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Monografia - leandro Izidoro Gonçalves

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  • 2 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
  • 2.1 CONCEITO DE PRINCÍPIO
  • 2.1.1 Princípio da legalidade
  • 2.1.2 Princípio da impessoalidade ou finalidade
  • 2.1.3 Princípio da moralidade
  • estudo do princípio da publicidade
  • 2.1.4 Princípio da publicidade
  • 2.1.5 Princípio da eficiência
  • 3 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E SEUS PRINCÍPIOS
  • 3.1 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
  • 3.1.1 Legislação aplicável ao processo administrativo fiscal
  • 3.1.2 Natureza do processo administrativo fiscal
  • 3.1.3 Fases do processo administrativo fiscal
  • 3.1.3.1 Fase administrativa
  • 3.1.3.2 Fase Litigiosa
  • 3.1.4 Julgamento da lide fiscal
  • 3.2 PRINCÍPIOS APLICÁVEIS
  • 3.2.1 Princípio do devido processo legal
  • 3.2.2 Princípio do contraditório
  • 3.2.3 Princípio da ampla defesa
  • 3.2.4 Princípio da ampla instrução probatória
  • 3.2.5 Princípio do duplo grau de cognição
  • 3.2.6 Princípio julgador competente
  • 3.2.7 Princípio da ampla competência decisória
  • 3.2.8 Princípio da oficialidade
  • 4 CRÉDITO TRIBUTÁRIO
  • 4.1 CONCEITO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO
  • 4.2 FORMAS DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO
  • 4.2.1 Lançamento
  • 4.3 FORMAS DE SUSPENSÃO
  • 4.3.1 Reclamações e recursos administrativos
  • 4.4 FORMAS DE EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO
  • 4.5 FORMAS DE EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO
  • 4.5.1 Prescrição
  • 4.5.1.1 Conceito de prescrição
  • 4.5.1.2 Diferença entre prescrição e decadência
  • 4.5.1.3 Termo inicial e final para a prescrição
  • 4.5.1.4 Interrupção da prescrição
  • 4.5.1.5 Suspensão da prescrição
  • 5 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE NO PROCESSO ADIMINISTRATIVO FISCAL
  • 5.1 CONCEITO
  • 5.2 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE NO PROCESSO JUDICIAL
  • 5.3 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
  • 6 CONCLUSÃO
  • REFERÊNCIAS

LEANDRO IZIDORO GONÇALVES

INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL

Tubarão 2008

LEANDRO IZIDORO GONÇALVES

INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL

Monografia apresentada ao Curso de Graduação em Direito da Universidade do Sul de Santa Catarina, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel.

Orientador: Prof. Fábio Borges, Esp.

Tubarão 2008

LEANDRO IZIDORO GONÇALVES

INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL

Esta Monografia foi julgada adequada à obtenção do título de Bacharel em Direito e aprovada em sua forma final pelo Curso de Direito da Universidade do Sul de Santa Catarina.

Tubarão, 23 de junho de 2008. ______________________________________________________ Professor e orientador Fábio Borges, Esp. Universidade do Sul de Santa Catarina ______________________________________________________ Prof. Wilson Demo, Esp. Universidade do Sul de Santa Catarina ______________________________________________________ Prof. Greyce Ghisi Luciano Cabreira, Esp. Universidade do Sul de Santa Catarina

pelo esforço na minha formação. Antônio e Terezinha. .Aos meus pais.

Aos meus irmãos pela lição de vida e pelo apoio e incentivo. . pela atenção e sabedoria. a Deus pelo Dom da vida.AGRADECIMENTOS Agradeço. sobretudo. em especial a minha colega de trabalho Claudinéia Onofre Assunção Motta pela colaboração e sugestões para aprimoramento do trabalho. Aos amigos pela lealdade e companheirismo. Ao meu orientador. e por me contemplar a cada dia com um novo amanhecer. que me prestaram e continuam a prestar.

“os limites da minha linguagem significam os limites do meu mundo.” (Wittgenstein). .

RESUMO O presente trabalho tem por objeto o estudo da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. também. Teve como objetivos específicos. exigibilidade e extinção do crédito tributário. defendem que ela não pode ser alegada enquanto o crédito tributário estiver com sua exigibilidade suspensa em face de recurso interposto pelo sujeito passivo. Já pelos que não a reconhecem. direcionada especialmente à análise de livros e artigos científicos. Para compreensão. Percebeu-se haver maior solidez nos fundamentos tendentes a afastar a ocorrência da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. tratou-se dos princípios constitucionais da Administração. Palavras-chave: Tributário. Processo Administrativo Fiscal. Ainda. comparação entre as inter-relações da prescrição intercorrente do processo judicial tributário ao âmbito do processo administrativo fiscal. conhecer a natureza estrutural das regras de formação. ora consagram-lhe pela tese da perempção ora da decadência. Com efeito. distinguindo aqui o instituto da prescrição com a decadência. especialmente quando o Código Tributário Nacional determina a suspensão do prazo prescricional enquanto o recurso administrativo não estiver sido julgado. fundamentado no princípio da legalidade. Igualmente. Crédito Tributário. Ainda assim. monográfico quanto ao procedimento e bibliográfico no que diz respeito à pesquisa. está o fato de não haver lei prévia definindo regras para sua ocorrência de prescrição intercorrente a esse âmbito. outros são os princípios que trazem fatos impeditivos de sua ocorrência. Visa analisar os principais aspectos do referido instituto. arrolados no artigo 37. Por outro lado. a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. o método utilizado para elaboração deste trabalho foi o dedutivo. Constatou-se que. foram delineadas as regras jurídicas reguladoras da constituição até a extinção do crédito tributário. seria impossível reconhecê-la sem que haja lei o que defina ou mesmo por contrariar os princípios constitucionais da administração pública e os princípios específicos do processo administrativo fiscal. efetuando. da Constituição Federal de 1988 e aqueles inerentes ao processo administrativo fiscal. pelos que defendem a aplicabilidade desse instituto. Prescrição Intercorrente. caput. . buscando esclarecer as razões pelas quais não se tem a aplicação deste no processo administrativo fiscal.

of the 1988 Federal Constitution and those inherent to the fiscal administrative process were analyzed. there is the fact that there wasn't a previous law defining the rules for its intercurrence lapse occurrence. monographic for the procedure and bibliographic when it comes to research. based upon the principle of legality. It was established that those who defend the relevance of this institute sometimes render sacred the lapse theses. To better comprehend this. especially when the National Tributary Code orders the suspension of the limitation period while the administrative appeal is not judged. to know the structural nature of the formation rules. which is directed especially to the analysis of books and scientific articles. chargeability and the tributary extinction. Still. In the same way. or even because it contradicts the constitutional principles of public administration and the specific principles of the fiscal administrative process. others are the principles that bring impending facts to its occurrence Keywords: Tributary. the decadence. found in the article 37. doing also the comparison between the inter-relation of the intercurrent lapse of the tributary judicial process in the ambit of the fiscal administrative process. other times. the judicial regulation rules of the constitution were outlined until the tributary extinction. Tributary Credit. The specific objectives are. defend that it cannot be alleged while the tributary credit is with its chargeability suspended against the interposed appeal by the passive subject. seeking clarification for the reasons why there are no applications of it in the fiscal administrative process. That is why the method used on the execution of this paper was deductive. Those who do not recognize it. It will analyze the main aspects of the above-mentioned institute.ABSTRACT The objective of the present paper is to study the intercurrent lapse in the fiscal administrative process. Intercurrent. the intercurrent lapse in the fiscal administrative process. Lapse. Also. . Fiscal Administrative Process. distinguishing here the lapse institute with the decadence. On the other hand. the Administration constitutional principles. it would be impossible to recognize it without there being a law that defines it. It was perceived that there is more firmness in the principles that tend to dismiss the occurrence of the intercurrent lapse in the fiscal administrative process. caput.

..............................................4 Julgamento da lide fiscal.......................2.............1 Lançamento.......................................2 Natureza do processo administrativo fiscal ..................1..................1 Princípio do devido processo legal ... 21 3..................... 36 3.................................................................................. 31 3........................................................... 12 2.............3 FORMAS DE SUSPENSÃO .. 24 3..1........3 Fases do processo administrativo fiscal.......................................................................... 42 4........................................................................................................4 Princípio da publicidade ....................................................................................... 31 3......2 PRINCÍPIOS APLICÁVEIS ...........1.............3 Princípio da ampla defesa.........................2....................................................... 24 3....................................1 Fase administrativa.............1.........................................................1.3 Princípio da moralidade............................................................................................................ 26 3.............................................................................................................................................................. 17 2....................................................... 40 4.....................................................................................................4 Princípio da ampla instrução probatória ...............1 CONCEITO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO........................ 38 3..........2..........................1.........................................................2. 22 3............................................................................. 39 4 CRÉDITO TRIBUTÁRIO.........2 Fase Litigiosa ...............3...........5 Princípio do duplo grau de cognição ........2..................................... 13 2..................................................................................... 14 2.............. 11 2 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.......1...........2 Princípio do contraditório .................................6 Princípio julgador competente .............................................2....... 42 4.3..................................................................1 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ..8 Princípio da oficialidade ............................................................SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .............1...........1.......................... 15 2........1 CONCEITO DE PRINCÍPIO........................................................................................ 37 3................ 21 3..........................................2..................................................................7 Princípio da ampla competência decisória..........................................2................................................... 33 3.... 12 2........................................................................................ 48 ........ 44 4......................... 35 3................2 Princípio da impessoalidade ou finalidade........3......................5 Princípio da eficiência ......................................2 FORMAS DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO...........1 Reclamações e recursos administrativos .1 Princípio da legalidade...........2.......................................... 18 3 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E SEUS PRINCÍPIOS ................................................. 45 4....................... 21 3....................................................................................................................1.. 40 4................. 34 3...................1..4 FORMAS DE EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO ......................................................................... 27 3......1 Legislação aplicável ao processo administrativo fiscal ...

..........1.............................................1 CONCEITO .................. 49 4.....5 Suspensão da prescrição ............................. 48 4.........4...................2 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE NO PROCESSO JUDICIAL..... 61 6 CONCLUSÃO ..........................................................................................1................... 59 5.................... 59 5...........................5..........1..................................................... 53 4................................................................1 Prescrição .......................................1.5....1 Conceito de prescrição .......... 70 ............ 56 5 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE NO PROCESSO ADIMINISTRATIVO FISCAL .........................................2 Diferença entre prescrição e decadência ........................................................................... 55 4.................................................................. 68 REFERÊNCIAS ......................................3 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.......................................................................................5.........................4 Interrupção da prescrição ......... 49 4...............................................................................3 Termo inicial e final para a prescrição ...1.................... 52 4.............................................................5.................5......................................5 FORMAS DE EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO ... 60 5......................5............

o método utilizado foi o dedutivo. sem a necessidade de instaurar uma discussão judicial. a doutrina não é unânime ao definir se existe ou não prescrição intercorrente no processo administrativo. É voltada à realização de um outro interesse. ao longo do tempo. de modo que atualmente ele encontra-se cercado por uma gama de princípios e regras que o orientam. sobretudo.1 INTRODUÇÃO O presente trabalho versa sobre a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. . bem como da legislação pertinente. monográfico quanto ao procedimento e bibliográfico no que diz respeito à pesquisa. sistematicamente. O trabalho dividir-se-á. se tem defendido que. ao se constatar que o Poder Judiciário. de possibilitar que os conflitos de natureza tributária sejam solucionados diretamente entre cidadão e Estado. como se analisará adiante. a ele lhe seja aplicado o instituto da prescrição. Como forma de atribuir mais uma garantia ao sujeito passivo. para o próprio cidadão. como tratado adiante. já reconheceu a possibilidade de ocorrência da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. A atividade administrativa fiscal não objetiva usurpar a competência ou excluir a possibilidade acesso ao Poder Judiciário. visando demonstrar os fundamentos para sua inaplicabilidade na seara administrativa Fiscal. Para tanto. para o desenvolvimento do trabalho. em prol de uma duração razoável do processo administrativo. face à exigência fiscal. ainda na esfera administrativa. A questão assume maior relevância. a análise dos principais aspectos do instituto da prescrição intercorrente. direcionada para análise de diversos autores que tratam sobre o tema. propiciar uma melhor análise e compreensão do tema em comento. se focalizará como objetivo central da presente monografia. foram incorporadas ao processo administrativo uma série de prerrogativas. A par disso. A importância do tema está exatamente no fato de que interfere na rotina da Administração Pública e. Ressalta-se oportuno que o processo administrativo fiscal é um mecanismo posto à disposição do sujeito passivo para possibilitar sua insurgência. E. Desse modo. neste contexto. qual seja. visando assim. em quatro capítulos. em determinado momento.

desde a constituição. no primeiro capítulo serão abordados os princípios informadores da Administração Pública. E por fim. . No terceiro. Isto posto. detalhando suas características. da Constituição Federal de 1988. a partir dos temas trabalhados anteriormente. o quarto capítulo se preocupará em estudar. os quais se encontram arrolados no artigo 37. será analisada a estruturação do processo administrativo fiscal. o enfoque dar-se-á sobre o crédito tributário. até sua extinção.Neste viés. caput. o instituto da prescrição intercorrente direcionada ao âmbito do processo administrativo fiscal. bem como seu campo normativo e os princípios que lhe são inerentes. o presente trabalho tem como intuito apresentar razões pelas quais não se tem a aplicação do instituto da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. No segundo.

chamando à colação Di Pietro. Direito administrativo. 2. Neste aspecto. Maria Sylvia Zanella. examinar as características de alguns destes princípios. rev. 2007.” “origem. impõe-se a identificação de parâmetros gerais que norteiam toda a Administração Pública e.” Logo. porque representa insurgência contra todo o sistema. dominado pela idéia de princípio. conforme o escalão do princípio violado.12 2 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Antes de iniciar um estudo específico sobre a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. É a mais grave forma de ilegalidade ou inconstitucionalidade. pois. os princípios representam papel relevante nesse ramo do direito. bem como na feitura dos atos atinentes. tem sentido de “aquilo que vem antes de outro. pode-se compreender que o Direito Administrativo é. 23. urge. a disciplina do processo administrativo. ed. Celso Antônio Bandeira de.1 Enfatizando a importância dos princípios no ordenamento jurídico ensina Mello violar um princípio é muito mais grave que transgredir uma norma. São Paulo: Atlas. 58. MELLO.2 1 2 DI PIETRO. por conseqüência. contumélia irremissível a seu arcabouço lógico e corrosão de sua estrutura mestra. p. e atual. Desta feita. pois eles possuem substancial importância na atuação do Administrador Público. . 20. p. 2007. mas a todo o sistema de comandos. 927. ed. subversão de seus valores fundamentais. a prima facie. São Paulo: Malheiros. Curso de direito administrativo. permitindo à Administração e ao Judiciário estabelecer o necessário equilíbrio entre os direitos dos administrados e as prerrogativas da Administração.” na linguagem vulgar. começo. oportuna a análise dos princípios constitucionais que orientam a Administração Pública.1 CONCEITO DE PRINCÍPIO A palavra “princípio. A desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a um específico mandamento obrigatório. senão vejamos: Sendo o direito administrativo de elaboração pretoriana e não codificado.

. compreende-se princípios como sendo normas gerais e abstratas. MEIRELLES. o que. ed. Constituição da República Federativa do Brasil.estabelecido em nosso Sistema Constitucional . 5 de outubro de 1988.gov. Disponível em:<http://www. o da publicidade e o da eficiência.”5 Em decorrência disso. pode-se afirmar que este ramo do conhecimento que é fundamentado por uma série de proposições diretivas.contém.13 Assim. 2. destinam-se de um lado. Devido processo legal na administração pública. Trazendo tal acepção para o Direito Administrativo. na sua essência os pressupostos materiais subjacentes ao Estado de direito: a) judicidade. 2007. . só poderão fazer o que o preceito normativo determina ou permite 3 4 5 O Estado Democrático de Direito . BRASIL. DF.: BUENO. 87. Brasília. o da moralidade. não necessariamente positivadas. as autoridades. princípio da igualdade [. de outro lado a garantir a boa administração. a saber: princípio da justiça social.1. Cf. 33. toda a Administração.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.4 Estes princípios. c) direitos fundamentais e mais alguns outros pressupostos que decorrem do princípio democrático. c) constitucionalidade. será informado por princípios que o constituirão. na Administração Pública não há espaço para qualquer exacerbação personalista dos governantes. por ser a Administração Pública informada por diversos princípios.planalto. São Paulo: Malheiros. Ao cabo disso. Tem-se. quais sejam: o da legalidade. 2001. enfim. Constituição (1988). 101. Direito administrativo brasileiro. na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza. caput. é conveniente examinar aqueles arrolados na Constituição Federal Brasileira de 1988. em sentido material. como se verá. p. o agente público.1 Princípio da legalidade Este é o princípio capital para configuração do regime jurídico-administrativo do Estado Brasileiro. nas lições de Meireles. Hely Lopes. Acesso em: 23 abr. Vera Scarpinella et al. o da impessoalidade. São Paulo: Max Limonad. atual.]. é tido que “enquanto na Administração particular é lícito fazer tudo que a Lei não proíbe. vez que consagra a idéia de que a Administração Pública só pode ser exercida na conformidade da lei. a orientar a ação do administrador na prática de seus atos e. em especial os expressos no seu artigo 37.3 deve respeito. a submissão do Estado à lei.htm>.. Assim. porém às quais todo ordenamento jurídico que se construa com a finalidade de ser um Estado Democrático de Direito. então. as quais constituem um bloco sistemático e harmônico. p. 2008.

