do sistema escolar, com os pais, com as organizações políticas e comunitárias, com a vida da cidade etc. O objetivo dessas atividades é estender a ação educativa da escola onde for possível e adequado e, ao mesmo tempo, buscar cooperação e apoio das diferentes instituições civis, sociais, culturais que possam contribuir para o aprimoramento das atividades de ensino e educação dos alunos. Em especial, espera-se que os pais participem ativamente da gestão da escola, mediante canais de participação bem definidos. A participação dos pais, de instituições e de organizações da comunidade na escola supõe uma definição clara das formas de participação. São distintas as responsabilidades e tarefas dos profissionais da escola (direção, professores, funcionários) daquelas dos pais e instituições da comunidade. Não cabe aos pais, por exemplo, interferir diretamente nas atividades de sala de aula. As formas de participação da comunidade devem estar subordinadas aos objetivos e tarefas da escola, à

observância de certas normas e diretrizes próprias da instituição escolar. CAPÍTULO X - 179 A direção e coordenação são funções típicas dos profissionais que respondem por uma área ou setor da escola tanto no âmbito administrativo quanto no âmbito pedagógico. Dirigir e coordenar são tarefas que canalizam o esforço coletivo das pessoas para os objetivos e metas estabelecidos. Tanto os pedagogos especialistas quanto os professores precisam estar aptos para dirigir e coordenar, em alguma instância de seu exercício profissional. A direção, conforme já foi estudado, é pôr em ação, de forma integrada e articulada, todos os elementos do processo organizacional (planejamento, organização, avaliação), envolvendo atividades de mobilização, liderança, motivação, comunicação, coordenação. A coordenação é um aspecto da direção, significando a articulação e a convergência do esforço de cada integrante de um grupo visando a atingir os objetivos. Quem coordena tem a responsabilidade de integrar, reunir esforços, liderar, concatenar o trabalho de diversas pessoas. A tarefa de direção visa a: dirigir e coordenar o andamento dos trabalhos, o clima de trabalho, a eficácia na utilização dos recursos e meios, em função dos objetivos da escola, assegurar o processo participativo de tomada de decisões e, ao mesmo tempo, cuidar para que essas decisões se convertam em ações concretas; 180

assegurar a execução coordenada e integral das atividades dos setores e elementos da escola, com base nas decisões tomadas coletivamente; articular as relações interpessoais na escola e entre a escola e a comunidade (incluindo especialmente os pais). O exercício da direção e coordenação depende de alguns fatores, tais como: autoridade, responsabilidade, decisão, disciplina e iniciativa. A autoridade é o exercício de um poder delegado a alguém para dirigir e coordenar as medidas tomadas coletivamente, implicando determinadas qualidades e conhecimento de suas funções. É recomendável que a autoridade seja descentralizada, delegando-se tarefas aos demais membros da equipe escolar. A responsabilidade é uma exigência inerente à autoridade. Mesmo no caso de procedimentos grupais de tomada de decisões e descentralização das tarefas, a responsabilidade final é de quem dirige/coordena. A decisão é a capacidade de selecionar, diante de várias alternativas, a medida mais adequada conforme as situações concretas. Com base em um plano de trabalho, de objetivos e tarefas estabelecidas mediante a participação da equipe escolar, o diretor ou coordenador não pode furtar-se de tomar as decisões necessárias. A disciplina implica compatibilizar a conduta individual com as normas, regulamentos, interesses da vida social e escolar, assumidos coletivamente. A iniciativa é a capacidade crítica e criadora de encontrar soluções aos problemas que se apresentam no desenvolvimento do processo de direção, o que implica a capacidade de enfrentar o imprevisto e situações inusitadas ou embaraçosas.

Para atender a uma necessária divisão de trabalho, tem sido comum nas escolas brasileiras diferenciar as funções de diretor e de coordenador pedagógico. Ambos assumem atividades de direção e coordenação, ambos recebem a delegação de coordenar o trabalho coletivo e a manutenção do clima, das condições de trabalho e do ambiente formativo para o desenvolvimento pessoal e profissional das pessoas da escola. Para isso, precisam reconhecer que seu trabalho tem uma característica genuinamente interativa, ou seja, seu trabalho está a serviço das pessoas e da organização, requerendo deles uma formação específica para buscar soluções para os problemas, saber coordenar o trabalho conjunto, discutir e avaliar a prática, assessorar e prestar apoio logístico aos professores na sala de aula. Todavia, cada um desempenha funções específicas implicando, também, uma formação profissional específica. O diretor de escola é o dirigente e principal responsável pela escola, tem a visão de conjunto, articula e integra os vários setores (setor administrativo, setor pedagógico, secretaria, serviços gerais, relacionamento com a comunidade etc.). Em outros tempos, muitos dirigentes escolares foram alvo de criticas por práticas excessivamente burocráticas, conservadoras, autoritárias, centralizadoras. Embora aqui e ali continuem existindo profissionais com esse perfil, hoje estão disseminadas práticas de gestão participativa, liderança participativa, atitudes flexíveis e compromisso com as necessárias mudanças na educação. As funções do diretor são, predominantemente, gestoras e administrativas, entendendo-se, todavia, que elas têm conotação pedagógica, uma vez que referem-se a uma

instituição e a um projeto educativos e existem em função do campo educativo. A título de ilustração, apresentamos uma lista de atribuições do diretor de escola: 1. Supervisionar e responder por todas as atividades administrativas e pedagógicas da escola bem como as atividades com os pais e a comunidade e com outras instâncias da sociedade civil. 2. Assegurar as condições e meios de manutenção de um ambiente de trabalho favorável e de condições materiais 182 necessárias à consecução dos objetivos da escola, incluindo a responsabilidade pelo patrimônio e sua adequada utilização. 3. Promover a integração e a articulação entre a escola e a comunidade próxima, com o apoio e iniciativa do Conselho de Escola, mediante atividades de cunho pedagógico, científico, social, esportivo, cultural. 4. Organizar e coordenar as atividades de planejamento e do projeto pedagógico.-curricular, juntamente com a coordenação pedagógica, bem como fazer o acompanhamento, avaliação e controle de sua execução. 5. Conhecer a legislação educacional e do ensino, as normas emitidas pelos órgãos competentes e o Regimento Escolar, assegurando o seu cumprimento. 6. Garantir a aplicação das diretrizes de funcionamento da instituição e das normas disciplinares, apurando ou fazendo apurar irregularidades de qualquer natureza, de forma transparente e explicita, mantendo a comunidade escolar sistematicamente informada das medidas.

Registramos. Buscar todos os meios e condições que favoreçam a atividade profissional dos pedagogos especialistas. auxiliando-os a conceber. da organização escolar. pedagogos especialistas e professores. 9. encaminhar processos ou correspondências e expedientes da escola. 8. sobretudo mediante procedimentos de reflexão e investigação. integração e articulação. 183 10. Supervisionar a avaliação da produtividade da escola em seu conjunto. do currículo e dos professores. para se chegar a uma situação ideal de qualidade de ensino (considerando o ideal e o possível). em comum acordo com o Conselho de Escola. Supervisionar e responsabilizar-se pela organização financeira e controle das despesas da escola. dos funcionários. o papel do coordenador pedagógico é de monitoração sistemática da prática pedagógica dos professores. incluindo a avaliação do projeto pedagógico. dos professores. De acordo com estudos recentes sobre formação continuada de professores. construir e administrar situações de aprendizagem adequadas às necessidades educacionais dos alunos. O coordenador pedagógico responde pela viabilização. visando a boa qualidade do ensino. uma lista de atribuições de coordenação pedagógica: . em função da qualidade do ensino.7. Conferir e assinar documentos escolares. do trabalho pedagógico-didático em ligação direta com os professores. de comum acordo com a secretaria escolar. a seguir. A coordenação pedagógica tem como principal atribuição a assistência pedagógico-didática aos professores.

incluindo a assistência direta aos professores na elaboração dos planos de ensino. práticas avaliativas. Supervisionar a elaboração de diagnósticos e projetos para a elaboração do projeto pedagógicocurricular da escola e outros planos e projetos. práticas de avaliação da aprendizagem..1. 4. Orientar a organização curricular e o desenvolvimento do currículo. gestão da classe. diagnosticar problemas de ensino e aprendizagem e adotar medidas pedagógicas preventivas. 184 5. orientação da aprendizagem. acompanhar e supervisionar suas atividades tais como: desenvolvimento dos planos de ensino. 2. Coordenar reuniões pedagógicas e entrevistas com professores visando a promover inter-relação horizontal e vertical entre disciplinas. 3. estimular a realização de projetos conjuntos entre os professores. escolha de livros didáticos. o projeto pedagógico-curricular da unidade escolar. diagnósticos de dificuldades etc. Responder por todas as atividades pedagógicodidáticas e curriculares da escola e pelo acompanhamento das atividades de sala de aula. visando a níveis satisfatórios de qualidade cognitiva e operativa do processo de ensino e aprendizagem. adequação de conteúdos. Propor para discussão. metodologias e práticas avaliativas. junto ao corpo docente. adequar conteúdos. 6. desenvolvimento de competências metodológicas. Prestar assistência pedagógico-didática direta aos professores. .

que requerem formação profissional também específica. 11. 12. Há divergências significativas sobre se a atividade "administrativa" distingue-se da atividade "pedagógica" e sobre se a direção 185 administrativa e direção pedagógica devem ser exercidas necessariamente por um professor. o diretor não precisa exercer nem ter exercido a docência. Defendemos uma posição diferente. a docente. especialmente de cunho científico e cultural. elaborar o horário escolar. Nesse caso. funções específicas. designar professores para as turmas. Tanto o diretor de escola quanto o coordenador pedagógico desempenham. embora deva receber formação para lidar com questões de ensino.7. 9. Cuidar da avaliação processual do corpo docente. distinta daquela provida aos professores. Em outras palavras. Elaborar e executar programas e atividades com pais e comunidade. formas de superação de problemas etc.). as funções de direção. No Brasil. 8. Acompanhar o processo de avaliação da aprendizagem (procedimentos. 10. cada um. Organizar as turmas de alunos. planejar e coordenar o Conselho de Classe. Acompanhar e avaliar o desenvolvimento do plano pedagógico-curricular e dos planos de ensino e outras formas de avaliação institucional. difundiu-se bastante a idéia de que a direção e a coordenação pedagógica são formas diferenciadas de uma única função. Propor e coordenar atividades de formação continuada e de desenvolvimento profissional dos professores. coordenação . resultados.

O termo formação continuada vem sempre acompanhado de outro. para além do exercício profissional. A FORMACÃO CONTINUADA CAPÍTULO XI .pedagógica e docente não precisam coincidir necessariamente. com isso. e ao desenvolvimento de uma cultura geral mais ampla. que os professores enfrentam e resolvem problemas. vão promovendo mudanças pessoais e profissionais. De modo especial para os professores. numa época em que se renovam os currículos. A formação inicial refere-se ao ensino de conhecimentos teóricos e práticos destinados à formação profissional. modificam-se os comportamentos da infância e da juventude. torna-se crucial numa profissão que lida com saberes e com a formação humana. A formação continuada é o prolongamento da formação inicial visando ao aperfeiçoamento profissional teórico e prático no próprio contexto de trabalho. acentuam-se os problemas sociais e econômicos.189 A formação continuada é outra das funções da organização escolar. As escolas passam por inovações estruturais como as . a formação inicial. criam e recriam estratégias de trabalho e. introduzem-se novas tecnologias. É na escola. elaboram e modificam procedimentos. a formação continuada é condição para a aprendizagem permanente e o desenvolvimento pessoal. freqüentemente completados por estágios. que se prolonga por toda a vida. envolvendo tanto o setor pedagógico como o técnico e administrativo. no contexto de trabalho. cultural e profissional. Uma formação permanente.

da propaganda. não basta somente a prática reflexiva como não é suficiente apenas a experiência: . compreendendo-as e elaborando formas de enfrentá-las. para enfrentar a complexidade do trabalho de ensinar. a reflexão possibilita transformar o mal-estar. mediante ações coletivas. com mais método.leva a uma relação ativa e não queixosa com os problemas e dificuldades. dos impactos da informação. os currículos interdisciplinares ou globalizados. Segundo Philippe Perrenoud. Ou seja.nas reuniões pedagógicas. . do crescimento dos problemas sociais e da violência. uma prática reflexiva . a cidade. explicados e até resolvidos com mais consciência. nos cursos de aperfeiçoamento. a avaliação formativa. É em relação a essas novas e difíceis condições de exercício da profissão que a formação continuada pode possibilitar práticas reflexivas.190 novas formas de gestão. é preciso refletir sobre elas e buscar soluções. De fato. com evidentes repercussões na sala de aula. os quais podem ser diagnosticados. as mídias. o interculturalismo. nas entrevistas com a coordenação pedagógica. Esse mesmo autor escreve que. não basta saber sobre as dificuldades da profissão. a revolta. de preferência. o desânimo. a interligação entre a escola e a comunidade. os ciclos de escolarização. da urbanização. a elaboração coletiva do projeto pedagógico. em problemas. Também o perfil dos alunos se modifica em decorrência da assimilação de novos valores. ajudando os professores a tomarem consciência delas. nos conselhos de classe etc.

