Na "HISTÓRIA SECRETA DO BRASIL", propõe o Sr.

Gustavo Barroso desprender da complexidade das forças que trabalharam na preparação dos acontecimentos políticos do BrasiL aquela que lhe parece predominante, senão decisiva, e, portanto, suficiente para nos dar, desses fatos, uma perfeita compreensão. E uma sondagem profunda a que procede, a procura da verdade histórica ou melhor da "história subterrânea dos acontecimentos". Terá o ilustre escritor encontrado o fio da meada? Terá o mergulhador conseguido trazer suas sondagens, a pérola da verdade história ou uma parcela da verdade? Nos dramas, representados por personagens conhecidos, nos largos cenários das agitações públicas, ou nos palcos dos teatros políticos, terá seu olhar penetrado os bastidores? A todas essas perguntas que se reduzem, afinal, a uma só, responderão os seus leitores, que serão muitos e os seus críticos que serão bastante competentes para julgar da imparcialidade, segurança e penetração do historiador brasileiro. É certo que, como diz Disraeli, citado pelo próprio autor, "o mundo é governado por personagens muito diferentes dos que imaginam os indivíduos cujo olhar não penetra os bastidores". Mas, quantas vezes esses "personagens diferentes" longe de serem "causa", não passam de "instrumentos" das forças reais e profundas que governam os acontecimentos políticos? E quantas vezes, dada a com plexidade dos fenômenos sociais, e, daí a dificuldade de ver claro, o que se aponta como bastidores reais, não é mais do que a armadura de cenários fabricada pela parcialidade ou erguida pela imaginação? Em todo caso, este livro que representa um grande esforço de pesquisa, é realmente digno de exame e de reflexão, pela documentação abundante que nele se recolheu; e das discussões e divergências que suscitar a sua leitura, poderá saltar um pouco de luz sobre as "zonas de mistério" de nossa história. A presente é a 1ª de uma série de 6 (seis) volumes que compõe a obra completa da HISTÓRIA SECRETA DO BRASIL. O CONCEITO DA HISTÓRIA A história não é propriamente urna ciência; é antes uma arte. Muitos espíritos avançados do século XIX se esforçaram para dar à história esse conceito científico. Havia a mais generalizada do cientificismo. Seus esforços, porém, como que se anularam ante a concepção atual da história. O espírito do século XX é outro e não admite mais esses exageros do cientificismo generalizado, querendo impor a todos os departamentos e categorias do pensamento humano seus canones empíricos ou pragmáticos. A investigação dos fatos, a fixação das datas, a interpretação das dúvidas, o confronto e a análise dos documentos, devem certamente obedecer a princípios rigorosamente científicos. Mas a narração dos acontecimentos e sua fixação precisa no tempo e no espaço, não são a verdadeira história, não formam completamente a história. Além disso, há coisa mais importante, substancial, a projeção dos homens e dos acontecimentos no espelho das épocas, como as idéias de cada século, seu espírito, seu gênio próprio. São as mudanças dos aspectos intelectuais do mundo que transformam os critérios dos homens. Para que a história deixe de ser uma cronologia seca, um rol de fórmulas mnemônicas, é necessário iluminá-la com o esplendor solar das idéias, com a luz maravilhoda da vida espiritual. Assim, a história se reflete melhor na obra dos pensadores, escritores, poetas, dramaturgos e críticos do que na enumeração dos governantes, na série das batalhas ou nos salões dos congressos diplomáticos. Por isso, em geral, o que se aprende na história são movimentos dos corpos sociais, ignorando-se a ação e a vida das almas sociais, das almas dos povos. A verdadeira história seria a revelação da vida espiritual dos homens. "A história é obra representativa - escreve um mestre- e, portanto, deve ser uma obra de arte. Não nego os méritos da investigação científica no campo da história. Sobre essa investigação se identificaram os mais belos monumentos da arte, no gênero mais difícil entre os gêneros literários. Entre a obra de arte histórica e a investigação que lhe serve de base, há a mesma diferença que entre a anatomia e a escultura estatuária. O escultor precisa conhecer a fundo,

1

cientificamente, a anatomia do corpo humano; entretanto, isso não é o bastante para que sua obra seja considerada científica. Nas formas humanas representadas no mármore, revela-se um espírito, na emoção e nos sentimentos expressos pelas atitudes e gestos da estátua". Esta página do magnífico livro "La Guerre Occult de Emanuel Malynski e Léon de Poncins termina com essas palavras profundas, que resumem a história da humanidade nos últimos tempos; "Ainda se tem em vista toda a hierarquia humana, quando o mundo começa a se afastar de Cristo, no Renascimento. Ainda se têm em vista os Príncipes e os Reis, quando se afasta do Papa e do Imperador, na reforma. Ainda se têm em vista a burguesia quando se tiram a nobreza Reis e Príncipes, que são os seus pontos culminantes, na Revolução Francesa. Ainda se têm em vista o Povo, quando se ultrapassa o plano da Burguesia de 1848 à 1917. E não se têm mais em vista senão a borra social guiada pelo judeu, quando se vai além das massas em 1917". Todo esse plano, em todas as nações, foi cuidadosamente elaborado e lentamente executado pelo judaísmo, raramente descoberto e sempre embuçado nas sociedades secretas. Judaísmo e maçonarias criaram um meio social propício à guerra do que está embaixo contra o que se acha em cima, desmoralizando e materializando a humanidade pelo capitalismo mamônico, dividindo-a e enfraquecendo intimamente pela democracia, separando-a e tornando-a agressiva pelo exagero dos nacionalismos, dissolvendo-a e descaracterizando-a pelo cosmopolitismo, encolerizando-a pelas crises econômicas e enlouquecendo-a com o comunismo. Conhecendo isso, é que se pode dar seu verdadeiro caráter aos acontecimentos históricos e mostrar a verdadeira fisionomia das revoluções. Até hoje se têm escrito histórias políticas do Brasil. Empreendo, neste ensaio, a história da ação deletéria e dissolvente dessas forças ocultas. Até hoje se escreveu a história do que se via a olho nu, sem esforço. Esta será a história daquilo que somente se descobre com certos instrumentos de ótica e não pequeno esforço. É a primeira tentativa no gênero e, oxalá possa servir de ensinamento à gente moça, a quem pertence o futuro. GUSTAVO BARROSO “Há duas histórias, a oficial, mentirosa, Ad Usum Delphini, e a secreta, em que estão as verdadeiras causas dos acontecimentos, história vergonhosa”. (Balzac, Les Illusions Perdues – t.III)

2

CAPÍTULO I O monopólio do pau-de-tinta Amanhecera o dia 25 de setembro do ano da graça de 1498 e o que ia acontecer teria repercussão mais tarde nos destinos do Brasil, que ainda não fora descoberto. A armada portuguesa de Vasco da Gama ancorara diante da costa baixa e emoldurada de palmeiras da ilha de Anchediva, a doze léguas de Goa. Das longas vergas e das inclinadas antenas das naus se desdobravam, secando lenta mente ao sol matutino, as lonas das velas em que a salsugem dos mares nunca dantes navegados esmaecera a cor vermelha das cruzes da Ordem de Cristo. Sobre o castelo de popa, lavrado de douraduras e eriçado de falconetes 1 de bronze, fundidos nos arsenais de Gênova, o almirante conversava com os capitães, olhando a faina de limpeza a que se procedia em alguns navios. No seu, a capitânea "S. Gabriel", contra-mestre e maruja preparavam as espias que deviam puxá-lo até a praia lisa onde morriam, sorrindo em espumas, as ondas do Oceano Indico, a fim de ser raspada a carena crostada de mariscos e algas na longa travessia dos mares tenebrosos. O vigia do "S. Gabriel" assinalou um barco ao longe que se aproximou, arfando sobre a toalha azul das águas debaixo da concha muito azul do céu. Era um parau que vinha de Goa, tangido pela sua vela pardusca de esteira. Encostou a nau. Um homem galgou o portaló e saltou no convés. Vestia-se de maneira hindu: mundaçó à cabeça, terçado à cinta, brincos nas orelhas. O nariz adunco se encurvava para os beiços úmidos e sensuais. Queria falar ao almirante a quem abraçou, como se usa no Oriente, com expansões. Curvando-se em salamaleques, disse em péssimo italiano que era cristão levantisco, viera muito criança para as terras do mouro Sabayo, senhor da ilha e da cidade de Gôa. Enquanto falava, seus olhos, miúdos e vivos, como os de um camundongo, espreitavam todo o navio, detendo-se, sobretudo, na artilharia, como a computar-lhe o número de peças e a força de cada uma. Vasco da Gama sorria na sua barba açoitada pelo vento. De repente: - Mestre! Um português moreno e seminu, de farta bigodeira, de braços peludos e atléticos, levantou a cabeça dentre us marujos que desenrolavam os cabos de cânhamo. E o almirante deu-lhe esta ordem: - Amarre este espião ao mastro e meta-lhe o calabrote! Num abrir e fechar de olhos, o levantino estava nu da cintura para cima, amarrado ao mastro grande, e um chicote de cabo alcatroado cantava-lhe nas carnes que se tingiam de sangue. - Eu digo toda a verdade! uivou o supliciado na sua algaravia. Os açoites pararam, o almirante aproximou-se e o homem disse a verdade: não era cristão nem levantisco; era judeu e natural da Polônia. Os azares de sua vida aventureira e errante haviam-no trazido à índia. O Sabayo mandara-o como espião, mas preferia servir aos portugueses. A armada do Sabayo era grande e poderosa, bem tripulada de rumens2 e bem provida de canhões venezianos... No dia 26 de setembro, a frota aos Lusíadas fazia-se de vela para Portugal e levava a bordo o astuto e inescrupuloso judeu polaco, "por ser de grande experiência e muito conhecedor das coisas da índia, o qual foi, mais tarde, batizado e recebeu o nome de Gaspar da Gama, sendo vulgarmente
1 2

Pequenas peças de artilharia. Soldados muçulmanos da India, mercenários leva_n tipos ou turcos, Cf. Alberto 0. de castro, "A cinza dos myrtos", pág. 193; Dalgado, "Glossário, Luso-Asiático, t. II, págs. 264 e segs.

3

Seus olhos vivos e espertos. de quem era estimadíssimo". Manuel. Batizado por Vasco da Gama. "de quem não se apartava". Este judeu conversava muitas vezes com El Rei D. de Almeida ou. 5 C. deu-lhe tenças. O judeu Gaspar da Gama fez toda a viagem de PedroÁl vares Cabral: Moçambique. quando as armadas iam em busca de terras desconhecidas. fê-lo cavalheiro de sua casa. que se referem pessoalmente a ele. muito se aconselhava com seu intérprete o judeu Hucefe. infelizmente. em coisas e negócios das índias. Por adulação e baixeza. Manoel". é um tanto escura. A vinda do judeu Gaspar ao Brasil está iniludivelmente comprovada pelas instruções dadas ao capitão-mor Pedro Álvares Cabral. o judeu Gaspar da Gama. quando a estrela do navegador se foi empanando ante a glória de Dom Francisco de Almeida. 3 Solidônio Leite Filho. pág. a corte manuelina assistia do eirado da torre de Belém a partida dos navios de Pedro Alvares Cabral. Vasco da Gama. O judeu Gaspar embarcara na nau do capitão-mor como língua e conselheiro. Entre as mercês. 24 e 25. assistiu a primeira missa celebrada por frei Henrique de Coimbra e ouviu a leitura da carta de Pero Vaz de Caminha. Na última dessas expedições.. 177. cit. Jerusalém e Alexandria. e lhe fez muitas dádivas e mercês. pág. "por amor de Viso-Rei. Manuel e que estragou. documentação que faça suficiente luz sobre o interessante assunto. tornou às índias em 1502 e 1505 com seu padrinho. A Vasco da Gama e outros almirantes portugueses. do meado do século XV ao começo do XVI. hoje diríamos intérprete e técnico.. não a uma cristã. Solidônio Leite Filho. o hebreu mesquinho abandonou o nome de Gama e adotou o de Almeida. olhos de rato fugido dos ghetos da Polônia. encontramo-lo com o nome de Gaspar de Almeida. Gaspar das índias prestou inestimáveis serviços3”. o poderoso Vice-Rei do Ultramar.. não seriam ilaqueados na sua boa fé de navegadores rudes e heroicos batalhadores pela lábia e a solércia do judeu polonês! Batizado.. o nome de família do seu padrinho. influenciavam as decisões dos grandes navegadores5. casou-se com uma judia. Francisco de Almeida. se desencadearam na Polonia contra os israeli tas. Veja bem como os Gama. Cochim. tomo I. op. op. Cananor. conservadas entre os documentos da Torre do Templo. Dois anos depois. Ao tempo do governo de D. o israelita tomou. pág. A história. os Cabral e os Almeida. Na índia. até o grande Afonso de Albuquerque. filho do Corregedor da corte de D. "Lendas da India". A documentação do resto do capítulo está em Gaspar Corrêa. referida pelos cronistas. tomo II. viram o nosso Brasil no primeiro dia de seu amanhecer. "Lendas da India". mas a uma israelita ferrenha. enviadas de Lisboa para a India. Leite & Cia. 25. Melinde. O episódio mostra como os judeus secretamente. sem cerimônia. tendo alcançado às Índias. porque lhe havia dado "muita informação das coisas da India". Fugido às perseguições que.. EM HEBRAICO. como era de praxe na época. Não há. Ao lado de Pedro Alvares Cabral. na judiaria. mas. Segundo o autor das "Lendas da índia". depois de viver em. A tola confiança do cristão no judeu é que permite a este dar os seus botes. da arca de biblias. 4 . Gaspar Corrêa. cortara as gadelhas reveladoras de sua procedência e afundara-se no Oriente. Manuel. sua conversão era tão sincera que se unia. pág. pág. 27. conforme depõe Gaspar Corrêa. o rei Dom Manuel noel recomendou que ele servisse com Pedro Alvares Cabral. ordenados e ofícios. "A sua voz (do judeu Gaspar) foi sempre acatada nos conselhos dos capitães". das índias. por mando deste. manobravam nos bastidores da governação das Indias e até faziam proselitismo e propaganda religiosa através do próprio Corregedor da Corte magistrado cuja maior atribuição era perseguir ao judaísmo. declara um panegirista dos judeus4. que folgava de lhe ouvir falar sobre as coisas da índia. 4 Solidônio Leite Filho. simplesmente. "Crônica d'E1 Rei D. talmudista praticante.conhecido por Gaspar das índias. Foi ela quem fez com que os judeus das sinagogas hindus comprassem as bíblias hebraicas que vendia Francisco Pinheiro. cit.. avistou o vulto azul do Monte Pascoal nos longes do horizonte. vestida de luto. os grandes apelidos da nobreza lusa. 32. de acordo com o costume em má hora instituído por D. segundo Damião de Góis. a indiada nua e emplumada de cocares. o doutor Martim Pinheiro. afirmamos diante dos fatos. 1923. contemplou a terra virgem e dadivosa. decerto cristão-novo ou cristão judaizante. "Os judeus do Brasil" ed J. "grande letrada na lei". Calecut.

. J. Mônica da Companhia de Jesus do Estado do Brasil". dia de São João. em 1503 associado a outros cristãos-novos. se quisesse plantar.Terra de Santa Cruza título que depois converteu a cobiça dos homens em Brasil. Os marujos deram-lhe o nomé de São João devido à data do descobrimento. grifando suas afirmações mais importantes: "Talvez por seu intermédio tivessem os israelitas percebido. Esses navios poderiam levar qualquer produto para a metrópole sem pagar o menor imposto. do Globo. pois conhecia. págs 36 e 37. Os israelitas mudaram-no. Sr. ao Brasil que examina em primeira mão. Aprende-se unicamente a aparência da história. 1765. aqui e ali vestida de vegetação luxuriante. a cuja frente se achava Fernando de Noronha. 1877. M. da mos a palavra ao panegirista dos judeus. Lisboa. Manuel o Venturoso e de dar hábeis pareceres. Pérsia e India. Rio. com Cabral. para explorar ou descobrir trezentas léguas de costa para além dos pontos já conhecidos. com certeza. que continuava dentro do sortilégio. Manuel. mal findara a viagem redonda de Cabral e com eles conversara seu irmão Gaspar das Indias sobre as riquezas da nova terra? O judeu Fernando de Noronha e seus sócios haviam arrendado o Brasil a D. que pouco impressionara o ambicioso espírito do Afortunado monarca português. Lopes. no mês de maio. 7 Simão de Vasconcelos. Navegação feliz. Vejamos como sabiam perfeitamente. quando as naus portuguesas lançaram ferros. A 24 de junho. mais tarde. daria tudo. mas informou os cristãos-novos. que é o melhor meio de ocultar a sua essência. Fernando de Noronha. por si só. Aos meninos e rapazes somente se mostra o palco e ninguém se lembra de levá-los aos bastidores. Como e por que vinham tão cedo. as equipagens de Pedro Álvares Cabral descem à terra para cortar lenha e pela primeira vez o machado dos civilizados retumba nos troncos das virgens florestas do Brasil. A 28 de abril de 1500. o verzino colombino de Ceilão. Nada disse à Cabral nem ao Rei. J..contentes do nome de nutro pau bem diferente do da cruz e de efeitos bem diversos". o judeu procurou entender-se com os silvícolas. adere aos lusos que o chicoteiam. 9: ". Não é claro como água?. um judeu aventureiro da Polônia. de Macedo. Gabriel" e a água lustral do batismo? Por esse preço pagou o direito de assoprar informações ao ouvido de D. Pelo contrato de arrendamento. logo aceitos. os judeus deviam mandar todos os anos seis navios ao Brasil. casa com uma judia talmudista e vem. Estes grifos auxiliam a clara visão do primeiro capítulo da história do Brasil. Ele não sonha nada. batiza-se. os indenizaria das despesas6. como prático das coisas do Oriente. a fim de que se possa enriquecer com os produtos que afloram por toda a vasta extensão da Terra de Santa Cruz. Sabiam eles PERFEITAMENTE que o comércio do pau Brasil. recorrendo às línguas e dialetos que aprendera no Oriente. o judeu Gaspar descobriu o pau-brasil. nos "conselhos dos capitães". Cf. apanhado por Vasco da Gama em flagrante delito de espionagem. na qual. Na verdade. Arábia. seus irmãos. ou inspirados por judeus mais adiante mudará a Terra do Brasil7 (7). que um esforçozinho de cartógrafos e cosmógrafos judeus. Mas compreendeu o que poderia valer a nova terra. pôs a capa sobre uma ilha penhascosa. cujas atenções estavam inclinadas para as riquezas da India. para o do próprio armador e comandante da frota. pág.. ed. como anunciava o escrivão da feitoria de Calecut embarcado na Real Armada. Que lhe importam os açoites amarrado ao mastro do "S. olha praticamente a vida. 261. A. tributo ou finta. pág.Em Porto Seguro. que tomara este nome fidalgo com a mesma desfaçatez com que o judeu polônio tomara os de Gama e Almeida. "Efeméride Histórica do Brasil". tão diferente do que nós aprendemos nas escolas. 5 . onde os atores mudam de vestimenta e estão à vontade. equipara uma frota e saíra do Tejo. fincando um forte no extremo em que tocassem. de praias brancas. rumo ao oeste. XXXII. F. Cit. desde logo. a importância do novo descobrimento. Compulsemos Capistrano de Abreu em suas notas a Varnhagen e este em suas notas ao "Diário de Navegação" de Pero Lopes de Souza. sonham epopéias e conquistas. O cristão-novo Fernando de Noronha. no 6 Op. "deslumbrado com as maravilhas da Ásia". Sua raça continuará a hipnotizar os lusos na conquista. navegação e comércio da Etiópia.. arrendar a terra havia pouco descoberta. Aproveitando-se desta opinião conseguiram alguns cristãos-novos. Não se fez entender nem entendeu patavina. calcula todas as vantagens materiais. Os portugueses estão hipnotizados pela India.. no ano da Graça de 1500. Tip. Para não sermos taxados de fantasista ou parcial. toma nome fidalgo. Nesse corte de madeira. Solidônio Leite Filho.

No palco: a armada de Cabral com as velas pendentes em que o sol empurpurava as cruzes heráldicas... na corte.primeiro ano. com efeito. usando a epopéia da navegação e o poema do descobrimento para a fundação trivial de um monopólio de anilinas. a cruz nos punhos das espadas linheiras que retiniam de encontro aos coxotes de aço fosco. que em 1511 veio ao Brasil carregar o pau. graças às informações levadas pelo astuto judeu que Vasco da Gama açoitara e conduzira à pia batismal. a propagação da Fé e a dilatação do Império que a gesta dos Lusíadas cantaria com o ritmo do rolar das ondas. 267.. pág. em verdade. No dia 24 de janeiro de 1504. a coroa portuguesa alienava uma parte do Brasil. era de três anos8. apagando o nome da Cruz com o nome do pau-brasil. vol. como que importava mais o nome de um pau que tinge panos que daquele pau que deu tintura a todos os sacramentos por que somos salvos. no segundo. Era. inspirados pela sinagoga e pelo kahal. os nomes de Vera Cruz e Santa Cruz impostos a toda a nova região americana: o idealismo cristão.. 19. sua renovação ou prorrogação. 8 9 Piero Rondinelli. segundo Muratori e Marco Polo. I. o judeuzinho de Goa. 11 Solidonio Leite Filho. os judeus obtinham o monopólio do negócio. o cristão-novo Fernando de Noronha. o sentidõ cristão da vida. 3Q pa. Neste primeiro capítulo da nossa história. dando-a de mão beijada a um judeu traficante do pau-de-tinta. Além da prorrogação. II. Rio de Janeiro. ed. diante da qual um frade diz a primeira missa. 10 Melo morais. ou verzino. os Cristãos-novos e israelitas do seu consórcio comercial. dois anos após o descobrimento10. foi armada e despachada por Fernando de No ronha e seus amigos11. pois que o rei se obrigava a não permitir mais o "trato do pau-brasil com a India". não tinham sido de desprezar.. origem dos primitivos latifúndios. O prazo de arrendamento. O descobrimento do nosso País. "Raccolta Colombiana". "História Geral do Brasil°.. tivera como resultado a formação. Desta sorte. em troca do pagamento anual de quatro mil ducados. op. 1867. o que indignou a João de Barros 12. 427432 "Diário do Pero Lopes". 6 . um padrão cravado no solo virgem da terra descoberta em forma de cruz. Terminou o prazo de arrendamento da costa brasileira em 1506. de um TRUSTE DAS ANILINAS. D. o heroísmo cristão. se vêem o palco e os bastidores. idem.o Brasil em capitanias hereditárias muito antes das primeiras concessões de sesmarias. Naturalmente. "0 descobrimento do Brasil". que era o monopólio do comércio da madeira tintória. Fernando de Noronha agenciou. ganhando o ouro à custa do esforço e do sangue dos outros. 121. te. manobrando os cenários e arranjando as vestiduras. 37: Leona_r do de Chade Messer in "Livro comemorativo do Descobrimento da América". batendo a costa até o Cabo Frio. pag. Mônica do Império do Brasil". 1ê ed. págs. idem. da Academia de ciência de Lisboa. o que deixa ver que os lucros auferidos no comércio da madeira de tinturaria. João a Fernando de Noronha. do Oriente que vinha o pau-detin ta. pág. a cruz nas bandeiras alçadas. 0 primeiro carregamento foi levado logo em 1503. 1879. A famosa nau "bretôa". antes de dividindo. pagando um sexto do valor. e um quarto no terceiro. como se vê. Nos bastidores. único no amanhecer da vida brasileira. Solidonio Leite Filho. João III em 3 de março de 1522. cit. Capristano de Abreu. a cruz erguida na praia. encarada por um método novo e verdadeiro. para empregar a linguagem moderna. berzi. 12 "Décadas". Varnhagen. obtendo-a por dez anos. que era a anilina daquele tempo. a qual foi confirmada por D. Manuel fez doação da ilha de S. pág. realizando o lucro à sombra do idealismo alheio. desde que o sapang de Java é Ceilão fora corrido dos mercados europeus.. senão isso? tan to assim que os navios do consórcio Fernando de Noronha carregavam por ano de nossas matas litorâneas a bagatela de "vinte mil quintais da preciosa madeira"! 9.

permitindo o próprio meio. guardando a lei de Moisés20". os Nunes. mas. Continuaram. "História do Brasil". 1929. 20 Solidônio Leite Filho. "Não admira. Houve somente visitações e quem lê seus processos fica assombrado da persistência do judaísmo nos marranos convertidos e que viviam dentro da religião católica com o simples fito de auferir vantagens. 0 historiador diz adivinhara. Duarte da Costa. os Calaças. "Os Judeus no Brasil Colonial" in "Os judeus na História do Brasil". merecendo as penas inquisitoriais21. os Bravos. 17 Chamberlain. à custa de bugigangas dadas ao índio. revoltantes. 42 carta de Américo Vespúcio a Pedro Soderini. do vendedor de livros judeu Uri Zwerling. 7 . os Valadares. sem grande trabalho. Francisco de Chaves. até mesmo a facilidade da fuga e da ocultação. o cristão-novo Afonso Mendes. Seu instinto mercantil adivinhara15 as riquezas naturais do Novo Mundo. "Aconteceu que os judeus foram obrigados a emigrar. falsos. pág. nos primeiros tempos. os Rabelos. Em 1503. como rezam os documentos coevos. O número e a influência dos cristãos novos impediram o funcionamento da Inquisição entre nós. 13. para o Brasil.CAPÍTULO II O empório do açúcar Passaram-se muitos anos antes que a coroa portuguesa desse fé do Brasil. Aliás. 1922. 1925. antes de morrer pediu que lavassem e sepultassem o cadáver segundo os ritos da sinagoga. pág.18. 15 O grifo é nosso. João Ramalho. cit. o próprio misterioso Bacharel de Cananéia aquele castelhano que vivia no Rio Grande do Norte. entre os Potiguaras.. porque não se lembrou do espião Gaspar da Gama. 21 Vide "Primeira visitação do Santo Ofício às par tes do Brasil" pelo licenciado Heitor Furtado de Mendonça. com os beiços furados como os deles. os Castros Boticários.. onde. Rodolfo Garcia22. que as famílias hebréias tivessem emigrado para a América Portuguesa. os Teixeiras. o Santo Ofício não os inquietaria 16". D. que veio para cá no tempo do segundo Governador-Geral. esse sistema vem do fundo dos séculos: em Roma. págs. coitado! aceitou o que lhe quiseram dar ea obra é um repositório de documentação anti-judaica. "Livro de Centenário". 1933. pois. Editora Nacional. Fechavam-se os olhos sobre muita coisa19 (7). e tantos outros 13 14 Solidonio Leite Filho op.Em todo o nosso vastïssimo país. confluentes. ed. profluentes. viviam na mais absoluta tranqüilidade. as leis eram. açoitados por uma perseguição feroz (1506). milhares e milhares de quintais de pau-brasil."Die Grundlagen desneunzehnten Iahrhunderts". afim de poderem. os Mendes.. à vontade. Esse pensamento repete-se de tal modo nos historiadores filo-judaicos que somos forçados a admitir o propósito por parte dos judeus em conservar as atenções voltadas para outro lado. os Ximenes. não existe um único convento de S. ed. Monarca e povo "tinham os olhos ofuscados pelos resplendores das predirias do Oriente13". informações à sinagoga lisboeta. acha que "O Caramuru". Tanto assim que a ordem dos Dominicanos. Teriam aqui tranqüilidade e segurança. No Reino. fictos. op. da Cia. ed. 14 e 41. impenitentes.. 12. os Cirnes. 78. melhor defesa para os acusados. os Montearroios. e faleceu em 1567. I. cit. 19 Cf. em 1501. às escondidas. os Cardosos. pág. os Sanches. os Peres. naturalmente. negativos e pertinazes". João Ribeiro. o pau-de-tinta já estava sendo carregado! 16 Pedro Calmon. pag. de Paulo Prado. Citemos dois exemplos elucidativos dessa persistência: o cristão-novo Jorge Fernandes. Paulo. S. vindo com Mem de Sá. açoitar o crucifixo. cit. diminutos. 22 Loc. convictos. produtor de tintura. Vieram. 10. "História da civilização Brasilei ra". simulados. pág. Domingos. interpretadas com maior benevolência e liberalidade. os Siqueiras. à qual estava quase sempre afeto este tribunal. muito ignorante. os Antunes. já havia os cripto-judeus ou judeus ocultos17 . variantes. as Ordenações puniam com rigor os cristãos -novos judaizantes. que veio reconhecer a terra e levou. os Coutinhos. Até freiras claustradas judaizavam. assim. ou de canafístula produtora de mirra14. 46. livres dos tribunais do Santo Ofício. 39. os Guilhens. os Diques. como de preparar uma espécie de refugio para a sua raça deste lado do Atlântico. Este isra_e lita fez o livro como propaganda judaica. os Barros. nunca logrou estabelecer-se no Brasil. Num país bárbaro em vias de colonização. não só tirar. costumava. Anos e anos deslizaram sobre mui tos deles sem lhes abrandar a impenitência talmudista. 18 Rodolfo Garcia. os Rodrigues.

26 Pedro Calmon. distribui povoadores. quando assira. o judeu Francisco de Chaves. 34. pags 83-84. Manuel. que diz: "Na guerra sê o último a partir e o primeiro a voltar". para trocar tiros mortíferos de bombarda e arcabuz de navio Onavio. Todavia. cit. aportavam às nossas plagas duas vezes por ano traziam somente judeus e degredados. por exemplo..escreve seu panegirista 25 . Dieppe. "os navios que. Eis porque. enviados pela coroa portuguesa."Foi graças aos israelitas . Para comerciar e lucrar. quem sabe. Cristovam Jaques vem com dois navios policiar a costa e fundar uma feitoria em Pernambuco. Em cananëia. Corunha e outros portos para a Terra dos Papagaios. cf. em breve. Vede como João Ramalho. era preciso.seriam. San Lucar. da qual só discordamos quanto a Caramuru. o judeu segue o preceito do ïalmud. Ele. reaviva o vestígio do domínio de Portugal. Enquanto isso.desconhecidos . Peragalo. mas se deixava influenciar pelos conselheiros hebreus. 40. 8 . grandemente. colonizadores espontâneos das terras de Santa Cruz". encontra servindo de li gua ou intérprete. por via da proibição do comércio do pau-de-tinta com o Oriente. Saint-Ma lô. Não era mais unicamente o judeu luso que exercia a função comercial de brasileiro. 25 Solidonio Leite Filho. espa nhóis. batendo-se contra os corsários que estavam prejudicando. a solicitavam. Nela se faz a primeira experiência do plantio da cana-deaçúcar. op cit págs 13-15. Isto confirma a suposição de Rodolfo Garcia. "a cobiça dos corsários europeus". ou saltar de terçado em punho nas abordagens furiosas a bordo do barco inimigo. ficava com todas as despesas. (14) Idem. riqueza que. Era vendido em Flandres por dois e meio a três ducados 24. com os quais se formou o primeiro núcleo de população23". que vinham de Honfleur. 0 rei observou também "os esplêndidos resultados colhidos pelos hebreus em prejuízo do erário (14). Naquele ano. bem como assecuratórias do comércio do pau-brasil. Com efeito. os lucros opimos do kahal. compreenderam que era necessário reagir contra os piratas audazes. por meio ducado. Os hebreus a desviaram. Desde mais ou menos 1516. em São Vicente. no balanço das ondas. Cada quintal de madeira posto em Lisboa. a perceber a importância da Terra de Santa Cruz". como que demonstra o espírito profundamente católico do marido. os sócios de Fernando de Noronha e ele mesmo. naturalmente. sobretudo diepeses e maloínos. ba te a costa até o Prata e traça o primeiro contorno políti co da colônia26. que perseguia o judaísmo. pág. cit. Outros a disputavam: franceses. arribaram as abras e enseadas. Seus barcos percorreram a costa. o judeu 23 24 Solidônio Leite Filho. pág. op. começou a tomar medidas nesse sentido. "Memória do Centenário". agora. ia servir para defender os ino Gentes cristãos-novos que ganhavam o mínimo de dois ducados em cada quintal de pau-brasil. e. habilmente con seguido por Fernando de Noronha e seu grupo. cujo empório enriquecia aos judeus e marcava o segundo período da história colonial. se obstina em não praticar o culto católico e entra em luta contra os padres da Companhia de Jesus.. alemães. entre eles. de certo. levando-o a só dar tento aos negócios da Índia. op. vai suceder à da extração da madeira de tinturaria. muitos judeus dessas procedências. como expelir aos piratas que prejudicavam o futuroso negócio da tinturaria? Era preciso apelar para o rei Afortunado. comercializando com o gentio e carregando o Brasil. desse número de judeus. o soberano voltou sua atenção para o Brasil. ingleses. Aí. mas. no meio dos goianases. entre os quais o sabido Gaspar da Gama. Povo eleito para tudo. logo. Manuel quanto ao Brasil. Em 1530. Lucro formidável! Esse lucro atraiu. Sombart "Oie Juden in des Wirtchafts'eben. pág. 40. vivia de alimentar a desatenção do rei D. considerada res nullius.. o que não se dá com os cristãos-novos. A religiosidade de Paraguassu. os judeus do grupo Noronha estavam sempre prontos. eles absolutamente não tinham sido feitos. O monopólio da madeira de tinturaria. a qual floresce. e decidiu a colonização do novo país.. sua mulher. O ciclo da indústria extrativa vai desaparecer e será substituído pelo da indústria açucareira.que Portugal começou já nos últimos tempos de D. Era chegada a hora de entrar em cena o cristãovelho -a fim de derramar seu sangue. sem dar por isso. Martim Afonso de Souza dá caça aos corsários franceses. menos para a luta armada. o consórcio judaico ia se enchendo de ouro.W.