visando garantir a sua observância pelos agentes administrativos. 2007. 2. inciso XXXV. portanto. não podendo prevalecer frente a estes. de grupos ou particulares. sempre com intuito de atingir a finalidade que resguarde interesse público. o habeas data. .2 Princípio da impessoalidade ou finalidade A Impessoalidade ou Finalidade relaciona-se ao preceito que impõe a cada autoridade pública. decisões e interesses individuais. no exercício da atividade administrativa. é de se pontuar que. ainda que a mesma decorra de ato da Administração. como a ação popular. p. Ainda. visando unicamente satisfazer interesses privados. E a Constituição ainda prevê outros remédios específicos contra a ilegalidade administrativa. sob 6 DI PIETRO. como bem retrata Di Pietro. da Constituição Federal e na seqüência outros remédios específicos. A observância do referido preceito constitucional é garantida por meio de outro direito assegurado pelo mesmo dispositivo. o mandado de segurança e o mandado de injunção. isto tudo sem falar no controle pelo Legislativo. por favoritismo ou perseguição dos agentes governamentais. editou o legislador constitucional mecanismos que assegurassem a sua efetivação. devendo agir de acordo com a lei. em seu inciso XXXV. a importância do princípio dantes apresentado.1. 59. além de retratar as regras principiológicas. diretamente ou com auxilio do Tribunal de Contas. além de atender à legalidade. o habeas corpus. o ato do administrador público deve conformar-se com a moralidade e a finalidade administrativas para dar legitimidade à sua atuação. e no controle pela própria Administração.14 expressamente. como bem enuncia Meireles. em decorrência do qual "a Lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de lesão". porquanto preocupa-se o princípio da finalidade em almejar o interesse público: O que o princípio da finalidade veda é a prática de ato administrativo sem interesse público ou conveniência para a Administração. cujos aspectos serão alhures demonstrados. Entretanto. Não pode a Administração agir por interesses políticos. 6 Observa-se. destacando inicialmente o artigo 5º. a sopesação de vários interesses.

conhecida por moral administrativa. por exemplo. 2. apresenta a mesma autora uma forma especifica de aplicação desse princípio. conforme artigo 37.. por entender “que os atos e provimentos administrativos são imputáveis não ao funcionário que os pratica. revela-se lúcida a ponderação feita pelo referido autor vez que as realizações administrativo-governamentais não são do funcionário ou autoridade. Tanto que. da Constituição Federal. § 6º. cit. também chamada de moral jurídica. 92. em não sendo o ato do administrador praticado de forma impessoal. por sua vez retrata as duas interpretações explanadas acima. mas ao órgão ou entidade administrativa em nome da qual age o funcionário. José Afonso da. sob fundamento de que os atos são do órgão e não do agente público. este poderá vir a ser invalidado. nos casos de dano a terceiros quem responde é Administração e não o funcionário. 29 ed. 2007.”8 Nesse quadrante.15 a forma de desvio de finalidade. Di Pietro. afirma Di Pietro citando Brandão que: 7 8 9 10 MEIRELLES. pontuando que “exigir impessoalidade da Administração tanto pode significar que esse atributo deve ser observado em relação aos administrados como à própria Administração. . MEIRELLES. Esse desvio de conduta dos agentes públicos constitui uma das mais insidiosas modalidades de abuso de poder. p. São Paulo: Malheiros. op.1. Neste sentido. 2007.3 Princípio da moralidade Não obstante a semelhança existente entre a idéia de moral comum. loc. cit. 10 Tem-se. refere-se tal princípio a uma espécie de moral diferenciada. SILVA. mas da entidade pública. MEIRELLES. senão vejamos: Outra aplicação desse princípio encontra-se em matéria de exercício de fato. portanto. 667. p. imposta à Administração Pública como um pressuposto de validade de seus atos. 92. Direito Constitucional Positivo. 7 Dá sentido diverso ao referido princípio Silva. a idéia de que.”9 Na seqüência. p. quando se reconhece validade aos atos praticados para o funcionário irregularmente investido no cargo ou função.

in verbis: Quando usamos da expressão nos seus efeitos. contudo de boa administração. “é àquele que usando de sua competência legal. dão valor jurídico à vontade psicológica do administrador. 90. pelas doutrinas do nãolocupletamento à custa alheia e da obrigação natural. FRANCO SOBRINHO apud MEIRELLES. De resto.” ou seja. cit. 85. p. §4º).116. 68 . em especial no direito administrativo. ser modificadas em casos concretos para fins de sancionar. Falando.”12 (grifo do autor) Na aferição de Meireles. da Constituição. 2007. encontra-se ligada à moralidade administrativa ao conceito de “bom administrador. é para admitir a lei como regra comum e medida ajustada. FRANCO SOBRINHO apud MEIRELLES. se determina não só pelos preceitos vigentes. por meio da doutrina do exercício abusivo dos direitos e. do justo e do injusto nos seus efeitos. loc. de uma maneira ou de outra.16 faz um estudo da evolução da moralidade administrativa. as fronteiras do lícito e do ilícito. V. a perda da função pública a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário. depois. 11 Neste caminho. percebe-se que violá-lo implicará transgressão ao próprio Direito. compreendem-se em seu âmbito os chamados princípios da lealdade e boa–fé. agravar a situação dos administrados ou denegar-lhes pretensões. 14 (Grifo do Autor) 11 12 13 14 BRANDÃO apud DI PIETRO. mas também pela moral comum. A este respeito. Com efeito. atentar contra a “probidade na administração” é hipótese prevista como crime de responsabilidade do Presidente da República. comenta Mello: Por força mesmo destes princípios da lealdade e boa-fé. fato que enseja sua destituição do cargo. Constituição Federal). firmou-se o correto entendimento de que orientações firmadas pela Administração em dada matéria não podem. sem prévia e publica notícia. 2007. de tal sorte que só se aplicam aos casos ocorridos depois de tal notícia. porquanto referido princípio assumiu foros de pauta jurídica (artigo 37. MELLO.69. . Acresça-se que. Essa mesma intromissão verificou-se no âmbito do direito público. referimo-nos subjetivamente a critérios morais que. E explica o mesmo autor. nos termos do art. configurando ilicitude que comina a invalidação da conduta viciada. p. no qual penetrou quando se começou a discutir o problema do exame jurisdicional do desvio de poder. 37." 13 Há que conhecer. os atos de improbidade administrativa dos servidores públicos “importarão a suspensão dos direitos políticos. sem prejuízo da ação penal cabível (art. p. mostrando que foi no direito civil que a regra moral primeiro se imiscuiu na esfera jurídica. 2007.115 . utilizando-se das lições de Franco Sobrinho. na forma e gradação previstas em lei. assim.

Tem-se como regra básica. e pelo inciso XXXIV que reconhece o direito à obtenção de certidão dos órgãos públicos para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal. em seu inciso LXXII. confere a garantia do habeas data assegurando ao administrado o direito de conhecer e retificar informações pessoais constantes de entidades governamentais ou de caráter público. 1988. e muito menos em relação aos sujeitos afetados por alguma medida. aos administrados. não pode haver ocultação. qual seja: a sua produção de efeitos jurídicos. E para que seja possível o seu estudo.15 Além desses. dos assuntos que a todos interessam. a de que a publicidade deve se dar por meio de órgão oficial.17 Apresentados estes principais aspectos do princípio ora analisado. Só com a transparência é que poderão os indivíduos aquilatar a correção ou não dos atos e grau de eficiência de que se revestem. . um outro aspecto do princípio em tela merece ser abordado. 2. passa-se ao estudo do princípio da publicidade. 16 (grifo do autor) 15 16 BRASIL. Destaca-se que. que asseguram a todos o direito de obter dos órgãos públicos informações de seu interesse particular ou de interesse coletivo ou geral. faz-se necessário abordar as formas de divulgação dos atos e decisões administrativos. Ademais. A publicação oficial é exigência da executoriedade do ato que tenha que produzir efeitos externos. a regra da transparência administrativa. loc. Com efeito. 2007.4 Princípio da publicidade Fundamenta-se este princípio em propiciar a divulgação e transparência dos atos da Administração entre os administrados. para propiciação de conhecimento do público em geral e início de produção de seus efeitos. Em alguns casos ao interessado no ato ou quem o ato prejudica. como bem informa Silva a publicidade se faz pela inserção do ato no jornal oficial ou por edital afixado no lugar de divulgação de atos públicos. 670. SILVA. vem reforçada pelo inciso XXXIII do artigo 5º da Constituição Federal.1. cit. o mesmo artigo 5º. com exceção das situações de sigilo previstas em lei. p.

propiciar a divulgação da conduta interna dos agentes Estatais: A publicidade. ao apresentar inicialmente dois de seus respectivos aspectos: pode ser considerado em relação ao modo de atuação do agente público. 1988. p. os atos-concluídos e em formação. do texto constitucional18. assim. 37. 17 Um outro ponto que marca esse princípio encontra-se delineado no artigo 37. abrange toda atuação estatal. as atas de julgamentos das licitações e os contratos com quaisquer interessados. loc. vedando promoção pessoal de autoridades ou agentes públicos. 96. § 1º. inclusive. espera-se o melhor desempenho possível de suas atribuições. os despachos intermediários e finais. 95. 2007. caput). como princípio de Administração Pública (CF. para lograr os melhores resultados. Essa publicidade atinge.18 Acrescenta Meireles a idéia de que o princípio da publicidade visa.cit. art. 2. não só sob o aspecto de divulgação oficial de seus atos como também de propiciação de conhecimento da conduta interna de seus agentes. cit. segundo a referida autora. para integrar como mais um dos princípios constitucionais da Administração Pública. ressaltando que o princípio da eficiência exige que a atividade administrativa seja exercida com presteza. MEIRELLES. apresentar caráter educativo. BRASIL.5 Princípio da eficiência Acrescentado ao corpo do texto Constitucional pela Emenda Constitucional nº 19 de 1998. p. exigindo resultados positivos para o serviço público e satisfatório atendimento das necessidades da comunidade e de seus membros.1. e outro lado relacionado ao modo de 17 18 19 MEIRELLES. Meirelles trata-o como um dos deveres da Administração Pública.. os processos em andamento. do qual. informativo ou de orientação social. bem como os comprovantes de despesas e as prestações de contas submetidas aos órgãos competentes. . apresenta-se atualmente sobre diferentes interpretações pela doutrina. que já não se contenta em ser desempenhada apenas com legalidade.. op. perfeição e rendimento funcional. segundo o qual se tem por dever da Publicidade Oficial. os pareceres dos órgãos técnicos e jurídicos. 19 Realça mais este princípio Di Pietro. É o mais moderno princípio da função administrativa.

in verbis: 20 21 22 23 DI PIETRO. rev. entretanto.22 Merece guarida a ponderação do doutrinador supra.22. 23 (Grifo do Autor) Sob ótica diversa. pouco se extrai de substancial da inclusão do referido princípio no corpo do artigo 37 da Constituição Federal pela Emenda Constitucional nº 19. causando.. Silva define eficácia não num conceito jurídico. hodiernamente. ed. pois jamais uma suposta busca de eficiência justificaria postergação daquele que é o dever administrativo por excelência. p. O controle judicial. 2007. . Como tem consagrado corretamente a doutrina. FIGUEIREDO. 75. muito trabalho aos juristas para tentar compreender tais figuras emprestadas.” nem invalidar atos administrativos invocando exclusivamente o princípio da eficiência. o fato e que tal princípio não pode ser concebido (entre nós nunca é demais fazer ressalvas óbvias) senão na intimidade do princípio da legalidade. do texto constitucional.20 Na acepção de Figueiredo. Curso de direito administrativo. respectivamente. ed. MELLO. e atual. 2005. 2004. p. também com o mesmo objetivo de alcançar os melhores resultados na prestação do serviço público. sofre limitações e só pode incidir quando se tratar de comprovada ilegalidade. Os controles administrativo (de caráter interno e processado pelos próprios órgãos administrativos) e legislativo são reconhecidamente legítimos e indubitáveis à luz dos arts. “o Poder Judiciário não pode compelir a tomada de decisão que entende ser de maior grau de eficiência. 21 De forma um pouco mais radical Mello assevera que de toda sorte. e ampl. 64. há que se respeitar as diretrizes e prioridades dos administradores públicos. absolutamente diferente do Direito Brasileiro. no que tange à eficiência na execução orçamentária. CARVALHO FILHO. nos artigos 70 ou 74. p. p. Manual de direito administrativo. não se pode admitir que o princípio constitucional deixe de ser respeitado e aplicado. 21 . disciplinar a Administração Pública. São Paulo: Malheiros. sobretudo do Direito Americano. bem como os recursos financeiros disponíveis e. atual. mas econômico. Lúcia Valle. o qual aparenta simplesmente dizer que a Administração deveria agir com eficácia. 12. inclusive se coligada ao que já previa o legislador constitucional. estruturar. característica que para ele sempre foi esperada dos administrados.118. observa Carvalho Filho sua forma de controle administrativa e judicial: de um lado. 2007. Rio de Janeiro: Lumen Juris. 7. rev. mas sim evitar que a atuação dos juizes venha a retratar devida intervenção no círculo de competência constitucional atribuída aos órgãos da Administração. Note-se que a idéia não pretende excluir inteiramente o controle judicial. Dentro dessa idéia de eficiência nos gastos de recursos públicos. de outro.19 organizar. 74 e 70 da Lei Maior. José dos Santos.

não podendo sobrepor-se a nenhum deles.. Rege-se. o que implica medir os custos que a satisfação das necessidades públicas importam em relação ao grau de utilidade alcançado. É que o financiamento do custo dos bens públicos decorre normalmente de imposição tributária. que lhe são inerentes. 2007. com maior economia de recursos possível. especialmente ao da legalidade. traz-se a baila as lições de Di Pietro. Assim. isto é. vale o princípio de não-exclusão. 24 (Grifo do Autor) E completa afirmando que o princípio da eficiência administrativa consiste na organização racional dos meios e recursos humanos. o consumo da parte de um agente econômico não exclui a possibilidade que outros consumam contemporaneamente o mesmo bem. 76. orienta a atividade administrativa no sentido de conseguir os melhores resultados com os meios escassos de que se dispõe e a menor custo. 24 25 26 SILVA. no capítulo seguinte o processo administrativo fiscal e os princípios de maior importância. cit. no caso dos bens públicos (p. DI PIETRO. materiais e institucionais para a prestação de serviços públicos de qualidade. p. [.”26 Isto ponderado.ex. p. todos consomem a mesma quantidade atribuindo-lhes valores diferentes. como ocorre nos preços de bens privados.25 Por fim. Portanto. SILVA. 671. introduzido agora no art.20 Numa idéia muito geral. 37 da Constituição pela EC-19/98. a defesa nacional). Na Administração Pública as condições de eficiência são diferentes por que. cujo montante é independente das preferências individuais. 2007. . o princípio da eficiência administrativa tem como conteúdo a relação meios e resultados.. enquanto no caso dos bens privados cada um consome diversas quantidades ao mesmo preço. sob pena de sérios riscos à segurança jurídica e ao próprio Estado de Direito. segundo a qual “a eficiência é princípio que se somam aos demais princípios impostos a Administração. o princípio da eficiência. eficácia significa fazer acontecer com racionalidade. loc. pois.].. em relação aos bens públicos. pela regra da consecução do maior benefício com o menor custo possível.

com a promulgação da primeira Constituição Republicana. não com o intuito de esgotar o tema. não está dotado. Sendo assim. retratado no capítulo anterior. como por exemplo. Tem-se em diferentes níveis do Processo administrativo fiscal o respeito às normas regulamentadoras.1 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Diante dos limites de espaço impostos ao presente trabalho monográfico imprescindível uma apreciação sistematizada sobre o processo administrativo fiscal. de modo a possibilitar a discussão que se agigantará o último capítulo. embora tenha começado a conviver com o processo administrativo tributário desde 1889. tomando como referência o processo administrativo fiscal em nível federal. da Constituição Federal.21 3 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E SEUS PRINCÍPIOS Para melhor compreender o processo Administrativo fiscal. sobre quais se debruça o presente trabalho a partir deste momento. o direito processual civil.1. ainda na época atual. Sob o prisma constitucional. convergem outros princípios. 3. mas apenas de apresentar a sua essência a toque dos preceitos legais e doutrinários.1 Legislação aplicável ao processo administrativo fiscal Vários quadrantes compõem o sistema positivado do processo administrativo fiscal. direito processual penal. O ordenamento jurídico brasileiro. dentre estes os insculpidos nos . caput. este capítulo objetiva. como dos princípios que o informam. convém estudá-lo tanto sob seu aspecto legal. de elementos consolidados a elevá-lo ao patamar em que encontram outras entidades jurídicas de direito formal. num primeiro momento. descrever o processo administrativo fiscal. ao lado do artigo 37. 3. para em segundo plano analisá-lo sob a ótica dos princípios que lhes são específicos.

que disciplinam o processo e o procedimento administrativo tributário.1.784/99. Por fim. que não há processo sem procedimento. nas legislações estaduais e municipais. 3. dada a autonomia que a Constituição conferiu a tais entes. consoante a natureza da questão a decidir e os objetivos da decisão. . ou seja. Antes de apontar qualquer definição da natureza desse instituto.235/72 e Lei 9. bem como.22 incisos do artigo 5º. acrescem-se as definições expostas por Meirelles. especialmente a impugnação ao lançamento (artigo 145). procedimento é o modo de realização do processo. com suas alterações posteriores. regulamenta o procedimento e processo administrativo tributário federal o Decreto nº 70. portanto pode realizar-se por diferentes procedimentos. Ainda que a discussão entre processo e procedimento não seja imprescindível para o presente trabalho.235/72. o Decreto nº 70. o Código Tributário Nacional. os quais estendem alguns direitos fundamentais do cidadão ao processo administrativo fiscal. compõem-se estes de inúmeras leis estaduais e municipais em todo o País. quanto ao âmbito ordinário estadual.784/99. ainda. distrital e municipal. O processo. como se verá. que serão tratadas adiante. Adstrito ao nível ordinário geral do processo administrativo federal. Instituídas por lei complementar geral. impõe-se asseverar que o processo administrativo fiscal atua na solução administrativa das lides tributárias. No plano ordinário federal. o rito processual. regras processuais são traçadas pelo Código Tributário Nacional. Observamos. encontra-se este regido hoje pela Lei nº 9.2 Natureza do processo administrativo fiscal Sob o exame das normas processuais citadas na seção anterior. para o qual processo é o conjunto de atos coordenados para a obtenção de decisão sobre uma controvérsia no âmbito judicial ou administrativo. suspensão por reclamações ou recursos da exigibilidade do crédito tributário (artigo 151) e relacionado à extinção do crédito tributário via decisão administrativa (artigo 156). urge apreciar um outro aspecto ligado ao tratamento conferido ao processo e ao procedimento administrativo fiscal. em especial a Constituição Federal de 1988.

ao menos teoricamente.1 (grifo do autor) Escreve também Marins que no âmbito fiscal direciona-se o procedimento e o Processo Administrativo para o delicado campo da autotutela tributária do Estado. ao penetrar e fincar raízes no sítio da atividade administrativa.2 (grifo do autor) Tecidas tais explanações.. atual. informa a atividade administrativa.. São Paulo: Dialética. Ibid. 4. Direito administrativo brasileiro. formalizando o vínculo com a celeridade que. Sob este enfoque. p. p. retirá-lo ou emendá-lo (prerrogativas denominadas ora de “poderes” ora de “potestades”) com a finalidade de realizar a apuração e a arrecadação tributária. de forma a enfrentar o arbítrio que com freqüência contamina as regiões vizinhas ao poder político. MARINS. sem com isso afastar a ampla e efetiva cognição judicial . 2005. à realização de um interesse maior. 2007. p. 614. James. de modo explicito. nos dias de hoje.] O processo.3 Confere-se que.. harmonizando-se com conotação judicial do princípio do monopólio da jurisdição – torna jurídico e por isso mais seguro o relacionamento conflituoso entre Estado e contribuinte. Direito processual tributário brasileiro: administrativo e judicial. como por exemplo. no âmbito do Poder Judiciário. 162. 1 2 3 MEIRELLES. a admissão de que se desenvolvam funções julgadoras no seio da Administração é decorrente da inquestionável necessidade que o Estado tem de se instrumentalizar adequadamente em sua ação de exigir tributos. de forma mais clara e eficaz. 135 – 138. os de licitação e concursos. a discrição. a atividade administrativa fiscal não tem por objetivo usurpar a competência ou excluir a possibilidade acesso ao Poder Judiciário. não pode ser visto como desenvolvendose.isto é. A autotutela. Hely Lopes. e sujeita ao Direito. Marins tem que: o fenômeno processual. tende a processualizar-se e com esta mutação deixa de representar exercício unilateral de poder e passa a significar mero exercício de prerrogativas procedimentais ou processuais legais pois não se afigura como atividade discricionária. apenas.] a atividade administrativa pública outorga à Carta Magna. [. [. qual seja o da ordem jurídica. Voltada sim. no âmbito do processo administrativo.23 mas há procedimentos administrativos que não constituem processo. ed. função julgadora para solucionar os choques tributários que têm os cidadões como figuras centrais. ed. mas vinculada.. contudo. em que se afigura com mero exercício de estritas prerrogativas legais de praticar o ato impositivo (lançamento). destaca-se que a Constituição Federal assegura ao contribuinte o direito subjetivo de buscar o acertamento de sua relação tributária com o Fisco. São Paulo: Malheiros. 160. 33. Por outro ângulo.. Do ponto de vista da Administração tributária. o reconhecimento da peculiar dimensão processual do fenômeno litígio no plano administrativo é garantia que se deve assegurar ao cidadãocontribuinte. .

em especial. O procedimento administrativo tributário contencioso federal encontra-se alicerçado.3. que lhe permitem. Disponível em: <http://www. Duas são as fases do processo administrativo fiscal consoante tratamento conferido pelo referido Decreto. conferiu-lhe a Carta Magna peculiaridades. tem início nas seguintes hipóteses: I . cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto.784 .br/Ccivil_03/LEIS/L9784.planalt o. 3. nos termos do artigo 7º do Decreto nº 70. ou ainda uma mera descrição. II . convergem ao reconhecimento da natureza jurídica processual do processo administrativo fiscal.gov. Lei nº 9. já que. importa ao presente trabalho apresentar as etapas do processo administrativo fiscal. Acesso em: 18 maio 2008 .235/72. a saber: fase administrativa e litigiosa. E para tanto. inciso LIV). dada à possibilidade de cada ente regular.4 que lhe introduziu grande abrangência principiológica. a sistemática do processo. com aplicação conjugada em caráter subsidiário com a Lei nº 9.24 Para tanto. escrito. sob a ótica da legalidade e justiça na atividade de exigência fiscal. DF. de todo esse conjunto de normas. Regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. Diário Oficial da União: Brasília. o seguido no âmbito federal. por lei própria. praticado por servidor competente. Tais ponderações.a 4 BRASIL. 3. dentro da idéia de imparcialidade nos julgamentos e imprescindibilidade de um devido processo legal (inciso LIV do artigo 5º). por meio de um processo administrativo (artigo 5º.1.3 Fases do processo administrativo fiscal Considerando os pontos já abordados. controlar seus atos internos (lançamento).235/72.htm >.784/99. seria inviável a análise. no Decreto nº 70. ligadas a garantia Constitucional de solução de conflitos com a administração. de 29 de janeiro de 1999.o primeiro ato de ofício. adotar-se-á como modelo.1. 11 de março de 1999.1 Fase administrativa A fase administrativa.

os diversos atos devem ser obrigatoriamente escritos. 5 6 7 8 BRASIL. Ingrid Schroder. ed. Acesso em: 6 maio 2008. Leandro. AVILA. o contribuinte. DF. 39. 1972.htm>. através de fiscalização ou aferição por documento/informação originada do sujeito passivo. dá-se início a fase seguinte. BRASIL.br/CCIVIL/decreto/D70235Compilado. a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. BRASIL.o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. após ações prévias de apuração do valor que seria devido. .5 Convém reparar que neste mesmo dispositivo encontra-se gravada a exigência de que. O artigo 10 do Decreto nº 70. a disposição legal infringida. Convém destacar o comentário de Paulsen.planalto. e atual.”7 A luz de tal apontamento urge apresentar os incisos do artigo 11. Este último. SLIWKA. a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias. Disponível em: <http://www.8 Assim. e a segunda. a descrição do fato. 70. 2007. documentos ou livros. se for o caso.g ov. distinto para cada espécie de tributo. Como se constitui a intimação ao contribuinte. faz com que o trâmite se dê num único processo (artigo 9º). de 6 de março de 1972. p. rev.cit. Direito processual tributário: Processo administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência.25 apreensão de mercadorias. o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação. op. Porto Alegre: Livraria do Advogado. a identidade dos fatos de que decorrem. a comunicação daquele ao contribuinte. cit. deverá obrigatoriamente conter os requisitos previstos nos incisos I a IV. a data e a hora da lavratura. III . os quais têm como requisitos da notificação de lançamento: a qualificação do notificado. Decreto n. e dá outras providências. 7 de março de 1972. o local. e estando formalizada a pretensão tributária através do ato de lançamento e regularmente notificado. para formalização. excetuado quanto feito por meio eletrônico. Avila e Sliwka ao artigo 11 do Decreto supra. Rene Bergmann. os quais distinguem Auto de Infração e Notificação esclarecendo que “O primeiro é a própria exigência (lançamento). Diário Oficial da União: Brasília. a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. 1972. loc.235. Dispõe sobre o processo administrativo fiscal.235/72 exige que a lavratura do auto de infração se faça constando obrigatoriamente: a qualificação do autuado. Embora os autos de infração ou notificação de lançamento devam ser separados para cada tributo. a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.6 A exigência do crédito tributário é formalizada em Auto de Infração ou Notificação de Lançamento. PAULSEN. 4.

parágrafo único. declarar sua qualificação. se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial. ainda. loc. em nível federal. Com o pagamento. Impugnação. abre-se prazo de 30 dias para pagamento ou impugnação (artigo 15 do Decreto nº 70.26 3. no caso da perícia deve ser consignado o nome. foi segmentado em duas etapas distintas. atenderá aos artigos 17.235/72).9 Nos termos do § 4º do artigo 16 de Decreto nº 70. defesa ou reclamação são termos utilizados para designar a peça pelo qual o contribuinte manifesta-se em desacordo com a exigência formulada. 1972. uma fase de instrução. aliás as justifiquem. Tal impugnação deve atender aos pressupostos formais indicados nos artigos 15 e seguintes do Decreto nº 70.235/72. a cargo de quem o Decreto denominou autoridade preparadora.1. o endereço e a qualificação profissional do seu perito. a autoridade preparadora declarará sua revelia e o processo permanecerá no órgão preparador. as provas que possui. a decisão. loc.235/72.3. indicar as diligências ou perícias que pretenda ver realizadas. cit. do Código Tributário Nacional) e com a impugnação instaura-se a fase litigiosa do procedimento. (assim como. extingue-se a obrigação tributária (artigo 156. 18 e 19 do Decreto nº 70. BRASIL. devendo ser juntada cópia da petição. com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados. E. A primeira. 1972. de competência da autoridade julgadora. com a impugnação devem ser apresentados todos os documentos que fundamentem suas razões. cit. e assim ocorrendo.235/72.10 O mecanismo de processamento de primeira instância. I. a teor do disposto no artigo 14 do Decreto nº 70. sob pena de preclusão. A autoridade preparadora poderá determinar a realização de diligências atendendo solicitação do impugnante ou ex officio. Instruir a petição com os motivos de fato e de direito em que se fundamentam os pontos de discordância. .235/72. pelo prazo de 30 (trinta) dias para cobrança amigável do crédito tributário.2 Fase Litigiosa Concretizada a fase administrativa. Se o sujeito passivo não apresentar impugnação. no caso de perícia). Nos casos em que a impugnação seja 9 10 BRASIL. quais sejam: indicar a autoridade julgadora a quem é dirigida.

que alterou a redação do artigo 25 do Decreto 70. Art. e dá outras providências.planalto.235. assessoradas por suas Divisões de Julgamento. inciso I do Decreto nº 70. daqueles processos Cf.PIS/PASEP e do Imposto sobre a Renda. 8. de 9 de dezembro de 1993. Cf. o lançamento torna-se definitivo sobre a parte incontroversa (artigo 17 do Decreto nº 70. de 6 de março de 1972. para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público . o órgão preparador declara o sujeito passivo devedor e o processo será encaminhado à autoridade competente para promover a inscrição do valor na dívida ativa da Fazenda Pública (artigos 201 a 204 do Código Tributário Nacional) e realizar a cobrança executiva. o processo será remetido à autoridade julgadora para decisão em primeiro grau. com a redação dada pela Lei no 8. Diário Oficial da União: Brasília.4 Julgamento da lide fiscal Neste ponto. 25 do Decreto no 70.158-35/2001.htm>.em primeira instância. 10 de dezembro de 1993. 8. . DF. 2. 27 de agosto de 2001. dá-se início a fase de julgamento em primeira instância da impugnação.748. Acesso em: 14 maio 2008. As decisões são tomadas por maiorias de votos.12 11 12 Art.748/93. passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. e dá outras providências.Disponível em:< http://www.planalto. Havendo impugnação.gov.235/72).br/Ccivil_03/LEIS/L8748. sendo de competência dos respectivos Delegados o julgamento.748. órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal.htm>. Esgotado o prazo sem que o crédito tributário tenha sido pago.27 parcial.1. Diário Oficial da União: Brasília.158-35. Medida Provisória n. 2º São criadas dezoito Delegacias da Receita Federal especializadas nas atividades concernentes ao julgamento de processos relativos a tributos e contribuições federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. e não mais pela decisão do delegado. em primeira instância. de 09 de dezembro de 1993. com composição em câmaras compostas por auditores fiscais.COFINS. uma vez que.: Id. Acesso em: 14 maio 2008.: BRASIL. e após a produção das provas requeridas pelo sujeito passivo. estas criadas pelo artigo 2º da Lei. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: I . O art. 64. de 24 de agosto de 2001. Lei n. Altera a legislação das Contribuições para a Seguridade Social . Disponível em:<http://www. DF..11 O julgamento dos processos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil não mais se dá pelos Delegados. Altera a legislação reguladora do processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários da união. que será realizada nos âmbito das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (artigo 25. após a edição da Medida Provisória nº 2.br/ccivil_03/MPV/215835.235/72 as delegacias de julgamento deixaram de ser órgãos monocráticos e passaram a ser órgãos colegiados. 25.235/72).gov. às Delegacias da Receita Federal de Julgamento. 3.

cominada à infração denunciada na formalização da exigência. . Após tramitação interna.. 91. veio a Portaria do Ministério do Estado da Fazenda nº 258/2001. in verbis: O recurso voluntário à Câmara Superior de Recursos Fiscais.receita. cit. cit. SLIWKA. 1972. O respectivo ato decisório. são recebidos com prioridade pelas Delegacias de Julgamento (artigo 27 do Decreto 70.784) e ordem de intimação. AVILA. que prover recurso de ofício.fazenda.235/72). 258. é empregado pela autoridade de primeira instância sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento do crédito tributário de valor total superior a R$ 500. ou quando a decisão deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens. haverá decisão praticada pela autoridade competente. Diário Oficial da União: Brasília. os processos envolvendo elevados valores ou os que contiverem circunstâncias de crime contra a ordem tributária.14 Em não sendo apreciado o recurso de ofício não se tem decisão definitiva. ou ainda na hipótese descrita no artigo 2º do Anexo I da Portaria nº 55/98 do Ministério da Fazenda. quando interposto da decisão de Câmara de Conselho de Contribuinte. O Recurso de Ofício. Em condições para julgamento. o referido Decreto prevê a possibilidade de interposição Recurso de Ofício e de Recuso Voluntário. BRASIL.”15 Já o Recurso Voluntário é cabível no prazo de trinta dias após a ciência do sujeito passivo da decisão proferida no primeiro grau. de 27 de agosto de 2001. PAULSEN. p.000. deverá devidamente ser motivado com indicação dos fatos e fundamentos jurídicos (artigo 50 da Lei nº 9.13 disciplinar a constituição das turmas (cada uma delas constituída por cinco julgadores) e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento.00 (quinhentos mil reais). em 13 14 15 16 BRASIL. Avila e Sliwka: “quanto submetida por lei a recurso de ofício. loc.gov. DF. nos termos do artigo 34 do Decreto 70. no prazo de trinta dias.br/legislacao/Portarias/2001/MinisteriodaFazenda /portmf258.235/72. é o que esclarecem Paulsen. BRASIL. [. não se pode considerar como definitiva a decisão enquanto não apreciado encaminhado o processo para conhecimento do mesmo. a liberdade de apreciação das provas (artigo 29 do Decreto 70. Disponível em:<http://www.htm >. Acesso em: 20 maio 2008.235/72)16. será apresentado na repartição preparadora.28 Neste norte. 1972. loc. Portaria Ministério da Fazenda n. contado da ciência do acórdão.]. 2007.235/72). Desta decisão. com efeito suspensivo (artigo 33 do Decreto 70.. de 24 de agosto de 2001: Disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento. da decisão de Câmara de Conselho de Contribuintes.

de decisão de primeira instância. com sede em Brasília – DF.&l=0&p=1&u=/netahtml/sijut/Pesquisa.976.940. de ofício e voluntário. Joaquim Barbosa. Imposto sobre Lucro Líquido (ISLL). Brasília. de 25 de maio de 1982.235/1972. com as alterações posteriores.2° Conselho de Contribuintes: Imposto sobre Produtos Industrializados. Portaria do Ministério da Fazenda n. § 2º.%20E%20MF. in verbis: Art. e pela Lei Complementar nº 70. que reconheceu a inconstitucionalidade do artigo 32 da Medida Provisória nº 1. Diário Oficial da União: Brasília. (Finsocial) e para o financiamento da Seguridade Social (Cofins). O Conselho dos Contribuintes é formado por quatro conselhos.235. Disponível em: <http://sijut.350/31. que deu nova redação ao artigo 33.htm&r=0&f=S&d= SIAT&SECT1=SIATW3 >. o qual nos incisos do seu parágrafo primeiro.br/netacgi/nph-brs?s1=P0000000551998031601$. convertida na Lei nº 10. II . 55..29 petição fundamentada dirigida ao Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Contribuição sobre o Lucro Líquido. Ação direta de inconstitucionalidade n.DDOU. Disponível em: <http://www. 17 de março de 1998. Acesso em: 21 maio 2008. § 1° Os Conselhos de Contribuintes julgarão os recursos. de 3 de dezembro de 1970. de 30 de dezembro de 1991. respectivamente. hoje regrado por normas regimentais internas. observada a seguinte competência por matéria: I . 25.fazenda. Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS).]. distingue ordenadamente suas competências por matéria.asp? numero=1976&classe=ADI> .CH AT.699-41/1998. Criados pelo Decreto nº 20. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: [. Aprova os Regimentos Internos da Câmara Superior de Recursos Fiscais e dos Conselhos de contribuintes.br/portal/inteiroTeor/obterInteiroTeor. 28 de março de 2007.17 Esclarece-se que. consoante dispõe o artigo 25 do Decreto 70. . para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP).gov. pelo Decreto-Lei nº 1. Acesso em: 16 maio 2008. Relator: Min.1º Conselho de Contribuintes: Imposto sobre Renda e Proventos de qualquer Natureza. do Decreto nº 70. Imposto sobre a 17 18 BRASIL. DF. Id. 18 O julgamento dos recursos dá-se pelos Conselhos de Contribuintes. instituídas. pela Lei Complementar nº 7. 1976.ORGA..%20E%2019980317. para o Fundo de Investimento Social. de 7 de setembro de 1970.. III .3° Conselho de Contribuintes: tributos estaduais e municipais que competem à União nos Territórios e demais tributos federais.4° Conselho de Contribuintes: Imposto sobre a Importação. pela Lei Complementar nº 8. (entre) representantes da Fazenda Nacional (Auditores Fiscais do Tesouro Nacional) e representantes dos contribuintes (indicados por entidades de classe de nível nacional).stf. restou declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da ADIN nº 1. Supremo Tribunal Federal. o condicionamento do recurso voluntário ao depósito de trinta porcento do débito em discussão ou arrolamento de bens. salvo os incluídos na competência julgadora de outro órgão da administração federal. são os Conselhos de Contribuintes integrados paritariamente por especialistas em assuntos tributários.522/2002. DF.gov. de 16 de março de 1998. IV .

Acesso em: 16 maio 2008.ORGA.. e infrações cambiais relacionadas com a importação ou a exportação. DF. Institui a Câmara Superior de Recursos Fiscais e dá outras providências.htm>. Acesso em: 16 maio 2008.235/72). inciso I do Decreto nº 70. § 2º. loc. no prazo de 15 (quinze) dias.htm&r=0& f=S&d=SIAT&SECT1=SIATW3 >. Disponível em: <http://sijut. Segunda Turma e Terceira Turma. do Decreto 70. nos termos do artigo 37. Sendo integrado pelos membros definido o artigo 3º de seu Regimento Interno. Consoante o artigo 2º do seu Regimento Interno . Da decisão definitiva do Conselho. No mais. de 28 de março de 1979. salienta-se que a Câmara Superior de Recursos Fiscais aprecia os recursos voluntários interpostos contra decisões das Câmaras dos Conselhos de Contribuintes provenientes do julgamento de recurso de oficio – recursos providos – (artigo 25. Decreto n. Criada pelo Decreto nº 83. sujeito passivo e Procurador da Fazenda Nacional.gov. a Câmara Superior de Recursos Fiscais. privativamente pelo Procurador da Fazenda Nacional. a autoridade preparadora dá ciência ao sujeito passivo para cumprir a decisão em 30 (trinta) dias. com as devidas ressalvas impostas por seu § 3º. tem por finalidade o julgamento administrativo em instância especial dos litígios fiscais incluídos na competência definida em seu Regimento.. § 4º do Decreto 70.br/CCIVIL/decreto/Antigos/D83304. Portaria do Ministério da Fazenda n.304/79 e artigo 5º da Portaria nº 55/98 do Ministério da Fazenda). quando for contrária à lei ou à evidência da prova.%20E%20MF. 17 de março de 1998. 83. Id. contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais (artigo 26. DF. Aprova os Regimentos Internos da Câmara Superior de Recursos Fiscais e dos Conselhos de contribuintes. .30 Exportação e demais tributos aduaneiros.fazenda. .304. Disponível em: <http://www. Id. 19 20 BRASIL. Diário Oficial da União: Brasília.planal to. 1972. 55.Portaria nº 55/98 do Ministério da Fazenda.DDOU. Primeira Turma.19 (grifo nosso) Tanto os Conselhos de Contribuintes quanto a Câmara Superior de Recursos Fiscais são regulados pela Portaria do Ministério de Estado da Fazenda nº 55/9820 que aprovou seus respectivos Regimentos Internos. no caso de decisão não unânime de Câmara de Conselho de Contribuintes.C 21 HAT.gov.304/7921. Diário Oficial da União: Brasília.aquele possui a seguinte composição: Pleno. bem como julga recurso especial interposto. de 16 de março de 1998. cit. O Pleno compõe-se dos Conselheiros integrantes das Turmas.235/72. é órgão colegiado judicante diretamente subordinado ao Ministro de Estado.%20E%2019980317. 29 de setembro de 1979.br/netacgi/nph-brs?s1=P0000000551998031601$.235/72 c/c Decreto 83.&l=0&p=1&u=/netahtml/sijut/Pesquisa.

Neste passo. como focalizado no capítulo anterior. cujo tratamento será dado no capítulo seguinte. nesta etapa. Disponível em:<http://www.1 Princípio do devido processo legal O sistema da vigente Constituição de 1988 elenca como garantia do cidadão o devido processo legal ao expressar em seu artigo 5º. 5 de outubro de 1988. .31 A decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais é final e encerra o processo administrativo fiscal. inciso LIV que “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. DF. os quais se constituem num conjunto de postulados que orientam o desenvolvimento e a formação dos processos administrativos fiscais. Por representarem verdadeiros alicerces de sustentação.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao. inclusive os limites à atuação estatal.gov. são os princípios indispensáveis a todas as ciências. 2008. Brasília.planalto.”22 E como princípio fundamental. omitir-se-á. o exame dos mais importantes princípios vinculados ao processo administrativo fiscal será realizado nos tópicos que seguem: 3.2. O referido princípio garante que as formalidades legais. dele decorrem todos os demais princípios processuais insculpidos no Texto Constitucional. Acesso em: 23 abr. Sendo assim. inicia-se uma abordagem dos principais princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. 22 BRASIL. devem ser rigorosamente observados idealizando o interesse de afastar o arbítrio. a formalização do crédito tributário. Constituição (1988).2 PRINCÍPIOS APLICÁVEIS Buscar-se-á retratar aqui os princípios mais relevantes aplicáveis especificamente ao processo administrativo fiscal. No mais. Constituição da República Federativa do Brasil. 3.htm>. a ponto de serem definidos como fundamentos do conhecimento.

princípio do não-confisco etc.. princípio da anterioridade.”24 Face à importância do processo administrativo tributário como forma e sede de discussão desse tributo. como decorrência do devido processo legal. Os direito e garantias individuais. Em seu sentido estritamente processual (procedural due process). 2005. pode-se asseverar que sua origem histórica provem do due processo of law do direito anglo-norte-americano. como.. apesar de não dotadas das garantias atribuídas aos Magistrados. Buscando definir o que seria então o devido processo legal. Em sua vertente substantiva a cláusula do devido processo legal compreende os postulados de direito material. que no inciso LIV. cit. pois vedada a sua supressão por força do artigo 60. em relação à decisão dos agentes administrativos com função de decidir e julgar as controvérsias instauradas no processo administrativo. . de amplíssimo valor. biparte-se nos princípios do devido processo legal substancial (substantive due process) e do devido processo legal processual (procedural due process). sequer por Emenda Constitucional.).” 23 Tal princípio é cláusula pétrea. p. as garantias concernentes ao princípio da legalidade. não podendo mais ser retirado. e julgadores administrativos. § 4º. devem ser independentes e decidirem interpretando os atos tendo como parâmetro a lei. e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa.32 Assim o é. loc. com agentes públicos competentes para dar andamento processo administrativo fiscal. BRASIL. inciso IV da Constituição Federal. mais especificamente. assim redigido: “§4. princípio da capacidade contributiva. prevendo que “aos litigantes.) IV.189. vários apontamentos feitos na primeira metade desse capítulo com maior ênfase a estrutura do processo administrativo fiscal no âmbito Federal. exige-se. como explica Marins: A conhecida cláusula do due process of law. 1988. cit.. loc. que sejam imparciais e..188 . o princípio do devido processo legal expressa as garantias elementares das quais derivam inumeráveis princípios do processo.º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: (. do artigo 5º. apesar de serem agentes públicos. 1988. Nesse aspecto. em processo judicial ou administrativo.25 (grifo do autor) 23 24 25 BRASIL. Com efeito. da obediência a esse princípio no âmbito do processo administrativo. seja administrativo ou judicial (. o legislador trata. no Direito Tributário por exemplo. é preciso que a Administração possua uma estrutura funcional adequada. MARINS. princípio da isonomia.

tem-se que este princípio é direito de todos os litigantes no exercício dos processos administrativos e judiciais. e traz indiretamente a idéia de garantia processual.2. oportunidade de defesa. Seu primado é o de conferir a oportunidade aos litigantes em um processo. em síntese.2 Princípio do contraditório Como se constata. direito de ter uma decisão motivada exclusivamente nas provas produzidas. bem como o direito de ser representado por advogado. Em especial. ligado a outros fatores. Logo. de modo mais amplo possível. igualmente previsto no artigo 5º da Constituição Federal. na medida em que a Constituição Federal assegura ao contribuinte o direito de se manifestar e impugnar o lançamento tributário. de pronunciar-se ou defender-se de manifestação da parte contrária. o respeito ao devido processo legal não pode faltar em processo algum. seja qual for o estágio. Em face disso. que se vise assegurar ao litigante o direito a notificação dos interessados. de alguns dos entes tributantes. em virtude do grande número de processos e. revelando-se. Entretanto. Assim também. o contraditório é elemento essencial . nos moldes do que se aplica no direito americano. 3. independente da natureza da acusação.33 Assim. por vezes. não é lícito que a Administração atue sem que seja concedido ao administrado. como: precariedades econômicas. oportunidade de se manifestar e ser ouvido durante a prática de atos de instrução processual. inalcançável a materialização das garantias focalizadas por esse princípio em prol dos sujeitos litigantes. deverá ser em relação ao processo administrativo fiscal de determinação e exigência do crédito tributário. funcionais e organizacionais. direito de produzir provas ou mesmo de conhecer e contraditar as produzidas pela outra parte. no processo administrativo fiscal. não há como desconsiderar a notória dificuldade que passa a Administração Fiscal. o direito ao contraditório é manifestação do princípio do devido processo legal. julgamento efetuado por órgão imparcial.

Ippo. o princípio da ampla defesa apresenta-se admitido assim no âmbito judiciário. na fase da apuração do quantum tributário. Luiz. possibilitar que o interessado se utilize plenamente de todas as formas lícitas de provas e meios. um sistema que não permite a exacerbação da força do Estado que imponha ao particular limitações ao seu direito de insurgência em face da ação Estatal. 3. 26 WATANABE. primeiramente. de acompanhar a prática de atos da instrução e de utilizar-se de todos os recursos administrativos em lei ou regulamento. perícias. a oportunidade para oferecer esclarecimentos e/ou para contestar a acusação. Desta feita. Em não havendo observância desse princípio se caracteriza nulidade do processo em razão de cerceamento de defesa. então que tal prerrogativa quando não exercida transforma-se em ônus para o contribuinte. só então. 26 Criou-se. juntadas de documentos.3 Princípio da ampla defesa Assegurado constitucionalmente no inciso LIV do artigo 5º. sendo que nas duas. de requerer diligências. a notificação do procedimento de lançamento ou do início do ato de fiscalização (princípio do auto-executoriedade ou da autotutela da administração tributária). com o conhecimento de todos os autos praticados pela fiscalização. a res litigiosa será solucionada por intermédio do processo. PIGATTI JÚNIOR. a partir da obediência desse princípio pelos agentes públicos considerados competentes para atuar no processo administrativo tributário. que também trata do princípio do contraditório. possa a Administração decidir.2. Manual de processo administrativo tributário. portanto. Focalizam a questão Watanabe e Pigatti Júnior: A garantia de defesa ou o devido processo legal assegura o contraditório. p. a. para impor o cumprimento da exigência tributária fica a Administração obrigada. . de Oliveira.34 da formação da decisão administrativa. 2000. São Paulo: J. a observância de rito adequado. por determinação da Carta Magna. de produzir prova de ser direito. vistorias. para que. Depreende-se. 543. como no da esfera administrativa de litígios.

6ª Câmara do 1º.2.35 3. devem ser admitidos todos os meios lícitos para provar a verdade dos fatos em que se funda o litígio. a título de ilustração.195. Do lançamento: teoria geral do ato do procedimento e do processo tributário. como a apresentação de documentos técnicos – a produção de perícias contábeis ou a apresentação de pareceres jurídicos -. por sua vez.”27 Conferindo especial atenção ao direito de prova. DF. Consa Sueli Efigênia Mendes de Britto. tais como direito de vista (direito de consulta dos atos procedimentais).701. o direito à impugnação da prova produzida pela Administração Fiscal. 26 de fevereiro de 1999. como se tratou acima. p. elucida Marins que “estes meios de prova poderão ser matérias.htm&r =1&f=G&l=20&s1=&s2=&s3=&s4=acordao+&s6nº106_10_701=&s8= >.”29 A materialização deste princípio.gov. conforme demandar a natureza da lide. Relator. 106-10. observa-se nos mecanismos de prova que a norma que rege o processo administrativo tributário possibilitou ao sujeito passivo.28 (grifo do autor) Com efeito. o direito à prova tem ainda. ou ainda meios pessoais. Alberto. e o dever de fundamentação expressa dos atos de indeferimento do pedido de diligências ou perícia (art. 1º da Lei nº 8.fazenda. p. 194 . de 9 de dezembro de 1993). ed. colaciona-se um julgado da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuinte que destaca a importância e aplicação do direito de produção de provas: “nulidade da decisão de Primeira Instância – nula é. 2001. 2005. Neste aspecto.Brasília. Acesso em: 05 jun.SIGL. como manifestação de um princípio de publicidade e de “transparência de função judicante.4 Princípio da ampla instrução probatória O direito à prova está inserido entre as garantias da defesa e do contraditório. Rio de Janeiro: Forense.&s10=&n=-DTPE&d=DECW&p=1&u=/netahtml/decisoes/decw/pesquisaDRJ.” O direito à apreciação expressa da prova desdobra-se. assevera Xavier que este se desdobra em três direitos que deles são corolários: O direito de acesso à prova envolve o “direito de vista. Acórdão n. e atual. na nova redação do art. Conselho de Contribuintes. . por conseguinte. o direito de consulta dos atos procedimentais. por cerceamento do direito de defesa. XAVIER. Finalmente. a decisão de primeira instância que deixe de motivar a não aceitação dos documentos juntados ao expediente impugnatório. em duas conseqüências: a ilegalidade de decisão. 28 do Decreto nº 70. e. Disponível em: <http://decisoes. BRASIL. Preliminar de nulidade acolhida.” ou seja.br/netacgi/np h-brs?s7=&s9=DRJ/$.748. 318. 2008. 27 28 29 MARINS.235/72. como corolário. proferida com fundamento em cerceamento do direito de defesa. ref. 2. testemunhais.

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direito à apreciação expressa da prova e o direito à impugnação da prova produzida pela Administração Fiscal. Tal direito, no entanto, não é absoluto, eis que o artigo 5º, inciso LVI, da Constituição Federal estipula limites à obtenção da prova ao referir que “são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos.”30 Entretanto, a própria Constituição não estabelece de forma explícita, a conseqüência que deriva da circunstância de a prova ilícita, apesar da proibida, vir a ingressar no processo. Todavia esse enfoque, quanto às provas ilícitas, não se estudará neste trabalho monográfico. Por fim, deve ainda ser assegurada igualdade de condição entre a Fazenda Pública e o contribuinte, no que concerne aos meios de prova disponíveis, ocupando ambas as partes uma posição igual na instrução do processo, apresentando as suas razões em termos de controvérsia formal.

3.2.5 Princípio do duplo grau de cognição

De acordo com esse princípio a parte sucumbente no processo tem o direito de ver a lide fiscal reapreciada e julgada novamente por Órgão Jurisdicional de hierarquia superior. Tal preceito visa atender as necessidades de qualidade e segurança da prestação Estatal julgadora. Sobre a importância da existência de revisão hierárquica dos processos administrativos, justamente como forma de disponibilizar ao contribuinte demonstração de impessoalidade e imparcialidade da decisão proferida, observa Feitosa que os órgãos julgadores administrativos de segunda instância, formados, em regra, por uma composição paritária – representantes do órgão lançador e de seus segmentos da sociedade – dão garantia da impessoalidade e imparcialidade necessária e imprescindível à aplicação da Justiça Fiscal Administrativa.31

30 31

BRASIL, 1988, loc. cit. FEITOSA¸ Celso Alves. Processo Administrativo Fiscal. São Paulo: Dialética, 1998, v. 3, p. 40.

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3.2.6 Princípio julgador competente

No direito brasileiro, o julgamento da impugnação administrativa do lançamento compete ou a funcionários integrantes da Administração Fiscal ou órgãos colegiais, de composição paritária, integrados, também, por representantes do setor privado. A par disso, enuncia Maris que

tais órgãos devem ser dotados de julgadores administrativos imparciais, competência julgadora previamente estabelecida na legislação e adequados mecanismos prévios de determinação de competência para cada caso concreto que lhes for submetido à apreciação.32

Acerca do referido princípio, acrescenta Xavier um importante aspecto que diz respeito à imparcialidade do Fisco enquanto representante nos julgamentos do interesse substancial de justiça, in verbis:

No exercício da atividade do lançamento, o Fisco é órgão de justiça, inobstante ser parte na relação jurídica tributária, cuja função consiste na aplicação objetiva da lei. E ainda que o Fisco é uma parte imparcial, pois – apesar de ser parte em sentido substancial da relação jurídica tributária – no procedimento administrativo de lançamento o “interesse formal” do Estado é irrelevante, prevalecendo sempre o “interesse substancial”de justiça, ou seja, de aplicação objetiva da lei.33 (grifo do autor)

Evidentemente, o distanciamento existente entre a prática do lançamento e a sua revisão contenciosa, é verificada pela diferenciação de funções, no âmbito do Fisco, entre órgãos de lançamento e órgãos de julgamento. Uma outra idéia expressa nesse princípio é a de que não será o administrado sujeito à tribunal de exceção, garantia essa esculpida explicitamente da dicção dos incisos XXXVII e LII do artigo 5º da Constituição Federal, segundo os quais “não haverá Juízo ou tribunal de exceção e ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente”.34
32 33 34

MARINS, 2005, p. 197. XAVIER, 2001, p. 290. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 5 de outubro de 1988. Disponível em:< http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm>. Acesso em: 23 fev. 2008.

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Neste caminho, a atribuição de competência julgadora condiciona as esferas administrativas, de qualquer um dos entes tributantes, a prover estrutura jurídica e funcional apta para que a lide tributária possa ser conhecida por julgador competente, pré-constituído pela lei.

3.2.7 Princípio da ampla competência decisória

Por este princípio, toda matéria de defesa produzida pelo contribuinte deve ser conhecida e apreciada pelo órgão da Administração encarregado do julgamento do conflito fiscal. Logo, em se tratando de matéria fiscal, à Administração Judicante lhe é imposto o dever de analisar a pretensão que é apresentada, seja qual for a matéria em debate. Nesse sentido, tratando a impossibilidade da autoridade julgadora escusar-se de apreciar determinadas matérias, assevera Marins:
Quer se tratem de questões concernentes à mera alegação de ilegalidade ou inconstitucionalidade de norma jurídica tributária, toda a matéria de defesa deve ser formalmente apreciada. Não se realiza a ampla defesa sem o direito à cognição formal e material ampla, pois em se recusando a Administração a apreciar qualquer dos elementos fáticos ou jurídicos que estejam contidos na impugnação formulada haverá restrição do direito de ampla defesa, a macular o processo administrativo fiscal.35

Partindo dessa perspectiva, de estar os órgãos julgadores atrelados ao princípio Constitucional da ampla defesa, brota a inteligência de que em não sendo apreciada determinada matéria posta em discussão, estar-se-ia, em tese, incorrendo em cerceamento de defesa, o que, por conseqüência, poderia tornar nulo o processo administrativo fiscal. Em complemento ao estudo do regime do procedimento e do processo administrativo, urge observar a relevância que determinados princípios comuns em ambas as fases do caminho percorrido pela Administração, desde a formalização da pretensão até o julgamento da eventual lide tributária. Face à relevância, passa-se a abordagem conceitual de apenas um deles, nominado princípio da oficialidade.

35

MARINS, James, 2005, p. 193.

36 36 WATANABE. colhendo os elementos de fáticos necessários para a determinação correta do tributo devido e de concluir por um ato jurídico administrativo que expresse a vontade da lei. vez que.2.8 Princípio da oficialidade Estampa este o princípio a idéia do dever obrigacional da Administração em promover o impulso oficial ao procedimento e ao processo administrativo fiscal. 540. o seu produto resulta em outro princípio – o da verdade material.39 3. mesmo nos casos em que este tenha sido iniciado pelo contribuinte. 2000. se devido o tributo ou não. p. PIGATTI JÚNIOR. . Pontuam Watanabe e Pigatti Júnior que por meio deste a autoridade fiscal teria o dever de dirigir o procedimento administrativo recursal.

planalto.br/ccivil_03/leis/l5172. 2 de outubro de 1966. a qual numa segunda etapa. ed. rev. “o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. que. de outro quadrante. Ainda. Diário Oficial da União: Brasília. a acessória. em seu artigo 139.1 CONCEITO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO Consoante dispõe o Código Tributário Nacional.gov. se formaliza através do lançamento. instala-se uma relação jurídica tributária. com a ocorrência do fato gerador. se define. uma vez que para o presente trabalho. . 3. Código tributário nacional: comentários. 4. Constituído. recebe classificações fracionadas. estabelece-se imediatamente a obrigação tributária. o crédito tributário só se formaliza após a obrigação tributária estar devidamente lançada. 1 2 BRASIL. é a obrigação tributária lançada (é exigível). Oliveira comenta que o crédito decorre (deriva. como o autor supracitado aduz. em última análise.40 4 CRÉDITO TRIBUTÁRIO Cumpre agora tecer alguns apontamentos acerca do crédito tributário. consoante o artigo 135 do Código Tributário Nacional. DF. OLIVEIRA. por sua vez. em seu último capítulo. p. jurisprudência. vê-se que a noção de crédito tributário relaciona-se a idéia de um direito que o sujeito ativo (fisco) tem para exigir do sujeito passivo (contribuinte ou responsável) o cumprimento desta obrigação. aí esta o crédito tributário. isto é. de certa forma define. José Jayme de Macêdo. 5. adquirindo individualização. tendo de um lado a obrigação principal e. para que se possa fazer relação com o trâmite do processo administrativo fiscal.” 1 Do referido artigo. 475. Acesso em: 15 maio 2008. doutrina. e atual. 2007.2 Do exposto. São Paulo: Saraiva. Estados e Municípios. guardando a mesma natureza desta. A diferença básica entre os dois é que. Disponível em: <https://www. como se tratará adiante. Lei n. qualificação e quantificação. necessitar-se-á dos conceitos e regras referentes à suspensão da exigibilidade do crédito tributário. A obrigação tributária. Ambos (obrigação e crédito) têm origem comum no fato gerador.htm>. origina-se) da obrigação de pagar (tributo ou multa).172 de 25 de outubro de 1966: Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União.

. necessariamente só se realiza após sua inscrição em dívida ativa. 46. promover a cobrança judicial.. com a respectiva certidão. na clareza das lições de Machado abrange créditos de qualquer natureza do poder público. ou seja. Alexandre Barros. 2000.41 Nas lições de Castro a obrigação principal é aquela tem por objeto entregar certo montante em dinheiro para os cofres públicos.4 (grifo do autor) Como mencionou o autor acima. A obrigação. é relação jurídica entre o Estado e determinada pessoa..] a obrigação tributária acessória tem por objeto deveres instrumentais ou formais que propiciam ao Poder Público o fiel cumprimento da prestação tributária e sua conseqüente fiscalização: tem por escopo facilitar a obtenção da obrigação principal. que ocorre com o lançamento. em não havendo pagamento voluntário. 3. física ou jurídica. constitui o ato de pagar o tributo. por isto mesmo exigível. 2005. É dívida ativa o crédito como tal inscrito no órgão competente da pessoa jurídica de direito público credora. não é líquida. de entregar dinheiro ou realizar algum dever instrumental. Hugo de Brito. O que caracteriza o crédito com dívida ativa é a inscrição como tal. 42. A obrigação necessita ser individualizada. cuja cobrança. que surge com a prática do fato abstratamente previsto em lei. passando a denominar-se crédito tributário. a ocorrência do fato gerador do tributo faz nascer o vínculo obrigacional tributário. A obrigação existe. p. e nem. Comentários ao código tributário nacional. exatamente porque ainda não identificado o seu sujeito passivo. a obrigação. sendo que a exigibilidade só acontece com a constituição definitiva do crédito tributário. como se estudará no tópico que segue. p. que o Código Tributário Nacional denomina obrigação. v. no órgão competente para promover sua cobrança judicial. Trata-se de conceito formal.] tem-se identificado o sujeito passivo da obrigação e devidamente quantificado o seu conteúdo econômico. Ibid. São Paulo: Saraiva. nem certa. quando se sabe quem é devedor. 817. Com o lançamento [. Esse vínculo surge mas fica a depender da identificação de seu sujeito passivo e da quantificação de seu objeto ou conteúdo econômico. . Teoria e prática do direito processual tributário.. quanto ele deve. E com a inscrição se faz para. Dívida ativa. diz-se que o inadimplemento do devedor é condição essencial para que a mesma seja efetuada. nem devidamente quantificado o seu objeto. [. mas ainda não é exigível. MACHADO.. São Paulo: Atlas.3 Neste compasso.5 3 4 5 CASTRO. elucida Machado que no Direito Tributário. O vínculo obrigacional então muda de nome. qualificada e quantificada. p. a fim de esclarecer o que se denomina de crédito tributário.

.7 6 7 BRASIL. 18. da categoria dos simples. rev. imprescindível adentrar na esfera do instituto chamado lançamento. identificar o sujeito passivo e. cit. que a dívida ativa nada mais é que o resultado de todo um procedimento da autoridade administrativa competente. calcular o montante do tributo devido. loc. então. a fim de possibilitar sua cobrança judicial. 4. determinar a matéria tributável.2. in verbis: Lançamento é o ato jurídico administrativo.42 Vê-se. antes ilíquida e tampouco certa e exigível. formalizando o crédito e estipulando os termos de sua exigibilidade. e atual. que fulmina na regular constituição de crédito em favor da Fazenda Pública. mediante o qual se declara o acontecimento do fato jurídico tributário. 1966. porque é através desse instituto que se opera a transformação da obrigação tributária. Retrocedendo aos estágios acima descritos. 2007. 260. aponta o artigo 142 do Código Tributário Nacional a definição de lançamento como sendo o “procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. Nesse sentido. Curso de direito tributário. propor a aplicação da penalidade cabível. sendo caso. São Paulo: Saraiva. modificativos ou assecuratórios e vinculados. ed. em crédito tributário. se identifica o cálculo e a alíquota aplicável.1 Lançamento Pelo lançamento a Administração Tributária constitui o crédito tributário.2 FORMAS DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO Ao tentar apresentar o modo pelo qual o crédito tributário é constituído. p. Paulo de Barros. já que o ato de lançar é único e não procedimento.”6 Carvalho trata o lançamento como ato e não como procedimento. passa-se a tratar das formas de constituição do crédito tributário. 4. CARVALHO.

três espécies de lançamento. 9 A respeito dessa homologação tácita. independentemente da colaboração do contribuinte. diante de casos em que a lei estabelece para o sujeito passivo o dever de apurar o valor do tributo. independentemente de manifestação daquela. se utilizado de fórmula inteligente ao definir que o lançamento é privativo de autoridade administrativa. e o lançamento por homologação (denominado pela doutrina de autolançamento) equivale à antecipação de pagamento. Curso de Direito Tributário e Finanças Públicas. e. Eurico Marcos Diniz de (Coord. 149 e 150 do Código Tributário Nacional. lançamento de ofício e lançamento por homologação. com a atribuição ao contribuinte do dever de apurar o valor do tributo e fazer o pagamento deste. p. a qual fica sempre assegurada a possibilidade de 8 9 MARINS. definindo-os como lançamento por declaração. incompreendida e injustamente criticada por vários doutrinadores. São Paulo: Dialética. São Paulo: Saraiva.). contudo. 2007. o denominado lançamento por declaração (também conhecido por lançamento misto) tem como condição o oferecimento de informações. cuidou o legislador de descrever nos artigos 147. antecipando o pagamento do valor que ele próprio apura. 4. Hugo de Brito. calcular o valor devido.8 No lançamento por homologação há para o sujeito passivo o dever de identificar o fato tributável. ed. 2005. In: SANTI. prestadas para fins de formalização tributária pelo sujeito passivo ou por terceiro. Partindo da obra de Marins. Direito processual tributário brasileiro: administrativo e judicial. valendo-se das lições de Machado o qual afirma ter o legislador. Complementa-se o enfoque aos lançamentos efetivados por homologação. . realizar o pagamento se for o caso.43 Com efeito. James. ainda que apenas tácita. 836. 207. pode-se sintetizar que o lançamento de ofício ou lançamento direto corresponde ao ato formalizador que é realizado por incitativa da autoridade administrativa. o lançamento dar-se-á por homologação. elucida o mesmo autor que esta fórmula é fruto salutar do Professor Rubens Gomes de Souza. mas que merece respeito. Aspectos do lançamento tributário. informar o Fisco. sem prévio exame da autoridade administrativa. MACHADO. p. no Direito Tributário Brasileiro. Noutro vértice. ainda. porque equaciona a idéia de lançamento como atividade privativa da autoridade administrativa. somente se dá o autolançamento quando o contribuinte tem o dever de antecipar o pagamento que estará sujeito à condição resolutória concernente à posterior homologação. isto é.

2007. aperfeiçoa o enfoque Oliveira. por regra. o nascimento do crédito tributário. Seria extremamente difícil se supor que o Fisco Federal pudesse realizar lançamento de ofício para todos os contribuintes e responsáveis que recolhem tal exação. inicia-se a fase contenciosa. da situação prevista na parte final do § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional. proceder o lançamento de ofício das possíveis diferenças. que autoriza a Administração revisar o lançamento feito pelo sujeito passivo e havendo discordância desse. e cobrar se for o caso. 10 MACHADO in SANTI. decorrido o prazo legal. no terreno dos fatos. asseverando que a exigibilidade.10 Sem a sistemática do lançamento por homologação. p. Nessa fase contenciosa. . como. sua constituição definitiva pela eficácia preclusiva do lançamento. não ocorra uma das formas de alteração do lançamento previstas nos incisos do artigo 145 do Código Tributário Nacional. a hipótese prevista na lei como capaz de dar-lhe origem. A partir de então. temporariamente. a exemplo. não se cabe reexame. se houver discussão sobre o acerto do lançamento. a autoridade tributária fica impedida. Em consonância. para que o lançamento tributário surta seus efeitos é imprescindível que o devedor seja devidamente notificado e. o crédito tributário tem sua exigibilidade suspensa. até que cesse a causa suspensiva. o imposto sobre a renda. as diferenças que eventualmente forem constatadas. ainda que a obrigação tributária nasça no exato momento em que se verifica. portanto. sendo que neste. nos quais. depois de completa a fase administrativa de apuração. assim. ou seja. de promover medidas administrativas ou judiciais para a cobrança do crédito. salienta-se que esta modalidade de lançamento comporta ressalvas.44 rever aquela apuração. por exemplo. dando-se o lançamento. alguns tributos teriam sua arrecadação comprometida. 4. configurando-se. 836. nos casos previstos em lei. Por fim. Por outro lado.3 FORMAS DE SUSPENSÃO Consoante se expôs acima. só nasce com o lançamento tributário. notifica-se o sujeito passivo para que tome ciência da efetivação do lançamento. durante o período de 05 (cinco) anos.

ou se terá sua extinção. art. a discussão de todas as formas de suspensão seria inviável para a proposta traçada inicialmente. II .a concessão de medida liminar em mandado de segurança. definidas no Código Tributário Nacional cujo rol de hipóteses apresenta-se definida nos incisos I a VI do artigo 151..3. III . convocado a satisfazêlo. algumas das formas de suspensão sequer dizem respeito à fase administrativa. 156.. a irresignação do contribuinte (quanto aos termos do lançamento) deve levá-lo a submeter aos órgãos administrativos judicantes ou ao Poder Judiciário sua pretensão de anular ou reduzir a exigência às suas verdadeiras e legais dimensões (com o que. pois aplicável ou relacionadas apenas ao processo judicial.]. VI – o parcelamento. vez que apenas as reclamações e recursos administrativos têm pertinência com o presente tema. de modo que. 1966. art. quitando-a através do pagamento. em outras espécies de ação judicial. limitar-se-á a abordagem ao exame da modalidade prevista no inciso III. nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. 151. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada. IV . deixando simplesmente de efetuar o pagamento. o crédito da Fazenda Pública é desde logo exigível do sujeito passivo. [. via lançamento tributário. BRASIL.as reclamações e os recursos. cf.11 Adotando uma postura contestatória. IX e X. 4. b) omitir-se. poderia o contribuinte valer-se de uma das causas suspensivas do crédito tributário. Por outro lado. quais sejam: [.o depósito do seu montante integral. cit. 12 Equacionando a necessidade do estudo das causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário.475. sendo certo que este. p.] na terceira. se suspenderá a exigibilidade do crédito tributário. loc.1 Reclamações e recursos administrativos 11 12 OLIVEIRA.moratória. em princípio. todos deste CTN)..45 Assim materializando.. ou c) contestar a sua certeza qualitativa e quantificativa. pode adotar uma de três posturas: a) conformar-se com a exigência. como coloca o autor supra citado. . I . 474 . cf. procurando demonstrar a exigência de erro em qualquer dos seus elementos. 2007.

[. até que cesse a causa suspensiva. ou seja. o sujeito passivo um prazo para satisfazer a obrigação.]. ora recursos ou até mesmo defesa. seja no âmbito administrativo. nessa mesma hipótese. da Constituição Federal. prevêem os artigos 14. inicialmente. temporário. e a execução judicial). sob pena de o Fisco atuar no sentido da cobrança (com a inscrição em dívida. ora reclamação. nos termos das suas legislações específicas. nasce desde a interposição da impugnação. inclusive. acarretando um impedimento. a exigência fiscal se extingue (Código Tributário Nacional. o resultado final do procedimento administrativo tem efeito vinculativo somente em relação ao Fisco. ora designando como impugnação.. o efeito de suspender a exigibilidade do crédito tributário. pois. O ponto chave desse capítulo está no efeito principal que o manejo desse instrumento acarreta. tendo. pode se dizer que a existência do processo administrativo fiscal assegura ao contribuinte (pessoa física.46 Partindo do estudo feito no capítulo anterior. o questionamento perante o Poder Judiciário decorre da regra gravada no artigo 5º. Além de consagrar sua previsão no artigo do Código Tributário Nacional acima citado. restabelece-se a exigibilidade. 15 e 16.235/72). é óbvio que. a impugnação como meio de defesa do contribuinte contra a exigência fiscal. e. à luz do que já veio sendo abordado. o efeito suspensivo da exigibilidade do crédito tributário. opor-se à exigência fiscal. A mesma sistemática é comumente adotada nos procedimentos administrativos no âmbito estadual e municipal. 156. art. Amaro sintetiza que as reclamações e os recursos no procedimento administrativo têm. em regra. Essa suspensão. a possibilidade de apresentar recurso especial para Câmara Superior de Recursos Fiscais (artigo 3º do Decreto nº 83. ao final. quanto no judicial. independentemente de depósito garantidor da discussão. todos do Decreto 70.235/72. Se desfavorável. a reclamação também é amparada na legislação de cada um dos entes tributantes. que trata de forma despreocupada a sua terminologia. bem como. o sujeito . Apresentada a reclamação ou o recurso aguarda-se a decisão da autoridade ou do tribunal administrativo a que caiba seu exame. IX). sem que com isso tenha suprimido a possibilidade de rediscutir em Juízo a decisão administrativa. sendo assegurado. Se a decisão definitiva for favorável ao reclamante. por meio deste. da autoridade tributária de promover qualquer medida para a cobrança do crédito. XXXV.304/79). de outro lado. Salienta-se que no plano Federal. jurídica) a possibilidade de. Retratando com perfeição as principais características apresentadas até aqui.. vez que. o direito do contribuinte apresentar recurso voluntário para decisão em segundo grau pelo Conselho de Contribuintes (artigo 33 do Decreto 70.

não há mora e.47 passivo também pode ingressar em juízo. bem como impossibilidade oposição do crédito ao mesmo ou como fundamento para o indeferimento de certidão de regularidade de fiscal (artigos 205 a 208 do Código Tributário Nacional). que não é penalidade. também. não é possível exigir juros de mora e multa moratória. é facultado ao contribuinte efetuar o depósito da quantia objeto da exigência fiscal. disciplina o Código Tributário Nacional algumas conseqüências. cujos os principais enfoques serão tratados no capítulo que segue. no período da suspensão da exigibilidade do crédito tributário a prestação não é devida. portanto. Processo administrativo fiscal federal comentado. Impede ainda a fluência do prazo prescricional para propositura da ação de cobrança (artigo 174 do Código Tributário Nacional). pontua-se que estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário. como já restou dito. não há ofensa ao direito do sujeito ativo da relação jurídica tributária. a ocorrência temporária de vedação de cobrança. que são penalidades. não poderia ser outro o resultado esperado nos procedimentos administrativo-tributários no âmbito estadual e municipal. ed. . e atual. tanto a impugnação como os recursos voluntário e especial. mas a atualização do valor do principal. 13. Inicialmente. ed. Ainda assim. p. Será possível exigir correção monetária.. Neste sentido López e Neder colocam que: A impugnação suspende.235/72. Luciano. Assim. Maria Teresa Martínez. 237. não há violação da norma que determina a obrigação de pagar o tributo e. porque não exigível. previstos no Decreto nº 70. até o trânsito em julgado da decisão administrativa. Com efeito. o prazo de prescrição para a propositura pela Fazenda Pública da respectiva ação de execução Para resguardar-se da fluência de acréscimos legais moratórios durante o período em litígio. antecipando-se à ação do Fisco. p. Marcos Vinicius. 13 14 AMARO. LÓPEZ. 13 No mais. São Paulo : Dialética: 2004. 2. senão a ocorrência da suspensão. São Paulo: Saraiva. NEDER. bem como de acréscimos legais moratórios (artigo 161 do Código Tributário Nacional). 2007. suspendem a exigibilidade do crédito tributário. 383. rev. Direito tributário brasileiro.14 Ainda sim.

1991 apud DIFINI. corresponde a um perdão. Rio de Janeiro: Renovar. até mesmo. 4. ed. ainda. loc. 3. Hugo de Brito. jurisprudência e legislação a. enquanto a anistia implica no perdão de infrações cometidas à legislação tributária”. a anistia regulada pelo Código Tributário Nacional em seus artigos 180 a 182. doutrina. 2006. Manual de direito tributário. equivalendo a cumprimento da prestação e conseqüente desaparecimento da obrigação respectiva. ou vir. Manual de direito financeiro & direito tributário. como causas de exclusão do crédito tributário a “isenção" e a “anistia”. . 548. p. vez que sua abordagem não constitui objeto ou requisito para o enfoque do presente trabalho. cit. São Paulo: Saraiva. 578. com base em lei previamente editada. consideram uma exceção à hipótese de incidência tributária. que alguns autores entendem que isenção é uma dispensa de tributo.4 FORMAS DE EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Até o presente estágio. Luiz Emygdio Franco da. Luiz Felipe Silveira. e outros.15 Distingue Rosa Júnior que “na isenção o crédito tributário não se constitui porque fica suspensa a eficácia da norma impositiva.16 Salienta Machado. 19. atual. podendo passar por diversas etapas (como a suspensão da exigibilidade). VALÉRIO. no artigo 175. Define o Código Tributário Nacional. enquanto que para outros é uma forma de não-incidência legalmente qualificada. p. ROSA JÚNIOR.18 15 16 17 18 BRASIL.. 2005.48 4. ed. viu-se que o crédito tributário nasce. 2006. MACHADO. 285. Walter Paldes. a ser excluído.5 FORMAS DE EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Retrata Valério ser a extinção do crédito tributário ato ou fato que liberte o devedor da sujeição ao poder jurídico do credor. que dispensa o contribuinte de pagar as penalidades pecuniárias devidas por prática de infração à legislação tributária. como se verá de forma sucinta.17 De outro lado. p. 1966. entendendo o referido autor que esta ultima seria a posição mais acertada de isenção.

determinado pela Lei Complementar nº 104/2001.1 Conceito de prescrição 19 BRASIL. De outro lado.1.1 Prescrição Ao iniciar o estudo dessa modalidade de extinção de crédito tributário faz necessário compreender o seu conceito. elenca as formas de extinção do crédito tributário como sendo: o pagamento. 4. na forma e condições estabelecidas em lei. e. sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição. assim entendida a definitiva na órbita administrativa. 4. por acréscimo. importa ao presente trabalho efetivar uma abordagem apenas acerca do instituto da prescrição. a decisão judicial passada em julgado. que não mais possa ser objeto de ação anulatória. enfocar as principais características e pressupostos da prescrição. a decisão administrativa irreformável. a prescrição e a decadência. a dação em pagamento em bens imóveis. o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º. observado o disposto nos artigos 144 e 149. o parágrafo único do artigo 156 do Código Tributário prescreve ainda que a lei deve dispor quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito. a consignação em pagamento.5. a transação. a compensação.5.49 O artigo 156 do Código Tributário Nacional. a conversão de depósito em renda. cit. remissão. . para. 1966. nos termos do disposto no § 2º do artigo 164. loc. em seguida.19 Considerando todas as hipóteses de extinção do crédito tributário elencadas acima.

com o efeito de extinguir o direito à ação penal ou os efeitos da condenação: Prescrição de ação penal [. Disponível em: <http://michaelis. 2005. 562. § 20 21 22 sf (lat praescriptione) 1 Ato ou efeito de prescrever. Cf. MACHADO. passa esta a ser definida como causa de extinção do crédito tributário. preceito.21 Frente a tal colocação. pela inércia do titular do direito. p. 8 Dir Decurso de tempo predeterminado em lei. passa-se a colher na doutrina posicionamentos que retratem o instituto da prescrição em seu significado jurídico. 2 Ordem expressa. face seu efeito extintivo. 7 Dir Extinção da responsabilidade criminal do acusado. sob as condições que a lei estabelece. ou do credor da obrigação. É o que ressalta Machado in verbis: As palavras geralmente têm mais de um significado e nisso reside uma das grandes dificuldades na compreensão do Direito.. mas no significado das palavras utilizadas em seus enunciados. o instituto da prescrição está relacionado com a ação. somente. mesmo na linguagem jurídica especializada tem mais de um significado. Tal concepção. 5 Dir Maneira pela qual.uol.: MICHAELIS: moderno dicionário da língua portuguesa. guarda consonância com o entendimento de Carvalho e Jobim. 4 Fato de se esgotar o prazo que alguém teria para pleitear seu direito ou reclamar um interesse qualquer. . A palavra prescrição. Pelas lições de Martins. ed.]. por se achar findo o prazo legal da punição que lhe fora imposta por sentença judiciária: Prescrição de pena. para os quais o direito tributário consagra uma formatação diferenciada no que atine a prescrição. 6 Dir Extinção de direito ou obrigação por não se ter exigido oportunamente o cumprimento dela: Prescrição de dívida. 2008. disposição. 218. MARTINS. Acesso em: 04 jun. divergindo da simples perda do direito de ação judicial concebida pelo direito civil. Para tanto mencionam como exemplo. Sérgio Pinto. ligada a idéia de perda da pretensão ao crédito tributário. 174. São Paulo: Atlas.50 O instituto da prescrição20 pode assumir diferentes significados. a hipótese de interrupção da prescrição pelo despacho que ordena a citação do devedor em ação de execução fiscal. p. consoante os termos do art. Manual de direito tributário. de prescrição. ainda que analisado. 6. 3 Ditame. por exemplo. a qual. se opera a aquisição de um direito ou a liberação de uma obrigação. Muitas controvérsias a respeito de importantes teses jurídicas a rigor não se situam propriamente nas teses. ou seja.. 2007. pelo aspecto jurídico. se consubstancia mesmo com a ação já distribuída. a prescrição seria um instrumento contra o titular do direito que deixou de protegê-lo por meio da ação. indicação. harmonizando-se com concepção de “prescrição” conferida pelo artigo 156 do Código Tributário Nacional. durante um determinado lapso de tempo.php?lingua=portugues-portugues&palavra=prescrição>.br/moderno/po rtugues/index. com a evolução a prescrição passou a significar “extinção da ação pela expiração do prazo de sua duração (exercício tardio da ação).com.”22 Ocorre que. Aduz ainda que. segundo aduzem.

por ser a mais lógica. 2006. por entender que “haverá prescrição quanto se der a perda do direito de ação (ação que nasce ‘quando o direito material e violado’) pela inércia de seu titular. Cristiano. a mais aceita. 1966. Eduardo. v. Antônio Luiz da Câmara apud CARVALHO. a ocorrência de inércia da ação pelo seu não exercício. da Lei de Execuções Fiscais inserido pela Lei 11051/2004. seria a de Amorim Filho. como sendo: “a inexistência de uma ação exercitável. devem guardar respeito ao princípio da legalidade. OLIVEIRA. Bem assim que foi incluída no capítulo pertinente às disposições gerais sobre Direito Tributário (artigo 146.24 Ainda assim. 31. maio/ jun. São Paulo. cit. alinea “b”. contados da data da sua constituição definitiva”. LEAL. p. Da Prescrição Intercorrente de Créditos Tributários e o Art. sucede a decadência. § 4º. loc. da Constituição Federal). loc. onde claramente já existe ação e ainda se fala em prescrição. 40. 14. não é objeto do presente trabalho alcançar tal abordagem. Não obstante a existência de discussão doutrinária27 a respeito da aplicabilidade do artigo supra. o lapso de tempo da referida inércia e. O Código Tributário Nacional define no caput do artigo 174 que a “ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos. Agnelo apud CARVALHO. no que tange a reserva à Lei Complementar para estabelecer normas gerais sobre prescrição em matéria tributária.”25 No enfoque das condições elementares à ocorrência da prescrição define Leal. 2007.29 23 24 25 26 27 28 29 CARVALHO. Neste sentido as regras sobre prescrição somente podem ser fixadas ou alteradas mediante lei. cit.51 único. Oliveira retrata prescrição como sendo “figura de natureza processual que implica a perda do direito de ação de cobrança do crédito tributário. p. loc. 68. Revista dos Tribunais. AMORIM FILHO. por ultimo a ausência de fato ou ato. n. JOBIM.28 A propósito. contando-se o seu respectivo prazo (cinco anos) da constituição definitiva do crédito (pelo lançamento)”. do Código Tributário Nacional. inciso III. seria “distinto ou pouco proveitoso o trato com conceitos civilísticos. Revista tributária e de finanças públicas. tendo em vista novo traço ou desenho da prescrição para o Direito Tributário”. ressaltam que das várias tentativas de se definir a prescrição. sem exercê-lo. CARVALHO. inciso I. que deixa expirar o prazo fixado em lei. . JOBIM. 634.” 26 Analisado sob o plano constitucional consagra-se.23 Nesse passo. BRASIL. A polêmica esta evidenciada em consulta às obras pesquisadas neste trabalho. JOBIM. a prescrição. como norma geral de direito material. ou seja. cit. loc. cit. a que a lei atribua eficácia impeditiva ou interruptiva do curso prescricional. JOBIM.

portanto. 156. resta extinta a própria obrigação tributária (art. Tribunal de Justiça. [. Rio Grande do Sul. ou seja. o sentido de que a prescrição tributária teria o condão de ir além da extinção crédito. 562. A prescrição da ação para a cobrança do crédito tributário. só a Lei Complementar (CTN) pode dispor a respeito. pois extinta está a própria relação de direito material. para haver do sujeito passivo da obrigação tributária o pagamento correspondente.gov.. 174 do Código tributário Nacional.tj. sendo que por disposição constitucional. Prescrição.. aí estabelecida. possível reconhecer de ofício a prescrição em sede tributária.º. em cinco anos. E por extinção do crédito tributário.php?ano=2008&codigo=315496 >. Apelação Cível n. PRESCRIÇÃO CARACTERIZADA. 70001436607.. 174 do Código Tributário Nacional diz que a ação para cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos. Ocorre no prazo fixado pela lei. § 1. Machado discorre que o art. Relator: Des. A exemplo de tal compreensão conferem alguns tribunais brasileiros ao artigo 156. TRIBUTÁRIO. 4. é o que visualiza-se na Apelação Cível nº 70023222094.. tendo em vista que o relator Henrique Osvaldo Poeta Roenick baseia seu posicionamento no entendimento predominante do Superior Tribunal de Justiça.[. Assim. Cf. nesse dispositivo. 31 Vencido tais abordagens. EXECUÇÃO FISCAL. p. 146. A palavra prescreve.].52 Neste ínterim. Primeira Câmara Cível.2 Diferença entre prescrição e decadência P 30 31 MACHADO. convém retratar as principais diferenciações existentes entre prescrição de decadência no direito brasileiro. 2005. conforme regra do art. do CTN (relação material tributária). 26 de março de 2008. da 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. é a extinção do direito de ação pelo decurso do tempo. que tem o mesmo efeito da decadência. de receber o crédito tributário depois de ocorrida a prescrição. RIO GRANDE DO SUL.1. Regras próprias do Direito Tributário a serem observadas. RECONHECIMENTO EX OFFICIO. Acesso em: 31 maio 2008. POSSIBILIDADE. 30 (grifo nosso e do autor) Sob outro olhar. Disponpivel em: <http://www. concebe-se que a prescrição em matéria tributária atinge o direito em toda a sua inteireza.]APELAÇÃO CÍVEL.rs. Código Tributário Nacional. . contados da data da sua constituição definitiva. III.113. do CTN). Segundo o art. retirando do Estado qualquer possibilidade de exigir. No direito tributário a prescrição extingue o próprio crédito. Henrique Osvaldo Poeta Roenick. em matéria de prescrição e decadência (art. é a extinção do direito do direito processual de ação da Fazenda Pública. V.br/site_php/consulta/exibe _documento. "b". no contexto destes comentários. quer dizer extingue-se. da CF). a própria relação material tributária. mas atingindo o próprio direito material em si. V.5.

53 P Por serem a decadência e a prescrição caracterizadas. vez que cuida. Por fim. é imprescindível definir o sentido da expressão “contados da data de sua constituição definitiva”. da extinção do direito de cobrar o crédito tributário. que tanto a decadência. em Direito Tributário. Com efeito. a teor do Código Tributário. quanto a prescrição extinguem o crédito tributário. então. enquanto que prescrição se cuida depois do lançamento.3 Termo inicial e final para a prescrição Para se ter definido o dies a quo para a contagem do prazo de prescricional. A decadência atinge o direito de lançar. Assim. no primeiro caso. vale dizer. e. afigura-se como regra especial no Direito Tributário pátrio.305 . decadência se cuida antes do lançamento. reside na própria natureza do direito material que. 2005. 4. importa apresentar suas principais diferenciações. enquanto que a segunda atinge a ação que o protege.32 Pode-se. e o segundo. pela forma com que são definidas pelos artigos 173 e 174 do Código Tributário Nacional.5. BRASIL. é afetado diretamente. Reporta Machado que a distinção essencial entre a decadência e prescrição. de que trata o artigo 174 do Código Tributário Nacional. no segundo. Já a prescrição atinge o direito de ação ou direito de cobrar o crédito tributário. Em que Direito Tributário. loc. indiretamente. a definição do termo inicial e final para contagem do prazo prescricional mostra-se relevante ao enfoque do trabalho em si. 33 que alude o referido artigo. p. a fronteira entre a decadência e a prescrição é precisamente o lançamento. capaz de explicar por que a primeira atinge o próprio direito material. 1966.1. o primeiro. . da extinção do direito de lançar.306. como formas de extinção do crédito tributário decorrentes da inatividade da Fazenda Pública em determinado prazo fixado em lei. o direito de constituir o crédito tributário pelo lançamento. 32 33 MACHADO. distinguir decadência e prescrição. cit.

Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência.54 Valendo-se dos ensinamentos colhidos no presente trabalho e. 151. Decreto nº 70. Se o sujeito passivo não se conformar com o lançamento. não mais sujeita a recurso. 2006. ato administrativo. 2006. a constar da notificação ao sujeito passivo dando ciência da decisão definitiva (CTN. portanto não poderá se falar em prescrição. Uma parcela da doutrina alude não ser possível a fixação de um termo inicial nos casos em que lançamento é feito por homologação. que não possa mais ser modificado na via administrativa.. portanto. Leandro. é que constitui o marco para o início da contagem do prazo prescricional. p. pode-se constatar que a constituição definitiva do crédito tributário só ocorre quando se esgotarem todas as possibilidades de interposição de recurso administrativo ou quando notificado o contribuinte transcorra o prazo in albis sem impugnação. em conformidade com a determinação do artigo 42. afirma que se essa modalidade pressupõe o pagamento prévio uma vez realizada a homologação do lançamento não haverá o que cobrar e.: AMARO.36 34 35 36 ROSA JÚNIOR. mas a necessidade de regular notificação ao sujeito passivo e do decurso do prazo fixado em lei para pagamento ou impugnação ao lançamento. fica igualmente suspenso o prazo prescricional até a decisão definitiva proferida no processo administrativo fiscal. o crédito tributário só estará definitivamente constituído após o decurso do prazo legal. e. Cf. rev. art. p. o processo administrativo fiscal. ou seja. e atual. em conseqüência. Porto Alegre: Livraria do Advogado. III). . levando em conta apenas a constituição feita pelo lançamento. Pronuncia expressamente não ser possível a análise da prescrição quanto se tratar de lançamento por homologação. 417. 8. O sujeito passivo é notificado do lançamento sem que o impugne no prazo legal. portanto não poderá se falar em prescrição. ao afirmar que “a intimação do contribuinte acerca da decisão final do processo administrativo. iniciando. PAULSEN. Relembre-se que a reclamação ao sujeito passivo e a interposição de recurso suspendem a exigibilidade do crédito tributário (CTN. É o que ensina Amaro ao pronunciar expressamente não ser possível a análise da prescrição quando se tratar de lançamento por homologação.”35 Com relação aos tributos sujeitos ao lançamento por Homologação. afirmando que se essa modalidade pressupõe o pagamento prévio uma vez realizada a homologação do lançamento não haverá o que cobrar e. 2007. 201). 540.236/72. A esse enfoque salienta Rosa Júnior que tal expressão significa crédito tributário em condições de ser exigido. p. para que se considere o crédito tributário como definitivamente constituído. Não basta a efetivação do lançamento. ed.34 Referidas lições apresentam conformidade com o entendimento de Paulsen. não é compreendida de modo unânime pelos tributaristas. o dies a quo para contagem do prazo prescricional. art. 1280.

tem o Fisco cinco anos para a cobrança do crédito tributário.1. 174 do CTN. 37 38 CARVALHO. ART. o crédito tributário.55 Contrapondo tal raciocínio. Carvalho salienta que tal posicionamento deriva de um equívoco de parte da doutrina em não reconhecer o contribuinte como legitimado pelo sistema jurídico para expedir a norma individual e concreta. são as causas de interrupção do prazo prescricional. da entrega da Declaração. 3. Recurso Especial n. 1. ou seja. isto é. 413457.4 Interrupção da prescrição Outro aspecto contemplado pelo artigo 174 do Código Tributário Nacional. 2007. 487 . 2. A prescrição tributária segue os termos do art.5.stj. quanto ao termo final da prescrição. p. Noutro lado. Superior Tribunal de Justiça. tem-se pela contagem do prazo prescricional a partir da data em que o contribuinte constituiu o crédito tributário: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. . RECURSO ESPECIAL. então. a regra de fixação do termo inicial traçada inicialmente. seguindo. PRAZO PRESCRICIONAL. Na Declaração do Imposto de Renda. Precedentes do STJ. Acesso em: 30 maio 2008. a autoridade competente estará legitimada a efetuar o lançamento de ofício. este ocorrerá no quinto ano subseqüente a data da constituição definitiva do crédito tributário. do art. observa-se que ocorrendo a situação descrita no inciso V. ou seja. 02 de dezembro de 2003. DF. 174 DO CTN.jus. Huberto Gomes de Barros.asp?registro=2 00200184335&dt_publicacao=19/12/2003 >. Disponível em: < https://ww2. Brasília. constituindo. 37 Demonstrando o posicionamento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 413457. o prazo prescricional de cinco anos tem seu começo a partir da constituição definitiva do crédito tributário. Relator: Min. a contar de sua constituição definitiva. BRASIL. como o próprio artigo 174 do Código Tributário Nacional prevê. 149 do Código Tributário Nacional.br/revistaeletronica/ita.38 Por fim. contados de seu dies a quo.488. 4. TERMO "A QUO". a regra para identificação do termo inicial será a mesma descrita no início. Neste caso. definidas nos incisos I à IV de seu parágrafo único. assim.

já na suspensão.5 Suspensão da prescrição 39 40 OLIVEIRA. pode-se se afirmar que interrompida da prescrição o prazo começa a correr integramente desde seu início. As causas interruptivas da prescrição mencionadas nos incisos I à IV do parágrafo único do artigo 174 do Código Tributário Nacional atribuem como termo inicial para sua interrupção as seguintes hipóteses: [. porquanto naquela a contagem do prazo recomeça por inteiro (desde o início). não encontram liame ao foco temático do presente trabalho. II . IV . 641. que serão trabalhadas na seqüência. 2007. Parágrafo único. cumpre esclarecer que interrupção e a suspensão se diferem. III . a última. cit. A prescrição se interrompe: I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal.5. Ao contrário das causas suspensivas. providência assumida pelo sujeito passivo da obrigação tributária.por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial. como explica Oliveira interrupção difere da suspensão.39 Partindo de tais colocações. mediante agir prévio da Fazenda Pública (no sentido de cobrança) e.1.pelo protesto judicial. razão pela qual receberam tratamento sincrético. 40 Os três primeiros casos de interrupção envolvem atos praticados pelo Poder Judiciário. as causas interruptivas da prescrição. loc..]. o prazo deixa de ser contado durante a subsistência do evento suspensivo. 1966..56 Antes de examiná-las. já que computa o lapso entre o termo inicial e o acontecimento determinante da suspensão. esquecendo-se o período de tempo decorrido entre o termo inicial e a data do acontecimento que levou à interrupção. que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. . p. até completá-lo.por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor. 4. BRASIL. recomeçando-se a contagem. findo este.

Disponível em: <http://www. Supremo Tribunal Federal.43 41 42 43 BRASIL. Relator: Min. O CREDITO TRIBUTARIO.272. ou seja. Rafael Mayer. TRIBUTO. NO QUINQUENIO. NA CONFORMIDADE DO ART. 153. EXIGIBILIDADE . 02 de janeiro de 1982. Acesso em: 30 maio 2008.stf.asp?numero=96616&cl asse=AI-AgR>. especialmente quanto ao manejo da reclamação ou recurso administrativo.272 do Supremo Tribunal Federal. FICA EM SUSPENSO. Brasília. PRESCRIÇÃO E DECADENCIA.jus. Id.asp?numero=9527 2&classe=RE>. SALVO SE SUSPENSA A EXIGIBILIDADE. DF. Disponível em: <http://www. Tribunal Federal de Recursos. 95.jsp?livre=AUTO+DE+INFRA%C7%C3O+&&b=STFR&p=true&t=&l=20&i= 1>. 95.. QUE. ATRAVES DE AUTO DE INFRAÇÃO OU NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. Acesso em: 30 maio 2008. Agravo regimental :nº 96616. JA SUPERADO PELO AUTO. 27 de abril de 1984.stj. Id. Disponível em: <http ://www.br/portal/inteiroTeor/obterInteiroTeor. ART-151-III).EXIGIVEL O CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUIDO PELO LANCAMENTO. CORRE DESDE ENTÃO O PRAZO PRESCRICIONAL. TAMPOUCO O DE DECADENCIA. LANCAMENTO. Relator: Min.gov. III. ATE QUE SEJAM DECIDIDOS OS RECURSOS ADMINISTRATIVOS. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO CONHECIDO. Acesso em: 30 maio 2008. 10 de abril de 1984. Recurso Extraordinário n. os artigos 174 e 155 do Código Tributário Nacional cumulam-se. Súmula n. ocorre também a suspensão do prazo prescricional. ART-142).stf. FLUINDO.41 Recurso Extraordinário nº. QUE IMPORTA LANCAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (CTN. três assentes jurisprudenciais que enfocam esse raciocínio. DF.. CONSTITUIDO. colaciona-se inicialmente. TODAVIA. NÃO HA FALAR EM DECADENCIA. DO CTN. DF.57 Como relatado em etapas anteriores desse trabalho. Supremo Tribunal Federal. Francisco Rezek. Com intuito de mostrar esse efeito que a suspensão da exigibilidade causa em relação à prescrição. a título ilustrativo. tem-se que nas hipóteses em que há a suspensão da exigibilidade do crédito tributário.br/portal/inteiroTeor/obterInteiroTeor. NO INTERVALO ENTRE A LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO E A DECISÃO DEFINITIVA DE RECURSO ADMINISTRATIVO DE QUE TENHA SE VALIDO O CONTRIBUINTE NÃO CORRE AINDA O PRAZO DE PRESCRIÇÃO (CTN. A PARTIR DAI. 151.br/SCON/juritfr/doc. PRESCRIÇÃO. sendo eles: a súmula 153 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Brasília. Brasília. . O PRAZO PRESCRICIONAL.gov.42 Agravo regimental nº 96616 do Supremo Tribunal Federal: TRIBUTÁRIO. EM PRINCIPIO.

reinicia-se a contagem considerando o período já decorrido antes da causa suspensiva. são no sentido de não há o que se falar em prescrição como regra. da mesma forma que os textos legais do Código Tributário. manifestando que tal coincidência só se daria em momento subseqüente àquele que o sujeito ativo teve condições de acesso à ação judicial de cobrança. do período que faltava para consumar o prazo. CARVALHO. cessando a causa de suspensão.58 Percebe-se que a orientação dos julgados. Carvalho expõe que a interposição de Recurso administrativo vem a suspender a exigibilidade do crédito tributário não alcançando. quando esta se inicia. o prazo prescricional se suspende. E finaliza. pois seu prazo somente começa a fluir da data da decisão administrativa final. . 306 – 307.488. pára de correr temporariamente. p. Outra característica da suspensão está no fato de que. contudo.44 Vindo de encontro ao posicionamento supra. 2007. mas não se desconsidera o período já decorrido.45 44 45 DIFINI. p. no todo ou em parte. quando mantido o lançamento. ou seja. 487 . a suspensão do curso do prazo prescricional. uma vez que a prescrição não teria sequer iniciado. 2006.

apontam fatores impeditivos à aplicabilidade da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Salienta-se que apesar desse instituto não ser tratado de forma exauriente por grande parte da doutrina que foi objeto de pesquisa nesse trabalho. enquanto outros. pelo prazo prescricional. buscar-se-á retratar sua essência a partir do temas trabalhados nos capítulos anteriores. ainda que com ênfase ao âmbito judicial. esclarece-se que ela se consagra nos casos estritos de inércia do autor. Difini consegue apresentar a essência do que viria a ser a prescrição intercorrente. a prescrição em Direito Tributário encontra peculiaridades que lhes foram atribuídas pela Constituição Federal e pelo Código Tributário Nacional. como se estudará. 5. Nas demais esferas do ordenamento jurídico positivado.59 5 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE NO PROCESSO ADIMINISTRATIVO FISCAL Enfoques relevantes têm sido levantados pelos doutrinadores. 146. fundamentam suas teses visando o reconhecimento do instituto em tela. não por eventual demora na sua tramitação. inciso III. “b”). Por outro lado. A principal delas diz respeito ao fato do legislador constitucional ter destacado competência absolutamente reservada à lei complementar para criação. a característica essencial desse fenômeno extintivo está no fato dele ocorrer e ser argüível no curso de um processo em tramitação. in verbis: A prescrição intercorrente é aquela que flui no curso da ação: só se consuma se o processo fica paralisado. alteração e supressão das hipóteses de prescrição em matéria tributária (art. de um lado. que. sem a prática de qualquer ato. em virtude de sua paralisação injustificada por determinado período legalmente preestabelecido. enquanto o autor pratica atos processuais . tal forma de prescrição pode surgir em Direito Tributário devido a circunstâncias processuais distintas.1 CONCEITO Como visto nos capítulos anteriores.

3. 6. vindo dispor sobre as formalidades para o reconhecimento da prescrição intercorrente aos feitos judiciais. conforme disposto no artigo 40. ainda que seu termino venha a ser demorado. Acesso em: 29 maio 2008.830/80.1 Da referida citação nota-se também uma segunda característica.3 Acerca dos pressupostos necessários à existência da prescrição salienta Martins: 1 2 3 DIFINI. loc. 1980. .htm>. Disponível em: <http://planalto. o processo pode ser suspenso por um ano sem que corra a prescrição. especialmente no processo executivo fiscal forma de aferir se a situação é idêntica a que ocorre no processo administrativo fiscal. 24 de setembro de 1980. BRASIL. Para que melhor se compreenda tal instituto.830/80.2 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE NO PROCESSO JUDICIAL A Lei nº. p. extinguindo o feito. Na atual sistemática. rechaçando a ocorrência de prescrição intercorrente nos casos em que o processo tenha seu regular trâmite. nos termos do § 4º do artigo 40 da Lei nº 6. reconhece de ofício a prescrição intercorrente. o juiz. no seu artigo 40. iniciando a partir de então a contagem do prazo de prescrição intercorrente.051/2004. Luiz Felipe Silveira. importa destacar sua ocorrência no processo judicial. cit. 2006. Findo este prazo. BRASIL. que trata dos processos de execução fiscal. ed. depois de ouvida a Fazenda Pública. Manual de direito tributário. 5.br/ccivil_03/LEIS/L6830. em especial. Com tal reforma. DF. discussões surgiram entre os doutrinadores acerca da aplicabilidade ou não do referido instituto aos processos administrativos fiscais.830 de 22 de setembro de 1980: Dispõe sobre a cobrança judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública.gov. sofreu recente modificação. não encontrados bens do executado. Lei no 6. o referido artigo teve inserido em seu corpo o § 4°.830/80. § 2º da Lei nº 6. Diário Oficial da União: Brasília. Com a edição da lei 11. e dá outras providências. na redação que lhe conferiu a Lei nº 11.051/04. 310. o juiz ordenará o arquivamento dos autos. São Paulo: Saraiva. sem que tenha havido a localização do devedor ou de bens. 2 Decorrido este prazo.60 para seu impulsionamento. atual.

passa-se a análise do instituto da prescrição intercorrente no âmbito do processo administrativo fiscal. 40 da lei 6. . enfoca que o juiz suspenderá o curso da execução. Decorrido o prazo máximo de um ano.830/80). São Paulo: Atlas. ausência de ato ou fato a que a lei atribua uma função impeditiva (suspensiva ou interruptiva) do curso do prazo prescricional. ed. p. com a única condição de ser previamente ouvida a Fazenda Pública. o juiz ordenará o arquivamento dos autos.3 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL No Brasil.840). p. permitindo-lhe argüir eventuais causas suspensivas ou interruptivas do prazo prescricional (artigo 40. 219. Ibid. 5. assevera-se que recebe a denominação de prescrição intercorrente o fenômeno extintivo da ação que ocorre e é argüível no curso de um processo judicial em tramitação. não correrá prazo de prescrição (art. a qualquer tempo. 6. 221. numa primeira percepção do instituto em tela. Pontua-se. Sérgio Pinto. sem impulsionamento válido na execução pelo credor. da Lei nº 6. que a sistemática que vem sendo aplicada na prescrição intercorrente no âmbito judicial. enquanto não for localizado o devedor ou encontrados bens sobre os quais possa recair a penhora. nesses casos. inércia desse titular em relação ao uso da ação durante certo tempo. por fim. § 4º. será aberta vista dos autos a representante judicial da Fazenda Pública. Suspenso o curso da execução. Encontrados que sejam. de modo a espancar as dúvidas e perplexidades geradas pela sua atual disciplina. poucos doutrinadores tratam com ênfase da prescrição intercorrente no âmbito fiscal. sem que seja localizado o devedor ou encontrado bens penhoráveis.5 Diante de tais fatos. Vencidos tais apontamentos. o devedor ou os bens serão desarquivados os autos para prosseguimento da execução. independentemente de requerimento da parte interessada.4 Na seqüência. mister se faz a existência dos seguintes pressupostos: existência de uma ação exercitável pelo titular de um direito. 4 5 MARTINS.61 Para que ocorra a prescrição. Manual de direito tributário.. nada mais é do que se aguardar o transcurso de um período superior a cinco anos (artigo 174 do Código Tributário Nacional). 2007. e. para se decretá-la.

php?nome_comarca=Tribunal+de+Justi% E7a&versao=&versao_fonetica=1&tipo=1&id_comarca=700&num_processo_mask=596038166&num_proc esso=596038166>. DEVE JULGAR A IMPUGNACAO HAVIDA. Disponível em: <http://www. Eis as ementas dos referidos arrestos: DIREITO TRIBUTARIO. III. no ordenamento jurídico tributário. SOB PENA DE SE ACEITAR A PROPRIA IMPRESCRITIBILIDADE. 151. No primeiro deles. terem admitido à ocorrência de prescrição em âmbito administrativo fiscal. NAO CORRENDO PRESCRICAO. NO PRAZO DE CINCO ANOS.tj.62 Ante as considerações expostas nos capítulos anteriores. A AUTUACAO DECORREU DE PRESUNCOES DOS AGENTES FISCAIS. Bem assim que.rs. COM A PARALIZACAO INCOMPREENSIVEL DO PROCEDIMENTO DURANTE SETE ANOS. . IMPUGNACAO. ART. DURANTE A RECLAMACAO OU RECURSO ADMINISTRATIVO. Apelação Cível nº 597200054. Rio Grande do Sul. No segundo. Relator: Des. DECADENCIA. sob a relatoria do Desembargador Armínio José Abreu Lima da Rosa. DE RESTO.br/site_php/consulta/consulta_processo. não foi tolerada a paralisação de um processo administrativo pelo prazo de sete anos. O ESTADO TEM CINCO ANOS PARA CONSTITUIR DEFINITIVAMENTE O CREDITO TRIBUTARIO. em dois acórdãos. decidiram que os processos administrativos fiscais não podem ficar paralisados indefinidamente. CONTRARIADAS POR CONFIAVEL PROVA DOCUMENTAL. QUANDO SE ESTA DIANTE DE INCOMUM INERCIA. sob o enfoque da prescrição intercorrente.gov. Acesso em: 31 maio 2008. relatado pelo Desembargador Romeu Elias de Souza. regras que possibilitem a ocorrência da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. retratar as razões pelas quais se revelarão insubsistentes. ESTA SUSPENSA A EXIBILIDADE DO CREDITO ADMINISTRATIVO. examinando o tema sob o prisma da decadência. aspira-se com a identificação dos fundamentos teóricos existentes. condizentes a servirem de base para análise e interpretação do tema em enfoque. PENA DE DECADENCIA. em casos isolados. O QUE EQUIVALE DIZER QUE. 17 de abril de 1996. Apelação Cível n. NAO E POSSIVEL AO FISCO FECHAR OS OLHOS A 6 RIO GRANDE DO SUL. CASO EM QUE. Tupinambá Miguel Castro do Nascimento. Tribunal de Justiça. 596038166. Apelação Cível nº 59603816-6. instado a se pronunciar a respeito dessa questão. CTN. NAO HA COMO DEIXAR DE RECONHECER A PRESCRICAO. concluiu que o Estado tem o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário. ENTRETANTO. por sua Colenda 1ª Câmara Cível. Primeira Câmara Cível. APELACAO PROVIDA6 PRESCRICAO INTERCORRENTE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO. A discussão assume maior relevo em razão de Tribunais de Justiça. como o do Rio Grande do Sul.

