Na "HISTÓRIA SECRETA DO BRASIL", propõe o Sr.

Gustavo Barroso desprender da complexidade das forças que trabalharam na preparação dos acontecimentos políticos do BrasiL aquela que lhe parece predominante, senão decisiva, e, portanto, suficiente para nos dar, desses fatos, uma perfeita compreensão. E uma sondagem profunda a que procede, a procura da verdade histórica ou melhor da "história subterrânea dos acontecimentos". Terá o ilustre escritor encontrado o fio da meada? Terá o mergulhador conseguido trazer suas sondagens, a pérola da verdade história ou uma parcela da verdade? Nos dramas, representados por personagens conhecidos, nos largos cenários das agitações públicas, ou nos palcos dos teatros políticos, terá seu olhar penetrado os bastidores? A todas essas perguntas que se reduzem, afinal, a uma só, responderão os seus leitores, que serão muitos e os seus críticos que serão bastante competentes para julgar da imparcialidade, segurança e penetração do historiador brasileiro. É certo que, como diz Disraeli, citado pelo próprio autor, "o mundo é governado por personagens muito diferentes dos que imaginam os indivíduos cujo olhar não penetra os bastidores". Mas, quantas vezes esses "personagens diferentes" longe de serem "causa", não passam de "instrumentos" das forças reais e profundas que governam os acontecimentos políticos? E quantas vezes, dada a com plexidade dos fenômenos sociais, e, daí a dificuldade de ver claro, o que se aponta como bastidores reais, não é mais do que a armadura de cenários fabricada pela parcialidade ou erguida pela imaginação? Em todo caso, este livro que representa um grande esforço de pesquisa, é realmente digno de exame e de reflexão, pela documentação abundante que nele se recolheu; e das discussões e divergências que suscitar a sua leitura, poderá saltar um pouco de luz sobre as "zonas de mistério" de nossa história. A presente é a 1ª de uma série de 6 (seis) volumes que compõe a obra completa da HISTÓRIA SECRETA DO BRASIL. O CONCEITO DA HISTÓRIA A história não é propriamente urna ciência; é antes uma arte. Muitos espíritos avançados do século XIX se esforçaram para dar à história esse conceito científico. Havia a mais generalizada do cientificismo. Seus esforços, porém, como que se anularam ante a concepção atual da história. O espírito do século XX é outro e não admite mais esses exageros do cientificismo generalizado, querendo impor a todos os departamentos e categorias do pensamento humano seus canones empíricos ou pragmáticos. A investigação dos fatos, a fixação das datas, a interpretação das dúvidas, o confronto e a análise dos documentos, devem certamente obedecer a princípios rigorosamente científicos. Mas a narração dos acontecimentos e sua fixação precisa no tempo e no espaço, não são a verdadeira história, não formam completamente a história. Além disso, há coisa mais importante, substancial, a projeção dos homens e dos acontecimentos no espelho das épocas, como as idéias de cada século, seu espírito, seu gênio próprio. São as mudanças dos aspectos intelectuais do mundo que transformam os critérios dos homens. Para que a história deixe de ser uma cronologia seca, um rol de fórmulas mnemônicas, é necessário iluminá-la com o esplendor solar das idéias, com a luz maravilhoda da vida espiritual. Assim, a história se reflete melhor na obra dos pensadores, escritores, poetas, dramaturgos e críticos do que na enumeração dos governantes, na série das batalhas ou nos salões dos congressos diplomáticos. Por isso, em geral, o que se aprende na história são movimentos dos corpos sociais, ignorando-se a ação e a vida das almas sociais, das almas dos povos. A verdadeira história seria a revelação da vida espiritual dos homens. "A história é obra representativa - escreve um mestre- e, portanto, deve ser uma obra de arte. Não nego os méritos da investigação científica no campo da história. Sobre essa investigação se identificaram os mais belos monumentos da arte, no gênero mais difícil entre os gêneros literários. Entre a obra de arte histórica e a investigação que lhe serve de base, há a mesma diferença que entre a anatomia e a escultura estatuária. O escultor precisa conhecer a fundo,

1

cientificamente, a anatomia do corpo humano; entretanto, isso não é o bastante para que sua obra seja considerada científica. Nas formas humanas representadas no mármore, revela-se um espírito, na emoção e nos sentimentos expressos pelas atitudes e gestos da estátua". Esta página do magnífico livro "La Guerre Occult de Emanuel Malynski e Léon de Poncins termina com essas palavras profundas, que resumem a história da humanidade nos últimos tempos; "Ainda se tem em vista toda a hierarquia humana, quando o mundo começa a se afastar de Cristo, no Renascimento. Ainda se têm em vista os Príncipes e os Reis, quando se afasta do Papa e do Imperador, na reforma. Ainda se têm em vista a burguesia quando se tiram a nobreza Reis e Príncipes, que são os seus pontos culminantes, na Revolução Francesa. Ainda se têm em vista o Povo, quando se ultrapassa o plano da Burguesia de 1848 à 1917. E não se têm mais em vista senão a borra social guiada pelo judeu, quando se vai além das massas em 1917". Todo esse plano, em todas as nações, foi cuidadosamente elaborado e lentamente executado pelo judaísmo, raramente descoberto e sempre embuçado nas sociedades secretas. Judaísmo e maçonarias criaram um meio social propício à guerra do que está embaixo contra o que se acha em cima, desmoralizando e materializando a humanidade pelo capitalismo mamônico, dividindo-a e enfraquecendo intimamente pela democracia, separando-a e tornando-a agressiva pelo exagero dos nacionalismos, dissolvendo-a e descaracterizando-a pelo cosmopolitismo, encolerizando-a pelas crises econômicas e enlouquecendo-a com o comunismo. Conhecendo isso, é que se pode dar seu verdadeiro caráter aos acontecimentos históricos e mostrar a verdadeira fisionomia das revoluções. Até hoje se têm escrito histórias políticas do Brasil. Empreendo, neste ensaio, a história da ação deletéria e dissolvente dessas forças ocultas. Até hoje se escreveu a história do que se via a olho nu, sem esforço. Esta será a história daquilo que somente se descobre com certos instrumentos de ótica e não pequeno esforço. É a primeira tentativa no gênero e, oxalá possa servir de ensinamento à gente moça, a quem pertence o futuro. GUSTAVO BARROSO “Há duas histórias, a oficial, mentirosa, Ad Usum Delphini, e a secreta, em que estão as verdadeiras causas dos acontecimentos, história vergonhosa”. (Balzac, Les Illusions Perdues – t.III)

2

CAPÍTULO I O monopólio do pau-de-tinta Amanhecera o dia 25 de setembro do ano da graça de 1498 e o que ia acontecer teria repercussão mais tarde nos destinos do Brasil, que ainda não fora descoberto. A armada portuguesa de Vasco da Gama ancorara diante da costa baixa e emoldurada de palmeiras da ilha de Anchediva, a doze léguas de Goa. Das longas vergas e das inclinadas antenas das naus se desdobravam, secando lenta mente ao sol matutino, as lonas das velas em que a salsugem dos mares nunca dantes navegados esmaecera a cor vermelha das cruzes da Ordem de Cristo. Sobre o castelo de popa, lavrado de douraduras e eriçado de falconetes 1 de bronze, fundidos nos arsenais de Gênova, o almirante conversava com os capitães, olhando a faina de limpeza a que se procedia em alguns navios. No seu, a capitânea "S. Gabriel", contra-mestre e maruja preparavam as espias que deviam puxá-lo até a praia lisa onde morriam, sorrindo em espumas, as ondas do Oceano Indico, a fim de ser raspada a carena crostada de mariscos e algas na longa travessia dos mares tenebrosos. O vigia do "S. Gabriel" assinalou um barco ao longe que se aproximou, arfando sobre a toalha azul das águas debaixo da concha muito azul do céu. Era um parau que vinha de Goa, tangido pela sua vela pardusca de esteira. Encostou a nau. Um homem galgou o portaló e saltou no convés. Vestia-se de maneira hindu: mundaçó à cabeça, terçado à cinta, brincos nas orelhas. O nariz adunco se encurvava para os beiços úmidos e sensuais. Queria falar ao almirante a quem abraçou, como se usa no Oriente, com expansões. Curvando-se em salamaleques, disse em péssimo italiano que era cristão levantisco, viera muito criança para as terras do mouro Sabayo, senhor da ilha e da cidade de Gôa. Enquanto falava, seus olhos, miúdos e vivos, como os de um camundongo, espreitavam todo o navio, detendo-se, sobretudo, na artilharia, como a computar-lhe o número de peças e a força de cada uma. Vasco da Gama sorria na sua barba açoitada pelo vento. De repente: - Mestre! Um português moreno e seminu, de farta bigodeira, de braços peludos e atléticos, levantou a cabeça dentre us marujos que desenrolavam os cabos de cânhamo. E o almirante deu-lhe esta ordem: - Amarre este espião ao mastro e meta-lhe o calabrote! Num abrir e fechar de olhos, o levantino estava nu da cintura para cima, amarrado ao mastro grande, e um chicote de cabo alcatroado cantava-lhe nas carnes que se tingiam de sangue. - Eu digo toda a verdade! uivou o supliciado na sua algaravia. Os açoites pararam, o almirante aproximou-se e o homem disse a verdade: não era cristão nem levantisco; era judeu e natural da Polônia. Os azares de sua vida aventureira e errante haviam-no trazido à índia. O Sabayo mandara-o como espião, mas preferia servir aos portugueses. A armada do Sabayo era grande e poderosa, bem tripulada de rumens2 e bem provida de canhões venezianos... No dia 26 de setembro, a frota aos Lusíadas fazia-se de vela para Portugal e levava a bordo o astuto e inescrupuloso judeu polaco, "por ser de grande experiência e muito conhecedor das coisas da índia, o qual foi, mais tarde, batizado e recebeu o nome de Gaspar da Gama, sendo vulgarmente
1 2

Pequenas peças de artilharia. Soldados muçulmanos da India, mercenários leva_n tipos ou turcos, Cf. Alberto 0. de castro, "A cinza dos myrtos", pág. 193; Dalgado, "Glossário, Luso-Asiático, t. II, págs. 264 e segs.

3

Cochim. o rei Dom Manuel noel recomendou que ele servisse com Pedro Alvares Cabral. em coisas e negócios das índias. "Lendas da India". mas. Manoel". enviadas de Lisboa para a India. 4 Solidônio Leite Filho. e lhe fez muitas dádivas e mercês. "por amor de Viso-Rei.conhecido por Gaspar das índias. não seriam ilaqueados na sua boa fé de navegadores rudes e heroicos batalhadores pela lábia e a solércia do judeu polonês! Batizado. contemplou a terra virgem e dadivosa. de quem era estimadíssimo". Solidônio Leite Filho. casou-se com uma judia. filho do Corregedor da corte de D. conservadas entre os documentos da Torre do Templo. Entre as mercês. quando as armadas iam em busca de terras desconhecidas. simplesmente. 27. Foi ela quem fez com que os judeus das sinagogas hindus comprassem as bíblias hebraicas que vendia Francisco Pinheiro. declara um panegirista dos judeus4. hoje diríamos intérprete e técnico. como era de praxe na época. 24 e 25. das índias. A tola confiança do cristão no judeu é que permite a este dar os seus botes. "Crônica d'E1 Rei D.. A história.. a corte manuelina assistia do eirado da torre de Belém a partida dos navios de Pedro Alvares Cabral. 3 Solidônio Leite Filho. cortara as gadelhas reveladoras de sua procedência e afundara-se no Oriente. assistiu a primeira missa celebrada por frei Henrique de Coimbra e ouviu a leitura da carta de Pero Vaz de Caminha. do meado do século XV ao começo do XVI. pág. o judeu Gaspar da Gama. o hebreu mesquinho abandonou o nome de Gama e adotou o de Almeida. Ao lado de Pedro Alvares Cabral. é um tanto escura. 5 C. op. quando a estrela do navegador se foi empanando ante a glória de Dom Francisco de Almeida. olhos de rato fugido dos ghetos da Polônia. manobravam nos bastidores da governação das Indias e até faziam proselitismo e propaganda religiosa através do próprio Corregedor da Corte magistrado cuja maior atribuição era perseguir ao judaísmo. cit. "Os judeus do Brasil" ed J. depois de viver em. o nome de família do seu padrinho. o israelita tomou. Na índia. se desencadearam na Polonia contra os israeli tas. até o grande Afonso de Albuquerque. avistou o vulto azul do Monte Pascoal nos longes do horizonte. Cananor. "A sua voz (do judeu Gaspar) foi sempre acatada nos conselhos dos capitães". Gaspar Corrêa. viram o nosso Brasil no primeiro dia de seu amanhecer. "grande letrada na lei".. EM HEBRAICO. mas a uma israelita ferrenha. O judeu Gaspar da Gama fez toda a viagem de PedroÁl vares Cabral: Moçambique. Veja bem como os Gama. documentação que faça suficiente luz sobre o interessante assunto. tendo alcançado às Índias. sua conversão era tão sincera que se unia. pág. tornou às índias em 1502 e 1505 com seu padrinho. Segundo o autor das "Lendas da índia".. A Vasco da Gama e outros almirantes portugueses. na judiaria. de Almeida ou. Este judeu conversava muitas vezes com El Rei D. pág. influenciavam as decisões dos grandes navegadores5. "Lendas da India". decerto cristão-novo ou cristão judaizante. Jerusalém e Alexandria. Dois anos depois.. Calecut. vestida de luto. op. Na última dessas expedições. O judeu Gaspar embarcara na nau do capitão-mor como língua e conselheiro. 177. Batizado por Vasco da Gama. o doutor Martim Pinheiro. Vasco da Gama. 25. Melinde. O episódio mostra como os judeus secretamente. encontramo-lo com o nome de Gaspar de Almeida. tomo I. sem cerimônia. não a uma cristã. de acordo com o costume em má hora instituído por D. referida pelos cronistas. por mando deste. Não há. talmudista praticante. os Cabral e os Almeida. pág. da arca de biblias. Leite & Cia. fê-lo cavalheiro de sua casa. que se referem pessoalmente a ele. 1923. 4 . conforme depõe Gaspar Corrêa. cit. muito se aconselhava com seu intérprete o judeu Hucefe. Manuel.. afirmamos diante dos fatos. 32. A vinda do judeu Gaspar ao Brasil está iniludivelmente comprovada pelas instruções dadas ao capitão-mor Pedro Álvares Cabral. Fugido às perseguições que. o poderoso Vice-Rei do Ultramar. Seus olhos vivos e espertos. infelizmente. Manuel e que estragou. A documentação do resto do capítulo está em Gaspar Corrêa. Ao tempo do governo de D. os grandes apelidos da nobreza lusa. segundo Damião de Góis. Francisco de Almeida. Gaspar das índias prestou inestimáveis serviços3”. tomo II. Manuel. que folgava de lhe ouvir falar sobre as coisas da índia. deu-lhe tenças. pág. Por adulação e baixeza. a indiada nua e emplumada de cocares. "de quem não se apartava". porque lhe havia dado "muita informação das coisas da India". ordenados e ofícios.

arrendar a terra havia pouco descoberta. A 28 de abril de 1500. J. Os portugueses estão hipnotizados pela India. ao Brasil que examina em primeira mão. adere aos lusos que o chicoteiam. Para não sermos taxados de fantasista ou parcial. O cristão-novo Fernando de Noronha. mas informou os cristãos-novos. tão diferente do que nós aprendemos nas escolas.Em Porto Seguro. por si só. Manuel. a cuja frente se achava Fernando de Noronha. Aproveitando-se desta opinião conseguiram alguns cristãos-novos. 7 Simão de Vasconcelos. que pouco impressionara o ambicioso espírito do Afortunado monarca português. Pelo contrato de arrendamento. com certeza. pág. Rio. Esses navios poderiam levar qualquer produto para a metrópole sem pagar o menor imposto. Os israelitas mudaram-no. Pérsia e India. Manuel o Venturoso e de dar hábeis pareceres. sonham epopéias e conquistas. M. nos "conselhos dos capitães". Arábia. o judeu procurou entender-se com os silvícolas. equipara uma frota e saíra do Tejo. F. em 1503 associado a outros cristãos-novos. Mas compreendeu o que poderia valer a nova terra..contentes do nome de nutro pau bem diferente do da cruz e de efeitos bem diversos". de praias brancas. o verzino colombino de Ceilão. olha praticamente a vida. navegação e comércio da Etiópia. Os marujos deram-lhe o nomé de São João devido à data do descobrimento. Que lhe importam os açoites amarrado ao mastro do "S.Terra de Santa Cruza título que depois converteu a cobiça dos homens em Brasil. mais tarde. Navegação feliz. apanhado por Vasco da Gama em flagrante delito de espionagem. Não é claro como água?. toma nome fidalgo.. batiza-se. Vejamos como sabiam perfeitamente. os judeus deviam mandar todos os anos seis navios ao Brasil. na qual. como prático das coisas do Oriente. Lisboa. A.. pág. Mônica da Companhia de Jesus do Estado do Brasil". casa com uma judia talmudista e vem. no 6 Op. A 24 de junho. no mês de maio. Como e por que vinham tão cedo. calcula todas as vantagens materiais. que tomara este nome fidalgo com a mesma desfaçatez com que o judeu polônio tomara os de Gama e Almeida. o judeu Gaspar descobriu o pau-brasil. Tip. Compulsemos Capistrano de Abreu em suas notas a Varnhagen e este em suas notas ao "Diário de Navegação" de Pero Lopes de Souza. seus irmãos. um judeu aventureiro da Polônia. Na verdade. para o do próprio armador e comandante da frota. quando as naus portuguesas lançaram ferros. "Efeméride Histórica do Brasil". Cf. Aprende-se unicamente a aparência da história. J. Nesse corte de madeira. 261.. Não se fez entender nem entendeu patavina. aqui e ali vestida de vegetação luxuriante. pôs a capa sobre uma ilha penhascosa. a importância do novo descobrimento. Cit. 5 . dia de São João. do Globo. cujas atenções estavam inclinadas para as riquezas da India. para explorar ou descobrir trezentas léguas de costa para além dos pontos já conhecidos. 1877. tributo ou finta. se quisesse plantar. Sabiam eles PERFEITAMENTE que o comércio do pau Brasil. que continuava dentro do sortilégio. "deslumbrado com as maravilhas da Ásia". que é o melhor meio de ocultar a sua essência. ou inspirados por judeus mais adiante mudará a Terra do Brasil7 (7). onde os atores mudam de vestimenta e estão à vontade. que um esforçozinho de cartógrafos e cosmógrafos judeus. Sr. Lopes. fincando um forte no extremo em que tocassem.. Gabriel" e a água lustral do batismo? Por esse preço pagou o direito de assoprar informações ao ouvido de D. pois conhecia. Estes grifos auxiliam a clara visão do primeiro capítulo da história do Brasil. Aos meninos e rapazes somente se mostra o palco e ninguém se lembra de levá-los aos bastidores. no ano da Graça de 1500. daria tudo. logo aceitos. Fernando de Noronha. a fim de que se possa enriquecer com os produtos que afloram por toda a vasta extensão da Terra de Santa Cruz. recorrendo às línguas e dialetos que aprendera no Oriente. de Macedo. XXXII. 9: ". desde logo. Ele não sonha nada. com Cabral. os indenizaria das despesas6. da mos a palavra ao panegirista dos judeus. Solidônio Leite Filho. rumo ao oeste. 1765. grifando suas afirmações mais importantes: "Talvez por seu intermédio tivessem os israelitas percebido. como anunciava o escrivão da feitoria de Calecut embarcado na Real Armada. ed. págs 36 e 37. Sua raça continuará a hipnotizar os lusos na conquista. mal findara a viagem redonda de Cabral e com eles conversara seu irmão Gaspar das Indias sobre as riquezas da nova terra? O judeu Fernando de Noronha e seus sócios haviam arrendado o Brasil a D. Nada disse à Cabral nem ao Rei. as equipagens de Pedro Álvares Cabral descem à terra para cortar lenha e pela primeira vez o machado dos civilizados retumba nos troncos das virgens florestas do Brasil.

único no amanhecer da vida brasileira. "História Geral do Brasil°. O descobrimento do nosso País. batendo a costa até o Cabo Frio. berzi. cit. como se vê. Rio de Janeiro. "0 descobrimento do Brasil". o que deixa ver que os lucros auferidos no comércio da madeira de tinturaria. a cruz nos punhos das espadas linheiras que retiniam de encontro aos coxotes de aço fosco. 121. da Academia de ciência de Lisboa. ganhando o ouro à custa do esforço e do sangue dos outros. ed. o cristão-novo Fernando de Noronha. na corte. Neste primeiro capítulo da nossa história. Nos bastidores... a cruz erguida na praia. o heroísmo cristão. que em 1511 veio ao Brasil carregar o pau. encarada por um método novo e verdadeiro. dois anos após o descobrimento10. o judeuzinho de Goa. inspirados pela sinagoga e pelo kahal. origem dos primitivos latifúndios. Varnhagen. a propagação da Fé e a dilatação do Império que a gesta dos Lusíadas cantaria com o ritmo do rolar das ondas. foi armada e despachada por Fernando de No ronha e seus amigos11. "Raccolta Colombiana". 3Q pa. D. págs. apagando o nome da Cruz com o nome do pau-brasil. Fernando de Noronha agenciou. 1ê ed. em verdade. pagando um sexto do valor. 0 primeiro carregamento foi levado logo em 1503.o Brasil em capitanias hereditárias muito antes das primeiras concessões de sesmarias. pág.. que era a anilina daquele tempo.. Manuel fez doação da ilha de S. no segundo. a coroa portuguesa alienava uma parte do Brasil.. 8 9 Piero Rondinelli. em troca do pagamento anual de quatro mil ducados. se vêem o palco e os bastidores. pág. e um quarto no terceiro. Era. tivera como resultado a formação.. 19. os judeus obtinham o monopólio do negócio. segundo Muratori e Marco Polo. idem. 1867. que era o monopólio do comércio da madeira tintória. 10 Melo morais. Solidonio Leite Filho. 12 "Décadas". graças às informações levadas pelo astuto judeu que Vasco da Gama açoitara e conduzira à pia batismal. os Cristãos-novos e israelitas do seu consórcio comercial. a qual foi confirmada por D. para empregar a linguagem moderna. 11 Solidonio Leite Filho. do Oriente que vinha o pau-detin ta. a cruz nas bandeiras alçadas. 267. No palco: a armada de Cabral com as velas pendentes em que o sol empurpurava as cruzes heráldicas. Capristano de Abreu. diante da qual um frade diz a primeira missa. obtendo-a por dez anos. No dia 24 de janeiro de 1504. os nomes de Vera Cruz e Santa Cruz impostos a toda a nova região americana: o idealismo cristão. antes de dividindo. ou verzino. Mônica do Império do Brasil". 37: Leona_r do de Chade Messer in "Livro comemorativo do Descobrimento da América". era de três anos8. 1879. 6 . vol. dando-a de mão beijada a um judeu traficante do pau-de-tinta. Terminou o prazo de arrendamento da costa brasileira em 1506. op. pois que o rei se obrigava a não permitir mais o "trato do pau-brasil com a India". idem.primeiro ano. senão isso? tan to assim que os navios do consórcio Fernando de Noronha carregavam por ano de nossas matas litorâneas a bagatela de "vinte mil quintais da preciosa madeira"! 9. com efeito. desde que o sapang de Java é Ceilão fora corrido dos mercados europeus. como que importava mais o nome de um pau que tinge panos que daquele pau que deu tintura a todos os sacramentos por que somos salvos. um padrão cravado no solo virgem da terra descoberta em forma de cruz. A famosa nau "bretôa". sua renovação ou prorrogação. II. 427432 "Diário do Pero Lopes".. João III em 3 de março de 1522. não tinham sido de desprezar. manobrando os cenários e arranjando as vestiduras. O prazo de arrendamento. Desta sorte. te. o que indignou a João de Barros 12. Além da prorrogação. realizando o lucro à sombra do idealismo alheio. I. Naturalmente. de um TRUSTE DAS ANILINAS. o sentidõ cristão da vida. João a Fernando de Noronha. pag. usando a epopéia da navegação e o poema do descobrimento para a fundação trivial de um monopólio de anilinas. pág.

costumava. "História do Brasil". antes de morrer pediu que lavassem e sepultassem o cadáver segundo os ritos da sinagoga. os Diques. S. Num país bárbaro em vias de colonização. 12. muito ignorante. naturalmente. até mesmo a facilidade da fuga e da ocultação. os Rabelos. pág. que veio reconhecer a terra e levou. confluentes. 42 carta de Américo Vespúcio a Pedro Soderini. João Ramalho.Em todo o nosso vastïssimo país. pag. João Ribeiro. Este isra_e lita fez o livro como propaganda judaica. nunca logrou estabelecer-se no Brasil. 1922. o Santo Ofício não os inquietaria 16". assim. pois. os Cirnes. o pau-de-tinta já estava sendo carregado! 16 Pedro Calmon. acha que "O Caramuru". Vieram. 0 historiador diz adivinhara. Citemos dois exemplos elucidativos dessa persistência: o cristão-novo Jorge Fernandes. os Castros Boticários. cit. os Rodrigues. guardando a lei de Moisés20". as Ordenações puniam com rigor os cristãos -novos judaizantes.. Em 1503."Die Grundlagen desneunzehnten Iahrhunderts". o próprio misterioso Bacharel de Cananéia aquele castelhano que vivia no Rio Grande do Norte. os Ximenes. Rodolfo Garcia22. os Siqueiras. interpretadas com maior benevolência e liberalidade. e faleceu em 1567. não existe um único convento de S. permitindo o próprio meio. de Paulo Prado. os Sanches. variantes. como de preparar uma espécie de refugio para a sua raça deste lado do Atlântico. vindo com Mem de Sá. Continuaram. entre os Potiguaras. açoitar o crucifixo. afim de poderem. milhares e milhares de quintais de pau-brasil. os Mendes. nos primeiros tempos. o cristão-novo Afonso Mendes. impenitentes. à vontade. 46. ou de canafístula produtora de mirra14. D. 22 Loc. profluentes. Francisco de Chaves. cit. onde. "História da civilização Brasilei ra". Até freiras claustradas judaizavam. merecendo as penas inquisitoriais21. pág. já havia os cripto-judeus ou judeus ocultos17 . Editora Nacional. os Antunes. No Reino. Seu instinto mercantil adivinhara15 as riquezas naturais do Novo Mundo. que veio para cá no tempo do segundo Governador-Geral. op. 1925. produtor de tintura. simulados.. à custa de bugigangas dadas ao índio. Monarca e povo "tinham os olhos ofuscados pelos resplendores das predirias do Oriente13". falsos. os Nunes. 78. "Livro de Centenário". cit.. O número e a influência dos cristãos novos impediram o funcionamento da Inquisição entre nós. negativos e pertinazes". os Peres. em 1501. melhor defesa para os acusados. 7 . os Teixeiras. que as famílias hebréias tivessem emigrado para a América Portuguesa. 17 Chamberlain. Duarte da Costa. às escondidas. ed. viviam na mais absoluta tranqüilidade. 1933. Tanto assim que a ordem dos Dominicanos. informações à sinagoga lisboeta. ed. Aliás. 20 Solidônio Leite Filho. 10. I. Esse pensamento repete-se de tal modo nos historiadores filo-judaicos que somos forçados a admitir o propósito por parte dos judeus em conservar as atenções voltadas para outro lado. com os beiços furados como os deles. mas. fictos. Paulo. da Cia. Anos e anos deslizaram sobre mui tos deles sem lhes abrandar a impenitência talmudista. à qual estava quase sempre afeto este tribunal. sem grande trabalho. 21 Vide "Primeira visitação do Santo Ofício às par tes do Brasil" pelo licenciado Heitor Furtado de Mendonça. 18 Rodolfo Garcia. "Aconteceu que os judeus foram obrigados a emigrar.18. os Coutinhos. 13. não só tirar. 14 e 41. as leis eram. os Cardosos. os Montearroios. Teriam aqui tranqüilidade e segurança. "Não admira. e tantos outros 13 14 Solidonio Leite Filho op. os Valadares. os Barros. Fechavam-se os olhos sobre muita coisa19 (7). do vendedor de livros judeu Uri Zwerling. 1929. como rezam os documentos coevos. para o Brasil. ed. diminutos. os Bravos. revoltantes. os Calaças. porque não se lembrou do espião Gaspar da Gama. coitado! aceitou o que lhe quiseram dar ea obra é um repositório de documentação anti-judaica. "Os Judeus no Brasil Colonial" in "Os judeus na História do Brasil".. esse sistema vem do fundo dos séculos: em Roma. Domingos. págs. açoitados por uma perseguição feroz (1506). 39. convictos. os Guilhens. pág. 19 Cf.CAPÍTULO II O empório do açúcar Passaram-se muitos anos antes que a coroa portuguesa desse fé do Brasil. livres dos tribunais do Santo Ofício. pág. 15 O grifo é nosso. Houve somente visitações e quem lê seus processos fica assombrado da persistência do judaísmo nos marranos convertidos e que viviam dentro da religião católica com o simples fito de auferir vantagens.

seriam. da qual só discordamos quanto a Caramuru. por exemplo. Vede como João Ramalho. cit. por meio ducado. como que demonstra o espírito profundamente católico do marido. Nela se faz a primeira experiência do plantio da cana-deaçúcar. os lucros opimos do kahal."Foi graças aos israelitas .escreve seu panegirista 25 . de certo. a perceber a importância da Terra de Santa Cruz". vai suceder à da extração da madeira de tinturaria. e. que perseguia o judaísmo. quem sabe. pág. op. entre eles. 40. pág. (14) Idem. Todavia. menos para a luta armada. 8 . Era vendido em Flandres por dois e meio a três ducados 24. "a cobiça dos corsários europeus". colonizadores espontâneos das terras de Santa Cruz". Cristovam Jaques vem com dois navios policiar a costa e fundar uma feitoria em Pernambuco. Dieppe. encontra servindo de li gua ou intérprete. Isto confirma a suposição de Rodolfo Garcia. desse número de judeus. batendo-se contra os corsários que estavam prejudicando. para trocar tiros mortíferos de bombarda e arcabuz de navio Onavio. o que não se dá com os cristãos-novos..W. e decidiu a colonização do novo país. ou saltar de terçado em punho nas abordagens furiosas a bordo do barco inimigo. "os navios que. ficava com todas as despesas. no balanço das ondas. começou a tomar medidas nesse sentido. entre os quais o sabido Gaspar da Gama. comercializando com o gentio e carregando o Brasil. quando assira. op. arribaram as abras e enseadas. no meio dos goianases. Aí. agora. Naquele ano. Os hebreus a desviaram. os judeus do grupo Noronha estavam sempre prontos. cf. reaviva o vestígio do domínio de Portugal. grandemente. por via da proibição do comércio do pau-de-tinta com o Oriente. 40. em São Vicente. mas. 25 Solidonio Leite Filho. Era chegada a hora de entrar em cena o cristãovelho -a fim de derramar seu sangue. pág. "Memória do Centenário". Lucro formidável! Esse lucro atraiu. aportavam às nossas plagas duas vezes por ano traziam somente judeus e degredados. se obstina em não praticar o culto católico e entra em luta contra os padres da Companhia de Jesus. mas se deixava influenciar pelos conselheiros hebreus. Manuel. ia servir para defender os ino Gentes cristãos-novos que ganhavam o mínimo de dois ducados em cada quintal de pau-brasil. Enquanto isso. naturalmente.que Portugal começou já nos últimos tempos de D. o judeu Francisco de Chaves. o soberano voltou sua atenção para o Brasil. era preciso. Manuel quanto ao Brasil. com os quais se formou o primeiro núcleo de população23". sua mulher. riqueza que. O monopólio da madeira de tinturaria. sobretudo diepeses e maloínos. a solicitavam. Outros a disputavam: franceses. Saint-Ma lô. bem como assecuratórias do comércio do pau-brasil. levando-o a só dar tento aos negócios da Índia. compreenderam que era necessário reagir contra os piratas audazes. que vinham de Honfleur. ingleses. considerada res nullius. Seus barcos percorreram a costa. Não era mais unicamente o judeu luso que exercia a função comercial de brasileiro. Com efeito. os sócios de Fernando de Noronha e ele mesmo. ba te a costa até o Prata e traça o primeiro contorno políti co da colônia26.desconhecidos . o consórcio judaico ia se enchendo de ouro. em breve.. Em 1530. logo.. o judeu segue o preceito do ïalmud. Martim Afonso de Souza dá caça aos corsários franceses. espa nhóis. Corunha e outros portos para a Terra dos Papagaios. Cada quintal de madeira posto em Lisboa. cujo empório enriquecia aos judeus e marcava o segundo período da história colonial. 34. Peragalo. vivia de alimentar a desatenção do rei D. Eis porque. A religiosidade de Paraguassu. habilmente con seguido por Fernando de Noronha e seu grupo. enviados pela coroa portuguesa. muitos judeus dessas procedências. cit. Sombart "Oie Juden in des Wirtchafts'eben. o judeu 23 24 Solidônio Leite Filho. Para comerciar e lucrar. San Lucar.. pags 83-84. como expelir aos piratas que prejudicavam o futuroso negócio da tinturaria? Era preciso apelar para o rei Afortunado. 26 Pedro Calmon. distribui povoadores. 0 rei observou também "os esplêndidos resultados colhidos pelos hebreus em prejuízo do erário (14). Em cananëia. que diz: "Na guerra sê o último a partir e o primeiro a voltar". eles absolutamente não tinham sido feitos. op cit págs 13-15. a qual floresce. Ele. Desde mais ou menos 1516. O ciclo da indústria extrativa vai desaparecer e será substituído pelo da indústria açucareira. alemães. Povo eleito para tudo. sem dar por isso.

