Organização e Gestão da escola – Teoria e Prática José Carlos Libâneo Os estudos atuais sobre o sistema escolar e as políticas educacionais

têm colocado a escola, enquanto organização, co mo referência para a realização dos objetivos e metas dos sistema educativo. Nesse sentido, ela é vista como um ambiente educativo, como espaço de formação construído pelos seus componentes, um lugar em que os profissionais podem decidir sobre seu trabalho e aprender mais sobre sua profissão. Essa forma de ver a dinâmica da vida da escola leva a considerar a organização escolar como um_ organismo aberto, cuja estrutura e processos de organização e gestão são constantemente construídos pelos que nela trabalham (diretores, coordenadores, pedagogos, professores e funcionários) e pelos seus usuários (alunos, pais, comunidade próxima). Faz-se necessário, portanto, que esses educadores desenvolvam uma das competências profissionais básicas: participar na gestão e organização da escola, desempenhando um papel ativo nas decisões pedagógico-didáticas, organizacionais, administrativas. Para isso, precisam conhecer bem as políticas educacionais, os objetivos e as formas de organização e funcionamento de uma escola, bem como desenvolver competências para trabalhar em equipe, cooperar com outros profissionais, aprender a ter uma atitude investigativa. Essa qualificação teórica e prática possibilitará não apenas o exercício da participação mas, também, a análise da prática que levará a aprender idéias, saberes, experiências, na própria situação de trabalho, contribuindo para o desenvolvimento pessoal e

profissional. É para isso que este livro pretende contribuir. A ordenação dos capítulos foi pensada no sentido de familiarizar os estudantes nos conhecimentos básicos do processo organizacional das escolas e nos conhecimentos teóricos e práticos necessários para a participação consciente e ativa nas ações de organização e gestão da escola. O AUTOR José Carlos Libâneo é doutor em Filosofia e História da Educação pela PUC de São Paulo. Nasceu em Angatuba, Estado de São Paulo, em 1945. Formou-se em Filosofia na PUC de São Paulo, onde também obteve os títulos de mestre e doutor. Foi diretor de escola, desempenhou atividades nas Secretarias de Educação de São Paulo e Goiás, ensinou em várias instituições de ensino superior, tendo sido professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás durante 20 anos. Há muitos anos trabalha com formação de professores. Atualmente é Professor Titular da Universidade Católica de Goiás. Publicou cinco livros: Aceleração Escolar - Estudos sobre educação de adolescentes e adultos (1976), Democratização da escola pública - A pedagogia crítico-social dos conteúdos (Editora Loyola, 1 a edição em 1985, atualmente nas 17a edição), Didática (1 a edição em 1990, atualmente na 20a edição), Adeus professor, adeus professora? - Novas exigências educacionais e profissão doscente (4ª edição) e Pedagogia e pedagogos, para quê? (2ª edição), os três últimos publicados pela Editora Cortez. Também escreveu dez capítulos de livros em co-autoria e diversos artigos em revistas especializadas.

Para os diretores de escola, coordenadores pedagógicos, orientadores educacionais, professores que, entre tantas dificuldades que afligem a escola pública, sempre recobram o ânimo, se enchem de energia e de esperança, sabendo que o saber organizar e gerir sua escola, com determinação, energia e diálogo, produz um diferencial visível nas condições concretas pelas quais se pode garantir uma sólida formação de cidadãos, de profissionais, de usuários das mídias, de consumidores, de interlocutores sociais, para uma sociedade que requer cada vez mais sujeitos capazes de lidar com o conhecimento e que precisa ser muito mais includente do que tem sido. Para Maria Augusta de Oliveira, amiga e companheira de trabalho há muitos anos, cujo conhecimento práticoteórico sobre aqueles fazeres pedagógicos tem ajudado outras e outros a compreenderem que não é possível saber o que fazer sem saber o como fazer. SUMÁRIO Apresentação 9 Capítulo I - A escola como organização de trabalho e lugar de aprendizagem do professor 17 Capítulo II - Uma escola para novos tempos 31 Capítulo III - Buscando a qualidade social do ensino 51 Capítulo IV - O professor e a construção da sua identidade profissional 61 Capítulo V - Os conceitos de organização, gestão, participação e cultura organizacional 73 Capítulo VI - O sistema de organização e gestão da escola 93

Capítulo VII - Princípios e características da gestão escolar participativa 109 Capítulo VIII - O planejamento escolar e o projeto pedagógico-curricular 121 Capítulo IX - Organização geral do trabalho escolar 171 Capítulo X - As atividades de direção e coordenação 177 Capítulo XI - A formação continuada 187 Capítulo XII - Avaliação de sistemas escolares e de escolas 197 Capítulo XIII - Estratégias de coordenação do trabalho escolar e de participação na gestão da escola 221 Bibliografia - 243 Anexos - 249 Apresentação Este livro destina-se ao estudo da escola como instituição básica do sistema escolar e lugar de trabalho do professor. Foi escrito para ajudar os professores a conhecerem a estrutura e a organização das escolas e as condições de seu exercício profissional. Os capítulos desta publicação foram organizados a partir de textos didáticos provisórios, roteiros e notas de aulas, resenhas de livros, elaborados quando o autor ministrava, na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás, a disciplina Organização do Trabalho Pedagógico. Esse material foi reunido e reorganizado com base em novas pesquisas e leituras de obras recentes sobre o assunto. É necessário, entretanto, alertar os leitores de que muitas das idéias e opiniões aqui lançadas permanecem como objeto de investigação, pedindolhes que compartilhem com o autor as muitas indagações e dúvidas e que sejam também produtores de conhecimento. Estou de acordo com uma professora que disse assim:

"entre a teoria de um autor que queremos assumir, e a prática que queremos transformar com essa teoria, existe a nossa teoria" (in Christov, 1998). Tem sido divulgada boa bibliografia sobre organização e gestão dos sistemas de ensino. Tais estudos realizam análises bastante abalizadas sobre as formas de organização e gestão da educação neste momento de reestruturação produtiva capitalista, globalização 10 da economia, avanços tecnológicos, em que as políticas econômicas, sociais, educacionais são levadas a se ajustar ao modelo de desenvolvimento capitalista que ora se consolida. O impacto das transformações nos sistemas de ensino e nas escolas é direto: alteração no perfil de formação geral e profissional dos alunos, mudanças nos currículos e nas formas de gestão da escola, reavaliação das funções e responsabilidades do professorado, formas de participação das famílias etc. Ou seja, junto com a reestruturação produtiva vêm as reformas educacionais, pois há suficiente base histórica para sabermos que reajustes na realidade econômica e produtiva incidem em alterações no âmbito social, cultural e até pessoal. Não nos passa, pois, desapercebido o impacto dessas mudanças, especialmente o recondicionamento das escolas ao intentos do capitalismo internacional e dos interesses financeiros. Trata-se, de fato, de implantar políticas educacionais que subordinam o processo formativo aos interesses dos mercados e ao Estado gestor. No entanto, parece-nos crucial entender que, se por um lado, é absolutamente imprescindível denunciar essa formas de refuncionalização da escola, por outro, não se

. uma tecnologia. pois elas continuam tendo uma função social insubstituível de formar os indivíduos para uma vida digna e para a compreensão e transformação da realidade. Enfrentar os problemas e dilemas reais do cotidiano das escolas e dos professores talvez seja uma empreitada bem mais penosa do que fazer a denúncia dessa refuncionalização das escolas a serviço dos interesses das elites econômicas e financeiras. normas). criar e desenvolver uma estrutura organizacional (setores. as forças progressistas da sociedade que continuam lutando por justiça. não podendo contentar-se apenas em fazer a crítica da situação. assim como a análise dos resultados que contribuem para o processo formativo e para o aperfeiçoamento da gestão. Para atingir seus objetivos sócio-políticos. para o enfrentamento de importantes decisões dentro da escola. os educadores defrontam-se diariamente com decisões que precisam ser tomadas. Este livro quer contribuir. atribuições. cargos. 11 com um caráter profundamente democrático. processos de gestão e tomada de decisões. orientações a serem dadas. precisam lutar pela escola. precisam dispor de meios operacionais. Ou seja.pode reduzir a importância das escolas. As escolas são organizações educativas que têm tarefas sociais e éticas peculiares. condições e oportunidades iguais para toda a população. portanto. uma cultura organizacional. Na verdade. buscando formas eficazes de desenvolvê-la e colocá-la a serviço dos interesses de toda a coletividade. igualdade. isto é.

como a autonomia da escola. de avaliação etc. do melhor modo possível. Acreditamos que há formas de se buscar autonomia.inclusive sobre estratégias de ação indicadas nos documentos oficiais e das agências financeiras internacionais tipo Banco Mundial. Os educadores comprometidos com a transformação social precisam dispor de conhecimentos para repensar formas de funcionamento das escolas. a gestão. a avaliação de sistemas. de desenvolvimento da profissionalização e profissionalidade. de fato. sem ser uma autonomia imposta. a profissionalização dos professores. poder ganhar capacidade reflexiva para atuar e transformar a realidade social. a descentralização. apta a preparar os alunos para a empregabilidade. Que se pode fazer o projeto pedagógico sem que ele represente uma forma de domesticar os professores. que considerem ao mesmo tempo a realidade sócio-econômica 12 . e é questão de justiça que elas atendam. Uma coisa é certa: as escolas estão aí. de participação da comunidade escolar (professores. aos direitos de todos de uma educação de boa qualidade. são postos novos desafios às tarefas da docência. é nela que estão matriculados os filhos das camadas médias e pobres da população. o planejamento. pais e alunos). participar da vida política e cultural. tocar suas vidas. Que se pode ter uma avaliação do sistema escolar e dos alunos que orientem mudanças na qualidade das aprendizagens escolares. sem que isso signifique controle do trabalho dos professores ou punição de escolas ineficientes. Que se pode pensar na profissionalidade dos professores e na melhoria do seu desempenho profissional. assumindo que.

No currículo do curso de Pedagogia e dos cursos de Licenciatura. vem sendo substituída por Políticas educacionais e gestão da educação. em comum. os alunos e as alunas estão chegando para mais uma jornada de aulas. Organização Escolar. É verdade que faltam coordenadas sociais. porque a cada manhã. oferecer conteúdos para disciplinas que aparecem nos currículos. educacionais mais claras de um projeto político progressista. Essas disciplinas estudam temas da educação sob um enfoque mais geral: as políticos educacionais. junto com seus professores e professoras. mas os educadores que atuam na linha de frente do sistema escolar não podem esperar. Em função disso. Pretende. métodos e procedimentos relacionados com o processo de trabalho na escola. os princípios.e cultural em que se insere a escola e os professores e as condições concretas dentro da escola e da sala de aula que garantem a justiça social do ponto de vista da escolarização. a estrutura organizacional do sistema escolar. políticos. da organização e da gestão do sistema educacional e das escolas. na formação de professores é importante o conhecimento da estrutura. Todavia. as . este livro contempla mais diretamente o estudo da organização e da gestão por dentro da escola. Organização do Trabalho Escolar. as relações entre educação e sociedade etc. Educação Escolar. o estudo do sistema educacional tem sido feito na disciplina Estrutura e Funcionamento do Ensino. Organização do Trabalho Pedagógico. em alguns lugares. Essas disciplinas têm. a qual. a cada tarde e a cada noite. os planos de educação. sob várias denominações: Administração Escolar. econômicas. principalmente no curso de Pedagogia. assim.

objetivos. De acordo com esse entendimento. será sempre necessário abordar as situações e os problemas da organização escolar nos seus aspectos internos e externos. Ainda que o conteúdo aqui apresentado recaia sobre a escola enquanto organização. isto é. procedimentos de avaliação.formas de gestão e de tomada de decisões. os objetivos e práticas escolares não se limitam ao espaço escolar. sociais e . as relações da escola com a comunidade e a sociedade. isto é. estrutura e dinâmica organizacional. nas relações entre o infra-escolar e o extra-escolar. A elaboração deste livro teve a pretensão de oferecer o conteúdo básico dessas disciplinas que visam o estudo da escola. práticas formativas. também. Tem-se como pressuposto a crença de que a escola é o centro de referência tanto das políticas e planos da educação escolar quanto dos processos de ensino e aprendizagem na sala de aula e de que de nada adiantarão boas políticos e planos de ação e eficazes estruturas organizacionais se não se der atenção aos aspectos internos da escola. às suas condições internas de funcionamento. Em razão disso. Eles dependem. as formas de participação do professor nos processos de organização e gestão. o processo 13 de tomada de decisões. visando a qualidade cognitiva e operativa da aprendizagem dos alunos. a educação escolar será abordada sob estes enfoques: a organização da escola. as relações internas entre os integrantes da escola. o sistema de gestão. dos fatores econômicos. entre a micro e a macro-estrutura. isto é. relações humanas. das condições externas.

precisam ser analisadas na sua contextualização mais ampla. cada ocorrência cotidiana. experiências. Isso significa que cada situação escolar analisada. coordenadores. pedagogos. das várias culturas que atravessam a escola. pais. cada atividade. com isso. professores e 14 funcionários) e pelos seus usuários (alunos. procurando detectar suas características dominantes em cada momento. O estudo da organização e gestão da escola tem. bem como as formas de gestão e as . das expectativas e interesses sociais dos grupos e classes sociais. pais. das políticos educacionais e diretrizes oficiais para o sistema escolar. deve ser tratado sob múltiplos aspectos.políticos. das suas relações de poder. assim. como objetivos de aprendizagem: Conhecimento da organização escolar. aprender idéias. comunidade próxima). nenhum problema da organização escolar pode ser enfocado isoladamente. dos condicionantes impostos por valores morais e ideológicos. Em termos práticos. cuja estrutura e processos de organização e gestão são constantemente construídos pelos que nela trabalham (diretor. é necessária a qualificação teórica de seus integrantes de modo que todos estejam capacitados a fazer a análise da prática e. antes. das condições materiais de vida e de trabalho dos professores. da sua cultura. seu modo de funcionamento. alunos. seus problemas. Para tanto. na própria situação de trabalho. Essa forma de ver a dinâmica da vida da escola leva a considerar a organização escolar como uma instituição aberta. saberes.

desenvolvendo saberes educacionais a partir de questões vividas na prática cotidiana. Desenvolvimento de saberes e competências para fazer análises de contextos de trabalho.competências e procedimentos necessários para participação nas várias instâncias de decisão da instituição escolar. sensibilidade ética e compromisso com a democratização das relações sociais na instituição escolar e fora dela. especialmente no desenvolvimento do projeto pedagógico-curricular. Esses objetivos. na sala de aula e na organização escolar. Os capítulos I a IV tratam dos objetivos. organização e gestão da escola. com competência técnico-científica. dentro da idéia-mestra que tem orientado a pesquisa atual sobre o trabalho de professores: realizar o trabalho pedagógico de forma coletiva. interdisciplinar e investigativa. propiciarão aos futuros professores e aos professores em exercício ajuda para participarem eficazmente na organização e gestão da sua escola. Capacitação para participação no planejamento. das funções e dos critérios de qualidade da instituição escolar e do papel imprescindível dos . Os capítulos foram pensados para familiarizar os estudantes nos conceitos básicos do processo organizacional das escolas e nos 15 conhecimentos teóricos e práticos que podem contribuir para a participação consciente e ativa na organização e gestão da escola. se atingidos. identificar e solucionar problemas (previsíveis e imprevisíveis) e reinventar práticas frente a situações novas ou inesperadas.

José Carlos Libáneo Goiânia. Mirza Seabra Toschi.19 Os estudos recentes sobre o sistema escolar e as políticas educacionais têm se centrado na escola como . operacional. Sandramara Matias Chaves. de Souza Lisita. convidando os professores e alunos a saber mais sobre eles e a aprofundá-los. Lana de Souza Cavalcanti. Por fim. Valter Soares Guimarães. Depois dos capítulos e anexos. o autor espera que este livro possa trazer uma contribuição eficaz para a formação inicial e continuada de professores nos cursos de Pedagogia.professores. Selma Garrido Pimenta. nas Licenciaturas e nas próprias escolas. foi incluída uma ampla bibliografia sobre os temas tratados. Os capítulos V a VII abordam o sistema de organização e gestão da escola e o papel de seus atores. para o funcionamento das escolas. Maria Augusta de Oliveira. Verbena M. Os capítulos VIII ao XIII oferecem uma orientação prática. Alguns colegas tiveram a generosidade de oferecer idéias ou sugestões de alterações de partes do texto e a eles deixo meu agradecimento: João Ferreira de Oliveira. sempre no sentido de ajudar futuros pedagogos e professores a desenvolverem saberes e competências para participar das ações de organização e gestão da escola. janeiro de 2001 C A P Í T U L O A ESCOLA COMO ORGANIZAÇÃO DE TRABALHO E LUGAR DE APRENDIZAGEM DO PROFESSOR CAPÍTULO .

de 20 formação para a cidadania e de desenvolvimento de conhecimentos e capacidades para enfrentamento das condições adversas de vida. já por volta dos anos 80. as leis e resoluções sobre o ensino. também. O realce da escola como objeto de estudo não se explica apenas pela sua importância cultural mas. projeto pedagógico. ela poderia ser um meio indispensável de elevação do nível cultural. a escola voltou a ter sua importância social reconhecida. O pedagogo português Antônio Nóvoa conta que nos anos de 1960-70 as pesquisas em educação se destacaram pela constatação da relação entre o funcionamento dos sistemas escolares e as desigualdades sociais. pelas estratégias de modernização e de busca de eficácia do sistema educativo. Se. Com base nesse entendimento. atribuindo às escolas maior poder de decisão e maior autonomia. avaliação institucional. passou-se a valorizar o estudo da escola como ponto de confluência entre as análises sócio-políticas mais . por outro.unidade básica e espaço de realização dos objetivos e metas do sistema educativo. as propostas curriculares. É por essa razão que as reformas educativas de vários países. cada vez mais. ela poderia ser culpabilizada pela discriminação e exclusão de alunos provenientes das camadas populares. os projetos de investigação pedagógica. recorrem hoje. Foram feitos vários estudos mostrando os mecanismos pelos quais as escolas produziam desigualdades nas aprendizagens escolares. Após esse período. por um lado. a termos como autonomia. gestão centrada na escola. Uma dessas estratégias diz respeito à descentralização do ensino.

de suas interações (autonomia e participação) em função do interesse público dos serviços educacionais prestados sem. dentro da lógica do mercado. É assim que as escolas.globais e as abordagens centradas na sala de aula. 1995). Nóvoa. colocar a escola como centro das políticas significa liberar boa parte das responsabilidades do Estado. como espaço de formação. um lugar em que os profissionais podem decidir sobre seu trabalho e aprender mais sobre sua profissão. com isso. decorrentes de sua iniciativa. desobrigar o Estado de suas responsabilidades. Há muitos exemplos de que a organização da escola funciona como prática educativa. enquanto organizações educativas. Conforme o ideário neoliberal. curriculares e pedagógicas (Cf. embora não de forma igual. Ou seja. de seus interesses. organizar e avaliar os serviços educacionais. ganham dimensão própria . O estilo de gestão expressa o tipo de objetivos e de relações humanas que vigoram na instituição. a escola é vista como um ambiente educativo. . Há pelo menos duas maneiras de ver a gestão centrada na escola. Todas as pessoas que trabalham na escola participam de tarefas educativas.como um lugar onde também se tomam importantes decisões educativas. pensa-se hoje que uma visão globalizada que não chega à escola ou uma visão de sala de aula sem referência à estrutura social mais ampla resultam de análises incompletas e parcializadas. deixando às comunidades e às escolas a iniciativa de planejar. construído pelos seus componentes. Na perspectiva sócio-crítica significa valorizar as ações concretas dos profissionais na escola. Nessa segunda perspectiva.

seus modos de agir dependem. a liderança organizacional compartilhada. negociado. portanto. os valores e atitudes que os professores expressam como grupo. alunos e funcionários. A percepção e as atitudes da direção e dos professores em relação aos alunos são importantes fatores de sucesso ou insucesso escolar dos alunos. respeitoso ou desrespeitoso. que as características organizacionais das escolas . estimulando o isolamento. grosseiro ou delicado. solidário. O comportamento dos alunos.tais como o estilo de direção. a cultura que se desenvolve no cotidiano entre professores. . tudo isso afeta o trabalho na sala de aula. as decisões dos professores em suas reuniões. em boa parte. compartilhado. suas atitudes. o grau de responsabilidade dos seus profissionais. 21 A preparação e distribuição da merenda pelas merendeiras envolvem atitudes e modos de agir que podem influenciar a educação das crianças de forma positiva ou negativa. a solidão e a falta de comunicação ou pode estimular o trabalho coletivo. daquilo que presenciam e vivenciam no dia-a-dia da escola. O funcionamento da escola como organização. As reuniões pedagógicas coordenadas pelo diretor ou pelo coordenador pedagógico podem ser um espaço de participação de professores e pedagogos ou de manifestação do poder pessoal do diretor ou coordenador.O atendimento que a secretaria da escola dá às mães e aos pais pode ser atencioso ou mal-educado. Parece claro. A escola pode ser organizada para funcionar "cada um por si". as relações humanas que vigoram nela.

que vão definindo uma cultura própria de cada escola. formas de agir e resolver problemas. das normas oficiais. o que faz gerar a cultura organizacional? É claro que há nela um papel acentuado do sistema de ensino. dos regulamentos. uma característica das organizações escolares sumamente relevante para as práticas de gestão: a cultura 22 organizacional ou cultura da escola. das crenças e valores elas . no entanto. da estrutura hierárquica e das várias instâncias e formas de exercício do poder. pelo que aparece mais diretamente à nossa observação (as formas de gestão. Não se compreende o funcionamento da escola apenas pelo que vemos. as relações sociais entre os integrantes da escola etc. Mas. . Mas há. também. A pergunta é: haverá uma relação entre a organização da escola. dos costumes já consolidados etc. a elaboração do projeto pedagógico e do currículo. a cultura organizacional influencia o pensar e o modo de agir das pessoas que trabalham na escola.a participação coletiva. o papel da subjetividade das pessoas. Há todo um mundo de significados. as práticas e os comportamentos das pessoas na convivência diária de uma organização influem nas práticas e comportamentos dos professores nas salas de aula. as reuniões. a estabilidade profissional. o currículo. invisível. atitudes. Há. a cultura organizacional e a sala de aula? A resposta é sim. dos modos como as pessoas pensam e agem. modos de convivência. Ou seja.são determinantes da sua eficácia e do aproveitamento escolar dos alunos. valores.). e que tende a permanecer oculta. o nível de preparo profissional dos professores etc.

É importante compreender que por detrás do estilo e das práticas de organização e gestão. para além das prescrições administrativas e das rotinas burocráticas. E se estamos convictos de que as organizações educam. por outro. práticas. a organização educa os indivíduos que a compõem.vão formando ao longo de suas vidas. à medida que são eles que a constituem e. a definem com base nos seus valores. portanto. usos e costumes. Portanto. também as pessoas constróem uma cultura organizacional. Ou seja. Há. de modo que se pode dizer que os profissionais e usuários da escola aprendem com a organização e as próprias organizações aprendem. está uma cultura organizacional. conjuntamente. os próprios indivíduos educam a organização. na formação escolar. para compreendermos as mútuas interferências entre organização 23 da escola e organização da sala de aula. Por um lado. na família. há uma dimensão cultural que caracteriza cada escola. uma trama de relações implicadas na escola. "Os indivíduos e os grupos mudam mudando o próprio contexto em que trabalham" (Amiguinho e Canário. é preciso considerarmos. A participação do professor na organização e gestão da escola . mudando junto com seus profissionais. procedimentos. no final de contas. ou seja. as formas de organização e gestão têm uma dimensão fortemente pedagógica. nas relações sociais. 1994). dois aspectos: a dinâmica organizacional e a cultura da organização escolar.

seus problemas. investir no seu desenvolvimento profissional. As qualificações referem-se à aquisição de saberes requeridos para o exercício de uma profissão e à confirmação legal 24 . mediante um processo ao mesmo tempo individual e coletivo. no contexto de trabalho. o professor produz sua profissionalidade. Mas é imprescindível ter-se clareza hoje de que os professores aprendem muito compartilhando sua profissão. os professores podem aprender várias coisas: tomar decisões coletivamente. formular o projeto pedagógico. dividir com os colegas as preocupações.Pela participação na organização e gestão do trabalho escolar. nos estágios etc. assumir coletivamente a responsabilidade pela escola. Falar de "competências" não é a mesma coisa que falar de "qualificações". principalmente. desenvolver o espírito de solidariedade. É no exercício do trabalho que. de fato. aprendem sua profissão. Mas. Colocar a escola como local de aprendizagem da profissão de professor significa entender que é na escola que o professor desenvolve os saberes e as competências do ensinar. Internalizar saberes e competências significa "saber encontrar e pôr em prática respostas apropriadas ao contexto na realização de atividades de um projeto". Esta é hoje a idéia-chave do conceito de formação continuada. É claro que os professores desenvolvem sua profissionalidade primeiro no curso de formação inicial. na sua história pessoal como aluno.

Se a formação de professores se restringisse ao domínio de técnicas formuladas por especialistas e à sua aplicação. É na escola . isto é. Não se quer um professor-técnico cujo conhecimento se restrinja ao domínio das aplicações do conhecimento cientifico e a regras de atuação. baseada na compreensão da prática e na transformação dessa prática. Essa é a razão pela qual as escolas se constituem em locais de aprendizagem dos professores e de desenvolvimento profissional. A internalização de saberes e competências profissionais supõe conhecimentos científicos e uma valorização de elementos criativos voltados para a arte do ensino. no contexto do exercício profissional. ao saber fazer. dentro de uma perspectiva crítico-reflexiva. certificados etc. pela ação e pela reflexão com seus pares no e sobre seu trabalho cotidiano. não haveria necessidade de um currículo teoricamente consistente e nem preparação em nível universitário.dessa aquisição mediante diplomas. Essa contrastação entre a prática e os conhecimentos teóricos aparece já na formação inicial de professores. efetivamente. A docência não estará reduzida a uma atividade meramente técnica. no confronto de experiências. habilidades e atitudes obtidas nas situações de trabalho. mas considerada uma prática intelectual e autônoma. 1997). O sentido de saberes e competências profissionais não pode ser reduzido a habilidades e destrezas técnicas. A competência profissional é a qualificação em ação. As competências referem-se a conhecimentos. através do estágio supervisionado mas ocorrerá. com no exercício profissional. são formas de desempenho profissional em que a qualificação se torna eficiente e atualizada nas situações concretas de trabalho (Canário.

organizacionais. trabalhar em equipe e cooperar com os outros profissionais. aprendendo coletivamente novos saberes e competências assim como um modo de agir coletivo.que o professor coloca em prática suas convicções. Conhecendo as condições sociais. O professor participa ativamente da organização do trabalho escolar formando com os demais colegas a equipe de trabalho. Uma das funções profissionais básicas do professor é participar ativamente na gestão e organização da escola contribuindo nas decisões de cunho organizativo. Por outro lado. a estrutura e a dinâmica organizacional atuam na produção de suas práticas profissionais. Há uma concomitância entre o desenvolvimento profissional e o desenvolvimento organizacional. pode instrumentalizar-se para influir nas formas de . O professor 25 é um ativo participante de uma comunidade profissional de aprendizagem atuando no seu funcionamento. pelo conhecimento teórico e pela aquisição de competências operativas. práticas. suas competências pessoais e profissionais. na sua animação e no seu desenvolvimento. dominar e exercer competentemente sua profissão de professor. o professor estará capacitado a tirar proveito das condições já existentes e aprimorá-las. administrativo e pedagógico didático. Dessa forma. ele precisa conhecer bem os objetivos e o funcionamento de uma escola. administrativas e pedagógico-didáticas da escola. Para isso. seu conhecimento da realidade. ou transformar ou criar outras pela sua iniciativa e iniciativa dos demais membros da escola.

Elaboração e desenvolvimento de projetos de investigação. planos de aula. conselho de classe. Princípios e práticas de avaliação institucional e avaliação da aprendizagem dos alunos. Atitudes necessárias à participação solidária e responsável na gestão da escola como cooperação. comunitárias).organização e gestão na escola e em outras instâncias da sociedade das quais participa (por exemplo. Noções sobre financiamento da educação e controles contábeis. respeito mútuo. científicas. encontros. diálogo. Habilidades para obter informação em várias fontes. 26 Habilidades de participação e intervenção em reuniões de professores. O desenvolvimento pessoal e profissional do professor para participar da gestão da escola requer os seguintes saberes. assim como formas de participação na utilização e controle dos recursos financeiros recebidos pela escola. planos de ensino. solidariedade. e em outras ações de formação continuada no trabalho. culturais. organizações sindicais. qualidade do equipamento físico das escolas e das condições materiais. Enfrentando a mudança . entre outros: Elaboração e execução do planejamento escolar: projeto pedagógico-curricular. Estrutura organizacional e normas regimentais e disciplinares. inclusive nos meios de comunicação e informática. Organização e distribuição do espaço físico. responsabilidade.

Precisamos. valores e práticas das pessoas. na organização das escolas (formas de gestão. ter uma atitude positiva frente à mudança. As escolas precisam organizar-se para promover a mudança na compreensão. muda 27 a sociedade. valores que definem a especificidade do trabalho de professor. Uma das formas mais eficazes de aprender a enfrentar as mudanças e ir construindo uma nova identidade profissional é o desenvolvimento de uma atitude críticoreflexiva. atitudes. passagem de um estado a outro. atitudes. desvalorização da profissão docente.. que é o conjunto de conhecimentos. que ela não é uma ameaça mas uma oportunidade de desenvolvimento pessoal e profissional. isto é. Internet). pois.nossa própria vida muda a cada dia. habilidades. alteração de uma situação. geográfico. mudam nossos filhos. mudam os costumes. Os educadores enfrentam hoje mudanças profundas nos campos econômico. O ensino tem sido afetado por uma série de fatores: mudanças nos currículos. ciclos de escolarização. concepção de avaliação etc). em toda a nossa vida passamos por mudanças. Na verdade. introdução de novos recursos didáticos (televisão. educacional. Isso leva a mudanças na organização escolar e na identidade profissional de professor. nossos amigos. reconhecendo que ela faz parte da nossa vida e das instituições. elas sempre estão acontecendo ao nosso redor . vídeo. político.O que é a mudança? Mudança significa transformação. computador. cultural. o desenvolvimento da capacidade ..

não haverá muito avanço na competência profissional do professor se ele apenas pensar na sua prática corrente sem recorrer a um modo de pensar obtido sistematicamente. Nem toda prática pode ser justificada como adequada. não é verdade que basta uma boa teoria para que um profissional tenha êxito na prática. Mas. Os professores modificam suas práticas profissionais porque mudam suas opiniões. sem 28 competência cognitiva. assim como não é possível qualquer reflexão sobre a prática se não há da parte do professor um domínio sólido dos saberes profissionais. tanto é que as duas idéias têm adeptos. De fato. não é verdade que a prática se basta por si mesma. Em muitos cursos de formação de professores vigora a idéia de que uma boa teoria garantirá por si só a prática. também. É freqüente a discussão sobre o que vem primeiro. seus valores ou só modificam suas opiniões e valores após terem sido bem sucedidos numa técnica ou procedimento? A questão não é inútil. se a reflexão ou a ação. de modo a associar o próprio fazer e o processo do pensar. a partir do estudo teórico das disciplinas pedagógicas e da disciplina em que é especialista. pensar que é somente na prática que as pessoas aprendem. E. sem necessidade de teoria. suas percepções. encerrado em seu pequeno mundo . o professor permanecerá atrelado ao seu cotidiano. sem desenvolvimento sistemático de processos de pensamento. mais importante que isso. Sem teoria. Mas é muito comum. sem o desenvolvimento de habilidades profissionais. incluída aí uma boa cultura geral. também.reflexiva com base na própria prática.

Podemos refletir sobre nossa ação. A busca da profissionalidade docente não pode transformar-se em mais uma forma de exclusão do professorado. a capacidade de abstração. apenas aos pesquisadores e docentes das universidades. Escreve ainda Pimenta: A formação de professores na tendência reflexiva se configura como uma política de valorização do desenvolvimento pessoal-profissional dos professores e das instituições escolares. uma formação profissional . recomenda "valorizar os processos de reflexão na ação e de reflexão sobre a reflexão na ação. O trabalho de professor implica compreender criticamente o funcionamento da realidade e associar essa compreensão com o seu papel de educador. a aquisição de uma sólida formação científica. como processos de construção da identidade dos professores" (1997). um profissional que domina uma prática refletida. Para isso. porque elas estão sempre entrelaçadas. Ao mesmo tempo. isto é. de modo a aplicar sua visão crítica ao trabalho concreto nos contextos específicos em que ele acontece. podemos traduzir idéias em ações. Propõe-se.tanto a inicial como a continuada .baseada na articulação entre a prática e a reflexão sobre a prática. para enfrentar as mudanças. Seria uma má estratégia de formação de quadros docentes reservar a capacidade de pensar de forma mais elaborada. a ação e a reflexão atuam simultaneamente. uma vez que supõe condições . de modo que o professor vá se transformando em um profissional crítico-reflexivo. A pesquisadora Selma Pimenta tem ressaltado em seus escritos que o trabalho de professor é um trabalho intelectual e não um trabalho de técnico executor.pessoal e profissional. assim. Pensamos que. transformando nossa ação em pensamento.

Em especial. nos locais de trabalho. 29 Nas escolas. pensam. O desenvolvimento profissional e a conquista da identidade profissional dependem de uma união entre os . a construção da identidade profissional de professor depende em boa parte das formas de organização do trabalho escolar. Uma coisa é certa: as pessoas arrumam tempo para as coisas que compreendem. como sujeitos pensantes e não como meros executores de decisões burocráticas. articulando o trabalho de vários profissionais. depende de uma boa estrutura de coordenação pedagógica que faça funcionar uma escola de qualidade. e em parceria com outras instituições de formação (1999). um espaço de formação contínua onde os professores refletem. em redes de autoformação. ajudar os professores. a partir da reflexão sobre a prática. Os dirigentes da escola precisam. a colaborar na modificação dessas opiniões e valores tendo como referência as necessidades dos alunos e da sociedade e os processos de ensino e aprendizagem. O pedagogo escolar deverá ser o agente articulador das ações pedagógico-didáticas e curriculares. que valoram e nas quais acreditam. portanto.de trabalho propiciadoras da formação contínua dos professores. liderando a inovação e favorecendo a constante reflexão na prática e sobre a prática. então. propondo e gerindo o projeto pedagógico. assegurando que a organização escolar vá se tornando um ambiente de aprendizagem. a examinar suas opiniões atuais e os valores que as sustentam. criam novas práticas. analisam.

Essas transformações. o sistema de gestão. o processo de ensino e aprendizagem. políticas. na automação industrial. nos sistemas de ensino e nas escolas. assumindo juntos a gestão do cotidiano da escola. a reestruturação do sistema de produção e as mudanças no mundo do conhecimento. por conseqüência. na biotecnologia. econômicas. na informática. nas telecomunicações. que ocorrem em escala mundial. na engenharia genética. com a discussão conjunta dos problemas da escola. mas principalmente pedagógica e didática. culturais. geográficas. a avaliação. o novo paradigma econômico. De fato. afetam a organização do trabalho e o perfil dos trabalhadores. Fazendo assim. Entre os aspectos mais visíveis desse fenômeno destacamse os seguintes: Notáveis avanços tecnológicos na micro-eletrônica. articulando num todo o projeto pedagógico. os avanços científicos e tecnológicos. repercutindo na qualificação profissional e. ter-se-á uma organização preocupada com a formação continuada. discussão que é de natureza organizacional. decorrem da conjugação de um conjunto de acontecimentos e processos que acabam por caracterizar novas realidades sociais. 30 – CAPÍTULO II UMA ESCOLA PARA NOVOS TEMPOS 33 As instituições escolares vêm sendo pressionadas a repensar seu papel diante das transformações que caracterizam o acelerado processo de integração e reestruturação capitalista mundial. .pedagogos especialistas e os professores.

Alterações nas concepções de Estado e das suas funções. afetando a produção. nos processos de ensino e aprendizagem. As mudanças na economia: novo paradigma produtivo Estão em curso mudanças na economia expressas em novas formas de produção baseadas nas novas tecnologias e no capitalismo financeiro. influindo na pesquisa. na produção de conhecimentos. Mudanças nos paradigmas da ciência e do conhecimento. serão destacados alguns que tocam mais de perto a escola e o trabalho dos professores. internacionalização do capital e dos mercados. prevalecendo o modelo neoliberal de diminuição do papel do Estado e fortalecimento das leis do mercado. nas formas de organização dos trabalhadores. aumento da distância social e econômica entre incluídos e excluídos dos novos processos de produção e das novas formas de conhecimento. na organização do trabalho. circulação e consumo da cultura.entre outros setores. Agravamento da exclusão social. Mudanças nos processos de produção. caracterizando uma revolução tecnológica sem precedentes. Trata-se de novas formas de funcionamento e reestruturação do capitalismo no quadro de um conjunto de transformações que vem sendo chamado de . 34 Difusão maciça da informação. nas qualificações profissionais. Globalização da sociedade. reestruturação do sistema de produção e do desenvolvimento econômico. Dentre esses aspectos. produção de novas tecnologias da comunicação e da informação.

O modelo econômico segue a lógica da subordinação da sociedade às leis do mercado. (.. como tem sido reconhecido por alguns dos organismos internacionais e por empresários.. Tal modelo econômico. diminuir as desigualdades internas. Internacionais devemos ser. o Estado não deve intervir na 35 economia e mesmo as empresas atualmente mantidas pelo Estado são privatizadas.) Devemos.. "globalizar" primeiro o Brasil. Globais. é outra coisa bem diferente. Para atingir esse objetivo. na crença de que assim ganham mais eficiência. dos índices de produtividade e competitividade. mais qualidade. Mais miséria para os menos desfavorecidos. Nesse modelo.globalização. menos oportunidades de emprego para os necessitados.. rompem-se as fronteiras comerciais. visando a lucratividade. para que entreguemos o nosso mercado e eles fiquem com a produção . vai ser a ampliação das diferenças entre ricos e pobres. conhecido por neoliberalismo. pelos caminhos que hoje vemos. mais rentabilidade. ligado à Companhia Siderúrgica Nacional e Companhia Vale do Rio Doce. para o que se serve da eficiência.) Globalizar um país pelo discurso fácil da modernidade sem preocupações sociais e realismo político. (. O empresário Benjamim Steinbruch. ampliam-se as grandes fusões entre empresas transnacionais. priorizar o mercado doméstico. que não tem futuro. amplia-se a circulação do capital financeiro. a produção e os empregos e ter um projeto de desenvolvimento nacional. tem trazido conseqüências bastante prejudiciais às políticas sociais dos países e o empobrecimento da população. escreveu: A herança da globalização. portanto.

de modo que as pessoas precisam estar preparadas para mudar de profissão algumas vezes na sua vida. as garantias sociais e os direitos devem ser desmantelados para que o indivíduo sobreviva com seus recursos. exigindolhe adequação aos interesses do mercado e formação de profissionais mais preparados para as modificações do processo de produção. na ótica neo liberal. No aspecto individual. no mercado de trabalho e a gerar seus meios de vida. sem a proteção social pública. por si mesmas.11. Aqueles que não conseguirem competir. As incessantes modificações tecnológicas afetam os postos de trabalho e as competências profissionais.e o emprego. em conseqüência. definitivamente. Por outro lado. os conhecimentos. preparo técnico. formarão o segmento dos excluídos sociais.Paulo. 23. Essas mudanças atingem o sistema educacional.1999). Segundo Faleiros (1999). o usufruto ou a falta da educação básica (incluindo novas habilidades cognitivas e competências sociais) passa a ser . Com efeito. Sendo assim. não (Folha de S. tais modificações afetam a organização do trabalho nas empresas e o perfil de trabalhador necessário para novas formas 36 de produção e. é fato que as novas realidades do mundo do trabalho requerem trabalhadores com mais conhecimento. cultura. as pessoas são estimuladas a se preparar para competir. aumenta o número de pessoas ocupadas em trabalhos eventuais (também chamados de trabalho precarizado) ou desempregadas. Junto com isso. habilidades e atitudes necessários à qualificação profissional.

37 A revolução tecnológica . sociedade da informação. no telefone móvel. O mesmo se pode dizer . na automação industrial.que aparece na comunicação instantânea pela TV.6 por cento no setor primário ou agrícola. sociedade pósindustrial. o setor quaternário ou informacional. na sociedade informacional o que se destaca é a produção e difusão de bens culturais. Dados da Organização Pari-Americana de Saúde e Organização Internacional do Trabalho informavam que. 22. porque o mercado de trabalho não aceita mais mão-de-obra não qualificada. A revolução informacional Este momento da história tem recebido várias denominações: sociedade pós-moderna. nos computadores. nas várias mídias . a distribuição da força de trabalho apresentava os seguintes índices: 62 por cento no setor terciário ou de serviços. Se na sociedade industrial predominou a produção de objetos materiais. estamos vivendo presentemente a passagem da sociedade industrial para a sociedade informacional. deixando a maioria da população à margem da economia. Esse crescimento leva os especialistas a antever para breve a institucionalização de um novo setor da economia. nas redes de informação.determinante da condição de inclusão ou exclusão social. especialmente a informação. em 1997. Conforme o sociólogo francês Alain Tourraine (1995). No setor terciário incluem-se os serviços informacionais.atinge a poucos. sociedade tecnológica.4 por cento no setor secundário ou industrial e 15. sociedade do conhecimento.

