Organização e Gestão da escola – Teoria e Prática José Carlos Libâneo Os estudos atuais sobre o sistema escolar e as políticas educacionais

têm colocado a escola, enquanto organização, co mo referência para a realização dos objetivos e metas dos sistema educativo. Nesse sentido, ela é vista como um ambiente educativo, como espaço de formação construído pelos seus componentes, um lugar em que os profissionais podem decidir sobre seu trabalho e aprender mais sobre sua profissão. Essa forma de ver a dinâmica da vida da escola leva a considerar a organização escolar como um_ organismo aberto, cuja estrutura e processos de organização e gestão são constantemente construídos pelos que nela trabalham (diretores, coordenadores, pedagogos, professores e funcionários) e pelos seus usuários (alunos, pais, comunidade próxima). Faz-se necessário, portanto, que esses educadores desenvolvam uma das competências profissionais básicas: participar na gestão e organização da escola, desempenhando um papel ativo nas decisões pedagógico-didáticas, organizacionais, administrativas. Para isso, precisam conhecer bem as políticas educacionais, os objetivos e as formas de organização e funcionamento de uma escola, bem como desenvolver competências para trabalhar em equipe, cooperar com outros profissionais, aprender a ter uma atitude investigativa. Essa qualificação teórica e prática possibilitará não apenas o exercício da participação mas, também, a análise da prática que levará a aprender idéias, saberes, experiências, na própria situação de trabalho, contribuindo para o desenvolvimento pessoal e

profissional. É para isso que este livro pretende contribuir. A ordenação dos capítulos foi pensada no sentido de familiarizar os estudantes nos conhecimentos básicos do processo organizacional das escolas e nos conhecimentos teóricos e práticos necessários para a participação consciente e ativa nas ações de organização e gestão da escola. O AUTOR José Carlos Libâneo é doutor em Filosofia e História da Educação pela PUC de São Paulo. Nasceu em Angatuba, Estado de São Paulo, em 1945. Formou-se em Filosofia na PUC de São Paulo, onde também obteve os títulos de mestre e doutor. Foi diretor de escola, desempenhou atividades nas Secretarias de Educação de São Paulo e Goiás, ensinou em várias instituições de ensino superior, tendo sido professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás durante 20 anos. Há muitos anos trabalha com formação de professores. Atualmente é Professor Titular da Universidade Católica de Goiás. Publicou cinco livros: Aceleração Escolar - Estudos sobre educação de adolescentes e adultos (1976), Democratização da escola pública - A pedagogia crítico-social dos conteúdos (Editora Loyola, 1 a edição em 1985, atualmente nas 17a edição), Didática (1 a edição em 1990, atualmente na 20a edição), Adeus professor, adeus professora? - Novas exigências educacionais e profissão doscente (4ª edição) e Pedagogia e pedagogos, para quê? (2ª edição), os três últimos publicados pela Editora Cortez. Também escreveu dez capítulos de livros em co-autoria e diversos artigos em revistas especializadas.

Para os diretores de escola, coordenadores pedagógicos, orientadores educacionais, professores que, entre tantas dificuldades que afligem a escola pública, sempre recobram o ânimo, se enchem de energia e de esperança, sabendo que o saber organizar e gerir sua escola, com determinação, energia e diálogo, produz um diferencial visível nas condições concretas pelas quais se pode garantir uma sólida formação de cidadãos, de profissionais, de usuários das mídias, de consumidores, de interlocutores sociais, para uma sociedade que requer cada vez mais sujeitos capazes de lidar com o conhecimento e que precisa ser muito mais includente do que tem sido. Para Maria Augusta de Oliveira, amiga e companheira de trabalho há muitos anos, cujo conhecimento práticoteórico sobre aqueles fazeres pedagógicos tem ajudado outras e outros a compreenderem que não é possível saber o que fazer sem saber o como fazer. SUMÁRIO Apresentação 9 Capítulo I - A escola como organização de trabalho e lugar de aprendizagem do professor 17 Capítulo II - Uma escola para novos tempos 31 Capítulo III - Buscando a qualidade social do ensino 51 Capítulo IV - O professor e a construção da sua identidade profissional 61 Capítulo V - Os conceitos de organização, gestão, participação e cultura organizacional 73 Capítulo VI - O sistema de organização e gestão da escola 93

Capítulo VII - Princípios e características da gestão escolar participativa 109 Capítulo VIII - O planejamento escolar e o projeto pedagógico-curricular 121 Capítulo IX - Organização geral do trabalho escolar 171 Capítulo X - As atividades de direção e coordenação 177 Capítulo XI - A formação continuada 187 Capítulo XII - Avaliação de sistemas escolares e de escolas 197 Capítulo XIII - Estratégias de coordenação do trabalho escolar e de participação na gestão da escola 221 Bibliografia - 243 Anexos - 249 Apresentação Este livro destina-se ao estudo da escola como instituição básica do sistema escolar e lugar de trabalho do professor. Foi escrito para ajudar os professores a conhecerem a estrutura e a organização das escolas e as condições de seu exercício profissional. Os capítulos desta publicação foram organizados a partir de textos didáticos provisórios, roteiros e notas de aulas, resenhas de livros, elaborados quando o autor ministrava, na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás, a disciplina Organização do Trabalho Pedagógico. Esse material foi reunido e reorganizado com base em novas pesquisas e leituras de obras recentes sobre o assunto. É necessário, entretanto, alertar os leitores de que muitas das idéias e opiniões aqui lançadas permanecem como objeto de investigação, pedindolhes que compartilhem com o autor as muitas indagações e dúvidas e que sejam também produtores de conhecimento. Estou de acordo com uma professora que disse assim:

"entre a teoria de um autor que queremos assumir, e a prática que queremos transformar com essa teoria, existe a nossa teoria" (in Christov, 1998). Tem sido divulgada boa bibliografia sobre organização e gestão dos sistemas de ensino. Tais estudos realizam análises bastante abalizadas sobre as formas de organização e gestão da educação neste momento de reestruturação produtiva capitalista, globalização 10 da economia, avanços tecnológicos, em que as políticas econômicas, sociais, educacionais são levadas a se ajustar ao modelo de desenvolvimento capitalista que ora se consolida. O impacto das transformações nos sistemas de ensino e nas escolas é direto: alteração no perfil de formação geral e profissional dos alunos, mudanças nos currículos e nas formas de gestão da escola, reavaliação das funções e responsabilidades do professorado, formas de participação das famílias etc. Ou seja, junto com a reestruturação produtiva vêm as reformas educacionais, pois há suficiente base histórica para sabermos que reajustes na realidade econômica e produtiva incidem em alterações no âmbito social, cultural e até pessoal. Não nos passa, pois, desapercebido o impacto dessas mudanças, especialmente o recondicionamento das escolas ao intentos do capitalismo internacional e dos interesses financeiros. Trata-se, de fato, de implantar políticas educacionais que subordinam o processo formativo aos interesses dos mercados e ao Estado gestor. No entanto, parece-nos crucial entender que, se por um lado, é absolutamente imprescindível denunciar essa formas de refuncionalização da escola, por outro, não se

11 com um caráter profundamente democrático. para o enfrentamento de importantes decisões dentro da escola. condições e oportunidades iguais para toda a população. buscando formas eficazes de desenvolvê-la e colocá-la a serviço dos interesses de toda a coletividade. Ou seja. precisam lutar pela escola. assim como a análise dos resultados que contribuem para o processo formativo e para o aperfeiçoamento da gestão. os educadores defrontam-se diariamente com decisões que precisam ser tomadas.pode reduzir a importância das escolas. cargos. uma cultura organizacional. orientações a serem dadas. . criar e desenvolver uma estrutura organizacional (setores. pois elas continuam tendo uma função social insubstituível de formar os indivíduos para uma vida digna e para a compreensão e transformação da realidade. normas). não podendo contentar-se apenas em fazer a crítica da situação. igualdade. portanto. as forças progressistas da sociedade que continuam lutando por justiça. As escolas são organizações educativas que têm tarefas sociais e éticas peculiares. isto é. uma tecnologia. precisam dispor de meios operacionais. Enfrentar os problemas e dilemas reais do cotidiano das escolas e dos professores talvez seja uma empreitada bem mais penosa do que fazer a denúncia dessa refuncionalização das escolas a serviço dos interesses das elites econômicas e financeiras. Este livro quer contribuir. atribuições. processos de gestão e tomada de decisões. Na verdade. Para atingir seus objetivos sócio-políticos.

assumindo que. Que se pode pensar na profissionalidade dos professores e na melhoria do seu desempenho profissional. tocar suas vidas. de participação da comunidade escolar (professores. poder ganhar capacidade reflexiva para atuar e transformar a realidade social. e é questão de justiça que elas atendam. que considerem ao mesmo tempo a realidade sócio-econômica 12 . sem que isso signifique controle do trabalho dos professores ou punição de escolas ineficientes. é nela que estão matriculados os filhos das camadas médias e pobres da população. o planejamento. de fato. Uma coisa é certa: as escolas estão aí. a gestão. aos direitos de todos de uma educação de boa qualidade. Os educadores comprometidos com a transformação social precisam dispor de conhecimentos para repensar formas de funcionamento das escolas.inclusive sobre estratégias de ação indicadas nos documentos oficiais e das agências financeiras internacionais tipo Banco Mundial. de desenvolvimento da profissionalização e profissionalidade. participar da vida política e cultural. apta a preparar os alunos para a empregabilidade. sem ser uma autonomia imposta. a profissionalização dos professores. Acreditamos que há formas de se buscar autonomia. Que se pode fazer o projeto pedagógico sem que ele represente uma forma de domesticar os professores. de avaliação etc. do melhor modo possível. pais e alunos). a descentralização. Que se pode ter uma avaliação do sistema escolar e dos alunos que orientem mudanças na qualidade das aprendizagens escolares. a avaliação de sistemas. são postos novos desafios às tarefas da docência. como a autonomia da escola.

Organização do Trabalho Pedagógico. É verdade que faltam coordenadas sociais. os princípios. vem sendo substituída por Políticas educacionais e gestão da educação. sob várias denominações: Administração Escolar. este livro contempla mais diretamente o estudo da organização e da gestão por dentro da escola. Em função disso. mas os educadores que atuam na linha de frente do sistema escolar não podem esperar. Essas disciplinas têm. o estudo do sistema educacional tem sido feito na disciplina Estrutura e Funcionamento do Ensino. da organização e da gestão do sistema educacional e das escolas. as . a qual. métodos e procedimentos relacionados com o processo de trabalho na escola. os alunos e as alunas estão chegando para mais uma jornada de aulas. políticos. Todavia. Pretende.e cultural em que se insere a escola e os professores e as condições concretas dentro da escola e da sala de aula que garantem a justiça social do ponto de vista da escolarização. oferecer conteúdos para disciplinas que aparecem nos currículos. porque a cada manhã. Organização Escolar. junto com seus professores e professoras. na formação de professores é importante o conhecimento da estrutura. a cada tarde e a cada noite. as relações entre educação e sociedade etc. assim. principalmente no curso de Pedagogia. em alguns lugares. Educação Escolar. Essas disciplinas estudam temas da educação sob um enfoque mais geral: as políticos educacionais. econômicas. em comum. No currículo do curso de Pedagogia e dos cursos de Licenciatura. os planos de educação. a estrutura organizacional do sistema escolar. Organização do Trabalho Escolar. educacionais mais claras de um projeto político progressista.

De acordo com esse entendimento. os objetivos e práticas escolares não se limitam ao espaço escolar. também. nas relações entre o infra-escolar e o extra-escolar. visando a qualidade cognitiva e operativa da aprendizagem dos alunos. práticas formativas. procedimentos de avaliação. objetivos. dos fatores econômicos. o processo 13 de tomada de decisões. sociais e . Ainda que o conteúdo aqui apresentado recaia sobre a escola enquanto organização. isto é. às suas condições internas de funcionamento. relações humanas. o sistema de gestão. entre a micro e a macro-estrutura. estrutura e dinâmica organizacional.formas de gestão e de tomada de decisões. as formas de participação do professor nos processos de organização e gestão. a educação escolar será abordada sob estes enfoques: a organização da escola. Em razão disso. das condições externas. A elaboração deste livro teve a pretensão de oferecer o conteúdo básico dessas disciplinas que visam o estudo da escola. isto é. será sempre necessário abordar as situações e os problemas da organização escolar nos seus aspectos internos e externos. Tem-se como pressuposto a crença de que a escola é o centro de referência tanto das políticas e planos da educação escolar quanto dos processos de ensino e aprendizagem na sala de aula e de que de nada adiantarão boas políticos e planos de ação e eficazes estruturas organizacionais se não se der atenção aos aspectos internos da escola. Eles dependem. as relações da escola com a comunidade e a sociedade. as relações internas entre os integrantes da escola. isto é.

pedagogos. das suas relações de poder. comunidade próxima). com isso. Isso significa que cada situação escolar analisada. dos condicionantes impostos por valores morais e ideológicos. coordenadores. das políticos educacionais e diretrizes oficiais para o sistema escolar. aprender idéias. Para tanto. das várias culturas que atravessam a escola. cada atividade. da sua cultura. saberes. alunos. pais. assim. como objetivos de aprendizagem: Conhecimento da organização escolar. professores e 14 funcionários) e pelos seus usuários (alunos. deve ser tratado sob múltiplos aspectos. Essa forma de ver a dinâmica da vida da escola leva a considerar a organização escolar como uma instituição aberta. bem como as formas de gestão e as .políticos. Em termos práticos. pais. é necessária a qualificação teórica de seus integrantes de modo que todos estejam capacitados a fazer a análise da prática e. seu modo de funcionamento. experiências. cada ocorrência cotidiana. cuja estrutura e processos de organização e gestão são constantemente construídos pelos que nela trabalham (diretor. O estudo da organização e gestão da escola tem. na própria situação de trabalho. nenhum problema da organização escolar pode ser enfocado isoladamente. seus problemas. precisam ser analisadas na sua contextualização mais ampla. das expectativas e interesses sociais dos grupos e classes sociais. antes. procurando detectar suas características dominantes em cada momento. das condições materiais de vida e de trabalho dos professores.

Os capítulos foram pensados para familiarizar os estudantes nos conceitos básicos do processo organizacional das escolas e nos 15 conhecimentos teóricos e práticos que podem contribuir para a participação consciente e ativa na organização e gestão da escola.competências e procedimentos necessários para participação nas várias instâncias de decisão da instituição escolar. desenvolvendo saberes educacionais a partir de questões vividas na prática cotidiana. especialmente no desenvolvimento do projeto pedagógico-curricular. organização e gestão da escola. Desenvolvimento de saberes e competências para fazer análises de contextos de trabalho. Capacitação para participação no planejamento. com competência técnico-científica. sensibilidade ética e compromisso com a democratização das relações sociais na instituição escolar e fora dela. se atingidos. das funções e dos critérios de qualidade da instituição escolar e do papel imprescindível dos . dentro da idéia-mestra que tem orientado a pesquisa atual sobre o trabalho de professores: realizar o trabalho pedagógico de forma coletiva. interdisciplinar e investigativa. propiciarão aos futuros professores e aos professores em exercício ajuda para participarem eficazmente na organização e gestão da sua escola. identificar e solucionar problemas (previsíveis e imprevisíveis) e reinventar práticas frente a situações novas ou inesperadas. Os capítulos I a IV tratam dos objetivos. Esses objetivos. na sala de aula e na organização escolar.

foi incluída uma ampla bibliografia sobre os temas tratados. Os capítulos VIII ao XIII oferecem uma orientação prática. Lana de Souza Cavalcanti. Verbena M. Os capítulos V a VII abordam o sistema de organização e gestão da escola e o papel de seus atores. sempre no sentido de ajudar futuros pedagogos e professores a desenvolverem saberes e competências para participar das ações de organização e gestão da escola. José Carlos Libáneo Goiânia. Por fim. janeiro de 2001 C A P Í T U L O A ESCOLA COMO ORGANIZAÇÃO DE TRABALHO E LUGAR DE APRENDIZAGEM DO PROFESSOR CAPÍTULO . convidando os professores e alunos a saber mais sobre eles e a aprofundá-los.professores.19 Os estudos recentes sobre o sistema escolar e as políticas educacionais têm se centrado na escola como . Depois dos capítulos e anexos. Maria Augusta de Oliveira. Alguns colegas tiveram a generosidade de oferecer idéias ou sugestões de alterações de partes do texto e a eles deixo meu agradecimento: João Ferreira de Oliveira. operacional. Mirza Seabra Toschi. para o funcionamento das escolas. Selma Garrido Pimenta. nas Licenciaturas e nas próprias escolas. de Souza Lisita. Valter Soares Guimarães. o autor espera que este livro possa trazer uma contribuição eficaz para a formação inicial e continuada de professores nos cursos de Pedagogia. Sandramara Matias Chaves.

por outro. cada vez mais. Uma dessas estratégias diz respeito à descentralização do ensino. pelas estratégias de modernização e de busca de eficácia do sistema educativo. projeto pedagógico. de 20 formação para a cidadania e de desenvolvimento de conhecimentos e capacidades para enfrentamento das condições adversas de vida. por um lado. ela poderia ser culpabilizada pela discriminação e exclusão de alunos provenientes das camadas populares. Com base nesse entendimento. atribuindo às escolas maior poder de decisão e maior autonomia. os projetos de investigação pedagógica. as propostas curriculares. passou-se a valorizar o estudo da escola como ponto de confluência entre as análises sócio-políticas mais . Foram feitos vários estudos mostrando os mecanismos pelos quais as escolas produziam desigualdades nas aprendizagens escolares. Após esse período.unidade básica e espaço de realização dos objetivos e metas do sistema educativo. as leis e resoluções sobre o ensino. já por volta dos anos 80. avaliação institucional. a termos como autonomia. ela poderia ser um meio indispensável de elevação do nível cultural. O realce da escola como objeto de estudo não se explica apenas pela sua importância cultural mas. É por essa razão que as reformas educativas de vários países. também. a escola voltou a ter sua importância social reconhecida. gestão centrada na escola. O pedagogo português Antônio Nóvoa conta que nos anos de 1960-70 as pesquisas em educação se destacaram pela constatação da relação entre o funcionamento dos sistemas escolares e as desigualdades sociais. recorrem hoje. Se.

Ou seja. organizar e avaliar os serviços educacionais. como espaço de formação. 1995). Nessa segunda perspectiva.como um lugar onde também se tomam importantes decisões educativas. embora não de forma igual. com isso.globais e as abordagens centradas na sala de aula. Há pelo menos duas maneiras de ver a gestão centrada na escola. deixando às comunidades e às escolas a iniciativa de planejar. . É assim que as escolas. de suas interações (autonomia e participação) em função do interesse público dos serviços educacionais prestados sem. pensa-se hoje que uma visão globalizada que não chega à escola ou uma visão de sala de aula sem referência à estrutura social mais ampla resultam de análises incompletas e parcializadas. O estilo de gestão expressa o tipo de objetivos e de relações humanas que vigoram na instituição. enquanto organizações educativas. a escola é vista como um ambiente educativo. ganham dimensão própria . de seus interesses. construído pelos seus componentes. Há muitos exemplos de que a organização da escola funciona como prática educativa. desobrigar o Estado de suas responsabilidades. curriculares e pedagógicas (Cf. colocar a escola como centro das políticas significa liberar boa parte das responsabilidades do Estado. Na perspectiva sócio-crítica significa valorizar as ações concretas dos profissionais na escola. dentro da lógica do mercado. um lugar em que os profissionais podem decidir sobre seu trabalho e aprender mais sobre sua profissão. Conforme o ideário neoliberal. Nóvoa. decorrentes de sua iniciativa. Todas as pessoas que trabalham na escola participam de tarefas educativas.

as relações humanas que vigoram nela. que as características organizacionais das escolas . a cultura que se desenvolve no cotidiano entre professores. grosseiro ou delicado. as decisões dos professores em suas reuniões. os valores e atitudes que os professores expressam como grupo. o grau de responsabilidade dos seus profissionais. a solidão e a falta de comunicação ou pode estimular o trabalho coletivo. A escola pode ser organizada para funcionar "cada um por si". 21 A preparação e distribuição da merenda pelas merendeiras envolvem atitudes e modos de agir que podem influenciar a educação das crianças de forma positiva ou negativa. solidário. A percepção e as atitudes da direção e dos professores em relação aos alunos são importantes fatores de sucesso ou insucesso escolar dos alunos. alunos e funcionários. O funcionamento da escola como organização. tudo isso afeta o trabalho na sala de aula. compartilhado. seus modos de agir dependem. negociado.tais como o estilo de direção. em boa parte. As reuniões pedagógicas coordenadas pelo diretor ou pelo coordenador pedagógico podem ser um espaço de participação de professores e pedagogos ou de manifestação do poder pessoal do diretor ou coordenador. O comportamento dos alunos. suas atitudes. respeitoso ou desrespeitoso. Parece claro. a liderança organizacional compartilhada. portanto.O atendimento que a secretaria da escola dá às mães e aos pais pode ser atencioso ou mal-educado. daquilo que presenciam e vivenciam no dia-a-dia da escola. estimulando o isolamento. .

a estabilidade profissional. Ou seja. das crenças e valores elas . . Mas. que vão definindo uma cultura própria de cada escola. o nível de preparo profissional dos professores etc. a elaboração do projeto pedagógico e do currículo. a cultura organizacional influencia o pensar e o modo de agir das pessoas que trabalham na escola. e que tende a permanecer oculta. valores. o papel da subjetividade das pessoas. dos costumes já consolidados etc. da estrutura hierárquica e das várias instâncias e formas de exercício do poder. pelo que aparece mais diretamente à nossa observação (as formas de gestão. as relações sociais entre os integrantes da escola etc.são determinantes da sua eficácia e do aproveitamento escolar dos alunos.). a cultura organizacional e a sala de aula? A resposta é sim.a participação coletiva. dos modos como as pessoas pensam e agem. modos de convivência. no entanto. atitudes. também. dos regulamentos. das normas oficiais. Há. as reuniões. uma característica das organizações escolares sumamente relevante para as práticas de gestão: a cultura 22 organizacional ou cultura da escola. formas de agir e resolver problemas. Mas há. Há todo um mundo de significados. invisível. o currículo. as práticas e os comportamentos das pessoas na convivência diária de uma organização influem nas práticas e comportamentos dos professores nas salas de aula. Não se compreende o funcionamento da escola apenas pelo que vemos. A pergunta é: haverá uma relação entre a organização da escola. o que faz gerar a cultura organizacional? É claro que há nela um papel acentuado do sistema de ensino.

vão formando ao longo de suas vidas. ou seja. para além das prescrições administrativas e das rotinas burocráticas. Portanto. É importante compreender que por detrás do estilo e das práticas de organização e gestão. nas relações sociais. está uma cultura organizacional. a definem com base nos seus valores. as formas de organização e gestão têm uma dimensão fortemente pedagógica. por outro. 1994). no final de contas. na formação escolar. Ou seja. portanto. mudando junto com seus profissionais. A participação do professor na organização e gestão da escola . para compreendermos as mútuas interferências entre organização 23 da escola e organização da sala de aula. a organização educa os indivíduos que a compõem. dois aspectos: a dinâmica organizacional e a cultura da organização escolar. E se estamos convictos de que as organizações educam. há uma dimensão cultural que caracteriza cada escola. de modo que se pode dizer que os profissionais e usuários da escola aprendem com a organização e as próprias organizações aprendem. Por um lado. uma trama de relações implicadas na escola. procedimentos. é preciso considerarmos. à medida que são eles que a constituem e. usos e costumes. também as pessoas constróem uma cultura organizacional. conjuntamente. "Os indivíduos e os grupos mudam mudando o próprio contexto em que trabalham" (Amiguinho e Canário. práticas. Há. os próprios indivíduos educam a organização. na família.

mediante um processo ao mesmo tempo individual e coletivo. As qualificações referem-se à aquisição de saberes requeridos para o exercício de uma profissão e à confirmação legal 24 . Internalizar saberes e competências significa "saber encontrar e pôr em prática respostas apropriadas ao contexto na realização de atividades de um projeto".Pela participação na organização e gestão do trabalho escolar. nos estágios etc. os professores podem aprender várias coisas: tomar decisões coletivamente. na sua história pessoal como aluno. investir no seu desenvolvimento profissional. Colocar a escola como local de aprendizagem da profissão de professor significa entender que é na escola que o professor desenvolve os saberes e as competências do ensinar. no contexto de trabalho. assumir coletivamente a responsabilidade pela escola. dividir com os colegas as preocupações. formular o projeto pedagógico. É no exercício do trabalho que. o professor produz sua profissionalidade. principalmente. Mas. de fato. aprendem sua profissão. Falar de "competências" não é a mesma coisa que falar de "qualificações". Mas é imprescindível ter-se clareza hoje de que os professores aprendem muito compartilhando sua profissão. seus problemas. Esta é hoje a idéia-chave do conceito de formação continuada. desenvolver o espírito de solidariedade. É claro que os professores desenvolvem sua profissionalidade primeiro no curso de formação inicial.

através do estágio supervisionado mas ocorrerá. não haveria necessidade de um currículo teoricamente consistente e nem preparação em nível universitário. Essa é a razão pela qual as escolas se constituem em locais de aprendizagem dos professores e de desenvolvimento profissional. Se a formação de professores se restringisse ao domínio de técnicas formuladas por especialistas e à sua aplicação. Não se quer um professor-técnico cujo conhecimento se restrinja ao domínio das aplicações do conhecimento cientifico e a regras de atuação. A internalização de saberes e competências profissionais supõe conhecimentos científicos e uma valorização de elementos criativos voltados para a arte do ensino.dessa aquisição mediante diplomas. são formas de desempenho profissional em que a qualificação se torna eficiente e atualizada nas situações concretas de trabalho (Canário. A competência profissional é a qualificação em ação. pela ação e pela reflexão com seus pares no e sobre seu trabalho cotidiano. As competências referem-se a conhecimentos. A docência não estará reduzida a uma atividade meramente técnica. certificados etc. mas considerada uma prática intelectual e autônoma. com no exercício profissional. dentro de uma perspectiva crítico-reflexiva. ao saber fazer. no confronto de experiências. efetivamente. Essa contrastação entre a prática e os conhecimentos teóricos aparece já na formação inicial de professores. É na escola . no contexto do exercício profissional. habilidades e atitudes obtidas nas situações de trabalho. isto é. baseada na compreensão da prática e na transformação dessa prática. O sentido de saberes e competências profissionais não pode ser reduzido a habilidades e destrezas técnicas. 1997).

Para isso. aprendendo coletivamente novos saberes e competências assim como um modo de agir coletivo. suas competências pessoais e profissionais. O professor participa ativamente da organização do trabalho escolar formando com os demais colegas a equipe de trabalho. ele precisa conhecer bem os objetivos e o funcionamento de uma escola. o professor estará capacitado a tirar proveito das condições já existentes e aprimorá-las. O professor 25 é um ativo participante de uma comunidade profissional de aprendizagem atuando no seu funcionamento. Uma das funções profissionais básicas do professor é participar ativamente na gestão e organização da escola contribuindo nas decisões de cunho organizativo. administrativo e pedagógico didático. Dessa forma. Há uma concomitância entre o desenvolvimento profissional e o desenvolvimento organizacional. Por outro lado. administrativas e pedagógico-didáticas da escola. seu conhecimento da realidade. pelo conhecimento teórico e pela aquisição de competências operativas.que o professor coloca em prática suas convicções. na sua animação e no seu desenvolvimento. trabalhar em equipe e cooperar com os outros profissionais. Conhecendo as condições sociais. práticas. dominar e exercer competentemente sua profissão de professor. pode instrumentalizar-se para influir nas formas de . ou transformar ou criar outras pela sua iniciativa e iniciativa dos demais membros da escola. organizacionais. a estrutura e a dinâmica organizacional atuam na produção de suas práticas profissionais.

e em outras ações de formação continuada no trabalho. assim como formas de participação na utilização e controle dos recursos financeiros recebidos pela escola.organização e gestão na escola e em outras instâncias da sociedade das quais participa (por exemplo. planos de ensino. diálogo. O desenvolvimento pessoal e profissional do professor para participar da gestão da escola requer os seguintes saberes. Estrutura organizacional e normas regimentais e disciplinares. conselho de classe. encontros. planos de aula. científicas. Noções sobre financiamento da educação e controles contábeis. responsabilidade. Elaboração e desenvolvimento de projetos de investigação. 26 Habilidades de participação e intervenção em reuniões de professores. respeito mútuo. Princípios e práticas de avaliação institucional e avaliação da aprendizagem dos alunos. culturais. qualidade do equipamento físico das escolas e das condições materiais. solidariedade. Habilidades para obter informação em várias fontes. Enfrentando a mudança . Organização e distribuição do espaço físico. entre outros: Elaboração e execução do planejamento escolar: projeto pedagógico-curricular. inclusive nos meios de comunicação e informática. Atitudes necessárias à participação solidária e responsável na gestão da escola como cooperação. comunitárias). organizações sindicais.

Internet). educacional. mudam os costumes. concepção de avaliação etc). O ensino tem sido afetado por uma série de fatores: mudanças nos currículos. As escolas precisam organizar-se para promover a mudança na compreensão. Precisamos. Isso leva a mudanças na organização escolar e na identidade profissional de professor. que ela não é uma ameaça mas uma oportunidade de desenvolvimento pessoal e profissional. político. Uma das formas mais eficazes de aprender a enfrentar as mudanças e ir construindo uma nova identidade profissional é o desenvolvimento de uma atitude críticoreflexiva. desvalorização da profissão docente. na organização das escolas (formas de gestão. elas sempre estão acontecendo ao nosso redor . cultural. atitudes. ter uma atitude positiva frente à mudança.nossa própria vida muda a cada dia. valores e práticas das pessoas. pois. passagem de um estado a outro. atitudes. habilidades.. em toda a nossa vida passamos por mudanças. Os educadores enfrentam hoje mudanças profundas nos campos econômico. computador. geográfico. nossos amigos. valores que definem a especificidade do trabalho de professor.O que é a mudança? Mudança significa transformação. introdução de novos recursos didáticos (televisão. alteração de uma situação.. Na verdade. isto é. reconhecendo que ela faz parte da nossa vida e das instituições. mudam nossos filhos. vídeo. o desenvolvimento da capacidade . que é o conjunto de conhecimentos. ciclos de escolarização. muda 27 a sociedade.

a partir do estudo teórico das disciplinas pedagógicas e da disciplina em que é especialista. suas percepções. seus valores ou só modificam suas opiniões e valores após terem sido bem sucedidos numa técnica ou procedimento? A questão não é inútil. E. pensar que é somente na prática que as pessoas aprendem. não é verdade que a prática se basta por si mesma. também. Sem teoria. sem desenvolvimento sistemático de processos de pensamento. Mas é muito comum. sem 28 competência cognitiva.reflexiva com base na própria prática. De fato. sem o desenvolvimento de habilidades profissionais. Mas. Em muitos cursos de formação de professores vigora a idéia de que uma boa teoria garantirá por si só a prática. não é verdade que basta uma boa teoria para que um profissional tenha êxito na prática. se a reflexão ou a ação. tanto é que as duas idéias têm adeptos. É freqüente a discussão sobre o que vem primeiro. o professor permanecerá atrelado ao seu cotidiano. também. mais importante que isso. de modo a associar o próprio fazer e o processo do pensar. Nem toda prática pode ser justificada como adequada. encerrado em seu pequeno mundo . Os professores modificam suas práticas profissionais porque mudam suas opiniões. assim como não é possível qualquer reflexão sobre a prática se não há da parte do professor um domínio sólido dos saberes profissionais. sem necessidade de teoria. não haverá muito avanço na competência profissional do professor se ele apenas pensar na sua prática corrente sem recorrer a um modo de pensar obtido sistematicamente. incluída aí uma boa cultura geral.

Pensamos que. Podemos refletir sobre nossa ação. de modo que o professor vá se transformando em um profissional crítico-reflexivo. isto é. recomenda "valorizar os processos de reflexão na ação e de reflexão sobre a reflexão na ação. uma formação profissional . a aquisição de uma sólida formação científica. para enfrentar as mudanças.pessoal e profissional. apenas aos pesquisadores e docentes das universidades. Escreve ainda Pimenta: A formação de professores na tendência reflexiva se configura como uma política de valorização do desenvolvimento pessoal-profissional dos professores e das instituições escolares.tanto a inicial como a continuada . Para isso. Ao mesmo tempo. O trabalho de professor implica compreender criticamente o funcionamento da realidade e associar essa compreensão com o seu papel de educador. como processos de construção da identidade dos professores" (1997). A pesquisadora Selma Pimenta tem ressaltado em seus escritos que o trabalho de professor é um trabalho intelectual e não um trabalho de técnico executor. porque elas estão sempre entrelaçadas. a ação e a reflexão atuam simultaneamente. Propõe-se. de modo a aplicar sua visão crítica ao trabalho concreto nos contextos específicos em que ele acontece. uma vez que supõe condições . a capacidade de abstração.baseada na articulação entre a prática e a reflexão sobre a prática. Seria uma má estratégia de formação de quadros docentes reservar a capacidade de pensar de forma mais elaborada. podemos traduzir idéias em ações. assim. um profissional que domina uma prática refletida. transformando nossa ação em pensamento. A busca da profissionalidade docente não pode transformar-se em mais uma forma de exclusão do professorado.

Em especial. um espaço de formação contínua onde os professores refletem. liderando a inovação e favorecendo a constante reflexão na prática e sobre a prática. ajudar os professores. criam novas práticas. nos locais de trabalho. propondo e gerindo o projeto pedagógico. depende de uma boa estrutura de coordenação pedagógica que faça funcionar uma escola de qualidade. Os dirigentes da escola precisam. a partir da reflexão sobre a prática.de trabalho propiciadoras da formação contínua dos professores. portanto. O pedagogo escolar deverá ser o agente articulador das ações pedagógico-didáticas e curriculares. articulando o trabalho de vários profissionais. Uma coisa é certa: as pessoas arrumam tempo para as coisas que compreendem. assegurando que a organização escolar vá se tornando um ambiente de aprendizagem. a examinar suas opiniões atuais e os valores que as sustentam. e em parceria com outras instituições de formação (1999). pensam. O desenvolvimento profissional e a conquista da identidade profissional dependem de uma união entre os . que valoram e nas quais acreditam. como sujeitos pensantes e não como meros executores de decisões burocráticas. então. em redes de autoformação. analisam. a construção da identidade profissional de professor depende em boa parte das formas de organização do trabalho escolar. a colaborar na modificação dessas opiniões e valores tendo como referência as necessidades dos alunos e da sociedade e os processos de ensino e aprendizagem. 29 Nas escolas.

decorrem da conjugação de um conjunto de acontecimentos e processos que acabam por caracterizar novas realidades sociais. repercutindo na qualificação profissional e. por conseqüência.pedagogos especialistas e os professores. discussão que é de natureza organizacional. o processo de ensino e aprendizagem. nos sistemas de ensino e nas escolas. a reestruturação do sistema de produção e as mudanças no mundo do conhecimento. ter-se-á uma organização preocupada com a formação continuada. que ocorrem em escala mundial. De fato. articulando num todo o projeto pedagógico. culturais. a avaliação. na engenharia genética. Essas transformações. 30 – CAPÍTULO II UMA ESCOLA PARA NOVOS TEMPOS 33 As instituições escolares vêm sendo pressionadas a repensar seu papel diante das transformações que caracterizam o acelerado processo de integração e reestruturação capitalista mundial. geográficas. com a discussão conjunta dos problemas da escola. na automação industrial. nas telecomunicações. políticas. os avanços científicos e tecnológicos. na biotecnologia. na informática. o novo paradigma econômico. mas principalmente pedagógica e didática. afetam a organização do trabalho e o perfil dos trabalhadores. econômicas. Fazendo assim. Entre os aspectos mais visíveis desse fenômeno destacamse os seguintes: Notáveis avanços tecnológicos na micro-eletrônica. assumindo juntos a gestão do cotidiano da escola. o sistema de gestão. .

34 Difusão maciça da informação. Mudanças nos paradigmas da ciência e do conhecimento. influindo na pesquisa. As mudanças na economia: novo paradigma produtivo Estão em curso mudanças na economia expressas em novas formas de produção baseadas nas novas tecnologias e no capitalismo financeiro. Globalização da sociedade. na produção de conhecimentos. prevalecendo o modelo neoliberal de diminuição do papel do Estado e fortalecimento das leis do mercado. Agravamento da exclusão social. nos processos de ensino e aprendizagem. Alterações nas concepções de Estado e das suas funções. afetando a produção. Dentre esses aspectos. nas formas de organização dos trabalhadores. caracterizando uma revolução tecnológica sem precedentes. serão destacados alguns que tocam mais de perto a escola e o trabalho dos professores. circulação e consumo da cultura. Mudanças nos processos de produção.entre outros setores. reestruturação do sistema de produção e do desenvolvimento econômico. internacionalização do capital e dos mercados. na organização do trabalho. aumento da distância social e econômica entre incluídos e excluídos dos novos processos de produção e das novas formas de conhecimento. produção de novas tecnologias da comunicação e da informação. Trata-se de novas formas de funcionamento e reestruturação do capitalismo no quadro de um conjunto de transformações que vem sendo chamado de . nas qualificações profissionais.

ampliam-se as grandes fusões entre empresas transnacionais. dos índices de produtividade e competitividade.. tem trazido conseqüências bastante prejudiciais às políticas sociais dos países e o empobrecimento da população. vai ser a ampliação das diferenças entre ricos e pobres. na crença de que assim ganham mais eficiência. Para atingir esse objetivo. Nesse modelo. priorizar o mercado doméstico. ligado à Companhia Siderúrgica Nacional e Companhia Vale do Rio Doce. é outra coisa bem diferente. conhecido por neoliberalismo. Globais. mais rentabilidade. (. rompem-se as fronteiras comerciais. O empresário Benjamim Steinbruch.. (. para que entreguemos o nosso mercado e eles fiquem com a produção . o Estado não deve intervir na 35 economia e mesmo as empresas atualmente mantidas pelo Estado são privatizadas. menos oportunidades de emprego para os necessitados. diminuir as desigualdades internas. amplia-se a circulação do capital financeiro..) Devemos. "globalizar" primeiro o Brasil.) Globalizar um país pelo discurso fácil da modernidade sem preocupações sociais e realismo político. Mais miséria para os menos desfavorecidos. escreveu: A herança da globalização. como tem sido reconhecido por alguns dos organismos internacionais e por empresários. pelos caminhos que hoje vemos. Tal modelo econômico. a produção e os empregos e ter um projeto de desenvolvimento nacional. visando a lucratividade. Internacionais devemos ser. mais qualidade.. O modelo econômico segue a lógica da subordinação da sociedade às leis do mercado. portanto. para o que se serve da eficiência. que não tem futuro.globalização.

1999).11. Com efeito. definitivamente. aumenta o número de pessoas ocupadas em trabalhos eventuais (também chamados de trabalho precarizado) ou desempregadas. em conseqüência. Segundo Faleiros (1999). Junto com isso. de modo que as pessoas precisam estar preparadas para mudar de profissão algumas vezes na sua vida. preparo técnico. na ótica neo liberal. cultura. Essas mudanças atingem o sistema educacional. as pessoas são estimuladas a se preparar para competir. não (Folha de S. tais modificações afetam a organização do trabalho nas empresas e o perfil de trabalhador necessário para novas formas 36 de produção e. por si mesmas. o usufruto ou a falta da educação básica (incluindo novas habilidades cognitivas e competências sociais) passa a ser . exigindolhe adequação aos interesses do mercado e formação de profissionais mais preparados para as modificações do processo de produção. formarão o segmento dos excluídos sociais. 23. sem a proteção social pública. Por outro lado. é fato que as novas realidades do mundo do trabalho requerem trabalhadores com mais conhecimento. Aqueles que não conseguirem competir. habilidades e atitudes necessários à qualificação profissional. os conhecimentos. as garantias sociais e os direitos devem ser desmantelados para que o indivíduo sobreviva com seus recursos. As incessantes modificações tecnológicas afetam os postos de trabalho e as competências profissionais. no mercado de trabalho e a gerar seus meios de vida. No aspecto individual. Sendo assim.e o emprego.Paulo.

determinante da condição de inclusão ou exclusão social.4 por cento no setor secundário ou industrial e 15.que aparece na comunicação instantânea pela TV. na automação industrial. sociedade do conhecimento. estamos vivendo presentemente a passagem da sociedade industrial para a sociedade informacional.6 por cento no setor primário ou agrícola. 22. sociedade da informação. Esse crescimento leva os especialistas a antever para breve a institucionalização de um novo setor da economia. porque o mercado de trabalho não aceita mais mão-de-obra não qualificada. o setor quaternário ou informacional. a distribuição da força de trabalho apresentava os seguintes índices: 62 por cento no setor terciário ou de serviços.atinge a poucos. nas redes de informação. Conforme o sociólogo francês Alain Tourraine (1995). em 1997. especialmente a informação. A revolução informacional Este momento da história tem recebido várias denominações: sociedade pós-moderna. Se na sociedade industrial predominou a produção de objetos materiais. sociedade tecnológica. nas várias mídias . 37 A revolução tecnológica . No setor terciário incluem-se os serviços informacionais. Dados da Organização Pari-Americana de Saúde e Organização Internacional do Trabalho informavam que. sociedade pósindustrial. nos computadores. na sociedade informacional o que se destaca é a produção e difusão de bens culturais. no telefone móvel. deixando a maioria da população à margem da economia. O mesmo se pode dizer .

com baixíssima capacidade crítica frente à avalanche informativa vinda especialmente pela televisão.. em parte. mas têm em relação a elas uma atitude eminentemente passiva. mas o que acontecerá aos excluídos da rede. isso seja verdade. metade da população mundial? Pode-se afirmar que a tecnologia da informação. computadores. um papel insubstituível da educação e das escolas de prover as condições intelectuais de avaliação crítica das condições de produção e da difusão do saber científico e da informação. Há. mas ela vem exercendo um domínio cada vez mais forte sobre as pessoas. sem a mínima capacidade de leitura crítica da informação recebida. portanto. chamadas de comércio eletrônico ou virtual. adultos e adolescentes utilizam as mídias. os sem-Internet? Uma das novidades mais excitantes na economia internacional são as transações comerciais via rede Internet. amplia a distância entre os que estão no cume da montanha e os que não saem do sopé. Mas estará ela atingindo os 3 bilhões de pessoas no mundo que vivem com menos de 2 dólares por dia. apesar de provocar mudanças nos modos de vida e nas percepções das pessoas. cada vez mais escravizadas por ela. Internet etc. Talvez.em relação à divisão entre países desenvolvidos e os em desenvolvimento. com baixa escolarização. A tecnologia da informação promove um fenômeno sumamente segregador para a população de baixa renda. A informação é necessária. por si só ela . Informação não é sinônimo de conhecimento. Na classe média. Muitos entusiastas da Internet (redes de informação conectadas internacionalmente) falam de uma democratização do acesso às informações. Número grande de trabalhadores apenas vê televisão e só recebe imagens pré-fabricadas.

mas ela precisa ser analisada e interpretada pelo conhecimento. determina a qualidade da participação popular nos processos decisórios existentes na sociedade civil. para os valores e direitos humanos. é um instrumento de aquisição de 38 conhecimento. para a diversidade cultural. A despolitização da sociedade No campo político. Isso significa. novas formas de organização que mostram novos caminhos de controle público sobre o Estado. uma vez que se faz necessário educar para a participação social.não propicia o saber. A informação é um caminho de acesso ao conhecimento. A crise ética . aumento do individualismo. Esses fatos lançam novas perspectivas sobre o sentido da formação da cidadania. Tais características levam a novas formas de fazer política. que menor ou maior acesso à educação escolar e a outros bens culturais. ressalta-se a diminuição da crença da ação pública na solução dos problemas. que possibilita a filtragem e a crítica da informação. de modo que ela não exerça o domínio sobre a consciência e a ação das pessoas. para o reconhecimento das diferenças entre os vários grupos sociais. da insensibilidade social. também. destacando novos movimentos sociais. descrença nas formas convencionais de representação política.

