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90% do Conteúdo de História do Enem

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Olá Galera!!
Para aqueles que farão o Enem, segue esse documento que fiz com 90% do conteúdo da prova. Levei um dia pra fazer. rs
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História para o Enem

Deu trabalho fazer isso aqui ¬¬

Crise do Modo de Produção Feudal
No século XIV, na Europa Ocidental, a população vivia dentro de determinadas características que vinham sendo construídas desde o século III, e às quais denominamos feudalismo. As relações de produção se baseavam no trabalho servil prestado fundamentalmente nas terras dos "senhores feudais": os nobres e os elementos da lata hierarquia da Igreja Católica. O crescimento da população, verificando entre os séculos XI e XIV, foi extraordinário. Os nobres aumentaram em número de consumo: isso determinava a necessidade de aumentar suas rendas e para consegui-lo, aumentou-se grandemente o grau de exploração da massa camponesa. Esta superexploração produziu protestos dos servos, consubstanciados em numerosas revoltas e fugas para as cidades. A repressão a esses movimentos foi enorme, mas a nobreza e o alto clero tiveram razões para temer por sua sobrevivência. Paralelamente, importantes alterações do quadro natural provocaram sérias conseqüências. Durante o século XIII ocorreram uma expansão das áreas agrícolas, devido ao aproveitamento das áreas de pastagens e a derrubada de florestas. O desmatamento provocou alterações climáticas e chuvas torrenciais e contínuas, enquanto o aproveitamento da área de pastagem levou a uma diminuição do adubo animal, o que refletira na baixa produtividade agrícola. Com as péssimas colheitas que se verificaram, ocorreu uma alta de preços dos produtos agrícolas. Os europeus passaram a conviver com a fome. Os índices de mortalidade aumentaram sensivelmente e, o século XIV, uma população debilitada pela fome teve que enfrentar uma epidemia de extrema gravidade: a Peste Negra, que chegou a dizimar cerca de 1/3 dos habitantes da Europa. Dificuldades econômicas de toda ordem assolavam a Europa, que passou a conviver com um outro problema: o esgotamento das fontes de minérios preciosos, necessários para a cunhagem de moedas, levando os reis a constantes desvalorizações da moeda. Isso só fazia agravar a crise. No plano social ao lado dos problemas já levantados, importa verificar o crescimento de um novo grupo: a burguesia comercial, residente em cidades que tendiam para uma expansão cada vez maior pois passaram a atrair os camponeses e os elementos "marginais" da sociedade feudal.

Politicamente, a crise que se traduz pelo fortalecimento da autoridade real, considerado necessário pela nobreza, temerosa do alcance das revoltas camponesas. A unificação política, ou surgimento dos Estados Nacionais, aparece, desta forma, como uma solução política para a nobreza manter sua denominação. Finalmente, a crise se manifesta também no plano espiritual-religioso. Tantas desgraças afetaram profundamente as mentes dos homens europeus, traduzindo-se em novas necessidades espirituais (uma nova concepção do homem e do mundo) e religiosa (a Igreja Católica não conseguia atingir tão facilmente os fiéis, necessitados de uma teologia mais dinâmica).

Fatores responsáveis pela queda do Feudalismo
A fome, a guerra e a peste A partir do início do século XIV, uma profunda crise anunciou o final da época medieval. Fome, pestes, guerras e rebeliões de servos atingiram a essência do sistema feudal. Ao final do século XV, as monarquias nacionais estavam consolidadas, a nobreza enfraquecida e as obrigações feudais contestadas pelas constantes rebeliões de servos.

"Dado que uma grande parte do povo, e especialmente dos trabalhadores e servidores, morreu ultimamente da peste, e muitos, vendo as necessidades dos senhores e a grande escassez de serviçais, não querem servir sem receber salários excessivos, preferindo outros mendiga no ócio a ganhar a vida pelo seu trabalho; nós, considerando os graves incômodos que podem sobrevir especialmente a falta de lavradores de tais trabalhadores, depois de ter deliberado e tratado com o seu conselho unânime, ordenávamos: Que cada homem e mulher do nosso reino da Inglaterra, de qualquer condição que seja, livre ou servo, apto de corpo e com menos de 60 anos, que não viva do comércio nem exerça qualquer ofício, nem possua de próprio com que possa viver, nem terra própria em cujo cultivo se posso ocupar, nem sirva qualquer outros, se for convocado para trabalhar num serviço que lhe seja adequado, considerada a sua condição, será obrigado a servir aquele que assim o convoca; e levara apenas o soldo, pagamento, remuneração ou salário que era costume serem dados no lugar onde era obrigado a servir no vigésimo ano do nosso reinado em Inglaterra (isto é, em 1347), ou nos cinco dos seis anos comuns anteriores... E se qualquer homem ou mulher, sendo assim convocado para servir, não o fizer... Será imediatamente presto" Freitas, Gustavo de 900 textos e documentos de História. Lisboa, Plátano, 1977. V.I, p.179
O texto acima é do Estatuto Inglês dos Trabalhadores, decretado em 1351, na Inglaterra, pelo rei Eduardo III. Ele revela a escassez de mão-de-obra que assolou a Europa no século XIVV e a reação da nobreza diante dessa situação. A escassez de trabalhadores foi um dos aspectos da chama crise do século XIV". A partir do século XI, transformações econômico-sociais foram dando novas feições à Europa medieval. O sistema feudal conviveu com o Renascimento Comercial, o Renascimento Urbano e o aparecimento de uma nova classe social, a burguesia. Essas transformações ocorreram de forma ininterrupta, atingindo seu ponto culminante no século XIII. O sistema feudal parecia assimilar as inovações surgidas no campo econômico, político e social. No entanto, com o início do século XIV, uma profunda crise precipitou a derrocada do mundo medieval. Esse século foi chamado por alguns historiadores de "Outono da Idade Média". A crise do sistema feudal: crise agrícola, estagnação do comércio, fome, pestes, guerras e rebeliões Agravaram-se as contradições entre o campo e a cidade. A produção agrícola não respondia às exigências das cidades em crescimento. Nos séculos XI, XII e primeira metade do século XIII, a utilização de novas terras e as inovações técnicas permitiram uma ampliação da produção. Na última década do século XIII já não restavam terras por ocupar, e as utilizadas estavam cansadas, gerando uma baixa produtividade. As inovações técnicas anteriores já não respondiam às novas necessidades. Além disso, a substituição do trabalho assalariado ocorria muito lentamente.

Por outro lado, a atividade comercial se estagnou devido, principalmente, à falta de moedas e à insuficiência de mercados. As minas de outro e prata haviam se esgotado na Europa. O mercado consumidor europeu se mostrava estreito para um comércio em expansão. Com a insuficiente produção agrícola e a estagnação do comércio, a fome se alastrou pela Europa. A desnutrição e as más condições de higiene propiciaram a ocorrência de sucessivos surtos epidêmicos, dos quais o mais desastroso foi a chamada peste Negra, entre 1347 e 1350. Paralelamente à fome e à peste, a sociedade feudal do século XIV conheceu um grande número de guerras e revoltas. A mais importante delas foi a Guerra dos Cem Anos, entre França e Inglaterra. Pro fim, um fator fundamental para a quebra das estruturas do sistema feudal foi a longa série de rebeliões dos servos contra os senhores feudais. Ainda que momentaneamente derrotados, os levantes dos servos foram tornando inviável a manutenção das relações de servidão. A partir do século XIV, com mais rapidez em algumas regiões e menor em outras, as obrigações feudais foram se extinguindo. A Grande Fome (1315-1317) e a Peste Negra (1347-1350) Entre as constantes catástrofes que assolaram a Europa no século XIV, estão a Grande Fome e a Peste Negra. O período de fome de 1315 a 1317 parece ter sido, proporcionalmente, o de maior conseqüência na história da Europa. Trinta anos mais tarde. um surto epidêmico de rara extensão espalhou-se pelo continente.

O Sistema Feudal
Alguns rezam, outros combatem e outros trabalham A Idade Média, na Europa, foi caracterizada pelo aparecimentos, apogeu e decadência de um sistema econômico, político e social denominado feudalismo. Este sistema começou a se estruturar na Europa ao final do Império Romano do Ocidente (século V), atingiu seu apogeu no século X e praticamente desapareceu ao final do século XV.

"A ordem eclesiástica foram um só corpo, mas a divisão da sociedade compreende três ordens. A lei humana distingue duas condições. O nobre e o não-livre não são governados por uma lei idêntica. Os nobres são os guerreiros os protetores da igreja. Defendem a todos os homens do povo, grandes ou modestos, e também a si mesmos. A outra classe é a dos não-livres. Esta desgraçada raça nada possui sem sofrimento. Provisões, vestimentas são providas para todos pelos não-livres, pois nenhum homem livre é capaz de viver sem eles. Portanto, a cidade de Deus, que se crê única, está dividida em três ordens: alguns rezam, outros combatem e outros trabalham" Adalberto, Bispo de Laon. In: Boutruche, R. Senõrio e feudalismo. Madri, Siglo Veintiuno, 1972
O texto acima foi escrito pelo bispo Adalberto em plena Idade Média. Ele descreve a divisão de funções entre os homens na sociedade européia de sua época. A forma de relação entre os homens daquele período não se cristalizou repentinamente. Foi fruto de um processo iniciado no século V, com a destruição do Império Romano do Ocidente. Ganhou maior intensidade após as invasões dos muçulmanos, no século VIII, e normandos e magiares no século IX. Atingiu seu apogeu, no século X nas terras da Europa Centro-Ocidental. As Origens do Feudalismo Por volta do ano 400, os escritores latinos ainda dedicavam elogios à grandeza de Roma. Esse entusiasmo fundamentava-se na extensão do império que, para os romanos atingia a todo o universo civilizado. Era difícil aos romanos perceber o quanto estava próximo o fim de seu império. Para o historiador atual, no entanto, os sinais de decadência e desagregação do Império Romano já eram visíveis antes mesmo do início do século V. A crise econômica e os seguidos ataques dos povos germânicos vinham minando a civilização romana desde o século IV. Feudalismo: sistema econômico, político e social que caracterizou a Europa durante a Idade Média (476/1453) Formalmente costuma-se considerar o ano de 476, data em que os hérulos invadem Roma, como o fim do IMpério Romano do Ocidente e o início da chamada Idade Média. Da mesma forma, é aceito o ano de 1453, quando os turcos otamanos conquistam Constantinopla pondo fim o Império Bizantino, como o término da Idade Média. Estas datas servem, apenas, para uma divisão didática da História. Da mesma maneira como as estruturas do Império Romano já estavam abaladas muito antes de 476, as características que marcaram a Idade Média européia encontravam-se bastante modificadas alguns séculos antes de 1453. A Idade Média, na Europa, caracterizou-se pelo aparecimentos, apogeu e decadência de um sistema econômico, político e social denominado feudalismo. Este sistema foi fruto de uma lenta integração entre alguns traços da estrutura social romana e outros da estrutura social germânica. Esse processo de integração que resultou na formação do feudalismo, ocorreu no período histórico compreendido entre os séculos VI e IX.

As bases romanas do feudalismo europeu: as vilas romanas, o colonato e o Cristianismo Por volta do fim do Império Romano do Ocidente, os grande senhores romanos abandonavam as cidades, fugindo da crise econômica e das invasões germânicas. Iam para seus latifúndios no campo, onde passavam a desenvolver uma economia agrária voltada para a subsistência. Esses centros rurais eram conhecidos por vilas romanas, originando os feudos medievais. Homens romanos de menos posse iam buscar proteção e trabalho nas terras desses grandes senhores. Para poderem utilizar as terras, eram obrigados a ceder ao proprietário parte do que produziam. Essa relação entre o senhor das terras e aquele que produzia ficou conhecida por colonato. Também o grande número de escravos da época foi utilizado nas vilas romanas. Com o tempo tornou-se mais rendoso libertar os escravos e aproveitá-los sob regime de colonato. Com algumas alterações futuras, esse sistema de trabalho resultou nas relações servis de produção, traço fundamental do feudalismo. Com a ininterrupta ruralização do Império Romano, o poder central foi perdendo seu controle sobre os grandes senhores agrários. Aos poucos, as vilas romanas aumentavam sua autonomia. Cada vez mais o poder político descentralizava-se, permitindo ao proprietário de terras administrar de forma independente a sua vida. O Cristianismo foi outra contribuição fundamental da civilização romana para a formação do feudalismo. Originário do Oriente, o Cristianismo se enraizou na cultura romana, passando a ser a religião oficial do império no século IV. No início da Idade Média, a religião cristã já havia triunfado sobre as seitas rivais da Europa. Em pouco, a Igreja tornou-se a instituição mais poderosa do continente europeu, determinando a cultura do período medieval. As bases germânicas: a sociedade agropastoril, o particularismo, o comitatus e o direito não-escrito. A contribuição dos povos germânicos para a formação do feudalismo se deu principalmente ao nível dos costumes. A sociedade feudal, assim como a germânica, organizou-se economicamente sobre atividades agropastoris. A descentralização do poder é herança da cultura germânica. As várias tribos viviam de maneira autônoma, relacionando-se apenas quando se defrontavam com um inimigo comum. Então, uniam-se sob o comando de um só chefe. As relações entre o suserano e o vassalo, baseadas na honra, lealdade e liberdade tiveram suas origens no comitatus germânico. O comitatus era um grupo formado pelos guerreiros e seu chefe. Possuía obrigações mútuas de serviço e lealdade. Os guerreiros juravam defender seu chefe e este se comprometia a equipá-los com cavalos e armas. Mais tarde, no feudalismo, essas relações de honra e lealdade geraram as relações de suserania e vassalagem. A prática da homenagem, típica do Império Carolígio, pela qual os vassalos juravam fidelidade ao suserano, provavelmente tinha derivado do comitatus. Também o direito no feudalismo teve influência germânica. Baseava-se nos costumes e não na lei escrita. Era considerado uma propriedade do indivíduo, inerente a ele em qualquer local que estivesse. Tal forma do Direito, considerado produto dos costumes e não da autoridade, é conhecido por direito consuetudinário. As novas invasões ao continente europeu nos séculos VIII e IX e o apogeu do sistema feudal O processo de declínio do comércio, agrarização da economia, ruralização da sociedade e descentralização do poder político teve início no final do Império Romano do Ocidente. A lenta integração entre os aspectos da sociedade romana e da sociedade germânica foi acelerada com as invasões dos séculos VIII e IX. Em 711, os muçulmanos, vindos da África, conquistaram a Península Ibérica, a Sicília, a Córsega e a Ardenha, "fechando" o mar Mediterrâneo à navegação e ao comércio europeus. Ao norte, no século IX, os normandos também se lançaram à conquista da Europa. Conquistaram a Bretanha e o noroeste da França. Penetraram no continente europeu através de seus reios, saqueando suas cidades. A leste, os magiares, cavaleiros nômades provenientes das estepes euro-asiáticas, invadiram a Europa Oriental.

Isolada dos outros continentes, a Europa fragmentou-se internamente. Os constantes ataques e saques criaram uma insegurança geral. As vias de comunicação ficaram bloqueadas. As últimas invasões amadureceram as condições para o pleno estabelecimento do sistema feudal. O comércio regrediu ao nível de troca direta. A economia agrarizou-se plenamente. As cidades despovoaramse, completando o processo de ruralização da sociedade. O poder político se descentralizou em uma multiplicidade de poderes localizados e particularistas. O feudalismo se estabeleceu em sua plenitude. Características gerais do feudalismo Denomina-se feudalismo o sistema econômico, político e social dominante na Europa durantes a Idade Média. Alguns historiadores preferem utilizar, em lugar do termo sistema, o conceito de modo de produção. A forma como uma sociedade, em um determinado período histórico, organiza sua produção de bens materiais, a relação entre seus homens e a sua produção intelectual é chamada de modo de produção. Independente de sua localização geográfica, ou do período de sua existência, toda sociedade possui um modo de produção que a caracteriza. Como todo modo de produção também o feudalismo é composto de estruturas econômicas, políticas, sociais e ideológicas (culturais) que se articulam mutuamente, relacionando-se e modificando-se umas às outras. Feudo: unidade de produção do feudalismo. O manso servil e o manso senhorial Toda forma que o homem encontra de estruturar a produção de bens materiais pode ser considerada uma unidade de produção. Assim, em nossos dias, a fábrica, e a fazenda são unidade de produção. Alguns senhores feudais eram proprietários de centenas, às vezes até mais de mil desses domínios. Não há certeza absoluta sobre o tamanho médio dessas unidades econômicas. Mas sabe-se que as menos compreendiam no mínimo 120 hectares (1 200 000 m3), extensão correspondente a uma fazenda de tamanho médio. Cada um dos feudos era composto por um castelo onde moravam o senhor feudal, sua família e empregados; a vila ou aldeia, onde moravam os servos; a igreja; uma casa paroquial; celeiros; fornos; açudes; pastagens comuns e mercado, onde nos fins de semana trocavam o que era produzido. As terras eram divididas em manso senhorial, cuja produção destinava-se ao senhor feudal e o manso servil, onde o produto do trabalho ficavam para os servos. Dividia-se a terra arável em três partes: o terreno de plantio da primavera, o de plantio do outono e outro que ficava em pousio (descanso). A cada ano se invertia a utilização dos terrenos, de forma a que sempre um tivesse período de recuperação. Esses sistema surgiu na Europa, no século VIII, ficando conhecido como sistema dos três campos. Sociedade estamental. Divisão social: senhores feudais (nobreza e clero) e dependentes (servos e vilões) Nessa sociedade rural, de economia essencialmente agrária, a propriedade ou posse da terra determinava a posição do indivíduo na hierarquia social. A terra era a expressão da riqueza, da influência, da autoridade e do poder. A sociedade feudal era estamental, isto é, não havia mobilidade social. Os grupos sociais mantinham-se rigidamente estanques. O acesso ou não à posse ou propriedade da terra dividia a sociedade feudal em dois estamentos: os senhores e o dependentes. Os senhores feudais eram os possuidores ou proprietários de feudos. Formavam uma aristocracia dominante, sendo originários da nobreza e do clero. A nobreza se subdividia em duques, condes, barões e marqueses. Os senhores feudais eclesiásticos, vinculados à Igreja Romana, pertenciam à alta hierarquia do clero. Eram, geralmente, bispos, arcebispos e abades.

O estamento dos dependentes, incorporando a maioria da população medieval, cumpunha-se de servos e vilões. Os servos não tinham a propriedade ou posse da terra e estavam presos a ela. Eram trabalhadores semi livre. Não podiam ser vendidos fora de suas terras, como se fazia com os escravos, mas não tinham liberdade para abandonar as terras onde nasceram. Em número reduzido, havia um outro tipo de trabalhador medieval, o vilão. Este não estava preso à terra. Descendia de antigos pequenos proprietários romanos. Não podendo defender suas propriedades, entregava suas propriedades, entregava suas terras em troca da proteção de um grande senhor feudal. Recebia tratamento mais brando que os servos. A atribuição de um feudo compreendia uma série de atos solenes. Primeiro o vassalo prestava a homenagem, colocando-se de joelhos, com a cabeça descoberta e sem espada, pondo suas mãos entre as mãos do suserano e pronunciando as palavras sacramentais de juramento. Em seguida, o senhoria permitia que se levantasse, beijava-o e realizava a investidura com a entrega de um objeto simbólico, punhado de terra, ramo, lança ou chave, representando a terra ofertada. Os laços de suserania e vassalagem vinculavam toda a nobreza feudal. Por exemplo, um barão doava um feudo a um marquês. Este, ao receber o feudo, prestava-lhe homenagem. O barão tornava-se suserano do marquês e este, vassalo do barão. O barão, entretanto, havia recebido feudos de um conde, prestando-lhe o juramento de vassalagem. Assim, o barão suserano do marquês, era, o mesmo tempo, vassalo do conde. Cultura feudal: teocêntrica, divulgada pela Igreja. Nas artes, letras e ciência, apenas temas religiosos A cultura feudal foi caracterizada por uma visão do homem voltada para Deus e para a vida, após a morte na Terra. Esse tipo de visão de mundo, em que Deus é considerado o centro do Universo, chama-se teocentrismo. A Igreja consegui sobreviver às invasões germânicas e logo depois iniciou o processo da conversão dos bárbaros. Com isso, transformou-se na mais poderosa e influente instituição do sistema feudal, sendo a principal divulgadora da cultura teocêntrica. Todas as relações típicas do feudalismo foram justificadas e legitimadas pelo teocentrismo. A moral religiosa condenava o comércio, o lucro e a usura (empréstimo com cobrança de juros). As artes, as letras, as ciências e a filosofia eram determinadas pela visão religiosa divulgada pela Igreja. Nas artes, predominavam temas de inspiração religiosa. Nas letras, os sábios e eruditos só escreviam e falavam no idioma oficial da Igreja, o latim. A ciência reproduzia em suas explicações sobre a natureza interpretações feitas sobre os escritos bíblicos. Na filosofia, a últimas palavra cabia aos doutores da Igreja. O mundo feudal estabeleceu-se de forma rigorosamente hierárquica e o lugar mais importante coube à Igreja, Possuía, ao mesmo tempo, ascendência econômica e moral. Seus domínios territoriais suplantavam os da nobreza e sua cultura demonstrava ser incomparavelmente superior. Em uma sociedade onde a ignorância era generalizada, a Igreja detinha dois instrumentos indispensáveis: a leitura e a escrita. Os reis nobres, recrutavam, forçosamente, no clero, os seus chanceleres, secretários, funcionários burocráticos, enfim, todo o pessoal letrado imprescindível. O monopólio da Igreja só começaria a desaparecer no século XIV, com o fortalecimento do Humanismo e com o Renascimento Cultural. O Cotidiano na sociedade feudal Na sociedade feudal, o clero e os nobres constituíam-se no setor dominante. Os nobres orgulhavam-se da vida que levavam, dedicada às batalhas, torneios e caçadas. Dentro de seus feudos garantiam sua autonomia

inclusive em relação aos reis. Já os servos passavam a vida de maneira radicalmente diversa, trabalhando o dia inteiro na época da colheita, pouco conservando para si e para sua família do produto do seu trabalho. A vida dos nobres: batalhas, torneios e caçadas. Costumes rudes e violentos Os romances ou filmes sobre a nobreza feudal costumam transmitir uma imagem distorcida da vida da época. Antes do século XI, os castelos feudais, em sua maioria, eram pouco confortáveis fortificações de madeira. Mesmo os enormes castelos de pedra de época posterior, eram escuros e frios. Forravam os pisos com esteiras de junco ou palha. Só após o restabelecimento do comércio com o Oriente, no século XII, é que se tornou comum o uso de tapetes e estofados. A alimentação dos nobres e seus familiares era farta, mas pouco variada. Seus pratos se resumiam em carne, peixe, queijo, couve, nabos, cenouras, cebola, feijão e ervilha. Para sobremesa, tinham em abundância maçãs e pêras. O açúcar só chegou à mesa da nobreza após o século XIV, mesmo assim a preços elevadíssimos. Os nobres não trabalhavam, sendo esta uma condição de sua situação social. Os costumes da época impunham-lhes uma vida ativa em outros aspectos: guerras, torneios e caçadas. Qualquer pretexto era suficiente para a tentativa de conquista de feudos vizinhos. O gosto pela violência convulsionava de tal forma a sociedade que a Igreja resolveu intervir no século XI, proclamando a Trégua de Deus. Proibiu lutas durante as sextas-feiras, sábados e domingos, durante quaisquer dias do Natal ao Dia de Reis e na maior parte da primavera, fim do verão e começo do outro. O nobre que violasse essa regra era excomungado. Até o século XII, as maneiras da nobreza em nada assemelhavam ao que hoje se considera boa educação. Nas refeições, partiam alguns alimentos com um punhal e comiam com as mãos. As mulheres eram tratadas com desprezo e brutalidade. Esses costumes só começaram a ser alterados com a difusão dos ideais de cavalaria (código social e moral do feudalismo), nos séculos XII e XIII. A vida cotidiana dos servos de gleba: a produção no campo, a ignorância e a superstição Os servos habitavam choupanas de varas traçadas, com cobertura de barro. Como o piso não possuía qualquer revestimento, constantemente absorvia a umidade das chuvas. Suas camas eram algumas tábuas recobertas de palhas. Toscos bancos completavam a mobília. Alimentavam-se de pão preto, verduras de sua horta, queijo, sopa e, às vezes, carne e peixe, normalmente meio apodrecidos. Não eram raras as mortes por fome. Invariavelmente analfabetos, apegavam-se às mais diversas superstições. Por vezes, suas colheitas eram arrasas pelas patas dos cavalos da nobreza empenhada em caçadas ou combates. Minorando tanta miséria, possuíam alguns direitos. Não poderia ser privado de sua terra. Se o feudo fosse vendido, os servos conservavam o direito de ali permanecer, cultivando seu lote. Quando envelheciam, o senhor tinha obrigação de mantê-lo até o fim de seus dias. Seus períodos de folga eram maiores que o dos trabalhadores de hoje, atingindo quase um sexto do ano, sem contar os domingos. Finalmente, não tinham obrigações de prestar serviço militar ou empenhar-se em guerras decididas por seus senhores. O sistema feudal não possuía, na realidade, as mesmas características em todas as regiões da Europa. Todas as características do feudalismo, que foram descritas neste texto, são fruto de um processo muito lento, iniciado com a decadência do Império Romano do Ocidente. Somente nos séculos IX, X e XI é que se pôde perceber na Europa uma situação como a que foi expressa neste texto. O feudalismo não foi igual em todo o continente europeu, sendo algumas de suas características mais acentuadas em algumas regiões e menos em outras. Apenas na região onde hoje se localiza a França é que o sistema feudal se estabeleceu de forma mais pura. Nos últimos anos do século XI, com o início das Cruzadas, o feudalismo começava sua vagarosa decadência. Suas estruturas passam a ser progressivamente modificadas com o Renascimento Comercial, ressurgimento das cidades, progressiva centralização do poder na figura do rei e gradual substituição da cultura teocência pela antropocêntrica (o homem como centro do universo).

Feudalismo & Formação dos Estados Nacionais Modernos
A falta de segurança proveniente das invasões bárbaras, quando se via guerra por todos os lados, levou o camponês europeu do séc. XIV a procurar refúgio nas terras de grandes proprietários, onde se trocava a segurança pelo trabalho servil e subordinação ao chamado Senhor Feudal. A Europa ficou então dividida por feudos. O comércio praticamente não existia, cada feudo era autosuficiente e o Senhor Feudal era a autoridade máxima, a quem se devia obediência e a quem se pagava impostos, gerando uma descentralização política, já que o rei não tinha poder efetivo, era incapaz de conter o controle em suas mãos.A auto-suficiência dos feudos levou à desmonetarização, pois a economia de cada feudo era independente e fechada: o senhor feudal determinava a moeda corrente; o valor dos impostos; e as unidades de peso e medida, que só serviam para seu feudo. O “comércio” funcionava na forma deescambo, baseado na troca de produtos. Havia ainda o pensamento escolástico, no qual a verdade sobre o mundo era determinada pela igreja: os escolares, membros do clero, percorriam os feudos alfabetizando e afirmando a idéia de que as classes sociais eram determinadas pela vontade divina. No séc. XIV, com o fim das invasões bárbaras, surgiu um período de relativa paz. Iniciaram-se as Cruzadas, e para chegar à África utilizava-se a mão-de-obra das cidades de Gênova e Veneza, então conhecedoras das técnicas de navegação. Estas, a princípio, apenas faziam a travessia das tropas, mas passaram a socializar com os africanos e muçulmanos e a comercializar na Europa especiarias indianas. O clima de paz, as novidades de produtos, as inovações técnicas (permitindo excedentes na produção) e o surgimento das rotas comerciais deram origem aoRenascimento Comercial, surgindo as Hansas (Ligas Hanseáticas), associações que estabeleciam rotas de comércio pela Europa, e as Feiras, pontos onde os mercadores se reuniam para o comércio, em que se destacaram as feiras deFlandres e Champagne, na Bélgica. As Feiras, antes temporárias zonas de comércio, se tornaram Vilas, centros constantes de comércio, passaram a ser centros culturais e artísticos, e os mercadores passaram a permanecer lá. Era um local muito perigoso, atraindo ladrões, então os comerciantes se uniram para formar verdadeiras fortalezas muradas no centro das feiras, dando início aos burgos, onde quem morava era chamado burguês. Os burgos constituíram as primeiras cidades, e com o crescimento destas, os burgueses passaram a comprar de seus senhores feudais a Carta de Franquia, um documento que garantia autonomia às cidades. Estando livres dos senhores feudais, os burgueses deviam obediência e pagavam impostos ao rei. Houve um grande crescimento populacional, que não foi acompanhado pela produção. A falta de alimentos trouxe fome, a fome gerou carência de saúde, abrindo as portas às pestes e epidemias, como a peste negra, que se alastravam facilmente. Enquanto o rei ganhava cada vez mais poder, com as compras das Cartas de Franquia, os senhores feudais o perdiam gradativamente. Iniciaram-se asJacqueries, ou Revoltas Camponesas, nas quais os nobres disputavam terras férteis, onde se tem como exemplo a Guerra dos 100 Anos, entre a França e a Inglaterra, gerando a grande crise do séc. XIV, que foi a brecha através do qual o rei pôde intervir e centralizar as a autoridade através do exército nacional, que acabaria com as indesejosas revoltas camponesas. Para enriquecer o Estado e acabar com o monopólio marítimo de Gênova e Veneza e dos muçulmanos, fez-se necessária a expansão marítima, na busca pelo ouro e especiarias indianas. Através da noção de redondeza da Terra deColombo, houve a “descoberta” das Américas e o estabelecimento de novas rotas

unindo a Europa à África e à América, o Périplo Africano, levando ao fortalecimento dos Estados e ao enriquecimento da burguesia, acabando então com o monopólio de Gênova e Veneza. Isso gerou a Revolução dos Preços, uma onda inflacionária provocada pelo afluxo de metais preciosos provenientes da América, usados na fabricação de moedas.

Os Estados Nacionais evidenciaram características próprias no seu processo de construção e se consolidaram em tempos diferenciados. Enquanto a França e a Inglaterra em meados do século XV possuíam fronteiras definidas e governo próprio, a Itália e a Alemanha ainda eram fragmentadas, só vindo a se construir como unidade política no terceiro quartel do século XIX. As bases de formação dos Estados Modernos remontam ainda à Época Medieval, no período conhecido como Baixa Idade Média (séculos XI-XV). Entende-se por Monarquia Absolutista o sistema de governo em que "o rei, encarnando o ideal nacional, possui de direito e de fato os atributos da soberania: poder de decretar leis, de fazer justiça, de arrecadar impostos, de manter um exército permanente, de nomear funcionários, de julgar os atentados contra o bem público e, em especial, a autoridade real por meio de jurisdições de exceção emanadas do seu poder de justiceiro supremo."

Para a organização de seus reinos, os soberanos valeram-se das antigas práticas feudais e, por meio delas, avançaram para a criação de instituições políticas modernas. Aperfeiçoaram os tribunais de justiça através de funcionários capacitados; criaram um corpo de oficiais dispondo de militares permanentes; instituíram diversas formas de impostos; expandiram as fronteiras nacionais e concentraram as propriedades descentralizadas politicamente num único reino sob a autoridade absoluta do soberano. Os reis ocuparam-se da prática da justiça, pois esta era a grande aspiração das populações camponesas contra a violência da nobreza e contra o perigo de perderem suas terras. Para isso, dedicaram especial atenção à organização das leis escritas, inspirando-se nas tradições romanas.

O Poder Absoluto dos Reis

A autoridade do rei foi sendo reconhecida e reforçada pelas doutrinas de teóricos que justificavam o poder absolutista dos reis. Vale ressaltar que absolutismo não é tirania. "Trata-se de um regime político-constitucional (no sentido de que seu funcionamento está sujeito a limites e regras preestabelecidas), não arbitrário (enquanto a vontade do monarca não é ilimitada) e, sobretudo, de tradições seculares e profanas."

Isto significa que, apesar de absoluto, o poder dos reis sofria algum tipo de controle, como, por exemplo, a observação dos costumes, valores e tradições da época.

Grandes Navegações
Se fosse necessário destacar, entre os fatores que impulsionaram os grande navegadores e desbravarem "mares nunca d'antes navegados", qual o primordial, teríamos que citar o fato econômico. A necessidade de baratear os preços das especiarias, com eliminação de intermediários, a procura de novos centros fornecedores de matérias-primas e de mercados consumidores, a busca de metais preciosos, cuja descoberta acalentava os sonhos dos aventureiros, foram motivos suficientemente fortes para os navegadores colocarem as caravelas no mar e partirem em direção aos desconhecido. As superstições, os monstros e o medo foram sepultados, e erguidas as esperanças e ambições. Portugal, favorecido por sua localização geográfica, na ante-sala do Atlântico, e por condições políticas generosas, foi o primeiros país europeu a empreender a corrida colonialista. A Revolução de Avis, ocorridas em Portugal (1383-1385), através da qual os grupos mercantis venceram os senhores de terras, afastou os entraves sócio-políticos ao expansionismo marítimo-comercial da burguesia lusa. O primeiro passo desta expansão ocorreu com a conquista dos árabes da cidade de Ceuta, em 1415. Passados dez anos, os portugueses aportaram em Madeira. Mais dois anos, e os Açores foram descobertos. Ao dobrar o Cabo Bojador, no ano d e 1434, Gil Eanes iniciou o período de maior exploração do continente africano em sua faixa litorânea.

A necessidade de mão-de-obra barata, para desenvolver atividades produtivas nas terras recém-descobertas, levou o branco a escravizar o negro. Para justificar seu ato de violência contra uma raça, criou-se a idéia de superioridade racial.

Quando os turcos invadiram a Europa Oriental e conquistaram a sede do Império Romano do Oriente, Constantinopla (1453), já estavam os lusitanos em avançado estágio expansionista. O bloqueio praticado pelos turcos, em relação ao comércio, paralisado, era um imperativo. A descoberta, em 1482, da embocadura do Congo, por Diogo Cão, seguida pela viagem de Bartolomeu Dias, cruzando o Cabo das Tormentas, em 1488, deus aos portugueses a convicção de que em breve chegariam às Índias. Enquanto os portugueses conscientizavam-se de seus próprios passos, Colombo engatinhava no escuro. Movido pelo sonho de chegar ao Oriente navegando pelo Ocidente, já que para ele, a esfercidade da Terra não era uma dúvida, mas uma certeza, o navegador genovês "descobriu" a América, em 1492. Preocupado em preservar suas conquistas, D. João II, rei de Portugal, entrou em entendimento com a Espanha, visando assinar um acordo bilateral sobre as terras descobertas ou ainda a descobrir. Recusou os limites estabelecidos Papa Alexandre VI, na Bula "Inter-Coetera", em 1493, e satisfez-se com a delimitação de 370 léguas a oeste de Cabo Verde, acertado pelo Tratado de Tordesilhas, em 1494. Passado um meridiano, as terras a leste seriam de Portugal e, a oeste dele, seriam da Espanha. Já no século XV, Vasco da Gama desembarcou em Calicute, na Índia (1498), estabelecendo assim o definitivo contorno da sonhada rota comercial até as fontes produtoras de especiarias. Glorificado pela descoberta realizada em embarcações transbordando de especiarias, Vasco da Gama retornou à pátria, cheirando a lucro.

Para fechar com brilho o movimento do século XV, D. Manuel, o Venturoso, enviou uma frota dirigida por Cabral, visando à montagem de entrepostos comerciais as Índias. Desviando-se da rota estabelecida por Vasco da Gama, a esquadra do nobre português descobriu oficialmente as terras do Brasil, a 22 de abril de 1500. Mais algumas viagens, sendo a mais importante a de Fernão de Magalhães, que iniciou a circunavegação do Planeta Terra (1519 a 1522), e, como conseqüência, surgiu um novo mundo. Para assim dizer o mundo cresceu. A arte náutica desenvolveu-se não seus aspectos teóricos, mas, sobretudo, na prática, a qual, em última instância, é o critério da verdade. Comprovava-se desta maneira, o antigo provérbio: "a necessidade é a mãe da criatividade".

As dificuldades despertaram o espírito inventivo do homem dos tempos modernos. Para cada problema existente, procurava-se uma solução adequada. As grandes invenções contribuíram para a efetividade dos grandes descobrimentos. E estes seriam a resposta para as crises sócio-econômicas dos europeus. A partir daí, o Brasil passaria a ser uma fonte de enriquecimento dos países exploradores. Era apenas o início da explicação à qual o país estaria submetido durante séculos. Mudaram os colonizadores, sofisticaram-se as formas de explorar, mas a exploração cintinuou.

Renascimento
A construção de um novo modelo de homem A transição do feudalismo para o capitalismo, um processo amplo que, além do campo econômico e político, também foi modificando valores, idéias, arte e tecnologia da sociedade européia. Mais confiante em suas forças e possibilidades, o homem deixou de olhar tanto para o alto, em busca de Deus, passando a dar valor a si mesmo. O ser humano se redescobre como criatura e criador do mundo em que vive. Essa nova maneira de pensar e ver o mundo refletiu-se nas artes, na filosofia e nas ciências. O Homem moderno Durante boa parte da Idade Média, na sociedade européia, as pessoas estavam presas a umstatus da hierarquia social. Servo ou senhor, vassalo ou suserano, mestre ou aprendiz, a posição de cada pessoa inseria-se numa estrutura rígida e verticalizada. Na Idade Moderna, os laços dessa estrutura de dependência e fidelidade romperam-se, abrindo espaço para que o indivíduo pudesse emergir. Em contraposição à mentalidade cristã medieval, os tempos modernos formularam ummodelo de homem, caracterizado pela ambição, pelo individualismo, e pelacompetitividade. Alguém disposto a empregar suas energias na análise e na transformação do mundo em que vivia. Os novos valores Em substituição aos valores dominantes de Idade Média, a mentalidade moderna formulou novos princípios. I. Humanismo: em vez de um mundo centrado em Deus (teocêntrico), era preciso construir um mundo centrado no homem (antropocêntrico), desenvolvendo uma cultura humanista. II. Racinismo: em vez de explicar o mundo pela fé, era preciso explicá-lo pela razão, desenvolvendo o racionalismo, principalmente nas ciências. III. Individualismo: Em vez da ênfase no aspecto coletivo e fraternal da cristandade, era preciso reconhecer e respeitar as diferenças individuais dos homens livres, valorizando o individualismo, diretamente associado ao espírito de competição e à concorrência comercial.

Reforma e Contra-Reforma
Fatores que impulsionaram o movimento da Reforma No início do século XVI, a mudança na mentalidade das sociedades européias repercutiu também no campo religioso. A Igreja, tão onipotente na Europa medieval, foi duramente criticada. A instituição católica estava em descompasso com as transformações de seu tempo. Por exemplo, condenava o luxo excessivo e a usura. Além disso, uma série de questões propriamente religiosas colocavam a Igreja como alvo da crítica da sociedade: a corrupção do alto clero, a ignorância religiosa dos padres comuns e os novos estudos teológicos. As graves críticas a Igreja já não permitiam apenas consertar internamente a casa. As insatisfações acumulram-se de tal maneira que desencadearam um movimento de ruptura na unidade cristã: a Reforma Protestante. Assim, a Reforma foi motivada por um complexo de causa que ultrapassaram os limites da mera contestação religiosa. Vejamos detalhadamente algumas dessas causas. Novas interpretações da Bíblia Com a difusão da imprensa, aumentou o número de exemplares da Bíblia disponíveis aos estudiosos, e um clima de reflexão crítica e de inquietação espiritual espalhou-se entre os cristãos europeus. Surgia, assim, uma nova vontade individual de entender as verdades divinas, sem a intermediação dos padres. Desse novo espírito de interiorização da religião, que levou ao livre exame das Escrituras,nasceram diferentes interpretações da doutrina cristã. Nesse sentido, podemos citar, por exemplo, uma corrente religiosa que, apoiada na obra de Santo Agostinho, afirmava que a salvação do homem seria alcançada somente pela fé. Essas idéias opunham0se à posição oficial da Igreja, baseada em Santo Tomás de Aquino, pela qual a salvação do homem era alcançada pela fé e pelas boas obras. Corrupção do Clero Analisando o comportamento do clero, diversos cristãos passaram a condenar energicamente os abusos e as corrupções. O alto clero de Roma estimulava negócios envolvendo religião, como, por exemplo, a simonia (venda de objetos sagrados) tais como espinhos falsos, que coroaram a fronte de Cristo, panos que teriam embebido o sangue de seu rosto, objetos pessoais dos santos, etc. Além do comércio de relíquias sagradas, a Igreja passou a vender indulgências (o perdão dos pecados). Mediante certo pagamento destinado a financiar obras da Igreja, os fiéis poderiam "comprar" a sua salvação. No plano moral, inúmeros membros da Igreja também eram objeto de críticas. Multiplicavam-se os casos de padres envolvidos em escândalos amorosos, de monges bêbados e de bispos que vendiam os sacramentos, acumulando riquezas pessoais. Esse mau comportamento do clero representava sério problema ético-religioso, pois a Igreja dizia que os sacerdotes eram os intermediários entre os homens e Deus. Nova ética religiosa A Igreja católica, durante o período medieval, condenava o lucro excessivo (a usura) e defendia o preço justo. Essa moral econômica entrava em choque com a ganância da burguesia. Grande número de comerciantes não se sentia à vontade para tirar o o lucro máximo nos negócios, pois temiam ir para o inferno. Os defensores dos grandes lucros econômicos necessitavam de uma nova ética religiosa, adequada ao espírito capitalista comercial. Essa necessidade da burguesia foi atendida, em grande parte, pela ética protestante, que surgiu com a Reforma. Sentimento nacionalista Com o fortalecimento das monarquias nacionais, os reis passaram a encara a Igreja, que tinha sede em Roma e utilizava o latim, como entidade estrangeira que interferia em seus países. A Igreja, por seu lado, insistia em se apresentar como instituição universal que unia o mundo cristão.

Essa noção de universalidade, entretanto, perdia força à medida que crescia o sentimento nacionalista. Cada Estado, com sua língua, seu povo e suas tradições, estava mais interessado em afirmar as diferenças do que as semelhanças em relação a outros Estados. A Reforma Protestante correspondeu a esses interesses nacionalistas. A doutrina cristã dos reformadores, por exemplo, foi divulgada na língua nacional de cada país e não tem latim, o idioma oficial da Igreja católica. Contra-Reforma A Reação católica contra o avanço protestante Diante dos movimentos protestantes, a reação inicial e imediata da Igreja católica foi punir os rebeldes, na esperança de que as idéias reformistas não se propagassem e o mundo cristão recuperasse a unidade perdida. Essa tática, entretanto, não obteve bons resultados. O movimento protestante avançou pela Europa, conquistando crescente número de seguidores. Diante disso, ganhou força um amplo movimento de moralização do clero e dereorganização das estruturas administrativas da Igreja católica, que ficou conhecido comoReforma Católica ou Contra-Reforma. Seus principais líderes foram os papas Paulo III (1534-1549), Paulo IV (1555-1559), Pio V (1566-1572) e Xisto V (1585-1590) Um conjunto de medidas forma adotadas pelos líders da Contra-Reforma, tendo em vista deter o avanço do protestantismo. Entre essas medidas, destacam-se a aprovação daordem dos jesuítas, a convocação do Concílio de Trento e o restabelecimento daInquisição. Ordem dos Jesuítas No ano de 1540, o papa Paulo III aprovou a criação da ordem dos jesuítas ou Companhia de Jesus, fundada pelo militar espanhol Inácio de Loyola, em 1534. Inspirando-se na estrutura militar, os jesuítas consideravam-se os "soldados da Igreja", cuja missão era combater a expansão do protestantismo. O combate deveria ser travado com as armas do espírito, e para isso Inácio de Loyola escreveu um livro básico, Os Exércitos Espirituais, propondo a conversão das pessoas ao catolicismo, mediante técnicas de contemplação. A criação de escolas religiosas também foi um dos instrumentos da estratégia dos jesuítas. Outra arma utilizada foi a catequese dos não-cristãos, com os jesuítas empenhando-se em converter ao catolicismo os povos dos continentes recém-descobertos. O Objetivo era expandir o domínio católico para os demais continentes. Concílio de Trento No ano de 1545, o papa Paulo III convocou um concílio (reunião de bispos), cujas primeiras reuniões foram realizadas na cidade de Trento, na Itália. Ao final de longos anos de trabalho, terminados em 1563, o concílio apresentou um conjunto de decisões destinadas a garantir a unidade da fé católica e a disciplina eclesiástica. Reagindo às idéias protestantes, o Concílio de Trento reafirmou diversos pontos da doutrina católica, como por exemplo: I. a salvação humana: depende da fé e das boas obras humanas. Rejeita-se, portanto a doutrina da predestinação; II. a fonte da fé: o dogma religioso tem como fonte a Bíblia (cabendo à Igreja dar-lhe a interpretação correta) e a tradição religiosa (conservada e transmitida pela igreja). O papa reafirmava sua posição de sucessor de Pedro, a quem Jesus Cristo confiou a construção de sua Igreja; III. a missa e a presença de Cristo: a Igreja reafirmou que n ato da eucaristia ocorria a presença de Jesus no Pão e no Vinho. Essa presença real de Cristo era rejeitada pelos protestantes. O Concílio de Trento determinou, ainda, a elaboração de um catecismo com os pontos fundamentais da doutrina católica, a criação de seminários para a formação dos sacerdotes e manutenção dos celibatos sacerdotal. No ano de 1231, a Igreja católica havia criado os tribunais da Inquisição, que, com o tempo, reduziram suas

atividades em diversos países. Entretanto, com o avanço do protestantismo, a Igreja reativou, em meados do século XVI, a Inquisição. Esta passou a se encarregar, por exemplo, de organizar uma lista de livros proibidos aos católicos, o Index librorum prohibitorum. Uma das primeiras relações de livros proibidos foi publicada em 1564.

Mercantilismo
As práticas econômicas dos Estados Absolutistas Os Estados europeus absolutistas desenvolveram idéias e práticas econômicas, posteriormente denominadas MERCANTILISMO, cujo objetivo era fortalecer o poder dos reis e dos países através da acumulação interna de ouro e de prata. De acordo com as idéias econômicas da época, o ouro e a prata traziam o crescimento do comércio e das manufaturas, permitiam a com pra de cereais e de lã para o consumo da população, de madeira para a construção de navios e possibilitavam a contratação, pelo rei, de exércitos com soldados, armas e munições para combater os inimigos do país ou para conquistar territórios. A quantidade de ouro e de prata que 1 um país possuísse era, portanto, o índice de sua riqueza e poder, "Um país rico, tal como um homem rico, deve ser UM país com muito dinheiro e juntar ouro e prata num país deve ser a forma mais fácil de enriquecer (Citado por A. Smith, em "Causa da riqueza das nações".) Para obter o ouro e a prata, as nações que não possuíam colônias que os fornecessem (como a Espanha e mais tarde Portugal), deveriam procurar vender aos outros países mais do que deles comprar, gerando assim, uma balança comercial favorável. Numerosos documentos da época moderna retratavam claramente a importância que se dava à acumulação de ouro e de prata e ao saldo favorável na balança comercial: "A única maneira de fazer co m que muito ouro seja trazido de outros reinos para o tesouro real é conseguir que grande quantidade de nossos produtos seja levada anualmente além dos mares, e menos quantidade de seus produtos seja para cá transportada". Documentos econômicos dos Tudors. citado por HUBERMAN, Leo. História da riqueza do Homem. Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1972, P. 130) "O comércio exterior é a riqueza do soberano, a honra do reino, a nobre vocação dos mercadores, nossa subsistência e o emprego de nossos pobres, o melhoramento de nossas terras, a escola de nossos marinheiros, o nervo de nossa guerra, o terror de nossos inimigos." (THOMAS MUN, Englandls Treasure by foreing trade" 1622. Citado por DEYON, Pierre. 0 Mercantilismo. São Paulo, Editora Perspectiva, p. 54) Visando a obtenção do ouro e o saldo comercial favorável, os governos absolutistas passaram a interferir na economia de seus países, estabelecendo o protecionismo alfandegário através da cobrança de altos impostos sobre os produtos importados, estimulando a fabricação interta de mercadorias e concedendo prêmios e facilidades às exportações. Além, disso, os reis transformaram a exploração e o comércio de determinadas matérias?primas em monopólio do Estado ou de determinados súditos e favoreceram os empreendimentos coloniais. A intervenção dos governos, via protecionismo, monopólios e exploração colonial, fortaleceu os reinos e enriqueceu a burguesia que acumulou grandes lucros com tais práticas (1). Os mercantilistas consideravam a agricultura uma atividade secundária em relação ao comércio e a produção de manufaturas, devendo apenas fornecer gêneros alimentícios à população, a baixos preços. Dessa maneira, os comerciantes e os empresários eram favorecidos, pagando salários reduzidos aos seus trabalhadores. As práticas mercantilistas promoveram o desenvolvimento do comércio, incentivando o aparecimento de novos sistemas de produção de manufaturas (além das corporações de ofício existentes desde a época medieval) e estabeleceram o sistema colonial que vigorou até o início do século XIX. O Desenvolvimento da Manufaturas A crescente procura de mercadorias gerada pelo mercantilismo estimulou a produção doméstica e a criação de oficinas de manufaturas que em longo prazo causaram a decadência das corporações de ofício. Tais sistemas desenvolveram-se em função da ação do mercadores-fabricante que se interpôs entre o produtor e o consumidor. Ele era o empresário burguês que, de posse do capital, fornecia ao artesão a materia-prima, as ferramentas, pagava salário e se encarregava da venda do produto onde houvesse procura. (1) As práticas

intervencionistas e protecionistas foram herdadas das cidades medievais, onde os mercadores e os mestres das corporações de oficio monopolizavam e protegiam seus mercados da concorrência de outras cidades. Tendo contribuído para tornar as cidades medievais ricas e poderosas, tais medidas foram adotadas pelos monarcas absolutistas a nível nacional. A atuação do mercador-fabricante foi muito importante na produção domestica têxtil (fiação e tecelagem da lã) e de artigos de couro. Ele entregava ao camponês, em sua casa, a matéria?prima e as ferramentas e recebia posteriormente, o produto pronto, em troca de um salário. O camponês e sua família trabalhavam no período de inatividade no campo, conseguindo aumentar a renda doméstica. O sistema de produção caseiro era vantajoso para o mercador porque utilizava a mão-de-obra mais barata do trabalhador rural e também fugia das restrições impostas pelas corporações de ofício que impediam a introdução de inovações técnicas para evitar a concorrência. Por outro lado, oferecia algumas limitações, como o pequeno controle de qualidade por falta de padronização e a dificuldade de fiscalização sobre a matéria?prima entregue ao camponês e sua família. A partir do século XVI, desenvolveu-se também a produção realizadas em oficinas localizadas nas cidades. 0 mercador-fabricante reunia um certo número de artesãos num determinado local; fornecia a matéria-prima, as ferramentas e se apropriava da produção, pagando por tarefa ou salário. O artigo era fabricado segundo o princípio da divisão do trabalho, isto é, cada artesão executava apenas uma parte do produto, de modo que a mercadoria só estava acabada após passar sucessivamente por várias mãos. A divisão do trabalho trouxe um significativo aumento da produtividade. A produção manufatureira encontrava-se dispersa no campo e nas cidades e o empresário ainda não exercia um controle direto sobre o operário-artesão, visto que este ainda dominava todas as fases da produção. À medida que crescia a demanda de mercadorias, aumentou também o controle sobre o trabalhador, forçando a população ao trabalho regular e sistemático. As pessoas que se recusavam eram punidas com prisões, multas e castigos pelas leis em vigor. 0 pagamento de salários, a disciplina e a técnica foram se impondo e se generalizando. Os mercadores-fabricantes tornaram-se empresários capitalistas bem sucedidos. Os investimentos realizados por eles resultaram em avanços técnicos que aumentaram a produção e os lucros a custos menores. Sua ação alterou profundamente o sistema de produção, caracterizando a fase de "manufatura" específica dos séculos XVI, XVII e XVIII que antecedeu o surgimento da indústria mecanizada. O Mercantilismo e o Sistema Colonial A exploração dos domínios ultramarinos enquadrava?se na prática do protecionismo e do intervencionismo das monarquias absolutistas européias. A função da colônia era suplementar a economia de sua metrópole, produzindo matérias?primas, metais preciosos e gêneros agrícolas de alto valor no mercado. O comércio com as colônias era exclusividade da burguesia metropolitana, que vendia produtos manufaturados e escravos a preços elevados e adquiria as mercadorias coloniais a preço reduzido. Além disso, as colônias eram proibidas de comerciar diretamente com outras nações e não podiam se dedicar à indústria e à navegação. Esse comércio desigual, fonte constante de atrito com os colonos, foi denominado "pacto colonial". Ao "pacto colonial" estavam submetidos, na América, o Brasil, colônia portuguesa produtora de açúcar e de ouro; as colônias espanholas, vasto território que ia do México a Argentina, fornecedoras do ou ro e da prata que mantiveram a Espanha como grande potencia até o século XVII; e as treze colônias inglesas no litoral leste da América do Norte, menos valorizadas por não possuírem condições de fornecer metais ou gêneros tropicais à Inglaterra. A venda de monopólios sobre a exploração dos produtos coloniais de suas vastas possessões permitia à monarquia portuguesa sustentar a nobreza, o clero, uma dispendiosa burocracia e soldados na defesa das feitorias espalhadas pelo Atlântico, Indico e Pacífico. Entretanto, por não ser centro produtor de manufaturas, Portugal transformou-se num simples intermediário entre o ultramar e os mercados europeus. Os produtos

orientais e brasileiros, que chegavam a Lisboa, capital do reino português, iam para Londres ou para Antuérpia (um dos maiores centros de comércio do norte europeu, estrategicamente situada á% foz dos rios Reno e Mosa), onde eram revendidos para o resto da Europa, enriquecendo as burguesias inglesa e holandesa. Portugal tornou-se grande importador de produtos manufaturados dos países europeus, para atender às necessidades de consumo da corte, do exército e da população das cidades e das colônias. O poderio português na área asiática somente foi contestado em fins do século XVI, quando os holandeses, através da Companhia Holandesa das Índias Orientais, arrebataram o lucrativo comercio asiático. Em meados do século XVII, Portugal perdeu o monopólio da venda do açúcar brasileiro no mercado europeu, após a invasão do Nordeste pela Companhia Holandesa das Índias Ocidentais e início da concorrência da produção açucareira na região do Caribe. Em conseqüência da decadência dos negócios do açúcar, o governo metropolitano incentivou a pesquisa mineral no Brasil, obtendo os primeiros resultados favoráveis em 1693. Durante o século XVIII, cada vez mais necessitado do metal precioso para pagar suas importações de manufaturados, Portugal exerceu uma dura fiscalização da região mineradora, exigindo da população local o pagamento de impostos cada vez mais elevados. A Espanha, que possuía uma importante manufatura de tecidos, se das e armas, também não conseguia atender à demanda de sua população, tendo de recorrer às importações pagas com o ouro americano. Dos me tais preciosos chegados à Europa, via Espanha, 20% eram utilizados pelos reis espanhóis na manutenção do exército e na compra de armas e de munições. 0 restante ficava em mãos de burgueses, nobres e conquistadores, sendo empregado na compra de tecidos, vinhos, armas, mobílias e jóias, além de serviços comerciais e de transporte. Os Países ibéricos enfrentaram o protecionismo alfandegário da Holanda, França e Inglaterra, a pirataria, os naufrágios e as enormes despesas em armas e soldados para garantir as rotas das Índias e da América, fato que levou o historiador Manuel-Nunes Dias a afirmar que Portugal e Espanha tornaram-se prisioneiros da pimenta e do ouro. Ao se esgotarem as minas de ouro e de prata, ambos entraram em decadência suplantados pelos países produtores de manufaturas. MERCANTILISMO E REVOLUÇÃO COMERCIAL O desenvolvimento do comércio europeu, nos séculos XV, XVI e XVII, favorecido pelas práticas mercantilistas das monarquias absolutistas, foi também chamado de "revolução comercial". A revolução comercial caracterizou-se pela integração da América, África e Ásia à economia européia, através da navegação pelo Oceano Atlântico; pelo aumento da circulação de mercadorias e de moedas; pela criação de novos métodos de produção de manufaturas; pela ampliação dos bancos, dos sis temas de crédito, seguros e demais operações financeiras. O crescimento to da agricultura, da mineração, da metalurgia, da navegação, da divisão do trabalho, do comércio colonial promoveu uma grande acumulação de capital preparando a Europa para avanços importantes na produção o corridos a partir do século XVIII.

Iluminismo – A criação do Antigo Regime
As sociedades dos Estados absolutistas eram formadas por diversas classes sociais, dentre as quais eram dominantes anobreza e a burguesia. O Estado absolutista alimenta-se do conflito entre essas classes sociais, procurando administrá-lo para preservar uma situação de equilíbrio de forças entre elas. Tirando o máximo proveito dessa coexistência de forças, garantia o poder supremo da monarquia. Isso explica certas contradições do Estado absolutista, como, por exemplo, conceder monopólios de comércio à burguesia, estimular as atividades comerciais e, ao mesmo tempo, oferecer pensões para sustentar uma nobreza cortesã, parasitária e improdutiva. Com o desenvolvimento do capitalismo, nos séculos XVII e XVIII, a burguesia continuou sua ascensão econômica em importantes países europeus, como Inglaterra e França. Consciente de seus interesses, passou a criticar o Antigo Regime. As principais características que marcaram as sociedades do Antigo Regime foram: I. no setor político: poder absoluto dos reis; II. no setor social: divisão da sociedade em estamentos, onde se distinguiam ordens privilegiadas pelo nascimento e camadas desfavoráveis. III. no setor econômico: coexistência de relações feudais e relações capitalistas, ora em harmonia, ora em conflitos; IV. no setor cultural: a intolerância religiosa e filosófica. O Estado e a Igreja intervinham na vida das pessoas, não permitindo a liberdade de religião ou convicção filosófica e política.

Burguesia e Iluminismo
Ao criticar o Antigo Regime, a burguesia foi desenvolvendo sua própria ideologia, baseando-se no seguinte argumento: I. o Estado só é verdadeiramente poderoso se for rico; II. para enriquecer, ele precisa expandir as atividades capitalistas; III. para expandir as atividades capitalistas é preciso dar liberdade e poder à burguesia. Foi esse argumento burguês que, investindo implicitamente contra os privilégios da nobreza corroeu, aos poucos, o equilíbrio de forças sociais do Estado absolutista e do Antigo Regime. Ao mesmo tempo, propriciou o surgimento do movimento cultural que ficou conhecido comIluminismo (também denominado Ilustração ou Filosofia das Luzes).

O que o Iluminismo defendia
Segundo o sociólogo Lucien Goldman, os princípios do Iluminismo estão relacionados ao comércio, uma das principais atividades econômicas da burguesia. Assim, o Iluminismo defendia: 1. Igualdade: no comércio, isto é, no ato de compra e venda, todas as eventuais desigualdades sociais entre compradores e vendedores não tinham importância. Na compra e venda, o que importava era a igualdade jurídica dos participantes do ato comercial. Por isso, os iluministas defendiam que todos deveriam ser iguais perante a lei. Ninguém teria, então, privilégios de nascença, como os da nobreza. Entretanto, a igualdade jurídica não significava igualdade econômica. No plano econômico, a maioria dos iluministas acreditava que a desigualdade correspondia à ordem natural das coisas. 2. Tolerância religiosa ou filosófica: na realização do ato comercial, não importavam as convicções religiosas ou filosóficas dos participantes do negócio. Do ponto de vista econômico, a burguesia compreendeu que seria irracional excluir compradores ou vendedores em função de suas crenças ou

convicções pessoais. Fosse mulçumano, judeu, cristão ou ateu, a capacidade econômica das pessoas definia-se pelo ter e não pelo ser. 3. Liberdade pessoal e social: a atividade comercial burguesa só poderia desenvolver-se numa economia de mercado, ou seja, era preciso que existisse o livre jogo da oferta e da procura. Por isso, a burguesia se opôs à escravidão humana e passou a defender uma sociedade livre. Afinal sem trabalhadores livres, que recebessem salários, não podiam haver mercado comercial. 4. Propriedade privada: comércio só era possível entre os proprietários de bens ou de dinheiro. O proprietário podia comprar ou vender porque tinha o direito de usar e dispor livremente de seus bens. Assim, a burguesia defendia o direito à propriedade privada, que característica essencial da sociedade capitalista.