Pero de Góis e Vasco Fernandes Coutinho. vindo durante os trinta anos em que o governo português as deixara em quase completo abandono. No século XVI. Pero Lopes. seu auxílio era. o que tornaria dificultosíssima. toda tentativa de estabelecimento. "A contribuição judaica na formação da nacionalidade brasileira". Para a colonização das capitanias. argumentos convincentes. acrescenta: "Mas o que confirma incontestavelmente a origem judaica de João Ramalho deu origem a inúmeras controvérsias. um galeão francês não arrasou o primeiro engenho de açúcar da América. senão impossível. dividiu o imenso território em doze capitanias hereditárias. do seu antecessor. fundado em 151629? A fazenda real não se podia consumir nesse serviço e por isso largava em mãos dos concessionários todo o peso da colonização. porém. A cargo dos donatários das capitanias. trouxeram algumas famílias israelitas30. cit. como Pero de Campos Tourinho. 30 Varnhagen. 41-42. tendo um dos donatários contra tado com judeus laboriosos a montagem de engenhos em Pernambuco. João ao cristão-novo Fernando de Noronha. a altos funcionários do Reino e outros. portan to. os capitães-mores estenderam às pessoas de origem hebraica. 5695-96. os favores concedidos às demais. Morto D. vários cristãos-novos.. Em 1530. Grande número de historiadores negava-lhe todo valor. Só os ricos conheciam o açúcar oriental. op. a homens ricos. Isaque Izeckson. o que não era coisa fácil pois os piratas costumavam destruir o que podiam. mantendo contra eles uma luta incessante. Antônio de Barros Cardoso e João de Barros. 145. o do capitão Pero Capico. deixou o governo real povoação e defesa das novas terras e dos estabelecimentos que montassem. como Duarte Coelho. Quando os capitães-mores chegaram às suas terras. "História Geral do brasil". o pouco açúcar que chegava à Europa vinha do Oriente. pág. 5.João Ramalho. Já nas ilhas de S. D. Imagine-se a revolução econômica produzida pela entrada à larga do açúcar nos mercados em que antes não aparecia. com a condição de pagar-lhe o quinto dos produtos. "Não podendo recusar trabalhadores. págs. Outros abandonaram as doações. A coroa dava licença a quem quisesse tentar fortuna no Brasil. pág 41. Martin Afonso. a primeira que se construiu à boa maneira portuguesa27". Vicente. o mais concludente possível. Tomé. Manuel. O exemplo de João Ramalho é. o que naquela época de fanatismo e submissão ao clero era de estranhar". 9 . a Casa da Índia fornecia instrumentos de lavoura a quem desejasse ir povoar a nova terra. Aí se lançam os fundamentos de uma verdadeira colônia. 14. 32 Dr. 13. op. outros afirmavam o contrário. desse ponto de vista. IX pág. Até o achado do caminho das índias. na sua maioria. O mesmo autor destas linhas. João III prossegue no intuito de povoar é colonizar o Brasil. 29 Pedro Calmon. cit. aí encontraram. "Antonio José da Silva" in "Revista do Instituto Histórico". Qualquer perseguição contra eles provocaria o ódio dos índios. Solidônio Leite Filho op. em Pernambuco. como a ilha de S. Ainda outros apelaram para os judeus ou lhes venderam suas terras. precioso e necessário31". No princípio deste século foi publicado um trabalho 27 28 Idem pag. Esses feudos de cinqüenta a cem léguas de litoral foram concedidos e escolhidos capitães cobertos de serviços. trazido e distribuído pelos venezianos. Além de fazer várias doações de latifúndios a fidalgos ilustres e de confirmar outras. o Brasil iria ser o verdadeiro instrumento dessa revolução. vol. 31 Solidonio Leite Filho. "Bastaria para demonstrá-lo o ódio que sempre teve pelos jesuítas. Varnhagen. achando que se tratava de um traço sem sentido. Dois deles meteram ombros à empresa e suas capitanias progrediram: Pernambuco e S. como Jorge de Figueiredo Correa. cujas últimas cenas ainda estão se desenrolando em Cuba. contentavam-se com o mel das abelhas para suas comidas e bebidas. o açúcar era raro e caro. que é judeu32. Fundados nos privilégios excepcionais que lhes davam doações e forais. favorecia-se com os meios necessários a quem fosse capaz de dar prin cípio a engenharia de açúcar28. cit. exercendo grande influência sobre o gentio. Cabo Verde e da Madeira se cultivava cana. pelos portugueses. As populações européias. Fernando Álvares de Andrade. 114. in "Almanaque Israelita do Brasil". porém. Aires da Cunha. pág.. 1935 pág. sem apresentar. na mão dos judeus.

O cohen que por qualquer modo infringe a religião não pode ser considerado puro e não tem direito a usar o Tzedek. João Ramalho. Pereiras. um "cohen" simples. a filha de Tibiriçá. Vicente. com o Peru.o pau-brasil esperou que o negócio do açúcar fosse desbravado por outros até chegar a um bom ponto. Ben Israel. que João Ramalho era um judeu. em 1605. São de origem judaica os Pintos. João Noronha e Manuel de Almeida. podemos afirmar que a questão se acha ple namente esclarecida e pela afirmativa. que então era rigorosa em Portugal. Deve. que é horrível. Israel demonstra. Paulo. tão consciente de seu judaísmo que. Muitos peruleiros judeus ou judaizantes foram pilhados pela rigorosa inquisição espanhola. Gregório Dias. ainda hoje. à sua assinatura duas letras hebraicas. como neles não invertera as somas que os cristãos haviam perdido. foi um movimento promovido por um judeu. isto é. Diogo de Andrade. em 1625. Perdido o capital inicial. que é hoje o sobrenome de muitas famílias israelitas. subindo ao planalto piratiningano. como então se chamavam. inúmeras famílias judaicas ou cristãs-novas. as lavras. mais tarde. do mais puro sangue. em Pernambuco. que só tinha direito a assinar com o Kaf. cabalístico.o 33 "Almanaque Israelita do Brasil": O trabalho sobre o Kaf de João Ramalho a que o autor se refere com essa fingida displicência é o erudito volume de Horácio de Carvalho "0 Kaf de João Ramaïho" tip."cohen tzedek". Não se vá pensar que o judeu entrou com entusiasmo na indústria do açúcar que nascia. etc. diretor deste almanaque 33. porque os mesmos praticavam o judaísmo: frei Alvaro Rodrigues e frei Antonio Osório da Fonseca. verifica-se o perigo social que representavam. apesar de não se prender bem ao caso. Diogo Lopes de Vargas e Duarte Henriques. Os homens que se ocupavam dessa espécie de contrabando de metais preciosos. plural de "cohen" (descendentes de Aarão. agiria. tornando-se. após mil tormentos. pela traição. não deixa de cumprir. o único. O Sr. chamavam logo a judiaria. Manuel Batista Pires em 1639. 1903. na maioria judeus eram até denominados peruleiros34. 34 A obra de Argeu Guimarães intitula-se: "Os cristãos-novos portugueses na América Espanhola". Vinham aos milhares Lendo a obra de Argeu Guimarães. acrescentam. Ora. Buenos. sim pelo documento que representa. um verdadeiro Kaf sem sentido cabalístico e esse Kaf demonstra que João Ramalho era judeu. apesar de isolado num mundo distante. depois. a persistência dos ritos e dos estudos cabalísticos. o judeu adquiriu os engenhos abandonados e.". um Kaf e um Tzedek. Toda a história do Brasil é assim: uma aparência . 37 e 144. Salgados. e levados à fogueira. Destas duas letras formou-se até um nome: Katz. através de S. eles se apoderariam delas. que é a São Paulo de hoje. Trata-se de um Kaf. com prefácio de Teodoro Sampaio . Vemos por ela a infiltração judaica no Sul. infringira as regras da proibição (que racismo!) e tinha deixado de ser um cohen puro. porém. Sobre os peruleiros e o tráfico da prata. sacerdotes hereditários do povo judeu). que o judeu queria tão somente escravizar para explorar-lhe o trabalho. mas preciosa. da Academia Brasileira. Do mesmo modo que veio na sombra dos descobridores. a Inquisição queimou em Lima dois padres portugueses idos do brasil. Assim. Silvas. No ano de 1581. na medida do possível. 10 . do "Diário Oficial". portanto. Ele não foi. em 1600. infiltrados no próprio cerne do catolicismo.em que o Kaf de João Ramalho era apresentado como um signo esotérico. com os recentes estudos do Sr. A citação é um tanto longa. Eis como se explica a falência dos primeiros edificadores de engenhos. Nos primeiros séculos da nossa história. Hoje. porém. Castros. pág. vieram estabelecer-se na Paulicéia. limitar-se a assinar com o kaf. seus lucros teriam de ser muito grandes. Ben Israel demonstra que todo judeu pertencente a estirpe dos "cohannin". o que. vide "Diálogos da Grandeza ". viria indicar que João Ramalho era um estudioso da Cabala. o ódio ao missionário jesuíta catequizador do indígena. S. pois. não pelo estilo. ed. houve um grande comércio de ouro e prata. cohen puro. Entre outros. Tangidos pela inquisição. examinar a terra e ver o que nela havia de mais facilmente aproveitável . como a maioria dos judeus daquela época (!). cabalmente. Mostra ainda essa página judaica seu racismo até em relação ao gentio. É uma obra admirável que revela os segredos da cabala judaica. em Lima. A América meridional era um ótimo refúgio para os judeus convictos e para os disfarçados. Costas. iniciais das duas palavras: "cohen tzedek". O sr. simplesmente. As duas capitanias que prosperavam. por terra. Mesquitas. Baltazar Rodrigues de Lucena e Duarte Nunes. os preceitos de sua religião Com isso fica afirmado que o movimento inicial para a formação da grande metrópole. com o ouro: o bandeirante audaz descobriria. do mesmo modo que a vimos no Norte. que tinha casado com uma gentia.

igualmente mandou construir vários engenhos que pereceram.fracassaram todas as empresas de grandes cabedais. Os lucros eram convidativos. Assim. Em Porto Seguro. esperavam em Lisboa o seu provento. cit. 19. de mais fácil reparo e de custo relativamente baixo. De acordo com a documentação reunida por Alcibíades Furtado em "Os Schetz da Capitania de S. págs. Os Schetz estavam ligados ao banqueiro João Venistre ou Wenix de Lisboa. 1925. riqueza social de todos os países. que gastou numa boa frota sua fortuna. que. Desgraça maior ocorreu ao capitão da Bahia. Cf. que morreu sem lençol para mortalha. para montar os engenhos38. ligado profundamente à terra pela tradição. o que os reis costumavam fazer com seus ecônomos judeus. Erasmo comprou as partes da capitania de 5. Um filho de Erasmo. Escragnolle Taunay. começou dois engenhos. 76 e 77. 200. isto é.. Valia a pena vencê-las. i. 303. Vicente de Martin Afonso e do piloto Francisco Lobo. A sua sombra caminha agachado o judeu. Ferrind Donnet. transmitido até nossos dias. O açúcar começou a criar para o judaísmo negócio novo e lucrativo: o tráfico dos negros. inverteu a riqueza qrangeada na India em engenhos poderosos. em Ilhéus.início do desenvol vimento mundial do comércio . Erasmo & Filhos. Duarte Coelho é quem manda. "Na Bahia Colonial". Pedro Calmon. op. nas canárias e na Galiza à sua custa. 38 Capistrano de Abreu. "Notes à Llhistoire des emigrations des anversois". buscar homens práticos. Os filhos de Gaspar manejavam cabedais em Bruxelas. Rio de janeiro. de Escragnolle Taunay. O açúcar era negociado com os mercados das Flandres desde 1532. que tudo perdeu . buscando o proveito de suas conquistas com o maior e menor risco possíveis. técnicos. negaceando. cap. Gaspar Schetz foi tesoureiro de Felipe II nos Paises Baixos. Os agricultores e os guerreiros. no Reino. dos bandeirantes do açúcar. . pág. nota a Porto Seguro. 39 Pedro Calmon. separata da "Revista do Instituto Histórico Brasileiro". O judeu não é nem agricultor nem guerreiro. É o nome usual de senhor de engenho. "História da Civilização Brasileira". Tinham casa bancária em Antuérpia sob a firma Erasmus ende Sonen. 35 Pedro Taques. do mameluco e do brasileiro. dos cristãos. pela alma e pelo interesse é encontrado sempre. Vejam o quadro dos desbravadores. quando Martim Afonso de Souza se associara ao holandês Erasmo Schetz. João III via com bons olhos essa nova fonte de riqueza ultramarina e mandava passar ao Brasil vários lavradores de cana das ilhas da Madeira e Cabo Verde37. no Brasil colonial.. diz o imparcial João Lúcio de Azevedo. Maquinário simples. à moda da Holanda.idealismo construtor do português. Lucas Giraldes. o hobereau. e tan to foi roubado pelo feitor (que depois se estabeleceu no Recôncavo com engenho próprio) como pelos Aimorés. "História da Civilização Brasileira". O fidalgo-agricultor. pelos índios escravizados. 1914 creio que há um certo feitor judaico nessa dinastia de homens de negócios. ed. Em 1699. 11 . 245. depois pela escravaria africana. em 1549. Rio de janeiro. Imprensa Nacional. um quilo de açúcar valia 2 mil réis no porto da Bahia. "Nobiliarquia Paulistana". Os engenhos eram movidos por água ou por bois. cujo engenho sessenta anos mais tarde valeria quatorze mil ducados36. explorando as obras do idealismo alheio.vencendo todas as dificuldades 39. tem um sabor de titulo nobiliárquico. A indústria do açúcar. A lavoura da cana era feita. o duque de Aveiro. Vasco Fernandes Coutinho donatário do Espírito Santo e homem opulento. 230-1. que comprou a capitania ao seu donatário. uma realidade . xiv. 36 "Publicações do Arquivo NacionaV. encabeçando todas as iniciativas com sua coragem e seu idealismo. 18. O Rei o enobrecera com títulos e senhorios. e de tal forma lhes atacou o gentio. 37 Pedro Calmon. "preço fabuloso para época". I. porém. Mão-de-obra abundante e barata. São homens de prol os que iniciam o plantio de cana na Bahia. o gentilhomme-compagnard.. D.o utilitarismo oculto do judeu. primeiramente.que se aplicaram a explorá-los: ou porque os portugueses só sabiam trabalhar para si não para capitalistas. de fácil montagem. são os elementos produtores e construtores das pátrias. pintado por Pedro Calmon35: " . ou porque não se antecipara aos trabalhos um reconhecimento da terra e sua efetiva ocupação. pags. Vicente. progrediu admiravelmente em duas capitanias: Pernambuco e S. teve-os demolidos pelos Tupinambás e acabou trucidado por eles". que adquiriu a capitania ao seu dono. Vicente". fez edificar oito engenhos. o caminho do perú. vol.

sob graves penas. Dali vinha mais o doce. A história precisa ser lida às vezes. Em 1549. premido pelas necessidades de dinheiro para a infeliz jornada de Africa. cit. pág. Estabelecido o Santo Oficio em Goa. o viajante Frezler observa que a devoção religiosa na Bahia servia "para capear o judaísmo. D. tomo I pág. febrilmente fomentada. que inúmeras vezes se misturou ao sangue cristão. Outros se fundiram na consciência e na raça. exemplo raro. fugira subitamente para a Holanda um vigário carregando as alfaias de sua igreja e. 44 Velha e conhecidíssima técnica.45 Desta sorte. D. 19. op.. ed. 43 É bem claro. Mendes dos Remédios. a corrente veio toda para nós. ed. cit. Henrique revalidou os atos de D. triplicava nos mercados flandrinos. mas conservando às ocultas a fé talmúdica. op. a rede de crédito 42.. o que motivou uma representação da Inquisição ao poder real. Vicente". Não houve melhor negócio na época e aos impulsos dessas cobiças resolveu João III dar ao Brasil um governo regular. em 1567. a primeira cidade e o primeiro governo resultam do comércio açucareiro. que os judeus internacionais manobram das Flandres por meio de uma rede de crédito. chegado. atirando-se aos negócios de mascate. A esse sangue judaico. depois de ter comprado aos herdeiros de Francisco Pereira Coutinho a capitania da Bahia. Pinta o quadro um historiador que ninguém poderá taxar de anti-semita. A esse novo feudalismo não faltou até uma das mais comuns e interessantes instituições de caráter socialista da Idade Média: a banalidade. pág. capacida de de deformar todas as idéias. "Havia bem pouco. Dia a dia. entre as várias praças européias. criar uma economia. pags. destinados a moer a cana da gente pobre. é Deus verdadeiro". Eles porém. Sebastião revogou as proibições por duzentos e vinte cinco mil cruzados que lhe pagou o Kahal de Lisboa. como Nova York hoje. João III47. onde pontificavam. Taunay. que fugia à Inquisição peninsular. Frei Gaspar da Madre de Deus. praticando os ritos. pág. "A invasão dos judeus". mandou Tomé de Souza fundar a capital da colônia. a ocupar grandes organizações financeiras que teciam. os judeus do açúcar brasileiro. surgida do seio do Mar Tenebroso! Dali vinha a madeira corante que tingia os panos flandrenses. Assim se formou a nossa primeira aristocracia rural. quer seja nosso. nas entrelinhas. eram a Judéia da época. que lhes devolveu em altos juros os cruzados do empréstimo44. demostram a permanência do judaísmo e do judeu dentro das populações de Portugal e do Brasil. talvez único no mundo inteiro. Dez anos mais tarde. em 1578. deve quiçá a maioria dos brasileiros os defeitos que lhes são apontados: falta de fixidez no caráter. 46 As visitações do Santo Ofício citadas e o livro de Mário Sáa. que plantava sem ter engenho41. tantos e tantos séculos fora privada de coisa tão deliciosa. mostrara o que era. 47-48.Diz o "Diálogo das grandezas" que o soberano o dava em cartas e provisões40. coisa rara. Em 1714. pág171 42 Data de longe o internacionalismo do capital judaico . A emigração israelita. 182. Subrogavam-se nas responsabilidades do governo para intensificar. indisciplina inata e pri-zer do despistamento. A enxurrada judaica encheu o Brasil que amanhecia. 47 Solidonio Leite Filho. quer seja alheio. O açúcar espalhava-se por toda a Europa que o consumia com avidez. Gil vicente "Obras". mas que conhece a documentação em que alicerça suas afirmativas: Os judeus que vendiam açúcar enriqueciam a termos de estender-se a cultura pelos Açores e Canárias. os grifos em toda citação são nossos. forçando o governo real a novos alvarás de mais rigorosa proibição. Os Paises-Baixos.-Taunay. Muitos judeus permaneceram puros até nossos dias. continuaram a fugir para cá. Quanto segredo escondido! "Fundemo-nos todos em haver dinheiro. fingindo-se mesmo de cristãos. de açúcar e de escravos. 33. em 1532. porque. Duarte Coelho contou em Pernambuco com o auxilio daqueles capitalistas comissários43. Havia os "engenhos reais". 345." pois estava a Bahia repleta de judeus. O cardeal D. idênticos ao lagar do príncipe" em Portugal ou ao "moulin banal" da França. depois dos judeus do paubrasil. O Brasil absorveu-os completamente. bifurcava-se para as Indias e para o Brasil. inclinação a não levar nada a sério. dependendo a sua pastelaria do mel das abelhas! Que estupendo país esta Terra dos Papagaios. "Na Bahia Colonial". "Memória para a História da Capitania de S. judaizando. João III proibiu a saída dos cristãos novos do Reino com mudança de casa e venda de propriedades. depois de longos anos"de falsa devoção exterior. como diriam os inquisitores 46. 12 . cujo preço dobrava. manifesto. correndo à sinagoga". uma vez ali. ou do Brasil. 45 Pedro Calmon. Tantos milhares de hebreus se encaminharam para nossa terra que. o papel do judeu como intermediário. o número de israelitas crescia nos primitivos núcleos da 40 41 Edição da Academia Brasileira.

54 Pyrard de Laval. em carros enramados. 251. Barlaeus. multiplicavam-se. Soares. Havia-as nos próprios engenhos. Nas trevas. e a bula papal de 23 de agosto de 1604. cit. o Deus de Israel50. Como a indústria judaica de falência é antiga! Cf. permitiram aos cristãos-novos deixar as terras peninsulares e sair dos cárceres inquisitoriais. Indignado.. o alvará de 4 de abril de 1601. 48. 50 Solidonio Leite Filho. ex-feitor do engenho sinagogal de Bento Dias de Santiago. o século XVI fora o do pau-de-tinta. quando veio a cobrança do que haviam prometido dar pelo alvará e pela bula. pág. 51 Rodolfo Garcia. cit. op. eram na maioria. era o único meio de vida 54. na Bahia. "por ventura o interlocutor Alviano dos referidos diálogos"49. Eram todos como aquele Diogo Fernandes. nas luas novas de agosto. o número de familias judaicas no Brasil não cessou de aumentar52. que vimos contemporaneamente nos donos de seringais da Amazônia e nos fazendeiros de café . Paris. cit. cit. como a de Matuim. apesar de batizada. Em 1610. por assim dizer. na residência do cristão-novo muito conhecido Heitor Antunes. op. Da Holanda se mandavam por ano. pág. criminosos ou falidos. 79. É o que dizem os cronistas: Cardim. criaram no Brasil o Empário do Açúcar56. especuladores. em 1610. foram vendendo o que tinham e fugindo. orgulhosos de sua linhagem e de sua crença. O Brandônio dos "Diálogos das Grandezas do Brasil" era o judeu Ambrósio Fernandes Brandão. a produção de açúcar foi de 735 mil arrobas. armadores. quando lhe diziam que chamasse por Jesus Oirava sempre o focinho e nunca o quis nomear51. cit.população. 1615. 20. Assim. 13 . 18 52 Solidonio leite Filho. os judeus da terra iam celebrar o YOM KIPPUR e outras cerimônias do rito judaico"48. Por isso. o soberano revogou a licença de salda e estabeleceu a obrigatorieda os dos engenhos brasileiros. 49. 17. fazer pesar sua mão-de-ferro sobre os ricos e senhores de engenho. pág. Os preços subiam ao ponto de criar nos senhores de engenho esse delirio de gastos. in Rodolfo Garcia. loc. onde também fora empregado o cristão-novo Nuno Alvares. "Na Bahia Colonial. me matéria de usura. pág. natural de Viana. Mal se apanharam soltos. como feitor dos dízimos reais que o seu patrão arrematava. na agonia. como já vimos que eram mandadas para a India. pág. Depois de caído Portugal sob o dominio Espanhol. observou o viajante Froger. no fim do século XVII. Taunay. dominá-lo completamente. Cf. o séculoXVII foi o do açúcar. grandezas e luxo. unidos os de Portugal. no valor de 1500 contos. Lúcio de Azevedo55 . 57 Pedro Calmon. a quem se referem os documentos. Pyrard de Laval. adorava trancãilamente. soma respeitável para a época. os da colonia nascente e os da Holanda pelos seus Kahals. Havia-as em casas particulares. 291. para o Brasil. e tirar vingança dos soberanos peninsulares. consoante o velho hábito dos publicanos hebreus. 52. onzeneiros cruéis57. Nas primeiras décadas do centenário. como a do cristão-novo Bento Dias de Santiago. antes dele. pág. arrancando precioso florão de sua coroa. op. cit. As qrandezas do Brasil servem aos diálogos judaicos. em Camaragibe. das anilinas. Segundo os estudos de J. Frei Vicente.. Suas sinagogas. o qual. pág. págs. pág. o que documentam as denunciações do Santo Oficio. Os portugueses da Bahia eram geralmente de raça judia. bem como as de outros portugueses cristãos. a fortuna dos fidalgos e sua iniciativa. Para o Brasil e para a Europa. diz outro viajante. onde. loc. segundo um viajante observador. op. os judeus exploram essa riqueza como intermediários. loc. cit pág. cit. 3 a 4 mil Biblias em hebraico. Mas isso ainda não é bastante para eles:precisam apoderar-se do empório. o rei não conseguiu receber nem a metade. 53 Pedro Calmon. op. que o povo denominava esnogas. No reinado de Filipe III. Os 48 49 Rodolfo Garcia. pág580. Essa judiaria do primeiro século do ciclo de negócio do açúcar. O trabalho braçal do escravo. 49 Idem pág. que custou à judiaria um milhão e seiscentos mil cruzados. fornecedores de capitais. conseguido pelo Kahal a peso de ouro. "Voyages". 55 "Épocas de portugal Economica. 271 56 Vide as acusações do judeu João Nunes: Largo de consciencia". o desenvolvimento da indústria açucareira se tornou impetuoso53.

pág. Cf.Estados Gerais da Holanda. "Espirito da Sociedade Colonial Companhia Editora Nacional São Paulo.. conquistando o Brasil. com expedições pagas e companhias organizadas com o dinheiro ganho com o próprio açúcar. pág. podiam iniciar a desagregação do império colonial luso-espanhol. 404. regorgitando de ouro judaico58. ao intermediário de Lisboa a quem era consignada a mercadoria. 1935. Que têm sido sempre o judeu senão o fermento desagregador dos impérios e das civilizações? Ele faltaria ao chamamento do seu destino. e Angola. terra do açúcar. estes imaginaram a organização de uma companhia-mercantil de conquista e empreendem a guerra de 1624-1654". 3ª ed. Pedro Calmon. 14 . às praças consumidoras do centro e do sul da Europa. História do Brasil. 58 "A influência dos negociantes israelitas estendia-se ao engenho produtor.. Quando a Espanha se colocou de permeio entre os engenhos do Brasil e os compradores flamengos. 36. à firma embarcadora. Frei Vicente do Salvador. se não tentasse abocanhar o empório do açúcar. aquém e além Atlântico. terra do escravo que plantava a cana.

Ali. No seu livro "O templo Maçônico. os jesuitas eram "inimigos terriveis dos senhores de engenho65". Foi mais acesa em São Paulo. o maçon Dario Veloso tem a desfaçatez de dizer que eram os jesuítas que escravizavam os índios . Rio. legalizada pelas famosas cartas-régias. O indio furtava-se pela fuga. "Os jesuítas no Grão-Pará 65 Op. exigia enorme massa de escravos61. do exercicio dos cargos técnicos. da Biblioteca Nacional. 135. ao papel forçado de coolie a que o colonizador o queria submeter. O que estava de pleno acordo com o código judaico CHOSCHEN HAMISCHPOT. Mesagravos do Brasil e Glórias de Pernambuco. ed. idem pág. desde o recuado tempo das monarquias visigóticas. tupi ou gé. a da cana de açúcar. Rio. segundo Gilberto Freyre. ambos caracterizadores das colonizações peninsulares. cit. Demais. 15 .. pág. XVIII. 64 João Lúcio de Azevedo. Era inadaptável e indomável. 70 Chamberlain. XII. tiveram como primeiros impulsionadores os judeus de Portugal68. Monocultura latifundiária. acabariam caracterizando toda a economia ultramarina62. o Brasil era o açúcar e o açúcar era o negro. Vasa Grande e Senzala". 61 Gilberto Freyre. D. A metrópole estava sob o dominio judaico. op. curas e confessores69. 63 Gustavo Barroso. no seio das familias. "Die Grundlagen des neuenzehnten Iahrhunderts". realizada a principio brutalmente. também enfeudados a Israel. porque ali o sitio merecia melhor acolhida à imigração judia66. 1936. alçando a cruz. do giro de fundos. prefácio. E sua captura custava maior desperdicio de gente e de esforços do que a obtenção do transporte dos negros da Africa64. Começou em Piratininga com o judeu cohen João Ramalho e terminou. Paulo . Assim.. Rio. o comércio de carne humana à medida que prosperava a Indústria açucareira. 1904 pág. pág. começou o emprego da mão-de-obra negra. pág. defendia o indigena e o aldeava. Está de acordo com o velho cronista Antonil que assegura serem os escravos pés e mãos dos senhores de engenho60. 1917. da própria influência dos médicos. em 227. A luta entre padres e escravizadores foi longa e áspera. No Norte. Taunay.os engenhos não podiam moer. 29. pág. influência que contrastava até a dos capelões. S. pela resistência.26: 59 60 Gilberto Freyre. ed. op. Ligados. 68 Idem. "História da Civilização Brasileiro.CAPITULO III O tráfico de carne humana DEPOIS de haver sido a terra do pau-de-tinta. André João Antonil. presos à usura judaica. das alianças de sangue. 62 Pedro Calmon. desde os albores do ciclo do açúcar. cit. 69. na quase totalidade hebreus. Méias e Palavras". cap. prefácio. É a mesma opinião que se encontra no Breve discurso sobre o estado daí quatro capitanias conquistadas": sem escravos. o catequizador. 66 Paulo Prado. cit. Por isso. O judaismo os manobrava e forçava a lançar mão do operário africano. 69 Varnhagen. pois. Florescia. de clara o padre Antônio Vieira. pela selvatiqueza e pela própria morte ao trabalho braçal. 39. que se exercia através de uma rede de créditos. Cartas Régias Alvarás e Provisnes. "Paulística". O horror à atividade manual e a instituição do trabalho escravo. Vultura da Opulência do Brasil por sua drogas e mina V. que os negreiros. 67 Gilberto Freyre. A escravização do indio. Morria aos montões. Domingos do Loreto Couto. iam buscar do outro lado do oceano Atlântico. o comércio de escravos e a produção do açúcar. com a vitória dos escravizadores. afirma documentado historiador de nossos dias59. da agiotagem. pág. 196. infelizmente. da usura. e pág.Rio. 1923. O suor do negro cimentava a riqueza do segundo ciclo da colonização. depois. os senhores de engenho viviam endividados67. "História Geral do Brasil". os judeus haviam se especializado no comércio de escravos70. da corrupção. 165. não satisfez as exigências de mão-de-obra para o plantio e moagem da cana. 22 ed Schimidt. pelos alvarás e provisões das guerras de corso e pelas condenações ao cativeiro63.

na Peninsula. 323."É permitido explorar um não-judeu. "História dos cristãos novos portugueses. pág. por um galão de aguardente. 77 Visconde de. E cada escravo custava no Brasil. o gládio vingador do Santo Oficio. Paris. Há uma correspondência constante entre o judaismo que age no Mar do Norte e o judaismo que age no estuário do Tejo. Um dia. pág..04. Rio 1935. com as armas dos mercenários holandeses. a judiaria de Espanha e Portugal se entregou ao tráfico. e Antuérpia. Três rolos de fumo bastavam para pagar um negro forçudo. nos primeiros tempos. Os judeus não podiam deixar de lado negócio tão amplo e lucrativo. Vendiam-nos por búzios que serviam de moeda. pág. "História do CongU. onde se haviam acolhido os israelitas expulsos da Espanha em 1492. ás vezes proeminentemente. II pág 281 74 João Lúcio de Azevedo. de Angola. de Nápoles em 1519. e haverá nestes dois pontos e terra. Nes juifs dlaujourdhui". págs. do Congo. é impossivel tratar de um sem ter o outro em conta. op. que manobrava a sua produção e seu comércio. Barbinnais calcula as entradas de escravos em 15 mil anualmente79. págs. "A contribuição judaica na formação da nacionalidade brasileira" in "Almanaque Israelita do Brasil. A sua sinagoga chamava-se Casa de Jacob e foi célebre. de abater o prestigio e de minar a força dos reis católicos. Com essa massa negra se atulhavam os infectos porões dos horrendos navios negreiros. 75: "Haverão os da maçam (os judeus) mais o contrato dos negros da Guiné . 150 a 200 mil réis. os judeus se lançarão sobre a presa cobiçada. vol. O negócio de escravos se torna o mais lucrativo e amplo da terra" 76. Amsterdam. e estão por senhores destas partes. 1851. Régulos e sobas de Dahomey. O açúcar exigia braços negros para enriquecer o judaismo sem entranhas. depois seguiu o horrivel exemplo 73. feitores cristãos-novos que têm arrendado o comércio da provincia da Guiné. 36. de Gênova e Veneza em 155075. começou o infame negócio. por si e pelos seus prepostos. Ambos se articulam no sentido vingativo de destruir a riqueza. cit. quando um judeu de nota declara textualmente que: Não há exagero em afirmar que não há quase fato histórico de importância nos quatrocentos anos de vida nacional.paiva Manso. as quais tinham suspenso sobre a cabeça. 1932. de Portugal em 1497 e 1498. Dr. 78 Idem. Leiam-se estes trechos de um Memorial de 1602 citado de Mário Sáa. Rieder. Na segunda metade o século XVI.. favorecidos por uma redução de direitos78. elementos de raça hebraica72. da Hotentócia e de Moçambique. que durou três séculos. 71 72 Werner Sombart. De 1575 a 1591. "Le Bourgeois". no qual não tenham influido ou colaborado. aonde contratam com os negros. pág. que fato de maior importância histórica para nós do que a escravidão? O comércio de escravos é tão fundamentalmente semita que sempre foi denominado tráfico fenicio". Eberlin. Samuel Weiner. por fumo em corda. 26. 75 E. 73 A. Paris. Dentro da história dos tempos coloniais. E não o deixaram. As Flandres protestantes e revés à casa de Austria eram o refúgio natural do ouro judaico e das pessoas judaícas. quando as circunstâncias se mostrarem favoráveis. pág 183 e 186. declara o escritor judeu E. 111 e 181.. tanto nas praças da metrópole lusitana como nas bolsas das cidades flamengas. da Serra Leoa. pág. de gente perto de mil vizinhos que resgatam negros para mandarem às Antilhas . 84 e 140. O grande entreposto era a baía de Cabinda 77. Visando os lucros fáceis do comércio de escravaria. de Angola. Ora. Isaque Izecksom. Uma simbiose de interesses e finalidades unia as sinagogas de Lisboa e do Porto às de Roterdam. Como negar ainda a intromissão judaica no tráfico de carne humana. ed. por certos crimes. Rio Grande. somente de Angola vieram 52. Santo Domingo. na quase totalidade. Lisboa. era uma Nova Jerusalém. Toda a Europa. Paris. ed. 1877. cqntínuamente. "A invasão dos judeus". possuiam cabedais nas companhias mercantis dos Paises-Baixos74. doSenegal. Trouxeram negros da Guiné. porque está escrito que não é permitido explorar seu irmão71. do Sudão. Eberlin. à escravidão. Amsterdam. Cochin. Mabolition de llesclavege". do Congo e da Guiné vendiam os prisioneiros capturados em suas razzias bestiais ou os próprios compatriotas condenados.053. Os judeus portugueses. 79 "Nouveau voyage autor du monde". 16 . 76 Pedro Calmon. 1728..

de 29 de março de 1549. "L'Antisémitisme". de Hamburgo e da Holanda. talvez. en 1699". Pero de Magalhães Gandavo calcula. civil e política 89. "A escravidão no BrasiV. o inconstante e ladino Gaspar da Gama. verificando a existência do lenho que os naturais chamavam ibirapitanga. o puritanismo setentrional. Encontraram facilidades no caminho. Com este. 6-7. Holanda e Portugal. Haviam participado dá revolução de Cromwell por portas travessas. para eles. acharam meios de se entenderem com o governo do Protetor. em 3.000. Taine sente neles o farizaísmo estreito90. Aliás. 86 Idem. a produção açucareira anual de 6 a 10 mil arrobas81. foram criadas. desferir golpes mortais no poderio colonial peninsular. há séculos. já encontrado pelos castelanos nas suas conquistas84. 21. cit.250. Para mostrar a quantidade de negros introduzida no Brasil. tirando a sardinha com a mão do gato. Paris. 17 . pág. idem. como sempre. desceu no primeiro bote da armada de Cabral em Porto Seguro e foi. 225. como escreve Bernard Lazare.Segundo o alvará de D.000 habitantes. na ed. cap. págs. cada senhor de engenho "montado e em estado de funcionar" podia receber 120 negros da Guiné e São Tomé 80. obtido pelo braço negro com a direção e iniciativa do reinol ou do ilhéu agricola. tinham sido banidos86.817. idem. única fonte. 88 "Le BourgeoM. Primeiramente. idem pág. na opinião de grande publicista judeu. com suas armadas e soldados. Yule.000. desenvolvidas e exploradas pelo judaísmo. compostas de "marranos escapos à Inquisição espanhola". perseguidos. tomo 14 pág. em 1818. era computada em 3. cap. vol. Depois. no seu tempo. tomo III. I. Izaque Izeckson."cujo caráter. embora lhes reconheça a grave e rude energia semi-bárbara dos nórdicos. 89 Lord Macaulay. Quantos proveitos num saco? Na sua ânsia de tirar desforra dos reinos católicos da Península. a fim de poderem os judeus voltarem à Inglaterra. As colônias judaicas. Macaulay considera os puritanos judaizantes fanáticos que se encerravam nas doutrinas e práticas do Antigo Testamento. 7. Montégut. 1705.361.728. tomou conta da indústria extrativa do pau-de-tinta. pág. primeiramente. de certa maneira vigiados e. 1924. diz Emerson. Rio. etc. construirá o mundo 80 81 Perdigão Malheiros. XI e VO. que é o puritanismo. sendo escravos 1. na opinião de Vermeil. que fez desse povo o mais sonhador e o mais prático do mundo. o pau-vermelho. a la Nouvelle Hollande.E com certeza. que encheu de ouro a judiaria luso-flamenga! Desde que o judeuzinho de Goa.. 1934. da vida religiosa. 85 Bernard Lazare. "Voyage aux Terres Australes. Aliado ao judaismo. depois. pág. no apogeu do poder de Cromwell? Sombart diz que é o mesmo que o judaísmo88.000! O comércio judaico de carne africana corre parelho com o comércio judaico do açúcar. Amsterdam. tomo I. Mstoire D'Angleterre depuis l'avénement de Jacques II". ed. o mascavo valia 20 shillings a arroba82. de onde. onde eram. o que igualmente se pode dizer dos judeus87". basta dizer que a população total do pais em1798. 82 William Dampier. depois dominou a do acúcar e o negócio de escravos. uma vez por outra. 4. nos Paises-Baixos. V. os judeus procuraram firmarse bem nos países protestantes do Norte e. 240. o judaismo o explorava. sendo escravos 1. 83 Dr. Enquistados. o primeiro a desembarcar 83 reconhecendo a nossa terra antes de todos . trad. pode ser reduzido a um dualismo irredutível. penetrar na Inglaterra. 292-295. Crés. além de se engorgitar de ouro. procuraram. Um negocio da China. I. No século XVII. "História Geral do Brasil". pag. foi o espírito judaico que triunfou com o protestantismo85. João III. Em primeiro lugar. existiam "incontestáveis afinidades" entre o espírito mercantil do judeu e o espírito positivo do inglês. "História da Província de Santa Cruz". desde o alvorecer do Brasil. 87 ) Idem. 84 Varnhagen. loc. 90 "Histoire de la littérature anglaise". de onde outrora haviam sido expulsos por exigência dos po vos cansados de suas traficâncias. Os orientais chamavam ao Brasil sapang segundo diz Marco Polo. do qual ela dependia. As rivalidades entre Inglaterra e Castela. ainda conseguiu a formação de uma sociedade fácil de ser dominada através da depravação social que fatalmente decorre da passividade da escravidão.