A informação é necessária. Muitos entusiastas da Internet (redes de informação conectadas internacionalmente) falam de uma democratização do acesso às informações. Informação não é sinônimo de conhecimento. Número grande de trabalhadores apenas vê televisão e só recebe imagens pré-fabricadas. um papel insubstituível da educação e das escolas de prover as condições intelectuais de avaliação crítica das condições de produção e da difusão do saber científico e da informação. mas o que acontecerá aos excluídos da rede. por si só ela .. Internet etc. Há. mas ela vem exercendo um domínio cada vez mais forte sobre as pessoas. mas têm em relação a elas uma atitude eminentemente passiva. computadores. apesar de provocar mudanças nos modos de vida e nas percepções das pessoas. os sem-Internet? Uma das novidades mais excitantes na economia internacional são as transações comerciais via rede Internet. com baixa escolarização. Na classe média. chamadas de comércio eletrônico ou virtual. Mas estará ela atingindo os 3 bilhões de pessoas no mundo que vivem com menos de 2 dólares por dia.em relação à divisão entre países desenvolvidos e os em desenvolvimento. em parte. A tecnologia da informação promove um fenômeno sumamente segregador para a população de baixa renda. Talvez. cada vez mais escravizadas por ela. portanto. adultos e adolescentes utilizam as mídias. sem a mínima capacidade de leitura crítica da informação recebida. amplia a distância entre os que estão no cume da montanha e os que não saem do sopé. metade da população mundial? Pode-se afirmar que a tecnologia da informação. isso seja verdade. com baixíssima capacidade crítica frente à avalanche informativa vinda especialmente pela televisão.

para a diversidade cultural.não propicia o saber. ressalta-se a diminuição da crença da ação pública na solução dos problemas. para o reconhecimento das diferenças entre os vários grupos sociais. determina a qualidade da participação popular nos processos decisórios existentes na sociedade civil. destacando novos movimentos sociais. para os valores e direitos humanos. que menor ou maior acesso à educação escolar e a outros bens culturais. é um instrumento de aquisição de 38 conhecimento. A despolitização da sociedade No campo político. de modo que ela não exerça o domínio sobre a consciência e a ação das pessoas. da insensibilidade social. que possibilita a filtragem e a crítica da informação. também. descrença nas formas convencionais de representação política. aumento do individualismo. Tais características levam a novas formas de fazer política. mas ela precisa ser analisada e interpretada pelo conhecimento. A crise ética . Isso significa. A informação é um caminho de acesso ao conhecimento. uma vez que se faz necessário educar para a participação social. Esses fatos lançam novas perspectivas sobre o sentido da formação da cidadania. novas formas de organização que mostram novos caminhos de controle público sobre o Estado.

o respeito à vida. Em janeiro de 2000. o professor Gaudêncio Frigotto identifica várias características da . ganhando até 2 dólares por dia. Referindo-se à crise deste final de século. também. sem referência a valores humanos como a dignidade. predominando um relativismo moral baseado no interesse pessoal. etnias. o mundo contemporâneo convive com uma crise de valores. os direitos humanos. grupos sociais.No campo da ética. no Fórum Econômico Mundial realizado na Suíça. A exclusão social As transformações em curso impulsionam avanços científicos e tecnológicos. De acordo com informações recentes de entidades financeiras internacionais. o aumento da distância social e econômica entre incluídos e excluídos desse processo. na vantagem. Além disso. entre outros. a luta contra a violência. a solidariedade. novos processos de produção. novas formas de conhecimento e ação mas provocam. vem aumentando significativamente a distância entre ricos e pobres. no sentido do reconhecimento das diferenças e das identidades culturais. 3 bilhões. 50 por cento. É preciso a colaboração da escola para a revitalização da formação ética. ou seja. o desenvolvimento e a defesa do meio ambiente. vivem na pobreza. a justiça. ao lado do conhecimento científico e da preparação para o mundo tecnológico e comunicacional é necessária a difusão de saberes socialmente úteis. a democracia. na eficácia. atingindo tanto as ações cotidianas quanto as formas de relações entre povos. o racismo e a segregação social. foi divulgado que dos 6 bilhões de pessoas do mundo.

cultural. considerando-se esta como sacrifício inevitável no processo de modernização e globalização da sociedade. A escola contemporânea precisa voltar-se para as novas realidades. outras mediações. No plano educacional. A luta contra a exclusão social e por uma sociedade justa.realidade contemporânea como estratégias de recomposição do capitalismo. um currículo centrado na formação geral e continuada de sujeitos pensantes e críticos. outras culturas. saúde. passa pela escola e pelo trabalho dos professores. na preparação para uma sociedade técnica/científica/informacional. No plano cultural e ético-político. político. A escola necessária para os novos tempos . Propõe-se. ao mesmo tempo que se acentua o dualismo educacional: diferentes qualidades de educação para ricos e pobres (1996). ligar-se ao mundo econômico. o ajustamento de nossas sociedades à globalização significa a exclusão de dois terços da humanidade dos direitos básicos de sobrevivência. educação. a ideologia neoliberal prega o individualismo e a naturalização da exclusão social. em mercadoria. Esses aspectos mostram como a escola não pode mais ser considerada isoladamente de outros contextos. uma sociedade que inclua todos. emprego. a educação deixa de ser um direito e transforma-se em serviço. para essa escola. No plano sócio-econômico. na formação para a cidadania crítica-participativa e na formação ética. 40 mas precisa ser um baluarte contra a exclusão social.

pela ética. nos clubes. cultural. 1994). estética e ética. As próprias cidades vão se transformando em agências educativas pelas iniciativas de participação da população na gestão de programas culturais. desenvolvimento de capacidades cognitivas e operativas. A escola de hoje não pode limitar-se a passar informação sobre as matérias. nas empresas. nas academias de ginástica. porque ela não detém o monopólio do saber. Por isso. que possibilita o contato dos alunos com a cultura. gradativamente. nos sindicatos. política. a escola vai se convertendo num "espaço de síntese" (Colom Cañellas. formação científica. Por outro lado. a transmitir 41 . escrever. pela linguagem. aquela cultura provida pela ciência. a educação acontece nos meios de comunicação. Mesmo considerando a imensa oferta de meios de comunicação social extra-escola. Ela cumpre funções que não são providas por nenhuma outra instância: formação geral básica . de organização dos espaços e equipamentos públicos. de meios informacionais. Há hoje um reconhecimento de que a educação acontece em muitos lugares.capacidade de ler. pela técnica. a escola precisa ser repensada. uma escola contra a exclusão econômica. Especialmente. Além da família. pela estética. ainda assim há lugar para a escola na sociedade tecnológica e da informação. na vida urbana. uma escola de qualidade é aquela que inclui. pedagógica.A escola necessária para fazer frente a essas realidades é a que provê formação cultural e científica. através de várias agências.

através do conhecimento e das habilidades cognitivas. a escola precisa articular sua capacidade de receber e . A escola fará. os instrumentos conceituais para analisarem essa informação criticamente e darem-lhe um significado pessoal e social. das habilidades de pensamento. pela comunidade. os alunos aprendem a atribuir significados às mensagens e informações recebidas de fora. Ou seja. nos meios de comunicação. das formas de educação proporcionada pela cidade. nos pontos de encontro.. na família. também. Ela é uma síntese entre a cultura experienciada que acontece na cidade. Os alunos vão aprendendo a buscar a informação (na TV. no livro didático. nas praças. assim. Na escola. com a ajuda pedagógica do professor. das multimídias e formas diversas de intervenção educativa urbana. a síntese entre a cultura formal (dos conhecimentos sistematizados) e a cultura experienciada. nos vídeos. com o papel insubstituível de provimento das condições cognitivas e afetivas que ajudarão o aluno a atribuir significados às mensagens e informações recebidas das mídias. da vida cotidiano.o conhecimento do livro didático. Nela. O professor tem aí seu lugar. no trabalho etc. no computador etc. está justamente na sua capacidade de introduzir os alunos nos significados da cultura e da ciência por meio de mediações cognitivas e interacionais. é necessário que proporcione não só o domínio de linguagens para a busca da informação.) mas. no jornal. mas também para a criação da informação. na rua. torna-se possível analisar e criticar a informação. no rádio. e a cultura formal que é o domínio dos conhecimentos. dos meios de comunicação. Por isso. O valor da aprendizagem escolar.

Em relação ao primeiro objetivo.interpretar informação. a escola de . de modo que aprenda a utilizar seu potencial de pensamento na construção e reconstrução de conceitos. a internalização de instrumentos conceituais para lidar com os problemas. da sensibilidade. 3. pensamento crítico). da imaginação. visando o desenvolvimento do pensar. a partir do aluno como sujeito do seu próprio conhecimento. são propostos cinco objetivos: 42 1. ou seja. Em resumo. dilemas e situações da realidade. por meio dos conteúdos escolares. Formação para a cidadania crítica. Desenvolvimento da criatividade. um cidadão trabalhador capaz de interferir criticamente na realidade para transformá-la e não apenas formar para integrar o mercado de trabalho. 4. estratégias de aprendizagem. 1998). 2. Trata-se de investir numa combinação bem sucedida da assimilação consciente e ativa dos conteúdos com o desenvolvimento de capacidades cognitivas e afetivas pelos alunos. Preparação para o processo produtivo e para o mundo tecnológico e comunicacional. no exercício de seu papel na construção da democracia social e política. habilidades. Formação ética (Libáneo. o que está em questão é uma formação que ajude o aluno a transformar-se num sujeito pensante. Desenvolvimento de capacidades cognitivas e operativas dos alunos (processos mentais. valores. atitudes. com a de produzi-Ia. habilidades do pensar. 5. isto é. Os objetivos Para essa escola concebida como espaço de síntese.

desenvolver capacidade de tomar decisões e de fazer análises globalizantes. da ciência. incluindo a preparação para o mundo tecnológico e comunicacional e para as complexas condições de exercício profissional no mercado de trabalho. O ensino implica lidar com os sentimentos. desenvolver flexibilidade mental para lidar com situações novas ou inesperadas. sua autoconfiança. A preparação tecnológica inclui o desenvolvimento de saberes e competências exigidas pelo novo processo produtivo como: compreender a totalidade do processo de produção. interpretar informações de todo tipo. para se engajarem na luta pela . respeitar as individualidades. a aumentar sua auto-estima.qualidade promove para todos o domínio dos conhecimentos. promova a inserção competente e crítica no mundo do trabalho. pensar estrategicamente. da cultura. da arte. junto com o desenvolvimento de capacidades e habilidades de pensamento. social e afetivo da formação. 43 O terceiro objetivo propõe que a escola contemporânea atenda às demandas produtivas e de emprego. A escola deve continuar investindo na ajuda aos alunos para que se tornem críticos. o respeito consigo mesmos. O segundo objetivo visa a assegurar a ligação entre os aspectos cognitivo. O quarto objetivo refere-se à educação do trabalhadorcidadão. compreender o mundo cultural dos alunos e ajudá-los a se construírem como sujeitos. ou seja. A escola precisa torná-lo capaz de interferir criticamente na realidade para transformá-la e não apenas para integrar-se ao mercado de trabalho.

incluindo a autonomia. põe-se a exigência de que os sistemas de ensino e as escolas prestem mais atenção à 44 qualidade cognitiva das aprendizagens. emprego etc. O quinto objetivo visa a propiciar conhecimentos. a participação e o diálogo como princípios educativos. às formas de exploração do trabalho humano que subsistem na sociedade. colocada como foco central do projeto pedagógico e da gestão escolar. Não adianta defender a gestão democrática das escolas. Se os alunos não aprenderam bem. A preparação para o exercício da cidadania. salário. envolvendo etnias. se os alunos continuam sendo reprovados. a escola não vem servindo para nada.. eleições para diretor. saúde. dos direitos humanos. educação. minorias culturais. A democratização da sociedade e a inserção dos alunos no mundo da produção supõem o . procedimentos e situações para se pensar sobre valores e critérios de decisão e ação frente ao mundo da política e da economia. das relações humanas. tendo um baixíssimo rendimento escolar ou níveis insatisfatórios de aprendizagem. do consumo. gênero. Muitas escolas adotam formas de gestão participativa e incorporam nos conteúdos escolares as lutas dos movimentos sociais organizados pela moradia. aquisição de novas tecnologias etc.justiça social e pela solidariedade humana. da violência e segregação social e. envolve tanto os processos organizacionais internos da escola como a articulação com os movimentos e organizações da sociedade civil. se continuam sendo reprovados ou mal escolarizados. do meio ambiente. também. mudanças curriculares e organizacionais. Para o atendimento desses objetivos.

cada vez mais. Entre elas. e a escola é apenas uma delas. É esse o desafio que se põe à educação escolar no início do terceiro milênio. destacam-se alguns movimentos sociais. 45 Ampliando os objetivos da escola Uma das importantes funções da escola é interagir e articular-se com as práticas sociais. a conquista da cidadania. Isso tudo não significa conceber a escola como a impulsionadora das transformações sociais.ensino fundamental como necessidade imperativa para proporcionar às crianças e jovens os meios cognitivos e operacionais que atendam tanto as necessidades pessoais como as econômicas e sociais. Frente a essas exigências. o número de pessoas que possam participar das decisões primordiais que dizem respeito aos seus interesses. dependem de ampliar. As tarefas de construção de uma democracia econômica e política pertencem a várias esferas de atuação da sociedade. Mas a escola tem um papel insubstituível quando se trata de preparação cultural e científica das novas gerações para enfrentamento das exigências postas pela sociedade contemporânea. a escola precisa oferecer serviços de qualidade e um produto de qualidade. Embora continuem existindo os partidos tradicionais e vigorem ainda as formas de representação política típicas da democracia e . O fortalecimento das lutas sociais. A escola tem o compromisso de reduzir a distância entre a ciência cada vez mais complexa e a formação cultural básica a ser provida pela escolarização. a fim de que os alunos que passem por ela ganhem condições de exercício da liberdade política e intelectual.

entre homens e mulheres resultem de uma base natural. Educação para a igualdade entre os sexos Entre os ideais da escola pública destaca-se o da igualdade de oportunidades em geral e.1994). advogam a luta pelo respeito entre os gêneros e reconhecimento de suas diferenças. ou seja. o cidadão. de papéis sociais.a representação sindical. . a sociedade masculina difunde a idéia de que diferenças de sexo resultam em diferenças de gênero. mostrando que os gêneros masculino e feminino são noções estabelecidas numa cultura e numa sociedade organizada por homens. por exemplo. no currículo e na sala de aula implicam atitudes que recusem a idéia de que as diferenças de trabalho. (Henriques. Vamos destacar alguns desses movimentos. Os movimentos de mulheres ressaltam a distinção entre sexo e gênero. pacifistas etc. o aluno. outras formas de ação política estão surgindo. os pais .o homem. "inteligência do homem e dos outros animais".. em particular.. de evitar usar termos masculinos como tendo abrangência universal . Nesse sentido. diferenças sexuais (naturais) também levam a distribuição de papéis sociais entre mulheres e homens. o da igualdade de direitos entre homens e mulheres. como os movimentos feministas. Segundo esses movimentos. na comunidade. de expressão de sentimentos.ou de expressões que ocultam o lugar da mulher . Trata-se. uma prática educativa na organização escolar."ela porta-se como homem". Propõe-se também que as escolas e os professores não façam uso sexista da linguagem corrente. "relação do homem com a ciência". ecológicos. Contra essa idéia.

os médicos dos hospitais. As autoridades. Respirar o ar. dos seringueiros da Amazônia ou dos índios que resistem à exploração do seu território e à destruição de seu meio natural de vida). tomar banho num rio ou numa praia. a vida ao ar livre (montanhismo. trilhas etc). entrar num hospital como doente ou como visitante. são atividades que envolvem sistematicamente riscos. a sobrevivência humana está ameaçada nas favelas. Frente a formas destruidoras da natureza e que retiram da população meios de ganhar a vida defenderia a manutenção de formas de vida primitivas (como é o caso. critica todas as formas de depredação da natureza. caminhadas ecológicas. A corrente naturalista propõe uma forma de educação pelo contato com a natureza. de comunidades e de governos na luta pela despoluição das águas e do ar. por exemplo. . A corrente conservavionista defende a preservação das matas. nos cortiços. principalmente pela indústria.46 Educação ambiental A sociedade da informação é uma sociedade de constante risco devido à destruição da natureza e aos problemas humanos decorrentes da degradação ambiental. andar pelas ruas da cidade. Além disso. dentro de uma noção de natureza biofísica intocável. vivem prometendo segurança à população. A corrente da gestão ambiental incentiva ações de movimentos sociais. dos animais. mas boa parte dos problemas não depende dessas pessoas mas de interesses econômicos privados. que agrupa organismos internacionais. nas moradias inadequadas. o que levaria ao turismo ecológico. os órgãos públicos. Há diferentes entendimentos em relação à educação ambiental. A corrente da economia ecológica.

do ponto de vista pedagógico. no tratamento dos resíduos etc. diferente do atual modelo economicista de progresso. e várias organizações não-governamentais e associações ambientalistas. . educando as crianças e jovens para proteger. se caracteriza por defender tecnologias alternativas no trato da terra. pois os seres humanos compõem o conceito de natureza. o conhecimento do universo. às diferenças entre as pessoas. A educação ambiental contribui na formação humana: levando os alunos a refletirem sobre as questões do ambiente no sentido de que as relações do ser humano com a natureza e com as pessoas assegurem uma qualidade de vida no futuro.incluindo o Banco Mundial. ensinando-os a promover o autoconhecimento. a FAO. a integração com a natureza. Esta corrente se desdobra em duas vertentes muito diferentes entre si: (a) a vertente do "desenvolvimento sustentável" cujo modelo de desenvolvimento é o capitalista. no uso da energia. conservar e preservar espécies. questionam o modelo de progresso destruidor da natureza (Correntino. 1995). devidamente 47 reciclado. Essas quatro correntes enfatizam diferentes concepções e formas de fazer educação ambiental e. elas não se excluem. a UNESCO. (b) a vertente das "sociedades sustentáveis" que. o ecossistema e o planeta como um todo. sem negar os avanços técnicos e o desenvolvimento ambiental. introduzindo a ética da valorização e do respeito à diversidade das culturas.

Educação multicultural A idéia de educação multicultural. lutar contra a poluição ambiental etc. da educação popular.). escola. ela envolve ações práticas que dizem respeito ao nosso comportamento nos vários ambientes (família. é preciso articular ações individuais com medidas mais gerais.empenhando os alunos no fortalecimento da democracia. A educação ambiental não pode ser apenas uma tarefa da escola. Ao mesmo tempo que se precisa conhecer mais a respeito da natureza e mudar nossa relação com ela. está assentada no princípio pedagógico mais amplo: o acolhimento da diversidade. contra o modelo capitalista de economia que gera sociedades individualistas. o reconhecimento dos outros como sujeitos de sua . 48 empresa etc. exploradoras e depredadoras da natureza biofísica e da natureza humana. não jogar papel na rua. das formas comunitárias de discutir e resolver problemas. isto é. levando a tomadas de posições sobre a conservação da biodiversidade. assumindo uma visão de vida baseada mais na relação com a natureza e as pessoas do que com os objetos. da cidadania. que se projeta num currículo multicultural. não mutilar a natureza. cidade. Um outro sentido da atitude ecológica é o de recusar um conceito de progresso baseado na capacidade de possuir mais objetos e bens de consumo. As pessoas precisam ser convencidas a se engajar em campanhas para a coleta seletiva do lixo.

ou seja. Uma educação multicultural requer que as decisões da equipe escolar sobre objetivos escolares e organização curricular reflitam os 49 interesses e necessidades formativas dos diversos grupos sociais existentes na escola (a cultura popular. às vezes com culturas e costumes diferentes. professores e alunos convivem com uma pluralidade crescente de pessoas e grupos sociais. negros. Vem aumentando a interação entre pessoas de diferentes lugares. portadores de uma identidade cultural própria. 1995). Uma prática. Com isso. Acolher a diversidade é a primeira referência para a luta pelos direitos humanos. da pobreza. brancos. significa reconhecer o pluralismo cultural. De fato. a cultura de homens e mulheres. A presença da diversidade humana na sociedade resulta na multi-cultura. das minorias étnicas. as crianças nas escolas convivem com pessoas diferentes. um comportamento multicultural. com base em uma atitude geral definida pela escola no sentido de um pluralismo cultural . uma visão aberta e plural em relação às culturas existentes na . no sentido de que toda cultura é plural. diferentes etnias e diferentes linguagens. em boa parte devido à intensificação da migração decorrente do aumento das desigualdades. da falta de terra. aceitar a presença de várias culturas e desenvolver hábitos mentais e atitude de abertura e diálogo com essas culturas (Gimeno. a cultura dos jovens. O que se propõe é que. o urbano e o rural. Assumir o objetivo da educação multicultural não significa reduzir o currículo aos interesses dos vários grupos culturais que freqüentam a escola.individualidade. dos alunos com necessidades especiais).

sociedade e na comunidade . as diferentes culturas. formas do pensar e de sentir.seja formulada uma proposta curricular que incorpore essa visão multicultural. as conversas entre adultos e entre amigos. de sentir. de transformação das formas de pensar. A educação multicultural perpassa a organização escolar. Não basta. o respeito a todas as pessoas que trabalham na escola. para que a integração de culturas se realize dentro de um sistema de escolarização única que favoreça a igualdade de oportunidades. as pessoas. para interpretar a realidade e intervir nela. trata-se de uma mudança de mentalidade. além disso. todavia. . A organização escolar e os professores precisam saber como articular essas culturas. a TV os vídeos. valores. que muitos autores chamam de cultura paralela ou currículo extra-escolar. resultante de aprendizagens informais. de modo que adquiram instrumentos conceituais. de onde os alunos extraem sua forma de ver o mundo. Fazem parte dessa cultura paralela o cinema. ajudar 50 os alunos a fazerem as ligações entre a cultura elaborada e a sua cultura cotidiana. pensar apenas no currículo formal. que os alunos trazem para a escola e para as salas de aula um conjunto de significados. de comportar-se em relação aos outros. crenças. as revistas populares. povos etc. É preciso considerar. modos de agir. o tipo de relações humanas que existe entre os profissionais e usuários da escola. Conforme escreve Gimeno: É o currículo comum para todos que a visão multicultural deve incorporar. Ou seja. o rádio.

a descentralização 54 . com mecanismos de controle e avaliação dos resultados. a classificação das escolas em função desses resultados para estimular a competição entre elas. a qualidade total tem como objetivo o treinamento de pessoas para serem competentes no que fazem. dentro de uma gestão eficaz de meios. Embora haja uma grande diversidade de opiniões entre os educadores. medíocre. Uma das palavras-chave é qualidade. visando a atender a imperativos econômicos e técnicos. Entre as medidas decorrentes dessa concepção organizacional destacam-se: a hipervalorização dos resultados da avaliação.CAPÍTULO III – Buscando a Qualidade Social do Ensino 53 No mundo todo estão sendo implantadas reformas educacionais para adequar o sistema de ensino às mudanças na economia e na sociedade. os profissionais de cada escola precisam estabelecer um consenso mínimo sobre o padrão de qualidade que orientará seu trabalho. Quais seriam os critérios que definiriam uma qualidade social da escola? Tem se difundido bastante a noção de qualidade retirada da concepção neoliberal da economia. excelente). Aplicada ao sistema escolar e às escolas. a qualidade total. Qualidade da escola refere-se tanto a atributos ou características da sua organização e funcionamento quanto ao grau de excelência baseado numa escala valorativa (a qualidade desta escola é ruim. administradores e pais sobre critérios de qualidade das escolas. boa.

Em sintese. a educação é o melhor caminho para desenvolver a competência histórica de fazer-se sujeito. à constituição da cidadania. Competência histórica significa capacidade de agir. de intervir na realidade. A qualidade é. Em resumo. é aquela baseada no conhecimento e na ampliação de capacidades cognitivas. Dessa forma. operativas e sociais necessários ao atendimento de necessidades individuais e sociais dos alunos. as parcerias com a iniciativa privada. Nesse sentido. o repasse das funções do Estado para a comunidade (pais) e para as empresas. buscar qualidade em qualquer instituição significa trabalhar com seres humanos para ajudálos a se construírem como sujeitos. A esse conceito opõe-se o de qualidade social. Educação de qualidade é aquela que promove para todos o domínio de conhecimentos e o desenvolvimento de capacidades cognitivas. portanto. a qualidade total decorre de uma concepção economicista. um atributo humano. O sociólogo Pedro Demo analisa o conceito de qualidade e chega a algumas conclusões. "qualidade essencial seria aquela que expressa a competência histórica de fazer-se sujeito. e o que representa melhor a marca humana é o desenvolvimento humano. com alto grau de inclusividade. genuinamente. . deixando a condição de objeto ou de massa de manobra". Em outras palavras. pragmática. escola com qualidade social. significa a inter. empresarial. capacidade participativa. operativas e sociais. tendo em vista a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. à inserção no mundo do trabalho.relação entre qualidade formal e política.administrativa e do repasse de recursos conforme o desempenho das escolas na avaliação externa.

instrumentos e procedimentos. construa formação básica capaz de saber pensar para melhor intervir". 1998). O ser humano precisa manejar conhecimento. . que a criança aprenda de fato 55 na escola. de modo a contribuir para o fortalecimento da sociedade civil e controle da gestão pública. integrando a cultura provida pela ciência. possibilitando aos alunos a preparação para a participação nas organizações e movimentos populares. ou seja. cria situações para a educação da responsabilidade. incorporando novas práticas de gestão. a preparação para o mundo tecnológico e comunicacional. Desenvolve processos de formação para a cidadania. valores). procedimentos. iniciativa. pela linguagem. capacidade de liderança e tomada de decisões. a qualidade formal e a qualidade política. Uma educação escolar de qualidade social tem as seguintes características: Assegura sólida formação de base que propicia o desenvolvimento de habilidades cognitivas.Demo distingue. pela técnica. participação. operativas e sociais. A qualidade política diz respeito aos fins e valores sociais do conhecimento. pela estética. o domínio dos conteúdos escolares (conceitos. pela ética. "Espera-se. principalmente o conhecimento. isto é. por isso. Para isso. A qualidade formal refere-se ao nível ótimo a que podem chegar os meios. ao objetivo ético de intervir na realidade visando o bem comum (Demo. no campo educativo.

materiais e financeiras de funcionamento. Por outro lado. no sentido de usufruir plenamente do direito de escolarização. conforme ideais humanistas.Assegura a elevação do nível escolar para todas as crianças e jovens sem exceção. condições de trabalho. Promove a integração entre a cultura escolar e outras culturas. remuneração digna e formação continuada dos professores. a qualidade para todos. Cuida da formação de qualidades morais. é possível estabelecer para uma determinada população parâmetros de desempenho nas várias dimensões da educação (cognitiva. Dispõe de condições físicas. convicções. nesse caso. em condições iguais de oferta dos meios de escolarização. traços de caráter. todas as crianças têm direito ao sucesso escolar. no rumo de uma educação multicultural e comunitária. moral etc. física. atitudes. ficam por resolver os direitos de alunos portadores de dificuldades escolares gerais ou específicas e portadores de outras necessidades que põem em questão a validade de parâmetros universais de desempenho. .). 56 Incorpora no cotidiano escolar as novas tecnologias da comunicação e informação Como buscar a qualidade social? Quais estratégias e procedimentos possibilitam promover a qualidade social das escolas e do sistema escolar? Não é nada fácil estabelecer como critério de qualidade a igualdade quanto ao atendimento escolar. Por um lado.

Portanto. não resolvem os problemas do ensino e do baixo rendimento escolar dos alunos. a aquisição de novos equipamentos. por mais que os resultados sejam um bom indicativo da qualidade dos processos e das condições da oferta dos serviços. é insuficiente julgar a qualidade da escola apenas pelo nível de seus produtos.todos são fatores imprescindíveis para promover a qualidade. porque os resultados da aprendizagem dizem respeito não só à dimensão cognitiva mas. física. no âmbito das escolas. O que as escolas precisam buscar. os modernos equipamentos . apenas a aferição do desempenho intelectual dos alunos através de provas e exames. ética. a modificação dos currículos. se os alunos . os processos de organização e gestão das escolas. é a qualidade cognitiva das experiências de aprendizagem dos alunos. É necessário alertar que a reorganização das escolas. por si só. de fato. Em suma. de pouca valia terão a gestão democrática. as eleições para diretor. Do mesmo modo. se os objetivos de aprendizagem não forem conseguidos. Também não é suficiente. às dimensões afetiva. as mudanças nas práticas de gestão. etc. mas eles 57 devem ser considerados como meios.As considerações anteriores mostram que a busca da educação escolar de qualidade depende da conjugação de vários objetivos e estratégias. mesmo que se baseiem na democratização nos processos organizativos e decisórios. não como fins. a avaliação dos resultados por provas ou exames nacionais. estética. a participação da comunidade. também.

os resultados juntamente com os elementos e processos que os determinam. a escola se organiza para que ela readquira em plenitude sua função original de ensinar (Silva Júnior. ou seja. 1986). Atualmente existem distintas posições sobre . como aprendem e em que grau são capazes de pensar e atuar com o que aprendem. a organização e a gestão. Eixos da qualidade social: o currículo e os processos de ensino e aprendizagem Qualidade social do ensino. se não desenvolvem seu potencial cognitivo.se. Atender às necessidades dos alunos em consonância com as exigências sociais e educacionais contemporâneas significa prestar atenção nos conteúdos que estão sendo ensinados. Com isso. portanto. o centro de referência dos critérios e estratégias de qualidade é o que os estudantes aprendem. ganham importância as estratégias de realização da qualidade a saber: o currículo. Celestino da Silva Júnior escreve que as escolas não existem para serem administradas ou inspecionadas. diz respeito à qualidade cognitiva dos processos de aprendizagem numa escola que inclua todos.continuam tendo baixo rendimento escolar. na efetividade desses conteúdos para a vida 58 cultural e prática. no modo como estão sendo ensinados. Considerando. elas existem para que os alunos aprendam. Daí o investimento necessário no aperfeiçoamento do currículo e das práticas metodológicas nas escolas. o professor e avaliação. pois.

a fim de prestar serviços de melhor qualidade aos seus alunos. administrado e controlado por órgãos superiores do sistema educacional (Ministério da Educação. Sustenta que o currículo é uma questão de cada escola e de cada professor em particular.e à flexibilidade. em função de iniciativas e interesses locais. A ênfase está colocada nos interesses mais amplos do sistema político e não nos interesses regionais e locais. à liberdade e ao caráter participativo. A primeira é o modelo centralizado. O principal argumento a favor desse modelo é que ele pode assegurar o máximo de participação do professor e demais integrantes da escola e um mínimo de interferência dos órgãos superiores. sistema de avaliação controlador.visando. Secretarias de Educação). a uma certa unidade do sistema escolar em função de objetivos democráticos da educação nacional . portanto. Uma terceira posição é o modelo misto que confere importância ao mesmo tempo aos órgãos de coordenação central . A segunda posição. defende um modelo descentralizado de organização e aperfeiçoamento curricular. a refletir sobre as práticas curriculares e metodológicas. Também torna possível o agrupamento de várias escolas em torno de . incentivar os professores de cada escola a melhorar o processo educativo. em que o currículo deveria ser planejado. predominando. principalmente. as decisões que se tomam em âmbito local. Esse modelo busca. metodologias e técnicas a serem seguidas. portanto. Nele são definidas metas a alcançar. bastante criticado pela maioria dos educadores.formas de organização para o aperfeiçoamento do currículo. oposta à primeira.

portanto. conforme se pode concluir das seguintes considerações inseridas na Introdução dos Parâmetros Curriculares Nacionais: 59 Os PCN constituem um referencial de qualidade para a educação no Ensino Fundamental em todo o País. à diversidade sociocultural das diferentes regiões do País e à autonomia de professores e equipes pedagógicas. No Brasil optou-se pelo terceiro modelo.) Por sua natureza aberta. a formação para a cidadania. o planejamento pedagógico e curricular. O principal critério de aferição dos resultados obtidos em relação a esses objetivos é o grau em que se obtém a qualidade cognitiva e operativa das aprendizagens escolares. que se sobreporia à competência político-executiva dos Estados e Municípios. ou seja. entre essas condições. Sua função é orientar e garantir a coerência dos investimentos no sistema educacional (.. configuram uma proposta flexível.. pelos professores. pelas escolas.projetos comuns de aperfeiçoamento curricular. a . o desenvolvimento da personalidade. Não configuram. o currículo e os processos de ensino e aprendizagem correspondem aos objetivos da escolarização obrigatória. realizam as atividades-fim na educação escolar tais como a aquisição do conhecimento e da cultura. a ser concretizada nas decisões regionais e locais sobre currículos e sobre programas de transformação da realidade educacional empreendidos pelas autoridades governamentais. Em síntese. As atividades-meio são as condições de realização desses objetivos. um modelo curricular homogêneo e impositivo. capacitação de professores. a inserção no mundo do trabalho. incluindo-se.

curriculares e organizativas da escola. a cultura organizacional. O projeto pedagógico-curricular é o instrumento de articulação entre fins e meios. com a participação coletiva na elaboração e desenvolvimento do projeto pedagógico e do currículo. a tecnologia. é denominado profissionalidade. as habilidades e as atitudes requeridas para levar adiante o processo de ensino e aprendizagem nas escolas.organização e gestão da escola. A conquista da . Ele faz o ordenamento de todas as atividades pedagógicas.. A garantia da qualidade social do ensino é. uma professora. a atuação competente dos professores nos conteúdos e na metodologia de 60 ensino. o desenvolvimento profissional dos professores. portanto. tendo em vista os objetivos educacionais. CAPÍTULO IV – O Professor e a Construção da sua Identidade Profissional 63 O professor é um profissional cuja atividade principal é o ensino. Sua formação inicial visa a propiciar os conhecimentos. Esse conjunto de requisitos profissionais que tornam alguém um professor. a crença na possibilidade de educar a todos como condição para a igualdade e inclusão social. implicando a relevância social desses conteúdos. a obtenção de bons resultados escolares que evidenciem o trabalho da escola e dos professores. um trabalho escolar integrado e articulado.

compromisso com um projeto político democrático. dedicação ao trabalho. a profissionalização requer profissionalismo. terá muito pouco êxito na sua atividade profissional se não tiver as . respeito à cultura de origem dos alunos. terá dificuldades de atuar com profissionalismo. Na prática. isso significa domínio da matéria e dos métodos de ensino. Um professor profissionalmente despreparado. 64 rigor no preparo e na condução das aulas. A profissionalização refere-se às condições ideais que venham a garantir o exercício profissional de qualidade. O profissionalismo refere-se ao desempenho competente e compromissado dos deveres e responsabilidades que constituem a especificidade de ser professor e ao comportamento ético e político expresso nas atitudes relacionadas à prática profissional. é assíduo ao trabalho. trabalhando em precárias condições. respeita os alunos. habilidades e atitudes profissionais. ambiente e clima de trabalho. O profissionalismo requer profissionalização. remuneração compatível com a natureza e as exigências da profissão. Essas condições são: formação inicial e formação continuada nas quais o professor aprende e desenvolve as competências. um professor muito dedicado. recebendo salários baixos. participação na construção coletiva do projeto pedagógico. condições de trabalho (recursos físicos e materiais. práticas de organização e gestão). Por outro lado.profissionalidade supõe a profissionalização e o profissionalismo. que ama sua profissão. As duas noções apresentadas se complementam. assiduidade.

mudar suas atitudes. inclusive. é a responsabilidade que a tarefa educativa traz consigo. Em boa parte isso se deve às condições precárias de profissionalização. que os professores são importantes etc. Pode. os requisitos da profissionalização. seus valores em relação à prática profissional. certamente. No entanto. interferindo na imagem da profissão. carreira . isto é. ao mesmo tempo em que se fala da valorização da 65 . os governos têm sido incapazes de garantir a valorização salarial dos professores levando a uma degradação social e econômica da profissão e a um rebaixamento evidente da qualificação profissional dos professores em todo o país. ao mesmo tempo. o que pode levá-lo. a buscar melhor qualificação.cujo provimento é.qualidades e competências tidas como ideais a um profissional. responsabilidade dos governos. Um professor pode compensar uma fraca profissionalização estudando mais. investindo na sua formação continuada. em boa parte. Em outros termos. É verdade que a profissão de professor vem sendo muito desvalorizada tanto social quanto economicamente. lutando por melhores salários. salários. suas convicções. na prática. O que justifica essa atuação comprometida é a natureza da profissão de professor. É muito comum as autoridades governamentais fazerem autopromoção mediante discursos a favor da educação. de lidar com essas duas noções de forma que a ausência de uma comprometa irremediavelmente a outra. recursos materiais e didáticos. formação profissional. Não se trata. alardeando que a educação é a prioridade.

Apesar dos problemas. Se o professor perde o significado do trabalho tanto para si próprio como para a sociedade. O mal-estar. os estudiosos da formação de professores vêm insistindo na importância do desenvolvimento pessoal e profissional no contexto de trabalho. ele perde a identidade com a sua profissão.pode ser a garantia da recuperação do significado social da profissão. no entanto. para a cidadania.educação escolar para a competitividade. Nos últimos anos.que passa pela luta por melhores salários e pela elevação da qualidade da formação . a qualidade dos resultados de aprendizagem dos alunos é inseparável da qualificação e competência dos professores. a ressignificação de sua identidade . As condições de trabalho e a desvalorização social da profissão de professor. Os cursos de formação inicial têm um papel muito importante na construção dos . mediante a educação ou formação continuada. Paradoxalmente. os professores continuam sendo os principais agentes da formação dos alunos e. portanto. prejudicam a construção da identidade dos futuros professores com a profissão e de um quadro de referência teórico-prático que defina os conteúdos e as competências que caracterizam o ser professor. a baixa auto-estima. são algumas conseqüências que podem resultar dessa perda de identidade profissional. para o consumo. a frustração. Isto acontece porque a identidade com a profissão diz respeito ao significado pessoal e social que a profissão tem para a pessoa. a construção e o fortalecimento da identidade profissional precisam fazer parte do currículo e das práticas de formação inicial e continuada. continuam vigorando salários baixos e um reduzido empenho na melhoria da qualidade da formação profissional dos professores. de fato. Por isso.

atua como intelectual critico .conhecimentos. a investigar e construir teorias sobre seu trabalho. como participante qualificado na organização e gestão da escola . nos conselhos de classe etc. Nesses cursos são passadas propostas para serem executadas ou os conferencistas dizem o que os professores devem fazer. Ela visa ao desenvolvimento pessoal e profissional mediante práticas de envolvimento dos professores na organização da escola. como profissional reflexivo e pesquisador e elaborador de conhecimentos. nas reuniões pedagógicas. sem tempo de refletir e avaliar o que faz. uma vez que ela pode desenvolver-se no próprio trabalho. Na nova concepção de formação . 66 A formação continuada é uma maneira diferente de ver a capacitação profissional de professores. a refletir sobre sua prática. Ainda é muito comum nas Secretarias de Educação promover a capacitação dos professores através de cursos de treinamento ou de reciclagem. Mas é na formação continuada que essa identidade se consolida. atitudes e convicções dos futuros professores necessários à sua identificação com a profissão. O professor não é instigado a ganhar autonomia profissional.o professor prepara-se teoricamente nos temas pedagógicos e nos conteúdos para poder realizar a reflexão sobre sua prática.do professor como intelectual crítico. de grandes conferências para um grande número de pessoas. nas atividades de assistência pedagógico-didática junto com a coordenação pedagógica. O professor deixa de estar apenas cumprindo a rotina e executando tarefas. na organização e articulação do currículo.

inventa novos procedimentos. A Educação Continuada se faz necessária pela própria natureza do saber e do fazer humanos como práticas que se transformam constantemente. Significa que o professor analisa sua prática à luz da teoria. ele vai ampliando a consciência sobre sua própria prática. Em suas atividades cotidianas. O alargamento da consciência se dá pela reflexão que o professor realiza na ação. isto é. discussão de pontos de vista. principalmente para analisarmos as mudanças que ocorrem em nossa prática. avaliação de situações etc. Dessa forma. 1998) Isso não quer dizer que o professor não necessita da teoria. fazendo com que sua prática vire conteúdo de reflexão. torna-se investigador em sua aula analisando suas práticas. do conhecimento científico. . revendo as rotinas. experimenta novas formas de trabalho. inventando novas soluções.na contextualização sociocultural de suas aulas e na transformação social mais ampla. um programa de educação continuada se faz necessário para atualizarmos nossos conhecimentos. bem como para atribuirmos direções esperadas a essas mudanças (Christov. analise de problemas. desenvolve habilidades de participação grupal e de tomada de decisões seja na elaboração do projeto pedagógico e da proposta curricular seja nas várias atividades da escola como execução de ações. cria novas estratégias. Esse é o sentido mais ampliado que assume a formação continuada. Tematizando sua prática. A realidade muda e o saber que construímos sobre 67 ela precisa ser revisto e ampliado sempre. revê sua prática.

por isso. É assim que o professor transforma-se num pesquisador. enriquecendo-se de conhecimentos e práticas e aprendendo a resolver problemas. . mas construir estratégias.) Mas a sua reflexão na ação precisa ultrapassar a situação imediata. Para isso.. Ou seja. a caminho de construir sua autonomia profissional. Neste ponto. inclusive aqueles imprevistos. discutem juntos. assumem as responsabilidades coletivamente. chegamos à necessidade do trabalho em equipe através do qual os professores formulam o projeto pedagógico. uma reflexão que se eleve da situação imediata. Sabemos que boa parte das situações de ensino são singulares. possibilitando uma elaboração teórica de seus saberes (Pimenta. encontram soluções juntos. incertas e muitas vezes desconhecidas. congressos seminários de estudo. interagem com seus colegas.o professor toma decisões diante das situações concretas com as quais depara. O que ele precisa é desenvolver a capacidade de dar respostas criativas conforme cada situação. com base nas quais constrói saberes na ação. é necessário mobilizar a reflexão sobre a reflexão na ação. 68 criam uma cultura organizacional. Não precisa tanto saber aplicar regras já estabelecidas. não basta o professor ter uma lista de métodos e técnicas a serem utilizados. pensam juntos. Ou seja. Há muitas formas de realizar a formação continuada: cursos. 1998). inventar procedimentos.. descobrir saídas. (. o professor precisa ser capaz de inventar suas próprias respostas.

Sabemos que a profissão de professor vai assumindo determinadas características isto é. 1998). culturais. descompromisso com atualização pedagógica. Identidade profissional e saberes e competencias profissionais Em que consiste a profissão de professor? O que significa ser professor? Como vimos. sociais..) a luta pela profissionalidade se esvazia porque os professores continuarão pensando que como está. que se põe como requisito para a luta por melhores salários e melhores condições de trabalho. identidade profissional é o conjunto de conhecimentos.. habilidades. estudos individuais. autodesqualificação. Enquanto agirmos em nossas escolas contentando-nos com níveis mínimos de profissionalização (qualificação mínima. A sociedade brasileira está passando por intensas transformações econômicas. encontros com a Coordenação Pedagógica. determinada identidade .. rotinização e desencanto com o trabalho.reunião pedagógica.. assim como para o exercício responsável da profissão. má qualidade das experiências de aprendizagem dos alunos. atitudes. está bom (Guimarães.conforme necessidades educacionais colocadas em cada momento da história e em cada contexto social (Pimenta. 1999). As novas exigências educacionais frente a essas . valores que definem e orientam a especificidade do trabalho de professor. O importante é acreditar que a formação continuada é condição indispensável para a profissionalização. o profissionalismo.) e profissionalismo (insensibilidade ao insucesso escolar dos alunos. políticas.

No últimos anos. Com isso. ou seja. agir e interagir. ou seja. a docência constitui um campo específico de intervenção profissional na prática social não é qualquer um que pode ser professor. diretamente relacionados ao campo da prática profissional. conteúdos das diversas áreas do saber e do ensino. . Identidade que é epistemológica. Há uma nítida mudança no desempenho dos papéis docentes. do aluno. conteúdos relacionados a saberes pedagógicos mais amplos do campo teórico da prática educacional. E identidade que é profissional. novas competências. sensibilidade pessoal e social). novos modos de pensar. 2. Saberes são conhecimentos teóricos e práticos requeridos para o exercício profissional. Libâneo e Pimenta (1999) apontam duas dimensões da identidade profissional de professor: O desenvolvimento profissional envolve formação inicial e contínua articuladas a um processo de valorização identitária e profissional dos professores. do conhecimento. conteúdos didático-pedagógicos. conteúdos ligados à explicitação do sentido da existência humana (individual. das ciências humanas e naturais. que reconhece a docência como um campo de conhecimentos específicos configurados em quatro grandes conjuntos.transformações pedem um professor capaz de exercer sua profissão em correspondência às novas realidades da sociedade. da cultura e das artes. Ou seja. vários estudos vêm pesquisando os saberes e competências profissionais que fazem parte da profissionalidade do professor. a saber: 1. competências são as qualidades. 4. 3. surgem novas práticas profissionais. dos meios de 69 comunicação e informação.