O que o Iluminismo combatia
A nova mentalidade burguesa, expressa pelos princípios iluministas, chocava-se com o Antigo Regime. Assim, o Iluminismo combatia: I. o absolutismo monárquico: porque protegia a nobreza e mantinha seus privilégios. O absolutismo era considerado injusto por impedir a participação da burguesia nas decisões políticas, inviabilizando a realização de seus idéias; II. o mercantilismo: porque a intervenção do Estado na vida econômica era considerada prejudicial ao individualismo burguês, à livre iniciativa e ao desenvolvimento espontâneo do capitalismo; III. a autonomia intelectual: defendia pelo individualismo e pelo racionalismo burguês. Assim, à burguesia não interessava apenas a religião. Ela desejava o avanço da ciência e das técnicas, que favoreciam os transportes, as comunicações, a medicina, etc.

A colonização espanhola da América
Essa colonização se iniciou quando Cristóvão Colombo chegou à América no ano de1492. Ele estava certo de que ia encontrar um novo caminho para chegar ás Índias. Também governou outros territórios, fazendo outras viagens por meio do Oceano Atlântico. Essa colonização deixou com que a Espanha invadisse um novo continente, destruindo e dominando as culturas indígenas, como por exemplo, a dos incas e astecas, atrás de metais preciosos que foram achados e explorados pelos conquistadores em grande quantidade. Os vice-reinos e as capitanias gerais da América: É importante sabermos que a América Espanhola, é caracterizada por uma descentralização administrativa, que se subdivide em quatro vice-reinos. Vejamos cada um deles: - Nova Espanha: esse vice-reino foi criado no ano de 1535, estando assim incluído o México, parte da América central e o oeste dos Estados Unidos. - Peru: esse vice-reino foi criado no ano de 1543 e foi formado pelo novo Peru e por parte da Bolívia. - Nova Granada: esse vice-reino foi criado no ano de 1717 e foi formado por novos territórios da Colômbia, Equador e Panamá. - Rio da Prata: esse vice-reino foi criado no ano de 1776 e foi formado por novos territórios do Paraguai, parte do Peru e da Bolivia, Uruguai e Argentina. Já com relação as capitanias gerais, podemos dizer que o aparelho administrativo era composto por quatro: Vejamos: • Cuba; • Venezuela; • Chile; • Guatemala. O poder local e a igreja: Os Cabildos além de fazerem parte das câmaras municipais e de atuar nas localidades mais importantes da América, eles se compunham no poder local, onde “divertiam-se” com a autonomia relacionada à Espanha, onde eram compostos por uma elite colonial. Eles tinham o objetivo de se responsalibilizar pela política e pela administração na sua área de ação, cabendo assim a eleição dos alcaides, ou seja, a maior autoridade política do local. Já se tratando da igreja, podemos dizer que ela se destacou no processo colonizador, ou seja, ela foi capaz de completar o quadro da administração colonial.

A tributação e o comércio colonial: A Espanha cobrou alguns atributos na América, vejamos: - cobrou o almojarifazgo, que era considerado um imposto em cima do comércio interno e externo, através da via marítima. - cobrou o quinto, que era cobrado em cima da extração mineral. - cobrou a alcavala, que ocorre tanto em cima dos índios (adultos), acostumados com o trabalho, como em cima da circulação de produtos. - cobrou a averia, pela proteção dos galeões, que geravam o comércio entre a América e a Espanha. A sociedade colonial da América Espanhola: Existiam algumas diferenças que marcaram a estrutura social da América Espanhola, que era entre os indivíduos que nasciam na América e os que nasciam na Espanha. Dessa forma a sociedade colonial estava dividida em: Chapetones ou guachupines: espanhóis brancos, nascidos na metrópole, e que vinham para a América, atuar nos mais altos cargos burocráticos da administração. Criollos: brancos nascidos na América, faziam parte da elite econômica local, eram proibidos de tomar o poder dos cargos superiores no interior da administração. Mestiços: é o “cruzamento“ de indígenas com brancos. Eles eram capazes de constituir um grupo e executar as funções de artesãos e capatazes. escravos e negros: todos vindos da África, para exercer várias atividades econômicas. Os indígenas, a encomienda e o repartimento: O grupo majoritário foi criado pelos indígenas, eles eram formados na base de sustentação da economia colonial. Os indígenas foram considerados os vassalos do rei, onde eles deviam trabalhar para que o

Império Espanhol ficasse mais forte. Além disso, eles tinham que pagar impostos, porém esses impostos eram pagos com trabalhos compulsórios. Se tratando desse pagamento, podemos citar a encomineda, que é quando o colonizador dava o direito de poder em cima de certo território onde estão os indígenas, onde esses pagavem tributos de acordo com o seu trabalho para poder ficar nesse terrotório. Podemos citar também o repartimiento, que é considerado outra forma de pagamento (imposto), que foi criado pela coroa com fins de ajudar nas construções de obras públicas. Esse imposto serve também para que certas regiões economicamente ricas possam ser exploradas. As colonizações inglesa, francesa e holandesa A França, a Holanda e a Inglaterra atrasaram suas participações dentro do processo expansionista europeu, onde por esse motivo esses 3 países estão incluídos dentro do quadro das Navegações Tardias. A colonização Francesa: A França organizou as suas primeiras expedições marítimas no século XVI com a intenção de atingir a América, e muitas dessas expedições realizavam ataque e saques sobre as possessões portuguesas e espanholas. Em 1555, a tentativa dos franceses de instituir França Antártica no Brasil foi fracassada. E entre os anos de 1534 e 1535 Jacques Cartier ocupou o território da foz do Rio São Lourenço, na América do Norte, onde foi criada a colônia Nova França. Em 1608, foi criada a Companhia Comercial Nova França que organizada e patrocinava várias expedições francesas, e com isso Samuel Champlain começou a explorar terras do Canadá, fundando a cidade de Quebec. Em 1642, os franceses ampliaram o seu campo de dominação fundando a Montreal, e ocupando a região dos Grandes Lagos em 1673, e a partir daí atingiram a foz do Mississipi de onde seguiram até chegar numa vasta região dos EUA onde atualmente localiza-se o estado de Luisiana. A colonização inglesa: As primeiras expedições inglesas iniciadas no final do século XV foram fracassadas, somente no ano de 1607 é que a situação foi superada quando a empresa privada London Company fundou a colônia Virginia, no litoral atlântico dos Estados Unidos. Nessa mesma época, outra empresa privada, a Plymouth Company, iniciou a ocupação da Nova Inglaterra. A partir daí, o processo de colonização inglesa se fortaleceu, formando as treze colônias inglesas que deram origem aos Estados Unidos. As treze colônias formaram-se na faixa atlântica dos Estados Unidos, ao Norte e ao Centro estavam as colônias de povoamento, e ao Sul ficavam as colônias de exploração. A colonização holandesa: Em 1581, a Holanda, que até então era dominada pela Espanha, proclamou a sua independência. Em 1602 surgiu a Companhia de Comércio das Índias Orientais, e em 1621 surgiu a Companhia de Comércio das Índias Ocidentais, para resistir ás imposições espanholas. E a partir daí, os holandeses iniciaram de fato os seus processos de expansão marítima. No Oriente Médio, atingiram porções do Império luso-espanhol. Entre os anos de 1630 e 1654, ocuparam as regiões da Bahia e Pernambuco no Brasil, tomando posse da produção açucareira e dos lucros do tráfico negreiro. Em 1654, após as Batalhas de Guararapes os holandeses foram obrigados a deixar o território brasileiro, e foram se instalar na Guiana e nas ilhas de Curaçao, nas Antilhas, onde desenvolveram a produção açucareira. Na América do Norte, atingiram o vale do Hudson, onde foi criada a colônia Nova Amsterdã, que eventualmente se tornaria a cidade de Nova York.

Brasil do Sistema Colonial Mercantilista
O sistema colonial é o conjunto de relações entre as metrópoles e suas respectivas colônias em uma determinada época histórica. O sistema colonial que nos interessa abrangeu o período entre o século XVI e o século XVII, ou seja, faz parte do Antigo Regime da época moderna e é conhecido como antigo sistema colonial. Segundo o seu modelo teórico típico, a colônia deveria ser um local de consumo (mercado) para os produtos metropolitanos, de fornecimento de artigos para a metrópole e de ocupação para os trabalhadores da metrópole. Em outras palavras, dentro da lógica do “Sistema Colonial Mercantilista” tradicional, a colônia existia para desenvolver a metrópole, principalmente através do acúmulo de riquezas, seja através do extrativismo ou de práticas agrícolas mais ou menos sofisticadas. Uma Colônia de Exploração, como foi o caso do Brasil para Portugal, tem basicamente três características, conhecidas pelo termo técnico de “plantation”: _ Latifúndio: as terras são distribuídas em grandes propriedades rurais _ Monocultura voltada ao mercado exterior: há um “produto-rei” em torno do qual toda a produção da colônia se concentra (no caso brasileiro, ora é o açúcar, ora a borracha, ora o café...) para a exportação e enriquecimento da metrópole, em detrimento da produção para o consumo ou o mercado interno. _ Mão-de-obra escrava: o negro africano era trazido sobre o mar entre cadeias e, além de ser mercadoria cara, era uma mercadoria que gerava riqueza com o seu trabalho...

O sentido da colonização – A atividade colonizadora européia aparece como desdobramento da expansão puramente comercial. Passou-se da circulação (comércio) para a produção, No caso português, esse movimento realizou-se através da agricultura tropical. Os dois tipos de atividade, circulação e produção, coexistiram. Isso significa que a economia colonial ficou atrelada ao comércio europeu. Segundo Caio Prado Jr., o sentido da colonização era explícito: "fornecer produtos tropicais e minerais para o mercado externo". Assim, o antigo sistema colonial apareceu como elemento da expansão mercantil da Europa, regulado pelos Interesses da burguesia comercial. A conseqüência lógica, segundo Fernando A. Novais, foi a colônia transformar-se em instrumento de poder da metrópole, o fio condutor, a prática mercantilista, visara essencialmente o poder do próprio Estado.

As razões da colonização – A centralização do poder foi condição para os países saírem em busca de novos mercados, organizando-se, assim, as bases do absolutismo e do capitalismo comercial. Com isso, surgiram rivalidades entre os países. Portugal e Espanha ficaram ameaçados pelo crescimento de outras potências. Acordos anteriores, como o Tratado de Tordesilhas (1494) entre Portugal e a Espanha, começaram a ser questionados pelos países em expansão. A descoberta de ouro e prata no México e no Peru funcionou como estímulo ao início da colonização portuguesa. Outro fator que obrigou Portugal a investir na América foi a crise do comércio indiano. A frágil burguesia lusitana dependia cada vez mais da distribuição dos produtos orientais feita pelos comerciantes flamengos (Flandres), que impunham os preços e acumulavam os lucros.

Capitanias hereditárias – Em 1532, quando se encontrava em São Vicente, Martim Afonso recebeu uma carta do rei anunciando o povoamento do Brasil através da criação das capitanias hereditárias. Esse sistema já havia sido utilizado com êxito nas possessões portuguesas das ilhas do Atlântico (Madeira, Cabo Verde, São Tomé e Açores). O Brasil foi dividido em 14 capitanias hereditárias, 15 lotes (São Vicente estava dividida em 2 lotes) e 12 donatários (Pero Lopes de Sousa era donatário de 3 capitanias: Itamaracá, Santo Amaro e Santana).

Porém, a primeira doação ocorreu apenas em 1534. Entre os donatários não figurava nenhum nome da alta nobreza ou do grande comércio de Portugal, o que mostrava que a empresa não tinha suficiente atrativo econômico. Somente a pequena nobreza, cuja fortuna se devia ao Oriente, aqui aportou, arriscando seus recursos. Traziam nas mãos dois documentos reais: a carta de doação e os forais. No primeiro o rei declarava a doação e tudo o que ela implicava. O segundo era uma espécie de código tributário que estabelecia os impostos. Nesses dois documentos o rei praticamente abria mão de sua soberania e conferia aos donatários poderes amplíssimos. E tinha de ser assim, pois aos donatários cabia a responsabilidade de povoar e desenvolver a terra à própria custa. O regime de capitanias hereditárias desse modo, transferia para a iniciativa privada a tarefa de colonizar o Brasil. Entretanto, devido ao tamanho da obrigação e à falta de recursos, a maioria fracassou. Sem contar aqueles que preferiram não arriscar a sua fortuna e jamais chegaram a tomar posse de sua capitania. No final, das catorze capitanias, apenas Pernambuco teve êxito, além do sucesso temporário de São Vicente. Quanto às demais capitanias, malograram e alguns dos donatários não só perderam seus bens como também a própria vida. Estava claro que o povoamento e colonização através da iniciativa particular era inviável. Não só devido à hostilidade dos índios, mas também pela distância em relação à metrópole, e sobretudo, pelo elevado investimento requerido.

Governo geral (1549) – Em 1548, diante do fracasso das capitanias, a Coroa portuguesa decidiu tomar medidas concretas para viabilizar a colonização. Naquele ano foi criado o governo-geral com base num instrumento jurídico denominado Regimento de 1548 ou Regimento de Tomé de Sousa. O objetivo da criação do governo-geral era o de centralizar política e administrativamente a colônia, mas sem abolir o regime das capitanias. No regimento o rei declarava que o governo-geral tinha como função coordenar a colonização fortalecendo as capitanias contra as ações adversas, destacando-se particularmente a luta contra os tupinambás. A compra da capitania da Bahia pelo rei, transformando-a numa capitania real é sede do governogeral foi o primeiro passo para a transformação sucessiva das demais capitanias hereditárias em capitanias reais, Por fim, no século XVIII, durante o reinado de D. José I (1750 - 1777) é do seu ministro marquês de Pombal, as capitanias hereditárias foram extintas Com a criação do governo-geral, estabeleceram-se também cargos de assessoria: ouvidor-mor (justiça), provedor-mor (fazenda) e capitão-mor (defesa). Cada um desses cargos possuía, ademais, um regimento próprio e, no campo restrito de sua competência era a autoridade máxima da colônia. Assim, com a criação do governo-geral, desfazia-se juridicamente a supremacia do donatário.

Tomé de Sousa (1549-1553) – O primeiro governador-geral foi Tomé de Sousa. Com ele vieram todos os funcionários necessários à administração e também os primeiros jesuítas chefiados por Manuel da Nóbrega. Começava, então, a obra evangelizadora dos indígenas e, em 1551, criava-se em Salvador o primeiro bispado no Brasil, sendo o primeiro bispo D. Pero Fernandes Sardinha. Com o segundo governador viria ainda outro contingente de jesuítas, entre eles, José de Anchieta Apesar de representar diretamente a Coroa, algumas capitanias relutaram em acatar a autoridade do governador-geral tais como as de Porto Seguro, Espírito Santo, Ilhéus, São Vicente e Pernambuco. Esta última, de Duarte Coelho, foi a que mais se ressentiu da intromissão do governo-geral. Recusando a autoridade do governador-geral o donatário de Pernambuco apelou para o rei, que o favoreceu reafirmando a sua autonomia.

Consolidação do governo-geral – Duarte da Costa (1553 – 1558), que viera em substituição a Tomé de Sousa, enfrentou várias crises e sua estada no Brasil foi bastante conturbada.Desentendeu-se

com o bispo D. Pero Fernandes Sardinha e teve de enfrentar os primeiros conflitos entre colonos e jesuítas acerca da escravidão indígena. Além disso, foi durante o seu governo que a França começou a tentativa de implantação da França Antártica no Rio de Janeiro. Esses problemas foram solucionados pelo terceiro governador-geral, Mem de Sá (1558-1512). Com ele, finalmente, se consolidou o governo-geral e os franceses foram expulsos.

Predomínio dos poderes locais – Todavia, apesar da tendência centralizadora do governo-geral, a centralização jamais foi completa na colônia. Vários obstáculos podem ser mencionados. O primeiro deles estava na própria característica econômica da colônia. A sua economia era de exportação, voltada para o mercado externo. O comércio entre as capitanias era praticamente nulo. Além disso, as vias de comunicação inter-regionais eram inexistentes ou muito precárias. Daí a predominância dos poderes locais representados pelos grandes proprietários. Até meados do século XVII, as câmaras municipais eram ocupadas e dominadas por esses grandes proprietários, que se autodenominavam "homens bons".

Evolução administrativa ate 1580 – D. Luís Fernandes de Vasconcelos, nomeado sucessor de Mem de Sá foi atacado por piratas franceses que impediram a sua chegada ao Brasil. Nessa época, a preocupação com a conquista do Norte fez com que o rei de Portugal, D. Sebastião (1557 - 1578), dividisse, em 1572, o Brasil em dois governos. O norte ficou com D. Luís de Brito e Almeida e o sul com Antônio Salema tendo como capitais, respectivamente, a Bahia e o Rio de Janeiro Em virtude do tamanho do Brasil, almejava-se com essa divisão maior eficiência administrativa. Entretanto, como esse objetivo não fora alcançado, a administração foi reunificada em 1578. O novo governador nomeado, Lourenço da Veiga, governou de 1578 a 1580. Nesta última data, Portugal foi anexado pela Espanha, dando origem à União Ibérica, que perdurou de 1580 a 1640.

Brasil Colônia
O Período Pré-Colonial: A fase do pau-brasil (1500 a 1530) A expressão "descobrimento" do Brasil está carregada de eurocentrismo (valorização da cultura européia em detrimento das outras), pois desconsidera a existência dos índios em nosso país antes da chegada dos portugueses. Portanto, optamos pelo termo "chegada" dos portugueses ao Brasil. Esta ocorreu em 22 de abril de 1500, data que inaugura a fase pré-colonial. Neste período não houve a colonização do Brasil, pois os portugueses não se fixaram na terra. Após os primeiros contatos com os indígenas, muito bem relatados na carta de Caminha, os portugueses começaram a explorar o pau-brasil da Mata Atlântica. O pau-brasil tinha um grande valor no mercado europeu, pois sua seiva, de cor avermelhada, era muito utilizada para tingir tecidos. Para executar esta exploração, os portugueses utilizaram o escambo, ou seja, deram espelhos, apitos, chocalhos e outras bugigangas aos nativos em troca do trabalho (corte do pau-brasil e carregamento até as caravelas). Nestes trinta anos, o Brasil foi atacado pelos holandeses, ingleses e franceses que tinham ficado de fora do Tratado de Tordesilhas (acordo entre Portugal e Espanha que dividiu as terras recém descobertas em 1494). Os corsários ou piratas também saqueavam e contrabandeavam o paubrasil, provocando pavor no rei de Portugal. O medo da coroa portuguesa era perder o território brasileiro para um outro país. Para tentar evitar estes ataques, Portugal organizou e enviou ao Brasil as Expedições Guarda-Costas, porém com poucos resultados. Os portugueses continuaram a exploração da madeira, construindo as feitorias no litoral que nada mais eram do que armazéns e postos de trocas com os indígenas. No ano de 1530, o rei de Portugal organizou a primeira expedição com objetivos de colonização. Esta foi comandada por Martin Afonso de Souza e tinha como objetivos: povoar o território brasileiro, expulsar os invasores e iniciar o cultivo de cana-de-açúcar no Brasil. A fase do Açúcar (séculos XVI e XVII ) O açúcar era um produto de muita aceitação na Europa e alcançava um grande valor. Após as experiências positivas de cultivo no Nordeste, já que a cana-de-açúcar se adaptou bem ao clima e ao solo nordestino, começou o plantio em larga escala. Seria uma forma de Portugal lucrar com o comércio do açúcar, além de começar o povoamento do Brasil. A mão-obra-obra escrava, de origem africana, foi utilizada nesta fase.

O trabalho escravo num engenho de açúcar Administração Colonial Para melhor organizar a colônia, o rei resolveu dividir o Brasil em Capitanias Hereditárias. O território foi dividido em faixas de terras que foram doadas aos donatários. Estes podiam explorar os recursos da terra, porém ficavam encarregados de povoar, proteger e estabelecer o cultivo da cana-de-açúcar. No geral, o sistema de Capitanias Hereditárias fracassou, em função da grande distância da Metrópole, da falta de recursos e dos ataques de indígenas e piratas. As capitanias de São Vicente e Pernambuco foram as únicas que apresentaram resultados satisfatórios, graças aos investimentos do rei e de empresários. Após a tentativa fracassada de estabelecer as Capitanias Hereditárias, a coroa portuguesa estabeleceu no Brasil o Governo-Geral. Era uma forma de centralizar e ter mais controle da colônia. O primeiro governador-geral foi Tomé de Souza, que recebeu do rei a missão de

combater os indígenas rebeldes, aumentar a produção agrícola no Brasil, defender o território e procurar jazidas de ouro e prata. Também existiam as Câmaras Municipais que eram órgãos políticos compostos pelos "homensbons". Estes eram os ricos proprietários que definiam os rumos políticos das vilas e cidades. O povo não podia participar da vida pública nesta fase. A capital do Brasil neste período foi Salvador, pois a região Nordeste era a mais desenvolvida e rica do país. A economia colonial A base da economia colonial era o engenho de açúcar. O senhor de engenho era um fazendeiro proprietário da unidade de produção de açúcar. Utilizava a mão-de-obra africana escrava e tinha como objetivo principal a venda do açúcar para o mercado europeu. Além do açúcar destacou-se também a produção de tabaco e algodão. As plantações ocorriam no sistema de plantation, ou seja, eram grandes fazendas produtoras de um único produto, utilizando mão-de-obra escrava e visando o comércio exterior. O Pacto Colonial imposto por Portugal estabelecia que o Brasil só podia fazer comércio com a metrópole. A sociedade Colonial A sociedade no período do açúcar era marcada pela grande diferenciação social. No topo da sociedade, com poderes políticos e econômicos, estavam os senhores de engenho. Abaixo, aparecia uma camada média formada por trabalhadores livres e funcionários públicos. E na base da sociedade estavam os escravos de origem africana. Era uma sociedade patriarcal, pois o senhor de engenho exercia um grande poder social. As mulheres tinham poucos poderes e nenhuma participação política, deviam apenas cuidar do lar e dos filhos. A casa-grande era a residência da família do senhor de engenho. Nela moravam, além da família, alguns agregados. O conforto da casa-grande contrastava com a miséria e péssimas condições de higiene das senzalas (habitações dos escravos). Invasão holandesa no Brasil Entre os anos de 1630 e 1654, o Nordeste brasileiro foi alvo de ataques e fixação de holandeses. Interessados no comércio de açúcar, os holandeses implantaram um governo em nosso território. Sob o comando de Maurício de Nassau, permaneceram lá até serem expulsos em 1654. Nassau desenvolveu diversos trabalhos em Recife, modernizando a cidade. Expansão territorial: bandeiras e bandeirantes Foram os bandeirantes os responsáveis pela ampliação do território brasileiro além do Tratado de Tordesilhas. Os bandeirantes penetram no território brasileiro, procurando índios para aprisionar e jazidas de ouro e diamantes. Foram os bandeirantes que encontraram as primeiras minas de ouro nas regiões de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

O bandeirante Domingos Jorge Velho

O Ciclo do Ouro: século XVIII Após a descoberta das primeiras minas de ouro, o rei de Portugal tratou de organizar sua extração. Interessado nesta nova fonte de lucros, já que o comércio de açúcar passava por uma fase de declínio, ele começou a cobrar o quinto. O quinto nada mais era do que um imposto cobrado pela coroa portuguesa e correspondia a 20% de todo ouro encontrado na colônia. Este imposto era cobrado nas Casas de Fundição. A descoberta de ouro e o início da exploração da minas nas regiões auríferas (Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás) provocou uma verdadeira "corrida do ouro" para estas regiões. Procurando trabalho na região, desempregados de várias regiões do país partiram em busca do sonho de ficar rico da noite para o dia. O trabalho dos tropeiros foi de fundamental importância neste período, pois eram eles os responsáveis pelo abastecimento de animais de carga, alimentos (carne seca, principalmente) e outros mantimentos que não eram produzidos nas regiões mineradoras. Desenvolvimento urbano nas cidades mineiras Cidades começaram a surgir e o desenvolvimento urbano e cultural aumentou muito nestas regiões. Foi neste contexto que apareceu um dos mais importantes artistas plásticos do Brasil : Aleijadinho. Vários empregos surgiram nestas regiões, diversificando o mercado de trabalho na região aurífera. Igrejas foram erguidas em cidades como Vila Rica (atual Ouro Preto), Diamantina e Mariana. Para acompanhar o desenvolvimento da região sudeste, a capital do país foi transferida de Salvador para o Rio de Janeiro.

Igreja de Ouro Preto

Revoltas Coloniais e Conflitos Em função da exploração exagerada da metrópole ocorreram várias revoltas e conflitos neste período: - Guerra dos Emboabas : os bandeirantes queriam exclusividade na exploração do ouro nas minas que encontraram. Entraram em choque com os paulistas que estavam explorando o ouro das minas. - Revolta de Filipe dos Santos : ocorrida em Vila Rica, representou a insatisfação dos donos de minas de ouro com a cobrança do quinto e das Casas de Fundição. O líder Filipe dos Santos foi preso e condenado a morte pela coroa portuguesa. - Inconfidência Mineira (1789) : liderada por Tiradentes , os inconfidentes mineiros queriam a libertação do Brasil de Portugal. O movimento foi descoberto pelo rei de Portugal e os líderes condenados.

Grandes correntes do Pensamento
Liberalismo O liberalismo tem suas origens na filosofia iluminista, expandindo-se pela Europa após a Revolução Francesa. O liberalismo propunha, no plano econômico, a liberdade de produzir, vender e comprar, onde, quando e como a burguesia quisesse. A liberdade dos empresários traria assim, segundo um dos principais teóricos do pensamento liberal, Adam Smith, a riqueza das nações. No plano político, o liberalismo significou a liberdade individual, a formação de governos representativos e constitucionais, a garantia legal da propriedade e da liberdade do pensamento. Nacionalismo O "direito dos povos a dispor de si próprios" faz parte de diversas ideologias após a Revolução Francesa. Aos poucos, devido ao próprio contexto europeu, as populações passam a incorporar o ideal nacionalista. Este ideal vai tomando a forma de um sentimento, que se instala no interior das populações europeias. Isto fez com que as pessoas começasse a ansiar e lutar pela unificação de seus países, a fim de os transformar em nações soberanas. O Socialismo Utópico Diante das graves consequências sociais da Revolução Industrial; vários pensadores e intelectuais propuseram as mais variadas soluções. O socialismo utópico recebeu tal denominação porque o que seus defensores propunham era irrealizável, ou seja, não funcionava na prática. Roberto Owen, por exemplo, era um capitalista com idéias humanitárias. Em suas fábricas, reduziu a jornada de trabalho dos operários, procurou melhorar suas habitações organizou escolas e creches, Seus empreendimentos fracassaram, porém seus ideais humanitários influenciaram os reformadores sociais que vieram depois O Socialismo Científico Em 1848, os alemães Karl Marx e Frederic Engels publicaram uma obra revolucionária: "O Manifesto Comunista". Eis algumas características da obra:

A história das humanidades, com exceção das comunidades primitivas, tem sido a história das lutas de classes. Na antiguidade, havia um conflito entre cidadão livres e escravos; Na Idade Média, senhores feudais e os servos da glebae, na época de Marx, a burguesia dominava economicamente o proletariado. Os proletáriados deveriam se organizar e, através de uma revolução, tomar o poder, quando o proletariado destruiria o modo de produção capitalista e instituiria o socialismo que seria a transição para uma sociedade comunista. Daí porque pregava a união do proletariado: "Proletários do mundo todo, univos"!

Essa frase de transição Marx denominava-se de ditadura do proletariado. Depois disso, acreditava ele que a mesa daria lugar a uma sociedade sem classes, o comunismo. E esta seria uma sociedade na qual os meios de produção pertenceriam "a todos", isto é, ao povo. Em tal sociedade, "cada um trabalharia de acordo com sua capacidade e ganharia de acordo com suas necessidades".

Liberalismo

O liberalismo envolve um grupo de pensadores que viveram as particularidades da Europa nos séculos XVII e XVIII. Nessa época o espírito empreendedor e autônomo da burguesia propôs outras possibilidades na relação entre os homens e o mundo. A figura do burguês, que se lançava ao mundo para o comércio e contava com sua própria iniciativa para alcançar seus objetivos, destoava de todo um período anterior onde os homens colocavam-se subservientes ao pensamento religioso. Nesse contexto vários pensadores se mobilizam no esforço de dar sentido àquele mundo que se transformava. Um primeiro ponto do pensamento liberal defendia a idéia de que o homem tinha toda sua individualidade formada antes de perceber sua existência em sociedade. Desta maneira, o indivíduo estabelecia uma relação entre seus valores próprios e a sociedade. O modo mais sensato para que o homem pudesse equilibrar-se entre si mesmo e o social seria o uso da razão. A razão consistia na habilidade do homem em experimentar o mundo à sua volta (empirismo) e assim ponderar sobre as formas mais úteis e inteligíveis de se buscar seus interesses. Essa mesma razão seria um dote visível nos homens que tivessem sede pelo conhecimento. Em sociedade, o uso da razão também iria auxiliar na construção das melhores instituições e práticas. Esse traço universal dado a todos os homens, além de construir uma imagem positiva do individuo, concebe uma idéia de igualdade entre todos. O direito que o homem tem de agir pelo uso da sua própria razão, segundo o liberalismo, só poderia garantir-se pela defesa das liberdades. Temos nesse ponto o eixo central do liberalismo, que irá criticar todo e qualquer ato que promova a desigualdade ou a privação à liberdade. No aspecto político, o liberalismo vai demonstrar que um regime monárquico, comandado pelas vontades individuais de um rei, não pode eficazmente colaborar na garantia à liberdade. No momento em que a vontade do rei subjuga o interesse de um grupo social o Estado Monárquico impediria os princípios de liberdade e igualdade. Dessa forma, o governo deveria representar a vontade de uma maioria. Somente pela via democrática, concretizada pelo voto, o Estado poderia funcionar como representante dos interesses coletivos. As leis seriam uma espécie de contrato, onde o coletivo social negociaria como poderia firmar um tipo de governo voltado para a manutenção da liberdade e da igualdade entre os indivíduos. Referente às questões econômicas, o liberalismo defendeu o direito à propriedade e o livre comércio. O trabalho enquanto manifestação do esforço humano na busca da sobrevivência daria ao individuo o direito de posse sobre qualquer coisa obtida pelo fruto de suas ações. Dessa maneira, a propriedade privada é vista no pensamento liberal como um direito natural do homem que age. Além disso, o Estado não poderia interferir na economia, pois isto seria uma privação à liberdade de ação e principalmente um grande risco à prosperidade material da nação. Segundo os liberais, a própria economia desenvolveria meios para equilibrar-se. Na medida em que o Estado impedisse ou limitasse algum meio de produção da riqueza, a prosperidade estaria ameaçada ou destinada a setores restritos da sociedade. Enquanto sistema de pensamento, alguns liberais tiveram concepções diferentes entre si. Muitos deles tiveram suas teorias refutadas pelas sociedades da época. Na obra do pensador Jean- Jaques Rousseau (1712 – 1778), por exemplo, a propriedade privada era colocada como um mal responsável pela desigualdade entre os homens. Em resposta a burguesia do século XVIII refutou essa tese. Cada pensador liberal, ao seu modo e a partir de determinadas perspectivas, lançou um tipo de teoria. No entanto, em meio à diversidade de suas idéias, estabeleceu-se um conjunto de valores que integravam, liberdade, razão, individualidade e igualdade como princípios norteadores pela busca da felicidade humana.

Revolução Gloriosa
Revolução Gloriosa é o nome dado pelo movimento ocorrido na Inglaterra entre 1688 e 1689 no qual o rei Jaime II foi destituído do trono britânico. Chamada por vezes de “Revolução sem sangue“, pela forma deveras pacífica com que ocorreu, ela resultou na substituição do rei da dinastia Stuart, católico, pelos protestantes Guilherme (em inglês, William), Príncipe de Orange, da Holanda, em conjunto com sua mulher Maria II (respectivamente genro e filha de Jaime II). Tal revolução toma forma com um acordo secreto entre o parlamento inglês e Guilherme de Orange, stadtholder da Holanda (título específico holandês, equivalente a “chefe de estado”) numa manobra que visava entregar o trono britânico ao príncipe, devido à repulsa dos nobres britânicos ante à insistência de Jaime II em reconduzir o país no rumo da doutrina católica. Assim, as tropas abandonam o rei Jaime e em junho de 1688 Guilherme de Orange é aclamado rei com o nome de Guilherme III. É estabelecida assim um compromisso de classe entre os grandes proprietários e a burguesia inglesa. Seu efeito negativo foi sentido pela população em geral, que foi marginalizada pela nova ordem. Outro efeito, porém, foi o de mostrar que não era necessário eliminar a figura do rei para acabar com um regime absolutista, desde que este aceitasse uma completa submissão às leis ditadas pelo parlamento. Assim, a Revolução Gloriosa iniciou a prática seguida até hoje na política britânica, que é a da Monarquia Parlamentar, em substituição ao absolutismo, onde o poder do rei é delimitado pelo parlamento. O movimento possui feições mais associadas a um golpe de estado propriamente do que uma autêntica revolução, e em linhas gerais foram poucas as batalhas e conflitos deflagrados pela deposição do rei, com exceção de regiões de maioria católica, como na Irlanda e na Escócia, local de origem da dinastia Stuart, da qual Jaime II era integrante. A Revolução Gloriosa marcou um importante ponto para o direcionamento do poder em direção do parlamento, afastando a Inglaterra permanentemente do absolutismo. Foi aprovado no parlamento o Bill of Rights (declaração de direitos) onde proibia-se que um monarca católico voltasse a governar o país, além de eliminar a censura política, reafirmando o direito exclusivo do Parlamento em estabelecer impostos e o direito de livre apresentação de petições. A declaração ainda garantiu ao parlamento a organização e manutenção do exército, tirando qualquer possível margem de manobra política e institucional possível do monarca. Assim, a barreira representada pelo absolutismo foi removida da vista da classe burguesa e da aristocracia rural, trazendo uma consequente prosperidade e florescimento às duas, que viveriam a seguir, com a Revolução Industrial, o seu auge dentro da sociedade inglesa.

Revolução Francesa
Pode se dizer que a Revolução Francesa teve relevante papel nas bases da sociedade de uma época, além de ter sido um marco divisório da história dando início à idade contemporânea. Foi um acontecimento tão importante que seus ideais influenciaram vários movimentos ao redor do mundo, dentre eles, a nossa Inconfidência Mineira. Esse movimento teve a participação de vários grupos sociais: pobres, desempregados, pequenos comerciantes, camponeses (estes, tinham que pagar tributos à nobreza e ao clero). Em 1789, a população da França era a maior do mundo, e era dividida em três estados: clero (1º estado), nobreza (2º estado) e povo (3º estado). Clero - Alto clero (bispos, abades e cônicos) - Baixo clero (sacerdotes pobres) Nobreza - Nobreza cortesã (moradores do Palácio de Versalhes) - Nobreza provincial (grupo empobrecido que vivia no interior) - Nobreza de Toga (burgueses ricos que compravam títulos de nobreza e cargos políticos e administrativos) Povo - Camponeses - Grande burguesia (banqueiros, grandes empresários e comerciantes) - Média burguesia (profissionais liberais) - Pequena burguesia (artesãos e comerciantes) - Sans-culottes (aprendizes de ofícios, assalariados, desempregados). Tinham este nome porque não usavam os calções curtos com meias típicos da nobreza. O clero e a nobreza tinham vários privilégios: não pagavam impostos, recebiam pensões do estado e podiam exercer cargos públicos. O povo tinha que arcar com todas as despesas do 1º e 2º estado. Com o passar do tempo e influenciados pelos ideais do Iluminismo, o 3º estado começou a se revoltar e a lutar pela igualdade de todos perante a lei. Pretendiam combater, dentre outras coisas, o absolutismo monárquico e os privilégios da nobreza e do clero. A economia francesa passava por uma crise, mais da metade da população trabalhava no campo, porém, vários fatores ( clima, secas e inundações), pioravam ainda mais a situação da agricultura fazendo com que os preços subissem, e nas cidades e no campo, a população sofria com a fome e a miséria. Além da agricultura, a indústria têxtil também passava por dificuldades por causa da concorrência com os tecidos ingleses que chegavam do mercado interno francês. Como conseqüência, vários trabalhadores ficaram desempregados e a sociedade teve o seu número de famintos e marginalizados elevados. Toda esta situação fazia com que a burguesia (ligada à manufatura e ao comércio) ficasse cada vez mais infeliz. A fim de contornar a crise, o Rei Luís XVI resolveu cobrar tributos ao povo (3º estado), em vez de fazer cobranças ao clero e a nobreza. Sentindo que seus privilégios estavam ameaçados, o 1º e 2º estado se revoltaram e pressionaram o rei para convocar a Assembléia dos Estados Gerais que ajudaria a obrigar o povo a assumir os tributos. OBS: A Assembléia dos Estados Gerais não se reunia há 175 anos. Era formada por integrantes dos três estados, porém, só era aceito um voto para cada estado, como clero e nobreza estavam sempre unidos, isso sempre somava dois votos contra um do povo.

Essa atitude prejudicou a nobreza que não tinha consciência do poder do povo e também porque as eleições para escolha dos deputados ocorreram em um momento favorável aos objetivos do 3º estado, já que este vivia na miséria e o momento atual do país era de crise econômica, fome e desemprego. Em maio de 1789, após a reunião da Assembléia no palácio de Versalhes, surgiu o conflito entre os privilegiados (clero e nobreza) e o povo. A nobreza e o clero, perceberam que o povo tinha mais deputados que os dois primeiros estados juntos, então, queria de qualquer jeito fazer valer o voto por ordem social. O povo (que levava vantagem) queria que o voto fosse individual. Para que isso acontecesse, seria necessário uma alteração na constituição, mas a nobreza e o clero não concordavam com tal atitude. Esse impasse fez com que o 3º estado se revoltasse e saísse dos Estados Gerais. Fora dos Estados Gerais, eles se reuniram e formaram a Assembléia Nacional Constituinte. O rei Luís XVI tentou reagir, mas o povo permanecia unido, tomando conta das ruas. O slogan dos revolucionários era “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”. Em 14 de julho de 1789 os parisienses invadiram e tomaram a Bastilha (prisão) que representava o poder absoluto do rei, já que era lá que ficavam os inimigos políticos dele. Esse episódio ficou conhecido como “A queda da Bastilha”. O rei já não tinha mais como controlar a fúria popular e tomou algumas precauções para acalmar o povo que invadia, matava e tomava os bens da nobreza: o regime feudal sobre os camponeses foi abolido e os privilégios tributários do clero e da nobreza acabaram. No dia 26 de agosto de 1789 a Assembléia Nacional Constituinte proclamou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, cujos principais pontos eram: - O respeito pela dignidade das pessoas - Liberdade e igualdade dos cidadãos perante a lei - Direito à propriedade individual - Direito de resistência à opressão política - Liberdade de pensamento e opinião Em 1790, a Assembléia Constituinte reduziu o poder do clero confiscando diversas terras da Igreja e pôs o clero sob a autoridade do Estado. Essa medida foi feita através de um documento chamado “Constituição Civil do Clero”. Porém, o Papa não aceitou essa determinação. Sobraram duas alternativas aos sacerdotes fiéis ao rei. 1ª) Sair da França 2º) Lutar contra a revolução Muitos concordaram com essa lei para poder permanecer no país, mas os insatisfeitos fugiram da França e no exterior decidiram se unir e formar um exército para reagir à revolução. Em 1791, foi concluída a constituição feita pelos membros da Assembléia Constituinte. Principais tópicos dessa constituição - Igualdade jurídica entre os indivíduos - Fim dos privilégios do clero e nobreza - Liberdade de produção e de comércio (sem a interferência do estado) - Proibição de greves - Liberdade de crença - Separação do estado da Igreja - Nacionalização dos bens do clero - Três poderes criados (Legislativo, Executivo e Judiciário)

O rei Luís XVI não aceitou a perda do poder e passou a conspirar contra a revolução, para isso contatava nobres emigrados e monarcas da Áustria e Prússia (que também se sentiam ameaçados). O objetivo dos contra-revolucionários era organizar um exército que invadisse a França e restabelecesse a monarquia absoluta (vejaAbsolutismo na França). Em 1791, Luís XVI quis se unir aos contra-revolucionários e fugiu da França, mas foi reconhecido, capturado, preso e mantido sob vigilância. Em 1792, o exército austro-prussiano invadiu a França, mas foi derrotado pelas tropas francesas na Batalha de Valmy. Essa vitória deu nova força aos revolucionários franceses e tal fato levou os líderes da burguesia decidir proclamar a República (22 de setembro de 1792). Com a proclamação, a Assembléia Constituinte foi substituída pela Convenção Nacional que tinha como uma das missões elaborar uma nova constituição para a França. Nessa época, as forças políticas que mais se destacavam eram as seguintes: - Girondinos: alta burguesia - Jacobinos: burguesia (pequena e média) e o proletariado de Paris. Eram radicais e defendiam os interesses do povo. Liderados por Robespierre e Saint-Just, pregavam a condenação à morte do rei. - Grupo da Planície: Apoiavam sempre quem estava no poder. Mesmo com o apoio dos girondinos, Luís XVI foi julgado e guilhotinado em janeiro de 1793. A morte do rei trouxe uma série de problemas como revoltas internas e uma reorganização das forças absolutistas estrangeiras. Foram criados o Comitê de Salvação Pública e o Tribunal Revolucionário (responsável pela morte na guilhotina de muitas pessoas que eram consideradas traidoras da causa revolucionária). Esse período ficou conhecido como “Terror”, ou “Grande Medo“, pois os não-jacobinos tinham medo de perder suas cabeças. Começa uma ditadura jacobina, liderada por Robespierre. Durante seu governo, ele procurava equilibrarse entre várias tendências políticas, umas mais identificadas com a alta burguesia e outras mais próximas das aspirações das camadas populares. Robespierre conseguiu algumas realizações significativas, principalmente no setor militar: o exército francês conseguiu repelir o ataque de forças estrangeiras. Durante o governo dele vigorou a nova Constituição da República (1793) que assegurava ao povo: - Direito ao voto - Direito de rebelião - Direito ao trabalho e a subsistência - Continha uma declaração de que o objetivo do governo era o bem comum e a felicidade de todos. Quando as tensões decorrentes da ameaça estrangeira diminuiram, os girondinos e o grupo da planície uniram-se contra Robespierre que sem o apoio popular foi preso e guilhotinado em 1794. Após a sua morte, a Convenção Nacional foi controlada por políticos que representavam os interesses da alta burguesia. Com nova orientação política, essa convenção decidiu elaborar outra constituição para a França. A nova constituição estabelecia a continuidade do regime republicano que seria controlado pelo Diretório (1795 – 1799). Neste período houve várias tentativas para controlar o descontentamento popular e afirmar o controle político da burguesia sobre o país. Durante este período, a França voltou a receber ameaças das nações absolutistas vizinhas agravando a situação. Nessa época, Napoleão Bonaparte ganhou prestígio como militar e com o apoio da burguesia e do exército, provocou um golpe.

Em 10/11/1799, Napoleão dissolveu o diretório e estabeleceu um novo governo chamado Consulado. Esse episódio ficou conhecido como 18 Brumário. Com isso ele consolidava as conquistas da burguesia dando um fim para a revolução.

Período Napoleônico
Este trabalho trata sobre o período napoleónico, que foi um processo revolucionário (recompôs a estabilidade política em França) em que se instalou um governo autoritário, centralizador e expansionista dirigido por Napoleão Bonaparte. Esta figura coroou-se imperador no ano de 1804 sob o título de Napoleão I. A Era Napoleónica teve início em 1799 com o Golpe 18 de Brumário e caindo este império na data de 1815 com a Batalha de Waterloo na qual Napoleão é derrotado pelas tropas inglesas. O Período Napoleónico pode fragmentar-se em três partes: o Consulado, o Império e o Governo dos Cem Anos. Durante o consulado foram criadas novas instituições, e houve uma recuperação económica, jurídica e administrativa. No período imperial, a França tornou-se um império e Napoleão consagrou-se imperador, vindo, mais tarde, a realizar uma série de batalhas para a conquista de novos territórios para o seu país. Como símbolo das suas vitórias Napoleão construía monumentos como Arcos de Triunfo nos locais conquistados. O Império Francês estabeleceu o Bloqueio continental na tentativa de enfraquecer Inglaterra. Napoleão acaba por ser derrotado pelos aliados mas não definitivamente pois volta a Paris e reconquista o poder iniciando o Governo dos Cem Dias. Posteriormente e desta vez de forma definitiva o Império Napoleónico cai quando tenta invadir a Bélgica. Após a queda do seu império Napoleão é exilado para a ilha de Santa Helena onde morre. BIOGRAFIA DE NAPOLEÃO BONAPARTE Napoleão Bonaparte (Napoléon Bonaparte), nascido em Ajaccio, Córsega, 15 de Agosto de 1769, falecido em Santa Helena, 5 de Maio de 1821, foi o dirigente efectivo da França a partir de 1799 e foi Imperador de França de 18 de Maio de 1804 a 6 de Abril de 1814, adoptando o nome de Napoleão I. Além disso, conquistou e governou grande parte da Europa central e ocidental. Napoleão Bonaparte tornou-se uma figura importante no cenário político mundial da época, já que esteve no poder da França por 15 anos e nesse tempo conquistou grandes partes do continente europeu. Os biógrafos afirmam que seu sucesso deu-se devido ao seu talento como estrategista, seu talento para entusiasmar os soldados com promessas de riqueza e glória após vencidas as batalhas, além de seu espírito de liderança. ERA NAPOLEÓNICA A sociedade francesa estava a passar por um momento difícil com os processos revolucionários ocorridos no país, de um lado com a burguesia insatisfeita com os jacobinos, formados por monarquistas e revolucionários radicais, e do outro lado as tradicionais monarquias europeias, que estavam a temer que os ideais revolucionários franceses se difundissem pelos seus reinos. O governo do Directório foi derrubado em França sob o comando de Napoleão, que junto com a burguesia, instituiu o "consulado", primeira fase do governo de Napoleão. Este golpe ficou conhecido como golpe 18 de Brumário' (data que corresponde ao calendário estabelecido pela Revolução Francesa e equivale a 9 de Novembro do calendário gregoriano) em 1799. Muitos historiadores alegam que Napoleão fez questão de evitar que camadas inferiores da população subissem ao poder. O fim do processo revolucionário na França, com o Golpe 18 de Brumário, marcou o início de um novo período na história francesa, e consequentemente, da Europa: a Era Napoleónica. Seu governo pode ser dividido em três partes: 1. Consulado (1799-1804) 2. Império (1804-1814) 3. Governo dos Cem Dias (1815) 3. CONSULADO O governo do consulado de Napoleão foi instalado após a queda do Directório. O consulado possuía características republicanas, além de ser centralizado e controlado pelos militares. No poder Executivo, havia três pessoas que eram responsáveis: os cônsules Roger Ducos, Emmanuel Sieyès e o próprio Napoleão. Apesar da presença de outros dois cônsules, quem mais tinha força e poder no Executivo era Napoleão, que foi eleito primeiro-cônsul da República.

Novas instituições foram criadas com a Constituição de Dezembro de 1799, com cunho democrático, eram criadas para disfarçar o seu centralismo no poder. As instituições criadas foram o Senado, Tribunal, Corpo Legislativo e o Conselho de Estado. Mas o responsável pelo comando do exército, pela política externa, pela autoria das leis e quem nomeava os membros da administração era o primeirocônsul(Napoleão Bonaparte). Quem estava no centro do poder na época do consulado era a burguesia (os industriais, os financistas e comerciantes), e consolidaram-se como o grupo dirigente na França. Os ideais "liberdade, igualdade, fraternidade", da época da Revolução Francesa foram abandonados, e através da forte censura à imprensa e acção violenta de órgãos policiais, a oposição ao governo foi destruida. REFORMA DOS SECTORES DO GOVERNO FRANCÊS Durante o período do consulado, uma recuperação económica, jurídica e administrativa ocorreu em França. Napoleão realizou diversos feitos em áreas diferentes durante este período. Economia - o Banco da França foi criado, em 1800, controlando a emissão de moedas, reduzindo a inflação. As tarifas impostas eram proteccionistas (ou seja, com aumento de impostos para a importação de produtos estrangeiros), o resultado geral foi uma França com comércio e indústria fortalecidos, principalmente com os estímulos a produção e consumo interno. Religião - com o objectivo de usar a religião como instrumento de poder político, Napoleão assinou um acordo, o Tratado (1801), entre a Igreja Católica e o Estado. O acordo sob aprovação do papa, dava o direito do governo francês de confiscar as propriedades da Igreja, e em troca, o governo teria de apoiar o clero. Napoleão reconhecia o catolicismo como a religião da maioria dos franceses, mas dava o direito de escolher bispos, que mais tarde seriam aprovados pelo papa. Direito - o Código Napoleónico, um código civil, foi estabelecido, representando em grande parte interesses dos burgueses, como casamento civil (separado do religioso), respeito à propriedade privada, direito à liberdade individual e igualdade de todos perante à lei. Educação - o ensino foi restaurado e a preferência foi a formação do cidadão francês. A educação pública foi reconhecida como importante meio de formação das pessoas, principalmente nos aspectos do comportamento moral, político e social. Administração - pessoas da confiança de Napoleão eram indicadas aos cargos administrativos. Após uma década de conflitos gerais no país, com a Revolução Francesa, as medidas aplicadas deram para o povo francês a esperança de uma estabilização do governo. Os resultados obtidos neste período do governo de Napoleão agradaram à elite francesa. Com o apoio destas, Napoleão foi elevado ao nível de cônsul vitalício em 1802, podendo indicar seu sucessor. Esta realização implicou na instituição de um regime monárquico. 2. Império A opinião pública foi mobilizada pelos apoiadores de Napoleão, que levou à aprovação para a implantação definitiva do governo do Império. Em plebiscito realizado em 1804, a nova fase da era napoleónica foi aprovada com quase 60% dos votos, e o regime monárquico foi reinstituído na França, e Napoleão foi declarado para ocupar o trono. Foi realizada uma festa em 2 de Dezembro de 1804 para formalizar a coroação do agora Napoleão I na catedral de Notre-Dame. Um dos momentos mais marcantes da história ocorreu nesta noite, onde um acto surpreendente, Napoleão I retirou a coroa das mãos do Papa Pio VII, que tinha viajado especialmente para a cerimónia, e ele mesmo se coroou, numa atitude para deixar claro que não toleraria alguma autoridade superior á dele. Logo após também coroou sua esposa, a imperatriz Josefina. Títulos de nobreza foram concedidos aos familiares de Napoleão, por ele mesmo. Além disso, colocou-os em altos cargos públicos. Uma nova corte com membros da elite militar, da alta burguesia e da antiga nobreza foi formada. Para celebrar os triunfos de seu governo, Napoleão I construiu monumentos grandiosos, como o Arco do Triunfo. O Império Francês atingiu sua extensão máxima neste período, em torno de 1812, com quase toda Europa Ocidental e grande parte da Oriental ocupadas, possuindo 150 departamentos, com 50 milhões de habitantes, quase um terço da população europeia da época.

EXPANSÃO TERRITORIAL MILITAR Neste período, Napoleão realizou uma série de batalhas para a conquista de novos territórios para França. O exército francês aumentou o seu número de armas e combatentes, e tornou-se o mais poderoso de toda a Europa. Pensando que a expansão e o crescimento económico e militar da França era uma ameaça a Inglaterra, os diplomatas ingleses formaram coligações internacionais para se opor ao novo governo francês e ao seu expansionismo. Também acreditavam que o governo francês poderia influenciar países que estavam sob o sistema absolutista e assim causar uma revolta. A primeira coligação formada para deter os franceses era constituída pela: Inglaterra, Áustria, Rússia e Prússia. Em Outubro de 1805, os franceses usaram a marinha para atacar a Inglaterra por mar, mas não tiveram sucesso, derrotados pela marinha inglesa, comandada pelo almirante Nelson, batalha que ficou conhecida como Batalha de Trafalgar, firmando o império naval britânico. Ao contrário do fracasso com os ingleses, os franceses venceram os seus outros inimigos da coligação, como a Áustria, em 1805, na Batalha de Austerlitz, além da Prússia em 1806 e Rússia em 1807. BLOQUEIO CONTINENTAL Na busca de outras maneiras para derrotar ou enfraquecer os ingleses, o Império Francês impôs o Bloqueio Continental em 1806, onde Napoleão impunha que todos os países europeus deveriam fechar seus portos para o comércio com a Inglaterra, enfraquecendo as exportações do país e causando uma crise industrial. Um problema que afectou muitos países que participaram do Bloqueio continental era que a Inglaterra, que já tinha passado pela Revolução Industrial, estava com uma firme produção de produtos industriais, e muitos países europeus ainda não possuíam produção industrial própria, e dependiam da Inglaterra para importar este tipo de produto, em troca de produtos agrícolas. A França procurou-se beneficiar no Bloqueio continental com o aumento da venda dos produtos produzidos pelos produtores franceses, aumentando as exportações dentro da Europa e no mundo. A fraca quantidade de produtos manufacturados deixou alguns países sem recursos industriais.

Fig.2 mapa com o limite do bloqueio continental e conquistas e derrotas de Napoleão Fuga da Família Real portuguesa para o Brasil O governo português dependia muito da Inglaterra para seus negócios, e abdicar da importação de produtos industriais ingleses não deixaria a situação fácil. Pressionados por Napoleão, os portugueses não tiveram escolha: como não podiam abandonar os negócios que tinha com a Inglaterra, não participarão do Bloqueio Continental. Insatisfeito com a decisão portuguesa, o exército francês começou a dirigir-se a Portugal. Sem alternativas de negociação e sabendo nobreza francesas, arma uma conspiração para dar um golpe de Estado contra o imperador. Napoleão regressa imediatamente a Paris e controla a situação.que não teria como vencer as tropas, a Família Real portuguesa, incluindo o príncipe-regente D. João VI, que chefiou a operação, fugiu para o Brasil, instalou e operou o governo português directamente de lá, do Rio de Janeiro em 1808. Quase 10 mil pessoas fugiram para o Brasil, transferindo praticamente todo o quadro do aparelho estatal. Além de pessoas do governo muitos nobres, comerciantes ricos, juízes de tribunais superiores, entre outros, vieram junto. O exército de Napoleão atravessou Portugal sem encontrar uma só resistência. DERROTA FRANCESA NA RÚSSIA Em 1812, a aliança franco-russa é quebrada pelo czar Alexandre, que rompe o bloqueio contra os ingleses. Napoleão empreende então a campanha contra a Rússia. Entra em Moscovo e, durante a retirada, o frio e a fome diminui grande parte do Exército francês. Enquanto isso, na França, o general Malet, apoiado por sectores descontentes da burguesia e da antiga. INVASÃO DOS ALIADOS NA FRANÇA E DERROTA DE NAPOLEÃO Tem início então a luta da coalizão europeia contra a França. Com a capitulação de Paris, o imperador é obrigado a abdicar.

1. GOVERNO DOS CEM DIAS O Tratado de Fontainebleau, de 1814, afasta Napoleão da ilha de Elba, de onde foge no ano a seguir. Desembarca na França com um Exército e reconquista o poder. Inicia então o Governo dos Cem Dias. A Europa reunida prossegue a sua luta contra o Exército francês. Napoleão entra na Bélgica em Junho de 1815, mas é derrotado pelos ingleses na Batalha de Waterloo e renuncia pela segunda vez, pondo fim ao Império Napoleónico. EXÍLIO EM SANTA HELENA E MORTE Napoleão foi preso e então exilado pelos britânicos na ilha de Santa Helena em 15 de Outubro de 1815. Lá com um pequeno legado de seguidores, contava as suas lembranças e criticava aqueles que o capturaram. Quando faleceu, em 5 de Maio de 1821, suas últimas palavras foram: "França, o Exército, Josefina". Em 1955, através de documentos escritos, Napoleão apareceu descrito nos meses antes de sua morte, e levou muitos a concluir que ele foi morto por envenenamento com arsénio. O arsénio era usado antigamente como um veneno indetectável se aplicado a longo prazo. Em 2001, um estudo de Pascal Kintz, do Instituto Forense de Estrasburgo, na França, adicionou confiança a esta possibilidade com um estudo de um pedaço de cabelo preservado de Napoleão após sua morte: os níveis de arsénio encontrados em seu pedaço de cabelo eram de 7 a 38 vezes maiores do que o normal. Cortar os pedaços do cabelo em pequenos segmentos e analisar cada segmento oferece um histograma da concentração de arsénio no corpo. A análise do cabelo de Napoleão indica que doses altas mas nãoletais foram absorvidas em intervalos aleatórios. O arsénio enfraqueceu Napoleão e permaneceu no seu sistema. Lá poderia ter reagido com mercúrio e outros elementos comuns em remédios da época, sendo a causa imediata de sua morte. Outros estudos também revelaram altas quantidades de arsénio presentes em outras amostras de cabelo de Napoleão tiradas em 1805, 1814 e 1821. Ivan Ricordel (chefe de toxicologia da Polícia de Paris), declarou que se o arsénio tivesse sido a causa da sua morte, ele teria morrido anos antes. O arsénio também era usado na época em papel de parede, como um pigmento verde, e até mesmo em alguns remédios, e os pesquisadores sugeriram que a fonte mais provável de todo este arsénio seja um tónico para o cabelo. Antes da descoberta dos antibióticos, o arsénio também era usado (sem efeito) no tratamento da sífilis, levando à especulação de que Napoleão poderia estar a sofrer de sífilis. A controvérsia continua. CONCLUSÃO Com a realização deste trabalho fiquei a conhecer um pouco mais acerca da História da França e sobretudo sobre o império estabelecido por Napoleão Bonaparte. O Império Francês afectou directamente Portugal, uma vez que este não aceitou participar no Bloqueio Continental. Descontente o exército francês começou a atacar Portugal e a família real portuguesa viu-se sem alternativas pois não tinha meios para fazer frente ao império napoleónico mas também não podia abdicar dos negócios com Inglaterra, e como consequência os dirigentes portugueses fugiram para o Brasil. Existem várias teorias sobre as causas da morte do imperador Napoleão Bonaparte mas até aos dias de hoje nenhuma delas é completamente aceite.