94 Mario Sáa. "A invasão dos judeus°. "The growth of english industry and commerce in modern times". 93 L. de raça judaica. diz o "Grande Dicionário universal do Século XX". Cambridge University Press. 1931. O testa-de-ferro dos judeus era Bubasse. e Cromwell foi o célebre Manassé-ben-Israel. Demais. o dos escravos95! "Os navios ingleses são os navios negreiros por excelência e enxameiam a receber a carga infame nas abras e enseadas da costa da Guiné. 150 mil. baseando-se em fontes inglesas. Paris. tinham amigos. que emigrara para as Flandres e lá passara a chamar-se Avid Abravanel. tal vez. "História dos cristãos-novos portugueses". tiraram da Africa 300 mil pretos nos três primeiros decênios do século XVIII. obrigando Portugal a entrar nela contra a Espanha. citado um pouco antes. Carlos II de Espanha assinou contrato com a companhia judaicoportuguesa da Guiné para o fornecimento de escravos à América Espanhola. Cunnigham. O ouro judaico. Vermeil. ed. 96 Cf. João Lúcio de Azevedo. O maior instrumento de aproximação entre os judeus holandeses e hamburgueses. 189. pág. A moeda inglesa Guinéu guarda a memória do tráfico de carne preta96. entre os não-judeus. escreve Gina Lombroso. 907. estava mais imbuído de judaismo do que Cromwell. a fim de prejudicar o tráfico francoespanhol. A respeito do judeu luso Antonio Fernandes Carvalhal. Em 1712. sobretudo.Taunay "Na Bahia Colonial". Cromwell ia se tornar o protetor dos judeus e do judaísmo na Inglaterra. E. Georges Batault. nenhum terá. Domingos. Ele "fez penetrar no convencimento de Cromwell as vantagens em aceitar os judeus naquele pais. O século XVII é o grande século do comércio negreiro. dando-lhes todas as liberdades de culto. "Nenhum homem no mundo. I da obra de Anton Zishka. profundamente convencido de ser o eleito de Deus. V. Hennebicq. governador de S. havia-os nas colônias e por toda parte. Os sentimentos nacionais eram vivamente contrários à entrada dos judeus no país. 136. Cf. pág.moderno. a Inglaterra toma à Espanha "o comércio que mais lucros lhe iria dar". Os ingleses chegaram a organizar fazendas de reprodução de escravos na Virgínia. o Rotschild do tempo de Cromwell. 47. pág 25. Enfim. pág. E é hoje a Sinagoga de Londres que exerce hegemonia em todo o mundo sobre o povo de Israel94". Os armadores judaico-franceses organizaram a Compagnie Royale de Guiné e contrataram o tráfico com a Espanha.800 peças por ano. a Inglaterra acendeu a guerra na Europa. Em 1560. buscando suas inspirações e justificações na bíblia. toda a diáspora estava a serviço de Cromwell.. "Genése de I'imperialisme anglais". Deviam fornecer 4. págs. o profeta que não hesita em se pôr à testa dos descontentes e a dirigir a revolução. pág. "Etudes sur la Reforme". apesar do puritanismo das hostes do Protetor e das inclinações pessoais deste. de cujas boas graças dispusera à vontade o riquíssimo Antônio Fernandes Carvalhal. 422. Seu descendente. pág. parentes e espiões em todas as comunidades (Kahals) do continente. Manassé voltou a insistir. Adiantaram ao Tesouro 200 mil escudos para fornecer mais 800. o instrumento da Divina Providência92". Por meio dessas mil inteligências. Como. Cromwell é o profeta no sentido hebraico da palavra. em vinte anos. afinal. Depois de dissolvido. criando e desfazendo hegemonias. a Espanha o não quisesse renovar. 118. ed Pavot. "Der Kampf mundie Welmacht Baumwoll". verdadeiros Haras de negros! De 1680 a 1700. Paris. os judeus "fixados à margem do rio Tâmisa. depois. O parlamento opôsse. °Le probléme juiV. "La rançon du machinisme". 1935 pág. Em 1696. dispunha do poder do ouro93". Outro judeu que muito serviu nas negociações para a entrada dos israelitas na Inglaterra foi aquele circuncidado natural da terra portuguesa de nome Manuel Martins Dormido. 321-322. o qual foi rompido em 1701 por abusos. então muscular. No seu pensamento dogmático. o negócio foi feito com o próprio Governo Britânico. E. 1913. mudava de pouso ao sabor dos intereses da gente sem pátria. o Rotschild da época. Era o monopólio da força motriz.. Sobre o comércio de escravos exercido pela Grã-Bretanha é conveniente ler o cap. 0 governo britânico recompensa com títulos nobiliárquicos os grandes 91 92 E. quase todos de origem lusa. foi o primeiro corretor da Bolsa de Londres. contribuído mais para a judaização da civilização mo derna no mundo inteiro. Os judeus vão exercê-lo manobrando habilmente por trás do governo inglês conquistado desde Cromwell. 95 Gina Lombroso. 18 . e indústrias resultantes dos descobrimentos e conquistas dos peninsulares. que se serviu dos bons ofícios do cristão Edward Nicolas. os bens materiais são um dom de Deus e é a própria reliqião que inspira e encoraja o espírito empreendedor aventureiro91. Dizia-se que "Liverpool era calçada com crânios de negros". Salomão Dormido. obtido em maior parte nos comércios. Nourrit Paris. O judeu errante achou acolhimento na Grã-Bretanha.

ida e volta. Cada viagem redonda. lançando protestantes contra católicos e vice-versa. diminuir-lhe a mão-deobra e desmantelar-lhe a economia. Rio. nos tratados diplomáticos. pág. assim. Um e outro lado do Atlântico tropical davam o mesmo resultado: ouro! Não seria melhor. pág. 99 Armitage. Logo em 1640 ou 41. decidiram o golpe. a Inglaterra esqueceu que havia exercido o infamante monopólio do comércio de carne humana. pág. ao parlamento. em nome da humanidade. e começou a fazer da sua supressão. admiravelmente aproveitada para os lucros judaicos. 101 Barlaeus. infâmias e violências praticadas pelo governo judaico da Inglaterra em matéria de tráfico negreiro. para entravar-lhe o progresso desde logo. a Inglaterra obtém o direito de ancorar navios em Porto Franco e Porto Belo. "História do Brasil". Os estados-maiores das sinagogas estudaram a questão e. tornar-se o dono incontestado das duas fontes de riqueza? Os ganhos se multiplicariam. se manifestam a cada passo. Gotha. a confissão de Benjamin Disraeli. 100 Hermann Watjen. desarmado. "das Iudentum und die Aufgang der moderno Kolonisation". a cobiça do judaísmo se alvoroçou. É que ao judaísmo do Kahal londrino. era. se encontram descritas no panfleto "A liberdade dos mares ou o governo inglês descoberto". 1832. sem nome de autor. O judaísmo angloholandês enchia-se com o ouro do açúcar produzido pelo suor do escravo e com o ouro do preço do escravo. Mais tarde. com todas as letras. que ela explorava. que o havia consagrado nos tratados internacionais e nas discussões do parlamento. Contra o Brasil fraco. Todas as misérias. 370-371. "Res Gestae". pags. primeiro ministro. Nos bons tempos do século XVII. "Description de 1'Afrique°. de onde voltavam à Holanda. pelo vil e rendoso negócio. "Histoire de 1'Empire du Bresil". que o havia advogado e defendido com unhas e dentes. fidalgo alemão a serviço do Kahal.. O açúcar vinha de Pernambuco. alarpadada à sombra do governo real. A esse pensamento. Constâncio. bases de contrabando e do "monopólio do tráfico para América do Sul98" Em 1799. durante séculos. nas Antilhas. 19 . Cf. tipografia Miranda e Carneiro. Pelo tratado de Paris. decalcada da de Warden. "História do Brasil".. enchiam os infectos porões de escravos e vinham de rota batida para Pernambuco. é elevado a baronete pelo impulso dado ao comércio de escravos97. "Os africanos no Brasil". David B. Os cuidados da judiaria inglesa. ajudados da política européia em que influíam. Gina Lombroso. Então. op. seguido da Paz de Quebec. ameaçou até empregar a força99. Pelo tratado de Utrecht. 189-191. o ministro Cannig declara. págs. ao invés de continuar ganhando como intermediário e fornecedor de mão-de-obra. em 1763. 425. carregadas de açúcar102. nos dará a conhecer que não era a Inglaterra. A documentação histórica mostra-o na sua limpidez. traduzido livremente do espanhol. 1921. tornar o Recife "o centro distribuidor da escravaria100". apud "Der Hollandische Kolonisation in Brasilien". O negócio de escravos rendia por ano aos judeus holandeses a respeitável soma de 6 milhões de florins! 97 98 Nina Rodrigues.negreiros. sendo necessário. O negro que o produzia vinha de Angola. o tal centro distribuidor de escravos pode funcionar do seguinte modo: as urcas holandesas saíam dos portos da Zelândia ou do Texel em demanda da África. Paris. traz com escopo principal. que efetivamente. 163. 102 Dapper. 1833. não convinha se desenvolvesse na América do Sul um grande império. 13. A conquista do Nordeste brasileiro e de Angola e Luanda pela companhia das Indias Ocidentais revela um plano judaico de grande envergadura. sem pejo. mas os judeus governando-a e servindo-se dela. a Inglaterra não fora tão humanitária. mal o Brasil se tornou independente de Portugal. dominador do mundo."uma questão de honra". O conde de Nassau. uma expedição mandada do Brasil holandês se apoderava de São Paulo de Luanda101. a Grã-Bretanha "exercia o monopólio do tráfico". No século XIX. João Hawkins. cit. quando toma o lugar de preposto ou procônsul da colônia judaica de Pernambuco. Warden. em 1713. por exemplo. a Inglaterra consegue o monopólio do comércio de escravos por trinta anos.

entre a Bahia e a África. retomada aos holandeses.Em 1703. o tráfico judaico de escravos para o Brasil era de tal importância que. 20 . pág. "Na Bahia Colonial". mais de 200 brigues ou bergantins nele eram empregados103 103 Taunay. 327.

England and América°. Me Bourgeois". os piratas calvinistas holandeses tomam a frota espanhola da Prata. avisado a tempo. sendo chamado pelos seus contemporâneos: "a wonderful hater of spaniards"2. estavam os que salteavam nos mares e costas do Brasil: Lancaster. A pequena nobreza provinciana calvinista da França ensaiara o corso marítimo contra o comércio e as feitorias de Portugal e Espanha 1. encarando os prejuízos que disso adviriam. Tudo isso preludia a conquista das prósperas capitanias do Norte. como fez Paulo Van Ceulen. 120. repelido da Bahia de Todos os Santos em 1604. typ. A luta que. Cf.os piratas ingleses pretenderam estabelecer-se no Espírito Santo e Rio de Janeiro. As sinagogas. 1 H. pág. W. até que se estabelecem nas ilhas de S. "Histoire du commerce de &rance'' Paris. o governador tomara providências adequadas. Entre eles. príncipe dos ladrões do mar. estremeceram de pavor. A pirataria sempre foi eminentemente protestante. o qual. assegura o autor da "Razão do Estado do Brasil". os moradores do extenso litoral brasílico viviam tão aterrorizados com a pira taria que traziam sempre "a roupa entrouxada". como já vimos. serve como reconhecimento das possessões do adversário católico e para a obtenção de recursos para o assalto definitivo. Pigeonneau. o grande rei católico. A pirataria. A poderosa mão de Filipe II. pilhando as naves abarrotadas de pau-de-tinta. Os próprios bucaneiros e flibusteiros das Antilhas andam de longada até Santa Catarina. o último dos quais foi feito baronete. se travava tinha um que de religioso. Espanha significava a luta aberta contra a heresia protestante e o judaísmo. o asceta do Escorial. A pirataria protestante. Das suas pretensões. Os corsários puritanos ingleses atacam as povoações litorâneas e também pretendem fixar-se. Hakluyt. pág. 1889. 93. Na Inglaterra. Afinal. Meméride Histórica do Brasil°. Sombart. pág. Todos os portos brasileiros foram logo fechados ao comércio das Províncias Unidas. 170. "agente de uma companhia de Londres" (?). no corso e na pirataria. mal avistavam o velame de qualquer nau grande. os empórios cobiçados do açúcar e do negro. subira o Tâmisa com mastros dourados e velas de damasco nos seus galeões3! No começo do século XVII. se estendeu sobre o reino lusitano. do Globo. usando a valentia flamenga. que tomou o Recife em 1595. Drake. houve uma verdadeira idade áurea de piratas: sir Walter Raleigh. Vêde bem os fatos. de volta das suas frutuosas expedições.os irmãos William e John Hawkins. O espírito emprendedor pré-capitalista europeu se projetava. A acometida de Van Ceulen foi a quarta sofrida pela Bahia. o grande Frobisher. para se fazerem ao mato. "Histoire des Voyages". e vêem saltear nossas cidades. somente ficaram os nomes de uma ilha na Guanabara e da capital maranhense. a estabelecimentos definitivos. eminentemente protestante. Apresentava-se a ocasião de conquistar. pág. Conforme depõe Gabriel Soares. durante o governo de Dom Luiz de Souza. 21 . 3 Douglas Campbell. payot. Rio de Janeiro. nos séculos XVI e XVII. entre 1616 e 1621. de ma cedo. 2 Formidável abominador de espanhóis. 188. 1926. Luiz e de Villegaignon. J. morrendo devagar e matando. Me Puritans in Holland. desistindo do intento. Paris. se exercia incessantemente contra os reinos católicos. As tentativas huguenotes da criação de uma França-Antártica e de uma colônia no Maranhão haviam fracassado diante dos esforços de Mem de Sá e Jerônimo de Albuquerque. então. tomo II. heroicamente. pelos serviços prestados ao comércio negreiro. Os resultados dessas pilhagens são quase sempre magníficos. 1877.CAPITULO IV A pirataria e a conquista A DINASTIA de Ávis sossobrou.Quibir. sem que fosse possível traçar uma linha nítida de demarcação entre essas atividades. tomo II. e o Brasil passou. para o domínio espanhol. Já as ambições européias vinham corvejando sobre o vasto Brasil. M. É a técnica judaica da desapropriação forçada em que foram mestres os judeus bolchevistas. Me noble pirate" e Cavendish. porque. insuflada pelo judaísmo. em 1580. na baía de Matanzas. nos fulvos areais de Alcácer. Os entrelopos huguenotes franceses durante longo tempo percorrem às costas abandonadas do Brasil que acordava. a qual lhes fornece meios pecuniários para o equipamento de grandes expedições. 1892.

Era ainda a fonte da trindade invisível do aforisma alemão vulgarizado por Goethe: Krieg. 60. cit. já agora. valendo-se das disposições guerreiras e aventureiras que o comércio despertaria nos pacatos holandeses. Por detrás de todos os piratas herejes. cit. verdadeiras organizações permanentes de pirataria. comércio e pirataria formam uma trindade invisível. 1728. que conquistou o Brasil para os judeus.. ávidos de pecúnia. pQ.. "História de Antonio Vieira". em 1621. pág. por exemplo. os quais haviam expulso os israelitas da Peninsula. O rancor judaico não conhecia limites contra as coroas de Castela e Portugal. 7 Guerra. que fundavam fortalezas e estabeleciam governos. os holandeses se apoderaram de quinze milhões de torneses. 8 E. Adivinhou um pedaço da verdade. mas não a verdade toda. despendeu 4 milhões e meio de florins. A primeira. estava o judeu internacional. O historiador Pedro Calmon andou bem inspirado. De posse a companhia de 4 5 Pedro Calmon. armando 800 navios. dreienig sind sie. mas capturou 540. 342. por certas libras tornesas ou escudos torneses. A das Indias Ocidentais. segundo Sombart. Sr. 14. op. denomina "holandês de capacidade e esperteza". que tão poderosamente colaborara no prefácio. glorifica-os por esse papel infame: os israelitas foram os mais poderosos auxiliares dos corsários estrangeiros e se aliaram aos ingleses que pretendiam estabelecer-se entre nós5. o homem sem pátria. A companhia idealizada por Usselimex. pág. idealizada por Wilhelm Usselimex. O judeu explorava essa trindade invisível. como se dizia. as grandes companhias de comércio dos séculos XVI e XVII não passavam de companhias de conquistas. se voltavam para outras8. cuja carga somente valia 6 milhões. tomo I. documentadamente. Solidônio Leite Filho. Substitua-se holandês por judeu e dá no vinte. permitindo-lhes dar os golpes com toda a segurança. Confessa-o. 11 João Lúcio de Azevedo. op. A espoliação dos engenhos dos pernambucanos que se opuseram à conquista rendeu mais de 500 mil florins! Formaram-se duas companhias de comércio e pirataria na Holanda. o domínio dos empórios do açúcar e do negro. formava um ramo de comércio regular dessas associações. o embaixador Souza Coutinho ao conde de Vidigueira. a qual. Na insuspeita opinião de Oshlow Burrish9. nos velhos sistemas monetários. quase sem ambages. quando escreveu: "Por detrás dos marinheiros flamengos. op. estava o judeu português de Amsterdam e Haia4". nasceu em 1602 e deu tais lucros que inspirou a segunda. Em Capítulo anterior. 333. melhor ainda colaborou na obra. o judeu Mendes dos Remédios: "A prosperidade dos judeus lusos na Holanda vingou-os do desprezo do monarca peninsular que os expulsara6". A pirataria foi o prefácio da conquista.. pág. isto é. quando não tiravam grandes lucros de uma atividade ou região. das Indias Orientais. entre 1623 e 1636. com privilégio exclusivo do tráfico e navegação na América e na costa da África. papistas. Os judeus peninsulares forneceram para essa última companhia a soma redonda de 18 milhões de florins 11. 60. O judeu. pág. contra católicos. anticatólicos. cit. 6 "Os judeus em Portugal". "Geschichte der Volkswirthschaftlichen Anschauungen der Niederlander". 1863. pág. 9 "Batavia ilustrada or a wiew of the Policy and Commerce of the United Provinces". ganhando ainda 3 milhões como que pirateou mares afora aos portugueses10. que Frei Rafael de Jesus. 10 Werner Sombart. Esses espiões informavam os navios piratas das condições de defesa oas praças. os quais. 135 22 . nicht zu trenen7. com capitais israelitas. mostramos como a Holan da estava abarrotada de judeus e de capitais judaicos. o mamonista adorador do Bezerro de Ouro. providas de privilégios e poderes políticos. Handel und Piraterie. Há um fundo religioso e racial nessa luta de heréticos assolados e ajudados por judeus. para não se afogarem na sua invasão. Solidonio Leite Filho. Holanda era a mãe dos cristãos-novos que dali se derramavam para o Brasil. 94. O maior defensor dos judeus na nossa literatura histó rica. que valiam muito mais do que os simples escudos ou libras parisis.Na frota da prata. das Indias Ocidentais. Segundo escrevia.. pág. foi proposta aos Estados Gerais da Holanda por Jans Andres Moerthecan. no "Castrioto Lusitano. 60. Laspeyres. unidas na cabeça dos Filipes. pág. em 1644. Não houve expedição de corso ao Brasil que não contasse com as informações dos judeus residentes no seio da população brasileira.

in "Revista de História". op. A invasão ainda se aprestava nos portos zelandeses e já. porque. 59. cit.suas patentes de exclusividade. em 1624. 20 Barnhagen. idem. pág. 214. o padre Antônio Vieira conta que a cidade foi toda saqueada. desembarques e marchas dos conquistadores. loc. A decadência moral do Brasil do século XVII chegara ao mais alto ponto. assim não 12 13 Solidonio Leite Filho. tomo II. cit. a esquadra vinha pejada de judeus e judias. Esperavam melhor sorte receosos da inquisição. capital da colônia. os conquistadores. 15 Solidonio leite Filho. pág. Fradique de Toledo. Marcos Teixeira. dentro da praça. Escrevendo a sua "Ânua do Estado da Bahia". permitia o amolecimento da sociedade. que vinha assentar casa naquela capitania14". muito numerosos. castelhanas e napolitanas.. "Valeroso Lucideno". 21 Frei Manoel calado. 1872. além de proporcionar grandes lucros aos judeus. Batidos no mar e sem poder manter-se em terra. do escândalo. Manuel Calado. Lisboa. devido à grande quantidade de judeus que existiam na cidade e nos quais ninguém devia confiar. Ministraram todas as informações destinadas a permitir os ataques. 17 Solidonio leite Filho. "História das lutas com os holandeses no Brasil. Atormentaram os intrusos com guerrilhas e emboscadas continuas. Segundo documentos do Instituto Histórico. Portas adentro. determinaram fosse o Brasil o alvo da conquista12. Os judeus e cristãos-novos do Brasil deram dinheiro'. tomo IV. "História de portugal". da venalidade. judeus esperavam. os ocupantes da Bahia capitularam no curto espaço de um mês. composta de naus lusas. op. Tudo em vão. o que repetiria em outros lugares e oportunidades. facilitando-lhes dominá-la mais adiante. 156. tomo II pág. prepararam a reação. "por intermédio dos hebreus brasileiros". useiros e vezeiros nisso. nos sé culos XVII e XVIII. temendo não poder resistir ao ímpeto do agressor. os inimigos se apoderaram da cidade. da desmoralização. aqui dentro. "Veleroso Lucideno". pág. A primeira expedição holandesa visou a Bahia. seus diretores "movidos pelos hebreus". Reconhece João Lúcio de Azevedo que eles "cooperaram grau demente para facilitar a conquista22". pág. "História do Brasil". 10. a judiaria se entregava à mais terrível espionagem. 14 Rodolfo Garcia. prestes a desempenhar todos os papéis. 18 Idem. fizemos notar como o regime da escravidão. pág. napolitanos e lusos tomaram novamente conta da capital da colônia e sua reação em contra dos judeus traidores não foi além da condenação à morte de alguns dos mais comprometidos. os judeus. Solidonio Leite Filho. Seria de espantar que. pág. pág. retiraram-se para os matos e. 33. op. 16 Roberto Southey. a empresa conquistadora. 338. cit. está pintado em muitos autores. 146. cit. pág. cit. No capitulo antecedente. 19 Roberto Southey. de modo a aligeirar-lhes a tarefa. Foi o que contribuiu para favorecer a conquista13. ou faziam causa comum com o batavo ou fraca resistência lhe opunham16. cit. Em menos de dois dias. 58. 61. O grave Southey confirma que. Como os da Bahia. 22 "os judeus portugueses na dispersão". "Largas informações sobre as coisas do Brasil" recebia. op. 38. O panorama da corrupção. datada de 30 de setembro de 1626. espionavam por conta dos generais batavos18. sob a direção do bispo D. Rebelo da silva. os cristãos-velhos baianos. até que vieram os reforços e auxílios da Espanha. Calado resume-o admiravelmente nesta frase: "os ricaços não estavam acostumados a morrer". informada dos preparativos. tomo II. Do mesmo modo que haviam sido os melhores auxiliares de corsários e piratas. de fora. 60. idem. os judeus de Pernambuco incitaram a invasão flamenga e contribuíram para ela com fundos21. Judeus impeliram e custearam. declara Solidônio Leite Filho. Na sua maioria. pág. A população israelita da Bahia delirou de contentamento e envidou todos os esforços. pág. para induzir os não-judeus a se submeterem ao jugo estrangeiro19. 23 . aqui. fermentavam dissensões judaicas 20. como na jerusalém sitiada de Flávio Josefo. foram os melhores auxiliares dos conquistadores que lhes sucediam 15. A judiaria deu dinheiro a rodo para a resistência flamenga. segundo Frei Manuel Calado para "os gastos da conquista de Pernambuco". op. o almirante holandês17. espanhois. O judeu e o flamengo aproveitaram-se disso. na famosa esquadra de D.

procedessem. A guerra da Restauração Pernambucana durou nove anos, em alternativas de derrotas e vitórias, e durante esse período em que se afirmou um verdadeiro espírito de brasilidade, anterior à nossa independência política, os judeus, empenharam contra nós "vida e fazenda"23. A expedição para a conquista de Pernambuco veio quatro anos depois da Bahia, em 1630. Não se atrevendo a atacar o Recife, diretamente, desembarcou as tropas que trazia, além de Olinda, na praia do Pau-Amarelo, sob o comando do "coronel-de-guerra", Teodorico Weerdenburg, que desconhecia completamente a região por onde pisava pela primeira vez. Guiou-o pela costa, pelos mangues e alagadiços, dos quais era prático, o judeu Antônio Dias Paparobálos, o qual vivera muito tempo em Pernambuco e fora, depois, para a Holanda 24. Outros judeus serviram constan temente de guias e intérpretes fiéis aos invasores, entre os quais Samuel Cochim, que guiou a primeira expedição ao Rio Grande do Norte25. As tropas que a Companhia das índias Ocidentais pôs em campo durante todo o período da conquista e ocupação não eram propriamente do que se poderia chamar o exército holandês e sim compostas de mercenários de toda categoria e procedência. Nem os próprios comandantes eram todos flamengos. Havia poloneses, como o famigerado Arcizewski; os franceses, como Picard, Tourlon e La Motte; alguns judeus como Simão Slecht e o cruel Jacob Rabbi; muitos escoceses, como o Sandalim de João Francisco Lisbôa, quando descreve o combate do Outeiro da Cruz, no Maranhão, segundo provam as numerosas espadas de highlander, as conhecidas e tradicionais claymores, da coleção de armas da época da guerra holandesa no Museu Histórico. Nos poucos canhões de bronze que ainda restam dessa epopéia, bem como nas moedas obsidionais de cobre, prata e ouro, nunca figura o brasão heráldico das Províncias Unidas, porém o monograma da companhia judaica: um G, um W e um C entrelaçados, iniciais da Geoctroyeerde Westindische Compagnie, - Companhia Privilegiada das Indias Ocidentais. Somente em 1647, segundo diz Netscher, os Estados Gerais resolveram oficializar a guerra. Os holandeses desembarcados no Pau-Amarelo apoderaram se com relativa facilidade de Olinda e Recife. Sem recursos suficientes para resistir-lhes, Matias de Albuquerque viu-se obrigado a retirar-se, estabelecendo-se no arraial do Bom Jesus, onde foram juntar-se aos homens do campo, mais próprios para a grande luta que se desenhava, e na qual mantiveram acesa com impavidez a chama da liberdade, do que os da cidade, desacostumados de morrer, como notava Frei Calado. Vieram mais tarde os socorros trazidos pelo almirante Oquendo, os batavos abandonaram Olinda, incendiando-a, e se encurralaram no Recife durante um lapso de dois anos 26. Foi a deserção de Calabar,(1632) que lhes permitiu pôr a cabeça de fora, atacar Afogados, Iguarassu, Rio Formoso, expelir os luso-brasileiros do arraial do Bom Jesus e obrigá-los ao êxodo para Alagoas. Nessa retirada de um povo, como que se plasmou a futura nacionalidade, na consciência nativista formada pela fraternização guerreira de brancos, índios e negros trazidos pelo heróico Henrique Dias, "governador dos pretos". A tomada de Porto Calvo pelos retirantes entregou Calabar, que foi enforcado. Parece que o desertor era a alma das vitórias dos conquistadores, pois que, após a execução, se encolheram e começaram a perder suas energias em dissensões íntimas e estéreis. Sendo imprescindivel por-lhes um paradeiro, a Companhia lançou mão de um fidalgo aparentado ao Estatuder de Orange, o conde João Maurício de Nassau-Siegen, contratado por cinco anos para a governação da Nova Holanda, pago a mil e duzentos florins por ano e nomeado "governador, capitão-general e almirante de terra e mar". Como a conquista não passava de um prolongamento da pirataria, deram-lhe mais 2% sobre as presas que se fizessem.
23

Solidonio Leite Filho, op. cit. pág. 63. A guerra durou nove anos no seu período final; a luta, desde o início, durou 24! A conquista começa em 1630 e termina em 1637; a posse vai de 1637 a 1642; a restauração, de 1642-1654. Cf. Oliveira Lima, "História de Pernambuxo", pág. 63 24 Varnhagen, op. cit. pág. 51. Solidônio Leite Filho, op. cit. pág. 62. Sobre o nome do "coronel de guerra" há divergências. Uns escrevem Teodoro; outros Frederico. Netscher, em "Les hollandais au Brésil" pág. 45, grafa Diederich. Por isso, traduzimos Teodorico. 25 Solidonio Leite Filho, op. cit. pág. 63. Tavares de Lira, "0 domínio holandês no Brasil", tip.do "Jornal do Comércio", 1915, pág. 305. 26 Varnhagen, op. cit. pág. 63.

24

Entrando na posse do governo, o conde deu logo toda a liberdade aos israelitas. Pernambuco e as outras capitanias conquistadas, pouco a pouco se tornaram "o paraíso dos judeus"27. O "amigo do peito" do governador, o"homem de maior valia" enquanto esteve à testa do Brasil-holandês foi o judeu lisboeta Gaspar Dias Ferreira, que vivia no Recife desde 1618 e se tornara possuidor de "respeitável fortuna 28". Ao retirar-se do Brasil, o conde levou-o consigo. A cada ano do governo de Nassau mais aumentava a imigração judaica. Só em 1642, quase ao fim, vieram de uma sentada 600, que se faziam acompanhar dos seus rabinos29. Antes da conquista flamenga, os judeus pernambucanos e os de fora viviam "paliados com a capa de católicos30", inveterado hábito dos cripto-judeus de todos os tempos e países. "Conquistada a capitania, declararam-se publicamente por judeus e com os correligionários, adventícios de outras nações, fizeram sinagogas, e de tal modo se van gloriavam de suas crenças que principiaram a denominar-se Santa Comunidade, KAHAL KADOSH31". Quem conhece os segredos do judaísmo sabe que isto quer dizer que organizaram um Kahal ou governo oculto para explorar a sociedade cristã com a hazaka, o meropie e outras formas de espoliação disfarçada, já proficiente e documentadamente estudada por Brafmann no seu "Livro do Kahal" e Wolski em Ma Russie Juive". Do Recife, a judiaria se esparramou pra Itamaracá, onde os chefiava o haham Jacob Lagarto32 Segundo D. Domingos do Loreto Couto, na sua obra "Desagravos do Brasil e Glórias de Pernambuco", ed. da Biblioteca Nacional, Rio, 1904, às páginas 234-236, durante o domínio holandês os sacramentos foram proibidos no Recife e os católicos sofreram torturas de arrepiar. Frei Rafael de Jesus documenta exaustivamente as perseguições judaicas, sob o pseudônimo de holandesas, contra os naturais: roubos, morticinios, injustiças, forçamento de cons ciências, sacrilégios, torturas e até o estabelecimento da chekita, do açougue judaico, proibindo-se a matança de qualquer rês em qualquer lugar e para qualquer fim. Ninguém podendo abater uma rês, como relata o "Castrioto Lusitano" (págs. 171-172), toda a gente era obrigada a recorrer ao matadouro judaico e pagar o tributo denominado imposto da caixa" com que se sustentam as escolas judias é se completam os impostos devidos ao governo pelos israelitas, segundo informa Brafmann no "Livro do Kahal". Graças a essa proteção, dominaram completamente a co lônia, tornando-se logo, como narra Varnhagen, grandes proprietários urbanos e rurais, donos dos cargos público notários, escrivães, e procuradores no fórum, corretores dos subornos das venais autoridades flamengas. Os judeus que vieram com os holandeses "não trazendo mais do que um vestido roto sobre si, em breves dias se fizeram ricos33". Acresceram-lhes a empáfia, o luxo, a ostentação e o desprezo pela moral pública e o decoro particular ao ponto de se unirem contra seus desmandos os calvinistas e católicos irreconciliáveis. As próprias autoridades eclesiásticas protestantes comungaram com o povo em uma tentativa de reação. O conde de Nassau, porém, não deu ouvidos a ninguém. Quando se retirou, para fazer uma sinagoga de seu palácio, afirma João Lúcio de Azevedo, a Santa Comunidade ofereceu por ele seis tonéis de ouro, isto é, 300 mil cruzados! Lavrava a maior corrupção entre os invasores, devido ao judaísmo que os empeçonhava. Atingiram a mais de sete e meio milhões de florins, quase o dobro do que custara a expedição conquistadora, os contratos lesivos e as negociatas obtidos pelos judeus. O dinheiro dos próprios acionistas da Companhia das índias Ocidentais foi roubado de todos os modos. Os documentos da época rezam assim: "Os senhores deste governo, desde o principio até hoje, não procuraram outra coisa senão encher sua bolsa, empregando para isso todos os meios e, em particular, o auxilio dos judeus e de outros homems inconvenientes e ávidos de lucro torpe... zombando da simplicidade dos
27 28

Rodolfo Garcia, loc. cit. pág. 33. Idem, idem, idem. 29 João Lúcio de Azevedo, "História dos cristãos novos portugueses", pág. 431. 30 Solidonio Leite Filho, op. cit. pág. 71. 31 Idem, idem, idem Solidonio Leite Filho tirou isso de João Lúcio de Azevedo, "História dos cristãos-no vos portugueses e este de Graetz "Volkst. Gesch. der ju den", C. III, pág. 331. 32 Idem, idem, idem. 33 Frei Manuel Calado, “valeroso Luciden pags 53 e 207

25

holandeses e do mau governo deste estado, cujos segredos todos eram melhor conhecidos a eles (os judeus) do que a nós, e, possivelmente, melhor do que aos próprios senhores, que eles diziam predispôr, por honrarias e presentes, para todas as suas intenções, e até para as coisas mais torpes e inconvenientes34".

