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REVISTA ANGRAD

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  • 1. Introdução
  • 2.1. Educação Ambiental
  • 2.2. O cotidiano mostra a realidade
  • 2.3. Desenvolvimento sustentável
  • 2.4. Consumo consciente: questão de consciência
  • 2.5. O projeto de educação ambiental para um futuro melhor
  • 2.6. O pensamento como modelador da educação ambiental
  • 3.1. Finalidades dos fatores críticos de sucesso
  • 3.2. Fontes de fatores críticos de sucesso
  • 4. Procedimentos metodológicos
  • 5. Descrição e análise dos dados
  • 6. Considerações finais
  • 7. Referências

Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração

REVISTA ANGRAD
Volume 7 Número 1

Rio de Janeiro Jan/Fev/Mar 2006

A Revista ANGRAD é uma publicação da ANGRAD (Associação Nacional dos cursos de Graduação em Administração). Com periodicidade trimestral, a Revista ANGRAD tem como missão ser um meio de difusão do estado da arte do ensino e pesquisa em administração, oportunizando a apresentação de teorias, modelos, pesquisas e retrospectivas que abordem o processo de ensino-aprendizagem e intensifiquem a prática da educação em disciplinas dos Cursos de Administração.

Revista ANGRAD/Associação Nacional dos cursos de Graduação em Administração. – v.7, n.1, (Jan./Fev./Mar. 2006) - Rio de Janeiro: ANGRAD, 2006 – trimestral 1. Administração - Periódico ISSN – 1515 -5532

Projeto Gráfico e Editoração: Milla Santana Impressão: Gráfica Dominaret Revisão Editorial: Milla Santana As opiniões emitidas nos textos publicados são de total responsabilidade dos seus respectivos autores.Todos os direitos de reprodução, tradução e adaptação estão reservados. A Revista ANGRAD, publicada trimestralmente, completa um volume a cada ano e é distribuída gratuitamente aos seus associados. Associações através do Portal www.angrad.org.br e os números anteriores estarão disponíveis, enquanto durarem os estoques.

Conselho Editorial da Revista ANGRAD

EBAPE - Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas Fundação Getúlio Vargas

Prof. Antônio de Araújo Freitas Júnior Profa. Eda Castro Lucas de Souza
UNB – Universidade Nacional de Brasília

UNISINOS – Universidade do Vale do Rio dos Sinos UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul ESPM – Escola Superior de Publicidade e Marketing

Prof. Geraldo Ronchetti Caravantes Prof. João Becker

Profa. Manolita Correia de Lima
UFBA - Universidade Federal da Bahia

Profa. Maria da Graça Pitiá Barreto (Editora) Profa. Maria Tereza Fleury
USP – Universidade de São Paulo

Prof. Mário César Barreto Moraes
Universidade do Estado de Santa Catarina HEC - École des Hautes Études Commerciales de la Universidad de Montreal - Canadá UFPE – Universidade Federal de Pernambuco PUC Minas – Pontifícia Universidade Católica Pontifica Universidade Católica – PUC Rio London School of Economics - Inglaterra FGV – Fundação Getúlio Vargas UNL - Universidade Nova de Lisboa - Portugal UFBA – Universidade federal da Bahia

Prof. Omar Acktuff

Prof. Pedro Lincoln

Prof. Roberto Costa Fachin Prof. Roberto Moreno Profa. Silvia Roesch

Profa. Silvia Vergara Profa. Sônia Dahab Profa. Tânia Fisher

Prof. Walter Fernando Araújo de Moraes
Faculdade Boa Viagem – Recife/PE

Diretoria da ANGRAD 2005-2007
Conselho Diretor
Presidente Nacional: Prof. Antonio de Araujo Freitas Júnior Vice-Presidente Nacional: Prof. Míria Miranda Freitas Oleto Vice-Presidente de Administração e Finanças: Prof. Agamêmnom Rocha Souza Vice-Presidente de Ensino: Prof. Mário Cesar Barreto Moraes Vice-Presidente Científico: Profa. Maria da Graça Pitiá Barreto Vice-Presidente de Relações Institucionais: Prof. Joaquim Celso Freire da Silva Vice-Presidente de Marketing: Prof. Hamil Adum Filho

Conselho Fiscal
Francisco José Batista Geraldo Gonçalves Júnior Nádia Kassouf Pizzinatto Geraldo R. Caravantes

Conselho Consultivo
Alexander Berndt Manuel Santos B. Alvarez Rui Otávio B. de Andrade Mauro Kreuz

Equipe ANGRAD
Luiz Carlos da Silva Renata Demôro Gleverson Bruno G. Soares Carlos Augusto Cruz

Editorial
O primeiro volume de nossa Revista ANGRAD do ano de 2006 traz como novidades a reforma do nosso Comitê Editorial e a modificação de sua missão. Buscando incrementar sua qualidade e internacionalizar nosso periódico, foram convidados novos componentes para integrarem o Comitê Editorial. Os professores convidados são pesquisadores de renome internacional que vão contribuir para, através de suas sugestões, elevar o padrão de nossa Revista, dando-lhe maior visibilidade e respeitabilidade no ambiente acadêmico. A nova missão da Revista ANGRAD, exposta no verso da folha de rosto de cada exemplar, foi ajustada aos objetivos precípuos da ANGRAD que conduzem ao fomento da qualidade do ensino da Administração. Entendemos que o ensino para ser eficiente precisa estar associado à prática, induzindo o estudante à reflexão das teorias divulgadas nos livros adotados nos cursos existentes no país, colocando-o em contacto direto com a realidade. Em nosso país, parece não haver um periódico científico voltado, especificamente, para o tema Ensino e Pesquisa em Administração. Para atender a essa missão, a nossa Revista estará veiculando teorias, modelos, pesquisa e retrospectivas que abordem o processo de ensino-aprendizagem e intensifiquem a prática da educação em disciplinas do Curso de Administração. Neste número, portanto, encontram-se artigos que abordam essa temática e revelam resultados de pesquisa elaborada por docentes com a participação de discentes. Ressaltamos que os artigos continuam sendo escolhidos pelo sistema de blind-review com dois pareceristas, para garantir a imparcialidade do processo. Como convidado, temos, neste exemplar, a contribuição do Prof. Omar Acktuff, da Escuela de Altos Estudios Comerciales de Montreal – Canadá que aceitou fazer parte do nosso Comitê Editorial e nos autorizou a divulgar um capítulo de seu livro Administración Y Pedagogia, que discorre sobre o objetivo do ensino de Administração, destacando que nossas instituições de ensino precisam ser capazes de proporcionar uma formação aos futuros profissionais a fim de que possam administrar uma empresa de maneira economicamente eficaz, mas humanamente viável. Expressamos nossos agradecimentos aos autores dos artigos que deram preferência à nossa Revista para divulgar sua contribuição à ciência da Administração. Convidamos os demais professores e pesquisadores que nos encaminhem suas reflexões e suas experiências na prática do ensino de administração e compartilhem os resultados de suas pesquisas, pois as teorias são renovadas a partir da observação da realidade.

Profa. Maria da Graça Pitiá Barreto

Editora - Chefe

Sumário 09 A GestãoA Gestão do Conhecimento na Educação Ambiental: do Conhecimento na Educação Ambiental: a Integração a IntegraçãoPrimária e Secundáriae Secundária das Escolas das Escolas Primária com a Universidade para um Futuro Melhor com a Universidade para um Futuro Melhor Edson RobertoEdson Roberto Scharf Scharf Eduardo José Floriano-Sierra Eduardo José Floriano-Sierra Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de 23 Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa Pesquisa Mauricio Gregianin Testa Mauricio Gregianin Testa Edimara Mezzomo Luciano Edimara Mezzomo Luciano Henrique Freitas Henrique Freitas Identificação dos Fatores Críticos de 43 Identificação dos Fatores Críticos de Sucesso Sucesso em Instituição de Ensino Superior em Instituição de Ensino Superior Romualdo Douglas Colauto Romualdo Douglas Colauto Caio Marcio Gonçalves Caio Marcio Gonçalves Ilse Ilse Maria Beuren Maria Beuren La Administración y su Enseñanza: ¿Entre y Ciencia? 63 La Administración y su Enseñanza: ¿Entre Doctrina Doctrina y Ciencia? Omar Aktouf Omar Aktouf 79 O EnsinoO Ensino da Burocracia: um Estudo Teórico-Empírico da Burocracia: um Estudo de Caso de Caso Teórico-Empírico Jaqueline de Fátima Cardoso Jaqueline de Fátima Cardoso Janaína RenataJanaína Renata Garcia Garcia Maurício Fernandes Pereira Maurício Fernandes Pereira Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração 99 Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração Jessé Jessé Alves AmâncioAlves Amâncio Elis Regina de Elis Regina de Paula Paula .

.

/Mar. 1. 69% responderam. professor universitário Instituição: UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina Campus da UFSC – Trindade . ligando a escola primária e secundária com a universidade. que representam a totalidade dos pais de alunos matriculados.V. 7. que devem reciclar o lixo e reutilizar o papel da impressora. Não levam. Jan.br Eduardo José Floriano-Sierra Dr. quem entra para o Greenpeace ou WWF é que estará ajudando.SC e-mail: talentto@terra.970 – Florianópolis . As pessoas sabem que devem usar produtos que minimizam o impacto negativo na natureza. A integração do sistema educacional. Este trabalho pretende demonstrar de que é possível às pessoas serem mais conscientes com relação à conservação da natureza. somente.89010.ufsc.970 – Blumenau .SC e-mail: nemar@ccb. mas é provável que os resultados sejam melhores quanto mais cedo se tiver contato com o assunto de forma adequada e se aprender a respeitar a natureza de maneira correta e sem xenofobias.br Resumo Atualmente. Das 320 famílias questionadas. professor universitário Instituição: FURB – Universidade Regional de Blumenau Rua Antonio da Veiga. 2006 9 . através de um único pensamento sistêmico com relação à educação ambiental é o fator primordial para um planeta com um futuro. N. Através da pesquisa percebe-se que a integração escola- Revista ANGRAD . O estudo toma por base uma instituição de ensino em Blumenau.com.A Gestão do Conhecimento na Educação Ambiental: a Integração das Escolas Primária e Secundária com a Universidade para um Futuro Melhor Edson Roberto Scharf Mestre em Administração./Fev..88010. 170 . achando que. em consideração pequenos detalhes. o respeito pela natureza é mais uma atenção às normas explicitadas pela propaganda do que por aquilo que deveria ser feito para auxiliar o planeta. porém.

sabem que devem usar produtos que minimizam o impacto negativo na natureza. 7. Palavras-chave: Educação ambiental.Through the research it is perceived that the integration schooluniversity must occur.The integration of the educational system. Of the 320 questioned families. binding the primary and secondary school with the university. Key-words: ambient education. in set with the knowledge management for creation of value for the subject. Nas últimas décadas. Grande parte destas mesmas pessoas. N. the respect for the nature is plus an attention to the norms explanationed for the advertising of that by what it would have to be made to assist the planet. The people know that they must use products that minimize the negative impact in the nature. they do not take in consideration small details. As pessoas. não leva em consideração pequenos detalhes. 1. Introdução No cotidiano das pessoas. This work intends to demonstrate of that it is possible the people to be more conscientious with regard to conservation of the nature./Mar. However. porém. achando que somente quem entra para o Greenpeace ou WWF é que estará ajudando. como conseqüência da sua procura incessante pela evolução. diante da dificuldade de criar naturalmente uma forma de ação coerente. o respeito pela natureza é mais uma atenção a algumas normas explicitadas pela propaganda e pelo senso-comum do que exatamente por aquilo que deveria ser feito para auxiliar a continuidade do planeta. 2006 . Jan./Fev. The study it takes for base an institution of education in Blumenau. that they must recycle the garbage and reuse the paper of the printer. who represent the totality of the parents of registered pupils. sem se aperceber de que as pequenas mudanças do dia-a-dia são as mais importantes.Edson Roberto Scharf e Eduardo José Floriano-Sierra universidade deve ocorrer em conjunto com a gestão do conhecimento para criação de valor para o tema. integration school-university 1. 69% had answered. but is probable that the results are better the more early will have contact with the subject of adequate form and if to learn to respect the nature in correct way. Os problemas ambientais estão entre os vários que o homem criou. integração escola-universidade Abstract Currently. um modo de vida que inclua o conjun- 10 Revista ANGRAD . finding that only who enters for the Greenpeace or WWF is that will be helping.V. through an only sistêmico thought with relation to the ambient education is the primordial factor for a planet with a future. em geral. que devem reciclar o lixo e reutilizar o papel da impressora. porque se repetem milhares de vezes.

reunião ocorreu em Estocolmo.. nas salas de aula e nas conversas em meios mais intelectualizados.” Isto se torna muito importante quando se entende que a distribuição de uma população é a sua abrangência geográfica. Podem-se obter resultados mais facilmente quando as crianças e os jovens estão envolvidos e comprometidos com a idéia. 1972). Este trabalho pretende demonstrar de que é possível às pessoas serem mais conscientes com relação à conservação da natureza. E sempre envolvido com aquilo que se pensa. É o pensamento. Das 320 famílias questionadas. a questão ambiental passou a ser tratada oficialmente.. 7. 1./Mar. As conseqüências desta fragmentação de habitat tornam importantes os efeitos de movimentos individuais e da estrutura do habitat sobre a dinâmica populacional.. 2006 11 . no sentido do ensino de educação ambiental pode minimizar impactos negativos que as pessoas fazem ao planeta. É a Gestão do Conhecimento criando corpo. “. o Colégio Shalom. pelas ONGs. “. Jan.as distribuições geográficas das populações são determinadas pelos habitats ecologicamente adequados. O mesmo autor argumenta de que. Através da pesquisa é possível perceber que a maioria tem consciência dos danos que o consumo não consciente traz. O estudo toma por base uma instituição de ensino em Blumenau.A Gestão do Conhecimento na Educação Ambiental: a Integração das Escolas Primária e Secundária com a Universidade para um Futuro Melhor to das pessoas e atenda às necessidades humanas. pelo governo (1ª. única empresa da região a ganhar duas vezes a medalha de ouro em premiação ecológica. N. se entende. Desenvolvimento 2. Ainda de acordo com Ricklefs (2003)./Fev. mas é provável que os resultados sejam melhores quanto mais cedo se tiver contato com o assunto de forma adequada e se aprender a respeitar a natureza de maneira correta e sem xenofobias. Educação Ambiental Tema cada vez mais recorrente nos noticiários. 61% responderam. que representam a totalidade dos pais de alunos matriculados.V. e extra-oficialmente. a proteção à natureza e o reconhecimento das fraquezas humanas relacionadas a um convívio ideal tem se tornado para muitos uma obsessão. A integração das escolas primária e secundária com a universidade. embora outros fatores possam ter influência..” Revista ANGRAD . 2. nessa questão.a fragmentação de habitat coloca os organismos mais próximos às bordas do habitat adequado. A presença ou ausência de habitats adequados freqüentemente determina a extensão da distribuição de uma população. a consciência e a ação das pessoas que pode mudar o quadro atual no ambiente em que se vive. se percebe.1. mas muitos crêem mais na força da propaganda do que na argumentação dos seus filhos.

quando fala sobre a importância de não destruir as florestas: “Vi que Criciúma tem poucas áreas preservadas e que é preciso manter o ar puro. foram conferir de perto os problemas ambientais do município.2005) referindo-se a cerca de 120 alunos de duas escolas de Criciúma que analisaram os recursos hídricos da bacia hidrográfica do rio Criciúma.Meu pai sempre diz:Você é aquilo que faz. Fernando Back. O cotidiano mostra a realidade Recentemente. visto que seus valores são outros. Eu desafio vocês. o que vocês fazem nos faz chorar à noite. a Terra é uma nave com muitos tripulantes. 1.. Ou seja. num projeto desenvolvido em parceria com acadêmicos da Universidade do Extremo-Sul Catarinense. 2. não aquilo que diz. nos dizem que vocês nos amam. há o depoimento de um aluno de 10 anos. p. vamos ter problemas também com os rios. 7.” Não há pensamento aludindo sobre quanto o progresso é necessário ou se será possível gastar menos água no banho de hoje à noite.” Traz. mas sim um fundamento.Edson Roberto Scharf e Eduardo José Floriano-Sierra Assim sendo. mas..V.. Na matéria. 2006 . veiculado no mundo inteiro em canais fechados. a possibilidade de as crianças entenderem as reais importâncias da natureza são bem maiores. de 12 anos.No meu país. como áreas degradadas pelo carvão ou dejetos jogados nos rios. que ilustra bem a discussão. temos medo de perder nossas riquezas. Somente o Sol (energia) vem de fora do sistema. a preocupação./Fev. que em determinada altura do seu discurso diz “. uma fala em que cita o ensinamento paterno. no Rio de Janeiro. o aprendizado de todos os assuntos que dizem respeito ao trato e a preservação da natureza são fundamentais. em especial. Ao invés de discutir geografia e ciências em sala de aula. ao dizer “. E os.06.. Por favor. 32. É um aprendizado prático que o fará perceber que as pequenas atitudes podem ser capazes de grandes alterações positivas no mundo. deve ser iniciado ainda em tenra idade. O planeta em que se vive caracteriza-se por ser semi-aberto.. Mesmo quando temos mais do que o suficiente. também. façam suas ações refletirem suas palavras. adultos.Vocês. o Diário Catarinense trouxe matéria de Ana Paulo Cardoso (Alunos Têm Aula Prática em Rio. Ao chegar na universidade. Jan. ele deve levar para a sua vida. geramos tanto desperdício. medo de compartilhá-las. quando a capacidade de discernimento é menor. Outro fato memorável foi o discurso da menina canadense Severn Suzuki. Tal qual a mensagem do comercial publicitário da ONG OneEarth. de 05. uma base. Isso. o cuidado e. Bem. Compramos e jogamos fora. em compensação. onde todos os elementos que o compõem estão disponíveis em quantidade determinada. durante a Eco92.” 12 Revista ANGRAD . e conclui o pensamento com base nele. apenas a percepção de que é preciso preservar. aqui. N. formarem uma base firme para os assuntos relacionados à natureza. a transição é mais bem aceita. não quer dizer apenas importante.2. O que cada um faz dentro dela depende somente de cada um. Se as matas forem destruídas. E a palavra fundamental./Mar..

Dessa forma.V. em que cada um tem a liberdade de comprar e vender e os preços podem encontrar o seu próprio nível baseado na procura e oferta. Jan. Desenvolvimento sustentável O conceito de desenvolvimento sustentável. ambiental e social./Mar. 2. 1.. “Os poderosos são tentados a manipular a situação para seu maior proveito”. refletindo um modo de vida. É uma ação contundente.” Landes (1998) comunga com esta idéia ao raciocinar que “. Conforme afirma Brügger (1998). É neste sentido que ele é cultural. 7. só o que é ‘recurso’ merece ser preservado. com o título de Teoria da Transformação Cultural. É o tipo de razão que pode dar sentido ao sentimento. que contempla o equilíbrio entre os aspectos econômico-financeiro. E defende dizendo que “. é basicamente um mecanismo eficiente. É sabido. Obviamente. N. que normalmente são içados ao posto de vilões do meio ambiente e o grande entrave para conseguir-se um desenvolvimento sustentável. sem pressão e sem falsos conceitos. o conceito de natureza não é natural. O que Revista ANGRAD . Montibeller (2004) argumenta que o ser humano não tem instruções genéticas quanto ao consumo de energia e materiais. mas à sua aplicação.A Gestão do Conhecimento na Educação Ambiental: a Integração das Escolas Primária e Secundária com a Universidade para um Futuro Melhor São palavras que trazem ensinamentos simples. “. É comum atribuir-se à tecnologia. na visão da autora. E os efeitos dessa visão de mundo sobre tal conceito foram profundos: a natureza deixou de ser um todo vivo e tornou-se um conjunto de recursos (instrumentos para se atingir um fim).dentro do pensamento dominante.... Dahl (1996) diz que os problemas são atribuídos não ao princípio abstrato./Fev. porém. Especialmente com relação a tecnologia e a produção. ainda que seja apenas uma. é que a cultura é a principal geradora de suas diferenças.” Uma economia baseada no mercado. e que isto é mais uma questão cultural.3. que as pessoas não conseguiriam viver sem o uso de tecnologias.se aprendemos alguma coisa através da história do desenvolvimento econômico.o consumo exossomático define-se em função do modo de produção e consumo e das relações e valores sociais que se estabelecem. vai sendo incorporado à sua vida pouco a pouco.. porém poderosos. porém. é válido buscar a teoria proposta por Eisler (1989). se refere ao uso indiscriminado das riquezas naturais ou do prejuízo que podem fazer a ela.” A informação de que a Terra é o nosso bem mais precioso deve ser repassada às crianças. em particular. por sua utilidade (imediata ou potencial). mas um produto histórico. de modo que entendam a importância de tomarem pequenas ações no dia-a-dia que podem fazer uma grande diferença para a vida de todos os seres. 2006 13 . Essa é a essência da ética conservacionista: a instrumentalização e a reificação da natureza. no meio de milhares de ações que são tomadas contra a natureza.. a causa dos problemas ambientais.

sociedades.Acostumamo-nos a pensar as coisas separadamente: indivíduos. Como cada aluno do Colégio Shalom pode ser um agente multiplicador do que aprendeu sobre ecologia e suas ações podem ser inspiradoras de outras ações de outras pessoas. especificamente. Foi a mudança na ênfase dada “. 7.5. de acordo com a autora. “. sensações. natural se imaginar que a comunidade em que está inserida essa criança. raciocínios. essas separações perdem sentido. mas também na tecnologia.” Há o convívio consciente com essas separações.Senão como explicar onde ficam as fronteiras que separam o ambiente interno (de nossas percepções sensoriais de sentimentos e intuições) do ambiente externo (do espaço físico e fábricas dos locais de residência e trabalho)?” 2. iniciou o processo de ensino de disciplinas de ecologia nas salas de aula. O projeto é que os alunos.. se para a vida ou para a morte. mas quando se aprofundam as reflexões. 2006 .” 2. Pensando dessa mesma forma. Jan. cheguem à universidade e à vida adulta vendo o planeta e as ações praticadas por eles mesmos.. no longo caminho para a compreensão do mundo em que se vive. subjetividades. Consumo consciente: questão de consciência Novamente. em vez da tecnologia por si só. são resultados de processos mentais.V. Essa tem sido a ênfase tecnológica ao longo de grande parte da história registrada. tecnologias destinadas a destruir e dominar. “.. Eisler (1989) afirma que se verá que as raízes das atuais crises globais remontam à mudança fundamental na pré-história. Considerando toda a extensão da evolução cultural do ponto de vista da sua teoria. E é essa ênfase tecnológica.Edson Roberto Scharf e Eduardo José Floriano-Sierra se torna conveniente discutir é o uso que se dá à tecnologia.. caso de muitas dos engenhosos produtos e programas desenvolvidos pelo homem. N. Mendonça (2005) diz que os impactos ambientais são problemas decorrentes de relações sociais e estas. grupos. na figura do seu atual diretor. agora com amplos 14 Revista ANGRAD . mais conscientes. intuições. juntamente com a equipe de professores e funcionários. A integração escolas primária e secundária com a universidade carece de um trabalho com este foco.4.. economias. por sua vez. que trouxe grandes modificações não só na estrutura social. opiniões. que hoje ameaça toda a vida no planeta. O projeto de educação ambiental para um futuro melhor O Colégio Shalom. ambientes internos e externos. João Batista Cardoso de Aguiar.a tecnologias que sustentam e elevam a vida para as tecnologias simbolizadas para a lâmina. prof. aplicando os conceitos de gestão do conhecimento para criação de valor junto à comunidade em geral e aos pais dos alunos. É na maneira como se vêem as coisas e não em como se fazem. de uma nova maneira./Fev.. 1. chega-se a um ponto único: é na cabeça das pessoas que o meio ambiente pode alterar seu curso./Mar.

peças em caixote de papelão imitando televisão. matéria-prima. como mostra a forte identificação com poluição. O outro foi a formação dos alunos como cidadãos zelosos do planeta. vários álbuns de germinação (feijão e outros). plantas microorganismos e saúde. quando diz que . decorrente do diálogo insuficiente entre as áreas do conhecimento. a saber: educação ambiental. N.A Gestão do Conhecimento na Educação Ambiental: a Integração das Escolas Primária e Secundária com a Universidade para um Futuro Melhor conceitos sobre respeito à natureza. Aos alunos. a educação ambiental. com a participação maciça dos alunos.V. denominado SGA – Sistema de Gestão Ambiental foi vencedor por dois anos consecutivos do prêmio de Gestão Ambiental instituído pelo órgão FAEMA. Essas medalhas de ouro vieram confirmar o esforço feito por todos os envolvidos. Revista ANGRAD . ‘ciências naturais’ e ‘ciências exatas’ e ainda pulverizadas em disciplinas. demonstrando interesse e tornando-se. alguma delas surtiram especial efeito. 2006 15 . brincadeiras com papel e idas a supermercados.esse modo de pensar faz com que. atentos às suas responsabilidades como pessoa da comunidade e multiplicadoras do esforço de conscientização. iniciou seus encontros no formato de reuniões para que todos os envolvidos tivessem o mesmo vocabulário e pensasse de forma dirigida aos objetivos. em conjunto. A equipe do Colégio Shalom. extinção e outros temas ecológicos. poluição sonora e visual. para que pudessem agir e monitorar de forma mais constante e correta todos os passos do programa. palestras para pais e crianças sobre a pirâmide alimentar. separadas historicamente em ‘ciências humanas’. na maioria das estratégias educacionais. paisagismo e horta orgânica. a conquista das medalhas de ouro instituídas pela FAEMA às empresas que se destacam em atividades de gestão ambiental../Mar. Este trabalho foca uma das áreas. foi um dos temas que teve ampla participação e resultados práticos. o ‘meio ambiente’ fique limitado a seus aspectos naturais e técnicos. Os alunos deveriam aprender as inter-relações entre solo. A educação alimentar para a promoção da saúde. Também. Na sua implantação. as metas do programa. otimização do consumo de água. 7. A idéia básica era mudar os hábitos alimentares das crianças. esgotamento sanitário. resíduos sólidos. Jan. ainda sem a participação dos alunos./Fev. ele fez uma apresentação e avaliação de diversas áreas.. Brügger (1998) tece um comentário interessante a este respeito. por exemplo. como peças de teatro com fantoches. O projeto do Colégio Shalom. tende a se influenciar por ela e tomar cuidados que talvez até então não tivesse. Dentre as ações feitas com as crianças. otimização do consumo de energia elétrica. Todos foram envolvidos e a importância desse tempo foi traduzida em dois momentos: um. foi dispensado um tempo realmente grande para essa conscientização. 1. Para isso. Há um empobrecimento conceitual. visando o melhor aproveitamento do que a natureza tem a oferecer em termos de alimentação. determinaram. os trabalhos feitos com hortas orgânicas e jardinagem obtiveram efeitos excelentes.

a dimensão humana deve regressar ao seu lugar central no nosso conceito de sociedade (. a gestão do conhecimento só é possível com seres pensantes alimentando o processo. Temos exposta. 2006 . considerando os prêmios recebidos./Mar. Jan. incluindo estudos do solo. a partir disto. considerando o exemplo estudado. 7. faz necessário entender o que pode estar por trás das ações e possíveis reações de alunos. através do ensino teatral. Para os pais dos alunos. também nessas fases. Já o modelo mental sistêmico relaciona os componentes de um sistema. O trabalho lúdico feito com as crianças. não se restringindo a vê-los separadamente. Esse modo de pensar é conhecido por método cartesiano. amigos e vizinhos. considerado fundamental por todos os envolvidos.referindo-se ao excesso de importância dada a tecnologia e às coisas materiais. por exemplo. pais e comunidade. E isto traz um retorno também para as séries superiores. O pensamento como modelador da educação ambiental A cultura ocidental adota predominantemente o pensamento linear em contraponto aos pensamentos sistêmico e complexo. ao demonstrarem seu agrado com as técnicas aplicadas pelas professoras. “. através do reconhecimento da importância do capital humano no funcionamento de todos os sistemas sociais. A ecologia. E ao adotá-la como linha-mestra.. pois inclui o conhecimento das relações entre os seres vivos. 2. como uma resposta do Renascimento à Idade Média. água. 1. das brincadeiras dirigidas e das aulas práticas em campo.” O predomínio deste modelo foi se expandindo e tem perdurado na cultura ocidental. a integração fácil entre a escola e a universidade traga resultados valiosos para a sociedade. Como bem afirmou Dahl (1996).. época em que tudo era visto em termos de dogmas e teologias. 16 Revista ANGRAD . é uma ciência sistêmica.)..Edson Roberto Scharf e Eduardo José Floriano-Sierra naturalmente..6. inclusive por elas próprias. N.V. visto que adolescentes já têm muitos outros interesses.Foi no Renascimento que se firmou o uso da razão aristotélica e da argumentação lógica como balizadores do nosso sistema de raciocínio. É provável que. Segundo Mariotti (2000) o modelo mental linear consolidou-se na Grécia clássica e ampliou-se tempos depois.. aí. essa conquista e posterior divulgação foi um motivo de orgulho e certeza de tê-los num espaço adequado para o aprendizado e para a formação de cidadãos equilibrados e respeitosos. Os resultados foram excelentes. A competição predatória é própria do sistema mental linear. multiplicadores do conceito de preservação e respeito à natureza junto aos seus familiares. teve um resultado ótimo. Afinal. a Gestão do Conhecimento./Fev. por exemplo. além da escola.. O simples fato de as crianças estarem fazendo os trabalhos (apresentados em cartazes periodicamente) já criava um clima de boa vontade para que os adolescentes também “vestissem a camisa”.

entende as coisas como um todo. pede com que o usuário decida sobre as estruturas de pensamento que deseja utilizar. Conseqüentemente.o modelo mental proposto pelo pensamento complexo aceita e procura entender as constantes mudanças do mundo e não nega a multiplicidade. uma vez que fazem parte da realidade. Ele é vista de fora. A prioridade é a compreensão dos fenômenos.. O modelo mental complexo. sistema é um conjunto de dois ou mais componentes inter-relacionados e interdependentes. E complementa dizendo que . vê as partes como componentes de uma organização. para que estas gerações vindouras consigam ser melhores do que as atuais na relação com a natureza. Com uma leitura distanciada e desapegada./Fev. Revista ANGRAD . é possível que o pensamento complexo seja o mais adequado a ser adotado pelo colégio Shalom. que se utilize o sistêmico. ressalta a importância de aprendermos a conviver com elas. o que favorece um modo de vida que supõe a idéia de que não se pertencer à natureza. é usado. a importância de processos bem realizados de educação ambiental. Jan. Está ocorrendo um crescente distanciamento da natureza.. de valoração do meio. dependendo da compreensão do problema. pode-se aprender com a experiência. o linear. N. das relações. inclui todos os elementos que os compõem. os impactos ambientais gerados pelos seres humanos revelam que não são avaliados tão graves. Um dos autores que mais importância dá ao pensamento complexo (MORIN. cuja dinâmica se dirige a um objetivo comum. Ao contrário.. de aumento da consciência quanto ao consumo e do entendimento do que vem a ser crescimento sustentável. Quando for ineficiente. por exemplo. Conforme Mariotti (2000).analisemos nosso próprio pensamento. O pensamento sistêmico. 1. no entanto. 2000) propõe que “. normalmente.V.”. assim como todas as redes de relações entre eles. animais etc. Considerando o tema e a proposição deste trabalho. vê-se que se vive freqüentemente situações que não fazem sentido para nós. a diversidade. a aleatoriedade e a incerteza. vê as relações entre as partes. Novamente neste ponto. Qualquer alteração em uma das partes refletirá na totalidade. adequando-as às necessidades de cada situação. também o sistema de pensamento complexo entende de que pequenas ações podem levar a grandes resultados. 7. 2006 17 ./Mar.A Gestão do Conhecimento na Educação Ambiental: a Integração das Escolas Primária e Secundária com a Universidade para um Futuro Melhor plantas. pois temos sido muito apegados à estrutura de pensamento na qual fomos educados.. Conforme a introdução deste trabalho preconizou quanto ao meio. dos fluxos de influência entre os diferentes componentes de um sistema. Ao comparar com o sistema de pensamento que. O pensamento complexo propõe que se utilize o pensamento linear quando ele for mais eficaz. portanto. O estudo dos ecossistemas. As sociedades modernas estão em processo de mudança cada vez mais rápida.