Revolução Industrial
As máquinas foram inventadas, com o propósito de poupar o tempo do trabalho humano. Uma delas era a máquina a vapor que foi construída na Inglaterra durante o século XVIII. Graças a essas máquinas, a produção de mercadorias ficou maior e os lucros também cresceram. Váriosempresários; então, começaram a investir nas indústrias. Com tanto avanço, as fábricas começaram a se espalhar pela Inglaterra trazendo várias mudanças. Esse período é chamado pelos historiadores de Revolução Industrial e ela começou na Inglaterra. A burguesia inglesa era muito rica e durante muitos anos continuou ampliando seus negócios de várias maneiras: - financiando ataques piratas (corsários) - traficando escravos - emprestando dinheiro a juros - pagando baixos salários aos artesãos que trabalhavam nas manufaturas - vencendo guerras - comerciando - impondo tratados a países mais fracos Os ingleses davam muita importância ao comércio (quanto mais comércio havia, maior era a concorrência). Quando se existe comércio, existe concorrência e para acabar com ela, era preciso baixar os preços. Logo, a burguesia inglesa começou a aperfeiçoar suas máquinas e a investir nas indústrias. Vários camponeses foram trabalhar nas fábricas e formaram uma nova classe social: o proletariado. O desenvolvimento industrial arruinou os artesãos, pois os produtos eram confeccionados com mais rapidez nas fábricas. A valorização da ciência, a liberdade individual e a crença no progresso incentivaram o homem a inventar máquinas. O governo inglês dava muita importância à educação e aos estudos científicos e isso também favoreceu as descobertas tecnológicas. Graças à Marinha Inglesa (que era a maior do mundo e estava em quase todos os continentes) a Inglaterra podia vender seus produtos em quase todos os lugares do planeta. No século XIX a Revolução Industrial chegou até a França e com o desenvolvimento das ferrovias cresceu ainda mais. Em 1850, chegou até a Alemanha e só no final do século XIX; na Itália e na Rússia, já nos EUA, o desenvolvimento industrial só se deu na segunda metade do século XIX. No Japão, só nas últimas décadas do século XIX, quando o Estado se ligou à burguesia (o governo emprestava dinheiro para os empresários que quisessem ampliar seus negócios, além de montar e vender indústrias para as famílias ricas), é que a industrialização começou a crescer. O Estado japonês esforçava-se ao máximo para incentivar o desenvolvimento capitalista e industrial. Adam Smith (pensador escocês) escreveu em 1776 o livro “A Riqueza das Nações”, nessa obra (que é considerada a obra fundadora da ciência econômica), Smith afirma que o individualismo é bom para toda a sociedade. Para ele, o Estado deveria interferir o mínimo possível na economia. Adam Smith também considerava que as atividades que envolvem o trabalho humano são importantes e que a indústria amplia a divisão do

trabalho aumentando a produtividade, ou seja, cada um deve se especializar em uma só tarefa para que o trabalho renda mais. A Revolução Industrial trouxe riqueza para os burgueses; porém, os trabalhadores viviam na miséria. Muitas mulheres e crianças faziam o trabalho pesado e ganhavam muito pouco, a jornada de trabalho variava de 14 a 16 horas diárias para as mulheres, e de 10 a 12 horas por dia para as crianças. Enquanto os burgueses se reuniam em grandes festas para comemorar os lucros, os trabalhadores chegavam à conclusão que teriam que começar a lutar pelos seus direitos. O chamado Ludismo, foi uma das primeiras formas de luta dos trabalhadores. O movimento ludita era formado por grupos de trabalhadores que invadiam as fábricas e quebravam as máquinas. Os ludistas conseguiram algumas vitórias, por exemplo, alguns patrões não reduziram os salários com medo de uma rebelião. Além do ludismo , surgiram outras organizações operárias, além dos sindicatos e das greves. Em 1830, formou-se na Inglaterra o movimento cartista. Os cartistas redigiram um documento chamado “Carta do Povo” e o enviaram ao parlamento inglês. A principal reivindicação era o direito do voto para todos os homens (sufrágio universal masculino), mas somente em 1867 esse direito foi conquistado. Thomas Malthus foi um economista inglês que afirmava que o crescimento da população era culpa dos pobres que tinham muitos filhos e não tinham como alimentá-los. Para ele, as catástrofes naturais e as causadas pelos homens tinham o papel de reduzir a população, equilibrando, assim, a quantidade de pessoas e a de comida. Além disso, Malthus criticava a distribuição de renda. O seu raciocínio era muito simples: os responsáveis pelo desenvolvimento cultural eram os ricos e cobrar impostos deles para ajudar os pobres era errado, afinal de contas era a classe rica que patrocinava a cultura. O Parlamento inglês (que aparentemente pensava como Malthus) adotou, em 1834, uma lei que abolia qualquer tipo de ajuda do governo aos pobres. A desculpa usada foi a que ajudando os pobres, a preguiça seria estimulada. O desamparo serviria como um estímulo para que eles procurassem emprego. A revolução Industrial mudou a vida da humanidade. A vida nas cidades se tornou mais importante que a vida no campo e isso trouxe muitas conseqüências: nas cidades os habitantes e trabalhadores moravam em condições precárias e conviviam diariamente com a falta de higiene, isso sem contar com o constante medo do desemprego e da miséria. Por um outro lado, a Revolução Industrial estimulou os pesquisadores, engenheiros e inventores a aperfeiçoar a indústria. Isso fez com que surgisse novas tecnologias: locomotivas a vapor, barcos a vapor, telégrafo e a fotografia

Crise Colonial Brasileira
Para que possamos entender a crise no sistema colonial, precisamos retroceder no tempo, mais especificamente, aos séculos XVII e XVIII, época em que ocorreram diversas revoluções, tanto na Europa, como na América do Norte, assim como uma série de movimentos nativistas foi realizada na colônia portuguesa. Nesse período, a Europa era marcada pela ascendência da burguesia ao poder, e vivia-se o Século das Luzes, o Iluminismo burguês – filosofia cultuada pelo racionalismo, que defendia a liberdade, a igualdade e a felicidade entre os homens, sendo assim, contrário ao Antigo Regime. Esse pensamento iluminista contribuiu para que houvesse a Revolução Industrial, a Revolução Americana e a Revolução Francesa. A Revolução Industrial ocorreu por volta de 1760, na Inglaterra, modificando totalmente as relações econômicas, de modo que, os industriais desejassem o fim das colônias, para que estas pudessem consumir os seus produtos, além de fornecerem matérias-primas baratas, dando início ao capitalismo industrial. Com a Revolução Americana no ano de 1770, as Treze Colônias inglesas tornam-se independentes, e após longa guerra de independência contra a Metrópole – Inglaterra –, os colonos ingleses, das colônias de povoamento, declaram independência no ano de 1776. Outra mudança política ocorrida foi a Revolução Francesa, em 1789, caracterizada pela ascensão da burguesia francesa ao poder, favorecendo definitivamente a quebra do antigo sistema colonial. Essas revoluções e principalmente a independência dos Estados Unidos da América, assim como, as ideias iluministas, foram fatores que repercutiram nas colônias portuguesas, e, devido aos abusos do fiscalismo português nas regiões auríferas – regiões que contém ouro – vários movimentos emancipacionistas foram realizados contra os colonos portugueses. Um dos principais movimentos emancipacionistas foi a Inconfidência Mineira, em 1789, e que, apesar de seu caráter idealista, foi a primeira rejeição ao sistema colonial português. Outros importantes movimentos emancipacionistas foram a Conjuração Baiana ou dos Alfaiates, em 1798; e a Conspiração dos Suassunas, em 1801. A crise no sistema colonial decorreu pelo surgimento de novas ideias e pelas transformações econômicas e sociais, além do próprio desenvolvimento das colônias – resultado do investimento e das explorações realizadas pelos colonizadores –, gerando na população colonial, o sentimento de emancipação.

A partir do século XVIII, a América Colonial passa a conhecer movimentos que reivindicam a separação política em relação à metrópole. Vários foram os fatores que conduziram a esta situação, entre eles houve o chamado desenvolvimento interno da colônia. Vamos iniciar o estudo da crise do sistema colonial observando este aspecto. O desenvolvimento interno do Brasil colônia pode ser constatado pela expansão territorial e pelo desenvolvimento do sentimento nativista, que passou a expressar a repulsa dos colonos com o absolutismo metropolitano. A expansão territorial Durante o século XVI, a colonização portuguesa no Brasil limitava-se ao litoral brasileiro, região onde se concentrava os engenhos para a produção do açúcar, e onde se realizava a extração do pau-brasil. No século XVII tem início o processo de expansão territorial, ou seja, a interiorização da colonização. Contribuíram para este processo a pecuária, o bandeirantismo, a União Ibérica, as missões jesuíticas e a mineração. PECUÁRIA Atividade econômica inicialmente ligada à atividade açucareira, o gado expandiu-se em direção ao sertão nordestino- dada a necessidade de pastagens. Deve-se recordar que a pecuária era uma atividade complementar e essencial por ser fonte de alimentação, força motriz, meio de transporte.

O gado também era usado para a confecção de calçados, roupas, móveis e outros utensílios. A pecuária efetiva a ocupação do Vale do rio São Francisco - o rio dos currais - e o sertão nordestino. Com a descoberta do ouro, a região de Minas Gerais passa a conhecer a criação de gado, para abastecer a enorme concentração populacional. Na parte sul da colônia, o Rio Grande do Sul, tem a pecuária desenvolvida, tendo como principal mercado a região mineradora. A mão-de-obra da pecuária, como já dissemos, era predominante livre -a figura do vaqueiro e do tropeiro. No entanto, na região das minas os rebanhos não eram criados de foram extensiva, ou seja, soltos nos pastos. Nesta região o gado vivia cercado, sendo utilizada a mão-de-obra escrava. Desta forma, a pecuária favoreceu a ocupação do interior brasileiro e foi uma importante atividade de integração econômica, ao interligar as diversas regiões. OS BANDEIRANTES Fenômeno vinculado a região de São Vicente, onde, diferentemente das áreas coloniais nordestina, praticava-se uma economia de subsistência. São Vicente era uma área de muita miséria e pobreza. A expansão dos bandeirantes foi motivada pela necessidade de procurar riquezas no interior, tais como metais preciosos e mão-de-obra indígena. A partir de São Vicente, os colonos iniciam a ocupação do interior do planalto paulista, sendo esta ocupação marcada pela predominância de atividades econômicas de subsistência. A expansão patrocinada pelos bandeirantes pode ser observada nos chamados "ciclos". O ciclo de apresamento indígena Em virtude da pobreza na região e dado o alto preço do escravo africano, foram organizadas expedições para obtenção de mão-de-obra escrava indígena, visando atender as necessidades da pequena lavoura paulista e também vendê-la para regiões próximas. Com a ocupação dos holandeses no nordeste brasileiro, a prática de apresamento indígena aumenta. Isto em virtude da ocupação da região fornecedora de negros -Angola -pelos mesmos holandeses. A dificuldade de se conseguir mão-de-obra africana, leva os grandes proprietários da Bahia a optar pela mão-de-obra escrava indígena. Após o fim do domínio espanhol, o tráfico negreiro com a África é normalizado e a atividade de apresamento entra em decadência. Ao longo deste ciclo, houve um intenso choque do bandeirantes com os jesuítas, que tinham por missão a catequização indígena. Os bandeirantes tinham por alvos preferenciais as missões jesuíticas. O bandeirante Manuel Preto foi o responsável pela destruição das missões jesuíticas de Guairá, onde 60.000 indígenas foram aprisionados. O ciclo do ouro As expedições destinadas à procura de metais preciosos tinham apoio da metrópole, principalmente após o declínio da atividade açucareira nordestina. A expansão bandeirante desta etapa resultou na descoberta de ouro na região de Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás. Antônio Rodrigues de Arzão, em 1693, encontrou ouro em Catagüases ( Minas Gerais ), Antônio Dias de Oliveira, em 1698 descobriu ouro em Vila Rica e em 1700, Borba Gato encontrou ouro em Sabará. Pascoal Moreira Cabral descobriu ouro em Cuiabá, no ano de 1719 e Bartolomeu Bueno Filho achou em Goiás, em 1722. O ciclo do sertanismo de contrato Bandeirantes eram contratados para recapturar negros foragidos e que viviam em Quilombos. Destaque para a expedição do bandeirante Domingos Jorge Velho, que destruiu o Quilombo de Palmares. As bandeiras contribuíram, de forma significativa, para a ocupação e povoamento do interior do Brasil. Porém, foram responsáveis pela dizimação de muitos grupos indígenas.

A UNIÃO IBÉRICA (1580/1640) A União Ibérica favoreceu o processo de expansão territorial em virtude do fim do Tratado de Tordesilhas e pela necessidade de expulsão de estrangeiros que invadiram o Brasil durante este período. A Espanha sustentava longas guerras contra a Inglaterra, a França e a Holanda. A presença inglesa A Inglaterra não reconhecia o Tratado de Tordesilhas, ocorrendo longas batalhas contra a Espanha, às quais resultaram na destruição da Invencível armada espanhola. Com o domínio espanhol sobre Portugal e as proibições, por parte dos reis espanhóis, a qualquer comércio que não fosse ibérico, os ingleses iniciaram uma série de ataques ao Brasil. O porto de Santos foi saqueado duas vezes, como também Salvador e Recife. A presença francesa Os franceses já haviam tentado uma ocupação no Brasil, 1555 e a fundação da França Antártica, no Rio de Janeiro. Porém, a presença de franceses era uma constante, desde o período pré-colonial. Estes procuravam se fixar no litoral brasileiro, como Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Foi contudo no Maranhão, que os franceses procuraram fundar uma colônia - a chamada França Equinocial. Em 1612 foi enviada uma expedição, chefiada por Daniel de La Touche, que fundou o forte de São Luís. As autoridades portugueses organizaram expedições militares para a expulsão dos franceses, comandadas por Jerônimo de Albuquerque e Alexandre Moura. A presença Holandesa Portugal e Holanda serem foram bons parceiros comerciais, desde a Baixa Idade Média. Os holandeses tiveram um enorme papel na montagem do engenho colonial no Brasil, realizavam o financiamento e participavam do transporte, do refino e da distribuição do açúcar brasileiro na Europa. Com a União Ibérica, estas relações sofreram profundas alterações. Em 1568, os holandeses ( também conhecidos por flamengos), iniciaram uma guerra contra a intervenção da Espanha. Em 1581 surge as Províncias Unidas dos Países Baixos. Por conta disto, Filipe II proíbe que as colônias ibéricas mantivessem comércio com os flamengos. Em virtude dos enormes lucros holandeses na economia açucareira, no ano de 1621 foi fundada a Companhia das Índias Ocidentais, com o objetivo de ocupar as regiões produtoras de açúcar no Brasil. A primeira tentativa de ocupação deu-se no ano de 1624, na Bahia- um grande centro produtor de açúcar - Em 1625 os holandeses eram derrotados e expulsos da Bahia, episódio conhecido como Jornada dos Vassalos. No entanto, no ano de 1630 ocorreu uma Segunda invasão, desta vez em Pernambuco, e os holandeses não encontraram resistência. O governador de Pernambuco, Matias de Albuquerque organizou uma resistência, destacando-se o Arraial do Bom Jesus. Esse movimento, baseado na tática de guerrilha, foi desfeito, graças a ajuda de Domingos Fernandes Calabar, que denunciou aos holandeses a localização do principal núcleo de resistência. Os holandeses ficam no Brasil até o ano de 1654, e realizaram uma extensão territorial, conquistando o Rio Grande do Norte, Paraíba, Sergipe e parte do Ceará- foi o chamado Brasil holandês. Este Brasil holandês será governado por Maurício de Nassau, que permanece no cargo entre 1637 e 1644. Neste período foi normalizada a produção açucareira- mediante uma política de concessão de empréstimos. Visando suprir a região com mão-de-obra, foram conquistadas praças fornecedoras de escravos, tais como Angola e São Tomé. Nassau destacou-se por urbanizar a cidade de Recife, pela construção de um observatório astronômico, teatros e palácios. Sob seu governo foram realizados estudos sobre a fauna e flora tropicais, destacandose os nomes de Frans Post, Albert Eckhout e William Piso, que escreveu um tratado sobre medicina brasileira. Os holandeses permitiram a liberdade de culto, para evitar conflito com os portugueses e os colonos brasileiros.

Em 1640, inicia-se em Portugal um movimento contra o domínio espanhol, a chamada Restauração. Os portugueses recebem apoio dos holandeses, sendo por isto assinado um acordo, a Trégua dos Dez Anos (1641). Desta forma, os holandeses continuavam seu domínio sobre o Brasil. As despesas com as guerras, levaram a Companhia das Índias Ocidentais a adotar uma política financeira mais rigorosa em relação ao Brasil holandês, iniciando a cobranças dos empréstimos feitos ao senhores. Maurício de Nassau, não concordando com a nova política foi demitido em 1644, e as relações entre os holandeses e a população ficaram tensas, iniciando o movimento pela expulsão dos holandeses, conhecido como Insurreição Pernambucana (1645/1654). A expulsão dos holandeses do Brasil vai acarretar uma séria crise na economia colonial. Os holandeses irão implantar a empresa açucareira em suas colônias das Antilhas. A concorrência faz com que o Brasil perca a supremacia na produção do açúcar. AS MISSÕES JESUÍTICAS Os jesuítas estavam no Brasil para, entre outras coisas, catequizar os indígenas. Isto dava nas chamadas missões, que eram aldeamentos indígenas. Tais missões localizavam-se, em sua grande maioria, no interior da colônia. A MINERAÇÃO Foi uma atividade econômica que intensificou ocupação do interior do Brasil, lembre-se que o ouro foi encontrado em Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás. Além destes fatores, acima mencionados, podemos citar a economia das drogas do sertão, como cacau, baunilha, pimenta, guaraná, cravo, castanha, ervas medicinais e aromáticas - responsáveis pela ocupação da Amazônia. Destaque para os jesuítas, que fundaram uma série de missões na região e irão explorar a mão-de-obra indígena para a extração dos produtos. Assim, a pecuária, os bandeirantes, o período da União Ibérica, a ação das missões religiosas e a mineração; patrocinam a expansão territorial da colonização. Há um dinamismo econômico maior, há a formação de núcleos populacionais e o desenvolvimento de classes sociais intermediárias. Estes elementos, somados à opressão metropolitana, contribuíram para o desenvolvimento do nativismo rebeldia contra o absolutismo lusitano, gerando as chamadas Rebeliões Nativistas As rebeliões (revoltas) nativistas. Movimentos caracterizados por rebeldias contra o aumento do fiscalismo português após a Restauração (1640). Para sair da crise financeira imposta pelo domínio espanhol, Portugal enrijece o pactocolonial, com a criação do Conselho Ultramarino. É contra esta nova política que os colonos se posicionam. Os movimentos nativistas foram de caráter local e não reivindicavam a independência da colônia. Refletem o conflito entre os interesses da metrópole - o chamado centralismo - e os interesses dos colonos - o chamado localismo. A Insurreição Pernambucana é tida como a responsável pelo despertar do sentimento nativista, visto que, ao longo de sua ocorrência registraram-se divergências entre os colonos e os interesses da Metrópole. ACLAMAÇÃO DE AMADOR BUENO (1641) Movimento onde Amador Bueno da Ribeira foi aclamado rei de São Paulo. Este fato está relacionado como uma ameaça aos interesses espanhóis na região. A REVOLTA DE BECKMAN (1684) Ocorrida no Maranhão e liderada pelos irmãos comerciantes, Manuel e Tomás Beckman, contra a Companhia de Comércio do Maranhão, que exercia o monopólio do comércio e do tráfico negreiro. A

Companhia não cumpria seus objetivos, levando os colonos a suprirem a falta de mão-de-obra escravizando os índios. Isto gerou um novo conflito, desta vez com a Companhia de Jesus. A GUERRA DOS EMBOABAS ( 1708/1709) Ocorrida em Minas Gerais, resultado das rivalidades entre os colonos paulistas e os "emboabas" forasteiros que, sob proteção da metrópole, exerciam o monopólio de diversas atividades comerciais. A GUERRA DOS MASCATES (1710) Desde a expulsão dos holandeses de Pernambuco, a aristocracia rural de Olinda estava em decadência econômica. No entanto, Olinda continuava a controlar a capitania de Pernambuco através de sua Câmara Municipal. Enquanto Olinda passava por uma crise econômica, o povoado de Recife -submetido à autoridade da Câmara de Olinda -estava prosperando, graças ao crescimento da atividade comercial. O comércio era exercido por portugueses, conhecidos por mascates. Estes emprestavam dinheiro a juros aos proprietários de terras de Olinda. Em 1703 o povoado de Recife conquista o direito de vila, tendo sua autonomia política em relação a Olinda. Não aceitando a nova situação os proprietários de terras atacaram Recife e destruíram o pelourinho- símbolo da autonomia. Os conflitos estenderam-se até 1711 quando a região foi pacificada e Recife passou a ser a sede administrativa de Pernambuco. A REVOLTA DE VILA RICA (1720) Também conhecida como Revolta de Filipe dos Santos, ocorreu em Minas Gerais contra o excessivo fiscalismo português, marcado pelos aumentos dos impostos e pela criação das Casas de Fundição. As rebeliões nativistas, como se viu, não defendiam a emancipação política do Brasil em relação a Portugal. No entanto, ao longo do século XVIII, motivados pelo desenvolvimento interno da colônia e por fatores externos, a colônia será palco dos chamados movimentos emancipacionistas, que tinham como principal meta a busca da independência. Os movimentos emancipacionistas. Foram influenciados pelo desenvolvimento interno da colônia e por fatores externos, tais como o Iluminismo, com seu ideal de liberdade, igualdade e fraternidade; a Independência dos EUA, que servirá de inspiração a toda América colonial; a Revolução Industrial ocorrida na Inglaterra, e a necessidade de ampliar mercados consumidores e fornecedores, surgindo o interesse de acabar com os monopólios; a Revolução Francesa, que pôs fim ao Antigo Regime e a chamada Era Napoleônica, período de consolidação dos ideais burgueses. INCONFIDÊNCIA MINEIRA (1789) Movimento que ocorreu em Minas Gerais e teve forte influência do Iluminismo e da independência dos Estados Unidos da América. Este movimento separatista está relacionado aos pesados impostos cobrados por Portugal, especialmente a decretação da derrama. Os conjuras, em sua maioria, pertenciam a alta sociedade mineira. Entre os mais ativos encontram-se Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Inácio José Alvarenga, José de Oliveira Rolim e o alferes Joaquim José da Silva Xavier. Entre os objetivos estabelecidos pelos conjuras estavam a criação de um regime republicano, tendo a Constituição dos Estados Unidos como modelo, o apoio a industrialização e a adoção de uma nova bandeira, tendo ao centro um triângulo com os dizeres: Libertas quae sera tamen, quem em latim, significa "Liberdade ainda que tardia". Quanto à questão da escravidão nada ficou definido. O movimento ficou apenas nos planos das idéias, pois ele não aconteceu. Alguns de seus participantes

denunciou o movimento, em troca do perdão de seus dívidas. O governador - visconde de Barbacena - suspendeu a derrama e iniciou a prisão dos conspiradores, que aguardaram o julgamento na prisão. Apenas Tiradentes assumiu integralmente a responsabilidade pela conspiração, sendo por isto, condenado à morte no ano de 1792, sendo enforcado no dia 21 de abril, na cidade do Rio de Janeiro. Outros conspiradores foram condenados ao desterro e Cláudio Manuel da Costa enforcou-se na prisão. Acredita-se que tenha sido assassinado pelos carcereiros. CONJURAÇÃO CARIOCA (1794) Inspirada pela Revolução Francesa, os conjuras fundaram a Sociedade Libertária para divulgação dos ideais de liberdade. O movimento não ultrapassou de poucas reuniões intelectuais, que contavam com a presença de Manuel Inácio da Silva Alvarenga e Vicente Gomes. Foram denunciados e acusados de criticarem a religião e o governo metropolitano. A INCONFIDÊNCIA BAIANA (1798) No século XVIII, em virtude da decadência da economia açucareira e da transferência da capital da colônia para o Rio de Janeiro, em 1763, a Bahia passava por uma grave crise econômica, atingindo toda a população baiana, especialmente as camadas inferiores, constituída por ex-escravos, pequenos artesãos e mestiços. Contra esta situação haviam manifestações, através de ruaças e motins. No ano de 1797 é fundada, em Salvador, a primeira loja maçônica do Brasil - Loja dos Cavaleiros da Luz -, que se propunha a divulgar os "abomináveis princípios franceses"; participavam das reuniões os nomes de Cipriano Barata e Francisco Muniz Barreto. Os intelectuais contaram com grande apoio de elementos provenientes das camadas populares, destacando as figuras de João de Deus do Nascimento, Lucas Dantas e Luís Gonzaga das Virgens. A partir de 1798, circulam panfletos dirigidos à população, conclamando a todos a uma revolução e a proclamação da República Baiense. Os panfletos defendiam a igualdade social, a liberdade de comércio, o trabalho livre, extinção de todos os privilégios sociais e preconceito de cor. Este movimento apresenta um forte caráter social popular, sendo por isto também conhecido como a "Conjuração dos alfaiates". O Estado português no Brasil. No ano de 1808, a família real portuguesa chega ao Brasil, inaugurando uma nova era políticaadministrativa na colônia e abrindo caminho para a ruptura definitiva dos laços entre metrópole e colônia. A transferência da Corte portuguesa para o Brasil A vinda da família real e da Corte portuguesa para o Brasil foi conseqüência da conjuntura européia do início do século XIX. Neste momento, Napoleão Bonaparte procurava enfraquecer a Inglaterra, mediante a imposição do Bloqueio Continental, pelo qual, nenhuma nação da Europa Continental poderia manter relações comerciais com a Inglaterra. Como Portugal era dependente economicamente da Inglaterra, não conseguiu cumprir as determinações do Bloqueio Continental, sendo por isto invadido pelo exército francês. Com a ajuda do embaixador inglês em Lisboa, Lord Strangford, D. João transferiu-se, no dia 29 de novembro de 1807, para o Brasil - com sua Corte e por cerca de 15.000 pessoas. No dia 30 de novembro as forças francesas, comandadas pelo general Junot, invadiam Lisboa. D. João chegou à Bahia em 22 de janeiro de 1808, dando início a uma nova etapa na História do Brasil. ADMINISTRAÇÃO JOANINA NO BRASIL (1808/1820) 28/01/1808-Abertura dos Portos às Nações Amigas: Decreto que pôs fim ao monopólio luso sobre o

comércio brasileiro. A principal interessada na medida era a Inglaterra, que procurava ampliar o mercado consumidor de seus produtos manufaturados. 01/04/1808-Alvará de Permissão Industrial: Concedia liberdade para o estabelecimento de indústrias e manufaturas na colônia. Tal medida não se efetivou em virtude da concorrência dos produtos ingleses principalmente após 1810 - e pela concentração de recursos na lavoura exportadora. 1810 -Tratados de Aliança, Comércio e Navegação: Assinados com a Inglaterra e teriam validade por 14 anos. O mais importante deles é o Tratado de Comércio, que estabelecia taxa de apenas 15% sobre a importação de produtos ingleses; produtos portugueses pagariam uma taxa de 16% e produtos de outras nações pagariam 24%. Os súdito ingleses ainda teriam o direito de extraterritorialidade, ou seja, continuariam submetidos às leis britânicas. O tratado determinava que o governo português deveria abolir o tráfico negreiro. Com este acordo, o mercado brasileiro passou a ser dominado pelos ingleses- desde panos e ferragens até caixões de defunto e patins para gelo! 16/12/1815-Elevação do Brasil a Reino Unido a Portugal e Algarves. O novo estatuto jurídico representava um passo a mais em direção à emancipação política. Outras medidas de D. João -fundação do Banco do Brasil; instalação de ministérios, tribunais, cartórios; criação da Imprensa Régia, surgindo os primeiros jornais brasileiros: A Gazeta do Rio de Janeiro (1808) e A idade D'Ouro do Brasil, em Salvador (1810); criação de escolas, bibliotecas; o Jardim Botânico etc... Destaque para a Missão Artística Francesa, uma missão cultural que visitou o Brasil a convite de D. João. O mais famoso desta missão foi Jean Baptist Debret, que deixou várias pinturas, desenhos e aquarelas, retratando os costumes do Brasil joanino. A REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA (1817) As dificuldades econômicas do Nordeste somadas aos pesados impostos cobrados após a chegada da família real ao Brasil, contribuíram para a eclosão de outro movimento separatista, desta feita em Pernambuco e ano de 1817. O aumento dos impostos, para custear os gastos da monarquia instalada no Rio de Janeiro, gerou profunda insatisfação dos colonos que enfrentavam dificuldades econômicas. Somadas às idéias de liberdade e igualdade que agitavam a Europa e a América, em março de 1817 tem início a conspiração, com a criação do Governo Provisório. O movimento recebeu a adesão da Paraíba e do Rio Grande do Norte. A Lei Orgânica, publicada pelo governo republicano destacava a igualdade de direitos e a garantia da propriedade privada. Entre seus líderes, destacaram-se Domingos José Martins e o padre Miguel Joaquim de Almeida e Castro. O novo governo decretou também a extinção do impostos. No entanto, este movimento, de caráter republicano, separatista e anti-lusitano fracassou, não obstante, deixou profundas raízes na sociedade pernambucana, que anos mais tarde ( 1824 ) revolta-se novamente. POLÍTICA EXTERNA -Ocupação da Guiana Francesa, em 1809, num ato de represália a Napoleão Bonaparte. A região foi devolvida em 1817; -Anexação da Cisplatina, como pretexto de salvaguardar os interesses espanhóis. Carlota Joaquina era irmã de Fernando VII, que foi deposto por Napoleão Bonaparte. REVOLUÇÃO DO PORTO (1820) Movimento marcado por um duplo caráter. De um lado, mostravase liberal, acabando com o absolutismo português e elaborando uma Constituição que limitava os poderes do rei e ampliava os poderes das Cortes ( o Parlamento ). Por outro lado, era um movimento de caráter conservador, visto que a burguesia lusitana pretendia recolonizar o Brasil. Por força da revolução, D. João VI retorna a Portugal e deixa seu filho, Pedro, como príncipe regente do Brasil.

Contra a tentativa de recolonização do Brasil surgiram dois grupos políticos: o Partido Português, composto por grandes comerciantes e militares portugueses e que defendiam as propostas da Revolução do Porto e o Partido Brasileiro, formado por fazendeiros escravistas e comerciantes brasileiros e atuaram pela independência do Brasil. Os principais nomes deste grupo eram José Bonifácio, Gonçalves Ledo e Clemente Pereira. A REGÊNCIA DE D.PEDRO (1821/22) 09/01/1822- Dia do Fico -Respondendo com o Fico após uma petição com oito mil assinaturas e desobedecendo ás ordens da Corte de retornar a Portugal. 04/04/1822- decretado o "Cumpra-se", onde nenhum ato das Cortes teriam validade no Brasil. 13/05/1822- D. Pedro recebe o título de Defensor Perpétuo do Brasil. 03/06/1822-D. Pedro convoca uma Assembléia Geral Constituinte, uma declaração formal de independência. 07/09/1822- D. Pedro proclamou a independência às margens do riacho do Ipiranga. A proclamação da independência do Brasil não provocou rupturas históricas, ou seja, o Brasil manteve a estrutura legada do período colonial, qual seja, a permanência do latifúndio monocultor escravocrata, voltado para atender os interesses do mercado externo. A monarquia foi mantida como forma de manter os privilégios da classe dominante brasileira.

Independência
A independência do Brasil, enquanto processo histórico, desenhou-se muito tempo antes do príncipe regente Dom Pedro I proclamar o fim dos nossos laços coloniais às margens do rio Ipiranga. De fato, para entendermos como o Brasil se tornou uma nação independente, devemos perceber como as transformações políticas, econômicas e sociais inauguradas com a chegada da família da Corte Lusitana ao país abriram espaço para a possibilidade da independência. A chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil foi episódio de grande importância para que possamos iniciar as justificativas da nossa independência. Ao pisar em solo brasileiro, Dom João VI tratou de cumprir os acordos firmados com a Inglaterra, que se comprometera em defender Portugal das tropas de Napoleão e escoltar a Corte Portuguesa ao litoral brasileiro. Por isso, mesmo antes de chegar à capital da colônia, o rei português realizou a abertura dos portos brasileiros às demais nações do mundo. Do ponto de vista econômico, essa medida pode ser vista como um primeiro “grito de independência”, onde a colônia brasileira não mais estaria atrelada ao monopólio comercial imposto pelo antigo pacto colonial. Com tal medida, os grandes produtores agrícolas e comerciantes nacionais puderam avolumar os seus negócios e viver um tempo de prosperidade material nunca antes experimentado em toda história colonial. A liberdade já era sentida no bolso de nossas elites. Para fora do campo da economia, podemos salientar como a reforma urbanística feita por Dom João VI promoveu um embelezamento do Rio de Janeiro até então nunca antes vivida na capital da colônia, que deixou de ser uma simples zona de exploração para ser elevada à categoria de Reino Unido de Portugal e Algarves. Se a medida prestigiou os novos súditos tupiniquins, logo despertou a insatisfação dos portugueses que foram deixados à mercê da administração de Lorde Protetor do exército inglês. Essas medidas, tomadas até o ano de 1815, alimentaram um movimento de mudanças por parte das elites lusitanas, que se viam abandonadas por sua antiga autoridade política. Foi nesse contexto que uma revolução constitucionalista tomou conta dos quadros políticos portugueses em agosto de 1820. A Revolução Liberal do Porto tinha como objetivo reestruturar a soberania política portuguesa por meio de uma reforma liberal que limitaria os poderes do rei e reconduziria o Brasil à condição de colônia. Os revolucionários lusitanos formaram uma espécie de Assembleia Nacional que ganhou o nome de “Cortes”. Nas Cortes, as principais figuras políticas lusitanas exigiam que o rei Dom João VI retornasse à terra natal para que legitimasse as transformações políticas em andamento. Temendo perder sua autoridade real, D. João saiu do Brasil em 1821 e nomeou seu filho, Dom Pedro I, como príncipe regente do Brasil. A medida ainda foi acompanhada pelo rombo dos cofres brasileiros, o que deixou a nação em péssimas condições financeiras. Em meio às conturbações políticas que se viam contrárias às intenções políticas dos lusitanos, Dom Pedro I tratou de tomar medidas em favor da população tupiniquim. Entre suas primeiras medidas, o príncipe regente baixou os impostos e equiparou as autoridades militares nacionais às lusitanas. Naturalmente, tais ações desagradaram bastante as Cortes de Portugal. Mediante as claras intenções de Dom Pedro, as Cortes exigiram que o príncipe retornasse para Portugal e entregasse o Brasil ao controle de uma junta administrativa formada pelas Cortes. A ameaça vinda de Portugal despertou a elite econômica brasileira para o risco que as benesses econômicas conquistadas ao longo do período joanino corriam. Dessa maneira, grandes fazendeiros e comerciantes passaram a defender a ascensão política de Dom Pedro I à líder da independência brasileira. No final de 1821, quando as pressões das Cortes atingiram sua força máxima, os defensores da independência organizaram um grande abaixo-assinado requerendo a permanência e Dom Pedro no Brasil. A demonstração de apoio dada foi retribuída quando, em 9 de janeiro de 1822, Dom Pedro I reafirmou sua permanência no conhecido Dia do Fico. A partir desse ato público, o príncipe regente assinalou qual era seu posicionamento político. Logo em seguida, Dom Pedro I incorporou figuras políticas pró-independência aos quadros administrativos de seu governo. Entre eles estavam José Bonifácio, grande conselheiro político de Dom

Pedro e defensor de um processo de independência conservador guiado pelas mãos de um regime monárquico. Além disso, Dom Pedro I firmou uma resolução onde dizia que nenhuma ordem vinda de Portugal poderia ser adotada sem sua autorização prévia. Essa última medida de Dom Pedro I tornou sua relação política com as Cortes praticamente insustentável. Em setembro de 1822, a assembleia lusitana enviou um novo documento para o Brasil exigindo o retorno do príncipe para Portugal sob a ameaça de invasão militar, caso a exigência não fosse imediatamente cumprida. Ao tomar conhecimento do documento, Dom Pedro I (que estava em viagem) declarou a independência do país no dia 7 de setembro de 1822, às margens do rio Ipiranga.

Sistema Multipolar Europeu
Roma dominou a Europa ocidental e o Mediterrâneo por séculos, entre 1 6 a.C. (destruição de Cartago) e 476 d.C. (queda Império do Ocidente). Depois disso, o mito de Roma perdurou sempre, sob a forma do sonho do império universal. O projeto da “monarquia universal católica” percorreu toda a Idade Média européia. A coroação de Carlos Magno pelo papa Leão III, no ano 8 , e a coroação de Oto I no Sacro Império, em 962, tinham conservado acesa a chama simbólica da restauração de Roma. Na Idade Moderna, essa chama animou o empreendimento imperial da Casa de Habsburgo. No início do século XVII, o “anel de ferro” dos Habsburgo fechavase em torno da França. Erguidos sobre uma teia de laços dinásticos, os domínios dos Habsburgo espanhóis e austríacos estendiam-se pelo interior do Sacro Império, na Hungria, na Boêmia, na Silésia, na Baviera, em Flandres e em Milão. Fora do Sacro Império, abrangiam ainda os reinos de Nápoles e da Sicília. A prata da América, que jorrava abundante, servia para financiar as guerras contra a Holanda e a Inglaterra e, no Mediterrâneo, assegurava a resistência às ameaças do Império Otomano. Na Fran a, a grande rival dos Habsburgo, a luta contra a hegemonia espanhola aparecia como uma batalha de vida ou morte. Essa batalha, que devia ser travada em nome da Igreja e de toda a cristandade, tinha por finalidade assegurar o equilíbrio entre as potências.18 A Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) foi o longo ciclo de guerras entre ab burg e a utra t ncia eur ia ue ter inara r e aurir a anha e de tru ra nh da “ nar uia univer al cat lica”. No fim da Grande Guerra, configurou-se o sistema de Estados da Idade Moderna. Os Tratados da Westfália, em 1648, encerraram a Guerra dos Trinta Anos. A Paz de Munster encerrou as hostilidades entre a Espanha e a Holanda. O conflito entre a França e a Espanha prosseguiu até que a intervenção inglesa provocasse a derrota espanhola. A Paz dos Pireneus, firmada em 16 9, assinalou o início da derrocada final dos Habsburgo espanhóis. Na Westfália se encontra a origem do sistema de Estados da Idade Moderna. Dos Tratados, emergiu um sistema pluripolar de Estados europeus que referenciavam as suas políticas externas no interesse nacional, não em valores religiosos universalistas. Os Tratados representaram, antes de tudo, a confirmação da fragmentação alemã. Na Westfália, proclamou-se a igualdade entre católicos e protestantes e estendeu-se a liberdade de consciência aos calvinistas. Aos príncipes foi concedida autoridade suprema em matéria de religião. As “liberdades germânicas” destruíram os ltimos vestígios de poder do imperador. A derrota dos Habsburgo de Viena repercutiu duradouramente na política alemã. A ustria, que antes da guerra surgia como potência dominante no Sacro Império, teve sua influência limitada às áreas católicas do sul do Império. Enquanto isso, a dinastia de Hohenzollern, baseada na Pr ssia e em Brandenburgo, recebeu novos territórios no seis do para

norte do Império, começando a erguer-se como rival da ustria no espaço fragmentado alemão. A França, mesmo esgotada pela guerra, emergiu como a principal potência continental. Os Tratados asseguraram-lhe o controle sobre a Alsácia e a posse dos territórios do alto Reno. Depois da Paz dos Pireneus, com Luís XIV, a monarquia absoluta francesa conheceria seu período áureo. Munster e Osnabruck, onde foram negociados durante cinco anos os Tratados da Westfália, receberam delegados de 16 Estados europeus, 1 Estados do Sacro Império e 38 principados e cidades observadores. Desse concerto de potências grandes e pequenas, só não participaram representantes da Inglaterra, da R ssia e da Turquia. A Inglaterra, atormentada pela crise da realeza e, depois, pelas guerras civis, praticamente não teve participação na Guerra dos Trinta Anos. Contudo, o prolongado conflito europeu e os tratados de paz beneficiaram, diretamente, os ingleses. O estatuto de neutralidade desviou ara a Inglaterra c rci eur eu. A frota inglesa transportou a maior parte das mercadorias destinadas aos beligerantes. As condições da paz e, sobretudo, o prosseguimento da guerra franco-espanhola protegeram a ilha da ameaça de uma invasão católica. Os Tratados da Westfália ocupam, por motivos distintos e contrastantes, um lugar fundador para as duas escolas tradicionais do pensamento em relações internacionais. A escola idealista interpretouos sob o ponto de vista do nascimento da ordem jurídica internacional. A escola realista, como a origem do sistema de equilíbrio europeu. ________________________ As guerras napole nicas A França napole nica foi o primeiro Estado-nação a empreender a tentativa de unificação européia. A coroação de Napoleão, em 1804, renovou o simbolismo do império universal e assinalou o surgimento de uma “Nova Roma”. O Império Carolíngio medieval durou menos de um século, de 768 (coroação de Carlos Magno) a 843 (Tratado de Verdun), mas representou o estabelecimento do poder compartilhado da dinastia e do papado sobre as terras da Europa centro-ocidental. As conquistas napole nicas iriam recompor e ampliar o domínio territorial carolíngio. O Império Napole nico durou menos de duas décadas mas, no seu zênite, colocou sob hegemonia francesa quase toda a Europa continental. Apenas cinco anos antes de Waterloo (1815), o poder de Paris estendiase pelas penínsulas Ibérica e Itálica e através da Europa Central. O expansionismo napole nico colocou em confronto o poderio continental francês e o marítimo britânico.19 A Grã-Bretanha foi o centro organizador das seis coligações de potências – que envolveram eventualmente a Pr ssia, a ustria e a R ssia – formadas contra a França imperial. Por meio das coligações, a potência marítima liderava monarquias continentais contra a maior potência continental. Esse prolongado conflito – uma típica disputa entre o Urso e a Baleia, ou seja, entre poderes incontrastáveis no seu próprio elemento – desenrolou-se sobre a base do Sistema Continental de Napoleão e da reação britânica posta em prática pelo bloqueio marítimo. Por visar ao estrangulamento do comércio britânico, Napoleão procurou fechar os portos europeus para os navios ingleses. A Grã-Bretanha, por sua vez,

investiu contra os domínios franceses de além-mar, cortando as rotas oceânicas e as bases coloniais do inimigo. A derrota definitiva das forças espanholas na América Latina, a retirada da família real portuguesa para o Brasil e a penetração britânica no Caribe foram conseq ências dessa disputa européia. O impasse permaneceu enquanto cada um dos contendores continuou absoluto no seu elemento. As tentativas francesas de criação de uma esquadra poderosa e de invasão das Ilhas Britânicas fracassaram. A derrota napole nica foi prefigurada na demorada e desgastante campanha contra a resistência espanhola e na catastrófica retirada da R ssia. Um ano depois do fracasso na R ssia, a Sexta Coligação batia a França em Leipzig, na Batalha das Nações (1813). As guerras napole nicas iluminam o papel duradouro que a Grã-Bretanha viria a cumprir, de sentinela vigilante do equilíbrio continental de poder. Rainha dos mares e sede de um império mundial, a Grã-Bretanha temia a emergência de uma potência capaz de ameaçar seus interesses internacionais. Sua segurança repousava no equilíbrio entre os Estados do continente: essa situação fazia que as várias ameaças hipotéticas se anulassem mutuamente. Napoleão representou um desafio para esse equilíbrio que sustentava a liberdade de ação britânica nos oceanos e nas bases coloniais de além-mar. A erradicação dessa ameaça abriu caminho para a afirmação das hegemonias política e econ mica britânica, no século da Revolução Industrial. _____________________________________ O Congresso de Viena e o Sistema de Metternich O século XIX assinalou a estabilização do sistema europeu de Estados, sob o arcabouço de um equilíbrio multipolar (ou pluripolar) dinâmico. A derrota da França napole nica deu origem a uma geometria pentagonal, baseada no poderio da Grã-Bretanha, da França, da Pr ssia (depois da Alemanha), da ustria-Hungria e da R ssia. Essa estrutura multipolar forneceu as bases do funcionamento de um sistema basicamente circunscrito ao espaço europeu. No final do século, a emergência de novas potências marítimas no Ocidente (Estados Unidos) e no Extremo Oriente (Japão) gerou novos tipos de conflito e forte tendência de globalização do sistema internacional de Estados. O equilíbrio geopolítico europeu do século XIX foi a moldura para a expansão e a consolidação da economia industrial e para o delineamento de um mercado mundial. No centro desse processo, encontrava-se a Grã-Bretanha, potência econ mica maior até a ltima década do século. A estabilidade dinâmica da cena européia, perturbada por conflitos que não chegavam a ameaçar o sistema no seu conjunto, garantiu ambiente favorável para a constituição do Império britânico e a imposição da “Pax Britânica” nos territórios de além-mar.20 O equilíbrio pentagonal europeu sofreu flutuações durante todo o século, mas apenas uma grande mudança – a unificação alemã de 1871. Esse evento crucial dividiu o século em dois períodos distintos: depois dele, o crescimento da influência da Alemanha iria corroer lentamente a estabilidade européia, até precipitar o continente na Primeira Guerra Mundial. O Congresso de Viena (1814-1815) redesenhou as fronteiras políticas da Europa e reorganizou os Estados, visando suprimir

definitivamente o espectro de Napoleão. A velha Europa passava uma borracha no passado recente, procurando recriar o fio de continuidade que tinha sido violentamente rompido. O princípio da legitimidade foi uma das bases do projeto europeu articulado em Viena, gerando a política da restauração. Os governos oriundos da hegemonia napole nica, alguns dos quais liderados por familiares do imperador francês, foram eliminados. Foram re taurada a antiga ca a reai de urb n na anha e ragan a em Portugal. Na França, a restauração conduziu Luís XVIII, irmão de Luís XVI, ao trono. O legitimismo seria defendido por uma articulação diplomática européia, surgida por iniciativa do chanceler austríaco, príncipe Metternich, e do czar Alexandre I, da R ssia. Essa articulação – a Santa lian a – r cla u- e a guardi da “ ur a da dina tia ”. Contudo, essa tentativa de barrar o caminho às idéias francesas de 1789 não duraria muito. Na década de 1820, eclodiram revoltas liberais na Espanha, em Portugal, em Nápoles, em Piemonte e na Grécia. Os congressos de Troppau (1820) e Laibach (1821), promovidos no quadro da Santa Aliança, manifestaram o apoio das potências à repressão austríaca na Itália. Contudo, em 1822, no Congresso de Verona, a Grã-Bretanha recusava-se a intervir na guerra espanhola entre liberais e realistas. A recusa britânica representou golpe mortal no sistema de congressos das potências legitimistas. u a in urrei e ari u ri iu ab luti , riginand a nar uia c n tituci nal de Lu Feli e. A Revolução de 1830 repercutiu em toda a Europa, possibilitando a independência da Bélgica e disseminando as idéias liberais nas regiões italianas e alemãs e também na Pol nia, que se encontrava sob domínio russo. O legitimismo de Viena fracassaria definitivamente em 1848 – an da “ ri avera d v ” – quando as revoluções liberais pipocaram por todo o continente, desde a França até a Alemanha e a ustria. Ao lado do legitimismo, o princípio do equilíbrio europeu norteou as decisões de Viena. Sob o pretexto da restauração das fronteiras políticas anteriores a Napoleão, procedeu-se a uma partilha territorial destinada a fav recer a uatr t ncia vit ri a . r retanha a u- e de i rtante territ ri c l niai , ampliando seus domínios de além-mar. A ia estabeleceu seu domínio sobre a maior parte da Pol nia, cristalizando sua posição de potência hegem nica no mundo eslavo. u tria anexou os estados italianos do Norte, de maneira que o velho império decadente ganhou prolongada sobrevida. A Pr ssia incorporou a Renânia e parte da Pol nia, emergindo como grande potência européia. O sistema de equilíbrio europeu conservou a fragmentação alemã. Entretanto, no lugar do Sacro Império, destruído por Napoleão, surgia a nfedera er nica. O reino da Pr ssia controlava a maior parte dos territórios setentrionais da Confederação, ao passo que os territórios meridionais faziam parte do império da ustria. No centro e no norte, sob o princípio da restauração, foram constituídos reinos, principados e ducados reminiscentes do feudalismo. Mas os cerca de trezentos Estados pré-napole nicos consolidaram-se em aproximadamente trinta unidades políticas.

No centro da arquitetura do equilíbrio europeu, estava a li ita d deri franc . A Suíça recobrava sua independência e, por disposição do Congresso de Viena, tinha garantida sua “neutralidade perpétua”. No flanco sudeste da França, constituía-se o Reino do Piemonte-Sardenha, que viria a ser o vértice da unidade italiana. No flanco nordeste, constituía-se o Reino dos Países Baixos, que mais tarde originaria a Holanda e a Bélgica atuais. Do ponto de vista geopolítico, os acordos do Congresso de Viena resultaram, antes de tudo, das propostas britânicas que haviam sido organizadas no chamado Plano Pitt. Londres direcionou os estadistas de Viena para um acordo geral baseado no princípio do equilíbrio de poder. Assim, aquilo que estava subjacente ao pensamento estratégico de Richelieu tornava-se, dois séculos mais tarde, um programa de política externa. A Grã-Bretanha desprezava o sentido místico da Santa Aliança, a sua referência a valores religiosos universalistas e o seu apego às velhas dinastias. O primeiro-ministro Castlereagh estava pragmaticamente interessado no princípio do equilíbrio europeu e, para sustentá-lo, articulou a Quádrupla Aliança, composta por Grã-Bretanha, ustria, Pr ssia e R ssia. A França, que foi representada em Viena por Talleyrand, acabou sendo reintegrada ao concerto de potências européias em 1818, vindo a participar da Quíntupla Aliança. Dessa forma, o equilíbrio pentagonal do continente ganhava expressão diplomática adequada. O austríaco Metternich desempenhou o papel de elo entre a estratégia britânica e a cruzada legitimista russa. O príncipe sabia que a anta lian a lhe r rci nava a rtunidade de e ercer influ ncia bre a l tica d c ar, moderando seus excessos e vinculando-a ao Concerto Europeu. Ao mesmo tempo, tinha plena consciência do papel indispensável da Grã-Bretanha na estabilização da Europa de Viena. O Sistema de Metternich, como ficou conhecido o Concerto da Europa de Viena, cristalizava a estabilização de um equilíbrio de potências soberanas que zelavam em conjunto pela manutenção da ordem continental. A ordem européia passava a se estruturar sobre um arcabouço de geometria irregular u a t ncia ar ti a ue ediava u i ri undial r - retanha , u a t ncia d cidente ur eu re tringida ela derr ta ilitar Fran a), duas p t ncia centr eur ia rivai r ia e u tria , u a t ncia c n ervad ra d riente ur eu ia). O Concerto de Viena representou a moldura para o máximo florescimento da realpolitik. O sentido e o conte do da política externa dessa época se desvincularam notavelmente das referências a valores morais ou princípios universais. O equilíbrio de poder deixou de constituir, apenas, resultado eventual da correlação de forças entre os Estados para se tornar a meta explícita da diplomacia européia. ________________________________ A unificação alemã e a Ordem de Bismarck f c de in tabilidade rinci al d i te a f i, de de in ci , a rivalidade entre a r ia e a u tria. Ao distribuir regiões da Confederação Germânica para os dois competidores, mantendo reinos neutros entre eles, o Congresso de Viena tinha acendido um pavio que continuaria a queimar através do século. A disputa pela hegemonia sobre a Alemanha desaguaria na guerra direta entre os contendores. A unidade

da Alemanha, realizada sob liderança prussiana, modificaria profundamente o equilíbrio de poder em todo o continente. A marcha para a unificação começou em 18 , com a criação do Zollverein, a união alfandegária dos Estados alemães, que tinha por eixo a Pr ssia e excluía a ustria. Em 186 , a nomeação de Otto von Bismarck para chanceler da Pr ssia inaugurou a fase militar da unificação. Em aliança com a ustria, a Pr ssia derrotou a Dinamarca na Guerra dos Ducados (1864). Em seguida, a Pr ssia empreendeu a guerra contra a ustria (Guerra Austro-Prussiana de 1866) e constituiu a Confederação Germânica do Norte. Em 1870, eclodia a Guerra Franco-Prussiana, pela qual Bismarck obrigou os Estados germânicos do sul a se colocarem sob sua proteção. guerra franc - ru iana f i c r a ent da unidade ale . O novo Estado, organizado sob o poder da Pr ssia, nasceu à sombra da derrota e da humilhação francesas. O coroamento do imperador uilher e I e a r cla a d egund eich ale , em 1871, no al d elh d al ci de er alhe , dilacerou por muito tempo o orgulho nacional francês. As indenizações e as reparações de guerra e, principalmente, a anexação da Alsácia e da Lorena fertilizaram o revanchismo e pavimentaram o terreno para as guerras futuras. A guerra franco-prussiana foi desejada e preparada pelos dois lados. A Pr ssia desenvolvia a escalada militar da unificação, que fertilizava o nacionalismo alemão. A França tentava evitar a unidade alemã para conservar o equilíbrio de poder que ruía lentamente. urgi ent da le anha c t ncia unificada re re ent u a de e tabili a definitiva d velh i te a de etternich. A trajetória iniciada em 1871 desembocaria, décadas depois, na Primeira Guerra Mundial e no colapso da convivência multipolar européia. Essas décadas de transição, tensas e decisivas, transcorreram sob o signo de outra organização dos poderes no continente: a ordem européia de Bismarck. No centro da nova ordem se encontrava a Alemanha, que atravessava um surto industrial sem precedentes. Em poucas décadas, ela sobrepujaria a Grã-Bretanha, tornando-se a maior economia européia. A potência emergente, situada no coração da Europa, funcionava como elo entre o oeste e o leste do continente. Nos dois lados, seu poderio crescente gerava temor e insegurança. A ordem de Bismarck excluiu a ustria de qualquer participação na nação alemã. O Império austro-h ngaro, envenenado pelos nacionalismos internos, ingressava na sua crise terminal. A unificação italiana (1861-1871) o tinha privado dos estados do nordeste da Itália e crescia a instabilidade no norte da Península Balcânica. Por outro lado, essa ordem se assentava na humilhação da França, onde germinava o revanchismo escorado na idéia de retomada da Alsácia e da Lorena. A política externa de Bismarck estava consciente dos riscos embutidos na humilhação da França. Por isso, sua meta principal era o isolamento da França, evitando a constituição de alianças antigermânicas. Manobrando nessa direção, o chanceler prussiano costurou o Acordo dos Três Imperadores, firmado em 1873, envolvendo a Alemanha, a ustria-Hungria e a R ssia. O Acordo dos Três Imperadores não podia durar muito, já que se aprofundavam os atritos entre russos e austríacos. Em 1879, foi firmada uma aliança secreta austro-alemã, explicitamente orientada para a

defesa comum contra eventuais ameaças militares russas. Quase ao mesmo tempo, Bismarck firmava o Pacto Russo-Alemão, que durou até 189 . Assim, a Alemanha realizava arriscado mas indispensável jogo duplo, associando-se às duas potências rivais do Leste Europeu. Até 187 , a França tinha se aproveitado das diferenças entre os estados alemães para atuar contra a unidade da Alemanha. Feita a unidade, a França derrotada teria que buscar segurança fora da Alemanha e, obviamente, contra a Alemanha. Na ltima década do século, a França conseguiu romper o isolamento imposto por Bismarck e firmar a aliança com a R ssia. alian a franc -ru a de f ic n e ncia l gica d te r, entid n d i lad d c ntinente, d deri ale . 1 A aliança tinha base em ambições territoriais antigermânicas: a França visava recuperar a Alsácia e a Lorena; a R ssia pretendia conservar a Pol nia, que era alvo do interesse alemão. Entretanto, o pacto antigermânico foi retardado pela hábil diplomacia de Bismarck. Ele só se concretizou quando as disputas entre a R ssia e a ustria demoliram o jogo duplo dos alemães. A rivalidade entre russos e austríacos foi ativada pela confusa situação dos Bálcãs. Lá, a Sérvia recebia o apoio russo nas suas pretensões de unificação nacional dos eslavos do Sul. O r jet da rande rvia ameaçava o flanco sul do Império Austro-H ngaro, onde se localizavam as províncias da Eslovênia e da Croácia e partes da Bósnia-Herzegovina. O apoio diplomático da R ssia aos sérvios era fruto não só da comunhão cultural eslava e ortodoxa entre os dois povos como também do antigo interesse russo por uma ponte na direção do Mediterrâneo. Os atritos periódicos com a Turquia – que dominava as saídas do Mediterrâneo oriental e os estreitos de Bósforo e Dardanelos – aprofundavam o fosso que separava a R ssia da ustria e aproximavam ainda mais os russos dos sérvios. uand a alian a au tr -ale e t rn u blica, em 1890, a ia afa t u-se da Alemanha. Em 189 foi concluída a aliança francorussa, que cercava de hostilidade os alemães e os seus aliados austríacos. Delineava-se a geometria de alianças da Primeira Guerra Mundial.