A tese é consistente. e. supõe a exigibilidade do crédito tributário. no caso. Disponível em: <http://www. Processo tributário. apenas adota outra nomenclatura para uma mesma realidade jurídica. já não se pode dizer que é o simples oferecimento de uma impugnação que o está impedindo de propor a execução fiscal: é o abandono do processo – que implica a indevida não-apreciação da impugnação – que enseja a demora na propositura da execução. Armínio José Abreu Lima da Rosa.. por inércia do exeqüente (precisamente o abandono do processo administrativo). Pode-se. [. São Paulo: Atlas. suspendendo também o curso da prescrição. 205. APELO PROVIDO POR AMBOS OS MOTIVOS7 O entendimento acima. a nosso ver. efetivamente.]. PREFERINDO FIAR-SE EM SUPOSICOES. p. faz-se necessário apresentar alguns posicionamentos doutrinários sobre o tema.. porém. poder-se-ía admitir o emprego do termo prescrição intercorrente. ou seja. possui o seguinte posicionamento: A necessidade de uma delimitação temporal ao processo administrativo fiscal levou doutrinadores de respeito a vislumbrarem. acerca da matéria. nos quais se afirma que o termo inicial do prazo prescricional é a constituição definitiva do crédito tributário. o prazo prescricional só se convalidará quando completada a extensão temporal de suporte fático previsto na regra. inibindo a exigibilidade do crédito. portanto. Assim. Tribunal de Justiça. expõe seu posicionamento contrapondo o entendimento acima: Demarcar o fato prescricional. Acesso em: 31 maio 2008.8 Santi. corroboram com no delineamento desse nexo temporal qualificado pela omissão do Fisco. COMO ESTOQUE DE PRODUTO E SUA MOVIMENTACAO. É certo que o oferecimento da impugnação suspende a exigibilidade do crédito tributário.gov. Hugo de Brito. e há a extinção apenas do direito de propor a ação de execução fiscal (prescrição). 597200054. apenas.br/site_php/consulta/consulta_processo.tj. nessa situação de abandono. a ocorrência da chamada prescrição intercorrente. Apelação Cível n. Preferimos o termo perempção. Consideramos que não pode haver 7 8 RIO GRANDE DO SUL. Machado Segundo.rs. a determinação legal do prazo e de seu termo inicial e o conhecimento de eventuais circunstâncias jurídicas que. afirmar que os citados julgados laboraram – neste ponto – em equívoco. Rio Grande do Sul. 2004. o crédito já foi constituído.php?nome_comarca=Tribunal+de+Justi% E7a&versao=&versao_fonetica=1&tipo=1&id_comarca=700&num_processo_mask=597200054&num_proc esso=597200054>. sendo plenamente cabível falar-se. Primeira Câmara Cível. justificável exatamente porque não era o prazo para a conclusão do processo administrativo o problema que se lhe estava sendo submetido. ou em imprecisão. 23 de dezembro de 1998. Mas se o Fisco abandona o processo por mais de cinco anos. que é um dos poucos a encarar esse instituto de frente.63 A DADOS PLENAMENTE CONFIAVEIS E OBJETIVOS. sim em prescrição intercorrente. Assim. . Relator: Des. MACHADO SEGUNDO. a data da conclusão do processo administrativo correspondente. por conta dos já transcritos pronunciamentos do STF. Note-se. principalmente porque. adota solução que se opõe ao ordenamento tributário positivado.

prevista no inciso III. Se o crédito está suspenso. até 2005. São Paulo: Max Limonad. 302. Enquanto suspensa a exigibilidade do crédito. destaca-se o acórdão nº 05-2809: PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE . . Acesso em: 05 jun. Secretaria da Receita Federal. BRASIL.1. Eurico Marcos Diniz de. não há que se falar em prescrição intercorrente. 3. de um lado. ed. nos termos do inciso III do art. RIBEIRÃO PRETO. suspende-se a exigibilidade do crédito. Por isso. o próprio artigo 174 do Código Tributário Nacional estabelece como termo a quo do prazo prescricional a constituição definitiva do crédito tributário. a prescrição intercorrente. o acórdão nº 14-14645. noutro viés. 151 do Código Tributário Nacional . quando há impugnação no processo administrativo durante o prazo de pagamento do tributo.”11 Em igual instância.5. 9 Igual orientação é apresentada por Torres. porque. Decidido em primeiro grau. sendo que tal constituição. do artigo 151 do Código Tributário Nacional. no Processo Administrativo Fiscal. não teria como se iniciar o prazo prescricional. Rio de Janeiro: Renovar.SIGL. 12. o que significa que entre o lançamento e a decisão definitiva não corre o prazo prescricional. p.br/netacgi/nph-brs?s7=&s9=DRJ/$.3 do presente. o que simplesmente impede a fixação do início do prazo prescricional. Acórdão n. Decadência e Prescrição no Direito Tributário.64 prescrição intercorrente no processo administrativo. Ricardo Lobo.&s10=&n=-DTPE&d= DECW&p=1&u=/netahtml/decisoes/decw/pesquisaDRJ. 239. 2004. em virtude de tramitação do processo administrativo fiscal.Não se configura. pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Várias decisões já foram exaradas no âmbito administrativo fiscal no sentido do descabimento da contagem do prazo prescricional no curso do processo administrativo fiscal. dado que a Fazenda estaria impedida de acionar o contribuinte para a cobrança judicial.”10 Nota-se assim que. ed.CTN. Curso de direito financeiro e tributário. 18 de Janeiro de 2007. 2005. além do que. 9 10 11 SANTI. em virtude da suspensão da exigibilidade do crédito tributário.fazenda. como demonstrado nos item nº 4. 219. 2008. o qual afirma que “inexiste prescrição intercorrente no processo tributário administrativo. atual. enfatizando as causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário. 14-14645. certos juristas apontam fatores impeditivos à aplicabilidade da prescrição intercorrente no processo administrativo. Refletem tal dicção os acórdãos que ilustrativamente passa-se a colacionar. Disponível em: <http://decisoes.gov. restou assim ementado: “prescrição intercorrente. não há que se falar em prescrição. TORRES. p. há quem considere aplicável a prescrição no curso processual administrativo. só ocorre com a decisão final do processo administrativo fiscal.htm&r=1&f=G&l=20&s1=&s2=&s3=&s4=Process o+Administrativo+Fiscal&s5=prescri%E7%E3o+intercorrente&s6=&s8=>.

. DF. AGRAVO REGIMENTAL.stj. que apesar de focalizados. inciso 12 BRASIL. Segunda Câmara. Disponível em: < http://decisoes. III .br/domino/Conselhos/QuadroConselheiros. principalmente a respeito da possibilidade da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. 2008. Brasília. Primeira Câmara.fazenda.gov. INOCORRÊNCIA. Sumula n. partindo dos aspectos a seguir referenciados. 15 (grifo nosso) Ressalva-se. DF.br/netacgi/nph-brs?s7=&s9=DRJ/$. Acesso em: 05 jun. 7. Id. Acesso em: 05 jun. Acesso em: 30 maio 2008. MULTA FISCAL. . pelo primeiro e segundo Conselhos de Contribuintes. DF. Com efeito.gov.808. Sumula n.14 respectivamente.htm&r=15&f=G&l=20&s1=&s2=&s3=&s4=&s5=prescri%E7 %E3o+intercorrente&s6=&s8=>.O prazo prescricional previsto no art.jus. No mais.fazenda. 04 de Dezembro de 2002. 05-2809.asp?regi stro=200301297825&dt_publicacao=17/05/2004 >. Acórdão n. portanto...nsf/a0179fb4ae2ef5c9832571 9a004b9629/3bede41fb8d1a7c28325735b003cfabf/$FILE/_2aehmqtbcc5pi0cl7411k6ba49tag_. PROCESSO ADMINISTRATIVO. a matéria restou.conselhos.65 pois. 577. 11.nsf/viewSumula/4BCFF C7377564EE38325719A004BA287?OpenDocument>. I . Supremo Tribunal Federal. II .br/revistaeletronica/ita. entretanto. os precedentes jurisprudenciais foram mencionados apenas para contextualizar o estudo da prescrição intercorrente no âmbito processual administrativo fiscal. 2008.” Na seara do Superior Tribunal de Justiça. podendo.Agravo regimental improvido.conselhos. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. 174 do CTN só tem início com a decisão definitiva do recurso administrativo (Súmula 153 do TFR).SIGL. Campinas. 23 de março de 2004..&s10=&n=-DTPE&d=DECW&p 13 14 15 =1&u=/netahtml/decisoes/decw/pesquisaDRJ. 28 de maio de 2006. ambas com o seguinte ementa: “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. 2008. Conselho de Contribuintes. inclusive. não se pode admitir que se fizera consumada a condição necessária à argüida prescrição. Disponível em: <http://www. Brasília. apreciando o instituto da prescrição intercorrente à luz dos objetivos traçados para este trabalho.gov. Disponível em: <http://www. SÚMULA 153 DO TFR. Disponível em: <https://ww2. ilustra-se o acórdão nº 577808: TRIBUTÁRIO. em prescrição intercorrente.pdf>. 28 de maio de 2006. Relator: Min. Secretaria da Receita Federal. Id. Conselho de Contribuintes. sumulada sob os nº 1113 e 7.Precedentes.fazenda. RECURSO ESPECIAL. Brasília. que se revelarão essenciais para a solução do problema proposto nesta monografia.12 Ainda. Acesso em: 05 jun.br/domino/Conselhos/QuadroConselheiros. não havendo que se falar. Agravo Regimental no Recurso Especial n. se a mesma decorre da inação do fisco que. deixa de promover a cobrança do crédito tributário. quando a Administração é instada para decidir sobre controvérsias fiscais não pode ela ficar adstrita somente ao preceito informado pelo artigo 5º. necessário pronunciar-se acerca da referida indagação. FRANCISCO FALCÃO. Id.

ou mesmo adequá-la ao que entende devido. de 2004). por meio do processo administrativo fiscal procura o contribuinte/impugnante a desconstituição do lançamento de modo a eximi-lo da obrigação que lhe foi imposta. Em contrapartida. Cf. Acesso em: 23 fev. no âmbito judicial e administrativo.66 LXXVIII da Constituição Federal16. encontra a Administração dificuldades em solucionar todas essas controvérsias de modo célere. a exemplo do que ocorre no Decreto nº 70. não merece prevalecer o entendimento que o processo seria somente uma seqüência de atos em vista de obstáculos a um limite temporal. sopesadamente. funcional de alguns de seus entes tributantes. Com observância a essa ótica. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45. totalmente. ignorando-se. escolheu-se para serem impulsionados com maior celeridade aqueles processos que enquadrarem como preferenciais.planalto. Ressalta-se que. que é por demais subjetiva. com data certa para acabar. não há razão que justifique a fixação de um prazo certo para término do processo administrativo fiscal. em função da precariedade econômica. fica o Fisco impossibilitado de praticar qualquer ato que vise satisfazer seu direito até que se decida a controvérsia instaurada pelo contribuinte.a todos. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília. pois a compreensão da expressão “duração razoável”.235/72. possibilitando a revisão do ato da Administração frente à insurgência do contribuinte. princípios estes informadores do desenvolvimento seqüencial e regular do processo. que também passa o Poder Judiciário. 5 de outubro de 1988. ou seja. Ademais. dentre os abordados nos capítulos anteriores. bem como pela sistemática lenta no julgamento dos processos em virtude do rol de garantias postas a disposição do contribuinte para solução de seus conflitos. é que.gov.htm>.].: BRASIL. 16 [. optou o legislador em definir critérios à tramitação dos feitos administrativos fiscais. uma vez que este tem por objetivo garantir o uso dessa prerrogativa. DF. Diante de tal impossibilidade. Destaca-se. devem preponderar. não pode preterir à princípios que. são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. Em face do grande número de demandas... . a gama de princípios que prevalecem quando se procura estruturar um processo com o devido respeito aos direitos dos sujeitos da relação. o do devido processo legal em consonância com o do contraditório e com o da ampla defesa.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao. Disponível em:< http://www. independentemente de ter sido efetivamente decidido ou não. Constituição (1988). no sentido de que o processo administrativo deva ter uma duração razoável. o qual não fixa mais prazo para julgamento das lides tributárias. 2008.

Ligada a isso. quem estava impedido de agir para cobrar seu crédito (Fisco). certo e exigível. 40 da Lei de Execução Fiscal). na prescrição judicial há um título executivo líquido. por meio do reconhecimento desse instituto. a suspensão do prazo prescricional ao exercício de ação a contar da impugnação (artigo 151. penalizar (responsabilização funcional) quem deu causa à paralisação processual injustificada. criou o legislador mecanismos hábeis a resguardar os interesses do contribuinte e do Fisco. reconhecendo o débito imputado contra si. a sistemática de aplicação da prescrição intercorrente no processo judicial. advém a noção de impossibilidade de se declarar a reconhecimento da prescrição intercorrente no curso do processo administrativo fiscal. é notadamente inaplicável ao processo administrativo fiscal. do Código Tributário Nacional). inciso III. vez que com a suspensão dos efeitos da exigibilidade do crédito tributário. que define necessariamente as hipóteses de reconhecimento da prescrição do processo frente à inércia processual do exeqüente em localizar o réu para ser citado ou seus bens para satisfação de seu crédito (art. o que atualmente inexiste. como visto anteriormente. Outrossim. adquire tal exigibilidade quando o Contribuinte além de não pagar. naquele tem-se o respeito estrito ao princípio da legalidade. exige para o reconhecimento da prescrição. não há como se penalizar. Destes. apresenta-se intimamente ligado ao princípio da oficialidade em conjunto com o da legalidade e o da eficiência. inclusive assegurando a este. devendo sim. fator que vai de encontro ao princípio da estrita legalidade outorgado aos contribuintes pela Constituição Federal de 1988. em especial o de execução fiscal. Além disto. que afasta a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Por fim. pode-se depreender que somente a lei pode determinar requisitos para reconhecimento da prescrição no curso do processo administrativo fiscal. .67 Logo. o que pressupõe a existência de um crédito devidamente constituído. a existência de crédito devidamente constituído. De outro lado. não há como se determinar um termo inicial necessário ao cômputo do prazo prescricional a teor do artigo 174 do Código Tributário Nacional que. Por outro lado. e não um crédito temporariamente suspenso. como representante do Estado. ou seja. no processo administrativo fiscal inexiste lei que admita a prescrição durante seu curso. Porquanto. um outro fator a ser destacado. também não impugna.

se verificou que a Constituição Federal estabeleceu princípios. as formas de suspensão. bem como as hipóteses de extinção. extingue o próprio crédito. Isto porque. em virtude de sua paralisação injustificada por determinado período legalmente preestabelecido. No terceiro capítulo. pôde-se inicialmente compreender que prescrição intercorrente é aquela que flui no curso da ação. só assim. se aferiu que a norma em questão previu mecanismos para o contribuinte se opor ao lançamento realizado pela Fazenda Pública. Com efeito. Este remete à regra de que o agir da Administração. Enfatizou-se que sua ocorrência em virtude da falta de impulsionamento do autor. condição imprescindível à atuação do Estado. Assim. inclusive. também. e é a mesma lei que se revela como instrumento de limitação de sua própria ação. é a perda do direito de uso de meio processual para a cobrança do crédito. a prescrição. restou traçada uma gama de diretrizes ao longo do presente trabalho monográfico. produção de provas. instrumentos de defesa. lhe sendo conferido.235/72. restassem fundamentos firmes e convincentes sobre sua aplicabilidade ou não neste âmbito de atuação tributária. Nesta última. por força do Código Tributário Nacional. Dessa forma.68 6 CONCLUSÃO Ao instituto da prescrição intercorrente estudado em sede do processo administrativo fiscal. No ultimo capítulo. como visto. a aplicabilidade do instituto acima referido em pouco se alinha com o direito administrativo fiscal. dada a impossibilidade de analisar todas as legislações de cada ente federado. Identificou-se. se abordou as regras do processo administrativo tomando como modelo o vigente no âmbito federal. conforme se observou no desenvolvimento do estudo. como visto. bem como a possibilidade de recursos à instâncias superiores. como no direito tributário. que norteiam a Administração Pública. que. que para o Direito Tributário. Partindo do Decreto 70. sua forma de constituição. dentre os quais. inclusive no que se refere à sua atuação no âmbito fiscal. inicialmente. se destaca o da legalidade. Posteriormente. se analisou o crédito tributário. tanto no direito administrativo. está adstrita à previsão legal. o princípio da legalidade assume. no segundo capítulo. e não por eventual demora na sua tramitação. . que se dá através do lançamento. para que. se enfatizou a prescrição. a lei é que legitima a cobrança de tributo.

inciso III cumulado com artigo 174. ambos do Código Tributário Nacional). 156. analisado sob o aspecto do princípio da oficialidade em conjunto com o da legalidade e eficiência. . enquanto o processo administrativo fiscal estiver tramitando a exigibilidade do crédito permanece suspensa. estar-se-ia justificada uma das teses de inaplicabilidade da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Noutro lado. inexistindo qualquer norma regulamentando a prescrição em seu curso. Contudo. conclui-se inexistir fundamento para ocorrência da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Assim. autorize a contagem de prazo prescricional. Isto não significa que o processo administrativo possa e deva permanecer eternamente sem qualquer solução por parte da Administração. É necessário que esta adote alternativas que viabilizem a solução rápida para esses conflitos. também atento às orientações do princípio constitucional da legalidade. Logo. não se tem um termo inicial para contagem do prazo prescricional (art. frente à sistemática que atualmente existe. Viu-se também que. senão por lei. reconhecendo em seu desfavor o instituto em tela. a priori.69 Partindo de tal pressuposto. não havendo um crédito devidamente constituído. uma vez que. porquanto. não se justificaria penalizar quem estava impedido de cobrar seu crédito (Fisco). tem-se que. afigura-se como incorreto procurar fundamento que. não há como admiti-la. em contraposição a reserva feita pelo texto constitucional. Revelando-se devido por meio da aplicação dos referidos princípios apurar-se a responsabilidade funcional do sujeito que deu causa injustificada à inércia processual. o instituto da prescrição intercorrente não pode ser utilizado para tanto.

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