entrevistas e reuniões de orientação pedagógico-didática. oferecer assistência técnica especializada ou programas de atualização e aprimoramento profissional. encontros e palestras). A formação continuada consiste de ações de formação dentro da jornada de trabalho (ajuda a professores iniciantes. cabe um papel decisivo às equipes técnicas das escolas (especialmente os coordenadores pedagógicos e orientadores educacionais) que prestam assistência .Uma prática reflexiva limitada ao bom senso e à experiência pessoal de cada um não vai muito longe. mini-cursos de atualização. estudos de caso. mas também do próprio professor. programas de educação à distância etc. reuniões de 191 trabalho para discutir a prática com colegas. da discussão e da confrontação das experiências dos professores. pesquisas.) e fora da jornada de trabalho (congressos. Também fazem parte das práticas de formação continuada aquelas ações de acompanhamento das equipes das escolas promovidas pelas Secretarias de Educação. visando apresentar diretrizes gerais de trabalho. grupos de estudo. cursos. pois o professor em exercício precisa de saberes que não pode inventar em cima do nada e que sua reflexão será mais poderosa quanto mais se ancorar numa ampla cultura em ciências humanas (1999). Todavia. É responsabilidade da instituição. Ela se faz por meio do estudo. da reflexão. conselhos de classe. seminários. porque o compromisso com a profissão requer que ele tome para si a responsabilidade com a própria formação. participação no projeto pedagógico da escola.

o que funciona. trazem materiais e propostas inovadoras. prestam assistência na utilização de novos recursos tecnológicos como o computador. ao se pensar um currículo de formação. à primeira vista. reunirse com pais e outros membros da comunidade. é imprescindível assegurar aos professores horas remuneradas para realização de reuniões semanais. onde possam compartilhar e refletir sobre a prática com colegas.pedagógico-didática aos professores. A profissão de professor combina sistematicamente elementos teóricos com situações práticas reais. apresentar seu trabalho publicamente (contar como trabalham. É difícil pensar na possibilidade de educar fora de uma situação concreta e de uma realidade definida. A formação em serviço ganha hoje tamanha relevância que constitui parte das condições de trabalho profissional. acompanham as aulas. a Internet. as dificuldades etc. técnicas e materiais para o desenvolvimento profissional permanente do professor. como exercício . Os sistemas de ensino e as escolas precisam assegurar condições institucionais. 192 A organização das práticas de formação inicial e continuada As investigações recentes sobre formação de professores apontam como questão chave o fato de que os professores desempenham uma atividade teórico-prática. Especialmente.). coordenam reuniões e grupos de estudo. auxiliam na avaliação da organização escolar e do rendimento escolar dos alunos. Por essa razão. a ênfase na prática como atividade formadora aparece. supervisionam e dinamizam o projeto pedagógico. seminários de estudo e reflexões coletivas. participar da elaboração do projeto pedagógico-curricular.

como referente direto para contrastar seus estudos e formar seus próprios conhecimentos e convicções. é preciso integrar os conteúdos das disciplinas em situações da prática que coloquem problemas aos futuros professores e lhes possibilitem experimentar soluções. em boa parte dos cursos de licenciatura. O caminho deve ser outro. também. Entretanto. Por outro. a par de ser 193 . Significa. Desde o ingresso dos alunos no curso. é um dos aspectos centrais na formação do professor. em termos mais amplos. a articulação entre formação inicial e formação continuada. possibilitando pensar os conteúdos das disciplinas com base no que pede a prática. ao longo do curso. Significa tomar a prática profissional como instância permanente e sistemática na aprendizagem do futuro professor e como referência para a organização curricular. Isso significa ter a prática. Isso quer dizer que os alunos precisam conhecer o mais cedo possível os sujeitos e as situações com que irão trabalhar. Por um lado.formativo para o futuro professor. Atualmente. a aproximação do futuro professor à realidade escolar acontece após ter passado pela formação "teórica" tanto na disciplina específica como nas disciplinas pedagógicas. em razão do que traz conseqüências decisivas para a formação profissional. a formação inicial estaria estreitamente vinculada aos contextos de trabalho. a formação continuada. cai por terra aquela idéia de que o estágio se destina à aplicação mecânica da teoria.

além de receber professores da rede de escolas para atividades de formação e capacitação dentro do espírito de associar práticas formativas aos contextos reais de trabalho. jornais. criassem. debates. Esse Centro. ofereceriam não apenas orientação profissional (cursos. aparelhagem de som e imagem. num sistema de alternância entre as escolas e as instituições formadoras de professores. salas para vídeo e cinema.). Nesse sentido. Para isso. Iniciativas como essa contribuiriam para resolver a sempre difícil alternância entre a formação teórica e a experiência em situação real (estágios) e as práticas reflexivas. representa uma modalidade de formação em que há interação entre as práticas formativas e os contextos reais de trabalho. computadores. A manutenção desse Centro poderia ter apoio financeiro e material das Secretarias de Educação estaduais e municipais mediante convênios de parceria. já que a rede pública de ensino seria a mais beneficiada. algo como um Centro de Apoio à Formação Continuada. Trata-se de uma concepção de formação centrada . centro de documentação. poderão ser criadas as condições para que os professores em exercício retornem à faculdade para atualizar seus conhecimentos e ganhar suporte teórico para uma reflexão mais apurada sobre a prática. etc. seria desejável que as instituições de formação de professores ou as delegacias de ensino. exposições. videoteca. rede Internet. oficinas).feita na escola com base em saberes e experiências adquiridos pelos professores na situação de trabalho. na sua estrutura organizacional. pode articular-se com a formação inicial. A articulação entre formação inicial e formação continuada. mas também recursos materiais de apoio (biblioteca. material de esportes.

interesses pessoais. significa dizer que ela é construída pelos seus próprios membros que tanto podem criar um espaço de trabalho produtivo e até prazeroso ou um espaço hostil e estressante. no que acontece efetivamente nas salas de aula. de negociação dos . é que convém instalar uma prática de participação. por isso mesmo. de forma a compreendermos como a organização escolar constitui-se num local de aprendizagem: as pessoas podem mudar aprendendo com a organização e a organização também pode mudar aprendendo com as pessoas. para possibilitar o trabalho reflexivo. estaria bastante vinculado à ajuda dos formadores de professores. Entender a organização escolar como cultura. O êxito desta 194 concepção. assumindo a idéia de escola como unidade básica da mudança educativa. A organização da escola e a formação continuada Em vários lugares deste livro mostramos a relação entre as formas de organização da escola e o desenvolvimento pessoal e profissional dos professores. interesses de poder. Eles existem e. em que as escolas são consideradas "espaços institucionais para a inovação e melhoria e. como contextos privilegiados para a formação contínua de professores" (Escudero e Botia. diferenças. práticas e comportamentos das pessoas que nela trabalham e convivem. simultaneamente. valores. Vimos que as escolas têm traços culturais próprios a partir dos significados pessoais. 1994). Não estamos afirmando que na escola não devem existir conflitos.nas demandas da prática.

maneiras de pensar e agir.significados e valores. significados. que faz parte da cultura da escola. interesses. valores. Essas características provêem das crenças. afetam seu desempenho profissional. o papel da escola como contexto de ação e de formação continuada do professor. A organização escolar. constitui-se de um espaço não apenas de relações de poder mas. não visível. as experiências subjetivas. é o seguinte: 1. há uma estrutura administrativa e pedagógica que é visível e outra estrutura não formalizada. 2. Essa cultura interna influi no desenvolvimento pessoal e profissional do professor (positivamente ou . Fátima Abdalla (1999) analisou em sua tese de doutorado. é toda ela uma prática educativa. também. em resumo. O sistema de organização e gestão. de debate. seu envolvimento com o trabalho. nas escolas. experiências subjetivas etc. 3. Isso quer dizer que. as perspectivas dos professores. A professora M. Isso significa 195 que as próprias formas de organização da escola não só têm a ver com esses comportamentos (ou habitus) como a própria escola vai formando uma cultura própria a partir desses comportamentos. modos de pensar que vão se formando na vivência da cultura dos grupos dos quais fazem parte e se expressam em comportamentos e modos de agir. Seu pensamento. obviamente articuladas com a cultura da comunidade e da sociedade como um todo. de discussão pública dos compromissos e dificuldades. com muita perspicácia. de todas as relações que derivam das características do grupo social que atua nela. portanto. As necessidades. que é o conjunto das relações sociais.

intersubjetivas e objetivas. Ou seja. Reaparece. novas perspectivas. é claro. O estudo de Fátima Abdalla ajuda os diretores de escola. podendo produzir conjuntamente sua 196 profissionalidade. Essa cultura escolar seria o espaço de possibilidades de mudança. Isto acontece desse jeito porque em todas as instituições há sempre um campo de relações. objetivos e exigências externas postos pela realidade sociocultural e política mais ampla. um espaço de mudança e inovação. Há um papel de destaque nisso da direção e coordenação pedagógica da escola para apoiar e sustentar esses .negativamente) mas os professores também podem produzir esse espaço cultural da escola. a necessidade de as escolas cultivarem momentos de prática reflexiva. aí. os coordenadores pedagógicos e os professores a pensar em estratégias de organização e gestão que possibilitem a construção de uma cultura escolar. em que os professores podem desenvolver novas necessidades. considerando-se. novos habitus. onde os professores vão tornando conscientes suas necessidades subjetivas. nesse espaço é possível a criação e desenvolvimento de novos comportamentos. de modo a se implantar uma cultura colaborativa. pois dessa reflexão sobre ação podem nascer mudanças na estrutura de relações vigente na escola visando criar uma nova cultura organizacional. A organização desse espaço implica a criação de lugares e tempos que incentivem as trocas de experiências entre os professores e professores e alunos.

que os processos de avaliação implicam a coleta da dados (de informação). A quantificação. que é preciso fazer distinção entre avaliação.coleta de dados. refere-se à utilização de alguma forma de medida a partir de critérios explicitados previamente. Está claro. tendo em vista a tomada de decisões para novas ações. como conclusão do processo avaliativo. A avaliação supõe uma a coleta de dados e informações. em geral. Os juízos de valor (ou valoração) referem-se a uma apreciação valorativa sobre o evento. através de diferentes instrumentos de verificação. negociação e tomadas de decisão colaborativas. visando a emitir um juízo valorativo. uma pessoa. investigação. juízos de valor e quantificação ou notação. a gestão. CAPÍTULO XII 199 A avaliação de Sistemas Escolares e de Escolas A avaliação é um termo geral que diz respeito a um conjunto de ações voltadas para o estudo sistemático de um fenômeno. Esses três elementos . para saber se os objetivos previstos estão sendo atingidos. um processo.espaços de reflexão. uma situação. A cultura colaborativa será a síntese dos elementos que asseguram a relação entre a organização escolar e o desenvolvimento pessoal e profissional dos professores: o projeto pedagógico curricular. a análise e uma apreciação (juízo) valorativa com base em critérios prévios. atividade ou pessoa. nessa formulação. juízos de valor e . um evento. ou menção qualitativa. Considerase. a organização e articulação do currículo e a formação continuada.

ganha grande peso a avaliação dos sistemas educacionais e do conjunto de escolas. ou seja. com a acentuação das análises mais globalizantes das relações entre 200 a educação e desenvolvimento econômico. como avaliação da aprendizagem dos alunos na sala de aula. entre a avaliação feita pelos professores e a avaliação da eficácia dos sistemas de ensino e do conjunto de escolas.são componentes necessários da definição de avaliação. No campo da educação. Esse autor esclarece mais: Embora sejam os alunos os que respondem a provas e questionários. do consumo. A avaliação que fazem os organismos internacionais e os sistemas nacionais de medição é a avaliação dos sistemas educacionais e não a avaliação dos alunos. Com a globalização da economia e a acelerada revolução tecnológica. na realidade não são os alunos que são avaliados. Atualmente. as interrogações . as organizações financeiras internacionais voltam-se para o planejamento das políticas educacionais dos países a fim de ajustá-las às exigências da produção. dos mercados. da competitividade. Conforme Casassus (1997) deve ficar clara a distinção entre a avaliação do sistema e a avaliação do aluno. O que se avalia é o rendimento do sistema por meio das respostas dos alunos. Então.quantificação ou menção qualitativa . faz-se cada vez mais necessária a distinção entre a avaliação do aproveitamento escolar dos alunos e a avaliação institucional. Por isso. a prática da avaliação era mais conhecida como atividade da escola. até há alguns anos. isto é.

