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W W W. D I A R I O I N SU L A R .

CO M

256 # 02.03.2008
Jornal Diário | Ano LX I | Nº19000 | 0,55 e
Fundado em 1946 | Terceira | Açores

Romeiros recuperados

perto de Deus
olhares NOTA DE ABERTURA
FOTOGRAFIA antónio araújo José Lourenço

04 Romeiros
Fé e asfalto
[reportagem] Ao longo de cinco dias e pelo se-
gundo ano consecutivo, os romeiros

10 Regicídio a quatro mãos


percorreram as estradas da Terceira,
[REPORTAGEM] recuperando uma tradição que existiu
na ilha até finais do século XIX. Ao to-

12 Francisco Coelho e Reis Leite


do, foram mais de 200 quilómetros de
[PERSPECTIVAS] caminho e oração, pelas intenção dos
irmãos e pela paz no mundo.

14 Maduro-Dias
“O homem moderno tem necessida-
[VELA DE ESTAI] de de Deus e vai buscá-lo às religiões
e às filosofias de vida. Na nossa terra,

16 VI Festival de Tunas da Terceira


onde há uma grande tradição católica,
[REPORTAGEM] procuram-se estas manifestações de fé
muito simples, como o rezar e o andar

18 Luiz Fagundes Duarte


por intenções que nos pedem”, subli-
[FOLHETIM] nha o Padre Dinis Silveira, contra-mes-
tre do grupo de romeiros da ilha Ter-

20 Trio Vasco Agostinho


ceira.
[ENTREVISTA] Este é o tema principal desta edição
de DI-Revista, que também entrevista
Jorge Morais, jornalista e escritor que
esteve na Terceira para participar nu-
ma conferência promovida pelo Insti-
tuto Açoriano de Cultura sobre o aten-
tado contra o rei D. Carlos consumado
na Praça do Comércio há cem anos.
O conferencista confessa ter tomada
conhecimento através do “Diário Insu-
lar” da tentativa de assassinar D. Carlos
na Terceira e revela que o seu amigo
e investigador António Valdemar tam-
bém lhe falou desse assunto.
“É possível que essa e outras tentati-
vas de regicídio tenham sido conside-
radas, porque o movimento carbonário
está activo desde do século XIX”, refere
Jorge Morais.
Outra entrevista nesta edição acolhe
os pensamentos de Vasco Agostinho,

24 Mini-bus na Praia
considerado um dos melhores músi-
[REPORTAGEM] cos de jazz portugueses, já comparado
a Jim Hall. O guitarrista esteve na Ter-

26 Paula Costa
ceira para um concerto com o seu trio
[DESPORTO] e falou dos ambientes e sensações do
jazz, essa “grande conversa”.

28 Sugestões
Ainda na área da música, prestamos
[AGENDA] atenção ao VI Festival Olé Tunes, que
aconteceu em Angra do Heroísmo de

29 Tiro&Queda
21 a 23 de Fevereiro. Capas negras, ca-
[CARTOON] loiros, doutores, serenatas… Foi o es-
pírito académico que se instalou na ci-
dade.

DI DOMINGO  02.MARÇO.2008 DI DOMINGO  02.MARÇO.2008


romeiros

Caminhos de fé
Ao longo de cinco dias e pelo segundo ano consecutivo, os

romeiros percorreram as estradas da Terceira, recuperando

uma tradição que existiu na ilha até finais do século XIX. Ao

todo, foram mais de 200 quilómetros de caminho e oração,

pelas intenção dos irmãos e pela paz no mundo. »

DI DOMINGO  02.MARÇO.2008
reportagem vanda mendonça fotografia antónio araújo “O homem moderno tem necessi- da ermida, rezam pelas intenções dos donos da casa, Pelas localidades que percorrem, os romeiros recebem
dos irmãos que foram encontrando pelo caminho e pedidos de oração por um familiar doente, um amigo
dade de Deus e vai buscá-lo às religiões e às filosofias de vida. Na pela paz no mundo. Será assim nos 120 templos que carenciado ou, simplesmente, pela paz da humanida-
visitarão ao longo dos cinco dias de peregrinação. de. “Já vem muita gente pedir intenções, formando-se
nossa terra, onde há uma grande tradição católica, procura-se A tradição das romarias quaresmais - que existiu na uma corrente de oração muito grande”, sublinha o Pa-
ilha até finais do século XIX - foi retomada pelo se- dre Dinis Silveira, neste momento de pausa.
estas manifestações de fé muito simples, como o rezar e o andar gundo ano consecutivo. “A Terceira teve romarias e is- “A juventude também já vai aderindo, porque o mun-
so prova-se pelas casas de romeiros que ainda exis- do criou muita coisa, mas também gerou um vazio
por intenções que nos pedem”, sublinha o Padre Dinis Silveira, tem em freguesias como o Porto Judeu, Santa Bárba- muito grande, que leva muita gente a procurar Deus”.
ra e Serreta”, refere o Padre Dinis Silveira, contra-mes- Os romeiros da Terceira acordam todos os dias pe-
contra-mestre do grupo de romeiros da ilha Terceira. tre do grupo, que tem a seu cargo, em conjunto com las 03h00 e caminham até às 18h00, pernoitando de-
o mestre, toda a logística da peregrinação. pois em casas familiares ou em salões paroquiais. As
“Trata-se de uma tradição alicerçada na fé de um povo refeições são oferecidas pela população ou compra-
massacrado pelas intempéries e pelos vulcões e que das nas mercearias locais. Por onde passam, os pere-
As vozes roucas cortam o silêncio da manhã, entoan- simbolizando o manto de Cristo, e o lenço colorido, regressa agora, na modalidade de São Miguel, com grinos - todos homens, como dita a tradição - sentem
do em uníssono a “Ave-maria”. Caminhando e orando representando a coroa de espinhos, protegem do frio. uma grande adesão”. “grande afecto e carinho das pessoas”, destaca o con-
desde as 04h00 da madrugada desta quarta-feira de Às costas, a saca com o farnel é a cruz que cada um Um entusiasmo que, segundo o pároco, tem também tra-mestre do grupo.
Fevereiro, os 34 irmãos chegam agora, volvida uma tem de carregar. Nas mãos, o bordão e o terço. uma justificação: “O homem moderno tem necessidade “Quase todas as refeições são oferecidas, assim co-
meia dúzia de horas, à Quinta do Galo, na freguesia Organizado em fila dupla, o grupo de romeiros da Ter- de Deus e vai buscá-lo às religiões e às filosofias de vida. mo as dormidas nas freguesias, o que demonstra que
da Terra Chã, em Angra do Heroísmo, onde lhes es- ceira transpõe os portões da propriedade e dirige-se Na nossa terra, onde há uma grande tradição católica, isto veio para ficar. Hoje de manhã, por exemplo, vi-
pera uma canja de galinha e uma broa de milho para à pequena e simples capela, pintada de branco. Nos procura-se estas manifestações de fé muito simples, co- mos muita gente nas janelas, o que é sinal de algu-
afagar o estômago. Sobre os ombros, o xaile escuro, rostos, serenidade, apesar do cansaço. Já no interior mo o rezar e o andar por intenções que nos pedem”. ma coisa…”