Essa capacidade geral ou capacidades não se confundem com objetivos comportamentais. numa visão cognitivista e não meramente instrumental. de modo que seu exercício implica operações mentais. (1998) relacionam os vários saberes necessários ao ensino: o saber disciplinar. Ou seja. Outros autores investigaram os saberes profissionais de professores. Gauthier et al. conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação. condutas e práticas observáveis. tal como entendidos no tecnicismo educacional. habilidades e atitudes relacionados com esses conhecimentos teóricos e práticos e que permitem a um profissional exercer adequadamente sua profissão. o saber da tradição pedagógica. administrar a progressão das aprendizagens. Perrenoud (2000a) sugere que os saberes estão contidos no termo "competências". envolver os alunos em suas .capacidades. Perrenoud (2000b) apresenta dez famílias de competências para ensinar: organizar e dirigir situações de aprendizagem. com eficácia. esquemas de pensamento. o saber curricular. o saber da experiência e o saber da ação pedagógica. 70 que se torna elemento necessário na definição de competência. uma ação compatível com a situação. As competências vinculam-se não só a conhecimentos como também a uma atividade cognitiva. comportamentos rotineiros e repetitivos. o saber das ciências da educação. que permitem determinar e realizar. Define "competência profissional" como uma capacidade de mobilizar diversos recursos cognitivos para enfrentar situações determinadas. as competências correspondem a uma articulação entre capacidades cognitivas e habilidades.

inovar. A competência envolve uma pluralidade de propriedades. utilizar novas tecnologias. os conhecimentos específicos da matéria e os saberes pedagógicos. Pimenta (1999) aponta como saberes necessários à docência .saberes de experiência. sociais e políticas da educação. política. auto-formar-se. Laranjeira et al. COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS DE PROFESSOR l. conhecimento para a atuação pedagógica e conhecimento de experiência contextualizado na ação pedagógica. 2. na qual se reúnem as dimensões técnica. conhecimentos sobre as dimensões culturais. Refletir sobre sua prática. (1999) organizam o conhecimento profissional dos professores em cinco âmbitos: conhecimentos sobre crianças. ética e estética.aprendizagens e em seu trabalho. cultura geral e profissional. jovens e adultos. administrar sua própria formação contínua. A professora Terezinha Rios (2000) associa o termo competência à qualidade do trabalho. Dominar e exercer a profissão de professor. informar e envolver os pais. um conjunto de qualidades positivas fundadas no bem comum. um profissional qualificado é aquele quem possui determinadas qualidades. enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão. na realização dos direitos do coletivo de uma sociedade. . trabalhar em equipe. participar da administração da escola. 71 A relação de competências profissionais que reproduzimos a seguir ajudam a compreender as qualidades e capacidades exigidas hoje na formação profissional de professores. Para ela.

Trabalhar em equipe e cooperar com outros profissionais. Todavia. Conceber. 5. 8. 7. Manter uma relação crítica e autônoma com os saberes. Integrar a componente ética à prática cotidiana. 11.Suíça. Servir-se das ciências humanas e sociais como base de análise de situações educativas complexas. Assumir as dimensões relacionais no ensino. 14. 12. aposta-se nas possibilidades de melhoria da . Considerar a diversidade dos alunos. Capacitar-se a realizar pesquisas e análises de situações educativas e de ensino. 72 É sabido o quanto o desenvolvimento dessas características de professor pode ser prejudicado pelas atuais condições de exercício profissional tais como a baixa remuneração e as precárias condições de trabalho. Outras competências: 13. Desenvolver sólida cultura geral. 10. 6. saber diagnosticá-los e enfrentálos. para tornar-se sujeito pensante e crítico. construir e administrar situações de aprendizagem e de ensino. Assumir a dimensão educativa do ensino. 16. Dominar as disciplinas a ensinar e suas didáticas. 9. Servir-se conscientemente das tecnologias.3. 15. Os itens de 1 a 12 foram extraídos do Guia de Estudos da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação de Genebra . Desenvolver competências do pensar. Desenvolver sensibilidade aos problemas emergentes em situações práticas. 4.

intelectuais). O mesmo acontece com os termos gestão e direção. A cada dia demanda-se uma formação (. o caráter de instantaneidade que os fatos adquiriram. A expressão "organização escolar" é freqüentemente identificada com "administração escolar". desencadeiam enorme ampliação da prática profissional. mais ampla e mais flexível para que o professor seja capaz de ir compondo sempre melhor as suas respostas. financeiros. É o que recomenda Guimarães (1999): A ampliação e eficiência dos meios de comunicação. ora tomados como sinônimos.) mais sólida. profissionalizando-se.Os Conceitos de Organização Gestão. CAPÍTULO V . gestão e participação. Deixam de existir em educação . racionalizar o uso de recursos (materiais. coordenar e controlar o trabalho das pessoas. ora o primeiro praticamente se confundindo com administração . Alguns autores utilizam essas duas expressões indistintamente. termo que tradicionalmente caracteriza os princípios e procedimentos referentes à ação de planejar o trabalho da escola.qualificação profissional na formação inicial e formação continuada como um dos requisitos essenciais para a profissionalização..se já existiram .. aumentando-se a complexidade da profissão. administração. outros atribuem maior amplitude a uma ou a outra. Participação e Cultura Organizacional 75 Os especialistas não têm uma posição única sobre a utilização dos termos organização. as inúmeras mediações que provocam um turbilhão de estímulos que povoam a mente dos alunos.fatos simples. exigindo-se conhecimentos mais refinados para uma atuação produtiva.

O termo "cultura organizacional". uma parte dela. gerir. especialmente no projeto pedagógico.. Nesse sentido.. por um lado. as reúnem todas no conceito de administração. podemos afirmar que a administração é a utilização racional de recursos para a realização de fins determinados.e o segundo como um aspecto do processo administrativo. no seu âmbito de ação. (.. por outro. configurando-se assim uma ciência da administração ou uma teoria da administração. Em seu sentido geral.. são bem explicitas as seguintes definições: A administração escolar tem como objetivos essenciais planejar. conforme o âmbito de análise) sendo a ação de organizar. os elementos materiais e conceptuais que o homem coloca entre si e a natureza para dominá-la em seu proveito. a organização escolar (Santos.) envolvem... por sua vez. organizar.) Os recursos (. (. vem suscitando cada vez mais interesse por causa de suas implicações no funcionamento da escola. portanto. Ela inclui. os esforços despendidos pelos homens e que precisam ser coordenados com vistas a um propósito comum. na construção do currículo e nas formas de gestão. Tais tarefas remetidas 76 à escola configuram a administração escolar (ou educacional. organizar. tanto na teoria como na prática. assim. tomar decisões. dirigir. 1966).) A administração pode ser vista. Organização e administração A maioria dos autores que estudam as tarefas de administrar. dirigir e controlar os serviços necessários à educação. .

1989). preferem atribuir ao termo organização maior abrangência.. sendo a instituição escolar eminentemente um sistema de relações. entretanto. dentro de condições operativas (modos de fazer). As organizações são unidades sociais (e. Nesse caso. As seguintes definições permitem atribuir a abrangência maior ao termo organização. que conduzem a fins determinados. Organizar (. Administrar é regular tudo isso. a fim de . demarcando esferas de responsabilidade e níveis de autoridade nas pessoas congregadas. Além disso. entendendo que a administração realiza-se no contexto de uma organização. reconhecendo a especificidade das instituições educacionais. portanto. é útil a posição de Chiavenato (1989) distinguindo dois significados diferentes de organização: organizações como unidades sociais e organização como função administrativa. 1986).) é bem dispor elementos (coisas e pessoas).como dois amplos campos que se interpenetram: a "racionalização do trabalho" e a "coordenação (do esforço humano coletivo" (Paro. Esses meios ou fatores são de duas classes: administrativos e pedagógicos" (Aguayo in Santos. constituída de pessoas que trabalham juntas) que existem para alcançar determinados objetivos (Chiavenato.. fatores e meios de ação que regulam a obra da educação ou um aspecto ou grau da mesma. com fortes características interativas. 77 A organização escolar é o conjunto de disposições. 1966). que a diferenciam das empresas convencionais. seria mais adequado o uso do termo organização. Outros autores.

adotamos o sentido amplo de organização. requer-se a tomada de decisões e a direção e controle dessas decisões. Seguindo de perto essas definições. ou seja. . 1976). colocados juntos. Edições Melhoramentos. Para que as organizações funcionem e. a expressão organização e gestão da escola. S. 1976. pois. realizem seus objetivos. Em uma de suas obras mais difundidas. em relação à qual a administração é subordinada. Utilizamos. enfatizando assim os indivíduos e os grupos interrelacionados. Paulo.que não se perca a coesão do trabalho e sua eficiência geral (Lourenço Filho. cooperativo. 1983). É este o processo que denominamos de gestão. a fim de alcançar os objetivos da instituição. processos de sistematicidade e caráter pessoal direto e prolongado de que se reveste o ato educativo (Carvalho e Diogo. o caráter de intencionalidade de seus atos. Organização e Administração Escolar. considerando que esses termos. as suas interações. definindo 78 a organização como ação congregada entre duas ou mais pessoas. Podemos ver a escola como uma organização na medida em que ela se constitui como unidade social `de agrupamentos humanos intencionalmente construídos ou reconstruídos' (Chiavenato. assim. das instituições. unidade social que reúne pessoas que interagem entre si e que opera através de estruturas e processos organizativos próprios. Lourenço Filho também destaca o caráter grupal.1994). são mais abrangentes que administração.

Na prática, os termos organização e administração, podem ser utilizados combinadamente, desde que se explicite o conteúdo de cada um. A definição de Paro, por exemplo, registrada acima, define com muita propriedade os âmbitos de estudo da Administração, que poderiam ser incluídos também como campo de estudos da Organização. Gestão e direção Alguns autores afirmam que o centro da organização e do processo administrativo e a tomada de decisão. Todas as demais funções da organização (o planejamento, a estrutura organizacional, a direção, a avaliação) estão referidas ao processo eficaz de tomada de decisões (Griffiths, 1974). Os processos intencionais e sistemáticos de se chegar a uma decisão e de fazer a decisão funcionar caracterizam a ação que denominamos gestão. Em outras palavras, a gestão é a atividade pela qual são mobilizados meios e procedimentos para se atingir os objetivos da organização, envolvendo, basicamente, os aspectos gerenciais e técnicoadministrativos. Nesse sentido, é sinônimo de administração. A direção é um princípio e atributo da gestão, mediante a qual é canalizado o trabalho conjunto das pessoas, orientando-as e 79 integrando-as no rumo dos objetivos. Basicamente, a direção põe em ação o processo de tomada de decisões na organização, e coordena os trabalhos, de modo que sejam executados da melhor maneira possível.

A organização e os processos de gestão, incluindo a direção, assumem diferentes significados conforme a concepção que se tenha dos objetivos da educação em relação à sociedade e à formação dos alunos. Por exemplo, numa concepção tecnicista de escola, a direção é centralizada numa pessoa, as decisões vêm de cima para baixo, bastando cumprir um plano previamente elaborado, sem participação dos professores, especialistas e usuários da escola. Já numa concepção democráticoparticipativa, o processo de tomada de decisões se dá coletivamente, participativamente. A direção pode, assim, estar centrada no indivíduo ou no coletivo, sendo possível uma direção individualizada ou uma direção coletiva ou participativa. Neste livro, será assumida a concepção da direção participativa ou democráticaparticipativa, conforme detalharemos adiante. Participação A participação é o principal meio de se assegurar a gestão democrática da escola, possibilitando o envolvimento de profissionais e usuários no processo de tomada de decisões e no funciona mento da organização escolar. Além disso, proporciona um melhor conhecimento dos objetivos e metas, da estrutura organizacional e de sua dinâmica, das relações da escola com a comunidade, e favorece uma aproximação maior entre professores, alunos, pais. Nas empresas, a participação nas decisões é quase sempre uma estratégia que visa a busca do aumento de produtividade. Nas escolas, esse objetivo não precisa ser descartado pois elas também buscam bons resultados. Entretanto, há aí um sentido mais forte de prática da democracia, de experimentar formas não-autoritárias de

exercício do poder, de intervir nas decisões da organização e definir coletivamente o rumo dos trabalhos. 80 O conceito de participação se fundamenta no de autonomia, que significa a capacidade das pessoas e dos grupos de livre determinação de si próprios, isto é, de conduzirem sua própria vida. Como a autonomia opõe-se às formas autoritárias de tomada de decisão, sua realização concreta nas instituições é a participação. Portanto, um modelo de gestão democrática-participativa tem na autonomia um dos seus mais importantes princípios, implicando a livre escolha de objetivos e processos de trabalho e a construção conjunta do ambiente de trabalho. Podemos citar cinco fundamentos do trabalho em equipe ou trabalho participativo: Em primeiro lugar, a equipe deve ter uma meta, propósito, causa ou objetivo que seja identificado, aceito, compreendido e desejado por todos os membros da equipe. Em segundo lugar, a equipe deve ter espírito, moral e desejo de triunfar ainda que seja ao custo de consideráveis sacrifícios individuais. Em terceiro lugar, as linhas de autoridade e responsabilidade devem estar claramente definidas e compreendidas perfeitamente por todos. Em quarto lugar, devem ser estabelecidos os canais de comunicação. Em quinto lugar, o líder deve descobrir e utilizar ao máximo as capacidades criadoras de cada uma das pessoas e uni-las numa equipe homogênea (In Neagley e Evans, 1969). Estes princípios expressam com muita clareza a necessidade de a organização escolar ter objetivos comuns e compartilhados, buscar o envolvimento da equipe de profissionais com esses objetivos, contar com uma

estrutura organizacional em que as responsabilidades estejam muito bem definidas, dispor de várias formas de comunicação entre a organização e as pessoas, ter uma liderança que consiga motivar e mobilizar as pessoas para uma atuação conjunta em torno de objetivos comuns. Em relação, ainda, ao trabalho em equipe, é importante assinalar que a liderança não é atributo exclusivo de diretores e coordenadores, nem está ligada apenas ao cargo e ao status da 81 pessoa. É uma qualidade que pode ser desenvolvida por todas as pessoas por meio de práticas participativas e de ações de desenvolvimento pessoal e profissional. Numa escoa existem, pois, vários tipos de liderança. Entretanto, não se pode negar que, mesmo na gestão democrática efetivada de forma cooperativa e participativa, o funcionamento e a eficácia da escola dependem em boa parte da capacidade de liderança de quem está exercendo a direção e a coordenação pedagógica. Cabe ressaltar, finalmente, que a prática da participação nos processos de gestão, por si só, não esgota as ações necessárias para que seja assegurada a qualidade do ensino. Tanto quanto os vários elementos do processo organizacional, e como um dos elementos deste, a participação é um meio de alcançar melhor e mais democraticamente os objetivos da escola, que se centram na qualidade dos processos de ensino e aprendizagem. Com efeito, na conquista da autonomia da escola, está presente a exigência da participação de professores, pais, alunos, funcionários e outros representantes da comunidade, bem como as formas dessa participação: a

interação comunicativa, a discussão pública dos problemas e soluções, a busca do consenso em pautas básicas, o diálogo intersubjetivo. Todavia, é preciso considerar que a participação implica processos de organização e gestão, procedimentos administrativos, modos adequados de fazer as coisas, a coordenação, o acompanhamento e a avaliação das atividades, a cobrança das responsabilidades. Ou seja, para atingir os objetivos de uma gestão democrática e participativa e o cumprimento de metas e responsabilidades decididas de forma colaborativa e compartilhada, é preciso uma mínima divisão de tarefas e a exigência de alto grau de profissionalismo de todos. Portanto, a organização escolar democrática implica não só a participação na gestão mas a gestão da participação, em função dos objetivos da escola. Essa é uma competência genuína da direção e da coordenação pedagógica da escola. 82 Para a gestão da participação, é preciso ter clareza de que a tarefa essencial da instituição escolar é a qualidade dos processos de ensino e aprendizagem que, mediante as práticas pedagógico didáticas e curriculares, propiciam melhores resultados de aprendizagem. Em síntese, a escola é uma instituição social com objetivos explícitos: o desenvolvimento das potencialidades dos alunos através de conteúdos (conhecimentos, habilidades, procedimentos, atitudes, valores), para constituírem-se em cidadãos participativos na sociedade em que vivem. A tarefa básica da escola é o ensino; que se cumpre pela atividade docente. A organização escolar necessária é aquela que melhor favorece aqueles objetivos e assegura as melhores condições de realização do trabalho docente. Há, assim,

ou como preferem outros. tratando-se da escola. o significado de cultura organizacional. portanto. inicialmente. representa hoje um elemento indissociável das práticas de organização e gestão. a tecnologia (recursos e técnicas). normas. rotinas administrativas. a formas de participação. ou seja. há aspectos de natureza cultural que as diferenciam umas das outras. Vejamos.uma interdependência entre os objetivos e funções da escola e a organização e gestão do processo de trabalho na escola. embora oculto. ao lado de outros como a estrutura organizacional. a cultura organizacional. no seu desenvolvimento profissional. Isso significa. A cultura da escola. procedimentos operacionais. atua de forma poderosa nos modos de . as relações de trabalho. psicológicos que influenciam os modos de agir da organização como um todo e do comportamento das pessoas em particular. que para 83 além daquelas diretrizes. culturais. Numa compreensão mais geral. Esses aspectos tem sido denominados freqüentemente de "currículo oculto" mas que. entre atividades-fim e atividadesmeio. A cultura organizacional Em outro capítulo deste livro referimo-nos à importância da cultura da escola na formação da identidade profissional do professor. a cultura organizacional (também chamada "cultura da escola' diz respeito ao conjunto de fatores sociais. como será explicitado mais adiante. sendo que a maior parte deles não são claramente perceptíveis nem explícitos.

esta definida como "o conjunto dos conteúdos cognitivos e simbólicos que.que marcam fortemente as práticas docentes. que afetam sua participação nas aprendizagens. Essa idéia de cultura organizacional remete à cultura da escola.seus saberes.funcionar das escolas e na prática dos professores. 1993). da cultura da prisão. sua linguagem. também. e seus quadros de referência. Também os professores são portadores de características culturais . Segundo Forquin: Forquin distingue a cultura da escola da cultura escolar. da cultura da fábrica) . também. Tanto isso é verdade que os mesmos professores tendem a agir de forma diferente em cada escola em que trabalham. que é a cultura da escola (como se poderia falar. as formas com que lidam com a profissão . seu 84 . que tem suas características de vida próprias. é que as próprias práticas e situações escolares estão impregnadas de uma cultura. pois cada escola tem o seu modo de fazer as coisas. expressão derivada do conceito sociológico de cultura (Forquin. constituem habitualmente o objeto de uma transmissão deliberada no contexto das escolas" A escola é. um mundo social. seus ritmos e seus ritos. “normalizados”. afetando tanto professores quanto alunos. organizados. “rotinizados”. Mas. seus valores. Sabemos que o trabalho nas escolas se defronta com características culturais dos alunos. selecionados. o que se quer destacar aqui. sob efeito dos imperativos de didatização.

imaginário. que a cultura da escola pode ser modelada. Qual é o significado disto para o sistema de organização e gestão das escolas? Como a cultura da escola influi nos estilos de organização e gestão? A ênfase na cultura organizacional não chega a ser novidade na teoria das organizações. rural. escola japonesa. por exemplo. implicando aí os aspectos culturais no sentido que apontamos. com as expectativas da comunidade. faz diferença se a escola é urbana. Quando se pensa nas formas de administração escolar. Significa. Também já tem sido ressaltado nas teorias da organização escolar a importância da criação de um clima de trabalho favorável e do incentivo para que todas as pessoas da equipe escolar se envolvam com a escola. na elaboração do projeto pedagógico. Isso significa que a direção da escola pode promover a criação de uma cultura organizacional. em outras palavras. seus valores. seu regime próprio de produção e de gestão de símbolos. seus modos próprios de regulação e de transgressão. . Nesse sentido. da capital ou do interior. de um clima favorável. o quanto seria prejudicial aos seus objetivos se o planejamento da escola desconhecesse as expectativas dos pais. já aparece a preocupação com o contexto social e cultural da escola. suas maneiras de educar os filhos etc. como condições para melhor funcionamento da organização. de relações de confiança. ganham importância as interações entre as pessoas e com o contexto social mais amplo. escola brasileira Sabemos. À medida que se considera uma organização como uma unidade social formada por grupos humanos intencionalmente constituídos. existe uma cultura regional e local que influi nas várias atividades escolares. no currículo e nos planos de ensino. ou seja.

O sentido de cultura organizacional que queremos destacar é o de que a própria organização escolar é uma cultura. significados. modos de agir. valores. conformada para atender objetivos da direção. Essa maneira de ver tem algum valor. porque vai além de um sistema de gestão baseado apenas na autoridade do diretor e dos procedimentos burocráticos.planejada. de encontrar soluções. que o modo de funcionar da escola. que este entendimento das relações entre a cultura e a escola. a escola vai adquirindo. porém. com base nos significados que dão ao seu trabalho. embora destaque a importância e o papel do 85 contexto sociocultural na organização escolar. é construído pelos seus próprios membros. Observe-se. alunos. diferenças. vai formando crenças. traços culturais próprios. discordâncias. não considera que a própria escola é um mundo cultural. podendo haver até quem destoe dessa cultura. práticas. coordenadores pedagógicos e professores. Mas há em cada escola uma . na vivência do dia-adia. de pensar os problemas. É claro que isso não se dá sem conflitos. tanto nas relações que se estabelecem no dia-a-dia quanto nas salas de aula. É o que estamos denominando de cultura da escola ou cultura organizacional. às decisões que são tomadas. funcionários. Em resumo: a partir da interação entre diretores. como a coesão e o espírito grupal. aos objetivos da escola. conforme abordamos anteriormente. Essa cultura própria vão sendo internalizada pelas pessoas e vai gerando um estilo coletivo de perceber as coisas.

na confecção de alimentos e distribuição da merenda. da gestão participativa. mas essa cultura pode ser modificada pelas próprias pessoas. Se se define como um dos objetivos da escola a formação da cidadania. na metodologia de aula etc. avaliada. a planejar e tomar decisões. Se o objetivo é estabelecer na escola formas democráticas de gestão. planejada.forma dominante de ação e interação entre as pessoas que poderia ser resumida nesta expressão: "temos a nossa maneira de fazer as coisas por aqui". mas este também é instituidor de uma cultura organizacional. A cultura 86 organizacional é elemento condicionante do projeto pedagógico-curricular. conforme veremos adiante. será preciso instituir formas de gestão e tomada de decisões participativas e . ela pode ser discutida. nas normas disciplinares. da coordenação pedagógica. é preciso criar uma estrutura em que os alunos aprendam a se organizar. do corpo docente. na cantina. na relação dos professores com os alunos na aula. nos corredores. Essa cultura organizacional se projeta em todos as instâncias da escola: no tipo de reuniões. num rumo que responda aos propósitos da direção. É isto que justifica a formulação conjunta do projeto pedagógicocurricular. A conseqüência prática disso é que precisa haver coerência entre os objetivos proclamados e a cultura organizacional. Vem daí uma constatação muito importante: a escola tem uma cultura própria que permite entender tudo o que acontece nela. a argumentar numa discussão. nas formas de tratamento com os pais.

Ou seja. também. a partir da cultura organizacional existente. para se chegar a definições e decisões em torno dos objetivos comuns.transparentes. os significados. alunos. finalmente. podem modificá-la. numa prática educativa e que seus membros. dentro da . em que a equipe escolar discute a realidade. considera-se que na escola ocorre uma disputa de interesses sociais e individuais. cuja influência na organização escolar é determinante. é preciso que se tenha uma prática de respeito à diversidade social. as relações de poder externas e internas. que a escola se insere num contexto sociocultural e político mais amplo. as diferenças. Na perspectiva sócio-crítica da cultura organizacional. aprimorá-la. mas também considera os objetivos e os propósitos sociais da organização escolar. Se lutamos pelo reconhecimento das diferenças. os valores. ao mesmo tempo. que levar em conta os significados subjetivos e as características culturais das pessoas nas práticas de organização e gestão da escola não significa excluir os conflitos. as interpretações das pessoas em relação ao que precisa 87 ser feito. ela própria. cultural. religiosa. Considera. os diferentes modos de agir. de sexo. os valores. É preciso considerar. étnica. funcionários. entre professores. Uma concepção realista da organização escolar considera. os significados. pode ser construída intencionalmente uma cultura organizacional educativa com base em princípios sóciopedagógicos. as diferentes visões de mundo. Estes exemplos reforçam a idéia de que a organização escolar constitui-se.

realidade sociocultural e política mais ampla. racional. 2) que precisam conhecer a escola. mais efetivas. que moldam a formação e o funcionamento da organização. Preferimos optar pela seguinte posição: o diretor de escola é o responsável pelo funcionamento administrativo e pedagógico da escola. Há uma diversidade de opiniões sobre o papel do diretor de escola. isso significa: 1) que os professores precisam desconfiar de que a organização escolar deva funcionar do jeito em que está funcionando. Entretanto. as funções administrativas (relacionadas com o pessoal. com o prédio da escola e os recursos materiais. mais participativas. mais reflexivas. 3) que precisam ter clareza de que há interesses sócio-políticos e econômicos na definição de uma organização escolar. principalmente. nas formas de funcionamento. para que tomem consciência das condições de funcionamento da organização e que possam criar outras. O papel do diretor de escola e da equipe de especialistas A implementação de práticas alternativas de organização e gestão da escola depende bastante da atuação da direção e da coordenação pedagógica da escola. portanto. sobre se lhe cabem tarefas apenas administrativas ou também tarefas pedagógicas. ele desempenha predominantemente a gestão geral da escola e. com a supervisão geral . conhecer as teorias organizacionais. e acreditar que há outras formas possíveis de organizar e gerir uma escola. Na prática. uma normatividade. necessita de conhecimentos tanto administrativos quanto pedagógicos. com a parte financeira. em sentido mais estrito. na escola. especificamente. que requerem uma ação organizada.

. 88 Mais adiante ver-se-á que a ênfase no processo de ensino e aprendizagem na sala de aula requer um acompanhamento e uma atenção especial. O crescimento da população e a urbanização da sociedade têm levado à instalação de escolas maiores. especialistas e pais nos processos de tomada de decisões e na solução dos problemas. A necessidade de vínculo maior com as famílias. vão sendo conferidas às escolas: orientação psicológica. iniciativa e utilizar práticas de trabalho em grupo para assegurar a participação de alunos. educação para o trânsito. orientação para novas necessidades da vida urbana. educação para o lazer.das obrigações de rotina do pessoal. Ele encarna um tipo de profissional com conhecimentos e habilidades para exercer liderança. delegando a parte pedagógica ao coordenador ou coordenadores pedagógicos. Mas essa acentuação da importância da coordenação pedagógica não significa diminuição do papel do diretor. Há outras razões para destacar o papel do diretor. orientação sexual. uma vez que responsabilidades que antes correspondiam aos pais e mães. que somente pode ser assegurada com o trabalho do coordenador pedagógico. educação ambiental etc. implicando uma ligação mais explicita da escola com outros organismos da comunidade. As mudanças na sociedade envolvendo uma ligação maior da escola com outras realidades tais como os meios de comunicação e informação. a automação. relações com a comunidade). professores. tornando mais complexas as tarefas de organização e gestão.

predomina ainda no sistema escolar público brasileiro. Em razão disso. a nomeação arbitrária de diretores pelo governador ou prefeito. participativamente. participação. democracia não significam ausência de responsabilidades. uma importância muito significativa para que a escola seja respeitada pela comunidade. financeiros. trata-se de entender o papel do diretor como um líder. Essa prática torna o diretor o representante do poder executivo na escola. uma pessoa que consegue aglutinar as aspirações.O diretor ou diretora de escola tem. Nessa hora. autonomia. os desejos. é preciso colocá-las em prática. como dirigente. Não se quer dizer com isso que o sucesso da escola 89 reside unicamente na pessoa do diretor ou numa estrutura administrativa autocrática . geralmente para atender conveniências e interesses político-partidários. as expectativas da comunidade escolar e articular a adesão e a participação de todos os segmentos da escola na gestão de um projeto comum.aquela em que o diretor centraliza todas as decisões. Uma vez tomadas as decisões coletivamente. culturais. Outras formas de escolha são o concurso público e a eleição pelo voto direto ou representativo. administrativos. a escolha do diretor de escola requer muita responsabilidade do sistema de ensino e da comunidade escolar. a escola precisa estar bem coordenada e administrada. Como gestor da escola. . pois. Ao contrário. Infelizmente. o diretor tem uma visão de conjunto e uma atuação que apreende a escola nos seus aspectos pedagógicos. Como temos insistido.

1997). apresentando um programa de trabalho (Romão e Padilha. na Associação de Pais e Mestres (onde existir). que é o procedimento mais prejudicial à gestão democrática na escola. Exigência de que os candidatos submetam-se a provas escritas. 3. Além disso. Avaliação da formação profissional e competência técnica. a escola não pode ser mais uma instituição isolada em si mesma. os candidatos deverão comprovar liderança e capacidade de gestão. não tem havido consenso entre os pesquisadores e educadores sobre as formas concretas dessa participação. no Conselho de Escola e outros órgãos colegiados que venham a existir.Descartando-se a escolha por nomeação. que repercutem na escola nas práticas de descentralização. a melhor forma de escolha é um sistema combinado: 1. Eleições. embora esteja claro para a maioria que os pais participam. Todavia. mas integrada numa comunidade que interage com a vida social mais ampla. multiculturalismo. de forma delegada. . 2. autonomia. nas quais participa a comunidade escolar. relacionadas à qualificação e competência profissional e experiência na área educacional. Isso significa que a equipe escolar precisa estabelecer condições prévias para os candidatos. Participação dos pais na vida da escola A exigência da participação dos pais na organização e gestão da escola corresponde a novas formas de relações entre escola. De fato. 90 sociedade e trabalho. coresponsabilização. separada da realidade circundante.

Somente a prática pode ajudar a esclarecer estes problemas. pais. os professores podem fazer uma legítima reivindicação de uma competência profissional autônoma que pode colocar-se como barreira nas relações com pais. dentro do critério do respeito aos papéis e competências. será necessário considerar que a escola tem funções sociais explicitas. sua dignidade profissional não ficará abalada com a discussão pública sobre seu trabalho. funcionários) possui interesses específicos. objetivos próprios. não são especialistas. alunos. coordenadores. Os pais. Resguardado o princípio da participação. surgem questões não desprezíveis referentes à possibilidade de síntese entre interesses e competências diversas. bloquear a discussão e até mesmo a comunicação. podem assumir uma atitude preconcebida de censura aos professores. se estes forem seguros de seu papel.Na realidade concreta. projeto pedagógicocurricular. implicando diferentes culturas e hábitos e diferentes visões das questões escolares. formulados de forma coletiva e pública. num campo em que. todavia. por outro lado. como é o caso da presença dos pais (e estudantes) em órgãos colegiados da escola. Isso significa que não se pode pôr em dúvida o espaço específico e autônomo dos professores mas. Não se pode ignorar que cada categoria de sujeitos componentes da organização escolar (professores. de modo a encontrar formas de . estrutura de gestão. diretores. a rigor. ao abordar problemas pedagógico-didáticos. já que o envolvimento dos pais é não só legítimo 91 como necessário. Por exemplo.

O SISTEMA DE ORGANIZAÇÃO E GESTÃO DA ESCOLA 95 Neste capítulo são apresentados alguns elementos básicos para o conhecimento da organização escolar e para a atuação dos professores e do pessoal técnicoadministrativo. CAPÍTULO VI . funcionalista. aproximando a organização escolar da organização empresarial. operativa. nos anos 30. Esses estudos se deram no âmbito da Administração Escolar e. adotando um enfoque . simplesmente. Nos anos 80. freqüentemente. As concepções de organização e gestão escolar O estudo da escola como organização de trabalho não é novo. há toda uma pesquisa sobre administração escolar que remonta aos pioneiros da educação nova. do processo de ensino e aprendizagem. a estrutura organizacional da escola. com as discussões sobre reforma curricular dos cursos de Pedagogia e de Licenciaturas. os elementos constitutivos do processo organizacional. Tais estudos eram identificados com o campo de conhecimentos denominado Administração e Organização Escolar ou. estiveram marcados por uma concepção burocrática. a disciplina passou em muitos lugares a ser denominada de Organização do Trabalho Pedagógico ou Organização do Trabalho Escolar. Serão abordados os seguintes itens: as concepções de organização e gestão escolar. melhorando a trabalho escolar e o trabalho dos função da qualidade cognitiva.acordo mútuo e organização do professores em social e ética de ajuda recíproca. Administração Escolar.

importando bastante a intencionalidade e as interações sociais que acontecem entre elas. A organização escolar não seria uma coisa totalmente objetiva e funcional. pais e integrantes da comunidade próxima. Não é difícil aos futuros professores fazerem distinção entre essas duas concepções de organização e gestão da escola. a organização escolar é tomada como uma realidade objetiva. No primeiro enfoque. de cunho sócio-político. técnica. com os aspectos propriamente organizacionais e técnico-administrativos da escola. um elemento neutro a ser observado. freqüentemente restringido a uma análise crítica da escola dentro da organização do trabalho 96 no capitalismo. organizada e controlada. O segundo enfoque vê a organização escolar basicamente como um sistema que agrega pessoas. É sempre útil distinguir. com algumas exceções. que funciona racionalmente. pode ser planejada. normas e regulamentos. neutra.crítico. hierarquia de funções. não seria caracterizada pelo seu papel no mercado . Houve pouca preocupação. de modo a alcançar maiores índices de eficácia e eficiência. Este é o modelo mais comum de funcionamento da organização escolar. portanto. um enfoque científico-racional e um enfoque crítico. Além disso. As escolas que operam nesse modelo dão muito peso à estrutura organizacional: organograma de cargos e funções. centralização das decisões. no estudo dessa questão. o contexto sócio-político etc. alunos. mas uma construção social levada a efeito pelos professores. baixo grau de participação das pessoas que trabalham na organização. planos de ação feitos de cima para baixo.

procedimentos burocráticos de controle das atividades). Algumas características desse modelo são: Prescrição detalhada de funções. esta concepção também é conhecida como gestão da qualidade total. de forma esquemática.mas pelo interesse público. a autogestionária e a democrático-participativa. Ênfase na administração (sistema de normas. conforme veremos em seguida. A visão crítica da escola resulta em diferentes formas de viabilização da gestão democrática. A concepção autogestionária baseia-se na responsabilidade coletiva. Maior ênfase nas tarefas do que nas pessoas. ausência de direção . regras. Poder centralizado no diretor. Atualmente. é possível apresentar. 97 A concepção técnico-científica baseia-se na hierarquia de cargos e funções visando a racionalização do trabalho. destacando-se as relações de subordinação em que uns têm mais autoridade do que outros. acentuando-se a divisão técnica do trabalho escolar (tarefas especializadas). Com base nos estudos existentes no Brasil sobre a organização e gestão escolar e nas experiências levadas a efeito nos últimos anos. baseada em normas e regras. a eficiência dos serviços escolares. Comunicação linear (de cima para baixo). Tende a seguir princípios e métodos da administração empresarial. três das concepções de organização e gestão: a técnico-científica (ou funcionalista). às vezes descuidando-se dos objetivos específicos da instituição escolar.

modos pelos quais se contesta o poder instituído. Crença no poder instituinte da instituição (vivência da experiência democrática no seio da instituição para expandi-Ia à sociedade) e recusa de todo poder instituído. Outras características: Ênfase nas inter-relações mais do que nas tarefas. acentuando-se a responsabilidade coletiva. por meio de eleições e alternância no exercício de funções. A concepção democrática-participativa baseia-se na relação orgânica entre a direção e a participação do pessoal da escola. eliminação de todas as formas de exercício de autoridade e poder. Ênfase na auto-organização do grupo de pessoas da instituição. O caráter instituinte se dá pela prática da participação e auto-gestão. reuniões). É necessário alertar que há diversos entendimentos do que deva ser a gestão participativa enquanto forma concreta de organização da escola. Decisões coletivas (assembléias.centralizada e acentuação da participação direta e por igual de todos os membros de instituição. Vínculo das formas de gestão interna com as formas de auto-gestão social (poder coletivo na escola para preparar formas de auto-gestão no plano político). Na bibliografia final apresentamos várias obras que expõem diferentes pontos de vista sobre essa questão. Acentua a importância da busca de . O autor apresenta aqui seu próprio entendimento. 98 Recusa a normas e sistemas de controles.

Todos dirigem e são dirigidos. Defende uma forma coletiva de gestão em que as decisões são tomadas coletivamente e discutidas publicamente. Articulação entre a atividade de direção e a iniciativa e participação das pessoas da escola e das que se relacionam com ela. Atualmente. mediante coleta de informações reais. o modelo democrático-participativo tem sido influenciado por uma corrente teórica que compreende a organização escolar como cultura. uma vez tomadas as decisões coletivamente. Entretanto. Acompanhamento e avaliação sistemáticos com finalidade pedagógica: diagnóstico. Qualificação e competência profissional. acompanhamento dos trabalhos. Outras características desse modelo: Definição explicita de objetivos sócio-políticos e pedagógicos da escola. também.objetivos comuns assumidos por todos. independente das pessoas. todos avaliam e são avaliados. 99 A gestão é participativa mas espera-se. tomada de decisões. Busca de objetividade no trato das questões da organização e gestão. ela depende muito das experiências subjetivas das pessoas e . a gestão da participação. reorientação de rumos e ações. pela equipe escolar. mensurável. ao contrário. advoga que cada membro da equipe assuma sua parte no trabalho. admitindose a coordenação e a avaliação sistemática da operacionalização das decisões tomadas dentro de uma real diferenciação de funções e saberes. Esta corrente afirma que a escola não é uma estrutura totalmente objetiva.

Esta maneira de ver a organização escolar não exclui a presença de elementos objetivos. posições políticas e concepções de homem e sociedade. ou seja. já que precisa atender a objetivos sociais e políticos muito claros. incluindo a influência de forças externas e internas marcadas por interesses de grupos sociais. mas 100 também valoriza os elementos internos do processo organizacional . compreende que a organização é uma construção social. Em outras palavras. a gestão. As concepções de gestão escolar refletem portanto. O modo como uma escola se organiza e se estrutura tem um caráter pedagógico. a organização. sempre contraditórios e às vezes conflitivos. a direção.o planejamento. ou seja. Uma visão sócio-crítica propõe considerar dois aspectos interligados: por um lado. a estrutura organizacional. as responsabilidades individuais dos membros da equipe e a ação organizacional coordenada e supervisionada. dos significados que as pessoas dão às coisas enquanto significados socialmente produzidos e mantidos. a partir da experiência subjetiva e cultural das pessoas. a avaliação. por outro. que essa construção não é um processo livre e voluntário. formas participativas.de suas interações sociais. dizer que a organização é uma cultura significa que ela é construída pelos seus próprios membros. Busca relações solidárias. tais como as formas de poder externas e internas. e os próprios objetivos sociais e culturais definidos pela sociedade e pelo Estado. mas mediatizado pela realidade sociocultural e política mais ampla. em relação à escolarização da população. depende de objetivos mais .

implicando a participação de todos nas decisões. Com isso. exercidas unilateralmente.amplos sobre a relação da escola com a conservação ou a transformação social. determinações rígidas de funções. ao menos. hipervalorizando a racionalização do trabalho. As duas outras concepções valorizam o trabalho coletivo. tende a retirar ou. geralmente prevista no Regimento Escolar ou em legislação específica estadual ou municipal. Essa estrutura é comumente representada graficamente num organograma . a concepção democrático-participativa. Enfatizando relações de subordinação.um tipo de gráfico que mostra as interrelações entre os vários 101 . A concepção funcionalista. diminuir nas pessoas a faculdade de pensar e decidir sobre seu trabalho. A estrutura organizacional de uma escola Toda instituição escolar necessita de uma estrutura de organização interna. neste livro. O termo estrutura tem aqui o sentido de ordenamento e disposição das funções que asseguram o funcionamento de um todo. Embora ambas tenham diferentes entendimentos das relações de poder dentro da escola. no caso a escola. Adotamos. por exemplo. valoriza o poder e a autoridade. o grau de envolvimento profissional fica enfraquecido. concebem a participação de todos nas decisões como importante ingrediente para a criação e desenvolvimento de relações democráticas e solidárias.

conforme as concepções de organização e gestão adotada. administrativos e financeiros. 1997). envolvem aspectos pedagógicos. de Escola é chamado de "colegiado" e sua função básica é democratizar as relações de poder (Paro. Evidentemente a forma do organograma reflete a concepção de organização e gestão. 1998. em boa parte. dos funcionários. do livro de Vítor H. Paro. dos pais e alunos. Por dentro da escola pública (1996). Em alguns lugares o Conselho 102 A descrição das várias funções da estrutura organizacional das escolas foi retirada.setores e funções de uma organização ou serviço. Conselho de Escola O Conselho de Escola tem atribuições consultivas. observando-se. a paridade entre integrantes da escola (50 por cento) e usuários (50 por cento). Essas questões. obviamente. em princípio. geralmente. A estrutura organizacional de escolas se diferencia conforme a legislação dos Estados e Municípios e. Sua composição tem uma certa proporcionalidade de participação dos docentes. deliberativas e fiscais em questões definidas na legislação estadual ou municipal e no Regimento escolar. Em vários Estados o Conselho é eleito no início do ano letivo. mas podemos apresentar a estrutura básica com todas as unidades e funções típicas de uma escola. dos especialistas em educação. Ciseski e Romão. .