Bandeira do Brasil Holandês. Na faixa branca da tricolor flamenga, o monograma da Companhia Judaica ou de Nassau (?), encimado por uma corôa aberta. Nada, como se vê, além das cores, da nação holandesa. Ao lago, a marca registrada da Geortroyed Westindische Compagnie, conforme aparece nas moedas obsidionais, nas chancelas e nas culatras ou nas boladas dos canhões de bronze da conqui_s ta que ainda nos restam. A tricolor flamenga é a mais antiga de todas: vermelho, azul e branco. Vermelho é o sangue que se têm de derramar para atingir ao azul-branco, cores de Israel.Veremos isso, claramente, na simbologia das bandeiras revolucionárias do Brasil, em 1794, 1817 e 1824.

O conde chegara ao Recife em 23 de janeiro de 1637, mostrara-se tolerante, procurava apaziguar os ânimos, promovia melhoramentos e protegia ciências e letras. Era o seu feitio pessoal. No governo, porém, consentia de bom grado ou forçado pelos amos judaicos na grande corrupção. Também não se distraiu de seu papel de realizador da conquista dos empórios do açúcar e do escravo por conta de quem lhe pagava mil e duzentos florins anuais. Seu nome ilustre já fora dado, como anúncio de expansão conquistadora, a uma feitoria fortificada que os flamengos tinham encravado na costa da Mina. Em 1637, ele mandou o coronel João Koen apoderar-se do resto da colônia africana, o que foi feito com a tomada do castelo de São Jorge 35. Há um certo sabor judaico no nome do chefe da expedição, que a tradução alemã, de Barlaeus, chama de kühn Netscher grafa kokin36. Todos os entendidos na onomástica israelita sabem de fonte limpa que essas formas correspondem ao hebraico Cohen. No Brasil, Nassau levou por diante a conquista de Alagoas, do Ceará e de Sergipe, tentando mesmo a da Bahia, que redundou em verdadeiro desastre. O Maranhão seria ocupado mais tarde pelo referido Koin, Koen ou Cohen, que fora à África. Fm 1644, Antônio Moniz Barreiros ali levantou os povos, expulsando o invasor. A posse do Ceará foi sempre precária. A da Paraíba, obtida antes da vinda de Nassau, durou o mesmo tempo que a de Pernambuco. A do Rio Grande do Norte se assinalou indelevelmente pelas atrocidades judaicas, à maneira das de Bela Kun, na Hungria, e de Jagoda na Rússia. O judeu de origem alemã Jacob Rabbi, que Solidônio Leite Filho glorifica com o titulo incomparável de "feroz israelita" e que Varnhagen apelida "furibundo",
34

Do panfleto: "Brasilsche Gett Sack waer in dat Klaerlijck Vertoon wort-waer dat de Participanten van de West Indische Compagnie haer Geldt ghebleven is. Gedruckt in Brasilien op't Reciff inde Bree-Bijil. Ano 1647, "in Revista da sociedade Geográfica do Rio de Janeiro", tomo XXXVII, 1933 págs. 36 e segs. Em português: "A Bolsa do Brasil e do roubo dos dinheiros dos acionistas da Companhia das Indias ocidentais, impresso no Recife, no Machado Largo, no ano de 1647". O exemplar em holandês se encontra custodiado no Arquivo Nacional. Foi publicado em 1647, ams escrito em 1643, ainda no governo judaico de Nassau. Traduziu-o para o vernáculo o padre Geraldo Pauwels. Portanto, não somente os conquistados reclamavam contra o judaísmo; os conquistadores também! 35 Varnhagen, op. cit. pág. 179. 36 Netscher, "Les hollandais au Brésil", Haya, 18:3, pág. 123.

26

"História da Paraíba". Enfim. como a de Abraão Mercado. conseguiu ter com o conde uma conferência secreta no Bosque de Haia. mandou prometer-lhe um milhão de florins. mataram-se com as facas de ponta que ainda traziam37! O castigo desse monstro. pás. Da conjura sairia a guerra da independência. iam desertando. O Conselho não lhes deu importância. num conflito sangrento. que hoje se chama New York e alguns dizem Jew-York! Os que ficaram. op. para conseguir o objetivo de Souza Coutinho. idem. não se fez esperar. documenta Tavares de Lira. 40 Varnhagen. Deus lhe tenha em conta o grande serviço que prestou aos brasileiros! O monstro judaico deixava grande fortuna adquirida em morticínios e rapinagens. assassiná-lo! O judeu Gaspar Francisco da Cunha denunciou Vidal de Negreiros ao Supremo Conselho dos holandeses em outubro de 164438. e.capitão de um troço de soldados e levando sob sua ordem os índios aliados do chefe Antônio Paraopeba ou Paraupaba. alarmado. 27 . em busca de melhor guarida: a própria Holanda. A promessa derrubou Nassau. lá dentro ainda havia 37 Idem. Aillaud. op. pelos luso-brasileiros refugiados ali. o embaixador Souza Coutinho. entre suas façanhas conta a tomada do engenho Cunhau. não se escusou de aceitar a proposta da Companhia e dos Estados. Em 1647. tomo II. Houve cenas somente iguais às da Tcheka judaica-comunista. que logo se entendeu que se escusava"39. como exemplo. se viram obrigados a permanecer. op. se negociasse um acordo com a inclusão de Portugal em trépua larga. A espionagem judaica pressentiu-a e acompanhou-lhe os passos. em julho de 1646. deliciando-se em presenciar as torturas que lhes foram infligidas. na capitulação. como os ratos abandonam o navio que sentem prestes a naufragar. pág. Lopes Machado. AO pág. São tão revoltantes que não quisemos sobrecarregar o texto com essas monstruosidades daquele sadismo judaico a que se reportam os irmãos Tharaud. chovendo à cântaros. Não foram poucos. quando a companhia judaica cogitou de mandá-lo novamente. judeus. levou os prisioneiros para Uruassu e os entregou à selvageria dos indígenas. Tentaram depois. cortando-os em miúdos pedaços. o judeu Gaspar Dias Ferreira. rapidamente. Traindo as condições estipuladas. a 24 de junho de 1645. na frente dos filhos pequenos. pág. Entrementes. e. muitos desses infelizes. preparava-se a grande insurreição dos naturais contra os abomináveis invasores protestantes-judeus. op. por isto ou por aquilo. a fim de escapar ao suplício em que viam sucumbir os companheiros. dos arraiais holandeses e passando para o outro lado40. 231. intermediário de seus negócios. descrevendo a ação de Bela Kun e seus acólitos na Hungria. págs. depois. entre cristãos e. talvez a mais bela página da nossa história. Jorge Homem Pinto. 34. quando saía da casa de Johan Miller. op. Joris Gastrmann. 1844. cit. que. pág. Quando da rendição do Recife. cit. com muita tropa. 302. em "Causerie sur Israel". "por intermédio de Gaspar Dias Ferreira. os que. 303 a 306. quis peitar Fernandes Vieira por 200 mil cruzados. Outros judeus apresentaram outras denúncias. Nassau já se retirara para a Holanda com seu valido. cit. 261. a revolução estalou em Ipojuca. o mandou matar. última etapa da Restauração de Pernambuco. 64. Domingos de Loreto Couto. 307 e segs. por dois soldados do alferes Jaques Boulan. vendo o descalabro em que ia a Nova Holanda. 39 Rodolfo Garcia. os judeus foram se raspando do Brasil. em que um pupilo de heróis apagaria com os altos feitos das Tabocas e dos Guararapes a derrota da Mata Redonda e o incêndio de Olinda. loc. Frei Rafael de Jesus. Rafael Galanti. mas pediu tanto. "História do Brasil". as Antilhas. sem ela. 219. a outros arrancaram o coração pelas costas. cit. Cf. à medida que a sorte das armas sorria aos luso-brasileiros. pelo mesmo intermédio. felizmente. Foi por isso preso e recambiado para Holanda. que governara o Ceará e lá sofrera avanias da parte dos selvícolas que o capitão Jacob Rabbi protegia. págs. Nova Amsterdam. As horrendas crueldades do judeu Jacob Rabbi estão contadas com o maior luxo de pormenores por D. dominar os insurretos pernambucanos. 238 e 243. Paris. à traição. "Castrioto Lusitano". cit. às dez horas da noite. Numa noite escura do mesmo ano. perto de Natal. 38 Varnhagen. Suriname. quatrocentos mil florins. Assim. A uns ataram em postes. Solidonio Leite Filho. O opulento cristão-novo da Paraíba. se estendendo à Itamaracá e à Paraíba. pág. o conde de Nassau se vendeu ao governo português! Mal Nassau dera as costas. todavia. Frei Manoel Cala lado. pág.

é que nunca se fiaram neles. 45 Rodolfo Garcia. para que dele tirassem seu sustento. Medrosos da volta do Santo Oficio. os flamengos condicionaram sua anistia.. 118 e segs. "Históire de la Martinique". 36. a luta passou para os biombos da diplomacia. D. mas o padre errou em forma crassa.. de novo. aclamando o duque de Bragança. onde continuaram a silvar as serpes dos interesses judaicos. para que. em guerra com o vizinho e herdando-lhe as inimizades na política européia. pág. 46 Equivalia entregar outra vez o Brasil ao judaísmo. isto é. "Celui qui mango du juif em meurt".. D. como as nossas companhias ficavam mais perto de uma e outra conquista. Os judeus se intrometeram em todas as negociações. "Dispersão dos judeus brasileiros in "Os judeus na história do Brasil". João IV.. 7. Houve judeus. se levantassem duas companhias mercantis. que com seus capitais iria dirigir em Portuga as mesmas companhias que dirigia na Holanda. por meio da primeira se conservasse o comercio da índia.. como costumavam fazer no Brasil. o Santo Oficio foi sobre os de origem portuguesa. seriam menores os gastos seus e maiores os lucros. pág. A visto se juntava que. 46. levando consigo a indústria do rendoso açúcar 42 e continuando a explorar. à imitação da Holanda. Fort Royal. cit. loc. por ali. e bastaria a sustentar a guerra contra castela. sem ao menos dar alimento aos pobres pretos. cit. loc. o que eles nos tomavam. como Benjamin da Costa que chegaram à Martinica. foi: que em Portugal. O próprio Antônio Vieira tudo conta em carta ao conde da Ericeira. evadira-se do presídio e escrevia cartas aos chefes pernambucanos. Desde 1640. onde o sistema judaico era entregar-lhes apenas um pedaço de terra. internacional. como se fazia preciso. João IV em Lisboa45. expelindo. Francisco Manuel de Melo. loc. isto é. Não obstante. Entre os procuradores enviados do Recife à Holanda.Domingos do Loreto. que se naturalizara holandês e fora metido na cadeia por se corresponder com os insurretos de Pernambuco. em 1652 figurava o judeu Abraão Azevedo. conduzindo 1. fugiram para as Guianas. à qual a paz custaria três milhões de cruzados. historiando sua missão à França e à Holanda: "O primeiro negócio que propus à Sua Majestade. arranjava pretextos seguidos contra os direitos de Portugal. Sidney. capital de especulação. pouco depois. Foi a energia indomável dos vencedores dos Guararapes que as conservou libertas do he reje e do judeu. Dr. Izaque Izeckson. chamariam e trariam a Portugal o dinheiro mercantil47 de todas as nações. indignamente. Cura-se a dentada do cão com o pelo do próprio cão. Os rudes batalhadores dos Guararapes. o braço dos escravos que carregaram.. Martinica e Guadalupe. de lá os batavos. diz o adágio francês. trazendo ambas em suas armadas. cultivando-o com "notável escândalo" nos poucos momentos de repouso ou nos domingos43. 47 "Dinheiro mercantil°.mais de cinco mil41! No texto da capitulação. 57. Curaçáu. 7. e 41 42 D. que o panegirista Solidõnio Leite Filho considera "o maior defensor que jamais tiveram os filhos de Israel em Portugal". os quais. "Epanáforas". defendido dos holandeses. às suas terras do Brasil. Ainda combalido pelos "sessenta anos de letargo" cantados pelo poeta. izaque Izeckson. as duas margens fronteiras do Atlântico voltaram à coroa de Portugal. o velho reino se libertara da tutela castelhana. naturalmente. Desta sorte. pág. pensando que os males do ouro judaico se curam com o próprio ouro judaico. 43 Solidonio Leite Filho. No fastígio do poder. defensor dos judeus e organizador de uma companhia de comércio com capitais judaicos e privilégio do tráfico. 44 Dr. mau grado às fraquezas da metrópole. vê-se.100 negros44. pág. 524. Cromwell. às vezes. lembrados das traições com que haviam entregue a terra brasileira ao hereje invasor. Uma expedição ida do Brasil sob às ordens de Salvador Corrêa de Sá e Benevides recuperou Angola. M. pág. Barbados. não podia acudir. pretendendo ser seu procurador junto a D. págs. o grande e dedicado amigo do judaismo. E no meio de todas essas manobras aparentes e ocultas. cit. mas encontrou a impedir-lhe a ação o padre Antônio Vieira. A perda do Brasil holandês obrigou os filhos de Israel a uma diáspora na América. 28 . O tal Gaspar Dias Ferreira. de "todas as nações°. pouco depois de sua feliz aclamação e restauração. Do campo de batalha. o perpassar da roupeta negra do padre Antônio Vieira. e por meio da segunda o do Brasil46. uma oriental e uma ocidental. Jamaica. sem empenho algum da real fazenda.

não só foi abraçada com a mesma condição. no ano da Graça de 1654. tinham como símbolo a estrela judaica de cinco pontas. fora ele. quando o protetorado de Cromwell desaba na Restauração dos Stuarts. conservar o reino.. tomo III. e daí ela passou para a heráldica brasileira.. que em Holanda estavam interessados nas Companhias e em Castela tinham todos os assentos. porque na dita proposta se dizia que o dinheiro aplicado às Companhias de Portugal estivesse isento do fisco (por quanto de outra maneira nem os mercadores estrangeiros nem os do mesmo reino.muito particularmente dos portugueses48. é brazão da República. coordenadas e anotadas por João Lúcio de Azevedo Coimbra. quando saíram do Templo de Hiram. a Restauração de Pernambuco e Angola completava a Restauração de Portuqal. Quando os holandeses ameaçaram novamente a Bahia. Aliás. homem mui poderoso. que o trazem divertido por outras partes. a troco de seis vinténs cobrados sobre cada arroba de açúcar. quando afirma: " La guerre est la moisson du juif! 51 "Cartas do Padre Antonio Vieira". 52 48 49 Melhor diria: judeus portugueses. como a companhia ou sociedade. contra a igreja de Cristo. 52 Varnhagen. 29 .en fim... com sua "roupeta remendada". Rodrigues Marcos. Demonstraremos quando tratarmos da República. Passaram-se todas essas e outras tranquibérnias e. A companhia de comércio defendida pelo padre Vieira e as que lhe sucederam até o tempo de D. consultadas e aprovadas pelos letrados mais doutos do reino. 556 e segs. Jerônimo Nunes da Costa. designando as Províncias e. no fundo. esses Templos se equivalem. senão com outras muito mais largas. Quanto fosse a utilidade e eficácia dele. José I. os Estados. restaurar Pernambuco. que somente respira mais desafogado. Imprensa da Universidade.. que. e mais um fulano. Depois que os apertos da guerra50 mostraram que não havia outro meio igualmente efetivo. págs. judeu e agente do governo luso (!). oferecia quinze fragatas a Portugal por 20 mil cruzados cada uma. porém.. esta condição foi causa de que o Santo Ofício proibisse o papel da proposta. o que. que o dístico ordem e progresso camufla de maneira a se pensar que vieram do Templo da Humanidade. Politicamente. arranjara com o cristão -novo Duarte da Silva 300 mil cruzados. que transparecia das cláusulas. o padre. pág. Hoje.. depois da tomada de Dunquerque. e ainda hoje acudir com prontos e grandes cabedais às ocorrências de maior importância". Vai por diante o padre e narra que. Negócio grande!51. mais tarde. bem o mostrou a Companhia Ocidental. mas o Santo Ofício cheirou-lhe de longe o judaísmo. 235. tomo II. A proposta era anónima. o que é bem diferente. a qual foi trazendo sempre do Brasil o que bastou para sustentar a Guerra de Castela.. 50 Mais uma vez se tem que reconhecer que Werner Sombart tem carradas de razão. as origens maçônicas de seus símbolos. o queriam meter nas nossas companhias sem a dita condição ou segurança). "História Geral do Brasil". posto que sem nome49 e que ela por então não fosse aceita. dava na mesma. 1928. o Brasil se viu definitivamente livre do judaísmo holandês mas recaiu nas unhas do judaísmo lusitano. E.

cit. o silvícola e o pirata. págs. funcionava o seu tribunal particular. decidir dos tributos. em 1670. op. prover cobre a agricultura. aldeavam e defendiam o gentio. a corrompera ou dominara. cujo fim era privar primeiro de união e força. "Obras°. e registram sempre suas companhias nos Estados ianques de leis favoráveis a seus interesses. Carvalho. Tal divisão entrava. Não sei que influências secretas assopraram ao gover no pie Lisboa providências proibitivas da escravização dos índios. Diante das notícias desse novo estanco. págs. juízo privativo para reclamações e demandas. cada vez mais se agravaria. que nela não haviam conseguido permanecer. Em muitas das monarquias bárbaras havia o chamado Foro Judaico. o Senado da Câmara de Belém representava ao padre Antonio Vieira contra a "falta de braços" por estarem desviando os índios à serviço da ordem. formou-se em Lisboa uma companhia por ações. criado em luta aberta contra o meio. entretanto. depois do século XIV. ucranianas e lituanas. Como toda sua economia repousasse no trabalho do índio escravizado. tomo II. "Efeméride". pois que algumas cartas do reino informavam que El Rei somente o 53 João Francisco Lisboa. os brasileiros do Maranhão e do Pará ficaram de sobre-aviso. o de S. pág. que seriam vendidos na Europa. além de minguarem a mão-de-obra a fazendas e engenhos. em proveito do erário. Está no livro de Ester. meio esse de evitar a infiltração de cristãos-novos ou de quem quer que tivesse sangue de "infecta-nação". de Macedo. como rezavam as velhas cartas de brazão de armas. Aquelas providências. A legislação justiniana reservou-lhe no Codex o capítulo De Judoeis. ao tempo de Augusto. Mário Sáa enumera-lhes os nomes: Serrão. de fundamento humanitário e verdadeiramente cristãs. normear ou suspender as autoridades 53. tomo 0.. II págs. certamente pior que o outro. às sociedades que pretendia explorar. com o tempo. No Brasil vasto e desprovido. com as cruas realidades da vida colonial e. 30 . isenção de impostos.. imensa região ubérrima que produzia grandes riquezas e ficava mais próxima da metrópole. nos planos subterrâneos do kahal de Lisboa. como define o dicionarista Morais. cit. Luiz desfrutavam de "imenso poder político". criavam violento dissídio entre agricultores e padres. 46. ela novamente florescia no grupo natural do município. Hoje. 30 e 31. o qual. a fim de arrendá-lo. ele tem Bet-Dines em muitas cidades norte-americanas.M.CAPÍTULO V A ladroeira do estanco O ESTADO do Maranhão. porque o negócio era "monopolizado por homens poderosos". a fim de enfraquecer-lhe as resistências. 55 exclusividade do tráfico. composto por esta capitania e pela do Grão Pará. o Bet-Dine. t. Essa autonomia municipal fora o apanágio da grande liberdade comunal da idade-média. o absolutismo real. especiarias do Oriente. Como o negócio não parecesse dar resultado em mãos do governo. isto é. No estado do Maranhão. 54 Op. 56 João Francisco Lisboa. Matos. devendo importar dez mil negros. Esse devia fornecer aos maranhenses objetos de ferro e aço produtos manufaturados do reino. podendo taxar salários e gêneros. mas estas logo encontraram o bem intencionado apoio dos jesuítas. 51-53. a troco de gêneros da terra. Moreira & Pinheiro. um monopólio organizado de qualquer ramo de comércio. O contrato foi passado em 1682 bastando ver-lhe as cláusulas principais para se ficar inteirado da obra judaica: privilégio por vinte anos. era necessário desorganizála. Luiz tratou da "falta e carestia" de escravos índios. sendo as entradas de 500 por ano56. 84-85. chocavam-se. Os acionistas ou assentistas. Silveira. Em 1551. Botelho. 1901. que catequizavam. a navegação e o comércio. Lisboa. regular o curso das moedas. eram aqueles mesmos cristãos-novos com cujos cabedais o padre Antônio Vieira contara para a fundação da companhia de Pernambuco. Cf. J. a coroa procurara estabelecer um estanco. Os Senados da Câmara de Belém e S. Em Roma. O judaísmo decidiu-se a tomar conta dela por outros meios mais eficazes e menos custosos do que a guerra. seguramente. como então se dizia. tip. Os cargos da governação municipal eram exercidos privativamente pela gente nobre e deles se excluíam os "peões-mercadores"54. 55 O juízo privativo é uma eterna ambição judaica. tentara os conquistadores franceses e flamengos.

. 31 . A devassa procedida mais tarde. quantia apreciável para o tempo. tomo II. recusando o açúcar. 63 Op. e. para facilitar a aquisição aos agricultores sempre baldos de cabedais. além disso. 62 isto é : transportes e fretes estavam em suas mãos. Chama-se a isso. em boa linguagem. Antônio de Souza Soeiro. não admitindo a menor réplica ou a mais leve objeção58. vendiam os escravos por preço muito acima do comum. mas o exame dos fatos documentados nos mostra que essa causa foi o estanco judaico. grande assentista e administrador do estanco. para não os perderem de todo. tabacos e couros61. o judeu Jansen. pesos e medidas falsificadas. 89... o estanco foi estabelecido em São Luiz pelos recursos da "fraude.. pág. cacau. Os navios não vinham ao Estado com a regularidade afiançada62. faziam ruinosa concorrência. 58 Op. cit. Em geral os historiadores. aos demais lavradores já extenuadas"63. em Belém. vendeu seu assentimento por uma patente de capitão de infantaria com soldo. Certos da impunidade. ocupados em lavrar farinhas e outros gêneros que.. As mercadorias de que tinham o monopólio e que ninguém poderia obter noutra parte. terror e corrupção". dos seus administradores. o povo também era enganado. após o estabelecimento do estanco no Maranhão. tivera que gastar em gorjetas mais de um conto de réis57. um verdadeiro saque organizado! 57 Idem. 87. tinham os administradores uma grande aldeia de índios. um tal de André Pinheiro e outros. enganado no seu propósito. procurador da Câmara. para onde ambos se haviam transportado. do seu próprio bolso. 88. peitas e ameaças. os cristãos-novos desenrolariam seu plano de assalto às riquezas do Maranhão e do Pará. pintaram o sete. pág. julgando que o soberano houvesse dado ordens tão terminantes e despóticas. consoante o silêncio deste pelos seus procuradores naturais e os informes que receberia. viam-se obrigados. Os oficiais da câmara chamados à presença de Sá e Menezes e de Jansen. à sacrificá-los por baixos preços a mal disfarçados agentes do mesmo estanco. porque cuidaria que o povo a tudo assentiria de boa vonta de. para que nenhum gênero de vexação faltasse naquela geral opressão. assim.. ou o retorno do que elas lá produziam59. Quando veio tomar conta de seu cargo o novo governador nomeado. que só vêem as aparências políticas... Ambos encontraram os povos com pouco aprazimento para engolir a pílula. o vereador Jorge de São Payo prometeu o seu em troca de fazendas e gêneros. O rei era. em todos esses "vergonhosos manejos". ou de outros-potentados. Havia mesmo sociedade entre o governador. postos à venda em grande escala no estanco. sendo obrigados a recorrer a manobras. ouviram do primeiro que Sua Majestade ordenava a introdução do mesmo estanco "sem dependência de consulta ao povo". insistem em apontar a questão da escravidão dos índios como a causa principal da revolução. disfarçes. O estanco só recebia em pagamento cravo e pano60. cit. se alcançavam mandar algumas. 60 ) Isto é : a produção menor. 59 Isto é : congelavam os créditos na Europa. Sá e Menezes. obrigando o pagamento à vista. idem pag. "suspeito de cristão-novo". O escrupuloso e eminente João Francisco Lisboa assim descreve a grande roubalheira judaica: "Impedia-se ou dificultava-se aos moradores a remessa de suas drogas para o reino. pois possuíam exclusivamente do tráfico. quando anteriormente as vendas eram feitas à prazo. Segundo todos os documentos contemporâneos e os resultados das devassas ou inquéritos procedidos. depois da sublevação dos maranhenses.consentiria com "aprazimento dos povos". que os compravam a poder de barato. Dizia o judeu Jansen que. e daí resultava que não podendo os moradores dar outras saídas a estes produtos. A condicional do soberano lhes dava alguma esperança de salvação. O governador Sá e Menezes envolveu-se. trouxe em sua companhia o cristão-novo Pascoal Pereira Jansen. Como houvesse crise de mão-de-obra e as entradas de negros que se destinavam a atendê-la estivessem ao seu alvédrio. tomo II. Já viera de Portugal mancomunado com os judeus. De parceria com o governador venal. eram de péssima quali dade e alto preço. 61 Isto é : a produção maior. Usavam. revelou "escândalos incríveis".

cronista parcial da revolução e que nela tomou parte.judaísmo dos assentistas da maldita companhia de comércio. de 26 de agosto de 1683. De volta do seu desterro. Nunca se metera em negócios nem com negocistas. 69 Pág. quando estivera no poder. sua franqueza. não resultara sua culpabilidade e E1 Rei o mandara pôr em liberdade66. pág. Por isso. Isso é hábito dos judeus contra seus inimigos. era um tanto turbulento. dizendo-o "inspirado pelo ódio e pela baixeza"70. Tudo a põe por terra. 39. inquieto. "seus detratores. os punhos crispavam-se ameaçadores e odientos.Levantou-se. Da devassa a que fora submetido. que infelicitou. a iniciativa e a inteligência judaica. É conveniente não insistir. sua atitude em presença da morte. depois. desmentem a calúnia. debuxa-lhe o retrato em cores negras. O estanco garroteava-lhe as possibilidades de refazer-se. pouco seguro de língua e atitudes. Bastava aparecer um homem que polarizasse o descontentamento e a cólera para ela explodir com todas as suas imprevisíveis conseqüências. 71 Op. em Portugal. Não gostava dos jesuítas por causa da questão do trabalho servil dos índios. loc. 3° e 4°. Teixeira de Morais. aliás. 67 Op. Os documentos oficiais desfazem todos os aleives e protérvias dos inimigos de Bequimão. 94-95 32 . diziam ser de raça judaica". O venerável João Francisco Lisboa refuta-o. João Francisco Lisboa nos deixou pintada com a mão de mestre a espantosa realidade da ladroeira e da espoliação. cit. Izaque Izeckson. homem ativo. porque a hipótese é descabidíssima. 16. Ligara-se à nobreza da terra. Ofício de Sá e Menezes à Corte. como vimos. 70 "Relação histórica dos tumultos do Maranhão". a parte principal do Brasil. seu destemor. costumavam tomar os produtos para os vender. Entretanto. estivera deportado dois longos anos na fortaleza de Gurupá. por si só. "História dos cristãos novos portugueses". à cata de glórias judaicas na história do Brasil. cit. Os principais cabeças da revolta. Quando em qualquer roda se falava daquelas vilanias e ladroagens descaradas. págs. Cúmplice na rebeldia. promotores da revolta do Maranhão. depois de Manuel Bekman. 68 Dr. Esse homem ia ser um senhor de engenho que já se insurgira antes contra o miserável governo de Inácio Coelhos antecessor de Sá e Menezes e tão bom como tão bom. Bekman é o herói de uma reação nativista contra o disfarçado . 92. ameaçando de morte ao rapinante Jansen65. não só para fazer olvidar sua participação como para vingar-se das adulações servis com que o cercara. cit. A revolução andava no ar. o extremo Norte do Brasil. inconstante. parte 2a caps. Começaram a aparecer pasquins pregados pelas esquinas. Manuel Bequimão viera moço para o nosso país e chegara a uma certa abastança pelo seu trabalho honrado de agricultor. a preços exorbitantes64. fossem judeus. no "Almanaque Israelita" de 193569. 66 Carta-régia de 24 de janeiro de 1680. eram o velho vereador Jorge de São Payo. graças ao trabalho. aos cristãos-velhos e ao clero. Chamava-se Manuel Bekman e aportuguesara seu nome na forma de Bequimão. Seu irmão mais moço. O governador permanecia em Belém e regia o Maranhão em seu lugar um tarimbeiro irresoluto e pusilânime. afirma João Francisco Lisboa67. que lembra bem o de judeus holandeses ou alemães. tomo II. essa hipótese não seria descabida. seu espírito de sacrifício. para o macular. O estanco judaico estancava todas as fontes de produção. por muito tempo. 20. Felizmente. o "clamor universal" dos explorados por aqueles conversos. Não têm o desplante de dizer até que Hitler é judeu? A vida de Bekman. Era natural que a revolta lhe lavrasse no íntimo contra os opressores. tomo II. especialmente se nos guiássemos pelo nome. Tomás. pág. viu-se quase arruinado pelo desamparo em que deixava seus teres e haveres. defendendo aquele "vulto nobre e grandioso"71. não se pejou de ultrajar covardemente o sacrificado. ela lavrava no coração de toda a gente. pág. os judeus têm o topete de afirmar com todas as letras que o Norte foi. que já recebera pre 64 65 João Lúcio de Azevedo. poeta repentista de veia satírica. pois. séculos afora. os mesmos que. Baltasar Fernandes. como a todos seus contemporâneos. Sobre isso não insistimos"68. O judeu Isaque Izeckson. não se atreve a tal afirmação e se limita a dizer: "Se bem que não tenhamos bases exatas para afirmar que os irmãos Bekman. Filho de pai alemão e mãe lusa.

O prestígio do poder real e o medo da grande responsabilidade que iam assumir assustaram e dividiram aqueles homens. Todo o clero "aderiu à revolta". Requimão articulou a conjura com sessenta companheiros. permitiu ao movimento avançar sem encontrar óbices. triunfantes em Pernambuco e em Minas. e que vem descrito nos capítulos seguintes. menos os jesuítas. A revolução triunfante não podia ficar circunscrita a São Luiz. Compare-se com o que fizeram os judeus mascates e emboabas. ao amanhecer. que substituía Sá de Menezes.era hábilmente levado a reclamar contra o abandono em que estavam ficando engenhos e roças. Precisava alastrar-se para se tornar mais forte e impor a libertação dos povos explorados. houve a derradeira reunião dos conjurados na cerca dos capuchos. fatigado do serviço da milïcia. Foi quando o forçudo e decidido ilhéu Manuel Serrão de Castro arrancou da espada e gritou que o seguissem. e um veterano na defesa do povo contra os despotismos e prevaricações das autoridades e dos mercadores. a bom recado no seu colégio. prendendo as autoridades. menos a última parte que a todos surpreendeu e em todos despertou receios. que. Enquanto passava o tempo. Bequimão falou com eloqüência. os moradores despertados iam se armando e engrossando a turba. por causa das turras com a nobreza rural desde o caso da escravização dos índios. Nomearam-se novos oficiais e criou-se uma Guarda Cívica. Os vianenses. Bequimão falava-lhe constantemente da janela do Senado. Desde tempos que seu irmão vinha colando pasquins em prosa e verso pelas paredes. solapavam disfarçada e lentamente a obra da revolução.-Não houve a menor desordem. sendo muito vitoriado. O corpo da infantaria paga e os próprios meninos das escolas fraternizaram com os rebeldes. muitos ameaçaram retirar-se e parecia ir tudo por águas abaixo. ato audacioso que alarmava toda a gente. à qual deu conta de todos os sucessos. manobravam as inteligências com que contavam lá fora. da nobreza e do povo. Foi esse o primeiro desânimo que turvou a fé do revolucionário maranhense. provavelmente cristão-novo. Tudo foi aplaudido. Seus enviados encontraram apoio de palavras quanto a extirpação do estanco. três adjuntos e dois Procuradores do Povo: Bequimão e Eugênio Ribeiro Maranhão. 4 mil cruzados e o indulto com honras e postos. com músicas. caso 72 Padre Bettendorf. que o acompanharam pelas sombras da noite rumo ao casario adormecido de São Luiz. cap. pois não havia jornais e essa era a imprensa da época os quais pasquins concitavam o povo à revolta e criticavam a gente do estanco e do governo que o sustentava. A multidão encheu as ruas e largos em regozijo. Mais violentos e desabusados ataques faziam os frades capuchinhos e carmelitas nos seus sermões. Pelo caminho. acabar com o estanco. A incúria do governo do inepto Baltasar Fernandes. composta do clero. Fechou-se o estanco e se arrecadou em boa forma o que tinha em depósito. Francisco Dias Deiró. Bequimão nada tinha de cesariano e convocou imediatamente a Junta Geral. que se reuniam à socapa no convento dos capuchinhos. ausente no Pará e preocupado com seus ganhos. Os padres da Companhia. O próprio bispo não foi estranho ao sucesso e como que até o favoreceu72. expulsar os jesuítas e depor às autoridades. O povo. Travaram-se discussões. lugar ermo e retirado. inimigos íntimos. "Crônica da Companhia de Jesus". Bequimão procurou adesões em Tapuitapera74 e Belém. que não queria complicações e escândalos para a corte. O arrojo da atitude destemerosa entusiasmou os maranhenses. bastante numerosos em São Luiz. 73 33 . a quem prometeu dar parte de Sá e Menezes. Era uma grande aspiração popular que se realizava. tomou conta da capital. Malgrado a grande exasperação popular. mas a maior frieza quanto à deposição das autoridades reais. conversos de Viana. Nenhuma pessoa foi morta ou perseguida73. expondo o que pretendia fazer: expelir os assentistas. elementos internos. desanimando a uns e outros. Não se derramou uma gota de sangue. não sé consentiu no saque dos bens dos espoliadores. veio de Belém avistar-se com Bequimão. Na noite de 23 de fevereiro de 1684. Só algum tempo mais tarde foram embarcados para o reino. véspera de sexta-feira de Passos. 74 Alcântara. cantos e danças. Aclamou-se novo governo constituído pela câmara. 1. em Portugal espalha vam boatos e semeavam confusões em surdina.sentes do judeu Jansen. Foi quando Hilário de Souza. entusiasmando-a e dando-lhe pormenorizada conta de todas as providências governamentais. com eloqüencia natural.