Movimento Operário Europeu
Conjunto de tentativas colectivas de alterar a ordem social e económica para melhorar as condições de vida da população operária. Surgido no século XIX, nos países industrializados o dia do Trabalho, que se comemora em primeiro de Maio em quase todos os países do mundo, relembra um dos episódios mais violentos da história do movimento operário. Em 1º de Maio de 1889, militantes anarco-sindicalistas que se manifestavam a favor da jornada de trabalho de oito horas foram executados nas ruas de Chicago. A partir do ano seguinte, por iniciativa da central sindical conhecida como Segunda Internacional, instituiu-se esse dia como data máxima dos trabalhadores organizados. Surgido em consequência da concentração de trabalhadores nas grandes fábricas criadas a partir da revolução industrial, o movimento operário luta para melhorar as condições de vida da população trabalhadora e mesmo para modificar a ordem institucional em muitos países. Organizações mais radicais do proletariado, inspiradas em ideias anarquistas e comunistas, lideraram historicamente revoluções sociais cujo objectivo era criar um novo tipo de sociedade. Origens. Antes da revolução industrial, os movimentos de protesto de origem urbana ou rural caracterizavam-se pela escassa coesão ideológica e por seu carácter violento e efémero. A consciência de classe e a necessidade de formar organizações permanentes para dirigir a luta operária apareceram em consequência das novas condições de trabalho que a revolução industrial criou, a partir do final do século XVIII. Além da desumanização do trabalho, provocada pela introdução das primeiras máquinas, o rígido sistema gremial foi substituído por um mercado livre de trabalho. Com isso, ocorreram fenómenos como o prolongamento da jornada de trabalho, a redução dos salários, o emprego de mulheres e crianças em actividades insalubres, a falta de higiene e de medidas de segurança nas fábricas e outros problemas. Foi no Reino Unido, primeira nação industrializada do mundo, que surgiram as primeiras organizações operárias, dirigidas a defender os trabalhadores das penosas condições em que viviam e protestar colectivamente contra elas. Na fase inicial do movimento, os trabalhadores industriais dirigiram toda sua agressividade contra as máquinas, às quais culpavam pelo desemprego e pela piora de suas condições de vida. O movimento destruidor de máquinas chamou-se ludismo e foi duramente reprimido, até que deu lugar a novos métodos de luta, baseados na organização sindical e nas cooperativas. A limitação da jornada de trabalho e o reconhecimento legal do direito de associação foram as principais reivindicações das trade unions (sindicatos), que já estavam perfeitamente organizados no Reino Unido na década de 1830. O movimento cartista, surgido no calor da luta operária, entregou ao Parlamento britânico, em 1838, uma série de reivindicações políticas que incluíam o sufrágio universal, entendido como meio de alcançar as melhorias sociais. Em paralelo, o movimento cooperativista, impulsionado por alguns dos mais destacados socialistas utópicos -- como Robert Owen, no Reino Unido, e Charles Fourier, na França -procurava criar o modelo de uma nova sociedade, baseado em melhores condições de trabalho e na colectivização dos meios de produção. Na França, assim como em outros países europeus, o movimento operário associado aos partidos republicanos e democratas progrediu ideologicamente com as teorias de pensadores socialistas como Louis Blanc, Pierre-Joseph Proudhon, Auguste Blanqui e outros. Depois dos eventos revolucionários que sacudiram a Europa em 1848, ano de publicação do Manifesto comunista de Karl Marx e Friedrich Engels, o movimento operário dividiu-se em várias tendências. Os marxistas e alguns anarquistas pregavam a luta revolucionária para derrubar o sistema capitalista; os proudhonianos defendiam a implantação pacífica de uma sociedade colectivista e os reformistas preferiam colaborar com os regimes liberais, para obter conquistas políticas e sociais. Internacionalismo. A obra teórica de Karl Marx conferiu ao movimento operário um conteúdo ideológico mais sólido que o de outras tendências socialistas. O anarquismo imprimiu um sentido moral e universalista à revolução, que

passou a ser o objectivo político do proletariado e do campesinato de alguns dos países mais atrasados no processo de industrialização, como Espanha e Rússia. As duas tendências, representadas por Marx e Bakunin, respectivamente, se uniram em 1864 sob a bandeira da Associação Internacional de Trabalhadores (AIT). Mais conhecida como Primeira Internacional, a AIT foi fundada em Londres com o objectivo de fomentar a solidariedade proletária e promover a conquista do poder por aquela classe social. Inicialmente, os sindicatos ingleses e franceses detinham a maior representação na Internacional; a partir de 1868, porém, foram criadas secções regionais na Bélgica, Espanha, Suíça, Itália e outros países. A desagregação da Primeira Internacional ocorreu por causa da perseguição movida pelos governos aos seus dirigentes, mas sobretudo pelas discordâncias entre Marx e Bakunin. A derrota da Comuna de Paris em 1871, ensaio frustrado de governo socialista que teve a participação dos internacionalistas, precipitou a dissolução da organização. Durante o Congresso de 1872 em Haia, as secções bakunistas se separaram da AIT e se integraram à Aliança Internacional, uma nova organização anarquista. O fim estava próximo: a Primeira Internacional acabou em 1876, e a Aliança realizou seu último congresso no ano seguinte. Enquanto isso, a expansão do capitalismo e sua evolução para a etapa imperialista, que se caracterizou por "exportar" para a periferia as contradições do sistema, tornaram possível a concessão de benefícios sociais nos países industrializados. O movimento operário tendeu a orientar suas actividades no sentido de criar organizações sindicais consolidadas e partidos social-democratas nacionais. Em 1889 foi fundada a Segunda Internacional, em que predominava o Partido Social Democrata Alemão. O principal teórico da revisão do marxismo foi Eduard Bernstein, que concebeu a ideia de alcançar o socialismo por um processo de aperfeiçoamento do capitalismo. A deflagração da primeira guerra mundial demonstrou a fragilidade do conteúdo internacionalista dos partidos social-democratas da época, pois cada um apoiou o governo de seu país em lugar de trabalhar pela solidariedade operária entre os países em guerra. Revolução russa e evolução do movimento operário. Diante do "revisionismo" dos socialistas e socialdemocratas, os revolucionários russos -- principalmente Lenin -- promoveram a criação de um partido profissional, que representasse a vanguarda do proletariado. O sucesso da revolução russa de 1917 alimentou, na classe operária de outros países, a ilusão de uma rápida vitória do comunismo internacional, e com isso a Europa viveu, entre 1918 e 1922, um novo período de explosões revolucionárias. Em 1919 fundou-se em Moscovo a Terceira Internacional, ou Internacional Comunista. Os partidos social-democratas da Hungria, no poder, combateram a revolução proletária. Nos demais países da Europa, fracassaram as revoltas isoladas dos novos partidos comunistas. Em reacção ao activismo comunista, surgiram os partidos fascista e nazista, que chegaram ao poder na Itália e na Alemanha, respectivamente. Esses partidos tinham tendência a incorporar, em seus programas, elementos do trabalhismo e do sindicalismo. O movimento comunista se dividiu em 1938, quando Leon Trotski fundou a Quarta Internacional, oposta ao estalinismo. O anarquista perdeu terreno, na primeira metade do século XX, para a social-democracia e para o comunismo. Depois de um período de isolamento e decadência, os partidos comunistas voltaram a crescer na Europa, após a segunda guerra mundial, principalmente na França e na Itália. A recuperação económica do continente fez com que esses partidos assumissem papéis compatíveis com os estados capitalistas democráticos. Os grandes sindicatos socialistas e comunistas da Europa, assim como os sindicatos americanos, se transformaram em instituições integradas ao sistema económico e social capitalista e chegaram mesmo a colaborar com os governos nos planos de austeridade adoptados em épocas de crise. A participação operária em alguns escassos episódios revolucionários, como o de Maio de 1968 em Paris, ocorreu à margem das directrizes sindicais. O fenómeno de institucionalização do sindicalismo se manifestou com maior intensidade dentro dos regimes comunistas, na União Soviética e nos países do leste europeu. Os tímidos movimentos populares de oposição aos regimes centralizadores ganharam expressão no final da década de 1980. Com a dissolução da União Soviética, em 1991, os trabalhadores dos antigos países comunistas

passaram a apoiar abertamente o retorno à economia de mercado. O final do século XX encontrou o movimento operário europeu dividido e ameaçado por conflitos nacionalistas, étnicos e religiosos, no leste, e pelo recrudescimento do nazi-fascismo e do racismo, no oeste.

Estados Unidos no Século XIX
1. Introdução A primeira metade do século XIX na História dos EUA foi marcada pela conquista de territórios em direção ao Oceano Pacífico, conhecida como "a marcha para o Oeste". A população passou de 3.900.000 em 1790 para 7.200.000 em 1810, compondo uma sociedade essencialmente agrária, formada por granjas no Nordeste e grandes latifúndios exportadores no Sudeste. 2. Fatores da Expansão Vários fatores são colocados para explicar essa expansão, vejamos a seguir. A imigração nesse período foi muito intensa, vinda principalmente da Alemanha, Irlanda e Inglaterra, sendo que os motivos para esse deslocamento está ligado a dificuldades financeiras pelas quais a população européias passava, os camponeses eram expulsos da terra devido à concentração fundiária e os artesãos não conseguiam empregos devido à mecanização industrial nas cidades. No início do século XIX a população norte-americana passava a contar com cerca de sete milhões de habitantes. Esse crescimento demográfico e a pequena área do país contribuíram para que se pretendesse ocupar terras a Oeste, em razão da necessidade de aumentar a produção agrícola e a área destinada aos rebanhos. A partir da segunda metade do século XIX a pecuária chegou a ocupar um quarto do território americano, em terras que se estendiam do Texas ao Canadá. A descoberta de ouro na Califórnia, em 1848, estimulou uma corrida em busca de "riqueza fácil", incentivando o deslocamento populacional. Além disso, a construção de ferrovias, iniciada em 1829, barateava o transporte. Em fins do século XIX a quantidade de quilômetros de linhas férreas nos Estados Unidos era maior que a soma de todos os países europeus. Em 1890, a ferrovia ligava a Costa do Atlântico ao Pacífico. a expansão para o Oeste foi justificada pela doutrina do "Destino Manifesto", que pregava serem os norte-americanos destinados por Deus a conquistar e ocupar os territórios situados entre o Atlântico e o Pacífico. Em 1820, a expansão norte-americana ganha um conteúdo politizado com a Doutrina Monroe, que inicialmente colocou-se como defensora das recém-independentes nações latino-americanas ao pronunciar "a América para os americanos", mas conforme os interesses territoriais dos Estados Unidos foram ampliando-se em direção ao Oeste e ao Sul, a Doutrina seria mais bem definida pela frase "a América para os norteamericanos". 3. Leis sobre terras Anterior à independência, os colonos americanos já cobiçavam terras a Oeste. Um dos motivos que levou ao início da luta contra os ingleses foi a Lei de Quebec - parte das Leis Intoleráveis, 1774 -, que proibia a ocupação de terras entre os Apaches e o Mississipi pelos colonos. Após a independência foi elaborada, pela Convenção da Filadélfia, a Lei Noroeste (1787), que estabeleceu as bases para a ocupação das terras a Oeste e a integração dos novos territórios surgidos à União - ao definir que, quando a população atingisse 5.000 habitantes do sexo masculino em idade de votar, poderia organizar um Legislativo bicameral e passaria a ter o direito de um representante no Congresso, sem direito a voto; caso constituísse uma população livre de 60.000 habitantes, o território seria incorporado à União como Estado. As grandes Companhias Loteadoras incorporaram essas terras e passaram a comercializá-las junto aos pioneiros por um preço bem reduzido (aproximadamente 2 dólares por hectare). Os pioneiros eram granjeiros, caçadores ou grandes latifundiários sulistas que estavam interessados em expandir a cultura algodoeira ou seu rebanho. A postura do governo norte-americano foi de incentivo à ocupação e, em 1862, o governo Lincoln concedia terras gratuitamente através do Homestead Act - 160 acres a todos aqueles que a cultivassem durante cinco anos. 4. Mecanismos de Conquista a) Compra de Territórios

Pelo Tratado de Versalhes, 1783, firmado com a Inglaterra, o território dos Estados Unidos abrangia da Costa do Atlântico até o Mississipi. No século XIX, essa realidade se altera consideravelmente. Em direção ao Oeste aparece o território da Louisiana, colônia francesa, que Napoleão Bonaparte - devido às guerras na Europa e Antilhas, Haiti - negociou com os norte-americanos por 15 milhões de dólares (1803). A Flórida foi comprada dos espanhóis, em 1819, por cinco milhões de dólares. A Rússia vendeu o Alasca aos Estados Unidos por sete milhões de dólares. b) Diplomacia A anexação de Óregon - Noroeste -, colônia inglesa, região que despertou pouco interesse até 1841, foi cedida aos americanos em 1846. c) Guerra O Sudoeste americano pertencia ao México. A conquista desse território ocorreu através da guerra. Em 1821, os colonos americanos passaram a colonizar esse território com autorização do governo mexicano, que exigiu-lhes a lealdade e a adoção da religião católica por parte dos pioneiros. A dificuldade encontrada pelo México na consolidação do Estado Nacional refletiu-se em conflitos internos e no estabelecimento de ditaduras, como a de Lópes de Sant'Anna. Esses fatos impediram um efetivo controle sobre essa região, outrora concedida. Dessa maneira, o Texas estava fadado a compor os Estados Unidos, o que ocorreu em 1845, quando os colonos norte-americanos ali estabelecidos declararam a independência do território em relação ao México e a sua incorporação aos Estados Unidos. A guerra estendeu-se até 1848, quando foi assinado o Tratado de Guadalupe-Hidalgo, que estabelecia o Rio Grande como linha fronteiriça entre o México e o Texas, além da cessão da Califórnia, Arizona, Novo México, Nevada, Utah e parte do Colorado aos Estados Unidos, por 15 milhões de dólares. Em 1853, foi completada a anexação de territórios do México com a incorporação de Gadsden. Metade do território mexicano havia sido perdida para os Estados Unidos. Lázaro Cárdenas, presidente mexicano (19341940), em relação ao imperialismo norte-americano comentou: "Pobre México, tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos". d) A guerra de extermínio contra os indígenas As maiores vítimas da marcha para o Oeste foram os indígenas. Estes encontravam-se em estágios de pouco desenvolvimento se comparados aos astecas, maias e incas, daí sua dificuldade para resistir ao domínio e força dos brancos europeus. Os norte-americanos acreditavam que, além de serem os predestinados por Deus a ocuparem todo o território, deveriam cumprir a missão de civilizar outros povos. Nesse sentido, contribuíram decisivamente para o extermínio da cultura e da pessoa física do indígena. As tribos do Sul, mais desenvolvidas, proporcionam uma resistência maior à ocupação do branco. No entanto, a única opção das tribos indígenas foi a ocupação de terras inférteis em direção ao Pacífico, até o seu extermínio. De acordo com o "herói" americano, o general Armstrong Custer, considerado como o "grande matador de índios", "o único índio bom é um índio morto". 5 - A política no processo de Expansão Em 1789, foi eleito o primeiro presidente dos Estados Unidos, George Washington, que governou o país durante dois quatriênios. Nesse período, dois grupos políticos disputavam o poder: o Partido Federalista e o Partido Republicano Democrático, liderados respectivamente por Alexander Hamilton e Thomas Jefferson, secretários do Tesouro e do Estado, ligados ao governo de George Washington. O Partido Federalista defendia um governo com poder centralizado, representando os interesses dos grandes comerciantes, manufatureiros e financistas. O Partido Republicano Democrático defendia um governo descentralizado, ou seja, uma maior autonomia para os Estados, como também, uma maior participação popular nas eleições - eram simpáticos aos ideais da Revolução Francesa e representavam os interesses dos pequenos proprietários. O governo de Andrew Jackson (1829-1837, na foto ao lado) foi marcado pela mudança de orientação política. Ligado ao recém-criado Partido Democrático, defendia os interesses dos grandes fazendeiros do Oeste e

operários do Norte. Durante sua gestão foram realizados expurgos de elementos que pertenciam a governos anteriores, processo que ficou conhecido como "sistema de despojos" (Spoil System). 6. Conseqüências da Expansão A conquista de um vasto território criou condições para o grande desenvolvimento da economia norteamericana. Em 1912 conclui-se o processo de formação da União, com a incorporação do Arizona como Estado. Foi acentuado o crescimento da agricultura, indústria, comércio, mineração e pecuária. A população cresceu para cerca de trinta milhões até 1860. Formaram sociedades diferenciadas dentro do país. a Norte e Leste, surgiu uma poderosa burguesia industrial e comercial, juntamente com um operariado fabril; ao Sul, predominavam os grandes aristocratas vinculados ao latifúndio, à monocultura, à exportação e à escravidão; na região Centro - Oeste, nasceu a sociedade a partir dos pioneiros, marcada pela base agrícola e pela pecuária. No entanto, aumentou a rivalidade entre os interesses díspares de nortistas e sulistas, o que culminou mais tarde em uma guerra civil. 7. A Guerra de Secessão A primeira metade do século XIX marca a primeira fase do processo de industrialização norte-americana. Ocorreu no Norte, sobretudo na região da Nova Inglaterra, sobre uma base vinda do Período Colonial. Em meados do século, o Norte, ou mais precisamente, o Nordeste era o pólo econômico vital da economia. Esse desenvolvimento foi favorecido por ocasião das Guerras Napoleônicas e pela Segunda Guerra de Independência (l 812-14), já que as importações diminuíram e o mercado lnterno passou a consumir as manufaturas locais. Essa incipiente indústria, por volta de 1810, beneficiou-se também de grande disponibilidade de ferro, carvão e energia hidráulica da Região Norte. O mesmo processo não atingiu a Região Sudeste, que permanecia com uma economia marcadamente colonial, cuja produção ainda se fazia no interior da grande propriedade monocultora, voltada para o mercado externo e baseada na exploração do trabalho escravo. Enquanto no Norte-Nordeste formava-se uma sociedade tipicamente industrial, dominada por uma forte burguesia, no Sul-Sudeste, a sociedade permanecia como que inalterada desde o Período Colonial. Nos Estados Unidos, na realidade, abrigavam-se duas nações distintas - o Norte-Nordeste e o Sul-Sudeste - e do antagonismo entre os interesses o país passará por uma guerra civil, a Guerra de Secessão. 8. Fatores da Guerra a) Desenvolvimento do Norte O protecionismo alfandegário foi, certamente, fundamental para a eclosão da Guerra Civil Americana. Os Estados do Norte, em processo de industrialização, reivindicavam altas tarifas de importação como mecanismo de manutenção de seu desenvolvimento, pois não conseguiam competir com os preços dos produtos ingleses. O Sul, por outro lado, dependia economicamente do Norte, exportando para lá parte de sua produção algodoeira e importando manufatura. Para sua sobrevivência defendia a liberdade de comércio, preferindo importar as manufaturados inglesas, de melhor qualidade e mais baratas do que as produzidas pelos Estados do Norte. Além desse fato, os industriais ingleses poderiam deixar de comprar sua produção, caso optassem por dar apoio às propostas protecionistas dos industriais do Norte. b) O Problema do escravismo O problema da manutenção do escravismo encontrou seu campo de discussão, no nível político no Congresso, que, ao sintetizar as disputas políticas pela salvaguarda de interesses econômicos nortistas e sulistas, se dividiu entre abolicionistas e escravistas. Com o processo de expansão para o Oeste e a incorporação de novos Estados à União, as disputas acirraram-se em torno da questão abolicionista. Ao Sul interessava que fosse livre a adoção do escravismo - assim o preço do escravo manter-se-ia elevado.

O Norte defendia o abolicionismo em razão de pretender o crescimento do mercado consumidor e, ao mesmo tempo, obter mão-de-obra barata. Em 1820 o Missouri solicitou sua integração à União, gerando uma série de conflitos, pois a balança política passou a pender a favor dos sulistas. Esses atritos levaram a se firmar o Acordo do Mississipi-Missouri, em 1820, que arbitrou a questão estabelecendo a incorporação do Missouri - Estado escravista - e a incorporação do Maine - Estado com mãode-obra livre. O ponto de referência seria o paralelo 36 30', separando o trabalho livre (Norte) e o trabalho escravo (Sul). A incorporação da Califórnia, em 1849, como Estado livre, não obstante estar abaixo do paralelo 36 40', contribuiu para acirrar a polêmica, pois pelo Compromisso do Mississipi-Missouri, a Califórnia deveria ser escravista. Um novo acordo foi firmado em 1850, o Compromisso Clay, definindo que caberia a cada Estado decidir sobre a continuidade ou não do escravismo. Em 1860, o Norte lança a candidatura de Abrahan Lincoln para a presidência. Lincoln, em relação ao escravismo tinha posições moderadas. Considerava que manter a União era mais importante do que a questão social dos negros. Depois de eleito chegou a pronunciar-se sobre a questão nos se guintes termos: "se pudesse salvar a União sem libertar nenhum escravo, eu o faria. Se pudesse salvar a União libertando os escravos,eu o faria". c) A Questão Política Desde a independência norte-americana coube aos grandes proprietários rurais sulistas e à burguesia nortista, através do Partido Democrata, o controle da vida política nacional. Em 1854, foi criado no Norte, o Partido Republicano, que continha em seu programa a intenção de lutar a favor do abolicionismo e manter a União, propostas que atraíram muitos políticos do Partido Democrata. As eleições presidenciais de 1860, extremamente tensas, encontraram o Partido Democrata dividido em torno de dois candidatos, John Breckinridge e Stephen Douglas. O Partido Republicano uniu-se em torno da candidatura de Lincoln. O Partido da União Constitucional lançou um quarto candidato, John Bell. Lincoln vence o pleito e esse fato desencadeia a secessão. d) A Eclosão da Guerra Logo após a eleição de Lincoln, e não esperando a posse do presidente, a Carolina do Sul resolveu separarse da União, arrastando consigo mais seis Estados. Formaram os Estados Confederados da América, sob a presidência de Jefferson Davis em 8 de fevereiro de 1861, com capital em Richmond, Virgínia. As hostilidades começaram com o ataque da artilharia confederada, no dia 12 de abril de 1861, ao Forte Sumter, uma guarnição federal. Inicialmente as vitórias pertenceram aos sulistas. Mas, a correlação de forças foi tornando-se extremamente desigual à medida que se desenrolavam as batalhas. O Norte contava com o apoio de 25 Estados, uma população de cerca de 22 milhões de habitantes, uma economia industrial diversificada e uma marinha de guerra. O Sul obteve o apoio de 11 Estados, uma população de 9 milhões de habitantes, dos quais 4 milhões eram escravos, uma economia de base agrária o que o fez dependente de recursos exteriores para o desenvolvimento da guerra. Durante os confrontos, Lincoln, para fortalecer os Estados Nortistas, extinguiu a escravidão e promulgou o Homestead Act,l862, - garantindo o apoio dos granjeiros e pioneiros interessados nas terras a Oeste. Exescravos, colonos e operários se incorporaram ao Exército da União, o que começou a reverter a guerra em favor do Norte, que passou a impedir a chegada de produtos europeus ao Sul, através de um bloqueio naval. Em 6 de abril de 1865, o general Lee, comandante das tropas sulistas, pede os termos de rendição. 9. As conseqüências da Guerra A vitória do Norte sobre o Sul decidiu definitivamente a questão da unidade nacional pelo fortalecimento da União. A sociedade urbana e industrial do Norte prevaleceu sobre a federação arrasando a sociedade agrária e aristocrática do Sul. A grande propriedade cedeu lugar às pequenas e médias. O escravismo foi suprimido, mas não encaminhou para uma solução da "questão negra"; apesar do direito de voto concedido, os negros continuaram marginalizados. Intensificaram-se as atitudes racistas com o surgimento de sociedades como a Ku-Klux-Klan, nascida em 1867. Os mortos somaram 600.000. Em 14 de abril de 1865, Lincoln foi assassinado por John Wilkes Booth, um fanático do Sul. Os Estados Unidos começavam a despontar como potência dentro da América.

Capitalismo
Capitalismo: Economia de Mercado O capitalismo está voltado para a fabricação de produtos comercializáveis, denominadosmercadorias, com o objetivo de obter olucro. Esse sistema está baseado napropriedade privada dos meios de produção, ou seja, todos os utensílios, ferramentas, matérias-primas e edificações utilizados na produção pertencem a alguns indivíduos (os capitalistas). Nas sociedades capitalistas, o elemento central da economia é o capital, que pode ser entendido como o dinheiro que é investido no processo produtivo, com o objetivo de gerar lucro. Diferencia-se do dinheiro que se destina à satisfação das necessidades pessoais dos indivíduos. O capital é aplicado em instalações, máquinas, mão-de-obra, entre outros elementos ou agentes de produção. Como no capitalismo a produção se destina ao mercado, ou seja, à comercialização, dizemos que os países capitalistas adotam a economia de mercado. É em função das necessidades do mercado que se desenvolvem a produção, a circulação (ou sistema de distribuição para o mercado consumidor) e o consumidor dos produtos. Essas etapas caracterizam o chamadociclo de reprodução do capital. Para produzir e comercializar suas mercadorias, os proprietários contratam empregados, os não-proprietários, que nessa relação também estão vendendo uma mercadoria: sua força de trabalho. Até o início do século XX, podia-se analisar o sistema capitalista pela oposição de duas classes sociais: a burguesia detentora do capital, e o proletariado, formado pelos trabalhadores. Cada vez mais, porém, as transformações econômicas, sociais, tecnológicas e o aprofundamento da divisão social, tecnológicas e o aprofundamento da divisão social do trabalho têm inserido elementos novos na sociedade capitalista, de modo que hoje é preciso considerar fatores como o surgimento de novas atividades e novas práticas profissionais necessárias para atender às exigências de um mercado cada vez mais diversificado. Aspectos como o poder da mídia sobre a opinião pública, a manipulação exercida pela indústria da propaganda, o acesso à cultura e à tecnologia a especialização do trabalho, a terceirização da mão-de-obra e a redução da oferta de empregos ganham cada vez mais destaque. A Evolução do Capitalismo O sistema capitalista nasceu das transformações por que passou a Europa feudal a partir sobretudo do século XII. O fundamento da riqueza deixou paulatinamente de ser a terra, e a economia de mercado começou a estruturar-se com base no trabalho artesanal. O crescimento e o aumento do número de cidades favoreceram o desenvolvimento de relações mercantis e propiciaram a diversificação e a mobilidade social até então praticamente inexistentes. As trocas comercias entre diversas regiões estimularam as transformações no mundo do trabalho, com o surgimento do trabalho assalariado e de uma incipiente divisão técnica das atividades. A partir do século XV, as relações mercantis, ampliaram-se geograficamente com as Grandes Navegações e a inserção de novas terras no sistema capitalista de produção. Desenvolveu-se então a fase do chamado capitalismo comercial; o ciclo de reprodução do capital estava acentando principalmente na circulação e distribuição de mercadorias realizadas entre as metrópoles e as colônias. Os papéis diferentes que assumiram a Europa de uma lado e, de outro, a Ásia e as terras recém-descobertas do além-atlântico inauguraram a divisão internacional do trabalho (DIT), genericamente caracterizada pela exportação de manufaturas pelas metrópoles e pela produção de matérias-primas pelas colônias. Mas o sistema capitalista só iria se consolidar definitivamente no século XVIII, com a substituição da manufatura pelas máquinas a vapor, iniciadas nas indústrias têxteis da Inglaterra. A mecanização imprimiu um

novo ritmo à produção de mercadorias, e o trabalhador que antes produzia sua mercadoria individualmente e de modo artesanal agora ia para as linhas de produção, onde se reunia a centenas de outros operários que se tornaram assalariados. As transformações socias e econômicas associadas a esse período forma tão intensas que representaram uma verdadeira Revolução Industrial. A partir de então, o capitalismo se fortaleceu, atingindo sua forma plena no século XX, com a formação de grandes conglomerados econômicos e de um grupo de potências, o chamadoGrupo dos Sete, constituído pelos sete países mais ricos do mundo: Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Itália, Reino Unido e Canadá. Graças à sua força econômica, esses países influenciaram os padrões mundiais de desenvolvimento, controlam a maior parcela da produção econômica mundial e, como conseqüência, interferem no destino de toda a humanidade. O Capitalismo Liberal Nos século XVIII e XIX, o capitalismo florescia na forma de pequenas e numerosas empresas que competiam por uma fatia do mercado, sem que o Estado interferisse na economia. Nessa fase, denominada capitalismo liberal, ou concorrencial, predominava a doutrina de Adam Smith (1723-1790), segundo a qual o mercado deve ser regido pela livre concorrência, baseada na lei da oferta e da procura: quando a oferta é maior que a procura, os preços se elevam, Refletindo o otimismo científico-tecnológico característico do período, Smith acreditava que o mercado atingiria um equilíbrio natural por si só e que o progresso constante conduziria a humanidade à condição ideal, na qual não haveria escassez e tudo seria bem-estar.

Primeiro Reinado – Segundo Reinado – Regências
A história da Monarquia Brasileira estará dividida em duas partes. Nesta aula, de número 14, observaremos o Primeiro Reinado e o Período Regencial. Na próxima aula, de número 15, estudaremos o Segundo Reinado e o golpe republicano. O Primeiro Reinado (1822/1831) O Primeiro Reinado é caracterizado pela organização do Estado Nacional Brasileiro, que pode ser dividido nas seguintes etapas: as guerras de independência, o reconhecimento externo de nossa independência, a elaboração da primeira Constituição e a abdicação de D. Pedro I. As guerras de independência Para garantir a independência e manter a unidade territorial D. Pedro I teve que enfrentar a resistência de algumas províncias, governadas por portugueses e que se mantiveram leais às Corte portuguesas. As províncias foram a Bahia, Pará, Piauí e Maranhão. Outra província que se opôs foi a Cisplatina. A guerra da Cisplatina, que se iniciou em 1823, só terminou em 1828 com a proclamação de sua independência ( é o atual Uruguai). As guerras de independência contrariam a visão tradicional de que a independência brasileira foi pacífica. Em virtude da ausência de um exército nacional organizado, as guerras de independência contaram com o apoio das milícias civis - com forte participação popular- e auxílio de mercenários ingleses e franceses, destacando-se Lord Cochrane, John Grenfell, John Taylor e Pierre Labatut. Com a derrota das forças militares contrárias à independência a unidade territorial foi mantida e D. Pedro I coroado imperador em dezembro de 1822. O reconhecimento da independência O primeiro país a reconhecer oficialmente a independência do Brasil foram os Estados Unidos da América, no ano de 1824. O reconhecimento deu-se obedecendo os princípios da Doutrina Monroe, que pregava e defendia a não intervenção da Europa - através da Santa Aliança- nos assuntos americanos. "A América para os americanos" era o lema da Doutrina Monroe. Desta forma, os Estados Unidos da América garantiam sua supremacia política na região. No ano de 1825 foi a vez de Portugal reconhecer a independência de sua antiga colônia. A Inglaterra atuou como mediadora entre o Brasil e Portugal. Em troca do reconhecimento, Portugal exigiu uma indenização de dois milhões de libras, que auxiliariam o Reino lusitano a saldar parte de suas dívidas com os britânicos. Como o Brasil não possuia este montante, a Inglaterra tratou de emprestar. Assim, o dinheiro exigido por Portugal nem saiu da Inglaterra e, de quebra, o Brasil tornou-se seu dependente financeiro. Graças à mediação inglesa no reconhecimento de nossa independência, esta obteve importantes regalias comerciais com a assinatura de um tratado, no ano de 1827, que reafirmava os tratados de 1810. O acordo garantia tarifas alfandegárias preferenciais aos produtos ingleses, o que prejudicou o desenvolvimento econômico brasileiro. O novo acordo estabelecia a extinção do tráfico negreiro cláusula que não foi concretizada. Assim, o Brasil continuava a ser um exportador de produtos primários, importador de produtos manufaturados e dependente financeiramente da Inglaterra. A Organização jurídica do Estado Brasileiro Após a independência do Brasil, tornou-se necessário organizar o novo Estado, através de uma Constituição. Neste momento, a vida política no novo país estava dividida em dois grupos. O Partido Português, que articulava a recolonização do Brasil, e o Partido Brasileiro, dividido em duas facções: os conservadores, liderados pelos irmãos Andrada e que defendiam uma monarquia fortemente centralizada; e os liberais, que defendiam uma monarquia onde os poderes do rei fossem limitados. No ano de 1823, uma Assembléia Constituinte - composta por 90 deputados -apresentou um projeto

constitucional que mantinha a escravidão, restringia os poderes do imperador e instituía o voto censitário: o eleitor ou o candidato teria de comprovar um determinado nível de renda. A renda seria avaliada pela quantidade anual de alqueires de mandioca produzidos. Dado a isto, este projeto constitucional ficou conhecido como a "Constituição da Mandioca". Não gostando de ter os seus poderes limitados, D. Pedro I fechou a Assembléia Constituinte. Procurando impedir sua dissolução, a Assembléia ficou reunida na noite de 11 para 12 de novembro, episódio conhecido como Noite da Agonia. Dissolvida a Assembléia, D. Pedro convocou um grupo de dez pessoas - Conselho de Estado - que ficou encarregado de elaborar um novo projeto constitucional. O projeto será aprovado em 25 de março de 1824. A CONSTITUIÇÃO DE 1824 A seguir, os principais aspectos da primeira Carta do Brasil: -estabelecimento de uma monarquia hereditária; -instituição de quatro poderes: poder Executivo, exercido pelo imperador e seus ministros; poder Legislativo, exercido por deputados eleitos por quatro anos e senadores nomeados em caráter vitalício; poder Judiciário, formado por juízes e tribunais, tendo como órgão máximo o Supremo Tribunal de Justiça e o poder Moderador, de atribuição exclusiva do imperador e assessorado por um Conselho de Estado. Pelo poder Moderador, o imperador poderia interferir nos demais poderes. Na prática, o poder político do imperador era absoluto; -O país foi dividido em províncias, dirigidas por governadores nomeados pelo imperador; -O voto era censitário, tendo o eleitor ou candidato de comprovar uma determinada renda mínima; o voto seria a descoberto ( não secreto ); -Eleições indiretas; -Oficialização da religião católica e subordinação da Igreja ao controle do Estado. Assim, a Constituição outorgada em 1824, impedia a participação política da maioria da população e concentrava os poderes nas mãos do imperador, através do exercício do poder Moderador. O excessivo autoritarismo do imperador, explicitado com o fechamento da Assembléia Constituinte e com a outorga da Constituição centralizadora de 1824, provocaram protestos em várias províncias brasileiras, especialmente em Pernambuco, palco da primeira manifestação do Primeiro Reinado. Trata-se da Confederação do Equador. A CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR O nordeste brasileiro, no início do século XIX, encontrava-se em grave crise econômica. Somada aos ideais revolucionários de 1817 ( Revolução Pernambucana) ocorre em Pernambuco um movimento republicano, de caráter separatista e popular. Entre os líderes do movimento temos as figuras de Manuel de Carvalho Pais de Andrade, Cipriano Barata, padre Gonçalves Mororó e Frei Caneca. O movimento recebeu apoio de outras províncias nordestinas ( Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba ). Os rebeldes proclamaram a independência e fundaram uma república, denominada Confederação do Equador ( dada à localização geográfica das províncias rebeldes, próximas à linha do Equador ) e adotaram, de forma provisória, a Constituição da Colômbia. A repressão ao movimento, determinada pelo imperador, foi violenta e seus principais líderes condenados à morte. A Abdicação de D. Pedro I Vários foram os fatores que levaram à abdicação de D. Pedro I. O Primeiro Reinado apresentava um difícil situação financeira em decorrência da balança comercial desfavorável, contribuindo para as altas taxas inflacionárias. Um grande descontentamento em relação à figura do imperador, em virtude de seu autoritarismo, como o fechamento da Assembléia Constituinte, a imposição da Constituição de 1824, a repressão à Confederação do Equador. Contam-se ainda, a desastrosa Guerra da Cisplatina e a participação do imperador na sucessão do trono

português. A imprensa brasileira inicia uma série de críticas ao governo imperial, resultando no assassinato do jornalista Líbero Badaró, grande opositor de D. Pedro I. No ano de 1831, em Minas Gerais, o imperador enfrentou sérias manifestações, sendo recebido com faixas negras em sinal de luto pelo morte do jornalista. Retornando à capital do Império, seus partidários promoveram uma festa em homenagem ao imperador, desagradando a oposição e ao povo. Inicia-se uma luta entre partidários e opositores ao imperador, denominada "Noite das Garrafadas". Após sucessivas mudanças ministeriais, procurando conter as manifestações, D. Pedro I abdicou, na madrugada de 7 de abril de 1831, em favor de seu filho D. Pedro de Alcântara. Em Portugal, após enfrentar o irmão D. Miguel, será coroado rei de Portugal, com o título de Pedro IV. A abdicação de D. Pedro I consolidou o processo de independência, ao afastar o fantasma da recolonização portuguesa. Daí, nos dizeres de Caio Prado Jr., "o 7 de abril, completou o 7 de setembro". Como seu legítimo sucessor possuia apenas cinco anos de idade, inicia-se um período político denominado Período Regencial. O Período Regencial (1831/1840) O Período Regencial foi um dos mais conturbados da história brasileira. Dada a menoridade do sucessor ao trono, o país foi governado por regentes, que, segundo a Constituição de 1824, seriam eleitos pela Assembléia Geral. Durante as regências haverá três correntes políticas: os Moderados ou Chimangos, que representavam a aristocracia rural; os Restauradores ou Caramurus, composto por comerciantes portugueses e pela burocracia estatal; os Exaltados ou Farroupilhas que representavam as camadas médias urbanas. Os Moderados defendiam uma monarquia moderada, os Restauradores pregavam a volta de D. Pedro I e os Exaltados exigiam uma maior autonomia das províncias. Os mais radicais, entre os exaltados, pediam o fim da Monarquia e a proclamação de uma República. A ORGANIZAÇÃO DAS REGÊNCIAS Regência Trina Provisória ( abril a junho de 1831 ) Composta por Nicolau Pereira de Campos Vergueiro, José Joaquim Carneiro de Campos e Francisco de Lima e Silva. O principal ato dos regentes foi a promulgação da Lei Regencial, que suspendia temporariamente o exercício do poder Moderador. Regência Trina Permanente (1831/1835) Composta por Francisco de Lima e Silva, José da Costa Carvalho e Bráulio Muniz. O ministro da Justiça foi o padre Diogo Antônio Feijó, que criou a Guarda Nacional; uma milícia armada formada por pessoas de posses, que se transformou no principal instrumento de repressão da aristocracia rural, para conter os movimentos populares. O comando da Guarda Nacional nos municípios era entregue ao coronel, patente vendida aos grandes proprietários de terras, que assumiam, localmente, as funções do Estado, garantindo a segurança e a ordem. No ano de 1832, foi aprovado o Código do Processo Criminal, que concedia aos municípios uma ampla autonomia judiciária. Esta autonomia será utilizada para garantir a imunidade aos grandes proprietários de terras. No ano de 1834, procurando atenuar as disputas políticas entre exaltados e moderados, foi elaborado o Ato Adicional, que estabelecia algumas alterações na Constituição de 1824. A seguir, as emendas à Constituição de 1824: -a criação das Assembléias Legislativas Provinciais, substituindo os Conselhos Provinciais e garantindo uma maior descentralização administrativa; -a extinção do Conselho de Estado, que assessorava o imperador no exercício do poder Moderador

-criação do Município Neutro do Rio de Janeiro, sede da administração central; -substituição da Regência Trina pela Regência Una, eleita pelas assembléias de todo país. O mandato do regente seria de quatro anos. Semelhante medida é tida como uma experiência republicana. O Ato Adicional é visto como um avanço das idéias liberais visando garantir uma maior autonomia aos poderes locais. No ano de 1835 o padre Feijó foi eleito regente uno. A REGÊNCIA UNA DE FEIJÓ (1835/1837) Durante a regência de Feijó a uma reorganização dos grupos políticos. O grupo Moderado divide-se em progressistas, defensores da autonomia provincial, e os regressistas, que pregavam uma maior centralização política, para enfrentar os movimentos populares. Os progressistas criaram o Partido Liberal, e os regressistas o Partido Conservador. Durante a regência de Feijó ocorrerá dois importantes levantes regenciais - a Cabanagem na província do Pará e a Guerra dos Farrapos, na província do Rio Grande do Sul. Mostrando incapacidade para conter as revoltas, Feijó sofre grande oposição parlamentar sendo obrigado a renunciar em 1837. A REGÊNCIA UNA DE ARAÚJO LIMA ( 1837/1840) Araújo Lima era presidente da Câmara e partidário dos Conservadores. Sua regência é de caráter conservador. Os movimentos populares eram atribuídos às reformas liberais do Ato Adicional. Procurando restaurar a ordem no país, o Ato Adicional foi alterado, mediante a aprovação, no ano de 1840, da Lei Interpretativa do Ato Adicional, que suprimia a autonomia das províncias e garantia a centralização política. No ano de 1840 foi fundado o Clube da Maioridade, que defendia a antecipação da maioridade do imperador. Segundo os membros do Clube, a presença do imperador contribuiria para cessar os movimentos populares. Em julho de 1840, após a aprovação de uma emenda constitucional - que antecipava a maioridade do imperador - D. Pedro II foi coroado imperador do Brasil. Este episódio é conhecido como Golpe da Maioridade ( D. Pedro tinha, na ocasião 15 anos ). As Rebeliões Regenciais O período regencial foi marcado por uma grande instabilidade política, devido aos conflitos entre a própria elite dirigente - os liberais e os conservadores - e das camadas populares contra esta elite dirigente. Após a independência, tornou-se necessária a organização do Estado Nacional que, como vimos, manteve as estruturas sócio-econômicas herdadas do período colonial: o latifúndio monocultor e escravocrata, mantendo a economia nacional voltada para atender as necessidades do mercado externo. Tal quadro veio agravar a situação das camadas populares que passaram, por meio das rebeliões, a questionar a estrutura do novo Estado e a propor um novo modelo- daí as propostas separatistas e republicanas. A CABANAGEM ( PARÁ- 1835/1840) Um dos mais importantes movimentos sociais ocorridos na história do Brasil, marcado pelo controle do poder político pelas camadas populares. A população do Pará vivia em um estado de penúria, e sua esmagadora maioria vivia em cabanas, à beira dos rios, em condições de absoluta miséria. O início do levante está ligado às divergências, no interior da elite dirigente, em torno da nomeação do presidente da província. A revolta contou com apoio da população pobre -insatisfeita com as péssimas condições de vida e contra os privilégios das oligarquias locais.

Em 06 de janeiro de 1835, os cabanos dominam a capital da província e ocupam o poder. Estabelecem um governo autônomo e de caráter republicano. Entre os principais líderes encontravam-se o cônego Batista Campos, os irmãos Antônio e Francisco Vinagre, Eduardo Angelim e o fazendeiro Clemente Melcher-proclamado o novo presidente da província. A Cabanagem foi um movimento essencialmente popular. Em virtude de traições ficou enfraquecido, facilitando a repressão pelas forças regenciais. A primeira rebelião popular da história brasileira terminou com um saldo de mais de 40.000 mortes, em população de aproximadamente 100.000 pessoas. A GUERRA DOS FARRAPOS (RIO GRANDE DO SUL- 1835/1845) A revolução farroupilha foi a mais longa que já ocorreu na história brasileira. O movimento possui suas raízes na base econômica da região. A economia gaúcha desenvolveu-se para atender as necessidades do mercado interno -a pecuária e a comercialização do charque. Os fazendeiros de gado gaúcho, denominados estancieiros, se revoltaram contra a elevação dos impostos sobre o charque, impedindo de competir com o charque argentino- que era privilegiado com tarifas alfandegárias menores. Os estancieiros reivindicavam uma maior autonomia provincial. Os farroupilhas -que pertenciam ao Partido Exaltado, em sua maioria republicanos; liderados por Bento Gonçalves ocuparam Porto Alegre no ano de 1835 - e em 1836 proclamaram a República de Piratini. Em 1839, com o auxílio do italiano Giuseppe Garibaldi e Davi Canabarro proclamaram a República Juliana, região de Santa Catarina. Com o golpe da maioridade, em 1840, D. Pedro II; procurando pacificar a região, prometeu anistia aos revoltosos -medida que não surtiu efeito. Em 1842 foi enviado à região Luís Alves de Lima e Silva - o barão de Caxias -para dominar a região. Em 1845 foi assinado um acordo de paz - Paz de Ponche Verde - entre Caixas e Canabarro, que entre outras coisas estabelecia anistia geral aos rebeldes, libertação dos escravos que lutaram na guerra e taxação de 25% sobre o charque platino. O termo "farrapos" foi uma alusão à falta de uniforme dos participantes da rebelião. A SABINADA ( BAHIA - 1837/1838) Movimento liderado pelo médico Francisco Sabino Barroso, contrário à centralização política patrocinada pelo governo regencial. Foi proclamada uma república independente até que D. Pedro II assumisse o trono imperial. O governo central usou da violência e controlou a rebelião, que ficou restrita à participação da camada média urbana de Salvador. A BALAIADA ( MARANHÃO - 1838/1841) Movimento de caráter popular que teve como líderes Raimundo Gomes, apelidado de "Cara Preta"; Manuel dos Anjos Ferreira, fabricante de cestos e conhecido como "Balaio" e Cosme Bento, líder de negros foragidos. A grave crise econômica do Maranhão e a situação miserável da população, provocou uma rebelião contra a aristocracia local. Os rebeldes ocuparam a cidade de Caxias e procuraram implantar um governo próprio. A repressão regencial foi liderado por Luís Alves de Lima e Silva, que recebeu o título de "barão de Caxias" pelo sucesso militar. Houve ainda um outro levante, que durou apenas dois dias, mas tem grande importância, por tratar-se de uma rebelião de escravos. Trata-se da Revolta dos Negros Malês, ocorrida na Bahia, no ano de 1835. Os negros malês eram de religião muçulmana, e se rebelaram contra a opressão dos senhores brancos. Com gritos de "morte aos brancos, viva os nagôs", espalharam pânico pela região. A repressão foi muito violenta.

Segundo Reinado Política interna A vida política nacional, ao longo do Segundo Reinado, foi marcada pela atuação de dois partidos políticos: o Partido Conservador e o Partido Liberal. Os dois partidos representavam a classe dominante, defendiam a monarquia e a manutenção da mão-deobra- escrava. Por isto, não apresentavam divergências ideológicas, justificando uma frase muito comum na época: "Nada mais parecido com um conservador do que um liberal no poder, e nada mais parecido com um liberal do que um conservador no poder". EVOLUÇÃO POLÍTICA O primeiro ministério do Segundo Reinado era composto por liberais, que apoiaram o golpe da Maioridade. Funcionou de 1840 a 1841 e ficou conhecido como "Ministério dos Irmãos", sendo formado pelos irmãos Cavalcanti, Coutinho e Andrada. O gabinete ministerial sofria oposição da Câmara, formada, na sua maioria por conservadores. Diante desta situação, a Câmara de Deputados foi dissolvida e marcada novas eleições. Para garantir uma maioria de deputados liberais, os membros do Partido Liberal, usando de violência, fraudaram as eleições e garantiram a maioria parlamentar. Tal episódio é conhecido como "eleições do cacete". Os conservadores reagiram e exigiram que o imperador dissolvesse a Câmara que havia sido eleita nas "eleições do cacete". D. Pedro II demitiu o ministério liberal, nomeou um ministério conservador e marcou novas eleições - também marcadas pelas fraudes. A vitória dos conservadores e o avanço de medidas centralizadoras provocaram uma reação dos liberais, em São Paulo e Minas Gerais - a chamada Revolta Liberal de 1842. Em 1844 o imperador demitiu o gabinete conservador e nomeou um gabinete liberal, cuja principal decisão foi a criação da tarifa Alves Branco (1844), que extinguiu as taxas preferenciais aos produtos ingleses ; no ano de 1847 foi criado o cargo de presidente do Conselho de Ministros, implantando o parlamentarismo no Brasil. O PARLAMENTARISMO ÀS AVESSAS O parlamentarismo é um regime político onde o partido que detém a maioria no Parlamento indica o primeiro-ministro, que é o chefe de governo e comanda o poder Executivo. Desta forma, o Executivo fica subordinado ao Legislativo. No Brasil, ao contrário, o primeiro-ministro era escolhido pelo imperador. Se a Câmara não tivesse uma maioria de parlamentares do partido do ministério adotado, ela seria dissolvida e novas eleições eram marcadas, o que tornava o Legislativo refém do Executivo. A REVOLUÇÃO PRAIEIRA (PERNAMBUCO- 1848/1850) Movimento que ocorreu na província de Pernambuco, e está relacionado aos levantes liberais de 1848, período conhecido como Primavera dos Povos. As causas do movimento podem ser encontradas no controle do poder político pela família dos Cavalcanti e no monopólio do comércio exercido pelos estrangeiros, principalmente portugueses e que não empregavam trabalhadores brasileiros, desenvolvendo um forte sentimento antilusitano. O porta-voz da rebelião era o Diário Novo, jornal dos liberais que estava instalado na Rua da Praia - daí a denominação de praieiros aos rebeldes -que no ano de 1848 publicou o "Manifesto ao Mundo", redigido por Borges da Fonseca. O manifesto, fortemente influenciado pelas idéias dos socialismo utópico, reivindicava o voto livre e universal, a liberdade de imprensa, autonomia dos poderes, liberdade de trabalho, federalismo, nacionalização do comércio varejista, extinção do poder Moderador e do Senado vitalício e a abolição do trabalho escravo.

Entre as lideranças do movimento, que contou com forte apoio popular, encontram-se Nunes Machado e Pedro Ivo. Embora reprimida com muita facilidade foi um movimento contra a aristocracia fundiária e está inserida no quadro geral das revoluções populares que ocorreram na Europa de 1848. Política externa A política externa brasileira, durante o Segundo Reinado, foi marcada por conflitos na região do Prata responsáveis pela Guerra do Paraguai e por atritos diplomáticos com a Inglaterra, gerando a chamada Questão Christie. A QUESTÃO CHRISTIE (1863) A influência da Inglaterra no Brasil está presente desde antes da nossa independência. Com a assinatura dos tratados de 1810, a Inglaterra ganha privilégios econômicos. Com a independência do Brasil, em 1822, a Inglaterra impõem, como forma de reconhecer a independência, a renovação dos tratados de 1810. Ademais, o Brasil era dependente financeiramente da Grã-Bretanha. Durante o Segundo Reinado, as relações entre Brasil e Inglaterra conhece sucessivos atritos que culminaram com o rompimento das relações diplomáticas entre os dois países. As hostilidades entre Brasil e Inglaterra começaram em 1844, com a aprovação da tarifa Alves Branco, que acabou com as vantagens comerciais que a Inglaterra tinha no Brasil. A resposta do governo britânico foi a aprovação do Bill Aberdeen, decreto que proibia o tráfico negreiro e outorgava o direito, aos ingleses, de aprisionar qualquer navio negreiro. Respondendo às pressões inglesas, no ano de 1850 foi promulgada a Lei Euzébio de Queiróz, que extinguia definitivamente o tráfico negreiro no Brasil. No ano de 1861, o navio inglês Prince of Walles afundou nas costas do Rio Grande do Sul e sua carga foi pilhada. O embaixador inglês no Brasil, William Christie, exigiu uma indenização ao governo imperial. No ano de 1862, marinheiros britânicos embriagados foram presos no Rio de Janeiro e o embaixador Christie exigiu a demissão dos policiais e desculpas oficiais do governo brasileiro à Inglaterra. O Brasil recusou-se a aceitar as exigências de Christie. Alguns navios brasileiros foram aprisionados pela Inglaterra; o governo brasileiro pagou a indenização referente ao roubo da carga do navio inglês naufragado. Em 1863, sob a mediação de Leopoldo I, rei de Bélgica, ficou estabelecido que a Inglaterra deveria pedir desculpas ao governo brasileiro, pelo ocorrido com os marinheiros na cidade do Rio de Janeiro. Diante da negativa da Inglaterra, D. Pedro I resolveu romper relações diplomáticas com a Inglaterra. AS CAMPANHAS BRASILEIRAS NO PRATA Entre 1851 e 1870, o governo brasileiro realiza intervenções militares na região platina - formada pela Argentina, Uruguai e Paraguai. Os motivos destas intervenções eram as disputas territorias, a tentativa de impedir a formação de um Estado poderoso e rival e garantir a livre navegação nos rios da bacia do Prata ( Paraná, Paraguai e Uruguai ). Campanha contra Oribe (1851) O Uruguai possuia dois partidos políticos: o Blanco, liderado por Manuel Oribe, aliado dos argentinos; e o Colorado, liderado por Frutuoso Rivera, apoiado pelo Brasil. A aliança entre Manuel Oribe, então presidente do Uruguai, com o governo argentino de Juan Manuel Rosas, trouxe a tona a idéia de restauração do antigo vice -reinado do Prata. Procurando garantir a livre navegação no rio da Prata, D. Pedro II envia uma tropa militar sob o comando de Caxias. Esta tropa recebe o apoio das tropas militares de Rivera que, juntas, depuseram Manuel Oribe do poder. Campanha contra Rosas (1851) Como Rosas apoiava os blancos, o governo imperial organizou uma expedição e invadiu a Argentina. Os brasileiros venceram, na batalha de Monte Caseros, depuseram Rosas e, em seu lugar colocaram o

general Urquiza, auxiliar do Brasil na campanha contra Oribe. No ano de 1864 outro conflito na região, desta vez envolvendo o Paraguai. A GUERRA DO PARAGUAI ( 1864/1870) O Paraguai se constituiu em uma exceção na América Latina, durante o século XIX, em virtude de seu desenvolvimento econômico autônomo. Durante os governos de José Francia (1811/1840) e Carlos López (1840/1862) houve um relativo progresso econômico, com construção das estradas de ferro, sistema telegráfico eficiente, surgimento das indústrias siderúrgicas, fábricas de armas e a erradicação do analfabetismo. As atividades econômicas essenciais eram controladas pelo Estado e a balança comercial apresentava saldos favoráveis, garantindo a estabilidade da moeda, criando as condições para um desenvolvimento auto-sustentável, sem recorrer ao capital estrangeiro. Solano Lópes, presidente do Paraguai a partir de 1862, inicia uma política expansionista, procurando ampliar o território paraguaio. O objetivo desta política era conseguir acesso ao oceano Atlântico, para garantir a continuidade do desenvolvimento econômico da nação. A expansão territorial do Paraguai deuse com a anexação de regiões da Argentina, do Uruguai e do Brasil. Ademais, a Inglaterra não via com bons olhos o desenvolvimento autônomo do Paraguai, achando necessário destruir este modelo econômico. No ano de 1864, o governo paraguaio aprisionou o navio brasileiro Marquês de Olinda, e invadiu o mato Grosso, levando o Brasil a declarar guerra ao Paraguai. Em 1865 é formada a Tríplice Aliança, união das forças brasileiras, argentinas e uruguaias contra o Paraguai. PRINCIPAIS BATALHAS Batalha de Riachuelo e a batalha de Tuiuti, onde as forças paraguaias foram derrotadas; após a nomeação de Caxias no comando das tropas brasileiras ( no lugar do general Osório ), houve sucessivas vitórias nas batalhas de Humaitá, Itororó, Avaí, Lomas Valentinas e Angostura. Solano López foi morto em 1870, na batalha de Cerro Corá.

CONSEQÜÊNCIAS DA GUERRA DO PARAGUAI A guerra serviu para destruir o modelo econômico do Paraguai, tornando-o um dos países mais pobres do mundo, sua população sofreu uma drástica redução ( cerca de 75% dela morreu na guerra). Para o Brasil, a participação na guerra contribuiu para o aumento da dívida externa e a morte de aproximadamente 40 mil homens. A Inglaterra foi a grande beneficiada com a guerra, pois acabou com a experiência econômica do Paraguai na região, e seus empréstimos reafirmaram a dependência financeira do Brasil, Argentina e Uruguai. A guerra do Paraguai marca o início da decadência do Segundo Reinado, em razão do fortalecimento político do Exército, que torna-se um foco abolicionista e republicano.

Economia do Segundo Reinado Durante o Segundo Reinado houve uma diversificação das atividades econômicas, muito embora o modelo econômico estivesse voltado para atender as necessidades do mercado externo. O cacau e a borracha ganharam destaque na produção agrícola. O surto da borracha - Pará e Amazonas - levou o Brasil a dominar 90% do comércio mundial. Porém, o principal produto de exportação brasileira será o café. Café: expansão e modernização O café foi introduzido no Brasil, por volta de 1727, por Francisco de Mello Palheta. A partir de 1760 o produto passou a Ter uma importância comercial, sendo utilizado para a exportação. Inicialmente no Rio de Janeiro, no vale do Paraíba e, posteriormente o Oeste paulista.

No vale do Paraíba, as fazendas de café eram estruturadas de forma tradicional, ou seja, grandes propriedades que utilizavam a mãode-obra escrava. O esgotamento do solo e a escassez de terras contribuíram para a decadência da produção na região. Em contrapartida, a expansão do mercado consumidor internacional favoreceu a expansão do cultivo do café para o Oeste paulista. A economia cafeeira foi responsável pelo processo de modernização econômica do século XIX: desenvolvimento urbano, dos meios de transportes ( ferrovias e portos ), desenvolvimento dos meios de comunicação ( telefone e telégrafo ) , a substituição do trabalho escravo pelo trabalho livre e o surto industrial. Substituição do trabalho escravo pelo trabalho assalariado. A crise do escravismo brasileiro está relacionado a uma série de fatores, entre os quais, as pressões inglesas sobre o tráfico negreiro e a expansão da atividade cafeeira, trazendo a necessidade de ampliar a força de trabalho. Com a extinção do tráfico negreiro em 1850- lei Euzébio de Queiróz- os fazendeiros de café tiveram que encontrar uma solução para suprir a falta de mão-de-obra; esta solução será a importação de imigrantes europeus. O pioneiro em recrutar imigrantes europeus foi um grande fazendeiro da região de Limeira, em São Paulo, o senador Nicolau de Campos Vergueiro, que trouxe para a sua fazenda famílias da Suíça e da Alemanha, iniciando o chamado sistema de parceria. O sistema de parceria O fazendeiro custeava o transporte dos imigrantes europeus até suas fazendas e estes, por sua vez, pagariam os fazendeiros com trabalho. O trabalho consistia no cultivo do café e gêneros de subsistência, entregando ao fazendeiro boa parte da produção ( dois terços). O regime de parceria não obteve sucesso, em razão dos elevados juros cobrados sobre as dívidas assumidas pelos colonos para trabalharem no Brasil, os maus tratos recebidos e o baixo preço pago pelo café cultivado. Diante do fracasso do sistema e das revoltas de colonos, outras formas de estímulo à vinda de imigrantes forma adotados. A imigração subvencionada substituiu o sistema de parcerias. Nela, o Estado pagava os custos da viagem do imigrante europeu e regulamentava as relações entre os fazendeiros e os colonos. Os grandes "importadores" de imigrantes foram a Itália e a Alemanha, países que passavam por guerras, em virtude do processo de unificação política. A consolidação do trabalho livre e assalariado fortaleceu o mercado interno brasileiro e criou condições para o desenvolvimento industrial. Com a extinção do tráfico negreiro e a entrada maciça de imigrantes europeus, abriu-se a possibilidade do desenvolvimento da chamada economia familiar: pequenas propriedades, voltadas para o abastecimento do mercado interno. Pressionado pela aristocracia rural, o governo imperial aprovou, em 1850, a chamada Lei das Terras, determinando que as terras públicas só poderiam tornar-se privadas mediante a compra. Dado ao preço elevado das terras, pessoas de poucos recursos não tinham acesso, evitando desvio de mão-de-obra para outras atividades que não fossem o setor agroexportador. O surto industrial O desenvolvimento industrial brasileiro está relacionado com a promulgação, em 1844 da tarifa Alves Branco, que aumentou as taxas alfandegárias sobre os artigos importados; o fim do tráfico negreiro foi um fator que também favoreceu o florescimento industrial, pois os capitais destinados ao comércio de escravos passaram a ser empregados em outros empreendimentos e, com a vinda dos imigrantes e da consolidação do trabalho assalariado, houve uma ampliação do mercado consumidor. O maior destaque industrial do período foi, sem dúvida nenhuma, Irineu Evangelista de Souza, o barão de Mauá. Dirigiu inúmeros empreendimentos, tais como bancos, companhias de gás, companhias de navegação, estradas de ferro, fundição, fábrica de velas. No campo das comunicações, trabalhou na

instalação de um cabo submarino ligando o Brasil à Europa. O surto industrial e a chamada "Era Mauá", entraram em crise a partir de 1860, com a tarifa Silva Ferraz, que substituiu a tarifa Alves Branco. Houve uma redução nas taxas de importação e a concorrência inglesa foi fatal para os empreendimentos de Mauá. A queda da monarquia brasileira A queda monarquia brasileira está relacionada às mudanças estruturais que ocorreram no Brasil ao longo do século XIX: a modernização da economia, o surto industrial, a substituição do trabalho escravo pelo trabalho livre e assalariado, o abolicionismo, o movimento republicano, o choques com a Igreja e o Exército. O movimento abolicionista A campanha pela abolição da escravidão ganhou impulso com o final da guerra do Paraguai. Muitos soldados negros que lutaram na guerra foram alforriados. Organizaram-se no país vários "clubes" que discutiam a questão. Visando diminuir as pressões internas e externas(a Inglaterra tinha interesses na abolição), o governo imperial iniciou uma série de reformas, com o intuito de reduzir a escravidão: -Lei do Ventre Livre (1871)- filhos de escravas nascidos a partir daquela data seriam considerados livres. Os seus efeitos foram reduzidos visto que o escravo ficaria sob a tutela do proprietário até os oito anos, cabendo a este o direito de explorar o trabalho do escravo até este completar 21 anos de idade. -Lei dos Sexagenários (1885)- libertava os escravos com acima de 65 anos de idade. Esta lei ficou conhecida como "a gargalhada nacional". Primeiro pelo reduzido número de escravos libertados, uma vez que poucos atingiam tal idade; além disto, um escravo com mais de 65 anos representava um custo ao grande proprietário, não tendo condições alguma de trabalhar. Por fim, depois da libertação, o negro deveria dar mais três anos de trabalho ao senhor, como forma de indenização!! -Lei Áurea (1888)- decretava, no dia 13 de maio, a libertação de todos os escravos no Brasil. A abolição da escravidão no Brasil foi um duro golpe aos grandes proprietários de terras escravocratas, que passaram a combater a Monarquia. São os chamados "Republicanos de 13 de maio". A questão religiosa Choque do governo imperial com a Igreja Católica, em virtude do regime do padroado, ou seja, o poder do imperador de nomear bisposficando a Igreja subordinada ao Estado. Em 1864, o Papa Pio IX, através da bula Sillabus proibiu a perman6encia de membros da maçonaria dentro da organização eclesiástica. O imperador, membro da maçonaria, rejeitou a bula. Porém, dois bispos obedeceram o papa e expulsaram párocos ligados à maçonaria. Os bispos foram condenados à prisão com trabalhos forçados, sendo anistiados pouco depois. Os bispos eram D. Vidal de Oliveira da diocese de Olinda, e D. Antônio de Macedo da diocese de Belém. O episódio deixou claro que, caso houvesse uma conspiração contra a Monarquia, esta não receberia o apoio da Igreja. A questão militar Desde o final da Guerra do Paraguai, o exército vinha exigindo uma maior participação nas decisões políticas do império. A insatisfação política, as idéias positivistas e os baixos soldos levaram os militares, através da imprensa, a criticarem a monarquia. Em 1883, o tenente-coronel Sena Madureira criticou as reformas no sistema de aposentadoria militar, sendo punido. O governo proibiu qualquer tipo de declaração política dos militares na imprensa. Em 1885, o coronel Cunha Matos do Piauí, utilizou-se da imprensa para defender-se da acusação de desonesto, sendo preso por 48 horas. A punição provocou um mal-estar na alta oficialidade, reclamando da interferência civil sobre os assuntos militares. Entre os oficiais descontentes com a Monarquia estava o marechal Deodoro da Fonseca.