). a escola conta com um secretário e escriturários ou auxiliares de secretaria. A Secretaria Escolar cuida da documentação. também. A Zeladoria. demais funcionários e dos alunos. instalações e equipamentos. organiza e gerencia todas as atividades da escola. videoteca etc. da cozinha e da preparação e distribuição . dos docentes. cuida da manutenção. escrituração e correspondência da escola. Para a realização desses serviços.Direção O diretor coordena. realizada pelos serventes. da guarda das dependências. conservação e limpeza 103 do prédio. O setor técnico-administrativo responde. pelos serviços auxiliares (Zeladoria. Setor técnico-administrativo O setor técnico-administrativo responde pelas atividades-meio que asseguram o atendimento dos objetivos e funções da escola. laboratórios. regulamentos e determinações dos órgãos superiores do sistema de ensino e às decisões no âmbito da escola assumidas pela equipe escolar e pela comunidade. auxiliado pelos demais componentes do corpo de especialistas e de técnicos-administrativos. O Assistente de diretor desempenha as mesmas funções na condição de substituto eventual do diretor. atendendo às leis. Responde também pelo atendimento ao público. Vigilância e Atendimento ao público) e Mul timeios (biblioteca.

com diferenças marcantes de posições. na revista Educação e Sociedade. atendendo-os em caso de acidente ou enfermidade. e o artigo de Libâneo e Pimenta. 1999. orientando-os quanto a normas disciplinares. A formação específica de supervisores ou coordenadores pedagógicos tem sido motivo de bastante polêmica entre os educadores. menos na sala de aula. A Vigilância cuida do acompanhamento dos alunos em todas as dependências do edifício. O serviço de Multimeios compreende a biblioteca. ora são desempenhadas por professores. Setor Pedagógico O setor pedagógico compreende as atividades de coordenação pedagógica e orientação educacional. da execução de pequenos consertos e outros serviços rotineiros da escola. ver o livro Pedagogia e pedagogos. para quê? (Libâneo. a videoteca e outros recursos didáticos. 68. os equipamentos audiovisuais. 1999). 104 . assistência e encaminhamento de alunos. recomenda-se que seus ocupantes sejam formados em cursos de Pedagogia ou adquiram formação pedagógicodidática específica. como também do atendimento às solicitações dos professores quanto a material escolar.da merenda escolar. Para melhor conhecimento do assunto. os laboratórios. n. Como são funções especializadas. envolvendo habilidades bastante especiais. As funções desses es pecialistas variam conforme a legislação estadual e municipal. sendo que em muitos lugares suas atribuições ora são unificadas em apenas uma pessoa.

em outros.O coordenador pedagógico ou professor-coordenador supervisiona. apoia. onde essa função existe. acompanha. Instituições Auxiliares Paralelamente à estrutura organizacional. cuida do atendimento e do acompanhamento escolar dos alunos e também do relacionamento escola-pais-comunidade. Há lugares em que a coordenação restringe-se à disciplina em que o coordenador é especialista. O Conselho de Classe ou Série é um órgão de natureza deliberativa quanto à avaliação escolar dos alunos. às promoções e reprovações e a outras medidas concernentes à melhoria da qualidade da oferta dos serviços educacionais e ao melhor desempenho escolar dos alunos. decidindo sobre ações preventivas e corretivas em relação ao rendimento dos alunos. Outra atribuição que cabe ao coordenador pedagógico é o relacionamento com os pais e a comunidade. a coordenação se faz em relação a todas as disciplinas. especialmente no que se refere ao funcionamento pedagógico-curricular e didático da escola e comunicação e interpretação da avaliação dos alunos. Sua atribuição prioritária é prestar assistência pedagógico-didática aos professores em suas respectivas disciplinas. assessora. O orientador educacional. ao comportamento discente. muitas escolas mantêm Instituições Auxiliares tais como: a APM (Associação de Pais e Mestres). no que diz respeito ao trabalho interativo com os alunos. o Grêmio Estudantil e outras como Caixa Escolar. . vinculadas ao Conselho de Escola (onde este exista) ou ao Diretor. A APM reúne os pais de alunos. o pessoal docente e técnicoadministrativo e alunos maiores de 18 anos. avalia as atividades pedagógico-curriculares.

culturais. é recomendável que tenham autonomia de organização e funcionamento. o ensino. a equipe escolar. 7. evitando-se qualquer tutelamento por parte da Secretaria da Educação ou da direção da escola. que presta assistência social. médica e odontológica aos alunos carentes. Os professores de todas as disciplinas formam. que lhes confere autonomia 105 para se organizarem em torno de seus interesses. das reuniões com pais (especialmente na . em outras um setor de assistência ao estudante. com finalidades educacionais.Costuma funcionar mediante uma diretoria executiva e um conselho deliberativo. Ambas as instituições costumam ser regulamentadas no Regimento Escolar. os professores também têm a responsabilidades de participar na elaboração do plano escolar ou projeto pedagógico-curricular. econômica. cívicas e sociais. que tem como função básica realizar o objetivo prioritário da escola. O Grêmio Estudantil é uma entidade representativa dos alunos criada pela lei federal n. Além de seu papel específico de docência das disciplinas. Todavia. na realização das atividades da escola e nas decisões dos Conselhos de Escola e de classe ou série. alimentar. Corpo Docente O Corpo docente é constituído pelo conjunto dos professores em exercício na escola.398/85. junto com a direção e os especialistas. Em algumas escolas. funciona a Caixa Escolar. variando sua composição e estrutura organizacional.

sendo uma . Tudo em função de atingir os objetivos. tal como veremos adiante.comunicação e interpretação da avaliação). Os elementos constitutivos do sistema de organização e gestão da escola A gestão democrática-participativa valoriza a participação da comunidade escolar no processo de tomada de decisão. aposta na construção coletiva dos objetivos e do funcionamento da escola. as relações humano-interacionais. do consenso. Ou seja. à racionalização do trabalho e à coordenação do esforço coletivo do pessoal que atua na escola. por meio da dinâmica intersubjetiva. a organização e gestão refere-se aos meios de realização do trabalho escolar. culturais e recreativas da comunidade. faz-se necessário o emprego dos elementos ou funções do processo organizacional. Em razão disso. envolvendo os aspectos físicos e materiais. como toda instituição. De fato. as escolas buscam resultados. estruturada e coordenada. do diálogo. o que implica uma ação racional. Ao mesmo tempo. isto é. a avaliação do trabalho escolar. Nos itens anteriores 106 mostramos que o processo de tomada de decisão inclui. os conhecimentos e qualificações práticas do educador. o planejamento. concebe a docência como trabalho interativo. as ações necessárias para colocá-la em prática. a formação continuada. a administração. também. da APM e das demais atividades cívicas.

na bibliografia especializada. prevendo-se o que se deve fazer para atingi-los.processo de explicitação de objetivos e antecipação de 107 decisões para orientar a instituição. instrumentos de ação mobilizados para atingir os objetivos escolares. Organização . Os autores geralmente mencionam as quatro funções estabelecidas nas teorias clássicas da . mas de objetivos comuns e compartilhados e de ações coordenadas e controladas dos agentes do processo. Formação continuada .atividade coletiva. de funções administrativas ou etapas do processo administrativo. Direção/Coordenação . na verdade.Atividade de coordenação do esforço coletivo do pessoal da escola. não depende apenas das capacidades e responsabilidades individuais.Ações de capacitação e aperfeiçoamento dos profissionais da escola para que realizem com competência suas tarefas e se desenvolvam pessoal e profissionalmente. Esses elementos constitutivos da organização são designados. criando e viabilizando as condições e modos para se realizar o que foi planejado. O processo de organização escolar dispõe de elementos constitutivos que são.comprovação e avaliação do funcionamento da escola. também. Tais elementos ou instrumentos de ação são: Planejamento .Atividade através da qual se dá a racionalização de recursos. Avaliação .

. Romão (1997). controle. Para isso. operativas. entre a atuação das elites e a atuação dos movimentos populares. para propor processos de gestão democrática da sociedade e do ensino público. adotando formas alternativas. criativas. organização. procedimentos.Administração Geral: planejamento. hoje. no desenvolvimento dos processos do pensar. CAPÍTULO VII – PRINCÍPIOS E CARACTERÍSTICAS DA GESTÃO ESCOLAR PARTICIPATIVA 111 A educação escolar tem a tarefa de promover a apropriação de saberes. atitudes e valores por parte dos alunos. de modo que aos objetivos sociais e políticos da escola correspondam estratégias compatíveis de organização e gestão. na formação da cidadania participativa e na formação ética. é assegurar o desenvolvimento das capacidades cognitivas. participação e direção C. sociais e morais pelo seu empenho na dinamização do currículo. O encargo das escolas. Este autor desenvolve uma análise bastante apropriada sobre as diferenças entre as organizações e entidades das elites e as das camadas populares. pela ação mediadora dos professores e pela organização e gestão da escola.f. faz-se necessário superar as formas conservadoras de organização e gestão. Retomando os conceitos de gestão democrática. direção.

) têm se caracterizado por uma "cultura personalista". inclusive na escola. as formas de gestão da sociedade (legislação. planos de governo. como se a pessoa que detém o cargo fosse a responsável solitária pelas decisões'. isto é. mesmo porque tem sido essa a prática das elites políticas e econômicas dominantes. pelo poder financeiro das classes dominantes. pelo poder de manipulação dos meios de comunicação. em conseqüência. Esses são alguns dos obstáculos à organização dos movimentos populares e. Essa capacidade de mobilização dos grupos sociais economicamente privilegiados (as classes média e alta) e. elas se referem quase sempre ao presidente. acaba por . organizações. pela falta de organização popular. as dificuldades de mobilização das camadas populares em torno de seus interesses. por outro lado. medidas econômicas etc. A relação política transforma-se numa relação entre indivíduos. entre outras razões. As formas convencionais de representação política (escolha de representantes pelo voto) continuam em vigor. entidades. Quando as pessoas referem-se ao governo. Se atrasa o salário. ao governador. os professores dizem: 112 "O governador não nos paga". pela desescolarização da população. as pessoas ficam na espera de que as decisões venham "de cima". o poder governamental é personalizado.Na história brasileira. interesses coletivos. ao prefeito. à participação popular nos processos decisórios. em detrimento da relação entre grupos. Com isso. mas sabemos que as camadas populares levam desvantagem na efetivação da participação política em relação às classes dominantes.

acompanhar melhor a educação ali oferecida (1997).bastante difundidos no Brasil . De acordo com Gadotti e Romão. Entre as modalidades mais conhecidas de participação estão os Conselhos de classe . A conquista da cidadania requer um esforço dos educadores em estimular instâncias e práticas de participação popular.1977). a participação influi na democratização da gestão e na melhoria da qualidade de ensino. assim. inibindo as reivindicações. Todos os segmentos da comunidade podem compreender melhor o funcionamento da escola. as práticas de participação e controle. intensificar seu envolvimento com ela e. Em resumo. Evidentemente. Há dois sentidos de participação articulados entre si. funcionando em vários estados. Colegiados ou Comissões que surgiram no início da década de 80. conhecer com mais profundidade os que nela estudam e trabalham.e os Conselhos de Escola. A participação da comunidade possibilita à população o conhecimento e a avaliação dos serviços oferecidos e a intervenção organizada na vida da escola. Há .ressaltar diferenças entre o tipo de relações que as famílias de alunos das escolas particulares mantêm com os profissionais da escola e as relações que as famílias de alunos de escolas públicas com seus respetivos profissionais (Romão. participação significa a intervenção dos profissionais da educação e dos usuários (alunos e pais) na gestão da escola. em relação às ações praticadas pelas escolas. as camadas populares levam aí desvantagem 113 considerável.

éticas. a escola deixa de ser uma redoma. Vivendo a prática da participação nos órgãos deliberativos da escola. constituindo-se como prática formativa. especialmente os empresariais. dos professores. como elemento pedagógico. No primeiro sentido. Há a participação como processo organizacional em que os profissionais e usuários da escola compartilham. institucionalmente. estéticas. tratando-se da escola. metodológico e curricular. os alunos.a participação como meio de conquista da autonomia da escola. Ele vai além daquele de mobilização das pessoas para a realização eficaz das . afetivas. além de ser uma das funções do processo organizacional. A direção como princípio e atributo da gestão democrática A direção da escola. dos alunos. desenvolver capacidades intelectuais. os professores. para conquistar o status de uma comunidade educativa que interage com a sociedade civil. a participação é ingrediente dos próprios objetivos da escola e da educação. por meio de canais de participação 114 da comunidade. O significado do termo direção. os pais. sociais. certos processos de tomada de decisão. um lugar fechado e separado da realidade. vão aprendendo a sentir-se responsáveis pelas decisões que os afetam num âmbito mais amplo da sociedade. Mas é também lugar de formação de competências para a participação na vida social. A escola é lugar de aprender conhecimentos. econômica e cultural. é um imperativo social e pedagógico. difere de outros processos de direção. No segundo sentido.

consciente. numa sociedade concreta. Sua adequada estruturação e seu ótimo funcionamento constituem fatores essenciais para se atingir eficazmente os objetivos de formação. dirigir o comportamento para algo que tem significado para nós. dão o rumo. por essa razão. inclui o conceito de direção. pela sua natureza. tendo em vista dar uma 115 direção consciente e planejada ao processo educacional. Essa peculiaridade das instituições educativas vem do caráter de intencionalidade presente nas ações educativas. a direção da ação. o trabalho escolar implica uma direção. planejada. portanto.atividades. à busca deliberada. Na escola isso leva. de integração e unidade de objetivos e ações. Ou seja. O processo educativo. por sua vez. O caráter pedagógico da ação educativa consiste precisamente na formulação de objetivos sócio-políticos e educativos e na criação de formas de viabilização organizativa e metodológica da educação (tais como a seleção e organização dos conteúdos e métodos. definição de um rumo. Não é preciso insistir que a prática da gestão e da direção participativas convergem para a elaboração e . a organização do trabalho escolar). A escola. pois implica intencionalidade. influi significativamente na formação da personalidade humana e. uma tomada de posição frente a objetivos sociais e políticos da escola. A intencionalidade se projeta nos objetivos que. ao cumprir sua função social de mediação. a organização do ensino. não é possível estruturá-la sem levar em consideração objetivos políticos e pedagógicos. Intencionalidade significa a resolução de fazer algo. por parte da equipe escolar. e de um consenso em torno de normas e atitudes comuns.

Alguns princípios da organização e gestão escolar participativa A escola é uma instituição social que apresenta unidade em seus objetivos (sócio-políticos e pedagógicos). Autonomia de uma instituição significa ter poder de decisão sobre seus objetivos e suas formas de organização. cuja aplicação deve estar subordinada às condições concretas de cada escola. projeta-se como influência benéfica ou prejudicial nos demais. de decidir sobre seu próprio destino. São propostos os seguintes princípios da concepção de gestão democrática-participativa: 1.execução do projeto pedagógico e assunção de responsabilidades de forma cooperativa e solidária. funcionários. administrar livremente recursos financeiros. as escolas podem traçar seu próprio caminho envolvendo professores. Sendo assim. alunos. razão de ser do projeto pedagógico. Qualquer modificação em sua estrutura ou no funcionamento de um dos seus elementos. interdependência entre a necessária racionalidade no uso dos recursos (materiais e conceituais) e a coordenação do esforço humano coletivo. manter-se relativamente independente do poder central. Por ser um trabalho complexo. pais e comunidade próxima que 116 . Autonomia das escolas e da comunidade educativa A autonomia é o fundamento da concepção democráticoparticipativa de gestão escolar. Ela é definida como faculdade das pessoas de autogovernar-se. a organização e gestão escolar requerem o conhecimento e a adoção de alguns princípios básicos.

Essa articulação nem sempre se dá sem problemas. de um lado. por outro. o planejamento. a autonomia . Isso significa que a direção de uma escola deve ser exercida tendo em conta. O sistema de ensino pode estar desprovido de uma política global. ainda. as condições de trabalho. o controle local e comunitário não podem prescindir das responsabilidades e da atuação dos órgãos centrais e intermediários do sistema escolar. As escolas públicas não são organismos isolados. Certamente trata-se de uma autonomia relativa. a formação continuada não são originados na própria escola. pode acontecer que as escolas as apliquem mecanicamente. os critérios e diretrizes de organização são estabelecidos dentro de marcos estreitos de cada escola. É assim que a organização da escola se transforma em instância educadora. Se. com isso. Por isso mesmo. Portanto. perdem-se de vista diretrizes gerais do sistema e sua articulação com a sociedade. espaço de trabalho coletivo e aprendizagem. Ou. elas integram um sistema escolar e dependem das políticas públicas e da gestão pública. Os recursos que asseguram os salários. a orientação e o controle de suas atividades internas conforme suas características particulares e sua realidade. subordinando-se às diretrizes dos órgãos superiores. desobrigar o poder público de suas responsabilidades. a adequação e aplicação criadora das diretrizes gerais que recebe dos níveis superiores da administração do ensino. sem levar em conta as condições reais de seu funcionamento. As autoridades podem atribuir autonomia às escolas para.se tornam co-responsáveis pelo êxito da instituição. por sua vez. a organização. pode estar mal organizado e mal administrado.

Por outro lado. os modos de . o diálogo intersubjetivo. A partir daí. de todos os membros da equipe escolar.precisa ser gerida. os resultados de sua atividade . delega as responsabilidades decorrentes das decisões aos membros da equipe escolar conforme suas atribuições específicas. Relação orgânica entre a direção e a participação dos membros da equipe escolar Esse princípio conjuga o exercício responsável e compartilhado da direção. aprova um documento orientador. partilhada. 117 2.a formação cultural e científica dos alunos e o desenvolvimento das potencialidades cognitivas e operativas. a participação implica os processos de gestão. Nesse princípio está presente a exigência da participação de professores. implicando uma co-responsabilidade consciente. Sob supervisão e responsabilidade do diretor a equipe escolar formula o plano ou projeto pedagógicocurricular. motiva. eficazmente. presta contas e submete à avaliação da equipe o desenvolvimento das decisões tomadas coletivamente. mobiliza. solidária. pais. alunos. funcionários e outros representantes da comunidade bem como a forma de viabilização dessa participação: a interação comunicativa. lidera. toma decisões por meio de discussão com a comunidade escolar mais ampla. de modo a alcançar. a busca do consenso em pautas básicas. a forma participativa da gestão e a responsabilidade individual de cada membro da equipe escolar. entram em ação os elementos (instrumentos e procedimentos) do processo organizacional em que o diretor coordena.

tem várias implicações. Desse modo. As pessoas podem ser induzidas a pensar que estão 118 participando quando. facções partidárias etc. especialmente dos pais. os pais e outros representantes participam do Conselho de Escola. 3. usufruem das práticas participativas para . estão sendo manipuladas por interesses de grupos. a gestão democrática não pode ficar restrita ao discurso da participação e às suas formas externas: as eleições. a adoção de práticas participativas não está livre de servir à manipulação e ao controle do comportamento das pessoas. Envolvimento da comunidade no processo escolar O princípio da autonomia requer vínculos mais estreitos com a comunidade educativa. na verdade. o cumprimento de responsabilidades compartilhadas dentro de uma mínima divisão de tarefas e alto grau de profissionalismo de todos. a coordenação e a cobrança dos trabalhos e. decididamente. Adicionalmente. Ela está a serviço dos objetivos do ensino. Além disso. A presença da comunidade na escola. especialmente da qualidade cognitiva dos processos de ensino e aprendizagem. basicamente os pais.fazer. Conforme temos ressaltado. as entidades e organizações paralelas à escola. Prioritariamente. da Associação de Pais e Mestres (ou organizações correlatas) para preparar o projeto pedagógico-curricular e acompanhar e avaliar a qualidade dos serviços prestados. a organização escolar democrática implica não só a participação na gestão mas a gestão da participação. as assembléias e reuniões.

lugar de aprendizagem em que todos aprendem a participar dos processos decisórios. cronogramas e formas de controle e avaliação. O plano de ação da escola ou projeto pedagógico. discutido e analisado publicamente pela equipe escolar. estratégias de ação. Há necessidade de uma ação racional. convergindo na sua execução o interesse e o esforço coletivo dos membros da escola. as ações pedagógicas e administrativas buscam atingir objetivos. A escola é um espaço educativo. de minorias étnicas e culturais. contribuindo para o aumento da capacidade de fiscalização da sociedade civil sobre a execução da política educacional (Romão. Formação continuada para o desenvolvimento pessoal e profissional dos integrantes da comunidade escolar A concepção democrática-participativa de gestão valoriza o desenvolvimento pessoal. estruturada e coordenada de proposição de objetivos. 5. mas é . a participação das comunidades escolares em processos decisórios dão respaldo a governos estaduais e municipais para encaminhar ao Poder Legislativo projetos de lei que atendam melhor às necessidades educacionais da população (Ciseski e Romão. Além disso. torna-se o instrumento unificador das atividades escolares. 1997). 4. provimento e ordenação dos recursos disponíveis. 1997). a qualificação profissional e a competência técnica. movimentos de educação ambiental e outros). movimentos de mulheres. Planejamento das tarefas O princípio do planejamento justifica-se porque as escolas buscam resultados.participarem de outras instâncias decisórias no âmbito da sociedade civil (organizações de bairro.

a partir do .político. na análise global dos problemas (buscar sua essência. as características sócio-econômicas e culturais dos alunos. para além das aparências). 6. a adequação de métodos e procedimentos didáticos etc. a saúde dos alunos. fazer compartilhar as experiências docentes bem sucedidas. Analisar os problemas em seus múltiplos aspectos significa verificar a qualidade das aulas. Dirigir uma escola implica conhecer bem seu estado real. A organização e gestão do trabalho escolar requerem o constante aperfeiçoamento profissional . 120 7. analisar com objetividade os resultados. suas causas. A democratização da informação implica o acesso de todos às informações e canais de comunicação que agilizem a tomada de conhecimento das decisões e de sua execução. a qualificação e experiência dos professores. científico.também o local em que os profissionais desenvolvem sua profissionalidade. observar e avaliar constantemente o desenvolvimento do processo de ensino.de toda a equipe escolar. O processo de tomada de decisões deve basear-se em informações concretas. seus aspectos mais fundamentais. Avaliação compartilhada Todas as decisões e procedimentos organizativos precisam ser acompanhados e avaliados. pedagógico . os resultados do trabalho que a equipe se propôs a atingir. o cumprimento dos programas. analisando cada problema em seus múltiplos aspectos e na ampla democratização das informações Este princípio implica procedimentos de gestão baseados na coleta de dados e informações reais e seguras.

da valorização da experiência individual. entre direção e funcionários técnicos e administrativos. As . de modo a prever e programar as ações e os resultados desejados. O processo e o exercício de planejar referem-se a uma antecipação da prática. O controle implica uma avaliação mútua entre direção. constituindo-se numa atividade necessária à tomada de decisões. implicando definição de necessidades a atender. Nas relações mútuas entre direção e professores. Além disso. do clima amistoso de trabalho. Relações humanas produtivas e criativas assentadas na busca de objetivos comuns Esse princípio indica a importância do sistema de relações interpessoais em função da qualidade do trabalho de cada educador. CAPÍTULO VIII – O Planejamento Escolar e o Projeto Pedagógico Curricular 123 O planejamento escolar consiste numa atividade de previsão da ação a ser realizada. 8. tempo de execução e formas de avaliação. há que combinar exigência e respeito. objetivos a atingir dentro das possibilidades. em função dos objetivos básicos da escola. severidade e tato humano. entre professoras e alunos. procedimentos e recursos a serem empregados.princípio da relação orgânica entre a direção e a participação dos membros da equipe escolar. é preciso insistir que o conjunto das ações de organização do trabalho na escola estão voltados para as ações pedagógico-didáticas. professores e comunidade. A equipe da escola precisa investir sistematicamente na mudança das relações autoritárias para relações baseadas no diálogo e no consenso.

Sem planejamento. 124 é uma prática de elaboração conjunta dos planos e sua discussão pública. valores. ter um plano de ação. mas a uma atividade permanente de reflexão e ação. atitudes. um esquema que representa uma idéia. A ação de planejar subordina-se à natureza da atividade realizada. O planejamento é um processo contínuo de conhecimento e análise da realidade escolar em suas condições concretas. meios de sua execução e critérios de avaliação da qualidade do trabalho que realizam. fortemente determinadas por uma intencionalidade educativa envolvendo objetivos.instituições e organizações sociais precisam formular objetivos. No planejamento escolar. uma seqüência de ações que irão orientar a prática. O ato de planejar não se reduz à elaboração dos planos de trabalho. os resultados não são avaliados. tanto da escola e do currículo quanto do ensino. também. modos de agir dos educadores que atuam na escola. O caráter de processo indica. o que se planeja são as atividades de ensino e de aprendizagem. um ob jetivo. Uma importante característica do planejamento é o seu caráter processual. possibilitando a revisão dos planos e projetos. Um plano ou um projeto é um esboço. o planejamento nunca é apenas individual. de busca de alternativas para a solução de problemas e de tomada de decisões. O planejamento se concretiza em planos e projetos. uma meta. conteúdos. Em razão disso. a correção no rumo das ações. as ações são improvisadas. a gestão corre ao sabor das circunstâncias. que um plano prévio é um roteiro para a .

implicando permanente ação. em geral. diretrizes e ações do processo educativo a ser desenvolvido na escola. também. às seguintes funções: Diagnóstico e análise da realidade da escola: busca de informações reais e atualizadas que permitam identificar as dificuldades existentes. a avaliação dos processos e resultados previstos no projeto. tendo em vista a análise crítica e profunda do trabalho realizado e a reordenação de rumos. expressando a síntese das exigências sociais e legais do sistema de . reflexão e deliberação dos educadores sobre a prática em curso. 125 O projeto pedagógico-curricular . pois estes vão se delineando no desenvolvimento do trabalho.características gerais O projeto pedagógico-curricular é a concretização do processo de planejamento. mas não pode determinar rigidamente os resultados. Definição de objetivos e metas compatibilizando a política e as diretrizes do sistema escolar com as intenções. prevê os passos a seguir. ele antecipa mentalmente a prática. causas que as originam. O planejamento escolar atende. Determinação de atividades e tarefas a serem desenvolvidas em função de prioridades postas pelas condições concretas e compatibilização com os recursos disponíveis (elementos humanos e recursos materiais e financeiros). Consolida-se num documento que detalha objetivos.prática. O processo de planejamento inclui. expectativas e decisões da equipe da escola. em relação aos resultados obtidos até então.

depois não se mexia mais a não ser no ano seguinte. currículos. o projeto pedagógicocurricular é tanto a expressão da cultura da escola (cultura organizacional) como sua recriação e desenvolvimento. em que o plano era mais um modelo do que um guia para a ação. conteúdos. portanto. bastando planejar bem para se ter resultados bons. orienta a prática de produzir uma realidade: conhece-se a realidade presente. modos de pensar e agir das pessoas que o elaboram. projetando a cultura organizacional que se deseja visando a intervenção e transformação da realidade. reflete-se sobre ela e traçam-se as coordenadas para a construção de uma nova realidade. propondose as formas mais adequadas de atender necessidades sociais e individuais dos alunos. significados. O projeto. Expressa a cultura da escola porque está assentado nas crenças. A concepção de projeto pedagógico-curricular é diferente daquela prática de planejamento curricular que se consolidou nas escolas brasileiras sob influência do tecnicismo educacional a partir dos anos 70. . De certo modo. Considera o que já está instituído (legislação. Tinha-se uma idéia de que a prática docente seria algo muito preciso e muito seguro. estratégias e formas de avaliação dentro de uma seqüência de passos extremamente rígida.ensino e os propósitos e expectativas da comunidade escolar. Os planos consistiam na determinação de objetivos. métodos. o planejamento curricular se restringia à semana de planejamento realizada no início do ano. valores. Com isso. Ao mesmo tempo. é um conjunto de princípios e práticas que reflete e recria essa cultura. O projeto pedagógico-curricular deve ser compreendido como instrumento e processo de organização da escola.

Nesse sentido. o que leva a concluir que as situações de ensino não se repetem. nós.126 formas organizativas da escola etc. pela interligação com o que acontece no mundo exterior (na comunidade. procedimentos. ou seja. ele sintetiza os interesses. no país. Por isso é que se diz que as organizações são sempre construídas e reconstruídas socialmente. pela sua intencionalidade. respondendo estas perguntas: Que tipo de escola. Todo projeto é. queremos? Que objetivos e metas correspondem às necessidades e espectativas desta comunidade escolar? Que necessidades precisamos atender em termos de formação dos alunos e alunas para a autonomia. instrumentos. . tomar novas decisões e replanejar o rumo do trabalho. participação? Como faremos para colocar o projeto em permanente avaliação. hábitos. institui uma cultura organizacional. mas tem também uma característica de instituinte. dentro da prática da ação-reflexão-ação? Considerando o caráter processual do planejamento. as propostas dos educadores que trabalham na escola. valores. modos de agir. Isso é assim porque as escolas são instituições marcadas pela interação entre pessoas. estruturas.). as escolas não são iguais. A característica de instituinte significa que o projeto institui. profissionais desta escola. inconcluso. estabelece. cria objetivos. os desejos. o projeto é avaliado ao longo do ano letivo para verificar se as ações estão correspondendo ao que foi previsto. se as metas precisam ser alteradas em função de fatos inesperados. cidadania. portanto. de forma a corrigir desvios. no mundo).

São duas coisas diferentes. portanto. formula metas. seu projeto pedagógico-curricular. nestes termos. Dessa reflexão resulta a formulação de objetivos e meios formativos para dar uma direção ao processo educativo.A escola que conseguir elaborar e executar. um rumo. O projeto é um guia para a ação. prevê. é a melhor demonstração de autonomia da equipe escolar e uma oportunidade de desenvolvimento profissional dos professores. institui procedimentos e instrumentos de ação. não se refere apenas ao "como se faz". de bom nível de desenvolvimento 127 profissional dos seus professores. Uma visão crítica da Pedagogia assume que ter uma atitude pedagógica é dar uma direção de sentido. mas. A ação pedagógica. de capacidade de liderança da direção e de envolvimento da comunidade escolar. Por que a expressão projeto pedagógico-curricular? O termo pedagógico é representativo de uma concepção de educação que considera a Pedagogia como a reflexão sistemática sobre as práticas educativas. dá mostras de maturidade de sua equipe. orientando o trabalho educativo para as finalidades sociais e políticas almejadas pelo grupo de educadores. num trabalho cooperativo. dá uma direção política e pedagógica para o trabalho escolar. ao "por que se faz". A elaboração e execução do projeto pedagógicocurricular. Atente-se que o projeto pedagógico-curricular não pode ser confundido com a organização escolar nem substitui a gestão. às práticas educativas. A gestão põe em prática o processo organizacional para atender ao projeto. de modo que este é um instrumento da gestão. onde quer que elas sejam realizadas . principalmente.

como mediação da cultura. O currículo. do projeto pedagógico. que envolve uma prática intencional de produção e internalizafão de significados. uma vez que o currículo é a projeção. 1998). essa prática de mediação cultural visa ao pleno desenvolvimento das capacidades humanas. É esse caráter de mediação cultural da pedagogia que faz viabilizar várias modalidades e formas institucionais de educação. por sua vez. Também daí decorrem as várias projeções das opções político-pedagógicas em planos ou projetos nacionais. 128 formula objetivos e implementa as condições organizativas e metodológicas para a viabilização da atividade educativa.(Libâneo. contexto esse sempre em transformação. no dizer de Gimeno Sacristán (1998). forma de trabalho cultural. expressam intenções e ações logo materializadas nos currículos. locais. O termo curricular indica o referencial concreto da proposta pedagógica. conforme necessidades e exigências sociais concretas postas à humanização (emancipação humana) num determinado contexto histórico-social. é a concretização da posição da escola face à cultura . Essa atitude tem as seguintes características: compreende a educação como prática social de assimilação ativa da experiência humana historicamente acumulada e culturalmente organizada. o desdobramento. regionais. portanto. de entender a pedagogia como prática cultural. que. portanto. o currículo. Essas são as idéias-chave que esclarecem o caráter "pedagógico" de um projeto. entre elas a educação escolar. Trata-se.

além da seleção da cultura da sociedade. culturais. Mas. ao pôr em prática o projeto pedagógico. políticos. os seguintes pontos: a) Princípios (pontos de partida comuns) . de modo a promover um entrecruzamento dos objetivos e estratégias para o ensino formulados a partir de necessidades e exigências da sociedade e do aluno com base em critérios filosóficos. Ou mais precisamente. Supõe-se. "um modo pelo qual a cultura é representada e reproduzida no cotidiano das instituições escolares" (Pedra. Adotar uma ou várias delas dependerá de opção entre as muitas teorias em voga. Há muitas definições do termo currículo: resultados buscados na aprendizagem. portanto. seleção e organização da cultura. o currículo comunica princípios essenciais de uma proposta educativa. pedagógicos. Hoje é bastante aceita a idéia de que currículo é. As decisões a serem tomadas em função do projeto pedagógico-curricular podem considerar. o currículo também realimenta e modifica o projeto pedagógico. aberta a um exame crítico para que possa ser traduzida na prática. 1997). 1997). experiências que devem ser providas aos estudantes. assim.produzida pela sociedade. princípios orientadores da prática. orientações e diretrizes operacionais previstas no projeto pedagógico. Ou como diz Stenhouse (in Pedra. uma ambientação para vivenciar experiências culturais. a projeção dos objetivos. A proposta curricular e. 129 uma estreita articulação entre o projeto pedagógico e a proposta curricular. com as experiências educacionais a serem providas aos alunos por meio do currículo. ao menos.

sociais. dos problemas. uma vez tomadas as decisões. cada membro assume sua parte no trabalho. Aqui entra a importância do diagnóstico. acompanhar e avaliar o trabalho de cada um. do papel do professor e dos alunos. dos conteúdos e métodos. b) Objetivos (pontos de chegada comuns) Os objetivos expressam intenções bem concretas. É preciso que a direção e os professores entrem em acordo sobre as práticas de gestão. políticas e pedagógicas. Por exemplo. do papel da escola na sociedade. dos alunos. A decisão é coletiva.É desejável que os professores e especialistas formem um consenso mínimo em torno de opções sociais. o que se atacará em conjunto com toda a equipe. É desejável que a escola tenha uma linha . das demandas a atender no mundo de hoje em função das necessidades pessoais. escolha de prioridades. o que é de responsabilidade de cada professor. profissionais. Entretanto. mas implica responsabilidades. que é um retrato realista da situação. admitindo o exercício da direção para coordenar. 130 d) Unidade teórico-metodológica no trabalho pedagógicodidático A unidade teórico-metodológica começa pela definição de objetivos comuns e é assegurada pela coordenação pedagógica e pelo trabalho conjunto e articulado dos professores. define-se que as decisões são tomadas coletivamente. que todos entrem em acordo sobre elas a partir de um consenso mínimo. c) Sistema e práticas de gestão negociadas A participação na gestão democrática implica decisões sobre as formas de organização e gestão. Depois segue-se a tomada de decisões.

os vários entendimentos sobre a noção de projeto. Este é. e) Sistema explicito e transparente de acompanhamento e avaliação do projeto e das atividades da escola O acompanhamento e a avaliação põem em evidência os êxitos.) e qualitativa (grau de atendimento das necessidades e expectativas. O projeto pedagógico-curricular expressa as decisões da escola e o seu conteúdo varia de sistema para sistema. rendimento escolar dos alunos. Em estudos especializados. confrontando o que foi decidido e o que está sendo feito. A importância do projeto na organização e gestão da escola Consideremos. o projeto está .pedagógico-didática com a qual todos possam compartilhar. os resultados. sua extensão e sua profundidade. nível de satisfação dos alunos e das famílias. Nenhum membro da equipe escolar deveria estranhar uma cobrança de trabalho feita pelo diretor se esse trabalho foi decidido coletivamente. A avaliação depende de informações concretas e objetivas. evidências de comportamento dos alunos etc. presença dos pais na escola etc. também. um requisito para a escola trabalhar com a interdisciplinaridade. de escola para escola. Os integrantes da escola escolherão o conteúdo do projeto. inicialmente. A avaliação da organização e gestão escolar pode ser quantitativa (matrículas/evasão. o que supõe o acompanhamento. cumprimento de prazos.). ainda que ela expresse princípios e orientações mais gerais. mas também as dificuldades surgidas na implantação e execução dos planos.

regional.. Os programas explicitariam uma linha de ações globais e cada programa seria detalhado em projetos. Esse entendimento vigorou durante anos. no Brasil.131 incluído na noção mais ampla de planejamento. elas . por sua vez subdividido em programas.) Quando variam os níveis de decisão. nacional.) O plano difere do projeto essencialmente no que se refere à a amplitude do objeto.. como por exemplo. o projeto objetiva o estudo do uso mais racional dos recursos econômicos (escassos) para a produção de um bem ou serviço. estadual ou da empresa. (. podem variar também os elementos componentes do projeto.. (. ações.. Plano seria o documento mais abrangente que resulta do processo de planejamento. podem resultar para as escolas várias concepções de planejamento escolar: Se as escolas forem consideradas unidades administrativas dentro do planejamento geral do Ministério da Educação ou da Secretaria da Educação. ou seja. o programa e o projeto documentos. um conhecido especialista em teoria do planejamento. Planejamento seria o processo de previsão de objetivos. Dessa compreensão de conjunto do processo de planejamento. uma subdivisão que permite agrupar as decisões por áreas de ação semelhantes sob o mesmo título" (1979).) O programa (é) componente do plano. faz uma distinção clara entre esses termos. procedimentos como forma de racionalização da ação. Enquanto o plano procura reunir um conjunto de elementos de decisão necessários para concretizar racionalmente a conduta de um grupo humano ou de um conjunto e unidade de produção. em sucessivos governos. metas.. Carvalho. O planejamento é um processo sistematizado. sendo o plano. (..

a nosso ver. cada escola configuraria um projeto. resumidamente. Um dos temas mais recorrentes dos estudos atuais sobre a escola é a descentralização dos serviços educacionais. a adoção da prática do projeto pedagógico-curricular. dentro da estrutura hierárquica do sistema. ora fazendo um plano e alguns projetos específicos. as escolas poderiam configurar-se como um projeto sem.seriam a última instância do processo de planejamento. portanto. . A escolha de uma dessas alternativas envolve uma gama de considerações que não podem ser esgotadas apenas em um capítulo. ora com diferentes graus de complexidade (ter um plano global. as tendências atuais sobre o assunto e a apresentar uma solução que. todavia. manter uma excessiva dependência das instâncias do sistema escolar (considere-se que sempre haverá uma certa subordinação às políticas educacionais e curriculares do sistema). Ainda consideradas como relativamente autônomas. em interação crítica com as orientações dos sistemas de ensino. programas e projetos específicos). elas poderiam realizar em si mesmas todas 132 as características de um processo de planejamento: teriam o plano. ora com uma dependência maior ou menor da hierarquia do sistema escolar. Limitamo-nos a comentar. qual seja. Se as escolas forem consideradas unidades relativamente autônomas. Observe-se que essas situações refletem diferentes percepções das formas de gestão e direção. os programas e os projetos. é mais compatível com a realidade educacional brasileira. Também indicam diferentes modelos operacionais já que as escolas poderiam trabalhar. todavia. ora simplesmente um projeto.

de fato. também. Essa tese já foi muito bem aceita pelos educadores progressistas. 133 Apesar dessa desconfiança ser bastante pertinente há. Sem dúvida. a autonomia fortalece as escolas. .A descentralização implica a autonomia da escola. em lugar onde todos podem aprender permanentemente. É desse esforço que pode resultar a participação do conjunto dos membros da escola. Resulta. isto é. envolvendo os professores e demais educadores na responsabilidade em assumir um papel na organização do trabalho escolar não apenas na sala de aula mas na escola como um todo. Tomando-se a gestão e a autonomia nesse sentido. dentro de uma estratégia de diminuir o papel do Estado na sociedade. A autonomia propicia aos professores mais liberdade para travar relações com a comunidade local e fazer outras parcerias. acentua o espírito de equipe. uma tendência forte em favor da autonomia e da prerrogativa das escolas e professores de decidirem acerca dos objetivos e das formas de trabalhar. a co-responsabilização pelas ações de ensino e aprendizagem e um bom projeto pedagógico. mediante a autonomia pedagógica e financeira. do empenho nas formas de gestão da escola um vínculo mais estreito com a comunidade. as escolas e os professores estariam assumindo seu poder de decisão. mas hoje há forte desconfiança de que a descentralização e a autonomia das escolas seria uma forma de o Estado livrar-se de suas responsabilidades públicas. difundindo-se a idéia de que as responsabilidades do governo e da sociedade civil se equivalem. a organização escolar transforma-se em espaço educativo.

o que faremos em função do que desejamos. uma utopia. isto é. a coordenação pedagógica. definir seu papel estratégico na educação das crianças e jovens. a forma de concretizar as intenções e as expectativas da equipe escolar. sujeitos capazes de intervir conscientemente e coletivamente nos objetivos e nas práticas de sua escola. é preciso prever e antecipar ações. O projeto. O projeto surge como forma de superação de um paradigma técnico (ou tecnicista) em que tudo o que a escola e os professores precisam fazer já vem estabelecido de cima. por isso precisa ser sempre operacional. . Para isso.Aceita essa justificativa. tomarem sua escola nas mãos. Isso significa que o projeto é ao mesmo tempo um desejo. visando a atingir os objetivos que se propõem. a idéia de projeto pedagógico ganha força. O projeto sintetiza: o que temos. na produção social do futuro (da escola. que o projeto representa a oportunidade de a direção. o projeto incorpora a utopia mas sua característica é organizar a ação. organizar suas ações. organizando as formas de intervenção e atuação numa realidade que. os professores e a comunidade. é o meio pelo qual os agentes diretos da escola tornam-se sujeitos históricos. da comunidade. já que ele é. o norteador da vida escolar. pela sua 134 natureza. então. Pode-se dizer. o que desejamos. da sociedade). Melhor dizendo. e uma concretização. É o ordenador. precisamente. é mutável. numa perspectiva progressista.

funcionários) aprendem através da organização. mudando junto com seus profissionais. Os indivíduos e os grupos mudam mudando o próprio contexto em que trabalham. plano de escola? Não há uma denominação que tenha unanimidade entre os educadores. Como se denomina esse projeto? Projeto educativo. projeto político-pedagógico. Todos podemos aprender afazer do exercício do trabalho um objeto de reflexão e pesquisa. projeto curricular. há quem considere o projeto educativo mais amplo que o projeto pedagógico. Sem descartar outras possibilidades. Outros entendem que projeto pedagógico é a mesma coisa que projeto curricular. integrando e articulando o ideário. este incluindo-se naquele. as organizações também aprendem. optamos pela denominação projeto pedagógico-curricular. é um ingrediente do potencial formativo das situações de trabalho. ações e meios. Todavia. O ideário é a concepção de 135 . projeto pedagógico. o que importa é o processo de ação-reflexão-ação que se instaura na escola envolvendo todos os seus integrantes. Os profissionais (direção. no qual está implícito um plano. coordenação pedagógica.como saber se o que estamos fazendo corresponde ao que desejamos. projeto pedagógico-curricular. outros colocam o projeto curricular antes do pedagógico e há os que preferem chamar tudo de plano da escola. A rigor. Trata-se de um documento só. objetivos. O projeto pedagógico assim entendido. do ambiente de trabalho. Por sua vez. professores.

que e o conteúdo dos próprios Parâmetros Curriculares. ao qual se seguem os objetivos. conteúdos. O primeiro nível corresponde à proposição de subsídios para a discussão e elaboração de propostas curriculares nos diferentes estados e municípios. O documento Parâmetros Curriculares Nacionais (1998). Há neste livro uma variedade de possibilidades de sistematização. Não há uma única maneira de elaborar o projeto pedagógico-curricular. podem ser indicados alguns princípios e algumas formas de sua operacionalização. com vários roteiros e indicações de tópicos (consultar o Capítulo XIII e os Anexos). O segundo nível é a utilização dos PCN para as propostas das secretarias de educação nos estados e municípios "como recursos para revisões. estipula quatro níveis de concretização do planejamento escolar.educação que determina "o sentido e a natureza das decisões e das ações a desenvolver junto dos alunos" (Carvalho e Diogo. em que os professores e equipe escolar discutem e definem objetivos. adaptações ou elaborações curriculares" de modo que possam dialogar com as propostas e experiências já existentes. sua singularidade. do Ministério da Educação. o projeto concretiza o processo de planejamento. cada situação. Todavia. de modo que "fazer planejamento" é ir percorrendo as várias fases de elaboração do projeto. cada escola. 1994). as ações e meios de realização do trabalho. têm sua diversidade. abordagens metodológicas e . O terceiro nível refere-se ao uso dos PCN na elaboração do projeto educativo da escola. O processo de elaboração do projeto pedagógico-curricular Conforme vimos mencionando. seu modo de planejar.

Na escola realizam-se o terceiro e o quarto nível de concretização curricular. por ciclo. estético. Objetivos e conteúdos. de atuação e inserção social. Orientações didáticas. os PCN propõem: Objetivos gerais do ensino fundamental. "que expressam capacidades que os alunos devem desenvolver ao longo da escolaridade obrigatória. O processo de elaboração do projeto pode iniciar-se com um plano geral. de forma a expressar a formação básica necessária para o exercício da cidadania e nortear a seleção de conteúdos". Critérios de avaliação das aprendizagens fundamentais. 136 Para isso. A partir desses tópicos gerais. esquemático. em blocos de duas séries.critérios de avaliação para cada ciclo. O quarto nível é a realização do currículo na sala de aula. ético. Objetivos gerais de áreas. considerando-se sucessivamente. são distribuídas as . o projeto pedagógico-curricular e os planos de ensino das disciplinas. que compõem o ensino fundamental. formulado por uma comissão de pedagogos e professores. físico. Este esboço prévio tem a finalidade de deslanchar o processo e mobilizar as pessoas para a discussão pública e elaboração do projeto. em que o professor compatibiliza seu plano de ensino conforme as metas estabelecidas na fase anterior e às características de seu grupo específico de alunos. explicitando a contribuição especifica dos diferentes âmbitos do conhecimento". que "indicam capacidades relativas aos aspectos cognitivo. organizados em quatro ciclos de escolarização. afetivo.

culturais. mais detalhado. Concepção de escola e de perfil de formação dos alunos 2. 2. A fase seguinte pode ser a elaboração de um documento gerador. Concepção de educação e de práticas escolares 2.1.1.3. administração. identificar necessidades e problemas e sugerir soluções. Condições físicas e materiais 1. gestão. Breve história da escola (como surgiu. Recomenda-se que a discussão vá caminhando 137 para um consenso em torno de pontos que possam ser compartilhados por todos. sem necessidade de votação. participação dos professores. Princípios norteadores da ação pedagógico-didática .2. pais. Aspectos sociais. estabelecimento de metas e atividades etc. a correspondência entre os resultados e os objetivos previstos. elaborase e aprova-se o documento final. econômicos. Uma comissão de acompanhamento e avaliação do projeto reunirse-á periodicamente para verificar o cumprimento das metas. Caracterização dos elementos humanos 1. a ser estudado previamente por toda a equipe de trabalho e depois discutido e aprovado. análise. como vem funcionando.2. também elaborado por uma comissão. visão que os alunos têm da escola. geográficos 1. Finalmente.responsabilidades das sub-comissões para coleta de dados. Os seguintes tópicos compõem a sugestão de um roteiro para formulação do projeto pedagógico-curricular: 1. Contextualização e caracterização da escola 1. identificação de problemas e prioridades. escola e comunidade).4.

Levantamento e identificação de problemas e necessidades a atender 3. a descrição do conteúdo de cada tópico: Contextualização e caracterização da escola Este tópico visa caracterizar o contexto econômico e sociocultural em que a escola está inserida. avaliação da aprendizagem 7. Proposta de trabalho com pais. conteúdos.2. Proposta de formação continuada de professores 8. a origem social e cultural dos alunos etc. a fim de avaliar as condições existentes. desenvolvimento metodológico.3. Formas de avaliação do projeto Apresenta-se. pedagógicos 6. Organização curricular (da escola.2.1. . das séries ou ciclos. Fundamentos sociológicos. a seguir. Aspectos administrativos 5. Aspectos financeiros 138 6. psicológicos.2. Objetivos gerais 5. as necessidades da comunidade. físicos e materiais.1. Proposta curricular 6. escolha de soluções 4. culturais.3. Aspectos organizacionais 5. Estas informações são sumamente relevantes para o projeto. Estrutura de organização e gestão 5. Definição de prioridades 3.1. epistemológicos. comunidade e outras escolas de uma mesma área geográfica 9. Diagnóstico da situação atual 3.3 Estratégias de ação. descrever os aspectos humanos. plano de ensino da disciplina): Objetivos.

cultural. significados. tipo de gestão. do clima da escola. Nesse caso. O diagnóstico. administrativos. relacionamento com pais e comunidade etc. das condições físicas e materiais. é bom que o faça uma primeira vez e o refaça de tempos em tempos. com base nas exigências e necessidades sociais e nas suas próprias crenças. O projeto pedagógico-curricular reflete expectativas da sociedade e dos próprios educadores sobre o significado de "aluno educado" e para que tipo de sociedade se educa. valores. visa analisar e explicar a situação.Concepção de educação e de práticas escolares A finalidade deste tópico é apresentar uma síntese do "pensamento" da equipe de professores e pedagogos sobre educação e currículo. articulando o problema e suas causas internas e externas. Todavia. se a escola nunca fez um diagnóstico completo. jurídica. 139 Diagnóstico e análise dos problemas e necessidades Essa fase corresponde à caracterização sócio-econômica e cultural do contexto da ação escolar. O diagnóstico terá a extensão que se julgar mais conveniente. As questões e problemas podem ser levantadas em reunião ou podem ser listadas por uma comissão de professores e pedagogos e discutidas. do pessoal técnico e docente. Há uma grande variedade de problemas administrativos e pedagógicos que as escolas podem apresentar: falta de . financeiros. realizado a partir do levantamento de dados. cabe uma caracterização sócio-económica. Os problemas podem ser agrupados em pedagógicos.

o diagnóstico vai sendo refeito. Após o levantamento de muitas idéias. custo. dificuldade generalizada de leitura e interpretação de textos pelos alunos etc. de vários caminhos. responsabilidades. Estrutura Organizacional Refere-se à descrição da estrutura de funcionamento e dos meios de organização e gestão. entrada e saída dos alunos de forma desordenada. Considere-se que. tempo etc. . capacidade da equipe de profissionais. falta de entrosamento entre os planos de ensino das matérias. distribuição da merenda de forma inadequada com prejuízo para o andamento das aulas. aplicação de questionários. inexistência de critérios de reprovação de alunos por parte da escola. Há vários meios de se fazer o diagnóstico e o levantamento de problemas: observações. a cada momento do desenvolvimento das atividades escolares. É óbvio que seleção depende de condições reais como espaço físico. falta de atenção do pessoal de secretaria em relação às mães. procede-se à seleção dos objetivos ou metas. deixando os objetivos específicos para o tópico referente à proposta curricular. excesso de agressões verbais ou violência física no recreio. falta de definição de responsabilidades na equipe. 140 Objetivos gerais Nesta fase são propostas as metas mais amplas que se deseja alcançar. coleta de opiniões em situação grupal.comunicação entre direção e professores. entrevistas.

formas de dinamizar o processo de gestão. Pela importância deste item no projeto pedagógico-curricular. a análise dos resultados. especificamente. ou seja. "A avaliação deverá fornecer os dados necessários para intervir no sentido de corrigir a coerência (relação entre o projeto e o problema). a eficiência (gestão e administração dos recursos e meios) e eficácia (relação entre a ação e os resultados)" (Carvalho e Diogo. 1994). a proposta curricular define-se como projeção do projeto pedagógico. o currículo é um desdobramento necessário do projeto pedagógico. a redefinição permanente de objetivos e meios. materializando intenções e orientações previstas no . será detalhado à parte em tópico específico. Avaliação do projeto A avaliação será processual-somativa. à definição da atuação da escola no processo de ensino e aprendizagem. A proposta curricular Este tópico do projeto destina-se. através do currículo. Dentro do marco teórico adotado neste livro.a organização e o desenvolvimento do currículo O currículo constitui o elemento nuclear do projeto pedagógico. tal como descreveremos nos capítulos seguintes. 141 A proposta curricular . incluindo a coleta de dados. A proposta curricular inclui a organização curricular propriamente dita e a organização pedagógico-didática. é ele que viabiliza o processo de ensino e aprendizagem.

projeto em objetivos e conteúdos. No linguajar comum ainda predomina a idéia de currículo como o conjunto das disciplinas que o aluno deve percorrer. o como ensinar e as formas de avaliação. o plano de estudos ou a grade curricular. um diploma. em estreita colaboração com a didática. é um nível do planejamento entre o projeto pedagógico e a ação prática. Algumas dessas teorias trouxeram contribuições decisivas 142 . Significados mais ampliados do termo surgem no início do século XX. originando-se daí novas tendências teóricas que. Antes das sugestões sobre o que deve conter a proposta de organização curricular. superando as anteriores concepções positivistas. significa "ato de correr. o currículo define o que ensinar. introduziram referências de cunho crítico para a investigação do currículo. nosso "percurso de vida". percurso" (do verbo latino currere = correr). os estudos sobre currículo tiveram um desenvolvimento considerável. a proposta curricular é a orientação prática da ação de acordo com um plano mais amplo. O termo currículo possui vários sentidos. Desde o início dos anos 70. ou seja. Quando elaboramos um curriculum vitae. Enquanto projeção do projeto pedagógico. a fim de obter uma titulação. identificando quase sempre o conjunto de saberes e/ou experiências que alunos precisam adquirir e/ou vivenciar em função de sua formação. Etimologicamente. especialmente na Inglaterra e nos Estados Unidos. Nesse sentido. o para quê ensinar. apresentamos algumas idéias sobre o conceito de currículo. apresentamos nossa "carreira da vida".

para a compreensão do papel ideológico e político do currículo. político. reflete a distribuição do poder em seu interior e a maneira pela qual se encontra aí assegurado o controle social dos comportamentos individuais (In Forquin.. também. o modo pelo qual se selecionam. é verdade. transmite e avalia os saberes educacionais destinados ao ensino. por tentarem esclarecer a seguinte tese de Basil Bernstein: A maneira pela qual uma sociedade seleciona. seleção essa feita a partir do que a sociedade julga necessário ser incorporado pelos alunos. Essa afirmação expressa. Consideradas essas questões. Ou seja.. que pode concretizar objetivos e práticas que representam interesses sociais e políticos dos segmentos majoritários mais excluídos e mais explorados da sociedade.). se é verdade que o currículo quase sempre expressa interesses dos grupos sociais com mais poder econômico. 1992). com o que as escolas acabam por conformar-se. de fato.) um modo pelo qual a cultura é representada e reproduzida no cotidiano das instituições escolares. social. acompanhados de sua comunicação na escola. classifica.. Isso. propomos ficar com duas definições bem pontuais que são. também. complementares: O currículo é a representação da cultura no cotidiano escolar (.. (. classificam. entre o conhecimento e cultura herdados e a aprendizagem dos alunos. distribuem e avaliam conhecimentos no espaço das instituições escolares. todavia. 1999) O currículo é a ligação entre a cultura e a sociedade exterior à escola e à educação. não nos impede de compreendê-los como seleção de saberes e experiências. entre a . intenções e práticas sociais que estão por detrás dos currículos. distribui. (Pedra.

tendo em vista a . aqui. Ou seja. Existe ensino porque existe uma cultura. sobre o que é relevante que os alunos aprendam em função de suas necessidades pessoais e das necessidades e exigências de interesses em jogo na sociedade. procedimentos. Representações.1999). em função de que aprender? Há aí uma espécie de diálogo com a sociedade e entre a própria equipe de professores. A segunda mostra que o currículo é a concretização do posicionamento da escola face à cultura produzida pela sociedade. conhecimentos. e o currículo é a seleção e organização dessa cultura.). dadas determinadas condições (Gimeno Sacristán. para que aprender. que devem ser reproduzidos e produzidos para se assegurar o funcionamento de um tipo de sociedade. suposições e aspirações) e a prática possível. eles realizam uma escolha para responder a estas indagações: o que nossos alunos precisam aprender. tornadas realidade pelo trabalho dos professores e sob determinadas condições providas pela organização escolar. formas de gestão. entendidas como idéias. de avaliação etc. o currículo representa a seleção e organização da cultura. o papel social da escola se realiza por meio do currículo. valores. o currículo reflete intenções (objetivos) e ações (conhecimentos. A primeira definição destaca a idéia de que o currículo se sustenta em representações sociais presentes na cultura na qual se 143 dá a teoria e a prática do currículo. modos de agir. Quando os professores e a equipe escolar planejam o currículo. Para Gimeno.teoria (idéias. Em síntese.

1994). intervenção da própria experiência dos professores. O currículo formal ou oficial é aquele conjunto de diretrizes normativas prescritas institucionalmente. A distinção entre esses vários níveis de currículo serve para mostrar que o que os alunos aprendem na escola ou o que deixam de aprender. Explicitamos. oculto. currículo oculto Os estudos sobre currículo realizados a partir das décadas 1960-70 destacam a existência nas escolas de vários níveis de currículo: formal. É o currículo que . Níveis de currículo: currículo formal. crenças.é o currículo que. Currículo Real . as características desses vários níveis. de fato.melhor qualidade do processo de ensino e aprendizagem (Carvalho e Diogo. acontece na sala de aula em decorrência de um projeto pedagógico e dos planos de ensino. depende de muitos fatores e não apenas das disciplinas previstas na grade curricular. currículo real. a seguir. mesmo que nesse caminho do planejar e do executar aconteçam mudanças. significados. por exemplo. 144 Currículo formal . os Parâmetros Curriculares Nacionais divulgados pelo Ministério da Educação. É a execução de um plano.refere-se ao currículo estabelecido pelos sistemas de ensino ou instituição educacional. é a efetivação do que foi planejado. como. objetivos e conteúdos das áreas ou disciplinas de estudo. real. as propostas curriculares dos Estado e Municípios. decorrentes do seus valores. É o currículo legal expresso em diretrizes curriculares.

Esses vários sentidos aparecem de alguma forma na prática escolar. não aparece no planejamento. percepções. das práticas e experiências compartilhadas na escola e na sala de aula. que vigoram no meio social e escolar. significados. comportamentos existentes na cultura. ou seja. . gestos. é retrabalhado pelos professores. ele segue uma seqüência que começa quase sempre na esfera política e administrativa do sistema escolar. da percepção e do uso que os professores fazem do currículo formal.Essa denominação refere-se àquelas influências que afetam a aprendizagem dos alunos e o trabalho dos professores provenientes da experiência cultural. Primeiramente. atitudes. Alguns autores chamam de currículo experienciado essas percepções dos alunos que resultam de sua reação ao que está sendo ensinado ou vivenciado. assim como o que fica na percepção dos alunos. ou seja. dos valores e significados trazidos pelas pessoas de seu meio social e vivenciados na própria escola. valores. compreendido e retido pelos alunos não corresponde ao que os professores ensinam ou crêem estar ensinando. O currículo está "oculto" porque 145 ele não é prescrito. o que é realmente aprendido. cruzando-se entre si. embora se constitua como importante fator de aprendizagem.sai da prática dos professores. passa pelas crenças. Freqüentemente. O currículo oculto representa tudo o que os alunos aprendem pela convivência espontânea em meio às várias práticas. comportamentos. até chegar aos alunos. Currículo oculto . é razoável supor que o currículo tem sempre uma dimensão externa.

É por esta razão que temos insistido na consideração da cultura da escola . pais. o currículo representa.. políticas.cultura organizacional . o conjunto das aprendizagens que os alunos precisam internalizar. econômicas. distorções de conteúdo. inclusive para que compreendam que essas influências limitam o poder de intervenção da escola.como importante elemento curricular. ênfases e. Em terceiro lugar. o currículo é submetido a transformações pelos professores e alunos (currículo real). de fato. de forma que ele tanto pode expressar a autonomia da escola. em relação às ciências que dão origem às matérias escolares. atitudes. que precisam ser detectadas pelos professores. à primeira vista. pois é no âmbito dessa cultura que observamos a linguagem dos professores.Isso significa que ele está impregnado de influências sociais. quanto diferentes interpretações. hábitos . de forma intencional e programada mas. o desejo dos professores e da equipe escolar. o modo como os alunos se relacionam entre si.). suas atitudes nas brincadeiras e jogos. procedimentos. 146 O que significa que o currículo escolar conhecimentos. O currículo real obriga a escola a considerar a cultura proposta pelo currículo formal e as situações de fato vividas na escola e nas salas de aula. a higiene e limpeza nas dependências da escola etc. até. os objetivos dos integrantes da escola. professores. as atitudes que tomam em relação às diferenças individuais dos alunos. há aprendizagens consumadas fora do previsto formalmente (currículo oculto) desejadas ou não pelos agentes escolares (direção.. valores. Em segundo lugar.

é o de armazenador de informações. mas também aqueles valores.etc. O currículo é o conjunto dos vários tipos de aprendizagens. Em resumo. centrado no professor e na matéria. aquelas exigidas pelo processo de escolarização. O papel do aluno. algumas concepções mais conhecidas de organização curricular que expressam formas de concretização das intenções pedagógicas. razão pela qual a avaliação somativa tem . Concepções de organização curricular Apresentamos. nos jogos e no recreio e outras atividades concretas que acontecem na escola que denominamos ora de currículo real ora de currículo oculto. na interação entre professores. 1. sinteticamente. funcionários. caráter livresco e verbalista. alunos. na maior parte das correntes pedagógicas tradicionais. a cultura social. . a construção e elaboração da proposta curricular implica compreender que o currículo é mais do que os conteúdos escolares inscritos nas disciplinas. Currículo tradicional O currículo tradicional é o mais utilizado e suas características mais visíveis são conhecidas: organização do conhecimento por disciplinas compartimentalizadas. Importam mais freqüentemente os produtos da aprendizagem. a cultura dos alunos. que acaba por incorporar outros aspectos como a cultura das mídias. escola como responsável pelo ajustamento social dos alunos sem preocupação com uma visão critica da sociedade.expressa certo recorte da cultura de um povo. não os processos. atitudes que se adquirem nas vivências cotidianas na comunidade. ensino meramente transmissivo. comportamentos.

Currículo racional-tecnológico (tecnicista) É o currículo proposto para a transmissão de conteúdos e desenvolvimento de habilidades a serviço do sistema de produção. Metodologicamente. o currículo racional tecnológico se firma na racionalidade técnica e instrumental. O currículo é reduzido a um conjunto de disciplinas e de conteúdos a serem "passados" aos alunos. 2. Definido por especialistas. O professor é o detentor da autoridade intelectual e moral (mesmo que não as tenha). incapazes de refazerem seu próprio percurso de aprendizagem. Os alunos são tidos quase sempre 147 como imaturos. caracteriza-se pela introdução de técnicas mais refinadas de transmissão. Parte-se de um currículo previamente prescrito por especialistas que. organizados numa "grade curricular". as mídias. Ignoram-se as diferenças individuais. incluindo hoje. formulam objetivos e conteúdos. os professores. a partir de critérios científicos e técnicos. busca de . ela cuida apenas do "como". padrões de desempenho. A escola não discute sobre "o que ensinar". o aluno um receptor de conhecimentos. visando a desenvolver habilidades e destrezas para formar o técnico. o currículo racionaltecnológico não precisa ser discutido e elaborado pelos agentes diretos envolvidos com o ensino e aprendizagem. Diferentemente do cunho acadêmico do currículo tradicional. os computadores.grande peso. habilidades considerados úteis e desejados pela sociedade. isto é.

O professor é o facilitador da aprendizagem. liberado de qualquer consideração em torno de finalidades. Identificado com as idéias de John Dewey. apenas restrita ao saber-fazer. de contínua adequação ao meio. esse modelo de currículo compreende a educação como um processo interno de desenvolvimento. também. de tecnicismo educacional. Currículo escolanovista (ou progressivista) O enfoque escolanovista coincide quase sempre com a idéia de currículo centrado no aluno e no provimento de experiências de aprendizagem como forma de ligar a escola com a vida e adaptar os alunos ao meio. valores etc. Esta corrente tem sido denominada. Por isso.maior eficiência em função dos produtos da aprendizagem. Daí a ênfase nas necessidades e interesses dos alunos. valoriza-se bastante a atividade de . identificando ensino com métodos e tecnologia educativa. sem acentuar os saberes. em que a organização curricular resulta de objetivos assentados em habilidades e destrezas a serem dominados pelos alunos no percurso de formação. os conteúdos são subordinados às necessidades e interesses dos alunos no seu processo de adaptação ao meio. no ritmo de cada um. as atitudes e os processos cognitivos. o conteúdo vem das experiências dos alunos. A crítica que se faz a esse tipo de currículo é a sua definição muito estreita de competência. 148 3. colocando os conteúdos escolares como instrumentos para o desenvolvimento de processos mentais. na atividade. com o menor custo. não como verdades estabelecidas. uma derivação dessa concepção é o currículo por competências. Atualmente.

o currículo construtivista está diretamente associado à influência de Jean Piaget e seguidores. recai um peso maior na aprendizagem subordinada ao processo de desenvolvimento 149 cognitivo. a lingüística. no desenvolvimento dos processos de aprendizagem ativa. A partir da . portanto. Seu objetivo é buscar novos modelos e referências para avançar na investigação sobre os processos psicológicos e a cognição. O currículo deve prever atividades que correspondam ao nível de desenvolvimento intelectual dos alunos e organizar situações que estimulem suas capacidades cognitivas e sociais. O professor tem o papel justamente de organizador e facilitador da aprendizagem visando a assegurar a interação do aluno com os objetos de conhecimento. derivando-se daí conseqüências para a organização curricular. valorizando mais a construção do conhecimento pelo próprio aluno do que a influência da cultura e do professor. 4.pesquisa do aluno e o clima psicológico e social da escola e da sala de aula. de modo a possibilitar a construção pessoal dos conhecimentos. o construtivismo tem influenciado as chamadas ciências da cognição (entre elas a neurofisiologia. Currículo construtivista No Brasil. que alguns autores chamam de neo-cognitivismo. Nas concepções fundamentadas em Piaget. Atualmente. Umas das idéias-chave do construtivismo é a crença no papel ativo do sujeito no processo de aprendizagem e. a inteligência artificial). a neurociências.

) são ações internalizadas de algo socialmente constituído. postula a origem social das funções mentais superiores. etc. as funções mentais superiores (linguagem. essa posição é . atribuindo-se peso significativo à cultura e às relações sociais. dos conhecimentos anteriores e do professor. desenvolve-se entre nós um interacionismo de orientação histórico-social. capacidade de comparar. surgem duas versões: a) Psicologia cognitiva que estuda diretamente o comportamento inteligente de sujeitos humanos. da teoria da comunicação e da cibernética (ciência dos computadores). Nesse sentido. da cultura. considerando este como algo mais do que uma simples ferramenta conceitual. Isso significa admitir um papel essencial do ensino na promoção do desenvolvimento cognitivo e social dos alunos. bem como do outro. do professor.psicolinguística. atenção voluntária. a conhecem como sócio-interacionismo. justamente porque destaca o papel do meio. diferenciar. em ultima instância. b) Ciência cognitiva. isto é. abstração. ao papel do ensino na aprendizagem. mas a ação do sujeito sobre o meio é socialmente mediada. percepção. Mais especificamente. o que remete. com seus parceiros. Por isso. dos colegas. cujas bases teóricas se apóiam no psicólogo russo Vigotsky. no sentido de uma relação do sujeito com o outro. Nessa orientação. A maior parte dos educadores que trabalham com esta posição. que leva ao extremo as analogias entre mente e computador. memória. a aprendizagem resulta da interação sujeito-objeto. Uma das principais diferenças entre os vários construtivismos diz respeito ao papel da cultura. A atividade do sujeito supõe a ação entre sujeitos.

Currículo sócio-crítico (ou histórico-social) A abordagem sócio-crítica possui várias correntes. da compreensão do conhecimento como ligado à prática e à solução de problemas. a destruição do meio ambiente. 5. enfim. às vezes divergentes entre si. junto com os requisitos de se ajudar o aluno a adquirir autonomia de pensamento. considera especialmente os efeitos do currículo oculto e do contexto da ação educativa nos processos de ensino e aprendizagem. de modo a eliminar as mazelas sociais existentes como a pobreza. . adere à idéia da aprendizagem como construção do sujeito. diretamente associada ao currículo sóciocrítico. outras colocam a relação pedagógica como mediação da formação política. o desemprego. Neste segundo caso. Em razão disso. inclusive para submeter os conteúdos a uma análise ideológica e política. a violência. As abordagens críticas convergem na concepção de ensino como compreensão da realidade para transformá-la.150 também denominada concepção sócio-cultural ou sóciohistórica. visando a construção de novas relações sociais. as desigualdades sociais e econômicas. a educação cobre a função de transmissão cultural mas também é responsável pela ajuda ao aluno no desenvolvimento de suas próprias capacidades de aprender e na sua inserção crítica e participativa na sociedade em função da formação da cidadania. algumas dão mais ênfase às questões políticas do processo de formação. destaca-se a importância da responsabilidade social e da busca do interesse coletivo. Metodologicamente.

b) ressaltar. a teoria e os conteúdos culturais sistematizados. fortuitos. São duas as idéias norteadoras desse modelo curricular: a) buscar a integração de conhecimentos e experiências que facilitem uma compreensão mais reflexiva e crítica da realidade. minimizando ou até recusando um currículo formal. se elaboram e se . da convivência social na escola. o domínio dos processos necessários ao acesso aos conhecimentos e. Hernandez. Currículo integrado ou globalizado O movimento por um modelo de currículo integrado tem chegado até nós por meio de autores espanhóis (Torres Santomé. ao lado dos conteúdos culturais. simultaneamente. Entendemos que essa concepção de currículo é insuficiente para atingir os objetivos emancipatórios que a escola busca. entre outros). dificilmente os alunos estarão aptos a analisar a realidade e formular estratégias de atuação. a compreensão de como se produzem. O termo interdisciplinaridade acentua a inter-relação entre conhecimentos. 151 6. Sem os conceitos. O termo globalização está associado a características da estrutura cognitiva e afetiva dos alunos que acentuam uma maneira própria de atribuir significados e construir e integrar conhecimentos.Algumas correntes da abordagem crítica defendem um tipo de currículo mais informal. superando a separação e falta de comunicação entre as disciplinas escolares. centrado na valorização de elementos casuais. destacando a globalização das aprendizagens e a interdisciplinaridade.

tomada de decisões. pelos alunos. Incorpora-se. síntese.transformam esses conhecimentos. neste modelo. classificação. adota-se o currículo experiencial. pelo qual a escola torna-se um espaço de reconstrução. o aprender a aprender (Torres Santomé. se preste atenção a tudo o que acontece na escola e nas aulas. a ligação dos conteúdos culturais com a realidade. a interdisciplinaridade. a vivência cultural dos alunos. laboratórios. ou seja. Com essa orientação. no currículo oculto. a seleção de experiências de aprendizagem verdadeiramente interessantes. visitas. mediante o método de projetos. pretende-se que. dos conteúdos culturais. o valor da atividade do próprio sujeito na aprendizagem. comunicação. no currículo em ação. Tipos de currículo Os tipos ou modelos de currículo decorrem das concepções e posicionamentos teóricos sobre conhecimento . das experiências e conhecimentos próprios de sua comunidade. 1989). vídeos.). comparação etc. das teorias. nas várias experiências de aprendizagem tipo biblioteca. o currículo globalizado articula várias práticas educativas que possam contribuir para os processos de ensino e aprendizagem. A ênfase aos processos não significa minimizar a importância dos conceitos. superando os reducionismos psicológicos. epistemológicos ou sociológicos. inclusive naquilo que não foi previsto pelos professores. a importância dos processos mentais na 152 aprendizagem (observação. também. Para se chegar a esses objetivos. Na prática curricular. análise.

as disciplinas aparecem apenas como valor instrumental para a aprendizagem das habilidades cognitivas. como também.e ensino. atribuem importância à prática. o papel da educação e do ensino na sociedade e para os indivíduos. isto é. quais materiais de ensino e instrumentos de avaliação são mais eficazes. Nos currículos fechados tem-se o currículo por disciplinas isoladas. as 153 . ou seja. O currículo tecnicista gera um formato de currículo baseado na tecnologia de elaboração e de aplicação de programas curriculares: como selecionar e organizar objetivos e experiências de aprendizagem. o que se busca com o currículo. acentuando mais o "como" do que o "o quê". um conjunto de disciplinas a serem estudadas pelos alunos ao longo das séries escolares. O currículo sócio-crítico. Geralmente os objetivos e conteúdos são prescritos. no exercício prático de tomada de decisões. o formato do currículo tradicional corresponde melhor à idéia de plano de estudos. O conhecimento destas concepções contribui para a elaboração da proposta curricular. no entanto. Dessa forma. o integrado. inscritos numa grade curricular. quais técnicas devem utilizadas pelos professores. a relação do currículo com a prática. das estratégias de aprendizagem. tanto no sentido de a prática ser a referência para a elaboração e desenvolvimento curricular como no sentido de entender a prática curricular como um processo de investigação. O currículo numa perspectiva cognitiva acentua o desenvolvimento das capacidades cognitivas. importa distinguir para decidir entre currículos fechados e currículos abertos.

sejam integrados na estrutura mental do aluno. como cidadão). não se consideram os saberes e competências profissionais dos professores. Alguns princípios da interdisciplinaridade são: Ter como referência o sujeito que aprende e sua relação com o saber. atitudes. os conteúdos podem ser organizados em áreas e temas geradores. respeitando-se sua autonomia. O resultado prático da interdisciplinaridade é o estabelecimento de ligações de complementaridade entre as matérias escolares. de modo que os conhecimentos. seus saberes de experiência e saberes profissionais (Carvalho e Diogo. procedimentos. 1994). Suscitar e garantir processos integradores e a apropriação de saberes enquanto produtos cognitivos dos alunos (implica a organização de saberes sob o ponto de vista curricular. Estabelecer ligações entre teoria e prática. sem autonomia para tomar decisões. que atualmente é um dos mais importantes elementos do formato de currículo que corresponde melhor a uma proposta curricular de cunho cognitivo e social. didático e pedagógico). têm mais flexibilidade na definição de objetivos e competências. A elaboração e o desenvolvimento curricular contam com a participação dos professores. ou seja. . Interdisciplinaridade é um procedimento de organização da escola e do ensino que favorece a integração de aprendizagens e de saberes e a busca de saberes úteis para lidar com questões e problemas da realidade (levar o aluno a confrontar-se com a realidade. Entre as caraterísticas assinaladas nos currículos abertos está a interdisciplinaridade.escolas e os professores limitam-se a segui-los. Os currículos abertos preocupam-se com a integração entre as disciplinas.

apenas indicam algumas idéias a serem consideradas. a compreensão e a solidariedade entre os seres humanos. ao desenvolvimento das capacidades individuais e sociais. a melhoria da qualidade da vida. Mas. político e social. sem dúvida. em condições iguais de oportunidades. Os tópicos que apresentamos não cobrem o conjunto dos fatores e exigências de um currículo sensível aos problemas da nossa época. o desen volvimento da subjetividade e sensibilidade. 154 Fazer o caminho entre a especialização. disciplinar e a integração interdisciplinar e vice-versa. ao acesso aos bens culturais. Este princípio se baseia na crença do poder da educação para propiciar o desenvolvimento da razão critica pelo exercício da racionalidade. a inserção no trabalho e na vida social. a educação não atua sozinha. à formação da cidadania. implicando o direito de todos.A escolarização básica obrigatória tem um significado educativo. 1 . torna-se relevante considerar alguns princípios na construção de um currículo de cunho sócio-crítico. à conquista da dignidade humana e da liberdade intelectual e política. Alguns princípios orientadores da proposta curricular Se a organização curricular expressa os objetivos e estratégias de ação do projeto pedagógico-curricular. ela está condicionada por uma multiplicidade de fatores como os econômicos e políticos.Estabelecer ligações entre pontos de vista distintos acerca de um objeto de conhecimento. ela pode gerar . Evidentemente.

Ao mesmo tempo que se propicia uma cultura geral comum. os processos de desenvolvimento das capacidades cognitivas e operativas. do trabalho e do exercício da cidadania. Aprender a cultura. selecionados das bases das ciências e dos modos de ação acumulados pela experiência social da humanidade e organizados para serem ensinados na escola. as escolas têm uma responsabilidade concreta e real: propiciar a assimilação e a reconstrução dos conteúdos escolares e. ao mesmo tempo que possibilita a internalização de um conteúdo significativo e útil. pondo-se em prática o lema: uma escolaridade igual para sujeitos diferentes em uma escola comum (Gimeno. um caminho para a igualdade e a inclusão social. Não há que se alimentar ilusões.A escolarização obrigatória requer criteriosa seleção de conteúdos e adoção de adequadas práticas pedagógicas. proporciona também as ferramentas mentais para lidar praticamente com os conceitos nas situações 155 concretas da vida cotidiana. através deles. O termo "conteúdos" refere-se aos conhecimentos sistematizados. a ciência. 2000). . a arte através de um ensino que forme sujeitos pensantes e críticos não é nada muito mais do que a sempre proclamada formação geral que. portanto. Essa tarefa deve ser concretizada nas escolas e nas salas de aula. conforme uma pedagogia diferenciada. busca-se incorporar no currículo os interesses de todos os alunos em sua diversidade tanto no âmbito psicológico quanto no âmbito social e cultural.melhores condições de vida e de realização humana tanto para os indivíduos quanto para o conjunto da sociedade sendo. Este é um dever de justiça social. 2 .

e a cultura experienciada que acontece na família. a cultura acadêmica expressa no currículo. com a cultura dos meios de comunicação. a cultura dos alunos. a cultura das mídias. Além disso. incluindo métodos e procedimentos de aprendizagem e de estudo. valores. convicções. integrando no currículo a variedade de culturas que perpassa a escola: a cultura científica. cada aluno sinta-se valorizado e respeitado em sua subjetividade. o que implica formular . na cidade. em quaisquer situações de aprendizagem e de convivência social. a partir da diversificação de metodologias e procedimentos. vinculados aos conhecimentos. Trata-se de compreender a escola como lugar de síntese entre a cultura formal. 156 Os objetivos de formação cultural e de desenvolvimento curricular precisam considerar hoje a nova configuração econômica e política e as novas realidades sociais e culturais do mundo contemporâneo.O currículo escolar representa o cruzamento de culturas. da cidade e de suas práticas sociais. 3 . na rua. supõe-se uma pedagogia diferenciada em que. envolvendo modos de agir. constituindo-se num espaço de síntese em que a cultura elaborada se articula com os conhecimentos e experiências concretas dos alunos vividas no seu meio social. sistematizada. a cultura social. são atitudes. nas mídias e outros contextos culturais. de sentir e de enfrentar o mundo. Isso significa propiciar aos alunos conhecimentos e experiências diversificadas.são habilidades e hábitos. a cultura da escola (organizacional).

tendo como referência a internalização e reconstrução dos conteúdos culturais.coletivamente formas pedagógico-didáticas de assegurar essa articulação. mediante a condução pedagógica do professor que disporá de práticas de ensino intencionais e sistemáticas de promover o "ensinar a aprender a pensar".A organização e desenvolvimento do currículo implica a inserção da educação moral . Uma pedagogia do pensar é aquela que ajuda o aluno a transformar-se num sujeito pensante. mediante formulação explicita de conteúdos e competências e de formas metodológicas que suscitem nas . instrumentos conceituais de apreensão dos objetos de conhecimento. A equipe escolar precisa incluir na definição e na discussão pública da proposta curricular a educação para os valores. de modo que aprenda a utilizar seu potencial de pensamento pelos meios cognitivos de construção e reconstrução de conceitos. 4 . o desenvolvimento de competências do pensar. atitudes. a interligação das várias culturas que perpassam a escola etc. Há um razoável consenso hoje em torno de proposições sócio-interacionistas: o papel ativo do sujeito na aprendizagem escolar. 157 5 .compreensão e clarificação de valores e atitudes.O processo de ensino e aprendizagem deverá estar centrado no ensino do aprender a pensar e do aprender a aprender. valores. ou seja. Trata-se de investir numa combinação bem sucedida da assimilação consciente e ativa desses conteúdos com o desenvolvimento de capacidades cognitivas e afetivas pelos alunos visando a formação de estruturas próprias de pensamento. habilidades. a aprendizagem interdisciplinar.

nas várias disciplinas. de doutrinação política ou religiosa. O currículo em ação. quanto ao tema da dimensão moral do ensino. Certamente. mas de propiciar aos alunos estratégias e procedimentos de pensar sobre valores e critérios orientadores sobre modos de decidir e agir (Libâneo. corresponde à exigência atual de atribuição de sentido . Mas o trabalho com valores ligase. cultural e educacional estão requerendo um vínculo mais estreito entre os saberes propiciados pela escola e as capacidades e competências internalizadas pelos alunos que expressam a relação entre conhecimento e ação. os professores. 6 . Não se trata. mas levando a escola. os professores. de inculcar valores. Nesse sentido.As transformações em curso na esfera econômica. passam valores. significa pôr em prática não apenas as competências do pensar sobre valores. A associação entre os conteúdos de ensino e os objetivos e competências. Mas é justamente por isso que o grupo de professores e especialistas de uma escola precisa explicitar princípios norteadores para a vida prática decorrentes de um consenso mínimo. a partir da busca de sentidos de sua própria experiência e da cultura organizacional que vivenciam na escola. os alunos a praticá-los em contextos e situações concretas. também. obviamente. como parte do chamado currículo oculto. a escola. há que se considerar formas criativas de lidar com os temas transversais propostos nos Parâmetros Curriculares Nacionais. 2000).salas de aula o "pensar" sobre valores e práticas morais. com a cultura da escola. o ambiente. a todo momento.

O currículo pluridisciplinar é aquele em que as disciplinas encontram-se justapostas e isoladas entre si. 7 – É preciso que as escolas vão buscando formas de superação do currículo pluridisciplinar. horizontal e verticalmente. definem-se os objetivos e conteúdos da disciplina e as possibilidades de articulação com as demais disciplinas de uma mesma série de modo a atender os objetivos. habilidades para resolver problemas práticos e imediatos. favorecendo a integração interdisciplinar. dominar regras de atuação. cuidar para que os conhecimentos e modos de ação contribuam para a internalização de determinadas capacidades e competências. para além da mera instrumentação dos conteúdos da perspectiva tecnicista que reduz as aprendizagens ao "saber fazer". permuta de experiências e . Há que se pensar numa estrutura curricular em que os vários campos do conhecimento se articulem num todo orgânico e se integrem. ou mais precisamente. A interdisciplinaridade como forma de compreensão do processo de construção do conhecimento é ao mesmo tempo uma atitude . Trata-se aqui de articular a seleção de conteúdos com objetivos e competências exigíveis como resultados do processo de ensino e aprendizagem. capacidades e competências definidos pelo conjunto dos professores. Uma vez formulados os objetivos do projeto pedagógicocurricular e as capacidades e competências desejadas. isto é.158 aos saberes escolares. a partir da especificidade das disciplinas.diálogo entre vários especialistas. técnicas.

.A escola voltada para uma sociedade que inclua todos precisa considerar a diversidade cultural e as diferenças. na escola e dentro das salas de aula. 9 . Um dos mais relevantes objetivos democráticos no ensino será fazer da escola um lugar em que todos os alunos possam experimentar sua própria forma de realização e sucesso. a partir de uma base comum de cultura geral para todos.conhecimentos. o combate ao racismo e a outros tipos de discriminação e preconceito. um espaço de diálogo e comunicação entre grupos sociais diversos. O currículo intercultural é o que. uma forma de organização administrativa e pedagógica elaboração coletiva do projeto pedagógico e participação na gestão da escola.A qualidade social do currículo se expressa no provimento das condições pedagógico-didáticas que asseguram melhor qualidade cognitiva e operativa das experiências de aprendizagem. produção conjunta de conhecimentos. O provimento da cultura escolar aos alunos e a constituição de um espaço democrático na organização escolar devem incluir a interculturalidade: o respeito e valorização da diversidade cultural e das diferentes origens sociais dos alunos. 159 8 . acolhe a diversidade e a experiência particular dos diferentes grupos de alunos e que propicia. de modo a representar num currículo comum os interesses de todos os alunos.construção conjunta de uma proposta curricular baseada na integração entre as disciplinas e envolvimento em projetos comuns de desenvolvimento do currículo. uma prática curricular .

sim. escrever e fazer contas.O êxito da escola. da introdução de inovações técnicas mas. Passa pelo conhecimento teórico-prático. basicamente. da gestão participativa. A cultura hoje não passa somente pelo ler. para o que se mobiliza o currículo.1986). propiciada a todos os alunos em condições iguais. produtiva. . social e afetiva da aprendizagem.O currículo escolar deve propiciar no processo educativo a articulação entre as dimensões cognitiva. É na sala de aula que podemos realizar. de capacidade operativa. É através das formação cultural de sólidos conhecimentos e capacidades cognitivas fortemente desenvolvidas . Portanto. como professores. 160 É preciso dar instrução. conhecimento e uso de novos instrumentos de produção e comunicação entre os homens. a justiça social em matéria de educação. da qualidade cognitiva e operativa das aprendizagens. a gestão e o desenvolvimento profissional dos professores. a qualidade social da escola se manifesta na garantia da qualidade cognitiva e operativa das aprendizagens para a produção de saberes. saber agir) e maior participação democrática. especialmente da escola pública. e de capacidade cognoscitiva (Manacorda. 10 . mas como instrumento concreto de conhecimento. com maior capacidade operativa (saber fazer. depende não apenas do exercício da democracia nas escolas.que os filhos das camadas médias e pobres da população podem participar de uma vida mais digna e mais completa.

É necessário um incessante investimento no desenvolvimento pessoal e profissional dos professores. mas no desenvolvimento do currículo e das práticas de ensino é preciso especial atenção para o fato de que os alunos são sujeitos concretos. condicionados por culturas particulares da sua origem social. deixá-los falar. que possibilitem aos professores conversar mais com alunos. de forma organizada. ajudá-los na capacidade de comunicação com o mundo do outro. expor seus sentimentos. técnicas. seja propiciando 161 se. interesses. mais prazerosas. Isso implica em conhecer e compreender motivações. seus desejos. também. ter sensibilidade para situar a relação docente no contexto físico. social e cultural. na escola. 11 . Implica. de tornar as experiências de sala de aula mais agradáveis.Essas dimensões estão presentes no comportamento dos sujeitos que aprendem. o social e o afetivo possibilita compreender o papel da escola e da equipe docente em ajudar os alunos a construírem sua subjetividade como pessoas humanas e como sujeitos portadores de uma identidade cultural e pertencentes à humanidade. portadores de saberes decorrentes de suas experiências vividas. necessidades de alunos diferentes entre si. mobilizar procedimentos. meios. A busca de condições de exercício da profissão aponta para a necessidade de as escolas assegurarem um ambiente . um clima de trabalho receptivo seja promovendo ações de formação continuada. A busca da articulação entre o cognitivo.

mais se requer um conhecimento que interprete. mas também por ser ela própria um lugar onde se põe em prática a vivência do que se propõe nos objetivos: desenvolvimento da autonomia de pensamento. ninguém dá o que não tem. o que implica a reordenação de formas de organização do trabalho na direção de relações sociais interativas e solidárias. precisa prover . convivência e tomada de decisões. Para isso. 12 . não pode ensinar cultura. Para isso. participação nas decisões. também. A par disso. Professor que não se cultiva. elabore e critique todas as modalidades de informação que afeta o trabalho do professor. cultivar os processos democráticos e solidários de trabalho. O ideal de um currículo que visa a emancipação intelectual e política das pessoas é propiciar a todos condições iguais de exercício da cidadania. iniciativa. Mas não basta a participação. A elaboração e desenvolvimento do currículo é um exercício de reflexão coletiva sobre a prática.de trabalho em que as pessoas se sintam bem e que possam crescer pessoal e profissionalmente. e preciso que na organização da escola e no processo de elaboração curricular se invista em ações de formação continuada. que não está seguro ao menos no campo de conhecimento em que se especializa e na metodologia de ensino. liderança. A educação escolar pode contribuir para a democracia não apenas pela formação do cidadão crítico e participativo.As escolas precisam. é indispensável que o desenvolvimento do currículo esteja vinculado ao desenvolvimento profissional dos professores. Quanto mais se admite estarmos vivendo numa sociedade do conhecimento. No terreno da cultura e da ciência.

A proposta curricular.oportunidades em que os alunos possam exercer a democracia mediante formas de 162 participação. para o que se requer: 1. tendo em vista os resultados da aprendizagem. os objetivos gerais. considerado o contexto sóciocultural. métodos e formas organizativas do ensino. de forma mais abrangente. para definir a proposta curricular da escola: qual modelo curricular adotar? Quais objetivos e conteúdos? Quais os critérios de seleção e organização dos conteúdos? 2. capacitação para tomar iniciativas. conteúdos. concretiza essas grandes linhas em objetivos. discussão publica de pontos de vista. expressando intenções e expectativas sobre a formação dos alunos. processos organizados de tomada de decisões. A proposta curricular da escola implica decisões conjuntas dos professores. Conhecimento e análise critica das orientações normativas do sistema nacional de ensino e das diretrizes estaduais ou municipais (LDB e normas legais regionais). Explicitação dos princípios norteadores de formação expressando expectativas em relação à formação esperada (perfil) dos alunos. O processo de elaboração da proposta curricular No projeto pedagógico-curricular são formulados. por áreas curriculares ou disciplinas. . propriamente dita. competências. A elaboração da proposta curricular supõe dois momentos articulados entre si: a proposta curricular formulada pela escola e os planos de ensino dos professores.

de modo que os professores possam tomar decisões mais pontuais em suas próprias disciplinas e no . Escolha de metodologias e procedimentos compatíveis com os objetivos e com a proposta curricular. Concepções e procedimentos de avaliação da escola. Tais "intenções" devem ser expressas. que sejam consensuais. Definição de formas e propostas trabalho entre as disciplinas que envolvam assuntos mais significativos para os alunos. em linhas gerais. de preferência.3. habilidades/ procedimentos e de atitudes/valores. incluindo a inserção deles nos processos de tomada de decisão. Definição de sistemáticas comuns de avaliação dos alunos. contemplando as dimensões dos conteúdos: conhecimentos/conceitos. consideradas as várias áreas e/ou disciplinas. 4. Definição de normas de funcionamento. Seleção e organização das disciplinas que irão compor o currículo e de outras atividades curriculares. bem como de atividades curriculares complementares. do currículo. dos professores e da aprendizagem dos alunos. incluindo decisões como: 163 Definição de temas comuns a serem tratados por diferentes disciplinas. através de projetos. atitudes. Formulação de objetivos e competências gerais por séries. 5. Explicitação de formas de participação dos alunos no planejamento do currículo e nas instâncias de organização e gestão. práticas. 6.

Convém. da cultura organizacional. atitudinais). O plano deve conter uma justificativa do papel da disciplina no currículo de formação geral. procedimentais. os conteúdos. recursos didáticos). . em consonância com a proposta curricular da escola. 3.âmbito das séries. de modo a conferir sua relevância frente a necessidades e demandas concretas da escola e aos significados. mas as escolas precisam desenvolver uma interação crítica com os dispositivos normativos. a avaliação. Cada disciplina define seus objetivos. explicitação das interfaces com outras disciplinas. procedimentos de avaliação. conteúdos (conceituais. o desenvolvimento metodológico. 2. as competências. compatibilização com a proposta curricular da escola e os objetivos terminais por série. expectativas e sentimentos compartilhados pelo grupo social que constitui a escola. cotejando-os com os contextos particulares em que são aplicados. A legislação e as orientações oficiais são legítimas. 164 Os planos de ensino são elaborados pelos professores. considerar que é sumamente imprescindível que a elaboração do currículo leve em conta a situação concreta de cada escola. O plano de ensino compreende os objetivos. Trata-se de promover a reflexão crítica sobre esses dispositivos. ainda. métodos. da cultura local. Algumas recomendações: 1. competências em relação aos objetivos e conteúdos e desenvolvimento metodológico (condições para a aprendizagem ocorrer: ações pedagógico-didáticas.

as competências.4. constituindo-se em guia para a ação da escola e da equipe de professores. a articulação vertical e horizontal entre as áreas/disciplina do currículo. Hoje não há mais lugar para a quantificação de objetivos de ensino. Há vários sentidos de competência e o mais conhecido está ligado a uma visão economicista segundo a . É justamente aqui que aparecem as competências. Em relação aos objetivos e competências. Os professores estão sendo solicitados a trabalhar com mais um termo do vocabulário pedagógico. porque o 165 processo pedagógico-didático que movimenta o currículo implica intencionalidade. Sendo o ensino uma prática intencional e supondo-se que os professores precisam saber se seus objetivos estão sendo atingidos. adotados no Brasil com base na teoria behaviorista aplicada ao ensino. mas objetivos continuam sendo imprescindíveis. Há quem critique esse termo e sua utilização nas escolas devido à sua semelhança com os chamados "objetivos comportamentais". Os objetivos esclarecem o que se pretende fazer. em função de certa obsessão pela objetividade e eficiência. O planejamento curricular coletivo deve assegurar. Ainda não se tem muita clareza sobre o modo de inserção das competências na elaboração da proposta curricular e dos planos de ensino. fazem-se necessárias algumas observações. dentro da concepção e formato de currículo escolhidos. teoria essa que recebeu a denominação de tecnicismo educacional. A crítica refere-se a um excesso de quantificação na definição e detalhamento de objetivos operacionais. é preciso que explicitem o que esperam conseguir da aprendizagem dos alunos.

Segundo Perrenoud. 2000). utilizam. O sentido que assumimos aqui é outro: competência refere-se à mobilização de recursos cognitivos (saberes.qual a busca da produtividade econômica requer pessoas competentes. formular competências a serem dominadas pelos alunos no final de uma série ou ciclo escolar não é muito diferente de definir objetivos em termos de práticas observáveis. uma atividade prática. Nesse sentido. portanto. as competências expressam metas claras comunicáveis aos estudantes. atitudes) para enfrentar situações referentes a conhecimentos aprendidos (Perrenoud. 166 No plano de ensino. ou seja. Ou seja. ter competência é saber mobilizar recursos cognitivos diante de um problema. Todavia. um dilema. pessoas tecnicamente eficientes. diferentemente dos antigos "objetivos comportamentais". porque as competências estão apoiadas em conhecimentos e numa variedade de outros recursos cognitivos. procedimentos. a questão aqui é a da relação significativa e operativa que o aluno estabelece com os conteúdos. as competências são compatíveis com uma teoria sócio-interacionista em que o ensino impulsiona as capacidades cognitivas dos alunos de modo a mobilizar formas de apropriação e utilização de conteúdos. Compreendidas nesses termos. é falso o dilema sobre se é mais importante a aquisição de conhecimentos ou o desenvolvimento de competências. representam uma transferência de conhecimentos e uma capacidade para lidar com situações complexas ou não previstas. integram ou mobilizam conhecimentos. pode-se entender que os objetivos de ensino referem-se a uma explicitação mais geral . isto é. As competências. técnicas.

Um currículo básico comum representa um benefício para a democratização do acesso e permanência na escola. Os PCN foram elaborados para fornecer uma orientação geral e coerente do currículo. operacionais e técnicos necessários ao atendimento universal da demanda por escolarização. conteúdos e desenvolvimento metodológico. formulado pela Secretaria de Educação Fundamental do MEC. A escolarização obrigatória é um requisito indispensável do processo de democratização da sociedade e a escola convencional o lugar próprio para proporcionar as bases de cultura geral extensiva a todos os brasileiros.. em relação aos conhecimentos teóricos e práticos correspondentes. bem como as condições de aprendizagem das crianças e . modos de fazer. como referencial para a organização curricular das escolas. em âmbito nacional. O papel dos Parâmetros Curriculares Nacionais Para a definição de objetivos. consideradas a heterogeneidade social e cultural e as disparidades econômicas do país. por sua vez. Há boas razões que justificam a proposição de orientações curriculares para o sistema de ensino. Em alguns lugares.". também a Secretaria Estadual da Educação (ou municipal) dispõe de uma proposta curricular para o sistema de ensino.daquela fórmula conhecida dos professores: "O aluno deverá ser capaz de. referem-se ao detalhamento de ações. as competências. Este é o princípio que justifica o dever social e ético do governo em oferecer subsídios para um currículo básico comum e propiciar os suportes financeiros. visando a melhoria da qualidade de ensino.. será útil a consulta aos Parâmetros Curriculares Nacionais. habilidades.

jovens que se apresentam desiguais conforme cada contexto social. Obviamente, está-se considerando que os PCN são, de fato, parâmetros, isto é, oferecem orientações pedagógicas e curriculares 167 gerais, enquanto subsídios aos professores para refletirem e tomarem decisões, em nível local, sobre objetivos e conteúdos, formas metodológicas de atuação docente. Além disso, não se pode acreditar que tais subsídios curriculares sejam suficientes para elevar o nível de qualidade da educação escolar. Uma coisa é a letra do documento, outra são as práticas de aprendizagem na sala de aula que precisam ser consideradas em relação a outros fatores como o salário, a carreira docente, as condições de trabalho, o reconhecimento social da profissão de professor. Os PCN são, pois, uma referência, um ponto de partida, para que se possa articular objetivos e conteúdos com a cultura das escolas e das salas de aula envolvendo tudo o que um documento geral como este não pode nem deve prever: a diversidade regional, as decisões do professor, a dinâmica das interações na sala de aula, o currículo oculto, a adequação local de conteúdos, o significado social dos conteúdos, as práticas de avaliação, os desenvolvimentos metodológicos etc. Cabe, portanto, aos sistemas de ensino, aos coordenadores pedagógicos, orientadores educacionais e responsáveis por sistemas de formação continuada, uma multiplicidade de tarefas que complementam a proposta curricular. Afinal, sabemos que é na escola que se criam os espaços de diálogo e comunicação entre grupos sociais diversos, o que pode ser

perfeitamente contemplado no projeto pedagógicocurricular da escola. Todavia, a defesa da adequação do currículo às realidades regionais e locais não nos leva a ceder a propostas que postulam currículos exclusivos das escolas, à margem de um currículo básico nacional. Tais currículos levariam, de fato, a uma atitude discriminadora, já que estariam sonegando aos alunos aqueles conteúdos e instrumentos conceituais mais universais necessários para melhor compreender o mundo e a sociedade de que fazem parte e a potencializar suas formas de atuação na realidade. Se poderia ser legítimo o argumento de que o currículo oficial não contempla os aspectos da cultura local já que são os sujeitos reais que dão significados aos 168 conteúdos, também se poderia dizer que estaríamos frente a uma desigualdade de oportunidades quando as crianças não têm acesso a um conhecimento mais sistematizado e mais científico. Fica difícil pensar-se num currículo local deixando toda a iniciativa à comunidade escolar num momento em que o ensino fundamental torna-se crucial na capacidade de aprender e do provimento dos instrumentos básicos de pensamento. Os PCN e a organização curricular. Os Parâmetros Curriculares Nacionais definem a organização curricular considerando a especificidade das áreas e disciplinas dentro de um todo integrado e a organização da escolaridade por ciclos.

A organização do conhecimento escolar em áreas, os respectivos conteúdos e o tratamento transversal de questões sociais constituem os elementos básicos da organização curricular, integrando conhecimentos de diferentes disciplinas. Diz o documento: A concepção da área evidencia a natureza dos conteúdos tratados, definindo claramente o corpo de conhecimentos e o objeto de aprendizagem, favorecendo aos alunos a construção de representações sobre o que estudam. Essa caracterização da área é importante também para que os professores possam se situar dentro de um conjunto definido e conceitualizado de conhecimentos que pretendam que seus alunos aprendam, condição necessária para proceder a encaminhamentos que auxiliem as aprendizagens com sucesso. Os temas transversais referem-se a questões que interferem na vida dos alunos e com as quais se vêem confrontados no seu dia-adia. São apresentados como temas transversais: ética, saúde, meio ambiente, orientação sexual e pluralidade cultural. Em algumas escolas, as temáticas sociais já vinham sendo tratadas em Estudos sociais, Ensino Religioso e outras disciplinas específicas. Os PCN adotam o tratamento transversal, sem restringi-las a uma única área. De acordo com o documento, os temas transversais são assim definidos: 169 (...) um conjunto de temas que aparecem transversalizados nas áreas definidas, isto é, permeando a concepção, os objetivos, os conteúdos e as orientações didáticas de cada área, no decorrer de toda a escolaridade obrigatória.

A transversalidade pressupõe, portanto, um tratamento integrado das áreas e uma vivência no âmbito da organização da escola dos valores trabalhados em sala de aula. Implica, também, adaptações a contextos locais. Por exemplo, ao se tratar da educação ambiental, serão contemplados conteúdos e vivências conforme peculiaridades locais, por exemplo, nos seringais da Amazônia ou na periferia das grandes cidades. A organização em ciclos é uma tentativa de superar a segmentação excessiva produzida pelo regime seriado e minimizar a ocorrência da repetência e da evasão escolar. A flexibilização da seriação permitiria trabalhar o currículo ao longo de um período de tempo maior, respeitando-se os diferentes ritmos de aprendizagem dos alunos. Os Parâmetros Curriculares Nacionais estão organizados em ciclos de dois anos. O primeiro ciclo se refere às primeira e segunda séries; o segundo ciclo, às terceira e quarta séries; e assim subseqüentemente para as outras quatro séries. O documento alerta que a estruturação por ciclos não contempla os principais problemas da escolaridade no ensino fundamental como a ruptura entre a quarta e quinta séries, início tardio da escolarização, entre outros. Trata-se de uma das possíveis estratégias de intervenção na problemática educacional do país, necessitando de ações cautelosas para sua adoção. CAPÍTULO - IX ORGANIZAÇÃO GERAL DO TRABALHO ESCOLAR 173

O segundo elemento do processo organizacional é a organização propriamente dita, isto é, a racionalização do uso de recursos materiais, físicos, financeiros, informacionais e das atividades desempenhadas pelas pessoas. A organização incide diretamente na eficiência e na eficácia do processo de ensino e aprendizagem, à medida que garante as condições de funcionamento da escola e uma ação unificada da equipe escolar. A falta de unidade da ação educativa em torno de diretrizes, normas, desempenho de funções, rotinas, pode resultar em situações que comprometem o trabalho. Por exemplo: um professor exige cuidado com o mobiliário escolar, enquanto outro permite que as crianças façam rabiscos na carteira; um professor exige dos alunos a utilização da linguagem padrão, outro permite ou utiliza expressões fora da linguagem padrão; um professor nunca dá tarefas, outro sobrecarrega os alunos de exercícios; bate o sinal, alguns professores permanecem na sala de professores; 174 a qualquer pretexto, em qualquer hora, a coordenação ou um funcionário entra na sala de aula para dar avisos, deixar a merenda, chamar um aluno etc.; a professora precisa do retro-projetor mas a servente faltou e ficou com a chave. Essas situações revelam falta de organização adequada, afetando as atividades de ensino. Para se evitar isso, é necessário que todos os aspectos da vida escolar sejam devidamente contemplados na organização geral da escola, antes do início do ano letivo. A organização geral diz

serviços administrativos etc. distribuição de alunos por classes. contatos com pais.respeito a: horário. matrícula. O que se .correta distribuição de tarefas. relações humanas satisfatórias. normas disciplinares. docente). . Um mínimo de divisão de funções faz parte da lógica da organização educativa. d) a organização de atividades que vinculam a escola com a comunidade. administrativo. entrada e saída da classe. condições de higiene e limpeza etc. c) a organização das atividades de apoio técnicoadministrativo. a) Organização da vida escolar Trata-se da organização do trabalho escolar em função de sua especificidade e de seus objetivos. organização do espaço físico. b) a organização do processo de ensino e aprendizagem (trabalho do professor e dos alunos em sala de aula).que concorrem para o desenvolvimento e alto rendimento escolar dos alunos. controle de freqüência do pessoal (técnico. sem comprometer a gestão democrática. serviços de limpeza e conservação. É a criação de condições ótimas . sistema 175 participativo de tomada de decisões. sistema de assistência pedagógico-didática ao professor. clima de trabalho. Essas várias atividades são agrupadas em quatro áreas de ação: a) a organização da vida escolar (a escola como um todo). A estrutura organizacional e o cumprimento das atribuições de cada membro da equipe é um elemento indispensável para o funcionamento da escola.

176 c) Organização das atividades de apoio técnicoadministrativo . sua participação ativa. o trabalho independente. dos planos de ensino e sua estrutura didático-pedagógica. as horas de descanso. o desenvolvimento de habilidades e capacidades intelectuais. aos aspectos de organização do trabalho do professor e dos alunos na sala de aula. as atividades de Educação Física e recreação etc. Supõe a elaboração do projeto pedagógico-curricular. os valores e a experiência dos professores. A organização do trabalho na sala de aula não visa apenas ao cumprimento dos programas. Sua função essencial é a de distribuir racionalmente as atividades da escola pelos dias da semana. Aqui intervêm a imprescindível colaboração da coordenação pedagógica (e da orientação educacional onde houver). orientada por uma concepção de ensino como direção da atividade cognoscitiva dos alunos sob orientação do professor. Implica a distribuição de disciplinas com sua carga horária correspondente. b) Organização do processo de ensino e aprendizagem Refere-se. mas ao envolvimento dos alunos. impedindo a participação e discussão e não levando em conta as idéias.deve evitar é a redução da estrutura organizacional a uma concepção estritamente funcional e hierarquizada de gestão subordinando o pedagógico ao administrativo. basicamente. Um importante aspecto da organização escolar é o regime de trabalho diário. expresso no horário escolar.

As tarefas administrativas têm a função de fornecer o apoio necessário ao trabalho docente. Abrangem as atividades de Secretaria (prontuário de alunos e professores, registro escolar, arquivos, livros de registro etc.), serviços gerais (inspetores de alunos, serventes, merendeira, porteiros e vigias etc.), atividades de limpeza e conservação do prédio, do mobiliário escolar e do material didático. d) Organização de atividades que vinculam escola e comunidade Essa área de ação refere-se às relações entre a escola e o ambiente externo: com os níveis superiores de gestão do sistema escolar, com os pais, com as organizações políticas e comunitárias, com a vida da cidade etc. O objetivo dessas atividades é estender a ação educativa da escola onde for possível e adequado e, ao mesmo tempo, buscar cooperação e apoio das diferentes instituições civis, sociais, culturais que possam contribuir para o aprimoramento das atividades de ensino e educação dos alunos. Em especial, espera-se que os pais participem ativamente da gestão da escola, mediante canais de participação bem definidos. A participação dos pais, de instituições e de organizações da comunidade na escola supõe uma definição clara das formas de participação. São distintas as responsabilidades e tarefas dos profissionais da escola (direção, professores, funcionários) daquelas dos pais e instituições da comunidade. Não cabe aos pais, por exemplo, interferir diretamente nas atividades de sala de aula. As formas de participação da comunidade devem estar subordinadas aos objetivos e tarefas da escola, à

observância de certas normas e diretrizes próprias da instituição escolar. CAPÍTULO X - 179 A direção e coordenação são funções típicas dos profissionais que respondem por uma área ou setor da escola tanto no âmbito administrativo quanto no âmbito pedagógico. Dirigir e coordenar são tarefas que canalizam o esforço coletivo das pessoas para os objetivos e metas estabelecidos. Tanto os pedagogos especialistas quanto os professores precisam estar aptos para dirigir e coordenar, em alguma instância de seu exercício profissional. A direção, conforme já foi estudado, é pôr em ação, de forma integrada e articulada, todos os elementos do processo organizacional (planejamento, organização, avaliação), envolvendo atividades de mobilização, liderança, motivação, comunicação, coordenação. A coordenação é um aspecto da direção, significando a articulação e a convergência do esforço de cada integrante de um grupo visando a atingir os objetivos. Quem coordena tem a responsabilidade de integrar, reunir esforços, liderar, concatenar o trabalho de diversas pessoas. A tarefa de direção visa a: dirigir e coordenar o andamento dos trabalhos, o clima de trabalho, a eficácia na utilização dos recursos e meios, em função dos objetivos da escola, assegurar o processo participativo de tomada de decisões e, ao mesmo tempo, cuidar para que essas decisões se convertam em ações concretas; 180

assegurar a execução coordenada e integral das atividades dos setores e elementos da escola, com base nas decisões tomadas coletivamente; articular as relações interpessoais na escola e entre a escola e a comunidade (incluindo especialmente os pais). O exercício da direção e coordenação depende de alguns fatores, tais como: autoridade, responsabilidade, decisão, disciplina e iniciativa. A autoridade é o exercício de um poder delegado a alguém para dirigir e coordenar as medidas tomadas coletivamente, implicando determinadas qualidades e conhecimento de suas funções. É recomendável que a autoridade seja descentralizada, delegando-se tarefas aos demais membros da equipe escolar. A responsabilidade é uma exigência inerente à autoridade. Mesmo no caso de procedimentos grupais de tomada de decisões e descentralização das tarefas, a responsabilidade final é de quem dirige/coordena. A decisão é a capacidade de selecionar, diante de várias alternativas, a medida mais adequada conforme as situações concretas. Com base em um plano de trabalho, de objetivos e tarefas estabelecidas mediante a participação da equipe escolar, o diretor ou coordenador não pode furtar-se de tomar as decisões necessárias. A disciplina implica compatibilizar a conduta individual com as normas, regulamentos, interesses da vida social e escolar, assumidos coletivamente. A iniciativa é a capacidade crítica e criadora de encontrar soluções aos problemas que se apresentam no desenvolvimento do processo de direção, o que implica a capacidade de enfrentar o imprevisto e situações inusitadas ou embaraçosas.

Para atender a uma necessária divisão de trabalho, tem sido comum nas escolas brasileiras diferenciar as funções de diretor e de coordenador pedagógico. Ambos assumem atividades de direção e coordenação, ambos recebem a delegação de coordenar o trabalho coletivo e a manutenção do clima, das condições de trabalho e do ambiente formativo para o desenvolvimento pessoal e profissional das pessoas da escola. Para isso, precisam reconhecer que seu trabalho tem uma característica genuinamente interativa, ou seja, seu trabalho está a serviço das pessoas e da organização, requerendo deles uma formação específica para buscar soluções para os problemas, saber coordenar o trabalho conjunto, discutir e avaliar a prática, assessorar e prestar apoio logístico aos professores na sala de aula. Todavia, cada um desempenha funções específicas implicando, também, uma formação profissional específica. O diretor de escola é o dirigente e principal responsável pela escola, tem a visão de conjunto, articula e integra os vários setores (setor administrativo, setor pedagógico, secretaria, serviços gerais, relacionamento com a comunidade etc.). Em outros tempos, muitos dirigentes escolares foram alvo de criticas por práticas excessivamente burocráticas, conservadoras, autoritárias, centralizadoras. Embora aqui e ali continuem existindo profissionais com esse perfil, hoje estão disseminadas práticas de gestão participativa, liderança participativa, atitudes flexíveis e compromisso com as necessárias mudanças na educação. As funções do diretor são, predominantemente, gestoras e administrativas, entendendo-se, todavia, que elas têm conotação pedagógica, uma vez que referem-se a uma

instituição e a um projeto educativos e existem em função do campo educativo. A título de ilustração, apresentamos uma lista de atribuições do diretor de escola: 1. Supervisionar e responder por todas as atividades administrativas e pedagógicas da escola bem como as atividades com os pais e a comunidade e com outras instâncias da sociedade civil. 2. Assegurar as condições e meios de manutenção de um ambiente de trabalho favorável e de condições materiais 182 necessárias à consecução dos objetivos da escola, incluindo a responsabilidade pelo patrimônio e sua adequada utilização. 3. Promover a integração e a articulação entre a escola e a comunidade próxima, com o apoio e iniciativa do Conselho de Escola, mediante atividades de cunho pedagógico, científico, social, esportivo, cultural. 4. Organizar e coordenar as atividades de planejamento e do projeto pedagógico.-curricular, juntamente com a coordenação pedagógica, bem como fazer o acompanhamento, avaliação e controle de sua execução. 5. Conhecer a legislação educacional e do ensino, as normas emitidas pelos órgãos competentes e o Regimento Escolar, assegurando o seu cumprimento. 6. Garantir a aplicação das diretrizes de funcionamento da instituição e das normas disciplinares, apurando ou fazendo apurar irregularidades de qualquer natureza, de forma transparente e explicita, mantendo a comunidade escolar sistematicamente informada das medidas.

em comum acordo com o Conselho de Escola. uma lista de atribuições de coordenação pedagógica: . Supervisionar e responsabilizar-se pela organização financeira e controle das despesas da escola. dos professores. De acordo com estudos recentes sobre formação continuada de professores. incluindo a avaliação do projeto pedagógico. Conferir e assinar documentos escolares. Registramos. construir e administrar situações de aprendizagem adequadas às necessidades educacionais dos alunos. em função da qualidade do ensino. encaminhar processos ou correspondências e expedientes da escola. 9. integração e articulação. O coordenador pedagógico responde pela viabilização. a seguir. do trabalho pedagógico-didático em ligação direta com os professores.7. de comum acordo com a secretaria escolar. pedagogos especialistas e professores. visando a boa qualidade do ensino. Buscar todos os meios e condições que favoreçam a atividade profissional dos pedagogos especialistas. do currículo e dos professores. Supervisionar a avaliação da produtividade da escola em seu conjunto. sobretudo mediante procedimentos de reflexão e investigação. da organização escolar. auxiliando-os a conceber. 183 10. A coordenação pedagógica tem como principal atribuição a assistência pedagógico-didática aos professores. dos funcionários. 8. para se chegar a uma situação ideal de qualidade de ensino (considerando o ideal e o possível). o papel do coordenador pedagógico é de monitoração sistemática da prática pedagógica dos professores.

Coordenar reuniões pedagógicas e entrevistas com professores visando a promover inter-relação horizontal e vertical entre disciplinas. 184 5. junto ao corpo docente. adequar conteúdos. incluindo a assistência direta aos professores na elaboração dos planos de ensino. o projeto pedagógico-curricular da unidade escolar. 3. 2. estimular a realização de projetos conjuntos entre os professores. escolha de livros didáticos. Responder por todas as atividades pedagógicodidáticas e curriculares da escola e pelo acompanhamento das atividades de sala de aula. metodologias e práticas avaliativas.1. diagnósticos de dificuldades etc. adequação de conteúdos. Propor para discussão. Orientar a organização curricular e o desenvolvimento do currículo. Supervisionar a elaboração de diagnósticos e projetos para a elaboração do projeto pedagógicocurricular da escola e outros planos e projetos. 4. orientação da aprendizagem. práticas avaliativas. visando a níveis satisfatórios de qualidade cognitiva e operativa do processo de ensino e aprendizagem. Prestar assistência pedagógico-didática direta aos professores. . gestão da classe. diagnosticar problemas de ensino e aprendizagem e adotar medidas pedagógicas preventivas. acompanhar e supervisionar suas atividades tais como: desenvolvimento dos planos de ensino.. práticas de avaliação da aprendizagem. 6. desenvolvimento de competências metodológicas.

que requerem formação profissional também específica. as funções de direção. Organizar as turmas de alunos. Elaborar e executar programas e atividades com pais e comunidade. especialmente de cunho científico e cultural. 12. embora deva receber formação para lidar com questões de ensino. difundiu-se bastante a idéia de que a direção e a coordenação pedagógica são formas diferenciadas de uma única função. Acompanhar o processo de avaliação da aprendizagem (procedimentos. Há divergências significativas sobre se a atividade "administrativa" distingue-se da atividade "pedagógica" e sobre se a direção 185 administrativa e direção pedagógica devem ser exercidas necessariamente por um professor. Nesse caso. designar professores para as turmas. Cuidar da avaliação processual do corpo docente. 10. coordenação . Tanto o diretor de escola quanto o coordenador pedagógico desempenham. cada um. Em outras palavras. Defendemos uma posição diferente. formas de superação de problemas etc. 9. resultados. planejar e coordenar o Conselho de Classe. No Brasil.7. 11. 8. elaborar o horário escolar. distinta daquela provida aos professores. Acompanhar e avaliar o desenvolvimento do plano pedagógico-curricular e dos planos de ensino e outras formas de avaliação institucional. o diretor não precisa exercer nem ter exercido a docência. funções específicas. Propor e coordenar atividades de formação continuada e de desenvolvimento profissional dos professores. a docente.).

De modo especial para os professores. freqüentemente completados por estágios.pedagógica e docente não precisam coincidir necessariamente. com isso. A formação inicial refere-se ao ensino de conhecimentos teóricos e práticos destinados à formação profissional. envolvendo tanto o setor pedagógico como o técnico e administrativo. introduzem-se novas tecnologias. acentuam-se os problemas sociais e econômicos. As escolas passam por inovações estruturais como as . criam e recriam estratégias de trabalho e. torna-se crucial numa profissão que lida com saberes e com a formação humana. que se prolonga por toda a vida. que os professores enfrentam e resolvem problemas. O termo formação continuada vem sempre acompanhado de outro. no contexto de trabalho. modificam-se os comportamentos da infância e da juventude. e ao desenvolvimento de uma cultura geral mais ampla. a formação inicial. para além do exercício profissional. elaboram e modificam procedimentos. a formação continuada é condição para a aprendizagem permanente e o desenvolvimento pessoal. numa época em que se renovam os currículos. A formação continuada é o prolongamento da formação inicial visando ao aperfeiçoamento profissional teórico e prático no próprio contexto de trabalho. É na escola. vão promovendo mudanças pessoais e profissionais.189 A formação continuada é outra das funções da organização escolar. A FORMACÃO CONTINUADA CAPÍTULO XI . Uma formação permanente. cultural e profissional.

Esse mesmo autor escreve que. compreendendo-as e elaborando formas de enfrentá-las. Ou seja. não basta saber sobre as dificuldades da profissão.190 novas formas de gestão.nas reuniões pedagógicas. explicados e até resolvidos com mais consciência. o desânimo. é preciso refletir sobre elas e buscar soluções. a avaliação formativa. os quais podem ser diagnosticados. dos impactos da informação. ajudando os professores a tomarem consciência delas. nas entrevistas com a coordenação pedagógica. da propaganda. . de preferência. o interculturalismo. a elaboração coletiva do projeto pedagógico. não basta somente a prática reflexiva como não é suficiente apenas a experiência: . uma prática reflexiva . mediante ações coletivas. os currículos interdisciplinares ou globalizados. para enfrentar a complexidade do trabalho de ensinar. nos conselhos de classe etc. as mídias. em problemas. É em relação a essas novas e difíceis condições de exercício da profissão que a formação continuada pode possibilitar práticas reflexivas. a revolta. a reflexão possibilita transformar o mal-estar. os ciclos de escolarização. a cidade. De fato. nos cursos de aperfeiçoamento. com evidentes repercussões na sala de aula. Também o perfil dos alunos se modifica em decorrência da assimilação de novos valores.leva a uma relação ativa e não queixosa com os problemas e dificuldades. Segundo Philippe Perrenoud. a interligação entre a escola e a comunidade. da urbanização. do crescimento dos problemas sociais e da violência. com mais método.

Também fazem parte das práticas de formação continuada aquelas ações de acompanhamento das equipes das escolas promovidas pelas Secretarias de Educação. grupos de estudo. pois o professor em exercício precisa de saberes que não pode inventar em cima do nada e que sua reflexão será mais poderosa quanto mais se ancorar numa ampla cultura em ciências humanas (1999).Uma prática reflexiva limitada ao bom senso e à experiência pessoal de cada um não vai muito longe. mini-cursos de atualização. É responsabilidade da instituição. da discussão e da confrontação das experiências dos professores. mas também do próprio professor. participação no projeto pedagógico da escola.) e fora da jornada de trabalho (congressos. pesquisas. cursos. A formação continuada consiste de ações de formação dentro da jornada de trabalho (ajuda a professores iniciantes. Ela se faz por meio do estudo. cabe um papel decisivo às equipes técnicas das escolas (especialmente os coordenadores pedagógicos e orientadores educacionais) que prestam assistência . porque o compromisso com a profissão requer que ele tome para si a responsabilidade com a própria formação. encontros e palestras). conselhos de classe. seminários. da reflexão. estudos de caso. entrevistas e reuniões de orientação pedagógico-didática. oferecer assistência técnica especializada ou programas de atualização e aprimoramento profissional. programas de educação à distância etc. Todavia. visando apresentar diretrizes gerais de trabalho. reuniões de 191 trabalho para discutir a prática com colegas.

Especialmente. é imprescindível assegurar aos professores horas remuneradas para realização de reuniões semanais. técnicas e materiais para o desenvolvimento profissional permanente do professor. coordenam reuniões e grupos de estudo. participar da elaboração do projeto pedagógico-curricular. 192 A organização das práticas de formação inicial e continuada As investigações recentes sobre formação de professores apontam como questão chave o fato de que os professores desempenham uma atividade teórico-prática. A profissão de professor combina sistematicamente elementos teóricos com situações práticas reais. auxiliam na avaliação da organização escolar e do rendimento escolar dos alunos. trazem materiais e propostas inovadoras. a ênfase na prática como atividade formadora aparece. reunirse com pais e outros membros da comunidade. como exercício . ao se pensar um currículo de formação. A formação em serviço ganha hoje tamanha relevância que constitui parte das condições de trabalho profissional. apresentar seu trabalho publicamente (contar como trabalham. onde possam compartilhar e refletir sobre a prática com colegas. Por essa razão. as dificuldades etc. o que funciona. a Internet. É difícil pensar na possibilidade de educar fora de uma situação concreta e de uma realidade definida.). acompanham as aulas. à primeira vista. prestam assistência na utilização de novos recursos tecnológicos como o computador. Os sistemas de ensino e as escolas precisam assegurar condições institucionais. seminários de estudo e reflexões coletivas. supervisionam e dinamizam o projeto pedagógico.pedagógico-didática aos professores.

ao longo do curso. Significa tomar a prática profissional como instância permanente e sistemática na aprendizagem do futuro professor e como referência para a organização curricular. é um dos aspectos centrais na formação do professor. em termos mais amplos. a par de ser 193 . a aproximação do futuro professor à realidade escolar acontece após ter passado pela formação "teórica" tanto na disciplina específica como nas disciplinas pedagógicas. como referente direto para contrastar seus estudos e formar seus próprios conhecimentos e convicções. a formação continuada. em razão do que traz conseqüências decisivas para a formação profissional. é preciso integrar os conteúdos das disciplinas em situações da prática que coloquem problemas aos futuros professores e lhes possibilitem experimentar soluções. a articulação entre formação inicial e formação continuada. em boa parte dos cursos de licenciatura. Desde o ingresso dos alunos no curso. possibilitando pensar os conteúdos das disciplinas com base no que pede a prática. também.formativo para o futuro professor. Atualmente. O caminho deve ser outro. Entretanto. Isso quer dizer que os alunos precisam conhecer o mais cedo possível os sujeitos e as situações com que irão trabalhar. cai por terra aquela idéia de que o estágio se destina à aplicação mecânica da teoria. Isso significa ter a prática. Por outro. Significa. Por um lado. a formação inicial estaria estreitamente vinculada aos contextos de trabalho.

centro de documentação. poderão ser criadas as condições para que os professores em exercício retornem à faculdade para atualizar seus conhecimentos e ganhar suporte teórico para uma reflexão mais apurada sobre a prática. mas também recursos materiais de apoio (biblioteca. material de esportes. A articulação entre formação inicial e formação continuada. debates. seria desejável que as instituições de formação de professores ou as delegacias de ensino.feita na escola com base em saberes e experiências adquiridos pelos professores na situação de trabalho. Para isso. etc. na sua estrutura organizacional. exposições. Esse Centro. Iniciativas como essa contribuiriam para resolver a sempre difícil alternância entre a formação teórica e a experiência em situação real (estágios) e as práticas reflexivas. Trata-se de uma concepção de formação centrada .). Nesse sentido. algo como um Centro de Apoio à Formação Continuada. num sistema de alternância entre as escolas e as instituições formadoras de professores. jornais. além de receber professores da rede de escolas para atividades de formação e capacitação dentro do espírito de associar práticas formativas aos contextos reais de trabalho. A manutenção desse Centro poderia ter apoio financeiro e material das Secretarias de Educação estaduais e municipais mediante convênios de parceria. criassem. computadores. videoteca. ofereceriam não apenas orientação profissional (cursos. rede Internet. oficinas). aparelhagem de som e imagem. salas para vídeo e cinema. representa uma modalidade de formação em que há interação entre as práticas formativas e os contextos reais de trabalho. já que a rede pública de ensino seria a mais beneficiada. pode articular-se com a formação inicial.

valores. Vimos que as escolas têm traços culturais próprios a partir dos significados pessoais. para possibilitar o trabalho reflexivo. por isso mesmo. significa dizer que ela é construída pelos seus próprios membros que tanto podem criar um espaço de trabalho produtivo e até prazeroso ou um espaço hostil e estressante. como contextos privilegiados para a formação contínua de professores" (Escudero e Botia. A organização da escola e a formação continuada Em vários lugares deste livro mostramos a relação entre as formas de organização da escola e o desenvolvimento pessoal e profissional dos professores. Eles existem e. no que acontece efetivamente nas salas de aula. de negociação dos . Não estamos afirmando que na escola não devem existir conflitos. interesses de poder. em que as escolas são consideradas "espaços institucionais para a inovação e melhoria e. diferenças. O êxito desta 194 concepção. práticas e comportamentos das pessoas que nela trabalham e convivem. interesses pessoais. assumindo a idéia de escola como unidade básica da mudança educativa. é que convém instalar uma prática de participação. Entender a organização escolar como cultura.nas demandas da prática. simultaneamente. 1994). de forma a compreendermos como a organização escolar constitui-se num local de aprendizagem: as pessoas podem mudar aprendendo com a organização e a organização também pode mudar aprendendo com as pessoas. estaria bastante vinculado à ajuda dos formadores de professores.

em resumo. afetam seu desempenho profissional. Isso quer dizer que. Seu pensamento. as experiências subjetivas. Essas características provêem das crenças. A organização escolar. portanto. interesses. constitui-se de um espaço não apenas de relações de poder mas. não visível. que faz parte da cultura da escola. também. Isso significa 195 que as próprias formas de organização da escola não só têm a ver com esses comportamentos (ou habitus) como a própria escola vai formando uma cultura própria a partir desses comportamentos. 2. com muita perspicácia. seu envolvimento com o trabalho. maneiras de pensar e agir. Essa cultura interna influi no desenvolvimento pessoal e profissional do professor (positivamente ou . é toda ela uma prática educativa.significados e valores. as perspectivas dos professores. experiências subjetivas etc. nas escolas. obviamente articuladas com a cultura da comunidade e da sociedade como um todo. há uma estrutura administrativa e pedagógica que é visível e outra estrutura não formalizada. As necessidades. valores. de discussão pública dos compromissos e dificuldades. Fátima Abdalla (1999) analisou em sua tese de doutorado. O sistema de organização e gestão. modos de pensar que vão se formando na vivência da cultura dos grupos dos quais fazem parte e se expressam em comportamentos e modos de agir. de debate. que é o conjunto das relações sociais. o papel da escola como contexto de ação e de formação continuada do professor. A professora M. significados. é o seguinte: 1. 3. de todas as relações que derivam das características do grupo social que atua nela.

novos habitus. aí. novas perspectivas. a necessidade de as escolas cultivarem momentos de prática reflexiva. pois dessa reflexão sobre ação podem nascer mudanças na estrutura de relações vigente na escola visando criar uma nova cultura organizacional. Ou seja. em que os professores podem desenvolver novas necessidades. Essa cultura escolar seria o espaço de possibilidades de mudança. objetivos e exigências externas postos pela realidade sociocultural e política mais ampla. é claro. onde os professores vão tornando conscientes suas necessidades subjetivas. Há um papel de destaque nisso da direção e coordenação pedagógica da escola para apoiar e sustentar esses . considerando-se. O estudo de Fátima Abdalla ajuda os diretores de escola. de modo a se implantar uma cultura colaborativa. A organização desse espaço implica a criação de lugares e tempos que incentivem as trocas de experiências entre os professores e professores e alunos. Isto acontece desse jeito porque em todas as instituições há sempre um campo de relações. nesse espaço é possível a criação e desenvolvimento de novos comportamentos. intersubjetivas e objetivas. um espaço de mudança e inovação. Reaparece. os coordenadores pedagógicos e os professores a pensar em estratégias de organização e gestão que possibilitem a construção de uma cultura escolar. podendo produzir conjuntamente sua 196 profissionalidade.negativamente) mas os professores também podem produzir esse espaço cultural da escola.

para saber se os objetivos previstos estão sendo atingidos. a análise e uma apreciação (juízo) valorativa com base em critérios prévios.espaços de reflexão. negociação e tomadas de decisão colaborativas. através de diferentes instrumentos de verificação. a gestão. juízos de valor e . refere-se à utilização de alguma forma de medida a partir de critérios explicitados previamente. uma situação. A cultura colaborativa será a síntese dos elementos que asseguram a relação entre a organização escolar e o desenvolvimento pessoal e profissional dos professores: o projeto pedagógico curricular. a organização e articulação do currículo e a formação continuada. que os processos de avaliação implicam a coleta da dados (de informação). tendo em vista a tomada de decisões para novas ações. visando a emitir um juízo valorativo. uma pessoa. Considerase. investigação. Os juízos de valor (ou valoração) referem-se a uma apreciação valorativa sobre o evento. CAPÍTULO XII 199 A avaliação de Sistemas Escolares e de Escolas A avaliação é um termo geral que diz respeito a um conjunto de ações voltadas para o estudo sistemático de um fenômeno. Está claro. A avaliação supõe uma a coleta de dados e informações. ou menção qualitativa. um evento. um processo. juízos de valor e quantificação ou notação. como conclusão do processo avaliativo. Esses três elementos . que é preciso fazer distinção entre avaliação. em geral.coleta de dados. atividade ou pessoa. A quantificação. nessa formulação.

Com a globalização da economia e a acelerada revolução tecnológica.são componentes necessários da definição de avaliação. a prática da avaliação era mais conhecida como atividade da escola. Esse autor esclarece mais: Embora sejam os alunos os que respondem a provas e questionários. Por isso. do consumo. A avaliação que fazem os organismos internacionais e os sistemas nacionais de medição é a avaliação dos sistemas educacionais e não a avaliação dos alunos. até há alguns anos. entre a avaliação feita pelos professores e a avaliação da eficácia dos sistemas de ensino e do conjunto de escolas. isto é. as organizações financeiras internacionais voltam-se para o planejamento das políticas educacionais dos países a fim de ajustá-las às exigências da produção. ou seja. dos mercados. as interrogações . No campo da educação. faz-se cada vez mais necessária a distinção entre a avaliação do aproveitamento escolar dos alunos e a avaliação institucional. da competitividade. como avaliação da aprendizagem dos alunos na sala de aula. Então. com a acentuação das análises mais globalizantes das relações entre 200 a educação e desenvolvimento econômico. ganha grande peso a avaliação dos sistemas educacionais e do conjunto de escolas. Atualmente. O que se avalia é o rendimento do sistema por meio das respostas dos alunos. na realidade não são os alunos que são avaliados.quantificação ou menção qualitativa . Conforme Casassus (1997) deve ficar clara a distinção entre a avaliação do sistema e a avaliação do aluno.

dos estudos deveriam consistentemente orientar-se, não às pessoas que são os alunos, mas ao sistema no qual estão inseridos esses alunos. É importante registrar essa distinção porque estamos frente a formas diferentes de avaliação. Na avaliação dos sistemas de ensino, embora também sejam avaliados os resultados obtidos pelos alunos (geralmente mediante testes padronizados), a avaliação tem como objetivo fazer um diagnóstico mais amplo do sistema escolar e do conjunto de escolas, em âmbito nacional ou regional, visando a reorientar a política educacional, a gestão do sistema e das escolas e a pesquisa. Na avaliação do aluno pelos professores, estes avaliam a aprendizagem dos alunos e são também avaliados por eles, com base nos processos de ensino e aprendizagem realizados na sala de aula. As duas formas de avaliação estão, obviamente, ligadas entre si, de modo que os professores podem utilizar resultados da 201 avaliação de sistema feita em escala nacional ou regional para realizar seu trabalho e os sistemas escolares realizam sua avaliação considerando as realidades locais do ensino no país e nas suas várias regiões. A avaliação do sistema escolar e das escolas, através da avaliação externa e/ou interna das instituições, se desdobra em duas modalidades: a avaliação institucional (ou administrativa ou, ainda, organizacional) e a avaliação acadêmica ou cientifica (denominada no Brasil de Exame Nacional ou avaliação de resultados). A avaliação institucional é uma função primordial do sistema de organização e gestão dos sistemas escolares e

das escolas. Essa avaliação, também chamada de administrativa, visa a obtenção de dados quantitativos e qualitativos sobre os alunos, os professores, a estrutura organizacional, os recursos físicos e materiais, as práticas de gestão, a produtividade dos cursos e dos professores etc., com o objetivo de emitir juízos valorativos e tomar decisões em relação ao desenvolvimento da instituição. A avaliação acadêmica ou científica visa a produção de informações sobre os resultados da aprendizagem escolar em função do acompanhamento e revisão das políticas educacionais, do sistema escolar e das escolas, tendo em vista formular indicadores de qualidade dos resultados do ensino. Essas duas modalidades de avaliação do sistema estão, portanto, centradas na obtenção de dados e informações relacionados com a eficiência e a eficácia dos sistemas de ensino e das escolas. A avaliação da aprendizagem escolar feita pelos professores deverá estar a serviço das funções sociais da escola, dos objetivos de ensino, do projeto pedagógico da escola, do currículo, das metodologias. Além disso, ela se assenta no respeito ao direito de todos os alunos de usufruírem de um ensino de qualidade. Os critérios de relevância da avaliação dos alunos centram-se, portanto, em dimensões qualitativas e quantitativas, ou seja, melhor qualidade 202 da aprendizagem para todos os alunos, em condições iguais. Desse modo, a justa medida da eficácia das escolas está no grau em que todos os alunos incorporam capacidades e competências cognitivas, operativas,

afetivas, morais, para sua inserção produtiva, criativa e crítica na sociedade contemporânea. Compreendida nestes termos, a avaliação dos alunos pelos professores, em cada sala de aula, em hipótese alguma pode ser substituída pela avaliação do sistema de ensino. Ao contrário, a avaliação do sistema é que deve buscar seus critérios de relevância na avaliação feita pelos professores, ou seja, a serviço da melhoria da qualidade cognitivas das aprendizagens. Os rumos que as práticas avaliativas vem tomando no âmbito do sistema de ensino brasileiro, ao contrário da posição formulada anteriormente, encaminham-se para a subordinação do trabalho dos professores e, portanto, da avaliação que fazem, aos critérios da avaliação do sistema. Nesse caso, não são os objetivos de ensino que irão determinar as formas de avaliação, mas a avaliação é que acabará por determinar os objetivos, ou seja, dependendo das finalidades postas pelos governos em relação à avaliação do sistema de ensino, ter-se-á uma escola funcional a serviço dos interesses de agências externas à escola. Vejamos essas questões mais de perto. As reformas educativas mundiais e a avaliação dos sistemas de ensino Reforma Institucional: redefinição das responsabilidades do MEC, revisão de padrões de financiamento e repasse de recursos aos municípios e estados; As políticas educacionais em âmbito internacional passam por intensas mudanças, visando ajustá-las às demandas da atual fase do capitalismo, conforme necessidades e realidades de cada país. A ordem é sintonizar os sistemas educacionais ao modelo neoliberal. A tendência das reformas educativas é de reagregar a educação à economia, numa versão modificada

em relação ao que propunham os economistas da educação a partir dos anos 50 com a chamada "teoria do capital humano". Quer-se subordinar os sistemas educacionais à economia já que, no novo paradigma de 203 produção, as novas tecnologias requerem trabalhadores mais qualificados, com mais flexibilidade profissional para atender novas demandas do mercado de trabalho e com mais espírito empreendedor para fazer frente à competitividade econômica internacional. Foi muito em função disso que surgiram as reformas educativas em vários países do mundo, primeiramente na Inglaterra e Estados Unidos no inicio dos anos 80, depois estendidas praticamente ao mundo todo (por exemplo, Espanha e Portugal, 1986; França, 1989; México, 1992; Argentina, 1993; Brasil, 197898). Foram formuladas em boa parte sob a égide dos organismos internacionais como o BIRD (Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento - Banco Mundial), o FMI (Fundo Monetário Internacional), o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciências e Cultura), entre outros. A reforma educativa brasileira ensaiou seus primeiros passos com a formulação e divulgação do Plano Decenal de Educação para Todos no período 1993-94. Medidas mais concretas foram anunciadas na proposta de governo de Fernando Henrique Cardoso para a educação básica: Estabelecimento de novos padrões de gestão: descentralização, autonomia das escolas, participação da comunidade; Educação básica: ampliação do acesso, conteúdos curriculares básicos e padrões de aprendizagem a nível

nacional, formação de professores, ensino a distância, sistema nacional de avaliação do desempenho das escolas e dos sistemas educacionais, padrões de qualidade para o livro didático, descentralização da merenda. 204 Esses pontos, cujas ações vem sendo consolidadas, acompanham as tendências das reformas educativas dos vários países, internacionais a partir das orientações econômicas e técnicas dos organismos financeiros internacionais, principalmente o Banco Mundial. As reformas educacionais acopladas às reformas econômicas têm um caráter notoriamente economicista, em que prevalecem a lógica financeira e a lógica do mercado, desconsiderando-se as implicações sociais e humanas no desenvolvimento econômico. A competitividade decorrente das novas formas de funcionamento do capitalismo só pode seguir a lógica do mercado, pela qual pouco interessa em considerar o desemprego, a pauperização, a degradação da qualidade de vida, a degradação dos serviços públicos. Há análises bastante sólidas mostrando a inserção do Brasil nas políticas de ajuste aos interesses da mundialização do capitalismo expressos no processo de globalização da economia e da política e os efeitos sociais decorrentes (De Tommasi & Outros, 1996). A avaliação educacional dos sistemas de ensino encaixase bem na lógica dessas reformas, já que a aferição dos resultados do rendimento escolar possibilita informações relativamente precisas e confiáveis sobre a realização dos programas e projetos no campo da educação, de modo a contribuir na tomada de decisões dos governos. Em outras palavras, num quadro de parcos recursos financeiros, principalmente nos países menos desenvolvidos, aumenta a

formação de técnicos e assistência técnica aos países-membros. vinculado à UNESCO. No Brasil. desenvolvimento de programas de pesquisa sobre a avaliação e variáveis associadas ao rendimento escolar de alunos. há o Laboratório Latino americano de Avaliação da Qualidade da Educação. criado em 1996 para avaliar os cursos de graduação. Exame Nacional de Cursos (ENC). a avaliação global do sistema escolar é feita pelo Ministério da Educação por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP). do qual 205 participam todos os países de fala portuguesa e espanhola (à exceção do Uruguai). com caráter obrigatório para os formandos. Os objetivos desse Laboratório são: estudos comparativos internacionais. . realiza uma pesquisa por amostragem do ensino fundamental e médio destinada a acompanhar a evolução do desempenho dos alunos e dos diversos fatores incidentes na qualidade do ensino ministrado. Na América Latina. a cada dois anos.necessidade de verificar se os resultados desejados pelo sistema de ensino estão compensando o volume de investimentos aplicados. com sede em Santiago do Chile. Praticamente todos os países da Europa e das Américas contam com organismos para realizar estudos sobre avaliação e medição dos sistemas de ensino. com os seguintes instrumentos de ação: Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB) que. que agrupa o conjunto dos sistemas de educação da América Latina e do Caribe. geração de padrões regionais de avaliação.

206 As informações censitárias são anuais e subsidiam os órgãos formuladores e implementadores de políticas educacionais nos três níveis de governo. exame facultativo aos que já concluíram e aos concluintes do ensino médio. que promove a descentralização da coleta do Censo Escolar e do acesso a seus resultados. das secretarias estaduais e municipais de educação e do próprio MEC (Cf. pesquisas censitárias nacionais por meio de: Censo Escolar que abrange um universo de cerca de 250 mil escolas. englobando aproximadamente 1. Em documento recente do MEC-INEP (1998). 1999). públicas e particulares. também. Censo do Ensino Superior. além de propiciar a integração das demais bases do INEP Com isso. Censo Financeiro da Educação. que foi aplicado pela primeira vez em 1998. Esse órgão federal realiza. que traz a receita e o gasto das diversas esferas de governo no componente educação. pretende-se fortalecer a capacidade gerencial das escolas. e 50 milhões de estudantes. ressalta-se a necessidade de um sistema de informações e de processos de avaliação para o monitoramento das reformas e das políticas educacionais tendo em vista a formação do cidadão para o próximo milênio: É cada vez mais evidente que a preparação de cidadãos competentes para atuar de forma crítica e responsável na construção de uma sociedade mais justa.Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). democrática e .000 instituições desse ensino do País. INEP. Desde 1996 está sendo desenvolvido o Sistema Integrado de Informações Educacionais (SIEd).

Analisada sob esse prisma. a avaliação educacional está atrelada a um viés economicista. É preciso. ou seja. são mais conhecidos dois sistemas de avaliação educacionais: o Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo SARESP e o Programa de Avaliação da Escola Pública de Minas Gerais (Bitar e Outros. emocional e afetiva será decisivo na formação das crianças e jovens para a sua plena inserção social e no mundo do trabalho. 1998). 1998). No âmbito dos Estados brasileiros. a critérios . portanto. selecionar e processar informações com autonomia e raciocínio crítico. É preciso ainda desenvolver sua capacidade de resolver problemas. do sistema financeiro internacional. como estratégia de êxito da globalização econômica. da transformação dos processos de produção. assegurar-lhes uma formação ética e solidária. 207 Uma avaliação crítica da avaliação dos sistemas educacionais: duas faces Um primeiro olhar crítico sobre a avaliação dos sistemas e suas formas de operacionalização refere-se ao fato de que as agências financeiras internacionais estão interessadas na qualidade da educação escolar. exige um perfil de qualificação em que o desenvolvimento das inteligências cognitiva. das infra-estruturas e dos serviços de informação e comunicação. É preciso dar-lhes condições de utilizar os conhecimentos adquiridos para que tenham novas oportunidades num mundo cada vez mais complexo e competitivo (Castro. dos mercados de consumo.desenvolvida. ou seja. Esta é a primeira face da questão que analisaremos a seguir. É basicamente a esse objetivo que as reformas educativas atendem.

a partir de testes nacionais padronizados.) seriam mais 208 eficazes para se obter um certo nível de aprendizado? Sendo assim. qualidade "por dentro" dos processos de ensino e aprendizagem e não apenas dos resultados. gestão da escolas etc. fornecimento de merenda escolar. O viés economicista aparece. por exemplo. capacitação docente. bem longe de critérios pedagógicos. Os problemas são razoavelmente bem identificados. depende da qualidade do sistema educativo. da formação e da remuneração dos professores. mas a aplicação das reformas não tem levado ao atendimento das condições necessárias à efetivação das mudanças educativas. como é o caso. por exemplo. pode-se fazer relações entre variações no aprendizado considerando-se fatores como: presença ou ausência de livros didáticos. salário dos docentes. diagnosticados. A pergunta seria: que tipo de insumos escolares (livros didáticos. sem levar em conta que a verdadeira competitividade. O que tem acontecido é que as reformas acontecem num momento em que os recursos públicos destinados à educação tendem a ser submetidos a critérios de competitividade imediata. Essas relações são estabelecidas a partir da relação custo-benefício.econômicos de análise do desempenho da educação escolar e. na idéia de que as relações pedagógicas podem ser entendidas como relações entre insumos educacionais e a produção de alunos educados. a médio e longo prazo. . número de alunos por classe. avaliação da aprendizagem. aumento do tempo de permanência na escola. em muitos casos. capacitação do professor em serviço ou formação inicial.

em muitos casos. A partir daí podem ser extraídas conclusões sobre onde aplicar ou não aplicar recursos. a avaliação educacional deve estar articulada com as formas de gestão (descentralização. O objetivo da avaliação educacional do sistema seria a melhoria da qualidade. neste capítulo. pode-se supor que. melhorar os resultados do rendimento escolar. pelas orientações das reformas 209 educativas. não se está considerando os processos que levam a uma qualidade do aprendizado. facilitar insumos que influenciam no rendimento escolar. Daí a importância da avaliação externa pelo próprio governo. monitorar o desempenho escolar. Entretanto. portanto. Entretanto.Mais adiante. quase nunca pelo critério social e pedagógico. discutiremos os elementos do processo de planejamento e as várias denominações que tem recebido quando aplicado à instituição escolar. é melhor investir em livros didáticos e não em salários? Ou em capacitação de professores pela Educação a Distância e não pela formação inicial nas universidades? É melhor reduzir o número de alunos nas classes ou ampliar a duração do ano letivo? São opções que acabam sendo tomadas pelo critério econômico. Como se sabe. autonomia). . que seriam as estratégias que podem assegurar bons resultados de rendimento escolar dos alunos. já que a ênfase recai nos resultados. com o projeto pedagógico e com o currículo. Por exemplo. Outras considerações precisam ser feitas. ao qual cabe fixar padrões nacionais de desempenho.

Poderia ocorrer. o currículo. prejudicando os índices de avaliação a serem alcançados pela escola. inclusive usando expedientes para escamotear resultados. através dos testes padronizados. estética) e a avaliação dessa formação não pode ser aferida pela avaliação do sistema de ensino de cunho economicista pautada nos resultados. para obter boa classificação. materiais e financeiros da escola. os diretores criariam mecanismos de seletividade prévia na própria matrícula de alunos. O problema está na redução do processo avaliativo ao produto final sem considerar aspectos internos do processo de ensino tais como os recursos físicos. Não se trata de nos opormos à avaliação institucional externa ou interna. . as práticas de ensino. o que os educadores devem recusar é o tipo de avaliação em que predomine a justificativa econômica. por exemplo. as condições salariais dos professores. nesse caso. certas escolas a criar internamente dispositivos pelos quais as crianças com problemas de rendimento escolar teriam cerceada sua entrada na escola. afetiva. reestruturadora. física. Os controles levariam.já mostramos que a avaliação do sistema escolar pode prestar-se apenas a estabelecer mecanismos externos de controle. controladora. moral. da educação escolar visando exclusivamente os vínculos com o mercado. É preciso recusarmos a noção de aluno-cliente e continuarmos apostando no papel da escola na formação integral dos alunos (cognitiva. As escolas estariam sujeitas a um "ranking" e. a estreita preparação/qualificação para o mercado de trabalho. Ou seja. a competitividade entre as escolas e entre os alunos. que as escolas estariam mais preocupadas em atender aos critérios de controle externo do que aos objetivos pedagógicos.

justa e solidária. a garantia da igualdade de oportunidades. todavia. a elevação da escolaridade. é um requisito para a melhoria das condições que afetam . a preparação tecnológica e a formação geral. Isso. a necessidade de formação geral mais sólida e uma demanda acentuada por educação de qualidade. Numa sociedade de conhecimento e de aprendizagem é preciso dotar os sujeitos sociais de competências e habilidades para a participação na vida social. nem na criação de um mercado educacional. não pode resultar num projeto educacional competitivo e seletivo socialmente. Oliveira e Libâneo. analisar a segunda face da questão. Em razão disso. são fundamentais para toda a sociedade. econômica e cultural. no mínimo. tanto do sistema escolar como da aprendizagem. A universalização e melhoria da qualidade de ensino. Nesse sentido.Cumpre. 1998). no entanto. de modo que esses não venham a contribuir para novas formas de divisão social mas sim para a construção de uma sociedade democrática na forma e no conteúdo (Cf. nem na ampliação da esfera privada no campo da educação. Isso não deve significar a aniquilação da diversidade e das singularidades dos sujeitos. abstrata. é inegável a 210 crescente intelectualização do trabalho. Com a revolução tecnológica e as demais mudanças globais. para os educadores progressistas é bastante razoável supor que a avaliação educacional. os impactos da revolução tecnológica no campo da educação podem e devem ser absorvidos de modo a gerar perspectivas democráticas de construção de uma sociedade moderna. abrangente e polivalente dos trabalhadores. especialmente quando se tem em vista.

em função da organização escolar e do projeto pedagógico da escola. pode ser uma ajuda à organização do trabalho na escola e nas salas de aula. Os professores. A avaliação externa. (embora isso não deva ser usado para a redução do poder . Nesse sentido. para além do seu trabalho isolado na sua matéria. por mais que se considere as críticas às orientações economicistas dos organismos financeiros internacionais. fazer diagnósticos mais amplos. as práticas de avaliação podem propiciar mais auto-regulação institucional.diretamente a qualidade do ensino. Daí que se fazem necessárias políticas educativas que contribuam para o desenvolvimento sustentável do país. em razão da 211 exigência de se prestar contas de um serviço público à comunidade. reforçando o entendimento da escola como local em que se pensa o trabalho escolar e onde professores e especialistas aprendem em conjunto. podem analisar conjuntamente os problemas. o envolvimento dos professores e pais etc. Numa visão progressista. Seria extremamente prejudicial negar aos segmentos empobrecidos da população brasileira um ensino de qualidade. incluindo um posicionamento sobre a avaliação educacional. gerando uma "cultura da responsabilização" por parte da equipe escolar. uma proposta pedagógica progressista pode assumir a avaliação dos estabelecimento escolares por meio dos resultados do aprendizado dos alunos (embora essa aferição não deva ser utilizada para classificar as escolas que serão beneficiadas por recursos públicos. favorecendo a identificação de necessidades locais. em conexão com a avaliação dos professores. o que é totalmente inaceitável). a descentralização das escolas.

Outras questões precisam ser consideradas com mais empenho pelos pesquisadores visando o aprimoramento da qualidade do ensino. a ênfase no desenvolvimento de capacidades básicas de aprendizagem (embora não se aceite um mero treinamento de habilidades). valores) precisam ser colocadas no projeto pedagógicocurricular e que. é óbvio que as práticas de avaliação precisam ser encaradas com mais seriedade. enquanto cidadão e profissional. emocional. é preciso que os educadores. em seguida. procedimentos. além de tomarem a avaliação como importante meio de diagnóstico do seu trabalho. saibam mais sobre a elaboração de instrumentos mais diretos de aferição da qualidade da oferta dos serviços de ensino junto com a qualidade do "aluno que se quer formar". Para isso. Admitindo-se que hoje a justiça social em termos de democratização do ensino seja a qualidade cognitiva dos processos de ensino e aprendizagem e dos seus resultados. Como avaliar o 212 nível de competência cognitivo. que cada escola formula coletivamente entre seus professores e equipe técnica? Como definir quais competências profissionais e éticas (desdobradas em conhecimentos. .de mobilização dos sindicatos e da participação política de professores). seus processos e resultados. ético. esperado dos alunos. transformam-se em conteúdos curriculares e estratégias de aprendizagem na escola? São questões relacionadas com o projeto pedagógico-curricular e os processos de ensino e aprendizagem. atitudes. tendo como referência a prática social? Como definir o perfil de aluno egresso.

os problemas envolvidos na avaliação educacional são muitos.. de suas 213 atuações. principalmente os interessados no bom funcionamento da escola (uma escola democrática.. é tão importante avaliar como o sistema educacional condiciona a qualidade do ensino oferecido nas escolas quanto analisar como os educadores constroem. de suas relações. a partir de suas representações. A dependência econômica do Banco Mundial força a submissão dos sistemas de ensino e das escolas às suas orientações técnicas. Os educadores progressistas. (.. . no seu cotidiano. emancipadora etc.) Avaliar com equidade significa analisar se a qualidade da educação que está sendo oferecida atende igualmente a todos os setores sociais. Boa parte dos especialistas em avaliação concordariam com este desafio posto aos educadores e especialistas em avaliação escolar: integrar as contribuições criticas destas ultimas décadas e construir no cotidiano instrumentos que nos permitissem não somente analisar o rendimento escolar. 1998)..) tendem a ficar perdidos com os programas introduzidos pelos Estados hoje praticamente atrelados aquelas orientações do Banco Mundial.) Neste sentido. por sua vez. mas também compreender os processos de construção da desigualdade escolar (.entre a avaliação de sistemas educacionais e as avaliações do professor na sala de aula Como se pode ver.Avaliação educacional . o nível de ensino que os alunos irão receber (Souza.

. efeitos de migração. dentro da escola (por exemplo. Neste último caso. por amostra. 168). segregação social ou excesso ou falta de rigor na avaliação feita por professores). Pode ser regional. A avaliação externa pode ser nacional. de modo que os envolvidos no processo educacional reflitam sobre os problemas de ensino e aprendizagem e tomem decisões sobre a melhoria da qualidade da educação. o objetivo dos programas de avaliação deve ser o de obter informações sobre o desempenho de alunos de um sistema. individualmente. avaliandose o universo inteiro de uma rede de ensino. adequação do ensino às exigências contemporâneas." Este segundo tipo de avaliação externa é melhor porque as escolas participam . inclusive para tentar diagnosticar disparidades de rendimento entre alunos que não podem ser captadas pelos professores. diversidade cultural. e importante a implantação de programas de avaliação dos sistemas educacionais. Esses programas utilizam testes padronizados visando ao maior controle da qualidade do ensino.) (Souza. O objetivo desses programas: "identificação dos conteúdos e habilidades dominados pelo aluno e a busca de elementos que possam subsidiar o planejar na perspectiva de levar a escola e os professores a superar as defasagens fragrantes nos alunos (.Aceita essa premissa. visando orientar as políticas educacionais e os órgãos gestores dessas políticas. Com os programas nacionais ou estaduais. os sistemas de ensino podem aferir a qualidade do ensino em termos de sua equidade e verificar o que a macro estrutura pode fazer para aprimorá-la..

pensar na possibilidade de que um conjunto de escolas (de uma área limitada) façam a avaliação conjuntamente. porque elas aparecem. efeitos das formas de gestão na aprendizagem dos alunos. o que não leva as escolas a usufruírem dos dados que coletam. Em qualquer caso. O SAEB e ENEM têm uma limitação: trabalham com amostras. condições de salário e trabalho dos professores. Por exemplo. especialmente. da sistemática de avaliação. . em condições iguais. Também a avaliação do aluno pelos professores precisa ter esse caráter de diagnóstico.214 diretamente do processo avaliativo e usufruem diretamente dos resultados obtidos. como aparecem estas defasagens e. que propiciem melhor qualidade da aprendizagem escolar para todos os alunos. Pode-se. pais com baixa escolaridade. podem provocar essas dificuldades nos alunos para vencerem as tarefas exigidas pela escola. falta de apoio afetivo em casa ou na escola. sólida formação cultural e cientifica a todos. A avaliação da aprendizagem precisa ajudar a identificar disciplinas ou outros aspectos em que o aluno apresenta maiores dificuldades. das necessidades de capacitação docente. de reorganização da trajetória escolar dos alunos. em síntese. dificuldades econômicas em casa. permitindo uma definição mais realista do projeto pedagógico. dos processos pedagógicodidáticos. também. de tal maneira que cada uma receba informações sobre o desempenho de seus próprios alunos nas principais disciplinas. as avaliações externas precisam estar voltadas para levantamento dos elementos que propiciem a democratização do acesso e a permanência na escola.

(. analisar. o processo de aprendizagem do aluno e oferecer um ensino de qualidade (Ibid. A avaliação do projeto pedagógico-curricular. compreender e neutralizar as causas dos insucessos escolares" (Ibid. coordenador pedagógico) e os professores discutem e avaliam sua escola em função do aprimoramento pedagógico curricular e da qualidade do ensino.. fatores que prejudicam o andamento das aulas etc..).. para melhorar o ensino. da ..) o porque o aluno não está apreendendo. dificuldades que estão tendo. alunos com mais dificuldades.. (.).) não é o como avaliar.) Nosso problema é justamente como identificar. Definir com clareza as competências do professor e saberes necessários para "diagnosticar. O grande problema (.Algumas medidas precisariam ser tomadas nas escolas para enfrentar os problemas de avaliação. organização escolar e dos planos de ensino A avaliação da escola é um processo pelo qual os especialistas (diretor. mas sim o como ensinar. 215 Ligar a "teoria" sobre avaliação com o "saber-fazer" a avaliação. ela apenas dá indícios de onde estão os problemas de aprendizagem. Compreender que a avaliação é instrumento.. Nas últimas décadas houve pouco interesse dos pesquisadores em programas de avaliação da escola. Provocar reflexões conjuntas dos professores sobre suas preocupações na sala de aula. o porque determinado aluno vai bem e outro não.

idade. é indispensável verificar a efetividade dos serviços prestados (o comportamento profissional dos professores e especialistas. é possível detectar problemas e dificuldades no ensino 216 das matérias de forma que a escola e os professores tomem providências para saná-los. tais como: características dos alunos. currículo profissional). é preciso organizá-los e analisálos como prática de avaliação diagnóstica. materiais didáticos e informacionais. é preciso considerar o conjunto de fatores que levaram a eles. Nesse sentido. condições de trabalho e motivação dos professores. composição do corpo docente (tempo de trabalho. Se os testes e outras formas de aferição do rendimento forem bem elaborados. Mas isso não é suficiente. recursos físicos e materiais. É preciso chegar até a sala de aula para obter conhecimentos mais precisos sobre os processos de ensino e aprendizagem. Tais dados já estão disponíveis na escola. rendimento escolar por classe. Hoje essa necessidade torna-se cada vez mais premente. a avaliação da escola precisa considerar os elementos determinantes da qualidade da oferta de serviços de ensino e do sucesso escolar dos alunos. Mas todo cuidado é pouco para que os resultados do desempenho escolar dos alunos não sejam tomados como único parâmetro de análise da escola. os resultados do rendimento escolar dos alunos) em função das responsabilidades sociais da escola. dos professores. De fato. as relações entre professores e . do projeto pedagógico. Os sistemas de ensino e as escolas se vêem hoje frente à avaliação dos resultados dos alunos como critério para a avaliação da produtividade da escola.direção.

capacitados. verificar falhas na aquisição de conhecimentos e habilidades e possibilitar formas de recuperação. nas escolas. que utilizam instrumentos estandardizados de verificação do aproveitamento escolar. Aspectos a serem avaliados no âmbito da organização escolar . mas permitem evidenciar uma "pista" de onde os alunos estão. ENEM. Isso leva a que os professores sejam formados. Dada a importância da avaliação escolar. Há uma outra razão para se considerar este alerta. tipo SAEB. especialmente no que diz respeito ao domínio dos conhecimentos e metodologias e procedimentos de ensino e procedimentos de avaliação. a qualidade cognitiva das aprendizagens. Os professores precisam estar familiarizados com as práticas de avaliação externa para poderem inclusive ler as análises e tirar proveito delas para o seu trabalho. mas é importante sua utilização. É claro que esta avaliação global da escola indicará elementos de mudança nas práticas dos próprios professores. A avaliação não pode ser reduzida a testes.alunos. o controle do rendimento escolar precisa ter maior rigor cientifico e método lógico. Cada vez mais aparecem na imprensa. as práticas de avaliação. os resultados das avaliações 217 feitas pelo sistema. a construir testes de verificação de aproveitamento. Eles não dão uma informação absolutamente fiel do rendimento dos alunos em face dos objetivos pedagógico-didáticos.

abandono da escola. . Avaliação da execução do projeto pedagógico-curricular Esta é uma forma de avaliar a escola no seu conjunto. etc). A ênfase da avaliação não recai somente nos professores e nos alunos mas nos elementos e na dinâmica de funcionamento da organização escolar: projeto 218 pedagógico. autoritária. Clima organizacional da escola Inclui: tipo de direção (acolhedora. tipo de organização (organizada. currículo. da escola como referência básica do sistema de ensino. práticas participativas). pode ajudar os professores a modificarem suas formas de trabalho.É sempre útil relembrar as principais variáveis em torno das quais pode incidir a avaliação: Dados estatísticos sobre a população escolar. processos de ensino e aprendizagem. envolvimento da equipe pedagógica e professores com os objetivos e com as ações da escola Acompanhamento do rendimento escolar dos alunos Aplicar métodos e procedimentos para acompanhar e analisar sistematicamente os resultados escolares nas varias turmas. Um investimento importante é acertar entre os professores métodos mais eficazes de diagnóstico das dificuldades escolares dos alunos. relações humanas (solidárias. hostil. situação sócio-econômica dos pais etc. exigente. dentro da concepção que vem sendo desenvolvida neste livro. estrutura de coordenação pedagógica e assistência aos professores. separadas. reprovações. tolerante). relações interpessoais. dentro da escola. desorganizada. democrática. A análise dos resultados.

todavia. isso não pode levar a descartar a avaliação das características. Boa parte das ações docentes não está constantemente sob controle da consciência porque resultam de modos de agir e hábitos já consolidados. Não é tarefa fácil. todavia. enfrentar esse tipo de avaliação de uma forma decidida porém cautelosa. Educadores que conhecem de perto o funcionamento de escolas e de salas de aula sabem que os principais pontos de um programa de observação da prática docente na sala . É preciso. enfrentar o desafio de avaliação qualitativa da atividade docente através da observação sistemática de aulas e do diálogo e da reflexão conjunta com os professores. porque.sistema de gestão. não é uma profissão na qual basta seguir uma seqüência de atos automatizados. etc. como uma das condições do desenvolvimento profissional. Não há dúvida de que o professor é o fator mais significativo na determinação da produtividade de uma escola. O trabalho de professor não se presta a análises meramente quantitativas. Os diretores de escola e os coordenadores pedagógicos precisam. Avaliação de desempenho dos professores É cada vez mais crescente na pesquisa pedagógica a insistência na avaliação dos professores. é dele que depende o êxito escolar dos alunos e a realização dos objetivos essenciais da escola. em boa parte. há uma boa dose de imprevisibilidade e improvisação. inclusive pelo caráter de imprevisibilidade que têm muitas das ações escolares. da qualidade e da eficácia do trabalho do professor. Há muito pouco progresso concreto na investigação dos instrumentos de avaliação de professor (ainda que reconhecendo avanços na concepção do professor crítico-reflexivo). Além disso. Por outro lado.

de aula são os seguintes (Cf. preparo profissional do professor no conhecimento da disciplina e dos métodos e procedimentos de ensino e avaliação. 1991): 219 qualidade das relações sociais e afetivas com os alunos. Outros fatores também precisam ser considerados na avaliação do professor relacionados com a organização e funcionamento da escola como um todo: Disponibilidade. Ações de formação continuada de professores. pedagogos. organização. Ghilardi e Spallarossa. qualidade da comunicação com os alunos. Atividades administrativas e de apoio pedagógicodidático ao professor. Para finalizar: a avaliação emancipatória . como organização e desenvolvimento das aulas. conforme o nível de ensino atendido. utilização dos recursos materiais e didáticos. Critérios de organização de turmas. incluindo instalações e equipamentos. procedimentos e instrumentos de avaliação da aprendizagem. Estratégias de relacionamento com os pais e as formas de comunicação. gestão da classe em vários aspectos. funcionários. Encontros e reuniões de professores. horário de aulas e distribuição de disciplinas.

práticas de ensino. Auto-avaliação. mediante um processo reflexivo rigoroso de planejamento-observação-análise-reflexão-planejamento. a coordenação do esforço . A avaliação emancipatória tem três características: Avaliação compreensiva e global do processo de ensino e aprendizagem Avaliação democrática em que os resultados da avaliação são discutidos e negociados entre os participantes do trabalho escolar.A tendência nas práticas de avaliação. CAPÍTULO XIII – Estratégias de Coordenação do Trabalho Escolar e de Participação na Gestão da Escola 223 Conforme vimos nos capítulos anteriores.de modo que tome decisões com maior conhecimento de causa. interação com os alunos . Estudando o assunto. numa perspectiva de educação emancipatória. o professor Vítor Paro escreve que a racionalização do trabalho engloba as ações. é assegurar cada vez mais nas instituições 220 o caráter educativo da avaliação: meio de revisão das ações do professor . em que o professor é também um investigador (Hernandez e Sancho. a gestão de uma escola pode ser analisada por meio de duas atividades básicas: a racionalização do trabalho e coordenação do esforço humano coletivo. 1994). processos e relações referentes à utilização racional dos recursos materiais e de conhecimentos. Por sua vez.

Parece não haver dúvidas de que. ser separados. faz-se necessária aposse de um conjunto de conhecimentos. as técnicas e instrumentos que assegurem a utilização racional de recursos materiais e conceituais. em especial do corpo docente. "Os elementos materiais e conceituais não cumprem sua função no processo se não estiverem associados ao esforço humano coletivo. Dessa forma. o esforço humano coletivo necessita dos elementos materiais e conceituais para ser aplicado racionalmente" (Paro. Com igual razão. na prática. para um razoável desempenho do pessoal escolar.humano coletivo diz respeito à utilização racional das relações entre os profissionais da instituição. métodos e técnicas adequados à especificidade dos seus objetivos e à especificidade do processo pedagógico escolar. sempre avaliadas pela prática reflexiva. Ainda segundo Paro. técnicas e habilidades em níveis e padrões que possibilitem o oferecimento de um ensino de boa qualidade a um número maior de alunos. uma escola comprometida com a transformação social precisa lançar mão de princípios. são imprescindíveis os conhecimentos. os dois tipos de recursos funcionam em mútua dependência. assim como a garantia da coordenação 224 do esforço humano coletivo através da participação coletiva. não podendo. 1988). as pessoas envolvidas na administração da escola deverão exibir uma competência técnica que deve dizer respeito tanto ao . da mesma forma. considerando a natureza dos fins buscados pela escola. Escreve o autor: A utilização racional dos recursos coloca o problema da competência técnica no interior da escola. Para o autor.

ou seja. Numa administração escolar autoritária e centralizada na figura do diretor. métodos e técnicas relacionados à atividade administrativa. quanto aos processos.. 1988). é de extrema relevância na instalação de uma administração democrática no interior da escola. já que estas não se concentram mais nas mãos de uma única pessoa.) A "coordenação" do esforço de funcionários. em que não existem chefes colocados autoritariamente sobre os demais. esta identificada com os interesses da classe trabalhadora (Paro. fundamentada na participação coletiva. é importante que todos saibam os princípios e os métodos de uma nova administração. O mesmo não acontece numa administração democrática. Nesta nova situação. mas na de grupos ou equipes representativos de todos.. (.. 225 .) Esse fato coloca novamente a importância do conhecimento e familiaridade que o educador deve ter não apenas com os aspectos mais propriamente pedagógicos da escola. (. aos aspectos mais propriamente pedagógicos.. alunos e pais. É através dela que são fornecidas as melhores condições para que os diversos setores participem efetivamente da tomada de decisões. mas também com os métodos e técnicas administrativos mais adequados à promoção da racionalidade interna e externa da mesma. visto que as responsabilidades administrativas foram distribuídas juntamente com a autoridade. pessoal técnico-pedagógico. basta que este e mais alguns de seus auxiliares mais diretos dominem os conhecimentos e técnicas de gerência e administração.conhecimento da coisa administrada. professores.

de comunicação e de construção coletiva da organização e gestão da escola. Entrevistas. Tipos de reunião Há vários tipos de reunião de professores. etc. de promoção da participação. 2. Conselho de Classe. Nesse caso. 4. A reunião de professores é uma necessidade da organização escolar mas é também um espaço de formação continuada. Evidentemente. REUNIÕES DE PROFESSORES Por "reunião de professores" entende-se o encontro formal entre a direção. portanto. daí poder-se falar de reunião pedagógica. cada reunião pode ser dedicada a um desses setores. administrativas e financeiras da escola. 6. Apresentamos a seguir alguns deles. sem preocupação de esgotá-los. . Reuniões de professores.Destinada à transmissão de informações ou medidas a serem cumpridas. Modelo clínico de formação continuada. reunião administrativa. Informativa . referentes especialmente à coordenação pedagógica e aos professores. Seminários. a coordenação pedagógica e os professores para trocar idéias e tomar decisões sobre questões pedagógicas. trata de questões já decididas que serão apenas comunicadas.É em razão desses argumentos que foram selecionados alguns procedimentos e técnicas úteis para viabilização do trabalho escolar. visando o aprimoramento das práticas de organização e gestão da escola: 1. 1. 3. 5. Etapas para a elaboração de projetos.

os professores. Na reunião. 1980. De estudo . Tem caráter oficial. Sobre o tipo e formas de reunião. precisam levar a sério a organização das reuniões. especialmente. deverá aceitar todos os pedidos de esclarecimentos. Geralmente esse tipo de reunião sucede a uma decisão já tomada em reunião formal e aqui o coordenador irá pedir sugestões e informações para concretizá-la. As reuniões de estudo são denominadas.O objetivo é ouvir as pessoas para a elaboração de um documento. a reunião é um procedimento administrativo indispensável ao sistema de gestão da escola. Coleta de opiniões .Visa a leitura e discussão de um texto. aprofundamento da leitura de documentos.O objetivo é a discussão de um assunto ou a busca de solução de problemas.226 pode-se usar de bastante objetividade. projeto ou para subsidiar uma tomada de decisão. 1973 e Grisi. Não tem caráter oficial. Entretanto. Para . Observação importante: conforme afirmamos anteriormente. foram aproveitadas idéias de vários autores. pode tornar-se uma atividade malvista e desconfortável. preparação conjunta de aulas etc. A 227 direção. de seminários. Nérici. a coordenação pedagógica. Opinativa-deliberativa . às vezes. pois o que se decidir deverá ser assumido por todos os membros da escola. Convém que o coordenador desse tipo de reunião prepare de antemão pontos polêmicos da comunicação.

cuidando para não torná-la excessivamente longa 228 . Evitar colocar em pauta assuntos e questões que podem ser resolvidas individualmente com os interessados. prevenir-se para perguntas embaraçosas. Submeter a pauta à aprovação dos participantes. Manter rigorosamente o horário de início e de término da reunião. elas precisam ser planejadas. Sugestões para o planejamento e organização de reuniões Escolher o local e verificar as condições físicas e materiais: iluminação.isso. material didático e audiovisual etc. medidas e normas já estabelecidas na legislação. Da mesma forma. Preparar rigorosamente a reunião: definir objetivos e pauta. conforto. Evitar colocar na mesma sala pessoas com interesses muito divergentes ou de nível cultural ou de escolaridade muito diferenciados. especialmente o que já está previsto em leis. muito bem organizadas e muito bem conduzidas. com os mesmos interesses. arejamento. ou questões que já fazem parte dos deveres e obrigações profissionais. Programar uma pauta possível de ser cumprida. divergências de opinião etc. local e horário. preferentemente. visando a facilitar a comunicação e o diálogo. recomenda-se que não se façam reuniões improvisadas. Dispor os assentos. não levar para a reunião assuntos sobre os quais já se tomou uma decisão. esclarecendo quais questões são mais urgentes. quadronegro. regulamentos ou rotinas. em círculo. Reunir pessoas mais ou menos do mesmo nível hierárquico.

O coordenador ou alguém do grupo apresenta o problema. Iniciar a reunião apresentando os assuntos e os objetivos da discussão. 2. Recomendações úteis ao coordenador de reunião Apresentar-se na reunião com bastante segurança e confiança em si para passar segurança aos participantes. 3..Não abusar no número de reuniões. há a Tempestade Mental (Brainstorming). Delegação de responsabilidades (quem fará o quê. 229 . Apresentação dos assuntos. Pode ser útil cada participante escrever seu nome numa folha e afixar na carteira. seminários de estudo.. conforme os tipos apontados acima. Apresentação de soluções alternativas. 5. Técnicas de condução da reunião A técnica mais comum é a reunião de trabalho. promover uma breve apresentação dos presentes. Conclusões. para quando. 6. 4. discussão livre. Se for grupo novo em que as pessoas não se conhecem. Entre elas.). Discussão. que pode ser conduzida da seguinte forma: 1. Há muitas outras técnicas de realizar uma reunião. Definição bem clara dos assuntos ou problemas. o grupo operativo (discussão dirigida de solução de problemas).

aprender a persuadir. não permitir em nenhuma hipótese conversas paralelas. Se as pessoas não falarem espontaneamente. mantendo o grupo dentro do assunto. provocar a participação chamando as pessoas pelo nome. Estimular todos os participantes a expressarem sua opinião. de modo que se mantenha o clima de debate e se aprofunde mais a discussão.Fazer perguntas iniciais aos participantes. usando argumentos seguros. pontuar as conclusões a que o grupo vai chegando. diversionistas. Se for necessário. dados concretos. sem antecipar ou precipitar as conclusões. Não permitir que a reunião prossiga enquanto todo o grupo não estiver atento. Estimular a participação de todos os membros do grupo. Assegurar a condução da reunião. Após uma rodada de discussão sintetizar os pontos já tratados. tomando especial cuidado com as pessoas que falam demais e com as que falam pouco ou não se manifestam. Não monopolizar a palavra ou a discussão. informações. Pedir esclarecimentos. fazer voltar sempre ao tema em discussão. 230 2. Estar atento para posições ou opiniões "proteladoras". oferecendo dados concretos. a convencer. Ter paciência para ouvir todos. envolventes. ENTREVISTAS INDIVIDUAIS . que podem dificultar a busca de soluções positivas para os problemas.

chamar a mãe para conversar sobre dificuldades dos alunos. na qual não há um roteiro prévio. Segundo especialistas. na qual há um roteiro prévio de questões ou perguntas dirigidas ao entrevistado. pais. alguma observação ou solicitação. a entrevista na escola é um encontro de duas ou mais pessoas interessadas em melhorar uma situação. c) Mista. A entrevista pode ser. ainda. Conversar com uma professora sobre problemas de disciplina na classe. É importante destacar que a entrevista deve centrar-se na análise da situação ou na solução do problema e não em uma das pessoas envolvidas. utilizada como técnica de ensino e aprendizagem na sala de aula. resolver um problema. Tipos de entrevistas a) Dirigida. um cotejamento de modos de ver uma situação. um problema. a conversa flui livremente entre os participantes. geralmente. utilizando ambos os procedimentos. Chamar um aluno para conversar sobre seu rendimento escolar. Orientações gerais sobre a técnica de entrevista A entrevista. é importante que seja uma troca de pontos de vista. Por isso. b) Não-dirigida. para se chegar a uma conclusão. Procedimentos . mais flexível. é provocada por algum fato. Por exemplo. Também os coordenadores pedagógicos utilizam a entrevista para reuniões de trabalho com os professores.Os professores e professoras são sempre solicitados a entrevistar alunos.

Convém que na convocação ou convite para a entrevista já seja informado o motivo da sua realização. de cooperação mutua. resolver problemas. uma troca de impressões de modos de ver. o diálogo e a tomada de novas decisões. com um roteiro mínimo de perguntas ou questões. a entrevista precisa acontecer imediatamente após o ocorrido. de idéias. objetivos. Mas podem ser sugeridos alguns procedimentos: O entrevistador e o entrevistado devem ir à entrevista com objetivos claros. é um importante momento de formação continuada para ambos. Visa o acompanhamento do trabalho em sala de aula para aprimoramento do ensino. um procedimento útil para reunir o coordenador pedagógico e o professor. após a realização de um evento. . Isso significa que podem existir pontos da conversa que são inegociáveis. munidos de informações. É um trabalho integrado. após uma observação de classe.A entrevista é. também. compromissos. Nesse caso. normas. Os entrevistados precisam levar em conta que trabalham numa organização que tem uma filosofia de trabalho. mediante a reflexão. A informalidade é um importante requisito para uma boa entrevista. Se o objetivo é. A entrevista do coordenador pedagógico com os professores A entrevista individual é. Por isso entrevista é peculiar. quase sempre. tem um 231 desenvolvimento compatível com a situação que está sendo analisada. pela sua natureza.

para evitar desconfianças. avaliar e interpretar o que se passa consigo e na sala de aula. dados. e) Análise e interpretação dos dados colhidos durante a observação junto com o professor para verificar pontos fortes e fracos da sua atuação. de lado a lado. f) Acerto de novas observações. 232 b) Auxiliar no desenvolvimento de habilidades de analisar. Observações importantes: As entrevistas entre coordenador pedagógico e professores precisam estar fundamentadas em informações. d) Combinar com o professor a ida do coordenador à sua classe para observação de aula. c) Ouvir o professor sobre suas dificuldades. evidências. os caminhos necessários para a melhoria da sua atuação. considerando-se portanto o trabalho . levando a tornar mais eficaz a ação docente.Essa entrevista tem por objetivos: a) Ajudar os professores a tomarem consciência do seu desempenho e a encontrarem. disciplina. As entrevistas precisam ocorrer imediatamente após a observação de aulas do professor. temores. metodologia de ensino. a partir das dificuldades apontadas. novas discussões. procedimentos etc. A entrevista deve ter caráter eminentemente profissional. visando a um plano de auto-aperfeiçoamento. por si próprios. suas limitações quanto à motivação dos alunos. avaliação.

A idéia básica dessa técnica é promover a aprendizagem ativa entre os membros (professores. aprimorar o processo de ensino e aprendizagem. atitudes. num clima de colaboração recíproca. 3.realizado ou a ser iniciado (o que não significa. SEMINÁRIOS O objetivo do "Seminário" é o estudo de um tema juntamente com outras pessoas. A entrevista é um encontro entre pessoas. Diferentemente do que tem sido feito nas escolas. pode ser útil a elaboração prévia de uma ficha de observação dos aspectos a serem observados. pais). para serem discutidos posteriormente. implicando. obviamente. câmara de vídeo. professores com mais dificuldades na sala de aula. o objetivo do seminário não é apresentar as conclusões para uma classe ou grupo maior. havendo um intercâmbio de pontos de vista. a professores iniciantes ou inexperientes. habilidades dos envolvidos na percepção e compreensão do outro. Considerar que a reunião entre coordenadores e professores acontece entre duas pessoas. valores. ignorar as relações pessoais). mas a estruturação de . alunos. motivações. sempre com o consentimento do professor. utilizar gravador. 233 Os coordenadores precisam dedicar especial atenção. Se a entrevista se destina a conversar com o professor sobre situações observadas em aula. apontamentos. cada um com sua especialidade. portanto. visando melhorar uma situação. discutida antes com o professor. em reuniões previamente planejadas. O coordenador poderá. professores sem formação pedagógica. também. nas entrevistas.

visando a um conhecimento mais minucioso da turma e de cada um e análise do desempenho do professor com base nos resultados alcançados. Em algumas experiências. 234 O seminário deve ser apresentado para a classe como síntese do trabalho do grupo. daí. dos pais. 4. em alguns casos. É a instância que permite o acompanhamento dos alunos. e incentivar projetos de investigação. atividades de integração . Algumas recomendações Os participantes devem ter interesses comuns quanto ao tema e um nível de conhecimentos semelhante. O estudo conjunto exige a investigação e a pesquisa de diversas fontes e recursos de informação (o estudo de um livro ou capítulo de livro não justifica um seminário. para socializar as conclusões. fazer nova discussão. pais e alunos. por representantes dos alunos e. o debate e a verbalização de idéias dentro do pequeno grupo. podendo. o importante é a diversificação de fontes).conceitos. o Conselho de Classe também é competente para formular propostas para a coordenação pedagógico-didática. CONSELHO DE CLASSE O Conselho de Classe é um órgão colegiado composto pelos professores da classe. É o resultado do trabalho desse pequeno grupo que será apresentado para toda a classe. Todos os membros precisam participar igualmente do trabalho. facilitar e ampliar as relações mútuas entre os professores. Tem a responsabilidade de formular propostas referentes à ação educativa e didática.

Reformulação do plano de ensino (revisão. tal como já alertamos quando tratamos do Conselho de Escola. pode trazer conflitos de interesses e competências. Se essas competências forem levadas a sério. Há que se buscar as possibilidades de acordo mútuo. Identificação de progressos e mudanças de comportamento de alunos. retomada da matéria etc. Os objetivos do conselho de classe são: Aprimoramento do diagnóstico dos problemas e dificuldades. Busca de soluções alternativas para as dificuldades que aparecerem.). mas isso não deve ser motivo de não incluí-los nas reuniões. e verificar periodicamente o andamento geral dessas atividades. 235 Obtenção de informações para facilitar o aconselhamento ao aluno. A presença de pais e estudantes no Conselho de Classe. o Conselho de Classe poderá tornar-se o órgão colegiado mais interessante sob o ponto de vista pedagógico-didático. de estabelecimento de limites e competências. os ajustes necessários.e iniciativas de apoio. após o Conselho de Escola. A participação no Conselho de classe requer dos professores e coordenação pedagógica a consulta a informações e registros que possam subsidiar as decisões. Elaboração de programas de recuperação e outras atividades de apoio. .

5. que permite a prática reflexiva sobre o trabalho em desenvolvimento e previne para que as dificuldades encontradas sejam superadas. decidir e agir tirando conclusões ou para antecipar resultados de determinadas decisões ou atitudes. O professor "clínico" é aquele que. o método clinico é baseado na articulação entre prática e reflexão sobre a prática. MODELO CLÍNICO DE FORMAÇÃO CONTINUADA O modelo clínico é assim chamado por tratar-se de um trabalho preventivo de orientação do professor na sala de aula. a formação clínica é uma formação orientada pela prática a partir de uma formação pedagógica. O termo "clinico" refere-se a um modelo de funcionamento intelectual basicamente assentado na metodologia de solução de problemas. possui as regras e dispõe dos meios teóricos e práticos para: avaliar a situação. Conforme o pedagogo suíço Philippe Perrenoud. de um projeto organizado de ação e da análise dessa prática. mas é melhor que seja feito com o grupo todo. principalmente. pensar numa intervenção eficaz. O modelo clínico pode ser aplicado a um ou mais professores. frente a uma situação problemática complexa. Daí a necessidade de que cada professor tenha disposição e competência para análise individual ou coletiva de suas práticas para pensar. A idéia-chave desse modelo é considerar o professor como alguém que reflete sobre sua prática a partir da própria investigação sobre essa prática. de observação de aulas. Ele supõe levantamento de necessidades de desenvolvimento profissional através. . 236 Ainda segundo Perrenoud.

utiliza-se da investigação para selecionar experiências pertinentes (tendo em vista uma construção mais rigorosa do objeto). corrigir o rumo. definindo-se antecipadamente uma problemática.e. baseada na prática refletida. antes de mais nada. Essa formação é feita. compreender como e porque esta atividade ou aquela intervenção foram bem. (. seguir uma lógica de construção de conhecimento. mas uma prática planejada.) Para que a experiência prática resulte numa verdadeira maestria profissional é preciso que o professor possa analisar a prática. É. afundar no pragmatismo absoluto ou em ações pontuais. Sem. muitas vezes. através da prática.. e. de emergência. resolver problemas. nem em conformar-se com um modelo. avaliar a sua eficácia aparente. Mas não uma prática qualquer. ou mal 237 sucedidas. para que os problemas a serem resolvidos estejam à altura das pessoas em formação.. agir em situação de incerteza e. bem organizada. A formação clinica. partindo do que os professores acham significativo (i. No dizer do próprio Perrenoud: Ensinar não consiste em aplicar cegamente uma teoria. realizar outros ensaios e passar a agir de forma diferente (1993). tomar decisões. Este tópico é uma adaptação livre do capítulo "Técnica de projeto" do livro Planejamento e organização do .. centradas em suas necessidades).colocá-la em prática. para tanto. essencialmente.

A instituição . até que as pessoas assumam a necessidade do projeto pedagógico coletivo. implicando capacidade de liderança. sem que o projeto seja uma necessidade sentida por um grupo. Não foi por acaso que insistimos bastante na importância do sistema de gestão e direção da escola. Isso. Um bom diagnóstico da situação. É preciso ter o projeto e o sistema de gestão. significa "deixar o barco correr". mesmo. levado junto 237 com a equipe. pode ser um bom começo de conversa. De pouco resolverá uma seqüência de passos. ter consciência de que nem sempre a necessidade real do grupo coincide com a necessidade impositiva (ou. Editora Globo/INL. uma adequada distribuição de cargos e responsabilidades e a institucionalização de condições de diálogo e comunicação (por exemplo. Porto Alegre. 6. 1974. 1993). necessidade da instituição) de um projeto (Carvalho. coordenado por Loureimi Ercolani Saldanha. de forma alguma.ensino. iniciativa e motivação dos dirigentes. horas pagas para reuniões de trabalho). de forma a estabelecer uma ponte entre a situação atual e os cenários desejáveis. ETAPAS PARA A ELABORAÇÃO DE PROJETOS 2 Observações prévias O projeto é o resultado de um processo de planejamento e negociação entre os membros de uma equipe escolar. tal como apresentamos a seguir. também. Cabe aos dirigentes das instituições ter lucidez e competência para formular as melhores estratégias de introduzir a prática do projeto. nenhum projeto resolve os problemas de gestão de uma escola. Além disso. Os profissionais de uma escola precisam.

Cabe insistir. Em resumo. 4) Organização do projeto. os pontos de vista). A seqüência de passos sugerida para se chegar ao projeto é a seguinte: 1) Definir o problema.sempre contará com algumas pessoas interessadas e motivadas pelo projeto e a elas cabe. 239 6) Acompanhamento. nas práticas de gestão da escola. 2) Determinar objetivos e necessidades. numa estratégia de busca de consenso ao invés de submeter as decisões ao voto. as posições. A busca de consenso é mais democrática. mobilizar estratégias de mudança. convém que as decisões sejam tomadas por consenso e não por maioria. através da reflexão e da implementação de estratégias concretas e de sua avaliação. a introdução do projeto. O projeto consiste na colocação clara do problema e no planejamento do curso da ação para solucioná-lo. de alguma forma. 3) Levantar alternativas de solução possíveis e coerentes com o problema. É até recomendável que se crie um grupo de trabalho ou comissão com a função de protagonizar. 5) Implementação do projeto. dando mais solidez às possibilidades de êxito do projeto. O processo de elaboração do projeto O projeto é uma importante técnica de identificação (diagnóstico) e solução de problemas. permite uma maior coesão do grupo (inclusive por deixar claras as diferenças. avaliação e realimentação do projeto .

Obviamente. os objetivos precisam ser realistas.Diagnóstico da situação para obtenção de informações relevantes. operacional. possíveis de ser atingidos.Formular o problema de forma clara. Em seguida. chega-se à delimitação e definição do problema. . refletir e buscar uma situação mais satisfatória. Em síntese: Segundo momento . Um problema é uma situação não satisfatória. O que é necessário para atingir os objetivos propostos? As necessidades podem ser pensadas em termos de pessoal. e que precisa ser alterado. materiais. algo que não anda bem. cabe determinar necessidades. Definir o problema Primeiro momento . Analisar o problema levando em conta suas possíveis causas. financeiros. Para isso. Determinar objetivos e necessidades Definido o problema de forma explicita e operacional é preciso pensar qual será a situação desejada para resolver o problema. Trata-se de aprofundar o conhecimento da situação. O resultado final desejado é o objetivo geral. o objetivo imediato. são definidos objetivos intermediários. 2. Sempre considerar as condições existentes 240 (viabilidade) ou as condições ainda inexistentes mas que sejam possíveis de serem criadas.1. Com isso. tempo. um desafio. recursos físicos. os vários fatores da situação e do contexto mais geral.

as que melhor se ajustam ao problema. controle. Entretanto. de forma que ninguém tenha dúvida dos resultados desejados a partir das ações levadas a efeito. Daí a importância de objetivos muito claros. . a participação etc. sem prejuízo dos objetivos. é verdade. bem como práticas avaliativas visando a reformulação dos processos e do próprio projeto. Diagnóstico . coerentes e operacionalizados.negociação . da parte de alguns educadores. o diálogo.objetivos 3.se: 241 menor custo. Ainda há. que precisam funcionar competentemente.A identificação de necessidades e a avaliação das condições existentes podem levar à modificação dos objetivos. se é verdade que as organizações escolares precisam ter um projeto. sem considerar a flexibilidade. certa resistência a objetivos operacionalizados. O problema dessa tendência é reduzir o funcionamento das instituições a critérios exclusivamente de eficácia. sem prejuízo da qualidade.necessidades . a maioria eficiência. a negociação. o compromisso das pessoas. elas podem passar pelo crivo dos critérios de seleção. a imprevisibilidade. produtividade. também. considerando. isto é. Levantar alternativas de solução possíveis e coerentes com o problema É a fase do exame das soluções possíveis. às necessidades e aos objetivos propostos. (por causa de sua vinculação ao tecnicismo educacional). Levantadas várias alternativas.

metodológicos). Implementação do projeto Implementar significa criar as condições. procedimentos. critérios sociológicos. 4. formas de acompanhamento e avaliação. 242 .organização e gestão de recursos físicos. as alternativas precisam considerar os critérios de qualidade humana e educacional (Capitulo 111 deste livro). metodologias. estratégias. psicológicos. humanos e da própria coordenação do esforço humano coletivo. 5. É importante preparar um cronograma de execução (plano de gestão do tempo). O projeto sempre tem os aspectos técnico-administrativos (condições físicas. humanas. sistemática de gestão) e os aspectos conceituais (pedagógicos. A implementação levará em conta os seguintes aspectos: organizacional . Obviamente. é preciso considerar. Curricular e metodológica (no caso de escola) objetivos.menor risco. Organização do projeto O projeto é um guia para a ação. éticos. conteúdos. sem prejuízo da capacidade de inovar e ousar. O projeto prevê o processo de trabalho dirigido ao atendimento dos objetivos. mobilizar esforços para atingir os objetivos previstos. materiais. pôr em ação o projeto. concretizados em atividades a serem realizadas. Acima de tudo. visando a implantação da alternativa selecionada em função dos objetivos. também. materiais.

É o que se denomina "retroalimentação". AMIGUINHO. avaliação e realimentação do projeto BIBLIOGRAFIA ABDALLA. e CANÁRIO. Educa. levará à avaliação somativa. avaliação e realimentação do projeto Estes aspectos. para se verificar até que ponto em que nível de qualidade os objetivos foram atingidos. São Paulo: Faculdade de Educação da USP. Acompanhamento. em função dos objetivos. Formação e desenvolvimento profissional do professor: o aprender a profissão (um estudo em escola publica). tendo como critério os objetivos previstos. 1994. . que podemos sintetizar no termo AVALIAÇÃO. Tese de doutorado. Escolas e Mudança: O papel dos Centros de Formação. O acompanhamento permite ir controlando as várias fases de implantação. Definir o problema Determinar objetivos e necessidades Levantar alternativas de solução possíveis e coerentes com o problema Organização Implementação Acompanhamento. a qualidade do projeto. Abílio. As várias formas de avaliação processual. Lisboa. O exame e análise dos dados podem exigir correções no processo.). permitem verificar. 2000. a organização e as condições em que está sendo implantado o projeto.6. Maria de Fátima B. incluindo a utilização de instrumentos de medida. Os resultados precisam ser analisados criteriosamente. Rui. através dos resultados. (Orgs.

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DEMO. 2000. Jean-Claude. ESCUDERO.). Fragmentos de Cultura. Antônio F. 1995. Madrid: Morata. GADOTTI.). Vicente de P Desafios do Serviço Social na era da globalização. 1994. 8 (3). 1993.escola . 1997.. Petrópolis: Vozes. 1974. In: Silva. Gaudêncio. (Orgs. 1997. Moacir e ROMÂO. Madrid. A .As bases sociais e epistemológicas do conhecimento escolar. J. 1999. FALEIROS. e GONZÁLEZ.. GRIFFITHS. In: Serviço Social e Sociedade 61. Qualidade: definição preliminar. Pedro. Antonio J. COLOM CAÑELAS. Territórios contestados . FRIGOTTO. (Orgs. J. In: GIMENO SACRISTÁN. I. A avaliação no ensino. Goiânia. Tomaz T. Juan M. La educación como comunicación. La educación obligatoria: su sentido educativo y social. Teoría de la educación. São Paulo: Cortez. Daniel E. FORQUIN. 1998. São Paulo: Cortez. María T Profesores y escuela -Hacia una reconversión de los centros y la función docente? Madrid: Ediciones Pedagógicas. Autonomiada escola -Princípios e proposições. 1995. São Paulo: Companhia Editora Nacional. 1993. e Moreira.Princípios e proposições. Escola e Cultura .O currículo e os novos mapas políticos e culturais. Teoria da Administração Escolar. . José Luis e outros. 1998. Porto Alegre: Artes Médicas. José E. Currículo e diversidade cultural. Porto Alegre: Artes Médicos. Educação e a crise do capitalismo real. GIMENO SACRISTÁN. São Paulo: Cortez. Compreender e transformar o ensino. In: Castillejo. e PÉREZ GÓMEZ.

1999. Formação do educador e avaliação educacional: formação inicial e continua. Maria I. Dean. São Paulo: Unesp. São Paulo: Melhoramentos. In: Educação e Sociedade. M. Ross L. LARANJEIRA. LIBÂNEO. Buenos Aires: Ediciones Troquel. 245 HENRIQUES.GHILARDI. Pedagogia e pedagogos. e PIMENTA. Organização e Administração Escolar. Técnicas de la moderna supervisión escolar. 1969. N. São Paulo: Atlas. Fernando & SANCHO. 68. LIBÂNEO.). adeus professora? Novas exigências educacionais e profissão docente. MARTINS. 1998. A profissionalização docente. 1991. José do P Administração Escolar. n. José C. 1999. LOURENÇO FILHO. Celestino A. para quê? São Paulo: Cortez. In: BICUDO. Franco e SPALLAROSSA. GUIMARÃES. HERNÁNDEZ. Selma G. Adeus professor. São Paulo. Mario. Barcelona: Paidós. Referências para a formação de professores.. e EVANS. (Orgs.1999 (Texto avulso). Portugal: Edições ASA. NEAGLEY. Valter S. 1998. 1991. MANACORDA. José C. Carlo. 1994. Maria A. B. . 1994. Fernanda. Juana M. Porto: Porto Editora. 1986. et alii. Entrevista concedida à Revista ANDE. Para enseñar no basta con saber la asignatura. Viggiani. Goiânia: UFG. 10. Guia para a organização da escola. 1976. São Paulo: Cortez. Igualdades e diferenças. Formação dos profissionais da educação -visão crítica e perspectivas de mudança. e SILVA JR.

1973. São Paulo. Porto Alegre: Artes Médicas. José C. 2000. São Paulo: Cortez.). 1996. FREITAS. Práticas pedagógicas. Administração Escolar -Introdução crítica.). C. Lisboa: Publicações Dom Quixote. 1997. José C. Haddad. 1993. Mimeo. Mirian J. (Org. Por dentro da escola pública. 1998). Naura S. de. PEDRA. 1995. Introdução d supervisão escolar. e LIBÂNEO. 10 novas competências para ensinar. José A. OLIVEIRA. 8 (3):597-612. Campinas: Papirus. (Org.). Antônio (Coord. profissão docente e formação. Belo 1989. São Paulo: Cortez. PERRENOUD.. 8. Philippe. conhecimento e suas representações. NÓVOA. Lisboa: Publicações Dom Quixote/Instituto de Inovação Educacional. 246 De Tommasi. João F. Vitor H. 1998. A educação escolar e a sociedade contemporânea.NÉRICI. In: Fragmentos de Cultura. Crítica da organização do trabalho pedagógico Papirus. p. 1995. n. Idéias. São Paulo: Cortez. Currículo. São Paulo: Xamã. São Paulo: Atlas. Supervisão educacional para uma escola Cortez. FUSARI.. . Gestão democrática da ed novos desafios. Sérgio (Ç e as políticas educacionais. O planejamento do trabalho pedagógí tentativas de respostas. Imideo G. 199 FERREIRA. A organização do trabalho pedag pesquisa de novas formas de organização. Livia. 1999. 1988. PARO. Warde. Luís C. As organizações escolares em análise. Perspectivas sociológicas. Goiânia.

Cadernos de Pesquisa (Fundação Carlos Ch 5-10. São Paulo: Cortez. Heloísa et al. Eny.O trabal Rio de janeiro: DP-A. 1997. S. uma síntese provisória. Morata. 1998. GIMENO SACRISTÁN. Faculdade de Educação/ Universidade Federal do mestrado. 417-424. Temas para um p Petrópolis: Vozes. A. A escola participativa . Luís A. PÉRES GÓMEZ. Selma G. Poderes instáveis em educa Médicas. São Paulo: Cortez. Porto Alegre: Artes Médicas. OCDE. In: Oliveira. Danilo. uma revisão conceitual. La cultura escolar en la sociedad n. Selma G. As escolas e a qualidade.). . A construção do projeto pedagó Idéias. 1990. (Org. Gestão democrática contemporâneos. 1997. 1999. GATTI. São Paulo. n. pedagogia e didática. da C. 1995. OYAFUSO.1. 41 i ten por cento 41 1Q Construir as competências desde a escola.). LUCK. A prática (e a teoria docente) . (Org. Goiânia. 1993.Resignificando a didática. Organização da escola e do et. 1999. Alciko. PIMENTA. PIMENTA. Didática e Formação de professores: percursos e perspectivas no Brasil e em Ibrtugal. Portugal: Edições AS OLIVEIRA. Enfrentando o desafio da escola: p a ação. Para uma re-significação da Didática: ciências da educação. Dalila A. Sueli A. 1999. Maria Rita N.GANDIN. 1999. Plano escolar -Camin Paulo: Cooperativa Técnico-educacional. e MAIA.). e GANDIN. LIMA. In: Pimenta (Org. José. S. 8. Bernadete. 1998. p.

1996. e PADILHA. SILVA JUNIOR. Moacir e Romão.Princípios e proposições. 1998. 1996. UNESCO-MEC. São Paulo: Cortez. Tese de doutorado. Outras indicações bibliográficas APPLE. Noções de Administração Escolar.Por uma docência da melhor qualidade. José E.). Autonomia da escola . São Paulo: Cortez. 1990. Michael. RIOS. Campinas: Papirus. Saberes pedagógicos e atividade docente. (Org. O estudo da escola. S. ROMÃO. João. Os conselhos escolares da rede municipal de ensino de Goiânia. e BERNE. 30. James. Marlene S. José E. Louremi E.Confluências e divergências entre didática e currículo. (Orgs. 2000. Portugal: Porto Editora. Terezinha A . 1997. São Paulo: Cortez/Autores Associados.). SALDANHA. Alberto R. 1997. São Paulo: Cortez. Educação e poder local. In: Idéias. São Paulo: Companhia Editora Nacional. Porto Alegre: Globo/INL. O.). Planejamento e organização do ensino. 1974. 1997. Escolas democráticas. SOUSA. São Paulo: Faculdade de Educação da USP. . (Coord. Cortez. do. (Orgs. Goiânia: UFG.. Teobaldo M. 1998. Claríza P Descrição de uma trajetória na/da Avaliação Educacional. Celestino da. 1999. A escola pública como local de trabalho. Cuiabá: Entrelinhas Editora. Paulo R. In: Pimenta (Org.).Paulo. 1966. SANTOS. CARMO. Gestão da escola fundamental. Dissertação de Mestrado. Diretores escolares e gestão democrática da escola (In: Gadotti. 1997. Formação de professores: saberes e identidade da docência.). SANTOS. BARROSO.

1997.DEMO.Paulo. In: Pimenta (Org. São Paulo: Faculdade de Educação da USP. Confluências e divergências entre didática e currículo. Porto Alegre: Globo/INL. A prática (e a teoria docente) . Marlene S. 2000.). 1997. Tese de doutorado. Porto Alegre: Artes Médicas. e PADILHA. S. Maria Rita N. 247 Construir as competências desde a escola. Saberes pedagógicos e atividade docente. Cuiabá: Entrelinhas Editora. uma revisão conceitual. In: Oliveira. 1994. Educação e poder local. Autonomia da escola . 1998. Louremi E. O.). José E..Resignificando a didática. Formação de professores: saberes e identidade da docência. 1999. Para uma re-significação da Didática: ciências da educação. Moacir e Romão. Didática e Formação de professores: percursos e perspectivas no Brasil e em Ibrtugal. (Org. SALDANHA. 1997. uma síntese provisória. São Paulo: Cortez. (Coord. 1997. Gestão da escola fundamental. UNESCO-MEC. In: Pimenta (Org.Princípios e proposições. Diretores escolares e gestão democrática da escola (In: Gadotti. São Paulo: Cortez. Por uma docência da melhor qualidade.). José E. Paulo R. PIMENTA. S. São Paulo: Cortez. RIOS. Cortez. SANTOS. pedagogia e didática.). Campinas: Papirus. Campinas: Papirus. 1999. ROMÃO. Terezinha A . Selma G.). . Planejamento e organização do ensino. Educação e qualidade. Pedro. (Orgs. 1974.

São Paulo: Cortez. 1966. do. SOUSA. (Org. Idéias. Naura S. Alberto R. Belo Horizonte: V ENDIPE. Celestino da. 1990. Campinas: Papirus. São Paulo: Cortez. . O estudo da escola. 44-53. Portugal: Porto Editora. Teobaldo M. 1999. C. FUSARI. 1996. 1990. Outras indicações bibliográficas APPLE. SILVA JUNIOR. 1995. De Tommasi. O Banco Mundial e as políticas educacionais. José C. São Paulo: Cortez. Noções de Administração Escolar. novos desafios. Luís C. Mirian J. Dissertação de Mestrado. FERREIRA. Livia. A organização do trabalho pedagógico Elementos para pesquisa de novas formas de organização.). (Org. 8. A escola pública como local de trabalho. São Paulo: Companhia Editora Nacional. Os conselhos escolares da rede municipal de ensino de Goiânia. Gestão democrática da educação: atuais tendências. Crítica da organização do trabalho pedagógico e da didática. Warde.SANTOS. O planejamento do trabalho pedagógico: algumas indagações e tentativas de respostas.).. 1994. n. e BEANE. João.). Educação e qualidade.). Goiânia: UFG. 1996. 1997. Mimeo. 1998.). São Paulo. Clarfza P Descrição de uma trajetória na/da Avaliação Educacional. Supervisão educacional para uma escola de qualidade. In: Idéias. FREITAS. 30. p. 1989. São Paulo: Cortez. BARROSO. DEMO. 1996. CARMO. (Orgs. Campinas: Papirus. Escolas democráticas. 1998. (Org. São Paulo: Cortez/Autores Associados. Pedro. Michael. Sérgio (Orgs. Haddad. James.

248 ANEXOS PRAIS. Petrópolis: Vozes. Danilo. p.GANDIN. Heloísa et al. Porto Alegre: Artes Médicas. José. As escolas e a qualidade. GATTI. A escola participativa . A construção do projeto pedagógico na escola de 1. Bernadete. 5-10. Poderes instáveis em educação. Dalila A.grau. Rio de janeiro: DP&A. São Paulo: Cortez. Luís A. Idéias. PIMENTA. Portugal: Edições ASA. Dissertação de mestrado. OLIVEIRA. da C. LUCK. 1993. Enfrentando o desafio da escola: princípios e diretrizes para a ação. I. 1992. 1997. OCDE. S. 1999. 1999. Plano escolar -Caminho para a autonomia. 417-424. São Paulo. .Desafios contemporâneos. Gestão democrática da educação . Selma G. n. Akiko. e MAIA. Administração colegiada na escola pública. OYAFUSO. e GANDIN. São Paulo: Cooperativa Técnicoeducacional. Maria de Lourdes M. p. La cultura escolar en la sociedad neoliberal. 1998. GIMENO SACRISTÁN. 1995. n. Sueli A. Cadernos de Pesquisa (Fundação Carlos Chagas). Madrid: Editora Morata. LIMA. São Paulo. A.O trabalho do gestor escolar. 1998. 1999. 8. ed. 1990. Campinas: Papirus. 1990. Faculdade de Educação/ Universidade Federal de Goiás. Organização da escola e do ensino e atuação do diretor. Temas para um projeto político pedagógico. Eny. 2. PÉRES GÓMEZ.). 85. (Org. Goiânia.

intenções. Celestino A da.). São Paulo. . Terezinha. Piracicaba: Unimep. Silva. Caminhos da profissionalização do magistério. Mary Silva.RIOS. Campinas: Papirus. 73-77. Campinas: Papirus. ANEXO I PLANEJAMENTO ESCOLAR . e RANGEL. O homem é o único animal capaz de antecipar na sua mente o que pretende fazer. ao mesmo tempo. Ilma A. em função de objetivos. SILVA JR. O planejamento é um instrumento de trabalho e. Projeto político-pedagógico da escola. Educação: a outra qualidade. 1986. São Paulo: EPU. Campinas: Papirus. explicitação de objetivos. 1997. para racionalizar nossas ações. realizar. 1995. Idéias. Novos olhares sobre a supervisão. 1990. São Paulo. (Org. meios de ação. 1995. n. Planeja-se para decidir melhor. UNESP-PRó-REITORIA DE GRADUAÇÃO. Anexos Planejamento escolar – Diagnóstico O planejamento escolar é um processo de tomada de decisões. O projeto pedagógico de seu curso está sendo construído por você? ANAIS DOEI CIRCUITOPROGRAD. Planejamento participativo na escola.). UNESCO-MEC. Gestão da escola fundamental. isto é. (Orgs. 1995. (Org. VEIGA. 1997. São Paulo: Cortez..DIAGNÓSTICO VIANNA. Ele implica intencionalidade. 15.). fica A. O. nosso trabalho. uma atividade de reflexão acerca de nossas ações e opções. p. Significado e pressupostos do projeto pedagógico. 1995. Rinalva.

viabilizado e avaliado pelo diretor e sua equipe técnica. o planejamento tem como objetivo prever a organização do trabalho a ser desenvolvido. de forma integrada e participativa. Seu processo de elaboração requer a participação do pessoal técnico e docente. pelo menos. Análise e interpretação dos dados com base nos objetivos da instituição. Planejamento não pode ser proposta individual ou de algumas pessoas. execução e avaliação do Projeto pedagógico-curricular.Na escola. correção dos desvios e adequação do trabalho em função dos objetivos e com base em padrões mínimos de desempenho. Diagnóstico da escola para coleta de informações úteis para a elaboração do Projeto pedagógico-curricular 2. 250 O planejamento cumpre. Elaboração e divulgação do projeto . três funções: previsão de resultados e meios de atingi-los. O planejamento é um processo. para revisão das decisões tomadas e das ações. tendo em vista a elaboração. O Projeto pedagógicocurricular deve ser o resultado de um trabalho conjunto da equipe escolar. O processo de planejamento obedece à seguinte lógica: 1. O Projeto pedagógico-curricular deve ser coordenado. 3. o plano é um documento. Tomada de decisões com base na escolha de prioridades e das formas mais eficazes de produzir mudanças na instituição em função dos objetivos. reflexão.

Possibilita o conhecimento das características. 3. O Diagnóstico tem. O Diagnóstico consiste no levantamento de dados e informações para se ter uma visão de conjunto das necessidades e problemas da escola e facilitar a escolha de alternativas de solução. Descrição dos dados coletados e observados: o que acontece e como acontecem as coisas na escola. expectativas e necessidades da escola e da comunidade. indicando elementos para tomada de decisões. . de acordo com um Roteiro. duas funções: Coletar informações quantitativas e qualitativas.Possibilitara análise das informações coletadas. um papel básico na definição de diretrizes e metas para a organização pedagógico-didática e administrativa da escola. isto é. 2. Neste tópico. para o planejamento. mediante registro de dados. ao menos. que afetam o processo de ensino e aprendizagem. registro de observações e entrevistas. as causas mais . Os passos para se fazer um Diagnóstico são os seguintes: 1. para se saber como e com que meios a escola vem atendendo sua tarefa principal: ensinar. Análise e interpretação dos dados: apreciação qualitativa com base no conhecimento teórico dos elementos constitutivos da organização escolar e nos objetivos esperados da instituição escolar. verificam-se os problemas existentes. em termos da qualidade do serviço oferecido à população. O Diagnóstico alimenta o Projeto pedagógico-curricular. portanto. Cumpre.A atividade inicial do processo de planejamento é o Diagnóstico da escola. Levantamento de dados.

destinação de uso. ruas. Salas de aula: quantidade. indústrias. 253 . assistência social e saúde. tipo de comércio. dimensões (ideal: 1m2 por aluno). aspecto físico geral. CARACTERIZAÇÃO SÓCIO-ECONÔMICA Breve histórico da criação da escola.). condições ambientais (iluminação. ESTRUTURA FÍSICA E MATERIAL 2. aspectos culturais e de lazer. 4. se o número de salas é suficiente (diretoria.prováveis desses problemas e marcam-se as alternativas de solução. ventilação etc. dimensões. outras escolas existentes. transporte urbano etc. 2. igrejas. Salas da administração: quantidade.). Características gerais da comunidade e sua influência na composição da clientela escolar: caracterização do setor ou bairro em termos de urbanização (tipo de casas.1. vice-diretoria. Indicações de medidas a serem tomadas: pontos a serem considerados no Projeto pedagógico-curricular para modificar as condições de funcionamento detectadas no Diagnóstico. nível sócio-econômico das famílias. Edifício escolar Tipo de construção. 252 ANEXOS II ANEXOU ROTEIRO PARA A COLETA DE DADOS PARA O DIAGNÓSTICO 1.

televisores. vídeo. biblioteca. Espaços de lazer e recreação .Áreas livres: cobertas. vídeos. cartazes. . salas de projeção (filmes.Material didático (mimeógrafo. coordenação pedagógica. almoxarifado. suficientes ou não. armários e outros: tipo. 2. condições de uso. slides). estado de conservação. formas de controle. cozinha. . forma de escoamento dos detritos. estado de conservação.Verbas de que dispõe a escola . adequação ao uso. coordenador de turno. 2. . quantidade. quantidade.): tipo. escrivaninhas.Mesas.Área disponível para lazer. recreação e esportes: dimensões. quantidade.Bebedouros e lavatórios: quantidade. água tratada ou não. despensa.Salas e ambientes especiais: verificar os mesmos aspectos nas salas para: laboratórios. .3. auditório etc. copiadora. sala de professores.Carteiras: tipo. . mapas etc. condições higiênicas. 2.Instalações sanitárias: quantidade conforme o número de usuários. retro-projetor.Sistemática de efetuação das despesas. . condições de uso. . como são adquiridos. Mobiliário . Recursos financeiros .2.secretaria. a que se destinam.4. descobertas. refeitório. orientação educacional).

número por sala.Principais atribuições de cada setor. . orientadores educacionais. 254 3. 3. pessoal administrativo. pessoal docente.1. ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO 4. Especialistas: Número.3. Coordenação pedagógica e orientação educacional ANEXOS Há um programa de formação continuada dos professores e pessoal administrativo? Existe o trabalho de assistência pedagógico-didática ao professor? Há uma unidade de ação da equipe técnica ou o trabalho é fragmentado? Há conflitos de funções entre direção e equipe técnica? O trabalho do pessoal técnico funciona em termos de garantir a qualidade do trabalho dos professores em sala . coordenadores pedagógicos. diretor. merendeiras.3. . adequação idade/série. Professores: Número. ESTRUTURA.Funcionários: Número por cargo (inspetores de alunos. vigias. porteiros.2.Formas de gestão e formas de relacionamento entre o pessoal técnico. .Existe Regimento Escolar? É do conhecimento de todos os membros da escola? É utilizado? Em que circunstâncias? 4. pessoal auxiliar . Alunos: Número por série.2. 3. vice-diretor. serventes.1. PESSOAL 3. 4. Aspectos organizacionais .Organograma da escola.4. qualificação. qualificação.

5. Relacionamento com pais e comunidade A escola tem APM (Associação de Pais e Mestres)? Conselho de Escola? .A Delegacia traz para a escola instruções e procedimentos a serem cumpridos pela escola? Quem é o portador dessas instruções? .? Os registros e controles do rendimento escolar estão corretamente organizados? Os arquivos estão organizados corretamente? Há normas da Secretaria da Educação sobre a organização e funcionamento da secretaria escolar? 4. residência. do rendimento dos alunos (análise dos resultados das avaliações) por classe? 4. Secretaria escolar .4. profissão dos pais etc.3.Que tipo de atuação tem a Delegacia na parte administrativa e pedagógica da escola? O acompanhamento é freqüente ou esporádico? Qual é o grau de autonomia da escola para tomar decisões? 4.A secretaria está bem organizada? Há pessoal suficiente? 255 Há prontuários de cada aluno? Há ficha cadastral com dados de identificação.de aula? Há acompanhamento do trabalho do professor na sala de aula. Relacionamento com a Secretaria da Educação e Delegacia de ensino .

Há uma sistemática de levantamento de dados e informações para o diagnóstico? .. democrática.Existe um trabalho sistemático com os pais? São feitas reuniões? Com que freqüência (mensal. por classe. administrativo) a respeito das decisões a serem tomadas. lazer etc. semestral. autoritária. ... centralizada.)? 256 5.Tipo de gestão existente na escola (colegiada. prática de esporte.1.Há o Plano da escola? Quando e como é feito? Existe um documento escrito? Há definição de objetivos e metas para o ano letivo e explicitação de atividades administrativas.)? Que tipo de reuniões (com todos os pais.Facilidade de execução das atividades ou excesso de burocracia. financeiras e pedagógico-didáticas? .O Plano é utilizado para a elaboração de Planos de ensino? 6.. . anual.)? Os pais comparecem? A escola mantém relacionamento com outras instâncias da comunidade (políticos.. ORGANIZAÇÃO GERAL DA ESCOLA 6. associações de bairro.Relacionamento do diretor com o pessoal da escola (técnico. participativa..). . empresários e outros? A escola cede suas instalações para a comunidade (reuniões. Aspectos administrativos gerais . docente. O PLANEJAMENTO ESCOLAR .

Funcionamento da rotina da escola . contatos com professores/ funcionários/ alunos.Como é feita a distribuição de alunos por classe? Há critérios de distribuição por idade.Como é organizado o horário? Quem organiza? Como é a distribuição das atividades (disciplinas)? Há uma fixação de horas semanais para cada atividade ou disciplina? . contatos com a comunidade/ delegacia de ensino/ políticos.Em que e como o diretor ocupa seu tempo (administração. reuniões.2. rendimento escolar ou outros? .Como é feita a recuperação? Quais os objetivos das aulas de recuperação? Funciona? Dentro do horário ou fora do horário? .Há Conselho de Classe? Quando e como são feitos? Funciona em termos de uma avaliação diagnóstica? . acompanhamento e avaliação do trabalho de cada setor etc. .Há Conselho de classe? Quando e como são feitos? 6.Como é feita a distribuição de classes entre os professores? Quais são os critérios? .Como é fixado o número de vagas? Existem critérios explícitos de seleção de alunos? Quais são os critérios de distribuição de alunos pelos turnos em que funciona a escola? São levadas em conta necessidades da comunidade? Há restrições a matrículas? São feitas exigências descabidas? .Há remanejamento de alunos durante o ano letivo? Quais são os critérios? .Como é controlada a freqüência dos alunos? Há muitas faltas? A escola verifica causas de ausência de alunos . supervisão pedagógica. ..).

exposições.A escola exige uniforme? Controla o uso do uniforme? Há reclamações dos pais nesse sentido? 6.)? . reflexão ou discussão sobre a prática docente? .Quais os problemas mais constantes em termos de controle da disciplina e infrações disciplinares? .O Plano da escola é utilizado para elaboração dos planos de ensino? .Existe uma articulação entre as séries em termos de programação de objetivos e conteúdos? .Há merenda escolar? Quem fornece? A escola complementa? Os alunos gostam da merenda? Em que horário é servida? A distribuição dos alimentos interfere nas atividades de sala de aula? .Há reuniões pedagógicas freqüentes? Que tipo de assuntos são tratados nessas reuniões? Há algum tipo de encontro para estudo. Aspectos da organização pedagógico-didática .Os professores têm assistência pedagógica efetiva da equipe técnica? .faltosos? Há controle da evasão escolar e uma análise de suas causas? . competições esportivas etc.Qual é o procedimento utilizado na escolha dos livros didáticos? .3.Como é organizada a Semana de planejamento? Como são elaborados os planos de ensino (os professores isoladamente ou em conjunto)? 258 .Há atividades extra-classe (visitas a locais da comunidade para estudo do meio.

Há liderança efetiva da direção? Como é o relacionamento pessoal da direção com o pessoal técnico.As responsabilidades estão claramente definidas? . DIREÇÃO E GESTÃO DA ESCOLA . administrativo e auxiliar? . para detectar desvios.Há uma sistemática de capacitação em serviço (treinamento)? É feita pelo pessoal técnico da escola ou pela Secretaria da Educação? 7. e reorientar os trabalhos? .Há uma sistemática de acompanhamento.Quem realiza a avaliação? Há uma reflexão conjunta sobre a prática desenvolvida.Há um clima de trabalho positivo. dificuldades. em termos de sua eficácia e realização de objetivos? .Qual é a sistemática de tomada de decisões? Há ordens prontas ou há uma prática participativa? . AVALIAÇÃO ..É feita a avaliação da execução do Plano da escola? Como se faz essa avaliação? Que procedimentos são utilizados? .Há um efetivo acompanhamento das atividades pedagógicas e administrativas.Qual é o tipo de gestão adotado na escola? . que estimula e incentiva a equipe escolar? 259 8. controle e avaliação das decisões tomadas? .

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