Gomes Freire de Andrade apoderou-se facilmente de São Luiz com o apoio da infantaria paga de Costa Belo e os vianenses. João Francisco Lisboa. Sobre a gente de Viana e seu judaísmo. op. voltava o irmão como prisioneiro de Estado. A retidão observada por Bequimão na venda e repartimento dos escravos antes pertencentes ao estanco desgostou a muitos que haviam entrado na rebeldia. reabriu-se o estan co. Reinaram. chamamos a atenção do leitor para o que se diz. Bequimão convocou seus partidários à cerca deserta dos capuchos. têm artes de "preterir todos os concorrentes" e são "particularmente inventivos" nesta matéria de impostos77. mas Bequimão continuou a mostrar-se em público. Todavia. partira Tomás Bequimão. Apareceram pouco mais de vinte. Por esses e outros inestimáveis serviços. nomeado para ir ao reino tratar das reclamações maranhenses junto ao soberano. os cabeças. cit cap 13 77 "A invasão dos judeus". porém. uma anistia. Somente então se desenganou. como quem anda com a consciência tranqüila. acerca do chefe emboaba Manuel Nunes. tomou-se a desastrada resolução de dissolver essa milícia. 75 34 . Não vieram mais os sessenta patriotas animosos que a espada do ilhéu destemido conduzira à vitória. Nas noites lindas. a gente da povoação começou a evadir-se e ocultar-se pelos matos. ensina o erudito Mário Sáa. cit. Basta este gesto para tornar descabidíssima a hipótese de Isaque Iseckson. O nobre procurador do povo repeliu dignamente a proposta e deu-lhe publicidade75. no capítulo imediato. Gomes Freire de Andrade. Em um latacho que se atrasara. "introduzindo-se com os rebeldes. Chegava também um juiz ou ministro da Alçada que devia julgar os rebeldes. muito de indústria demorava a viagem. e gente desse lugar. Numa dessas noites.submetesse a ele e ao estanco. é que Gomes Freire decidiu sua ação. Manuel Bequimão retraiu-se em casa até a chegada do navio que trazia. para onde. até que o governador mandou prender o bravo Manuel Serrão e o trêfego São Payo. novo governador. diríamos hoje. reorganizando-se o corpo de infantaria paga. natural de Viana. pág. Era no mês de maio. Os cristãos-novos. Somente depois dos entendimentos desse enviado com os que trabalhavam para o mesmo fim dentro da praça. Fez outro convite para a noite seguinte. Desgostoso com o rumo que as coisas levavam. Apavorada por tudo isso e pelos rumores que corriam de graves punições. além dis so. irresolutos. pág. que era a única garantia da revolução. As palavras de fogo do procurador do povo não os galvanizaram mais como outrora. medrosos. o céu se cravejava de estrelas faulhantes. foi Jacin to de Morais Rego nomeado provedor-mor da fazenda. mas com a mira na satisfação de interesses imediatos. Os vianenses. 78.erro ainda mais grave. . cujo comando foi entregue. Prometia. ao sargento-mor Costa Belo recém vindo da metrópole. quando lhes arengava da janela do Senado. op. com alguma tropa. não por amor ao povo. excetuando. desembarcou por sua ordem o cristão-novo Jacinto de Moraes Rego que logo foi enten der-se com seus patrícios vianenses. As ruas desertas pareciam um cemitério. 76 Bettendorf. Não veio ninguém. tomo II. que levara o cinismo ao ponto de ir beijar-lhe a mão76. assim. recompensas a quem entregasse Manuel Bequimão e castigos a quem o asilasse. Todos os funcionários presos foram postos em liberdade e estabelecidos em suas funções. tudo isso ia minando o prestígio do governo revolucionário. Pouco a pouco. Estes começaram a falar mal do novo estado de coisas. Nenhum judeu até hoje recusou dinheiro. Os atos do governo contra o luxo que ostentavam as mulheres mamelucas fizeram com que elas saíssem pelas ruas alvoroçando a população. Como o povo refugasse o serviço da Guarda Cívica. a espionagem e a dela ção. rastreavam os seus mais ocultos intentos" e disso davam avi so ao governador. Os vianenses murmuravam maliciosamente que Tomás Bequimão. Antes do governador pisar em terra. assustados. não desanimou de todo. enfim. Gomes Freire de Andrade alarmou-se com o êxodo e publicou um bando de perdão geral. 110. à espera que rompessem corsários do rei de França a quem seu irmão desejava entregar a capitania.

Bequimão exprobou a infâmia. Deixava viúva e duas filhas na maior miséria. mas foram intimados a nada fazer em nome de El Rei. compete reagir contra isso. Com Bequimão. Manuel Bequimão "recebeu a morte catolicamente animoso". seu amigo íntimo e que lhe devia benefícios. um Judas para entregá-lo ao sinédrio do estanco. tomo II. esquivado de outros. consertando seu engenho. 81 Op. numa canoa.. Há quem pense no Brasil. Gomes Freire. açoites e degredo. que conhecia bem. insuspeito no caso. pág 120. teve. tomo II. que o outro o atendeu80. 122.. De entrada. op.. tomo II. 121-122. na qual se transportou ao seu engenho do Mearim79". pronunciando estas derradeiras palavras: . Teixeira de Morais. Muito lhe devia doer a consciência! O Judas-Lázaro recebeu a paga de sua felônia: uma mísera patente de capitão. op. A mocidade. tomo II. que conseguiu fugir e foi executado em efígie. Muitos outros revoltosos receberam penas de multas. seguindo para o Mearim. cit. Encarregou-se do infâme papel Lázaro de Melo. sequestro de bens. um descendente do governador do mesmo nome. porém desde que soube tratar-se do amigo. O processo contra o chefe revolucionário foi fulminante. onde ainda lhe meteu grilhões. os heróis judaico-maçônicos são sempre lembrados. Acrescenta que Gomes Freire de Andrade assinou a sentença cheio de mágoa e com mão tão trêmula que a firma nem parecia sua. Tal era o prestígio de sua lealdade e honradez. Também em vida recebeu a paga da Justiça Divina: conta o velho Barredo que. A página da obra de João Francisco Lisboa que narra circunstanciadamente o fato. e passado século e meio. Lázaro de Melo levou o infeliz ajoujado para a canoa. 82 Op. uma feita. contudo. cit.. o chefe da reação contra o estanco judaico vagou pela ilha de São Luiz. vítima dos judeus-portugueses da ladroeira do estanco! Os verdadeiros heróis nacionais ainda esquecidos. Mas o Kahal mandava e as ordens secretas do Kahal tinham de ser cumpridas.Morro satisfeito em dar a vida pelo povo do Maranhão82. Outra Viúva esconderia Tiradentes. e mal recebido por toda parte. Não faltou. cit. hoje da Trindade. preposto de companhia de judeus-portugueses da Holanda. João Francisco Lisboa. Bequimão meteu-se num esconderijo seguro.. era chefe de uma conjura contra o regime em vigor. parte 22.. "mais do que sumário". também injustamente81. nota. Morreu enforcado e não fuzilado. Injustamente também não. Será verdade que a culpa dos pais recai sobre os filhos até a quarta geração?". Bettendorf.. em comemorar o centenário do desembarque de Maurício de Nassau.Abandonado ao seu destino. devidamente esclarecida. 35 . porque seus bens haviam sido confiscados. dando palavra de honra que não tentaria fugir. cit. Os escravos do engenho acudiram em armas para de fender o amo benquisto. com gente armada. doando-os às infelizes. diz Teixeira de Morais. até que uma viúva78 . O malvado entreteve-o de maneira que um dos sequazes pudesse aproximar-se e amarrá-lo pelas costas. o pescoço envolvido por cordas e morreu enforcado. cit. isto é. cit. cap. op. voltou confiante e apresentou-se na ânsia de saber notícias. "repelido de uns. pág. 80 Op. Garantido pelo respeito dos pobres negros à autoridade real. pág. lhe forneceu uma canoa bem remada. Cf. foram condenados também à morte Jorge de São Payo e Francisco Dias Deiró. grão mestre da maçonaria. como inconfidente. Conta-se que Gomes Freire de Andrade praticou o ato generoso de mandar arrematá-los em segredo por pessoa segura. a 18 de outubro de 1817. 13. 123. de repente.. Ao avistar a embarcação. depois solicitou que o aliviassem dos ferros e nós. A forca se ergueu na praça do Armazém. no dia de finados do ano de 1685. 78 79 Sempre o generoso óbulo da Viúva. em Lisboa. o grande Odorico Mendes ofereceu esta apostila que obriga a meditar: "Gomes Freire de Andrade mandou injustamente executar Manuel Bek man como inconfidente. não houve ainda quem se lembrasse de promover a ereção de uma estátua ao nobre e abnegado Manuel Bequimão. foi fuzilado (?) na esplanada da torre de São Julião. condoída de sua desgraça. pág. o general Gomes Freire de Andrade.

De volta. 6 Op. Editora Nacional. filho de italiano. op. que a nos sa bandeira perpetua e que aqueceriam a mente de muitos homems intrépidos pelo tempo além. Domingos de Loreto Couto. e quando o consagrou a doutrina do uti posidetis. conseguiu falar com Filipe II. Urbino Viana. em 1570. seguiu-lhe a trilha e encontrou "preciosas amostras". depois de muitas delongas. a sua notável viagem de oito anos. "Bandeirantes e Sertanistas Baianos". Sebastião Fernandes Tourinho. Era inteiramente desconhecido aquilo que Pero de Magalhães Gandavo chama. ed. adoecendo no Jequiriçá. O cunhado deste. 3 ) Diogo de Vasconcelos.CAPÍTULO VI A tragédia do ouro A DISPUTA entre as coroas da Castela e Portugal sobre a posse das novas terras descobertas na América do Sul forçou ambas a se submeterem ao juízo de Salomão do Papado. em 1586. Belchior Dias Moreia. linha de limites do campo de ação dos litigantes. que quer o título de Mar 1 Diogo de Vasconcelos. penetrou 200 léguas na largura do sertão e colheu amostras de metais e pedras. encheu-se de desmesurada ambição. Roberto Dias. peavam os avanços para o interior1. a "largura" do Brasil para o sertão. que foram perdidas no naufrágio de uma canoa. conforme narra Aspicuelta Navarro. Naufragou na costa do Vasa-Barris. Ao mesmo tempo. depois. 1904. Narra Gandavo que. construtores da Grande Pátria. 17 e 133. Imprensa oficial. Ela corria dá embocadura do Amazonas à Laguna em Santa Catarina. pelo receio de invasão das possessões espanholas que o desconhecimento do território fazia pressupor mais próximas. salteado pela morte. "Desagravos do Brasil e Glória de Pernambuco". tudo de Portugal. nas suas pegadas. neto de Caramuru e Paraguassu por sua mãe. aquém. com grande propriedade. as instruções reais. "faz ao sertão baiano. Daí saíra Bruza Espinosa. Além. morrendo das fadigas que ela lhe custou. págs. regressando em 1591 com mais de 300 pessoas. O pontífice traçou na carta do continente o meridiano de Tordesilhas. cit. segundo ensina Capistrano de Abreu. Do episódio nasce a lenda histórica das famosas Minas de Prata. pág. também descendente do Caramuru. Obteve provisões e mercês. aproveitando de início os caminhos dos índios. por todos os lados os jesuítas iam entrando na catequese. Circulavam "notícias vagas. 1935. Diogo de Vasconcelos não é um historiador que mereça inteira fé. pág. os sertanistas internaram-se mais. menos a gente. subiu o rio Doce e apanhou pedrarias e pepitas. em 1553. abrangendo vasta área franciscana. Por lhes dar crédito. 15. Afinal. filho do cunhado3. e pág. somente o citamos quando comprovadas em fontes mais seguras as suas informações. mas insistentes" de "grandes riquezas naturais jacentes no sertão "serras de ouro e prata"2. diz Urbino Viana. entregou seu roteiro ao sobrinho Gabriel Soares. Os primeiros impulsos bandeirantes partem da Bahia. por isso. Gabriel Soares foi o autor do "Tratado Descritivo" e teve o título de capitão-mor e governador da conquista e descobrimento do rio de São Francisco". Ao princípio. da Cia. sabendo dos achados de Adorno. A penetração bandeirante foi realizada aos poucos. habilmente invocada e defendida por Alexandre de Gusmão. fez ampla colheita de esmeraldas e turmalinas. tudo era de Espanha. a começar em 1595". aldeando a indiada confiante na sua palavra evangelizadora. João Coelho de Souza. "História antiga de Mina Gerais". Em 1572 e 1573. um sonho amarelo e um sonho verde. Martim de Carvalho. S. o qual é desbaratado pelo gentio bravo. destinada a ser o eixo geográfico em tor no do qual giraria a história do Brasil. aparece o herdeiro do roteiro célebre. o castelhano peruleiro Francisco Bruza Espinosa se internou até o rio Jequitinhonha. perdendo tudo. já no meado do século XVI. que se meteu pelo rio das Caravelas. cit. na caça do índio que escravizavam. Dos índios que a enchiam vinha uma tradição da existência de metais e esmeraldas. 2 36 . Depois. Entrada mais digna de nota foi a de Antônio Dias Adorno. Gabriel Soares foi à Espanha e. afinal o ouro e a pedraria incendiaram-lhes a cobiça. em casa de Gaspar Soares. Belo Horizonte. Quando se olha hoje para o mapa do nosso país é que se vê quanto foi recuado o meridiano papal pela energia dos bandeirantes. Não desesperou por isso e fez a sua entrada. daí sai o vereador Dom Vasco Rodrigues Caldas. Paulo.

descuidados e imprevidentes como se nada devessem recear. que vai à corte.quês das Minas. aos campos da Vacaria e do Prata. mas morre no Espírito Santo. por Taubaté. São Paulo estava fundado no planalto piratiningano e seus sertanistas batiam os matos e serranias. os sapos. se não tinham o que beber. achando o primeiro diamante e penetrando no chamado sertão das Esmeraldas5. preparou a bandeira em 16748. quando a gente de São Vicente principiou a se estender pelo litoral até Laguna e a escalar os primeiros pendores da Serra do Mar. Pelo lado de São Paulo. Amantikira. João IV. Para eles. "Cristãos-Novos em Piratininga" in "os judeus na história do Brasil"."na psique coletiva das tribos de Israel e do povo paulista há aspectos de uma impressionante semelhança". Felix Jaques. partindo do Espírito Santo. iriam pelo Tietê aos sertões do Paraná e do Paraguai. que volta em companhia de D.esperando a energia bárbara dos bandeirantes paulistas. por causa dessa escravização. não temiam o tempo. com oposição de todos os de sua casa. conseguindo na primeira investida vencer e aldear os goianenses. descobrindo as minas de Jaguamimbaba e denominando àquela região. quando Marcos de Azevedo Coutinho. rios caudilosos. serviam-lhes de alimento os lagartos.8. cit. sem fazer literatura recorro a um historiador circunspecto e documentado.. "Memória do distrito diamantino". com os jesuítas. do conquistador sertanejo deve ser guardado de memória para o compararmos mais adiante com o do mercador interesseiro e hipócrita. répteis que davam a morte quase instantânea.. que lhe vai tirar das mãos minas. sangue de cohens como João Ramalho e outros. inabalável. Muitas vezes viajavam por esses desertos. funda o arraial de Taubaté e entra pelo sertão de Cataguases até o rio Verde. roíam as raízes das árvores. procurador da condessa de Vimieiro 6.. Fernão Dias Pais Leme. Para se ter uma idéia nítida do valor desses homens que entravam pelos sertões hostis. Em 1645. 8 e 9. Cegos pela ambição. "Nobiliarquia Paulistana". cit. 77 7 Pedro Taques. subira o rio doce. um de seus opulentos moradores. mistura de sangue brabanção e luso. que só se vai afirmar de fato com a volta do Brasil à coroa portuguesa pela aclamação de D. Esse foi o grande drama brasileiro das Minas. à Mantiqueira e aos Cataguases. a seca. págs.. Francisco de Souza. de acor do com o falar do índio. por Sorocaba. debandando os índios e abrindo o caminho para o interior de Minas Gerais. 4 37 . as estações. op.a tragédia do ouro. Recebeu as cartas-patentes em 1792. pertinaz. que se corrompeu em Mantiqueira. Se não tinham o que comer. João Correa de Sá e Benevides faz uma tentativa de bandeira. op. págs. depois de conquistadas pela sua bravura. em 1579. As cartas-régias demonstram que já E1 Rei esquecera os escrúpulos acerca do meridiano e estava resolvido a impelir a avançada para Oeste. pág. O retrato. que lhes devorava os prisioneiros e lhes disputava o terreno palmo a palmo. Rio de Janeiro. O século XVII é o grande século das bandeiras. arrostavam os maiores perigos. serras alcantiladas. Tipografia Americana. Os sertanistas alcançaram a chamada serra das Vertentes no fim do século XVI. e mais do que todo o indômito e vingativo índio antropófago. escravizando a indiada. a opulência a procuradoria permitem certa suspeita de cristão-novo. os animais ferozes. não havia bosques impenetráveis. mascavam folhas silvestres. o calor. abismos insondáveis. as cobras. 6 0 nome. levando consigo o Joaquim Felício dos Santos. Transposta a montanha. antes de lograr o seu intento. Os rumos estavam traçados. em guerra renhida e encarniçada. Affonso VI. que o extravia pelas veredas invias do sertão largo e leva para o túmulo o seu segredo. Começava o século XVII. depõe Paulo Prado. a chuva. quese malogra ao choque dos índios bravios. traz cartas-régias de D. quando não podiam obter outra alimentação pela caça e pesca. 8 Diogo de Vasconcelos. 22-23. em largas pinceladas. Depois dele. quem toma aos ombros. a penetração começara desde os albores do século XVI. ed Taunay. de vontade firme. 186. Leiamo-lo: "Eram homens ousados e intrépidos que se embrenhavam pelos sertões das Minas em busca de ouro. Agostinho Barbalho. a tarefa cometida a Barbalho. sugavam o sangue dos animais que matavam. É o sexagenário morador paulista. para seguir-lhe o exemplo uns vinte anos depois. ou as frutas acres dos campos 4".. que encontravam pelo caminho. 5 "Diogo de Vasconcelos". 34. que era pernambucano 7. Aliás. vivia sempre em luta aberta. pág. A progênie dos cristãos-novos.

mas apanhou a palustre e foi morrer de regresso. sangue dos Taccen do Brabante. Da discórdia e intriga que houve entre ambos. tristemente. Alinham-se em série os Souza. 9 Pedro Taques. A gente que acompanhava o administrador voltou temerosa para São Paulo. o cume azul do Itambé balizava sua rota em busca da lagoa Vupabussu. Rodrigo. 10 38 . Essa cobrança. 1922. Vede a sua incomparável teoria na "História Geral dos Bandeiras Paulistas" de Taunav. Era grande humilhação tornar de tão longe a São Paulo de mãos vazias. quando Amador Bueno fora aclamado rei de São Paulo. diamantes e outros metais". maioral da vila e peruleiro9. Uns foram sucedendo aos outros no mesmo anseio de conquista. na mesma ambição do metal precioso e. a quem pediu que dissuadisse o povo daquela aclamação.. até às margens do Paraopeba. que é indultado e nomeado tenente-general. O que veio custar as jóias da sua mulher. Sustentava como bom cristão-velho. afundou-se no sertão. fazia já três anos que ele andava pelo sertão. à vista do arraial do Sumidouro. Guiando-se pelos picos azuis que emergem do oceano coagulado das cordilheiras. estabelecendo-se as primeiras fazendas de gado. E Borba Gato. entrou pelo sertão e foi até o Araxá. sertões de Cataguases adentro. O velho sertanista assenta no Sabarabussu o arraial do Rio das Velhas. Longa foi a trajetória da gloriosa bandeira Mantiqueira acima. D. Borba Gato apanhara as primeiras pepitas de ouro às margens do Rio das Velhas 10. Na opinião de Joaquim Felício dos Santos. Rodrigo de Castelo Branco. Os paulistas dispersaram-se por aquela imensidão de terras. por que não dizê-lo. porém. Então. governador ou administrador das Minas. Descobriu-a. do metal precioso que ele adivinhara naquelas brenhas o aguentava nas marchas penosas pelos ermos e socavões. foram encontrar. na mesma emulação de glória.Dissertação sobre as riquezas do Brasil em ouro. aniquilando o gentio cataguás e descobrindo o ouro de Goiás. pág. pára o vaivém das bandeiras e começam os estabelecimentos definidos e definitivos das lavras. onde dormia o velho segredo das esmeraldas. já embriagado pela ambição das minas lendárias. Tradução do judeu Rodolfo Jacob in "Coletânea de Cientistas Estrangeiros". pág. Belo Horizonte. por dois pajens do bandeirante. Os restos da bandeira. no velho arraial de Santa Ana do Paraopeba. Quando voltaram os portadores que mandara a São Paulo buscar recursos. tanta luta e tanta privação. era fruir os resultados daquilo que custara tanta canseira. 245 W. os Gomes. Mandou executá-lo sumariamente. Fschwege. numa entrevista com este. toda ela "crivada de sepulturas. o alvará que estabeleceu a cobrança dos quintos data de 18 de agosto de 1618. Em 1675. Todavia. a descoberta do ouro das Minas data de 1695. castelhano e cheio de empáfia de seu cargo. que lá ficara com um troço de gente. As minas haviam sido encontradas. op. se escondeu no mosteiro de São Bento e mandou chamar Lourenço Castanho Taques. op. que e_x traíra ao capitão-mor do Espírito Santo. que. dirigiu-se ao Sumidouro. Um Furtado de Mendonça que atinge o Ribeirão do Carmo e um Antônio Dias. cit. O século termina com o reaparecimento de Borba Gato. Mas os seus companheiros murmuravam descontentes e o seu próprio filho participou de uma conjuração contra ele. Garcia Rodrigues entregou-lhe a metade das esmeraldas trazidas por Fernão Dias. D. no fim de dois anos de jornada. onde se viu. somente começou nas Gerais em 1700. cit. Fernão Dias preferiu ficar pesquisando a prata e o ouro pelos ribeirões e córregos da região de Sabarabussu. os buscadores de ouro e pedras descortinavam o ser tão imenso e foram os primeiros a ter a inolvidável sensação de grandeza do interior do Brasil. resultou a morte do fidalgo castelhano a tiros. cortada de combates e misérias". No fundo longínquo do horizonte. guiados por Garcia Rodrigues. segundo o mesmo Joaquim Felício dos Santos. L. de Taubaté. pelo Itambé ou pelo Itacolomi. No ano da Graça de 1640. apresentou três oitavas.genro Borba Gato e o filho natural José Dias Pais. fundando o arraial do Sumidouro. Agora. receando a justiça de El Rei. os padres da Companhia de Jesus contra os escravagistas e cristãos-novos. Lourenço Castanho Taques era homem opulento. quando António Rodrigues Arzão. os Bueno. em 1681. "Pluto Bras iliense" de 1833. . em 1698. os Garcia. no fim do século XVII. ainda não achadas. 13. de que se falava já e Antônio Pedroso buscara até o Paraopeba. A miragem. que a_n dava à caça de escravos. funda Ouro Preto. os Arzão. abandonada e sem recursos. cit. loc. a fim de entender-se com Borba Gato.

caminho desembaraçado. pelo Espírito Santo. tomo I. as regiões mais férteis. quando foi baixado em Portugal o alvará isentando de confiscação a fazenda dos cristãos-novos que emigrassem. 1878.. Tomavam judaicamente o resultado do heroísmo alheio! 11 12 Diogo de Vasconcelos. cit. afundando-se no sertão"14. Sente-se o judaísmo emboaba na descrição de Diogo de Vasconcelos. as terras mais ricas. dava aos descobridores a plena propriedade dos achados. Emigração colossal15! A afluência dessa gente às catas e garimpos determinou. Ouro Preto. ficaram pertencendo aos reinóis. Os guerreiros odiavam os mercadores ou mascates. Em tais condições. "Efemérides Mineiras" .. o bolo não é para quem o faz e sim para quem o come. luxo e gastos desenfreados. ansiosos de se enriquecerem nas minas de ouro de que já muito se falava. A carta-régia de 18 de março de 1694. 14 Escragnolle Taunay. com sua organização e. Viu-se em breve tempo transplantado meio Portugal a este empório já célebre por todo mundo13. pág. 39 . organizado com capitais judaicos. simboliza na opinião de Pedro Calmon. As Minas tornaram-se o paraíso de aventureiros de toda casta e de toda parte. localizadas às catas. seu dinheiro. op. 89. "Das cidades e lugares marítimos. 120. vencendo-os. pág. especulação. correram em aluvião para as minas entrando os últimos.. sobreveio inumerável multidão.1897. 401 13 Simão Pereira Machado. 0 pro cesso é do judaísmo de todos os tempos. Esses forasteiros e mais os da Bahia .. o qual resultava daquele contrato da Companhia do Brasil. imprensa oficial. Bahia. jogo. porque os de São Paulo e Rio eram de algum modo vigiados pelas autoridades. A acepção atual da palavra tratante trai. pág. Devasso o sertão. 231. "Memória sobre o Estado da Bahia". op. 1896. acrescenta o mesmo historiador.o vestígio desse rancor antigo. que o padre Antônio Vieira agenciara e defendera crescera para cá a emigração de índividuos ativos. furtos. sobretudo. realizando "a idéia brutal de lançarem pela violência fora das Minas seus adversários'11. Cf. cit. sobretudo mascates ambulantes. vadios que extorquiam de todos os meios e modos o ouro aos que o bateavam nos córregos e rios. "Triunfo Eucarístico". assim. servir às ambições inescrupulosas do cosmopolitismo litorâneo. pág. vai expulsá-los pela força. "Apontamentos Históricos". 15 José Pedro Xavier da Veiga. Certos autores até a isso atribuem o início da decadência de Portugal12. no "espírito da sociedade colonial". 17 Diogo de Vasconcelos. Quem eram os principais desses adventícios baianos ou reinóis? Diz a História que as Minas se encheram de mercadores. vexações. "História da América Portuguesa". Esse conflito entre paulistas e emboabas. 200-207.. cit. Desses e outros motivos a profunda ojeriza do paulista guerreiro contra essas homens de negócio a que se aludem todos os historiadores dos acontecimentos.ninho de cristãos novos.1664 .Mas. "Na era das bandeiras". 16 A eterna "rede de crédito" a que aludiu Pedro Calmon quando os judeus do açúcar pernambucano. e algumas outras também aos baianos que dispunham de tais elementos"17. a desordem social: vinganças. Desde 6 de fevereiro de 1648. op. como sempre em casos análogos. Imprensa Econômica. pág. e em que vão grifados os pontos essenciais: "Acima dos paulistas gozavam da vantagem de ser conhecidos e amparados pelos compatriotas das praças marítimas que lhes forneciam à crédito instrumentos e escravos africanos16. a luta pela apropriação do eldorado interior travada pelo ádvena contra o brasileiro. porque o judaísmo dos emboabas ou pintos-calçudos.Assegura Taunay que os moradores "despejavam as vilas. 18 Azevedo Marques... 358. exploradores de vícios e luxúria. Eschwege. contrato ao principio condenado pelo Santo Ofício. publicação oficial. roubos. págs. 243. porque com o seu dinheiro se enobreceriam. o bandeirante não recebe o prêmio do esforço heróico. pág. diz Simão Pereira Machado. sobretudo. 1897. mas os que se queriam aproveitar das conquistas de seu heroísmo lhes roubariam o fruto de mil sacrifícios. e em breve tempo. A mascateação e a exploração de mulheres são até hoje profissões eminentemente judaicas.. Azevedo Marques revela o que eles pretendiam: a fortuna das minas sós e sem partilha 18. A árdua conquista bandeirante do Oeste ia. consoante o dizer do povo. obreiros estes únicos que podiam suportar as fadigas medonhas de tal indústria desumana e cruel como foi a das minas. Rocha Pita. na linguagem usual. na maioria judeus.

o acréscimo do nome da localidade de nascimento. que dava "rios de dinheiro". os partidos se extremaram e a luta que se ia travar assumiria um caráter nitidamente nativista. "Memória do Rio de Janeiro". Dizem os historiadores que era insinuante. Estalaram os primeiros conflitos entre as duas facções em Caetê. Cf. Manuel Nunes era una interrogação. Já tinha havido grandes e vigorosos protestos contra o açambarcamento judaico desses ramos de comércio. 40 . Eram sócios de Manuel Nunes o reinol Francisco do Amaral Gurgel. coisa em que. porque. 215-217. Mais uma vez. vendo. com a mais justa indignação. muito comum aos cristãos-novos. pelo menos na aparência: o oficio de mercador. na "História da Civilização Brasileira". Naturalmente. que os corsários de Luiz XIV atacavam. amável. a hesitação em face da luta armada. senão sinceramente. com a carne fret ou da rês abatida de maneira comum. Xavier da Veiga. que ainda agora está preocupando os legisladores da Polônia e Dantzig. e o frade goliardo e aventureiro Francisco de Menezes. por um instante. sobretudo porque os historiadores estavam desprevenidos em relação à questão judaica. mesmo amaneirado com a freguesia e que procurou fugir da luta. antigo caixeiro na Bahia. que o trouxera do balcão à riqueza e florescia num monopólio. 51 do livro "Bandeirantes e sertanistas baianos" que. que Diogo de Vasconcelos denomina "o maior dos apóstatas que então andavam nas Minas". filho de Antônio Nunes Viegas. Rebentara na Europa a Guerra de Sucessão da Espanha em que Portugal se envolveria contra a França. não podendo. cidade de onde veio grande número de judeus para o Brasil. para Capistrano de Abreu. "tão bom como frei Francisco". enriquecido pelo negócio. muitas vezes é necessário recorrer às provas circunstanciais de ler . o apelido Nunes. Os do Maranhão eram os vianenses. cujos sobrenomes e cuja atuação o fazem suspeito de judaísmo."o domínio do país passar ao poder dos seus competidores". procurando apaziguar os ânimos 20. págs. a procedência de Viana. mercador e monopolista. págs 229 e segs. ganho de causa aos brasileiros. o amameiramento e o jeito insinuante. por isso. dispor de tropas para impor ordem na colônia sul-americana. no Ribeirão do Carmo e Ouro Preto de 70 a 90 mil réis! Os interessados não corriam perigo algum de prejuízo. É a checkita. hábito inveterado nos judeus de todos os países. Manuel Nunes Viana participava do odioso contrato das carnes. Diz Urbino Viana. op. que se consumou. Os judeus eram amigos destes. de onde voltou feito alcaide-mor de Maragogipe. na pág. Diogo de Vasconcelos. "que não lhe convinha". religioso da Santíssima Trindade. onde o principal dos reinóis ou emboabas era o potentado Manuel Nunes Viana. 0 caso de Manuel Nunes obriga a esse recurso. como sabem os entendidos. O homem já fora preso na Bahia e enviado a Portugal. nem sempre é possivel achar a documentação concludente do que se afirma.ias entrelinhas. Esse monopólio de açougues. também senhor do monopólio do fumo e da aguardente.Espoliados e decadentes. Uma rês que custava no sertão de 3 à 9 oitavas de ouro (5$280 a 15$840) era vendida no Rio das Velhas. A nomeação de um paulista. possuidor de 50 arrobas de ouro. possuía a "superioridade da cooperação" e com o dinheiro podia pagar mais escravos para o trabalho das lavras e os exércitos mercenários de mamelucos e índios. os paulistas lançaram-se à procura de novos lavradios de ouro ou se refugiaram nas roças. são provectos os judeus e que detém onde quer que se encon trem em quantidade.. op. tanto que houve no Rio de Janeiro cristãos-novos que se abraçaram à bandeira de Duguay-Trouin e foram embora nas suas naus19. com a carne kosher ou da rês sangrada de acordo com as prescrições talmúdicas. Outro encarniçado defensor do monopólio era frei Firpo. Em uma história secreta. Pedro Morais Raposo. como o faz notar Pedro Calmou. cit. por essa razão. levantava a indignação dos paulistas. Que força! Houve na Bahia tradição de que até matara uma das filhas. natural de Viana. porque "tinham em mão a estabilidade e a segurança dos preços". 19 20 Monsenhor Pizarro. Todas as circunstâncias levam a crer que se tratava de homem de sangue judaico.. tanto contra os cristãos. o emboaba. do mesmo modo que na guerra holandesa a consciência brasileira se insurgira contra a inominável espoliação judaica. em Portugal. cit. como veremos adiante. quanto contra os próprios israelitas. pois dele fazem rendosa especulação. em busca do mistério. embora cristianizado. para capitão-mor das Minas pareceu dar.

op. como declara um cronista. já o poder de Manuel Nunes vinha sendo minado pelas dissensões entre os forasteiros reinóis e baianos. Em geral. dispostos a uma resistência tenaz. porém. cit. com poderes ditatoriais. 218. fazendo redobrar o furor dos paulistas. Ainda não estava de todo quebrada. "aventureiro de primeira linha". Aboletou-se em ouro Preto e mandou atacar o Ribeirão do Carmo. nome de cristão-novo. 23 Claudio Manoel. "memória Histórica da Capitania de minas". Manuel Nunes foi sagrado ditador. o feroz judeu Jacob Rabbi. Valentim Pedroso de Barros juntou os fugitivos de Sabará e Cachoeira no Rio das Mortes. Prometeu-lhes a vida salva. O ditador mandou incendiar o arraial pelos índios ao seu serviço. se entrincheiravam e esperavam o choque de seus inimigos. cits. Foi quando o governador D. chama-o em carta ao marquês de Angeja. quando os paulistas exaustos estavam mergulhados em profundo sono. Amaral Gurgel avançou com mais gente e cercou-os em um capão. Ferido.. Fernando de Mascarenhas resolveu ir do Rio de Janeiro às Minas para pôr cobro ao que lá ocorria. Manuel Nunes foi ajudado por outro homem opulento. 'os historiadores elogiam Manuel Nunes. Frei Simão de Santa Teresa foi feito secretário do novo governador e o mestre de campo Antônio Francisco da Silva. Diogo de Vasconcelos. E lá se foram eles. págs. ainda atravessavam ou açambarcavam. avinda da autoridade foi 21 22 Cf. a imitação erudita que o sugeriu. Muitos eram veteranos das epopéias sertanistas e dá conquista de Palmares. Diante do rumo que as coisas tomavam. Pela madrugada. O conde de Assumar. que mal os avistou se pôs em fuga.Os monopolistas tinham amigos e parceiros no Rio de Janeiro. visando unicamente o ouro! Inferiores na proporção de um para dez. como o foi para o tempo e para o sertão. Sobrevindo a noite. mas violou a capitulação. que dirigiu tal obra e tão bem acabada. como seu êmulo do Nordeste. obrigando-os a se renderem pela fome e pela sede. hoje Mariana. Na própria igreja do arraial conquistado. Diogo de Vasconcelos." Pois em sã consciência vemos aí um plano judaico. igual a todos os planos judaicos postos em prática por toda a parte e em todas as épocas. alarmando os moradores inseguros diante daqueles novos conquistadores albergados em suas terras e que delas de repente se apoderavam. Cf. 220 e segs. como se vê do episódio a resistência destes. tudo nos leva a procurar a cabeça pensante. Manuel Nunes passou o comando ao apóstata frei Frahcisco. cessou a luta. Pascoal da Silva. o frade lançou sobre eles mamelucos e índios mercenários. fazendo matar friamente trezentos deles. Começou. Toda essa trama é positivamente judaica. De muito longe. e mais ainda a iniciação do governo de Manuel Nunes. obtendo completa vitória23. ops. cit. de novembro para dezembro de 1708. chefe dos emboabas contrários aos paulistas de Cachoeira do Campo e Ribeirão do Carmo. categoricamente "facinoroso". congregaram-se e aclamaram Manuel Nunes Viana capitão – regente ou governador. vencidos. todos os gêneros de primeira necessidade21. mas a indiada ao seu serviço fugiu ao primeiro contato com os descendentes dos bandeirantes. talvez confundindo sua habilidade e disfarce com verdadeira boa intenção.. cujos meios de fortuna e nomes justificam suspeitas de cristandade nova. Mas vieram os emboabas de Ouro Preto em auxilio dos outros e forçaram a entrada do arraial pelo lado menos defendido. Então. Por esse tempo. os paulistas de Cachoeira do Campo. Na confusão causada pelo fogo. assumiu o comando militar. O eterno boato judaico para justificar as violências posteriores! Os emboabas fingiram-se amedrontados. os paulistas fortificaram-se em Sabará.. Chamou-se àquele local de Capão da Traição em lembrança dessa façanha judaica. sertões afora. pág. 41 . que os defendiam perante o governo. Diogo de Vasconcelos e Xavier da Veiga. vilmente explorados e despojados dos seus bens. Não contentes com ela. a atoarda de que eles preparavam a chacina de todos os forasteiros que haviam invadido as minas. pondo os brasileiros em fuga. E logo nos apresenta para tanto a figura maquiavélica de frei Francisco de venezes 22. os emboabas deram o ataque. op. com as insígnias do governo. "Este golpe audacioso. como se diz hoje. calculada e ardilosamente concebida. a hipocrisia que o traçou. Isso ainda envenenava mais a situação. Amaral Gurgel mandou ataca-los pelo capitão Gonçalo Ribeiro Corço.