3 bilhões. De acordo com informações recentes de entidades financeiras internacionais. 50 por cento. ou seja. ao lado do conhecimento científico e da preparação para o mundo tecnológico e comunicacional é necessária a difusão de saberes socialmente úteis. novas formas de conhecimento e ação mas provocam. grupos sociais. o desenvolvimento e a defesa do meio ambiente. etnias. a luta contra a violência. predominando um relativismo moral baseado no interesse pessoal. foi divulgado que dos 6 bilhões de pessoas do mundo. a justiça. Referindo-se à crise deste final de século. sem referência a valores humanos como a dignidade. o mundo contemporâneo convive com uma crise de valores.No campo da ética. na vantagem. os direitos humanos. no Fórum Econômico Mundial realizado na Suíça. a solidariedade. Em janeiro de 2000. A exclusão social As transformações em curso impulsionam avanços científicos e tecnológicos. entre outros. o aumento da distância social e econômica entre incluídos e excluídos desse processo. também. É preciso a colaboração da escola para a revitalização da formação ética. no sentido do reconhecimento das diferenças e das identidades culturais. atingindo tanto as ações cotidianas quanto as formas de relações entre povos. vivem na pobreza. na eficácia. o respeito à vida. a democracia. o racismo e a segregação social. vem aumentando significativamente a distância entre ricos e pobres. ganhando até 2 dólares por dia. novos processos de produção. Além disso. o professor Gaudêncio Frigotto identifica várias características da .

A luta contra a exclusão social e por uma sociedade justa. Propõe-se. A escola contemporânea precisa voltar-se para as novas realidades. No plano sócio-econômico. considerando-se esta como sacrifício inevitável no processo de modernização e globalização da sociedade. outras mediações. na preparação para uma sociedade técnica/científica/informacional. uma sociedade que inclua todos. para essa escola. a ideologia neoliberal prega o individualismo e a naturalização da exclusão social. ligar-se ao mundo econômico. em mercadoria. um currículo centrado na formação geral e continuada de sujeitos pensantes e críticos. na formação para a cidadania crítica-participativa e na formação ética. outras culturas. emprego. Esses aspectos mostram como a escola não pode mais ser considerada isoladamente de outros contextos. a educação deixa de ser um direito e transforma-se em serviço. cultural. No plano cultural e ético-político. educação. saúde. No plano educacional. o ajustamento de nossas sociedades à globalização significa a exclusão de dois terços da humanidade dos direitos básicos de sobrevivência.realidade contemporânea como estratégias de recomposição do capitalismo. político. 40 mas precisa ser um baluarte contra a exclusão social. passa pela escola e pelo trabalho dos professores. A escola necessária para os novos tempos . ao mesmo tempo que se acentua o dualismo educacional: diferentes qualidades de educação para ricos e pobres (1996).

Ela cumpre funções que não são providas por nenhuma outra instância: formação geral básica . de meios informacionais. Mesmo considerando a imensa oferta de meios de comunicação social extra-escola. desenvolvimento de capacidades cognitivas e operativas. a escola precisa ser repensada. pedagógica. de organização dos espaços e equipamentos públicos. uma escola contra a exclusão econômica. Por outro lado. nas empresas. nas academias de ginástica. porque ela não detém o monopólio do saber. cultural. a educação acontece nos meios de comunicação. pela estética. pela técnica. Por isso. aquela cultura provida pela ciência. Há hoje um reconhecimento de que a educação acontece em muitos lugares. uma escola de qualidade é aquela que inclui. nos sindicatos. ainda assim há lugar para a escola na sociedade tecnológica e da informação. política. escrever.A escola necessária para fazer frente a essas realidades é a que provê formação cultural e científica. a transmitir 41 . As próprias cidades vão se transformando em agências educativas pelas iniciativas de participação da população na gestão de programas culturais. estética e ética. 1994). através de várias agências. na vida urbana. gradativamente. pela ética. pela linguagem.capacidade de ler. nos clubes. que possibilita o contato dos alunos com a cultura. Especialmente. A escola de hoje não pode limitar-se a passar informação sobre as matérias. Além da família. formação científica. a escola vai se convertendo num "espaço de síntese" (Colom Cañellas.

O valor da aprendizagem escolar.. das formas de educação proporcionada pela cidade. a escola precisa articular sua capacidade de receber e . das habilidades de pensamento. mas também para a criação da informação. os instrumentos conceituais para analisarem essa informação criticamente e darem-lhe um significado pessoal e social. Os alunos vão aprendendo a buscar a informação (na TV. O professor tem aí seu lugar.o conhecimento do livro didático. na rua. das multimídias e formas diversas de intervenção educativa urbana. é necessário que proporcione não só o domínio de linguagens para a busca da informação. com o papel insubstituível de provimento das condições cognitivas e afetivas que ajudarão o aluno a atribuir significados às mensagens e informações recebidas das mídias. A escola fará. no trabalho etc. Ou seja.) mas. nos meios de comunicação. torna-se possível analisar e criticar a informação. da vida cotidiano. a síntese entre a cultura formal (dos conhecimentos sistematizados) e a cultura experienciada. Por isso. no jornal. no computador etc. também. através do conhecimento e das habilidades cognitivas. nas praças. assim. está justamente na sua capacidade de introduzir os alunos nos significados da cultura e da ciência por meio de mediações cognitivas e interacionais. no rádio. dos meios de comunicação. Na escola. Nela. Ela é uma síntese entre a cultura experienciada que acontece na cidade. nos pontos de encontro. no livro didático. nos vídeos. e a cultura formal que é o domínio dos conhecimentos. pela comunidade. com a ajuda pedagógica do professor. na família. os alunos aprendem a atribuir significados às mensagens e informações recebidas de fora.

Em relação ao primeiro objetivo. 1998). Em resumo. atitudes. 4. 2. dilemas e situações da realidade. Desenvolvimento da criatividade. com a de produzi-Ia. a partir do aluno como sujeito do seu próprio conhecimento. ou seja. por meio dos conteúdos escolares. Os objetivos Para essa escola concebida como espaço de síntese. isto é. Trata-se de investir numa combinação bem sucedida da assimilação consciente e ativa dos conteúdos com o desenvolvimento de capacidades cognitivas e afetivas pelos alunos. Formação ética (Libáneo. visando o desenvolvimento do pensar. valores. a escola de . de modo que aprenda a utilizar seu potencial de pensamento na construção e reconstrução de conceitos. Formação para a cidadania crítica. são propostos cinco objetivos: 42 1. da imaginação. pensamento crítico). habilidades do pensar. 5. a internalização de instrumentos conceituais para lidar com os problemas. no exercício de seu papel na construção da democracia social e política. um cidadão trabalhador capaz de interferir criticamente na realidade para transformá-la e não apenas formar para integrar o mercado de trabalho. o que está em questão é uma formação que ajude o aluno a transformar-se num sujeito pensante. Desenvolvimento de capacidades cognitivas e operativas dos alunos (processos mentais. da sensibilidade.interpretar informação. 3. habilidades. Preparação para o processo produtivo e para o mundo tecnológico e comunicacional. estratégias de aprendizagem.

ou seja. junto com o desenvolvimento de capacidades e habilidades de pensamento. desenvolver flexibilidade mental para lidar com situações novas ou inesperadas. compreender o mundo cultural dos alunos e ajudá-los a se construírem como sujeitos. para se engajarem na luta pela . A preparação tecnológica inclui o desenvolvimento de saberes e competências exigidas pelo novo processo produtivo como: compreender a totalidade do processo de produção. desenvolver capacidade de tomar decisões e de fazer análises globalizantes. respeitar as individualidades. 43 O terceiro objetivo propõe que a escola contemporânea atenda às demandas produtivas e de emprego. O quarto objetivo refere-se à educação do trabalhadorcidadão. pensar estrategicamente. sua autoconfiança. O segundo objetivo visa a assegurar a ligação entre os aspectos cognitivo.qualidade promove para todos o domínio dos conhecimentos. da ciência. da cultura. promova a inserção competente e crítica no mundo do trabalho. A escola deve continuar investindo na ajuda aos alunos para que se tornem críticos. a aumentar sua auto-estima. social e afetivo da formação. o respeito consigo mesmos. interpretar informações de todo tipo. A escola precisa torná-lo capaz de interferir criticamente na realidade para transformá-la e não apenas para integrar-se ao mercado de trabalho. O ensino implica lidar com os sentimentos. da arte. incluindo a preparação para o mundo tecnológico e comunicacional e para as complexas condições de exercício profissional no mercado de trabalho.

salário. A democratização da sociedade e a inserção dos alunos no mundo da produção supõem o . se os alunos continuam sendo reprovados. Se os alunos não aprenderam bem. envolvendo etnias. se continuam sendo reprovados ou mal escolarizados. aquisição de novas tecnologias etc. O quinto objetivo visa a propiciar conhecimentos. a participação e o diálogo como princípios educativos. incluindo a autonomia. Não adianta defender a gestão democrática das escolas. colocada como foco central do projeto pedagógico e da gestão escolar. emprego etc. saúde. às formas de exploração do trabalho humano que subsistem na sociedade. do meio ambiente. do consumo. Muitas escolas adotam formas de gestão participativa e incorporam nos conteúdos escolares as lutas dos movimentos sociais organizados pela moradia. educação.. minorias culturais. a escola não vem servindo para nada. envolve tanto os processos organizacionais internos da escola como a articulação com os movimentos e organizações da sociedade civil. Para o atendimento desses objetivos. põe-se a exigência de que os sistemas de ensino e as escolas prestem mais atenção à 44 qualidade cognitiva das aprendizagens. das relações humanas.justiça social e pela solidariedade humana. A preparação para o exercício da cidadania. também. mudanças curriculares e organizacionais. dos direitos humanos. eleições para diretor. gênero. procedimentos e situações para se pensar sobre valores e critérios de decisão e ação frente ao mundo da política e da economia. da violência e segregação social e. tendo um baixíssimo rendimento escolar ou níveis insatisfatórios de aprendizagem.

dependem de ampliar. a conquista da cidadania. o número de pessoas que possam participar das decisões primordiais que dizem respeito aos seus interesses. cada vez mais. Frente a essas exigências. 45 Ampliando os objetivos da escola Uma das importantes funções da escola é interagir e articular-se com as práticas sociais. O fortalecimento das lutas sociais.ensino fundamental como necessidade imperativa para proporcionar às crianças e jovens os meios cognitivos e operacionais que atendam tanto as necessidades pessoais como as econômicas e sociais. a escola precisa oferecer serviços de qualidade e um produto de qualidade. a fim de que os alunos que passem por ela ganhem condições de exercício da liberdade política e intelectual. Embora continuem existindo os partidos tradicionais e vigorem ainda as formas de representação política típicas da democracia e . As tarefas de construção de uma democracia econômica e política pertencem a várias esferas de atuação da sociedade. Isso tudo não significa conceber a escola como a impulsionadora das transformações sociais. A escola tem o compromisso de reduzir a distância entre a ciência cada vez mais complexa e a formação cultural básica a ser provida pela escolarização. É esse o desafio que se põe à educação escolar no início do terceiro milênio. Mas a escola tem um papel insubstituível quando se trata de preparação cultural e científica das novas gerações para enfrentamento das exigências postas pela sociedade contemporânea. e a escola é apenas uma delas. Entre elas. destacam-se alguns movimentos sociais.

"relação do homem com a ciência"..o homem. de expressão de sentimentos. . a sociedade masculina difunde a idéia de que diferenças de sexo resultam em diferenças de gênero. diferenças sexuais (naturais) também levam a distribuição de papéis sociais entre mulheres e homens. pacifistas etc. como os movimentos feministas. "inteligência do homem e dos outros animais". os pais . Vamos destacar alguns desses movimentos. advogam a luta pelo respeito entre os gêneros e reconhecimento de suas diferenças. outras formas de ação política estão surgindo. (Henriques. Contra essa idéia. ecológicos. ou seja. em particular. entre homens e mulheres resultem de uma base natural."ela porta-se como homem". Educação para a igualdade entre os sexos Entre os ideais da escola pública destaca-se o da igualdade de oportunidades em geral e. Nesse sentido. o da igualdade de direitos entre homens e mulheres. de papéis sociais. por exemplo. uma prática educativa na organização escolar.. na comunidade.a representação sindical. Trata-se. Propõe-se também que as escolas e os professores não façam uso sexista da linguagem corrente. no currículo e na sala de aula implicam atitudes que recusem a idéia de que as diferenças de trabalho. de evitar usar termos masculinos como tendo abrangência universal . o cidadão. mostrando que os gêneros masculino e feminino são noções estabelecidas numa cultura e numa sociedade organizada por homens.ou de expressões que ocultam o lugar da mulher . o aluno. Segundo esses movimentos. Os movimentos de mulheres ressaltam a distinção entre sexo e gênero.1994).

dentro de uma noção de natureza biofísica intocável. critica todas as formas de depredação da natureza. Frente a formas destruidoras da natureza e que retiram da população meios de ganhar a vida defenderia a manutenção de formas de vida primitivas (como é o caso. os médicos dos hospitais. A corrente da gestão ambiental incentiva ações de movimentos sociais. mas boa parte dos problemas não depende dessas pessoas mas de interesses econômicos privados. nas moradias inadequadas. Além disso. . vivem prometendo segurança à população. de comunidades e de governos na luta pela despoluição das águas e do ar. dos animais. o que levaria ao turismo ecológico. principalmente pela indústria. Respirar o ar. os órgãos públicos. caminhadas ecológicas. Há diferentes entendimentos em relação à educação ambiental. dos seringueiros da Amazônia ou dos índios que resistem à exploração do seu território e à destruição de seu meio natural de vida). A corrente conservavionista defende a preservação das matas. As autoridades. tomar banho num rio ou numa praia. A corrente naturalista propõe uma forma de educação pelo contato com a natureza. a sobrevivência humana está ameaçada nas favelas. andar pelas ruas da cidade. são atividades que envolvem sistematicamente riscos.46 Educação ambiental A sociedade da informação é uma sociedade de constante risco devido à destruição da natureza e aos problemas humanos decorrentes da degradação ambiental. a vida ao ar livre (montanhismo. A corrente da economia ecológica. trilhas etc). que agrupa organismos internacionais. entrar num hospital como doente ou como visitante. nos cortiços. por exemplo.

devidamente 47 reciclado. às diferenças entre as pessoas. o ecossistema e o planeta como um todo. o conhecimento do universo. A educação ambiental contribui na formação humana: levando os alunos a refletirem sobre as questões do ambiente no sentido de que as relações do ser humano com a natureza e com as pessoas assegurem uma qualidade de vida no futuro. no tratamento dos resíduos etc. . se caracteriza por defender tecnologias alternativas no trato da terra. sem negar os avanços técnicos e o desenvolvimento ambiental. ensinando-os a promover o autoconhecimento. educando as crianças e jovens para proteger. Esta corrente se desdobra em duas vertentes muito diferentes entre si: (a) a vertente do "desenvolvimento sustentável" cujo modelo de desenvolvimento é o capitalista. (b) a vertente das "sociedades sustentáveis" que. Essas quatro correntes enfatizam diferentes concepções e formas de fazer educação ambiental e. introduzindo a ética da valorização e do respeito à diversidade das culturas. 1995). e várias organizações não-governamentais e associações ambientalistas. do ponto de vista pedagógico. questionam o modelo de progresso destruidor da natureza (Correntino.incluindo o Banco Mundial. a FAO. no uso da energia. conservar e preservar espécies. a UNESCO. diferente do atual modelo economicista de progresso. elas não se excluem. pois os seres humanos compõem o conceito de natureza. a integração com a natureza.

é preciso articular ações individuais com medidas mais gerais. lutar contra a poluição ambiental etc. exploradoras e depredadoras da natureza biofísica e da natureza humana. 48 empresa etc.). assumindo uma visão de vida baseada mais na relação com a natureza e as pessoas do que com os objetos. não jogar papel na rua. está assentada no princípio pedagógico mais amplo: o acolhimento da diversidade. da educação popular. das formas comunitárias de discutir e resolver problemas. o reconhecimento dos outros como sujeitos de sua . contra o modelo capitalista de economia que gera sociedades individualistas. Educação multicultural A idéia de educação multicultural. não mutilar a natureza. A educação ambiental não pode ser apenas uma tarefa da escola. ela envolve ações práticas que dizem respeito ao nosso comportamento nos vários ambientes (família. As pessoas precisam ser convencidas a se engajar em campanhas para a coleta seletiva do lixo.empenhando os alunos no fortalecimento da democracia. Ao mesmo tempo que se precisa conhecer mais a respeito da natureza e mudar nossa relação com ela. que se projeta num currículo multicultural. escola. levando a tomadas de posições sobre a conservação da biodiversidade. da cidadania. cidade. Um outro sentido da atitude ecológica é o de recusar um conceito de progresso baseado na capacidade de possuir mais objetos e bens de consumo. isto é.

significa reconhecer o pluralismo cultural. A presença da diversidade humana na sociedade resulta na multi-cultura. De fato. portadores de uma identidade cultural própria. a cultura dos jovens. às vezes com culturas e costumes diferentes. o urbano e o rural. a cultura de homens e mulheres. com base em uma atitude geral definida pela escola no sentido de um pluralismo cultural . no sentido de que toda cultura é plural. as crianças nas escolas convivem com pessoas diferentes. Assumir o objetivo da educação multicultural não significa reduzir o currículo aos interesses dos vários grupos culturais que freqüentam a escola. Com isso. Uma prática. professores e alunos convivem com uma pluralidade crescente de pessoas e grupos sociais. aceitar a presença de várias culturas e desenvolver hábitos mentais e atitude de abertura e diálogo com essas culturas (Gimeno. um comportamento multicultural. da falta de terra. uma visão aberta e plural em relação às culturas existentes na . brancos. da pobreza. 1995). negros. em boa parte devido à intensificação da migração decorrente do aumento das desigualdades. Acolher a diversidade é a primeira referência para a luta pelos direitos humanos. das minorias étnicas. diferentes etnias e diferentes linguagens.individualidade. Uma educação multicultural requer que as decisões da equipe escolar sobre objetivos escolares e organização curricular reflitam os 49 interesses e necessidades formativas dos diversos grupos sociais existentes na escola (a cultura popular.ou seja. Vem aumentando a interação entre pessoas de diferentes lugares. O que se propõe é que. dos alunos com necessidades especiais).

. as pessoas. Conforme escreve Gimeno: É o currículo comum para todos que a visão multicultural deve incorporar.seja formulada uma proposta curricular que incorpore essa visão multicultural. as revistas populares. povos etc.sociedade e na comunidade . de sentir. para interpretar a realidade e intervir nela. pensar apenas no currículo formal. as diferentes culturas. o respeito a todas as pessoas que trabalham na escola. a TV os vídeos. trata-se de uma mudança de mentalidade. o tipo de relações humanas que existe entre os profissionais e usuários da escola. de onde os alunos extraem sua forma de ver o mundo. todavia. ajudar 50 os alunos a fazerem as ligações entre a cultura elaborada e a sua cultura cotidiana. de transformação das formas de pensar. É preciso considerar. o rádio. Não basta. formas do pensar e de sentir. Fazem parte dessa cultura paralela o cinema. modos de agir. valores. que muitos autores chamam de cultura paralela ou currículo extra-escolar. de modo que adquiram instrumentos conceituais. que os alunos trazem para a escola e para as salas de aula um conjunto de significados. A educação multicultural perpassa a organização escolar. além disso. crenças. para que a integração de culturas se realize dentro de um sistema de escolarização única que favoreça a igualdade de oportunidades. A organização escolar e os professores precisam saber como articular essas culturas. as conversas entre adultos e entre amigos. resultante de aprendizagens informais. de comportar-se em relação aos outros. Ou seja.

a classificação das escolas em função desses resultados para estimular a competição entre elas. a qualidade total. Uma das palavras-chave é qualidade. dentro de uma gestão eficaz de meios. a descentralização 54 . Entre as medidas decorrentes dessa concepção organizacional destacam-se: a hipervalorização dos resultados da avaliação. os profissionais de cada escola precisam estabelecer um consenso mínimo sobre o padrão de qualidade que orientará seu trabalho. excelente). Qualidade da escola refere-se tanto a atributos ou características da sua organização e funcionamento quanto ao grau de excelência baseado numa escala valorativa (a qualidade desta escola é ruim. a qualidade total tem como objetivo o treinamento de pessoas para serem competentes no que fazem. medíocre. Embora haja uma grande diversidade de opiniões entre os educadores. administradores e pais sobre critérios de qualidade das escolas. Quais seriam os critérios que definiriam uma qualidade social da escola? Tem se difundido bastante a noção de qualidade retirada da concepção neoliberal da economia. Aplicada ao sistema escolar e às escolas.CAPÍTULO III – Buscando a Qualidade Social do Ensino 53 No mundo todo estão sendo implantadas reformas educacionais para adequar o sistema de ensino às mudanças na economia e na sociedade. visando a atender a imperativos econômicos e técnicos. boa. com mecanismos de controle e avaliação dos resultados.

as parcerias com a iniciativa privada. à constituição da cidadania. deixando a condição de objeto ou de massa de manobra". pragmática. Dessa forma. um atributo humano. buscar qualidade em qualquer instituição significa trabalhar com seres humanos para ajudálos a se construírem como sujeitos. capacidade participativa. Educação de qualidade é aquela que promove para todos o domínio de conhecimentos e o desenvolvimento de capacidades cognitivas. e o que representa melhor a marca humana é o desenvolvimento humano. empresarial. significa a inter. A qualidade é. com alto grau de inclusividade. Competência histórica significa capacidade de agir. Em outras palavras. portanto. genuinamente. a educação é o melhor caminho para desenvolver a competência histórica de fazer-se sujeito. o repasse das funções do Estado para a comunidade (pais) e para as empresas. tendo em vista a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Em sintese. O sociólogo Pedro Demo analisa o conceito de qualidade e chega a algumas conclusões. . A esse conceito opõe-se o de qualidade social. "qualidade essencial seria aquela que expressa a competência histórica de fazer-se sujeito.administrativa e do repasse de recursos conforme o desempenho das escolas na avaliação externa. Em resumo. de intervir na realidade. a qualidade total decorre de uma concepção economicista. operativas e sociais. operativas e sociais necessários ao atendimento de necessidades individuais e sociais dos alunos.relação entre qualidade formal e política. escola com qualidade social. é aquela baseada no conhecimento e na ampliação de capacidades cognitivas. à inserção no mundo do trabalho. Nesse sentido.

valores). Uma educação escolar de qualidade social tem as seguintes características: Assegura sólida formação de base que propicia o desenvolvimento de habilidades cognitivas. a preparação para o mundo tecnológico e comunicacional. iniciativa. O ser humano precisa manejar conhecimento. capacidade de liderança e tomada de decisões. "Espera-se. . operativas e sociais. pela estética. no campo educativo. procedimentos.Demo distingue. a qualidade formal e a qualidade política. ou seja. A qualidade formal refere-se ao nível ótimo a que podem chegar os meios. que a criança aprenda de fato 55 na escola. instrumentos e procedimentos. possibilitando aos alunos a preparação para a participação nas organizações e movimentos populares. o domínio dos conteúdos escolares (conceitos. cria situações para a educação da responsabilidade. integrando a cultura provida pela ciência. 1998). A qualidade política diz respeito aos fins e valores sociais do conhecimento. ao objetivo ético de intervir na realidade visando o bem comum (Demo. isto é. pela linguagem. de modo a contribuir para o fortalecimento da sociedade civil e controle da gestão pública. Desenvolve processos de formação para a cidadania. incorporando novas práticas de gestão. construa formação básica capaz de saber pensar para melhor intervir". participação. por isso. pela técnica. principalmente o conhecimento. pela ética. Para isso.

). conforme ideais humanistas. física. nesse caso. todas as crianças têm direito ao sucesso escolar. convicções. Dispõe de condições físicas. atitudes. condições de trabalho. Promove a integração entre a cultura escolar e outras culturas. Por um lado. é possível estabelecer para uma determinada população parâmetros de desempenho nas várias dimensões da educação (cognitiva. materiais e financeiras de funcionamento. a qualidade para todos. . Cuida da formação de qualidades morais. moral etc. no sentido de usufruir plenamente do direito de escolarização. no rumo de uma educação multicultural e comunitária. ficam por resolver os direitos de alunos portadores de dificuldades escolares gerais ou específicas e portadores de outras necessidades que põem em questão a validade de parâmetros universais de desempenho. em condições iguais de oferta dos meios de escolarização. Por outro lado. traços de caráter.Assegura a elevação do nível escolar para todas as crianças e jovens sem exceção. remuneração digna e formação continuada dos professores. 56 Incorpora no cotidiano escolar as novas tecnologias da comunicação e informação Como buscar a qualidade social? Quais estratégias e procedimentos possibilitam promover a qualidade social das escolas e do sistema escolar? Não é nada fácil estabelecer como critério de qualidade a igualdade quanto ao atendimento escolar.

se os alunos . Também não é suficiente. Portanto. por mais que os resultados sejam um bom indicativo da qualidade dos processos e das condições da oferta dos serviços. ética. apenas a aferição do desempenho intelectual dos alunos através de provas e exames. é insuficiente julgar a qualidade da escola apenas pelo nível de seus produtos.todos são fatores imprescindíveis para promover a qualidade. a modificação dos currículos. etc. a avaliação dos resultados por provas ou exames nacionais. É necessário alertar que a reorganização das escolas. Do mesmo modo. não como fins. as mudanças nas práticas de gestão. é a qualidade cognitiva das experiências de aprendizagem dos alunos. a aquisição de novos equipamentos. por si só. estética. no âmbito das escolas. de pouca valia terão a gestão democrática. a participação da comunidade. Em suma. porque os resultados da aprendizagem dizem respeito não só à dimensão cognitiva mas. O que as escolas precisam buscar. mas eles 57 devem ser considerados como meios. de fato. às dimensões afetiva. também. física. não resolvem os problemas do ensino e do baixo rendimento escolar dos alunos. mesmo que se baseiem na democratização nos processos organizativos e decisórios. as eleições para diretor. se os objetivos de aprendizagem não forem conseguidos. os modernos equipamentos .As considerações anteriores mostram que a busca da educação escolar de qualidade depende da conjugação de vários objetivos e estratégias. os processos de organização e gestão das escolas.

como aprendem e em que grau são capazes de pensar e atuar com o que aprendem. diz respeito à qualidade cognitiva dos processos de aprendizagem numa escola que inclua todos. se não desenvolvem seu potencial cognitivo. o professor e avaliação. elas existem para que os alunos aprendam. a organização e a gestão. Daí o investimento necessário no aperfeiçoamento do currículo e das práticas metodológicas nas escolas. os resultados juntamente com os elementos e processos que os determinam. Considerando. Atualmente existem distintas posições sobre . Com isso. na efetividade desses conteúdos para a vida 58 cultural e prática. portanto. o centro de referência dos critérios e estratégias de qualidade é o que os estudantes aprendem.continuam tendo baixo rendimento escolar. Celestino da Silva Júnior escreve que as escolas não existem para serem administradas ou inspecionadas. a escola se organiza para que ela readquira em plenitude sua função original de ensinar (Silva Júnior. Atender às necessidades dos alunos em consonância com as exigências sociais e educacionais contemporâneas significa prestar atenção nos conteúdos que estão sendo ensinados. Eixos da qualidade social: o currículo e os processos de ensino e aprendizagem Qualidade social do ensino.se. 1986). ganham importância as estratégias de realização da qualidade a saber: o currículo. pois. no modo como estão sendo ensinados. ou seja.

A ênfase está colocada nos interesses mais amplos do sistema político e não nos interesses regionais e locais. bastante criticado pela maioria dos educadores. A segunda posição. oposta à primeira. Também torna possível o agrupamento de várias escolas em torno de . Uma terceira posição é o modelo misto que confere importância ao mesmo tempo aos órgãos de coordenação central .formas de organização para o aperfeiçoamento do currículo. à liberdade e ao caráter participativo. O principal argumento a favor desse modelo é que ele pode assegurar o máximo de participação do professor e demais integrantes da escola e um mínimo de interferência dos órgãos superiores. Esse modelo busca. em que o currículo deveria ser planejado. A primeira é o modelo centralizado.visando.e à flexibilidade. metodologias e técnicas a serem seguidas. principalmente. sistema de avaliação controlador. em função de iniciativas e interesses locais. a refletir sobre as práticas curriculares e metodológicas. administrado e controlado por órgãos superiores do sistema educacional (Ministério da Educação. portanto. portanto. incentivar os professores de cada escola a melhorar o processo educativo. a fim de prestar serviços de melhor qualidade aos seus alunos. Nele são definidas metas a alcançar. Sustenta que o currículo é uma questão de cada escola e de cada professor em particular. Secretarias de Educação). a uma certa unidade do sistema escolar em função de objetivos democráticos da educação nacional . defende um modelo descentralizado de organização e aperfeiçoamento curricular. predominando. as decisões que se tomam em âmbito local.

que se sobreporia à competência político-executiva dos Estados e Municípios. realizam as atividades-fim na educação escolar tais como a aquisição do conhecimento e da cultura. portanto. No Brasil optou-se pelo terceiro modelo. o desenvolvimento da personalidade. pelas escolas. o planejamento pedagógico e curricular. a . pelos professores. As atividades-meio são as condições de realização desses objetivos.) Por sua natureza aberta. capacitação de professores. entre essas condições.projetos comuns de aperfeiçoamento curricular. Sua função é orientar e garantir a coerência dos investimentos no sistema educacional (. conforme se pode concluir das seguintes considerações inseridas na Introdução dos Parâmetros Curriculares Nacionais: 59 Os PCN constituem um referencial de qualidade para a educação no Ensino Fundamental em todo o País. a ser concretizada nas decisões regionais e locais sobre currículos e sobre programas de transformação da realidade educacional empreendidos pelas autoridades governamentais. um modelo curricular homogêneo e impositivo. incluindo-se.. a inserção no mundo do trabalho. ou seja. Em síntese. o currículo e os processos de ensino e aprendizagem correspondem aos objetivos da escolarização obrigatória.. à diversidade sociocultural das diferentes regiões do País e à autonomia de professores e equipes pedagógicas. Não configuram. a formação para a cidadania. O principal critério de aferição dos resultados obtidos em relação a esses objetivos é o grau em que se obtém a qualidade cognitiva e operativa das aprendizagens escolares. configuram uma proposta flexível.

Esse conjunto de requisitos profissionais que tornam alguém um professor. a obtenção de bons resultados escolares que evidenciem o trabalho da escola e dos professores. o desenvolvimento profissional dos professores. curriculares e organizativas da escola.organização e gestão da escola. portanto. tendo em vista os objetivos educacionais. é denominado profissionalidade. um trabalho escolar integrado e articulado. Ele faz o ordenamento de todas as atividades pedagógicas. com a participação coletiva na elaboração e desenvolvimento do projeto pedagógico e do currículo. a atuação competente dos professores nos conteúdos e na metodologia de 60 ensino. CAPÍTULO IV – O Professor e a Construção da sua Identidade Profissional 63 O professor é um profissional cuja atividade principal é o ensino. O projeto pedagógico-curricular é o instrumento de articulação entre fins e meios. Sua formação inicial visa a propiciar os conhecimentos. a crença na possibilidade de educar a todos como condição para a igualdade e inclusão social. a tecnologia. a cultura organizacional. A conquista da . implicando a relevância social desses conteúdos. as habilidades e as atitudes requeridas para levar adiante o processo de ensino e aprendizagem nas escolas.. uma professora. A garantia da qualidade social do ensino é.

profissionalidade supõe a profissionalização e o profissionalismo. Na prática. Um professor profissionalmente despreparado. Por outro lado. O profissionalismo requer profissionalização. As duas noções apresentadas se complementam. participação na construção coletiva do projeto pedagógico. assiduidade. A profissionalização refere-se às condições ideais que venham a garantir o exercício profissional de qualidade. Essas condições são: formação inicial e formação continuada nas quais o professor aprende e desenvolve as competências. 64 rigor no preparo e na condução das aulas. recebendo salários baixos. respeito à cultura de origem dos alunos. habilidades e atitudes profissionais. terá muito pouco êxito na sua atividade profissional se não tiver as . remuneração compatível com a natureza e as exigências da profissão. respeita os alunos. ambiente e clima de trabalho. é assíduo ao trabalho. dedicação ao trabalho. compromisso com um projeto político democrático. que ama sua profissão. O profissionalismo refere-se ao desempenho competente e compromissado dos deveres e responsabilidades que constituem a especificidade de ser professor e ao comportamento ético e político expresso nas atitudes relacionadas à prática profissional. terá dificuldades de atuar com profissionalismo. isso significa domínio da matéria e dos métodos de ensino. a profissionalização requer profissionalismo. um professor muito dedicado. condições de trabalho (recursos físicos e materiais. trabalhando em precárias condições. práticas de organização e gestão).

os governos têm sido incapazes de garantir a valorização salarial dos professores levando a uma degradação social e econômica da profissão e a um rebaixamento evidente da qualificação profissional dos professores em todo o país. suas convicções. alardeando que a educação é a prioridade. seus valores em relação à prática profissional.qualidades e competências tidas como ideais a um profissional. Um professor pode compensar uma fraca profissionalização estudando mais. formação profissional. carreira . É muito comum as autoridades governamentais fazerem autopromoção mediante discursos a favor da educação. a buscar melhor qualificação. Não se trata. salários. inclusive. Em outros termos.cujo provimento é. No entanto. os requisitos da profissionalização. mudar suas atitudes. certamente. interferindo na imagem da profissão. de lidar com essas duas noções de forma que a ausência de uma comprometa irremediavelmente a outra. Em boa parte isso se deve às condições precárias de profissionalização. Pode. recursos materiais e didáticos. investindo na sua formação continuada. responsabilidade dos governos. é a responsabilidade que a tarefa educativa traz consigo. O que justifica essa atuação comprometida é a natureza da profissão de professor. É verdade que a profissão de professor vem sendo muito desvalorizada tanto social quanto economicamente. ao mesmo tempo. isto é. na prática. o que pode levá-lo. em boa parte. lutando por melhores salários. ao mesmo tempo em que se fala da valorização da 65 . que os professores são importantes etc.

ele perde a identidade com a sua profissão. Por isso. mediante a educação ou formação continuada. a construção e o fortalecimento da identidade profissional precisam fazer parte do currículo e das práticas de formação inicial e continuada. são algumas conseqüências que podem resultar dessa perda de identidade profissional. a ressignificação de sua identidade .pode ser a garantia da recuperação do significado social da profissão. As condições de trabalho e a desvalorização social da profissão de professor. Se o professor perde o significado do trabalho tanto para si próprio como para a sociedade. para a cidadania. portanto. Isto acontece porque a identidade com a profissão diz respeito ao significado pessoal e social que a profissão tem para a pessoa. a baixa auto-estima. Apesar dos problemas. Paradoxalmente. a qualidade dos resultados de aprendizagem dos alunos é inseparável da qualificação e competência dos professores. de fato. Os cursos de formação inicial têm um papel muito importante na construção dos . a frustração. no entanto.que passa pela luta por melhores salários e pela elevação da qualidade da formação . O mal-estar. continuam vigorando salários baixos e um reduzido empenho na melhoria da qualidade da formação profissional dos professores. Nos últimos anos. para o consumo. os professores continuam sendo os principais agentes da formação dos alunos e.educação escolar para a competitividade. os estudiosos da formação de professores vêm insistindo na importância do desenvolvimento pessoal e profissional no contexto de trabalho. prejudicam a construção da identidade dos futuros professores com a profissão e de um quadro de referência teórico-prático que defina os conteúdos e as competências que caracterizam o ser professor.

Ela visa ao desenvolvimento pessoal e profissional mediante práticas de envolvimento dos professores na organização da escola. Nesses cursos são passadas propostas para serem executadas ou os conferencistas dizem o que os professores devem fazer.o professor prepara-se teoricamente nos temas pedagógicos e nos conteúdos para poder realizar a reflexão sobre sua prática. 66 A formação continuada é uma maneira diferente de ver a capacitação profissional de professores. O professor deixa de estar apenas cumprindo a rotina e executando tarefas. nas atividades de assistência pedagógico-didática junto com a coordenação pedagógica. sem tempo de refletir e avaliar o que faz. nas reuniões pedagógicas. atitudes e convicções dos futuros professores necessários à sua identificação com a profissão. Na nova concepção de formação . nos conselhos de classe etc.conhecimentos. O professor não é instigado a ganhar autonomia profissional. de grandes conferências para um grande número de pessoas. na organização e articulação do currículo. atua como intelectual critico . Ainda é muito comum nas Secretarias de Educação promover a capacitação dos professores através de cursos de treinamento ou de reciclagem. como participante qualificado na organização e gestão da escola . Mas é na formação continuada que essa identidade se consolida. como profissional reflexivo e pesquisador e elaborador de conhecimentos. uma vez que ela pode desenvolver-se no próprio trabalho.do professor como intelectual crítico. a investigar e construir teorias sobre seu trabalho. a refletir sobre sua prática.

principalmente para analisarmos as mudanças que ocorrem em nossa prática. Significa que o professor analisa sua prática à luz da teoria. torna-se investigador em sua aula analisando suas práticas. revendo as rotinas. discussão de pontos de vista. bem como para atribuirmos direções esperadas a essas mudanças (Christov. analise de problemas. Esse é o sentido mais ampliado que assume a formação continuada. . 1998) Isso não quer dizer que o professor não necessita da teoria. A realidade muda e o saber que construímos sobre 67 ela precisa ser revisto e ampliado sempre. desenvolve habilidades de participação grupal e de tomada de decisões seja na elaboração do projeto pedagógico e da proposta curricular seja nas várias atividades da escola como execução de ações. cria novas estratégias. isto é. experimenta novas formas de trabalho. inventa novos procedimentos. inventando novas soluções. fazendo com que sua prática vire conteúdo de reflexão.na contextualização sociocultural de suas aulas e na transformação social mais ampla. revê sua prática. ele vai ampliando a consciência sobre sua própria prática. A Educação Continuada se faz necessária pela própria natureza do saber e do fazer humanos como práticas que se transformam constantemente. Tematizando sua prática. avaliação de situações etc. um programa de educação continuada se faz necessário para atualizarmos nossos conhecimentos. O alargamento da consciência se dá pela reflexão que o professor realiza na ação. Dessa forma. do conhecimento científico. Em suas atividades cotidianas.

Para isso. uma reflexão que se eleve da situação imediata. interagem com seus colegas. inventar procedimentos.o professor toma decisões diante das situações concretas com as quais depara. é necessário mobilizar a reflexão sobre a reflexão na ação.. não basta o professor ter uma lista de métodos e técnicas a serem utilizados. 68 criam uma cultura organizacional. enriquecendo-se de conhecimentos e práticas e aprendendo a resolver problemas. É assim que o professor transforma-se num pesquisador. chegamos à necessidade do trabalho em equipe através do qual os professores formulam o projeto pedagógico. descobrir saídas. Neste ponto.. a caminho de construir sua autonomia profissional. mas construir estratégias. congressos seminários de estudo. Ou seja. Há muitas formas de realizar a formação continuada: cursos. incertas e muitas vezes desconhecidas. pensam juntos.) Mas a sua reflexão na ação precisa ultrapassar a situação imediata. Sabemos que boa parte das situações de ensino são singulares. possibilitando uma elaboração teórica de seus saberes (Pimenta. inclusive aqueles imprevistos. com base nas quais constrói saberes na ação. (. o professor precisa ser capaz de inventar suas próprias respostas. 1998). Ou seja. por isso. assumem as responsabilidades coletivamente. O que ele precisa é desenvolver a capacidade de dar respostas criativas conforme cada situação. Não precisa tanto saber aplicar regras já estabelecidas. . discutem juntos. encontram soluções juntos.