“Força interior”
Entre os 34 irmãos que percorrem as estradas tercei-
renses, seguem cinco vindos especialmente da Gra-
ciosa para o efeito e dois de São Miguel. Bruno Espí-
nola, um jovem natural da ilha branca, teve conheci-
mento da iniciativa através de um grupo de paroquia-
nos do Padre Dinis Silveira e decidiu pôr em prática a
sua “relação com Cristo”.
“É um bom exercício de reflexão e de encontro com a
fé, bem como uma forma de levarmos algumas tradi-
ções aqui da Terceira para a Graciosa”.
Para o irmão graciosense integrar esta romaria ofere-
ce, sobretudo, “uma grande paz”. “Cada um se encon-
tra, individualmente, na esperança com Deus”.
A preparação para a longa caminhada é, essencialmen-
te, “psicológica”, considera. “É algo que vem de dentro
de nós. Logo que sentimos que é isto que queremos,
conseguimos. É uma questão de força interior”.
Já António Furtado, oriundo da maior ilha açoriana, é
um habitué nas romarias quaresmais de São Miguel.
Este ano, no entanto, optou “por uma experiência no-
va e por conhecer uma romaria noutra terra”.
“É uma semana espiritual, que nos faz bem”, enfatiza.
Questionado sobre as eventuais semelhanças ou dife-
renças entre a tradição terceirense e a micaelense, ga-
rante que “é igual”.
“Apesar de lá ser quatro vezes maior, é a mesma coisa.
Rezamos as mesmas orações e o terço…”
Para trás, ao longo destes cinco dias, ficam “a família,
o trabalho e o stresse do dia-a-dia”, salienta.
“Carregamos novas pilhas, para começarmos de novo
o ano mais purificados e com o espírito muito bom”,
explica, concluindo, sem pestanejar: “Vale a pena”.
Depois da pausa para retemperar energias, os romei-
ros – dos 13 aos 56 anos de idade – põem-se nova-
mente a caminho. Ao todo, percorrerão mais de 200
quilómetros, numa verdadeira jornada de fé.

DI DOMINGO  02.MARÇO.2008 DI DOMINGO  02.MARÇO.2008


entrevista hélio vieira

fotografia antónio araújo

Jorge Morais
Regicídio a 4 mãos
Jorge Morais esteve na Terceira ria envolvida no regicídio, mas três. Duas estão liga-
das a outras organizações do género no estrangeiro e
para participar numa conferência a terceira pode-se considerar como “selvagem”, por-
que não tem afinidades com outro tipo de organiza-
promovida pelo Instituto Açoriano ções do mesmo género.
Para além dessas três mãos revolucionárias que vão
de Cultura sobre o atentado con- assegurar a execução do regicídio, existe uma quar- to geral, sendo frequentes os passeios de D. Carlos a pé
ta mão que é a dos dissidentes monárquicos e que fi- ou de carruagem aberta pela cidade de Lisboa.
tra o rei D. Carlos consumado na nancia a operação, assegurando os meios para a aqui- É claro que o clima de violência política dos finais de
sição das armas que foram utilizadas na Praça do Co- 1907 aconselhava que houvesse mais cuidado, mas
Praça do Comércio há cem anos. O mércio. havia a convicção que ninguém seria capaz de che-
A Carbonária Portuguesa defende a implantação de gar ao ponto de atentar contra a vida do rei. Pelo me-
jornalista e escritor sustenta que uma “república radical”, a Carbonária Lusitana e parti- nos essa era a convicção do presidente do Conselho,
dária de uma “anarquia redentora” e a Carbonária Sel- João Franco.
o regicídio não foi um acto isola- vagem pretende um “caos iluminado”, enquanto os
dissidentes querem o poder. O príncipe herdeiro, Luís Filipe, morre na sequência de
do, mas o resultado de uma conspi- uma troca de tiros com os regicidas. A sua morte resulta
Esse movimento revolucionário contou com a participação desse facto ou ele também era um alvo a abater?
ração de diferentes opositores ao de organizações carbonárias que estiveram associadas a Estou convencido que o objectivo era a decapitação
outros atentados contra monarcas consumados na Europa da coroa portuguesa. O príncipe real também estava
regime monárquico. durante esse período? marcado para morrer naquela tarde.
As carbonárias portuguesas tinham ligações a orga- Depois de ter atingido o rei mortalmente, o atirador
nizações semelhantes que se movimentavam na Eu- Manue Buiça continua a disparar em direcção ao prín-
ropa para levar a cabo acções revolucionárias entre cipe Luís Filipe.
No seu último livro “Regicídio – Contagem Decrescente” as quais atentados que vitimaram monarcas e gover-
aborda os 33 meses que antecederam os acontecimentos nantes. GOLPE FALHADO
de 1 de Fevereiro de 1908 na Praça do Comércio. O aten- Há uma ligação operacional entre esses movimentos, Dados recentemente divulgados apontam para uma tentati-
tado que vitimou o rei D. Carlos e o príncipe herdeiro Luís que se visitam mutuamente e fazem reuniões para va de atentado contra D. Carlos na Terceira durante a visita
Filipe resultou de um plano preparado e não de um grupo preparar acções revolucionárias. Existem indicações que o monarca efectuou à ilha em 1901. Tem conhecimento
de anarquistas da Carbonária? que a ideia de avançar com o regicídio em Portugal te- da existência desse grupo ligado à Carbonária que terá sido
Os 33 meses de preparação do regicídio são conta- rá resultado de uma reunião realizada em Paris, em fi- liderado por Joaquim Tristão, um professor terceirense?
dos a partir da dissidência de José Maria de Alpoim e nais de 1907, em que participaram elementos da Car- Tomei conhecimento dessa possibilidade através do
da sua aproximação aos republicanos e a estruturas bonária portuguesa. “Diário Insular” e o meu amigo e investigador António
anarquistas e carbonárias da qual resultou uma orga- Valdemar também me falou desse assunto.
nização revolucionária designada como “A Coruja”. REI SEM MEDO É possível que essa e outras tentativas de regicídio te- para derrubar a monarquia.
O rei D. Carlos foi o único chefe de Estado português mor- nham sido consideradas, porque o movimento carbo- Três meses depois do regicídio os republicanos pro-
Na conferência proferida em Angra do Heroísmo realçou o to num atentado. As condições de segurança na Praça do nário está activo desde do século XIX. põem um pacto de tréguas aos monárquicos, recean-
facto de o plano do regicídio ter sido preparado a quatro Comércio naquela tarde de 1 de Fevereiro de 1908 eram do que a sua imagem tivesse ficado fragilizada, o que
mãos. A acção resultou da aliança de três ramos da Carbo- favoráveis para uma acção desse tipo? Embora os republicanos não tenham participado no regicí- não é aceite. Mas pouco tempo depois os republica-
nária com dissidentes da monarquia? D. Carlos detestava guarda-costas e grandes aparatos dio, acabaram por ficar numa situação delicada… nos compreendem que afinal não ficaram tão mal em
Cada uma das forças que acabam por ter participa- de militares e polícias à sua volta. Era um homem que O regicídio mereceu o repúdio de largas camadas do toda essa história e a revolução rumo à implantação
ção no regicídio tem a sua linha de orientação e ob- gostava de andar à vontade entre o povo e que não ti- povo e de muitas pessoas ligadas ao Partido Repu- da República avança então de uma forma irreversível
jectivos diferentes. Não existiu apenas uma Carboná- nha medo. A rotina da família real era do conhecimen- blicano que sempre reprovavam este tipo de método durante o frágil reinado de D. Manuel II.