fazem com que a arena internacional continue sendo bastante desigual. enquanto no desenvolvimento ela é qualitativa. 12. 18 Revista ANGRAD . Nesse sentido. obtiveram-se respostas diversas como: 14.5% diminuiu a compra de refrigerantes. crescimento e sustentabilidade. Não se deve esquecer. Os demais produtos./Fev. 1. dizendo que a pouca vontade política para implementar a regulamentação internacional e iniciativas voluntárias tímidas. 7. Dos 320 questionários enviados.. em princípio. 69% obtiveram resposta...V.onde a comunidade internacional falhou em agir. tem-se que 85% dos pais responderam que os filhos comentam sobre o que aprendem de educação ambiental em casa. em que os pais indicaram quais produtos eles diminuíram o consumo. Por meio das respostas da Q2 – Diminuição do consumo de industrializados.. sustentável. alguns pais não responderam porque não adotaram o consumo consciente. mas não são a mesma coisa. condimentos. tem o risco de se tornar uma expressão nula.5% reduziu o consumo de salgadinhos e quase 5% diminuiu o consumo de bolachas recheadas. 2006 .. Furtado e Furtado (2001) afirmam que a questão da sustentabilidade deve ter sido a maior vítima do processo de globalização. “. contudo. Os dois estão intimamente ligados. chocolates ou balas obtiveram em média de 1 a 2% das respostas. desinfetantes. água e energia. que no crescimento a mudança é quantitativa.Edson Roberto Scharf e Eduardo José Floriano-Sierra Levando em consideração essas explanações. a expressão desenvolvimento sustentável. 8. a partir das conversas com os filhos. foram obtidos os resultados a seguir detalhados: Sobre a Q1 – Importância dos comentários e conversas dos filhos sobre o que aprendem de educação ambiental no colégio. Apresentação dos dados/evidências Foi aplicado um questionário com perguntas fechadas e abertas. Com relação à coleta dos dados. como sacolas plásticas.” Veiga (2005) acrescenta que ..5% diminuiu a compra de enlatados. Jan. pois a maneira de vida das pessoas hoje não é. alimentícios. criando uma desvantagem competitiva para os países que buscam maior valor agregado aos seus produtos e menor legado tóxico para o ambiente. sem o envolvimento do pensamento integral dos envolvidos. por definição. sendo um excelente índice de devolução dos mesmos. Realmente. detergentes. 3./Mar. com preenchimento feito pelos pais de alunos matriculados.ninguém duvida de que o crescimento é um fator muito importante para o desenvolvimento. Nessa questão.” Continuam o raciocínio. N. somente com ações isoladas. a partir das conversas com os filhos. “. forçando blocos regionais a avançar isoladamente. é difícil conciliar as duas coisas.

enquanto 22% dizem contatar ou dar exemplos a amigos. É sabido que muitas crianças preferem brincar a estar no colégio e os pais. 5% dizem que na escola os alunos aprendem. em algum momento essas ações desencadeadas voltam às crianças./Mar. foi praticamente unânime o “sim. conservação. 12% dizem contatar colegas de trabalho. Na Q4 – Há conversas ou dá exemplos a outras pessoas do seu círculo. pois se os filhos comentam com os pais sobre o aprendizado de temas ambientais. Já 17% afirmam contatar vizinhos e. Muito fortes. como pais cônscios das suas responsabilidades e como educadores. N. O restante das respostas. é importante entender que os filhos podem ser os grandes motivadores de uma ação nessa direção. 36% dos respondentes afirmaram que têm contato sobre o assunto educação ambiental com familiares. ao dar atenção. 7. como namorado ou conhecidos.V. que continuam agindo como antes das conversas com os filhos. 2006 19 . Jan. mas no dia-a-dia não conseguem aplicar o que aprenderam. 1. Além disso. Como uma espiral. entender e praticar o que o filho comenta. que o esforço do colégio não consegue alterar a consciência das pessoas quanto ao consumo consciente e que podem ser múltiplas.A Gestão do Conhecimento na Educação Ambiental: a Integração das Escolas Primária e Secundária com a Universidade para um Futuro Melhor Uma questão pode ser complementar à outra. Como exemplo. concordam com algumas das respostas da Q3. Para quase 21% dos entrevistados. Quando perguntado na Q3 – Percepção da consciência sobre assuntos relacionados ao meio ambiente. percebem que estão um pouco mais conscientes. ou seja. aproximadamente. Revista ANGRAD . no entanto são as defesas do Não. 37% dos respondentes disseram que percebem estar conscientes no dia-a-dia sobre a importância da educação ambiental e 38% afirmaram já ser conscientes antes mesmo das conversas com os filhos. O compartilhamento das informações é uma forma legítima e definitiva de fazer outras pessoas entenderem da importância da educação ambiental. o esforço do colégio pode gerar essa ação”. não tem representatividade. Embora a consciência ecológica possa ser estimulada por vários meios.5% dos respondentes disseram que os alunos não estão preparados para convencer outras pessoas e a mesma quantidade de respostas explicou que os esforços de propaganda são muito mais fortes do que o esforço feito pela escola. o que confirma a exatidão das respostas. Na última questão a Q5 – Acredita que o esforço do colégio Shalom no ensino de educação ambiental conseguirá alterar a consciência das pessoas./Fev. mas quase 5% afirmaram que não. está diretamente dando importância a ida dos filhos à escola. os pais percebem que se os filhos estão dando importância ao tema. talvez haja reações positivas em direção a minimizar a compra de produtos industrializados. 2. também eles têm que dar o exemplo. Essas explicações dadas por quem optou pelo não. sustentabilidade ou consumo consciente. aproximadamente. o que vai ao encontro do que aprendem na escola. principalmente como forma de valorizar o ato de estudar.

devemos cuidar de questões profundas em cada indivíduo. em sua origem. incluindo os processos formais e informais pelos quais a pessoa adquire linguagem. para o funcionamento. A Gestão do Conhecimento se encontra neste momento: a criação de valor para um ou mais conhecimentos adquiridos. 2006 . amigos. porém. “fazer emergir”. conhecimento e valores. conhecidos e demais pessoas. estéticos. Mendonça (2005) corrobora com esse pensamento ao dizer de que “. Depois. elas podem induzir o desenvolvimento que desejarem. portanto. tentando fazê-los cidadãos mais completos. 1. na origem da palavra educação. com um objetivo final claro de melhoria de algo ou alguma coisa. Educar. é a chave para a transmissão de informação e. maior a probabilidade de se agir como tal. nem sempre ligados diretamente. sociais e outros. 7.” 20 Revista ANGRAD . Quanto mais tempo se estiver recebendo informações e insights desse teor. assim. internamente. Jan. sobrevivência e renovação de qualquer ecossistema. normalmente coincidente com o início das responsabilidades da idade adulta. Dahl (1996) afirma que a educação. éticos. ir além das visões reificadas no tempo e no espaço e empobrecidas ética e politicamente. Neste sentido. Portanto. pois evocam sentimentos mais profundos nos alunos. resgatar a ligação com a fonte da vida. já contém em si o componente ambiental. Assim. o meio ambiente será percebido como uma construção e uma possibilidade histórica . Conforme sugere Brügger (1998). . capacidades. vizinhos.V. Só assim. cônscios de suas responsabilidades enquanto ocupantes deste planeta e preparando-os para a entrada na universidade. Conclusão e propostas O Colégio Shalom buscou a excelência no ensino da educação ambiental aos seus alunos. é só o primeiro passo do processo. A sociedade é constituída de um conjunto de pessoas./Fev. É preciso refletir e analisar com distanciamento sobre a vida que se leva.para reverter ou amenizar esse processo de ruptura com o entorno é preciso. o termo educação.. encontra-se o “conduzir para fora”. ações como a do colégio Shalom são importantes. com alunos sabedores da sua importância no sistema ambiental global e tomando frente na tomada de medidas para proteção à natureza. Como têm liberdade de pensar. N. desde cedo. como multiplicadores. os alunos deveriam ter a oportunidade de usar suas capacidades e potencial através do uso no ambiente. através do repasse do conhecimento aos pais../Mar... Os resultados vieram: primeiro. Esse fora (da condução e do emergir) é o ambiente. Deve-se lembrar que.se quisermos desenvolver uma relação harmônica com a vida.Edson Roberto Scharf e Eduardo José Floriano-Sierra 4.e com isso impregnado de escolhas e significados políticos. no latim. Uma vez dotados de conhecimento necessário e motivados por um conjunto de valores e crenças. culturais.

É sabido que a Terra. o pensamento é a chave para o sucesso de um programa de educação ambiental. Daí. futura implantação de mini-usina de lixo. pode criar restrições à adoção de uma cultura de desenvolvimento consciente quanto ao meio ambiente. inclusive moda. 7. lixeiras sinalizadas. a relevância da Gestão do Conhecimento. Com efeito. construção de um espaço para coleta seletiva de lixo. com base na Gestão do Conhecimento. amigos. a reforma dos banheiros com instalação de torneiras de pressão. a separação de resíduos. portanto. Parece. vê-se que a prioridade não é a manutenção do planeta. gostar dos outros e confiar neles não é nada fácil.o automatismo concordo-discordo é típico da orientação da lógica da cultura do patriarcado. Se este trabalho tem a intenção de enfocar a importância da educação ambiental como fortalecedora de resultados positivos ao ambiente através dos alunos diretamente e dos pais. que faz da desconfiança uma reação automática. ao dizer que . criação de várias hortas orgânicas./Fev. Como propostas do trabalho para o colégio Shalom. Infelizmente. Mais uma vez. Não há dúvida.. a natureza são recursos esgotáveis. que o modelo complexo de pensamento mostra-se como mais equilibrado.V. O argumento ad hominem está na gênese dos preconceitos e continuará existindo e predominando enquanto durar a hegemonia desse sistema de pensamento. Essa informação não parece estar presente nas ações quando se definem prioridades e necessidades em relação à vida no mundo. de novos produtos de categorias antes desconhecidas e de novos modos de vida (e com eles. grande parte das pessoas. realmente. conhecidos e comunidade. reutilização de papel e reutilização de resíduos na confecção de painéis artísticos. N. consiga seu intento maior. numa cultura competitiva e reativa como a nossa.. Mariotti (2000) exprime o modelo linear com precisão. a reutilização de resíduos em diversas atividades. 1. Mesmo assim. seguem algumas idéias: Revista ANGRAD . estão a medalha de ouro da FAEMA. não se pode iludir quanto aos resultados. Ao se olhar a quantidade crescente de shopping centers. adota fielmente o modelo linear. no entanto. E essa relevância mostra-se mais contundente quanto mais se aproxima de um modelo de pensamento complexo. ao mesmo tempo. indiretamente. mais produtos). de forma que ele. dadas as características do modelo.A Gestão do Conhecimento na Educação Ambiental: a Integração das Escolas Primária e Secundária com a Universidade para um Futuro Melhor Entre os resultados altamente positivos alcançados com o SGA – Sistema de Gestão Ambiental do colégio Shalom. que o maior resultado foi o conhecimento como estado de consciência coletiva para o respeito à natureza por parte dos alunos e estes como multiplicadores da educação ambiental. Jan. é importante entender que o mesmo pensamento pode ser entendido de formas diferentes por diferentes pessoas. 2006 21 . O que./Mar. que é o preparo das pessoas nas escolas primária e secundária para o desafio da universidade e da vida. inclusive professores.

David S. Robert E. DIÁRIO CATARINENSE. Comércio e Meio Ambiente. a possibilidade dos alunos reverterem o ensinamento em prática é muito maior. Arthur Lyon. DAHL. Informe comercial de junho/ julho de 2005. José Eli. RITA. G. para que ambos os setores percebam a importância dos trabalhos de consciência ambiental. Desenvolvimento Sustentável – O Desafio do Século XXI. Visões Estreitas na Educação Ambiental. Edgar e KERN. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. MARIOTTI.V. P. 1. Porto Alegre: Artes Médicas. 2005. da UFSC. 7. N. Ricardo Motta.. Jan. 2006 . Conservar e Criar. Elements of Ecology. c) que o colégio Shalom incorpore um modelo de pensamento complexo no seu cotidiano de aulas. 2003 (5ª. Gilberto. 1996. Educação Ambiental se Aprende. 22 Revista ANGRAD . Rio de Janeiro: Ed. RICKLEFS. vol.). O Mito do Desenvolvimento Sustentável. Porto Alegre: Sulina. CENTRO INTERNACIONAL DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (org./Mar. Política e Solidariedade. Rio de Janeiro: Ed. 2000. 2001.Edson Roberto Scharf e Eduardo José Floriano-Sierra a) que o colégio Shalom realize pesquisa periódica com a totalidade dos pais sobre as práticas dos filhos quanto ao que é aprendido em sala de aula e sobre a possível influência nos pais e comunidade. 2005. Florianópolis: Ed. SenacSP. ed. Assim. Lisboa: Instituto Piaget. MONTIBELLER-Filho.. São Paulo: Fundação Getúlio Vargas. A Economia da Natureza. Anne Brigitte. New York: John Wiley and Sons. Fundamentos em Ecologia. Palas Athena. PINTO-COELHO. Riane. O Princípio Ecológico: Ecologia e Economia em Simbiose. b) que o colégio Shalom faça interações constantes com as universidades ao seu entorno. Terra Pátria. Referências BRÜGGER. d) que o colégio Shalom tenha um plano de divulgação dos resultados e das ações implantadas. 1998. Ciência Hoje. 1954. O Cálice e a Espada. como forma de conscientização de outras pessoas. LANDES. Campus./Fev.) VEIGA. Humberto.24 (141). 2004. 1998. A Riqueza e a Pobreza das Nações. EISLER. Imago.1998. L. 2000. 2000 MENDONÇA. Rio de Janeiro: Garamond Universitária. CLARKE. São Paulo: ed. São Paulo: Ed. MORIN. As Paixões do Ego: Complexidade.

7./Fev. no sentido de auxiliar pesquisado- Revista ANGRAD ./Mar. contribuindo com empresas que desejem operar via internet. Jan. Ipiranga.br Edimara Mezzomo Luciano Doutora em Administração Professora da FACE/PUCRS Endereço: Av. A análise de dados ocorreu através de análise de conteúdo a partir do resumo de cada artigo. N. os dados coletados são secundários. O objetivo deste artigo é identificar os diversos componentes do que se conhece genericamente como comércio eletrônico (CE) ou e-business.net Henrique Freitas Doutor em Gestão Professor e Pesquisador do PPGA/EA/UFRGS Endereço: Rua Washington Luís.ufrgs. é preciso pesquisar o tema. 2006 23 . 6681 – Prédio 50 – Bairro Partenon 90619-900 – Porto Alegre/RS e-mail: emluciano@via-rs.V. utilizando a pesquisa survey como estratégia de pesquisa. latino-americano e brasileiro. traçando um panorama do estado da arte das publicações de CE e necessidades de pesquisa. 1. A técnica de coleta de dados é a análise de documentos e.Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa Mauricio Gregianin Testa Doutorando em Administração – PPGA/EA/UFRGS Professor da FACE/PUCRS Endereço: Rua Washington Luís. mais do que modismos. 855 – sala 309 90010-460 – Porto Alegre e-mail: mgtesta@ea. dos anos de 1997 a 2001. identificaram-se temas e tendências.br Resumo A internet e o comércio eletrônico. Como resultados.ufrgs. dessa forma. A pesquisa é exploratória. estão se tornando uma alternativa estratégica. Assim. 855 – sala 309 90010-460 – Porto Alegre e-mail: hf@ea. A base de dados foi composta por 515 artigos publicados em congressos realizados em território norte-americano.

Essa nova realidade provoca uma reorganização intensa em todos os setores. diretamente afetadas pelas mudanças da chamada sociedade da informação. reinventando processos.Mauricio Gregianin Testa. 1. BURN e SALAZAR. cada vez mais. 7. tracing a state of art overview of e-commerce publication and necessities of research. The technique to data collection was documents analysis. 24 Revista ANGRAD . Key-words: Electronic commerce. 2004). o meio empresarial está mais dinâmico e competitivo e./Mar. contributing with companies that want to work by Internet. Jan. gerando modificações profundas nas organizações (HACKNEY. 2006 . pelo seu impacto na condução de negócios e como um novo e rentável canal para o desenvolvimento de relações de trocas. reduzindo os custos operacionais e a eliminação de funções que não agregam valor (TURBAN e outros. provendo amplo acesso a serviços. Internet. Seu uso tem o potencial de revolucionar a forma de operação das organizações. Thus. proporcionando ganhos significativos de produtividade. As result. N. 1.The data base was composed by 515 articles published in North-American. passa a fazer parte do passado o cenário de um mundo estável. A economia globalizada impõe desafios às organizações tradicionais. 2004). Segundo Choi e Whinston. Nos últimos anos. Internet. it’s necessary to develop researches on the subject.TORKZADEH e DHILLON. Introdução As empresas hoje são mais complexas. 2004). from 1997 to 2001. Edimara Mezzomo Luciano e Henrique Freitas res a fazerem pesquisas que possam vir a suprir as necessidades das organizações que pretendem comprar e vender eletronicamente.The research is exploratory./Fev. sendo dinâmicas. The data analysis has occurred through content analysis. informações e recursos (CHANG. LatinAmerican and Brazilian congresses. a internet é a Tecnologia da Informação que mais tem se sobressaído. from the summary of each article. Abstract The Internet and electronic commerce are becoming a strategic alternative.V. using a survey as strategy. identified subjects and trends. que precisam adaptar-se aos novos tempos. Palavras-chave: Comércio eletrônico. The objective of this article is to identify the diverse components which everyone knows generically as electronic commerce (e-commerce) and e-business. in direction to assisting researchers to make researches that might come to supply the necessities of organizations that want to buy and sell electronically. inovadoras e com alta capacidade de resposta às necessidades do ambiente.

1993./Mar. processos. Jan. povos e culturas. 7. o delineamento de um novo modelo de negócios. Com ela. permitindo.20) Devido à velocidade de crescimento e por trazer novas formas de comunicação. que inclui fornecedores.Framework de impactos sociais da TI nas organizações Fonte: TURBAN et al.Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa (2000. verificando diferenças de enfoques Revista ANGRAD . A figura 1 mostra a inter-relação entre a TI e os vários componentes da organização. 19). 493). o presente artigo tem como objetivo identificar. Operar via internet exige a reestruturação da empresa em diversos aspectos: infraestrutura tecnológica. N. sendo isto uma oportunidade reconhecida por estrategistas”. 2006 25 . de forma exploratória. salientando os temas já pesquisados em congressos científicos. Figura 1 ./Fev. p. “a regra em TI agora é o crescimento de projetos ambiciosos em comércio eletrônico. as organizações podem definir critérios de atuação em um ambiente competitivo onde “o mais rápido é melhor que o maior” (FORGE. aplicações.V. A organização deve deixar de olhar apenas para os seus processos e passar a enxergar a si própria dentro de um contexto com diferentes atores. (1999. além de interações entre pessoas. os diversos componentes do que se conhece genericamente como comércio eletrônico. Nesse contexto. p. parceiros e clientes como parte essencial do negócio. p. revisão de soluções que envolvam pessoal interno e externo. a internet muda a forma de conceber e realizar negócios nas organizações. 1.

caminhar na direção das necessidades da sociedade” (FREITAS. se tem relação com a prática e com os temas que emergem do dia-a-dia. também utilizado por empresas de porte médio. 28). as empresas devem repensar a forma de operar os seus negócios. temas./Fev. Na seqüência deste documento. desenvolvimento de softwares de navegação mais intuitivos. parceiros e fornecedores. para com isso. Jan. há modificações na economia. Edimara Mezzomo Luciano e Henrique Freitas e. vender pela internet tornou-se quase um imperativo em alguns segmentos. buscando o rigor. sem números expressivos e restrito a operações entre empresas. 2006 . “. também. sabe-se que há desafios tecnológicos..Mauricio Gregianin Testa. na organização da indústria. já atingindo cifras bastante significativas. Comércio eletrônico: aspectos envolvidos. vários avanços tecnológicos iniciam: barateamento do hardware e software. formas de consumo.. na legislação. aplicações e desafios O comércio eletrônico (CE) está provocando mudanças intensas na organização das empresas e na relação das empresas com seus clientes. o comércio eletrônico está revitalizando as necessidades e o valor inovador dos processos de 26 Revista ANGRAD .V./Mar. Dessa forma. pode-se fornecer subsídios para averiguar se o que está sendo pesquisado academicamente é útil às organizações. porém. popularização da internet. Por trás da aparentemente simples mudança na forma de comprar. desenvolvimento de protocolos e especificação de padrões. Desta forma. N. 2. 7. Ainda que o crescimento do comércio eletrônico esteja acelerado. Na metade da década de 80. inaugurando uma nova era no mundo dos negócios. 1. Até aí. 2001). 2000). Na década de 90. Aspectos envolvidos em operações de comércio eletrônico Atualmente. de estruturação de processos e estratégicos. o item 2 aborda a base teórica do estudo proposto. com a criação dos fundos eletrônicos de transferência (EFT). como as livrarias e lojas de cd’s. restritos a empresas de grande porte. melhoria na infra-estrutura telefônica e de redes. Eles eram. é o chamado comércio eletrônico pré-internet (AMOR. 2000).1. Independente disto. O primórdios do comércio eletrônico datam da década de 70 do século XX nos Estados Unidos. enquanto o item 4 relata os resultados obtidos e o item 5 contém algumas considerações finais. A mudança é tão grande que é possível dizer que “o mundo está em meio a uma revolução na forma de fazer comércio” (KALAKOTA e WHINSTON. p. Esse cenário possibilitou o surgimento do comércio eletrônico como se conhece hoje. 1997. necessidades de pesquisa. principalmente a instituições financeiras. empregos. de relacionamento e de criação de valor. pois o comércio eletrônico não significa apenas mais uma forma de vender e comprar (FREITAS e outros. o item 3 expõe o método da pesquisa. ainda. 2. no entanto. surgiu o intercâmbio eletrônico de documentos (EDI).

p.Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa negócio está abrindo novas formas de relações entre as empresas e capacitará novos mercados. 7. Para Albertin (2000). 2001). N./Fev. • on-line: permite capacidade de compra e venda de produtos e informação na Internet e outros serviços on-line. por isso propõe uma definição mais ampla: comércio eletrônico se refere a usar meios eletrônicos e tecnologias para conduzir o comércio. Dessa forma. novos negócios e novos paradigmas de marketing (FRUHLING e SIAU. • processos de negócios: é a aplicação de tecnologia na direção de automação de transações de negócios e fluxos de trabalho. o CE pode ser definido sob várias formas. Uma definição mais simplista poderia dizer que comércio eletrônico é troca de bens e serviços por pagamento na internet. dinheiro e informações necessários para levar os produtos de matéria-prima até as mãos do consumidor). seus parceiros ou clientes. serviços. Já Rayport e Jaworski (2001.V. Essa visão./Mar. 4). com enfoque e profundidade diferentes. porém. Revista ANGRAD . Na definição de Zwass (1996). comércio eletrônico inclui qualquer atividade comercial que ocorra diretamente entre uma empresa. produtos. 2000). 2000. comércio eletrônico é o compartilhamento de informações do negócio. agilizar processos de negócios e aperfeiçoar o relacionamento tanto com os parceiros de negócios quanto com os clientes (FRANCO. ou ambos) bem como baseadas eletronicamente em atividades intra ou inter-organizacionais que facilitam tal troca”. comércio eletrônico é a realização de toda a cadeia de valor dos processos de negócio em um ambiente eletrônico. de acordo com diferentes perspectivas: • comunicação: é entrega de informação. redes de computadores ou outros meios. 3). Choi e Whinston (2000) observam que a tecnologia está transformando muitos aspectos dos modelos de negócios e atividades do mercado. 1. organizações. p. entre empresas e da empresa com consumidores. não leva em consideração as vantagens competitivas resultantes da associação dos participantes das cadeias de abastecimento e de valor (as pessoas envolvidas no fluxo de mercadorias. manutenção de relações de negócios e condução de transações por meio de redes de telecomunicação. incluindo interações dentro da empresa. ao mesmo tempo em que se aumenta a qualidade e a velocidade de entrega. por meio de uma combinação de tecnologia de computação e comunicação (TREPPER. propõem uma definição contemporânea de CE: “trocas mediadas em tecnologia entre partes (indivíduos. 2006 27 . atendendo aos objetivos do negócio. Há várias definições para comércio eletrônico. é uma ferramenta que permite reduzir os custos administrativos e o tempo do ciclo fabricar-vender-comprar. Nesse sentido. serviços ou pagamentos via linha telefônica. Jan. Para Kalakota e Robinson (2002). • serviços: é a ferramenta que permite cortar custos. por meio da aplicação intensa das tecnologias de comunicação e de informação.

Para a compreensão da abrangência desse universo. para efetivar uma compra. A criptografia pode ser com chave pública (é a mesma para criptografar e 28 Revista ANGRAD . é preciso elucidar algumas das terminologias principais. 2. Dessa forma. além de políticas públicas de utilização. tais como: a) e-payment: é a parte financeira das transações de CE. (2004) citam como requisitos a uma compra segura: autenticação (verifica a identidade do comprador antes do pagamento ser autorizado). a meta é desenvolver conjuntos de métodos de pagamento que possam ser utilizados pelas pessoas e que sejam mais confiáveis às instituições bancárias (CUNNINGHAM. 2001). 7. indo da infra-estrutura de rede até a estrutura comum de negócios e serviços. que permite o intercâmbio de dinheiro entre compradores e vendedores. ainda há carência de métodos convenientes (que evitem o uso do telefone ou cheques). que correspondem aos aspectos mais relevantes do comércio eletrônico. de segurança (quem paga com cartão precisa saber mais detalhes sobre sua compra) e carência de cobertura (nem todas as pessoas possuem cartão de crédito e estes não suportam todos os tipos de compra). 2006 . padronização e segurança. utilizadas para descrever diferentes aplicações e camadas. Turban e outros. Temas relacionados ao comércio eletrônico O comércio eletrônico faz uso de diversas terminologias. 2000). uma transação via web requer: confidencialidade (as informações só devem ser utilizadas para o que o cliente autorizou./Fev. 1. fazer a compra). as empresas podem usar o comércio eletrônico como uma parte de sua estratégia de vendas business-to-business (B2B) ou para complementar métodos de venda existentes. p. Segundo Rayport e Jaworski (2001).2.Mauricio Gregianin Testa.V. Jan. criação de credibilidade e qualificação e usado para substituir vendas representativas via serviço arranjo e gestão de pós-venda (MIREE. são abordados temas necessários ao funcionamento do comércio eletrônico e algumas áreas de aplicação. só descriptografa com um código chave autorizado) e a integridade (assegura que as informações não serão acidentalmente ou maliciosamente alteradas durante a transmissão). nunca com débitos inapropriados) e a autenticação (certeza de que realmente a operação foi feita com segurança). N. b) e-security: a segurança nas transações via web está muito próxima aos sistemas de pagamento. Para Amor (2000./Mar. integridade (a quantia deve ser a combinada. De fato.Ainda aquém às expectativas. 38). Edimara Mezzomo Luciano e Henrique Freitas O conceito de comércio eletrônico nos aporta diferentes percepções das suas potencialidades. A seguir. comércio eletrônico pode ser usado para aumentar o processo de prospecção. bem como algumas potencialidades e desafios de operar através de comércio eletrônico. encriptação (criptografia de mensagens entre comprador e vendedor. ou seja. técnicas e gerenciais.

Muitos projetos de comércio eletrônico têm fracassado por problemas de logística. liberdade de expressão (que possibilita. reduzem sua atuação ao envio de e-mails ou a publicação de páginas institucionais na internet (KALAKOTA e WHINSTON. 1. privacidade (em relação às informações coletadas numa transação eletrônica). quanto tempo leva até o consumidor. o que acabou criando uma consciência da necessidade de uma eficiente gestão da cadeia de suprimentos. por exemplo. para então diferenciar o atendimento. direitos do consumidor (como no caso de fraudes em vendas realizadas por empresas no exterior). esses aspectos não estarem previstos em lei. Esses aspectos envolvem problemas de taxação (como a colisão entre taxas de países diferentes). implementação e controle. É preciso considerar onde o produto está. Esse desafio é mais acentuado no Brasil devido às suas dimensões. muitas vezes. no transporte rodoviário e aéreo. qual é a demanda. propriedade intelectual (é quase impossível evitar cópias desautorizadas na internet). mala-direta. N. As possibilidades nessa área são imensas. mas ainda existem erros nas estratégias de empresas. pretende-se com o CRM. mesmo que através de meios de comunicação e interação diferentes (e-mail. a divulgação de idéias nazistas ou a promoção da pornografia). O CRM – customer relationship management propõe atender o cliente. chegar a um atendimento maior das necessidades de cada cliente. as empresas iniciavam as suas atividades no comércio eletrônico preocupadas em como atrair clientes e vender pela internet e menos em como entregar nos prazos acordados com custos competitivos. c) e-SCM (supply chain management): quando o comércio eletrônico começou a se sobressair no Brasil. quais os canais de distribuição. certamente existem um problema ético envolvido. 2004. muitas empresas tinham constantes atrasos na entrega dos produtos. AMOR. 2000). Revista ANGRAD . quase que exclusivamente. Jan. 1997). enfim./Mar. costumes e mercados diferentes e baseado. pessoalmente na loja). Há alguns anos atrás.V. fazer com que o cliente perceba ‘a empresa’ em cada atendimento./Fev. a qual precisa ser adequada ao tipo de produto comercializado e ao público-alvo.Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa descriptografar) ou com chave privada (duas chaves. serviços e respectivas informações desde a origem até o ponto de consumo (FRANCO. interagir mais profundamente e customizar os produtos e serviços oferecidos a esses clientes. a sazonalidade. 2006 29 . telefone. Junto a isso. 7. entre outros (TURBAN e outros. Portanto. que. 2001). entre outras variáveis. d) e-taxas e aspectos legais: há uma grande indefinição e muitas dúvidas em relação a aspectos legais e éticos no comércio eletrônico. e) e-CRM: o comércio eletrônico demanda mudanças radicais no processo de marketing. é preciso um processo de planejamento. uma pública e uma privada) e a assinatura digital (feita por uma empresa certificadora). Apesar de. de um eficiente e efetivo fluxo e armazenamento de produtos. cada cliente de forma unificada. muitas vezes. através da identificação do que este valoriza.