dos estudos deveriam consistentemente orientar-se, não às pessoas que são os alunos, mas ao sistema no qual estão inseridos esses alunos. É importante registrar essa distinção porque estamos frente a formas diferentes de avaliação. Na avaliação dos sistemas de ensino, embora também sejam avaliados os resultados obtidos pelos alunos (geralmente mediante testes padronizados), a avaliação tem como objetivo fazer um diagnóstico mais amplo do sistema escolar e do conjunto de escolas, em âmbito nacional ou regional, visando a reorientar a política educacional, a gestão do sistema e das escolas e a pesquisa. Na avaliação do aluno pelos professores, estes avaliam a aprendizagem dos alunos e são também avaliados por eles, com base nos processos de ensino e aprendizagem realizados na sala de aula. As duas formas de avaliação estão, obviamente, ligadas entre si, de modo que os professores podem utilizar resultados da 201 avaliação de sistema feita em escala nacional ou regional para realizar seu trabalho e os sistemas escolares realizam sua avaliação considerando as realidades locais do ensino no país e nas suas várias regiões. A avaliação do sistema escolar e das escolas, através da avaliação externa e/ou interna das instituições, se desdobra em duas modalidades: a avaliação institucional (ou administrativa ou, ainda, organizacional) e a avaliação acadêmica ou cientifica (denominada no Brasil de Exame Nacional ou avaliação de resultados). A avaliação institucional é uma função primordial do sistema de organização e gestão dos sistemas escolares e

das escolas. Essa avaliação, também chamada de administrativa, visa a obtenção de dados quantitativos e qualitativos sobre os alunos, os professores, a estrutura organizacional, os recursos físicos e materiais, as práticas de gestão, a produtividade dos cursos e dos professores etc., com o objetivo de emitir juízos valorativos e tomar decisões em relação ao desenvolvimento da instituição. A avaliação acadêmica ou científica visa a produção de informações sobre os resultados da aprendizagem escolar em função do acompanhamento e revisão das políticas educacionais, do sistema escolar e das escolas, tendo em vista formular indicadores de qualidade dos resultados do ensino. Essas duas modalidades de avaliação do sistema estão, portanto, centradas na obtenção de dados e informações relacionados com a eficiência e a eficácia dos sistemas de ensino e das escolas. A avaliação da aprendizagem escolar feita pelos professores deverá estar a serviço das funções sociais da escola, dos objetivos de ensino, do projeto pedagógico da escola, do currículo, das metodologias. Além disso, ela se assenta no respeito ao direito de todos os alunos de usufruírem de um ensino de qualidade. Os critérios de relevância da avaliação dos alunos centram-se, portanto, em dimensões qualitativas e quantitativas, ou seja, melhor qualidade 202 da aprendizagem para todos os alunos, em condições iguais. Desse modo, a justa medida da eficácia das escolas está no grau em que todos os alunos incorporam capacidades e competências cognitivas, operativas,

afetivas, morais, para sua inserção produtiva, criativa e crítica na sociedade contemporânea. Compreendida nestes termos, a avaliação dos alunos pelos professores, em cada sala de aula, em hipótese alguma pode ser substituída pela avaliação do sistema de ensino. Ao contrário, a avaliação do sistema é que deve buscar seus critérios de relevância na avaliação feita pelos professores, ou seja, a serviço da melhoria da qualidade cognitivas das aprendizagens. Os rumos que as práticas avaliativas vem tomando no âmbito do sistema de ensino brasileiro, ao contrário da posição formulada anteriormente, encaminham-se para a subordinação do trabalho dos professores e, portanto, da avaliação que fazem, aos critérios da avaliação do sistema. Nesse caso, não são os objetivos de ensino que irão determinar as formas de avaliação, mas a avaliação é que acabará por determinar os objetivos, ou seja, dependendo das finalidades postas pelos governos em relação à avaliação do sistema de ensino, ter-se-á uma escola funcional a serviço dos interesses de agências externas à escola. Vejamos essas questões mais de perto. As reformas educativas mundiais e a avaliação dos sistemas de ensino Reforma Institucional: redefinição das responsabilidades do MEC, revisão de padrões de financiamento e repasse de recursos aos municípios e estados; As políticas educacionais em âmbito internacional passam por intensas mudanças, visando ajustá-las às demandas da atual fase do capitalismo, conforme necessidades e realidades de cada país. A ordem é sintonizar os sistemas educacionais ao modelo neoliberal. A tendência das reformas educativas é de reagregar a educação à economia, numa versão modificada

em relação ao que propunham os economistas da educação a partir dos anos 50 com a chamada "teoria do capital humano". Quer-se subordinar os sistemas educacionais à economia já que, no novo paradigma de 203 produção, as novas tecnologias requerem trabalhadores mais qualificados, com mais flexibilidade profissional para atender novas demandas do mercado de trabalho e com mais espírito empreendedor para fazer frente à competitividade econômica internacional. Foi muito em função disso que surgiram as reformas educativas em vários países do mundo, primeiramente na Inglaterra e Estados Unidos no inicio dos anos 80, depois estendidas praticamente ao mundo todo (por exemplo, Espanha e Portugal, 1986; França, 1989; México, 1992; Argentina, 1993; Brasil, 197898). Foram formuladas em boa parte sob a égide dos organismos internacionais como o BIRD (Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento - Banco Mundial), o FMI (Fundo Monetário Internacional), o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciências e Cultura), entre outros. A reforma educativa brasileira ensaiou seus primeiros passos com a formulação e divulgação do Plano Decenal de Educação para Todos no período 1993-94. Medidas mais concretas foram anunciadas na proposta de governo de Fernando Henrique Cardoso para a educação básica: Estabelecimento de novos padrões de gestão: descentralização, autonomia das escolas, participação da comunidade; Educação básica: ampliação do acesso, conteúdos curriculares básicos e padrões de aprendizagem a nível

nacional, formação de professores, ensino a distância, sistema nacional de avaliação do desempenho das escolas e dos sistemas educacionais, padrões de qualidade para o livro didático, descentralização da merenda. 204 Esses pontos, cujas ações vem sendo consolidadas, acompanham as tendências das reformas educativas dos vários países, internacionais a partir das orientações econômicas e técnicas dos organismos financeiros internacionais, principalmente o Banco Mundial. As reformas educacionais acopladas às reformas econômicas têm um caráter notoriamente economicista, em que prevalecem a lógica financeira e a lógica do mercado, desconsiderando-se as implicações sociais e humanas no desenvolvimento econômico. A competitividade decorrente das novas formas de funcionamento do capitalismo só pode seguir a lógica do mercado, pela qual pouco interessa em considerar o desemprego, a pauperização, a degradação da qualidade de vida, a degradação dos serviços públicos. Há análises bastante sólidas mostrando a inserção do Brasil nas políticas de ajuste aos interesses da mundialização do capitalismo expressos no processo de globalização da economia e da política e os efeitos sociais decorrentes (De Tommasi & Outros, 1996). A avaliação educacional dos sistemas de ensino encaixase bem na lógica dessas reformas, já que a aferição dos resultados do rendimento escolar possibilita informações relativamente precisas e confiáveis sobre a realização dos programas e projetos no campo da educação, de modo a contribuir na tomada de decisões dos governos. Em outras palavras, num quadro de parcos recursos financeiros, principalmente nos países menos desenvolvidos, aumenta a

criado em 1996 para avaliar os cursos de graduação. que agrupa o conjunto dos sistemas de educação da América Latina e do Caribe. com sede em Santiago do Chile.necessidade de verificar se os resultados desejados pelo sistema de ensino estão compensando o volume de investimentos aplicados. a cada dois anos. Praticamente todos os países da Europa e das Américas contam com organismos para realizar estudos sobre avaliação e medição dos sistemas de ensino. Os objetivos desse Laboratório são: estudos comparativos internacionais. Na América Latina. No Brasil. desenvolvimento de programas de pesquisa sobre a avaliação e variáveis associadas ao rendimento escolar de alunos. do qual 205 participam todos os países de fala portuguesa e espanhola (à exceção do Uruguai). realiza uma pesquisa por amostragem do ensino fundamental e médio destinada a acompanhar a evolução do desempenho dos alunos e dos diversos fatores incidentes na qualidade do ensino ministrado. vinculado à UNESCO. formação de técnicos e assistência técnica aos países-membros. . geração de padrões regionais de avaliação. há o Laboratório Latino americano de Avaliação da Qualidade da Educação. com os seguintes instrumentos de ação: Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB) que. com caráter obrigatório para os formandos. Exame Nacional de Cursos (ENC). a avaliação global do sistema escolar é feita pelo Ministério da Educação por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP).

públicas e particulares. 1999). Censo do Ensino Superior. Censo Financeiro da Educação.000 instituições desse ensino do País. Esse órgão federal realiza. exame facultativo aos que já concluíram e aos concluintes do ensino médio. e 50 milhões de estudantes. também. das secretarias estaduais e municipais de educação e do próprio MEC (Cf. Em documento recente do MEC-INEP (1998). englobando aproximadamente 1. pesquisas censitárias nacionais por meio de: Censo Escolar que abrange um universo de cerca de 250 mil escolas. 206 As informações censitárias são anuais e subsidiam os órgãos formuladores e implementadores de políticas educacionais nos três níveis de governo.Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). que traz a receita e o gasto das diversas esferas de governo no componente educação. democrática e . pretende-se fortalecer a capacidade gerencial das escolas. INEP. ressalta-se a necessidade de um sistema de informações e de processos de avaliação para o monitoramento das reformas e das políticas educacionais tendo em vista a formação do cidadão para o próximo milênio: É cada vez mais evidente que a preparação de cidadãos competentes para atuar de forma crítica e responsável na construção de uma sociedade mais justa. Desde 1996 está sendo desenvolvido o Sistema Integrado de Informações Educacionais (SIEd). que promove a descentralização da coleta do Censo Escolar e do acesso a seus resultados. além de propiciar a integração das demais bases do INEP Com isso. que foi aplicado pela primeira vez em 1998.

do sistema financeiro internacional. a avaliação educacional está atrelada a um viés economicista. como estratégia de êxito da globalização econômica. a critérios . assegurar-lhes uma formação ética e solidária. são mais conhecidos dois sistemas de avaliação educacionais: o Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo SARESP e o Programa de Avaliação da Escola Pública de Minas Gerais (Bitar e Outros.desenvolvida. da transformação dos processos de produção. dos mercados de consumo. das infra-estruturas e dos serviços de informação e comunicação. ou seja. No âmbito dos Estados brasileiros. Esta é a primeira face da questão que analisaremos a seguir. Analisada sob esse prisma. 1998). emocional e afetiva será decisivo na formação das crianças e jovens para a sua plena inserção social e no mundo do trabalho. selecionar e processar informações com autonomia e raciocínio crítico. 1998). exige um perfil de qualificação em que o desenvolvimento das inteligências cognitiva. 207 Uma avaliação crítica da avaliação dos sistemas educacionais: duas faces Um primeiro olhar crítico sobre a avaliação dos sistemas e suas formas de operacionalização refere-se ao fato de que as agências financeiras internacionais estão interessadas na qualidade da educação escolar. É basicamente a esse objetivo que as reformas educativas atendem. É preciso ainda desenvolver sua capacidade de resolver problemas. ou seja. É preciso. portanto. É preciso dar-lhes condições de utilizar os conhecimentos adquiridos para que tenham novas oportunidades num mundo cada vez mais complexo e competitivo (Castro.

por exemplo. salário dos docentes. por exemplo. Os problemas são razoavelmente bem identificados. na idéia de que as relações pedagógicas podem ser entendidas como relações entre insumos educacionais e a produção de alunos educados. bem longe de critérios pedagógicos.econômicos de análise do desempenho da educação escolar e. diagnosticados. capacitação docente.) seriam mais 208 eficazes para se obter um certo nível de aprendizado? Sendo assim. gestão da escolas etc. aumento do tempo de permanência na escola. Essas relações são estabelecidas a partir da relação custo-benefício. capacitação do professor em serviço ou formação inicial. a médio e longo prazo. como é o caso. mas a aplicação das reformas não tem levado ao atendimento das condições necessárias à efetivação das mudanças educativas. O viés economicista aparece. sem levar em conta que a verdadeira competitividade. qualidade "por dentro" dos processos de ensino e aprendizagem e não apenas dos resultados. . avaliação da aprendizagem. pode-se fazer relações entre variações no aprendizado considerando-se fatores como: presença ou ausência de livros didáticos. em muitos casos. fornecimento de merenda escolar. da formação e da remuneração dos professores. A pergunta seria: que tipo de insumos escolares (livros didáticos. depende da qualidade do sistema educativo. a partir de testes nacionais padronizados. número de alunos por classe. O que tem acontecido é que as reformas acontecem num momento em que os recursos públicos destinados à educação tendem a ser submetidos a critérios de competitividade imediata.