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P E R S P E C T I V A S
Francisco coelho reis leite

MAPA DA PENÚRIA
JUDICIÁRIO… À REFORMA
Está sendo preparada por nós considerada es- sa realidade insular e ar- do em três comarcas do Os nossos governantes Justiça que estão sob a O reformismo só é efi- so da nossa opinião.
a reforma do chamado sencial e inegociável. quipelágica impõe – pa- continente a nível experi- fazem sempre a figura sua alçada. ciente quando melhora E pior do que isto. Os
“Mapa Judiciário”. Quer Ora, como é que isto “jo- ra que o “Estado de Di- mental, deve assim con- clássica do marido enga- Foi pela comunicação so- as coisas, não quando as nossos governantes con-
dizer: do nome e tipos ga” com as últimas no- reito”, em termos reais e tinuar a merecer a nossa nado das comédias. São cial que chegou aos Aço- piora, como temos visto. sentem e dão-se por sa-
de tribunal, bem como tícias relativas ao “Ma- simbólicos, seja sentido atenção, serena e atenta, os últimos a saber. res, talvez por uma fuga Por outro lado, este caso tisfeitos!
respectiva categoria, dis- pa judiciário açoriano”? É por todos. para que seja respeitado Neste caso, a saber que de informação (fuga con- de reforma dos serviços Assim, ambas as partes,
tribuídos pelo país. que, por aquilo que já se A Reforma do Mapa Judi- nesta matéria o princípio o governo da República sentida, como é hábito) da Justiça é exemplar no matam a Constituição,
A Justiça é, como se sa- sabe, os Açores passarão ciário, que agora come- que queremos assuma pretende na Região re- a notícia que o governo aspecto da falta de co- alegremente.
be, uma das poucas ma- a ter duas comarcas, res- çará a ser implementa- dignidade estatutária. organizar os serviços da se propõe reduzir o nú- municabilidade entre os Ora, para tudo correr
térias não regionalizadas, pectivamente em Ponta mero de comarcas insu- governos da República e bem, no caso dos Tribu-
dependendo, em termos Delgada e Angra do He- lares a duas: a de Pon- Regional em matéria de nais, já que não se accio-
administrativos e finan- roísmo. Bom…mas a ter- ta Delgada e a de Angra interesse da Região. na nunca o preceito es-
ceiros, os tribunais, con- minologia adoptada não do Heroísmo e introdu- O espírito da Constitui- tatutário que exige que
servatórias, registos e de- é a da Lei anterior, o con- zir alterações nos Tribu- ção aponta claramente o sistema de Justiça se-
mais serviços do Minis- ceito de comarca já não nais existentes. Informa- para uma consulta per- ja adaptado às especifi-
tério da Justiça. E julgan- é o de pequeno tribu- ção vaga, desestruturada manente entre ambos cidades insulares, as re-
do os Tribunais, enquan- nal de competência ge- e, possivelmente, assim os governos no sentido formas deviam ter sido
to Órgãos de Soberania, nérica, por isso mesmo dita de propósito como de que as decisões para acompanhadas desde a
com independência rela- se prevê que as comar- balão de ensaio. aplicar nas Regiões Autó- incubadora pelo Gover-
tivamente a qualquer ou- cas possam ter juízos, de Tudo isto levantou um nomas, mesmo ou prin- no Regional.
tro poder. competência genérica ou burburinho porque já se cipalmente naquelas áre- Deviam ter sido, mas não
É certo que o nosso Es- especializada. E o que percebeu que o actu- as não regionalizadas, foram e por isso é justo
tatuto de há muito que está previsto é que, em al governo da República sejam dialogadas e nun- temer-se que nos quei-
proclama a hipótese da todas as ilhas dos Açores apresenta-se como refor- ca impostas. ram fechar tribunais ou,
organização judiciária nos com excepção do Corvo mista, não porque acre- Tem acontecido o contrá- então, para continuarem
Açores dever contemplar haverá, pelos menos, um dite que se devem fazer rio. Os governos andam a cumprir a lei (neste ca-
as singularidades pró- juízo de competência ge- reformas para melhorar a às avessas, não se ou- so o Estatuto Político Ad-
prias, podendo assumir nérica. Ou seja: em ter- prestação dos serviços e vem e para cumprir a le- ministrativo) que obriga
aqui forma específica. mos materiais continua- para alcançar o bom fun- tra da Constituição, mas a existir pelo menos um
Na sequência do atrás re- remos a ter tribunais nas cionamento e a eficácia, não o espírito, o Gover- em cada ilha, a manter o
ferido, a proposta de re- oito ilhas, entendidos es- mas simplesmente por- no e a Assembleia da Re- tribunal, mas sem juiz.
forma do Estatuto Político tes como um conjunto que atolado na penúria pública limitam-se na fa- Sempre poupam uns pa-
Administrativo prevê que, de magistrados, funcio- orçamental, resolveu re- se final, mesmo quando tacos e os pobres diabos
em cada ilha dos Açores, nários e advogados que, duzir as despesas des- as leis já foram aprova- que vivem nas ilhas que
com excepção do Corvo, num determinado espa- mantelando impiedosa- das na generalidade, a se “lixem” ou que pro-
deve haver pelo menos ço, aplicam a justiça em mente a rede dos servi- ouvir por proforma os ór- testem ou, melhor ainda,
um tribunal de comarca nome do Povo. ços do Estado, mesmo gãos de governo próprio que se indignem, porque
com competência genéri- É isso que importa salva- que isso prejudique os da Região, não fazendo, estando longe não inco-
ca. E tal garantia deve ser guardar. É isso que a nos- cidadãos. regra geral, qualquer ca- modam por aí além.

DI DOMINGO 12 02.MARÇO.2008 DI DOMINGO 13 02.MARÇO.2008


tros, costuma dar mau resultado. que fica com a estrutura mínima adequada apenas à
Os lugares não são os mesmos, as pessoas também ilha e não mais do que isso!

VELA DE ESTAI não, e copiar só dá bom resultado nos exames, mas A gare civil, apesar de interessante e “modernaça”, pa-
não na vida depois. rece feita a gozar connosco:
Francisco Maduro-Dias Temos uma estrutura caríssima, que empurrou para As portas estão voltadas ao vendaval dominante;
maduro.dias@mail.telepac.pt longe parte do que convinha ter à mão, em termos de A dimensão interior garante que dois aviões gran-
apoio naval ao porto de recreio, e que, fora os cafézi- des e mais um ou dois dos pequeninos entopem tu-

INVESTIMENTOS
nhos e algumas estruturas básicas, ainda não terá ar- do de modo indescritível e absurdo para uma obra
rancado como devia. nova;
Sobretudo, em dias de mau tempo, as ditas docas de A “cobertura de cabeça” feita para quem parte de au-
Lisboa ainda funcionam porque estão à beira rio. A tocarro, está de modo a garantir que todos levarão
gente aqui tem o Atlântico logo ali fora e quando virar uma recordação inesquecível, pois toda a gente sabe

DESTRUTIVOS
de sueste, como às vezes vira, quero ver quem é que que a chuva aqui até sobe em dias de vento e aquele
vai beber café ou fazer compras. tecto, em curva bem esgalhada (até está), só por mi-
Outra das cenas semelhantes foi a do edifício de lagre há-de cobrir alguma coisa.
apoio à prainha. A estrada! A VVN!
Parece que todos se esqueceram que as casas volta- Da estrada só digo que me custa muito ver, ficando os
das à baía são muito mais açoitadas pelo vento e pe- limites de velocidade na mesma, havendo muito me-
Tem-se, muitas vezes, a ideia de que um investi- res de emprego e que aumentam o PIB e a nossa fe- la maresia, a ponto de o comércio costumar ser mais nos rebanhos, e podendo-se ter feito caminhos lá por
mento é bom para o progresso! licidade momentânea. fraco de metade da Rua Direita para baixo. dentro em vez de trazer as vacas até ao pé dos carros,
Costuma dar empregos enquanto as obras duram e É uma chuva de milhões e, agora que as contas são Os costumes mudam-se e neste caso até poderiam custa-me ver tantos alqueires de boa terra definitiva-
costuma ficar bonito na paisagem! em euros, ainda parece mais dinheiro! Uns 10 mil mudar um pouco, mas as entradas daquela coisa de mente desperdiçados.
Espera-se que seja capaz de gerar aquilo que alguns contos agora são 50 mil euros! É o mesmo e até me- vidro que ali está deviam ser voltadas à cidade, pelo Aqueles muitos moios de terra não voltarão a dar er-
mais entendidos chamam de “mais-valias”. nos, pois as coisas estão todas mais caras, mas soa menos à boca da Rua da Palha e da Carreira dos Ca- va, nem milho, nem nada.
Por exemplo uma estrada, quando é feita, valoriza as muito melhor! valos. Mesmo num dia de chuva, olhando o mar bra- A Terceira ficou mais pobre embora pareça que não, e
terras que serve, os povoados que liga e é feita para a Porém, regressando ao tema e bem vistas as coisas, vo por dentro do vidro, seria possível chegar lá “num com as pontes por cima para as vacas passarem deu-
gente ir mais depressa daqui para ali ou acolá. talvez nem todos os investimentos até agora feitos, pulo”, a partir das ruas da cidade. me não sei porquê para me lembrar de Walt Disney e
Mais valias acontecem com um porto porque se es- por muitos milhões que tenham sido gastos, valham Assim como está, será preciso um bocado mais de co- do elefante Dumbo – o tal que voava! Só que aqui, se

fotografia antónio araújo


pera que as coisas fiquem mais baratas e cheguem a pena, pelo menos do modo como se pensa. ragem para dar a volta toda a partir da Rua de S. João acontecer, serão vacas!
mais depressa. Alguns exemplos: e a tentação de levar carro será maior. Chega de lamúrias!
Mais valias ainda acontecem quando se criam estrutu- O reordenamento do Porto de Pipas passou pela ideia Mas não deixemos de lado o grande porto oceânico, a Com estes milhões que agora chegam em mais um
ras de apoio como aerogares. de se fazer ali uma espécie de docas de Santo Ama- aerogare e, já agora, o alargamento da estrada do ma- quadro comunitário, até 2013, vamos a ver se muda-
A gente, na Terceira, talvez não se possa queixar. ro em Lisboa! to, a Via do nosso Nemésio, a VVN! mos de investimentos destrutivos para investimentos
Tem havido investimentos a torto e a direito, gerado- Para já essa de se copiar, para a gente ter como os ou- O porto, cada vez que investem nele é para garantir realmente criadores de mais-valias.

DI DOMINGO 14 02.MARÇO.2008 DI DOMINGO 15 02.MARÇO.2008


reportagem helena fagundes

fotografia antónio araújo

VI Festival da Terceira
Olé Tunas!
Capas negras, caloiros, doutores, Apenas estavam a concurso as sete tunas de Lisboa e
Coimbra. O festival fechou com a tuna organizadora, a
serenatas… O espírito académico TAESEAH- Tuna Académica da Escola Superior de En-
fermagem de Angra do Heroísmo. Ao todo, o Olé Tu-
passou por Angra do Heroísmo de nas movimentou 350 pessoas, 185 de fora da ilha.
Para trás ficou o já tradicional “Pasacalles”, que pôs
21 a 23 de Fevereiro, com o VI Festi- as tunas a percorrer as ruas de Angra, uma serenata
à meia-noite no Salão Nobre da Câmara Municipal e
val Olé Tunas. uma garraiada.
Luís Viegas senta-se numa das cadeiras de veludo
do Teatro Angrense com um suspiro cansado. Expli- so dizer que sinto que o festival tem já vida própria. mo) da Escstunis, a tuna da Escola Superior de Co-
ca que para além das “várias horas sem dormir” e Sei que são sempre uns 30, 40 tipos, que no final es- municação de Lisboa, que acabou por conquistar o
O Teatro Angrense está ao rubro. No palco, vários do trabalho de coordenar sete tunas espalhadas pe- tão todos rotos, que o organizam, mas sinto que isso segundo lugar no concurso, não leva a mal as pala-
membros da “Vicentuna”, a tuna da Faculdade de Ci- la Pousada da Juventude, Recreio dos Artistas e Re- depende cada vez menos de mim. O Olé Tunas já é vras do colega de Coimbra. “Se fizermos de facto essa
ências da Universidade de Lisboa, celebram a vitória gimento de Guarnição nº1, o festival é a materializa- um evento com uma carga cultural, reconhecido. Vê- escala, somos um grupo musical. Temos uma grande
no VI Olé Tunas. Abraçam-se e rebolam no chão, nu- ção do trabalho de um ano. “São os contactos com se isso a cada edição. O teatro enche-se de gente”. preocupação a esse nível e apostamos em temas es-
ma confusão de capas negras. É assim há seis anos. a Câmara Municipal, a nossa parceira no evento, e Segunda família tilo Festival da Canção. Apresentamos uma canção de
“Pode parecer estranho, porque não ganham mais com outras entidades para conseguir alojamento, os Mário Alfaia, o maestro da Quantuna, a tuna académi- Ary dos Santos, por exemplo. Mas não nos falta o es-
que uma placa a dizer que foram os melhores naque- convites às tunas… Costumamos, após o festival, ter ca da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universi- pírito académico, isso não”.
le dia, mas a festa de celebração é sempre enorme”, uma semana a que chamamos de ‘pousio’. Depois, dade de Coimbra, actuou na última noite do festival, Existe outro aspecto em que Quantuna e Escstunis es-
explicava, algumas horas antes, durante os testes de temos uma reunião para fazer o balanço do que cor- perante esse teatro cheio de gente. tão de acordo: A imagem de excessos e, sobretudo,
som das sete tunas a concurso, Luís Viegas, da orga- reu melhor e pior e volta tudo ao princípio. É sem- A tuna fundada há 12 anos apresentou apenas ori- de consumo exagerado de álcool, está colada a even-
nização. pre um grande jogo para mobilizar pessoas e inte- ginais. “No Pasacalles, por exemplo, tocamos temas tos académicos. “É simplesmente assim. Sei de pes-
Mas não é só quando é anunciada a tuna vencedora resses”. como a ‘Rapariga’ ou o ‘Traçadinho’, que a Estudanti- soal das tunas que bebe muito, outros fazem-no ra-
que o Teatro Angrense se anima. Das nove horas da As tunas e a tauromaquia voltaram a estar ligadas. “Há na popularizou, mas para o concurso apostamos nos zoavelmente e há quem não beba. Mas era preciso
noite para lá da uma da madrugada ouvem-se bala- interesse em que seja assim, torna o festival diferente, nossos temas. É uma mais-valia na competição”. Mas não se beber nada durante uma década para que es-
das que falam de amores e de saudade e canções so- único. Tentamos proporcionar esse lado de convívio, a competição é mesmo levada a sério? “Há de tudo. sa imagem mudasse”, afirma José Pedro.
bre a vida boémia dos estudantes. No último piso, as de espírito académico, com ênfase para os toiros a li- Uns vêm para se divertirem, outros querem mesmo “O que é preciso ver é que, mais que as vitórias em
tunas que participam no festival desafiam-se. Ouvem- gação com a natureza”. ganhar. Eu… tento pôr alguma ordem nisto”, diz, com festivais ou as noites de excesso, o que levamos da
se gritos académicos. Capas negras estão estendidas Com 11 anos de tuna e já a exercer enfermagem, Lu- uma risada. experiência de pertencer a uma tuna é a sensação
nos camarotes. No palco as tunas dizem piadas e can- ís Viegas viu o Olé Tunas nascer e evoluir. Hoje, sen- Embora tenha levado a concurso apenas originais, sermos uma família. São recordações que guardamos
tam fados nostálgicos. Chegam-se a ver mais de qua- te que está muito longe do inicial encontro de tunas. Mário Alfaia faz questão de sublinhar que a preocupa- connosco para sempre”, conclui o magister da Escs-
tro pandeiros em palco. Os estandartes cortam o ar. “Começámos como um encontro, mas cedo nos aper- ção musical não é tanta como a que têm as tunas de tunis.
Durante dois dias, passaram pelo teatro a Vicentuna, cebemos que o que acontecia era ‘ramboia’ e actua- Lisboa. “Podemos dizer que participam tunas e gru- É esse mesmo sentimento que Luís Viegas experimen-
a Iscalina de Lisboa, a K-Batuna de Coimbra, a Tuna ções menos bem conseguidas. Avançámos depois pa- pos musicais. Uma tuna toca temas que falam da vi- ta no final de todos os Olé Tunas que já organizou.
Sons do MAR, da Terceira, a Neptuna e a ELES, um ra um concurso de tunas mistas, o que já coloca algu- da académica, do percurso dos caloiros, da vida dos Acontece sempre que pisa o palco com a sua “segun-
grupo de amigos da Escola de Enfermagem de Angra, ma pressão sobre quem cá vem. Posso dizer que já cá estudantes, da saudade e da nostalgia dos finalistas da família”. “O pano sobe e vemos o público. Todas as
que se reuniu só para o festival. No sábado actuaram tivemos algumas das melhores tunas do país”. que partem. Um grupo musical tem boas vozes e um pessoas ali sentadas sabem que fomos nós que torná-
a TUSA, Tuna Económicas, a Escstunis e a Tuna de En- Embora queira ver a TAESEAH concretizar alguns pro- bom instrumental, mas falta-lhe um pouco o espírito mos aquilo possível. Começamos a tocar e ao fim do
fermagem de Lisboa, todas da capital, bem como a jectos, incluindo o lançamento de um CD, Luís Viegas académico”. quarto tema a sensação é de pura satisfação. Pode-
Quantuna, de Coimbra. considera-se satisfeito. “Já sou um dos velhotes e pos- José Pedro Ramos, o “magister” (responsável máxi- mos finalmente pensar: Missão cumprida”.

DI DOMINGO 16 02.MARÇO.2008 DI DOMINGO 17 02.MARÇO.2008


folhetim
luiz fagundes duarte
362

Professores,
sei que os há
A discussão sobre política de Educação caiu à rua, dos professores quem até há muito pouco tempo, de
em Portugal. E na pior das ruas: a dos valores corpo- facto, mandou na Educação em Portugal.
rativos, das conveniências partidárias, e dos interesses Com os resultados que estão à vista.
sindicais. Muito longe, portanto, de onde deveria es- De onde me faço um ror de perguntas, a propósito
tar: na escola, que é onde os alunos se encontram. das medidas do governo da República que tanta con-
Todos somos unânimes na afirmação de que batemos testação têm vindo a provocar por todo o país: onde
no fundo em matéria dos resultados do conjunto de está a violência de se dizer aos professores que de-
políticas de Educação: nunca como nas últimas dé- vem cumprir, como todos os trabalhadores, o seu ho-
cadas se investiu tanto em Educação – no orçamen- rário de trabalho? Não há-de a carreira docente prever
to, nas infraestruturas, na formação de professores, na uma progressão, que permita que sejam os melhores
acção social, no envolvimento da sociedade civil, na a chegarem ao topo? E para progredirem na carreira,
estabilização dos corpos docentes, na definição de re- não deverão os professores ser sujeitos a uma avalia-
gras de funcionamento, na autonomia das escolas. E, ção pelos seus pares? Quem discute que o verdadei-
no entanto, são de pesadelo os números que nos fa- ro produto do trabalho dos professores se mede, em
lam do abandono e do insucesso escolares, a todos os última análise, pelo sucesso dos seus alunos? Não se-
níveis – e de um modo especial no ensino básico –, rá o verdadeiro múnus docente, mais do que o traba-
quando comparados já não com o que se passa nos lho administrativo ou de gestão, concretizado na sala
restantes países da União, mas mesmo da OCDE, que de aula? Não haverá conveniência em se definirem as
inclui países como o México ou a Turquia. regras de funcionamento das escolas e da actividade
Naturalmente que é fácil encontrar culpados para isto: dos professores e dos alunos? Não diremos todos, re-
o governo, como é claro, que é para isso que servem petindo o que já se dizia nas comunidades ditas pri-
os governos. E, naturalmente, os alunos, que também mitivas, que a educação de cada criança é um assun-
para outra coisa não servem – apesar de não ser do to de toda a aldeia – impondo assim a necessidade
meu conhecimento a existência de quaisquer estatís- de toda a comunidade ser responsabilizada no gover-
ticas que nos provem, por a+b, que as nossas crian- no das escolas?
ças e adolescentes sejam mais baldas, mais indiscipli- Ouvi um dia destes, num programa de televisão, uma
nados, ou até mais burros do que os seus colegas dos professora muito loira e muito tia perguntar (com ar
outros países. satisfeitinho) para que servia a jovens marcados pe-
Diz-se que no entremeio destas duas das muitas ca- lo insucesso escolar aprenderem um certo conceito
beças malignas da Hidra que é o nosso sistema edu- da geometria ou lerem uma peça de Gil Vicente. Por-
cativo – o governo e os alunos –, vive e frutifica uma que, para aquela professora, os meninos maus (que
fotografia paulo novais/lusa

estrutura humana que não poderemos esquecer: os por acaso são os que mais faltam às aulas, os que vi-
professores, que até aqui constituiriam o verdadeiro vem em famílias desconchavadas, os que sobrevivem
objecto da política educativa, enquanto os alunos, ao nos limites da marginalidade) o que devem aprender
que parece, não passariam de meros argumentos pa- é a serem trabalhadores – indiferenciados e, de prefe-
ra a existência deles. Eu não creio que assim seja, mas rência, de biquinhos calados.
nunca fiando – mesmo porque foram os sindicatos Professores, sei que os há…

DI DOMINGO 18 02.MARÇO.2008 DI DOMINGO 19 02.MARÇO.2008


entrevista helena fagundes Stevens, Beatles, Fausto...Toda uma mistura de sons e mestre de aulas, entrei no Hot Clube em definitivo.
fotografia antónio araújo de estilos, o que acabou por ser positivo. Depois hou-
ve uma quebra súbita, que acontece quando vou pa- Como era o Hot Clube nessa altura?
ra Lisboa estudar no Hot Clube de Portugal. Daí aos Era muito diferente do que é hoje. No princípio dos

Vasco Agostinho grandes palcos é algo gradual. Digamos que o meu


primeiro concerto foi no Centro Cultural de Belém,
anos noventa, não quero exagerar, mas havia uns cin-
co músicos em Lisboa que se dedicavam inteiramente

“O jazz é uma
no Espaço das Sete às Nove. A partir desse momen- ao jazz. Hoje há dezenas, não só em Lisboa, mas em
to comecei a arranjar a trabalho e a ganhar algum di- outros sítios do país. Tenho uma teoria de que o pro-
nheiro. Fui também convidado para dar aulas no Hot gresso social e a melhoria económica dessa década
Clube. permitiram que certos jovens que noutras circunstân-
cias não poderiam aprender jazz o fizessem, até com

grande conversa”
Quando entra no Hot Clube de Portugal já está determina- uma certa ajuda financeira dos pais. Também, como o
do em tornar-se um músico de jazz? jazz em Portugal melhora, com músicos com boa for-
Sim, já me sentia muito atraído pelo jazz. Depois, ti- mação, há mais público e passa-se a conseguir ganhar
nha um amigo que estava ligado ao Hot Clube e, a algum dinheiro neste meio. Tudo isso fez com que
determinada altura, fui com ele lá. Fiquei verdadei- existisse uma evolução enorme.

É considerado um dos melhores Começa a tocar em bares... ramente marcado. Não tinha planos sobre quando Já lhe devem ter feito esta pergunta muitas vezes, mas
Para dizer a verdade começo ainda mais cedo. Com exactamente queria entrar, mas aconteceu ir ver um porquê o jazz?
músicos de jazz portugueses e já foi uns 12 ou 13 anos, aprendo a tocar órgão, depois pas- concerto em que um dos guitarristas era o Mário Del- Sim, já fizeram, e nunca sei responder... A única res-
so para o piano e, finalmente, para a guitarra, que le- gado, que era professor no Hot. Falei com ele e fez- posta que costumo dar é que, desde miúdo, tinha a
comparado a Jim Hall. O guitarrista vava para todo o lado, inclusive para a escola, porque me o convite de passar por lá logo no outro dia, por- mania de que era diferente. Ouvia o pop de que to-
é um instrumento portátil, que se pode transportar que havia umas vagas. Disse-me para começar logo, dos gostavam, mas depois escutava também progra-
Vasco Agostinho esteve na Terceira a tiracolo e tocar sempre que nos apetece... Depois, que não havia problema. Tive de juntar algum dinhei- mas de música contemporânea, erudita... O jazz co-
acabo por tocar em bares da Região. Sou da Benedita, ro, reunir algumas condições... Levei algum tempo a meça aí a entranhar-se. Depois disso, é gostar de jazz,
para um concerto com o seu trio tocava em cidades próximas, como Leiria e São Marti- ir todos os dias da Benedita a Lisboa, o que era um cada vez mais...
nho do Porto, por exemplo... grande esticão... Mas fui conhecendo alguns amigos,
e falou dos ambientes e sensações ficava nas casas deles quando precisava. Tudo se foi É difícil enfrentar grandes públicos?
Como foi a passagem dos bares aos grandes palcos? tornando mais fácil. Ainda passei alguns meses sem A verdade é que, para nós músicos, isso acaba por não
do jazz, essa “grande conversa”. Foi um processo demorado... Nos bares tocava Cat estar inscrito, mas, quando começou o segundo se- ser uma preocupação. Vamo-nos gradualmente habitu-

DI DOMINGO 20 02.MARÇO.2008 DI DOMINGO 21 02.MARÇO.2008


ando a que haja cada vez mais público. Nunca tive re- Nunca percebi muito bem esse processo. O jazz não Também lançou um disco, “Fresco”, em 2006. É fácil a in- sim, que um músico acaba por se interpretar a si
ceio em cima de um palco. Claro que, para além disso, nasce nas elites, mas nos Estados Unidos, em Nova dústria discográfica para um músico de jazz? próprio. Este próximo disco tem contemporaneida-
tenho uma vantagem em relação aos outros músicos. Orleães, na comunidade negra, fruto de uma mistu- Depende. Felizmente temos uma editora fantástica, a de, é abstracto e, ao mesmo tempo, é musicalmen-
Quando era mais novo cheguei a ser acólito numa igre- ra de culturas. É cultura popular, mas depois as elites “Tone Of A Pitch”, que tem feito um trabalho excelen- te maduro.
ja enorme, cheia de gente... Já estava habituado. apropriam-se dela, nomeadamente na Europa. Cos- te neste campo. A verdade é que não estamos a falar
tumo comparar o jazz ao latim, que começou por ser de uma coisa que dê grandes lucros. A editora lança Está também envolvido em vários projectos, desde o Trio
No palco entra em jogo a improvisação... uma língua falada pelos romanos e agora pertence a álbuns sem essa pressão, o que torna as coisas bas- Vasco Agostinho a um quinteto de homenagem a Sarah
Sim. Costumo dizer que o processo se divide em três alguns eruditos. O jazz surgiu como música popular, tante mais fáceis. Houve algumas outras editoras, mas Vauhgan.
coisas: As previsíveis, que têm de existir. É o que es- que depois as elites agarraram e tentaram fazer passar eram sempre coisas feitas para deduzir nos impostos. Sim… O projecto relacionado com Sarah Vaughan é
tá no papel. Depois há as semi-previsíveis e as pura- como algo muito difícil de perceber, só ao alcance de Por exemplo a Polygram chegou a ter uma, a Groove, interessante, porque ela foi uma cantora que marcou
mente imprevisíveis, tudo aquilo que pode acontecer. alguns. A verdade é que o jazz é uma linguagem. Não que lançou umas coisas e depois fechou. Nunca mais uma época. Trouxe o jazz ao grande público. Antes
Tocar jazz é isso. É impossível haver dois espectáculos pertence a ninguém, a nenhum extracto social. se ouviu falar do assunto... É uma indústria discográ- dela tinha sido Louis Armstrong. A partir daí existem
iguais. Mesmo que tentássemos, não conseguíamos. fica difícil, sim. grandes cantoras como Billie Holliday, por exemplo,
Mas pode ser, de facto, uma linguagem mais difícil, que re- que são mais difíceis. A Sarah Vaughan alia a popula-
Como é esse processo de improvisação? quer alguma habituação... O jazz é improvisação. Foi difícil gravar um álbum? ridade à qualidade. É isso tudo.
Há várias formas de explicar, mas costumo sempre Tudo depende da forma como se ouve a música. En- É. Aquela noção de que o que estamos a tocar vai fi-
dizer que é uma conversa. Assistimos a um debate. quanto na nossa música tradicional há uma melo- car gravado altera completamente toda a dinâmica. Falando de grandes nomes, já foi comparado a Jim Hall. O
É lançada uma ideia, depois alguém começa a falar, dia clara, no jazz há ambientes. O que ouvimos é es- Não conseguimos arriscar tanto, porque sabemos que que significa isso para si?
apresenta o seu ponto de vista, com que logo a seguir sencialmente um sentimento, uma ambiência. É cla- qualquer erro ficará registado. Também foi estranha No artigo do “Expresso” em que fazem essa compa-
alguém concorda e discorda. No fundo é isto. Uma ro que, sendo assim, quem for em busca de uma me- a reacção de ter o disco na mão. Não foi o sentimen- ração, estão a falar da lucidez musical. Tento sempre
grande conversa... lodia, vai ficar desiludido. O jazz pode ter isso, mas é, to que eu esperava, pensava que fosse mais podero- atingir essa lucidez. Gostei muito dessa comparação,
sobretudo, uma sensação. so. Hoje vejo o álbum como uma espécie de fotogra- sim…
Também dá aulas. Há muita gente a querer entrar no mun- fia da música que fazia na altura. É a minha música,
do do jazz? Compõe temas. É mais difícil fazê-lo para jazz? com a diferença que, quando eu desaparecer, o ál- Disse que um álbum permanece para além do músico. Co-
Na realidade não. Há muita gente a querer aprender É complicado. O que fazemos no palco nunca é mais bum permanece. mo quer ser recordado?
a linguagem do jazz para depois tocar outras coisas, do que cinco ou 10 por cento do que está no papel. O Fizeram essa pergunta a Ray Brown, quando ele esta-
porventura mais simples. Mas há sempre, em qual- que o tema depois vai ser depende dos músicos que Pensa lançar outro trabalho em breve? va já com bastante idade. Ele disse que queria conti-
quer escola de jazz, uma muito pequena percentagem estão em cima do palco. Mas é preciso que, na par- Sim, tenho planos para isso. Será um álbum muito nuar a tocar jazz, com os músicos de que gostava, e
que quer mesmo absorver a linguagem do jazz. te da composição, exista um assunto que dominante, diferente, porque eu próprio amadureci. Há alguns progredir sempre. Mais do que os grandes concertos,
uma lógica... É lançar as bases para o que depois po- dias perguntavam-me se é possível conhecer me- os álbuns, as boas críticas, é esse o sonho. O grande
O jazz tornou-se de elite? de acontecer. lhor um músico através da sua música. Penso que projecto.

DI DOMINGO 22 02.MARÇO.2008 DI DOMINGO 23 02.MARÇO.2008


reportagem . fotografia henrique dédalo

MINI-BUS NA PRAIA DA VITÓRIA


Negócios e prazer
Entram ao serviço a 03 de Março praiense, e torna-se à direita na Rua Cidade da Artesia,
onde ficam situadas valências como o Centro de Saú-
os mini autocarros, na cidade da de, Segurança Social, várias lojas do comércio e com
paragem quase às portas das Finanças.
Praia da Vitória, percorrendo um A reportagem de DI fez o percurso, e constata que de-
pois, desce-se depois a Rua Paço do Milhafre, com vol-
circuito seleccionado por técnicos ta à esquerda na rua que nos leva, entre outros espa-
ços, ao Mercado Municipal e ao Jardim Silvestre Ribei-
da Câmara e da EVT, com a finalida- ro, onde os mini autocarros param para recolha dos
utentes, seguindo pela Rua de Jesus, e voltando à direi-
de de servir o cidadão comum, dar ta na Rua da Graça, junto a um dos mais famosos con- rino Nemésio, nas cercanias da Igreja do Espírito Santo Existem ainda preços pela metade, para idosos e estu-
ventos da Praia da Vitória. das Misericórdias, subindo até à Igreja Matriz e entran- dantes, e cartões para os que mais utilizarão esta no-
uso aos parques de estacionamento No fim da Rua da Graça, os mini autocarros seguem do na Rua onde se encontra ainda instalada a Escola va forma de viajar na Praia da Vitória, a 10,00 euros por
pela Rua Paço do Milhafre, no sentido descendente, Profissional, para descer junto às actuais instalações do mês, para o número de viagens que se entender (me-
e abrir mais uma porta ao turismo. até ao Largo da Batalha, passando em frente ao Auditó- maior número de serviços do município, e avançar até tade do preço para idosos e estudantes), e também
rio do Ramo Grande, e futuras instalações da Academia à antiga Escola Básica Vitorino Nemésio, onde se en- é possível a aquisição de um cartão anual, através do
de Jovens da Ilha Terceira, cujas obras começam ainda contram actualmente instalados os serviços principais qual, se ganha um mês a viajar à borla.
este mês, e seguem para a Praça Francisco Ornelas, o da Empresa Municipal Praia Ambiente. Também como dizia Carlos Raulino, os primeiros três
coração da cidade da Praia da Vitória, onde para além A parte final do percurso inclui uma passagem pela meses da prestação pela edilidade deste novo serviço,
”A qualidade de vida numa cidade mede-se pela de bancos, cafés, correios e comércio, se encontram al- porta principal da Escola Vitorino Nemésio, com para- servirão para as pessoas criarem habituação, tal como
excelência dos seus transportes públicos”. Esta afirma- guns dos serviços camarários, e a Biblioteca Municipal gem no local destinado para ser a futura central de ca- aconteceu em Angra do Heroísmo, onde as críticas fo-
ção é de Carlos Raulino, do Conselho de Administra- da Praia, após o que descem a Rua da Alfândega, pas- mionagem, a fim de subirem a Rua da Saúde, até à Cir- ram muitas e hoje já é impensável viver-se sem os mi-
ção da Empresa de Viação Terceirense, Lda., e foi fei- sando pelo posto da GNR e pelos acessos principais à cular Externa, ou seja, ao ponto de partida, junto ao Es- ni autocarros, esses com capacidade para 25 pessoas e
ta no acto de assinatura de um protocolo para o iní- Praia Grande e às zonas de esplanadas, contornam a tádio Municipal. que andam sempre a abarrotar.
cio da utilização, na cidade da Praia da Vitória, de mi- Rotunda na Praça Silvestre Ribeiro e avançam pela Rua As garantias dadas, sobre este circuito, são as de que, O maior teste, para já, que vai merecer a atenção dos
ni autocarros. Álvaro Martins Homem, já na denominada parte nova entre as 08h00 e as 09h30, a cada 10 minutos passará técnicos da Câmara e da EVT, é perceber se as paragens
Foi projectado um percurso único, com uma demora da Praia da Vitória, e seguem até ao parque da Mari- um mini autocarro em cada uma das paragens, já que que foram estabelecidas, são realmente as melhores, e
aproximada de vinte minutos, que tem início no par- na, estacionando, assim, perto do local onde decorre a nesse horário estarão dois em funcionamento, o mes- isso até nem será difícil, já que aquelas onde o número
que de estacionamento junto ao Estádio Municipal e Feira de Gastronomia, Feira do livro e outros eventos, mo acontecendo entre as 17h00 e as 18h3o, e nas res- de pessoas não o justifique serão eliminadas, ou subs-
termina, durante os meses de Inverno, no parque de mesmo à porta do laboratório da Lamtec e do principal tantes horas, apenas com um autocarro, onde cabem tituídas por outros locais, onde os interessados sejam
estacionamento junto à Marina. No Verão, está decidi- acesso à Prainha. Nos dias de Verão e após a saída des- 19 pessoas sentadas, as passagens ocorrem a cada 20 em maior número.
do, os mini autocarros deslocam-se até ao Miradouro te parque, os mini autocarros sobem à Serra do Facho, minutos, sendo esse o tempo que foi estimado para a E é assim. A parir do dia 03 de Março, a Praia da Vitó-
da Serra do Facho, sendo que este acrescento é feito descendo-a depois pelo mesmo caminho, após o que realização do percurso. ria pode ser passeada em novo circuito e vista de ou-
na perspectiva de uma composição ainda mais turísti- passam em frente à Zona Verde, onde no futuro será o Com esta inovação, e ao custo de 20 cêntimos de euro tros ângulos, mais que não seja para variar, para além
ca do trajecto. pavilhão multiusos da Praia, e o parque infantil já cons- por cada viagem, os passageiros podem, como se cons- da importância que, para já, se consegue vislumbrar, na
Desta forma, e para além das questões de ordem prá- truído, percorrendo, através da circular externa toda a tata, realizar as suas compras, fazer-se aos seus empre- forma prática como as pessoas podem recorrer a uma
tica, a saída é feita de um local arborizado e com vista área onde está a ser executado o projecto do Paul, que gos, deixando os veículos nos parques de estaciona- mão cheia de locais, deixando os seus veículos e mui-
sobre a Serra do Facho e a Serra do Cume, para deleite poderá ser visto, de passagem ou com saída. mento que actualmente andam praticamente às mos- tos aborrecimentos, nos parques de estacionamento
também do turismo. Aliás, o trajecto foi criado na pers- Os mini autocarros, a meio da Circular Externa, voltam cas, e ao mesmo tempo, usufruírem de uma nova for- que até agora só têm servido para pouco mais do que
pectiva de ser também agradável. a entrar no emaranhado de casas, e encaminham-se ma de conhecimento da cidade da Praia da Vitória. E os dias de enchente na Praia da Vitória. O futuro tem a
Na Rotunda do Cemitério volta-se para dentro da urbe para a Rua de s. Salvador, passando pela Casa de Vito- como convém, de um ângulo pouco usual até agora. última palavra a dizer.