O movimento republicano O movimento republicano iniciou-se em 1870, com a fundação do Clube Republicano e do jornal "A República" e o lançamento do "Manifesto Republicano". O Partido Republicano apresentava duas correntes: os evolucionistas, liderados por Quintino Bocaiúva, que defendiam a via pacífica para atingir o poder; os revolucionários, sob a liderança de Silva Jardim, que pregavam a revolução e a participação popular. O movimento de 15 de novembro foi conduzido pelos evolucionistas. Entre os republicanos militares, as idéias de Augusto Comte foram muito difundidas, principalmente por Benjamin Constant -trata-se do positivismo, cujo lema era "Ordem e progresso". A proclamação da República Em 1888, um novo gabinete fora nomeado, tendo como primeiro ministro Afonso Celso de Oliveira Figueiredo, o visconde de Ouro Preto. Este iniciou um amplo programa reformista procurando salvar a monarquia. No dia 14 de novembro de 1889 foi divulgado um boato de que o visconde de Ouro Preto havia decretado a prisão de Deodoro da Fonseca e Benjamin Constant. Os militares rebelaram-se e na madrugada do dia 15, o marechal Deodoro da Fonseca assumiu o comando dos rebelados que marcharam em direção ao centro da cidade. Na tarde de 15 de novembro de 1889, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, José do Patrocínio declarava a proclamação da República. O movimento, elitista e que não contou com a participação popular, foi aplaudido e incentivado pela burguesia cafeicultora do Oeste Paulista, pois o ideal republicano envolvia a idéia de federação, ou seja, grande autonomia aos estados membros. Desta forma, a província de São Paulo ocuparia um ligar de destaque no Estado republicano, como se verá adiante.

Primeira Guerra Mundial

Atentado contra arquiduque deu início ao conflito

Novas armas, como o avião, foram marca da Primeira Guerra Mundial
Se o atentado terrorista nas torres gêmeas do World Trade Center, em 11 de setembro de 2001, foi o acontecimento que marcou o início do século 21, a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) foi o que marcou o início do século 20. Nos primeiros anos do século passado, a situação mundial aparentava ser de relativa tranqüilidade. Muitas pessoas, na Europa, principalmente, acreditavam que as guerras entre as potências eram coisa do passado, que estava tendo início uma era de paz e progresso permanente. Mas a dura realidade dos fatos mostrou o quanto a idéia de um mundo em paz era ilusória. Hoje, a Primeira Guerra Mundial pode nos parecer um fato muito distante e não despertar tanto a curiosidade do público quanto a Segunda Guerra Mundial. No entanto, a Primeira Guerra e suas conseqüências estão entre as principais causas da Segunda Guerra. Vale lembrar que entre os que lutaram na Primeira Guerra estava um cabo do exército alemão que anos mais tarde se tornaria mundialmente conhecido: um certoAdolf Hitler... Qual foi a causa da Primeira Guerra Mundial? O fato que deflagrou a Primeira Guerra foi o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono austríaco, e sua esposa no dia 28 de junho de 1914. O arquiduque e sua esposa foram mortos a tiros em Sarajevo, capital da Bósnia. O assassino foi um estudante nacionalista sérvio. A Áustria apresentou um ultimato à Sérvia e exigiu uma resposta dentro de 48 horas. Os termos desse ultimato eram tão humilhantes que era quase impossível a Sérvia aceitá-los. Assim, a Áustria, que era aliada da Alemanha, declarou guerra à Sérvia, que era aliada da Rússia, essa por sua vez, era aliada da França e da Inglaterra. Na verdade, o assassinato do arquiduque serviu de pretexto para que os países entrassem em guerra. Desde 1871, as potências européias estavam em paz umas com as outras, mas todas estavam envolvidas numa corrida armamentista, isto é, todas estavam investindo em gastos militares, cada uma procurando superar as outras em armamentos. O que foi a "paz armada"? Por isso, se diz que a paz que havia entre as potências européias antes da Primeira Guerra era uma "paz armada". Além disso, havia muita rivalidade entre as potências européias, especialmente entre a França e a Alemanha. Boa parte dessa rivalidade entre franceses e alemães tinha origem nos ressentimentos gerados pela Guerra Franco-Prussiana (1870-1871).

Uma das principais razões para a rivalidade entre os países europeus era a corrida colonialista, ou seja, a disputa pelo controle de territórios na África e na Ásia. Vale lembrar que, naquela época, os europeus se julgavam superiores aos africanos e asiáticos (a própria "ciência" da época era racista) e encaravam com muita naturalidade a idéia de dominar os povos considerados "inferiores" para explorar as riquezas dos continentes africano e asiático. Quem lutou contra quem na Primeira Guerra? Antes de a guerra começar, as principais potências européias já tinham formado alianças militares: a Tríplice Aliança (formada por Alemanha, Itália e Império Austro-Húngaro) e a Tríplice Entente (formada por Inglaterra, França e Rússia). Ao fazer parte de uma dessas alianças, cada país membro comprometia-se a entrar em guerra caso um dos aliados estivesse envolvido numa guerra. Por exemplo, se a França entrasse em guerra com a Alemanha, a Inglaterra e a Rússia entrariam na guerra ao lado França. Assim, quando a guerra começou, de um lado estavam a Inglaterra e a França, do outro, a Alemanha e o Império Austro-Húngaro. A exceção foi a Itália, que apesar de fazer parte da Tríplice Aliança permaneceu neutra na guerra até maio de 1915, quando "trocou de time", entrando na guerra ao lado dos países que formavam a Tríplice Entente.

Essa "mudança de time" tinha uma razão: a Itália entrou na guerra sob a promessa de seus novos aliados de que receberia o território de regiões fronteiriças da Áustria. Em 1917, a Inglaterra e a França perderam um aliado, a Rússia, mas em compensação ganharam outro, os Estados Unidos. Naquele ano, a Rússia havia passado por uma revolução que derrubou a monarquia russa e um novo governo acabou assinando uma paz em separado com os alemães, o Tratado de Brest-Litovski. A saída da Rússia foi vista como uma traição por seus antigos aliados. Os Estados Unidos declararam guerra à Alemanha após vários navios norte-americanos serem torpedeados por submarinos alemães. Isso aconteceu porque os Alemanha havia decidido torpedear todos os navios que fossem encontrados em águas inimigas, mesmo que esses navios fossem de países neutros (navios brasileiros também foram afundados) e os Estados Unidos eram os principais fornecedores de matérias-primas para a Inglaterra. Outro país que entrou na guerra era o Japão. O objetivo do Japão era apoderar-se de colônias alemãs no Oriente: Tsingtao, na China, e as Ilhas Carolinas, Marshall e Marianas, localizadas no Oceano Pacífico.

Todos os países participaram? Quem venceu?
Nem todos os países participaram da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), mas as principais potências da época estiveram envolvidas. A maioria dos principais países envolvidas na Primeira Guerra era do continente europeu. As batalhas mais importantes também se desenrolaram na Europa. Países de outros continentes também acabaram participando da guerra, mas se envolveram em função do que estava acontecendo na Europa. Entre os países não-europeus que participaram da guerra estavam os Estados Unidos e o Japão (que foram aliados na Primeira Guerra e inimigos na Segunda Guerra). Quando a Primeira Guerra começou, quem detinha maior influência mundial era a Europa (especialmente a Inglaterra) e não os Estados Unidos, como acontece nos dias de hoje. Vale lembrar que, desde o início da guerra, a Inglaterra recebeu o apoio de outros países de língua inglesa localizados fora da Europa (com exceção dos Estados Unidos que entrou mais tarde), como o Canadá, na América do Norte, a Austrália e a Nova Zelândia, esses últimos localizados na Oceania.

"Aliados, avante à vitória", diz o cartaz de 1914

O Brasil participou da Primeira Guerra? O Brasil chegou a declarar guerra à Alemanha em 27 de outubro de 1917, meses após navios mercantes brasileiros serem afundados por submarinos alemães. Antes disso, o poeta Olavo Bilac fundou a Liga de Defesa Nacional, organização que defendia a entrada do Brasil na guerra e a implantação do serviço militar obrigatório. A marinha brasileira organizou uma esquadra para patrulhar o Atlântico, que em agosto de 1918 partiu da ilha de Fernando de Noronha rumo à África. Mas, já em Dacar, no Senegal, 156 tripulantes foram mortos pela chamada gripe espanhola, verdadeira epidemia que assolou o mundo naquela época, matando milhares de pessoas. Em 10 de novembro, a esquadra chegou a Gibraltar, e no dia seguinte foi informada do fim da guerra. O Brasil também enviou uma equipe médica que prestou ajuda na França. A participação do Brasil na Primeira Guerra foi muito reduzida, ao contrário do que viria a acontecer na Segunda Guerra, em que o país teve uma participação bem mais atuante. Para a economia brasileira, a Primeira Guerra representou um período de crescimento: houve aumento das exportações brasileiras de matérias-primas e um crescimento das indústrias (numa época em que a maioria dos brasileiros ainda vivia no campo e não na cidade). O que a Primeira Guerra tinha de diferente das guerras anteriores? Antes de tudo, vale lembrar que "Grande Guerra" foi o nome dado ao conflito pelas pessoas que a viveram. O nome "Primeira Guerra Mundial" só surgiu com a Segunda Guerra Mundial, que envolveu um número de países maior do que a Primeira. Uma das grandes diferenças em relação às guerras anteriores foi ouso de novas armas que aumentaram em muito em capacidade de destruição: metralhadoras, gases venenosos, aviões e submarinos. Um único soldado armado com uma metralhadora podia matar a distância mais homens do que vários soldados armados com baionetas. Os alemães foram os primeiros a utilizar armas químicas, entre as quais, estava o gás mostarda que asfixiava as vítimas e tinha grande poder de corrosão. Para se proteger dos ataques dessas armas químicas, os soldados ingleses foram os primeiros a usar máscaras de proteção. No início, os aviões eram usados apenas para observação e espionagem, mas logo passaram a ser usados também para ataques aéreos. Os submarinos foram bastante utilizados pela marinha alemã para afundar tanto navios inimigos quanto navios mercantes de nações neutras que comerciavam com os países inimigos da Alemanha. Com essas novas armas, a cavalaria que era o orgulho dos exércitos, tornou-se praticamente obsoleta. O número de baixas (mortos e feridos) na Primeira Guerra Mundial foi muito superior ao de guerras anteriores. Enquanto a Guerra franco-Prussiana (1870-1871) teve uma média estimada de quase novecentas baixas por dia, a Primeira Guerra Mundial teve uma média de pouco mais de cinco mil e

quinhentas baixas por dia. Tudo isso contribuiu para acabar com a imagem romântica e heróica que muita gente tinha da guerra. Quem venceu a Primeira Guerra? Talvez, fosse mais adequado perguntarmos se houve vencedores. Não há dúvidas que a Alemanha foi a grande derrotada na Primeira Guerra. Quando a guerra acabou, Inglaterra, França e seus aliados foram aparentemente os grandes vencedores. Mas se considerarmos as condições em que a guerra terminou e o fato de que os tratados de paz firmados após o final do conflito não evitaram uma nova guerra (a Segunda Guerra Mundial), podemos afirmar que a médio e longo prazo todos acabaram perdendo. O que foi o Tratado de Versalhes? O Tratado de Versalhes, firmado em 1919, impôs duras condições à Alemanha, que foi obrigada a pagar altas indenizações à França. A própria escolha do local onde foi assinado o tratado era um indício do desejo de vingança dos franceses em relação aos alemães: a Sala dos Espelhos do Palácio de Versalhes, em Paris, o mesmo em que Bismarck, o responsável pela unificação da Alemanha, havia proclamado em 1871 o Segundo Reich (Segundo Império) alemão, após a derrota francesa na Guerra Franco-Prussiana. Entre os vencedores, a França foi a principal responsável pelo Tratado de Versalhes. A própria Inglaterra chegou mesmo a defender a revisão do tratado, para aliviar as condições impostas à Alemanha. Os Estados Unidos não ratificaram o tratado. Vários militares alemães jamais reconheceram a derrota alemã e sentiram-se traídos pelas condições impostas no Tratado de Versalhes. Na visão desses militares alemães, como a guerra havia acabado com um armistício, isto é uma trégua, era impossível reconhecer a derrota. Os italianos também sentiram-se traídos, porque apesar de terem lutado do lado dos vencedores, a Itália não recebeu os novos territórios prometidos. Esses ressentimentos iriam favorecer o surgimento de duas ditaduras: na Itália, o fascismo de Benito Mussolini, na Alemanha, o nazismo de Hitler. Uma nova guerra estava a caminho...

Revolução Russa ou Revolução Bolchevique
A corrente teórica do Socialismo Científico, ou do Marxismo, desenvolvida pelos filósofos e pensadores Karl Marx e F. Engels no século XIX acabaram por influenciar o processo revolucionário russo no início do século XX. Na segunda metade do século XIX, Marx e Engels tornaram-se as expressões filosóficas de combate ao modo de produção capitalista. Ambos compreendiam o capitalismo como um sistema injusto que gera pobreza, miséria, desigualdades e injustiças sociais, políticas e econômicas em geral devido a forteexploração do capital sobre a força de trabalho do operariado (ou proletariado). Marx sustentava que ocapital era o responsável maior pela situação de exploração e miséria vivida pelos operários de fábricas. Segundo ele, com a apropriação dos meios de produção, a burguesia se tornou uma classe privilegiada (econômica, política e socialmente), dona do capital gerada pela produção fabril, que compra a força de trabalho do operário, o único bem que lhe restou, sob forma de salário. Mediante este quadro, Marx afirmava que o sistema capitalista deveria ser superado e que a única classe social que tinha a força para esta tarefa era o proletariado. O caminho, ou a maneira de realizar esta superação, segundo Marx, era a revolução. Em seus inúmeros livros e textos que publicou, Marx (sempre em companhia de Engels que co-assinava as obras) deixou claro que a classe operária era a única capaz de derrubar com a ordem burguesa, logo, com o capitalismo. Com isso, Marx não só criou uma doutrina filosófica e política em oposição ao capitalismo, como também conquistou diversos seguidores, que eram, em geral, intelectuais que estudavam seus textos e livros, compreendendo-os, interpretando-os e ensinando a doutrina marxista a hordas de operários por meio de sindicatos, partidos políticos de esquerda (como a Social-Democracia) e demais organizações operárias. Desde as últimas décadas do século XIX que o marxismo ganhava adesões e força enquanto uma doutrina de pensamento coerente e capaz de provocar a superação do modo de produção capitalista. Não à toa que geralmente burgueses e políticos de direita, até hoje, odeiam K. Marx e seus escritos, assim como, seus seguidores.

Breve História do Socialismo Europeu no século XIX e início do século XX
O Socialismo na Europa, na versão de alguns historiadores, tem suas origens no períodojacobino durante a Revolução Francesa do final do século XVIII. Para alguns analistas, os jacobinos, entre 1793 e 1794, teriam experimentado a construção de uma sociedade justa e igualitária tendo o voto universal (ou o sufrágio universal) como uma das bases da igualdade jurídica e social entre os cidadãos franceses. Porém, para a grande maioria o Socialismo tal como o conhecemos na teoria, teve suas origens com os chamados Socialistas Utópicoscomo Saint-Simon (1760-1825), Robert Owen (1711-1858), Charles Fourier (1772-1837), Louis Blanc (1811-1882) e Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865). O Socialismo defendido por estes autores foi, mais tarde, denominado de socialismo utópico por seus opositoresmarxistas (os quais, por oposição, se autodenominavam socialistas "científicos"), e vem do fato de seus teóricos exporem os princípios de uma sociedade idealsem indicar os meios para alcançá-la. O nome vem da obra Utopia de Thomas More (1478-1535). Mas, foi com o marxismo, ou socialismo científico que a expressão adquiriu força vindo a ser acorrente ideológica de oposição ao sistema capitalista de produção. A sociedade européia na primeira metade do século XIX estava dividida entre duas forçasantagônicas: Liberalismo – corrente de pensamento que justificava o capitalismo, sobretudo na Inglaterra e na França, e sua propagação – e Santa Aliança – corrente de pensamento desenvolvida partir do Congresso de Viena (1815) que legitimava, propondo uma restauração, o Absolutismo Monárquico e defender o sistema absolutista onde este era ainda uma realidade política em países como Rússia, Portugal, Espanha, Áustria e Prússia. Para que o sistema capitalista, logo a consolidação burguesa, pudesse concretizar-se, em 1820, 1830 e 1848revoluções burguesas ocorreram em diversos países europeus, sendo as revoluções de 1820 e 1830, mais conhecidas como Revoluções Liberais burguesas, ocorreram graças a uma aliança entre burguesia e proletariadolutando contra as forças conservadoras – aristocracia. Já as revoluções de 1848, apesar de intituladas também de Revoluções Liberais burguesas, marcou a luta entre burguesia, em aliança política e social com a aristocracia, contra o proletariado que nesse momento avança por meio do movimento operário em nome dos direitos sociais e políticos dos trabalhadores e de sua participação representativa no poder político do Estado. Convém lembrar que em

1848, Marx e Engels publicaram o “Manifesto Comunista” – livro este que se tornou o manual de instruções revolucionárias para o proletariado. Considerando a segunda metade do século XIX, quando o movimento operário já era mais forte e autônomo – muitas organizações operárias de esquerda já eram realidades e travavam lutas contra a exploração capitalista. Organizações tais como centrais sindicais, Partidos SociaisDemocratas, associações mútuas de trabalhadores, as organizações anarco-sindicalistas, entre outras – foi fundado em 1864 a AIT –Associação Internacional dos Trabalhadores que contou com as presenças de Marx e do russo Mikail Bakunin (fundador do Anarquismo) entre outros intelectuais de esquerda – em Londres onde se realizou o encontro dos principais líderes do movimento operário. Nesse evento os líderes das classes operárias traçaram estratégias de como doutrinar o proletariado para que pudesse, de modo concreto, fazer a revolução superando a ordem burguesa, logo, a sociedade capitalista de produção. Em 1871, surgiu na França a Comuna de Paris. Depois da derrota francesa perante as forças militares prussianas na Guerra Franco-Prussiana em que a França perdeu os territórios de Alsácia e Lorena, NapoleãoIII (sobrinho de Napoleão Bonaparte-I), então Imperador do país, governava em favor dos interesses econômicos, políticos e sociais burgueses deixando de lado a situação de miséria da maioria da população e seus interesses prioritários. Durante a Guerra Franco-Prussiana, as províncias francesas elegeram para a Assembléia Nacional uma maioria de deputados monarquistas francamente favorável à capitulação ante a Prússia. A população de Paris, no entanto, opunha-se a essa política. Thiers, elevado à chefia do Gabinete conservador, tentou esmagar os insurretos. Estes, porém, com o apoio da Guarda Nacional, derrotaram as forças legalistas, obrigando os membros do governo a abandonar precipitadamente a capital francesa, onde o comitê central da Guarda Nacional passou a exercer sua autoridade. A Comuna de Paris -considerada a primeira República Proletária da história - adotou uma política de caráter socialista, baseada nos princípios da Primeira Internacional. Porém, o governo socialista dos chamados comunardos ou comunards teve uma efêmera (curta) duração e acabou ficando conhecida como o Grande Ensaio já que provara que uma revolução proletária era possível de ocorrer, desde que o proletariado estivesse pronto para isso e que um governo socialista também era possível de ser constituído. Já no início do século XX, nas duas primeiras décadas (1900-1910 / 1910-1920) a corrente filosófica do marxismo contava com inúmeros adeptos espalhados pela Europa , pela América e em alguns outros cantos como na China, por exemplo. Os textos e livros deixados por Marx, como herança, serviam para estimular estudos, interpretações, reinterpretações e debates, assim como, servia para a militância dos grupos de esquerdaem suas lutas contra o sistema capitalista tendo como palavra de ordem: a Revolução Operária – esta deveria ocorrer a qualquer custo nos diversos países capitalistas. Alguns líderes, ou intelectuais, marxistas mais atuantes no início do século XX eram: Lênin; Leon Trotsky; Karl Kaustsky; Rosa de Luxemburgo; Antônio Gramsci; Togliatti; Mao Tsé Tung; entre outros de peso, inclusive brasileiros (estes atuavam no Brasil, é claro). Devido as ações dos marxistas e das organizações de esquerda, entre estas a Segunda Internacional Operária, que o Socialismo Científico, ou o Marxismo tornou-se efetivamente uma corrente ideológica de oposição ao Capitalismo e seus modelos de acumulação e de exploração. Isto é, a partir do século XX, ser marxista significava ser adepto às idéias de Karl Marx, ser anticapitalista e ser a favor da luta operária em direção a tomada do poder do Estado pela revolução.

O Império Russo: o país antes da Revolução
Antes da revolução operária-campesina na Rússia, esta era um enorme Império. Há mais de 500 anos que a Rússia era governada por Czares (Imperadores), ou Czarinas (Imperatrizes) os quais possibilitaram, por meio de seus respectivos projetos, construírem um Império de dimensões territoriais gigantescas, com um Estado único (central) e com uma sociedade baseada nas relações de servidão, tendo uma classe aristocrática como governante, mandatária e com privilégios políticos, econômicos e sociais assegurados pelo poder do Estado Imperial. Pedro-III (também conhecido por Pedro, o Grande); Catarina-II (também conhecida por Catarina, a Grande); Paulo-I; Alexandre-I; Alexandre-II, Alexandre-III; Nicolau-II (este último era Imperador quando da Revolução em 1917), são apenas alguns dos Imperadores russos que fizeram da Rússia um grande Império. Palácios luxuosos – como o Palácio de Inverno na cidade São Petersburgo – palacetes; ambientes requintados; objetos de luxo; privilégios políticos e sociais em geral; e demais mordomias, criavam

um enorme abismo econômico, político e social entre as elites aristocráticas (realeza e nobreza) e população em geral – formada por maioria de camponeses e população assalariada urbana. A servidão era uma das bases econômicas e sociais porque refletia as relações sociais de produção predominantes e estas eram as obrigações da massa campesina para com os nobres latifundiários. Economicamente a Rússia era um país agrário - isto é, de produção principal a agricultura – e latifundiário. Nas cidades, já no século XIX, haviam pequenas indústrias, mas de produção manufatureiro artesanal e não eram predominantes. A Rússia era muito atrasada em termos econômicos se comparada a outros países ocidentais industrializados, capitalistas. O atraso econômico colocava a Rússia numa condição de país sem perspectivas de crescimento mesmo quando Alexandre-II iniciou reformas econômicas objetivando a modernização da sociedade russa por meio da industrialização, projeto este que sofria com resistências por parte de grupos aristocráticos dominantes que não desejavam perder seus privilégios. Já Alexandre-III estagnou com o projeto modernizador porque era um aliado das tradições e, logo, dos grupos d eelite contrários à modernização. O único projeto que na Rússia era bem sucedido, era o projeto expansionista. Os Czares direcionavam muito bem a expansão externa conquistando territórios o que fez do país um imenso Império. Na segunda metade do século XIX e início do século XX a Rússia era um país imperialistaporque disputava territórios com o Império Austro-Húngaro – no caso, a região dos Balcãs – e com o Japão – em 1905 houve a guerra russo-japonesa pela disputa pelo norte da China, a regão de Xantung na Manchúria. Convém lembrar ainda que a Rússia participou da Primeira Guerra Mundial muito embora tenha saído derrotada em 1917 e em 1918 o novo governo Bolchevique assinou junto a Alemanha o Tratado de Brest-Litovsk – região da atual Polônia fundada no século XI que foi anexada à Rússia em 1975.

A Revolução Bolchevique:
Tendo em vista os graves problemas econômicos, políticos e sociais que se aprofundavam na sociedade russa e mais a sua desastrosa participação na Primeira Guerra Mundial, a população foi se revoltando contra a tirania e os descasos do Imperador Nicolau-II e da elite aristocrática. Apesar de ignorar os problemas que atingiam a população russa, Nicolau-II deu importância a projetos modernizadores da sociedade estabelecendo contatos com países capitalistas ocidentais o que fazia parte do grande projeto externo do Estado russo: a expansão. Portanto, Nicolau-II procurou facilitar a entrada de capitais estrangeiros para promover a industrialização do país, principalmente somas de capitais da França, da Alemanha - as relações econômicas e financeiras com esta se estabeleceram antes da rivalidade posterior - da Inglaterra e da Bélgica, esse processo de industrialização ocorreu posteriormente à da maioria dos países da Europa Ocidental. O desenvolvimento capitalista russo foi ativado por medidas como o início da exportação do petróleo, a implantação de estradas de ferro e da indústria siderúrgica. Os investimentos industriais foram concentrados em centros urbanos populosos, como Moscovo, São Petersburgo, Odessa e Kiev. Nessas cidades, formou-se um operariado de aproximadamente 3 milhões de pessoas, que recebiam salários miseráveis e eram submetidas a jornadas de 12 a 16 horas diárias de trabalho, não recebiam alimentação e trabalhavam em locais imundos, sujeitos a doenças. Nessa dramática situação de exploração do operariado, as idéias socialistas (Socialismo Científico ou Marxismo) encontraram um campo fértil para o seu florescimento. O Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR): com o desenvolvimento da industrialização e o maior relacionamento com a Europa Ocidental, a Rússia recebeu do exterior novas correntes políticas que se chocavam com o antiquado absolutismo do governo russo. Entre elas destacou-se a corrente inspirada no marxismo, que deu origem ao Partido Operário Social-Democrata Russo. O POSDR foi violentamente combatido pela Ochrana – Polícia de Estado do governo. Embora tenha sido desarticulado dentro da Rússia em 1898, voltou a organizar-se no exterior, tendo como líderes principais Gueorgui Plekhanov, Vladimir Ilyich Ulyanov - conhecido como Lênin - e Lev Bronstein - conhecido como Trotski. A divisão do Partido: mencheviques e bolcheviques: em 1903, divergências quanto à forma de ação revolucionária (questão conceitual) levaram os membros do partido POSDRa se dividir em dois grupos básicos:

os mencheviques: liderados por Martov, defendiam que os trabalhadores podiam conquistar o poder participando normalmente das atividades políticas. Acreditavam, ainda, que era preciso esperar o pleno desenvolvimento capitalista da Rússia e o desabrochar das suas contradições, para se dar início efetivo à ação revolucionária. Como esses membros tiveram menos votos em relação ao outro grupo, ficaram conhecidos como mencheviques, que significa minoria –socialistas brancos. os bolcheviques: liderados por Lênin, defendiam que os trabalhadores somente chegariam ao poder pela luta revolucionária. Pregavam a formação de uma ditadura do proletariado – o Socialismo segundo a tradição marxista ortodoxa, na qual também estivesse representada a classe camponesa. Como esse grupo obteve mais adeptos, ficou conhecido comobolchevique, que significa maioria – socialistas vermelhos. Trotsky, que inicialmente não se filiou a nenhuma das facções, aderiu aos bolcheviques mais tarde.

A Revolta de 1905: o ensaio para a revolução: em 1904, a Rússia, que desejava expandir-se para o oriente, entrou em guerra contra o Japão devido à posse da Manchúria,mas foi derrotada. A situação socio-econômica do país agravou-se e o regime político do czar Nicolau II foi abalado por uma série de revoltas, em 1905, envolvendo operários, camponeses, marinheiros - como a revolta no navio encouraçado Potemkin e soldados do exército. Greves e protestos contra o regime absolutista do czar explodiram em diversas regiões da Rússia. Em São Petersburgo, foi criado um sovietes - conselhos operários constituídos dentro das fábricas e surgidos espontaneamente - para auxiliar na coordenação das várias greves e servir de palco de debate político. Diante do crescente clima de revolta, o Czar Nicolau II prometeu realizar, pelo Manifesto de Outubro, grandes reformas no país: estabeleceria um governo constitucional, dando fim ao absolutismo, e convocaria eleições gerais para o parlamento - aDuma - que elaboraria uma constituição para a Rússia. Os partidos de orientação liberal burguesa, como o Partido Constitucional Democrata ou Partido dos Cadetes, deram-se por satisfeitos com as promessas do Czar, deixando os operários excluídos. Terminada a guerra contra o Japão, o governo russo mobilizou as suas tropas especiais cossacos - para reprimir os principais focos de revolta dos trabalhadores. Diversos líderes revolucionários foram presos, desmantelando-se o Soviete de São Petersburgo. Assumindo o comando da situação, Nicolau II deixou de lado as promessas liberais que tinha feito no Manifesto de Outubro. Apenas a Dumacontinuou funcionando, mas com poderes limitados e sob intimidação policial das forças do governo. A Revolução Russa de 1905, mais conhecida como "Domingo Sangrento", tinha sido derrotada por Nicolau II, mas serviu de lição para que os líderes revolucionários avaliassem seus erros e suas fraquezas e aprendessem a superálos. Foi, segundo Lenin, um ensaio geral para a Revolução Russa de 1917.

A Revolução de Fevereiro e Outubro de 1917: o ano de 1917 foi definitivo para a Revolução Bolchevique. Foi neste ano que o processo revolucionário se radicalizou, porque a luta armada, envolvendo de um lado operários,soldados, marinheiros, desempregados – estes formando os imenso grupo dos sovietes, liderados pelos bolcheviques e apoiados pelos mencheviques, agindo nos centros urbanos e mais os camponeses – estes organizados em ligas campesinas que atuavam nas áreas rurais – e do outro, forças militares que apoiavam a Duma, foi travada ocorrendo a vitória dos bolcheviques os quais assumiram o poder político do Estado russo neste ano de 1917. Os dois momentos da revolução no ano de 1917 podem ser assim resumidos:

A Revolução de Fevereiro de 1917 (março de 1917, pelo calendário ocidental), que derrubou a autocracia do Czar Nicolau II da Rússia, o último Czar a governar, e procurou estabelecer em seu lugar uma república de cunho liberal. Isto é, neste primeiro momento a vitória revolucionária era da Dumatendo a burguesia russa assumido o controle político do estado russo. A Revolução de Outubro (novembro de 1917, pelo calendário ocidental), na qual o Partido Bolchevique, liderado por Vladimir Lênin, derrubou o governo provisório da Duma e impôs o governo Socialista. Foi a partir deste novo modelo de Estado – o Estado Socialista – que os bolcheviques iniciaram a construção do Socialismo Real já que prevaleceu a ditadura, mas não do

proletariado como previra Marx em suas teorias, e sim a ditadura do Partido Único – o Partido Comunista, que não admitia oposições políticas. A década que se seguiu o ano da revolução de 1917, a década de 1920, foi de construção do governo socialista. No início da década de 1920, o pós-revolução conheceu as seguintes etapas: Comunismo de Guerra – 1917-1921; N.E.P. – Nova Política Econômica – 1921-1924; e a Era Stalinista (ou Stalinismo de Estado) – 1925-1954.

Período Entre Guerras
Logo após a 1ª Guerra Mundial, a Europa, principalmente a Alemanha, a qual foi mais prejudicada com o conflito, está em transformação. Na Alemanha surgem, as classes ocas (uma diminuição da população na faixa etária de 20 a 40 anos, ocorrendo um declive demográfico) e um sentimento de profunda indignação com relação as decisões do Tratado de Versalhes. A França, mais prejudicada pela primeira guerra, é categórica em querer que a Alemanha cumpra à risca o Tratado de Versalhes e pague as dívidas de guerra. A Grã-Bretanha é mais suave em relação à efetivação do tratado, pois, percebe que a França quer se aproveitar da situação para adquirir a hegemonia continental, e decide ajudar a Alemanha a levantar-se. A Alemanha não quer pagar a França, e esta invade o Ruhr (vale dorio Ruhr) onde estão as minas de carvão e ferro, suportes da industria da época, sendo desaprovada pela Grã-Bretanha e pelos Estados Unidos. Na economia interna alemã vemos, uma grande inflação: o marco está extremamente desvalorizado, com uma emissão de moeda desgovernada. Socialmente surgem, subversões: os excombatentes, insatisfeitos por terem lutado, perdido e, ainda, estarem pagando a dívida, têm uma tendência à rigidez militar, luta armada, ou seja, a ditadura. Surge também uma classe de enriquecidos, que se aproveitou da guerra, e de empobrecidos, que emprestaram dinheiro ao Estado e não receberam de volta. A crise do Ruhr arruina os poupadores. Existe um sistema democrático, mas, uma grande pobreza, campo fértil para o totalitarismo. Com a guerra, também há necessidade de concentrar esforços, mobilizar homens e recursos. Essas tarefas ficam a cargo do Estado, que se fortalece. Aqui aumenta o papel do executivo, contrariando as leis liberais de não intervenção do Estado. Nesse meio tempo, também está acontecendo a revolução soviética, comunista e, portanto, um perigo visível para capitalismo europeu e mundial. Aumenta, assim, a ajuda econômica para a reconstrução da Alemanha, lhe é permitida a organização de um exercito nacional. A Alemanha torna-se um obstáculo geográfico ao avanço comunista. O espírito humano, após uma guerra, também muda; percebe-se a perenidade da vida. No tocante a religião, a provação despertou com freq ência o sentimento religioso… Por haverem deixado as Igrejas, em todos os países, envolver no esforço da guerra esta divorciou da fé um semnúmero de espíritos. Percebe-se que há uma volta à religiosidade, mas, também, um abandono da fé. O efeito sobre os espíritos traz novas concepções: * Abala os valores liberais, pois, não é quem trabalha que próspera, mas, sim, quem especula. * Fortifica-se o pensamento de gozar a vida, pois, vem a guerra e perde-se tudo. * O nacionalismo, que vai ser um dos suportes da ideologia nazista. A Europa também se percebe, não mais como o centro do mundo, mas como uma devedora diante de uma potência em ascensão chamada de Estados Unidos da América. Nesse período, na Alemanha, começam a eclodir ataques terroristas e, em Munique um obscuro agitador chamado Adolf Hitler começa a escrever seu nome no lado negro da história. Como o idealizado da 2ª guerra mundial, cujos agravantes redigirei a seguir. O Tratado de Versalhes Em julho de 1919 a Alemanha, vencida, assina com a Entente e seus aliados a Paz de Versalhes, em Paris. Não foi em vista do povo que sofria, mas para preservar o exército alemão. Existe uma divisão entre os vencedores. Os Ingleses e os americanos estão contentes por eliminar o competidor alemão. Desejam que a Alemanha se conserve Burguesa, Capitalista para impedir o comunismo Russo. Já a França, mais ferrenha em seus intuitos, queria anexar a margem esquerda do Reno, mantendo assim sua hegemonia na Europa continental. Em 28 de julho de 1919 os delegados Alemães assinaram o Tratado de Versalhes… atribuindo a Alemanha a responsabilidade moral pela guerra. A Alemanha foi destroçada com o tratado, foram retirados a oitava parte do seu território, sua população teve uma diminuição arrasadora, suas colônias foram para as mãos da Inglaterra e da França. O exército Alemão ficou reduzido a 100 mil homens, somente para a autodefesa nacional. O país não poderia ter industria bélica e nem construir aviões, tanques ou submarinos. Também não haveria escola de guerra e nem estado maior das forças armadas. O Tratado de Versalhes fez com que a Alemanha mergulhasse em uma crise econômica violenta. Diante disto, surgem as agitações e a propaganda nacionalista, usados mais tarde pelos nazistas. Mas, particularmente coloquemos como fato importante do Tratado de Versalhes para o ressurgimento da Alemanha, e de ela ter mantido a soberania nacional (o Reich continua intacto), pelo interesse que Inglaterra e Estados Unidos tinham em que ela fique forte para conter o comunismo soviético. Desejavam conservar uma Alemanha, suficientemente forte para manter o equilíbrio do poder

não só em relação à França, como também em relação a nascente R ssia Soviética… que atemorizava as classes médias européias com a ameaça do bolchevismo. O tratado não trouxe paz. Somente pôs mais lenha na fogueira. Onde os vencidos não foram ouvidos, receberam as condições e tiveram que aceitar, pois estavam numa situação de fome e cansaço. Sendo o tratado severo em leis, mas benigno em cobrar estas leis, não conseguiu conter o ressurgimento do nacionalismo alemão, baseado na injustiça sofrida, pois este veio novo e agressivo, racista e messiânico. Em 1919 a constituição de Weimar é promulgada instalando na Alemanha uma república democrática, com uma federação e um parlamento. Ela não é aceita. Surgem oposições. Os grandes proprietários não toleram a queda do marco e sabotam as empresas francesas no Ruhr. Assim começa a pregação contra o capitalismo estrangeiro e o internacionalismo comunista. Não podemos ignorar que atrás destes sistemas estão os judeus que começam a ser alvo do racismo que renasce. O ideal de um estado pangermânico também. Tudo nos leva a afirmar que o Tratado de Versalhes auxiliou para surgimento do nazismo. O Comunismo O comunismo vai contribuir para o surgimento da Alemanha Nazista de muitas formas, mas principalmente como ideologia que se opõe ao capitalismo. Mas esta ideologia não surgiu por acaso. Temos fatos históricos que se processam na Rússia, vamos ver algumas idéias deste processo histórico. A Rússia entra no século XX como a maior população da Europa (174 milhões). Mas também com grandes problemas sociais. Ela é essencialmente agrícola, quase feudal. Os camponeses viviam em situação precária, também os operários das poucas industrias existentes. Estes eram agitados freqüentemente por partidos clandestinos. O regime político era absolutista, centrado na pessoa do Czar. A burguesia russa era fraca, existia sim uma aristocracia rural com certo poder político e econômico. É neste contexto que se desenvolvem os partidos políticos, clandestinos, pois a organização czarista impossibilitava a existência de uma oposição. Os problemas aumentavam mais ainda quando o império entrava em guerras, flagelando mais ainda o seu povo já sofredor. Assim em 1905 temos um ensaio geral da revolução, quando a Rússia está no auge da depressão econômica e ainda sofre derrotas militares frente o Japão. As manifestações lideradas pelo Pe. Gapone são dissolvidas a bala, mas ainda conseguem algumas concessões diante do Czar, como a organização partidária. Sendo ela bolchevista e menchevista. Também se forma uma nova organização o soviete (comitê). Em 1917, a Rússia entra em guerra, há um descontentamento interno. Os soldados mal armados e alimentados, são derrotados. Surgem greves em Petrogrado, onde soldados se unem aos manifestantes e invadem prédios públicos. Três partidos se enfrentam, Democratas, Bolchevistas e Menchevistas. Feita a revolução começa uma guerra civil, de terror, para acabar com a burguesia e com os contra-revolucionários. Surgem conflitos entre o exército vermelho dos revolucionários liderados por Trotsky, contra o exercito Branco do Czar, que tem apoio das grandes potências (Grã-Bretanha, França e Japão). Vence a ditadura do proletariado, que anuncia o inicio de uma Rússia comunista; vencem os Bolchevistas apoiados nos sovietes. Começa um segundo período, sem coações e com muitas liberações, seria o pós-guerra Russo. Surge então a NEP (Nova Política Econômica) ou um recuo estratégico, pois diante de guerras civis e externas, o país esta esgotado. Esta estratégia econ mica consistia: “Vigorando de 19 1 a 19 8, a NEP era uma economia mista de socialismo e capitalismo: permitiu a liberdade do comércio interno, o funcionamento de pequenas empresas industriais, o surgimento de propriedades rurais pertencentes aos „Kulaks‟ e concessões a empresas capitalistas Inglesas, Norte Americanas, Francesas e Alemãs”. Política esta, por muitos, chamada de dar um passo para trás para depois avançar dois. No entanto, o estado conservava o direito a propriedade, transporte e comércio externo. Em 1928 morre Lénin. Começa assim uma luta entre o comunismo de Trostsky, que afirma que para o comunismo prosperar ele tem de acontecer no mundo inteiro, ir para os países com meios de produção avançados, uma internacionalização do comunismo. Já Stálin diz que primeiro tem-se que construir uma nação comunista, depois este se espalha para o mundo. Vence a linha de Stálin que manda matar Trostsky, que está exilado no México. Diante disto Stálin inicia a edificação do socialismo, com fazendas coletivas, indústrias coletivas, principalmente bélicas, tudo nas mãos do Estado. Surgem os planos Qüinqüenais, em 28, 33 e 38, que visam a superação da propriedade privada e o aumento da produção. Sendo assim o socialismo coloca a Rússia como potência mundial com um caráter sistemático e total intervenção do estado na economia. Sendo terminantemente contra o liberalismo capitalista. E por assim se dizer coloca medo na classe média burguesa mundial, que incentiva a reconstrução da Alemanha, como nação e força armada, para ser uma barreira geográfica a expansão do comunismo. Decisão a qual vai favorecer o surgimento do nazismo e, por conseguinte a Segunda Guerra Mundial. As fronteiras não seguram ideologias, e socialismo chega as sociedades que vivem a revolução industrial, e fomenta a luta do proletariado. Na Alemanha ele se aproveita da crise na social-democracia. Tanto que a Alemanha possuía o partido socialista mais numeroso, tornando-se um futuro campo eleitoral para este. Que só vai cair por terra com a ascensão de Hitler ao poder em 1933. Este é o perigo. A União Soviética apresenta-se como modelo a ser imitado, mas quando Hitler sobe ao poder ele dissolve todos os partidos e manda os dirigentes e militantes comunistas para os campos de concentração para serem eliminados. Em 1935 temos dois

blocos distintos, a Alemanha se torna nazista, portanto totalitária, tendo como aliados as ditaduras e os partidos fascistas. Já a União Soviética toma uma bandeira antifascista que une democracia clássica e comunismo. Portanto os capitalistas que viram em Hitler a solução para conter o avanço do comunismo, se unem aos comunistas para conter os fascismos ditatoriais. Chegando a conclusão de que alimentara o câncer, pois a Alemanha Nazista vai ser o terror da Europa. Crise de 29 – Quebra da Bolsa de Nova Iorque Outro fator determinante para o surgimento do nazismo e sua chegada ao poder foi a chamada quinta feira negra ou crack da bolsa de Nova Iorque, a qual relatarei nos parágrafos que seguem. Com o fim da primeira guerra, a Europa está destruída. Precisa se refazer, política social e principalmente economicamente. Neste contexto temos um país que não se envolveu na guerra os Estados Unidos, enquanto, na Europa acontece queda na produção agrícola e industrial gerando inflação e desemprego. Os Estados Unidos pelo contrário, vivem o chamado milagre americano, com um grande avanço agrícola e industrial. Sendo assim aumenta a qualidade de vida, crescem o número de automóveis aumentam rodovias e ferrovias. A política norte americana é regida pelo mais puro liberalismo econômico, para tomar decisões o Estado tinha que consultar os executivos do país. A bolsa de valores de Nova Iorque, a maior do mundo, movimentava milhões de dólares investidos em ações. Só que o inesperado aconteceu: Em 24 de outubro de 1929, ocorreu o crack ( a quebra da bolsa de valores de Nova Iorque). A ilusão de uma prosperidade sem fim terminava. Havia já alguns dias que o preço das ações vinha caindo. Os EUA entravam em pânico: todos procuram vender seus papéis, fazendo com que os preços caíssem mais ainda; os banqueiros de seu lado, tentam sustentar o mercado em pouco tempo milhares de dólares são investidos em títulos e ações que não valem nada. Inicia-se a grande crise do capitalismo Americano e depois mundial. Com a quebra da estabilidade econômica, acumulam-se mercadorias nos estoques. Não havendo vendas diminui o lucro das empresas e estas diminuem seus empregados. Começa o desemprego que atinge trabalhadores urbanos e rurais. Isto se dá porque a produção cresce mais que os salários e as pessoas não podem consumir. Esta crise logo se espalha para o mundo, pois os credores retiram seus capitais, principalmente da Europa. Onde também cresce o desemprego, para se ter uma idéia chegam a 6 milhões os desempregados na Alemanha. Logo de imediato constatamos duas conseqüências: Conseqüências psicológicas: A opinião pública perde a confiança nas instituições democráticas que se identificam com o capitalismo. O povo não acredita mais no sistema liberal, surgem agitadores. E o Nacional Socialismo encontra adeptos junto a essa massa desempregada. No entanto o movimento não nasce da crise, mas é ampliado com ela. Outra conseqüência e sobre a política dos Estados a falência do sistema liberal e a carência da iniciativa privada obrigam o poder público a intervir. Diante da opinião pública o Estado tem que se retratar pondo a economia nos trilhos novamente. Por exemplo, nos Estados Unidos surge a política do new deal. Onde o Estado cria obras públicas para dar empregos, pagando salários e aquecer o comércio. Também surge um sentimento nacionalista, os países se fecham, vejamos a Grã-Bretanha símbolo do liberalismo econômico, volta ao protecionismo. Deste modo a depressão acarreta o abandono dos princípios liberais atingindo as democracias e proporcionando situações para o surgimento dos regimes autoritários. Pois a economia vem se apoiar no nacionalismo político e militar. No caso da Alemanha ela na década de 20 também viveu um crescimento econômico, o país começou a se reconstruir, aumentam os empregos e salários, graças aos investimentos norte-americanos. Mas também, na Alemanha, em 29, com o crack, cai na crise. Essa crise foi particularmente brutal para Alemanha. Os norte-americanos retiram seus capitais, não renovando os empréstimos. O mercado mundial se fechou provocando o fechamento de fábricas Alemãs e desemprego em massa. Surge fome, greves que assustam a burguesia. Assim esta começa a financiar com seu capital o partido Nazista, que boa propaganda arrebanha a juventude desocupada a classe média que está empobrecendo, aumentando consideravelmente suas fileiras. Hitler Adolf Hitler nasceu no dia 20 de abril de 1889, cidade de Braunau na Áustria e morreu (suicidou-se) no dia 30 de abril de 1945 em Berlim na Alemanha. Sua infância viveu nas proximidades da cidade de Linz. Era filho de um funcionário público, que almejava o mesmo futuro para o filho. Quando falava de sua mãe era com grande sentimentalismo, costumava dizer que a única vez que chorou foi na ocasião da morte da sua mãe. Quando estudante fora um criador de motins, e sua leitura predileta era acerca de assuntos militares (guerra franco-alemã). Quando jovem revoltou-se com o seu pai e resolveu não seguir a carreira pública, quis ser pintor, ofício no qual não foi bem sucedido, pois não conseguiu ingressar na Academia de Belas Artes de Viena. Ingressou no exército, lutou na primeira guerra mundial na condição de cabo, conseguindo condecorações raras para sua simples posição. Quanto a suas idéias políticas, houve uma época que simpatizou com a social democracia devido ao sufrágio universal, que ameaçava a dinastia dos Habsburgo, a qual ele odiava. No entanto, não aceitava a ênfase dada a diferença de classes, negação da nação, religião, propriedade e moral…Seu ídolo era Otto Bismark, por ter unido a nação Alemã e ter lutado contra a dinastia Austríaca. Terminada a primeira guerra, é encarregado como

funcionário da política de Munique de investigar o Partido dos Trabalhadores Alemães, pois tinha-se suspeita que este fosse comunista. Mas só que passada a primeira reunião Hitler já é um membro filiado do partido. E em 1920 lança as bases do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães. O NAZI de onde advém a palavra tão conhecida NAZISMO. Em uma sociedade desestruturada pela guerra, com famintos e desempregados, lança sua plataforma de ação com um plano político e econômico baseado em 25 itens: 1) reunião de todos os Alemães na Grande Alemanha; 2) abolição do Tratado de Versalhes; 3) reivindicação do espaço vital; 4) definição de cidadão: só quem for de sangue Alemão; 5) exclusão dos Judeus da comunidade Alemã; 6) quem não for cidadão estará sujeito às leis dos estrangeiros; 7) quem não for cidadão poderá ser expulso no caso de o Estado não estar em condições de assegurar alimentos à população Alemã; os cargos públicos estão reservados aos cidadãos; 9) o direito e o dever de trabalho; 10) a abolição das rendas não derivadas do trabalho; 11) eliminação da escravidão do interesse; 12) confisco dos lucros de guerra; 13) nacionalização das industrias monopolistas; 14) participação dos trabalhadores nos lucros das grandes empresas; 15) incremento da previdência para a velhice; 16) fortalecimento da classe média; 17) reforma agrária; 18) punição dos usuários, açambarcadores, traficantes do mercado-negro com a pena de morte; 19) substituição do direito romano por um direito Alemão; 20) reforma da escola num sentido nacionalista; 21) proteção da mãe e da criança; 22) criação de um exército popular; 23) limitação da liberdade de imprensa e de arte; 24) liberdade de credo religioso, desde que não contrarie a moralidade da raça germânica; 25) criação de uma forte autoridade central o Reich. Neste programa, acima, está clara a idéia de centralização do poder, e anti-semitismo, mas também devemos levar em consideração idéias muito coerentes como a da reforma agrária, previdência social, participação nos lucros e muitas outras já citadas. Nem todo projeto ou sistema é totalmente arbitrário e cruel. Quando Hitler em 1921, é nomeado presidente do partido, faz comícios, com o intuito de mobilizar as massas. Sendo que estas massas estão descontentes com o Tratado de Versalhes e a inflação exorbitante. É neste momento que ele tenta conquistar o governo da Baviera, falha e é condenado a 5 anos de prisão na fortaleza de Landsberg. Na prisão ele ficou apenas 9 meses, os quais foram suficientes para ele escrever as bases de sua doutrina, na obra intitulada “Mein kamff” (minha luta) idéias as quais já estão citadas nas 25 metas. Mas com a leitura da obra podemos dizer que ele dá maior ênfase a dois assuntos Raça e Terra. Ou seja, o espaço vital, que mais tarde seria um pretexto para a guerra. Também podemos colocar como importante o fato de ele esboçar uma ditadura, quando fala da necessidade de uma mão forte que governe em nome de todos. Idéia que claramente contradiz o liberalismo democrático. E mostra a tendência ao autoritarismo que se torna fato anos mais tarde. Também não podemos somente chamá-lo de louco e mau, certamente Hitler tinha idéias boas e coerentes. O pensamento social de Hitler: Como já afirmado não podemos depreciar uma pessoa sem saber qual as idéias ele cultiva. Hitler, na sua juventude, em Viena tinha um pensamento social como podemos ver na citação que segue: “Em frente ao exército de oficiais, superiores, funcionários públicos, artistas e sábios, estendia-se um exército ainda maior, composto de trabalhadores (…) uma pobreza atroz. Diante dos palácios(…) perambulavam milhares de sem trabalho e por baixo desta via triunfal da velha Áustria, amontoavam-se os sem tecto(sic), no lusco fusco e na imundice dos canais(…).” Nesta citação podemos ver a preocupação de Hitler, com a situação em que o povo encontrava-se, a pobreza, o descaso das autoridades. Isto também deve-se ao fato de ele fazer parte desta classe empobrecida e excluída. Além deste pensamento ele também primava por condições sociais sadias, educação porque somente quando se conhece é que se dá o devido valor, sendo que o tema em questão é a pátria Germânica. Dando continuação, podemos relatar mais um pouco de sua biografia. Depois da noite de 1933 quando ele toma o poder a vida de Hitler confunde-se com a do país. Ele viveu com a caixeira Eva Braun, que lhe foi fiel até na morte. Segundo o que dizem, ele era indiferente ao luxo, não tinha vícios e exercia sobre as massas um poder hipnótico. No entanto quando em 1944 escapa de um atentado começa a mostrar um comportamento caduco, louco.