Desintermediação e reintermediação pelo comércio eletrônico Fonte: TURBAN e outros (2004) 30 Revista ANGRAD . eles representam elementos ou ações diferentes dentro do comércio eletrônico. 2001)./Fev. 2. com o refinamento das técnicas e estruturas de venda pela internet. a venda ocorre direto do fabricante ao consumidor. e-auctioning). Figura 2 . N. A separação em dois itens foi proposital. 2000). maior exposição através da internet. Jan. 2002). a ação de vender foi sendo refinada. Aplicações de comércio eletrônico No início da utilização da internet para fins comerciais. decisões de compra mais rápidas (FRANCO. pois apesar desses itens estarem listados adjacentemente na literatura. e-learning.Mauricio Gregianin Testa. 2001). menos burocracia. os chamados bens MRO (Manutenção. serviços de manutenção (AMOR. FREITAS e LUCIANO. Reparo e Operações). Os benefícios para os compradores são a agilidade e dinamismo das compras. tendo uma intermediação eletrônica do portal de e-procurement (SCHUTZ. redução de custos na administração de vendas (RAYPORT e JAWORSKI. 2006 . tais como material de escritório e de informática.V. serão abordadas outras terminologias referentes a comércio eletrônico (outros ‘e’). podendo então partir para compra de outros produtos. Para os vendedores.3. copa. A figura 2 ilustra este processo. Edimara Mezzomo Luciano e Henrique Freitas A seguir. redução expressiva de custos. e-gambling. 2000). 7./Mar. Aos poucos. Iniciando a desintermediação de vendas pelos produtos MRO. vender era a única experiência em comércio eletrônico (AMOR. as vantagens são a ampliação da carteira de clientes. e-banking. as empresas podem testar a integração de seus dados com os das empresas conveniadas para a compra. aprimorada. Com a desintermediação. 1. dando origem a diversos termos (e-procurement. que representam diferentes aplicações dentro do comércio eletrônico: a) e-procurement: é a automação da compra de bens e serviços não-produtivos.

a qualquer hora do dia. N. a) e-learning: é também conhecido como educação a distância através da internet.Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa Dessa forma. e-trade (compra eletrônica de ações). mas podendo ser acessado e utilizado por pessoas de qualquer país (FRANCO. Através do e-auctioning. e-franchising (franquias eletrônicas). alto custo de processamento de pedidos e alta carga administrativa dos profissionais de compras. Webb etc. há ainda outras categorias de menor expressão. 1. c) e-gambling: refere-se aos cassinos eletrônicos. No Brasil. uma série de operações em suas contas bancárias. A atratividade do e-banking é que o cliente não necessita um software específico para acessar a sua conta bancária. 1999). o e-procurement é uma espécie de leilão reverso entre empresas previamente cadastradas. 2000./Mar. Segundo Amor (2000. o setor bancário é um dos mais afetados pela nova realidade do comércio eletrônico e essa situação tem exigido um grande esforço para a assimilação e utilização da tecnologia referente a comércio eletrônico. 2001). Nos leilões tradicionais.) e portais de grandes empresas (Cisco. para os bancos. Movidos pelo ambiente digital ou por força dos concorrentes. 2006 31 . enfim. A grande astúcia do e-gambling é contornar a ilegalidade do jogo em alguns países. 2000. Além das citadas acima. já há diversos portais privados de e-procurement (BcomB. com apostas reais em dinheiro (cartão de crédito ou débito). o e-gambling é um dos negócios mais rentáveis da internet. 26). que possam voltar a ele rapidamente quando sentir necessidade. como o edirectories (catálogos eletrônicos). traz comodidade e agilidade. uma redução de custos considerável. 2001). entre outras (AMOR. e-engineering (desenvolvimento colaborativo de projetos). pois reúnem participantes de um único setor (madeira. à distância. os chamados portais verticais. papel. mais democráticas e mais rápidos (AMOR.V. 25). que possibilita que os clientes de um banco façam. b) e-banking: “o e-banking é um dos mais bem sucedidos negócios on-line” (AMOR. na sua operacionalização e na sua estratégia competitiva (RAMOS e COSTA. tem muitos fornecedores. e que estas possam ‘acessar’ este conhecimento de qualquer lugar. Revista ANGRAD . 2000). que agiliza e barateia o processo de aquisição de bens. automotivo. d) e-auctioning: os leilões ganharam uma nova dimensão na internet. os lances são limitados a um certo número de pessoas./Fev. O objetivo do e-learning é fazer com que o conhecimento chegue a um grande número de pessoas. além da necessidade do deslocamento físico até o local onde se realiza o leilão. contínuo (CUNNINGHAM. e-drugs (farmácias on-line). p. que seja algo constante. p. FRANCO. os leilões tornaram-se mais acessíveis. montadoras de automóveis) que criaram portais de e-procurement. 7. basta um computador conectado à internet e um browser. O e-procurement é ideal para organizações que sofrem de longos ciclos de requisição. armazenando o site em um país que autoriza o jogo. construção civil). O e-banking tem crescido intensamente pois é extremamente vantajoso ao cliente e também ao banco: ao cliente. 2001). Jan.

essas se referem a ações diferentes dentro de um ambiente de e-business. • automatiza o fluxo de negócios e de informações na empresa. mesmo existindo diversas categorias e terminologias relacionadas ao que é eletrônico. ao mesmo tempo em que aumenta a qualidade do gerenciamento da relação. e-CRM). e-SCM. eprocurement. Jan.Relação entre as áreas de comércio eletrônico A figura acima mostra a diferença entre as categorias de aplicação (e-commerce./Fev. e-learning./Mar. e-auctioning.V. taxas. 2. os benefícios são (TURBAN e outros. Para as organizações. Figura 3 . reforçada pelo rápido crescimento das infra-estruturas de suporte (especialmente a web) resultam em muitos benefícios potenciais para as organizações. • proporciona novas maneiras de gerenciar a cadeia de suprimentos e de valor. a variedade de possibilidades. • possibilita reunir parceiros de negócios em um meio operacional uniforme. os indivíduos e a sociedade (TURBAN e outros. 2004. e-security. • redução de custos para criação. Potencialidades. as inúmeras oportunidades para alcançar centenas de milhares de pessoas. TREPPER. N. e-banking. • com baixo investimento de capital. Edimara Mezzomo Luciano e Henrique Freitas Conforme citado anteriormente. 2001): • possibilita a expansão do mercado de regional para nacional e internacional. 7. processamento. legislação. 2006 . 32 Revista ANGRAD . e-gambling) e as categorias fundamentais ao funcionamento das demais (e-payment. conforme evidenciado na figura 3.4. armazenamento e recuperação de bens baseados na informação.Mauricio Gregianin Testa. distribuição. 2000. 1. AFUAH e TUCCI. • proporciona a redução de custos na prestação de serviços ao cliente. vantagens e desafios A natureza global da tecnologia. o baixo custo. 1999). a natureza interativa. uma empresa pode facilmente obter mais clientes e melhores fornecedores e parceiros de negócios.

• em alguns casos. mais produtos de mais vendedores. Jan. o comércio eletrônico ainda tem em seu entorno diversos desafios. embora a fraude possa ocorrer de muitas outras formas além da interceptação de uma compra eletrônica (LAUDON e LAUDON. facilita o acesso a informação. AFUAH e TUCCI. 2000). reduz o tempo para atividades.Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa • menores custos para implementar produtos ou serviços que propiciem grande vanta- gem competitiva. TREPPER./Fev. possibilita novas parcerias. 7. precariedade de diversos modos de transporte. conciliando estoque zero com entrega imediata • pagamentos: uma pesquisa feita em outubro e novembro de 1999 (Fonte: Pesquisa Jupiter/Ibope. • fornece mais opções de escolha aos clientes. 2000. 2004. reduz custos de transporte e aumenta a flexibilidade. resultando em preços menores para o consumidor. AFUAH &TUCCI. Para a sociedade. 7 dias por semana. em um país de grandes dimensões. 2000. 1999) apontou que 48% das pessoas não possuem cartão de crédito. elimina papéis./Mar. • contribuição para diminuir as diferenças entre países e culturas. Para os consumidores. Apesar dos benefícios. Revista ANGRAD . 2004.não foi muito significativa). há dificuldade do produtor/fornecedor gerenciar sua cadeia de suprimentos e distribuição. TREPPER. entre eles: • privacidade: como compatibilizar e manter a privacidade que o usuário espera com a qualidade de atendimento e o targeting que a internet pode permitir ainda é um desafio. 1. • facilita a competição. costumes e mercados diferentes. 2006 33 . como produtos digitais. • facilidade para a disponibilização de produtos e serviços por pequenas empresas ou por empresas isoladas geograficamente. 2001): • maior igualdade de acesso à informação e ao conhecimento. • melhora a imagem e os serviços ao cliente. de qualquer lugar do mundo. tem entrega rápida e os consumidores podem receber informações relevante e detalhada em segundos. podem ser elencados os seguintes benefícios (TURBAN e outros. • tem baixo custo de comunicação. N. o retrato brasileiro não deve ser muito diferente. formando comunidades eletrônicas para trocar idéias e experiências. • democratização do acesso a serviços públicos. • logística: a entrega precisa ser rápida e por um custo compatível. melhora a produtividade. simplifica processos. • segurança: não há muita tranqüilidade em comprar utilizando o cartão de crédito. • facilita a interação com outros consumidores. 2001): • possibilita que clientes possam comprar ou fazer outras transações 24 horas por dia. Embora este dado não possa ser generalizado para todo o país (a amostra – de 1200 pessoas .Também.V. o comércio eletrônico traz os seguintes benefícios (TURBAN e outros.

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• entrega dos produtos: ainda não há confiança de que os produtos vão chegar em bom estado de conservação e, caso isto não ocorra, que a troca ou devolução possa ser feita sem muita ‘dor de cabeça’; • a integração dos sistemas de comércio eletrônico com os aplicativos e bancos de dados existentes também é um desafio de dimensões desafiadoras; • a infra-estrutura de telecomunicações ainda precisa melhorar, para que o acesso à internet seja mais rápido (AMOR, 2000). Os benefícios e os riscos citados podem variar de intensidade, se ao invés da empresa atuar no comércio eletrônico tradicional de bens físicos, ela optar por comercializar produtos virtuais (LUCIANO e FREITAS, 2003).

3. Método de pesquisa
Este estudo explora um conjunto de dados secundários (artigos de congressos científicos, abordando o tema comércio eletrônico), o qual permitiu organizar uma base de dados qualitativos, com base nos quais se fez uso de técnicas de análise léxica e de análise de conteúdo para produzir sumarizações que permitissem evidenciar temas, tendências e mesmo necessidades de estudo. Os artigos selecionados são de renomados congressos nacionais e internacionais, exclusivamente sobre comércio eletrônico (por exemplo, artigos sobre internet não fizeram parte do escopo desta pesquisa), identificando título, sessão em que foram apresentados e as palavras-chave, para a partir disto identificar qual o tema abordado. Foram analisados 515 artigos, dos seguintes congressos: os norte-americanos AMCIS e ICIS, os europeus ECIS e BLED, o latino-americano CLADEA e o brasileiro ENANPAD, dos anos de 1997 a 2001. A tabela 1 lista o número de artigos por ano em cada um dos congressos. Tabela 1 – Número de artigos por ano e congresso
Revista/A no
AIS/AMCIS BLED ECIS ICIS ENANPAD CLADEA Total

1997
26 26 1 1 2 0 56

1998
41 24 6 2 2 0 75

1999
36 47 3 2 3 3 94

2000
79 17 5 6 3 4 114

2001
76 41 33 17 5 4 176

Total
258 155 48 28 15 11 515

Fonte: Dados do estudo

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Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa

Ao analisar cada um dos artigos, buscou-se identificar até cinco palavras-chave. Nos artigos que não citavam as palavras chave, a identificação das mesmas foi feita pelo título, por uma leitura nos subtítulos e chamadas no decorrer do artigo. O crescimento de publicações pode ser observado, de 56 artigos em 1997 para 176 artigos em 2001.Também, é possível observar na tabela 1 que os congressos americanos e europeus tem uma quantidade maior de papers do que o latino-americano e o brasileiro, bem como iniciaram mais cedo a publicação de artigos sobre comércio eletrônico. Mesmo assim, pode-se dizer que a produção na área já adquiriu uma certa constância, mesmo nos congressos com menor quantidade de publicações.

4. Resultados: o que já foi publicado sobre comércio eletrônico?
Ao analisar as palavras-chave de cada um dos artigos selecionados, foram emergindo categorias ou temas, nos quais estes foram classificados. Havia um conjunto inicial de categorias, que foi sendo aprimorado e mesmo ampliado no decorrer da análise. A fim de reduzir a subjetividade dessa etapa, essa classificação foi feita através da técnica de teste-reteste (FREITAS e JANISSEK, 2000), ou seja, houve uma primeira classificação e, após um certo intervalo de tempo, foi feita uma segunda classificação. Os resultados das duas etapas foram confrontados, chegando então ao conjunto final de temas ou categorias. Foram identificados 37 temas, conforme ilustrado na tabela 2, a seguir. Conforme pode ser visto no na tabela 2, os artigos ainda são bastante genéricos, não se atendo a aspectos mais específicos, de forma que uma grande quantidade de trabalhos foi classificada como sendo apenas sobre “e-commerce”, “e-business”, “internet/WWW” e “emarkets”. Em contrapartida, outros assuntos mais específicos não estão sendo muito abordados nas publicações. Observando os temas pesquisados em diferentes anos, observa-se um crescimento de citações para: redes e comunicações, sistemas de informação, tecnologia da informação, lojas virtuais, tecnologias para CE, logística e distribuição, segurança, e-procurement e comportamento do consumidor. Também, houve um acréscimo de citações para planejamento/estratégia e dificuldade/riscos, que cresceram na mesma proporção. Houve um decréscimo de citações aos temas EDI e redefinição de processos.

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Tabela 2 – Temas e número de artigos em que são abordados
Temas
E-commerce Internet/WWW E-business E-markets Aplicação em um setor Redes/comunicação SI TI E-shopping E-publishing/CRM E-tecnologia B2B Organizações virtuais Logística/distribuição E DI E-payment Informação Case empresa

A rtigos
252 145 56 43 41 25 24 24 21 20 20 19 19 17 17 17 14 14

Temas
Investimentos Impacto Segurança E-mail Dificuldades/riscos Aspectos estratégicos B2C Redef. Processos Benefícios Conhecimento Comp. Consumidor E-procurement Supply chain Value chain Aspectos culturais Informação Pivacidade ERP

A rtigos
13 12 12 11 8 8 7 7 7 7 7 6 4 4 3 3 2 2

Total de observações: 515. Total de temas: 751 *

Fonte: Dados do estudo * O total de temas é maior do que o total de observações por se tratar de uma questão de resposta múltipla.

A fim de refinar a análise, uma nova avaliação dos artigos foi realizada, onde se realizou um agrupamento dos artigos, que foram classificados em 10 categorias, obtendo a classificação mostrada na tabela 3.

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A figura 4 demonstra esta relação. N./Fev. a fim de relatar experiências vivenciadas. ainda se está no início do estudo do tema. por um lado./Mar.V. 7. faz-se necessário estudos mais específicos. Se. Jan. Ao se fazer um cruzamento da variável congresso com o tema. percebe-se a predominância de temas específicos em alguns congressos. o que de certa forma justifica os papers com enfoque mais genérico.Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa Tabela 3 – Agrupamento dos temas citados Temas agrupados Comércio eletrônico (genérico) Infraestrutura tecnológica Aplicação em um setor Marketing/vendas Impacto (interno e externo) E-learning Privacidade/segurança/pagamentos Intermediação Estratégia Legislação/taxas TOTAL DE CITAÇÕES Citações 214 91 63 40 28 26 21 15 10 7 515 Fonte: Dados do estudo Pode-se observar que boa parte dos artigos publicados se refere a comércio eletrônico de uma maneira geral. Figura 4 – Relação entre o Congresso e o Tema aaaaaaaaaaaaaa aaaaaaaaaaaaaa aaaaaaaaa aaaaaaaaa aaaaaaaaaaa aaaaaaaaaaa aaaaaaaa aaaaaaaa aaaaaaaaaaaa aaaaaaaaaaaa aaaa aaaa aaaa aaaaa a aaaaa aa a a aaaaaaaaaaa a aaaaaaaaaaa aaaaaaaaa a aaaaaaa a a aaaaaaa aa a a a aaaaaaaaaaaaa a aaaaaaaaaaaaa aaaaaaaaaaa a aa aa aaa aaa aaa Fonte: Dados do estudo Revista ANGRAD . 1. a fim de acumular conhecimento acadêmico e prático na área. 2006 37 .

ou seja. O tema ‘privacidade/segurança/pagamentos’ só foi citado no AIS/AMCIS e BLED. ICIS). Tabela 3 – Predominância dos temas em cada congresso Congresso AIS/AMCIS (258) Tema do artigo (os 3 mais citados) Comércio eletrônico (genérico) Infraestrutura tecnológica Marketing/vendas Comércio eletrônico (genérico) Aplicação em um setor Infraestrutura tecnológica Comércio eletrônico (genérico) Infraestrutura tecnológica Marketing/vendas Congresso ENANPAD (35) Tema do artigo (os 3 mais citados) Comércio eletrônico (genérico) Impacto (interno e externo) Marketing/vendas Comércio eletrônico (genérico) Aplicação em um setor Infraestrutura tecnológica Estratégia Comércio eletrônico (genérico) Infraestrutura tecnológica BLED (155) ICIS (28) ECIS (48) CLADEA (11) Fonte: Dados do estudo A pesquisa de questões gerais ao comércio eletrônico aparece em todos os congressos. seguidos pela América do Norte. BLED e ICIS. 38 Revista ANGRAD . A tabela 4 mostra essa relação. nos congressos norte-americanos e europeus e menos citado no ENANPAD e CLADEA. surge o tema infra-estrutura./Fev. onde pode ser identificado um certo perfil de temas privilegiados nos diferentes congressos. 2006 . Edimara Mezzomo Luciano e Henrique Freitas 4O item ‘comércio eletrônico (genérico)’ surgiu em bom número em todos os congressos. Já o ‘impacto (interno e externo)’ surgiu em todos os congressos. A Tabela 3 ilustra a predominância dos temas em cada congresso. BLED e ECIS. assim como ‘intermediação’ só foi citada nos AIS/AMCIS. Jan. observa-se uma grande supremacia em relação à quantidade de publicações por parte dos países do continente europeu.Mauricio Gregianin Testa. BLED. N. Já o ítem ‘Infraestrutura tecnológica” foi mais citado no AIS/AMCIS. tema este que nem foi abordado (ENANPAD e ECIS) ou foi pouco abordado (AIS/AMCIS. mas este congresso privilegiou artigos referentes a ‘estratégia’. Nos congressos europeus e no latino-americano. menos abordado no congresso brasileiro. 7./Mar. Em relação ao local de origem do autor de cada paper. ‘marketing/vendas’ só não foi citado no CLADEA. Os artigos abordando a ‘aplicação em um setor’ foram citados em todos os congressos. 1. O tema impacto é uma preocupação maior do congresso brasileiro. provavelmente.V.‘legislação e taxas’. com exceção do ECIS. com exceção do CLADEA. devido à escassez de recursos e particularidades culturais.

2006 39 . continentes historicamente menos favorecidos. a internet pode ser acessada por novos meios. mesmo porque. por outro lado./Mar. receber em casa. De fato.3% dos temas pesquisados nos artigos analisados). ele pode auxiliar países do terceiro mundo a aumentar as suas exportações. Ainda. a área ainda é recente. foram bem representados nos congressos./Fev. inaugurando uma nova era no mundo dos negócios. a Europa e a América do Norte lideram a quantidade de papers. em maior ou menor escala. pagar sem usar moeda em papel. 1. vendedor. 5. dinheiro. entre outros.V. A internet transformou a relação das empresas com seus clientes. pois muito do que conhecíamos sobre comprar e vender pode ser alterado. N. Considerações finais Estamos vivendo uma era sem igual no tocante a novas empresas. como o comércio eletrônico é algo sem fronteiras.Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa Tabela 4 – Continente de origem dos autores dos papers Local . melhorar a qualidade de vida. Como fatores limitantes desta pesquisa. pode-se considerar o fato de que as publicações analisadas são até 2001. Jan. necessitando de pesquisas científicas sobre temas específicos. desenvolver-se e. tais como telefones celulares (com tecnologia WAP) e dispositivos hand held. também.1% dos temas). relações e formas de realizar negócios. em conseqüência. alterando processos. Não há mais necessidade dos elementos clássicos para que ocorra uma venda: endereço físico. parceiros e fornecedores. micropagamentos (3. o que poderia representar uma base de dados um pouco Revista ANGRAD . formas de gerenciamento e comunicação.continente Europa América no Norte Oceania Asia América do Sul Africa América Central TOTAL CIT. Citações 266 135 50 41 21 1 1 515 Fonte: Dados do estudo Se por um lado. tais como segurança (2. Pode-se comprar sem sair de casa.3% dos temas se referem a e-payment). Ao mesmo tempo em que esta nova realidade é fascinante. ela merece atenção. funções. 7. já aplicados nas organizações e comentados no meio empresarial. Isso indica que o tema é de interesse global. e-procurement (1.

/Fev. (na maioria das vezes indisponíveis em web sites). novamente./Mar. Edimara Mezzomo Luciano e Henrique Freitas desatualizada. além da evolução dos temas ao longo dos anos. pretende-se tanto estudar os temas aqui indicados como lacunas. ao fornecer aos pesquisadores o acesso a um mapeamento dos temas atuais e tendências de pesquisa. a criação do banco de dados e a análise qualitativa dos resumos. bem como continuar a montagem da base de dados e a exploração da evolução dos temas. Como pesquisas futuras. como forma de embasamento na escolha dos temas de pesquisa.Mauricio Gregianin Testa. enfoques e mesmo necessidades de pesquisa. ainda com teste/reteste. O presente artigo analisou publicações nacionais e internacionais sobre comércio eletrônico. além de temas-chave. De acordo com a análise realizada. conforme mostrado na figura 5. buscando identificar os temas estudados.V. possíveis tendências. no entanto. Jan. Acredita-se que esta pesquisa possa contribuir. Figura 5: Temas-chave em CE e sua convergência com B2B e B2C 40 Revista ANGRAD . Dada a complexidade de localização de todos os papers. o que torna compreensível a necessidade de um tempo razoável para a realização da pesquisa e a redação do artigo. 2006 . um a um. 1. tendo estes diferentes níveis de complexidade. Tal postura refletiria na análise de temas essenciais com maior proporcionalidade. representa um esforço de pesquisa muito grande. N. 7. os dados parecem convergir para alguns temas: a diferença de enfoque e mesmo estrutura e planejamento das organizações que operam com business-tobusiness (B2B) ou business-to-consumer (B2C). evitando que temas já bastante pesquisados o sejam.

Anais./Fev. Já a discussão sobre novas atribuições dos profissionais é igual para B2C e B2B. 2001. Gurpreet. Business models for the computer industry for the next decade. FORGE. Revista ANGRAD . 2000. ALBERTIN. FRANCO JR. Simon. F. quais são de maior. Carlos. 2001. p. AMOR. A (r)evolução do e-business. eletronicamente. como para que as organizações entendam quais são os seus pontos cruciais de atuação.Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa As setas indicam. New York: McGraw-Hill. Florianópolis. 2004. Jerry Cha-Jan. onde o cliente é desconhecido e em maior quantidade do que em B2B. CHOI. 1. 41. a fim de minimizar seu impacto e maximizar seus benefícios. Information & Management. Jan. 7. A título de exemplo. E-business – tecnologia da informação e negócios na internet. Cambridge: Perseus Publishing. As organizações precisam repensar sua estrutura e diretrizes tecnológicas e os seus processos de negócio. onde os clientes são em número bem menor e mais conhecidos por parte da empresa cliente. 923-948.V. Internet business models and strategies. Michael. 2001. Esta análise pode auxiliar tanto na definição de um melhor escopo de pesquisa.Florianópolis: ANPAD. pois operar. Christopher. uma que o comércio eletrônico altera processos. v. p. 2006 41 . o tema segurança é mais crítico para B2C. 24.. Tendo em vista essa realidade ainda pouco conhecida. 577–584. DHILLON. exige o pensar e repensar de diversos componentes de gestão de uma empresa. B2B: How to build a profitable e-commerce strategy. 2000. Austin: SmartEcon Publishing. n. São Paulo: Makron Books. 25. Referências AFUAH. Allan. CHANG. Futures. Para acompanhar esse cenário complexo e em constante transformação. para cada um dos grandes temas de comércio eletrônico identificados através desta pesquisa. é meritório o desenvolvimento de novas pesquisas de cunho científico sobre temas que possam auxiliar as organizações a melhor planejar e gerir os seus negócios eletrônicos. TORKZADEH. 6. nov. N. rotinas e metodologias nas organizações que acabam por interferir nas atribuições profissionais de todas as operações voltadas a e-commerce./Mar. São Paulo: Atlas. Gholamreza.Andrew. CUNNINGHAM. 2000. TUCCI. Daniel. Reexamining the measurement models of success for Internet commerce. 2000.WHINSTON. 9. The internet economy: technology and practice. A evolução do comércio eletrônico no mercado brasileiro. n. v. jan. In: ENANPAD.. 2. Soon-Yong. 1993. é preciso compreendê-lo em todos os seus aspectos. menor ou igual complexidade para a atuação em B2B (business to business) ou B2C (business to consumer). Alberto L.

885-890.. Addison Wesley INC. 2000. FREITAS.1358-1361. New Jersey: PrenticeHall. 1. 1999. Electronic commerce: a managerial perspective. FREITAS. 7. TREPPER. Observando a prática de negócios na Internet: os casos do Submarino. E-business – estratégias para alcançar o sucesso no mundo digital. Henrique. Paulo. seqüenciais e recorrentes para análise de dados qualitativos. Edimara Mezzomo.br/read). Serviços bancários pela internet: uma proposta de avaliação integrada de competidores e clientes. Strategies for value creation in electronic markets: towards a framework for managing evolutionary change. Americas Conference on Information Systems. 2001. Efraim et al. 2000. Edimara Mezzomo Luciano e Henrique Freitas FREITAS. FRUHLING.. Henrique. 3-23. HACKNEY. Henrique. BURN. RAYPORT. R. COSTA. KALAKOTA. 1. Disponível em ibope. Porto Alegre/RS. ANPAD: Foz do Iguaçu. Raquel. 2004.com e Lokau.WHINSTON. SALAZAR.com. M. anais em CD-ROM. Tecnologia da Informação para Gestão. Mirian. 1. New York: McGraw-Hill. E-commerce. 2000. Editorial./Fev. fall 1996. B. Ephraim et al. ROBINSON. LUCIANO. Keng. 2002. Bernard. Edimara Mezzomo. 13. jan. maio de 2003. feb 2004 KALAKOTA. Henrique. n. Journal of Strategic Information Systems.ufrgs. International Journal of Electronic Commerce. SCHULTZ. Understanding the role of e-commerce in sales strategy. 2000.A. p. Pesquisa Jupiter/Ibope. LUCIANO. Cynthia. Jeffrey. Edimara Mezzomo. FREITAS. In. FREITAS. Henrique. Porto Alegre: Bookman. ZWASS. Porto Alegre: Read (http://www. OLIVEIRA. Porto Alegre/ RS: Sphinx. 2002. Grenoble/França: Anais do VIII AIM – Association Information et management. 1.br. JAWORSKI.. Americas Conference on Information Systems. p. 1997. Angel. SIAU. 91-103. In. M. Electronic Commerce Strategy – looking through the lenses of an innovation strategy model. 1999. MIREE. Anatalia S.. Análise léxica e Análise de conteúdo: técnicas complementares. n.: Anais do XXIII ENANPAD. 42 Revista ANGRAD . ANPAD: Campinas. 13. v. Ray.Mauricio Gregianin Testa.: Anais do XXV ENANPAD. Rio de Janeiro: Campus. Janice. As tendências em sistemas de informação com base em recentes congressos. Jan. A.adm. TURBAN. JANISSEK. 2001. 2000. R. Fabrício. Análise e seleção de uma solução de e-procurement para a empresa Innova S. n. Ann. N. p. TURBAN. LUCIANO.V./Mar. JANISSEK. Estratégias de e-commerce. Porto Alegre: Bookman. Eletronic Commerce: a manager´s guide.Vladimir. RAMOS..com. Raquel. Charles. In: CLADEA. v. E-commerce of virtual products: definition of a business model for the selling of software. 2006 . p.

Identificação dos Fatores Críticos de Sucesso em Instituição de Ensino Superior

Romualdo Douglas Colauto Doutorando em Engenharia de Produção Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC Endereço: Rua Acelon Pacheco da Costa, 295 - Apto 308, A Itacorubi – CEP 88034-040 Florianópolis – Santa Catarina – Brasil Telefone: (048) 334-7570 - Fax: (048) 331-9539 e-mail: rdcolauto@terra.com.br Caio Marcio Gonçalves Mestrando em Engenharia de Produção Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC Rua das Baleias Francas, 166 Apto 201 Jurerê Internacional – CEP 88053-515 – Florianópolis – Santa Catarina – Brasil Telefone: (48) 2668705 e-mail: caio@eps.ufsc.br Ilse Maria Beuren Doutora em Contabilidade e Controladoria pela FEA/USP Professora do Curso de Pós-Graduação em Administração – CPGA/UFSC Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC CEP 88010-970 – Florianópolis – Santa Catarina Telefone: (048) 331-9996 e-mail: beuren@cse.ufsc.br

Resumo
O artigo tem por objetivo identificar os fatores críticos de sucesso na percepção dos gestores e dos clientes como suporte ao processo de gestão, em uma instituição de ensino superior. Assim, realizou-se uma pesquisa exploratória com abordagem predominantemente qualitativa, por meio de um estudo de caso centrado em uma instituição de ensino superior. Na coleta de dados optou-se pela técnica de entrevista semi-estruturada aplicada aos níveis estratégico, administrativo e pedagógico. Após, aplicou-se questionário fechado aos alunos do curso de administração de empresas em uma instituição de ensino superior na Grande Florianópolis do Estado de Santa Catarina. A pesquisa contribui para identificar os

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Romualdo Douglas Colauto, Caio Marcio Gonçalves e Ilse Maria Beuren

fatores críticos de sucesso em âmbitos institucional e de clientes com vistas a possibilitar o alinhamento entre o planejamento estratégico e as expectativas dos clientes. Palavras-chave: Fatores críticos de sucesso. Processo de gestão. Instituição de ensino superior.

Abstract
This article has the objective to identify the critical factors of success in the perception of the managers and the customers as supporting the management process, in an institution of graduation.Thus, It was realised an exploration research with predomination qualitative aspects, by a study of case centred in an institution of graduation. In the Collection of data It was opted to the technique of interview half- structuralized applied to the levels strategical, administrative and pedagogical. After, close questionnaire was applied to the students of the course of business administration in an institution of graduation in the great Florianópolis of the State of Santa Catarina. The research contributes to identify the critical factors of success and customer to achieve the possibility of alignment between the strategical planning and the expectations of the customers. Key-words: Critical factors of success. Process of management. Institution of graduation.