Daí a importância da avaliação externa pelo próprio governo. Por exemplo. Entretanto.Mais adiante. Outras considerações precisam ser feitas. pelas orientações das reformas 209 educativas. quase nunca pelo critério social e pedagógico. autonomia). em muitos casos. não se está considerando os processos que levam a uma qualidade do aprendizado. facilitar insumos que influenciam no rendimento escolar. O objetivo da avaliação educacional do sistema seria a melhoria da qualidade. portanto. que seriam as estratégias que podem assegurar bons resultados de rendimento escolar dos alunos. A partir daí podem ser extraídas conclusões sobre onde aplicar ou não aplicar recursos. com o projeto pedagógico e com o currículo. . a avaliação educacional deve estar articulada com as formas de gestão (descentralização. já que a ênfase recai nos resultados. ao qual cabe fixar padrões nacionais de desempenho. Como se sabe. Entretanto. neste capítulo. é melhor investir em livros didáticos e não em salários? Ou em capacitação de professores pela Educação a Distância e não pela formação inicial nas universidades? É melhor reduzir o número de alunos nas classes ou ampliar a duração do ano letivo? São opções que acabam sendo tomadas pelo critério econômico. discutiremos os elementos do processo de planejamento e as várias denominações que tem recebido quando aplicado à instituição escolar. pode-se supor que. melhorar os resultados do rendimento escolar. monitorar o desempenho escolar.

da educação escolar visando exclusivamente os vínculos com o mercado. Não se trata de nos opormos à avaliação institucional externa ou interna. materiais e financeiros da escola. certas escolas a criar internamente dispositivos pelos quais as crianças com problemas de rendimento escolar teriam cerceada sua entrada na escola. através dos testes padronizados. por exemplo. que as escolas estariam mais preocupadas em atender aos critérios de controle externo do que aos objetivos pedagógicos. as condições salariais dos professores. Os controles levariam. Ou seja. É preciso recusarmos a noção de aluno-cliente e continuarmos apostando no papel da escola na formação integral dos alunos (cognitiva. para obter boa classificação. a estreita preparação/qualificação para o mercado de trabalho. os diretores criariam mecanismos de seletividade prévia na própria matrícula de alunos. reestruturadora. estética) e a avaliação dessa formação não pode ser aferida pela avaliação do sistema de ensino de cunho economicista pautada nos resultados. as práticas de ensino. O problema está na redução do processo avaliativo ao produto final sem considerar aspectos internos do processo de ensino tais como os recursos físicos.já mostramos que a avaliação do sistema escolar pode prestar-se apenas a estabelecer mecanismos externos de controle. . afetiva. As escolas estariam sujeitas a um "ranking" e. a competitividade entre as escolas e entre os alunos. prejudicando os índices de avaliação a serem alcançados pela escola. inclusive usando expedientes para escamotear resultados. moral. o que os educadores devem recusar é o tipo de avaliação em que predomine a justificativa econômica. controladora. física. nesse caso. o currículo. Poderia ocorrer.

Oliveira e Libâneo. Em razão disso. especialmente quando se tem em vista. no mínimo. econômica e cultural. é inegável a 210 crescente intelectualização do trabalho. a necessidade de formação geral mais sólida e uma demanda acentuada por educação de qualidade. a garantia da igualdade de oportunidades. justa e solidária. Nesse sentido. a preparação tecnológica e a formação geral. no entanto. nem na criação de um mercado educacional. Isso não deve significar a aniquilação da diversidade e das singularidades dos sujeitos. 1998). a elevação da escolaridade. de modo que esses não venham a contribuir para novas formas de divisão social mas sim para a construção de uma sociedade democrática na forma e no conteúdo (Cf. os impactos da revolução tecnológica no campo da educação podem e devem ser absorvidos de modo a gerar perspectivas democráticas de construção de uma sociedade moderna. Com a revolução tecnológica e as demais mudanças globais. analisar a segunda face da questão. não pode resultar num projeto educacional competitivo e seletivo socialmente. Isso. A universalização e melhoria da qualidade de ensino. são fundamentais para toda a sociedade. tanto do sistema escolar como da aprendizagem. nem na ampliação da esfera privada no campo da educação. é um requisito para a melhoria das condições que afetam . abrangente e polivalente dos trabalhadores. para os educadores progressistas é bastante razoável supor que a avaliação educacional. todavia. abstrata.Cumpre. Numa sociedade de conhecimento e de aprendizagem é preciso dotar os sujeitos sociais de competências e habilidades para a participação na vida social.

fazer diagnósticos mais amplos. Nesse sentido. em razão da 211 exigência de se prestar contas de um serviço público à comunidade. pode ser uma ajuda à organização do trabalho na escola e nas salas de aula. a descentralização das escolas. em função da organização escolar e do projeto pedagógico da escola. Daí que se fazem necessárias políticas educativas que contribuam para o desenvolvimento sustentável do país. podem analisar conjuntamente os problemas. Os professores. para além do seu trabalho isolado na sua matéria. o envolvimento dos professores e pais etc.diretamente a qualidade do ensino. incluindo um posicionamento sobre a avaliação educacional. (embora isso não deva ser usado para a redução do poder . Seria extremamente prejudicial negar aos segmentos empobrecidos da população brasileira um ensino de qualidade. o que é totalmente inaceitável). gerando uma "cultura da responsabilização" por parte da equipe escolar. as práticas de avaliação podem propiciar mais auto-regulação institucional. uma proposta pedagógica progressista pode assumir a avaliação dos estabelecimento escolares por meio dos resultados do aprendizado dos alunos (embora essa aferição não deva ser utilizada para classificar as escolas que serão beneficiadas por recursos públicos. em conexão com a avaliação dos professores. favorecendo a identificação de necessidades locais. por mais que se considere as críticas às orientações economicistas dos organismos financeiros internacionais. A avaliação externa. reforçando o entendimento da escola como local em que se pensa o trabalho escolar e onde professores e especialistas aprendem em conjunto. Numa visão progressista.

ético. enquanto cidadão e profissional. a ênfase no desenvolvimento de capacidades básicas de aprendizagem (embora não se aceite um mero treinamento de habilidades). Para isso.de mobilização dos sindicatos e da participação política de professores). valores) precisam ser colocadas no projeto pedagógicocurricular e que. em seguida. saibam mais sobre a elaboração de instrumentos mais diretos de aferição da qualidade da oferta dos serviços de ensino junto com a qualidade do "aluno que se quer formar". transformam-se em conteúdos curriculares e estratégias de aprendizagem na escola? São questões relacionadas com o projeto pedagógico-curricular e os processos de ensino e aprendizagem. Como avaliar o 212 nível de competência cognitivo. emocional. além de tomarem a avaliação como importante meio de diagnóstico do seu trabalho. é preciso que os educadores. . tendo como referência a prática social? Como definir o perfil de aluno egresso. atitudes. Outras questões precisam ser consideradas com mais empenho pelos pesquisadores visando o aprimoramento da qualidade do ensino. procedimentos. esperado dos alunos. é óbvio que as práticas de avaliação precisam ser encaradas com mais seriedade. seus processos e resultados. Admitindo-se que hoje a justiça social em termos de democratização do ensino seja a qualidade cognitiva dos processos de ensino e aprendizagem e dos seus resultados. que cada escola formula coletivamente entre seus professores e equipe técnica? Como definir quais competências profissionais e éticas (desdobradas em conhecimentos.

é tão importante avaliar como o sistema educacional condiciona a qualidade do ensino oferecido nas escolas quanto analisar como os educadores constroem.. no seu cotidiano. mas também compreender os processos de construção da desigualdade escolar (.. a partir de suas representações.) Avaliar com equidade significa analisar se a qualidade da educação que está sendo oferecida atende igualmente a todos os setores sociais. 1998).) tendem a ficar perdidos com os programas introduzidos pelos Estados hoje praticamente atrelados aquelas orientações do Banco Mundial. A dependência econômica do Banco Mundial força a submissão dos sistemas de ensino e das escolas às suas orientações técnicas. principalmente os interessados no bom funcionamento da escola (uma escola democrática.. de suas relações. Boa parte dos especialistas em avaliação concordariam com este desafio posto aos educadores e especialistas em avaliação escolar: integrar as contribuições criticas destas ultimas décadas e construir no cotidiano instrumentos que nos permitissem não somente analisar o rendimento escolar. por sua vez.. emancipadora etc. o nível de ensino que os alunos irão receber (Souza. os problemas envolvidos na avaliação educacional são muitos.entre a avaliação de sistemas educacionais e as avaliações do professor na sala de aula Como se pode ver.Avaliação educacional . (.) Neste sentido. . Os educadores progressistas. de suas 213 atuações.

adequação do ensino às exigências contemporâneas. inclusive para tentar diagnosticar disparidades de rendimento entre alunos que não podem ser captadas pelos professores. visando orientar as políticas educacionais e os órgãos gestores dessas políticas. Com os programas nacionais ou estaduais. efeitos de migração. Esses programas utilizam testes padronizados visando ao maior controle da qualidade do ensino. 168). por amostra. individualmente. Pode ser regional. A avaliação externa pode ser nacional. dentro da escola (por exemplo. avaliandose o universo inteiro de uma rede de ensino. e importante a implantação de programas de avaliação dos sistemas educacionais. de modo que os envolvidos no processo educacional reflitam sobre os problemas de ensino e aprendizagem e tomem decisões sobre a melhoria da qualidade da educação. os sistemas de ensino podem aferir a qualidade do ensino em termos de sua equidade e verificar o que a macro estrutura pode fazer para aprimorá-la.Aceita essa premissa.) (Souza. O objetivo desses programas: "identificação dos conteúdos e habilidades dominados pelo aluno e a busca de elementos que possam subsidiar o planejar na perspectiva de levar a escola e os professores a superar as defasagens fragrantes nos alunos (." Este segundo tipo de avaliação externa é melhor porque as escolas participam .. segregação social ou excesso ou falta de rigor na avaliação feita por professores). diversidade cultural.. Neste último caso. o objetivo dos programas de avaliação deve ser o de obter informações sobre o desempenho de alunos de um sistema.

Por exemplo. Também a avaliação do aluno pelos professores precisa ter esse caráter de diagnóstico. A avaliação da aprendizagem precisa ajudar a identificar disciplinas ou outros aspectos em que o aluno apresenta maiores dificuldades. as avaliações externas precisam estar voltadas para levantamento dos elementos que propiciem a democratização do acesso e a permanência na escola. dos processos pedagógicodidáticos. porque elas aparecem. falta de apoio afetivo em casa ou na escola. como aparecem estas defasagens e. efeitos das formas de gestão na aprendizagem dos alunos. também. Em qualquer caso. condições de salário e trabalho dos professores. podem provocar essas dificuldades nos alunos para vencerem as tarefas exigidas pela escola.214 diretamente do processo avaliativo e usufruem diretamente dos resultados obtidos. que propiciem melhor qualidade da aprendizagem escolar para todos os alunos. de tal maneira que cada uma receba informações sobre o desempenho de seus próprios alunos nas principais disciplinas. dificuldades econômicas em casa. permitindo uma definição mais realista do projeto pedagógico. das necessidades de capacitação docente. sólida formação cultural e cientifica a todos. O SAEB e ENEM têm uma limitação: trabalham com amostras. Pode-se. o que não leva as escolas a usufruírem dos dados que coletam. pensar na possibilidade de que um conjunto de escolas (de uma área limitada) façam a avaliação conjuntamente. . especialmente. em condições iguais. pais com baixa escolaridade. em síntese. da sistemática de avaliação. de reorganização da trajetória escolar dos alunos.