Como exemplifica o fato de ele não sair mais de sua sala onde mata-se com um tiro deixando seu país derrotado e devastado. Ascensão ao Poder A república de Weimar, não consegue resistir a crise de 29. Por causa do desemprego, inflação, declínio de produção. Neste contexto o sistema presidencialista se reforça, pois tem de atuar nos mais variados setores da economia, acumulando poderes em suas mãos, governado por decretos, pois não conseguia a maioria parlamentar. Paralelamente a esta centralização do poder, com receio dos comunistas, os grandes industriais dão apoio ao movimento de massas, o nazismo, principalmente, a pequena burguesia. Mas o governo ainda continua a subestimar a ameaça nazista. Hitler vai chegar ao poder por vias legais, conduzido pelas mãos do ex-chanceler Von Papen em 30 de Janeiro de 1933. Estavam certos de que Hitler seria submisso e que poderiam controlar o Nazismo. Foi este o erro, pois com poder político e com a morte do presidente Hindenburg, ele também assume o poder presidencial. E em seis meses o Fuher organiza o terceiro Reich. Desenvolvendo uma política monopartidarista. Uma política de repressão, onde ele acaba com a vida dos opositores, surgindo assim os famosos campos de concentração, onde a GESTAPO (polícia secreta) mandava os revoltosos para a morte sem contar os judeus que é outro capítulo. Assim o nazismo configura-se como um regime com uma forte ideologia. A Ideologia O nazismo se apoia na idéia de raça e sobre o conceito de comunidade do povo (Volksgemeinschaft). Quem não tinha sangue ariano, quem não tinha cosmovisão germânica, era considerado subhomem. Fica expresso o sentimento nacionalista e racista, que a ideologia nazista pregava. Mais tarde, se traduz na perseguição e morte dos não arianos, principalmente dos Judeus. A comunidade ou povo e a única forma de suprimir o individualismo e chegar ao nós, onde os direitos da pessoa não contam. O que conta é a nação, com suas leis e sua moral. O nazismo não seguiu uma idéia somente. Ele mesclou idéias de vários pensadores, como a filosofia de Friedrich Nietzsche, com sua concepção de super-homem. No entanto, não podemos afirmar que Nietzsche foi nazista. Suas idéias é que foram interpretadas segundo os interesses dos estudiosos nazistas. Essa interpretação do super-homem de Nietzsche como profeta do nazismo deve ser excluída do contexto de sua filosofia: o super-homem não é o nazista, mas o filósofo. O super-homem não é o homem forte, mas sim uma volta a concepção dionisíaca dos présocráticos, de amor a vida terrena. Vale salientar que Nietzsche e nazismo não foram contemporâneos. Também foram usadas idéias de Richard Wagner, quando exalta o povo Germânico, e as do Geógrafo Karl Haushofer que dizia ter, a raça dominante, direito ao espaço vital (isto será pretexto para as invasões expansionistas futuramente). Podemos dizer que a ideologia nazista se fundamenta em cima de alguns tópicos como: a superioridade racial, o anti-semitismo e uma propaganda bem elaborada. Superioridade Racial O nazismo usou de uma corrente científica a Eugenia, que estuda como melhorar geneticamente a espécie humana. Ela parte do princípio de que o progresso da biologia foi grande na área da botânica. Criam plantas híbridas, obtendo maior produtividade. Porque não aperfeiçoar o homem? Hitler percebeu que, na sociedade moderna, as pessoas menos aptas (surdos, retardados, loucos, deficientes…) tinham chances de sobreviver, pois as leis naturais que tratavam de retirar estes homens de circulação foram superadas pela tecnologia e medicina. Hitler vai querer eliminar estes sujeitos e criar seres perfeitos dentro do padrão ariano. Assim ele desacredita, a Eugenia pois tenta justificar o melhoramento da raça, matando judeus e não arianos puros. Como vimos Hitler vai concentrar seus argumentos na superioridade da raça ariana. Esta tem de ser pura, pois, quando misturada com outras raças entra em decadência. Para tanto, um dos atributos do Estado é assegurar esta pureza racial da nação a qualquer preço. Em uma explanação feita por Hitler no Mein Kanff ele diz: Observando a natureza vemos que os animais somente se acasalam com membros de sua espécie. É a lei de ouro da natureza. Esta é quebrada somente por coações externas, como o cativeiro que vai por exemplo, justificar o acasalamento de um tigre com uma leoa. No entanto, os descendentes destes nasceriam com anomalias genéticas (infertilidade). Pois a natureza segue o seu curso de aprimoramento da espécie, onde as anomalias são descartadas. Este processo natural, podemos ver, também no nosso dia-a-dia, onde os mais fracos sucumbem diante dos mais fortes. A natureza seleciona segundo força e saúde. Os nazistas aplicaram estas idéias evolucionistas de Darwin (1809-1882) ao povo ariano. Dizem eles, que, quando os arianos começaram a entrar em contato com outros povos inferiores, decaíram intelectual e fisicamente. A raça ariana é fundadora de civilização. Os povos asiáticos são portadores de civilização, pois somente absorveram a cultura ariana. Esta concepção, talvez, explique porque Hitler se uniu tão facilmente aos japoneses, na Segunda Guerra. Pois, segundo ele, os japoneses são um povo trabalhador com forte tradição nacional, muito parecidos com os alemães. Já os Judeus são a raça destruidora. Somente os alemães são dignos de dominar o mundo. Ele encontra um argumento na hipótese da seleção natural, de Darwin. Essa concepção constitui ainda um disfarce para função imperialista da ideologia fascista. Se os arianos são os únicos povos fundadores de civilização, podem reivindicar o domínio do mundo, em

virtude do seu destino divino. Esta foi uma das justificativas ideológicas para as invasões alemãs, principalmente em direção da União Soviética. Esta grandeza racial também encobria interesses econômicos do capitalismo alemão que necessitava de mercados. Sempre no fundo de uma ideologia encontramos um teor material. Hitler vai fazer uma leitura da sociedade alemã, onde critica a mistura do sangue alemão com o Judeu. Por isto ter acontecido é que surgiu a peste judia que tenta suplantar a raça ariana. A pureza racial é o maior desejo, e deve-se lutar por ela, não importando os meios que sejam usados. Neste contexto de superioridade racial a mulher tem importância como produtora de novos arianos. A mulher nazista era representada como guardiã da raça ariana. A pedagogia nazista para a mulher não ia além, pois, de prepará-la para a maternidade. O conhecido lema dos K – kinder (criança), kirche (igreja), kürche (cozinha). Esta visão muda somente em 1941, quando, devido à guerra, as mulheres são recrutadas para trabalhar nas industrias. Em 1935 são criadas as Lebesborn, lugares onde acontecia verdadeira reprodução humana em escala industrial. Seu objetivo geral era incrementar a expansão da raça ariana através do controle biológico além da educação das chamadas “crianças SS”. Estes Lesbsborn, no início, também eram creches. Mais tarde, mães solteiras começaram deixar seus filhos ali. Outras que entravam dentro dos requisitos raciais (arianas puras) engravidavam dos SS para terem futuros soldados. Outra temática decorrente da superioridade racial é o Espaço vital. Os historiadores nazistas, diziam que a própria apontava para um fato que é a motriz da história. Este fato é a luta entre dois povos desiguais pelo seu espaço vital. Pois quando um povo se multiplica, precisa de um habitat físico maior, surgindo assim as guerras territoriais. Este fato vai ser pretexto para a sede nazista por novos territórios. Anti-Semitismo Sabe-se que desde o fim do século XI, os Judeus eram segregados na Alemanha, porém o antisemitismo racial apareceu pela primeira vez neste país, na década de 1870. (O termo anti-semitismo surgiu pela primeira vez em 1879, no livro a vitória do judaísmo sobre o Germanismo, de Wilhelm Marr.). Os Judeus sempre foram perseguidos na Alemanha, mas com o nazismo esta discriminação alcançara o nível máximo. Antes temos que fazer uma pequena retrospectiva desta perseguição. O filósofo Hegel, quando jovem, fez uma filosofia, com grande exaltação nacionalista, onde colocava o judeu como responsável pelos males ocorridos na Alemanha. Outro pensador que contribuiu para este racismo foi Arthur Joseph de Golineau. Com seus estudos teorizou que os judeus seriam inferiores aos arianos, moral e fisicamente. Este pensamento foi assimilado e aprofundado pela antropologia nazista. Hitler no seu livro Mein Kamff faz uma analise do Judeu. Diz ele que no decorrer da história, os semitas foram parasitas. ” O Judeu, este nunca foi n made e sim um parasita, incorporado ao organismo de outros povos. Sua mudança de domicilio, uma vez por outra, não corresponde a suas intenções, sendo resultado da expulsão sofrida por ele (…) O fato dele se espalhar pelo mundo é um fen meno próprio a todo o parasita (…) o povo que o hospeda vai se exterminando” O Judeu vive a parasitar pelo mundo, explorando os outros povos. Os povos que se dão conta disto os expulsam, mas, no entanto, eles continuam seu intento em outra nação. Em outra análise Hitler expõe a ação do Judeu. Este chega a um povoado, apenas com algumas mercadorias. Torna-se um pequeno comerciante (nunca vai trabalhar a terra, suar em trabalhos pesados) visa apenas o econômico, nunca o bem da comunidade. Como intermediário obtém dinheiro, o qual empresta a juros altos. Aqui começa a parasitar e viver do trabalho dos outros. Seu outro passo será monopolizar o comércio. Este fator lhe dará muito dinheiro, e por conseguinte, poder político. Formando, assim, um estado paralelo dentro do estado instituído. O ariano comparado ao judeu pode ser menos astuto, mas seu valor está na sua disposição de dedicar-se à comunidade. Assim, o nazismo conseguiu deslocar o anti-semitismo de simples opinião com relação a um povo diferente, para um medo existencial de ser passado para trás. A eficiência da propaganda nazista provinha de conseguir convencer as pessoas de que os Judeus eram, de fato, responsáveis pelo estado caótico do país e da população. A propaganda atuava no sentido de canalizar as tensões geradas no mundo das relações sociais mais abrangentes para uma vitima propiciatória evidente. As pessoas foram convencidas que matar os Judeus era bom para elas e para a nação. Ainda mais, quando se pregava que estes judeus estavam organizados pelo mundo inteiro em uma confraria cujo objetivo era acumular capital enganando as pessoas e dominar o mundo tornando todos escravos. Que pai de família iria até para guerra para defender seus filhos deste demônio: o Judeu. Todos vão odiá-los, ficando fácil compreender porque queriam matá-los. Está claro ai o poder de uma ideologia bem trabalhada. Para ilustrar o anti-semitismo e a campanha par a erradicação do judeu, cabe a seguinte citação: “A chefia do Judeu continuará até o dia em que uma campanha enorme em prol do esclarecimento das massas populares se exerça instruindo-as sobre uma miséria infinita, ou até que o estado aniquile tanto o Judeu como a sua obra.” É imbuídos deste pensamento que Alemães mataram milhões de Judeus nos campos de concentração. A Propaganda Propaganda política nazista foi um dos fenômenos marcantes deste século. Com ela, Hitler, sem recorrer

a força militar, conseguiu a anexação da Áustria e Tchecoslováquia ao Reich e a queda da França. Já quando Hitler estava preso, ele começa a perceber que a propaganda seria uma grande arma, talvez uma das mais eficientes, para seu futuro empreendimento. Uma propaganda dirigida, às massas, ao povo. Esta também deveria ser adequada a estes interlocutores menos favorecidos intelectualmente. Explorando os sentimentos, o coração da massa, permeada de uma dose de psicologia. Pois o povo deixa-se guiar mais pelo sentir do que pelo pensar. Tal propaganda deveria ser centrada em pequenos pontos, devido à compreensão limitada do povo. Estes pontos seriam repetidos muitas vezes. Isto explica os gritos de guerra e as saudações nazistas. Outro ponto salientado por Hitler é o de que na propaganda tudo é permitido, mentir, caluniar… Segundo o maior propagandista nazista, Goebbels, na formulação de uma propaganda, deveriam ser usadas experiências existentes. Ela também deveria ser controlada por uma única pessoa. A propaganda feita por Gobbels foi dirigida principalmente aos Judeus. Com o uso de psicologia, e exaltação nacional, buscando um passado glorioso e ajudados pelo pós-guerra os nazistas fizeram verdadeiros Shows. Hitler tinha preferência pelas celebrações de massa, grandes espetáculos. A chave da organização dos grandes espetáculos era converter a própria multidão em peça essencial dessa mesma organização. A multidão se emocionava de maneira contagiante. Hitler atribuía grande importância psicológica a tais eventos, pois reforçavam, o ânimo do militante nazista. O impacto da política na rua em forma de espetáculo visava diminuir os que se encontravam fora do espetáculo, segregá-los, fazê-los sentirem-se fora da comunidade maravilhosa a que deveriam pertencer. Percebe-se a importância da propaganda de espetáculos para a manutenção do sistema, da ordem e do apoio popular, tão importante. Hitler, pessoalmente, planejava suas entradas em cena, a decoração do local, as canções a serem cantadas. Era um ritual uma religião Hitlerista, onde ele fazia discursos grandiosos, sempre contendo palavras fortes e encorajadoras como: ódio, força, esmagar, cruel… Nos lugares para onde Hitler se deslocava sempre ia junto um fotógrafo particular, que ficava de plantão. Se ele pegasse uma criancinha no colo, era motivo para uma fotografia, possível propaganda a seu favor. Ele também era uma pessoa muito carismática, ao ponto de seus generais dizerem que era impossível olhar nos seus olhos sem desviar o olhar. Sua figura, despertava, nas pessoas sentimentos de pura idolatria. Além dos espetáculos populares deu-se grande ênfase ao cinema e a arquitetura, duas artes que Hitler gostava, mas nunca conseguiu ser um expoente. Com relação à arquitetura, ela deveria expressar a grandeza do regime, em grandes construções que uniriam todo o povo. Berlim, que seria a capital do império deveria ser símbolo da grandiosidade deste império, através de suas grandiosas construções. Estas deveriam ser de proporções gigantescas, feitas com o material mais resistente para que resistissem ao tempo, como as grandes construções greco-romanas. O cinema veio como um meio eficiente e moderno de se influenciar as massas. Os filmes eram sempre de teor nacionalista, onde era exaltado o passado, os costumes, as guerras, o período romântico. E principalmente tinham a função de transformar os Judeus em verdadeiros demônios. Algumas vezes, a ideologia nazista aparecia camuflada nos diálogos, outras vezes era explicita e chocante. Suástica Quando falamos em nazismo sempre nos vem a mente a imagem da suástica. Ele estava presente em braçadeiras, bandeiras, pinturas, lugares p blicos… Mas o que vem a ser a suástica? A suástica, palavra sanscrita (de su, bem e ast, ser) que significa signo do bom auspício, indicando fortuna e sucesso, é um símbolo quaternário (número das coisas temporais; símbolo do universo cósmico) cujas pontas, os segmentos verticais e horizontais representam a expansão e o dinamismo. Interpretam-na como símbolo do sol, fonte da vida e fecundidade. Esta suástica também pode despertar sentimentos com cunho sexual, as linhas entrelaçadas simulam um ato sexual. Esta excitação não é percebida mas faz parte do profundo inconsciente das massas. A Segunda Guerra Mundial: Antecedentes Hitler referia-se a freqüentemente à necessidade de guerra, oscilando do ponto de vista mítico ao de estrategista militar. Afirmava ser a guerra “eterna”, “cotidiana”, ” vida” e toda sua concepção de política se apoiava sobre a necessidade histórica de assegurar ao povo alemão seu espaço vital. Como o espaço vital sempre fora conservado ou conquistado pela luta, não via alternativa senão fazer uso “definitivo da guerra “. Hitler, no poder em , começa a colocar suas idéias em prática. E uma delas é a união de todos os germânicos no grande Anschluss. Só que estes alemães estão dispersos em vários países, necessitando espaço vital para sua sobrevivência digna. É baseado neste pretexto que vai acontecer a expansão nazista dentro da Europa. Pretexto que alguns dizem que no fundo era necessidade de mercado consumidor para a crescente indústria. Temos vários acontecimentos que antecedem a batalha mundial. Em 1934 a Alemanha tenta anexar a Áustria, mas não obtém sucesso, pois inclusive Mussolini, pelo fato da Itália fazer parte dos vencedores da primeira guerra mundial se colocam contra. Manda soldados para a fronteira com a Áustria. Com o propósito de defendê-la. Diante disso, a Alemanha recua, pois ainda não dispõe de contingente militar para disputar uma batalha. Em 1935, o Sarre (pequena região perto da França), que com o Tratado de Versalhes tornou-se independente, mediante a

possibilidade de em 15 anos, ir para a França, tornar-se nação independente ou voltar para a Alemanha, decide voltar para a Alemanha o que a fortalece ideologicamente externa e internamente. Neste período também acontece uma corrida armamentista. A Alemanha cresce em tecnologia (fusca) e empregos. O povo está com a sua alta estima alta e obedece cegamente seu salvador Aldolf Hitler, ao ponto de ir à guerra por seu país. A Alemanha por ter retirado-se da conferência de desarmamento de Genebra (1932) começa a reconstruir seu exército, aviação militar etc… Além de sair da sociedade das nações em 19 . Em 1936, Hitler põe tropas do outro lado do rio Reno remilitarizando a Renânia, sendo que uma cláusula do tratado de Versalhes proibia a presença de forças armadas Alemãs neste local. A França não esboça reação, nem a liga das nações, que está desacreditada. Em 1937, a Itália sai da sociedade das nações, pois foi condenada pela campanha da Etiópia. Assim, ela se aproxima da Alemanha e surge o eixo BerlinRoma-Tóquio. Nos anos de 1937-39, desenvolve-se a guerra civil Espanhola. Onde o Eixo vai enfrentarse com as outras potências. Para Alemanha é uma “guerra laboratório”, pois vai mandar seus técnicos e armamentos para serem testados. É um fato importante pois ela forma sua tecnologia de guerra tão temida em um futuro próximo. A guerra é vencida por Franco, que inicia um período de autoritarismo chamado de franquismo, mais um forte aliado da Alemanha. Em 1938 acontece um sonho de Hitler, ele anexa a Áustria ao 3º Reich. O partido nazista na Áustria foi se infiltrando . E em uma jogada de poder Hitler impõe que o ministro do interior fosse nazista. Assim as tropas nazistas anexam a Áustria em nome do “Anschluss”. Não existe reação das outras potências Européias. Em 19 8-9 acontece a questão da Tchecoslováquia. Na região dos sudetos, dentro da Tchecoslováquia existiam alemães. Hitler queria trazer estes alemães para a sua pátria de origem. Além do lado psicológico de Hitler, porque Bismark, seu grande ídolo, teria dito que quem dominasse a boêmia, dominaria o mundo. Neste período acontece, a conferência de Munique. que tem como finalidade resolver este empasse entre Alemanha e Tchecoslováquia. Em Munique, reuniram-se os governos da Grã-Bretanha, França e Itália. Estes acabam aceitando as exigências da Alemanha, que não anexa somente a parte exigida , mas todo o território da Tchecoslováquia. Apesar de tudo, ainda prevalece a paz. Logo após a campanha da Tchecoslováquia, Hitler reivindica a anexação de Dantizing, e o corredor polonês (faixa territorial que dava acesso ao mar aos poloneses, só que deixava alemães isolados de sua pátria). Diante desta ameaça alemã, as potência Européias tomam a decisão. Se a Alemanha invadir acontecerá uma reação em favor da Polônia. Já com a União Soviética, Hitler assina, em 23 de agosto de 1939, o pacto Germano-Soviético de não agressão. Como vantagem a URSS leva parte da Polônia e dos países Bálticos. Neste caso, Hitler foi esperto, vendo que a guerra iria acontecer, não arriscou lutar em duas frentes. Então aliou-se, a URSS. A vantagem ideológica que Stálin teria era de enfraquecer os capitalistas (Inglaterra e França). A invasão da Polônia será o estopim da Segunda Guerra Mundial: A 1º de setembro de 1939, a Polônia foi invadida, sem formal declaração de guerra, pela Alemanha. Dois dias mais tarde, a Inglaterra e a França declararam guerra a Alemanha. Inicia-se a Segunda Guerra Mundial. O Desenrolar do Conflito Ao contrário da I guerra mundial, que se concentrou principalmente na Europa, a II guerra foi mais ampla. As atividades dos beligerantes chegaram a Ásia, África e Oceania. Até o Brasil tornou-se ponto estratégico, por intermédio das três bases navais de Recife, Belém e Natal. A guerra caracterizou-se por ataques relâmpagos. Onde o Eixo (Alemanha, Itália e Japão) conquistavam terreno diante de Inglaterra, França e Estados Unidos. A rapidez das conquistas fica evidenciada na citação que segue. Em abril de 1940, é a invasão da Dinamarca e da Noruega. Um mês depois a 10 de maio de 1940, é o início das operações efetivas na frente ocidental e a invasão simultânea de Luxemburgo, da Bélgica e dos Países Baixos. Na primavera de 1941 alemães e italianos invadem a Iugoslávia e a Grécia. A França também terá o seu norte invadido. A resistência francesa se personalizará na figura do general De Gaulle. Sobre este período temos a produção filosófica de um francês ilustre para a história da filosofia. Falamos de Albert Camus (1913-1960) existencialista, que escreveu sobre o nazismo. Cita-se sua obra cartas a um amigo alemão, onde ele narra, através de, cartas os horrores da guerra. A Inglaterra, com apoio econômico dos EUA, consegue resistir as investidas nazistas. O Japão faz sua parte na Ásia, ocupando o sudeste asiático. Ação a qual bate de frente contra o imperialismo Americano. Mas por enquanto os Estados Unidos só usavam do fator econômico para atingir o Japão. Só que, na história, todos os fatos vão se encadeando. Assim, em 1941 o ataque japonês a Pearl Harbour (porta aviões americano no pacífico), inicia um novo conflito paralelo, a guerra do pacífico. Guerra está onde o Japão recebe apoio incondicional da Alemanha e da Itália. Como conseqüência temos o engajamento efetivo dos Estados Unidos na guerra. Como um erro militar nazista, temos o rompimento do pacto nazi-soviético de não agressão. A Alemanha vai atacar a URSS, que no início, estava despreparada ao ponto dos alemães cercarem Moscou e Estalingrado. Mas, em 1942, houve uma reviravolta soviética, devido a ajuda econômica dada pelos aliados. Em 1944, no dia D, os aliados desembarcaram na Normandia (norte da França) e abriram uma nova frente de guerra na Europa. O que Hitler temia aconteceu, a Alemanha terá que lutar em duas frentes. Os historiadores dizem que este desembarque de tropas na Normandia foi decisivo para o fim do Reich alemão. No Pacífico, os japoneses perdem a batalha de Midway, e os

Americanos preparavam a invasão do próprio Japão. Em 1945 os soviéticos ocupam a capital alemã, Berlim. A 6 de agosto de 1945, os EUA lançam uma bomba atômica sobre Hiroxima. Tal medida tinha um motivo simples: Os EUA queriam vencer os japoneses antes que a URSS declarasse guerra ao Japão e ocupasse seus territórios. No dia 08 deste mês, Stálin declarou guerra ao Japão, ocupando a Manchùria, a coréia e as ilhas Sacalinas. Nesse mesmo dia, os EUA lançaram outra bomba agora sobre a cidade de Nagasáqui. Seis dias depois, o Japão se rendeu. Estava terminada a guerra. Talvez as duas bombas atômicas e os campos de concentração sejam a contribuição deixada pela guerra que mais envergonha a humanidade. Pena que os EUA saíram como os mocinhos da história. Enfim, na ordem dos sentimentos, a guerra e suas atrocidades, o universo dos campos de concentração, o extermínio sistemático de milhões de Judeus deixam traços duradouros , ressentimentos contra a Alemanha . Podemos dizer que esta foi a vitória da democracia, contra os totalitarismos. Teoricamente se volta a viver a liberdade, encabeçada pelos Estados Unidos, que mais do que nunca torna-se o Xerife do mundo. Com o fim da guerra surgem várias conferências e tratados, mas o propósito deste trabalho, e de tratar mais a fundo. Um ponto da guerra os campos de concentração. O Sentido da Vida em um Campo de Concentração O propósito é refletir um pouco como dar valor a vida, quando a liberdade lhe é privada, o direito a existência usurpado, e o cotidiano não da nenhuma perspectiva de futuro, provocando uma profunda apatia. Para alcançar este intento, nos ajudará os escritos e idéias de Victor Frankl. Iremos tentar conhecer um campo de concentração de uma forma mais racional, segundo depoimentos de quem viveu dentro de um, nas suas agruras no seu cotidiano. Não como prisioneiro especial, mas como prisioneiro comum, sem nenhum privilégio. O não iniciado que olha de fora imagina a vida lá dentro de modo sentimental, simplifica a realidade e não tem a menor idéia da feroz luta pela existência, mesmo entre os próprios prisioneiros. Esta luta pela vida é uma das maiores características do ser humano. A própria moral se esvai, quando está em jogo a vida humana. No campo de concentração esta luta pela vida, ganha maior ênfase, pois ela restringe ao pão do dia-a-dia. O que vale são os interesses pessoais, o sentido do grupo, amizades, acabam diante da possibilidade eminente da morte em uma câmara de gás. Assim surge uma guerra externa e interna pela sobrevivência, todos contra todos. Falando mais filosoficamente, como diria Thomas Hobbes (1588-1679) quando o homem está em estado natural de luta pela sobrevivência, cabe a máxima “o homem é lobo do homem”. Outro fator, que abala a existência de um prisioneiro, é a perda da identidade de cidadão. Fora era um médico, um industrial, um arquiteto… Dentro dos campos de concentração apenas mais um número. O Choque do Início As pessoas chegavam em Auschwitz, em trens, amontoadas, com a ilusão de que iriam apenas trabalhar em fábricas de armamentos. Quando chegam ao local, encontram pessoas aos farrapos, grandes cercas de arame farpado, começa o terror. O que acontecia quando desembarcavam já foi relatado anteriormente, morte ou trabalhos forçados. Geralmente 90% das pessoas de um transporte iam para à morte. Os que conseguiam sobreviver podiam dar como encerada sua vida até este dia, o passado não tem mais valor, começa uma nova “vida”. Sem posses sem grandes utopias. Somente o existir por mais um dia. Diante desta situação o que ainda dá um pouco de alegria é o humor negro. Cogitar se iriam sair vivos daquela situação. A alma se retraía, indo para outro lugar. Pois no início é curiosidade, pelo que poderá acontecer, depois é surpresa diante do acontecido. Mas o ser humano e versátil e a tudo se adapta de alguma maneira, mesmo diante de coações externas, que a princípio parecem insuperáveis. Nestes primeiros dias de campo, a pessoa diante de um beco sem saída, da eminência da morte, pensava em suicídio, afinal seria uma forma menos cruel do que à esperava, a de ser gaseado. O Cotidiano da Vida em um Campo de Concentração: A Apatia Após o primeiro estágio de choque, o prisioneiro passa para o segundo estágio, a fase de relativa apatia. A pessoa aos poucos vais morrendo interiormente. Surge sobretudo, indizível saudade dos familiares. Além disso, há o nojo. No início era tudo curiosidade e surpresa, agora com o cotidiano, a falta de opções, começa uma grande apatia, a pessoa morre interiormente. Além da saudade da sua família, pois foi arrancado dela e muitos dos seus estão em outros campos ou até mortos. Perde-se então o referencial que é a família. O nojo é outro fator, pois em um lugar onde todos ficam amontoados, sem tomar banho, junto a lodaçais. Além de fazerem suas necessidades fisiológicas em latrinas sem saneamento. Para agravar mais os recém chegados eram incumbidos de limpar estas latrinas ou de trabalhar nos lugares mais pantanosos. Sendo este mero joguete do destino, nunca que a pessoa pensa em assumir as rédeas dele. Deixa-se levar pela apatia e incapacidade de decisão. Esta falta de vontade de decidir, também vem de causas fisiológicas como: fome e sono, e ausência dos “prazeres do mundo

civilizado” que para muitos era o cigarro e o café. Assim surge outro problema, como não bater no colega, pois estando irritado vê o companheiro apático, sem dizer nada. Perda da Sensibilidade “Mais um acaba de morrer. Que acontece pela enésima vez, sim pela enésima vez, sem despertar um mínimo de reação ou sentimento? Se eu não tivesse ficado espantado com a minha própria insensibilidade esta experiência nem se teria fixado em minha memória, de tão pouco sentimento que o fato todo me despertou” Outro fator constatado como alteração do viver humano, pelo campo de concentração, é a perda da sensibilidade. Até mesmo diante da morte de um colega, ser capaz de não sentir remorso, de o quanto mais rápido, tirar-lhe o sapato, roupas, para usá-los. Afinal o que é uma vida que se vai, se já foram tantas e irão muitas mais. A possibilidade de morrer a qualquer momento, tira da pessoa todo o seu senso de irmandade. Prevalece a opção radical pelos, seus interesses pessoais e primitivos de preservação da vida. Isto faz também que a pessoa se retraia culturalmente, vivendo em um mundinho somente dela. “Quem vai atirar a primeira pedra em pessoas que dão preferencia a seus amigos quando mais cedo ou mais tarde, se trata de uma questão de vida ou morte? Num caso destes ninguém deveria levantar a pedra antes de perguntar com sinceridade, a toda prova, se com certeza teria agido de outra forma, estando na mesma situação.” Dentro de uma ânsia coletivista, onde o indivíduo perdia a sua privacidade, tinha que estar constantemente junto de outras pessoas, que refletiam sua situação semi-humana, não é de se estranhar que as pessoas quisessem ficar sós. Sendo que a companhia não agrada os nossos próprios instintos de preservação, tentam nos levar para longe. Surge a necessidade de ficar um pouco consigo mesmo. Uma solidão necessária. Nestes momentos de solidão e que a pessoa avalia o passado, e analisa o presente projetando o futuro. Imaginemos um prisioneiro que no passado teve uma vida ótima, agora sua vida não tem valor, perdeu sua sensibilidade, tendo como futuro uma morte quase eminente. O Sentimento Religioso O interesse religioso dos prisioneiros era mais ardente que se possa imaginar, uma vitalidade e profundidade do sentimento religioso. A religião tornou-se um apoio, uma forma de pedir ajuda, mesmo que seja ao transcendente. Cultos eram improvisados nos trens, no barracão. As pessoas participavam mesmo após um dia árduo de trabalho. A religião tinha seu papel, confortar estes pobres coitados. Além de que provocava uma interiorização. Esta interiorização proporcionava um pouco de trégua ao primitivismo. Aqui fica ressaltada a tendência de se querer viver mais no íntimo, com lembranças, do que na realidade dura que os cercava. Diante do grande sofrimento, coisas insignificantes, provocam alegrias enormes, mas também tristezas melancólicas. Falando um pouco mais sobre sentimento cabe a situação seguinte, que nos faz lembrar de que não podemos fazer julgamentos com relação a ausência de sentimentos num campo de concentração. A Liberdade Com razão se poderão levantar objeções e perguntar: onde fica a liberdade humana? Não haveria ali o mínimo de liberdade espiritual no comportamento, na atitude frente as condições ambientais ali encontradas? As perguntas podem ser traduzidas da seguinte forma. Será que o ser humano na sua espiritualidade (entendida como força interior, não como meditação religiosa) pode ser modelada, condicionada pelo ambiente. Segundo as experiências de Frank, existiram pessoas que de forma heróica, conseguiram sair do esquema do campo de concentração, pois controlaram a apatia e a irritabilidade. Assim conseguiram manter um resquício de liberdade no seu interior, lutando contra o ambiente. No campo de concentração pode-se privar de tudo, menos da liberdade última de assumir uma atitude alternativa frente as condições dadas. Esta atitude alternativa vinha daquilo que os nazistas não conseguiram tirar do ser humano, nem com fome, nem com castigos físicos e psicológicos, a liberdade interior. Verdadeiramente existiram pessoas, que mesmo diante do sofrimento, fizeram sua vida ter sentido, mantendo esta liberdade interior. A pessoa esta privada da criatividade, das artes, do gozo da vida, mas não é somente isto que lhe dará sentido a vida. O sofrimento também faz parte da vida, então ele também pode dar sentido. Mesmo diante de uma coação externa que força o eu, restringe a existência, não pode roubar a liberdade interior. Mesmo a possibilidade morrer me da liberdade, porque faz parte da minha existência. Mas como o homem não é todo otimismo, não é todo força de vontade, surge a pergunta será que valeria a pena viver? Será que existe sentido no sofrimento, diante da

possibilidade da morte? Perante estas questões podemos dizer que poucas pessoas conseguiram fazer prevalecer, o sentido da vida, da liberdade interior diante da situação. Existência A forma de existência em um campo de concentração pode ser caracterizada como uma “existência provisória”. É provisória porque a pessoa não tem certezas. Ora espera pela libertação. Ora se conforma, que logo sua vida terá um fim. Tudo isso resume-se na incerteza do fim. Perante este fim a pessoa não poderia mais viver em função de um futuro, sendo assim a existência como manifestação da interioridade também se altera. As pessoas trancafiadas em um campo de concentração não tem uma meta para sua existência, por isso ela é provisória. Podemos olhar esta existência ameaçada, quando imaginamos uma pessoa trancada num lugar, que é o inferno na terra, mas que logo ali, ao passar os arames, existe vida, mas para esta pessoa é um sonho, sem possibilidades de acontecer no futuro. Assim sem a possibilidade de avançar, a pessoa volta, fica relembrando o passado, sem nenhum alvo no futuro. Restam assim duas possibilidades, se enclausurar no passado como a maioria, ou lutar contra a apatia, a falta de sentimentos e vencer interiormente fazendo se sobressair a existência. Na sua existência a pessoa, quando entra em crise depende muito de refugiar-se na possibilidade de melhora que o futuro pode dar. Sem esta possibilidade a pessoa decai na sua existência. Logo num campo de concentração tem-se que orientar para um alvo no futuro. Nas palavras de Nietzsche: “Quem tem porque viver agüenta quase todo como”, portanto era preciso conscientizar os prisioneiros do “porquê” da sua vida, do seu alvo, para assim conseguir que eles estivessem também interiormente à altura do terrível “como” da existência presente, resistindo aos horrores do campo de concentração. O Sentido da Vida Nunca e jamais importa o que nós ainda temos a esperar da vida, mas sim exclusivamente o que a vida espera de nós. Falando em termos filosóficos, se poderia dizer que se trata de fazer uma revolução copernicana: Não perguntando mais pelo sentido da vida, mas nos experimentando a nós mesmos. Viver não significa outra coisa que arcar com as responsabilidades de responder adequadamente as perguntas da vida. Este sentido da vida agora não é algo vago, mas uma coisa concreta. A necessidade do indivíduo de dar uma resposta a uma situação do momento, uma pergunta do momento dirigida a um indivíduo em particular. Pois os seres humanos são singulares e as situações inreptíveis, e o devir de Heráclito (sec. V a.C.). Todos os momentos o ser humano é chamado a tomar atitudes, a agir ou acautelar-se. Isto vale também para o sofrimento, sendo a pessoa única, ninguém poderá sofrer no lugar dela. No campo de concentração, portanto não importava somente, como alvo futura a vida e o seu sentido, mas o sentido do morrer e do sofrer, pois estes três sentimentos se misturavam na luta por um futuro. Sendo assim, até o sofrer pode dar um sentido a vida num campo de concentração. Pois muitas vezes neste sofrer percebe-se algum sentimento. Sentimento este que se extravasa em emoção, choro e na exclamação. Afinal ainda somos humanos! Outra coisa que dava sentido a vida era saber, que muitos tinham filhos para criar fora do campo, ou tinham projetos que somente eles conseguiriam pôr em prática ou terminar. Sentimento este de responsabilidade e utilidade diante da vida. A Libertação Depois de libertos, os prisioneiros, não acreditam, saem do campo como um animal que põe a primeira vez suas patas fora da jaula. Muitos olham a natureza, as flores, só que não conseguem senti-la. Nós podemos dizer, que alegria estas pessoas não sentiram! Sentiram alegria alguma, estavam tão traumatizados, que teriam que aprender o que é alegria, emoção. Mesmo diante da liberdade tão sonhada e esperada. Naquele dia, naquela hora, começou tua nova vida – isto sabes. E é passo a passo, não de outro modo, que entras nesta nova vida, tornas a ser homem. Depois de anos preso, sujeito a torturas e submissão, chega a liberdade. Mas o que fazer com ela? Passo a passo a pessoa volta a ter direito de sentir-se humana, gente. Mesmo que ter sentimentos levará algum tempo, devido a barreira criada, por si mesmo, para se proteger. Outra característica deste recém liberto, e permanecer no estado primitivo em que estava no campo de concentração. Muitos queriam vingar-se dos alemães com a mesma moeda. Neste momento tem de começar um trabalho com estas pessoas. Pô-las novamente a consciência de que a injustiça não se cura com mais injustiça. Fazer com que o bom senso venha a tona. No entanto essa experiência é de que nada mais precisa temer neste mundo depois de tudo que sofreu – a não ser o seu Deus. Conclusão Ao término deste trabalho, podemos constatar que nada na história acontece por acaso. Tem sempre interesses e interessados, os aproveitadores e os explorados. Segundo o pensamento de Hitler, os aproveitadores eram os Judeus, e os explorados eram os alemães. Isto dava aos alemães o “direito” de se libertarem, desta exploração. O nazismo não foi um fenômeno isolado. Existiram vários fatores que contribuíram para o seu surgimento. Fatores externos e internos que constituíram um campo fértil para

novas idéias. Idéias de construção de uma nova sociedade alemã, mas também idéias de destruição dos não arianos, principalmente dos judeus. A Alemanha está numa situação complicada, pois saiu da I Guerra Mundial arrasada, o povo esta abalado econômica e psicologicamente. Novos valores começaram a surgir dos escombros da guerra. No que diz respeito a Europa esta não é mais o centro do mundo. No tratado de Versalhes, existiram duas posições com relação a Alemanha. A posição francesa que insiste em cobrar as dívidas de guerra. E uma posição inglesa mais relevante, que quer a reconstrução da Alemanha, segundo seus interesses capitalistas de mercado. Com certeza este tratado não ajudou em nada para a paz, somente criou novas divergências. Outro fato histórico que foi importante neste período foi o comunismo. Uma nova forma de governo surgida na Rússia, através de revoluções que derrubaram o sistema czarista e implantam idéias de um governo centrado no Estado com eliminação da propriedade privada. Vemos que estas idéias contradizem o capitalismo e o liberalismo. O agravante vai ser a Rússia tornar-se potência contra o capitalismo. Este fato influencia na ajuda para reconstrução da Alemanha, que se torna uma barreira geográfica a estas novas idéias. A crise de 1929 vem contribuir para o surgimento do nazismo, quando agrava a situação econômica interna da Alemanha, e põe em descrédito o sistema liberal. Este contexto é terreno fértil para uma nova ideologia. Esta virá junto de uma pessoa chamado Adolf Hitler (1889-1945). Líder carismático que funda o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães. Suas idéias estão escritas na sua obra “Mein Kanff”, idéias estas racistas e nacionalistas. Hitler chegou ao poder em 1933, organizando o III Reich. A organização de Hitler estava apoiada por uma forte ideologia, cujas bases eram a superioridade racial, o anti-semitismo e a propaganda. A raça deveria ser pura, mesmo que para isto fosse praticada a Eugenia, ou se deturpasse as idéias de Darwin. Tudo em função do espaço vital. A antipatia de Hitler pelos judeus vai se traduzir no anti-semitismo, cuja idéia principal é a de que o judeu era um parasita social, maior ameaça ao povo alemão, isto culminará nos campos de concentração. Para manter este sistema foi necessária uma ótima propaganda, dirigida ao sentimento do povo. Com gritos de guerra e palavras fortes, grandes obras e shows, dando-se ênfase ao cinema e a arquitetura. É dentro da propaganda que surge o grande ícone do nazismo a suástica como sinal de igualdade e poder. A luta por ideais levada ao extremo produz seqüelas irreversíveis, uma delas com certeza foi a II guerra mundial. Foi uma guerra de grandes tecnologias e com um longo processo de gênese. Começou com o ataque alemão à Polônia e terminou após os bombardeios atômicos norte americanos as cidades japonesas de Hiroxima e Nagasáqui. Este período nazista teve um fator de anti-humanismo muito grande, os campos de concentração. A frieza com que se cria Auschwitz e se mata pessoas ali é incrível. Mas temos a luz do pensamento de Victor Frankl, que sentindo na pele vai fazer relatos do seu cotidiano como um psicólogo num campo de concentração. Ele faz um relato do dia-a-dia de uma pessoa comum com sua apatia, perda da sensibilidade, religião, liberdade, existência, tudo permeado pelo sentido da vida naquela situação subumana. Esta é uma questão de suma importância, e que pode ser aprofundada, a questão do sentido da vida, a força do ser humano, que luta contra as coações externas para manter sua humanidade. Manter as instâncias internas da pessoa que a mantém dentro de uma normalidade, de uma racionalidade. Com relação ao campos de concentração, ainda hoje temos imagens da degradação do ser humano que vai ser uma mancha na história do século XX, e no povo alemão. A história da humanidade se faz em torno de grandes líderes carismáticos. Citamos Cleópatra, Salomão, Júlio César, Carlos Magno, Napoleão e muitos outros. Não comparando os méritos, mas a passagem pela história, temos em nosso século entre outros Hitler, que foi uma pessoa que atraia com facilidade os outros para o seu modo de pensar, mesmo sendo este seu modo de pensar irracional e desumano. Ao ponto de manchar a história, com atentados contra o sujeito da história, o ser humano. Os problemas levantados a partir deste trabalho são muitos. Podemos questionar até onde pode ir a irracionalidade humana. Ou como uma ideologia num determinado contexto, pode levar uma nação à guerra, a matar. O período de gestação, desenvolvimento, e fim do fenômeno nazista mudou o mundo. Logo após a guerra teremos outra geografia. Duas outras potências irão lutar pela hegemonia mundial. Estas duas nações são Rússia e Estados Unidos, lutarão na chamada guerra fria. A Alemanha vai ser dividida em oriental (comunista) e ocidental (capitalista). Esta divisão será feita pelo famoso Muro de Berlim. Considerações finais muito úteis vem das palavras de João Ribeiro Jr.: Os aliados se levantaram contra o Reich e o destruíram, mas o nazismo que com a morte de Hitler e a capitulação desaparecem de cena um momento para outro, conseguiu sobreviver e hoje ainda alimenta uma indizível e perigosa nostalgia. Esta nostalgia ainda existe em muitos países, está manifestada nos Skinreds (cabeças raspadas) por exemplo. Estes jovens ainda vêem nas idéias nazistas a solução de todos os problemas.

Segunda Guerra Mundial
A Segunda Guerra Mundial, entre 1939 e 1945, possibilitou o desenvolvimento pleno de tendências sociais latentes no mundo, após a Primeira Guerra Mundial. Envolveu interesses econômicos, mas foi marcada também pela defesa de interesses ideológicos que punham em disputa várias visões sobre a política, o homem e a sociedade. O mundo estava tomado pelas doutrinas do fascismo, na Itália, do nazismo e do anti-semitismo na Alemanha e do comunismo na União Soviética. A guerra refletiu a disputa econômica e política dos grandes países industrializados, mas também um confronto em torno do melhor modelo ideológico capaz de orientar, naquele momento histórico, o desenvolvimento da humanidade. Em campos diferentes se defrontavam três sistemas políto-econômicos: as democracias liberais capitalistas, os nazi-fascistas e os comunistas. No âmbito das relações exteriores o mundo apresentava um equilíbrio precário, desde o fim da Primeira Guerra, em 1918. Este foi testado ao extremo diante da política expansionista alemã liderada por Hitler, ao mesmo tempo em que se consolidava o regime comunista na União Soviética. Em 1938, a Alemanha ocupou a Áustria e, posteriormente, a região de Sudetos na Tchecoslováquia, deixando claro que os planos militares de Hitler não se limitavam aos territórios de língua alemã. O nazismo, que até então era visto como uma possível defesa contra o comunismo pelas democracias liberais, começava a revelar-se uma faca de dois gumes. Conferência de Munique Diante dessa ofensiva, os chefes de Estado da Inglaterra, da França, da Itália e da Alemanha reuniramse na cidade de Munique (Conferência de Munique). O resultado dessa negociação foi o reconhecimento do direito alemão de anexar a região dos Sudetos, cuja população tinha origem germânica em sua maioria. Assim, o nazismo parecia estar com o caminho aberto para seus objetivos expansionistas e nacionalistas. Há historiadores que analisam a Conferência de Munique como uma forma de a França e a Inglaterra "empurrarem" a Alemanha contra a União Soviética, já que a reunião legitimou a invasão alemã de um território que dava passagem à Rússia. Ao perceber a complacência francesa e inglesa, Hitler ganhou mais confiança. Ao mesmo tempo, assinou um pacto de não-agressão com o ditador russo Josef Stálin. Em setembro de 1939, tropas alemãs invadiram a Polônia, dando início à guerra que, até seu final, em 1945, mataria cerca de 40 milhões de pessoas. As idéias racistas e de superioridade germânica difundidas pelo nazismo desde 1933, quando Hitler subiu ao poder, foram o fermento ideológico que uniu fortemente o povo alemão em torno dessa verdadeira cruzada, empreendida em nome da construção de um império ariano. Ações de extermínio A Polônia foi o exemplo mais trágico dos objetivos e das disposições da política nazista. Cerca de 5,8 milhões de poloneses foram exterminados pelos alemães, e destes apenas 123 mil eram militares. Ou seja, o alvo dos alemães eram principalmente os civis judeus, que formavam parte significativa da população polonesa. Assim, desde a invasão da Polônia de 1939, ficou claro que, para a Alemanha, essa seria uma guerra de extermínio dos povos que o nazismo considerava inferiores ou indesejáveis: além dos judeus, os eslavos e ciganos, sem falar em homossexuais e nos deficientes físicos e mentais. Para eles, foram criados campos de concentração, como Treblinka, Auschwitz, Birkenau e Sobibor, onde os "indesejáveis" eram exterminados em ritmo industrial. Havia, inclusive, a preocupação das autoridades alemãs em criar métodos mais eficientes e baratos de matar um maior número de pessoas no menor tempo possível. Vale lembrar também que o dinheiro e os bens dessas pessoas - em especial dos judeus - eram expropriados pelos nazistas, que tentaram lucrar inclusive com os cadáveres, fabricando sabão com gordura humana e botões com ossos.

A guerra na Europa Depois da rápida vitória sobre a Polônia, as tropas alemãs não pararam mais. Atacaram primeiramente a França, que também sucumbiu em poucos dias, e depois a Inglaterra, que resistiu heroicamente e enfrentaria os alemães e seus aliados, italianos e japoneses, até o fim da guerra, na Europa, no norte da África e no Oriente. O primeiro-ministro britânico Winston Churchill foi o primeiro estadista ocidental a perceber a ameaça nazista e a ela se opor tenazmente, malgrado, Hitler, a princípio, manifestasse interesse num armistício com os ingleses. Em meados de 1941, rompendo o acordo com Stálin, Hitler decidiu atacar a União Soviética. Contrariando as estratégias de seus generais, que queriam primeiro tomar Moscou, fez questão de invadir Leningrado, símbolo daRevolução Russa de 1917. No entanto, Leningrado resistiu bravamente, embora a cidade tenha ficado sem luz e sem suprimentos, sob um cerco que durou 900 dias. Os russos, porém, não se rendiam e contaram com a aliança com seu inverno austero, ao qual os alemães não estavam acostumados. Ainda assim, as tropas nazistas chegaram a 30 quilômetros de Moscou, decididos a tomar a cidade. Foi quando se deu a virada no chamado front oriental europeu. O general Zukhov, comandante do exército vermelho, conevenceu Stálin a trazer para a Europa as tropas russas estacionadas na Ásia, o extremo oriente da União Soviética, por temor a uma invasão japonesa. Esses reforços tiveram um papel decisivo na contenção dos nazistas. No Oriente, onde o Japão já desenvolvia uma política expansionista análoga à de Hitler, outro fato veio reverter os rumos da guerra, a partir do bombardeio japonês à ilha de Pearl Harbour, pertencente aos Estados Unidos, no final de 1941. Atacados por um aliado de Hitler, os americanos tinham agora um motivo para intervir diretamente na guerra, em vez de apenas prestar apoio econômico aos ingleses. A partir daí, a guerra se estendeu pelo mundo inteiro. Assistiu-se também a um velocíssimo desenvolvimento bélico norte-americano, o que colocaria o país na posição de maior potência militar ao longo do século 20. Na Europa, a guerra envolvia a população civil, além da militar, e provocou uma grande devastação humana operada pelo avanço nazi-fascista. Já nos oceanos Pacífico e Índico, as batalhas se travavam entre navios e aviões ou em territórios cuja população local - muitas vezes indígena - não se envolvia no conflito. Mesmo assim, o número de mortos e feridos foi grande entre os militares, em especial do Japão e dos Estados Unidos, os principais protagonistas das batalhas nessa região. Batalha de Stalingrado O cerco alemão à União Soviética teve que retroceder no fim de 1941, mas Hitler retomou seus planos em setembro de 1942, dando início à batalha de Stalingrado, que se estendeu até fevereiro de 1943, com a vitória dos soviéticos. Esta batalha deu início à contra-ofensiva soviética que mudaria os rumos da guerra. A partir de então, os russos pressionariam os alemães de volta para seu país, enquanto, na Europa ocidental, americanos e ingleses reconquistavam posições na Itália e na França. Em 6 junho de 1944 (o chamado Dia D), sob o comando geral do general americano Dwight Eisenhower, ocorreu o desembarque das tropas aliadas na Normandia (França), a partir do que os alemães se viram pressionados nos dois lados da Europa. Ao mesmo tempo, as populações dos países invadidos pelos nazistas organizavam movimentos de resistência à ocupação, sabotando os alemães e cooperando com os aliados.

Derrota do Eixo O chamado Eixo, formado pela Alemanha, Itália e Japão, foi derrotado em 1945, depois de seis anos de conflito. Isso aconteceu em duas etapas. Na Alemanha, ocupada pelos aliados, Hitler suicidou-se e seus generais se renderam incondicionalmente em 8 de maio. O Japão resistiu mais alguns meses, até que as cidades de Hiroshima e Nagasaki foram destruídas pelas bombas atômicas norte-americanas, em agosto.

Foi a primeira vez que se usou armas nucleares num conflito e seu poder de devastação obrigou os japoneses à rendição. Julgamento dos nazistas em Nurembergue Em novembro de 1945, os líderes nazistas capturados foram julgados no tribunal internacional de Nurembergue, em razão dos crimes cometidos contra a humanidade. Calcula-se que cerca de 6 milhões de judeus tenham sido mortos nos campos de extermínio e nos guetos. A guerra deixou, ainda, um saldo de 18 milhões de russos mortos, 5,8 milhões de poloneses e 4,2 milhões de alemães, sem falar nos outros povos diretamente envolvidos, cujas mortes também se contam aos milhares. Muitos criminosos nazistas, porém, não se deixaram julgar, Hermann Göering, um dos principais comandantes nazistas, sucidou-se na prisão antes de ir ao tribunal. Kurt Franz, o comandante do campo de Treblinka, responsável direto pela morte de 600 mil judeus, foi condenado à prisão perpétua, mas foi indultado antes da morte, em 1993. Gustav Franz Wagner, comandante de Sobibor, culpado da morte de 250 mil pessoas, fugiu e escondeu-se em Atibaia (SP), onde viveu tranqüilamente até ser descoberto e suicidar-se, em 1980. Herança do conflito Novas relações mundiais se configuraram após a guerra, já que seus principais vencedores - os Estados Unidos e a União Soviética - eram adversários ideológicos e possuíam uma capacidade bélica equivalente, o que os impedia de partir para um conflito aberto. Teve início a chamada Guerra Fria: o mundo foi dividido em dois blocos, o comunista e o capitalista, ambos com suas promessas de desenvolvimento, paz e prosperidade para seus cidadãos, assim como suas fragilidades, crises e fracassos sociais e econômicos.

O Mundo Pós Guerra
O mundo do pós-guerra Quem por acaso embarcasse num hipotético vôo sobre o mundo do após-guerra, circundando-o, veria uma paisagem desoladora, quase lunar, lá de cima. Cruzando a Inglaterra, por exemplo, perceberia claramente que seus principais portos, Liverpool e Bristol, e suas grandes cidades industrias, como Londres e Manchester, estavam totalmente arrasadas. Lá embaixo restava um povo exausto, num país completamente endividado, em vésperas de perder o império. Se o viajante atravessasse o Canal da Mancha e sobrevoasse o território francês, o que veria não seriam muito diferente. Castigada pela bombas dos aliados e pela ocupação de quase quatro anos pelo exército nazista, a pátria do General De Gaulle mergulhara na tristeza. Mesmo ficando afinal ao lado do vencedor, a França, esvaída, amargara ter tido o único governo que colaborara com Hitler: o governo de Vichy, liderado pelo Marechal Petain. Avançando continente europeu a dentro, no tal vôo imaginário, atravessando o rio Reno, chega-se à Alemanha. Nada está em pé lá embaixo. Na região do Ruhr, que abrigava o grande parque industrial pesado alemão, só vemos destroços, pedras e ferro retorcido. Nenhuma fabrica restou intacta. Além dos 6 milhões de mortos, civis e militares, suas principais cidades viraram ruínas. Berlim, a ex-capital do IIIº Reich, contara mais de 250 mil prédios destruídos, e 60% da sua extensão urbana reduzira-se a escombros. Os sobreviventes, uns 60 milhões de alemães, viviam em meio ao frio, a fome e a desesperança. Mais a diante, passando sobre a Polônia, o quadro era mais horripilante ainda. Varsóvia e Cracóvia estavam a zero. O país fora palco, em momentos distintos, de dois enfrentamentos: em 1939 foram os exércitos alemães e soviéticos, então aliados, quem, ao invadir o pais, eliminaram os poloneses; em 1944-45, foram os nazistas e soviéticos, inimigos mortais, quem se enfrentaram no seu martirizado solo. Além disso, os nazistas escolheram-na para abrigar a maioria dos seus campos de extermínio. Foi em Auschwitz, Sobibor, Majdaneck, Chelmno e Treblinka, que deu-se o genocídio de grande parte dos judeus, de ciganos e de prisioneiros russos e poloneses, que seguramente devem ter somado bem mais de 6 milhões de vítimas. Planando sobre as estepes russas a paisagem de horror continuava. Todas as aldeias da Ucrânia e da Rússia branca haviam sido destruídas e incineradas. O gado morto e a lavoura abandonada. As minas de carvão, ao sul, na região do Donetz, estavam inundadas e os poços de petróleo do Cáucaso ainda estavam envoltos em fogo. As estradas de ferro bombardeadas e desmanteladas estavam longe de poderem ser reaproveitadas algum dia. As cidades de Leningrado (600 mil mortos civis) e Stalingrado (300 mil mortos) foram palcos de grandes batalhas e tinham sido quase que totalmente devastadas. Moscou, porém, sobrevivera a um curto sitio. Pode-se dizer que a parte ocidental da Rússia, que vai do Belarus, ao oeste até os Montes Urais, no leste, até então a mais industrializada e próspera, depois de quase quatro anos de ocupação e ter assistido a invasão e, depois, a retirada dos nazistas, reduzira-se a uma ruinaria só. As perdas humanas foram assombrosas: estima-se entre 17 a 20 milhões de russos mortos (7 milhões deles soldados). Seguindo-se adiante na viagem, atravessando a Sibéria, chega-se a China. Além de ter padecido da ocupação nipônica desde 1936, quando o exército japonês assaltou-a partindo da Manchuria, o imenso país oriental encontrava-se em guerra civil. De um lado as forças nacionalistas do general Chian KaiShek, do outro os guerrilheiros de Mao Tse-tung, o líder comunista que comandara a resistência ao invasor. Depois de terem mantido uma curta trégua, estavam novamente em guerra, que somente seria decidida a favor dos revolucionários de Mao em 1949. A completa desorganização do seus sistema de irrigação, resultado da guerra, jogara os chineses numa miséria assombrosa. As cidades como Cantão, Shangai, Pequim e Nanquim, apinhavam-se de refugiados e de gente faminta vinda dos campos paralisados. Era um caos total. Finalmente alcança-se o Extremo Oriente. Atinge-se o Japão. Honshü, a ilha maior do arquipélago, que abriga Tóquio, Osaka e Nagoya, havia sido, desde 1943, o alvo preferido da Força Aérea Americana. Em 1945 fora bombardeada diariamente, nada mais restando o que fosse produtivo ou reaproveitado. Para desgraça ainda maior dos japoneses, duas das suas cidades foram escolhidas como alvo-demontração da capacidade nuclear norte-americana: em 6 e 9 de agosto de 1945, Hiroshima e Nagasaki foram varridas por explosões atômicas, num total de 200 mil mortos. O império do Sol Nascente deixara de

existir. Naquele momento era um conglomerado de 3 mil ilhas empobrecidas, reduzido às cinzas e à impotência.
Quadro de perdas humanas
País Alemanha França Itália Polônia Grã-Bretanha Iugoslávia Perdas humanas 5.000.000 535.000 450.000 5.800.000 380.000 1.600.000

Tchecoslováquia 415.000 URSS USA Japão China 17.000.000 300.000 1.500.000 2.200.000

O poder dos Estados Unidos da América Poucas nações tiveram na História o feliz destino dos Estados Unidos da América. Apesar de envolverem-se em duas guerras mundiais, a de 1914-18 e a de 1939-45, os americanos, por estarem bem afastados dos frontes, protegidos por dois imensos Oceanos, o Pacífico e o Atlântico, pouco sofreram diretamente com as conseqüências delas. Se perderam, entre 1941-45, 300 mil homens, praticamente não contabilizaram vitimas civis. Nova Iorque, Chicago, Detroit, e demais centros industriais, não sofreram um só ataque aéreo, nem seus campos tiveram que suspender as colheitas ou abater o gado às pressas em razão de ataques ou invasões. Ao contrário. As fábricas americanas, sem medo de se verem destruídas, produziram quantidades fantásticas de material bélico, permitindo suprir todas as necessidades das forças armadas nos frontes de batalha. 17 milhões de homens e mulheres foram convocados para todo o tipo de serviço de guerra, terminando definitivamente com a Grande Depressão que atormentara o país nos anos trinta. Conscientes que o mundo do pós-guerra giraria ao redor dos seus interesses, os Estados Unidos preocuparam-se em criar as novas bases da Ordem Mundial do pós-guerra. Convocaram para tanto, bem antes que a guerra acabasse, entre 1º e 22 de julho de 1944, em Bretton Woods, perto de Nova Iorque, uma conferencia para determinar quais seriam as diretrizes econômicas futuras. Acertou-se lá, na presença de 44 delegados de diversos países, inclusive a URSS, que seria criado um Fundo Monetário Internacional (International Monetary Found) para regular as relações financeiras entre as nações e um Banco para a Reconstrução Mundial (International Bank for Reconstruction and Development), responsável pela recuperação das economias combalidas pela guerra. Acatou-se que o sistema funcionaria com o dólar sendo lastreado pelo ouro. Como os Estados Unidos possuíam a maior reserva aurífera do mundo (acredita-se que perfazia 60% do total) e a sua moeda - o dólar - era a única aceita e conversível por todos os demais, isto fez com que sua liderança fosse quase incontestável no apósguerra. Terminada a guerra contra a Alemanha nazista em maio, e contra o Japão em agosto de 1945, num mundo exaurido e arruinado, os Estados Unidos estavam intocados. Tinham naquele momento, apesar de perfazerem menos de 6% da população mundial, o controle sobre 50% da produção industrial existente (entre 1938 a 1947, o índice da produção cresceu em 63%); quase todas as reservas de ouro do mundo (elas pularam de 14.592 milhões para 22.868 milhões em dez anos); as cidades e a população civil intocadas; suas forças espalhadas pelo mundo inteiro; e, como arremate, nesta incrível concentração

de poder, eram a única das nações em posse de um arsenal nuclear. Nunca, enfatize-se, um só país na História arrematara, simultaneamente, o poder militar, o econômico, o financeiro e o atômico.

A contenção ao comunismo Dois acontecimentos internos, quase simultâneos, criaram as pré-condições para que os Estados Unidos se lançassem na Guerra Fria. O primeiro foi a morte do Presidente Franklin Delano Roosevelt, em maio de 1945 e, em seguida, em 1946, a eleição de um Congresso predominantemente republicano (partido conservador). Roosevelt acreditava num mundo do após-guerra controlado pelos E.U.A, em comum acordo com a URSS (o que Stalin denominou de “coexistência pacífica”). Sua morte fez com que seu sucessor Harry Truman, consciente do poder nuclear, abandonasse esta posição, aderindo à tese de Kennan do “enfrentamento com o comunismo”. A eleição de um congresso de maioria republicana, estreitamente ligados à indústria de armamento e às atividades anti-comunistas, revelou igualmente uma mudança da opinião pública americana. Manifestando-se, simultaneamente, contra as reformas sociais da política do New Deal e contra acordos com os comunistas. Eles, “os vermelhos”, deveriam ser combatidos em todas as frentes. A ascensão de Truman e o congresso republicano, tornaram o clima tenso com a URSS, um “clima frio”. Passado o perigo nazista, os americanos receavam os comunistas. O elemento desencadeador da mobilização anticomunista deu-se a partir do célebre discurso de Winston Churchill, feito em Fulton, no Missouri, em 5 de março em 1946, quando o ex-primeiro ministro britânico denunciou o Comunismo Soviético por estender uma “Cortina de Ferro”(Iron Curtein), sobre a sua área ocupada na Europa, conclamando os poderes anglo-saxões, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos, a enfrentarem-na. Com essa inversão, essa completa mudança de postura, de aliados da URSS para seus adversários, os Estados Unidos obrigaram-se a elaboraram uma nova doutrina: a Doutrina da Segurança Nacional. Segundo ela um tipo singular de enfrentamento mortal desenhava-se no horizonte; simultaneamente estratégico e ideológico. Os Estados Unidos tinham agora seus interesses e suas bases militares espalhadas por todos os continentes. Eram uma potência global, não estando mais confinados aos seus limites continentais primeiros. O seu único rival era o movimento comunista que tinha sede em Moscou, e manifestava ambições expansionistas. O marxismo, para os estrategistas do Pentágono, nada mais era do que o pretexto para o seu domínio do russo do mundo. Haviam dois frontes portanto. Um estratégico-militar, que seria coberto por tratados específicos, e outro ideológico, que mobilizaria a opinião pública e o serviço de contra-espionagem (a CIA [ Central Inteligente Agency] foi criada em 19 7), para o combate ao “perigo vermelho”. A decisão do caminho a ser seguido em relação à URSS foi traçado por George Kennan, um alto funcionário americano, que defendeu a “contenção” contra o comunismo. Os soviéticos somente seriam detidos por meio de uma enérgica política de enfrentamento, de jogo duro. Esta política contribuiu para que os Estados Unidos reativassem a sua industria bélica para atender as necessidades da Guerra Fria. A íntima relação da política militar com as fábricas de artefatos bélicos, levou a que, mais tarde, o Presidente Dwight Eisenhower a denominasse de “complexo militar-industrial”.

A doutrina Truman e o Plano Marshall A conseq ência lógica da “contenção ao comunismo” foi o lançamento da Doutrina Truman, o primeiro pilar da Guerra Fria. Anunciada em março de 1947, a pretexto de socorrer a Turquia e a Grécia (envolvida numa guerra civil entre comunistas e monarquistas), o presidente dos Estados Unidos garantia que sua forças militares estariam sempre prontas a intervir em escala mundial desde que fosse preciso defender um país aliado da agressão externa (da URSS) ou da subversão interna, insuflada pelo movimento comunista internacional, a serviço dos soviéticos. Na prática os Estados Unidos se tornariam dali em diante na polícia do mundo, realizando intervenções em escala planetária na defesa da sua estratégia (*).

O segundo pilar, separando ainda mais as superpotências, deu-se com o Plano Marshall que foi um projeto de recuperação econômica dos países envolvidos na guerra. Anunciado, também no ano de 1947, em 5 de julho, em Harvard, este plano deve seu nome ao General George Marshall, secretário-de-estado do governo Truman. Por ele, os americanos colocariam à disposição uma quantia fabulosa de dólares (no total ultrapassou a U$ 1 bilhões de dólares) para que as populações européias pudessem “voltar as condições políticas e sociais nas quais possam sobreviver as instituições livres”, e a um padrão superior que os livrasse da “tentação vermelha”, isto é de votar nos partidos comunistas, mantendo-se assim fiéis aos Estados Unidos. Enquanto os europeus ocidentais (ingleses, franceses, belgas, holandeses, italianos e alemães) aderiram ao plano com entusiasmo, Stalin não só rejeitou-o como proibiu aos países da sua órbita (Polônia, Hungria, Tchecoslováquia, Iugoslávia, Romênia e Bulgária) a que o aceitassem. A doutrina e o plano fizeram ainda mais por separar o mundo em duas esferas de influência. (*) Obedecendo à doutrina Truman os E.U.A intervieram na Guerra da Coréia (1950-3) e na Guerra do Vietnã (1962-75), como também derrubaram os regimes de Mossadegh no Irã em 1953, e o do Gen. Jacobo Arbenz na Guatemala em 1954. Em 1961 apoiaram a invasão de Cuba para derrubar Fidel Castro e, com a criação da Escola das Américas, no Panamá, adestraram os militares latino-americanos na contra-insurgência, estimulando-os a que tomassem o poder nos seus respectivos países.

Os Tratados da Guerra Fria Com a crescente histeria anticomunista (nos E.U. A, o Comitê de atividades anti-americanas deu início, em 19 7, à “caça aos comunistas”) a diplomacia americana tratou de arregimentar parceiros no seu grande embate ideológico contra a URSS. O primeiro de uma série de tratados que assinaram foi o TIAR (Tratado inter-americano de auxilio recíproco) acertado no Rio de Janeiro em 1947, afirmando o conceito de “defesa coletiva” do continente americano. Por ele as nações latino-americanas, formariam uma frente comum caso houvesse a agressão de uma “potência externa” (isto é a URSS). O TIAR serviu também para que as relações entre os militares se estreitassem. Os generais latino-americanos passaram a ver seus países em função da estratégia da Guerra Fria (*). Também passaram a preocupar-se com a “subversão interna”, especialmente depois da Revolução Cubana de 1959. A luta anticomunista interna, estendida aos governos populistas, considerados aliados dos comunistas, levou-os à instituírem, por meio de golpes militares, os Estados de Segurança Nacional (Brasil em 1964; Argentina em 1966 e novamente em 1976; Peru e Equador em 1968; Uruguai e Chile em 1973). Em 1949, em 4 de abril, foi a vez dos países europeus abraçarem uma aliança liderada pelos Estados Unidos: a OTAN (North Atlantic Treaty Organization). Inicialmente com 12 membros, hoje ela conta com 19 (**). Com um estado-maior comum, a OTAN tinha a função original de proteger os países europeus ocidentais de um possível ataque das divisões soviéticas estacionadas na Alemanha Oriental. A motivação para que a aliança se realizasse deveu-se a crise de Berlim. Os E.U.A., ao se decidirem reerguer a indústria pesada alemã, assustaram os soviéticos. Stalin ordenou então o bloqueio por terra a Berlim, em protesto contra uma futura República Federal Alemã, vinculada aos americanos. Os aliados ocidentais superaram o problema recorrendo a uma ponte aérea que abasteceu a população de Berlim durante o desentendimento. Por último, em razão das guerras da Coréia (195-53) e do Vietnã (a primeira de 1945 -54 e a segunda de 1962-75), que os Estados Unidos consideraram como uma ameaça a sua hegemonia na Ásia, criaram a OTASE (Southeast Asia Treaty Organization), em seguimento ao tratado de defesa coletiva assinado em Manila, capital das Filipinas, em 8 de setembro de 19 , para conter o “expansionismo maoísta” na sia. A OTASE englobava, além dos E.U.A., antigos colonialismos, como o francês e o inglês, ex-dominios britânicos como a Austrália e a Nova Zelândia, e “protetorados dos ocidentais” como Filipinas e Tailândia, além do Paquistão. Esses tratados refletiam, cada um a seu modo, a evidência do colossal poder que os Estados Unidos exerceram no mundo do após-guerra e fizeram por ajudar ainda mais seu vigor econômico e financeiro. Num planeta arruinado pela Guerra Mundial foi natural que os Estados Unidos, única potência sobrevivente, reordenasse o mundo, agora como superpotência, à sua vontade.