Enquanto agirmos em nossas escolas contentando-nos com níveis mínimos de profissionalização (qualificação mínima. está bom (Guimarães. rotinização e desencanto com o trabalho. determinada identidade . o profissionalismo. Sabemos que a profissão de professor vai assumindo determinadas características isto é.) a luta pela profissionalidade se esvazia porque os professores continuarão pensando que como está. culturais. encontros com a Coordenação Pedagógica. habilidades. que se põe como requisito para a luta por melhores salários e melhores condições de trabalho. assim como para o exercício responsável da profissão. estudos individuais. valores que definem e orientam a especificidade do trabalho de professor. má qualidade das experiências de aprendizagem dos alunos. A sociedade brasileira está passando por intensas transformações econômicas.reunião pedagógica..conforme necessidades educacionais colocadas em cada momento da história e em cada contexto social (Pimenta.. 1998). autodesqualificação. O importante é acreditar que a formação continuada é condição indispensável para a profissionalização. políticas. descompromisso com atualização pedagógica. As novas exigências educacionais frente a essas .) e profissionalismo (insensibilidade ao insucesso escolar dos alunos. atitudes.. 1999). sociais. Identidade profissional e saberes e competencias profissionais Em que consiste a profissão de professor? O que significa ser professor? Como vimos. identidade profissional é o conjunto de conhecimentos..

novos modos de pensar.transformações pedem um professor capaz de exercer sua profissão em correspondência às novas realidades da sociedade. Libâneo e Pimenta (1999) apontam duas dimensões da identidade profissional de professor: O desenvolvimento profissional envolve formação inicial e contínua articuladas a um processo de valorização identitária e profissional dos professores. 2. Saberes são conhecimentos teóricos e práticos requeridos para o exercício profissional. No últimos anos. Ou seja. Com isso. vários estudos vêm pesquisando os saberes e competências profissionais que fazem parte da profissionalidade do professor. da cultura e das artes. ou seja. Identidade que é epistemológica. surgem novas práticas profissionais. diretamente relacionados ao campo da prática profissional. conteúdos relacionados a saberes pedagógicos mais amplos do campo teórico da prática educacional. agir e interagir. do conhecimento. conteúdos ligados à explicitação do sentido da existência humana (individual. E identidade que é profissional. a saber: 1. conteúdos das diversas áreas do saber e do ensino. a docência constitui um campo específico de intervenção profissional na prática social não é qualquer um que pode ser professor. novas competências. competências são as qualidades. sensibilidade pessoal e social). . que reconhece a docência como um campo de conhecimentos específicos configurados em quatro grandes conjuntos. dos meios de 69 comunicação e informação. 3. das ciências humanas e naturais. do aluno. conteúdos didático-pedagógicos. Há uma nítida mudança no desempenho dos papéis docentes. 4. ou seja.

esquemas de pensamento. o saber das ciências da educação. uma ação compatível com a situação. Define "competência profissional" como uma capacidade de mobilizar diversos recursos cognitivos para enfrentar situações determinadas. Gauthier et al. comportamentos rotineiros e repetitivos. Essa capacidade geral ou capacidades não se confundem com objetivos comportamentais. habilidades e atitudes relacionados com esses conhecimentos teóricos e práticos e que permitem a um profissional exercer adequadamente sua profissão. As competências vinculam-se não só a conhecimentos como também a uma atividade cognitiva. administrar a progressão das aprendizagens. Perrenoud (2000b) apresenta dez famílias de competências para ensinar: organizar e dirigir situações de aprendizagem. de modo que seu exercício implica operações mentais. as competências correspondem a uma articulação entre capacidades cognitivas e habilidades. Perrenoud (2000a) sugere que os saberes estão contidos no termo "competências". o saber da tradição pedagógica. condutas e práticas observáveis. o saber da experiência e o saber da ação pedagógica. 70 que se torna elemento necessário na definição de competência. (1998) relacionam os vários saberes necessários ao ensino: o saber disciplinar. tal como entendidos no tecnicismo educacional. numa visão cognitivista e não meramente instrumental. conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação. com eficácia. Outros autores investigaram os saberes profissionais de professores. Ou seja.capacidades. o saber curricular. envolver os alunos em suas . que permitem determinar e realizar.

jovens e adultos. um conjunto de qualidades positivas fundadas no bem comum. A competência envolve uma pluralidade de propriedades. na qual se reúnem as dimensões técnica. administrar sua própria formação contínua. na realização dos direitos do coletivo de uma sociedade. política. ética e estética. trabalhar em equipe. informar e envolver os pais. 71 A relação de competências profissionais que reproduzimos a seguir ajudam a compreender as qualidades e capacidades exigidas hoje na formação profissional de professores. conhecimento para a atuação pedagógica e conhecimento de experiência contextualizado na ação pedagógica. 2. participar da administração da escola. inovar. (1999) organizam o conhecimento profissional dos professores em cinco âmbitos: conhecimentos sobre crianças. um profissional qualificado é aquele quem possui determinadas qualidades. Refletir sobre sua prática. auto-formar-se. Laranjeira et al. os conhecimentos específicos da matéria e os saberes pedagógicos. Para ela. conhecimentos sobre as dimensões culturais. utilizar novas tecnologias. A professora Terezinha Rios (2000) associa o termo competência à qualidade do trabalho. Dominar e exercer a profissão de professor.aprendizagens e em seu trabalho. . enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão.saberes de experiência. cultura geral e profissional. sociais e políticas da educação. Pimenta (1999) aponta como saberes necessários à docência . COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS DE PROFESSOR l.

Capacitar-se a realizar pesquisas e análises de situações educativas e de ensino. Desenvolver competências do pensar. Servir-se conscientemente das tecnologias. Assumir a dimensão educativa do ensino. Desenvolver sólida cultura geral.3. construir e administrar situações de aprendizagem e de ensino. Dominar as disciplinas a ensinar e suas didáticas. Outras competências: 13. saber diagnosticá-los e enfrentálos. 72 É sabido o quanto o desenvolvimento dessas características de professor pode ser prejudicado pelas atuais condições de exercício profissional tais como a baixa remuneração e as precárias condições de trabalho. 5. Todavia.Suíça. Considerar a diversidade dos alunos. Desenvolver sensibilidade aos problemas emergentes em situações práticas. 15. 8. 11. Integrar a componente ética à prática cotidiana. 7. Trabalhar em equipe e cooperar com outros profissionais. 10. Manter uma relação crítica e autônoma com os saberes. 16. aposta-se nas possibilidades de melhoria da . para tornar-se sujeito pensante e crítico. 6. Conceber. 14. Assumir as dimensões relacionais no ensino. Os itens de 1 a 12 foram extraídos do Guia de Estudos da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação de Genebra . Servir-se das ciências humanas e sociais como base de análise de situações educativas complexas. 4. 12. 9.

Deixam de existir em educação . coordenar e controlar o trabalho das pessoas. termo que tradicionalmente caracteriza os princípios e procedimentos referentes à ação de planejar o trabalho da escola. aumentando-se a complexidade da profissão. CAPÍTULO V . ora o primeiro praticamente se confundindo com administração . as inúmeras mediações que provocam um turbilhão de estímulos que povoam a mente dos alunos.se já existiram .) mais sólida. exigindo-se conhecimentos mais refinados para uma atuação produtiva. Participação e Cultura Organizacional 75 Os especialistas não têm uma posição única sobre a utilização dos termos organização. gestão e participação.fatos simples. administração. profissionalizando-se. intelectuais). financeiros. desencadeiam enorme ampliação da prática profissional. o caráter de instantaneidade que os fatos adquiriram.qualificação profissional na formação inicial e formação continuada como um dos requisitos essenciais para a profissionalização. mais ampla e mais flexível para que o professor seja capaz de ir compondo sempre melhor as suas respostas. racionalizar o uso de recursos (materiais. ora tomados como sinônimos. A expressão "organização escolar" é freqüentemente identificada com "administração escolar". É o que recomenda Guimarães (1999): A ampliação e eficiência dos meios de comunicação..Os Conceitos de Organização Gestão. outros atribuem maior amplitude a uma ou a outra. O mesmo acontece com os termos gestão e direção. Alguns autores utilizam essas duas expressões indistintamente. A cada dia demanda-se uma formação (..

na construção do currículo e nas formas de gestão. dirigir..) envolvem. (. os elementos materiais e conceptuais que o homem coloca entre si e a natureza para dominá-la em seu proveito. dirigir e controlar os serviços necessários à educação. tomar decisões.e o segundo como um aspecto do processo administrativo. organizar. Ela inclui. (. uma parte dela. O termo "cultura organizacional". 1966).. assim. organizar. portanto.. tanto na teoria como na prática. os esforços despendidos pelos homens e que precisam ser coordenados com vistas a um propósito comum. Tais tarefas remetidas 76 à escola configuram a administração escolar (ou educacional. por outro.. Nesse sentido. . a organização escolar (Santos. Organização e administração A maioria dos autores que estudam as tarefas de administrar. vem suscitando cada vez mais interesse por causa de suas implicações no funcionamento da escola. Em seu sentido geral. configurando-se assim uma ciência da administração ou uma teoria da administração.. conforme o âmbito de análise) sendo a ação de organizar. são bem explicitas as seguintes definições: A administração escolar tem como objetivos essenciais planejar. especialmente no projeto pedagógico. por sua vez. as reúnem todas no conceito de administração.) Os recursos (.. no seu âmbito de ação. podemos afirmar que a administração é a utilização racional de recursos para a realização de fins determinados. por um lado. gerir.) A administração pode ser vista.

.. Além disso. com fortes características interativas. reconhecendo a especificidade das instituições educacionais. constituída de pessoas que trabalham juntas) que existem para alcançar determinados objetivos (Chiavenato. demarcando esferas de responsabilidade e níveis de autoridade nas pessoas congregadas. portanto.) é bem dispor elementos (coisas e pessoas). Organizar (. preferem atribuir ao termo organização maior abrangência. 1966). entendendo que a administração realiza-se no contexto de uma organização. As organizações são unidades sociais (e.1989). sendo a instituição escolar eminentemente um sistema de relações. As seguintes definições permitem atribuir a abrangência maior ao termo organização. fatores e meios de ação que regulam a obra da educação ou um aspecto ou grau da mesma. Nesse caso.como dois amplos campos que se interpenetram: a "racionalização do trabalho" e a "coordenação (do esforço humano coletivo" (Paro. Administrar é regular tudo isso. que conduzem a fins determinados. dentro de condições operativas (modos de fazer). Outros autores. que a diferenciam das empresas convencionais. é útil a posição de Chiavenato (1989) distinguindo dois significados diferentes de organização: organizações como unidades sociais e organização como função administrativa. 77 A organização escolar é o conjunto de disposições. a fim de . Esses meios ou fatores são de duas classes: administrativos e pedagógicos" (Aguayo in Santos. 1986). entretanto. seria mais adequado o uso do termo organização.

1976). considerando que esses termos. das instituições. Lourenço Filho também destaca o caráter grupal. Em uma de suas obras mais difundidas. em relação à qual a administração é subordinada. 1983). a fim de alcançar os objetivos da instituição. Organização e Administração Escolar. Paulo. Para que as organizações funcionem e. enfatizando assim os indivíduos e os grupos interrelacionados. são mais abrangentes que administração. Utilizamos. 1976. processos de sistematicidade e caráter pessoal direto e prolongado de que se reveste o ato educativo (Carvalho e Diogo. adotamos o sentido amplo de organização. ou seja. o caráter de intencionalidade de seus atos.que não se perca a coesão do trabalho e sua eficiência geral (Lourenço Filho. unidade social que reúne pessoas que interagem entre si e que opera através de estruturas e processos organizativos próprios. requer-se a tomada de decisões e a direção e controle dessas decisões. É este o processo que denominamos de gestão. realizem seus objetivos. as suas interações. colocados juntos. definindo 78 a organização como ação congregada entre duas ou mais pessoas. pois. . Seguindo de perto essas definições. assim. a expressão organização e gestão da escola. Edições Melhoramentos.1994). Podemos ver a escola como uma organização na medida em que ela se constitui como unidade social `de agrupamentos humanos intencionalmente construídos ou reconstruídos' (Chiavenato. cooperativo. S.

Na prática, os termos organização e administração, podem ser utilizados combinadamente, desde que se explicite o conteúdo de cada um. A definição de Paro, por exemplo, registrada acima, define com muita propriedade os âmbitos de estudo da Administração, que poderiam ser incluídos também como campo de estudos da Organização. Gestão e direção Alguns autores afirmam que o centro da organização e do processo administrativo e a tomada de decisão. Todas as demais funções da organização (o planejamento, a estrutura organizacional, a direção, a avaliação) estão referidas ao processo eficaz de tomada de decisões (Griffiths, 1974). Os processos intencionais e sistemáticos de se chegar a uma decisão e de fazer a decisão funcionar caracterizam a ação que denominamos gestão. Em outras palavras, a gestão é a atividade pela qual são mobilizados meios e procedimentos para se atingir os objetivos da organização, envolvendo, basicamente, os aspectos gerenciais e técnicoadministrativos. Nesse sentido, é sinônimo de administração. A direção é um princípio e atributo da gestão, mediante a qual é canalizado o trabalho conjunto das pessoas, orientando-as e 79 integrando-as no rumo dos objetivos. Basicamente, a direção põe em ação o processo de tomada de decisões na organização, e coordena os trabalhos, de modo que sejam executados da melhor maneira possível.

A organização e os processos de gestão, incluindo a direção, assumem diferentes significados conforme a concepção que se tenha dos objetivos da educação em relação à sociedade e à formação dos alunos. Por exemplo, numa concepção tecnicista de escola, a direção é centralizada numa pessoa, as decisões vêm de cima para baixo, bastando cumprir um plano previamente elaborado, sem participação dos professores, especialistas e usuários da escola. Já numa concepção democráticoparticipativa, o processo de tomada de decisões se dá coletivamente, participativamente. A direção pode, assim, estar centrada no indivíduo ou no coletivo, sendo possível uma direção individualizada ou uma direção coletiva ou participativa. Neste livro, será assumida a concepção da direção participativa ou democráticaparticipativa, conforme detalharemos adiante. Participação A participação é o principal meio de se assegurar a gestão democrática da escola, possibilitando o envolvimento de profissionais e usuários no processo de tomada de decisões e no funciona mento da organização escolar. Além disso, proporciona um melhor conhecimento dos objetivos e metas, da estrutura organizacional e de sua dinâmica, das relações da escola com a comunidade, e favorece uma aproximação maior entre professores, alunos, pais. Nas empresas, a participação nas decisões é quase sempre uma estratégia que visa a busca do aumento de produtividade. Nas escolas, esse objetivo não precisa ser descartado pois elas também buscam bons resultados. Entretanto, há aí um sentido mais forte de prática da democracia, de experimentar formas não-autoritárias de

exercício do poder, de intervir nas decisões da organização e definir coletivamente o rumo dos trabalhos. 80 O conceito de participação se fundamenta no de autonomia, que significa a capacidade das pessoas e dos grupos de livre determinação de si próprios, isto é, de conduzirem sua própria vida. Como a autonomia opõe-se às formas autoritárias de tomada de decisão, sua realização concreta nas instituições é a participação. Portanto, um modelo de gestão democrática-participativa tem na autonomia um dos seus mais importantes princípios, implicando a livre escolha de objetivos e processos de trabalho e a construção conjunta do ambiente de trabalho. Podemos citar cinco fundamentos do trabalho em equipe ou trabalho participativo: Em primeiro lugar, a equipe deve ter uma meta, propósito, causa ou objetivo que seja identificado, aceito, compreendido e desejado por todos os membros da equipe. Em segundo lugar, a equipe deve ter espírito, moral e desejo de triunfar ainda que seja ao custo de consideráveis sacrifícios individuais. Em terceiro lugar, as linhas de autoridade e responsabilidade devem estar claramente definidas e compreendidas perfeitamente por todos. Em quarto lugar, devem ser estabelecidos os canais de comunicação. Em quinto lugar, o líder deve descobrir e utilizar ao máximo as capacidades criadoras de cada uma das pessoas e uni-las numa equipe homogênea (In Neagley e Evans, 1969). Estes princípios expressam com muita clareza a necessidade de a organização escolar ter objetivos comuns e compartilhados, buscar o envolvimento da equipe de profissionais com esses objetivos, contar com uma

estrutura organizacional em que as responsabilidades estejam muito bem definidas, dispor de várias formas de comunicação entre a organização e as pessoas, ter uma liderança que consiga motivar e mobilizar as pessoas para uma atuação conjunta em torno de objetivos comuns. Em relação, ainda, ao trabalho em equipe, é importante assinalar que a liderança não é atributo exclusivo de diretores e coordenadores, nem está ligada apenas ao cargo e ao status da 81 pessoa. É uma qualidade que pode ser desenvolvida por todas as pessoas por meio de práticas participativas e de ações de desenvolvimento pessoal e profissional. Numa escoa existem, pois, vários tipos de liderança. Entretanto, não se pode negar que, mesmo na gestão democrática efetivada de forma cooperativa e participativa, o funcionamento e a eficácia da escola dependem em boa parte da capacidade de liderança de quem está exercendo a direção e a coordenação pedagógica. Cabe ressaltar, finalmente, que a prática da participação nos processos de gestão, por si só, não esgota as ações necessárias para que seja assegurada a qualidade do ensino. Tanto quanto os vários elementos do processo organizacional, e como um dos elementos deste, a participação é um meio de alcançar melhor e mais democraticamente os objetivos da escola, que se centram na qualidade dos processos de ensino e aprendizagem. Com efeito, na conquista da autonomia da escola, está presente a exigência da participação de professores, pais, alunos, funcionários e outros representantes da comunidade, bem como as formas dessa participação: a

interação comunicativa, a discussão pública dos problemas e soluções, a busca do consenso em pautas básicas, o diálogo intersubjetivo. Todavia, é preciso considerar que a participação implica processos de organização e gestão, procedimentos administrativos, modos adequados de fazer as coisas, a coordenação, o acompanhamento e a avaliação das atividades, a cobrança das responsabilidades. Ou seja, para atingir os objetivos de uma gestão democrática e participativa e o cumprimento de metas e responsabilidades decididas de forma colaborativa e compartilhada, é preciso uma mínima divisão de tarefas e a exigência de alto grau de profissionalismo de todos. Portanto, a organização escolar democrática implica não só a participação na gestão mas a gestão da participação, em função dos objetivos da escola. Essa é uma competência genuína da direção e da coordenação pedagógica da escola. 82 Para a gestão da participação, é preciso ter clareza de que a tarefa essencial da instituição escolar é a qualidade dos processos de ensino e aprendizagem que, mediante as práticas pedagógico didáticas e curriculares, propiciam melhores resultados de aprendizagem. Em síntese, a escola é uma instituição social com objetivos explícitos: o desenvolvimento das potencialidades dos alunos através de conteúdos (conhecimentos, habilidades, procedimentos, atitudes, valores), para constituírem-se em cidadãos participativos na sociedade em que vivem. A tarefa básica da escola é o ensino; que se cumpre pela atividade docente. A organização escolar necessária é aquela que melhor favorece aqueles objetivos e assegura as melhores condições de realização do trabalho docente. Há, assim,

a tecnologia (recursos e técnicas). que para 83 além daquelas diretrizes. portanto. ou seja. a formas de participação. no seu desenvolvimento profissional. procedimentos operacionais. a cultura organizacional (também chamada "cultura da escola' diz respeito ao conjunto de fatores sociais.uma interdependência entre os objetivos e funções da escola e a organização e gestão do processo de trabalho na escola. há aspectos de natureza cultural que as diferenciam umas das outras. A cultura organizacional Em outro capítulo deste livro referimo-nos à importância da cultura da escola na formação da identidade profissional do professor. inicialmente. embora oculto. representa hoje um elemento indissociável das práticas de organização e gestão. ou como preferem outros. Isso significa. Numa compreensão mais geral. a cultura organizacional. o significado de cultura organizacional. as relações de trabalho. entre atividades-fim e atividadesmeio. psicológicos que influenciam os modos de agir da organização como um todo e do comportamento das pessoas em particular. normas. ao lado de outros como a estrutura organizacional. Esses aspectos tem sido denominados freqüentemente de "currículo oculto" mas que. atua de forma poderosa nos modos de . como será explicitado mais adiante. tratando-se da escola. rotinas administrativas. sendo que a maior parte deles não são claramente perceptíveis nem explícitos. A cultura da escola. culturais. Vejamos.

“rotinizados”. expressão derivada do conceito sociológico de cultura (Forquin. sob efeito dos imperativos de didatização. um mundo social. que tem suas características de vida próprias.funcionar das escolas e na prática dos professores. pois cada escola tem o seu modo de fazer as coisas. afetando tanto professores quanto alunos. 1993). e seus quadros de referência. Tanto isso é verdade que os mesmos professores tendem a agir de forma diferente em cada escola em que trabalham. “normalizados”. que afetam sua participação nas aprendizagens. constituem habitualmente o objeto de uma transmissão deliberada no contexto das escolas" A escola é. Sabemos que o trabalho nas escolas se defronta com características culturais dos alunos. selecionados. seus ritmos e seus ritos. seu 84 . sua linguagem.seus saberes. também. Segundo Forquin: Forquin distingue a cultura da escola da cultura escolar. da cultura da fábrica) . é que as próprias práticas e situações escolares estão impregnadas de uma cultura. o que se quer destacar aqui. Também os professores são portadores de características culturais . as formas com que lidam com a profissão . que é a cultura da escola (como se poderia falar. organizados. esta definida como "o conjunto dos conteúdos cognitivos e simbólicos que. Essa idéia de cultura organizacional remete à cultura da escola.que marcam fortemente as práticas docentes. Mas. seus valores. também. da cultura da prisão.

por exemplo. Significa. À medida que se considera uma organização como uma unidade social formada por grupos humanos intencionalmente constituídos. na elaboração do projeto pedagógico. Qual é o significado disto para o sistema de organização e gestão das escolas? Como a cultura da escola influi nos estilos de organização e gestão? A ênfase na cultura organizacional não chega a ser novidade na teoria das organizações. ou seja. . escola brasileira Sabemos. de um clima favorável. que a cultura da escola pode ser modelada. existe uma cultura regional e local que influi nas várias atividades escolares. faz diferença se a escola é urbana.imaginário. Nesse sentido. seus valores. Também já tem sido ressaltado nas teorias da organização escolar a importância da criação de um clima de trabalho favorável e do incentivo para que todas as pessoas da equipe escolar se envolvam com a escola. com as expectativas da comunidade. implicando aí os aspectos culturais no sentido que apontamos. ganham importância as interações entre as pessoas e com o contexto social mais amplo. suas maneiras de educar os filhos etc. Quando se pensa nas formas de administração escolar. seus modos próprios de regulação e de transgressão. o quanto seria prejudicial aos seus objetivos se o planejamento da escola desconhecesse as expectativas dos pais. escola japonesa. da capital ou do interior. seu regime próprio de produção e de gestão de símbolos. como condições para melhor funcionamento da organização. já aparece a preocupação com o contexto social e cultural da escola. no currículo e nos planos de ensino. rural. em outras palavras. de relações de confiança. Isso significa que a direção da escola pode promover a criação de uma cultura organizacional.

Mas há em cada escola uma . na vivência do dia-adia. de pensar os problemas. aos objetivos da escola. funcionários. valores. discordâncias. podendo haver até quem destoe dessa cultura. porém. alunos. como a coesão e o espírito grupal. porque vai além de um sistema de gestão baseado apenas na autoridade do diretor e dos procedimentos burocráticos. Em resumo: a partir da interação entre diretores. É o que estamos denominando de cultura da escola ou cultura organizacional. de encontrar soluções. conforme abordamos anteriormente. Essa maneira de ver tem algum valor. às decisões que são tomadas. a escola vai adquirindo. embora destaque a importância e o papel do 85 contexto sociocultural na organização escolar. Essa cultura própria vão sendo internalizada pelas pessoas e vai gerando um estilo coletivo de perceber as coisas. é construído pelos seus próprios membros. com base nos significados que dão ao seu trabalho. É claro que isso não se dá sem conflitos. que o modo de funcionar da escola. conformada para atender objetivos da direção. vai formando crenças. modos de agir. significados.planejada. O sentido de cultura organizacional que queremos destacar é o de que a própria organização escolar é uma cultura. diferenças. coordenadores pedagógicos e professores. práticas. Observe-se. que este entendimento das relações entre a cultura e a escola. não considera que a própria escola é um mundo cultural. traços culturais próprios. tanto nas relações que se estabelecem no dia-a-dia quanto nas salas de aula.

avaliada.forma dominante de ação e interação entre as pessoas que poderia ser resumida nesta expressão: "temos a nossa maneira de fazer as coisas por aqui". mas este também é instituidor de uma cultura organizacional. A cultura 86 organizacional é elemento condicionante do projeto pedagógico-curricular. É isto que justifica a formulação conjunta do projeto pedagógicocurricular. A conseqüência prática disso é que precisa haver coerência entre os objetivos proclamados e a cultura organizacional. planejada. da coordenação pedagógica. da gestão participativa. mas essa cultura pode ser modificada pelas próprias pessoas. é preciso criar uma estrutura em que os alunos aprendam a se organizar. Essa cultura organizacional se projeta em todos as instâncias da escola: no tipo de reuniões. num rumo que responda aos propósitos da direção. na relação dos professores com os alunos na aula. do corpo docente. nas formas de tratamento com os pais. a argumentar numa discussão. ela pode ser discutida. Se o objetivo é estabelecer na escola formas democráticas de gestão. conforme veremos adiante. nas normas disciplinares. Se se define como um dos objetivos da escola a formação da cidadania. Vem daí uma constatação muito importante: a escola tem uma cultura própria que permite entender tudo o que acontece nela. na metodologia de aula etc. na cantina. na confecção de alimentos e distribuição da merenda. a planejar e tomar decisões. será preciso instituir formas de gestão e tomada de decisões participativas e . nos corredores.

funcionários. as relações de poder externas e internas. finalmente. religiosa. os significados. Na perspectiva sócio-crítica da cultura organizacional. em que a equipe escolar discute a realidade. as diferentes visões de mundo. as diferenças. a partir da cultura organizacional existente. os valores. pode ser construída intencionalmente uma cultura organizacional educativa com base em princípios sóciopedagógicos. que a escola se insere num contexto sociocultural e político mais amplo. étnica. considera-se que na escola ocorre uma disputa de interesses sociais e individuais. as interpretações das pessoas em relação ao que precisa 87 ser feito. aprimorá-la.transparentes. os valores. mas também considera os objetivos e os propósitos sociais da organização escolar. ela própria. É preciso considerar. podem modificá-la. cuja influência na organização escolar é determinante. os significados. de sexo. Uma concepção realista da organização escolar considera. que levar em conta os significados subjetivos e as características culturais das pessoas nas práticas de organização e gestão da escola não significa excluir os conflitos. dentro da . numa prática educativa e que seus membros. alunos. Ou seja. entre professores. cultural. os diferentes modos de agir. Considera. Se lutamos pelo reconhecimento das diferenças. é preciso que se tenha uma prática de respeito à diversidade social. para se chegar a definições e decisões em torno dos objetivos comuns. ao mesmo tempo. também. Estes exemplos reforçam a idéia de que a organização escolar constitui-se.

portanto. sobre se lhe cabem tarefas apenas administrativas ou também tarefas pedagógicas. para que tomem consciência das condições de funcionamento da organização e que possam criar outras. 3) que precisam ter clareza de que há interesses sócio-políticos e econômicos na definição de uma organização escolar. com a supervisão geral .realidade sociocultural e política mais ampla. Entretanto. uma normatividade. na escola. em sentido mais estrito. e acreditar que há outras formas possíveis de organizar e gerir uma escola. que moldam a formação e o funcionamento da organização. Na prática. as funções administrativas (relacionadas com o pessoal. 2) que precisam conhecer a escola. nas formas de funcionamento. ele desempenha predominantemente a gestão geral da escola e. Há uma diversidade de opiniões sobre o papel do diretor de escola. racional. mais efetivas. principalmente. mais participativas. conhecer as teorias organizacionais. mais reflexivas. necessita de conhecimentos tanto administrativos quanto pedagógicos. com a parte financeira. que requerem uma ação organizada. especificamente. O papel do diretor de escola e da equipe de especialistas A implementação de práticas alternativas de organização e gestão da escola depende bastante da atuação da direção e da coordenação pedagógica da escola. com o prédio da escola e os recursos materiais. isso significa: 1) que os professores precisam desconfiar de que a organização escolar deva funcionar do jeito em que está funcionando. Preferimos optar pela seguinte posição: o diretor de escola é o responsável pelo funcionamento administrativo e pedagógico da escola.

educação para o trânsito. tornando mais complexas as tarefas de organização e gestão. Ele encarna um tipo de profissional com conhecimentos e habilidades para exercer liderança. As mudanças na sociedade envolvendo uma ligação maior da escola com outras realidades tais como os meios de comunicação e informação. a automação. implicando uma ligação mais explicita da escola com outros organismos da comunidade. vão sendo conferidas às escolas: orientação psicológica. orientação sexual. especialistas e pais nos processos de tomada de decisões e na solução dos problemas. . educação para o lazer. professores.das obrigações de rotina do pessoal. orientação para novas necessidades da vida urbana. relações com a comunidade). que somente pode ser assegurada com o trabalho do coordenador pedagógico. delegando a parte pedagógica ao coordenador ou coordenadores pedagógicos. A necessidade de vínculo maior com as famílias. iniciativa e utilizar práticas de trabalho em grupo para assegurar a participação de alunos. Há outras razões para destacar o papel do diretor. educação ambiental etc. Mas essa acentuação da importância da coordenação pedagógica não significa diminuição do papel do diretor. uma vez que responsabilidades que antes correspondiam aos pais e mães. O crescimento da população e a urbanização da sociedade têm levado à instalação de escolas maiores. 88 Mais adiante ver-se-á que a ênfase no processo de ensino e aprendizagem na sala de aula requer um acompanhamento e uma atenção especial.

financeiros. administrativos. a escolha do diretor de escola requer muita responsabilidade do sistema de ensino e da comunidade escolar. é preciso colocá-las em prática. culturais. . a nomeação arbitrária de diretores pelo governador ou prefeito. Essa prática torna o diretor o representante do poder executivo na escola. Ao contrário. Em razão disso.O diretor ou diretora de escola tem. Nessa hora. Outras formas de escolha são o concurso público e a eleição pelo voto direto ou representativo. Como temos insistido. as expectativas da comunidade escolar e articular a adesão e a participação de todos os segmentos da escola na gestão de um projeto comum. autonomia. trata-se de entender o papel do diretor como um líder. participativamente. democracia não significam ausência de responsabilidades. Não se quer dizer com isso que o sucesso da escola 89 reside unicamente na pessoa do diretor ou numa estrutura administrativa autocrática . Uma vez tomadas as decisões coletivamente.aquela em que o diretor centraliza todas as decisões. uma pessoa que consegue aglutinar as aspirações. geralmente para atender conveniências e interesses político-partidários. Infelizmente. predomina ainda no sistema escolar público brasileiro. a escola precisa estar bem coordenada e administrada. uma importância muito significativa para que a escola seja respeitada pela comunidade. participação. Como gestor da escola. os desejos. como dirigente. o diretor tem uma visão de conjunto e uma atuação que apreende a escola nos seus aspectos pedagógicos. pois.

Exigência de que os candidatos submetam-se a provas escritas. que repercutem na escola nas práticas de descentralização. Todavia. autonomia. . separada da realidade circundante. a melhor forma de escolha é um sistema combinado: 1. apresentando um programa de trabalho (Romão e Padilha.Descartando-se a escolha por nomeação. De fato. 1997). 2. no Conselho de Escola e outros órgãos colegiados que venham a existir. não tem havido consenso entre os pesquisadores e educadores sobre as formas concretas dessa participação. os candidatos deverão comprovar liderança e capacidade de gestão. Isso significa que a equipe escolar precisa estabelecer condições prévias para os candidatos. 90 sociedade e trabalho. Participação dos pais na vida da escola A exigência da participação dos pais na organização e gestão da escola corresponde a novas formas de relações entre escola. relacionadas à qualificação e competência profissional e experiência na área educacional. embora esteja claro para a maioria que os pais participam. Além disso. na Associação de Pais e Mestres (onde existir). que é o procedimento mais prejudicial à gestão democrática na escola. coresponsabilização. nas quais participa a comunidade escolar. mas integrada numa comunidade que interage com a vida social mais ampla. Eleições. a escola não pode ser mais uma instituição isolada em si mesma. 3. multiculturalismo. Avaliação da formação profissional e competência técnica. de forma delegada.

Isso significa que não se pode pôr em dúvida o espaço específico e autônomo dos professores mas. pais. coordenadores. surgem questões não desprezíveis referentes à possibilidade de síntese entre interesses e competências diversas. bloquear a discussão e até mesmo a comunicação. já que o envolvimento dos pais é não só legítimo 91 como necessário. será necessário considerar que a escola tem funções sociais explicitas. formulados de forma coletiva e pública. objetivos próprios. como é o caso da presença dos pais (e estudantes) em órgãos colegiados da escola. dentro do critério do respeito aos papéis e competências. alunos. Não se pode ignorar que cada categoria de sujeitos componentes da organização escolar (professores. de modo a encontrar formas de . ao abordar problemas pedagógico-didáticos. Somente a prática pode ajudar a esclarecer estes problemas. Resguardado o princípio da participação. sua dignidade profissional não ficará abalada com a discussão pública sobre seu trabalho. não são especialistas. num campo em que. diretores. por outro lado. todavia. os professores podem fazer uma legítima reivindicação de uma competência profissional autônoma que pode colocar-se como barreira nas relações com pais. podem assumir uma atitude preconcebida de censura aos professores. funcionários) possui interesses específicos. Por exemplo. Os pais.Na realidade concreta. se estes forem seguros de seu papel. a rigor. estrutura de gestão. implicando diferentes culturas e hábitos e diferentes visões das questões escolares. projeto pedagógicocurricular.

melhorando a trabalho escolar e o trabalho dos função da qualidade cognitiva. a disciplina passou em muitos lugares a ser denominada de Organização do Trabalho Pedagógico ou Organização do Trabalho Escolar. operativa. os elementos constitutivos do processo organizacional. funcionalista. nos anos 30. simplesmente. Administração Escolar. há toda uma pesquisa sobre administração escolar que remonta aos pioneiros da educação nova.acordo mútuo e organização do professores em social e ética de ajuda recíproca. Esses estudos se deram no âmbito da Administração Escolar e.O SISTEMA DE ORGANIZAÇÃO E GESTÃO DA ESCOLA 95 Neste capítulo são apresentados alguns elementos básicos para o conhecimento da organização escolar e para a atuação dos professores e do pessoal técnicoadministrativo. Tais estudos eram identificados com o campo de conhecimentos denominado Administração e Organização Escolar ou. freqüentemente. Serão abordados os seguintes itens: as concepções de organização e gestão escolar. adotando um enfoque . CAPÍTULO VI . aproximando a organização escolar da organização empresarial. com as discussões sobre reforma curricular dos cursos de Pedagogia e de Licenciaturas. As concepções de organização e gestão escolar O estudo da escola como organização de trabalho não é novo. a estrutura organizacional da escola. Nos anos 80. estiveram marcados por uma concepção burocrática. do processo de ensino e aprendizagem.

A organização escolar não seria uma coisa totalmente objetiva e funcional. planos de ação feitos de cima para baixo. hierarquia de funções. o contexto sócio-político etc. que funciona racionalmente. organizada e controlada. mas uma construção social levada a efeito pelos professores. baixo grau de participação das pessoas que trabalham na organização. É sempre útil distinguir. um elemento neutro a ser observado. técnica. de modo a alcançar maiores índices de eficácia e eficiência. normas e regulamentos. um enfoque científico-racional e um enfoque crítico. com algumas exceções. Além disso. no estudo dessa questão. No primeiro enfoque. As escolas que operam nesse modelo dão muito peso à estrutura organizacional: organograma de cargos e funções. O segundo enfoque vê a organização escolar basicamente como um sistema que agrega pessoas. Houve pouca preocupação. neutra.crítico. alunos. importando bastante a intencionalidade e as interações sociais que acontecem entre elas. a organização escolar é tomada como uma realidade objetiva. freqüentemente restringido a uma análise crítica da escola dentro da organização do trabalho 96 no capitalismo. Este é o modelo mais comum de funcionamento da organização escolar. pode ser planejada. Não é difícil aos futuros professores fazerem distinção entre essas duas concepções de organização e gestão da escola. com os aspectos propriamente organizacionais e técnico-administrativos da escola. não seria caracterizada pelo seu papel no mercado . de cunho sócio-político. portanto. centralização das decisões. pais e integrantes da comunidade próxima.

Com base nos estudos existentes no Brasil sobre a organização e gestão escolar e nas experiências levadas a efeito nos últimos anos. 97 A concepção técnico-científica baseia-se na hierarquia de cargos e funções visando a racionalização do trabalho. de forma esquemática. a eficiência dos serviços escolares. acentuando-se a divisão técnica do trabalho escolar (tarefas especializadas). três das concepções de organização e gestão: a técnico-científica (ou funcionalista). Algumas características desse modelo são: Prescrição detalhada de funções. destacando-se as relações de subordinação em que uns têm mais autoridade do que outros. Ênfase na administração (sistema de normas. a autogestionária e a democrático-participativa. A visão crítica da escola resulta em diferentes formas de viabilização da gestão democrática. Poder centralizado no diretor. conforme veremos em seguida. Maior ênfase nas tarefas do que nas pessoas. procedimentos burocráticos de controle das atividades).mas pelo interesse público. Comunicação linear (de cima para baixo). Tende a seguir princípios e métodos da administração empresarial. regras. baseada em normas e regras. é possível apresentar. A concepção autogestionária baseia-se na responsabilidade coletiva. às vezes descuidando-se dos objetivos específicos da instituição escolar. esta concepção também é conhecida como gestão da qualidade total. Atualmente. ausência de direção .