. mas sim o como ensinar. organização escolar e dos planos de ensino A avaliação da escola é um processo pelo qual os especialistas (diretor. coordenador pedagógico) e os professores discutem e avaliam sua escola em função do aprimoramento pedagógico curricular e da qualidade do ensino. 215 Ligar a "teoria" sobre avaliação com o "saber-fazer" a avaliação. o processo de aprendizagem do aluno e oferecer um ensino de qualidade (Ibid. dificuldades que estão tendo. O grande problema (.). Provocar reflexões conjuntas dos professores sobre suas preocupações na sala de aula. o porque determinado aluno vai bem e outro não. (.. fatores que prejudicam o andamento das aulas etc. da .) Nosso problema é justamente como identificar.Algumas medidas precisariam ser tomadas nas escolas para enfrentar os problemas de avaliação. Nas últimas décadas houve pouco interesse dos pesquisadores em programas de avaliação da escola. (.. ela apenas dá indícios de onde estão os problemas de aprendizagem. analisar. Compreender que a avaliação é instrumento. Definir com clareza as competências do professor e saberes necessários para "diagnosticar.)...) o porque o aluno não está apreendendo. alunos com mais dificuldades. compreender e neutralizar as causas dos insucessos escolares" (Ibid..) não é o como avaliar. para melhorar o ensino. A avaliação do projeto pedagógico-curricular.

a avaliação da escola precisa considerar os elementos determinantes da qualidade da oferta de serviços de ensino e do sucesso escolar dos alunos. materiais didáticos e informacionais. Se os testes e outras formas de aferição do rendimento forem bem elaborados. Tais dados já estão disponíveis na escola. De fato. Mas isso não é suficiente. os resultados do rendimento escolar dos alunos) em função das responsabilidades sociais da escola. É preciso chegar até a sala de aula para obter conhecimentos mais precisos sobre os processos de ensino e aprendizagem. as relações entre professores e . do projeto pedagógico. idade. Mas todo cuidado é pouco para que os resultados do desempenho escolar dos alunos não sejam tomados como único parâmetro de análise da escola. composição do corpo docente (tempo de trabalho.direção. é indispensável verificar a efetividade dos serviços prestados (o comportamento profissional dos professores e especialistas. rendimento escolar por classe. é possível detectar problemas e dificuldades no ensino 216 das matérias de forma que a escola e os professores tomem providências para saná-los. dos professores. Os sistemas de ensino e as escolas se vêem hoje frente à avaliação dos resultados dos alunos como critério para a avaliação da produtividade da escola. tais como: características dos alunos. Nesse sentido. recursos físicos e materiais. Hoje essa necessidade torna-se cada vez mais premente. condições de trabalho e motivação dos professores. é preciso organizá-los e analisálos como prática de avaliação diagnóstica. currículo profissional). é preciso considerar o conjunto de fatores que levaram a eles.

mas é importante sua utilização. que utilizam instrumentos estandardizados de verificação do aproveitamento escolar. o controle do rendimento escolar precisa ter maior rigor cientifico e método lógico. verificar falhas na aquisição de conhecimentos e habilidades e possibilitar formas de recuperação. Há uma outra razão para se considerar este alerta. os resultados das avaliações 217 feitas pelo sistema. Os professores precisam estar familiarizados com as práticas de avaliação externa para poderem inclusive ler as análises e tirar proveito delas para o seu trabalho. a construir testes de verificação de aproveitamento. Cada vez mais aparecem na imprensa. nas escolas. Dada a importância da avaliação escolar. as práticas de avaliação. A avaliação não pode ser reduzida a testes. É claro que esta avaliação global da escola indicará elementos de mudança nas práticas dos próprios professores.alunos. tipo SAEB. capacitados. Aspectos a serem avaliados no âmbito da organização escolar . ENEM. Eles não dão uma informação absolutamente fiel do rendimento dos alunos em face dos objetivos pedagógico-didáticos. Isso leva a que os professores sejam formados. mas permitem evidenciar uma "pista" de onde os alunos estão. especialmente no que diz respeito ao domínio dos conhecimentos e metodologias e procedimentos de ensino e procedimentos de avaliação. a qualidade cognitiva das aprendizagens.

A ênfase da avaliação não recai somente nos professores e nos alunos mas nos elementos e na dinâmica de funcionamento da organização escolar: projeto 218 pedagógico. currículo. exigente. A análise dos resultados. tipo de organização (organizada. da escola como referência básica do sistema de ensino. envolvimento da equipe pedagógica e professores com os objetivos e com as ações da escola Acompanhamento do rendimento escolar dos alunos Aplicar métodos e procedimentos para acompanhar e analisar sistematicamente os resultados escolares nas varias turmas. dentro da escola. processos de ensino e aprendizagem. reprovações. Avaliação da execução do projeto pedagógico-curricular Esta é uma forma de avaliar a escola no seu conjunto. autoritária. relações humanas (solidárias. tolerante). hostil. .É sempre útil relembrar as principais variáveis em torno das quais pode incidir a avaliação: Dados estatísticos sobre a população escolar. Um investimento importante é acertar entre os professores métodos mais eficazes de diagnóstico das dificuldades escolares dos alunos. etc). pode ajudar os professores a modificarem suas formas de trabalho. situação sócio-econômica dos pais etc. desorganizada. abandono da escola. democrática. separadas. dentro da concepção que vem sendo desenvolvida neste livro. estrutura de coordenação pedagógica e assistência aos professores. relações interpessoais. Clima organizacional da escola Inclui: tipo de direção (acolhedora. práticas participativas).

todavia. porque. Avaliação de desempenho dos professores É cada vez mais crescente na pesquisa pedagógica a insistência na avaliação dos professores. é dele que depende o êxito escolar dos alunos e a realização dos objetivos essenciais da escola. Educadores que conhecem de perto o funcionamento de escolas e de salas de aula sabem que os principais pontos de um programa de observação da prática docente na sala . Além disso. como uma das condições do desenvolvimento profissional. da qualidade e da eficácia do trabalho do professor. Não há dúvida de que o professor é o fator mais significativo na determinação da produtividade de uma escola. há uma boa dose de imprevisibilidade e improvisação.sistema de gestão. todavia. Os diretores de escola e os coordenadores pedagógicos precisam. Há muito pouco progresso concreto na investigação dos instrumentos de avaliação de professor (ainda que reconhecendo avanços na concepção do professor crítico-reflexivo). em boa parte. Boa parte das ações docentes não está constantemente sob controle da consciência porque resultam de modos de agir e hábitos já consolidados. não é uma profissão na qual basta seguir uma seqüência de atos automatizados. inclusive pelo caráter de imprevisibilidade que têm muitas das ações escolares. enfrentar esse tipo de avaliação de uma forma decidida porém cautelosa. É preciso. Não é tarefa fácil. O trabalho de professor não se presta a análises meramente quantitativas. Por outro lado. isso não pode levar a descartar a avaliação das características. etc. enfrentar o desafio de avaliação qualitativa da atividade docente através da observação sistemática de aulas e do diálogo e da reflexão conjunta com os professores.

gestão da classe em vários aspectos. procedimentos e instrumentos de avaliação da aprendizagem. funcionários. como organização e desenvolvimento das aulas. Encontros e reuniões de professores. Estratégias de relacionamento com os pais e as formas de comunicação. Atividades administrativas e de apoio pedagógicodidático ao professor. Critérios de organização de turmas. organização.de aula são os seguintes (Cf. Para finalizar: a avaliação emancipatória . incluindo instalações e equipamentos. horário de aulas e distribuição de disciplinas. pedagogos. qualidade da comunicação com os alunos. Outros fatores também precisam ser considerados na avaliação do professor relacionados com a organização e funcionamento da escola como um todo: Disponibilidade. Ghilardi e Spallarossa. utilização dos recursos materiais e didáticos. preparo profissional do professor no conhecimento da disciplina e dos métodos e procedimentos de ensino e avaliação. Ações de formação continuada de professores. conforme o nível de ensino atendido. 1991): 219 qualidade das relações sociais e afetivas com os alunos.

Por sua vez. numa perspectiva de educação emancipatória. interação com os alunos . a coordenação do esforço .A tendência nas práticas de avaliação. Estudando o assunto. o professor Vítor Paro escreve que a racionalização do trabalho engloba as ações. A avaliação emancipatória tem três características: Avaliação compreensiva e global do processo de ensino e aprendizagem Avaliação democrática em que os resultados da avaliação são discutidos e negociados entre os participantes do trabalho escolar. a gestão de uma escola pode ser analisada por meio de duas atividades básicas: a racionalização do trabalho e coordenação do esforço humano coletivo. em que o professor é também um investigador (Hernandez e Sancho. Auto-avaliação.de modo que tome decisões com maior conhecimento de causa. 1994). é assegurar cada vez mais nas instituições 220 o caráter educativo da avaliação: meio de revisão das ações do professor . mediante um processo reflexivo rigoroso de planejamento-observação-análise-reflexão-planejamento. processos e relações referentes à utilização racional dos recursos materiais e de conhecimentos.práticas de ensino. CAPÍTULO XIII – Estratégias de Coordenação do Trabalho Escolar e de Participação na Gestão da Escola 223 Conforme vimos nos capítulos anteriores.

são imprescindíveis os conhecimentos. 1988). Dessa forma. uma escola comprometida com a transformação social precisa lançar mão de princípios. Ainda segundo Paro. considerando a natureza dos fins buscados pela escola. Escreve o autor: A utilização racional dos recursos coloca o problema da competência técnica no interior da escola. o esforço humano coletivo necessita dos elementos materiais e conceituais para ser aplicado racionalmente" (Paro. não podendo. em especial do corpo docente. faz-se necessária aposse de um conjunto de conhecimentos. técnicas e habilidades em níveis e padrões que possibilitem o oferecimento de um ensino de boa qualidade a um número maior de alunos. assim como a garantia da coordenação 224 do esforço humano coletivo através da participação coletiva. para um razoável desempenho do pessoal escolar. Com igual razão.humano coletivo diz respeito à utilização racional das relações entre os profissionais da instituição. as técnicas e instrumentos que assegurem a utilização racional de recursos materiais e conceituais. "Os elementos materiais e conceituais não cumprem sua função no processo se não estiverem associados ao esforço humano coletivo. os dois tipos de recursos funcionam em mútua dependência. Parece não haver dúvidas de que. Para o autor. sempre avaliadas pela prática reflexiva. ser separados. da mesma forma. na prática. métodos e técnicas adequados à especificidade dos seus objetivos e à especificidade do processo pedagógico escolar. as pessoas envolvidas na administração da escola deverão exibir uma competência técnica que deve dizer respeito tanto ao .

é importante que todos saibam os princípios e os métodos de uma nova administração. aos aspectos mais propriamente pedagógicos. mas também com os métodos e técnicas administrativos mais adequados à promoção da racionalidade interna e externa da mesma. O mesmo não acontece numa administração democrática.) Esse fato coloca novamente a importância do conhecimento e familiaridade que o educador deve ter não apenas com os aspectos mais propriamente pedagógicos da escola. é de extrema relevância na instalação de uma administração democrática no interior da escola. esta identificada com os interesses da classe trabalhadora (Paro. 225 . fundamentada na participação coletiva.conhecimento da coisa administrada. já que estas não se concentram mais nas mãos de uma única pessoa. alunos e pais.. Nesta nova situação. pessoal técnico-pedagógico.. 1988). É através dela que são fornecidas as melhores condições para que os diversos setores participem efetivamente da tomada de decisões.. (. (. mas na de grupos ou equipes representativos de todos. professores.) A "coordenação" do esforço de funcionários. quanto aos processos. em que não existem chefes colocados autoritariamente sobre os demais. ou seja. visto que as responsabilidades administrativas foram distribuídas juntamente com a autoridade. métodos e técnicas relacionados à atividade administrativa. Numa administração escolar autoritária e centralizada na figura do diretor. basta que este e mais alguns de seus auxiliares mais diretos dominem os conhecimentos e técnicas de gerência e administração..

a coordenação pedagógica e os professores para trocar idéias e tomar decisões sobre questões pedagógicas. etc. daí poder-se falar de reunião pedagógica. 5. cada reunião pode ser dedicada a um desses setores. Informativa . A reunião de professores é uma necessidade da organização escolar mas é também um espaço de formação continuada. de promoção da participação. reunião administrativa. portanto. 6. Entrevistas. trata de questões já decididas que serão apenas comunicadas. Tipos de reunião Há vários tipos de reunião de professores. Modelo clínico de formação continuada. REUNIÕES DE PROFESSORES Por "reunião de professores" entende-se o encontro formal entre a direção. . Nesse caso. de comunicação e de construção coletiva da organização e gestão da escola. referentes especialmente à coordenação pedagógica e aos professores. visando o aprimoramento das práticas de organização e gestão da escola: 1. Seminários. Evidentemente. 2. Etapas para a elaboração de projetos. 1. sem preocupação de esgotá-los. Reuniões de professores. Apresentamos a seguir alguns deles. 4.É em razão desses argumentos que foram selecionados alguns procedimentos e técnicas úteis para viabilização do trabalho escolar.Destinada à transmissão de informações ou medidas a serem cumpridas. Conselho de Classe. 3. administrativas e financeiras da escola.