(*) exemplo disso é a fundação das Escola Superior de Guerra no Brasil, em 19 9, e o livro “Geopolitica do Brasil”, do General Golbery do Couto e Silva (**) os seus membros eram os E.U.A., o Canadá, a G.B., a França (retirou-se em 1966), a Alemanha Ocidental, a Itália, o Benelux, a Islândia, a Noruega, Portugal e a Dinamarca. Em 1998 foram acolhidas a Polônia, a República Tcheca e a Hungria, que, anteriormente pertenciam ao Pacto de Varsóvia, arquitetado pela URSS em 1955. Com a admissão de regimes fascistas como o de Salazar em Portugal, ou o dos militares turcos e gregos, a OTAN ficou em dificuldades em proclamar-se como “defensora da democracia”

Oligarquias – Republica Oligárquica
Em sua configuração original, a palavra oligarquia indica o “governo” (archein) “de poucos” (oligos). Contudo, o pensamento político ligado à oligarquia não esteve rigidamente submetido a essa única forma de compreensão. Na Grécia Antiga, a expressão oligarquia era negativamente empregada para se fazer referência a todo o regime que fosse comandado por pessoas com alto poder aquisitivo. Desta forma, os governos oligárquicos foram confundidos com o governo das elites econômicas. Apesar dessa acepção, o termo oligarquia poder ser muito bem empregado em outras situações políticas. Quando observamos, por exemplo, que um mesmo partido político ocupa os mais altos escalões de um governo, podemos identificar o desenvolvimento de uma oligarquia. Em geral, a presença das práticas oligárquicas impede que amplas parcelas da população participem do debate político. Dessa forma, podemos ver que a oligarquia diverge do atual sentido dedicado à democracia. Na História do Brasil, o termo oligarquia é costumeiramente empregado para se fazer menção às primeiras décadas do nosso regime republicano. Em tal período, compreendido entre 1894 e 1930, os grandes proprietários de terra utilizavam de sua influência política e econômica para determinar os destinos da nação. Apesar da presença de um sistema representativo, a troca de favores, a corrupção do processo eleitoral e outros métodos coercitivos impediam a ascensão de outros grupos políticos. Mesmo vivendo em um sistema democrático, é possível notar que algumas práticas oligárquicas ainda podem ser detectadas. Muitas vezes, as ações administrativas de um representante político se mostram vinculadas ao benefício de uma parcela reduzida da população. Dessa forma, outras parcelas da população acabam por experimentar as mais diversas situações de exclusão. A República Oligárquica é a denominação dada ao período de 1894 a 1930, em que a política do país era dirigida por oligarquias agrárias e por representantes civis na presidência. Prudente de Morais foi o primeiro presidente civil que favoreceu a volta do poder agrário já que estes estavam limitados a dominar somente o poder legislativo. A política que permaneceu no poder neste período foi chamada de Café-com-Leite já que seus representantes maiores eram São Paulo, maior produtor e exportador de café do país, e Minas Gerais, que apesar de não ser o maior produtor de leite se dedicava em especial a este produto. Neste período os principais governantes do país estavam fortemente ligados ao café, como é o caso de deputados, senadores, governadores e presidentes do Brasil. Em acordo, o governo era assumido por paulistas e mineiros alternadamente, exceto Hermes da Fonseca que era gaúcho, Epitácio Pessoa que era paraibano e Washington Luís que era carioca. Posteriormente, os oligárquicos receberam apoio dos demais estados brasileiros através dos coronéis que influenciavam fortemente seus municípios em eleições e em troca recebiam favores presidenciais como regalias, cargos públicos, financiamentos e outros. Em 1929, quando a Bolsa de Nova Iorque (em inglês: New York) quebrou, houve sérios prejuízos no país por causa do café, pois neste período de crise financeira o Brasil se encontrava com grande armazenamento do produto, o que fez com que o produto sofresse grande queda nos preços sendo fortemente desvalorizado. Neste momento o país sofreu a maior crise econômica do período. Após a Revolução de 1930, o domínio mineiro e paulistano se findou, pois estes romperam suas ligações, mas o favorecimento às oligarquias agrárias se manteve. Neste mesmo ano, houve eleições que favoreceram o candidato paulista Júlio Prestes que não chegou a assumir a presidência já que Getúlio Vargas assumiu o poder pela Junta Governativa criada por generais, em 03 de novembro, findando assim a Primeira República e iniciando uma nova era na história do país.

Crise da Monarquia e origem da República
Em 15 de novembro de 1889, depois de quase 70 anos de Monarquia, o Brasil tornou-se uma República. Qualquer mudança de regime - especialmente após uma longa tradição política como aquela - só pode ser explicada por vários e complexos fatores. A velocidade e a força do processo de transformação pelo qual o Brasil passou na segunda metade do século 19 ajudam a explicar o crescente isolamento da Monarquia. O período monárquico divide-se em três fases bem distintas. A primeira, chamada de 1° Reinado, vai da Independência, em 1822, à abdicação de dom Pedro 1°, em 1831. A segunda, conhecida como Regência, cobre os anos de 1831 a 1840. A última, denominada 2° Reinado, vai da antecipação da maioridade de dom Pedro 2°, em 1840, à Proclamação da República, em 1889. Trata-se do período mais longo da Monarquia brasileira, bem como da fase em que o Império passou por profundas transformações que abalaram a própria ordem vigente. A crise da Monarquia Sob o ponto de vista econômico, a segunda metade do século 19 caracterizou-se pela crise do Vale do Paraíba - até então, a mais importante região produtora de café brasileira - e a emergência dos cafeicultores do Oeste paulista. Ao contrário dos grandes fazendeiros do Paraíba, que apoiavam as instituições monárquicas, os dos Oeste paulista faziam oposição à centralização do Império. De outro lado, ampliou-se a propaganda republicana. Embora a proposta sempre tivesse tido espaço nas discussões políticas, foi em 1870 que o Partido Republicano foi formalmente criado, no Rio de Janeiro. Nos anos seguintes, outros partidos semelhantes seriam organizados em províncias importantes do Império. Os republicanos "históricos" criticavam a centralização da Monarquia, seu caráter hereditário, o poder excessivo nas mãos de Pedro 2°, a vitaliciedade do Senado e o sistema político em geral, que excluía a maioria absoluta da população. Outro elemento fundamental para a crise da Monarquia foi o desgaste entre os militares e o Império. O Exército brasileiro, cada vez mais "popular" em sua composição, passou a estar em franca contradição com o elitismo que sempre caracterizou o regime monárquico. As idéias trazidas da Guerra do Paraguai só alimentaram a disposição militar em "purificar" os costumes políticos, consolidando a autoimagem do Exército, de salvador nacional. A chegada da República Aos poucos, os militares foram se colocando contra a Monarquia, aproximando-os daqueles que já levantavam a bandeira da República. A abolição da escravidão, em 1888, foi o golpe de misericórdia. Os grandes fazendeiros, extremamente dependentes da mão-de-obra escrava, ressentiram-se contra a Monarquia. Esta, por sua vez, isolava-se cada vez mais ao perder, uma a uma, suas forças de sustentação - fossem civis ou militares. Com a saúde debilitada, o que só alimentava os boatos de que a Monarquia estava à deriva, o imperador ainda tentou incorporar as críticas de seus opositores com a nomeação do visconde de Ouro Preto para chefiar o gabinete ministerial, em julho de 1889. Ouro Preto propôs uma série de reformas políticas e sociais, recebendo inúmeras críticas dos setores conservadores que ainda sustentavam o Império. Diante da crescente hostilidade do Exército, Ouro Preto resolveu aumentar os poderes da Guarda Nacional, o que foi recebido como afronta pelos militares. Vários pequenos episódios ocorridos entre julho e novembro de 1889 radicalizaram ainda mais um quadro que já era de grande tensão. Assim, no dia 15 daquele mês, sob a liderança do marechal Deodoro da Fonseca, o Brasil passou da Monarquia à Republica.

A reação dos monarquistas Nesse processo, os monarquistas não tiveram êxito em impedir o crescimento da bandeira republicana. No final do século 19, a Monarquia já dava claros sinais de ser um sistema incapaz de conciliar as velhas e novas demandas, atendendo satisfatoriamente os setores conservadores sem, contudo, ignorar a força crescente dos militares, das camadas médias urbanas (que surgiram com o aumento das cidades, notadamente em São Paulo) e dos fazendeiros do Oeste paulista. Assim como em toda fase de intensa transformação, os primeiros anos da República foram marcados pelas dissensões, pelas divergências e pelas disputas em torno do caminho a seguir e da conciliação dos diferentes interesses das forças que sustentavam o novo regime. Os monarquistas conseguiram aproveitar habilmente as brechas no bloco político que apoiava a República. Em várias ocasiões, como na Revolta da Armada, as figuras identificadas com a Monarquia souberam compor com os elementos descontentes com os primeiros governos republicanos para lutar contra o novo regime, em favor da restauração da Monarquia. Com o passar do tempo, porém, não conseguiram manter o mesmo espaço que tiveram outrora, sendo derrotadas pelos militares e civis que exerceram os primeiros mandatos presidenciais.

Economia
Introdução Neste artigo, abordamos o papel do Brasil dentro da economia mundial durante a Primeira República, ou seja, o período que inicia com a sua proclamação em 1889 e vai até a Revolução de 1930. Deste período abordamos as transformações que ocasionaram na mudança do eixo da economia cafeeira brasileira - e seus investimentos - para o desenvolvimento da indústria nacional. Analisamos os motivos que levaram o Brasil a estar na periferia do desenvolvimento capitalista mundial, pois o país foi durante toda sua História mero fornecedor de matérias primas aos países de capitalismo adiantado. Para compreendermos o papel colonial brasileiro, torna-se necessária à compreensão do desenvolvimento do capitalismo europeu neste mesmo período e nos períodos anteriores. Portanto, é preciso compreender o desenvolvimento da economia nacional associada ao desenvolvimento capitalista europeu. Nossa base de argumentação está na hipótese de que o Brasil somente tornou-se capitalista quando o capitalismo se encontrava em sua fase imperialista, antes disso o país tinha bases econômicas précapitalistas, vivendo à margem do sistema mundial, ou seja, estava na periferia do desenvolvimento econômico europeu. Não acreditamos num passado feudal brasileiro, tese de Nelson Werneck Sodré, e nem que tenha havido um modo de produção Escravista Colonial, tese de Jacob Gorender. Defendemos, isso sim, que o Brasil era apenas uma colônia de exploração à margem do desenvolvimento capitalista europeu, análise esta que está de acordo com as interpretações da primeira geração de historiadores marxistas brasileiros, como Caio Prado Junior e Celso Furtado, entre outros. Nossa análise será fundamentada na combinação deste referencial teórico e na teoria trotskista do Desenvolvimento Desigual e Combinado. Como adeptos do referencial teórico marxista, percebemos a necessidade de exploramos o tema, deste que é um período tão importante para o desenvolvimento econômico do país e marca a entrada do Brasil no sistema capitalista. Nossa análise é fruto da percepção de que o tema das estruturas econômicas brasileiras tem sido negligenciado por outras teorias no estudo do período. Neste artigo pretendemos dar somente um vôo sobre a Primeira República, pois somos sabedores de que de forma alguma estamos esgotando o tema, mas desejamos lançar um olhar histórico sobre a economia e o desenvolvimento brasileiro no período a partir dos já citados referenciais teóricos. O Desenvolvimento Econômico Brasileiro Antes da análise do período proposto é importante entendermos o desenvolvimento econômico brasileiro dentro da história econômica mundial nos períodos anteriores à Primeira República.

Quando escrevemos a "história mundial" dos períodos precedentes, estamos, na realidade, fazendo uma soma das histórias das diversas partes do globo, que, de fato, haviam tomado conhecimento umas das outras, porém superficial e marginalmente, exceto quando os habitantes de umaregião conquistaram ou colonizaram outra, como os europeus ocidentais fizeram com as Américas. (HOBSBAWM, 2007, p.79 - 80). A História do Brasil iniciou dentro da lógica de acumulação primitiva de capital, onde a economia brasileira era apenas uma extensão portuguesa na América. A ocupação portuguesa se deu através da exploração de matéria prima tropical, num primeiro momento com a exploração e retirada do pau-brasil, depois se desenvolvendo a economia açucareira. Até o século XVIII a forma de capital que dominava a economia mundial era o capital comercial, somente no virada para o século XIX o capital industrial se desenvolverá hegemonicamente. Havendo uma revolta contra os monopólios e a quebra definitiva do Pacto Colonial, levando os Impérios Ibéricos ao declínio. As metrópoles tornam-se parasitas das colônias. Pois O antigo sistema colonial, fundado naquilo que se convencionou chamar Pacto Colonial, e que representa o exclusivismo do comércio das colônias para as respectivas metrópoles, entra em declínio. (PRADO JUNIOR, 2006, p. 123). O domínio do mercado Atlântico passou definitivamente para as mãos dos ingleses e o Brasil tornou-se colônia britânica na América. Os ingleses estavam num estágio econômico bem mais avançado do que os portugueses. O mercantilismo, forma de acumulação pré-capitalista, havia sido superado pelo capitalismo. A Inglaterra vivia o período de transição entre o capital comercial e o capital industrial. Os resultados destas mudanças não deixaram de contribuir para o desenvolvimento econômico brasileiro, sendo "um primeiro passo nesta grande transformação que se ia operar no país" (PRADO JUNIOR, 2006, p. 131). Os efeitos desta liberdade comercial gerada pelo estímulo econômico coincidem com a transferência da coroa portuguesa para o Brasil, transferência ocasionada pela ameaça napoleônica ao Estado Português. A Abertura dos Portos leva a economia brasileira a um avanço nunca antes alcançado. A coroa portuguesa, porém, eleva os gastos da colônia. A chegada dos nobres ao Brasil gera uma grande mudança nos hábitos coloniais, causando uma sofisticação das elites locais. Estas transformações geram a elevação dos custos de importações de produtos de luxo. Nisso o Brasil viverá em constante déficit orçamentário que levará à crise do regime servil e o fim do tráfico de escravos. Na verdade com o advento do capital industrial é necessária uma mudança nas estruturas econômicas coloniais, é preciso estimular o comércio interno que só poderá existir com o surgimento de uma classe de trabalhadores livres, ou seja, não há lugar para a mão-de-obra escrava ou servil. Torna-se cada vez mais onerosa a imobilização de capitais representada pela aquisição de escravos, o surgimento de uma classe de trabalhadores livres é essencial para o desenvolvimento do capitalismo. A criação de um campesinato livre e de uma classe proletária, garantirá a base para o surgimento no Brasil de uma burguesia nacional capaz de romper com a hegemonia oligárquica agro-exportadora. Da segunda metade do século XIX até o final do Império se caracterizou pela aurora burguesa, surgirão e se consolidarão durante este século os ideais burgueses no Brasil. A grande transformação se deu na revolução da distribuição das atividades produtivas (PRADO JUNIOR, 2006). O renascimento agrícola que fora impulsionado pela Abertura dos Portos e, posteriormente, pela emancipação política, desencadeou o processo de consolidação dos ideais liberais no Brasil. A crise do açúcar levou a decadência da força política das oligarquias do norte e nordeste. O sudeste foi favorecido com a cultura do café, artigo que encontrava grande mercado na Europa, os cafeicultores iniciaram um período de acumulação de capitais ainda não visto no país. Aqui cabe um parêntese, pois é no mínimo questionável utilizarmos a expressão "burguesia cafeeira" como alguns historiadores o fazem, pois se tratava de grupos aristocráticos rurais, em grande parte responsáveis pelo acúmulo primitivo de capital que desencadeou o processo de industrialização, mas creio que seja mais correto neste momento caracterizá-los como uma aristocracia cafeeira, pois o café representou a última das três grandes aristocracias do país - senhores de engenho, grandes mineradores e barões do café. Sem dúvida os cafeicultores foram de extrema importância para a industrialização e para a formação de uma burguesia nacional, pois mesmo que tenham aderido aos ideais burgueses, neste estágio, ainda não formavam uma classe consciente de seu papel. Mas foi esta classe e com estes ideais que levaram a pressão pela abolição e a recrutar-se mão-de-obra na imigração européia. Estas transformações elevaram o Estado de São Paulo a dianteira econômica nacional. O país entrou em franca prosperidade e ativação econômica. Esta nova aristocracia ao

contrário das anteriores passou a reinvestir capitais, principalmente na nascente indústria brasileira, pois o café era: O produto que permitiria ao país reintegrar-se nas correntes em expansão do comércio mundial; concluída sua etapa de gestação, a economia cafeeira encontrava-se em condições de autofinanciar sua extraordinária expansão subseqüente, estavam formados os quadros da nova classe dirigente que lideraria a grande expansão cafeeira. (FURTADO, 2007, p. 172). No contexto europeu, o desenvolvimento industrial representou a passagem do capital comercial para o capital industrial, às antigas estruturas monopolistas começam a ruir e a ideologia liberal tomou conta do pensamento econômico europeu. Como não poderia ser diferente, o Brasil, periferia da Europa, adotou o liberalismo como base ideológica econômica. Serão as idéias liberais que desencadearão no processo que levará a queda do Império e propagará as idéias republicanas no país. A indústria capitalista tomou logo tamanho vulto que ofuscou o capitalismo comercial e assumiu cada vez mais o domínio da economia européia. Pondo fim aos monopólios comerciais. (PRADO JUNIOR, 2006, p.124). A partir de 1850 o Brasil passou a experimentar um grande surto industrial, onde o país se urbanizou. Foram instaladas centenas de fábricas, bancos e diversas companhias de navegação. O financiamento em geral veio do capital cafeeiro e do capital financeiro internacional. O Brasil passou a dar grandes saltos desenvolvimentistas para aderir ao capitalismo. Porém, a economia ainda mantinha-se refém do mercado externo, com a implementação de políticas que garantissem as exportações de gêneros primários. A indústria brasileira, neste momento, produzia basicamente bens de consumo para trabalhadores, o restante era importado, principalmente da Inglaterra (CATANI, 1984, p. 113). Na virado do século, a indústria nacional passou para o processo de substituição das importações. "A fase da importação de determinado produto começa quando a economia se diversifica a ponto de exigi-lo, e termina quando o mercado cresce tanto que lhe assegura a produção nacional" (DEAN, 1975, p.267). Segundo o brazilianista Warren Dean, a origem da industria brasileira se deu dentro do mercado importador e exportador, tanto os fazendeiros quando os importadores tornam-se os primeiros industriários brasileiros, porém sem deixarem sua atividade original. No caso dos fazendeiros, em geral, seus investimentos industriais se davam dentro do beneficiamento das matérias-primas que produziam nas fazendas, o que lhes garantia a valorização dos mesmos (DEAN, 1975, p.268-269). Na Europa, a virada do século representará a aurora do imperialismo, o novo estágio do capitalismo. Rosa Luxemburgo conceituava o imperialismo como o estágio em que o capitalismo se apropriava de regiões ainda não pertencentes ao sistema. (HUNT; SHERMAN, 2001, p.159). Apesar da Europa voltar suas atenções para a África e Ásia, a América mantêm-se como fornecedora dos bens primários capazes de fortalecer o desenvolvimento da indústria européia. No caso brasileiro, havia a busca por aderir ao sistema mundial, mesmo que para isso hipotecasse seus ganhos futuros. Na Europa o ideário liberal entra em declínio e o capital financeiro dá inicio a uma nova fase monopolista. O período que se estende do final do século XIX ao princípio do século XX testemunhou a partilha imperialista da maior parte das regiões economicamente subdesenvolvidas do mundo. As populações dessas regiões foram submetidas à mais dura e cruel exploração, em proveito dos lucros das grandes corporações sediadas nos países capitalistas avançados (HUNT; SHERMAN, 2001, p.162). Emir Sader escreveu que se o colonialismo havia sido o fenômeno essencial para compreender a história da humanidade nos séculos anteriores, o século XX será o século do imperialismo (SADER, 2000, p.27). O imperialismo forneceu os elementos necessários para o desenvolvimento econômico do Brasil, mas por outro lado, foi acumulando um passivo considerável e tornou cada vez mais perturbadora e onerosa sua ação (PRADO JUNIOR, 2006). O capitalismo não se desenvolveu naturalmente no Brasil, antes foi imposto pela associação das classes dirigentes nacionais e o capitalismo internacional. Sendo que as classes dirigentes brasileiras sequer formavam uma burguesia nacional coesa, eram, na verdade, representantes de grandes oligarquias rurais que defendiam tão somente seus próprios interesses. A associação destes grupos nacionais se realizou com o capitalismo em sua fase imperialista, ou seja, tratava-se da associação da oligarquia brasileira com o capital industrial e o capital financeiro europeus. O país ficou imerso às regras deste novo modelo. O modelo de desenvolvimento imposto ao Brasil previa que o país passasse pelos mesmos estágios que os países de capitalismo adiantado já haviam passado. Na impossibilidade de se desenvolver autonomamente, coube ao Brasil queimar etapas, dando saltos desenvolvimentistas para

acompanhar seus parceiros mais desenvolvidos. O país iniciou um oneroso processo de modernização e industrialização. (...) não podendo repetir o seu itinerário anterior: ele "salta", por assim dizer, as etapas intermediárias do seu crescimento "normal" e "orgânico", como o pequeno ofício e a manufatura, e se manifesta imediatamente em sua figura mais moderna e avançada: a grande indústria (LÖWY, s/d, p. 75). Na condição de periferia do sistema mundial, coube ao Brasil somente uma forma de mudança das estruturas econômicas, estas modificações estruturais envolveram a necessidade de dar saltos desenvolvimentistas para modernizar a economia nacional, o que se fez possível somente com o advento da República. Foram instaladas indústrias, construíram-se estradas de ferro, modernizaram-se os portos e fundaram-se bancos, porém, à custa de grande dívida contraída aos financistas europeus. A economia brasileira, ao instalar-se a República, encontra-se plenamente integrada ao capitalismo internacional através da Divisão Internacional do Trabalho. O modelo agrárioexportador, baseado na monocultura do café, fazia do Brasil um país periférico e dependente do mercado internacional. (VIZENTINI, 1983, p. 12). A reestruturação tratou de apressar o processo de transformação, realizando a reforma estrutural necessária à economia brasileira, transformação inserida na nova realidade internacional, o país tornouse definitivamente capitalista. O capitalismo representou, no Brasil, uma ruptura nas antigas estruturas colônias, pois o capital industrial não possui a mesma lógica do capital comercial. Foram necessárias várias alterações na estrutura econômica nacional. Em primeiro lugar a reestruturação teve que partir da alteração da mão-de-obra, como a viabilização e criação de um proletariado, o que inviabilizava a existência do trabalho servil. Este problema, como vimos, foi parcialmente resolvido com a abolição da escravatura e, posteriormente, com as imigrações européias. Arias Neto afirma que em sua maioria a população de ex-escravos não se viu na necessidade de transformar-se em força de trabalho, a solução foi buscada na imigração européia (ARIAS NETO, 2003, p.201-202). Em segundo lugar, existe a necessidade de mercados consumidores. Problema que foi resolvido, em parte, com a quebra dos monopólios comerciais e com a restrição das importações, que foi possível com a implementação de uma indústria nacional de bens de consumo (CATANI, 1984). Estas alterações atingiram diretamente as antigas aristocracias, principalmente do norte e nordeste, que viram seu poder econômico reduzido, por isso tornaram-se, em grande parte, opositores do novo sistema (PRADO JUNIOR, 2006). Porém, apesar das transformações ocorridas, a economia nacional manteve-se refém do mercado externo, tanto na necessidade de exportação, principalmente de bens primários como o café, como das importações de produtos sofisticados e da indústria pesada (CATANI, 1984). O salto desenvolvimentista brasileiro, causado pela industrialização do país gerou em um grande êxodo rural, os centros urbanos cresceram enormemente, surgindo uma grande massa de trabalhadores assalariados. Nasceu, nos centros urbanos, um grande exército de mão-de-obra de reserva. É claro que estas mudanças geraram as conseqüências que logo foram sentidas, pois surgiram novas demandas populares, que desencadearam nas reformas trabalhistas de Getúlio Vargas nos anos 1930 e, posteriormente, no populismo. Conclusão Este artigo pode ser facilmente rotulado de revisionista e ultrapassado do ponto de vista teórico. Nós, porém, não acreditamos que exista outra forma de interpretação da realidade brasileira. Seria-nos muito fácil e cômodo fazer uma análise historiográfica de gênero ou cultural, fragmentando o conhecimento, mas preferimos nos expor e defendermos a teoria e tese que acreditamos. É possível, e provável, que ao longo de nossa jornada acadêmica venhamos a ter outras posições teóricas, ou mesmo a combinação de várias delas, mas esta é a que defendemos e entendemos como a mais correta em nosso atual estágio de graduação. Mesmo assim, não somos tão inocentes de acreditar que o período que se estendeu imediatamente após a Revolução de 1930 viu a hegemonia da indústria no Brasil, temos consciência de que não foi tão simples assim. Pois a economia nacional continuou atrelada ao desempenho exportador do café, pelo menos até a década de 1940. Mas acreditamos que foram durante a Primeira República que a indústria brasileira deu seus largos saltos para a ascensão hegemônica na economia do país, porém sua consolidação ocorreria somente a partir da década de 1950. É certo que a Segunda Guerra Mundial

garantiu o "boom" industrial brasileiro, mas isso somente ocorreu porque a economia nacional já havia se transformado em capitalista no período anterior. Sem a transformação da sociedade brasileira em uma sociedade burguesa e sem a criação do proletariado nacional, seria impossível o salto econômico dado pelo país nas décadas seguintes. É por isso que acreditamos que é impossível, do ponto de vista teórico, uma análise econômica do país sem compreendermos o desenvolvimento capitalista mundial e suas influências nas zonas periféricas, no caso o Brasil. Desta forma acreditamos que o Brasil deixou de ser uma colônia de exploração a partir do momento que entendeu ser necessário dar saltos desenvolvimentistas em direção à implantação do capitalismo no país. Este salto, porém, não foi um salto da classe burguesa recém organizada, mas um salto desenvolvimentista dado pelo país como um todo, é claro, estando sob a liderança da burguesia, num primeiro momento aliada ao exército e depois sozinha. Este processo desenvolvimentista não iniciou de uma hora para outra, se iniciou ainda durante o Segundo Império, assim como se tornou hegemônico somente na Era Vargas. Porém, estamos convencidos de que o desenvolvimento econômico e as transformações sociais que possibilitaram tal reestruturação se fizeram presentes na Primeira República.

Instabilidade
O primeiro período republicano no Brasil, a República Velha, durou até 1930. As oligarquias agrárias controlavam o governo. Em 1891 foi promulgada a segunda Constituição Brasileira, com uma estrutura liberal federativa, inspirada na Carta Americana. Os anos iniciais foram marcados pela Revolta Federalista (1893-1895), no Rio Grande do Sul, e pelo conflito de Canudos, reprimido militarmente em 1897. Com o primeiro presidente civil, Prudente de Morais, em 1894, tinha início a política do café-com-leite, caracterizada pela alternância no poder de paulistas e mineiros. Na década de 1920, a insatisfação de setores militares com os sucessivos governos fez surgir movimentos de insurreição, que explodiram no Rio de Janeiro, em 1922, em São Paulo, em 1924, e continuaram até 1927 com a marcha da Coluna Prestes pelo interior do Brasil. A quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque, em 1929, abalou a economia brasileira e levou ao corte dos subsídios para o café. Com a crise da política do café-com-leite, eclodiu a Revolução de 1930, que leva o gaúcho Getúlio Vargas ao poder. O novo presidente implantou a indústria de base, reduziu a importação e suspendeu o pagamento da dívida externa. Em 1932, o novo Código Eleitoral instituiu o voto secreto e deu às mulheres direitos políticos. Em 1934, Vargas estabeleceu a jornada de trabalho de oito horas diárias e tornou obrigatória a carteira profissional. Nesse mesmo ano, se elegeu presidente pelo voto indireto da Assembléia Nacional Constituinte, com mandato até 1938. Foi promulgada a terceira Constituição Brasileira, que deu mais poder ao governo federal e criou a Justiça Eleitoral e a Justiça do Trabalho. Após derrotar a Intentona Comunista em 1935, Vargas deu um golpe em 1937 e implantou a ditadura do Estado Novo. A quarta Constituição foi então outorgada, com clara inspiração fascista. Em 1942, o governo brasileiro entrou na Segunda Guerra Mundial ao lado dos Estados Unidos. A Força Expedicionária Brasileira (FEB) lutou em solo italiano em 1944 e 1945, com 25 mil homens, dos quais 451 morreram em combate. A volta dos soldados ao Brasil causou entusiasmo popular e acelerou as pressões pela democratização. Vargas renunciou em outubro. O general Eurico Gaspar Dutra, exministro da Guerra de Vargas, venceu as eleições e tomou posse em janeiro de 1946. Instalou-se, em 1946, uma nova Assembléia Constituinte. Em setembro, Dutra promulgou a quinta Constituição Brasileira, de caráter mais democrático, restaurando garantias individuais e a independência entre os poderes.

Movimentos Operários
Na República Velha temos a vivência de todo um processo de transformações econômicas responsáveis pela industrialização do país. Não percebendo de forma imediata tais mudanças, as autoridades da época pouco se importavam em trazer definições claras com respeito aos direitos dos trabalhadores brasileiros. Por isso, a organização dos operários no país esteve primeiramente ligada ao atendimento de suas demandas mais imediatas. No início da formação dessa classe de trabalhadores percebemos a predominância de imigrantes europeus fortemente influenciados pelos princípios anarquistas e comunistas. Contando com um inflamado discurso, convocavam os trabalhadores fabris a se unirem em associações que, futuramente, seriam determinantes no surgimento dos primeiros sindicatos. Com o passar do tempo, as reivindicações teriam maior volume e, dessa forma, as manifestações e greves teriam maior expressão. Na primeira década do século XX, o Brasil já tinha um contingente operário com mais de 100 mil trabalhadores, sendo a grande maioria concentrada nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Foi nesse contexto que as reivindicações por melhores salários, jornada de trabalho reduzida e assistência social conviveram com perspectivas políticas mais incisivas que lutavam contra a manutenção da propriedade privada e do chamado “Estado Burguês”. Entre os anos de 1903 e 1906, greves de menor expressão tomavam conta dos grandes centros industriais. Tecelões, alfaiates, portuários, mineradores, carpinteiros e ferroviários foram os primeiros a demonstrar sua insatisfação. Notando a consolidação desses levantes, o governo promulgou uma lei expulsando os estrangeiros que fossem considerados uma ameaça à ordem e segurança nacional. Essa primeira tentativa de repressão foi imediatamente respondida por uma greve geral que tomou conta de São Paulo, em 1907. Mediante a intransigência e a morosidade do governo, uma greve de maiores proporções foi organizada em 1917, mais uma vez, em São Paulo. Os trabalhadores dos setores alimentício, gráfico, têxtil e ferroviário foram os maiores atuantes nesse novo movimento. A tensão tomou conta das ruas da cidade e um inevitável confronto com os policiais aconteceu. Durante o embate, a polícia acabou matando um jovem trabalhador que participava das manifestações. Esse evento somente inflamou os operários a organizarem passeatas maiores pelo centro da cidade. Atuando em outra frente, trabalhadores formaram barricadas que se espalharam pelo bairro do Brás resistindo ao fogo aberto pelas autoridades. No ano seguinte, anarquistas tentaram conduzir um golpe revolucionário frustrado pela intercepção policial. Vale lembrar que toda essa agitação se deu na mesma época em que as notícias sobre a Revolução Russa ganhavam os jornais do mundo. Passadas todas essas agitações, a ação grevista serviu para a formação de um movimento mais organizado sob os ditames de um partido político. No ano de 1922, inspirado pelo Partido Bolchevique Russo, foi oficializada a fundação do PCB, Partido Comunista Brasileiro. Paralelamente, os sindicatos passaram a se organizar melhor, mobilizando um grande número de trabalhadores pertencentes a um mesmo ramo da economia industrial.

Revolução de 30 – Colapso da República Oligárquica
Os antecedentes da Revolução de 30 Interpretada como a revolução que pôs fim ao predomínio das oligarquias no cenário político brasileiro, a Revolução de 30 conta com uma série de fatores conjunturais que explicam esse dado histórico. O próprio uso do termo „revolução‟ como definidor desse fato, pode ainda, restringir outras questões vinculadas a esse importante acontecimento. Em um primeiro momento, podemos avaliar a influência de alguns fatores internos e externos que explicam o movimento. No âmbito internacional, podemos destacar a ascensão de algumas práticas capitalistas e a própria crise do sistema capitalista. Cada vez mais, a modernização das economias nacionais, inclusive a brasileira, só era imaginada com a intervenção de um Estado preocupado em implementar um parque industrial autônomo e sustentador de sua própria economia. Em contrapartida, o capitalismo vivia um momento de crise provocado pelo colapso das especulações financeiras que, inclusive, provocaram o “crash” da Bolsa de Nova Iorque, em 1929. Apático a esse conjunto de transformações, os governos oligárquicos preferiam manter a nação sob um regime econômico agro-exportador. Dessa forma, a economia brasileira sofreu, principalmente nas primeiras décadas do século XX, graves oscilações em seu desempenho econômico. Em outras palavras, a economia brasileira só ia bem quando as grandes potências industriais tinham condições de consumir os produtos agrícolas brasileiros. Defendendo essa política conservadora e arcaica, as elites oligárquicas acabaram pagando um alto preço ao refrear a modernização da economia brasileira. De um lado, as camadas populares sofriam, cada vez mais, o impacto de governos que não criavam efetivas políticas sociais e, ao mesmo tempo, não dava devida atenção aos setores sociais emergentes (militares, classes média e operária). Por outro, as próprias oligarquias não conseguiam manter uma posição política homogênea mediante uma economia incerta e oscilante. Fatos que marcaram o processo da Revolução de 30 Nesse contexto, podemos compreender que a crise das oligarquias foi um passo crucial para a revolução. Com o impacto da crise de 1929, o então presidente paulista Washington Luís resolveu apoiar a candidatura de seu conterrâneo Júlio Prestes. Conhecida como “Política do Café Puro”, a candidatura de J lio Prestes rompeu com o antigo arranjo da “Política do Café-com-Leite”, onde os latifundiários mineiros e paulistas se alternariam no mandato presidencial. Insatisfeitos com tal medida, um grupo de oligarquias dissidentes – principalmente de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba – criaram uma chapa eleitoral contra a candidatura de Júlio Prestes. Conhecida como Aliança Liberal, a chapa encabeçada pelo fazendeiro gaúcho Getúlio Dorneles Vargas prometia um conjunto de medidas reformistas. Entre outros pontos, os liberais defendiam a instituição do voto secreto, o estabelecimento de uma legislação trabalhista e o desenvolvimento da indústria nacional. O desfecho da Revolução de 30 Sob um clima de desconfiança e tensão, o candidato Júlio Prestes foi considerado vencedor das eleições daquele ano. Mesmo com a derrota dos liberais, um possível golpe armado ainda era cogitado. Com o assassinato do liberal João Pessoa, em 26 de julho de 1930, o movimento oposicionista articulou a derrubada do governo oligárquico com o auxílio de setores militares. Depois de controlar os focos de resistência nos estados, Getúlio Vargas e seus aliados chegam ao Rio de Janeiro, em novembro de 1930. Iniciando a chamada Era Vargas, Getúlio ficaria por quinze anos ininterruptos no poder (1930 – 1945) e, logo depois, seria eleito pelo voto popular voltando à presidência entre os anos de 1951 e 1954.

Getúlio Vargas marca o fim da República Velha O rompimento do acordo entre São Paulo e Minas Gerais para as eleições presidenciais de 1930 quebrou a aliança que sustentava a República Velha (1889/1930). Em 1929, o presidente Washington Luís indicou outro paulista, Júlio Prestes, para sucedê-lo. O presidente do Estado de Minas Gerais, Antonio Carlos, sentindo-se traído, buscou o apoio dos governantes do Rio Grande do Sul e da Paraíba e formaram a Aliança Liberal, com Getúlio (RS) e João Pessoa (PB) à frente. Iniciava-se uma das mais acirradas disputas eleitorais daquele período. A crise da Bolsa de Nova York, em outubro de 1929, só fez contribuir para a intransigência paulista em torno de seu candidato. Depois da "aterrissagem" forçada da Bolsa, as exportações brasileiras de café para os EUA caíram de forma inédita. Os cafeicultores paulistas perceberam rapidamente que precisariam de todo apoio para superar as dificuldades que se avizinhavam. Assim, para a oligarquia paulista, depois de outubro de 1929, a eleição de Júlio Prestes visava garantir no comando do Estado republicano um presidente articulado com os interesses da cafeicultura. Ele, certamente, não pouparia esforços para mobilizar todos os recursos ao alcance do governo, a fim de atenuar os efeitos da crise. Apesar da vitória de Júlio Prestes nas eleições de 1930, era evidente para outros setores das oligarquias brasileiras, para a burguesia industrial emergente, para setores do Exército e para as classes médias que a economia brasileira não poderia continuar a depender de um único produto. Era necessário buscar alternativas de desenvolvimento mais diversificadas, que tornassem o país menos vulnerável às crises externas, como aquela que nos atingia, o que implicava por fim à hegemonia paulista sobre o estado republicano. Um incidente, o assassinato de João Pessoa, candidato a vice-presidente na chapa da Aliança Liberal, catalisou a indignação contra o governo de Washington Luís e criou condições favoráveis para o golpe de Estado que colocou Getúlio Vargas no poder, e que foi denominado por ele próprio de "Revolução de 30". À parte a polêmica que cerca este acontecimento, não há como negar que tem início aí uma das fases mais importantes de modernização do Estado e da economia brasileiros.

República Nova – República Populista
A década de 30 trouxe profundas mudanças na estrutura social e econômica brasileiras. Houve um avanço na industrialização brasileira, grande desenvolvimento urbano – com aumento da população. O urbanismo favoreceu o crescimento da burguesia industrial, da classe média e do proletariado. O fortalecimento destas novas forças sociais trouxe uma mudança no aparelho estatal: a permanência do populismo, transformado em prática política costumeira com o intuito de conquistar o apoio das massas – principalmente a urbana. O fenômeno do populismo consiste, enfim, na manipulação – por parte do Estado ou dos políticos – dos interesses da classe trabalhadora. O período que vai de 1945 (fim do Estado Novo) até 1964 (golpe militar) apresentou as características acima. Governo de Eurico Gaspar Dutra (1946/1951) Marcado pela aliança política PSD/PTB, apresentou aspectos conservadores. Em setembro de 1946 foi promulgada uma nova constituição, onde manteve-se a república presidencialista e o princípio federativo. Foi instituído o voto secreto e universal e a divisão do estado em três poderes ( Executivo, Legislativo e Judiciário). Externamente seu governo foi marcado pela aproximação com os Estados Unidos – início da guerra fria e a opção brasileira pelo capitalismo. Como reflexo desta política houve o rompimento das relações diplomáticas com a União Soviética e o Partido Comunista foi colocado na ilegalidade. No plano interno, Dutra procurou colocar em prática o primeiro planejamento global da economia brasileira, o Plano Salte (saúde, alimentação, transporte e energia). Houve a pavimentação da rodovia Rio-São Paulo e a instalação da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (CHESF). Verificou-se uma enorme inflação, em razão do aumento da emissão de papel-moeda. Ao mesmo tempo elevava-se o preço do café e das matérias-primas, auxiliando a balança comercial brasileira. Governo de Getúlio Vargas ( 1951/1954 ) A Segunda presidência de Vargas foi marcada pelo nacionalismo e pelo intervencionismo estatal na economia, trazendo insatisfações ao empresariado nacional e ao capital internacional. No ano de 1951 o nacionalismo econômico de Vargas efetivou-se no projeto de estabelecer o monopólio estatal do petróleo. Esse programa, que mobilizou boa parte a população brasileira tinha como slogan “O Petróleo é nosso”, resultando na criação da Petrobrás – empresa estatal que monopolizou a exploração e o refino do petróleo no Brasil. Vargas planejava também a criação da Eletrobrás, com o objetivo de monopolizar a geração e distribuição de energia elétrica. Propôs, no ano de 1954, um reajuste de 100% no salário mínimo, como forma de compensar as perdas salariais, em virtude da inflação. A aplicação de uma política nacionalista, bem como a aproximação de Vargas à classe trabalhadora, preocupava a classe dominante. Temia-se a criação de uma República Sindicalista, como na Argentina de Perón. O líder da oposição a Vargas era o jornalista Carlos Lacerda, que denunciava uma série de irregularidades do governo; Lacerda também era o porta-voz dos setores ligados ao capital estrangeiro. Neste contexto ocorreu o atentado da Rua Toneleiros, uma tentativa de assassinar Carlos Lacerda. No episódio foi morto o major da aeronáutica Rubens Vaz. Os resultados da investigação apontaram que Gregório Fortunato - principal guarda-costas do presidente - como o responsável pelo acontecimento. Embora nunca tivesse ficado provado a participação de Getúlio Vargas no episódio, este foi acusado pelos opositores como o mandante do atentado. Em 23 de agosto o vice-presidente, Café Filho rompeu com o presidente; no mesmo dia, o Exército divulga um manifesto exigindo a renúncia de Vargas. Na madrugada de 24 de agosto, Getúlio Vargas suicidou-se com um tiro no coração.

Governo de Café Filho ( 1954/1955 ) Após a morte de Vargas, Café Filho – vice de Vargas assumiu o poder. Nas eleições de 1956, o candidato da aliança PSD-PTB – Juscelino Kubitschek – venceu. O período de governo de Café Filho apresentou uma crise política quando o coronel Bizarria Mamede, da Escola Superior de Guerra, proferiu um discurso contra a posse de JK. O então Ministro da Guerra, general Henrique Teixeira Lott, resolveu punir o coronel – ferindo a hierarquia, pois a punição deveria ser dada pelo presidente da República – ao qual o ministro era subordinado. Café Filho foi afastado da presidência, por motivos de saúde, assumindo o presidente da Câmara de Deputados, Carlos Luz. Este era do PSD, da ala conservadora, e inimigo político de Juscelino. Carlos Luz resolveu não punir o general Mamede – tornando-se cúmplice de suas declarações e forçando o pedido de demissão do general Lott. Ficava claro a tentativa de um golpe e Henrique Lott, um defensor da legalidade constitucional e da posse dos candidatos eleitos, antecipou-se aos golpistas. Lott não assinou o pedido de demissão e organizou um contra-golpe. Ordenou que as tropas fossem às ruas, reassumiu o poder e afastou Carlos Luz da presidência. A presidência foi entregue ao presidente do Senado, Nereu Ramos, que governou até a posse de Juscelino Kubitschek (31/01/56). Governo de Juscelino Kubitschek ( 1956/1961) Governo marcado pelo grande desenvolvimento econômico. Política econômica delineada pelo Plano de Metas, que tinha como lema “Cinq enta anos de progresso em cinco de governo.” A realização do Plano de Metas resultou na expansão e consolidação do "capitalismo associado ou dependente" brasileiro, pois o processo de industrialização ocorreu em torno das empresas estrangeiras ( as multinacionais ). Estas empresas controlaram os setores chaves da economia nacional – maquinaria pesada, alumínio, setor automobilístico, construção naval – ocasionando a desnacionalização econômica. A política econômica de JK acarretou um processo inflacionário, em razão da intensa emissão monetária, e a política de abertura ao capital estrangeiro resultou em remessas de lucros e royalties ao exterior. O período de JK foi marcado, também, pela consrtrução de Brasília, pela criação da Sudene (Superitendência para o Desenvolvimento do Nordeste). A era JK foi também marcada por crises políticas, ocorrendo duas tentativas de golpe: o levante de Jacareacanga e o de Aragarças – insurreições por parte de alguns militares. No final de seu governo a dívida externa brasileira aumentou consideravelmente, levando o país a recorrer ao FMI e ao seu receituário. Em 1960 houve eleições e Jânio da Silva Quadros, então governador de São Paulo foi o vencedor, tendo como partido político a UDN e como vice-presidente João Goulart, da coligação PSD/PTB. Governo de Jânio Quadros (1961) Jânio Quadros assume a presidência em um contexto de grave crise financeira: intensa inflação, crescimento da dívida externa e déficit na balança de pagamentos. Visando restabelecer o equilíbrio financeiro do país, Jânio realizou um reajuste cambial, restringiu os créditos, incentivou as exportações e congelou os salários. Iniciou a apuração de denúncias de corrupção administrativa e nomeou uma comissão para definir a limitação da remessa de lucros para o exterior. No campo externo, Jânio Quadros procurou estabelecer uma política externa independente dos Estados Unidos: aproximou-se dos países socialistas ao restabelecer as relações diplomáticas com a União Soviética, enviou o vice-presidente à China e prestigiou a Revolução Cubana, ao condecorar com a Ordem do Cruzeiro do Sul um de seus líderes, Ernesto “Che” Guevara. Semelhantes atitudes preocuparam os norte-americanos e a classe dominante nacional.

A oposição ao governo tinha em Carlos Lacerda, governador do Rio de Janeiro, seu principal representante e que articulava um golpe de estado. Sem apoio político Jânio acabou renunciando no dia 25 de agosto de 1961 – após sete meses de governo. Sua renúncia nunca foi satisfatoriamente explicada. A renúncia gerou uma grave crise política envolvendo a posse, ou não, de seu vice-presidente João Goulart. Governo de João Goulart ( 1961/1964 ) João Goulart – cujo apelido nos meios sindicais era Jango – não era bem visto pela elite nacional e pelas Forças Armadas. Era tido como agitador e com tendências comunistas. Representava uma ameaça a “segurança nacional” trazendo risco às instituições democráticas do país. Sob estas alegações, os ministros militares pediram ao Congresso Nacional a permanência de Raniere Mazzilli na presidência –que assumiu interinamente visto que Jango estava na China. Contra a tentativa de golpe o governador do Rio Grande do Sul –Leonel Brizola-, e cunhado de João Goulart liderou a chamada “campanha de legalidade”, que buscava garantir a posse de João Goulart. Para conciliar as duas correntes – favorável e contra a posse – o congresso Nacional aprovou um ato adicional em 02 de setembro de 1961, estabelecendo o sistema parlamentarista no Brasil. Com o parlamentarismo os poderes do presidente foram limitados sendo que o primeiro-ministro é que governaria de fato. O primeiro a ser eleito a exercer tal função foi Tancredo Neves. Diante do fracasso do parlamentarismo foi convocado um plesbicito para decidir sobre a manutenção ou não do regime. O resultado foi a volta do presidencialismo (06/01/63). Inicia-se uma segunda fase do governo de João Goulart marcada pela execução do chamado Plano Trienal, que buscava combater a inflação e realizar o desenvolvimento econômico. O plano deveria ser acompanhado de uma série de reformas estruturais, denominadas reformas de base, que incluía a reforma agrária; a reforma eleitoral – estendendo o direito de votos aos analfabetos; a reforma universitária, ampliando o número de vagas nas faculdades públicas e a reforma financeira e administrativa, procurando limitar a remessa de lucro e os lucros dos bancos. O descontentamento com a política do governo aumentou a partir do dia 13 de março de 1964 quando, num comício na Central do Brasil – diante de 200 mil trabalhadores – Jango radicalizou sua promessa de reforma agrária, lançou a idéia de uma “reforma urbana” e decretou a nacionalização das refinarias particulares de petróleo. A reação uniu os grandes empresários, proprietários rurais, setores conservadores da Igreja Católica e a classe média urbana que realizaram a Marcha da Família com Deus e pela Liberdade. Em seguida houve uma revolta dos marinheiros do Rio de Janeiro, servindo de pretexto para o golpe militar alegava-se que a disciplina nas Forças Armadas estava em jogo. Na noite de 31 de março de 1964 o general Olympío Mourão Filho (arquiteto do falso plano Cohen) colocou a guarnição de Juiz de Fora em direção ao Rio de Janeiro. No dia 1º de abril João Goulart foi deposto e exilou-se no Uruguai, no dia 2 de abril. Encerrava-se assim o período democrático e iniciava-se a República Militar no Brasil.

República dos Militares
O golpe militar de 1964 foi efetivado com o objetivo de evitar a ameaça comunista. O regime militar foi marcado pelas restrições aos direitos e garantias individuais e pelo uso da violência aos opositores do regime. O modelo político do regime militar foi caracterizado pelo fortalecimento do Executivo que marginalizou o Legislativo (através da cassação de mandatos) e interferiu nas decisões do Judiciário (como por exemplo a publicação dos atos institucionais); pela centralização do poder, tornando o princípio federativa letra morta constitucional; controle da estrutura partidária, dos sindicatos e demais representações; pela censura aos meios de comunicação e intensa repressão política – os casos de tortura eram sistemáticos. O modelo econômico do regime militar foi marcado pelo processo de concentração de rendas e abertura externa da economia brasileira. Governo do marechal Castello Branco ( 1964/67) Foi eleito por vias indiretas, através do ato institucional nº 1, em 10 de abril de 1964. Em seu governo foi criado o Serviço Nacional de Informação (SNI). Seu governo é marcado por uma enorme reforma administrativa, eleitoral, bancária, tributária, habitacional e agrária. Criou-se o Cruzeiro Novo, o Banco Central, Banco Nacional da Habitação e o Instituto Nacional da Previdência Social (INPS). Criou-se também o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. Em outubro de 196 foi assinado o ato institucional nŠ , ampliando o controle do Executivo sobre o Legislativo, extinguindo os partidos políticos – inaugurando o bipartidarismo no Brasil. De um lado o partido governista a ARENA (Aliança Renovadora Nacional) e, de outro lado, a oposição, reunida no MDB (Movimento Democrático Brasileiro). Este mesmo ato determinou que as eleições para presidente seriam diretas. Em fevereiro de 1966 foi decretado o ato institucional nº 3 estabelecendo eleições indiretas para governador e para os municípios considerados de “segurança nacional”, incluindo todas as capitais. Em 1967, mediante o ato institucional nº4, foi promulgada uma nova Constituição. Nela mantinha-se o princípio federativo e os princípios dos atos institucionais – eleições indiretas para presidente e governadores. A Constituição fortalecia os poderes presidenciais, permitindo ao presidente decretar estado de sítio, efetivar intervenção federal nos Estados, decretar recesso no Congresso Nacional, legislar por decretos e cassar ou suspender os direitos políticos. Antes de deixar a presidência, Castello Branco instituiu a Lei de Segurança Nacional, sendo um conjunto de normas que regulamentava todas as atividades sociais, estabelecendo severa punições aos transgressores. Governo do marechal Costa e Silva ( 1967/1969) Fazia parte da chamada “linha dura” – setor do Exército que exigia medidas mais enérgicas e repressivas para manter a ordem social e política. Em seu governo, no ano de 1967, formou-se a Frente Ampla, grupo de oposição ao regime militar – liderada por Carlos Lacerda e JK. A Frente exigia a anistia política, eleições diretas em todos os níveis e a convocação de uma Assembléia Constituinte. As agitações internacionais de 1968 tornou a esquerda mais radical, defendendo a luta armada para a redemocratização do país. O movimento estudantil crescia e exigia democracia. Da mesma forma, os grupos de direita também se radicalizavam. O assassinato do estudante Edson Luís pela polícia, na Guanabara, provocou um enorme ato de protesto – a passeata dos cem mil. Em dezembro de 1968, o deputado pelo MDB, Márcio Moreira Alves fez um pesado discurso e atacando as Forças Armadas. O ministro da Justiça, Gama e Silva, procurou processar o deputado; porém o Congresso garantiu a imunidade do parlamentar. Como resposta, Costa e Silva decretou o ato institucional nŠ – o mais

violento de todos. Pelo AI-5 estabeleceu-se, entre outros: o fechamento do Legislativo pelo presidente da República, a suspensão dos direitos políticos e garantias constitucionais, inclusive a do habeas-corpus; intervenção federal nos estados e municípios. Através do AI-5 as manifestações foram duramente reprimidas, provocando o fechamento total do regime militar. Segundo o historiador Boris Fausto: “Um dos muitos aspectos trágicos do AI-5 consistiu no fato de que reforçou a tese dos grupos de luta armada.” Semelhante tese transformou-se em realidade com a eleição (indireta) de um novo presidente – Emílio Garrastazu Médici –pois Costa e Silva sofreu um derrame cerebral. Governo do general Médici ( 1969/1974) Período mais repressivo de todo regime militar, onde a tortura e repressão atingiram os extremos, bem como a censura aos meios de comunicação. O pretexto foi a intensificação da luta armada contra o regime. A luta armada no Brasil assumiu a forma de guerra de guerrilha (influenciada pela revolução cubana, pela guerra do Vietnã e a revolução chinesa). Os focos de guerrilha no Brasil foram: na serra do Caparaó, em Minas Gerais – destruído pela rápida ação do governo federal; um outro foco foi no vale do Ribeira, em São Paulo, chefiado pelo ex-capitão Carlos Lamarca – foco também reprimido pelo governo rapidamente. O principal foco guerrilheiro foi no Araguaia, no Pará. Seus participantes eram ligados ao Partido Comunista do Brasil e conseguiram apoio da população local. O modelo teórico dos guerrilheiros seguia as propostas de Mao Tsé-tung. O foco, descoberto em 1972, foi destruído em 1975. Ao lado da guerrilha rural, desenvolveu-se também a guerrilha urbana. Seu principal organizador foi Carlos Marighella, líder da Aliança de Libertação Nacional. Para combater a guerrilha urbana o governo federal sofisticou seu sistema de informação com os DOI-CODI (Destacamento de Operação e Informações-Centro de Operações de Defesa Interna), que destruíram os grupos de guerrilha da extrema esquerda. Os DOIs-CODIs tinham na tortura uma prática corriqueira. O MILAGRE ECONÔMICO Período do governo Médici de grande crescimento econômico e dos projetos de grandes impactos (como a Transamazônica e o Movimento Brasileiro de Alfabetização-MOBRAL), em razão do ingresso maciço de capital estrangeiro. Houve uma expansão do crédito, ampliando o padrão de consumo do país e gerando uma onda de ufanismo, como no slogan “este é um país que vai prá frente”. O regime utiliza este período de otimismo para ocultar a repressão política – aproveita-se inclusive das conquistas esportivas da década de 70, como o tricampeonato de futebol. O ideólogo do “milagre” foi o economista Delfim Netto usando como atrativo ao capital estrangeiro as baixas taxas de juros utilizadas no mercado internacional. No entanto, a modernização e o crescimento econ mico brasileiro não beneficiou as camadas pobres. No período do “milagre” as taxas de mortalidade infantil subiram e, segundo estimativas do Banco Mundial, no ano de 1975 70 milhões de brasileiros eram desnutridos.

O governo do general Ernesto Geisel (1974/79) O presidente Geisel tomou posse sob a promessa do retorno „a democracia de forma “lenta, gradual e segura”. Seu governo marca o início do processo de abertura política. Em novembro de 1974 houve eleições parlamentares e o resultado foi uma expressiva vitória do MDB. Preocupado com as eleições municipais, no dia 1Š de julho de 1976 foi aprovada a Lei Falcão, que estabelecia normas gerias para a campanha eleitoral através do sistema de radiodifusão: exibição da fotografia do candidato, sua legenda e seu número. Apresentação do nome e seu currículo. Semelhantes regras forçava o candidato a conquistar o voto no contato direto com o eleitor.

No dia 1º de abril de 1977, o presidente – utilizando o AI-5 – decretou o recesso do Congresso Nacional. Foi promulgando, então, o pacote de abril, estabelecendo mandato de seis anos para presidente da República, manutenção das eleições indiretas para governador, diminuição da representação dos estados mais populosos no Congresso Nacional e criada a reserva de um terço das vagas do Senado para nomes indicados pelo governo (senador biônico). Embora a censura aos meios de comunicação tenha diminuído o regime continuava fechada e a repressão existia. Como exemplo, a morte do jornalista da TV Cultura, Vladimir Herzog, nas dependências do DOI-CODI paulista (197 ) e o “suicídio” do operário Manuel Fiel Filho em 1976. O ano de 1977 foi muito agitado politicamente – em razão da crise mundial do petróleo – resultando em cassações de mandatos e diversas manifestações estudantis em todo o país. No ano de 1978 houve uma greve de metalúrgicos no ABC paulista, sob a liderança de Luís Inácio da Silva, o Lula. No final de seu governo, Geisel revogou o AI-5.

O governo do general Figueiredo ( 1979/1985) Durante o governo de João Baptista Figueiredo houve fortes pressões, da sociedade civil, que exigiam o retorno ao estado de direito, uma anistia política, justiça social e a convocação de uma Assembléia Constituinte. Em março de 1979, uma greve de metalúrgicos no ABC paulista mobilizou cerca de 180 mil manifestantes; em abril de 1981, uma nova greve, que mobilizou 330 mil operários, por 41 dias. Neste contexto é que se destaca o líder sindical Luís Inácio da Silva – Lula. A UNE reorganizou-se no ano de 1979 e, neste mesmo ano, o presidente Figueiredo aprovou a Lei da Anistia – que beneficiava exclusivamente os presos políticos. Alguns exilados puderam voltar ao país. Ainda em 1979 foi extinto o bipartidarismo, forçando uma reforma partidária. Desta reforma surgiram o PSD (Partido Social Democrático), herdeiro da antiga Arena; o PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), composto por políticos do antigo MDB; o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), controlado por Ivete Vargas e formado por setores da antiga ARENA; PDT (Partido Democrático Trabalhista), fundado por Leonel Brizola e PT (Partido dos Trabalhadores), com propostas socialistas. Em 1983 a sociedade civil participou intensamente do movimento das Diretas-já. Em 1984 foi apresentada a Emenda Dante de Oliveira, que propunha o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República. A emenda foi rejeitada pelo Congresso Nacional. No ano de 1985, em eleições pelo Colégio Eleitoral, o candidato da oposição- Tancredo Neves derrotou o candidato da situação – Paulo Maluf. Tancredo Neves não chegou a tomar posse – devido a problemas de saúde veio a falecer em 21 de abril de 1985. O vicepresidente, José Sarney assumiu a presidência, iniciando um período conhecido como Nova República. A Nova República Governo de José Sarney (1985/1990) O mandato de José Sarney foi marcado pelos altos índices inflacionários e pela existência de vários planos econômicos: Plano Cruzado (1986), Plano Bresser (1987) e Plano Verão (1989). O plano de maior repercussão foi o Plano Cruzado, que, procurando conter a inflação determinou: congelamento de todos os preços por um ano; abono salarial de 8%, e reajustados após um ano, ou quando a inflação atingisse 20%; extinção da correção monetária e o cruzeiro perdia três zeros e passava ser chamado de cruzado. Por ser um governo de transição democrática, importantes avanços políticos ocorreram, como a convocação de uma Assembléia Constituinte que elaborou e promulgou a Constituição de 1988 – “Constituição Cidadã”- que estabeleceu as eleições diretas em todos os níveis; a legalização dos partidos políticos de qualquer tendência; instituição do voto facultativo aos analfabetos, jovens entre 16 e 18 anos e pessoas acima de 70 anos; fim da censura; garantido o direito de greve e a liberdade sindical; ampliação dos direitos trabalhistas; intervenção do Estado nos assuntos econômicos e nacionalismo econômico ao reservar algumas atividades às empresas estatais.

As eleições presidenciais de 1989 Em dezembro de 1989 foram realizadas as primeiras eleições diretas para a Presidência da República desde 1960. Três candidatos destacaram-se na disputa: Fernando Collor de Mello, do pequeno Partido da Renovação Nacional (PRN); Leonel Brizola do Partido Democrático Brasileiro (PDT) e Luís Inácio “Lula” da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT). A disputa foi para o segundo turno entre Fernando Collor e Lula, cabendo ao primeiro a vitória nas eleições – graças à imagem de “caçador de marajás”, e de uma plataforma de luta contra a corrupção, na modernização do Brasil e de representar os pobres e marginalizados – os “descamisados”. O governo de Fernando Collor de Mello (1990/92) Aplicou o plano econômico denominado de Plano Brasil Novo, o qual extinguiu o cruzado novo e retornou o cruzeiro; congelou preços e salários; bloqueio boa parte do dinheiro de aplicações financeiras e de poupanças por 18 meses. Houve grande número de demissões no setor público, redução nas tarifas de importação e um tumultuado processo de privatizações. No entanto, as denúncias de corrupção envolvendo o alto escalão do governo levou o Congresso a formar uma Comissão Parlamentar de Inquérito. O relatório final da CPI apontou ligações do presidente com Paulo César Farias – amigo pessoal e tesoureiro da campanha presidencial. O envolvimento de Collor no chamado “esquema PC”, que envolvia troca de favores governamentais por dinheiro, gerou o processo de impeachment – ou seja, o afastamento do Presidente da República. Fernando Collor procurou bloquear o processo, porém a população foi às ruas exigindo seu afastamento (“os caras-pintadas”). O presidente renunciou em 30 de dezembro de 1992, após decisão histórica do Congresso Nacional no dia anterior pelo seu afastamento. O vice-presidente Itamar Franco assumiu o cargo. O governo de Itamar Franco ( 1992/1995) Realização de um plebiscito em 1993 que deveria estabelecer qual o regime político (monarquia ou república) e qual a forma de governo (presidencialismo ou parlamentarismo). No dia 21 de abril o resultado do plebiscito confirmou a manutenção da república presidencialista. No aspecto econômico o mais importante foi a aplicação do Plano Real, que buscava combater a inflação e estabilizar a economia nacional. O Plano pregava a contenção dos gastos públicos, a privatização de empresas estatais, a redução do consumo mediante o aumento da taxa de juros e maior abertura do mercado aos produtos estrangeiros. O Plano contribuiu para a queda da inflação e aumento do poder aquisitivo e da capacidade de consumo – em razão da queda dos preços dos produtos face à concorrência estrangeira. A popularidade do Plano Real auxiliou o ministro da Fazenda de Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, a vencer as eleições em outubro de 1994. O governo de Fernando Henrique Cardoso (1995/2002) Fernando Henrique Cardoso foi o primeiro presidente do Brasil a conseguir uma reeleição – através de uma mudança constitucional. Seus dois mandatos são caracterizados pela aceleração do processo de globalização: a criação do Mercosul e a eliminação das barreiras alfandegárias entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai ( a formação do bloco obedece várias etapas). Em termo de organização social destaque para a questão fundiária do país e a atuação do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), que, através da ocupação de terras procura agilizar o processo de reforma agrária no país. Os anos de FHC como presidente foram marcados pela hegemonia do neoliberalismo e antigos e urgente problemas nâo foram solucionados, tais como a exclusão social, a imensa concentração fundiária e empresarial, a corrupção e os descasos administrativos, ausência de uma política educacional, desfaçatez na área da saúde e previdência social, a violência urbana, o desemprego, crescimento do subemprego, concentração de rendas e injustiça social...

Somente através do conhecimento histórico podemos analisar, entender e transformar a nossa história. Somente ela (a História) pode conscientizar a todos nós, para que juntos – ou individualmente – possamos transformar nossa dura, triste e fascinante realidade...

O Brasil de 1930 a 1964 - Vargas, JK, Quadros e Jango
Em 1930 os membros da recém-formada Aliança Liberal decidiram contra-atacar após a derrota de Getúlio Vargas nas eleições presidenciais. A revolução começou no dia 3 de outubro, no Rio Grande do Sul, e se espalhou rapidamente através de outros Estados. Era o início da era Vargas. Getúlio Vargas saiu a cavalo do Rio Grande do Sul e chegou ao Rio de Janeiro 21 dias mais tarde, num golpe de Estado que depôs o então presidente Júlio Prestes. Em 3 de novembro, Vargas se tornou o novo presidente provisório do Brasil. A Revolução de 30 instaurou, no Brasil, um novo modelo de desenvolvimento industrial e urbano. A adoção desse modelo foi estimulada pelos efeitos do Crash de 1929, que derrubou os preços do café e de outros produtos brasileiros para exportação. A industrialização e as imigrações rurais geraram a urbanização das grandes capitais do Sudeste brasileiro. A primeira participação de Vargas no poder foi de 1930 a 1945. Foi um período de um governo centralizado e autoritário, caracterizado pelo populismo, nacionalismo, trabalhismo e o forte incentivo à industrialização. Vargas foi, ao mesmo tempo, um ditador e um reformista. Incluiu na nova Constituição de 1934 artigos sobre direitos individuais, voto feminino, previdência social, direitos dos trabalhadores, salário mínimo, abolição da pena de morte, independência dos três poderes (legislativo, judiciário e executivo), eleições diretas para presidente e mandatos em ciclos de cinco anos. Mas, apesar destes avanços, quando era ameaçado pela oposição ele recorria à lei marcial, aos poderes absolutos e à censura aos meios de comunicação. Em 1937 o Estado Novo institucionalizou, de fato, o regime ditatorial, vigente desde 1930. A Constituição, inspirada no fascismo, fez o presidente exercer o poder absoluto. Vargas proibiu os partidos políticos, os opositores políticos e os artistas, além de intensificar a censura à imprensa. Em 1942 o Brasil se uniu aos Aliados na Segunda Guerra Mundial. Fortes pressões populares obrigaram o governo a apoiar os Estados Unidos. Foram organizadas as Forças Expedicionárias Brasileiras, que enviaram soldados para combater ao lado dos Aliados. Depois da guerra, Vargas não conseguiu manter o poder. A contradição de participar de uma luta pela democracia na Europa e gerir seu país como um Estado quase fascista o levou a renunciar. Pela convocação das Forças Armadas, José Linhares assumiu por apenas três meses e, depois, permitiu a eleição que tornou Eurico Dutra presidente até 1951. No entanto, Getúlio Vargas permaneceu popular e, em 1951, foi eleito presidente pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), desta vez democraticamente. Deu continuidade a uma política nacionalista, populista e pró-industrialização. Enviou ao Congresso o projeto para a criação da Petrobras, flexibilizou as relações sindicais, permitindo a greve. Criou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e limitou em 10% a remessa de lucros para o exterior. Mas o novo governo foi atormentado pela corrupção. O jornalista Carlos Lacerda, que alertava sobre o assunto, foi assassinado em 1954, o que gerou um grande escândalo. Diversos outros problemas foram então se agravando. Problemas econômicos e a pressão de militares para uma renúncia contribuíram para que Vargas disparasse uma única bala no coração em 25 de agosto de 1954. Em uma nota, ele disse que deixaria esta vida para entrar na história. Com o suicídio de Vargas o seu vice, João Café Filho, tomou posse. Porém, alegando questões de saúde, licenciou-se do cargo de presidente. Quem assumiu interinamente foi Carlos Luz, presidente da Câmara, que também foi deposto e impedido de governar para que Nereu Ramos, então vice-presidente do Senado, assumisse. A exclusão dos golpistas, apoiados pela União Democrática Nacional (UDN), assegurou a posse do já eleito Juscelino Kubitchek. Juscelino Kubitschek, o JK, do Partido Social Democrático (PSD), vitorioso nas eleições para presidente, governou de 1956 a 1961. Tinha em sua promessa eleitoral desenvolver o Brasil 50 anos em apenas 5 de governo. Criou o Plano de Metas e consolidou o modelo desenvolvimentista. Durante todo seu mandato, o Brasil viveu uma era de crescimento econômico e estabilidade política. Com um estilo inovador, Juscelino construiu em torno de si uma aura de simpatia e confiança. Conseguiu ter o apoio da direita e da esquerda, impulsionando um desenvolvimento baseado em empréstimos estrangeiros. Implantou a indústria automobilística e a indústria naval, expandiu a indústria pesada, a construção de usinas siderúrgicas e hidrelétricas. Para estimular o desenvolvimento do interior, construiu Brasília, no centro do país. Assim, a capital nacional foi transferida para Brasília em 1960, com grande festa de inauguração da nova cidade sede do Brasil. No entanto, a inflação continuava subindo, a concentração de renda aumentava, a dívida externa crescia e a insatisfação popular prosseguia.

Nas eleições de 1961, Jânio Quadros foi o vencedor. Ao passar a faixa presidencial, Juscelino tornou-se o primeiro presidente civil, eleito pelo voto direto, que iniciou e concluiu seu mandato dentro do prazo determinado pela Constituição Federal. A era de Juscelino Kubitschek foi chamada de “anos dourados”. A sociedade brasileira industrializou-se rapidamente, passando de rural a urbana. O estilo de vida foi modificado, criando o que se chamou “American Way of Life”, devido à influência americana da Segunda Guerra Mundial. Os meios de comunicação multiplicaram-se, e o cinema brasileiro teve sua fase dourada, com a premiação do filme O Cangaceiro no exterior. Os teatros, a Rádio Nacional, as radionovelas, os teleteatros e os telejornais tiveram uma audiência nunca vista. Em 1958 a música brasileira se consolidou com sucessos como Chega de Saudade, de João Gilberto, e o surgimento da bossa nova. No esporte, a seleção brasileira de futebol foi campeã na Copa do Mundo de 1958. Um ano depois, a seleção brasileira masculina de basquete consagrou-se campeã mundial no Chile, e a tenista Maria Esther Bueno venceu o torneio de Wimbledon e o US Open. JK faleceu em 1976 em um desastre automobilístico que nunca foi bem explicado. Mais de 300 mil pessoas assistiram a seu funeral em Brasília cantando a música Peixe-Vivo, que o identificava. Seus restos mortais estão no Memorial JK, construído em 1981, na capital federal. Jânio Quadros, eleito em 1961, conquistou grande parte do eleitorado prometendo combater a corrupção. Usou da promessa de “varrer” toda a “sujeira” da administração p blica. Mas, em seu curto governo, ele irritou os militares pela condecoração concedida a Che Guevara em uma cerimônia pública em Brasília, desencadeando muitas manifestações e disputas entre esquerda e direita, que denunciaram supostas tramas de Jânio. Com sete meses de cargo, Quadros renunciou, para surpresa de toda a nação, alegando um problema de forças ocultas. Com a renúncia instaurou-se uma crise no país, e Ranieri Mazzili assumiu provisoriamente a Presidência. Neste momento, acontecia no Brasil a Campanha da Legalidade, para a manutenção da ordem jurídica. Com a adoção do regime parlamentarista, e a consequente redução dos poderes presidenciais, os militares aceitaram que João Goulart, vice-presidente de Quadros, assumisse. João Goulart, conhecido como Jango, governou de 1961 a 1964. Como principal proposta tinha o Plano Trienal, um conjunto de medidas para solucionar problemas estruturais do país como o déficit público e a manutenção da política desenvolvimentista. Jango teve grande dificuldade em governar o país. Desgastado com a crise econômica e com a oposição de militares, o presidente procurou se fortalecer, participando de manifestações e comícios que apoiavam suas propostas. Defendeu a reforma da Constituição para ampliar o direito de voto a analfabetos e militares de baixa patente. Criticou seus opositores dizendo que estes estavam a serviço de grandes companhias internacionais e contra o povo. A oposição acusou o presidente de desrespeito à ordem constitucional e derrubou Jango em um golpe de Estado em abril de 1964.

O Brasil de 1964 a 1985 - Ditadura As intervenções militares foram recorrentes na história da república brasileira. Antes de 1964, porém, nenhuma dessas interferências resultou num governo presidido por militares. Em março de 1964, contudo, os militares assumiram o poder por meio de um golpe e governaram o país nos 21 anos seguintes, instalando um regime ditatorial. A ditadura restringiu o exercício da cidadania e reprimiu com violência todos os movimentos de oposição. No que se refere à economia, o governo colocou em prática um projeto desenvolvimentista que produziu resultados bastante contraditórios, tendo em vista que o país ingressou numa fase de industrialização e crescimento econômico acelerados, sem beneficiar, porém, a maioria da população, em particular a classe trabalhadora. Antecedentes do golpe Os militares golpistas destituíram do poder o presidente João Goulart, que havia assumido a presidência após a inesperada renúncia de Jânio Quadros, em 1961. Sua posse foi bastante conturbada e só foi aceita pelos militares e pelas elites conservadoras depois da imposição do regime parlamentarista. Essa fórmula política tinha como propósito limitar as prerrogativas presidenciais, subordinando o Poder Executivo ao Legislativo. Goulart, contudo, manobrou politicamente e conseguiu aprovar um plebiscito, cujo resultado restituiu o regime presidencialista. O presidente, entretanto, continuou a não dispor de uma base de apoio parlamentar que fosse suficiente para aprovar seus projetos de reforma política e econômica. A saída encontrada por Goulart foi a de pressionar o Congresso Nacional por meio de constantes mobilizações populares, que geraram inúmeras manifestações públicas em todo o país. Ao mesmo tempo, a situação da economia se deteriorou, provocando o acirramento dos conflitos de natureza classista. Todos esses fatores levaram, de forma conjunta, a uma enorme instabilidade institucional, que acabou por dificultar a governabilidade. Nessa conjuntura, o governo tentou mobilizar setores das Forças Armadas, como forma de obter apoio político, mas isso colocou em risco a hierarquia entre os comandos militares e serviu como estímulo para o avanço dos militares golpistas. Em 1964, a sociedade brasileira se polarizou. As classes médias, as elites agrárias e os industriais se voltaram contra o governo e abriram caminho para o movimento dos golpistas. Os governos militares Governo Castello Branco (abril de 1964 a julho de 1967): O marechal Humberto de Alencar Castello Branco esteve à frente do primeiro governo militar e deu início à promulgação dos Atos Institucionais. Entre as medidas mais importantes, destacam-se: suspensão dos direitos políticos dos cidadãos; cassação de mandatos parlamentares; eleições indiretas para governadores; dissolução de todos os partidos políticos e criação de duas novas agremiações políticas: a Aliança Renovadora Nacional (Arena), que reuniu os governistas, e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que reuniu as oposições consentidas. Em fins de 1966, o Congresso Nacional foi fechado, sendo imposta uma nova Constituição, que entrou em vigor em janeiro de 1967. Na economia, o governo revogou a Lei de Remessa de Lucros e a Lei de Estabilidade no Emprego, proibiu as greves e impôs severo controle dos salários. Castelo Branco planejava a transferir o governo aos civis no final de seu mandato, mas setores radicais do Exército impuseram a candidatura do marechal Costa e Silva.

Governo Costa e Silva (março de 1967 a agosto de 1969): O marechal Arthur da Costa e Silva enfrentou a reorganização política dos setores oposicionistas, greves e a eclosão de movimentos sociais de protesto, entre eles o movimento estudantil universitário. Também neste período os grupos e organizações políticas de esquerda organizaram guerrilhas urbanas e passaram a enfrentar a ditadura, empunhando armas, realizando sequestros e atos terroristas. O governo, então, radicalizou as medidas repressivas, com a justificativa de enfrentar os movimentos de oposição. A promulgação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), em dezembro de 1968, representou o fechamento completo do sistema político e a implantação da ditadura. O AI-5 restringiu drasticamente a cidadania, pois dotou o governo de prerrogativas legais que permitiram a ampliação da repressão policial-militar. Suprimidos os direitos políticos, na área econômica o novo presidente flexibilizou a maioria das medidas impopulares adotadas por seu antecessor. Costa e Silva não conseguiu terminar seu mandato devido a problemas de saúde. Afastado da presidência, os militares das três armas formaram uma junta governativa de emergência, composta pelos três ministros militares: almirante Augusto Rademaker, da Marinha; general Lira Tavares, do Exército; e brigadeiro Sousa e Melo, da Aeronáutica. Ao término do governo emergencial, que durou de agosto a outubro de 1969, o general Médici foi escolhido pela Junta Militar para assumir a presidência da República.

Governo Médici (novembro de 1969 a março de 1974): O general Emílio Garrastazu Médici dispôs de um amplo aparato de repressão policial-militar e de inúmeras leis de exceção, sendo que a mais rigorosa era o AI-5. Por esse motivo, seu mandato presidencial ficou marcado como o mais repressivo do período da ditadura. Exílios, prisões, torturas e desaparecimentos de cidadãos fizeram parte do cotidiano de violência repressiva imposta à sociedade. Siglas como Dops (Departamento de Ordem Política e Social) e Doi-Codi (Destacamento de Operações e Informações-Centro de Operações de Defesa Interna) ficaram conhecidas pela brutal repressão policialmilitar. Com a censura, todas as formas de manifestações artísticas e culturais sofreram restrições. No final do governo Médici, as organizações de luta armada foram dizimadas. Na área econômica, o governo colheu os frutos do chamado "milagre econômico", que representou a fase áurea de desenvolvimento do país, obtido por meio da captação de enormes recursos e de financiamentos externos. Todos esses recursos foram investidos em infra-estrutura: estradas, portos, hidrelétricas, rodovias e ferrovias expandiram-se e serviram como base de sustentação do vigoroso crescimento econômico. O PIB (Produto Interno Bruto) chegou a crescer 12% ao ano e milhões de empregos foram gerados. A curto e médio prazo, esse modelo de desenvolvimento beneficiou a economia, mas a longo prazo o país acumulou uma dívida externa cujo pagamento (somente dos juros) bloqueou a capacidade de investimento do Estado. A estabilidade política e econômica obtida no governo Médici permitiu que o próprio presidente escolhesse seu sucessor: o general Ernesto Geisel foi designado para ocupar a Presidência da República.

Governo Geisel (março de 1974 a março de 1979): O governo do general Ernesto Geisel coincidiu com o fim do milagre econômico. O aumento vertiginoso dos preços do petróleo, principal fonte energética do país, a recessão da economia mundial e a escassez

de investimentos estrangeiros interferiram negativamente na economia interna. Na área política, Geisel previu dificuldades crescentes e custos políticos altíssimos para a corporação militar e para o país, caso os militares permanecessem no poder indefinidamente. Ademais, o MDB conseguiu expressiva vitória nas eleições gerais de novembro de 1974, conquistando 59% dos votos para o Senado, 48% da Câmara dos Deputados e as prefeituras da maioria das grandes cidades. Por essa razão, o presidente iniciou o processo de distensão lenta e gradual em direção à abertura e à redemocratização. Não obstante, militares radicais (denominados pelos historiadores como a "linha dura"), que controlavam o sistema repressivo, ofereceram resistência à política de liberalização. A ação desses militares gerou graves crises institucionais e tentativas de deposição do presidente. Os casos mais notórios de tentativas de desestabilizar o governo ocorreram em São Paulo, quando morreram, sob tortura, o jornalista Vladimir Herzog e o operário Manoel Fiel Filho. O conflito interno nas Forças Armadas, decorrente de divergências com relação à condução do Estado brasileiro, esteve presente desde a tomada do poder pelos militares até o fim da ditadura. No entanto, Geisel conseguiu superar todas as tentativas de desestabilização do seu governo. O golpe final contra os militares radicais foi dado com a exoneração do ministro do Exército, general Sílvio Frota. Ao término do mandato de Geisel, a sociedade brasileira tinha sofrido muitas transformações. A repressão havia diminuído significativamente; as oposições políticas, o movimento estudantil e os movimentos sociais começaram a se reorganizar. Em 1978, o presidente revogou o AI-5 e restaurou o habeas corpus. Geisel conseguiu impor a candidatura do general João Batista Figueiredo para a sucessão presidencial.

Governo Figueiredo (março de 1979 a março de 1985): João Baptista de Oliveira Figueiredo foi o último general presidente, encerrando o período da ditadura militar, que durou mais de duas décadas. Figueiredo acelerou o processo de liberalização política e o grande marco foi a aprovação da Lei de Anistia, que permitiu o retorno ao país de milhares de exilados políticos e concedeu perdão para aqueles que cometeram crimes políticos. A anistia foi mútua, ou seja, a lei também livrou da justiça os militares envolvidos em ações repressivas que provocaram torturas, mortes e o desaparecimento de cidadãos. O pluripartidarismo foi restabelecido. A Arena muda a sua denominação e passa a ser PDS; o MDB passa a ser PMDB. Surgem outros partidos, como o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Democrático Trabalhista (PDT). O governo também enfrentou a resistência de militares radicais, que não aceitavam o fim da ditadura. Essa resistência tomou a forma de atos terroristas. Cartas-bombas eram deixadas em bancas de jornal, editoras e entidades da sociedade civil (Igreja Católica, Ordem dos Advogados do Brasil, Associação Brasileira de Imprensa, entre outras). O caso mais grave e de maior repercussão ocorreu em abril de 1981, quando uma bomba explodiu durante um show no centro de convenções do Rio Centro. O governo, porém, não investigou devidamente o episódio. Na área econômica, a atuação do governo foi medíocre, os índices de inflação e a recessão aumentaram drasticamente. No último ano do governo Figueiredo surgiu o movimento das Diretas Já, que mobilizou toda a população em defesa de eleições diretas para a escolha do próximo presidente da República. O governo, porém, resistiu e conseguiu barrar a Lei Dante de Oliveira. Desse modo, o sucessor de Figueiredo foi escolhido indiretamente pelo Colégio Eleitoral, formado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. Em 15 de janeiro de 1985, o Colégio Eleitoral escolheu o deputado Tancredo Neves como novo presidente da

República. Tancredo derrotou o deputado Paulo Maluf. Tancredo Neves, no entanto, adoeceu e morreu. Em seu lugar, assumiu o vice-presidente, José Sarney.

Nova República
Durante o processo de redemocratização do Brasil, o PMDB e a Frente Liberal, novo partido formado por dissidentes do PDS, procuraram compor uma saída conciliatória para o processo de redemocratização do país. Em julho de 1984, nasceu a Aliança Democrática. Tratava-se de um bloco suprapartidário formado pelo PMDB e pela Frente Ampla que lançou a chapa formada pelo mineiro Tancredo Neves e pelo maranhense José Sarney para disputar, respectivamente, a presidência e a vice-presidência da República. Nas eleições de 15 de janeiro de 1985, a Aliança Democrática recebeu a maioria dos votos no Colégio Eleitoral. A vitória de Tancredo Neves representou a afirmação dos setores políticos e sócias que optaram pela transição conciliatória, formado por segmentos da sociedade brasileira influentes do poder civil e militar (governo, Congresso e Forças Armada) e grupos da elite.

Com a redemocratização, nascia a Nova República. Na vespera da posse, a 15 de março de 1985, o presidente eleito Tancredo Neves foi hospitalizado, vindo a falecer um mês e meio depois. Em seu lugar, tomou posse o vice-presidene José Sarney. Em 1985, o Congresso Nacional tomou decisões importantes para a continuação do processo de redemocratização, como a restauração da eleição direta do presidente da República, dos prefeitos das capitais e dos municípios e a plena liberdade de organização partidária, era o fim da clandestinidade para partidos de esquerda como o PCB e o PCdoB. O processo de abertura política fez nascer a necessidade de dotar o Brasil de uma nova Constituição, defensora dos valores democráticos. O Congresso Constituinte foi instalado a 1° de fevereiro de 1987. Em 5 de outubro de 1988, o presidente do Congresso Constituinte, Ulisses Guimarães, promulgava oficialmente a nova Constituição brasileira. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (CF/88) é a lei fundamental e suprema do Brasil. É a sétima a reger o Brasil desde a sua Independência. Texto e Contexto Constituição da República Federativa do Brasil Texto promulgado em 5 de outubro de 1988 Título I - Dos Princípios Fundamentais Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado democrático de direito e tem como fundamentos: I - a soberania; II - a cidadania; III - a dignidade da pessoa humana; IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - o pluralismo político.

Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. Título II - Dos Direitos e Garantias Fundamentais Capítulo I - Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição; II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desuma no ou degradante; IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; (...) Apresentada como Constituição-cidadã, a Carta de 1988 trazia grandes inovações. Ampliou-se a defesa dos direitos de cidadania, como na plena igualdade dos direitos e deveres de hoens e mulheres, na defesa dos direitos dos consumidores, no direito de iniciativa do povo em apresentar projetos de lei ao Congresso, na proteção ambiental e no reconhecimento dos direitos dos povos indígenas. Durante o governo Sarney, o presidente adotou os “Planos de Estabilização”: Plano Cruzado (1986), Plano Bresser (1987) e o Plano Verão (1989), que utilizam vários recursos de medidas antiinflacionárias – congelamento de preços e salários, mudança de moeda, não pagamento (moratória) da divida externa. As crescentes dificuldades sociais e econômicas do país enfraqueceu o governo Sarney e tornaram-se o centro da campanha presidencial de 1989, vencida por Fernando Collor de Mello, candidato do conservadorismo. Collor e FHC

Fernando Collor de Mello, o primeiro presidente eleito pelo voto popular em 29 anos, com base no Partido da Reconstrução Nacional (PRN), criado exclusivamente para lançá-lo na disputa presidencial, assume um programa de moralização da vida p blica (“caça aos marajás”) e de modernização na economia. Logo no inicio de seu mandato acaba adotando medidas econômicas e administrativas destinadas a extinguir a inflação, decretando o confisco temporário de contas de poupança e dos depósitos nas contas correntes. Economia: procurou lançar a economia brasileira numa nova etapa de modernização para a sua “inserção competitiva” no mercado mundial. Diminuiu ou suspendeu tarifas de importação, abriu o mercado brasileiro para futuras instalações de novas montadoras de veículos e empresas petroquímicas. O passo mais importante foi a constituição do Mercosul (Mercado Comum do Sul) em 1991, formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

Inflação, desacertos e corrupção do governo Collor gerou manifestações para exigir sua destituição, lideradas pela UNE.

1992 em São Paulo. Manifestações em todo país exigiam a destituição de Collor. A nota da campanha, Fora Collor!!! foi dada pelos estudantes liderados pela UNE. Para não ser julgado e destituído, Collor, já afastado da presidência desde outubro, renunciou em 29 de dezembro de 1992. Collor foi substituído pelo mineiro Itamar Franco, que colocou no Ministério da Fazenda, o sociólogo Fernando Henrique Cardoso. Com o Plano Real, Fernando Henrique Cardoso, gerou efeitos positivos na economia ao promover a estabilização da economia, com reflexos diretos na cesta básica e em produtos de consumo popular, cujos preços se estabilizaram. Esses efeitos positivos foram decisivos para a vitória de FHC nas eleições presidenciais de 1994.

Reeleito, FHC deu continuidade à política de abertura da economia para o mercado mundial e de integração do país no processo de globalização. Também acelerou o processo de privatizações. Apesar do controle da inflação, os anos FHC, caracterizaram-se pela estagnação da economia e pela desigualdade na distribuição de renda. Normalmente, um regime político é dividido em fases cujos nomes buscam caracterizar aquilo que distingue uma da outra. Por serem diferentes, cada fase começa, em geral, com a aprovação de uma nova Constituição, numa tentativa de ultrapassar ou mesmo apagar o passado recente. No Brasil, desde o fim do Império, já tivemos a República Velha (1889-1930), com a Constituição de 1891; a Era Vargas (1930-45), com a de 1934; a república populista (1945-64), com a de 1946; e o regime militar (1964-85), com a de 1967. O período atual, iniciado logo após o fim da ditadura militar, é chamado de Nova República. Com ela, ganhamos também mais uma Constituição: a de 1988. Porém, apesar do nome, a Nova República já nasceu velha, carregando antigos vícios da política brasileira. Longe de ter sido uma ruptura completa com o período anterior, desde seu início a Nova República abrigou nomes bastante conhecidos durante o regime militar. A sucessão de Figueiredo Em abril de 1984, o Congresso Nacional rejeitou a emenda do deputado Dante de Oliveira, que instituía a eleição direta para o cargo de presidente da República. Na época, houve uma grande mobilização por todo o país - conhecida como campanha pelas Diretas Já - a favor da proposta, que acabou derrotada naquele mês. Desgastado politicamente, o PDS, sucessor da Arena, partido de apoio à ditadura, optou por lançar um candidato civil à sucessão do general João Baptista Figueiredo. Na disputa no Colégio Eleitoral, o PMDB

apresentou o nome de Tancredo Neves, com amplo apoio das oposições. Mineiro de São João del Rei, Tancredo de Almeida Neves era um político experiente: havia sido deputado estadual, federal, ministro da Justiça do governoGetúlio Vargas, primeiro-ministro durante o governo João Goulart, senador e governador do seu estado natal. Durante a ditadura, integrou os quadros do MDB, que fazia oposição ao regime. Porém, conservador, com a volta do pluripartidarismo decidiu sair da legenda para fundar o Partido Popular, que assumiria o papel de interlocutor dos militares, na época. Transição democrática Ao longo da campanha pelas Diretas, Tancredo destacou-se como um político conciliador, o que lhe valeu o epíteto de "linha auxiliar do governo". Com a derrota da emenda Dante de Oliveira, seu nome logo surgiu como um dos mais fortes à sucessão presidencial. Setores à esquerda, como o Partido dos Trabalhadores, acusavam o ex-governador mineiro, que retornara ao PMDB em 1981, de defender uma transição democrática pactuada com os militares. O PT chegou a orientar oficialmente seus parlamentares a não votarem em Tancredo no Colégio Eleitoral. Ainda assim, o apoio que ele conseguira reunir tinha sido mais do que suficiente para garantir a vitória. Com 480 votos, contra 180 do candidato do PDS, Paulo Maluf, Tancredo Neves foi eleito presidente da República - o primeiro civil desde o golpe de 1964. Caberia a ele a consolidação da transição democrática, a despeito da sua relativa proximidade com o regime que terminava. Contudo, os dias que se seguiram à sua eleição foram decisivos para os rumos da Nova República. A vitória de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral foi resultado de um acordo entre o PMDB, seu partido, e políticos da Frente Liberal, uma dissidência do PDS que mais tarde fundaria o PFL, atual Democratas. Esse acordo, conhecido como Aliança Democrática, garantiria o apoio da Frente Liberal ao candidato da oposição e manteria, ao mesmo tempo, a transição democrática sob controle, num momento em que eram apresentadas propostas mais à esquerda, especialmente pelo PT. O acordo entre a Frente Liberal, que naquele momento ainda estava no PDS, e o PMDB previa o lançamento de José Sarney, ex-presidente da Arena e do próprio PDS, como vice na chapa encabeçada por Tancredo Neves. Sarney havia saído do partido do governo em função de divergências com o grupo que apoiara Maluf como candidato da legenda à sucessão presidencial. Sarney e a morte de Tancredo Nascido no Maranhão como José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, José Sarney, nome que adotaria a partir de 1965, era um político tão experiente quanto Tancredo. Havia ocupado os cargos de deputado federal, governador e senador do Maranhão. Contudo, sua ligação com os militares dava-se num nível diferente: ao contrário de Tancredo Neves, que apenas mantinha um diálogo com o regime, Sarney era organicamente ligado à ditadura. Afinal, fora presidente da Arena e do PDS, os dois partidos de sustentação do regime militar. Na véspera da posse, Tancredo foi internado às pressas num hospital de Brasília. Quem assumiu a Presidência foi o vice, José Sarney, efetivado no cargo após a morte do titular, no dia 21 de abril de 1985 - mesmo dia em que morrera o também mineiro Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes. Curiosamente, a responsabilidade pela transição democrática ficaria a cargo de um dos políticos civis mais influentes da ditadura militar e que, apenas dez meses antes, era presidente do partido de apoio ao governo. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Em meio à grande comoção nacional provocada pela morte do recém-eleitoTancredo Neves, alguns setores mais à esquerda defenderam a realização de novas eleições, alegando que o vicepresidente José Sarney, por tudo aquilo que representava, não poderia ser o primeiro presidente da Nova República. Na época, diante das críticas à confirmação de seu nome como presidente, Sarney comprometeu-se com a transição democrática e com os acordos firmados por Tancredo - sem contar a

nomeação dos ministros escolhidos pelo presidente eleito. Muitos nomes do ministério de Sarney eram ligados à ditadura militar e haviam chegado ao poder por uma convergência de interesses e circunstâncias específicas, como a divisão interna do PDS, a formação da Frente Liberal, a aliança com o PMDB, a vitória de Tancredo e, por fim, a posse de Sarney. Jorge Bornhausen, da Educação, Antonio Carlos Magalhães, das Comunicações, e Aureliano Chaves, das Minas e Energia, nomes conhecidos até hoje, talvez representassem a contradiação mais evidente entre a fase que começava, e que se pretendia nova, e o regime que terminava. Arcabouço totalitário Sarney também se recusou a acabar com o chamado arcabouço autoritário, como eram conhecidos os dispositivos legais remanescentes da ditadura militar. Foi baseado nesses dispositivos que seu governo reprimiu duramente algumas das mobilizações sociais da época, especialmente os movimentos grevistas. Fatos como a invasão da Companhia Siderúrgica Nacional pelo Exército e a morte de três jovens trabalhadores da fábrica por golpes de baionetas marcariam a relação entre o governo e os trabalhadores, duramente atingidos pela recessão econômica dos anos 1980. Politicamente, Sarney estabeleceu uma relação com os deputados e senadores - transformados em parlamentares constituintes - acima dos próprios partidos. Essa relação fundamentou-se na nomeação para determinados cargos, concessão de emissoras de rádio e TV e liberação de verbas para obras, por parte do presidente, e no apoio aos projetos pessoais de Sarney, por parte dos parlamentares - que logo formariam um grupo dentro do Congresso Nacionalconhecido como Centrão. O mais polêmico desses projetos foi a extensão do mandato presidencial para cinco anos, em vez de quatro, como havia sido firmado no acordo de criação da Aliança Democrática. Corrupção e alianças conservadoras Durante seu governo, Sarney também enfrentou várias denúncias de corrupção, inclusive contra ele mesmo. Um dos casos mais notórios foi o da construção da Ferrovia Norte-Sul, que ligaria o Maranhão, estado do presidente, a Brasília. Em 1988, a CPI criada para apurar as denúncias de corrupção acusou o próprio Sarney pelo desvio de verbas públicas. Entretanto, as denúncias não foram levadas adiante e o presidente conseguiu cumprir o mandato até o fim, a despeito do seu conturbado governo. De fato, a Nova República começou velha. Afinal, tanto Tancredo quanto Sarney eram bem próximos aos militares, ainda que em níveis diferentes. A forma como se desdobrou a campanha pelas Diretas, através da eleição indireta para presidente e do estabelecimento de uma aliança entre setores conservadores e políticos de direita ligados ao regime que se encerrava reforçaram essa faceta da Nova República. Seu primeiro presidente foi um importante aliado da ditadura que o novo período suplantou. O temor de que o governo Sarney representasse um retrocesso para a democratização brasileira, contudo, acabou não se confirmando. Por outro lado, seu governo reeditou, ou pelo menos manteve inalteradas, as velhas práticas da política brasileira, além de ter sido um abrigo para os nomes fortes da ditadura. Apesar disso, passados mais de 20 anos desde a sua posse, a Nova República já é a nossa mais longa experiência democrática.

Economia Latino Americana no Século XX
A economia dos países da América Latina tem suas principais atividades produtoras voltadas para o setor primário, que corresponde à produção de produtos agropecuários, extração vegetal, animal e mineral. Após a Segunda Guerra Mundial países como Brasil, México, Argentina tiveram que se industrializar, pois os países que os abasteciam de mercadorias industrializadas estavam em processo de reconstrução devido à guerra, então, não tendo quem produzisse, tiveram que conduzir sua auto-sustentação, essa é conhecida como industrialização por substituição de importação. Outra característica dos países latinos é a industrialização tardia que veio a ocorrer apenas no século XX, tendo em vista que a Revolução Industrial teve início no final do século XVIII início do XIX, totalizando quase 100 anos de atraso e, por último, a grande dependência financeira em relação aos países ricos. As multinacionais na economia latino-americana As multinacionais ingressaram na América Latina a partir do século XX, devido às condições favoráveis, como mão-de-obra (farto número de trabalhadores e baixos salários), matéria prima (concentração de recursos naturais e leis ambientais não rigorosas), mercado consumidor (países populosos com milhões de pessoas propícias a consumir) e isenção de impostos (os países dão incentivos fiscais para a instalação de uma empresa). As multinacionais dominam vários ramos industriais, como automobilístico, alimentício, siderúrgico, metalúrgico e eletroeletrônico. Esse processo favoreceu o não surgimento de empresas genuinamente nacionais. Os países latinos possuem, em sua grande maioria, dívidas contraídas no processo de descolonização, os referidos encontram dificuldades em pagar tais dívidas, principalmente porque são produtores primários. A crise econômica e o modelo neoliberal A maioria dos países latinos sempre conviveu com inflação, que corresponde a aumentos constantes nos produtos e taxas de juros bastante elevadas. Na década de 80 não houve nenhuma expectativa de melhora, independente do seguimento, por isso ficou conhecida como a década perdida. O FMI (Fundo Monetário Internacional) se apresenta freqüentemente fornecendo empréstimos e elevando mais ainda o grau de dependência, o modelo neoliberal provocou desemprego, crescimento da pobreza e elevação no custo de vida. Resumindo, as questões apontadas são realidades comuns a todos os países latinos que tiveram parecidas bases históricas de colonização de exploração que refletem na realidade atual, os países são diferentes, porém os problemas são basicamente os mesmos. Vamos percorrer alguns países que tem muitas coisas em comum com o nosso país. São os nossos vizinhos, que juntamente com o Brasil, formam a América Latina. Esse conjunto é assim denominado porque toda essa vasta área de Terra foi colonizada por povos latinos – principalmente portugueses e espanhóis. A América Latina abrange o México/na América do Norte/ a América Central e a América do Sul. Os países Latino-americanos estão bastante ligados entre si por laços semelhantes de cultura: Línguas Faladas: Espanhol e Português; Principal Religião:Catolicismo; (cristã) Civilização: De origem européia, que se impôs aos motivos do Novo Continente.

Estes países formam uma grande família, que vai desde o México (na América do Norte), passa pela América Central e termina no Extremo Sul da América do Sul. Para facilitar seu estudo, vamos dividi-la em:
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América Platina: Abrange os países que estão mais ligados à Bacia Platina (rios Panamá, Paraguai e Uruguai). América Andina: Abrange os países que estão ligados à Cordilheira dos Andes. Guianas: Localizadas ao norte da América do Sul. América Central: abrange o trecho do Istmo e as Antilhas. México. Brasil.

A grande família Latino-Americana Os países latino-americanos têm uma história em comum. Em 1797, pouco depois do descobrimento da América representante de Portugal o da Espanha reuniramse em Tordesilhas (Espanha) e assinaram um documento que recebeu o nome de Tratado de Tordesilhas.

A formação Histórica O principal ponto de união entre os países que constituem a América latina é sua formação histórica, ou seja, o tipo de colonização a que foram submetidos, a partir do século XVI, por potências européias da época. A colonização da América Latina foi diferente da Que se deu na América Anglo-saxônica, isto é, nos Estados Unidos e no Canadá. Nestes dois países prevaleceu o que chamamos de colônias de povoamento, ao passo que na América Latina predominaram as colônias de exploração. A função das colônias, portanto, era a de fornecer abaixo do preço produtos minerais ou gêneros agrícolas. Como se tratava de produzir bens primários, isto é, produtos como o açúcar,ouro, prata, diamante, madeira, etc.- a baixíssimos custos o trabalho utilizado era aquele que recebia pouco e trabalhava bastante – Assim, escravizaram o indígena e, especialmente, e negro africano, para serem usados como mão de obra barata. Nas colônias de povoamento, que eram em número bem menor que as de exploração o objetivo era outro. Nesse caso, os colonizadores vinham para as novas terras, não para as novas terras não para se enriquecer e voltar para a metrópole, mas sim para em busca de uma nova pátria, de um novo lugar para moradia permanente.

América Latina Características Gerais A América Latina estende-se desde o México até a Terra do Fogo, no extremo sul da América. Totaliza aproximadamente 20,5 milhões de Km, ou seja, 13,7 % das Terras emersas do Globo, com uma população de 350 milhões de habitantes.

Paisagens Naturais a)Norte: Serra Madre Ocidental, Planalto Mexicano. b)Oeste: Cordilheira dos Andes.

c)Leste: Planalto das Guianas e Planalto Brasileiro. d)Centro: Planície do Orenoco, Planície Amazônica, Planície Platina.

Hidrografia Bacia do Orenoco, Bacia Amazônica, Bacia Platina.

Paisagens Clima-Botânicos A América Latina se situa na zona intertropical, predominaram os climas quentes, salvo no extremo sul (Argentina e Chile) e nas áreas montanhosas (Andes). Destacam-se as principais paisagens vegetais: Floresta Amazônica, Cerrado, Caatinga, Pampa ou Estepes e desertos (México, Atacama, Patagônia).

População Latino Americanas a) Elevado crescimento vegetativo, devido à alta motarlidade. b) Predomínio de jovens, o que representa pesado encargo para os Estados Unidos. c) Predomínio de mestiços e população rural. d) Maiores concentrações demográficas: litoral brasileiro, estuário do Prata, Caracas, Santiago, Litoral do Pacífico de Bogotá a Lima, América Central. e) Principais vazios demográficos estão no interior da América do Sul, como Amazônia e trechos acidentados dos Andes e Patagônia.

Economia Latino Americana a) A agricultura é a base econômica latino-americana, principalmente da América Central, Equador, Colômbia. b) A América Latina possui grandes riquezas do subsolo, destacando-se o Brasil, o México, e países Andinos. c) O desenvolvimento industrial vem se fazendo lentamente e de maneira desigual entre os diversos países. Brasil, México, Argentina,Venezuela, Chile estão na vandaguarda industrial. d) Os produtos agrícolas e minerais representam, em geral, mais de 90% do valor das exportações dos países latino-americanos. As importações são, principalmente, de produtos manufaturados.

América Latina Científica A América Latina tem muito a oferecer para o processo da divulgação científica mundial.Esse foi o saldo da “8a Reunião da Rede de Popularização da Ciência e da Tecnologia para a América Latina e o Caribe (Red-Pop)”, que ocorreu simultaneamente ao “1 o Congresso da Sociedade Mexicana para a Divulgação da Ciência e da Técnica (Somedicyt)”. Elaine Reynoso, presidente da Somedicyt, achou boa a participação do continente, mas lamentou a ausência de muitos representantes. Depois do México (156), o Brasil foi o país com maior número de participantes (20), seguido da Colômbia (10), Chile (4), Equador, Argentina e Espanha (3), e Estados

Unidos (2). O congresso também contou com representantes do Uruguai, Bolívia, Venezuela, Guatemala, Costa Rica, Panamá, Bélgica, África do Sul, Austrália, Finlândia e França. O Brasil foi escolhido pela Scania para iniciar suas atividades na América Latina em 1957. Construída oficialmente como Scania-Vabis do Brasil Motores Diesel, produziu seu primeiro caminhão em 1958. No ano seguinte, saiu das linhas de montagem o primeiro motor a diesel brasileiro para caminhões. Em 1962, a fábrica da Scania foi transferida do bairro do Ipiranga, em São Paulo, para a cidade de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Em 1974, a Scania lançou no mercado os caminhões LK140, equipados com motor V8. O lançamento do modelo L111 para caminhões em 1976, marca a introdução da Série 1 no mercado brasileiro. Em 1989, a Scania lança a linha HW e EW para caminhões, equipados com motores de até 411 cavalos, os mais potentes do mercado brasileiro na época. No ano seguinte, a produção de caminhões Scania no mundo atinge a marca de 600.000 unidades. O veículo foi produzido no Brasil. Dois anos mais tarde, ocorre o lançamento da cabine modelo "Top Line", admirada por muitos fãs da marca. No ano seguinte, a Scania lança no mercado os veículos da Série 4. Com ela chegam também os motores eletrônicos de 12 litros. O bloco do motor foi fabricado pela Scania do Brasil. Em 2001, a Scania retoma a produção de caminhões equipados com motor V8 ao lançar o "Rei da Estrada", o mais potente do mercado brasileiro, com 480 cavalos. Em 2 de julho de 2002, a Scania comemorou 45 anos de atividades no Brasil. A agricultura, a pecuária e a extração dos recursos naturais, tanto minerais como vegetais, constituem atividades econômicas mais importantes para a maioria da população ativa em todas as nações LatinoAmericanas. Principais Produtos de Exportações País Argentina Bolívia Brasil Equador México Paraguai Produtos Carnes, Cereais e lã. Estanho, petróleo, Tungstênio, prata e chumbo. Café, soja, ferro, algodão e açúcar. Banana, café, petróleo e açúcar. Prata, algodão, açúcar, café, sebo, zinco e combustível. Carne e madeira.

A independência Latino-americana e evolução política As lutas pela independência durante o século XIX e a crise econômico-social fizeram com que se acentuas sem as diferenças entre os Estados Unidos, que no final do século já eram uma potência econômica, enquanto a América Latina ficava falada ao subdesenvolvimento no século XX. Embora a independência brasileira tem sido um processo mais rápido e com pouco derramamento de sangue, as lutas pela independência dos países da América espanhola penduraram por vários anos, muito sangrentas e levaram à desorganização da produção e da vida social. Os brancos formaram uma elite preocupada, acima de tudo, com a liberdade econômica, ascensão social e política os indígenas negros e mestiços, tiveram pouca participação no processo e continuavam inferiorizados. Os crioulos conseguiram fragmentar a América Espanhola em vários países que continuaram exportadores de matérias primas. Conseguira se livrar da dominação colonial da Espanha e caíram sob o domínio econômico inglês.

Outro fator que facilitou a fragmentação pode ser buscado na própria política colonial espanhola, que já havia dividido a América em 8 partes. O território era dividido economicamente em áreas de agricultura tropical e de clima temperado e as de criação de gado. A população escassa e mal distribuída pelo território formava “ilhas de população” separadas por distâncias muito grandes. Devemos nos lembrar que a política da Inglaterra era favorável à divisão territorial, como forma de dominar as jovens nações.

Fragmentação da América Espanhola O vice-reinado do prata dividiu-se no Paraguai, banda ocidental (Uruguai e a própria Argentina, que ficou ameaçada de subdividir em suas províncias logo após a independência). A antiga capitania geral do Chile conseguiu permanecer integrada, formando o Chile. Bolívia e Peru tentaram formar a confederação do grande Peru, o que despertou o medo do Chile e da Argentina de possuírem um estado muito poderoso em suas fronteiras. Isso facilitou a entrada em cena dos Estados Unidos, que estabeleceram a Doutrina Monroe, impedindo qualquer atividade recolonizadora européia em terras Americanas.

A economia neocolonial Com a independência, a situação econômica latino-americana pouco se alterou durante os séculos XIX e XX. As metrópoles estabeleciam o livre comercio com os centros mais dinâmicos do capitalismo internacional: Inglaterra, França, e Estados Unidos. Em relação ao capitalismo internacional, a América Latina continuou desempenhado o papel de produtora e exportadora de matérias-primas e importadora de produtos manufaturados. Acrescenta-se ainda o recebimento de investimento de capitais excedentes da Europa e dos Estados Unidos. Os empréstimos fornecidos principalmente pela Inglaterra, a juros exorbitantes, ás novas nações, fizeram com que elas se tornasse individuais e, não podendo pagar os juros, procuravam novos empréstimos, fazendo com que a dependência aumentasse e perdurasse até hoje.

A predominância do setor primário A América Latina ficou dividida economicamente em: paises exportadores de produtos de clima temperado como a Argentina e o Uruguai (trigo, carnes e lã); os países exportadores dos produtos tropicais como o Brasil, Colômbia, Equador, Venezuela, México, e América Central (café, cacau, banana, cana e outros) e países exportadores de produtos minerais como o Chile (cobre, salitre), Bolívia (estanho), Peru (petróleo, prata) Venezuela (petróleo) e México (prata, petróleo). A grande propriedade monocultura predominava. As técnicas primitivas também. A mão-de-obra era basicamente escrava. Os trabalhadores agrícolas livres recebiam salários em espécie, pagos através de produtos dos armazéns do latifundiário, ficando sempre endividados. Para desempenhar o trabalho agropecuário não havia necessidade de instrução, resultando um altíssimo índice de analfabetismo. O comercio continuou nas dos antigos comerciantes das ex-metrópoles que, aos poucos foram sendo substituídos pelos comerciantes ingleses.

Como as importações eram maiores que as exportações, os déficits de balança comercial iam se acumulando para pagar o exterior muitas vezes faltava moeda para o mercado interno, tendo os governos que emitirem moeda de pouco valor perpetuando a inflação.

A organização social Em um século, de 1800 a 1900, a população cresceu de 20 para 70 milhões de pessoas. A maior parte dela era rural, com poucas cidade importantes. Em alguns países, as campanhas de extermínio foram realizadas por parte dos colonos e dos exércitos nacionais, como o Chile e na Argentina. Concorreram ainda para a exploração indígena: os baixos salários, os trabalhos pesados nas minas e o analfabetismo. Com a abolição, os negros continuaram a desempenhar funções de baixa remuneração como trabalhadores rurais, estivadores ou trabalhadores domésticos, nas cidades. A América Subdesenvolvida A Dívida Externa na América Latina Entre as características dos países subdesenvolvidos destaca-se a dependência que eles possuem em relação aos desenvolvidos. A dependência se dá em vários campos: Cultural , tecnológico e financeiro. Na prática, uma das formas de dependência é representada pelos investimentos realizados pelas empresas multinacionais e pelo empréstimos concedidos pelos governos e bancos dos países desenvolvidos. Os empréstimos mais os juros cobrados pelos governos e bancos do exterior recebem o nome de dívida externa. Os países Latino-Americanos devem somas consideráveis aos países desenvolvidos, estando algumas delas entre as maiores do mundo.

A origem da dívida externa Latino-americana Quando se tornaram independente politicamente já tinham dívidas com outros países, principalmente com a Inglaterra, não dispondo de recursos para promover seu desenvolvimento. Desta forma, ficava a questão: Como seguir o modelo de desenvolvimento dos países centrais, que tem por base a industrialização, sem dispor de recursos e de capital ? A saída encontrada pelos classes dirigentes dos países latino-americanos foi recorrer aos empréstimos externos.

A dívida cresceu muito Boa parte do dinheiro emprestado para promover o desenvolvimento das nações latino-americanas foi utilizada em obras de infra-estrutura:Construção de usinas hidrelétricas, rodovias, siderúrgicas, estradas de ferro, edifícios públicos, etc. É o caso do Brasil, que investiu grade parte dos recursos obtidos na rodovia Transamazônica e na ferrovia de Asso, por exemplo. Em 1990, na Transamazônica encontrava-se em estado de completa destruição, e a ferrovia do Asso, construída a um custo de cerca de 2,8 bilhões de dólares, tinha túneis e viadutos abandonados, devido a alterações em seu traçado. A partir da década de 70, o valor da dívida desses países aumentou consideravelmente .

Os países endividados acabaram fazendo novos para pagar as parcelas da dívida ou apenas os juros que vão se acumulando. Em1989, por exemplo, 28 bilhões de dólares foram transferidos da América Latina aos países desenvolvidos, como pagamento da dívida.

Explosão demográfica Os anos 50 marcaram o início de maior aceleração populacional. O crescimento vegetativo da população latino-americana era moderado, havia o chamado Equilíbrio Primitivo, isto significa, altas taxas de mortalidade compensando a elevada mortalidade. Isso estava associado a uma economia pouco desenvolvida, de tal modo que havia um equilíbrio entre a população e os recursos econômicos. Essa situação se alterou bruscamente em meados dos anos 50 e na década de 60. Os países latinoamericanos passaram a receber dos países desenvolvidos uma expressiva ajuda no campo sanitário, tanto diretamente como através de organismos internacionais, como a ONU. Grandes laboratórios farmacêuticos estrangeiros instalaram-se em vários países da América Latina, desta forma poderiam produzir medicamentos a preços baixos, ao contrário dos medicamentos que eram importados. Com as conquistas médicas e sanitárias na América Latina houve uma melhora considerável nos padrões de saúde publica. Com a diminuição da mortalidade e a manutenção de taxas elevadas de mortalidade levaram a uma verdadeira Explosão demográfica . Ela atingiu o apogeu em meados da década de 1960, quando o crescimento da população da América Latina alcançou uma taxa anual de 3,3%. Segundo estudiosos, o forte crescimento demográficos e uma expansão relativamente baixa dos recursos disponíveis para a população seriam a raiz do subdesenvolvimento. A pobreza resultante da explosão demográfica seria responsável pela manutenção da alta natalidade, que por sua vez aceleraria o crescimento da população.

Transição demográfica e subdesenvolvimento Diante de tantos problemas, alguns países adotaram práticas de controle de natalidade, isto é, puseram em prática medidas para reduzir o número de filhos por casal. O declínio do crescimento natural da população começou a ocorrer de forma intrusa em alguns países, a partir da década de 70. Os efeitos do crescimento econômico de alguns países subdesenvolvidos em todo o mundo, sobretudo a urbanização, contribuíram para a redução da taxa de fecundade. Hoje em dia dizemos que muitos países do mundo subdesenvolvidos estão passando pelo processo de transição demográfica. Apesar do crescimento populacional mais baixo, esses países continuaram a apresentar as demais condições de subdesenvolvimento citadas anteriormente.

Desemprego na América Latina A questão central não é o desequilíbrio entre um forte crescimento da população e uma pequena expansão dos recursos econômicos, mas fundamentalmente a desigual destruição desses recursos. Países exportadores de produtos primários e industrializados: com a estrada da capital externa e das multinacionais, principalmente a partir da década de 50, alguns países alcançaram maior crescimento industrial. Os países latino – americanos são: O Brasil, o México e a Argentina.

México: Devido ao processo de industrialização, que teve início logo após a Segunda guerra mundial, e às reformas em sua economia nos últimos anos na década de 80, o México é um dos países latino – americanos que vem apresentando rápido crescimento econômico.
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População: Com 83 milhões de habitantes (1990), os Estados Unidos mexicanos (nome oficial) é o segundo país mais populoso da América Latina, sendo superado apenas pelo Brasil. Economia: A abundância de prata, petróleo e outros minerais, aliado à expansão de produção de energia elétrica, das industrias petroquímicas, siderúrgicas, automobilísticas, favoreceu a construção de mais rápido crescimento do terceiro mundo. Agricultura: Por volta de 1910 a maior parte das terras agrícolas mexicanas estava dividida em cerca de 9000 latifúndios.

Após a revolução mexicana, teve início o processo de reforma agrária (1934) democrática entre os camponeses . Os grandes latifúndios confiscados foram divididos em pequenas propriedades dominadas aldeias comunitárias. Nessas aldeias, cada família cultiva um a pequena parte da terra ou trabalha coletivamente, recebendo assistência financeira e técnica do governo. apesar disso, o espaço agrícola do país não é totalmente aproveitado, sendo necessário importar alimentos. Argentina: Durante a década de 40 até o início dos os anos 50, os argentinos gozaram de um elevado padrão de vida, comparado inclusive ao das nações mais desenvolvidas do globo. Na década de 60, viram esse padrão cair. Os problemas internos, como na administração pública corrupção e o aumento sensível de sua dívida externa, quase agravou nos anos 70 e 80, chegando a aproximadamente 60 bilhões de dólares em 1990.

População: Com 32 milhões de habitantes, a Argentina possui a terceira maior população da América latina. Na sua composição étnica predominam os brancos de origem européia (97%) , principalmente espanhóis e italianos. Agropecuária: O território argentino subdivide-se em quatro regiões: Pampo, Chanco, Patagônia e região Andiano

No Pampo encontra-se intensa atividade agrícola, sendo uma das mais desenvolvidas do globo, ao lado de uma excelente criação de bovinos e ovinos.

América Latina - Línguas oficiais Existem países no continente americano que, embora tenham como língua oficial o inglês ou o holandês, devem ser considerados pertencentes à América latina. È o caso da República da Guiana, de Trindade e Tobago, de Antiga e do Suriname. Em virtude de suas características, esses países se assemelham mais aos países da América Latina. Entre essas características, destacam-se seu passado colonial e o tipo de colonização neles implantado – A colonização de exportação. Esse tipo de colonização, caracterizou-se pela exportação de tudo que a terra pudesse oferecer para o enriquecimento do colonizador, pela introdução do negro africano para servir como mão – de – obra escrava e pela grande propriedade rural – o latifúndio, como uma agricultura comercial destinada exportação. Os países latino americanos ainda não se libertaram de outro tipo de dominação (econômica, cultural e política) exercida pelos países desenvolvidos e por suas classes dominantes. Essa dominação não deixa de ser um tipo de colonialismo.

A fragmentação da América latina Embora existiam alguns territórios coloniais na América, como a Guiana francesa (América do sul) e diversas ilhas do Caribe (América central), e vários países só tenham se tornado independência mais recentemente, como: Belize, Jamaica ou Bahamas (América central), o fato é que a maioria dos países latino-americanos tornaram-se independentes já na primeira metade do século passado.

A formação dos países americanos A partir do século XVIII e XIX, o que se na América é ao declínio da ocupação européia, pois esse correspondente exatamente ao momento em que a maior parte dos países americanos tornou-se independente. De certa forma, muito dos conflitos e disputas territoriais que estamos vendo acontecer hoje na África ou na Ásia, em conseqüência das fronteiras recentemente herdadas da colonização, aconteceram há mais tempo também na América. Só que quase todas essas questões já foram resolvidas, pois a maioria dos países americanos conquistou a independência até as primeiras décadas do século XIX.

Conclusão Estudando sobre a América Latina vimos que o Brasil é o país mais populoso seguido do México. Vimos que a urbanização latino-americana é muito elevada, quase todos os países do continente tem cerca de 50% da sua população vivendo nas cidades, o Uruguai está entre os mais urbanizados do mundo pois 91% da população vive em cidades. Na América-Latina predominam muito o trabalho forçado nas fazendas e engenhos. Eles trabalhavam também na produção e pecuária. A América Latina é um continente rico em minerais, durante o período inicial da colonização da AméricaLatina a Europa estava passando por um período histórico conhecido como capitalismo comercial. Durante esse período generalizou-as pelo continente a idéia de que a riqueza de um Estado dependia da quantidade de metais preciosos que ele possuía Essa fase foi chamada de metalismo. O continente latino-americano destaca-se também pelo modo de colonização que eles sofreram, foram colonizados por Europeus, que ao chegarem aqui introduziram religião, língua e modo de vida aos nativos desta forma tentando erradicar seus antigos costumes.Mas como vimos isso aconteceu pois os antigos costumes estão presentes até hoje, dessa forma os latino-americanos tem uma das culturas mais bonitas do mundo. Vimos também que a partir década de 50 houve uma explosão demográfica, ou seja, a população cresceu de forma acelerada. Graças a essa aceleração de crescimento populacional a América Latina, estava passando por exemplo:os remédios que eram importados de outros países (principalmente Europa) passaram a ser produzido aqui mesmo. Não só remédios mas também passaram a produzir produtos primários, hoje a América Latina é uma grande produtora de produtos perimamos, ou seja, vendem a mercadoria para outros países, quando chega lá,é passado por um processo seleção e classificação do produto. Eles vendem os produtos primários para outros países por um preço bem baixo, enquanto que os países que compram nossas mercadorias vendam os produtos de sua origem por ate três vezes mais do que o preço que compraram.

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