sobretudo ali por 1750. Até 1820. Por isso.700 arrobas e seu rendimento até 1801. 931. pág. retiraram-se precipitadamente. a fim de obter seu indulto. Pela primeira vez no Brasil. pág. quando atingiu sua maior florescência a extração do precioso metal30. Então. voltou para o Rio. 5-39. 250. o poder real sancionou a espoliacão dos sertanistas pelo judaismo dos emboabas. Com ele. Em número de mil e duzentos sitiaram os emboabas no arraial da Ponta do Morro. Capristano de Abreu.anunciada a Manuel Nunes pelas fogueiras que os espiões índios acendiam nas quebradas dos montes e se reproduziam pelas serranias silenciosas. cheios de desânimo e apoquentados de dissensões.Pedro Calmon. de onde fugiram para a Índia. a capitania de Minas Gerais foi desanexada da de São Paulo. a autoridade capitulava diante da sedição. cit. Sua obra de expropriação forçada dos paulistas estava finda e só lhe restava esperar sossegado a ação de frei Francisco na capital da metrópole. avistou-se com Manuel Nunes. cit. mas. op. Toda essa esplêndida riqueza que o judaísmo emboaba queria a "sós e sem partilha". dando-lhe conta de tudo. "Voyage. pág. custou as dores da grande tragédia dos paulistas mortos à traição na defesa do que haviam conquistado! 24 25 Op. 27 A mascateação era privativa dos judeus. nos gastos que lá se faziam. cit. Cf. Paulo Prado . pág. pois. "Formação Histórica do Brasil. ao saberem que contra eles marchavam do Rio de Janeiro as tropas realengas. Os emboabas estavam. pág. diz o historiador baiano Borqes dos Reis. Jorge guerreiro "Os judeus no Rio de Janeiro" in "A Universal". 28 Eschwege. quis mostrar-se fiel à coroa. 291. pág. op. neto daquele outro Amador Bueno que não quisera ser rei.". quando chegou ao arraial de Congonhas. "Épocas de Portugal Econômico". e para Inglaterra pelas mãos do judaísmo. homem cheio de serviços a Portugal. Suas mães.446 quilos! 29 Eschwege. 216. pdgs. 377 e segs. Bahia. 31 Pandiá Calógeras. Chegando a Caetê. 401-402: ao certo. João Lúcio de Azevedo calcula em 100 milhões esterlinos a "totalidade ou ouro exportado para a metrópole no espaço de um século!" 32. que se escoaram para Portugal. como o qualifica Xavier da Veiga 24. feita em Goiás. O pusilânime" D. op. "Denunciações da Bahia". de maneira que. págs. de onde escreveu a E1 Rei. despejando ouro e angariando empenhos.900 cruzados! Avalie-se o que passou sem ser confiscado. um alvará de indulto geral. idem. ed. contra cujas forças não se poderia manter. idem.324. pela Bahia. encontrou um exército de 4 mil homens a dar-lhe "morras". 75. que lhe submeteu com abjeto servilismo e vileza. carregado de dinheiro. prevenidos para recebê-la. Minas. próprios de um judeu e exilou-se voluntariamente na sua fazenda de Jequitaí. tratantes e açambarcadores chamados emboabas. etc. São Paulo e até no Ceará! A produção aurífera do Brasil até a independência foi de 45. pág. 32 (32) João Lúcio de Azevedo. Cit pág. Desta sorte terminou a guerra civil e os únicos que com ela ganharam foram aqueles forasteiros. mascates27. "Na Bahia Colonial". 30 Idem.136. "o 11°-. arrecadando escrupulosamente os quintos de ouro extraído e mandando frei Francisco de Menezes a Lisboa. Mato Grosso. Pyrard de Laval. de novo se apresentaram para a guerra sob o comando de Amador Bueno da Veiga. toda ela composta de cristãos-novos25 e que dispunha de "todo prestigio na corte" 26. cit. op. cit. loc. do Brasil se extraíra em ouro o valor de 974.093. mas não lhe convinha desafiar as iras do rei. presentes e protestos de submissão. Fernando. em novembro de 1709. em pleno sertão. Ajudado pela burguesia opulenta da Bahia. 18 26 Diogo de Vasconcelos. conseguiu do soberano. de cinco milhões de contos31. O frade apóstata não perdera tempo. Cf. 94 in nota 42 . Dê-se a palavra a Werner Sombart: "A guerra é a seara do judeu!" O sacrificio sangrento dos paulistas produziu quase um milhão de quilos de ouro28. Em junho de 1709. "Paulística" pág. mulheres e filhas nem os quiseram ver. 311. e para ela veio como capitão-mor Antônio de Albuquerque. E da sedição judaica!!! O esperto Manuel Nunes queria que sua gente se apoderasse das lavras dos paulistas. Escragnolle Taunay. 040 cruzados29! O ouro confiscado aos contrabandistas se elevou a 1. n° 53. 238. Os últimos paulistas expulsos das Minas foram recebidos em São Paulo como covardes.

op. "História do Brasil" ed. Pedro Calmon.. ed. Làemmert.Não contente com isso. "0 ouro da América arruinou a Espanha. L. cit. em "farta colheita". pelo governo português. 155. com avultado lucro35. escravizando-o desde a sua independência política à burra dos prestamistas judaicos do Kahal de Londres. Barroso. exportando-o. Rio de Janeiro.. págs. A criação. G. 33 34 Cícero. tomo I. 350. 95-96. Rio de Janeiro. Padre Antonio Vieira. ed. antes da vitória emboaba. De 1885. 1861.. B. 1837. diz a "Memória analítica acerca do comércio de escravos" de F. mais fraca do que a do reino e proibida de ser exportada. 35 General Abreu de Lima. a judiaria ainda retirava o ouro em circulação como costumava fazer desde o tempo dos romanos33. em 1694. exclusiva para o Brasil. E esse ouro arrancado do Brasil mais tarde. veio a ser emprestado ao mesmo Brasil. obedeceu à necessidade da defesa contra esse golpe judaico34. pág. o ouro do Brasil produziu o mesmo efeito em Portugal". "Cartas°. Mo Flacco". 43 . pág. da moeda provincial. da Tip. "Brasil Colônia de Banqueiros". C. do que resultou o "empobrecimento geral". Comercial Fluminense.

cit. Mas. Foram até a serra do Ibiturni. Como a região longínqua a hostil começasse a se despovoar. Veremos qual foi a verdadeira natureza dessa contribuição. O distrito diamantino. encontrara os diamantes. que fizeram extensas especulações na Europa com os diamantes brasileiros. ainda a busca do ouro alterna com a das pedras. o sertão se estendia vestido de cerrados e matas. As lavras de Tijuco foram auríferas até 1729 e não se conhece. o lugar onde foi achado o primeiro diamante. Então.CAPITULO VII O drama dos diamantes ALÉM DE conquistar e definir o amplo território. além de achar o ouro. pag 21 38 Idem. ao certo. Op. a fim de aniquilar toda concorrência. Eles batiam aquelas solidões povoadas de feras e de miasmas. cit. como se dizia.afirmando que eram refugo dos da India. como um contra-choque da tragédia do ouro tomado pelos emboabas. É o primeiro passo do judaísmo para se apoderar dos diamantes como se apoderou do ouro. "Travels in the interior of Brazil". "O marquês do Pombal" pág. lavando a cangíca dos ribeirões à cata das pepitas de ouro. cujo monopólio os judeus detinham desde as mais antigos tempos. (2) Op. resolveu que a mineração diamantífera passasse a ser feita "por meio de contrato com alguma companhia"38. Adiante da Vupabussu de Fernão Dias. 71. como as Gerais auríferas. Negaram a procedência dos que apareciam e apresentaram os mais ordinários. pág. mamelucos e paulistas. pelo Rio Grande. varridas ia ventos gélidos. A cada descoberto. trazendo ao mercado pedras mais belas do que as do Oriente. onde estabeleceram o arraial de Nossa Senhora da Conceição do Serro Frio. Compravam barato os que caíam em mãos de pessoas que não entendiam do negócio.200 escravos. 21. a fama das riquezas auríferas atraiam naquela remota região "grande número de aventureiros"36. depois vila do Príncipe e hoje cidade do Serro. 40 João Lúcio de Azevedo. de Goiás e Cuiabá. muito longe. ao recebê-los de torna-viagem. e. Só na mina de Mandanga se empregaram 1. cit. o pico solitário do Itambé desafiava a curiosidade dos aventureiros reinóis. de indivíduos que se diziam munidos de licenças vocais para a compra das pedras preciosas42. às montanhas frias. cit.130. 44 . pág. os mascates judeus de sempre. o governo. o comércio de diamantes tornou a ser franqueado. Espalharam o boato proposital de que o diamante do Brasil era em tudo inferior ao oriental. "um conluio. As brenhas inóspitas povoaram-se de colmados de minuradores. 39 "Os judeus no Brasil". remetiam-nos para Goa e. mantendo nas bolsas a sua depreciação. pelo Piruruca. Em 1731. bateando nos caldeirões. op. avançavam mais. somente se proibindo aos escravos participar dele. A descoberta das minas brasileiras. Em 1735. que a vila tomou uma fisionomia absolutamente oriental. fundando os arraiais do Tijuco e do Burgalhau. essa 36 37 Joaquim Felício dos Santos. 42 Joaquim Felicio. pelo Jequitinhonha. garantiam que eram hindus e os vendiam pela mais alta cotação41. se encheu de adventícios de todo quilate. os mineiros são despejados pela violência de suas lavras. pág. Em 1799. nessa época. a fim de comprá-lo por baixo preço. 41 John Mawe. 39. Lourenço de Almeida. Solidônio Leite Filho diz que os judeus "contribuíram para a florescência da indústria das pedras preciosas" no Brasil39. em 1729. continuando na posse exclusiva do monopólio"40. os cristais começam a dar que falar de si e a portaria de D. Foram tantos os tais traficantes judeus que acorreram ao Tijuco. Os negros trabalhavam nas catas com mordaças de ferro. pág. fez correr risco ao comércio das mesmas. que se derramavam sobretudo pelas devesas do ribeirão do Inferno. Na última década do século XVII. decerto tangido por influências ocultas. denominados traficantes. Um negociante londrino de diamantes. técnico no assunto. se reouve a "pedrinhas brancas que se entende ser diamantes" 37. 102. organizaram em Londres é Amsterdam. a fim de não furtar as pedras engolindo-as. João Mawe. pinta claramente a ação dos monopolistas judeus. pág. o heroísmo bandeirante achara o ouro das Gerais. 7. O Museu Histórico Nacional possui um exemplar dessas mordaças. op.

222. ed. 46 Idem. 48 "Épocas de Portugal Econômico". abandonado de seus deuses tutelares. para que ela gozasse a sensação de embarcar44. em outro tempo. nem as dores de uma raça infeliz. Ao terminar o século XVIII. incluindo o contrabando. ex-escrava de José da Silva Rolim. 16 milhões de cruzados47. 53 Op.Isso produziu para a coroa portuguesa um lucro real de 5. seus mercenários traiçoeiros. Joaquim Felício dos Santos. ou a das minas de ouro pelos emboabas. que compravam por 45 francos o quilate de diamante bruto e vendiam por 197 lapidado51. chegando a mandar construir grande tanque com um navio em miniatura. Bernardo da Fonseca Lobo achou as grandes lavras do Serro Frio.povoação. págs. pág. os Hoppe50. cit. O primeiro contrato dos diamantes foi celebrado em 1739. isto é. op. baixaram os preços ao seu talante46. pag. que contratou a venda das pedras diretamente com os judeus. O segundo contrato foi dado ao mesmo contratador. pág. deslumbrando a toda a gente com o fausto de jantares e representações.040 contos de réis 49. O judeu apoderou-se. até o começo do século XIX. MAS complet des pierres précieuses". 1799. que se tornou célebre pelos seus esbanjamentos e pela influência que sobre ele exercia sua amante. de Amsterdam. pág. Enquanto Portugal. a famigerada Xica da Silva. cit. em prorrogação. judeus e maçons dominavam em Portugal. que parecia protegido da sombra pelas influências poderosas que talvez houvessem afastado os Caldeira Brant. o desembargador João Fernandes de Oliveira e Francisco da Silva. Os controladores do contrabando de diamantes do Brasil eram os judeus de Amsterdam. de Minas". O último contrato expirou em 1771. como a conquista do açúcar pelos flamengos. Ao tempo do Marquês de Pombal. Ele satisfazia-lhe todos os caprichos. 51 Charles Sarbot. segundo cálculos de 1858. Essa expropriação não custou o sangue dos brasileiros. Antes. sem beleza. 135. "Voyage pittoresque dans deaus Amériques". cit. "a mais linda. certos de ganho liquido e vultoso. 50 D'Orbigny. foi dar com os ossos na prisão do Limoeiro. E. o contrato de venda foi passado com os irmãos Benjamin e Abraão Cohen. 229-230. que formaram uma sociedade com o nome de Companhia dos Diamantes. dos resultados das lavras de diamantes achadas pelos sertanistas. se poderia ver a origem dos capitais que nela entraram. cit. como o infame comércio de escravos 43 44 Dr. O terceiro e o quarto couberam aos irmãos Caldeira Brant. 45 . já o contratador João Fernandes de Oliveira. 220. 52 Charles Barbot opa cit. Paris. 402. apurava 16 milhões de cruzados nos diamantes do Brasil. 1936. 377 e segs. cheio de dividas para com os judeus. até o começo do século XIX. a extração dos diamantes passou a ser feita pelo governo real. Apesar dos pesares. José Vieira do Couto. sem espírito e sem educação. em virtude das crises políticas oriundas da Revolução Francesa. os quais. no tempo do marquês. cerca de 15 quilos anuais53. produtoras do desemprego e paralização dos negócios na Europa. "Dominadora do Tijuco". idem. Lacroix. pags. seus sócios de empreitada. Cf. quando voltasse o bom tempo. Paris. Xavier da Veiga. pág. op. Nove milhões de esterlinos é o cálculo de João Lúcio de Azevedo para a exportação diamantífera no período de um centenario48. apuravam anualmente. Imagine-se o lucro nos 20 primeiros anos em que a produção diamantifera fora de 3 milhões de quilates. como vimos. Se fosse possível encontrar a escrita da mesma. op. parecia "o retrato de um pequeno bairro de Constantinopla"43 Em 1729. 143. vítima de intrigas. 25 milhões de francos52. idem. O desembargador João Fernandes de Oliveira era um verdadeiro príncipe. 47 Eschwege. É bom não esquecer que. cit. "Memória da Capitania de Minas Gerais". pelo prazo de 4 anos. os judeus. até o começo do século XIX. pág. Portugal apurou da venda de diamantes. porém. 221. 45 Op. entre a Fazenda Real. 1858. O quinto e o sexto contratos tornaram a ser de João Fernandes de Oliveira. o mais notável deles. Findo o prazo do contrato. 49 Idem. morrera louco em Lisboa45. dez anos depois. 180. pág.

..pelos ingleses. Saiu mais barato: custou somente o drama oculto que levou à miséria e à loucura o faustoso contratador João Fernandes de Oliveira. seus parceiros no tráfico. 46 .

“os portugueses dividiam-se política e nitidamente em duas facções: cristãos-novos de um lado e cristãos-ve1hos do outro. "que infelicitou tantos pernambucanos”. rotulam-nos como europeus. Nem era possivel havê-la: os hebreus judaizantes ou católicos. por isso lhes deram título e nome de marranos”58. O que se passou em Pernambuco reproduziu ponto por ponto. 1848. Tanto emboabas como mascates eram meros aventureiros. assalto à Religião. que a aravam e fecundavam. daí descendem naturalmente os outros: assalto ao Estado. como o gangster judeu Abraão Finckelstein se orna com o antigo nome russo de Máximo LITVINOF. Não havia dóvidas. honrados e bem educados. Pernambuco fora restaurado do domínio judeu-herético dos holandeses pelo próprio esforço de seus filhos. judeus. 110—111. cap. o que se passou nas Minas. pag 70 José Bernardo Fernandes Cama. assegura o admirável Fernandes Cama. que se cobriram de glória numa luta heróica. Uma guerra é a cópia perfeita da outra. desta maneira. Tambem desfiguravam os nomes judaicos. IX. como anota Pedro calmor. não havia oportunidade para mais apartações sociais ou políticas: cristãos-novos de um lado. sua nobreza rural. 54-55. Recife. o documentado e seguro historiador Fernandes Cama denomina: “movimento sedicioso dos europeus portugueses”55. ou cristãos-velhos. 58 Mário Sáa. esses inimigos dos brasileiros não eram mais do que judeus portugueses disfarçados. tomo iv. Esta é a réplica daquela. e os pernambucanos. Faria. as artimanhas de que usaram e a força oculta de que dispuseram os revelam à distância. mascates no Recife. Mas os processos de que lançaram mão. e como assim são os judeus. Hisneque em Henriques. que comprendiam isso e tratavam 54 55 A invasão dos judeus. Seus homens de prol. os possuidores da riqueza no Brasil. mercadores enriquecidos sem escrúpulo. tinham entre si uma enorme coesão 56. que defenderam e retomaram o terra ao invasor. na grande maioria provenientes do Minho. toda a gente o sabim. o próprio Pombal o confirmou no decreto que abolia as distinções. 57 Ed. os tais europeus portugueses que acenderam essa guerra injusta. define um vocábulo: “porque entre os marranos ou marrões [que em Portugal quer dizer porcos]. 47 . donos dos engenhos de açúcar. O livro “Sentinela contra judeus”57. eram cristãos-novos. Fungeca em Fonseca. nesse tempo. açambarcadores de gêneros. Barrosch em Barros. À guerra desoladora dos mascates. A voz geral denominava os forasteiros e os historiadores. donos das minas de ouro. pags. Atacou os paulistas. op. assalto à Vida mental". ao mesmo tempo. todos eles cegos em relação à questão judaica. “Memórias históricas da província de Pernambuco”. Jacob em Diogo. olvidados ou agarrados às tradições. entendiam manter seus foros e privilégio. tip. gente corrompida e corruptora. 56 Aquela cooperação que lhes deu a vitória na guerra dos emboabas. é a primeira condição de todos os assaltos. o judaismo atacou. Tem-se até a impressão de que estão em cena os mesmos personagens. cit. "O assalto à riqueza. quando se queixa algum deles todos os demais acudem a seu grunhido. escreve Mário Sáa54. de 1732. Ora. pags. Já vimos na guerra dos emboabas como o judaísmo procedeu ao assalto à riqueza. Havia portugueses limpos. que ao lamento de um acudem todos. em referência à conhecida coesão entre cristãos-novos. com efeito. a fim de preparar os outros. afirmando que na família portuguesa não havia maior divergência do que aquela. cristãos-velhos do outro. Consultemos a história para saber se. Todos esses israelitas ou cristãos-novos se ocultavam sob a capa de católicos e usavam velhos nomes portugueses. veremos o desenrolar de idêntico plano na guerra dos mascates. em Portugal. Emboabas em Minas Gerais. a fim de se apoderar dela. no Sul e no Norte. por exemplo: Misael se mudava em Miguel.CAPITULO VIII A guerra judaica NA PRIMEIRA década do século XVIII. exatamente. isto é.

Aqui está excelentemente situada a diferença entre o português sério. Os dicionários definem mascate como vendedor ambulante. ofício inteiramente judaico. resolveram intrometer-se nos negócios públicos. cada senhor de engenho devia uma soma considerável ao mascate que o tinha suprido. assim. Melhoramentos de S. E bom comparar. “tornavam-se capitalistas” e se julgavam “superiores à nobreza do país”59. o grande amigo dos pedreiros-livres e dos judeus. É o que hoje chamamos vendedor a prestação. disse Azevedo Marques que os emboabas queriam as minas dos paulistas”. Todo o comercio residia “em poder desses forasteiros ou mascates63. 58. Recorro à pintura feita por Fernandes Gama62 da ação nefasta desses novos invasores de Pernambuco. além disso. arvorados em mascates”. açúcar este que ele remetia aos seus correspondentes na Europa. Chegavam até a arranjar hábitos de Cristo e comendas. 61 Fernandes Cama op. 62 Idem.. “fosse por que meios fossem”... tomo Iv. na Espanha medieval. cristão-novo. cit. cit. e o português aventureiro. 63 Forasteiros ou mascates. 48 . tão vorazes como os da Holanda e mais perigosos por se infiltrarem com avenças de paz. Mas . para só eles60 gozarem das honras e isenções adquiridas com o sangue pernambucano”61. senhores de engenho. “que só do comércio cuidavam”. Ninguém viu melhor nem melhor reproduziu o quadro judaico da mascatearia. queriam gozar fortuna e honras dos pernambucanos. pág. outro remédio não tinham os tristes pernambucanos que se sujeitarem à vontade do opressor europeu!” Substitua-se esta última palavra europeu pelo termo verdadeiramente justo diante dessa caraterizada usura. mas. motivado pela usura judaica. pag. explorador e inimigo da terra. era de tal modo visível. 400.. adiantando-lhes dinheiro ou vendendo-lhes a prazo mercadorias. tendo os mascates monopolizado a compra dos açúcares. cristãovelho. Essa cainçalha avançava sobre as posições e distinções com a conhecida avidez judaica pelas honrarias e pelo mando. “História Geral do Brasil”. conjurada para empobrecer a nobreza rural pernambucana.“o turbilhão de aventureiros auri-sedentos que. que por terem caído em pobreza por pouco mais de nada lhes cederam seus serviços”. e então este inflexível credor instantaneamente o apertava. decente. É bom comparar. 64 “Die Historiche Weltstellung der ludem”. amigo dos pernambucanos. Eram. O empobrecimento dos nobres pernambucanos. todas as funções que se relacionavam com impostos ou negócios de dinheiro estavam na posse dos judeus”64. Paulo. Vede a reprodução exatíssima do que ai está em um autor sério e fundamentado como Heman: “A riqueza móvel da Península Hispânica residia toda nas suas mãos. avidez de quem longamente foi privado desses gozos. justificando-se parentes (sem o serem ) daqueles pernambucanos. depõe Mário Sáa. precisamente a mesma coisa teria de acontecer em Pernambuco nos anos que já anunciavam o advento de Pombal. “A sós e sem partilha”. 57. Assaltada a riqueza particular. pógs. pags. todos os anos. “só eles”. pag. Esses tubarões dos negócios do açúcar. integral. “com juramentos falsos. Cia. queriam assaltar a riqueza pública. ou pagar-lhe no ano seguinte o duplo do que devia. 24 e segs. que “viviam de vender pelas ruas e freguesias do interior. o termo judeu. 57-58. que supriam os senhores de engenho. 3a ed.acrescenta . Aconteceu. tomo III. além de emboabas. tomo Iv. que os próprios mascates lhes puseram uma alcunha depreciativa e simbolizadora de sua triste decadência: pés-rapados65. 59 60 Fernandes Cama. os comissários de todas as vendas de açúcar. os mascates. e se verificará que vai como uma luva. “tentaram abater e aniquilar a nobreza do país. assim aconteceu em Portugal desde os primórdios do reino. os bens de raiz pouco a pouco passaram para as mesmas mãos pela usura e compra das propriedades da nobreza endividada. “No fim das safras.fraternalmente os pernambucanos. 1882. Qualquer destes dois negócios arruinaria infalivelmente o miserável agricultor. Desde o lugar de secretário de Estado e de ministro das Finanças. em Minas. os intermediários. ou entregar-lhe o açúcar a 400 réis cada arroba. op. reza o documento. 65 Varnhagen. Essa é a eterna marcha do judaísmo em todas as épocas e em toda a parte. à razão de 1$400. Não contentes ainda com isso. idem. dando-lhe a escolher. inescrupuloso. aportavam a Pernambuco”.

Em França. A própria posição do povoado. Nassau dera grande prestígio e impulso à capital da Nova Holanda com as obras que ali fez e com o movimento cultural que gerou. anos mais tarde. ‘Guerra civil ou Sedições de pernambuco” in “Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil”. os cristãos-novos formavam talvez a maioria e poderiam constituir o Senado da Câmara a seu talante. em verdade. nessa divisão. essas arrematações. dominavam de modo incontestável. privava com os capitalistas e onzeneiros judeus.havia decaído. na casa de Voltaire. e o dos pésrapados. à medida que levantava o Recife. magistrado obediente e seus senhores ocultos. com direito ao pelourinho simbólico. Sebastião de Castro Caldas irritou-se e começou a vexar os povos 66 67 Idem. p~g. das funçães da governança70. A gente de Olinda sapateou. Olinda fosse grandemente prejudicada 71. 70 Fernandes Gama. 8 49 . Imp. Então. mobilizaram todos os empenhos possíveis e usaram à sua vontade o governador Sebastião de Castro Caídas até conseguirem a execução do seu intento. tendo à frente o governador. 393. Naturalmente. os cristãos . Olinda . povoação mais nova. os fidalgos olindenses haviam pela provisão de 8 de março de 1705 conseguido impedir que do Senado da Câmara participassem mercadores de “loja aberta”66. que o cumulavam de presentes e lhe davam gordas propinas nas arrematações dos contratos reais. sozinhos. que gozava de ancoradouro abrigado e seguro. e sendo mascates os arrematadores. Sebastião de Castro Caídas. “homem despótico. 60. Apressou-a a repartição dos termos das vilas de Recife e Olinda. “Desde a época dos holandeses. capital da capitania. idem. Fernandes da Gama. cli. o panfletário da epoca.. Rio.. Tiveram fama terrível esses fermers-genéraux! Conta-se que em Ferney. taxaria a preço baixo os gêneros que os matutos agricultores apresentassem nas feiras e a preço alto os das vendas dos cristãos-novos 67. como diria Videant. as famílias nobres. demarcados no território que antes pertencera unicamente à última. pag. Para terem. 1894.O governador da capitania de Pernambuco. cizas e outros impostos. os judeus seriam juizes e parentes ao mesmo tempo em esplêndidas negociatas. Desde o tempo dos romanos que os israelitas se haviam especializado nesses negócios. 71 Felipe Lopes Neto. a arrematação dos contratos seria logo para ali transferida e isso era o que sobretudo importava. Nac. crescendo muito em pupu1ação”68. A mudança da capital tornarase questão de vida e morte para a mascatearia. cheia de judeus. pag. 68 Varnhagen op. os ânimos pernambucanos começaram a fermentar e não se faria esperar a reação nativista. . op. o judeu Cerfber monopolizara os fornecimentos dos exércitos de Luiz XIV e uma récua de judeus sem escrúpulos se apoderara da ferme ou arrematação dos tributos e fintas. cabeça do herético e judaico domínio holandês. sem partilha e com segurança. os quais eram principalmente os de fornecimentos e cobrança de dízimos. mascatal. Erigido o Recife em vila. nota Varnhagen. e não era para menos. nos antigos municípios. o almotacé seria indicado pelos judeus e. o número de fortalezas que o defendiam. O Recife foi erigido em vila. os ódios foram se exacerbando até que se formaram dois partidos: o dos mascates. 393. uma noite. tomo XVI. o preço dos gêneros alimentícios. tudo isso contribuía para essa predominância crescente. Composto o Senado da Câmara de mascates ou de criaturas suas. pag. por exemplo. os pés-rapados.velhos. Despejaram ouro às mancheias. tomo IV. op cli. aos almotacéis. O governador começou a influir para que. imoral e sem religião”.. a cujo lado se pusera o ouvidor José Inácio de Arouche. tomo III pag. enquanto os judeus se tornavam insuportáveis” e levavam a ousadia69 ao ponto de quererem excluir todos os nobres. Ciosos de seus foros. Senhores da Câmara. Nesta vila antiga e tradicional. como se diz hoje. O plano era. Instado para que também contasse a sua. No Recife. com os quais escorchavam as populações e construíam fortunas colossais. ao tempo da guerra dos mascates. seria preciso que se realizassem no Recife e não em Olinda. competia taxar ou tabelar. os visitantes contavam histórias de ladrões e roubalheiras. Demais. Pouco a pouco. cli. 69 A isolentia jodoenrum a que se referia o bispo Aqobard em plena Idade-Média. tomo iv. 59.. Voltaire pronunciou somente estas palavras: “Era uma vez um arrematante de impostos.

Entre os documentos de Sebastião de Castro Caldas. e posto que os comprassem por maior quantia. que pelo nome se não perca. Eles não largariam sem mais aquela cobiçada presa. 9. cli. De posse do Recife. 77 Rio Branco. É outra coisa. 50 . Ao domínio estrangeiro! Não é o domínio da metrópole. porque as fazendas que davam em troco eram também vendidas por preço elevado. Outros nobres fugiram para evitar os desacatos. “Efemérides Brasileira” Imprensa Nacional. op. em segundo. idem. havia uma carta-régia provendo sobre a vacância do governo. conluiado com o injusto e cruel governador. íntimo pavor de um motim popular que vingasse tantas violências e afrontas. pag. os pernambucanos não praticaram a menor violência contra seus adversários. 396. 14. que tomaram a vila. idem. mas a idéia não foi aceita77. servindo-se nestas compras de seus agentes no interior. Consertaram a desforra. O conceituado historiador sentiu o mesmo perigo que sentinos hoje sob a ameaça do comunismo judaico 74 Varnhagen. Aproveitando a raiva e o medo do governador. Resolveram desarmar o povo. o bispo D. Sebastião de Castro Caldas e os judeus mascatais tinham. op. Reconhece Fernandes Gama que tirar as armas daquele brioso povo nordestino equivalia a “entregá-lo ao domínio estrangeiro”73. a comprar a todo preço mantimentos. 75 Idem. Simão Ribeiro Ribas. “semelhante à de Veneza”. idem. Os mascates judeus não se deram por vencidos. Joaquim de Almeida. milícia territorial do país. Foi quando o braço da vingança se estendeu da sombra e o governador se viu ferido a tiro. já falecido. de surpresa. contudo. os outros ficaram maquinando planos. natural no tempo da colônia. Os terços de Auxiliares e Ordenanças. como hoje se fecham as organizações patrióticas e as ligas fascistas antes de dar certos golpes. a audácia dos mascates levou-os a acusar o próprio ouvidor. Op. 78 Felipe Lopes Neto. tomo III. com a nobreza comum aos cristãosvelhos. a gente de Pernambuco deu posse ao bispo no dia 18 de novembro. nem com tudo perdiam. principalmente farinha. levando em sua companhia os principais cabeças dos forasteiros. cit. encontrados em uma secretaria. O capitão-mor Pedro Ribeiro não se quis sujeitar a prisão que lhe era imposta pelo parcial governador e aprisionou o capitão João da Mota. indultando todos quantos tinham participado da justa rebelião78. em missão especial. O sargento-mor Bernardo Vieira de Melo propôs que Pernambuco se declarasse em república. pag. sem que fosse possível identificar os autores do atentado 72. assim se foram preparando os conspiradores. Para demonstrar categoricamente que não estava em rebeldia contra o poder real e sim contra o bando de mascates. Rio de Janeiro. com seu testa-de-ferro um governador. Urdiram uma conspiração nitidamente judaica pelo que narra Fernandes Gama: “Apenas chegaram aos seus destinos. e. pag. os pernambucanos sublevaram-se a 5 de novembro de 1710. Mandou agarrar por qualquer pretexto e meter na cadeia homens das mais nobres famílias de Pernambuco: Barbalhos e Cavalcantis. tomo iv. na rua da Agua-Verde. Os defensores dos mascates foram impotentes para deter o avanço dos rebeldes. pàg. encarregado de prendê-lo74. pag. na sua maioria fraternizaram com os seus patrícios em armas75. 76 Fernandes Gama. cit. cit. Manuel restabeleceu a ordem e publicou um perdão. 526. Cerca de dois mil homens bateram a infantaria de linha do governo e a fizeram recuar para o Recife. pág. 64. seguiu para Parelha. 1918. prevenindo-se cuidadosamente! Dos que foram para a Bahia. limitando-se a arrancar as insígnias de cargos e postos aos judeus que as ostentavam com alarde e empáfia 76. Sebastião de Castro Caldas fugiu por mar para a Bahia. Cansados de insolências e insultos. 68. entre os quais talvez o pior deles. que correu a refugiar-se na Paraíba. estes conspiradores começaram sob o título de especulação mercantil. D.para favorecer aos forasteiros. Mas as suspeitas começaram a valer como provas e as grades das prisões se fecharam sobre homens conceituados e dignos como o capitão—mor Lourenço Cavalcanti Uchôa e o capitão André Dias de Figueredo. Manuel Alvares da Costa. Vinha nomeado nela em primeiro lugar o mestre-de-campo João de Freitas Cunha. enquanto os 72 73 Idem. o kahal judaico. em nome de El Rei. op.