Isaque Izeckson. pág 41. IX pág. Aí se lançam os fundamentos de uma verdadeira colônia. a primeira que se construiu à boa maneira portuguesa27". págs. pág. "Bastaria para demonstrá-lo o ódio que sempre teve pelos jesuítas. desse ponto de vista. 5. No século XVI. 114..João Ramalho. sem apresentar. seu auxílio era. toda tentativa de estabelecimento. como Duarte Coelho. Vicente. tendo um dos donatários contra tado com judeus laboriosos a montagem de engenhos em Pernambuco. precioso e necessário31". a altos funcionários do Reino e outros. na sua maioria. "Não podendo recusar trabalhadores. o Brasil iria ser o verdadeiro instrumento dessa revolução. cit. os favores concedidos às demais. in "Almanaque Israelita do Brasil". favorecia-se com os meios necessários a quem fosse capaz de dar prin cípio a engenharia de açúcar28. Aires da Cunha. mantendo contra eles uma luta incessante. Martin Afonso. como a ilha de S. em Pernambuco. Até o achado do caminho das índias. "História Geral do brasil". O exemplo de João Ramalho é. achando que se tratava de um traço sem sentido. senão impossível. O mesmo autor destas linhas. porém. porém. João III prossegue no intuito de povoar é colonizar o Brasil. Já nas ilhas de S. Em 1530. Dois deles meteram ombros à empresa e suas capitanias progrediram: Pernambuco e S. portan to. 5695-96. o açúcar era raro e caro. D. 30 Varnhagen.. Pero de Góis e Vasco Fernandes Coutinho. Morto D. o do capitão Pero Capico. do seu antecessor. aí encontraram. que é judeu32. pelos portugueses. vindo durante os trinta anos em que o governo português as deixara em quase completo abandono. 13. trazido e distribuído pelos venezianos. op. Solidônio Leite Filho op. cit. Outros abandonaram as doações. cujas últimas cenas ainda estão se desenrolando em Cuba. 41-42. Além de fazer várias doações de latifúndios a fidalgos ilustres e de confirmar outras. Para a colonização das capitanias. cit. outros afirmavam o contrário. A coroa dava licença a quem quisesse tentar fortuna no Brasil. 32 Dr. a homens ricos. Manuel. As populações européias. Grande número de historiadores negava-lhe todo valor. pág. Cabo Verde e da Madeira se cultivava cana. acrescenta: "Mas o que confirma incontestavelmente a origem judaica de João Ramalho deu origem a inúmeras controvérsias. o que naquela época de fanatismo e submissão ao clero era de estranhar". Quando os capitães-mores chegaram às suas terras. o mais concludente possível. um galeão francês não arrasou o primeiro engenho de açúcar da América. Só os ricos conheciam o açúcar oriental. Imagine-se a revolução econômica produzida pela entrada à larga do açúcar nos mercados em que antes não aparecia. o pouco açúcar que chegava à Europa vinha do Oriente. o que não era coisa fácil pois os piratas costumavam destruir o que podiam. os capitães-mores estenderam às pessoas de origem hebraica. 14. Tomé. exercendo grande influência sobre o gentio. fundado em 151629? A fazenda real não se podia consumir nesse serviço e por isso largava em mãos dos concessionários todo o peso da colonização. João ao cristão-novo Fernando de Noronha. com a condição de pagar-lhe o quinto dos produtos. Esses feudos de cinqüenta a cem léguas de litoral foram concedidos e escolhidos capitães cobertos de serviços. No princípio deste século foi publicado um trabalho 27 28 Idem pag. Varnhagen. Fernando Álvares de Andrade. "Antonio José da Silva" in "Revista do Instituto Histórico". Pero Lopes. dividiu o imenso território em doze capitanias hereditárias. na mão dos judeus. trouxeram algumas famílias israelitas30. Qualquer perseguição contra eles provocaria o ódio dos índios. 9 . Fundados nos privilégios excepcionais que lhes davam doações e forais. a Casa da Índia fornecia instrumentos de lavoura a quem desejasse ir povoar a nova terra. contentavam-se com o mel das abelhas para suas comidas e bebidas. 31 Solidonio Leite Filho. op. 1935 pág. "A contribuição judaica na formação da nacionalidade brasileira". deixou o governo real povoação e defesa das novas terras e dos estabelecimentos que montassem. Ainda outros apelaram para os judeus ou lhes venderam suas terras. argumentos convincentes. 145. o que tornaria dificultosíssima. vários cristãos-novos. vol. como Pero de Campos Tourinho. A cargo dos donatários das capitanias. como Jorge de Figueiredo Correa. Antônio de Barros Cardoso e João de Barros. 29 Pedro Calmon.

isto é. do mesmo modo que a vimos no Norte. Buenos. plural de "cohen" (descendentes de Aarão. As duas capitanias que prosperavam. apesar de isolado num mundo distante. como neles não invertera as somas que os cristãos haviam perdido. etc. por terra. João Noronha e Manuel de Almeida. apesar de não se prender bem ao caso. na medida do possível. Mostra ainda essa página judaica seu racismo até em relação ao gentio. infiltrados no próprio cerne do catolicismo. mais tarde. eles se apoderariam delas. O cohen que por qualquer modo infringe a religião não pode ser considerado puro e não tem direito a usar o Tzedek. em Pernambuco. Costas. No ano de 1581. do mais puro sangue. Diogo Lopes de Vargas e Duarte Henriques. cabalmente."cohen tzedek". após mil tormentos. um "cohen" simples. o ódio ao missionário jesuíta catequizador do indígena. 10 . porém. 34 A obra de Argeu Guimarães intitula-se: "Os cristãos-novos portugueses na América Espanhola". Ora. pela traição.em que o Kaf de João Ramalho era apresentado como um signo esotérico. que então era rigorosa em Portugal. simplesmente. que só tinha direito a assinar com o Kaf. agiria. mas preciosa. as lavras. Trata-se de um Kaf. não pelo estilo. seus lucros teriam de ser muito grandes. acrescentam. com os recentes estudos do Sr. examinar a terra e ver o que nela havia de mais facilmente aproveitável . na maioria judeus eram até denominados peruleiros34. sacerdotes hereditários do povo judeu). Mesquitas. diretor deste almanaque 33. que é a São Paulo de hoje. cohen puro. do "Diário Oficial". sim pelo documento que representa. Ben Israel demonstra que todo judeu pertencente a estirpe dos "cohannin". portanto. limitar-se a assinar com o kaf. Ele não foi. que é horrível. em 1605. S.o 33 "Almanaque Israelita do Brasil": O trabalho sobre o Kaf de João Ramalho a que o autor se refere com essa fingida displicência é o erudito volume de Horácio de Carvalho "0 Kaf de João Ramaïho" tip. um Kaf e um Tzedek. os preceitos de sua religião Com isso fica afirmado que o movimento inicial para a formação da grande metrópole. vide "Diálogos da Grandeza ". que o judeu queria tão somente escravizar para explorar-lhe o trabalho. tornando-se. Gregório Dias. à sua assinatura duas letras hebraicas. pág. com prefácio de Teodoro Sampaio . porém. Sobre os peruleiros e o tráfico da prata. Manuel Batista Pires em 1639. A citação é um tanto longa. cabalístico. Vinham aos milhares Lendo a obra de Argeu Guimarães. Perdido o capital inicial. o único. Assim. Vemos por ela a infiltração judaica no Sul. Ben Israel. Tangidos pela inquisição. Vicente. não deixa de cumprir. Eis como se explica a falência dos primeiros edificadores de engenhos. inúmeras famílias judaicas ou cristãs-novas.". com o ouro: o bandeirante audaz descobriria. 1903. ainda hoje. Não se vá pensar que o judeu entrou com entusiasmo na indústria do açúcar que nascia. que João Ramalho era um judeu. iniciais das duas palavras: "cohen tzedek". Paulo. João Ramalho. a filha de Tibiriçá. Nos primeiros séculos da nossa história. Diogo de Andrade. Entre outros. São de origem judaica os Pintos. e levados à fogueira. O sr. Deve. que é hoje o sobrenome de muitas famílias israelitas. verifica-se o perigo social que representavam. depois. Os homens que se ocupavam dessa espécie de contrabando de metais preciosos. 37 e 144. como então se chamavam. vieram estabelecer-se na Paulicéia. chamavam logo a judiaria. subindo ao planalto piratiningano. Silvas. com o Peru. foi um movimento promovido por um judeu. da Academia Brasileira. como a maioria dos judeus daquela época (!). O Sr. através de S. É uma obra admirável que revela os segredos da cabala judaica. ed. tão consciente de seu judaísmo que. infringira as regras da proibição (que racismo!) e tinha deixado de ser um cohen puro. a persistência dos ritos e dos estudos cabalísticos. porque os mesmos praticavam o judaísmo: frei Alvaro Rodrigues e frei Antonio Osório da Fonseca. Destas duas letras formou-se até um nome: Katz. Do mesmo modo que veio na sombra dos descobridores. o judeu adquiriu os engenhos abandonados e. em Lima. um verdadeiro Kaf sem sentido cabalístico e esse Kaf demonstra que João Ramalho era judeu. A América meridional era um ótimo refúgio para os judeus convictos e para os disfarçados. que tinha casado com uma gentia. houve um grande comércio de ouro e prata.o pau-brasil esperou que o negócio do açúcar fosse desbravado por outros até chegar a um bom ponto. Muitos peruleiros judeus ou judaizantes foram pilhados pela rigorosa inquisição espanhola. Israel demonstra. Salgados. Castros. Hoje. Pereiras. a Inquisição queimou em Lima dois padres portugueses idos do brasil. Toda a história do Brasil é assim: uma aparência . Baltazar Rodrigues de Lucena e Duarte Nunes. podemos afirmar que a questão se acha ple namente esclarecida e pela afirmativa. viria indicar que João Ramalho era um estudioso da Cabala. o que. em 1600. em 1625. pois.

"Na Bahia Colonial". A lavoura da cana era feita. "Nobiliarquia Paulistana".vencendo todas as dificuldades 39. que tudo perdeu . que adquiriu a capitania ao seu dono. negaceando. pelos índios escravizados. O judeu não é nem agricultor nem guerreiro. que. Assim. Lucas Giraldes. quando Martim Afonso de Souza se associara ao holandês Erasmo Schetz. Um filho de Erasmo. 303. 39 Pedro Calmon. começou dois engenhos. Escragnolle Taunay. cujo engenho sessenta anos mais tarde valeria quatorze mil ducados36. O Rei o enobrecera com títulos e senhorios. o hobereau. O fidalgo-agricultor. diz o imparcial João Lúcio de Azevedo. separata da "Revista do Instituto Histórico Brasileiro". inverteu a riqueza qrangeada na India em engenhos poderosos. 37 Pedro Calmon. dos cristãos. o que os reis costumavam fazer com seus ecônomos judeus. Vicente. ed. A sua sombra caminha agachado o judeu. . do mameluco e do brasileiro. 38 Capistrano de Abreu.. I. op. uma realidade . 76 e 77. o gentilhomme-compagnard. buscar homens práticos. Ferrind Donnet. Vasco Fernandes Coutinho donatário do Espírito Santo e homem opulento. O açúcar começou a criar para o judaísmo negócio novo e lucrativo: o tráfico dos negros. Erasmo & Filhos. um quilo de açúcar valia 2 mil réis no porto da Bahia. pags. ligado profundamente à terra pela tradição. Erasmo comprou as partes da capitania de 5. ou porque não se antecipara aos trabalhos um reconhecimento da terra e sua efetiva ocupação.fracassaram todas as empresas de grandes cabedais. o caminho do perú. i. Os agricultores e os guerreiros. tem um sabor de titulo nobiliárquico. e tan to foi roubado pelo feitor (que depois se estabeleceu no Recôncavo com engenho próprio) como pelos Aimorés. de Escragnolle Taunay. igualmente mandou construir vários engenhos que pereceram. Vicente". "História da Civilização Brasileira". e de tal forma lhes atacou o gentio. 230-1. transmitido até nossos dias. o duque de Aveiro. progrediu admiravelmente em duas capitanias: Pernambuco e S. Pedro Calmon. Vejam o quadro dos desbravadores. págs. esperavam em Lisboa o seu provento. Vicente de Martin Afonso e do piloto Francisco Lobo. 36 "Publicações do Arquivo NacionaV. Valia a pena vencê-las. explorando as obras do idealismo alheio. Tinham casa bancária em Antuérpia sob a firma Erasmus ende Sonen. 18. Os engenhos eram movidos por água ou por bois. 200. 1914 creio que há um certo feitor judaico nessa dinastia de homens de negócios. Cf. buscando o proveito de suas conquistas com o maior e menor risco possíveis.. nota a Porto Seguro. "preço fabuloso para época". Rio de janeiro. Os filhos de Gaspar manejavam cabedais em Bruxelas. É o nome usual de senhor de engenho. João III via com bons olhos essa nova fonte de riqueza ultramarina e mandava passar ao Brasil vários lavradores de cana das ilhas da Madeira e Cabo Verde37. encabeçando todas as iniciativas com sua coragem e seu idealismo. Gaspar Schetz foi tesoureiro de Felipe II nos Paises Baixos. para montar os engenhos38. O açúcar era negociado com os mercados das Flandres desde 1532. isto é. que comprou a capitania ao seu donatário. Os Schetz estavam ligados ao banqueiro João Venistre ou Wenix de Lisboa.. que gastou numa boa frota sua fortuna. em Ilhéus. D. 245. Em Porto Seguro. riqueza social de todos os países. no Reino.o utilitarismo oculto do judeu.início do desenvol vimento mundial do comércio . em 1549. vol. de fácil montagem. dos bandeirantes do açúcar. De acordo com a documentação reunida por Alcibíades Furtado em "Os Schetz da Capitania de S. Mão-de-obra abundante e barata. 35 Pedro Taques. que morreu sem lençol para mortalha. A indústria do açúcar. de mais fácil reparo e de custo relativamente baixo. teve-os demolidos pelos Tupinambás e acabou trucidado por eles". fez edificar oito engenhos. "História da Civilização Brasileira". à moda da Holanda. cit. Duarte Coelho é quem manda. Maquinário simples. nas canárias e na Galiza à sua custa. 1925. 19. pela alma e pelo interesse é encontrado sempre. técnicos.idealismo construtor do português. Em 1699. Rio de janeiro. pintado por Pedro Calmon35: " . Os lucros eram convidativos. pág. porém. no Brasil colonial. xiv. cap. São homens de prol os que iniciam o plantio de cana na Bahia. depois pela escravaria africana. 11 . Desgraça maior ocorreu ao capitão da Bahia. Imprensa Nacional. são os elementos produtores e construtores das pátrias. "Notes à Llhistoire des emigrations des anversois".que se aplicaram a explorá-los: ou porque os portugueses só sabiam trabalhar para si não para capitalistas. primeiramente.

que fugia à Inquisição peninsular. sob graves penas. continuaram a fugir para cá. "Na Bahia Colonial". 12 . mas conservando às ocultas a fé talmúdica. em 1567. mandou Tomé de Souza fundar a capital da colônia. praticando os ritos. depois dos judeus do paubrasil. fugira subitamente para a Holanda um vigário carregando as alfaias de sua igreja e. pags. Dia a dia. os grifos em toda citação são nossos. 47 Solidonio Leite Filho. A emigração israelita. ou do Brasil. Havia os "engenhos reais". A enxurrada judaica encheu o Brasil que amanhecia. os judeus do açúcar brasileiro. Os Paises-Baixos. D. João III47. pág. como Nova York hoje. em 1532. Duarte Coelho contou em Pernambuco com o auxilio daqueles capitalistas comissários43. "A invasão dos judeus". D.. surgida do seio do Mar Tenebroso! Dali vinha a madeira corante que tingia os panos flandrenses." pois estava a Bahia repleta de judeus. a primeira cidade e o primeiro governo resultam do comércio açucareiro. que inúmeras vezes se misturou ao sangue cristão. 44 Velha e conhecidíssima técnica. Outros se fundiram na consciência e na raça. pág. tomo I pág. talvez único no mundo inteiro. quer seja nosso. 19. mostrara o que era. Eles porém. capacida de de deformar todas as idéias. Vicente". judaizando. 45 Pedro Calmon. Assim se formou a nossa primeira aristocracia rural. atirando-se aos negócios de mascate. o papel do judeu como intermediário. em 1578. Em 1549. mas que conhece a documentação em que alicerça suas afirmativas: Os judeus que vendiam açúcar enriqueciam a termos de estender-se a cultura pelos Açores e Canárias. deve quiçá a maioria dos brasileiros os defeitos que lhes são apontados: falta de fixidez no caráter.45 Desta sorte. o que motivou uma representação da Inquisição ao poder real. que os judeus internacionais manobram das Flandres por meio de uma rede de crédito. criar uma economia. idênticos ao lagar do príncipe" em Portugal ou ao "moulin banal" da França. A esse sangue judaico.. A história precisa ser lida às vezes. febrilmente fomentada. 345. Frei Gaspar da Madre de Deus. a ocupar grandes organizações financeiras que teciam. inclinação a não levar nada a sério. indisciplina inata e pri-zer do despistamento. correndo à sinagoga". triplicava nos mercados flandrinos. A esse novo feudalismo não faltou até uma das mais comuns e interessantes instituições de caráter socialista da Idade Média: a banalidade. premido pelas necessidades de dinheiro para a infeliz jornada de Africa. Não houve melhor negócio na época e aos impulsos dessas cobiças resolveu João III dar ao Brasil um governo regular.-Taunay. ed. chegado. op. tantos e tantos séculos fora privada de coisa tão deliciosa. Pinta o quadro um historiador que ninguém poderá taxar de anti-semita. manifesto. Muitos judeus permaneceram puros até nossos dias. o número de israelitas crescia nos primitivos núcleos da 40 41 Edição da Academia Brasileira. 182. pág171 42 Data de longe o internacionalismo do capital judaico . Em 1714. ed. dependendo a sua pastelaria do mel das abelhas! Que estupendo país esta Terra dos Papagaios. entre as várias praças européias. depois de ter comprado aos herdeiros de Francisco Pereira Coutinho a capitania da Bahia. porque. fingindo-se mesmo de cristãos. que plantava sem ter engenho41. forçando o governo real a novos alvarás de mais rigorosa proibição. 46 As visitações do Santo Ofício citadas e o livro de Mário Sáa. eram a Judéia da época. onde pontificavam. Quanto segredo escondido! "Fundemo-nos todos em haver dinheiro. Gil vicente "Obras". Mendes dos Remédios. cit. de açúcar e de escravos. "Memória para a História da Capitania de S. exemplo raro.Diz o "Diálogo das grandezas" que o soberano o dava em cartas e provisões40. "Havia bem pouco. o viajante Frezler observa que a devoção religiosa na Bahia servia "para capear o judaísmo. uma vez ali. Estabelecido o Santo Oficio em Goa. quer seja alheio. é Deus verdadeiro". nas entrelinhas. Subrogavam-se nas responsabilidades do governo para intensificar. Taunay. O açúcar espalhava-se por toda a Europa que o consumia com avidez. O Brasil absorveu-os completamente. como diriam os inquisitores 46. 47-48. Dez anos mais tarde. João III proibiu a saída dos cristãos novos do Reino com mudança de casa e venda de propriedades. a rede de crédito 42. cit. op. demostram a permanência do judaísmo e do judeu dentro das populações de Portugal e do Brasil. O cardeal D. a corrente veio toda para nós. bifurcava-se para as Indias e para o Brasil. destinados a moer a cana da gente pobre. 43 É bem claro. Henrique revalidou os atos de D. depois de longos anos"de falsa devoção exterior. 33. cujo preço dobrava. Tantos milhares de hebreus se encaminharam para nossa terra que. pág. Dali vinha mais o doce. que lhes devolveu em altos juros os cruzados do empréstimo44. coisa rara. Sebastião revogou as proibições por duzentos e vinte cinco mil cruzados que lhe pagou o Kahal de Lisboa.

por assim dizer. Frei Vicente. soma respeitável para a época. consoante o velho hábito dos publicanos hebreus. o alvará de 4 de abril de 1601. 53 Pedro Calmon. Cf. cit pág. cit. op. É o que dizem os cronistas: Cardim. Mas isso ainda não é bastante para eles:precisam apoderar-se do empório. 3 a 4 mil Biblias em hebraico. Nas trevas. em carros enramados. Paris. pág.. no fim do século XVII. Em 1610. especuladores. era o único meio de vida 54. loc. observou o viajante Froger. 48. na Bahia. 52. em 1610. foram vendendo o que tinham e fugindo. Da Holanda se mandavam por ano. 20. loc. onde. apesar de batizada. Lúcio de Azevedo55 . e a bula papal de 23 de agosto de 1604. e tirar vingança dos soberanos peninsulares. diz outro viajante. Suas sinagogas. conseguido pelo Kahal a peso de ouro. pág. 271 56 Vide as acusações do judeu João Nunes: Largo de consciencia". segundo um viajante observador. Taunay. 13 . multiplicavam-se. fazer pesar sua mão-de-ferro sobre os ricos e senhores de engenho. 57 Pedro Calmon. o soberano revogou a licença de salda e estabeleceu a obrigatorieda os dos engenhos brasileiros. como já vimos que eram mandadas para a India. em Camaragibe. 1615. Pyrard de Laval. criaram no Brasil o Empário do Açúcar56. adorava trancãilamente. 49. "Na Bahia Colonial. pág. op.população. pág. para o Brasil. pág. natural de Viana. Mal se apanharam soltos. Havia-as em casas particulares. op. 50 Solidonio Leite Filho. As qrandezas do Brasil servem aos diálogos judaicos. os da colonia nascente e os da Holanda pelos seus Kahals. Assim. Para o Brasil e para a Europa. Eram todos como aquele Diogo Fernandes. que custou à judiaria um milhão e seiscentos mil cruzados. onde também fora empregado o cristão-novo Nuno Alvares. os judeus exploram essa riqueza como intermediários. unidos os de Portugal. Barlaeus. orgulhosos de sua linhagem e de sua crença. cit. a fortuna dos fidalgos e sua iniciativa. o desenvolvimento da indústria açucareira se tornou impetuoso53. Os portugueses da Bahia eram geralmente de raça judia. armadores. cit. Os 48 49 Rodolfo Garcia. 291. Indignado. o que documentam as denunciações do Santo Oficio. que o povo denominava esnogas. como feitor dos dízimos reais que o seu patrão arrematava. como a de Matuim. in Rodolfo Garcia. 18 52 Solidonio leite Filho. onzeneiros cruéis57. Como a indústria judaica de falência é antiga! Cf. dominá-lo completamente. cit. "por ventura o interlocutor Alviano dos referidos diálogos"49. O Brandônio dos "Diálogos das Grandezas do Brasil" era o judeu Ambrósio Fernandes Brandão. No reinado de Filipe III. me matéria de usura. antes dele. op. o número de familias judaicas no Brasil não cessou de aumentar52. Depois de caído Portugal sob o dominio Espanhol. quando veio a cobrança do que haviam prometido dar pelo alvará e pela bula. 51 Rodolfo Garcia. criminosos ou falidos. grandezas e luxo. o qual. Segundo os estudos de J. Nas primeiras décadas do centenário. pág. como a do cristão-novo Bento Dias de Santiago.. o Deus de Israel50. pág. ex-feitor do engenho sinagogal de Bento Dias de Santiago. cit. 54 Pyrard de Laval. op. permitiram aos cristãos-novos deixar as terras peninsulares e sair dos cárceres inquisitoriais. loc. pág. os judeus da terra iam celebrar o YOM KIPPUR e outras cerimônias do rito judaico"48. Havia-as nos próprios engenhos. Essa judiaria do primeiro século do ciclo de negócio do açúcar. que vimos contemporaneamente nos donos de seringais da Amazônia e nos fazendeiros de café . 17. nas luas novas de agosto. págs. fornecedores de capitais. o rei não conseguiu receber nem a metade. a produção de açúcar foi de 735 mil arrobas. Soares. 55 "Épocas de portugal Economica. cit. quando lhe diziam que chamasse por Jesus Oirava sempre o focinho e nunca o quis nomear51. na residência do cristão-novo muito conhecido Heitor Antunes. Por isso. bem como as de outros portugueses cristãos. das anilinas. arrancando precioso florão de sua coroa. eram na maioria. O trabalho braçal do escravo. o séculoXVII foi o do açúcar. Os preços subiam ao ponto de criar nos senhores de engenho esse delirio de gastos. "Voyages". pág580. na agonia. 49 Idem pág. no valor de 1500 contos. o século XVI fora o do pau-de-tinta. cit. 251. 79. a quem se referem os documentos.

3ª ed.. Frei Vicente do Salvador. estes imaginaram a organização de uma companhia-mercantil de conquista e empreendem a guerra de 1624-1654". pág. Quando a Espanha se colocou de permeio entre os engenhos do Brasil e os compradores flamengos. Pedro Calmon. terra do escravo que plantava a cana. História do Brasil. à firma embarcadora. 58 "A influência dos negociantes israelitas estendia-se ao engenho produtor. às praças consumidoras do centro e do sul da Europa. ao intermediário de Lisboa a quem era consignada a mercadoria. terra do açúcar.Estados Gerais da Holanda. e Angola. conquistando o Brasil. 36. 404. Que têm sido sempre o judeu senão o fermento desagregador dos impérios e das civilizações? Ele faltaria ao chamamento do seu destino. "Espirito da Sociedade Colonial Companhia Editora Nacional São Paulo. 14 . 1935. Cf. podiam iniciar a desagregação do império colonial luso-espanhol.. com expedições pagas e companhias organizadas com o dinheiro ganho com o próprio açúcar. regorgitando de ouro judaico58. se não tentasse abocanhar o empório do açúcar. pág. aquém e além Atlântico.

que os negreiros. alçando a cruz. o Brasil era o açúcar e o açúcar era o negro. os judeus haviam se especializado no comércio de escravos70. 1923. Florescia. Méias e Palavras". pois. 1917. André João Antonil. realizada a principio brutalmente. da agiotagem. tiveram como primeiros impulsionadores os judeus de Portugal68. exigia enorme massa de escravos61. 15 . da corrupção. "Die Grundlagen des neuenzehnten Iahrhunderts". 1904 pág. pág. que se exercia através de uma rede de créditos. D. da própria influência dos médicos. O suor do negro cimentava a riqueza do segundo ciclo da colonização. Assim. depois. prefácio. do exercicio dos cargos técnicos. ed. Vultura da Opulência do Brasil por sua drogas e mina V. cit. acabariam caracterizando toda a economia ultramarina62. Foi mais acesa em São Paulo. pela resistência. porque ali o sitio merecia melhor acolhida à imigração judia66. Paulo . 22 ed Schimidt.26: 59 60 Gilberto Freyre. tupi ou gé. Ali. Demais.. op. ao papel forçado de coolie a que o colonizador o queria submeter. "História da Civilização Brasileiro. 66 Paulo Prado. Taunay. presos à usura judaica. iam buscar do outro lado do oceano Atlântico. Está de acordo com o velho cronista Antonil que assegura serem os escravos pés e mãos dos senhores de engenho60. O horror à atividade manual e a instituição do trabalho escravo. Rio. Domingos do Loreto Couto. 64 João Lúcio de Azevedo. pelos alvarás e provisões das guerras de corso e pelas condenações ao cativeiro63. no seio das familias. segundo Gilberto Freyre. também enfeudados a Israel. prefácio. defendia o indigena e o aldeava. Cartas Régias Alvarás e Provisnes. 61 Gilberto Freyre. afirma documentado historiador de nossos dias59. Era inadaptável e indomável. e pág. curas e confessores69. O que estava de pleno acordo com o código judaico CHOSCHEN HAMISCHPOT. legalizada pelas famosas cartas-régias. da usura. "Os jesuítas no Grão-Pará 65 Op. cit. 135. com a vitória dos escravizadores. influência que contrastava até a dos capelões. É a mesma opinião que se encontra no Breve discurso sobre o estado daí quatro capitanias conquistadas": sem escravos. 196. da Biblioteca Nacional. ed. em 227. Mesagravos do Brasil e Glórias de Pernambuco. começou o emprego da mão-de-obra negra. XVIII. idem pág. desde os albores do ciclo do açúcar.. A luta entre padres e escravizadores foi longa e áspera. 67 Gilberto Freyre. pág. op. "História Geral do Brasil". 62 Pedro Calmon. A escravização do indio. O indio furtava-se pela fuga. infelizmente. O judaismo os manobrava e forçava a lançar mão do operário africano. pela selvatiqueza e pela própria morte ao trabalho braçal. 29. "Paulística". Rio. o catequizador. não satisfez as exigências de mão-de-obra para o plantio e moagem da cana. Ligados. do giro de fundos. desde o recuado tempo das monarquias visigóticas. 39. XII. Rio. os jesuitas eram "inimigos terriveis dos senhores de engenho65". Por isso. 69 Varnhagen. pág. 63 Gustavo Barroso. a da cana de açúcar. 70 Chamberlain.CAPITULO III O tráfico de carne humana DEPOIS de haver sido a terra do pau-de-tinta. Morria aos montões. No seu livro "O templo Maçônico. S. das alianças de sangue. pág. Começou em Piratininga com o judeu cohen João Ramalho e terminou. Monocultura latifundiária. o comércio de carne humana à medida que prosperava a Indústria açucareira.Rio. 1936. cap. pág. na quase totalidade hebreus. de clara o padre Antônio Vieira. 165. ambos caracterizadores das colonizações peninsulares. 69. cit. o maçon Dario Veloso tem a desfaçatez de dizer que eram os jesuítas que escravizavam os índios .os engenhos não podiam moer. No Norte. 68 Idem. o comércio de escravos e a produção do açúcar. Vasa Grande e Senzala". A metrópole estava sob o dominio judaico. E sua captura custava maior desperdicio de gente e de esforços do que a obtenção do transporte dos negros da Africa64. os senhores de engenho viviam endividados67.

Rio Grande. E não o deixaram. Trouxeram negros da Guiné. 111 e 181. do Congo. somente de Angola vieram 52. Amsterdam. 1877. à escravidão.. favorecidos por uma redução de direitos78. Vendiam-nos por búzios que serviam de moeda. por certos crimes. 16 .053. 150 a 200 mil réis. de gente perto de mil vizinhos que resgatam negros para mandarem às Antilhas . pág. Há uma correspondência constante entre o judaismo que age no Mar do Norte e o judaismo que age no estuário do Tejo. Ora. 71 72 Werner Sombart. A sua sinagoga chamava-se Casa de Jacob e foi célebre. vol. e estão por senhores destas partes. De 1575 a 1591. "História dos cristãos novos portugueses. O grande entreposto era a baía de Cabinda 77. Os judeus não podiam deixar de lado negócio tão amplo e lucrativo. onde se haviam acolhido os israelitas expulsos da Espanha em 1492. 323. Paris. Lisboa. Mabolition de llesclavege". Toda a Europa. op. pág. de Nápoles em 1519. ás vezes proeminentemente. "História do CongU. possuiam cabedais nas companhias mercantis dos Paises-Baixos74. 1932. Um dia. 1728. pág. "A invasão dos judeus". Como negar ainda a intromissão judaica no tráfico de carne humana. 75 E. págs. Três rolos de fumo bastavam para pagar um negro forçudo. cqntínuamente. 75: "Haverão os da maçam (os judeus) mais o contrato dos negros da Guiné . doSenegal. por si e pelos seus prepostos. por um galão de aguardente. feitores cristãos-novos que têm arrendado o comércio da provincia da Guiné. Ambos se articulam no sentido vingativo de destruir a riqueza. Dentro da história dos tempos coloniais. o gládio vingador do Santo Oficio. pág. de Portugal em 1497 e 1498. 1851. "Le Bourgeois". aonde contratam com os negros. e haverá nestes dois pontos e terra. Uma simbiose de interesses e finalidades unia as sinagogas de Lisboa e do Porto às de Roterdam. depois seguiu o horrivel exemplo 73. Com essa massa negra se atulhavam os infectos porões dos horrendos navios negreiros. da Hotentócia e de Moçambique. II pág 281 74 João Lúcio de Azevedo.. de Angola. na Peninsula. 77 Visconde de. "A contribuição judaica na formação da nacionalidade brasileira" in "Almanaque Israelita do Brasil. começou o infame negócio. 78 Idem. Leiam-se estes trechos de um Memorial de 1602 citado de Mário Sáa. Régulos e sobas de Dahomey. pág. Dr. Os judeus portugueses. era uma Nova Jerusalém. cit. com as armas dos mercenários holandeses. da Serra Leoa. 36. de Angola. Barbinnais calcula as entradas de escravos em 15 mil anualmente79. 79 "Nouveau voyage autor du monde". O negócio de escravos se torna o mais lucrativo e amplo da terra" 76.04.. quando um judeu de nota declara textualmente que: Não há exagero em afirmar que não há quase fato histórico de importância nos quatrocentos anos de vida nacional. Eberlin. declara o escritor judeu E. ed. 26. O açúcar exigia braços negros para enriquecer o judaismo sem entranhas. Eberlin. Santo Domingo. Samuel Weiner. que manobrava a sua produção e seu comércio. Paris. Paris. os judeus se lançarão sobre a presa cobiçada. na quase totalidade. do Sudão.. Cochin. pág 183 e 186. ed. que fato de maior importância histórica para nós do que a escravidão? O comércio de escravos é tão fundamentalmente semita que sempre foi denominado tráfico fenicio". é impossivel tratar de um sem ter o outro em conta. a judiaria de Espanha e Portugal se entregou ao tráfico. nos primeiros tempos. Rio 1935. 73 A. 84 e 140. que durou três séculos. no qual não tenham influido ou colaborado. e Antuérpia. E cada escravo custava no Brasil. Nes juifs dlaujourdhui". de abater o prestigio e de minar a força dos reis católicos.paiva Manso. Amsterdam. As Flandres protestantes e revés à casa de Austria eram o refúgio natural do ouro judaico e das pessoas judaícas. Na segunda metade o século XVI. elementos de raça hebraica72. Visando os lucros fáceis do comércio de escravaria. 76 Pedro Calmon."É permitido explorar um não-judeu. porque está escrito que não é permitido explorar seu irmão71. Rieder. Isaque Izecksom. de Gênova e Veneza em 155075. quando as circunstâncias se mostrarem favoráveis. por fumo em corda. tanto nas praças da metrópole lusitana como nas bolsas das cidades flamengas. do Congo e da Guiné vendiam os prisioneiros capturados em suas razzias bestiais ou os próprios compatriotas condenados. as quais tinham suspenso sobre a cabeça. págs.