1. Considerações iniciais
A existência de incertezas no processo de gestão reflete-se no conjunto de diretrizes estratégicas que se precisam ser viabilizadas na consecução dos resultados planificados. Nessa perspectiva, as organizações deparam-se com dificuldades para se adaptarem ao cenário competitivo, o que implica, não raras vezes, submeterem sua gestão à mudanças abruptas. Com isso, pode haver alterações que afetam sensivelmente os sistemas de controle, implicando inclusive na necessidade de conceitos e técnicas que possibilitem o adequado controle das atividades. As ameaças de novos entrantes no mercado e a confluência de necessidades informacionais mostram que planejar as estratégias, anualmente, não é mais suficiente para definir as ações rumo à competitividade. No cerne do processo do conceito empresarial, encontra-se a capacidade de criar novas estratégias que gerem riquezas constantemente, uma vez que o mercado está se adequando à globalização e às tecnologias de informação, reduzindo-se o tempo disponível para a tomada de decisões (HAMMER, 2001). O monitoramento do ambiente externo (mercado, concorrentes, clientes) e do ambiente interno (processos, tecnologias, fornecedores e conhecimento humano) precisa ocorrer de forma direta e constante no suporte ao processo de tomada de decisões. A

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Identificação dos Fatores Críticos de Sucesso em Instituição de Ensino Superior

identificação dos fatores críticos de sucesso, como um processo sistemático para agregação de valor aos bens e serviços, busca coletar informações estratégicas para apoiar a tomada de decisão. Caracteriza-se como um importante meio de auxiliar na administração das organizações. Os fatores críticos de sucesso podem ser entendidos como elementos determinantes para o melhor desempenho, pois, se a organização os identifica e consegue incorporá-los ao planejamento estratégico e ao sistema de informações, passam a complementar as atividades de análise competitiva. Segundo Stollenwerk (2001), esses estão sendo cada vez mais utilizados na formulação da estratégia em organizações que atuam em ambientes de transformações. Considera-se que uma das contribuições dos fatores críticos de sucesso é subsidiar o planejamento de caráter estratégico, sendo que estas informações ganham importância quando alinhadas aos objetivos institucionais. Uma das formas de otimizar o processo de gestão das instituições de ensino superior é monitorar continuamente os fatores de sucesso na consecução de planos estratégicos, pedagógicos e administrativos. Isso significa disponibilizar informações preditivas que subsidiem o processo decisório para uma dada situação. A identificação dos fatores de sucesso permite que as organizações focalizem, estrategicamente, suas ações e monitorem, continuamente, o ambiente sócio-produtivo em que atuam. Assume-se como pressuposto que as constantes mudanças provocadas pela evolução tecnológica e pelo desenvolvimento social e econômico dos países desafiam as organizações na capacidade de respostas às demandas do macro-ambiente. Simultaneamente, as entidades necessitam saber quais fatores precisam ser considerados para maximizar suas potencialidades e minimizar as ameaças, com vistas a aumentar a probabilidade de sucesso e sua continuidade. A inteligência competitiva auxilia na sistematização de dados, análise sobre os concorrentes, identificação das competências essenciais e no monitoramento dos fatores críticos de sucesso, que paralelamente promovem reflexos diretos na sua performance. O ambiente da era da informação, tanto para as organizações do setor de produção quanto para o setor de serviços, exige novas capacidades para assegurar o sucesso competitivo. O impacto, não obstante, é ainda mais revolucionário para as prestadoras de serviços. A capacidade de mobilização e de exploração dos ativos intangíveis tornou-se ainda mais decisiva do que investir e gerenciar ativos físicos. Considera-se que os ativos intangíveis proporcionam às organizações a possibilidade de: a) relacionamentos que convergem à fidelidade dos clientes e permitem a criação de novos segmentos de clientes e áreas a serem atendidas; b) lançamento de produtos inovadores, customizados e com qualidade e preços atrativos e ciclos de produção mais curtos; c) mobilização das habilidades e motivação dos funcionários para melhoria contínua; e, d) utilização da tecnologia da informação, bancos de dados e sistemas de informações (KAPLAN e NORTON, 1997).

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a fim de fornecer hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores”. b) facilitar a delimitação do tema de pesquisa. a inserção da universidade. em um modelo de gestão empresarial é premente para a diferenciação destas instituições no mercado. concorrentes. Um negócio precisa ser visto como um processo de satisfação do consumidor e. e ainda. que afetam as habilidades das organizações em obter os resultados planejados. as definições de mercado de um negócio devem ser superiores às definições de produtos. A identificação dos fatores críticos de sucesso na percepção dos gestores das instituições de ensino e na visão dos clientes auxilia na gestão universitária. esclarecer e modificar conceitos e idéias. tecnológicos. a partir da qual se podem tirar conclusões por meio de dedução lógica. Jan. Explica que “essas conclusões são em seguida comparadas entre si e com outros enunciados pertinentes. Nessa perspectiva. as unidades de negócios devem estabelecer um sistema de informação para rastrear as tendências e desenvolvimento de bens e serviços. por meio do monitoramento dos fatores críticos de sucesso do setor em que atuam. é um método para submeter uma idéia nova. as organizações definem seus negócios em termos de produtos. De acordo com Ayres e outros (1999). econômicos. 7. canais de distribuição. não justificada de algum modo (antecipação. redirecionar estratégias competitivas. Explica que uma unidade de negócio precisa monitorar as forças macroambientais. segundo Popper (1972. políticos. de modo a descobrir-se que 46 Revista ANGRAD . cabe aos gestores a identificação das ameaças e oportunidades associadas aos produtos. legais.64)./Mar. o artigo tem por objetivo identificar os fatores críticos de sucesso na percepção dos gestores e dos clientes. hipótese. De acordo com Kotler (1998). e possibilita visualizar os principais focos de atuação dessas instituições para. e d) descobrir um novo tipo de enfoque sobre o assunto. Procedimentos metodológicos O delineamento da pesquisa caracteriza-se como estudo exploratório. por exemplo. Caio Marcio Gonçalves e Ilse Maria Beuren Normalmente. 2. formulada conjecturalmente e. A abordagem lógica dedutiva. os consumidores. como um processo de produtos de bens e serviços. antes norteada apenas pelo enfoque acadêmico.33). 2006 . como suporte ao processo de gestão. o estudo exploratório tem por finalidade principal “desenvolver. De acordo com Tripodi. ainda.Romualdo Douglas Colauto.V. utilizando-se de fontes secundárias. 1. os atores microambientais importantes. Andrade (2002) elenca como finalidades substanciais: a) proporcionar maiores informações sobre o assunto que se vai investigar. Para cada tendência e desenvolvimento. sociais e culturais. pedagógico e administrativo. não apenas. Desse modo. como. sistema teórico ou algo análogo). Fellin e Meyer (1981. como os aspectos demográficos. p. nos níveis estratégico. concomitantemente. N. c) orientar a fixação dos objetivos e a formulação das hipóteses. fornecedores. p. com abordagem lógica dedutiva. Ao se referir à pesquisa exploratória./Fev. em uma instituição de ensino superior.

para a formação do marco referencial teórico e do estudo de caso. primeiro. que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção de variáveis inferidas das mensagens. optou-se. de acordo com Raupp e Beuren (2003)./Mar. No nível administrativo. A escolha do sujeito da pesquisa foi intencional em função da acessibilidade aos dados. realizou-se uma distribuição de freqüência e calculou o percentual de aceitação de cada uma das questões abordadas para identificar os fatores críticos de sucesso na percepção dos alunos. Salientam que o pesquisador tem a oportunidade de verificar in loco os fenômenos a serem pesquisados. o que representa uma amostra significativa para o universo pesquisado. obter indicadores quantitativos. descrever o conteúdo das mensagens. e administrativo.Identificação dos Fatores Críticos de Sucesso em Instituição de Ensino Superior relações lógicas (equivalência. 1987) explica que a análise de conteúdo pode ser entendida como um conjunto de técnicas de análise das comunicações que visa. 2006 47 . Utilizou-se a pesquisa bibliográfica. a fim de identificar os fatores críticos de sucesso na percepção do cliente. Por sua vez. N. por meio de procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição dos conteúdos das mensagens. No nível estratégico. Para a análise dos dados oriundos das entrevistas. centrado em uma única organização. ou não. Jan. Após. realizou-se entrevista com a Coordenadora Geral da instituição. localizada na Grande Florianópolis. Quanto aos procedimentos de coleta de dados. por aplicar um questionário fechado aos alunos da primeira à sétima fase do curso de Administração de Empresas da mesma instituição. busca explicar um problema a partir de referenciais teóricos já publicados. foram realizadas entrevistas semi-estruturadas em junho de 2004. Para isso. entrevistou-se o Diretor da instituição de ensino. de acordo com Cervo e Bervian (1983). a análise dos dados coletados por meio de questionário fechado deu-se por meio da tabulação dos dados e de tratamento estatístico simples.O estudo de caso. Trata-se de uma instituição de ensino superior privada. por meio de procedimentos sistemáticos e objetivos. predomina nas pesquisas em que se desejam aprofundar conhecimentos a respeito de uma situação específica. obtiveram-se 102 respostas. Bardin (1977 apud TRIVIÑOS. 7. comparabilidade ou incomparabilidade) existem no caso”. que possibilita compreender melhor o discurso. pedagógico. Da população de 142 alunos. Os fatores de sucesso no nível pedagógico foram obtidos com o Coordenador do curso de Administração de Empresas. Revista ANGRAD ./Fev. para identificar os fatores críticos de sucesso da instituição pesquisada em três níveis de gestão: estratégico. quinta e sétima fases.V. utilizou-se a técnica de análise de conteúdo. 1. A pesquisa bibliográfica. Tem por finalidade conhecer e analisar as contribuições culturais ou científicas do passado acerca de um determinado assunto ou problema. Pode ser utilizada independentemente ou como parte de uma pesquisa descritiva ou experimental. terceira. referente primeira. dedutibilidade. aprofundar suas características e extrair os momentos mais importantes.

não se atém a numerar ou medir unidades ou categorias homogêneas. 2001). O monitoramento contínuo auxilia a organização a prever situações inusitadas. Isto é. podem-se distinguir os fatores críticos de sucesso como uma característica do negócio. Isto significa dizer que a gerência deve voltar. Jan. irão assegurar um desempenho competitivo e de sucesso para organização./Fev. 7./Mar. para qualquer negócio. Por considerar tênues as diferenças conceituais entre as expressões fatores críticos e fatores chaves.77 apud STOLLENWERK 2002. continuamente. dessa forma. Vale dizer que na literatura recorrente há diversas interpretações e conceitos sobre fatores críticos de sucesso. Por meio do monitoramento e da avaliação da performance de segmentos de mercado e da dinâmica competitiva. conforme Richardson (1999). se satisfatórios. para o campo da pesquisa de negócios estratégicos. Hofer e Schendel (1978. criam sinais e mensagens. quatro visões de fatores críticos de sucesso podem ser distinguidas na literatura. outros como fatores críticos. p. como usado pela maioria dos autores. De acordo com Grunert e Ellegaard (1992). p.V. Caio Marcio Gonçalves e Ilse Maria Beuren Em relação aos procedimentos sistemáticos para a descrição e explicação dos fenômenos. como uma ferramenta de planejamento e como uma descrição do negócio. caracteriza-se pelo não emprego de instrumental estatístico como base no processo de análise de um problema. executam algum tipo de processamento para transformá-las em informação e as utilizam para se adaptarem às novas condições. O método qualitativo. N. Quando as decisões se baseiam nessas mensagens. As organizações detectam essas mensagens. Historicamente. 2006 . adota-se a expressão fatores críticos. os eventos. Fenomenologia dos fatores críticos de sucesso As mudanças. mais informações são geradas e transmitidas. sua atenção para os ambientes interno e externo. transferindo-se. mas qualquer movimento que tenha implicação na organização. não se deve restringir a monitorar os competidores. Alguns autores os tratam como fatores-chave. Normalmente.Romualdo Douglas Colauto. um neologismo em um quadro de divergências de ordem semântica. 1. a organização pode adotar ações estratégicas apropriadas em tempo real. o conceito originou-se do campo do gerenciamento de sistemas de informação. 48 Revista ANGRAD . nos quais os resultados. constantemente. o estudo se desenvolveu num ambiente que privilegiou a abordagem qualitativa. Rockart (1979) diz que os FCS são aquelas poucas áreas. as ameaças e as oportunidades no ambiente. posteriormente. configurando-se. 3. Assim. provocando novos sinais e decisões (MORESI. podendo variar de acordo com o ramo”.188) conceituam FCS como “variáveis cujo gerenciamento poderá afetar significativamente a posição competitiva de uma empresa dentro de seu ramo de atividade.

Porter (1996) define os FCS como um número limitado de áreas de uma determinada organização ou processo. pela sua natureza. consolidou-se como um instrumento de focalização estratégica para os sistemas de planejamento em geral. Por exemplo. argumenta que a primeira meta desses sistemas busca fornecer aos executivos o acesso fácil e imediato a informações sobre fatores críticos de sucesso de uma empresa. identificar variáveis-chave consideradas de impacto nos resultados da empresa. Jan. todavia. em 1976 e 1980. garantindo-se seu desempenho. Para o autor. Dearden e Vancil descreveram a utilidade dos FCS para elaborar projetos de sistemas gerenciais na área de planejamento e controle. se satisfatórios. em 1979. foi aplicado na área de planejamento estratégico e de sistemas de informação e. Inicialmente. ainda. em uma empresa que entrega documentos.70) explica que “os fatores críticos de sucesso são aquelas poucas áreas-chave nas quais tudo tem de dar certo para que o negócio prospere”. p. ele deve ser acompanhado de informações que permitam seu controle. 2006 49 . podem comprometer todo o sucesso de um plano ou de uma estratégia. Para Tarapanoff (2001. os FCS representam: os meios que garantem a realização dos objetivos da organização. 1. quase tudo pode ser um fator crítico./Mar. Albertin (1999) considera FCS como a base para a definição de informações gerenciais. p. b) se um fator é considerado crítico e recebe atenção e investimento. Além de reconhecerem que a metodologia do FCS provê informações sobre rentabilidade e outros indicadores de desempenho. sua estabilidade financeira e sua estratégia empresarial. N. dada sua eficácia. conseqüentes ações corretivas e de Revista ANGRAD . Ressalta. os FCS podem ser considerados sob três aspectos: a) o desempenho da organização será assegurando à medida que um fator considerado crítico receba devida atenção e investimento. sobre o modo como podem ser analisados. ou seja. Define FCS como aqueles decisivos para a consecução os objetivos estratégicos de uma organização. o cumprimento do prazo pode ser um fator crítico.Identificação dos Fatores Críticos de Sucesso em Instituição de Ensino Superior Rockart. consagrou o conceito de Fatores Críticos de Sucesso (FCS) ao propor uma nova abordagem metodológica para definir as necessidades de informações junto à alta administração das empresas. Price (1997. metodologia cujo ponto central era o mapeamento dos fatores críticos pelos executivos. a partir dos trabalhos pioneiros de Daniel (1961) e dos incrementos promovidos por Rockart (1979) e Bullen e Rockart (1981). Stollenwerk (2001) destaca que. nas quais os resultados.V. Destaca que. fatores que. Anthony.311). devendo ser considerados como ‘críticos’ e merecer atenção especial por parte da administração. poderia./Fev. que os FCS definem somente as áreas críticas e não todas as áreas importantes da organização. referindo-se aos sistemas de informação executiva. O´Brien (2002). 7. também. assegurarão desempenho superior. A partir do reconhecimento que os sinais do mercado exigem técnicas e que é preciso determinar uma metodologia sobre quais dados são essenciais e. Originam-se do que é fundamental para a sobrevivência da empresa: seus clientes. seu posicionamento.

especialmente. introduz o conceito de fator crítico de escolha e reforça que a identificação deste para uma certa área estratégica. 2006 . Nesse sentido. Considera-se que uma das contribuições dos fatores críticos de sucesso é subsidiar as informações de caráter estratégico. 1979) explica que os FCS são elementos de posturas essenciais. Caio Marcio Gonçalves e Ilse Maria Beuren melhoria./Fev. que ajudam a assegurar ou melhorar a posição competitiva da organização. que não está associada diretamente com pontos fortes ou fracos da instituição. sendo que estas informações ganham importância quando alinhadas aos objetivos institucionais. c) redefinir. O método tem sido aplicado. condições ou variáveis que devem ser monitoradas e gerenciadas pela organização para que ela fique bem posicionada em seu ambiente de competição. O gestor pode elencar os diversos fatores que afetam a indústria e o negócio. Essa matriz pode ser usada para 50 Revista ANGRAD . passam a complementar as atividades de análise competitiva. Os fatores críticos de sucesso consubstanciam-se em um método que auxilia na definição das necessidades dos gestores e especialistas de focarem questões estratégicas da empresa.V. e. 1. um ponto que não seja percebido externamente como um fator relevante no mercado. apud ROCKART. por meio de fatores críticos. Os fatores críticos de sucesso podem ser entendidos como elementos determinantes para o melhor desempenho. Jan. se a organização os identificar e conseguir incorporá-los ao planejamento estratégico. 3. as redes de inteligência e as fontes de informações necessárias.1. b) mapear as características exclusivas de uma organização. os FCS são usados. identificar as características. 7. N.Wanderley (1999. aos sistemas de informação. pois. encontrar a média desses valores para organizá-los em uma matriz. para: a) definir as necessidades de informações gerenciais. d) auxiliar na definição das habilidades. atribuindo-lhes graus e. segundo Stollenwerk (2001). heuristicamente. Finalidades dos fatores críticos de sucesso O método dos fatores críticos de sucesso tem por objetivo. para avaliar a atratividade da indústria e a força do negócio. ao contrário. Na perspectiva do planejamento estratégico. de acordo com Gomes e Braga (2001). Costa (2002) enumera algumas perguntas que podem servir de orientação para avaliar a competitividade e chama a atenção para o questionamento da velocidade de mudança dos FCS. e. Nesse contexto. os próprios executivos responsáveis pelo negócio devem definir os fatores. torna possível definir os objetivos e metas do sistema de inteligência competitiva nos negócios.Romualdo Douglas Colauto. a seguir. os mapas mentais dos gerentes. seu padrão de desempenho e as informações necessárias./Mar. O mapeamento das necessidades informacionais estratégicas. Alerta que pode ocorrer que um fator-chave seja exatamente um ponto fraco da organização. tecnologias e conhecimentos essenciais (competências essenciais). suas formas de medição. c) uma vez que o fator crítico deve estar intimamente ligado ao negócio da organização.

na qual se reconhece a importância de cada ramificação e a identificação das necessidades de informação. Sugerem a adoção de uma matriz que contemple os vários fatores que afetam a indústria e o negócio. Essa matriz visa avaliar as forças de um determinado negócio e comparar concorrentes em uma indústria./Fev.Identificação dos Fatores Críticos de Sucesso em Instituição de Ensino Superior avaliar as forças de um determinado empreendimento. arborescência. chamam a atenção para a exigência periódica e freqüente de atualização. Gomes e Braga (2001) sustentam que o método de FCS é utilizado para avaliar a atratividade da indústria e a força do negócio. podem estar relacionados com o ramo de negócio como um todo. 2003). 2006 51 . ou ser específico da empresa. Revista ANGRAD . 7. tecnologias e conhecimentos essenciais da organização (GOMES e BRAGA. Jan. devem ser extraídos do plano estratégico e utilizados para direcionar a coleta de dados e os esforços de análise. O método FCS visa identificar as características. como delineador das características exclusivas da organização até como auxiliar na definição das habilidades. Esses fatores./Mar. variando desde sua utilização como ferramental de definição das necessidades de informação. caracteriza-se pela dinamicidade. ao configurar-se como um instrumento que possibilita a comparação das ações empregadas nos ambientes interno e externo. Quanto à hierarquia. destacam a rapidez e baixo custo de focalização estratégica como vantagem e a superficialidade como limitante do método. Acrescenta que o sucesso do método é proporcional à correta identificação e listagem dos fatores críticos de sucesso. 2001). Como instrumento de suporte para formulação de estratégias das organizações.Wanderley (1999) assinala que os FCS podem auxiliar no seu mapeamento. Seguindo na apresentação das características dos FCS. que descrevem o que uma organização deve fazer bem para ter sucesso em uma dada indústria. condições ou variáveis que deverão ser monitoradas e gerenciadas pela organização para que ela fique bem posicionada em seu ambiente de competição. tornando-se possível definir os objetivos do sistema de informação de negócios. Essas características remetem os FCS à revisão e avaliação sistemáticas e ao desdobramento em árvore de pertinência. as redes e fontes de informação. analítica e de realização de diagnóstico. N. médio custo e requer dos gerentes as habilidades conceitual. ressalta que os FCS apresentam pequeno tempo de desenvolvimento e moderado tempo de execução. A aplicação dos FCS apresenta natureza eclética. outros se referem a determinadas unidades de negócio de uma empresa (STOLLENWERK. se dispor de uma lista correta dos fatores críticos de sucesso. Os fatores chaves de sucesso fornecem a fundação para o desenvolvimento do plano estratégico (SANTOS. sendo que os FCS são sistematicamente hierarquizados. Salientam que o método dos FCS somente é um instrumento útil ao sistema de informação. 1. 2001).V. A partir dos trabalhos de Prescott e Grant (1988). Ainda no que se refere às informações estratégicas.

os competidores têm pouca ou nenhuma influência. São atribuições temporárias. depois de analisados. Estes podem afetar todos os competidores dentro de uma indústria. reguladores e políticos que impactam o mercado.Romualdo Douglas Colauto. b) estratégia e posicionamento competitivo do negócio. Fontes de fatores críticos de sucesso Os fatores críticos de sucesso devem ser identificados por meio da aplicação dos princípios e/ou definições com base em pesquisa teórica. aspectos demográficos. Fatores ambientais externos representam as influências macroeconômicas que afetam todos os competidores dentro de uma empresa e. Jan. Os ambientais são aqueles que influenciam. os FCS podem ser extraídos do plano estratégico e utilizados para direcionar a coleta e análise de dados. em alguns casos. o que impossibilita garantir algum diferencial estratégico competitivo unilateral. apud GRUNERT e ELLEGAARD. Bullen e Rockart (1981. todos os negócios. Embora o nível de controle que o negócio tenha sobre esses fatores seja reduzido. publicidade negativa. c) fatores ambientais externos. mas sua influência varia de acordo com as particularidades e sensibilidade dos segmentos empresariais. O monitoramento desses fatores significa a antecipação de oportunidades. de alguma forma./Mar. crises causadas por acidentes. políticas econômicas e legislação. escassez de recursos ou mesmo a perda de posição no mercado. e) posição administrativa. são raramente considerados como críticos para fins de inteligência. tem-se o processo de recrutamento. segmenta e caracteriza-os em: a) ambientais. d) fatores temporais. sobretudo. Os fatores críticos de sucesso na indústria ou ramo de negócio representam as características de demanda. Esses dados. fatores econômicos. Como exemplo. c) organizacionais./Fev. às atribuições de seu cargo que exige a associação dos fatores críticos. Por exemplo. 2006 . pois se aplicam a todas as organizações. se transformam em informações estratégicas e táticas. contratação e capacitação de pessoas ou a eficiência geral e o controle de custos das organizações.Tais condições podem favorecer o crescimento mais rápido da empresa em relação a seus concorrentes. Segundo Santos (2003).2. Os fatores temporais dizem respeito às áreas do negócio que demandam um certo tempo para implementar uma estratégia. 1. Os fatores concernentes à posição administrativa são situações relacionadas a um determinado gerente e. tecnologia empregada. em função da falta de administradores especialistas ou de trabalhadores qualificados. e. sobre os quais. todavia. N.V. Caio Marcio Gonçalves e Ilse Maria Beuren 3. b) empresariais. Esses fatores. geralmente. Os fatores relativos à estratégia e posicionamento competitivo do negócio são aqueles históricos determinantes e o posicionamento competitivo do negócio. 52 Revista ANGRAD . utilizando as diversas fontes de dados disponíveis e serem complementados com pesquisas de campo. Para exemplificar. Desse modo. 7. Os empresariais são comuns a todas as organizações. características de produto. 1992) distinguem cinco fontes de fatores críticos de sucesso: a) indústria ou ramo de negócio. d) setoriais. seu impacto pode ser substancial. para nortear o projeto e a operacionalização do empreendimento.

perfis de recursos e análise das competências essenciais. 4. o aumento da demanda pelo ensino superior propiciou oportunidade de ingresso de instituições de ensino privado. CONSENTINO e QUEIROZ. Os setoriais são relativos aos mercados que estão sendo servidos ou os fatores específicos relativos às organizações naqueles mercados. 1. em última análise. focar o planejamento estratégico de modo a elevar suas ações para torná-las competitivas frente às oportunidades e ameaças./Fev. A avaliação dessa segmentação fornece uma quantidade razoável de dados e informações que podem ajudar no monitoramento de questões estratégicas em cada ramo de negócio. 2001). No Brasil. nos níveis estratégico. Com o processo de abertura do mercado e dos dispositivos legais. se aplicam a um determinado setor. para subsidiar o processo decisório. a segmentação dos fatores críticos permite avaliar o impacto do ambiente e analisar comparativamente uma organização em relação aos seus sistemas de operações internas. centros universitários. Um FCS setorial poderia ser a competição por custos. podem garantir o fluxo de informação. Como exemplo. em detrimento de um modelo concentrador. ou seja. quando aplicados no processo de gestão de instituições de ensino superior. uma identidade relacionada ao empreendimento em particular. A instituição social caracteriza-se por apresentar estabilidade e durabilidade de sua missão e repousa sua estrutura em normas e valores do grupo ou sociedade em que se insere (COLOSSI. houve um crescimento na participação de instituições privadas. explorar com critério as áreas de maior e menor desenvolvimento da empresa. Os fatores críticos de sucesso. qualidade.V. Jan. gerando maior necessidade de controle em função da delegação das atividades por parte do governo às instituições privadas. Na perspectiva includente. As quatro segmentações dos fatores críticos de sucesso têm uma característica em comum. administrativo e pedagógico. isto é. ao setor e em relação a outras empresas. faculdades e institutos ou escolas superiore./Mar. 7.Identificação dos Fatores Críticos de Sucesso em Instituição de Ensino Superior Os fatores organizacionais definem.s de modelo includente. conseqüentemente. o projeto de arquitetura para uma determinada organização. flexibilidade ou tempo de reação. Em nível de educação superior. ampliando o número de vagas e. Esse conjunto de elementos integrados permite identificar as principais áreas nas quais as instituições de ensino devem concentrar seus esforços e. pelas universidades. Com esse propósito. de forma a identificar forças e fraquezas. assim. 2006 53 . N. O ambiente do ensino superior O processo de globalização e as tecnologias de informação e comunicação têm impelido as instituições educacionais a uma redefinição do seu papel. esses condicionantes determinam a adoção. concebe-se educação superior como uma instituição social que apresenta como propósito a formação intelectual e científica da sociedade em que está inserida. Revista ANGRAD .

c) criação de ambiente favorável ao 54 Revista ANGRAD . e) nova visão de futuro. Panozzi (2003) pontuam que as organizações buscam no processo de aprendizagem contínua uma forma de construir inteligência corporativa competitiva. Jan. Considerando as mudanças tecnológicas e o cenário evolutivo da educação. Em face de novos entrantes no mercado e do aumento da oferta de vagas. a educação brasileira passa por mudanças decorrentes da aplicação de dispositivos legais. 1. em específico. 1988.Romualdo Douglas Colauto. na oferta de cursos de formação plena./Fev. CONSENTINO e QUEIROZ. A partir daí. Nas raízes da expansão do ensino superior. observa-se a predominância dos critérios de busca de atendimento de necessidades voltadas para o mercado com predominância dos interesses econômicos. b) autonomia universitária. Gonçalves. as instituições educacionais envolvidas num contínuo processo de inovação. f) relação com a sociedade e o mundo do trabalho. d) responsabilidade institucional e social. Os cursos de graduação. 2006 . N. de acordo com Santos (1999). 2001). Nessa perspectiva. Consoante às tendências do mercado profissional. LDB. com sobreposição de conteúdo para justificar a extensão da carga horária. em detrimento das ações que privilegiem os aspectos sociais e o atendimento de minorias (COLOSSI. apresentavam um currículo extenso. atividade anteriormente exclusiva da academia. b) articulação da subjetividade com a objetividade. fundamentam suas políticas em princípios: a) cidadania como patrimônio universal. O fato é que essa defasagem passa a demandar o monitoramento da regulamentação do ensino e dos anseios do mercado de trabalho. a educação em nível superior passa a se ancorar em investimentos de iniciativa privada. com ênfase para a delegação parcial das atribuições governamentais à iniciativa privada (CONSTITUIÇÃO FEDERAL. g) empreendedorismo./Mar. h) excelência no ensino. responsável por oitenta por centro das vagas oferecidas. Com isso. em função da estruturação organizacional. em passado recente. Explicam.V. Isso pode trazer risco de mercantilização do ensino superior. enquanto se acenava para a adequação dos currículos às necessidades do mercado. às vezes. cursos com carga horária reduzida e que atendessem a problemas emergentes. aumentaram a necessidade de desenvolver meios para identificar os atores e suas forças a fim de implementar estratégias que permitissem melhorar o posicionamento competitivo. que. 1996). participando ativamente do processo de ensino-aprendizagem e compartilhando responsabilidades com instituições de ensino. como por exemplo. Abreu. 7. incitando as instituições de ensino superior para: a) incorporação de metodologias inovadoras e ativas. ainda. A nova legislação aponta para a conciliação entre os aspectos econômico e social. as instituições de ensino superior foram forçadas a conviver com o acirramento da concorrência. c) ética na atividade humana. Caio Marcio Gonçalves e Ilse Maria Beuren O ensino superior privado brasileiro esteve focado. as empresas têm caminhado rumo à adoção de um modelo de educação híbrido.

A instituição caracteriza-se por uma estrutura funcional. justificando a identificação dos fatores críticos de sucesso para a elaboração de seu planejamento estratégico. uma classificação com segmentação específica para a instituição. na qual se realizou a pesquisa. administrativo e pedagógico. empresariais. departamentalizada nos níveis estratégico./Fev. 2000). organizacionais e setoriais. 7. administrativo e pedagógico. por considerar que o ambiente apresenta-se de forma recessiva em função da diminuição do poder de compra de seus clientes. Atualmente. 5. d) indissociação do ensino-pesquisa-extensão.Identificação dos Fatores Críticos de Sucesso em Instituição de Ensino Superior exercício das atividades acadêmicas. Os fatores de sucesso organizacionais foram categorizados nos níveis estratégico. O Quadro 1 evidencia os fatores críticos de sucesso da instituição pesquisada. desenvolve atividade de ensino superior na Grande Florianópolis no Estado de Santa Catarina. Descrição e análise dos dados coletados A instituição. Por sua vez. Jan. Os princípios e valores norteadores do novo modelo educacional convergem para a profissionalização de operações. A identificação dos fatores críticos de sucesso implica no apontamento das necessidades de informação da organização. f) interdisciplinaridade. g) aceleração da educação (VEIGA. 1.V. provocam o desenvolvimento de modelos de gestão capazes de reconhecer vantagens competitivas e de desafiar a competitividade institucional. Encontra-se em estágio inicial de implantação. N. e) integração curricular. possui aproximadamente quinhentos alunos. É mantida por uma sociedade educacional privada e sem fins lucrativos e oferece doze cursos de ensino superior. Embora a literatura classifique os fatores críticos de sucesso em ambientais./Mar. 2006 55 . neste trabalho. Revista ANGRAD . dado o objetivo da pesquisa restringir os fatores críticos de sucesso à dimensão organizacional. adotou-se.

apesar de ser um fator de sucesso. Vale explicar que a pesquisa envolveu cinco alternativas de questionamento quanto à percepção dos fatores. declina uma posição de indiferença pela variável. N. na opção “indiferente”.Romualdo Douglas Colauto. Jan./Mar. O item “não concordo” denota que o cliente apresenta alguma restrição quanto a inserção do item como fator crítico de sucesso. considerados relevantes pelos clientes. E ainda. 56 Revista ANGRAD . 1. A alternativa “concordo totalmente” considera que o cliente não apresenta nenhuma restrição quanto ao enquadramento da questão como fator crítico de sucesso. A identificação dos fatores críticos de sucesso na percepção dos clientes. 7./Fev.V. Na alternativa “concordo”. Caio Marcio Gonçalves e Ilse Maria Beuren Quadro 1 . apresenta alguma restrição. O cliente. busca ampliar o escopo dos fatores críticos de sucesso da instituição para alinhar o planejamento estratégico às necessidades dos clientes. 2006 . a alternativa “discordo totalmente” implica em haver restrições suficientes para não considerar o item como fator crítico de sucesso. conforme demonstrado no Quadro 2.Fatores críticos de sucesso na percepção da instituição de ensino NÍVEL ESTRATÉGICO Localização geográfica Tradição da instituição Imagem da organização Garantia de reconhecimento do curso Valor de mensalidade menor que a concorrência Parceria com outra instituição de ensino superior de reconhecimento nacional NÍVEL A DMINISTRATIVO Infra-estrutura Campanha publicitária periódica Serviços de secretaria e de pessoal NÍVEL PEDA GÓGICO Qualificação do corpo docente Atualização do corpo docente Interação da coordenação com o corpo discente Integração dos alunos com a instituição Metodologia aplicada à realidade do mercado de trabalho Fonte: elaborado pelos autores.