cit. o negro Domingos Ribeiro Carneiro. entregando a capitania aos corsários do rei da França. o capitão-mor do Cabo. of. pelo perdão do que devia aos usurários. 16. A reconquista de Pernambuco pelos mascates estava preparada para quando rompesse a frota que anualmente vinha de Portugal. uma resolução e. 83 D. op. A fim de preparar os ânimos para o que ia acontecer. primo e sucessor do grande Camarão. Wasth Rodrigues. tudo é boa condição para a revolução”. Os infames forasteiros temiam a valentia pernambucana e queriam todas as seguranças. 81 Felipe Lopes Neto. Mostraram-se. D. op. premeditados. João V! Morram os traidores! com o fito de fazer crer à população que os pernambucanos queriam atraiçoar o go- 79 80 Op. se guardou religiosamente a brilhante tradição dos soldados pretos de Henrique Dias. a fim de evitar qualquer suspeita. foram precedidas de “enormes carestias da vida” que os açambarcamentos causavam e que faziam o povo estourar de raiva. Ferroud. O fim disto era causar indignação à tropa e às pessoas fiéis à coroa. . loc. onde seria aprisionado. já aplicados com êxito pelos emboabas com a atoarda da pretensa matança de seus comparsas. cit. 15. por 3 mil cruzados. que têm havido em Portugal” 80. cit. tomo Iv. O mesmo disseram os vianenses de Bequimão. D. os Mayer e os Meyer. Houve Henrique e. descendente do herói da guerra holandesa83. Henri Rarbusse (judeu). o capitão-mor da Paraíba. op. João da Maia84 da Gama. cit. “Embora encareças o pão e uma medida de trigo custe uma moeda. cit. até 1831. 86 Fernandes Gama. Para isso. espalharam o boato de pretenderem os brasileiros impedir a tomada de posse do novo governador esperando na frota. nos terços e regimentos de Henriques. o Governa dor dos índios. mestre-de-campo do terço de Henriques82. 398 do tomo III da 3a ed. Compraram. mas. a fim de provocar desordens e levá-lo onde se quer. também. op. de acordo com a velha técnica dos golpes judaicos. dessa maneira. cf Gustavo Barroso e 3. gritando cinicamente: . 69 Idem pag. Na opinião de Mario Sáa. com quem Portugal se achava em guerra 86.pernambucanos descansados em suas consciências se entregavam às suas privadas ocupações”79. que usava este último nome sem direito à ele. 76. depois. nota 19 a pág. traindo a causa sagrada dos seus irmãos: o capitão João da Mota por 6 mil cruzados. da "História Geral do Brasil" de Varnhagen. Segundo João Lúcio de Azevedo. Caso típico de açambarcamento judaico para perturbar a normalidade da vida e irritar o povo. escapando por felicidade à cilada. in fine. Atanásio Gomes e mais alguns fuões de Goiana. Sebastião Pinheiro Camarão. tomo IV. as matanças ou pogroms de judeus em Lisboa.. Rodolfo Garcia. O plano até parece decalcado dos famosos “PROTOCOLOS DOS SABIOS DE SIAO”. 82 Nas nossas antigas milícias territoriais. está documentado por historiadores dignos de respeito81 e por si só é suficiente para denunciar o espírito judaico dos mascates. Com vagarosa tenacidade. pág. Como a frota tardava aparecer e temessem que fosse descoberta a conjura. pag. Felipe Lopes Neto. Diogo Pinheiro Camarão. Manuel desistiu do embarque. Paris. levaram seis meses açambarcando os víveres. como as ondas se encapelassem no dia marcado. Sebastião era filho de D. por 14 mil cruzados. caçadoresHenriques em Pernambuco. por 400 mil réis. infamemente todos quantos se curvaram ao ouro judaico. Seus cúmplices convidaram-no para uma visita ao forte do Mar. O atravessamento de gêneros de primeira necessidade por parte de tal gente. por alguns milhares de cruzados85. Bahia e Rio de Janeiro. pág. 51 .. os conjurados saíram pelas ruas. “jesus”. caso não trouxesse confirmação real do indulto concedido pelo bispo.Viva E1 Rei D. 1922.diziam que se apoderariam de quartéis e fortalezas. 70. despendendo com esse fito o dinheiro “com mão larga” e passando os gêneros escondidos dentro de caixas de açúcar. Foi ele que deu. Urgia. pag. ed. na dispersão dos sefardim pela Europa. à frente de soldados amotinados. 85 Fernandes Gama. a 18 de junho do ano de 1711. fomentar revoltas e empobrecer os inimigos. 84 Maia é nome comuníssimo entre os judeus portugueses. para criar dificuldades. “foram sempre os cristãos-novos os únicos açambarcadores de funções e coisas. “uniformes dp Exército”. tanto que o historiador Fernandes Gama repele qualquer parentesco com o vilão. fementidos e cautelosos. como solam fazer os cristãos-novos. decidiram dar o golpe de surpresa assegurando-se pela traição do bispo-governador. porém. Cf.

e nomearam "um governo intruso e monstruoso". concedeu-lhes privança em sua casa e aquele que mais lhe pagava o tinha do seu lado90. A artilharia abocada para as ruas impedia qualquer reação. declarando-se "inteiramente pelos mascates". a luta travada contra o domínio judaico-flamengo. a 21 de junho. págs. prendendo até o sargento-mor do terço dos Palmares. um dia avistaram-se em alto mar as treze velas da frota de Portugal! Trazia novo governador. Félix José Machado de Mendonça Eça e Castro de Vasconcelos. suspenderam o bispo das funções do governo. pág. também. proclamaram novamente governador a Sebastião de Castro Caldas. Fingindo-se cioso do prestigio da autoridade. cit. O novo governador. Essa GUERRA JUDAICA. não soube resistir ao ouro israelita. apesar de seus nomes ilustres e nu merosos. Os capitães-mores mobilizaram seus terços de Auxiliares e Ordenanças marchan do contra o Recife a vingar o agravo. 123. Todavia. que enviavam para o interior. Camarão sublevou os índios e João da Maia levantou os paraibanos em favor dos que lhes pagavam. Será preciso mais alguma coisa para caracterizá-la? Enfim. o governador-geral do Brasil. foi erigido o pelourinho. Sebastião de Castro Caldas. como todas as que se tinham travado no nosso pais. idem. que se apresentaram com seus escravos e acostados em armas. tomar as rédeas do poder sem oposição dos pernambucanos em armas. op. avisando a gente dos engenhos e do sertão do que em verdade ocorria. Os chefes militares vendidos aos seus cruzados. Também recebeu a visita do João da Mota. A guerra desenrolou-se no meio de traições. quando se preparava para vir a Pernambuco. Há uma esperança de justiça e paz! Por uma jangada. Repetia-se. recebeu fora da barra. O bispo e o ouvidor Arouche tentaram apaziguá-los. tomo IV. Após a derrota do Cabo. 52 . tomo IV. longa missiva do bispo. ainda na Bahia. como Camarão e outros. Depois. escrito contra os mascates do Recife. entre Garapu e São José.verno87. custodiando-o em companhia do ouvidor. símbolo municipal de Recife. mas querendo. homem prestigioso. enviado dos forasteiros. que se pôs a expedir ordens. Afinal. "Confusa e revolta andava toda a terra. Bernardo Vieira de Melo. Mas os chefes militares vendidos guarneceram logo os fortes com oficiais e soldados europeus. composto do negro mestre-de-campo e do capitão Mota. A "falsa fé" dos mascates espalhava desconfianças por toda a parte. Lourenço de Almada. Idem. outros dois flagelos para os "tristes pernambucanos": o ouvidor João Marques Bacalhau nome de cristão-novo. de modo a evitar o revide da gente da terra88. Idem. mandou que as fortalezas fossem entregues ao bispo. nem mesmo quando tentaram novo tumulto em novembro. da "cavilação mais odiosa que pode inventar a maldade humana!". remetendo-o para Lisboa. resultara. não só para salvá-lo de suas garras como para "tirar qualquer pretexto" de sublevação. As sortidas dos sitiados e as ameaças dos índios e do lado à Paraíba obrigaram à convocação do clero e dos proprietários de fazendas e engenhos. com grandes festas e regozijos por parte dos mascates. o bispo conseguiu fugir num escaler para Olinda. "História Geral do Brasil". No dia 18 desse mês. prendeu na Bahia. forçaram o bispo prisioneiro a assinar cartas. em 1711. expondo tudo que acontecera e estava acontecendo. Mandou recolher a artilharia e desmanchar as trincheiras: porém não impos o menor castigo aos provocadores judaicos da luta. dizendo que tudo se estava passando com sua anuência. e o juiz de fora Paulo Carvalho. e declararam o Recife cidade. voltaram sem ser incomodados e viram-se recebidos sob ovações e flores. familiarizou-se logo com os mercadores. onde estalaram motins de soldados. mesmo dentro dos seus muros. Felizmente. conforme diz o autor de uma carta anônima ou panfleto. Os mascates submeteram-se. menos a expulsão dos franceses e a destruição de Palmares. 87 88 Idem. Camarão foi aprisionado em um combate. 71. os quais puseram "a justiça em almoeda". Vieram com ele. Mais tarde. verdadeiro soviete. 177. logrou fugir. D. 90 Fernandes Gama. embora em menor escala. Esse "pronunciamento" custou aos judeus 70 mil cruzados89. de quem desejava receber regularmente o governo. pág. 89 Varnhagen. realmente. pág. os homems inquietos e arruinados". O Senado da Câmara de Olinda intimou os mascates à rendição. 72-73. O bispo organizou os comandos militares e sitiou a cidade judaica. reveses e vitórias. Então desembarcou e foi empossado do cargo na Sé de Olinda.

33. pela força do poder monetário e vão "em derradeira instância à violência contra pessoas e propriedades". lá morreu nos calabouços da torre de São João92. pág. campearam abusos. Os hebreus. 132. frei Jacomé. primitiva. Alguns fugiram. ed. op. delações e crimes. tomo IV. para Lisboa. foram vencidos deslealmente pela insidia judaica e pela corrupção do ouro de Israel. pág. O bispo foi afastado para os sertões do São Francisco. 1915. pág. pág. 405: Borges dos Reis "História do Brasil". A Câmara de Olinda festejou naturalmente com estrondo a resolução de El Rei. inclusive para Angola.. Sob a égide dos três flagelos . em 1713. Como temos visto e continuaremos a ver. 91 Idem. 93 "História dos cristãos-novos portugueses". que satisfazia aos judeus pelo que com ele despendiam "para à larga viver escandalosamente fora do seu convento"91. A judiaria mascatal aproveitou se disto para. tomo li. primitiva. levado a ferros. Verificamos todas a essas fases na guerra judaica dos mascates. essa desapropriação. "a sós e sem partilha". A própria frota retornou ao reino. Encadearam-se ininterruptamente devassas e prisões. amedrontados daquela justiça parcialíssima. que tinham entregue traiçoeiramente a terra pernambucana aos piratas flamengos. não se realiza de um momento para outro e sem encarniçada luta. honrados e ativos comerciantes da praça. apesar das "intrigas dos mascates". traições. iam desfrutar ainda suas riquezas. mas. mau grado a heróica restauração do século XVII. ed. tomo II. Bahia. no século XVIII. A solta. Começa pelas restrições legais. A intrigalhada judaica cindiu Pernambuco em "parcialidades rivais". integral. As súplicas das vitimas haviam penetrado na corte. segundo observa João Lúcio de Azevedo93. El Rei ordenou pelo Conselho Ultramarino nova devassa pelos fatos posteriores ao motim contra o governador e seus comparsas mascates. por mediação de um êmulo do apóstata frei Francisco de Menezes. 181. cujo corifeu em Lisboa era o cristão-novo desembargador Cristovam Reimão95. Os pernambucanos. cit. declarando ter sido JUSTO o procedimento dos mascates. por castigo divino. cit. coberto de glórias recaia outra vez. fez-se uma devassa. pág. que concluiu como era de se esperar que concluísse. Houve muitas deportações.. pelas coligações ocultas. cit. Reinou o terror judaico. feita com lágrimas e sangue. tal qual os emboabas. 94 Varnhagen. naufragou nas costas de Galiza e os espanhóis despojaram de tudo os mascates judeus que nela iam intrigar em Lisboa! A "confusão geral" provocada por esses sucessos durou até 1714.Estes peitaram mais em seu favor grandes trunfos e empenhos em Lisboa. levando abundante documentação forjada contra os pernambucanos. op. adulterando os fatos de acordo com as normas da Sinagoga. Por causa dela. 155-156. Bernardo Vieira de Melo. vencedores leais pelas ar mas. como almejavam. 92 53 . Varnhagen. Ficava muito pior do que na época mais despótica do domínio holandês94. 96 Varnhagen op. ouvidor e juiz. ed. Bernardo Vieira de Melo e ou tros mais foram humilhados e presos. págs. que haviam explorado o empõrio do açúcar e o tráfico negreiro. Pernambuco. André Dias de Figueiredo. pág. pois para esse confirmara já a anistia dada pelo bispo. dizer que era uma afronta aos moradores do Recife96! A afronta dos vadios e pés-rapados senhores de engenho aos esforçados.governador. o qual merecia prêmio e não castigo! Os patriotas começaram a ser vilmente perseguidos. 155. nas garras do kahal! O povo ia gemer no ecúleo das extorsões. 95 Borges dos Reis. idem. 179.. franciscano intrigante.

os judeus se espalharam pela audiência de Charcas. loc. com aquela perseverança passiva. 9 Op. isto é. fundida e lavrada na metrópole e devidamente contrastada. op. pág. "Nobiliarquia Paulistana". Madrid. Daí por diante. 72. Carlos Correa Luna. "teimosia de mosca do judeu" a que alude Mario Sáa6. desaguadouro natural das riquezas do Potosi7. 439 6 "A invasão dos judeus". segundo Izaque Izeckson. loc. as delações e a fogueira. Deviam ser muito grandes os ganhos para os cristãos-novos se arriscarem a freqüentar o vice-reinado porque a Inquisição de Lima era por demais rigorosa para a judiaria de origem portuguesa4. em grande maioria. passava a chamar-se prata do Porto. 1897. ed. Jorge Nunes e Pedro Contreiras. Do Peru. desafiando os familiares do Santo Ofício. Em 1700. 3 Pedro Taques. A oeste do meridiano se extendia a enormidade dos sertões que iam esbarrar na muralha dos Andes. Como tocava na Laguna.CAPÍTULO IX O ninho do contrabando O meridiano de Tordesilhas foi recuado para o Oeste graças à audácia sem par dos bandeirantes. 50. pág. O predador de gado fixava-se ao solo como estancieiro2. onde ficava o vice-reinado espanhol do Peru. para serem relaxados. pág. "Ensaios da HIstória Colonial . nos incipientes núcleos de população do Brasil. Em 1622. já fora agarrado e punido pela Inquisição 1 A prata era a riqueza quase exclusiva do Peru. naturalmente no extremo meridional do território brasileiro se travaria uma luta tenaz que durou séculos e permitiu a flutuação das fronteiras até que as circunstâncias históricas trouxeram sua fixação definitiva. Eram. "História dos cristãos-novos portugueses". para abjurações leves ou veementes. açoitados ou queimados por heresia. pág. Em 1595. dando pleno curso à sua jeiteira para os bons negócios. XVIII. João da Cunha Noronha e Manuel Nunes de Almeida. no Brasil. mostra a força da corrente peruleira encaminhada em busca da prata. 5 Op. dando um lucro formidável pela diferença de valor. aberto ao corso dos predadores de rebanhos. só Antônio Castanho Taques trouxe 40 arrobas.Taunay. 54 . cit. são condenados os judeus judaizantes João Fernandes das Heras. havia 6 mil judeus refugiados no Prata! 8 "A invasão dos judeus". os freires Álvaro Rodrigues e Antônio Osório. judeus aventureiros que iam buscar a prata das minas do Potosí. 24. cuja cobiça era despertada pela aventura pastoril e que logo se transformavam em criadores. Diogo de Andrade. que penetrava à cata de metais preciosos até no México5. cit. Diogo Lopes de Vargas e Duarte Henrique. 1792. cit. 2 Pedro Calmon. pág. que "pode não revelar inteligência alguma. "História da civilização Brasileira". 10 Ricardo palma. A Antonio de Ulloa. A rota do poente fora procurada antes da do meio-dia. Buenos Aires. o grande escritor peruano Ricardo Palma chega a exclamar: "Mala suerte tenian los portugueses con la Inquisisión de Lima10!". págs. "Os judeus portugueses e brasileiros na América espanhola" in "Journal de La Societé des Americanistes". bigamia e até por dizerem missa sem o poderem. Em 1625. recunhadas. Narrando esses e outros fatos. pág. pág. "Anales de la Inquisición de Lima". "Noticias Americanas". João Lúcio de Azevedo. 7 Carlos Correa Luna. 39 ed. o número de cristãos-novos portugueses que figuram nos mesmos autos. 245. Cf. pág. 4 Argeu Guimarães. cit. Desde 1550 se falava.D. 225. Em 1605. A quantidade de prata contrabandeada nessas viagens clandestinas foi colossal. nos famosos peruleiros ou homens que faziam o Peru. 302. estourando de prata1. Ao sul da Laguna se alongava o pampa com seus gados alçados. Madrid. A Inquisição de Lima começou a funcionar em 1579 e já em 1581 levava ao auto da fé dois religiosos lusos judaizantes. Francisco Rodrigues. latrocínio. Gregório Dias. já residiam em Buenos Aires de 5 a 6 mil judeus portugueses8. 60-61. Em 1754. pág. falso testemunho. Esse tal Diogo de Andrade era o que hoje se chama um elemento perigoso. cit. 91. 1914. Baltasar de Aranda". a qual. 600 quilos3! Até as moedas espanholas eram trazidas por essa gente e corriam. mas apenas a índole gananciosa"9. 109. pág. a província de Tucumã e o estuário do Prata. 109.

os judeus-portugueses desceram para o Rio da Prata e daí seu afluxo a Tucumã. Henrique Nunes de Espinhosa. "e o chefe de todos. núcleo da vida exterior. Manuel Gonçalves. Manuel da Rosa. chamado o Capitão Grande. figuravam ainda um tal João da Costa. Antonio Cordeiro. Gaspar Nunes Duarte. fez com que a rafaméia judaica se embiocasse neles afim de passar desapercebida. Luiz Valência. Diogõ Lopes da Fonseca. Sebastião Duarte. Rodrigo de Ávila "o . pela qual se descobriu que as sinagogas da América estavam em íntima ligação com as da Holanda12. Pascoal Dias. centro da vida interior daquela região. Perseguidos pela Inquisição limenha. "Memória do Reino do Brasil" Imprensa Régia. Domingos Montesid. Francisco Fernandes. nascido em Tucumã. mesmo depois da traição dos judeus-emboabas. e que podia. Manuel Matos. As redes inquisitoriais colheram nessa grande conspiração de caráter internacional avultado numero de cris tãos-novos e judeus lusos: João Rodrigues da Silva. de crioulos. Manuel Álvares. possuidor de várias minas de prata. Gaspar Fernandes Coutinho. Francisco Luiz Árias.do México por vários delitos. 34 e segs. Pedro Farias. João Azevedo. Luiz Gonçalves dos Santos. quando ainda o Brasil continuava com Portugal ligado à Espanha. Jerônimo Azevedo. págs. 14 Pe. que eram os nascidos na terra. Na segunda década do século XVIII. com justiça. Francisco Montesinos. 113-114. págs. que em Latim se diz verna. cit. Bartolomeu Leão. Na linguagem colonial platina se conservou a memória dos castelhanos de velho tronco racial. e a Buenos Aires. Manuel Batista Peres. que o hitlerismo agora põe em foco. Cf. Francisco Mendes. Os bandeirantes paulistas também haviam continuado a buscar o Oeste em novas e audazes entradas pelos sertões ignotos. tomo 1. diz o processo. verdadeiro oráculo da religião hebréia". 39. Antonio Balseira da Costa. cujas riquezas. Fernando Esteves. Vimos qual foi sua invasão pelo avultado número deles que. permitindo aos conversos o uso de nomes dos cristãos-velhos lusitanos. Mateus Henriques. Ricardo Palma. foi queimado como relapso11. conta o cronista Pelliza y Tovar que as autoridades espanholas se apoderaram de vasta correspondência cifrada dirigida aos judeus portugueses. pág. 1825. sendo os agentes diretos da obra os países marítimos protestantes: Inglaterra e Holanda. Rodrigo Vaz Pereira. porém. ser chamado o Rei dos Peruleiros. a Inquisição teve de proceder com o maior rigor contra a judiaria portuguesa que se irradiava pela América Espanhola. Lançaram-se ainda para o Norte. Além desses quarenta. Francisco Vasques. Naturalmente. Pascoal Nunes. que eram quem nós sabemos14. Melquíades dos Reis. existia nessa última cidade. que a legislação manuelina. XXXV. 13 Op. achou as minas de ouro de Goiás e Pascoal Moreira Cabral.Moço". já no meado do século XVIII. Bartolomeu Bueno. somente os portugueses é que souberam aplicar devidamente o nome de crioulo. velho negocista e contrabandista. Paulo Rodrigues e Tomás de Lima. A enumeração destes quarenta réus é fastidiosa.Nessa designação çoreja a diferenciação étnica do ariano e do judeu. que Ricardo Palma classifica "o maior judeu que já houve no Peru 13". in nota: "Espanhóis. escravo nascido na casa de seu senhor ou nela criado de pequeno". Fernando de Montesinos. as de Cuiabá. Os Kahals forneceriam subsídios e fomentariam as traições e espionagens. fundando as primeiras fazendas de gado do Piauí e os primeiros estabelecimentos agrícolas do Maranhão. Fernando Espinhosa. seguindo o caminho dos peruleiros. 12 55 . Amaro Diniz. Luiz de Lima. isto é. cuja fortuna era calculada em meio milhão de pesos. descendentes dos conquistadores germânicos da Península. o cirurgião Francisco Maldonado da Silva. "el castigo de los portugueses". já nascera no Brasil. contrabandistas de prata. Henrique Lourenço. No ano de 1639. Simão Osório. em contraposição aos crioulos. cit. filho de judeus-portugueses. D. pag. nascidos na América. seu verdadeiro nome era David e dizia-se descendente de Abraão. Tomás Quaresma. Luiz Veiga. op. cit. Mateus da Cruz . e aos marranos. mas serve para mostrar. Jorge Silva. 11 Op. o Anhanguera. franceses e ingleses tratam os filhos dos europeus. Lisboa. O fito era a destruição do império colonial luso-castelhano pela conquista e desagregação. judeu que. O problema é muito mais velho e mais profundo do que pensam os ignorantes e os mal-avisados. Dessa vez. chamando-os godos. que morava em Lima no famoso paço até hoje conhecido pelo nome de Casa de Pilatos. além da importância da trama sinagogal descoberta nas cartas em chave.

em um dos pontos nevrálgicos da política do continente. Em 1676. reconhece um jovem sociólogo de talento. em 1737. pág. a fim de garantir futuramente sua posse. "As fronteiras do Sul".Depois do Oeste e do Norte. não é possível deixar de compartilhar a insuspeita opinião de Bermejo. O choque entre bandeirantes e padres repercutiria. no fundo dos vastíssimos pampas verdes. cit. estendendo-se para o Norte. as reduções jesuíticas erguiam faustosas igrejas e colégios de pedra. em 1678. estabelecido o presídio do Rio Grande. op. pág. recebia instruções de E1 Rei para fundar um estabelecimento no estuário platino. destinada ao controle da embocadura do Prata e a concorrer com Buenos Aires. nas órbitas oficiais. perdêssemos toda a região em que o elemento povoador luso-brasileiro não penetrara com força. 20 Alfred de Brossard. sem dúvida.981. Foi isso. Madrid. agricultores e católicos. avançando ao seu encontro e também tomando o caminho do litoral. Eles haviam penetrado nele desde 161417. onde. arruinando 22 missões guaranis18! No subconsciente dos conquistadores piratininganos. Passaram-se mais dois 15 16 General Abreu de Lima. O núcleo da Laguna. "Fundada a Colônia do Sacramento em 1680. "A formação do Rio Grande do Sul".Manuel Lobo. o governador do Rio de Janeiro. Porto Alegre. onde vagueavam índios cavaleiros Areando gados bravios. Os dois avanços determinaram uma série enorme de acontecimentos históricos. eixo de sustentamento da possessão do Rio Grande. "Anais da Biblioteca Nacional'°. Segundo as "noticias utilíssimas à coroa de Portugal e suas conquistas". 22 ed. Daí o anseio de atingir a cordilheira do Maracaju e o Apa. Vieram 160. fundação dos Brito Peixoto. Os jesuítas procuravam ganhar terras. pág. os paulistas pelo Sul. Paulo. traria guerras e viria até nossos dias com o litígio das Missões. Dois anos depois. Guillaumin. 91. de Xerez e de Vila Rica. a feira de gado de Sorocaba. Ainda a mesma necessidade leva os portugueses à fundação de um estabelecimento à margem esquerda do Prata. 1922. 1850. 155. 1920. de que Portugal "foi sempre uma sentinela vigilante. A importância daquela foz era muito grande. "História do Brasil". era necessário trans por os campos de Vacaria. desceram para o Sul. "país dos paulistas"16. é uma questão de vida ou morte para a conquista lusa19". Esse marco avançado para o extremo sul será a colônia do Sacramento. 17 Escragnolle Taunay. todo o território compreendido entre o Rio Grande e o Paraguai chamava-se. "Considérations sur les Républiques de Ia Plata". pelo interior. 34 19 Jorge Salis Goulart. fundada por Garay na margem fronteira20. o Papa Inocêncio XI criou o bispado do Rio de Janeiro e lhe deu jurisdição até o 23 Prata . "Na era das bandeiras". De 1620 a 1640. Todavia. outro. pág. Se a coroa portuguesa houvesse cuidado de povoar com certa rapidez as terras compreendidas entre a linha riograndense e a margem orien tal platina. por onde já se arriscara o paulista Manuel Mendes.. Essa necessidade dita o pedido da Câmara da Laguna para a vinda de casais açorianos. a qual acaba sendo a linha do Rio Pardo. Ali se poderia erguer um magnífico empório. era um foco de irradiação bandeirante. o Brasil hoje se debruçaria sobre as águas turvas do grande rio. No meio dos quais os judeus refugiados do Peru viriam meter-se com o único fito de ganhar dinheiro. doc. 23 Fernando Nobre. S. depois. D. 1935. Servia de entrada para todo o comércio das possessões espanholas meridionais e centrais. por dentro. Era o caminho dos conventos de que fala Cristovam Pereira. 21 Jorge Salis Goulart. pág. um tanto esquecida dos espanhóis. nota-se uma faina desusada no sentido de se abrirem caminhos terrestres do Norte para o Sul. 161 in nota. 22 Antonio Bermejo de la rica. 56 . trabalhadora e profílica que vai permitir a existência de uma base povoada na constante flutuação das fronteiras. A posse do Rio Grande. Livraria do Globo. Para lá chegar. págs. no futuro. dentro do próprio Paraguai. "La Colonia del Sacramento". Nº 1. 18 Alfred de Brossard. que esperou sua hora com paciência e cautela"22. as bandeiras ferozes rodopiaram pelas regiões do Guaíra. com o tempo. o caminho marítimo toma uma predominância enorme sobre o terrestre21". o estuário do Prata. nas últimas décadas do século XVII."arruinando o Estado. op. por fora. o que mais contribuiu para que. 161. e de escoadoro para os seus produtos. Entretanto. a fim de ser povoado o território. iam pejar os cofres estrangeiros"15. Paris. palpitava o sentido da ne cessidade de pôr uma barreira natural de permeio às possessões das coroas rivais: grande serra ou grande rio. 34-35. em trato com os indígenas e os castelhanos. gente sedentária.

A fundação da Colônia despertou os zelos do governador de Buenos Aires. 32 Ferreira da silva. Nesse ínterim. José de Garro. porém. de novo. 19. Francisco Bauzá. e a Inglaterra instigava Portugal e Espanha28. Vê-se que as relações entre o Prata e o Peru eram seguidas. cedeu os direitos que porventura tivesse sobre o território e a praça da Colônia. Em derredor da cidadela. onde ainda se achava em 162826. 1737. pág. Bahia. "História de la dominación espanhol en el Uruguay". cujo cabildo pedia ao rei de Espanha o castigo da ousadia portuguesa. para ir recolhendo os despojos. todas as intrigas e conchavos. recebeu em 1703 ordem para acometer a fortaleza lusitana. O Tratado de Utrecht. D. 29 Visconde de São Leopoldo. cit. mascates. Os "viandeiros" são os mesmos mercadores. fomos já nós.485. depois de "formidables y bravos combates 30''. n° 1. viu-se obrigado a incendiar e abandonar a praça. que enriquecia pelo comércio e sobretudo pelo contrabando31. em torno do pomo de discórdia de Colônia. D. em 1722. 25. "História da Civilização Brasileira". doc. Alonso Juan de Valdez Inclán. de pleno direito. que pediu reforços ao Vice-Rei do Peru e mandou sitiá-la por D. Outro período de prosperidade logo começou para aquela feitoria comercial e posto militar. Jorge Soares de Macedo. aos lusitanos. no ano de 1724. Manuel Lobo morrera prisioneiro em Buenos Aires. contra os países católicos. chegando sua gente a querer apoderar-se do sítio de Montevidéu. os brasileiros. Isto equivale dizer que os interesses comerciais judaicos. como diz Varnhagen. 30 Fernando Capurro op. restituiu-as. Antônio de Vera Mujica. págs. Felipe V.anos e. em 1701. 28 Fernando Nobre. na Europa e nas Colônias. "Nova Colônia do Sacramento" Lisboa. pág. a tantos cuidados. 27 Fernando Capurro. para lá se mandavam os prisioneiros de marca. a Colônia prospera e começa a inquietar ao governo de Buenos Aires27. que a perdemos de vez. enchendo-se de ouro "fosse como fosse". 1839. Não podendo resistir por falta de munições e recursos à investida inimiga. o qual a atacou depois de renhida luta25. tremulou ao vento a bandeira de Portugal. 1928. de clara um cronista coberto de razões24. os que manobram a política. e a tantos gastos". a tantas intrigas. ed. 29. cit. querendo obter as simpatias da corte lisboeta. intervinham na luta. o governador da colônia. quando a política mudou a obtenção de simpatias em guerra aberta."pág. veremos como foi infatigável a obstinação portuguesa em conservar a conquista. em janeiro de 1680. capitão-general das Províncias do Rio da Prata. Aliás. op. D. O mestre-de-campo. Recife e Maranhão. A 11 de novembro de 1716. Nas colônias transatlânticas que "buscavam estender-se uma a custa das outras". Reconstruída e abaluartada em 1683. 27-28. forasteiros. O contrabando principiara na Colônia logo que crescera a população com os judeus refugiados de 24 25 Simão Pereira de Sá. o valente Sebastião da Veiga Cabral. depois que "o comércio se apoderou quase exclusivamente da política. "Terceira povoação da Colônia do Sacramento". de 1722. 31 Op. "Anais da Provincia de São pedro". O rei não o atendeu e. A metrópole. isto é. aumentando mais sua população em "viandeiros" do que em agricultores32. 57 . a tantas negociações feitas e desfeitas. sobretudo a Inglaterra. Foi este o prólogo de uma grande tragédia política. não quis assumir a respon sabilidade do feito e mandou restituir a praça aos portugueses em 1683. Pedro Calmon. Os judeus manobravam os países protestantes. Montevidéo. porque são esses. 26 "Anais da Biblioteca Nacional". Durante o drama secular. a luta se tornou mais violenta. Fora destinado a "palestra das armas". De lá vinham as ordens e auxílios para a guerra. efetivamente. que vimos em ação em Minas. multiplicou e engrandeceu to das as combinações29". Um dos seus principais com panheiros. fora levado para Lima. desenvolvia-se a futura cidade. As armas espanholas conquistaram ruínas que a diplomacia espanhola iria perder em breve prazo. ateando a guerra entre ambos. pág 77. sob os baluartes refeitos. Veremos oportunamente as razões. como era o caso do Brasil versus Prata. cit. eram lançados os alicerces do ousado baluarte que "deu origem a tantas guerras. em 1715. "La Colonia del Sacramento". nascida desse pomo de discórdia plantado no limite que a natureza como que traçara para o Brasil.