Opinativa-deliberativa . Na reunião. os professores. Convém que o coordenador desse tipo de reunião prepare de antemão pontos polêmicos da comunicação.O objetivo é ouvir as pessoas para a elaboração de um documento. As reuniões de estudo são denominadas. às vezes. Tem caráter oficial. Observação importante: conforme afirmamos anteriormente. Coleta de opiniões . a reunião é um procedimento administrativo indispensável ao sistema de gestão da escola. De estudo . a coordenação pedagógica. especialmente. foram aproveitadas idéias de vários autores. projeto ou para subsidiar uma tomada de decisão. pode tornar-se uma atividade malvista e desconfortável. Não tem caráter oficial. 1980. Nérici. aprofundamento da leitura de documentos.Visa a leitura e discussão de um texto. de seminários. Para . Geralmente esse tipo de reunião sucede a uma decisão já tomada em reunião formal e aqui o coordenador irá pedir sugestões e informações para concretizá-la.O objetivo é a discussão de um assunto ou a busca de solução de problemas. precisam levar a sério a organização das reuniões. preparação conjunta de aulas etc. Sobre o tipo e formas de reunião. Entretanto. pois o que se decidir deverá ser assumido por todos os membros da escola. A 227 direção. 1973 e Grisi. deverá aceitar todos os pedidos de esclarecimentos.226 pode-se usar de bastante objetividade.

muito bem organizadas e muito bem conduzidas. Submeter a pauta à aprovação dos participantes. quadronegro. Evitar colocar em pauta assuntos e questões que podem ser resolvidas individualmente com os interessados. prevenir-se para perguntas embaraçosas. Reunir pessoas mais ou menos do mesmo nível hierárquico. em círculo. conforto. elas precisam ser planejadas. Dispor os assentos. recomenda-se que não se façam reuniões improvisadas. esclarecendo quais questões são mais urgentes. especialmente o que já está previsto em leis. Da mesma forma. Programar uma pauta possível de ser cumprida. regulamentos ou rotinas. Preparar rigorosamente a reunião: definir objetivos e pauta. arejamento. cuidando para não torná-la excessivamente longa 228 . com os mesmos interesses. local e horário. Manter rigorosamente o horário de início e de término da reunião. visando a facilitar a comunicação e o diálogo.isso. medidas e normas já estabelecidas na legislação. Evitar colocar na mesma sala pessoas com interesses muito divergentes ou de nível cultural ou de escolaridade muito diferenciados. Sugestões para o planejamento e organização de reuniões Escolher o local e verificar as condições físicas e materiais: iluminação. divergências de opinião etc. não levar para a reunião assuntos sobre os quais já se tomou uma decisão. material didático e audiovisual etc. preferentemente. ou questões que já fazem parte dos deveres e obrigações profissionais.

o grupo operativo (discussão dirigida de solução de problemas). 229 . Conclusões. Iniciar a reunião apresentando os assuntos e os objetivos da discussão. 4. 3. Recomendações úteis ao coordenador de reunião Apresentar-se na reunião com bastante segurança e confiança em si para passar segurança aos participantes. Apresentação dos assuntos. Se for grupo novo em que as pessoas não se conhecem. promover uma breve apresentação dos presentes. Delegação de responsabilidades (quem fará o quê..Não abusar no número de reuniões. Discussão. 5.. Definição bem clara dos assuntos ou problemas. Apresentação de soluções alternativas. 2. conforme os tipos apontados acima. que pode ser conduzida da seguinte forma: 1. Pode ser útil cada participante escrever seu nome numa folha e afixar na carteira. Entre elas. para quando. há a Tempestade Mental (Brainstorming). discussão livre. seminários de estudo.). O coordenador ou alguém do grupo apresenta o problema. Há muitas outras técnicas de realizar uma reunião. 6. Técnicas de condução da reunião A técnica mais comum é a reunião de trabalho.

Ter paciência para ouvir todos. Estimular a participação de todos os membros do grupo. pontuar as conclusões a que o grupo vai chegando. sem antecipar ou precipitar as conclusões. de modo que se mantenha o clima de debate e se aprofunde mais a discussão. a convencer. que podem dificultar a busca de soluções positivas para os problemas. usando argumentos seguros. Pedir esclarecimentos. ENTREVISTAS INDIVIDUAIS . Após uma rodada de discussão sintetizar os pontos já tratados. mantendo o grupo dentro do assunto. aprender a persuadir. provocar a participação chamando as pessoas pelo nome. Assegurar a condução da reunião. Não permitir que a reunião prossiga enquanto todo o grupo não estiver atento. Estar atento para posições ou opiniões "proteladoras". informações. envolventes. dados concretos. não permitir em nenhuma hipótese conversas paralelas. Se as pessoas não falarem espontaneamente.Fazer perguntas iniciais aos participantes. diversionistas. Não monopolizar a palavra ou a discussão. 230 2. fazer voltar sempre ao tema em discussão. Se for necessário. oferecendo dados concretos. tomando especial cuidado com as pessoas que falam demais e com as que falam pouco ou não se manifestam. Estimular todos os participantes a expressarem sua opinião.

Procedimentos . utilizando ambos os procedimentos. pais. Conversar com uma professora sobre problemas de disciplina na classe. Segundo especialistas. É importante destacar que a entrevista deve centrar-se na análise da situação ou na solução do problema e não em uma das pessoas envolvidas. geralmente. A entrevista pode ser. para se chegar a uma conclusão. c) Mista. chamar a mãe para conversar sobre dificuldades dos alunos. Por isso. b) Não-dirigida. resolver um problema. Chamar um aluno para conversar sobre seu rendimento escolar. Tipos de entrevistas a) Dirigida. a conversa flui livremente entre os participantes. Orientações gerais sobre a técnica de entrevista A entrevista. um problema.Os professores e professoras são sempre solicitados a entrevistar alunos. Por exemplo. é importante que seja uma troca de pontos de vista. alguma observação ou solicitação. Também os coordenadores pedagógicos utilizam a entrevista para reuniões de trabalho com os professores. é provocada por algum fato. na qual há um roteiro prévio de questões ou perguntas dirigidas ao entrevistado. na qual não há um roteiro prévio. ainda. a entrevista na escola é um encontro de duas ou mais pessoas interessadas em melhorar uma situação. mais flexível. um cotejamento de modos de ver uma situação. utilizada como técnica de ensino e aprendizagem na sala de aula.

objetivos. após uma observação de classe.A entrevista é. Convém que na convocação ou convite para a entrevista já seja informado o motivo da sua realização. Visa o acompanhamento do trabalho em sala de aula para aprimoramento do ensino. resolver problemas. Mas podem ser sugeridos alguns procedimentos: O entrevistador e o entrevistado devem ir à entrevista com objetivos claros. com um roteiro mínimo de perguntas ou questões. o diálogo e a tomada de novas decisões. uma troca de impressões de modos de ver. mediante a reflexão. Se o objetivo é. Isso significa que podem existir pontos da conversa que são inegociáveis. A informalidade é um importante requisito para uma boa entrevista. Nesse caso. um procedimento útil para reunir o coordenador pedagógico e o professor. a entrevista precisa acontecer imediatamente após o ocorrido. Os entrevistados precisam levar em conta que trabalham numa organização que tem uma filosofia de trabalho. também. tem um 231 desenvolvimento compatível com a situação que está sendo analisada. É um trabalho integrado. é um importante momento de formação continuada para ambos. quase sempre. de cooperação mutua. de idéias. A entrevista do coordenador pedagógico com os professores A entrevista individual é. compromissos. pela sua natureza. munidos de informações. . normas. Por isso entrevista é peculiar. após a realização de um evento.

suas limitações quanto à motivação dos alunos.Essa entrevista tem por objetivos: a) Ajudar os professores a tomarem consciência do seu desempenho e a encontrarem. avaliação. disciplina. por si próprios. de lado a lado. para evitar desconfianças. f) Acerto de novas observações. visando a um plano de auto-aperfeiçoamento. metodologia de ensino. novas discussões. Observações importantes: As entrevistas entre coordenador pedagógico e professores precisam estar fundamentadas em informações. considerando-se portanto o trabalho . os caminhos necessários para a melhoria da sua atuação. a partir das dificuldades apontadas. e) Análise e interpretação dos dados colhidos durante a observação junto com o professor para verificar pontos fortes e fracos da sua atuação. temores. dados. procedimentos etc. c) Ouvir o professor sobre suas dificuldades. avaliar e interpretar o que se passa consigo e na sala de aula. As entrevistas precisam ocorrer imediatamente após a observação de aulas do professor. 232 b) Auxiliar no desenvolvimento de habilidades de analisar. levando a tornar mais eficaz a ação docente. evidências. A entrevista deve ter caráter eminentemente profissional. d) Combinar com o professor a ida do coordenador à sua classe para observação de aula.

professores com mais dificuldades na sala de aula. alunos. portanto. O coordenador poderá. cada um com sua especialidade. obviamente. apontamentos. habilidades dos envolvidos na percepção e compreensão do outro. professores sem formação pedagógica. também. discutida antes com o professor. A idéia básica dessa técnica é promover a aprendizagem ativa entre os membros (professores. 3. aprimorar o processo de ensino e aprendizagem. o objetivo do seminário não é apresentar as conclusões para uma classe ou grupo maior. pais). A entrevista é um encontro entre pessoas.realizado ou a ser iniciado (o que não significa. mas a estruturação de . para serem discutidos posteriormente. Diferentemente do que tem sido feito nas escolas. SEMINÁRIOS O objetivo do "Seminário" é o estudo de um tema juntamente com outras pessoas. Se a entrevista se destina a conversar com o professor sobre situações observadas em aula. 233 Os coordenadores precisam dedicar especial atenção. Considerar que a reunião entre coordenadores e professores acontece entre duas pessoas. num clima de colaboração recíproca. nas entrevistas. em reuniões previamente planejadas. implicando. atitudes. sempre com o consentimento do professor. valores. havendo um intercâmbio de pontos de vista. câmara de vídeo. visando melhorar uma situação. motivações. a professores iniciantes ou inexperientes. pode ser útil a elaboração prévia de uma ficha de observação dos aspectos a serem observados. utilizar gravador. ignorar as relações pessoais).

o debate e a verbalização de idéias dentro do pequeno grupo. pais e alunos. CONSELHO DE CLASSE O Conselho de Classe é um órgão colegiado composto pelos professores da classe. dos pais. atividades de integração . podendo. Tem a responsabilidade de formular propostas referentes à ação educativa e didática.conceitos. por representantes dos alunos e. Algumas recomendações Os participantes devem ter interesses comuns quanto ao tema e um nível de conhecimentos semelhante. e incentivar projetos de investigação. É a instância que permite o acompanhamento dos alunos. É o resultado do trabalho desse pequeno grupo que será apresentado para toda a classe. daí. visando a um conhecimento mais minucioso da turma e de cada um e análise do desempenho do professor com base nos resultados alcançados. para socializar as conclusões. em alguns casos. Todos os membros precisam participar igualmente do trabalho. o importante é a diversificação de fontes). Em algumas experiências. facilitar e ampliar as relações mútuas entre os professores. 4. fazer nova discussão. 234 O seminário deve ser apresentado para a classe como síntese do trabalho do grupo. o Conselho de Classe também é competente para formular propostas para a coordenação pedagógico-didática. O estudo conjunto exige a investigação e a pesquisa de diversas fontes e recursos de informação (o estudo de um livro ou capítulo de livro não justifica um seminário.

A participação no Conselho de classe requer dos professores e coordenação pedagógica a consulta a informações e registros que possam subsidiar as decisões. mas isso não deve ser motivo de não incluí-los nas reuniões.e iniciativas de apoio. Elaboração de programas de recuperação e outras atividades de apoio. Busca de soluções alternativas para as dificuldades que aparecerem. Se essas competências forem levadas a sério. e verificar periodicamente o andamento geral dessas atividades. .). pode trazer conflitos de interesses e competências. Os objetivos do conselho de classe são: Aprimoramento do diagnóstico dos problemas e dificuldades. retomada da matéria etc. tal como já alertamos quando tratamos do Conselho de Escola. o Conselho de Classe poderá tornar-se o órgão colegiado mais interessante sob o ponto de vista pedagógico-didático. Reformulação do plano de ensino (revisão. Identificação de progressos e mudanças de comportamento de alunos. de estabelecimento de limites e competências. 235 Obtenção de informações para facilitar o aconselhamento ao aluno. A presença de pais e estudantes no Conselho de Classe. Há que se buscar as possibilidades de acordo mútuo. após o Conselho de Escola. os ajustes necessários.