Identificação dos Fatores Críticos de Sucesso em Instituição de Ensino Superior Quadro 2 . atividade desportiva. Com o objetivo de comparar a percepção dos fatores críticos de sucesso entre níveis institucional e do cliente. número de alunos por sala) Tradição da instituição Promoção de eventos (congressos. encontros e simpósios) Valor da mensalidade Concordo totalmente 3% Concordo 38% Indiferente 28% Discordo 16% Discordo totalmente 14% 3% 19% 25% 26% 27% 16% 24% 17% 32% 11% 4% 36% 38% 13% 11% 12% 48% 22% 12% 7% 3% 20% 38% 25% 14% 3% 17% 28% 23% 29% 29% 36% 11% 17% 8% Localização geográfica 48% 22% 15% 9% 6% Horário das aulas 44% 37% 10% 6% 3% Carga horária total do curso Exigências acadêmicas para conclusão do curso 9% 38% 33% 11% 10% 9% 48% 29% 11% 4% Fonte: elaborado pelos autores.Índices dos fatores críticos de sucesso na percepção dos clientes FATORES PESQUISA DOS Recursos físicos (laboratórios de informática. 2006 57 . N. convênios para estágio. apresentam-se. administrativo e pedagógico. Jan. acervo bibliográfico) Serviços adicionais (cursos de idiomas./Fev. 1. programa de iniciação científica) Qualificação do corpo docente Serviços administrativos e suporte técnico Qualidade do curso (imagem. processo seletivo. empresa júnior. no Quadro 3. seminários. 7. relacionado-os com a percepção do cliente. Revista ANGRAD ./Mar. os fatores críticos de sucesso estratégico.V.

tais como: (1) garantia do reconhecimento do curso. 1. o valor da mensalidade e a metodologia de ensino aplicada à realidade de mercado constituem-se em fatores críticos de sucesso. Caio Marcio Gonçalves e Ilse Maria Beuren Quadro 3 . (2) parceria com outra instituição de ensino superior de reconhecimento nacional. (3) campanha publicitária periódi- 58 Revista ANGRAD .Comparação entre os fatores críticos de sucesso institucionais e do cliente PERCEPÇÃ O DA INSTITUIÇÃ O Nível estratégico Localização geográfica Tradição da instituição Imagem da organização Garantia de reconhecimento do curso Valor de mensalidade menor que a concorrência Parceria com outra instituição de ensino superior de reconhecimento nacional 70% 23% 60% Não apontado 65% Não apontado PERCEPÇÃ O DO CLIENTE Nível administrativo Infra-estrutura Campanha publicitária periódica Serviços de secretaria e de pessoal 41% Não apontado 40% Nível pedagógico Qualificação do corpo docente Atualização do corpo docente Interação da coordenação com o corpo discente Integração dos alunos com a instituição Metodologia aplicada à realidade do mercado de trabalho 40% Não apontado Não apontado Não apontado 57% Fonte: elaborado pelos autores. Vale ressaltar que os fatores apontados pela instituição como determinantes de sucesso. não foram contemplados pela maioria dos alunos. serviços de secretaria e de pessoal e a qualificação do corpo docente. considerados fatores críticos de sucesso pela instituição. A tradição. Jan. 7.Romualdo Douglas Colauto. N. A descrição dos dados mostra que a localização geográfica./Fev. infra-estrutura. a imagem da organização. embora. 2006 .V. tanto pela instituição quanto pela maioria dos clientes./Mar.

São varáveis cujo gerenciamento pode afetar. Os fatores críticos de sucesso podem ser entendidos como um método que auxilia na definição das necessidades dos gestores e especialistas e no estabelecimento de foco nas questões estratégicas da empresa. não descaracteriza os itens como fatores críticos de sucesso. observou-se que a maioria dos fatores identificados nos níveis estratégicos. atividades desportivas. (4) atualização do corpo docente. Nota-se que esses itens contemplados pelos alunos não foram considerados fatores de sucesso pelos níveis estratégico. programa de iniciação científica). 2006 59 . de forma significativa. no que se refere aos serviços adicionais (cursos de idiomas.Assim. Jan. Com relação ao objetivo de identificar os fatores críticos de sucesso em uma Instituição de Ensino Superior. Assim como. Entende-se que os fatores críticos de sucesso corroboram na coleta. considerados pelos estudantes. considerados críticos pelos estudan- Revista ANGRAD . Isto remete à necessidade de criação de novas técnicas e métodos que auxiliem no processo de gestão. uma vez que o questionário foi aplicado antes de realizar a entrevista com os gestores dos três níveis. a expressão “não apontada”. posto que esses itens não constavam no questionário aplicado aos alunos. 7.Identificação dos Fatores Críticos de Sucesso em Instituição de Ensino Superior ca. Quanto à percepção dos alunos. administrativo e pedagógico) não foram. consideraram que o horário das aulas e a carga horária total do curso representam diferenciais de sucesso para a instituição. 1. 24% concordam que esse recurso é fator crítico de sucesso. Outros. procedimentos pedagógicos e administrativos adotados estão sendo contemplados no processo de gestão da instituição de ensino superior. assim. N. administrativos e pedagógicos converge à percepção dos clientes. A identificação dos fatores críticos de sucesso na percepção da instituição e dos clientes permite alinhar as estratégias da instituição à consecução dos objetivos constitutivos. E ainda. Considerações finais A sobrevivência e o desenvolvimento das empresas no atual contexto requer a capacidade de reagir às mudanças e. ao mesmo tempo. 81% e 47%. análise e mensuração de dados estratégicos em áreas que os gestores consideram críticas para o sucesso do empreendimento. (6) integração dos alunos com a instituição não foram questionados aos alunos. (5) interação da coordenação com o corpo discente./Mar. a posição competitiva das empresas dentro de seu campo de atuação. denotando uma limitação da pesquisa. respectivamente. Os procedimentos da técnica triangulação possibilitaram apontar alguns dos fatores considerados como críticos nos níveis institucional (estratégico./Fev. analisar se as expectativas dos alunos quanto aos recursos.V. referenciada no Quadro 3. administrativo e pedagógico. prever tendências do mercado de forma a antecipar-se em suas estratégias. convênios para estágios.

Como preparar trabalhos para cursos de pós-graduação: noções práticas.Romualdo Douglas Colauto.1. CD-ROM. Rio de Janeiro–RJ: FINEP. Organização do texto: Juarez de Oliveira. São Paulo: Atlas. 1. 2003. BERVIAN. Gestão estratégica. Revista PEC Programa de Educação Corporativa. ed. Maria Margarida. 2001. Out. jan. Com o monitoramento das ações estratégicas. QUEIROZ. administrativas e pedagógicas. experiências. GRUNERT. COLOSSI. Aldo. Jan. Curitiba-PR. 2002. 1992. Constituição. Caio Márcio. CERVO. 7. Assim. 1990. Alcino.br/webensino/ >. PAGNOZZI. elas absorvem informações./ abr. 2002. 4. ed. v. p. transformam-nas em conhecimento e agem com base nessa combinação de conhecimento. 2001. I. Fernando Arduini. GOMES.. Constituição da república federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. Metodologia científica: para uso dos estudantes universitários./Fev. as ações que agregam valor na ótica do cliente. 2003. Rio de Janeiro: Campus.49-58. CONSENTINO. ALBERTIN. Nelson. COSTA. n 1. Etty Guerra de.3. Administração de informática: funções e fatores críticos de sucesso. as instituições de ensino superior podem agregar maior valor à estrutura interna da instituição e. Caio Marcio Gonçalves e Ilse Maria Beuren tes. acredita-se que a pesquisa mostra uma das possibilidades de alinhar. Eliezer Arantes da. estrategicamente. Anais. Rio de Janeiro. MAPP working paper. Curitiba. À medida que as organizações interagem em seus ambientes. 1999. ANDRADE.. BRASIL. Alberto Luiz. conseqüentemente. Acesso em: 11 jun. São Paulo: Atlas. AYRES. 60 Revista ANGRAD . 1999. valores e regras internas. Leila. Base conceitual e prática para implementação de um sistema de inteligência competitiva em uma universidade particular. n. The concept of key success factors: theory and method. Mudanças no contexto do ensino superior no Brasil: uma tendência ao ensino colaborativo. n. Disponível em: <http:// www. In: Workshop Brasileiro de Inteligência Competitiva e Gestão do Conhecimento. Revista FAE Business School. 1999./Mar. jan. Aline França. et al. p. GONÇALVES. não fazem parte do elenco daqueles mapeados pela instituição. São Paulo: Saraiva. São Paulo: Saraiva. Elisabeth.labsad. Inteligência competitiva: como transformar informação em um negócio lucrativo. 5. aos clientes. ELLEGAARD. Referências ABREU. 4. N. 1983. Klaus G. 2006 .V.47-58. v. 3. ed. buscando identificar as informações como uma ferramenta para alavancar sucesso organizacional e criar diferenciais competitivos que sustentem sua permanência no mercado.ufsc. Charlotte. BRAGA. Amado Luiz.. Tecnologia da informação e educação corporativa: contribuições e desafios da modalidade de ensinoaprendizagem a distância no desenvolvimento de pessoas. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil. Fabiane. 4./ dez.

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/Mar. n.Romualdo Douglas Colauto.190-199. Ciência da Informação. Um instrumento de macropolítica de informação: concepção de um sistema de inteligência de negócios para gestão de investimentos em engenharia. 1. 62 Revista ANGRAD .2. N. Jan. mai. 2000. v. Brasília.40-68.28./Fev. 7. Campinas: Papirus.V. 2006 . WANDERLEY./ago. Caio Marcio Gonçalves e Ilse Maria Beuren na educação superior: do projeto pedagógico à prática transformadora. Ana Valéria Medeiros.1999. p. p.

Jan.La Administración y su Enseñanza: ¿Entre Doctrina y Ciencia? Prof. Más de quince años de estudios. argumentativamente defender una enseñanza de la administración menos peligrosamente ideológica. N. y más que nunca. con el fin de ampliar el debate. se estaba poco convencido no sólo de la universalidad y precisión de los contenidos de los programas de administración.y tanto más interesante cuanto raro en su género – a propósito de la enseñanza y la pedagogía en administración. Continuando en el camino por él iniciado intentaremos. Lo menos que puede deducirse de esta especie de toma de posición es que. de la Escuela de Altos Estudios Comerciales de Montreal. Omar Aktouf HEC ./Mar.los cursos llamados ‘técnicos’. Vuillez (1978). formar administradores que no estén llenos de certezas. 7.Canadá Capítulo do livro Administración Y Pedagogia Primera Edición: Marzo de 2000 © Fondo Editorial Universidad EAFIT ISBN 958-9041-49-3 Debemos al profesor Alain Chanlat (1981). Finalmente. más autenticamente científica y humanista. sino también y sobre todo de la Revista ANGRAD . a nuestro turno. a finales de los años setenta.. declaró que la filosofía futura que regiría la enseñanza en su institución se inspiraría en los grandes principios siguientes: .. un análisis muy instructivo . práctica y enseñanza en la administración nos plantean interrogantes que consideramos un deber compartir.École des Hautes Études Commerciales de la Universidad de Montreal . Dr./Fev. director de la Escuela de Altos Estudios Comerciales de París. en cantidad y en importancia relativa. 1. Hace algunos años C.. menos dogmática y más cálida. 2006 63 . formar en conocimientos generales y disminuir..Ofrecer esquemas flexibles de comprensión con el fin de que los jóvenes estén más capacitados para resolver un cierto número de problemas.V.

M. Jan.. sistematizado. Skinner. en el que el hombre está definitivamente desterrado. permanece en el nivel del proceso llamado «integrado». 1976. hasta los años veinte. Braverman. 2006 . 1971. entre ellos Arkwright. Fayol (1962) en favor de la enseñanza de la administración para desarrollar la «capacidad administrativa » de los dirigentes y su invitación a la constitución de una «doctrina» de la administración nos muestran que. Godelier. La Revolución Industrial nos muestra que estos héroes. 1977. La amplia defensa de H. como contenido. Fayol y Urwick. la habilidad que manifestaban algunos para mantener a los artesanos en la «fábrica» y para hacerlos producir. En primer lugar.. 1973.N. que con el tiempo se ha. J.. diremos que la administración./Mar.). 1970. W. Es en esta perspectiva de la constitución del saber y de la influencia sobre lo que ocurre en la fábrica que queremos problematizar la enseñanza de la administración: ¿cuáles son sus fundamentos y contenidos? La administración como contenido y materia de enseñanza Aquí planteamos la pregunta de la definición de la administración como «materia» dotada de unidad y coherencia y como «materia enseñable». Mintzberg. la conducción de las empresas era un asunto puramente personal e intuitivo. L.V.f. 1984) que deploran la separación de las teorías administrativas en relación con la «realidad» que pretenden representar. pero que sólo era. Sayles. 1.. al comienzo. desde Taylor. En todo caso. contribuyeron esencialmente disciplinando y organizando 64 Revista ANGRAD . al menos a título de input particular (c. ¡ legitimándose en esta separación!.. y desde los mismos templos norteamericanos de las «ciencias administrativas»../Fev. el mundo industrial es acusado regularmente por ser un universo de «cosas» y de gestión de «cosas». nos daremos cuenta de que aquello que nos esforzamos por enseñar en nuestras escuelas de administración proviene de una actividad.. N. más o menos. Se constata cada vez más que la práctica de la administración tiene muy poco que ver con lo que se enseña en las instituciones ad hoc: y esto tanto en las escuelas como sobre el terreno (Friedrich. 1981). se elevan voces (L. «la organización» y la «dirección». Behrman y R. «humanamente» viable. que es aquél que va desde la «planificación» hasta el «control» pasando por la «decisión».Omar Aktouf pertinencia de estas enseñanzas con relación a su objetivo: una administración de las empresas «económicamente » eficaz y.. Por otra parte. Cada una de estas actividades da lugar a la posesión de una o varias «herramientas» destinadas a hacer que las tareas se hagan mejor y más rápido. Sfez. 7. ¿Nos sorprenderíamos entonces del fracaso de nuestra búsqueda de una definición diferente a aquéllas que consisten en una enumeración de actividades? Si miramos un poco la historia y los primeros hitos fayolianos. 1976. H. Levin. H.

que el primer esfuerzo de sistematización de la enseñanza de la administración conserva el término «doctrina» y no el de «ciencia» o «ciencias».. Esta definición parece bastante acertada para caracterizar el corpus teórico de la administración. de reglas. orientar y dirigir la acción de los hombres en materia religiosa. la condición explícita de la «enseñabilidad de la actividad administrativa». 7. Un poco más adelante define lo que entiende por «doctrina consagrada»: Un conjunto de principios. por lo menos.. decía: La verdadera razón de la ausencia de la enseñanza administrativa en nuestras escuelas profesionales es la ausencia de doctrina.. 1..V. y la historia nos muestra cómo se constituyó en este dominio su vocación primera: el servicio al comerciante transformado en «fabricante-mercader».La Administración y su Enseñanza: ¿Entre Doctrina y Ciencia? la mano de obra para obtener. uno de los primeros autores que afirmó la «necesidad y la posibilidad de una enseñanza administrativa». Braverman. sólo los métodos y los instrumentos han evolucionado: se trata siempre de maximizar la proporción del factor trabajo. 1959./Fev. filosófica y científica. (1962: 16) Es una «experiencia» y un «público» bastante restringidos para hablar de «principios generales» y de «experiencia pública consagrada». Rioux. El objetivo general de esta actividad no ha cambiado. finalmente. Aunque no tiene la precaución de definir lo que llama «experiencia pública». Sin doctrina no hay enseñanza posible. Fayol.nacida de la discusión pública. Mantoux. agrega: No sería difícil constituir esta doctrina si algunos grandes jefes se decidieran a exponer sus ideas personales sobre los principios que consideran como los más propios para facilitar la marcha de los negocios. 1971 H.. y su definición según el diccionario es: Conjunto de nociones que se consideran verdaderas y por las cuales se pretende proporcionar una interpretación de los hechos. La competencia particular y específica de los primeros «administradores» era pues la de obtener más trabajo. Ahora bien. Ésta era. (Fueron los mercaderes de telas adinerados quienes se convirtieron en industriales y patronos de fá- Revista ANGRAD . un excedente de trabajo que se ha convertido en una necesidad económica absoluta.f..P. Este término significa etimológicamente «enseñanza». de procesos probados y controlados por la experiencia pública. Jan. de métodos. J. con quien vemos configurarse una «doctrina» de la administración. mediante la disciplina y la organización (c. 2006 65 . De todas maneras constatamos. N. P. (1962: 15)./Mar. no hay doctrina administrativa consagrada. 1976). Es con H. para él.

N. no los maestrosartesanos.) La realización y encarnación de los «derechos» de los propietarios «fijan el modo de uso de los medios de producción» (según M. se afirma que la industria y los principios de la economía mercantil y marginalista son productos del hombre. con cierto cinismo. En el mismo orden de ideas./Mar. 2006 .Weber. del orden interpretativo e ideológico. erigida como «doctrina». todo esto es -y lo sabemos. ¿cómo entonces pretender enseñarlo? 66 Revista ANGRAD . El contenido didáctico de la administración Como acabamos de ver y de acuerdo con la «tradición». que se funda en la voluntad de producir (y/o comprar) y vender conservando la mayor distancia posible entre costos y ganancias? Es ésta una manera de truncar la realidad humana y de reducir el todo a la lógica de un subsistema: aquél de la economía mercantil y de la producción-contabilidad. Jan. es decir. Esta vocación se concretiza en la capacidad de crear organizaciones. es decir. 1. es decir. es que no tiene ni fundamentos humanos ni fundamentos científicos. Etzioni. 1964). pero siempre con motivo de y en función de las demandas del medio y de las reacciones generadas. de excedentes y de destinación de estos excedentes. imponen el «querer» de los poseedores. incluso si. la inteligencia se desarrolla y se forma.en sentido estricto doctrinal.Omar Aktouf brica. Guardando las proporciones. y el servicio central que prestan la fábrica y la «organización» es el de hacer lo más rentable posible el factor trabajo. de formalizar y hacer artificiales las relaciones entre los hombres./Fev. Es la formalización de las relaciones de trabajo alrededor de una voluntad maximalista (la «conducción eficaz» de estas relaciones).. «el arte» del gerente es un juego de este mismo orden. la psicología general casi ha renunciado también a una definición de inteligencia diferente a aquélla que se enuncia en términos de actividades (recordemos el exabrupto de Binet y Simon que declaraban que la inteligencia es. y esto alrededor de la voluntad deliberada de maximizar las ganancias del ciclo «compratransformación-venta». algo diferente a aquella realidad particular propia del comercio. la administración sólo se define en términos de actividad(es).. muestra cómo todo esto constituye el fundamento mayor de la «segunda ola»: la de la industria manufacturera. 1971) y el «ejercicio del poder» (según A. 7. A esto deben dedicarse los organizadores y los gerentes.Toffler (1980). Lo que podemos decir en definitiva. Pues bien. El fondo del problema es de esencia eminentemente comercial.¡aquello que mide su test!).V. sobre el sentido de este «saber-administrativoenseñable». «recuperando» ideas planteadas desde hace mucho tiempo por autores considerados «sospechosos». ¿Podemos ver entonces en la administración. ¿Quiere esto decir que tenemos que buscar una «doctrina consagrada» de la inteligencia para tratar de hacer de ella una materia «enseñable»? Ciertamente. lo que constituye el corazón de la materia administrativa enseñable. especialmente en materia de índices de ganancias.

7. Su autor aboga además en favor de la descentralización de las escuelas de comercio y su acercamiento a los centros de negocios.. N. además de las «ciencias contables» o de las «ciencias de comportamiento organizacional».. Hoy vemos propagarse costumbres y usos que pretenden hacer de la administración una ciencia. Si para el dirigente de empresa no puede existir una ciencia de los negocios..La Administración y su Enseñanza: ¿Entre Doctrina y Ciencia? En un folleto publicado por la Cámara de Comercio de Estrasburgo en 1935. 72-77) La situación es clara: no hay «ciencia» de los negocios. ni teorías.. en una obra titulada La educación del jefe de empresa. (pp. Jan. encontramos en La formación de los jefes de empresas de la Universidad Laval (1954) lo siguiente: Es el administrador el encargado. de organizar. en última instancia... dedirigir y de Revista ANGRAD . encontramos ciertas posiciones bastante «lúcidas»: Siempre nos hemos equivocado llamando «ciencia» lo que sólo es una técnica destinada a obtener el máximo de rendimiento en un negocio industrial... de comercio..../Fev.» (p. (p. que data de 1933 y firmada por P. pero hay ciencias establecidas que pueden ser utilizadas según el servicio que presten a la rentabilidad industrial-financiera. «ciencias inmobiliarias» en nuestras escuelas de administración (no es nuestro propósito extendernos en un tema que tiene que ver con el abuso del lenguaje y. 12). con el abuso de confianza). de pragmatismo y. puesto que el «hombre de acción» debe ser el producto de esta enseñanza.V. consejeros de trusts de cerebros. Debe poseer el arte de prever. Encontramos incluso... no le está prohibido al menos servirse de las ciencias aptas para guiar o secundar sus esfuerzos. Si nos referimos a escritos anteriores./Mar. pues producirán . Es innegable que el contenido didáctico de la administración permanece en el nivel de la utilización sectaria de las ciencias.. más teóricos para cátedras de universidad. 1. 2006 67 . que hombres de acción necesarios al comercio en grande de un país. se declara explícitamente: «La práctica del comercio nacional e internacional no se aprende bien sino allí donde se hace.31) He aquí una posición consecuente consigo misma: ni ciencias. Sorprende sin embargo ver lo que dicen acerca de esto los primeros autores. se trata de acciones. de las actividades de pensamiento. Incluso condena toda enseñanza del tipo «estudios superiores después del pregrado». ¿Es éste el tipo de toma de conciencia que se fomenta hoy en día en nuestros cursos de formación en los «negocios»?. que debe ejercer con prudencia y sabiduría. de las cuales sólo se retiene el mínimo utilizable desde una óptica explícita o implícitamente productivista. en la empresa. Por ejemplo. Jolly. que sus diplomas tengan un carácter universitario que cubra «ciclos» completos. ¿se puede todavía hablar de ciencias? Queda por saber cómo puede hacerse la «transición» en términos de «acciones».

. ¿cuál industrial aceptaría una máquina sin conocer previamente todas sus características anatómicas y funcionales. pasando por el método) para aumentar la jornada laboral y la plusvalía. el derecho de negocios y la fiscalidad. valen más que el desprecio con el cual algunos espíritus «fuertes» tienden a rodearlos. resulta interesante conocer el lugar que se le dio en los primeros programas de administración.Omar Aktouf controlar. aunque nuevas. sin tener informaciones precisas sobre la energía que consu- 68 Revista ANGRAD . Y ya que estamos hablando del hombre. 1. (p. la expansión del psicoanálisis./Mar. 2006 . N. tanto desde el punto de vista de la vida interior de la empresa como de las relaciones con el banco. Jolly (1935): El programa de los conocimientos que se impone al futuro dirigente conllevará el examen obligado de la organización industrial y de la organización comercial. sobre la contabilidad. Según P. de las finanzas. para quienes «un largo período de desaprendizaje» sería necesario antes de aprender el «manejo de los hombres» (sic). Así se llega a la habilidad real y distintiva del jefe de industria: «el manejo de los hombres». no se puede dejar de insistir sobre la contribución que pueden aportar a la organización industrial y comercial la fisiología del trabajo y la psicotécnica que. las estadísticas económicas../Fev.V. Ahora bien. 7. 75) Se sabe claramente que hacia los años treinta la psicología no se reducía solamente a la psicotécnica. universales y científicas?. son «materias» definibles. debidas a la aparición de la psicología social. el arte de maximizar la jornada laboral.. finalmente. no deja ninguna duda a este respecto). o más claramente. ¿El «sentido de los negocios»? Hay acuerdo en reconocer a hombres como Arkwright o Roebbuck .. de la psicología animal e incluso de los trabajos de tipo behaviorista y motivacional (especialmente en Estados Unidos). P.. Un examen como éste sería incompleto si no se refiere también a los instrumentos de análisis. Mantoux. ¿El «arte de» y el «sentido de». La psicotécnica comienza incluso a perder terreno muy seriamente a partir de 1915. Pero no es sorprendente que sea bajo esta forma como mejor la recuerda el mundo industrial. pero se trata sobre todo de hombres poco escrupulosos y de grandes intrigantes (la obra de P. que es un esfuerzo constante para encontrar los medios más diversos (desde la herramienta hasta el salario. sobre todo entre los años 19151930. Esto es totalmente visible en la obra de Taylor.ingleses del siglo XIX -. el desarrollo de la psicología diferencial.. Sufría una serie de revoluciones teóricas. cuando la psicología llamada científica salió del laboratorio. de control y de previsión. Jan.. de la función producción y de la función venta.. Jolly lo explica con claridad: La máquina más compleja e infortunadamente la más rica en incógnitas es la máquina humana. el mismo texto invita a la desconfianza hacia los universitarios «clásicos». El departamento de administración tiene como objetivo desarrollar el sentido de los negocios. Por otra parte. muy documentada.

Se pretende presentar una visión integrada de la administración y del hombre haciendo de la organización un sistema «humano y técnico».Von Bertalanffy (1973). al mismo tiempo. 1983). 2006 69 .. y esto no data de ayer. 1. Son las necesidades en ‘generalizadores científicos’ entrenados y en los ‘principos funadamentales’ interdisciplinarios los que la teoría general de los sistemas trata de satisfacer./Fev. Esta anotación de L.este punto de vista prevalece sobre cualquier otro -.. sobre su régimen óptimo de actividad. sin embargo. N./Mar. en postulados mecanicistas y alejados de lo que las «verdaderas» ciencias tienen para enseñarnos sobre el hombre (Cfr. lo cual nos lleva a enseñarla . la mayoría de las veces. Llega hasta afirmar que no debería haber especialistas que no estén en primer lugar dotados de una sólida cultura general.La Administración y su Enseñanza: ¿Entre Doctrina y Ciencia? me. Hertzberg (1980) fustiga las enseñanzas de las facultades de administración y toma posición decididamente contra la ausencia de cultura general y de humanismo en la formación de los administradores que son – dice .. sobre la técnica minuciosa de su enfoque práctico? (p.en la medida conveniente dentro de los programas . 69) ¿No son estos mismos «generalizadores» los que busca Herzberg con sus «gerentes educados»? Revista ANGRAD . 7. según este autor. (p. nos invita a reflexionar sobre las verdaderas implicaciones de una aproximación como ésta: . En pocas palabras: nuestro autor invita a la formación de administradores «cultivados» y «conocedores de las humanidades». no hacemos de ella sino una fuerza que hay que «domesticar» . promover una tecnología sin bases humanistas. Aktouf.bajo la forma de «recetas» basadas. Daremos detalladamente nuestro punto de vista en lo referente a este tema en la última parte de este capítulo. que el elemento humano sigue siendo el aspecto crucial y último de toda organización y. Una de las soluciones que propone es. Jan. 89) ¿Invocaremos la antigüedad del texto? ¿Se puede mostrar verdaderamente una diferencia de fondo en la manera como se trata siempre lo humano en la enseñanza de la administración? Admitimos. Notemos. En una serie de artículos. F. sobre el trabajo que puede producir.«tácticos técnicoeconómicos» que actúan y deciden como «estrategas ». hace varios años que se pretende aplicar el enfoque de sistema a la administración. los capítulos VII y IX de nuestra tesis: O. que aunque el autor no define cuáles serían estas «humanidades». hace al menos una invitación para que se ofrezca un lugar al hombre.... En un orden de ideas similar. precisamente. al saber más «auténtico» y a la cultura general. padre del procedimiento sistemático. Lo peor que podemos hacernos a nosotros mismos es. la introducción «en dosis para adulto» de temas «humanistas» en todas las materias del currículum clásico de las escuelas de administración.V.