1810. recebendo em troca farinha. 58 . 42 Idem. "A voyage to South America and the cape of good Hope". Acontecia mais ou menos a mesma coisa no comércio de madeiras43. o que fazia a judiaria fugir por meio do contrabando ao seu pagamento. desde os primeiros tempos até sua entrega definitiva aos espanhóis. vindos de Tucuman e da outra banda do Prata. carne seca. 33. Somente os interesses do contrabando explicam as vitórias da diplomacia portuguesa. op. "Manual de História Uruguaya". cit. nem a própria Colônia do Sacramento. pelos quais se cobravam fortes dízimos41. É o que diz. Outra fonte de rendas ilícitas deviam ser as famosas verbas secretas destinadas a comprar amizades e inteligências entre os castelhanos44. n° 2. com Oliveira Lima à frente 35. n° 2. Araujo. em ligação constante e oculta com os milhares deles que iam infestando a nascente Buenos Aires. 31. raramente toman do parte direta por causa do perigo.495. no ano de 1700.063. bebidas e escravos negros.. Para o mister de contrabandista. "o ninho do contrabando"36. explicitamente. Keith. n° 2. 33.pelo interior das audiências espanholas e era exercido pelos antigos peruleiros e seus descendentes.. Assim. com o comércio ilícito. Uma pequena reflexão sobre esse ponto permite compreender claramente as razões secretas dos fatos ocorridos na nossa corrida para o Prata. 36 Alfred de Brossard. 0. pág. Montevidéo.Lima. O conde de Moncloa. 35 "D. Vice-Rei do Perú. Araújo: "o contrabando se fazia em grande escala com gente pouco escrupulosa de Buenos Aires. O governo de Buenos Aires declarava aquele "gran canal predispuesto por la naturaleza para el comercio de contrabando". as forças ocultas manejavam sempre de maneira a Colônia tornar ao poder de Portugal. que se irradiava . 40 "Anais da Biblioteca Nacional°. tomo I.988 41 Idem.40. julgava oficialmente "muito lesivos ao monopólio peruano" o comércio e o contrabando que ali se desenvolviam37. pág. como já o declarava em 1694 o governador português Dom Francisco Naper de Lencastre. nº 1.363. era necessário que fosse uma cunha portuguesa enfiada na porta de entrada das possessões espanholas. Londres. que o judeu praticava.630. Enviavam para ali tabaco. 39 Fernando Nobre. 38 Eduardo Azevedo. doc. op.. 37 Fernando Nobre. 33 34 G. Nas mãos da Espanha. pão e outros artigos de que os intrusos tinham falta. em verdade. eram empregados aventureiros capazes de recorrer às armas em caso extremo39. cit. segundo um deles. tangidos de Lima pela Inquisição. por trás dos ingleses. obtendo as restituições da Colônia tomada pelas armas castelhanas. pág. No comércio ilícito da Colônia. O contrabando que ainda hoje se pratica nas fronteiras meridionais mergulha suas raizes nessa época e nas dinas tias de contrabandistas fronteiriços ainda se podem achar alguns nomes de judeus que travaram conhecimento com a Inquisição de Lima. até os próprios governadores da Colônia dele participavam42. Para haver o rendoso contrabando. dirigindo e estipendiando. "admirável ponto de contrabando". para que serviria? O comércio de Mato Grosso não existia e era o único lugar do Brasil para onde se poderia ir por aquele canal. Todos os historiadores estão de acordo em proclamar o contrabando da Colônia. pág. 112. cit. Como se vê. Aquilo era. nem ganhava a futura capital da Argentina. "Resumen de Ia Historia del Uruguay". João VI no Brasí0. 36. tomo I. em virtude de uma cláusula imposta pela liberal e judaica Inglaterra no tratado de Utrecht38. a quem uma cédula real de Filipe V o permitia no estuário. açúcar.494-4. entrava continuamente muita prata. O. os judeus praticavam os maiores abusos no tráfico de negros. A importância desse comércio ilícito se manifestou em Buenos Aires pela diminuição das rendas públicas e pelo luxo que ostentavam algumas famílias que faziam praça de fortunas de origem absolutamente desconhecida"34. Além do contrabando. 43 Idem. Ele arruinava o comércio dos estabelecimentos espanhóis. contrabando de tal modo generalizado e corruptor que. pág.. op. mas os eternos intermediários judaicos com sua jeiteira para os bons negócios. Era também grande o comércio de couros. penetrando com suas mercadorias até o Chile e o Peru33. 44 Idem n°s 4.

cit.. Bruno de Zabala combatia com todas as forças o contrabando que lhe minguava as rendas da administração para a engorda de cristãos-novos. págs. embora tardiamente. 1910. isolando-a no estuário platino de tal modo que chegou a ficar sem um palmo de terreno além dos fossos da circunvalação. O padre Vieira acercara-se deles e maus foram os resultados.O governador espanhol D. O armistício de Paris. em 1737. lançavam contra ela todas as suas forças. 59 . aboliu as últimas separações e distinções entre cristãos-velhos e cristãos-novos. Publicavam-se o Anti-Cotton e as Monita Secreta. 27. cedendo Portugal a Colônia em troca das Missões jesuíticas do Uruguai. Monod. Portugal se aviltou sob o domínio do marquês. ele expulsou os portugueses que queriam estabelecer-se no local onde hoje está Montevidéu e fundou Maldonado. no tráfico. em 12 de fevereiro de 1761. mais amanhã. sucessor de Felipe V. quanto mais a intromissão desse fermento de decomposição em qualquer Estado. Combate-se o judeu. com a melhor consciência deste mundo. D. Expansão Lusa pelo interior das terras estava "burlada"45. O judeu. um anteparo entre a Colônia e o Rio Grande. A ordem de Santo Inácio entrava em decadência e as sociedades secretas. "Les Jesuites". que anulou o de 1750 e fez tudo retornar ao estado anterior47. cheio do ouro conseguido no pau-brasil. motivou sua perda definitiva. Demais. Boehmer op. só foi resolvida de vez em 1750 pelo Tratado de Madrid. Pfister. governador de Buenos Aires. que excediam a tudo quanto os protestantes haviam dito e escrito contra a Companhia de Jesus46. A. Dai em diante. em 1773. esquecendo-se dos perigos que representa a sua simples aproximação. 1913. pág. op. mal chegava a terras estranhas de maior tolerância. pondo. 31. História dos cristãos-novos portugueses" pág. 358. pág. Em todos os capítulos desta história secreta. Os jesuítas franceses associaramse a eles e disso resultou aquele escandaloso processo Lavalette. no reinado de Fernando VI. " La Genése du XIX Me. Em 1735. entrava de cabeça 45 46 Fernando Capurro. catem hospitalidade e logo que tomam pé passam a comportar-se como verdadeiros senhores!. voltava aos ritos ancestrais e impunha a circuncisão à prole49. de parceria com o judaísmo. os portugueses não abandonaram a Colônia. Paris. Paris. na pirataria. Ia reacender a luta travada pela posse da margem do Prata. rompidas as relações entre os dois reinos rivais da Península Ibérica. 48 H. 49 João Lúcio de Azevedo. De 1724 a 1725. J. Governava Portugal o pulso forte de Sebastião José de Carvalho. como antes havia inundado todas as anteriores. H. sem dela conseguir apoderar-se. em 1936. 47 Fernando Capurro. não se usa do judeu. julgam a ocasião propícia para realizar as ameaçadoras promessas dos seus pro fetas e se dispõem. temos provado com documentação abundante a verdade do que afirma Houston Chamberlain: "Quando os judeus se acham em grande número em país estranho. enquanto os índios missioneiros se rebelavam contra as autoridades empenhadas em realizar o combinado. cit.. afastando dela a gente culta no momento em que Pombal em Portugal. Siécle. O resultado foi que o tratado não entrou em vigor e. que tão grandes danos causou à ordem. tão ferrenha que. que entendera usar dos judeus na sua politica dominadora. Pombal não tinha ainda recebido essa lição da experiência e. 346. Porém a execução do pacto suscitou tais dificuldades que teve de renunciar a ele e os pobres índios vencidos de Caybaté e os jesuítas expulsos acabaram. pág. celebrou-se novo pacto. op. na mineração e no contrabando. A questão. graças à heróica resistência da guarnição. vencendo as combinações diplomáticas. Aranda na Espanha e Choiseul em França lhe vibravam os grandes golpes que a enfraqueceriam para sempre48. o de Pardo. a devorar as nações50". conde de Bobadela. que começara em 1682. Marquês do Pombal. pôs termo às hostilidades. Cedamos palavra a uma observação atual. assim. Chegam como mendigos perseguidos. cit. 50 Houston Chamberlain. Payot. no Inglaterra: " A Inglaterra vai se tornando dia a dia o paraíso dos judeus. que se retirara descoroçoado para o Rio de Janeiro. de G. pág 265. põe cerco à Colônia durante dois anos. triunfante em toda linha. A resistência dos padres vencera os esforços de Gomes Freire de Andrade. 268-274. inundou as companhias de comércio por eles formadas. onde o contrabando prosseguia descaradamente. A judiaria portuguesa. com o tempo. porém. tomo 1. o que. Poehmer. trad. no açúcar. Por isso. não passou mais de um navio de pedra ancorado na praia platina. do Dr. Alvaro de Salcedo. usá-lo equivale a cair-lhe nas unhas mais hoje.

Antonio Alcedo. D. ordenou que o mesmo Ceballos se preparasse o melhor possível para a reconquista.. para melhor atender à defesa do Sul do Brasil. sendo o contrabando sua especialidade52. Seus bastiões e revelins foram arrasados. É que. entupidos com os barcos cheios do entulho das demolições)54. Portugal. O Rio Grande. a guerra durara mais ou menos dez anos e só em 1776 os invasores haviam sido expulsos pelo esforço conjugado de lusos e brasileiros sob o comando do grande general João Henrique Bohm. governador de Buenos Aires. "La Colonia del Sacramento". Op. ficou em nosso poder até o Chuí. manietado por uma política interna. art. Pedro Ceballos.erguida na vida pública da nação. rei de Espanha. amigo dos pedreiros-livres. conquistou em 1777 a nossa base da ilha de Santa Catarina e retomou a disputada fortaleza do estuário. O Brasil-Reino conquistaria mais uma vez a Colônia. págs. 1778. 52. pagou na a narqula judaica dos últimos tempos da Monarquia e dos atribulados tempos da República às suas concessões. invadira o nosso territOrio e ocupara a vila do Rio Grande. em setembro de 162. formidável para o tempo e o lugar. no futuro. uma expedição espanhola. 60 . op. Pombal. "Dicionário Geográfico-Histórico de las índias Occidentales". 53 D. O BrasilImpério a perderia para sempre numa guerra infeliz. O tratado de Santo Ildefonso entregou a plena posse da margem setentrional do Prata e da Colônia do Sacramento à Espanha. Teve todo o apoio secreto até o fim. porém. porque vivia de fraudes e ladroagens no cargo. entendendo ser necessário arrancar de vez aos vizinhos a margem esquerda do Prata. Israel enriqueceu-se no contrabando sem derramar uma gota de suor ou sangue. protetor dos judeus. No território rio-grandense. Era com toda a cer teza sócio da judiaria portenha nessa pirataria. com toda a Banda Oriental.. Todas essas tomadas e retomadas haviam custado o esforço e o sangue dos homens de vulto ou ignorados que constituíram nossa Pátria. evacuado. pág. "Memória sobre o assédio e rendição da Colônia do Santíssimo Sacramento". 55 e segs. cit. O Tratado de Paris. mandou restituir novamente a praça aos lusitanos e outra vez judeus e ingleses voltam a ganhar rios de dinheiro no contrabando53. Saqueou o quanto pôde na invasão. depois de receber uma "ordem secreta" 51 para atacar os estabelecimentos portugueses. de 10 de fevereiro de 1763. investira a Colônia do Sacramento e dela se apoderara. não poderia ver os resultados da sua política. Xavier de Brito. os canais do porto. No ano da Graça de 1763. 51 52 Carlos Correa Luna. cit. Com efeito. depois de dez anos de domínio. o marquês mandou transferir a capital da Bahia para o Rio de Janeiro. 54 Pedro F. Carlos III.

Curitiba. todas. Dasté. os preconceitos de raças. 1935. No seio da Igreja Católica nascente. em proveito do judeu cabalista. 9-10. Divide et imperas. Extingue. 89. de classes". 57 Duque de la Victoria. A acumulação da fortuna e o assalto às fortunas públicas e particulares foram levados a efeito pelo monopólio do pau-brasil. Seu verdadeiro papel é estu dar. Paris. pela ciência. O fim social da maçonaria é a reconstrução do Templo de Salomão. Leão XIII mui acertadamente compara à 55 56 "Les nerfs des batailles sont les pécunes". a fim de se apoderar da riqueza e ter aquela pecúnia . É o mesmo grande maçon Dario Veloso quem o confessa na op. a construção do domínio judaico. 7. contra os sírios. contra os romanos. pág. Paris pág. o envenenam com idéias de aparência liberal e filantrópica. atingido esse desideratum. o tráfico negreiro. "Les sociétes'sécréts et les juifs". investigar e dar curso às ordens recebidas. a força do ouro. contra os egípcios. cit. os judeus viveram numa "conspiração contínua59". O próprio Dario Veloso nos assegura que o Templo maçônico é meramente a terra (pág. 39). o Estado. 61 . O segredo maçônico disfarça. Com tais ideologias. realizar a propaganda. e os homens reunidos em uma única e só família. Aí já não se apresentará tão descoberto e se valerá das sociedades secretas. Fran çois Rabelais.a que se referia Rabelais55. 58 Duque de la victoria. cit. Contra os persas. Garnier. caps.cit. no qual se professa tão só o "dogma da humanidade" (pág. o estanco de produtos. meros instrumentos e intermediários do judaísmo.. o Governo Oculto de Israel pretende dominar o mundo. 59 L. 63. enfim. diz o grande maçon Dario Veloso. a conquista. das idéias. procurar e preparar a força de que carecem os judeus na grande massa do povo. em virtude da pressão de novas necessidades políticas. cit. o açambarcamento de gêneros. A tolerância religiosa da maçonaria não passa de disfarce do seu materialismo positivo. vai provocando em todos os organismos governamentais e sociais as divisões de que devem resultar todas as suas fraquezas. sobretudo as sociedades secretas maniquéias a que a bula Humanum Genus de S. 57. Os que servem a maçonaria. Daste. a especulação sobre os açúcares. o que. destruidoras dos lineamentos da ordem social e gé radora de ódios. o contrato dos diamantes e o contrabando. esconde e protege o Poder Oculto Internacional. 1912. págs. as companhias de comércio e navegação. 1 46 60 Op. Madrid. as quais temo dom de transformar os cristãos em "traidores da própria Pátria e da própria fé. "Oeuvres". 10. durante cinco séculos. pág. pois. 1924. A mais importante de todas as sociedades secretas é. a dominação judaica se estabelece e vai passando despercebida do comum dos mortais58. Assim aconteceu na Rússia bolchevista. o judaísmo atacara o segundo setor da sua luta. onde a maçonaria foi terminantemente proibida logo após o triunfo judaico. tornando-as fontes de iniciação nas doutrinas cabalistastalmúdicas. pág. multiplicando-as num "labirinto diabólico". Op. XI e sobretudo XV.CAPÍTULO X A entrada em cena da maçonaria VIMOS até agora todos os meios postos em prática pelo judaísmo no Brasil. L. fazer adeptos. À sombra desse maravilhoso agente preparatório. sem ex ceção. Desde o cativeiro da Babilônia até o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. da Renassance Française. pag. IV. "Delaunay provou que os Mistérios Maçônicos eram originários do Egito e foram trazidos para Europa pelos judeus". S. 44. verdadeiras utopias na maior parte dos casos.Possuindo os meios pecuniários. pela fraternização consciente. "Israel Manda". Toda a Gnose dos primeiros séculos do cristianismo proveio da cabala judaica. pag. o Templo de Salomão é a Terra Gloriosa. a pirataria. 223. cuja ambição é conquistar pela astúcia e pela traição o domínio universal56". Para isso. em "O Templo Maçônico". Cf. X. por meio dele. 24).nervo das guerras . pág. desaparecerão na voragem57. ed. as sociedades secretas gnósticas se espalharam pelo oriente e pelo Ocidente61. op. a desapropriação forçada das minas. ignoram que. Todo esse ideal utópico esconde simplesmente a construção do Templo Salomônico do Talmudismo do judaísmo de hoje. somente sendo permitida a abertura de lojas recentemente. às vezes sutil. quase todos os grandes heresiarcas foram judeus. sem dúvida a maçonaria. A conspiração judaica contra o mundo inteiro é antiquíssima e permanente. que organizará em compartimentos es tanques e superpostos. infiltraram as divisões e heresias 60. eles. Prólogo. "Os Protocólos dos Sábios de Sião".

1712. "Illustration of Masonry". as "judaicas do Talmud". que usa o sistema dos cabalistas talmúdicos. 154. Michelet. Obedecia a esta palavra de ordem: "enriquecer para comprar o mundo67". brabantinos e albigenses saem em plena IdadeMédia. derivados diretamente da cabala judaica70. tomo III. a infiltração dos pedreiros-livres ocorreu em 170371. n 69 Pe. Dasté. outra pública. cit. 64 Ad. fundada na Palestina em 1118. pág. Paris. O fim secreto dessa ordem de cavalaria. muito poderosas pelas franquias que gozavam como construtoras dos edifícios públicos e das catedrais góticas. pág. op. "Le drame maçonnique". pags. Catáros. como se vê. A história afirma íntima ligação entre a célebre Ordem dos Templários e o judaísmo. sua regra. Lembre-se o que disse Dario Veloso sobre a construção ao Templo de Salomão. eles se infiltraram nas antigas corporações de pedreiros-livres. desta sorte. mais aparece a culpabilidade dos Templários. Imputavam-lhe. o qual data do exílio de Babilônia 64. com grande aceitação por parte dos fidalgos fúteis e cortesãos. confessa que a doutrina maçônica nada mais é do que o judaísmo cabalista66. pag. A maçonaria surgiu em França no reinado de Luiz XV. que. os judeus sempre procuraram. 63 Matter (protestante). quanto mais se aprofunda a questão. Amsterdam. segundo as confissões pormenorizadas idênticas todas elas nos países mais diversos. Paris. e Clemente V a dissolveram de surpresa. o mesmo propósito dos Templários: destruir a Religião e o Trono. 74 Larudan. Na Inglaterra. pág. cujos ritos são os mesmos da maçonaria. sofrem condenações infamantes. Jannet. págs. 68 L. Delas veio o nome de pedreiros-livres ou francomaçons. em 1737. 65 "Histoire de France". cit. pag. 42. 62 L. 393. Dasté. "Essais sur le Gnosticisme". 67 Henri Robert Petit. Diretamente. de acordo com o modelo da profecia de Ezequiel". "a cabala dos gnósticos. Vinha importada da Inglaterra e o cardeal de Fleury.para os judeus. para os cristãos judaizantes ou judaizados. Paris. Bailliére. 4. 323. 58. "Les francs-maçons ecrasés". 66 Eliphas Lévi (autor insuspeitíssimo: ocultista apóstata e maçom). 1885. 47. esse é o Kahal. 71 Pretton. 70 C. 63. 1843. destruindo o Estado 74. 1843. op. cit págs. 1746. "adquirir influência pela riqueza. em toda a cristandade. pág. 1. patarinos. págs. no século XVIII. "Histoire critique du Gnosticisme". foi a dos ocultistas Rosa-Cruzes do século XVII. o historiador mais anti-católico deste mundo. op. 62 . reservada aos mestres. desde muito tempo. acumulado mentiras sobre mentiras. tomo II págs. "enganando. Frank. 1936. tomo II. 11-12. 35-55. a católica-romana. Londres. 1718-1763". op. "Chronique de la Régence et du régne de Louis XV. cit. É aos Templários. Queria. que esta se liga em primeira mão69. 22-23. destinada à propagação dos seus ensinamentos65.op. seu exemplo os maçons guerreiros de Zorobabel. utilizaram e amaram o mistério". derrubar a autoridade do Papado e o poder da Realeza. A cabala viveu e vive sempre no mais profundo seio dos mistérios da maçonaria. tomo I. destruída pelo Papa e pelo rei da França. "Por necessidade ou natureza. Barbier. e.maçonaria. Paris. pág. "Dogme et rituel de la Haute magie". "Histoire de la Franc-Maçonn_e rie. dessa fonte maniquéia e cobrem a França com "uma rede invisível de sociedades secretas"62. op. mandou fechá-la manu militari73. No século seguinte. 54. em Jerusalém. assim. cit. intrigar e apoderar-se do mundo". Havia traído São Luiz nas cruzadas e preparava vasta conspiração em toda a Europa 68. tentando inocentar a Ordem do Templo. cit. pág. "Infiltrations maçonniques dans 1'Eglise". L. 72 Barbier. Paris. Nourry. op. cit. depois de longos e minucïosos processos. Dasté. pags. seu ideal. 1861. Jannet. era "a reconstituição do templo de Salomão. op. Tomo II. é a maçonaria. Tinha duas doutrinas: uma oculta. destinada a ser. cit. aos adversários que pretendiam suplantar". 65. primeiro-ministro. têm um governe oculto organizado63. pag. Todavia. 1935. suas tradições. Dasté. L. Amelineau. Nouvelles Editions Latines. Iniciava a 61 Adolf Frank (judeu) Ma Kabballe°.française". Hachette Paris. 222 e segs. a mãe da maçonaria. desde o tempo dos romanos. 341-353. quando Felipe. Desté. C. "Os sectários de toda espécie têm. 73 Albert Lantoine. Relata um cronista coevo que mantinha "inviolável segredo" quanto às suas "assembléias ocultas e perigosas para o Estado 72". pág. págs. o Belo. 61-63. Outra corrente formadora da maçonaria.

pode triunfar sem haver antes destruido os fundamentos do Estado75. "A invasão dos judeus". O restolho. pág. 78 "Memória do distrito diamantino". Em Portugal. 585. chefiado por Pascoal da Silva Guimarães. com razão. os quais detestavam o fisco minguador de seus proventos. ora visível e retumbante. o que prejudicava grandemente os magnatas da mineração. afirma. A cobrança dos impostos reais e as repressões do contrabando determinavam contínuas agitações. 82 Há sabor de cristão-novo no nome de Musqueira da Rosa. persistente. Daí o levante trágico de 1720. se estabeleceram as casas de fundição às quais deveria ser levado todo o metal precioso. Os próprios judeus abertamente cofessam. 1822. em Minas e na Bahia. Imp. que o Conde de Assumar reprimiu duramente com o incêndio e o cadafalso83. para de novo atiçar as labaredas 84. nº 13 e segs. confessa o maior dos técnicos revoluçionários modernos. 63 . 198. "Exposição História da Maçonaria no Brasil" in "Arquivo Maçônico". não era propriamente um fim para a maçonaria. Três lustros depois. pág.. as lojas maçônicas datam dos últimos tempos do regime colonial. ficara a "arder às surdas". Cf Mario Sáa "Portugal-cristão-nevo". A extração do ouro aumentava sem que aumentassem os quintos de El Rei81. ao certo. Nacional. lá fora. porém. com o fim visível e retumbante da libertação dos brasileiros das garras da metrópole. algumas sob os da França. Por isso. págs. op. separatistas. como o reconhecia o próprio 75 76 Albert Sorel. "Efemérdes Brasileiras". de modo que a história judaica corre paralela à história universal e a penetra por mil tramas80". pag. que não passavam de cristãos-novos. na opinião de um dos homens que melhor estudaram a questão nas suas causas e efeitos. 83 Rio Branco. Os exemplos de outras obras maçônicas. Paris. portanto. outras. haviam ficado a "arder às surdas" as chamas revolucionárias. tomo II. regionais e. Fundaram-se no Rio de Janeiro. na Bahia e em Pernambuco77.preparação do terremoto social de 1793. Na capitania de Minas. Vamos avivá-los nas conspirações que primeiro tentaram movimentos de independência. 79 Marius André. desde a guerra dos emboabas. 77 Manoel Joaquim de Menezes Drummond. 81 Pedro Calmon. Porque nenhuma revolução. como se introduziu a maçonaria no nosso pais. principiava no reino lusitano a era dos maçons.. pág. 12. a maçonaria se encarregaria de habilmente soprar o borralho. se sentia isso e se temiam mais os inimigos internos do que os externos. Na fin 1'empire espagnol d'Amerique". Rio de Janeiro. "já funcionava na Bahia o Grande Oriente". que. mas com o fim mudo e latente do esfacelamento do império colonial português. Precederam de um quarto de século a transladação da corte. porém um meio de enfraquecer Espanha e Portugal que eram os dois maiores inimigos do judaísmo: latinidade e catolicidade 79. 346-347. Essa independência dos países sul-americanos. no meado do século XVIII. que. o mesmo fim da conquista flamenga. oculto. cit. Umas foram instaladas sob os auspícios do Grande Oriente português. mas. 142. e do esfacelamento do novo império que. 253. Oportunamente. "História da Civilização Brasileira". 253. o consciencioso historiador Joaquim Felicio dos Santos declara não saber. 26 de julho de 1907. com o tempo. independentes deles. ano 29. "L'Europe et la Révolution". se encontra a ação judaica. pag. 84 Joaquim Felício dos Santos. Todas do rito adonhiramita. Manuel Musqueira da Rosa e Felipe dos Santos82. O estado via-se ali pobre e fraco diante dos particulares fortes e ricos. A repercussão do grito da independência dos Estados Unidos deveria ecoar no sul do continente. setembro. No Brasil. pág. com o Marquês de Pombal. começando seu "trabalho lento. Mario Sáa. Embora não tendo à mão o documento maçônico de que extraímos estes dados. de certo. "tanto que as duas palavras eram sinônimos e. para a nossa independência78. Recife. 80 "Univers Israelite". se constituiria na América Latina. pedreiro-livre era sinônimo de judeu76. ora muda e latente. verificamos na nossa história pública os traços inconfundíveis dessa história secreta. contribuíram para êxito da empresa. "em todas as grandes revoluções do pensamento. 81. que eram. Até aqui. Nouvelle Libraire Nationale. Certo nativismo orgulhoso se misturava ao regulismo dos descendentes dos cristãos-novos mascates e forasteiros que se haviam apoderado pela força e pela traição das lavras de ouro. no campo. das colorias. pag. 3. 1907.

de passagem. pág. Não há geração espontânea na natureza e também não há na vida das sociedades. não pelo seu valor intelectual ou pelas suas convicções políticas. 1935. quando as atmosferas sociais estão sobrecarregadas pelas toxinas que agem à socapa. em grande parte com informações hauridas do Senador Teófilo Ottoni. As idéias que andam no ar nunca nasceram por si. num capitulo das "Memórias do distrito diamantino". textualmente: 85 Antonio Rodrigues. no descontentamento dos brasileiros mais cultos vendo o seu paraíso. 489. escrito. que o Grande Oriente se estabelecera na Bahia. tomo pág. Corriam boatos desencontrados. Maia morreu mais tarde em Lisboa. Nessa primeira tentativa republicana no Brasil. cit. op. segundo confessa. escocesas e iluminadas. com efeito. 20 Cf. A opressão metropolitana fazia-se sentir duramente em Minas. escreveu. começava a lavrar aquela febril agitação. a respeito de seus propósitos libertadores. 91 Izaque Izeckson. e "envolto em tanto mistério que mal sabiam os conjurados do que nele se tratava nem ao certo. 88 J. sem nada haver conseguido. embora ainda adstrita a localismos. 64 . regressavam aos lares cheios de entusiasmo pela grandeza da terra brasileira comparada com a exigüidade européia e cheios de maior entusiasmo ainda pelo exemplo norte-americano e pela figura do grande maçom Benjamin. 90 Isaque Izeckson. pag. "Consulta do Conselho Ultramarino à Sua Majestade no ano de 1732" in "Re vista do Instituto Histórico e geográfico do Brasil". a qual facilmente se tornaria o centro diretor de qualquer movimento de idéias a se objetivar em ação. Filtra-se o segredo maçônico nesta revelação histórica. de nome certamente herdado dos forasteiros de 1709. o francês Parny. a Tomas Jefferson. que vem comprovar de modo incontestável o que afirma o probo Joaquim Felício: "A inconfidência de Minas tinha sido dirigida pela maçonaria 89". Bartolomeu de Almeida. 39-4G. Vimos. Franklin. afirmavam-se já alguns vislumbres de consciência nacional. 89 "Memórias do distrito diamantino".Conselho Ultramarino. prenunciadora da Grande Revolução. 86 J. preso à coroa de Portugal. Cá dentro do Brasil. Foi bem um quadro em puro estilo do século XVIII: os conspiradores da liberdade no meio das ruínas clássicas! Jefferson recusou-se polidamente a entrar na combinação. a qual ia incendiando os nossos patrícios em contato com a juventude revolta das escolas francesas. as pessoas de que se compunha88". cit. conforme o notava. no ar. pág. "o esforço judaico é inegável91". da Costa. assoprada pelas forças ocultas. Tornou-se. que fora ao Velho Mundo levar o angustiado pedido de socorro dos Filhos da Viúva de sua Pátria às lojas adonhiramitas ou do rito francês. "tesouros mal guardados"85. em 1786. 289. sede do governo da capitania. sobretudo nas universidades de Montpellier e Paris. José Mariano Leal e José Pereira Ribeiro 86. Norberto de Souza e Silva. Em Vila Rica. Levados por essas idéias e entusiasmos. tão gabado judaicamente desde os "Diálogos das Grandezas". houve estudantes brasileiros na França que procuraram entabolar negociações para a nossa independência com potências estrangeiras. artigos no jornal católico °A Ordem". com a venalidade da magistratura. loc. 60. alegando que seu país não estava ainda em condições de arcar com as responsabilidades de complicações com outras nações. participantes duma Arcádia Literária. Na França. havia uma roda de homens cultos. o monopólio do sal e a proibição dos teares para favorecer a indústria do reino. Maia. A idéia da independência andava. o qual lhe concedeu uma entrevista romântica nas arenas de Arles87. Domingos Vidal Barbosa. Um autor judeu assegura que os judeus "tiveram muita influência no preparo material e espiritual" da conspiração90. 253. "História da Cor) juração Mineira". Rio de Janeiro. 87 "Extratos da correspondência de Tomás Jefferson" in "Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil". Pois bem. mas porque era o segundo comandante dos famosos Dragões das Minas e os poderia arrastar a um pronunciamento. tomo VII. As esperanças de libertação polarizavam-se em torno da figura prestigiosa do tenente-coronel Francisco Freire de Andrade. Alguém as sopra de qualquer parte. os vexames do fisco. como José Joaquim da Maia. como se diz. págs. Norberto. pág. como costuma acontecer sempre. Joaquim Felício declara. Os moços brasileiros que estudavam na Europa. "os judeus na Independência" In "Almanaque Israelita. anteriormente. Garnier. embaixador dos Estados Unidos.

As preterições lhe amargavam a alma. Em 1868. estacionara no posto de alferes da 62ª Companhia dos Dragões das Minas. e fizera a campanha do Sul. o intendente Francisco Gregário Pires Monteiro Bandeira. Indicio vago. sem proveito. que estudara e comentara a "Riqueza das Nações" de Adam Smith 94 e que se encarregara de preparar os "códigos fundamentais" da futura república. um espírito de sacrifício. Era filho do boticário Domingos da Silva Santos e de Antônia da Encarnação Xavier. todas as rebeldias assopradas da sombra têm cuidado com o maior empeno: circun célios. sem proteção. Castro Boticário e muitos outros são cognómes que denunciam ainda hoje. pág. certamente descontentaria muita gente e aumentaria o número dos prosélitos. para a carreira das armas e. Em Tijuco. José Joaquim da Silva Xavier. 12. Tentara a mineração. Em lugar do nome paterno. o velho Cláudio Manoel da Costa. nascera em São João Del Rei e principiara a vida como mascate nas Minas Novas. como os de 1930. os padres Miguel Eugênio da Silva Mascarenhas e Carlos Correa de Toledo. contra os invasores castelhanos. depois o cadete José Vieira Couto e seus irmãos92". onde põem gente sua. na onomástica mutável de sua família. Quando Tiradentes foi removido da Ahia (?). comunistas russos.Rodolfo Garcia. "Parnaso Brasileiro". 71. "Os judeus no Brasil colonial in -Os judeus na história do Brasil". As influências judaico-maçônicas manobravam seu idealismo patriótico. porque sua atenção não estava voltada para o todo brasileiro e sim para o torrão natal. sem nada de comum com as atitudes dos judeus nessas ocasiões. procurara obter da indiferença do Vice-Rei D. Norberto. op. cit. um amor da responsabilidade e uma resignação altamente cristã. O papel que assumiu na derradeira etapa da malfadada conspirata demonstra. pelo contrário. ambos sacerdotes. fardado e revestido das insígnias maçônicas de mestre93. o primeiro que se iniciou foi o padre Rolim. já promovido a desembargador. albigenses. no caixão mortuário. jaques. Entrara. pág. pág. Luiz de Vasconcelos a concessão do abastecimento de água e dos trapiches96. na inquietação constante de seu caráter. Outros revolucionários. Fazia o que se chama biscates em medições de terras. O referido cadete faleceu no Tijuco. Quando no Rio. porém. tomo II. por que entre seus nomes há o de Silva. Era pouco ou nada simpático de aparência "feio e espantado". que se tornaria a figura principal da Inconfidência por todos os títulos. para fazer desaparecer os títulos de propriedade. o populacho o vaiava por causa do físico incomum e por viver perguntando a esmo o que faria Minas feliz. hoje Diamantina. O anúncio de uma derrama. No Rio de Janeiro.cit. nas tentativas desatinadas de ganhos e concessões. 95 Op. cit. balaios e quebraquilos do Norte. campônios de Maria da Fonte. Da roda arcadiana de conjurados faziam parte o ouvidor Tomás Antonio Gonzaga. em conseqüência de enfermidade contraída na cadeia de Vila Rica. Disso. como o de Costa e Pinto97". trazia instruções secretas da maçonaria para os patriotas de Minas. 94 J. alcunhado o Tiradentes por exercer a profissão de dentista. Diogo Pereira de Vasconcelos. na profissão do pai (46) e no seu primeiro meio de existência como mascate. 96 Loc. que possuía muitas obras proibidas. disse dele Alvarenga Peixoto."Tiradentes e quase todos os conjurados eram pedreiros-livres. Se o sangue de Israel 92 93 Op. cit. loc. Maiores se encontram na versatilidade de sua vida. a farmácia. depôs na devassa o sargento-mor José Joaquim da Rocha. Mendes dos Remédios. que traziam nomes diferentes: Francisco Ferreira da Cunha e Daniel Armo Ferreira. 70. ainda viviam pessoas que tinham assistido ao seu enterro e o viram. cit. Tinha dois irmãos. pela profissão ancestral a origem judaica de seus portadores" . Januario da Cunha Barbosa. se apoderam dos cartórios. usava o materno. 65 . que liam versos e propagavam a idéia do republicanismo separatista. finta geral do fisco cobrando tributos atrasados. o poeta Inácio José de Alvarenga Peixoto. como recurso de vida. A revolução deveria estalar nesse momento e entre seus planos figurava a queima dos cartórios95. 97 É sabida a predileção dos judeus pela arte de curar e sua derivada. Diz Isaque Iseckson que era possivelmente judeu. na leviandade fanfarrona de seu temperamento. é bastante para se fazer em sã consciência a afirmação de que fosse de raça judaica. "preferido pelos judeus-portugueses. A revelação é notável. onde estivera preso e ficara "sem crédito". Nada disso. em Portugal. devi do ao alto conceito de quem a faz.

seu superior hierárquico.. de tal modo o meio o purificara através das gerações que pôde praticar atos que o imortalizaram. com o padre Manoel Rodrigues da Costa. Em sentido literal . Organizou sociedades em Minas. foi levar o que ouvira ao conhecimento das autoridades. por intermédio do desembargador Luis Beltrão. a 11 de junho de 1788. Maciel. Paulo com o intuito de. do qual a Linguagem Maçônica. 161. lê-se o seguinte em Antônio Augusto de Aguiar. na sua obra sobre bandeiras e brasões do Brasil pinta-o verde. se é que houve alguma coisa escrita? O primeiro pensamento de Aires Gomes. Sobre o Dr. que os conspiradores esperavam ansiosamente para se manifestarem. Tentou. De torna viagem. porque as leis ordenavam a delação. em Vila Rica. Por onde andarão os papéis desse tempo. que não gostou disso. com o Triângulo. diz unicamente o seguinte: "Emblema da Divindade. Fez o mesmo na fazenda do Registro Velho. Berlim e Leipzig. em companhia do ouvidor que ia substituir Tomás Antonio Gonzaga. que na hora oportuna fizessem a revolução°. e ao capitão Maximiano de Oliveira Leite. José Álvares Maciel. iniciara-o no mistério da conjura. Clóvis Ribeiro. No Rio de Janeiro. o qual. medroso de complicações. Rio de Janeiro.fazer a propaganda das idéias e preparar elementos. do governo da capitania. munido de autorização real para a cobrança da derrama. o Triângulo aparece encarnado. pag. Falou ao próprio tenente coronel Freire de Andrade. Esse informe foi dado ao Marquês de Barbacena na sua mocidade. que o repeliu. 98 Op. O Dr. que ele conheceu. por meio delas. estivera na Inglaterra. que fora antes dele para Vila Rica. pág.chapéu".. Rio de Janeiro e S. Pedro José de Araújo Saldanha Em conversa. no "Livro Maçônico do Centenário". o Dr. tornando-o uma figura simbólica. Por causa de seu involuntário silêncio. o que vai ao encontro da referência de Joaquim Felício sobre as instruções secretas ou a prancha trazida da Bahia. 66 . Bandeira da Inconfidência proposta por Tiradentes. 1896. seu comandante. expandiu-se sobre as novas idéias. sem resultado. Imprensa Nacional. José Alves Maciel. Tiradentes pusera-se em contato com um moço mineiro que regressava formado da Europa. 7:". Tiradentes passou na fazenda do opulento José Aires Gomes. pode ser visto na pág 112 da obra "Compass der Weisen° de Ketmia Vere. posteriormente se viu envolvido nas teias do processo. 1779. por um dos inconfidentes ali desterrados. cit. Durante a ausência do alferes. "Vida do Marquês de Baroacena". 12. pag. É preciso respigar nos historiadores. O triângulo na posição em que aí está. quando serviu em Angola. coronel da cavalaria auxiliar na Borda do Campo. o Barão Proeck. todos eles desavisados da questão judaico-maçônica. buscando apoio para o levante de Minas Gerais.porventura lhe corria nas veias. Tiradentes continuou a falar no assunto. segundo o depoimento de Domingos Vidal. os vestígios das atuações das forças ocultas. Em certas reproduções da Bandeira dos Inconfidentes. E impossível deslindar o segredo maçônico das origens da conspiração sem consultar os arquivos secretos da maçonaria. o Visconde de Barbacena. tomara posse. afirma Joaquim Norberto98.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful