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1 INTRODUÇÃO DIREITOS HUMANOS

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1 INTRODUÇÃO Inicialmente, a afirmação e positivação dos direitos humanos nas primeiras constituições e tratados internacionais como a Declaração dos

Direitos do Homem de 1948, compreendem um importante passo da humanidade visando criar mecanismos de respeito e reconhecimento à dignidade da pessoa humana, a liberdade, a justiça e paz no mundo. Infelizmente, tais declarações e princípios e garantias constitucionais estão sendo transgredidos a cada momento, devido a vários fatores (capitalismo, globalização, neoliberalismo, entre outros fatores), justificados pela realidade social. Nesse sentido, será também enfatizado neste ensaio, a necessidade da busca de uma nova perspectiva para os direitos humanos, levando em consideração buscar maneiras para a concretização desses direitos, a eficácia das normas e tratados internacionais e nacionais para a realização da dignidade da pessoa humana e a justiça social. 2 DIREITOS HUMANOS: controvérsias entre o “papel” e a “realidade” Primeiramente, os direitos humanos compreendem garantias

individuais imprescindíveis. Um dos princípios fundamentais dos direitos humanos constitui o princípio da dignidade da pessoa humana, que traz a idéia da dignidade como qualidade intrínseca da pessoa humana, do qual o ser humano em virtude de sua condição humana, é titular de direitos de devem ser respeitados e reconhecidos[1]. Quanto ao conceito de direitos humanos, assevera Morais (2002, p. 523): [...] como conjunto de valores históricos básicos e fundamentais, que dizem respeito à vida digna jurídica, política, psíquica, física e afetiva dos seres e como condição fundante da vida, impondo aos agentes

político-jurídico-sociais a tarefa de agirem no sentido de permitir que a todos seja consignada a possibilidade de usufruí-los em benefício próprio e comum, ao mesmo tempo. Assim como os direitos humanos se dirigem a todos, o compromisso com a sua concretização caracteriza tarefa de todos, em um comprometimento comum com a dignidade de todos. Já a definição de Direitos Humanos para Almeida (1996, p. 24, grifo nosso), caracteriza-os como normas ou restrições direcionadas ao poder político, expressas em declarações que são ―[...] destinados a fazer respeitar a e concretizar ser humano as condições e de vida que suas possibilitem todo manter desenvolver

qualidades peculiares de inteligência, dignidade e consciência [...]‖. Eis que nesta conceituação tem-se a afirmação fazer respeitar e concretizar esses direitos, ou seja, o fundamento maior dessas normas, consistem em protegerem os valores e necessidades mais imprescindíveis e inalienáveis do ser humano, devendo ser respeitados e concretizados. Desta forma, em face a questão dos direitos humanos, de forma imperiosa, ressalta Bobbio (1992, p. 25) que Não se trata de saber quais e quantos são esses direitos, qual é a sua natureza e seu fundamento, se são direitos naturais ou históricos, absolutos ou relativos, mas sim qual é o modo mais seguro para garanti-los, para impedir que, apesar das solenes declarações, eles sejam continuamente violados. Nesta perspectiva, é imprescindível protegê-los e impedi-los de serem violados. Assim, não se pode olvidar da contribuição negativa do atual modo de produção, o capitalismo, que apenas beneficia o capital e quem o detém, além de trazer drásticas conseqüências para grande parte da população, que não podendo usufruí-lo, sofre com seus drásticos efeitos. O capitalismo,

portanto. que não consome. No mundo globalizado. de uma aguda destrutividade. entretanto. Desse modo. devido aos números alarmantes de famintos. o egoísmo. que no fundo é a expressão mais profunda da crise estrutural que assola a (des)sociabilização contemporânea: destrói-se força humana que trabalha. 2001. de desempregados e de escravos. destroçam-se os direitos sociais. como sujeitos de direitos. 2006. 800 milhões de seres humanos sofrem de subalimentação crônica e vivem em extrema pobreza. o circuito reprodutivo do capital. 07). do império do mercado.Trata-se. vez que este modelo de produção possui um caráter extremamente individualista. de sem teto e sem terras. torna-se predatória a relação produção/natureza. a pessoa humana não tem importância para os interesses supranacionais. 38). p. de excluídos por sua cor. a problemática dos direitos humanos. A cada ano. (GENEVOIS. os direitos humanos constituem-se em tema de bastante relevância no atual momento. o consumismo. criando-se uma monumental ‖sociedade descartável‖. especulativo e excludente. sexo ou cultura. do lucro. Assim. . mantendo-se. possui uma direta relação com o capitalismo e a globalização. No mundo onde os interesses são distintos e antagônicos (direitos humanos x capitalismo). do consumismo. Nunca na História se falou tanto como hoje em Direitos Humanos. não possui seus direitos mínimos assegurados e/ou garantidos. onde reina a competitividade. que não teve ―oportunidade‖ de ser escravo explorado deste modelo de produção. (ANTUNES. O cidadão que não possui poder de compra. São milhões de pessoas que não são reconhecidas como seres humanos. ganha sempre a lógica do capital. que joga fora tudo que serviu como ―embalagem‖ para as mercadorias e o seu sistema. brutalizam-se enormes contigentes de homens e mulheres que vivem do trabalho. 30 milhões de pessoas morrem de fome no mundo. mas estamos longe do efetivo respeito a eles. p.

enquanto que a grande maioria. De um lado. Afinal. sem olhar a realidade (pobreza e miséria) e as transformações do mundo atual. mostram-se antagônicos em relação à realidade social. da competitividade da ganância e do egoísmo humano. como os alimentos. não deve ser menosprezado o desleixo e banalização por parte da sociedade e das instituições jurídicas que acomodam-se e ignoram o problema. considera-se uma verdadeira falácia e hipocrisia tratar da questão dos direitos sem mencionar uma crítica a sua afirmação e efetividade. Por outro lado. com absoluto desprezo pelas necessidades alheias. protegidos e garantidos na Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948 e na Constituição do Brasil de 1988.] que alguns vivam ostentando riqueza. p. gastando muito dinheiro com coisas supérfluas. 3 A REALIDADE SOCIAL: desilusão e perversidade Os direitos humanos.. será que existindo uma realidade perversa e desumana salientadas e afirmadas nas palavras da autora. existem ―valores e desejos‖ que possuem peso maior em face à realização da justiça social. estruturada pela extrema perversidade e banalização aos direitos imprescindíveis ao ser humano. desperdiçando bens valiosos para a humanidade. uma verdadeira massa cada vez mais pobre. como pode haver direitos humanos respeitados? Na perspectiva do mercado. visando apenas à satisfação de sua vaidade ou . Como percebe-se quanto a temática da afirmação dos direitos humanos tem-se uma grande preocupação em como fazer que esses direitos essenciais ao ser humano sejam respeitados frente à atual conjuntura capitalista e neoliberal.. uma minoria de ricos cada vez mais ricos. Nessa perspectiva aduz Dallari (2004. sofrendo com a crueldade da indiferença do sofrimento humano e com as péssimas condições de vida.Desta forma. 63): [. ou seja.

‖ (LASSALLE. dos mais de 800 milhões aumenta experimentam a fome aguda. p.] na possibilidade de aplicação da norma aos casos concretos. Para expressar isso na média nacional. mais limite de de um um bilhão vive o na pobreza.construir uma sociedade livre. outros lutam desesperadamente para conseguir o mínimo indispensável para não morrer de fome. como conseqüente geração dos efeitos jurídicos que lhe são inerentes.‖ (SARLET. ou seja. III erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais.500. justa e solidária. de frio ou de doenças conseqüentes da falta de um mínimo de bem-estar material.. 37). 2003. 2001. IV - . p. O número de analfabetos chega ao bilhão. p. é necessário eficácia! E a eficácia jurídica consiste ―[. exército desabrigados praticamente em todos os países. quase quatro bilhões de pessoas vivem em países com uma renda anual per capita inferior a U$$ 1. o papel prega e ordena uma norma ou princípio que é contrariado pela realidade. Quanto a alguns dados da realidade perversa no mundo e a constante violação dos direitos humanos. 3º as seguintes ordenações: Art. afirma Müller (2002. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I . ‖De nada servirá o que se escrever numa folha de papel. se não se justifica pelos fatos reais e efetivos do poder. II .. 575) que cerca de Dois bilhões de pessoas estão desempregados ou subempregados. A desilusão maior encontra-se quando os dispositivos constitucionais nacionais ou internacionais não se mostram concretizados e eficazes frente à esta realidade. 222).de seus caprichos.garantir o desenvolvimento nacional. Enquanto isso. A Constituição Brasileira de 1988 traz expressa em seu art. Ou seja.

como os direitos de participação política. o Estado está sujeito à economia. ―O sujeito passivo desses direitos é o Estado. A responsabilidade pela concretização de tais direitos é tarefa do Estado. p. (FERREIRA FILHO.promover o bem de todos. sexo. mas o acesso à proteção jurídica e às vias legais existe para eles. organizado em seus três poderes. Ela não impõe mais o código direito/não-direito ao metacódigo inclusão/exclusão. 2000. O cúmulo do cinismo objetivo consiste então no fato de que ―se identifica constantemente com subversão‖ a vontade de subintegrados. 50). (MÜLLER. Conforme os dispositivos constitucionais é dever do país. p. As normas (constitucionais) lhes aparecem quase que só ―nos seus efeitos limitadores da liberdade‖. pois apesar de estarem elencados na lei maior do país. sem preconceitos de origem. 574). contestado as prescrições constitucionais. a política e o direito. raça. Entretanto. o direito aos imperativos da economia. 2002. Assim. . serve somente aos superintegrados. sabendo que constitui como tarefa do Estado a proteção aos direitos sociais e outros direitos. sabese muito bem. (sub)pessoas. buscar efetivar os princípios fundamentais. (sub)cidadãos. A Constituição não integra mais eficazmente a economia e a sociedade. cor. seu fundamento maior ―realizam-se‖ apenas no papel. idade e quaisquer outras formas de discriminação. que tais princípios constituem uma verdadeira falácia. praticamente só no papel. visando o bem comum. excluídas. também deve haver uma conscientização da sociedade que não deve eximir-se de sua responsabilidade. É este é posto como o responsável pelo atendimento aos direitos sociais‖. justificadas pelas dimensões cada vez maiores das mazelas sociais no país. de pretender os direitos de cidadania que lhes cabem segundo a lei e a Constituição. assim.

não tem instrução nem acesso a eventos culturais. geradas sem família e sem moradia. Com efeito. 05. a saúde. também é cruel. de negros desvalorizados e humilhados. Esta negação de direitos e garantias faz com que uma grande parte da população. . ―São direitos sociais a educação. no que concerne. o trabalho. p. de décadas atrás. caracterizando a paisagem cruel e desumana do Brasil. 2004). a segurança. desenvolve atividades sem qualificação. a assistência aos desamparados. tais ordenações jurídicas perdem o seu valor. ver a inefetividade dos dispositivos da Constituição.. a realidade jurídica.. a moradia. como justifica-se na afirmação abaixo: [." (BRASIL.] há até mesmo uma crise de legalidade. sucede uma geração de crianças de rua. na forma desta Constituição. nem de um teto. em face ao grande número de desempregados. o lazer. permaneçam à margem do desenvolvimento e dos benefícios da sociedade. uma vez que sofre com graves problemas de violações e ineficácia. A Constituição Federal de 1988. em seu artigo sexto que se refere aos direitos sociais expressa que. uma vez que nem sequer esta é cumprida. Às crianças abandonadas na rua. os excluídos. No entanto. 2004. a todo sistema jurídico constitucional e as normas de tratados e declarações internacionais. Alimentamse irregular e precariamente. a criança trabalha desde cedo. às vezes. grifo do autor). não desfruta de saneamento básico e. para tanto.Apesar da realidade social ser perversa e desoladora. vivem na indigência e são vítimas da violência policial. de moradores sem moradia. parcela expressiva das regras e princípios nela previstos continuam ineficazes (STRECK. a previdência social. infelizmente. passados doze anos desde a promulgação da Constituição. bastando. a proteção à maternidade e à infância. Segundo Costa (1997).

impossibilitando que os integrantes dessa parcela tenham uma vida humana. irreversivelmente. salienta-se que os operadores e as instituições jurídicas precisam urgentemente ―saber‖ da inoperância das normas constitucionais e internacionais e refletirem sobre o preço e/ou as conseqüências da violação desses direitos. 27) que [. os que não têm direito ao abrigo. a falta de espírito crítico em relação a esta temática e. Não se pode escamotear que estão sendo violentados todos aqueles seres humanos privados das condições mínimas de existência: os adultos que passam fome. as crianças que passam fome e cujo cérebro é. toda a condição desumana em que vivem vários seres humanos que estão à margem desses direitos e do mundo globalizado e capitalista (violência estrutural)[2]. como algo natural. entretanto. Sobre o conceito de violência institucionalizada de acordo com Herkenhoff (2001. principalmente.. p. a perversidade desta situação concretiza-se por estar apresentar de forma sutil. Nesse sentido. pré-configurado.Em virtude das afirmações acima. operadores jurídicos e das instituições oficiais (especialmente da tutela do Estado).. p. por diversas razões e. porque inexiste no universo reflexivo dos operadores do direito uma hermenêutica que leve em conta os seus significados multifacetados e sua importância social. tragicamente. à privacidade de uma habitação. 39): A violência institucionalizada é o conjunto de condições sociais que esmagam parcela ponderável da população.] embora a Constituição Brasileira de 1988 assevere que os Direitos Humanos são objeto de proteção nacional. sem questionamentos sobre suas reais causas. Torna-se de grande valia também mencionar que a negação de direitos. assevera Leal (2000. os que não tem direito a qualquer descanso ou lazer porque a uma longa jornada de trabalho vem se somar com uma longa jornada perdida no transporte . Por outro lado. deteriorado pela desnutrição.

verdadeiramente. a violência institucionalizada constitui um frustrações numa sociedade de consumo. a irrelevância da condição dos excluídos e o desinteresse da sociedade em mudar esta realidade. 07). os que não têm direito à solidariedade. até por que rebaixados ao desnível dos que não são úteis e lucrativos? E se as sombras que escondem os vãos das pontes e os guetos das favelas não se mostram. e se de tanto não se ver.urbano. 39-40). E os direitos dos desempregados-excluídos sociais voltarão? E o Estado que se pretende ―moderno e modesto‖ prestará algum dia. (Herkenhoff. do seu chão. também apresenta a banalização. Com bases nas palavras da autora. 2001. condenados ao isolamento por força de uma organização social que pulveriza os contatos no nível de pessoa e de grupo. da referência física que lhes proporcionava segurança. que privilegia poucos. conjunto ―A de carências que somam e agravam o quadro de impossibilidades e violência institucionalizada decorre de uma estrutura mantida à força. nem se pensar estas massas desaparecerem com o amanhecer como as próprias sombras que os contêm? (ROCHA. p. o retorno das sociedades dessas hordas humanas para as quais os direitos humanos deixaram de valer. os que foram expulsos de sua terra. em detrimento de muitos‖. É imperioso também enfatizar que a situação de violência institucionalizada. atenção àqueles que vivem nas sombras dos viadutos como nas sombras dos direitos? A quem interessa. p. da qual traz privilégios para poucos com prejuízo para muitos. constata-se a atual realidade de uma era marcada pela banalização e crueldade em face ao sofrimento . 2004. Assim. nesta perversa colocação de uma globalização de ganhos e de um liberalismo tão velho e desumano.

352). mas para toda a coletividade. O que está em jogo é a natureza humana em si. 1997. a responsabilidade do Estado concentra-se no desafio da extensão universal da cidadania.humano. ocasionadas pela ordem neoliberal e pelas normas ―hiper ou ultra constitucionais do mercado‖ que estão acima de qualquer direito humano. 510). decorrentes dos tratados de direitos humanos ratificados pelo Brasil. Torna-se mister. são as ―perdas‖ de direitos. a massificação do jogo ―salve-se quem puder‖. As conseqüências de tudo isto. das condições mínimas para a concretização da dignidade da pessoa humana. p. p. (PIOVESAN. do que nunca tiveram). o desapreço a crítica. 217) define que . Cabe ao Estado brasileiro conferir séria e rigorosa observância aos instrumentos internacionais de direitos humanos. (ARENDT. Sobre a cidadania Corrêa (2002. No que tange à universalidade dos direitos humanos. p. a visão e vontade de construir um mundo melhor. como também no desafio de conferir cumprimento às obrigações internacionais assumidas relativamente aos direitos humanos. (perdas. a ineficácia das normas e infelizmente. revolta. mas apenas destruí-lo. é preciso não esquecer as necessárias limitações de uma experiência que exige o controle global para mostrar resultados conclusivos. que vinculam juridicamente o Estado brasileiro. a falta de indignação. e. criando uma sociedade na qual a banalidade niilística do homo homini lupus é consistentemente realizada. não só para si. embora pareça que essas experiências não conseguem mudar o homem. salientar que o Estado brasileiro que possui a obrigação de garantir os direitos essenciais ao ser humano e estender a cidadania. 2003.

torna-se necessária uma nova visão e uma organização que rompa com as estruturas dominantes e causadoras da exclusão. os oprimidos e discriminados de qualquer espécie são sujeitos políticos fundamentais de cuja conscientização e organização articulada dependerá a reconstrução do espaço públicoestatal fora da lógica do lucro e da mais-valia.. 2002. No atual momento de crise de modelos globais de sociedade é preciso fazer com que o novo ―horizonte de sentido‖ no campo simbólico possa vir acompanhado de um igualmente novo projeto político capaz de provocar a superação dialética das contradições vigentes..] os excluídos. Em uma esfera onde o número de marginalizados e sujeitos que estão à margem das garantias do direito é cada vez maior e mais complexa. Em contraponto. como agente componente do Estado. Isso exige organização e articulação política da população voltada para a superação da exclusão existente. É pertinente a denúncia contra as constantes práticas de violências realizadas contra os seres humanos.[. Eis o grande desafio para os que ainda acreditam ser possível a construção de uma cidadania capaz de oportunizar a todos o acesso ao espaço público.] significa a realização democrática de uma sociedade. . (CORRÊA. para a construção de uma verdadeira cidadania[3] é primacial a busca de novos viesses que superem esta ideologia dominante e excludente. os defensores dos direitos humanos não devem ficar calados ou sem ação. uma parcela da responsabilidade também cabe a sociedade. Como assevera o autor. Além disso. [. tendo como valor-fonte a plenitude da vida. p. 232). compartilhada por todos os indivíduos ao ponto de garantir a todos o acesso ao espaço público e condições de sobrevivência digna...

também torna-se fundamental despertar a consciência da coletividade para que ninguém fique indiferente a afirmação dos direitos humanos e as violências contra a pessoa humana. p. da avaliação e da denúncia dos fatores que determinam a escalada do medo e da violência. é pertinente valorizar o ser humano. um mínimo de sentimento da dívida pessoal e social para com aqueles que tiveram a infelicidade . uma injustiça.. Somos todos filhos da loteria biológica. Assim. 03). deixando patente que é dever moral e direito fundamental de todos resistir às injustiças e trabalhar pela construção de uma sociedade em que a pessoa humana seja o primeiro dos valores‖. a nação ou a época em que nasceu. 100). de consciência. Desta forma.. facilitando a continuação e a repetição das agressões à dignidade humana. é imprescindível posturas de indignação. p.‖ (Milmann. 2004. Esse é um novo ponto de partida.] é que no mundo de hoje é praticamente impossível esconder a prática de violência grave contra grupos humanos e manter em silêncio os defensores dos direitos humanos. ―É preciso falar. sua indignação e suas demandas legítimas de reparação. conscientizar. os premiados. Parecemos. 2004.[. Constatála deveria incutir em nós. para a construção de uma sociedade mais justa e humana. p. (DALLARI. de severidade aos que agridem esses direitos. (DALLARI. 2004. suas necessidades e suas diferenças. salienta Betto (2000. Nenhum de nós escolheu a família. em face as muitas práticas de agressões a pessoa humana. Complementando. não nos dar conta desse acaso que consistiu um mundo tão desigual. Nesta perspectiva. 100). pois até há não muito tempo grande parte da humanidade sofria violências e isso permanecia na sombra. ―A defesa dos direitos humanos deve discernir a compreensão do sentimento das vítimas. 04): Um ser humano – da criança de rua a Bill Gates com seus U$$ 83 bilhões – é um milagre da vida. p. contudo. a classe social. ensinar.

] isso porque estão à margem do sistema estatal.. além de trazer consigo a realidade de um Estado que também é violador de direitos. ― [. ou maneiras de falar acerca de um certo número. 201)... p. 1997. quando nega ou exclui do cidadão à uma perspectiva de vida melhor. 207). grupos ou populações que não têm acesso ao mínimo necessário para a sua reprodução biológica e social —.‖ (FEIX.. 2004. não tem acesso mínimo à satisfação de suas necessidades. a exploração e o descaso político de nossos antepassados. Concretiza-se um déficit de cidadania de vários indivíduos que embora sejam sujeitos de direito (no papel). ainda. ou. Torna-se imprescindível a busca. considerando que a pobreza tenha sempre existido — pessoas. [. não garantindo aos cidadãos os direitos básicos a sua dignidade e sobrevivência. Defendido o princípio de que todos os homens têm os mesmos direitos e são iguais perante a lei. o egocentrismo. esse fato hoje vai contra os princípios que acreditamos deveriam nortear a sociedade humana. Este individualismo consiste na ―perspectiva segundo a qual o indivíduo é a unidade básica da análise política e os atos sociais são meras construções lógicas. o narcisismo e a competição da era atual. invisíveis em razão do ineficaz e excludente modelo de sujeito de direito.]. a reflexão e a dívida social com aqueles que sofrem com a exploração e a desconsideração como sujeitos de direitos. individual. É salutar o resgate em cada indivíduo dos valores que superam ao individualismo.de nascer em condições criadas pelo colonialismo. desses indivíduos e das relações entre eles.‖ (BLACKBURN. universal e abstrato. fica cada vez mais difícil justificar as diferenças sociais. Se todos possuímos os mesmos direitos. A realidade social desmistifica o papel do Estado como garantidor de direitos. quando se omite. como . p.

vez que tais números expressam quase a metade da população do país em situação de extrema miséria e pobreza. p. 05) ―[.] fileiras de barracos pobres. cheios de pessoas rudes e evidentemente desocupadas e crianças sujas vestindo farrapos.335 total.9% da população Frente estatísticas alarmantes preocupantes. na medida em que a pobreza aumenta. Ou seja.. notadamente. p.. Vazios são os lugares em que não se entra e onde se sentiria perdido e vulnerável.pode haver grupos que não têm acesso ao mínimo de bens produzidos pela sociedade? (COSTA. Referente a controvérsia existente entre a afirmação dos direitos humanos e a realidade social e o percentual de pobres no Brasil (que representa quase a metade da população) pode-se dizer que suas condições de vida comprometem todo embasamento teórico da Constituição do país.. decadentes e esquecidos.. paulatinamente. caracteriza-se a ineficácia das normas e dos tratados assinados pelo país. [.. de acordo com Pochmann et al (2005.164.. Segundo Cabral (2005. surpreendido e . perdendo os referenciais de cidadania‖. a falta de políticas públicas eficazes e a banalização e indiferença ao sofrimento humano por parte da sociedade.] pela falta de alternativas que são oferecidas a estas pessoas. 99).‖ de pessoas à pobres estas segundo o critério de e pobreza[4] relativa adaptado ao Brasil – representando 47. no que concerne à prescrição dos direitos e garantias fundamentais ao ser humano. aumenta a perversidade da realidade social..] o vazio do lugar está no olho de quem vê e nas pernas ou rodas de quem anda. o ―esquecimento e o desinteresse‖ a esses sujeitos. ―[. 1997. os efeitos da globalização e do capitalismo. conduzindo a perda da cidadania. 255). [. Assim. p. elas vão.] havia no Brasil 82.. ocasionados por vários aspectos multifacetados.

2000?. ―Vazio‖ é todo aquele que não se pergunta por que existe esta realidade. (PIOVESAN.um tanto atemorizado pela presença de humanos (BAUMAN. o combate as desigualdades sociais e a pobreza não devem consistir em simplesmente um ato de caridade. sem direitos. capaz combinar direitos e garantias nacional internacionalmente assegurados. sem interesse por estes lugares. de seres humanos vazios. com o intenso envolvimento da sociedade civil. os instrumentos internacionais constituem um poderoso mecanismo para reforçar a proteção de dos direitos humanos e o regime e democrático no país. e não de um determinado grupo ou governo. apenas mostraram seus efeitos. mas sim uma necessidade ética. 2001. conforme Salama e Valier (1997). ―Vazio‖ também pode ser usado não só para caracterizar esses lugares onde a ―modernidade. p. a grande crítica aqui compreende a falta de ação e ativismo em relação a defender os direitos humanos para todos e fazer algo para mudar esta realidade. ou atemorizado por esta situação. ou mais ―vazio‖ é aquele que nem importa-se com esta realidade! Nesse viés. sem um olhar digno e humano do ―outro‖. é relevante a participação de todos. ―Vazios‖ são todos que acostumaram-se a viver apenas a sua realidade. . seja ela pública ou privada. Desta forma. ―Vazio‖ é o ser humano. o que procura-se ressaltar consiste na banalização e invisibilidade das pessoas no que concerne a situação social de muitos indivíduos. Pode-se afirmar que. cujo perigo ou o temor vem de lugares vazios. Nesta perspectiva. a partir dos delineamentos de uma cidadania ampliada. 08). a globalização e o capitalismo‖ ainda não chegaram. Por outro lado. como mudar esta realidade. econômica e social. descompromissado. na qual prefere viver bem distante. p. Em uma realidade perversa como esta. 121-122).

Quanto ao conceito de banalização. devido a novos ‗valores e normas‘ de um mundo globalizado e capitalista. não se pode olvidar de mencionar um contexto que contribui cada vez mais para a situação desoladora da questão social do país. torna-se necessário. p. que consiste no recalcamento/banalização e insensibilidade das pessoas a essa realidade. em face a perversidade e banalização da realidade social. mobiliza progressivamente um número crescente de pessoas a serviço da execução do mal.Enfim. o processo que. além disso. que apesar de terem seus direitos postulados em normas constitucionais nacionais e internacionais. estão a margem de seus efeitos. é notório o envolvimento de todos na busca de uma nova condição de vida a esses milhões de excluídos. 4 EM BUSCA DE UMA NOVA PERSPECTIVA PARA OS DIREITOS HUMANOS Frente a esta situação perversa em que as pessoas não possuem o mínimo de acesso a seus direitos e garantias fundamentais. por outro. grifos do autor) nos remete o termo ―banalização do mal‖. mas. primando pela redução deste quadro desumano que caracteriza a realidade brasileira. A reversão destes números alarmantes só se concretizarão a partir de uma nova perspectiva ou visão em face à questão dos direitos humanos. fazendo delas ―colaboradores‖. por um lado. desdramatiza o mal (quando este jamais deveria ser desdrarmatizado) e. caracterizando a invisibilização/naturalização dos fenômenos. Assim. que compreende Entendemos por banalização do mal não somente a atenuação da indignação contra a injustiça e o mal. Dejours (2001. . 138. buscar novas perspectivas que visem à efetivação dos direitos humanos elencados na Constituição e nos tratados internacionais.

pode ser considerada como uma população dos ―normopatas‖. caracterizado pela ―banalização do mal‖. As pessoas vêem como ‗natural‘ a situação de uma criança maltrapilha pedindo moedas em praças ou em frente de departamentos comerciais. a população que consente a injustiça e o sofrimento. bem como a criança que cata lixos. E esse comportamento de omissão e indiferença ao sofrimento humano. de outro. já que isso tornou-se ―natural‖ devido a seu crescimento assustador. a indiferença e a tolerância crescente. um mundo excludente. constituem algo ―natural‖ que caracterizam o cenário brasileiro.. dos estereótipos sobre a guerra econômica e a guerra das empresas. a retomada. caracterizado pelo jogo do ‗salve-se quem puder‘. justifica-se pela ausência interventora.O emprego e utilização da expressão ―banalidade do mal‖. colaborando para a banalização da injustiça social. não pode ser menosprezado o atual momento que a sociedade vive. 117) [.. induzindo a atribuir o mal à ―causalidade do destino‖. Tanto o velho que dorme nas calçadas. enfim. já que se omite a esta realidade perversa. Para Dejours (2001). . que corresponde a falta de indignação perante a injustiça. acomodando-se. Nesse viés salienta Dejours (2001. na sociedade neoliberal. enquanto a pauperização atinge simultaneamente uma parcela crescente da população. guiado por outros valores e premissas que contribuem para este cenário perverso e preocupante. a omissão em não agir. Por outro lado. ou seja. crítica e ativa em face a questão da realidade social e a violação aos direitos humanos. p. a falta de indignação e de reação coletiva em face da injustiça de uma sociedade cuja riqueza não pára de aumentar.] de um lado. à adversidade e ao sofrimento de uma parcela de nossa população. Poucos se sensibilizam ou se questionam sobre tais acontecimentos. também. pela grande maioria de nossos concidadãos.

O engajamento do corpo e da alma foi substituído por uma participação passageira. criando uma postura crítica e consciente. e de outro. p.‖ E . esta situação é uma condição inevitável. de um lado a razão cínica versus um conformismo. ―[. é fundamental e que cada indivíduo deve refletir sobre esta questão. pois apontam.. existe um pensamento cínico por parte das elites. Nesse sentido. (GENEVOIS. 2005.] também o povo. 06). p. 282). mostrando a deficiência dos institutos jurídicos (do Estado. nós todos. de acordo com os desejos primeiros de autonomia individual. 17). É o tempo do engajamento mínimo em eco à ideologia mínima dos direitos do homem e à sensibilidade às devastações da pobreza. que justificam o problema como uma armação fixa da realidade. Além disso. A Educação em Direitos Humanos objetiva formar a consciência do indivíduo para que ele seja o sujeito de sua própria história. 2006. Tais visões tornam a problemática mais complexa e perversa. a indiferença e imobilização de uma parcela da sociedade com relação aos problemas do país. se não existem valores para nortear os atos e se os cidadãos desconhecem seus Direitos e Deveres. como queremos. visa incutir o ideal de uma sociedade justa e democrática. sendo que para a classe mais pobre. p. As leis e as constituições são insuficientes. cada um possui sua cota de responsabilidade para com a atual situação social do país. especialmente). o espírito de tolerância e a fraternidade ao mesmo tempo em que a determinação de lutar pelos que não têm direitos. quanto à realidade social. somos uma parte integrante da Constituição. é relevante aludir que a problemática dos direitos humanos. (LIPOVETSKY.. consagramos a ela o tempo e o dinheiro que queremos. que acabam normalizando o sofrimento humano. De acordo com Lassalle (2001. à la carte. Somando-se a isso.

salienta Rocha (2004. no assaltante que ameaça e que. porque ela está na criança que esmola. nos garotos que roubam e cheiram cola. A casa dos . como considerar a Constituição a lei que permite a libertação de todos pela garantia das liberdades? E como produzir um constitucionalismo que obrigue o holofote sob os pilares soturnos nos quais não mais se recolhem ratos. consciência. p. jurídica e principalmente humana. as crianças trabalhando. A presente citação retrata a realidade social. de direitos. Muitos não se importam se as pessoas estão passando fome. principalmente. mas homens? Apenas a adesão plena dos cidadãos de todos os cantos. mata. mendigando nas ruas. na mulher que chafurda o lixo. grande parte da sociedade levada pela ideologia do capitalismo. recantos. contribuem para perversidade da realidade sociedade. A falta de valores e de comprometimento com a realização da justiça social no país.] se a insensibilidade banaliza a crueldade da situação social dessas pessoas desvestidas não apenas de roupas mas.como parte integrante da lei maior do país também é dever do povo lutar para a diminuição das desigualdades e a concretização dos dispositivos constitucionais. 07) que [. onde o Ter é sumariamente relevante. ética.. mas que faz parte da paisagem brasileira. do humanismo e da solidariedade. Destarte. simplesmente. os homens lutando por um pedaço de terra ou morando em favelas. mencionam ser um problema do governo. Segundo Milmann (2004) para as pessoas. acabam ―esquecendo‖ dos valores. no que concerne a banalidade da realidade social.. a miséria é como uma inevitabilidade que se lamenta e se desaprova. encantos e desencantos do mundo será capaz de assegurar que a Constituição faça-se viva nos povos e os direitos humanos ativos para todos os homens. às vezes. ou perversamente muitos nem ―vêem‖ esses problemas! Infelizmente.

tolerância e fraternidade – fundamentos de uma nova ordem social. gerou-se um grave apartheid social no país. direitos e responsabilidades. Assim. prioritariamente. o papel como agente consciente e promovedor do bem comum. é pertinente ressaltar que frente à toda a crise de violação de direitos. criar uma cultura cujo embasamento seja o homem com dignidade. ética. ―A exclusão social que violenta a maior parte da população brasileira está a exigir a nossa indignação. no que concerne a realidade do país.8): Educar para os Direitos Humanos é.brasileiros é ainda um refúgio. Para chegarmos a uma sociedade justa e democrática a que aspiramos. a participação de cada cidadão. complementa Genevois (2006. é imperioso extirpar com a insensibilidade e banalização dos brasileiros com relação à realidade social. o reconhecimento dos valores humanos em uma esfera global. é possibilitar a reflexão. A totalidade da cidadania apenas . Segundo Herkenhoff (2002. p. 67). desenvolver o espírito crítico e incitar o reconhecimento e a aceitação do ―diferente‖ nos outros. torna-se necessário pensar a idéia de direitos humanos a partir de novos viesses e realidades. Portanto. ou seja. justiça. é essencial mudar as mentalidades. a derradeira proteção contra uma realidade que muitos são incapazes de mudar. Desse modo. somente com uma nova postura da sociedade e das instituições jurídicas é possível mudar a realidade social deste país. Acreditamos que isso só acontecerá pela educação e uma educação que incuta valores. Uma sociedade não tem futuro se perde a sua capacidade de se indignar. com mais consciência e em busca do humanismo[5] universal. É fundamental aguçar em cada um. p. Por outro lado. tornando-se mister. Nós temos de nos indignar frente a marginalização que sacrifica milhões de irmãos brasileiros‖. Nessa perspectiva.

na medida em que todos são responsáveis pelo atual estado das coisas. As grandes violações dos direitos humanos. envolvendo outros valores. p. é necessário homens novos. uma luta incessante do poder público com toda a população. que respeite os direitos do homem. DALPIAZ. com novas posturas e consciência para uma sociedade nova. é imperioso a consciência de cada indivíduo. regimes e modelos impostos ao povo. (NEUMANN.].. A chama da liberdade. operadores do direito e demais agentes que preocupam com a temática dos direitos humanos vale enfatizar que a luta por um direito efetivo é essencial e incessante. Assim. [. p..] antes de questionar os sistemas. como menciona Sen (2000.. 18). Desta forma. 2004. 552). Desta forma. ―[. 1991. Contribuindo com este estudo. das classes sociais. da universidade. 11): ―A vida do direito é a luta: luta dos povos. bem como a atuação de toda a sociedade.] indo além de nosso bem-estar ou auto-interesse amplamente definidos. devemos questionar a nós mesmos. começam nas pequenas e diárias lesões de egoísmo e mentira contra os nossos próximos mais próximos. Na fímbria do horizonte já luzem os primeiros sinais da aurora..] ainda é tempo de mudar de rota e navegar rumo à salvação.. pois apesar da perversidade social. dos governos. através de sistemas e regimes de força. dentro da família. a todos os juristas.. da escola. (COMPARATO.pode ser conquistada por meio da conscientização de cada indivíduo. em uma nova perspectiva o autor supracitado afirma que o direito constitui um trabalho sem tréguas. da igualdade e da solidariedade haverá de iluminar a Terra inteira‖. Ali se ensaia o futuro da sociedade. 306-307). como ressalta Ihering (2004.. econômicas e sociais começam nas microditaduras dentro de nós mesmos. podemos estar dispostos a fazer sacrifícios para promover outros .. ―[. Para a construção de um mundo novo. dos indivíduos‖. pois as macroditaduras políticas. p. [. p.

antes que voltese a barbárie. E aos governos cabe a tarefa de deixar de lado aspectos meramente econômicos e preocupar-se em desenvolver o aspecto social. e embora protegidos e são expressos em constituições declarações internacionais. que tenha coragem de não apenas salientar sobre o que está acontecendo e mostrar sua indignação. quando houver a ruptura do conformismo. dar o primeiro passo para contribuir para a afirmação e efetivação dos direitos humanos. como justiça social. constantemente violados. A emancipação e efetivação dos direitos humanos dar-se primeiramente. mesmo que seja utópico.valores. cabe a sociedade a conscientização. distribuir renda e dignidade de forma igualitária. A globalização e o capitalismo. por compromisso. contribuem para a constante violação desses direitos. Desta forma. nacionalismo ou bem-estar da comunidade‖. a revolta. mas é notório despertar em cada indivíduo o seu papel como agente de transformação das realidades. um dos grandes desafios em face à questão dos direitos humanos não consiste em apenas mencionar a realidade quanto a sua perversidade e afirmação das violações dos mesmos. da mesquinhez e da indiferença ao sofrimento humano. mas a partir do sentimento de justiça também chamar para si a responsabilidade. e o fazer não por caridade. a indignação. Torna-se de suma relevância frente à temática. uma nova postura de cada cidadão brasileiro. além de outros fatores. . ou que apenas dizem que as normas não são cumpridas. CONCLUSÃO Os direitos humanos. É preciso lutar por um futuro novo. Desta forma. para buscar a transformação e a emancipação dos homens. mas por humanidade. É necessário deixar de lado posturas meramente piedosas.

Carlos Nelson Coutinho.n. 2001. 14ª tiragem. 1996. Trad. ed. BAUMAN. 33. as proposições enfocadas neste estudo não pretendem esgotar ou categorizar a temática em suas múltiplas relações. As ações afirmativas como meio para superação das desigualdades raciais e de gênero. Roberto Raposo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. [S. Betto. n. Modernidade líquida. e ampl. Jus Navigandi. Gaudêncio (Org. [2000?]. Teoria Geral dos Direitos Humanos. a complexidade e relevância da problemática cabe buscar novas idéias. São Paulo: Cortez/Clacso. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. In: GENTILI. Constituição da República Federativa do Brasil. 1997. Trad. novos viesses e reflexões na busca da concretização dos direitos humanos. Norberto. 13 maio 2005. Simon. Devido.). Ricardo. BOBBIO. Zygmunt. A era dos direitos. 677. Hannah. Trabalho e precarização numa ordem neoliberal. ANTUNES. São Paulo: Companhia das Letras. ARENDT. a diminuição das desigualdades e da exclusão e a efetivação da justiça social. São Paulo: Saraiva. Teresina. BRASIL. Rio de Janeiro: Campus. 1992. ed.. BLACKBURN. Em defesa do milagre da vida. Karina Melissa. Pablo. CABRAL. In: Direitos Humanos no Brasil 2000. atual.: s. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor.L. 2. REFERÊNCIAS ALMEIDA. Dicionário Oxford de Filosofia. FRIGOTTO.]. 2004.Por fim. ano 9. Origens do Totalitarismo. 2001. . Brasil x apartheid social. Fernando Barcellos de. A Cidadania Negada: políticas de exclusão na educação e no trabalho. 1997. Frei.

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[1] Cf. seria a situação que estariam aqueles indivíduos. [4] Quanto a Pobreza relativa. [2] Violência Estrutural caracteriza-se pela atuação de grupos econômicos ou classes dominantes que utilizam as normas e as leis para manter sua posição privilegiada. compartilhada por todos os cidadãos de maneira a garantir a todos as condições de uma sobrevivência digna. [3] Segundo Corrêa (2002) cidadania pode ser definida como a organização democrática de uma sociedade. ou mediana em um país. que ainda que tenham superado as necessidades básicas. . [5] De acordo com Wolkmer (2003) o humanismo pode ser definido como o processo de reconhecimento e promoção dos valores humanos enquanto princípios. práticas e relações no passado e presente. superando a exclusão e as desigualdades. Sarlet (2002). vivem em um nível de renda inferior a um determinado parâmetro definido a partir da renda média.

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