. por constituir una clientela bastante asidua de los servicios neurosiquiátricos de los hospitales de sus islas (ejemplo citado por L. una humanidad y una «cultura»: aquélla del reino de las relaciones mercantiles en la que la institución productora de excedente monetario es una especie de divinidad que impone sus leyes y sus caprichos.. de otras culturas? ¿Allí donde. En el fondo. N. (pensemos en la presencia de miles de ejecutivos franceses en Costa de Marfil por ejemplo). las dificultades de transferencia que tiene la administración en tanto que disciplina importada a los países que buscan seguir el camino del desarrollo industrial (incluso la URSS tiene su «Academia Soviética de administración») son tales. Sin un acercamiento sistemático que permita dosificar e integrar las contribuciones respectivas de cada disciplina.V. debido a múltiples problemas «socioprofesionales». ¿Habrá allí un problema más complejo que tiene que ver con la socialización y la aculturación y que por lo tanto está mucho más allá del de la transmisión simple y directa de un saber? No hablamos. de países que confiesan oficialmente una ideología y un proyecto social opuestos a los de los países «exportadores» de administración. lo que sería aún más evidente a este respecto. 7. HEC-Montreal. Laborit durante el coloquio «Ciencias de la vida en administración»..Omar Aktouf J.. ideológica y 70 Revista ANGRAD ... Una verdadera pluridisciplinariedad no puede nacer de la yuxtaposición a priori de ciertas disciplinas en un mismo campus o en un mismo edificio universitario. Jan. ¿Qué ocurre realmente cuando se trata de realizar esta misma operación con personas de otros lugares. No nos detendremos en este punto. Los «viejos fundadores» de la «doctrina de los negocios» no se equivocaban: se trata pura y simplemente de «inculcar» a los futuros «jefes» las convicciones. ligada a una época. a un cierto período de su «evolución». pero podemos señalar. el fracaso total de la formación en administración impartida por los norteamericanos a jóvenes habitantes de ciertas islas del Pacífico: éstos terminan. al denunciar la ausencia de verdaderos acercamientos sistemáticos en la enseñanza.. oficialmente o no. 1. que estamos en el derecho de preguntarnos si no hay una buena parte de la humanidad que sea refractaria a ella de manera absoluta o. De Rosnay (1975). maneras y comportamientos de sus brillantes predecesores: las «ideas personales» y los «principios propios» de «algunos grandes jefes» de Fayol. (p. la pluridisciplinariedad no sobrepasará el estadio de la «yuxtadisciplinariedad». junio de 1980). «hacer negocios» es un tipo particular de «socialización»./Fev. 2006 .. a pesar de que numerosas multinacionales han intentado integrar a los autóctonos a su personal de dirección suministrándoles informaciones previas. nos da una fórmula que refleja bien el estado de cosas en administración: . por lo menos. 262) Por otra parte. a título de ejemplo./Mar. Es también ampliamente conocido que los habitantes de algunos países no desarrollados «no están hechos para gerenciar».

como la enseñanza de la administración se reserva para las «élites» a su vez provenientes de otras «élites» -. de escuelas e incluso de facultades ad hoc. ¡desde Hawai hasta la India. A./Mar. para agregar a su análisis de la mundialización de la ideología occidental del desarrollo.. Una enseñanza hasta ese punto ideológica y disecada puede conducir a absolutos y aproximaciones muy peligrosas. mirándolo bien. Argyris. y ya se sabe perfectamente a dónde puede conducir esto. de este modo las escuelas de administración ponen en la cabeza de los administradores la imagen de un hombre parecido a la termita. una intrusión en la vida misma de las personas. A . 1. Como dice Herzberg (1980). Una reflexión para lograr una reestructuración seria de los contenidos y métodos en los programas de administración y en varias direcciones nos parece necesaria e incluso imperativa: • En primer lugar.. de las «humanidades» y del espíritu crítico no beneficia a nadie. Jan.. por el tipo de relación entre los hombres que conlleva. entre los dos sectores que han sido “sabiamente” separados desde la era colonial: el sector moderno presa y cómplice del «progreso occidental» y el sector tradicional víctima de los dos. A modo de conclusión Hoy más que nunca. con infinitamente menos preparación y precauciones. el «servicio pos-venta» del vasto «comercio» de tecnología al cual se entregan los países ricos? Utilizada en un comienzo por el empleador como un modo de contratación en la fábrica de puertas abiertas. en los contenidos debe hacerse un esfuerzo considerable por separar lo bueno de lo malo. con C./Fev.Toffler pasando por Marcuse y Whyte -. Lee de la Universidad de Ohio (1980) ha mostrado Revista ANGRAD . Más de un autor occidental ha denunciado los perjuicios que esto causa .desde G.. cada día más dramática. Sin hablar del hecho de que la administración es. 7. refuerza las burguesías compradoras del Tercer Mundo (y a los establecimientos tecnocráticos) contribuyendo así a una gran aculturización y agravando la no interpenetración sociológica.. Friedman hasta A. la administración se propone hoy a domicilio (con gran refuerzo de programas de ayuda) bajo la forma de implantaciones de institutos. perjuicios que comienzan a padecer los hombres de mundo no industrializado. de un saber realmente científico. 2006 71 ..La Administración y su Enseñanza: ¿Entre Doctrina y Ciencia? explícitamente o no. decimos: la ausencia de una cultura general. aquél de la expansión de la administración: uno y otro contribuyen a hacer de los países no industrializados los cómplices activos de un servilismo económico y cultural aún más profundo.V.. Herzberg. pasando por África y América Latina! Volvemos a encontrarnos con G.. Por otra parte. los sacro-santos «rentabilidad /costos / beneficios/excedentes» no son los valores dominantes? ¿No es. Chanlat. J. F. Corm (1978). N.

/Fev. en términos éticos y de actitudes: la administración es ante todo una praxeología. estadinenses son.para humanizarlos . arrogantes. N.B. • Hacer de tal manera que puedan comprender y admitir diferentes culturas..los diferentes «perfiles» de Ph.son incompatibles? De ser así sabemos entonces el precio que hay que pagar./Mar.Omar Aktouf cuántas mentiras y distorsiones graves hay en los fundamentos teóricos más sólidamente establecidos de la administración. • Hacer de tal manera que puedan seguir y comprender el desarrollo de las ciencias y sus implicaciones. Levin (1984) de la North Carolina Graduate School of Business: • Reducir la enseñanza presentada bajo la forma de «packages» y de «cajas de herramientas». contables y financieros.4)-. Behrman y R. los auditorios y las circunstancias. de los enfoques cuantitativos. pretenciosos e inútilmente «agresivos ». • Reducir la importancia. semi-ignorantes. 2006 . Finalmente. • Reducir el énfasis que se da (explícitamente o no) a la manipulación de los datos.A. Reconciliarlos con el «terreno» que abandonan e ignoran para «hablarse entre ellos». algunos autores «originales» se contradicen de manera evidente e incluso han transformado sus «datos» o sus conclusiones según. • Ampliar los modelos y paradigmas simplistas con los que se trata generalmente a la sociedad. ¿Cuándo tendremos una deontología de la profesión administrativa? ¿Estos dos elementos . en lugar de prepararlos meticulosamente para ejercer un constante «imperialismo cultural». • No especializar .. la economía y el comportamiento humano.V. Jan.. ¿Cuántas «verdades primeras» se trajinan en nuestras numerosas teorías y «generalizaciones» sin que surja la idea de problematizarlas? • En segundo lugar.. en las cuales son excelentes las escuelas de administración. 7. expresamos nuestro acuerdo con los caminos que preconizan T. Por esto. 72 Revista ANGRAD ... 1.. en lugar de atropellarse para acumular toda clase de «recetas». • Hacer de tal manera que los estudiantes de administración «aprendan a aprender». La investigación de la revista Time (Friedrich 1981) es bastante reveladora con respecto a este punto: los egresados de los M. las personas. un conjunto de preceptos destinados a ser interpretados en función de las relaciones humanas y la práctica.N. sobre todo. los conocimientos cada vez más fragmentarios y descarnados representan un peligro real: aquél de poner en manos cada vez menos «responsables » (porque están cada vez más llenas de certezas y de «cajas de herramientas» a modo de saber y de cultura) un poder «tecnológico » cada vez mayor.D y de profesores. en términos didácticos -sin abordar el problema particular del método pedagógico (cfr.cap.I. que va hasta el monopolio.. la información.si se juzga de acuerdo a la antigua tradición de los negocios .

.../Mar. y nuestro razonamiento. pero la convergencia y la importancia actual de las críticas tanto internas como externas lo hacen urgente. nuestros lenguajes. He aquí todo un programa. del precio que tendríamos que pagar por haber puesto la filosofía fuera de la ciudad.después de haberlo hecho con nuestros obreros . Finalemte. 7. «deben» reforzarlo en sus convicciones y sumergir todos sus prejuicios en un mundo funcionalista sereno? ¿Este estudiante no debe. aprender que privilegia una manera de ver? ¿Y a nombre de qué?. Nuestras escuelas de administración figuran entre los bastiones más sólidos de la «tecnologización» de las relaciones y de la desaparición progresiva del cuidado ético. ¿La empresa es ese universo cerrado. al menos. N. ¿Qué podríamos agregar si no que como lo recuerda el eminente biólogo A. los protagonistas y los «vencedores» y cuáles son las encrucijadas de hoy.. invitamos a un uso menos parcial (y parcializado) de las ciencias... • Reorientar la investigación hacia las preocupaciones menos estrechamente cuantitativas y menos obsesivamente «metodológicas ». sin entrar en detalles.. cuáles han sido las encrucijadas de la Revolución Industrial. Whyte (1959) e incluso Herzberg (1980) lo constataron. «el hombre es un animal programado para comprender y no para aprender»? ¿Qué lugar tiene el «por qué» en nuestras escuelas de administración. Marcuse (1968).. sobre todo en lo referente a las ciencias humanas: algunos cursos obligatorios de conocimientos «puros» y de reflexión sobre el sentido de estos conocimientos serían ciertamente un excelente remedio para la falta de cultura y de juicio general que algunos deploran hoy en día en numerosos administradores. tan definitivamente instaladas en el «cuánto» y el «cómo»? La clientela.«herramientas»./Fev.. de la finalidad y de la ética.. Y esto en el momento en el que la generalización de la informática se hace tan importante.. todopoderoso y bienhechor que el estudiante tiene en la cabeza desde antes de sufrir nuestras enseñanzas que. nuestros diálogos. • Sistematizar la interdisciplinariedad y el examen de los límites de cada materia enseñada. según parece. de todos los ciclos y de todas las profesiones. Es grande la tentación de reemplazar . 1971) nos previno. 2006 73 .. y seductora para la tenaz tradición del administrador «rápido-yeficaz». vasto y ambicioso. ¿no llega a la facultad de administración para acumular – y nosotros los preparamos con cuidado . recetas y modelos más «eficaces» unos que otros? Nuestros estudiantes y practicantes deben aprender a comprender y buscar comprender cuál es la esencia real de la empresa. Jacquard (1983)... «administrativas».V. ya en su época. por esa «super herramienta» que se exime (y exime) a la vez de la significación. armónico.La Administración y su Enseñanza: ¿Entre Doctrina y Ciencia? • Integrar con sus conocimientos la preocupación por el aspecto ético de sus decisiones.nuestras memorias. 1. de la organización. Jan. Sartre (1980). es indudablemente el tiempo - Revista ANGRAD . ¡El algoritmo solo justifica la acción! Nietszche (en Goldman.

No. En: PAUCHANT. estamos implicados en las consecuencias de nuestras enseñanzas.2.). JosseyBass Publishers. Université du Québec à Chicoutimi.2. New York. “Some limitations of the Case Method: Experiences in a Management Development Program”. Chicoutimi.53-64. Omar.Thierry C (ed.1/92. la cultura y un poco de saber para sí mismo. Alain. estamos en uno de los terrenos que llevan más directamente a la acción de unas personas sobre otras y sobre sí mismas. pp.Vol.3742. novembre 1984a. M. 7. pp. No. • el sentido de lo relativo. En: Sociologie du travail. 1994a. pp.9. ______________ La méthode des cas et l’enseignement du management:¿pédagogie ou conditionnement? En: Revue Internationale de Gestion.V. 1992. entre otras cosas: • el reverso necesario de la «medalla» que enseñamos. del espíritu crítico y de la humildad. no lo olvidemos.D.124-150./Mar. Walter de Gruyter.4. avril 1980. París. pp. ______________ Le management et son enseignement: ¿entre doctrine et science? Revue Internationale de Gestion. 2006 . San Francisco. Chris. Turner.9. 710 páginas. 3º édition. avril 1984b. pp. Jan. pp. 1990. En: Academy of Management Review. _______________ The Management of Excellence: Deified Executives and Depersonalized Employees”. Capitalisme contre capitalisme. Thèse de Ph. No.291299 74 Revista ANGRAD . Bédard. “Management. Barr A. 1992. Más que en cualquier otra institución de formación. 1994b.43-53. 785 páginas. 1983. No. Omar. Montréal-París-Casablamca. _______________ Le management entre tradition et renouvellement. Porque.5. In Search of Meaning. Éditions du Seuil. 1. Gaëtan Morin éditeur. • el gusto por la reflexión y el esfuerzo intelectual.8399 ALBERT. En: Organizational Symbolism. pp.de rehabilitar todo lo que hemos desterrado. Vol. • el gusto por la lectura. the Catholic Ethic and the Spirit of Capitalism: A Quebec Experience”. Referencias AKTOUF. Montreal.Omar Aktouf sean cuales fueren las modalidades concretas propuestas . _______________ Corporate Culture. • el relacional “total” en todo hecho humano. AKTOUF. Une approche observation participante des problèmes relationnels et organisationnels dans les rapports de travail. éthique catholique et esprit du capitalisme: l’exemple québécois”./Fev. N. Renée et Chanlat. HEC. Berlin. 1991 ARGYRIS. Vol. • el mundo simbólico y su papel crucial en las organizaciones.44-49. _______________ La méthode des cas en gestion: ¿apprentissage ou cercle vicieux? En: Revue Organisation.

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a pesquisa foi do Revista ANGRAD . Tal objetivo foi proposto com o intuito de que os alunos pudessem identificar.com. Quanto aos procedimentos metodológicos. Por isso. 2006 79 . N./Fev.V. 1. mas sim.102 -Trindade 88036-002– Florianópolis/SC e-mail: janaina@deps.UFSC Profª do Curso de Administração da Universidade do Vale do Itajaí Pesquisadora do Núcleo de Estudos Estratégicos do CPGA – UFSC Endereço: Rua Procópio Manoel Pires.Centro Sócio-Econômico Campus Universitário – Trindade .br Maurício Fernandes Pereira Doutor em Engenharia de Produção – UFSC Prof° do Curso de Administração e do Mestrado em Administração da UFSC Diretor do Centro Sócio-Econômico da UFSC Endereço: Universidade Federal de Santa Catarina . 739 – Bl. características da burocracia discutidas em sala de aula.ufsc./Mar. 7. sob o ponto de vista dos alunos da disciplina Teorias da Administração. o entendimento da burocracia passa pela identificação de suas características dentro de um contínuo onde não há presença ou ausência. C – ap.br Janaína Renata Garcia Mestranda em Engenharia de Produção – UFSC Pesquisadora do Núcleo de Estudos Estratégicos do CPGA – UFSC Endereço: Rua Lauro Linhares. Jan.br Resumo O artigo tem por objetivo identificar o nível de burocratização em organizações. diferentes níveis de burocratização. Weber (1978) não se preocupou em definir burocracia. 153/301 – Trindade 88036-090 – Florianópolis/SC e-mail: jaquelinecardoso@yahoo. junto às organizações.O Ensino da Burocracia: um Estudo de Caso Teórico-Empírico Jaqueline de Fátima Cardoso Mestre em Administração .ufsc. do primeiro período do Curso de Administração da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI. Em seus estudos.88040-900 – Florianópolis/SC e-mail: mpereira@cse. preferiu conceituá-la por meio da enumeração de suas características.

mas sim. Weber (1978) descreveu a burocracia como um “tipo ideal”. exigindo uma nova ordem organizacional e uma nova estrutura de autoridade e poder. suas dimensões não necessariamente precisam estar presentes na sua totalidade. organizações. Abstract The article has for objective to identify the level of bureaucratization in organizations. N. Introdução Com a expansão das indústrias. its dimensions not necessarily need to be gifts in its totality./Mar. together to the organizations.Weber (1978) was not worried in defining bureaucracy. é que o professor e sociólogo alemão Max Weber desenvolveu seus estudos. a presença de uma característica não necessariamente implica na presença ou ausência de outra. Jan. até mesmo em função da natureza humana. 80 Revista ANGRAD . the presence of a characteristic not necessarily implies in the presence or absence of another one. Although the bureaucracy is a requirement for characterization of organized social systems. but yes. não existe organização exatamente pura. in determined dimensions with greater or minor intensity. Visando encontrar uma maneira mais racional de organizar o trabalho. argued characteristics of the bureaucracy in classroom. Palavras-chave: burocracia. under the point of view of the pupils of disciplines Theories of the Administration. 2006 . of the first period of the Course of Administration of the Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI. Sua contribuição foi importante para o desenvolvimento das estruturas organizacionais. Janaína Renata Garcia e Maurício Fernandes Pereira tipo quantitativa e de caráter descritivo. Como o tipo ideal é inatingível. 1. How much to the methodologicals procedures. em determinadas dimensões com maior ou menor intensidade. the agreement of the bureaucracy passes inside for the identification of its characteristics of a continuous where it does not have presence or absence. In the same way. preferred to appraise it by means of the enumeration of its characteristics. ensino da administração. different levels of bureaucratization. the research was of the quantitative type and descriptive character. education of the administration./Fev. na qual são definidas as características extremas desse fenômeno. 1. Embora a burocracia seja um requisito para a caracterização de sistemas sociais organizados. os problemas se cumularam em escalas geométricas. In its studies. Da mesma forma. organizations.Jaqueline de Fátima Cardoso. O tipo ideal é uma abstração. but yes. 7. Key-Words: bureaucracy. bem como analisar o comportamento dessas grandes corporações. de forma que ele apareça em seu sentido puro.V. sem conotação de valor. Such objective was considered with the intention of that the pupils could identify. Therefore.

Segundo os autores. A situação econômica é de instabilidade. pouco competitiva e dominada por cartéis. Suas dimensões tiveram grande aceitação e aplicação tanto no sistema capitalista privado quanto público. criando uma nova sociologia. Hall (1978) explica que. seria preciso desenvolver normas. tendo em vistas que estas são centrais no desenvolvimento da sociedade moderna.C). considerado por Weber como um modelo. que a burocracia é um fenômeno antigo. De um lado. alternadamente. regras e rotinas.C . Em resumo. mas sim a existência de outras razões. que se constitui na mais antiga das burocracias. as organizações têm um papel essencial na formação da personalidade do indivíduo moderno. a burocracia nas organizações vem desde a antiguidade. formariam a estrutura burocrática. N. depois como a grande vilã de tudo que há de errado nos processos estruturais e gerenciais das empresas. Jan. para haver uma uniformidade das ações dentro dessas corporações.712 a. Apontam. vem ocorrendo desde antes de Cristo. Os autores observam que Weber não partiu do ponto zero em seus estudos sobre a burocracia.V. Relacionados. É bom ressaltar. Seu caráter racional contribuiu para elevar a eficiência organizacional e individual. entre o irracionalismo e o objetivismo científico. A Alemanha movia-se. por outro lado./Mar. o Estado Bizantino. Sua influência modificou e transformou ambientes desordenados em sistemas organizados e racionalmente estruturados. frente aos demais. 1. 7. de forma que os estudos da racionalidade burocrática e do capitalismo são paralelos (MOTTA E PEREIRA.O Ensino da Burocracia: um Estudo de Caso Teórico-Empírico Hall (1978) ao conceituar a burocracia. as organizações e sua administração são fatores para o desenvol- Revista ANGRAD . 2006 81 . estão o Império Romano. Essas características proporcionaram à burocracia um papel fundamental na sociedade. que quando presentes. destacando-se como um recurso em todas as administrações. proporcionando desenvolvimento com base em estruturas estáveis e rigorosas. a burocracia assumiu um papel grandioso na sociedade. o Império Chinês. Foi dentro desse cenário que Weber delineou a burocracia e sua erudição. Estados Europeus organizados a partir da idade média e a Igreja Católica. os autores que não é apenas a predominância das organizações que torna particularmente importante seu estudo. que pudessem definir as responsabilidades. O estudo da burocracia nasce numa Alemanha dominada pelo poder do Estado sobre a sociedade civil e dentro de uma crise social e política estabelecida. com destaque para o Império novo Egípcio (1580 a. entretanto. contudo. transformando-se em um dos mais poderosos instrumentos de gestão. a burocracia ganhou espaço privilegiado de estudos a partir das décadas de 60 e 70 do século XX. também. A teoria da dominação foi o ambiente central de seus estudos. 1987). Primeiramente como instrumento gerenciador e impulsionador das organizações. As organizações administrativas são pesquisadas em épocas muito diversas. destaca que Weber enumerou uma série de atributos. De acordo com Motta e Pereira (1987). A importante obra de Weber não negligenciou as delimitações históricas. nem positivista e nem marxista. Motta e Pereira (1987) compactuam da importância do estudo das organizações./Fev.

Motta e Pereira (1987) enfatizam que Max Weber não considerou a burocracia como um tipo de sistema social. Weber (1978) não se preocupou em definir burocracia.. de forma racional. feudo. a autoridade de um cargo a ser assumido por um indivíduo . 21). o estudo de organizações burocráticas justifica-se pela sua importância no desenvolvimento da sociedade./Fev. p. não. (2) a autoridade carismática. do primeiro período do Curso de Administração da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI. são as organizações. tribo. ou seja. 2. Para Motta e Pereira (1987. sob o ponto de vista dos alunos da disciplina Teorias da Administração. baseia-se nas fontes e tipos de legitimidade empregados e. Por isso. Portanto. características peculiares da burocracia discutidas em sala de aula. em que leis e normas garantem. 2006 . mas sim. na sociedade moderna. clã. onde não há presença e ausência. artesanal e.este tipo de autoridade é a base da burocracia. cada vez maiores e melhor estruturadas. e (3) a autoridade racional-legal. “[.V. 1. Antes. a sociedade era constituída de pequenos sistemas sociais desorganizados – família. Tal objetivo foi proposto com o intuito de que os alunos pudessem identificar. comercial. Em seus estudos. cuja autoridade é passada de uma geração para outra.] uma organização ou burocracia é um sistema social racional. o entendimento da burocracia passa pela identificação de suas características dentro de um contínuo./Mar. Janaína Renata Garcia e Maurício Fernandes Pereira vimento de qualquer país. nos tipos de poder aplicados. eventualmente. é possível afirmar que a sociedade moderna se caracteriza pelas organizações. que dominam. Weber (1978) identificou três tipos de autoridade legítima: (1) a autoridade tradicional. Diante disso. mas que assumiu um papel decisivo e autônomo no século XX. 7. ou sistema social em que a divisão do trabalho é racionalmente realizada tendo em vista os fins visados”. Isto foi resultado de seus estudos sobre os tipos de autoridade presentes em diferentes organizações sociais. denominada por Drucker (2002) de sociedade das organizações. 82 Revista ANGRAD . N. as organizações são frutos do racionalismo. diferentes níveis de burocratização. em organizações. onde as características e ações do indivíduo sustentam sua autoridade. preferiu conceituá-la por meio da enumeração de suas características. Dizem os autores que. Para Motta e Pereira (1987) as organizações são indiscutivelmente o tipo de sistema social predominante das sociedades industriais. Assim. que é a crença ilimitada na razão humana.Jaqueline de Fátima Cardoso. Jan. O presente estudo tem por objetivo identificar o nível de burocratização em organizações. mas como um tipo de poder ou de dominação.. A tipologia de autoridade apontada por Weber apud Etzioni (1989). pequena empresa familiar de caráter agrário. na prática. A organização burocrática A burocracia é uma estratégia de administração adotada desde as formações précapitalistas.

Acrescenta ainda Weber apud Hall (1984) que os padrões de interação não surgem simplesmente. executam serviços e transformam matérias-primas em bens de consumo ou de capital. embora interessados. pois são os indivíduos que devem comunicar-se. são impostos./Mar. a própria organização tem uma fronteira. atividade desempenhada através de coordenação consciente. Jan. 7. a burocracia é um sistema social racional. agindo em perfeito equilíbrio. através de seus princípios. elas desenvolvem culturas de crenças. é porque é perene no tempo e essa obrigação está no pressuposto de que ela existe porque tem uma missão e uma função a cumprir na sociedade. destinando-se a fazer alguma coisa. As organizações são sistemas sociais. a organização burocrática. Weber apud Hall (1984) enfatiza o sistema e sustenta que as organizações efetuam atividades intencionais contínuas. organização é a forma pela qual determinada coisa se estrutura. valores e posições sociais ocupadas pelos indivíduos.O Ensino da Burocracia: um Estudo de Caso Teórico-Empírico Ao buscar conceituar organizações. Essa estrutura burocrática está presente em todos os sistemas sociais organizados. N. ordenadamente. Weber (1978) assevera que Revista ANGRAD . firmemente entremeado e funcionando de forma competente. define organização como sendo “um sistema de atividades ou forças de duas ou mais pessoas conscientemente coordenadas. Esse sistema. Na primeira concepção. uma instituição existente. ligando os vários escalões hierárquicos por toda a instituição. estar motivados e tomar decisões. torna-se acessível e útil a todos aqueles que. sugerindo dessa forma uma hierarquia de autoridade e uma divisão de trabalho. assim como uma estrutura burocrática claramente definida. as organizações transcendem a vida de seus membros. em busca de objetivos visados ou um sistema social. ainda. Motta e Pereira (1987) evidenciam dois sentidos para organização. Enquanto Barnard apud Hall (1984) se preocupa com os membros do sistema. não teriam individualmente. Uma das grandes características da burocracia é o seu sistema de cadeia hierárquica. as pessoas são ensinadas e treinadas para ocupar cargos. Assim. Nela. Weber apud Hall (1984) compreende a organização burocrática como um grupo empresarial que envolve um relacionamento social que ou está fechada ou limita a admissão de estranhos. com alto grau de lealdade e atitudes favoráveis de confiança entre superiores e subordinados (LIKERT. cuja divisão do trabalho é corrente e. Segundo Motta e Pereira (1987). Em um segundo sentido. compõem-se de acordo com os grupos de trabalho interligados. executada. O autor. 1975). deliberada e intencional”./Fev. normas e leis. onde pessoas se relacionam. onde há uma firme subordinação de autoridades. p. se preocupa com o indivíduo. a organização é um tipo de sistema social. isto é. exercer funções e desenvolver tarefas. Como sistemas sociais.V. é inclusive o modo pelo qual as organizações se ordenam. Desse modo. Assim sendo. diferenciando-a das demais organizações de outras entidades sociais. 21). Se a organização transcende. condições de operacionalizar seus conhecimentos. 2006 83 . acentuando o papel deste. 1. Já Barnard apud Hall (1984. dentro de diretrizes básicas previamente estabelecidas pelas autoridades superiores.

Jan. Outro fator importante que influenciou o processo burocrático nas organizações./Fev. 1974). que exigia dos negócios capacidade técnica. proporcionado pela expansão e o aumento de suas estruturas. Dessa forma. a hierarquia de funções é do tipo “monocrática”. continuidade e descrição. Aproveitando esse momento histórico. cujas características podem ser reconhecidas e avaliadas por todos. a subordinação a um único chefe. transforma esse espaço em um ambiente extraordinário para a propagação de novos instrumentos gerenciais eficazes. controle. até então ocasionadas. que conseguem reduzir a desordem. São essas condições formais explícitas. 7.Jaqueline de Fátima Cardoso. Conseqüentemente. Janaína Renata Garcia e Maurício Fernandes Pereira onde houver uma burocracia perfeitamente desenvolvida. os benefícios se estenderam para toda a sociedade. a burocracia passa a aplicar nas organizações elementos importantes de gestão tais como: divisão do trabalho. “o avanço da burocracia destruiu as estruturas de domínio que não tinham caráter racional”. que o progresso da burocratização na própria administração estatal é um fenômeno paralelo da burocracia. Segundo Motta e Pereira (1987). tornando-se simplesmente indispensável para a administração de massa. ou seja. Segundo Weber (1974. A implementação desse modelo oportunizou às organizações um impulso.V. N. velocidade./Mar. a administração burocrática tornou-se a mais racional do ponto de vista técnico. as incertezas e instabilidades. tornou-se efetivamente imprescindível ao crescente aumento da economia de mercado. Estados Unidos e Inglaterra (WEBER. proporcionando desenvolvimento e prosperidade. Destaca Weber (1974) que. a preocupação crescente das organizações em romper o ambiente caótico que se havia instalado em suas bases. complementa o autor. da mesma forma como a máquina pode ser comparada aos modos não mecânicos de produção. p. Em toda parte. 2006 . até agora. teve resultados satisfatórios. salários e promoções baseados no mérito .necessários para tornar os ambientes organizados e estruturados. Compara-se seu mecanismo plenamente desenvolvido às outras organizações. Freund (1987) afirma que pode ser constatado cada vez mais que a sorte material 84 Revista ANGRAD . hierarquia de autoridade e poder. como se torna evidente em países como a França. normas extensivas. a burocracia. 282). O alcance dessas exigências fica facilitado devido à burocracia ter uma configuração estrutural rígida. 1. Tal precisão. determinada pela política de poder e pelo desenvolvimento das finanças públicas. Destaca-se. devido a sua variação. a burocratização é ocasionada mais pela ampliação intensiva e qualitativa e pelo desdobramento do âmbito das tarefas administrativas do que pelo seu aumento extensivo e quantitativo. ainda dentro dessa perspectiva. O fator decisivo que impulsionou o desenvolvimento da organização burocrática foi a sua superioridade técnica sobre qualquer outra forma de organização (WEBER. na medida em que organizou os sistemas e gerou riqueza. foi a necessidade de se criar verdadeiros exércitos permanentes de pessoas. 1974). políticas de gerenciamento estabelecidas e a inflexível obediência dos indivíduos aos padrões técnicos e culturais da organização.

onde a burocratização da administração foi implementada. não está relacionada com a pessoa. A hierarquia de autoridade contempla aos ocupantes certos privilégios e obrigações devidamente definidas por normas e leis. KWASNICKA. A autoridade representa. Na burocracia. dentro de uma estrutura protetora. 1. todavia. Weber (1978) defende em seus estudos que. ETZIONI. de forma que a autoridade se estabelece dentro das faixas de cada chefia. 2006 85 . Apesar de todo esse poder. 2002). De acordo com Weber (1974). o exercício de controle da autoridade está baseado no saber. uma forma de relação de poder se estabelece de modo praticamente inabalável. O poder da autoridade se manifesta nos cargos ocupados pelas pessoas. As normas dominantes são conceitos de dever estrito sem atenção para as considerações pessoais. estipulando quais são os deveres e direitos e qual é o comportamento esperado dos participantes do sistema organizacional. a oficialização e a institucionalização do poder constituído. sem ódio ou paixões e.V. porém. bem como o tipo de poder que será exercido sobre as pessoas. N. mas sim com autoridade do cargo no qual está investida. dentro de uma determinada área de competência. onde ao superior cabe dar as ordens e estas devem ser obedecidas. 1987). portanto. Jan. faz com que os detentores do poder se tornem ainda mais poderosos. predomina na dominação burocrática um espírito de impessoalidade formalista. uma complementaridade entre ambos (MOTTA E VASCONCELOS./Mar. O poder é a capacidade de aceitação de ordens e. isto é. 2002. devido ao caráter racional da burocracia.O Ensino da Burocracia: um Estudo de Caso Teórico-Empírico das massas depende fundamentalmente do funcionamento constante e correto das organizações burocráticas. 1989). Assim. dentro do contexto burocrático. Assim como o relacionamento. existe poder existindo e. na burocracia. 1989./Fev. Onde existe autoridade. portanto. A burocracia estabelece que a autoridade é responsável pela obediência e o cumprimento às ordens e comandos. 7. a burocracia foi e é um instrumento de poder de primeira ordem. todos na mesma situação de fato. cabe ao cargo a obediência e não a alguém individualmente. que definem quais são os direitos e deveres e o que deve ou não ser aplicado como sanções. Todos estão sujeitos a tratamento formalmente igual. As normas e regulamentos são as bases que sustentam e ostentam o poder da autoridade burocrática. numa relação em que a autoridade está claramente definida pelos papéis estabelecidos dentro das organizações formais (MOTTA E VASCONCELOS. através do conhecimento prático adquirido no serviço. a forma como as pessoas se comportam dentro da organização está subordinada às normas e regulamentos racionais. Revista ANGRAD . Os cargos. sem afeição ou entusiasmo. Essa prescrição de atribuições da autoridade serve para diminuir os atritos pessoais bem como garante ao funcionário a proteção necessária das atitudes despóticas dos seus superiores (FREUND. como instrumento de socialização das relações de poder. são distribuídos de acordo com o princípio hierárquico. A obediência.

rigor disciplinar e confiança (WEBER. carreira vertical e formalização.V. hierarquia./Fev. o exemplo típico de poder é o domínio legal. claro que em uma graduação diferente da sua forma pura. determina o emprego de pessoas tecnicamente qualificadas. autoridade legal. Merton apud Etzioni (1989) observa que o poder burocrático vai mais longe. determinando os procedimentos formais. Exerce determinadas influências sobre as personalidades de seus membros. assim. Divisão do trabalho: é um instrumento que possibilita a sistemática especialização de alto grau. Essas atitudes tornam possível a coordenação e garantem a uniformidade e continuidade das atividades. conforme pode-se observar na seqüência. o mais racional e conhecido meio de exercer dominação sobre os seres humanos. 2. definindo como a organização deve funcionar. 1. onde as pessoas são submetidas a rígidos controles de obediência e formalismo. Impossibilitam. Janaína Renata Garcia e Maurício Fernandes Pereira Na atividade burocrática habitual. Este tipo é superior a qualquer outro em precisão. sendo as bases da burocracia as suas próprias características. Para os autores. Motta e Vasconcellos (2002) consideram as dimensões burocráticas dentro de algumas características básicas. Ao analisar o “tipo ideal” de burocracia é possível perceber que a grande maioria das características anteriormente apresentadas está presente nas organizações de hoje. o modelo burocrático precisa especificar claramente as suas características básicas em detalhes. a eficiência da organização. Jan. já que Weber não considerou. que estimula as tendências para a aceitação rígida de regras e regulamentos como valores independentes. O poder como instrumento de gerenciamento da autoridade burocrática define e especifica os interesses da organização. não importando se há rotatividade das pessoas nas funções burocráticas ou não. 86 Revista ANGRAD . a burocracia é capaz de atingir um alto grau de eficiência e. impondo aos subordinados a forma como devem ser realizadas as tarefas para o alcance dos objetivos traçados. As características consideradas como instrumentos de maior eficiência são as seguintes: 1. Dentro dessa perspectiva dominante. especialização das funções. formalmente. nesse sentido. também. cuja gestão não está preocupada com a realidade e a eficiência. tendo como base Weber. Sistemas de normas: são regras gerais escritas. que se cria a partir das crenças e valores dos seus membros. Para atingir esse objetivo. o caráter dominador tradicional e carismático. Características da burocracia As principais características da burocracia do “tipo ideal” preconizada por Weber (1978) são: disciplina. Para uma maior compreensão do modelo burocrático de gestão. 7. estabilidade. a tomada de decisões arbitrárias e autoritárias. a estrutura informal. garantindo. a proposta de Weber objetiva tirar das organizações. 3./Mar. é.Jaqueline de Fátima Cardoso. 2006 . nesse modelo. N. 1978).

