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SeuMundo

REVISTA

entrevista O ATEÍSMO NA MIRA DA FÉ

Alister McGrath rebate as idéias de Richard Dawkins.

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Ano III - númERo 11 - DISTRIBUIÇÃo GRATUITA - UmA PUBlIcAÇÃo DA EDIToRA mUnDo cRISTÃo

GRATUITA - UmA PUBlIcAÇÃo DA EDIToRA mUnDo cRISTÃo G. K. CHESTERTON “Tentei criar uma nova here-

G. K. CHESTERTON

“Tentei criar uma nova here- sia; mas, quando lhe aplicava os últimos remates, descobri que era apenas a ortodoxia”. Lançado em 1908, Ortodoxia ganha tradução primorosa para o português e chega aos leitores com preço popular.

Página 5

100 anos de ortodoxia

UM HERÓI POR DIA

Swindoll lança devocional baseado

na série Heróis da fé

PáGINA 2

FILHINHO DO PAPAI

Larry Crabb lança sétimo livro no Brasil, Em nome do pai PáGINA 8

CURADOS PARA CURAR

David Kornfield aborda restauração

da alma em dois livros

PáGINA 9

O PECADO DA OMISSÃO

A grande omissão é uma introdução ao pensamento de Dallas Willard PáGINA 10

editorial + notas eDiToRiAL Algumas dúvidas sempre pairam no ar quando se decide para que

editorial + notas

eDiToRiAL Algumas dúvidas sempre pairam no ar quando se decide para que assunto dedicar a capa da re- vista Seu Mundo. Se deve ter apelo mais comercial ou institucional. Nesta edição, a Mundo Cristão atinge os dois objetivos com muita clareza e eficiência. A presen- ça de G. K. Chesterton comemorando os 100 anos de sua principal obra, Ortodoxia, certamente eleva o aspecto editorial. Po- rém, a ampla divulgação do livro a preço popular cria a oportunidade de difundir de um dos textos cristãos mais relevantes do século XX. Boa leitura!

Presidente Mark Leo Carpenter Gerente de Marketing e Vendas Claudinei franzini Gerente de Produção Editorial
Presidente
Mark Leo Carpenter
Gerente de Marketing e Vendas
Claudinei franzini
Gerente de Produção Editorial
Renato fleischner
Gerente Admin. e Financeiro
Ricardo Dinapoli
Editor Responsável
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Colaboraram nesta edição
oziel Alves, Margareth feinberg,
Philip Yancey, Stormie omartian,
Marcos Granconato, Renata Sturm,
Samuel Coto e Mark Carpenter
Redação e correspondência
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ALiCeRÇADoS nA

RoChA Fundamentos da teologia his- tórica, o quarto título da Coleção Teologia Brasileira, chega às livrarias de todo o país em março deste ano. Escrita pelo professor de

História da Igreja e coor- denador da área de Teolo- gia Histórica do Centro Presbiteriano de Pós-Gradu- ação Andrew Jumper, em São Paulo (SP),

Alderi Souza de Matos, a obra não somente aponta as principais fases da Igreja Cristã com seus personagens, fatos e suas questões cru- ciais, como também inclui vasta biblio- grafia em português e índices dos princi- pais temas teológicos que pavimentaram nossos caminhos e descaminhos. A coleção já conta com os seguintes títu- los à venda: Fundamentos da teologia prática (Julio Zabatiero, Escola Superior de Teolo- gia), Fundamentos da teologia da igreja (Carlos Caldas, Universidade Presbiteriana Ma- ckenzie) e Fundamentos da teologia reformada (Hermisten Maia, Universidade Presbite- riana Mackenzie). Os próximos livros têm previsão de lançamento para o segundo semestre. Entre eles, estão: Fundamentos da teologia do Novo Testamento (Wander Pro- ença, Faculdade Teológica Sulamericana), Fundamentos da teologia contemporânea (Re- ginaldo Von Zuben, Faculdade Teológica Latinoamericana) e Fundamentos da teologia da vida cristã (Lourenço Stelio Rega, Facul- dade Teológica Batista). Ao todo, a coleção deverá contar com 18 obras.

Batista). Ao todo, a coleção deverá contar com 18 obras. fALeCeU A escritora Madeleine L’Engle, aos

fALeCeU A escritora Madeleine L’Engle, aos 88 anos em Litchfield, Con- necticut (EUA), no dia 6/9/2007. Autora do clássico Uma dobra no tempo, publicado pela Mundo Cristão, teve a obra rejeitada por 26 editoras, antes de ser publicada pela Farrar, Straus & Giroux, e ganhar o prêmio de melhor livro infantil, em 1963. Estima-se que o livro já vendeu mais de 8 milhões de exemplares em todo o mundo.

2 • Seu Mundo

LivRoS, ReSenhAS e RefLexõeS

ReviSiTADo

2 • Seu Mundo LivRoS, ReSenhAS e RefLexõeS ReviSiTADo Todas as obras de Eugene H. Peterson

Todas as obras de Eugene H. Peterson publicadas pela Tex- tus (cujo estoque foi adquirido pela Mundo Cristão em 2005), ga- nharão novas edições a partir de 2008. O primeiro livro a passar por revisão é Âni- mo! (confira resenha na página 7), publi- cado originalmente como Corra com os ca- valos. As obras ganharão praticamente um novo texto, além de novas capas e projeto gráfico. A próxima reedição será O pastor que Deus usa, prevista para maio. Além desta, estão na linha de produção outros cinco títulos: O pastor que Deus usa; O pas- tor contemplativo; O pastor desnecessário; Um pastor segundo o coração de Deus e Onde seu tesouro está. Também para esse ano estão previstos dois novos livros do autor. Em maio chega o segundo volume da série Teologia Espiritual, Maravilhosa Bíblia, e em setembro, Espiritualidade subversiva.

TReinAMenTo Em novem-

bro do ano passado, o Instituto Mundo Cristão (IMC) realizou o primeiro evento

de capacitação voltado para estudantes e profissionais do mercado editorial. Com

título “Quem mexeu no meu texto?”, o evento reuniu gente de altíssima qualida- de como os profes- sores Almiro Pisetta

e Lenita Rimoli Este-

ves, os editores Mark Carpenter, Renato Fleischner, Omar de Souza, Silvia Justino e os escritores Aldo Menezes e Israel Belo. Cerca de 100 pes- soas de diversas cidades compareceram ao auditório da Universidade Presbiteria- na Mackenzie para um dia de palestras e workshops na área de preparação de texto, tradução e revisão. Coordenado por Selmi de Aquino, em 2008 o IMC realizará mais quatro cursos de capacitação em parce- ria com universidades de São Paulo. “O objetivo desses eventos é atrair e formar profissionais para o segmento editorial”, diz Selmi. Para ficar atento às novidades, basta cadastrar um e-mail no site da Mundo Cristão.

o

segmento editorial”, diz Selmi. Para ficar atento às novidades, basta cadastrar um e-mail no site da

entrevista

entrevista DAWKinS nA MiRA DA fÉ O professor da Universidade de Oxford, Alister McGrath, rebate as

DAWKinS nA MiRA DA fÉ

O professor da Universidade de Oxford, Alister McGrath, rebate as acusações do cientista pró-ateísmo Richard Dawkins em livro publicado pela Mundo Cristão

por ozieL ALveS

“Quando uma pessoa sofre de um

delírio, isso se chama insanidade. Quando muitas pessoas sofrem de um delírio, isso se chama religião”. Está é apenas uma, dentre as muitas acusações hostis que Ri- chard Dawkins faz ao fundamento básico de toda a religião, a fé. Em Deus, um delírio (Cia. das Letras), um manifesto ateísta que questiona a veracidade da Bíblia, a tese do Design Inteligente e a existência de Deus, Dawkins chega a comparar a educação religiosa infantil ao abuso sexual e sugere que os “crentes” são pessoas recalcadas, intelectualmente limitadas, mas que ape- sar de sofrerem alucinações que beiram a demonstração de doença mental, ao afir- marem que ouvem Deus falar ou que ele atende as suas petições, ainda há chance de recuperá-los. A agressiva ousadia do cientista não pára por aí e vai além das pa- lavras. Indignado com o crescimento da fé e convicto de que a religião — seja qual for — gera inimizades e violência, Dawkins abertamente se engaja num movimento internacional pró-ateísmo, defendendo a

idéia de que é possível convencer grande parcela da sociedade a lutar pelo fim das religiões. Para responder a estas e outras pergun- tas, o ex-ateu e colega de Universidade de Dawkins, dr. Alister McGrath (foto), pro- fessor de Teologia Histórica em Oxford,

pesquisador sênior do Harris Manchester College e doutor em Biologia Molecular

e Teologia Científica, escreveu O delírio de Dawkins (Mundo Cristão). Nele critica a pobreza lógica utilizada pelo cientista no desenvolvimento de suas principais teo- rias e desmantela o argumen-

to de que a ciência deve levar obrigatoriamente ao ateísmo.

A seguir, confira trechos de en-

trevista concedida por Alister McGrath.

trechos de en - trevista concedida por Alister McGrath. O delíriO de dawkins Alister & Joanna

O delíriO de dawkins

Alister & Joanna McGrath 14 x 21 cm 160 páginas Cód.: 10565 R$ 24,90

alguns ateístas, mas não creio que consiga atrair muitos adeptos, devido principal- mente à maneira ridícula como caricatura

a fé religiosa. Por que o ateísmo é tão influente nas

universidades? Uma das razões é o fato de os estu- dantes estarem chegando lá sem a plena convicção de sua fé, e por isso altamente vulneráveis

ao ateísmo. É preciso co- nectar a espiritualidade e a intelectualidade com as reais preocupações dos es- tudantes, a fim de habilitá-

los a perceber o poder de mudança do cristianismo, trazendo assim sentido e estabilidade à existência humana. O ser humano é biologicamente predis- posto a acreditar no sobrenatural? De fato, para muitos escritores cristãos,

a natureza humana possui uma espécie de

dispositivo rastreador que nos guia a Deus. Para mim, não se trata de nenhum acidente evolucionário! Isso é parte de nossa natu- reza. Como diz o Novo Testamento: “Deus pôs a eternidade em nossos corações”. Dawkins diz que “a teologia pensa ter respostas que a ciência não tem”. A maioria dos cientistas são claros quando dizem que a ciência não é capaz de responder questões morais, bem como esclarecer o propósito da vida. Esse as- pecto foi enfatizado diversas vezes por Peter Medawar, imunologista de Oxford que recebeu o prêmio Nobel de Medicina por descobrir a tolerância imunológica adquirida. Em uma importante publica- ção intitulada “Os limites da ciência”, ele explorou a questão de como a ciência era limitada pela natureza da realidade e en- fatizou que as perguntas transcendentais

ALiSTeR: “A fé cristã oferece ampla explica- ção “do todo”, e não se limita pelas lacunas que a ciência não pode explicar.”.

O que há de novo nas ques- tões levantadas em Deus, um delírio e quais os efeitos práticos des- se manifesto ateísta? A novidade fica por conta da raiva e de uma retórica voraz, ridicularizando a reli- gião e a crença em Deus. Sobre os efeitos, esse livro pode sim reforçar a descrença de

DivULGAÇão
DivULGAÇão

CONTINUA NA PáG. 4 >>

LivRoS, ReSenhAS e RefLexõeS

Seu Mundo • 3

análise >> CONTINUAçÃO DA PáG. 3 podem ser melhor respondidas pela reli - gião e

análise

>> CONTINUAçÃO DA PáG. 3

podem ser melhor respondidas pela reli- gião e pela metafísica. Dawkins mostra-se incapaz de entender e, por conseqüência, apreciar esse aspecto. Para Dawkins, Deus é um “deus de la- cunas” e, à medida que a ciência evolui, ele tende ao desaparecimento. Até que ponto Deus é apenas a resposta para aquilo que ultrapassa a escala de nossa compreensão? Essa idéia do “deus de lacunas” foi ma- nifestada por alguns escritores cristãos no século XIX, mas já foi abandonada há muito tempo. O notável pastor Charles A. Coulson, o primeiro professor de Quí- mica Teórica da Universidade de Oxford, argumentava que nós deveríamos de- senvolver uma teoria compreensível da realidade que evidenciasse a capacidade de explicação da fé cristã como um todo, em vez de colocá-la sempre na posição de preenchimento de lacunas. Da mes- ma forma, o filósofo Richard Swinburne, da Universidade de Oxford, argumenta que a capacidade da ciência de explicar

a si própria também requer explicações.

Nesse caso, o argumento mais aceitável

se enquadraria na noção de um criador.

A fé cristã oferece ampla explicação “do

todo”, e não se limita pelas lacunas que a ciência não pode explicar. Qual o seu conselho para o povo cris- tão brasileiro que começa a ter acesso à obra de Dawkins? Não há nada que temer em relação a esse livro. Na realidade, ele só nos ajuda mostrando a importância de entendermos

o motivo de nossa fé e de sermos capa-

zes de defendê-la e explicá-la em públi- co. O livro serve, de alguma forma, para despertar a igreja, que precisa preparar melhor a comunidade cristã para refutar essas críticas, desafiando Dawkins e seus seguidores no que diz respeito à maneira simplista e errônea com que utilizam seus argumentos para tentar desmoralizar a fé. Espero que a igreja brasileira supere esse desafio e se engaje no propósito de capa-

citar as pessoas, principalmente os jovens,

a fim de que estejam equipados para de- fender sua fé.

TexTo originalmenTe publicado pela revisTa EnfoquE. genTilmenTe cedida à revisTa SEu Mundo.

UM heRói PoR DiA

Novo devocional diário de Charles Swindoll, Dia a dia com os heróis da fé, foi inspirado na vida e na história dos principais personagens da Bíblia

por MARGAReTh feinBeRG*

principais personagens da Bíblia por MARGAReTh feinBeRG* dia a dia cOm Os heróis da fé Charles

dia a dia cOm Os heróis da fé

Charles Swindoll 16 x 23 cm 384 páginas Cód.: 10533 R$ 39,90

ainda não desco- briu a série best-

seller Heróis da fé, de Charles Swindoll, está perdendo um tesouro. Nela, Swindoll explora a vida de grandes personagens bí-

blicos, como Davi, Ester e José. O novo de- vocional, Dia a dia com os heróis da fé, serve como um “the best of ” da série. Dividido em leituras diárias, cada parte foca um herói diferente, começando com José. Os artigos iluminam uma faceta par- ticular da viagem de cada personagem, lições a serem aprendidas com seu exem- plo de vida, e reflexões sobre o legado que cada um deixou. No caminho, pequenos, porém valiosos, detalhes são explorados. Na parte dedicada a José, Swindoll es- creve: “Por que o escritor acrescenta esses detalhes? Primeiro, penso que ele deseja que saibamos que José era monógamo. Ele não caiu na armadilha

Se você

personagem, mas não foge das dificulda- des e dos fracassos enfrentados por esses indivíduos. Ao refletir no episódio em que Elias se escondia debaixo de uma árvore, Swindoll escreve que “Elias teria compreendido” se estivesse “pensando claramente e dentro da realidade”. Nisso, o autor nos mostra que o profeta Elias cometeu erros vitais, principalmente ao se separar dos relacio-

namentos fortes, ao se perder na glória das vitórias e ao se submeter à autocomi- seração. Esse retrato honesto

é extremamente valioso para leitores que procuram enten- der melhor essas histórias bíblicas. Surpreendentemente, pou- cos personagens do Novo

Testamento, além de Paulo, são analisados. O resultado é que a maior parte do livro traz reflexões sobre o Antigo Testamento, o que não sig- nifica que ele deva ser ignorado. Dia a dia com os heróis da fé é um devo- cional excepcional que foge de muitos dos excessos da escrita contemporânea. Ao invés disso, ele entra profundamente nas Escrituras e descobre inúmeros tesouros no caminho. Seja você novo na fé, crente veterano ou alguém que quer apenas co- nhecer mais a Bíblia, certamente desfruta- rá deste recurso valioso. Altamente reco- mendado.

da poligamia, como muitos que o rodeavam — até os de sua família. Possuía uma única esposa e ela lhe deu dois filhos. Segundo e mais importante, o escritor quer

que compreendamos o sig- nificado do nome dos filhos de José. Ambos representam um jogo de palavras. “Manassés” significa “aquele que faz esquecer” e Efraim, “duas vezes frutífero”. São pequenas observações como essa que dão profundidade ao texto. Além de José, uma variedade de estrelas da Bíblia são examinadas. A viagem de Moisés é contada como uma aventura repleta tanto de pontos altos quanto baixos, na tentativa de liderar e ser liderado por Deus. Davi, conhecido como um homem segundo o coração de Deus, é tratado com carinho e

atenção. Outras partes do devocional ana- lisam Elias, Jó e Abraão. No decorrer do texto se torna aparente que Swindoll não teme olhar objetivamente a vida de cada herói. Ele reconhece os sucessos de cada

Swindoll não teme olhar objetivamente a vida de cada herói. ele reconhe- ce os sucessos, mas não foge das dificuldades e dos fracassos

*Margaret Feinberg foi nomeada como uma das TrinTa vozes emergenTesque guiarão a igreja na próxima década pela revisTa ChariSMa. ela Também es- creveu mais de doze livros, incluindo o aclamado ThE organiC god (zondervan). Tradução: samuel coTo

4 • Seu Mundo

LivRoS, ReSenhAS e RefLexõeS

C URR en T h i ST o RY of T he W AR . v. i (De C e MB e R 1914). n e W Yo RK Ti M e S Co MPA n Y

teologia

C e MB e R 1914). n e W Yo RK Ti M e S Co

o AveSSo Do AveSSo

Edição centenária da obra-prima de G. K. Chesterton, Ortodoxia, chega ao público brasileiro com tradução primorosa de Almiro Pisetta e preço popular

por PhiLiP YAnCeY*

Certa vez um jornalista pergun- tou a G. K. Chesterton

(foto) qual o único livro que gostaria de ter caso fosse parar numa ilha deserta. Após uma pequena pausa, Chesterton respondeu: “Já sei: Guia prático para a cons- trução de navios”. Fora a Bíblia, se eu tivesse de escolher um único livro em situação semelhante, é bem provável que fosse Ortodoxia, a auto- biografia espiritual de Chesterton. Fiquei encantado ao descobrir que a Mundo Cris- tão decidira celebrar o centenário desta grande obra lançando uma nova edição. Não entendo como os leitores se deixam atrair por um título tão imperscrutável, mas um dia foi exatamente o que fiz, e mi- nha fé nunca mais foi a mesma. Na época eu passava por um período de aridez es- piritual; tudo parecia estar velho, desgas- tado e sem vida. A leitura de Ortodoxia me trouxe refrigério e, acima de tudo, um novo espírito de aventura. “Sou o homem que — com grande ousadia — descobriu apenas o que havia sido descoberto antes”, disse Chesterton. “Tentei criar uma nova heresia; mas, quando já lhe aplicava os últi- mos remates, descobri que era apenas a or- todoxia.” Guiado por Chesterton, cheguei ao mesmo lugar, à mesma conclusão, e o percurso foi estimulante e inesquecível. Depois de descobrir Ortodoxia, li muitas outras obras de Chesterton. (Ele escreveu mais de 100 livros, e morri de inveja quan- do ouvi que ele ditava quase tudo para sua secretária, e que praticamente não precisa- va revisar o que havia criado.) Adquiri de Chesterton muito mais que meros fatos ou argumentos intelectuais; ganhei dele uma nova perspectiva, uma maneira “românti- ca” de enxergar minha fé. Ele afirmou que as virtudes pagãs, como a justiça e a tem- perança, são virtudes tristes. As virtudes cristãs — fé, esperança e amor — são vir- tudes alegres e exuberantes. Elas possuem certa aura de audácia: “O amor perdoa o imperdoável, senão deixa de ser virtude. A

seu charme arrasador e celebrava levando

o oponente vencido ao pub mais próximo.

Certa vez seu contemporâneo Franz Kafka comentou: “Ele é tão alegre que parece ter encontrado o próprio Deus!” Um jornal londrino promoveu um ex- tenso debate entre Chesterton e Robert Blatchford, editor de um periódico socia-

lista. O resultado desse embate foi a publi- cação de Ortodoxia e de várias outras obras de apologética cristã. Quando Blatchford citava as razões por que não conseguia aceitar o cristianismo, Chesterton respon- dia sempre com uma refutação vigorosa

e bem-humorada que acabava virando os

argumentos do oponente de ponta-cabeça:

“Se eu oferecesse todas as minhas razões por ser cristão, a grande maioria seria exa- tamente as razões que o senhor Blatchford daria para não o ser”. Chesterton reconhecia que a igreja não representava bem o evangelho. Dizia que

o lamentável comportamento dos cristãos gerava de fato o argumento mais forte

esperança não desiste, mesmo em face do

desespero, senão deixa de ser virtude. E a

fé acredita no inacreditável, senão deixa de

ser virtude”.

O estereótipo do “gordo alegre” o des- crevia perfeitamente. Chesterton, que pe- sava em torno de 140 quilos, apelava para

o humor quando debatia publicamente

com os agnósticos e ateus da época, mais notavelmente com o dramaturgo George Bernard Shaw. (Imagine que nessa época um debate sobre a fé era capaz de encher um auditório.) Chesterton normalmente chegava atrasado, ajustava os óculos pin- cenê para perscrutar suas anotações rabis- cadas num punhado de papéis e passava a entreter o público, rindo alto das próprias graças e piadas. Bufando sob o amplo bigo- de, com os olhos cintilantes, defendia con- ceitos “reacionários” como o pecado original e o julga- mento final. Quase sempre ganhava o público com o

CONTINUA NA PáG. 6 >>

lançamentO OrtOdOxia G. K. Chesterton 14 x 21 cm 264 páginas Cód.: 10575 R$ 19,90
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G. K. Chesterton
14 x 21 cm
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LivRoS, ReSenhAS e RefLexõeS

Seu Mundo • 5

trecho >> CONTINUAçÃO DA PáG. 5 contra o cristianismo. Os cristãos são pro - va

trecho

>> CONTINUAçÃO DA PáG. 5

contra o cristianismo. Os cristãos são pro- va cabal daquilo que a Bíblia ensina sobre

a Queda. Chesterton parecia perceber ins-

tintivamente que, numa sociedade cheia de gente sofisticada que desprezava a religião,

um profeta sisudo teria muito menos im- pacto do que um bobo da corte. Descreveu

desta forma o seu método: “Para responder ao cético arrogante, não adianta insistir com ele que pare de duvidar. É melhor estimulá- lo a continuar a duvidar, para duvidar um pouco mais, para duvidar cada dia mais das coisas novas e loucas do universo, até que, enfim, por alguma estranha iluminação, ele venha a duvidar de si próprio”. Acredito que hoje carecemos de um novo Chesterton. Nos dias atuais em que a cisão entre cultura e fé se abre ainda mais do que na época de Chesterton, poderíamos mui- to bem nos valer de sua mente brilhante, de seu estilo divertido e, acima de tudo, de seu espírito generoso e bem-humorado. Quando a sociedade se polariza, é como se as duas alas se posicionassem dos dois lados de um abismo para gritar desaforos uma contra a outra. A abordagem de Ches- terton era outra: ele caminhava até o centro da ponte pênsil entre os dois lados, esbra- vejava um desafio a qualquer guerreiro mais ousado e, em seguida, fazia que todos se soltassem às gargalhadas. G. K. Chesterton conseguia apresentar

fé cristã com mais humor, bom ânimo e força intelectual do que qualquer outro no século passado. Com o mesmo zelo de um soldado na defesa do último reduto, ele en- carava feras como Shaw, H. G. Wells, Sig- mund Freud, Karl Marx e qualquer outro que ousasse explicar o mundo sem consi- derar Deus e sua Encarnação. T. S. Eliot jul- gou que Chesterton “fez mais — penso eu — que qualquer de seus contemporâneos para sustentar a existência desta minoria importante para o mundo moderno”. Foi isso que ele fez por mim. Sempre que percebo que minha fé corre o risco de tornar-

a

se

árida mais um vez, vou até minha estante

e

apanho um livro de G. K. Chesterton. E

assim começa de novo a aventura.

*esTe arTigo é um Trecho do prefácio escriTo por philip YanceY, com exclusividade para a edi- Tora mundo crisTão, para a edição cenTenária de orTodoxia. Tradução: mark carpenTer

UMA hiSTóRiA ReveLADA

Autora do best-seller O poder da esposa que ora emociona com drama de vida

por SToRMie oMARTiAn*

“melhor” foi um pe- queno posto de ga-

solina em Compton que papai tomou em arrendamento, junto com uma casa que parecia mais um barraco. A porta da frente da casa dava para a porta dos fundos do posto, de modo que a graxa e a sujeira tor- naram-se elementos comuns do dia-a-dia. Ao lado, havia um campo aberto cheio de ratos que encontravam facilmente o cami- nho para meu quarto. Os mais ousados su- biam na cama e corriam em cima da colcha. Quando isso acontecia, eu ficava paralisa- da de medo e não conseguia mais dormir. Papai trabalhava 14 horas por dia, de se- gunda a sábado, das 7 da manhã às 9 da noite. Quando não estava trabalhando, sempre se queixava de estar “morto de cansado”. Embora trabalhasse muito, o que conseguia mal dava para sobrevivermos. Nossa pobreza era evidente. Ninguém vi- via num casebre pior nem dirigia um carro mais velho que o nosso. E apesar de eu ter cinco vestidos novos para ir à escola — um para cada dia da semana — o tecido era tão ruim que logo estavam desbotados e não serviam mais. A comida quente servida no almoço da escola era a melhor refeição do dia. Muitas noites, ia para cama com fome, pois não havia na cozinha quase nada para comer, senão uma vasilha quase vazia com maionese e um frasco de ketchup. Em casa, minha alimentação consistia praticamente em pão com margarina. Aos poucos, a fome e os ratos foram acabando com nossas esperanças. Minha fuga nessa época era sonhar que, um dia, eu seria uma linda atriz de cinema. Teria milhões de dólares, vestiria roupas impe- cáveis, andaria de um lado para o outro numa limusine com motorista, viveria num palacete e teria uma empregada. Aonde quer que eu fosse, fãs e pretendentes boni- tos me dariam o amor que eu nunca havia recebido em casa. Consegui vislumbrar alguma esperança quando minha irmã nasceu. Por algum tem- po, pareceu que mamãe havia recomeçado

A vida

algum tem - po, pareceu que mamãe havia recomeçado A vida stOrmie - uma história de

stOrmie - uma história de perdãO e cura

Stormie omartian 14 x 21 cm 240 páginas Cód.: 10567 R$ 24,90

sua vida. Minha felicidade não tinha limites. Apesar de Suzy ser quase doze anos mais nova, eu a considerava uma companheira, alguém com quem conversar, me relacio- nar, amar e abraçar, a cura para minha so- lidão profunda. Além disso, ao ver mamãe cuidando de Suzy, imaginei que talvez ela também começasse a cuidar de mim. Uma tarde, ao chegar da escola, ouvi Suzy, então com três meses, chorando no quarto de minha mãe. Entrei em meu quarto para fazer a montanha de lições que os professo- res sempre mandavam. De repente, minha mãe estava a meu lado. Olhei para cima, e ela colocou a bebezinha em meu colo.

— Tome! Ela é toda sua.

— Mas eu estou fazendo minha lição de

casa — protestei.

— Não discuta comigo. Daqui para frente,

Suzy é sua responsabilidade. Quando você

não estiver na escola, você cuida dela.

— E quanto às aulas de teatro? Eu ia fazer

um teste para participar da peça da escola.

— Depois da aula você vem direto para

casa! — ela gritou. — Entendeu? Fiquei aturdida. Como poderia fazer as lições de casa? Finalmente, havia começa- do a fazer alguns amigos, mas não teria nenhum minuto livre para desenvolver essas amizades. Não podia convidar meus colegas para virem em casa, pois o lugar era sujo demais, e minha mãe não queria ninguém por perto. Tentei ficar com raiva da Suzy por me causar tantos problemas, mas não consegui. Ela era dócil e afável, e eu havia me apegado a ela. Assim, Suzy tornou-se minha única fonte de afeição.

*Trecho exTraído da auTobiografia STorMiE - uMa hiSTória dE pErdão E Cura.

6 • Seu Mundo

LivRoS, ReSenhAS e RefLexõeS

espiritualidade

espiritualidade AnTíDoTo PARA o TÉDio Antigo Corra com os cavalos ganha nova tradução e novo título,

AnTíDoTo PARA o TÉDio

Antigo Corra com os cavalos ganha nova tradução e novo título, Ânimo!

toda a obra é a habilidade que o pastor Eugene H. Peterson demonstra no uso de ilustrações. Suas descrições são vívi- das e fascinantes; as histórias narradas

são muito interessantes, e as relações que o autor estabelece entre elas e as li- ções que quer destacar mostram muita criatividade. A combinação disso tudo tem o poder de fixar de forma indelével na mente do leitor as verdades ensina- das, além de tornar a leitura agradável

e cativante. Por tudo isso, Ânimo! é um livro imper- dível! Numa época em que até mesmo os crentes buscam sentido para a vida con- formando-se aos padrões estabelecidos pelo mundo sem Deus; num tempo em que todos são absorvidos por um rede- moinho de futilidades que tornam a exis-

tência enfadonha, a perspectiva e os desa- fios apresentados por Peterson oferecem uma oportunidade singular de reflexão

e mudança. Esta última é motivada pela

certeza de que o ser humano representa mais do que um rosto na multidão. Sua vida, ainda que a um alto custo, pode ser conduzida contra a correnteza de uma cultura que, apesar de agitada e barulhen- ta, desemboca no nada.

*marcos granconaTo é pasTor da igreja baTisTa redenção, de são paulo (sp).

por MARCoS GRAnConATo*

H. Peterson foi pas- tor da Igreja Presbite-

riana Christ Our King, em Bel Air, Maryland, onde ministrou durante 29 anos, antes de se aposentar, em 1991. Ele se tornou conheci- do principalmente por sua obra The Mes- sage: The Bible in Contemporary Language, uma tradução da Bíblia que tenta torná- la mais acessível ao leitor moderno. Seu livro Ânimo!, escrito em 1983, foi origi- nalmente publicado no Brasil pela edito- ra Textus, sob o título Corra com cavalos. A nova edição, lançada agora pela Mundo Cristão, ajustou melhor a tradução às ex- pectativas do público brasileiro, tornan- do o texto mais agradável e fazendo a leitura fluir com mais naturalidade. Em Ânimo!, Peterson, baseando-se no livro de Jeremias, lança o desafio para os crentes modernos de viver com excelência em meio à sociedade atual caracterizada por uma mediocridade sem precedentes na história humana. O livro começa realçando a importân- cia do indivíduo, reduzido na cultura moderna a um simples número de docu- mento ou a mero dado estatístico. Em se- guida, Peterson fala da ação de Deus em preparar o contexto dentro do qual esse mesmo indivíduo nasce e mostra como

o Senhor o separa para um propósito es-

pecífico dentro de seu plano soberano. O

autor destaca nesse ponto quão útil seria

o entendimento dessas coisas na promo-

Eugene

útil seria o entendimento dessas coisas na promo - Eugene ÂnimO! eugene h. Peterson 16 x

ÂnimO!

eugene h. Peterson 16 x 23 cm 192 páginas Cód.: 10608 R$ 24,90

na pregação da verdadeira piedade em dias de religiosidade oca, como resistir à oposição, como detectar, evitar e denun- ciar os males de um povo cujo viver não passa de uma luta incansável pela auto- realização e como não se render a mode- los religiosos preocupados apenas com a aprovação popular. No livro Ânimo!, o leitor ainda desco- brirá uma perspectiva nova sobre a ora- ção ideal, que Peterson descreve como um hábito diário no qual há intenso envolvimento com Deus e crescente in- timidade com o Senhor, à medida que os ruídos produzidos por pessoas e circuns- tâncias são deixados em segundo plano. Um dos fatores dignos de nota em

LEIA UM TRECHO

 

o

enigma a ser decifrado é: por que tan-

“Para nossa decepção, descobrimos que a emancipação foi proclamada não em prol de uma raça de homens livres e notá- veis, mas, ao contrário, em favor de uma raça que pode bem ser descrita por seus poetas e dramaturgos como desanimada, frustrada, irascível, murmuradora e cheia de amargura.” essa condição tem produzido um estra- nho fenômeno: indivíduos que vivem na simplicidade do cotidiano envolvem-se em práticas malignas e reprováveis a fim de encontrar algum significado para a vida. Assassinos e seqüestradores tentam galgar os altos degraus que levam da obs- curidade para a fama ao matar alguém de destaque ou ameaçar explodir um avião cheio de passageiros. Com freqüência, essas pessoas alcançam seus objetivos

tas pessoas vivem tão mal? vidas caracte- rizadas não tanto pela maldade, mas pela mediocridade. não tanto pela crueldade, como pela estupidez. Há pouco que admi- rar e menos ainda que imitar nas pessoas que se destacam em nossa cultura. Temos

celebridades, mas não temos santos. Artis- tas famosos tentam entreter toda uma na- ção de entediados que sofrem de insônia. Criminosos audaciosos praticam infrações próprias de apáticos conformistas. Atletas mimados e arrogantes apresentam-se para espectadores entediados e preguiçosos. As pessoas, saturadas e sem esperança, tentam se distrair com coisas irrelevan- tes. nem mesmo a busca da justiça ou os grandes feitos da bondade dão notícias de primeira página.

o

homem moderno é “um empreendi-

iniciais. De fato, a mídia divulga suas pala- vras e exibe o que fazem

mento sem futuro”, afirma Tom howard.

ção do bem-estar dos homens de hoje que vivem envolvidos numa busca frenética

e infrutífera de maneiras de elevar sua

auto-estima. Sempre com base na história e profecia de Jeremias, Peterson mostra que Deus capacita seu servo para a realização de obras grandiosas e, a fim de solapar seu desânimo, revela-lhe que o mal presente no mundo está sob seu controle, sendo impossível ultrapassar os limites fixados por sua vontade soberana. Ademais, a experiência do profeta ilus- tra o modo como o crente deve perseverar

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Seu Mundo • 7

perfil fiLhinho Do PAPAi Larry Crabb lança sétimo livro pela Mundo Cristão. Em nome do

perfil

fiLhinho Do PAPAi

Larry Crabb lança sétimo livro pela Mundo Cristão. Em nome do pai é um guia para pessoas que desejam fortalecer a relação de paternidade com Deus

por SAMUeL CoTo

O autor e psicólogo Larry Crabb (foto) re-

sume em duas palavras sua trajetória na vida: soberanos tropeços. Para um dos mais conceituados conselheiros cristãos norte-americanos, a vida tem sido uma sé- rie de tropeços, sempre seguidos de uma ajuda da mão soberana de Deus. O nome do dr. Crabb figura em qualquer lista séria dos melhores conselheiros cris-

tãos norte-americanos. As conferências e palestras que ministra em igrejas, escolas e seminários dos Estados Unidos são sempre dirigidas a platéias lotadas, e são inúmeros os testemunhos de adultos e jovens bene- ficiados por suas orientações e seus conse- lhos. O sucesso de seus livros não poderia ser diferente, fazendo dele um best-seller quando se trata de relacionamentos, moti- vação espiritual e vida cristã. Autor dos celebrados livros Sonhos des- pedaçados e Conexão, ambos publicados pela Mundo Cristão, em seu mais recente lançamento, Em nome do Pai, o autor com- partilha sua jornada em busca de um rela- cionamento mais íntimo com Deus através da oração. O livro é um guia sobre como fortalecer a relação de paternidade com Deus baseado em quatro atitudes: expor

a vida diante de Deus; ficar atento para o modo de pensar no Senhor; expressar o que bloqueia a comunhão com o Criador;

e, por fim, abordar o Pai como o que há de

mais importante na vida. Em nome do Pai segue a trilha dos outros seis títulos de Crabb publicados em portu- guês: livros caracterizados, em sua maior parte, pela busca de uma ponte entre a psi- cologia e a espiritualidade, nunca fugindo do objetivo maior de ajudar cristãos, prin- cipalmente como Igreja, a se relacionarem melhor entre si e com Deus.

TROPEçOS Ao contrário do que possa parecer, a jor- nada do dr. Larry Crabb teve um começo pouco promissor. O período de graduação

DivULGAÇão/WATeRBRooK PReSS
DivULGAÇão/WATeRBRooK PReSS

trouxe, além de dúvidas quanto à profis- são, questionamentos em relação à fé que sempre cercou sua vida. “Tropecei ao en- trar na faculdade de psicologia. Achava que ser psicólogo cristão não era nada dife- rente de ser psicólogo que porventura era cristão. Eu não queria ser cristão simples- mente porque era minha herança. Decidi que não acreditaria naquilo em que não tivesse convicção”, conta. Foi através dos livros e pensamentos de Francis Schaeffer e C. S. Lewis que a “mão soberana de Deus” guiou o então es- tudante Larry de volta. “Voltei com tudo, e decidi que se o cristianismo era a verda- de, ele teria de controlar todos os aspectos da minha vida”. A partir desse momento, decidiu encarar sua vida profissional com novos olhos. “Eu não era mais um psicó- logo que porventura era cristão; virei um cristão que porventura era psicólogo. E eu precisava descobrir o que isso significaria em minha vida. Mais uma vez tropecei, e Deus foi soberano”. Depois da faculdade e de uma breve passagem como professor, exerceu a psico- logia clínica por dez anos. Nesse período aprendeu que a comunidade do povo de Deus era o lugar mais propício para a cura psicológica. “Percebi que a cura verdadei-

8 • Seu Mundo

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ra tem pouco a ver com intervenção técnica e tudo a ver com um embate relacional pro- fundo. Compreendi que o contexto para esse embate precisava estar na comunida- de do povo de Deus — a Igreja”.

CURRÍCULO NOTáVEL Doutor e mestre em Psicologia Clínica pela Universidade de Illinois e bacharel em Psicologia pela Faculdade Ursinus, atual- mente faz parte do corpo docente da Uni- versidade Cristã do Colorado, onde é pro- fessor residente. Já foi professor adjunto do Regent College, no Canadá, um dos prin- cipais pólos de reflexão cristã do mundo, e lecionou em universidades da Flórida e de Illinois. Crabb também é especialista nas Escrituras, mas é no aconselhamento cris- tão e no discipulado que alcançou maior prestígio. Atualmente trabalha como dire- tor espiritual da Associação Norte-ameri- cana de Conselheiros Cristãos. Fundou e dirige o Ministério NewWay, focado em desenvolvimento pessoal e espiritual ba- seado em princípios bíblicos.

pessoal e espiritual ba - seado em princípios bíblicos. lançamentO em nOme dO pai Larry Crabb
pessoal e espiritual ba - seado em princípios bíblicos. lançamentO em nOme dO pai Larry Crabb
pessoal e espiritual ba - seado em princípios bíblicos. lançamentO em nOme dO pai Larry Crabb

lançamentO

em nOme

dO pai

Larry Crabb

16 x 23 cm

192 páginas

Cód.: 10541

R$ 29,90

sOnhOs

despaçadOs

Larry Crabb

16 x 23 cm

208 páginas

Cód.: 10546

R$ 24,90

cOnversa

da alma

Larry Crabb 14 x 21 cm

304 páginas

Cód.: 10452

R$ 29,90

h. GUTheR fAGGion

CURADoS PARA CURAR

Agora na Mundo Cristão, o missionário David Kornfield, coordenador do Mapi, traz à tona o tema da restauração da alma em dois livros

por RenATA STURM

Médicos cuidam da saú- de dos pacien-

tes. Mas quem cuida da saúde dos médicos? Da mesma forma que muita gente esquece que médicos também ficam doentes, pas- tores são vistos por parte dos membros de suas comunidades como seres imunes às dificuldades do mundo. Pura ilusão. Pas- tores e líderes também sofrem com tenta- ções e traumas como qualquer ser huma-

no. Por essa razão, precisam — talvez mais do que ninguém — de ajuda para conti- nuar trabalhando de maneira saudável no ministério. Esse é o desafio do missioná- rio norte-americano David Kornfield, que atua especificamente na formação e no treinamento de pastores desde 1991. Ele coordena o Ministério de Apoio a Pastores

e Igrejas (Mapi), que oferece treinamento

a centenas de líderes anualmente e man-

tém uma rede de apoio com mais de 1.200 pastores por todo o país. Com base em sua experiência de quase duas décadas em mentoria de pastores e líderes, Kornfield reuniu em dois livros um curso sobre restauração da alma, um dos temas mais requisitados no Mapi. As

duas obras — Introdução à restauração da alma e Aprofundando a restauração da alma, ambas publicadas pela editora Mundo Cristão — se baseiam no livro The Twelve Steps: A Spiritual Journey, que trabalha os “Doze passos” usados pelos Alcóolicos Anônimos no mundo todo. “Comecei o projeto pensando em simplesmente tra- duzir The Twelve Steps, mas acabei perce- bendo a necessidade de contextualizá-lo e simplificá-lo, como também de integrar dinâmicas espirituais de restauração da alma”, revela o missionário. E alerta: “os livros não podem ser encarados como uma solução mágica e imediatista para restabelecer o equilíbrio emocional, afi- nal trata-se de um trabalho de discipula- do. Nada acontece da noite para o dia”. Munido de uma boa dose de persistên- cia, o missionário tem colhido dezenas de testemunhos ao longo dos anos. Desde pastores que não conseguiam descer dos púlpitos e procurar ajuda até membros que sofriam com lideranças problemáti- cas. Ele só não contava com tanta resistên- cia à expressão “cura interior” por parte dos pastores — seja porque a expressão sofreu desgaste pela avalanche de inter- pretações bíblicas equivocadas, ou sim-

david kOrnfield a saúde emocional é resultado de tra- balho em grupo. “porém, toda cura
david kOrnfield
a saúde emocional
é resultado de tra-
balho em grupo.
“porém, toda cura e
restauração procede
de cristo”, diz.
toda cura e restauração procede de cristo”, diz. liderança intrOduçãO À restauraçãO da alma David
toda cura e restauração procede de cristo”, diz. liderança intrOduçãO À restauraçãO da alma David
liderança intrOduçãO À
liderança
intrOduçãO À

restauraçãO

da alma

David Kornfield

14 x 21 cm

256 páginas

Cód.: 10614

R$ 24,90

aprOfun-

dandO a

restauraçãO

da alma

David Kornfield

14 x 21 cm

352 páginas

Cód.: 10615

R$ 29,90

plesmente porque pastores e líderes não encontravam gente de confiança para compartilhar suas dificuldades e falhas mais profundas. Por essa razão, Kornfield adotou o sis- tema de pequenos grupos além das pre- leções em seminários e conferências. “Lí- deres se sentem mais à vontade para com- partilhar seus problemas com alguém que faz parte do mesmo nível hierárquico”, explica. Sendo assim, depois de restaura- dos, são capazes de transferir os ensina- mentos aos líderes e, conseqüentemente, aos membros. Uma rede que no final acaba influenciando toda a igreja. “Porém, toda cura e restauração procede de Cristo. Por isso precisamos de dinâmicas espirituais, especialmente a ministração em oração, que permite às pessoas superar bloqueios que jamais se resolveriam sem um encon- tro com Jesus”, alerta Kornfield. Assim, no segundo livro, Aprofundando a restauração da alma, ele oferece orienta- ções sobre como criar grupos de apoio, voltados a dar suporte a pessoas que estão passando por alguma crise. O objetivo é auxiliar as igrejas a formar “comunidades terapêuticas”, como o autor gosta de cha- mar. Na prática, esses grupos servem para aliviar a agenda do pastor, que não pode — e não deve, segundo Kornfield — dedi- car muitas horas a uma única pessoa. “O segredo de um bom aconselhamento pas- toral é saber fazer boas perguntas, e não oferecer todas as respostas”, ensina.

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Seu Mundo • 9

reflexão a grande OmissãO Dallas Willard 16 x 23 cm; 216 páginas Cód.: 10560; R$

reflexão

reflexão a grande OmissãO Dallas Willard 16 x 23 cm; 216 páginas Cód.: 10560; R$ 29,90
a grande OmissãO Dallas Willard 16 x 23 cm; 216 páginas Cód.: 10560; R$ 29,90
a grande OmissãO
Dallas Willard
16 x 23 cm; 216 páginas
Cód.: 10560; R$ 29,90
LEIA UM TRECHO
Converter o mundo? não.
Converter a igreja? Diz a frase famo-
sa: “o julgamento começa na casa de
Deus”. ela tem a luz divina e as provi-
sões divinas e, por isso, também tem a
responsabilidade suprema de guiar a
humanidade.
Mas a resposta é, mais uma vez, “não”.
você não deve “converter a igreja”.
Seu primeiro passo “ao ir” é, por
assim dizer: Converter-se.
Se desejamos converter a igreja e
o mundo, devemos começar com a
própria vida. Trata-se de algo que, com
a ajuda divina, pode ser realizado com
clareza e eficácia, uma vez que entende-
mos a natureza e o funcionamento do
discipulado de Jesus. em momento al-
gum nosso Mestre ordenou que conver-
têssemos o mundo ou reformássemos
quaisquer organizações religiosas. Mas
ele nos disse que, quando estivéssemos
repletos dele, daríamos testemunho a
seu respeito “até os confins da terra” (At
1:8). Testemunhas são pessoas por meio
das quais outros ficam sabendo de algo.
elas testemunham, atestam, evidenciam.
Apesar de não serem manipuladoras —
não precisam manipular —, aquilo que
fazem tem o poder de realizar transfor-
mações radicais.
Antes, o Mestre disse aos discípulos:
“façam discípulos”. essa foi a única
incumbência que recebemos dele e,
para cumpri-la, devemos colocar todo
o resto de lado.

o PeCADo DA oMiSSão

Antologia de artigos de Dallas Willard, A grande omissão é uma introdução ao pensamento de um dos mais importantes filósofos cristãos da atualidade

por MARK CARPenTeR*

Pouco antes de fisicamente deixar o mundo, Jesus

reuniu seus amigos mais íntimos e deu-

lhes uma última tarefa: “Vão e façam dis-

ensinando-

os a obedecer a tudo o que lhes ordenei” (Mt 28:18-20 NVI). Hoje conhecemos essa ordem final como a “grande comissão”. Para muitos ela constitui clara articulação da visão norteadora de esforços evange- lísticos e missionários. O objetivo desse mandamento parece ser a simples salva- ção dos ímpios e o subseqüente cresci-

mento do número daqueles que povoarão os céus. “Fazer discípulos” passou a signi- ficar “contabilizar conversões”. Dallas Willard lamenta que a igreja pare- ce não compreender o teor real do apelo de Cristo. Como conseqüência, hoje temos cada vez mais gen-

te nos bancos da igreja, mas sucessivamente menos dis- cípulos verdadeiros de Cris- to. Willard argumenta que ignoramos o ponto central

no mandamento de Cristo, e somos tragicamente omissos no cumprimento daquilo que constituiu o sonho de Cristo para os seus seguidores. A grande comissão de Cristo tornou-se a gran- de omissão da igreja cristã. Autor de diversos livros sobre espiri- tualidade, Willard dedicou boa parte de sua vida ao estudo sistemático dos ensi- namentos de Jesus sobre como devemos viver como cristãos e discípulos. Ele con- clui que a salvação da alma é apenas uma parte do plano de Deus para aqueles que o seguem. Ressalta que a palavra “discípu- lo” aparece 269 vezes no Novo Testamen- to, enquanto o vocábulo “cristão” é usado apenas três vezes. Em todo momento Je- sus priorizava a importância da vida vi- vida em harmonia com os propósitos de Deus. O próprio Cristo demonstrou em seus atos e em suas palavras o que signifi- ca levar uma vida sagrada, e intencional-

cípulos de todas as nações,

mente mostrou àqueles à sua volta como viver de modo íntegro, com o objetivo ex- plícito de ser imitado e seguido. A grande omissão é uma antologia de ar- tigos e ensaios escritos por Willard ao lon- go dos últimos 27 anos. Trata-se de uma obra mais acessível que A conspiração divi-

na, O espírito das disciplinas e A renovação do coração, pois contém artigos que resumem suas idéias sobre diversos aspectos da espiritualidade e da formação espiritual. Serve como uma espécie de introdução geral ao pensamento desse importante fi- lósofo cristão, e um desafio ao leitor para dedicar-se a um estudo mais profundo sobre as repercussões das afirmações de Willard para a vida prática de qualquer pessoa que se identifica como “cristã”. Um dos capítulos mais intrigantes do livro trata do corpo humano como ferra- menta para o crescimento es- piritual. Willard escreve que,

ao experimentarmos pela primeira vez a nova vida em Cristo, nosso corpo e seus deturpados sistemas voliti- vos e impulsivos não pas-

sam automaticamente para o lado do bem, mas continuam

a opor-se a Cristo. Os hábitos pecaminosos do “velho homem” nunca se desprendem de nosso corpo físico nem da nossa per- sonalidade sem um trabalho consciente e

intencional no sentido de redimir o corpo através da prática de disciplinas. Agimos com nosso corpo, sempre com nosso corpo,

e o empenho dirigido do corpo prontifica o

ser para o sagrado e remove a propensão para o pecado. Willard conclui o livro com uma breve instrução dirigida àqueles cristãos apai- xonados pela causa de Cristo que desejam fazer diferença na igreja ou no mundo. Re- vela que as soluções estão muito mais pró- ximas que se imagina, e que quase sempre

envolvem mais submissão que liderança.

Willard dedicou boa parte de sua vida ao estudo sistemático dos ensinamentos de Jesus sobre como devemos viver como cristãos

*mark carpenTer é presidenTe e ceo da ediTora mundo crisTão

10 • Seu Mundo

LivRoS, ReSenhAS e RefLexõeS

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