236 Ainda segundo Perrenoud. de observação de aulas. MODELO CLÍNICO DE FORMAÇÃO CONTINUADA O modelo clínico é assim chamado por tratar-se de um trabalho preventivo de orientação do professor na sala de aula. Daí a necessidade de que cada professor tenha disposição e competência para análise individual ou coletiva de suas práticas para pensar. O modelo clínico pode ser aplicado a um ou mais professores. que permite a prática reflexiva sobre o trabalho em desenvolvimento e previne para que as dificuldades encontradas sejam superadas. decidir e agir tirando conclusões ou para antecipar resultados de determinadas decisões ou atitudes. mas é melhor que seja feito com o grupo todo. o método clinico é baseado na articulação entre prática e reflexão sobre a prática. frente a uma situação problemática complexa. .5. Conforme o pedagogo suíço Philippe Perrenoud. principalmente. a formação clínica é uma formação orientada pela prática a partir de uma formação pedagógica. O termo "clinico" refere-se a um modelo de funcionamento intelectual basicamente assentado na metodologia de solução de problemas. Ele supõe levantamento de necessidades de desenvolvimento profissional através. O professor "clínico" é aquele que. possui as regras e dispõe dos meios teóricos e práticos para: avaliar a situação. pensar numa intervenção eficaz. de um projeto organizado de ação e da análise dessa prática. A idéia-chave desse modelo é considerar o professor como alguém que reflete sobre sua prática a partir da própria investigação sobre essa prática.

bem organizada. para que os problemas a serem resolvidos estejam à altura das pessoas em formação. A formação clinica. Essa formação é feita. compreender como e porque esta atividade ou aquela intervenção foram bem. É. seguir uma lógica de construção de conhecimento. corrigir o rumo. avaliar a sua eficácia aparente. definindo-se antecipadamente uma problemática. centradas em suas necessidades).e. baseada na prática refletida. através da prática. (. tomar decisões.. antes de mais nada. ou mal 237 sucedidas. para tanto. Mas não uma prática qualquer. agir em situação de incerteza e. de emergência. utiliza-se da investigação para selecionar experiências pertinentes (tendo em vista uma construção mais rigorosa do objeto). nem em conformar-se com um modelo. muitas vezes. essencialmente. No dizer do próprio Perrenoud: Ensinar não consiste em aplicar cegamente uma teoria. Sem.colocá-la em prática. mas uma prática planejada. e. resolver problemas. Este tópico é uma adaptação livre do capítulo "Técnica de projeto" do livro Planejamento e organização do .) Para que a experiência prática resulte numa verdadeira maestria profissional é preciso que o professor possa analisar a prática. realizar outros ensaios e passar a agir de forma diferente (1993). afundar no pragmatismo absoluto ou em ações pontuais.. partindo do que os professores acham significativo (i..

implicando capacidade de liderança. coordenado por Loureimi Ercolani Saldanha. horas pagas para reuniões de trabalho). Isso. de forma a estabelecer uma ponte entre a situação atual e os cenários desejáveis. É preciso ter o projeto e o sistema de gestão. necessidade da instituição) de um projeto (Carvalho. de forma alguma. levado junto 237 com a equipe. até que as pessoas assumam a necessidade do projeto pedagógico coletivo. Cabe aos dirigentes das instituições ter lucidez e competência para formular as melhores estratégias de introduzir a prática do projeto. sem que o projeto seja uma necessidade sentida por um grupo. Um bom diagnóstico da situação. Porto Alegre. Editora Globo/INL. Os profissionais de uma escola precisam. nenhum projeto resolve os problemas de gestão de uma escola. Não foi por acaso que insistimos bastante na importância do sistema de gestão e direção da escola. ETAPAS PARA A ELABORAÇÃO DE PROJETOS 2 Observações prévias O projeto é o resultado de um processo de planejamento e negociação entre os membros de uma equipe escolar. 1974. A instituição . 1993). mesmo.ensino. De pouco resolverá uma seqüência de passos. ter consciência de que nem sempre a necessidade real do grupo coincide com a necessidade impositiva (ou. 6. Além disso. também. tal como apresentamos a seguir. significa "deixar o barco correr". iniciativa e motivação dos dirigentes. uma adequada distribuição de cargos e responsabilidades e a institucionalização de condições de diálogo e comunicação (por exemplo. pode ser um bom começo de conversa.

através da reflexão e da implementação de estratégias concretas e de sua avaliação. avaliação e realimentação do projeto . mobilizar estratégias de mudança. Cabe insistir. 2) Determinar objetivos e necessidades. 5) Implementação do projeto. Em resumo. convém que as decisões sejam tomadas por consenso e não por maioria. O processo de elaboração do projeto O projeto é uma importante técnica de identificação (diagnóstico) e solução de problemas.sempre contará com algumas pessoas interessadas e motivadas pelo projeto e a elas cabe. numa estratégia de busca de consenso ao invés de submeter as decisões ao voto. de alguma forma. A seqüência de passos sugerida para se chegar ao projeto é a seguinte: 1) Definir o problema. A busca de consenso é mais democrática. O projeto consiste na colocação clara do problema e no planejamento do curso da ação para solucioná-lo. 239 6) Acompanhamento. dando mais solidez às possibilidades de êxito do projeto. 4) Organização do projeto. as posições. É até recomendável que se crie um grupo de trabalho ou comissão com a função de protagonizar. a introdução do projeto. 3) Levantar alternativas de solução possíveis e coerentes com o problema. nas práticas de gestão da escola. permite uma maior coesão do grupo (inclusive por deixar claras as diferenças. os pontos de vista).

recursos físicos. Obviamente. Para isso. e que precisa ser alterado. possíveis de ser atingidos. 2. o objetivo imediato. . Um problema é uma situação não satisfatória. operacional. os objetivos precisam ser realistas. algo que não anda bem. materiais. tempo.1. Sempre considerar as condições existentes 240 (viabilidade) ou as condições ainda inexistentes mas que sejam possíveis de serem criadas. Trata-se de aprofundar o conhecimento da situação. os vários fatores da situação e do contexto mais geral. O resultado final desejado é o objetivo geral. refletir e buscar uma situação mais satisfatória.Diagnóstico da situação para obtenção de informações relevantes. Com isso. Em seguida. O que é necessário para atingir os objetivos propostos? As necessidades podem ser pensadas em termos de pessoal. Definir o problema Primeiro momento . são definidos objetivos intermediários. Determinar objetivos e necessidades Definido o problema de forma explicita e operacional é preciso pensar qual será a situação desejada para resolver o problema. Analisar o problema levando em conta suas possíveis causas. cabe determinar necessidades. chega-se à delimitação e definição do problema. Em síntese: Segundo momento . um desafio. financeiros.Formular o problema de forma clara.

isto é. O problema dessa tendência é reduzir o funcionamento das instituições a critérios exclusivamente de eficácia. bem como práticas avaliativas visando a reformulação dos processos e do próprio projeto. . o diálogo. Levantar alternativas de solução possíveis e coerentes com o problema É a fase do exame das soluções possíveis. às necessidades e aos objetivos propostos. também. Diagnóstico . Levantadas várias alternativas. coerentes e operacionalizados.A identificação de necessidades e a avaliação das condições existentes podem levar à modificação dos objetivos. a negociação. sem prejuízo dos objetivos. Ainda há. que precisam funcionar competentemente. produtividade. considerando. da parte de alguns educadores. sem considerar a flexibilidade. as que melhor se ajustam ao problema. certa resistência a objetivos operacionalizados. a participação etc.objetivos 3. Daí a importância de objetivos muito claros. é verdade. (por causa de sua vinculação ao tecnicismo educacional). sem prejuízo da qualidade.se: 241 menor custo. a maioria eficiência. se é verdade que as organizações escolares precisam ter um projeto. elas podem passar pelo crivo dos critérios de seleção. a imprevisibilidade. Entretanto. o compromisso das pessoas. de forma que ninguém tenha dúvida dos resultados desejados a partir das ações levadas a efeito.necessidades . controle.negociação .

Curricular e metodológica (no caso de escola) objetivos.menor risco. metodológicos). 242 . O projeto prevê o processo de trabalho dirigido ao atendimento dos objetivos. humanas. pôr em ação o projeto. é preciso considerar.organização e gestão de recursos físicos. éticos. sistemática de gestão) e os aspectos conceituais (pedagógicos. estratégias. formas de acompanhamento e avaliação. concretizados em atividades a serem realizadas. 4. materiais. conteúdos. humanos e da própria coordenação do esforço humano coletivo. as alternativas precisam considerar os critérios de qualidade humana e educacional (Capitulo 111 deste livro). materiais. É importante preparar um cronograma de execução (plano de gestão do tempo). Obviamente. Implementação do projeto Implementar significa criar as condições. metodologias. O projeto sempre tem os aspectos técnico-administrativos (condições físicas. psicológicos. A implementação levará em conta os seguintes aspectos: organizacional . critérios sociológicos. mobilizar esforços para atingir os objetivos previstos. Acima de tudo. sem prejuízo da capacidade de inovar e ousar. Organização do projeto O projeto é um guia para a ação. 5. procedimentos. visando a implantação da alternativa selecionada em função dos objetivos. também.

em função dos objetivos. permitem verificar. O acompanhamento permite ir controlando as várias fases de implantação. Formação e desenvolvimento profissional do professor: o aprender a profissão (um estudo em escola publica). Os resultados precisam ser analisados criteriosamente. a qualidade do projeto. Escolas e Mudança: O papel dos Centros de Formação. 2000. que podemos sintetizar no termo AVALIAÇÃO. avaliação e realimentação do projeto Estes aspectos. 1994. Tese de doutorado. O exame e análise dos dados podem exigir correções no processo. AMIGUINHO. Maria de Fátima B. tendo como critério os objetivos previstos. incluindo a utilização de instrumentos de medida. e CANÁRIO. Definir o problema Determinar objetivos e necessidades Levantar alternativas de solução possíveis e coerentes com o problema Organização Implementação Acompanhamento. levará à avaliação somativa. . As várias formas de avaliação processual. a organização e as condições em que está sendo implantado o projeto. São Paulo: Faculdade de Educação da USP. É o que se denomina "retroalimentação".6. através dos resultados. Educa. Lisboa. Rui. Acompanhamento. avaliação e realimentação do projeto BIBLIOGRAFIA ABDALLA.). (Orgs. Abílio. para se verificar até que ponto em que nível de qualidade os objetivos foram atingidos.

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). Educação e qualidade. SILVA JUNIOR. São Paulo: Cortez/Autores Associados. Dissertação de Mestrado. 8. SOUSA. Mimeo. n. 1997. 1995. Teobaldo M. Clarfza P Descrição de uma trajetória na/da Avaliação Educacional. De Tommasi. (Org. 1994. 1990. Warde. e BEANE. São Paulo: Cortez. Luís C. 1999. José C. C. Mirian J. A organização do trabalho pedagógico Elementos para pesquisa de novas formas de organização. CARMO. São Paulo: Companhia Editora Nacional. Escolas democráticas. (Orgs.). São Paulo: Cortez. O estudo da escola. 1990. Gestão democrática da educação: atuais tendências. 1998. A escola pública como local de trabalho. Sérgio (Orgs. Celestino da. Noções de Administração Escolar. Os conselhos escolares da rede municipal de ensino de Goiânia. 1996. p. Michael. Alberto R. Goiânia: UFG. Haddad.SANTOS. James. BARROSO. FERREIRA. (Org. 44-53. Outras indicações bibliográficas APPLE. João.). São Paulo: Cortez. Livia. Campinas: Papirus. 1966. do. O planejamento do trabalho pedagógico: algumas indagações e tentativas de respostas. novos desafios. FUSARI. O Banco Mundial e as políticas educacionais. Supervisão educacional para uma escola de qualidade.. FREITAS. 1996. (Org. Belo Horizonte: V ENDIPE. 1989. 30. Idéias. 1998. Campinas: Papirus. DEMO. Naura S. . São Paulo. Crítica da organização do trabalho pedagógico e da didática.).). In: Idéias. Pedro. São Paulo: Cortez. 1996. Portugal: Porto Editora.

1993. São Paulo: Cooperativa Técnicoeducacional. PIMENTA. Plano escolar -Caminho para a autonomia. 248 ANEXOS PRAIS. Porto Alegre: Artes Médicas. . 1990. 417-424. Heloísa et al. Madrid: Editora Morata. Goiânia. 1990. Administração colegiada na escola pública. Rio de janeiro: DP&A. Gestão democrática da educação . I. 85. Cadernos de Pesquisa (Fundação Carlos Chagas). 1999. A.).grau. 8.O trabalho do gestor escolar. As escolas e a qualidade. A escola participativa . p. A construção do projeto pedagógico na escola de 1. José. São Paulo. OYAFUSO. 2. e MAIA. OCDE. Portugal: Edições ASA. e GANDIN.Desafios contemporâneos. n. LIMA. S. Organização da escola e do ensino e atuação do diretor. Dissertação de mestrado. p. GIMENO SACRISTÁN. Poderes instáveis em educação. OLIVEIRA. Enfrentando o desafio da escola: princípios e diretrizes para a ação. Eny. n. Faculdade de Educação/ Universidade Federal de Goiás. PÉRES GÓMEZ. São Paulo. La cultura escolar en la sociedad neoliberal. Maria de Lourdes M. 1998. Idéias. 1992. 1997. Dalila A.GANDIN. LUCK. GATTI. (Org. Temas para um projeto político pedagógico. Campinas: Papirus. Sueli A. ed. Selma G. 5-10. 1995. São Paulo: Cortez. 1999. Akiko. Bernadete. da C. Petrópolis: Vozes. Danilo. 1998. Luís A. 1999.

p. (Org. UNESCO-MEC. ANEXO I PLANEJAMENTO ESCOLAR . Caminhos da profissionalização do magistério. n. (Orgs. Projeto político-pedagógico da escola. 1995. Gestão da escola fundamental. explicitação de objetivos.). 73-77. 1997. Campinas: Papirus. Campinas: Papirus. VEIGA. fica A. Idéias. Educação: a outra qualidade. Celestino A da. ao mesmo tempo. UNESP-PRó-REITORIA DE GRADUAÇÃO. O. Ilma A. Ele implica intencionalidade. uma atividade de reflexão acerca de nossas ações e opções. Planejamento participativo na escola. Novos olhares sobre a supervisão. 15. para racionalizar nossas ações. O homem é o único animal capaz de antecipar na sua mente o que pretende fazer. Mary Silva. e RANGEL. 1995.). São Paulo: EPU. Anexos Planejamento escolar – Diagnóstico O planejamento escolar é um processo de tomada de decisões.. 1986. nosso trabalho. . (Org. 1995. O projeto pedagógico de seu curso está sendo construído por você? ANAIS DOEI CIRCUITOPROGRAD. São Paulo: Cortez. Campinas: Papirus. realizar. 1997.DIAGNÓSTICO VIANNA. Silva. intenções. São Paulo. em função de objetivos. Planeja-se para decidir melhor. Terezinha. 1995. Piracicaba: Unimep. Rinalva. Significado e pressupostos do projeto pedagógico. meios de ação. SILVA JR. São Paulo. O planejamento é um instrumento de trabalho e. 1990.). isto é.RIOS.

correção dos desvios e adequação do trabalho em função dos objetivos e com base em padrões mínimos de desempenho. 250 O planejamento cumpre. execução e avaliação do Projeto pedagógico-curricular. O planejamento é um processo. o plano é um documento. O Projeto pedagógico-curricular deve ser coordenado. Análise e interpretação dos dados com base nos objetivos da instituição. reflexão. Seu processo de elaboração requer a participação do pessoal técnico e docente. Elaboração e divulgação do projeto . viabilizado e avaliado pelo diretor e sua equipe técnica. pelo menos. 3. Diagnóstico da escola para coleta de informações úteis para a elaboração do Projeto pedagógico-curricular 2. Planejamento não pode ser proposta individual ou de algumas pessoas. para revisão das decisões tomadas e das ações. Tomada de decisões com base na escolha de prioridades e das formas mais eficazes de produzir mudanças na instituição em função dos objetivos. o planejamento tem como objetivo prever a organização do trabalho a ser desenvolvido. O Projeto pedagógicocurricular deve ser o resultado de um trabalho conjunto da equipe escolar. O processo de planejamento obedece à seguinte lógica: 1. tendo em vista a elaboração. três funções: previsão de resultados e meios de atingi-los. de forma integrada e participativa.Na escola.

em termos da qualidade do serviço oferecido à população. um papel básico na definição de diretrizes e metas para a organização pedagógico-didática e administrativa da escola. para se saber como e com que meios a escola vem atendendo sua tarefa principal: ensinar. Descrição dos dados coletados e observados: o que acontece e como acontecem as coisas na escola. O Diagnóstico tem. ao menos. duas funções: Coletar informações quantitativas e qualitativas. registro de observações e entrevistas. O Diagnóstico alimenta o Projeto pedagógico-curricular. . Análise e interpretação dos dados: apreciação qualitativa com base no conhecimento teórico dos elementos constitutivos da organização escolar e nos objetivos esperados da instituição escolar. indicando elementos para tomada de decisões. para o planejamento. que afetam o processo de ensino e aprendizagem. Os passos para se fazer um Diagnóstico são os seguintes: 1.A atividade inicial do processo de planejamento é o Diagnóstico da escola. verificam-se os problemas existentes. Levantamento de dados. Cumpre. O Diagnóstico consiste no levantamento de dados e informações para se ter uma visão de conjunto das necessidades e problemas da escola e facilitar a escolha de alternativas de solução. portanto. de acordo com um Roteiro. mediante registro de dados.Possibilitara análise das informações coletadas. Neste tópico. 3. Possibilita o conhecimento das características. expectativas e necessidades da escola e da comunidade. 2. as causas mais . isto é.

dimensões. condições ambientais (iluminação. 4. igrejas. ruas.1. 253 . outras escolas existentes. aspectos culturais e de lazer. ESTRUTURA FÍSICA E MATERIAL 2. 2.). dimensões (ideal: 1m2 por aluno). aspecto físico geral. se o número de salas é suficiente (diretoria. CARACTERIZAÇÃO SÓCIO-ECONÔMICA Breve histórico da criação da escola. Salas de aula: quantidade. destinação de uso. Salas da administração: quantidade.). Características gerais da comunidade e sua influência na composição da clientela escolar: caracterização do setor ou bairro em termos de urbanização (tipo de casas. 252 ANEXOS II ANEXOU ROTEIRO PARA A COLETA DE DADOS PARA O DIAGNÓSTICO 1. nível sócio-econômico das famílias. Edifício escolar Tipo de construção. ventilação etc. assistência social e saúde. tipo de comércio. vice-diretoria. Indicações de medidas a serem tomadas: pontos a serem considerados no Projeto pedagógico-curricular para modificar as condições de funcionamento detectadas no Diagnóstico. indústrias.prováveis desses problemas e marcam-se as alternativas de solução. transporte urbano etc.

2. cozinha.Carteiras: tipo. condições de uso. coordenador de turno. recreação e esportes: dimensões.Mesas. . despensa. sala de professores. . escrivaninhas. forma de escoamento dos detritos. estado de conservação.Bebedouros e lavatórios: quantidade.Verbas de que dispõe a escola .Salas e ambientes especiais: verificar os mesmos aspectos nas salas para: laboratórios. .secretaria. estado de conservação. televisores. condições de uso.): tipo.2. adequação ao uso. 2. copiadora. quantidade. refeitório. condições higiênicas. almoxarifado. vídeo. .Material didático (mimeógrafo. como são adquiridos. slides).Sistemática de efetuação das despesas. salas de projeção (filmes. . quantidade. orientação educacional). quantidade. descobertas.4. . Recursos financeiros . Mobiliário . a que se destinam. água tratada ou não.Instalações sanitárias: quantidade conforme o número de usuários.Áreas livres: cobertas.3. cartazes. coordenação pedagógica. Espaços de lazer e recreação . vídeos. . retro-projetor. armários e outros: tipo. formas de controle.Área disponível para lazer. biblioteca. 2. auditório etc. mapas etc. suficientes ou não.

3.4. vigias. pessoal docente. . Alunos: Número por série. qualificação. ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO 4. Especialistas: Número. diretor. porteiros.2.3. serventes.3. . vice-diretor. qualificação. Professores: Número. Coordenação pedagógica e orientação educacional ANEXOS Há um programa de formação continuada dos professores e pessoal administrativo? Existe o trabalho de assistência pedagógico-didática ao professor? Há uma unidade de ação da equipe técnica ou o trabalho é fragmentado? Há conflitos de funções entre direção e equipe técnica? O trabalho do pessoal técnico funciona em termos de garantir a qualidade do trabalho dos professores em sala .1. 3. 4. 254 3. coordenadores pedagógicos. . pessoal administrativo. adequação idade/série.2. pessoal auxiliar .Principais atribuições de cada setor. número por sala. PESSOAL 3.Formas de gestão e formas de relacionamento entre o pessoal técnico.Funcionários: Número por cargo (inspetores de alunos. merendeiras. orientadores educacionais. ESTRUTURA.Organograma da escola.1. Aspectos organizacionais .Existe Regimento Escolar? É do conhecimento de todos os membros da escola? É utilizado? Em que circunstâncias? 4.

Relacionamento com a Secretaria da Educação e Delegacia de ensino .3.5. profissão dos pais etc. Secretaria escolar .Que tipo de atuação tem a Delegacia na parte administrativa e pedagógica da escola? O acompanhamento é freqüente ou esporádico? Qual é o grau de autonomia da escola para tomar decisões? 4.A secretaria está bem organizada? Há pessoal suficiente? 255 Há prontuários de cada aluno? Há ficha cadastral com dados de identificação. do rendimento dos alunos (análise dos resultados das avaliações) por classe? 4.4.A Delegacia traz para a escola instruções e procedimentos a serem cumpridos pela escola? Quem é o portador dessas instruções? . Relacionamento com pais e comunidade A escola tem APM (Associação de Pais e Mestres)? Conselho de Escola? .de aula? Há acompanhamento do trabalho do professor na sala de aula. residência.? Os registros e controles do rendimento escolar estão corretamente organizados? Os arquivos estão organizados corretamente? Há normas da Secretaria da Educação sobre a organização e funcionamento da secretaria escolar? 4.

associações de bairro.)? Os pais comparecem? A escola mantém relacionamento com outras instâncias da comunidade (políticos. administrativo) a respeito das decisões a serem tomadas.)? Que tipo de reuniões (com todos os pais. semestral.Tipo de gestão existente na escola (colegiada. Aspectos administrativos gerais ... O PLANEJAMENTO ESCOLAR .Existe um trabalho sistemático com os pais? São feitas reuniões? Com que freqüência (mensal. . financeiras e pedagógico-didáticas? . prática de esporte. por classe. docente. democrática..Há o Plano da escola? Quando e como é feito? Existe um documento escrito? Há definição de objetivos e metas para o ano letivo e explicitação de atividades administrativas.Relacionamento do diretor com o pessoal da escola (técnico. anual.). ORGANIZAÇÃO GERAL DA ESCOLA 6.)? 256 5. . .Facilidade de execução das atividades ou excesso de burocracia. lazer etc. autoritária. participativa...O Plano é utilizado para a elaboração de Planos de ensino? 6. empresários e outros? A escola cede suas instalações para a comunidade (reuniões. centralizada.Há uma sistemática de levantamento de dados e informações para o diagnóstico? .1..

rendimento escolar ou outros? . contatos com professores/ funcionários/ alunos.Em que e como o diretor ocupa seu tempo (administração.2.Como é feita a distribuição de classes entre os professores? Quais são os critérios? . .Como é controlada a freqüência dos alunos? Há muitas faltas? A escola verifica causas de ausência de alunos . .Como é fixado o número de vagas? Existem critérios explícitos de seleção de alunos? Quais são os critérios de distribuição de alunos pelos turnos em que funciona a escola? São levadas em conta necessidades da comunidade? Há restrições a matrículas? São feitas exigências descabidas? .Há remanejamento de alunos durante o ano letivo? Quais são os critérios? .Como é organizado o horário? Quem organiza? Como é a distribuição das atividades (disciplinas)? Há uma fixação de horas semanais para cada atividade ou disciplina? . supervisão pedagógica. reuniões.Como é feita a distribuição de alunos por classe? Há critérios de distribuição por idade.Funcionamento da rotina da escola .Como é feita a recuperação? Quais os objetivos das aulas de recuperação? Funciona? Dentro do horário ou fora do horário? .Há Conselho de classe? Quando e como são feitos? 6.Há Conselho de Classe? Quando e como são feitos? Funciona em termos de uma avaliação diagnóstica? .).. contatos com a comunidade/ delegacia de ensino/ políticos. acompanhamento e avaliação do trabalho de cada setor etc.

A escola exige uniforme? Controla o uso do uniforme? Há reclamações dos pais nesse sentido? 6.Quais os problemas mais constantes em termos de controle da disciplina e infrações disciplinares? .Os professores têm assistência pedagógica efetiva da equipe técnica? .3.Qual é o procedimento utilizado na escolha dos livros didáticos? .)? .Há merenda escolar? Quem fornece? A escola complementa? Os alunos gostam da merenda? Em que horário é servida? A distribuição dos alimentos interfere nas atividades de sala de aula? . competições esportivas etc.Existe uma articulação entre as séries em termos de programação de objetivos e conteúdos? .Há atividades extra-classe (visitas a locais da comunidade para estudo do meio.faltosos? Há controle da evasão escolar e uma análise de suas causas? .Há reuniões pedagógicas freqüentes? Que tipo de assuntos são tratados nessas reuniões? Há algum tipo de encontro para estudo.Como é organizada a Semana de planejamento? Como são elaborados os planos de ensino (os professores isoladamente ou em conjunto)? 258 . reflexão ou discussão sobre a prática docente? .O Plano da escola é utilizado para elaboração dos planos de ensino? . Aspectos da organização pedagógico-didática . exposições.

que estimula e incentiva a equipe escolar? 259 8. AVALIAÇÃO .Há um efetivo acompanhamento das atividades pedagógicas e administrativas.Quem realiza a avaliação? Há uma reflexão conjunta sobre a prática desenvolvida. DIREÇÃO E GESTÃO DA ESCOLA . administrativo e auxiliar? .Há uma sistemática de acompanhamento.Há uma sistemática de capacitação em serviço (treinamento)? É feita pelo pessoal técnico da escola ou pela Secretaria da Educação? 7.. em termos de sua eficácia e realização de objetivos? .Qual é a sistemática de tomada de decisões? Há ordens prontas ou há uma prática participativa? .Há liderança efetiva da direção? Como é o relacionamento pessoal da direção com o pessoal técnico. para detectar desvios. e reorientar os trabalhos? .As responsabilidades estão claramente definidas? . controle e avaliação das decisões tomadas? .É feita a avaliação da execução do Plano da escola? Como se faz essa avaliação? Que procedimentos são utilizados? .Há um clima de trabalho positivo. dificuldades.Qual é o tipo de gestão adotado na escola? .