DI DOMINGO 24 02.MARÇO.2008 DI DOMINGO 25 02.MARÇO.2008


reportagem mateus rocha Diogo Silva que entrei para o atletismo”, sublinha, com que me sensibilizou para a importância da espe-
fotografia antónio araújo evidente nostalgia. cialização”.
Os primeiros tempos da ‘Rosa Mota’ do atletismo ter- Paula Costa realça dois momentos inesquecíveis no
ceirense foram tudo menos fáceis. “Como auto-didac- seu vasto currículo. “A presença do Rodrigo Costa nos
ta, utilizava uma rampa junto à minha casa para trei- mundiais de juvenis marca um ponto alto na minha

paula costa nar. Aos poucos, comecei a participar em competi-


ções. Ganhei todas as provas de estrada e corta-ma-
carreira, assim como a participação da Diana Sousa
nos europeus de juniores. Em ambos os casos, foi o

ATLETISMO, MEU AMOR!


to que existiam. Fui ainda campeã regional em distân- corolário de um trabalho de 8/9 anos, pois no atletis-
cias de fundo”, acrescenta. mo nada se consegue sem empenho, determinação
Desde sempre que Paula Costa utilizou a estrada co- e paciência”.
mo local privilegiado para treinar, o que, há trinta “Devido à minha rotina de vida, casa/escola/estádio,
anos, provocava reacções curiosas. é sobremaneira complicado deixar o atletismo. No en-

Paula Costa é um dos nomes mais “Faço da corrida um complemento da minha vi- “Guardo excelentes recordações do atletismo. Apesar tanto, sinto que já estive mais ligada à modalidade.
da! Aliás, dificilmente viveria sem a corrida”! É desta de já não competir, ainda treino quase todos os dias. Como pessoa, nunca vou abandonar o atletismo; co-
respeitados do atletismo das ilhas forma simples, mas sincera, que Paula Costa define a Era conhecida como a ‘Rosa Mota’ da Terceira. Como mo treinadora, não poderei dizer o mesmo”, respon-
sua relação com a modalidade que abraçou há qua- as pessoas não estavam habituadas a ver uma mulher de, com alguma tristeza no olhar, quando confronta-
de bruma. Considerada durante lar- se três décadas. a correr na via pública, chegavam-me a mandar traba- da com o futuro.
Conquanto tenha passado, na qualidade de pratican- lhar ou a ir para casa. Outros tempos”. “Hoje em dia, os atletas têm diversas formas de ocu-
gos anos como a ‘Rosa Mota’ da Ter- te, pelo andebol, basquetebol, voleibol e futebol, e A directora técnica da Associação de Atletismo da Ilha par os tempos livres. Como tal, não vão aos treinos
mais recentemente pelo duatlo e triatlo, é indiscutível Terceira é uma das mais conceituadas treinadoras na- com a mesma assiduidade. Neste contexto, defino ob-
ceira, a directora técnica da Asso- que foi sempre o atletismo a ‘menina dos olhos’ de cionais de lançamentos. jectivos que não se coadunam com os seus interesses.
Paula Costa, modalidade em que, na verdade, já fez “Como técnica, abordava todas as disciplinas. Al- Por outro lado, sinto que alguns clubes, devido a difi-
ciação de Atletismo da Ilha Terceira, de tudo um pouco: atleta, treinadora, dirigente e juiz. cancei, inclusive, resultados interessantes em dis- culdades internas, acabam por contribuir para o qua-
“Iniciei a minha carreira desportiva em 1980, na Cal- ciplinas como o salto em comprimento, velocida- dro vigente. O cansaço natural de todos estes anos e
pese alguma desmotivação, não se deira do Monte Brasil, numa prova de acesso aos Jo- de e provas combinadas, com atletas como o Du- a necessidade de tempo para mim ajudam também a
gos Sem Fronteiras. Gosto de recordar as minhas ori- arte Bettencourt e a Helena Fontes. Foi o ex-téc- explicar a desmotivação que referiu”, justifica, em jei-
imagina longe das pistas. gens, porque foi pela mão do já falecido senhor Rui nico nacional de lançamentos, prof. Júlio Cirino, to de conclusão.

DI DOMINGO 26 02.MARÇO.2008 DI DOMINGO 27 02.MARÇO.2008


rui messias

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ença prolongada, su-
A Caminho portada com abnegação
J.-K. Huysmans cristã.
Civilização Editora Exposições
314 Páginas
“Corpo Intermitente” é o
Romance autobiográfico, título de uma mostra de
em que Huysmans pro- arte contemporânea pa-
jecta a sua própria vida, tente no Museu de An-
a de um escritor parisien- gra, até 21 de Abril.
se com uma atormenta- “Percursos” é o título de
da vida interior. uma exposição de pin-
Aconselhado por um tura, da autoria de Flori-
amigo, o padre Gévre- mundo Soares, patente
sin, Durtal tenta resolver na Carmina Galeria, até
os seus conflitos interio- hoje, 2 de Março.
res, retirando-se para um Uma exposição de pin-
convento e vivendo de tura da autoria de Dimas
perto com os religiosos Simas Lopes é inaugura-
mais austeros. da sábado, dia 8, na Car-
Escolha a Trápia de Nossa mina Galeria. A mostra
Senhora do Átrio e des- estará patente ao públi-
creve os costumes dos co até 4 de Abril.
monges beneditinos, os
ritos, os cantos e as bele- Cinema
zas da liturgia.
Mas será Simeão, o mais “Jogos de Poder” é o fil-
humilde frade do con- me em exibição no Cen-
vento, que levará Durtal sua obra. se para viver como ir- tro Cultural de Angra, até
a descobrir a simplicida- A sua surpreendente mão oblato em Igny en quinta-feria, dia 6, pelas
de que lhe faltava... adesão ao Catolicismo le Marne. 21h00. Hoje, domingo,
Georges Charles Ma- escandalizou os meios li- Depois da expulsão das o filme é apresentado às
rie Huysmans nasceu terários parisienses, que ordens religiosas, regres- 18h00 e às 21h00.
em Paris, em 1848, mas ele abandona ao retirar- sa a Paris, onde vem a O Centro Cultural de An-
sempre assinou as suas gra estreia sexta-feira,
obras com uma versão dia 7, pelas 21h00, “Call
flamenga do seu nome, Girl”. O filme é apresen-
Joris-Karl, inspirada na tado até quinta-feira, dia
ascendência do pai, pro- 13, pelas 21h00, e do-
cedente de uma linha de mingo, dia 9, às 18h00 e
artistas. às 21h00.
Amigo e discípulo de Zo- O Auditório do Ramo DIÁRIO INSULAR - Ficha Técnica: Propriedade: Sociedade Terceirense de Publicidade, Lda., nº. Pessoa Colectiva: 512002746 nº. registo título 101105 Jornal diário de manhã Composição
la e de Maupassant, cedo Grande apresenta hoje, e Impressão: Oficinas gráficas da Sociedade Terceirense de Publicidade, Lda. Sede: Administração e Redacção - Avenida Infante D. Henrique, n.º 1, 9701-098 Angra do Heroísmo Terceira
ultrapassará a escola na- domingo, pelas 21h00, - Açores - Portugal Telefone: 295401050 Telefax: 295214246 diarioins@mail.telepac.pt | www.diarioinsular.com Director: José Lourenço Chefe de Redacção: Armando Mendes Redacção:
turalista, pelo seu estilo e “Eu Sou a Lenda”. Hélio Jorge Vieira, Fátima Martins, Vanda Mendonça, Henrique Dédalo, Rui Messias e Helena Fagundes Desporto: Mateus Rocha (coordenador), Luís Almeida, Daniel Costa, José Eliseu
singularidade. Caracteri- Costa, Jorge Cipriano e Carlos do Carmo. Artes e Letras: Álamo Oliveira (coordenador) Colaboradores: Francisco dos Reis Maduro Dias, Ramiro Carrola, Claudia Cardoso, Luís Rafael do
za-se por uma expressão Nota: Os eventos agendados Carmo, Luiz Fagundes Duarte, Gustavo Moura, Francisco Coelho, José Guilherme Reis Leite, Ferreira Moreno, António Vallacorba, Diniz Borges, Bento Barcelos, Jorge Moreira, Duarte Frei-
vigorosa e uma contínua estão sujeitos a alteração, da tas, Guilherme Marinho, Daniel de Sá, Soares de Barcelos, Cristóvão de Aguiar, Vitor Toste, Luis Filipe Miranda, Paulo Melo e Fábio Vieira Fotografia: António Araújo, Rodrigo Bento, João
devoção a temas artís- responsabilidade dos promo- Costa e Fausto Costa Design gráfico: António Araújo. Agência e Serviços: Lusa Edição Electrónica: Isabel Silva Sócios-Gerentes, com mais de 10% de capital: Paula Cristina Lourenço,
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DI DOMINGO 28 02.março.2008
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