ed.250. Yule.000! O comércio judaico de carne africana corre parelho com o comércio judaico do açúcar. Holanda e Portugal.361. Aliás. desceu no primeiro bote da armada de Cabral em Porto Seguro e foi. Enquistados. Primeiramente. desde o alvorecer do Brasil. o inconstante e ladino Gaspar da Gama. de onde. "Voyage aux Terres Australes. em 3. As colônias judaicas. no apogeu do poder de Cromwell? Sombart diz que é o mesmo que o judaísmo88. 84 Varnhagen. como escreve Bernard Lazare. construirá o mundo 80 81 Perdigão Malheiros. na opinião de Vermeil. na opinião de grande publicista judeu. uma vez por outra. o mascavo valia 20 shillings a arroba82. "História Geral do Brasil". Crés. Haviam participado dá revolução de Cromwell por portas travessas. de Hamburgo e da Holanda..E com certeza. 1934. civil e política 89. diz Emerson. perseguidos. I. 1924. pag. cap. Aliado ao judaismo. tinham sido banidos86. da vida religiosa. 1705. vol. existiam "incontestáveis afinidades" entre o espírito mercantil do judeu e o espírito positivo do inglês. tomou conta da indústria extrativa do pau-de-tinta. Com este. o puritanismo setentrional. 87 ) Idem. Depois. nos Paises-Baixos. idem pág. No século XVII. Para mostrar a quantidade de negros introduzida no Brasil. Rio. idem. o que igualmente se pode dizer dos judeus87". 292-295. Montégut. 17 . sendo escravos 1. que fez desse povo o mais sonhador e o mais prático do mundo. além de se engorgitar de ouro. 85 Bernard Lazare. para eles. procuraram. Mstoire D'Angleterre depuis l'avénement de Jacques II". pág. embora lhes reconheça a grave e rude energia semi-bárbara dos nórdicos. 86 Idem. pode ser reduzido a um dualismo irredutível. 90 "Histoire de la littérature anglaise". Taine sente neles o farizaísmo estreito90. a la Nouvelle Hollande. 83 Dr. de 29 de março de 1549. en 1699". depois dominou a do acúcar e o negócio de escravos. onde eram. do qual ela dependia. desenvolvidas e exploradas pelo judaísmo. foi o espírito judaico que triunfou com o protestantismo85. em 1818. tirando a sardinha com a mão do gato. primeiramente. sendo escravos 1. ainda conseguiu a formação de uma sociedade fácil de ser dominada através da depravação social que fatalmente decorre da passividade da escravidão. pág. Encontraram facilidades no caminho. etc. loc. "L'Antisémitisme". 89 Lord Macaulay. a fim de poderem os judeus voltarem à Inglaterra. compostas de "marranos escapos à Inquisição espanhola". era computada em 3. há séculos. Um negocio da China. 6-7. no seu tempo. trad. cada senhor de engenho "montado e em estado de funcionar" podia receber 120 negros da Guiné e São Tomé 80. o pau-vermelho. como sempre. tomo I. Izaque Izeckson. cap.000 habitantes.817. Pero de Magalhães Gandavo calcula. tomo 14 pág. foram criadas. basta dizer que a população total do pais em1798. na ed. 4. 21.Segundo o alvará de D. única fonte. 88 "Le BourgeoM. Amsterdam. Os orientais chamavam ao Brasil sapang segundo diz Marco Polo."cujo caráter. "A escravidão no BrasiV.728. o primeiro a desembarcar 83 reconhecendo a nossa terra antes de todos . 240. I. penetrar na Inglaterra. obtido pelo braço negro com a direção e iniciativa do reinol ou do ilhéu agricola. Em primeiro lugar. de certa maneira vigiados e. idem. que encheu de ouro a judiaria luso-flamenga! Desde que o judeuzinho de Goa. os judeus procuraram firmarse bem nos países protestantes do Norte e. João III. Macaulay considera os puritanos judaizantes fanáticos que se encerravam nas doutrinas e práticas do Antigo Testamento. acharam meios de se entenderem com o governo do Protetor. 225. que é o puritanismo. "História da Província de Santa Cruz". V. As rivalidades entre Inglaterra e Castela. desferir golpes mortais no poderio colonial peninsular. depois. págs. já encontrado pelos castelanos nas suas conquistas84. Paris. com suas armadas e soldados. talvez. Quantos proveitos num saco? Na sua ânsia de tirar desforra dos reinos católicos da Península. 7. a produção açucareira anual de 6 a 10 mil arrobas81. 82 William Dampier. cit. de onde outrora haviam sido expulsos por exigência dos po vos cansados de suas traficâncias. pág. XI e VO. verificando a existência do lenho que os naturais chamavam ibirapitanga.000. o judaismo o explorava. tomo III.000.

a Espanha o não quisesse renovar. Dizia-se que "Liverpool era calçada com crânios de negros". O parlamento opôsse. Manassé voltou a insistir. 96 Cf.. O judeu errante achou acolhimento na Grã-Bretanha. e indústrias resultantes dos descobrimentos e conquistas dos peninsulares. 1913. Georges Batault. ed. 136. Domingos. criando e desfazendo hegemonias. parentes e espiões em todas as comunidades (Kahals) do continente. mudava de pouso ao sabor dos intereses da gente sem pátria. E. contribuído mais para a judaização da civilização mo derna no mundo inteiro. I da obra de Anton Zishka. os bens materiais são um dom de Deus e é a própria reliqião que inspira e encoraja o espírito empreendedor aventureiro91. estava mais imbuído de judaismo do que Cromwell. verdadeiros Haras de negros! De 1680 a 1700. Nourrit Paris. os judeus "fixados à margem do rio Tâmisa. o Rotschild da época. dispunha do poder do ouro93". A moeda inglesa Guinéu guarda a memória do tráfico de carne preta96. Em 1696. Adiantaram ao Tesouro 200 mil escudos para fornecer mais 800. E é hoje a Sinagoga de Londres que exerce hegemonia em todo o mundo sobre o povo de Israel94". Outro judeu que muito serviu nas negociações para a entrada dos israelitas na Inglaterra foi aquele circuncidado natural da terra portuguesa de nome Manuel Martins Dormido. "Genése de I'imperialisme anglais". O maior instrumento de aproximação entre os judeus holandeses e hamburgueses. a Inglaterra toma à Espanha "o comércio que mais lucros lhe iria dar". o Rotschild do tempo de Cromwell. foi o primeiro corretor da Bolsa de Londres. obtido em maior parte nos comércios. "Nenhum homem no mundo. depois. pág. dando-lhes todas as liberdades de culto. pág 25. 189. pág. buscando suas inspirações e justificações na bíblia. Ele "fez penetrar no convencimento de Cromwell as vantagens em aceitar os judeus naquele pais. Cromwell ia se tornar o protetor dos judeus e do judaísmo na Inglaterra. o instrumento da Divina Providência92". 93 L. Cromwell é o profeta no sentido hebraico da palavra. em vinte anos.800 peças por ano. Em 1712. 1935 pág. João Lúcio de Azevedo. 47. 321-322. Demais.Taunay "Na Bahia Colonial". "Etudes sur la Reforme". Cunnigham. apesar do puritanismo das hostes do Protetor e das inclinações pessoais deste. tinham amigos. o negócio foi feito com o próprio Governo Britânico. Cf. nenhum terá. O século XVII é o grande século do comércio negreiro. e Cromwell foi o célebre Manassé-ben-Israel. Salomão Dormido. profundamente convencido de ser o eleito de Deus. 118. de raça judaica. 907. toda a diáspora estava a serviço de Cromwell. sobretudo. 0 governo britânico recompensa com títulos nobiliárquicos os grandes 91 92 E. quase todos de origem lusa. a fim de prejudicar o tráfico francoespanhol. Cambridge University Press. "The growth of english industry and commerce in modern times". a Inglaterra acendeu a guerra na Europa. pág. Paris. então muscular. baseando-se em fontes inglesas. o dos escravos95! "Os navios ingleses são os navios negreiros por excelência e enxameiam a receber a carga infame nas abras e enseadas da costa da Guiné. Os sentimentos nacionais eram vivamente contrários à entrada dos judeus no país. citado um pouco antes. Paris. Os ingleses chegaram a organizar fazendas de reprodução de escravos na Virgínia. Vermeil. Enfim. 1931. No seu pensamento dogmático. havia-os nas colônias e por toda parte. de cujas boas graças dispusera à vontade o riquíssimo Antônio Fernandes Carvalhal. "História dos cristãos-novos portugueses". Os judeus vão exercê-lo manobrando habilmente por trás do governo inglês conquistado desde Cromwell. pág. "Der Kampf mundie Welmacht Baumwoll". escreve Gina Lombroso. Seu descendente. o qual foi rompido em 1701 por abusos. V. págs. tal vez. Sobre o comércio de escravos exercido pela Grã-Bretanha é conveniente ler o cap. ed Pavot. afinal. "A invasão dos judeus°. 95 Gina Lombroso.moderno. Era o monopólio da força motriz. diz o "Grande Dicionário universal do Século XX". "La rançon du machinisme". Carlos II de Espanha assinou contrato com a companhia judaicoportuguesa da Guiné para o fornecimento de escravos à América Espanhola. 94 Mario Sáa. governador de S. O testa-de-ferro dos judeus era Bubasse. E. tiraram da Africa 300 mil pretos nos três primeiros decênios do século XVIII. que se serviu dos bons ofícios do cristão Edward Nicolas. obrigando Portugal a entrar nela contra a Espanha. Hennebicq. 422.. o profeta que não hesita em se pôr à testa dos descontentes e a dirigir a revolução. A respeito do judeu luso Antonio Fernandes Carvalhal. 150 mil. Como. Por meio dessas mil inteligências. Deviam fornecer 4. °Le probléme juiV. 18 . Em 1560. pág. Depois de dissolvido. Os armadores judaico-franceses organizaram a Compagnie Royale de Guiné e contrataram o tráfico com a Espanha. O ouro judaico. que emigrara para as Flandres e lá passara a chamar-se Avid Abravanel. entre os não-judeus.

101 Barlaeus. desarmado. assim. se manifestam a cada passo. era. enchiam os infectos porões de escravos e vinham de rota batida para Pernambuco. traz com escopo principal. "Res Gestae". primeiro ministro. a Inglaterra consegue o monopólio do comércio de escravos por trinta anos. quando toma o lugar de preposto ou procônsul da colônia judaica de Pernambuco. Os cuidados da judiaria inglesa. "História do Brasil". alarpadada à sombra do governo real. 163. Paris. 1921. com todas as letras. em nome da humanidade.negreiros. Pelo tratado de Paris. traduzido livremente do espanhol. que efetivamente. Cada viagem redonda. O negócio de escravos rendia por ano aos judeus holandeses a respeitável soma de 6 milhões de florins! 97 98 Nina Rodrigues. 370-371. por exemplo. ao invés de continuar ganhando como intermediário e fornecedor de mão-de-obra. seguido da Paz de Quebec. 19 . págs. o tal centro distribuidor de escravos pode funcionar do seguinte modo: as urcas holandesas saíam dos portos da Zelândia ou do Texel em demanda da África. a confissão de Benjamin Disraeli. ameaçou até empregar a força99. "Os africanos no Brasil". é elevado a baronete pelo impulso dado ao comércio de escravos97. op. a cobiça do judaísmo se alvoroçou. sendo necessário. É que ao judaísmo do Kahal londrino. 100 Hermann Watjen. para entravar-lhe o progresso desde logo. em 1713. Logo em 1640 ou 41. infâmias e violências praticadas pelo governo judaico da Inglaterra em matéria de tráfico negreiro. que ela explorava.. O judaísmo angloholandês enchia-se com o ouro do açúcar produzido pelo suor do escravo e com o ouro do preço do escravo. 102 Dapper. Nos bons tempos do século XVII. 1833. carregadas de açúcar102. em 1763. pág. tornar o Recife "o centro distribuidor da escravaria100". Os estados-maiores das sinagogas estudaram a questão e. uma expedição mandada do Brasil holandês se apoderava de São Paulo de Luanda101. Gina Lombroso. apud "Der Hollandische Kolonisation in Brasilien". Warden. Cf. a Inglaterra obtém o direito de ancorar navios em Porto Franco e Porto Belo. Gotha. bases de contrabando e do "monopólio do tráfico para América do Sul98" Em 1799. "História do Brasil". a Grã-Bretanha "exercia o monopólio do tráfico". dominador do mundo. Todas as misérias. Um e outro lado do Atlântico tropical davam o mesmo resultado: ouro! Não seria melhor. 1832. David B. decalcada da de Warden.. admiravelmente aproveitada para os lucros judaicos. 425. Mais tarde. e começou a fazer da sua supressão. a Inglaterra não fora tão humanitária. a Inglaterra esqueceu que havia exercido o infamante monopólio do comércio de carne humana. o ministro Cannig declara. pág. tipografia Miranda e Carneiro. João Hawkins. ida e volta. nas Antilhas."uma questão de honra". sem nome de autor. nos dará a conhecer que não era a Inglaterra. que o havia advogado e defendido com unhas e dentes. A conquista do Nordeste brasileiro e de Angola e Luanda pela companhia das Indias Ocidentais revela um plano judaico de grande envergadura. nos tratados diplomáticos. "das Iudentum und die Aufgang der moderno Kolonisation". mas os judeus governando-a e servindo-se dela. Então. lançando protestantes contra católicos e vice-versa. 189-191. ajudados da política européia em que influíam. que o havia consagrado nos tratados internacionais e nas discussões do parlamento. No século XIX. sem pejo. se encontram descritas no panfleto "A liberdade dos mares ou o governo inglês descoberto". ao parlamento. O negro que o produzia vinha de Angola. 99 Armitage. diminuir-lhe a mão-deobra e desmantelar-lhe a economia. de onde voltavam à Holanda. "Histoire de 1'Empire du Bresil". A documentação histórica mostra-o na sua limpidez. O conde de Nassau. decidiram o golpe. pág. durante séculos. Rio. Constâncio. O açúcar vinha de Pernambuco. A esse pensamento. tornar-se o dono incontestado das duas fontes de riqueza? Os ganhos se multiplicariam. Pelo tratado de Utrecht. pelo vil e rendoso negócio. 13. Contra o Brasil fraco. "Description de 1'Afrique°. cit. não convinha se desenvolvesse na América do Sul um grande império. fidalgo alemão a serviço do Kahal. mal o Brasil se tornou independente de Portugal. pags.

Em 1703. mais de 200 brigues ou bergantins nele eram empregados103 103 Taunay. entre a Bahia e a África. pág. 20 . "Na Bahia Colonial". retomada aos holandeses. 327. o tráfico judaico de escravos para o Brasil era de tal importância que.

os empórios cobiçados do açúcar e do negro. 1892. assegura o autor da "Razão do Estado do Brasil". o qual. de ma cedo. 1 H. typ. W. 21 . entre 1616 e 1621. Espanha significava a luta aberta contra a heresia protestante e o judaísmo. tomo II. Me Puritans in Holland. pág. Drake. Hakluyt. Meméride Histórica do Brasil°. Entre eles. As tentativas huguenotes da criação de uma França-Antártica e de uma colônia no Maranhão haviam fracassado diante dos esforços de Mem de Sá e Jerônimo de Albuquerque. o governador tomara providências adequadas. para se fazerem ao mato. o asceta do Escorial. pág. durante o governo de Dom Luiz de Souza. então. A acometida de Van Ceulen foi a quarta sofrida pela Bahia.CAPITULO IV A pirataria e a conquista A DINASTIA de Ávis sossobrou. de volta das suas frutuosas expedições. Tudo isso preludia a conquista das prósperas capitanias do Norte. porque. A pequena nobreza provinciana calvinista da França ensaiara o corso marítimo contra o comércio e as feitorias de Portugal e Espanha 1. Os resultados dessas pilhagens são quase sempre magníficos. até que se estabelecem nas ilhas de S. os piratas calvinistas holandeses tomam a frota espanhola da Prata. 3 Douglas Campbell. se estendeu sobre o reino lusitano. somente ficaram os nomes de uma ilha na Guanabara e da capital maranhense. Cf. Na Inglaterra. As sinagogas. 1877. como já vimos. Rio de Janeiro.os piratas ingleses pretenderam estabelecer-se no Espírito Santo e Rio de Janeiro. 1926. sendo chamado pelos seus contemporâneos: "a wonderful hater of spaniards"2. do Globo. avisado a tempo. nos fulvos areais de Alcácer. pág. sem que fosse possível traçar uma linha nítida de demarcação entre essas atividades. Paris. o grande Frobisher. M. se travava tinha um que de religioso.os irmãos William e John Hawkins. 93. 188. estremeceram de pavor. heroicamente. Me Bourgeois". Os entrelopos huguenotes franceses durante longo tempo percorrem às costas abandonadas do Brasil que acordava. England and América°. Vêde bem os fatos. 120. Luiz e de Villegaignon. Me noble pirate" e Cavendish. príncipe dos ladrões do mar. morrendo devagar e matando. mal avistavam o velame de qualquer nau grande. A pirataria. e vêem saltear nossas cidades. a estabelecimentos definitivos. A poderosa mão de Filipe II. Já as ambições européias vinham corvejando sobre o vasto Brasil. insuflada pelo judaísmo. usando a valentia flamenga. 170. A pirataria protestante. o último dos quais foi feito baronete. A luta que. em 1580. Os corsários puritanos ingleses atacam as povoações litorâneas e também pretendem fixar-se. Sombart. encarando os prejuízos que disso adviriam. Conforme depõe Gabriel Soares. J. nos séculos XVI e XVII. O espírito emprendedor pré-capitalista europeu se projetava. a qual lhes fornece meios pecuniários para o equipamento de grandes expedições. pilhando as naves abarrotadas de pau-de-tinta. tomo II. pelos serviços prestados ao comércio negreiro. e o Brasil passou. A pirataria sempre foi eminentemente protestante. Apresentava-se a ocasião de conquistar. estavam os que salteavam nos mares e costas do Brasil: Lancaster. houve uma verdadeira idade áurea de piratas: sir Walter Raleigh. no corso e na pirataria. eminentemente protestante. "agente de uma companhia de Londres" (?).Quibir. Pigeonneau. "Histoire des Voyages". que tomou o Recife em 1595. como fez Paulo Van Ceulen. Afinal. Das suas pretensões. os moradores do extenso litoral brasílico viviam tão aterrorizados com a pira taria que traziam sempre "a roupa entrouxada". o grande rei católico. É a técnica judaica da desapropriação forçada em que foram mestres os judeus bolchevistas. serve como reconhecimento das possessões do adversário católico e para a obtenção de recursos para o assalto definitivo. 1889. Todos os portos brasileiros foram logo fechados ao comércio das Províncias Unidas. 2 Formidável abominador de espanhóis. "Histoire du commerce de &rance'' Paris. para o domínio espanhol. repelido da Bahia de Todos os Santos em 1604. subira o Tâmisa com mastros dourados e velas de damasco nos seus galeões3! No começo do século XVII. payot. se exercia incessantemente contra os reinos católicos. na baía de Matanzas. Os próprios bucaneiros e flibusteiros das Antilhas andam de longada até Santa Catarina. desistindo do intento. pág.

pág. os holandeses se apoderaram de quinze milhões de torneses. o domínio dos empórios do açúcar e do negro. estava o judeu internacional. A pirataria foi o prefácio da conquista. "História de Antonio Vieira". A das Indias Ocidentais. cit. op. 10 Werner Sombart. que fundavam fortalezas e estabeleciam governos. pág. Era ainda a fonte da trindade invisível do aforisma alemão vulgarizado por Goethe: Krieg. a qual. 94. glorifica-os por esse papel infame: os israelitas foram os mais poderosos auxiliares dos corsários estrangeiros e se aliaram aos ingleses que pretendiam estabelecer-se entre nós5. 333. Sr. quase sem ambages. Os judeus peninsulares forneceram para essa última companhia a soma redonda de 18 milhões de florins 11. De posse a companhia de 4 5 Pedro Calmon. mostramos como a Holan da estava abarrotada de judeus e de capitais judaicos. papistas. das Indias Orientais. Segundo escrevia. cit. O judeu. op. o homem sem pátria. permitindo-lhes dar os golpes com toda a segurança. nasceu em 1602 e deu tais lucros que inspirou a segunda. o judeu Mendes dos Remédios: "A prosperidade dos judeus lusos na Holanda vingou-os do desprezo do monarca peninsular que os expulsara6". 60. Na insuspeita opinião de Oshlow Burrish9. ganhando ainda 3 milhões como que pirateou mares afora aos portugueses10. que valiam muito mais do que os simples escudos ou libras parisis. melhor ainda colaborou na obra. pág. pág. 60. que conquistou o Brasil para os judeus. documentadamente. para não se afogarem na sua invasão. A companhia idealizada por Usselimex. O judeu explorava essa trindade invisível. Esses espiões informavam os navios piratas das condições de defesa oas praças. das Indias Ocidentais. foi proposta aos Estados Gerais da Holanda por Jans Andres Moerthecan. cuja carga somente valia 6 milhões. pág. providas de privilégios e poderes políticos. em 1644. estava o judeu português de Amsterdam e Haia4". Substitua-se holandês por judeu e dá no vinte. unidas na cabeça dos Filipes. Laspeyres. 1863. com privilégio exclusivo do tráfico e navegação na América e na costa da África. ávidos de pecúnia. contra católicos. por certas libras tornesas ou escudos torneses. 60. op. dreienig sind sie.. entre 1623 e 1636. pQ. 11 João Lúcio de Azevedo. nos velhos sistemas monetários. 6 "Os judeus em Portugal". Adivinhou um pedaço da verdade. despendeu 4 milhões e meio de florins.. as grandes companhias de comércio dos séculos XVI e XVII não passavam de companhias de conquistas. idealizada por Wilhelm Usselimex. 7 Guerra. os quais haviam expulso os israelitas da Peninsula. como se dizia. em 1621. o mamonista adorador do Bezerro de Ouro. O maior defensor dos judeus na nossa literatura histó rica. se voltavam para outras8. 342. Solidonio Leite Filho. formava um ramo de comércio regular dessas associações. verdadeiras organizações permanentes de pirataria. pág. já agora. quando não tiravam grandes lucros de uma atividade ou região. quando escreveu: "Por detrás dos marinheiros flamengos. segundo Sombart. que Frei Rafael de Jesus. armando 800 navios. Em Capítulo anterior. no "Castrioto Lusitano. Por detrás de todos os piratas herejes.. mas não a verdade toda. Não houve expedição de corso ao Brasil que não contasse com as informações dos judeus residentes no seio da população brasileira. o embaixador Souza Coutinho ao conde de Vidigueira. Confessa-o. anticatólicos. tomo I. 14. com capitais israelitas. 135 22 . "Geschichte der Volkswirthschaftlichen Anschauungen der Niederlander". denomina "holandês de capacidade e esperteza". Há um fundo religioso e racial nessa luta de heréticos assolados e ajudados por judeus. isto é. comércio e pirataria formam uma trindade invisível.Na frota da prata. Holanda era a mãe dos cristãos-novos que dali se derramavam para o Brasil. por exemplo. O rancor judaico não conhecia limites contra as coroas de Castela e Portugal. 1728. O historiador Pedro Calmon andou bem inspirado. 9 "Batavia ilustrada or a wiew of the Policy and Commerce of the United Provinces". nicht zu trenen7. A primeira. mas capturou 540. A espoliação dos engenhos dos pernambucanos que se opuseram à conquista rendeu mais de 500 mil florins! Formaram-se duas companhias de comércio e pirataria na Holanda. cit. 8 E. Solidônio Leite Filho. os quais. pág.. Handel und Piraterie. valendo-se das disposições guerreiras e aventureiras que o comércio despertaria nos pacatos holandeses. que tão poderosamente colaborara no prefácio.

os judeus de Pernambuco incitaram a invasão flamenga e contribuíram para ela com fundos21. de fora. Na sua maioria. os cristãos-velhos baianos. porque. O grave Southey confirma que. da venalidade. 214. tomo II pág. 18 Idem. até que vieram os reforços e auxílios da Espanha. A primeira expedição holandesa visou a Bahia. 60. pág. pág. "Valeroso Lucideno". assim não 12 13 Solidonio Leite Filho. 16 Roberto Southey. idem. nos sé culos XVII e XVIII. composta de naus lusas. temendo não poder resistir ao ímpeto do agressor. "Veleroso Lucideno". "História das lutas com os holandeses no Brasil. 38. Seria de espantar que. da desmoralização. de modo a aligeirar-lhes a tarefa. Calado resume-o admiravelmente nesta frase: "os ricaços não estavam acostumados a morrer". Ministraram todas as informações destinadas a permitir os ataques. o que repetiria em outros lugares e oportunidades. dentro da praça. a esquadra vinha pejada de judeus e judias. 156. 146. Rebelo da silva. 338. Escrevendo a sua "Ânua do Estado da Bahia". fermentavam dissensões judaicas 20. pág. pág. prestes a desempenhar todos os papéis. em 1624. está pintado em muitos autores. os ocupantes da Bahia capitularam no curto espaço de um mês. cit. o almirante holandês17. como na jerusalém sitiada de Flávio Josefo. os inimigos se apoderaram da cidade. "História de portugal". "História do Brasil". os judeus. Do mesmo modo que haviam sido os melhores auxiliares de corsários e piratas. Como os da Bahia. a judiaria se entregava à mais terrível espionagem. Os judeus e cristãos-novos do Brasil deram dinheiro'. judeus esperavam.. devido à grande quantidade de judeus que existiam na cidade e nos quais ninguém devia confiar. aqui dentro. a empresa conquistadora. op. A população israelita da Bahia delirou de contentamento e envidou todos os esforços. Atormentaram os intrusos com guerrilhas e emboscadas continuas. A invasão ainda se aprestava nos portos zelandeses e já. op. permitia o amolecimento da sociedade. segundo Frei Manuel Calado para "os gastos da conquista de Pernambuco". prepararam a reação. foram os melhores auxiliares dos conquistadores que lhes sucediam 15. declara Solidônio Leite Filho. pág. facilitando-lhes dominá-la mais adiante. Esperavam melhor sorte receosos da inquisição. Reconhece João Lúcio de Azevedo que eles "cooperaram grau demente para facilitar a conquista22". useiros e vezeiros nisso. 17 Solidonio leite Filho. fizemos notar como o regime da escravidão. pág. 15 Solidonio leite Filho. sob a direção do bispo D. Foi o que contribuiu para favorecer a conquista13. Manuel Calado. Batidos no mar e sem poder manter-se em terra. Portas adentro. 21 Frei Manoel calado.suas patentes de exclusividade. cit. o padre Antônio Vieira conta que a cidade foi toda saqueada. 58. 19 Roberto Southey. "por intermédio dos hebreus brasileiros". na famosa esquadra de D. para induzir os não-judeus a se submeterem ao jugo estrangeiro19. 59. além de proporcionar grandes lucros aos judeus. "Largas informações sobre as coisas do Brasil" recebia. pág. Fradique de Toledo. op. espionavam por conta dos generais batavos18. 23 . 61. 14 Rodolfo Garcia. O panorama da corrupção. datada de 30 de setembro de 1626. Em menos de dois dias. Tudo em vão. cit. Solidonio Leite Filho. que vinha assentar casa naquela capitania14". do escândalo. pág. op. tomo II. napolitanos e lusos tomaram novamente conta da capital da colônia e sua reação em contra dos judeus traidores não foi além da condenação à morte de alguns dos mais comprometidos. Lisboa. retiraram-se para os matos e. Segundo documentos do Instituto Histórico. No capitulo antecedente. 33. muito numerosos. A judiaria deu dinheiro a rodo para a resistência flamenga. Marcos Teixeira. cit. seus diretores "movidos pelos hebreus". 20 Barnhagen. castelhanas e napolitanas. 22 "os judeus portugueses na dispersão". espanhois. op. tomo IV. capital da colônia. 1872. os conquistadores. pág. tomo II. cit. determinaram fosse o Brasil o alvo da conquista12. desembarques e marchas dos conquistadores. in "Revista de História". aqui. 10. informada dos preparativos. idem. cit. loc. O judeu e o flamengo aproveitaram-se disso. ou faziam causa comum com o batavo ou fraca resistência lhe opunham16. pág. A decadência moral do Brasil do século XVII chegara ao mais alto ponto. Judeus impeliram e custearam.

procedessem. A guerra da Restauração Pernambucana durou nove anos, em alternativas de derrotas e vitórias, e durante esse período em que se afirmou um verdadeiro espírito de brasilidade, anterior à nossa independência política, os judeus, empenharam contra nós "vida e fazenda"23. A expedição para a conquista de Pernambuco veio quatro anos depois da Bahia, em 1630. Não se atrevendo a atacar o Recife, diretamente, desembarcou as tropas que trazia, além de Olinda, na praia do Pau-Amarelo, sob o comando do "coronel-de-guerra", Teodorico Weerdenburg, que desconhecia completamente a região por onde pisava pela primeira vez. Guiou-o pela costa, pelos mangues e alagadiços, dos quais era prático, o judeu Antônio Dias Paparobálos, o qual vivera muito tempo em Pernambuco e fora, depois, para a Holanda 24. Outros judeus serviram constan temente de guias e intérpretes fiéis aos invasores, entre os quais Samuel Cochim, que guiou a primeira expedição ao Rio Grande do Norte25. As tropas que a Companhia das índias Ocidentais pôs em campo durante todo o período da conquista e ocupação não eram propriamente do que se poderia chamar o exército holandês e sim compostas de mercenários de toda categoria e procedência. Nem os próprios comandantes eram todos flamengos. Havia poloneses, como o famigerado Arcizewski; os franceses, como Picard, Tourlon e La Motte; alguns judeus como Simão Slecht e o cruel Jacob Rabbi; muitos escoceses, como o Sandalim de João Francisco Lisbôa, quando descreve o combate do Outeiro da Cruz, no Maranhão, segundo provam as numerosas espadas de highlander, as conhecidas e tradicionais claymores, da coleção de armas da época da guerra holandesa no Museu Histórico. Nos poucos canhões de bronze que ainda restam dessa epopéia, bem como nas moedas obsidionais de cobre, prata e ouro, nunca figura o brasão heráldico das Províncias Unidas, porém o monograma da companhia judaica: um G, um W e um C entrelaçados, iniciais da Geoctroyeerde Westindische Compagnie, - Companhia Privilegiada das Indias Ocidentais. Somente em 1647, segundo diz Netscher, os Estados Gerais resolveram oficializar a guerra. Os holandeses desembarcados no Pau-Amarelo apoderaram se com relativa facilidade de Olinda e Recife. Sem recursos suficientes para resistir-lhes, Matias de Albuquerque viu-se obrigado a retirar-se, estabelecendo-se no arraial do Bom Jesus, onde foram juntar-se aos homens do campo, mais próprios para a grande luta que se desenhava, e na qual mantiveram acesa com impavidez a chama da liberdade, do que os da cidade, desacostumados de morrer, como notava Frei Calado. Vieram mais tarde os socorros trazidos pelo almirante Oquendo, os batavos abandonaram Olinda, incendiando-a, e se encurralaram no Recife durante um lapso de dois anos 26. Foi a deserção de Calabar,(1632) que lhes permitiu pôr a cabeça de fora, atacar Afogados, Iguarassu, Rio Formoso, expelir os luso-brasileiros do arraial do Bom Jesus e obrigá-los ao êxodo para Alagoas. Nessa retirada de um povo, como que se plasmou a futura nacionalidade, na consciência nativista formada pela fraternização guerreira de brancos, índios e negros trazidos pelo heróico Henrique Dias, "governador dos pretos". A tomada de Porto Calvo pelos retirantes entregou Calabar, que foi enforcado. Parece que o desertor era a alma das vitórias dos conquistadores, pois que, após a execução, se encolheram e começaram a perder suas energias em dissensões íntimas e estéreis. Sendo imprescindivel por-lhes um paradeiro, a Companhia lançou mão de um fidalgo aparentado ao Estatuder de Orange, o conde João Maurício de Nassau-Siegen, contratado por cinco anos para a governação da Nova Holanda, pago a mil e duzentos florins por ano e nomeado "governador, capitão-general e almirante de terra e mar". Como a conquista não passava de um prolongamento da pirataria, deram-lhe mais 2% sobre as presas que se fizessem.
23

Solidonio Leite Filho, op. cit. pág. 63. A guerra durou nove anos no seu período final; a luta, desde o início, durou 24! A conquista começa em 1630 e termina em 1637; a posse vai de 1637 a 1642; a restauração, de 1642-1654. Cf. Oliveira Lima, "História de Pernambuxo", pág. 63 24 Varnhagen, op. cit. pág. 51. Solidônio Leite Filho, op. cit. pág. 62. Sobre o nome do "coronel de guerra" há divergências. Uns escrevem Teodoro; outros Frederico. Netscher, em "Les hollandais au Brésil" pág. 45, grafa Diederich. Por isso, traduzimos Teodorico. 25 Solidonio Leite Filho, op. cit. pág. 63. Tavares de Lira, "0 domínio holandês no Brasil", tip.do "Jornal do Comércio", 1915, pág. 305. 26 Varnhagen, op. cit. pág. 63.

24

Entrando na posse do governo, o conde deu logo toda a liberdade aos israelitas. Pernambuco e as outras capitanias conquistadas, pouco a pouco se tornaram "o paraíso dos judeus"27. O "amigo do peito" do governador, o"homem de maior valia" enquanto esteve à testa do Brasil-holandês foi o judeu lisboeta Gaspar Dias Ferreira, que vivia no Recife desde 1618 e se tornara possuidor de "respeitável fortuna 28". Ao retirar-se do Brasil, o conde levou-o consigo. A cada ano do governo de Nassau mais aumentava a imigração judaica. Só em 1642, quase ao fim, vieram de uma sentada 600, que se faziam acompanhar dos seus rabinos29. Antes da conquista flamenga, os judeus pernambucanos e os de fora viviam "paliados com a capa de católicos30", inveterado hábito dos cripto-judeus de todos os tempos e países. "Conquistada a capitania, declararam-se publicamente por judeus e com os correligionários, adventícios de outras nações, fizeram sinagogas, e de tal modo se van gloriavam de suas crenças que principiaram a denominar-se Santa Comunidade, KAHAL KADOSH31". Quem conhece os segredos do judaísmo sabe que isto quer dizer que organizaram um Kahal ou governo oculto para explorar a sociedade cristã com a hazaka, o meropie e outras formas de espoliação disfarçada, já proficiente e documentadamente estudada por Brafmann no seu "Livro do Kahal" e Wolski em Ma Russie Juive". Do Recife, a judiaria se esparramou pra Itamaracá, onde os chefiava o haham Jacob Lagarto32 Segundo D. Domingos do Loreto Couto, na sua obra "Desagravos do Brasil e Glórias de Pernambuco", ed. da Biblioteca Nacional, Rio, 1904, às páginas 234-236, durante o domínio holandês os sacramentos foram proibidos no Recife e os católicos sofreram torturas de arrepiar. Frei Rafael de Jesus documenta exaustivamente as perseguições judaicas, sob o pseudônimo de holandesas, contra os naturais: roubos, morticinios, injustiças, forçamento de cons ciências, sacrilégios, torturas e até o estabelecimento da chekita, do açougue judaico, proibindo-se a matança de qualquer rês em qualquer lugar e para qualquer fim. Ninguém podendo abater uma rês, como relata o "Castrioto Lusitano" (págs. 171-172), toda a gente era obrigada a recorrer ao matadouro judaico e pagar o tributo denominado imposto da caixa" com que se sustentam as escolas judias é se completam os impostos devidos ao governo pelos israelitas, segundo informa Brafmann no "Livro do Kahal". Graças a essa proteção, dominaram completamente a co lônia, tornando-se logo, como narra Varnhagen, grandes proprietários urbanos e rurais, donos dos cargos público notários, escrivães, e procuradores no fórum, corretores dos subornos das venais autoridades flamengas. Os judeus que vieram com os holandeses "não trazendo mais do que um vestido roto sobre si, em breves dias se fizeram ricos33". Acresceram-lhes a empáfia, o luxo, a ostentação e o desprezo pela moral pública e o decoro particular ao ponto de se unirem contra seus desmandos os calvinistas e católicos irreconciliáveis. As próprias autoridades eclesiásticas protestantes comungaram com o povo em uma tentativa de reação. O conde de Nassau, porém, não deu ouvidos a ninguém. Quando se retirou, para fazer uma sinagoga de seu palácio, afirma João Lúcio de Azevedo, a Santa Comunidade ofereceu por ele seis tonéis de ouro, isto é, 300 mil cruzados! Lavrava a maior corrupção entre os invasores, devido ao judaísmo que os empeçonhava. Atingiram a mais de sete e meio milhões de florins, quase o dobro do que custara a expedição conquistadora, os contratos lesivos e as negociatas obtidos pelos judeus. O dinheiro dos próprios acionistas da Companhia das índias Ocidentais foi roubado de todos os modos. Os documentos da época rezam assim: "Os senhores deste governo, desde o principio até hoje, não procuraram outra coisa senão encher sua bolsa, empregando para isso todos os meios e, em particular, o auxilio dos judeus e de outros homems inconvenientes e ávidos de lucro torpe... zombando da simplicidade dos
27 28

Rodolfo Garcia, loc. cit. pág. 33. Idem, idem, idem. 29 João Lúcio de Azevedo, "História dos cristãos novos portugueses", pág. 431. 30 Solidonio Leite Filho, op. cit. pág. 71. 31 Idem, idem, idem Solidonio Leite Filho tirou isso de João Lúcio de Azevedo, "História dos cristãos-no vos portugueses e este de Graetz "Volkst. Gesch. der ju den", C. III, pág. 331. 32 Idem, idem, idem. 33 Frei Manuel Calado, “valeroso Luciden pags 53 e 207

25

holandeses e do mau governo deste estado, cujos segredos todos eram melhor conhecidos a eles (os judeus) do que a nós, e, possivelmente, melhor do que aos próprios senhores, que eles diziam predispôr, por honrarias e presentes, para todas as suas intenções, e até para as coisas mais torpes e inconvenientes34".

