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CADERNO DOUTRINARIO 01

CADERNO DOUTRINARIO 01

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PRÁTICA POLICIAL BÁSICA

Caderno Doutrinário 1

INTERVENÇÃO POLICIAL,
VERBALIZAÇÃO E USO DE FORÇA

Missão

Assegurar a dignidade da pessoa humana, as liberdades e os
direitos fundamentais, contribuindo para a paz social e para
tornar Minas o melhor Estado para se viver.

Visão

Sermos excelentes na promoção das liberdades e dos direitos
fundamentais, motivo de orgulho do povo mineiro.

Valores

a) Respeito aos direitos fundamentais e Valorização das pes-
soas.

b) Ética e Transparência.

c) Excelência e Representatividade Institucional.

d) Disciplina e Inovação.

e) Liderança e Participação.

f) Coragem e Justiça.

PRÁTICA POLICIAL BÁSICA

Caderno Doutrinário 1

INTERVENÇÃO POLICIAL,
VERBALIZAÇÃO E USO DE FORÇA

Belo Horizonte

2010

Direitos exclusivos da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG)

Reprodução proibida – circulação restrita.

Comandante-Geral da PMMG: Cel.PM Renato Vieira de Souza

Chefe do Gabinete Militar do Governador: Cel.PM Luis Carlos Dias Martins

Chefe do Estado-Maior: Cel.PM Márcio Martins Sant´ana

Comandante da Academia de Polícia Militar: Cel.PM Fábio Manhães Xavier

Chefe do Centro de Pesquisa e Pós-Graduação: Ten.-Cel.PM Antônio L. Bettoni da Silva

Tiragem: 2.000

MINAS GERAIS. Polícia Militar de. Intervenção Policial, Verbalização e Uso de Força

M663i - Belo Horizonte: Academia de Polícia Militar, 2010.

120 p. (Prática Policial Básica. Caderno Doutrinário 1)

1. Intervenção policial. 2. Uso de força. 3. Atuação policial. 4. Técnica e tática policial militar.
5. Verbalização policial. I. Título. II. Série

CDU 355.014

CDD 363.22

Ficha catalográfca: Rita Lúcia de Almeida Costa – CRB – 6ª Reg. n.1730

ADMINISTRAÇÃO:

Centro de Pesquisa e Pós Graduação

Rua Diábase 320 – Prado

Belo Horizonte – MG

CEP 30410-440

Tel.: (0xx31)2123-9513

Fax: (0xx31) 2123-9512

E-mail: cpp@pmmg.mg.gov.br

SUMÁRIO

1 APRESENTAÇÃO 9

2 PREPARO MENTAL 15

2 1 Estados de prontidão 18

2 1 1 Classificação dos estados de prontidão 18

2 2 Estados de prontidão e a atuação policial 21

3 AVALIAÇÃO DE RISCOS 25

3 1 Metodologia de avaliação de riscos 27

3 2 Aplicação 29

4 PENSAMENTO TÁTICO 31

4 1 Quarteto do pensamento tático 33

4 1 1 Leitura do ambiente 36

4 1 2 Alinhamento do estado de prontidão 37

4 2 Processo mental da agressão 39

5 INTERVENÇÃO POLICIAL 43

5 1 Níveis de intervenção 45

5 2 Etapas da intervenção 46

5 3 Abordagem policial 48

5 3 1 Fundamentos da abordagem policial à pessoa em atitude suspeita 50

6 VERBALIZAÇÃO POLICIAL 53

6 1 Comunicação na abordagem policial 57

6 2 Verbalização do policial face ao comportamento do abordado 62

6 2 1 Abordado cooperativo 62

6 2 2 Abordado resistente passivo 64

6 2 3 Abordado resistente ativo 67

6 2 4 Verbalização no caso de prisão 68

6 3 Considerações finais 69

7 USO DE FORÇA 71

7 1 Princípios do uso de força 76

7 1 1 Níveis de resistência da pessoa abordada 81

7 1 2 Uso diferenciado de força 82

7 1 3 Modelo do uso de força 87

7 1 4 Responsabilidade pelo uso de força 88

7 2 Uso da arma de fogo 89

7 2 1 Regras gerais de controle 89

7 2 2 Normas de segurança 90

7 2 3 Usar ou empregar arma de fogo 91

7 2 4 Atirar ou disparar arma de fogo 93

7 2 5 Objetivo do disparo 93

7 2 6 Procedimentos para o disparo da arma de fogo 97

7 2 7 Circunstâncias especiais para o disparo de arma de fogo 98

7 2 8 Procedimentos após o disparo de arma de fogo 103

7 3 Relatórios sobre o uso de força e arma de fogo 104

7 3 1 Confeccionados pelo policial 104

7 3 2 Roteiro básico de apuração referente ao uso de força e arma de fogo 106

GLOSSÁRIO 109

REFERÊNCIAS 117

APRESENTAÇÃO

SEÇÃO 1

Caderno Doutrinário

11

1

1 APRESENTAÇÃO

Os fundamentos aplicados neste “Caderno Doutrinário” estão em conformidade

com a legislação brasileira e com os documentos oriundos da Organização das

Nações Unidas (ONU), no que forem aplicáveis à função policial, quais sejam:

Princípios Básicos sobre a Utilização da Força e de Armas de Fogo pelos Fun-

cionários Responsáveis pela Aplicação da Lei (PBUFAF), o Código de Conduta

para os Encarregados pela Aplicação da Lei (CCEAL), o Pacto Internacional sobre

Direitos Civis e Políticos (PIDCP), o Pacto Internacional dos Direitos Sociais, Eco-

nômicos e Culturais (PIDSEC) e a Convenção Contra a Tortura e outros Trata-

mentos ou Penas Cruéis, Desumanas ou Degradantes1
.

Expressar toda a complexidade da atividade policial em um conjunto de textos

é desafiador. Cada intervenção é singular e exige flexibilidade do profissional.

Mas é necessário ter parâmetros bem definidos que deem sustentação às ações

policiais, mesmo considerando essa versatilidade. Diante dessa realidade,

caracterizada por tantas variáveis, é imprescindível respeitar os princípios legais

e éticos que conferem identidade e legitimidade à profissão policial e aplicar

técnicas e procedimentos consolidados pela experiência de seus integrantes. A

construção do escopo doutrinário declara o que esta atividade tem de essen-

cial, constante e estável; uma estrutura sólida que servirá de guia sobre o qual a

criatividade, quando necessária, deverá se referenciar.

A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) apresenta um conjunto de “Cadernos

Doutrinários” que estabelecem métodos e parâmetros que propiciam suporte à

sua prática profissional e, por isso, consistem em instrumentos educativos e de

proteção, tanto para o policial quanto para o cidadão.

Este Caderno Doutrinário 1 – Intervenção Policial, Verbalização e Uso de

Força tem como finalidade apresentar orientações básicas para a efetividade

das intervenções policiais e deve ser tomado como referencial obrigatório para

os demais “Cadernos Doutrinários”.

1 Ressalta-se que as normas internacionais em que o Brasil é signatário, se incorporam ao ordenamento jurídico brasileiro, via de regra,
com força de lei ordinária.

PRÁTICA POLICIAL BÁSICA

12

A seção 2 trata do preparo mental e dos estados de prontidão, ressaltando
a importância de o policial ensaiar possibilidades para antecipar respostas e
observar sua capacidade de reação para as diferentes situações do cotidiano
operacional.

A seção 3 traz a metodologia para proceder à avaliação de riscos, ferramenta
necessária para diagnosticar as diversas situações de ameaça e as condições de
segurança para uma intervenção.

O pensamento tático é outro recurso importante para o diagnóstico de cada
ocorrência, fornece elementos para analisar e controlar as diferentes áreas do
“teatro de operações” e buscar interferir no processo mental do agressor, subsi-
diando o planejamento da intervenção. Será desenvolvido na seção 4, em com-
plemento à seção anterior.

A seção 5 aborda o tema intervenção policial, suas etapas e classificação em
três níveis diferentes, em função dos objetivos e riscos avaliados. A abordagem
policial
, como exteriorização da intervenção, também é tratada nesta seção,
contudo, de forma introdutória, pois será retomada mais detalhadamente nos
outros “Cadernos Doutrinários”, devido à sua importância na atividade policial.

A verbalização policial é tema da seção 6, destacando a importância dos ele-
mentos verbais e não verbais do processo de comunicação, como instrumento
facilitador em qualquer intervenção, aplicável em todos os níveis de uso de
força pela polícia.

Finalizando, a seção 7 dispõe sobre o uso de força, seus diferentes níveis, além
de trazer considerações e orientações sobre o uso de arma de fogo e de força
potencialmente letal
, consistindo num referencial para que o policial tenha
segurança em utilizá-la, desde que em conformidade com os princípios éticos
e legais que regem seu emprego. É importante acrescentar que a elaboração
desta seção contou com a colaboração destacada de instrutores formados no
âmbito do projeto de integração das normas de Direitos Humanos à prática
policial, promovido pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

Caderno Doutrinário

13

1

Este conjunto de “Cadernos Doutrinários” operacionais denomina-se Prática
Policial Básica
e será composto pelos seguintes documentos:

Caderno Doutrinário 1 – Intervenção Policial, Verbalização e Uso de Força

Caderno Doutrinário 2 – Tática Policial, Abordagem a Pessoas e Tratamento às
Vítimas

Caderno Doutrinário 3 – Blitz Policial

Caderno Doutrinário 4 – Abordagem a Veículos

Caderno Doutrinário 5 – Cerco, Bloqueio e Interceptação

Caderno Doutrinário 6 – Escoltas Policiais

Caderno Doutrinário 7 – Abordagem a Edificações

PREPARO MENTAL

SEÇÃO 2

Caderno Doutrinário

17

1

2 PREPARO MENTAL

É fato que cada ocorrência policial possui um conjunto de variáveis que a torna
única. Cada intervenção é singular, exigindo que o policial seja versátil e capaz
de adaptar-se às peculiaridades de cada situação do cotidiano operacional.
Nesse contexto, a segurança do policial, na execução das suas tarefas, está dire-
tamente relacionada ao seu preparo mental2

.

Considera-se preparo mental o processo de pré-visualizar e ensaiar mental-
mente os prováveis problemas a serem encontrados em cada tipo de inter-
venção policial e as possibilidades de respostas. Essa antecipação desencadeia
um conjunto de alterações fisiológicas e psicológicas, colocando o policial num
estado de prontidão que ampliará sua capacidade de resposta a cada situação.

A falta do preparo mental do policial durante uma intervenção prejudicará o
seu desempenho, levando a um aumento de seu tempo de resposta à agressão
e, assim, o uso de força poderá ser inadequado (excessivo ou aquém do neces-
sário para contê-la). Num cenário mais grave, o policial pode ser levado a uma
paralisia ou a um bloqueio na sua capacidade de reagir, comprometendo, con-
sequentemente, a segurança e os resultados da ocorrência.

Visualizar as situações e respostas possíveis prepara o policial para a tomada
de decisões. Mesmo em circunstâncias adversas (por exemplo, ferido ou sob
estresse), o policial bem treinado terá como responder adequadamente, dentro
dos padrões técnicos, legais e éticos.

O treinamento policial baseado em situações práticas que se aproximam do
cotidiano profissional, somado à análise crítica de erros e acertos vivenciados
na experiência real contribuem para o desenvolvimento da habilidade do poli-
cial pensar sobre como ele agiria nas diversas situações, visualizando mental-
mente suas respostas e definindo previamente o seu procedimento básico.
Dessa forma, ele criará rotinas seguras para sua atuação.

Por isso, o treinamento policial deve ser contínuo, valorizando o preparo
mental,
tanto quanto todas as atividades da capacitação profissional.

2 No Manual de Prática Policial – Geral / Volume 1 (2002), o termo utilizado no Título do Capítulo II é “condicionamento mental”.

PRÁTICA POLICIAL BÁSICA

18

LEMBRE-SE: ao desenvolver o preparo mental, o poli-
cial antecipa-se, fazendo uma avaliação preliminar das
ameaças e considerando possibilidades de atuação.

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