Quem administra a organização é um profissional. sem ódio ou paixão. 1. a organização em busca dos resultados traçados. É regulado por regras e leis. 8. sem qualquer interferência ou preferências emocionais. Essa padronização possibilita avaliar adequadamente o desempenho de cada um dos participantes. a capacidade e o mérito do funcionário. O administrador burocrático é imparcial e objetivo e tem como missão cumprir as obrigações de seu cargo e contribuir no alcance dos objetivos organizacionais. donde o comando e a responsabilidade estão claramente estruturados e dimensionados. considerando apenas a competência. favoritismo. A obediência é ao cargo. A escolha segue padrões técnicos e não preferências pessoais. Os meios de produção não pertencem ao burocrata (administrador). 9. O caráter impessoal da burocracia é claramente definido por Weber quando ele afirma que esta segue o princípio administrativo. O ocupante do cargo está sujeito às imposições da burocracia. Formalismo das comunicações: a burocracia é uma organização ligada à comunicação. 5. qualificado para o cargo. Tudo é regido pela obediência à autoridade superior. Sua função é gerir. Esse procedimento objetiva adequar a documentação. Especialização da administração: há uma separação entre o dono do capital e o dirigente./Fev. 6. Jan. 4. gratidão. de modo que a disciplina e as decisões não sofram interferência alheia à racionalidade no alcance dos objetivos da organização.V. de forma que as comunicações sejam interpretadas univocamente. Profissionalização do participante: na organização burocrática. não à pessoa. O administrador é selecionado pela sua capacidade técnica. demonstrações de simpatia e antipatia./Mar. Hierarquia da autoridade: objetiva proporcionar uma estrutura hierárquica na organização. em seu estado puro. não podendo agir de forma independente. Seleção e promoção de pessoal: a seleção para admissão do funcionário é baseada no mérito técnico.O Ensino da Burocracia: um Estudo de Caso Teórico-Empírico 3. 7. de modo que o seu formalismo é indispensável. N. estão acima deste. Formalização dos procedimentos: a burocracia estabelece que as regras e normas técnicas sejam fixadas para cada cargo. seguindo um padrão previamente definido e estabelecido pelas normas técnicas. os participantes são profissionais pelos seguintes motivos: (1) cada funcionário é um especialista no Revista ANGRAD . Cada conjunto de ações tem suas relações funcionais ligadas aos objetivos da organização. racional e competentemente. recebe um salário e pode ser demitido. 2006 87 . dentro das quais suas atividades são executadas. de forma que a transparência e a promoção de pessoal é determinada por critérios iguais para todos. 7. São critérios de caráter universal. não há lugar para sentimentos. Todos são tratados igualmente. indo do topo à base da pirâmide. Impessoalidade: são relações que se caracterizam pela individualidade. As pessoas executam suas atribuições dentro de um sistema de controle escalar. Na burocracia.

Os participantes são separados por categoria de forma que haja um perfeito controle. corretas. todas as ações e reações do comportamento humano na organização devem ser previsíveis. Jan. Previsibilidade do funcionamento: todos os funcionários devem comportar-se dentro das normas e regulamentos determinados pela organização. tendo em vista que as ações são definidas por leis e a coordenação é feita por uma hierarquia de autoridades. 2006 . 88 Revista ANGRAD . aceita que promove e facilita a racionalidade e a constância na consecução dos objetivos. com base na competência técnica e capacidade. ele não o ocupa por vaidade ou honraria. através de um plano de carreira. já que estabelece oportunidades e cria condições para tomada de decisões. O tratamento formal e impessoal é indispensável para desviar-se do perigo da discriminação e do favoritismo. mas porque é a sua principal atividade. socialmente. não porque seja vitalício. (5) o funcionário é recompensado dentro da organização por uma sistemática de promoções. estabelece decisões racionais e alcança desempenho operacionalmente eficiente. segundo Motta e Vasconcelos (2002). o caráter de previsibilidade do comportamento de seus membros. Não há a menor preocupação com o comportamento individual das pessoas./Mar. (4) seu tempo de permanência na organização é indefinido. também. tecnicamente. não havendo tratamento diferenciado. Dessa forma. mas porque não existe uma norma ou regra que determine a permanência do indivíduo no cargo ou função. gradativamente vai se tornando um generalista. 1.Jaqueline de Fátima Cardoso./Fev. 7. A visão burocrática é de padronização.V. A burocracia é a forma mais eficiente de organização administrativa. um comportamento disciplinado das pessoas. Ainda para os mesmos autores. Perrow (1972) salienta a importância desse contexto dimensional e diz que o modelo burocrático é uma organização controladora das influências externas ao ambiente de trabalho. e (6) o participante não é o dono dos meios de produção. Tudo na burocracia é fixado de forma racional no sentido de prever antecipadamente as reações humanas. já que seria muito custoso e complicado estabelecer um tratamento individualizado. além de proteger o indivíduo do constrangimento provocado por amizades. Possibilita. a preocupação apenas com o sistema estrutural da organização e o seu conjunto de cargos e funções. na medida que sobe ao topo da organização. N. Esse modelo de organização. Janaína Renata Garcia e Maurício Fernandes Pereira seu cargo. A divisão por classe permite administrar a organização sem que seja preciso estar tomando decisões a cada instante. exercendo o poder de dominação sobre as pessoas através das regras e dos regulamentos. (3) é um profissional selecionado e escolhido por competência e capacidade. para que seja possível a obtenção da máxima eficiência possível. quando o momento exige uma tomada de decisão impessoal. evidencia-se claramente nas dimensões burocráticas. 10. daí. (2) o funcionário é um ocupante do cargo.

São regidos por um conjunto de regras e regulamentos. Jan. são limitados pela organização. é possível expressar de modo simplificado algumas de suas características básicas que manifestam esta qualidade racional: a) o caráter formalista da burocracia exprime-se no fato de que a subordinação está submetida ao poder da autoridade superior. As organizações burocráticas são sistemas que se caracterizam pela divisão do trabalho em níveis hierárquicos e tendo como atribuição. coordenados e controlados que. por meio da distribuição de funções e responsabilidades”. c) por serem as burocracias estruturas sociais de grandes dimensões. caracterizada a organização como um conjunto de indivíduos mobilizados. acentuam-se cada vez mais. A burocracia produz ambiente organizacional. 7. no sentido de alcançar objetivos comuns. em que a rígida normatização das atividades faz as pessoas agirem de maneira integrada. organizados em departamentos. 1.V. devidamente documentados. N. por sua vez. o poder racional legal e que por sua vez as organizações são sistemas sociais racionais. buscam encontrar o melhor meio de atingir suas metas e objetivos. 2006 89 . também. Pode ser. o prestígio e o poder que os administradores profissionais exercem sobre as burocracias. a ponto de estas passarem a ser totalmente dominadas por eles. São sistemas sociais. Assim sendo. pode-se concluir que as organizações burocráticas são relacionadas por uma reunião de congruências sociais estáveis. Ou ainda. “a organização pode ser o arranjo e a obtenção de pessoal para facilitar a realização de algum objetivo de comum acordo. nas organizações. b) a administração burocrática é executada de forma impessoal. ao ocupante do cargo e não à pessoa. que. os grupos de trabalho em operação desenvolvem profissionalmente seus papéis. como assinala Selznick apud Etzioni (1973./Fev. também. isto é. conduzidos por posições hierárquicas que comandam as relações entre pessoas. Observa-se. Revista ANGRAD . conjunta e uniforme em todo o complexo empresarial. na produção de bens e serviços. é necessário que as organizações sejam administradas por homens especializados. 30). p. onde os indivíduos. constituindo a sua forma. sem consideração ao elemento humano. que. Assim. atender às necessidades dos seus componentes e da sociedade./Mar. num esforço de relações pessoais. d) o crescente controle. em forma de grupos especializados. objetivos e políticas a serem implementados ou desenvolvidos. desempenham variadas funções. capaz de alcançar os fins a que se propõe.O Ensino da Burocracia: um Estudo de Caso Teórico-Empírico Enfatizam Motta e Pereira (1987) que a burocracia tem como fonte de legitimidade.

A escolha destas características foi baseada nos estudos de Hall (1978) onde o autor examina as bases do modelo burocrático – as dimensões organizacionais que são caracteristicamente citadas como atributos burocráticos. móveis. imobiliária. (COOPER E SCHINDLER. esquadrias de alumínio. Sob o ponto de vista dos alunos. escolheu seis. descritiva. hospital. a partir disso. supermercados. Portanto.Jaqueline de Fátima Cardoso. na disciplina Teorias da Administração I. foi estabelecida uma escala de 1 a 5. a saber: divisão do trabalho. impessoalidade. uma condição que esteja presente ou ausente. A amostra foi por conveniência. circuitos eletrônicos. O processo de amostragem utilizado foi não probabilístico. mediante justificativa da indicação. sistema de normas. comércio de confecções. Dentre as características pertinentes à Burocracia. contabilidade. no sentido de que estavam testando na prática os conhecimentos adquiridos em sala de aula. formalização dos procedimentos. Em tal estudo. 90 Revista ANGRAD . projetos de construção civil. foi solicitado aos alunos um estudo de campo a fim de que observassem na prática os conceitos relativos ao assunto. hierarquia de autoridade. Jan. Hall (1978) destaca que a burocracia é uma condição que existe ao longo de um contínuo e. Prestadoras de serviços como bancos. e seleção e promoção de pessoal. tais como: mineradoras. foram escolhidas seis. transportadoras. porque utiliza referencial estatístico para análise e interpretação dos dados e. No estudo de campo. confecções. tendo em vista que os alunos tiveram a liberdade de escolher em qual organização fariam a coleta de dados. cabendo ao aluno indicar o nível de burocratização – de 1 a 5. As atividades destas organizações são muito variadas. 2006 . 2003) O instrumento de coleta de dados utilizado foi um questionário composto pelas seis características escolhidas. higiene. foram objetos de pesquisa as características ou dimensões da Burocracia.V. Após discutir assuntos pertinentes à Burocracia. cerâmicas. informática. N./Fev. segundo a freqüência da citação e importância teórica. Foram pesquisadas 41 organizações compreendendo tanto empresas de produtos tangíveis (indústria) como prestadoras de serviços. sob a orientação da professora. de calçados e de eletrodomésticos. Janaína Renata Garcia e Maurício Fernandes Pereira 4. Hall (1978) verificou alguns autores que estudaram as diversas dimensões da burocracia e. 7. cujo conteúdo refere-se ao estudo da Teoria Geral da Administração. também. distribuidora de autopeças. A pesquisa foi do tipo quantitativa. 1. e serviço público. sendo 1 para maior escassez de burocracia e 5 para maior excesso./Mar. calçados. não. Procedimentos metodológicos O presente artigo teve como base um trabalho desenvolvido com os alunos do 1° período do Curso de Administração da Universidade doVale do Itajaí – UNIVALI – Campus Tijucas. argamassa. esta pesquisa pode ser considerada exploratória.

Já o baixo nível de burocratização (entre 1. A Tabela 1 apresenta freqüência com base na média da pontuação das características da burocracia pesquisadas pelos alunos. Descrição e análise dos dados A seguir. 3. utilizando-se nessa fase.Nem escassez nem excesso 4.9 (nem excesso nem escassez) no nível de burocratização.Médio excesso 5. Tabela 1: Distribuição de freqüência da média das características da burocracia Nível de burocratização 1. Observa-se que a maioria das organizações pesquisadas (29) teve média de pontuação compreendida no intervalo de 3.2 100 Fonte: Dados do estudo Revista ANGRAD .9 4.0 Freqüência 1 5 29 6 Fonte: Dados do estudo De acordo com as características pesquisadas – divisão do trabalho. iniciou-se a análise e interpretação dos dados.Maior escassez 2. formalização dos procedimentos.8 51.O Ensino da Burocracia: um Estudo de Caso Teórico-Empírico Os trabalhos foram entregues pelos alunos à professora para avaliação.0 a 5. assim como a sua análise. N.Maior excesso Total Freqüência 0 4 11 21 5 41 Percentual 0 9. 6 e 7. 1./Fev.9 3. Tabela 2: Divisão do Trabalho Nível de burocratização 1.9) foi identificado em apenas uma organização. 5. 2006 91 .0 a 3./Mar.0 a 2. o software SPSS para o tratamento dos dados.0 a 1. 4.a freqüência apresenta-se distribuída conforme demonstram as Tabelas 2.9 2. Em seguida. 7.2 12. Jan.0 a 3. 5.0 e 1. são demonstrados os dados da pesquisa junto às organizações.8 26. impessoalidade e seleção e promoção de pessoal .V. hierarquia de autoridade. sistema de normas.Média escassez 3.

Médio excesso 5.Nem escassez nem excesso 4. Jan. 1.2 17.Maior excesso Total Freqüência 5 5 7 12 12 41 Percentual 12.Nem escassez nem excesso 4.Média escassez 3.5 22. 2006 .Maior excesso Total Freqüência 3 12 9 10 7 41 Percentual 7.3 19.0 24.1 29.1 29.Médio excesso 5.2 17.1 100 Fonte: Dados do estudo Tabela 5: Formalização dos procedimentos Nível de burocratização 1.Maior excesso Total Freqüência 5 7 12 8 9 41 Percentual 12.Maior escassez 2.Maior escassez 2.Média escassez 3.3 100 Fonte: Dados do estudo Tabela 4: Sistema de normas Nível de burocratização 1.4 17. N.Maior escassez 2.3 29.3 29.0 100 Fonte: Dados do estudo 92 Revista ANGRAD .Médio excesso 5. Janaína Renata Garcia e Maurício Fernandes Pereira Tabela 3: Hierarquia de autoridade Nível de burocratização 1.Jaqueline de Fátima Cardoso.V./Fev.Nem escassez nem excesso 4.3 22.2 12./Mar. 7.Média escassez 3.

31362 1.51 3.Nem escassez nem excesso 4.82492 1.22 3.7 26.5 100 Fonte: Dados do estudo Ao analisar as Tabelas 2 a 7.Média escassez 3.7 31.Média escassez 3. obtém-se a média e o desvio padrão do nível de burocratização das características da burocracia. 7./Fev. Jan. média e desvio padrão do nível de burocratização Nível de burocratização Características da burocracia Média Sistema de normas Formalização dos procedimentos Hierarquia de autoridade Seleção e promoção de pessoal Divisão do trabalho Impessoalidade 3. apresentados na Tabela 8. Tabela 8: Características da burocracia.Maior excesso Total Freqüência 1 6 13 13 8 41 Percentual 2.15 3.8 26./Mar.51 3.8 31.Médio excesso 5.13159 Fonte: Dados do estudo Revista ANGRAD .23614 1.36239 1.05171 0. N.Maior escassez 2.7 19.Maior escassez 2.Maior excesso Total Freqüência 2 4 11 13 11 41 Percentual 4. 2006 93 .66 3. 1.V.66 Desvio padrão 1.6 31.Médio excesso 5.O Ensino da Burocracia: um Estudo de Caso Teórico-Empírico Tabela 6: Impessoalidade Nível de burocratização 1.8 100 Fonte: Dados do estudo Tabela 7: Seleção e promoção de pessoal Nível de burocratização 1.Nem escassez nem excesso 4.4 14.9 9.

tem-se formalização de procedimentos e sistema de normas.41 3. na média. com base no Coeficiente de Correlação Linear de Pearson. ou seja.3%) são prestadoras de serviços e 22 (53.05 3. N. a divisão do trabalho. é possível dizer que. os valores estão menos dispersos em relação à média. Analisando o desvio padrão encontrado. 19 (46. Janaína Renata Garcia e Maurício Fernandes Pereira De acordo com a Tabela 8. Das 41 organizações pesquisadas. quanto maior seu valor mais distante os valores se encontram da média. na média.Jaqueline de Fátima Cardoso. existe maior uniformidade dos valores./Fev. fez-se a correlação entre tais variáveis. Já as do grupo das indústrias. Da mesma forma. o nível de burocratização é superior em divisão do trabalho. Com o objetivo de correlacionar os níveis de burocratização encontrados nas variáveis pesquisadas (características da burocracia). sistema de normas e impessoalidade.36 3. juntamente com a impessoalidade. Jan.68 3. na divisão do trabalho.95 3. estão mais dispersos da média. são características com maior graus de burocratização. 2006 . na impessoalidade. 1. Os resultados encontrados são apresentados na Tabela 10. na seleção e promoção de pessoal. já na hierarquia de autoridade os valores estão mais distantes da média. destacam-se apenas em sistema de normas e formalização de procedimentos. ambas características sejam iguais. hierarquia de autoridade. os valores do conjunto de dados encontram-se mais próximos da média e. Tabela 9: Características da burocracia em relação ao tipo de atividade Características da burocracia Divisão do trabalho Hierarquia de autoridade Sistema de normas Formalização dos procedimentos Impessoalidade Seleção e promoção de pessoal Serviço 3. 7. O desvio padrão mostra a dispersão do conjunto de valores em relação à média.26 3.V.04 3. 94 Revista ANGRAD ./Mar. embora.41 3.64 3. A Tabela 9 relaciona o tipo de atividade das organizações com a média do nível de burocratização encontrado. a seleção e promoção de pessoal e a hierarquia de autoridade apresentam essa diferença: o desvio padrão mostra que. Com menor grau de burocratização.47 Indústria 3. A hierarquia de autoridade e seleção e promoção de pessoal aparecem logo atrás. nas organizações do grupo de prestadoras de serviços.54 Fonte: Dados do estudo Conforme ilustra a Tabela 9.63 3.7%) pertencem à atividade industrial.

também.120 0. Tabela 10: Correlação das variáveis com base no Coeficiente de Correlação de Pearson Variáveis correlacionadas Divisão trabalho X Sistema normas Divisão trabalho X Formalização Divisão trabalho X Impessoalidade Impessoalidade X Seleção pessoal Hierarquia X Seleção pessoal Sistema normas X Seleção pessoal Sistema normas X Formalização Formalização X Impessoalidade Divisão trabalho X Seleção pessoal Hierarquia X Impessoalidade Hierarquia X Formalização Formalização X Seleção pessoal Hierarquia X Sistema normas Sistema normas X Impessoalidade Divisão trabalho X Hierarquia Coeficiente de Pearson (r) 0. parece não ser nem escasso e nem em excesso. valores pequenos de X tendem a estar relacionados com valores pequenos de Y. que a ausência de correlação ocorreu em 4 casos.271 Correlação das variáveis Ausência Ausência Ausência Ausência Negativa fraca Negativa fraca Positiva fraca Positiva fraca Positiva fraca Positiva fraca Positiva fraca Positiva fraca Positiva fraca Positiva fraca Positiva fraca Fonte: Dados do estudo 6. na maioria das organizações pesquisadas. observa-se que. Considerações finais Os resultados desta pesquisa refletem a compreensão dos alunos pesquisadores a cerca dos conteúdos relativos à Burocracia.242 0.026 -0. O nível de burocratização. as variáveis estão positivamente correlacionadas quando caminham num mesmo sentido. 1. já a correlação negativa fraca ficou pouco evidente (2 casos).170 -0. as correlações foram positivas e fracas (9 casos).119 0.132 0.O Ensino da Burocracia: um Estudo de Caso Teórico-Empírico De acordo com Barbetta (1999). o que corrobora Revista ANGRAD .V./Fev.269 0.068 0.046 -0. enquanto que valores grandes de X tendem a estar relacionados com valores pequenos de Y.266 0. Por outro lado. valores pequenos de X tendem a estar relacionados com valores grandes deY.159 0. enquanto valores grandes de X tendem a estar relacionados com valores grandes de Y.213 0. as variáveis estão negativamente correlacionadas quando caminham em sentidos opostos e. Diante disso. 7. na maioria.118 0. assim. analisando a Tabela 10. ou seja. N./Mar. Jan.006 0.Verificou-se. 2006 95 .

há maior uniformidade no nível de burocratização relacionados a essas características nas organizações pesquisadas. da mesma forma acontece com a seleção e promoção de pessoal e hierarquia de autoridade. hierarquia de autoridade. A seleção e promoção de pessoal devem ser tratadas. Diante disso. são mais próximos da média. 7. é a mais alta. ressaltando que os resultados desta pesquisa podem mostrar aos alunos a realidade das organizações. as características podem estar presentes nas organizações isoladamente uma das outras. Isso significa que. apenas. No que se refere à correlação positiva fraca. 96 Revista ANGRAD . formalização dos procedimentos e impessoalidade. apesar do trabalho ser dividido. na seleção e promoção de pessoal. o nível de hierarquia influencia positivamente o nível de burocratização de outras variáveis.V. entretanto. Na correlação negativa fraca. destacar que houve ausência de correlação. as prestadoras de serviços demonstraram maior nível de burocratização em divisão do trabalho. 1. além do que sua correlação. ambos aparecem correlacionados positivamente em maior número. pode-se considerar que a divisão do trabalho e impessoalidade possuem médias semelhantes. É relevante apontar a influência do sistema de normas e da impessoalidade. a hierarquia se destaca entre as variáveis. em que os valores. É relevante. em sistema de normas e formalização de procedimentos. observa-se que a variável divisão do trabalho aparece em três dos quatro casos. correlação negativa fraca e positiva fraca. Em relação à ausência de correlação. ou seja. porém. posto que a seleção e promoção de pessoal está negativamente correlacionada com o sistema de normas. o que significa dizer que. dentre as positivas fraca. Sendo assim. o que significa dizer que essas organizações estão próximas de um modelo burocrático./Mar. Apesar de as organizações industriais teoricamente necessitarem de um maior nível de burocracia. na divisão do trabalho os valores ficam mais próximos da média. Ao analisar a média e o desvio padrão do nível de burocratização das características da burocracia. ou seja. de forma a considerar normas para contratar e promover as pessoas na organização com base na meritocracia. Jan. verificou-se uma contradição.Jaqueline de Fátima Cardoso./Fev. sistema de normas e impessoalidade. o que sugere ser a divisão do trabalho algo bastante utilizado nas organizações independente da existência das demais características da burocracia. 2006 . N. com base na burocracia. quando se tem valores mais próximos da média. cabe destacar a importância do ensino e da pesquisa caminharem juntos na formação acadêmica do aluno. fixando o conteúdo discutido na disciplina. Analisando as características da burocracia não foi encontrada nenhuma correlação forte e moderada entre as variáveis. Ao contrário das organizações industriais que se apresentaram mais burocratizadas. na pesquisa. não implica necessariamente em sistema de normas. cabe destacar que a presença de determinada característica não necessariamente influencia a existência ou ausência de outra. Janaína Renata Garcia e Maurício Fernandes Pereira com Hall (1978) no sentido de que as organizações existem ao longo de uma série de contínuos e dimensões da burocracia.

KWASNICKA. Sociologia de Max Weber. VASCONCELOS. 1. Peter. mas sim. 4ª ed. FREUND. 1972. PEREIRA. em determinadas dimensões com maior ou menor intensidade. Referências BARBETTA. 1989. 1978. Prestes. 8ª ed. Sociologia da burocracia. 1984. HALL. Edmundo. SCHINDLER. Rio de Janeiro: PHB. 1978. 4ª ed. 7. Organizações modernas. In: CAMPOS. Sociedade pós-capitalista. 1987. Charles B. 7ª ed. suas dimensões não necessariamente precisam estar presentes na sua totalidade. 3ª ed. LIKERT. Julien. Florianópolis: Editora da UFSC. PERROW. 3ª ed. Pedro Alberto.V. Análise organizacional: um enfoque sociológico. Gouveia de. DRUCKER. MOTTA. a presença de uma característica não necessariamente implica na presença ou ausência de outra. MOTTA. São Paulo: Pioneira. Da mesma forma. Organizações: estruturas e processos. 2ª ed. Max. Os fundamentos da organização burocrática: uma construção do tipo ideal. 7. 7ªed. Jan.. COOPER. 2002./Fev. São Paulo: Pioneira. São Paulo: Atlas. N. In: CAMPOS. 2003. Métodos de pesquisa em administração. Prestes. WEBER. Fernando C. Revista ANGRAD . Amitai. Donald R. 1974. São Paulo: Brasiliense. Novos padrões de administração. Rio de Janeiro: Zahar. Pamela S. 1989. HALL./Mar.O Ensino da Burocracia: um Estudo de Caso Teórico-Empírico Embora a burocracia seja um requisito para a caracterização de sistemas sociais organizados. Teoria geral da administração. Richard. Estatística aplicada às Ciências Sociais. 1975. Fernando C. São Paulo: Pioneira. Sociologia da burocracia. Bresser. Rio de Janeiro: Zahar. Luiz C. São Paulo: Atlas. Max. Ensaios de sociologia. Porto Alegre: Bookman. 2006 97 . O conceito de burocracia: uma contribuição empírica. 2002. São Paulo: Pioneira Thomson. Isabela F. Teoria geral da administração. Eunice Lacava. WEBER. Introdução à organização burocrática. 4ª ed. Rio de Janeiro: Zahar. Richard. Rensis. ETZIONI. Rio de Janeiro: Forense-Universitária. Edmundo. 1999. 1987.

.

ufmg. 1. Revista ANGRAD . Jan. tem-se levantado. buscou-se a superação desses problemas através da implementação de um software de simulação de código aberto que propicia um ambiente virtual para experiências onde fenômenos econômicos. Destaca-se. ressaltando como suas importantes inovações as ênfases: (1) na interdependência entre os diversos fenômenos acima mencionados e (2) na participação ativa e crítica do aluno no processo.V. Utilizando a teoria da aprendizagem experimental de Kolb (1984). conceitualização abstrata. recurso tecnológico. N. 1121/1802 30190-002 Belo Horizonte ./Fev. 7. a qual relaciona experiência concreta e conceitualização abstrata. dentre outras.Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração Jessé Alves Amâncio Mestre em Administração (CEPEAD/FACE/UFMG) Professor de Estratégia e consultor de empresas Endereço: Rua Jacarina. 516/102 30720-180 Belo Horizonte .MG e-mail: elis@face. a questão da especialização funcional dos conteúdos .comprometendo a formação do profissional.com. 2006 99 . processo de ensino e aprendizagem. a incorporação de um novo recurso didático/tecnológico para o enriquecimento do processo de ensino e aprendizagem da Administração. Palavras-chave: Experiência concreta. como contribuição deste trabalho. esse software é apresentado em seus aspectos estruturais e funcionais.br Elis Regina de Paula Mestre em Administração (CEPEAD/FACE/UFMG) Professora de TGA e Recursos Humanos Endereço: Rua Augusto de Lima./Mar.que dificultaria a construção de uma visão global por parte do aluno.br Resumo No ensino da Administração.MG e-mail: jesseamancio@yahoo. Neste artigo. financeiros. como também os distanciaria de seus ambientes de aplicação . administrativos e sociais interagem entre si.

têm-se os programas de estágios. 7. and (2) the active and critical participation by the students in the work with the software./Fev. technological resource. caracterizados pela transmissão de conteúdos. 1. as well. as aulas 100 Revista ANGRAD .4). this work tried to overcome these problems through the implementation of open source computer simulation software that creates a virtual environment. N. 1.somos uma espécie que aprende. Muitas das idéias de Dewey (1910.Jessé Alves Amâncio e Elis Regina de Paula Abstract In the field of business education. Essa habilidade se manifesta na capacidade de reagir para adaptar-nos física e socialmente ao mundo como também agir criando e moldando-o. As one contribution of this work. Introdução O mecanismo mais importante dos seres humanos para a adaptação ao ambiente está relacionado com seu processo de aprendizagem . ressaltando a relação entre a sala de aula e o mundo real. this software is presented in its structural and functional concepts. o autor propõe uma teoria da aprendizagem experimental que fornece “uma estrutura para examinar a ligação crítica entre educação. p. Key-words: Concrete experience. it is pointed out the incorporation of a new didactic and technological resource to the enrichment of the teaching and learning process in the business field. stressing as important innovations the emphasis on: (1) the interdependency the various fields cited above. that enables experiments in the economics. Jan. a qual reconhece como fundamental a relação entre o processo de experiência real do aluno e educação. which relates concrete experience and abstract conceptualization. Segundo Kolb (1984./Mar. Insere sua proposta na filosofia educacional defendida por Dewey (1910. Para o autor. que desvalorizam a experiência pessoal do aprendiz e focam no conteúdo e na matéria. trabalho e desenvolvimento pessoal” (p. teaching and learning process. abstract conceptualization. Based on the Kolb (1984) theory. In this paper. social and administrative fields.focados no ensino e no professor. onde cabe ao professor expô-los e ao aluno mostrar que sabe reproduzi-los. Como reação a essa distorção.V. 2006 . 1938) têm sido aplicadas mesmo nos programas educacionais chamados tradicionais . finance.2). a concepção de aprendizagem é distorcida pelo racionalismo e pelo behaviorismo. esse processo de aprendizagem precisa ser permeado “com a textura e o sentimento” das experiências humanas e compartilhadas através do diálogo com o outro. could enlarge the distance between theory and practice – with consequences to the professional formation. Como exemplo dessas atividades. it has been raised the question of specialized contents – what could make hard the construction of an global vision. 1938).

Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração em laboratórios e os trabalhos de campo. os quais são apresentados no próximo tópico. desenvolvido pelos autores. buscou-se descrever o software (programa de computador) de simulação para a aprendizagem da Administração. pois “as pessoas aprendem através de suas experiências” (Kolb. casos. é uma possibilidade para um processo educacional mais rico e efetivo. pela dialética entre assimilação conceitual da experiência e a acomodação conceitual dessa experiência. jogos e observações. Para tanto. p. Corroborando esta concepção. 1984).6). tem-se o trabalho de Piaget (2002). passando-se. N. Piaget (2002) salienta que a inteligência não é uma característica interna inata de um indivíduo. Freire (1987). a partir dos conceitos de aprendizagem e das Revista ANGRAD . o aprendizado é feito através da experiência. 7.V. em Dewey (1910. Lewin (1951). o qual defende que o sistema educacional é uma agência de controle social opressiva e conservadora. tais como exercício estruturado. conceitos de aprendizagem fundamentados na experiência do aluno./Fev. Essa metodologia de ensino permitiu libertar o aluno da imposição da memorização. 2006 101 . teoria e prática proporcionam um processo mais produtivo para o aprendizado. Suas pesquisas propiciaram o desenvolvimento de processos educacionais nos quais se procura por meio de objetos concretos e experiências pessoais. Jan. 1. descobrir os princípios científicos neles contidos. Esse processo de conflito entre a experiência e a teoria é central na dinâmica da aprendizagem e várias abordagens educacionais procuram criá-lo de várias formas. A partir dessas abordagens teóricas sobre o processo de aprendizagem. buscando induzir o questionamento e a compreensão. simulações. buscou-se principalmente em Kolb (1984) e. 1938). então. permitindo que o aprendizado se tornasse individualizado e concreto. No último tópico. Essa estratégia está de acordo com a percepção de que métodos de aprendizado que combinam estudo e trabalho. Essas experiências concretas. em um ambiente potencialmente mais motivador (Kolb. contribuem para o processo de aprendizado em razão da tensão dialética e conflito entre as experiências e sua análise conceitual. argumentando que a valorização da experiência pessoal do aluno . são feitas considerações sobre simuladores e seus usos. Ainda nessa linha. o qual propicia um ambiente virtual para experiências em Administração. no sentido de que o aprendiz está diretamente em contato com a realidade estudada. segundo Lewin (1951). tem-se o trabalho de Freire (1987). Os alunos se tornaram cientistas. Vygotsky (1999). explorando./Mar. experimentando e construindo suas próprias conclusões. Em seguida. trabalhando a experiência no processo de aprendizagem. o qual descreve como a inteligência é moldada pela experiência. 1984. mas o resultado de interações entre a pessoa e seu ambiente. à descrição do simulador objeto deste trabalho.através do diálogo entre iguais. Kolb (1984) diz que os conceitos de aprendizagem pela experiência de Dewey (1938) e Lewin (1951) representam desafios externos ao racionalismo e behaviorismo mencionados anteriormente. Em todas essas atividades. também.

2. que as rupturas que essas violações causam são 102 Revista ANGRAD . Essas implicações ou hipóteses servem como guias para a criação de novas experiências. percepção. através de uma perspectiva holística.Jessé Alves Amâncio e Elis Regina de Paula características do simulador apresentado. consciência e comportamento. (3) formação de conceitos abstratos e generalizações. ainda. (4) teste das implicações dos conceitos em novas situações. Piaget (2002). e (2) o papel central da experiência no processo de aprendizagem. a partir dos trabalhos de autores como Lewin (1951). a aprendizagem é concebida como um ciclo de quatro estágios: (1) experiências concretas./Mar. A aprendizagem pela experiência. são feitas algumas considerações para a utilização efetiva do mesmo no processo de ensino-aprendizagem. um círculo. Essa interação mútua entre o processo de acomodação de conceitos ou esquemas para a experiência no mundo e o processo de assimilação de eventos e experiências do mundo em conceitos e esquemas é para Piaget (2002) a chave para o aprendizado. Para o autor. cada uma contribuindo para novos e mais elevados estágios de consciência. não é uma terceira alternativa. 2006 . o trabalho e as outras atividades da vida. também. ou seja. (2) observações e reflexões. 1.V. O processo de aprendizagem pela experiência O processo de aprendizagem pela experiência enfatiza duas proposições básicas: (1) o relacionamento entre a aprendizagem. No trabalho de Lewin (1951). ocorrendo em sucessivas etapas. o mesmo pode ser pensado como uma espiral e. a conformação sem reflexão do indivíduo ao ambiente. é nesse intervalo que o aprendizado ocorre. Esse princípio da experiência continuada significa que toda experiência toma algo do que foi vivido e deixa algo que vai influenciar o que vem depois. as experiências concretas são a base das observações e reflexões. 1938). Aprender é um processo./Fev. busca integrar experiência. tem-se a imitação. não. Jan. chegando a dizer que qualquer experiência que não viole expectativas não merece ser chamada experiência. a diferencia das teorias de aprendizado behavioristas que não destacam o papel da consciência e da experiência subjetiva nesse processo. mas. Vygotsky (1999) e Freire (1987). manipulação e recuperação de símbolos abstratos como. todavia. O processo de crescimento consciente do concreto para o abstrato e do ativo para o reflexivo é baseado nessa contínua interação entre assimilação e acomodação. Essas observações são assimiladas em uma teoria da qual novas implicações para ações podem ser deduzidas. N. Dewey (1910. Estas proposições diferenciam a teoria da aprendizagem pela experiência da teoria racionalista que enfatiza a aquisição. O autor alega que. 7. tem-se a imposição de conceitos e imagens sem consideração com a realidade. não um produto. se o processo de acomodação dominar. Quando a assimilação predomina. Como o processo é caracterizado pela interação e transformação. Acrescenta. O aprendizado ou a adaptação inteligente é o resultado de uma tensão balanceada entre esses dois processos. Segundo Kolb (1984).

pela própria natureza. O aprendizado acontece quando as pessoas se envolvem em novas experiências (EC). Kolb (1984) salienta que o aprendizado é. refletem e observam essas experiências de várias perspectivas (OR). (2) observação reflexiva . 1.CA. Em outras palavras. o indivíduo se movimenta entre o ator para o observador e do envolvimento especifico para a análise geral. (3) conceitualização abstrata . produzindo uma mudança no indivíduo. Reforçando esse argumento. (4) experimentação ativa . N. 2006 103 . aprender é re-aprender sempre.EA.EC.V./Mar.OR. Pepper (1942) salienta que tanto o dogmatismo quanto o ceticismo absoluto são fundamentos inadequados para a criação de sistemas de conhecimentos válidos.Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração magicamente reparadas. Esse processo pode ser considerado em duas dimensões básicas: a primeira representa a experiência concreta de eventos de um lado e a conceitualização abstrata do outro e a segunda dimensão tem a experimentação ativa em um extremo e a observação reflexiva de outro. criam conceitos que integram suas observações em teorias (CA). 1. No processo de aprendizagem. e finalmente. conforme representado na FIG./Fev. Figura 1 .O processo de aprendizagem pela experiência Fonte: Adaptado de Kolb (1984) Revista ANGRAD . Jan. 7. contínua e ininterruptamente. elas são capazes de usar essas teorias para tomarem decisões e resolverem problemas (EA). uma tensão e um processo repleto de conflitos adquiridos através de quatro fases: (1) experiências concretas .

detalhes e eventos concretos e os que valorizam as possibilidades. N. portanto. descrevendo as pessoas como (1) introvertidos e extrovertidos. mostra as limitações tanto do racionalismo (Descartes. Segundo Kolb (1984). 1. 1./Fev. sentir. Essa concepção tem fundamento nos tipos psicológicos de Jung (1998). entre o conhecimento pessoal e o conhecimento social. Hobbes e outros) como fundamentos epistemológicos para a aprendizagem experimental. na posição interacionista de Piaget (2002). culturais e históricas nas quais o indivíduo está imerso. o ciclo da aprendizagem experimental representada na FIG. sim. é. perceber e comportar. também. 7. um conceito que descreve o processo central de adaptação do ser humano ao ambiente físico e social. Jan. Por exemplo: alguns indivíduos têm facilidade para reflexão e outros para experimentação. onde o conhecer somente pode acontecer problematizando as realidades naturais. a qual propõe que o conhecimento pela apreensão está no mesmo nível da compreensão. Kolb (1984) enfatiza que a aprendizagem pela experiência não é um conceito educacional molecular e. onde o conhecimento emerge de um relacionamento dialético entre apreensão e compreensão. em termos filosóficos.V. Segundo Vygotsky (1999).41). 104 Revista ANGRAD . a teoria da aprendizagem pela experiência foca nas transações internas e nas circunstancias externas. Afirma que a aprendizagem pela experiência é baseada em uma teoria do conhecimento dual: no empirismo através da experiência concreta que abraça a realidade pelo processo de apreensão direta e na conceitualização abstrata racional que abraça a realidade mediante o processo de conceitualização abstrata. (2) os que enfatizam a ordem e os que enfatizam as informações. Esse conceito.Jessé Alves Amâncio e Elis Regina de Paula Sem negar a realidade da maturação biológica e das estruturas que organizam o pensamento e a ação. O autor afirma ainda que “a aprendizagem é um processo onde o conhecimento é criado através da transformação da experiência” (p. Aprender envolve o funcionamento integral do organismo: pensar. o seu fundamento principal. imaginações e significados. o que para Vygotsky (1999) é a zona de desenvolvimento proximal (zone of proximal development). Pode-se inferir. está estreitamente relacionado ao que Freire (1987) denomina práxis. e (4) os indivíduos que consideram mais o raciocínio e os que consideram mais a intuição. nessa zona. que ocorre o aprendizado. é esse processo que molda e realiza o desenvolvimento das potencialidades. Essa zona é a distância entre o nível de desenvolvimento atual do indivíduo definida pela capacidade de independentemente resolver problemas e a capacidade de resolver problemas em colaboração com seus pares mais capacitados. Spinoza e outros) quanto do empirismo (Locke. Para Kolb (1984). (3) aqueles que valorizam os fatos. 2006 . Essa teoria do conhecimento dual tem./Mar. que o processo de aprendizagem não é idêntico para todas as pessoas e grupos sociais.

/Mar. diagramas. 2001). é importante reconhecer que o aprendizado experimental não é uma série de técnicas a serem aplicadas na prática corrente. Seus resultados requerem uma criteriosa análise e certificação.como maquetes. Assim. dentre elas: (1) facilitar uma suposta modelagem dinâmica do que se pretende estudar. Em seu estudo. até engenharia. ciências sociais e militares. os simuladores se destacam por várias razões./Fev. (2) comparativos e (3) investigativos. através do qual busca-se entender melhor a realidade. Dentre todos esses tipos de modelos. A maior parte dos simuladores de negócios em uso é do tipo comparativo e investigativo. os resultados das decisões. 2006 105 . da matemática pura e ciências físicas. Jan. os quais são discutidos a seguir.é que esses podem ser manipulados livremente. assim.V. não requerendo verificações e validações. tornando-a. negócios. Os simuladores investigativos constituem-se de modelos construídos para facilitar o debate. são simuladores não validados. ao uso de simuladores. imediatamente. 2000. Eles são de construção menos dispendiosa que os simuladores preditivos. Faria (1998) apontou que mais de 95% das escolas filiadas a AACSB (Associação internaci- Revista ANGRAD . fluxogramas. os quais são validados comparando suas saídas com a realidade. 3. (2) obter. ou seja. longo e com altos custos. propiciando um aprendizado com ciclos mais curtos. Os simuladores comparativos buscam fornecer meios para entender e resolver problemas. que auxiliam investigadores a compreenderem melhor a realidade (ROBINSON. mais próxima da realidade. dentre outras possibilidades. A utilização de simuladores como um ambiente de experimentação A vantagem de se utilizar modelos . 7. Os simuladores de negócios têm sido utilizados nos últimos 50 anos de diferentes e variadas formas. sem quaisquer riscos. dentro dos limites (muitas vezes bastante restritos) do espaço educacional é que se recorre. parcial e provisório do conhecimento de um mundo.A fidelidade do modelo é de pequena significância por ser ele utilizado para promover a discussão de um grupo de investigadores. 1. problemas éticos ou legais. na busca de um ambiente que propicie condições para a realização dessa prática. O objetivo principal desses simuladores é a representação fiel do mundo real. mapas e simuladores . 1998. 2002). ciência da computação. O autor afirma que os simuladores podem ser classificados em três tipos: (1) preditivos. FARIA. Os simuladores preditivos são caracterizados por um desenvolvimento complexo. que não se pode apreender em toda a sua complexidade. economia. N. organogramas.Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração Em todas essas considerações. Robinson (2002) acrescenta que simuladores são utilizados em uma variedade de campos. uma vez que a tecnologia tem se popularizado (DOYLE e BROWN. (3) adquirir conhecimentos que são considerados válidos e úteis e (4) admitir o caráter aproximativo. mas um programa que exige a recriação dessa prática.

Wolfe e Luethge (2003) afirmam que.resulta em maior aproveitamento no aprendizado. avaliações. (2) compreender a lógica das operações do simulador e (3) recuperar a teoria aprendida antes da simulação para analisar as situações apresentadas e decidir as ações a serem implementadas nas situações vividas na simulação.V. Como formas de se ter um processo de aprendizagem rico. 7. sendo que o mais relevante é a possibilidade de criar um ambiente de tomada de decisões mais próximo da realidade em sala de aula. Kontts e Keys (1997) e Wolfe (1997) ressaltam que esse não é um fenômeno apenas americano. Os autores alegam ainda que outra vantagem é o maior envolvimento e participação por parte dos alunos em atividades que utilizam simuladores. mas mundial./Mar. mas também questões como: (1) estudar o manual do simulador antes de iniciar a simulação. Falando sobre novas tecnologias na educação – onde também se podem incluir os simuladores. se estabeleçam hipóteses e se definam grupos para explorá-las. Wolfe e Luethge (2003) declaram que há várias razões para a expansão do uso de simuladores na área de educação em negócios. corporações e outras organizações dedicadas à promoção e ao melhoramento da educação superior em negócios com sede em Tampa.Jessé Alves Amâncio e Elis Regina de Paula onal constituída de instituições educacionais. análises e sintaxes devem ser trabalhadas ao invés de memorização. fornecendo um ambiente dinâmico. N. Ressaltando que a ligação entre desempenho no ambiente simulado e aprendizado não está demonstrada. Os alunos são estimulados a desenvolverem habilidades intelectuais. 1. EUA) e mais de 60% das empresas americanas com mais de 500 empregados usavam simuladores em seus programas de educação em negócios. Sobre o envolvimento dos participantes em atividades com simuladores. Jan. o que. os benefícios são uma maior interação 106 Revista ANGRAD . Faria (1998). segundo os autores . Keys e Wolfe (1990) . Assim. a buscarem novas informações. apesar de haver considerável evidência de que a compreensão de conceitos gerenciais é melhorada quando simulações são utilizadas como meios pedagógicos. a estabelecerem maior número de relações entre essas informações e a contribuírem para o desenvolvimento de todo o grupo através da cooperação. 2006 . e que se busquem fontes de informações variadas. é possível que esta seja aparentemente alta mas efetivamente baixa./Fev. devido à arquitetura dos simuladores. o diálogo entre os alunos e o professor deve ser incentivado. Para o professor. a partir delas. questões devem ser formuladas tanto pelo professor quanto pelos alunos e que. Gregoire e outros (1996) salientam que a exploração de seu potencial pode trazer contribuições tanto para os alunos quanto para os professores. Parker (1997) ressalta que é importante considerar os seguintes fatores: os estudantes trabalharem em problemas reais e buscar soluções em equipes. fazendo com que o participante apenas reaja às solicitações do software. competitivo e incerto como o experimentado em muitas situações de mercado. um alto envolvimento por parte do participante não corresponderia apenas ao uso do simulador.

Implementação A implementação do simulador foi feita sob licença GPL (mais informações sobre esta licença em www. inicialmente. o estabelecimento de um processo de pesquisa mais rico.V. (2) o administrador do modelo. evidenciado as potencialidades dos simuladores (ROBINSON. são descritas: as classes de dados do simulador. 4. distribuição e acesso ao código fonte sem qualquer necessidade de pagamento de licença e tendo acesso completo e livre a toda informação técnica relativa ao desenvolvimento do mesmo. Assim. A estrutura do simulador descrito neste artigo é a apresentada na seguinte ordem: implementação. que o simulador distingue três tipos de usuários: (1) o administrador de um stakeholder. 7. o crescimento do uso dos mesmos (FARIA.Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração com os alunos em comparação com as aulas tradicionais. 2003). classes de dados. 2002)./Mar. KEYS e WOLFE. identificando os seus pontos fortes e suas dificuldades. 4. executá-las e exibir os resultados pode se repetir por vários períodos (FRIPP. e algoritmo de simulação.org). (4) a exibição dos resultados das interações entre o ambiente e as decisões. N. Um ambiente virtual para experiências em Administração A maior parte dos simuladores de negócios tem a mesma estrutura básica. 2001. 4. financeiro. permitindo seu uso. WOLFE. também.1. os cuidados que tal uso reclama (WOLFE e LUETHGE.2. 1997. o qual tem acesso somente às informações específicas do próprio stakeholder e define ações para o mesmo com o intuito de buscar o sucesso do mesmo. A seguir. todos os stakeholders que atuam nesse ambiente. a qual pode ser resumida em quatro etapas: (1) a concepção de um modelo de um ambiente real ou hipotético no qual os vários atores interagem. administrativo e social) e. Jan./Fev. (2) a tomada de decisões pelos participantes da simulação. (3) o processamento pelo simulador das decisões tomadas. as equações de simulação e as funcionalidades operacionais do mesmo. passa-se a descrever a arquitetura do simulador desenvolvido para o ensino da Administração. a dinâmica das simulações.gnu. objeto deste trabalho.1998. 1997). 1997). sendo que o processo de tomar decisões. 1. o qual define todo o ambiente de simulação (econômico. maior facilidade de rever os caminhos de aprendizagem percorridos pelo aluno. Classes de dados do simulador Destaca-se. e (3) o administrador da instalação gerência a segurança de todo o siste- Revista ANGRAD . KONTTS e KEYS. 1990 . 2006 107 .

A classe INVESTIMENTO registra os investimentos feitos pelos stakeholders: valor do investimento. 108 Revista ANGRAD . 2 se relacionam através do algoritmo descrito a seguir. assim qualquer alteração de preço em uma mercadoria afeta a demanda pelas mercadorias de todo modelo. A FIG. A classe CUSTOS INTERNOS registra os custos de manutenção de stakeholders (em geral. A classe STAKEHOLDER descreve as categorias de stakeholders no modelo a ser simulado através da quantidade de indivíduos (pessoas físicas e jurídicas) dessa classe. Jan. As classes representadas na FIG. N. a classe CUSTO representa os custos com mão-de-obra (outros stakeholders) para fornecer a mercadoria. idade. perfil de consumo. A classe RELAÇÃO SOCIAL registra as relações sociais entre os stakeholders e. Informa-se o preço da mercadoria. o valor desta mercadoria exportada ou importada para ou de fora do ambiente do modelo simulado. A classe CONSUMO INSUMO representa as mercadorias de sua cadeia produtiva. 7. o desvio padrão da distribuição dessa riqueza e o valor médio que eles mantêm em reserva (os valores acima da reserva estão disponíveis para aplicações financeiras).Jessé Alves Amâncio e Elis Regina de Paula ma. as transferências de riquezas que acontecem entre os participantes destas relações. Os itens onde atuam os administradores de stakeholders e de modelo estão representados na FIG. pessoas jurídicas). prazo para pagamento.V. Relacionando diretamente com a classe MERCADORIA. a riqueza média dos mesmos. Através dessas sub-classes. estado civil. 2 mostra que o simulador tem duas classes fundamentais: a classe STAKEHOLDER e a classe MERCADORIA.A ligação entre as classes STAKEHOLDER e MERCADORIA é feita pela classe MERCADO. Quanto à classe STAKEHOLDER. eventualmente. quem o financiou (que receberá os valores referentes às amortizações e juros). a qual tem duas sub-classes: CONSUMO e PRODUÇÃO. As outras classes: SUBSTITUTO e COMPLEMENTAR representam as mercadorias substitutas e complementares. a classe TIPO identifica dentro de cada categoria de stakeholders características específicas como sexo. 2./Mar./Fev. a elasticidade preço-demanda. 1. ou qualquer outra. 2006 . A classe MERCADORIA descreve as categorias de mercadorias no modelo a ser simulado. os stakeholders se relacionam fornecendo mercadorias e transferindo riquezas. taxa de juros.

/Fev. 7.V.Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração Figura 2 – Diagrama de classes UML Fonte: Dados do projeto Revista ANGRAD ./Mar. Jan. 2006 109 . 1. N.

Calcula a disponibilidade de aplicação financeira de cada stakeholder. Implementa o efeito das transferências relativas às relações sociais. aumento ou diminuição da exportação e importação de mercadorias (aumentando ou diminuindo a riqueza de alguns stakeholders). Calcula o consumo desejado por cada stakeholder dentro de sua capacidade de compra./Fev. mudança da taxa de juros (aumentando a riqueza dos aplicadores de recursos financeiros e diminuindo a riqueza dos tomadores). Jan. Calcula a necessidade de tomar recursos financeiros de cada stakeholder Relaciona as disponibilidades financeiras com as necessidades para cada stakeholder. A dinâmica das simulações O aspecto dinâmico das simulações é feito pela interação entre todos os elementos do modelo definido através das classes (onde consumidores e produtores trocam mercadorias e riqueza) e eventos que modificam essas relações (não representados na FIG. 2006 . Se estiver calculando período posterior a 1. ao participante – no caso o aluno – cabe somente definir eventos particulares que afetam ao stakeholder ao qual está ligado (lembrando que em ambas situações não há controle sobre as conseqüências sobre os efeitos dos eventos). Um recurso fundamental no simulador é a possibilidade de incluir os eventos nos modelos.V.3. Calcula recursivamente o custo de produção de cada mercadoria demanda. então recupera a riqueza de cada stakeholder no período anterior. Quadro 1 – Etapas da rotina de cálculo das simulações Etapas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Descrição Se estiver calculando o período 1. 2 por limitação de espaço).Jessé Alves Amâncio e Elis Regina de Paula 4. Os eventos gerais que podem afetar todo o ambiente são definidos somente pelo administrador. 7. Atualiza a riqueza de cada stakeholder a partir de sua riqueza inicial . dentre outros. Fonte: Dados do projeto 110 Revista ANGRAD . Implementa o efeito de cada evento preparado para o período que está sendo calculado. 1.As etapas da rotina de cálculo estão listadas no QUADRO 1 a seguir. calculando os juros. então gera séries aleatórias de riquezas para cada stakeholder./Mar.consumo + (ou -) transferência nas relações sociais + ganhos do trabalho + (ou -) os lucros + (ou -) os juros. Os eventos permitem programar ações que afetam várias condições no ambiente simulado como: aumento e diminuição de preço de um produto (conseqüentemente. alterando sua demanda e as demandas de seus substitutos e complementares). N.

utilizando os campos RIQUEZA e DESVIO da classe stakeholder. Revista ANGRAD .t) Entrada (i.1 Equação da riqueza dos stakeholders Equação 1 – Riqueza dos Stakeholders no período t Quadro 2 – Variáveis equação 1 Variáveis Riqueza (i. Assim./Fev. mercadorias. As equações de simulação As equações utilizadas no algoritmo descrito no QUADRO 1 são descritas a seguir. 4. 4.Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração As simulações ocorrem a partir da definição de um modelo (stakeholders.4. As posições vão se alterando conforme as equações descritas no tópico seguinte. 2006 111 . sugere-se entre sete e dez períodos de simulação para que a mesma não fique muito longa./Mar.t) Descrição Total da riqueza do stakeholder i no período t Total de saídas do stakeholder i no período t Total de entradas do stakeholder i no período t Fonte: Dados do projeto No primeiro período (t = 1). 7. Elas expressam os diversos relacionamentos entre as diversas classes que compõem o simulador. conforme a Equação 2.V. que é o objetivo deste trabalho. não se tem riqueza no período anterior (t-1). N. Para utilização didática.t) Saída (i. regras de consumo e produção) aplicando-se o algoritmo descrito no QUADRO 1 em cada período de simulação. mas que permita aos alunos elaborarem as correspondências entre a teoria objeto de estudo e as posições de cada stakeholder no modelo da experiência simulada. 1.4. As equações são apresentadas resumidamente na forma matemática seguida da descrição das variáveis das mesmas. o valor da riqueza no primeiro período é obtido pela distribuição aleatória feita pelo simulador. Jan.

Efeito de eventos que atuam no período como. níveis de importação e exportação. acrescido dos juros sobre os investimentos. Jan. valor de reserva de stakeholders.2 Equação das saídas dos stakeholders (termo da Equação 1) O termo Saídas da Equação 1 é definido para cada stakeholder em cada período como: Equação 3 – Definição de saída Quadro 4 – Variáveis equação 3 Variáveis Saída (i. 1. acrescido das amortizações de empréstimos operacionais.t) Descrição Total das saídas do stakeholder i no período t Total das amortizações de investimentos.Riqueza dos Stakeholders no período 1 Quadro 3 – Variáveis equação 2 Variáveis Riqueza (i. N. acrescido dos juros sobre os empréstimos operacionais pagas pelo stakeholder. Financeiro Social Consumo Fonte: Dados do projeto 112 Revista ANGRAD .Jessé Alves Amâncio e Elis Regina de Paula Equação 2 ./Fev. mudança de taxa de juros. Total dos valores usados em consumo limitados tanto pela riqueza do stakeholder quanto por sua demanda de consumo. 7./Mar. preço de mercadoria. Total dos valores doados devido às relações sociais. limites nferiores e superiores respectivamente.V. 2006 .1) Valor Aleatório Riqueza média Desvio Descrição Riqueza do stakeholder i no período 1 Valor estatístico aleatório tendo como parâmetro uma riqueza média e um desvio Riqueza média dos stakeholders em torno da qual é gerada a aleatoriedade Desvio-padrão que determina o grau de variância dos valores aleatórios Fonte: Dados do projeto 4.4.

Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração 4. preço de mercadoria. Equação 5 – Definição de valor de empréstimo Revista ANGRAD . Financeiro Social Produção Fonte: Dados do projeto Os valores que entram como empréstimos no termo Financeiro da Equação 3 e Equação 4 são calculados conforme a equação a seguir.t) Descrição Total das entradas do stakeholder i no período t Total das amortizações de investimentos.V.3 Equação das entradas dos stakeholders (termo da Equação 1) O termo Entrada da Equação 1 é definido para cada stakeholder em cada período como: Equação 4 – Definição de entrada Quadro 5 – Variáveis equação 4 Variáveis Entrada (i. 7. Valor total obtido por produzir mercadorias demandadas pelo consumo./Mar. N. acrescido dos juros sobre os empréstimos operacionais recebidas pelo stakeholder. acrescido das amortizações de empréstimos operacionais. Jan. acrescido dos juros sobre os investimentos. mudança de taxa de juros. 2006 113 . 1. Total dos valores recebidos devido às relações sociais.4. Efeito de eventos que atuam no período como. valor de reserva de stakeholders./Fev. níveis de importação e exportação.

2006 . existem também várias barreiras. pelo simulador descrito acima como trabalhar modelos mais realistas. Já o administrador de um stakeholder tem acesso somente a uma área restrita para definir as estratégias para esse stakeholder. evoluir de modelos mais simples a modelos mais complexos. facilitar a comunicação. ou seja. no entanto. Disponibilidade Necessidade Fonte: Dados do projeto 4. WOLFE e LUETHGE. O administrador do modelo tem acesso total ao modelo para verificar qualquer informação ou alterar qualquer dado. há dois tipos de usuários: o administrador do modelo e o administrador de um único stakeholder (tipo que será usado pelos alunos). 1995)./Fev. É o valor da riqueza de um outro stakeholder j que após os cálculos de todas as transações do período falta para completar sua reserva. 2003). ainda. Os autores afirmam. 2000. 1997. podem ser exportados e importados entre distintos computadores para permitir o trabalho distribuído. explorar perguntas do tipo e se.Jessé Alves Amâncio e Elis Regina de Paula Quadro 6 – Variáveis equação 5 Variáveis Empréstimo Descrição O valor de empréstimo em um período t É o valor da riqueza de um stakeholder i que após os cálculos de todas as transações do período excedem ao seu valor de reserva. Dentre as barreiras existentes. ambos controlados por senhas. que 114 Revista ANGRAD . Os modelos. destacam-se a complexidade de se criarem modelos da realidade a ser estudada e a facilidade de se utilizar inadequadamente . 1998. Aprender envolve construção ativa e intencional do significado.para o processo de aprendizagem. 2003). Considerações finais Apesar das várias possibilidades apresentadas pelo uso de simuladores e.5. 7.V. particularmente./Mar. a adquirir visão sistêmica (DOYLE e BROWN. Jan. a atividade de simulação (PARKER. O resultado da aprendizagem deve ser bem integrado aos conhecimentos prévios do aprendiz e o processo de aprendizagem deve envolver várias estratégias e estar inserido em processo de monitoramento e avaliação (KINTSCH e outros. 5. Funcionalidades operacionais do simulador Em cada modelo simulado. tanto o aluno quanto o professor podem trabalhar em qualquer computador e trocar dados entre os modelos. não podendo ter acesso a outros e nem a informações globais do ambiente. 1.WOLFE e LUETHGE. N. FARIA.

7. não só o uso do mesmo seria ampliado. Neste trabalho. o simulador está disponível livremente para qualquer interessado no endereço eletrônico www. N. Ressaltando que a metodologia de ensino deve ter como premissas a prevalência do projeto pedagógico. seria aumentado. contribuindo dessa forma para melhor formação dos profissionais da Administração. aluno-professor e aluno-aluno. produção. (2) definirem ações para uma determinada empresa buscando seu sucesso. (4) definirem ações para uma instituição governamental. Essas experiências serão objetos de novas pesquisas que procurarão avaliar o impacto do uso do simulador na aprendizagem dos alunos. as experiências ainda estão em fase preliminar. e segundo a crescente disponibilidade de computadores no ambiente escolar. No momento. Quanto à utilização do simulador. têm mostrado alto potencial. Jan. o uso só é permitido por meio da compra de licenças de uso). todavia.geocities. a articulação entre teoria e prática e a maximização da interação aluno-informação. buscou-se integrar o pensamento de Kolb (1984) sobre a necessidade de se pensar a educação em termos de experiências e conceitos no âmbito do ensino da Administração. finanças e recursos humanos./Mar. Por ser o software livre. utilizando-se um software para permitir a realização de experiências. Revista ANGRAD . como também o número de colaboradores – aqueles que contribuem com o desenvolvimento do software. conhecimento e habilidades. Essas experiências. instabilidade política etc) do modelo simulado. onde qualquer interessado pudesse ter acesso a ele para usá-lo e modificá-lo livremente (em oposição ao software proprietário onde ao acesso a modificações é restrito e. um setor industrial etc) para se avaliar suas capacidades de perceberem os elementos do ambiente. 2006 115 . adequação do projeto tecnológico ao projeto pedagógico./Fev.com/ jesseamancio.Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração os programas devem explorar erros como oportunidades para desenvolver a aprendizagem e diferenças individuais de interesse. resultando em um produto de alta qualidade em um tempo menor. (5) identificarem possíveis conseqüências para os diversos stakeholders de alterações no ambiente global (taxa de juros. Essa abordagem foi utilizada por duas razões básicas: primeiro a dificuldade de propiciar experiências concretas – do tipo e nos momentos dos temas ensinados no ensino da Administração. Elas têm sido de diversos tipos. onde os alunos são desafiados a: (1) modelarem um ambiente específico (um ramo do comércio. uma vez que a primeira versão operacional do mesmo foi disponibilizada no início de 2005. pensou-se que o mesmo deveria ser construído como um software aberto.V. O motivo desse requisito foi o entendimento de que o software aberto permitiria ampla utilização pela comunidade. Como requisitos para o projeto do simulador. 1. criando modelos que integram conceitos de marketing. (3) definirem ações para uma organização não governamental. em geral.

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org.org.br .angrad.Esta Revista Científica é uma publicação da ANGRAD (Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração) www.br angrad@angrad.

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