Decisões coletivas (assembléias. O autor apresenta aqui seu próprio entendimento. eliminação de todas as formas de exercício de autoridade e poder. Na bibliografia final apresentamos várias obras que expõem diferentes pontos de vista sobre essa questão. Vínculo das formas de gestão interna com as formas de auto-gestão social (poder coletivo na escola para preparar formas de auto-gestão no plano político). acentuando-se a responsabilidade coletiva. Crença no poder instituinte da instituição (vivência da experiência democrática no seio da instituição para expandi-Ia à sociedade) e recusa de todo poder instituído. reuniões). 98 Recusa a normas e sistemas de controles. Outras características: Ênfase nas inter-relações mais do que nas tarefas. Ênfase na auto-organização do grupo de pessoas da instituição. por meio de eleições e alternância no exercício de funções. O caráter instituinte se dá pela prática da participação e auto-gestão. Acentua a importância da busca de . É necessário alertar que há diversos entendimentos do que deva ser a gestão participativa enquanto forma concreta de organização da escola. A concepção democrática-participativa baseia-se na relação orgânica entre a direção e a participação do pessoal da escola.centralizada e acentuação da participação direta e por igual de todos os membros de instituição. modos pelos quais se contesta o poder instituído.

advoga que cada membro da equipe assuma sua parte no trabalho. ao contrário.objetivos comuns assumidos por todos. acompanhamento dos trabalhos. todos avaliam e são avaliados. Articulação entre a atividade de direção e a iniciativa e participação das pessoas da escola e das que se relacionam com ela. Busca de objetividade no trato das questões da organização e gestão. Atualmente. independente das pessoas. Defende uma forma coletiva de gestão em que as decisões são tomadas coletivamente e discutidas publicamente. uma vez tomadas as decisões coletivamente. o modelo democrático-participativo tem sido influenciado por uma corrente teórica que compreende a organização escolar como cultura. Outras características desse modelo: Definição explicita de objetivos sócio-políticos e pedagógicos da escola. Todos dirigem e são dirigidos. 99 A gestão é participativa mas espera-se. admitindose a coordenação e a avaliação sistemática da operacionalização das decisões tomadas dentro de uma real diferenciação de funções e saberes. tomada de decisões. Esta corrente afirma que a escola não é uma estrutura totalmente objetiva. Acompanhamento e avaliação sistemáticos com finalidade pedagógica: diagnóstico. Qualificação e competência profissional. Entretanto. mensurável. a gestão da participação. pela equipe escolar. reorientação de rumos e ações. ela depende muito das experiências subjetivas das pessoas e . mediante coleta de informações reais. também.

o planejamento. que essa construção não é um processo livre e voluntário. sempre contraditórios e às vezes conflitivos. Esta maneira de ver a organização escolar não exclui a presença de elementos objetivos. posições políticas e concepções de homem e sociedade. O modo como uma escola se organiza e se estrutura tem um caráter pedagógico. tais como as formas de poder externas e internas. As concepções de gestão escolar refletem portanto. dizer que a organização é uma cultura significa que ela é construída pelos seus próprios membros. em relação à escolarização da população. e os próprios objetivos sociais e culturais definidos pela sociedade e pelo Estado. a organização. depende de objetivos mais . já que precisa atender a objetivos sociais e políticos muito claros. por outro. ou seja. incluindo a influência de forças externas e internas marcadas por interesses de grupos sociais. formas participativas. as responsabilidades individuais dos membros da equipe e a ação organizacional coordenada e supervisionada. Uma visão sócio-crítica propõe considerar dois aspectos interligados: por um lado. dos significados que as pessoas dão às coisas enquanto significados socialmente produzidos e mantidos. Em outras palavras. Busca relações solidárias. mas mediatizado pela realidade sociocultural e política mais ampla.de suas interações sociais. a gestão. a estrutura organizacional. ou seja. a direção. a partir da experiência subjetiva e cultural das pessoas. a avaliação. compreende que a organização é uma construção social. mas 100 também valoriza os elementos internos do processo organizacional .

tende a retirar ou. por exemplo. ao menos. Com isso. Embora ambas tenham diferentes entendimentos das relações de poder dentro da escola. Adotamos. diminuir nas pessoas a faculdade de pensar e decidir sobre seu trabalho. A estrutura organizacional de uma escola Toda instituição escolar necessita de uma estrutura de organização interna. o grau de envolvimento profissional fica enfraquecido. a concepção democrático-participativa. valoriza o poder e a autoridade.um tipo de gráfico que mostra as interrelações entre os vários 101 . O termo estrutura tem aqui o sentido de ordenamento e disposição das funções que asseguram o funcionamento de um todo. determinações rígidas de funções. neste livro. hipervalorizando a racionalização do trabalho.amplos sobre a relação da escola com a conservação ou a transformação social. geralmente prevista no Regimento Escolar ou em legislação específica estadual ou municipal. exercidas unilateralmente. As duas outras concepções valorizam o trabalho coletivo. no caso a escola. concebem a participação de todos nas decisões como importante ingrediente para a criação e desenvolvimento de relações democráticas e solidárias. Essa estrutura é comumente representada graficamente num organograma . Enfatizando relações de subordinação. implicando a participação de todos nas decisões. A concepção funcionalista.

conforme as concepções de organização e gestão adotada. Conselho de Escola O Conselho de Escola tem atribuições consultivas. deliberativas e fiscais em questões definidas na legislação estadual ou municipal e no Regimento escolar. do livro de Vítor H. dos especialistas em educação. mas podemos apresentar a estrutura básica com todas as unidades e funções típicas de uma escola. dos pais e alunos.setores e funções de uma organização ou serviço. geralmente. em boa parte. Por dentro da escola pública (1996). Em vários Estados o Conselho é eleito no início do ano letivo. Essas questões. em princípio. obviamente. Paro. 1997). observando-se. Ciseski e Romão. A estrutura organizacional de escolas se diferencia conforme a legislação dos Estados e Municípios e. Sua composição tem uma certa proporcionalidade de participação dos docentes. administrativos e financeiros. a paridade entre integrantes da escola (50 por cento) e usuários (50 por cento). Evidentemente a forma do organograma reflete a concepção de organização e gestão. 1998. envolvem aspectos pedagógicos. Em alguns lugares o Conselho 102 A descrição das várias funções da estrutura organizacional das escolas foi retirada. dos funcionários. de Escola é chamado de "colegiado" e sua função básica é democratizar as relações de poder (Paro. .

A Secretaria Escolar cuida da documentação. videoteca etc.Direção O diretor coordena. Para a realização desses serviços. dos docentes. também. Responde também pelo atendimento ao público. regulamentos e determinações dos órgãos superiores do sistema de ensino e às decisões no âmbito da escola assumidas pela equipe escolar e pela comunidade. realizada pelos serventes. escrituração e correspondência da escola. laboratórios. conservação e limpeza 103 do prédio. O Assistente de diretor desempenha as mesmas funções na condição de substituto eventual do diretor. O setor técnico-administrativo responde. auxiliado pelos demais componentes do corpo de especialistas e de técnicos-administrativos. demais funcionários e dos alunos. organiza e gerencia todas as atividades da escola. da cozinha e da preparação e distribuição . atendendo às leis. cuida da manutenção. a escola conta com um secretário e escriturários ou auxiliares de secretaria. pelos serviços auxiliares (Zeladoria.). Vigilância e Atendimento ao público) e Mul timeios (biblioteca. instalações e equipamentos. da guarda das dependências. A Zeladoria. Setor técnico-administrativo O setor técnico-administrativo responde pelas atividades-meio que asseguram o atendimento dos objetivos e funções da escola.

a videoteca e outros recursos didáticos. assistência e encaminhamento de alunos. Para melhor conhecimento do assunto. recomenda-se que seus ocupantes sejam formados em cursos de Pedagogia ou adquiram formação pedagógicodidática específica. na revista Educação e Sociedade. da execução de pequenos consertos e outros serviços rotineiros da escola. ver o livro Pedagogia e pedagogos. com diferenças marcantes de posições. 68. Como são funções especializadas. Setor Pedagógico O setor pedagógico compreende as atividades de coordenação pedagógica e orientação educacional. n. os laboratórios. envolvendo habilidades bastante especiais. O serviço de Multimeios compreende a biblioteca. para quê? (Libâneo.da merenda escolar. 104 . A Vigilância cuida do acompanhamento dos alunos em todas as dependências do edifício. os equipamentos audiovisuais. 1999). e o artigo de Libâneo e Pimenta. atendendo-os em caso de acidente ou enfermidade. A formação específica de supervisores ou coordenadores pedagógicos tem sido motivo de bastante polêmica entre os educadores. ora são desempenhadas por professores. menos na sala de aula. sendo que em muitos lugares suas atribuições ora são unificadas em apenas uma pessoa. como também do atendimento às solicitações dos professores quanto a material escolar. orientando-os quanto a normas disciplinares. As funções desses es pecialistas variam conforme a legislação estadual e municipal. 1999.

ao comportamento discente. Há lugares em que a coordenação restringe-se à disciplina em que o coordenador é especialista. apoia. no que diz respeito ao trabalho interativo com os alunos. avalia as atividades pedagógico-curriculares. em outros. o Grêmio Estudantil e outras como Caixa Escolar. cuida do atendimento e do acompanhamento escolar dos alunos e também do relacionamento escola-pais-comunidade. onde essa função existe. acompanha. O Conselho de Classe ou Série é um órgão de natureza deliberativa quanto à avaliação escolar dos alunos. O orientador educacional. a coordenação se faz em relação a todas as disciplinas. Instituições Auxiliares Paralelamente à estrutura organizacional.O coordenador pedagógico ou professor-coordenador supervisiona. o pessoal docente e técnicoadministrativo e alunos maiores de 18 anos. Sua atribuição prioritária é prestar assistência pedagógico-didática aos professores em suas respectivas disciplinas. às promoções e reprovações e a outras medidas concernentes à melhoria da qualidade da oferta dos serviços educacionais e ao melhor desempenho escolar dos alunos. assessora. . Outra atribuição que cabe ao coordenador pedagógico é o relacionamento com os pais e a comunidade. decidindo sobre ações preventivas e corretivas em relação ao rendimento dos alunos. muitas escolas mantêm Instituições Auxiliares tais como: a APM (Associação de Pais e Mestres). A APM reúne os pais de alunos. especialmente no que se refere ao funcionamento pedagógico-curricular e didático da escola e comunicação e interpretação da avaliação dos alunos. vinculadas ao Conselho de Escola (onde este exista) ou ao Diretor.

é recomendável que tenham autonomia de organização e funcionamento. que tem como função básica realizar o objetivo prioritário da escola. os professores também têm a responsabilidades de participar na elaboração do plano escolar ou projeto pedagógico-curricular. Em algumas escolas. O Grêmio Estudantil é uma entidade representativa dos alunos criada pela lei federal n. Ambas as instituições costumam ser regulamentadas no Regimento Escolar. na realização das atividades da escola e nas decisões dos Conselhos de Escola e de classe ou série. a equipe escolar. evitando-se qualquer tutelamento por parte da Secretaria da Educação ou da direção da escola. cívicas e sociais. que presta assistência social. Corpo Docente O Corpo docente é constituído pelo conjunto dos professores em exercício na escola.Costuma funcionar mediante uma diretoria executiva e um conselho deliberativo. 7. variando sua composição e estrutura organizacional. econômica. o ensino. em outras um setor de assistência ao estudante. alimentar. com finalidades educacionais. funciona a Caixa Escolar. junto com a direção e os especialistas. Os professores de todas as disciplinas formam. que lhes confere autonomia 105 para se organizarem em torno de seus interesses. Todavia. Além de seu papel específico de docência das disciplinas. médica e odontológica aos alunos carentes. culturais. das reuniões com pais (especialmente na .398/85.

do consenso. o planejamento. De fato. envolvendo os aspectos físicos e materiais. o que implica uma ação racional. Nos itens anteriores 106 mostramos que o processo de tomada de decisão inclui. concebe a docência como trabalho interativo. também. isto é. a organização e gestão refere-se aos meios de realização do trabalho escolar. as escolas buscam resultados. da APM e das demais atividades cívicas. como toda instituição. aposta na construção coletiva dos objetivos e do funcionamento da escola. faz-se necessário o emprego dos elementos ou funções do processo organizacional. a administração. a formação continuada. Ao mesmo tempo. Os elementos constitutivos do sistema de organização e gestão da escola A gestão democrática-participativa valoriza a participação da comunidade escolar no processo de tomada de decisão.comunicação e interpretação da avaliação). do diálogo. as relações humano-interacionais. Ou seja. por meio da dinâmica intersubjetiva. culturais e recreativas da comunidade. sendo uma . à racionalização do trabalho e à coordenação do esforço coletivo do pessoal que atua na escola. tal como veremos adiante. Tudo em função de atingir os objetivos. os conhecimentos e qualificações práticas do educador. Em razão disso. as ações necessárias para colocá-la em prática. estruturada e coordenada. a avaliação do trabalho escolar.

Formação continuada . não depende apenas das capacidades e responsabilidades individuais. Organização . instrumentos de ação mobilizados para atingir os objetivos escolares. Esses elementos constitutivos da organização são designados.atividade coletiva. prevendo-se o que se deve fazer para atingi-los. Tais elementos ou instrumentos de ação são: Planejamento . mas de objetivos comuns e compartilhados e de ações coordenadas e controladas dos agentes do processo.Ações de capacitação e aperfeiçoamento dos profissionais da escola para que realizem com competência suas tarefas e se desenvolvam pessoal e profissionalmente.Atividade de coordenação do esforço coletivo do pessoal da escola. criando e viabilizando as condições e modos para se realizar o que foi planejado.Atividade através da qual se dá a racionalização de recursos.comprovação e avaliação do funcionamento da escola. de funções administrativas ou etapas do processo administrativo. Avaliação . Direção/Coordenação . também. na bibliografia especializada. Os autores geralmente mencionam as quatro funções estabelecidas nas teorias clássicas da . O processo de organização escolar dispõe de elementos constitutivos que são.processo de explicitação de objetivos e antecipação de 107 decisões para orientar a instituição. na verdade.

faz-se necessário superar as formas conservadoras de organização e gestão. Este autor desenvolve uma análise bastante apropriada sobre as diferenças entre as organizações e entidades das elites e as das camadas populares. sociais e morais pelo seu empenho na dinamização do currículo. adotando formas alternativas. atitudes e valores por parte dos alunos.Administração Geral: planejamento. participação e direção C. procedimentos. organização. pela ação mediadora dos professores e pela organização e gestão da escola. Romão (1997).f. CAPÍTULO VII – PRINCÍPIOS E CARACTERÍSTICAS DA GESTÃO ESCOLAR PARTICIPATIVA 111 A educação escolar tem a tarefa de promover a apropriação de saberes. controle. de modo que aos objetivos sociais e políticos da escola correspondam estratégias compatíveis de organização e gestão. é assegurar o desenvolvimento das capacidades cognitivas. no desenvolvimento dos processos do pensar. na formação da cidadania participativa e na formação ética. hoje. direção. Para isso. entre a atuação das elites e a atuação dos movimentos populares. operativas. criativas. O encargo das escolas. para propor processos de gestão democrática da sociedade e do ensino público. Retomando os conceitos de gestão democrática. .

as pessoas ficam na espera de que as decisões venham "de cima". elas se referem quase sempre ao presidente. inclusive na escola. A relação política transforma-se numa relação entre indivíduos. Se atrasa o salário. à participação popular nos processos decisórios. Esses são alguns dos obstáculos à organização dos movimentos populares e. ao prefeito. Essa capacidade de mobilização dos grupos sociais economicamente privilegiados (as classes média e alta) e. ao governador. o poder governamental é personalizado. Com isso. mas sabemos que as camadas populares levam desvantagem na efetivação da participação política em relação às classes dominantes. os professores dizem: 112 "O governador não nos paga". planos de governo. pelo poder de manipulação dos meios de comunicação. por outro lado. entre outras razões. medidas econômicas etc. em conseqüência. as formas de gestão da sociedade (legislação. entidades. pela falta de organização popular. pela desescolarização da população. mesmo porque tem sido essa a prática das elites políticas e econômicas dominantes. As formas convencionais de representação política (escolha de representantes pelo voto) continuam em vigor. isto é. interesses coletivos. pelo poder financeiro das classes dominantes.) têm se caracterizado por uma "cultura personalista". as dificuldades de mobilização das camadas populares em torno de seus interesses.Na história brasileira. em detrimento da relação entre grupos. Quando as pessoas referem-se ao governo. acaba por . como se a pessoa que detém o cargo fosse a responsável solitária pelas decisões'. organizações.

Evidentemente. funcionando em vários estados. A participação da comunidade possibilita à população o conhecimento e a avaliação dos serviços oferecidos e a intervenção organizada na vida da escola.ressaltar diferenças entre o tipo de relações que as famílias de alunos das escolas particulares mantêm com os profissionais da escola e as relações que as famílias de alunos de escolas públicas com seus respetivos profissionais (Romão. as práticas de participação e controle. A conquista da cidadania requer um esforço dos educadores em estimular instâncias e práticas de participação popular. Em resumo. conhecer com mais profundidade os que nela estudam e trabalham. inibindo as reivindicações.e os Conselhos de Escola. Há . em relação às ações praticadas pelas escolas. Todos os segmentos da comunidade podem compreender melhor o funcionamento da escola. as camadas populares levam aí desvantagem 113 considerável. assim. intensificar seu envolvimento com ela e. Há dois sentidos de participação articulados entre si.bastante difundidos no Brasil . acompanhar melhor a educação ali oferecida (1997). a participação influi na democratização da gestão e na melhoria da qualidade de ensino. participação significa a intervenção dos profissionais da educação e dos usuários (alunos e pais) na gestão da escola. Colegiados ou Comissões que surgiram no início da década de 80. Entre as modalidades mais conhecidas de participação estão os Conselhos de classe .1977). De acordo com Gadotti e Romão.

A direção como princípio e atributo da gestão democrática A direção da escola. como elemento pedagógico. certos processos de tomada de decisão. estéticas. constituindo-se como prática formativa. A escola é lugar de aprender conhecimentos. dos professores. institucionalmente. Há a participação como processo organizacional em que os profissionais e usuários da escola compartilham. éticas. econômica e cultural. tratando-se da escola. metodológico e curricular. além de ser uma das funções do processo organizacional. por meio de canais de participação 114 da comunidade.a participação como meio de conquista da autonomia da escola. Vivendo a prática da participação nos órgãos deliberativos da escola. os alunos. difere de outros processos de direção. a escola deixa de ser uma redoma. os professores. um lugar fechado e separado da realidade. sociais. especialmente os empresariais. afetivas. No segundo sentido. Ele vai além daquele de mobilização das pessoas para a realização eficaz das . Mas é também lugar de formação de competências para a participação na vida social. O significado do termo direção. desenvolver capacidades intelectuais. vão aprendendo a sentir-se responsáveis pelas decisões que os afetam num âmbito mais amplo da sociedade. a participação é ingrediente dos próprios objetivos da escola e da educação. dos alunos. é um imperativo social e pedagógico. os pais. No primeiro sentido. para conquistar o status de uma comunidade educativa que interage com a sociedade civil.

O caráter pedagógico da ação educativa consiste precisamente na formulação de objetivos sócio-políticos e educativos e na criação de formas de viabilização organizativa e metodológica da educação (tais como a seleção e organização dos conteúdos e métodos. a direção da ação. Ou seja. tendo em vista dar uma 115 direção consciente e planejada ao processo educacional. O processo educativo. portanto. Na escola isso leva. a organização do ensino. e de um consenso em torno de normas e atitudes comuns. pois implica intencionalidade. dão o rumo. numa sociedade concreta. por essa razão. Sua adequada estruturação e seu ótimo funcionamento constituem fatores essenciais para se atingir eficazmente os objetivos de formação. não é possível estruturá-la sem levar em consideração objetivos políticos e pedagógicos. de integração e unidade de objetivos e ações. planejada. por sua vez. consciente. ao cumprir sua função social de mediação. dirigir o comportamento para algo que tem significado para nós. pela sua natureza. influi significativamente na formação da personalidade humana e. a organização do trabalho escolar). Intencionalidade significa a resolução de fazer algo. inclui o conceito de direção. Essa peculiaridade das instituições educativas vem do caráter de intencionalidade presente nas ações educativas. à busca deliberada. uma tomada de posição frente a objetivos sociais e políticos da escola. A intencionalidade se projeta nos objetivos que. definição de um rumo. por parte da equipe escolar. o trabalho escolar implica uma direção. A escola. Não é preciso insistir que a prática da gestão e da direção participativas convergem para a elaboração e .atividades.

cuja aplicação deve estar subordinada às condições concretas de cada escola. interdependência entre a necessária racionalidade no uso dos recursos (materiais e conceituais) e a coordenação do esforço humano coletivo. projeta-se como influência benéfica ou prejudicial nos demais. funcionários. manter-se relativamente independente do poder central. Sendo assim. alunos. Autonomia de uma instituição significa ter poder de decisão sobre seus objetivos e suas formas de organização. Qualquer modificação em sua estrutura ou no funcionamento de um dos seus elementos. de decidir sobre seu próprio destino. Autonomia das escolas e da comunidade educativa A autonomia é o fundamento da concepção democráticoparticipativa de gestão escolar. razão de ser do projeto pedagógico. pais e comunidade próxima que 116 . administrar livremente recursos financeiros. Por ser um trabalho complexo. a organização e gestão escolar requerem o conhecimento e a adoção de alguns princípios básicos. Ela é definida como faculdade das pessoas de autogovernar-se.execução do projeto pedagógico e assunção de responsabilidades de forma cooperativa e solidária. Alguns princípios da organização e gestão escolar participativa A escola é uma instituição social que apresenta unidade em seus objetivos (sócio-políticos e pedagógicos). São propostos os seguintes princípios da concepção de gestão democrática-participativa: 1. as escolas podem traçar seu próprio caminho envolvendo professores.

Isso significa que a direção de uma escola deve ser exercida tendo em conta. elas integram um sistema escolar e dependem das políticas públicas e da gestão pública. Certamente trata-se de uma autonomia relativa. perdem-se de vista diretrizes gerais do sistema e sua articulação com a sociedade. É assim que a organização da escola se transforma em instância educadora. por outro. Essa articulação nem sempre se dá sem problemas. de um lado. desobrigar o poder público de suas responsabilidades. Por isso mesmo. as condições de trabalho. com isso. o controle local e comunitário não podem prescindir das responsabilidades e da atuação dos órgãos centrais e intermediários do sistema escolar. As escolas públicas não são organismos isolados. subordinando-se às diretrizes dos órgãos superiores. por sua vez. o planejamento. a formação continuada não são originados na própria escola. ainda. Os recursos que asseguram os salários. O sistema de ensino pode estar desprovido de uma política global. As autoridades podem atribuir autonomia às escolas para. pode estar mal organizado e mal administrado. sem levar em conta as condições reais de seu funcionamento. os critérios e diretrizes de organização são estabelecidos dentro de marcos estreitos de cada escola. a organização. a adequação e aplicação criadora das diretrizes gerais que recebe dos níveis superiores da administração do ensino.se tornam co-responsáveis pelo êxito da instituição. Se. pode acontecer que as escolas as apliquem mecanicamente. a orientação e o controle de suas atividades internas conforme suas características particulares e sua realidade. espaço de trabalho coletivo e aprendizagem. Portanto. a autonomia . Ou.

solidária.precisa ser gerida. A partir daí. funcionários e outros representantes da comunidade bem como a forma de viabilização dessa participação: a interação comunicativa. pais. aprova um documento orientador. de modo a alcançar. os resultados de sua atividade . motiva. 117 2. Nesse princípio está presente a exigência da participação de professores. a participação implica os processos de gestão. delega as responsabilidades decorrentes das decisões aos membros da equipe escolar conforme suas atribuições específicas. lidera. eficazmente. os modos de . mobiliza. a busca do consenso em pautas básicas. toma decisões por meio de discussão com a comunidade escolar mais ampla. presta contas e submete à avaliação da equipe o desenvolvimento das decisões tomadas coletivamente. Por outro lado. Sob supervisão e responsabilidade do diretor a equipe escolar formula o plano ou projeto pedagógicocurricular. implicando uma co-responsabilidade consciente. alunos. partilhada. o diálogo intersubjetivo. a forma participativa da gestão e a responsabilidade individual de cada membro da equipe escolar. entram em ação os elementos (instrumentos e procedimentos) do processo organizacional em que o diretor coordena. de todos os membros da equipe escolar.a formação cultural e científica dos alunos e o desenvolvimento das potencialidades cognitivas e operativas. Relação orgânica entre a direção e a participação dos membros da equipe escolar Esse princípio conjuga o exercício responsável e compartilhado da direção.

A presença da comunidade na escola. Ela está a serviço dos objetivos do ensino. a adoção de práticas participativas não está livre de servir à manipulação e ao controle do comportamento das pessoas. a coordenação e a cobrança dos trabalhos e. decididamente. 3.fazer. as assembléias e reuniões. os pais e outros representantes participam do Conselho de Escola. Desse modo. a gestão democrática não pode ficar restrita ao discurso da participação e às suas formas externas: as eleições. da Associação de Pais e Mestres (ou organizações correlatas) para preparar o projeto pedagógico-curricular e acompanhar e avaliar a qualidade dos serviços prestados. tem várias implicações. Prioritariamente. o cumprimento de responsabilidades compartilhadas dentro de uma mínima divisão de tarefas e alto grau de profissionalismo de todos. Conforme temos ressaltado. As pessoas podem ser induzidas a pensar que estão 118 participando quando. usufruem das práticas participativas para . estão sendo manipuladas por interesses de grupos. na verdade. facções partidárias etc. a organização escolar democrática implica não só a participação na gestão mas a gestão da participação. basicamente os pais. especialmente dos pais. Adicionalmente. as entidades e organizações paralelas à escola. especialmente da qualidade cognitiva dos processos de ensino e aprendizagem. Envolvimento da comunidade no processo escolar O princípio da autonomia requer vínculos mais estreitos com a comunidade educativa. Além disso.

Há necessidade de uma ação racional. provimento e ordenação dos recursos disponíveis. Além disso. torna-se o instrumento unificador das atividades escolares. 1997). a qualificação profissional e a competência técnica. cronogramas e formas de controle e avaliação. 5. movimentos de educação ambiental e outros). de minorias étnicas e culturais. mas é . as ações pedagógicas e administrativas buscam atingir objetivos. 4. Planejamento das tarefas O princípio do planejamento justifica-se porque as escolas buscam resultados. estratégias de ação. discutido e analisado publicamente pela equipe escolar. 1997). estruturada e coordenada de proposição de objetivos. Formação continuada para o desenvolvimento pessoal e profissional dos integrantes da comunidade escolar A concepção democrática-participativa de gestão valoriza o desenvolvimento pessoal. O plano de ação da escola ou projeto pedagógico. A escola é um espaço educativo. movimentos de mulheres. a participação das comunidades escolares em processos decisórios dão respaldo a governos estaduais e municipais para encaminhar ao Poder Legislativo projetos de lei que atendam melhor às necessidades educacionais da população (Ciseski e Romão. lugar de aprendizagem em que todos aprendem a participar dos processos decisórios.participarem de outras instâncias decisórias no âmbito da sociedade civil (organizações de bairro. convergindo na sua execução o interesse e o esforço coletivo dos membros da escola. contribuindo para o aumento da capacidade de fiscalização da sociedade civil sobre a execução da política educacional (Romão.

a saúde dos alunos. pedagógico . observar e avaliar constantemente o desenvolvimento do processo de ensino. a partir do . analisar com objetividade os resultados. 6. analisando cada problema em seus múltiplos aspectos e na ampla democratização das informações Este princípio implica procedimentos de gestão baseados na coleta de dados e informações reais e seguras. Analisar os problemas em seus múltiplos aspectos significa verificar a qualidade das aulas. fazer compartilhar as experiências docentes bem sucedidas. O processo de tomada de decisões deve basear-se em informações concretas. na análise global dos problemas (buscar sua essência. científico. a adequação de métodos e procedimentos didáticos etc. A organização e gestão do trabalho escolar requerem o constante aperfeiçoamento profissional . o cumprimento dos programas. suas causas. Avaliação compartilhada Todas as decisões e procedimentos organizativos precisam ser acompanhados e avaliados. Dirigir uma escola implica conhecer bem seu estado real. seus aspectos mais fundamentais.de toda a equipe escolar.político. 120 7. a qualificação e experiência dos professores. os resultados do trabalho que a equipe se propôs a atingir. A democratização da informação implica o acesso de todos às informações e canais de comunicação que agilizem a tomada de conhecimento das decisões e de sua execução. para além das aparências).também o local em que os profissionais desenvolvem sua profissionalidade. as características sócio-econômicas e culturais dos alunos.

da valorização da experiência individual. entre professoras e alunos. objetivos a atingir dentro das possibilidades. Além disso. entre direção e funcionários técnicos e administrativos. Nas relações mútuas entre direção e professores. professores e comunidade. O processo e o exercício de planejar referem-se a uma antecipação da prática. do clima amistoso de trabalho. em função dos objetivos básicos da escola. de modo a prever e programar as ações e os resultados desejados. As . 8. CAPÍTULO VIII – O Planejamento Escolar e o Projeto Pedagógico Curricular 123 O planejamento escolar consiste numa atividade de previsão da ação a ser realizada. procedimentos e recursos a serem empregados. A equipe da escola precisa investir sistematicamente na mudança das relações autoritárias para relações baseadas no diálogo e no consenso. implicando definição de necessidades a atender. Relações humanas produtivas e criativas assentadas na busca de objetivos comuns Esse princípio indica a importância do sistema de relações interpessoais em função da qualidade do trabalho de cada educador. há que combinar exigência e respeito. O controle implica uma avaliação mútua entre direção. severidade e tato humano. constituindo-se numa atividade necessária à tomada de decisões.princípio da relação orgânica entre a direção e a participação dos membros da equipe escolar. tempo de execução e formas de avaliação. é preciso insistir que o conjunto das ações de organização do trabalho na escola estão voltados para as ações pedagógico-didáticas.

O caráter de processo indica. Em razão disso. mas a uma atividade permanente de reflexão e ação. O planejamento se concretiza em planos e projetos. No planejamento escolar. ter um plano de ação. também. o que se planeja são as atividades de ensino e de aprendizagem. as ações são improvisadas. uma seqüência de ações que irão orientar a prática. Sem planejamento. meios de sua execução e critérios de avaliação da qualidade do trabalho que realizam. conteúdos. a gestão corre ao sabor das circunstâncias. 124 é uma prática de elaboração conjunta dos planos e sua discussão pública. um esquema que representa uma idéia. possibilitando a revisão dos planos e projetos. atitudes. Uma importante característica do planejamento é o seu caráter processual. uma meta. valores. O planejamento é um processo contínuo de conhecimento e análise da realidade escolar em suas condições concretas. um ob jetivo. tanto da escola e do currículo quanto do ensino. A ação de planejar subordina-se à natureza da atividade realizada. O ato de planejar não se reduz à elaboração dos planos de trabalho. a correção no rumo das ações. modos de agir dos educadores que atuam na escola. os resultados não são avaliados.instituições e organizações sociais precisam formular objetivos. que um plano prévio é um roteiro para a . o planejamento nunca é apenas individual. Um plano ou um projeto é um esboço. fortemente determinadas por uma intencionalidade educativa envolvendo objetivos. de busca de alternativas para a solução de problemas e de tomada de decisões.

O processo de planejamento inclui. prevê os passos a seguir. causas que as originam. Determinação de atividades e tarefas a serem desenvolvidas em função de prioridades postas pelas condições concretas e compatibilização com os recursos disponíveis (elementos humanos e recursos materiais e financeiros). 125 O projeto pedagógico-curricular . expectativas e decisões da equipe da escola. ele antecipa mentalmente a prática. tendo em vista a análise crítica e profunda do trabalho realizado e a reordenação de rumos. implicando permanente ação. pois estes vão se delineando no desenvolvimento do trabalho. mas não pode determinar rigidamente os resultados. a avaliação dos processos e resultados previstos no projeto. em relação aos resultados obtidos até então. O planejamento escolar atende. em geral. Consolida-se num documento que detalha objetivos. às seguintes funções: Diagnóstico e análise da realidade da escola: busca de informações reais e atualizadas que permitam identificar as dificuldades existentes. diretrizes e ações do processo educativo a ser desenvolvido na escola.características gerais O projeto pedagógico-curricular é a concretização do processo de planejamento. expressando a síntese das exigências sociais e legais do sistema de .prática. reflexão e deliberação dos educadores sobre a prática em curso. também. Definição de objetivos e metas compatibilizando a política e as diretrizes do sistema escolar com as intenções.

depois não se mexia mais a não ser no ano seguinte. propondose as formas mais adequadas de atender necessidades sociais e individuais dos alunos. valores. O projeto pedagógico-curricular deve ser compreendido como instrumento e processo de organização da escola. Com isso. é um conjunto de princípios e práticas que reflete e recria essa cultura. métodos. Tinha-se uma idéia de que a prática docente seria algo muito preciso e muito seguro. . portanto. significados. projetando a cultura organizacional que se deseja visando a intervenção e transformação da realidade. o projeto pedagógicocurricular é tanto a expressão da cultura da escola (cultura organizacional) como sua recriação e desenvolvimento. Ao mesmo tempo. estratégias e formas de avaliação dentro de uma seqüência de passos extremamente rígida. Expressa a cultura da escola porque está assentado nas crenças.ensino e os propósitos e expectativas da comunidade escolar. Considera o que já está instituído (legislação. bastando planejar bem para se ter resultados bons. modos de pensar e agir das pessoas que o elaboram. O projeto. A concepção de projeto pedagógico-curricular é diferente daquela prática de planejamento curricular que se consolidou nas escolas brasileiras sob influência do tecnicismo educacional a partir dos anos 70. reflete-se sobre ela e traçam-se as coordenadas para a construção de uma nova realidade. De certo modo. conteúdos. Os planos consistiam na determinação de objetivos. currículos. o planejamento curricular se restringia à semana de planejamento realizada no início do ano. orienta a prática de produzir uma realidade: conhece-se a realidade presente. em que o plano era mais um modelo do que um guia para a ação.

Nesse sentido. de forma a corrigir desvios.126 formas organizativas da escola etc. modos de agir. estruturas. . procedimentos. inconcluso. queremos? Que objetivos e metas correspondem às necessidades e espectativas desta comunidade escolar? Que necessidades precisamos atender em termos de formação dos alunos e alunas para a autonomia. as escolas não são iguais. cidadania. profissionais desta escola. ele sintetiza os interesses. participação? Como faremos para colocar o projeto em permanente avaliação. no país. o projeto é avaliado ao longo do ano letivo para verificar se as ações estão correspondendo ao que foi previsto. estabelece. portanto. valores. cria objetivos. os desejos. mas tem também uma característica de instituinte. no mundo). as propostas dos educadores que trabalham na escola. nós. ou seja.). dentro da prática da ação-reflexão-ação? Considerando o caráter processual do planejamento. pela sua intencionalidade. se as metas precisam ser alteradas em função de fatos inesperados. institui uma cultura organizacional. Isso é assim porque as escolas são instituições marcadas pela interação entre pessoas. A característica de instituinte significa que o projeto institui. Por isso é que se diz que as organizações são sempre construídas e reconstruídas socialmente. instrumentos. pela interligação com o que acontece no mundo exterior (na comunidade. hábitos. respondendo estas perguntas: Que tipo de escola. tomar novas decisões e replanejar o rumo do trabalho. o que leva a concluir que as situações de ensino não se repetem. Todo projeto é.

dá mostras de maturidade de sua equipe. Atente-se que o projeto pedagógico-curricular não pode ser confundido com a organização escolar nem substitui a gestão. nestes termos. O projeto é um guia para a ação. A ação pedagógica. formula metas. principalmente. um rumo. orientando o trabalho educativo para as finalidades sociais e políticas almejadas pelo grupo de educadores. ao "por que se faz". A gestão põe em prática o processo organizacional para atender ao projeto. Uma visão crítica da Pedagogia assume que ter uma atitude pedagógica é dar uma direção de sentido. seu projeto pedagógico-curricular. A elaboração e execução do projeto pedagógicocurricular. às práticas educativas. de bom nível de desenvolvimento 127 profissional dos seus professores. de modo que este é um instrumento da gestão. de capacidade de liderança da direção e de envolvimento da comunidade escolar. institui procedimentos e instrumentos de ação. é a melhor demonstração de autonomia da equipe escolar e uma oportunidade de desenvolvimento profissional dos professores. num trabalho cooperativo.A escola que conseguir elaborar e executar. Por que a expressão projeto pedagógico-curricular? O termo pedagógico é representativo de uma concepção de educação que considera a Pedagogia como a reflexão sistemática sobre as práticas educativas. onde quer que elas sejam realizadas . não se refere apenas ao "como se faz". dá uma direção política e pedagógica para o trabalho escolar. portanto. mas. prevê. São duas coisas diferentes. Dessa reflexão resulta a formulação de objetivos e meios formativos para dar uma direção ao processo educativo.

uma vez que o currículo é a projeção. é a concretização da posição da escola face à cultura . Trata-se. regionais. forma de trabalho cultural. Essas são as idéias-chave que esclarecem o caráter "pedagógico" de um projeto. Essa atitude tem as seguintes características: compreende a educação como prática social de assimilação ativa da experiência humana historicamente acumulada e culturalmente organizada. de entender a pedagogia como prática cultural. 1998). contexto esse sempre em transformação. essa prática de mediação cultural visa ao pleno desenvolvimento das capacidades humanas. portanto.(Libâneo. o currículo. portanto. que envolve uma prática intencional de produção e internalizafão de significados. É esse caráter de mediação cultural da pedagogia que faz viabilizar várias modalidades e formas institucionais de educação. O termo curricular indica o referencial concreto da proposta pedagógica. Também daí decorrem as várias projeções das opções político-pedagógicas em planos ou projetos nacionais. entre elas a educação escolar. do projeto pedagógico. locais. no dizer de Gimeno Sacristán (1998). o desdobramento. como mediação da cultura. O currículo. expressam intenções e ações logo materializadas nos currículos. por sua vez. que. conforme necessidades e exigências sociais concretas postas à humanização (emancipação humana) num determinado contexto histórico-social. 128 formula objetivos e implementa as condições organizativas e metodológicas para a viabilização da atividade educativa.

aberta a um exame crítico para que possa ser traduzida na prática. Ou como diz Stenhouse (in Pedra. 1997). As decisões a serem tomadas em função do projeto pedagógico-curricular podem considerar. o currículo comunica princípios essenciais de uma proposta educativa. culturais. os seguintes pontos: a) Princípios (pontos de partida comuns) . Supõe-se. a projeção dos objetivos. o currículo também realimenta e modifica o projeto pedagógico. "um modo pelo qual a cultura é representada e reproduzida no cotidiano das instituições escolares" (Pedra. 129 uma estreita articulação entre o projeto pedagógico e a proposta curricular. Há muitas definições do termo currículo: resultados buscados na aprendizagem. de modo a promover um entrecruzamento dos objetivos e estratégias para o ensino formulados a partir de necessidades e exigências da sociedade e do aluno com base em critérios filosóficos. Mas. experiências que devem ser providas aos estudantes. assim. orientações e diretrizes operacionais previstas no projeto pedagógico. princípios orientadores da prática. com as experiências educacionais a serem providas aos alunos por meio do currículo. seleção e organização da cultura. Hoje é bastante aceita a idéia de que currículo é. políticos. 1997). Adotar uma ou várias delas dependerá de opção entre as muitas teorias em voga. uma ambientação para vivenciar experiências culturais. ao menos. além da seleção da cultura da sociedade. Ou mais precisamente. portanto. pedagógicos.produzida pela sociedade. A proposta curricular e. ao pôr em prática o projeto pedagógico.

dos problemas. que todos entrem em acordo sobre elas a partir de um consenso mínimo. sociais. cada membro assume sua parte no trabalho. mas implica responsabilidades. define-se que as decisões são tomadas coletivamente. que é um retrato realista da situação. c) Sistema e práticas de gestão negociadas A participação na gestão democrática implica decisões sobre as formas de organização e gestão. É preciso que a direção e os professores entrem em acordo sobre as práticas de gestão. do papel da escola na sociedade. dos conteúdos e métodos. o que é de responsabilidade de cada professor. Depois segue-se a tomada de decisões. dos alunos. É desejável que a escola tenha uma linha . do papel do professor e dos alunos. o que se atacará em conjunto com toda a equipe. escolha de prioridades. Por exemplo. admitindo o exercício da direção para coordenar. Aqui entra a importância do diagnóstico. das demandas a atender no mundo de hoje em função das necessidades pessoais. profissionais. 130 d) Unidade teórico-metodológica no trabalho pedagógicodidático A unidade teórico-metodológica começa pela definição de objetivos comuns e é assegurada pela coordenação pedagógica e pelo trabalho conjunto e articulado dos professores. A decisão é coletiva.É desejável que os professores e especialistas formem um consenso mínimo em torno de opções sociais. acompanhar e avaliar o trabalho de cada um. b) Objetivos (pontos de chegada comuns) Os objetivos expressam intenções bem concretas. uma vez tomadas as decisões. Entretanto. políticas e pedagógicas.

sua extensão e sua profundidade. cumprimento de prazos. evidências de comportamento dos alunos etc. Nenhum membro da equipe escolar deveria estranhar uma cobrança de trabalho feita pelo diretor se esse trabalho foi decidido coletivamente. confrontando o que foi decidido e o que está sendo feito. também. os vários entendimentos sobre a noção de projeto.). e) Sistema explicito e transparente de acompanhamento e avaliação do projeto e das atividades da escola O acompanhamento e a avaliação põem em evidência os êxitos. presença dos pais na escola etc. Em estudos especializados. A avaliação da organização e gestão escolar pode ser quantitativa (matrículas/evasão. mas também as dificuldades surgidas na implantação e execução dos planos. inicialmente. Este é. rendimento escolar dos alunos. os resultados. Os integrantes da escola escolherão o conteúdo do projeto. ainda que ela expresse princípios e orientações mais gerais. A importância do projeto na organização e gestão da escola Consideremos. A avaliação depende de informações concretas e objetivas. nível de satisfação dos alunos e das famílias.pedagógico-didática com a qual todos possam compartilhar. O projeto pedagógico-curricular expressa as decisões da escola e o seu conteúdo varia de sistema para sistema. um requisito para a escola trabalhar com a interdisciplinaridade. de escola para escola. o projeto está .) e qualitativa (grau de atendimento das necessidades e expectativas. o que supõe o acompanhamento.

) Quando variam os níveis de decisão. regional.) O programa (é) componente do plano. faz uma distinção clara entre esses termos. Planejamento seria o processo de previsão de objetivos.131 incluído na noção mais ampla de planejamento. nacional. uma subdivisão que permite agrupar as decisões por áreas de ação semelhantes sob o mesmo título" (1979). (. no Brasil. elas . procedimentos como forma de racionalização da ação.) O plano difere do projeto essencialmente no que se refere à a amplitude do objeto. por sua vez subdividido em programas. (. metas. Plano seria o documento mais abrangente que resulta do processo de planejamento.. Esse entendimento vigorou durante anos. Enquanto o plano procura reunir um conjunto de elementos de decisão necessários para concretizar racionalmente a conduta de um grupo humano ou de um conjunto e unidade de produção. ações. ou seja. sendo o plano. Os programas explicitariam uma linha de ações globais e cada programa seria detalhado em projetos. Dessa compreensão de conjunto do processo de planejamento..... o projeto objetiva o estudo do uso mais racional dos recursos econômicos (escassos) para a produção de um bem ou serviço. podem resultar para as escolas várias concepções de planejamento escolar: Se as escolas forem consideradas unidades administrativas dentro do planejamento geral do Ministério da Educação ou da Secretaria da Educação. (. o programa e o projeto documentos. como por exemplo.. em sucessivos governos. O planejamento é um processo sistematizado. estadual ou da empresa. Carvalho. um conhecido especialista em teoria do planejamento. podem variar também os elementos componentes do projeto.

dentro da estrutura hierárquica do sistema. resumidamente. A escolha de uma dessas alternativas envolve uma gama de considerações que não podem ser esgotadas apenas em um capítulo. Ainda consideradas como relativamente autônomas. a adoção da prática do projeto pedagógico-curricular. manter uma excessiva dependência das instâncias do sistema escolar (considere-se que sempre haverá uma certa subordinação às políticas educacionais e curriculares do sistema). Limitamo-nos a comentar. ora fazendo um plano e alguns projetos específicos. a nosso ver. . Observe-se que essas situações refletem diferentes percepções das formas de gestão e direção. todavia. os programas e os projetos. cada escola configuraria um projeto. em interação crítica com as orientações dos sistemas de ensino. Também indicam diferentes modelos operacionais já que as escolas poderiam trabalhar. ora com diferentes graus de complexidade (ter um plano global. Um dos temas mais recorrentes dos estudos atuais sobre a escola é a descentralização dos serviços educacionais. as escolas poderiam configurar-se como um projeto sem. é mais compatível com a realidade educacional brasileira.seriam a última instância do processo de planejamento. qual seja. Se as escolas forem consideradas unidades relativamente autônomas. ora com uma dependência maior ou menor da hierarquia do sistema escolar. ora simplesmente um projeto. portanto. elas poderiam realizar em si mesmas todas 132 as características de um processo de planejamento: teriam o plano. programas e projetos específicos). as tendências atuais sobre o assunto e a apresentar uma solução que. todavia.

a organização escolar transforma-se em espaço educativo. de fato. 133 Apesar dessa desconfiança ser bastante pertinente há. A autonomia propicia aos professores mais liberdade para travar relações com a comunidade local e fazer outras parcerias. as escolas e os professores estariam assumindo seu poder de decisão. a autonomia fortalece as escolas. mediante a autonomia pedagógica e financeira. . uma tendência forte em favor da autonomia e da prerrogativa das escolas e professores de decidirem acerca dos objetivos e das formas de trabalhar. também.A descentralização implica a autonomia da escola. É desse esforço que pode resultar a participação do conjunto dos membros da escola. Sem dúvida. dentro de uma estratégia de diminuir o papel do Estado na sociedade. Resulta. envolvendo os professores e demais educadores na responsabilidade em assumir um papel na organização do trabalho escolar não apenas na sala de aula mas na escola como um todo. mas hoje há forte desconfiança de que a descentralização e a autonomia das escolas seria uma forma de o Estado livrar-se de suas responsabilidades públicas. difundindo-se a idéia de que as responsabilidades do governo e da sociedade civil se equivalem. Tomando-se a gestão e a autonomia nesse sentido. isto é. Essa tese já foi muito bem aceita pelos educadores progressistas. em lugar onde todos podem aprender permanentemente. a co-responsabilização pelas ações de ensino e aprendizagem e um bom projeto pedagógico. do empenho nas formas de gestão da escola um vínculo mais estreito com a comunidade. acentua o espírito de equipe.

definir seu papel estratégico na educação das crianças e jovens. Isso significa que o projeto é ao mesmo tempo um desejo. o que desejamos. a coordenação pedagógica. tomarem sua escola nas mãos. é o meio pelo qual os agentes diretos da escola tornam-se sujeitos históricos. uma utopia. da comunidade. isto é. o norteador da vida escolar. por isso precisa ser sempre operacional. na produção social do futuro (da escola.Aceita essa justificativa. Para isso. O projeto. o projeto incorpora a utopia mas sua característica é organizar a ação. O projeto sintetiza: o que temos. é mutável. visando a atingir os objetivos que se propõem. da sociedade). . numa perspectiva progressista. organizar suas ações. Pode-se dizer. os professores e a comunidade. a forma de concretizar as intenções e as expectativas da equipe escolar. a idéia de projeto pedagógico ganha força. Melhor dizendo. O projeto surge como forma de superação de um paradigma técnico (ou tecnicista) em que tudo o que a escola e os professores precisam fazer já vem estabelecido de cima. precisamente. É o ordenador. pela sua 134 natureza. é preciso prever e antecipar ações. que o projeto representa a oportunidade de a direção. já que ele é. o que faremos em função do que desejamos. então. sujeitos capazes de intervir conscientemente e coletivamente nos objetivos e nas práticas de sua escola. organizando as formas de intervenção e atuação numa realidade que. e uma concretização.

outros colocam o projeto curricular antes do pedagógico e há os que preferem chamar tudo de plano da escola. Como se denomina esse projeto? Projeto educativo. do ambiente de trabalho. plano de escola? Não há uma denominação que tenha unanimidade entre os educadores. A rigor. Trata-se de um documento só. coordenação pedagógica. ações e meios. Todavia.como saber se o que estamos fazendo corresponde ao que desejamos. Os profissionais (direção. optamos pela denominação projeto pedagógico-curricular. mudando junto com seus profissionais. Os indivíduos e os grupos mudam mudando o próprio contexto em que trabalham. é um ingrediente do potencial formativo das situações de trabalho. projeto pedagógico. este incluindo-se naquele. Todos podemos aprender afazer do exercício do trabalho um objeto de reflexão e pesquisa. o que importa é o processo de ação-reflexão-ação que se instaura na escola envolvendo todos os seus integrantes. Por sua vez. O projeto pedagógico assim entendido. funcionários) aprendem através da organização. projeto curricular. Outros entendem que projeto pedagógico é a mesma coisa que projeto curricular. professores. projeto pedagógico-curricular. projeto político-pedagógico. há quem considere o projeto educativo mais amplo que o projeto pedagógico. integrando e articulando o ideário. as organizações também aprendem. no qual está implícito um plano. Sem descartar outras possibilidades. O ideário é a concepção de 135 . objetivos.

O processo de elaboração do projeto pedagógico-curricular Conforme vimos mencionando. seu modo de planejar. podem ser indicados alguns princípios e algumas formas de sua operacionalização. adaptações ou elaborações curriculares" de modo que possam dialogar com as propostas e experiências já existentes. em que os professores e equipe escolar discutem e definem objetivos. têm sua diversidade. O terceiro nível refere-se ao uso dos PCN na elaboração do projeto educativo da escola. Há neste livro uma variedade de possibilidades de sistematização. cada situação. do Ministério da Educação. Todavia. de modo que "fazer planejamento" é ir percorrendo as várias fases de elaboração do projeto. o projeto concretiza o processo de planejamento. abordagens metodológicas e . conteúdos. sua singularidade. 1994). O segundo nível é a utilização dos PCN para as propostas das secretarias de educação nos estados e municípios "como recursos para revisões. que e o conteúdo dos próprios Parâmetros Curriculares. O primeiro nível corresponde à proposição de subsídios para a discussão e elaboração de propostas curriculares nos diferentes estados e municípios. com vários roteiros e indicações de tópicos (consultar o Capítulo XIII e os Anexos). Não há uma única maneira de elaborar o projeto pedagógico-curricular. O documento Parâmetros Curriculares Nacionais (1998). cada escola. estipula quatro níveis de concretização do planejamento escolar. ao qual se seguem os objetivos. as ações e meios de realização do trabalho.educação que determina "o sentido e a natureza das decisões e das ações a desenvolver junto dos alunos" (Carvalho e Diogo.

em blocos de duas séries. formulado por uma comissão de pedagogos e professores. Orientações didáticas. que "indicam capacidades relativas aos aspectos cognitivo. o projeto pedagógico-curricular e os planos de ensino das disciplinas. Na escola realizam-se o terceiro e o quarto nível de concretização curricular. estético. A partir desses tópicos gerais. Este esboço prévio tem a finalidade de deslanchar o processo e mobilizar as pessoas para a discussão pública e elaboração do projeto. afetivo. O processo de elaboração do projeto pode iniciar-se com um plano geral. de forma a expressar a formação básica necessária para o exercício da cidadania e nortear a seleção de conteúdos". que compõem o ensino fundamental. 136 Para isso.critérios de avaliação para cada ciclo. organizados em quatro ciclos de escolarização. considerando-se sucessivamente. físico. ético. explicitando a contribuição especifica dos diferentes âmbitos do conhecimento". são distribuídas as . Objetivos gerais de áreas. esquemático. Critérios de avaliação das aprendizagens fundamentais. por ciclo. em que o professor compatibiliza seu plano de ensino conforme as metas estabelecidas na fase anterior e às características de seu grupo específico de alunos. de atuação e inserção social. Objetivos e conteúdos. os PCN propõem: Objetivos gerais do ensino fundamental. O quarto nível é a realização do currículo na sala de aula. "que expressam capacidades que os alunos devem desenvolver ao longo da escolaridade obrigatória.

2.4. a correspondência entre os resultados e os objetivos previstos. identificar necessidades e problemas e sugerir soluções. visão que os alunos têm da escola. Contextualização e caracterização da escola 1. Condições físicas e materiais 1. Concepção de educação e de práticas escolares 2. A fase seguinte pode ser a elaboração de um documento gerador. sem necessidade de votação. escola e comunidade). estabelecimento de metas e atividades etc. elaborase e aprova-se o documento final. Breve história da escola (como surgiu. culturais. participação dos professores. Princípios norteadores da ação pedagógico-didática . também elaborado por uma comissão. análise. Uma comissão de acompanhamento e avaliação do projeto reunirse-á periodicamente para verificar o cumprimento das metas. a ser estudado previamente por toda a equipe de trabalho e depois discutido e aprovado.1. Concepção de escola e de perfil de formação dos alunos 2.3.responsabilidades das sub-comissões para coleta de dados. gestão. Caracterização dos elementos humanos 1. como vem funcionando. Os seguintes tópicos compõem a sugestão de um roteiro para formulação do projeto pedagógico-curricular: 1. pais.2. identificação de problemas e prioridades. administração.2. econômicos. Aspectos sociais. Finalmente. geográficos 1.1. mais detalhado. Recomenda-se que a discussão vá caminhando 137 para um consenso em torno de pontos que possam ser compartilhados por todos.

Formas de avaliação do projeto Apresenta-se. escolha de soluções 4. as necessidades da comunidade.2. pedagógicos 6.1. Proposta de formação continuada de professores 8. Proposta curricular 6. Estrutura de organização e gestão 5. psicológicos. a origem social e cultural dos alunos etc. Levantamento e identificação de problemas e necessidades a atender 3.1. . físicos e materiais. a descrição do conteúdo de cada tópico: Contextualização e caracterização da escola Este tópico visa caracterizar o contexto econômico e sociocultural em que a escola está inserida. conteúdos. Diagnóstico da situação atual 3.3. a fim de avaliar as condições existentes. descrever os aspectos humanos. Organização curricular (da escola. Aspectos financeiros 138 6. a seguir. plano de ensino da disciplina): Objetivos. Aspectos organizacionais 5.2. Proposta de trabalho com pais.2. epistemológicos. avaliação da aprendizagem 7. comunidade e outras escolas de uma mesma área geográfica 9. Estas informações são sumamente relevantes para o projeto. Fundamentos sociológicos. Definição de prioridades 3. culturais. Aspectos administrativos 5. desenvolvimento metodológico. Objetivos gerais 5.3 Estratégias de ação. das séries ou ciclos.1.3.

O projeto pedagógico-curricular reflete expectativas da sociedade e dos próprios educadores sobre o significado de "aluno educado" e para que tipo de sociedade se educa. jurídica. do clima da escola. 139 Diagnóstico e análise dos problemas e necessidades Essa fase corresponde à caracterização sócio-econômica e cultural do contexto da ação escolar. Nesse caso. realizado a partir do levantamento de dados. cultural. O diagnóstico. financeiros. visa analisar e explicar a situação. Todavia. administrativos. relacionamento com pais e comunidade etc. cabe uma caracterização sócio-económica. das condições físicas e materiais. articulando o problema e suas causas internas e externas. Há uma grande variedade de problemas administrativos e pedagógicos que as escolas podem apresentar: falta de .Concepção de educação e de práticas escolares A finalidade deste tópico é apresentar uma síntese do "pensamento" da equipe de professores e pedagogos sobre educação e currículo. com base nas exigências e necessidades sociais e nas suas próprias crenças. tipo de gestão. O diagnóstico terá a extensão que se julgar mais conveniente. significados. do pessoal técnico e docente. As questões e problemas podem ser levantadas em reunião ou podem ser listadas por uma comissão de professores e pedagogos e discutidas. se a escola nunca fez um diagnóstico completo. é bom que o faça uma primeira vez e o refaça de tempos em tempos. Os problemas podem ser agrupados em pedagógicos. valores.

coleta de opiniões em situação grupal. Estrutura Organizacional Refere-se à descrição da estrutura de funcionamento e dos meios de organização e gestão. capacidade da equipe de profissionais. excesso de agressões verbais ou violência física no recreio. aplicação de questionários. tempo etc. custo. inexistência de critérios de reprovação de alunos por parte da escola. Há vários meios de se fazer o diagnóstico e o levantamento de problemas: observações. entrevistas. de vários caminhos. Considere-se que. dificuldade generalizada de leitura e interpretação de textos pelos alunos etc. distribuição da merenda de forma inadequada com prejuízo para o andamento das aulas. É óbvio que seleção depende de condições reais como espaço físico. Após o levantamento de muitas idéias. falta de atenção do pessoal de secretaria em relação às mães. falta de entrosamento entre os planos de ensino das matérias.comunicação entre direção e professores. deixando os objetivos específicos para o tópico referente à proposta curricular. entrada e saída dos alunos de forma desordenada. falta de definição de responsabilidades na equipe. a cada momento do desenvolvimento das atividades escolares. o diagnóstico vai sendo refeito. responsabilidades. procede-se à seleção dos objetivos ou metas. 140 Objetivos gerais Nesta fase são propostas as metas mais amplas que se deseja alcançar. .

será detalhado à parte em tópico específico. Avaliação do projeto A avaliação será processual-somativa. o currículo é um desdobramento necessário do projeto pedagógico. ou seja. materializando intenções e orientações previstas no . 141 A proposta curricular . Dentro do marco teórico adotado neste livro. A proposta curricular Este tópico do projeto destina-se. especificamente. à definição da atuação da escola no processo de ensino e aprendizagem. "A avaliação deverá fornecer os dados necessários para intervir no sentido de corrigir a coerência (relação entre o projeto e o problema). 1994). a eficiência (gestão e administração dos recursos e meios) e eficácia (relação entre a ação e os resultados)" (Carvalho e Diogo. é ele que viabiliza o processo de ensino e aprendizagem. a análise dos resultados.a organização e o desenvolvimento do currículo O currículo constitui o elemento nuclear do projeto pedagógico. a redefinição permanente de objetivos e meios. incluindo a coleta de dados. Pela importância deste item no projeto pedagógico-curricular. tal como descreveremos nos capítulos seguintes. através do currículo. a proposta curricular define-se como projeção do projeto pedagógico.formas de dinamizar o processo de gestão. A proposta curricular inclui a organização curricular propriamente dita e a organização pedagógico-didática.

introduziram referências de cunho crítico para a investigação do currículo. ou seja. Desde o início dos anos 70. apresentamos algumas idéias sobre o conceito de currículo. a fim de obter uma titulação. superando as anteriores concepções positivistas. um diploma. Quando elaboramos um curriculum vitae. o para quê ensinar. em estreita colaboração com a didática.projeto em objetivos e conteúdos. a proposta curricular é a orientação prática da ação de acordo com um plano mais amplo. percurso" (do verbo latino currere = correr). especialmente na Inglaterra e nos Estados Unidos. Etimologicamente. apresentamos nossa "carreira da vida". nosso "percurso de vida". o currículo define o que ensinar. Enquanto projeção do projeto pedagógico. é um nível do planejamento entre o projeto pedagógico e a ação prática. O termo currículo possui vários sentidos. Algumas dessas teorias trouxeram contribuições decisivas 142 . os estudos sobre currículo tiveram um desenvolvimento considerável. o plano de estudos ou a grade curricular. o como ensinar e as formas de avaliação. significa "ato de correr. No linguajar comum ainda predomina a idéia de currículo como o conjunto das disciplinas que o aluno deve percorrer. identificando quase sempre o conjunto de saberes e/ou experiências que alunos precisam adquirir e/ou vivenciar em função de sua formação. Nesse sentido. Antes das sugestões sobre o que deve conter a proposta de organização curricular. Significados mais ampliados do termo surgem no início do século XX. originando-se daí novas tendências teóricas que.

) um modo pelo qual a cultura é representada e reproduzida no cotidiano das instituições escolares. por tentarem esclarecer a seguinte tese de Basil Bernstein: A maneira pela qual uma sociedade seleciona. Isso. reflete a distribuição do poder em seu interior e a maneira pela qual se encontra aí assegurado o controle social dos comportamentos individuais (In Forquin. também. Ou seja. entre a . de fato. que pode concretizar objetivos e práticas que representam interesses sociais e políticos dos segmentos majoritários mais excluídos e mais explorados da sociedade.para a compreensão do papel ideológico e político do currículo. é verdade.. 1999) O currículo é a ligação entre a cultura e a sociedade exterior à escola e à educação. Consideradas essas questões. com o que as escolas acabam por conformar-se. também.. o modo pelo qual se selecionam.). não nos impede de compreendê-los como seleção de saberes e experiências. seleção essa feita a partir do que a sociedade julga necessário ser incorporado pelos alunos.. (Pedra. distribuem e avaliam conhecimentos no espaço das instituições escolares. intenções e práticas sociais que estão por detrás dos currículos. Essa afirmação expressa. propomos ficar com duas definições bem pontuais que são. acompanhados de sua comunicação na escola. classificam. político.. 1992). complementares: O currículo é a representação da cultura no cotidiano escolar (. se é verdade que o currículo quase sempre expressa interesses dos grupos sociais com mais poder econômico. entre o conhecimento e cultura herdados e a aprendizagem dos alunos. transmite e avalia os saberes educacionais destinados ao ensino. todavia. (. classifica. distribui. social.

o papel social da escola se realiza por meio do currículo. em função de que aprender? Há aí uma espécie de diálogo com a sociedade e entre a própria equipe de professores. dadas determinadas condições (Gimeno Sacristán. o currículo representa a seleção e organização da cultura. tendo em vista a .1999). tornadas realidade pelo trabalho dos professores e sob determinadas condições providas pela organização escolar. Existe ensino porque existe uma cultura. Ou seja.). A segunda mostra que o currículo é a concretização do posicionamento da escola face à cultura produzida pela sociedade. procedimentos. A primeira definição destaca a idéia de que o currículo se sustenta em representações sociais presentes na cultura na qual se 143 dá a teoria e a prática do currículo. de avaliação etc. Em síntese. Para Gimeno. formas de gestão. valores. o currículo reflete intenções (objetivos) e ações (conhecimentos. eles realizam uma escolha para responder a estas indagações: o que nossos alunos precisam aprender. aqui. entendidas como idéias. suposições e aspirações) e a prática possível. modos de agir. Representações.teoria (idéias. para que aprender. sobre o que é relevante que os alunos aprendam em função de suas necessidades pessoais e das necessidades e exigências de interesses em jogo na sociedade. Quando os professores e a equipe escolar planejam o currículo. conhecimentos. e o currículo é a seleção e organização dessa cultura. que devem ser reproduzidos e produzidos para se assegurar o funcionamento de um tipo de sociedade.

O currículo formal ou oficial é aquele conjunto de diretrizes normativas prescritas institucionalmente. real. as características desses vários níveis. currículo real. de fato. É o currículo legal expresso em diretrizes curriculares. por exemplo. a seguir. intervenção da própria experiência dos professores. A distinção entre esses vários níveis de currículo serve para mostrar que o que os alunos aprendem na escola ou o que deixam de aprender. objetivos e conteúdos das áreas ou disciplinas de estudo.melhor qualidade do processo de ensino e aprendizagem (Carvalho e Diogo. mesmo que nesse caminho do planejar e do executar aconteçam mudanças. os Parâmetros Curriculares Nacionais divulgados pelo Ministério da Educação. É o currículo que . oculto. acontece na sala de aula em decorrência de um projeto pedagógico e dos planos de ensino. decorrentes do seus valores. currículo oculto Os estudos sobre currículo realizados a partir das décadas 1960-70 destacam a existência nas escolas de vários níveis de currículo: formal. é a efetivação do que foi planejado. crenças. Explicitamos. as propostas curriculares dos Estado e Municípios. depende de muitos fatores e não apenas das disciplinas previstas na grade curricular. Currículo Real . 144 Currículo formal .refere-se ao currículo estabelecido pelos sistemas de ensino ou instituição educacional. significados. É a execução de um plano. Níveis de currículo: currículo formal.é o currículo que. 1994). como.

Alguns autores chamam de currículo experienciado essas percepções dos alunos que resultam de sua reação ao que está sendo ensinado ou vivenciado.Essa denominação refere-se àquelas influências que afetam a aprendizagem dos alunos e o trabalho dos professores provenientes da experiência cultural. que vigoram no meio social e escolar. compreendido e retido pelos alunos não corresponde ao que os professores ensinam ou crêem estar ensinando. ele segue uma seqüência que começa quase sempre na esfera política e administrativa do sistema escolar. . da percepção e do uso que os professores fazem do currículo formal. significados. comportamentos existentes na cultura. Currículo oculto . gestos. Primeiramente. valores. não aparece no planejamento. Esses vários sentidos aparecem de alguma forma na prática escolar. comportamentos. é retrabalhado pelos professores. O currículo oculto representa tudo o que os alunos aprendem pela convivência espontânea em meio às várias práticas.sai da prática dos professores. dos valores e significados trazidos pelas pessoas de seu meio social e vivenciados na própria escola. assim como o que fica na percepção dos alunos. cruzando-se entre si. percepções. até chegar aos alunos. embora se constitua como importante fator de aprendizagem. das práticas e experiências compartilhadas na escola e na sala de aula. ou seja. atitudes. é razoável supor que o currículo tem sempre uma dimensão externa. O currículo está "oculto" porque 145 ele não é prescrito. ou seja. Freqüentemente. o que é realmente aprendido. passa pelas crenças.

como importante elemento curricular. professores. procedimentos. ênfases e. os objetivos dos integrantes da escola. o currículo representa. a higiene e limpeza nas dependências da escola etc. políticas.). as atitudes que tomam em relação às diferenças individuais dos alunos. quanto diferentes interpretações.Isso significa que ele está impregnado de influências sociais...cultura organizacional . que precisam ser detectadas pelos professores. hábitos . à primeira vista. de forma intencional e programada mas. pais. o modo como os alunos se relacionam entre si. há aprendizagens consumadas fora do previsto formalmente (currículo oculto) desejadas ou não pelos agentes escolares (direção. o currículo é submetido a transformações pelos professores e alunos (currículo real). de fato. o conjunto das aprendizagens que os alunos precisam internalizar. distorções de conteúdo. econômicas. atitudes. suas atitudes nas brincadeiras e jogos. em relação às ciências que dão origem às matérias escolares. inclusive para que compreendam que essas influências limitam o poder de intervenção da escola. o desejo dos professores e da equipe escolar. até. de forma que ele tanto pode expressar a autonomia da escola. Em terceiro lugar. 146 O que significa que o currículo escolar conhecimentos. Em segundo lugar. valores. É por esta razão que temos insistido na consideração da cultura da escola . O currículo real obriga a escola a considerar a cultura proposta pelo currículo formal e as situações de fato vividas na escola e nas salas de aula. pois é no âmbito dessa cultura que observamos a linguagem dos professores.

O papel do aluno. atitudes que se adquirem nas vivências cotidianas na comunidade. Concepções de organização curricular Apresentamos. escola como responsável pelo ajustamento social dos alunos sem preocupação com uma visão critica da sociedade. 1.etc. . Em resumo. alunos. não os processos. razão pela qual a avaliação somativa tem . que acaba por incorporar outros aspectos como a cultura das mídias. centrado no professor e na matéria. é o de armazenador de informações. Importam mais freqüentemente os produtos da aprendizagem. funcionários. sinteticamente. a cultura social. caráter livresco e verbalista. ensino meramente transmissivo. nos jogos e no recreio e outras atividades concretas que acontecem na escola que denominamos ora de currículo real ora de currículo oculto. a construção e elaboração da proposta curricular implica compreender que o currículo é mais do que os conteúdos escolares inscritos nas disciplinas. mas também aqueles valores. algumas concepções mais conhecidas de organização curricular que expressam formas de concretização das intenções pedagógicas. Currículo tradicional O currículo tradicional é o mais utilizado e suas características mais visíveis são conhecidas: organização do conhecimento por disciplinas compartimentalizadas. na maior parte das correntes pedagógicas tradicionais. na interação entre professores. O currículo é o conjunto dos vários tipos de aprendizagens.expressa certo recorte da cultura de um povo. aquelas exigidas pelo processo de escolarização. comportamentos. a cultura dos alunos.

ela cuida apenas do "como". formulam objetivos e conteúdos. busca de . organizados numa "grade curricular". Parte-se de um currículo previamente prescrito por especialistas que. o aluno um receptor de conhecimentos. Os alunos são tidos quase sempre 147 como imaturos. Metodologicamente. 2. as mídias. Diferentemente do cunho acadêmico do currículo tradicional. incluindo hoje. O professor é o detentor da autoridade intelectual e moral (mesmo que não as tenha). isto é. padrões de desempenho. visando a desenvolver habilidades e destrezas para formar o técnico. A escola não discute sobre "o que ensinar". incapazes de refazerem seu próprio percurso de aprendizagem. Ignoram-se as diferenças individuais. os computadores. O currículo é reduzido a um conjunto de disciplinas e de conteúdos a serem "passados" aos alunos. Currículo racional-tecnológico (tecnicista) É o currículo proposto para a transmissão de conteúdos e desenvolvimento de habilidades a serviço do sistema de produção. os professores. o currículo racionaltecnológico não precisa ser discutido e elaborado pelos agentes diretos envolvidos com o ensino e aprendizagem. caracteriza-se pela introdução de técnicas mais refinadas de transmissão. habilidades considerados úteis e desejados pela sociedade. a partir de critérios científicos e técnicos. Definido por especialistas. o currículo racional tecnológico se firma na racionalidade técnica e instrumental.grande peso.

148 3.maior eficiência em função dos produtos da aprendizagem. identificando ensino com métodos e tecnologia educativa. no ritmo de cada um. em que a organização curricular resulta de objetivos assentados em habilidades e destrezas a serem dominados pelos alunos no percurso de formação. as atitudes e os processos cognitivos. Por isso. Esta corrente tem sido denominada. A crítica que se faz a esse tipo de currículo é a sua definição muito estreita de competência. colocando os conteúdos escolares como instrumentos para o desenvolvimento de processos mentais. com o menor custo. Identificado com as idéias de John Dewey. liberado de qualquer consideração em torno de finalidades. Atualmente. não como verdades estabelecidas. apenas restrita ao saber-fazer. O professor é o facilitador da aprendizagem. de tecnicismo educacional. Daí a ênfase nas necessidades e interesses dos alunos. Currículo escolanovista (ou progressivista) O enfoque escolanovista coincide quase sempre com a idéia de currículo centrado no aluno e no provimento de experiências de aprendizagem como forma de ligar a escola com a vida e adaptar os alunos ao meio. uma derivação dessa concepção é o currículo por competências. esse modelo de currículo compreende a educação como um processo interno de desenvolvimento. o conteúdo vem das experiências dos alunos. também. valores etc. os conteúdos são subordinados às necessidades e interesses dos alunos no seu processo de adaptação ao meio. na atividade. valoriza-se bastante a atividade de . de contínua adequação ao meio. sem acentuar os saberes.

o currículo construtivista está diretamente associado à influência de Jean Piaget e seguidores. portanto. que alguns autores chamam de neo-cognitivismo. Currículo construtivista No Brasil. O professor tem o papel justamente de organizador e facilitador da aprendizagem visando a assegurar a interação do aluno com os objetos de conhecimento. Seu objetivo é buscar novos modelos e referências para avançar na investigação sobre os processos psicológicos e a cognição. valorizando mais a construção do conhecimento pelo próprio aluno do que a influência da cultura e do professor. o construtivismo tem influenciado as chamadas ciências da cognição (entre elas a neurofisiologia. derivando-se daí conseqüências para a organização curricular. de modo a possibilitar a construção pessoal dos conhecimentos. a inteligência artificial). 4. a lingüística. recai um peso maior na aprendizagem subordinada ao processo de desenvolvimento 149 cognitivo.pesquisa do aluno e o clima psicológico e social da escola e da sala de aula. Nas concepções fundamentadas em Piaget. Atualmente. O currículo deve prever atividades que correspondam ao nível de desenvolvimento intelectual dos alunos e organizar situações que estimulem suas capacidades cognitivas e sociais. A partir da . Umas das idéias-chave do construtivismo é a crença no papel ativo do sujeito no processo de aprendizagem e. a neurociências. no desenvolvimento dos processos de aprendizagem ativa.

desenvolve-se entre nós um interacionismo de orientação histórico-social. Isso significa admitir um papel essencial do ensino na promoção do desenvolvimento cognitivo e social dos alunos. com seus parceiros. A atividade do sujeito supõe a ação entre sujeitos. Uma das principais diferenças entre os vários construtivismos diz respeito ao papel da cultura. considerando este como algo mais do que uma simples ferramenta conceitual. isto é. etc. a aprendizagem resulta da interação sujeito-objeto. diferenciar. o que remete. do professor. cujas bases teóricas se apóiam no psicólogo russo Vigotsky. capacidade de comparar. b) Ciência cognitiva. que leva ao extremo as analogias entre mente e computador. ao papel do ensino na aprendizagem. as funções mentais superiores (linguagem. bem como do outro. atribuindo-se peso significativo à cultura e às relações sociais. abstração. da cultura. no sentido de uma relação do sujeito com o outro. percepção. A maior parte dos educadores que trabalham com esta posição. Nessa orientação. Mais especificamente. a conhecem como sócio-interacionismo. memória. Nesse sentido. em ultima instância. surgem duas versões: a) Psicologia cognitiva que estuda diretamente o comportamento inteligente de sujeitos humanos.psicolinguística. justamente porque destaca o papel do meio.) são ações internalizadas de algo socialmente constituído. da teoria da comunicação e da cibernética (ciência dos computadores). essa posição é . mas a ação do sujeito sobre o meio é socialmente mediada. Por isso. postula a origem social das funções mentais superiores. dos colegas. dos conhecimentos anteriores e do professor. atenção voluntária.

visando a construção de novas relações sociais. o desemprego. algumas dão mais ênfase às questões políticas do processo de formação. outras colocam a relação pedagógica como mediação da formação política. a violência. de modo a eliminar as mazelas sociais existentes como a pobreza. Currículo sócio-crítico (ou histórico-social) A abordagem sócio-crítica possui várias correntes. inclusive para submeter os conteúdos a uma análise ideológica e política. às vezes divergentes entre si. Neste segundo caso. destaca-se a importância da responsabilidade social e da busca do interesse coletivo. 5. adere à idéia da aprendizagem como construção do sujeito. Em razão disso. As abordagens críticas convergem na concepção de ensino como compreensão da realidade para transformá-la. as desigualdades sociais e econômicas. Metodologicamente. diretamente associada ao currículo sóciocrítico.150 também denominada concepção sócio-cultural ou sóciohistórica. a educação cobre a função de transmissão cultural mas também é responsável pela ajuda ao aluno no desenvolvimento de suas próprias capacidades de aprender e na sua inserção crítica e participativa na sociedade em função da formação da cidadania. enfim. junto com os requisitos de se ajudar o aluno a adquirir autonomia de pensamento. a destruição do meio ambiente. da compreensão do conhecimento como ligado à prática e à solução de problemas. . considera especialmente os efeitos do currículo oculto e do contexto da ação educativa nos processos de ensino e aprendizagem.

entre outros).Algumas correntes da abordagem crítica defendem um tipo de currículo mais informal. minimizando ou até recusando um currículo formal. se elaboram e se . superando a separação e falta de comunicação entre as disciplinas escolares. da convivência social na escola. O termo interdisciplinaridade acentua a inter-relação entre conhecimentos. O termo globalização está associado a características da estrutura cognitiva e afetiva dos alunos que acentuam uma maneira própria de atribuir significados e construir e integrar conhecimentos. fortuitos. dificilmente os alunos estarão aptos a analisar a realidade e formular estratégias de atuação. Currículo integrado ou globalizado O movimento por um modelo de currículo integrado tem chegado até nós por meio de autores espanhóis (Torres Santomé. a teoria e os conteúdos culturais sistematizados. destacando a globalização das aprendizagens e a interdisciplinaridade. São duas as idéias norteadoras desse modelo curricular: a) buscar a integração de conhecimentos e experiências que facilitem uma compreensão mais reflexiva e crítica da realidade. o domínio dos processos necessários ao acesso aos conhecimentos e. 151 6. Entendemos que essa concepção de currículo é insuficiente para atingir os objetivos emancipatórios que a escola busca. a compreensão de como se produzem. Sem os conceitos. b) ressaltar. Hernandez. simultaneamente. ao lado dos conteúdos culturais. centrado na valorização de elementos casuais.

pelos alunos. também. visitas. síntese. a interdisciplinaridade. 1989). a seleção de experiências de aprendizagem verdadeiramente interessantes. classificação. comunicação. pelo qual a escola torna-se um espaço de reconstrução. Com essa orientação.transformam esses conhecimentos. Na prática curricular. mediante o método de projetos. neste modelo. o valor da atividade do próprio sujeito na aprendizagem. no currículo oculto. dos conteúdos culturais. A ênfase aos processos não significa minimizar a importância dos conceitos. das experiências e conhecimentos próprios de sua comunidade. Incorpora-se. nas várias experiências de aprendizagem tipo biblioteca. laboratórios. a ligação dos conteúdos culturais com a realidade. ou seja. epistemológicos ou sociológicos. análise. a vivência cultural dos alunos. superando os reducionismos psicológicos.). adota-se o currículo experiencial. tomada de decisões. comparação etc. das teorias. a importância dos processos mentais na 152 aprendizagem (observação. inclusive naquilo que não foi previsto pelos professores. Para se chegar a esses objetivos. pretende-se que. o aprender a aprender (Torres Santomé. se preste atenção a tudo o que acontece na escola e nas aulas. Tipos de currículo Os tipos ou modelos de currículo decorrem das concepções e posicionamentos teóricos sobre conhecimento . o currículo globalizado articula várias práticas educativas que possam contribuir para os processos de ensino e aprendizagem. no currículo em ação. vídeos.

as disciplinas aparecem apenas como valor instrumental para a aprendizagem das habilidades cognitivas. como também. Nos currículos fechados tem-se o currículo por disciplinas isoladas. um conjunto de disciplinas a serem estudadas pelos alunos ao longo das séries escolares. no entanto. quais técnicas devem utilizadas pelos professores. Geralmente os objetivos e conteúdos são prescritos. tanto no sentido de a prática ser a referência para a elaboração e desenvolvimento curricular como no sentido de entender a prática curricular como um processo de investigação. o que se busca com o currículo.e ensino. importa distinguir para decidir entre currículos fechados e currículos abertos. das estratégias de aprendizagem. quais materiais de ensino e instrumentos de avaliação são mais eficazes. no exercício prático de tomada de decisões. as 153 . inscritos numa grade curricular. O currículo numa perspectiva cognitiva acentua o desenvolvimento das capacidades cognitivas. a relação do currículo com a prática. O currículo sócio-crítico. acentuando mais o "como" do que o "o quê". o papel da educação e do ensino na sociedade e para os indivíduos. atribuem importância à prática. O currículo tecnicista gera um formato de currículo baseado na tecnologia de elaboração e de aplicação de programas curriculares: como selecionar e organizar objetivos e experiências de aprendizagem. o formato do currículo tradicional corresponde melhor à idéia de plano de estudos. ou seja. Dessa forma. isto é. O conhecimento destas concepções contribui para a elaboração da proposta curricular. o integrado.

que atualmente é um dos mais importantes elementos do formato de currículo que corresponde melhor a uma proposta curricular de cunho cognitivo e social. 1994). procedimentos. os conteúdos podem ser organizados em áreas e temas geradores. . O resultado prático da interdisciplinaridade é o estabelecimento de ligações de complementaridade entre as matérias escolares. seus saberes de experiência e saberes profissionais (Carvalho e Diogo. A elaboração e o desenvolvimento curricular contam com a participação dos professores. Entre as caraterísticas assinaladas nos currículos abertos está a interdisciplinaridade. Os currículos abertos preocupam-se com a integração entre as disciplinas. Interdisciplinaridade é um procedimento de organização da escola e do ensino que favorece a integração de aprendizagens e de saberes e a busca de saberes úteis para lidar com questões e problemas da realidade (levar o aluno a confrontar-se com a realidade. sem autonomia para tomar decisões. de modo que os conhecimentos. têm mais flexibilidade na definição de objetivos e competências.escolas e os professores limitam-se a segui-los. ou seja. Estabelecer ligações entre teoria e prática. Alguns princípios da interdisciplinaridade são: Ter como referência o sujeito que aprende e sua relação com o saber. Suscitar e garantir processos integradores e a apropriação de saberes enquanto produtos cognitivos dos alunos (implica a organização de saberes sob o ponto de vista curricular. não se consideram os saberes e competências profissionais dos professores. sejam integrados na estrutura mental do aluno. respeitando-se sua autonomia. didático e pedagógico). atitudes. como cidadão).

apenas indicam algumas idéias a serem consideradas. sem dúvida. à formação da cidadania. em condições iguais de oportunidades.Estabelecer ligações entre pontos de vista distintos acerca de um objeto de conhecimento. político e social. torna-se relevante considerar alguns princípios na construção de um currículo de cunho sócio-crítico.A escolarização básica obrigatória tem um significado educativo. ela pode gerar . o desen volvimento da subjetividade e sensibilidade. ela está condicionada por uma multiplicidade de fatores como os econômicos e políticos. Este princípio se baseia na crença do poder da educação para propiciar o desenvolvimento da razão critica pelo exercício da racionalidade. Alguns princípios orientadores da proposta curricular Se a organização curricular expressa os objetivos e estratégias de ação do projeto pedagógico-curricular. Evidentemente. a compreensão e a solidariedade entre os seres humanos. 154 Fazer o caminho entre a especialização. a educação não atua sozinha. a inserção no trabalho e na vida social. Os tópicos que apresentamos não cobrem o conjunto dos fatores e exigências de um currículo sensível aos problemas da nossa época. Mas. 1 . ao acesso aos bens culturais. a melhoria da qualidade da vida. disciplinar e a integração interdisciplinar e vice-versa. implicando o direito de todos. à conquista da dignidade humana e da liberdade intelectual e política. ao desenvolvimento das capacidades individuais e sociais.

2000). pondo-se em prática o lema: uma escolaridade igual para sujeitos diferentes em uma escola comum (Gimeno. Este é um dever de justiça social. 2 .melhores condições de vida e de realização humana tanto para os indivíduos quanto para o conjunto da sociedade sendo. O termo "conteúdos" refere-se aos conhecimentos sistematizados. proporciona também as ferramentas mentais para lidar praticamente com os conceitos nas situações 155 concretas da vida cotidiana. conforme uma pedagogia diferenciada. as escolas têm uma responsabilidade concreta e real: propiciar a assimilação e a reconstrução dos conteúdos escolares e. através deles. a ciência. selecionados das bases das ciências e dos modos de ação acumulados pela experiência social da humanidade e organizados para serem ensinados na escola. . um caminho para a igualdade e a inclusão social. busca-se incorporar no currículo os interesses de todos os alunos em sua diversidade tanto no âmbito psicológico quanto no âmbito social e cultural. a arte através de um ensino que forme sujeitos pensantes e críticos não é nada muito mais do que a sempre proclamada formação geral que. do trabalho e do exercício da cidadania. Ao mesmo tempo que se propicia uma cultura geral comum. Aprender a cultura. Não há que se alimentar ilusões. Essa tarefa deve ser concretizada nas escolas e nas salas de aula. ao mesmo tempo que possibilita a internalização de um conteúdo significativo e útil. portanto.A escolarização obrigatória requer criteriosa seleção de conteúdos e adoção de adequadas práticas pedagógicas. os processos de desenvolvimento das capacidades cognitivas e operativas.

a cultura social. a cultura acadêmica expressa no currículo. vinculados aos conhecimentos. Trata-se de compreender a escola como lugar de síntese entre a cultura formal. 156 Os objetivos de formação cultural e de desenvolvimento curricular precisam considerar hoje a nova configuração econômica e política e as novas realidades sociais e culturais do mundo contemporâneo. a cultura da escola (organizacional). nas mídias e outros contextos culturais. integrando no currículo a variedade de culturas que perpassa a escola: a cultura científica. valores. sistematizada. de sentir e de enfrentar o mundo. em quaisquer situações de aprendizagem e de convivência social. incluindo métodos e procedimentos de aprendizagem e de estudo. na rua. a partir da diversificação de metodologias e procedimentos.são habilidades e hábitos. são atitudes. o que implica formular . constituindo-se num espaço de síntese em que a cultura elaborada se articula com os conhecimentos e experiências concretas dos alunos vividas no seu meio social.O currículo escolar representa o cruzamento de culturas. supõe-se uma pedagogia diferenciada em que. na cidade. e a cultura experienciada que acontece na família. Isso significa propiciar aos alunos conhecimentos e experiências diversificadas. 3 . cada aluno sinta-se valorizado e respeitado em sua subjetividade. a cultura dos alunos. com a cultura dos meios de comunicação. a cultura das mídias. da cidade e de suas práticas sociais. convicções. Além disso. envolvendo modos de agir.

coletivamente formas pedagógico-didáticas de assegurar essa articulação. mediante formulação explicita de conteúdos e competências e de formas metodológicas que suscitem nas . ou seja.O processo de ensino e aprendizagem deverá estar centrado no ensino do aprender a pensar e do aprender a aprender. Trata-se de investir numa combinação bem sucedida da assimilação consciente e ativa desses conteúdos com o desenvolvimento de capacidades cognitivas e afetivas pelos alunos visando a formação de estruturas próprias de pensamento. a aprendizagem interdisciplinar. a interligação das várias culturas que perpassam a escola etc. instrumentos conceituais de apreensão dos objetos de conhecimento. Há um razoável consenso hoje em torno de proposições sócio-interacionistas: o papel ativo do sujeito na aprendizagem escolar. de modo que aprenda a utilizar seu potencial de pensamento pelos meios cognitivos de construção e reconstrução de conceitos. tendo como referência a internalização e reconstrução dos conteúdos culturais.compreensão e clarificação de valores e atitudes. 157 5 .A organização e desenvolvimento do currículo implica a inserção da educação moral . mediante a condução pedagógica do professor que disporá de práticas de ensino intencionais e sistemáticas de promover o "ensinar a aprender a pensar". 4 . atitudes. o desenvolvimento de competências do pensar. valores. Uma pedagogia do pensar é aquela que ajuda o aluno a transformar-se num sujeito pensante. habilidades. A equipe escolar precisa incluir na definição e na discussão pública da proposta curricular a educação para os valores.

com a cultura da escola. Certamente. há que se considerar formas criativas de lidar com os temas transversais propostos nos Parâmetros Curriculares Nacionais. mas levando a escola. os alunos a praticá-los em contextos e situações concretas. os professores. a todo momento. corresponde à exigência atual de atribuição de sentido . 2000). o ambiente. A associação entre os conteúdos de ensino e os objetivos e competências. a partir da busca de sentidos de sua própria experiência e da cultura organizacional que vivenciam na escola. O currículo em ação. nas várias disciplinas. cultural e educacional estão requerendo um vínculo mais estreito entre os saberes propiciados pela escola e as capacidades e competências internalizadas pelos alunos que expressam a relação entre conhecimento e ação. Não se trata. obviamente.salas de aula o "pensar" sobre valores e práticas morais. Mas o trabalho com valores ligase. os professores. como parte do chamado currículo oculto. a escola. mas de propiciar aos alunos estratégias e procedimentos de pensar sobre valores e critérios orientadores sobre modos de decidir e agir (Libâneo. 6 . também. significa pôr em prática não apenas as competências do pensar sobre valores. de doutrinação política ou religiosa. passam valores. de inculcar valores.As transformações em curso na esfera econômica. quanto ao tema da dimensão moral do ensino. Nesse sentido. Mas é justamente por isso que o grupo de professores e especialistas de uma escola precisa explicitar princípios norteadores para a vida prática decorrentes de um consenso mínimo.

Trata-se aqui de articular a seleção de conteúdos com objetivos e competências exigíveis como resultados do processo de ensino e aprendizagem. ou mais precisamente. dominar regras de atuação. para além da mera instrumentação dos conteúdos da perspectiva tecnicista que reduz as aprendizagens ao "saber fazer". capacidades e competências definidos pelo conjunto dos professores. permuta de experiências e . cuidar para que os conhecimentos e modos de ação contribuam para a internalização de determinadas capacidades e competências. A interdisciplinaridade como forma de compreensão do processo de construção do conhecimento é ao mesmo tempo uma atitude . Há que se pensar numa estrutura curricular em que os vários campos do conhecimento se articulem num todo orgânico e se integrem. habilidades para resolver problemas práticos e imediatos. isto é. O currículo pluridisciplinar é aquele em que as disciplinas encontram-se justapostas e isoladas entre si.diálogo entre vários especialistas. definem-se os objetivos e conteúdos da disciplina e as possibilidades de articulação com as demais disciplinas de uma mesma série de modo a atender os objetivos. 7 – É preciso que as escolas vão buscando formas de superação do currículo pluridisciplinar. técnicas. a partir da especificidade das disciplinas.158 aos saberes escolares. horizontal e verticalmente. Uma vez formulados os objetivos do projeto pedagógicocurricular e as capacidades e competências desejadas. favorecendo a integração interdisciplinar.

.A escola voltada para uma sociedade que inclua todos precisa considerar a diversidade cultural e as diferenças. um espaço de diálogo e comunicação entre grupos sociais diversos. a partir de uma base comum de cultura geral para todos. Um dos mais relevantes objetivos democráticos no ensino será fazer da escola um lugar em que todos os alunos possam experimentar sua própria forma de realização e sucesso. O currículo intercultural é o que. uma forma de organização administrativa e pedagógica elaboração coletiva do projeto pedagógico e participação na gestão da escola. na escola e dentro das salas de aula. de modo a representar num currículo comum os interesses de todos os alunos. acolhe a diversidade e a experiência particular dos diferentes grupos de alunos e que propicia.construção conjunta de uma proposta curricular baseada na integração entre as disciplinas e envolvimento em projetos comuns de desenvolvimento do currículo. 9 . O provimento da cultura escolar aos alunos e a constituição de um espaço democrático na organização escolar devem incluir a interculturalidade: o respeito e valorização da diversidade cultural e das diferentes origens sociais dos alunos.A qualidade social do currículo se expressa no provimento das condições pedagógico-didáticas que asseguram melhor qualidade cognitiva e operativa das experiências de aprendizagem.conhecimentos. o combate ao racismo e a outros tipos de discriminação e preconceito. 159 8 . uma prática curricular . produção conjunta de conhecimentos.

10 .que os filhos das camadas médias e pobres da população podem participar de uma vida mais digna e mais completa. basicamente. propiciada a todos os alunos em condições iguais. conhecimento e uso de novos instrumentos de produção e comunicação entre os homens. da introdução de inovações técnicas mas. É através das formação cultural de sólidos conhecimentos e capacidades cognitivas fortemente desenvolvidas . como professores. É na sala de aula que podemos realizar. sim.O currículo escolar deve propiciar no processo educativo a articulação entre as dimensões cognitiva. . a qualidade social da escola se manifesta na garantia da qualidade cognitiva e operativa das aprendizagens para a produção de saberes. mas como instrumento concreto de conhecimento. de capacidade operativa. saber agir) e maior participação democrática. para o que se mobiliza o currículo. da qualidade cognitiva e operativa das aprendizagens. social e afetiva da aprendizagem. especialmente da escola pública. depende não apenas do exercício da democracia nas escolas. produtiva. a justiça social em matéria de educação. 160 É preciso dar instrução.O êxito da escola. A cultura hoje não passa somente pelo ler. escrever e fazer contas. Portanto. da gestão participativa. e de capacidade cognoscitiva (Manacorda. Passa pelo conhecimento teórico-prático. a gestão e o desenvolvimento profissional dos professores.1986). com maior capacidade operativa (saber fazer.

mais prazerosas.Essas dimensões estão presentes no comportamento dos sujeitos que aprendem. deixá-los falar. condicionados por culturas particulares da sua origem social. interesses. de tornar as experiências de sala de aula mais agradáveis. necessidades de alunos diferentes entre si. expor seus sentimentos.É necessário um incessante investimento no desenvolvimento pessoal e profissional dos professores. seja propiciando 161 se. mobilizar procedimentos. na escola. um clima de trabalho receptivo seja promovendo ações de formação continuada. A busca de condições de exercício da profissão aponta para a necessidade de as escolas assegurarem um ambiente . técnicas. meios. mas no desenvolvimento do currículo e das práticas de ensino é preciso especial atenção para o fato de que os alunos são sujeitos concretos. Implica. portadores de saberes decorrentes de suas experiências vividas. A busca da articulação entre o cognitivo. o social e o afetivo possibilita compreender o papel da escola e da equipe docente em ajudar os alunos a construírem sua subjetividade como pessoas humanas e como sujeitos portadores de uma identidade cultural e pertencentes à humanidade. Isso implica em conhecer e compreender motivações. também. ajudá-los na capacidade de comunicação com o mundo do outro. de forma organizada. que possibilitem aos professores conversar mais com alunos. ter sensibilidade para situar a relação docente no contexto físico. seus desejos. social e cultural. 11 .

participação nas decisões. é indispensável que o desenvolvimento do currículo esteja vinculado ao desenvolvimento profissional dos professores. mais se requer um conhecimento que interprete. 12 . convivência e tomada de decisões. o que implica a reordenação de formas de organização do trabalho na direção de relações sociais interativas e solidárias.de trabalho em que as pessoas se sintam bem e que possam crescer pessoal e profissionalmente. não pode ensinar cultura. liderança. elabore e critique todas as modalidades de informação que afeta o trabalho do professor. Mas não basta a participação. A par disso. cultivar os processos democráticos e solidários de trabalho. A elaboração e desenvolvimento do currículo é um exercício de reflexão coletiva sobre a prática. A educação escolar pode contribuir para a democracia não apenas pela formação do cidadão crítico e participativo. No terreno da cultura e da ciência. Quanto mais se admite estarmos vivendo numa sociedade do conhecimento. e preciso que na organização da escola e no processo de elaboração curricular se invista em ações de formação continuada.As escolas precisam. Para isso. ninguém dá o que não tem. também. iniciativa. que não está seguro ao menos no campo de conhecimento em que se especializa e na metodologia de ensino. mas também por ser ela própria um lugar onde se põe em prática a vivência do que se propõe nos objetivos: desenvolvimento da autonomia de pensamento. Para isso. Professor que não se cultiva. precisa prover . O ideal de um currículo que visa a emancipação intelectual e política das pessoas é propiciar a todos condições iguais de exercício da cidadania.

os objetivos gerais. conteúdos. propriamente dita. métodos e formas organizativas do ensino. discussão publica de pontos de vista. A elaboração da proposta curricular supõe dois momentos articulados entre si: a proposta curricular formulada pela escola e os planos de ensino dos professores. expressando intenções e expectativas sobre a formação dos alunos. A proposta curricular. considerado o contexto sóciocultural. Conhecimento e análise critica das orientações normativas do sistema nacional de ensino e das diretrizes estaduais ou municipais (LDB e normas legais regionais). Explicitação dos princípios norteadores de formação expressando expectativas em relação à formação esperada (perfil) dos alunos. concretiza essas grandes linhas em objetivos. tendo em vista os resultados da aprendizagem. de forma mais abrangente. capacitação para tomar iniciativas. A proposta curricular da escola implica decisões conjuntas dos professores. O processo de elaboração da proposta curricular No projeto pedagógico-curricular são formulados.oportunidades em que os alunos possam exercer a democracia mediante formas de 162 participação. . para o que se requer: 1. processos organizados de tomada de decisões. por áreas curriculares ou disciplinas. para definir a proposta curricular da escola: qual modelo curricular adotar? Quais objetivos e conteúdos? Quais os critérios de seleção e organização dos conteúdos? 2. competências.

4. contemplando as dimensões dos conteúdos: conhecimentos/conceitos. do currículo. 5. 6. dos professores e da aprendizagem dos alunos. Concepções e procedimentos de avaliação da escola. consideradas as várias áreas e/ou disciplinas. em linhas gerais. através de projetos. Definição de formas e propostas trabalho entre as disciplinas que envolvam assuntos mais significativos para os alunos. Definição de normas de funcionamento. práticas. bem como de atividades curriculares complementares. atitudes. Tais "intenções" devem ser expressas. que sejam consensuais. habilidades/ procedimentos e de atitudes/valores.3. de preferência. incluindo a inserção deles nos processos de tomada de decisão. Escolha de metodologias e procedimentos compatíveis com os objetivos e com a proposta curricular. Seleção e organização das disciplinas que irão compor o currículo e de outras atividades curriculares. Definição de sistemáticas comuns de avaliação dos alunos. Explicitação de formas de participação dos alunos no planejamento do currículo e nas instâncias de organização e gestão. de modo que os professores possam tomar decisões mais pontuais em suas próprias disciplinas e no . Formulação de objetivos e competências gerais por séries. incluindo decisões como: 163 Definição de temas comuns a serem tratados por diferentes disciplinas.

considerar que é sumamente imprescindível que a elaboração do currículo leve em conta a situação concreta de cada escola. Convém. procedimentais. as competências. . compatibilização com a proposta curricular da escola e os objetivos terminais por série. Algumas recomendações: 1. A legislação e as orientações oficiais são legítimas. 3. 2. cotejando-os com os contextos particulares em que são aplicados. ainda. da cultura organizacional. Trata-se de promover a reflexão crítica sobre esses dispositivos. da cultura local.âmbito das séries. a avaliação. procedimentos de avaliação. 164 Os planos de ensino são elaborados pelos professores. expectativas e sentimentos compartilhados pelo grupo social que constitui a escola. Cada disciplina define seus objetivos. mas as escolas precisam desenvolver uma interação crítica com os dispositivos normativos. O plano deve conter uma justificativa do papel da disciplina no currículo de formação geral. recursos didáticos). de modo a conferir sua relevância frente a necessidades e demandas concretas da escola e aos significados. competências em relação aos objetivos e conteúdos e desenvolvimento metodológico (condições para a aprendizagem ocorrer: ações pedagógico-didáticas. conteúdos (conceituais. explicitação das interfaces com outras disciplinas. atitudinais). os conteúdos. em consonância com a proposta curricular da escola. O plano de ensino compreende os objetivos. métodos. o desenvolvimento metodológico.

Os objetivos esclarecem o que se pretende fazer. a articulação vertical e horizontal entre as áreas/disciplina do currículo. É justamente aqui que aparecem as competências. Ainda não se tem muita clareza sobre o modo de inserção das competências na elaboração da proposta curricular e dos planos de ensino. Hoje não há mais lugar para a quantificação de objetivos de ensino. dentro da concepção e formato de currículo escolhidos. mas objetivos continuam sendo imprescindíveis. Em relação aos objetivos e competências. constituindo-se em guia para a ação da escola e da equipe de professores. Há quem critique esse termo e sua utilização nas escolas devido à sua semelhança com os chamados "objetivos comportamentais". A crítica refere-se a um excesso de quantificação na definição e detalhamento de objetivos operacionais. Os professores estão sendo solicitados a trabalhar com mais um termo do vocabulário pedagógico. em função de certa obsessão pela objetividade e eficiência. Há vários sentidos de competência e o mais conhecido está ligado a uma visão economicista segundo a . O planejamento curricular coletivo deve assegurar. as competências.4. é preciso que explicitem o que esperam conseguir da aprendizagem dos alunos. porque o 165 processo pedagógico-didático que movimenta o currículo implica intencionalidade. fazem-se necessárias algumas observações. teoria essa que recebeu a denominação de tecnicismo educacional. adotados no Brasil com base na teoria behaviorista aplicada ao ensino. Sendo o ensino uma prática intencional e supondo-se que os professores precisam saber se seus objetivos estão sendo atingidos.

166 No plano de ensino. porque as competências estão apoiadas em conhecimentos e numa variedade de outros recursos cognitivos. Ou seja. integram ou mobilizam conhecimentos. ou seja. representam uma transferência de conhecimentos e uma capacidade para lidar com situações complexas ou não previstas. Compreendidas nesses termos. Segundo Perrenoud. O sentido que assumimos aqui é outro: competência refere-se à mobilização de recursos cognitivos (saberes.qual a busca da produtividade econômica requer pessoas competentes. pessoas tecnicamente eficientes. ter competência é saber mobilizar recursos cognitivos diante de um problema. as competências são compatíveis com uma teoria sócio-interacionista em que o ensino impulsiona as capacidades cognitivas dos alunos de modo a mobilizar formas de apropriação e utilização de conteúdos. as competências expressam metas claras comunicáveis aos estudantes. formular competências a serem dominadas pelos alunos no final de uma série ou ciclo escolar não é muito diferente de definir objetivos em termos de práticas observáveis. uma atividade prática. isto é. pode-se entender que os objetivos de ensino referem-se a uma explicitação mais geral . portanto. é falso o dilema sobre se é mais importante a aquisição de conhecimentos ou o desenvolvimento de competências. utilizam. um dilema. Nesse sentido. a questão aqui é a da relação significativa e operativa que o aluno estabelece com os conteúdos. técnicas. As competências. atitudes) para enfrentar situações referentes a conhecimentos aprendidos (Perrenoud. procedimentos. Todavia. diferentemente dos antigos "objetivos comportamentais". 2000).

por sua vez. será útil a consulta aos Parâmetros Curriculares Nacionais. O papel dos Parâmetros Curriculares Nacionais Para a definição de objetivos. como referencial para a organização curricular das escolas. operacionais e técnicos necessários ao atendimento universal da demanda por escolarização. Os PCN foram elaborados para fornecer uma orientação geral e coerente do currículo.daquela fórmula conhecida dos professores: "O aluno deverá ser capaz de. em relação aos conhecimentos teóricos e práticos correspondentes. Em alguns lugares. em âmbito nacional.. conteúdos e desenvolvimento metodológico. bem como as condições de aprendizagem das crianças e . modos de fazer. habilidades. formulado pela Secretaria de Educação Fundamental do MEC. as competências. A escolarização obrigatória é um requisito indispensável do processo de democratização da sociedade e a escola convencional o lugar próprio para proporcionar as bases de cultura geral extensiva a todos os brasileiros. também a Secretaria Estadual da Educação (ou municipal) dispõe de uma proposta curricular para o sistema de ensino. Este é o princípio que justifica o dever social e ético do governo em oferecer subsídios para um currículo básico comum e propiciar os suportes financeiros. Há boas razões que justificam a proposição de orientações curriculares para o sistema de ensino.. referem-se ao detalhamento de ações.". consideradas a heterogeneidade social e cultural e as disparidades econômicas do país. Um currículo básico comum representa um benefício para a democratização do acesso e permanência na escola. visando a melhoria da qualidade de ensino.

jovens que se apresentam desiguais conforme cada contexto social. Obviamente, está-se considerando que os PCN são, de fato, parâmetros, isto é, oferecem orientações pedagógicas e curriculares 167 gerais, enquanto subsídios aos professores para refletirem e tomarem decisões, em nível local, sobre objetivos e conteúdos, formas metodológicas de atuação docente. Além disso, não se pode acreditar que tais subsídios curriculares sejam suficientes para elevar o nível de qualidade da educação escolar. Uma coisa é a letra do documento, outra são as práticas de aprendizagem na sala de aula que precisam ser consideradas em relação a outros fatores como o salário, a carreira docente, as condições de trabalho, o reconhecimento social da profissão de professor. Os PCN são, pois, uma referência, um ponto de partida, para que se possa articular objetivos e conteúdos com a cultura das escolas e das salas de aula envolvendo tudo o que um documento geral como este não pode nem deve prever: a diversidade regional, as decisões do professor, a dinâmica das interações na sala de aula, o currículo oculto, a adequação local de conteúdos, o significado social dos conteúdos, as práticas de avaliação, os desenvolvimentos metodológicos etc. Cabe, portanto, aos sistemas de ensino, aos coordenadores pedagógicos, orientadores educacionais e responsáveis por sistemas de formação continuada, uma multiplicidade de tarefas que complementam a proposta curricular. Afinal, sabemos que é na escola que se criam os espaços de diálogo e comunicação entre grupos sociais diversos, o que pode ser

perfeitamente contemplado no projeto pedagógicocurricular da escola. Todavia, a defesa da adequação do currículo às realidades regionais e locais não nos leva a ceder a propostas que postulam currículos exclusivos das escolas, à margem de um currículo básico nacional. Tais currículos levariam, de fato, a uma atitude discriminadora, já que estariam sonegando aos alunos aqueles conteúdos e instrumentos conceituais mais universais necessários para melhor compreender o mundo e a sociedade de que fazem parte e a potencializar suas formas de atuação na realidade. Se poderia ser legítimo o argumento de que o currículo oficial não contempla os aspectos da cultura local já que são os sujeitos reais que dão significados aos 168 conteúdos, também se poderia dizer que estaríamos frente a uma desigualdade de oportunidades quando as crianças não têm acesso a um conhecimento mais sistematizado e mais científico. Fica difícil pensar-se num currículo local deixando toda a iniciativa à comunidade escolar num momento em que o ensino fundamental torna-se crucial na capacidade de aprender e do provimento dos instrumentos básicos de pensamento. Os PCN e a organização curricular. Os Parâmetros Curriculares Nacionais definem a organização curricular considerando a especificidade das áreas e disciplinas dentro de um todo integrado e a organização da escolaridade por ciclos.

A organização do conhecimento escolar em áreas, os respectivos conteúdos e o tratamento transversal de questões sociais constituem os elementos básicos da organização curricular, integrando conhecimentos de diferentes disciplinas. Diz o documento: A concepção da área evidencia a natureza dos conteúdos tratados, definindo claramente o corpo de conhecimentos e o objeto de aprendizagem, favorecendo aos alunos a construção de representações sobre o que estudam. Essa caracterização da área é importante também para que os professores possam se situar dentro de um conjunto definido e conceitualizado de conhecimentos que pretendam que seus alunos aprendam, condição necessária para proceder a encaminhamentos que auxiliem as aprendizagens com sucesso. Os temas transversais referem-se a questões que interferem na vida dos alunos e com as quais se vêem confrontados no seu dia-adia. São apresentados como temas transversais: ética, saúde, meio ambiente, orientação sexual e pluralidade cultural. Em algumas escolas, as temáticas sociais já vinham sendo tratadas em Estudos sociais, Ensino Religioso e outras disciplinas específicas. Os PCN adotam o tratamento transversal, sem restringi-las a uma única área. De acordo com o documento, os temas transversais são assim definidos: 169 (...) um conjunto de temas que aparecem transversalizados nas áreas definidas, isto é, permeando a concepção, os objetivos, os conteúdos e as orientações didáticas de cada área, no decorrer de toda a escolaridade obrigatória.

A transversalidade pressupõe, portanto, um tratamento integrado das áreas e uma vivência no âmbito da organização da escola dos valores trabalhados em sala de aula. Implica, também, adaptações a contextos locais. Por exemplo, ao se tratar da educação ambiental, serão contemplados conteúdos e vivências conforme peculiaridades locais, por exemplo, nos seringais da Amazônia ou na periferia das grandes cidades. A organização em ciclos é uma tentativa de superar a segmentação excessiva produzida pelo regime seriado e minimizar a ocorrência da repetência e da evasão escolar. A flexibilização da seriação permitiria trabalhar o currículo ao longo de um período de tempo maior, respeitando-se os diferentes ritmos de aprendizagem dos alunos. Os Parâmetros Curriculares Nacionais estão organizados em ciclos de dois anos. O primeiro ciclo se refere às primeira e segunda séries; o segundo ciclo, às terceira e quarta séries; e assim subseqüentemente para as outras quatro séries. O documento alerta que a estruturação por ciclos não contempla os principais problemas da escolaridade no ensino fundamental como a ruptura entre a quarta e quinta séries, início tardio da escolarização, entre outros. Trata-se de uma das possíveis estratégias de intervenção na problemática educacional do país, necessitando de ações cautelosas para sua adoção. CAPÍTULO - IX ORGANIZAÇÃO GERAL DO TRABALHO ESCOLAR 173

O segundo elemento do processo organizacional é a organização propriamente dita, isto é, a racionalização do uso de recursos materiais, físicos, financeiros, informacionais e das atividades desempenhadas pelas pessoas. A organização incide diretamente na eficiência e na eficácia do processo de ensino e aprendizagem, à medida que garante as condições de funcionamento da escola e uma ação unificada da equipe escolar. A falta de unidade da ação educativa em torno de diretrizes, normas, desempenho de funções, rotinas, pode resultar em situações que comprometem o trabalho. Por exemplo: um professor exige cuidado com o mobiliário escolar, enquanto outro permite que as crianças façam rabiscos na carteira; um professor exige dos alunos a utilização da linguagem padrão, outro permite ou utiliza expressões fora da linguagem padrão; um professor nunca dá tarefas, outro sobrecarrega os alunos de exercícios; bate o sinal, alguns professores permanecem na sala de professores; 174 a qualquer pretexto, em qualquer hora, a coordenação ou um funcionário entra na sala de aula para dar avisos, deixar a merenda, chamar um aluno etc.; a professora precisa do retro-projetor mas a servente faltou e ficou com a chave. Essas situações revelam falta de organização adequada, afetando as atividades de ensino. Para se evitar isso, é necessário que todos os aspectos da vida escolar sejam devidamente contemplados na organização geral da escola, antes do início do ano letivo. A organização geral diz

normas disciplinares. condições de higiene e limpeza etc. controle de freqüência do pessoal (técnico. matrícula. c) a organização das atividades de apoio técnicoadministrativo. organização do espaço físico. A estrutura organizacional e o cumprimento das atribuições de cada membro da equipe é um elemento indispensável para o funcionamento da escola.correta distribuição de tarefas. clima de trabalho. docente). Um mínimo de divisão de funções faz parte da lógica da organização educativa. sem comprometer a gestão democrática. a) Organização da vida escolar Trata-se da organização do trabalho escolar em função de sua especificidade e de seus objetivos. serviços de limpeza e conservação.que concorrem para o desenvolvimento e alto rendimento escolar dos alunos. É a criação de condições ótimas . O que se . sistema de assistência pedagógico-didática ao professor. . administrativo. contatos com pais. b) a organização do processo de ensino e aprendizagem (trabalho do professor e dos alunos em sala de aula). distribuição de alunos por classes. relações humanas satisfatórias.respeito a: horário. serviços administrativos etc. Essas várias atividades são agrupadas em quatro áreas de ação: a) a organização da vida escolar (a escola como um todo). sistema 175 participativo de tomada de decisões. d) a organização de atividades que vinculam a escola com a comunidade. entrada e saída da classe.

Sua função essencial é a de distribuir racionalmente as atividades da escola pelos dias da semana. Supõe a elaboração do projeto pedagógico-curricular. sua participação ativa. mas ao envolvimento dos alunos. o desenvolvimento de habilidades e capacidades intelectuais. dos planos de ensino e sua estrutura didático-pedagógica. A organização do trabalho na sala de aula não visa apenas ao cumprimento dos programas. Aqui intervêm a imprescindível colaboração da coordenação pedagógica (e da orientação educacional onde houver). o trabalho independente. b) Organização do processo de ensino e aprendizagem Refere-se. orientada por uma concepção de ensino como direção da atividade cognoscitiva dos alunos sob orientação do professor. 176 c) Organização das atividades de apoio técnicoadministrativo . Implica a distribuição de disciplinas com sua carga horária correspondente. Um importante aspecto da organização escolar é o regime de trabalho diário. os valores e a experiência dos professores. as atividades de Educação Física e recreação etc. as horas de descanso. expresso no horário escolar. aos aspectos de organização do trabalho do professor e dos alunos na sala de aula. basicamente.deve evitar é a redução da estrutura organizacional a uma concepção estritamente funcional e hierarquizada de gestão subordinando o pedagógico ao administrativo. impedindo a participação e discussão e não levando em conta as idéias.

As tarefas administrativas têm a função de fornecer o apoio necessário ao trabalho docente. Abrangem as atividades de Secretaria (prontuário de alunos e professores, registro escolar, arquivos, livros de registro etc.), serviços gerais (inspetores de alunos, serventes, merendeira, porteiros e vigias etc.), atividades de limpeza e conservação do prédio, do mobiliário escolar e do material didático. d) Organização de atividades que vinculam escola e comunidade Essa área de ação refere-se às relações entre a escola e o ambiente externo: com os níveis superiores de gestão do sistema escolar, com os pais, com as organizações políticas e comunitárias, com a vida da cidade etc. O objetivo dessas atividades é estender a ação educativa da escola onde for possível e adequado e, ao mesmo tempo, buscar cooperação e apoio das diferentes instituições civis, sociais, culturais que possam contribuir para o aprimoramento das atividades de ensino e educação dos alunos. Em especial, espera-se que os pais participem ativamente da gestão da escola, mediante canais de participação bem definidos. A participação dos pais, de instituições e de organizações da comunidade na escola supõe uma definição clara das formas de participação. São distintas as responsabilidades e tarefas dos profissionais da escola (direção, professores, funcionários) daquelas dos pais e instituições da comunidade. Não cabe aos pais, por exemplo, interferir diretamente nas atividades de sala de aula. As formas de participação da comunidade devem estar subordinadas aos objetivos e tarefas da escola, à

observância de certas normas e diretrizes próprias da instituição escolar. CAPÍTULO X - 179 A direção e coordenação são funções típicas dos profissionais que respondem por uma área ou setor da escola tanto no âmbito administrativo quanto no âmbito pedagógico. Dirigir e coordenar são tarefas que canalizam o esforço coletivo das pessoas para os objetivos e metas estabelecidos. Tanto os pedagogos especialistas quanto os professores precisam estar aptos para dirigir e coordenar, em alguma instância de seu exercício profissional. A direção, conforme já foi estudado, é pôr em ação, de forma integrada e articulada, todos os elementos do processo organizacional (planejamento, organização, avaliação), envolvendo atividades de mobilização, liderança, motivação, comunicação, coordenação. A coordenação é um aspecto da direção, significando a articulação e a convergência do esforço de cada integrante de um grupo visando a atingir os objetivos. Quem coordena tem a responsabilidade de integrar, reunir esforços, liderar, concatenar o trabalho de diversas pessoas. A tarefa de direção visa a: dirigir e coordenar o andamento dos trabalhos, o clima de trabalho, a eficácia na utilização dos recursos e meios, em função dos objetivos da escola, assegurar o processo participativo de tomada de decisões e, ao mesmo tempo, cuidar para que essas decisões se convertam em ações concretas; 180

assegurar a execução coordenada e integral das atividades dos setores e elementos da escola, com base nas decisões tomadas coletivamente; articular as relações interpessoais na escola e entre a escola e a comunidade (incluindo especialmente os pais). O exercício da direção e coordenação depende de alguns fatores, tais como: autoridade, responsabilidade, decisão, disciplina e iniciativa. A autoridade é o exercício de um poder delegado a alguém para dirigir e coordenar as medidas tomadas coletivamente, implicando determinadas qualidades e conhecimento de suas funções. É recomendável que a autoridade seja descentralizada, delegando-se tarefas aos demais membros da equipe escolar. A responsabilidade é uma exigência inerente à autoridade. Mesmo no caso de procedimentos grupais de tomada de decisões e descentralização das tarefas, a responsabilidade final é de quem dirige/coordena. A decisão é a capacidade de selecionar, diante de várias alternativas, a medida mais adequada conforme as situações concretas. Com base em um plano de trabalho, de objetivos e tarefas estabelecidas mediante a participação da equipe escolar, o diretor ou coordenador não pode furtar-se de tomar as decisões necessárias. A disciplina implica compatibilizar a conduta individual com as normas, regulamentos, interesses da vida social e escolar, assumidos coletivamente. A iniciativa é a capacidade crítica e criadora de encontrar soluções aos problemas que se apresentam no desenvolvimento do processo de direção, o que implica a capacidade de enfrentar o imprevisto e situações inusitadas ou embaraçosas.

Para atender a uma necessária divisão de trabalho, tem sido comum nas escolas brasileiras diferenciar as funções de diretor e de coordenador pedagógico. Ambos assumem atividades de direção e coordenação, ambos recebem a delegação de coordenar o trabalho coletivo e a manutenção do clima, das condições de trabalho e do ambiente formativo para o desenvolvimento pessoal e profissional das pessoas da escola. Para isso, precisam reconhecer que seu trabalho tem uma característica genuinamente interativa, ou seja, seu trabalho está a serviço das pessoas e da organização, requerendo deles uma formação específica para buscar soluções para os problemas, saber coordenar o trabalho conjunto, discutir e avaliar a prática, assessorar e prestar apoio logístico aos professores na sala de aula. Todavia, cada um desempenha funções específicas implicando, também, uma formação profissional específica. O diretor de escola é o dirigente e principal responsável pela escola, tem a visão de conjunto, articula e integra os vários setores (setor administrativo, setor pedagógico, secretaria, serviços gerais, relacionamento com a comunidade etc.). Em outros tempos, muitos dirigentes escolares foram alvo de criticas por práticas excessivamente burocráticas, conservadoras, autoritárias, centralizadoras. Embora aqui e ali continuem existindo profissionais com esse perfil, hoje estão disseminadas práticas de gestão participativa, liderança participativa, atitudes flexíveis e compromisso com as necessárias mudanças na educação. As funções do diretor são, predominantemente, gestoras e administrativas, entendendo-se, todavia, que elas têm conotação pedagógica, uma vez que referem-se a uma

instituição e a um projeto educativos e existem em função do campo educativo. A título de ilustração, apresentamos uma lista de atribuições do diretor de escola: 1. Supervisionar e responder por todas as atividades administrativas e pedagógicas da escola bem como as atividades com os pais e a comunidade e com outras instâncias da sociedade civil. 2. Assegurar as condições e meios de manutenção de um ambiente de trabalho favorável e de condições materiais 182 necessárias à consecução dos objetivos da escola, incluindo a responsabilidade pelo patrimônio e sua adequada utilização. 3. Promover a integração e a articulação entre a escola e a comunidade próxima, com o apoio e iniciativa do Conselho de Escola, mediante atividades de cunho pedagógico, científico, social, esportivo, cultural. 4. Organizar e coordenar as atividades de planejamento e do projeto pedagógico.-curricular, juntamente com a coordenação pedagógica, bem como fazer o acompanhamento, avaliação e controle de sua execução. 5. Conhecer a legislação educacional e do ensino, as normas emitidas pelos órgãos competentes e o Regimento Escolar, assegurando o seu cumprimento. 6. Garantir a aplicação das diretrizes de funcionamento da instituição e das normas disciplinares, apurando ou fazendo apurar irregularidades de qualquer natureza, de forma transparente e explicita, mantendo a comunidade escolar sistematicamente informada das medidas.

Supervisionar e responsabilizar-se pela organização financeira e controle das despesas da escola. a seguir. O coordenador pedagógico responde pela viabilização.7. em função da qualidade do ensino. do currículo e dos professores. dos professores. auxiliando-os a conceber. do trabalho pedagógico-didático em ligação direta com os professores. sobretudo mediante procedimentos de reflexão e investigação. de comum acordo com a secretaria escolar. construir e administrar situações de aprendizagem adequadas às necessidades educacionais dos alunos. dos funcionários. integração e articulação. visando a boa qualidade do ensino. A coordenação pedagógica tem como principal atribuição a assistência pedagógico-didática aos professores. o papel do coordenador pedagógico é de monitoração sistemática da prática pedagógica dos professores. uma lista de atribuições de coordenação pedagógica: . pedagogos especialistas e professores. encaminhar processos ou correspondências e expedientes da escola. 183 10. Supervisionar a avaliação da produtividade da escola em seu conjunto. para se chegar a uma situação ideal de qualidade de ensino (considerando o ideal e o possível). Buscar todos os meios e condições que favoreçam a atividade profissional dos pedagogos especialistas. incluindo a avaliação do projeto pedagógico. Registramos. 9. em comum acordo com o Conselho de Escola. Conferir e assinar documentos escolares. 8. De acordo com estudos recentes sobre formação continuada de professores. da organização escolar.

adequação de conteúdos. desenvolvimento de competências metodológicas. Orientar a organização curricular e o desenvolvimento do currículo. adequar conteúdos. . práticas avaliativas. o projeto pedagógico-curricular da unidade escolar. visando a níveis satisfatórios de qualidade cognitiva e operativa do processo de ensino e aprendizagem. acompanhar e supervisionar suas atividades tais como: desenvolvimento dos planos de ensino. Prestar assistência pedagógico-didática direta aos professores. escolha de livros didáticos. 3. gestão da classe. Supervisionar a elaboração de diagnósticos e projetos para a elaboração do projeto pedagógicocurricular da escola e outros planos e projetos. 2. estimular a realização de projetos conjuntos entre os professores. 4. 184 5. Propor para discussão..1. orientação da aprendizagem. incluindo a assistência direta aos professores na elaboração dos planos de ensino. Coordenar reuniões pedagógicas e entrevistas com professores visando a promover inter-relação horizontal e vertical entre disciplinas. práticas de avaliação da aprendizagem. junto ao corpo docente. 6. Responder por todas as atividades pedagógicodidáticas e curriculares da escola e pelo acompanhamento das atividades de sala de aula. diagnosticar problemas de ensino e aprendizagem e adotar medidas pedagógicas preventivas. diagnósticos de dificuldades etc. metodologias e práticas avaliativas.

planejar e coordenar o Conselho de Classe. 12. 11. No Brasil. Em outras palavras.). designar professores para as turmas. resultados. cada um. difundiu-se bastante a idéia de que a direção e a coordenação pedagógica são formas diferenciadas de uma única função. Nesse caso. Elaborar e executar programas e atividades com pais e comunidade. Há divergências significativas sobre se a atividade "administrativa" distingue-se da atividade "pedagógica" e sobre se a direção 185 administrativa e direção pedagógica devem ser exercidas necessariamente por um professor. Organizar as turmas de alunos. formas de superação de problemas etc. elaborar o horário escolar. Tanto o diretor de escola quanto o coordenador pedagógico desempenham. especialmente de cunho científico e cultural. embora deva receber formação para lidar com questões de ensino. coordenação . Acompanhar o processo de avaliação da aprendizagem (procedimentos. 10.7. Propor e coordenar atividades de formação continuada e de desenvolvimento profissional dos professores. 8. a docente. que requerem formação profissional também específica. Acompanhar e avaliar o desenvolvimento do plano pedagógico-curricular e dos planos de ensino e outras formas de avaliação institucional. o diretor não precisa exercer nem ter exercido a docência. funções específicas. Defendemos uma posição diferente. Cuidar da avaliação processual do corpo docente. as funções de direção. 9. distinta daquela provida aos professores.

introduzem-se novas tecnologias. freqüentemente completados por estágios.pedagógica e docente não precisam coincidir necessariamente. cultural e profissional. Uma formação permanente. É na escola. modificam-se os comportamentos da infância e da juventude.189 A formação continuada é outra das funções da organização escolar. a formação continuada é condição para a aprendizagem permanente e o desenvolvimento pessoal. com isso. envolvendo tanto o setor pedagógico como o técnico e administrativo. a formação inicial. acentuam-se os problemas sociais e econômicos. As escolas passam por inovações estruturais como as . no contexto de trabalho. para além do exercício profissional. vão promovendo mudanças pessoais e profissionais. A formação inicial refere-se ao ensino de conhecimentos teóricos e práticos destinados à formação profissional. e ao desenvolvimento de uma cultura geral mais ampla. torna-se crucial numa profissão que lida com saberes e com a formação humana. que os professores enfrentam e resolvem problemas. numa época em que se renovam os currículos. A FORMACÃO CONTINUADA CAPÍTULO XI . O termo formação continuada vem sempre acompanhado de outro. A formação continuada é o prolongamento da formação inicial visando ao aperfeiçoamento profissional teórico e prático no próprio contexto de trabalho. De modo especial para os professores. criam e recriam estratégias de trabalho e. elaboram e modificam procedimentos. que se prolonga por toda a vida.

a interligação entre a escola e a comunidade. Segundo Philippe Perrenoud.leva a uma relação ativa e não queixosa com os problemas e dificuldades. as mídias. Ou seja. ajudando os professores a tomarem consciência delas. a revolta. compreendendo-as e elaborando formas de enfrentá-las. é preciso refletir sobre elas e buscar soluções. dos impactos da informação. os quais podem ser diagnosticados. De fato. com evidentes repercussões na sala de aula. o desânimo. os ciclos de escolarização. É em relação a essas novas e difíceis condições de exercício da profissão que a formação continuada pode possibilitar práticas reflexivas. a reflexão possibilita transformar o mal-estar. mediante ações coletivas. . não basta saber sobre as dificuldades da profissão.190 novas formas de gestão. nos cursos de aperfeiçoamento. o interculturalismo. Também o perfil dos alunos se modifica em decorrência da assimilação de novos valores. da urbanização. do crescimento dos problemas sociais e da violência. da propaganda. para enfrentar a complexidade do trabalho de ensinar. a elaboração coletiva do projeto pedagógico. a cidade. explicados e até resolvidos com mais consciência.nas reuniões pedagógicas. nos conselhos de classe etc. os currículos interdisciplinares ou globalizados. Esse mesmo autor escreve que. não basta somente a prática reflexiva como não é suficiente apenas a experiência: . uma prática reflexiva . a avaliação formativa. com mais método. em problemas. nas entrevistas com a coordenação pedagógica. de preferência.

cabe um papel decisivo às equipes técnicas das escolas (especialmente os coordenadores pedagógicos e orientadores educacionais) que prestam assistência . cursos. mini-cursos de atualização. conselhos de classe. Todavia. A formação continuada consiste de ações de formação dentro da jornada de trabalho (ajuda a professores iniciantes. visando apresentar diretrizes gerais de trabalho.) e fora da jornada de trabalho (congressos. estudos de caso. participação no projeto pedagógico da escola. programas de educação à distância etc. da reflexão. pesquisas. pois o professor em exercício precisa de saberes que não pode inventar em cima do nada e que sua reflexão será mais poderosa quanto mais se ancorar numa ampla cultura em ciências humanas (1999).Uma prática reflexiva limitada ao bom senso e à experiência pessoal de cada um não vai muito longe. grupos de estudo. reuniões de 191 trabalho para discutir a prática com colegas. entrevistas e reuniões de orientação pedagógico-didática. porque o compromisso com a profissão requer que ele tome para si a responsabilidade com a própria formação. Ela se faz por meio do estudo. seminários. oferecer assistência técnica especializada ou programas de atualização e aprimoramento profissional. mas também do próprio professor. encontros e palestras). É responsabilidade da instituição. Também fazem parte das práticas de formação continuada aquelas ações de acompanhamento das equipes das escolas promovidas pelas Secretarias de Educação. da discussão e da confrontação das experiências dos professores.

é imprescindível assegurar aos professores horas remuneradas para realização de reuniões semanais.pedagógico-didática aos professores. onde possam compartilhar e refletir sobre a prática com colegas. A profissão de professor combina sistematicamente elementos teóricos com situações práticas reais. reunirse com pais e outros membros da comunidade. trazem materiais e propostas inovadoras. supervisionam e dinamizam o projeto pedagógico. a ênfase na prática como atividade formadora aparece. técnicas e materiais para o desenvolvimento profissional permanente do professor. acompanham as aulas. Os sistemas de ensino e as escolas precisam assegurar condições institucionais. as dificuldades etc. a Internet. 192 A organização das práticas de formação inicial e continuada As investigações recentes sobre formação de professores apontam como questão chave o fato de que os professores desempenham uma atividade teórico-prática. A formação em serviço ganha hoje tamanha relevância que constitui parte das condições de trabalho profissional. Especialmente. participar da elaboração do projeto pedagógico-curricular. coordenam reuniões e grupos de estudo. É difícil pensar na possibilidade de educar fora de uma situação concreta e de uma realidade definida. o que funciona. Por essa razão.). prestam assistência na utilização de novos recursos tecnológicos como o computador. apresentar seu trabalho publicamente (contar como trabalham. à primeira vista. seminários de estudo e reflexões coletivas. auxiliam na avaliação da organização escolar e do rendimento escolar dos alunos. ao se pensar um currículo de formação. como exercício .

a formação inicial estaria estreitamente vinculada aos contextos de trabalho. é preciso integrar os conteúdos das disciplinas em situações da prática que coloquem problemas aos futuros professores e lhes possibilitem experimentar soluções.formativo para o futuro professor. Significa tomar a prática profissional como instância permanente e sistemática na aprendizagem do futuro professor e como referência para a organização curricular. em razão do que traz conseqüências decisivas para a formação profissional. Significa. a par de ser 193 . Por outro. Por um lado. Entretanto. é um dos aspectos centrais na formação do professor. Desde o ingresso dos alunos no curso. a formação continuada. Atualmente. a aproximação do futuro professor à realidade escolar acontece após ter passado pela formação "teórica" tanto na disciplina específica como nas disciplinas pedagógicas. em boa parte dos cursos de licenciatura. possibilitando pensar os conteúdos das disciplinas com base no que pede a prática. Isso significa ter a prática. também. O caminho deve ser outro. em termos mais amplos. cai por terra aquela idéia de que o estágio se destina à aplicação mecânica da teoria. a articulação entre formação inicial e formação continuada. como referente direto para contrastar seus estudos e formar seus próprios conhecimentos e convicções. Isso quer dizer que os alunos precisam conhecer o mais cedo possível os sujeitos e as situações com que irão trabalhar. ao longo do curso.

jornais. algo como um Centro de Apoio à Formação Continuada. A manutenção desse Centro poderia ter apoio financeiro e material das Secretarias de Educação estaduais e municipais mediante convênios de parceria. além de receber professores da rede de escolas para atividades de formação e capacitação dentro do espírito de associar práticas formativas aos contextos reais de trabalho. etc. centro de documentação. debates.feita na escola com base em saberes e experiências adquiridos pelos professores na situação de trabalho. seria desejável que as instituições de formação de professores ou as delegacias de ensino. aparelhagem de som e imagem. A articulação entre formação inicial e formação continuada. num sistema de alternância entre as escolas e as instituições formadoras de professores. Para isso. mas também recursos materiais de apoio (biblioteca. salas para vídeo e cinema. ofereceriam não apenas orientação profissional (cursos. já que a rede pública de ensino seria a mais beneficiada. Esse Centro. oficinas). criassem. pode articular-se com a formação inicial. rede Internet. Iniciativas como essa contribuiriam para resolver a sempre difícil alternância entre a formação teórica e a experiência em situação real (estágios) e as práticas reflexivas. poderão ser criadas as condições para que os professores em exercício retornem à faculdade para atualizar seus conhecimentos e ganhar suporte teórico para uma reflexão mais apurada sobre a prática. computadores.). exposições. material de esportes. Trata-se de uma concepção de formação centrada . Nesse sentido. videoteca. representa uma modalidade de formação em que há interação entre as práticas formativas e os contextos reais de trabalho. na sua estrutura organizacional.

significa dizer que ela é construída pelos seus próprios membros que tanto podem criar um espaço de trabalho produtivo e até prazeroso ou um espaço hostil e estressante. para possibilitar o trabalho reflexivo. diferenças. práticas e comportamentos das pessoas que nela trabalham e convivem. de negociação dos . estaria bastante vinculado à ajuda dos formadores de professores. Não estamos afirmando que na escola não devem existir conflitos.nas demandas da prática. interesses pessoais. de forma a compreendermos como a organização escolar constitui-se num local de aprendizagem: as pessoas podem mudar aprendendo com a organização e a organização também pode mudar aprendendo com as pessoas. Eles existem e. como contextos privilegiados para a formação contínua de professores" (Escudero e Botia. simultaneamente. A organização da escola e a formação continuada Em vários lugares deste livro mostramos a relação entre as formas de organização da escola e o desenvolvimento pessoal e profissional dos professores. interesses de poder. O êxito desta 194 concepção. no que acontece efetivamente nas salas de aula. em que as escolas são consideradas "espaços institucionais para a inovação e melhoria e. 1994). valores. Vimos que as escolas têm traços culturais próprios a partir dos significados pessoais. por isso mesmo. Entender a organização escolar como cultura. assumindo a idéia de escola como unidade básica da mudança educativa. é que convém instalar uma prática de participação.

experiências subjetivas etc. não visível. A organização escolar. significados. as perspectivas dos professores. que é o conjunto das relações sociais. obviamente articuladas com a cultura da comunidade e da sociedade como um todo. seu envolvimento com o trabalho. valores. de debate. em resumo. Essas características provêem das crenças. Isso significa 195 que as próprias formas de organização da escola não só têm a ver com esses comportamentos (ou habitus) como a própria escola vai formando uma cultura própria a partir desses comportamentos. há uma estrutura administrativa e pedagógica que é visível e outra estrutura não formalizada. Essa cultura interna influi no desenvolvimento pessoal e profissional do professor (positivamente ou . o papel da escola como contexto de ação e de formação continuada do professor. Seu pensamento. modos de pensar que vão se formando na vivência da cultura dos grupos dos quais fazem parte e se expressam em comportamentos e modos de agir. é toda ela uma prática educativa. que faz parte da cultura da escola. as experiências subjetivas. interesses. constitui-se de um espaço não apenas de relações de poder mas. As necessidades. 3. maneiras de pensar e agir. é o seguinte: 1. de discussão pública dos compromissos e dificuldades. Fátima Abdalla (1999) analisou em sua tese de doutorado. O sistema de organização e gestão.significados e valores. também. A professora M. com muita perspicácia. 2. de todas as relações que derivam das características do grupo social que atua nela. Isso quer dizer que. nas escolas. afetam seu desempenho profissional. portanto.

objetivos e exigências externas postos pela realidade sociocultural e política mais ampla. pois dessa reflexão sobre ação podem nascer mudanças na estrutura de relações vigente na escola visando criar uma nova cultura organizacional. Essa cultura escolar seria o espaço de possibilidades de mudança. a necessidade de as escolas cultivarem momentos de prática reflexiva. intersubjetivas e objetivas. novas perspectivas. aí. os coordenadores pedagógicos e os professores a pensar em estratégias de organização e gestão que possibilitem a construção de uma cultura escolar. nesse espaço é possível a criação e desenvolvimento de novos comportamentos. Há um papel de destaque nisso da direção e coordenação pedagógica da escola para apoiar e sustentar esses . podendo produzir conjuntamente sua 196 profissionalidade. em que os professores podem desenvolver novas necessidades. Ou seja. de modo a se implantar uma cultura colaborativa.negativamente) mas os professores também podem produzir esse espaço cultural da escola. Reaparece. Isto acontece desse jeito porque em todas as instituições há sempre um campo de relações. considerando-se. O estudo de Fátima Abdalla ajuda os diretores de escola. um espaço de mudança e inovação. onde os professores vão tornando conscientes suas necessidades subjetivas. novos habitus. A organização desse espaço implica a criação de lugares e tempos que incentivem as trocas de experiências entre os professores e professores e alunos. é claro.

nessa formulação.coleta de dados. A quantificação. um processo. Os juízos de valor (ou valoração) referem-se a uma apreciação valorativa sobre o evento. que é preciso fazer distinção entre avaliação. juízos de valor e quantificação ou notação. tendo em vista a tomada de decisões para novas ações. uma pessoa. refere-se à utilização de alguma forma de medida a partir de critérios explicitados previamente. negociação e tomadas de decisão colaborativas. um evento. através de diferentes instrumentos de verificação. CAPÍTULO XII 199 A avaliação de Sistemas Escolares e de Escolas A avaliação é um termo geral que diz respeito a um conjunto de ações voltadas para o estudo sistemático de um fenômeno. visando a emitir um juízo valorativo. como conclusão do processo avaliativo. em geral. para saber se os objetivos previstos estão sendo atingidos. a análise e uma apreciação (juízo) valorativa com base em critérios prévios. Está claro. A avaliação supõe uma a coleta de dados e informações. ou menção qualitativa. que os processos de avaliação implicam a coleta da dados (de informação). Considerase. Esses três elementos . a organização e articulação do currículo e a formação continuada.espaços de reflexão. juízos de valor e . uma situação. atividade ou pessoa. A cultura colaborativa será a síntese dos elementos que asseguram a relação entre a organização escolar e o desenvolvimento pessoal e profissional dos professores: o projeto pedagógico curricular. a gestão. investigação.

as organizações financeiras internacionais voltam-se para o planejamento das políticas educacionais dos países a fim de ajustá-las às exigências da produção. até há alguns anos. O que se avalia é o rendimento do sistema por meio das respostas dos alunos. Por isso. na realidade não são os alunos que são avaliados. ou seja. dos mercados.quantificação ou menção qualitativa . Conforme Casassus (1997) deve ficar clara a distinção entre a avaliação do sistema e a avaliação do aluno. Com a globalização da economia e a acelerada revolução tecnológica. com a acentuação das análises mais globalizantes das relações entre 200 a educação e desenvolvimento econômico. da competitividade. Esse autor esclarece mais: Embora sejam os alunos os que respondem a provas e questionários. as interrogações . do consumo.são componentes necessários da definição de avaliação. Atualmente. Então. ganha grande peso a avaliação dos sistemas educacionais e do conjunto de escolas. No campo da educação. a prática da avaliação era mais conhecida como atividade da escola. entre a avaliação feita pelos professores e a avaliação da eficácia dos sistemas de ensino e do conjunto de escolas. faz-se cada vez mais necessária a distinção entre a avaliação do aproveitamento escolar dos alunos e a avaliação institucional. A avaliação que fazem os organismos internacionais e os sistemas nacionais de medição é a avaliação dos sistemas educacionais e não a avaliação dos alunos. isto é. como avaliação da aprendizagem dos alunos na sala de aula.

dos estudos deveriam consistentemente orientar-se, não às pessoas que são os alunos, mas ao sistema no qual estão inseridos esses alunos. É importante registrar essa distinção porque estamos frente a formas diferentes de avaliação. Na avaliação dos sistemas de ensino, embora também sejam avaliados os resultados obtidos pelos alunos (geralmente mediante testes padronizados), a avaliação tem como objetivo fazer um diagnóstico mais amplo do sistema escolar e do conjunto de escolas, em âmbito nacional ou regional, visando a reorientar a política educacional, a gestão do sistema e das escolas e a pesquisa. Na avaliação do aluno pelos professores, estes avaliam a aprendizagem dos alunos e são também avaliados por eles, com base nos processos de ensino e aprendizagem realizados na sala de aula. As duas formas de avaliação estão, obviamente, ligadas entre si, de modo que os professores podem utilizar resultados da 201 avaliação de sistema feita em escala nacional ou regional para realizar seu trabalho e os sistemas escolares realizam sua avaliação considerando as realidades locais do ensino no país e nas suas várias regiões. A avaliação do sistema escolar e das escolas, através da avaliação externa e/ou interna das instituições, se desdobra em duas modalidades: a avaliação institucional (ou administrativa ou, ainda, organizacional) e a avaliação acadêmica ou cientifica (denominada no Brasil de Exame Nacional ou avaliação de resultados). A avaliação institucional é uma função primordial do sistema de organização e gestão dos sistemas escolares e

das escolas. Essa avaliação, também chamada de administrativa, visa a obtenção de dados quantitativos e qualitativos sobre os alunos, os professores, a estrutura organizacional, os recursos físicos e materiais, as práticas de gestão, a produtividade dos cursos e dos professores etc., com o objetivo de emitir juízos valorativos e tomar decisões em relação ao desenvolvimento da instituição. A avaliação acadêmica ou científica visa a produção de informações sobre os resultados da aprendizagem escolar em função do acompanhamento e revisão das políticas educacionais, do sistema escolar e das escolas, tendo em vista formular indicadores de qualidade dos resultados do ensino. Essas duas modalidades de avaliação do sistema estão, portanto, centradas na obtenção de dados e informações relacionados com a eficiência e a eficácia dos sistemas de ensino e das escolas. A avaliação da aprendizagem escolar feita pelos professores deverá estar a serviço das funções sociais da escola, dos objetivos de ensino, do projeto pedagógico da escola, do currículo, das metodologias. Além disso, ela se assenta no respeito ao direito de todos os alunos de usufruírem de um ensino de qualidade. Os critérios de relevância da avaliação dos alunos centram-se, portanto, em dimensões qualitativas e quantitativas, ou seja, melhor qualidade 202 da aprendizagem para todos os alunos, em condições iguais. Desse modo, a justa medida da eficácia das escolas está no grau em que todos os alunos incorporam capacidades e competências cognitivas, operativas,

afetivas, morais, para sua inserção produtiva, criativa e crítica na sociedade contemporânea. Compreendida nestes termos, a avaliação dos alunos pelos professores, em cada sala de aula, em hipótese alguma pode ser substituída pela avaliação do sistema de ensino. Ao contrário, a avaliação do sistema é que deve buscar seus critérios de relevância na avaliação feita pelos professores, ou seja, a serviço da melhoria da qualidade cognitivas das aprendizagens. Os rumos que as práticas avaliativas vem tomando no âmbito do sistema de ensino brasileiro, ao contrário da posição formulada anteriormente, encaminham-se para a subordinação do trabalho dos professores e, portanto, da avaliação que fazem, aos critérios da avaliação do sistema. Nesse caso, não são os objetivos de ensino que irão determinar as formas de avaliação, mas a avaliação é que acabará por determinar os objetivos, ou seja, dependendo das finalidades postas pelos governos em relação à avaliação do sistema de ensino, ter-se-á uma escola funcional a serviço dos interesses de agências externas à escola. Vejamos essas questões mais de perto. As reformas educativas mundiais e a avaliação dos sistemas de ensino Reforma Institucional: redefinição das responsabilidades do MEC, revisão de padrões de financiamento e repasse de recursos aos municípios e estados; As políticas educacionais em âmbito internacional passam por intensas mudanças, visando ajustá-las às demandas da atual fase do capitalismo, conforme necessidades e realidades de cada país. A ordem é sintonizar os sistemas educacionais ao modelo neoliberal. A tendência das reformas educativas é de reagregar a educação à economia, numa versão modificada

em relação ao que propunham os economistas da educação a partir dos anos 50 com a chamada "teoria do capital humano". Quer-se subordinar os sistemas educacionais à economia já que, no novo paradigma de 203 produção, as novas tecnologias requerem trabalhadores mais qualificados, com mais flexibilidade profissional para atender novas demandas do mercado de trabalho e com mais espírito empreendedor para fazer frente à competitividade econômica internacional. Foi muito em função disso que surgiram as reformas educativas em vários países do mundo, primeiramente na Inglaterra e Estados Unidos no inicio dos anos 80, depois estendidas praticamente ao mundo todo (por exemplo, Espanha e Portugal, 1986; França, 1989; México, 1992; Argentina, 1993; Brasil, 197898). Foram formuladas em boa parte sob a égide dos organismos internacionais como o BIRD (Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento - Banco Mundial), o FMI (Fundo Monetário Internacional), o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciências e Cultura), entre outros. A reforma educativa brasileira ensaiou seus primeiros passos com a formulação e divulgação do Plano Decenal de Educação para Todos no período 1993-94. Medidas mais concretas foram anunciadas na proposta de governo de Fernando Henrique Cardoso para a educação básica: Estabelecimento de novos padrões de gestão: descentralização, autonomia das escolas, participação da comunidade; Educação básica: ampliação do acesso, conteúdos curriculares básicos e padrões de aprendizagem a nível

nacional, formação de professores, ensino a distância, sistema nacional de avaliação do desempenho das escolas e dos sistemas educacionais, padrões de qualidade para o livro didático, descentralização da merenda. 204 Esses pontos, cujas ações vem sendo consolidadas, acompanham as tendências das reformas educativas dos vários países, internacionais a partir das orientações econômicas e técnicas dos organismos financeiros internacionais, principalmente o Banco Mundial. As reformas educacionais acopladas às reformas econômicas têm um caráter notoriamente economicista, em que prevalecem a lógica financeira e a lógica do mercado, desconsiderando-se as implicações sociais e humanas no desenvolvimento econômico. A competitividade decorrente das novas formas de funcionamento do capitalismo só pode seguir a lógica do mercado, pela qual pouco interessa em considerar o desemprego, a pauperização, a degradação da qualidade de vida, a degradação dos serviços públicos. Há análises bastante sólidas mostrando a inserção do Brasil nas políticas de ajuste aos interesses da mundialização do capitalismo expressos no processo de globalização da economia e da política e os efeitos sociais decorrentes (De Tommasi & Outros, 1996). A avaliação educacional dos sistemas de ensino encaixase bem na lógica dessas reformas, já que a aferição dos resultados do rendimento escolar possibilita informações relativamente precisas e confiáveis sobre a realização dos programas e projetos no campo da educação, de modo a contribuir na tomada de decisões dos governos. Em outras palavras, num quadro de parcos recursos financeiros, principalmente nos países menos desenvolvidos, aumenta a

realiza uma pesquisa por amostragem do ensino fundamental e médio destinada a acompanhar a evolução do desempenho dos alunos e dos diversos fatores incidentes na qualidade do ensino ministrado. do qual 205 participam todos os países de fala portuguesa e espanhola (à exceção do Uruguai). vinculado à UNESCO. Exame Nacional de Cursos (ENC). . desenvolvimento de programas de pesquisa sobre a avaliação e variáveis associadas ao rendimento escolar de alunos. com os seguintes instrumentos de ação: Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB) que. que agrupa o conjunto dos sistemas de educação da América Latina e do Caribe. Praticamente todos os países da Europa e das Américas contam com organismos para realizar estudos sobre avaliação e medição dos sistemas de ensino. a cada dois anos. há o Laboratório Latino americano de Avaliação da Qualidade da Educação. geração de padrões regionais de avaliação. criado em 1996 para avaliar os cursos de graduação. No Brasil. formação de técnicos e assistência técnica aos países-membros. a avaliação global do sistema escolar é feita pelo Ministério da Educação por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP).necessidade de verificar se os resultados desejados pelo sistema de ensino estão compensando o volume de investimentos aplicados. com caráter obrigatório para os formandos. Na América Latina. com sede em Santiago do Chile. Os objetivos desse Laboratório são: estudos comparativos internacionais.

206 As informações censitárias são anuais e subsidiam os órgãos formuladores e implementadores de políticas educacionais nos três níveis de governo. além de propiciar a integração das demais bases do INEP Com isso. exame facultativo aos que já concluíram e aos concluintes do ensino médio. que traz a receita e o gasto das diversas esferas de governo no componente educação. Desde 1996 está sendo desenvolvido o Sistema Integrado de Informações Educacionais (SIEd). pesquisas censitárias nacionais por meio de: Censo Escolar que abrange um universo de cerca de 250 mil escolas. pretende-se fortalecer a capacidade gerencial das escolas. que promove a descentralização da coleta do Censo Escolar e do acesso a seus resultados. também. das secretarias estaduais e municipais de educação e do próprio MEC (Cf. 1999). que foi aplicado pela primeira vez em 1998. ressalta-se a necessidade de um sistema de informações e de processos de avaliação para o monitoramento das reformas e das políticas educacionais tendo em vista a formação do cidadão para o próximo milênio: É cada vez mais evidente que a preparação de cidadãos competentes para atuar de forma crítica e responsável na construção de uma sociedade mais justa.000 instituições desse ensino do País. Censo do Ensino Superior. públicas e particulares. Esse órgão federal realiza. Em documento recente do MEC-INEP (1998).Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). democrática e . e 50 milhões de estudantes. Censo Financeiro da Educação. englobando aproximadamente 1. INEP.

emocional e afetiva será decisivo na formação das crianças e jovens para a sua plena inserção social e no mundo do trabalho. como estratégia de êxito da globalização econômica. Esta é a primeira face da questão que analisaremos a seguir. do sistema financeiro internacional. assegurar-lhes uma formação ética e solidária. das infra-estruturas e dos serviços de informação e comunicação. são mais conhecidos dois sistemas de avaliação educacionais: o Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo SARESP e o Programa de Avaliação da Escola Pública de Minas Gerais (Bitar e Outros. selecionar e processar informações com autonomia e raciocínio crítico. portanto. da transformação dos processos de produção. Analisada sob esse prisma. É preciso. É preciso dar-lhes condições de utilizar os conhecimentos adquiridos para que tenham novas oportunidades num mundo cada vez mais complexo e competitivo (Castro. a avaliação educacional está atrelada a um viés economicista. exige um perfil de qualificação em que o desenvolvimento das inteligências cognitiva. dos mercados de consumo. É basicamente a esse objetivo que as reformas educativas atendem. 207 Uma avaliação crítica da avaliação dos sistemas educacionais: duas faces Um primeiro olhar crítico sobre a avaliação dos sistemas e suas formas de operacionalização refere-se ao fato de que as agências financeiras internacionais estão interessadas na qualidade da educação escolar. 1998). É preciso ainda desenvolver sua capacidade de resolver problemas. ou seja. No âmbito dos Estados brasileiros. a critérios . 1998). ou seja.desenvolvida.

avaliação da aprendizagem. sem levar em conta que a verdadeira competitividade. . salário dos docentes. diagnosticados. aumento do tempo de permanência na escola. mas a aplicação das reformas não tem levado ao atendimento das condições necessárias à efetivação das mudanças educativas. bem longe de critérios pedagógicos. por exemplo. A pergunta seria: que tipo de insumos escolares (livros didáticos. O que tem acontecido é que as reformas acontecem num momento em que os recursos públicos destinados à educação tendem a ser submetidos a critérios de competitividade imediata. O viés economicista aparece. depende da qualidade do sistema educativo. Essas relações são estabelecidas a partir da relação custo-benefício. por exemplo. Os problemas são razoavelmente bem identificados. número de alunos por classe. da formação e da remuneração dos professores. na idéia de que as relações pedagógicas podem ser entendidas como relações entre insumos educacionais e a produção de alunos educados. fornecimento de merenda escolar. capacitação do professor em serviço ou formação inicial. a médio e longo prazo. em muitos casos.econômicos de análise do desempenho da educação escolar e.) seriam mais 208 eficazes para se obter um certo nível de aprendizado? Sendo assim. qualidade "por dentro" dos processos de ensino e aprendizagem e não apenas dos resultados. a partir de testes nacionais padronizados. capacitação docente. como é o caso. pode-se fazer relações entre variações no aprendizado considerando-se fatores como: presença ou ausência de livros didáticos. gestão da escolas etc.

Daí a importância da avaliação externa pelo próprio governo. com o projeto pedagógico e com o currículo. em muitos casos. Entretanto. não se está considerando os processos que levam a uma qualidade do aprendizado. monitorar o desempenho escolar. O objetivo da avaliação educacional do sistema seria a melhoria da qualidade. é melhor investir em livros didáticos e não em salários? Ou em capacitação de professores pela Educação a Distância e não pela formação inicial nas universidades? É melhor reduzir o número de alunos nas classes ou ampliar a duração do ano letivo? São opções que acabam sendo tomadas pelo critério econômico. Outras considerações precisam ser feitas. autonomia). pelas orientações das reformas 209 educativas. neste capítulo. . que seriam as estratégias que podem assegurar bons resultados de rendimento escolar dos alunos.Mais adiante. a avaliação educacional deve estar articulada com as formas de gestão (descentralização. ao qual cabe fixar padrões nacionais de desempenho. Entretanto. facilitar insumos que influenciam no rendimento escolar. quase nunca pelo critério social e pedagógico. portanto. Como se sabe. melhorar os resultados do rendimento escolar. Por exemplo. pode-se supor que. já que a ênfase recai nos resultados. A partir daí podem ser extraídas conclusões sobre onde aplicar ou não aplicar recursos. discutiremos os elementos do processo de planejamento e as várias denominações que tem recebido quando aplicado à instituição escolar.

os diretores criariam mecanismos de seletividade prévia na própria matrícula de alunos. inclusive usando expedientes para escamotear resultados. a competitividade entre as escolas e entre os alunos. afetiva.já mostramos que a avaliação do sistema escolar pode prestar-se apenas a estabelecer mecanismos externos de controle. o que os educadores devem recusar é o tipo de avaliação em que predomine a justificativa econômica. estética) e a avaliação dessa formação não pode ser aferida pela avaliação do sistema de ensino de cunho economicista pautada nos resultados. moral. Ou seja. por exemplo. que as escolas estariam mais preocupadas em atender aos critérios de controle externo do que aos objetivos pedagógicos. as práticas de ensino. através dos testes padronizados. O problema está na redução do processo avaliativo ao produto final sem considerar aspectos internos do processo de ensino tais como os recursos físicos. as condições salariais dos professores. Os controles levariam. física. reestruturadora. prejudicando os índices de avaliação a serem alcançados pela escola. materiais e financeiros da escola. Não se trata de nos opormos à avaliação institucional externa ou interna. da educação escolar visando exclusivamente os vínculos com o mercado. certas escolas a criar internamente dispositivos pelos quais as crianças com problemas de rendimento escolar teriam cerceada sua entrada na escola. Poderia ocorrer. a estreita preparação/qualificação para o mercado de trabalho. para obter boa classificação. . nesse caso. É preciso recusarmos a noção de aluno-cliente e continuarmos apostando no papel da escola na formação integral dos alunos (cognitiva. As escolas estariam sujeitas a um "ranking" e. o currículo. controladora.

no mínimo. a necessidade de formação geral mais sólida e uma demanda acentuada por educação de qualidade. a elevação da escolaridade. nem na criação de um mercado educacional. para os educadores progressistas é bastante razoável supor que a avaliação educacional. todavia. 1998). são fundamentais para toda a sociedade. Nesse sentido. Com a revolução tecnológica e as demais mudanças globais. Em razão disso. a preparação tecnológica e a formação geral. analisar a segunda face da questão. justa e solidária. Oliveira e Libâneo. Isso não deve significar a aniquilação da diversidade e das singularidades dos sujeitos. os impactos da revolução tecnológica no campo da educação podem e devem ser absorvidos de modo a gerar perspectivas democráticas de construção de uma sociedade moderna. econômica e cultural.Cumpre. abstrata. abrangente e polivalente dos trabalhadores. é um requisito para a melhoria das condições que afetam . Isso. é inegável a 210 crescente intelectualização do trabalho. especialmente quando se tem em vista. no entanto. Numa sociedade de conhecimento e de aprendizagem é preciso dotar os sujeitos sociais de competências e habilidades para a participação na vida social. a garantia da igualdade de oportunidades. não pode resultar num projeto educacional competitivo e seletivo socialmente. nem na ampliação da esfera privada no campo da educação. tanto do sistema escolar como da aprendizagem. A universalização e melhoria da qualidade de ensino. de modo que esses não venham a contribuir para novas formas de divisão social mas sim para a construção de uma sociedade democrática na forma e no conteúdo (Cf.

Daí que se fazem necessárias políticas educativas que contribuam para o desenvolvimento sustentável do país. Seria extremamente prejudicial negar aos segmentos empobrecidos da população brasileira um ensino de qualidade. A avaliação externa. por mais que se considere as críticas às orientações economicistas dos organismos financeiros internacionais. em conexão com a avaliação dos professores.diretamente a qualidade do ensino. favorecendo a identificação de necessidades locais. Nesse sentido. em razão da 211 exigência de se prestar contas de um serviço público à comunidade. gerando uma "cultura da responsabilização" por parte da equipe escolar. o envolvimento dos professores e pais etc. Numa visão progressista. uma proposta pedagógica progressista pode assumir a avaliação dos estabelecimento escolares por meio dos resultados do aprendizado dos alunos (embora essa aferição não deva ser utilizada para classificar as escolas que serão beneficiadas por recursos públicos. podem analisar conjuntamente os problemas. pode ser uma ajuda à organização do trabalho na escola e nas salas de aula. a descentralização das escolas. Os professores. (embora isso não deva ser usado para a redução do poder . as práticas de avaliação podem propiciar mais auto-regulação institucional. incluindo um posicionamento sobre a avaliação educacional. o que é totalmente inaceitável). fazer diagnósticos mais amplos. reforçando o entendimento da escola como local em que se pensa o trabalho escolar e onde professores e especialistas aprendem em conjunto. em função da organização escolar e do projeto pedagógico da escola. para além do seu trabalho isolado na sua matéria.

a ênfase no desenvolvimento de capacidades básicas de aprendizagem (embora não se aceite um mero treinamento de habilidades). enquanto cidadão e profissional. valores) precisam ser colocadas no projeto pedagógicocurricular e que. esperado dos alunos. Como avaliar o 212 nível de competência cognitivo. Outras questões precisam ser consideradas com mais empenho pelos pesquisadores visando o aprimoramento da qualidade do ensino. tendo como referência a prática social? Como definir o perfil de aluno egresso. transformam-se em conteúdos curriculares e estratégias de aprendizagem na escola? São questões relacionadas com o projeto pedagógico-curricular e os processos de ensino e aprendizagem. . é preciso que os educadores.de mobilização dos sindicatos e da participação política de professores). é óbvio que as práticas de avaliação precisam ser encaradas com mais seriedade. em seguida. que cada escola formula coletivamente entre seus professores e equipe técnica? Como definir quais competências profissionais e éticas (desdobradas em conhecimentos. Para isso. Admitindo-se que hoje a justiça social em termos de democratização do ensino seja a qualidade cognitiva dos processos de ensino e aprendizagem e dos seus resultados. seus processos e resultados. atitudes. saibam mais sobre a elaboração de instrumentos mais diretos de aferição da qualidade da oferta dos serviços de ensino junto com a qualidade do "aluno que se quer formar". ético. emocional. além de tomarem a avaliação como importante meio de diagnóstico do seu trabalho. procedimentos.

.Avaliação educacional . por sua vez. no seu cotidiano. (. principalmente os interessados no bom funcionamento da escola (uma escola democrática. o nível de ensino que os alunos irão receber (Souza. . de suas 213 atuações. emancipadora etc... A dependência econômica do Banco Mundial força a submissão dos sistemas de ensino e das escolas às suas orientações técnicas. é tão importante avaliar como o sistema educacional condiciona a qualidade do ensino oferecido nas escolas quanto analisar como os educadores constroem.. a partir de suas representações. os problemas envolvidos na avaliação educacional são muitos.) Avaliar com equidade significa analisar se a qualidade da educação que está sendo oferecida atende igualmente a todos os setores sociais. 1998). mas também compreender os processos de construção da desigualdade escolar (. de suas relações.) tendem a ficar perdidos com os programas introduzidos pelos Estados hoje praticamente atrelados aquelas orientações do Banco Mundial.entre a avaliação de sistemas educacionais e as avaliações do professor na sala de aula Como se pode ver. Os educadores progressistas.) Neste sentido. Boa parte dos especialistas em avaliação concordariam com este desafio posto aos educadores e especialistas em avaliação escolar: integrar as contribuições criticas destas ultimas décadas e construir no cotidiano instrumentos que nos permitissem não somente analisar o rendimento escolar.

A avaliação externa pode ser nacional. inclusive para tentar diagnosticar disparidades de rendimento entre alunos que não podem ser captadas pelos professores. Esses programas utilizam testes padronizados visando ao maior controle da qualidade do ensino. efeitos de migração. Neste último caso. diversidade cultural. O objetivo desses programas: "identificação dos conteúdos e habilidades dominados pelo aluno e a busca de elementos que possam subsidiar o planejar na perspectiva de levar a escola e os professores a superar as defasagens fragrantes nos alunos (.Aceita essa premissa. Com os programas nacionais ou estaduais. dentro da escola (por exemplo. o objetivo dos programas de avaliação deve ser o de obter informações sobre o desempenho de alunos de um sistema. de modo que os envolvidos no processo educacional reflitam sobre os problemas de ensino e aprendizagem e tomem decisões sobre a melhoria da qualidade da educação. avaliandose o universo inteiro de uma rede de ensino.. e importante a implantação de programas de avaliação dos sistemas educacionais. 168). visando orientar as políticas educacionais e os órgãos gestores dessas políticas.) (Souza. segregação social ou excesso ou falta de rigor na avaliação feita por professores). adequação do ensino às exigências contemporâneas. individualmente." Este segundo tipo de avaliação externa é melhor porque as escolas participam . os sistemas de ensino podem aferir a qualidade do ensino em termos de sua equidade e verificar o que a macro estrutura pode fazer para aprimorá-la. Pode ser regional. por amostra..

Em qualquer caso. O SAEB e ENEM têm uma limitação: trabalham com amostras. da sistemática de avaliação. em síntese. sólida formação cultural e cientifica a todos. que propiciem melhor qualidade da aprendizagem escolar para todos os alunos. falta de apoio afetivo em casa ou na escola. pais com baixa escolaridade. A avaliação da aprendizagem precisa ajudar a identificar disciplinas ou outros aspectos em que o aluno apresenta maiores dificuldades. especialmente. porque elas aparecem.214 diretamente do processo avaliativo e usufruem diretamente dos resultados obtidos. de tal maneira que cada uma receba informações sobre o desempenho de seus próprios alunos nas principais disciplinas. das necessidades de capacitação docente. Por exemplo. Também a avaliação do aluno pelos professores precisa ter esse caráter de diagnóstico. também. em condições iguais. Pode-se. dificuldades econômicas em casa. condições de salário e trabalho dos professores. dos processos pedagógicodidáticos. permitindo uma definição mais realista do projeto pedagógico. de reorganização da trajetória escolar dos alunos. as avaliações externas precisam estar voltadas para levantamento dos elementos que propiciem a democratização do acesso e a permanência na escola. efeitos das formas de gestão na aprendizagem dos alunos. pensar na possibilidade de que um conjunto de escolas (de uma área limitada) façam a avaliação conjuntamente. podem provocar essas dificuldades nos alunos para vencerem as tarefas exigidas pela escola. o que não leva as escolas a usufruírem dos dados que coletam. como aparecem estas defasagens e. .

. organização escolar e dos planos de ensino A avaliação da escola é um processo pelo qual os especialistas (diretor. Provocar reflexões conjuntas dos professores sobre suas preocupações na sala de aula.. compreender e neutralizar as causas dos insucessos escolares" (Ibid.Algumas medidas precisariam ser tomadas nas escolas para enfrentar os problemas de avaliação.. Compreender que a avaliação é instrumento. o porque determinado aluno vai bem e outro não.. Definir com clareza as competências do professor e saberes necessários para "diagnosticar.). o processo de aprendizagem do aluno e oferecer um ensino de qualidade (Ibid. fatores que prejudicam o andamento das aulas etc. da .) o porque o aluno não está apreendendo. ela apenas dá indícios de onde estão os problemas de aprendizagem.) não é o como avaliar. alunos com mais dificuldades. (. 215 Ligar a "teoria" sobre avaliação com o "saber-fazer" a avaliação. para melhorar o ensino. coordenador pedagógico) e os professores discutem e avaliam sua escola em função do aprimoramento pedagógico curricular e da qualidade do ensino. mas sim o como ensinar. dificuldades que estão tendo. O grande problema (.).. A avaliação do projeto pedagógico-curricular..) Nosso problema é justamente como identificar. Nas últimas décadas houve pouco interesse dos pesquisadores em programas de avaliação da escola. analisar. (.

Mas todo cuidado é pouco para que os resultados do desempenho escolar dos alunos não sejam tomados como único parâmetro de análise da escola. composição do corpo docente (tempo de trabalho. Mas isso não é suficiente. Se os testes e outras formas de aferição do rendimento forem bem elaborados. Hoje essa necessidade torna-se cada vez mais premente.direção. idade. do projeto pedagógico. Nesse sentido. recursos físicos e materiais. Tais dados já estão disponíveis na escola. É preciso chegar até a sala de aula para obter conhecimentos mais precisos sobre os processos de ensino e aprendizagem. dos professores. tais como: características dos alunos. currículo profissional). as relações entre professores e . rendimento escolar por classe. os resultados do rendimento escolar dos alunos) em função das responsabilidades sociais da escola. materiais didáticos e informacionais. é preciso organizá-los e analisálos como prática de avaliação diagnóstica. a avaliação da escola precisa considerar os elementos determinantes da qualidade da oferta de serviços de ensino e do sucesso escolar dos alunos. De fato. é preciso considerar o conjunto de fatores que levaram a eles. é indispensável verificar a efetividade dos serviços prestados (o comportamento profissional dos professores e especialistas. é possível detectar problemas e dificuldades no ensino 216 das matérias de forma que a escola e os professores tomem providências para saná-los. Os sistemas de ensino e as escolas se vêem hoje frente à avaliação dos resultados dos alunos como critério para a avaliação da produtividade da escola. condições de trabalho e motivação dos professores.

Há uma outra razão para se considerar este alerta. tipo SAEB. Cada vez mais aparecem na imprensa. É claro que esta avaliação global da escola indicará elementos de mudança nas práticas dos próprios professores. capacitados. especialmente no que diz respeito ao domínio dos conhecimentos e metodologias e procedimentos de ensino e procedimentos de avaliação. verificar falhas na aquisição de conhecimentos e habilidades e possibilitar formas de recuperação.alunos. o controle do rendimento escolar precisa ter maior rigor cientifico e método lógico. Dada a importância da avaliação escolar. que utilizam instrumentos estandardizados de verificação do aproveitamento escolar. ENEM. a qualidade cognitiva das aprendizagens. Isso leva a que os professores sejam formados. os resultados das avaliações 217 feitas pelo sistema. a construir testes de verificação de aproveitamento. A avaliação não pode ser reduzida a testes. Eles não dão uma informação absolutamente fiel do rendimento dos alunos em face dos objetivos pedagógico-didáticos. nas escolas. Aspectos a serem avaliados no âmbito da organização escolar . mas permitem evidenciar uma "pista" de onde os alunos estão. mas é importante sua utilização. Os professores precisam estar familiarizados com as práticas de avaliação externa para poderem inclusive ler as análises e tirar proveito delas para o seu trabalho. as práticas de avaliação.

relações humanas (solidárias. hostil. dentro da escola. currículo. exigente. da escola como referência básica do sistema de ensino. . Clima organizacional da escola Inclui: tipo de direção (acolhedora. A análise dos resultados. separadas. situação sócio-econômica dos pais etc. reprovações. tipo de organização (organizada. dentro da concepção que vem sendo desenvolvida neste livro. processos de ensino e aprendizagem. democrática. Um investimento importante é acertar entre os professores métodos mais eficazes de diagnóstico das dificuldades escolares dos alunos. A ênfase da avaliação não recai somente nos professores e nos alunos mas nos elementos e na dinâmica de funcionamento da organização escolar: projeto 218 pedagógico. autoritária. relações interpessoais. desorganizada. etc). tolerante).É sempre útil relembrar as principais variáveis em torno das quais pode incidir a avaliação: Dados estatísticos sobre a população escolar. abandono da escola. estrutura de coordenação pedagógica e assistência aos professores. práticas participativas). pode ajudar os professores a modificarem suas formas de trabalho. Avaliação da execução do projeto pedagógico-curricular Esta é uma forma de avaliar a escola no seu conjunto. envolvimento da equipe pedagógica e professores com os objetivos e com as ações da escola Acompanhamento do rendimento escolar dos alunos Aplicar métodos e procedimentos para acompanhar e analisar sistematicamente os resultados escolares nas varias turmas.

etc. em boa parte. porque. enfrentar esse tipo de avaliação de uma forma decidida porém cautelosa.sistema de gestão. da qualidade e da eficácia do trabalho do professor. Boa parte das ações docentes não está constantemente sob controle da consciência porque resultam de modos de agir e hábitos já consolidados. Por outro lado. Não há dúvida de que o professor é o fator mais significativo na determinação da produtividade de uma escola. há uma boa dose de imprevisibilidade e improvisação. O trabalho de professor não se presta a análises meramente quantitativas. todavia. Avaliação de desempenho dos professores É cada vez mais crescente na pesquisa pedagógica a insistência na avaliação dos professores. Não é tarefa fácil. enfrentar o desafio de avaliação qualitativa da atividade docente através da observação sistemática de aulas e do diálogo e da reflexão conjunta com os professores. como uma das condições do desenvolvimento profissional. Além disso. é dele que depende o êxito escolar dos alunos e a realização dos objetivos essenciais da escola. não é uma profissão na qual basta seguir uma seqüência de atos automatizados. inclusive pelo caráter de imprevisibilidade que têm muitas das ações escolares. Há muito pouco progresso concreto na investigação dos instrumentos de avaliação de professor (ainda que reconhecendo avanços na concepção do professor crítico-reflexivo). Educadores que conhecem de perto o funcionamento de escolas e de salas de aula sabem que os principais pontos de um programa de observação da prática docente na sala . todavia. isso não pode levar a descartar a avaliação das características. É preciso. Os diretores de escola e os coordenadores pedagógicos precisam.

Para finalizar: a avaliação emancipatória . funcionários. Ações de formação continuada de professores. Atividades administrativas e de apoio pedagógicodidático ao professor. utilização dos recursos materiais e didáticos. pedagogos. horário de aulas e distribuição de disciplinas. organização. Ghilardi e Spallarossa. qualidade da comunicação com os alunos. Encontros e reuniões de professores. Critérios de organização de turmas. como organização e desenvolvimento das aulas. Outros fatores também precisam ser considerados na avaliação do professor relacionados com a organização e funcionamento da escola como um todo: Disponibilidade. Estratégias de relacionamento com os pais e as formas de comunicação. 1991): 219 qualidade das relações sociais e afetivas com os alunos. conforme o nível de ensino atendido.de aula são os seguintes (Cf. gestão da classe em vários aspectos. incluindo instalações e equipamentos. preparo profissional do professor no conhecimento da disciplina e dos métodos e procedimentos de ensino e avaliação. procedimentos e instrumentos de avaliação da aprendizagem.

mediante um processo reflexivo rigoroso de planejamento-observação-análise-reflexão-planejamento.práticas de ensino. a gestão de uma escola pode ser analisada por meio de duas atividades básicas: a racionalização do trabalho e coordenação do esforço humano coletivo. Por sua vez. é assegurar cada vez mais nas instituições 220 o caráter educativo da avaliação: meio de revisão das ações do professor . a coordenação do esforço . CAPÍTULO XIII – Estratégias de Coordenação do Trabalho Escolar e de Participação na Gestão da Escola 223 Conforme vimos nos capítulos anteriores. Estudando o assunto. processos e relações referentes à utilização racional dos recursos materiais e de conhecimentos.A tendência nas práticas de avaliação. numa perspectiva de educação emancipatória. em que o professor é também um investigador (Hernandez e Sancho. interação com os alunos .de modo que tome decisões com maior conhecimento de causa. Auto-avaliação. 1994). o professor Vítor Paro escreve que a racionalização do trabalho engloba as ações. A avaliação emancipatória tem três características: Avaliação compreensiva e global do processo de ensino e aprendizagem Avaliação democrática em que os resultados da avaliação são discutidos e negociados entre os participantes do trabalho escolar.

as técnicas e instrumentos que assegurem a utilização racional de recursos materiais e conceituais. as pessoas envolvidas na administração da escola deverão exibir uma competência técnica que deve dizer respeito tanto ao . o esforço humano coletivo necessita dos elementos materiais e conceituais para ser aplicado racionalmente" (Paro. da mesma forma. Dessa forma. faz-se necessária aposse de um conjunto de conhecimentos. "Os elementos materiais e conceituais não cumprem sua função no processo se não estiverem associados ao esforço humano coletivo. não podendo. sempre avaliadas pela prática reflexiva. 1988). considerando a natureza dos fins buscados pela escola. uma escola comprometida com a transformação social precisa lançar mão de princípios. ser separados. em especial do corpo docente. Para o autor. Com igual razão. assim como a garantia da coordenação 224 do esforço humano coletivo através da participação coletiva. Parece não haver dúvidas de que. Ainda segundo Paro. os dois tipos de recursos funcionam em mútua dependência. métodos e técnicas adequados à especificidade dos seus objetivos e à especificidade do processo pedagógico escolar. para um razoável desempenho do pessoal escolar. Escreve o autor: A utilização racional dos recursos coloca o problema da competência técnica no interior da escola. técnicas e habilidades em níveis e padrões que possibilitem o oferecimento de um ensino de boa qualidade a um número maior de alunos.humano coletivo diz respeito à utilização racional das relações entre os profissionais da instituição. na prática. são imprescindíveis os conhecimentos.

. ou seja.) Esse fato coloca novamente a importância do conhecimento e familiaridade que o educador deve ter não apenas com os aspectos mais propriamente pedagógicos da escola. O mesmo não acontece numa administração democrática. É através dela que são fornecidas as melhores condições para que os diversos setores participem efetivamente da tomada de decisões. mas também com os métodos e técnicas administrativos mais adequados à promoção da racionalidade interna e externa da mesma. quanto aos processos. é de extrema relevância na instalação de uma administração democrática no interior da escola. 1988). aos aspectos mais propriamente pedagógicos. fundamentada na participação coletiva. visto que as responsabilidades administrativas foram distribuídas juntamente com a autoridade. esta identificada com os interesses da classe trabalhadora (Paro.. em que não existem chefes colocados autoritariamente sobre os demais. Nesta nova situação. (.) A "coordenação" do esforço de funcionários. pessoal técnico-pedagógico. Numa administração escolar autoritária e centralizada na figura do diretor. (.conhecimento da coisa administrada. já que estas não se concentram mais nas mãos de uma única pessoa. professores. mas na de grupos ou equipes representativos de todos. alunos e pais. métodos e técnicas relacionados à atividade administrativa.. basta que este e mais alguns de seus auxiliares mais diretos dominem os conhecimentos e técnicas de gerência e administração. 225 . é importante que todos saibam os princípios e os métodos de uma nova administração..

. administrativas e financeiras da escola. 6. de promoção da participação. etc. A reunião de professores é uma necessidade da organização escolar mas é também um espaço de formação continuada. referentes especialmente à coordenação pedagógica e aos professores. 2. portanto. daí poder-se falar de reunião pedagógica. cada reunião pode ser dedicada a um desses setores. Reuniões de professores. Nesse caso. reunião administrativa. 3. Informativa . Entrevistas. Conselho de Classe. Evidentemente. Seminários. 1. a coordenação pedagógica e os professores para trocar idéias e tomar decisões sobre questões pedagógicas.É em razão desses argumentos que foram selecionados alguns procedimentos e técnicas úteis para viabilização do trabalho escolar. Tipos de reunião Há vários tipos de reunião de professores. REUNIÕES DE PROFESSORES Por "reunião de professores" entende-se o encontro formal entre a direção. 5. sem preocupação de esgotá-los. Etapas para a elaboração de projetos. 4. trata de questões já decididas que serão apenas comunicadas. Modelo clínico de formação continuada. de comunicação e de construção coletiva da organização e gestão da escola.Destinada à transmissão de informações ou medidas a serem cumpridas. Apresentamos a seguir alguns deles. visando o aprimoramento das práticas de organização e gestão da escola: 1.

Nérici. a reunião é um procedimento administrativo indispensável ao sistema de gestão da escola. às vezes. foram aproveitadas idéias de vários autores.226 pode-se usar de bastante objetividade. a coordenação pedagógica. projeto ou para subsidiar uma tomada de decisão. Tem caráter oficial. especialmente. Geralmente esse tipo de reunião sucede a uma decisão já tomada em reunião formal e aqui o coordenador irá pedir sugestões e informações para concretizá-la. 1980. precisam levar a sério a organização das reuniões. de seminários.O objetivo é a discussão de um assunto ou a busca de solução de problemas. pode tornar-se uma atividade malvista e desconfortável. aprofundamento da leitura de documentos. Convém que o coordenador desse tipo de reunião prepare de antemão pontos polêmicos da comunicação. Na reunião. Para . As reuniões de estudo são denominadas. De estudo . A 227 direção. deverá aceitar todos os pedidos de esclarecimentos. Opinativa-deliberativa . 1973 e Grisi. os professores.O objetivo é ouvir as pessoas para a elaboração de um documento. Não tem caráter oficial. Coleta de opiniões . preparação conjunta de aulas etc. Entretanto. pois o que se decidir deverá ser assumido por todos os membros da escola.Visa a leitura e discussão de um texto. Observação importante: conforme afirmamos anteriormente. Sobre o tipo e formas de reunião.

Da mesma forma. regulamentos ou rotinas. quadronegro. cuidando para não torná-la excessivamente longa 228 . divergências de opinião etc. conforto. não levar para a reunião assuntos sobre os quais já se tomou uma decisão. Evitar colocar na mesma sala pessoas com interesses muito divergentes ou de nível cultural ou de escolaridade muito diferenciados. medidas e normas já estabelecidas na legislação. esclarecendo quais questões são mais urgentes.isso. local e horário. prevenir-se para perguntas embaraçosas. Preparar rigorosamente a reunião: definir objetivos e pauta. arejamento. especialmente o que já está previsto em leis. com os mesmos interesses. muito bem organizadas e muito bem conduzidas. Manter rigorosamente o horário de início e de término da reunião. Reunir pessoas mais ou menos do mesmo nível hierárquico. Programar uma pauta possível de ser cumprida. preferentemente. Submeter a pauta à aprovação dos participantes. ou questões que já fazem parte dos deveres e obrigações profissionais. recomenda-se que não se façam reuniões improvisadas. Evitar colocar em pauta assuntos e questões que podem ser resolvidas individualmente com os interessados. material didático e audiovisual etc. visando a facilitar a comunicação e o diálogo. Dispor os assentos. Sugestões para o planejamento e organização de reuniões Escolher o local e verificar as condições físicas e materiais: iluminação. em círculo. elas precisam ser planejadas.

). 3. Definição bem clara dos assuntos ou problemas. para quando. 4. Delegação de responsabilidades (quem fará o quê. promover uma breve apresentação dos presentes. 5. o grupo operativo (discussão dirigida de solução de problemas). que pode ser conduzida da seguinte forma: 1. há a Tempestade Mental (Brainstorming). 229 . Há muitas outras técnicas de realizar uma reunião. conforme os tipos apontados acima. Conclusões. discussão livre.. Pode ser útil cada participante escrever seu nome numa folha e afixar na carteira. 2. seminários de estudo. Técnicas de condução da reunião A técnica mais comum é a reunião de trabalho. 6.Não abusar no número de reuniões. Discussão. Iniciar a reunião apresentando os assuntos e os objetivos da discussão. Apresentação dos assuntos. O coordenador ou alguém do grupo apresenta o problema. Recomendações úteis ao coordenador de reunião Apresentar-se na reunião com bastante segurança e confiança em si para passar segurança aos participantes. Entre elas.. Apresentação de soluções alternativas. Se for grupo novo em que as pessoas não se conhecem.

Estimular todos os participantes a expressarem sua opinião.Fazer perguntas iniciais aos participantes. usando argumentos seguros. informações. aprender a persuadir. pontuar as conclusões a que o grupo vai chegando. que podem dificultar a busca de soluções positivas para os problemas. não permitir em nenhuma hipótese conversas paralelas. sem antecipar ou precipitar as conclusões. Assegurar a condução da reunião. Se as pessoas não falarem espontaneamente. 230 2. Se for necessário. Pedir esclarecimentos. Após uma rodada de discussão sintetizar os pontos já tratados. Ter paciência para ouvir todos. fazer voltar sempre ao tema em discussão. envolventes. diversionistas. ENTREVISTAS INDIVIDUAIS . tomando especial cuidado com as pessoas que falam demais e com as que falam pouco ou não se manifestam. mantendo o grupo dentro do assunto. Estar atento para posições ou opiniões "proteladoras". de modo que se mantenha o clima de debate e se aprofunde mais a discussão. dados concretos. Não monopolizar a palavra ou a discussão. provocar a participação chamando as pessoas pelo nome. a convencer. oferecendo dados concretos. Não permitir que a reunião prossiga enquanto todo o grupo não estiver atento. Estimular a participação de todos os membros do grupo.

geralmente. Procedimentos . chamar a mãe para conversar sobre dificuldades dos alunos. na qual há um roteiro prévio de questões ou perguntas dirigidas ao entrevistado. mais flexível. na qual não há um roteiro prévio. para se chegar a uma conclusão. alguma observação ou solicitação. Chamar um aluno para conversar sobre seu rendimento escolar. Por exemplo. um cotejamento de modos de ver uma situação. Tipos de entrevistas a) Dirigida. é provocada por algum fato. utilizando ambos os procedimentos. um problema. a entrevista na escola é um encontro de duas ou mais pessoas interessadas em melhorar uma situação. Conversar com uma professora sobre problemas de disciplina na classe.Os professores e professoras são sempre solicitados a entrevistar alunos. Também os coordenadores pedagógicos utilizam a entrevista para reuniões de trabalho com os professores. utilizada como técnica de ensino e aprendizagem na sala de aula. Orientações gerais sobre a técnica de entrevista A entrevista. resolver um problema. ainda. Segundo especialistas. b) Não-dirigida. É importante destacar que a entrevista deve centrar-se na análise da situação ou na solução do problema e não em uma das pessoas envolvidas. c) Mista. pais. é importante que seja uma troca de pontos de vista. Por isso. A entrevista pode ser. a conversa flui livremente entre os participantes.

uma troca de impressões de modos de ver. A informalidade é um importante requisito para uma boa entrevista. com um roteiro mínimo de perguntas ou questões. Convém que na convocação ou convite para a entrevista já seja informado o motivo da sua realização. mediante a reflexão. também. compromissos. . Os entrevistados precisam levar em conta que trabalham numa organização que tem uma filosofia de trabalho. pela sua natureza. é um importante momento de formação continuada para ambos. após a realização de um evento. de idéias. Se o objetivo é. normas. quase sempre.A entrevista é. Por isso entrevista é peculiar. após uma observação de classe. Mas podem ser sugeridos alguns procedimentos: O entrevistador e o entrevistado devem ir à entrevista com objetivos claros. tem um 231 desenvolvimento compatível com a situação que está sendo analisada. o diálogo e a tomada de novas decisões. Isso significa que podem existir pontos da conversa que são inegociáveis. um procedimento útil para reunir o coordenador pedagógico e o professor. Nesse caso. munidos de informações. resolver problemas. a entrevista precisa acontecer imediatamente após o ocorrido. de cooperação mutua. É um trabalho integrado. Visa o acompanhamento do trabalho em sala de aula para aprimoramento do ensino. A entrevista do coordenador pedagógico com os professores A entrevista individual é. objetivos.

considerando-se portanto o trabalho . os caminhos necessários para a melhoria da sua atuação. metodologia de ensino. As entrevistas precisam ocorrer imediatamente após a observação de aulas do professor. procedimentos etc. visando a um plano de auto-aperfeiçoamento. a partir das dificuldades apontadas. f) Acerto de novas observações. temores. d) Combinar com o professor a ida do coordenador à sua classe para observação de aula. suas limitações quanto à motivação dos alunos. avaliar e interpretar o que se passa consigo e na sala de aula. 232 b) Auxiliar no desenvolvimento de habilidades de analisar. e) Análise e interpretação dos dados colhidos durante a observação junto com o professor para verificar pontos fortes e fracos da sua atuação. c) Ouvir o professor sobre suas dificuldades. Observações importantes: As entrevistas entre coordenador pedagógico e professores precisam estar fundamentadas em informações. por si próprios. A entrevista deve ter caráter eminentemente profissional. avaliação. dados. evidências. de lado a lado. levando a tornar mais eficaz a ação docente.Essa entrevista tem por objetivos: a) Ajudar os professores a tomarem consciência do seu desempenho e a encontrarem. para evitar desconfianças. novas discussões. disciplina.

Considerar que a reunião entre coordenadores e professores acontece entre duas pessoas.realizado ou a ser iniciado (o que não significa. havendo um intercâmbio de pontos de vista. o objetivo do seminário não é apresentar as conclusões para uma classe ou grupo maior. para serem discutidos posteriormente. O coordenador poderá. habilidades dos envolvidos na percepção e compreensão do outro. alunos. câmara de vídeo. Se a entrevista se destina a conversar com o professor sobre situações observadas em aula. sempre com o consentimento do professor. nas entrevistas. 233 Os coordenadores precisam dedicar especial atenção. motivações. pode ser útil a elaboração prévia de uma ficha de observação dos aspectos a serem observados. pais). utilizar gravador. 3. aprimorar o processo de ensino e aprendizagem. apontamentos. num clima de colaboração recíproca. implicando. cada um com sua especialidade. valores. discutida antes com o professor. obviamente. a professores iniciantes ou inexperientes. mas a estruturação de . em reuniões previamente planejadas. também. SEMINÁRIOS O objetivo do "Seminário" é o estudo de um tema juntamente com outras pessoas. professores com mais dificuldades na sala de aula. visando melhorar uma situação. A idéia básica dessa técnica é promover a aprendizagem ativa entre os membros (professores. portanto. professores sem formação pedagógica. Diferentemente do que tem sido feito nas escolas. ignorar as relações pessoais). atitudes. A entrevista é um encontro entre pessoas.

CONSELHO DE CLASSE O Conselho de Classe é um órgão colegiado composto pelos professores da classe. É a instância que permite o acompanhamento dos alunos. 234 O seminário deve ser apresentado para a classe como síntese do trabalho do grupo.conceitos. 4. em alguns casos. dos pais. o importante é a diversificação de fontes). É o resultado do trabalho desse pequeno grupo que será apresentado para toda a classe. atividades de integração . Algumas recomendações Os participantes devem ter interesses comuns quanto ao tema e um nível de conhecimentos semelhante. Em algumas experiências. O estudo conjunto exige a investigação e a pesquisa de diversas fontes e recursos de informação (o estudo de um livro ou capítulo de livro não justifica um seminário. o Conselho de Classe também é competente para formular propostas para a coordenação pedagógico-didática. o debate e a verbalização de idéias dentro do pequeno grupo. pais e alunos. podendo. daí. fazer nova discussão. e incentivar projetos de investigação. para socializar as conclusões. visando a um conhecimento mais minucioso da turma e de cada um e análise do desempenho do professor com base nos resultados alcançados. facilitar e ampliar as relações mútuas entre os professores. Tem a responsabilidade de formular propostas referentes à ação educativa e didática. por representantes dos alunos e. Todos os membros precisam participar igualmente do trabalho.

os ajustes necessários. Os objetivos do conselho de classe são: Aprimoramento do diagnóstico dos problemas e dificuldades. A participação no Conselho de classe requer dos professores e coordenação pedagógica a consulta a informações e registros que possam subsidiar as decisões. 235 Obtenção de informações para facilitar o aconselhamento ao aluno. após o Conselho de Escola. Busca de soluções alternativas para as dificuldades que aparecerem. Reformulação do plano de ensino (revisão. pode trazer conflitos de interesses e competências. o Conselho de Classe poderá tornar-se o órgão colegiado mais interessante sob o ponto de vista pedagógico-didático. Há que se buscar as possibilidades de acordo mútuo. retomada da matéria etc. Se essas competências forem levadas a sério.e iniciativas de apoio. A presença de pais e estudantes no Conselho de Classe. Elaboração de programas de recuperação e outras atividades de apoio. de estabelecimento de limites e competências. tal como já alertamos quando tratamos do Conselho de Escola.). e verificar periodicamente o andamento geral dessas atividades. Identificação de progressos e mudanças de comportamento de alunos. mas isso não deve ser motivo de não incluí-los nas reuniões. .

Ele supõe levantamento de necessidades de desenvolvimento profissional através. decidir e agir tirando conclusões ou para antecipar resultados de determinadas decisões ou atitudes. mas é melhor que seja feito com o grupo todo. MODELO CLÍNICO DE FORMAÇÃO CONTINUADA O modelo clínico é assim chamado por tratar-se de um trabalho preventivo de orientação do professor na sala de aula. O termo "clinico" refere-se a um modelo de funcionamento intelectual basicamente assentado na metodologia de solução de problemas. o método clinico é baseado na articulação entre prática e reflexão sobre a prática. Daí a necessidade de que cada professor tenha disposição e competência para análise individual ou coletiva de suas práticas para pensar. . que permite a prática reflexiva sobre o trabalho em desenvolvimento e previne para que as dificuldades encontradas sejam superadas. frente a uma situação problemática complexa.5. 236 Ainda segundo Perrenoud. Conforme o pedagogo suíço Philippe Perrenoud. A idéia-chave desse modelo é considerar o professor como alguém que reflete sobre sua prática a partir da própria investigação sobre essa prática. de observação de aulas. O modelo clínico pode ser aplicado a um ou mais professores. O professor "clínico" é aquele que. pensar numa intervenção eficaz. possui as regras e dispõe dos meios teóricos e práticos para: avaliar a situação. de um projeto organizado de ação e da análise dessa prática. principalmente. a formação clínica é uma formação orientada pela prática a partir de uma formação pedagógica.

compreender como e porque esta atividade ou aquela intervenção foram bem.colocá-la em prática. baseada na prática refletida. Mas não uma prática qualquer. antes de mais nada. A formação clinica. através da prática. para tanto. definindo-se antecipadamente uma problemática. essencialmente. No dizer do próprio Perrenoud: Ensinar não consiste em aplicar cegamente uma teoria.. Sem. e.. Este tópico é uma adaptação livre do capítulo "Técnica de projeto" do livro Planejamento e organização do . de emergência. nem em conformar-se com um modelo. muitas vezes. seguir uma lógica de construção de conhecimento. (. avaliar a sua eficácia aparente. resolver problemas. centradas em suas necessidades). bem organizada. utiliza-se da investigação para selecionar experiências pertinentes (tendo em vista uma construção mais rigorosa do objeto). para que os problemas a serem resolvidos estejam à altura das pessoas em formação. realizar outros ensaios e passar a agir de forma diferente (1993).. tomar decisões. partindo do que os professores acham significativo (i. agir em situação de incerteza e. afundar no pragmatismo absoluto ou em ações pontuais. É.e. mas uma prática planejada. corrigir o rumo. Essa formação é feita.) Para que a experiência prática resulte numa verdadeira maestria profissional é preciso que o professor possa analisar a prática. ou mal 237 sucedidas.

levado junto 237 com a equipe. também. coordenado por Loureimi Ercolani Saldanha. É preciso ter o projeto e o sistema de gestão. sem que o projeto seja uma necessidade sentida por um grupo. Isso. tal como apresentamos a seguir. Porto Alegre. Além disso. nenhum projeto resolve os problemas de gestão de uma escola. Não foi por acaso que insistimos bastante na importância do sistema de gestão e direção da escola. Um bom diagnóstico da situação. ter consciência de que nem sempre a necessidade real do grupo coincide com a necessidade impositiva (ou. 1993). Os profissionais de uma escola precisam. implicando capacidade de liderança. ETAPAS PARA A ELABORAÇÃO DE PROJETOS 2 Observações prévias O projeto é o resultado de um processo de planejamento e negociação entre os membros de uma equipe escolar. De pouco resolverá uma seqüência de passos. mesmo. Cabe aos dirigentes das instituições ter lucidez e competência para formular as melhores estratégias de introduzir a prática do projeto. Editora Globo/INL. necessidade da instituição) de um projeto (Carvalho. 1974. A instituição . 6. pode ser um bom começo de conversa. horas pagas para reuniões de trabalho).ensino. iniciativa e motivação dos dirigentes. até que as pessoas assumam a necessidade do projeto pedagógico coletivo. significa "deixar o barco correr". de forma alguma. de forma a estabelecer uma ponte entre a situação atual e os cenários desejáveis. uma adequada distribuição de cargos e responsabilidades e a institucionalização de condições de diálogo e comunicação (por exemplo.

numa estratégia de busca de consenso ao invés de submeter as decisões ao voto.sempre contará com algumas pessoas interessadas e motivadas pelo projeto e a elas cabe. 2) Determinar objetivos e necessidades. dando mais solidez às possibilidades de êxito do projeto. convém que as decisões sejam tomadas por consenso e não por maioria. 239 6) Acompanhamento. 3) Levantar alternativas de solução possíveis e coerentes com o problema. 4) Organização do projeto. a introdução do projeto. mobilizar estratégias de mudança. nas práticas de gestão da escola. através da reflexão e da implementação de estratégias concretas e de sua avaliação. as posições. Cabe insistir. avaliação e realimentação do projeto . O projeto consiste na colocação clara do problema e no planejamento do curso da ação para solucioná-lo. Em resumo. A busca de consenso é mais democrática. permite uma maior coesão do grupo (inclusive por deixar claras as diferenças. O processo de elaboração do projeto O projeto é uma importante técnica de identificação (diagnóstico) e solução de problemas. A seqüência de passos sugerida para se chegar ao projeto é a seguinte: 1) Definir o problema. os pontos de vista). É até recomendável que se crie um grupo de trabalho ou comissão com a função de protagonizar. de alguma forma. 5) Implementação do projeto.

chega-se à delimitação e definição do problema. Em síntese: Segundo momento . algo que não anda bem. possíveis de ser atingidos. recursos físicos. os vários fatores da situação e do contexto mais geral.Diagnóstico da situação para obtenção de informações relevantes. Sempre considerar as condições existentes 240 (viabilidade) ou as condições ainda inexistentes mas que sejam possíveis de serem criadas.Formular o problema de forma clara. cabe determinar necessidades. 2. Um problema é uma situação não satisfatória. Com isso. O resultado final desejado é o objetivo geral. os objetivos precisam ser realistas. O que é necessário para atingir os objetivos propostos? As necessidades podem ser pensadas em termos de pessoal. refletir e buscar uma situação mais satisfatória. um desafio.1. Definir o problema Primeiro momento . financeiros. e que precisa ser alterado. . Para isso. Em seguida. são definidos objetivos intermediários. Determinar objetivos e necessidades Definido o problema de forma explicita e operacional é preciso pensar qual será a situação desejada para resolver o problema. tempo. Obviamente. o objetivo imediato. operacional. Trata-se de aprofundar o conhecimento da situação. Analisar o problema levando em conta suas possíveis causas. materiais.

sem prejuízo dos objetivos. a maioria eficiência. a imprevisibilidade. Ainda há. certa resistência a objetivos operacionalizados. também.A identificação de necessidades e a avaliação das condições existentes podem levar à modificação dos objetivos. Levantadas várias alternativas. se é verdade que as organizações escolares precisam ter um projeto. sem considerar a flexibilidade. O problema dessa tendência é reduzir o funcionamento das instituições a critérios exclusivamente de eficácia. Daí a importância de objetivos muito claros.necessidades . considerando. Diagnóstico . bem como práticas avaliativas visando a reformulação dos processos e do próprio projeto. controle. da parte de alguns educadores. às necessidades e aos objetivos propostos. Entretanto. que precisam funcionar competentemente. a participação etc. a negociação. . de forma que ninguém tenha dúvida dos resultados desejados a partir das ações levadas a efeito. (por causa de sua vinculação ao tecnicismo educacional). Levantar alternativas de solução possíveis e coerentes com o problema É a fase do exame das soluções possíveis. coerentes e operacionalizados. isto é. produtividade.objetivos 3. o diálogo. elas podem passar pelo crivo dos critérios de seleção. o compromisso das pessoas.se: 241 menor custo. é verdade. sem prejuízo da qualidade.negociação . as que melhor se ajustam ao problema.

Acima de tudo. pôr em ação o projeto. Curricular e metodológica (no caso de escola) objetivos.menor risco. humanas. éticos. Obviamente. sistemática de gestão) e os aspectos conceituais (pedagógicos. formas de acompanhamento e avaliação. é preciso considerar.organização e gestão de recursos físicos. metodologias. critérios sociológicos. conteúdos. concretizados em atividades a serem realizadas. visando a implantação da alternativa selecionada em função dos objetivos. mobilizar esforços para atingir os objetivos previstos. 5. A implementação levará em conta os seguintes aspectos: organizacional . materiais. Implementação do projeto Implementar significa criar as condições. 242 . materiais. Organização do projeto O projeto é um guia para a ação. 4. É importante preparar um cronograma de execução (plano de gestão do tempo). humanos e da própria coordenação do esforço humano coletivo. procedimentos. O projeto sempre tem os aspectos técnico-administrativos (condições físicas. O projeto prevê o processo de trabalho dirigido ao atendimento dos objetivos. psicológicos. estratégias. as alternativas precisam considerar os critérios de qualidade humana e educacional (Capitulo 111 deste livro). metodológicos). sem prejuízo da capacidade de inovar e ousar. também.

Acompanhamento. Maria de Fátima B. para se verificar até que ponto em que nível de qualidade os objetivos foram atingidos. incluindo a utilização de instrumentos de medida. e CANÁRIO. Educa. São Paulo: Faculdade de Educação da USP. AMIGUINHO. 2000. Lisboa. permitem verificar. que podemos sintetizar no termo AVALIAÇÃO. Tese de doutorado. As várias formas de avaliação processual. (Orgs. O exame e análise dos dados podem exigir correções no processo. Os resultados precisam ser analisados criteriosamente. Definir o problema Determinar objetivos e necessidades Levantar alternativas de solução possíveis e coerentes com o problema Organização Implementação Acompanhamento.6. avaliação e realimentação do projeto BIBLIOGRAFIA ABDALLA. É o que se denomina "retroalimentação". Formação e desenvolvimento profissional do professor: o aprender a profissão (um estudo em escola publica). a qualidade do projeto. através dos resultados. levará à avaliação somativa. avaliação e realimentação do projeto Estes aspectos. .). 1994. a organização e as condições em que está sendo implantado o projeto. Escolas e Mudança: O papel dos Centros de Formação. em função dos objetivos. tendo como critério os objetivos previstos. Rui. Abílio. O acompanhamento permite ir controlando as várias fases de implantação.

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(Orgs. . Novos olhares sobre a supervisão. meios de ação. explicitação de objetivos. em função de objetivos. São Paulo: EPU. realizar. Anexos Planejamento escolar – Diagnóstico O planejamento escolar é um processo de tomada de decisões. Planeja-se para decidir melhor. 15. Educação: a outra qualidade. (Org. 1995. Planejamento participativo na escola. isto é. 1997. O projeto pedagógico de seu curso está sendo construído por você? ANAIS DOEI CIRCUITOPROGRAD. nosso trabalho. Projeto político-pedagógico da escola. O planejamento é um instrumento de trabalho e. e RANGEL. ao mesmo tempo. UNESCO-MEC.). 1986. São Paulo. ANEXO I PLANEJAMENTO ESCOLAR . 1990. SILVA JR. Rinalva. O homem é o único animal capaz de antecipar na sua mente o que pretende fazer. São Paulo. Significado e pressupostos do projeto pedagógico. UNESP-PRó-REITORIA DE GRADUAÇÃO. intenções.). 1995. Campinas: Papirus.. Terezinha. Mary Silva. Gestão da escola fundamental. n. Celestino A da. uma atividade de reflexão acerca de nossas ações e opções. 1995. (Org. Ele implica intencionalidade. p. 73-77. Campinas: Papirus. Idéias. VEIGA. Piracicaba: Unimep. Campinas: Papirus. fica A. para racionalizar nossas ações. 1995. 1997. Silva. São Paulo: Cortez.RIOS.DIAGNÓSTICO VIANNA. Caminhos da profissionalização do magistério. Ilma A. O.).

para revisão das decisões tomadas e das ações. 3. O planejamento é um processo. o plano é um documento. execução e avaliação do Projeto pedagógico-curricular. viabilizado e avaliado pelo diretor e sua equipe técnica. O processo de planejamento obedece à seguinte lógica: 1. 250 O planejamento cumpre. Análise e interpretação dos dados com base nos objetivos da instituição. correção dos desvios e adequação do trabalho em função dos objetivos e com base em padrões mínimos de desempenho. reflexão. de forma integrada e participativa. O Projeto pedagógicocurricular deve ser o resultado de um trabalho conjunto da equipe escolar. o planejamento tem como objetivo prever a organização do trabalho a ser desenvolvido. três funções: previsão de resultados e meios de atingi-los. Elaboração e divulgação do projeto . Planejamento não pode ser proposta individual ou de algumas pessoas. pelo menos. O Projeto pedagógico-curricular deve ser coordenado. Diagnóstico da escola para coleta de informações úteis para a elaboração do Projeto pedagógico-curricular 2. tendo em vista a elaboração. Tomada de decisões com base na escolha de prioridades e das formas mais eficazes de produzir mudanças na instituição em função dos objetivos. Seu processo de elaboração requer a participação do pessoal técnico e docente.Na escola.

que afetam o processo de ensino e aprendizagem. verificam-se os problemas existentes. indicando elementos para tomada de decisões. expectativas e necessidades da escola e da comunidade. um papel básico na definição de diretrizes e metas para a organização pedagógico-didática e administrativa da escola. portanto. em termos da qualidade do serviço oferecido à população. . Descrição dos dados coletados e observados: o que acontece e como acontecem as coisas na escola. O Diagnóstico tem. Levantamento de dados.Possibilitara análise das informações coletadas. Possibilita o conhecimento das características. para o planejamento. duas funções: Coletar informações quantitativas e qualitativas. O Diagnóstico alimenta o Projeto pedagógico-curricular. as causas mais . de acordo com um Roteiro. para se saber como e com que meios a escola vem atendendo sua tarefa principal: ensinar. Os passos para se fazer um Diagnóstico são os seguintes: 1. Neste tópico. Análise e interpretação dos dados: apreciação qualitativa com base no conhecimento teórico dos elementos constitutivos da organização escolar e nos objetivos esperados da instituição escolar.A atividade inicial do processo de planejamento é o Diagnóstico da escola. O Diagnóstico consiste no levantamento de dados e informações para se ter uma visão de conjunto das necessidades e problemas da escola e facilitar a escolha de alternativas de solução. Cumpre. isto é. registro de observações e entrevistas. 3. ao menos. 2. mediante registro de dados.

indústrias. Características gerais da comunidade e sua influência na composição da clientela escolar: caracterização do setor ou bairro em termos de urbanização (tipo de casas.). se o número de salas é suficiente (diretoria. ESTRUTURA FÍSICA E MATERIAL 2. Salas da administração: quantidade. destinação de uso.prováveis desses problemas e marcam-se as alternativas de solução.). dimensões. aspectos culturais e de lazer. assistência social e saúde. 253 . nível sócio-econômico das famílias. Indicações de medidas a serem tomadas: pontos a serem considerados no Projeto pedagógico-curricular para modificar as condições de funcionamento detectadas no Diagnóstico. 2. vice-diretoria.1. Edifício escolar Tipo de construção. CARACTERIZAÇÃO SÓCIO-ECONÔMICA Breve histórico da criação da escola. ruas. tipo de comércio. Salas de aula: quantidade. igrejas. condições ambientais (iluminação. dimensões (ideal: 1m2 por aluno). outras escolas existentes. ventilação etc. transporte urbano etc. 4. aspecto físico geral. 252 ANEXOS II ANEXOU ROTEIRO PARA A COLETA DE DADOS PARA O DIAGNÓSTICO 1.

mapas etc.4. coordenação pedagógica. .Verbas de que dispõe a escola . suficientes ou não. Mobiliário .2. biblioteca. . televisores. .): tipo.Mesas. refeitório. quantidade. cartazes. formas de controle.secretaria. coordenador de turno. 2.Áreas livres: cobertas. a que se destinam. quantidade.Sistemática de efetuação das despesas. sala de professores. quantidade. . condições de uso. adequação ao uso. condições higiênicas. Recursos financeiros . copiadora. salas de projeção (filmes.Instalações sanitárias: quantidade conforme o número de usuários. água tratada ou não. . escrivaninhas.Carteiras: tipo. auditório etc. 2. . . 2. como são adquiridos. despensa.3.Material didático (mimeógrafo. Espaços de lazer e recreação .Bebedouros e lavatórios: quantidade. estado de conservação. armários e outros: tipo. retro-projetor.Área disponível para lazer. vídeos. forma de escoamento dos detritos. slides). vídeo. orientação educacional). condições de uso. almoxarifado. estado de conservação.Salas e ambientes especiais: verificar os mesmos aspectos nas salas para: laboratórios. cozinha. descobertas. recreação e esportes: dimensões.

254 3. . diretor. ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO 4. qualificação. .3.4. PESSOAL 3. merendeiras. Coordenação pedagógica e orientação educacional ANEXOS Há um programa de formação continuada dos professores e pessoal administrativo? Existe o trabalho de assistência pedagógico-didática ao professor? Há uma unidade de ação da equipe técnica ou o trabalho é fragmentado? Há conflitos de funções entre direção e equipe técnica? O trabalho do pessoal técnico funciona em termos de garantir a qualidade do trabalho dos professores em sala .Funcionários: Número por cargo (inspetores de alunos. Aspectos organizacionais . ESTRUTURA. pessoal administrativo. pessoal docente. adequação idade/série.Formas de gestão e formas de relacionamento entre o pessoal técnico. número por sala.2.3.2. qualificação. porteiros. Especialistas: Número. vice-diretor. . vigias. 3.1.Organograma da escola. serventes. Professores: Número. 3. Alunos: Número por série. 4.1.Principais atribuições de cada setor.Existe Regimento Escolar? É do conhecimento de todos os membros da escola? É utilizado? Em que circunstâncias? 4. orientadores educacionais. coordenadores pedagógicos. pessoal auxiliar .

Relacionamento com pais e comunidade A escola tem APM (Associação de Pais e Mestres)? Conselho de Escola? .4.A secretaria está bem organizada? Há pessoal suficiente? 255 Há prontuários de cada aluno? Há ficha cadastral com dados de identificação. Relacionamento com a Secretaria da Educação e Delegacia de ensino .5.de aula? Há acompanhamento do trabalho do professor na sala de aula.A Delegacia traz para a escola instruções e procedimentos a serem cumpridos pela escola? Quem é o portador dessas instruções? . residência. profissão dos pais etc. do rendimento dos alunos (análise dos resultados das avaliações) por classe? 4. Secretaria escolar .Que tipo de atuação tem a Delegacia na parte administrativa e pedagógica da escola? O acompanhamento é freqüente ou esporádico? Qual é o grau de autonomia da escola para tomar decisões? 4.3.? Os registros e controles do rendimento escolar estão corretamente organizados? Os arquivos estão organizados corretamente? Há normas da Secretaria da Educação sobre a organização e funcionamento da secretaria escolar? 4.

empresários e outros? A escola cede suas instalações para a comunidade (reuniões. O PLANEJAMENTO ESCOLAR .)? Os pais comparecem? A escola mantém relacionamento com outras instâncias da comunidade (políticos.. . .. financeiras e pedagógico-didáticas? . lazer etc.Facilidade de execução das atividades ou excesso de burocracia. associações de bairro. docente. autoritária.).1.Existe um trabalho sistemático com os pais? São feitas reuniões? Com que freqüência (mensal. participativa. centralizada.)? 256 5.. Aspectos administrativos gerais . administrativo) a respeito das decisões a serem tomadas.Relacionamento do diretor com o pessoal da escola (técnico. prática de esporte.Tipo de gestão existente na escola (colegiada. .Há o Plano da escola? Quando e como é feito? Existe um documento escrito? Há definição de objetivos e metas para o ano letivo e explicitação de atividades administrativas. semestral.Há uma sistemática de levantamento de dados e informações para o diagnóstico? ..O Plano é utilizado para a elaboração de Planos de ensino? 6.)? Que tipo de reuniões (com todos os pais. por classe. anual... ORGANIZAÇÃO GERAL DA ESCOLA 6. democrática.

Como é feita a recuperação? Quais os objetivos das aulas de recuperação? Funciona? Dentro do horário ou fora do horário? ..Funcionamento da rotina da escola . .).Como é feita a distribuição de classes entre os professores? Quais são os critérios? .Como é organizado o horário? Quem organiza? Como é a distribuição das atividades (disciplinas)? Há uma fixação de horas semanais para cada atividade ou disciplina? . acompanhamento e avaliação do trabalho de cada setor etc. .Há Conselho de Classe? Quando e como são feitos? Funciona em termos de uma avaliação diagnóstica? .Como é fixado o número de vagas? Existem critérios explícitos de seleção de alunos? Quais são os critérios de distribuição de alunos pelos turnos em que funciona a escola? São levadas em conta necessidades da comunidade? Há restrições a matrículas? São feitas exigências descabidas? .Em que e como o diretor ocupa seu tempo (administração. contatos com professores/ funcionários/ alunos.Como é feita a distribuição de alunos por classe? Há critérios de distribuição por idade. supervisão pedagógica. contatos com a comunidade/ delegacia de ensino/ políticos. rendimento escolar ou outros? .Como é controlada a freqüência dos alunos? Há muitas faltas? A escola verifica causas de ausência de alunos .2.Há remanejamento de alunos durante o ano letivo? Quais são os critérios? .Há Conselho de classe? Quando e como são feitos? 6. reuniões.

exposições.Quais os problemas mais constantes em termos de controle da disciplina e infrações disciplinares? .Há atividades extra-classe (visitas a locais da comunidade para estudo do meio.Há reuniões pedagógicas freqüentes? Que tipo de assuntos são tratados nessas reuniões? Há algum tipo de encontro para estudo.Qual é o procedimento utilizado na escolha dos livros didáticos? . reflexão ou discussão sobre a prática docente? .Há merenda escolar? Quem fornece? A escola complementa? Os alunos gostam da merenda? Em que horário é servida? A distribuição dos alimentos interfere nas atividades de sala de aula? .O Plano da escola é utilizado para elaboração dos planos de ensino? .A escola exige uniforme? Controla o uso do uniforme? Há reclamações dos pais nesse sentido? 6.Existe uma articulação entre as séries em termos de programação de objetivos e conteúdos? .3.Os professores têm assistência pedagógica efetiva da equipe técnica? . Aspectos da organização pedagógico-didática .)? . competições esportivas etc.Como é organizada a Semana de planejamento? Como são elaborados os planos de ensino (os professores isoladamente ou em conjunto)? 258 .faltosos? Há controle da evasão escolar e uma análise de suas causas? .

Qual é o tipo de gestão adotado na escola? .Quem realiza a avaliação? Há uma reflexão conjunta sobre a prática desenvolvida. controle e avaliação das decisões tomadas? .Há uma sistemática de acompanhamento.Há uma sistemática de capacitação em serviço (treinamento)? É feita pelo pessoal técnico da escola ou pela Secretaria da Educação? 7.Qual é a sistemática de tomada de decisões? Há ordens prontas ou há uma prática participativa? ..Há liderança efetiva da direção? Como é o relacionamento pessoal da direção com o pessoal técnico. DIREÇÃO E GESTÃO DA ESCOLA . para detectar desvios. dificuldades. AVALIAÇÃO .Há um efetivo acompanhamento das atividades pedagógicas e administrativas. e reorientar os trabalhos? . em termos de sua eficácia e realização de objetivos? .Há um clima de trabalho positivo. que estimula e incentiva a equipe escolar? 259 8.As responsabilidades estão claramente definidas? . administrativo e auxiliar? .É feita a avaliação da execução do Plano da escola? Como se faz essa avaliação? Que procedimentos são utilizados? .