Bandeira do Brasil Holandês. Na faixa branca da tricolor flamenga, o monograma da Companhia Judaica ou de Nassau (?), encimado por uma corôa aberta. Nada, como se vê, além das cores, da nação holandesa. Ao lago, a marca registrada da Geortroyed Westindische Compagnie, conforme aparece nas moedas obsidionais, nas chancelas e nas culatras ou nas boladas dos canhões de bronze da conqui_s ta que ainda nos restam. A tricolor flamenga é a mais antiga de todas: vermelho, azul e branco. Vermelho é o sangue que se têm de derramar para atingir ao azul-branco, cores de Israel.Veremos isso, claramente, na simbologia das bandeiras revolucionárias do Brasil, em 1794, 1817 e 1824.

O conde chegara ao Recife em 23 de janeiro de 1637, mostrara-se tolerante, procurava apaziguar os ânimos, promovia melhoramentos e protegia ciências e letras. Era o seu feitio pessoal. No governo, porém, consentia de bom grado ou forçado pelos amos judaicos na grande corrupção. Também não se distraiu de seu papel de realizador da conquista dos empórios do açúcar e do escravo por conta de quem lhe pagava mil e duzentos florins anuais. Seu nome ilustre já fora dado, como anúncio de expansão conquistadora, a uma feitoria fortificada que os flamengos tinham encravado na costa da Mina. Em 1637, ele mandou o coronel João Koen apoderar-se do resto da colônia africana, o que foi feito com a tomada do castelo de São Jorge 35. Há um certo sabor judaico no nome do chefe da expedição, que a tradução alemã, de Barlaeus, chama de kühn Netscher grafa kokin36. Todos os entendidos na onomástica israelita sabem de fonte limpa que essas formas correspondem ao hebraico Cohen. No Brasil, Nassau levou por diante a conquista de Alagoas, do Ceará e de Sergipe, tentando mesmo a da Bahia, que redundou em verdadeiro desastre. O Maranhão seria ocupado mais tarde pelo referido Koin, Koen ou Cohen, que fora à África. Fm 1644, Antônio Moniz Barreiros ali levantou os povos, expulsando o invasor. A posse do Ceará foi sempre precária. A da Paraíba, obtida antes da vinda de Nassau, durou o mesmo tempo que a de Pernambuco. A do Rio Grande do Norte se assinalou indelevelmente pelas atrocidades judaicas, à maneira das de Bela Kun, na Hungria, e de Jagoda na Rússia. O judeu de origem alemã Jacob Rabbi, que Solidônio Leite Filho glorifica com o titulo incomparável de "feroz israelita" e que Varnhagen apelida "furibundo",
34

Do panfleto: "Brasilsche Gett Sack waer in dat Klaerlijck Vertoon wort-waer dat de Participanten van de West Indische Compagnie haer Geldt ghebleven is. Gedruckt in Brasilien op't Reciff inde Bree-Bijil. Ano 1647, "in Revista da sociedade Geográfica do Rio de Janeiro", tomo XXXVII, 1933 págs. 36 e segs. Em português: "A Bolsa do Brasil e do roubo dos dinheiros dos acionistas da Companhia das Indias ocidentais, impresso no Recife, no Machado Largo, no ano de 1647". O exemplar em holandês se encontra custodiado no Arquivo Nacional. Foi publicado em 1647, ams escrito em 1643, ainda no governo judaico de Nassau. Traduziu-o para o vernáculo o padre Geraldo Pauwels. Portanto, não somente os conquistados reclamavam contra o judaísmo; os conquistadores também! 35 Varnhagen, op. cit. pág. 179. 36 Netscher, "Les hollandais au Brésil", Haya, 18:3, pág. 123.

26

sem ela. para conseguir o objetivo de Souza Coutinho. que logo se entendeu que se escusava"39. o conde de Nassau se vendeu ao governo português! Mal Nassau dera as costas. entre cristãos e. op. e. levou os prisioneiros para Uruassu e os entregou à selvageria dos indígenas. como exemplo. o embaixador Souza Coutinho. na capitulação. se estendendo à Itamaracá e à Paraíba. mas pediu tanto. os que. preparava-se a grande insurreição dos naturais contra os abomináveis invasores protestantes-judeus. vendo o descalabro em que ia a Nova Holanda. talvez a mais bela página da nossa história. a outros arrancaram o coração pelas costas.capitão de um troço de soldados e levando sob sua ordem os índios aliados do chefe Antônio Paraopeba ou Paraupaba. pág. Rafael Galanti. lá dentro ainda havia 37 Idem. alarmado. e. Domingos de Loreto Couto. em que um pupilo de heróis apagaria com os altos feitos das Tabocas e dos Guararapes a derrota da Mata Redonda e o incêndio de Olinda. A promessa derrubou Nassau. à medida que a sorte das armas sorria aos luso-brasileiros. a fim de escapar ao suplício em que viam sucumbir os companheiros. cit. As horrendas crueldades do judeu Jacob Rabbi estão contadas com o maior luxo de pormenores por D. mandou prometer-lhe um milhão de florins. 34. O Conselho não lhes deu importância. Houve cenas somente iguais às da Tcheka judaica-comunista. Frei Manoel Cala lado. pág. Assim. op. o judeu Gaspar Dias Ferreira. na frente dos filhos pequenos. Cf. em "Causerie sur Israel". que. Foi por isso preso e recambiado para Holanda. cit. 1844. Suriname. 219. não se fez esperar. Joris Gastrmann. o mandou matar. A espionagem judaica pressentiu-a e acompanhou-lhe os passos. Enfim. descrevendo a ação de Bela Kun e seus acólitos na Hungria. Traindo as condições estipuladas. se viram obrigados a permanecer. deliciando-se em presenciar as torturas que lhes foram infligidas. págs. dominar os insurretos pernambucanos. iam desertando. que governara o Ceará e lá sofrera avanias da parte dos selvícolas que o capitão Jacob Rabbi protegia. Nova Amsterdam. Tentaram depois. com muita tropa. pelo mesmo intermédio. tomo II. Entrementes. "História da Paraíba". op. mataram-se com as facas de ponta que ainda traziam37! O castigo desse monstro. a 24 de junho de 1645. Outros judeus apresentaram outras denúncias. Jorge Homem Pinto. Da conjura sairia a guerra da independência. "por intermédio de Gaspar Dias Ferreira. idem. última etapa da Restauração de Pernambuco. "História do Brasil". dos arraiais holandeses e passando para o outro lado40. depois. chovendo à cântaros. Paris. op. os judeus foram se raspando do Brasil. 27 . cortando-os em miúdos pedaços. todavia. Não foram poucos. às dez horas da noite. as Antilhas. por isto ou por aquilo. não se escusou de aceitar a proposta da Companhia e dos Estados. Numa noite escura do mesmo ano. Aillaud. Deus lhe tenha em conta o grande serviço que prestou aos brasileiros! O monstro judaico deixava grande fortuna adquirida em morticínios e rapinagens. 307 e segs. Frei Rafael de Jesus. 39 Rodolfo Garcia. como os ratos abandonam o navio que sentem prestes a naufragar. perto de Natal. pág. 303 a 306. conseguiu ter com o conde uma conferência secreta no Bosque de Haia. Quando da rendição do Recife. em busca de melhor guarida: a própria Holanda. 261. intermediário de seus negócios. 231. 238 e 243. cit. Em 1647. se negociasse um acordo com a inclusão de Portugal em trépua larga. loc. cit. por dois soldados do alferes Jaques Boulan. cit. 38 Varnhagen. Solidonio Leite Filho. 64. pág. quando saía da casa de Johan Miller. O opulento cristão-novo da Paraíba. quis peitar Fernandes Vieira por 200 mil cruzados. assassiná-lo! O judeu Gaspar Francisco da Cunha denunciou Vidal de Negreiros ao Supremo Conselho dos holandeses em outubro de 164438. em julho de 1646. A uns ataram em postes. pelos luso-brasileiros refugiados ali. 40 Varnhagen. "Castrioto Lusitano". 302. rapidamente. op. São tão revoltantes que não quisemos sobrecarregar o texto com essas monstruosidades daquele sadismo judaico a que se reportam os irmãos Tharaud. felizmente. pág. como a de Abraão Mercado. num conflito sangrento. Nassau já se retirara para a Holanda com seu valido. pás. págs. quatrocentos mil florins. à traição. muitos desses infelizes. que hoje se chama New York e alguns dizem Jew-York! Os que ficaram. quando a companhia judaica cogitou de mandá-lo novamente. AO pág. documenta Tavares de Lira. judeus. a revolução estalou em Ipojuca. Lopes Machado. entre suas façanhas conta a tomada do engenho Cunhau.

os quais. naturalmente. 7. lembrados das traições com que haviam entregue a terra brasileira ao hereje invasor. No fastígio do poder.. Francisco Manuel de Melo. o que eles nos tomavam.. o braço dos escravos que carregaram. 36. Os judeus se intrometeram em todas as negociações. defendido dos holandeses. o velho reino se libertara da tutela castelhana. Martinica e Guadalupe. Izaque Izeckson. às suas terras do Brasil. D. 43 Solidonio Leite Filho. mau grado às fraquezas da metrópole. vê-se. a luta passou para os biombos da diplomacia. 28 . como as nossas companhias ficavam mais perto de uma e outra conquista. E no meio de todas essas manobras aparentes e ocultas..mais de cinco mil41! No texto da capitulação. indignamente. e por meio da segunda o do Brasil46. Desta sorte. Fort Royal. págs. foi: que em Portugal. historiando sua missão à França e à Holanda: "O primeiro negócio que propus à Sua Majestade. Não obstante. loc. Houve judeus. de novo. mas o padre errou em forma crassa. evadira-se do presídio e escrevia cartas aos chefes pernambucanos. cultivando-o com "notável escândalo" nos poucos momentos de repouso ou nos domingos43.100 negros44. isto é. o grande e dedicado amigo do judaismo. pág. 118 e segs. onde o sistema judaico era entregar-lhes apenas um pedaço de terra. para que dele tirassem seu sustento. que com seus capitais iria dirigir em Portuga as mesmas companhias que dirigia na Holanda. O tal Gaspar Dias Ferreira. 46. para que. cit. em 1652 figurava o judeu Abraão Azevedo. os flamengos condicionaram sua anistia. Dr. 47 "Dinheiro mercantil°. loc. 524. chamariam e trariam a Portugal o dinheiro mercantil47 de todas as nações. e bastaria a sustentar a guerra contra castela. Desde 1640. 57. D. internacional. pouco depois de sua feliz aclamação e restauração. "Celui qui mango du juif em meurt". fugiram para as Guianas. trazendo ambas em suas armadas. o perpassar da roupeta negra do padre Antônio Vieira. Uma expedição ida do Brasil sob às ordens de Salvador Corrêa de Sá e Benevides recuperou Angola. aclamando o duque de Bragança. arranjava pretextos seguidos contra os direitos de Portugal. O próprio Antônio Vieira tudo conta em carta ao conde da Ericeira. conduzindo 1. 46 Equivalia entregar outra vez o Brasil ao judaísmo. capital de especulação. é que nunca se fiaram neles. às vezes. não podia acudir. 44 Dr. "Históire de la Martinique". Entre os procuradores enviados do Recife à Holanda. pág. à qual a paz custaria três milhões de cruzados. como costumavam fazer no Brasil. levando consigo a indústria do rendoso açúcar 42 e continuando a explorar. Medrosos da volta do Santo Oficio. "Dispersão dos judeus brasileiros in "Os judeus na história do Brasil". Do campo de batalha. Curaçáu. cit. pág. se levantassem duas companhias mercantis. que se naturalizara holandês e fora metido na cadeia por se corresponder com os insurretos de Pernambuco. 45 Rodolfo Garcia. Cromwell. em guerra com o vizinho e herdando-lhe as inimizades na política européia. defensor dos judeus e organizador de uma companhia de comércio com capitais judaicos e privilégio do tráfico.Domingos do Loreto. as duas margens fronteiras do Atlântico voltaram à coroa de Portugal.. João IV. Os rudes batalhadores dos Guararapes. cit. à imitação da Holanda. de lá os batavos. isto é. sem ao menos dar alimento aos pobres pretos. sem empenho algum da real fazenda. expelindo. mas encontrou a impedir-lhe a ação o padre Antônio Vieira. Barbados. A perda do Brasil holandês obrigou os filhos de Israel a uma diáspora na América. como se fazia preciso. pág. M. pretendendo ser seu procurador junto a D. como Benjamin da Costa que chegaram à Martinica. que o panegirista Solidõnio Leite Filho considera "o maior defensor que jamais tiveram os filhos de Israel em Portugal". pág. João IV em Lisboa45. e 41 42 D. por ali. loc. A visto se juntava que. por meio da primeira se conservasse o comercio da índia.. izaque Izeckson. uma oriental e uma ocidental. diz o adágio francês. de "todas as nações°. Ainda combalido pelos "sessenta anos de letargo" cantados pelo poeta. Cura-se a dentada do cão com o pelo do próprio cão.. o Santo Oficio foi sobre os de origem portuguesa. seriam menores os gastos seus e maiores os lucros. Foi a energia indomável dos vencedores dos Guararapes que as conservou libertas do he reje e do judeu. Sidney. 7. pouco depois. pensando que os males do ouro judaico se curam com o próprio ouro judaico. onde continuaram a silvar as serpes dos interesses judaicos. Jamaica. "Epanáforas".

quando saíram do Templo de Hiram. esta condição foi causa de que o Santo Ofício proibisse o papel da proposta. mais tarde. a qual foi trazendo sempre do Brasil o que bastou para sustentar a Guerra de Castela.. restaurar Pernambuco. Passaram-se todas essas e outras tranquibérnias e. 52 Varnhagen. no ano da Graça de 1654. Vai por diante o padre e narra que. e ainda hoje acudir com prontos e grandes cabedais às ocorrências de maior importância". homem mui poderoso. Hoje. Depois que os apertos da guerra50 mostraram que não havia outro meio igualmente efetivo. A companhia de comércio defendida pelo padre Vieira e as que lhe sucederam até o tempo de D. que transparecia das cláusulas. designando as Províncias e. 235. e daí ela passou para a heráldica brasileira. as origens maçônicas de seus símbolos. como a companhia ou sociedade. tomo II. o que.. Demonstraremos quando tratarmos da República. quando o protetorado de Cromwell desaba na Restauração dos Stuarts. Negócio grande!51. esses Templos se equivalem. págs. a troco de seis vinténs cobrados sobre cada arroba de açúcar. mas o Santo Ofício cheirou-lhe de longe o judaísmo. no fundo.muito particularmente dos portugueses48. contra a igreja de Cristo.. que em Holanda estavam interessados nas Companhias e em Castela tinham todos os assentos. coordenadas e anotadas por João Lúcio de Azevedo Coimbra. é brazão da República.en fim. fora ele. Politicamente. oferecia quinze fragatas a Portugal por 20 mil cruzados cada uma. tomo III. que. conservar o reino. 29 . arranjara com o cristão -novo Duarte da Silva 300 mil cruzados. Jerônimo Nunes da Costa. porém.. bem o mostrou a Companhia Ocidental. Rodrigues Marcos. Quanto fosse a utilidade e eficácia dele. depois da tomada de Dunquerque. 556 e segs. judeu e agente do governo luso (!). dava na mesma. Aliás. quando afirma: " La guerre est la moisson du juif! 51 "Cartas do Padre Antonio Vieira". Imprensa da Universidade. com sua "roupeta remendada".. não só foi abraçada com a mesma condição. tinham como símbolo a estrela judaica de cinco pontas. Quando os holandeses ameaçaram novamente a Bahia. que o dístico ordem e progresso camufla de maneira a se pensar que vieram do Templo da Humanidade. A proposta era anónima. e mais um fulano.. "História Geral do Brasil". 52 48 49 Melhor diria: judeus portugueses. o que é bem diferente. que somente respira mais desafogado.. 1928. que o trazem divertido por outras partes. senão com outras muito mais largas. o padre. os Estados. consultadas e aprovadas pelos letrados mais doutos do reino.. pág. o queriam meter nas nossas companhias sem a dita condição ou segurança). José I. o Brasil se viu definitivamente livre do judaísmo holandês mas recaiu nas unhas do judaísmo lusitano. 50 Mais uma vez se tem que reconhecer que Werner Sombart tem carradas de razão. a Restauração de Pernambuco e Angola completava a Restauração de Portuqal. porque na dita proposta se dizia que o dinheiro aplicado às Companhias de Portugal estivesse isento do fisco (por quanto de outra maneira nem os mercadores estrangeiros nem os do mesmo reino. E. posto que sem nome49 e que ela por então não fosse aceita.

como rezavam as velhas cartas de brazão de armas. imensa região ubérrima que produzia grandes riquezas e ficava mais próxima da metrópole. regular o curso das moedas. ele tem Bet-Dines em muitas cidades norte-americanas. Essa autonomia municipal fora o apanágio da grande liberdade comunal da idade-média. No Brasil vasto e desprovido. a fim de arrendá-lo. funcionava o seu tribunal particular. em 1670. criavam violento dissídio entre agricultores e padres. 54 Op. tentara os conquistadores franceses e flamengos. de fundamento humanitário e verdadeiramente cristãs. pág. e registram sempre suas companhias nos Estados ianques de leis favoráveis a seus interesses. Carvalho. o Bet-Dine. O judaísmo decidiu-se a tomar conta dela por outros meios mais eficazes e menos custosos do que a guerra. cit. juízo privativo para reclamações e demandas. um monopólio organizado de qualquer ramo de comércio. J. a fim de enfraquecer-lhe as resistências. de Macedo. porque o negócio era "monopolizado por homens poderosos". tomo 0. 55 exclusividade do tráfico. ao tempo de Augusto. isto é. Matos. 56 João Francisco Lisboa. págs. Silveira. às sociedades que pretendia explorar. 84-85. com o tempo. Esse devia fornecer aos maranhenses objetos de ferro e aço produtos manufaturados do reino. que seriam vendidos na Europa. que catequizavam. No estado do Maranhão. isenção de impostos. Os acionistas ou assentistas. seguramente. Lisboa. decidir dos tributos. prover cobre a agricultura. composto por esta capitania e pela do Grão Pará. o absolutismo real. chocavam-se. que nela não haviam conseguido permanecer. sendo as entradas de 500 por ano56. ela novamente florescia no grupo natural do município. "Obras°.M. cada vez mais se agravaria. a troco de gêneros da terra. aldeavam e defendiam o gentio. mas estas logo encontraram o bem intencionado apoio dos jesuítas. a corrompera ou dominara. Como toda sua economia repousasse no trabalho do índio escravizado. Luiz desfrutavam de "imenso poder político". criado em luta aberta contra o meio. certamente pior que o outro. nos planos subterrâneos do kahal de Lisboa. especiarias do Oriente. depois do século XIV. o qual. Cf. Botelho. 1901. entretanto. meio esse de evitar a infiltração de cristãos-novos ou de quem quer que tivesse sangue de "infecta-nação". cit. A legislação justiniana reservou-lhe no Codex o capítulo De Judoeis. Os cargos da governação municipal eram exercidos privativamente pela gente nobre e deles se excluíam os "peões-mercadores"54. op. em proveito do erário. O contrato foi passado em 1682 bastando ver-lhe as cláusulas principais para se ficar inteirado da obra judaica: privilégio por vinte anos. 55 O juízo privativo é uma eterna ambição judaica. Mário Sáa enumera-lhes os nomes: Serrão. Moreira & Pinheiro.. Tal divisão entrava. 46. além de minguarem a mão-de-obra a fazendas e engenhos. devendo importar dez mil negros. formou-se em Lisboa uma companhia por ações. pois que algumas cartas do reino informavam que El Rei somente o 53 João Francisco Lisboa. Como o negócio não parecesse dar resultado em mãos do governo. como então se dizia. Aquelas providências. Não sei que influências secretas assopraram ao gover no pie Lisboa providências proibitivas da escravização dos índios. Em muitas das monarquias bárbaras havia o chamado Foro Judaico. 51-53. Diante das notícias desse novo estanco. Os Senados da Câmara de Belém e S. tomo II. ucranianas e lituanas. os brasileiros do Maranhão e do Pará ficaram de sobre-aviso. Em Roma. era necessário desorganizála. Hoje. normear ou suspender as autoridades 53. o silvícola e o pirata. II págs. 30 . podendo taxar salários e gêneros.CAPÍTULO V A ladroeira do estanco O ESTADO do Maranhão. Luiz tratou da "falta e carestia" de escravos índios.. eram aqueles mesmos cristãos-novos com cujos cabedais o padre Antônio Vieira contara para a fundação da companhia de Pernambuco. cujo fim era privar primeiro de união e força. Em 1551. 30 e 31. o Senado da Câmara de Belém representava ao padre Antonio Vieira contra a "falta de braços" por estarem desviando os índios à serviço da ordem. o de S. como define o dicionarista Morais. págs. tip. a navegação e o comércio. Está no livro de Ester. com as cruas realidades da vida colonial e. t. "Efeméride". a coroa procurara estabelecer um estanco.

em Belém. Os navios não vinham ao Estado com a regularidade afiançada62. depois da sublevação dos maranhenses. O governador Sá e Menezes envolveu-se. 59 Isto é : congelavam os créditos na Europa. pintaram o sete.. Usavam. para onde ambos se haviam transportado. após o estabelecimento do estanco no Maranhão. vendeu seu assentimento por uma patente de capitão de infantaria com soldo.. peitas e ameaças. pág. trouxe em sua companhia o cristão-novo Pascoal Pereira Jansen. recusando o açúcar. mas o exame dos fatos documentados nos mostra que essa causa foi o estanco judaico. Em geral os historiadores. terror e corrupção". pois possuíam exclusivamente do tráfico. à sacrificá-los por baixos preços a mal disfarçados agentes do mesmo estanco. eram de péssima quali dade e alto preço. além disso. tabacos e couros61. "suspeito de cristão-novo". 89. Havia mesmo sociedade entre o governador. Certos da impunidade. faziam ruinosa concorrência. 58 Op. o judeu Jansen. cit. tivera que gastar em gorjetas mais de um conto de réis57. pág. 87. Chama-se a isso. revelou "escândalos incríveis". enganado no seu propósito. ouviram do primeiro que Sua Majestade ordenava a introdução do mesmo estanco "sem dependência de consulta ao povo". do seu próprio bolso. em todos esses "vergonhosos manejos". ou o retorno do que elas lá produziam59. O escrupuloso e eminente João Francisco Lisboa assim descreve a grande roubalheira judaica: "Impedia-se ou dificultava-se aos moradores a remessa de suas drogas para o reino. o povo também era enganado. sendo obrigados a recorrer a manobras.. um tal de André Pinheiro e outros. e daí resultava que não podendo os moradores dar outras saídas a estes produtos. para que nenhum gênero de vexação faltasse naquela geral opressão. viam-se obrigados. 61 Isto é : a produção maior. julgando que o soberano houvesse dado ordens tão terminantes e despóticas. 60 ) Isto é : a produção menor. tomo II. 62 isto é : transportes e fretes estavam em suas mãos. 63 Op. quando anteriormente as vendas eram feitas à prazo. e. As mercadorias de que tinham o monopólio e que ninguém poderia obter noutra parte. quantia apreciável para o tempo..consentiria com "aprazimento dos povos". insistem em apontar a questão da escravidão dos índios como a causa principal da revolução. 31 . procurador da Câmara. consoante o silêncio deste pelos seus procuradores naturais e os informes que receberia. assim. Já viera de Portugal mancomunado com os judeus. que os compravam a poder de barato. o estanco foi estabelecido em São Luiz pelos recursos da "fraude. Quando veio tomar conta de seu cargo o novo governador nomeado. aos demais lavradores já extenuadas"63. Os oficiais da câmara chamados à presença de Sá e Menezes e de Jansen. A condicional do soberano lhes dava alguma esperança de salvação. os cristãos-novos desenrolariam seu plano de assalto às riquezas do Maranhão e do Pará.. ocupados em lavrar farinhas e outros gêneros que. um verdadeiro saque organizado! 57 Idem. Sá e Menezes. tomo II. A devassa procedida mais tarde. para não os perderem de todo. O rei era. tinham os administradores uma grande aldeia de índios. Antônio de Souza Soeiro. Segundo todos os documentos contemporâneos e os resultados das devassas ou inquéritos procedidos. não admitindo a menor réplica ou a mais leve objeção58. para facilitar a aquisição aos agricultores sempre baldos de cabedais. Ambos encontraram os povos com pouco aprazimento para engolir a pílula.. o vereador Jorge de São Payo prometeu o seu em troca de fazendas e gêneros. ou de outros-potentados.. 88. cacau. idem pag. pesos e medidas falsificadas. vendiam os escravos por preço muito acima do comum.. porque cuidaria que o povo a tudo assentiria de boa vonta de. Dizia o judeu Jansen que. se alcançavam mandar algumas. postos à venda em grande escala no estanco. grande assentista e administrador do estanco. cit. dos seus administradores. Como houvesse crise de mão-de-obra e as entradas de negros que se destinavam a atendê-la estivessem ao seu alvédrio. em boa linguagem. O estanco só recebia em pagamento cravo e pano60. disfarçes. De parceria com o governador venal. que só vêem as aparências políticas. obrigando o pagamento à vista.

Levantou-se. Tudo a põe por terra. não resultara sua culpabilidade e E1 Rei o mandara pôr em liberdade66. depois de Manuel Bekman. 3° e 4°. aliás. depois. Sobre isso não insistimos"68. os punhos crispavam-se ameaçadores e odientos. Os documentos oficiais desfazem todos os aleives e protérvias dos inimigos de Bequimão. Tomás. De volta do seu desterro. Ofício de Sá e Menezes à Corte. pois. cit. 70 "Relação histórica dos tumultos do Maranhão". diziam ser de raça judaica". inconstante. Não gostava dos jesuítas por causa da questão do trabalho servil dos índios. O governador permanecia em Belém e regia o Maranhão em seu lugar um tarimbeiro irresoluto e pusilânime. 20. inquieto. ameaçando de morte ao rapinante Jansen65. cit. aos cristãos-velhos e ao clero. a parte principal do Brasil. É conveniente não insistir. não só para fazer olvidar sua participação como para vingar-se das adulações servis com que o cercara. promotores da revolta do Maranhão. porque a hipótese é descabidíssima. 94-95 32 . para o macular. especialmente se nos guiássemos pelo nome. era um tanto turbulento. debuxa-lhe o retrato em cores negras. O judeu Isaque Izeckson. Manuel Bequimão viera moço para o nosso país e chegara a uma certa abastança pelo seu trabalho honrado de agricultor. a iniciativa e a inteligência judaica. 67 Op. A revolução andava no ar. Baltasar Fernandes. que já recebera pre 64 65 João Lúcio de Azevedo. essa hipótese não seria descabida. por muito tempo. Quando em qualquer roda se falava daquelas vilanias e ladroagens descaradas. Entretanto. pág. costumavam tomar os produtos para os vender. Filho de pai alemão e mãe lusa. João Francisco Lisboa nos deixou pintada com a mão de mestre a espantosa realidade da ladroeira e da espoliação. Isso é hábito dos judeus contra seus inimigos. ela lavrava no coração de toda a gente. como vimos. de 26 de agosto de 1683. "História dos cristãos novos portugueses". Era natural que a revolta lhe lavrasse no íntimo contra os opressores. pouco seguro de língua e atitudes. Esse homem ia ser um senhor de engenho que já se insurgira antes contra o miserável governo de Inácio Coelhos antecessor de Sá e Menezes e tão bom como tão bom. Seu irmão mais moço. Bekman é o herói de uma reação nativista contra o disfarçado . seu destemor. O estanco garroteava-lhe as possibilidades de refazer-se. poeta repentista de veia satírica. 71 Op.judaísmo dos assentistas da maldita companhia de comércio. Começaram a aparecer pasquins pregados pelas esquinas. Bastava aparecer um homem que polarizasse o descontentamento e a cólera para ela explodir com todas as suas imprevisíveis conseqüências. págs. tomo II. Chamava-se Manuel Bekman e aportuguesara seu nome na forma de Bequimão. por si só. 68 Dr. defendendo aquele "vulto nobre e grandioso"71. 16. Nunca se metera em negócios nem com negocistas. Os principais cabeças da revolta. Não têm o desplante de dizer até que Hitler é judeu? A vida de Bekman. os judeus têm o topete de afirmar com todas as letras que o Norte foi. o extremo Norte do Brasil. fossem judeus. dizendo-o "inspirado pelo ódio e pela baixeza"70. a preços exorbitantes64. Felizmente. Teixeira de Morais. viu-se quase arruinado pelo desamparo em que deixava seus teres e haveres. que lembra bem o de judeus holandeses ou alemães. Izaque Izeckson. quando estivera no poder. 92. "seus detratores. séculos afora. O venerável João Francisco Lisboa refuta-o. como a todos seus contemporâneos. afirma João Francisco Lisboa67. pág. graças ao trabalho. loc. desmentem a calúnia. não se pejou de ultrajar covardemente o sacrificado. Ligara-se à nobreza da terra. 39. em Portugal. O estanco judaico estancava todas as fontes de produção. cit. sua atitude em presença da morte. Por isso. não se atreve a tal afirmação e se limita a dizer: "Se bem que não tenhamos bases exatas para afirmar que os irmãos Bekman. estivera deportado dois longos anos na fortaleza de Gurupá. pág. os mesmos que. sua franqueza. no "Almanaque Israelita" de 193569. eram o velho vereador Jorge de São Payo. 69 Pág. à cata de glórias judaicas na história do Brasil. que infelicitou. homem ativo. parte 2a caps. Cúmplice na rebeldia. Da devassa a que fora submetido. tomo II. o "clamor universal" dos explorados por aqueles conversos. 66 Carta-régia de 24 de janeiro de 1680. seu espírito de sacrifício. cronista parcial da revolução e que nela tomou parte.

Malgrado a grande exasperação popular. Foi esse o primeiro desânimo que turvou a fé do revolucionário maranhense. com eloqüencia natural. A incúria do governo do inepto Baltasar Fernandes. Os padres da Companhia. à qual deu conta de todos os sucessos. caso 72 Padre Bettendorf. que não queria complicações e escândalos para a corte. os moradores despertados iam se armando e engrossando a turba. solapavam disfarçada e lentamente a obra da revolução. Na noite de 23 de fevereiro de 1684. que. Tudo foi aplaudido. expondo o que pretendia fazer: expelir os assentistas. pois não havia jornais e essa era a imprensa da época os quais pasquins concitavam o povo à revolta e criticavam a gente do estanco e do governo que o sustentava. Os vianenses. em Portugal espalha vam boatos e semeavam confusões em surdina. Precisava alastrar-se para se tornar mais forte e impor a libertação dos povos explorados.era hábilmente levado a reclamar contra o abandono em que estavam ficando engenhos e roças. manobravam as inteligências com que contavam lá fora. ausente no Pará e preocupado com seus ganhos. que se reuniam à socapa no convento dos capuchinhos. desanimando a uns e outros. ato audacioso que alarmava toda a gente. A multidão encheu as ruas e largos em regozijo. da nobreza e do povo. elementos internos. tomou conta da capital. lugar ermo e retirado. Bequimão procurou adesões em Tapuitapera74 e Belém. Nenhuma pessoa foi morta ou perseguida73. A revolução triunfante não podia ficar circunscrita a São Luiz. "Crônica da Companhia de Jesus". Era uma grande aspiração popular que se realizava. O corpo da infantaria paga e os próprios meninos das escolas fraternizaram com os rebeldes. 73 33 . que o acompanharam pelas sombras da noite rumo ao casario adormecido de São Luiz. muitos ameaçaram retirar-se e parecia ir tudo por águas abaixo. Todo o clero "aderiu à revolta". expulsar os jesuítas e depor às autoridades. triunfantes em Pernambuco e em Minas. 4 mil cruzados e o indulto com honras e postos. Fechou-se o estanco e se arrecadou em boa forma o que tinha em depósito. Travaram-se discussões. Seus enviados encontraram apoio de palavras quanto a extirpação do estanco. Foi quando Hilário de Souza. a bom recado no seu colégio. O prestígio do poder real e o medo da grande responsabilidade que iam assumir assustaram e dividiram aqueles homens. Pelo caminho. a quem prometeu dar parte de Sá e Menezes. e que vem descrito nos capítulos seguintes. mas a maior frieza quanto à deposição das autoridades reais. Desde tempos que seu irmão vinha colando pasquins em prosa e verso pelas paredes. Compare-se com o que fizeram os judeus mascates e emboabas.sentes do judeu Jansen. composta do clero. 1. entusiasmando-a e dando-lhe pormenorizada conta de todas as providências governamentais. conversos de Viana. O próprio bispo não foi estranho ao sucesso e como que até o favoreceu72. ao amanhecer. Nomearam-se novos oficiais e criou-se uma Guarda Cívica. fatigado do serviço da milïcia. com músicas.-Não houve a menor desordem. sendo muito vitoriado. Não se derramou uma gota de sangue. Foi quando o forçudo e decidido ilhéu Manuel Serrão de Castro arrancou da espada e gritou que o seguissem. bastante numerosos em São Luiz. três adjuntos e dois Procuradores do Povo: Bequimão e Eugênio Ribeiro Maranhão. Aclamou-se novo governo constituído pela câmara. permitiu ao movimento avançar sem encontrar óbices. veio de Belém avistar-se com Bequimão. que substituía Sá de Menezes. O arrojo da atitude destemerosa entusiasmou os maranhenses. véspera de sexta-feira de Passos. 74 Alcântara. acabar com o estanco. por causa das turras com a nobreza rural desde o caso da escravização dos índios. cantos e danças. Só algum tempo mais tarde foram embarcados para o reino. provavelmente cristão-novo. Bequimão falou com eloqüência. O povo. Bequimão falava-lhe constantemente da janela do Senado. Mais violentos e desabusados ataques faziam os frades capuchinhos e carmelitas nos seus sermões. menos os jesuítas. e um veterano na defesa do povo contra os despotismos e prevaricações das autoridades e dos mercadores. inimigos íntimos. menos a última parte que a todos surpreendeu e em todos despertou receios. Enquanto passava o tempo. cap. Requimão articulou a conjura com sessenta companheiros. houve a derradeira reunião dos conjurados na cerca dos capuchos. Bequimão nada tinha de cesariano e convocou imediatamente a Junta Geral. prendendo as autoridades. Francisco Dias Deiró. não sé consentiu no saque dos bens dos espoliadores.

reabriu-se o estan co. medrosos. a gente da povoação começou a evadir-se e ocultar-se pelos matos. João Francisco Lisboa. recompensas a quem entregasse Manuel Bequimão e castigos a quem o asilasse. Apavorada por tudo isso e pelos rumores que corriam de graves punições. desembarcou por sua ordem o cristão-novo Jacinto de Moraes Rego que logo foi enten der-se com seus patrícios vianenses. 78. Os cristãos-novos. Prometia. quando lhes arengava da janela do Senado. não desanimou de todo. natural de Viana. Sobre a gente de Viana e seu judaísmo. e gente desse lugar. Gomes Freire de Andrade apoderou-se facilmente de São Luiz com o apoio da infantaria paga de Costa Belo e os vianenses. Como o povo refugasse o serviço da Guarda Cívica. para onde. tomo II.submetesse a ele e ao estanco. além dis so. muito de indústria demorava a viagem. Nas noites lindas. reorganizando-se o corpo de infantaria paga. porém. A retidão observada por Bequimão na venda e repartimento dos escravos antes pertencentes ao estanco desgostou a muitos que haviam entrado na rebeldia.erro ainda mais grave. op. Antes do governador pisar em terra. enfim. como quem anda com a consciência tranqüila. pág. Os vianenses murmuravam maliciosamente que Tomás Bequimão. acerca do chefe emboaba Manuel Nunes. Numa dessas noites. Desgostoso com o rumo que as coisas levavam. 76 Bettendorf. com alguma tropa. mas Bequimão continuou a mostrar-se em público. Nenhum judeu até hoje recusou dinheiro. Chegava também um juiz ou ministro da Alçada que devia julgar os rebeldes. Gomes Freire de Andrade. pág. 110. ensina o erudito Mário Sáa. que era a única garantia da revolução. rastreavam os seus mais ocultos intentos" e disso davam avi so ao governador. que levara o cinismo ao ponto de ir beijar-lhe a mão76. irresolutos. cit cap 13 77 "A invasão dos judeus". Todavia. tomou-se a desastrada resolução de dissolver essa milícia. a espionagem e a dela ção. cujo comando foi entregue. voltava o irmão como prisioneiro de Estado. até que o governador mandou prender o bravo Manuel Serrão e o trêfego São Payo. é que Gomes Freire decidiu sua ação. Fez outro convite para a noite seguinte. Somente depois dos entendimentos desse enviado com os que trabalhavam para o mesmo fim dentro da praça. no capítulo imediato. Bequimão convocou seus partidários à cerca deserta dos capuchos. Pouco a pouco. Basta este gesto para tornar descabidíssima a hipótese de Isaque Iseckson. As palavras de fogo do procurador do povo não os galvanizaram mais como outrora. Manuel Bequimão retraiu-se em casa até a chegada do navio que trazia. cit. partira Tomás Bequimão. assim. O nobre procurador do povo repeliu dignamente a proposta e deu-lhe publicidade75. os cabeças. Todos os funcionários presos foram postos em liberdade e estabelecidos em suas funções. diríamos hoje. "introduzindo-se com os rebeldes. As ruas desertas pareciam um cemitério. mas com a mira na satisfação de interesses imediatos. Apareceram pouco mais de vinte. Reinaram. op. o céu se cravejava de estrelas faulhantes. Não veio ninguém. Somente então se desenganou. nomeado para ir ao reino tratar das reclamações maranhenses junto ao soberano. não por amor ao povo. novo governador. assustados. excetuando. Os vianenses. Era no mês de maio. foi Jacin to de Morais Rego nomeado provedor-mor da fazenda. . uma anistia. Estes começaram a falar mal do novo estado de coisas. Gomes Freire de Andrade alarmou-se com o êxodo e publicou um bando de perdão geral. tudo isso ia minando o prestígio do governo revolucionário. têm artes de "preterir todos os concorrentes" e são "particularmente inventivos" nesta matéria de impostos77. Em um latacho que se atrasara. Não vieram mais os sessenta patriotas animosos que a espada do ilhéu destemido conduzira à vitória. à espera que rompessem corsários do rei de França a quem seu irmão desejava entregar a capitania. ao sargento-mor Costa Belo recém vindo da metrópole. Por esses e outros inestimáveis serviços. Os atos do governo contra o luxo que ostentavam as mulheres mamelucas fizeram com que elas saíssem pelas ruas alvoroçando a população. chamamos a atenção do leitor para o que se diz. 75 34 .

tomo II. Muitos outros revoltosos receberam penas de multas. 78 79 Sempre o generoso óbulo da Viúva. era chefe de uma conjura contra o regime em vigor. pág. Mas o Kahal mandava e as ordens secretas do Kahal tinham de ser cumpridas. seguindo para o Mearim. Lázaro de Melo levou o infeliz ajoujado para a canoa. tomo II. 81 Op. 121-122. condoída de sua desgraça. o grande Odorico Mendes ofereceu esta apostila que obriga a meditar: "Gomes Freire de Andrade mandou injustamente executar Manuel Bek man como inconfidente. 122. com gente armada. depois solicitou que o aliviassem dos ferros e nós. O malvado entreteve-o de maneira que um dos sequazes pudesse aproximar-se e amarrá-lo pelas costas. nota. Ao avistar a embarcação. no dia de finados do ano de 1685. compete reagir contra isso. Cf. de repente. não houve ainda quem se lembrasse de promover a ereção de uma estátua ao nobre e abnegado Manuel Bequimão. De entrada. doando-os às infelizes. Bettendorf. numa canoa.. um Judas para entregá-lo ao sinédrio do estanco. op. Outra Viúva esconderia Tiradentes. Encarregou-se do infâme papel Lázaro de Melo. Morreu enforcado e não fuzilado. Garantido pelo respeito dos pobres negros à autoridade real. Tal era o prestígio de sua lealdade e honradez. Manuel Bequimão "recebeu a morte catolicamente animoso". 35 . cap. onde ainda lhe meteu grilhões. consertando seu engenho. pronunciando estas derradeiras palavras: . que o outro o atendeu80. Injustamente também não. preposto de companhia de judeus-portugueses da Holanda. e mal recebido por toda parte.. Os escravos do engenho acudiram em armas para de fender o amo benquisto. hoje da Trindade. João Francisco Lisboa. Deixava viúva e duas filhas na maior miséria. também injustamente81. foram condenados também à morte Jorge de São Payo e Francisco Dias Deiró. porque seus bens haviam sido confiscados. op. em comemorar o centenário do desembarque de Maurício de Nassau. e passado século e meio. 123. em Lisboa. insuspeito no caso.... cit. esquivado de outros.. "repelido de uns. diz Teixeira de Morais. Será verdade que a culpa dos pais recai sobre os filhos até a quarta geração?". mas foram intimados a nada fazer em nome de El Rei. Gomes Freire. uma feita. que conseguiu fugir e foi executado em efígie. voltou confiante e apresentou-se na ânsia de saber notícias. Há quem pense no Brasil. cit. isto é. cit. os heróis judaico-maçônicos são sempre lembrados. lhe forneceu uma canoa bem remada. op. grão mestre da maçonaria. cit. Muito lhe devia doer a consciência! O Judas-Lázaro recebeu a paga de sua felônia: uma mísera patente de capitão. A mocidade. cit. porém desde que soube tratar-se do amigo. 82 Op. 13. Bequimão exprobou a infâmia. Acrescenta que Gomes Freire de Andrade assinou a sentença cheio de mágoa e com mão tão trêmula que a firma nem parecia sua. O processo contra o chefe revolucionário foi fulminante. a 18 de outubro de 1817. vítima dos judeus-portugueses da ladroeira do estanco! Os verdadeiros heróis nacionais ainda esquecidos. parte 22. pág. tomo II. A página da obra de João Francisco Lisboa que narra circunstanciadamente o fato.. como inconfidente. devidamente esclarecida. contudo. sequestro de bens. teve. o chefe da reação contra o estanco judaico vagou pela ilha de São Luiz. pág 120. Também em vida recebeu a paga da Justiça Divina: conta o velho Barredo que. cit. Com Bequimão.Abandonado ao seu destino. Conta-se que Gomes Freire de Andrade praticou o ato generoso de mandar arrematá-los em segredo por pessoa segura. seu amigo íntimo e que lhe devia benefícios. A forca se ergueu na praça do Armazém. foi fuzilado (?) na esplanada da torre de São Julião.. pág. Teixeira de Morais. açoites e degredo. até que uma viúva78 . "mais do que sumário". dando palavra de honra que não tentaria fugir. 80 Op. o general Gomes Freire de Andrade. o pescoço envolvido por cordas e morreu enforcado. tomo II. um descendente do governador do mesmo nome. que conhecia bem.Morro satisfeito em dar a vida pelo povo do Maranhão82. Não faltou. Bequimão meteu-se num esconderijo seguro. na qual se transportou ao seu engenho do Mearim79".

neto de Caramuru e Paraguassu por sua mãe. João Coelho de Souza. 17 e 133. Os primeiros impulsos bandeirantes partem da Bahia. salteado pela morte. Por lhes dar crédito. em 1570. conseguiu falar com Filipe II. um sonho amarelo e um sonho verde. encheu-se de desmesurada ambição. 1904. aquém. que quer o título de Mar 1 Diogo de Vasconcelos. mas insistentes" de "grandes riquezas naturais jacentes no sertão "serras de ouro e prata"2. Afinal. morrendo das fadigas que ela lhe custou. afinal o ouro e a pedraria incendiaram-lhes a cobiça. adoecendo no Jequiriçá. cit. regressando em 1591 com mais de 300 pessoas. aldeando a indiada confiante na sua palavra evangelizadora. da Cia. Gabriel Soares foi o autor do "Tratado Descritivo" e teve o título de capitão-mor e governador da conquista e descobrimento do rio de São Francisco". Ao princípio. filho de italiano. habilmente invocada e defendida por Alexandre de Gusmão. Entrada mais digna de nota foi a de Antônio Dias Adorno. subiu o rio Doce e apanhou pedrarias e pepitas. segundo ensina Capistrano de Abreu. pág. daí sai o vereador Dom Vasco Rodrigues Caldas. Em 1572 e 1573. O pontífice traçou na carta do continente o meridiano de Tordesilhas. págs. as instruções reais. 3 ) Diogo de Vasconcelos. seguiu-lhe a trilha e encontrou "preciosas amostras". Gabriel Soares foi à Espanha e. que foram perdidas no naufrágio de uma canoa. também descendente do Caramuru. Ela corria dá embocadura do Amazonas à Laguna em Santa Catarina. peavam os avanços para o interior1. aproveitando de início os caminhos dos índios. fez ampla colheita de esmeraldas e turmalinas. Depois.CAPÍTULO VI A tragédia do ouro A DISPUTA entre as coroas da Castela e Portugal sobre a posse das novas terras descobertas na América do Sul forçou ambas a se submeterem ao juízo de Salomão do Papado. diz Urbino Viana. depois de muitas delongas. entregou seu roteiro ao sobrinho Gabriel Soares. na caça do índio que escravizavam. e pág. De volta. Obteve provisões e mercês. tudo era de Espanha. linha de limites do campo de ação dos litigantes. em 1586. Narra Gandavo que. Ao mesmo tempo. 2 36 . 1935. destinada a ser o eixo geográfico em tor no do qual giraria a história do Brasil. Daí saíra Bruza Espinosa. Martim de Carvalho. com grande propriedade. somente o citamos quando comprovadas em fontes mais seguras as suas informações. Dos índios que a enchiam vinha uma tradição da existência de metais e esmeraldas. "Bandeirantes e Sertanistas Baianos". A penetração bandeirante foi realizada aos poucos. S. em 1553. em casa de Gaspar Soares. que se meteu pelo rio das Caravelas. penetrou 200 léguas na largura do sertão e colheu amostras de metais e pedras. Diogo de Vasconcelos não é um historiador que mereça inteira fé. o qual é desbaratado pelo gentio bravo. construtores da Grande Pátria. "História antiga de Mina Gerais". Não desesperou por isso e fez a sua entrada. op. Belo Horizonte. cit. Domingos de Loreto Couto. Do episódio nasce a lenda histórica das famosas Minas de Prata. Além. abrangendo vasta área franciscana. Imprensa oficial. Editora Nacional. Quando se olha hoje para o mapa do nosso país é que se vê quanto foi recuado o meridiano papal pela energia dos bandeirantes. a sua notável viagem de oito anos. por todos os lados os jesuítas iam entrando na catequese. os sertanistas internaram-se mais. "Desagravos do Brasil e Glória de Pernambuco". o castelhano peruleiro Francisco Bruza Espinosa se internou até o rio Jequitinhonha. 15. Belchior Dias Moreia. tudo de Portugal. 6 Op. Sebastião Fernandes Tourinho. "faz ao sertão baiano. Paulo. aparece o herdeiro do roteiro célebre. filho do cunhado3. que a nos sa bandeira perpetua e que aqueceriam a mente de muitos homems intrépidos pelo tempo além. pelo receio de invasão das possessões espanholas que o desconhecimento do território fazia pressupor mais próximas. depois. pág. a começar em 1595". ed. menos a gente. conforme narra Aspicuelta Navarro. Urbino Viana. perdendo tudo. e quando o consagrou a doutrina do uti posidetis. O cunhado deste. Circulavam "notícias vagas. Roberto Dias. Era inteiramente desconhecido aquilo que Pero de Magalhães Gandavo chama. já no meado do século XVI. Naufragou na costa do Vasa-Barris. a "largura" do Brasil para o sertão. nas suas pegadas. por isso. sabendo dos achados de Adorno.

procurador da condessa de Vimieiro 6.esperando a energia bárbara dos bandeirantes paulistas. antes de lograr o seu intento. 4 37 . traz cartas-régias de D. Fernão Dias Pais Leme. Muitas vezes viajavam por esses desertos. escravizando a indiada. que só se vai afirmar de fato com a volta do Brasil à coroa portuguesa pela aclamação de D. quando a gente de São Vicente principiou a se estender pelo litoral até Laguna e a escalar os primeiros pendores da Serra do Mar. descobrindo as minas de Jaguamimbaba e denominando àquela região. Rio de Janeiro. op. à Mantiqueira e aos Cataguases. os sapos. as estações. que vai à corte. Felix Jaques. Esse foi o grande drama brasileiro das Minas. Tipografia Americana. que volta em companhia de D. conseguindo na primeira investida vencer e aldear os goianenses. quando Marcos de Azevedo Coutinho. répteis que davam a morte quase instantânea. cit. as cobras. em largas pinceladas. por causa dessa escravização.. a opulência a procuradoria permitem certa suspeita de cristão-novo. Transposta a montanha. Affonso VI. Se não tinham o que comer. Recebeu as cartas-patentes em 1792. mascavam folhas silvestres. levando consigo o Joaquim Felício dos Santos. a penetração começara desde os albores do século XVI. serviam-lhes de alimento os lagartos. O retrato. João IV. se não tinham o que beber.. Amantikira. sangue de cohens como João Ramalho e outros. 5 "Diogo de Vasconcelos". Os rumos estavam traçados. mistura de sangue brabanção e luso. Para se ter uma idéia nítida do valor desses homens que entravam pelos sertões hostis. depõe Paulo Prado. o calor. rios caudilosos. Depois dele. a chuva. abismos insondáveis. descuidados e imprevidentes como se nada devessem recear. com os jesuítas. pág. por Taubaté. ou as frutas acres dos campos 4". um de seus opulentos moradores. do conquistador sertanejo deve ser guardado de memória para o compararmos mais adiante com o do mercador interesseiro e hipócrita. Pelo lado de São Paulo. 77 7 Pedro Taques. 34. sem fazer literatura recorro a um historiador circunspecto e documentado. que o extravia pelas veredas invias do sertão largo e leva para o túmulo o seu segredo. a seca. págs. quese malogra ao choque dos índios bravios. de vontade firme. pág.a tragédia do ouro. vivia sempre em luta aberta. São Paulo estava fundado no planalto piratiningano e seus sertanistas batiam os matos e serranias."na psique coletiva das tribos de Israel e do povo paulista há aspectos de uma impressionante semelhança". que era pernambucano 7. O século XVII é o grande século das bandeiras. que lhe vai tirar das mãos minas. iriam pelo Tietê aos sertões do Paraná e do Paraguai. op. mas morre no Espírito Santo. quando não podiam obter outra alimentação pela caça e pesca. cit. Em 1645. João Correa de Sá e Benevides faz uma tentativa de bandeira. roíam as raízes das árvores. Os sertanistas alcançaram a chamada serra das Vertentes no fim do século XVI.8. subira o rio doce.. os animais ferozes. achando o primeiro diamante e penetrando no chamado sertão das Esmeraldas5. "Cristãos-Novos em Piratininga" in "os judeus na história do Brasil". Aliás. 6 0 nome. funda o arraial de Taubaté e entra pelo sertão de Cataguases até o rio Verde. que encontravam pelo caminho.quês das Minas. não temiam o tempo. pertinaz. depois de conquistadas pela sua bravura. com oposição de todos os de sua casa. em 1579. debandando os índios e abrindo o caminho para o interior de Minas Gerais. Começava o século XVII. Cegos pela ambição. Para eles. As cartas-régias demonstram que já E1 Rei esquecera os escrúpulos acerca do meridiano e estava resolvido a impelir a avançada para Oeste. preparou a bandeira em 16748. 22-23. 8 e 9. "Memória do distrito diamantino". partindo do Espírito Santo. "Nobiliarquia Paulistana". não havia bosques impenetráveis. ed Taunay. Francisco de Souza. em guerra renhida e encarniçada. de acor do com o falar do índio. que lhes devorava os prisioneiros e lhes disputava o terreno palmo a palmo. quem toma aos ombros. 186. 8 Diogo de Vasconcelos. aos campos da Vacaria e do Prata. É o sexagenário morador paulista. e mais do que todo o indômito e vingativo índio antropófago. Leiamo-lo: "Eram homens ousados e intrépidos que se embrenhavam pelos sertões das Minas em busca de ouro. a tarefa cometida a Barbalho. inabalável. Agostinho Barbalho. A progênie dos cristãos-novos. por Sorocaba. para seguir-lhe o exemplo uns vinte anos depois. serras alcantiladas. sugavam o sangue dos animais que matavam. arrostavam os maiores perigos.. que se corrompeu em Mantiqueira. págs..

Da discórdia e intriga que houve entre ambos. Fschwege. porém. Um Furtado de Mendonça que atinge o Ribeirão do Carmo e um Antônio Dias. a descoberta do ouro das Minas data de 1695. Garcia Rodrigues entregou-lhe a metade das esmeraldas trazidas por Fernão Dias. receando a justiça de El Rei. no fim do século XVII. que a_n dava à caça de escravos. No ano da Graça de 1640. Então.Dissertação sobre as riquezas do Brasil em ouro. ainda não achadas. até às margens do Paraopeba. As minas haviam sido encontradas. Mandou executá-lo sumariamente. os buscadores de ouro e pedras descortinavam o ser tão imenso e foram os primeiros a ter a inolvidável sensação de grandeza do interior do Brasil. os Bueno. Guiando-se pelos picos azuis que emergem do oceano coagulado das cordilheiras. 1922. Os paulistas dispersaram-se por aquela imensidão de terras. Todavia.genro Borba Gato e o filho natural José Dias Pais. Uns foram sucedendo aos outros no mesmo anseio de conquista. entrou pelo sertão e foi até o Araxá. 13. sangue dos Taccen do Brabante. Rodrigo de Castelo Branco. que. onde se viu. a quem pediu que dissuadisse o povo daquela aclamação. numa entrevista com este. Alinham-se em série os Souza. cortada de combates e misérias". Vede a sua incomparável teoria na "História Geral dos Bandeiras Paulistas" de Taunav. mas apanhou a palustre e foi morrer de regresso. Essa cobrança. pág. estabelecendo-se as primeiras fazendas de gado. Agora. D. maioral da vila e peruleiro9. de que se falava já e Antônio Pedroso buscara até o Paraopeba. se escondeu no mosteiro de São Bento e mandou chamar Lourenço Castanho Taques. no velho arraial de Santa Ana do Paraopeba. quando Amador Bueno fora aclamado rei de São Paulo. 9 Pedro Taques. op. castelhano e cheio de empáfia de seu cargo. 10 38 . No fundo longínquo do horizonte. do metal precioso que ele adivinhara naquelas brenhas o aguentava nas marchas penosas pelos ermos e socavões. Era grande humilhação tornar de tão longe a São Paulo de mãos vazias. . Mas os seus companheiros murmuravam descontentes e o seu próprio filho participou de uma conjuração contra ele. pág. Belo Horizonte. em 1681. no fim de dois anos de jornada. por que não dizê-lo. de Taubaté. somente começou nas Gerais em 1700. à vista do arraial do Sumidouro. "Pluto Bras iliense" de 1833. funda Ouro Preto. Em 1675. Tradução do judeu Rodolfo Jacob in "Coletânea de Cientistas Estrangeiros". resultou a morte do fidalgo castelhano a tiros. que e_x traíra ao capitão-mor do Espírito Santo. que é indultado e nomeado tenente-general. guiados por Garcia Rodrigues. Descobriu-a. tanta luta e tanta privação.. loc. A miragem. os Garcia. apresentou três oitavas. diamantes e outros metais". D. foram encontrar. os padres da Companhia de Jesus contra os escravagistas e cristãos-novos. Na opinião de Joaquim Felício dos Santos. op. tristemente. cit. Longa foi a trajetória da gloriosa bandeira Mantiqueira acima. A gente que acompanhava o administrador voltou temerosa para São Paulo. Lourenço Castanho Taques era homem opulento. na mesma ambição do metal precioso e. L. abandonada e sem recursos. afundou-se no sertão. segundo o mesmo Joaquim Felício dos Santos. cit. que lá ficara com um troço de gente. sertões de Cataguases adentro. Os restos da bandeira. por dois pajens do bandeirante. O que veio custar as jóias da sua mulher. O século termina com o reaparecimento de Borba Gato. a fim de entender-se com Borba Gato. 245 W. em 1698. os Arzão. era fruir os resultados daquilo que custara tanta canseira. pelo Itambé ou pelo Itacolomi. o alvará que estabeleceu a cobrança dos quintos data de 18 de agosto de 1618. pára o vaivém das bandeiras e começam os estabelecimentos definidos e definitivos das lavras. onde dormia o velho segredo das esmeraldas. já embriagado pela ambição das minas lendárias. fundando o arraial do Sumidouro. os Gomes. O velho sertanista assenta no Sabarabussu o arraial do Rio das Velhas. dirigiu-se ao Sumidouro. fazia já três anos que ele andava pelo sertão. Quando voltaram os portadores que mandara a São Paulo buscar recursos. Sustentava como bom cristão-velho. E Borba Gato. Fernão Dias preferiu ficar pesquisando a prata e o ouro pelos ribeirões e córregos da região de Sabarabussu. Rodrigo. aniquilando o gentio cataguás e descobrindo o ouro de Goiás. o cume azul do Itambé balizava sua rota em busca da lagoa Vupabussu. na mesma emulação de glória. governador ou administrador das Minas. cit. Borba Gato apanhara as primeiras pepitas de ouro às margens do Rio das Velhas 10. toda ela "crivada de sepulturas. quando António Rodrigues Arzão.

17 Diogo de Vasconcelos. 1896. Tomavam judaicamente o resultado do heroísmo alheio! 11 12 Diogo de Vasconcelos. pelo Espírito Santo. diz Simão Pereira Machado. pág. A mascateação e a exploração de mulheres são até hoje profissões eminentemente judaicas. 231. pág. Ouro Preto. "Memória sobre o Estado da Bahia".. assim. Quem eram os principais desses adventícios baianos ou reinóis? Diz a História que as Minas se encheram de mercadores. caminho desembaraçado. A carta-régia de 18 de março de 1694. págs. Desde 6 de fevereiro de 1648. especulação. 358. quando foi baixado em Portugal o alvará isentando de confiscação a fazenda dos cristãos-novos que emigrassem. Os guerreiros odiavam os mercadores ou mascates. porque os de São Paulo e Rio eram de algum modo vigiados pelas autoridades. mas os que se queriam aproveitar das conquistas de seu heroísmo lhes roubariam o fruto de mil sacrifícios. obreiros estes únicos que podiam suportar as fadigas medonhas de tal indústria desumana e cruel como foi a das minas.Mas. vai expulsá-los pela força. afundando-se no sertão"14. cit. correram em aluvião para as minas entrando os últimos. 401 13 Simão Pereira Machado. "Na era das bandeiras".Assegura Taunay que os moradores "despejavam as vilas.. "Efemérides Mineiras" . 18 Azevedo Marques. o qual resultava daquele contrato da Companhia do Brasil. As Minas tornaram-se o paraíso de aventureiros de toda casta e de toda parte. acrescenta o mesmo historiador. ansiosos de se enriquecerem nas minas de ouro de que já muito se falava. Imprensa Econômica. roubos. Bahia. porque o judaísmo dos emboabas ou pintos-calçudos. Sente-se o judaísmo emboaba na descrição de Diogo de Vasconcelos.1664 . consoante o dizer do povo. 120. a luta pela apropriação do eldorado interior travada pelo ádvena contra o brasileiro. 89. vadios que extorquiam de todos os meios e modos o ouro aos que o bateavam nos córregos e rios. sobreveio inumerável multidão. sobretudo. seu dinheiro. e em que vão grifados os pontos essenciais: "Acima dos paulistas gozavam da vantagem de ser conhecidos e amparados pelos compatriotas das praças marítimas que lhes forneciam à crédito instrumentos e escravos africanos16. na maioria judeus.. localizadas às catas. servir às ambições inescrupulosas do cosmopolitismo litorâneo. 15 José Pedro Xavier da Veiga. 39 . as terras mais ricas. exploradores de vícios e luxúria.. e em breve tempo.1897. Azevedo Marques revela o que eles pretendiam: a fortuna das minas sós e sem partilha 18. Rocha Pita. vencendo-os. op. como sempre em casos análogos. publicação oficial. pág. Cf. realizando "a idéia brutal de lançarem pela violência fora das Minas seus adversários'11. Emigração colossal15! A afluência dessa gente às catas e garimpos determinou. ficaram pertencendo aos reinóis. dava aos descobridores a plena propriedade dos achados. com sua organização e. vexações. jogo. sobretudo mascates ambulantes. sobretudo. Viu-se em breve tempo transplantado meio Portugal a este empório já célebre por todo mundo13. A acepção atual da palavra tratante trai. 1878. A árdua conquista bandeirante do Oeste ia. simboliza na opinião de Pedro Calmon.. o bandeirante não recebe o prêmio do esforço heróico. pág. que o padre Antônio Vieira agenciara e defendera crescera para cá a emigração de índividuos ativos. porque com o seu dinheiro se enobreceriam. e algumas outras também aos baianos que dispunham de tais elementos"17. 243. imprensa oficial. Esse conflito entre paulistas e emboabas. no "espírito da sociedade colonial". "Apontamentos Históricos".ninho de cristãos novos. furtos. 16 A eterna "rede de crédito" a que aludiu Pedro Calmon quando os judeus do açúcar pernambucano. pág. a desordem social: vinganças. "História da América Portuguesa". 14 Escragnolle Taunay.. organizado com capitais judaicos. op. op. cit. 0 pro cesso é do judaísmo de todos os tempos. na linguagem usual. o bolo não é para quem o faz e sim para quem o come. "Das cidades e lugares marítimos. 200-207. luxo e gastos desenfreados. tomo I. cit. as regiões mais férteis. Desses e outros motivos a profunda ojeriza do paulista guerreiro contra essas homens de negócio a que se aludem todos os historiadores dos acontecimentos. "Triunfo Eucarístico". Devasso o sertão.o vestígio desse rancor antigo. Eschwege.. pág. contrato ao principio condenado pelo Santo Ofício. Esses forasteiros e mais os da Bahia .. 1897. Certos autores até a isso atribuem o início da decadência de Portugal12. Em tais condições.

Já tinha havido grandes e vigorosos protestos contra o açambarcamento judaico desses ramos de comércio. para capitão-mor das Minas pareceu dar. a hesitação em face da luta armada. op. não podendo. Naturalmente. Os do Maranhão eram os vianenses. nem sempre é possivel achar a documentação concludente do que se afirma. pelo menos na aparência: o oficio de mercador. o apelido Nunes. cit. É a checkita. possuidor de 50 arrobas de ouro. tanto contra os cristãos. cit. na pág. religioso da Santíssima Trindade."o domínio do país passar ao poder dos seus competidores". quanto contra os próprios israelitas.. os paulistas lançaram-se à procura de novos lavradios de ouro ou se refugiaram nas roças. levantava a indignação dos paulistas. Uma rês que custava no sertão de 3 à 9 oitavas de ouro (5$280 a 15$840) era vendida no Rio das Velhas. "tão bom como frei Francisco". no Ribeirão do Carmo e Ouro Preto de 70 a 90 mil réis! Os interessados não corriam perigo algum de prejuízo. Diogo de Vasconcelos. Rebentara na Europa a Guerra de Sucessão da Espanha em que Portugal se envolveria contra a França. 51 do livro "Bandeirantes e sertanistas baianos" que. o amameiramento e o jeito insinuante. hábito inveterado nos judeus de todos os países. do mesmo modo que na guerra holandesa a consciência brasileira se insurgira contra a inominável espoliação judaica. enriquecido pelo negócio. Estalaram os primeiros conflitos entre as duas facções em Caetê. como o faz notar Pedro Calmou.Espoliados e decadentes. na "História da Civilização Brasileira". com a mais justa indignação. são provectos os judeus e que detém onde quer que se encon trem em quantidade. Todas as circunstâncias levam a crer que se tratava de homem de sangue judaico. Manuel Nunes era una interrogação. os partidos se extremaram e a luta que se ia travar assumiria um caráter nitidamente nativista. sobretudo porque os historiadores estavam desprevenidos em relação à questão judaica. Xavier da Veiga. Diz Urbino Viana. em busca do mistério. Outro encarniçado defensor do monopólio era frei Firpo. como veremos adiante. porque "tinham em mão a estabilidade e a segurança dos preços". por essa razão. mercador e monopolista. que se consumou. Mais uma vez. Eram sócios de Manuel Nunes o reinol Francisco do Amaral Gurgel. de onde voltou feito alcaide-mor de Maragogipe.. que os corsários de Luiz XIV atacavam. em Portugal. com a carne kosher ou da rês sangrada de acordo com as prescrições talmúdicas. a procedência de Viana. que ainda agora está preocupando os legisladores da Polônia e Dantzig. Manuel Nunes Viana participava do odioso contrato das carnes. pois dele fazem rendosa especulação. o emboaba. amável. embora cristianizado. mesmo amaneirado com a freguesia e que procurou fugir da luta. para Capistrano de Abreu. 19 20 Monsenhor Pizarro. natural de Viana. vendo. "que não lhe convinha". Que força! Houve na Bahia tradição de que até matara uma das filhas. págs. cujos sobrenomes e cuja atuação o fazem suspeito de judaísmo. Os judeus eram amigos destes. que dava "rios de dinheiro". 0 caso de Manuel Nunes obriga a esse recurso. 215-217. senão sinceramente. muito comum aos cristãos-novos. muitas vezes é necessário recorrer às provas circunstanciais de ler . por um instante. porque. Cf. cidade de onde veio grande número de judeus para o Brasil. págs 229 e segs. que o trouxera do balcão à riqueza e florescia num monopólio. O homem já fora preso na Bahia e enviado a Portugal. Em uma história secreta. por isso. e o frade goliardo e aventureiro Francisco de Menezes. Esse monopólio de açougues. A nomeação de um paulista. onde o principal dos reinóis ou emboabas era o potentado Manuel Nunes Viana. com a carne fret ou da rês abatida de maneira comum. 40 . procurando apaziguar os ânimos 20. como sabem os entendidos. ganho de causa aos brasileiros. "Memória do Rio de Janeiro".ias entrelinhas. Dizem os historiadores que era insinuante. possuía a "superioridade da cooperação" e com o dinheiro podia pagar mais escravos para o trabalho das lavras e os exércitos mercenários de mamelucos e índios. filho de Antônio Nunes Viegas. Pedro Morais Raposo. o acréscimo do nome da localidade de nascimento. antigo caixeiro na Bahia. tanto que houve no Rio de Janeiro cristãos-novos que se abraçaram à bandeira de Duguay-Trouin e foram embora nas suas naus19. dispor de tropas para impor ordem na colônia sul-americana. coisa em que. op. que Diogo de Vasconcelos denomina "o maior dos apóstatas que então andavam nas Minas". também senhor do monopólio do fumo e da aguardente.

. fazendo redobrar o furor dos paulistas. Manuel Nunes foi sagrado ditador. categoricamente "facinoroso". que mal os avistou se pôs em fuga. cujos meios de fortuna e nomes justificam suspeitas de cristandade nova. De muito longe. dispostos a uma resistência tenaz. vencidos. 23 Claudio Manoel. congregaram-se e aclamaram Manuel Nunes Viana capitão – regente ou governador. Ainda não estava de todo quebrada.Os monopolistas tinham amigos e parceiros no Rio de Janeiro. mas violou a capitulação. O conde de Assumar. O ditador mandou incendiar o arraial pelos índios ao seu serviço. 218. Mas vieram os emboabas de Ouro Preto em auxilio dos outros e forçaram a entrada do arraial pelo lado menos defendido. como seu êmulo do Nordeste. que dirigiu tal obra e tão bem acabada. obrigando-os a se renderem pela fome e pela sede. porém. sertões afora. mas a indiada ao seu serviço fugiu ao primeiro contato com os descendentes dos bandeirantes. de novembro para dezembro de 1708. como se diz hoje. Foi quando o governador D. Amaral Gurgel avançou com mais gente e cercou-os em um capão. e mais ainda a iniciação do governo de Manuel Nunes. tudo nos leva a procurar a cabeça pensante.. cessou a luta. talvez confundindo sua habilidade e disfarce com verdadeira boa intenção. calculada e ardilosamente concebida. 'os historiadores elogiam Manuel Nunes. págs. Em geral. alarmando os moradores inseguros diante daqueles novos conquistadores albergados em suas terras e que delas de repente se apoderavam. como declara um cronista. ainda atravessavam ou açambarcavam. quando os paulistas exaustos estavam mergulhados em profundo sono. Muitos eram veteranos das epopéias sertanistas e dá conquista de Palmares. visando unicamente o ouro! Inferiores na proporção de um para dez. cits. Toda essa trama é positivamente judaica." Pois em sã consciência vemos aí um plano judaico. Por esse tempo. Isso ainda envenenava mais a situação. avinda da autoridade foi 21 22 Cf. Pela madrugada. fazendo matar friamente trezentos deles. assumiu o comando militar. a atoarda de que eles preparavam a chacina de todos os forasteiros que haviam invadido as minas. Sobrevindo a noite. Não contentes com ela. pág. o feroz judeu Jacob Rabbi. Manuel Nunes passou o comando ao apóstata frei Frahcisco. op. Diogo de Vasconcelos. Frei Simão de Santa Teresa foi feito secretário do novo governador e o mestre de campo Antônio Francisco da Silva. os paulistas de Cachoeira do Campo. como o foi para o tempo e para o sertão. hoje Mariana. obtendo completa vitória23. os paulistas fortificaram-se em Sabará. E logo nos apresenta para tanto a figura maquiavélica de frei Francisco de venezes 22. já o poder de Manuel Nunes vinha sendo minado pelas dissensões entre os forasteiros reinóis e baianos. com as insígnias do governo. Diogo de Vasconcelos.. cit. 41 . com poderes ditatoriais. "Este golpe audacioso. Fernando de Mascarenhas resolveu ir do Rio de Janeiro às Minas para pôr cobro ao que lá ocorria. Na própria igreja do arraial conquistado. os emboabas deram o ataque. a imitação erudita que o sugeriu. Chamou-se àquele local de Capão da Traição em lembrança dessa façanha judaica. chefe dos emboabas contrários aos paulistas de Cachoeira do Campo e Ribeirão do Carmo. ops. vilmente explorados e despojados dos seus bens. igual a todos os planos judaicos postos em prática por toda a parte e em todas as épocas. que os defendiam perante o governo. Prometeu-lhes a vida salva. Ferido. Na confusão causada pelo fogo. E lá se foram eles. Amaral Gurgel mandou ataca-los pelo capitão Gonçalo Ribeiro Corço. cit. "aventureiro de primeira linha". o frade lançou sobre eles mamelucos e índios mercenários. se entrincheiravam e esperavam o choque de seus inimigos. nome de cristão-novo. Manuel Nunes foi ajudado por outro homem opulento. Cf. Então. pondo os brasileiros em fuga. 220 e segs. Valentim Pedroso de Barros juntou os fugitivos de Sabará e Cachoeira no Rio das Mortes. "memória Histórica da Capitania de minas". todos os gêneros de primeira necessidade21. como se vê do episódio a resistência destes. chama-o em carta ao marquês de Angeja. Pascoal da Silva. Diante do rumo que as coisas tomavam. Aboletou-se em ouro Preto e mandou atacar o Ribeirão do Carmo. a hipocrisia que o traçou. Começou. op. Diogo de Vasconcelos e Xavier da Veiga. O eterno boato judaico para justificar as violências posteriores! Os emboabas fingiram-se amedrontados.

pág. Bahia. do Brasil se extraíra em ouro o valor de 974. Jorge guerreiro "Os judeus no Rio de Janeiro" in "A Universal". como o qualifica Xavier da Veiga 24. 040 cruzados29! O ouro confiscado aos contrabandistas se elevou a 1. de onde fugiram para a Índia. encontrou um exército de 4 mil homens a dar-lhe "morras". 291. de onde escreveu a E1 Rei. pág. Pyrard de Laval. Sua obra de expropriação forçada dos paulistas estava finda e só lhe restava esperar sossegado a ação de frei Francisco na capital da metrópole. sobretudo ali por 1750. Pela primeira vez no Brasil. próprios de um judeu e exilou-se voluntariamente na sua fazenda de Jequitaí. 28 Eschwege. João Lúcio de Azevedo calcula em 100 milhões esterlinos a "totalidade ou ouro exportado para a metrópole no espaço de um século!" 32. pág. que se escoaram para Portugal. em pleno sertão. Fernando.Pedro Calmon. E da sedição judaica!!! O esperto Manuel Nunes queria que sua gente se apoderasse das lavras dos paulistas. 216. Cf. 238. toda ela composta de cristãos-novos25 e que dispunha de "todo prestigio na corte" 26. Com ele. Paulo Prado . Em número de mil e duzentos sitiaram os emboabas no arraial da Ponta do Morro.".900 cruzados! Avalie-se o que passou sem ser confiscado. Capristano de Abreu. 32 (32) João Lúcio de Azevedo. pág. 31 Pandiá Calógeras. Os emboabas estavam. 931. 250. "Denunciações da Bahia". de maneira que. homem cheio de serviços a Portugal. cit. mas não lhe convinha desafiar as iras do rei. Cf. diz o historiador baiano Borqes dos Reis. Até 1820. 27 A mascateação era privativa dos judeus. avistou-se com Manuel Nunes. de novo se apresentaram para a guerra sob o comando de Amador Bueno da Veiga. despejando ouro e angariando empenhos. Então.700 arrobas e seu rendimento até 1801. Suas mães. a autoridade capitulava diante da sedição. op. um alvará de indulto geral. n° 53. neto daquele outro Amador Bueno que não quisera ser rei. loc. Cit pág.093. Minas. quando atingiu sua maior florescência a extração do precioso metal30. a capitania de Minas Gerais foi desanexada da de São Paulo. quis mostrar-se fiel à coroa. mas. "Formação Histórica do Brasil. e para Inglaterra pelas mãos do judaísmo. cit. prevenidos para recebê-la. ao saberem que contra eles marchavam do Rio de Janeiro as tropas realengas. idem. Toda essa esplêndida riqueza que o judaísmo emboaba queria a "sós e sem partilha". e para ela veio como capitão-mor Antônio de Albuquerque. pela Bahia. 311. pág. Os últimos paulistas expulsos das Minas foram recebidos em São Paulo como covardes. 377 e segs.anunciada a Manuel Nunes pelas fogueiras que os espiões índios acendiam nas quebradas dos montes e se reproduziam pelas serranias silenciosas. São Paulo e até no Ceará! A produção aurífera do Brasil até a independência foi de 45. Desta sorte terminou a guerra civil e os únicos que com ela ganharam foram aqueles forasteiros. arrecadando escrupulosamente os quintos de ouro extraído e mandando frei Francisco de Menezes a Lisboa. que lhe submeteu com abjeto servilismo e vileza. pág. 30 Idem. 75. "Épocas de Portugal Econômico". "Voyage. op. pdgs. Mato Grosso. contra cujas forças não se poderia manter. quando chegou ao arraial de Congonhas. a fim de obter seu indulto. 94 in nota 42 . voltou para o Rio. "Paulística" pág. Por isso. ed. mulheres e filhas nem os quiseram ver. custou as dores da grande tragédia dos paulistas mortos à traição na defesa do que haviam conquistado! 24 25 Op. 18 26 Diogo de Vasconcelos. Ajudado pela burguesia opulenta da Bahia. cit. retiraram-se precipitadamente. feita em Goiás. O frade apóstata não perdera tempo. págs. O pusilânime" D. "Na Bahia Colonial". "o 11°-. dando-lhe conta de tudo. Dê-se a palavra a Werner Sombart: "A guerra é a seara do judeu!" O sacrificio sangrento dos paulistas produziu quase um milhão de quilos de ouro28. em novembro de 1709. mascates27. cheios de desânimo e apoquentados de dissensões. conseguiu do soberano. Chegando a Caetê.324. idem. presentes e protestos de submissão. nos gastos que lá se faziam. Em junho de 1709. pois. op. cit. de cinco milhões de contos31. carregado de dinheiro. 5-39. o poder real sancionou a espoliacão dos sertanistas pelo judaismo dos emboabas.446 quilos! 29 Eschwege. cit. pág. etc.136. tratantes e açambarcadores chamados emboabas. op. 401-402: ao certo. Escragnolle Taunay.

Comercial Fluminense.. De 1885. escravizando-o desde a sua independência política à burra dos prestamistas judaicos do Kahal de Londres. "Cartas°. A criação. pág. obedeceu à necessidade da defesa contra esse golpe judaico34. antes da vitória emboaba. com avultado lucro35. Rio de Janeiro. 33 34 Cícero. L. 1837.. 1861. mais fraca do que a do reino e proibida de ser exportada. ed. da moeda provincial. G. pelo governo português. Pedro Calmon. E esse ouro arrancado do Brasil mais tarde. a judiaria ainda retirava o ouro em circulação como costumava fazer desde o tempo dos romanos33. 35 General Abreu de Lima.Não contente com isso. o ouro do Brasil produziu o mesmo efeito em Portugal". 155. da Tip. Barroso. em 1694. 95-96. Làemmert. ed.. em "farta colheita". veio a ser emprestado ao mesmo Brasil. pág. exportando-o. B. exclusiva para o Brasil. Mo Flacco". "Brasil Colônia de Banqueiros". cit. do que resultou o "empobrecimento geral". tomo I. págs. "História do Brasil" ed. 350. diz a "Memória analítica acerca do comércio de escravos" de F. C. "0 ouro da América arruinou a Espanha. Rio de Janeiro. Padre Antonio Vieira. op. 43 .

a fim de comprá-lo por baixo preço. 40 João Lúcio de Azevedo. cujo monopólio os judeus detinham desde as mais antigos tempos. Então. continuando na posse exclusiva do monopólio"40. 44 . pág. pelo Piruruca. resolveu que a mineração diamantífera passasse a ser feita "por meio de contrato com alguma companhia"38. ao certo. como as Gerais auríferas. Só na mina de Mandanga se empregaram 1. o lugar onde foi achado o primeiro diamante. João Mawe. op. se encheu de adventícios de todo quilate. op. pág.130. o heroísmo bandeirante achara o ouro das Gerais. Em 1799. decerto tangido por influências ocultas. Compravam barato os que caíam em mãos de pessoas que não entendiam do negócio. como se dizia. Os negros trabalhavam nas catas com mordaças de ferro. nessa época. É o primeiro passo do judaísmo para se apoderar dos diamantes como se apoderou do ouro. 41 John Mawe. bateando nos caldeirões. essa 36 37 Joaquim Felício dos Santos. organizaram em Londres é Amsterdam. pelo Rio Grande. lavando a cangíca dos ribeirões à cata das pepitas de ouro. 71. As brenhas inóspitas povoaram-se de colmados de minuradores. 7. pelo Jequitinhonha. pág. Eles batiam aquelas solidões povoadas de feras e de miasmas. O Museu Histórico Nacional possui um exemplar dessas mordaças. o sertão se estendia vestido de cerrados e matas. garantiam que eram hindus e os vendiam pela mais alta cotação41. somente se proibindo aos escravos participar dele. técnico no assunto. avançavam mais. cit. Foram até a serra do Ibiturni. Veremos qual foi a verdadeira natureza dessa contribuição. Op. (2) Op. 39 "Os judeus no Brasil". Espalharam o boato proposital de que o diamante do Brasil era em tudo inferior ao oriental. como um contra-choque da tragédia do ouro tomado pelos emboabas. pág.200 escravos. de Goiás e Cuiabá.afirmando que eram refugo dos da India.CAPITULO VII O drama dos diamantes ALÉM DE conquistar e definir o amplo território. pág. encontrara os diamantes. Adiante da Vupabussu de Fernão Dias. Em 1735. A cada descoberto. os cristais começam a dar que falar de si e a portaria de D. Lourenço de Almeida. O distrito diamantino. que a vila tomou uma fisionomia absolutamente oriental. que se derramavam sobretudo pelas devesas do ribeirão do Inferno. varridas ia ventos gélidos. 102. mantendo nas bolsas a sua depreciação. muito longe. "Travels in the interior of Brazil". fundando os arraiais do Tijuco e do Burgalhau. Em 1731. Um negociante londrino de diamantes. ao recebê-los de torna-viagem. a fim de aniquilar toda concorrência. 39. o pico solitário do Itambé desafiava a curiosidade dos aventureiros reinóis. As lavras de Tijuco foram auríferas até 1729 e não se conhece. cit. a fim de não furtar as pedras engolindo-as. os mineiros são despejados pela violência de suas lavras. o governo. 21. "O marquês do Pombal" pág. que fizeram extensas especulações na Europa com os diamantes brasileiros. além de achar o ouro. onde estabeleceram o arraial de Nossa Senhora da Conceição do Serro Frio. se reouve a "pedrinhas brancas que se entende ser diamantes" 37. cit. pinta claramente a ação dos monopolistas judeus. Solidônio Leite Filho diz que os judeus "contribuíram para a florescência da indústria das pedras preciosas" no Brasil39. o comércio de diamantes tornou a ser franqueado. em 1729. 42 Joaquim Felicio. pag 21 38 Idem. Como a região longínqua a hostil começasse a se despovoar. A descoberta das minas brasileiras. Negaram a procedência dos que apareciam e apresentaram os mais ordinários. de indivíduos que se diziam munidos de licenças vocais para a compra das pedras preciosas42. Foram tantos os tais traficantes judeus que acorreram ao Tijuco. Na última década do século XVII. "um conluio. mamelucos e paulistas. Mas. trazendo ao mercado pedras mais belas do que as do Oriente. às montanhas frias. remetiam-nos para Goa e. e. os mascates judeus de sempre. fez correr risco ao comércio das mesmas. a fama das riquezas auríferas atraiam naquela remota região "grande número de aventureiros"36. depois vila do Príncipe e hoje cidade do Serro. cit. ainda a busca do ouro alterna com a das pedras. denominados traficantes.

págs. Antes. Cf. pág. 1858. O judeu apoderou-se. 52 Charles Barbot opa cit. Joaquim Felício dos Santos. se poderia ver a origem dos capitais que nela entraram. 51 Charles Sarbot. 48 "Épocas de Portugal Econômico". certos de ganho liquido e vultoso. ou a das minas de ouro pelos emboabas. Imagine-se o lucro nos 20 primeiros anos em que a produção diamantifera fora de 3 milhões de quilates. O desembargador João Fernandes de Oliveira era um verdadeiro príncipe. que se tornou célebre pelos seus esbanjamentos e pela influência que sobre ele exercia sua amante. É bom não esquecer que. como vimos. os judeus. pag. 49 Idem. O último contrato expirou em 1771. Xavier da Veiga. quando voltasse o bom tempo. já o contratador João Fernandes de Oliveira. 53 Op. cit. 25 milhões de francos52. 229-230. 1799. os Hoppe50. que formaram uma sociedade com o nome de Companhia dos Diamantes. seus sócios de empreitada. seus mercenários traiçoeiros. a famigerada Xica da Silva. em virtude das crises políticas oriundas da Revolução Francesa. O quinto e o sexto contratos tornaram a ser de João Fernandes de Oliveira. em prorrogação. incluindo o contrabando. que contratou a venda das pedras diretamente com os judeus. Portugal apurou da venda de diamantes. em outro tempo. MAS complet des pierres précieuses". de Amsterdam. "a mais linda. cit. 222. pág. José Vieira do Couto. sem beleza. 143. os quais. deslumbrando a toda a gente com o fausto de jantares e representações. vítima de intrigas.Isso produziu para a coroa portuguesa um lucro real de 5. até o começo do século XIX. Ao terminar o século XVIII. 135. judeus e maçons dominavam em Portugal. 377 e segs. Essa expropriação não custou o sangue dos brasileiros. Apesar dos pesares. apurava 16 milhões de cruzados nos diamantes do Brasil. E. 46 Idem. foi dar com os ossos na prisão do Limoeiro. produtoras do desemprego e paralização dos negócios na Europa. Findo o prazo do contrato. pág. como a conquista do açúcar pelos flamengos. que parecia protegido da sombra pelas influências poderosas que talvez houvessem afastado os Caldeira Brant. cheio de dividas para com os judeus. chegando a mandar construir grande tanque com um navio em miniatura. até o começo do século XIX. ed. Ele satisfazia-lhe todos os caprichos.povoação. 1936. de Minas". 221. o contrato de venda foi passado com os irmãos Benjamin e Abraão Cohen. nem as dores de uma raça infeliz. Nove milhões de esterlinos é o cálculo de João Lúcio de Azevedo para a exportação diamantífera no período de um centenario48. Enquanto Portugal. Bernardo da Fonseca Lobo achou as grandes lavras do Serro Frio. "Memória da Capitania de Minas Gerais". dos resultados das lavras de diamantes achadas pelos sertanistas. até o começo do século XIX. que compravam por 45 francos o quilate de diamante bruto e vendiam por 197 lapidado51. para que ela gozasse a sensação de embarcar44. 220. como o infame comércio de escravos 43 44 Dr. O terceiro e o quarto couberam aos irmãos Caldeira Brant. cit. parecia "o retrato de um pequeno bairro de Constantinopla"43 Em 1729. 402. porém. Lacroix. op. ex-escrava de José da Silva Rolim. abandonado de seus deuses tutelares. no tempo do marquês. apuravam anualmente. op. sem espírito e sem educação. segundo cálculos de 1858. O primeiro contrato dos diamantes foi celebrado em 1739. idem. Paris. cit. idem. baixaram os preços ao seu talante46.040 contos de réis 49. 45 Op. o desembargador João Fernandes de Oliveira e Francisco da Silva. 45 . 16 milhões de cruzados47. pág. isto é. dez anos depois. cit. O segundo contrato foi dado ao mesmo contratador. 180. Os controladores do contrabando de diamantes do Brasil eram os judeus de Amsterdam. 50 D'Orbigny. pelo prazo de 4 anos. pág. "Voyage pittoresque dans deaus Amériques". o mais notável deles. pags. pág. morrera louco em Lisboa45. Paris. entre a Fazenda Real. a extração dos diamantes passou a ser feita pelo governo real. Se fosse possível encontrar a escrita da mesma. "Dominadora do Tijuco". Ao tempo do Marquês de Pombal. op. 47 Eschwege. cerca de 15 quilos anuais53.

46 ... Saiu mais barato: custou somente o drama oculto que levou à miséria e à loucura o faustoso contratador João Fernandes de Oliveira. seus parceiros no tráfico.pelos ingleses.

o documentado e seguro historiador Fernandes Cama denomina: “movimento sedicioso dos europeus portugueses”55. 54-55. Tem-se até a impressão de que estão em cena os mesmos personagens. define um vocábulo: “porque entre os marranos ou marrões [que em Portugal quer dizer porcos]. Faria. eram cristãos-novos.CAPITULO VIII A guerra judaica NA PRIMEIRA década do século XVIII. nesse tempo. 47 . Havia portugueses limpos. Barrosch em Barros. cit. Fungeca em Fonseca. como o gangster judeu Abraão Finckelstein se orna com o antigo nome russo de Máximo LITVINOF. Atacou os paulistas. gente corrompida e corruptora. mascates no Recife. olvidados ou agarrados às tradições. Esta é a réplica daquela. Seus homens de prol. veremos o desenrolar de idêntico plano na guerra dos mascates. em referência à conhecida coesão entre cristãos-novos. O que se passou em Pernambuco reproduziu ponto por ponto. exatamente. pags. açambarcadores de gêneros. a fim de se apoderar dela. donos das minas de ouro. O livro “Sentinela contra judeus”57. rotulam-nos como europeus. assalto à Vida mental". Recife. sua nobreza rural. esses inimigos dos brasileiros não eram mais do que judeus portugueses disfarçados. por exemplo: Misael se mudava em Miguel. Nem era possivel havê-la: os hebreus judaizantes ou católicos. Jacob em Diogo. quando se queixa algum deles todos os demais acudem a seu grunhido. cap. desta maneira. e como assim são os judeus. Tanto emboabas como mascates eram meros aventureiros. o judaismo atacou. "que infelicitou tantos pernambucanos”. À guerra desoladora dos mascates. como anota Pedro calmor. Uma guerra é a cópia perfeita da outra. pags. de 1732. afirmando que na família portuguesa não havia maior divergência do que aquela. “Memórias históricas da província de Pernambuco”. por isso lhes deram título e nome de marranos”58. que a aravam e fecundavam. que comprendiam isso e tratavam 54 55 A invasão dos judeus. daí descendem naturalmente os outros: assalto ao Estado. escreve Mário Sáa54. na grande maioria provenientes do Minho. 110—111. 1848. cristãos-velhos do outro. Consultemos a história para saber se. e os pernambucanos. os possuidores da riqueza no Brasil. toda a gente o sabim. que defenderam e retomaram o terra ao invasor. que se cobriram de glória numa luta heróica. tip. Ora. “os portugueses dividiam-se política e nitidamente em duas facções: cristãos-novos de um lado e cristãos-ve1hos do outro. pag 70 José Bernardo Fernandes Cama. Tambem desfiguravam os nomes judaicos. ou cristãos-velhos. "O assalto à riqueza. A voz geral denominava os forasteiros e os historiadores. op. Hisneque em Henriques. que ao lamento de um acudem todos. assegura o admirável Fernandes Cama. ao mesmo tempo. judeus. é a primeira condição de todos os assaltos. o próprio Pombal o confirmou no decreto que abolia as distinções. com efeito. Pernambuco fora restaurado do domínio judeu-herético dos holandeses pelo próprio esforço de seus filhos. donos dos engenhos de açúcar. Todos esses israelitas ou cristãos-novos se ocultavam sob a capa de católicos e usavam velhos nomes portugueses. Não havia dóvidas. todos eles cegos em relação à questão judaica. assalto à Religião. as artimanhas de que usaram e a força oculta de que dispuseram os revelam à distância. IX. no Sul e no Norte. tinham entre si uma enorme coesão 56. não havia oportunidade para mais apartações sociais ou políticas: cristãos-novos de um lado. tomo iv. a fim de preparar os outros. isto é. os tais europeus portugueses que acenderam essa guerra injusta. entendiam manter seus foros e privilégio. Já vimos na guerra dos emboabas como o judaísmo procedeu ao assalto à riqueza. o que se passou nas Minas. em Portugal. 56 Aquela cooperação que lhes deu a vitória na guerra dos emboabas. 57 Ed. mercadores enriquecidos sem escrúpulo. Mas os processos de que lançaram mão. honrados e bem educados. Emboabas em Minas Gerais. 58 Mário Sáa.

pag. Assaltada a riqueza particular. outro remédio não tinham os tristes pernambucanos que se sujeitarem à vontade do opressor europeu!” Substitua-se esta última palavra europeu pelo termo verdadeiramente justo diante dessa caraterizada usura. Aqui está excelentemente situada a diferença entre o português sério. decente. integral. todas as funções que se relacionavam com impostos ou negócios de dinheiro estavam na posse dos judeus”64. que os próprios mascates lhes puseram uma alcunha depreciativa e simbolizadora de sua triste decadência: pés-rapados65. conjurada para empobrecer a nobreza rural pernambucana.“o turbilhão de aventureiros auri-sedentos que. “com juramentos falsos. para só eles60 gozarem das honras e isenções adquiridas com o sangue pernambucano”61. Melhoramentos de S. “fosse por que meios fossem”. mas. açúcar este que ele remetia aos seus correspondentes na Europa. cit. “que só do comércio cuidavam”. 65 Varnhagen. tomo Iv. Cia. aportavam a Pernambuco”.. os bens de raiz pouco a pouco passaram para as mesmas mãos pela usura e compra das propriedades da nobreza endividada. adiantando-lhes dinheiro ou vendendo-lhes a prazo mercadorias. e se verificará que vai como uma luva. 64 “Die Historiche Weltstellung der ludem”. tendo os mascates monopolizado a compra dos açúcares. tomo Iv. “História Geral do Brasil”. dando-lhe a escolher. Essa cainçalha avançava sobre as posições e distinções com a conhecida avidez judaica pelas honrarias e pelo mando. Todo o comercio residia “em poder desses forasteiros ou mascates63. Ninguém viu melhor nem melhor reproduziu o quadro judaico da mascatearia.. e então este inflexível credor instantaneamente o apertava.. 400. “só eles”. inescrupuloso. 63 Forasteiros ou mascates. precisamente a mesma coisa teria de acontecer em Pernambuco nos anos que já anunciavam o advento de Pombal. cristãovelho. 62 Idem. senhores de engenho. Recorro à pintura feita por Fernandes Gama62 da ação nefasta desses novos invasores de Pernambuco. os comissários de todas as vendas de açúcar. cristão-novo. à razão de 1$400. Desde o lugar de secretário de Estado e de ministro das Finanças. que por terem caído em pobreza por pouco mais de nada lhes cederam seus serviços”. assim aconteceu em Portugal desde os primórdios do reino. 57-58. 57. amigo dos pernambucanos. Paulo. 1882. depõe Mário Sáa. ofício inteiramente judaico. 59 60 Fernandes Cama. pógs. que supriam os senhores de engenho. cada senhor de engenho devia uma soma considerável ao mascate que o tinha suprido. Aconteceu. tão vorazes como os da Holanda e mais perigosos por se infiltrarem com avenças de paz.fraternalmente os pernambucanos. além de emboabas. Eram. 24 e segs. Mas . avidez de quem longamente foi privado desses gozos.acrescenta . “A sós e sem partilha”. É bom comparar. motivado pela usura judaica. resolveram intrometer-se nos negócios públicos. pag. 61 Fernandes Cama op. 48 . Os dicionários definem mascate como vendedor ambulante.. todos os anos. Qualquer destes dois negócios arruinaria infalivelmente o miserável agricultor. o termo judeu. pags. E bom comparar. na Espanha medieval. Essa é a eterna marcha do judaísmo em todas as épocas e em toda a parte. pág. o grande amigo dos pedreiros-livres e dos judeus. “No fim das safras. Vede a reprodução exatíssima do que ai está em um autor sério e fundamentado como Heman: “A riqueza móvel da Península Hispânica residia toda nas suas mãos. além disso. Esses tubarões dos negócios do açúcar. queriam gozar fortuna e honras dos pernambucanos. ou entregar-lhe o açúcar a 400 réis cada arroba. que “viviam de vender pelas ruas e freguesias do interior. os mascates. disse Azevedo Marques que os emboabas queriam as minas dos paulistas”. justificando-se parentes (sem o serem ) daqueles pernambucanos. arvorados em mascates”. ou pagar-lhe no ano seguinte o duplo do que devia. explorador e inimigo da terra. em Minas. assim. era de tal modo visível. cit. os intermediários. O empobrecimento dos nobres pernambucanos. reza o documento. idem. 3a ed. queriam assaltar a riqueza pública. 58. Chegavam até a arranjar hábitos de Cristo e comendas. e o português aventureiro. op. Não contentes ainda com isso. tomo III. “tentaram abater e aniquilar a nobreza do país. É o que hoje chamamos vendedor a prestação. “tornavam-se capitalistas” e se julgavam “superiores à nobreza do país”59.

os judeus seriam juizes e parentes ao mesmo tempo em esplêndidas negociatas. sem partilha e com segurança. Demais. nos antigos municípios. dominavam de modo incontestável. os visitantes contavam histórias de ladrões e roubalheiras. privava com os capitalistas e onzeneiros judeus. Despejaram ouro às mancheias.. No Recife. Erigido o Recife em vila. cabeça do herético e judaico domínio holandês. na casa de Voltaire. aos almotacéis. sozinhos. tendo à frente o governador. que o cumulavam de presentes e lhe davam gordas propinas nas arrematações dos contratos reais. que gozava de ancoradouro abrigado e seguro. os cristãos . Em França. os cristãos-novos formavam talvez a maioria e poderiam constituir o Senado da Câmara a seu talante. Desde o tempo dos romanos que os israelitas se haviam especializado nesses negócios. p~g. Olinda fosse grandemente prejudicada 71. cheia de judeus. cli. o preço dos gêneros alimentícios. O governador começou a influir para que. o número de fortalezas que o defendiam. o panfletário da epoca. o almotacé seria indicado pelos judeus e. cli. Naturalmente.. 8 49 . taxaria a preço baixo os gêneros que os matutos agricultores apresentassem nas feiras e a preço alto os das vendas dos cristãos-novos 67. pag. das funçães da governança70. pag. imoral e sem religião”. cizas e outros impostos. op cli. Ciosos de seus foros. Tiveram fama terrível esses fermers-genéraux! Conta-se que em Ferney. Nesta vila antiga e tradicional. em verdade. seria preciso que se realizassem no Recife e não em Olinda. . 70 Fernandes Gama. povoação mais nova. A própria posição do povoado. e não era para menos. A gente de Olinda sapateou. 68 Varnhagen op. idem.O governador da capitania de Pernambuco. Olinda . uma noite. Nac. com os quais escorchavam as populações e construíam fortunas colossais. o judeu Cerfber monopolizara os fornecimentos dos exércitos de Luiz XIV e uma récua de judeus sem escrúpulos se apoderara da ferme ou arrematação dos tributos e fintas. 71 Felipe Lopes Neto.. Então. nessa divisão. os quais eram principalmente os de fornecimentos e cobrança de dízimos. e o dos pésrapados. Sebastião de Castro Caldas irritou-se e começou a vexar os povos 66 67 Idem. Rio. capital da capitania. com direito ao pelourinho simbólico. Composto o Senado da Câmara de mascates ou de criaturas suas. por exemplo. Nassau dera grande prestígio e impulso à capital da Nova Holanda com as obras que ali fez e com o movimento cultural que gerou.velhos. crescendo muito em pupu1ação”68. 69 A isolentia jodoenrum a que se referia o bispo Aqobard em plena Idade-Média. demarcados no território que antes pertencera unicamente à última. 393. tudo isso contribuía para essa predominância crescente. pag. à medida que levantava o Recife. Senhores da Câmara. O plano era. essas arrematações. como se diz hoje. os ódios foram se exacerbando até que se formaram dois partidos: o dos mascates. mascatal. competia taxar ou tabelar. as famílias nobres. Para terem. op. Voltaire pronunciou somente estas palavras: “Era uma vez um arrematante de impostos. como diria Videant. Fernandes da Gama. A mudança da capital tornarase questão de vida e morte para a mascatearia. Pouco a pouco. tomo XVI.havia decaído. e sendo mascates os arrematadores. mobilizaram todos os empenhos possíveis e usaram à sua vontade o governador Sebastião de Castro Caídas até conseguirem a execução do seu intento. ao tempo da guerra dos mascates. a arrematação dos contratos seria logo para ali transferida e isso era o que sobretudo importava. “homem despótico. Sebastião de Castro Caídas. Imp. “Desde a época dos holandeses. 1894. magistrado obediente e seus senhores ocultos. Apressou-a a repartição dos termos das vilas de Recife e Olinda. a cujo lado se pusera o ouvidor José Inácio de Arouche. 60. O Recife foi erigido em vila. 393. nota Varnhagen.. enquanto os judeus se tornavam insuportáveis” e levavam a ousadia69 ao ponto de quererem excluir todos os nobres. os fidalgos olindenses haviam pela provisão de 8 de março de 1705 conseguido impedir que do Senado da Câmara participassem mercadores de “loja aberta”66. os pés-rapados. Instado para que também contasse a sua. tomo III pag. tomo IV. ‘Guerra civil ou Sedições de pernambuco” in “Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil”. os ânimos pernambucanos começaram a fermentar e não se faria esperar a reação nativista. anos mais tarde. 59. tomo iv.

Eles não largariam sem mais aquela cobiçada presa. Sebastião de Castro Caldas e os judeus mascatais tinham. em missão especial. milícia territorial do país. encarregado de prendê-lo74. D. op. havia uma carta-régia provendo sobre a vacância do governo. entre os quais talvez o pior deles. Urdiram uma conspiração nitidamente judaica pelo que narra Fernandes Gama: “Apenas chegaram aos seus destinos. com seu testa-de-ferro um governador. pag. na sua maioria fraternizaram com os seus patrícios em armas75. enquanto os 72 73 Idem. op. É outra coisa. encontrados em uma secretaria. natural no tempo da colônia. levando em sua companhia os principais cabeças dos forasteiros. em nome de El Rei. 77 Rio Branco. O sargento-mor Bernardo Vieira de Melo propôs que Pernambuco se declarasse em república. o kahal judaico. limitando-se a arrancar as insígnias de cargos e postos aos judeus que as ostentavam com alarde e empáfia 76. cit. prevenindo-se cuidadosamente! Dos que foram para a Bahia. porque as fazendas que davam em troco eram também vendidas por preço elevado. 78 Felipe Lopes Neto. com a nobreza comum aos cristãosvelhos. Mandou agarrar por qualquer pretexto e meter na cadeia homens das mais nobres famílias de Pernambuco: Barbalhos e Cavalcantis. contudo. Consertaram a desforra. 1918. tomo iv. Manuel Alvares da Costa. e. idem. Resolveram desarmar o povo. que pelo nome se não perca. Op. Foi quando o braço da vingança se estendeu da sombra e o governador se viu ferido a tiro. indultando todos quantos tinham participado da justa rebelião78. 50 . “Efemérides Brasileira” Imprensa Nacional. seguiu para Parelha. servindo-se nestas compras de seus agentes no interior. 14. Os terços de Auxiliares e Ordenanças. Os defensores dos mascates foram impotentes para deter o avanço dos rebeldes. pag. 64. cit. sem que fosse possível identificar os autores do atentado 72. em segundo. O conceituado historiador sentiu o mesmo perigo que sentinos hoje sob a ameaça do comunismo judaico 74 Varnhagen. 526. 9. “semelhante à de Veneza”. principalmente farinha. Cerca de dois mil homens bateram a infantaria de linha do governo e a fizeram recuar para o Recife. op. Outros nobres fugiram para evitar os desacatos. Mas as suspeitas começaram a valer como provas e as grades das prisões se fecharam sobre homens conceituados e dignos como o capitão—mor Lourenço Cavalcanti Uchôa e o capitão André Dias de Figueredo. os pernambucanos não praticaram a menor violência contra seus adversários. pág. Rio de Janeiro. pag. cli. 68. assim se foram preparando os conspiradores. na rua da Agua-Verde. a audácia dos mascates levou-os a acusar o próprio ouvidor. como hoje se fecham as organizações patrióticas e as ligas fascistas antes de dar certos golpes. Os mascates judeus não se deram por vencidos. Simão Ribeiro Ribas. a comprar a todo preço mantimentos. Reconhece Fernandes Gama que tirar as armas daquele brioso povo nordestino equivalia a “entregá-lo ao domínio estrangeiro”73. e posto que os comprassem por maior quantia. já falecido. Cansados de insolências e insultos. a gente de Pernambuco deu posse ao bispo no dia 18 de novembro.para favorecer aos forasteiros. pag. Manuel restabeleceu a ordem e publicou um perdão. Para demonstrar categoricamente que não estava em rebeldia contra o poder real e sim contra o bando de mascates. Vinha nomeado nela em primeiro lugar o mestre-de-campo João de Freitas Cunha. que tomaram a vila. Joaquim de Almeida. idem. Aproveitando a raiva e o medo do governador. mas a idéia não foi aceita77. que correu a refugiar-se na Paraíba. pàg. cit. nem com tudo perdiam. De posse do Recife. Ao domínio estrangeiro! Não é o domínio da metrópole. íntimo pavor de um motim popular que vingasse tantas violências e afrontas. de surpresa. 396. Sebastião de Castro Caldas fugiu por mar para a Bahia. estes conspiradores começaram sob o título de especulação mercantil. 75 Idem. O capitão-mor Pedro Ribeiro não se quis sujeitar a prisão que lhe era imposta pelo parcial governador e aprisionou o capitão João da Mota. conluiado com o injusto e cruel governador. os pernambucanos sublevaram-se a 5 de novembro de 1710. Entre os documentos de Sebastião de Castro Caldas. tomo III. os outros ficaram maquinando planos. 76 Fernandes Gama. idem. o bispo D.

“foram sempre os cristãos-novos os únicos açambarcadores de funções e coisas. as matanças ou pogroms de judeus em Lisboa. “uniformes dp Exército”. gritando cinicamente: . tudo é boa condição para a revolução”. 15. 51 . O atravessamento de gêneros de primeira necessidade por parte de tal gente. pag. pág. Rodolfo Garcia. 84 Maia é nome comuníssimo entre os judeus portugueses. Compraram. 86 Fernandes Gama. a fim de evitar qualquer suspeita. espalharam o boato de pretenderem os brasileiros impedir a tomada de posse do novo governador esperando na frota. 83 D. “jesus”. se guardou religiosamente a brilhante tradição dos soldados pretos de Henrique Dias. Com vagarosa tenacidade. fementidos e cautelosos.pernambucanos descansados em suas consciências se entregavam às suas privadas ocupações”79. infamemente todos quantos se curvaram ao ouro judaico. Manuel desistiu do embarque. nota 19 a pág. os conjurados saíram pelas ruas. Sebastião Pinheiro Camarão. Henri Rarbusse (judeu). está documentado por historiadores dignos de respeito81 e por si só é suficiente para denunciar o espírito judaico dos mascates. nos terços e regimentos de Henriques. cit. como solam fazer os cristãos-novos. Atanásio Gomes e mais alguns fuões de Goiana. Foi ele que deu. os Mayer e os Meyer. uma resolução e. pag. Cf. 81 Felipe Lopes Neto. O mesmo disseram os vianenses de Bequimão. cit. já aplicados com êxito pelos emboabas com a atoarda da pretensa matança de seus comparsas. por 400 mil réis. o negro Domingos Ribeiro Carneiro. levaram seis meses açambarcando os víveres. Bahia e Rio de Janeiro. Mostraram-se. cf Gustavo Barroso e 3.. premeditados. primo e sucessor do grande Camarão. loc. 1922. Caso típico de açambarcamento judaico para perturbar a normalidade da vida e irritar o povo. cit. pelo perdão do que devia aos usurários. A fim de preparar os ânimos para o que ia acontecer. A reconquista de Pernambuco pelos mascates estava preparada para quando rompesse a frota que anualmente vinha de Portugal. caçadoresHenriques em Pernambuco. Houve Henrique e. como as ondas se encapelassem no dia marcado. “Embora encareças o pão e uma medida de trigo custe uma moeda. O plano até parece decalcado dos famosos “PROTOCOLOS DOS SABIOS DE SIAO”. com quem Portugal se achava em guerra 86. ed. . tomo Iv.diziam que se apoderariam de quartéis e fortalezas. 82 Nas nossas antigas milícias territoriais. Felipe Lopes Neto. para criar dificuldades. 69 Idem pag. in fine. D. op. João V! Morram os traidores! com o fito de fazer crer à população que os pernambucanos queriam atraiçoar o go- 79 80 Op. 16. porém. mestre-de-campo do terço de Henriques82. 85 Fernandes Gama. Wasth Rodrigues. até 1831. cit. decidiram dar o golpe de surpresa assegurando-se pela traição do bispo-governador. 70. despendendo com esse fito o dinheiro “com mão larga” e passando os gêneros escondidos dentro de caixas de açúcar. por 14 mil cruzados. op. Para isso. depois. cit. descendente do herói da guerra holandesa83. por alguns milhares de cruzados85. op. caso não trouxesse confirmação real do indulto concedido pelo bispo. Segundo João Lúcio de Azevedo. traindo a causa sagrada dos seus irmãos: o capitão João da Mota por 6 mil cruzados. João da Maia84 da Gama. de acordo com a velha técnica dos golpes judaicos. por 3 mil cruzados. tanto que o historiador Fernandes Gama repele qualquer parentesco com o vilão. Sebastião era filho de D. Os infames forasteiros temiam a valentia pernambucana e queriam todas as seguranças. mas. o capitão-mor da Paraíba. 398 do tomo III da 3a ed.Viva E1 Rei D. onde seria aprisionado. que têm havido em Portugal” 80. Na opinião de Mario Sáa. na dispersão dos sefardim pela Europa. Seus cúmplices convidaram-no para uma visita ao forte do Mar. Ferroud. entregando a capitania aos corsários do rei da França. da "História Geral do Brasil" de Varnhagen. também. D. fomentar revoltas e empobrecer os inimigos. à frente de soldados amotinados. Como a frota tardava aparecer e temessem que fosse descoberta a conjura. Diogo Pinheiro Camarão. dessa maneira. Paris. 76. o Governa dor dos índios. que usava este último nome sem direito à ele. a 18 de junho do ano de 1711. of. a fim de provocar desordens e levá-lo onde se quer. foram precedidas de “enormes carestias da vida” que os açambarcamentos causavam e que faziam o povo estourar de raiva. tomo IV. o capitão-mor do Cabo. op. escapando por felicidade à cilada. O fim disto era causar indignação à tropa e às pessoas fiéis à coroa. Urgia. pág..

remetendo-o para Lisboa. Lourenço de Almada. como Camarão e outros. Mandou recolher a artilharia e desmanchar as trincheiras: porém não impos o menor castigo aos provocadores judaicos da luta. cit. de quem desejava receber regularmente o governo. Repetia-se. enviado dos forasteiros. Mais tarde. a 21 de junho. de modo a evitar o revide da gente da terra88. logrou fugir. 52 . Idem. voltaram sem ser incomodados e viram-se recebidos sob ovações e flores. Há uma esperança de justiça e paz! Por uma jangada. a luta travada contra o domínio judaico-flamengo. e declararam o Recife cidade. "História Geral do Brasil". O Senado da Câmara de Olinda intimou os mascates à rendição. mandou que as fortalezas fossem entregues ao bispo. símbolo municipal de Recife. 177. que se apresentaram com seus escravos e acostados em armas. proclamaram novamente governador a Sebastião de Castro Caldas. Após a derrota do Cabo. conforme diz o autor de uma carta anônima ou panfleto. O bispo organizou os comandos militares e sitiou a cidade judaica. Idem. recebeu fora da barra. Sebastião de Castro Caldas. ainda na Bahia. como todas as que se tinham travado no nosso pais. também. onde estalaram motins de soldados. idem. Os capitães-mores mobilizaram seus terços de Auxiliares e Ordenanças marchan do contra o Recife a vingar o agravo. foi erigido o pelourinho. 89 Varnhagen. quando se preparava para vir a Pernambuco. expondo tudo que acontecera e estava acontecendo. Será preciso mais alguma coisa para caracterizá-la? Enfim. e o juiz de fora Paulo Carvalho. Também recebeu a visita do João da Mota. os homems inquietos e arruinados". avisando a gente dos engenhos e do sertão do que em verdade ocorria. escrito contra os mascates do Recife. A artilharia abocada para as ruas impedia qualquer reação. pág. O bispo e o ouvidor Arouche tentaram apaziguá-los. pág. em 1711. homem prestigioso. entre Garapu e São José. custodiando-o em companhia do ouvidor. Fingindo-se cioso do prestigio da autoridade. mas querendo. declarando-se "inteiramente pelos mascates". realmente. D. nem mesmo quando tentaram novo tumulto em novembro. apesar de seus nomes ilustres e nu merosos. tomo IV. Essa GUERRA JUDAICA. que enviavam para o interior. op. págs. 72-73. verdadeiro soviete. Esse "pronunciamento" custou aos judeus 70 mil cruzados89. As sortidas dos sitiados e as ameaças dos índios e do lado à Paraíba obrigaram à convocação do clero e dos proprietários de fazendas e engenhos. Depois. os quais puseram "a justiça em almoeda". tomo IV. No dia 18 desse mês. reveses e vitórias. concedeu-lhes privança em sua casa e aquele que mais lhe pagava o tinha do seu lado90.verno87. um dia avistaram-se em alto mar as treze velas da frota de Portugal! Trazia novo governador. tomar as rédeas do poder sem oposição dos pernambucanos em armas. 90 Fernandes Gama. longa missiva do bispo. 123. O novo governador. resultara. 87 88 Idem. 71. que se pôs a expedir ordens. Félix José Machado de Mendonça Eça e Castro de Vasconcelos. e nomearam "um governo intruso e monstruoso". A "falsa fé" dos mascates espalhava desconfianças por toda a parte. embora em menor escala. mesmo dentro dos seus muros. o governador-geral do Brasil. não soube resistir ao ouro israelita. Então desembarcou e foi empossado do cargo na Sé de Olinda. "Confusa e revolta andava toda a terra. Felizmente. Camarão sublevou os índios e João da Maia levantou os paraibanos em favor dos que lhes pagavam. Camarão foi aprisionado em um combate. A guerra desenrolou-se no meio de traições. da "cavilação mais odiosa que pode inventar a maldade humana!". Os mascates submeteram-se. suspenderam o bispo das funções do governo. Bernardo Vieira de Melo. outros dois flagelos para os "tristes pernambucanos": o ouvidor João Marques Bacalhau nome de cristão-novo. Mas os chefes militares vendidos guarneceram logo os fortes com oficiais e soldados europeus. Os chefes militares vendidos aos seus cruzados. menos a expulsão dos franceses e a destruição de Palmares. prendeu na Bahia. prendendo até o sargento-mor do terço dos Palmares. Afinal. composto do negro mestre-de-campo e do capitão Mota. o bispo conseguiu fugir num escaler para Olinda. forçaram o bispo prisioneiro a assinar cartas. dizendo que tudo se estava passando com sua anuência. Vieram com ele. Todavia. não só para salvá-lo de suas garras como para "tirar qualquer pretexto" de sublevação. familiarizou-se logo com os mercadores. com grandes festas e regozijos por parte dos mascates. pág.

Os pernambucanos. que tinham entregue traiçoeiramente a terra pernambucana aos piratas flamengos. essa desapropriação. Sob a égide dos três flagelos . 1915. 92 53 . Bernardo Vieira de Melo e ou tros mais foram humilhados e presos. op. Verificamos todas a essas fases na guerra judaica dos mascates. ed. como almejavam. no século XVIII. 132. para Lisboa. As súplicas das vitimas haviam penetrado na corte. Houve muitas deportações. pág. cit. 95 Borges dos Reis. El Rei ordenou pelo Conselho Ultramarino nova devassa pelos fatos posteriores ao motim contra o governador e seus comparsas mascates. Bernardo Vieira de Melo. A própria frota retornou ao reino. coberto de glórias recaia outra vez. O bispo foi afastado para os sertões do São Francisco. declarando ter sido JUSTO o procedimento dos mascates. lá morreu nos calabouços da torre de São João92. que satisfazia aos judeus pelo que com ele despendiam "para à larga viver escandalosamente fora do seu convento"91. pág. naufragou nas costas de Galiza e os espanhóis despojaram de tudo os mascates judeus que nela iam intrigar em Lisboa! A "confusão geral" provocada por esses sucessos durou até 1714. A intrigalhada judaica cindiu Pernambuco em "parcialidades rivais". mas. delações e crimes. segundo observa João Lúcio de Azevedo93. levado a ferros. 94 Varnhagen. tomo li. págs. não se realiza de um momento para outro e sem encarniçada luta. Encadearam-se ininterruptamente devassas e prisões.. 405: Borges dos Reis "História do Brasil". André Dias de Figueiredo. iam desfrutar ainda suas riquezas. por castigo divino. cujo corifeu em Lisboa era o cristão-novo desembargador Cristovam Reimão95. frei Jacomé. honrados e ativos comerciantes da praça. Começa pelas restrições legais. idem. campearam abusos. amedrontados daquela justiça parcialíssima. levando abundante documentação forjada contra os pernambucanos. traições. 96 Varnhagen op. A Câmara de Olinda festejou naturalmente com estrondo a resolução de El Rei. cit. foram vencidos deslealmente pela insidia judaica e pela corrupção do ouro de Israel.governador. Os hebreus. Por causa dela. primitiva. dizer que era uma afronta aos moradores do Recife96! A afronta dos vadios e pés-rapados senhores de engenho aos esforçados. Varnhagen. 155-156. em 1713. ed. ouvidor e juiz. nas garras do kahal! O povo ia gemer no ecúleo das extorsões. pág. o qual merecia prêmio e não castigo! Os patriotas começaram a ser vilmente perseguidos. cit. por mediação de um êmulo do apóstata frei Francisco de Menezes.. adulterando os fatos de acordo com as normas da Sinagoga. mau grado a heróica restauração do século XVII. op. Alguns fugiram. 33. Ficava muito pior do que na época mais despótica do domínio holandês94. primitiva. 179. Como temos visto e continuaremos a ver.. Reinou o terror judaico. 91 Idem. que haviam explorado o empõrio do açúcar e o tráfico negreiro. tomo IV. ed. franciscano intrigante. 155. pois para esse confirmara já a anistia dada pelo bispo. fez-se uma devassa. vencedores leais pelas ar mas. A judiaria mascatal aproveitou se disto para. 93 "História dos cristãos-novos portugueses". Pernambuco. Bahia. que concluiu como era de se esperar que concluísse. pág. pela força do poder monetário e vão "em derradeira instância à violência contra pessoas e propriedades". "a sós e sem partilha". tomo II. feita com lágrimas e sangue. pelas coligações ocultas. pág. integral.Estes peitaram mais em seu favor grandes trunfos e empenhos em Lisboa. apesar das "intrigas dos mascates". pág. tal qual os emboabas. inclusive para Angola. A solta. 181.

"Os judeus portugueses e brasileiros na América espanhola" in "Journal de La Societé des Americanistes". isto é. Desde 1550 se falava. aberto ao corso dos predadores de rebanhos. 72. onde ficava o vice-reinado espanhol do Peru. o número de cristãos-novos portugueses que figuram nos mesmos autos. 2 Pedro Calmon. 245. Jorge Nunes e Pedro Contreiras. dando pleno curso à sua jeiteira para os bons negócios. Em 1595. são condenados os judeus judaizantes João Fernandes das Heras. bigamia e até por dizerem missa sem o poderem. 54 . A oeste do meridiano se extendia a enormidade dos sertões que iam esbarrar na muralha dos Andes. "teimosia de mosca do judeu" a que alude Mario Sáa6. recunhadas. açoitados ou queimados por heresia. "Noticias Americanas". 60-61. pág. Cf. cit. para serem relaxados. latrocínio. Madrid. Daí por diante. 91. 1897. mostra a força da corrente peruleira encaminhada em busca da prata. as delações e a fogueira. 3 Pedro Taques. cit. págs. cit. estourando de prata1. Do Peru. Diogo Lopes de Vargas e Duarte Henrique. os judeus se espalharam pela audiência de Charcas. Buenos Aires. pág. cit. 109. pág. desafiando os familiares do Santo Ofício. segundo Izaque Izeckson. pág. loc. 1914. naturalmente no extremo meridional do território brasileiro se travaria uma luta tenaz que durou séculos e permitiu a flutuação das fronteiras até que as circunstâncias históricas trouxeram sua fixação definitiva. Eram. A Inquisição de Lima começou a funcionar em 1579 e já em 1581 levava ao auto da fé dois religiosos lusos judaizantes. em grande maioria. João Lúcio de Azevedo. pág. Em 1605. 9 Op. 39 ed. Como tocava na Laguna. 50. 4 Argeu Guimarães. 24. Em 1700. pág. pág. 109. pág. op. 302. João da Cunha Noronha e Manuel Nunes de Almeida. A Antonio de Ulloa. dando um lucro formidável pela diferença de valor. Baltasar de Aranda". O predador de gado fixava-se ao solo como estancieiro2.Taunay. passava a chamar-se prata do Porto. pág. Diogo de Andrade. para abjurações leves ou veementes. Em 1625. mas apenas a índole gananciosa"9. o grande escritor peruano Ricardo Palma chega a exclamar: "Mala suerte tenian los portugueses con la Inquisisión de Lima10!". nos famosos peruleiros ou homens que faziam o Peru. A rota do poente fora procurada antes da do meio-dia. ed. "Anales de la Inquisición de Lima". "Ensaios da HIstória Colonial . havia 6 mil judeus refugiados no Prata! 8 "A invasão dos judeus". Em 1622. só Antônio Castanho Taques trouxe 40 arrobas. Deviam ser muito grandes os ganhos para os cristãos-novos se arriscarem a freqüentar o vice-reinado porque a Inquisição de Lima era por demais rigorosa para a judiaria de origem portuguesa4. Gregório Dias. já residiam em Buenos Aires de 5 a 6 mil judeus portugueses8.CAPÍTULO IX O ninho do contrabando O meridiano de Tordesilhas foi recuado para o Oeste graças à audácia sem par dos bandeirantes. já fora agarrado e punido pela Inquisição 1 A prata era a riqueza quase exclusiva do Peru.D. 10 Ricardo palma. cit. Em 1754. 1792. cuja cobiça era despertada pela aventura pastoril e que logo se transformavam em criadores. "História dos cristãos-novos portugueses". Esse tal Diogo de Andrade era o que hoje se chama um elemento perigoso. no Brasil. Ao sul da Laguna se alongava o pampa com seus gados alçados. 600 quilos3! Até as moedas espanholas eram trazidas por essa gente e corriam. desaguadouro natural das riquezas do Potosi7. 225. "Nobiliarquia Paulistana". fundida e lavrada na metrópole e devidamente contrastada. Madrid. a qual. com aquela perseverança passiva. 7 Carlos Correa Luna. Narrando esses e outros fatos. a província de Tucumã e o estuário do Prata. judeus aventureiros que iam buscar a prata das minas do Potosí. que "pode não revelar inteligência alguma. 5 Op. A quantidade de prata contrabandeada nessas viagens clandestinas foi colossal. "História da civilização Brasileira". falso testemunho. Francisco Rodrigues. que penetrava à cata de metais preciosos até no México5. XVIII. loc. nos incipientes núcleos de população do Brasil. Carlos Correa Luna. os freires Álvaro Rodrigues e Antônio Osório. pág. 439 6 "A invasão dos judeus".

Amaro Diniz. Pascoal Dias. Luiz Veiga. quando ainda o Brasil continuava com Portugal ligado à Espanha. porém.Moço". nascido em Tucumã. filho de judeus-portugueses. Bartolomeu Bueno.Nessa designação çoreja a diferenciação étnica do ariano e do judeu. Os Kahals forneceriam subsídios e fomentariam as traições e espionagens. Rodrigo de Ávila "o . Jorge Silva. As redes inquisitoriais colheram nessa grande conspiração de caráter internacional avultado numero de cris tãos-novos e judeus lusos: João Rodrigues da Silva. e a Buenos Aires. "e o chefe de todos. 11 Op. Tomás Quaresma. descendentes dos conquistadores germânicos da Península. Pascoal Nunes. pág. os judeus-portugueses desceram para o Rio da Prata e daí seu afluxo a Tucumã. João Azevedo. chamado o Capitão Grande. em contraposição aos crioulos. figuravam ainda um tal João da Costa. Fernando Esteves. achou as minas de ouro de Goiás e Pascoal Moreira Cabral. nascidos na América. Os bandeirantes paulistas também haviam continuado a buscar o Oeste em novas e audazes entradas pelos sertões ignotos. foi queimado como relapso11. cujas riquezas. escravo nascido na casa de seu senhor ou nela criado de pequeno". que morava em Lima no famoso paço até hoje conhecido pelo nome de Casa de Pilatos. Fernando Espinhosa. cit. No ano de 1639. possuidor de várias minas de prata. Rodrigo Vaz Pereira. a Inquisição teve de proceder com o maior rigor contra a judiaria portuguesa que se irradiava pela América Espanhola. Ricardo Palma. Manuel Álvares. Gaspar Fernandes Coutinho. 13 Op. 14 Pe. pela qual se descobriu que as sinagogas da América estavam em íntima ligação com as da Holanda12. Lisboa. diz o processo. 34 e segs. as de Cuiabá. que em Latim se diz verna. além da importância da trama sinagogal descoberta nas cartas em chave. com justiça. que Ricardo Palma classifica "o maior judeu que já houve no Peru 13". isto é. conta o cronista Pelliza y Tovar que as autoridades espanholas se apoderaram de vasta correspondência cifrada dirigida aos judeus portugueses. pag. Francisco Vasques. Manuel da Rosa. XXXV. fundando as primeiras fazendas de gado do Piauí e os primeiros estabelecimentos agrícolas do Maranhão. "el castigo de los portugueses". verdadeiro oráculo da religião hebréia". Luiz Valência. que eram quem nós sabemos14. Antonio Cordeiro. que o hitlerismo agora põe em foco. "Memória do Reino do Brasil" Imprensa Régia. seguindo o caminho dos peruleiros. cuja fortuna era calculada em meio milhão de pesos. Francisco Montesinos. já nascera no Brasil. D. Mateus da Cruz . chamando-os godos. Paulo Rodrigues e Tomás de Lima. Além desses quarenta. 12 55 . Lançaram-se ainda para o Norte. seu verdadeiro nome era David e dizia-se descendente de Abraão. Manuel Batista Peres. O problema é muito mais velho e mais profundo do que pensam os ignorantes e os mal-avisados. contrabandistas de prata. sendo os agentes diretos da obra os países marítimos protestantes: Inglaterra e Holanda. Jerônimo Azevedo. Melquíades dos Reis. 113-114. págs. cit. Henrique Lourenço. e aos marranos. fez com que a rafaméia judaica se embiocasse neles afim de passar desapercebida. somente os portugueses é que souberam aplicar devidamente o nome de crioulo. já no meado do século XVIII. Francisco Mendes. Domingos Montesid. Na segunda década do século XVIII. Fernando de Montesinos. mesmo depois da traição dos judeus-emboabas. franceses e ingleses tratam os filhos dos europeus. tomo 1. Vimos qual foi sua invasão pelo avultado número deles que. Luiz de Lima. mas serve para mostrar. Bartolomeu Leão. Diogõ Lopes da Fonseca. ser chamado o Rei dos Peruleiros. Gaspar Nunes Duarte. núcleo da vida exterior. velho negocista e contrabandista. Pedro Farias. existia nessa última cidade. in nota: "Espanhóis. centro da vida interior daquela região. Simão Osório. Mateus Henriques. e que podia. A enumeração destes quarenta réus é fastidiosa. o cirurgião Francisco Maldonado da Silva. que a legislação manuelina. Luiz Gonçalves dos Santos. cit. O fito era a destruição do império colonial luso-castelhano pela conquista e desagregação. o Anhanguera. Francisco Luiz Árias. Manuel Gonçalves. 39. Dessa vez. Perseguidos pela Inquisição limenha. op. judeu que. Manuel Matos. 1825.do México por vários delitos. Naturalmente. Cf. págs. permitindo aos conversos o uso de nomes dos cristãos-velhos lusitanos. Francisco Fernandes. Na linguagem colonial platina se conservou a memória dos castelhanos de velho tronco racial. Antonio Balseira da Costa. Sebastião Duarte. que eram os nascidos na terra. de crioulos. Henrique Nunes de Espinhosa.

Servia de entrada para todo o comércio das possessões espanholas meridionais e centrais. recebia instruções de E1 Rei para fundar um estabelecimento no estuário platino. gente sedentária. traria guerras e viria até nossos dias com o litígio das Missões. no fundo dos vastíssimos pampas verdes. o caminho marítimo toma uma predominância enorme sobre o terrestre21". iam pejar os cofres estrangeiros"15. nota-se uma faina desusada no sentido de se abrirem caminhos terrestres do Norte para o Sul. pág. em um dos pontos nevrálgicos da política do continente. op. Entretanto. em 1737. 1850. reconhece um jovem sociólogo de talento. 34-35. o que mais contribuiu para que. era necessário trans por os campos de Vacaria. todo o território compreendido entre o Rio Grande e o Paraguai chamava-se. Madrid. pág. Ainda a mesma necessidade leva os portugueses à fundação de um estabelecimento à margem esquerda do Prata.. Paris. outro. trabalhadora e profílica que vai permitir a existência de uma base povoada na constante flutuação das fronteiras. o Brasil hoje se debruçaria sobre as águas turvas do grande rio. por dentro. as bandeiras ferozes rodopiaram pelas regiões do Guaíra. 21 Jorge Salis Goulart. "Fundada a Colônia do Sacramento em 1680. Em 1676. Para lá chegar. Todavia. 161 in nota. 1922. em 1678. perdêssemos toda a região em que o elemento povoador luso-brasileiro não penetrara com força. 155. O núcleo da Laguna. com o tempo. os paulistas pelo Sul. 1935. estendendo-se para o Norte. 17 Escragnolle Taunay. eixo de sustentamento da possessão do Rio Grande. 18 Alfred de Brossard. por onde já se arriscara o paulista Manuel Mendes. fundação dos Brito Peixoto. D. 22 Antonio Bermejo de la rica.981. cit. depois. o governador do Rio de Janeiro. 91. o Papa Inocêncio XI criou o bispado do Rio de Janeiro e lhe deu jurisdição até o 23 Prata . 20 Alfred de Brossard. Os jesuítas procuravam ganhar terras. em trato com os indígenas e os castelhanos. a feira de gado de Sorocaba. 34 19 Jorge Salis Goulart. "História do Brasil". a fim de garantir futuramente sua posse. por fora. pág. a fim de ser povoado o território. Segundo as "noticias utilíssimas à coroa de Portugal e suas conquistas". Livraria do Globo. Essa necessidade dita o pedido da Câmara da Laguna para a vinda de casais açorianos. estabelecido o presídio do Rio Grande. Vieram 160. 23 Fernando Nobre. onde.Depois do Oeste e do Norte. "Considérations sur les Républiques de Ia Plata". palpitava o sentido da ne cessidade de pôr uma barreira natural de permeio às possessões das coroas rivais: grande serra ou grande rio. Nº 1. dentro do próprio Paraguai. as reduções jesuíticas erguiam faustosas igrejas e colégios de pedra. Porto Alegre.Manuel Lobo. agricultores e católicos. doc. "As fronteiras do Sul". um tanto esquecida dos espanhóis. S. a qual acaba sendo a linha do Rio Pardo. "Anais da Biblioteca Nacional'°. arruinando 22 missões guaranis18! No subconsciente dos conquistadores piratininganos. 1920."arruinando o Estado. desceram para o Sul. op. pág. avançando ao seu encontro e também tomando o caminho do litoral. Guillaumin. No meio dos quais os judeus refugiados do Peru viriam meter-se com o único fito de ganhar dinheiro. é uma questão de vida ou morte para a conquista lusa19". nas últimas décadas do século XVII. "Na era das bandeiras". de Xerez e de Vila Rica. fundada por Garay na margem fronteira20. De 1620 a 1640. págs. o estuário do Prata. era um foco de irradiação bandeirante. de que Portugal "foi sempre uma sentinela vigilante. não é possível deixar de compartilhar a insuspeita opinião de Bermejo. 161. destinada ao controle da embocadura do Prata e a concorrer com Buenos Aires. Foi isso. O choque entre bandeirantes e padres repercutiria. sem dúvida. "país dos paulistas"16. Paulo. "La Colonia del Sacramento". 56 . Eles haviam penetrado nele desde 161417. onde vagueavam índios cavaleiros Areando gados bravios. Dois anos depois. A posse do Rio Grande. Os dois avanços determinaram uma série enorme de acontecimentos históricos. pág. Esse marco avançado para o extremo sul será a colônia do Sacramento. no futuro. 22 ed. "A formação do Rio Grande do Sul". Ali se poderia erguer um magnífico empório. nas órbitas oficiais. que esperou sua hora com paciência e cautela"22. A importância daquela foz era muito grande. Passaram-se mais dois 15 16 General Abreu de Lima. Se a coroa portuguesa houvesse cuidado de povoar com certa rapidez as terras compreendidas entre a linha riograndense e a margem orien tal platina. pelo interior. Era o caminho dos conventos de que fala Cristovam Pereira. Daí o anseio de atingir a cordilheira do Maracaju e o Apa. e de escoadoro para os seus produtos.

25.anos e. Em derredor da cidadela. Antônio de Vera Mujica. chegando sua gente a querer apoderar-se do sítio de Montevidéu. que vimos em ação em Minas. viu-se obrigado a incendiar e abandonar a praça. D. Isto equivale dizer que os interesses comerciais judaicos. os brasileiros. Francisco Bauzá. fora levado para Lima. A fundação da Colônia despertou os zelos do governador de Buenos Aires. intervinham na luta.485. 27-28. cit. em 1701. As armas espanholas conquistaram ruínas que a diplomacia espanhola iria perder em breve prazo. capitão-general das Províncias do Rio da Prata. Reconstruída e abaluartada em 1683. veremos como foi infatigável a obstinação portuguesa em conservar a conquista. que enriquecia pelo comércio e sobretudo pelo contrabando31. eram lançados os alicerces do ousado baluarte que "deu origem a tantas guerras. multiplicou e engrandeceu to das as combinações29". em 1722. Um dos seus principais com panheiros. a luta se tornou mais violenta. Felipe V. sobretudo a Inglaterra. 27 Fernando Capurro. querendo obter as simpatias da corte lisboeta. que a perdemos de vez. sob os baluartes refeitos. José de Garro. 29. Montevidéo. "La Colonia del Sacramento". De lá vinham as ordens e auxílios para a guerra. recebeu em 1703 ordem para acometer a fortaleza lusitana. Os "viandeiros" são os mesmos mercadores. de 1722. no ano de 1724. D. não quis assumir a respon sabilidade do feito e mandou restituir a praça aos portugueses em 1683. O mestre-de-campo. para lá se mandavam os prisioneiros de marca. 1928. 32 Ferreira da silva. e a Inglaterra instigava Portugal e Espanha28. a tantos cuidados. O contrabando principiara na Colônia logo que crescera a população com os judeus refugiados de 24 25 Simão Pereira de Sá. em torno do pomo de discórdia de Colônia. em 1715. "Nova Colônia do Sacramento" Lisboa. Aliás. cit. como diz Varnhagen. Veremos oportunamente as razões. onde ainda se achava em 162826. depois de "formidables y bravos combates 30''. porém. e a tantos gastos". mascates. doc. Outro período de prosperidade logo começou para aquela feitoria comercial e posto militar. 1839. Nas colônias transatlânticas que "buscavam estender-se uma a custa das outras". restituiu-as. Manuel Lobo morrera prisioneiro em Buenos Aires. "História da Civilização Brasileira". cedeu os direitos que porventura tivesse sobre o território e a praça da Colônia. em janeiro de 1680. forasteiros. 19. de novo. 31 Op. porque são esses. de pleno direito. A 11 de novembro de 1716. cujo cabildo pedia ao rei de Espanha o castigo da ousadia portuguesa. 57 . Pedro Calmon. 29 Visconde de São Leopoldo. cit. isto é. contra os países católicos. Vê-se que as relações entre o Prata e o Peru eram seguidas. a tantas negociações feitas e desfeitas. 1737. todas as intrigas e conchavos. enchendo-se de ouro "fosse como fosse". Recife e Maranhão. nascida desse pomo de discórdia plantado no limite que a natureza como que traçara para o Brasil. Foi este o prólogo de uma grande tragédia política. tremulou ao vento a bandeira de Portugal. op. Não podendo resistir por falta de munições e recursos à investida inimiga. Nesse ínterim. o qual a atacou depois de renhida luta25. o governador da colônia. Durante o drama secular. que pediu reforços ao Vice-Rei do Peru e mandou sitiá-la por D. pág. efetivamente. aumentando mais sua população em "viandeiros" do que em agricultores32. depois que "o comércio se apoderou quase exclusivamente da política. págs. 30 Fernando Capurro op. fomos já nós. "História de la dominación espanhol en el Uruguay". Os judeus manobravam os países protestantes. O rei não o atendeu e. quando a política mudou a obtenção de simpatias em guerra aberta. pág. Fora destinado a "palestra das armas". de clara um cronista coberto de razões24."pág. Bahia. os que manobram a política. D. a tantas intrigas. na Europa e nas Colônias. "Anais da Provincia de São pedro". "Terceira povoação da Colônia do Sacramento". O Tratado de Utrecht. a Colônia prospera e começa a inquietar ao governo de Buenos Aires27. ateando a guerra entre ambos. pág 77. ed. A metrópole. aos lusitanos. n° 1. para ir recolhendo os despojos. o valente Sebastião da Veiga Cabral. Alonso Juan de Valdez Inclán. desenvolvia-se a futura cidade. Jorge Soares de Macedo. como era o caso do Brasil versus Prata. 26 "Anais da Biblioteca Nacional". 28 Fernando Nobre.

op. vindos de Tucuman e da outra banda do Prata. Para o mister de contrabandista.063. as forças ocultas manejavam sempre de maneira a Colônia tornar ao poder de Portugal. 37 Fernando Nobre. desde os primeiros tempos até sua entrega definitiva aos espanhóis. "admirável ponto de contrabando". raramente toman do parte direta por causa do perigo. açúcar. O conde de Moncloa. O. op. n° 2. eram empregados aventureiros capazes de recorrer às armas em caso extremo39. cit. 40 "Anais da Biblioteca Nacional°. Keith. até os próprios governadores da Colônia dele participavam42. no ano de 1700.40. Araujo. Assim.630. carne seca. o que fazia a judiaria fugir por meio do contrabando ao seu pagamento. Ele arruinava o comércio dos estabelecimentos espanhóis. pão e outros artigos de que os intrusos tinham falta. em virtude de uma cláusula imposta pela liberal e judaica Inglaterra no tratado de Utrecht38. obtendo as restituições da Colônia tomada pelas armas castelhanas. penetrando com suas mercadorias até o Chile e o Peru33. nº 1.. op. Além do contrabando. em verdade. contrabando de tal modo generalizado e corruptor que.988 41 Idem. mas os eternos intermediários judaicos com sua jeiteira para os bons negócios. cit. 112. entrava continuamente muita prata.495. doc.Lima.. Outra fonte de rendas ilícitas deviam ser as famosas verbas secretas destinadas a comprar amizades e inteligências entre os castelhanos44. com o comércio ilícito. "Resumen de Ia Historia del Uruguay". Vice-Rei do Perú. que o judeu praticava. tomo I. pág. cit. Montevidéo. explicitamente. Araújo: "o contrabando se fazia em grande escala com gente pouco escrupulosa de Buenos Aires.363.pelo interior das audiências espanholas e era exercido pelos antigos peruleiros e seus descendentes. A importância desse comércio ilícito se manifestou em Buenos Aires pela diminuição das rendas públicas e pelo luxo que ostentavam algumas famílias que faziam praça de fortunas de origem absolutamente desconhecida"34. pelos quais se cobravam fortes dízimos41. em ligação constante e oculta com os milhares deles que iam infestando a nascente Buenos Aires.. 31. 43 Idem. "Manual de História Uruguaya". 33. Londres. nem ganhava a futura capital da Argentina. Aquilo era. por trás dos ingleses.494-4. "o ninho do contrabando"36. pág. 36 Alfred de Brossard. Era também grande o comércio de couros. 39 Fernando Nobre. n° 2. É o que diz. 0. a quem uma cédula real de Filipe V o permitia no estuário. Para haver o rendoso contrabando. No comércio ilícito da Colônia. julgava oficialmente "muito lesivos ao monopólio peruano" o comércio e o contrabando que ali se desenvolviam37. que se irradiava . 1810. para que serviria? O comércio de Mato Grosso não existia e era o único lugar do Brasil para onde se poderia ir por aquele canal. pág. Uma pequena reflexão sobre esse ponto permite compreender claramente as razões secretas dos fatos ocorridos na nossa corrida para o Prata. 42 Idem. 38 Eduardo Azevedo. Enviavam para ali tabaco. como já o declarava em 1694 o governador português Dom Francisco Naper de Lencastre. Todos os historiadores estão de acordo em proclamar o contrabando da Colônia. pág. n° 2. pág. recebendo em troca farinha. 44 Idem n°s 4. Acontecia mais ou menos a mesma coisa no comércio de madeiras43. nem a própria Colônia do Sacramento. os judeus praticavam os maiores abusos no tráfico de negros. 58 . O governo de Buenos Aires declarava aquele "gran canal predispuesto por la naturaleza para el comercio de contrabando". 35 "D. segundo um deles. tangidos de Lima pela Inquisição. "A voyage to South America and the cape of good Hope". 33. Nas mãos da Espanha. bebidas e escravos negros. O contrabando que ainda hoje se pratica nas fronteiras meridionais mergulha suas raizes nessa época e nas dinas tias de contrabandistas fronteiriços ainda se podem achar alguns nomes de judeus que travaram conhecimento com a Inquisição de Lima. com Oliveira Lima à frente 35. era necessário que fosse uma cunha portuguesa enfiada na porta de entrada das possessões espanholas. dirigindo e estipendiando. Como se vê.. João VI no Brasí0. 33 34 G. 36. Somente os interesses do contrabando explicam as vitórias da diplomacia portuguesa. tomo I.

isolando-a no estuário platino de tal modo que chegou a ficar sem um palmo de terreno além dos fossos da circunvalação. Payot. " La Genése du XIX Me. do Dr. que tão grandes danos causou à ordem. governador de Buenos Aires. O padre Vieira acercara-se deles e maus foram os resultados. lançavam contra ela todas as suas forças. enquanto os índios missioneiros se rebelavam contra as autoridades empenhadas em realizar o combinado. Demais. catem hospitalidade e logo que tomam pé passam a comportar-se como verdadeiros senhores!. 1910. págs. entrava de cabeça 45 46 Fernando Capurro. quanto mais a intromissão desse fermento de decomposição em qualquer Estado. J. pondo. O resultado foi que o tratado não entrou em vigor e. Chegam como mendigos perseguidos. 268-274. aboliu as últimas separações e distinções entre cristãos-velhos e cristãos-novos. Bruno de Zabala combatia com todas as forças o contrabando que lhe minguava as rendas da administração para a engorda de cristãos-novos. Marquês do Pombal. na mineração e no contrabando. em 1773. pág. celebrou-se novo pacto. 47 Fernando Capurro. em 1737. H. História dos cristãos-novos portugueses" pág. 50 Houston Chamberlain. 48 H. Em 1735. os portugueses não abandonaram a Colônia. põe cerco à Colônia durante dois anos. com a melhor consciência deste mundo. mais amanhã. na pirataria. Governava Portugal o pulso forte de Sebastião José de Carvalho. em 12 de fevereiro de 1761. como antes havia inundado todas as anteriores. Siécle. de G. que entendera usar dos judeus na sua politica dominadora. no reinado de Fernando VI. sem dela conseguir apoderar-se.O governador espanhol D. Pfister. no tráfico. rompidas as relações entre os dois reinos rivais da Península Ibérica. no açúcar. com o tempo. graças à heróica resistência da guarnição.. Aranda na Espanha e Choiseul em França lhe vibravam os grandes golpes que a enfraqueceriam para sempre48. o que. Por isso. pág. pág 265. voltava aos ritos ancestrais e impunha a circuncisão à prole49. cit. Paris. um anteparo entre a Colônia e o Rio Grande. cheio do ouro conseguido no pau-brasil. tomo 1. A judiaria portuguesa. A resistência dos padres vencera os esforços de Gomes Freire de Andrade. "Les Jesuites". a devorar as nações50". tão ferrenha que. só foi resolvida de vez em 1750 pelo Tratado de Madrid. afastando dela a gente culta no momento em que Pombal em Portugal. cit. mal chegava a terras estranhas de maior tolerância. motivou sua perda definitiva. op. Combate-se o judeu. A ordem de Santo Inácio entrava em decadência e as sociedades secretas. Pombal não tinha ainda recebido essa lição da experiência e. 1913. De 1724 a 1725. ele expulsou os portugueses que queriam estabelecer-se no local onde hoje está Montevidéu e fundou Maldonado. 346. Dai em diante. pág. op. Alvaro de Salcedo. Ia reacender a luta travada pela posse da margem do Prata. Paris. 358. esquecendo-se dos perigos que representa a sua simples aproximação. sucessor de Felipe V. inundou as companhias de comércio por eles formadas. cedendo Portugal a Colônia em troca das Missões jesuíticas do Uruguai. vencendo as combinações diplomáticas. Os jesuítas franceses associaramse a eles e disso resultou aquele escandaloso processo Lavalette. temos provado com documentação abundante a verdade do que afirma Houston Chamberlain: "Quando os judeus se acham em grande número em país estranho. usá-lo equivale a cair-lhe nas unhas mais hoje. conde de Bobadela. 59 . onde o contrabando prosseguia descaradamente. que excediam a tudo quanto os protestantes haviam dito e escrito contra a Companhia de Jesus46. de parceria com o judaísmo. D.. Em todos os capítulos desta história secreta. que começara em 1682. Boehmer op. no Inglaterra: " A Inglaterra vai se tornando dia a dia o paraíso dos judeus. em 1936. embora tardiamente. que anulou o de 1750 e fez tudo retornar ao estado anterior47. Cedamos palavra a uma observação atual. Expansão Lusa pelo interior das terras estava "burlada"45. Porém a execução do pacto suscitou tais dificuldades que teve de renunciar a ele e os pobres índios vencidos de Caybaté e os jesuítas expulsos acabaram. 49 João Lúcio de Azevedo. porém. Poehmer. que se retirara descoroçoado para o Rio de Janeiro. O judeu. não passou mais de um navio de pedra ancorado na praia platina. 27. O armistício de Paris. Publicavam-se o Anti-Cotton e as Monita Secreta. Monod. Portugal se aviltou sob o domínio do marquês. 31. pôs termo às hostilidades. cit. não se usa do judeu. assim. o de Pardo. A questão. trad. triunfante em toda linha. A. julgam a ocasião propícia para realizar as ameaçadoras promessas dos seus pro fetas e se dispõem.

53 D. Pombal. Seus bastiões e revelins foram arrasados. em setembro de 162. protetor dos judeus. Carlos III. manietado por uma política interna. formidável para o tempo e o lugar. a guerra durara mais ou menos dez anos e só em 1776 os invasores haviam sido expulsos pelo esforço conjugado de lusos e brasileiros sob o comando do grande general João Henrique Bohm. No ano da Graça de 1763. "Memória sobre o assédio e rendição da Colônia do Santíssimo Sacramento". com toda a Banda Oriental. no futuro. No território rio-grandense. Saqueou o quanto pôde na invasão. uma expedição espanhola. O Tratado de Paris. D. Xavier de Brito..erguida na vida pública da nação.. não poderia ver os resultados da sua política. Portugal. op. "La Colonia del Sacramento". Teve todo o apoio secreto até o fim. 55 e segs. 1778. rei de Espanha. 51 52 Carlos Correa Luna. de 10 de fevereiro de 1763. ficou em nosso poder até o Chuí. investira a Colônia do Sacramento e dela se apoderara. ordenou que o mesmo Ceballos se preparasse o melhor possível para a reconquista. Op. Antonio Alcedo. porém. Israel enriqueceu-se no contrabando sem derramar uma gota de suor ou sangue. sendo o contrabando sua especialidade52. Com efeito. págs. invadira o nosso territOrio e ocupara a vila do Rio Grande. mandou restituir novamente a praça aos lusitanos e outra vez judeus e ingleses voltam a ganhar rios de dinheiro no contrabando53. Pedro Ceballos. conquistou em 1777 a nossa base da ilha de Santa Catarina e retomou a disputada fortaleza do estuário. porque vivia de fraudes e ladroagens no cargo. 54 Pedro F. O tratado de Santo Ildefonso entregou a plena posse da margem setentrional do Prata e da Colônia do Sacramento à Espanha. entupidos com os barcos cheios do entulho das demolições)54. Era com toda a cer teza sócio da judiaria portenha nessa pirataria. pág. O BrasilImpério a perderia para sempre numa guerra infeliz. evacuado. os canais do porto. "Dicionário Geográfico-Histórico de las índias Occidentales". depois de receber uma "ordem secreta" 51 para atacar os estabelecimentos portugueses. amigo dos pedreiros-livres. 52. pagou na a narqula judaica dos últimos tempos da Monarquia e dos atribulados tempos da República às suas concessões. para melhor atender à defesa do Sul do Brasil. O Brasil-Reino conquistaria mais uma vez a Colônia. art. O Rio Grande. o marquês mandou transferir a capital da Bahia para o Rio de Janeiro. depois de dez anos de domínio. 60 . cit. governador de Buenos Aires. Todas essas tomadas e retomadas haviam custado o esforço e o sangue dos homens de vulto ou ignorados que constituíram nossa Pátria. cit. entendendo ser necessário arrancar de vez aos vizinhos a margem esquerda do Prata. É que.

XI e sobretudo XV. os judeus viveram numa "conspiração contínua59". que organizará em compartimentos es tanques e superpostos. 63. somente sendo permitida a abertura de lojas recentemente. Garnier. L. atingido esse desideratum. a força do ouro.a que se referia Rabelais55. a conquista. Para isso.Possuindo os meios pecuniários. e os homens reunidos em uma única e só família. cuja ambição é conquistar pela astúcia e pela traição o domínio universal56".nervo das guerras . Divide et imperas. a pirataria. pag. contra os romanos. Todo esse ideal utópico esconde simplesmente a construção do Templo Salomônico do Talmudismo do judaísmo de hoje. À sombra desse maravilhoso agente preparatório. onde a maçonaria foi terminantemente proibida logo após o triunfo judaico. Daste. ignoram que. 57 Duque de la Victoria. 1 46 60 Op. Assim aconteceu na Rússia bolchevista. cit. às vezes sutil. 89. Paris pág. as quais temo dom de transformar os cristãos em "traidores da própria Pátria e da própria fé. 57. o açambarcamento de gêneros. de classes". por meio dele. 44. a desapropriação forçada das minas. pag. a construção do domínio judaico. "Oeuvres". op. Cf. pág. 58 Duque de la victoria. A acumulação da fortuna e o assalto às fortunas públicas e particulares foram levados a efeito pelo monopólio do pau-brasil. X. Madrid. os preconceitos de raças. fazer adeptos. diz o grande maçon Dario Veloso. contra os egípcios. todas. 1912. eles. 10. 223. Desde o cativeiro da Babilônia até o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. contra os sírios. cit.CAPÍTULO X A entrada em cena da maçonaria VIMOS até agora todos os meios postos em prática pelo judaísmo no Brasil. 1935. "Les sociétes'sécréts et les juifs". realizar a propaganda. Toda a Gnose dos primeiros séculos do cristianismo proveio da cabala judaica.cit. Aí já não se apresentará tão descoberto e se valerá das sociedades secretas. pela fraternização consciente. o Templo de Salomão é a Terra Gloriosa. Os que servem a maçonaria. no qual se professa tão só o "dogma da humanidade" (pág. No seio da Igreja Católica nascente. pág. durante cinco séculos. o contrato dos diamantes e o contrabando. "Os Protocólos dos Sábios de Sião". destruidoras dos lineamentos da ordem social e gé radora de ódios. 7. cit. ed. S. da Renassance Française. pois. pela ciência. esconde e protege o Poder Oculto Internacional. quase todos os grandes heresiarcas foram judeus. IV. sobretudo as sociedades secretas maniquéias a que a bula Humanum Genus de S. o estanco de produtos. as sociedades secretas gnósticas se espalharam pelo oriente e pelo Ocidente61. a dominação judaica se estabelece e vai passando despercebida do comum dos mortais58. sem ex ceção. Curitiba. verdadeiras utopias na maior parte dos casos. O fim social da maçonaria é a reconstrução do Templo de Salomão. pág. A tolerância religiosa da maçonaria não passa de disfarce do seu materialismo positivo. Fran çois Rabelais. das idéias. 39). tornando-as fontes de iniciação nas doutrinas cabalistastalmúdicas. É o mesmo grande maçon Dario Veloso quem o confessa na op. Prólogo. Com tais ideologias. o Estado. o tráfico negreiro. "Delaunay provou que os Mistérios Maçônicos eram originários do Egito e foram trazidos para Europa pelos judeus". o que. 24). investigar e dar curso às ordens recebidas. a fim de se apoderar da riqueza e ter aquela pecúnia . multiplicando-as num "labirinto diabólico". vai provocando em todos os organismos governamentais e sociais as divisões de que devem resultar todas as suas fraquezas. págs. Seu verdadeiro papel é estu dar. procurar e preparar a força de que carecem os judeus na grande massa do povo. o Governo Oculto de Israel pretende dominar o mundo. 9-10. desaparecerão na voragem57. em virtude da pressão de novas necessidades políticas. Paris. enfim. Extingue. Contra os persas. a especulação sobre os açúcares. Op. 59 L. 61 . o judaísmo atacara o segundo setor da sua luta. o envenenam com idéias de aparência liberal e filantrópica. Dasté.. sem dúvida a maçonaria. O segredo maçônico disfarça. meros instrumentos e intermediários do judaísmo. A mais importante de todas as sociedades secretas é. em proveito do judeu cabalista. as companhias de comércio e navegação. O próprio Dario Veloso nos assegura que o Templo maçônico é meramente a terra (pág. A conspiração judaica contra o mundo inteiro é antiquíssima e permanente. infiltraram as divisões e heresias 60. 1924. caps. pág. "Israel Manda". Leão XIII mui acertadamente compara à 55 56 "Les nerfs des batailles sont les pécunes". em "O Templo Maçônico".

pag. No século seguinte. Delas veio o nome de pedreiros-livres ou francomaçons. 63. aos adversários que pretendiam suplantar". em Jerusalém. "Les francs-maçons ecrasés". foi a dos ocultistas Rosa-Cruzes do século XVII. esse é o Kahal. cit. o Belo. Paris.maçonaria. Iniciava a 61 Adolf Frank (judeu) Ma Kabballe°. Londres. utilizaram e amaram o mistério". A cabala viveu e vive sempre no mais profundo seio dos mistérios da maçonaria. pág. Hachette Paris. n 69 Pe. seu exemplo os maçons guerreiros de Zorobabel. 61-63. 1935. 65 "Histoire de France". muito poderosas pelas franquias que gozavam como construtoras dos edifícios públicos e das catedrais góticas. tentando inocentar a Ordem do Templo. 70 C. com grande aceitação por parte dos fidalgos fúteis e cortesãos. assim. dessa fonte maniquéia e cobrem a França com "uma rede invisível de sociedades secretas"62. suas tradições. pág. derivados diretamente da cabala judaica70. 47. pág. cit. "a cabala dos gnósticos. e. tomo I. que. Amsterdam. 62 . 222 e segs. 64 Ad. op. Tomo II. derrubar a autoridade do Papado e o poder da Realeza. cit. Amelineau. L. 58. 54. 42. cujos ritos são os mesmos da maçonaria. 73 Albert Lantoine. É aos Templários. pág.para os judeus. Paris.op. C. Desté. Jannet.française". A história afirma íntima ligação entre a célebre Ordem dos Templários e o judaísmo. op. "Illustration of Masonry". destruída pelo Papa e pelo rei da França. L. a infiltração dos pedreiros-livres ocorreu em 170371. Diretamente. de acordo com o modelo da profecia de Ezequiel". págs. pags. tomo II págs. cit. op. acumulado mentiras sobre mentiras. pág. 341-353. destinada à propagação dos seus ensinamentos65. Paris. 4. "Por necessidade ou natureza. "Le drame maçonnique". 393. intrigar e apoderar-se do mundo". a mãe da maçonaria. em toda a cristandade. "Os sectários de toda espécie têm. era "a reconstituição do templo de Salomão. "Histoire critique du Gnosticisme". op. têm um governe oculto organizado63. segundo as confissões pormenorizadas idênticas todas elas nos países mais diversos. cit. Na Inglaterra. Frank. págs. Todavia. mandou fechá-la manu militari73. 74 Larudan. o qual data do exílio de Babilônia 64. Nourry. os judeus sempre procuraram. desde muito tempo. 1936. destruindo o Estado 74. Paris. mais aparece a culpabilidade dos Templários. patarinos. 72 Barbier. como se vê. 1718-1763". o mesmo propósito dos Templários: destruir a Religião e o Trono. 1843. 11-12. 154. Nouvelles Editions Latines. 22-23. Vinha importada da Inglaterra e o cardeal de Fleury. pags. cit. 35-55. sofrem condenações infamantes. brabantinos e albigenses saem em plena IdadeMédia. Barbier. "Chronique de la Régence et du régne de Louis XV. Dasté. confessa que a doutrina maçônica nada mais é do que o judaísmo cabalista66. 1. cit. A maçonaria surgiu em França no reinado de Luiz XV. 323. que usa o sistema dos cabalistas talmúdicos. o historiador mais anti-católico deste mundo. 71 Pretton. 62 L. op. tomo III. págs. no século XVIII. Bailliére. Dasté. 65. destinada a ser. op. quando Felipe. desde o tempo dos romanos. fundada na Palestina em 1118. 1885. Dasté. 1861. 1843. Queria. em 1737. outra pública. primeiro-ministro. O fim secreto dessa ordem de cavalaria. pag. pag. op. Dasté. "enganando. quanto mais se aprofunda a questão. 67 Henri Robert Petit. Tinha duas doutrinas: uma oculta. Havia traído São Luiz nas cruzadas e preparava vasta conspiração em toda a Europa 68. que esta se liga em primeira mão69. "Dogme et rituel de la Haute magie". depois de longos e minucïosos processos. Imputavam-lhe. pág. 63 Matter (protestante). reservada aos mestres. "Histoire de la Franc-Maçonn_e rie. cit págs. 1746. Outra corrente formadora da maçonaria. e Clemente V a dissolveram de surpresa. "adquirir influência pela riqueza. eles se infiltraram nas antigas corporações de pedreiros-livres. Lembre-se o que disse Dario Veloso sobre a construção ao Templo de Salomão. para os cristãos judaizantes ou judaizados. Relata um cronista coevo que mantinha "inviolável segredo" quanto às suas "assembléias ocultas e perigosas para o Estado 72". sua regra. Michelet. a católica-romana. desta sorte. pág. 1712. seu ideal. Catáros. "Essais sur le Gnosticisme". Paris. "Infiltrations maçonniques dans 1'Eglise". 68 L. 66 Eliphas Lévi (autor insuspeitíssimo: ocultista apóstata e maçom). as "judaicas do Talmud". Obedecia a esta palavra de ordem: "enriquecer para comprar o mundo67". é a maçonaria. Jannet. tomo II.

253. Mario Sáa. principiava no reino lusitano a era dos maçons. O restolho. Paris. 585. págs. que o Conde de Assumar reprimiu duramente com o incêndio e o cadafalso83. 198. "Efemérdes Brasileiras". 253. as lojas maçônicas datam dos últimos tempos do regime colonial. pág. verificamos na nossa história pública os traços inconfundíveis dessa história secreta. Cf Mario Sáa "Portugal-cristão-nevo". Nacional. portanto. pag. se sentia isso e se temiam mais os inimigos internos do que os externos. com razão. outras. regionais e. separatistas. Três lustros depois. que. ficara a "arder às surdas". "Exposição História da Maçonaria no Brasil" in "Arquivo Maçônico". ora visível e retumbante. setembro. 346-347. Até aqui. desde a guerra dos emboabas. 63 . se estabeleceram as casas de fundição às quais deveria ser levado todo o metal precioso. algumas sob os da França. 77 Manoel Joaquim de Menezes Drummond. que não passavam de cristãos-novos. com o tempo. Fundaram-se no Rio de Janeiro. op. com o Marquês de Pombal. Porque nenhuma revolução. 81 Pedro Calmon. 3. Na fin 1'empire espagnol d'Amerique". 142. que. como o reconhecia o próprio 75 76 Albert Sorel. independentes deles. 84 Joaquim Felício dos Santos. 82 Há sabor de cristão-novo no nome de Musqueira da Rosa. das colorias. na opinião de um dos homens que melhor estudaram a questão nas suas causas e efeitos. 12. "História da Civilização Brasileira". o consciencioso historiador Joaquim Felicio dos Santos declara não saber. 83 Rio Branco. que eram. de modo que a história judaica corre paralela à história universal e a penetra por mil tramas80". começando seu "trabalho lento. no campo. No Brasil. O estado via-se ali pobre e fraco diante dos particulares fortes e ricos. confessa o maior dos técnicos revoluçionários modernos. ano 29. Os próprios judeus abertamente cofessam. os quais detestavam o fisco minguador de seus proventos. Oportunamente. haviam ficado a "arder às surdas" as chamas revolucionárias. "já funcionava na Bahia o Grande Oriente". Imp. se constituiria na América Latina. "A invasão dos judeus". em Minas e na Bahia. Recife. Por isso. 78 "Memória do distrito diamantino".. Manuel Musqueira da Rosa e Felipe dos Santos82. porém. pag. e do esfacelamento do novo império que. contribuíram para êxito da empresa. Todas do rito adonhiramita. ao certo. oculto. afirma. A extração do ouro aumentava sem que aumentassem os quintos de El Rei81. Daí o levante trágico de 1720. com o fim visível e retumbante da libertação dos brasileiros das garras da metrópole. "tanto que as duas palavras eram sinônimos e. mas com o fim mudo e latente do esfacelamento do império colonial português. a maçonaria se encarregaria de habilmente soprar o borralho. lá fora. Embora não tendo à mão o documento maçônico de que extraímos estes dados. 1822. o que prejudicava grandemente os magnatas da mineração. na Bahia e em Pernambuco77. Vamos avivá-los nas conspirações que primeiro tentaram movimentos de independência. chefiado por Pascoal da Silva Guimarães. 79 Marius André. 1907. como se introduziu a maçonaria no nosso pais. A repercussão do grito da independência dos Estados Unidos deveria ecoar no sul do continente.. mas. não era propriamente um fim para a maçonaria. nº 13 e segs. A cobrança dos impostos reais e as repressões do contrabando determinavam contínuas agitações. 80 "Univers Israelite". cit. persistente. pedreiro-livre era sinônimo de judeu76. Precederam de um quarto de século a transladação da corte. pág. Certo nativismo orgulhoso se misturava ao regulismo dos descendentes dos cristãos-novos mascates e forasteiros que se haviam apoderado pela força e pela traição das lavras de ouro. Os exemplos de outras obras maçônicas. para a nossa independência78. Rio de Janeiro. no meado do século XVIII. Essa independência dos países sul-americanos. Umas foram instaladas sob os auspícios do Grande Oriente português. "L'Europe et la Révolution". 81. para de novo atiçar as labaredas 84. porém um meio de enfraquecer Espanha e Portugal que eram os dois maiores inimigos do judaísmo: latinidade e catolicidade 79. Na capitania de Minas. se encontra a ação judaica. o mesmo fim da conquista flamenga. ora muda e latente. pág. de certo. 26 de julho de 1907. tomo II. pág. pag. "em todas as grandes revoluções do pensamento. Nouvelle Libraire Nationale. Em Portugal. pode triunfar sem haver antes destruido os fundamentos do Estado75.preparação do terremoto social de 1793.

20 Cf. A idéia da independência andava. tomo VII. José Mariano Leal e José Pereira Ribeiro 86. artigos no jornal católico °A Ordem". 88 J. Maia morreu mais tarde em Lisboa. de nome certamente herdado dos forasteiros de 1709. textualmente: 85 Antonio Rodrigues. o francês Parny. a Tomas Jefferson. havia uma roda de homens cultos. tão gabado judaicamente desde os "Diálogos das Grandezas". 289. embaixador dos Estados Unidos. a qual ia incendiando os nossos patrícios em contato com a juventude revolta das escolas francesas. houve estudantes brasileiros na França que procuraram entabolar negociações para a nossa independência com potências estrangeiras. Norberto. escreveu. de passagem. os vexames do fisco. "História da Cor) juração Mineira". segundo confessa. págs. no ar. o qual lhe concedeu uma entrevista romântica nas arenas de Arles87. loc. participantes duma Arcádia Literária. que fora ao Velho Mundo levar o angustiado pedido de socorro dos Filhos da Viúva de sua Pátria às lojas adonhiramitas ou do rito francês. no descontentamento dos brasileiros mais cultos vendo o seu paraíso. como se diz. Vimos. Nessa primeira tentativa republicana no Brasil. Franklin. 489. que vem comprovar de modo incontestável o que afirma o probo Joaquim Felício: "A inconfidência de Minas tinha sido dirigida pela maçonaria 89". Pois bem. não pelo seu valor intelectual ou pelas suas convicções políticas. quando as atmosferas sociais estão sobrecarregadas pelas toxinas que agem à socapa. As esperanças de libertação polarizavam-se em torno da figura prestigiosa do tenente-coronel Francisco Freire de Andrade. 64 . afirmavam-se já alguns vislumbres de consciência nacional. pag. 60. Alguém as sopra de qualquer parte. mas porque era o segundo comandante dos famosos Dragões das Minas e os poderia arrastar a um pronunciamento. cit. 89 "Memórias do distrito diamantino". As idéias que andam no ar nunca nasceram por si.Conselho Ultramarino. 87 "Extratos da correspondência de Tomás Jefferson" in "Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil". sede do governo da capitania. Cá dentro do Brasil. Domingos Vidal Barbosa. Maia. Bartolomeu de Almeida. Não há geração espontânea na natureza e também não há na vida das sociedades. pág. como José Joaquim da Maia. Norberto de Souza e Silva. escrito. da Costa. conforme o notava. a respeito de seus propósitos libertadores. Rio de Janeiro. "o esforço judaico é inegável91". regressavam aos lares cheios de entusiasmo pela grandeza da terra brasileira comparada com a exigüidade européia e cheios de maior entusiasmo ainda pelo exemplo norte-americano e pela figura do grande maçom Benjamin. Foi bem um quadro em puro estilo do século XVIII: os conspiradores da liberdade no meio das ruínas clássicas! Jefferson recusou-se polidamente a entrar na combinação. sem nada haver conseguido. 86 J. pág. Um autor judeu assegura que os judeus "tiveram muita influência no preparo material e espiritual" da conspiração90. começava a lavrar aquela febril agitação. que o Grande Oriente se estabelecera na Bahia. com efeito. Tornou-se. prenunciadora da Grande Revolução. op. e "envolto em tanto mistério que mal sabiam os conjurados do que nele se tratava nem ao certo. a qual facilmente se tornaria o centro diretor de qualquer movimento de idéias a se objetivar em ação. Filtra-se o segredo maçônico nesta revelação histórica. anteriormente. 90 Isaque Izeckson. sobretudo nas universidades de Montpellier e Paris. em grande parte com informações hauridas do Senador Teófilo Ottoni. Em Vila Rica. "os judeus na Independência" In "Almanaque Israelita. Os moços brasileiros que estudavam na Europa. o monopólio do sal e a proibição dos teares para favorecer a indústria do reino. Levados por essas idéias e entusiasmos. 91 Izaque Izeckson. "tesouros mal guardados"85. escocesas e iluminadas. tomo pág. em 1786. alegando que seu país não estava ainda em condições de arcar com as responsabilidades de complicações com outras nações. 39-4G. as pessoas de que se compunha88". Na França. como costuma acontecer sempre. cit. assoprada pelas forças ocultas. num capitulo das "Memórias do distrito diamantino". "Consulta do Conselho Ultramarino à Sua Majestade no ano de 1732" in "Re vista do Instituto Histórico e geográfico do Brasil". pág. A opressão metropolitana fazia-se sentir duramente em Minas. Joaquim Felício declara. Garnier. preso à coroa de Portugal. Corriam boatos desencontrados. 253. com a venalidade da magistratura. embora ainda adstrita a localismos. 1935.

A revolução deveria estalar nesse momento e entre seus planos figurava a queima dos cartórios95. ainda viviam pessoas que tinham assistido ao seu enterro e o viram. finta geral do fisco cobrando tributos atrasados. e fizera a campanha do Sul. que estudara e comentara a "Riqueza das Nações" de Adam Smith 94 e que se encarregara de preparar os "códigos fundamentais" da futura república. Diz Isaque Iseckson que era possivelmente judeu. 94 J. As influências judaico-maçônicas manobravam seu idealismo patriótico. Mendes dos Remédios. Em 1868. disse dele Alvarenga Peixoto. 12. usava o materno. 95 Op. o poeta Inácio José de Alvarenga Peixoto. devi do ao alto conceito de quem a faz."Tiradentes e quase todos os conjurados eram pedreiros-livres. já promovido a desembargador. Maiores se encontram na versatilidade de sua vida. sem proteção. Castro Boticário e muitos outros são cognómes que denunciam ainda hoje. em Portugal. o velho Cláudio Manoel da Costa.Rodolfo Garcia. 97 É sabida a predileção dos judeus pela arte de curar e sua derivada. por que entre seus nomes há o de Silva. "Parnaso Brasileiro". op. Da roda arcadiana de conjurados faziam parte o ouvidor Tomás Antonio Gonzaga. pág. procurara obter da indiferença do Vice-Rei D. Fazia o que se chama biscates em medições de terras. O anúncio de uma derrama. Luiz de Vasconcelos a concessão do abastecimento de água e dos trapiches96. No Rio de Janeiro. Quando no Rio.cit. a farmácia. no caixão mortuário. cit. cit. ambos sacerdotes. Em lugar do nome paterno. Em Tijuco. Entrara. um amor da responsabilidade e uma resignação altamente cristã. porque sua atenção não estava voltada para o todo brasileiro e sim para o torrão natal. como os de 1930. como o de Costa e Pinto97". loc. alcunhado o Tiradentes por exercer a profissão de dentista. em conseqüência de enfermidade contraída na cadeia de Vila Rica. que traziam nomes diferentes: Francisco Ferreira da Cunha e Daniel Armo Ferreira. um espírito de sacrifício. Norberto. é bastante para se fazer em sã consciência a afirmação de que fosse de raça judaica. 65 . contra os invasores castelhanos. todas as rebeldias assopradas da sombra têm cuidado com o maior empeno: circun célios. o populacho o vaiava por causa do físico incomum e por viver perguntando a esmo o que faria Minas feliz. Januario da Cunha Barbosa. O papel que assumiu na derradeira etapa da malfadada conspirata demonstra. na onomástica mutável de sua família. comunistas russos. pela profissão ancestral a origem judaica de seus portadores" . como recurso de vida. José Joaquim da Silva Xavier. depôs na devassa o sargento-mor José Joaquim da Rocha. onde põem gente sua. 71. porém. na profissão do pai (46) e no seu primeiro meio de existência como mascate. pág. Nada disso. "preferido pelos judeus-portugueses. pelo contrário. Tentara a mineração. balaios e quebraquilos do Norte. Quando Tiradentes foi removido da Ahia (?). depois o cadete José Vieira Couto e seus irmãos92". A revelação é notável. que possuía muitas obras proibidas. Diogo Pereira de Vasconcelos. os padres Miguel Eugênio da Silva Mascarenhas e Carlos Correa de Toledo. 70. na leviandade fanfarrona de seu temperamento. campônios de Maria da Fonte. sem proveito. onde estivera preso e ficara "sem crédito". As preterições lhe amargavam a alma. trazia instruções secretas da maçonaria para os patriotas de Minas. pág. cit. Tinha dois irmãos. Disso. certamente descontentaria muita gente e aumentaria o número dos prosélitos. sem nada de comum com as atitudes dos judeus nessas ocasiões. Era filho do boticário Domingos da Silva Santos e de Antônia da Encarnação Xavier. albigenses. hoje Diamantina. estacionara no posto de alferes da 62ª Companhia dos Dragões das Minas. para fazer desaparecer os títulos de propriedade. O referido cadete faleceu no Tijuco. nas tentativas desatinadas de ganhos e concessões. Se o sangue de Israel 92 93 Op. cit. "Os judeus no Brasil colonial in -Os judeus na história do Brasil". se apoderam dos cartórios. jaques. para a carreira das armas e. fardado e revestido das insígnias maçônicas de mestre93. o intendente Francisco Gregário Pires Monteiro Bandeira. Outros revolucionários. tomo II. Indicio vago. que liam versos e propagavam a idéia do republicanismo separatista. Era pouco ou nada simpático de aparência "feio e espantado". 96 Loc. que se tornaria a figura principal da Inconfidência por todos os títulos. na inquietação constante de seu caráter. nascera em São João Del Rei e principiara a vida como mascate nas Minas Novas. o primeiro que se iniciou foi o padre Rolim.

iniciara-o no mistério da conjura. que não gostou disso. seu comandante.chapéu". em companhia do ouvidor que ia substituir Tomás Antonio Gonzaga. Por causa de seu involuntário silêncio. Bandeira da Inconfidência proposta por Tiradentes. por meio delas. que os conspiradores esperavam ansiosamente para se manifestarem. Clóvis Ribeiro. que na hora oportuna fizessem a revolução°. Maciel. tomara posse. quando serviu em Angola. o que vai ao encontro da referência de Joaquim Felício sobre as instruções secretas ou a prancha trazida da Bahia. os vestígios das atuações das forças ocultas. Falou ao próprio tenente coronel Freire de Andrade. do qual a Linguagem Maçônica. o Dr. que o repeliu. Fez o mesmo na fazenda do Registro Velho. por um dos inconfidentes ali desterrados. pag. Em sentido literal . no "Livro Maçônico do Centenário". Tiradentes passou na fazenda do opulento José Aires Gomes. a 11 de junho de 1788. e ao capitão Maximiano de Oliveira Leite.porventura lhe corria nas veias. O triângulo na posição em que aí está.. o Visconde de Barbacena. tornando-o uma figura simbólica. 12. 98 Op. com o padre Manoel Rodrigues da Costa. foi levar o que ouvira ao conhecimento das autoridades. Pedro José de Araújo Saldanha Em conversa. na sua obra sobre bandeiras e brasões do Brasil pinta-o verde. pag. pode ser visto na pág 112 da obra "Compass der Weisen° de Ketmia Vere. "Vida do Marquês de Baroacena". seu superior hierárquico. todos eles desavisados da questão judaico-maçônica. de tal modo o meio o purificara através das gerações que pôde praticar atos que o imortalizaram. Paulo com o intuito de. Tiradentes pusera-se em contato com um moço mineiro que regressava formado da Europa. Rio de Janeiro. cit. Organizou sociedades em Minas. O Dr. se é que houve alguma coisa escrita? O primeiro pensamento de Aires Gomes. posteriormente se viu envolvido nas teias do processo. que ele conheceu. expandiu-se sobre as novas idéias. Rio de Janeiro e S. com o Triângulo. buscando apoio para o levante de Minas Gerais. José Álvares Maciel. No Rio de Janeiro. Tentou.fazer a propaganda das idéias e preparar elementos. Imprensa Nacional. Berlim e Leipzig. o Triângulo aparece encarnado. coronel da cavalaria auxiliar na Borda do Campo. Em certas reproduções da Bandeira dos Inconfidentes. do governo da capitania. É preciso respigar nos historiadores. diz unicamente o seguinte: "Emblema da Divindade.. Tiradentes continuou a falar no assunto. munido de autorização real para a cobrança da derrama. José Alves Maciel. E impossível deslindar o segredo maçônico das origens da conspiração sem consultar os arquivos secretos da maçonaria. estivera na Inglaterra. porque as leis ordenavam a delação. em Vila Rica. pág. 161. De torna viagem. Durante a ausência do alferes. 66 . 1896. Esse informe foi dado ao Marquês de Barbacena na sua mocidade. afirma Joaquim Norberto98. o Barão Proeck. 1779. segundo o depoimento de Domingos Vidal. sem resultado. Por onde andarão os papéis desse tempo. que fora antes dele para Vila Rica. medroso de complicações. Sobre o Dr. lê-se o seguinte em Antônio Augusto de Aguiar. por intermédio do desembargador Luis Beltrão. 7:". o qual.